EDUCAÇÃO CRISTÃ

Básico em
SUMÁRIO

1 - SOBRE A EDUCAÇÃO TEOLÓGICA....................................................................... 3
2 - INTRODUÇÃO À TEOLOGIA PRÓPRIA .................................................................. 3
2.1. O SER DE DEUS ......................................................................................................4
2.2. OS ATRIBUTOS DE DEUS...........................................................................................5
3 - INTRODUÇÃO À TRINDADE................................................................................. 8
3.1. AS TRÊS PESSOAS DA TRINDADE ................................................................................8
4 - INTRODUÇÃO À HISTÓRIA E DOUTRINA DA IGREJA ........................................... 8
4.1. NOMES BÍBLICOS DA IGREJA......................................................................................8
4.2. A IGREJA ANTES DA REFORMA ...................................................................................9
4.3. A IGREJA NO PERÍODO DA REFORMA......................................................................... 10
4.4. A IGREJA APARTIR DO SÉCULO XVIII ........................................................................ 11
4.5. O GOVERNO DA IGREJA .......................................................................................... 11
4.6. O PODER E A FONTE DO PODER DA IGREJA ................................................................ 12
5 - INTRODUÇÃO AO BATISMO CRISTÃO................................................................ 13
5.1. NO MUNDO GENTÍLICO ........................................................................................... 13
5.2. FOI INSTITUÍDO COM AUTORIDADE DIVINA.................................................................. 14
5.3. A DOUTRINA DO BATISMO NA HISTÓRIA ..................................................................... 14
5.4. O MODO PRÓPRIO DO BATISMO................................................................................ 15
6 - INTRODUÇÃO À CRISTOLOGIA.......................................................................... 15
6.1. RELAÇÃO ENTRE ANTROPOLOGIA E CRISTOLOGIA ........................................................ 15
6.2. DESENVOLVIMENTO DA DOUTRINA DE CRISTO ............................................................ 15
6.3. OS NOMES DE CRISTO............................................................................................ 16
6.4. OS OFÍCIOS DE CRISTO........................................................................................... 18
6.5. O ESTADO DE CRISTO ............................................................................................ 19
7 - INTRODUÇÃO À HARMATIOLOGIA..................................................................... 21
7.1. A ORIGEM DO PECADO ........................................................................................... 21
7.2. A NATUREZA DO PRIMEIRO PECADO OU DA QUEDA DO HOMEM ..................................... 22
7.3. A IDÉIA BÍBLIA DO PECADO ..................................................................................... 22
7.4. O PECADO NA VIDA DA RAÇA HUMANA ...................................................................... 23
7.5. A PUNIÇÃO DO PECADO........................................................................................... 24
7.6. MORTE ESPIRITUAL ................................................................................................ 24
7.7. O QUE É PECADO .................................................................................................. 24
8 - INTRODUÇÃO À ANGELOLOGIA......................................................................... 25
8.1. A EXISTÊNCIA DOS ANJOS ....................................................................................... 25
8.2. ANJOS NA BÍBLIA ................................................................................................... 25
8.3. A CRENÇA UNIVERSAL SOBRE ANJOS........................................................................ 25
8.4. A DOUTRINA DOS ANJOS E A TEOLOGIA SISTEMÁTICA .................................................. 26
8.5. A CRIAÇÃO DOS ANJOS........................................................................................... 27
8.6. A NATUREZA DOS ANJOS......................................................................................... 27
9 - INTRODUÇÃO À SOTERIOLOGIA ....................................................................... 28
9.1. A ORDEM DA SALVAÇÃO (ORDO SALUTIS) .................................................................. 28
10 - INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA .................................................................. 33
11 - A HERMENÊUTICA E A EXEGESE .................................................................. 33
11.1. INTERPRETAÇÃO DAS ESCRITURAS ............................................................................ 34
11.2. VISÃO PANORÂMICA DA HISTÓRIA ............................................................................. 34
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11.3. ANÁLISE HISTÓRICO-CULTURAL E CONTEXTUAL. ......................................................... 35
11.4. ANÁLISE LÉXICO-SINTÁTICA..................................................................................... 36
11.5. SIGNIFICADOS DAS PALAVRAS .................................................................................. 36
11.6. ANÁLISE TEOLÓGICA .............................................................................................. 37
11.7. TEORIA DISPENSACIONAL ........................................................................................ 37
11.8. TEORIA LUTERANA ................................................................................................. 38
11.9. TEORIA DAS ALIANÇAS ............................................................................................ 38
11.10. INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA ESPECIAL.............................................................. 39
11.11. TIPOLOGIA BÍBLICA............................................................................................. 39
11.12. CLASSIFICAÇÕES DOS TIPOS ................................................................................ 40
11.13. PROFECIA ......................................................................................................... 41
11.14. LITERATURA APOCALÍPTICA .................................................................................. 41
12 - INTRODUÇÃO À HOMILÉTICA........................................................................41
12.1. A PREPARAÇÃO ESPIRITUAL ..................................................................................... 42
12.2. O ESTUDO DA BÍBLIA ............................................................................................. 42
12.3. A TAREFA DO MINISTRO.......................................................................................... 42
12.4. O PREPARO DA MENSAGEM..................................................................................... 43
12.5. SERMÃO............................................................................................................... 43
12.6. CLASSIFICAÇÃO DOS SERMÕES ................................................................................ 46
12.7. ILUSTRAÇÕES........................................................................................................ 47
12.8. CONSELHOS PRÁTICOS NO PREPARO DA MENSAGEM.................................................... 48
13 - INTRODUÇÃO À ESCATOLOGIA......................................................................48
13.1. O ARREBATAMENTO DA IGREJA (LC 21:34-36; JO 14:3; MT 25:1-6) ............................ 48
13.2. AS BODAS DO CORDEIRO........................................................................................ 49
13.3. A GRANDE TRIBULAÇÃO.......................................................................................... 49
13.4. A VOLTA DE JESUS À TERRA.................................................................................... 50
13.5. O JULGAMENTO DAS NAÇÕES (MT 25:31 - 34,41,46). ................................................ 50
13.6. O MILÊNIO ........................................................................................................... 50
13.7. O JUÍZO DO GRANDE TRONO BRANCO (AP 20:11-15).................................................. 51
13.8. O ESTADO ETERNO................................................................................................ 52

















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1 - SOBRE A EDUCAÇÃO TEOLÓGICA
Estamos vivendo tempos de fome espiritual, onde heresias têm procurado se instalar
no seio da Igreja; Deus levantou o projeto para um grande avivamento espiritual. Não basta
apenas termos talentos naturais ou compreensão das conseqüências das crises que o
mundo atravessa. Precisamos exercer influências com nosso testemunho perante os que
dispomos a ensinar a Palavra de Deus. É muito importante porque nos dará ampla visão da
teologia Divina, atrairá futuros líderes ao aprendizado e criará um ambiente mais espiritual
na nossa Igreja (Koinonia). Aprendizados errados geram desastres e resistência à Obra de
Deus. Somente o correto de forma correta leva ao sucesso, na consciência e submissão ao
Espírito Santo que rege a igreja. Temos que combinar estratégias de ensino com o caráter
revelado em nossas vidas; devemos incentivar a confiança dos alunos na Escritura, com
coerência e potencial. Temos capacidade, em Deus, de mudarmos o mundo, começando do
mundo interior das consciências humanas dos alunos, que se tornarão futuros
evangelizadores capacitados na Bíblia. Tome esta certa decisão: Estude, antes, o material,
reúna seus alunos, apresente os planos de aula, dê um tempo para refletirem, divulgue a
doutrina, em conjunto, como facilitador do processo educacional, tranqüilize e encoraje os
outros a fazerem parte de novas turmas. Não preguemos a verdade para ferirmos os outros
ou para destruir, mas para ajudar e corrigir as almas, com amor, esperando que Deus lhes
conceda o entendimento do Reino dos Céus.
Como facilitador da visão de ensino, conheça os quatro pilares da Educação:
1. Aprender a Conhecer: Tenha a humildade de saber que não sabes tudo;
Seja competente, compreensivo, útil, atento, memorizador e informe o
assunto de forma contextualizada com a realidade atual.
2. Aprender a fazer: Seja Preparado para ministrar as aulas, conhecendo a
matéria previamente, estimulando a criatividade dos alunos, preparando-
os para a tarefa determinada de Jesus de serem discípulos.
3. Aprender a Viver juntos: Estimule a descoberta mútua entre os alunos da
Palavra de Deus, em forma de solidariedade, cooperativismo, promovendo
auto-conhecimento e auto-estima entre os alunos, na solidariedade da
compreensão mútua; o objetivo do curso não é apenas ter conhecimento,
mas “ser cristão”.
4. Aprender a Ser: Resgate a visão holística (completa) e integral dos alunos,
preparando-os para integrarem corpo, alma e espírito com sensibilidade,
ética, responsabilidade social e espiritualidade, formando juízo de valores,
levando-os a aprenderem a decidirem por si mesmos, com a ajuda do
Espírito Santo. Lembrem-se de que a primeira impressão é a que fica
marcada na consciência. Temos que ser perceptivos, hábeis para lidar com
as dúvidas, sem agressões, procurando soluções com base bíblicas sem
fundamentalismo de usar textos sem contextos por pretextos de
posicionamentos individuais. Estimule os alunos, com liberdade de
pensamento para terem respostas. Tome comum a mensagem, filtrando os
resultados no bom-senso. Seja amável, compreensivo, sincero, sem ter uma
visão exclusivista do seu ponto de vista, em detrimento da Palavra de
Deus, que sempre é o referencial.
2 - INTRODUÇÃO À TEOLOGIA PRÓPRIA
As obras de dogmática ou de Teologia Sistemática geralmente começam com a
Doutrina de Deus. Há boas razões para começar com a Doutrina de Deus, se partirmos da
admissão de que a Teologia é o conhecimento sistematizado de Deus de quem, por meio de
quem, e para quem são todas as coisas. Em vez de surpreender-nos de que a dogmática
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começa a Doutrina de Deus, bem poderíamos esperar que fosse completamente um estudo
de Deus, em todas as suas ramificações do começo ao fim.
Iniciamos o estudo de Teologia com duas pressuposições, a saber:
1. Que Deus existe.
2. Que Ele se revelou em Sua Palavra Divina.
Para nós a existência de Deus é a grande pressuposição da Teologia, pois não há
sentido em falar-se do conhecimento de Deus, senão se admite que Deus existe. Embora a
verdade da existência de Deus seja aceita pela fé, esta fé se baseia numa informação
confiável. O Cristão aceita a verdade da existência de Deus pela fé. Mas esta fé não é uma fé
cega, mas fé baseada em provas, e as provas se acham, primariamente, na Escritura como a
Palavra de Deus inspirada, e, secundariamente, na revelação de Deus na natureza. Nesse
sentido a Bíblia não prova a existência de Deus. O que mais se aproxima de uma declaração
talvez seja o que lemos em Hebreus 11:6: A Bíblia pressupõe a existência de Deus em sua
declaração inicial: “No principio criou Deus os céus e a Terra”. Vê-se Deus em quase todas
as páginas da Escritura Sagrada em que Ele se revela em palavras e atos. Esta revelação de
Deus constitui a base da nossa fé na existência de Deus, e a torna uma fé inteiramente
razoável. Deve-se, notar, que é somente pela fé que aceitamos a revelação de Deus e que
obtemos uma real compreensão do seu conteúdo. Disse Jesus, Se alguém quiser fazer a
vontade dele conhecer· a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim
mesmo (Jô 7:17). É estes conhecimentos intensivos, resultantes da intima comunhão com
Deus, que Oséias tem em mente quando diz: “Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao
Senhor” (Oséias 6:3). O incrédulo não tem nenhuma real compreensão da Palavra de Deus.
As Palavras de Paulo são muito pertinentes nesta conexão: Onde está o sábio? Onde o
escriba? Onde o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria do
mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria
sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem, pela loucura da pregação (1 Co 1:20,21).
2.1. O Ser de Deus
Relação do Ser e dos Atributos de Deus. O Ser de Deus. É evidente que o Ser
de Deus não admite nenhuma definição cientifica. Uma definição Genético-sintética
assim, não se pode dar de Deus, visto que Deus não é um dentre várias espécies de
deuses, que pudesse ser classificado sob um gênero único. No máximo, só é
possível uma definição analítico-descritiva. Esta simplesmente menciona as
características de uma pessoa ou coisa, mas deixa sem explicação o ser essencial. E
mesmo uma definição dessas não pode ser completa, mas apenas parcial, porque é
impossível dar uma descrição de Deus positiva exaustiva. (Como oposta a uma
negativa). A Bíblia nunca opera com um conceito abstrato de Deus, mas sempre O
descreve como o Deus vivente, que entra em várias relações com as suas criaturas,
relações que indicam vários atributos diferentes. Sua essência em (Pv 8:14), a
natureza de Deus em (2 Pe 1:4). Outra passagem repetidamente citada como
contendo uma indicação da essência de Deus, e como a que mais se aproxima de
uma definição na Bíblia é João 4:2: Deus é espírito, e importa que os seus
adoradores o adorem em espírito e em verdade. O ser de Deus é caracterizado por
profundidade, plenitude, variedade, e uma glória que excede nossa compreensão e a
Bíblia apresentam isto como um todo glorioso e harmonioso, sem nenhuma
contradição inerente. E esta plenitude de Deus acha expressão nas perfeições de
Deus, e não doutra maneira. Da simplicidade de Deus segue-se que Deus e Seus
atributos são um. Comumente se dizem que os atributos de Deus são o próprio
Deus, como Ele se revelou a nós. Os escolásticos acentuavam o fato de que Deus é
tudo quanto Ele tem. Ele tem vida, luz, sabedoria, amor e justiça, e se pode dizer
com base na Escritura que Ele é vida, luz, sabedoria, amor e justiça. Os
escolásticos afirmavam ademais, que toda a essência de Deus é idêntica a cada um
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dos atributos, de modo que o conhecimento de Deus, é Deus, a vontade de Deus, é
Deus, e assim por diante. Alguns deles chegaram mesmo a dizer que cada atributo
é idêntico a cada um dos demais atributos, e que não existem distinções lógicas em
Deus.
2.2. Os Atributos de Deus
1. Atributos Incomunicáveis
Salientam o Ser absoluto de Deus. Considerando absoluto como aquilo que é livre de
todas as condições (ou Incondicionado ou Auto-existente), de todas as relações (o
Irrelacionado), de todas as imperfeições (o Perfeito), ou livre de todas as diferenças ou
distinções fenomenológicas, como matéria e espírito, ser e atributos, sujeito e objeto,
aparência e realidade (O real, a realidade última).
A. A existência Autônoma de Deus como o Ser auto-existente e independente que
Deus pode dar a certeza de que permanecer· eternamente o mesmo, com relação ao seu
povo.
Encontram-se indicações adicionais disso na afirmação presente em (Jo 5:26). Na
declaração de que ele é independente de todas as coisas e que todas as coisas só existem
por meio dele (Sl 94:8s.; Is 40:18 s.; At 7:25) e nas afirmações que implicam que Ele é
independente em seu pensamento (Rm 11:33,34) em sua vontade (Dn 4:35 ; Rm 9:19; Ef 1:5
; Ap 4:11) em seu poder (Sl 115:3, e em seu conselho (Sl 33:11).
B. A Imutabilidade de Deus. Em virtude deste atributo, Ele é exaltado acima de tudo
quanto há, e é imune de todo acréscimo ou diminuição e de todo desenvolvimento ou
diminuição e de todo desenvolvimento ou decadência em seu ser e em suas perfeições. A
imutabilidade de Deus é claramente ensinada em passagens da Escritura como (Ex 3:14; Sl
102:26-28; Is 41:4; 48:12; Ml 3:6; Rm 1:23; Hb 1:11,12; Tg 1:17).
C. A infinidade de Deus.
1. Sua perfeição absoluta - O poder infinito não é um quantum absoluto, mas, sim,
um potencial inexaurível de energia, e a santidade infinita não é um quantum
ilimitado de santidade, mas, sim, uma santidade qualitativamente livre de toda
limitação ou defeito. A prova bíblica disto acha-se em (Jó 11:7-10; Sl 145:3; Mt
5:48).
2. Sua eternidade - A infinidade de Deus em relação ao tempo é denominada
eternidade A forma em que a Bíblia apresenta a eternidade de Deus está
nas passagens bíblicas de (Sl 90:2; 102:12; Ef 3:21).
3. Sua imensidade - A infinidade de Deus também pode ser vista com
referência ao espaço, sendo, então, denominada imensidade. Em certo
sentido, os termos imensidade e onipresença, como são aplicados a Deus,
denotam a mesma coisa e, portanto, podem ser considerados sinônimos. A
onipresença de Deus é revelada claramente na Escritura (1 Rs 8:27; Is
66:1; At 7:48,49; Sl 139:7-10; Jr 3:23,24; At 17:27,28).
D. A unidade de Deus.
1. Unitas Singularitatis - este atributo salienta a unidade e a unicidade de Deus, o
fato de que Ele é numericamente um e que, como tal, Ele é único. Provas bíblicas
comprovam com passagens de texto em (1 Rs 8:60 ; 1 Co 8:6 ;1 Tm 2:5). Outras
passagens salientam, não a unidade, mas a sua unicidade (Dt 6:4, Zc 14:9, x
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15:11).
2. Unitas Simplicitatis - quando falamos da simplicidade de Deus, empregamos o
termo para descrever o estado ou qualidade que consiste em ser simples, a
condição de estar livre de divisão em partes e, portanto, de composição. A
perfeição agora em foco expressa a unidade interior e qualitativa do ser divino. A
escritura não a afirma explicitamente, mas ela está implícita onde a Bíblia fala de
Deus como justiça, verdade, sabedoria, luz, vida, amor, etc. E, assim, indica que
cada uma destas propriedades, devido a sua perfeição absoluta, é idêntica ao seu
ser.
2. Atributos Comunicáveis.
Através dos atributos comunicáveis Deus se relaciona com seres morais, conscientes,
inteligentes e livres, como um Ser pessoal, normal e elevado.
A. A Espiritualidade de Deus. A Bíblia não nos dá uma definição de Deus. O que mais
se aproxima disso é a palavra dita por Jesus á mulher samaritana: Deus é espírito (Jo 4:24).
Trata-se, ao menos, de uma declaração que visa dizer-nos numa única palavra o que Deus
é. A idéia de espiritualidade exclui necessariamente a atribuição de qualquer coisa
semelhante a corporalidade a Deus e, assim condena as fantasias de alguns dos antigos
gnósticos e dos místicos medievais, e de todos os sectários dos nossos dias que atribuem o
corpo a Deus. Atribuindo espiritualidade a Deus, podemos afirmar que Ele não tem
nenhuma das propriedades pertencentes á matéria, e que os sentidos corporais não O
podem discernir. Paulo fala dele como o Rei eterno, imortal, invisível (1 Tm 1:17), e como o
Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que possui imortalidade, que habita em luz
inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A Ele honra e poder
eterno. Amém. (1 Tm 6:15,16).
3. Atributos Intelectuais.
A. O Conhecimento de Deus. Pode-se definir o conhecimento de Deus como a perfeição
de Deus pela qual Ele, de maneira inteiramente única, conhece-se a Si próprio e a todas as
coisas possíveis e reais num só ato eterno e simples. A Bíblia atesta abundantemente o
conhecimento, como por exemplo, em (1 Sm 2:3 ; Jó 12:13 ; Sl 94:9 ; 147:4 ; Is 29:15 ;
40:27,28).
B. Sua Natureza. O conhecimento caracterizado por perfeição absoluta; inato e
imediato, e não resulta de observação ou de um processo de raciocínio. O conhecimento que
Deus tem de Si mesmo e de todas as coisas possíveis, um conhecimento que repousa na
consciência de Sua onipotência. Chamado necessário porque não é determinado por uma
ação da vontade divina. Também é conhecido como conhecimento de simples inteligência,
em vista do fato de que é pura e simplesmente um ato do intelecto divino, sem nenhuma
ação concomitante da vontade divina. O livre conhecimento de Deus, é aquele que ele tem
de todas as coisas reais, isto é, das coisas que existiram no passado, que existem no
presente ou que existirão no futuro. Fundamenta-se no conhecimento infinito que Deus tem
do seu propósito eterno, totalmente abrangente e imutável e é chamado livre conhecimento
porque é determinado por um ato concomitante da vontade.
C. Sua Extensão. O conhecimento de Deus não é perfeito somente em sua natureza,
mas também em sua abrangência. É chamada onisciência, porque é absolutamente
compreensivo. Diversas passagens da Escritura ensinam claramente a onisciência de Deus.
Ele é perfeito em conhecimento, (Jó 37:16), não olha para a aparência exterior, mas para o
coração (1 Sm 16:7 ; 1 Cr 28:9,17 ; Sl 139:1-4; Jr 17:10), observa os caminhos dos homens
(Dt 2:7 ; Jô 23:10; 24:23; 31:4 ; Sl 1:6; 119 :168), conhece o lugar da sua habitação (Sl
33:13) e os dias da sua vida (Sl 37:18). A escritura ensina a presciência divina de eventos
contingentes (1 Sm 23:10-13 ; 2Rs 13:19 ; Sl 81:14,15; Is 42:9; 48:18; Jr 2:2,3;38:17-20: Ez
3:6 ; Mt 11:21).
A Sabedoria de Deus. Pode-se considerar a sabedoria de Deus como um aspecto do
Seu conhecimento. O conhecimento é adquirido pelo estudo, mas a sabedoria resulta de
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uma compreensão intuitiva das coisas. A Escritura refere-se à sabedoria de Deus em muitas
passagens, e até a apresenta como personificada em Provérbios 8. Vê-se esta sabedoria
particularmente na criação (Sl 19: 1-7 ; 104 : 1-34), na providência (Sl 33:10,11; Rm 8:28) e
na redenção (Rm 11:33; 1 Co 2:7 ; Ef 3:10).
D. A veracidade de Deus. Quando se diz que Deus é a verdade, esta deve ser
entendida, em seu sentido mais abrangente. Primeiramente Ele é a verdade num sentido
metafísico, isto é, nEle a idéia da Divindade se concretiza perfeitamente; Ele é tudo que
como Deus deveria ser e, como tal, distingui-se de todos os deuses, os quais são chamados
ídolos, nulidades e mentiras (Sl 96:5; 97:7; 115:4-8; Is 44: 9,10). Ele é também a verdade
num sentido Ético e, com tal, revela-se como realmente é, de modo que a sua revelação é
absolutamente confiável (Nm 23:19; Rm 3:4; Hb6:18). Finalmente, Ele é também a verdade
num sentido lógico e, em virtude disto, conhece as coisas como realmente são, e constitui de
tal modo a mente do homem que este pode conhecer, não apenas a aparência, mas também
a realidade das coisas. A Escritura é muito enfática em suas referências a Deus como a
verdade (Ex 34:6; Nm 23:19; Dt 32:4; Sl 25:10; 31:6; Is 65:16; Jr 10:8,10,11; Jo 14:6; 17:3;
Tt 1:2; Hb 6:18; 1 Jo 5:20,21).
4. Atributos Morais.
A. A Bondade de Deus. (Mc10:18; Lc 18:18,19; Sl 36:9; Sl 145:9,15,16; Sl 36:6;
104:21; Mt 5:45; 6:26; Lc 6:35; At 14:17).
B. O Amor de Deus. (Jo 3:16; Mt 5:44,45; Jó 16:27; Rm 5:8; 1 Jo 3:1).
C. A Graça de Deus. Segundo a Escritura, é manifestada não só por Deus, mas
também pelos homens, caso em que denota o favor de um homem a outro (Gn 33:8,10,18;
39:4;47:25; Rt 2:2; 1 Sm 1:18; 16:22). (Lemos em Ef1:6,7; 2:7-9; Tt 2:11; 3:4-7; Is 26:10; Jr
16:13; Rm 3:24; 2 Co 8:9; At 14:3; At 18:27; Ef 2:8; Rm3:24; 4:16; Tt 3:7; Jo 1:16; 2 Co 8:9;
2 Ts 2:16; Ef 2:8 e Tt 2:11).
D. A Misericórdia de Deus. Pode se definir a misericórdia divina como a bondade ou
amor de Deus é mostrado para com os que se acham na miséria ou na desgraça,
independentemente dos seus méritos. (Dt 5:10; Sl 57:10; 86:5; 1 Cr 16:34; 2 Cr 7:6; Sl 136;
Ed 3:11; 1 Tm 1:2; 2 Tm 1:1; Tt 1:4; Dt 7:9; Sl 86:5; Lc 1:50; Sl 145:9; Ez 18:23,32; 33:11;
Lc 6:35,36).
E. A Santidade de Deus. Sua idéia fundamental é a de uma posição ou relação
existente entre Deus e uma pessoa ou coisa.(EX 15:11 ; 1 Sm 2:2 ; Is 57:15 ; Os 11:9 ; JÛ
34:10 ; At 3:14 ; Jo 17:11 ; 1Pe 1:16 ; Ap 4:8 ; 6:10).
F. A Justiça de Deus. A idéia fundamental de Justiça é a de estrito apego à lei.
Geralmente se faz distinção entre a justiça absoluta de Deus e a relativa. Aquela é a retidão
da natureza divina, em virtude da qual Deus é infinitamente reto em Si mesmo, enquanto
que esta é a perfeição de Deus pela qual Ele se mantém contra toda violação da Sua
Santidade e mostra, em tudo e por tudo, que Ele é o Santo. (Ed 9:15; Sl 119:137; 145:137;
145:17; Jr 12:1; Dn 9:14; Jo 17:25; 2 Tm 4:8; 1 Jo 2:29; 3:7; Ap 16:5; Dt4:8; Is 3:10,11; Rm
2:6; 1 Pe 1:17; Dt 7:9,12,13; 2 Cr 6:15; Sl 58:11; Mq 7:20; Mt 25;21,34; Rm 2:7; Hb 11:26;
Lc 17:10; 1 Co 4:7; Rm 1:32; 2:9; 12:19; 2 Ts 1:8; Lc 17:10,1; 1 Co 4:7; Jó 41:11).
5. Atributos de Soberania.
A soberania de Deus recebe forte ênfase na Escritura. Ele é apresentado como o
Criador, e Sua vontade como a causa de todas as coisas. Em virtude de sua obra criadora, o
céu, a terra e tudo o que eles contêm lhe pertencem. Ele está revestido de autoridade
absoluta sobre as hostes celestiais e sobre os moradores da terra. (As provas bíblicas da
soberania de Deus são abundantes, mas nos limitaremos a referirmos a algumas das
passagens mais significativas: Cr 20:6; Ne 9:6; Sl 22:28; 47:2,3,7,8; Sl 50:10-12; 95:3-5;
115:3; 135:5,6; 145:11-13; Jr 27:5; Lc 1:53; At 17:24-26; Ap 19:6).
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3 - INTRODUÇÃO À TRINDADE
A palavra Trindade não é tão expressiva como a palavra holandesa Drieenheid, pois
pode simplesmente denotar o estado tríplice (ser três), sem qualquer implicação quanto à
unidade dos três. Geralmente se entende, porém, que, como, termo técnico na Teologia,
inclua essa idéia. Mesmo porque, quando falamos da Trindade de Deus, nos referimos a
uma trindade em unidade, e a uma unidade que é trina.
3.1. As Três Pessoas da Trindade
A. O Pai, ou a Primeira Pessoa da Trindade. Nome Pai em sua aplicação a Deus. (1 Co
8:6; Ef 3:15; Hb 12:9; Tg 1:17; Dt32:6; Is 63:16; 64:8; Jr 3:4; Ml 1:6; 2:10; Mt 5:45; 6:6-15;
Rm 8:16; 1 Jo 3:1; Jo 1:14,18; 5:17-26; 8:54; 14:12,13).
A primeira pessoa é o Pai da Segunda num sentido metafísico. Esta é a paternidade
originária de Deus, da qual toda paternidade terrena é apenas um pálido reflexo.
B. O Filho, ou a Segunda Pessoa da Trindade. O Nome Filho em sua aplicação à
Segunda pessoa. Á Segunda pessoa da trindade é chamado Filho ou Filho de Deus em mais
de um sentido do termo. (Jó 1:14,18; 3:16,18; Gl 4:4; 2 Sm 7:14; Sl 2:7; Lc 3:38; Jo 1:12; Jo
5:18-25; Hb 1; Mt 6:9; 7:21; Jo 20:17; Mt 11:27; MT 26:63; Jo 10:36; Mt 8:29; 26:63; 27:40;
Jo 1:49; 11:27; 2 Co 11:31; Ef 1:3; Jo 17:3; 1 Co 8:6; Ef 4:5,6; Lc 1:32,35; Jo 1:13; Cl 1:15;
Hb 1:6; Jo 1:1-14; 1 Jo 1:1-3; 2 Co 4:4; Hb 1:3; 3:16,18; 1 Jo 4:9; Mq 5:2; Jo 1:14,18; 3:16;
5:17,18,30,36; At 13:33; Jo 17:5; Cl 1:16; Hb 1:3; At 13:33; Hb 1:5; 2 Sm 7:14; Jo 5:26; Jo
1:3,10; Hb 1:2,3; Jo 1:9; Sl 40:7,8; Ef 1:3-14).
C. O Espírito Santo, ou a Terceira Pessoa da Trindade. O nome aplicado à terceira
pessoa da trindade. (Jo:4:24; Gn 2:7; 6:17; Ez 37:5,6; Gn 8:1; 1 Rs 19:11; Jo 3:8; Sl 51:11;
Is 63:10,11; Sl 71:22; 89:18; Is 10:20; 41:14; 43:3; 48:17; Jo 14:26; 16:7-11; Rm 8:26; Jo
16:14; Ef 1:14; Jo 15:26; 16:7; 1 Jo 1:1; Jo 14:16-18; Rm 8:16; At 16:7; 1 Co 12:11; Is
63:10; Ef 4:30; Gn 1:2; 6:3; Lc 12:12; Jo 15:26; 16:8; At 8:29; 13:2; Rm 8:11; 1 Co 2:10,11;
Lc 1:35; 4:14; At 10:38; Rm 15:13; 1 Co 2:4.
A relação do Espírito Santo com as outras pessoas da trindade, são controvérsias
trinitárias que levaram a conclusão de que o Espírito Santo, como o Filho, é da mesma
essência do Pai e, portanto, é consubstancial com Ele. E a longa discussão acerca da
questão: se o Espírito Santo procedeu somente do Pai ou também do Filho, foi firmada
finalmente pelo Sínodo de Toledo em 589, pelo acréscimo da palavra Filioque (e do Filho) à
versão latina do Credo de Constantinopla: Credimus in Spiritum Sanctum que a Patre Filio
que procedidit (Cremos no Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho).
4 - INTRODUÇÃO À HISTÓRIA E
DOUTRINA DA IGREJA
4.1. Nomes Bíblicos da Igreja
A. No Velho Testamento. O Velho Testamento emprega duas palavras para designar a
igreja, a saber, qahal (ou kahal), derivada de uma raiz, qal (oukal) obsoleta, significando
“chamar” e edhah (de ya’dah), “indicar; ou encontrar-se; ou reunir-se num lugar indicado”.
Conseqüentemente, vemos ocasionalmente a expressão qehal edhah, isto é, a “assembléia
da congregação” (Ex 12:6; Nm 14:5; Jr 26:17). Vê-se que, às vezes, a reunião realizada era
uma reunião de representantes do povo (Dt 4:10;18:6 compare 5:22,23; 1 Rs 8:1,2,3,5; 2 Cr
5:2-6). Synagoge é a versão usual, quase universal, de “edhah” na Setuaginta, e é também a
versão usual de, qahal no Pentateuco. Nos últimos livros da Bíblia (Velho testamento),
porém, qahal é geralmente traduzida por ekklesia. Schuerer afirma que o judaísmo mais
recente já indicava a distinção entre “synagoge” como designativo da congregação de Israel
como uma realidade empírica, e “ekklesia” como o nome da mesma congregação
considerada idealmente.
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B. No Novo Testamento. O Novo Testamento também tem duas palavras, derivadas da
Setuaginta, quais sejam, ekklesia, de “ek” e “Kaleo”, “chamar para fora, convocar”, e
synagoge, de “syn” e “ago”, significando “reunir-se ou reunir”. Synagoge é pregada
exclusivamente para denotar, quer as reuniões religiosas dos judeus, quer os edifícios em
que eles se reuniam par o culto público, (Mt 4:23; At 13:43; Ap 2:9; 3:9). O termo Ekklesia,
porém, geralmente designa a igreja neotestamentária, embora nuns poucos lugares denote
“assembléias civis comuns” (At 19:32,39,4l). No Novo Testamento, Jesus foi o primeiro a
fazer uso da palavra, e Ele a aplicou ao grupo dos que se reuniram em torno dele (Mt 16:18),
reconheceram-no publicamente como seu Senhor e aceitaram os princípios do reino de
Deus. Mais tarde, como resultado da expansão da igreja, a palavra adquiriu várias
significações. Igrejas foram estabelecidas em toda parte; e eram também chamadas
Ekklesiai, desde que eram manifestações da Igreja Universal de Cristo.
Com muita freqüência a palavra ekklesia designa um circulo de crentes de alguma
localidade definida, uma igreja local, independentemente da questão se esses crentes estão
reunidos para o culto ou não. Algumas passagens apresentam a idéia de que se acham
reunidos (At 5:11; 11:26; 1 Co 11:18; 14:19,28,35) enquanto que outras não (Rm 16:4; 1Co
16:1; Gl 1:2; 1 Ts 2:14).
Nalguns casos, a palavra denota o que se pode denominar “ekklesia doméstica”, ou
“igreja na casa de alguma pessoa”. Ao que parece, nos tempos apostólicos, pessoas
importantes por sua riqueza ou por outras razões separavam em seus lares um amplo
cômodo para o serviço divino. Acham-se exemplos deste uso da palavra em (Rm 6:23; 1Co
16:19; Cl 4:15; Fm 2).
Finalmente, em seu sentido mais compreensivo, a palavra se refere a todo o corpo de
fiéis, quer no céu, quer na terra, que se uniram ou se unirão a Cristo como seu Salvador.
Este uso da palavra acha-se principalmente nas cartas de Paulo aos Efésios e aos
Colossenses, mais freqüentemente na primeira destas (Ef 1:22; 3:10,21; 5:23-25,27,32; Cl
1:18,24).
4.2. A Igreja Antes da Reforma
A. No Período Patrístico. Pelos chamados pais apostólicos e pelos apologetas a igreja é
geralmente apresentada como a Communio Sanctorum, o povo de Deus que Ele escolheu
por possessão. Não se viu logo a necessidade de fazer distinções. Mas já na Segunda parte
do século II houve uma mudança perceptível. O surgimento de heresias tornou imperativa a
enumeração de algumas características pelas quais se conhecesse a verdadeira igreja
católica. Isso teve a tendência de fixar a atenção na manifestação externa da igreja.
Começou-se a conceber a igreja como uma instituição externa governada por um bispo
como sucessor direto dos apóstolos e possuidor da tradição verdadeira. A catolicidade da
igreja recebeu forte Ênfase. As Igrejas locais não eram consideradas como unidades
separadas, mas simplesmente como partes componentes da igreja universal, una e única. O
mundanismo e a corrupção crescentes nas Igrejas foram levando aos poucos a uma reação e
deram surgimento à tendência em várias seitas, como o Montanismo em meados do
segundo século, o Novacianismo nos meados do terceiro e o Donatismo no início do quarto,
de fazer da santidade dos seus membros a marca da igreja verdadeira.
Os pais primitivos da igreja, assim chamados, ao combaterem esses sectários, davam
ênfase cada vez maior à instituição episcopal da igreja. Cabe a Cipriano a distinção de ser o
primeiro a desenvolver plenamente a doutrina da igreja em sua estrutura episcopal. Ele
considerava os bispos como reais sucessores dos apóstolos e lhes atribuía caráter sacerdotal
em virtude da sua obra sacrificial. Juntos os bispos formavam um colégio, chamado
episcopado, que, como tal, constituía a unidade da igreja. Assim, a unidade da Igreja estava
baseada na unidade dos bispos. Os que não se sujeitavam ao bispo perdiam o direito à
comunhão da igreja e também à salvação, desde que não há salvação fora da igreja.
Agostinho não foi totalmente coerente em sua concepção da igreja. Foi sua luta com os
donatistas que o compeliu a refletir mais profundamente sobre a natureza da igreja. De um
lado, ele se mostra Predestinacionista que concebe a igreja como “a companhia dos eleitos”,
a Communio Sanctorum, que têm o Espírito de Deus e, portanto, são caracterizados pelo
amor verdadeiro. O importante é ser membro vivo da igreja assim concebida, e não apenas
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pertencer a ela num sentido meramente externo. Mas, de outro lado, ele é o homem de
igreja, que adere à idéia da igreja defendida por Cipriano ao menos em seus aspectos gerais.
A igreja verdadeira é a igreja católica, na qual a autoridade apostólica tem continuidade
mediante a sucessão episcopal. É depositária da graça divina, que ela distribui por meio dos
sacramentos. Esta igreja é, de fato, um corpo misto, no qual têm lugar membros bons e
maus. Em seu debate com os donatistas, porem, Agostinho admitia que aqueles e estes não
estavam na igreja no mesmo sentido. Ele preparou também o caminho para a identificação
católica romana da igreja com o reino de Deus.
B. Na Idade Média. Os Escolásticos não tinham muito que dizer acerca da igreja. O
sistema de doutrina desenvolvido por Cipriano e Agostinho estava completo, e precisava
apenas de uns pequenos re-toques de acabamento para chegar ao seu desenvolvimento
final. Hugo de S. Victor fala da igreja e do estado como os dois poderes instituídos por Deus
para governarem o povo. Ambos são de constituição monárquica, mas a igreja é o poder
superior, porque ministra a salvação dos homens, ao passo que o Estado só providencia o
seu bem-estar temporal. O rei ou imperador é o chefe do estado, mas o papa é o chefe da
igreja. Há duas classes de pessoas na igreja, com direitos e deveres bem definidos:
Os clérigos dedicados ao serviço de Deus, que constituem uma unidade.
Os leigos, que consistem de pessoas de todas as esferas da vida e que constituem uma
classe totalmente separada.
Passo a passo a doutrina do papado foi-se desenvolvendo, até que, por fim, o papa se
tornou virtualmente um monarca absoluto. O crescimento desta doutrina foi auxiliado, em
não pequena medida, pelo desenvolvimento da idéia de que a igreja católica era o reino de
Deus na terra, e, portanto, o bispado romano era um reino terreno. Esta identificação da
igreja visível e organizada como o reino de Deus teve conseqüência de longo alcance:
Exigia que tudo fosse colocado debaixo do poder da igreja: o lar e a escola, as ciências
e as artes, o comércio e a indústria, e tudo mais.
Envolvia a idéia de que todas as bênçãos da salvação chegam ao homem unicamente
por meio das ordenanças da igreja, em particular, mediante os sacramentos.
Levou á gradual secularização da Igreja, visto que esta começou a dar mais atenção à
política do que à salvação dos pecados e, finalmente, os papas reivindicaram domínio sobre
os governantes seculares também.
4.3. A Igreja no Período da Reforma
Os reformadores romperam com a concepção católica romana da igreja, mas tiveram
diferenças entre si nalgumas particularidades. A idéia de uma igreja infalível e hierárquica,
e de um sacerdócio especial que dispensa a salvação por intermédio dos sacramentos, não
teve o apoio de Lutero. Ele considerava a igreja como a comunhão espiritual daqueles que
crêem em Cristo, e restabeleceram a idéia escriturística do sacerdócio de todos os crentes (1
Pe 2.9). Ele defendia a unidade da igreja, mas distinguia dois aspectos dela, um visível e
outro invisível. Ele teve o cuidado de assinalar que não existem duas igrejas, mas
simplesmente dois aspectos da mesma igreja. A igreja invisível torna-se visível não pelo
governo de bispos e cardeais, nem na chefia do papa, mas pela pura administração da
Palavra e dos sacramentos. Lutero admitia que a Igreja visível sempre conterá uma mistura
de membros fiéis e ímpios. Contudo, em sua reação contra a idéia católica romana do
domínio da Igreja sobre o estado, ele foi ao outro extremo e virtualmente sujeitou a igreja ao
estado em tudo, menos na pregação da Palavra. Os anabatistas não ficaram satisfeitos com
a posição de Lutero e insistiam numa igreja só de crentes. Em muitos casos, eles zombavam
da igreja visível e dos meios de graça. Além disso, exigiam completa separação de igreja e
estado. Calvino e os Teólogos reformados estavam de acordo com Lutero quanto á confissão
de que a Igreja é essencialmente uma Communio Sanctorum, uma “comunhão de santos”.
Todavia, eles não procuravam, como os luteranos, a unidade e a santidade da Igreja
primariamente nas ordenanças objetivas da igreja, tais como os ofícios, a Palavra e os
sacramentos, mas, sobretudo na comunhão subjetiva dos crentes. Ademais, encontravam as
verdadeiras marcas da igreja, não somente na correta administração da Palavra e dos
Sacramentos, mas também na fiel administração da disciplina na igreja. Mas, até mesmo
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Calvino e os Teólogos reformados do século XVII fomentaram, em certa medida, a idéia da
sujeição da igreja do estado. Contudo estabeleceram uma forma de governo da igreja que
propiciava maior grau de independência e poder eclesiásticos que o que se conhecia na
Igreja Luterana. Mas, enquanto que tanto os teólogos luteranos como os reformados
(calvinistas) procuravam manter a relação apropriada entre a igreja visível e a invisível,
outros perderam isto de vista. Os socinianos e os arminianos do século dezessete, embora
na verdade falassem de uma igreja invisível, esqueceram tudo que diz respeito à vida real.
Os primeiros concebiam a religião Cristã simplesmente como uma doutrina aceitável e os
últimos faziam da igreja primariamente uma sociedade visível e seguiam a igreja luterana no
sentido de entregarem ao estado o direito de ministrar a disciplina, e de reterem para a
igreja somente o direito de pregar o Evangelho e admoestar os membros da igreja. Por outro
lado, os abadistas e os pietistas manifestaram a tendência de desconsiderar a igreja visível,
procurando uma igreja só de crentes, mostrando-se indiferentes para com a igreja
institucional com sua mescla de bons e maus e buscando santificação nos conventículos.
4.4. A Igreja Apartir do Século XVIII
Durante o século XVIII o racionalismo também fez sentir sua influência sobre a
doutrina da igreja. Era indiferente em matéria de fé e não tinha entusiasmo pela igreja, que
ele colocou á par com outras sociedades humanas. Até negava que Cristo tivesse a intenção
de fundar uma igreja no sentido geralmente aceito da palavra. Houve uma reação pietista ao
racionalismo no metodismo, mas o metodismo em nada contribuiu para o desenvolvimento
da doutrina da igreja. Nalguns casos, ele procurou força na repreensão lançada às igrejas
existentes, e noutros, adaptou-se à vida destas igrejas. Para Schleiermacher, a igreja era
essencialmente a comunidade cristã, o corpo dos crentes animados pelo mesmo espírito. Ele
via pouca utilidade na distinção entre a igreja visível e a invisível, e via a essência da igreja
no espírito de companheirismo cristão. Quanto mais o Espírito de Deus penetrar a
totalidade dos crentes cristãos, menos divisões haverá, e mais perderão elas a sua
importância. Ritschl substituiu a distinção entre a igreja invisível e a visível pela distinção
entre o reino e a igreja. Ele considerava o reino como a comunidade do povo de Deus que
age motivado pelo amor, e a igreja como aquela mesma comunidade reunida para o culto. O
nome igreja restringe-se, pois, a uma organização externa com a função única de cultuar e
esta função apenas capacita os crentes a familiarizarem-se melhor uns com os outros. Isto
certamente está longe do ensino do Novo testamento. Leva diretamente à concepção liberal
moderna da igreja como um mero centro social, uma instituição humana, e não uma
lavoura de Deus.
4.5. O Governo da Igreja
Os Oficiais da Igreja
Podem distinguir diferentes classes de oficiais na igreja. Uma distinção muito geral é a
de oficiais ordinários e extraordinários.

1. Oficiais Extraordinários.
A. Apóstolos. Estritamente falando, este nome só é aplicável aos doze escolhidos por
Jesus e a Paulo; mas também se aplica a certos homens apostólicos que assessoraram a
Paulo em seu trabalho e que foram dotados de dons e graças apostólicas (At 14:4,14; 2 Co
8:23; Gl 1:19). Os apóstolos tinham a incumbência especial de lançar os alicerces da igreja
de todos os séculos. Somente através da sua palavra é que os crentes de todas as eras
subseqüentes têm comunhão com Jesus Cristo. Daí, eles são os apóstolos da Igreja dos dias
atuais, como também o foram da Igreja Primitiva.
Eles tinham certas qualificações especiais.
Foram comissionados diretamente por Deus ou por Jesus Cristo (Mc 3:14; Lc 6:13; Gl
1:1).
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Eram testemunhas da vida de Cristo e, principalmente, de Sua ressurreição (Jo 15:27;
At 1:21,22; 1 Co 9:1).
Estavam cônscios de serem inspirados pelo Espírito de Deus em todo o seu ensino,
oral e escrito (At 15:28; 1 Co 2:13; 1 Ts 4:8; 1 Jo 5: 9-12).
Tinham o poder de realizar milagres e o usaram em diversas ocasiões para ratificar a
sua mensagem (2 Co 12:12; Hb 2:4)
Foram ricamente abençoados em sua obra, como sinal de que Deus provava os seus
labores (1 Co 9:1,2; 2 Co 3:2,3; Gl2:8).
B. Profetas. O Novo Testamento fala também de profetas (At 11:28; 13:1,2; 15:32; 1Co
12:10; 13:2; 14:3; Ef 2:20; 3:5; 4:11; 1 Tm 1:18; 4:14; Ap 11:6).
C. Evangelistas. Em acréscimo a apóstolos e profetas, são mencionados os
evangelistas (At 21:8; Ef 4:11; 2 Tm 4:5). Felipe, Marcos, Timóteo e Tito pertenciam a esta
classe. Seu trabalho era pregar e batizar, mas incluía também a ordenação de presbíteros
(Tt 1:5; 1 Tm 5:22) e o exercício da disciplina (Tt 3:10).

2. Oficiais Ordinários.
A. Presbíteros. Dentre os oficiais comuns da igreja, os presbyteroi (presbíteros) ou
episkopoi (bispos) são os primeiros na ordem de importância. Os primeiros nomes
significam simplesmente anciãos, ou mais velhos e o último, supervisores ou
superintendentes. O termo presbyteroi é empregado na Escritura para denotar homens
idosos, e para designar uma classe de oficiais parecida com a que exercia certas funções na
sinagoga. Como designativo de oficio, aos poucos o nome foi eclipsado e até sobrepujado
pelo nome episkopoi. Os dois termos são freqüentemente empregados um pelo outro (At
20:17,28; 1 Tm 3:1; 4:14; 5:17,19; Tt 1:5,7; 1Pe 5:1,2). Os presbyteroi são mencionados
pela 1 vez em At 11:30. Freqüente menção é feita a eles (At 14:23; 15:6,22; 16:4; 20:17,28;
21:18; Tg 5:14; Hb 13:7,17; Rm 12:8; 1 Ts 5:12; 1 Co 12:28; Hb 13:7,17,24; Ef 4:11).
B. Mestres. O ensino – a docência – ligou-se mais e mais estreitamente ao oficio
episcopal; mas, mesmo então, os mestres não constituíram uma classe separada de oficiais.
A declaração de Paulo em Ef 4:11, de que Cristo também dera à igreja pastores e mestres;
mencionados como uma única classe (1 Tm 5:17; Hb 13:7; 2 Tm 2:2; Tt 1:9; Ap2:1,8,12,18;
3:1,7,14).
C. Diáconos. Alem dos presbyteroi, são mencionados os diakonoi no Novo Testamento
(Fp 1:1; 1 Tm 3:8,10,12; At 6:1-6; At 11:30; At 11:29; Rm 12:7; 2 Co 8:4; 9:1,12,13; Ap
2:19; 1 Tm 3:8-10,12).
4.6. O Poder e a Fonte do Poder da Igreja
Jesus Cristo não somente fundou a Igreja, mas também a revestiu do necessário
poder ou autoridade. Ele mesmo falou da igreja como fundada tão solidamente sobre uma
rocha que as portas do inferno não prevaleceria contra ela (Mt 16:18) e na mesma ocasião
exatamente a primeira em que ele fez menção da igreja. Também prometeu dotá-la de poder,
quando disse a Pedro: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: o que ligares na terra, terá
sido ligado nos céus e o que desligares na terra, terá sido desligado nos céus” (Mt 16:19). A
igreja de todos os séculos é ligada pela palavra deles (Jo 17:20; 1 Jo 1:3). Que Cristo deu
poder á Igreja em geral, é muito bem evidenciado por várias passagens do Novo Testamento,
quais sejam (At 15:23-29; 16:4; 1 Co 5:7,13; 6:2-4; 12:28; Ef 4:11-16).
A. A Natureza deste Poder. O poder da Igreja é poder espiritual porque é dado pelo
Espírito de Deus (At 20:28) só pode ser exercido em nome de Cristo e pelo poder do Espírito
Santo (Jo 20:22,23; 1 Co 5:4) pertence exclusivamente aos crentes (1Co 5;12) e só pode ser
exercido de maneira moral e espiritual ( 2 Co 10:4).

1. Poder Ministerial.
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È copiosamente evidente na Escritura que o poder da Igreja não é um poder
independente e soberano (Mt 20:25,26; 23:8,10; 2 Co 10:4,5; 1 Pe 5;3),mas, sim, uma
“diakonia leitourgia”, poder ministerial (de serviço) (At 4:29,30; 20:24; Rm 1:1), derivado de
Cristo e subordinado à sua autoridade soberana sobre a igreja (Mt 28:18). Deve ser exercido
em harmonia com a Palavra de Deus e sob a direção do Espírito Santo e em nome do
próprio Cristo como o Rei da Igreja (Rm 10:14,15; Ef 5:23; 1 Co 5:4). Todavia, È um poder
muito real e abrangente, que consiste na administração da Palavra e dos sacramentos (Mt
28:19), na determinação do que é e do que não é permitido no reino de Deus (Mt 16:19), no
perdão e na retenção do pecado (Jo 20:23) e no exercício da disciplina na igreja (Mt 16:18;
18:17; 1 Co 5:4; Tt 3:10; Hb 12:15-17).

