Platão - As Leis

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Livro I
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livro I
O ateniense: A q u e m a t r i b u i s , e s t r a n g e i r o s , a a u t o r i a de vossas disposições legais? A um d e u s ou a a l g u m h o m e m ? CUnias: A u m d e u s , e s t r a n g e i r o , c o m t o d a a c e r t e z a a u m d e u s . N ó s c r e t e n s e s c h a m a m o s d e Z e u s o n o s s o legislador, e n q u a n t o na Laeedemônia, onde nosso ami"
(n.t.)

go a q u i t e m seu domicílio, a f i r m a m - acredito - ser Apo lo o d e l e s . N ã o é a s s i m , Megilo? Megilo: Sim. q u e Minos f*W*> *
íiMjiétt apmm o Cfúiian.

O ateniense: D i z e s , e n t ã o , • c o m o H o m e r o , • • c o m seu pai, •• •

"(Missáta, 19,178 e sctj.

costumava ir de nove em nove a n o s m a n t e r conversações e q u e ele e r a g u i a d o p o r seus o r á c u l o s d i v i n o s n o e s t a b e l e c i m e n t o d a s leis p a r a v o s s a s c i d a d e s ? CUnias : A s s i m d i z n o s s o p o v o , q u e d i z t a m b é m q u e s e u i r m ã o R a d a m a n t o - i n d u b i t a v e l m e n t e ouviste este n o m e - foi s u m a m e n t e j u s t o . E c e r t a m e n t e n ó s , c r e t e n s e s , s u s t e n t a r í a m o s q u e ele c o n q u i s t o u este título devido a s u a correta a d m i n i s t r a ç ã o da justiça n a q u e l a época. O ateniense: S i m , s e u r e n o m e é d e f a t o g l o r i o s o e b a s t a n t e p r ó p r i o a um filho de Z e u s . E visto q u e tu e n o s s o a m i g o Megilo f o r a m a m b o s e d u c a d o s e m i n s t i t u i ç õ e s legais d e tal excelência, n ã o c o n s i d e r a r i a m u m desprazer, i m a g i n o , q u e n o s o c u p á s s e m o s e m d i s c u t i r o ass u n t o g o v e r n o e l e i s à m e d i d a q u e c a m i n h a m o s . E cert o , c o n f o r m e m e foi d i t o , q u e a e s t r a d a d e C n o s s o s à c a v e r n a e t e m p l o de Z e u s é longa, e s e g u r a m e n t e enc o n t r a r e m o s n e s t a t e m p e r a t u r a a b a f a d a locais d e desc a n s o c o m s o m b r a s o b a s á r v o r e s a l t a s a o l o n g o d a estrada: neles p o d e r e m o s desca.nsar arniúde, como convém a nossa idade, passando o tempo discursando, e assim completaremos nossa viagem confortavpJmentc. CUnias: M u i t o b e m , e s t r a n g e i r o , e à m e d i d a q u e s e p r o s segue- à f r e n t e e n c o n t r a - s e n o s b o s q u e s c i p r e s t e s d e p o r te e beleza q u e m a r a v i l h a m , e t a m b é m prados, onde poderemos repousar e conversar. O ateniense: Dizes b e m .

{(li.)
• * * ? ) « f»!jo, 2JKüR.(it.l)
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CUnias: S i m , c o m e f e i t o , e q u a n d o o s v i r m o s d i r e m o s tal coisa a i n d a com maior ênfase. Bem, mi tão p a r t a m o s e q u e a b o a sorte nos aguarde! 0 ateniense: Q u e a s s i m seja! M a s d i z - m e . . . p o r q u e m o t i v o v o s s a lei d e t e r m i n a a s r e f e i ç õ e s c o m u n s e a s e s c o l a s de ginástica c os e q u i p a m e n t o s militares?