2. Diferentes Espécies do Poder Eclesiático.
Em conexão com os três ofícios de Cristo, há também um poder tríplice na igreja, a
saber:
O poder dogmático ou docente (Potestas Dogmática ou Docendi).
O poder de governo ou de ordem (Potestas Gubernans ou Ordinans), dentro do qual
está incluso o poder de julgamento ou de disciplina (Potestas Iudicans ou Disciplinae).
O poder ou ministério da misericórdia (Potestas ou Ministerium Misericordiae).
EXPLICANDO!
Potestas Ordinans. Deus não é de confusão; e, sim, de paz. (1 Co 14:33).
Potestas Iudicans. È o poder exercido para proteger a santidade da igreja,
admitindo os aprovados após exame, e excluindo os que se desviam da
verdade ou levam vidas desonradas. Este poder é exercido especialmente em
questões de disciplina.
5 - INTRODUÇÃO AO BATISMO CRISTÃO
5.1. No Mundo Gentílico
O batismo não era uma coisa inteiramente nova nos dias de Jesus. Os egípcios, os
persas e os hindus tinham as suas purificações religiosas. Estas eram mais proeminentes
ainda nas religiões gregas e romanas. Às vezes elas tomavam a forma de banhos no mar, e
as, vezes eram efetuadas por aspersão. O batismo de João, como o batismo cristão
Foi instituído pelo próprio Deus (Mt 21:25; Jo 1:33).
Estava relacionado com uma radical mudança de vida (Lc 1:1-7; Jo 1:20-30).
Estava numa relação sacramental com o perdão dos pecados (Mt 3:7,8; Mc 1:4; Lc 3:3
compare At 2:28)
Empregava o mesmo elemento material, ou seja, água.
Ao mesmo tempo havia diversos pontos de diferença. Quais sejam:
O batismo de João ainda pertencia à antiga dispensação e, como tal, apontava para
Cristo, no futuro.
Em harmonia com a dispensação da lei em geral, acentuava a necessidade de
arrependimento, embora sem excluir inteiramente a fé.
Foi planejado somente para os judeus e, puritanos, representava mais o
particularismo do Velho Testamento que o universalismo do Novo.
Visto que o Espírito Santo ainda não fora derramado em plenitude, no Pentecostes, o
batismo de João ainda não era acompanhado por tão grande porção de dons espirituais
como o ulterior batismo cristão.
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5.2. Foi Instituído com Autoridade Divina
A grande comissão foi colocada nas seguintes palavras: “Ide, portanto (isto é, porque
todas as nações estão sujeitas a Mim), fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em
nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cousas que vos
tenho ordenado” (Mt 28:19,20). A forma complementar de (Mc 16:15,16) tem esta redação:
“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será
salvo; quem, porém, não crer será condenado”. Veja também (At 19:3; 1 Co 1:13; 10:2;
12:13; At 2:48; 8:16; 10:48; 19:5; Rm 6:3; Gl 3:27; At 2:38).
5.3. A Doutrina do Batismo na História
A. Antes da Reforma. Os chamados pais primitivos consideravam o batismo como
estritamente ligado ao perdão de pecados e à comunicação da nova vida. Algumas das suas
expressões parecem indicar que eles criam na regeneração batismal. A opinião geral era que
o batismo nunca devia ser repetido, mas não havia unanimidade quanto à validade do
batismo ministrado por hereges. No transcorrer do tempo, porém, veio a ser um princípio
estabelecido não rebatizar os que foram batizados em nome do Deus Triúno. O modo do
batismo não estava em discussão. Do segundo século em diante, aos poucos ganhou terreno
a idéia de que o batismo age mais ou menos magicamente. Até mesmo Agostinho parece ter
considerado o batismo como eficiente “ex opere operato”, no caso das crianças. Ele
considerava absolutamente necessário o batismo e afirmava que as crianças não batizadas
estão perdidas. Segundo ele, o batismo elimina a culpa original, mas não remove totalmente
a corrupção da natureza. Os escolásticos, a princípio, partilhavam o conceito de Agostinho,
que, no caso do batismo de adultos, pressupõe fé, mas gradualmente outra idéia ganhou
predominância, a saber, que o batismo é sempre eficaz “ex opere operato”. A importância
das condições subjetivas foi menosprezada. Assim, a característica concepção católica
romana do sacramento, de acordo com a qual o batismo é o sacramento da regeneração e da
iniciação na igreja; aos poucos ganhou proeminência.
“EX OPERE OPERATO”
Foi uma doutrina promulgada pelo Concílio de Trento, segundo o qual “os
sacramentos contém e conferem a graça àqueles que não colocam obstáculo
(non ponentibus obicem)”. Aqui se define que os sacramentos dão a graça “ex
opere operato”, ou seja, pela obra dada ou em virtude da obra dada, pelo fato
de que o rito se faz, pela mesma força do gesto sacramental.
B. Desde a Reforma. A Reforma Luterana não se desfez inteiramente da concepção
católica romana dos sacramentos. Para Lutero, a água do batismo não é água comum, mas
uma água que, mediante a Palavra com seu poder divino inerente, veio a ser uma água da
vida, cheia de graça, um lavamento de regeneração por esta eficácia divina da Palavra. O
sacramento efetua a regeneração. No caso dos adultos, Lutero colocava o efeito do batismo
na dependência da fé presente no participante. Teólogos luteranos mais recentes retiveram a
idéia de uma fé infantil como pré-condição para o batismo, ao passo que outros entendiam
que o batismo produz essa fé imediatamente. Os Anabatistas cortaram a ligação com
Lutero, negando a legitimidade do batismo de crianças. Eles insistiam em batizar todos os
candidatos à admissão no seu circulo que tinham recebido o sacramento na infância, e não
consideravam isto um rebatismo, mas, sim, o primeiro batismo verdadeiro. Para eles, as
crianças não têm lugar nenhum na igreja. Calvino e a Teologia reformada partiam da
pressuposição de que o batismo foi instituído para os crentes e não produz, mas fortalece a
nova vida. Naturalmente, eles se defrontaram com a questão sobre como as crianças
poderiam ser consideradas crentes, e sobre como poderiam ser fortalecidas espiritualmente,
visto não poderem exercer fé. Alguns simplesmente assinalavam que as crianças nascidas
de pais crentes são filhos da aliança e, como tais, herdeiros das promessas de Deus,
incluindo-se também a promessa de regeneração; e que a eficácia espiritual do batismo não
se limita à hora da sua ministração, mas continua durante a vida toda.
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5.4. O Modo Próprio do Batismo
Os Batistas baseiam sua opinião em (Mc 10:38,39; Lc 12:50; Rm 6:3,4; Cl 2:12). O
Catecismo de Heidelberg indaga, na pergunta 69: “Por que o batismo te assegura e te faz
lembrar que és participante do único sacrifício realizado na cruz?" E responde: “Cristo
determinou o lavamento externo com água e acrescentou a promessa de que eu sou lavado
com o seu sangue que me purifica da corrupção da minha alma, isto é, de todos os meus
pecados, tão certamente como a água me lava exteriormente, pela qual a sujeira do corpo
comumente é removida”.
Esta idéia de purificação era a coisa pertinente em todas as abluções do Velho
Testamento, e também no batismo de João (Sl 51:7; Ez 36:25; Jo 3:25,26). Além disso, a
Escritura deixa muitíssimo claro que o batismo simboliza a limpeza ou purificação espiritual
(At 2;38; 22:16; Rm 6:4,5; 1 Co 6;11; Tt 3:5; Hb 10;22; 1 Pe 3:21; Ap 1:5).
6 - INTRODUÇÃO À CRISTOLOGIA
6.1. Relação Entre Antropologia e Cristologia
Há uma relação muito estreita entre a doutrina do homem e a de Cristo. A
Antropologia trata do homem, criado à imagem de Deus e dotado de verdadeiro
conhecimento, justiça e santidade, mas que, pela voluntária transgressão da lei de Deus,
despojou-se da sua verdadeira humanidade e se transformou em pecador. Salienta a
distância ética que há entre Deus e o homem, distância resultante da queda do homem e
que, nem o homem nem os anjos podem cobrir, e, como tal, é virtualmente um grito pelo
socorro divino. A Cristologia é em parte a resposta a esse grito. Ela nos põe á par da obra
objetiva de Deus em Cristo construindo uma ponte sobre o abismo e eliminando à distância.
A doutrina nos mostra Deus vindo ao homem para afastar as barreiras entre Deus e o
homem pela satisfação das condições da lei em Cristo, e para restabelecer o homem em sua
bendita comunhão. A antropologia já dirige a atenção à provisão da graça de Deus para uma
aliança de companheirismo com o homem que prove uma vida de bem aventurada
comunhão com Deus; mas a aliança só é eficiente em Cristo e por meio de Cristo. E,
portanto a doutrina de Cristo como Mediador da aliança deve vir necessariamente em
seguida. Cristo, tipificado e prenunciado no Velho Testamento como o Redentor do homem,
veio na plenitude do tempo, para tabernacular entre os homens e levar a efeito uma
reconciliação eterna.
6.2. Desenvolvimento da Doutrina de Cristo
A. Antes da Reforma. Até o Concílio de Calcedônia, na literatura cristã primitiva,
Cristo sobressai como humano e divino, como Filho do homem, mas também como o Filho
de Deus. Seu caráter sem pecado é defendido, e ele é considerado como legitimo objeto de
culto.
B. Após o Concílio de Calcedônia. A Idade Média acrescentou muito pouca coisa à
doutrina da pessoa de Cristo. Devido a várias influências, como as da Ênfase à imitação de
Cristo, das teorias sobre a expiação e do desenvolvimento da doutrina da missa, a igreja se
apegou fortemente à plena humanidade de Cristo. “A divindade de Cristo”, diz Mackintosh,
“passou a ser vista mais como o coeficiente infinito elevando a ação e a paixão humanas a
um valor infinito”. E, contudo, alguns dos escolásticos expressaram em sua Cristologia um
conceito docético de Cristo (“defendia que o corpo de Jesus Cristo era uma ilusão, e que sua
crucificação teria sido apenas aparente”). Pedro Lombardo não hesitava em dizer que, com
relação à sua humanidade, Cristo não era absolutamente nada. Mas este niilismo foi
condenado pela igreja. Alguns novos pontos foram salientados por Tomaz de Aquino.
Segundo ele a pessoa do Logos tornou-se composta na encarnação, e sua união com a
natureza humana impediu esta última de chegar a Ter uma personalidade independente. A
natureza humana de Cristo recebeu dupla graça em virtude de sua união com o Logos:
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1. A Gratia Unionis (Graça da União) que lhe comunicou uma dignidade especial, de
modo que até se tornou objeto de culto.
2. A Gratia Habitualis (Graça Habitual) que a mantinha em sua relação com Deus. O
conhecimento humano de Cristo era duplo, a saber, um conhecimento infuso e um
conhecimento adquirido. Há duas vontades em Cristo, mas a causalidade última
pertence à vontade divina, à qual a vontade humana está sempre sujeita.
C. Depois da Reforma (até o Século XIX). A reforma não trouxe grandes mudanças à
doutrina da pessoa de Cristo. Tanto a Igreja Romana como as igrejas da Reforma
subscreveram a doutrina de Cristo nos termos de sua formulação pelo Concílio de
Calcedônia. Os teólogos reformados (Calvinistas) viam nessa doutrina luterana uma espécie
de eutiquianismo (que ensinava que Jesus só tinha uma natureza e também ensinava que
Jesus não foi um humano como nós). A teologia reformada também ensina uma
comunicação de atributos, mas a concebe de maneira diferente. Ela crê que, depois da
encarnação, as propriedades de ambas as naturezas podem ser atribuídas à pessoa única
de Cristo. Pode-se dizer que a pessoa de Cristo é onisciente, mas também limitada, em
qualquer tempo particular, a um único lugar. Daí, lemos na Segunda Confissão Helvética:
“Reconhecemos, pois, que há no único e mesmo Jesus, nosso Senhor, duas natureza – a
natureza divina e a humana –, e dizemos que estas são ligadas ou unidas de modo tal, que
não são absorvidas, confundidas ou misturadas, mas, antes, são unidas ou conjugadas
numa pessoa (sendo que as propriedades de cada uma delas permanecem a salvo e
intactas), de modo que podemos cultuar a um Cristo, nosso Senhor, e não a dois. Portanto,
não pensamos, nem ensinamos que a natureza divina em Cristo sofreu, ou que Cristo, de
acordo com a sua natureza humana, ainda está no mundo e, assim, em todo lugar.
D. No século XIX. Assim foi introduzido o segundo período cristológico. O novo ponto
de vista era antropológico, e o resultado foi antropocêntrico. Isto evidenciou-se destrutivo
para a Fé Cristã. Uma distinção de maior alcance e perniciosa foi feita entre o Jesus
histórico, delineado pelos escritores de evangelhos, e o Cristo Teológico, fruto de fértil
imaginação dos pensadores teológicos, e cuja imagem reflete-se agora nos credos da igreja.
O Cristo sobrenatural abriu alas para um Jesus humano, e a doutrina das duas naturezas
abriu alas para a doutrina de um homem divino. O verbo se fez carne significa que Deus se
encarnou na humanidade, de modo que a encarnação expressa realmente a unidade de
Deus e o homem. Ao que parece, a encarnação foi meramente o auge de um processo racial.
Enquanto a humanidade em geral considera Jesus unicamente como um mestre humano, a
fé o reconhece como divino e vê que, por sua vinda ao mundo, a transcendência de Deus
torna-se imanência. Encontramos aqui uma identificação panteísta do humano e do divino
na Doutrina de Cristo.
6.3. Os Nomes de Cristo
A. Jesus. O nome Jesus é a forma grega do hebraico Jehoshua, Joshua (Js 1:1; Zc
3:1) ou Jeshua, forma normalmente usada nos livros históricos pós-exílicos (Ed 2:2). A
derivação deste nome tão comum do Salvador se oculta na obscuridade. Quanto a uma
outra derivação de Jeho (Jehovah) e Shua (“socorro”). O nome foi dado a dois bem
conhecidos tipos de Jesus no Velho testamento.
B. Cristo. Se Jesus é o nome pessoal, Cristo é o nome oficial do Messias. O equivalente
de Meshiach do Velho Testamento (de Maschach, “ungir”) e, assim, significa “o ungido”.
Normalmente os reis e os sacerdotes eram ungidos, durante a antiga dispensação (Êx 29:7;
Lv 4:3; Jz 9:8; 1 Sm 9:16; 10:1; 2 Sm 19:10). O rei era chamado o “ungido de Jeová” (1 Sm
24:10). Somente um exemplo de unção de profeta está registrado (1 Rs 19:16), mas
provavelmente há referencias a isto em (Sl 105:15; Is 61:1). O óleo usado na unção desses
oficiais simbolizava o Espírito de Deus (Is 61:1; Zc 4:1-6) e a unção representava a
transferência do Espírito para a pessoa consagrada (1 Sm 10:1,6,10; 16:13,14).
A unção era sinal visível de:
• Designação para um ofício.
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• Estabelecimento de uma relação sagrada e o resultante caráter sacrossanto da
pessoa ungida (1 Sm 24:6; 26:9; 2Sm 1:14).
• Comunicação do Espírito ao ungido (1 Sm 16:13 conforme 2 Co 1:21,22).
O Velho Testamento se refere à unção do Senhor em (Sl 2:2; 45:7) e o Novo
Testamento em (At 4:27; 10:38). Cristo foi instalado em seus ofícios, ou designado para
estes, desde a eternidade, mas historicamente a sua unção se efetuou quando ele foi
concebido pelo Espírito Santo (Lc 1:35) e quando recebeu o Espírito Santo, especialmente
por ocasião do seu batismo (Mt 3:16; Mc 1:10; Lc 3:22; Jo 1:32; 3:34). Serviu para qualificá-
lo para a sua grande tarefa. Primeiro, o nome Cristo foi aplicado ao Senhor como um
substantivo comum, com o artigo, mas gradativamente se desenvolveu e se tornou um nome
próprio,sendo então usado sem o artigo.
C. Filho do Homem. No Velho Testamento este nome se acha em (Sl 8:4; Dn 7:13) e
muitas vezes na profecia de Ezequiel. Também há um pequeno grupo de passagens nas
quais Jesus considera a sua natureza humana (Mc 2:27,28; Jo 5:27; 6:27,51,62),
chamando-se a Si próprio Filho do homem.
D. Filho de Deus. O nome Filho de Deus foi variadamente aplicado no Velho
Testamento:
• Ao povo de Israel (Êx 4:22; Jr 31:9; Os 11:1).
• A oficiais de Israel, especialmente ao prometido rei da casa de Davi (2 Sm 7: 14; Sl
89:27).
• A anjos ( Ju 1:6; 2:1; 38:7; Sl 29:1; 89:6 ).
• As pessoas piedosas em geral (Gn 6:2; Sl 73:15; Pv 14:26).
No Novo Testamento vemos Jesus apropriando-se do nome e outros também os
atribuindo a Ele. O nome é aplicado a Jesus em quatro sentidos diferentes, nem sempre
mantidos em distinção na Escritura, mas às vezes combinados:
• No sentido oficial ou Messiânico (Mt 3:17; 17:5; Mc 1:11; 9:7; Lc 3:22; 9:35).
• No sentido Trinitário. Às vezes o nome é utilizado para indicar a divindade essencial
de Cristo (Mt 11:27; 14:28-33; 16:16; 21:33-46; 22:41-46; 26:63). Vemos a filiação
ontológica e a filiação messiânica entrelaçadas também em várias passagens
joaninas, nas quais Jesus dá a entender claramente que Ele é o Filho de Deus (Jo
6:69; 8:16,18,23; 10:15,30; 14:20). Nas epistolas, Cristo é designado muitas vezes
como o Filho de Deus no sentido metafísico (Rm 1:3; 8:3; Gl 4:4; Hb 1:1).
• No sentido Natalício. Cristo é também chamado Filho de Deus em virtude do seu
nascimento sobrenatural. O nome é aplicado a Ele na bem conhecida passagem do
Evangelho segundo Lucas, na qual a origem da sua natureza humana é atribuída à
direta e sobrenatural paternidade de Deus (Lc 1:35). Indicações do nome, também
em (Mt 1:18-24; Jo 1:13). Naturalmente, este significado do nome também é negado
pela teologia modernista, que não crê nem no nascimento virginal, nem na
concepção sobrenatural de Cristo.
• No sentido Ètico-religioso. Neste sentido que o nome “filhos de Deus” é aplicado aos
crentes no Novo Testamento. É possível que tenhamos um exemplo da aplicação do
nome Filho de Deus a Jesus nesse sentido Ético-religioso em Mt 17:24-27. A
teologia modernista entende que a filiação de Jesus é unicamente uma filiação
Ético-religiosa, uma tanto elevada, é certo, mas não essencialmente diferente da
dos seus discípulos.
E. Senhor (Kyrios). O nome Senhor é aplicado a Deus na Setuaginta:
• Como equivalente de Jeová.
• Como tradução de Adonai.
• Como uma forma polida e respeitosa de tratamento (Mt 8:2 ; 20:33).
• Como expressão de posse e autoridade, sem nada implicar quanto ao caráter e
autoridade divinas de Cristo (Mt 21:3; 24:42).
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• Com a máxima conotação de autoridade, expressando um caráter exaltado e, de
fato, praticamente equivalendo ao nome Deus (Mc 12:36,37; Lc 2:11; 3:4; At 2:36; 1
Co 12:3; Fp 2:11). Mas há exemplos do seu uso mesmo antes da ressurreição, onde
evidentemente já se alcançara o valor especificamente divino do título como em (Mt
7:22; Lc 5:8; Jo 20:28).
6.4. Os Ofícios de Cristo
Há três ofícios com relação à obra de Cristo, a saber, os ofícios proféticos, sacerdotais
e reais. Houve quem lhes aplicasse a idéia de sucessão cronológica, entendendo que Cristo
agiu como profeta durante o seu Ministério Público na terra, como Sacerdote em seus
sofrimentos finais e em sua morte na cruz, e como Rei age agora, que está assentado à mão
direita de Deus. A importância da distinção como Cristo foi criado por Deus, ele foi profeta,
sacerdote e rei e, nestas qualidades, foi dotado de conhecimento e entendimento, de justiça
e santidade e de domínio sobre a criação inferior. O pecado afetou toda a vida do homem e
se manifestou, não somente como ignorância e cegueira, erro e falsidade, mas também como
injustiça, culpa e corrupção moral; e, em acréscimo, como enfermidade, morte e destruição.
Daí foi necessário que Cristo, como o nosso Mediador, fosse profeta, sacerdote e rei. Como
Profeta, ele representa Deus para como o homem, como Sacerdote, ele representa o homem
na presença de Deus; e como Rei, ele exerce domínio e restabelece o domínio original do
homem.
• O Racionalismo só reconhece o seu oficio profético.
• O Misticismo somente o seu oficio sacerdotal.
• A doutrina do Milênio da Ênfase Unilateral ao seu oficio real futuro.
A. Oficio Profético. As passagens clássicas de (Ex 7:1 e Dt 18:18) indicam a presença
de dois elementos na função profética, um passivo e o outro ativo, um receptivo e o outro
produtivo. O profeta recebe relações divinas em sonhos, visões ou comunicações verbais e
as transmite ao povo, quer oralmente, quer visivelmente, nas ações proféticas (Nm 12:6-8; Is
6; Jr 1:4-10, Ez 3:1-4,17). Destes dois elementos, o passivo é o mais importante, porquanto
ele governa o elemento ativo. Sem receber, o profeta não pode dar, e ele não pode dar mais
do que recebe. Mas o elemento ativo também é parte integrante. O que faz de alguém um
profeta é a vocação divina, a ordem para comunicar a outros a revelação divina.
Provas bíblicas do ofício Profético de Cristo. A Escritura atesta de várias maneiras
o oficio profético de Cristo. Ele é prenunciado como profeta (Dt 18:15) – passagem aplicada
a Cristo em (At 3:22,23). Ele fala de si como profeta (Lc 13:33). Além disso, alega que traz
uma mensagem do Pai (Jo 8:26-28; 12:49,50; 14:10,24; 15:15; 17:8,20), prediz coisas
futuras (Mt 24:3-35; Lc 19:41-44) e fala com singular autoridade (Mt 7:29). Suas poderosas
obras serviam para autenticar a sua mensagem. Em vista disso tudo, não admira que o
povo o tenha reconhecido como profeta (Mt 21:11,46; Lc 7:16; 24:19; Jo 3:2; 4:19; 6:14;
7:40; 9:17).
B. O Oficio Sacerdotal. O Sacerdote era representante do homem junto a Deus. Tinha
o especial privilégio de aproximar-se de Deus, e de falar e agir em favor do povo. É verdade
que, na antiga dispensação, os sacerdotes também eram mestres, mas o seu ensino diferia
do ensino dos profetas. Ao passo que estes acentuavam os deveres responsabilidades e
privilégios morais e espirituais, aqueles salientavam as observâncias rituais envolvidas num
adequado acesso a Deus. A passagem clássica na qual são dadas as verdadeiras
características do sacerdote e na qual sua obra é, em parte designada, é (Hb 5:1).
• Estão indicados ali os seguintes elementos:
• O sacerdote é tomado dentre os homens para ser o seu representante.
• È constituído por Deus (conforme v. 4).
• Age no interesse dos homens nas coisas pertencentes a Deus, isto é, nas coisas
religiosas.
• Sua obra especial consiste em oferecer dádivas e sacrifícios pelos pecados.
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Mas a obra do sacerdote incluía ainda mais que isso.
• Ele também fazia intercessão pelo povo (Hb 7:25) e os abençoava em nome de Deus
(Lv 9:22).
Provas bíblicas do oficio Sacerdotal de Cristo. O Velho Testamento prediz e
prefigura o sacerdócio do redentor vindouro. Há claras referencias a isto em (Sl 110:4 e Zc
6:13). Alem disso, o sacerdócio do Velho Testamento, e particularmente o Sumo Sacerdote,
claramente prefiguravam um Messias sacerdotal. No Novo Testamento há somente um único
livro em que ele é chamado sacerdote, qual seja, a epistola aos Hebreus; mas ali o nome é
repetidamente aplicado a Ele (3:1; 4:14; 5:5; 6:20; 7:26; 8:1). Ao mesmo tempo, muitos
outros livros do Novo Testamento se referem à obra sacerdotal de Cristo.
C. O Oficio Real. Na qualidade de segunda pessoa da Trindade Santa, o Filho Eterno,
Cristo, naturalmente, comparte o domínio de Deus sobre todas as suas criaturas. Seu trono
está estabelecido nos céus e o seu reino domina sobre tudo (Sl 103:19). Em geral podemos
definir a realeza de Cristo como o Seu poder oficial de governar todas as coisas do céu e da
terra, para a glória de Deus e para a execução do seu propósito de salvação. Todavia,
podemos distinguir entre um Regnum Gratiae e um Regnum Potentiae (entre um Reino de
Graça e um Reino de Poder).
O Reinado Espiritual de Cristo (Natureza deste Reinado). O reinado espiritual de
Cristo é o Seu governo real sobre o Regnum Gratiae, isto é, sobre o seu povo ou sua igreja.
Um reinado espiritual porque se relaciona com uma esfera espiritual. O governo mediatário
estabelecido nos corações e na vida dos crentes. Ademais, é espiritual porque leva direta e
imediatamente a um fim espiritual administrado, não pela força ou por meios externos, mas
pela Palavra e pelo Espírito, que é o Espírito de verdade, de sabedoria, de justiça, de
santidade, de graça e misericórdia. Este reinado revela-se na reunião da igreja e em seu
governo, proteção e perfeição. A Bíblia fala a seu respeito em muitos lugares, tais como (Sl
2:6; 45:6,7; conforme Hb 1:8,9; Sl 132:11; Is 9:6,7; Jr 23:5,6; Mq 5:2; Zc 6:13; Lc 1:33;
19:27,38; 22:29; Jo 18:36,37; At2:30-36) e outros. A natureza espiritual deste reinado é
indicada pelo fato, entre outros, de que Cristo é repetidamente chamado Cabeça da Igreja
(Ef 1:22; 4:15; 5:23; Cl 1:18; 2:19). Este vocábulo, no sentido em que é aplicado a Cristo, é,
nalguns casos, praticamente equivalente, a Rei (“cabeça”. Num sentido figurado, “alguém
revestido de autoridade”) como em (1Co 11:3; Ef 1:22; 5:23); noutros casos, porém, é
empregado no sentido literal e orgânico (Ef 4:15; Cl 1:18; 2:19).
6.5. O Estado de Cristo
A. O estado de Humilhação. Com base na referida passagem de Fp 2:6-8, pode-se
dizer que o elemento essencial e central do estado de humilhação acha-se no fato de que
Ele, que era o Senhor de toda a terra, o supremo Legislador, colocou-se debaixo da lei para
desincumbir-se das suas obrigações federais e penais a favor do seu povo. Ao fazê-lo, Ele se
tornou legalmente responsável por nossos pecados e sujeitos à maldição da lei. Este estado
do Salvador, concisamente expresso nas palavras de (Gl 4:4) nascido sob a lei, reflete-se na
condição que lhe é correspondente e que é descrita nos vários estágios da humilhação.
Enquanto a Teologia Luterana fala em nada menos que oito estágios da humilhação de
Cristo, a Teologia Reformada geralmente enumera cinco, a saber:
1. Encarnação.
2. Sofrimento.
3. Morte.
4. Sepultamento.
5. Descida ao Hades.
B. A Encarnação e o Nascimento de Cristo Não foi o Trino Deus, mas a segunda
pessoa da trindade que assumiu a natureza humana. Por essa razão é melhor dizer que o
Verbo se fez Carne, do que dizer que Deus se fez homem. Ao mesmo tempo, devemos
lembrar que cada uma das pessoas divinas agiu na encarnação (Mt 1:20; Lc 1:35; Jo 1:14;
At 2:30; Rm 8:3; Gl 4:4; Fp 2:7). Não é possível falar da encarnação de alguém que não teve
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existência prévia. Esta preexistência é claramente ensinada na Escritura: “No principio era o
Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1:1). “Eu desci do céu” (Jo 6:38).
“Pois conheceis a graça do nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por
amor de vós, para que pela sua pobreza vos tornassem ricos” (2 Co 8:9). “Pois ele,
subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si
mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhança de homens” (Fp
2:6,7). “Vindo, pois, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho” (Gl 4:4). O preexistente
Filho de Deus assume a natureza humana e se reveste de carne e sangue humanos, um
milagre que ultrapassa o nosso limitado entendimento. Isto mostra claramente que o
infinito, pode entrar em relações finitas, e de fato entra, e que, de algum modo, o
sobrenatural pode entrar na vida histórica do mundo. A nossa confissão afirma que a
natureza de Cristo foi concebida no ventre da bendita Virgem Maria pelo poder do Espírito
Santo, sem o concurso do homem. Isto salienta o fato de que o nascimento de Cristo
absolutamente não foi um nascimento comum, mas, sim, um nascimento sobrenatural em
virtude do qual Ele foi chamado Filho de Deus. O elemento mais importante, com relação ao
nascimento de Jesus, foi a operação sobrenatural do Espírito Santo, pois, só por este meio
foi possível o nascimento virginal. A Bíblia se refere a esta característica em (Mt 1:18-20; Lc
1:34,35; Hb 10:5).
C. Os Sofrimentos do Salvador (Is 53: 6,10).
• Ele sofreu durante toda a sua vida. Seu sofrimento foi um sofrimento consagrado, e
cada vez mais atroz conforme o fim se aproximava. O sofrimento iniciado na
encarnação chegou finalmente ao clímax no Passio Magna (Grande Paixão) no fim
da sua vida. Foi quando pesou sobre Ele toda a ira de Deus contra o pecado.
• Sofreu no corpo e na alma. Não foi a simples dor física, como tal, que constituiu a
essência do seu sofrimento, mas essa dor acompanhada de angústia de alma e da
consciência meditaria do pecado da humanidade, que pesava sobre ele. Além disso,
a Bíblia ensina claramente que Cristo sofreu em ambos. Ele agonizou no jardim,
onde a sua alma esteve profundamente triste até à morte, e também foi
esbofeteado, açoitado e crucificado.
• Seus sofrimentos nas tentações. As tentações de Cristo são partes integrantes dos
seus sofrimentos. Essas tentações se acham na vereda do sofrimento (Mt 4:1-11; Lc
22:28; Jo 12:27; Hb 4:15; 5:7,8). Seu ministério público iniciou-se com um período
de tentação, e mesmo após esse período as tentações se repetiam, a intervalos,
culminando no trevoso Getsêmani. Jesus somente pôde ser o Sumo Sacerdote
compassivo e atingir as culminâncias da perfeição e do triunfo, penetrando e
sofrendo praticamente todas as provações, tentações e aflições que os homens
sofrem (Hb 4:15, 5:7-9).
D. A Morte do Salvador. Deus impôs judicialmente a sentença da morte do Mediador,
desde que este se incumbiu voluntariamente de cumprir a pena do pecado da raça humana.
Estes sofrimentos foram seguidos por sua morte na cruz. Ele esteve sujeito, não somente à
morte física, mas, também à morte eterna, se bem que sofreu esta de forma intensiva, e não
extensivamente, quando agonizou no jardim e quando bradou na cruz: “Deus meu, Deus
meu, por que me desamparaste?”. Num curto período de tempo, Ele suportou a ira infinita
contra o pecado até o fim; e saiu vitorioso.
O caráter judicial de sua morte. Era deveras essencial que Cristo não sofresse morte
natural, nem acidental e não morresse pelas mãos de um assassino, mas sob sentença
judicial. Alem disso, Deus dispôs providencialmente que o Mediador fosse julgado e
sentenciado por um juiz romano. Os romanos tinham talento para a lei e a Justiça;
representavam o poder judicial mais alto do mundo. A sentença de Pilatos foi também
Sentença de Deus, embora sobre bases inteiramente diferentes. A crucificação não era uma
forma judaica de castigo, mas, romana. Era considerada tão infame e ignominiosa, que não
podia ser aplicada a cidadãos romanos, mas somente à escória da humanidade, aos
escravos e criminosos mais indignos. Ao mesmo tempo, padeceu morte amaldiçoada, e
assim provou que se fez maldição por nós (Dt 21:23; Gl 3:13).
E. O Sepultamento do Salvador. É evidente que o seu sepultamento também fez parte
de sua humilhação. Note-se especialmente o seguinte:
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• Voltar o homem ao pó, do qual fora tomado, é descrito na Escritura como parte da
punição do pecado (Gn 3:19).
• Diversas declarações da Escritura implicam que a permanência do Salvador na
sepultura foi uma humilhação (Sl 16:10; At 2:27,31; 13:34,35). Foi uma descida ao
Hades, em si mesmo sombrio e lúgubre, lugar de corrupção; se bem que ele foi
guardado da corrupção.
• Ser sepultado é ir para baixo e, portanto, uma humilhação. O sepultamento dos
cadáveres foi ordenado por Deus para simbolizar a humilhação do pecador.
F. A Descida do Salvador ao Hades.
Depois de mencionar os sofrimentos, a morte e o sepultamento do Senhor, a Confissão
Apostólica (Credo) prossegue com estas palavras: “Desceu ao inferno (Hades)”. Mais tarde,
porém, a forma romana do Credo acrescentou o artigo em questão após sua menção do
sepultamento. Base bíblica para a expressão (Ef 4:9; 1 Pe 3:18,19; 1 Pe 4: 4-6); Sl 16: 8-10
compare At 2:25; 7:30,31).
7 - INTRODUÇÃO À HARMATIOLOGIA
7.1. A Origem do Pecado
O problema do mal que há no mundo sempre foi considerado um dos mais profundos
problemas da Filosofia e da Teologia: um problema que se impõe naturalmente à atenção do
homem, visto que o poder do mal é forte e universal; é uma doença sempre presente na vida
em todas as manifestações desta, e é matéria da experiência diária na vida de todos os
homens. Outros, porém, estão convictos, de que o mal teve uma origem voluntária, isto é,
que se originou na livre escolha do homem, quer na existência atual, quer numa existência
anterior. Estes acham-se bem mais perto da verdade revelada na Palavra de Deus.
A. Dados Bíblicos. Na Escritura o mal moral existente no mundo, transparece
claramente no pecado, isto é, como transgressão da lei de Deus.
Não se pode considerar Deus como o seu Autor. O decreto eterno de Deus
evidentemente deu a certeza da entrada do pecado no mundo, mas não se pode interpretar
isso de modo que faça de Deus a causa do pecado no sentido de ser Ele o seu autor
responsável. Esta idéia é claramente excluída pela Escritura. Longe de Deus o praticar a
perversidade; e do Todo- poderoso o cometer injustiça(Jó 34:10). Ele é o Santo Deus (Is 6:3;
Dt 32:4; Sl 92:16). Ele não pode ser tentado pelo mal e ele próprio não tenta a ninguém (Tg
1:13). Quando criou o homem, criou-o bom e à sua imagem. Ele positivamente odeia o
pecado (Dt 25:16; Sl 5:4; 11:5; Zc 8:17; Lc 16:15) e em Cristo fez provisão para libertar do
pecado do homem.
O Pecado se originou no Mundo Angélico. A Bíblia nos ensina que na tentativa de
investigar a origem do pecado devemos retornar à queda do homem, na descrição de Gn 3 e
fixar a atenção em algo que sucedeu no mundo angélico. Deus criou um grande número de
anjos, e estes eram todos bons, quando saíram das mãos do seu Criador (Gn 1:31). Mas
ocorreu uma queda no mundo angélico; queda, na qual, legiões de anjos se apartaram de
Deus. A ocasião exata dessa queda não é indicada, mas em (Jo 8:44) Jesus fala do diabo
como assassino desde o principio e em (1 Jo 3:8), diz João que o Diabo peca desde o
principio.
A origem do pecado na raça humana. Com respeito à origem do pecado na história
da humanidade a Bíblia ensina que ele teve início com a transgressão de Adão no paraíso e,
portanto, com um ato perfeitamente voluntário da parte do homem. O tentador veio do
mundo dos espíritos com a sugestão de que o homem, colocando-se em oposição a Deus,
poderia tornar-se semelhante a Deus. Adão se rendeu à tentação e cometeu o primeiro
pecado, comendo do fruto proibido. Mas a coisa não parou aí, pois com esse primeiro
pecado Adão passou a ser escravo do pecado. Esse pecado trouxe consigo corrupção
permanente, corrupção que dada a solidariedade da raça humana, teria efeito não somente
sobre Adão, mas também sobre todos os seus descendentes. Como resultado da queda, o
pai da raça só pode transmitir uma natureza depravada aos seus descendentes. Dessa
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fonte, não Santa, o pecado flui numa corrente impura, passando para todas as gerações de
homens; corrompendo tudo e todos com que entra em contato. É exatamente esse estado de
coisas que torna tão pertinente a pergunta de Jó: “Quem da imundície poderá tirar cousa
pura? Ninguém!” (Jó 14:4). Mas ainda isso não é tudo: Adão não pecou somente com o pai
da raça humana, mas também como chefe representativo de todos os seus descendentes, e,
portanto, a culpa do seu pecado é posta na conta deles, pelo que todos são possíveis de
punição e morte. Primariamente, nesse sentido que o Pecado de Adão é o pecado de todos. O
que Paulo ensina em (Rm 5:12): “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado
no mundo e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque
todos pecaram” é que Deus adjudica a todos os homens a condição de pecadores, culpados
em Adão, exatamente como adjudica a todos os crentes a condição de justos em Jesus
Cristo. Isso se confirma, quando ele afirma: “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo
sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a
graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida. Porque, como pela
desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores, assim também por meio da
obediência de um só, muitos se tornarão justos” ( Rm 5:18,19).
7.2. A Natureza do Primeiro Pecado ou da Queda do Homem
A. Seu Caráter Formal. Pode-se dizer que numa perspectiva puramente formal que o
primeiro pecado do homem consistiu em comer dá árvore do conhecimento do bem e do
mal. Quer dizer que não seria pecaminoso, se Deus não tivesse dito: “Da árvore do
conhecimento do bem e do mal não comerás”. A ordem dada por Deus para não se comer do
fruto da árvore serviu simplesmente ao propósito de por à prova a obediência do homem. Foi
um teste de pura obediência, desde que Deus de modo nenhum procurou justificar ou
explicar a proibição.
B. Seu Caráter Essencial e Material. O primeiro pecado do homem foi um pecado
típico, isto é, um pecado no qual a sua essência real se revela claramente. A essência desse
pecado está no fato de que Adão se colocou em oposição a Deus, recusou-se a sujeitar a sua
vontade à vontade de Deus de modo que Deus determinasse o curso da sua vida, e tentou
ativamente tomar a coisa toda das mãos de Deus e determinar, ele próprio, o futuro.
Naturalmente pode distinguir-se diferentes elementos do seu primeiro pecado:
• No intelecto, revelou-se como incredulidade e orgulho na vontade como o desejo de
ser como Deus.
• Nos sentimentos, como uma ímpia satisfação ao comer do fruto proibido.
A Escritura dá entender claramente que a serpente foi apenas um instrumento de
Satanás, e que Satanás foi o real tentador que agiu na serpente e por meio dela, como
posteriormente agiu em homens e em porcos (Jo 8:44; Rm 16:20; 2 Co 11:3; Ap 12:9). A
serpente foi um instrumento próprio para Satanás, pois ele é a personificação do pecado. E
a serpente simboliza o pecado em sua natureza astuta e enganosa e em sua picada
venenosa com a qual mata o homem.
7.3. A Idéia Bíblia do Pecado
O pecado é o resultado de uma escolha livre, porém, má, do homem. Este é o ensino
claro da Palavra de Deus (Gn 3:1-6; Is 48:8; Rm 1:18-32; 1 Jo 3:4). O homem está do lado
certo ou do lado errado (Mt 10:32,33; 12:30; Lc 11:23; Tg 2;10). A escritura vê o pecado em
relação a Deus e sua lei, quer como lei escrita nas tábuas do coração, quer como dada por
meio de Moisés (Rm 1:32; 2:12-14; 4:15; Tg 2:9; 1 Jo 3:4). Embora muitos neguem que o
pecado inclui culpa, essa negação não se harmoniza com o fato de que o pecado é ameaçado
com castigo e de fato o recebe e, evidentemente, contradiz claras afirmações da Escritura
(Mt 6:12; Rm 3:19; 5:18; Ef 2:3). Por corrupção entendemos a corrosiva contaminação
inerente, a que todo pecador está sujeito. É uma realidade na vida de todos os indivíduos. É
inconcebível sem a culpa, embora a culpa, como incluída numa relação penal seja
concebível sem a corrupção imediata. Mas é sempre seguida pela corrupção. Todo aquele
que é culpado em Adão, também nasce com uma natureza corrupta, em conseqüência.
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Ensina-se claramente a doutrina da corrupção do pecado em passagens como (Jó 14:4; Jr
17:9; Mt 7:15-20; Rm 8:5-8; Ef 4:17-19). O pecado não reside nalguma faculdade da alma,
mas no coração que na psicologia da Escritura é o órgão central da alma, onde estão as
saídas da vida (Pv 4:23; Jr 17:9; Mt 15:19,20; Lc 6:45; Hb 3:12). A questão sobre se os
pensamentos e os sentimentos do homem natural, chamados “carne” na Escritura, devam
ser considerados como constituindo pecado, poder-se-ia responder indicando passagens
como (Mt 5:22,28; Rm 7:7; Gl 5:17,24). Em conclusão pode-se dizer que se pode definir o
pecado como falta de conformidade com a lei moral de Deus, em ato, disposição ou estado.
Há inequívocas declarações da Escritura que indicam a pecaminosidade universal do
homem (1 Rs 8:46; Sl 14 3:2; Pv 20:9; Ec 7:20; Rm 3:1-12,19,20,23; Gl 3:22; Tg 3:2; 1
Jo1:8,10). Várias passagens da Escritura ensinam que o pecado é herança do homem desde
a hora do seu nascimento e, portanto, está presente na natureza humana tão cedo que não
há possibilidade de ser considerado como resultado de imitação (Sl 51:5; Jó 14:4; Jo 3:6).
Em (Ef 2:3) diz o Apóstolo Paulo que os efésios eram “filhos da ira” (ou, pecadores) por
natureza, indica uma coisa inata e original em distinção daquilo que é adquirido. Então, o
pecado é uma coisa original, e dele, participam todos os homens, fazendo-os culpados
diante de Deus. Além disso, de acordo com a Escritura, a morte sobrevém mesmo aos que
nunca exerceram uma escolha pessoal e consciente ( Rm 5:12-14). Finalmente a Escritura
ensina também que todos os homens se acham sob condenação e, portanto, necessitam da
redenção que há em Cristo Jesus. Nunca se declarava que as crianças constituem exceção a
essa regra, conforme as passagens recém-citadas e também (Jo 3:35; 1 Jo 5:12). Não
contradizem isto as passagens que atribuem certa justiça ao homem (Mt 9:12,13; At 10:35;
Rm 2:14; Fp 3:6; 1 Co 1:30), pois esta pode ser a justiça civil, cerimonial ou pactual, a
justiça da lei ou a justiça que há em Cristo Jesus.
7.4. O Pecado na Vida da Raça Humana
A. Pecado Original. O estado e condição de pecado em que os homens nascem são
designados na Teologia pelo nome de Peccatum Originale, literalmente traduzido por
“pecado original”. Chama-se Pecado Original
• Porque é derivado da raiz original da raça humana.
• Porque está presente na vida de todo e qualquer individuo, desde a hora do seu
nascimento e, portanto, não pode ser considerado como resultado de imitação.
• Porque é a raiz interna de todos os pecados concretizados que corrompem a vida do
homem.
A Culpa Original. A palavra culpa expressa a relação que há entre o pecado e a
justiça, ou, como o colocam os teólogos mais antigos, a penalidade da lei. Quem é culpado
está numa relação penal com a lei. Podemos falar da culpa em dois sentidos, a saber, como
Reatus Culpae (réu convicto) e como Reatus Poenae (réu passível de condenação). O sentido
habitual, porém, em que falamos de culpa na Teologia, é o de Reatus Poenae. Com isto se
quer dizer merecimento de punição, ou obrigação de prestar satisfação à justiça de Deus
pela violação da lei, feita por determinação pessoal. Isso é evidenciado pelo fato de que a
morte, como castigo do pecado, passou de Adão a todos os seus descendentes (Rm 5:12-19;
Ef 2:3; 1 Co 15:22).
B. Depravação Total. Em vista do seu caráter impregnante, a corrupção herdada toma
o nome de depravação total; muitas vezes esta frase é mal compreendida e, portanto, requer
cuidados de discriminação. Esta depravação total é negada pelos pelagianos, socinianos e
arminianos do século XVII, mas é ensinada claramente na Escritura (Jo 5:42; Rm 7:18,23;
8:7; Ef 4:18; 2 Tm 3:2-4; Tt 1:15; Hb 3:12).
C. O Pecado Factual. Os católicos romanos e os arminianos menosprezaram a idéia do
pecado original e, depois, desenvolveram doutrinas como a da purificação do pecado original
(e de outros pecados) pelo batismo e pela graça suficiente, pelo que fica muito obscurecida a
sua gravidade. A ênfase é dada clara e completamente aos pecados atuais. Os pelagianos, os
socinianos, os teólogos modernistas - e, por estranho que pareça - também a Teologia da
Crise, só reconhecem os pecados atuais. Deve-se dizer, porém, que esta teologia fala do
pecado igualmente no singular e no plural, isto é, ela reconhece a solidariedade no pecado,
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não reconhecida por alguns dos outros. A teologia reformada (calvinista) sempre reconheceu
devidamente o Pecado Atual. (Empregamos a palavra Factual ou Atual num sentido
compreensivo). A expressão Pecados Factuais não indica apenas as ações externas
praticadas por meio do corpo, mas também todos os pensamentos e volições conscientes
que decorrem do pecado original. São os pecados individuais expressos em atos
diversamente da natureza e inclinação herdada. O pecado original é somente um; o pecado
factual é múltiplo. Os pecados factuais podem ser interiores, como no caso de uma dúvida
consciente e particular, ou de um mau desígnio, sediado na mente ou de uma cobiça
consciente e particular do coração, mas também podem ser exteriores, como a fraude, o
furto, o adultério, o assassínio, etc. Enquanto que a existência do pecado original tem-se
defrontado com a sua negação amplamente generalizada a presença do pecado factual na
vida do homem geralmente é admitida. Contudo, isso não quer dizer que as pessoas sempre
tiveram consciência igualmente profunda de pecado. Afirmações como de Paulo em (Gl 5:21)
e de passagens de texto comprovam os pecados factuais (Nm 15:29-31; Gl 6:1; Ef 4:18; 1
Tm 1:13; 5:24; Mt 10:15; Lc 12:47,48; 23:34, Jo 19:11, At 17:30, Rm 1:32; 2:12; 1 Tm
1:13,15,16).
D. O Pecado Imperdoável. Diversas passagens da escritura falam de um pecado que
não pode ser perdoado, após o qual é impossível a mudança do coração e pelo qual não é
necessário orar. É geralmente conhecido como pecado ou blasfêmia contra o Espírito Santo.
O Salvador fala explicitamente dele em (Mt 12:31,32) e passagens paralelas, e em geral se
pensa que (Hb 6:4-6; 10:26,27 e 1 Jo 5:16), também se referem a esse pecado.
7.5. A Punição do Pecado
O pecado é coisa muito séria, e é levado a sério por Deus, embora os homens muitas
vezes o tratem ligeiramente. Não é somente uma transgressão da lei de Deus, é também um
ataque ao grande Legislador; uma revolta contra Deus. É uma infração da inviolável justiça
de Deus, que é o fundamento do seu trono (Sl 97:2) e uma afronta à imaculada santidade de
Deus, que requer que sejamos santos em toda a nossa maneira de viver. A Bíblia atesta
abundantemente o fato de que Deus pune o pecado, nesta vida e na vida por vir. A Bíblia
fala de penalidades que em nenhum sentido são resultados ou conseqüências naturais do
pecado (Ex 32:33; Lv 26:21; Nm 15:31; 1 Cr 10:13; Sl 11:6; 75:8; Is 1:24,28; Mt 3:10;
24:51). Todas estas passagens falam de uma punição do pecado por um ato Direto de Deus.
A palavra punição vem do termo latino poena, significando “punição, expiação ou pena”. A
Bíblia nos ensina, por um lado, que Deus ama e castiga o seu povo (Jó 5:17; Sl 6:1; 94:12;
118:18; Pv 3:11; Is 26:16; Hb 2:5-8; Ap 3:19) e, por outro lado, que Ele aborrece e pune os
que praticam o mal (Sl 5:5; 7:11; Na 1:2; Rm 1:18; 2:5,6; 2Ts 1:6; Hb 10:26,27).
7.6. Morte Espiritual
O pecado separa o homem de Deus, e isso quer dizer morte, pois é só na comunhão
com o Deus vivo que o homem pode viver de verdade. A morte entrou no mundo por meio do
pecado (Rm 5:120) e que “o salário do pecado é a morte” ( Rm 6:23). A penalidade do pecado
certamente inclui a morte física, mas inclui muito mais que isso.
7.7. O Que é Pecado
A Teologia Bíblica nos apresenta as seguintes definições para o Pecado:
1. Transgressão da Lei (I Jo 3:4).
2. Desobediência (Jr 3:25).
3. Rebeldia (1 Sm 15:23).
4. Dúvida e tudo o que não provém da fé (Rm 14:23).
5. Acepção de Pessoas (Tg 2:9).
6. Blasfêmia contra o Espírito Santo.
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8 - INTRODUÇÃO À ANGELOLOGIA
8.1. A Existência dos Anjos
A nossa terra representa um pequeno ponto no meio dos inúmeros corpos celestes de
todo grau de resplendor. “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos e a lua e as
estrelas que estabeleceste que é o homem, que deles te lembres?” (Sl 8:3,4). De fato, nós
criaturas humanas, somos nada no meio deste vastíssimo espaço. Em Gn 24:7 – “O Senhor
Deus do CÉU, que me tirou da casa de meu pai e de minha terra natal e que me falou, e
jurou, dizendo: A tua descendência darei esta terra, ele enviará o seu anjo que te há de
preceder, e tomarás de lá esposa para meu filho”. Em Mt 1:20 – “Enquanto ponderava
nestas cousas eis, que lhe apareceu em sonho um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de
Davi, não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito
Santo”. Em 2 Rs 19:35 – “Então, naquela mesma noite, saiu o Anjo do Senhor e feriu, no
arraial dos assírios, cento e oitenta e cinco mil, e, quando se levantaram os restantes pela
manhã, eis que todos estes eram cadáveres”. Por volta da metade da década de 90 irrompeu
uma onda doutrinária a respeito dos anjos.
Angelologia - É o estudo referente aos anjos. É uma palavra vinda do encontro de
outras duas palavras: angelos e logia, palavras gregas que significam anjo e estudo,
respectivamente.
Devemos estudar angelologia unicamente por uma perspectiva bíblica. Os anjos são
mencionados em toda a Bíblia: 108 vezes no AT e 175 vezes no NT, 72 dos quais se
encontram no Apocalipse.
8.2. Anjos na Bíblia
A. Nos livros da Lei (Gn 3:24; 22:11; 28:12; 32: 24; Ex 23:20; 32:34; Nm 20:16; 22:31-
35).
B. Nos livros históricos (Jz 2:1; 5:23; 6:11; 13:3; 1 Rs 19:7; 2 Rs 1:3; 19:35).
C. Nos livros poéticos (Jó 4:18; 33:23,24; 38:7; Sl 29:1; 91:11,12; 103:20).
D. Nos profetas (Is 6:2; Dn 3:25; 6:22).
O Novo Testamento reafirma a doutrina dos anjos exposta no Antigo Testamento.
A. Nos Evangelhos (Mt 1:20,24; 2:13,19; 13:39,49; 18:10; 22:30; 28:2; Mc 1:13;
12:25; Lc 1:11,13,26; 15:10; 16:22).
B. Nos Apóstolos (At 1:10,11; 8:26; 10:3; 11:3; 27:23).
C. Nas Cartas Paulinas (Rm 8:38; Gl 1:18; 3:19; Cl 1:16; 2:18; Fp 2:10; 1 Tm 3:16; 1
Ts 4:16).
D. Na Carta aos Hebreus (Hb 1:4,5,13,14; 2:2,5,7,9; 12:22).
E. No Apocalipse (Ap 5:11; 8:2; 14:15; 15:1).
8.3. A Crença Universal Sobre Anjos
A. As Sutilezas Escolásticas. No período da Idade Média, muitos assuntos eram
tratados com profundidade, mas às vezes eles desciam a considerações banais. Foi assim
que o Escolasticismo tratou a doutrina dos anjos levantando questões sem nenhuma
relevância para a sua compreensão:
• Quantos anjos poderiam permanecer na ponta de uma agulha?
• Um anjo poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo?
• Os anjos da guarda vigiam as crianças desde o nascimento? Depois de batizadas?
Ou já desde o embrião?
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B. O Cristocentrismo. Embora ser cristocêntrico seja uma exigência para o Cristão e
para o Cristianismo, corremos o risco de, cairmos em extremos, colocando de lado outras
doutrinas. A doutrina dos Anjos é uma questão de revelação de Deus, desde o Gênesis ao
Apocalipse.
C. As Mistificações. Estas mistificações causam repulsa e levam a considerar o
assunto dos anjos uma questão de crendice popular ou de superstição que não merece uma
reflexão séria. Esta é, provavelmente, mais uma razão porque a doutrina dos anjos é
esquecida. Entretanto, ao invés de esquecê-la, apenas deveríamos nos livrar do misticismo
em torno dos Anjos. Foi isto que Paulo condenou quando escreveu aos crentes de Colossos,
que influenciados por práticas pagãs, corriam também o risco de estar em adoração a anjos,
e não a Deus Cl 2:18).
8.4. A Doutrina dos Anjos e a Teologia Sistemática
A Bíblia fala de Assembléia de anjos (em Sl 89:5-8, consta à palavra santos, mas o
contexto dá a entender que são anjos), de sua organização para a batalha (Ap 12:7) e de um
anjo que é rei sobre os terríveis seres apocalípticos que haverão de assolar a terra (Ap 9:11).
Os anjos também possuem uma classificação governamental que indica organização e
hierarquia (Ef 3:10 - dos anjos bons e Ef 6:12 - dos anjos maus). Sem dúvida, Deus
determinou a organização dos anjos bons e Satanás a dos anjos maus. Do mesmo modo que
nos governos terrenos há graduações e posições, também as há nas regiões celestiais. Os
anjos estão em hierarquia ordenadamente. Aparecem em uma escala de graduação ou de
autoridade. Esta graduação está de acordo com a atividade que exercem.
A. Arcanjo. É uma palavra grega (archangelos). Na Bíblia aparece a menção de apenas
um Arcanjo Miguel (só pode haver mesmo um arcanjo, pois a palavra significa “o principal
entre os anjos”). Seu nome significa “quem é como Deus ou semelhante a Deus”. O prefixo
“arc”, de Arcanjo, leva a supor ser este anjo um chefe principal e poderoso. E o significado
do seu nome Miguel pode representar uma resposta a Lúcifer, cujo coração se elevou,
dizendo “Serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14:14).
B. Anjos Governadores. Nos escritos Paulinos aparecem várias expressões que indicam
ordens de anjos: uma ordem de anjos bons ou maus, envolvido no Governo do universo (Rm
8:38; Ef 1:21; 3:10; 6:12; Cl 1:16; 2:10,15). Podem ser considerados como generais de
exércitos angelicais.
São anjos que têm poderes de príncipes.
Potestades. Devem ser anjos que exercem uma supremacia; possuem autoridade para
governar. Sua principal atividade deve ser remover os obstáculos que podem impedir o
cumprimento da vontade de Deus, e para isso são investidos de especial autoridade (Rm
8:38; Ef 1:21; 3:10; 6:12; Cl 1:16; 2:10). Ef 3:10 pode dar a entender que potestades são
anjos que aprendem algo da vontade de Deus ao contemplarem o que ele está realizando no
seio da Igreja.
Poderes. Esta palavra ressalta o fato de que anjos e demônios têm maior poder que os
homens. Pode referir-se de modo especial, aos anjos, que exercem poder sobre os fenômenos
da natureza (2 Pe 2:11; Ef 1:21; 1 Pe 3:22).
Domínio. Deve ser uma classe de anjos que executam as ordens de Deus com relação
às coisas criadas. (Cl 1:16; Ef 1:21).
Tronos. Esta designação enfatiza a dignidade e autoridade com a qual Deus investiu
os anjos que Ele usa para governar. (Ef 1:21; Cl 1:16; 2 Pe 2:10,11). Observe-se que em Cl
1:16 principados e potestades e tronos parecem referir-se a anjos bons. Ef 1:21, entretanto,
parece ser uma referência a anjos bons e maus. Já em Rm 8:38; Ef 6:12 e Cl 2:15 parece
que a referência é apenas a anjos maus. Embora haja uma aparente semelhança entre estas
denominações, temos de presumir que estes títulos representam uma dignidade
incompreensível e os diversos graus de categoria. As esferas celestiais de governo excedem
os impérios humanos como o universo excede a terra.
C. Querubins. Derivam de “querub” (hebraico) cujo significado é “guardar e cobrir”.
Com esta função, os querubins aparecem mencionados em vários textos. Eles agiram como
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guardiões da Santidade de Deus, tendo guardado o caminho para a árvore da vida no jardim
do Éden (Gn 3:24). Querubins são, portanto, anjos que defendem o caráter Santo de Deus.
Assim os encontramos em ação (Ex 26:1; 36:8; 1 Rs 6:23-29).
D. Serafins. O nome Serafim tem origem na raiz hebraica Saraph, que significa
“ardente”. Estes seres angelicais são mencionados apenas em Is 6:1-3. Eles aparecem ao
redor do trono de Deus, a postos para cumprirem suas ordens. Os Serafins são
considerados os mais nobres entre os anjos. Enquanto os querubins se ocupam em
demonstrar a santidade de Deus, os serafins trabalham para promover a reconciliação,
preparando os homens para uma adequada aproximação dele.
E. Outros Anjos. Um deles, mencionado pelo nome, é Gabriel (Dn 8:15-27; 9:20-27; Lc
1:19,26). Foi incumbido de missão extraordinária, para revelar os mistérios que se
encontravam acima da compreensão humana. Gabriel significa “Deus é forte”. Aparece como
mensageiro da misericórdia e promessas divinas. Além do anjo Gabriel, aparecem outros
anjos nas Escrituras, designados por Deus para tarefas específicas:
• Mensageiros do juízo (Gn 19:13; 2 Rs 19:35).
• Com poder sobre o fogo (Ap 14:18).
• Com poder sobre as águas (Ap 16:5).
• Os sete anjos anunciadores de juízos (Ap 8:2).
• Anunciadores de nascimento das crianças (Gn 18:1,10; Jz 13:3).
8.5. A Criação dos Anjos
A palavra anjo deriva da língua latina Ângelus, que é correspondente à palavra grega
Angelos. No hebraico a palavra para anjo é Malak. O significado comum é “mensageiro,
enviado”. Anjos, com o sentido de mensageiros, não diz respeito à natureza espiritual desses
seres, mas determina sua missão. Com esse mesmo sentido de mensageiro ou enviado,
pessoas humanas são chamadas anjos: o sacerdote (Ml 2:7), o rei (2 Sm 14:17,20) e os
pastores líderes das sete igrejas do Apocalipse (Ap 2:1,8,12,18; 3:1,7,14). Contudo, não é
difícil perceber quando o termo se refere aos seres celestiais, porque vem associado à pessoa
de Deus como, por exemplo (Gn 16:7; 28:12; Sl 34:7).
Deus criou tudo o que existe, as coisas visíveis e as invisíveis. Entre elas criou os
anjos (Cl 1:16). Examinando a Bíblia, concluímos que foram criados todos de uma só vez -
Deus criou uma companhia de anjos e não uma raça.
8.6. A Natureza dos Anjos
Originalmente, as criaturas angelicais eram Santas. Todas as outras coisas criadas
por Deus eram boas (Gn 1:31) e os anjos foram criados neste estado de justiça, bondade e
santidade. Havia uma condição original de igualdade em todos os anjos (2 Pe 2:4). Os anjos
que assim perseveraram, continuaram a serviço do Senhor e foram chamados eleitos. Mt
18:10; 1 Tm 5:21). Os anjos maus são os que não perseveraram no estado original.
Rebelaram-se e tornaram-se inimigo de Deus, dos outros anjos e dos homens; e estão
condenados a tormentos e castigo eterno (Jd 6; Mt 8:29; 25:41; 1 Jo 5:19; Jo 16:11). Os
anjos são seres pessoais, pois Deus atribuiu a esses seres que criou características
pessoais. A crendice popular tem os anjos como espíritos impessoais ou influência sobre os
homens. São seres inteligentes, tem vontade própria e prerrogativas específicas. Os anjos de
Deus não tomam outros corpos para se manifestarem, mas tomam formas de pessoas
humanas visíveis para se fazerem manifestos. Sendo espirituais são também invisíveis. Os
anjos podem influenciar a mente humana do mesmo modo como outro ser humano pode
influenciar. A influencia dos anjos maus, porém, pode ser impedida pelo poder de Deus (Ef
6:10-12; 1 Jo 4:4-18)
Alguns textos sobre a natureza dos Anjos (Hb 1:13-14; Mt 26:53; 22:30; Hb 12:22; 1
Rs 22:19; Dt 33:2; Lc 1:26; Jd 9; Ap 9:11; Lc 20:36; 1 Tm 6:16; Lc 20:35,36; Mt 8:16; Ef
6:12; Hb 1:14; Lc 24:39; Mt 22:30; Gn 18:2,8; 19:2,3; At 10:4,22; Ap 14:10; Is 14:12; Ez
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28:15; Jo 8:44; 2 Pe 2:4; Lc 9:26; Ap 10:1-3; Hb 1:5-13; 2 Pe 2:11; Sl 103:20; Ap 14:18;
16:5; 2 Sm 14:17,20; Mt 24:36; 1 Pe 1:12; Lc 20:35-36).
9 - INTRODUÇÃO À SOTERIOLOGIA
A soteriologia trata da comunicação das bênçãos da salvação ao pecador e seu
restabelecimento ao favor divino e à vida de Íntima comunhão com Deus.
Esta doutrina pressupõe conhecimento de Deus como a fonte da vida, do poder e da
felicidade da humanidade, e da completa obediência em que o homem está de Deus, para o
presente e para o futuro. Desde que ela trata de restauração, redenção e renovação, só pode
ser apropriadamente compreendida à luz da condição originária do homem, criado à
imagem de Deus, e da subseqüente perturbação da adequada relação entre o homem e o
seu Deus, perturbação causada pela entrada do pecado no mundo.
9.1. A Ordem da Salvação (Ordo Salutis)
A ordo salutis descreve o processo pelo qual a obra de salvação, realizada em Cristo, é
concretizada objetivamente nos corações e vida dos pecadores. Visa a descrever, em sua
ordem lógica e também em sua interrelação, os vários movimentos do Espírito Santo na
aplicação da obra de redenção. A ênfase não recai no que o homem faz, ao apropriar-se da
graça de Deus, mas no que Deus faz, ao aplicá-lo. Pode-se levantar a questão sobre se a
Bíblia alguma vez indica uma ordo salutis definida. A resposta é que, embora ela não nos dê
explicitamente uma ordem da salvação completa, oferece-nos base suficiente para a referida
ordem. A melhor aproximação a algo como uma ordo salutis na Escritura é a declaração de
Paulo em (Rm 8:29,30). Alguns teólogos luteranos baseavam artificialmente a enumeração
dos vários movimentos na aplicação da redenção em (At 26:17,18). Mas, conquanto a Bíblia
não nos dê uma nítida ordo salutis ela faz duas coisas que nos ajudam a elaborar uma
ordem.
• Dá-nos uma completa e rica enumeração das operações do Espírito Santo na
aplicação da obra realizada por Cristo a pecadores individuais, e das bênçãos da
salvação comunicadas a eles.
• Ela indica, em muitas passagens e de muitas maneiras, a relação que os diferentes
movimentos atuantes na obra de redenção os mantêm uns com os outros.
o Ela ensina que somos justificados pela fé, e não pelas obras (Rm3:30; 5:1; Gl
2:16-20).
o Que, sendo justificados, temos paz com Deus e acesso a Ele (Rm 5:1,2).
o Que ficamos livres do pecado para tornar-nos servos da justiça e para
colhermos o fruto da santificação (Rm 6:18,22).
o Que quando somos adotados como filhos, recebemos o Espírito, que nos dá
segurança e também nos tornamos co-herdeiros com Cristo (Rm 8:15-17; Gl
4:4-6).
o Que a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Rm 10:17).
o Que a morte para a lei redunda em vida para Deus (Gl 2:19,20).
o Que, quando cremos, somos selados com o Espírito de Deus (Ef 1:13,14).
o Que é necessário andar de modo digno da vocação com que somos chamados
(Ef 4:1,2).
o Que, tendo obtido a justiça de Deus pela fé, participamos dos sofrimentos de
Cristo, também do poder da ressurreição (Fp 3:9,10).
o E que somos gerados de novo mediante a Palavra de Deus (1 Pe 1:23).
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Estas passagens e outras semelhantes indicam a relação dos vários movimentos da
obra redentora, uns com os outros, e, assim, dão base para a elaboração de uma ordo
salutis.
A. Operações do Espírito Santo em Geral. A escritura nos ensina a reconhecer certa
economia na obra de criação e redenção e autoriza o que falamos do Pai e da nossa criação,
do Filho e da nossa redenção, e do Espírito Santo e da nossa santificação. O Espírito Santo
não somente tem uma personalidade que lhe é própria, mas também tem um método
peculiar de trabalho e, portanto, devemos distinguir entre a obra de Cristo merecendo a
salvação e a obra do Espírito Santo aplicando-a. Cristo satisfez as exigências da justiça
divina e mereceu todas as bênçãos da salvação. Mas sua obra ainda não está terminada. Ele
a continua no céu, a fim de dar àqueles por quem Ele entregou Sua vida, a posse de tudo
quanto mereceu por eles. Cristo mesmo indica a íntima conexão quando diz: “Quando vier,
porém o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si
mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as cousas que hão de vir. Ele me
glorificará porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar” (Jo 16:13,14). O
Espírito que permanece nas criaturas e do qual a sua própria existência depende, provém
de Deus e as liga a Deus (Jó 32:8; 33:4; 34:14,15; Sl 104:29; Ts 42:5). Deus é chamado
Deus (ou Pai) dos espíritos de toda carne (Nm 16:22; 27:16; Hb 12:9). O Espírito de Deus
gera vida e leva a completar-se a obra criadora de Deus (Jó 33:4; 34:14,15; Sl 104:29,30; Is
42:5). A Escritura diz repetidamente que o Espírito do Senhor veio (poderosamente) sobre
eles (Jz 3:10; 6:34; 11:29; 13:25; 14:6,19; 15:14). Na verdade, há um espírito no homem, e o
sopro do Todo-Poderoso o faz entendido (Jó 32:8). O Espírito do Senhor fala por meu
intermédio, e a sua palavra está na minha língua (2 Sm 23:2).
B. A Doutrina da Graça. Os ensinos da Escritura acerca da graça de Deus ressaltam o
fato de que Deus distribui suas bênçãos aos homens de maneira livre e soberana, e não em
consideração a algum mérito dos homens, que os homens devem todas as bênçãos da vida a
um Deus benigno, perdoador e longânimo; e especialmente que todas as bênçãos da obra da
salvação são dadas gratuitamente por Deus, e de maneira nenhuma são determinada pelos
supostos méritos dos homens e expressa claramente com as seguintes palavras: “Porque
pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de nós é dom de Deus, não de obras,
para que ninguém se glorie” (Ef 2:8,9). Ele deu forte ênfase ao fato de que a salvação não é
pelas obras (Rm 3:20-28; 4:16; Gl 2:16).
A Graça de Deus na obra de redenção. Em primeiro lugar a graça é um atributo de
Deus; uma das perfeições divinas. É o livre, soberano e imerecido favor ou amor de Deus ao
homem, no estado de pecado e culpa em que este se encontra; favor que se manifesta no
perdão do pecado e no livramento de sua pena. A graça está relacionada com a misericórdia
de Deus, em distinção da Sua Justiça. Esta é a graça redentora no sentido mais
fundamental da expressão. É a causa última do propósito eletivo de Deus, da justificação do
pecador e da sua renovação espiritual; e é a prolífica fonte de todas as bênçãos espirituais e
eternas.
Em segundo lugar, o termo Graça é empregado como um designativo da provisão
objetiva que Deus fez em Cristo para a salvação do homem. Cristo, como o mediador, È a
encarnação viva da graça de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós cheio de
graça e de verdade (Jo 1:14). Paulo tem em mente a manifestação de Cristo, quando diz:
“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tt 2:11). Diz João:
“A lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus
Cristo” (Jo 1:17).
Em terceiro lugar, a palavra graça é empregada para designar o favor de Deus como é
demonstrado na aplicação da obra de redenção pelo Espírito Santo. É aplicada ao perdão
que recebemos na justificação, um perdão dado gratuitamente por Deus (Rm 3:24; 5:2,21;
Tt 3;15). Mas, em acréscimo a isso, também é um nome compreensivo, abrangendo todos os
dons da graça de Deus, as bênçãos da salvação e as graças espirituais que são acionadas
nos corações e vidas dos crentes pela operação do Espírito Santo (At 11:23; 18:27; Rm 5:17;
1 Co 15:10; 2 Co 9:14; Ef 4:7; Tg 4:5,6; 1 Pe 3:7). O Espírito é chamado Espírito da graça
(Hb 10:29).
C. Processo da Ordem da Salvação.
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Regeneração. A regeneração consiste na implantação do principio da nova vida
espiritual no homem, numa radical mudança da disposição dominante da alma, que, sob a
influencia do Espírito Santo, dá nascimento a uma vida que se move em direção a Deus. Em
principio, esta mudança afeta o homem completo, o intelecto (1 Co 2:14; 2 Co 4:6; Ef 1:18;
Cl 3:10), a vontade (Sl 110:3; Fp 2:13; 2 Ts 3:5; Hb 13:21) e os sentimentos ou emoções (Sl
42:1,2; Mt 5:4; 1 Pe 1:8). No sentido mais restrito da palavra podemos dizer: Regeneração é
o ato de Deus pelo qual o principio da nova vida é implantado no homem, e a disposição
dominante da alma é tornada santa. Mas, a fim de incluir a idéia do novo nascimento, como
também a da nova geração, será necessário complementar a definição com as seguintes
palavras: È o primeiro exercício santo desta nova disposição que é assegurado.
As causas eficientes da Regeneração são: 1) a vontade Humana (Jo 5:42; Rm 3:9-18;
7:18,23; 8:7; 2 Tm 3:4), sendo Deus o que inclina a vontade do homem (Rm 9:16; Fp 2:13);
2) a verdade (Rm 1:18,25) e 3) o Espírito Santo (Ez 11:19; Jo 1:13; At 16:14; Rm 9:16; Fp
2:13).
Conversão. A doutrina da conversão, naturalmente, como todas as outras doutrinas
Cristãs, baseia-se na Escritura, e sobre esta base deve ser aceita. Desde que a conversão é
uma experiência consciente ocorrida nas vidas de muitos, o testemunho da experiência pode
ser acrescentado ao da Palavra de Deus, mas esse testemunho, por mais valioso que seja,
nada acrescenta à segura veracidade da doutrina ensinada na Palavra de Deus. Podemos
ser gratos ao fato de que nos últimos anos a psicologia da religião deu considerável atenção
ao fato da conversão, mas sempre se deve ter em mente que, embora tenha trazido à nossa
atenção alguns fatos interessantes, pouco ou nada fez para explicar a conversão como um
fenômeno religioso.
A doutrina escriturística da conversão baseia-se, não somente nas passagens que
contém um ou mais dos termos mencionados na seção anterior, mas também em muitas
outras nas quais o fenômeno da conversão é descrito ou apresentado concretamente com
exemplos vivos. Exempls: com a pregação de Jonas, os ninivitas se arrependeram dos seus
pecados e foram poupados pelo Senhor (Jn 3:10).
Conversão verdadeira (Conversio Actualis Prima), a verdadeira conversão nasce da
tristeza segundo Deus; e redunda numa vida de devoção a Deus (2 Co 7:10). É uma
mudança que tem suas raízes na obra de regeneração, e que é efetuada na vida consciente
do pecador pelo Espírito de Deus; mudança de pensamentos e opiniões, de desejos e
volições, que envolve a convicção de que a direção anterior da vida era insensata e errônea,
e altera todo o curso da vida. Há dois lados nesta conversão, um ativo e o outro passivo: 1) o
primeiro sendo o ato de Deus pelo qual Ele muda o curso consciente da vida do homem e 2)
o último, o resultado desta ação como se vê na mudança que o homem faz no curso da sua
vida e em seu voltar-se para Deus conseqüentemente. Pode-se dar uma dupla definição de
conversão:
• A conversão ativa é o ato de Deus pelo qual Ele faz com que o pecador regenerado,
em sua vida consciente se volte para Ele com arrependimento e fé.
• A conversão passiva é o resultante ato consciente do pecador pelo qual ele, pela
graça de Deus, volta-se para Deus com arrependimento e fé. Esta conversão é a
conversão que nos interessa primordialmente na teologia.
A palavra de Deus contém vários exemplares notáveis dela, como, por exemplo:
• As conversões de Naamã (2 Rs 5:15).
• Manassés (2 Cr 33:12,13).
• Zaqueu (Lc 19:8,9).
• Cego de nascença (Jó 9:38).
• Mulher Samaritana (Jó 4:29,39).
• Eunuco (At 8:30).
• Cornélio (At 10:44).
• Paulo (At 9:50).
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• Lídia (At 16:14).
Fé. Como fenômeno psicológico, a fé, no sentido religioso, não defere da fé em geral.
Se a fé em geral é uma persuasão da verdade fundada no testemunho de alguém em quem
temos confiança e em quem descansamos e, portanto, apóia-se numa autoridade, a fé Cristã
no sentido mais abrangente, é a persuasão do homem, quanto à veracidade da Escritura,
com base na autoridade de Deus. Nem sempre a Bíblia fala da fé religiosa no mesmo
sentido, e isto deu surgimento às seguintes distinções na Teologia.
• Fé Histórica (Jo 3:2; Mt 7:26; At 26:27,28; Tg 2:19).
• Fé Miraculosa (Mt 17:20; Mc 16:17,18; Mt 8:10-13; Jo 11:22; At 14:9).
• Fé Temporal (Mt 13:20,21).
A Verdadeira Fé Salvadora. A verdadeira fé salvadora tem sua sede no coração e suas
raízes na vida regenerada. Muitas vezes se faz distinção entre o Habitus e o Actus da Fé
(entre o hábito e o ato da fé). Contudo por três destes acha-se a Sêmen Fidei (Semente da
Fé). Esta fé não é primeiramente uma atividade do homem, mas uma potencialidade
produzida por Deus no coração do pecador. A semente da fé é implantada no homem
quando há regeneração. Alguns teólogos falam disto como Habitus da fé, mas outros mais
corretamente lhe chamam Sêmen Fidei. Somente depois que Deus implantou a semente da
fé no coração do homem, é que ele pode exercer a fé. É isto, evidentemente, que Barth tem
em mente também quando, em seu desejo de ressaltar o fato de que a salvação é
exclusivamente obra de Deus, afirma que Deus, e não o homem, é o sujeito da fé.
O exercício consciente da fé forma gradativamente o Habitus, e este adquirem uma
significação fundamental e determinante para o exercício da fé. Quando a Bíblia fala da fé,
geralmente se refere à fé como uma atividade do homem, mas nascida da obra realizada pelo
Espírito Santo. Pode-se definir a fé salvadora como uma convicção, produzida pelo Espírito
Santo no coração, quanto à veracidade do Evangelho e uma segurança (confiança) nas
promessas de Deus em Cristo. Em última análise, é certo, Cristo é o objeto da fé salvadora,
mas Ele nos é oferecido unicamente no Evangelho.
Justificação. (Natureza e Características da Justificação). A justificação é um ato
judicial de Deus, no qual Ele declara, com base na justiça de Jesus Cristo, que todas as
reinvidicações da lei são satisfeitas com vistas ao pecador. Ela é singular, na obra de
redenção, em que é um ato judicial de Deus, e não um ato ou processo de renovação, como
é o caso da regeneração, da conversão e da santificação. Conquanto diga respeito ao
pecador, não muda a sua vida interior. Não afeta a sua condição, mas sim, o seu estado ou
posição, e nesse aspecto difere de todas as outras principais partes da ordem da salvação.
Ela envolve o perdão dos pecados e a restauração do pecador ao favor divino. O arminiano
sustenta que ela inclui somente aquele, e não esta; mas a Bíblia ensina claramente que o
fruto da Justificação é muito mais que o perdão. Os que são justificados têm paz com Deus,
segurança da salvação (Rm 5:1-10) e uma herança entre os que são santificados (At 26:18).
Devemos observar os seguintes pontos de diferença entre a justificação e a
santificação:
• A justificação remove a culpa do pecado e restaura o pecador a todos os direitos
filiais envolvidos em seu estado de filho de Deus, incluindo uma herança eterna. A
santificação remove a corrupção do pecado e renova o pecador constante e
crescentemente, em conformidade com a imagem de Deus.
• A justificação dá-se fora do pecador, no tribunal de Deus, e não muda a sua vida
interior, embora a sentença lhe seja dada a conhecer na vida interna do homem e
gradativamente afete todo o seu ser.
• A justificação acontece uma vez por todas. Não se repete, e não é um processo; é
imediatamente completa e para sempre não existe isso, de mais ou menos
justificação; ou o homem é plenamente justificado, ou absolutamente não é
justificado. Em distinção disto, a santificação é um processo contínuo que jamais
se completa nesta existência.
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Enquanto que a causa meritória está nos méritos de Cristo, há uma diferença na
causa eficiente. Falando em termos de economia, Deus o Pai declara justo o pecador, e Deus
o Espírito o santifica.
Ocasião que se dá a Justificação. Alguns teólogos separam cronologicamente a
justificação ativa e passiva. Neste caso, dizem que a justificação ativa deu-se na eternidade,
ou quando da ressurreição de Cristo, ao passo que a justificação passiva realiza-se pela fé,
e, portanto, assim se diz, segue-se à outra, no sentido cronológico. Consideremos
sucessivamente a justificação desde a eternidade, a justificação na ressurreição de Cristo e
a justificação pela fé.
Santificação. (Natureza da Santificação). É uma obra sobrenatural de Deus. Alguns
têm a equivocada noção de que a santificação consiste meramente em induzir a nova vida
implantada na alma pela regeneração, de maneira persuasiva, mediante a apresentação de
motivos à vontade. A Escritura mostra claramente o caráter sobrenatural da santificação de
diversas maneiras. Descreve-a como obra de Deus (1 Ts 5:23; Hb 13:20,21), como fruto da
união vital com Jesus Cristo (Jo 15;4; Gl 2:20; 4:19), como uma obra que é realizada no
homem por dentro e que, por essa mesma razão, não pode ser obra do homem (Ef 3:16; Cl
1:11) e fala da sua manifestação nas virtudes cristãs como sendo obra do Espírito (Gl 5:22).
As duas partes da santificação são expostas na escritura como:
1. A Mortificação do Velho Homem (o corpo do pecado). Muitas vezes é exposta na
Bíblia como a crucificação do Velho Homem e, assim, é associada à morte de
Cristo na cruz. O Velho Homem é a natureza humana na medida em que é dirigida
pelo pecado (Rm 6:6; Gl 5:24). No contexto da passagem de Gálatas, Paulo
contrasta as obras da carne com as do Espírito, e depois diz: “E os que são de
Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e concupiscências”.
2. A Vivificação do Novo Homem, criado em Cristo Jesus para boas obras. É o ato de
Deus pelo qual a disposição santa da alma é fortalecida, os exercícios santos são
incrementados e, assim, é gerado e promovido um novo curso da vida.
A velha estrutura do pecado vai sendo posta abaixo aos poucos e uma nova estrutura
é erguida em seu lugar. Estas duas partes da santificação não são sucessivas, mas,
simultâneas. Graças a Deus, o levantamento gradual do novo edifício não precisa esperar
até que o antigo esteja completamente demolido. Se precisasse, nunca poderia começar
nesta existência. Com a gradativa dissolução do antigo, o novo vai aparecendo. É como
arejar uma casa impregnada de odores pestilentos. Conforme o ar que ali estava é extraído,
o novo ar se precipita para dentro. Este ato positivo da santificação, muitas vezes é
chamado ressurreição com Cristo (Rm 6:4,5; Cl 2:12; 3:12). A nova vida a qual ela conduz é
chamada viver para Deus (Rm 6:11; Gl 2:19).
Afeta o Homem todo: corpo e alma; intelecto, afetos e vontade. Isto decorre da
natureza do caso, porque a santificação ocorre na vida interior do homem, no coração, e
este não pode ser mudado sem se mudar todo o organismo do homem. Transforma-se o
homem interior, e forçosamente há transformação da periferia da vida. Ademais, a Escritura
ensina claramente e explicitamente que a santificação afeta tanto o corpo como a alma (1 Ts
5:23; 2 Co 5:17; Rm 6:12; 1 Co 6:15,20). O corpo é focalizado aqui como órgão ou
instrumento da alma pecaminosa, pelo qual se expressam as inclinações, hábitos e paixões
pecaminosos. A santificação do corpo tem lugar principalmente na crise da morte e na
ressurreição dos mortos. Finalmente, transparece na Escritura que a santificação afeta
todos os poderes ou faculdades da alma: o entendimento (Jr 31:34; Jo 6:45), a vontade (Ez
36:25-27; Fp 2:13), as paixões (Gl 5:24), e a consciência (Tt 1:15; Hb 9:14).
Características da Santificação. Ao que parece, a santificação do crente deve
completar-se no exato momento da morte, ou imediatamente após a morte, no que se refere
à alma, e na ressurreição, quanto ao concernente ao corpo. Isto parece decorrer do fato de
que, por um lado, a Bíblia ensina que, na vida presente, ninguém pode arrogar-se liberdade
do pecado (1 Rs 8:46; Pv 20:9; Rm 3:10,12; Tg 3:2; 1 Jo 1:8), e que, por outro lado, os que já
partiram estão inteiramente santificados. Ela fala deles como espíritos dos justos
aperfeiçoados (Hb 12:23) e como sem mácula (Ap 14:5). Ademais, é nos dito que na celestial
cidade de Deus de modo nenhum penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica
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abominação e mentira (Ap 21:27); e que Cristo, na Sua vinda, transformará o nosso corpo
de humilhação, para ser igual ao corpo da sua gloria (Fp 3:21).
A santificação tem lugar, em parte, na vida subconsciente e, como, tal, é uma
operação imediata do Espírito Santo; mas também, em parte, dá-se na vida consciente, e,
neste caso, depende do uso de certos meios, tais como o exercício da fé, o estudo da Palavra
de Deus, a oração e a associação com outros crentes.
10 - INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA
Diz-se que a palavra hermenêutica bíblica deve sua origem no nome de Hermes, o
deus grego que servia de mensageiro dos deuses, transmitindo e interpretando suas
comunicações aos seus afortunados ou, com freqüência desafortunados destinatários. Em
seu significado técnico, muitas vezes se define a hermenêutica como “a ciência e arte de
interpretação bíblica”. Considera-se a hermenêutica como ciência porque ela tem normas ou
regras, e essas podem ser classificadas num sistema ordenado. Considerada como arte,
porque a comunicação é flexível e, portanto, uma aplicação mecânica e rígida das regras às
vezes distorcerá o verdadeiro sentido de uma comunicação. A teoria hermenêutica divide-se,
às vezes em duas subcategorias – a Hermenêutica Geral e a Especial.
1. Hermenêutica Geral é o estudo das regras que regem a interpretação do texto
bíblico inteiro. Incluem os tópicos das análises histórico-cultural, léxico-sintática,
contextual, e teológica.
2. Hermenêutica Especial é o estudo das regras que se aplicam aos gêneros
específicos, como parábolas, alegorias, tipos e profecias.
11 - A HERMENÊUTICA E A EXEGESE
Somente após um estudo da canonicidade, da Crítica Textual e da Crítica Histórica é
que o estudioso está preparado para fazer exegese.
Exegese é a aplicação dos princípios da hermenêutica para chegar-se a um
entendimento correto do texto. O prefixo ex (“fora de; para fora”), refere-se á
idéia de que o interprete está tentando derivar seu entendimento do texto, em
vez de ler seu significado no (dentro) texto (exegese).
Seguindo a exegese estão os campos gêmeos da Teologia Bíblica e da Teologia
Sistemática. Teologia Bíblica é o estudo da revelação divina no Antigo e Novo testamento.
Contrastando com a Teologia Bíblica, a Teologia Sistemática, organiza os dados
bíblicos de uma maneira lógica antes que histórica. Quando interpretamos as Escrituras, há
diversos bloqueios a uma compreensão espontânea do significado primitivo da mensagem.
1. Há um Abismo Histórico no fato de nos encontrarmos largamente separados no
tempo, tanto dos escritores quanto dos primitivos leitores. A antipatia de Jonas
pelos Ninivitas, por exemplo, assume maior significado quando entendemos a
extrema crueldade e pecaminosidade do povo de Nínive (Jn 1:1-3).
2. Em segundo lugar existe um Abismo Cultural, resultante de significativas
diferenças entre a cultura dos antigos hebreus e a nossa.
3. Um terceiro bloqueio à compreensão espontânea da Mensagem bíblica é a
Diferença Lingüística. A Bíblia foi escrita em hebraico, aramaico e grego - três
línguas que possuem estruturas e expressões idiomáticas muito diferentes da
nossa própria língua. A mesma coisa pode acontecer ao traduzir-se de outras
línguas, se o leitor ignorar que frases como “o Senhor endureceu o coração do
Faraó”, podem conter expressões idiomáticas que dão ao sentido primitivo desta
frase algo diferente daquele comunicado pela tradução literal.
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4. Um quarto bloqueio significativo é a Lacuna Filosófica. Opiniões acerca da vida,
das circunstâncias, da natureza e do Universo, diferem entre as várias culturas.
Portanto, a hermenêutica é necessária por causa das lacunas históricas culturais,
lingüísticas e filosóficas que obstruem a compreensão espontânea e exata da Palavra de
Deus.
Exemplos de versículos com definições hermenêuticas da Bíblia: 2 Tm 3:16; 2 Pe 1:21.
No estudo da Bíblia, a tarefa do exegeta é determinar tão intimamente quanto possível
o que Deus queria dizer em determinada passagem, e não o que ela significa para mim. Se
aceitarmos o ponto de vista de que o sentido de um texto é o que ele significa para mim,
então a Palavra de Deus pode ter tantos significados quantos forem seus leitores. A esta
altura pode ser útil distinguir entre a interpretação e aplicação. Dizer que um texto tem uma
interpretação válida (o significado pretendido pelo autor) não quer dizer que o que ele
escreveu tem somente uma aplicação possível. Exemplos: A ordem em Ef 4:27 tem um
significado, mas pode ter diferentes aplicações. Em Romanos 8 tem um significado, mas
pode ter múltiplas aplicações. Outros exemplo: 1 Pe 1:10-12; Dn 12:8; 8:27; João 11:49–52.
A Bíblia ensina que a rendição ao pecado torna-nos escravos dele e cega-nos à Justiça
(João 8:34; Rm 1:18-22; 6:15,19; 1 Tm 6:9; 2 Pe 2:19).
Os Evangélicos Conservadores são os que crêem que a Bíblia é totalmente sem
erros.
Os Evangélicos Liberais crêem que a Bíblia é sem erro toda vez que fala sobre
questões da salvação e da fé cristã; mas pode possuir erros nos fatos
históricos e noutros pormenores.
11.1. Interpretação das Escrituras
Os teólogos conservadores concordam em que as palavras podem ser usadas em
sentido literal, figurativo ou simbólico. As três sentenças seguintes servem-nos de exemplo:
• Literal. Foi colocada na cabeça do rei uma coroa cintilante de Jóias.
• Figurativo. (Um pai bravo com o filho:) “Na próxima vez que me chamar de coroa
você vai ver estrelas ao meio-dia!”.
• Simbólico. “Viu-se grande sinal no céu, a saber, uma mulher vestida do sol com a
lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça” (Ap 12:1).
11.2. Visão Panorâmica da História
Princípios evangélicos encontrados em cada um dos seguintes períodos de
interpretação bíblica.
1. Exegese Judaica Antiga.
2. Uso do Antigo Testamento pelo Novo Testamento.
3. Exegese Patrística (100-600 d.C).
4. Exegese Medieval (600-1500 d.C.).
5. Exegese da Reforma.
6. Exegese da Pós-Reforma.
7. Hermenêutica Moderna.
Além do mais, à medida que estudamos a história da interpretação, vemos que muitos
dos grandes Cristãos (Orígenes, Agostinho, Lutero, etc.) entenderam e aceitaram princípios
hermenêuticos melhores do que os que praticaram.
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Agostinho (354-430). Em termos de originalidade e gênio, Agostinho foi de longe o
maior homem de sua Época. Em seu livro sobre a Doutrina Cristã, ele estabeleceu diversas
regras para exposição da Escritura, algumas das quais estão em uso até hoje. Entre suas
regras encontramos as seguintes, conforme resumo de Ramm:
• O intérprete deve possuir fé cristã autêntica.
• Deve-se ter em alta conta o significado literal e histórico da Escritura.
• A Escritura tem mais que um significado e, portanto, o método alegórico é
adequado.
• Há significado nos números bíblicos.
• O Antigo Testamento é documento Cristão porque Cristo está retratado nele do
principio ao fim.
• Compete ao expositor entender o que o autor pretendia dizer e não introduzir no
texto o significado que ele – expositor – quer lhe dar.
• O intérprete deve consultar o verdadeiro credo Ortodoxo.
• Um versículo deve ser estudado em seu contexto, e não isolado dos versículos que o
cercam.
• Se o significado de um texto é obscuro, nada na passagem pode constituir-se
matéria da fé ortodoxa.
• O Espírito Santo não toma o lugar do aprendizado necessário para se entender a
Escritura. O interprete deve conhecer hebraico, grego, geografia e outros assuntos.
• A passagem obscura deve dar preferência a passagem clara.
• O expositor deve levar em consideração que a revelação é progressiva.
Ele justificou suas interpretações alegóricas em 2 Coríntios 3:6: “Porque a letra mata,
mas o espírito vivifica”; querendo com isso dizer que uma interpretação literal da Bíblia
mata, mas uma alegórica ou espiritual vivifica.
A interpretação foi amarrada pela tradição, e o que se destacava era o método
alegórico. O sentido quádruplo da Escritura engendrado por Agostinho era a norma para a
interpretação bíblica. Esses quatro níveis da significação, expressos na seguinte quadra que
circulou durante este período, eram tidos como existentes em toda passagem bíblica.
• A letra mostra-nos o que Deus e nossos pais fizeram.
• A alegoria mostra-nos onde está oculta a nossa fé.
• O significado moral dá-nos as regras da vida diária.
• A analogia mostra-nos onde terminamos nossa luta.
11.3. Análise Histórico-Cultural e Contextual.
1. Determinar o ambiente geral, histórico e cultural do escritor e de sua audiência.
2. Determinar as circunstâncias históricas gerais.
3. Estar cônscio das circunstâncias e normas culturais que acrescentam significados
a determinadas ações.
4. Discernir o nível de compromisso espiritual da audiência.
5. Determinar o objetivo que o autor tinha em escrever um livro, mediante:
6. Notar as declarações explícitas ou repetição de frases.
7. Observar as seções parentéticas ou hortativas.
8. Observar os problemas omitidos ou os focalizados.
9. Entender como a passagem se enquadra em seu contexto imediato:
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• Apontar os principais blocos de material no livro e mostrar como se
ajustam num todo coerente.
• Mostrar como a passagem se encaixa na corrente de argumento do autor.
• Determinar a perspectiva que o autor tencionava comunicar –
numenológica ou fenomenológica.
• Distinguir entre verdade descritiva e verdade prescritiva
• Distinguir entre detalhes incidentais e o núcleo de ensino da passagem.
• Indicar a pessoa ou categoria de pessoas para as quais a passagem se
destinava.
11.4. Análise Léxico-Sintática
O estudo do significado de palavras tomadas isoladamente (lexicologia) e o modo como
essas palavras se combinam (sintaxe), a fim de determinar com maior precisão o significado
que o autor pretendia lhes dar. Assim quando Jesus disse: Eu sou a porta, eu sou a Videira
e Eu sou o pão da Vida., entendemos essas expressões como comparações, conforme ele
tencionava. A análise Léxico-Sintática fundamenta-se na premissa de que embora as
palavras possam assumir uma variedade de significados em contextos diferentes, elas têm
apenas um significado intencional em qualquer contexto dado.
Os Sete passos seguintes foram comentados para a elaboração de uma Análise Léxico-
Sintática:
1. Apontar a forma literária geral.
2. Investigar o desenvolvimento do tema e mostrar como a passagem sob
consideração se enquadra no contexto.
3. Apontar as divisões naturais (parágrafos e sentenças) do texto.
4. Indicar os conectivos dos parágrafos e sentenças e mostrar como auxiliam na
compreensão da progressão do pensamento.
5. Determinar o que significam as palavras tomadas individualmente:
• Apontar os múltiplos significados que uma palavra possuía no seu tempo e
cultura.
• Determinar os significados únicos, que o autor tenha em mente em dado
contexto.
6. Analisar a sintaxe para mostrar de que modo ela contribui para a compreensão de
uma passagem.
7. Colocar os resultados de sua análise em palavras não técnicas, de fácil
compreensão que comuniquem com clareza o significado que o autor tinha em
mente. Examinemos Gálatas 5:1 que diz: “Permanecei, pois, firmes e não vos
submetais de novo a jugo de escravidão”. Tomando, isoladamente, o versículo
poderia ter qualquer de diversos significados: poderia referir-se á escravidão
humana, á escravidão política, à escravidão ao pecado, e assim por diante. O pois
indica, contudo, que este versículo é a aplicação de um ponto que Paulo
apresentou no capitulo anterior. Uma leitura dos argumentos de Paulo (Gálatas
3:1 - 4 :30) e de sua conclusão (4:31) esclarece o significado do outrora ambíguo
(5:1). Paulo está incentivando os gálatas a não se escravizar de novo ao jugo do
legalismo (esforçar-se por ganhar a salvação pelas boas obras).
11.5. Significados das Palavras
Em sua maioria, as palavras que sobrevivem por longo tempo numa língua, adquirem
muitas denotações (significados específicos) e conotações (implicações complementares). As
palavras ou frases podem ter denotações vulgares e também técnicas. As denotações literais
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podem, finalmente, conduzir a denotações metafóricas. As palavras também possuem
conotações, significados emocionais implícitos, não declarados explicitamente.
A. Como Descobrir Denotações. Por exemplo, duas palavras gregas que significam
amor (Agapaoe Phileo), de fato têm significados diferentes (João 21:15-7); contudo, de
quando em quando parecem ter sido usadas como sinônimos (Mateus 23:6; 10:37; Lucas
11:43; 20:46). Também se forçarmos as palavras em todas as suas denotações, cedo
estaremos produzindo exegese herética. Por exemplo, a palavra grega “sarx” pode significar
“a parte sólida do corpo excetuando-se os ossos” (1Co 15:39), a substância global do corpo
(Atos 2:26), a natureza sensual do homem (Cl 2:18), a natureza humana dominada por
desejos pecaminosos (Rm 7:19). Embora esta seja apenas uma lista parcial de suas
denotações, podemos ver que se todos esses significados fossem aplicados à palavra
conforme se encontra em João 6:53, onde Cristo fala sobre sua própria carne, o intérprete
estaria atribuindo pecado a Cristo. A palavra grega Moranthei, registrada em Mateus 5:13,
pode significar: “tornar-se tolo ou tornar-se insípido”. Neste caso o sujeito da sentença é sal,
e assim, a segunda denotação (se o sal vier a ser insípido) é escolhida como a correta. A
poesia hebraica, caracteriza- se por paralelismo.
O Paralelismo Hebraico pode classificar-se em três tipos básicos: Sinonímico,
Antitético e Sintético.
1. No Paralelismo Sinonímico, a segunda linha de uma estrofe repete o conteúdo da
primeira, mas com palavras diferentes Ex.: Salmo (103:10). Não nos trata segundo
os nossos pecados, nem nos retribui consoante as nossas iniqüidades.
2. No Paralelismo Antitético a idéia da segunda linha contrasta agudamente com a da
primeira. O Salmo 37:21 proporciona-nos um exemplo: “O Ímpio pede emprestado
e não paga, o justo, porém, se compadece e dá”.
3. No Paralelismo Sintético a segunda linha vai mais longe ou completa a idéia da
primeira. O Salmo 14:2 È um exemplo: “Do céu olha o Senhor para os filhos dos
homens, para ver se há quem entenda, se há quem busque a Deus.
11.6. Análise Teológica
1. Determinar sua própria perspectiva da natureza do relacionamento de Deus com o
homem.
2. Apontar a implicações desta perspectiva para a passagem que você está
estudando.
3. Avaliar a extensão do conhecimento teológico disponível às pessoas daquele tempo.
4. Determinar o significado que a passagem possuía para seus primitivos
destinatários à luz do conhecimento que tinham.
5. Indicar o conhecimento complementar acerca deste tópico que hoje temos
disponível por causa de revelação posterior.
11.7. Teoria Dispensacional
O Dispensacionalismo é uma dessas teorias que as pessoas parecem aceitar com
plena confiança ou amaldiçoar; poucas assumem posição neutra. Ele tem sido chamado de
a chave para dividir corretamente as Escrituras e alternativamente a mais perigosa heresia
encontrada presentemente dentro dos círculos cristãos.
O padrão da história da Salvação é visto como três passos que se repetem com
regularidade:
1. Deus dá ao homem um conjunto específico de responsabilidades ou padrão de
obediência.
2. O homem não consegue viver à altura desse conjunto de responsabilidades.
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3. Deus reage com misericórdia concedendo um novo conjunto de responsabilidades,
isto é, uma nova dispensação.
Os dispensacionalistas, identificam entre quatro e nove dispensações: o número
costumeiro é sete ou oito (se o período da tribulação for considerado com uma dispensação
à parte).
1. Dispensação da Inocência ou Liberdade (Gênesis 1:28 - 3:6).
2. Dispensação da Consciência (Gênesis 4:1 - 8:10).
3. Dispensação do Governo Civil (ou, Humano) (Gênesis 8:15 - 11:9).
4. Dispensação da Promessa (Gênesis 11:10 - Êxodo 18:27).
5. Dispensação da Lei Mosaica (Êxodo 18:2 - Atos 1:26).
6. Dispensação da Graça (Atos 2:1 - Apocalipse 19:21).
7. Dispensação do Milênio (Apocalipse 20).
A base da salvação em cada era é a morte de Cristo, a exigência para a
salvação em cada era é a fé; o objeto da fé em cada era é Deus; o conteúdo da
fé muda nas várias dispensações.
Evidentemente se a Teoria Dispensacional é correta, então ela representa um poderoso
instrumento hermenêutico e instrumento decisivo se queremos interpretar as promessas e
ordens bíblicas corretamente. Por outro lado, se a Teoria Dispensacional é incorreta, então
aquela que ensina tais distinções poderia correr sério risco de trazer sobre si próprio os
juízos de Mateus 5:19.
11.8. Teoria Luterana
Lutero acreditava que devemos distinguir com cuidado entre duas verdades bíblicas
paralelas e sempre presentes: A Lei e o Evangelho. A Lei refere-se a Deus, em seu ódio ao
pecado, seu juízo e sua era. O Evangelho refere-se a Deus em sua graça, seu amor, e sua
salvação. Um modo de distinguir Lei e Evangelho é perguntar: isto fala de julgamento sobre
mim? Nesse caso, é a Lei. Em contraste, se a passagem traz consolo, ela é o Evangelho.
11.9. Teoria das Alianças
A aliança da Graça é o acordo entre Deus e o pecador, na qual Deus promete salvação
mediante a fé, e o pecador promete uma vida de fé e obediência. Todos os crentes do Antigo
Testamento bem como os crentes nossos contemporâneos, são parte da aliança da Graça.
Por exemplo, Jr 31:31-32 diz: “Eis aí vêm dias, diz o Senhor e firmarei nova aliança com a
casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia
em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito. Porquanto eles anularam a minha
Aliança. Não obstante eu os haver desposado”.
A. Três Aspectos da Lei.
1. O Cerimonial. As observâncias rituais que apontavam para a frente, para a
expiação final em Cristo.
2. O Judicial ou Civil. As leis que Deus prescreveu para uso no governo civil de
Israel.
3. O Moral. O corpo de preceitos morais de aplicação universal, permanente, a toda a
humanidade.
O aspecto Cerimonial da Lei abrange os vários sacrifícios e ritos cerimoniais que
serviram como figuras ou tipos que apontavam para o Redentor vindouro (Hb 7-10). Vários
textos do Antigo Testamento confirmam a concepção do significado Espiritual (Lv 20:25,26;
Sl 26:6; 51:7,16,17; Is 1:16). Diversos textos do Novo Testamento diferenciam o aspecto
cerimonial da lei e apontam para seu cumprimento em Cristo (Mc 7:19; Ef 2:14-15; Hb
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7:26-28; 9:9-11; 10:1,9). O aspecto Moral da lei (Rm 8:1-3; Rm 3:31; Rm 6; 1 Co 5; 1 Co
6:9–20).
B. Objetivos da Lei (Gl 3:19; 1 Tm 1:8-11; Gl 3:22-24; Jo 14:15; 15:10; 1 Jo 3:9; 1 Jo
4:16-19).
11.10. Introdução à Hermenêutica Especial
É o estudo das regras que se aplicam aos gêneros específicos, como parábolas,
alegorias, tipos e profecia.
A. Figuras de Linguagem
Símile. È uma comparação expressa: È típico o emprego das palavras semelhante ou
como (“o reino dos céus é semelhante”).
Metáfora. È uma comparação não expressa; ela não usa as palavras semelhantes ou
como. O sujeito e a coisa com a qual ele é comparado estão entrelaçados. Jesus usou
metáforas quando disse: “Eu sou o pão da vida e vós sois a Luz do Mundo”. Tanto nos
símiles como nas metáforas por causa de sua natureza compacta, o autor geralmente tem
em mira acentuar um único ponto (exemplo: que Cristo é a fonte de sustentação de nossa
vida espiritual; ou que os cristãos devem ser exemplos de vida piedosa num mundo ímpio).
Parábola. Podemos entender a parábola como um Símile ampliado. A comparação vem
expressa e o sujeito e a coisa comparada, explicados mais plenamente, mantêm-se
separados.
Alegoria. Por semelhante modo, pode-se entender a Alegoria como uma metáfora
ampliada; a comparação não vem expressa e o sujeito e a coisa comparada acham-se
entrelaçados.
Geralmente a Parábola tem prosseguimento mantendo a história e sua aplicação
distintas: em geral, a aplicação acompanha a história. As Alegorias mesclam a história e sua
aplicação, de sorte que a alegoria traz em seu conteúdo sua própria interpretação.
Os provérbios podem ser considerados ou como parábolas condensadas ou como
alegorias condensadas. O foco geral do livro de Provérbios é o aspecto moral da lei –
regulamentos éticos para a vida diária, redigidos em termos universalmente permanentes.
Os focos específicos incluem sabedoria, moralidade, castidade, controle da língua,
associações com outras pessoas, indolência e justiça. Os provérbios têm em geral, um único
ponto de comparação ou principio de verdade para comunicar (Pv 31:14).
As finalidades das Parábolas são: 1) revelar verdade aos crentes (Mt 13:10-12; Mc
4:11; 2 Sm 12:1-7). 2) ocultar a verdade daqueles que endurecem o coração contra ela (Mt
13:10-15; Mc 4:11-12, Lc 8:9-10).
11.11. Tipologia Bíblica
A palavra grega Tupos, da qual se deriva à palavra tipo, tem uma variedade de
denotações no Novo Testamento. A idéia básica expressa por Tupos e seus sinônimos são os
conceitos de “parecença, semelhança e similaridade”. A seguinte definição de tipo
desenvolveu-se de um estudo indutivo do uso bíblico deste conceito: tipo é “uma relação
representativa reordenada que certas pessoas, eventos e instituições têm como pessoas,
eventos e instituições correspondentes, que ocorrem numa época posterior na história da
salvação”. Provavelmente a maioria dos teólogos evangélicos concordaria com esta definição
de tipologia bíblica. Um exemplo notório de um tipo bíblico encontra-se em João 3:14-15,
onde Jesus diz: “E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa
que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna”.
Jesus ressaltou duas semelhanças:
1. O levantamento da serpente e dele próprio.
2. Vida para os que responderam ao objeto do levantamento.
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Os tipos assemelham-se aos símbolos e podem até ser considerada uma espécie
particular de símbolo. Contudo, existem duas características que os diferenciam:
1. Primeira, os símbolos servem de sinais de algo que representam, sem
necessariamente ser semelhantes em qualquer respeito, ao passo que os tipos se
assemelham de uma ou mais formas às coisas que prefiguram. Por exemplo, o pão
e o vinho são símbolos do corpo e sangue de Cristo; os sete candeeiros de ouro (Ap
2:1) são símbolos das igrejas da Ásia. Não há similaridade necessária entre o
símbolo e o objeto que ele simboliza, como há entre o tipo e seu antítipo. A
prefiguração é chamada tipo; o cumprimento chama-se antítipo.
2. Segunda, os tipos apontam para o futuro, ao passo que os símbolos podem não
fazê-lo. Um tipo sempre precede historicamente o seu antítipo, ao passo que um
símbolo pode preceder, coexistir, ou vir depois daquilo que ele simboliza.
A Tipologia deve, também se distinguir do Alegorismo. A tipologia é a busca de
vínculos entre os eventos históricos, pessoas, ou coisas dentro da história da salvação o
Alegorismo é a busca de significados secundários e ocultos que sublinham o significado
primário e da narrativa histórica. A tipologia repousa sobre uma compreensão objetiva da
narrativa histórica, ao passo que alegorização introduz na narrativa significados objetivos.
11.12. Classificações dos Tipos
A. Pessoas Típicas. São aquelas cujas vidas demonstram algum importante principio
ou verdade da redenção. Adão é mencionado como tipo de Cristo (Rm 5:14): Adão foi o
principal representante da humanidade caída, enquanto Cristo o é da humanidade
redimida. Ao contrário da embase ao individuo em nossa cultura, os judeus identificam-se
antes de tudo como membros de um grupo. Por isso, não é raro encontrar um representante
falando ou atuando pelo grupo inteiro.
B. Figura Representativa. Refere-se á oscilação de pensamento entre um grupo e um
indivíduo que representa esse grupo, e era uma forma hebraica de pensamento comum e
aceita. Por exemplo, a figura de Mt 2:15 (“do Egito chamei o meu Filho”) refere-se a Os 11:1,
na qual o filho se identifica com a nação de Israel. Em Mateus foi o próprio Cristo (como
representante de Israel) que foi chamado do Egito, por isso as palavras primitivas
aplicavam-se a ele. Alguns dos salmos também vêem Cristo como representante de toda a
humanidade. Os eventos típicos possuem uma relação analógica com algum evento
posterior. Paulo usa o juízo sobre o Israel incrédulo como advertência – tipologia – aos
cristãos a que não se engajassem na imoralidade (1 Co 10:1-11). Mt 2:17-18 (Raquel
chorando por seus filhos assassinados) é mencionado como analogia tipologia da situação
nos tempos de Jr (Jr 3l:15). Nos dias desse profeta, o acontecimento envolveu uma tragédia
nacional; no tempo de Mateus, uma tragédia local. O ponto de correspondência era a
angústia demonstrada em face da perda pessoal.
C. Instituições Típicas. São práticas que prefiguram eventos posteriores de salvação.
Disto temos exemplo na expiação mediante o derramamento de sangue de cordeiros e mais
tarde pelo de Cristo (Lv 17:11 conforme 1 Pedro 1:19 ). Outro exemplo é o Sábado como tipo
do descanso eterno do crente.
D. Cargos ou Ofícios Típicos incluem Moisés, que em seu oficio de profeta (Dt 18:15),
foi um tipo de Cristo; Melquisedeque, como tipo do sacerdócio contínuo de Cristo (Hb 5:6) e
Davi, como rei.
E. Ações Típicas são exemplificadas por Isaías andando nu e descalço durante três
anos como sinal ao Egito e à Etiópia de que em breve a Assíria os levaria nus e descalços (Is
20:2-4). Outro exemplo de ação típica foi o casamento de Oséias com uma prostituta. Mais
tarde ele a redime, depois de sua infidelidade, simbolizando o amor da aliança divina ao
Israel infiel.
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11.13. Profecia
Em ambos os testamentos, profeta é um porta-voz de Deus que declara a vontade de
Deus ao povo.
A profecia refere-se a três coisas:
1. Predizer eventos futuros (Ap 1:3; 22: 7,10; João 11:51).
2. Revelar fatos ocultos quanto ao presente (Lucas 1:67-79; Atos 13: 6-12).
3. Ministrar instrução, consolo e exortação em linguagem poderosamente arrebatada
(Atos 15:32; 1 CorÌntios14:3,4,31).
11.14. Literatura Apocalíptica
Esta palavra nos vem do grego apokalupsis (encontrada em Ap 1:1), que significa
“desvendar ou revelar”. O foco primário da literatura apocalíptica é a revelação do que esteve
oculto particularmente com relação aos tempos do fim. A tendência do gênero apocalíptico é
conter mais simbolismo, essencialmente animais e de outras formas vivas.
1. O escritor escolhe um homem importante do passado (Enoque ou Moisés) e faz
dele o herói do livro.
2. Este herói freqüentemente empreende uma viagem, acompanhado por uma guia
celestial que lhe mostra vistas interessantes e comenta-as.
3. Muitas vezes a informação é comunicada por meio de visões.
4. As visões com freqüência, fazem uso do simbolismo estranho e até enigmático.
5. Vez por outra as visões são pessimistas com relação à possibilidade de que a
intervenção humana melhore a presente situação.
6. De modo geral as visões terminam com a intervenção divina levando o presente
estado de coisas a um final cataclísmico e estabelecendo uma situação melhor.
7. O escritor apocalíptico muitas vezes usa seu pseudônimo, alegando escrever em
nome do herói que, ele escolheu.
8. É freqüente o escritor tomar história passada e reescrevê-la como se fosse profecia.
9. O foco da literatura apocalíptica está no consolar e sustentar o remanescente
justo.
10. As seções apocalípticas de fato ocorrem nos livros canônicos,de modo mais notável
em Daniel 7-12 e no Apocalipse.
12 - INTRODUÇÃO À HOMILÉTICA
Homilética é a arte de pregar; e não deve ser algo apreendido somente por pastores;
existe uma grande necessidade do leigo ter conhecimento desta arte já que é possível
também àqueles que não tiveram a oportunidade de estudar numa instituição teológica.
Todos aqueles que pregam a Palavra de Deus tem condições de melhorar ainda mais suas
mensagens. Homilética é a ciência e a técnica de comunicar ou expor a mensagem bíblica. A
palavra vem do grego Homilia, que significa “persuasão, falar, etc”. Assim sendo, muitos
definem a Homilética como “a arte de pregar”.
As Escrituras Sagradas, afirmam que cada Cristão deve ser um pregador, pois o
anúncio do Evangelho é missão de todos quantos se comprometem com Jesus Cristo (Mt
28:18-20; Mc 16:15). Por outro lado nos deparamos com os dons espirituais (Rm 12:6-8; 1
Co 12:4-7; Ef. 4:11-13), noss quais podemos destacar o de profetizar (1 Co 14:3) ligado
diretamente ao Ministério da Palavra. A palavra Profetizar no Novo Testamento significa
“anunciar a Palavra”.
Aspectos da Pregação de Jesus.
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• Falou por parábolas (Mt 13:34).
• Explicou as Escrituras (Lc 4:16-21).
• Repreendeu o sistema pecaminoso da Época (Jo 8:43-47).
• Transformou a palavra em ação, com poder (Mc 2:9-12).
• Profetizou sobre si mesmo (Jo 2:19).
• Profetizou sobre o fim dos tempos(Mt 24:4-13).
12.1. A Preparação Espiritual
O pregador é acima de tudo uma testemunha (At 1:8). Antes de sair para pregar a
outros é necessário poder dizer como o apóstolo Paulo: “Eu sei em quem tenho crido, e estou
certo de que Ele é poderoso para guardar o meu tesouro até aquele dia” (2 Tm 1:12).
Os três grandes testemunhos dos Cristãos são:
1. O Testemunho da Palavra. A Bíblia deve ser a única regra de fé e prática daquele
que tenciona pregar a Palavra de Deus.
2. O Testemunho da Conduta. A conduta do homem que nasceu de novo não é a
mesma que era antes do seu encontro pessoal com Cristo (1 Co 6:9-11; 2 Co 5:17).
3. O Testemunho do Espírito. O cristão é uma pessoa que nasce do espírito (Jo 3:5-
8). O Espírito Santo atua na vida do cristão capacitando-o para fazer a obra de
Deus (Gl 4:6,7; Ef 1:13,14).
12.2. O Estudo da Bíblia
Bíblia é o Manual do Pregador, o pregador deve amar a Palavra de Deus (Sl 119:97) e
saber que ela é a verdadeira espada do Espírito (Ef 6:17). Foi usando a Palavra, que Jesus
venceu o tentador (Mt 4:1-11). É a Palavra de Deus que garante a prosperidade em todas as
coisas (Sl 1:2,3).
Aos que têm dificuldade em ler ou estudar a Bíblia:
• Leia alguma coisa todos os dias.
• Defina um plano de leitura.
• Marque sua Bíblia.
• Memorize alguns versículos.
• Pratique a Oração.
12.3. A Tarefa do Ministro
O pregador é um ministro da Palavra de Deus. Sua tarefa fundamental é ministrar a
verdade de Deus (Lc 1:2; Atos 1:8; 1 Tm 5:17; 2 Tm 2:2; 4:2; 1 Pe 5:1).
O Servo de Cristo do Novo testamento não era livre para pregar conforme lhe
aprouvesse, mas era obrigado a pregar a verdade do Cristianismo, pregar a palavra de Deus,
e ser testemunha do evangelho (2 Pe 1: 21 ).
1. A Pregação Expositiva começa com determinada passagem e investiga-a,
empregando o processo que temos rotulado de análises Histórico-Cultural,
Contextual, Léxico-Sintática, Teológica e Literária. Seu enfoque primário é uma
exposição do que Deus tencionava dizer nessa passagem. Levando a uma aplicação
desse significado na vida dos cristãos de nossos dias.
2. Sermonar começa com uma idéia na mente do pregador – um problema social ou
político, mas pertinente, ou uma introspecção teológica ou psicológica – e amplia
esta idéia num sermão. Como parte do processo, acrescenta-se textos bíblicos
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aplicáveis, à medida que vêm à mente ou conforme encontrados com o auxilio de
recursos de estudo. O enfoque básico deste método é a elaboração de uma idéia
humana em formas coerentes com o ensino geral da Bíblia nessa área.
3. A Pregação Tópica começa pela seleção de um tópico relacionado com a Escritura
de uma forma ou de outra (temas bíblicos, doutrinas, personagens da Bíblia).
• Se o sermão é preparado pela seleção de passagens bíblicas pertinentes e
pelo desenvolvimento de um esboço baseado em exposição dessas
passagens, esta pregação poderia denominar-se Tópico-Expositivo.
• Se o esboço do sermão se desenvolve mediante idéias que vêm à mente do
pregador e em seguida são corroboradas pela ligação com um versículo
bíblico pertinente, poderíamos dar a esta pregação o título de Tópico-
Sermonal.
A maioria dos sermões pregados hoje em dia parece ser da variedade Tópico-Sermonal
ou Sermonal. Se a proporção da Pregação Expositiva para a Sermonal serve de indicação, a
maioria das escolas de Teologia parece não estar preparando seus alunos nas técnicas
necessárias á Pregação Expositiva como uma alternativa para o Sermonar.
12.4. O Preparo da Mensagem
Uma boa mensagem é objetiva desde o começo até o fim, ou seja, um bom sermão
obedece a um tema desde a introdução até a conclusão. Todo pregador que se preza não
sobe no púlpito sem um pedaço de papel com suas anotações para serem lembradas no
momento certo. Neste papel deve constar toda a divisão do sermão, ao qual chamamos de
esboço.
12.5. Sermão
Três condições essenciais para uma boa disposição de um sermão.
A. A Unidade. Para que haja uma unidade no Sermão destacamos a importância do
tema. Um bom sermão deve explorar apenas um só tema.
B. A Organização. Organizar um sermão significa admitir as partes que são vitais para
o tema e combinar as partes de tal maneira que possam ajudar a compreensão e dar
expressão ao texto. A organização clássica do sermão se faz da seguinte maneira:
• Texto. É um versículo, uma parábola, um mandamento ou qualquer porção da
Bíblia que serve de base ao sermão.
• Tema. É a verdade central do texto ou do assunto do pregador.
• Introdução. É o comentário inicial do pregador antes de entrar no corpo do
sermão propriamente dito.
• Corpo (Tópicos). O Corpo do sermão se apresenta com divisões ou tópicos.
• Conclusão. É exatamente aonde o pregador quis chegar com o tema. O
pregador tem que levar o público a tomar uma posição ao final da mensagem, e
este apelo é feito dentro do assunto ou tema o qual transcorreu a pregação. Um
sermão bem estruturado tem começo, meio e fim, obedecendo a uma lógica
durante todo o tempo.
C. A Ordem dos Assuntos. Uma boa ordem no corpo do sermão depende de quatro
coisas:
• Uma Ordem nas Divisões. Por exemplo, em um sermão com quatro divisões,
os itens devem estar arrumados de tal maneira que correspondam às
expectativas do pregador. Se for um sermão evangelístico, a divisão que fala
mais profundamente à vontade dos ouvintes deve estar em último lugar.
Exemplo:
o O amor de Deus é universal.
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o O amor de Deus é singular.
o O amor de Deus é sacrificial.
o O amor de Deus exige uma entrega.
• Boas Transições de um Pensamento a Outro. De uma divisão a outra deve
haver uma boa transição. Não se deve usar em um sermão, três ou quatro
divisões nas quais uma nada tenha a ver com a outra. Isso é possível, mas
não é aconselhável. Um exemplo errado:
o A benção da Palavra de Deus
o A benção do Espírito Santo
o A benção da cura divina.
o O uso do tempo presente.
TEMA: O AMOR DE DEUS
[TÓPICOS ERRADOS]
De tal maneira / 2. Ao mundo / 3. Que deu seu filho

[TÓPICOS CERTOS]
O amor de Deus é singular / 2. O amor de Deus é universal / 3. O amor de
Deus é sacrificial.
• A Eliminação de Material Alheio á Mensagem. Se refere á habilidade de
selecionar bem o assunto do sermão de forma a eliminar o que não é tão
importante. Isso evita sermões cansativos e quilométricos. Não é pelo muito
falar que seremos ouvidos.
• Tema. Ou verdade central da mensagem é a coisa mais importante para o
pregador. Os temas devem ser bíblicos.
Os pontos de vista mais proveitosos para a discussão de temas bíblicos são os
seguintes:
A. O Ponto de Vista do Significado. Por exemplo, em (Mt 4: 17) diz: “Desde então
começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos porque é chegado o reino dos céus”.
Apresenta o dever do arrependimento.
TEMA: O SIGNIFICADO DO ARREPENDIMENTO
• O arrependimento significa mudança de opinião a respeito do pecado.
• O arrependimento significa mudança de sentimento a respeito do pecado (2
Co 7:9,10).
• O arrependimento significa mudança de vontade com relação ao pecado (Mt
21:28,29).
B. O Ponto de Vista das Razões que Apóiam o Tema. Alguns textos tem um tema tão
claro que seu significado não necessita de explicações. Por exemplo (2 Co 9:7), o apóstolo
Paulo nos diz que “Deus ama ao que dá com Alegria”. Dessa afirmação podemos perguntar:
Por que Deus ama ao que dá com alegria? O esboço vai abordar as razões pelas quais Deus
ama ao que dá com alegria.
TEMA: PORQUE DEUS AMA AO QUE DÁ COM ALEGRIA:
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• Deus ama ao que dá com alegria porque este demonstra a sinceridade do seu
amor (2 Co 8:8).
• Deus ama ao que dá com alegria porque este estimula a liberalidade de seus
irmãos (2 Co 9:2).
• Deus ama ao que dá com alegria porque este alivia a necessidade do seu
próximo (2 Co 8:13-15; 9:12).
• Deus ama ao que dá com alegria porque este glorifica o nome do seu Senhor
(2 Co 9:13-5).
Cada afirmação do esboço é complementada com um versículo bíblico. O
porquê de um mandamento ou de uma atitude nos dá subsídios importantes
para anunciar a Palavra de Deus.
C. O Ponto de Vista dos Meios Para Executar ou Evitar Determinada Ação. A palavra
chave para entender esse ponto de vista é “como?”. Por exemplo no (Sl 126:5,6) lemos o
seguinte: “Os que semeiam com lágrimas, com cânticos de júbilo segarão. Aquele que sai
chorando, levando a semente para semear, voltará com cânticos de júbilo, trazendo consigo
os seus molhos”.
TEMA: COMO REALIZAR UM AVIVAMENTO
• É necessária ação - Verbos sair e semear.
• É necessária compaixão - Em lágrimas, chorando.
• É necessária instrução - Levando a semente.
D. O Ponto de Vista das Causas. Em (Ap 3:14-22) temos uma mensagem dirigida a
Igreja em Laodicéia. O tema central é o seguinte: Cristo condena a indiferença espiritual.
Perguntamos: quais as causas da frieza espiritual daquela igreja? Os versículos 18,20,21 e
22 respondem à pergunta.
TEMA: AS CAUSAS DA INDIFERENÇA ESPIRITUAL
• Desmedida preocupação com as coisas materiais.
• Menosprezo da comunhão com Cristo.
• Falta de preocupação a respeito da vida eterna.
• Confiança demasiada em si próprio.
E. O Ponto de Vista dos Efeitos. Podemos também pensar nas conseqüências ou nos
efeitos de um mandamento bíblico, considerando-se os positivos e negativos.
TEXTO: Juízes 13 a 16
TEMA: O DESASTRE DO DOMÍNIO CARNAL
Quando um filho de Deus se deixa dominar pela carne...
• Rompe-se a sua comunhão com Deus.
• Sobrevém-lhe a cegueira espiritual.
• Submete-se à escravidão do pecado.
• Expõe- se ao engano do mundo pecador.
• Perde o desejo de viver.
F. O Ponto de Vista do Conteúdo do Texto. A partir do texto, encontramos uma infinita
variedade de possibilidades para organizar nossos pensamentos de acordo com o conteúdo
do texto.
TEXTO: Marcos 4:35-41
TEMA: UMA NOITE COM JESUS
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• Desta experiência aprendemos que o discípulo deve sempre obedecer ao seu
Senhor.
• Aprendemos que a obediência a Cristo envolve o discípulo livrando-o de
grandes tempestades.
• Aprendemos que as tempestades proporcionam um conhecimento mais
íntimo e profundo com nosso Salvador.
12.6. Classificação dos Sermões
A. Sermão Temático. È aquele cujas divisões derivam do tema, independente do texto.
O sermão temático inicia com um tema e suas partes principais consistem em idéias sobre o
tema.
TEXTO: Eclesiastes 12:1
TEMA: O JOVEM NOS DIAS DE HOJE
• É influenciado pela Tecnologia Moderna.
• É influenciado pelas Filosofias Modernas.
• É influenciado pela Religiosidade Moderna.

TEXTO: 2 Timóteo 3:14
TEMA: AS RESPONSABILIDADES DO CRISTÃO
• A responsabilidade com a Palavra.
• A responsabilidade com a Igreja.
• A responsabilidade com o Testemunho.

TEXTO: 2 Tessalonicenses 5:17
TEMA: ORAI SEM CESSAR
• O significado da Oração.
o É dependência do Homem para com Deus
o É sintonia entre o Homem para com Deus.
o É adoração do Homem a Deus.
• Os motivos da oração.
o A oração por si mesmo.
o A oração pelas necessidades espirituais da Igreja.
o A oração pelos enfermos.
o A oração pelos incrédulos.
• As possibilidades da Oração.
o É possível em qualquer lugar.
o É possível a qualquer hora.
o É possível a qualquer pessoa.

B. Sermão Textual. Enquanto o sermão temático tem as suas divisões voltadas para o
tema, o sermão textual tem tanto o tema quanto as suas divisões voltadas para o texto. No
sermão temático divide-se o tema, no sermão textual divide-se o texto.
TEXTO: Romanos 8:13
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TEMA: A CARNE E O ESPÍRITO
• Um alerta divino: Se viverdes segundo a carne.
• Um desastre certo: Certamente morrereis.
• Um apelo divino: Se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo.
• Um resultado glorioso: Certamente vivereis.

TEXTO: 1 Pedro 2:9
TEMA: O QUE OS CRISTÃOS SÃO DIANTE DE DEUS?
• Raça eleita.
• Sacerdócio real.
• Nação santa.
• Povo de propriedade exclusiva de Deus.

C. Sermão Expositivo. Para podermos distinguir a diferença entre o sermão textual e o
expositivo tem que primeiro saber defini-los: O sermão textual é aquele em que as divisões
derivam de uma breve porção bíblica, enquanto que o sermão expositivo provém de uma
porção mais ou menos extensa da Bíblia. É uma exposição completa de um trecho bíblico.
TEXTO: João 17:1-26
TEMA: A ORAÇÃO SACERDOTAL DE CRISTO
• Os motivos da Oração por si próprio.
o O Pedido de Glorificação (v. 1,5).
o O Reconhecimento de Sua Autoridade (v. 2)
o A definição de Vida Eterna (v. 3).
o A missão Cumprida (v. 4).
• Os motivos da Oração pelos discípulos.
o Os discípulos eram vidas que lhe pertenciam (v. 6).
o Os discípulos eram conhecedores da Palavra (v. 8).
o Os discípulos creram no Filho de Deus (v. 8).
o A proteção amorosa e divina (v. 11).
o Os discípulos não eram do mundo (v. 14).
o O Ódio do mundo contra os discípulos (v. 14).
o A santificação dos discípulos (v. 17-19).
o Os futuros discípulos (v. 20).
o A união dos discípulos com Deus (v. 21-23).
o Um lugar garantido na glória (v. 24).
o A continuação da Obra (v. 26).
12.7. Ilustrações
Podemos extrair ilustrações da história, ciência, experiências do cotidiano, etc.
Entretanto, o pregador não deve transformar-se um mero contador de estórias. As
ilustrações não devem de maneira nenhuma, por mais interessantes que sejam, substituir a
Palavra de Deus. Não se deve, em hipótese nenhuma, ocupar o tempo todo da mensagem
com ilustrações. Se o pregador vai dividir o seu sermão em três tópicos, e costuma usar
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uma média de meia hora para a sua pregação, possivelmente uma ilustração rápida para
cada tópico.
12.8. Conselhos Práticos no Preparo da Mensagem
1. Leia muitas vezes o texto.
2. Reproduza o texto com as suas próprias palavras.
3. Observe os contextos imediato e remoto.
4. Pesquise a circunstância histórico-cultural.
5. Anote particularidades.
6. Faça o esboço.
7. Selecione Ilustrações.
8. Determine uma conclusão especifica ao assunto proposto.
O pregador deve variar o tom de sua voz ao pregar do púlpito o seu sermão,
para não se tornar desagradável ao ouvido do auditório.
13 - INTRODUÇÃO À ESCATOLOGIA
O último livro da Bíblia narra os acontecimentos dos fins dos tempos na descrição
perfeita de um ciclo pelo qual a humanidade tem de passar. O vocábulo escatologia,
significa “Tratado das últimas coisas” e vem do grego ìeskhatos (“último”) e logia (“tratado”).
O motivo de se chamar Escatologia Bíblica a essa matéria que estuda os acontecimentos
finais a partir da compreensão da Bíblia e da revelação de Jesus Cristo. De um modo geral,
os estudiosos da Bíblia têm considerado a seguinte seqüência para os acontecimentos
finais:
1. O Arrebatamento da Igreja.
2. As Bodas do Cordeiro.
3. A Grande Tribulação.
4. A Batalha do Armagedom.
5. O Julgamento das Nações.
6. O milênio.
7. O Juízo do Grande Trono Branco.
8. O Estado Eterno.
13.1. O Arrebatamento da Igreja (Lc 21:34-36; Jo 14:3; Mt 25:1-6)
Podemos chamar o arrebatamento da Igreja de primeira fase da Segunda Vinda de
Cristo ou ainda Primeira Ressurreição. Nessa ocasião, os fiéis que constituem a Igreja de
Cristo serão arrancados da Terra e levados para as mansões celestiais. Será invisível para o
mundo, somente os remidos poderão contemplar essa maravilha. Embora Jesus não tenha
dito o dia nem a hora, nos deixou sinais que evidenciaram a sua vinda. Um panfleto escrito
por Gordon Lindsay nos apresenta 24 sinais da Vinda de Cristo. Ainda que possamos fazer
algumas considerações acerca da interpretação desses sinais, achamos importante
considerá-los:
1. Incremento do Saber (Dn 12:4).
2. O automóvel (Na 2:4).
3. O avião (Is 60:8).
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4. Rádio e Televisão (Ap 11:9).
5. A Bomba Atômica (Ap 13:13).
6. A Bomba H (2 Pe 3:10).
7. Terremotos (Mt 24:7).
8. Bramido do Mar e das ondas (Lc 21:25).
9. Plenitude dos Gentios (Lc 21:24).
10. Reconstrução de Jerusalém (Jr 31:38).
11. Restauração da Palestina (Ez 36:33).
12. Confederação Russa (Ez 39:11).
13. Rosh move-se pelo sul contra a Palestina (Ez 38:15,16).
14. Os reis do Oriente (Ap 16:12).
15. Flagelos (Mt 24:7).
16. Luta entre o capital e o trabalho (Tg 5:1-4).
17. O presente ressurgimento do sobrenatural (Jl 2: 28,29).
18. Igreja Morna (Ap 3:15,16).
19. Os escarnecedores (2 Pe 3:3).
20. Falsos Cristos (1 Tm 4: 1-3).
21. Como nos dias de Noé (Lc 17:26).
22. Juventude sem lei (2 Tm 3:2).
23. Suicídio Mundial (Mt 24:22).
24. Evangelização do Mundo (Mt 24:14).
13.2. As Bodas do Cordeiro
È a gloriosa reunião de Cristo com os seus santos no céu. As Bodas do cordeiro terão
a duração de sete anos e a lua de Mel será eterna. Um dos atos dessa maravilhosa festa é a
celebração da Ceia do Senhor, dando cumprimento literal às palavras de Cristo (Lc
22:16,27-30).
13.3. A Grande Tribulação
Veja Mc 13:19; Mt 24:21; Lc 21:22.
A grande tribulação é um período de sete anos no qual Deus derramará a sua ira
sobre a terra. É a septuagésima semana de Daniel 9:27. Grande parte do livro de Apocalipse
é dedicada a ela (Ap 6 a 18). Entre os acontecimentos da Grande Tribulação, destacamos os
seguintes:
Os Judeus terão voltado à Palestina na incredulidade (Is 17:10; 18:4; 66:3,4).
Os Judeus terão reconstruído o templo em Jerusalém (Is 66:1; Ap 11:1,2).
Os Judeus aceitarão um pacto de sete anos com o anticristo (Dn 9:27; Jo 5:43).
Após três anos e meio, o anticristo trairá· o pacto e revelará o seu verdadeiro caráter
(Dn 9:27; 2 Ts 2:3; Ap 11:7; 13:1).
As duas testemunhas serão mortas pelo Anticristo (Ap 11:7,9).
O anticristo fará cessar os sacrifícios diários no templo (Dn 9:27; 11:31; 12:11).
O anticristo estabelecerá sua imagem no santo lugar (Mt 24:15; 2 Ts 2:4; Ap
13:14,15).
O Diabo e seus anjos serão expulsos do céu para a Terra (Ap 12:7).
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Metade da semana (Dn 9:27; Ap 13:5).
A Cidade Santa será pisada aos pés de Satanás (Dn 9:26; Lc 21:24; Ap 11:2).
Começa a Grande Tribulação ou Tempo de Angústia de Jacó ou, ainda, Abominação
da Desolação (principalmente para os Judeus) (Ap 7:14; Jr 30:7; Mt 24:15).
Grandes perturbações causadas pelo anticristo e pelo falso profeta (Ap 13).
Decretada a pena de morte para os que rejeitarem a adoração à besta ou a sua
imagem (Ap 13:15; 20:4).
Um terço dos judeus será envolvido (Zc 13:8,9).
Os judeus são levados a Jerusalém e expurgados de sua escória (impureza) (Ez 22:17-
22; Ez 13:9).
Conversão entre os Judeus (Ez 39:22).
As nações se reúnem contra Jerusalém (Zc 14:2).
Os reis da Terra reúnem-se na batalha contra o Senhor e Seu ungido – Batalha do
Armagedom (Montanha de Megido). É o nome que se dá a um campo de batalha profético,
onde os reis de toda a Terra se reunirão para a batalha no grande dia do Deus Todo
Poderoso (Ap 16:14,16; 17:14; 19:19).
O Senhor sairá com os Seus santos a fim de destruir os inimigos e libertar o seu povo
(Is 13:3-6; 26:21; Zc 12:9,10; Mt 24:29ss).
A trindade satânica se levantará na Terra (Ap 13:1-8; 16:13): Satanás – Anti-Deus;
Besta – Anti-Cristo; Falso Profeta – Anti-Espírito.
13.4. A Volta de Jesus à Terra
1. Descerá sobre o Monte das Oliveiras (Zc 14:4,5).
2. Será um grande sinal (Ap 16:17-27 ).
3. Virá corporalmente (At 1:11; Ap 1:13; 1 Tm 2:5).
4. Todo o olho o verá (Ap 1:7).
5. Cumprimento do Sonho de Nabucodonozor (Dn 2:44,45).
13.5. O Julgamento das Nações (Mt 25:31 - 34,41,46).
A base do Julgamento será o trato dispensado aos judeus (Mt 25:41-43; Gn 12:3). Os
acontecimentos dos vs. 35 a 44 só podem referir-se aos judeus (v. 45). Nesse julgamento,
que determinarão quais as nações que participarão do milênio, encontramos três classes de
pessoas:
Ovelhas. Aquelas que trataram os judeus com benevolência (Mt 25:35,36).
Bodes. Aquelas que maltrataram ou perseguiram os judeus (Mt 25:4l-45).
Irmãos. Os judeus que nessa ocasião já receberam a Cristo como o seu Messias (Is
4:1-3).
13.6. O Milênio
O milênio é um período de mil anos, inaugurado com a Segunda Vinda de Cristo a
Terra, tendo Jesus como rei. É a última dispensação da História da Humanidade (1ª –
Inocência; 2ª – Consciência; 3ª – Governo Humano; 4ª – Patriarcal; 5ª – Lei; 6ª – Graça; 7ª –
Milênio).
Alguns títulos usados na Palavra de Deus em referencia ao milênio.
• O Reino dos céus (Lc 1:32,33; Mt 6:10).
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• A Regeneração (Mt 19:28).
• Tempos de Refrigério (At 3:19,20).
• Tempos de Restauração de tudo (At 3:20,2)
• Dispensação da Plenitude dos Tempos (Ef 1:10).
• O dia de Cristo (Fp 1:6).
• O Reino de Cristo (Ap 11:15).
A. Como Será o Milênio. Cristo reinará sobre a Terra como Rei:
• De Justiça (Is 3:1-26).
• De Israel (Jo 12:13).
• Da Terra (Zc 14:9; Fp 2:10).
• Haverá paz universal (Lc 2:14; Sl 85:10; Is 9:6).
• Era de bênçãos sem par (Is 11:6-9; 55:12,13; 35:1; Mq 4:3).
13.7. O Juízo do Grande Trono Branco (Ap 20:11-15)
Esse julgamento terá lugar acima da Terra ao mesmo tempo em que a Terra estiver
sendo renovada pelo fogo (2 Pe 3:7). O juiz será o Senhor Jesus Cristo (Jo 5:22,27). De
acordo com a Palavra de Deus, os ímpios são aqueles que se recusaram a obedecer ao
Evangelho, não confiando em Cristo nem recebendo-o como Salvador e Senhor (1 Pe
4:17,18; 2 Ts 1:8,9; Jo d6: 28,29). Assim como haverá diferentes recompensas para o
Cristão (1 Co 3:11-15) haverá também no inferno diferentes graus de punição(Lc 12:46-48).
Estes termos demonstram tais situações:
• Fogo Eterno (Mt 25:41).
• Trevas exteriores (Mt 8:12).
• Tormento (Ap 14:10,11).
• Castigo Eterno (Mt 25:46).
• Ira de Deus (Rm 2:5; Jo 3:36).
• Segunda Morte (Ap 21:8; 20:14).
• Eterna destruição, banidos da face do Senhor (2 Ts 1:9).
• Pecado Eterno (Mc 3:29).
• Inferno (Lc 16:23).
Esse julgamento é para aplicação de extensão a (Jo 3:18) onde alguns livros serão
abertos (Ap 20:12):
• Consciência (Rm 2:15; 9:1).
• Natureza (Jó 12:7-9; Rm 1:20; Sl 19:1-4)
• Lei (Rm 2:12; 3:20).
• Memória (Lc 16:25).
• Atos dos homens (Mt 12:36; Lc 12:7; Ap 20:12).
• Da Vida (Ap 20:12; Sl 69:28; Lc 10:20).
A presença do livro da vida no juízo final pode Ter duas finalidades:
• Provar aos Ímpios que seus nomes não estão nele (Mt7:22,23).
• Julgar os convertidos durante a grande tribulação e o milênio que terão seus
nomes escritos alí.
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Quanto aos que morreram sem conhecer o Evangelho (Rm2:2; Ap 16:9; 2 Tm 4:8).
13.8. O Estado Eterno
O Estado Eterno começará com a renovação dos céus e da Terra (Is 65:17; Ml 4:1; Ap
20:9; 2 Pe 3:7,10,13). O pleno cumprimento de Jo 1:29, se dará nessa oportunidade. Tem
início então o Dia da Eternidade, quando a cidade celestial baixará sobre a nova terra (2 Pe
3:18; Ap 21:1-3). Os santos morarão na Santa cidade e governarão a Terra sob Cristo (Dn
7:18,27; Mt 19:28; Ap 5:10; Ez 34:24). Os salvos oriundos do milênio viverão para sempre
na Terra, mediante a arvore da vida (Ap 2:7) e não pela ressurreição, ou porque passaram
do estado mortal para o imortal (Ap 22:1-5).

BIBLIOGRAFIA BÁSICA
LIBANIO, João Batista; MURAD, Afonso. Introdução à Teologia. 5ª EDIÇÃO. São
Paulo: Edições Loyola.

ATIVIDADE
1. Apresente suas justificativas para a necessidade, a importância e a finalidade
dos estudos em Teologia. Mínimo de 5 para cada item apresentado.

PROGRAMA DE ESTUDOS
Para finalização dos estudos no MODO INTENSIVO, essa disciplina deverá ser
concluída em 5 dias.
Para finalização dos estudos no MODO NORMAL, essa disciplina deverá ser
concluída em 20 dias.

SUMÁRIO

1 - SÍNTESE DA HISTÓRIA BÍBLICA.......................................................................... 3
2 - O TERMO “BÍBLIA” ............................................................................................. 3
2.1. COMPOSIÇÃO DA BÍBLIA............................................................................................5
3 - A UTILIDADE DA BÍBLIA ..................................................................................... 6
4 - A MENSAGEM CENTRAL DA BÍBLIA..................................................................... 6
5 - A BÍBLIA EM CAPÍTULOS E VERSÍCULOS ............................................................ 7
6 - AS ABREVIATURAS NA BÍBLIA ............................................................................ 7
7 - ALGUNS TERMOS E SEUS SIGNIFICADOS............................................................ 8
8 - CURIOSIDADES BÍBLICAS................................................................................... 9
8.1. O LIVRO DE ISAÍAS................................................................................................. 12
9 - DIVISÃO DOS LIVROS DA BÍBLIA ...................................................................... 12
9.1. A TANAKH (O A. T. DOS JUDEUS) E A DIVISÃO DE FLÁVIO JOSEFO (LC 24:44) .................. 12
9.2. CONSIDERAÇÕES SOBRE A DIVISÃO DA “BÍBLIA JUDAICA” ............................................ 13
9.3. DIVISÃO DOS LIVROS DO NOVO TESTAMENTO ............................................................. 14
10 - DIVISÃO CRISTOCÊNTRICA........................................................................... 14
10.1. CRISTO – A MENSAGEM CENTRAL DA BÍBLIA .............................................................. 14
11 - ANÁLISE DOS LIVROS DA BÍBLIA................................................................... 15
11.1. ANTIGO TESTAMENTO ............................................................................................. 15
11.2. NOVO TESTAMENTO ............................................................................................... 18
12 - AS LÍNGUAS E OS MATERIAIS DA BÍBLIA ...................................................... 20
12.1. A ERA DA ESCRITA................................................................................................. 20
12.2. AS LÍNGUAS BÍBLICAS............................................................................................. 20
12.3. AS LÍNGUAS DO ANTIGO TESTAMENTO....................................................................... 20
12.4. AS LÍNGUAS DO NOVO TESTAMENTO ......................................................................... 21
13 - OS MATERIAIS DA ESCRITA.......................................................................... 22
13.1. A TINTA E OS INSTRUMENTOS DE ESCRITA.................................................................. 22
13.2. OS TIPOS DA ESCRITA DOS MANUSCRITOS ................................................................. 23
13.3. O FORMATO DOS MANUSCRITOS............................................................................... 23
14 - A BÍBLIA É INSPIRADA .................................................................................. 23
14.1. O PROCESSO DE INSPIRAÇÃO................................................................................... 24
14.2. DISTINÇÃO ENTRE INSPIRAÇÃO E AUTORIDADE............................................................ 27
15 - A BÍBLIA, REGISTRO MERECEDOR DE CONFIANÇA....................................... 28
15.1. A NECESSIDADE DA REVELAÇÃO .............................................................................. 29
15.2. REVELAÇÃO GERAL DE DEUS: (SL 19:1-6; 104) ......................................................... 30
15.3. REVELAÇÃO ESPECIAL DE DEUS: (SL 19:7-14) ........................................................... 30
15.4. A ILUMINAÇÃO....................................................................................................... 33
16 - PROVAS DA INSPIRAÇÃO PLENÁRIA, VERBAL E INFALÍVEL DA BÍBLIA.......... 33
16.1. OBJEÇÕES À INSPIRAÇÃO PLENÁRIA E VERBAL............................................................ 35
16.2. TEORIAS ANTIBÍBLICAS SOBRE A INSPIRAÇÃO.............................................................. 36
17 - A BÍBLIA É A CORPORIFICAÇÃO DA REVELAÇÃO DE DEUS ........................... 37
17.1. A SINGULAR E ESPANTOSA INDESTRUTIBILIDADE DA BÍBLIA .......................................... 37
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17.2. O CARÁTER TRANSCENDENTE DA BÍBLIA.................................................................... 40
18 - A BÍBLIA E A CIÊNCIA....................................................................................41
18.1. CONTRASTE COM OS DISPARATES DA FALSA CIÊNCIA ................................................... 43
19 - A BÍBLIA E AS PROFECIAS.............................................................................43
20 - A BÍBLIA É AUTÊNTICA..................................................................................45
20.1. O PENTATEUCO ..................................................................................................... 46
20.2. OS PROFETAS ....................................................................................................... 46
20.3. OS ESCRITOS........................................................................................................ 47
20.4. O NOVO TESTAMENTO............................................................................................ 48
20.5. A BÍBLIA É VERÍDICA; CONFIÁVEL............................................................................. 50
21 - A BÍBLIA E SUA CANONICIDADE ....................................................................52
21.1. A FORMAÇÃO DO CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO...................................................... 53
21.2. CLASSIFICAÇÃO TÉCNICA DO ANTIGO TESTAMENTO ..................................................... 55
21.3. LOCALIZAÇÃO HISTÓRICA DOS APÓCRIFOS ................................................................. 58
21.4. RAZÕES DA REJEIÇÃO DOS APÓCRIFOS...................................................................... 59
21.5. COMO OS LIVROS APÓCRIFOS FORAM APROVADOS ...................................................... 60
21.6. A VULGATA DE JERÔNIMO....................................................................................... 60
21.7. A VERSÃO CATÓLICA-ROMANA................................................................................. 60
21.8. A FORMAÇÃO DO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO........................................................ 61
21.9. A PROGRESSÃO DO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO..................................................... 62
21.10. FATORES QUE INFLUENCIARAM A IGREJA NO CÂNON DO NOVO TESTAMENTO................ 63
21.11. CLASSIFICAÇÃO TÉCNICA DO NOVO TESTAMENTO.................................................... 64
21.12. CRITÉRIOS PARA RECONHECER A CANONICIDADE DE UM LIVRO ................................. 66
22 - A BÍBLIA E SUA PRESERVAÇÃO.....................................................................67
22.1. A PRESERVAÇÃO DO ANTIGO TESTAMENTO................................................................. 70
22.2. A PRESERVAÇÃO DO NOVO TESTAMENTO................................................................... 71
23 - JESUS USOU A SEPTUAGINTA?......................................................................71
23.1. A FALÁCIA DE QUE O NOVO TESTAMENTO FAZ CITAÇÕES DA SEPTUAGINTA...................... 72
24 - A SUFICIÊNCIA DA BÍBLIA.............................................................................72
25 - A AUTORIDADE SUPREMA DAS ESCRITURAS.................................................73














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1 - SÍNTESE DA HISTÓRIA BÍBLICA
1. DEUS criou o homem e o colocou no Jardim do Éden.
2. O homem pecou e deixou de ser aquilo para o que Deus o tinha destinado. Foi
então que Deus pôs em andamento o plano para a salvação do homem e o fez
chamando Abraão para que fundasse uma nação, mediante a qual o plano seria
executado.
3. A nação não andou nos caminhos do Senhor e foram escravizados no Egito. Após
400 anos, sob a direção de Moisés, o povo foi tirado do Egito de volta à terra
prometida de Canaã. A nação se tornou um grande e poderoso reino.
4. O reino foi dividido no fim do reinado de Salomão: Israel, ao norte, 10 tribos,
levada cativa pela Assíria em 721 a.C., e Judá, ao sul, 2 tribos, levada cativa pela
Babilônia no ano 600 a.C.
5. Encerra-se o Antigo Testamento. 400 anos mais tarde, cumpre-se a promessa do
aparecimento de Jesus, o Messias, a esperança da humanidade, mediante Quem
o homem seria redimido e nascido de novo. Para realizar e consumar Sua obra
salvadora, Jesus Cristo MORREU pelo pecado humano, ressuscitou e ordenou
que os discípulos saíssem pelo mundo contando a história de Sua vida e Seu
poder redentor.
6. Assim, obedecendo à ordem (a “grande comissão”), partiram os discípulos por
toda parte, em todas as direções, levando as BOAS NOVAS, alcançando o mundo
civilizado conhecido da época. Assim, com o lançamento da obra da redenção
humana, encerra-se o Novo Testamento.
7. É importante entendermos que a Escatologia Bíblica é, também, parte do
processo salvífico da humanidade, pois nela será revelado todo o poder de Deus
ao homem, bem como parte da condenação que o homem sofrerá ainda em vida,
devido ao sua rebelião contra Deus. É um tempo de descortinamento da
verdadeira identidade do Diabo para que os ímpios vejam quem eles seguiam. E a
manifestação e instauração do reino de Cristo, dando aos homens mais uma
oportunidade de conscientizar-se da perfeita e agradável vontade de Deus para
todos.
2 - O TERMO “BÍBLIA”
“A Bíblia é o Livro de Deus” (Is 34:16).
A palavra Bíblia (Livros) entrou para as línguas modernas por intermédio do francês,
passando primeiro pelo latim bíblia, com origem no grego biblos (folha de papiro do século
XI a.C. preparada para a escrita). Um rolo de papiro tamanho pequeno era chamado
“biblion”, e vários destes era uma “Bíblia”. Portanto “Bíblia” quer dizer “coleção de vários
livros”.
No princípio, os livros sagrados não estavam reunidos uns aos outros como os temos
agora em nossa Bíblia. O que tornou isso possível foi a invenção do papel no séc. II pelos
chineses, bem como a invenção da impressão por tipos móveis, em 1450 A.D. por
Guttenberg, tipógrafo alemão. Até então tudo era manuscrito como ocorria anteriormente
com os escribas, de modo laborioso, lento e oneroso.
Com a invenção do papel desapareceram os rolos e a palavra biblos deu origem a
“livro” como se vê em biblioteca (coleção de livros), bibliografia, bibliófilo (colecionador de
livros).
A primeira pessoa a aplicar o nome “Bíblia” foi João Crisóstomo, grande reformador e
patriarca de Constantinopla, 398-404 A.D.
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Teologicamente a Bíblia é a revelação de Deus para a humanidade. Etimologicamente
é uma coleção de livros pequenos, cujo autor é Deus, o Espírito Santo é seu real
intérprete e Jesus Cristo seu TEMA UNIFICADOR, seu assunto central.
Cerca de 40 personagens se envolveram no registro e compilação dos 66 livros que
compõem a Bíblia Sagrada (1 Ts 2:13; 1 Pedro 1:20-21). Os escritores viveram distantes uns
dos outros (11 países diferentes), em épocas e condições diferentes, não se conheceram (na
época a comunicação era praticamente impossível) pertenceram às mais variadas camadas
sociais, e tinham cultura e profissões muito diferentes.
Foram das mais diferentes categorias (19 ocupações diferentes): escritores, estadistas,
camponeses, reis, vaqueiros, pescadores, cobradores de impostos, instruídos e ignorantes,
judeus e gentios. Ex: legislador (Moisés); general (Josué); profetas (Samuel, Isaías, etc.); Reis
(Davi e Salomão); músico (Asafe, compôs 12 Salmos); boiadeiro (Amós); príncipe e estadista
(Daniel); sacerdote (Esdras); coletor de impostos (Mateus); médico (Lucas); erudito (Paulo);
pescadores (Pedro e João).
São aproximadamente 50 gerações de homens. Um exame das vidas dos escritores
mostra a verdade deste testemunho. Esses eram homens sérios. Eles vieram de todos os
caminhos da vida. Eram homens de boa reputação e mente brilhante. Muitos deles foram
cruelmente perseguidos e mortos pelo testemunho que mantiveram. Não ficaram ricos pelas
profecias que deram. Longe disso. Muitos empobreceram. O autor dos cinco primeiros livros
da Bíblia escolheu viver uma vida terrivelmente pesada e de lutas ao serviço de Deus em
oposição à vida milionária que ele poderia ter tido como o filho do Faraó. Muitos escritores
da Bíblia fizeram escolhas semelhantes. Suas motivações certamente não foram
convencionais nem mundanamente vantajosas. Eles não eram homens perfeitos, mas eram
homens santos. As vidas que eles viveram e os testemunhos que deram e as mortes de que
morreram deram forte evidência de que estavam dizendo a verdade.
Cada escritor manifestou seu “próprio jeito de escrever” (idiossincrasia), seu estilo e
características literárias. A Bíblia possui aproximadamente 10 estilos literários diferentes:
1. Poéticos (Jó, Salmos, Provérbios).
2. Parábolas (evangelhos sinóticos)
3. Alegorias (Gl 4).
4. Metáforas (Gn 6:6; Êx 15:16; Dt 13:17; Sl 18:2; 34:16; Lm 3:56; Zc 14:4; 2 Co
3:2-3; Ef 4:30; Tg 3:6).
5. Comparações (Mt 10:1; Jo 21:25; Cl 1:23; Tg 1:6).
6. Figuras poéticas (Jó 41:1).
7. Sátiras (Mt 19:24; 23:24).
8. Figuras de linguagem (Sl 36:7; Sl 44:23).
Demoraram cerca de aproximadamente 1600 anos para escrever os 66 livros. 1491
a.C., quando Moisés (teve a visão do passado) começou a escrever o Pentateuco, no meio do
trovão no monte Sinai, até 97 d.C., quando o apóstolo João (teve a visão do futuro), ele
mesmo um “filho do trovão” (Mc 3:17), escreveu seu evangelho na Ásia Menor.
Entretanto, há na Bíblia um só plano ou projeto, que de fato mostra a existência de
um só Autor divino, guiando os escritores. A Bíblia é um só livro. Tem um só sistema
doutrinário, um só padrão moral (expressão da autoridade de Deus), um só plano de
salvação, um só programa das eras.
As diversas narrativas ali encontradas dos mesmos incidentes e ensinamentos não são
contraditórias, mas suplementares. Não há em todo o seu conteúdo uma só contradição, e
um livro sempre dá continuidade ou complementa o outro, apesar das condições em que
foram escritos. Muitas vezes, um autor iniciava um assunto e, séculos depois, outro o
completava.
Os escritores humanos fornecem variedade de estilo e matéria. O Autor Divino garante
unidade de revelação e ensino.
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Em todo o seu conjunto, possui uma harmonia, que só pode ser explicada como sendo
um “MILAGRE”.
A Bíblia é a coleção das exatas palavras dos 66 livros que constituem o seu CÂNON
(cânon significa “autoridade, regra de fé”. O cânon está fechado, não há mais nenhum livro
inspirado!). Veja (Mt 4:4; Jo 12:48; 2 Tm 3:16-17; 2 Pe 1:3; Jd 3).
2.1. Composição da Bíblia
A. 24 livros do cânon judaico do VT (equivalentes aos nossos 39 livros, o mesmo que
hoje é chamado de "Texto Massorético de BEN CHAYyIM" e que, depois da invenção da
Imprensa, foi impresso por Daniel Bomberg, um abastado cristão veneziano originário da
Antuérpia, em 1524-5. A edição da segunda publicação ficou a cargo de Jacob Ben
Chayyim);
Não confundir Ben Chayyim com Ben Asher. Não confundir o Texto Massorético de
Ben Chayyim (100% genuíno) com o falso Texto Massorético, de Ben Asher (conhecido
como Bíblia Stuttgartensia). Não confundir a Bíblia Hebraica de Kittel (BHK) 1ª e 2ª
edição [1906 e 1912, baseadas no Texto Massorético de Ben Chayyim] com as BHK
edições posteriores, baseadas no falso Texto Massorético, de Ben Asher.
B. 27 livros do cânon do NT (os mesmos que, depois da invenção da Imprensa, foram
impressos, terminando por serem conhecidos pelo nome de TR, ou "Textus Receptus", isto é,
"O Texto Recebido").
"Textus Receptus": do latim “textum ergo habes, nunc ab amnibus receptum”, que
significa: texto ora recebido por todos. Foi a frase escrita no prefácio da edição de
1633, do N.T. grego dos irmãos Elzevir (impressores holandeses de origem judaica).
São os 27 livros do N.T. que foram recebidos pelas igrejas do século I, das mãos dos
homens inspirados por Deus para escrevê-lo; e, também, recebido pela Reforma, das
mãos das pequeninas igrejas fiéis {perseguidas por Roma} e da Igreja Grega Ortodoxa.
O T.R. foi o texto usado pela igreja por quase 2000 anos, antes de surgirem as versões
modernas e deturpadas da Bíblia, baseadas no texto crítico, em 1881, com o
surgimento do “Novo Texto Grego” de Westcott e Hort. O T.R. foi usado em todo o
período bizantino (312-1453), donde foi traduzido por Almeida e é o texto grego do N.T.
que os reformadores (Reforma Protestante) usaram no século XVI e XVII, para traduzir
a Bíblia em vários idiomas, inclusive o português.
O nome “massoretas” se refere aos rabinos judeus surgidos aproximadamente no ano
100 d.C. que conservavam e transmitiam o texto bíblico. Eles substituíram os escribas.
Faziam anotações às margens do texto, chamadas “massorah”. Eles incorporaram os sinais
vocálicos ao texto hebraico (que não possui vogais), entre o 5º e 6º séculos.
Apesar de toda oposição, a Bíblia é o livro mais antigo, mais famoso e mais lido do
mundo. Escrito em mais de 2000 línguas e dialetos, já atravessou 3.000 anos. É
também o livro de maior circulação em todo o mundo. Em 1996, por exemplo, foram
distribuídos 20 milhões de Bíblias em todo o mundo. Só no Brasil, foram quase 7
milhões e na China circulam cerca de 3 milhões. Por tudo isto, podemos dizer, sem
medo de errar que a Bíblia tem origem sobre-humana!
Os nomes mais comuns dados à Bíblia são:
1. Livro do Senhor (Is 34:16).
2. Palavra de Deus (Mc 7:13; Jo 10:35; Hb 4:12).
3. Escrituras ou Sagradas Escrituras (Mt 21:42; Lc 4:21; Jo 7:38, 42; Rm 1:2; Rm
4:3; Gl 4:30).
4. A Verdade (Jo 17:17; Rm 15:8).
5. Lei (Sl 119); Lc 10:26; Mt 5:18).
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6. Mandamentos (Sl 119).
7. A Lei e os Profetas (Mt 5:17; Lc 16:16).
8. A Lei de Moisés (Lc 24:44).
9. Oráculos de Deus (Rm 3:2).
Assim como Jesus Cristo (que é a Palavra Viva, 1 Jo 1:1; Ap 19:13) é 100% Humano e
100% Divino, a Bíblia (que é a Palavra escrita) é humana e divina e sem erros!
A Palavra de Deus é: inspirada (Sl 19:7-11; 119:89; 105, 130, 160; Pv 30:5-6; Is 8:20;
Jr 1:2, 4, 9; Lc 16:31; 24:25-27; 44-45; Jo 5:39, 45-47; 12:48; 14:26; 16:13; 17:17; At 1:16;
28:25; Rm 3:4; 15:4; 1 Co 2:10-13; 2 Co 2:4; Ef 6:17; 1 Ts 2:13; 2 Tm 3:16-17; 1 Pe 1:11-
12; 2 Pe 1:19-23; 1 Jo 1:1-3; Ap 1:1-3; 22:19); eterna (Sl 119:89; Mt 24:35); única regra de
fé e prática (Is 8:20; Jo 12:48); suficiente para a vida cristã (Mt 4:4; Jo 12:48; 2 Tm 3:16-17;
2 Pe 1:3; Jd 3); lâmpada para os nosso pés (Sl 119:105); amada pelos salvos (Sl 119:47, 72,
82, 97); purificação da vida (Sl 119:9); para ler, estudar e examinar (Dt 17:19; Js 1:8; Jo
5:39; At 17:11); alimento espiritual (1 Pe 2:2); para a santificação (Jo 17:17); proveitosa para
toda boa obra (2 Tm 3:16); preservada (Lc 21:33); fogo consumidor (Jr 5:14); martelo (Jr
23:29); fonte de vida (Ez 37:7); poder para a salvação (Rm 1:16); penetrante (Hb 4:12); algo a
ser defendido pelos santos (Jd 3); para ser pregada a todos (Mt 28:18-20; Mc 16:15); espelho
(Tg 1:23-25); semente (1 Pe 1:23); espada (Ef 6:17); comida (Hb 5:12-14); mel (Sl 119:103);
leite (Hb 5:13); viva e atual (Jo 6:63 b; Hb 4:12; 1 Pe 1:23; 1 Jo 1:1).
A Bíblia é o livro pelo qual todos os homens serão julgados (Jo 12:48).
3 - A UTILIDADE DA BÍBLIA
“Toda escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a
correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e
perfeitamente habilitado para toda boa obra.” 2 Tm 3:16-17. Examine ainda 1 Coríntios
10:11 e Romanos 15:4.
A Bíblia é um livro para ser examinado (Jo 5:39); crido (Jo 2:22); lido (1 Tm 4:13);
recebido (1 Ts 2:13); confirmado e aceito (At 17:11).
Alguns dos objetivos da Bíblia são: avisar os crentes (1 Co 10:11); manifestar o
cuidado de Deus (1 Co 9:9, 10); ensinar e instruir (Rm 15:4); aperfeiçoar o cristão para toda
boa obra (2 Tm 3:16-17); fazer o homem sábio para a salvação (2 Tm 3:15); produzir fé na
divindade de Cristo (Jo 20:31); produzir vida eterna (Jo 5:24).
A unidade da Bíblia é sem paralelo. Nunca, em qualquer outro lugar, uniram-se tantos
tratados diferentes, históricos, biográficos, éticos, proféticos e poéticos, para perfazer
um livro. Assim como todas as pedras lavradas e as tábuas de madeira compõem um
edifício ou, melhor ainda, como todos os ossos, músculos e ligamentos se combinam
em um corpo, assim também é com a Bíblia.
4 - A MENSAGEM CENTRAL DA BÍBLIA
Entre a Bíblia e os outros escritos religiosos e filosóficos existe um abismo
intransponível. A Bíblia é o único Livro que “se atreve” a prever o futuro e o faz com 100%
de precisão e acerto! (Dt 18:20-22; Is 41:22-23; 42:8-9; 44:6-8).
Certamente, valores como a verdade, a honestidade, a justiça e o altruísmo são
comuns aos melhores escritos da humanidade. Nisso, a Bíblia se identifica com todos os
outros. Mas, o que dizer do Deus apresentado pela Bíblia? Que contraste com a energia
impessoal do Hinduísmo ou com os frágeis e grotescos deuses dos panteões greco-romanos!
Deus Se apresenta em toda a Sua majestade e grandeza: Santo, Justo, Fiel, Onipotente,
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Onipresente e Onisciente; Perfeito em amor e misericórdia, Imutável em todos os Seus
atributos!
O próprio mistério da Trindade demonstra um Deus maior que nossa razão. O homem,
na Bíblia, é retratado no seu melhor e no seu pior estado. Enquanto na Filosofia o homem é
deificado como senhor do seu próprio destino, na Bíblia, o homem é criatura de Deus,
pecador e dependente.
Enquanto em algumas crendices o homem é parte de um jogo de dados cósmicos,
joguete nas mãos de forças poderosas, na Bíblia, o homem é criado por Deus com dignidade
e sentido na História.
O caminho bíblico para a salvação vai de encontro à idéia arraigada, no espírito
humano, de que cada um deve promover a sua própria salvação. Na Bíblia, a salvação é um
presente que não pode ser comprado, mas deve ser recebido com gratidão.
O perdão dos pecados não ocorre por cerimônias vazias (como na igreja católica
romana, por exemplo), mas, mediante a morte do Filho de Deus na cruz, no lugar dos
pecadores. O destino final, na Bíblia, não é a aniquilação da personalidade, nem um paraíso
de prazeres carnais (como no Islamismo); mas, a comunhão com Deus por toda a
eternidade. E isto ocorrerá somente para aqueles que um dia aceitaram o caminho oferecido
por Deus (Jesus Cristo – Jo 14:6).
Homens não narrariam seus próprios pecados, derrotas, idolatrias, etc. Nenhum
homem conceberia a idéia de um inferno de sofrimento eterno. Isto mostra que a Bíblia é
um livro inspirado por Deus!
A Bíblia se opõe a certos conceitos filosóficos do mundo, e os refuta:
1. Ateísmo (Sl 14:1; 53:1; Jr 4:22).
2. Politeísmo (Mc 12:32; 1 Co 8:6; Ef 4:6; 1 Tm 2:5; Tg 2:19).
3. Materialismo (Mt 6:19-21, 24; Mt 19:16-26, 29; 1 Tm 6:10a; Sl 62:10b).
4. Panteísmo (Gn 1:1, 26; Mt 1:1, 18; Jo 1:1, 18; 16:7; 2 Co 13:14; Hb 13:8; 1 Jo
5:7).
5. A eternidade da matéria (Gn 1:1).
6. Filosofia (1 Co 1:22; Cl 2:8; 1 Tm 6:20; Tg 1:5).
5 - A BÍBLIA EM CAPÍTULOS E
VERSÍCULOS
A divisão da Bíblia em capítulos só veio acontecer no ano de 1250 A.D., pelo cardeal
Hugo de Sancto Caro, monge dominicano. Alguns pesquisadores atribuem essa divisão
também a Stephen Langton, professor da Universidade de Paris e mais tarde arcebispo da
Cantuária, em 1227.
Em 1525, Jacob Ben Chayyim, na Bíblia Bomberg, em Veneza, havia dividido o Antigo
Testamento em versículos.
O Novo Testamento foi dividido em versículos em 1551, por Robert Stephanus, um
impressor de Paris, que publicou a primeira Bíblia (Vulgata Latina) dividida em capítulos e
versículos em 1555.
6 - AS ABREVIATURAS NA BÍBLIA
Em índices e citações bíblicas, é comum o uso de abreviaturas para se referir aos
textos bíblicos. Um dos formatos convencionados segue o padrão abaixo:
1. Os dois pontos (:) separam o capítulo dos versos. Usa-se também o ponto (.).
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2. O hífen (-) indica uma faixa contínua de versos.
3. A vírgula (,) indica uma seqüência não contínua de versos.
4. O ponto-e-vírgula (;) inicia um novo capítulo do mesmo livro ou não, se seguido de
nova abreviação.
Exemplos:
• 2 Ts 2:2-12 = Segunda Tessalonicenses, capítulo 2, versículos 2 a 12
• Gn 3.1-15 = Gênesis, capítulo 3, versículos 1 a 15.
• Rm 11:18 = Romanos, capítulo 11, versículo 18.
• Dn 9:25,27; 11.3-43 = Daniel, capítulo 9, versículos 25 e 27; e capítulo 11,
versículos 3 a 43.
• Mt 24-26; Ap 1:1-8 = Mateus, capítulo 24 ao capítulo 26; Apocalipse, capítulo 1,
versículos 1 a 8.
7 - ALGUNS TERMOS E SEUS
SIGNIFICADOS
1. Antilegômena (falar contra). São os livros bíblicos que em certos momentos da
História foram questionados por alguns.
2. Apócrifos (escondidos ou duvidosos). Livros não-bíblicos aceitos por alguns
(como a igreja católica romana), mas rejeitados por outros, por não serem
inspirados e conterem muitos erros, o que prova serem de autoria humana e não
divina.
3. Cânon. Do grego "kánon", e do hebraico "kaneh", regra; lista autêntica dos livros
considerados como inspirados.
4. Epístolas (cartas).
5. Evangelho (caminho; boas novas).
6. Homologoumena (falar como um). São os livros bíblicos que foram aceitos por
todos e que em momento algum foram questionados.
7. Paráfrase (tradução livre ou solta). O objetivo é traduzir “a idéia” e não as
palavras.
8. Pseudepígrafos (falsos escritos). Livros não-bíblicos (não canônicos) rejeitados
por todos. Seus escritos se desenvolvem sobre uma base verdadeira, seguindo
caminhos fantasiosos.
9. Sinópticos (síntese). Os três primeiros evangelhos são chamados de evangelhos
sinópticos, pois são muito parecidos e sintetizam a vida de Jesus;
10. Testamento (Aliança, Pacto, Acordo).
11. Tradução (transliteração de uma língua para outra).
12. Variantes. Diferenças encontradas nas diferentes cópias de um mesmo texto,
mediante comparação. Elas atestam o grau de pureza de um escrito;
13. Versão (tradução da língua original para outra língua).
De capa a capa a Bíblia é a mensagem do amor de Deus por nós. Devemos
estudá-la diligentemente todos os dias para termos discernimento e
crescimento espiritual e vivermos no padrão de Deus, glorificando nosso Criador
e Redentor.
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8 - CURIOSIDADES BÍBLICAS
1. Jó é o livro mais antigo da Bíblia. Acredita-se que foi escrito por Moisés, quando
esteve no deserto.
2. Foram usados 3 idiomas na confecção da Bíblia: hebraico e aramaico (A.T.) e
grego (N.T.).
3. Foi escrita em aproximadamente 1500/1600 anos, por uns 40 autores e contém
66 livros.
4. Texto áureo da Bíblia: João 3:16.
5. A "Epístola da Alegria", a carta de Paulo aos Filipenses, foi escrita na prisão e as
expressões de alegria aparecem 21 vezes na epístola.
6. Quem cortou o cabelo de Sansão não foi Dalila, mas um homem (Jz 16:19).
7. O nome mais cumprido e estranho de toda a Bíblia é Maer-Salal-Has-Baz - filho
de Isaías (Is 8:3-4).
8. Davi, além de poeta, músico e cantor foi o inventor de diversos instrumentos
musicais (Am 6:5).
9. O nome "cristão" só aparece três vezes na Bíblia (At 11:26; At 26:28 e 1 Pe
4:16).
10. O capítulo 19 de 2 Reis é idêntico ao 37 de Isaías.
11. 1 Cr 16:8-36 transcreve o Sl 105 na íntegra.
12. O A.T. encerra citando a palavra “maldição”; o N.T. encerra citando “a graça de
Nosso Senhor Jesus Cristo”.
13. O nome de JESUS consta no primeiro e último versículo do N.T.
14. Israel é considerada a “menina dos olhos de Deus” (Dt 32:10; Zc 2:8).
15. A Bíblia contém cerca de 3.565.480 letras, 773.692 palavras, 31.173 versículos,
1.189 capítulos e 66 livros.
16. O capítulo mais comprido é o Salmo 119.
17. O capítulo mais curto é o Salmo 117.
18. O meio exato da Bíblia é o versículo 8 do Salmo 118.
19. O versículo mais longo está em Ester 8:9.
20. O versículo mais curto é: "Não matarás" em Êxodo 20:13 (10 letras).
21. As tábuas da lei foram feitas por Deus e quebradas por Moisés, e depois feitas
por Moisés e reescritas por Deus (Êx 34:1).
22. Moisés fez o povo beber o ouro do bezerro da desobediência (Êx 32:19-20).
23. A arca de Noé media 134 m de comprimento, 23m de largura e 14m de altura;
sua área total nos três pisos era de 9.250 (m²) e tinha um volume total de
43.150 (m³).
24. Noé permaneceu na arca 382 dias, sendo o ano judaico de 360 dias (Gn 7:9-11;
8:13-19).
25. Davi foi ungido três vezes obtendo uma gloriosa confirmação (1 Sm 16:13; 2 Sm
2:4; 1 Cr 11:3).
26. Salomão não era o único sábio, havia mais quatro sábios (1 Rs 4:29-31).
27. Salomão disse 3.000 provérbios e 1005 cânticos. (1 Rs 4:32).
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28. O A. T. apresenta 332 profecias literalmente cumpridas na pessoa de Jesus
Cristo.
29. Paulo pregou o maior discurso descrito na Bíblia (At 20:7-11).
30. O maior profeta jamais realizou um milagre, contudo foi o pregador mais
convincente (Jo 10:41-42).
31. O "sermão do monte" poderia ser chamado de "sermão da planície" (Mt 5:1; Lc
6:17).
32. O Salmo 22 é alfabético - um versículo para cada letra do alfabeto hebraico.
33. O Salmo 119 tem, em hebraico, 22 seções de oito versículos. Cada uma das
seções inicia com uma letra do alfabeto hebraico, de 22 letras. Dentro das
seções, cada versículo inicia com a letra da seção.
34. No livro Lamentações de Jeremias, os capítulos 1, 2 e 4 tem versículos em
número de 22 cada, compreendendo as letras do alfabeto hebraico. O capítulo 3
tem 66 versículos, levando cada três deles, em hebraico, a mesma letra do
alfabeto.
35. A expressão "o caminho de um Sábado" corresponde ao caminho permitido no
dia de Sábado; a distância que ia da extremidade do arraial das tribos ao
tabernáculo, quando no deserto, isto é, cerca de 1.200 metros.
36. Para a leitura completa da Bíblia, são necessárias 49 horas, a saber: 38 horas
para a leitura do Velho Testamento e 11 horas para a do Novo Testamento.
37. Para lê-la de forma audível, em velocidade normal de fala, é necessário
aproximadamente 71 horas. Se você deseja lê-la em 1 ano, deve ler apenas 4
capítulos por dia.
38. A menor Bíblia existente foi impressa na Inglaterra e pesa somente 20 gramas.
Este fabuloso exemplar da Bíblia mede 4,5 cm de comprimento, 3 cm de largura
e 2 cm de espessura. Apesar de ser tão pequenina, contém 878 páginas, possui
uma série de gravuras ilustrativas e pode ser lida com o auxílio de uma lente.
39. A maior Bíblia que se conhece, contém 8.048 páginas, pesa 547 quilos e tem 2,5
metros de espessura. Foi confeccionada por um marceneiro de Los Angeles,
durante dois anos de trabalho ininterrupto. Cada página é uma delgada tábua
de 1 metro de altura, em cuja superfície estão gravados os textos;.
40. Foi a primeira obra impressa por Gutenberg (vulgata), em sua recém inventada
imprensa manual, que dispensava as cópias manuscritas, em 1452, em Mainz –
Alemanha.
41. A Bíblia foi escrita e reproduzida em diversos materiais, de acordo com a época e
cultura das regiões, utilizando tábuas de barro, peles, papiro e até mesmo cacos
de cerâmica/louças (ostracas).
42. Com exceção de alguns textos do livro de Esdras e de Daniel, os textos originais
do Antigo Testamento foram escritos em hebraico, uma língua da família das
línguas semíticas, caracterizada pela predominância de consoantes.
43. A palavra "Hebraico" vem de "Hebrom", região de Canaã que foi habitada pelo
patriarca Abraão em sua peregrinação, vindo da terra de Ur.
44. Os 39 livros que compõem o Antigo Testamento estavam compilados desde cerca
de 400 a.C., sendo aceitos pelo cânon Judaico, e também pelos Protestantes,
Católicos Ortodoxos, Igreja Católica Russa, e parte da Igreja Católica tradicional.
45. A primeira Bíblia em português foi impressa em 1748. A tradução foi feita a
partir da Vulgata Latina e se iniciou com D. Diniz (1279-1325).
46. A primeira citação da redondeza da terra confirmava a idéia de Galileu, de um
planeta esférico. Bastava que os descobridores conhecessem a Bíblia. (Is 40: 22).
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47. A Bíblia também mostra, em seu livro mais antigo (Jó), que a Terra está
suspensa no vazio (Jó 26:7).
48. A existência de dinossauros, convivendo com humanos, está narrado na Bíblia:
o Beemonte (Jó 40:15-17), e o Leviatã (Jó 41:1), sendo que, este último, em
algumas versões deturpadas da Bíblia, consta como “crocodilo”, o que contradiz
o contexto do capítulo.
49. Na Bíblia, também lemos que a luz foi criada antes do Sol, algo que só foi
descoberto pela ciência recentemente (Gn 1:3-5).
50. Lemos que Jesus será a luz da “nova Terra” (Lc 17:24; Ap 21:23; 22:5).
51. Jesus, a luz vista por Paulo, a caminho de Damasco, é mais brilhante que o Sol
do meio-dia (At 9:3; 26:13-15).
52. A palavra fé, no Antigo Testamento, é encontrada apenas em Hc 2: 4.
53. A palavra "DEUS" aparece 2.658 vezes no V.T. e 1.170 vezes no N.T., num total
de 3.828 vezes.
54. Há na Bíblia 177 menções ao diabo em seus vários nomes.
55. Os livros de Ester e Cantares de Salomão não possuem o nome DEUS.
56. A expressão "Assim diz o Senhor" e equivalentes aparecem cerca de 3.800 vezes
na Bíblia.
57. A vinda do Senhor é referida 1845 vezes na Bíblia, sendo 1.527 no Antigo
Testamento e 318 no Novo Testamento.
58. A expressão "Não Temas!" é encontrada 366 vezes na Bíblia, o que dá uma para
cada dia do ano e mais uma para os anos bissextos.
59. No Salmo 107, há 4 versículos iguais: 8, 15, 21 e o 31.
60. Todos os versículos do Salmo 136 terminam da mesma maneira.
61. Em Êxodo 3.14, Deus, pela primeira vez, revela Seu Nome: “Eu Sou Quem Sou”,
ou Yahweh (Jeová) - Este é o nome mais comum de Deus no Velho Testamento,
aparecendo cerca de 6.800 vezes na língua original, o Hebraico. Em nossa
tradução, esse Nome vem traduzido por "Senhor" e aparece 1.853 vezes.
62. Adão - o homem no Jardim do Éden – o seu nome significa "ser humano".
63. À medida que os apóstolos levaram o evangelho pelo mundo, muitas das
palavras do Senhor e muitas reminiscências sobre Ele circulavam oralmente.
Uma evidência disso ocorre quando Paulo, ao falar aos anciãos de Éfeso,
empregou uma declaração de Jesus que não consta de parte alguma dos
evangelhos (At 20:35).
64. Adão e Eva tiveram ouros filhos e filhas, o que revela de onde Caim obteve sua
esposa (Gn 5:4).
65. Sara era meio-irmã de Abraão (Gn 20:12).
66. Eva não comeu uma “maçã”, mas um fruto não especificado (Gn 3:6).
67. Os magos que visitaram Jesus não eram reis e não eram três, pois a Bíblia diz
“uns magos” (Mt 2:1).
68. A palavra Salmos, em hebraico, significa “louvores” (do grego Psallo = Salmos).
69. A Bíblia tem 3 Autores: o Pai (2 Tm 3:16); o Filho (Gl 1:12) e o Espírito Santo (2
Pe 1:21).
70. Os Salmos 120 ao 134 são conhecidos como “Cânticos dos Degraus”, pois eram
cantados na peregrinação a Jerusalém, quando subiam os 15 degraus do templo
(15 Salmos).
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71. Na leitura da Bíblia, é Deus quem fala aos corações dos homens. Na leitura dos
Salmos, geralmente, somos nós quem falamos com Deus.
72. A Bíblia é a eterna Palavra de Deus. Foi dada ao homem por Deus para ser o
absoluto, o supremo, o competente, o infalível e imutável padrão de fé e prática.
8.1. O Livro de Isaías
1. Também conhecido como “o Evangelho do Antigo Testamento”.
2. É tido como uma miniatura da Bíblia.
3. Tem 66 capítulos, assim como a Bíblia tem 66 livros.
4. A primeira seção tem 39 capítulos/livros e corresponde à mensagem do Antigo
Testamento.
5. A segunda seção tem 27 capítulos/livros tratando do conforto, promessa e
salvação, correspondendo à mensagem do Novo Testamento.
6. Assim como o NT termina falando do novo céu e nova Terra, o mesmo ocorre no
término de Isaías (66:22).
7. O próprio nome Isaías tem semelhança com o significado do nome de Jesus:
Isaías quer dizer Salvação de Jeová e Jesus, Jeová é Salvação.
Algo muito significante é que a Bíblia contém três advertências solenes contra
qualquer tentativa de acrescentar (ou diminuir) palavras ao livro inspirado de Deus e
esta significação é grandemente acentuada pelo fato de que a primeira de tais
advertências foi escrita pelo primeiro de todos os escritores da Bíblia, enquanto que a
terceira foi escrita pelo último dos escritores:
Moisés que teve visão, dada pelo Espírito, do passado desconhecido, escreveu a
primeira: Dt 4:2; 12:32.
Salomão, o homem mais sábio que já viveu, escreveu a segunda: Pv 30:6; Ec 3:14;
João, para quem foi dada tão maravilhosa revelação do futuro, escreveu a terceira: Ap
22:18-19.
9 - DIVISÃO DOS LIVROS DA BÍBLIA
Nós, cristãos (igreja), agrupamos os 39 livros do Antigo Testamento em:
1. 5 da Lei, ou Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio).
2. 12 históricos (Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas,
Esdras, Neemias e Ester).
3. 5 poéticos (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares).
4. 5 profetas maiores (Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel).
5. 12 profetas menores (Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueáis, Naum,
Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias).
9.1. A Tanakh (o A. T. dos judeus) e a divisão de Flávio Josefo (Lc
24:44)


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TEXTO MASSORÉTICO FLÁVIO JOSEFO
22 livros
TORÁH
(A Lei)
Gênesis, Êxodo, Levíticos,
Números e Deuteronômio.
Chumash (os cinco livros) ou
Pentateuco.
Gênesis, Êxodo, Levítico,
Números, Deuteronômio
NEBI'IM
(Profetas)
Profetas anteriores – Josué,
Juizes, Samuel, Reis.
Profetas posteriores – Isaías,
Jeremias, Ezequiel e Os 12
Profetas Menores.
Josué, Juizes (inclui Rute),
Samuel, Reis, Isaías,
Jeremias, Lamentações,
Ezequiel, Os 12 Profetas
Menores, Daniel, Eclesiastes,
Esdas (inclui Neemias), Ester,
Crônicas.
KETHUBHIM
(Escritos)
do gr. Hagiographos
Poesia e sabedoria – Salmos,
Jó e Provérbios.
"Megilloth" – Rute, Cantares,
Eclesiastes, Lamentações e
Ester.
História - Daniel, Esdras-
Neemias e Crônicas.
Poesia e Sabedoria – Salmos,
Provérbios, Jó e Cantares
9.2. Considerações Sobre a Divisão da “Bíblia Judaica”
1. Os Profetas e os Escritos: também eram conhecidos pelos nomes dos seus
primeiros livros, “Isaías” e “Salmos”, respectivamente.
2. Profetas Posteriores: porque exerceram o ministério no período compreendido entre
os cativeiros Assírio e Babilônico até o retorno dos judeus à Palestina, após 70
anos sob o domínio babilônico.
3. Os livros históricos são de autores que não eram profetas oficiais, mas que
possuíam o dom de profecia.
4. O Rolo dos Doze – XII inclui os livros de: Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas,
Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.
5. Os Cinco rolos (Megilloth) são cada um usado na ocasião de uma festa específica:
Cantares na Páscoa; Rute no Pentecostes; Lamentações no dia 9 do mês Abibe (no
aniversário da destruição de Jerusalém); Eclesiastes na Festa dos Tabernáculos;
Ester na Festa de Purim.
6. O primeiro livro da Escritura hebraica é Gênesis e o último Crônicas (Mt 23:35; Gn
4:8; 2 Cr 24:20-22).
7. No Cânon hebraico, como no nosso Cânon, os livros não estão em ordem
cronológica.
8. No Cânon hebraico são apenas 24 livros, visto que os seguintes livros são assim
considerados: Samuel (engloba 1 e 2 Sm), Crônicas (engloba 1 e 2 Cr), Reis
(engloba 1 e 2 Rs), Os Doze (são contados como um só livro), Esdras (inclui
Neemias). [39 livros menos 15 = 24).
9. Flávio Josefo, historiador judeu reduziu os 24 livros para 22 livros, em
correspondência às 22 letras do alfabeto hebraico, combinando Rute com Juízes e
Lamentações com Jeremias.
10. O Novo Testamento menciona uma divisão tripla do Antigo Testamento: "A Lei, os
Profetas e os Salmos" (Lucas 24:44).
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11. Jesus Cristo mencionou estas 3 divisões do V. T. em Lc 11:49-51, Lc 24:44 e Mt
23:34-36.
12. O livro de Eclesiástico (apócrifo), escrito em cerca de 130 antes de Cristo fala em "a
lei, os profetas e os outros escritos". Confira Mateus 23:35 e Lucas 11:51 que
refletem o arranjo da Bíblia Hebraica.
“O Novo Testamento está no Antigo Testamento ocultado, e o Antigo Testamento, no
Novo Testamento revelado”.
9.3. Divisão dos Livros do Novo Testamento
Os 27 livros do Novo Testamento são:
A. Biografia. Os 4 Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João.
B. História: Atos.
C. Doutrina. As 21 epístolas. São dividias em:
• Epístolas Doutrinárias, dirigidas às igrejas locais: Romanos, 1 e 2 Coríntios,
Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses e 1 e 2 Tessalonicenses.
• Epístolas Pastorais: 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemon, 2 e 3 João.
• Epístolas Universais: Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1 João e Judas.
D. Profecia: Apocalipse.
10 - DIVISÃO CRISTOCÊNTRICA
Os crentes anteriores a Cristo olhavam adiante com grande expectativa (1 Pe 1:11-12),
ao passo que os crentes de nossos dias vêem em Cristo a concretização dos planos de
Deus.
A Bíblia pode ser dividida na estrutura geral e Cristocêntrica. Isso se baseia nos
ensinos do próprio Jesus, cerca de cinco vezes no Novo Testamento (Mt 5:17; Lc 24:27; Jo
5:39; Hb 10:7).
Sim, Cristo é o centro e o coração da Bíblia, porque o Antigo Testamento descreve uma
NAÇÃO e o Novo Testamento descreve um HOMEM. Toda a Bíblia se converge para Cristo,
como deixa claro João 20:31.
Cristo é a nossa Palavra Viva (Apocalipse 19:13) que percorre todas as páginas das
Sagradas Escrituras. Examine ainda Lc 24:44. Considerando CRISTO como o tema central
da Bíblia, toda ela poderá ficar resumida assim:
Centro = lugar de equilíbrio / Jesus = equilíbrio perfeito
A Árvore da Vida, um tipo de Cristo, está no centro (Gn 2:9). O Sl 118:8 é o centro da
Bíblia (594 capítulos antes e 594 capítulos depois). O Tabernáculo, um tipo de Cristo,
ficava no centro do acampamento (Lv 26:11). Jesus, quando era criança, era o centro
das atenções (Lc 2:46). Ele está no meio (centro) dos crentes (Mt 18:20). Foi
crucificado entre dois ladrões (Mt 27:38). Jesus ressuscitado apareceu no meio dos
discípulos (Jo 20:19). Vide também Ap 1:13; 5:6.
10.1. Cristo – A Mensagem Central da Bíblia
1. No Antigo Testamento: Jesus virá. De uma forma geral, todo o A. T. trata da
preparação para o advento de Cristo.
a. Livros da Lei: Fundamento da chegada de Cristo.
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b. Livros Históricos: Preparação para a chegada de Cristo.
c. Livros Poéticos: Anelo pela chegada de Cristo.
d. Livros Proféticos: Certeza da chegada de Cristo.
2. No Novo Testamento: Jesus já veio. O N. T. trata da manifestação de Jesus
Cristo.
a. Nos Evangelhos: Manifestação de Cristo ao mundo, como Redentor.
b. Nos Atos: Propagação de Cristo, por meio da igreja.
c. Nas Epístolas: Explanação, interpretação e aplicação de Cristo. São os
detalhes da doutrina.
d. Na Profecia: Consumação de todas as coisas em Cristo.
Desta forma, tendo Cristo como tema central, podemos resumir todo o Antigo
Testamento numa frase: JESUS VIRÁ, e o Novo Testamento noutra frase: JESUS JÁ VEIO (é
claro, como Redentor).
Assim, as Escrituras sem a pessoa de JESUS seriam como a Física sem a matéria e a
Matemática sem os números.
Já imaginou um cristão sem a Bíblia?
11 - ANÁLISE DOS LIVROS DA BÍBLIA
11.1. Antigo Testamento
A. Três Pensamento Básicos do Antigo Testamento
1. A Promessa de Deus a Abraão - “todas as nações seriam abençoadas”
2. O Concerto de Deus com a nação hebraica - Se O servissem fielmente, prosperariam. Em
estabelecer a nação hebraica, o objetivo FINAL de Deus foi trazer CRISTO ao mundo. O
objetivo IMEDIATO de Deus foi estabelecer, em terra idólatra, em preparação para a vinda
de Cristo, a idéia de que há UM só Deus Vivo e Verdadeiro. A bênção dessa nação se
comunicaria ao mundo.
3. A Promessa de Deus a Davi - “que sua família reinaria para sempre...”
Portanto, concluímos que (cf. Êx 19:5-6; Dt 4:5-8; Rm 9:4-5; Jo 4:22):
1. A nação hebraica foi estabelecida para que, por ela, o mundo inteiro fosse
abençoado. A NAÇÃO MESSIÂNICA.
2. O meio pelo qual a benção da nação hebraica se comunicaria ao mundo seria a
família de Davi. A FAMÍLIA MESSIÂNICA.
3. O modo pelo qual a bênção da família de Davi se comunicaria ao mundo seria o
grande Rei que nasceria dela: O MESSIAS.
B. O Antigo Testamento é dividido em quatro partes.
1. Pentateuco, Livros da Lei ou Torah
a. Gênesis – Como a palavra bem indica, é o livro dos princípios: do céu e da
Terra, das ilhas e dos mares, dos animais e do homem. Com Abraão, temos
o começo de uma raça, um povo, uma revelação divina particular e
finalmente uma igreja.
b. Êxodo – Relata o povo de Deus escravizado no Egito e a grande libertação
divina, usando a instrumentalidade de Moisés.
c. Levítico – Leis acerca da moralidade, limpeza, alimentos, sacrifícios, etc.
d. Números – Relata a peregrinação de Israel, quarenta anos pelo deserto.
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e. Deuteronômio – Repetição das leis.
2. Livros Históricos
a. Josué – Trata da conquista de Canaã. O milagre da passagem do Rio
Jordão, a queda das muralhas de Jericó, a vitória sobre as sete nações
cananéias, a divisão da terra prometida e, finalmente, a morte de Josué
com cento e dez anos.
b. Juízes – Várias libertações através dos quinze juízes.
c. Rute – A linda história de Rute, uma ascendente de Davi e de Jesus Cristo.
d. 1 e 2 Samuel – Relatam a história de Samuel, da implantação da
monarquia, sendo Saul o primeiro rei ungido por Samuel, Samuel como o
último juiz e a história de Davi.
e. 1 e 2 Reis – Relatam a edificação do Templo de Jerusalém, a divisão do
reino. Ministério de Elias e Eliseu. Ainda em II Reis, está relatado o
cativeiro do Reino do Norte pelos exércitos assírios, e do Sul com o poderio
caldeu de Nabucodonossor.
f. 1 e 2 Crônicas – Registram os reinados de Davi, Salomão e dos reis de Judá
até a época do cativeiro babilônico.
g. Esdras – Relata o retorno de Judá do cativeiro babilônico com Zorobabel e
a reconstrução do templo de Jerusalém.
h. Neemias – Relata a história da reedificação das muralhas de Jerusalém.
i. Ester – Relata a libertação dos judeus por Ester e o estabelecimento da
festa de Purim.
3. Livros Poéticos
a. Jó – Sofrimento, paciência e libertação de Jó.
b. Salmos – Cânticos espirituais, proclamações, poemas e orações.
c. Provérbios – Dissertações sobre sabedoria, temperança, justiça, etc.
d. Eclesiastes – Reflexões sobre a vida, deveres e obrigações perante Deus.
e. Cantares de Salomão – Descreve o amor de Salomão pela jovem sulamita,
simbolizando o amor de Jesus pela igreja.
4. Profetas Maiores
a. Isaías – Muitas profecias messiânicas. É considerado o profeta da redenção.
O livro contém maldições pronunciadas sobre as nações pecadoras.
b. Jeremias – Tem por tema a reincidência, o cativeiro e a restauração dos
judeus. Jeremias é considerado “o profeta chorão”.
c. Lamentações – Clamores de Jeremias, lamentando as aflições de Israel.
d. Ezequiel – Um livro que contém muitas metáforas para descrever a
condição, exaltação e a glória futura do povo de Deus.
e. Daniel – Visões apocalípticas.
5. Profetas Menores
a. Oséias – Relata a apostasia de Israel, caracterizada como adultério
espiritual. Contém muitas metáforas que descrevem os pecados do povo.
b. Joel – Descreve o arrependimento de Judá e as bênçãos. “O Dia do Senhor”
é enfatizado como um Dia de juízo e também de bênçãos.
c. Amós – Através de visões, o profeta reformador denuncia o egoísmo e o
pecado.
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d. Obadias – A condenação de Edom e a libertação de Israel.
e. Jonas – Relata a história de Jonas, o missionário que relutou para levar a
mensagem de Deus à cidade de Nínive. O mais bem sucedido dentre os
profetas. Um dos profetas que pregou o arrependimento ao povo. O povo se
arrependeu e o profeta ficou triste e desejou a morte.
f. Miquéias – Condição moral de Israel e Judá. Também prediz o
estabelecimento do reino messiânico.
g. Naum – A destruição de Nínive e a libertação de Judá da opressão assíria.
h. Habacuque – O grande questionamento do profeta a Deus. Como pode
Deus ser Justo e permitir que uma nação pecadora oprima Israel? Contém
uma das mais belas orações da Bíblia.
i. Sofonias – Ameaças e visão da glória futura de Israel.
j. Ageu – Repreende o povo por negligenciar a construção do segundo templo
e promete a volta da glória de Deus.
k. Zacarias – Através de visões, profetiza o triunfo final do reino de Deus.
Zacarias ajudou a animar os judeus a reconstruírem o templo. Foi
contemporâneo de Ageu.
l. Malaquias – Descrições que mostram a necessidade de reformas antes da
vinda do Messias.
Terminamos o Velho Testamento com a palavra "maldição". Até aqui Cristo foi
prometido, mas não visto. A Esperança era prevista, mas não obtida.