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Clínias: O s c o s t u m e s d e C r e t a , e s t r a n g e i r o , s ã o a m e u v e r t a i s q u e q u a l q u e r u m p o d e c o m p r e e n d ê - l o s facilmente. C o m o p o d e s perceber, Creta c o m o u m todo n ã o 6 um país p l a n o c o m o a Tessália; c o n s e q ü e n t e m e n t e e n q u a n t o a m a i o r i a dos tessalianos a n d a a cavalo, nós cretenses somos corredores já que nossa terra é acident a d a e m a i s a p r o p r i a d a à p r á t i c a da c o r r i d a a p é . Nestas condições somos obrigados a carregar pouco peso devido à corrida e evitar equipamento pesado; daí a a d o ç ã o de arcos e flechas q u e s ã o a d e q u a d o s em função de s u a leveza. E assim todos estes nossos costumes são a d a p t a d o s à g u e r r a e, na m i n h a o p i n i ã o , e r a este o objetivo q u e o legislador t i n h a em m e n t e q u a n d o os determinou a todos. Provavelmente estava i m b u í d o da m e s m a r a z ã o p a r a ter i n s t i t u í d o refeições c o m u n s : percebeu como os soldados todo o tempo em q u e se a c h a m e m c a m p a n h a s ã o c o m p e l i d o s p o r força d a s c i r c u n s t â n cias a t o m a r as refeições em c o m u m , em benefício de s u a p r ó p r i a s e g u r a n ç a . P a r e c e - m e ter ele m e d i a n t e isso c o n d e n a d o a estupidez da multidão, a q u a l n ã o consegue compreender que todos os h o m e n s de u m a c i d a d e " e s t ã o e n v o l v i d o s i n c e s s a n t e m e n t e n u m a g u e r r a vitalí* , Q « m lente «!«<' m mate o COM-MO de, TtoJltç c nt (MwteíÍRtieos d o modeh é Cidade. £.'i<idn (n.l)
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i o d o s os o u t r o s E s t a d o s . • Se, e n t ã o , essas

p r á t i c a s s ã o n e c e s s á r i a s na g u e r r a - n o m e a d a m e n t e , refeições em c o m u m p o r u m a q u e s t ã o de s e g u r a n ç a e a d e s i g n a ç ã o d o s r e v e z a m e n t o s d o s oficiais e soldados rasos p a r a q u e a t u e m c o m o g u a r d a s - devem ser igualm e n t e e f e t i v a d a s e m t e m p o d e paz;, p o i s ( c o r n o e l e diria) " p a z " , c o m o o t e r m o é c o m u m e n t e e m p r e g a d o , n ã o passa de um nome, a verdade sendo que todo Estado* e s t á , p o r u m a lei d a n a t u r e z a , c o m p r o m e t i d o p e r p e t u a rnente n u m a guerra informal c o m todo outro listado.» E se tu o l h a r e s a m a t é r i a deste p o n t o de vista, eonstalarús q u e n o s s o legislador creterise d e t e r m i n o u t o d a s m i s s a s instituições legais, t a n t o p ú b l i c a s q u a n t o priv a d a s , c o m u m o l h o f i x a d o tia g u e r r a , e q u e e l e , p o r t a n t o , n o s i n c u m b i u d a t a r e f a d e p r e s e r v a r n o s s a s leis com segurança na convicção de q u e sem a vitória na g u e r r a n a d a m a i s , seja posse, seja i n s t i t u i ç ã o , terá o m e n o r valor, m a s q u e todos os bens do vencido caem rias m ã o s d o s v e n c e d o r e s .

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O ateniense: T e u t r e i n a m e n t o , estrangeiro, certamente,

como a m i m parece, proporcionou-te u m a excelente c o m p r e e n s ã o cias p r á t i c a s l e g a i s d e C r e t a , M a s m e esclarece a i n d a c o m m a i s clareza: pela definição q u e dest e d o E s t a d o b e m c o n s t i t u í d o p a r e c e - m e q u e q u e r e s inferir q u e ele deve ser o r g a n i z a d o de tal m a n e i r a a ser v i t o r i o s o n a g u e r r a s o b r e t o d o s o s o u t r o s E s t a d o s . E isto? CUnias: C o m e f e i t o . E a c h o q u e n o s s o a m i g o a q u i c o m partilha de minha opinião. Megilo: N e n h u m l a c e d e m ô n i o , m e u b o m s e n h o r , p o d e ria possivelmente dizer coisa distinta. O ateniense: Se e s t a , e n t ã o , é a atitude correta a ser

empregada por um Estado em relação a outro Estado, será a a t i t u d e correta a ser a d o t a d a p o r um p o v o a d o em relação a outro diferente desta? CUnias: De m o d o algum.