Divide-se em quatro períodos da História de Israel:
1. Teocracia (Juízes)
2. Monarquia (Saul, Davi, Salomão)
3. Divisão do Reino e Cativeiro (Judá, Israel)
4. Período pós-cativeiro
C. Cronograma dos profetas do Antigo Testamento
CRISE
ASSÍRIA
CRISE
BABILÔNICA
DURANTE O
CATIVEIRO
BABILÔNICO
APÓS O CATIVEIRO
BABILÔNICO
Joel
Amós
Jonas
Oséias
Isaías
Miquéias
Naum
Sofonias
Habacuque
Jeremias
Lamentações
Obadias
Daniel
Ezequiel
Ageu
Zacarias
Malaquias

Por quase 400 anos, Deus não chamou nenhum profeta para dizer "assim diz o
Senhor". Em todo este tempo (de 397 a.C. até 6 a.C.), nenhum escritor inspirado apareceu.
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Por isto, este período é chamado de: "Os Anos Silenciosos", “O Período Intertestamentário”
ou "O Período Negro". Os livros apócrifos são deste período.
11.2. Novo Testamento
O Velho Testamento mostra o problema, mas não revela completamente a solução. O
Novo Testamento dá a resposta ao problema e aponta a solução: Jesus Cristo.
O Novo Testamento também tem quatro divisões.
1. Os Evangelhos ou Biográficos
A. Mateus, Marcos, Lucas e João - Tratam do nascimento, vida, obra, morte,
ressurreição e ascensão de Um Homem chamado Jesus, O Filho de Deus, O Messias
Prometido a Israel. A questão central é a carreira terrena de Jesus Cristo.
Os temas e as datas dos Evangelhos:
Mateus: O Prometido está - veja o Seu reinado/soberania (Suas qualificações).
Marcos: Assim Ele trabalhou - veja o Seu trabalho (Seu poder).
Lucas: Assim Ele era - veja a Sua humanidade (Sua natureza).
João: Assim Ele é - veja a Sua divindade.
Mateus (40-55 d.C.): Foi escrito para os JUDEUS. Faz conexão com o Velho
Testamento (as Escrituras Hebraicas). Revela o Messias como o REI prometido do Velho
Testamento aos Judeus, O soberano que veio ordenar e reinar (autoridade Mt 1:1; 16:16-19;
28:18-20). Traz a linhagem/genealogia “Real” de Jesus (Rei) até Suas raízes judaicas, como
Filho do Rei Davi (conf. Mt 1:1). O Novo Testamento é o cumprimento do Velho Testamento -
note logo no começo do Novo Testamento o que diz Mateus 1:22. É por isto que Deus diz em
Mateus: "Este é o meu amado Filho em quem me comprazo: escutai-O" (Mt 17:5). É o
evangelho que mais traz profecias.
Marcos (57-63 d.C.): Foi escrito para o povo ROMANO. Representa o Messias como
o SERVO Fiel e Obediente de Deus, Aquele que veio servir e sofrer (Mc 10:45). Não traz
genealogia, pois para o servo, isso não conta, pois servo não é uma pessoa de quem se
procure uma genealogia. Marcos é um judeu-gentio (João Marcos), cujo nome faz conexão
com o judeu e o gentio. Relata mais milagres, pois os romanos se interessavam mais por
ações/resultados que palavras.
Lucas (63 d.C.): Foi escrito para os GREGOS. Relata o Messias como o Homem
Perfeito, o FILHO DO HOMEM, Aquele que veio repartir e Se compadecer (Lc 19:10). Os
gregos gostavam de tudo detalhado. Lucas tem genealogia, mostrando que Jesus é Perfeito.
Traz a linhagem/genealogia “humana” de Jesus até o primeiro homem, Adão, mostrando
Jesus como Homem Perfeito (conf. Lc 3:38). Mesmo tentado na carne, Ele continuou
Perfeito. Lucas era um médico e um gentio (narra o sofrimento de Cristo em detalhes que só
um médico poderia fazer).
João (90 d.C.): foi escrito para TODO O MUNDO, com o propósito de levar o homem
a Cristo. João apresenta Jesus como o FILHO DE DEUS, Aquele que veio revelar e redimir
(Jo 1:1-4; 20:31). Tudo no evangelho de João ilustra e demonstra o relacionamento de Cristo
com o Pai. É onde Jesus trata mais a Deus como Pai (Abba Pai). Não traz genealogia, pois,
Jesus Cristo, sendo 100% Deus, é Eterno, sem princípio, meio ou fim. Sua linhagem é
“espiritual”, eterna!!!
Os sinópticos diferem do Evangelho de João nas seguintes maneiras:
Mateus, Marcos e Lucas João
Os fatos da vida exterior de Cristo A vida íntima de Cristo
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Os aspectos da Sua vida humana
Os Seus discursos públicos
O ministério na Galiléia
A vida divina de Cristo
Os discursos pessoais
O ministério na Judéia

A crítica está cada vez mais voltando ao ponto de vista tradicional quanto à data e
autoria de diversos livros. Há razão para crermos que os Evangelhos sinópticos foram
escritos na ordem: Mateus, Lucas e Marcos. Orígenes freqüentemente os cita nessa
ordem e Clemente de Alexandria, antes dele, coloca os Evangelhos que contêm
genealogia primeiro, com base na tradição que ele recebeu dos “antigos antes dele”. De
acordo com Euzébio, H. E., Vi. Xiv. Esta opinião é reforçada pela consideração de que
os Evangelhos surgiram das circunstâncias e ocasiões da época. (Palestras em
Teologia Sistemática, Henry Clarence Thiessen (Ed. Batista Regular, pág 58).
Os quatro relatam os tipos mostrados em Ezequiel 1.10 e em Apocalipse 4.6-8,
ilustrando os quatro animais "no meio do trono, e ao redor do trono" com a semelhança de:
1. Leão (Mateus - rei),
2. Bezerro (Marcos – servo),
3. Rosto como de homem (Lucas - filho do homem) e
4. Semelhante a uma águia voando (João - filho de Deus).
2. Históricos
Atos dos Apóstolos: Propagação do Evangelho. Trata dos resultados da morte e da
ressurreição de Jesus Cristo, com a propagação das “Boas Novas”, por impulso e liderança
do Espírito Santo, começando em Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da Terra.
3. Epístolas
Os fundadores das igrejas, freqüentemente impossibilitados de visitá-las
pessoalmente, desejavam entrar em contato com seus convertidos no propósito de
aconselhá-los, repreendê-los e instruí-los. Assim surgiram as Epístolas.
(Circulação das epístolas: 1 Ts 5:27; Cl 4:16; 1 Pe 1:1-2; 2 Pe 3:14-16; Ap 1:3)
Epístolas Paulinas: a) 9 dirigidas a igrejas: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas,
Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 e 2 Tessalonicenses; b) 4 dirigidas a indivíduos: 1 e 2
Timóteo, Tito, Filemom.
Epístolas Gerais: a) 1 dirigida a um povo: Hebreus; b) 7 universais: Tiago, 1 e 2
Pedro, 1, 2 e 3 João, Judas.
As epístolas de Filipenses, Efésios e Colossenses são chamadas Epístolas da Prisão,
escritas por Paulo, durante sua prisão em Roma.
IMPORTANTE: As Cartas Paulinas apresentam a Teologia para a Igreja. A essência do
que Deus tem para a Igreja está nas Cartas. O crente deve se guiar pelas Cartas Paulinas e
não pelas regras e leis do Antigo Testamento. Elas foram escritas para orientar, instruir e
exortar os crentes a viverem uma vida cristã plena, frutífera, operosa, abundante,
VITORIOSA. Leia as Cartas! Medite!!!
4. Profético
Apocalipse: Revelação, Consumação e Juízo de Deus. Um novo Céu e uma nova
Terra.
Cada livro da Bíblia deve ser estudado convenientemente para que o seu ensino seja
aprendido, retido na mente e no coração, colocando os princípios em prática.
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12 - AS LÍNGUAS E OS MATERIAIS DA
BÍBLIA
12.1. A Era da Escrita
Parece que a escrita se desenvolveu durante o IV milênio a.C. No II milênio a.C. várias
experiências conduziram ao desenvolvimento do alfabeto e de documentos escritos por parte
dos fenícios. Tudo isso se completou antes da época de Moisés, que escreveu alguns Livros
do Pentateuco aproximadamente em 1491 a.C.
Já em 3500 a.C. os sumérios usavam tabuinhas de barro para a escrita cuneiforme, e
registraram, por exemplo, a descrição sumeriana do dilúvio (o Épico de Gilgamesh), que
teria sido gravada em 2100 a.C.
Os egípcios (em 3100 a.C.) apresentavam documentos escritos em hieróglifos
(pictografia = desenhos, pinturas).
A partir de 2500 a.C. usavam-se textos pictográficos em Biblos (Gebal) e na Síria. Em
Cnosso e em Atchana, grandes centros comerciais, apareceram registros gravados anteriores
à época de Moisés. Outros elementos correspondentes de meados a fins do II milênio a.C.
acrescentam mais evidências de que a escrita já se havia desenvolvido bem antes da época
de Moisés.
Em suma, Moisés e os demais autores da Bíblia escreveram numa época em que a
humanidade estava “alfabetizada”, ou melhor, já podia comunicar seus pensamentos por
escrito.
12.2. As Línguas Bíblicas
As línguas utilizadas no registro da revelação de Deus, a Bíblia, vieram das famílias de
línguas semíticas e indo-européias. Da família semítica, originaram-se as línguas básicas do
Antigo Testamento, quais sejam: o Hebraico e o Aramaico (Siríaco: 2 Rs 18:26; Ed 4:7; Dn
2:4). Além dessas línguas, o Latim e o Grego representam a família indo-européia. De
modo indireto, os fenícios exerceram um papel importante na transmissão da Bíblia, ao
criar o veículo básico que fez com que a linguagem escrita fosse menos complicada do que
havia sido até então: inventaram o ALFABETO.
12.3. As Línguas do Antigo Testamento
O Hebraico é a língua principal do Antigo Testamento, especialmente adequada para a
tarefa de criar uma ligação entre a biografia do povo de Deus e o relacionamento do Senhor
com esse povo. O Hebraico se encaixou bem nessa tarefa porque é uma língua pictórica (=
desenhos). Expressa-se mediante metáforas vívidas e audaciosas, capazes de desafiar e
dramatizar a narrativa dos acontecimentos. Além disso, o Hebraico é uma língua pessoal.
Apela diretamente ao coração e às emoções, e não apenas à mente e à razão.
É uma língua em que a mensagem é mais sentida que meramente pensada.
É chamada no A. T. de “língua de Canaã” (Is 19:18) e “língua Judaica” (Is 36:11-13; Ne
13:24; 2 Rs 18:26-28). Ela, provavelmente, desenvolveu-se a partir do antigo hebraico falado
por Abraão, em Ur dos caldeus (Gênesis 14.13) e vários estudiosos crêem que esse hebraico
era anterior a Abraão e que era a “mesma língua” e “a mesma fala” dos tempos pré-Babel
(Gênesis 11.1). Em outras palavras, crêem que essa era a língua original do homem.
A língua hebraica é conhecida como “quadrática” e suplanta em beleza a todas as
outras escritas. Possui raiz triconsonantal (3 consoantes). Lê-se da direita para esquerda,
seu alfabeto se compõe de 22 letras e serve também para representar números.
As 22 letras do Hebraico se encontram no Sl 119 e no Livro de Lamentações.
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Em Gn 31:47, vemos Labão (vindo da Caldéia), falar em Aramaico e Jacó (vindo de
Canaã), falar em Hebraico.
O Aramaico (uma língua cognata, muito próxima do hebraico) era a língua dos sírios,
tendo sido usada em todo o período do Antigo Testamento. Na verdade, substituiu o
hebraico no tempo do cativeiro. Era falado desde 2000 a.C., em Arã, na Síria. Tinha o
mesmo alfabeto do Hebraico, mas diferenciava no som e estrutura das palavras. Era a
língua “comercial” do mundo antigo, quando a Assíria e a Babilônia dominaram o mundo da
época (cativeiros). Era a língua diplomática, no tempo de Senaqueribe (705-681 a.C.).
Depois do Cativeiro Babilônico (500 a.C.), tornou-se a língua comum naquela região.
Durante o século VI a.C., o Aramaico se tornou a língua geral de todo o Oriente
Próximo. Seu uso generalizado se refletiu nos nomes geográficos e nos textos bíblicos de
Esdras (4:8-6:18; 7:12-26), pelo fato de ser o aramaico a língua oficial do Império Persa; um
versículo em Jeremias (10:11), onde há a citação de um provérbio aramaico; e uma parte
relativamente grande do livro de Daniel (2:4 a 7:28), onde o aramaico é usado,
provavelmente, por ser uma seção inteira que trata das nações do mundo.
12.4. As Línguas do Novo Testamento
As línguas semíticas também foram usadas na redação do Novo Testamento. Na
verdade, Jesus e Seus discípulos falavam o Aramaico, sua língua materna, tendo sido essa a
língua falada por toda aquela região na época.
As expressões “Talita cumi” (Mc 5:41); “Eli, Eli, lamá sabactâni” (Mt 27:46);
“Maranata” (1 Co 16:22); “Aba Pai” (Rm 8:15; Gl 4:6) são em Aramaico.
O Hebraico fez sentir mais sua influência mediante expressões idiomáticas, como uma
que, no português, quer dizer “e sucedeu que”. Outro exemplo da influência hebraica no
texto grego vemos no emprego de um segundo substantivo, em vez de um adjetivo, a fim de
atribuir uma qualidade a algo ou a alguém, como ocorre na 1 Ts 1:3. O epitáfio na cruz de
Cristo (o Nome de Deus = YHWH) é em Hebraico.
Além das línguas semíticas a influenciar o N. T., temos as indo-européias, o Latim e o
Grego. O Latim influenciou ao emprestar muitas palavras, como “centurião”, “tributo” e
“legião”, e pela inscrição trilíngue na cruz (em Latim, em Hebraico e em Grego).
No entanto, a língua em que se escreveu o N. T. foi o Grego. Até fins do século XIX,
cria-se que o grego do N. T. (o Grego helenístico, koinê = comercial) era a “língua especial”
do Espírito Santo; mas, a partir de então, essa língua tem sido identificada como um dos
cinco estágios do desenvolvimento da língua grega.
Esse grego koinê era a língua mais amplamente conhecida em todo o mundo do século
I. O alfabeto havia sido tomado dos fenícios. Seus valores culturais e vocabulário cobriam
vasta expansão geográfica, vindo a tornar-se a língua oficial dos reinados em que se dividiu
o grande império de Alexandre, o Grande, uma língua quase universal.
O aparecimento providencial dessa língua, ao lado de outros desenvolvimentos
culturais, políticos, sociais e religiosos, ampla rede de estradas, progresso, etc., durante o
século I a.C., fica implícito na declaração de Paulo: “Mas, vindo a plenitude dos tempos,
Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4:4).
Grego: 25 letras, começando no Alfa e terminando no Ômega.
Jesus Se identifica com o N.T., que foi escrito em Grego, ao declarar: “Eu sou o Alfa e
o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro” (Ap 22:13).
O Grego do N. T. se adaptou de modo adequado à finalidade de interpretar a revelação
de Cristo em linguagem teológica. Tinha recursos linguísticos especiais para essa tarefa, por
ser um idioma intelectual. Era a segunda língua dos escritores do N.T., com exceção de
Lucas.
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O Grego é um idioma da mente, mais que do coração (como o Hebraico), e os filósofos
atestam isso amplamente. O Grego tem precisão técnica de expressão não encontrada
no Hebraico. Além disso, o Grego era uma língua quase universal.
A verdade do A. T. a respeito de Deus foi revelada inicialmente a uma nação, Israel,
em sua própria língua, o Hebraico.
A revelação completa, dada por Cristo, no Novo Testamento, não veio de forma tão
restrita. Em vez disso, a mensagem de Cristo deveria ser anunciada ao mundo todo, por
isto, era necessária uma língua universal: “... em seu nome se pregará o arrependimento e a
remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém” (Lc 24:47).
13 - OS MATERIAIS DA ESCRITA
Os autores da Bíblia empregaram os mesmos materiais para a escrita, que estavam
em uso no mundo antigo.
O papiro foi usado na antiga Gebal (Biblos) e no Egito, por volta de 2100 a.C. Eram
folhas de uma planta, cuja popa era cortada em tiras que eram colocadas superpostas umas
às outras de forma cruzada, coladas, prensadas e depois polidas. Eram escritas de um lado
apenas. A cor era amarelada. Foi o material que o apóstolo João usou para escrever o
Apocalipse (Ap 5:1) e suas cartas (2 Jo 12).
A antiga Gebal é atualmente a cidade de Jubayl (nome árabe) e fica a 42 km de
Beirute. É considerada a cidade mais antiga do mundo. Seu nome em Grego é Biblos,
pois de lá vinham os papiros (biblos).
O velino, o pergaminho e o couro são palavras que designam os vários estágios de
produção de um material de escrita feito de peles de animais curtida e preparada para a
escrita. Seu uso generalizado vem dos primórdios do Cristianismo, mas já era conhecido em
tempos remotos, pois temos uma menção de Isaías 34:4 sobre um livro que era enrolado.
O velino era a pele de bezerros e antílopes. O pergaminho era a pele de ovelhas e
cabras.
Tudo indica que o termo pergaminho derivou o seu nome da cidade Pérgamo, na Ásia
menor, cujo Rei, Eumenes II (159 - 197 d.C.), fez uma grande biblioteca para rivalizar com a
de Alexandria no Egito, haja vista que o Rei do Egito havia cortado o suprimento de papiro.
O Novo Testamento menciona este material gráfico em 2 Tm 4:13 e Ap 6:14. O velino era
desconhecido até 200 a.C., pelo que Jeremias teria tido em mente o couro (Jr 36:23).
O A.T. foi escrito basicamente no couro, pois o Talmude assim o exigia. O N.T. foi
escrito basicamente em papiro. No século IV A.D., foi utilizado o velino para os manuscritos.
Outros materiais para a escrita eram o metal (Êx 28:36), a tábua recoberta de cera (Is
30:8; Hc 2:2; Lc 1:63), as pedras preciosas (Êx 39:6-14) e os cacos de louça (óstracos), como
mostra Jó 2:8. O linho era usado no Egito, na Grécia e na Itália, embora não tenhamos
indícios de que tenha sido usado no registro da Bíblia.
13.1. A Tinta e os Instrumentos de Escrita
A tinta utilizada pelos escribas era uma mistura de carvão em pó com uma substância
líquida parecida com a goma arábica (Jr 36:18; Ez 9:2; 2 Co 3:3; 2 Jo 12; 3 Jo 13).
Para a escrita em papiro e pergaminho, os escribas usavam penas de aves, pincéis
finos e um tipo de caneta feita de madeira porosa e absorvente. Para uso em cera,
utilizavam um estilete de metal (Is 30:8).
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13.2. Os Tipos da Escrita dos Manuscritos
Alguns tipos de escrita utilizados nos manuscritos são:
A. Uncial: os mais antigos manuscritos gregos só usavam letras maiúsculas
desenhadas e sem separação entre palavras. Datam do IV século A.D.
B. Cursivo: Era o tipo de escrita onde letras minúsculas eram conectadas com espaço
entre palavras, pois, naquela época (séc. VI a X d.C.), havia maior necessidade de cópias dos
manuscritos.
C. Sinais Vocálicos: Mais ou menos ao redor dos anos 500 a 900 d.C., eruditos judeus
chamados Massoretas introduziram um sistema de pontos colocado acima, abaixo e entre o
texto consonantal do Velho Testamento, de forma a marcar a vocalização do texto. Além
disto, eles cercaram o texto de uma série de anotações chamadas Massorah que garantiam a
imutabilidade do texto. Estes pontos, chamados pontos vocálicos, exerceriam a função de
vogais, mas tinham a vantagem de nada acrescentar ou tirar do texto consonantal
inspirado. Este sistema preservou a pronúncia do Hebraico que, nesta época, era a língua
dos eruditos judeus. Foi o texto hebraico preservado por este grupo de eruditos judeus que
chegou aos dias de hoje.
IMPORTANTE: É conveniente lembrarmos que, nos manuscritos mais antigos, não era
usado um sistema de pontuação. E, também, é bom lembrarmos que não há nenhum
manuscrito original preservado nos dias de hoje (para se evitar a idolatria!!!).
13.3. O Formato dos Manuscritos
Os manuscritos do Antigo Testamento tinham os formatos de livros (códices) e rolos.
Os códices eram feitos de pergaminho cujas folhas tinham normalmente 65 cm de altura
por 55 cm de largura. Os rolos podiam ser de papiro ou pergaminho. Eram presos a um
cabo de madeira para facilitar o manuseio durante a leitura. Eram enrolados da direita para
a esquerda. Sua extensão dependia da escrita a ser feita.
14 - A BÍBLIA É INSPIRADA
Jesus Cristo ensinou que a Bíblia é infalivelmente inspirada (Jo 10:35b; 17:17; Mt 4:4;
5:17-18) e também eterna e perfeitamente preservada por Deus (Mt 4:4; 5:18; 24:25, Lc
16:17; 21:33; 24:44)

Juramento de John Burgon: “Juro pelo Nome do Deus Triúno: Pai, Filho e Espírito
Santo, que creio que ‘a Bíblia não é outra coisa senão a voz d'Aquele que está sentado
no trono. Cada livro dela, cada capítulo dela, cada versículo dela, cada palavra dela,
cada sílaba dela, cada letra dela, são elocuções diretas do Altíssimo. A Bíblia não é
nada mais que a Palavra de Deus; nenhuma parte dela é mais, nenhuma parte dela é
menos, mas todas as partes de igual modo, são expressões d'Aquele que está sentado
no Trono, sem defeito, sem erro, supremas.’ Assim ajude-me Deus, AMÉM”.
Inspiração é o homem escrevendo o que Deus revelou. A Inspiração é o registro escrito
das revelações de Deus e daquilo que Ele quis que os escritores registrassem por escrito. A
inspiração, portanto, é o processo pelo qual Deus manifesta uma influência sobrenatural
sobre certos homens, capacitando-os para registrar acurada e infalivelmente o que quer que
tenha sido revelado. “Homens santos de Deus”, lemos, “falaram inspirados pelo Espírito
Santo” (2 Pe 1:21). O resultado desse processo é a Palavra de Deus escrita, a “escritura da
verdade” (Dn 10:21).
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14.1. O Processo de Inspiração
A própria Bíblia clama ser a Palavra de Deus. O termo “inspiração” é o termo teológico
tirado da Bíblia que expressa a verdade que a Bíblia é a Palavra de Deus.
Talvez a melhor definição de inspiração seja a de L. Gaussen: “aquele inexplicável
poder que o Espírito divino estendeu antigamente aos autores das Sagradas
Escrituras, para que fossem dirigidos mesmo no emprego das palavras que usaram, e
para preservá-los de qualquer engano ou omissão”.
Para entendermos a inspiração, devemos olhar para dois versículos clássicos das
Escrituras, a seguir:
A. “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para
redargüir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Tm 3:16)
A palavra inspiração é “theopneutos”, que significa “theo” = Deus, e “pneutos” =
assoprar. A palavra hebraica é “nehemiah” e é usada somente uma vez no Velho Testamento
(em Jó 32:8). O versículo está dizendo que Deus assoprou nos escritores da Bíblia que
escreveram assim as próprias Palavras de Deus. O adjetivo empregado nesta passagem
significa “insuflado por Deus” (cf. Gn 2:7).
A palavra “Escritura” vem do Grego “graphe”, que siginifica escrita, grafia, palavra.
Deus “assoprou” palavras! Podemos dizer então que tudo o que foi “escrito” (as Escrituras)
foi dado pelo “sopro de Deus”. Portanto, o que Deus “soprou” foram palavras (graphe). Cada
palavra, cada letra é importante para Deus.
É importante frisarmos que a Bíblia é inspirada e não os escritores. Se fosse o
contrário, tudo aquilo que eles escrevessem, de uma forma geral, seria Bíblia...
A próxima passagem é:
B. “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os
homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2 Pe 1:21)
Literalmente, o que o versículo está dizendo é que a inspiração é o processo pelo qual
o Espírito Santo “moveu” ou dirigiu os escritores das Escrituras para que o que eles
escrevessem não fossem palavras deles, mas a própria Palavra de Deus. Deus nos está
dizendo que Ele é o Autor da Bíblia, e não o homem.
Os escritores da Bíblia são chamados “homens impelidos (ou “carregados”) pelo
Espírito Santo” (2 Pe 1:20-21 cf. Ap 19:9; 22:6; 2 Sm 23:2). Eles foram “movidos”,
“tomados”, “levados”. A palavra “inspirados” no versículo acima é a mesma palavra grega
que foi usada em Atos 27:15 (o barco foi “levado”).
O próprio Jesus Cristo afirmou que o Espírito Santo faria os seus discípulos se
lembrarem de tudo o que presenciaram: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai
enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto
vos tenho dito” (Jo 14:26) e os anunciaria fatos futuros: “Mas, quando vier aquele, o Espírito
de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo
o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir” (Jo 16:13). (1 Co 2:10-13; 2 Co 2:4, 13;
1 Jo 1:1-3).
O Deus que soprou o fôlego de vida nos seres viventes é o mesmo que soprou Sua
Palavra nas consciências dos Seus profetas.
Se o próprio Espírito Santo supervisionou a entrega e o registro da revelação, Ele,
sendo Deus Onipresente, Onisciente e Onipotente, garantiu que isto seria feito sem erros.
Inspiração é o poder estendido pelo Espírito Santo, mas não sabemos exatamente
como esse poder operou. É limitado aos escritores das Escrituras Sagradas. Isto EXCLUI
todos os outros livros “sacros” por não serem inspirados; também nega autoridade final a
todas as igrejas, concílios eclesiásticos, credos e clérigos.
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A inspiração não exclui a diversidade de expressão sobre o mesmo assunto (Mt 16:16;
Mc 8:29; Lc 9:20). Até os 10 mandamentos têm expressões diferentes, pois o Autor é
Deus, e Ele pode Se exprimir de formas diferentes sobre o mesmo assunto! (Êx 20:8-
11; Dt 5:12-15).
O mais próximo que conseguimos chegar da inspiração é chamando-a de “orientação”.
Isto é, o Espírito Santo supervisionou a seleção dos materiais a serem usados e das palavras
a serem empregadas por escrito. Finalmente, Ele preservou os autores de todos os erros e
omissões. Temos na Bíblia, portanto, a Palavra de Deus verbalmente inspirada.

O apóstolo Paulo relatou, inclusive, seus lapsos de memória (1 Co 1:14-16), suas
emoções pessoais (Gl 4:14), suas palavras (1 Co 7:12, 40). Entretanto, ele mesmo frisa que,
apesar de expor sentimentos e impressões pessoais, tudo o que ele registrou nas Escrituras
são Palavras do Senhor! (1 Co 2:13; 14:37-38; Gl 1:12). Inclusive, quando ele aborda a
questão do papel e posição da mulher na igreja, ele declara que o que disse são
“mandamentos do Senhor” e não seu entendimento pessoal! (1 Co 14:37-38).
Observamos, além disso, que a inspiração se estende às palavras, não simplesmente
aos pensamentos e conceitos, ou idéias gerais. Se se estendesse simplesmente aos últimos,
ficaríamos sem saber se os escritores entenderam exatamente o que Deus disse, se se
lembraram exatamente do que Ele disse, e se eles tinham capacidade para expressar os
pensamentos de Deus com exatidão.
Será que cada palavra da Bíblia é mesmo inspirada?
O que Jesus disse acerca deste assunto? Vamos lá ver, o que nosso Senhor falou:
“Ele, porém, respondendo, disse: Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de
TODA a palavra que sai da boca de Deus.” (Mt 4:4)
Que sublime afirmação do Mestre! Ele claramente nos diz que TODAS (não somente
algumas, não somente as que constam nos “melhores e mais antigos manuscritos”, nem as
que têm certa preferência da crítica textual), mas sim que todas as palavras que saem da
boca de Deus são alimento para o homem.
Ou que dizer acerca do cumprimento cabal da lei, declarado por Jesus:
“Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um
til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.” (Mt 5:18)
Ora, aqui Jesus nos diz que TUDO o que está na lei, será cumprido completamente.
Existem versículos que claramente proíbem acrescentar, ou diminuir, o que quer que seja
(Dt 4:2; 12:32; Pv 30:6; Ec 3:14; Ap 22:18-19). Lembre-se que uma vírgula numa frase pode
alterar totalmente o sentido da mesma. Em Gl 3:16, vemos a importância e falta que faz
uma simples letra “s”!!!
Assim, a Bíblia, obra de escritores humanos, é, contudo, de natureza divina (1 Ts
2:13) e isto num sentido mais elevado do que o que se dá ao fazer referência a outras obras
que se costumam dizer “inspiradas”.
Embora a Bíblia seja inspirada por Deus (Sl 19:7-11; 119:89; 105, 130, 160; Pv 30:5-
6; Is 8:20; Jr 1:2, 4, 9; Lc 16:31; 24:25-27; 44-45; Jo 5:39, 45-47; 12:48; 14:26;
16:13; 17:17; At 1:16; 28:25; Rm 3:4; 15:4; 1 Co 2:10-13; 2 Co 2:4; Ef 6:17; 1 Ts 2:13;
2 Tm 3:16-17; 1 Pe 1:11-12; 2 Pe 1:19-23; 1 Jo 1:1-3; Ap 1:1-3; 22:19), a participação
do homem na recepção da revelação assumiu várias formas. Isto se deu naturalmente,
de modos diversos: ora os escritores simplesmente registravam fatos históricos; ora
registravam as mensagens que profetas e apóstolos recebiam de Deus; ora refletiam
intimamente sobre coisas de Deus e Este usava seus pensamentos para levar Sua
mensagem aos homens; ora eram guiados por Deus a escrever palavras revestidas de
sentido mais profundo do que eles próprios sabiam (1 Pe 1:10-12; cf. Dn 8:15; 12:8-
12).
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Ocasionalmente, descreveram visões, sonhos ou aparições que testemunharam (Is 6;
Jr 24; Dn 7-12; Ap 1-22); vários autores puderam escrever seu testemunho pessoal,
pois foram testemunhas oculares dos eventos que relataram (Js 24:26; Jo 19:35;
21:24; 1 Jo 1:1-4; 2 Pe 1:16-18); também citaram documentos antigos, que tinham à
sua disposição, frutos de suas pesquisas [isto é inspiração (registro escrito) sem
revelação (sem ser algo recebido diretamente de Deus)] (Dn 4; 2 Cr 36:23; Ed 1:2-4;
7:11-26; 1 Jo 1:1-4; Lc 1:1-4; etc.), inclusive houve citações de fontes extrabíblicas (At
17:28; Tt 1:12; Jd 14-15); compuseram, como artistas, poesia e outras manifestações
da sabedoria (Salmos, Provérbios, etc). Vale lembrarmos que os 10 mandamentos
foram escritos diretamente por Deus (Êx 31:18).
Os profetas estavam tão cônscios da responsabilidade de entregar a mensagem de
Deus (e não suas) que muitas vezes pediam a Deus que os poupasse desse peso (Vide a
resistência de Jonas). Os escritores do Novo Testamento também reconheceram terem sido
guiados pelo Espírito Santo para registrar as revelações de Deus.
A Bíblia é um livro divino-humano: humano porque, escrito por homens, manifesta
sentimentos e pensamentos humanos, às vezes em desacordo com os de Deus (ver, por
exemplo, os discursos dos amigos de Jó, que o próprio Deus refutou); divino, porque é obra
de homens a quem a Palavra de Deus foi revelada.

A IMPARCIALIDADE DA BÍBLIA PROVA QUE ELA É A PALAVRA DE DEUS
Quando os homens escrevem biografias dos seus heróis, eles normalmente limpam
suas faltas, mas a Bíblia exibe sua qualidade divina mostrando o homem como ele é.
Não apenas a Bíblia é verdadeira, mas também é clara e sincera. Mesmo os melhores
homens descritos na Bíblia são descritos com suas faltas. Conhecemos claramente a
rebelião de Adão, a bebedeira de Noé, o adultério de Davi, a apostasia de Salomão, a
desobediência de Jonas, o desaforo de Pedro para com o Mestre, a briga de Paulo e
Barnabé e espante-se com a descrença dos discípulos a respeito da ressurreição de
Cristo. O que se segue foi publicado em “The Berean Call” [O Chamado de Beréia],
Janeiro 2005:
“As Escrituras revelam honestamente as fraquezas e pecados dos melhores santos –
mesmo quando tais fatos poderiam ter sido evitados. Tal honestidade dá a coroa da
verdade às Escrituras. Um dos relatos mais estranhos foi a descrença dos discípulos
quanto à ressurreição de Cristo. De fato, seu ceticismo e aparente má vontade em
acreditar, mesmo quando Cristo os encontrou face a face, parece que dificilmente um
escritor de ficção ousaria retratá-lo. Cristo acusa Seus discípulos de dureza de coração
(Marcos 16:14). Eles não creram, mesmo quando Cristo lhes apareceu (Lucas 24:36-
38). Mas um dos ladrões crucificados com Cristo creu em Sua ressurreição, ou ele não
teria pedido “E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu
reino.” (Lc 23:42). As dúvidas dos discípulos não tinham desculpa em vista das muitas
profecias messiânicas. Eles terem sido tão cegos em relação às Escrituras, mesmo
depois de terem sido ensinados pessoalmente por Cristo durante tantos anos, nos faz
reexaminarmos a nós mesmos para não sermos culpados da mesma cegueira.”
A aceitação da Bíblia como Palavra de Deus não é matéria de prova científica e sim de
fé. Isso não quer dizer que tomamos atitude irracional ou sem fundamento. Antes, nossa
atitude se baseia no testemunho de Jesus, a respeito do Antigo Testamento.
De certo modo, podemos compará-la à nossa fé em Jesus Cristo como Filho Unigênito
de Deus, a qual não depende, em última análise, de provas humanas de Sua divindade, e
sim, de um ato de fé.
A experiência cristã tem confirmado que de fato Deus Se revela aos homens através de
TODA a Bíblia, ainda que o faça com maior nitidez em certas partes (João, por exemplo) do
que em outras que são, por assim dizer, periféricas em relação à suprema revelação em
Jesus Cristo.
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Não é que o Evangelho segundo João seja “mais inspirado” do que Eclesiastes, por
exemplo; antes, é que, naquele, Deus estava concedendo a João a mais suprema e plena
revelação dEle; ao passo que, em Eclesiastes, fornecia o registro das últimas tentativas
humanas para conseguir a felicidade “debaixo do sol”.
Outrossim, mesmo que algumas partes da Bíblia pareçam não trazer mensagem de
Deus para nós, em nossa situação atual, é muito possível que tenham falado, ou que ainda
venham a falar, a outras pessoas em situações diferentes.
Basta lembrarmos, por exemplo, como o livro do Apocalipse tem revivido, vez após vez,
para cristãos que sofriam de perseguição.
Devemos lembrar também, que a própria Bíblia não nos autoriza a dividi-la em partes,
mas, antes, considerá-la um todo orgânico, tendo cada livro um papel a desempenhar na
obra total (2 Tm 3:16).
De imediato, as pessoas dizem que a Bíblia é um livro de homens. Em outras palavras,
“falha e imperfeita”. Por mais sinceros, eruditos e criteriosos que fossem os profetas, eles
ainda estavam sujeitos às limitações da sua época e do seu conhecimento. Como poderiam
deixar de errar?
É natural, assim, esperar que a Bíblia apresente erros gritantes em questões
filosóficas, científicas, literárias ou históricas. Os milagres, por exemplo, são vistos como
lendas da Antiguidade, tão verdadeiros e históricos quanto Branca de Neve e os Sete Anões.
De fato, tais conclusões seriam inevitáveis se o fator sobrenatural fosse descartado.
Mas, se o Espírito Santo, sendo o mesmo Deus, estava por trás da produção da Bíblia, então
é perfeitamente admissível que homens falhos fossem instrumentos para transmitir
informações infalíveis. E foi exatamente isso o que ocorreu!
Este volume é a escrita do Deus vivo: cada letra foi escrita por um dedo Todo-
poderoso; cada palavra saiu dos lábios eternos, cada frase foi ditada pelo Espírito
Santo. Ainda que Moisés tenha sido usado para escrever suas histórias com sua
ardente pluma, Deus guiou essa pluma. Pode ser que Davi tenha tocado sua harpa,
fazendo que doces e melodiosos salmos brotassem de seus dedos, porém Deus movia
Suas mãos sobre as cordas vivas de sua harpa de ouro. Pode ser que Salomão tenha
cantado os Cânticos de amor ou pronunciado palavras de sabedoria consumada,
porém Deus dirigiu seus lábios, e fez eloquente ao Pregador. Se sigo o trovejador
Naum, quando seus cavalos aram as águas, ou a Habacuque quando vê as tendas de
Cusã em aflição; se leio Malaquias, quando a terra está ardendo como um forno; se
passo para as serenas páginas de João, que nos falam de amor, ou para os severos e
fogosos capítulos de Pedro, que falam do fogo que devora os inimigos de Deus, ou para
Judas, que lança anátemas contra os adversários de Deus; em todas as partes vejo
que é Deus quem fala.
É a voz de Deus, não do homem; as palavras são as palavras de Deus, as
palavras do Eterno, do Invisível, do Todo-Poderoso, do Jeová desta Terra. Esta Bíblia é
a Bíblia de Deus; e quando a vejo, parece que ouço uma voz que surge dela, dizendo:
“Sou o livro de Deus; homem, leia-me. Sou a escrita de Deus: abra minhas folhas,
porque foram escritas por Deus; leia-as, porque Ele é meu Autor, e O verá visível e
manifesto em todas as partes”. “[Eu] escrevi-lhe as grandezas da minha lei, porém
essas são estimadas como coisa estranha” (Oséias 8:12). (Retirado do Sermão do
Reverendo C. H. Spurgeon: A Bíblia (The Bible) - Um Sermão (Nº 0015) - Pregado na
Manhã de Domingo, 18 de Março de 1855, no Exeter Hall, Strand— Londres —
Inglaterra).
14.2. Distinção entre Inspiração e Autoridade
Algo deve ser dito a respeito da distinção entre Inspiração e Autoridade. Geralmente,
as duas são idênticas, de modo que aquilo que é inspirado tem também autoridade com
respeito ao ensino e à conduta. Mas, ocasionalmente, não é isso o que acontece.
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Por exemplo: o que Satanás disse para Eva foi registrado na Bíblia por Moisés, que foi
inspirado por Deus, mas não é a verdade (Gn 3:4-5); o conselho que Pedro deu a Cristo (Mt
16:22); a declaração de Gamaliel ao Concílio (At 5:38-39). O mesmo ocorre com textos
retirados do contexto, que assumem um significado totalmente diferente de quando
inseridos no contexto, etc.
15 - A BÍBLIA, REGISTRO MERECEDOR
DE CONFIANÇA
A Bíblia é uma revelação de Deus absolutamente fidedigna. Essa afirmativa se baseia
na atitude de Jesus para com o Antigo Testamento e no testemunho da própria Bíblia a seu
respeito (Mt 5:17-18; Mc 7:1-13; 12:35-37; Jo 5:39-47; 10:34-36; 1 Co 14:37-38; Ef 3:3).
A Bíblia não tem a pretensão de ser uma enciclopédia infalível de informações sobre
todos os assuntos e, por isso, não nos fornece a resposta a todas as perguntas que
possamos fazer a respeito do mundo a nosso redor.
“As coisas encobertas pertencem ao SENHOR nosso Deus, porém as reveladas nos
pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras
desta lei” (Dt 29:29).
Ela é escrita na linguagem do povo e não com a terminologia e exatidão científicas do
nosso século. De fato, seria tolice esperar que o fosse, e se, por algum milagre, isso fosse
conseguido, o livro se tornaria incompreensível para a maioria de nós, para todos os que nos
precederam e, dentro de pouco tempo, a linguagem se tornaria arcaica.
A Bíblia registra uma revelação progressiva de Deus (Is 42:8-9; 44:6-8; Os 6:3; Hb 1:1-
2) através de muitos séculos e a povos vários. Não devemos, portanto, tomar suas
afirmações isoladamente, mas considerá-las à luz do todo, do contexto. Não podemos basear
nossas crenças em versículos isolados, destacados de seu contexto.
LEMBRE-SE! Texto fora de contexto é pretexto para heresias!
Através de uma compreensão integral da Bíblia, podemos descobrir que muitas
discrepâncias desaparecem ou são de pouca importância, no que se refere à verdade
da Bíblia, vista como um todo.
É inegável que a moderna ciência da Arqueologia muito tem feito no sentido de
confirmar a exatidão da história registrada na Bíblia. Muito raramente, e em assuntos de
pequena importância, põe um ponto de interrogação ao lado do registro bíblico.
Uma vez que a Bíblia registra uma revelação que se deu através da história, podemos
sentir satisfação em saber que o esboço histórico apresentado na Bíblia é capaz de tanta
confirmação arqueológica.
Muitos problemas que se alegam existir na Bíblia devem-se à nossa deficiência em
saber interpretá-la corretamente. Às vezes, procuramos, por exemplo, informações literais
em passagens que devem ser tomadas como poéticas e, em outras, interpretamos
simbolicamente passagens que deveriam ser literais.
REGRA DE OURO PARA A INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA
“Quando a interpretação direta, imediata e literal das escrituras faz sentido, não
procure nenhuma outra interpretação. Portanto: Interprete cada palavra no seu
sentido literal, usual, costumeiro e mais comumente usado, a não ser que os fatos do
contexto imediato indiquem clara e indiscutivelmente o contrário, quando estudados à
luz de passagens correlatas e de verdades fundamentais e axiomáticas.” (Dr. David L.
Cooper)
Vejamos alguns termos relacionados com a inspiração:
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A. Revelação de Deus: (Pv 11:2; Mt 11:25; 1 Co 2:10; Gl 1:12). Revelação, no Grego,
significa: descobrir, deixar aberto aquilo que estava velado/coberto.
“Revelação é aquele ato de Deus pelo qual Ele mesmo se descerra e comunica verdade
à mente, manifestando às Suas criaturas aquilo que não poderia ser conhecido de
nenhum outro modo”.
Uma definição concisa, mas exata, da revelação vem da caneta do Dr. James
Bannerman. Ele escreveu: “A revelação, como ato divino, é a apresentação da verdade
objetiva ao homem de maneira sobrenatural por Deus. A revelação, como resultado de tal
ato, é a verdade objetiva então apresentada”
Métodos de Revelação
1. Por anjos: 3 anjos, Abraão, Sodoma (Gn 18).
2. Com voz alta, punindo a queda (Gn 3:9-19).
3. Com voz suave, a Elias (1 Rs 19:11, 12; Sl 32:8).
4. Pela natureza (Sl 19:1-3).
5. Por um jumento a Balaão (Nm 22:28).
6. Por sonhos (Gn 28:12).
7. Em visões (Gn 46:2; At 10:3-6).
8. O próprio Livro de Apocalipse.
9. Cristofanias (Êx 3:2).
Hoje, Deus só fala através da Sua Palavra (Hb 1:1; 2 Tm 3:16). Não há mais
revelações!
A Revelação de Deus no Antigo Testamento é uma revelação com as seguintes
características:
1. É uma revelação autoritativa - Jo 5:39; Lc 19:19-31.
2. É uma revelação verídica - Jo 10:35; Is 34:16.
3. É uma revelação progressiva - Is 42:8-9; 44:6-8; Os 6:3; Hb 1:1-2. Ex: - As peculiaridades
do sistema mosaico ficam claras à luz de uma Revelação progressiva. A Lei a Graça e a
doutrina do Espírito Santo estão interligadas ao propósito dispensacional de Deus.
4. É uma revelação parcial - Hb 1:1, 2; Cl 2:17; Hb 10:1.
15.1. A Necessidade da Revelação
“Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos
seus servos, os profetas” (Amós 3:7).
Será possível ao homem, finito e limitado como é, em sua capacidade e em seu
entendimento, compreender a grandeza do Deus infinito?
Por si mesmo, é evidente que não. A não ser que Deus se revele ao homem, este não
pode conhecê-Lo.
Chega-se, portanto, à conclusão de que Deus Se revelou às Suas criaturas.
A revelação de Deus divide-se em geral e especial:
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15.2. Revelação geral de Deus: (Sl 19:1-6; 104)
É endereçada e acessível a TODA criatura inteligente, e tem por objetivo persuadir a
alma a buscar o verdadeiro Deus. É suficiente para condenar os homens, tornando-os
inescusáveis. Mas, não é suficiente para os salvar! Ela ocorre:
Na Natureza: (Jó 12:7-9; Sl 8:1, 3; 19:1-3; Is 40:12-14, 26; At 14:15-17; Rm 1:19-23,
2:14-15). Sua finalidade é incitar o homem a buscar o Deus Verdadeiro, para receber mais
luz. Algumas verdades contidas nas religiões pagãs derivam-se dessa fonte de revelação. É,
contudo, insuficiente. Se revela a grandeza, a sabedoria e o poder de Deus, nada diz do
interesse que ele tem no homem pecador, nem se este pode se salvar.
Na História: nações tais como o Egito, a Assíria, Babilônia, Média, Pérsia, etc.
Embora Deus possa usar uma nação mais ímpia para castigar uma menos ímpia, ao final
tratará a mais ímpia com maior severidade (Hc 1:1-2:20). E, muitíssimo mais, na espantosa
história da “pulguinha” Israel (Dt 28:10; Sl 75:6-8; Pv 14:34; At 17:2-4; Rm 13:1), o “verme
de Jacó” (Is 41:14). Esse povo acreditava que Deus, a quem conhecia por nome de Javé ou
Jeová, agia na sua vida individual e nacional (Sl 78); que lhe falava por meio de profetas (1
Sm 3; Is 6; Os 1; Am 7:14-17), revelando-lhes que Seu caráter era de justiça e amor (Is 6:3;
Am 5:6-27; Dt 7:8; Jr 31:3; Os 11:1); que Israel era Seu povo escolhido (Dt 7:7-26; Jr 7:23;
13:11) e que dele Deus reclamava não só o culto, como também a justiça e o amor em sua
vida social e nacional (Am 5:21-24; Is 1:27; Mq 6:8). Esse Deus era Senhor da criação (Is 40;
42:5; Am 5:8) e Rei moral da história (Dt 28; Jz 2; Am 5:14). Haveria, um dia, de julgar o
mundo e estabelecer um reino de justiça. Seu propósito final para os homens era, portanto,
a salvação e, para esse fim, escolhera a Israel para Seu servo, o qual deveria levar todos os
homens à religião verdadeira. Como, porém, Israel estava prejudicado pelo seu pecado, Deus
prometera levantar, futuramente, para executar esta tarefa, um Libertador, chamado, ora de
Rei, na sucessão de Davi, ora de Servo do Senhor (Is 2:1-4; 9:1-7; 42:1-9; 49:1-6; 50:4-9;
52:13; 53:12; Jr 31:31-40; 33:14-16; Ez 34:23-24).
Esta revelação já é mais explícita e informativa do caráter pessoal de Deus, do que a
revelação através da natureza. Contudo, é também incompleta.
Na Consciência: Na nossa consciência temos outra revelação de Deus (Rm 2:14-16).
A Lei gravada nos corações, “uma espiã de Deus em nosso peito”, “uma embaixadora de
Deus em nossa alma”, como os puritanos costumavam chamá-la.
É a presença, no homem, desta ciência do que é certo e errado, deste algo
discriminativo e impulsivo, que constitui a revelação de Deus. Não é auto-imposta, como
fica evidenciado pelo fato de que o homem frequentemente se livraria de suas opiniões se
pudesse. É o reflexo de Deus na alma.
Suas proibições e ordens, Suas decisões e impulsos não teriam qualquer autoridade
real sobre nós se não sentíssemos que na consciência temos de alguma forma a realidade,
algo em nossa natureza que, todavia, está acima desta natureza.
Em outras palavras, nossa consciência revela o fato de que há uma lei absoluta do
certo e do errado no universo e de que há um Legislador Supremo que encarna esta lei em
Sua própria Pessoa e conduta.
Na providência divina: (Pv 16:9; At 14:15-17); na preservação do mundo: (Hb 1:3)
15.3. Revelação especial de Deus: (Sl 19:7-14)
Abrange os atos de Deus pelos quais Ele Se fez conhecer e à Sua verdade, em ocasiões
especiais e a pessoas específicas, mas quase sempre para o benefício de todos. É uma
Revelação completa!
É necessária porque o homem não respondeu à Revelação Geral (Rm 1:20-23,25; 1 Co
1:21; 2:8). Ela ocorre:
Em Jesus Cristo, a suprema revelação de Deus (Jo 1:14; Cl 1:15; 2:9; Hb 1:3).
Necessária porque o homem não respondeu às outras Hb 1:1-3. Cristo é a melhor prova da:
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existência, natureza, e vontade de Deus! A vinda de Jesus Cristo foi a manifestação
suprema e o pleno cumprimento da Revelação que Deus começara a fazer de Sua Pessoa, na
vida de Israel.
Jesus afirmou expressamente que Ele era Aquele de quem os profetas falavam (Mt
5:17; Lc 24:44). Referia-Se a Si mesmo como o Filho de Deus (Mt 11:25-27) e atribuía às
Suas próprias palavras a autoridade de Deus (Mc 2:1-12; 13:31; 14:62). Além das Suas
palavras, o caráter e as ações de Cristo deviam ser considerados manifestações de Deus aos
homens. Disso eram sinais: Seus milagres e Suas obras poderosas (Lc 12:54-56; Jo 3:2;
14:11). Toda a Sua vida demonstrara o amor que caracteriza a Deus (Mc 2:17; 10:21, 45; Lc
19:1-10; Jo 3:16). Sua morte coroou Sua vida de abnegação em favor dos homens (Mc
14:22-24) e Sua ressurreição e ascensão declararam que Deus Se agradara da obra de Seu
Filho e O tinha exaltado (At 3:14-26; Rm 1:4). Seus discípulos passaram o restante de suas
vidas anunciando-O como Aquele que verdadeiramente revelava Deus aos homens e lhes
restabelecia a relação adequada com Deus Pai. As provas impressionantes de Sua influência
nas vidas humanas, a partir de então, são outras tantas confirmações de Seu objetivo de
revelar Deus aos homens.
Esta Revelação, na qual Deus Se fez homem, na Pessoa de Seu Filho Jesus Cristo, é
uma Revelação pessoal, perfeita e que não se repete. No sentido mais completo, Jesus Cristo
é a PALAVRA DE DEUS aos homens (Jo 1:1-18; Hb 1:1-2; Ap 19:13). É evidente, portanto,
que ninguém pode conhecer a Deus, senão por Jesus Cristo (Jo 1:18; Mt 11:27).
Nas experiências pessoais de certos homens: Enoque e Noé andaram com Deus
(Gn 5:21-24; 6:9); Deus falou a Noé (Gn 6:13; 7:1; 9:1); a Abraão (Gn 12:1-3); a Isaque (Gn
26:24); a Jacó (Gn 28:13; 35:1); a José (Gn 37:5-11); a Moisés (Êx 3:3-10; 12:1); a Josué (Js
1:1); a Gideão (Jz 6:25); a Samuel (1 Sm 3:2-4); a Davi (1 Sm 23:9-12); a Elias (1 Rs 17:2-4);
a Isaías (Is 6:8), etc. Da mesma maneira, no N. T. Deus falou a Jesus (Mt 3:16-17; Jo 12:27-
28); a Pedro, Tiago e João (Mc 9:7); a Felipe (At 8:29); a Paulo (At 9:4-6; 18:9; Gl 1:12); e a
Ananias (At 9:10). Nas experiências de nós, crentes da dispensação da graça, que temos a
testificação do Espírito Santo de que somos filhos de Deus. Hoje, Deus só fala através da
Sua Palavra (Hb 1:1; 2 Tm 3:16). Não há mais revelações!!!
Em milagres: eventos fora do usual e natural, realizando uma obra útil, revelando a
presença e poder de Deus, visando trazer homens a Cristo (Jo 20:30-31). Êx 4:2-5 (Deus
transformou vara em cobra) contraste Êx 7:1-2 (imitação, desmascarada).
Milagres podem ser:
A. De intensificação (exemplo: dilúvio) ou “tempo exato” (terremoto na crucificação) de
fenômenos naturais (praga de saraiva e fogo); a força de Sansão, etc.
B. De alteração das leis naturais (multiplicação dos pães, florescimento da vara de
Arão, obtenção de água da rocha, cura dos doentes, ressurreição de mortos).
Se alguém quiser contestar a existência de milagres, lembre-lhe que a pergunta certa é
“as testemunhas são absolutamente confiáveis?” e não “o evento é naturalmente
possível?”. Demonstre a historicidade da ressurreição de JESUS CRISTO. Mostre que
se ele crer na ressurreição e no Ressurreto Homem-Deus, aceitará todos os milagres
da Bíblia.
C. Em Profecias - predição de eventos, só possível pela comunicação direta da parte de
Deus. Ex: O Livro de Isaías foi escrito em aproximadamente 698 a.C. e falou sobre Ciro, com
uma antecedência de séculos (Is 44:28-45:1). Se alguém quiser contestar a existência de
profecias, mostre-lhe que se ele crer em Jesus Cristo, aceitará todas as profecias da Bíblia.
Por exemplo: compare 1 Rs 13:2 com 2 Rs 23:15, 16; 1 Rs 13:22 com 2 Rs 23:17, 18; 1 Rs
21:19 com 1 Rs 22:38; 1 Rs 21:23 com 2 Rs 9:36.
Algumas das 332 profecias cumpridas em Cristo:
1. Ele deveria ser nascido de uma virgem (Is 7:14; Mt 1:23).
2. Da semente de Abraão (Gn 12:3; Gl 3:8).
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3. Da Tribo de Judá (Gn 49:10; Mt 1:2-3; Hb 7:14).
4. Da linhagem de Davi (Sl 110:1; Jr 23:5; Mt 1:6; Rm 1:3).
5. Deveria nascer em Belém (Mq 5:2; Mt 2:6).
6. Ser ungido pelo Espírito (Is 61:1-2; Lc 4:18-19).
7. Entrar em Jerusalém montado em um asno (Zc 9:9; Mt 21:4-5).
8. Ser traído por um amigo (Sl 41:9; Jo 13:18).
9. Ser desprezado (Is 53:4-6, 10-12; 2 Co 5:21).
10. Ser rejeitado (Is 53:3; Jo 8:48; 9:34).
11. Ser vendido por trinta moedas de prata (Zc 11:12-13; Mt 26:15; 27:9-10).
12. Ser abandonado por seus discípulos (Zc 13:7; Mt 26:31, 56).
13. Ter suas mãos e pés traspassados, mas não ter nenhum osso quebrado (Sl 22:16; 34:20; Jo
19:36; 20:20, 25).
14. Os homens iriam dar-lhe fel e vinagre a beber (Sl 69:21; Mt 27:34).
15. Repartir Suas vestes e lançar sortes sobre Sua túnica (Sl 22:18; Mt 27:35).
16. Ele seria abandonado por Deus (Sl 22:1; Mt 27:46).
17. Enterrado com os ricos (Is 53:9; Mt 27:57-60).
18. Ele iria surgir dos mortos (Sl 16:8-11; At 2:27).
19. Subir às alturas (Sl 68:18; Ef 4:8).
20. Assentar-se à mão direita do Pai (Sl 110:1; Mt 22:43-45), etc.
Será que não temos nestas predições que já foram cumpridas uma forte prova do fato
que Deus Se revelou por profecia? E se Ele o fez nestas predições, o que nos impede de crer
que O fez em outras também?
D. Nas Escrituras (1 Pe 1:12; 1 Co 1:21): Se a suprema revelação de Deus é Jesus
Cristo, surge o problema: como então pode Deus Se revelar a nós, que vivemos dois milênios
depois de Cristo? Não estando Jesus visivelmente entre nós, ficamos privados da
possibilidade de alcançar a plena Revelação de Deus?
A resposta a essas perguntas é que existe ainda outra forma de Revelação. É que o
Espírito de Deus capacitou homens a darem testemunho escrito da Revelação que
receberam, de modo a poderem interpretá-la e transmiti-la às gerações posteriores.
Assim, podemos chegar ao conhecimento da Revelação de Deus na Natureza, na
História e em Jesus Cristo, através do registro (inspiração) que temos em mãos, na BÍBLIA,
e pela qual Deus fala hoje aos homens (Hb 1:1-3).
Deste modo, Jesus Cristo Se revela ainda aos homens. Ele não é uma extinta figura do
passado, mas o FILHO VIVO DE DEUS, de maneira que os cristãos que vivem em eras
posteriores à Sua crucificação podem afirmar que O conhecem e têm comunhão com Ele,
através das Escrituras, que reúnem toda a Revelação que Deus quis que ficasse
inerrantemente corporificada, sendo a base para todas as disciplinas da Teologia.
As doutrinas da revelação e da inspiração nada seriam sem a doutrina da preservação
das Escrituras.
Jesus disse: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar”
(Mateus 24:35). As evidências comprovam que Deus tem cuidado da Sua Palavra
através dos séculos, embora não tenhamos mais os originais (autógrafos). Existem
mais de 5.000 manuscritos e partes de manuscritos que concordam entre si, o
chamado Texto Bizantino (em sua forma impressa ele se chama Textus Receptus [TR],
ou o Texto Recebido, termo que surgiu com a impressão do Novo Testamento Grego de
Elzivir em 1633).
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Uma vez que é a Bíblia o meio pelo qual seguramente Deus Se revela hoje aos homens,
devemos examinar com algum cuidado seu caráter, sua suficiência e a confiança que
merece como Revelação de Deus (2 Tm 3:15-16; Hb 1:1).
15.4. A Iluminação
E aquele método usado pelo Espírito Santo para derramar luz divina sobre todo o
homem que o busque, ao ser este homem exposto à Palavra de Deus (Sl 119:18, 125).
A ILUMINAÇÃO é o entendimento que temos da leitura da Bíblia, pela ação do Espírito
Santo (Êx 31:3; 35:31; 1 Rs 3:11; 4:29; Jó 11:12; 2 Sm 22:29; Sl 18:28; 36:9; 111:10;
119:18, 34, 99, 104, 125, 130, 169; Pv 2:1-12; 4:7; Is 11:2; Dn 1:17; 4:34-36; 5:12-14; Lc
24:45; Jo 14:26; Rm 12:2; 1 Co 2:14-16; 2 Co 4:6-7; Ef 1:18; 2 Tm 2:7; 2 Pe 1:20; 1 Jo
5:20).
A iluminação se faz necessária por causa das cegueiras: natural (Rm 10:2; 1 Co 2:14;
Ef 4:18); induzida pelo Diabo (2 Co 4:3,4); induzida pela carne (1 Co 3:1; 2:14; Hb 5:12-14;
Cl 1:21; Tt 1:15).
Só com a iluminação é que pecadores são salvos (Sl 119:30; 146:8) e crentes são
fortalecidos (Sl 119:105; 1 Co 2:10; 2 Co 4:6).
Antes de iluminar, o Espírito Santo procura por sinceridade do homem (Dt 4:29; Hb
11:6) e diligente estudo do crente (At 17:11; 2 Tm 2:15; 1 Pe 2:2).
O Espírito Santo sempre tem que usar um crente (que O tem) para iluminar o
descrente (que não O tem). Veja At 8:31 (Filipe e o eunuco etíope).

RESUMINDO
1. Revelação: comunicação da verdade. (1 Co 2:10-12) [já cessou!]
2. Inspiração: registro escrito da verdade. (1 Co 2:13) [já cessou!]
3. Iluminação: entendimento da verdade. (1 Co 2:14-16) [ainda existe!]
Podemos ter revelação (comunicação da verdade por Deus ao homem) sem inspiração
(registro escrito dessas verdades), como tem sido o caso de muitas pessoas piedosas
no passado, que receberam verdades de Deus, mas não registraram por escrito
(inspiração), não há livros bíblicos escritos por eles (Noé, Abraão, Jacó, Elias, etc.) e
como fica claro pelo fato de João ter ouvido as vozes dos sete trovões
(revelação/comunicação da verdade por Deus), apesar de não lhe ter sido permitido
escrever/registrar o que eles disseram os trovões (Ap 10:3-4).
Podemos também encontrar inspiração sem revelação, como quando os escritores
registram o que viram com seus próprios olhos ou descobriram pela pesquisa (1 Jo
1:1-4; Lc 1:1-4). É o que ocorre quando os relatos bíblicos parecem ser meras
declarações dos escritores humanos. Isto é inspiração (registro escrito) sem revelação
(sem a comunicação de uma verdade por Deus).
A iluminação (o entendimento da verdade bíblica) geralmente acompanha a inspiração
ou está incluída nela (cf. Pe 1:10-12; cf. Dn 8:15; 12:8-12).
16 - PROVAS DA INSPIRAÇÃO PLENÁRIA,
VERBAL E INFALÍVEL DA BÍBLIA
A Bíblia é inspirada (“assoprada para dentro do homem”) por Deus.
IMPORTANTE!
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1. Inspiração é um mistério.
2. A Bíblia é inspirada por Deus (At 1:16; 2 Tm 3:16-17; Hb 10:15-17; 2 Pe 1:20-21).
3. Inspiração é essencialmente proteção contra erros, como se Deus dissesse “As
verdades que Eu quero transmitir, você as escreverá com as suas palavras, mas
Eu vou guiá-lo para você não deixar de escrever toda e só a verdade que Eu quero
que seja escrita, e não errar nem sequer uma letrinha ou o menor sinal de
acentuação.”
4. A inspiração é plenária: significa que a Bíblia é inspirada toda ela, de capa a capa,
sobre todo e qualquer assunto (Mt 5:18; 2 Tm 3:16-17).
5. A inspiração é verbal: significa que a Bíblia é inspirada palavra por palavra, e não
apenas os pensamentos principais, como ocorre com as versões deturpadas da
Bíblia, como as paráfrases (Ex: Bíblia na Linguagem de Hoje). (Sl 138:2; Mt 4:4-5;
5:17-18; 22:32; 1 Co 2:13; Gl 3:6).
6. A inspiração torna a Biblia infalível e inerrável: A Bíblia não contém nenhum erro,
sendo incapaz de errar ou falhar! (Mt 5:18; Jo 10:35b).
7. Toda a Bíblia é igualmente inspirada, mas não igualmente importante (Ex: Jo 3:16
versus Jz 3:16).
8. Cada palavra é inspirada, mas só é autoritativa: a) no seu contexto; b) quando é de
Deus [diretamente ou pelos Seus profetas] e não o registro (inspirado, infalível!)
das mentiras do Diabo, demônios, ou homens.
9. A inspiração não exclui o uso de fontes extra-Bíblicas (At 17:28; Tt 1:12; Jd 14-
15).
10. Inspiração não exige mesmos detalhes no relato de um mesmo evento (Mt 27:37 +
Mc 15:26 + Lc 23:38 + Jo 19:19).
11. A inspiração está terminada, finalizada (Ap 22:18-19) e só abrangeu a Bíblia.
A natureza da inspiração plenária, verbal e infalível da Bíblia é assegurada pelos
seguintes motivos:
1. O caráter de Deus (Sl 138:2): Iria o Deus perfeito, eterno e imutável, consentir que
as Suas revelações fossem expressas imperfeita e falivelmente pelos Seus profetas?
Isto é inimaginável!
2. O caráter e declarações da própria Bíblia:
a. A Bíblia tem unidade, conteúdo e padrão moral incomparavelmente
superior a todos os outros livros.
b. A Bíblia é absolutamente confiável em tudo o que pode ser checado. Então
devemos aceitar o que ela diz de si mesma:
c. A Bíblia clama ser a plenária, verbal e infalível Palavra de Deus,
Explicitamente em Sl 138:2; 2 Tm 3:16; 2 Pe 1:20-21.
d. Mais de 3800 vezes em frases diretas como “Assim diz o Senhor” no V. T.
(Êx 14:1; Is 43:1; Ez 1:3).
3. No reconhecimento de um escritor/livro por outro (2 Rs 17:13; Sl 19:7; 33:4;
119:89; Is 8:20; Gl 3:10; 1 Pe 1:23; At 1:16; 28:25; 1 Pe 1:10-11). Pedro
reconheceu a inspiração dos escritos de Paulo (2 Pe 3:15-16). Pedro e Paulo
reconhecem a inspiração de todo o restante das Escrituras (2 Tm 3:16; 2 Pe 1:20).
Cristo ensinou que a Bíblia é infalivelmente inspirada (Jo 10:35b; Mt 4:4; 5:17-18;
22:32) e também eterna e perfeitamente preservada por Deus (Mt 4:4; 5:18; 24:35 [=
Lc 21:33]; Lc 16:17)
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16.1. Objeções à Inspiração Plenária e Verbal
a) ALEGAM QUE HÁ “Reconhecimento de não inspiração”: basta um bom exame do
contexto, ou um perfeito entendimento dos idiomas e dos manuscritos pelos quais Deus
preservou infalivelmente Sua palavra: Texto Massorético e Textus Receptus. Exemplo: em 1
Co 7:12, 25, Paulo, que estava só repetindo Mt 5:31-32; 19:3-9 (sobre o Divórcio), agora
introduz um mandamento igualmente inspirado (compare: 1 Co 7:40).
A. “Citações expressando erros”: Ora, são apenas citações (fiéis!) de errados e/ou
mentirosos homens (Sl 10:4; 14:1) ou do Diabo (Gn 2:4-5; Jo 8:44).
B. “Erros histórico-científicos”: Basta lembrarmos que:
• Assim como os cientistas usam expressões “pôr-do-sol”, “quatro cantos da Terra”
(por serem referenciais cômodos, de fácil entendimento), a Bíblia usa a linguagem
das aparências, em certas passagens, etc. Ademais, a Bíblia é 100% exata, mas
não é formal, matemática.
• A Bíblia só relata fragmentos da verdade Jo 20:30-31.
• Relatos distintos podem se complementar (contradizer!) ou podem enfatizar
diferentes aspectos dos eventos ou doutrinas.
• A Bíblia foi por Deus infalivelmente inspirada e preservada (através do Texto
Massorético e do Textus Receptus), palavra por palavra, til por til; mas, os
tradutores mais fiéis e tremendamente cuidadosos podem aqui e acolá ter sido algo
menos que perfeitos.
• A verdadeira ciência se limita a fatos da observação ou experimentação (a Teoria
da Evolução, das Camadas Geológicas, da Astrofísica, etc., não o fazem, resultam
de meras suposições loucas!).
• Cientistas hoje admitem que, por exemplo, a luz apareceu antes do sol (Gn 1:3-5).
C. “Aparentes contradições”: sempre tem explicações, se prestarmos muita atenção.
Alguns exemplos:
• Nm 25:9 versus 1 Co 10:8 (diferentes números de mortos pela praga): Números
não se limitou a 1 só dia!
• Lc 6:17 versus Mt 5:1 (o sermão foi no monte ou em lugar plano?): Ou foram 2
sermões, sendo 1 para os discípulos, outro para o povo. Ou, 1 sermão, em lugar
plano no meio do monte? A planura em Lc 6:17 era provavelmente na mesma
montanha mencionada em Mt 5:1.
• Mt 20:29 versus Mc 10:46 + Lc 18:35 (1 ou 2 cegos? na entrada ou saída de
Jericó?): 2 cegos na entrada, 1 na saída. Provavelmente, foram os 2 cegos curados
entre a Jericó velha e a Jericó nova, sendo que Mc e Lc mencionam somente o
mais notável. IMPORTANTE! há uma infalível regra matemática que diz que “onde
quer que haja 2, sempre haverá 1”.
• Mt 8:5-13 versus Lc 7:1-10: Centurião de Cafarnaum com o servo moribundo:
ouviu falar de Jesus -> enviou anciãos judeus para chamá-lo -> enviou amigos ->
foi ele mesmo -> creu -> voltou -> constatou milagre.
D. “Erros em profecias”: esses aparentes ‘erros’ são más interpretações das profecias,
ou profecias ainda a serem cumpridas (Dn 2, 7, 9, 11, 12; Zc 12-14; a maior parte do Livro
de Apocalipse). Nem Paulo, nem Tiago, nem Pedro ensinaram que Cristo viria
imediatamente, mas simplesmente, que Ele poderia vir a qualquer hora = volta iminente (2
Co 5:4; 1 Ts 4:15-17; Tg 5:9; 2 Pe 3:4, 8, 9).
E. “Impossibilidade científica de milagres”: Quando a existência do Deus Todo-
Poderoso é aceita, então não há problema em se aceitar a Sua intervenção sobrenatural (e
coerente Consigo mesmo): se, quando, como, e onde Ele o deseje.
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G. “Erros na citação e interpretação de si própria”: Às vezes, os escritores do Novo
Testamento simplesmente expressam suas idéias com palavras emprestadas de uma
passagem do Velho Testamento, sem a pretensão de interpretar a passagem (Rm 10:6-8, cf.
Dt 30:12-14). Às vezes, eles destacam um elemento típico em uma passagem que não tem
geralmente sido reconhecido como típico (Mt 2:14, cf. Os 11:1). Às vezes, dão crédito a uma
profecia mais recente, quando eles realmente estão citando uma forma mais antiga da
mesma (Mt 27:9, cf. Zc 11:13). Às vezes, eles combinam duas citações em uma só, e
atribuem o todo ao autor mais proeminente (Mc 1:2-3). Ademais, o Autor (o Espírito Santo)
de toda a Bíblia tem todo o direito de re-expressar-Se e re-explicar-Se conforme Seu desejo
soberano!!!
H. “Imoralidade dos homens”: É registrada; honestamente (!); mas nunca é
sancionada. Ex: a bebedeira de Noé (Gn 9:20-27), o incesto de Ló (Gn 19:30-38), a falsidade
de Jacó (Gn 27:19-24), o adultério de Davi (2 Sm 11:1-4), a poligamia de Salomão (1 Rs
11:1-3, cf. Dt 17:17), a severidade de Ester (Et 9:12-14), as negações de Pedro (Mt 26:69-
75).
IMPORTANTE! As aparentes sanções à imoralidade são sanções só a uma virtude
acompanhante. Exemplos:
• Divórcio (Dt 24:1 versus Mt 5:31-32 + 19:7-9), etc: foram tolerados/disciplinados
como um bem relativo, nunca recomendados como um bem absoluto.
• A matança dos cananeus (Dt 7:1-2; 20:16-18), os Salmos imprecatórios (35, 69,
109, 137), etc: mostram um Deus Soberano, Santo, e Justo, que pode usar
homens para executar Seus desígnios.
Strong diz que os salmos imprecatórios são “não a ebulição de ódio pessoal, mas a
expressão de indignação judiciosa contra os inimigos de Deus”, e que a destruição dos
cananitas “foi simplesmente cirurgia benevolente que amputou um membro pútrido, e assim
salvou a vida religiosa da nação hebraica e do mundo posterior”.
16.2. Teorias Antibíblicas Sobre a Inspiração
A. Teoria mecanista, ou do ditado = “Deus usou homens como meros amanuenses
(escreventes, copistas)”.
Esta teoria ignora diferenças de estilo entre os escritores; ignora que Deus não usou
robôs inanimados nem psicografistas (“pneumografistas”) talvez até inconscientes do que
escreviam, mas usou, sim, homens com personalidades distintas; e ignora que a Bíblia é
100% divina e 100% humana, respeitando a personalidade e estilo de cada escritor (2Pe
1:21).
Deus usou as personalidades e modos de expressão peculiares a cada escritor
(idiossincrasias): “somente” os protegeu do menor erro, desvio, omissão, e excesso.
Inspiração é basicamente esta proteção.
B. Teoria da inspiração natural = “a inspiração da Bíblia é só momentos de
superioridade do homem natural, como Beethoven na “Sinfonia Inacabada”. (2 Pe 1:20-21).
Assim, cometem o erro de pensar que: “o Salmo 23 não é mais inspirado que o grande
hino ‘Rude Cruz’; o Sermão do Monte não é mais inspirado que ‘Pecadores nas Mãos de um
Deus Irado’, de Jonathan Edwards; a História do Filho Pródigo não é mais inspirada que ‘O
Peregrino’, de John Bunyan, etc.”
C. Teoria da inspiração parcial, dinâmica = “A Bíblia só é inspirada no espiritual e
essencial, não na História, Ciência, etc. e no que achamos ‘secundário’.” (2 Tm 3:16; Jo
3:12).
O que é essencial? Aquilo que você gosta?! Isto é mero e puro subjetivismo; devaneios.
Como crer na inspiração maior (espiritual, invisível, eterno) se não cremos na inspiração
menor (material, tangível, histórico, efêmero)? (Jo 3:12).
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“A teoria dinâmica não explica, nem mesmo tenta explicar, como os escritores
poderiam estar possuídos de conhecimentos sobrenaturais ao registrarem uma
sentença e serem rebaixados a um nível muito inferior na seguinte. Ela não nos dá a
psicologia daquele estado de espírito que pode se pronunciar infalivelmente sobre
matérias de doutrina, enquanto que se desvia a respeito dos fatos mais simples da
história. Ela não tenta analisar a relação existente entre as mentes Divina e humana,
que produz tais resultados.” (Marcus Dods, em A Bíblia: Sua Origem e Natureza,
1912, pág. 122)
D. Teoria da inspiração só do pensamento principal, não das palavras em si (Sl 138:2;
Mt 5:18; 1 Co 2:13; 2 Tm 3:16). IMPORTANTE! é o que ocorre com as versões
modernas/deturpadas da Bíblia, tais como: NVI, Bíblia na Linguagem de Hoje, etc.
E. Teoria do “encontro místico” = “Aqueles que tiveram ‘encontros’ (experiências
emocionais) com Deus, escreveram a verdade sem a Sua proteção, muito misturada com
mitos e imaginações. Hoje, a Bíblia não é, mas apenas contém a Palavra de Deus, que eu
descubro quando, num ‘encontro’ (nirvana), percebo o que Deus tem por baixo dos ‘mitos
bíblicos’. Só então, ela se torna a Sua Palavra, para mim”. Isto é puro subjetivismo louco,
levando às mais disparatadas conclusões (2 Tm 3:16).
17 - A BÍBLIA É A CORPORIFICAÇÃO DA
REVELAÇÃO DE DEUS
A Bíblia é absolutamente genuína e confiável em tudo que podemos checar com fatos.
Portanto, como é natural até nas relações diplomáticas e comerciais, somos
justificados em aceitar o que ela diz de si mesma, declarando-se no V. T. (mais de 3800
vezes: Êx 14:1; Is 43:1; Ez 1:3) e no N. T. (1 Co 14:37; Gl 1:11-12; Hb 2:1-4; 2 Pe 3:2; 1 Jo
5:10; Ap 22:18-19) como a corporificação da revelação de Deus (2 Tm 3:16-17; 2 Pe 1:20-
21).
17.1. A Singular e Espantosa Indestrutibilidade da Bíblia
Mesmo sob a mais tenaz/variada, violenta/sutil perseguição já vista, a Bíblia nunca
foi destruída! Portanto ela tem que ser divina. (“Os malhos se amassam-despedaçam, mas a
bigorna permanece”).
Pink diz: “Quando pensamos no fato da Bíblia ter sido objeto especial de infindável
perseguição, a maravilha da sua sobrevivência se transforma em milagre... Por dois
mil anos, o ódio do homem pela Bíblia tem sido persistente, determinado, incansável e
assassino. Todo esforço possível tem sido feito para corroer a fé na inspiração e
autoridade da Bíblia, e inúmeras operações têm sido levadas a efeito para fazê-la
desaparecer. Decretos imperiais têm sido passados ordenando que todas as cópias
existentes da Bíblia fossem destruídas, e quando essa medida não conseguiu
exterminar e aniquilar a Palavra de Deus, ordens foram dadas para que qualquer
pessoa que fosse encontrada com uma cópia das Escrituras fosse morta. O próprio
fato de ter a Bíblia sido o alvo de tão incansável perseguição, nos faz ficar
maravilhados diante de tal fenômeno”. (Arthur W. Pink, The Divine Inspiration of the
Bible – págs. 113/114).
O ataque satânico contra a palavra de Deus remonta ao Jardim do Éden. A primeira
intervenção de Satanás na História foi adulterando e pondo dúvida na Palavra de Deus:
nascia a primeira Bíblia na Linguagem de Hoje! O primeiro pecado de Eva foi o de aceitar a
suposta palavra de Deus "modernizada" da boca do Diabo.
Séculos mais tarde, Satanás recorreu novamente às Escrituras para tentar o Mestre
Jesus em Mateus 4:1-11.
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Repare que quem fica a ganhar com esta controvérsia Bibliológica, é o pai da mentira
(Satanás); e não o povo de Deus.
Os imperadores romanos descobriram que os cristãos baseavam sua crença nas
Escrituras. Conseqüentemente, buscaram suprimi-las ou exterminá-las. O mais notável foi
Dioclécio (em 301-304 A.D.) que, através de um decreto real em 303 A.D., ordenou que
todos os exemplares da Bíblia fossem queimados. Ele havia matado tantos cristãos e
destruído tantas Bíblias que, quando os cristãos ficaram quietos por algum tempo e
permaneceram escondidos, ele achou que havia realmente conseguido eliminar as
Escrituras. Ele fez com que em uma medalha fosse gravada a seguinte inscrição: “A religião
cristã está destruída e o culto aos deuses restaurado”. Entretanto, não demorou muito para
que Constantino subisse ao trono e fizesse do Cristianismo a religião oficial. O que diria
Dioclécio se pudesse voltar à Terra e ver como a Bíblia tem prosseguido em sua missão
mundial?
Durante os dois séculos em que o Papado teve poder absoluto na Europa Ocidental
(1073-1294), os estudiosos passaram a colocar o credo acima da Bíblia. Enquanto que a
maioria deles ainda procurava o apoio das Escrituras para o credo, alguns deles se
apegavam às revelações posteriores, transmitidas apenas pela tradição, e não tão
dependentes nos ensinamentos da Bíblia. Fisher diz que durante este período: “a leitura da
Bíblia por parte dos leigos ficou sujeita a tantas restrições, especialmente após a ascensão
ao poder dos Valdenses, que, se não era absolutamente proibida, era vista com graves
suspeitas”. (George P. Fisher, História da Igreja Cristã, pg. 219).
Muitos meios foram usados para que a Bíblia ficasse restrita ao pequeno círculo dos
sacerdotes, padres, bispos e papas. Dentre as medidas para conter o avanço da Palavra de
Deus, estão as seguintes:
A. Em 1229, o Concílio de Toulouse (França), o mesmo que criou a diabólica
Inquisição, determinou: “Proibimos os leigos de possuírem o Velho e o Novo Testamento...
Proibimos ainda mais severamente que estes livros sejam possuídos no vernáculo popular.
As casas, os mais humildes lugares de esconderijo, e mesmo os retiros subterrâneos de
homens condenados por possuírem as Escrituras devem ser inteiramente destruídos. Tais
homens devem ser perseguidos e caçados nas florestas e cavernas, e qualquer que os
abrigar será severamente punido.” (Concil. Tolosanum, Papa Gregório IX, Anno Chr. 1229,
Canons 14:2). Foi este mesmo Concílio que decretou a Cruzada contra os albigenses. Em
Acts of Inquisition, Philip Van Limborch, History of the Inquisition, cap. 08, temos a
seguinte declaração conciliar: “Essa peste (a Bíblia) assumiu tal extensão, que algumas
pessoas indicaram sacerdotes por si próprias, e mesmo alguns evangélicos que distorcem e
destruíram a verdade do evangelho e fizeram um evangelho para seus próprios propósitos...
(elas sabem que) a pregação e explanação da Bíblia são absolutamente proibidas aos
membros leigos”.
B. No Concílio de Constança, em 1415, o santo Wycliffe, protestante, foi
postumamente condenado como “o pestilento canalha de abominável heresia, que inventou
uma nova tradução das Escrituras em sua língua materna”.
C. O Papa Pio IX, em sua encíclica “Quanta cura”, em 8 de dezembro de 1866, emitiu
uma lista de oito erros sob dez diferentes títulos. Sob o título IV ele diz: “Socialismo,
comunismo, sociedades clandestinas, sociedades bíblicas... pestes estas devem ser
destruídas através de todos os meios possíveis”.
D. Em 1546, Roma decretou: “a Tradição tem autoridade igual à da Bíblia”. Esse
dogma está em voga até hoje, até porque existe o dogma da “infalibilidade papal”. Ora, se os
dogmas, bulas, decretos papais e resoluções outras possuem autoridade igual à das
Sagradas Escrituras, os católicos não precisam buscar verdades na Palavra de Deus.
E. O Papa Júlio III, preocupado com os rumos que sua Igreja estava tomando, ou seja,
perdendo prestígio e poder diante do número cada vez maior de “irmãos separados” ou
“’cristãos novos” ou “protestantes” (apesar dos massacres), convocou três bispos, dos mais
sábios, e lhes confiou a missão de estudarem com cuidado o problema e apresentarem as
sugestões cabíveis. Ao final dos estudos, aqueles bispos apresentaram ao papa um
documento intitulado “DIREÇÕES CONCERNENTES AOS MÉTODOS ADEQUADOS A
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FORTIFICAR A IGREJA DE ROMA”. Tal documento está arquivado na Biblioteca Imperial de
Paris, fólio B, número 1088, vol. 2, págs 641 a 650. O trecho final desse ofício é o seguinte:
“Finalmente (de todos os conselhos que bem nos pareceu dar a Vossa Santidade,
deixamos para o fim o mais necessário), nisto Vossa Santidade deve pôr toda a atenção e
cuidado de permitir o menos que seja possível a leitura do Evangelho, especialmente na
língua vulgar, em todos os países sob vossa jurisdição. O pouco dele que se costuma ler na
Missa, deve ser o suficiente; mais do que isso não devia ser permitido a ninguém. Enquanto
os homens estiverem satisfeitos com esse pouco, os interesses de Vossa Santidade
prosperarão, mas quando eles desejarem mais, tais interesses declinarão. Em suma, aquele
livro (a Bíblia) mais do que qualquer outro tem levantado contra nós esses torvelinhos e
tempestades, dos quais meramente escapamos de ser totalmente destruídos. De fato, se
alguém o examinar cuidadosamente, logo descobrirá o desacordo, e verá que a nossa
doutrina é muitas vezes diferente da doutrina dele, e em outras até contrária a ele; o que se
o povo souber, não deixará de clamar contra nós, e seremos objetos de escárnio e ódio geral.
Portanto, é necessário tirar esse livro das vistas do povo, mas com grande cuidado, para não
provocar tumultos” (Assinam Bolonie, 20 Octobis 1553 - Vicentius De Durtantibus, Egidus
Falceta, Gerardus Busdragus).
Durante a época da Reforma, quando a Bíblia foi traduzida para a língua do povo, a
igreja Católica Romana impôs severas restrições à sua leitura, alegando que as pessoas
eram incapazes de interpretá-la. Tinha-se que obter permissão para lê-la, mas mesmo
quando essa permissão era dada, era com a condição de que o leitor não tentasse
interpretá-la por si só. Muitos deram suas vidas pela simples razão de serem seguidores de
Cristo e colocarem sua confiança nas Escrituras.
Newman diz: “Um esforço persistente foi feito pelos romanizantes para eliminar a
Bíblia inglesa. Em 1543, um decreto foi passado proibindo terminantemente o uso da versão
de Tyndale, e qualquer leitura das Escrituras em assembléias, sem a permissão real”. (A. H.
Newman, Um Manual da História da Igreja, pág. 262).
A princípio, foram feitas tentativas de proibir a impressão de sua Bíblia; e quando ele
finalmente publicou seu Novo Testamento em Worms, teve que despachá-lo para a
Inglaterra em engradados de mercadorias. Quando os livros chegaram à Inglaterra, foram
comprados em grandes quantidades pelas autoridades eclesiásticas e queimados em
Londres, Oxford e Antuérpia. Dos 18.000 exemplares que se estima terem sido impressos
entre 1525-1528, sabe-se que apenas dois fragmentos restaram.
Em 06/10/1536, o clero católico queimou vivo William Tyndale, por traduzir e
distribuir a Bíblia.
Todos esses maléficos expedientes usados para eliminar, alterar ou suprimir as
Sagradas Escrituras não conseguiram êxito. A Bíblia é o livro mais vendido e mais lido em
todo o mundo e está traduzido para quase 2.000 línguas e dialetos. Só no Brasil são
vendidos por ano mais de quatro milhões de bíblias, afora uns 150 milhões de livros com
pequenos trechos (bíblias incompletas).
O tempo não afeta a Bíblia. É o livro mais antigo do mundo e ao mesmo tempo o mais
moderno. Em mais de 20 séculos o homem não pôde melhorá-la. Se a Bíblia fosse de
origem humana em 20 séculos ela já estaria superada, ou seja, desatualizada.
Uma vez que o homem moderno se farta de tanto saber, era de se esperar que já
tivesse produzido uma Bíblia melhor! Para o salvo isto é uma evidência da Bíblia como
a Palavra imutável de Deus.
Os reflexos desses expedientes, ou seja, as tentativas de algemar a Palavra de Deus,
ainda hoje são sentidos. No Brasil são poucos os católicos que se dedicam à leitura da
Bíblia. Regra geral, se contentam “com o pouco que lhes é oferecido na missa”, e enquanto
se contentam com esse pouco (como sugeriram aqueles bispos ao papa, item 5 retro)
continuam errando. “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.” (Mateus
22.29).
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Com o passar dos séculos, o ataque satânico ficou mais bem elaborado, usando
supostos crentes e sociedades Bíblicas. Nasciam as "versões", com textos manipulados e
com técnicas de tradução traidoras do texto original como é o caso da equivalência
dinâmica. Veremos porque a versão King James, conhecida como a “Versão do Rei Tiago” (e
sua equivalente no português – A Almeida Corrigida e Revisada FIEL, da Sociedade Bíblica
Trinitariana do Brasil) é muitíssimo superior às versões modernas, as quais devem ser
rejeitadas pelos crentes sérios.
A mais recente tentativa de roubar a autoridade da Bíblia é o esforço modernista para
degradá-la até o nível de todos os outros antigos livros religiosos. Se a Bíblia tem que estar
em circulação, então tem que ser demonstrado que ela não tem autoridade sobrenatural. Os
crentes verdadeiros, entretanto, reconhecem logo este estratagema de Satanás, e apesar de
tudo que é feito para enfraquecer as Escrituras, a Bíblia é hoje encontrada em mais de 1000
línguas no mundo. O fator da indestrutibilidade da Bíblia pesa fortemente em favor de ser
ela a incorporação de uma revelação divina.
“Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar,
e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dEle.” (Ec 3:14).
No tempo de Esdras, parecia que as Escrituras tinham sido destruídas, mas logo se
acharam 2 cópias, preservadas por Deus, e logo havia incontáveis Bíblias! (2 Cr 34:18-21 e
Ne 8).
Na grandiosa tumba de Dioclécio funciona uma igreja já faz mais de 1000 anos.
É interessante notar que Voltaire (que morreu em 1778), o famoso infiel francês
apregoava: “Deus morreu” e predisse que em 100 anos, a partir de sua época, o
Cristianismo estaria extinto. Mas, em vez disso, apenas 25 anos após sua morte, na
sua casa funciona uma grande impressora de Bíblias, a Sociedade Bíblica Inglesa e
Estrangeira, e as mesmas impressoras que haviam imprimido a literatura infiel de
Voltaire tem sido usadas, desde então, para imprimir a Bíblia!
Como se pode ver, nem decreto imperial, nem restrições papais, nem destruição
eclesiástica, conseguiram exterminar a Bíblia. Quanto maiores os esforços feitos para
levar a cabo tal destruição, maior tem sido a circulação da Bíblia.
17.2. O Caráter Transcendente da Bíblia
A. O padrão moral da Bíblia é tão inatingível e condenador, que não pode ser, senão
Divino (Êx 20; Lv 20:7; Mt 5:21-22, 27-28 [ou 20-48]; Tg 2:10). Contrastando com outros
“livros sagrados” (os deuses grego-romanos, os dos egípcios, cananeus, tupis-guaranis, etc.).
B. A unidade singular e perfeita da Bíblia prova: seu autor é Deus. Embora escrita por
uns 40 homens, de umas 19 ocupações diferentes, em 11 países, durante pelo menos 1600
anos, em uns 10 gêneros literários diferentes, escritores não conhecendo muitos ou todos os
outros, a Bíblia é clara e espantosamente UM Livro! Que contraste com os “outros livros
sagrados”, que essencialmente são coleções de material heterogêneo, sem começo, meio ou
fim, inúmeras vezes discordantes!
IMPORTANTE!
1. O sentido de cada palavra ou conceito é sempre o da sua primeira menção (“amor”
Gn 22:2 + Jo 3:16); Os “tipos” ou “sombras” do V. T. encaixam-se perfeitamente
com o “Corpo” no N. T. (serpente de bronze Nm 21:6 + Jo 3:14-15, Cordeiro
pascal).
2. O primeiro e o último livro da Bíblia encaixam-se perfeitamente! Vejamos:
GÊNESIS APOCALIPSE
1:1 - céu e Terra, temporários 21:1- novo céu e nova Terra, eternos
1:27-28 - primeiro Adão (com esposa, no 21:9 - último Adão (com a noiva, na cidade de
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jardim do Éden), reina sobre a Terra Deus), reina sobre o universo
1:10 – mares 21:1 - “e o mar não mais existe”
1:5, 16 - sol e lua, dia e noite 21:23 - nenhum sol, lua, nem noite; o Cordeiro é o
Eterno sol, luz, dia!
3:22 - a árvore da vida é negada aos
caídos
22:2 - folhas da árvore da vida darão saúde e cura
às nações
3:17 - “maldita é a terra” 22:3 - não existirá mais maldição
3:1 - aparece Satanás, para atormentar o
homem, temporariamente
20:10 - desaparece Satanás, para ser atormentado
ele mesmo, para sempre.
7:12 - a antiga Terra foi punida pelo
dilúvio
21:1 (+2Pe 3:6-12) - a nova Terra será purificada
pelo fogo
2:10 - lar à beira de rio 22:1 - lar eterno à beira de rio
19 - Deus retira cidade terrestre, Sodoma,
do solo
21:1 - Deus traz cidade celestial, a Nova Jerusalém,
dos céus
23:2 - Abraão chora por esposa, morta 21:4 - Deus enxugará todas as lágrimas da noiva (=
cada salvo, eternamente vivo)
50:1-3 - Gênesis termina com um crente,
morto, jazendo no Egito, num caixão
21:4 – o Apocalipse termina com todos crentes,
vivos, de pé na eternidade, reinando para sempre.
C. A precisão histórica da Bíblia é única e perfeita! No final do século XIX, alguns
pseudo-cientistas (1 Tm 6:20) ridicularizaram a Bíblia, afirmando que continha “centenas de
disparates históricos”. Mas, com o extraordinário avanço da Arqueologia, os zombadores
têm sido sufocados por cada pá dos escavadores.
Tem sido comprovado, por exemplo: A universalidade da crença num dilúvio universal
(Épico de Gilgamesh; nativos da Nova Guiné, etc.); a existência e súbita destruição
(2000 a.C.) das populosas Sodoma e Gomorra (sob o Mar Morto?); os tijolos sem palha
e a morte dos primogênitos, no Egito; os muros de Jericó caídos para fora(!); um
arrependimento e conversão para monoteísmo em Nínive; a existência de Dario; a
seqüência dos reis das nações citadas; etc.
18 - A BÍBLIA E A CIÊNCIA
1. A Bíblia sempre declarou que a Terra é um esferóide (Is 40:22) suspenso no vazio (Jó
26:7).
2. A primeira Lei da Termodinâmica (Hb 4:3,10): “No universo, nada se cria, nada se
perde, tudo se transforma”.
3. A Segunda Lei da Termodinâmica (Sl 102:26): “Em tudo há aumento da entropia, da
degradação, do caos, da morte do universo”; serão abolidas (Ap 21:1-5).
4. A Bíblia também sempre declarou que vida só vem de vida, e do mesmo tipo Gn 1:21,
contrariando a farsa da Teoria da Evolução! (1 Tm 6:20; Cl 2:2-3).

INTEGRIDADE TOPOGRÁFICA E GEOGRÁFICA
As descobertas arqueológicas provam que os povos, os lugares e os eventos
mencionados nas Escrituras são encontrados justamente onde as Escrituras os
mencionam, no local exato, e sob as circunstâncias geográficas exatas, descritas na
Bíblia.
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O Dr. Kyle diz que os viajantes não precisam de outro guia além da Bíblia quando
descem pela costa do mar vermelho, ao longo seguido no Êxodo, onde a topografia
corresponde exatamente à que é dada no relato bíblico.
IMPORTANTE!
O objetivo de Deus na Bíblia não foi o de nos dar um livro texto científico perfeito e
completo, abrangendo Física, Astronomia, Biologia, etc. Mas, sempre que o Criador fala da
Sua criação, o faz de modo infalível e perfeito.
Se Deus não pudesse ser infalível no campo científico, como o seria no campo
espiritual? Alguns exemplos:
Texto na Bíblia Fato científico
implicado pela Bíblia
Ciência do homem
Is 40:22 A Terra é esférica 540 a.C.: um grego conjeturou; foi rejeitado.
15?? Magalhães demonstrou.
Jó 26:7 A Terra paira no espaço 1687: Newton explicou como a gravidade do sol
era equilibrada pela força centrífuga da rotação
da terra.
Gn 15:15; Jr
33:22; Hb 11:12
As estrelas são
incontáveis
150 d.C.: Ptolomeu errou: “há exatamente 1056
estrelas”. Outros erraram, mas cada vez chegam
mais perto de reconhecer o que Deus disse.
2Sm 22:16; Jn
2:6
Há montanhas e canyons
no leito do mar
1880: A Oceanografia surgiu, chumbadas
descobriram as montanhas no leito do mar.
Gn 7:11; 8:2;
Pv 8:28
Há fontes d’água no leito
do mar
1948: Batiscafos (sondas) descobriram
Sl 8:8 Há correntes, caminhos
no mar
186?: Matthew Fontaine Maury, ministro da
Marinha americana, movido pela Bíblia, descobre
correntes, premiando quem achasse garrafas
semeadas por navios.
Jó 26:8; 36:27-
28; 37:16;
38:25-27; Sl
135:7; Ec 1:6-7
A água segue “ciclo
hidrológico” (mar >
nuvem > chuva > rio >
mar)
17??: Cientistas entenderam
Gn 1:21; 6:19 Vida só vem de vida. E da
mesma espécie
1862: Pasteur mostrou que moscas não se
“geravam espontaneamente”: vida só vem de vida.
1865: Mendel provou: vida só vem da mesma
espécie.
Lv 17:11 A vida da carne está no
sangue
18??: Abandonou-se o conceito de que “sangue
excessivo é a raiz de todas as doenças”, prática
que matou milhões de pessoas, com as sangrias
(por exemplo, George Washington).
Gn 2:1-3; Sl
33:6-9; 102:25;
Hb 4:3,10
“No universo, nada se
cria, nada se perde. Tudo
apenas se transforma”
177?: Lavoisier formula a 1ª Lei da
Termodinâmica, uma das duas leis mais
universais da ciência.
Sl 102:26; Rm
8:18-23; Hb
1:10-12
“Em tudo há aumento da
entropia, da degradação,
do caos, da morte do
universo”
18??: É formulada a 2ª Lei da Termodinâmica,
uma das duas leis mais universais da ciência.



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Is 65:17; 66:22;
2Pe 3:13; Ap
21:1-5
A 2ª Lei da
Termodinâmica, a
tendência à degradação,
não existirá na nova
criação, que, assim, será
perfeita, eterna e perfeita.
Só assim o universo permanecerá eternamente
Lv 13, 14 Há contágios. A
prevenção é feita com a
total quarentena (doenças
passageiras) e isolamento
(doenças como a lepra)
- No tempo de Moisés, o Papiro Ebers (“o máximo
da ciência”) receitava: sangue de lagarto, dente de
porco, carne e banha podres, cera de ouvido de
porco, excrementos humanos, etc. Só houve
vitória contra a lepra, etc., obedecendo-se à
Bíblia.
Dt 23:12-13 Isolar e dar rapidíssimo
sumiço aos excrementos
Até 1790: todos excrementos eram lançados e
ficavam nas ruas, mesmo nas capitais e côrtes!
Lv 7:22-27 Evitar certas carnes e
misturas
1960: descoberto que causam colesterol, etc.
Lv 15:7, etc. Purificação (meticulosa!)
pela água
Até 1900: até cirurgiões eram sujos, não
praticavam nem ensinavam higiene; 17% das
grávidas que entravam no melhor hospital do
mundo (em Viena) morriam de infecção! Ainda
hoje, purificação salva mais que todos os
remédios juntos.
Gn 17:12 Circuncisão ao 8º dia.
IMPORTANTE! as judias
são as mulheres com o
menor índice de câncer
uterino.
1946: descobriu-se que circuncisão controla
câncer cervical. Depois, que, até o 5º dia de vida,
a criança não produz vitamina K, e a circuncisão
traria perigosa hemorragia. Do 7º dia em diante a
produção de vitamina K normaliza-se. No 8º dia,
o nível de protombina alcança o máximo de toda
a vida. O dia ideal.
18.1. Contraste com os Disparates da Falsa Ciência
1. A Biblioteca do Louvre tem 7 km de livros científicos obsoletos! 99,99% de todos
os livros científicos com mais de 50 anos estão estufados de erros, hoje
unanimemente reconhecidos.
2. Em 1861, a Academia Francesa de Ciência listou 51 “fatos científicos indiscutíveis
que fazem a Bíblia inaceitável”. Hoje, esses 51 “fatos” é que são ridicularizados
pela própria ciência!
A. Contraste com os inúmeros disparates científicos presentes em todos os outros
livros ditos sagrados:
1. O Livro dos Vedas (4 textos em sânscrito, que são as escrituras sagradas do
Hinduísmo) ensina: a Lua está 50000 léguas mais alta que o Sol, e brilha por sua
própria luz; a Terra é chata, triangular, e composta de 7 camadas: a 1ª de mel, a
2ª de açúcar, a 3ª de manteiga, a 4ª de vinho, etc., tudo sobre as cabeças de
incontáveis elefantes, os quais, ao tropeçarem, provocam terremotos!
2. Livro dos Egípcios: um gigantesco ovo foi chocado; mas, tendo asas, fugiu, e depois
se dividiu, redividiu-se, etc., formando o universo. O sol é um mero reflexo da luz
da Terra. Os homens surgiram de vermezinhos brancos que pululam no lodo
deixado pela inundação do Nilo.
19 - A BÍBLIA E AS PROFECIAS
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A Bíblia é singular, tem muitas centenas de profecias detalhadas e “impossíveis” (aos
olhos humanos); mas, todas as que deviam ser cumpridas o foram literalmente (Dt 18:20-
22; Is 41:22-23; 42:8-9; 44:6-8; 46:9-10; 2 Pe 1:19).
A. Profecias sobre centenas de nações: Exemplos: Tiro destruída (Ez 26:4-5, 14), mas
Egito só humilhada, rebaixada (Ez 29:15); tão minuciosas são as correspondências de Dn 11
(534 a.C.) com a História, que anti-supernaturalistas, sem prova nenhuma, o picham como
mera História, escrita após 168 a.C., relatando fatos que já teriam ocorrido “no passado”
!!!...
A PROFECIA DE EZEQUIEL ACERCA DE TIRO
Ezequiel profetizou durante o período de 592-570 a.C. Além de outras nações e
cidades, ele profetizou contra Tiro, uma cidade costeira da Fenícia. Ezequiel predisse
que: a) Muitas nações subiriam contra Tiro (Ezequiel 26:3); b) Os muros de Tiro
seriam derrubados e a cidade completamente varrida (26:4); c) O local da cidade se
tornaria um lugar para os pescadores estenderem suas redes (26:5,14); d) Os
escombros de Tiro seriam atirados ao mar (26:12); e) Tiro jamais seria reconstruída
(26:14)
O cumprimento destas profecias é surpreendente! Ezequiel identificou
Nabucodonosor, rei da Babilônia, como aquele que atacaria a cidade de Tiro e a
destruiria (26:7). Nabucodonosor assediou esta cidade na praia do Mar Mediterrâneo
de 585 a 572 a.C. e quando, finalmente, rompeu as portas da cidade, ele descobriu
que o seu povo, na maior parte, tinha evacuado a cidade por navio e fortificado outra
cidade numa ilha a cerca de um quilômetro da costa. Nabucodonosor destruiu a
cidade da terra firme (572 a.C.), mas foi incapaz de destruir a cidade da ilha. Estes
acontecimentos não são, talvez, muito admiráveis porque aconteceram não muitos
anos depois das profecias de Ezequiel. Contudo, a história de Tiro não tinha
terminado.
O império medo-persa substituiu o dos babilônios e, por sua vez, o general grego
Alexandre, o Magno, capturou o território dos persas. Depois de vencer Dario III na
Ásia Menor, Alexandre se mudou para o Egito e conclamou as cidades fenícias a
abrirem suas portas (332 a.C.). A cidade na ilhota de Tiro se recusou e, por isso,
Alexandre a assediou e começou a construir uma ponte flutuante com 60 metros de
largura, desde a praia até a ilha. Ele usou os escombros (26:12) da velha cidade de
Tiro, limpando completamente o terreno, para fazer uma "estrada" até a cidade na
ilha. Depois de um cerco de sete meses, ele tomou a cidade. Sua fúria contra os tírios
foi grande; ele matou 8.000 dos habitantes e vendeu outros 30.000 para a escravidão.
Muitas cidades antigas, que foram destruídas de tempos em tempos, foram
reconstruídas, mas nenhuma cidade jamais foi reconstruída no antigo local de Tiro. O
terreno, até mesmo hoje, é usado por pescadores para estender suas redes para
limpar, remendar e secar. (26:5, 14).
Como teria sido possível a Ezequiel saber o que Alexandre, o Magno, faria para
capturar a cidade de Tiro 250 anos mais tarde? Nenhum homem poderia ter previsto
com tal pormenor o futuro incomum de Tiro; profecias como estas são claramente a
obra de Deus.
O estatístico Peter Stoner, usando o princípio da probabilidade, dedica a esta profecia
um em setenta e cinco milhões a possibilidade de cumprimento. A moderna cidade de
Sur está situada perto da antiga cidade de Tiro, mas a própria Tiro de fato nunca foi
reconstruída.
B. Profecias sobre o milagre da indestrutibilidade de Israel: todas as outras nações
espalhadas desapareceram! (Gn 12:1-3; 15:5 versus Jr 30:11; Dt 7:6-8; Lv 26:44; Nm 24:9b;
Is 11:11-12; 41:14; Jr 31:35-37; 46:28; Ez 37:21; Zc 2:8b; Mt 24:34; Rm 11:1-5; 25-32).
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C. Profecias sobre a História de Israel: Israel teve profetizada sua dispersão (Lv 26:33;
Dt 28:15, 64-65; Jr 15:4; 16:13; 24:9; Os 3:4; 9:17). Primeiro seria dispersa só a parte de
Israel (1 Rs 14:15; Is 7:6-8; Os 1:6-8). Depois, Judá seria dispersa (Is 39:6; Jr 25:9-12). 70
(Setenta) anos depois, Judá seria parcialmente restaurada (Mq 1:6-9 versus Jr 29:10-14).
Até o nome de Ciro, o rei Persa que restauraria Judá, foi previsto com 120 anos de
antecedência (Is 44:28-45:1). Isaías predisse que Jerusalém e o templo seriam reconstruídos
por ordem de Ciro, o persa, que permitiria aos israelitas regressarem do cativeiro (44:28 -
45:13). Quando Isaías fez estas profecias, em cerca do ano 700 a.C., a cidade de Jerusalém
e o templo ainda estavam em pé, o reino do sul de Judá ainda não tinha sido levado em
cativeiro, e os assírios eram a potência mundial. Ciro não libertaria os cativos de Judá antes
do ano 536 a.C., 160 anos mais tarde e, entretanto, Isaías o chamou pelo nome! O Estado
de Israel foi fundado em 15 de Maio de 1948 (Is 60:9-10; 61:6; Jr 23:3; 30:3; 31:36; Ez
11:17; 36:19-27; 37).
D. Profecias sobre a seqüência dos impérios mundiais (Dn 7);
E. 332 profecias sobre a 1ª vinda de Jesus Cristo. TODAS (mais de 90 explícitas)
literalmente cumpridas: montado num jumento (Zc 9:9-10), entrada em Jerusalém em “6 de
Abril de 32” (Dn 9:24-26 + calendário). espantosos detalhes da crucificação (Sl 22:14-18);
ossos (Sl 34:20); fel (Sl 69:21); transpassado (Is 53:4-6; Zc 12:10); ressurreição (Sl 16:10;
30:3, 9; 40:1-2; Is 53:1; Os 6:2). [vide outras profecias sobre Jesus Cristo no quadro da
página 28 desta apostila]. Por exemplo: Em cerca de 538 a.C., Daniel, o profeta, predisse
(Dn 9:24-27) que Jesus viria como o Salvador e Príncipe prometido para Israel exatamente
483 anos depois que o imperador persa (Artaxerxes) desse aos judeus permissão para
reconstruir a cidade de Jerusalém que estava em ruínas nesta época. Essa profecia foi clara
e definitivamente cumprida no tempo exato;
F. Profecias sobre os últimos dias (do domínio dos gentios sobre o local do templo Lc
21:24): Uniformitarianismo evolucionista (2 Pe 3:3-4). Multiplicação das viagens e ciência
(Dn 12:4); disparidade e tensão sócio-econômica (Tg 5:1-6); degradação moral (Lc 17:26-37;
2 Tm 3:1-7); apostasia religiosa (2 Pe 2:1; 3:3-4; 2 Tm 3:7; 4:4); demonismo (Mt 24:24; 1 Tm
4:1). Cataclismas e tribulações (Mt 24:3-8). Confederação de dez dedos-nações revivendo o
Império Romano [a Comunidade Econômica Européia] (Dn 7:19-24); russos e árabes
juntando-se contra Israel (Ez 28:1-6); enorme exército oriental, contra Israel (Ap 16:12).
Profecias para a igreja (Jo 14:1-3).
IMPORTANTE! As profecias de Daniel capítulo 11 são tão exatas, em detalhes, que os
céticos querem datar o livro de Daniel como se tivesse sido escrito após os eventos,
como mero relato histórico de algo passado e não uma predição de eventos. O livro de
Daniel foi escrito entre 607-534 a.C., e os críticos procuram datá-lo em 168-165 a.C.

PROBABILIDADE DE CUMPRIMENTO DAS PROFECIAS
A probabilidade composta de apenas as profecias do primeiro advento (nascimento de
Jesus Cristo) terem se cumprido por acaso é muitíssimo menor que 1/10300,
comparável a um macaco, brincando, por acaso acertar na primeira tentativa o
número telefônico do presidente de cada país no mundo.
A probabilidade de Mq 5:2 ter acertado o local do nascimento de Jesus Cristo por
acaso é de (1/12 tribos) x (1/200 cidades em Judá) = 1/2.400; tomemo-la apenas
como 1/2.000. A probabilidade de Dn 9:24-26 ter acertado a data de entrada de Cristo
em Jerusalém por acaso é de 1/(2.500 anos x 365 dias) = 1/900.000. A probabilidade
composta desses 2 eventos é de (1/2.000) x (1/900.000) = (1/1.800.000.000).
3268 profecias do A.T. já foram cumpridas cabalmente. Isto equivale a 10-984.
20 - A BÍBLIA É AUTÊNTICA
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Cada livro foi escrito pela pessoa e na época que lhe são tradicionalmente atribuídos,
não foi falsificado, não é espúrio, forjado, corrompido.
A Tradição firme entre os fiéis e conservadores judeus e os crentes é indisputável
quanto à genuinidade e autores da Bíblia, conforme abaixo indicados. Só há variação
quanto a alguns pouquíssimos anos da data exata de alguns dos livros.
20.1. O Pentateuco
A Lei (Pentateuco, Torah) foi escrita por Moisés (século XV a.C.).
1. Gênesis (1491 a.C.), Êxodo (1491 a.C.), Levíticos (1490 a.C.), Números (1451 a.C.),
e Deuteronômio (1451 a.C.) foram escritos por Moisés.
Já na época de Hammurabi se escrevia. Moisés pode ter recebido todo o livro de
Gênesis por revelação direta de Deus ou ter compilado os tabletes escritos diretamente por
Deus (a partir de Gn 1:1), e aqueles, divinamente inspirados, escritos por Adão (a partir de
Gn 2:4), Noé (de Gn 5:1); Sem (Gn 10:1); Abraão (Gn 11:10); Isaque (Gn 25:12); Jacó (Gn
37:2); e José (Gn 50:6). Seguem algumas provas da autoria do Pentateuco por Moisés:
1. No Pentateuco: Êx 17:14 + 24:4; 34:27-28.
2. No V. T.: Js 8:31; 23:6; 1 Rs 2:3; 2 Rs 14:6; Ne 13:1; Dn 9:11.
3. Por Cristo: Mt 8:4; Lc 16:29; 24:27; Jo 5:45-47.
4. No N.T.: At 15:21; 1 Co 9:9; Hb 9:19.
5. O autor, obviamente, foi testemunha ocular do Êxodo, pois costumes e palavras
são do Egito (2000 a.C.).

SEM – A DESCENDÊNCIA ABENÇOADA DE NOÉ
Noé tinha três filhos: Sem, Cão e Jafé, que depois de deixarem a arca, foram para
diferentes regiões. Sem permaneceu na Ásia, Cão foi para a África e Jafé para a
Europa.
De Sem nasceu um povo que continuou explorando as terras imediatas ao berço da
civilização. Desse povo é que descende o grande amigo de Deus – Abraão, “o pai dos
hebreus”.
Sem foi o intermdiário: nasceu 120 anos antes do dilúvio, conheceu a Noé, seu pai, a
Lameque, seu avô (que conviveu com Adão 50 anos) e a Matusalém, seu bisavô (que
conviveu com Adão por 250 anos).
Noé viveu até ao tempo de Abraão e Sem chegou a alcançar o tempo de Jacó. Esses
fatos demonstram a maneira pela qual os conhecimentos históricos do princípio da
raça foram comunicados às gerações posteriores.
20.2. Os Profetas
Josué 1427 a.C. Josué. Js 24:26. Eleazar ou seu filho Finéias podem,
inspirados, ter concluído 24:29-33.
Juízes 1080! a.C., tempo
de Saul
Samuel. Jz 19:1; 21:25 / 1:21; 2 Sm 5:6-8.
1 Samuel 1-
24
1060 a.C. Samuel. 1 Cr 29:29
1 Samuel 25, 1018 a.C. Natan + Gad. 1 Cr 29:29
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2 Samuel
1 Rei 1-11 1004 (ou, num
sentido menos
conservador,
Jeremias, 590) a.C.
Cronistas (ou, num sentido menos conservador, Jeremias
ou seu contemporâneo), selecionados por Jeremias ou seu
contemporâneo.
1 Reis 12-25 897 (ou, num
sentido menos
conservador,
Jeremias, 590) a.C.
Cronistas (ou, num sentido menos conservador, Jeremias
ou seu contemporâneo), selecionados por Jeremias ou seu
contemporâneo.
2 Reis 1004 (ou, menos
conservador,
Jeremias, 590) a.C.
Cronistas (ou, num sentido menos conservador, Jeremias
ou seu contemporâneo), selecionados por Jeremias ou seu
contemporâneo.
Isaías 698 a.C. Isaías. 2 Cr 32:32 // 2 Cr 26:22 // Is 1:1 // Mt 8:17 + Is
53:4; Lc 4:17-19 + Is 61:1; Jo 12:38-41 + Is 53:1 + 6:10.
Cristo atestou a genuinidade do livro de Isaías.
Jeremias 588 a.C. Jeremias. Jr 30:2; 51:60; Baruque foi seu amanuense Jr
36 + 45:1.
Ezequiel 574 a.C. Ezequiel. 24:2; 43:11
Habacuque 626 a.C. Habacuque. 2:2
Oséias 740 a.C. Oséias
Joel 800 a.C. Joel
Amós 787 a.C. Amós
Obadias 587 a.C. Obadias
Jonas 862 a.C. Jonas
Miquéias 750 a.C. Miquéias
Naum 713 a.C. Naum
Sofonias 630 a.C. Sofonias
Ageu 520 a.C. Ageu
Zacarias 520 a.C. Zacarias
Malaquias 397 a.C. Malaquias
20.3. Os Escritos
Salmos diversas datas, de
± 1491 a ± 480 a.C.
73 Salmos por Davi (2 Cr 35:4); 2 por Salomão, 12 por
Asafe; 11 pelos filhos de Coré; 1 por Etan; 1 por Moisés;
50 anônimos. Asafe e Coré eram de famílias levitas,
dedicadas ao louvor!!!
Provérbios 1-
29
1000 a.C. Salomão: Pv 1-24 ele escreveu e publicou; Pv 25 a 29
foram copiados dos seus escritos, pelos servos de
Ezequias, ± 700 a.C.; Pv 30 foi escrito por Agur, mas
Salomão, inspirado, o selecionou como inspirado, e o
publicou; Pv 31 foi escrito por “Rei Lemuel” , mas
Salomão, inspirado, também o selecionou como inspirado
e publicou; ou, mais provável porque não há registro deste
“Rei Lemuel”, provavelmente ele é Salomão. Lemuel (=
“Dedicado a Deus”) seria carinhoso “apelido” usado só
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pela mãe ao lhe falar, e perdido com o tempo.
Jó 400 anos antes do
Pentateuco. Antes
da Lei.
Provavelmente em
+- 2000 a.C.!
Jó. Não se refere à Lei, nem sequer a Abraão e à aliança
abraâmica, deve ser o livro mais antigo da Bíblia, pode ser
mais antigo que os mais antigos hieróglifos! Algo da
sabedoria do mundo pré-diluviano pode ter sido
transmitida a Jó.
Cantares 1013 a.C. Salomão. Ct 1:1.
Rute 1060 a.C.
Contemp. de Davi.
Rt 4:22
Samuel.
Lamentações 588 a.C. Jeremias.
Eclesiastes 975 a.C. Salomão (Ec 1:1, 16; 2:4-11), não obstante alguns
pequenos problemas lingüísticos.
Ester 509 a.C. Mordecai. Mas (ao menos cap. 10) pode ter sido escrito por
judeu seu contemporâneo e com acesso às crônicas dos
reis da Média e da Pérsia Et 2:23; 9:20; 10:2-4.
Daniel 607 - 534 a.C. Daniel. 7:2; 8:1,15; 9:2; 10:2; 12:4; Mt 24:15.
Esdras 457 a.C. Esdras. 7:28 + 7:1
Neemias 434 a.C. Neemias. 1:1.
1 Crônicas Até 1015 (ou,
menos
conservador, antes
de Esdras 450-425
a.C.)


Cronistas (ou, num sentido menos conservador, Esdras),
selecionados por Esdras. 1, 2 Rs lidam com os aspectos
proféticos da história, 1,2 Cr com os sacerdotais.
2 Crônicas 1-
9
1004 (ou, menos
conservador, antes
de Esdras 450-425
a.C.)
Cronistas (ou, num sentido menos conservador, Esdras),
selecionados por Esdras. 1, 2 Rs lidam com os aspectos
proféticos da história, 1,2 Cr com os sacerdotais.
2 Crônicas
10-36
623 a.C.
20.4. O Novo Testamento
Mateus 38 (ou, pouco
conservador:
50)
Mateus, em Grego, na Judéia (ou, num sentido pouco
conservador, fora da Judéia, após deixar a região, hoje
conhecida como Palestina, para pregar aos gregos, e
após escrever este evangelho em Aramaico, em 45 d.C.)
Marcos 65 ou (67 a 68),
de Roma
João Marcos.
Lucas 58 (ou 63), da
Grécia
Lucas, o médico amado
João 85-90, da Ásia
Menor
João 21:24. Alguns, inconformados com a ênfase na
divindade de Cristo, afirmam que é espúrio e escrito
após 160 ou 200 d.C. A descoberta do Papiro 52, com
fragmento do capítulo 18 e datado no máximo de 120
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d.C., destrói a teoria.
Atos 64, da Grécia Lucas.
Romanos 58, de Corinto Paulo. As pequenas mudanças de estilo nas epístolas
pastorais são esperáveis!...
1 Coríntios 56, de Éfeso Idem. Idem.
2 Coríntios 57, da
Macedônia
Idem. Idem.
Gálatas 52, de Corinto
ou Macedônia
Idem. Idem.
Efésios 61, de Roma Idem. Idem.
Filipenses 62, de Roma Idem. Idem.
Colossenses 62, de Roma Idem. Idem.
1 Tessalonicenses 52, de Corinto Idem. Idem.
2 Tessalonicenses 52, de Corinto Idem. Idem.
1 Timóteo 64, da
Macedônia
Idem. Idem.
2 Timóteo 65, de Roma Idem. Idem.
Tito 64, da
Macedônia ou
Grécia
Idem
Filipenses 62, de Roma Idem. Idem.
Hebreus 63, de Roma. Anônimo. O mais provável é Paulo (Hb 13:23; 2 Pe 3:15);
apoio da mais antiga e respeitável tradição.
Tiago 49, de
Jerusalém
Tiago. Um dos pelo menos 7 filhos de Maria, irmão de
Jesus. É a mais antiga das epístolas!
1 Pedro 64, de Roma Pedro. Silvanus pode ter ajudado no estilo de 1 Pe (ler
5:12), daí as pequenas diferenças quanto 2 Pe.
2 Pedro 65, de Roma Pedro. Idem.
Judas 66, local ind. Judas. Um dos pelo menos 7 filhos de Maria, irmão de
Jesus.
1 João 69, da Judéia João. Pequenas diferenças de estilo são esperáveis, ou
semelhantes às de Pedro.
2 João 69, de Éfeso João. Pequenas diferenças de estilo são esperáveis, ou
semelhantes às de Pedro.
3 João 69, de Éfeso João. Pequenas diferenças de estilo são esperáveis, ou
semelhantes às de Pedro.
Apocalipse 96, de Patmos João. Pequenas diferenças de estilo são esperáveis, ou
semelhantes às de Pedro.
IMPORTANTE! Note que o Evangelho segundo Mateus foi escrito por Mateus em grego.
Alguns, inconformados com a ênfase na divindade de Jesus Cristo, afirmam que o
Evangelho segundo João é espúrio e escrito após 200 d.C., mas não têm sequer uma prova,
só maus desejos (O Papiro 52, datado de 120, com trechos de João 18, esmigalha seus
desejos. O livro de Hebreus foi escrito em 63, anonimamente (Por Paulo, cremos!). A epístola
1 Pedro pode ter recebido o auxílio gramatical de Silvanus; pequenas diferenças no estilo
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das epístolas de Pedro são esperáveis pelos tempos (ou, pode ter havido o auxílio de
“amanuenses-dialogadores” diferentes).
“Em caso de dúvida, deve-se favorecer o próprio documento, e não a posição
questionadora do crítico” (Aristóteles).
20.5. A Bíblia é Verídica; Confiável
Um livro é confiável se relata veridicamente tudo aquilo de que trata.

O Antigo Testamento é Confiável
A. Os fatos da História, da Arqueologia, da Geografia e Topografia, sempre concordam
assombrosamente com a Bíblia! Todas as teorias desdenhadoras da Bíblia têm sido
destruídas pelos fatos.
Sabe-se que Salmanezer IV sitiou a cidade de Samaria, mas “o rei da Assíria”, que
sabemos ter sido Sargom II, carregou o povo para a Assíria (II Reis 17:3-6). A história
mostra que ele reinou de 722-705 a.C. Ele é mencionado pelo nome apenas uma vez
na Bíblia (Is 20:1). Nem Belsazar (Dn 5), nem Dario, o Medo (Dn 6), são mais
considerados como personagens fictícios.
Os hieróglifos egípcios indicam que a escrita já era conhecida mais de mil anos antes
de Abraão. A arqueologia também confirma o fato de Israel ter vivido no Egito, que o
povo foi escravo naquela terra e que ele finalmente saiu daquele país. O pesquisador
John Garstang, dá a data do êxodo como 1447 a.C. Os Hititas ou heteus, cuja
existência era posta em dúvida até recentemente, foram mostrados como tendo sido
um povo poderoso na Ásia Menor e na (região, hoje conhecida como) Palestina, na
mesma época indicada na Bíblia, pela descoberta de uma biblioteca hitita na Turquia.
Descobertas arqueológicas também confirmam a veracidade do Novo Testamento.
Quirino (Lucas 2:2) foi governador da Síria duas vezes (16-12 e 6-4 a.C.), sendo que
Lucas se refere a esse último período. “Lisânias, o Tetrarca” é mencionado em uma
inscrição no local de Abilene na época a que Lucas se refere. Uma inscrição em Listra
registra a dedicação da estátua a Zeus (Júpiter) e Hermes (Mercúrio), o que mostra
que esses deuses eram colocados na mesma classe no culto local, conforme insinuado
em Atos 14:12. Uma inscrição de Pafos faz referência ao “procônsul Paulo”, que já foi
identificado como o Sérgio Paulo de Atos 13:7.
Os tabletes de Ebla confirmaram a existência de Sodoma e Gomorra.
Arqueólogos modernos taparam as bocas dos que zombavam da realidade de Dario,
etc.

OS MANUSCRITOS DO MAR MORTO
Em Março de 1947, um pastor beduíno árabe, chamado Muhammad ad Dib,
descobriu por acaso, nas cavernas de Qumram, próximo ao Mar Morto (região de
Jericó), a mais preciosa coleção de Manuscritos do Velho Testamento. Foram
encontrados cerca de 823 manuscritos, sendo que a maior parte é de livros bíblicos ou
relacionados.
Essas descobertas trouxeram à luz textos que confirmam a exatidão da transmissão
textual do Antigo Testamento. É muito conhecido o caso do famoso Rolo do livro de
Isaías, chamado 1QIsª, datado de 150-100 a.C., que era cerca de 1000 anos mais
velho que os mais antigos manuscritos até então existentes!
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Os Manuscritos do Mar Morto foram escondidos nas cavernas de Qumram pelos
essênios - seita ascética judaica, durante a segunda revolução dos judeus contra os
romanos em 132-135 d.C.
Os Manuscritos de Qumram são os mais antigos do mundo, conhecidos até o
momento.
Foram encontrados em Qumram manuscritos de todos os livros do Antigo Testamento
exceto do livro de Ester.
Um famoso teólogo do início do século XIX, F. C. Baur, dizia que o evangelho de João
só tinha sido escrito por volta do ano 160 d.C., negando a origem apostólica do
documento. Mas, no século XX já se descobriu um fragmento do Evangelho de João,
no Egito, datado de 125 d.C., derrubando completamente a teoria daquele "erudito".
Este papiro (tecnicamente conhecido como Papiro 52) contém poucos versos do
Evangelho de João (18.31-33, 37-38), mas era o texto mais antigo do Novo Testamento
que conhecíamos e mostra que o evangelho que havia sido escrito depois de 90 d.C. já
tinha alcançado uma cidade do Egito em menos de 35 anos. É desta forma que as
descobertas recentes confirmam o relato e o texto da Bíblia.
B. Cristo Onisciente reconheceu integralmente a inspiração do V.T.: Mt 5:17-18; Lc
24:27, 44-45; Jo 10:35b.
Jesus endossou um grande número de ensinamentos, como verdadeiros:
1. Ele acreditou no literal relato da criação segundo Gênesis (Mt 19:4-6; Mc 10:6-8;
13:19).
2. Acreditou que o autor do Pentateuco foi Moisés (Mt 8:4; 19:7-8; Mc 7:10; 12:26; Jo
7:22-23, Jo 5:46-47; 7:19).
3. Acreditou na revelação de Deus na sarça a Moisés (Mc 12:26).
4. Acreditou na literal historicidade e na universalidade do Dilúvio de Noé (Mt 24:37-
39; Lc 17:26-27).
5. Acreditou na historicidade de Abraão (Jo 8:56).
6. Acreditou na destruição de Sodoma e Gomorra e o livramento de Ló (Mt 10:15;
11:23-24; Lc 17:28-30).
7. Acreditou que a esposa de Ló foi literalmente transformada em uma coluna do sal
(Lc 17:32).
8. Acreditou que Deus deu o literal maná do céu a Israel (Jo 6:31-32, 49, 58).
9. Acreditou que Davi foi um autor de Salmos (Mt 22:43).
10. Acreditou na historicidade de Jonas e da literal baleia (Mt 12:39-41).
11. Acreditou na existência do Tabernáculo (Lc 6:3-4).
12. Acreditou que o escritor do livro Daniel foi o real Daniel (Mt 24:15).
13. Acreditou na unidade do livro de Isaías (Mt 8:17; 13:14-15; Mc 7:6; Lc 4:17-18; Jo
12:38-41)
14. Acreditou que os judeus tiveram uma história de rejeitar a Palavra de Deus (Lc
11:47-51).
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15. Aceitou no Cânon judaico do Velho Testamento, mas rejeitou o Apócrifo (Lc 24:44)
16. Severa e publicamente repreendeu os Saduceus por sua ignorância das Escrituras
(Mt 22:29).
17. Ensinou que cada palavra das Escrituras procede de Deus (Mt 4:4).
18. Ensinou a doutrina da perfeita e incessante preservação das Escrituras (Mt 5:17-
18; 24:35; Lc 16:17).
19. Ensinou que as Escrituras do Velho Testamento apontavam para Ele (Lc 24:27,
44).
20. Ensinou que o homem será julgado pela Palavra de Deus (Jo 12:47-48).
21. Ensinou a autoridade absoluta das Escrituras (Jo 10:34-36).
22. Pré-autenticou os escritos do Novo Testamento como realmente sendo as
Escrituras (Jo 14:26; 16:12-13)
23. Ensinou sobre a personalidade de Satanás e seu caráter maligno (Jo 8:44).
Se o próprio Jesus Cristo crê na inspiração da Bíblia, por que nós não creremos nela?
Em muito mais que 180 dos 1800 versos onde Jesus Cristo fala, Ele cita o V.T.

O Novo Testamento é Confiável
Seus escritores eram competentes, qualificados (humana e divinamente falando). Eles
(inclusive Paulo) foram testemunhas oculares de todo o ministério, morte e ressurreição de
Cristo, aprendendo diretamente dEle. Lucas foi companheiro de Paulo, fidelíssimo
registrador do que viu, e também do que os apóstolos viram e lhe ensinaram diretamente.
Marcos foi o intérprete de Pedro, segundo Papias e Irineu. Tiago e Judas eram irmãos do
Senhor. Eram honestos (até o ponto de darem suas vidas!). Foram investidos pelo Espírito
Santo. Seus escritos se harmonizam perfeitamente uns com os outros, e sempre concordam
com os fatos da História e da experiência.
APARENTES CONTRADIÇÕES ENTRE PAULO E TIAGO
Eles somente falam de pontos de vista complementares: o que Deus vê e o que os
homens vêem; a verdadeira fé, que resulta em obras e a fé falsa, que nada produz. Há
progresso no desenrolar da doutrina dos evangelhos para as epístolas e diferentes
ênfases na revelação dos ensinos (por exemplo: do divórcio; dos cultos e adoração;
etc.), mas nunca contradição!
Os registros do N. T. estão de acordo com a História: o recenseamento quando Quirino
era governador da Síria (Lc 2:2); os Atos de Herodes o Grande (Mt 2:16-18); de Herodes
Antipas (Mt 14:1-12), de Agripa I (At 12:1); de Gálio (At 18:12-17); Agripa II (At 25:13 –
26:32), etc.
21 - A BÍBLIA E SUA CANONICIDADE
Um livro é canônico quando, desde o seu primeiro dia, foi aceito pelo povo de Deus
como divinamente inspirado, como realmente o é.
O termo Cânon vem do grego "kánon", e do hebraico "kaneh" (= regra; lista autêntica
dos livros considerados como inspirados). Significava originalmente “vara de medir”, depois
“norma ou regra” (Gl 6:16), e hoje significa “catálogo de uma revelação completa e divina”.
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A palavra cânon acha-se em três passagens do N.T.: Gl 6:16, Fp 3:16 e 2 Co 10:13-
17.
A inspiração diz respeito à ação divina no ato do registro escrito, garantindo o
resultado fiel.
Já a canonização do Texto diz respeito à ação humana, reconhecendo a qualidade
divina daquele material.
A “canonização” de um livro não significa que homens lhe concederam autoridade e
inspiração divina, mas sim que homens formalmente oficializaram o que sempre foi
reconhecido como inspirado por Deus [em outras bases, suficientes].
Esse processo de reconhecimento se deu no seio da comunidade da Fé — a
comunidade hebraica, quanto ao A.T., e a comunidade cristã (igreja primitiva), quanto ao
N.T.
A canonização tem tudo a ver com a preservação do Texto, pois, a comunidade da Fé
só iria se preocupar em transmitir e proteger os livros "canônicos", tidos como inspirados.
A parte humana na transmissão do Texto fica patente, mas será que houve ação
divina também, protegendo o Texto (a exata redação do Texto)?
Se o Criador quis que Sua revelação chegasse intacta, ou pelo menos de forma íntegra
e confiável, até o século XX e seguintes, fatalmente teria que vigiar o processo da
transmissão através dos séculos. Teria que proibir a perda irrecuperável de qualquer parte
genuína, bem como a inserção indetectável de material espúrio.
21.1. A Formação do Cânon do Antigo Testamento
O Cânon do Antigo Testamento foi formado num espaço de -/+ 1046 anos - de Moisés
a Esdras. Moisés escreveu as primeiras palavras do Pentateuco por volta de 1491 a.C. O
cânon das Escrituras do V. T. foi encerrado por Esdras e seus companheiros piedosos, que
formaram a Grande Sinagoga (120 membros, segundo a literatura judaica), cerca de 445
anos a.C. (Ed 7:10, 14).
Os livros do Antigo Testamento formaram o Cânon de maneira lenta e gradual, à
medida que iam sendo credenciados, como inspirados por Deus, perante o povo comum,
seus líderes, seus profetas e sacerdotes.
A história da formação do Velho Testamento começa com Moisés, que recebeu a
revelação divina em várias formas e depois a transcreveu em livros. Ele os redigiu usando
livros, tradição oral, oráculos recebidos diretamente de Deus, além do fato de que participou
de toda a história narrada entre Êxodo e Deuteronômio (Nm 33:2). Ele recebeu ordens
expressas de escrever (Êxodo 17:14; 24:4, 7; 34:27-28). Relatou os acontecimentos da
época.
No fim de sua vida, com os cinco primeiros livros praticamente terminados, já tinha
perfeita percepção de que estes livros se tornariam normativos para o povo: seriam “o Livro
da Lei”, os cinco primeiros livros (Pentateuco) (t 28:58, 61; 29:20-29; 30:10; 31:9-13, 19, 22,
24-26)
Devemos lembrar que Moisés viveu com o povo de Israel por quarenta anos no deserto,
e teria não somente tempo, mas conhecimento e condições para escrever.
Durante a época de Moisés e depois dele, outros profetas continuaram sua obra oral e
escrita (Nm 12:6; Dt 18:15-22; 34:10; Jz 4:4; 6:8). Os sacerdotes e levitas foram
encarregados de guardar, colecionar e copiar os livros do V. T. O Tabernáculo e depois, o
Templo, eram o centro de reunião dos materiais inspirados. Os profetas guardavam as obras
na Arca (“perante o Senhor”) (Dt 17:18-20; 31:9-13, 24-29; Js 24:26; 1 Sm 10:25; 2 Rs 22:8;
23:24; Js 24:26).
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Os livros estavam disponíveis aos líderes da nação e do sacerdócio. Caso eles fossem
também profetas, como era o caso de Josué, eles também acabariam por escrever algo ou
até uma obra inteira que seria incorporada à coleção de livros sagrados (Josué 1:8; 24:26).
O período da conquista da terra de Canaã e também dos Juízes, evidencia a presença dos
livros pela prática dos seus ensinos: a aliança foi lembrada (Jz 2:1-5) e alguns rituais foram
praticados (Jz 13:2-7,13-14).
Samuel, como “primeiro profeta”, tratou de dar impulso à historiografia profética (1
Sm 10:25; 1 Cr 29:29). Os profetas foram os historiadores de Israel: eles narravam os
acontecimentos, privilegiando os assuntos que interessavam ao desenvolvimento dos
propósitos de Deus para o seu povo (2 Crônicas 9:29; 12:15; 13:22; 20:34; 26:22; 32:32;
33:18, 19)
No período dos reis e profetas, bastante material já estava centralizado no Templo de
Jerusalém (2 Crônicas 34:14-18; Jeremias 36). Os reis Davi, Salomão, Josias, Ezequias e os
vários profetas são escritores ou divulgadores dos livros bíblicos. Os reis deviam sempre
obedecer à Lei (2 Reis 14:6). O sacerdote Hilquias achou “o Livro da Lei” (2 Rs 22:8-10).
Neemias achou “o Livro dos Judeus” (Ne 7:5).
Os textos de alguns livros foram sendo compilados durante o período dos reis. A frase
final do Salmo 72.20 mostra que houve uma época em que a coleção dos Salmos terminava
ali. Depois ela foi ampliada. Da mesma forma, Provérbios 25:1 mostra que o livro de
Provérbios foi ampliado. Todas estas compilações a amplificações dos livros ocorreram
dentro da inspiração divina, através do Espírito Santo.
Os profetas pregaram e escreveram suas obras (Is 30:8; Jr 25:13; 29:1; 30:2, 36:1-32;
51:60-64; Ez 43:11; Hc 2:2; Dn 7:1; 2 Cr 21:12). Eles sabiam que estavam deixando
suas obras para o futuro e até as enviaram para outros lugares (Jr 29:1; 36:1-8;
51:60-61; 2 Cr 21:12). Liam, citavam e usavam as obras uns do outros (Is 2:1-5 e Mq
4:1-5 / Jr 26:18 cita Mq 3:12), atestando a existência da coleção de livros inspirados
(Dn 9:2). Entendiam que seus livros se tornariam obra de referência e consulta no
futuro (Is 34:16; Dn 12:4).
Este material inspirado foi levado ao exílio e à dispersão (Dn 9:2), quando os judeus
foram deportados da Palestina. Talvez tenha sido trazido de volta por aqueles que
iriam iniciar a religião dos samaritanos (2 Rs 17:24-41). Mas, o grande retorno da lei à
(região hoje conhecida como) Palestina ocorreu com Esdras, sacerdote e grande
escriba (Ed 7; Ne 8-10). O oficio de Esdras como sacerdote e levita mostra que, no
Velho Testamento, os sacerdotes eram os que centralizaram e preservaram o Velho
Testamento.
Os últimos profetas a escrever (Ageu, Zacarias e Malaquias) tiveram suas obras
reconhecidas e incorporadas no Velho Testamento, assim também, os últimos livros
históricos tais como Crônicas, Esdras, Neemias e Ester.
Nos últimos anos do período incluso no Cânon, cinco grandes homens de Deus
viveram simultaneamente numa época de profundo despertamento religioso, a saber:
Esdras, Neemias, Ageu, Zacarias e Malaquias, sendo Esdras, dos cinco, o mais hábil e
versátil.
Foi este poderoso sacerdote-escriba que, segundo a tradição judaica, presidiu a
chamada Grande Sinagoga, que selecionou e preservou os rolos sagrados, determinando,
dessa maneira, o Cânon das Escrituras do Antigo Testamento (Ed 7:10, 14). A Esdras é
atribuído também a tríplice divisão do Cânon hebraico (A Lei, Os Profetas e os Escritos).
Ao encerramento do V. T. (isto é, ao terminar de ser escrito o seu último livro [Neemias
ou Malaquias] no século V antes de Cristo) foi reconhecido por TODOS os crentes fiéis que o
cânon do V. T. (isto é, a coleção dos 39 livros que o constituem) estava encerrado para
sempre, e incluía o livro de que falamos.
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Depois do acima referido encerramento do V. T., tudo isto acima dito (e que sempre foi
o consenso entre os crentes fiéis) foi meramente RECONHECIDO e declarado
OFICIALMENTE e por TODOS, sob o comando de Esdras, em cerca do século IV a.C.
O VELHO TESTAMENTO é canônico, porque sempre foi reconhecido como inspirado
por Deus:
• A Lei sempre foi reconhecida como canônica: Dt 17:18-20; 31:10-13, 24-26; Js
1:8; 1 Rs 11:38; 2 Rs 22:8; 23:1-2; Ne 1:7-9; Ed 3:2.
• Os Profetas/Escritos sempre foram reconhecidos como canônicos: 2 Rs 17:13; Dn
9:2; Mt 22:29; 23:35; Lc 24:44; Jo 5:39; 10:35; 2 Tm 3:16; 2 Pe 1:20-21.
OBJEÇÕES À CANONICIDADE DO ANTIGO TESTAMENTO
1ª OBJEÇÃO: As 3 divisões do V.T. (Lei, Profetas, Escritos) implicam 3 “campanhas
humanas concedendo autoridade”.
REFUTAÇÃO: Não há sequer uma prova disto! As divisões são pelas naturezas dos
assuntos/escritores. Em Israel o divino se tornava aceito, e não o aceito se tornava
divino! 2 Rs 22:8; 23:1-2; Ne 8:1-3 não são outorgamentos, mas sim reconhecimentos
da inspiração divina.
2ª OBJEÇÃO: Os Livros de Eclesiastes e Cantares de Salomão ainda eram duvidados
por alguns até depois do Concílio de Jamnia (90 d.C.), portanto o cânon do V.T. ainda
estava em aberto até cerca de 200 d.C.
REFUTAÇÃO: No Concílio de Jamnia, os judeus apenas discutiram sobre alguns livros
e apenas RATIFICARAM o que já era canônico. Exigir unanimidade absoluta, o que se
quer é nunca ter um cânon autoritativo e final! Os eruditos judeus sempre
mantiveram que, já em 445 a.C., no reino de Artaxerxes Longânimo, Esdras “juntou,
ordenou e publicou” o V.T. na sua forma final, como o conhecemos. Josephus (80
d.C.) corrobora isto e usa cânon e divisões Massoréticas. Esdras é chamado de “o
escriba” (Ne 8:1, 4, 9, 13; 12:26, 36), “escriba versado na lei de Moisés” (Ed 7:6), e “o
escriba das palavras dos mandamentos e dos estatutos do Senhor sobre Israel” (Ed
7:11).
3ª OBJEÇÃO: os apócrifos figuram na Septuaginta.
REFUTAÇÃO: Mas nunca no cânon judaico!
21.2. Classificação Técnica do Antigo Testamento
Estudiosos de eras posteriores, nem sempre totalmente conscientes dos fatos a
respeito da aceitação original do cânon, tornavam a levantar dúvidas sobre certos livros.
Com isso, surgiu a terminologia técnica, conforme vemos abaixo:
A. HOMOLOGOUMENA (falar como um). São os livros bíblicos que foram aceitos por
todos.
A canonicidade de alguns livros jamais foi desafiada por nenhum dos grandes rabis da
comunidade judaica. Desde que alguns livros foram aceitos pelo povo de Deus como
documentos produzidos pela mão dos profetas de Deus, continuaram a ser reconhecidos
como detentores de inspiração e de autoridade divina pelas gerações posteriores.
34 dos 39 livros do Antigo Testamento podem ser classificados como
“homologoumena”. Os cinco excluíveis seriam: Cantares de Salomão, Eclesiastes, Ester,
Ezequiel e Provérbios.
B. ANTILEGOMENA (falar contra). São os livros bíblicos que em certa ocasião foram
questionados por alguns.
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A canonicidade de 5 livros do Antigo Testamento foi questionada numa ou noutra
época, por algum mestre do Judaísmo: Cantares de Salomão, Eclesiastes, Ester, Ezequiel e
Provérbios. Cada um deles se tornou controvertido por razões diferentes; todavia, no fim
prevaleceu a autoridade divina de todos os cinco livros.
Cantares de Salomão: Alguns estudiosos da escola de Shammai consideravam esse
cântico como sendo sensual em sua essência. Porém, é mais provável que a pureza e a
nobreza do casamento façam parte do propósito essencial desse livro. É preciso ver esse
livro da perspectiva espiritual correta. A figura do casal, neste livro, representa Cristo e
igreja (2 Co 11:2; Ef 5:25-29).
Eclesiastes: Alguns objetaram que esse livro parece cético. Alguns até o chamam de
“O Cântico do ceticismo”. Qualquer pessoa que procure a máxima satisfação “debaixo do
sol”, com toda a certeza há de sentir as mesmas frustrações sofridas por Salomão, visto que
a felicidade eterna não se encontra neste mundo temporal.
Além do mais, a conclusão e o ensino genérico desse livro estão longe de ser céticos.
Depois “de tudo o que se tem ouvido”, o leitor é admoestado: “a conclusão é: Teme a Deus, e
guarda os seus mandamentos, pois isto é todo o dever do homem” (Ec 12:13).
Assim como o livro Cantares de Salomão, o problema básico é de interpretação do
texto e não de canonização ou inspiração.
Ester: Pela ausência do nome de Deus neste livro, alguns pensaram que ele não fosse
inspirado. Perguntavam como podia um livro ser Palavra de Deus, se nem ao menos trazia o
Seu nome. (YHWH).
Porém, uma coisa é certa: a ausência do nome de Deus é compensada pela presença
de Deus na preservação de Seu povo. (Ver Et 4:14).
O fato de Deus haver concedido grande livramento, como narra o livro, serve de
fundamento e razão da festa judaica do Purim (Et 9:26-28). Basta este fato para demonstrar
a autoridade atribuída ao livro, dentro do Judaísmo.
Ezequiel: Alguns na escola rabínica pensavam que esse livro era antimosaico em seu
ensino. Achavam que o livro não estava em harmonia com a lei mosaica. No entanto, essa
tese não prevaleceu e demonstrou mais uma vez ser uma questão de interpretação e não de
inspiração.
Provérbios: Achavam-no um livro contraditório (Pv 26:4-5). Achavam contraditório o
leitor ser exortado a responder e ao mesmo tempo não responder. Todavia, o sentido aqui é
que há ocasiões em que o tolo deve receber resposta de acordo com sua tolice, e em outras
ocasiões isso não deve ocorrer. Porém, nenhuma “contradição” ficou demonstrada em
nenhuma passagem de Provérbios.
É importante frisar que a Bíblia em momento algum é contraditória, pois é a Palavra
de Deus (Infalível). O que “parece” contradição é erro de interpretação humana.
C. PSEUDEPÍGRAFOS (falsos escritos). Livros não-bíblicos rejeitados por todos.
Grande número de documentos religiosos espúrios que circulavam entre a antiga
comunidade judaica são conhecidos como “pseudepígrafos”. Nem tudo nesses escritos é
falso. De fato, a maior parte desses documentos surgiu de dentro de um contexto de
fantasia ou tradição religiosa, possivelmente com raízes em alguma verdade. Com
freqüência, a origem desses escritos estava na especulação espiritual, a respeito de algo que
não ficou bem explicado nas Escrituras canônicas.
As tradições especulativas a respeito do patriarca Enoque, por exemplo, sem dúvida
são a raiz do livro de Enoque. De maneira semelhante, a curiosidade a respeito da morte e
da glorificação de Moisés, sem dúvida se acha por trás da obra Assunção de Moisés.
No entanto, essa especulação não significa que não exista verdade nenhuma nesses
livros. Ao contrário, o Novo Testamento se refere a verdades implantadas nesses dois livros
(vide Jd 14,15) e chega a aludir à penitência de Janes e Jambres (2 Tm 3:8). Entretanto,
esses livros não são dotados de autoridade, como Escrituras inspiradas. Paulo também
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citou alguns poetas não-cristãos, como Arato (At 17:28), Menânder (1 Co 15:33 traz uma
linha do poema grego “Taís de Alexandre”) e Epimênides (Tt 1:12). (Nm 21:4; Js 10:13; 1 Rs
15:31).
Trata-se tão somente de verdades verificáveis, contidas em livros que, em si mesmos,
nenhuma autoridade divina têm. É importante que nos lembremos que Paulo cita apenas
aquela faceta da verdade, e não o livro pagão como um todo, como conceito a que Deus
atribuiu autoridade e fez constar no Novo Testamento.
A verdade é sempre verdade, não importa onde se encontre, quer pronunciada por um
poeta pagão, quer por um profeta pagão (Nm 24:17), por um animal irracional e mudo
(Nm 22:28) ou mesmo por um demônio (At 16:17). (Caifás – Jo 11:49).
É possível que o fato mais perigoso a respeito desses falsos escritos (pseudepígrafos) é
que alguns elementos da verdade são apresentados com palavras de autoridade divina, num
contexto de fantasias religiosas que, em geral, contem heresias teológicas.
A infundada reivindicação de autoridade divina, o caráter altamente fantasioso dos
acontecimentos e os ensinos questionáveis (e até mesmo heréticos) desses livros levaram os
pais do Judaísmo a considerá-los espúrios (pseudepígrafos).
1. Lendários: O livro do Jubileu; Epístola de Aristéias; O livro de Adão e Eva; O
martírio de Isaías
2. Apocalípticos: 1 Enoque; Testamento dos doze patriarcas; O oráculo sibilino;
Assunção de Moisés; 2 Enoque, ou O livro dos segredos de Enoque; 2 Baruque, ou
O apocalipse siríaco de Baruque (*); 3 Baruque, ou O apocalipse grego de Baruque.
3. Didáticos: 3 Macabeus; 4 Macabeus; Pirque Abote; A história de Aicar.
4. Poéticos: Salmos de Salomão; Salmo 151 (consta na Septuaginta).
5. Históricos: Fragmentos de uma obra de Sadoque

IMPORTANTE
1. 1 Baruque está relacionado entre os apócrifos.
2. Há outros livros, sendo que alguns foram descobertos entre os manuscritos do Mar
Morto, tais como: Gênesis apócrifo e Guerra dos filhos da luz contra os filhos das
trevas, dentre outros.

D. APÓCRIFOS (escondidos ou duvidosos). Livros não-bíblicos aceitos por alguns, mas
rejeitados por outros. Pelos católicos romanos são conhecidos como Deuterocanônicos (= 2º
Cânon). Foram acrescentados às Escrituras (Dt 4:2, 12:32; Pv 30:6; Ec 3:14; Ap 22:18-19).
Na realidade, os sentidos da palavra apocrypha refletem o problema que se manifesta
nas duas concepções de sua canonicidade. No grego clássico, a palavra apocrypha
significava “oculto” ou “difícil de entender”. Posteriormente, tomou o sentido de esotérico, ou
algo que só os iniciados (não os de fora) podem entender.
Pela época de Ireneu e Jerônimo (séc. III e IV), o termo apocrypha veio a ser aplicado
aos livros não-canônicos do Antigo Testamento, mesmo aos que foram classificados
previamente como “pseudepígrafos”.
Desde a era da Reforma, essa palavra tem sido usada para denotar os escritos
judaicos não-canônicos originários do período intertestamentário.
O Novo Testamento jamais cita um livro apócrifo indicando-o como inspirado. As
alusões a tais livros não lhes emprestam autoridade, assim como as alusões a poetas
pagãos não lhes conferem inspiração divina. Aliás, desde que o N.T. faz citações de quase
todos os livros canônicos do A.T. e atesta o conteúdo e os limites desse Testamento
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(omitindo os apócrifos) parece estar claro que o N.T. indubitavelmente exclui os apócrifos do
cânon hebraico.
Os apócrifos não foram aceitos pelos judeus palestinos, zelosos preservadores dos
ensinos bíblicos que não estiveram sujeitos às influências helenizantes dos judeus de
Alexandria, muitos dos quais (mas não todos) acatavam tais livros como de origem divina,
como Palavra de Deus.
Aliás, toda a problemática de aceitação da canonicidade desses livros envolve
exatamente o grande centro da cultura grega no Oriente, a cidade de Alexandria. Os judeus
ali sofreram grande influência da filosofia grega, e houve até um destacado intelectual
judeu, Filo, que se empenhou por fundir o Judaísmo com os conceitos gregos, que o
empolgavam.
Jesus Cristo Se referiu à Bíblia Sagrada na Sua oração sacerdotal a Seu Pai dizendo:
“Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade” (João 17:17). Como poderiam obras
cheias de conceitos que se chocam com os claros ensinos de apóstolos e profetas, além de
crendices supersticiosas, lendas, inexatidões históricas e até mentiras qualificar-se como
essa verdade de divina inspiração?
O Concílio de Trento, 1546, reagiu a Lutero, canonizando os livros apócrifos, com o
voto de 53 prelados sem conhecimentos históricos destacados sobre documentos orientais,
encontrando oposição de grandes homens como o cardeal Polo que afirmou que assim o
Concílio agiu a fim de dar maior ênfase às diferenças entre católicos romanos e os
evangélicos. Outro destacado líder católico, Tanner afirmou que a igreja católica romana
encontrou nesses livros o seu próprio espírito (apud Introdução ao Antigo Testamento, Dr.
Donaldo D. Turner, IBB).
A ação do Concílio não foi apenas polêmica, foi também prejudicial, visto que nem
todos os 14 (15) livros apócrifos foram aceitos pelo Concílio.
A Oração de Manassés e 1 e 2 Esdras [3 e 4 Esdras dos católicos romanos; a versão de
Douai denomina 1 e 2 Esdras, respectivamente, os livros canônicos de Esdras (1 Ed) e
Neemias (2 Ed)] foram rejeitados.
A rejeição de 2 Esdras é particularmente suspeita, porque contém um versículo muito
forte contra a oração pelos mortos (2 Esdras 7.105). Aliás, algum escriba medieval havia
cortado essa seção dos manuscritos latinos de 2 Esdras, sendo conhecida pelos manuscritos
árabes, até ser reencontrada outra vez em latim por Robert L. Bentley, em 1874, numa
biblioteca de Amiens, na França.
O cânon do Antigo Testamento até a época de Neemias compreendia 22 (ou 24) livros
em hebraico, que, nas bíblias dos cristãos, seriam 39, como já se verificara por volta do
século IV a.C. As objeções de menor monta a partir dessa época não mudaram o conteúdo
do cânon.
Foram os livros chamados apócrifos, escritos depois dessa época, que obtiveram
grande circulação entre os cristãos, por causa da influência da tradução grega de Alexandria
(Septuaginta), que os incluiu.
Com exceção de 2 Esdras (escrito em 100 d.C.), esses livros preenchem a lacuna
existente entre Malaquias e Mateus (o chamado “período intertestamentário”) e
compreendem especificamente dois ou três séculos antes de Cristo.
No entanto, até a época da Reforma Protestante esses livros não eram considerados
canônicos. A canonização que receberam no Concílio de Trento não recebeu o apoio da
história. A decisão desse concílio foi polêmica e eivada de preconceito.
21.3. Localização Histórica dos Apócrifos
Os apócrifos foram produzidos entre o 3o e 1o século a.C. (com o cânon já definido),
no período intertestamentário, com exceção de 2 Esdras (escrito em 100 d.C.).
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A cultura gentia os assimilou (o cânon de Alexandria). O historiador Josefo, os judeus
e a Igreja cristã rejeitaram.
A LXX (Septuaginta) os incluiu como adendo (seguindo o cânon alexandrino). No
Concílio de Cártago, em 397 d.C. foram considerados próprios para a leitura. O Concílio
Geral de Calcedônia, 451 d.C., negou-os.
Foram colocados no cânon em uma sessão em 08 de Abril de 1546, no Concílio de
Trento, com 5 cardeais e 48 bispos, apenas, e não foi por unanimidade.
Em 1827, a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira os excluiu da Bíblia (não os
editando nem mesmo como adendo). Desde então esta é a postura protestante.
21.4. Razões da Rejeição dos Apócrifos
1. O Velho Testamento já estava produzido.
2. A maioria dos apócrifos foi produzida em grego.
3. Prevaleceu para os judeus o cânon palestiniano.
IMPORTANTE!
1. Jamais foram incluídos no cânon pelas autoridades reconhecidas: As maiores e
mais reconhecidas autoridades judaicas nunca reconheceram os apócrifos: Esdras (o
profeta, que “juntou, ordenou e publicou” o V. T. na sua forma final e como o
conhecemos); os fariseus; Josephus (o historiador judeu, provavelmente o maior
historiador de todos os tempos); os pais da igreja primitiva; etc.
2. Jamais foram aceitos pelos judeus.
3. Só em 08 de abril de 1546, no Concílio de Trento, a igreja romana os declarou
canônicos, mas só em reação à Reforma Protestante.
4. Jamais foram citados por Jesus Cristo ou por nenhum outro escritor da Bíblia.
(Judas cita dois pseudepígrafos, mas não parece lhes ceder declaradamente o conceito
de inspirados).
5. Nenhum livro apócrifo alega ser inspirado (na realidade, alguns deles ADMITEM não
ser inspirados - Macabeus 15:38).
6. Alguns apócrifos têm incontornáveis erros históricos e geográficos.
7. Alguns apócrifos ensinam doutrinas falsas e que contradizem a Bíblia como um
todo (Macabeus 12:43-46 ensina que podemos e devemos orar pelos mortos. A Bíblia
como um todo ensina que não adianta) Ver 2 Ed 7.105.

Alguns erros ensinados pelos apócrifos Refutação dos
canônicos
Narração de anjo mentindo sobre sua origem. Tobias 5:1-9 Isaías 63:8; Oséias 4:2
Diz que se deve negar o pão aos ímpios. Eclesiástico 12:4-6 Provérbios 25:21-22
Uma mulher jejuando toda a sua vida. Judite 8:5-6 Mateus 4:1-2
Deus dá espada para Simeão matar siquemitas, Judite 9:2 Gênesis 34:30; 49:5-7
Dar esmola purifica do pecado. Tobias 12:9 e Eclesiástico
3:30
1 Pedro 1:18-19
Queimar fígado de peixe expulsa demônios. Tobias 6:6-8 Atos 16:18
BIBLIOLOGIA - 60
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Nabucodonossor foi rei da Assíria, em Nínive. Judite 1:1 Daniel 1:1
Honrar o pai traz o perdão dos pecados. Eclesiástico 3:3 1 Pedro 1:18-19
Ensino de magia e superstição. Tobias 2:9 e 10; 6:5-8; 11:7-
16
Tiago 5:14-16
Antíoco morre de três maneiras. 1 Macabeus 6:16; 2
Macabeus 1:16; 9:28
Isaías 63:8; Mateus 5:37
Recomenda a oferta pelos mortos. 2 Macabeus 12:42-45 Eclesiastes 9:5-6
Ensino do purgatório ou imortalidade da alma. Sabedoria
3:14
1 João 1:7; Hebreus 9:27
O suicídio é justificado e louvado. 2 Macabeus 14:41-46 Êxodo 20:13
21.5. Como os Livros Apócrifos Foram Aprovados
A igreja romana aprovou os apócrifos em 08 de Abril de 1546 como meio de combater
a Reforma Protestante. Nessa época, os protestantes combatiam violentamente as doutrinas
romanistas do purgatório, oração pelos mortos, salvação pelas obras, etc. Os romanistas
viam nos apócrifos base para tais doutrinas, e apelaram para eles aprovando-os como
“canônicos”.
Houve prós e contras dentro dessa própria igreja, como também depois. Nesse tempo,
os jesuítas exerciam muita influência no clero. Os debates sobre os apócrifos motivaram
ataques dos dominicanos contra os franciscanos. O biblicista católico John L. Mackenzie em
seu "Dicionário Bíblico", sob o verbete Cânone, comenta que no Concílio de Trento houve
várias "controvérsias notadamente candentes" sobre a aprovação dos apócrifos. Mas o
cardeal Pallavacini, em sua "História Eclesiástica" declara mais nitidamente que, em pleno
Concílio, 40 bispos dos 49 presentes travaram luta corporal, agarrando às barbas e batinas
uns dos outros.
Foi nesse ambiente "espiritual", que os apócrifos foram aprovados. A primeira edição
da Bíblia (“versão”) católico-romana com os apócrifos deu-se em 1592, com autorização do
papa Clemente VIII. Os Reformadores protestantes publicaram a Bíblia com os apócrifos,
colocando-os entre o Antigo e Novo Testamentos, não como livros inspirados, mas bons para
a leitura e de valor literário histórico. Isto continuou até 1629.
21.6. A Vulgata de Jerônimo
O arranjo da Vulgata (versão latina oficial da Igreja católica romana, desde o Concílio
de Trento) completa em 450 depois de Cristo, mas aceita plenamente em cerca de 650
depois de Cristo, em geral, segue a LXX, só que 1 e 2 Esdras são iguais a Esdras e Neemias,
e as partes apócrifas (3 e 4 Esdras), tanto como a Oração de Manassés, são colocados no fim
do Novo Testamento. Os Profetas Maiores são colocados antes dos Profetas Menores. É uma
tradução do Hebraico para o Latim, língua oficial do império romano.
Quando Jerônimo traduziu a Vulgata, em Belém (a pedido do papa Dâmaso I), incluiu
os apócrifos oriundos da Septuaginta, através da antiga versão latina de 170, porque lhe foi
ordenado, mas indicou que os mesmos não poderiam ser base de doutrinas.
Os livros são: 1 Esdras, 2 Esdras, Tobias, Judite, Adição a Ester, Sabedoria de
Salomão, Eclesiástico, Baruque, Adições a Daniel (Cântico dos 3 Rapazes, História de
Susana, Bel e o Dragão), Oração de Manassés, 1 Macabeus, 2 Macabeus.
21.7. A Versão Católica-Romana
Seguindo a Vulgata que traduziu da LXX (Septuaginta), com exceção de Oração de
Manassés, o cânon católico incorporou os apócrifos após a Reforma. Quando a Vulgata os
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inseriu, distinguiu-os dos canônicos. Aos apócrifos, chamou de deuterocanônicos, isto é,
livros do “segundo cânon” (eclesiásticos).
Na versão de edição Católico-Romana, há um total de 73 livros, sendo 7 apócrifos,
além de 4 acréscimos ou apêndices a livros canônicos, sendo assim um total de 11 escritos
apócrifos: Tobias (após Esdras); Judite (após Tobias); Sabedoria de Salomão (após
Cantares); Eclesiástico (após Sabedoria de Salomão); Baruque – incluindo a Epístola a
Jeremias (após Lamentações); 1 Macabeus (após Ester); 2 Macabeus (após 1 Macabeus). São
os seguintes os apêndices apócrifos: Acréscimos a Ester (Et 10:4 – 16:24); acréscimos a
Daniel: (Cântico dos três rapazes – Dn 3:24-90; História de Suzana – Dn 13; Bel e o Dragão
– Dn 14).
Além disso, as bíblias católicas possuem livros canônicos com nomenclatura
diferenciada da empregada nas edições evangélicas. No entanto, esta diferença não tem
importância. No entanto é bom conhecê-las:
BÍBLIA EVANGÉLICA BÍBLIA CATÓLICA
1, 2 Samuel 1, 2 Reis
1, 2 Reis 3, 4 Reis
1, 2 Crônicas 1, 2 Paralipômenos
Esdras e Neemias 1, 2 Esdras
Lamentações de Jeremias Trenos
Como podemos ver estas diferenças são apenas de nomes, mais ou menos apropriados
e que para todos eles existem justificativas históricas e tradicionais. Existem também
diferenças na numeração dos Salmos:
BÍBLIA EVANGÉLICA BÍBLIA CATÓLICA
Sl 9 Sl 9,10
Sl 10 - 112 Sl 11 - 113
Sl 113 Sl 114, 115
Sl 114 - 115 Sl 116
Sl 116 - 145 Sl 117-146
Sl 146 - 147 Sl 147
Sl 148 - 150 Sl 148 - 150
Os 39 livros do nosso Antigo Testamento os católicos denominam protocanônicos
(primeiro cânon), os livros que nós chamamos apócrifos (espúrios), eles chamam de
deuterocanônicos (segundo cânon) e os livros que nós chamamos pseudepígrafos (sem
autor definido), eles chama de apócrifos. (Os pseudepígrafos, não aparecem em
nenhuma Bíblia de edições católica ou protestante).
21.8. A Formação do Cânon do Novo Testamento
A história do cânon do N.T. difere da do A.T. em dois aspectos principais:
1. O Cristianismo (N.T.) foi desde o começo uma religião internacional e não restrita a
um só povo, como no caso do período do A.T. (restrito aos judeus), não havia
comunidade profética fechada que recebesse os livros inspirados e os coligisse
(colecionasse) em determinado lugar, etc. Por isto, o processo mediante o qual
todos os escritos apostólicos se tornassem universalmente aceitos levou muitos
séculos. Felizmente, há mais manuscritos do Novo Testamento do que do Antigo
Testamento.
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2. Uma vez que as discussões resultaram no reconhecimento dos 27 livros canônicos
do N. T., não mais houve movimentos dentro do Cristianismo, no sentido de
acrescentar ou eliminar livros.
O cânon do N. T. encontrou acordo geral no seio da igreja universal. Não há N. T. com
apócrifos.
21.9. A Progressão do Cânon do Novo Testamento
Desde o início, havia escritos falsos, não-apostólicos, em circulação (Lc 1:1-4; 2 Ts
2:20; 2 Ts 3:17).
No início da igreja primitiva (século I), havia um processo seletivo em operação. Toda e
qualquer palavra a respeito de Cristo, oral ou escrita, era submetida ao ensino dos apóstolos
(1 Jo 1:3; 2 Pe 1:16).
Era o “cânon vivo” das testemunhas oculares, mediante o qual os escritos vieram a ser
reconhecidos.
Os primeiros cristãos (igrejas) iam recebendo, lendo e colecionando as cartas
apostólicas, cheias de autoridade divina, lançando assim o alicerce de uma coleção
crescente de documentos inspirados (Circulação das Cartas: 1 Ts 5:27; Cl 4:16; 1 Pe 1:1-2;
2 Pe 3:14-16; Ap 1:3). As igrejas, assim, estavam envolvidas em um processo iniciante de
canonização.
Os cristãos eram admoestados a ler continuamente as Escrituras (1 Tm 4:11, 13). A
única maneira pela qual se poderia realizar isto no seio de um número crescente de igrejas
era fazer cópias, de tal sorte que cada igreja ou grupo de igrejas tivesse sua própria
compilação de escritos autorizados.
Essa aceitação original de um livro, o qual era autorizadamente lido nas igrejas, teria
importância crucial para o reconhecimento posterior de um livro canônico.
Assim, o processo de canonização estava em andamento desde o início da igreja. As
primeiras igrejas foram exortadas a selecionar apenas os escritos apostólicos fidedignos.
Desde que determinado livro fosse examinado e dado por autêntico, fosse pela assinatura,
fosse pelo emissário apostólico, era lido na igreja e depois circulava entre os crentes de
outras igrejas.
As coletâneas desses escritos apostólicos começaram a tomar forma nos tempos dos
apóstolos. Pelo final do século I, todos os 27 livros do N. T. haviam sido recebidos e
reconhecidos pelas igrejas cristãs como divinamente inspirados. O cânon estava completo, e
todos os livros haviam sido reconhecidos pelos crentes de outros lugares.
Por causa da multiplicidade dos falsos escritos e da falta de acesso imediato às
condições relacionadas ao recebimento inicial de um livro, o debate a respeito do cânon
prosseguiu durante vários séculos, até que a Igreja finalmente reconheceu a canonicidade
dos 27 livros do N. T.
Logo após a primeira geração, passada a era apostólica, todos os livros do N. T.
haviam sido citados por algum pai da igreja, como dotados de autoridade. Por sinal, dentro
de 200 anos depois do século I, quase todos os versículos do N. T. haviam sido citados em
uma ou mais das mais de 36 mil citações dos pais da igreja.
Uma tradução do N. T. (Antiga siríaca) circulou na Síria pelo fim do século IV,
representando um texto que datava do século II e incluía os livros do N. T., exceto 2 Pedro, 2
e 3 João, Judas e Apocalipse.
Atanásio, o “Pai da Ortodoxia”, relaciona com clareza todos os 27 livros do N. T. como
canônicos (Cartas, 3,267,5).
RESUMINDO! o processo de compilar (colecionar) os escritos apostólicos confiáveis
iniciou-se nos tempos do N. T. No século II, houve exame desses escritos mediante a citação
da autoridade divina de cada um dos 27 livros do N. T. No século III, as dúvidas e as
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objeções a respeito de determinados livros prosseguiram, culminando nas decisões dos pais
da igreja e dos concílios influentes do século IV.
21.10. Fatores que Influenciaram a Igreja no Cânon do Novo
Testamento
Alguns fatores influenciaram para que a igreja primitiva definisse de vez a lista dos
livros canônicos do N. T.
Márcion (ou Marcião) foi um herege gnóstico (150 d.C.) que, dentre outras coisas, fez
uma lista de livros a serem aceitos. Rejeitou todo o Velho Testamento por considerá-lo obra
de um “deus inferior”. Sua lista de livros bíblicos incluiu: uma versão resumida de Lucas
(retirando os primeiros capítulos por serem muito judaicos) e mais dez epístolas de Paulo (as
chamadas “Pastorais” não foram aceitas por lhe serem contrárias, assim como todas as
outras). Chamou “Efésios” de “Laodicenses”.
Sua rejeição dos livros bíblicos forçou as igrejas a tomarem uma posição explícita
sobre estes livros. De fato, a rejeição dos livros prova que já havia um consenso, mas a
igreja se tornou mais consciente deste consenso na luta contra a heresia. As heresias
levaram à defesa da fé. Afinal, “os germes estimulam a formação de anticorpos”.
Na segunda metade do segundo século, o Novo Testamento já foi considerado par do
Antigo. Começam os comentários, trabalhos literários e traduções do Novo Testamento. As
traduções para o Latim antigo e para o Siríaco neste período já incluem todo o Novo
Testamento, exceto 2 Pedro na versão Siríaca.
A heresia de Marcião e de Montano, bem como os movimentos gnósticos, contribuíram
para a aceleração do processo de reconhecimento dos livros inspirados; uma vez que
Marcião negava muitos livros. Montano alegava ter novas revelações e os gnósticos
buscaram produzir sua literatura “superior”.
Outros fatores que influenciaram foram as perseguições do imperador romano
Diocleciano (302-305 d.C.). De acordo com o historiador cristão Eusébio, houve um edito
imperial da parte de Diocleciano (303 d.C.), ordenando que “as Escrituras fossem destruídas
pelo fogo”.
A perseguição motivou um exame sério da questão dos livros canônicos, quais eram
realmente canônicos e deveriam ser preservados.
É sabido que, traiçoeiramente, mesmo durante a vida dos apóstolos, no século I, já
havia algumas pessoas que insinuavam a existência de uma ou outra corrupção na Palavra
de Deus.
Livros falsificados, quer totalmente (como a Epístola de Hermas, de Barnabé, etc.),
quer parcialmente, já tentavam se insinuar nas igrejas, mesmo durante a vida dos
apóstolos. O apóstolo Paulo já advertia:
“Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus, antes
falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus.” (2 Coríntios
2:17).
“Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por
espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo
estivesse já perto.” (2 Tessalonicenses. 2:2).
Mas ninguém pode deixar de ver e se esquivar de reconhecer que todas estas
corrupções do século I e todas as poucas corrupções subseqüentes foram totalmente
rejeitadas pela massa das igrejas. Particularmente, os textos dos pouquíssimos
manuscritos alexandrinos (séculos IV em diante) em que todo o TC se edifica foram
totalmente rejeitados pelo total da enorme massa das igrejas e jamais foram copiados e
usados para qualquer coisa. (Usamos o plural "textos" porque cada um destes manuscritos
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alexandrinos difere terrivelmente dos outros, em muitos milhares de pontos. Diferem mais
entre si do que diferem do TR.).
Podemos resumir dizendo que a grande maioria dos livros do N. T. jamais sofreu
polêmicas quanto à sua inspiração desde o início. Certos livros não-canônicos, que gozavam
de grande prestígio, que eram muito usados e que tinham sido incluídos em listas
provisórias de livros inspirados, foram tidos como valiosos para emprego devocional e
homilético, mas nunca obtiveram reconhecimento canônico por parte da igreja.
Só os 27 livros do N. T. são tidos e aceitos como genuinamente apostólicos e
encontraram lugar no cânon do Novo Testamento.
Assim, podemos dizer que, logo no mais tenro início, no primeiro e segundo século do
Cristianismo, ocorreu a canonização (no sentido de "reconhecimento informal e
consensual, pela grande massa das igrejas locais fiéis").
Também podemos dizer que, ao final do século IV, ocorreu a canonização (no sentido
de "declaração formal e oficial da grande massa de igrejas locais, mesmo que já não
totalmente locais e nem todas fiéis, posto que o Romanismo já se desenvolvia, Roma já
se impunha, ainda que o Romanismo ainda tivesse muito em que degenerar").
21.11. Classificação Técnica do Novo Testamento
A. HOMOLOGOUMENA (falar como um). São os livros bíblicos que foram aceitos por
todos.
Em geral, 20 dos 27 livros do N. T. foram aceitos por todos. Exceto: Hebreus, Tiago, 2
Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse. Outros três livros, Filemom, 1 Pedro e 1 João, foram
omitidos, não questionados.
B. ANTILEGOMENA (falar contra). São os livros bíblicos que em certa ocasião foram
questionados por alguns.
De acordo com o historiador cristão Eusébio, houve 7 livros cuja autenticidade foi
questionada por alguns dos pais da igreja, e por isto ainda não haviam obtido
reconhecimento universal por volta do século IV.
Isto não significa que não haviam tido aceitação inicial por parte das comunidades
apostólicas e subapostólicas. Tampouco, o fato de terem sido questionados, em certa época,
por alguns estudiosos, é indício de que sua presença no cânon seja menos firme que os
demais livros.
Ao contrário, o problema básico a respeito da aceitação da maioria desses livros não
era o reconhecimento de sua inspiração divina ou falta de inspiração; mas sim, a falta de
comunicação entre o Oriente e o Ocidente a respeito de sua autoridade divina.
São eles: Hebreus, Tiago, 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Apocalipse.
Hebreus: foi basicamente a anonimidade do autor que suscitou dúvidas. Por isso, o
livro permaneceu sob suspeição para os cristãos do Oriente, que não sabiam que os crentes
do Ocidente o haviam aceito como autorizado e inspirado.
Outro fator que influenciou foi o fato de que os montanistas heréticos terem recorrido
a Hebreus em apoio a algumas de suas concepções errôneas, o que fez demorar sua
aceitação nos círculos ortodoxos.
Ao redor do século IV, no entanto, sob a influência de Jerônimo e Agostinho, esse livro
encontrou lugar permanente no cânon.
Tiago: sua veracidade e autoria foram desafiadas. Os primeiros leitores atestaram
que era Tiago, irmão de Jesus (At 15 e Gl 1). Todavia, a igreja ocidental não teve acesso a
esta informação. Também, houve a questão do aparente conflito com o ensino de Paulo
sobre a justificação somente pela fé. No entanto, sua aceitação como canônico baseia-se na
compreensão de sua compatibilidade essencial com os ensinos paulinos.
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2 Pedro: foi a Carta que mais ocasionou dúvidas quanto à sua autenticidade. Isto se
deveu à dessemelhança de estilo com a primeira Carta de Pedro. As diferenças, porém,
podem ser explicadas facilmente, por causa do emprego de um escriba em 1 Pedro, o que
não ocorreu em 2 Pedro (vide 1 Pe 5:12).
2 e 3 João: o fato do seu questionamento foi porque o escritor se identificou apenas
como “o presbítero” e, além da anonimidade, sua circulação foi limitada. Porém, a
semelhança de estilo e de mensagem com 1 João, que já havia sido aceita, mostrou ser
óbvio que 2 e 3 João vieram também do apóstolo João.
Judas: a confiabilidade deste livro foi questionada por alguns. A contestação se
centrava nas referências ao livro pseudepígrafo de Enoque (Jd 14, 15) e numa possível
referência ao livro Assunção de Moisés (Jd 9). Porém, suas citações não são diferentes das
citações feitas por Paulo de poetas não-cristãos (At 17:28; 1 Co 15:33; Tt 1:12). O que Judas
fez foi citar um fragmento de verdade encravado naqueles livros e não dizer que eles teriam
autoridade divina. Sua canonicidade foi reconhecida pelos primeiros pais da igreja (Ireneu,
Clemente de Alexandria, Tertuliano). O Papiro Bodmer (P72), recentemente descoberto,
confirma o uso de Judas ao lado de 2 Pedro, na igreja copta (igreja ortodoxa no Egito) do
século III.
Apocalipse: A doutrina do Milenarismo (Ap 20) foi o ponto central da controvérsia,
que durou até fins do século IV. Como os montanistas heréticos basearam seus ensinos
heréticos no livro de Apocalipse, no século III, a aceitação definitiva desse livro acabou
sofrendo uma demora. A partir do momento em que se tornou evidente que este livro estava
sendo mal usado pelas seitas, embora tivesse sido escrito por intermédio de João (Ap 1:4;
22:8-9), e não dentre os hereges, assegurou-se o lugar definitivo no cânon sagrado.
C. PSEUDEPÍGRAFOS (falsos escritos). Livros não-bíblicos rejeitados por todos.
Durante os séculos II e III, numerosos livros espúrios e heréticos surgiram (escritos
falsos). A corrente principal do Cristianismo seguia Eusébio, que os chamou de livros
“totalmente absurdos e ímpios”.
Esses livros tem apenas interesse histórico. O conteúdo deles resume-se em ensinos
heréticos, eivados de erros gnósticos (seita filosófica que arrogava para si conhecimento
especial dos mistérios divinos), docéticos (ensinavam a divindade de Cristo, mas negavam
Sua humanidade, alegando que Ele só tinha a aparência de ser humano) e ascéticos (os
monofisistas ascéticos ensinavam que Cristo tinha uma única natureza, uma fusão do
divino com o humano).
Tais livros revelavam desmedida fantasia religiosa. Evidenciavam uma curiosidade
para descobrir mistérios não revelados nos livros canônicos (como onde esteve Jesus dos 12
aos 30 anos).
Eles, em sua maior parte, não haviam sido aceitos pelos pais primitivos e ortodoxos da
igreja, nem pelas igrejas, não sendo, portanto, considerados canônicos.
O número exato desses livros é difícil de apurar. Por volta do século XIX, Fótio havia
relacionado cerca de 280 obras. Depois apareceram outras.

Alguns Livros Apócrifos da Era Cristã
• Evangelhos: O Evangelho de Tomé, O Evangelho dos ebionitas, O Evangelho de
Pedro, O Proto-Evangelho de Tiago, O Evangelho dos egípcios, O Evangelho arábico
da infância, O Evangelho de Nicodemos, O Evangelho do carpinteiro José, A
História do carpinteiro José, O Passamento de Maria, O Evangelho da natividade
de Maria, O Evangelho de um Pseudo-Mateus, Evangelho dos Doze, de Barnabé,
de Bartolomeu, dos Hebreus, de Marcião, de André, de Matias, de Pedro, de Filipe.
• Atos: Os Atos de Pedro, Os Atos de João, Os Atos de André, Os Atos de Tomé, Os
Atos de Paulo, Atos de Matias, de Filipe, de Tadeu.
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• Epístolas: A Carta atribuída a nosso Senhor, A Carta perdida aos coríntios, As
(Seis) Cartas de Paulo a Sêneca, A Carta de Paulo aos laodicenses (também pode
ser considerado entre os apócrifos).
• Apocalipses: de Pedro (também pode ser considerado entre os apócrifos), de Paulo,
de Tomé, de Estêvão, Segundo Apocalipse de Tiago, Apocalipse de Messos, de
Dositeu. (os 3 últimos foram descobertos em 1946, em Nag-Hammadi, no Egito).
• Outras obras: Livro secreto de João, Tradições de Matias, Diálogo do Salvador.
(também descobertos em 1946, em Nag-Hammadi, no Egito).

D. APÓCRIFOS (escondidos ou duvidosos). Livros não-bíblicos aceitos por alguns, mas
rejeitados por outros.
Esses livros gozavam de grande estima pelo menos da parte de um pai da igreja.
Tiveram, quando muito, o que Alexander Souter chamou de “canonicidade temporal e local”.
Haviam sido aceitos por um número limitado de cristãos, durante um tempo limitado, mas
nunca receberam um reconhecimento amplo ou permanente.
Eram considerados mais importantes que os pseudepígrafos e faziam parte das
bibliotecas devocionais e homiléticas das igrejas primitivas, pelas seguintes razões: revelam
os ensinos da igreja do século II; fornecem documentação da aceitação dos 27 livros
canônicos do N.T.; fornecem informações históricas a respeito da igreja primitiva, quanto à
sua doutrina e liturgia.
São eles: Epístola do Pseudo-Barnabé; Epístola aos coríntios; Homilia antiga (chamada
“Segunda epístola de Clemente); O pastor, de Hermas (foi o livro não-canônico mais popular
da igreja primitiva); O Didaquê (ou “Ensino dos doze apóstolos”); Apocalipse de Pedro; Atos
de Paulo e de Tecla; Carta aos laodicenses; Evangelho segundo os hebreus; Epístola de
Policarpo aos filipenses; Sete epístolas de Inácio (este teria sido discípulo de João, mas não
reivindica para si autoridade divina).
21.12. Critérios Para Reconhecer a Canonicidade de um Livro
Quatro princípios gerais ajudaram a determinar quais livros deveriam ser aceitos
como canônicos:
A. Apostolicidade: foi escrito por um apóstolo, ou, senão, tinha o escritor do livro um
relacionamento tal com um apóstolo, de modo a elevar seu livro ao nível dos livros
apostólicos? (At 4:13 mostra a credibilidade dos apóstolos).
B. Conteúdo: era o conteúdo de um dado livro de tal natureza espiritual que lhe desse
o direito a esta categoria? Esse teste eliminou muitos livros apócrifos ou pseudo-apócrifos.
C. Universalidade: era o livro recebido universalmente pela igreja?
D. Inspiração: mostrava o livro evidência de ter sido divinamente inspirado? Era o
teste final. Tudo tinha que cair diante dele.
Da mesma forma que a apostolicidade é provada, também é provada a canonicidade
dos livros do Novo Testamento, tal como se prova a autoria dos renomados escritores
mundiais cujas obras trazem seus nomes.
A consciência cristã, dominada pelo Espírito, discerniu entre o puro e o impuro.
Cumpre ressaltar que tal realização não se deve nem à própria Igreja, mas que ela
aconteceu obedecendo aos mesmos processos da canonização do Velho Testamento. Isto é,
cada livro foi se impondo e falando por si mesmo com suas provas internas e externas até
que, em determinado tempo, foi reconhecido pelas autoridades eclesiásticas e pelos Pais da
Igreja como possuindo autoridade apostólica, não havendo a intervenção de Concílios.
Os livros apareceram primeiramente separados, em épocas e localidades diferentes.
Foram guardados com carinho pelas Igrejas e aceitos como apostólicos. Eram lidos nas
assembléias cristãs, em reuniões devocionais, inspirativas e doutrinárias.
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Ao encerramento do N. T. (isto é, ao terminar de ser escrito o livro de Apocalipse, em
cerca do ano 96 depois de Cristo) foi reconhecido por TODOS os crentes fiéis que o cânon do
N. T. (isto é a coleção de 27 livros que o constituem) estava encerrado para sempre, e incluía
o livro do Apocalipse. Claro que, sempre houve, há e haverá um pequeno grupo de
descrentes em algum livro, sempre há e haverá os infiéis, os agentes que o Diabo sempre
introduz para levantar dúvidas a princípio leves e sutis, depois mais pesadas.
Algo depois do acima referido encerramento do N. T., tudo isto acima dito (e que
sempre foi o consenso entre os crentes fiéis) foi meramente RECONHECIDO e declarado
OFICIALMENTE e por TODOS no III Concílio de Cártago, em 397 d.C.
O NOVO TESTAMENTO é canônico, uma vez que todos os seus livros, e somente eles,
foram desde o início universalmente reconhecidos como inspirados, porque:
1. Foram escritos pelos apóstolos (ou suas segundas pessoas) (Cl 1:1,2).
2. Foram universal e espontaneamente aceitos (1 Ts 2:13).
3. Foram aceitos pelos “pais da igreja” (filhos ou netos espirituais dos apóstolos, por
quem foram ensinados, diretamente. Exemplo: Policarpo, filho na fé de João).
4. Tem conteúdo evidentemente inspirado, edificante, espiritual, harmônico com toda
a Bíblia.
É notável o fato de não termos tido interferência da autoridade da igreja na
constituição de um cânone; nenhum concílio discutiu esse assunto; nenhuma decisão
formal foi tomada. O Cânone do N.T. parece ter se formado sozinho... Lembremo-nos
que esta não-interferência de autoridade constitui um tópico valioso de evidência
quanto à genuinidade dos quatro evangelhos; pois assim parece que não foi devido a
qualquer autoridade adventícia, mas sim a seu próprio peso, que desbancaram todos
os seus rivais. (George Salmon – Uma Introdução Histórica ao Estudo dos Livros do
Novo Testamento, 1888, pág. 121).

É bom que fique claro, que certos livros do Novo Testamento foram considerados
canônicos independentemente de se conhecer quem os escreveu. O exemplo clássico
que temos disso é a Carta aos Hebreus. Muitos dos debates que ainda perduram até
hoje sobre alguns livros do Novo Testamento, não se ligam à sua canonicidade, mas à
sua autoria.
22 - A BÍBLIA E SUA PRESERVAÇÃO
Deus jurou e realmente preservou Suas palavras, de um modo absolutamente perfeito,
de maneira que cada palavra do Texto (em Hebraico-Aramaico e em Grego) por Ele
preservado e que temos agora escrita em papel, nas nossas (a Bíblia), é plenária, exclusiva,
inerrável, infalível e verbalmente a própria Palavra eterna do próprio Deus!
Esta preservação só requereu a infalível providência de Deus, não Seu milagre
contínuo. Falamos de texto; de palavras; não de suas representações, nem de manuscritos e
outros meios físicos (1 Cr 16:15; Sl 12:6-7; 19:7-8; 33:1; 100:5; 111:7-8; 117:2;
119:89,152,160; 138:2b; Is 40:8; 59:21; Mt 4:4; 5:18; 24:35; Lc 4:4; 16:17; 21:33; Jo
10:35b; 16:12-13; 1 Pe 1:23,25; Ap 22:18-19).
Os próprios autores humanos sabiam que estavam escrevendo "as Palavras de Deus".
Os líderes cristãos dos primeiros séculos da nossa Era utilizaram e citaram material
neotestamentário lado a lado com material do veterotestamentário. como sendo Palavra de
Deus.
Entendendo, como entenderam, que estavam lidando com coisa sagrada, iriam zelar
por essa Palavra, vigiando o processo da transmissão.
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Dispomos de declarações cabais dessa preocupação a partir do próprio N. T. (Ap
22:18-19).
Justino Mártir (150 d.C.) escreveu que era costume nas congregações cristãs, quer na
cidade quer no campo, ler tanto o N. T. como o A. T. cada Domingo. Resulta dali que tinham
que existir cópias, muitas cópias (não se pode ler sem livro), e teriam que ser cópias boas (os
usuários seriam exigentes).
Embora o processo de copiar à mão resulte em erros sem querer, muitas vezes, no
início, seria possível verificar qualquer cópia contra o Autógrafo (documento original), e
principalmente nas regiões mais próximas da igreja detentora do Autógrafo.
Tudo indica que pelo menos 18 e talvez até 24 dos 27 Autógrafos (2/3 a 8/9) se
encontravam na região Egéia (Grécia e Ásia Menor).
Foi exatamente nessa área que a Igreja mais prosperou, e ela se tornou o eixo da
Igreja até o 4º século (pelo menos). [Lembrar que Jerusalém foi saqueada em 70 d.C., e
provavelmente quaisquer Autógrafos ali existentes foram levados para a Antioquia, ou ainda
mais longe].
Foi também nessa área que a língua Grega foi mais usada, e durante mais tempo, pois
foi a língua oficial do império bizantino (transmissão exata de qualquer texto é possível
unicamente na língua original).
A Ásia Menor foi caracterizada também por uma mentalidade conservadora quanto ao
Texto Sagrado. Na Antioquia, surgiu uma "escola" de interpretação literalista (por formação,
um literalista é obrigado a se preocupar com a exata redação do texto, pois sua
interpretação se prende a ela).
Quer dizer que até o ano 300 d.C. tinha um fluxo cada vez maior de cópias boas,
fidedignas emanando da região Egéia para o mundo cristão, precisamente porque aquela
região reunia todos os requisitos para se impor à confiança da Igreja, quanto ao Texto
Sagrado. Em contraste, no Egito, a igreja era fraca, herética, não se usava o Grego, não
havia nenhum Autógrafo (fatalmente o texto ali existente sempre seria de 2ª mão, no
mínimo), grassava uma mentalidade alegorista. Enfim, o Egito seria um dos últimos lugares
onde procurar um texto bom.
Aí houve a campanha de Diocleciano (303 d.C.), visando destruir os MSS
(manuscritos) do N. T. Sendo que a perseguição mais ferrenha deu-se exatamente na região
Egéia, teria sido uma oportunidade perfeita para os tipos de texto existentes no Egito e na
Itália conquistarem espaço maior no fluxo da transmissão do Texto e fossem considerados
aceitáveis ou viáveis. Mas não aconteceu; os principais pergaminhos não têm "filhos" —
ninguém quis copiar semelhante texto.
Aliás, podemos deduzir que a campanha de Diocleciano teve um efeito purificador na
transmissão. Grosso modo, os MSS menos preciosos e respeitados seriam os
primeiros a serem entregues à destruição; já os exemplares mais cotados e respeitados
seriam protegidos a qualquer custo, e uma vez que a perseguição passou serviriam de
base para suprir as igrejas com cópias boas novamente.
O movimento Donatista girou em torno da punição merecida pelas pessoas que
entregaram seus MSS (entre outras coisas). Obviamente muitos não os entregaram, e os que
entregaram foram discriminados.
É geralmente reconhecido por eruditos de todas as linhas teóricas que, a partir do 4º
século, o fluxo da transmissão do Texto foi tranquilamente dominado por um tipo de texto,
geralmente conhecido por "Bizantino" em nossos dias. "Bizantino" porque esse império
abrangeu exatamente a região Egéia, a região que reunia todas as qualificações necessárias
para garantir a transmissão fiel do Texto. Até hoje, as "Igrejas Ortodoxas" do oriente utilizam
esse tipo de texto.
Lá pelo 9º século, houve um "movimento" (parece que foi mais ou menos espontâneo)
no sentido de mudar o estilo de grafia de letras maiúsculas (unciais) para cursivas
(minúsculas). Os exemplares antigos eram copiados na nova "roupagem" e aparentemente
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grande número desses antigos foram destruídos (ou reciclados, daí os "palimpsestos",
manuscritos apagados e escritos por cima).
Dos MSS gregos existentes hoje (do N. T.), uns 95% trazem o texto "Bizantino" e os
outros 5% são um tanto heterogêneos (o erudito Frederic Wisse fez uma comparação
minuciosa de 1.386 MSS gregos nos capítulos 1, 10 e 20 de Lucas e chegou à
conclusão de que apenas oito deles representavam o tipo de texto egípcio, geralmente
chamado "Alexandrino" em nossos dias — 8 contra 1.375 !!!).
Cabem aqui algumas ressalvas:
A. A mera antiguidade de um MS não garante nada quanto à sua qualidade. Aliás,
devemos perguntar: como poderia um MS sobreviver fisicamente durante mais de 1.500
anos? Teria que ficar no desuso e ainda num clima seco. Como todos os MSS mais antigos
estão cheios de erros cabais, tudo indica que foram reprovados no seu tempo — certo é que
não foram copiados, a julgar pelos MSS existentes.
B. Como é que não dispomos de MSS tipicamente "Bizantinos" de antes do 5º século?
Qualquer MSS digno de uso seria usado e gasto por esse uso. Assim, seria estranho
encontrar um MSS bom com tanta idade. Os MSS fidedignos foram intensamente usados e
copiados, e acabados; mas, o texto (ou redação) que traziam foi preservado através das
sucessivas gerações de cópias.
C. A idéia de que teria havido um congresso ou concílio no 4º século que "normalizou"
o texto do N. T. carece de qualquer sustentação histórica. No caso da Vulgata Latina, que na
hipótese seria análogo (o papa tentou impor a nova tradução), não resultou o consenso que
existe entre os MSS "Bizantinos".
D. Como é que a grande maioria dos eruditos dos últimos cem anos tem preferido o
texto "Alexandrino" e desprezado o texto "Bizantino"? A resposta está nas pressuposições e
no terreno espiritual. Por exemplo, nenhum dos cinco redatores responsáveis pelo texto
eclético, ora em voga, acredita que o N. T. seja inspirado por Deus, e o próprio Senhor Jesus
adverte que a neutralidade no terreno espiritual não existe (Lc 11:23).
Resumindo, os livros neotestamentários foram reconhecidos como "Bíblia" desde o
início e, através das décadas e dos séculos, as gerações sucessivas de crentes zelaram
pela transmissão fiel desses livros. O Texto nunca se "perdeu". Nos primeiros 200
anos, era sempre possível constatar a exata redação de qualquer livro.
A preservação divina operou durante todos os séculos, de tal modo que ainda hoje
podemos ter certeza razoável, com base em critérios objetivos, da exata redação
original do N. T.
Daí, uma preservação tamanha, uma preservação semelhante, abrangendo tantos
séculos de transmissão à mão, e passando por tantas tribulações — uma preservação assim
é simplesmente divina! É uma prova aparente da atuação divina, que vale dizer também que
Deus abonou a escolha da Igreja, o Cânon.
O argumento mais contundente e convincente a favor do exato Cânon que a Igreja vem
defendendo através dos séculos é exatamente a preservação divina desse Cânon. Essa
preservação é igualmente um forte argumento a favor da inspiração do Texto. É o
argumento lógico.
Se o Criador fosse dar uma revelação à nossa raça, deveria também preservá-la.
Constatamos que Ele a preservou, com efeito. Por que Ele cuidou tanto de preservar esse
Texto, e só esse Texto? Portanto, porque Ele tinha interesse especial nesse Texto.
Deus realmente não só inspirou, mas também preservou Sua Palavra incessante,
inerrável, infalível e verbalmente, da forma mais perfeita e absoluta (Is 40:8, 59:21; Mt 5:18;
Jo 10:35; 1 Pe 1:23-25). Vejamos:
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1. Salmos 12:6, 7 - As palavras do SENHOR são palavras PURAS, [como] prata
refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes. (7) Tu os GUARDARÁS,
SENHOR, desta geração os livrarás [PRESERVARÁS] PARA SEMPRE. (Também
pode [e deve!] ser traduzido “Tu as GUARDARÁS, ... as PRESERVARÁS ...”,
referindo-se às palavras de Deus!)
2. Salmos 19:7 - A lei do SENHOR é PERFEITA, e refrigera a alma; o testemunho do
SENHOR é FIEL, e dá sabedoria aos símplices. (8) Os preceitos do Senhor são
RETOS e alegram o coração; o mandamento do Senhor é PURO e ilumina os olhos.
3. Salmos 119:89 - [lamed:] PARA SEMPRE, ó SENHOR, a tua palavra PERMANECE
[está estabelecida] no céu.
4. Salmos 138:2 - ... engrandeceste a tua PALAVRA acima de todo o teu nome
(! Que inspiração verbal, isto é, palavra por palavra!).
5. Isaías 40:8 - Seca-se a erva e cai a flor, porém a PALAVRA de nosso Deus subsiste
ETERNAMENTE.
6. Mateus 4:4 - ... Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de TODA a
PALAVRA que sai da boca de Deus.
7. Mateus 5:18 - ... até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá
da lei, sem que tudo seja cumprido.
8. Mateus 24:35 - O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras NÃO HÃO DE
PASSAR.
9. Lucas 16:17 - E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.
Deus preservou Sua palavra de modo tão maravilhoso, somente através do Texto
Massorético (V.T.) e do Texto Recebido (N.T.)
22.1. A Preservação do Antigo Testamento
Cuidados extremos dos copistas garantiram que mesmo hoje apenas uma de cada
1580 letras do V. T. tenha variante, mesmo que esta variante seja totalmente improvável. E
nenhum desses casos tem o menor dos menores efeitos em nenhuma doutrina.
O rigor com o qual os judeus transmitiram a Bíblia Hebraica até hoje pode ser visto
nas prescrições abaixo, preservadas no Talmude:
“Um rolo de sinagoga deve ser escrito sobre peles de animais limpos, preparadas por
um judeu, para o uso particular da sinagoga. Estas devem ser unidas mediante tiras
[de couro] retiradas de animais limpos. Cada pele deve conter certo número de
colunas, igual em toda a extensão do códice. A altura da coluna não deve ser menor
do que 48 nem maior do que 60 linhas; e a largura deve ser de 30 letras. Toda a cópia
deve ser primeiro dotada de linhas; e se três palavras forem escritas nela sem uma
linha, será sem valor. A tinta deve ser preta, não vermelha, verde nem de qualquer
outra cor e deve ser preparada de acordo com uma receita definida. Uma cópia
autêntica deve ser o modelo do qual o transcritor não deve desviar-se até nos menores
detalhes. Nenhuma palavra, letra e nem ainda um yod deve ser escrito de memória
sem que o escriba não a tenha olhado no códice que está à sua frente. ... Entre cada
consoante deve intervir o espaço de um cabelo ou de um pavio; entre cada palavra o
espaço será de uma consoante estreita; entre cada novo parashah, ou secção, o
espaço será de nove consoantes; entre cada livro, três linhas. O quinto livro de Moisés
deve terminar exatamente com uma linha, mas os restantes não necessitam terminar
assim. Além disto, o copista deve sentar-se com vestimenta judia completa, lavar todo
o seu corpo, não começar a escrever o nome de Deus com a pena recentemente
molhada na tinta e mesmo que um rei lhe dirigisse a palavra enquanto estava
escrevendo este nome, não deve dar atenção a ele.”
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Cada jovem escriba era advertido pelo escriba ancião: “Acautela-te de como fazes teu
trabalho, porque este é o trabalho do céu, não aconteça que tu omitas ou insiras uma
letra e assim te tornes o destruidor do mundo!” (mundo = humanidade).
Cada palavra e cada letra era contada, e se UMA letra tivesse sido omitida ou inserida,
ou se UMA letra tocasse por outra letra, a página era imediatamente destruída; três
erros numa página condenavam todo o manuscrito!
22.2. A Preservação do Novo Testamento
Há cerca de 6000 manuscritos em Grego. Compare:

“Texto Recebido” (Impresso por
Erasmus, Stephen, Beza, Elzevir, etc., a
partir de 1516)
“Textos Críticos” (Impressos por
Westcott e Hort, etc., a partir de 1881)
São cerca de 95% dos manuscritos em
Grego
São cerca de 5% dos manuscritos em Grego
São absolutamente consistentes entre si São absolutamente inconsistentes entre si
(e, até, cada um consigo próprio)
Vieram de igrejas firmes Vieram de igrejas introdutoras de heresias
(Alexandria)
Únicos textos adotados pelas igrejas fiéis e
instruídas, sempre, antes e após a Reforma.
Só recentemente descobertos/adotados
pelos liberais e modernistas, que os
chamam “mais antigos e melhores textos”.
Das cerca de 140.000 palavras do N.T. em Grego, os T.C’s.
omitem/alteram/adicionam cerca de 10.000. Em alguns casos os T.C’s. sempre
diminuem a inspiração das Escrituras, a divindade de Cristo, Seu sangue, Seu
nascimento virginal, a natureza vicária da Sua morte, a Trindade, outras doutrinas
cardinais.
Os autógrafos originais de todos os livros do Novo Testamento não existem mais. Eram
feitos de papiro e este material não resistia aos séculos em condições normais de uso. O que
temos hoje são cópias destes originais. O fato dos originais não existirem não deve assustar
ninguém. Até mesmo a obra de Camões, "Os Lusíadas", só é preservada por cinco cópias e
não há o original.
Mesmo assim, ninguém duvida de que temos a obra como Camões a escreveu com sua
própria mão. A famosa “Ilíada” de Homero é atestada por 643 manuscritos, sendo que o
mais antigo manuscrito completo é do século XIII. As tragédias gregas de Eurípides são
atestadas por aproximadamente 330 manuscritos.
23 - JESUS USOU A SEPTUAGINTA?
D. A. Waite desafia a contenção que Jesus citou da Septuaginta. Em Mateus 5:18,
Jesus falou sobre a Lei e disse: "Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra
passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido."
Nosso Senhor falou do "i" e do "til", as menores partes das letras hebraicas. Quão pequeno?
Bem, o "i" se refere à letra hebraica “yodh” que é do tamanho de uma apóstrofe. Esta é um
terço da altura das outras letras hebraicas. O "til" se refere aos chifres, ou extensões
minúsculas, de algumas letras hebraicas, como o “daleth”, algo parecido com o golpe
vertical do lábio em nosso “m” ou “n". Isto excluiria uma Bíblia grega. Além disso, o Novo
Testamento se refere a uma divisão tripartite do Velho Testamento - Lei, Profetas e Salmos
(Lucas 24:27, 44). Os manuscritos do Velho Testamento grego são, porém, entremeados com
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escritos apócrifos, nunca reconhecidos como "escritura" pelos rabinos, ou por Cristo ou
pelos apóstolos.
Waite também nos refere para Mateus 23:35 como sendo apropriada a esta discussão:
“para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o
sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que mataste entre o
santuário e o altar".
Ele escreve:
Por esta referência, o Senhor pretendeu responsabilizar os Escribas e os Fariseus por
todo o sangue de pessoas inocentes derramado do V.T. inteiro. Abel se acha em Gênesis 4:8,
mas Zacarias se acha em 2 Crônicas 24:20-22. Se você olha sua Bíblia hebraica, você
achará II Crônicas no último livro (i.é, o último livro na terceira seção, os Escritos). Se, por
outro lado, você olha em sua edição da Septuaginta, tal como publicada pela Sociedade
Bíblica Americana, 1949, Terceira Edição, editada por Alfred Rahlfs, você vê que ela termina
com Daniel seguida por "Bel e o Dragão". Isto é prova clara que Nosso Salvador usava o
Velho testamento hebraico e não o grego. (Ver Lucas 11:51).
Esta é uma observação significante. A frase, "Abel até Zacarias," é apenas outro modo
de declarar, "do início ao fim". Jesus não disse, "de Abel até Bel e o Dragão".
23.1. A Falácia de que o Novo Testamento faz Citações da
Septuaginta
Uma citação no NT de uma passagem do VT, que não é automaticamente uma citação
literal do Texto Massorético, não implica necessariamente que o escritor do Novo
Testamento estava usando uma versão diferente do Texto Massorético. Em Ef 4:8, por
exemplo, o apóstolo Paulo cita Salmo 68:18 (67:18 na LXX), mas a citação não concorda
nem com o Texto Massorético nem com a LXX.
Quando citações no NT variam do Texto Massorético hebraico do VT não implica
necessariamente o uso da LXX. Os escritores do NT, escrevendo debaixo da inspiração do
Espírito Santo, sentiram-se livres para levar a passagem do VT a dar um significado mais
completo a eles revelado pelo Espírito Santo.

DiVietro afirma:
“Seria errado presumir que Jesus usou a Septuaginta. Qualquer liberdade que Ele
praticou com o texto das Escrituras hebraicas, Ele o fez como Seu Autor, não como
Seu Crítico. Estaria, também, errado presumir que os escritores do Novo Testamento
usaram a Septuaginta como o Velho Testamento autorizado deles. Suas formas
características de tradução não fornecem nenhuma defesa da prática moderna de
tradução de paráfrase e ou equivalência dinâmica. As leituras aberrantes da LXX não
deveriam ser elevadas sobre as leituras do Texto Massorético.”
24 - A SUFICIÊNCIA DA BÍBLIA
Faz parte integrante da fé evangélica a convicção de que a igreja nada pode
acrescentar à Bíblia (Dt 4:2, 12:32; Pv 30:6; Ec 3:14; Ap 22:18-19; 2 Pe 1:3; Jd 3) e de que
todas as suas doutrinas devem ser testadas pela sua fidelidade às Escrituras (At 17:11).
Embora nos valendo da erudição dos expositores, nem por isso devemos aceitar deles,
ou de quem quer que seja, qualquer opinião que esteja em conflito com o sentido claro da
própria Bíblia (At 17:11) – pois cremos que esta nunca se contradiz.
Em última análise, devemos depender da unção do mesmo Espírito de Deus que
inspirou os escritores (Jo 16:13; 1 Co 2:10-14; 1 Jo 2:27). Para tanto, havemos de
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<<permanecer Nele>>, a fim de sabermos o que é que nos diz o Deus que <<falou aos
profetas>> (Jo 6:63; 2 Co 3:6).
“Toda escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a
correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e
perfeitamente habilitado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3:16-17).
25 - A AUTORIDADE SUPREMA DAS
ESCRITURAS
A igreja primitiva recebia a Bíblia como a autoridade final. Gaussen diz:
“Com exceção unicamente de Theodore de Mopsuestia, tem sido impossível
encontrar, ao longo dos oito primeiros séculos do cristianismo, um único doutor que tenha
negado a inspiração plena das Escrituras, a menos que fosse no seio das mais violentas
heresias que têm atormentado a igreja cristã; isso equivale a dizer, entre os gnósticos, os
maniqueístas, os anomistas e os maometanos”. L. Gaussen, Theopneustia (Chicago: The
Bible Institute Colportage Ass’n n. D.) pág. 139 e segs. (Palestras em Teologia Sistemática –
Henry Clarence Thiessen, pg. 45).
A autoridade suprema das Escrituras também é uma doutrina puritano-presbiteriana.
A ela, os puritanos tiveram que apelar frequentemente na luta que foram obrigados a travar
contra as imposições litúrgicas da Igreja Anglicana.
A Confissão de Fé de Westminster professa a referida doutrina em três parágrafos do
seu primeiro capítulo. No quarto parágrafo, ela trata da origem ou fundamento da
autoridade das Escrituras: “A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser
crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende
somente de Deus (a mesma verdade) que é o Seu Autor; tem, portanto, de ser recebida,
porque é a Palavra de Deus”.
Mas, visto que Cristo nos fala agora pelo Seu Espírito por meio das Escrituras (Hb
1:1), e que as revelações da criação e da consciência não são nem perfeitas e nem
suficientes à salvação do homem, por causa da queda, que corrompeu tanto uma como
outra, a Palavra final, suficiente e autoritativa de Deus para esta dispensação são as
Escrituras Sagradas.
O fato é que, por procederem de Deus, as Escrituras reivindicam atributos divinos:
são perfeitas, fiéis, retas, puras, duram para sempre, verdadeiras, justas (Sl 19:7-9) e
santas (2 Tm 3.15). Cf. também Salmo 119:39, 43, 62, 75, 86, 89, 106, 137, 138, 142, 144,
160, 164, 172, Mateus 24:34; João 17:17; Tiago 1:18; Hebreus 4:12 e 1 Pedro 1:23, 25.
Que autoridade teria Paulo para exortar aos gálatas no sentido de rejeitarem qualquer
evangelho que fosse além do Evangelho que ele lhes havia anunciado, ainda que viesse a ser
pregado por anjos? Só há uma resposta razoável: ele sabia que o Evangelho por ele
anunciado não era segundo o homem; porque não o havia aprendido de homem algum, mas
mediante a revelação de Jesus Cristo (Gl 1:8-12).
Jesus também atesta a autoridade suprema das Escrituras: pelo modo como a usa,
para esclarecer qualquer controvérsia: "está escrito" (exemplos: Mt 4:4, 6, 7, 10; etc.), e ao
afirmar explicitamente a autoridade das mesmas, dizendo em João 10:35 que "a Escritura
não pode falhar."
A fé reformado-puritana reconhece a autoridade de todo o conteúdo das Escrituras, e
sua plena suficiência e suprema autoridade em matéria de fé e práticas eclesiásticas.
Tão importante foi a redescoberta destas doutrinas pelos reformadores (Reforma
Protestante) que se pode afirmar que, da aplicação prática das mesmas, decorreu, em
grande parte, a profunda reforma doutrinária, eclesiástica e litúrgica que deu origem às
igrejas protestantes.
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Todas as doutrinas foram submetidas à autoridade das Escrituras. Todos os
elementos de culto, cerimônias e práticas eclesiásticas foram submetidos ao escrutínio da
Palavra de Deus. A própria vida (trabalho, lazer, educação, casamento, etc.) foi avaliada pelo
ensino suficiente e autoritativo das Escrituras. Muito entulho doutrinário teve que ser
rejeitado. Muitas tradições e práticas religiosas acumuladas no curso dos séculos foram
reprovadas quando submetidas ao teste da Suficiência e da Autoridade Suprema das
Escrituras. E a profunda Reforma religiosa do século XVI foi assim empreendida.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA
COSTA, Hermisten Maia Pereira da. A Inspiração e Inerrância das Escrituras. São
Paulo: Editora Cultura Cristã, 1998.

ATIVIDADE
1. Demonstre a inspiração e veracidade da Bíblia Sagrada, usando unicamente a
Bíblia.

PROGRAMA DE ESTUDOS
Para finalização dos estudos no MODO INTENSIVO, essa disciplina deverá ser
concluída em 5 dias.
Para finalização dos estudos no MODO NORMAL, essa disciplina deverá ser
concluída em 20 dias.


SUMÁRIO

1 - PORQUE ESTUDAR A BÍBLIA?............................................................................. 2
1.1. A RAZÃO DE ESTUDAR A BÍBLIA POR SI MESMO............................................................2
1.2. AS DIMENSÕES DA BÍBLIA .........................................................................................4
1.3. DOUTRINAS RELACIONADAS AO ESTUDO BÍBLICO..........................................................4
2 - O PROCESSO DOS ESTUDOS BÍBLICOS............................................................... 4
2.1. OBSERVAÇÃO..........................................................................................................4
2.2. INTERPRETAÇÃO.......................................................................................................5
2.3. APLICAÇÃO .............................................................................................................7
3 - MÉTODO DEVOCIONAL ....................................................................................... 9
4 - MÉTODO DE RESUMO POR CAPÍTULO .............................................................. 10
4.1. ETAPAS DO MÉTODO .............................................................................................. 10
5 - MÉTODO DA QUALIDADE DE CARÁTER ............................................................ 12
5.1. ETAPAS DO MÉTODO .............................................................................................. 13
6 - MÉTODO DE ESTUDO TEMÁTICO...................................................................... 17
6.1. ETAPAS DO MÉTODO .............................................................................................. 17
7 - MÉTODO DE ESTUDO BIOGRÁFICO................................................................... 20
7.1. DICAS PARA O ESTUDO BIOGRÁFICO ......................................................................... 20
7.2. ETAPAS DO MÉTODO .............................................................................................. 21
8 - MÉTODO DE ESTUDO POR TÓPICOS................................................................. 25
8.1. ETAPAS DO MÉTODO .............................................................................................. 25
9 - MÉTODO DE ESTUDO HISTÓRICO-CULTURAL E CONTEXTUAL.......................... 26
9.1. POR QUE ESTUDAR CENÁRIOS? ............................................................................... 26
9.2. O VALOR DA ARQUEOLOGIA..................................................................................... 27
9.3. ETAPAS DO MÉTODO .............................................................................................. 27
10 - MÉTODO DE ESTUDO SINTÉTICO.................................................................. 30
10.1. ETAPAS DO MÉTODO .............................................................................................. 31












MÉTODOS DE ESTUDOS BÍBLICOS - 2
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1 - PORQUE ESTUDAR A BÍBLIA?
Um estudo bíblico inaugurou o ministério terrestre de Jesus, e com um estudo bíblico
ele o encerrou. Esta é a ênfase do evangelho segundo Lucas (Lc 4.14-22; 24.27,32,44).
Lucas é o livro bíblico que chama Jesus de Mestre o maior número de vezes. Jesus
pressupunha que o homem só pode aproximar-se de Deus por meio da sua revelação. O
estudo bíblico é o modo de conhecer a revelação de Deus.
O estudo bíblico foi um meio utilizado pela igreja primitiva na divulgação do evangelho
e no fortalecimento da fé dos convertidos (At 8.35; 17.2-3,11; 18.27-28). Eles seguiam os
passos de Jesus e acreditavam, como ele, que a pesquisa das Escrituras levaria os homens
ao encontro de Deus.
O próprio evangelho de Lucas é o resultado do estudo bíblico de evangelhos
anteriormente escritos, conforme declara o autor no prefácio da obra (Lc 1.1-4). A leitura do
Novo Testamento certamente confirma a tese de que o estudo bíblico era uma das principais
atividades desenvolvidas pela igreja nascente e missionária, no primeiro século.
Estas poucas observações bastam para ressaltar nosso dever de estudar a Bíblia. É
um dever e não uma opção, visto que este era o proceder de nosso Mestre, da igreja antiga e
dos próprios escritores inspirados. O que conhecemos de Jesus está na forma de um livro
que necessita ser estudado para obter dele uma plena compreensão da sua obra e pessoa.
Todos os que se aproximam da Bíblia, utilizam-se de um método de estudo da mesma,
consciente ou inconscientemente. Não há problema em ter um método de estudo bíblico,
desde que ele seja válido e nos conduza a resultados verdadeiros.
É necessário verificar se o método que utilizamos para estudar a Bíblia é bom. Mesmo
aqueles grupos que afirmam não estudar a Bíblia, têm seu modo especial de basear nela os
seus pensamentos. Outros, mais conscientes da necessidade de estudo, utilizam-se de
comentários, livros de estudo dirigido e de outras obras, para obter maior compreensão do
texto bíblico. Ouvir palestras, aulas e pregações é para a maior parte das pessoas o único
método de estudar a Bíblia que conhecem.
Nosso objetivo é incentivá-lo ao estudo independente da Bíblia. Esta independência
não diz respeito a Deus, e sim ao homem. Grande parte do povo de Deus tem-se tornado
erradamente dependente de outros para compreender a Bíblia. Acreditamos que o
conhecimento e divulgação de um bom método de estudar independentemente a Bíblia é o
melhor modo de promover um retorno sadio aos ensinamentos da Escritura.
1.1. A Razão de Estudar a Bíblia Por Si Mesmo
Não podemos deixar de considerar a conquista realizada na Reforma protestante.
Lutero já havia descoberto que Bíblia longe do povo causaria corrupção, assim
começou mesmo sendo um monge católico a ensinar a Bíblia e a estudava em suas línguas
originais. Com isto foi formando o conceito de “sola scriptura”, idéia de que as Escrituras
são a única autoridade para o pecador procurar a salvação. Assim começa entender que só
a Bíblia tem a autoridade verdadeira.
Em 31 de outubro de 1517, fixa suas 95 teses na Igreja do castelo de Wittenberg. Em
1518 afirma que a única autoridade no debate que teria logo a frente não seriam nem ao
Papa nem a igreja, mas a Bíblia.Cria um sistema de educação elementar para que o povo
pudesse aprender a ler a Bíblia em alemão Até a reforma a Bíblia vinha nas suas línguas
originais ou no Latim, língua dos Romanos. A pregação passa ter o seu valor no culto. A
Bíblia passa ser acessível a todo o povo, tendo contribuído fortemente para isso o advento
da imprensa de Gutemberg.
Alguém pode perguntar: Porque devo estudar a Bíblia por mim mesmo? Uma
infinidade de pessoas já não fez esse estudo? Qual a razão de tentar fazer isto de novo?
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• A primeira razão para estudar a Bíblia por si mesmo é simples: não devemos
absorver a "teologia" dos que nos rodeiam. Esta sempre foi a causa da apostasia e
idolatria de Israel. Usaremos, porém, um exemplo moderno para ilustrar esse
ponto: Os primeiros missionários de determinada denominação batizavam para a
remissão de pecados. Hoje em dia, porém, a prática mais comum desta
denominação não é esta. Qual a razão? Simples: como os primeiros obreiros diziam
não ter necessidade de estudar a Bíblia (mas pregavam "inspirados" pelo Espírito,
sem preparo prévio), com o tempo, esta denominação foi absorvendo a teologia
evangélica mais forte no país que ensinava a não essencialidade do batismo. Moral
da história: quem não estuda para aprender o que é certo, vai aprender de muitos
modos o que é errado.
• Outra razão para fazer um estudo bíblico independente é a má exegese encontrada
na literatura sobre a Bíblia. Se um professor da escola dominical preparar suas
aulas consultando comentários, vai acabar ensinando mentiras em nome de Deus.
Por exemplo: num conceituado comentário, a parábola do fermento é alegorizada e
a lição que o autor procura transmitir é que a "a falsa doutrina se infiltra em todas
as partes do reino". O autor usa muitas referências e parece ter avaliado a opinião
contrária. Como saber se ele está certo? Precisamos fazer um estudo próprio, caso
contrário seremos induzidos a pensar como o comentarista quer que pensemos.
Muitos exemplos deste tipo poderiam ser usados, mas o ponto é que não podemos
ensinar opinião humana. Temos a obrigação de verificar tudo, e o melhor meio de
fazê-lo é estudar sem influência alheia.
• Um motivo importante para o estudo bíblico é o fato de não possuirmos um
"intérprete oficial" da Bíblia como a Igreja Romana, ou como os Russelitas. Cada
cristão e cada geração cristã tem o dever de estudar e determinar o que a Bíblia
está dizendo. Se não fizermos isto, estamos endossando alguma forma de "credo
oral", que substitui as Escrituras como critério da verdade.
• Um estudo honesto e independente das Escrituras ajuda a tirar os textos bíblicos
do seu "sentido comum". Chamamos de sentido comum aquele sentido que sempre
demos ao texto até o dia em que aprendemos o que realmente o texto queria dizer.
Quando um católico lê a palavra "batismo", o sentido comum associado a esta
palavra evoca a imagem de um sacerdote jogando água na testa de um nenê. Um
estudo sério e independente mostra que este sentido comum está errado. O estudo
bíblico independente faz com que tiremos os "óculos" que sempre nos faziam ver as
coisas com uma determinada cor: a cor das idéias preconcebidas ou pré-
conhecidas.
• Estudar a Bíblia faz com que deixemos de usar os textos como "textos-prova" de
doutrinas, e busquemos a mensagem íntegra que o Espírito Santo quis transmitir
através do escritor do texto sagrado.
• Um estudo bíblico renovado impede aquela tendência de ser eclético e dar ao texto
bíblico vários sentidos. Um estudo sério leva em conta o fato do escritor original ter
tido em mente algo que precisamos saber. Não adianta somar tudo o que se diz
sobre um texto; precisamos determinar o que o texto diz.
• Por último, cremos que a razão mais importante para um estudo bíblico sério é a
vontade de Deus. Deus quer que nos apropriemos da sua vontade. A Bíblia é o
registro dela. Logo, é essencial que estudemos a pa-lavra de Deus e procuremos
compreendê-la. Não existe conselho mais repetido nas Escrituras, direta e
indiretamente. Deus é eternamente sábio. Se ele, nesta sabedoria, deixou sua
vontade revelada em um livro, então temos a certeza de que é possível compreender
a vontade dele pelo estudo deste livro. Se não o fizermos ou desistirmos da tarefa,
estaremos blasfemando contra a sabedoria de Deus.
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1.2. As Dimensões da Bíblia
• A Bíblia é um livro natural (humano): Pois nela há ingredientes que
comunicam ao homem. Gramática, estrutura, forma literária. Tudo isto de
importância para o bom estudo.
• A Bíblia é um livro espiritual (divino): Ela deve ser lida e estuda como
Palavra de Deus. Termos que comunicam de forma progressiva as verdade
de Deus aos homens.
1.3. Doutrinas Relacionadas ao Estudo Bíblico
A. Revelação. A Bíblia se apresenta como a verdade revelada de Deus. Revelada =
desvendada, como o abrir de uma cortina para ver o que está por detrás. Ela revela a
verdade.
B. Inspiração. Os autores bíblicos foram inspirados na sua escrita para ir aonde Deus
queria que fossem e para produzir o que Deus queria que produzissem. Soprado por Deus –
inspirado ou exalado por Deus. Esse hálito é o sopro do Senhor.
C. Iluminação. É o ministério do Espírito Santo, que esclarece as verdades reveladas
na Bíblia (Jo 16. 12-15). Atitudes que o cristão deve ter para ser iluminado pelo Espírito
Santo para entender as Escrituras:
• Pedir que o Espírito Santo sonde nossos corações – Sl 139.23,24, Sl 26.2.
• Confessar o que é necessário ser confessado – Sl 32.5 ; 51.2,7,10,17; 66,18;
1Jo 1.9
• Pedir um coração receptivo, sedento e obediente – Sl 42.1,2; Pv 23.12; Hb
10.22.
2 - O PROCESSO DOS ESTUDOS
BÍBLICOS
Para se fazer qualquer investigação bíblica, é necessário ter uma metodologia de
trabalho. Os métodos são os passos a serem dados na pesquisa; é a forma de procedimento
para se chegar a um determinado fim. No nosso estudo vamos observar os seguintes passos:
2.1. Observação
Depois de escolhido a passagem bíblica e o método que será utilizado, inicia-se a
primeira etapa que é a observação. Nela vamos ler o texto várias vezes, em várias versões,
fazendo suas anotações. Para essa etapa, o estudante irá fazer algumas perguntas ao texto
até ficar bem familiarizado com a passagem.
Quando lemos um texto bíblico, nós não conseguimos extrair dele, todas as riquezas
nele contida. Às vezes pensamos que a passagem não tem tantas informações para serem
tiradas. Mas, quando lemos comentários e também ouvimos pregações sobre o texto,
ficamos perplexos com o que uma boa pesquisa pode fazer.
A observação é, portanto, aquela etapa do estudo bíblico onde vamos gastar tempo
para trazer à tona todos os detalhes nele contido.
O propósito é que o estudante fique permeado com o conteúdo da passagem, e com
isso tenha subsídios para as demais etapas da análise textual. A Observação é o alicerce do
estudo.
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A. Pré-Requisitos. Toda pesquisa exige interesse por parte do pesquisador para que
ela tenha sucesso. Além disso, os esforço e a perseverança durante o processo são
fundamentais para se chegar ao objetivo. Muitas descobertas foram feitas quando os
pesquisadores já estavam no limite.
Aliada à perseverança temos a paciência. Um bom estudo bíblico, preparado com
ordem e fidelidade ao texto, exige paciência, pois os resultados nunca surgem em questão de
minutos, principalmente quando não conseguimos descobrir alguma detalhes do texto.
Também é fundamental que o estudante vá registrando todas as suas informações
num caderno. Essas anotações serão importantes para a formatação do estudo bíblico.
Cuidado com anotações em folhas soltas, pois é comum, com o passar do tempo, elas
sumirem, perdendo assim informações importantes.
O conteúdo de suas informações serão, posteriormente, averiguadas quanto à sua
veracidade. Assim, anote tudo aquilo que vem à sua mente
B. Como Ler o Texto
Durante a Obsevação é fundamental que o estudante:
• Dê atenção completa ao que se está vendo;
• Esteja mentalmente alerta e concentrado;
A pressa é uma grande inimiga da boa Observação. Assim sendo, deve-se:
• Ler a passagem cuidadosamente;
• Ler repetidamente;
• Ler pensativamente – concentrando-se no que se está lendo;
• Ler pacientemente;
• Ler orando;
• Ler imaginativamente;
C. Perguntas Usadas na Observação
• Quem? quem está falando e quem são os ouvintes? Quem são os personagens
envolvidos? Anote todos os personagens envolvidos na cena.
• O que? o que está acontecendo? O que cada personagem está falando, fazendo? O
que acontece antes e depois do evento?
• Onde? descreva o local da ação. Onde está o autor ao escrever, e onde estão os
destinatários. Há locais geográficos que devem ser identificados ?
• Quando? Quando estes eventos estão acontecendo? O momento é significante?
Em que ponto da história estão ocorrendo?
• Por que? Descubra fatos que motivaram o acontecimento ou a história, o motivo
ou propósito do autor ou do personagem central.
• Como? De que forma os acontecimentos se desenrolaram: rapidamente;
vagarosamente; por mãos humanas; por um milagre.
2.2. Interpretação
Em seguida entra a fase de interpretação, que é a etapa intermediária na confecção do
estudo. Nela vamos usar as regras de interpretação, também chamada de HERMENÊUTICA.
Assim, iremos descobrir o que o autor estava querendo dizer com aquela passagem. A fase
de interpretação é de fundamental importância no estudo bíblico, pois se ela estiver errada,
a aplicação, fatalmente estará também errada.
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A Bíblia é o livro mais lido e o mais estudado em todo o mundo. Nela encontramos
histórias, poesias, provérbios e profecias. Algumas partes são fáceis de entender, outras
exigem um maior exercício para saber o real significado da passagem. Infelizmente, por
negligenciar a importância da pesquisa, muitas pessoas a interpretam erroneamente.
Para que cheguemos a um sentido mais exato do texto, precisamos usar as
ferramentas corretas de interpretação. Assim, o curso tem como propósito apresentar aos
alunos as regras fundamentais de interpretação da Bíblia, para que, através delas, eles
possam encontrar o sentido correto de uma passagem das Escrituras, visando aplicá-la na
sua vida e também compartilhá-la com os outros.
O objetivo principal da interpretação bíblica é descobrir o sentido correto do texto na
época em que ele foi escrito, com vistas à aplicação correta. Para isso, precisamos transpor
as barreiras colocadas pelo tempo e a distância entre os autores bíblicos e nós.
A. O Que Gera Interpretações Erradas.
• Aceitação de uma explicação sem investigação
• Influência de programas e livros evangélicos.
• Colocação da experiência pessoal acima das Escrituras.
• Falta de conhecimento do contexto histórico-cultural.
• Falta de conhecimento e aplicação de regras de interpretação.
• Falta de conhecimento da revelação progressiva de Deus.
• Falta de investimentos em livros de pesquisas.
B. Barreiras a Serem Removidas. A Bíblia foi clara, e não complicada, para os leitores
originais. Mas somos separados do contexto deles por vários séculos, pela cultura, pela
língua e pela história. Sem princípios para nos orientar nessa tarefa, podemos ficar perdidos
no caminho de volta para o significado original do texto. Por isso, é necessário conhecer bem
os princípios de interpretação da Bíblia. Existem diversos tipos de barreira que nos separam
do ambiente dos autores do texto original, e portanto precisam ser transpostas para que
possamos fazer a interpretação correta.
Barreiras da Linguagem. Quando estudamos uma língua estrangeira sabemos que
só ter a tradução da palavra não é suficiente.
Temos que aprender a disposição mental, a cultura, a visão de mundo daqueles que
falam a língua.
Os escritos originais do Antigo Testamento foram escritos em hebraico, e uma
pequena parte em aramaico. Já o Novo Testamento foi escrito em grego koiné, sendo que
muitas palavras aparecem apenas uma vez na Bíblia, tornando o trabalho de tradução
muito árduo. A primeira versão em Português, feita por João Ferreira de Almeida, já sofreu
inúmeras alterações. Nos últimos anos a arqueologia tem descoberto manuscritos que têm
colaborado no trabalho de busca do texto original. O bom interprete é aquele que leva este
detalhe em consideração. Os comentários, muitos em Português, nos apresentam estudos
de palavras que, certamente, nos darão uma maior compreensão do sentido que o autor
original queria dar ao texto. Fazer uma interpretação baseada apenas na tradução da Bíblia
em Português, sem nenhum outro critério de investigação, poderá resultar em uma
verdadeira catástrofe teológica, particularmente se o estudo em questão for doutrinário.
Barreiras Culturais. A Bíblia é o produto e a apresentação de culturas que são
dramaticamente diferentes da nossa. Ela começou a ser escrita aproximadamente 1450
anos antes de Cristo. Por volta do ano 400 a.C. foi escrito o último livro do Velho
Testamento – Malaquias. Já o Novo Testamento teve o seu primeiro livro escrito por volta do
ano de 45 e o último, perto do ano 90 depois de Cristo. Sendo assim, o leitor da Bíblia deve
estar ciente de que se trata de um documento antigo, escrito em épocas específicas, com
propósitos específicos e para grupos específicos. Não podemos deixar esse detalhe de lado.
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Para termos uma visão exata do que ocorreu temos que tentar reconstruir o contexto
cultural nas áreas da comunicação, transporte, comércio, agricultura, profissões, religião,
etc.
Barreiras de Comunicação. Comunicar é uma arte. No nosso caso, temos um ser
perfeito se comunicando com um imperfeito, um ser infinito se comunicando com um finito,
o que traz algumas dificuldades naturais.
Exemplo de barreira: Pv 22.28: “Não removas os marcos antigos que puseram teus
pais.”
Possíveis respostas:
• Não efetuar mudanças na forma como sempre fizemos as coisas.
• Não furtar
• Não remover os marcos que orientam os viajantes de cidade para cidade.
• Nenhum dos casos acima
Lembre-se não é o que o texto significa para você , mas sim o que o texto significa para
seu autor e para seu primeiro publico.
Nesta caso o marco se refere a um poste que indicava o fim da propriedade de certa
pessoa e o começo da do seu vizinho. Sem as técnicas modernas de agrimensura, era uma
coisa relativamente fácil aumentar a área da gleba mudando os marcos.
Assim o objetivo é dar significado aos detalhes observados e descobrir os propósitos do
texto sendo estudado.
A qualidade da sua interpretação está embasada na qualidade de sua fundação. Se a
observação não for bem feita a construção será prejudicada.
Na OBSERVAÇÂO escavamos; na INTERPRETAÇÂO construímos.
2.3. Aplicação
Após as observações e correta interpretação do texto, precisamos saber como as
verdades e princípios bíblicos podem ser aplicados em nossas vidas. O propósito da Bíblia
não é aumentar o nosso conhecimento, mas mudar as nossas vidas, o nosso caráter.
Definição: Praticar na vida cristã diária o que foi estudado. É transformar conceitos
em prática. Um estudo bíblico perde o seu objetivo se não chegar até o ponto de ser
convenientemente aplicado.
Aplicação: Responde à pergunta: “Como isto funciona?”
Propósito: O propósito primário das escrituras é mudar as nossas vidas, não
aumentar o nosso conhecimento.
LEMBRE-SE!
A aplicação é o ponto final de um longo trabalho
A aplicação é o prêmio final do seu estudo bíblico
A aplicação é o processo de elaboração que transforma conceito em prática.
A. Auto Avaliação. Para aplicarmos as escrituras, primeiro a mudança tem e deve
começar em nós mesmos. Não podemos agir como se a Palavra só servisse para os outros:
“fulano precisava tanto ouvir isto...”. Assim uma auto-avaliação de pontos fortes e fracos é
importante para se determinar as áreas onde devemos concentrar nossa atenção.
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B. Substitutos da Aplicação. Há um perigo inerente ao estudo bíblico: levar o aluno a
um processo intelectualmente fascinante, mas espiritualmente frustrante, onde o estudante
até se entusiasma com a verdade, mas não experimenta mudança de vida. Existem alguns
substitutos que podem ocupar o lugar da aplicação. Alguns exemplos:
Substituir a aplicação por interpretação. O Sermão ou estudo que termina com
“Que o Senhor abençoe seu coração com essa verdade”. Pois que aplicação é esta? Veja Tg
4.17.
Substituir mudança substancial por obediência superficial. Quando
sondamos áreas de nossa vida frente a uma determinada aplicação e deixamos de lado
justamente áreas onde estamos em falta. Ex. vendedor que é honesto com mulher, filhos,
mas não totalmente com seus clientes.
Substituir arrependimento por racionalizações. No momento em que a
verdade começa a “incomodar” procuramos desculpas para nos defender. Ex. Vendendor
desonesto: “Faço isto pois meus concorrentes não são cristãos e também fazem. Se eu não
fizer seria concorrência desleal.”
Substituir decisões volitivas por experiências emocionais. Aquela
experiência típica de domingo ou final de acampamento, retiro, onde são feitos
compromissos, derramam-se lagrimas, etc. mas em poucos dias tudo é esquecido e não se
produz nenhuma verdadeira transformação.
C. Os 4 Passos na Aplicação.
• Conhecer. Conhecer o texto: ou seja, realizar a observação e a interpretação de
forma exaustiva. Há apenas uma interpretação e várias aplicações. Isto nos dá
segurança que aquelo que estudamos não será mudado amanhã. Além de conhecer
o texto, precisamos conhecer também a nós mesmos. Por isso a importância de se
fazer uma auto-avaliação.
• Relacionar. Tendo conhecimento do texto e da nossa realidade, devemos relacionar
a Palavra de Deus com a nossa própria experiência. Na verdade, entende-se melhor
o cristianismo como sendo uma série de novos relacionamentos. O padrão bíblico
para isso é II Coríntios 5:17: “E assim, se alguém está em Cristo, é nova critatura:
as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”.
• Meditar. A verdadeira meditação é ponderar a verdade, com vistas a deixar que ela
auxilie e reajuste nossas vidas. Não significa uma ginástica mental que procura
esvaziar a mente, mas entrelaçar as Escrituras no tecido da vida diária. Confira
Josué 1.8 e Salmo 1.1-2.
• Praticar. O objetivo do estudo bíblico é a prática da verdade. Devemos nos
perguntar: “Existe alguma área da minha vida onde esta verdade se faz
necessária?”. E a seguir partir para a prática.
D. Perguntas Para Auxiliar na Aplicação. Assim como na etapa da Observação usamos
perguntas para bombardear o texto, também na Aplicação existem algumas que podem ser
utilizadas quando abrirmos a Palavra:
• Há um exemplo a ser seguido?
• Há um pecado a se evitar?
• Há uma promessa a se reivindicar?
• Há uma oração a se repetir?
• Há um mandamento a obedecer?
• Há uma condição a se atender?
• Há um versículo a ser memorizado?
• Há um erro a se notar?
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• Há um desafio a enfrentar?
• Há algum novo pensamento sobre Deus (Pai, Filho e Espírito Santo)?
3 - MÉTODO DEVOCIONAL
O método devocional envolve tomar uma passagem da Bíblia, grande ou pequena, e
meditar nela com devoção até que o Espírito Santo lhe mostre um meio de aplicar a verdade
na sua vida de modo que seja pessoal, prático, possível e mensurável. A meta é você levar a
sério a Palavra de Deus e ser "praticante" do que ela diz (Tgl.22).

FORMULÁRIO PARA ESTUDO DEVOCIONAL
• Data: 30 de junho
• Passagem: Lucas 12.22-26
• Oração
o [X] (assinale depois de ter orado)
• Meditação
o Tenho de parar de me preocupar tanto. Deus cuidará de todas as minhas
necessidades. Considerando que Deus me deu a vida, com certeza posso
confiar que ele a sustentará. Aprendo com o exemplo dos pássaros, pois eles
não se preocupam com o futuro. Mas Deus cuida deles diariamente. E se
Deus cuida dos pássaros, claro que ele cuidará de mim! Além do mais, ficar
me preocupando nunca faz bem. Nunca muda a situação. Então, por que me
preocupar? Qual o proveito em me preocupar? Nenhum.
o Mandamento a obedecer: Não se preocupe! (Lc 12.22).
o Promessa a reivindicar: Deus vai cuidar de mim! (Lc 12.24).
• Aplicação
o Tenho de aplicar esta lição na área financeira de minha família. Durante este
próximo mês (tomarei um mês de cada vez) toda vez que o diabo me tentar a
ficar preocupado com minhas contas, eu resistirei o pensamento citando em
voz alta Lucas 12.24.
• Memorização
o "Observem os corvos: não semeiam nem colhem, não têm armazéns nem
celeiros; contudo, Deus os alimenta. E vocês têm muito mais valor do que as
aves!" (Lc 12.24).

• Data: 10 de julho
• Passagem: Juízes 6.1-18
• Oração
o ÍX] (assinale depois de ter orado)
• Meditação
o Quando Deus quer realizar algo, ele procura e usa pessoas.
o Deus usa as pessoas mais inesperadas.
o Deus pode mostrar melhor sua força através de nossas fraquezas.
o O poder de Deus em nós é a resposta para nossas insuficiências.
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o Pecado a confessar/atitude a mudar: Senhor, perdoe-me por não estar
disposto a ser usado por ti. Senti que tu não poderias me usar por causa de
minhas fraquezas. Tenho me servido de minha insuficiência como desculpa
para a preguiça. Ajuda-me a lembrar que confiar em mim só me levará ao
fracasso, mas que confiar em tua força em mim me dará vitória. Usa minhas
fraquezas para dar glória a ti.
• Aplicação
o Tenho medo de aceitar o convite que minha igreja fez para ensinar numa
classe de escola dominical. Dei desculpas para não assumir a posição,
porque me sentia inadequado. Mas sei que Deus quer que eu ensine aquela
classe, portanto vou dizer ao pastor que aceitarei a responsabilidade.
• Memorização
o Lembre o que Deus disse a Gideão: "Eu estarei com você" (Jz 6.16)
4 - MÉTODO DE RESUMO POR
CAPÍTULO
O método por resumo de capítulo implica em uma compreensão geral, através de cinco
leituras seguidas do texto, no mínimo, além de perguntas sobre o seu conteúdo e um
resumo das principais idéias da porção estudada. (Este método não deve ser confundido
com os métodos investigativo do livro e analítico do capítulo).
4.1. Etapas do Método
Você terá que gastar mais tempo, talvez, nos salmos, nos livros proféticos e nas
epístolas do Novo Testamento.
A. Título. Atribua ao capítulo um título curto e descritivo. Quanto menor o título,
mais fácil para lembrar. Na verdade, se você aplicar este método em todos os capítulos do
livro bíblico escolhido, poderá se lembrar do conteúdo do livro inteiro apenas memorizando
os títulos dos capítulos. Use, se possível, uma palavra (ICo 13: "Amor") e, no máximo, cinco
(Hb 11: "Os heróis da fé"). Descubra a palavra-chave do capítulo e ajuste-a ao título.
Se o título for atrativo ou puder ser idealizado, você se lembrará por mais tempo.
Alguém criativo deu o seguinte título para João 4: "Poço-Posso". Os dois eventos-chaves
deste capítulo são a mulher do poço e o filho de um oficial a quem Jesus pôde curar.
B. Conteúdo. Descreva, resuma, parafraseie, esboce ou faça uma lista dos principais
pontos do capítulo. O método que escolher dependerá do estilo literário do capítulo e de sua
preferência. Algumas pessoas gostam de resumir; analistas gostam de esboçar. Escolha o
método que lhe deixar mais à vontade e que seja fácil de fazer. Não tente interpretar o
capítulo; faça somente observações sobre o conteúdo. Escreva no formulário o que você
percebe ter sido dito pelo escritor.
C. Personagens importantes. Faça uma lista dos personagens mais importantes do
capítulo. Elabore perguntas como: Quem são as pessoas mais importantes e por que se
fazem presentes aqui? O que é significativo a respeito delas? Se o capítulo contém pronomes
(ele, ela, eles etc), reporte-se, se necessário, ao capítulo anterior para identificar os
personagens. Escreva suas razões por escolher alguns deles como os mais importantes.
Quando se tratar de genealogias (listas de pessoas), não relacione cada uma delas, mas faça
um resumo.
D. Versículo-chave. Escolha um versículo que resuma o capítulo inteiro ou algum que
lhe fale pessoalmente. Pode ser que você encontre um versículo-chave em certos capítulos
que sintetize o argumento do escritor, e, em outros, não. Em outras ocasiões, poderá optar
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por um versículo para ser posto em prática, algum que você crê que Deus queira que seja
aplicado sobre sua vida.
E. Palavras-chave. Anote a palavra-chave do capítulo. Muitas vezes será aquela que
for mais empregada no texto ("amor", em ICo 13; "fé", em Hb 11). Outras vezes, talvez, seja a
palavra mais importante, mas não a mais empregada. Em Romanos 6, por exemplo, o verbo
"considerar" é a palavra mais importante, embora seja usada somente uma vez (Rm 6.11).
Um capítulo também pode ter mais de uma palavra-chave.
F. Desafios. Relacione quaisquer dificuldades que você tenha com o texto. Existem
afirmações que você não entende? Há algum problema ou alguma questão que você gostaria
de estudar mais profundamente? E muito comum surgirem idéias para outros tipos de
estudos (futuros) durante o método por resumo de capítulo. Por exemplo, certa palavra no
capítulo pode chamar sua atenção; anote esta palavra. Mais tarde você talvez queira fazer
um estudo profundo sobre ela (v. cap. 7). Uma pergunta sobre doutrina pode motivá-lo a
fazer um estudo por tópicos sobre aquele ensino em particular (v. cap. 6).
G. Referências cruzadas. Consulte as referências cruzadas da sua Bíblia de estudo,
procure outros versículos que lhe ajudem a esclarecer o assunto tratado no capítulo e
anote-os no formulário. Pergunte: Que mais na Bíblia me ajudaria a entender este capítulo?
Referências cruzadas são importantes porque são ferramentas úteis para interpretar o
significado de um capítulo; elas lhe permitem compreender o que a Bíblia, como um todo,
tem a dizer sobre qualquer ensinamento. Você pode pesquisar em vários tipos de referências
cruzadas. Eles estão descritos na seção relacionada ao método analítico de capítulo (v. cap.
10).
H. Cristo. A Bíblia inteira é a revelação da Pessoa de Jesus Cristo. De fato, Jesus
usou o Antigo Testamento para ensinar aos discípulos a seu respeito. No dia da
ressurreição, na estrada de Emaús, Jesus ministrou a dois dos seus discípulos: "E
começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em
todas as Escrituras" (Lc 24.27). Em cada capítulo, esteja atento à declarações que lhe digam
algo sobre Jesus Cristo, o Espírito Santo ou Deus-Pai. Pergunte: O que posso aprender
sobre a natureza de Jesus neste capítulo? Que atributos de Deus, em Cristo, são ilustrados
aqui? (Eis alguns exemplos: seu amor, justiça, misericórdia, santidade, poder e fidelidade.)
Este pode ser o passo mais difícil para ser concluído em algumas porções da Bíblia,
particularmente nas narrativas do Antigo Testamento e nas passagens carregadas de
simbolismo.
I. Lição ou lições principais. Escreva os preceitos mais importantes, as revelações e
lições que você extraiu deste capítulo. Pergunte: Por que Deus quer que esta passagem
esteja na Bíblia? O que ele deseja me ensinar neste capítulo? Qual é o pensamento central
que o escritor está tentando desenvolver? Uma possível resposta seria: "Devemos ser
amorosos em todas as relações interpessoais" (ICo 13).
J. Conclusão. Esta é a parcela da aplicação do estudo. Como já debatido no primeiro
capítulo, desenvolva um projeto para ajudá-lo a implementar em sua vida uma lição que
você aprendeu do capítulo ou parte dele. Será benéfico concluir o resumo de capítulo
fazendo duas perguntas: 1) Como estas verdades se aplicam à minha vida? e 2) O que
exatamente devo fazer com elas?

FORMULÁRIO PARA RESUMO DE CAPÍTULO
• Capítulo: Lucas 15
o Lido cinco vezes: [X] (assinale após as cinco leituras)
• Titulo: "Achados e perdidos"
• Conteúdo:
o Lucas 15-3-7: A ovelha perdida.
o Lucas 15.8-10: A moeda perdida.
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o Lucas 15.11-32: O filho perdido.
• Personagens Importantes:
o O pastor com a ovelha perdida. A mulher com a moeda perdida. O pai com o
filho perdido.
• Versículo-chave:
o Lucas 15.7: "Eu lhes digo que, da mesma forma, haverá mais alegria no céu
por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não
precisam arrepender-se".
• Palavras-chaves:
o Os verbos: perder (v. 4,6,8,9,24,32), encontrar (v. 4-6,8,9) e achar (v. 24,32).
• Desafios. (dificuldades que preciso estudar):
o O que significa este versículo: "Noventa e nove justos que não precisam
arrepender-se"?
• Referências cruzadas: Mateus 18.11-14 João 10.10-14; 1 Pedro 2.25 Isaías 53.6
Salmos 119.176
• Cristo:
o Na primeira parábola: Jesus, o bom pastor, que busca a ovelha perdida.
o Na segunda parábola: O Espírito Santo, nosso Dono legítimo, que procura e
acha.
o Na terceira parábola: Deus-Pai, que espera para nos dar as boas-vindas em
casa.
• Lição principal:
o Revelações: O filho foi embora, dizendo: "Dê-me" (Lc 15.12) e voltou, dizendo:
"Trata-me" (Lc 15.19).
o Deus cuida dos pecadores e ansiosamente espera que eles voltem para casa.
o Características do irmão imaturo:
raiva (Lc 15.28);
infantilidade (Lc 15.28);
ciúme (Lc 15.29,30);
perspectiva errada (Lc 15.29,30);
murmuração (Lc 15.29,30).
• Conclusão (aplicação pessoal):
o Em cada uma das três parábolas verifica-se um esforço concreto para
recuperar o que estava perdido. Muitos dos meus amigos estão perdidos sem
Cristo. Preciso desenvolver planos específicos para dar testemunho, a fim de
alcançá-los com as boas novas. Começarei compartilhando minha fé com
meu amigo João neste fim de semana. Preciso expressar mais alegria quando
ouvir falar de pessoas que aceitaram a Cristo.
5 - MÉTODO DA QUALIDADE DE
CARÁTER
O método da qualidade de caráter implica saber o que a Bíblia diz sobre determinada
característica de uma pessoa, com forte ênfase na aplicação pessoal. Além disso, é uma
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combinação simplificada de três outros métodos de estudo da Bíblia: o morfológico, o
biográfico e o de referências cruzadas.
Este método difere do método biográfico no seguinte aspecto: ele estuda as
características de uma pessoa em vez da própria pessoa. Estas qualidades podem ser
negativas ou positivas, ou ambas. O importante é que aprendamos a evitar as negativas e a
trabalhar na formação das positivas.
5.1. Etapas do Método
A. Nomeie a qualidade. Escolha a qualidade de caráter que você quer estudar e tome
nota. Procure num dicionário da língua portuguesa e anote a definição dessa palavra ou
conceito. Faça uma lista dos sinônimos ou palavras afins que o ajudem a entender esta
qualidade de caráter.
B. Nomeie a qualidade oposta. Escreva a qualidade oposta, ou o antônimo da
qualidade que você está estudando, e escreva a definição que consta do dicionário, além dos
sinônimos. Se não conseguir pensar no significado oposto, use um dicionário de antônimos.
Por exemplo, infidelidade é o oposto de fidelidade. Entretanto, em algumas qualidades de
caráter que você estiver estudando, pode haver dois ou mais significados opostos. Veja o
exemplo abaixo:
• Fé e dúvida.
• Fé e apatia.
• Fé e medo.
C. Faça um estudo simples da palavra. Procure a definição bíblica da qualidade de
caráter que você está estudando. Descubra os modos em que ela é empregada nos contextos
bíblicos; depois consulte um dicionário bíblico ou enciclopédia bíblica ou um léxico para
saber como esta qualidade era usada nos tempos bíblicos e nas Escrituras. Algumas
ferramentas lhe informarão quantas vezes a palavra é empregada na Bíblia, em cada um dos
dois testamentos, nos escritos de autores diferentes e no livro que você estiver estudando.
Por exemplo, se você estivesse estudando o caráter da mansidão, descobriria que a
palavra manso, no original grego, significa "quebrar algo e colocá-lo em submissão". A
palavra era usada para descrever o treinamento de cavalos de raça domesticados pelos seus
domadores. Um garanhão ainda conservava o mesmo poder c força de quando era selvagem,
porém agora estava sob o controle do domador. Portanto, mansidão não é fraqueza. Como
qualidade de caráter cristã, mansidão é a força submissa a Jesus Cristo.
D. Encontre referências cruzadas. O uso de referências cruzadas lhe dará mais
revelações de outros textos da Bíblia. A Escritura ainda é o melhor intérprete da Escritura.
Use a concordância e a Bíblia com versículos em cadeia temática para encontrar todos os
versículos sobre esta característica. Procure a palavra e seus sinônimos na concordância e
na Bíblia tópica, escreva a referência cruzada na seção apropriada do formulário e faça uma
breve descrição desse versículo. Depois, faça algumas das seguintes perguntas sobre a
qualidade de caráter que você está estudando, enquanto medita nos versículos da referência
cruzada:
• Quais são os benefícios que este caráter acarreta?
• Que conseqüências ruins este caráter pode causar?
• Que benefícios este caráter acarreta aos outros?
• Que conseqüências ruins este caráter causa nos outros?
• Há alguma promessa de Deus relacionada a este caráter?
• Há alguma advertência ou julgamento relacionados com este caráter?
• Há algum mandamento relacionado com este caráter?
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• Que fatores produzem este caráter?
• Jesus teve algo a dizer sobre esta qualidade de caráter? O quê?
• Que escritor mais falou sobre esta qualidade?
• Este caráter é simbolizado por algo na Escritura? E significativo?
• Este caráter está incluído em algum conjunto de qualidades? Qual é a relação entre
elas ? O que isto sugere?
• O que as Escrituras nos dizem precisamente sobre o que Deus pensa a respeito
deste caráter?
• Você quer mais ou menos deste caráter em sua vida?
Depois de fazer uma série de perguntas como estas, além de outras que você estiver
pensando em fazer, escreva um breve resumo do ensino bíblico sobre este traço de caráter.
Você pode enumerar lições ou princípios que aprendeu sobre este estudo mini-tópico, ou
parafrasear alguns versículos-chaves sobre esta característica.
Certifique-se sempre de anotar as dificuldades que tiver com os versículos que
consultou ou as perguntas que gostaria de ver respondidas. Possivelmente, mais tarde, você
entenderá sua dificuldade momentânea, e assim achará respostas aos problemas; é comum
um versículo esclarecer outro que você estudou.
E. Faça um breve estudo biográfico. Agora volte para a Bíblia e descubra pelo menos
uma personagem (mais, se possível) que mostrou esta qualidade de caráter. Descreva
brevemente esta qualidade e anote os textos bíblicos relacionados. Faça estas perguntas
como parte do estudo:
• O que mostra essa qualidade na vida dessa personagem bíblica?
• De que forma sua vida foi influenciada por essa qualidade?
• A qualidade ajudou ou impediu o desenvolvimento da maturidade? Como?
• Que resultados produziram em sua vida?
Um exemplo desta etapa pode ser visto na vida de José, filho de Jacó, que revelou
diferentes qualidades do fruto do Espírito (Gl 5.22,23) em cada incidente de sua vida. É
interessante observar seu testemunho diante dos egípcios: "Por isso o faraó lhes perguntou:
'Será que vamos achar alguém como este homem, em quem está o espírito divino?'" (Gn
41.38). Encontramos as seguintes qualidades em José:
• Ele mostrou amor em uma situação familiar difícil (Gn 47).
• Ele mostrou domínio próprio em uma tentação difícil (Gn 39).
• Ele mostrou diligência e perseverança em circunstâncias difíceis (Gn
39.19—40.23).
• Ele mostrou fidelidade em uma tarefa difícil (Gn 41.37-57).
• Ele mostrou mansidão, bondade e generosidade em reuniões familiares
difíceis (Gn 42; 50).
Às vezes, algumas das qualidades que a Bíblia ensina são evidentes no
comportamento de certos animais (particularmente no livro de Provérbios). Quando
encontrar estas qualidades, anote-as.
F. Encontre um versículo para memorização. Escreva pelo menos um versículo da
referência cruzada ou da parte biográfica do estudo que realmente lhe transmita algo, e
memorize-o ao longo da semana seguinte. Este versículo deve estar à mão quando Deus lhe
der a oportunidade de exercitar esta qualidade de caráter de modo específico.
G. Escolha uma situação ou um relacionamento para desenvolver. Estamos chegando
à parte da aplicação do estudo. Pense numa área de sua vida na qual Deus quer que você
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exercite esta qualidade de caráter — evitando-a, se for negativa, ou desenvolvendo-a, caso
seja positiva. Pode ser uma situação ou uma relação interpessoal.
Se for uma situação, antecipe com antecedência o que você fará quando ela surgir. Por
exemplo, você é indolente (preguiçoso). O estudo sobre a preguiça o desafiou a se livrar
dessa qualidade negativa em sua vida. À medida que planeja o futuro, você saberá quando
vão surgir situações que ressaltarão o traço temperamental da preguiça em você, assim,
decida de antemão o que fará. Coloque dois despertadores, um distante do quarto, a fim de
ajudá-lo a se levantar para fazer o devocional e chegar na hora certa no trabalho ou na
escola.
Portanto, aquela era uma situação concreta que Deus havia provocado em minha vida
e que me ajudaria a formar a qualidade do perdão em meu dia-a-dia. Foi uma dura lição,
mas estava incluída na aplicação do que aprendemos na Escritura. Escrever o ocorrido me
permitiu compartilhar essa experiência com outros.

FORMULÁRIO PARA ESTUDO DE QUALIDADE DE CARÁTER
• Qualidade de caráter: "coragem".
o "Exibição de coragem e intrepidez; bravura; vontade de se mover para frente
confiantemente em face de perigo."
• Qualidade oposta: timidez, medo
o "Acovardar-se em circunstância difícil ou perigosa; ser hesitante."
• Estudo simples da palavra:
o Palavra do Antigo Testamento: Bãtah significa "ser confiante". Exemplo: Pv
28.1: "Os justos são corajosos como o leão" (grifo do autor).
o Palavras do Novo Testamento: (1) Tharreo significa "ser confiante, corajoso ou
ousado". Exemplo: Hb 13.6: "Podemos, pois dizer com confiança: 'O Senhor é
meu ajudador, não temerei. O que me podem fazer os homens?'" (grifos do
autor). (2) Parrêsiazomai significa "falar corajosamente ou livremente".
Exemplo: At 19.8: "Paulo entrou na sinagoga e ali falou com liberdade
durante três meses, argumentando convincentemente acerca do reino de
Deus" (grifos do autor).
• Revelações por meio das referências cruzadas:
o Cristo falou corajosamente diante da oposição (Jo 7.16).
o Nossa confiança e coragem brotam por sabermos que o Senhor nos ajudará
nas situações difíceis (Hb 13.6).
o Pedro e João eram corajosos, porque eles tinham estado com Jesus (At 4.13).
o Quando o Espírito Santo encher sua vida, você poderá falar a Palavra de
Deus com ousadia. Os primeiros cristãos oraram pedindo coragem para
testemunhar e Deus respondeu a oração enchendo-os com o Espírito Santo
(At 4.19-31).
o Quando o amor de Cristo estiver em nós, seremos corajosos porque não há
medo no amor. O perfeito amor lança fora todo o medo (ljo 4.17,18).
• Estudo biográfico simples:
o O apóstolo Paulo é um grande exemplo de coragem. Sua vida inteira foi
caracterizada por esta qualidade:
Quando recém-convertido em Damasco, ele deu testemunho de Cristo
com ousadia (At 9.27).
Em todo lugar que ele ia, compartilhava a fé corajosamente, apesar da
oposição e perseguição:
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o em Jerusalém (At 9.28,29);
o na Antioquia da Pisídia (At 13.46);
o em Icônio (At 14.3);
o em Éfeso (At 19.8);
o em Tessalônica (lTs 2.2);
Ele escreveu cartas corajosas para as igrejas (Rm 15.15).
Ele pediu que as pessoas orassem para que ele continuamente
pregasse e ensinasse com intrepidez (Ef 6.19,20).
Seu testemunho cristão, enquanto estava na prisão, fez que outras
pessoas falassem de Cristo com ousadia (Fp 1.14).
Ele até enfrentou a morte corajosamente (Fp 1.20): "Aguardo
ansiosamente e espero que em nada serei envergonhado.
o Ao contrário, com toda a determinação de sempre, também agora Cristo será
engrandecido em meu corpo, quer pela vida, quer pela morte" (grifos do
autor).
• Versículo para memorização:
o "Podemos, pois dizer com confiança: 'O Senhor é o meu ajudador, não
temerei. O que me podem fazer os homens?'" (Hb 13.6).
• Uma situação ou relacionamento (em que Deus quer operar esta qualidade em
minha vida):
o Tive medo de testemunhar a meu amigo Ted, que trabalha comigo no
escritório.
• Meu projeto:
o Primeiramente, pedirei que minha esposa ore por mim para que eu vença
minha timidez em testemunhar para Ted. Depois, em cada dia desta semana
farei uma pausa antes de entrar no escritório e pedirei que o Espírito Santo
encha minha vida e me dê coragem para testemunhar a Ted (At 4.31).
• Ilustrações pessoais:
Na segunda e na terça-feira desta semana orei em busca de coragem
para testemunhar a Ted, mas a oportunidade não surgiu. Na noite de terça-
feira, resolvi que precisava ser mais incisivo em minhas orações, por isso,
pedi à minha esposa que orasse especificamente comigo por uma chance de
compartilhar minha fé com Ted na quarta-feira. Na manhã de quarta-feira,
parei junto à porta do escritório antes de entrar e orei silenciosamente para
que Ted sentisse que eu "[havia] estado com Jesus", como Pedro e João (At
4.13). Então, entrei e coloquei minha Bíblia em cima da mesa, esperando que
Ted a reconhecesse. Durante o intervalo para o café, Ted veio falar comigo.
Ele notou minha Bíblia e disse: E uma Bíblia?
— Sim — respondi. — Já a leu?"
— Ultimamente, não — disse ele. Eu disse:
— Eu a tenho lido muito ultimamente e descobri algumas coisas
maravilhosas nela — Então dei um breve testemunho do que Deus estava
fazendo em minha vida. Ted parecia ligeiramente interessado — pelo menos
ele não deu às costas e foi embora.
É um começo e graças a Deus por me dar a coragem para chegar até
aqui.
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6 - MÉTODO DE ESTUDO TEMÁTICO
O método temático implica abordar um tema bíblico com um conjunto de, no máximo,
cinco perguntas predeterminadas. Depois, você pesquisa esse tema na Bíblia ou em um
único livro, limitando-se às perguntas elaboradas, tirando suas conclusões e escrevendo
uma aplicação pessoal.
O estudo temático é similar ao estudo tópico, diferindo em dois pontos:
1. Primeiro, o estudo temático é menor que o tópico, porque se estuda menos
versículos. Na realidade, é um estudo tópico reduzido. Um tópico pode ser
subdividido em muitos temas. Por exemplo, "oração" seria um tópico, subdividido
em: "as orações de Jesus", "as orações dos autores do Novo Testamento",
"condições para que a oração seja respondida", "promessas na oração",
"intercessão pelas pessoas" e muitos outros temas relacionados à oração. Quando
se faz um estudo temático, centraliza-se o seu enfoque somente em passagens da
Escritura que dizem respeito ao tema selecionado. Em contrapartida, um estudo
tópico investiga todos os versículos possíveis, relacionados com o tópico.
2. Segundo, um estudo temático difere de um estudo tópico pela quantidade de
perguntas elaboradas. Num estudo tópico fazemos o maior número possível de
perguntas, pois o objetivo é esgotar o assunto. No estudo temático, por sua vez,
limitamo-nos apenas a um máximo de cinco questões, pois o único interesse é
responder a algumas perguntas cuidadosamente selecionadas. Depois de listarmos
todos os versículos relacionados ao tema, examinamos cada versículo, fazendo
somente as perguntas previamente elaboradas.
A razão para o número reduzido de perguntas deve-se à quantidade de referências
bíblicas (100, 200 ou mais) por tema. Se sua série de perguntas for muito longa, você ficará
atolado de informações e desanimará. Ficará enfadado com o estudo antes mesmo de
terminá-lo.
6.1. Etapas do Método
Ao fazer um estudo temático, você elaborará algumas perguntas antes de procurar as
referências bíblicas. Essas devem incluir alguns dos seis grandes pronomes relativos
investigativos: O que? Por que? Quando? Como? Onde? Quem? Essas palavras, quando
empregadas de várias formas, possibilitarão um número ilimitado de perguntas para o seu
estudo pessoal da Bíblia. Por exemplo, se você fizesse um estudo sobre "A ira no livro de
Provérbios", estas seriam algumas das possíveis perguntas:
• Quais são as características de um homem irado?
• O que causa a ira?
• Quais são as conseqüências da ira?
• Qual é a cura para a ira?
Todas as quatro perguntas referem-se ao termo "o que?", mas você pode propor as
mesmas perguntas usando os outros cinco pronomes.
A. Escolha um tema. Escolha um tema do seu interesse. Se este for o seu primeiro
estudo deste tipo, comece com um tema simples. Na seção Tarefa há algumas sugestões,
inclusive perguntas, e o exemplo oferece um estudo completo.
B. Faça uma relação de todos os versículos que pretende estudar. Usando as três
ferramentas — a Bíblia de estudo, a concordância exaustiva e a Bíblia tópica — faça uma
lista de todos os versículos bíblicos relacionados ao tema que você escolheu. Lembre-se de
considerar os sinônimos e outras palavras e conceitos semelhantes, quando usar a
concordância. Escolha, desta lista, os versículos que são mais importantes para o tema (a
menos que você esteja tentando descobrir tudo o que a Bíblia diz sobre o tema).
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C. Selecione as perguntas a serem feitas. Como saber se as perguntas a serem feitas
estão corretas? Escreva aquelas que tiver maior interesse. Que assuntos você gostaria de
saber sobre o tema escolhido? Faça uma lista de perguntas, não mais que cinco. Lembre-se
de que às vezes apenas uma pergunta é o suficiente. Escreva a pergunta (ou perguntas) no
formulário ou em uma folha de papel.
D. Formule perguntas para cada referência bíblica. Leia as referências bíblicas e
formule perguntas sobre cada versículo. Escreva as respostas que encontrar nos lugares
apropriados do formulário ou no papel. Às vezes, você conseguirá responder todas as
perguntas sobre determinado versículo mas, em geral, responderá somente parte delas. Vez
por outra, um versículo pode não responder nenhuma de suas perguntas. Sempre que uma
pergunta não tiver resposta, deixe em branco no formulário. Se não obtiver nenhuma
resposta às perguntas, comece de novo e elabore outro conjunto de perguntas.
E. Tire conclusões do estudo. Depois de ter lido todas as referências bíblicas e ter
respondido as perguntas a ela pertinentes, retorne à série de perguntas e resuma as
respostas. Você pode organizar o estudo em forma de esboço, agrupando versículos
semelhantes e transformando as perguntas nas principais divisões do esboço. Assim, será
mais fácil quando quiser compartilhar suas descobertas com um grupo de estudo bíblico,
classe, congregação ou com algum "filho na fé".
F. Escreva uma aplicação pessoal. Para implementar o que descobriu e torná-lo
realidade em sua vida, escreva uma aplicação pessoal que seja prática, possível e
mensurável. Reporte-se às etapas sugeridas no método devocional (cap. 1), caso precise de
ajuda para pôr em prática uma aplicação eficaz.

FORMULÁRIO PARA ESTUDO TEMÁTICO
• Tema: Escolha o tema que deseja pesquisar, certificando-se de que não seja muito
extenso e que não se trata do tópico principal.
• Lista de referências bíblicas: Faça uma lista das referências bíblicas, tantas
quantas forem necessárias para o estudo.
• Perguntas a serem feitas: Relacione as perguntas a serem feitas sobre cada uma
das referências bíblicas (não mais que cinco).
• Respostas às perguntas: Faça as perguntas escolhidas de cada referência bíblica e
escreva as respostas no espaço apropriado ao lado de cada referência bíblica desta
seção (Pergunta A, no espaço dedicado à resposta da pergunta A. Pergunta B, no
espaço dedicado à resposta da pergunta B e assim por diante). Use folhas extras de
papel se não houver espaço suficiente no formulário.
• Conclusões: Escreva as conclusões e resumos dos versículos estudados.
• Aplicação: Escreva uma aplicação pessoal, prática, possível e mensurável.


• Tema: Definição de discípulo segundo Jesus
• Lista de referências bíblicas:
o Mateus 10.24,25 Lucas 14.26-28 Lucas 14.33 João 8.31,32 João 13.34,35
João 15.8
• Perguntas a serem feitas:
o Quais são as características de um discípulo?
o Quais são as conseqüências de ser discípulo?
o (Formule outras perguntas...)
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• Respostas às perguntas:
o Referência bíblica: Mateus 10.24,25
Um discípulo será como Cristo (seu Mestre).
Ele deve esperar ser tratado como Cristo foi, pelo mundo.
(Descubra outras respostas...)
o Referência bíblica: Lucas 14.26-28
O discípulo deve amar a Cristo acima de tudo, carregar sua cruz e
segui-lo.
(Não é dada resposta.) C.
(Descubra outras respostas...)
o Referência bíblica: Lucas 14:33
O discípulo deixa tudo para seguir a Cristo.
(Não é dada resposta.) C.
(Descubra outras respostas...)
o Referência bíblica: João 8.31,32
O discípulo espera continuamente na Palavra de Cristo.
O discípulo conhece a verdade e é liberto.
(Descubra outras respostas...)
o Referência bíblica: João 13.34,35
O discípulo tem amor pelos outros.
As pessoas saberão que ele pertence a Cristo.
(Descubra outras respostas...)
o Referência bíblica: João 15.8
O discípulo produz frutos.
Os frutos produzidos glorificam a Deus.
(Descubra outras respostas...)
o Referência bíblica: (Selecione outra referência...)
(Descubra outras respostas...)
o Referência bíblica: : (Selecione outra referência...)
(Descubra outras respostas...)
o Referência bíblica: : (Selecione outra referência...)
(Descubra outras respostas...)
• Conclusões:
o Características que descobri: O discípulo...
é como Cristo;
ama a Cristo acima de tudo;
carrega a cruz e segue a Cristo;
deixa tudo para seguir a Cristo;
espera continuamente na Palavra de Cristo;
ama os outros;
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dá frutos.
o Conseqüências que descobri:
O discípulo será perseguido.
O discípulo conhece a verdade e é liberto.
O discípulo glorifica a Deus.
Outros observam que ele pertence a Cristo.
• Aplicação:
o Baseado em João 8.31,32:
Estabelecerei um horário regular para meditar diariamente na
Palavra, iniciando amanhã de manhã.
o Baseado em João 13.34,35:
Demonstrarei amor pela pessoa que me irritar em minha classe de
escola dominical, convidando-a juntamente com a família para
jantarem em minha casa na semana que vem.
7 - MÉTODO DE ESTUDO BIOGRÁFICO
O método biográfico procura descobrir o segredo do sucesso ou do fracasso espiritual
da vida de alguma personagem bíblica. No estudo biográfico você busca conhecer a vida
íntima da personagem em estudo. Peça a Deus que o ajude a pensar e a sentir juntamente
com ele, de forma que seu estudo seja uma experiência transformadora de vida. Neste
método de estudo, você escolhe uma personagem bíblica e pesquisa sobre sua vida e seu
caráter nas Escrituras.
O estudo torna-se aplicativo quando você analisa a sua vida à luz do que pesquisou e
pede a Deus que o ajude a substituir suas fraquezas por um caráter positivo. Isso resultará
em crescimento e maturidade na vida cristã.
7.1. Dicas Para o Estudo Biográfico
A fim de que o estudo biográfico seja significativo, você precisa ter em mente certas
dicas.
• Inicie seu estudo com uma personagem sobre quem você pode fazer um estudo
simples, com poucas referências bíblicas. Alguns personagens bíblicos podem ser
estudados em algumas horas; outros levam semanas e ainda há aqueles, tão
importantes, que custam uma vida inteira de estudo. Não comece um estudo de
alguém como Jesus, Moisés ou Abraão. Comece com uma pessoa menos
importante, mas de certo destaque, como André, Barnabé ou Maria de Betânia.
• O segredo de um bom estudo biográfico é conviver com aquele personagem durante
o estudo. Ponha-se no seu lugar. Tente entrar em sua mente e pense, sinta e reaja
às circunstâncias como ele. Procure ver as coisas sob seu ponto de vista, olhando
com seus olhos, ouvindo com seus ouvidos, entrosando-se com seus amigos e
lutando contra seus inimigos. Torne-se essa pessoa enquanto a estuda. Isso só será
possível se você passar muito tempo com ela, lendo e relendo todas as referências
bíblicas a seu respeito.
• Cuidado para não se confundir com pessoas de mesmo nome quando procurar as
referências bíblicas. Certifique-se de que o versículo trata da mesma pessoa que
você escolheu estudar. Não confunda João Batista com o apóstolo João ou João
Marcos. São homens diferentes. O contexto dos versículos geralmente lhe dirá
quem é quem. Por exemplo, a Bíblia nos mostra que os seguintes nomes eram
populares e se referiam a pessoas diferentes:
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o Zacarias — 30 homens diferentes.
o Natã — 20 homens.
o Jonatas — 15 homens.
o Judas — 8 homens.
o Maria — 7 mulheres.
o Tiago — 5 homens.
o João — 5 homens.
• Tenha o cuidado em achar os diversos nomes que podem se aplicar a uma só
pessoa. Considerando que a Bíblia saiu de um contexto hebraico-aramaico-grego,
alguns nomes de pessoas mudavam nos idiomas diferentes, tanto no Antigo quanto
no Novo Testamento. Por exemplo, o apóstolo Pedro é conhecido por Pedro, Simão,
Simeão e Cefas. Os três amigos de Daniel, Hananias, Misael e Azarias são mais
bem conhecidos por Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Às vezes, ocorre mudança
de nome por causa de mudança de caráter, que foi o que aconteceu com Jacó, cujo
nome foi mudado para Israel. Assim, seja cuidadoso e encontre todos os nomes
atribuídos à mesma pessoa no estudo da Bíblia.
• Mantenha-se longe de livros escritos sobre personagens bíblicas, até que você tenha
esgotado todas as referências bíblicas sobre a pessoa e tenha extraído toda
compreensão possível dos textos. Não deixe que um comentarista bíblico lhe roube
o trabalho da descoberta pessoal, ou prejudique sua opinião sobre certo
personagem. Faça seu trabalho primeiro; depois, confira outras fontes.
7.2. Etapas do Método
O formulário para estudo biográfico contém dez seções, que representam as dez etapas
para fazer este estudo.
A. Escolha a personagem bíblica que quer estudar. Escolha alguém que tenha um
ponto fraco como você ou um ponto forte que você gostaria de aperfeiçoar. Selecione uma
personagem cuja vida lhe mostre revelações valiosas sobre como você poderia se ajustar
mais ao padrão de vida de Deus e se tornar mais semelhante a Jesus Cristo.
B. Faça uma lista de todas as referências bíblicas sobre a personagem. Usando as
ferramentas de consulta, encontre todas as referências bíblicas que puder sobre esta
personagem, bem como fatos relacionados à sua vida, tais como o seu nascimento, os
principais acontecimentos na vida, as realizações, o que os outros diziam a seu respeito e
sua morte. Você não obterá todas as "estatísticas fundamentais" necessárias sobre cada
personagem que estudar, mas descobrirá tanto quanto possível.
Procure também referências bíblicas que abordem o contexto histórico da vida da
personagem. Se o estudo for sobre Daniel, será necessário estudar o contexto histórico dos
seus dias. Se for sobre o apóstolo Paulo, terá que estudar suas viagens missionárias.
C. Escreva as primeiras impressões (primeira leitura). Leia todas as referências
bíblicas que você relacionou e faça algumas anotações. Escreva a primeira impressão que
tiver sobre esta personagem. Depois, escreva observações básicas e informações importantes
que descobrir sobre ela. Finalmente, faça uma lista de quaisquer problemas, perguntas ou
dificuldades que quiser saber, à medida que for lendo as referências bíblicas.
D. Faça um esboço cronológico (segunda leitura). Quando se tratar de personagem
importante, leia novamente todas as referências e faça um esboço cronológico da vida dessa
pessoa. Isto o ajudará a ter uma boa perspectiva de sua vida e você perceberá como
acontecimentos diferentes se inter-relacionam. Mais tarde, quando estiver estudando os
acontecimentos associados à sua vida, saberá em que momento eles ocorreram. No caso das
personagens de menor importância ou daquelas sobre quem poucos detalhes são
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fornecidos, leia as referências bíblicas e faça um esboço com base na informação que você
tiver.
Procure ler todas as referências de uma só vez e numa tradução moderna. Isso o
ajudará a sentir como sua vida fluía. Enquanto estiver lendo, procure identificar divisões
naturais e importantes de sua vida. Depois procure e escreva os progressos e as mudanças
de atitude ocorridos ao longo de sua caminhada. Por exemplo, uma divisão bem conhecida
da vida de Moisés é:
• Quarenta anos na corte de Faraó — aprendendo a ser alguém.
• Quarenta anos no deserto de Midiã — aprendendo a ser ninguém.
• Quarenta anos no deserto — aprendendo que Deus é Alguém.
Essa é uma chave preciosa no estudo do caráter das pessoas. Veja como Deus
lentamente moldou e mudou o caráter do personagem estudado ou como Satanás o
empurrou para baixo.
E. Procure conhecer o íntimo da personagem (terceira leitura). Consulte novamente as
referências bíblicas e procure possíveis respostas às perguntas sugeridas no apêndice B. Ao
responder algumas dessas perguntas, você terá revelações e saberá mais sobre o caráter da
pessoa que estiver estudando.
F. Identifique qualidades de caráter (quarta leitura). Após consultar as referências
bíblicas, use a lista sugerida de características positivas e negativas no apêndice C como
forma de verificação. Relacione cada uma das qualidades de caráter que encontrar, boas ou
ruins, no formulário ou em uma folha de papel. Cite uma referência bíblica para cada
característica observada.
G. Mostre como outras verdades bíblicas são ilustradas na vida da personagem.
Examine a vida da personagem para ver como ela ilustra outras verdades bíblicas. Por
exemplo, sua vida mostra o princípio da "colheita e semeadura"? Procure na vida dessa
pessoa ilustrações de alguns dos provérbios como também certos princípios ensinados em
Salmos. Por exemplo, pergunte: "A vida dessa pessoa ilustra a promessa: 'Deleite-se no
Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração'?" (SI 37.4). Encontre referências
cruzadas que ilustrem o que a Bíblia diz sobre algumas das características que você achou
na vida desta personagem.
H. Resuma a lição principal. Em poucas frases, escreva o que você pensa ser a
principal lição ensinada ou ilustrada pela vida desta personagem. Há alguma palavra que
traduza a sua vida ? Que característica se sobressai?
I. Escreva uma aplicação pessoal. Reporte-se ao método devocional (cap. 1) e reveja as
instruções para a redação de uma aplicação. Além dos princípios ali sugeridos, acrescente
estas perguntas:
• Percebi em mim mesmo algo similar à vida desta personagem?
• Ela mostrou algumas de minhas fraquezas?
• Ela revelou meus pontos fortes?
• O que mais me impressionou acerca de sua vida?
• Onde preciso melhorar nessa área?
• O que pretendo fazer a respeito?
J. Torne o estudo comunicável. Sintetize o que você aprendeu em um esboço simples,
de fácil memorização, possibilitando compartilhar suas conclusões com outros. Torne
possível a sua comunicação. Pergunte-se: "O que a vida dessa pessoa pode significar para
outros? O que posso compartilhar sobre o que aprendi para ajudar outras pessoas?".
Divida a informação em seqüências naturais de tempo e/ou fatos e lições aprendidas.
Registre as informações encontradas de forma progressiva. Depois, pense num modo fácil de
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memorização para intitular cada seção. Mantenha os títulos condizentes com o conteúdo
principal de cada uma delas, fazendo uso de rimas, aliterações e outros dispositivos de
memorização. Use sua imaginação nesta etapa!
• Como ilustração de um esboço comunicável da vida de Barnabé, temos:
• Ele foi um investidor na vida dos membros da igreja (At 4.36,37).
• Ele foi o introdutor de Saulo (mais tarde, Paulo) aos apóstolos (At 9.26-28).
• Ele foi o inspetor da nova igreja em Antioquia (At 11.22-24).
• Ele foi instrutor de novos cristãos, inclusive de Paulo e Marcos (At 11.22-
26; 15.39).
• Ele foi o iniciador da primeira viagem missionária, a qual ele começou como
líder, mas terminou como participante (At 13—14).
• Ele foi intérprete da doutrina de salvação e do plano de Deus para os
gentios (At 13 —14).
• Ele foi insistente em dar a Marcos outra chance para ser treinado no
ministério do Evangelho (At 15.36-39).

FORMULÁRIO PARA ESTUDO BIOGRÁFICO
• Nome: Estevão
• Referências bíblicas:
o Atos 6.3 — 8.2 Atos 11.19 Atos 22.20
• Primeiras Impressões e observações:
o Estevão foi um mártir e poderoso pregador da igreja primitiva com tremendo
testemunho, disposto a morrer por sua fé.
• Esboço de vida:
o Escolhido pela igreja primitiva como líder:
para ajudar a solucionar discordâncias (At 6.5);
com base no seu caráter santo (At 6.3,5,8).
o Ele tinha um grande ministério:
servia mesas (At 6.2,5);
fazia milagres (At 6.8);
pregava e ensinava poderosamente (At 6.10).
o Ele foi perseguido:
hostilizado por judeus de diversas partes (At 6.9);
falsamente acusado (At 6.11);
preso e levado perante o Sinédrio (At 6.12-14):
• falsas testemunhas testificaram contra ele;
• defendeu-se fazendo um retrospecto magistral sobre o Antigo
Testamento (At 7.2-53);
• testemunhou de Jesus (At 7.55,56);
• foi linchado pela multidão enfurecida (At 7.57-60).
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o Teve um ministério depois da morte — a perseguição fez com que a igreja se
espalhasse (At 8.2-4; 11.19).
• Revelações gerais (respostas a perguntas):
o Por que ele foi escolhido para ser líder?
Porque: ele era cheio do Espírito e de sabedoria (At 6.3); ele era cheio
de fé e do Espírito Santo (At 6.5); ele era cheio da graça e do poder de
Deus (At 6.8); ele conhecia as Escrituras (At 7.2-53).
o Qual foi sua reação diante de falsas acusações?
Ele se manteve sereno, ficou calado e só respondeu quando o sumo
sacerdote lhe dirigiu a palavra.
o Há paralelos com Jesus?
Sim, ele foi acusado falsamente, demonstrou amor e preocupação
pelos que o acusavam e morreu uma morte "imerecida".
o Qual foi sua atitude para com os que o executavam?
Ele foi perdoador, a ponto de pedir que Deus os perdoasse pelo pecado
de homicídio.
o Quais foram as conseqüências, a longo prazo, de sua vida, ministério e
morte?
Fomentar o plano de Deus. Sua morte fez os discípulos fugirem e
levarem o Evangelho a outras partes da Judeia, Samaria e regiões fora
dos limites da Palestina, em cumprimento de Atos 1.8. Sua morte
também ajudou na conversão de Paulo.
• Qualidades de caráter Identificadas: No livro de Atos
o Cheio do Espírito (6.3,5,10)
o Sábio (6.3,10)
o Fiel (6.5)
o Disponível para Deus (6.8)
o Perseverante (6.10)
o Santo (6.15)
o Instruído (7.1-60)
o Ousado (7.51-53)
o Valente (7.51-53)
o Perdoador (7.60)
o Respeitado por outros (8.2)
o Testemunha de Jesus (22.20)
• Verdades bíblicas Ilustradas em sua vida:
o A presença e o consolo do Espírito Santo nas provações da vida (At 7.54,55;
Hb 13.5,6).
o Falsas acusações e perseguição ocorrerão em nossa vida (At 6.1 lss).
o A graça de Deus nos basta quando andamos com ele (At 6.10; iCo 1.27-31;
2Co 12.9).
• Resumo das lições aprendidas por sua vida:
o A principal característica de Estevão foi seu compromisso com o Senhor e sua
boa vontade em fazer tudo para ele, inclusive entregar sua vida.
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o Este compromisso é notório no seu caminhar com Deus (ele era "cheio do
Espírito Santo, de sabedoria, de fé, da graça e do poder de Deus"). Ele tinha
grandioso testemunho diante dos outros na igreja. Testemunhou tanto em
vida quanto em morte.
o Além disso, ele era homem da Palavra. Ele conhecia a Bíblia — o Antigo
Testamento. Ele deve ter passado horas estudando os rolos e os
pergaminhos.
• Aplicação pessoal:
Preciso ser como Estevão — pessoa da Palavra, que conhece a Jesus Cristo
intimamente e que, quando questionado, está sempre pronto para responder aos
outros com base na Palavra. Como conseqüência deste estudo, me comprometo a
reservar pelo menos quinze minutos para meditação, a fim de conhecer melhor a
Jesus. Também me comprometo a memorizar dois versículos da Escritura,
semanalmente, de forma que eu possa responder aos que me questionam.
• Conceitos comunicáveis (modos de compartilhar com os outros o que aprendi):
o Os conceitos neste estudo que são comunicáveis.
A necessidade de uma caminhada pessoal com Jesus Cristo. O
único modo pelo qual podemos nos tornar homens e mulheres de fé
e de sabedoria como Estevão é reservando tempo para meditação
diária e comunhão com o Senhor. A caminhada de Estevão com
Jesus Cristo era dinâmica.
A necessidade de viver a palavra de Deus regularmente — estudo
bíblico e memorização da Escritura. Se quiser conhecer a Bíblia
como Estevão, preciso investir em tempo nessa atividade para poder
ensinar aos outros a fazer o mesmo. Este livro é um meio de me
ajudar a fazer isso. Preciso compartilhar estes métodos com outras
pessoas.
Necessidade de intrepidez em tempos de adversidade e perseguição.
Preciso orar para que Deus me dê ousadia para com os outros.
• Alguém a quem quero compartilhar este estudo:
o Com todos os alunos do Instituto de Teologia Logos.
8 - MÉTODO DE ESTUDO POR TÓPICOS
O método por tópicos implica escolher um assunto bíblico e seguir o seu curso por um
único livro, pelo Antigo ou Novo Testamento, ou ainda, pela Bíblia inteira, a fim de descobrir
o que Deus diz sobre o tópico. O método requer uma ampla referência cruzada e, além
disso, as perguntas a serem feitas sobre determinado texto, são ilimitadas. Bons exemplos
de estudos tópicos são encontrados no final da Bíblia de referência Thompson com
versículos em cadeia temática.
Há muitos tópicos que o escritor elaborou cuidadosamente. O método por tópicos pode
ser usado para estudar uma doutrina, uma idéia, uma sentença ou essencialmente todo
assunto que esteja mencionado na Bíblia.
8.1. Etapas do Método
Antes de iniciar as etapas, escolha um tópico no qual tenha interesse em estudar.
Pode estar especificamente mencionado ou simplesmente implícito no texto; mas deve ser
importante, tanto em conteúdo quanto em interesse pessoal. Quando utilizar este método de
estudo pela primeira vez, escolha um tópico que não seja muito extenso ou prolongado.
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Limite o tópico às referências bíblicas encontradas em um testamento ou em um único livro
da Bíblia.
A. Compile uma lista de palavras. Relacione todas as palavras correlatas (sinônimos e
antônimos), expressões, fatos e tudo o mais que tenha a ver com o tópico escolhido. Se você
estiver estudando o tópico "sofrimento", por exemplo, liste palavras como aflição, ira,
castigo, mágoa, saúde, dor, tristeza, provação e tribulação. Se perceber que o tópico ficou
muito extenso, limite-o de forma que seja praticável.
B. Reúna referências bíblicas. De posse das ferramentas de consulta, reúna todos os
versículos que encontrar sobre o tópico. Procure cada palavra relacionada, conforme a
primeira etapa, na sua concordância. Faça uma lista de todos os versículos que de alguma
forma se relacionam com o tópico. Use também a Bíblia tópica para encontrar versículos
para o estudo.
C. Considere cada referência bíblica separadamente. Usando o quadro comparativo
exposto no final deste capítulo, consulte, leia e estude cada referência bíblica e escreva suas
observações e revelações. (Você usará o quadro comparativo para a terceira e quarta
etapas.) Certifique-se de conferir cuidadosamente o contexto (os versículos vizinhos) quando
estudar um versículo, para ter certeza de que sua interpretação é correta.
Faça tantas perguntas quantas puder sobre cada versículo que estudar. Lembre-se de
usar as perguntas Quê? Por quê? Quando? Como? Onde? Quem? Não se esqueça de definir
todas as palavras-chaves que encontrar.
D. Compare e agrupe as referências bíblicas. Depois de ter estudado criteriosamente
todos os versículos, você passará a notar que certas referências bíblicas complementam
naturalmente umas às outras e lidam com as mesmas áreas do tópico escolhido. Categorize
estas referências bíblicas num rascunho.
E. Sintetize o estudo em um esboço. Utilizando as categorias estabelecidas na quarta
etapa, logicamente organizadas em suas divisões principais, esboce seu estudo. Esta etapa
organizará seu estudo e lhe permitirá compartilhá-lo com os outros. Faça isto agrupando
referências bíblicas correlatas ou semelhantes em divisões naturais. Depois organize as
divisões dentro de um padrão lógico.
F. Conclua o estudo. Na sua conclusão em duas partes, resuma suas descobertas em
um parágrafo curto. Depois escreva uma aplicação prática extraída destas conclusões.
Lembre-se de ser pessoal e prático e escreva uma aplicação possível e mensurável.
9 - MÉTODO DE ESTUDO HISTÓRICO-
CULTURAL E CONTEXTUAL
O método histórico-cultural e contextual implica no ganho de uma compreensão
melhor da mensagem bíblica, pela pesquisa do cenário referente ao texto, à pessoa, ao
acontecimento ou ao tópico sob estudo. Demanda conhecimento da geografia, dos fatos
históricos, da cultura e do ambiente político, na época em que determinada parte da Bíblia
foi escrita.
9.1. Por Que Estudar Cenários?
Com o objetivo de alcançar verdadeiro entendimento do impacto da narrativa bíblica, é
necessário que "nos transportemos" de volta ao tempo em que o autor viveu. Considerando
que séculos nos separam dos escritores da Bíblia, devemos tentar enxergar seu mundo
pelos seus olhos, sentir o que eles sentiam, para então entender como foram usados pelo
Espírito Santo para escrever o que escreveram.
Uma das regras básicas de interpretação afirma que, visto que a Bíblia foi escrita no
meio da história, só pode ser entendida na íntegra, considerando o contexto histórico. Você
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não pode interpretar a Bíblia corretamente, se ignora a influência da época em que foi
escrita. O estudante sério da Bíblia desejará conhecer sempre o cenário geográfico,
histórico, cultural e político do contexto bíblico ou do livro que está sendo estudado.
Além disso, antes de entendermos o modo pelo qual a mensagem bíblica, hoje, deve
ser aplicada em nossas vidas, devemos inicialmente nos certificar como era aplicada
durante a época em que foi escrita. Se tentarmos interpretar e aplicar a Escritura de acordo
com nossa época e cultura, logo encontraremos muitas dificuldades. Freqüentemente, uma
declaração, palavra, costume ou acontecimento em outra cultura ou época, serão
entendidos de um modo totalmente diferente do significado a que estão atrelados, hoje, ao
nosso povo.
Devido às tremendas descobertas arqueológicas do século passado, alcançamos um
entendimento muito melhor das culturas e cenários históricos dos tempos bíblicos. A maior
parte destas informações está disponível em excelentes ferramentas de pesquisa.
Definitivamente, você terá que consultá-las quando estiver aplicando este método de estudo
bíblico.
9.2. O Valor da Arqueologia
Para muitas pessoas, a arqueologia é uma ciência monótona, enfadonha e pouco
conhecida. Mas graças ao trabalho paciente de muitos arqueólogos experientes de diversas
nações, hoje sabemos muito mais acerca dos tempos bíblicos, do que os cristãos há meio
século atrás. A National Geographic e outros periódicos conhecidos publicaram as tábuas de
Ebla, recentemente descobertas, que lançaram nova luz no Oriente Próximo, de 2000 a
2500 a.C. Hoje, podemos entender a Bíblia como nunca, visto que a arqueologia tem sido
um poderoso meio de informação e companheira do estudante sério da Bíblia.
G. W. Van Beek escreveu:
“Ninguém pode entender a Bíblia sem ter um conhecimento da história e cultura
bíblicas, e ninguém pode afirmar que tem um conhecimento da história e cultura bíblicas
sem ter um entendimento das contribuições da arqueologia. Acontecimentos bíblicos foram
ilustrados, palavras desconhecidas explicadas, idéias esclarecidas e a cronologia
aperfeiçoada pelos achados arqueológicos. Dizer que nosso conhecimento da Bíblia foi
transformado radicalmente por estas descobertas é minimizar os fatos.”
9.3. Etapas do Método
O formulário para este tipo de estudo contém oito etapas para serem cumpridas e um
espaço em branco para relacionar as ferramentas de consulta utilizadas. Use mais folhas de
papel se o espaço no formulário não for suficiente.
A. Escolha o assunto ou livro da Bíblia. Escolha o assunto, pessoa, palavra ou livro da
Bíblia que deseja estudar, e comece a juntar os materiais de consulta para fazer a pesquisa.
A disponibilidade destas ferramentas definirá, essencialmente, o escopo de seu estudo.
B. Relacione as ferramentas de consulta utilizadas. Relacione todas as ferramentas de
consulta que você juntou para fazer este estudo (v. a seção "Ferramentas necessárias"). Isto
é para ajudá-lo a se lembrar quais livros foram mais úteis para a pesquisa de material
histórico-cultural e contextual e quais livros você poderá recorrer no futuro, caso queira
fazer outros estudos deste tipo.
C. Anote as revelações que obtiver com base na geografia. Você precisará se
familiarizar com a geografia da Palestina e do Oriente Próximo, em geral. Isto inclui os tipos
de solo lá encontrados, as principais montanhas e montes, elevação e chuva, as maiores
extensões de água, mares, lagos, rios, a localização de cidades e países, pontos de referência
conhecidos e as fronteiras de países circunvizinhos da época em estudo.
Quando você estudar o Novo Testamento, particularmente as viagens missionárias de
Paulo, precisará estar familiarizado com os países e com as cidades da costa mediterrânea
que existiam durante os dias do Império Romano.
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Durante todo o estudo de geografia bíblica, pergunte incessantemente: "Qual a
influência da geografia circunvizinha no contexto do meu estudo?".
Nesta etapa, registre toda a informação importante que obtiver sobre a geografia, para
o assunto ou livro sob estudo.
D. Anote as revelações que obtiver com base na história. Você deveria possuir um
conhecimento prático da cronologia (a ordem dos acontecimentos históricos) da nação de
Israel no Antigo Testamento. Estude os períodos da história da nação hebréia; descubra a
origem e a história de cidades famosas; estude as divisões do ministério de Jesus; seja um
bom conhecedor acerca das viagens missionárias de Paulo. Com relação ao período histórico
que você está estudando, é útil também ter conhecimento dos fatos mais importantes que
estavam ocorrendo concomitantemente em outras partes do mundo, a fim de obter uma
visão panorâmica exata daquilo que Deus estava operando no mundo. Você poderia se
perguntar: "o que ocasionou este fato peculiar que estou estudando?", "como isto afetou as
pessoas envolvidas?", "como isto influenciou a passagem que estou estudando?". Fique
atento, principalmente, aos fatos que ilustram o controle soberano de Deus sobre o
progresso da história.
Nesta etapa, relacione todas as revelações que obtiver sobre a história que envolve o
assunto ou o livro que você está estudando.
E. Anote as revelações que obtiver com base na cultura. Se você quiser entender o que
ocorria nos tempos bíblicos, deverá aprender tudo o que envolvia o estilo de vida dos povos
antigos das Escrituras. Eis algumas áreas que você poderia pesquisar enquanto se
pergunta: "De que forma todas estas coisas influenciam a mensagem e o povo sobre o qual
estou estudando?".
• tipos de roupa que as pessoas usavam;
• profissões e comércio nos tempos bíblicos;
• música na Bíblia;
• estilos arquitetônicos no Oriente Próximo;
• modos e costumes na Escritura;
• entretenimento nos tempos antigos;
• vida familiar no Oriente Médio;
• arte na Bíblia;
• idiomas e literatura das nações circunvizinhas;
• cerimônias religiosas em Israel e entre os vizinhos pagãos;
• falsas religiões naquela região;
• armas e ferramentas usadas pelos povos.
Nesta etapa, relacione todas as revelações que obtiver sobre a maneira como os povos
viviam em suas culturas.
F. Anote as revelações que obtiver com base no ambiente político. Muito do que
aconteceu em Israel no Antigo Testamento e no mundo romano de Jesus, de Paulo e dos
apóstolos, está relacionado com o ambiente político da época. Reis, imperadores,
governadores e autoridades governaram os povos daqueles tempos. Por exemplo, Israel
passou grande parte de sua história sob domínio estrangeiro e até mesmo experimentou o
exílio. Estas outras nações e formas de governo foram trazidos ao contexto para
influenciarem o modo de vida do povo de Deus. Porém, reconheça que Deus sempre está no
controle da situação política. Até o rei Nabucodonosor admitiu este fato (v. Dn 4.34,35).
Egito, Filístia, Assíria, Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma desempenharam papel
importante na Bíblia. Como eram essas nações? Como influenciaram Israel ou a igreja do
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Novo Testamento? Muitas das mensagens dos profetas só podem ser entendidas à luz do
ambiente político da época.
Nesta etapa, escreva as revelações que puder extrair de sua pesquisa sobre as
condições políticas do período que você está estudando.
G. Resuma a pesquisa. Volte às etapas três a seis e, a partir dos dados que reuniu,
resuma a pesquisa respondendo estas duas perguntas:
• Como estas informações sobre os cenários das épocas me ajudam a
entender melhor o que estou estudando?
• Algum destes fatores tiveram influência no assunto (ou livro) que estou
estudando?
H. Escreva uma aplicação pessoal. Embora seja difícil pôr em prática um exemplo
pessoal neste tipo de estudo, você deveria conseguir uma aplicação do texto que está
estudando. De fato, pesquisar o pano de fundo do tema estudado pode permiti-lo encontrar
uma aplicação que você careça hoje, e os detalhes podem lhe ajudar a fazer a aplicação
pessoalmente apropriada.

FORMULÁRIO PARA O MÉTODO HISTÓRICO-CULTURAL E CONTEXTUAL
• Assunto: Éfeso (carta aos Efésios).
• Ferramentas de consulta utilizadas:
o Dicionários Bíblicos e Manuais Bíblicos.
• Cenário geográfico:
A cidade de Efeso situava-se na costa ocidental da Ásia Menor, na foz do rio
Caister, um dos quatro vales principais que se estendem do oriente ao ocidente,
terminando no mar Egeu. Situava-se no começo de uma rodovia principal que se
dirigia para o Oriente, cruzando a Ásia Menor em direção à Síria, indo depois
para a Mesopotâmia, Pérsia e índia.
Éfeso era uma grande cidade portuária e tinha, no tempo do apóstolo
Paulo, uma população de cerca de 400 000 pessoas. Era a cidade mais
importante da província romana da Ásia. Sua localização estratégica
transformou-a em um lugar de encontro de rotas comerciais terrestres e
marítimas naquela parte do mundo, naqueles dias.
• Cenário histórico:
Éfeso era uma cidade antiga, cujas origens estão perdidas nas névoas da
antiguidade. Era conhecida como importante cidade portuária nos dias dos
antigos hititas (princípio do séc. xiv).
Em torno de 1080 a.C, foi tomada e colonizada pelos gregos do outro lado
do mar Egeu, quando então foram introduzidos o estilo e a influência grega.
Cinco séculos mais tarde, foi conquistada pelo legendário rei Creso, que
restabeleceu a influência asiática na cidade.
Os persas ocuparam Éfeso em 557 a.C. e, por este motivo, dois séculos de
conflito se seguiram com os gregos. Alexandre, o Grande, conquistou a cidade em
335 a.C, prevalecendo a influência grega até os tempos romanos.
Os romanos tomaram a cidade em 190 a.C., que permaneceu sob seu
domínio ou de seus aliados até os dias de Paulo e também depois. Tornou-se a
cidade principal da província romana da Ásia, embora Pérgamo ainda
permanecesse como capital.
• Cenário cultural:
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Desde a época em que os gregos conquistaram a cidade, em 1080 a.C,
houve conflito cultural entre o estilo de vida asiático e o grego. A religião original
incluía a adoração à deusa-mãe, a quem mais tarde os gregos chamaram Ártemis
(Diana, para os romanos). Nesta cidade, a deusa primitiva tinha um santuário, e
os gregos, mais tarde, construíram um grandioso templo que se tornou
conhecido por todo o mundo mediterrâneo.
Situada no cruzamento entre a Europa e o Oriente, a cidade tinha um ar
cosmopolita, já que pessoas de origens e formações diferentes, particularmente
comerciantes e navegantes, se misturavam livremente ali. Tratava-se de uma
cidade cosmopolita, grega por excelência em termos culturais, mas com
concomitante presença asiática. Tinha todas as comodidades de uma moderna
cidade romana — ginásios, estádios, teatros e um mercado central.
• Cenário político:
Nos dias de Paulo, visto que era uma cidade leal à Roma, Éfeso era
governada pelo procônsul romano de Pérgamo. Assim, era-Ihe permitido ter seu
próprio governo, tendo sido dividida em "tribos" de acordo com a composição
étnica da população. Na época de Paulo, havia seis dessas tribos e os
representantes de seus grupos elegiam o "clérigo da cidade", responsável por
todas as reuniões públicas.
Entre outros funcionários governamentais haviam os asiarcas, funcionários
municipais de Roma, e os neócoros, funcionários do templo.
• Resumo das revelações:
A cidade de Éfeso era uma cidade importante e, por causa de seu valor
estratégico, Paulo e seus colaboradores dirigiram-se para lá em sua segunda
viagem missionária. Mais tarde, Paulo ministrou nesta cidade durante algum
tempo (na terceira viagem missionária).
Por causa de sua população cosmopolita, havia a oportunidade de
ministrar a muitos tipos diferentes de pessoas — romanos, gregos e os asiáticos
daquela parte da Ásia. Também poderia ter havido um ministério para os
viajantes e comerciantes que chegavam por terra e pelo mar.
Sua história e geografia tornaram a cidade estratégica para a edificação de
igrejas e a conseqüente pregação das novas do Evangelho por todo o território ao
redor, bem como para muitos outros lugares, mediante o uso de caravanas e
embarcações.
• Aplicação pessoal:
o Em dias de explosão demográfica, é minha responsabilidade testemunhar
de Jesus Cristo em lugares estratégicos do mundo. Isto significa que
preciso descobrir, em minha cidade, onde se localizam as assembléias.
Então, deveria planejar ir lá, tanto sozinho como com a minha igreja, para
testemunhar da graça de Deus e sua salvação. Falarei com Sam e Joe
acerca disso e juntos faremos planos para evangelizar nossa comunidade.
10 - MÉTODO DE ESTUDO SINTÉTICO
O método sintético implica em estudar um livro como uma uni¬dade de pensamento,
valendo-se de uma leitura ininterrupta e repetitiva, resumindo seu conteúdo com base em
estudos anterio¬res de cada um de seus capítulos. "A palavra sintético é derivada da
preposição grega syn, que significa junto, e do radical verbal the, que significa pôr, de forma
que a tradução é pôr junto; reunir; montar'. Sintético é o oposto de analítico, que significa
'desmon¬tar'".
Na síntese, ignoramos os detalhes e olhamos somente para o quadro inteiro. Neste
método, juntamos o que desmembramos no método anterior.
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10.1. Etapas do Método
O formulário para o método sintético é composto de seis seções visando cumprir as
seis etapas do estudo. Assegure-se de ter à mão o formulário para o estudo investigativo e
os formulários para análise de capítulo para cada uma das unidades, a fim de consultá-los.
A. Releia o livro. Releia o livro várias vezes novamente. Leia-o de uma só vez, numa
tradução moderna, rapidamente, repetidamente, fervorosamen¬te, sem consultar
comentários, e com lápis ou caneta na mão.
B. Escreva um esboço finai e detalhado. Compare o quadro horizontal e o esboço
experimental que você fez no estudo investigativo com os resumos de texto feitos no estudo
analítico. A partir da comparação destes e de suas leituras recentes, escreva um esboço
final e detalhado do livro.
C. Escreva um título descritivo. Do quadro horizontal e do esboço final e detalhado,
feitos respec¬tivamente na pesquisa do livro e na segunda etapa, escreva um título
descritivo para o livro que você acabou de estudar. Crie um título original que descreva, em
poucas palavras, o assunto do li¬vro. Consulte também o título de capítulo que você deu e
estabe¬leça uma síntese deles.
D. Faça um resumo de suas descobertas. Reveja e compare suas considerações finais
do estudo analítico, e resuma o que você acredita que sejam os assuntos principais e as
conclusões do livro. Nessa fase, não consulte comentários, pois a primazia, aqui, é para
suas revelações sobre a Palavra de Deus. Entre essas revelações, inclua também as
observações que forem acrescentadas durante as novas leituras.
E. Escreva uma aplicação pessoal. Reveja todas as aplicações pessoais feitas nos
estudos investigativo e analítico, e as possíveis aplicações que você relacionou para cada
capítulo. Se você ainda não realizou algumas das aplicações escri¬tas, escreva-as nesta
etapa e projete pô-las em prática imediata¬mente. Se isto já foi feito, escolha outra aplicação
possível dos estudos de capítulo ou de seu estudo sintético, e escreva-a aqui. Consulte o
primeiro capítulo deste livro para saber como isto pode ser feito.
F. Compartilhe os resultados de seu estudo. O estudo da Bíblia não deveria ser
apenas alimento para a sua alma e aumento de sua compreensão da Palavra de Deus. Os
re¬sultados do estudo bíblico, incluindo as aplicações, precisam ser compartilhadas com
outros. Há dois modos de fazer isso.
• Compartilhe em particular com seu filho na fé. Quando se reunir com seu filho (ou
filha) na fé, compartilhe o que você está aprendendo do seu estudo bíblico, que
aplicações está praticando e como ele pode também se beneficiar do próprio estudo.
Quan¬to mais você dividir, mais aprenderá.
• Compartilhe com seu grupo de estudo bíblico. Se você não pertence a nenhum,
forme um pequeno grupo de estudo bíblico, no qual todos estudem o mesmo livro
da Bíblia e compartilhem seus estudos, uns com os outros. Deste modo, você
fortalecerá e ajudará uns com os outros, em áreas de estudo que talvez não estejam
claras para alguns dos seus membros.

FORMULÁRIO PARA SÍNTESE
• Llvro: Efésios
• Capítulos: 6
• Número de vezes lido: 5
• Introdução (1.1-2):
• O autor (1.1).
• Os destinatários (1.1).
MÉTODOS DE ESTUDOS BÍBLICOS - 32
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• A saudação (1.2).
• O plano de Deus para a Igreja (1.3—3.21). (Quem somos aos olhos de Deus.)
o A eleição da igreja (1.3-23).
A revelação do propósito de Deus (1.3-14):
• A declaração sumária (1.3).
• A base de nossa salvação — a obra de Deus, o Pai
• (1.4-6).
• Os benefícios de nossa salvação — a obra de Deus, o
• Filho (1.7-12).
• A concessão de nossa salvação — a obra de Deus, o Espírito
Santo (1.13,14).
A resposta da oração a Deus (1.15-23).
o A salvação da igreja (2.1-22).
A obra de Cristo na regeneração (2.1-10):
• O que éramos (2.1-3).
• O que ele fez (2.4-9).
• Com que propósito ele nos fez (2.10).
A obra de Cristo na reconciliação (2.11-22):
• O que éramos (2.11,12).
• O que ele fez (2.13-18).
• Com que propósito ele nos fez (2.19-22).
o O segredo da igreja (3.1-21).
A revelação do "mistério" (3.1-13):
• Todos os salvos são co-herdeiros (3.1-6).
• Isto precisa ser pregado a todos (3.7-13).
A resposta da oração a Deus (3.14-21):
• Orando para que os outros saibam disso (3.14-19).
• A doxologia (3.20,21).
• A conduta da igreja (4.1—6.20). (Quais são as nossas Responsabilidades perante
Deus.)
o As responsabilidades da igreja (4.1—5.21):
Caminhar em comunhão (4.1-16).
Caminhar em entendimento (4.17-32).
Caminhar sem interesse (5.1-4).
Caminhar sem mácula (5.5-21).
o As relações na igreja (5.21—6.9):
Relações matrimoniais (5.21-33).
Relações familiares (6.1-4).
Relações no trabalho (6.5-9).
MÉTODOS DE ESTUDOS BÍBLICOS - 33
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o Os recursos da igreja (6.10-20):
A admoestação (6.10).
Os adversários (6.11,12).
A armadura (6.13-17).
O acesso (6.18).
O embaixador (6.19,20).
• Conclusão (6.21-24):
o O mensageiro (6.21,22).
o A saudação (6.23,24).
o Título descritivo: "Cristão, você é alguém! Agora viva!”.
o Resumo das revelações:
Deus é o autor da salvação — ele a planejou desde a eternida¬de. E
sendo seu plano, funciona!
Jesus Cristo é quem nos redime de nossos pecados e nos re¬concilia
com Deus, e uns com os outros. Não há modo de as pessoas de
diferentes formações, raças, religiões, culturas etc, serem
reconciliadas umas com as outras, exceto por meio de Cristo.
O Espírito Santo é Aquele que vive em nós e nos capacita a entender o
que somos em Cristo. Ele é a Garantia de nossa salvação e quem nos
capacita a viver nossas vidas no caminho de Deus.
Por causa de quem somos aos olhos de Deus, temos a
respon¬sabilidade de viver uma vida santa — temos a
responsabili¬dade de nos tornar como ele. O que Deus fez está
descrito nos capítulos 1 a 3; o que devemos fazer, nos capítulos 4 a 6.
Devemos levar a sério estas responsabilidades.
O plano de Deus é que TODO O seu povo esteja envolvido na obra do
ministério. Porque todos recebemos determinadas bênçãos espirituais
e a responsabilidade de ministrar aos ou¬tros — compartilhando o
Evangelho, levando-os ao Senhor e depois os instruindo.
Deus espera um certo padrão de comportamento de todos os cristãos
em suas relações mais íntimas. Isso inclui o casamen¬to, a formação
de uma família e o lugar onde trabalhamos. Assim, as
responsabilidades por todos estes relacionamentos são cuidadosa e
detalhadamente explicadas. Nossa fé deve ser manifestada nos
relacionamentos básicos da vida.
É impossível vivermos no caminho de Deus dependendo de nossa
própria força. É por isso que ele nos deu o Espírito Santo e sua
armadura, para nos ajudar a viver no seu cami¬nho. As riquezas e as
bênçãos de Deus nos pertencem. Deve¬mos vestir toda a armadura, a
fim de vivermos vitoriosa¬mente.
Este livro nos é tremendamente encorajador, sempre que nos
entristecemos por nós mesmos. Aqui, Deus nos diz o que ele pensa a
nosso respeito. Nada pode ser mais nobre ou sublime do que sermos
recomendados por Deus por aquilo que ele pensa a nosso respeito.
• Aplicação pessoal:
o Este livro explica em detalhes quais são minhas responsabili¬dades como
cristão em todas as áreas da vida. Sei agora que Deus espera que eu seja um
bom e diligente trabalhador. Devo ser obe¬diente e submisso a ele em nome
de Cristo.
MÉTODOS DE ESTUDOS BÍBLICOS - 34
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o Nem sempre fui o melhor funcionário. Esta passagem (Ef 6.5-9) me
convenceu da minha responsabilidade de ser um emprega¬do melhor.
Determinarei, pela ajuda do Senhor, ser o melhor funcionário possível para
meu chefe. E quando a oportunidade surgir, compartilharei com ele o
Evangelho de Jesus e por que estas boas novas mudaram minha vida. Mas
ele terá que ver isto primeiro em mim, antes de ouvir o que eu tenho a lhe
dizer.
o Desta forma, cumprirei esta aplicação. Pedirei a Charlie, um cristão com
quem trabalho, que me ajude a ser o tipo de funcio¬nário que Deus quer que
eu seja. Vou sugerir que ele se reúna comigo toda semana para orarmos, a
fim de que nós dois possa¬mos dar esse tipo de testemunho. Esta pode ser a
oportunidade de eu começar a trabalhar com Charlie de maneira direta.
• Pessoas com quem compartilhar este estudo:
o Participantes da Escola Bíblica Dominical.
o Grupos de estudos.


BIBLIOGRAFIA BÁSICA
LAHAYE, Tim. Como Estudar a Bíblia Sozinho. 5ª EDIÇÃO. Minas Gerais: Editora
Betânia, 1984.

ATIVIDADE
1. Relacione 3 benefícios de cada método de estudo bíblico apresentado.

PROGRAMA DE ESTUDOS
Para finalização dos estudos no MODO INTENSIVO, essa disciplina deverá ser concluída
em 5 dias.
Para finalização dos estudos no MODO NORMAL, essa disciplina deverá ser
concluída em 20 dias.



SUMÁRIO

1 - EDUCAÇÃO CRISTÃ............................................................................................. 2
2 - ENSINO RELIGIOSO ............................................................................................ 2
2.1. ENSINO RELIGIOSO NO BRASIL ...................................................................................2
3 - ATUAÇÃO DA EDUCAÇÃO CRISTÃ....................................................................... 3
3.1. UM OLHAR PELA HISTÓRIA........................................................................................4
3.2. CONCLUSÃO SOBRE EDUCAÇÃO CRISTÃ ......................................................................4
3.3. CONCLUSÃO FINAL ...................................................................................................5
4 - PORQUE EDUCAÇÃO CRISTÃ .............................................................................. 6
4.1. PORQUE PRECISAMOS ENSINAR? ................................................................................7
5 - COMO SE QUALIFICAR PARA ENSINAR ............................................................... 8
6 - ALVOS NO PAPEL DO PROFESSOR...................................................................... 8
7 - PREPARO DA LIÇÃO............................................................................................ 9
8 - APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO............................................................................... 10
8.1. ALVO ................................................................................................................... 10
9 - VOCÊ É CHAMADO PARA MINISTRAR ÀS CRIANÇAS? ....................................... 11
10 - PRINCÍPIOS DO BERÇÁRIO............................................................................ 12
11 - DISCIPLINA E MÉTODOS ............................................................................... 13
12 - DEZ MANDAMENTOS DO “NÃO”..................................................................... 14
13 - DEZ MANDAMENTOS DO “SIM”...................................................................... 14
14 - DESENVOLVENDO A CRIATIVIDADE.............................................................. 14
15 - ATIVIDADES DE ENSINO-APRENDIZAGEM ..................................................... 16
15.1. FONTES DAS ATIVIDADES ........................................................................................ 17
15.2. ORGANIZANDO ATIVIDADES DE ENSINO E APRENDIZAGEM............................................. 18
16 - PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ ............................................................. 20
16.1. AS CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS DE 1 A 3 ANOS ................................................... 20
16.2. O QUE E COMO ENSINAR AS CRIANÇAS DE 1 A 3 ANOS ................................................ 22
16.3. AS CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS DE 4 A 6 ANOS ................................................... 23
16.4. O QUE E COMO ENSINAR AS CRIANÇAS DE 4 A 6 ANOS ................................................ 24
16.5. AS CARACTERÍSTICAS DAS CRIANÇAS DE 7 A 9 ANOS ................................................... 25
16.6. O QUE E COMO ENSINAR AS CRIANÇAS DE 7 A 9 ANOS ................................................ 27
16.7. AS CARACTERÍSTICAS DOS PRÉ-ADOLESCENTES ......................................................... 27
16.8. O QUE E COMO ENSINAR OS PRÉ-ADOLESCENTES ...................................................... 28
16.9. AS CARACTERÍSTICAS DOS ADOLESCENTES ................................................................ 29
16.10. O QUE E COMO ENSINAR AOS ADOLESCENTES........................................................ 29
16.11. AS CARACTERÍSTICAS DOS JOVENS ....................................................................... 30
16.12. O QUE E COMO ENSINAR AOS JOVENS .................................................................. 31
16.13. A CLASSE DE ADULTOS....................................................................................... 31




EDUCAÇÃO CRISTÃ - 2
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1 - EDUCAÇÃO CRISTÃ
O tema Educação Cristã, parece simples de ser discutido e estudado, no entanto, seus
princípios, apesar de claros se tornam um tema de difícil definição. Mesmo entre os
especialistas da área existe grande divergência na resposta à simples pergunta: O que é
Educação Cristã?
A divergência de definições é tão grande, que é possível encontrar obras literárias que
defendem a Educação Cristã, o ensino cristão em todos os modos, e por conseguinte adota a
Escola Bíblica Dominical (EBD) como sendo o grande alicerce da Educação Cristã. Se a
EBD, os grupos de discipulado e os demais grupos de estudo bíblicos são exemplos de
Educação Cristã, então o que é Ensino Religioso (Ensino Religioso)? Será a EBD a melhor
referência a Educação Cristã? Por esta óptica, quais são os desafios da Educação Cristã
visto que os alunos da EBD ou mesmo dos grupos de discipulado estão ali reunidos para
aprender especificamente as doutrinas propostas por aquela organização religiosa?
2 - ENSINO RELIGIOSO
Como o próprio nome sugere, Ensino Religioso é o ensino da religião, ou seja, o
ensinamento dos dogmas e doutrinas de dada orientação religiosa.
A palavra religião chegou a nós através do latim religio; esta palavra é usada para
definir a expressão externa da crença e não necessariamente o conteúdo da mesma. Não
existe sociedade na história, em que não fosse encontrado algum tipo de religião, desde as
mais remotas até as modernas, a religião esta sempre presente. Em todas as formas de
religião, podemos evidenciar a presença de alguns fatores básicos presente em todas as
religiões, ou seja em todas as formas de religião encontramos:
• Livro (ou escritos) sagrado;
• Rituais;
• Normas;
• Sacerdote;
• Promessa de recompensa (em vida ou após ela).
Em algumas religiões como o hinduísmo e o islamismo, a religião se confunde com a
política e faz parte da organização social e até nacional.
Nestes casos já nos primeiros passos como ser social, o individuo tem contato com sua
religião, visto que a organização política e social é orientada pela religião, todas as suas
ações terão influência de seu conhecimento empírico. Ainda no ambiente doméstico os pais
fazem o papel de sacerdote a aplicam a doutrina religiosa a partir dos primeiros anos de
vida. Em culturas como estas o Ensino Religioso está diretamente ligado a formação do
caráter e na socialização mais propriamente dita.
2.1. Ensino Religioso no Brasil
O Ensino Religioso no Brasil passou por grandes mudanças desde o império até os
dias de hoje. É bom lembrar que a Constituição foi promulgada em 1988, mas a história do
Brasil começa bem antes.
A partir do texto do art. 33 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, reza que: “O
ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte integrante da formação básica do cidadão,
constitui disciplina de horários normais das escolas públicas de ensino fundamental,
assegurando o respeito à diversidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas
de proselitismo.”
EDUCAÇÃO CRISTÃ - 3
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Com isto o ensino religioso se torna parte essencial para a formação do cidadão, é
também reconhecido como disciplina nos horários normais das escolas públicas de ensino
fundamental.
A religião é presente em nossa sociedade, respeita a liberdade e diversidade religiosa.
3 - ATUAÇÃO DA EDUCAÇÃO CRISTÃ
Diferentemente do Ensino Religioso, a Educação Cristã (Educação Cristã) não trata do
assunto “Religião” em si, mas sim do ponto de vista cristão da Educação. Em suma, ela não
é uma matéria da grade escolar, e sim uma filosofia na educação. Podemos determiná-la
como o molde que fundamenta a educação convencional nos princípios morais cristãos.
Isto não quer dizer necessariamente a inclusão no currículo escolar matérias que
envolvam a Bíblia ou mesmo temas que envolvam o cristianismo, lembro que esta é a
proposta do Ensino Religioso. A Educação Cristã tem por objetivo a atuação mais filosófica e
tanto quanto subjetiva, pois ela não é a uma matéria em si.
A Doutora em Filosofia e Mestre em educação Jane Rangel Alves Barbosa, define
educação como “um processo que se baseia na reflexão sobre a realidade e, ao mesmo
tempo, assimila suas necessidades e a crítica em suas inconsistências, agindo no sentido de
atendê-la em muitos aspectos. Portanto, está embasada na Filosofia, na Sociologia, na
Psicologia, na Antropologia e no contexto histórico” (2009 pág 30).
O dicionário Priberam define educação como sendo “Conjunto de normas pedagógicas
tendentes ao desenvolvimento geral do corpo e do espírito”.
Pelos conceitos acima apresentados, entendemos que a educação é mais que mera
instrução em dada disciplina. Cada disciplina do currículo escolar é importante e a
formação do caráter e o desenvolvimento da sociedade dependem desta instrução. Sendo
assim a Educação Cristã “é um processo de treinamento e desenvolvimento da pessoa e de
seus dons naturais à luz da perspectiva cristã da vida, da realidade, do mundo e do
homem.”
A Bíblia, é um livro sagrado para os cristãos; ela é o manual para a salvação de todo
aquele que crê. Entretanto, é também um livro histórico e de sabedoria. Portanto, ser um
observador e amante das Sagradas Escrituras, exige atenção especial a estes princípios.
Religião, em sua forma latina religio é usada para definir a expressão externa da crença,
portanto compõe seus ritos e dogmas.
O cristianismo, por sua vez, demonstra esta forma externa de crença, não apenas em
ritos e dogmas, mas em princípios, como: respeito, honestidade e amor ao próximo. Como
exemplo, podemos destacar que é ensinamento do cristianismo, que, se houver
cumprimento dos ritos, mas sem amor, nada vale; e também, que o que o Senhor Deus
espera de nós é “justiça e misericórdia com o próximo, a saber:
• I Cor 13: 2 “Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os
mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de
transportar montes, se não tiver amor, nada serei.”
• Mq 6:8 “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor
requer de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benevolência, e andes
humildemente com o teu Deus?”
O pensamento cristão excede os limites dos dogmas religiosos, e se apresenta como
sendo um manual de vida social exemplar. As melhores constituições do mundo têm base
nos princípios cristãos, a declaração universal dos direitos humanos em nada fere as
sagradas escrituras. Não há motivos para pensar em proselitismo neste momento, e sim,
que, se abordarmos a filosofia cristã na educação, toda a sociedade tem a ganhar, visto que
ela contribuirá para o desenvolvimento de uma sociedade justa e igualitária.
EDUCAÇÃO CRISTÃ - 4
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3.1. Um Olhar Pela História
O renascimento, ou renascença, deu ao homem a oportunidade de pensar livremente,
de traçar seu destino, tanto através dos conhecimentos (astronomia, química), quanto
através da política (o ideal republicano), das técnicas (medicina, arquitetura, engenharia,
navegação) e das artes (pintura, escultura, literatura, teatro). A importância de tal conquista
é inquestionável. A reforma protestante, não trouxe luz apenas a escuridão espiritual,
trouxe também liberdade ideológica a todos.
Com o poder político e ideológico da igreja abalado, o pensamento livre ganha espaço.
Não era mais preciso do consentimento da igreja para se apresentar uma tese; ninguém
mais morreria queimado se contrariasse a igreja. O racionalismo ganha espaço, todo o
pensamento se volta para a razão. A fé passa a ser classificado como assunto místico, sem
comprovação científica, portanto, assunto sem importância. O pensamento chave é a razão,
como a fé não pode ser comprovada unicamente pela razão, qualquer assunto que
envolvesse a religião se tornou desprezível.
Esta foi uma era de grande desenvolvimento em vários ramos do saber, especialmente
na política e na ciência; contudo qualquer assunto que envolvesse a fé, ou ideais que
partissem de qualquer orientação religiosa foi vedado.
O marxismo, que através de Karl Marx, imortal fundador do comunismo científico,
encontra na escola racionalista a força necessária para a teoria e prática da luta de classes,
a revolução sobre o proletariado internacional. A crítica contra a sociedade burguesa foi o
início de grandes ideais de igualdade e luta por melhores condições. Karl Marx, através de
seus ideais de luta em defesa das classes baixas, fez grandes revoluções. Não apenas em
sua época, mas abriu precedentes para outros grandes momentos na história. Sua atuação,
foi destrutiva e construtiva; destrutiva, na medida em que proclamou a morte da burguesia,
e construtiva, uma vez que anunciou a vitória do proletariado.
A escolástica, condicionava todo o conhecimento à prova da Bíblia, ou seja, todas as
teses e estudos só eram reconhecidos como verdadeiros se aprovados pelas autoridades
ligadas a igreja.
Portanto cada teoria, tese ou argumento deveria ser refutado ou defendido por
argumentos tirados da bíblia. Caso fosse refutado o autor da tese poderia ser chamado de
herege, e sabemos, através da história, que muitos morreram por defenderem suas idéias
científicas.
3.2. Conclusão Sobre Educação Cristã
Não está em questão aqui as contribuições sociais alcançadas com o racionalismo, e
sim as percas. A supervalorização do individuo e o total desprendimento dos princípios
cristãos trouxe valores para a sociedade que não estão em acordo com os princípios das
escrituras. E são palco para a degradação da sociedade.
Citando apenas um exemplo, podemos comparar a alegria de um pai em saber que o
filho tem vida sexual ativa, e apoiar o ato sexual antes do casamento, justamente por que
ele é livre e pode fazer o que quiser com o corpo. No mesmo cenário poderemos presenciar o
desgosto do mesmo pai e saber que sua filha adolescente também tem vida sexual ativa e
está fazendo o que quer com o seu corpo, pois ela é livre.
O ideal de liberdade pregado pelo racionalismo e humanismo, ensina crianças e jovens
a deliberadamente contestar as autoridades e simplesmente desacreditar em princípios
morais cristãos. A ordem social e muitas vezes até familiar é colocada em cheque.
É comum encontrar educadores que classifiquem a juventude como “a idade da
rebeldia”, e dizerem que em breve serão maduros e estarão prontos para assumir seu papel
na sociedade. Ora, tudo o que foi ensinado na escola, todos os princípios de liberdade, e
“viver a vida” devem ser encarados como uma fase da juventude e então quando esta “fase”
passar, ou seja, quando o jovem não for mais rebelde, ou seja, quando ele esquecer toda a
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filosofia de educação que recebeu a vida toda. Aí sim ele estará pronto para “assumir seu
papel” na sociedade.
O grande avanço social e científico alcançado até então, não pode ser desprezado, no
entanto, se faz necessário a presença de valores cristãos no currículo escolar, não como
disciplina visto que este é papel do ensino religioso. Mas sim como filosofia de educação,
pois ao contrário da prática educacional atual, os valores cristãos são ensinados para as
crianças e esperamos que elas cresçam com estes princípios e jamais os abandone, pois só
assim teremos uma sociedade justa, igualitária, com qualidade de vida e espaço para todos.
Ensino Religioso e Educação Cristã, no primeiro momento, parecem ser semelhantes
em quase todos os aspectos. Entretanto, após definir seus alicerces e propósitos, fica clara a
importância ediferenças entre cada um.
Assim como a presença da religião, a concepção do Ensino Religioso faz parte do dia-
a-dia de todos. A instrução sobre os princípios e dogmas de cada religião deve ser ensinado
a seus adeptos, e este é o papel do Ensino Religioso. Numa sociedade de grande diversidade
religiosa como a brasileira, o debate se faz em torno do currículo, de como deve ser
praticado o Ensino Religioso nas escolas.
Proposta, não exatamente como prática educacional, mas sim como fundamento da
educação, a Educação Cristã propõe não a mudança do currículo escolar para se adaptar ao
cristianismo, mas sim como filosofia. Os ideais humanistas e racionalistas contribuíram
para o desenvolvimento político e social, no entanto, quanto à consciência moral, ética, de
valores familiares, entre outros ficaram prejudicados.
Tal proposta confunde liberdade com libertinagem, desrespeita o espaço alheio,
confunde liberdade com rebeldia, além de se contradizer quanto ao conceito do que é
maturidade. Se existem a idade da rebeldia e a idade da maturidade, por que ensinar
liberdade em confusão com a rebeldia ao invés de ensinar “liberdade com maturidade”.
Portanto a Educação Cristã deve conduzir a formação de crianças e jovens, não a volta
da escolástica que queimava na fogueira os cientistas, mas sim a valorização dos princípios
cristão na educação, não os valores religiosos de cada igreja que se julga cristã, mas sim os
valores morais, éticos, e de responsabilidade social que são a base do cristianismo.
3.3. Conclusão Final
O Dr. Augustus Nicodemus define Educação Cristã como aquela feita do ponto de
vista do cristianismo. E, diz que Educação Cristã não se refere à simples inclusão no
currículo escolar de disciplinas que tratem da Bíblia ou temas do Cristianismo. Este último,
conforme exposto em parágrafos anteriores, resumo como Educação Religiosa (Ensino
Religioso), assim como escola bíblica dominical, estudo bíblico, etc. que muitas vezes é
nociva à sociedade; vide catolicismo antigo, islamismo e tantos outros que, em nome de
Deus, mataram literalmente e/ou espiritualmente muitas nações e povos.
O Ensino Religioso por vezes é repleto de dogmas, doutrinas, filosofias do homem.
Homem este moral e espiritualmente decaído. Augustus Nicodemus trata isso como
pressupostos – mentalidade por detrás do processo educacional secular ou por não dizer,
religioso. Pressupostos na Educação Cristã deve ser cristocêntrico, não religioso. Educação
Cristã deve ser capaz de levar o homem à Era da Inocência.
Atingir a plenitude da Educação Cristã é uma utopia quando permeada a luz da
Bíblia, pois a Palavra nos relata a degradação da sociedade vindoura, porém aplicar a
Educação Cristã é ordenança e exalta o nome de Deus. Plenitude da Educação Cristã é
como a humanidade ser conduzida ao Genesis. Receber TODOS os ensinamentos vindos do
próprio Deus, ou seja ser educado por Deus na viração do dia.
Deus em Gn 2:15-17 realizou um processo de treinamento e desenvolvimento do
homem e de seus dons naturais à luz da Sua perspectiva de vida, de realidade, de mundo. E
é assim que Ele quer que façamos na família ou sociedade formando escolas, universidades
para um ministério verdadeiramente cristão.
EDUCAÇÃO CRISTÃ - 6
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4 - PORQUE EDUCAÇÃO CRISTÃ
O plano de Deus é ter uma igreja vitoriosa sobre toda a terra: Para que isto aconteça é
necessário que todo o conselho de Deus, a Sua palavra, seja restaurado (Is 46:9,10). Isaías
30:20 e 21 nos mostra que Deus prometeu restaurar o ministério de ensino ao seu povo a
fim de dar-lhe orientação: e'... contudo não se esconderão mais os teus mestres, os teus
olhos verto os teus mestres. Quando te desviares para a direita, e quando te desviares para
a esquerda os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra dizendo: Este é o caminho,
andai por ele”.
Os mestres do Senhor estão se levantando porque haverá nesses dias uma unção de
ensino, isto é, uma unção que desvenda a Sua palavra, nos revela os seus caminhos e nos
faz compreender os seus propósitos.
Ainda dentro dessa visão tem sido fundamental a restauração dos 5 ministérios
citados cm Efésios 4:11 (Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Mestres) como sendo
os dons ministeriais que Jesus tem concedido á Sua Igreja, para equipá-la com vistas ao
aperfeiçoamento no desempenho do seu ministério e conseqüente edificação do Corpo de
Cristo. Cremos que Deus quer levantar uma equipe (não somente um homem) com unção
especial de ensino, cheia de graça e com um amor e disposição de guardar intimamente a
Sua Palavra.
Temos observado que para realizar a obra de Deus se faz necessário preencher
requisitos claros que o próprio Deus tem colocado em Sua Palavra. Por ordem de prioridade,
temos: Vida com Deus segundo os princípios e padrões da Palavra de Deu. Ex.: coração
submisso.
“Feliz o homem constante no temor de Deus; mas o que endurece o seu coração
cairá no mal. (N. 28:14).
1. Caráter;
2. Unção – Vida de oração. Fluir com percepção e maturidade espiritual. (1 Co 12:7-
10).
3. Perícia – Preparação no aspecto pedagógico. Conhecimento da matéria (Palavra de
Deus). Uso de recursos didáticos, etc. (Jeremias 48:10; Êxodo 35:10,31; 36:1,2).
Temos reconhecido como imprescindível um caráter tratável, ou seja, uma pessoa que
saiba corresponder ã voz de Deus e á voz de autoridade sobre sua vida. Não esperamos
alguém feito, mas alguém que saiba reconhecer suas falhas e esteja disposto a tratá-las em
sua vida.
O segundo aspecto da unção está intimamente ligado ao Batismo no Espírito Santo,
pois toda Palavra de Deus precisa fluir de nossas vidas com autoridade e poder,
característica básica de Mestre (Mt. 7:29). A Palavra de Deus nos diz que os dons do Espírito
foram concedidos visando um fim proveitoso, ou seja, cumprir a vontade de Deus através
das nossas vidas. Já que estamos nos colocando nas mãos do Senhor para sermos usados
nessa área em Sua casa, quais dons nos seriam mais proveitosos no ministério de ensino?
Acredito que Palavra de Sabedoria, Palavra de Conhecimento e Discernimento de Espíritos
seriam os dons que mais precisaríamos em nossas salas de aula. Por exemplo, você poderá
ter revelado do teu coração um sentimento de frustração ou rejeição no coração de uma
criança e você poderá usar isso para ajudá-la a se sentir aceita e amada pelo grupo, orando
com ela, com o grupo talvez.
Com certeza, a Palavra de Sabedoria precisará estar sempre em seus lábios pois virão
perguntas inesperadas e até embaraçosas. Exemplos: “Com quem se casaram os filhos de
Adão?” ou Como você sabe que Deus responde nossas orações?” São perguntas complexas,
inocentes e desejosas de receber respostas simples, são momentos de oportunidade pois são
nesses instantes que os corações estão receptivos e abertos para a palavra de Deus.
Quanto ao terceiro aspecto, a perícia, será exatamente o alvo da maior parte do nosso
curso, pois reconhecemos que a grande maioria dos interessados na área de ensino não tem
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preparação no aspecto pedagógico e nosso intento é colocar à disposição dos irmãos um
breve estudo sobre didática, fases das crianças (motora, emocional, física), interesses,
formas de ministrar sobre Deus, recursos audiovisuais, etc.
Nas cartas de Timóteo, Paulo dá sábios conselhos para um homem de Deus, que o
havia auxiliado muito enquanto faziam juntos suas viagens missionárias, e agora era Pastor
em Éfeso, e que precisava fluir na função de mestre.
Gostaria de destacar os seguintes textos: II Tm 2:15; 3:14-17; 4:2-5.
Os conselhos são:
• manejar bem a Palavra de Deus.
• permanecer naquilo que aprendeu.
• tornar-se sábio para a salvação.
• conhecer as utilidades das Escrituras: ensino, repreensão, correção,
educação na justiça.
• pregar a Palavra em todas as oportunidades.
• corrigir, repreender e exortar com longanimidade.
• trabalhar como evangelista (ensinar a Salvação).
Fazemos destes conselhos os nossos, para todos os que se dispõem diante de Deus a
servir nessa área. Sabendo que no Senhor nosso trabalho não é vão, e que Ele é o nosso
galardoador e nos preparará uma justa recompensa conhecendo o valor da nossa
semeadura. É tempo de Semeadura: o Senhor nos chama a semear, as sementes do Reino
de Deus, e se não desfalecermos, certamente também ceifaremos uma grande colheita. (Gl
6:7-10). Os que com lágrimas semeiam (intercessão e ensino), com júbilo ceifarão. Quem saí
andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo trazendo seus feixes. (SI. 126:5,6).
4.1. Porque Precisamos Ensinar?
1. Para lançar um alicerce da verdade. (1 Co 15:3,4).
2. Para aperfeiçoar ( amadurecer, completar) os 'santos”. (Ef 4: 11-16).
3. Para produzir um estilo de vida santo dentro duma comunidade. (Is 2:3).
4. Para discipular todas as nações” e realizar a grande comissão. (Mt 28:19).
5. Para conduzir as pessoas para fora das trevas e para dentro da luz do Evangelho.
(Cl 2:6,13; 1 JO 1:6; Jo 1:4).
6. Para restaurar a glória e poder de Deus á Igreja.
7. Para que o povo de Deus venha obedecer a Palavra de Deus e Sua vontade. (Pv
29:18).
8. Para que os filhos sejam treinados corretamente pelos pais cristãos. (Pv 22:6; Is
54:13).
9. Para adorar e servir a Deus de forma correta.
10. Para conhecer a Deus.
11. Para evitar o erro e discernir entre o bem e o mal.
12. Somos ordenados a ensinar (Mt 28:19; 28:10; 11 Tm 2:2).
13. Para fazer julgamentos corretos.
14. Para estabelecer o temor de Deus. (At 2:43; II Cr 17:10).
15. Para estabelecer os santos num entendimento da fé.
16. Para produzir e manter a unidade na igreja.
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17. Para nutrir o rebanho para seu devido crescimento. (Jo 21:15).
18. Para converter e tomar tratável, ou seja, flexível, disposto a se submeter, humilde.
(Mt 18:3).
19. Para aumentar o entendimento. (Ef 1:18; 3:20).
20. Para produzir firmeza na obra do Senhor. (1 Co 15:57,58).
“O professor é aquele que tanto pode abanar a chama da vida como pode apagá-la”.
5 - COMO SE QUALIFICAR PARA
ENSINAR
“A minha vida é o exemplo que fala mais alto que minhas palavras”.
Não tem que ser um professor formado para ensinar as coisas de Deus, mas as
seguintes experiências são importantes.
• Tenho um relacionamento com o Senhor?
o Já fui batizado nas águas?
o Tenho o batismo e unção no Espírito Santo?
o Oração tem uma função ativa na minha vida?
o Considero a Bíblia como a Palavra de Deus a qual para nossas vidas?
• Sou um membro deste corpo e compartilho da mesma unidade?
o Amo meus irmãos em Cristo nesta comunidade?
o Quero amar as “ovelhas” da aula que pretendo ensinar?
• Sou submisso e disposto a cooperar com aqueles que Deus tem colocado em
liderança sobre mim?
o Minha vida é um testemunho de que tropeço para os outros. Exemplos:
o Vicio de fumar;
o Leitura ou filmes pornográficos;
o Bebida alcoólica;
o Fuxicos ou contendas;
o Vocabulário baixo;
o Exageros, mentiras ou bobagem.
• Sou fiel aos meus compromissos - fiel à minha palavra?
• Qual é a minha motivação para querer ensinar?
6 - ALVOS NO PAPEL DO PROFESSOR
• Considerar um privilégio servir a Deus nesta capacidade de ensino.
• Estar entusiasmado e transmitir isto para os alunos.
• Ser pontual. em chegar (prioridade igual ao seu emprego).
• Estar preparado com minha lição. Confiança, animo e resultados.
• Cumprir minhas promessas com meus alunos.
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• Ser responsável e diligente na maneira em que sirvo a Deus.
• Ser responsável por cada ovelha que Deus colocar nas minhas mãos.
• Conhecer cada um por nome e quem é sua família.
• Conhecer a família de cada aluno para encorajá-los no caminho e crescimento em
Deus.
• Ter um bom esquema para melhor aproveitamento do tempo da aula.
• Comunicar aos meus líderes quando houver um problema.
o Ausência por um motivo justo: doença ou viagem.
o Problemas com a ausência ou comportamento de um aluno.
o Necessidade para material ou finanças.
• Transmitir uma atitude positiva e de confiança em respeito a Deus.
• Fluir bem com meu ajudante de aula.
o Não ter competição entre os dois.
o Orar todas as semanas pelo ajudante e os alunos.
• Sentir a necessidade de plantar a Palavra e princípios de Deus nos corações dos
meus alunos.
• Onde é que eu me encontro numa posição de ensino, emprego, lar, escola e igreja?
• Precisar capacidade para melhor ensiná-los.
• Ser um instrumento nas mãos de Deus para transmitir vida da Palavra e fortalecer
os alunos no caminho de Deus.
• Entender o valor de:
o Repetição
o Trabalhos
o Musica
o Criatividade
o Memorização
o Ensino
• Desenvolver métodos progressivos no preparo e apresentação da lição.
• Desenvolver inspiração através de leitura de livros fitas discos.
• Visitar outras classes para inspiração.
• Ter amor para com as pessoas.
• Visitar alguém ausente.
• Ter fé para ver crescimento e resultados.
7 - PREPARO DA LIÇÃO
• Informação: Ler e entender quais são os assuntos que deveriam ser tratados
(apreciar, contemplar). Ex.: história da natalidade.
• Incubação: Meditar e contemplar qual o ponto de vista que vai escolher, pensando
nas necessidades de cada aluno. Ore para direção. Ex.: qual é uma necessidade de
uma faixa de idade e como pode-se aplicar.
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• Iluminação: Achar o assunto e os pontos que acompanham. Ex.: vida dos pastores,
magos, anjos, pais.
• Envolvimento: Preparando a lição em totalidade. Ex.: cordeiro - pastores,
informações simples; alvo - Jesus, o cordeiro de Deus - manso e puro.
Material para a apresentação da lição:
o Dois livros de referência.
o Um desenho grande, detalhado.
o Um trabalho manual referente a um cordeiro - Jesus etc.
Deve-se observar também os seguintes itens:
• Tempo de Preparação:
o 1 hora -> mínimo
o 2 horas => melhor
o 3 horas => ótimo
o 4 horas => excelente
• O professor precisa de tempo para a lição tornar-se real em sua vida.
Nossa dedicação e tempo, possivelmente, é nossa maior prova de amor a Deus”.
• Investir tempo na vida dos outros pode-se tornar:
o Investimento no futuro da pessoa (p/ o Reino de Deus);
o Resultados p/ a eternidade (segurança);
o Enriquecimento e satisfação p/ o próprio professor.
“Que você é, ou seja, sua vida, fala mais alto do que suas palavras”.
8 - APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO
8.1. Alvo
Toda lição precisa de uma direção ou alvo.
• Sem um alvo relaxamos. Pv 29:18;
• Ficamos como uma babá fazendo hora;
• Não desenvolvemos motivação.
Como conseguir o alvo.
• Atividades de ensino:
o Dar oportunidade p/ os alunos participarem;
o Ter ponto de contato;
o Ter atividades que cativa o interesse e imaginação.
o Controlar bem as aulas dos pequenos porque eles não o são (batem as
cabeças uns dos outros, sobem nas coisas, etc.).
o Ter materiais suficientes para preencher as necessidades e o tempo.
o Ter maneiras adequadas para ser edificante (comunicação, educação).
o Conhecer versículos para memorização.
o Não deixar as crianças dominarem na hora de histórias, etc.
o Investir impressões de Jesus na vida dos alunos.
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• História da Bíblia comparando com a revista:
o O ideal seria começar o preparo na segunda-feira e depois revisar na quarta,
quinta ou sexta;
o Seria bom estar por dentro dos fatos para não passar vergonha. O professor
aprende mais do que os alunos.
o Ensaiar um pouco em frente do espelho. Sorria, anime-se, tenha motivação.
9 - VOCÊ É CHAMADO PARA MINISTRAR
ÀS CRIANÇAS?
• Você gosta de estar envolvido com criança como irmão, tio, professor, enfermeiro,
médico, educador, instrutor, etc.?
o Existe um “chamar” de Deus para os que atingem a vida espiritual das
crianças.
o Uma criança é um pequeno ser começando a desenvolver entendimento e
princípios de vida.
o A necessidade espiritual da criança é tão válida quanto a física.
• Entender que crianças são pessoas importantes para Deus. (Marcos 10:13-16).
o Atendendo as crianças agora, estamos melhorando nosso ambiente,
preparando-as para contribuírem á sociedade e um futuro positivo.
o Alcançando uma criança com as estruturas de Deus, estamos ajudando um
lar a ser construído de uma forma positiva, dando apoio e ânimo para os
pais.
o Armazenando verdades para as crianças se edificarem e ajudar outras ao seu
redor e fortalecendo sua família em geral.
• Entender que crianças tem capacidade de querer amar e aceitar Jesus desde 3-4
anos.
o Se algum souber apresentar o plano de Deus de uma forma adequada e
positiva, muitas pessoas podem decidir aceitar e seguir a Jesus.
o Uma pesquisa revelou que 75% de um certo grupo de cristãos receberam
Jesus antes dos 14 anos.
o João Wesley afirma que crianças tem mais facilidade em aceitar o plano de
Deus do que adultos.
o O comunismo toma as crianças do lar aos 4 anos para trocar o lar e amor
pela sua filosofia.
• O professor de crianças não recebe tanta gratificação dos alunos (é uma obra de fé).
Pode ser que os pais comentem ou vejam os resultados mais tarde.
• Dedicar ao estudo e preparo para este ministério com toda sinceridade e dedicação.
Não haverá sucesso no futuro, se não houver uma boa base ou alicerce agora
(ceifará o que se semear).
• Ministério com crianças não é uma tarefa simples para pessoas relaxadas ou
menos desenvolvidas. Há a necessidade de pessoas com caráter e qualidade (Você
escolhe o colégio mais qualificado para seus filhos mesmo com sacrifício!).
• Desenvolver capacidade e criatividade para melhor instruir os alunos.
• A criança é transparente. Ela revela o que está colocado dentro dela. Ela é educada,
agitada, malandra, carinhosa, mas pode ser transformada.
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• Saber transmitir idéias, princípios e doutrina de uma forma simples e edificante, no
nível de entendimento daquela idade. Paulo (apóstolo) simplificou sua linguagem
com os gentios, Jesus ensinou através de parábolas.
• Se o preletor não souber segurar a atenção da criança, o aluno poderá mostrar uma
falta de educação. Deve-se cativar a sua atenção de forma adequada com gestos,
etc.
• Jesus também usava de criatividade e ponto de contato: o mar, os pescadores de
almas, a moeda, o peixe, os vendedores no templo, os pães, etc.
• Adquirir paciência e fé. Agüentar não um pouco, mas quantas vezes Jesus nos
tolerou.
o Semear, aguar e ceifar. Esperar cm Deus para a colheita. E um investimento
poderoso.
o Resultados: um advogado, professor, engenheiro, governador, pastor, etc.
o Paulo deu referências ao seu professor.
10 - PRINCÍPIOS DO BERÇÁRIO
• Lugar limpo, alegre e tranqüilo. De dia é bom ter claridade. É bom ter dois ou mais
berços limpos.
• Precisa de uma professora mansa, alegre e atenciosa que sabe enfrentar qualquer
situação que envolve nenês.
o Proteger contra qualquer perigo (objetos pontiagudos, subir em coisas altas, o
que põe na boca, briguinhas de bebê).
o Saber dar carinho, segurar a criança e conquistá-la.
o Saber transmitir segurança e paz.
o Despertar vontade na criança para começar a cantar, bater palmas.
o Participar junto, sentado no chão e brincando com os brinquedos.
• Começar impressionar a criança, mostrando que existe alguém muito bom, (igual
papai) que é muito querido, faz todas as coisas, nos nenês também e que se chama
Jesus. Ele é carinhoso, pega a crianças no colo (mostre um quadro), Ele tem barba,
cura dói-dói, mas ele fica triste se crianças não obedecem. Coloque Jesus como
uma idéia de bondade e ternura, não de medo.
• Nesta idade estamos formando atitudes para aprender a gostar, confiar e cooperar
com os outros.
o Estamos ajudando a criança para se entrosar na casa de Deus.
o Estamos cuidando delas para permitir aos pais ouvirem o seu próprio estudo
com mais calma e liberdade (para os outros também).
o Estamos começando a ensinar modos de respeitar e amar aos outros, etc.
• Verifique a saúde da criança. Se a criança tiver febre, peça para a mãe ficar com
ela. A febre transmite muitas doenças às outras crianças. É melhor a mãe ficar em
casa com a criança quando ela estiver doente, muito resfriada ou com algo
contagioso.
• O ensino é mais sobre objetos básicos e atitudes. As crianças de 1-2 anos
entendem pouco sobre religião em geral.
• A criança precisa ter liberdade para ficar no chão (forrado com carpet). Nenês que
não andam ficam nos berços ou sentam um pouco no chão ou carrinho.
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• A professora e as ajudantes devem falar em tons baixos, calmos e carinhosos com
expressão educada. Evite ansiedades, desprezos e grosserias.
• Se a criança pedir para fazer xixi, a ajudante a levará no banheiro bem quietinha.
Se ela sujar a fralda, chame a mãe para trocá-la. Se faltar só uns cinco ou dez
minutos, veja se dá para esperar e término da aula para não perturbar a mãe.
• Pode-se oferecer biscoitos de água e sal porque são práticos e agrada a criança.
Desmancham com facilidade, evitando perigo de engasgar (mesmo assim fique
alerta). Estes biscoitos não dão sede, não sujam a roupa (só o chão) e depois da
aula basta passar uma vassoura mágica.
• Enfeites na sala deixam as crianças felizes. Escolha desenhos da idade infantil.
• Nas primeiras vezes, é normal a criança chorar. A mãe ou pai poderia ficar um
pouco até ela acostumar.
• Tenha paciência e não force a criança se não for causa urgente.
“Deixai os pequenos vir a mim; porque dos tais é o reino dos céus”. Mat. 19:14
11 - DISCIPLINA E MÉTODOS
• Algumas razões da falta de cooperação da parte do aluno:
o Possivelmente ele sente inadequado (não sabe ler bem, etc.).
o Não recebe muito carinho em casa.
o Não recebe atenção como gente.
o Os pais não treinam ou disciplinam da forma suficiente em casa.
• Dicas para os professores:
o Tente conquistar com elogio. Ex.: “Que bom que você conseguiu!” ou
“Você sabe cantar tão bem, veja se você pode falar o versículo”
o “Vamos lembrar de fazer... tal coisa”. Não = “Não faça assim!”.
o Chame a atenção através de um aluno como exemplo. Ex.: “Olhe como
João fez sua letra tão bonita”, “A Suzana é tão quieta e atenciosa”, “O
Maurício é o primeiro para cooperar”.
o Explique bem o que você espera do aluno. Não o deixe confuso.
o Não dê preferência mais a um aluno do que a outros (eles percebem).
o Discirna a atitude do aluno (falta de maturidade, rebeldia contra sua
autoridade, frustração, confuso, vergonha).
o Expresse que você esta triste com o mal.
o Dê responsabilidade para o que quer atenção.
o Tome o objeto que causa competição. Devolva no fim da aula.
o Peça para o aluno corrigir o erro. Ex: “Cate o giz que jogou no chão!”.
o Dê castigo igual a ofensa. Seja justo. Às vezes um olhar basta.
o Retire a criança do meio da tentação. Ponha-a perto de uma criança
obediente.
o Não faça vingança.
o Reconheça seus próprios erros. Criança aprecia honestidade.
o Peça cooperação na aula e não dê risadas das bobagens do “arteiro”.
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o Não promova fuxicos contra os outros.
o Pergunte à criança se ela achou certo o que fez. Veja se ela pode deduzir
que fez errado e precisa cooperar.
o Fale para a criança que você a estima e espera bastante esforço da parte
dela. Depois dê um abraço para terminar.
o Só comunique com os pais se a criança rejeita correção de uma forma
bem rebelde. Pergunte se tem um problema no lar, etc. Fale com os pais
com carinho, não julgando. Eles podem ajudar.
12 - DEZ MANDAMENTOS DO “NÃO”
• Não seja um “sargento”, ou seja, não seja muito rígido nas atitudes.
• Não procure punir uma criança enquanto você está irado.
• Não esqueça de ter compaixão também.
• Não castigue o grupo todo por causa de umas poucas crianças.
• Não converse com as crianças de uma forma infantil demais.
• Não ridicularize ou despreze uma criança.
• Não fique de costas muito tempo para os alunos.
• Não faça desafios de castigo sem cumprir.
• Não discipline com voz alta.
• Não fique discutindo com a criança.
13 - DEZ MANDAMENTOS DO “SIM”
• Encoraje cada criança.
• Seja compreensível com os sentimentos das crianças (elas são mais sensíveis do
que os adultos).
• Seja atencioso e escute de vez em quando. Às vezes ninguém liga para elas em
casa.
• Seja consistente, um exemplo firme.
• Seja firme nas exigências, não duvidoso.
• Dê valor individual para cada aluno (até com adultos).
• Ajude a turma para não fazer “panelinhas” que excluem os outros. Ajude a
desenvolver amizades.
• Divirta-os algumas vezes. Faça algo especial como festa.
• Desenvolva um espírito unido para sua aula.
• Faça sua aula ser um prazer e privilégio.
14 - DESENVOLVENDO A CRIATIVIDADE
• Esteja alerta às oportunidades para melhor ilustrar a lição:
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o Preste atenção às pessoas, à natureza, para conseguir idéias. Ex.: quando for
falar da Criação leve as crianças para um passeio ou leve objetos da natureza
para a sala de aula.
o Ore para que Deus ajude sua mente a despertar e quando uma idéia “jóia”
passar na mente, corra para anotá-la numa caderneta.
o Procure livros sobre o assunto e dê uma estudada.
o Observe e aprenda quando outros ensinam.
o Lembre como Jesus ilustrou suas mensagens.
o Arrume urna caixa para separar retalhos, desenhos e objetos de utilidade
para futuras oportunidades.
• Formas de ilustrar:
o Livros com quadros ou desenhos
o Natureza.
o Quadro negro.
o Fantoche.
o Quadros coloridos.
o Mapas.
o Slides.
o Diagramas.
o Objetos que representam a história.
o Música.
o Som representando algo.
o Desenhos para pintar ou colar.
o Cheiros e comidas.
o Peças jograis.
o Papel recortado.
o Fotografias.
o Flanelógralo.
o Bonecos, animais, insetos, etc.
o Artefatos.
o Folhas de papel de embrulhar presente ou papéis coloridos.
• Materiais Práticos:
o Cola.
o Cartolina.
o Tesouras.
o Canetas coloridas.
o Lápis borracha.
o Papel.
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15 - ATIVIDADES DE ENSINO-
APRENDIZAGEM
Uma vez elaborados os conceitos chaves e determinados os objetivos específicos, o
professor terá um claro senso de direção. O passo seguinte, no planejamento, é projetar as
atividades que mais eficientemente comuniquem os conceitos e atinjam os objetivos. Neste
capítulo, a ênfase é sobre as atividades.
Freqüentemente, um professor começa a preparar-se, perguntando-se: “Que vou dizer
à classe sobre o conceito de ‘pacto’?” Esta é uma pergunta errada porque, respondendo-a, o
professor é levado a pensar no que vai dizer aos alunos. Uma pergunta mais apropriada
seria: “Que faremos, os alunos e eu, para entender o conceito de ‘pacto’?”
A resposta a essa pergunta leva diretamente a pensar nas atividades que as pessoas
farão na sala de aula para aprender.
Atividades de ensino são todas as ações dos alunos e do professor na sala de aula.
Existem dezenas de possíveis atividades, que podem ser organizadas em varias categorias.
A. Atividades Verbais. São os meios mais comumente usados. Nesta categoria, as
atividades são: palestras, discussão, gravações (discos ou fitas), sermão, historia, leitura, e
qualquer outro tipo de apresentação verbal que, primordialmente, o aluno possa ouvir. A
evidencia é que a maioria das pessoas não aprende bem simplesmente pelo ouvir. As
atividades verbais, para serem eficientes, devem ser acompanhadas de outros tipos de
experiências. O ouvir, para a maioria das pessoas, é uma atividade passiva que não requer
muita participação. Também, é muito seletiva. A tendência é ouvir só o que se quer.
B. Símbolos Visuais. São outra categoria de atividades cujo uso envolve o aluno
através do sentido da visão. As atividades nesta categoria são: figuras, diafilmes, mapas,
filmes, livros e outros tipos de apresentação visual. A maioria das pessoas aprende mais
pelo que vê do que pelo que ouve. Ver é menos passivo do que ouvir. Ver suscita uma
reação. Quando se combina numa atividade símbolos verbais e visuais, a aprendizagem é
mais eficiente.
C. Experiências Simuladas. Nos permitem avançar um passo mais que as atividades
verbais e visuais. Simular é atuar, agindo como se a situação fosse real. Atividades de
ensino nessa categoria são: representação, dramatização, pesquisas ao ar livre, em museus,
tempos, etc, escritos criativos e outras experiências que colocam o aluno na posição de
explorar seus próprios sentimentos, problemas e questões. Um exemplo escrito criativo seria
o aluno assumir o papel de Moisés no tempo em que ele regressou ao Egito para libertar os
hebreus.
Moisés enfrentou Faraó, que recusou deixar o povo ir, e aumentou seu trabalho. Faraó
não quis cooperar. O povo hebreu zangou-se com Moisés e ele ficou pensando que Deus não
cumpriria Sua promessa. Essa é a situação a ser representada. O professor pede que os
alunos escrevam uma carta, como Moisés a escreveria, à esposa, ao sogro, ou a um amigo
em Midiã. Ao escrever a carta, um aluno começou assim: “Queridas ovelhas...” Essa
atividade simulada envolve os alunos mais significativamente, por identificá-los com os
conceitos da aula.
D. Experiências Diretas. São aquelas atividades em que os alunos estão diretamente
envolvidos em situações problemáticas ou conceitos “reais”. Porque muitos conceitos, na
educação religiosa, tendem a ser abstratos, é sempre difícil programar atividades de
experiência direta.
Um exemplo: ao estudar o conceito “ama o teu próximo como a ti mesmo”, os alunos
deveriam visitar um lar para convalescentes ou inválidos e compartilhas com eles momentos
de amizade e alegria. Podemos falar em “amar ao próximo” numa longa discussão e o mais
certo é que haverá pouco impacto. Poderíamos escolher gravuras de revistas, apresentando
alguns exemplos de pessoas mostrando amor, e o significado seria mais marcante.
Poderíamos representar ou escrever o final de histórias que não tenham sido revelado pelo
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autor, histórias que falam de pessoas carentes de amor e, assim, nos aproximamos mais do
significado do conceito. E, poderíamos, toda a classe ou grupos pequenos, visitar algumas
pessoas que realmente precisam de amor. Qual destas atividades requereria maior
envolvimento por parte dos alunos? Qual atividade seria mais marcante? Minha intuição é
que a visita a alguns inválidos seria lembrada por vários alunos a vida toda. Também, toda
vez que os alunos ouvissem “amarás o teu próximo como a ti mesmo”, teriam uma
experiência especifica como ponto de referencia ao relacionar os conceitos de amor ao
próximo.
Quanto mais atividades de ensino forem feitas com símbolos verbais, tanto menos os
alunos se envolverão e menos aprenderão. Quanto mais o ensino se aproxima de
experiências reais e simuladas, mais o aluno se envolverá em sua própria aprendizagem. As
atividades de ensino, no nível verbal, tendem a limitar a participação e a aprendizagem de
muitos alunos. Enquanto que as atividades que envolvem experiências reais tendem a
incluir todos os alunos de um modo ou de outro.
Já sugerimos que o professor inicie seu planejamento perguntando: “Que vamos fazer
os alunos e eu?” Há outra pergunta útil que o professor pode fazer: “Que experiência real vai
comunicar melhor o conceito que quero ensinar?” Experiências reais nem sempre virão à
mente, e nem sempre serão praticáveis ou adequadas. Devemos, então, considerar as
possibilidades de experiências simuladas. Atividades verbais só devem ser usadas depois de
outras atividades; nunca devem ser usadas exclusivamente durante o período inteiro de
aula, em qualquer faixa etária. É melhor quando há uma variedade de atividades numa aula
em que todos os alunos se envolvem, através dos vários sentidos.
Decidir qual a atividade a usar, é tarefa de cada professor.
Eis alguns critérios para decidir qual atividade deve ser utilizada:
• A atividade deve envolver todos os alunos de maneira dinâmica.
• Deve ser uma atividade em que o professor tenha confiança.
• Deve estimular maior criatividade por parte dos alunos.
• Não deve ser tão conhecida que canse os alunos.
• Se for uma atividade nova, os alunos devem ter oportunidade de
experimentá-la para descobrir suas possibilidades.
• Deve haver variedade de atividades para que os alunos possam escolher
entre elas.
• A atividade deve contribuir diretamente para comunicar os conceitos chaves
e atingir os objetivos específicos.
• A atividade deve levar o aluno a procurar respostas, declarar conclusões ou
expressar reações criativas.
• A atividade deve ser apropriada às idéias e habilidades dos alunos
envolvidos.
Usando esses critérios, os professores poderão planejar atividades que envolvam os
alunos no processo da sua própria aprendizagem.
15.1. Fontes das Atividades
Idéias e sugestões para possíveis atividades aparecem de muitas fontes:
• O manual do professor.
• Outros professores.
• A própria experiência.
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• Encontros de treinamento.
• Revistas, jornais, livros sobre educação.
• Professores de grupos escolares.
Os professores devem estar sempre alerta para novos métodos de planejar atividades.
Lendo, compartilhando e experimentando uma variedade de atividades, tornar-se-ão mais
ricos em recursos para seu planejamento e ensino.
15.2. Organizando Atividades de Ensino e Aprendizagem
Todo plano de aula tem começo, meio e fim. Há muitas atividades alternativas para
iniciar, desenvolver e terminar a lição. A seguir, eis varias partes do plano de aula típico que
são identificadas especificamente.
• Abertura – A primeira coisa numa aula é uma das mais importantes de
todas as atividades – a abertura. Pode ser breve, de apenas um minuto, ou
longa, de, no máximo dez minutos.
• Apresentação do assunto – Antes que os alunos possam se envolver no
estudo, é bom dar-lhes um pouco de informação básica relacionada com os
conceitos que serão desenvolvidos na aula.
• Exploração do assunto – Os alunos são mais motivados a aprender, quando
podem trabalhar individualmente ou em pequenos grupos para explorar o
assunto que será enfocado na aula.
• Reação criativa – A aprendizagem é melhorada e os alunos podem
expressar-se de maneira mais significativa, quando são incentivados a
reagir de uma ou mais maneiras criativas.
• Encerramento da aula – Cada aula deve ter um encerramento adequado a
fim de que os alunos sintam que foi completada a seqüência de atividades
naquele dia.
Todos os manuais de professor incluem as cinco partes acima, mesmo que com outros
títulos. Embora haja uma seqüência lógica nestas cinco partes do plano de aula, é possível
usar outras combinações. As atividades de apresentar e explorar podem ocorrer
simultaneamente, se os alunos pesquisarem o assunto usando vários recursos. Também,
exploracao e recreação podem ocorrer ao mesmo tempo, se, por exemplo, os alunos
escreverem seu próprio roteiro para um diafilme.
Há muitas e diferentes atividades que podem ser usadas em cada parte de um plano
de aula.
A. Algumas maneiras de iniciar a aula:
• Os alunos lêem a definição de um conceito e apresentam perguntas.
• O professor lê uma história ou passagem da Escritura e faz perguntas.
• Os alunos escutam uma gravação: história, hino, comentário ou outro material
gravado de antemão.
• Os alunos assistem a um filme ou diafilme que aborda o assunto da aula.
• O professor e os alunos olham e discutem uma fotografia ou pintura.
• Os alunos escolhem uma passagem bíblica ou um conceito e fazem exploração a
respeito.
• O professor faz referencia a um evento recente da escola, da igreja ou da
comunidade.
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• O professor e o aluno se envolvem numa explosão de idéias.
• Os professores envolvem os alunos numa atividade de escolha em que indicam
suas preferências.
• O professor usa um artigo de jornal ou revista ou uma fotografia.
B. Algumas maneiras de abordar um assunto:
• O professor apresenta uma breve preleção.
• Os alunos lêem uma parte da Bíblia ou de outro livro de estudo,
• Os alunos assistem a um filme ou diafilme.
• Os alunos discutem a gravação de uma história, sermão, porção bíblica,
comentário, relatório etc.
• Os alunos apresentam breves relatórios preparados de antemão.
• Um convidado especial ou outra pessoa, apresenta uma preleção, painel ou debate
sobre determinado assunto.
• O professor lê ou conta uma história.
• O professor e o aluno apresentam uma dramatização com fantoches.
• O professor envolve os alunos numa estratégia de esclarecimento de valores.
• Os alunos fazem uma visita de observação.
C. Algumas maneiras de o aluno explorar o assunto:
• Fazem pesquisa na Bíblia e/ou livro de consulta (dicionário bíblico, comentário,
etc).
• Escrevem argumentos para filmes, diapositivos, dramatizações com fantoches, ou
de outro tipo.
• Usam fotografias ou outros materiais para escolher expressões de um conceito.
• Fazem e gravam entrevistas.
• Discutem com o professor e os colegas.
• Fazem um estudo dirigido, com perguntas preparadas.
• Escolhem um centro de aprendizagem para trabalhar.
• Participam de um jogo simulado.
• Escutam uma fita sobre determinado recurso.
• Tomam parte numa estratégia de definição de valores.
D. Algumas maneiras de reagir criativamente:
• Atividades escritas (cartas, relatórios, poesias, jornais, argumentos para
dramatização, diapositivos etc.)
• Diapositivos, diafilmes produzidos pelos alunos.
• Gravações de notícias, argumentos, cânticos, dramas, entrevistas etc.
• Atividades dramatizadas (simulação, fantoche, ginástica rítmica, pantomima, etc.)
• Construção de modelos por escala, mapas, objetos tridimensionais.
• Pinturas e desenhos.
• Fotografias (diapositivos, fotos, filmes de 8 mm, etc.
• Colagem (com feltro e saco de estopa, materiais da natureza, fotografias, sobras de
materiais diversos etc.)
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• Atividades, usando vários meios de comunicação (radio, jornal, televisão, telefone,
gravações, etc.)
E. Algumas maneiras de encerrar a aula:
• Cada aluno compartilha algo criativo.
• O professor dirige uma discussão em que os alunos expressam suas idéias.
• O professor e/ou os alunos levam o grupo a preparar-se para o louvor.
• O professor faz um resumo do assunto estudado.
• Os alunos completam frases apresentadas pelo professor, conforme o assunto da
lição.
• O professor e/ou os alunos terminam com oração.
• Todos cantam um hino ou corinho.
• A classe fica meditando, em silencio, por um minuto.
• Os alunos dirigem um culto de louvor.
• Os alunos estudam algum projeto para a semana seguinte.
16 - PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ
As características físicas, mentais, sociais, emocionais e espirituais dos alunos; o que
ensinar e como ensiná-los.
Minha professora de psicologia da educação da faculdade de filosofia costumava dizer
que "de médico, louco e psicólogo todo mundo tem um pouco". Menciono esse fato somente
para salientar que a psicologia apresentada neste artigo (uma adaptação nossa do livreto O
Bom Professor Conhece Os Seus Alunos) não é a psicologia no sentido técnico do termo
(apesar de reconhecermos a importância da ciência psicológica). Trata-se apenas da
psicologia da sala de aula. Daquela aprendida, principalmente, na convivência com os
alunos.
Neste artigo tentaremos ajudar você a conhecer melhor os alunos de sua classe de
escola dominical. Possuir um conhecimento profundo das características e necessidades de
seus alunos é imprescindível para um ensino eficaz e bem sucedido.
16.1. As Características das Crianças de 1 a 3 Anos
A construção começa pelo alicerce. Como nosso alvo é construir Cristo na vida das
pessoas, começamos pelo alicerce, que são as crianças de 1 a 3 anos. Neste artigo,
gostaríamos de ver suas características, e as maneiras como conseguiremos alcançá-las,
usando a Palavra de Deus.
Isto talvez soa estranho aos ouvidos de alguns, porém a verdade é que a criança nesta
idade pode captar muitas verdades acerca de Deus, por causa do instinto de busca de Deus
que existe em todo ser humano. Damos muita importância a esta idade porque dela Deus
pode receber muito louvor.
A. Fisicamente. Estão crescendo rapidamente. Seus músculos exigem ação, por isso
são turbulentas. Elas se cansam com facilidade e necessitam de longos períodos de
descanso.
1 a 2 anos: a criança age impulsionada pelos músculos maiores mas cai quando
tenta andar rapidamente. Quebra tudo que tenta alcançar porque os músculos menores não
se desenvolveram e não há uma perfeita coordenação motora. Por isso, todos os brinquedos
devem ser fortes, grandes e leves.
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Aos dois anos gosta de enfileirar objetos: cadeiras, brinquedos, etc. É hora de ensiná-
la a usar o vasinho para suas necessidades físicas. Paciência e calma são essenciais nessa
fase.
3 anos: os músculos menores estão mais desenvolvidos. Tem uma coordenação
motora mais equilibrada. Consegue equilibrar-se e controlar o próprio corpo. Por isso, com
freqüência, ela pula de um lugar mais alto; pendura-se na mesa, na maçaneta e até no seu
braço. Não fique bravo por isso. Sob sua supervisão, deixe-a dependurar-se e balançar-se,
pois isto faz parte de seu crescimento normal. Não seja um empecilho para o seu
crescimento.
Gosta de brincar com argolas de plástico, latinhas, etc., mas além de enfileirar já
consegue também empilhar os brinquedos.
As crianças de um a três anos adoecem com facilidade - o ambiente da sala deve ser o
mais sadio possível para evitar contágios.
B. Mentalmente. São curiosas e investigadoras, por estarem começando a conhecer as
maravilhas que Deus criou.
1 a 2 anos: sua atenção é limitada - um minuto a dois, no máximo; a mente cansa-
se logo; fala pouco, mas entende quase tudo. Não tem a habilidade de fazer perguntas, nem
observações engenhosas. Devemos nos lembrar de variar as atividades, contar histórias ou
falar rapidamente sem entrar em detalhes, e não esperar que ela participe ativamente da
aula, respondendo a todas as perguntas e nem perguntando. Ela entende mais do que fala.
3 anos: "O que é isso?". É a pergunta mais comum entre elas. Não tem noção dos
dias da semana; gosta de repetições; falam mais palavras. Gosta de explorar o desconhecido
- quebra a asa do avião para ver o que tem dentro. Arranca a perninha dos bichinhos para
ver de que é feita. Para aproveitar essa curiosidade aguçada, prepare uma mesa com as
coisas que Deus fez e vá sempre acrescentando mais objetos. Deixe a mesa sempre coberta
com plástico para evitar estragos.
A criança fala através de frases, mas sua mente está, geralmente, adiante do que diz.
Não a ajude nem a apresse para encontrar palavras. Ouça pacientemente, custe o que
custar. Por causa da infiltração da TV e sua maneira marcante de comunicar, as crianças
dessa idade, hoje, falam muito mais que no passado. MESMO ASSIM NUNCA SE ESQUEÇA
DE QUE ELA TEM APENAS TRÊS ANOS E É UMA CRIANÇA.
C. Social e Emocionalmente. São sensíveis. Gostam de falar, de agradar e de serem
agradadas. Precisam da atenção de todo mundo. Chamam a atenção de todos, sendo ou
muito boas ou rebeldes de mais: gritam, choram, são egoístas ao extremo, etc. Conseguem
perceber o humor do professor pelo timbre de voz, sorriso e contato corporal.
1 a 2 anos: certos incidentes ficam gravados na memória da criança para sempre.
Ela pode não querer ir à escola dominical porque um coleguinha bateu nela na saída, ou
porque teve uma impressão má da professora. Todas às vezes que sabe que terá de ir à
igreja começa a chorar. Demora muito para se ambientar em uma nova situação. Ela se
retrai e torna-se agressiva. Ex.: quando se separa da mãe, pela primeira vez, para ir à sua
classe, chora porque pensa que vai perdê-la ou que ela vai embora. Leve-a até à classe da
mãe e mostre-lhe que ela ainda está lá. Após várias tentativas, se não se acostumar com a
idéia de separar-se da mãe, traga um guarda-chuva ou capa ou bolsa da mãe e deixe-a na
sua classe. Assim a criança vai sentir que ela não foi embora. Nunca diga: "Você é um
menino grande e ainda está chorando? Veja todas as crianças ao seu redor olhando. Você
não tem vergonha?". Antes, abrace a criança que tem o nariz escorrendo e os olhos cheios
de lágrimas, limpe-os com um lenço, mostre a ela um brinquedo, figura ou livro. Ela precisa
de segurança. Ela se sente mais segura e ajustada na escola dominical quando é saudada
todos os domingos pela mesma ou mesmas professoras.
Não consegue ainda brincar com o grupo. Ela brinca sozinha no meio do grupo. Nunca
espere que todos brinquem com ela. Ela não sabe brincar em conjunto.
3 anos: gosta de estar entre outras pessoas. Não tem muito problema para ficar longe
da mãe, se conseguir se ajustar ao meio ambiente. Também gosta de brincar sozinha no
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meio de todos, mas já consegue brincar com os outros. É egoísta - pode derrubar os blocos
empilhados por outro menino, para aumentar sua própria construção. Pode pegar as
bolachas e colocar a maioria na boca, só para não dar para os outros. Por outro lado, gosta
de ajudar os outros e sente alegria em fazê-lo. Ex.: dá sua boneca para a menina que está
chorando e diz palavras de consolo.
Não gosta de ser mandada, mas fará muitas coisa se você as sugerir de maneira clara
e diretiva. Ex.: "Olhem o relógio; está na hora de guardar as bonecas na cama, os blocos
dentro das caixas. Tique-taque, tique-taque, vamos todos trabalhar. Tique-taque, tique-
taque, um pouco mais, um pouco mais e descansar. Tique-taque, tique-taque, um pouco ali,
um pouco aqui, e terminar. Obrigada, obrigada, e até outro dia começar".
D. Espiritualmente. Por causa do instinto de busca que existe no ser humano ela
deseja e tem sede de conhecer o Deus vivo e atuante. Ela aprende a conhecer a Deus através
das palavras e ações das pessoas que a cercam.
1 a 2 anos: tem capacidade para entender e experimentar o amor de Deus. A criança
aprende essa verdade ouvindo, vendo e experimentando. Leva tempo para ela ganhar noção
de uma verdade, mas um pouco aqui, um pouco ali, e ela consegue aprender. (Is 28.10,13).
Aos dois anos de idade gosta de orar e dizer palavras simples para Deus; aprende a
agradecer a Deus quando as pessoas ao seu redor assim o fazem, dando graças a Deus por
todas as coisas. (Ef 5.20). Ex.: "Vamos agradecer a Deus porque João está só resfriado e não
precisou ir para o hospital, e porque no próximo ele já estará aqui para aprender das coisas
de Deus". A prova de que ela aprende é que, durante a semana, ela tenta cantarolar os
cânticos aprendidos. Desafina e inventa palavras, mas canta com alegria.
3 anos: seu interesse por Deus continua crescendo. Gosta de ouvir contar que Deus
criou tudo: flores, frutos, sol, chuva, noite e dia, e os animais. Nessa época, comece a
ensinar que Deus criou o corpo. Ex.: "Deus não foi bom de nos dar mãos fortes para
podermos colocar os blocos dentro da caixa? Deus nos deu ouvidos e por isso podemos
ouvir esta bonita música que fala de Jesus, não é?". Mesmo olhar pela janela num domingo
chuvoso pode dar ocasião para uma conversa: "Deus é bom de dar esta chuva tão boa que
ajuda as plantas a crescerem. Vamos agradecer a Deus por esta chuva".
16.2. O Que e Como Ensinar as Crianças de 1 a 3 Anos
1 a 2 anos: a melhor maneira de ensinar uma criança nesta idade é usar a
conversação dirigida, isto é, conduzir cuidadosamente a conversa e o pensamento da
criança na direção de uma verdade bíblica ou do objetivo da lição. Ex.: quando ela conseguir
virar a página de um livro, diga que Deus fez suas mãos e é por isso que ela consegue mexer
naquele livro. Quando uma criança aparecer com uma blusa bonita diga: "Como Deus é
bom de ter feito um pano tão macio e quentinho. Vamos agradecer a Deus por esta blusa".
Se ela desejar tirar a blusa porque ficou com calor, aproveite para dizer: "Você já imaginou
se Deus não tivesse feito o sol? Morreríamos de frio".
A Bíblia se tornará um livro especial para ela se a professora e os pais assim lhe
ensinarem, falando-lhe sobre a Bíblia ou deixando que ela a carregue com cuidado e
respeito. Ex.: diga: "Eu vou segurar seu dedinho e colocá-lo sobre a Bíblia no lugar que diz:
'Deus me fez'. - Jó 33.4". Assim ela vai aprendendo as coisas de Deus.
3 anos: use cânticos com gestos que ela possa participar livremente. Ex.: história da
criação: Deus fez a lua - as crianças fazem um círculo com as mãos. Deus fez as estrelas -
mexer com os dedinhos. Deus fez tudo isso e colocou no céu - apontar o dedinho indicador
para o céu. Deus fez o sol - fazer o círculo com as mãos; as árvores - erguer as duas mãos
para cima; as flores - abaixar até o chão. Os passarinhos voam no céu que Deus fez -
usando as mãos, fazer de conta que estão voando.
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16.3. As Características das Crianças de 4 a 6 Anos
É nessa fase, entre 4 e 6 anos, que as impressões mais profundas, provindas do
ambiente em que a criança vive, estão se interiorizando nela, para depois serem externadas
através de ações e reações, inclusive na fase adulta. É uma idade propícia para se entender
a realidade de Cristo e Sua atuação na vida diária. A criança poderá entender, sentir e viver
Cristo se isso lhe for ensinado através de palavras e atitude. Procuremos então conhecê-la
para ajudá-la a se encontrar com Cristo e ter uma vida que agrade a Deus.
A. Fisicamente. Crescimento muito rápido. Os músculos estão se desenvolvendo,
dando-lhe assim um melhor controle motor. Consiga equipamentos adequados como, por
exemplo: cadeiras baixas, para que os pezinhos não fiquem balançando, mesas de altura
apropriada para que a criança não tenha que ficar pendurada ou de pé para escrever,
desenhar ou brincar. Materiais como figuras ilustrativas e objetos de borracha devem ser
grandes. As tesouras pequenas e sem ponta são mais aconselháveis.
É ativa e, como conseqüência disso, cansa-se facilmente. Seus olhos ficam ardendo e
os ouvidos cansados quando ouve ou vê algo por muito tempo. Apesar de ser tão ativa e
aparentar saúde inabalável, é sensível e sujeita a doenças. Deve-se providenciar atividades
variadas e incluir um período de descanso ou de atividades que exijam menos esforço.
Mantenha a sala sempre bem iluminada, fale pouco e de maneira clara; modifique o tom e a
entonação da voz, dependendo dos personagens e circunstâncias. Para evitar que a criança
transmita ou contraia alguma doença, esteja sempre alerta e verifique se algum aluno está
com alguma doença contagiosa como catapora, sarampo, rubéola ou com qualquer outro
sintoma que revele possível doença.
B. Mentalmente. Responda a todas as perguntas de maneira simples e verdadeira pois
a criança dessa idade é indagadora, curiosa e está pronta a aprender.
Como sua atenção é limitada, variando de 5 a 10 minutos, diversifique as atividades:
jogos, descanso, cânticos, lanche, limpeza da sala, guardar os brinquedos na caixa, etc.
Tem boa memória mas não tem noção exata de tempo nem de distância. Sua mente é
ativa e quer expressar o que pensa, mas não sabe como.
C. Socialmente. Gosta de estar com os outros e é capaz de brincar em conjunto.
Promova então atividades nas quais todos brinquem juntos. Não utilize atividades de grupo,
em que seja preciso construir algo definido. Raramente dará resultado pois ela não
consegue continuar o que o outro já começou. A tendência é de destruir.
Nesta idade muitos já estão demonstrando qualidades de liderança, enquanto outros
só agem baseados em sugestões. Encoraje os líderes a tomarem a liderança, mas não
egoisticamente, e proporcione oportunidades para que outros liderem também.
É egoísta e pensa que tudo lhe pertence. Procure ensinar-lhe a importância de ser
cordial e amável com os outros, e também os princípios bíblicos de posse. Deixe claro que
Deus se agrada quando dividimos nossas coisas com os outros. (Exemplo do menino que
deu os pães e peixes a Jesus). Proporcione oportunidades de dar e receber.
Deseja a aprovação do grupo e dos adultos. Elogie-a sinceramente quando fizer coisas
certas. Se fizer algo errado ou mal feito, em vez de dizer: "Eu sabia que você iria fazer
isso...", diga: "Não está tão bom como os que você costuma fazer, mas sei que consegue fazer
melhor. Gostei muito do verde da grama", ou "Gostei de ver como você caprichou no
telhado".
Gosta de palavras e piadas tolas. Ria se forem inocentes ou sem afetação pessoal.
Discipline, se não forem, mas sem alterar a voz nem o gesto. Se acontecer de se divertirem
às custas de defeitos físicos de outras pessoas, ou da dificuldade de alguém aprender a
língua do país, chame-as, uma a uma, à parte e explique-lhes, com amor, sem tom de
recriminação que aquilo fere a outra pessoa. Pode dar uma explicação, dependendo do caso,
de como aquele menino ficou daquele jeito. Converse com uma criança de cada vez. Em
casos de disciplina, isso dá mais resultado do que falar ao grupo.
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D. Emocionalmente. Proporcione um ambiente calmo. Não grite, nem crie uma
atmosfera carregada, com imposições e antagonismo (resultado de uma disciplina muito
rígida), pois a criança é sensível e suas emoções são intensas.
É capaz de controlar o choro. Encoraje-a, quando esfolar o joelho em conseqüência de
uma queda, simplesmente colocando a mão na cabeça dela e dizendo: "Puxa! Como você
cresceu!".
Muitas de suas ações são permeadas de uma atitude egoísta, invejosa e ciumenta.
Evite mostrar favoritismo, elogiando sempre o trabalho de uma criança só, ou dando
oportunidades apenas para algumas fazerem determinadas coisas.
É explosiva. Nunca lhe peça algo que esteja além de sua capacidade, pois quando não
consegue realizar a tarefa, ou chora ou fica desanimada, e fica com um gostinho amargo de
derrota.
É bondosa. Gosta de ajudar os outros, desde que isto não traga ameaça para si.
Ensine-a a repartir as coisas e a mostrar amor e simpatia pelos outros, orando, dando ou
fazendo algo.
É teimosa, e bate o pé quando as coisas não saem como ela quer, ou quando é
obrigada a fazer algo que não quer fazer. Aprenda a boa arte de sugerir as coisas
firmemente, mas sem rispidez. Ex.: Em vez de dizer: "Guarde os brinquedos, porque já
vamos ouvir a história", diga: "Chegou a hora de ouvirmos mais uma parte da história de
Jesus. Quem gosta de ouvir a história de Jesus? Então vamos todos guardar os brinquedos
na caixa, antes de ouvir a história".
É medrosa demais. Evite dizer: "Se você não ficar quieto, vou falar com sua mãe".
Evite histórias que causem medo: "... então veio um homem baixinho, de bigode, com um
chapéu preto na cabeça. Ele veio devagarzinho... e zup! Agarrou o missionário, e ele gritou:
"Ahhh!". Além de ficar com medo, ela vai pensar que todo homem baixinho é um bandido
que agarra as pessoas.
E. Espiritualmente. Pensa em Deus de um modo pessoal e consegue dar-Lhe
verdadeiro louvor. Leve-a a ter um contato pessoal com o Senhor através da oração de
agradecimento, de petição, e pelas histórias da Bíblia. Diga-lhe repetidas vezes que Deus
odeia seus pecados mas a ama muito.
Ela pergunta com freqüência sobre a morte, porque tem dúvidas. Responda com
simplicidade, sem mostrar mistério ou cinismo.
Acredita nos adultos e está pronta a ouvir de Cristo. Seja verdadeiro e fale de Cristo de
maneira bem simples. Faça um apelo após contar a história, ou em qualquer ocasião
propícia. Depois que ela tomar a decisão, verifique se entendeu e fale sobre a certeza da
salvação, caso tenha mesmo se decidido.
16.4. O Que e Como Ensinar as Crianças de 4 a 6 Anos
Use recursos visuais simples mas significativos para ela. Faça-a participar da aula,
dramatizando, recortando a história, respondendo perguntas, ou fazendo algum trabalho
manual. Não use comparações nem palavras figuradas na história. Esta deve ter seqüência
lógica e ser curta. Fale pouco e de maneira clara. Modifique o tom e a entonação da voz,
dependendo dos personagens e circunstâncias. Toda palavra nova deve ser explicada para
evitar que a criança memorize coisas sem sentido. Cada verdade básica deve ser repetida
muitas vezes, de várias maneiras. Evite dar duas explicações a uma mesma lição, pois pode
causar confusão. Faça perguntas que a ajude a expressar suas idéias naturalmente, sem
forçá-la, também sem depreciá-la quando não conseguir explicar aquilo que quer falar.
A. Planos de salvação
• Eu pequei - Rm 3.23 - Sabe que você é pecador? Você diz mentiras, tem raiva do
irmãozinho e desobedece? Isto tudo é pecado. O pecado separa você de Deus.
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• Deus me ama - Jo 3.16 - Deus odeia o pecado que você comete, mas Ele o ama
tanto que fez uma coisa para você não ficar longe dEle: deu Jesus.
• Cristo morreu por mim - Rm 5.8 - Cristo morreu em seu lugar para que você não
fique mais separado de Deus.
• Eu O aceito - Jo 1.12 - Se você receber Cristo em seu coração, você se torna filho de
Deus, e seus pecados são perdoados. Quer orar a Jesus e pedir-Lhe para vir morar
com você para sempre e limpar seu coração?
• Estou salvo - Jo 1.12 ou Jo 5.24 - O que você fez? Isto: abriu o coração para Jesus
entrar. Onde Ele mora agora? A Bíblia diz que Jesus nunca mais vai abandoná-lo.
Você está seguro nas mãos de Deus.
16.5. As Características das Crianças de 7 a 9 Anos
Na idade de 7 a 9 anos a criança tem uma personalidade vibrante e curiosa, mas que
também oferece momentos de frustração para o professor. Cada uma dessas idades - 7, 8 e
9 - tem suas características, necessidades e habilidades próprias. Não há dois alunos iguais;
no entanto, há traços comuns a todos eles. Um bom conhecimento desses pontos análogos
dará ao professor mais base para enfrentar e solucionar os problemas e necessidades de
cada um.
Nessa idade, as crianças descobriram um mundo novo e estão vivendo intensamente
dentro dele: é a escola secular - aulas, horários, responsabilidades, concorrência em notas,
brigas durante o recreio, disciplina, hostilidade sem a proteção dos pais, coleguismo,
realizações, recompensa, etc. Gostam da escola, da professora, dos seus cadernos de tarefa,
enfim, do seu novo mundo. Sabem fazer comparações e descobrir se uma coisa é boa ou
não, organizada ou não. E a escola dominical pode ficar em segundo plano se você,
professor(a) dessa faixa etária, não levar a sério o trabalho de ensino.
As crianças nessa idade são parecidas entre si, porém, se formos analisar com
cuidado cada idade, perceberemos que há diferenças bem visíveis na maneira de agir, de
pensar e de aprender de cada idade, como iremos ver agora:
A. Características Mentais.
Estão aprendendo a raciocinar. Não lhes dê tudo mastigado. Não solucione os
problemas deles, mas ajude-os a achar as soluções por si mesmos.
O período de atenção é mais prolongado do que o dos alunos de 4 a 6 anos; varia mais
ou menos de 10 a 15 minutos.
Sete anos: estão aprendendo a ler e escrever, pois entraram para o primeiro ano.
Gostam de fatos reais mas também de fantasias, e já conseguem distinguir um do
outro. Use ambos, mas com mais freqüência os fatos reais, para evitar o pensamento de que
o cristianismo é algo imaginado.
Sua capacidade de expressão é limitada, mas têm boa memória. Ajude-os a se
expressar em grupo, mas nunca force ninguém a participar contra a vontade. Se prometer
algo, cumpra, pois eles se lembram sempre e vão deduzir que você é mentiroso, se não
cumprir.
Oito anos: gostam de ler, de aprender e de responder e de responder rapidamente.
Leve-os a participar o máximo da aula.
Gostam de pesquisar, de perguntar sobre o passado e o futuro, sobre outros povos,
etc.
Nove anos: gostam de expor suas idéias, de discutir, de perguntar, de ouvir histórias
e de dizer coisas engraçadas. Saiba ouvi-los e dê respostas simples e claras. Saiba aceitar
certas brincadeiras inofensivas.
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Gostam de ser desafiados. Desafie-os a trabalhar para Cristo. Evite pensar que são
muito pequenos e não entendem nada sobre consagração.
São pensadores, críticos e têm boa memória. Não se espante com certas perguntas
profundas que venham a fazer. Ajude-os a ver a parte boa das coisas e das pessoas. Dê-lhes
oportunidade para memorizar versículos da Bíblia e princípios gerais.
B. Características Físicas. Os músculos menores estão se desenvolvendo
vagarosamente, e eles se cansam muito quando têm que realizar algo com muitos detalhes;
portanto, não exija deles perfeição.
Sete anos: estão aprendendo a escrever. Colabore em seu desenvolvimento físico
dando-lhes oportunidade de escrever versículos fáceis, palavras importantes, pintar figuras,
etc.
Oito anos: gostam de se mostrar, fazendo coisas perigosas, como: sentar apoiando a
cadeira num pé só, andar sobre um muro coberto de cacos de vidro; pegar bichinhos
venenosos com garrafas ou brincar com bombinhas ou espingardas. Não mostre aprovação,
nem grite para que parem, e nem mostre cuidado excessivo: porém, seja enérgico e faça-os
parar quando estiverem fazendo algo muito perigoso. Chegue mais cedo para que a classe
não vire uma confusão.
Nove anos: sua coordenação motora já está quase perfeita, mas não é perfeita.
Gostam muito de projetos de mesa: construir, armar, recompor uma cena, etc.
C. Características Sociais. Necessitam de companhia; são comunicativos e gostam de
ser considerados alguém. Respeitam autoridade e são cooperadores.
Sete anos: gostam de agradar a professora dando-lhe presentes, e com conversas ou
piadas. Mostre que você realmente se agrada dos presentes, porém deixe claro que isso não
vai lhes trazer benefícios especiais nem vantagem sobre os outros.
Não gostam do sexo oposto; são antagônicos. Evite colocar meninos e meninas juntos
em qualquer atividade de grupo.
Ficam acanhados em ambientes novos. Crie na classe um ambiente familiar e
afetuoso.
Oito anos: são egoístas e egocêntricos. Incentive-os a ajudar outras pessoas.
Nove anos: desejam amizades sólidas. Apresente-lhes Cristo como Aquele que nunca
muda. Gostam de atividades competitivas ou cooperativas. Proporcione-lhes ambos os tipos
de atividades.
D. Características Emocionais. Imaturos. São imprevisíveis e se desanimam com a
mesma facilidade com que se animam a fazer alguma coisa: fogo de palha.
Não se impressione com suas reações. Não espere demais deles só por já estarem mais
desenvolvidos. Incentive-os a continuar o que começaram. Instrua-os dentro de sua própria
capacidade de ação.
Rebelam-se contra exigências pessoais, quando se sentem magoados. Ensine a
obediência através de sugestões e com amor, e nunca dando ordens. O ambiente os
influencia muito e podem estourar com facilidade. Aja com calma, sorria sempre, mas
nunca ria deles.
Sete anos: dependem muito do ambiente. O ambiente é que vai determinar o
aprendizado. Proporcione um ambiente bem sugestivo que contribua para o aprendizado.
Oito anos: criam seu próprio ambiente e fazem com que outros dependam dele.
Cuidado com as panelinhas, pois podem destruir a classe. Seja um guia bem sensível às
reações dos alunos e procure perceber se certo grupo está reagindo contra você, contra a
classe ou contra o ambiente. Quando descobrir a causa, faça tudo para solucionar o
problema.
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Nove anos: são capazes de cooperar para manter um ambiente muito agradável.
Incentive-os a cooperarem para o bom funcionamento da classe. Vibram quando a classe
toda se envolve num projeto ou quando há competição entre sua classe e outra. Tome
cuidado para que a competição em si não seja mais importante do que o propósito dela.
Ficam arrasados quando o seu grupo perde uma competição.
E. Características Espirituais.
Sete anos: são impacientes e querem saber tudo agora.
Gostam da escola dominical e têm fé em Deus. Nessa idade já podem entender que
Cristo os comprou com o Seu sangue, e que já não pertencem a si mesmos, mas a Ele.
Oito anos: gostam de um cristianismo exclusivo. Ajude-os a conhecer a Cristo, e a
andar com Ele em sua vida diária. Procure entender bem suas reações e mostre-se
compreensivo.
Nove anos: estão saindo do seu exclusivismo e o mundo à sua volta os preocupa;
querem trabalhar para Cristo.
16.6. O Que e Como Ensinar as Crianças de 7 a 9 Anos
Sete anos: Estimule-os a ler o livro do aluno e versículos simples, na própria Bíblia
ou escritos no quadro-negro. Dê a eles versículos para copiarem na classe e em casa, como
tarefa. Faça-os participar bastante da classe deixando que segurem cartazes com cânticos,
recontem histórias, armem quebra-cabeças de versículos, etc. Evite contar histórias em
capítulo por muito tempo, pois podem ficar desinteressados. Ensine-lhes a pedir a Deus a
solução de qualquer problema.
Oito anos: Conte-lhes histórias interessantes, use ilustrações atuais, faça-os
pesquisar sobre costumes e histórias dos tempos antigos. Dê a eles tarefas difíceis e desafie-
os a realizá-las. Ensine-os a pensar nos outros, que Jesus é o melhor amigo que existe e
está pronto a ajudá-los em qualquer situação.
Nove anos: Conte histórias bíblicas de uma forma atual, interessante, prática,
relacionando as lições bíblicas com os fatos atuais. Como nesta idade eles desejam amizades
sólidas, apresente Cristo como Aquele que nunca muda. Dê-lhes bastante trabalho prático:
dobrar e distribuir folhetos, fazer evangelismo individual, dar o testemunho pessoal,
participar de um conjunto musical, etc.
16.7. As Características dos Pré-Adolescentes
O pré-adolescente não é mais uma criança, mas também não preenche plenamente as
qualificações de um adolescente. Age como criança muitas vezes, porém fica zangado
quando o consideram como tal. Ele vive as mais fantásticas aventuras e experiências, e
sente necessidade de ser liderado por uma pessoa que o compreenda e o ajude a se
conhecer a si mesmo. Por causa da atitude crítica, insinuosa e até marginalizadora, própria
dos pré-adolescentes, muitos são chamados por alguns adultos de "moleques", "pestinhas" e
"endiabrados". Contudo, vale a pena conhecê-los e ajudá-los nessa fase tão difícil e tão
decisiva da vida.
A. Fisicamente. Estão ganhando força, apesar de haver um estacionamento no
desenvolvimento físico. Gostam de lutar e de fazer bagunça. Chegue à classe antes dos
alunos e distribua algo atrativo e útil para fazerem até o início da lição.
Há uma diferença muito grande entre o desenvolvimento físico das meninas e o dos
meninos. Muitas garotas estão um ano na frente dos garotos. Algumas já entraram na fase
menstrual e sentem que não são mais crianças, ao passo que os garotos agem e pensam
como crianças. Enquanto os meninos se divertem com atividades brutas, as meninas são
mais reservadas e preferem atividades mais calmas. Você deve levar em conta estas grandes
diferenças, ao fazer o planejamento de quaisquer atividades.
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B. Mentalmente. São vivos e gostam de fazer perguntas. Têm boa memória, porém não
pensam em profundidade. Têm consciência de tempo e distância. Gostam de colecionar
"coisas". Lêem muito. Têm grande interesse em conhecer pessoalmente ou ler e ouvir a
respeito de heróis.
C. Socialmente. Sentem uma necessidade grande de pertencer a um grupo que lhes dê
segurança. Preferem o seu grupo mais que a família. Lutam pelos direitos do grupo. Gostam
de organizar grupos do mesmo sexo. As meninas pensam mais em namoro que os meninos.
Ocasião propícia para aconselhamento; evite classes mistas. Adoram heróis e são
perfeccionistas. Odeiam fraquezas pessoais. Gostam de ter responsabilidades. Rebelam-se
contra a autoridade. Seja um guia, um líder e não um ditador. Sempre peça sugestão à
classe, mas não de maneira que demonstre insegurança. Crie um ambiente de liberdade,
mas controlado por você.
D. Emocionalmente. São instáveis emocionalmente. O desequilíbrio é demonstrado em
todas as ocasiões: são alegres ou fechados demais; mostram amizade em excesso e, de
repente, voltam-se contra o melhor amigo. Ora estão calmos; ora preocupados, e assim por
diante. Seja amigo constante, sincero e que inspire confiança e segurança. Não gostam de
manifestações de afeto. Evite abraçar ou colocar a mão nos seus ombros. Ame-os não com
palavras e gestos, mas de verdade. São dados a valentias, pois gostam de participar de
coisas empolgantes. Mostre que muitas vezes é melhor fugir de um perigo inútil do que
enfrentá-lo e sofrer conseqüências graves. São sensíveis ao desprezo, à falta de amor e à
hipocrisia. Fale de Cristo e leve-os a viver Cristo.
E. Espiritualmente. Eles possuem padrões elevados para si mesmos. Reconhecem o
pecado como algo que desagrada a Deus e a si mesmos. Têm fome de Deus. Sua fé é simples
e sua cabeça está cheia de dúvidas sobre a Bíblia. Gostam de encontrar resposta por si
mesmos na Bíblia. Estão começando a compreender melhor os simbolismos. Querem a
Cristo como Salvador e Senhor.
16.8. O Que e Como Ensinar os Pré-Adolescentes
Tenha um programa ativo, envolvendo-os ao máximo em alguma atividade onde
possam usar as suas forças. Dê-lhes oportunidade de pensarem, perguntarem e se
expressarem. Encoraje e motive a memorização de versículos, hinos e fatos bíblicos. Ensine-
lhes cronologia e geografia bíblica. Use mapas e gráficos em seu ensino. Encoraje-os a ter
passatempos úteis. Ensine-os a escolher boa literatura; ajude-os na formação de bons
hábitos de leitura; apresente a Bíblia como sendo o melhor livro que existe. Apresente
histórias de heróis bíblicos e também de outros como: Carey, Simonton, José Manoel da
Conceição, Robert e Sarah Kalley, etc. Será bom, algumas vezes, levar à classe missionários
que estão na obra e cujas experiências sirvam para despertá-los para o serviço do Senhor.
Promova reuniões sociais e passeios para a classe, com o intuito de preencher as
necessidades sociais deles, dentro de um ambiente cristão. Aproveite para motivar a classe a
estudar a lição da escola dominical, através de uma competição não individual, mas entre
grupos. Deve tomar muito cuidado para que o espírito de "só os do meu grupo" não leve à
marginalização de outros de fora do grupo. Ensine-lhes padrões bíblicos através de
princípios bíblicos. Dê-lhes oportunidades de acordo com as suas capacidades e gostos. E
como gostam de humorismo, ensine-os a cultivar o humorismo são e evitar o mal.
Explique-lhes o valor do sangue de Cristo (1 Jo 1.9). Proporcione oportunidades de
conhecerem melhor a Deus. Desafie-os a orar, fazendo pedidos específicos e, pela resposta
de Deus, vão saber da realidade de Deus e Sua atuação hoje na vida diária. Envolva-os em
diversos ministérios e responda a todas as perguntas de maneira simples e objetiva.
Ofereça-lhes as ferramentas próprias para descobrir soluções para seus problemas; por
exemplo, um método de estudo bíblico. Use simbolismo, mas certifique-se de que estão
entendendo. Leve-os aos pés do Salvador e ajude-os a entender a importância de colocar a
Cristo como líder de suas vidas. Nessa fase o professor deve nutri-los, mais do que lançar
desafio após desafio, pois, como disse alguém, "O que o indivíduo aprende na idade de 10 a
12 anos leva consigo até o túmulo".
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16.9. As Características dos Adolescentes
Queremos apresentar-lhe uns indivíduos suspeitos, desajeitados, problemáticos,
rebeldes e inconstantes, que freqüentam a nossa escola dominical: são os adolescentes.
Creio que ninguém apresentaria uma pessoa dessa maneira, mas quantos já
pensaram nestes termos, ao depararem com os alunos na faixa de idade entre 13 e 16 anos,
que mal respondem ao seu tão cordial "bom dia"?
Por que agem dessa maneira? A causa é terem descoberto a existência de dois
mundos: um, que é o seu, interior, e outro, exterior, o mundo dos adultos. Sentem o peso e
a pressão vindos tanto de dentro de si quanto do mundo exterior. Na tentativa de se
adaptarem a esses dois mundos tão conflitantes entre si é que surge a rebelião, que pode
ser expressa de várias maneiras. Você terá mais condições de ajudá-los, conhecendo-os
melhor.
A. Fisicamente. Estão se desenvolvendo rapidamente e tanto podem estar muito bem
dispostos quanto não querendo fazer absolutamente nada. O adolescente é desajeitado por
causa da súbita transformação física. Seja paciente e procure compreender seus atos
abrutalhados. Sua voz está mudando. Principalmente a do rapaz. Não o embarace pedindo
que declame ou cante diante da igreja, pois sua voz pode mudar de tom várias vezes e ele
teme o vexame.
Freqüentemente, a razão pela qual um adolescente não quer ir à escola dominical são
as espinhas que, para seu tormento, começam a surgir e enfear seu rosto.
Peça a Deus discernimento para descobrir as causas dos problemas do adolescente,
pois estes algumas vezes parecem tolos aos olhos dos adultos, mas são terríveis para ele.
B. Mentalmente. Sua capacidade de raciocínio está se desenvolvendo e ele está em
busca de novidades. Sua imaginação adquiriu mais vida e recebe sugestões até demais!
Quer saber para que serve o que está fazendo. Por exemplo, a memorização de versículos.
C. Socialmente. Quer ser adulto e independente e pertencer a uma comunidade.
Gosta de grupos fechados. Mostre-lhe a alegria que temos em poder pertencer a Cristo, pois
Ele nos possibilita uma comunhão genuína com outros cristãos. Faça-o sentir que é querido
pela sua classe, que você o considera importante e que sua ausência é sentida por todos.
Pouco vai adiantar convencê-lo de que os crentes são melhores do que os seus amigos do
mundo, ou explicar-lhe as vantagens de freqüentar a escola dominical. O que realmente o
prenderá ao meio evangélico será a certeza de que é realmente querido e que a sua opinião é
ouvida e valorizada.
Fica encabulado com facilidade e tem consciência de seus problemas. Mostre-lhe que
outras pessoas têm os mesmos problemas, mas que a vitória é pessoal. Incentive-o a ter
Cristo como o seu melhor amigo. Ele cultua heróis mais sofisticados. Às vezes sonha que é
campeão de Fórmula 1 correndo nas pistas internacionais; em outras fala, anda e age como
o galã que viu "naquele filme". Quando se sente frustrado por não poder comprar "aquela
mota" ou qualquer outra coisa, tem desejo de ser rico, rico... riquíssimo. É profundamente
leal ao seu grupo. Incentive-o a ser leal também à sua escola, igreja, grupo de amigos
evangélicos, família, etc. Tem interesse pelo sexo oposto. Providencie reuniões sociais
mistas. É sempre bom ter comes e bebes nessas reuniões, pois nessa fase de crescimento o
adolescente sente muita necessidade de comer.
D. Emocionalmente. Seus sentimentos são inconstantes e suas emoções são intensas.
E. Espiritualmente. Está pronto para a salvação. Quer uma fé que seja prática. Está
cheio de dúvidas sobre o cristianismo. Quer fazer algo e está procurando um ideal. Aproveite
suas aptidões, após um bom treinamento.
16.10. O Que e Como Ensinar aos Adolescentes
Varie os métodos de instrução para manter o nível de interesse. Faça com que
participem ativamente da aula. Ajude seu aluno adolescente a descobrir verdades bíblicas
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por si próprio, deixando-o procurá-las na classe e em casa. Aproveite a imaginação deles
para dar colorido aos textos bíblicos. Estimule-os a contribuir com idéias e sugestões.
Recomende-lhes bons livros evangélicos e traga preletores cristãos para falar sobre sexo e
drogas, pois a curiosidade é tamanha nessas áreas que muitos vão querer conhecer mais
sobre o assunto através de livros ou colegas, caso a igreja não a satisfaça. Quando
responder perguntas, explicar ou aconselhar sobre sexo, dê respostas corretas e sinceras,
sem dar a impressão de que o sexo é algo sujo ou proibido. Esteja atento para descobrir por
que seu aluno está fazendo aquela pergunta. Tenha sempre ilustrações práticas, claras e
reais em mente, para que ele não venha a pensar que é a primeira pessoa a lhe fazer
pergunta sobre o assunto e que você está embaraçado...
Nunca o mande fazer algo sem explicar-lhe o seu objetivo; inculca em sua mente o
poder da Palavra de Deus na vida prática. Cristo venceu a tentação usando versos bíblicos.
O Salmo 119.9 seria um bom versículo para memorizarem. Tenha o cuidado de não dar
aulas em um nível inferior àquele em que o adolescente se encontra. Delegue
responsabilidades, ensine-o a respeitar os pais e outros adultos em geral. Não indague
insistentemente quando lhe delegar responsabilidades. Saiba perguntar sobre o andamento
do projeto e, se for preciso, dê sugestões práticas, sem contudo fazer imposições. Ele detesta
ser mandado por adultos.
Procure conduzir seus pensamentos em direção a Cristo. Tenha o cuidado para não
dar a idéia de que o apóstolo Paulo foi melhor do que Cristo ou que Paulo era tão perfeito
quanto Cristo. Apresente o evangelho de maneira positiva. Seja um professor equilibrado.
Tenha calma quando for aconselhá-lo. Dirija seus pensamentos para Cristo. Explique-lhe a
importância de se ter autocontrole.
Leve-o a Cristo. Caso seja crente, ajude-o no seu crescimento, ensinando-lhe as coisas
básicas da vida cristã: oração, hora devocional, estudos bíblicos... Aplique as verdades
bíblicas à vida de cada aluno. Faça sempre uma aplicação geral e outra específica, usando
perguntas: como você pode aplicar isto à sua vida diária? Por que isto é importante? Esta
verdade vai fazer alguma diferença em sua vida? Dê-lhes oportunidades de fazerem
perguntas. Responda sempre apontando os princípios bíblicos. É importante que o
adolescente saiba, com suas próprias palavras, dar a razão de sua fé em Cristo.
16.11. As Características dos Jovens
Apesar de alguns adultos se preocuparem com a insensibilidade dos jovens para com
as coisas espirituais existem muitos deles que estão ansiosos por conhecer a verdade. Não
se pode mais ignorar o fato de que os jovens se despertaram para Jesus. Mais do que
nunca, eles estão interessados não só em ouvir o que Deus tem a lhes dizer em Sua Palavra,
como também em praticar o que ouvem. Será que a escola dominical os está ajudando
positivamente? Está encorajando e sustentando esta onda de avivamento? Será que sua
vida, professor, poderá motivar seus alunos a crescer? Certamente poderá, se você, em vez
de levantar barreiras de preconceitos, incompreensão e indiferença, construir pontes de
comunicação, compreensão e respeito. E o primeiro passo para isso é conhecer bem quem
está do outro lado da ponte.
A. Fisicamente. Muitos jovens têm problemas sérios na questão da auto-aceitação.
Cada um gostaria de mudar alguma coisa no modo como Deus o criou. Como líder, você
deve enfatizar o fato de que a verdadeira beleza é a interior, que surge quando aprendemos a
agradecer a Deus pela maneira como Ele nos fez. Deve também mostrar a diferença entre o
julgamento de Deus e o dos homens (1 Sm 16.7).
Boa parte deles já são donos de sua vida, e por isso tem a tendência de se descuidar
da saúde. Você deve alertá-los para o fato de que o corpo necessita de repouso, higiene e
alimentação adequada.
B. Mentalmente. Sua capacidade de raciocínio já está bem desenvolvida. Querem ter
liberdade para discutir assuntos que provoquem polêmica, e os mais preferidos são os de
ordem mundial, filosófica e ideológica. Gostam também de conversar sobre pessoas do sexo
oposto. Sentem necessidade de conversar sobre assuntos práticos que estejam relacionados
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com a sua vida e carreira. Pensam muito e fazem perguntas desejando obter respostas bem
pensadas. Não aceitam nada sem explicação ou motivo justo ou lógico.
C. Socialmente. Sentem muita necessidade de ter comunhão fraternal com os irmãos
em Cristo. Gostam de ter contato com o sexo oposto. Há perigo de o jovem ser descuidado e
precipitado na escolha do cônjuge. A solidão e a necessidade de ser amado muitas vezes
levam o jovem a tomar decisões que trazem conseqüências trágicas: casamento misto,
gravidez prematura, amor livre, etc. Os jovens devem aprender a esperar em Deus, para
experimentar a vontade de Deus em cada área da sua vida, vontade que é boa, agradável e
perfeita. Devem se conscientizar do fato de que, se estiverem dentro do plano de Deus, nada
sairá errado.
D. Emocionalmente. Geralmente são controlados emocionalmente. Já aprenderam a
substituir as explosões de temperamento por demonstrações de cinismo e chacota. Muitos,
porém, têm dificuldade em controlar as emoções.
E. Espiritualmente. Eles gostariam que a igreja, ao invés de ser uma organização com
regrinhas para serem cumpridas, funcionasse como um organismo vivo e atendesse mais
diretamente às suas necessidades pessoais. Almejam ver funcionando na prática muitos dos
princípios bíblicos pregados do púlpito, tais como: amor, compreensão, respeito, etc. Estão
interessados em dar uma resposta mais adequada e menos mística, quando questionados a
respeito de sua fé.
16.12. O Que e Como Ensinar aos Jovens
Geralmente os jovens têm problemas com a mente. O professor poderá ajudá-los nesta
área recomendando a memorização de versículos (como por exemplo o Salmo 119.11) e a
meditação neles durante o dia, a fim de se apropriarem do ensinamento aprendido. Em
oração particular devem colocar diante do Senhor suas dificuldades nesta área e o desejo
sincero de uma renovação mental (Rm 12.1,2).
Os jovens têm muitas dúvidas quanto à sua vocação, a escolha da cara metade e a
vontade de Deus. O professor deve procurar relacionar Cristo aos problemas da vida usando
tópicos como: "O que é serviço cristão?", "O que é consagração verdadeira?", "O casamento
do ponto-de-vista de Deus", "Como Deus revela sua vontade", etc. Uma experiência pessoal
do professor, contada com sinceridade e amor, vale muito mais do que muitos princípios de
teoria.
O professor deve ensiná-los o que é verdadeiro e bíblico, para evitar a formação de
conceitos falsos acerca do caráter cristão. É necessário gastar bastante tempo com eles
estudando sobre o Corpo de Cristo e seus aspectos práticos: unidade da Igreja, diversidade
dos membros através dos dons e a interdependência dos membros. O ideal seria que cada
jovem pudesse descobrir seu dom específico, o seu ministério e como atuar nele. Assim
evitaria gastar o resto da vida em atividades e lugar não determinados pelo Senhor.
16.13. A Classe de Adultos
Os adultos também têm necessidades mentais, sociais, emocionais e espirituais. A
Igreja, como Corpo de Cristo, tem a tarefa de suprir essas necessidades. A escola dominical,
como agência da igreja local, pode e deve colaborar muito nesse sentido. Uma das maneiras
é:
A. Estudo Bíblico Dinâmico.
• Desperte o interesse. Sem o interesse da pessoa não se conseguirá muita coisa.
Como despertar o interesse? Apresente um desafio à pessoa, pois os adultos
aceitam desafios e querem ser desafiados com coisas que realmente sejam
importantes. A maneira mais prática é dar uma tarefa que eles tenham condições
de executar.
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• Interaja. Na escola dominical deve-se dar aos alunos a chance de escolher alguns
temas de maior necessidade pessoal. Exemplos: lar cristão, finanças, segunda
vinda de Cristo, como estudar a Bíblia (métodos de estudo bíblico), etc.
B. Estudo Bíblico Prático. Uma característica marcante dos adultos: sabem mais do
que fazem. São inimigos do trivial. Têm as preocupações do dia-a-dia, como, por exemplo,
finanças e família. Desejam servir e ser úteis ao Senhor e desejam desenvolver uma filosofia
cristã prática, para a vida. Falando em estudo bíblico, é bom ressaltar que o professor deve
ensinar com seriedade, dando alimento espiritual sólido, pois os adultos não gostam de
coisas superficiais.
C. Dê oportunidades para as pessoas contarem suas vitórias e derrotas. Entre outras
coisas, isso ajuda a satisfazer certas necessidades sociais do adulto: o desejo de
companheirismo, desejo de aprovação do grupo e o senso de valor pessoal. Muitos
enfrentam problemas quanto às relações humanas e alguns experimentam solidão. Temos
necessidade de falar e de ouvir.
Não adianta querer ministrar à pessoa, com matérias, se ela não externar aquelas
coisas que estão lhe causando problemas. Mas cuidado para a aula não virar um bate-papo
sem finalidade. O uso de certas perguntas ajuda a dirigir a conversa para um fim
proveitoso. Por exemplo: "O que Deus fez por você nesta semana? Como Deus o usou para
ajudar outras pessoas? Como você colocou em prática os princípios da Palavra de Deus,
estudados na semana passada?".
D. Leve os participantes a se interessarem uns pelos outros.
• Oração mútua. Incentive cada aluno (ou participante) a orar diariamente pelos
outros componentes do grupo, de maneira pessoal, citando seus nomes. Nunca
devem se esquecer de orar pela obra missionária em geral e pelos missionários em
particular.
• Prestação de serviço e hospitalidade. O professor deve mostrar com exemplos
bíblicos que quando alguém precisa de ajuda, o grupo todo tem a responsabilidade
de se interessar e fazer alguma coisa por ele.
• Estabeleça alvos em conjunto e desafie o grupo a alcançá-los. Quantas novas
pessoas vão ser alcançadas nos próximos 6 meses? E no próximo ano? Quantas
vão passar adiante o que estão recebendo? Para que os alunos possam edificar
outros, eles precisam de uma edificação sólida. E se você é professor, então esta é
sua tarefa.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA
SOUZA, Netanias dos Santos. Manual Didático-Pedagógico da Escola Dominical.
Instituto de Teologia Logos.

ATIVIDADE
1. Como uma educação cristã pode influenciar a sociedade?

PROGRAMA DE ESTUDOS
Para finalização dos estudos no MODO INTENSIVO, essa disciplina deverá ser
concluída em 5 dias.
Para finalização dos estudos no MODO NORMAL, essa disciplina deverá ser
concluída em 20 dias.

AVALIAÇÃO FINAL


INTRODUÇÃO À TEOLOGIA
Apresente suas justificativas para a necessidade, a importância e a finalidade
dos estudos em Teologia. Mínimo de 5 para cada item apresentado.

MÉTODOS DE ESTUDOS BÍBLICOS
Relacione 3 benefícios de cada método de estudo bíblico apresentado.

BIBLIOLOGIA
Demonstre a inspiração e veracidade da Bíblia Sagrada, usando unicamente a
Bíblia.

EDUCAÇÃO CRISTÃ
Como uma educação cristã pode influenciar a sociedade?



Agradecemos o seu interesse em participar do
programa de estudos oferecido pelo
Instituto de Teologia Logos.

Estamos aguardando as repostas da sua avaliação final
para lhe enviarmos seu Certificado de Conclusão.

As respostas devem ser enviadas para
contato@institutodeteologialogos.com.br

(O certificado será enviado via e-mail e você poderá
imprimir em qualidade normal e papel cartão.)