O ateniense: D i z e s e n t ã o q u e ó i d ê n t i c a ? CUnias: Sim.

O ateniense: E s e r á a m e s m a a t i t u d e t a m b é m d e u m a casa no povoado em relação à outra, e de cada h o m e m em relação a q u a l q u e r outro? CUnias: A mesma. E d e v e r á c a d a h o m e m c o n s i d e r a r a si m e s -

O ateniense:

mo c o m o seu próprio inimigo? Ou o q u e dizermos q u a n do c h e g a m o s a este ponto? CUnias: O e s t r a n g e i r o d e A t e n a s - p o i s n ã o d e s e j a r i a c h a má-lo d e h a b i t a n t e d a Atiea, vi-lo que, m e p a r e c e q u e m e r e c e s tu ais ser n o m e a d o s e g u n d o a d e u s a •• vejo •• A t c v a , prihnitn ili .„.4l(!(\fi".,
énifíwin. mpuseelmín".
|H(II('IMO

q u e t o r n a s t e o a r g u m e n t o m a i s c l a r o f a z e n d o - o retorn a r n o v a m e n t e a o seu p o n t o d e p a r t i d a , pelo q u e d e s cobrirás mais facilmente a justeza de nossa afirmação em p a u t a , a s a b e r , que, c o l e t i v a m e n t e todos s ã o p ú b l i c a e p r i v a d a m e n t e i n i m i g o s de t o d o s , e i n d i v i d u a l m e n t e t a m b é m c a d a um é seu p r ó p r i o inimigo. O ateniense: O q u e « p í e r e s d i z e r , h o m e m admirável?

(J«s aalau

densa dei w i í v r l r M i n r dn

aqui |»Po mhtuup.íio

CUnias: E p r e c i s a m e n t e n e s s a g u e r r a , m e u a m i g o , q u e a v i t ó r i a s o b r e o eu é de t o d a s as v i t ó r i a s ti m a i s gloriosa e a m e l h o r , e a u u t o - d e r r o t a é de t o d a s as d e r r o t a s de p r o n t o a p i o r e a m a i s vergonhosa, frases q u e d e m o n s t r a m q u e u m a g u e r r a c o n t r a n ó s m e s m o s existe d e n t r o ile c a d a u m d e n ó s .

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O ateniense: M a s r e t o m e m o s a g o r a o a r g u m e n t o a o i n v e r s o . Visto q u e i n d i v i d u a l m e n t e c a d a u m d e n ó s é p a r • ©u sejo. ó, ma m f>»óf>Mo «sucedo», m m ptópM d e a n t a t o . (n.l.) c i a l m e n t e s u p e r i o r a si m e s m o e p a r c i a l m e n t e i n f e r i o r , * devemos nós entender q u e n u m a casa, n u m povoado e n u m Estado as coisas se p a s s a m de m a n e i r a idêntica, ou d e v e m o s negá-lo? CUnias: T u t e r e f e r e s à c o n d i ç ã o d e s e r e m e m p a r t e s u periores a si m e s m o s e em p a r t e inferiores? O ateniense: Sim.

CUnias: E s t a t a m b é m é u m a q u e s t ã o a p r o p r i a d a , p o i s u m a tal c o n d i ç ã o c o m t o d a a certeza existe e, sobretudo, n o s E s t a d o s . T o d a s a s vezes c o m efeito q u e n u m E s t a d o os m e l h o r e s t r i u n f a m sobre a m u l t i d ã o e as classes inferiores, poder-se-á c o m j u s t e z a d i z e r d e s s e E s t a do q u e s u p e r a a si m e s m o , d e v e n d o ele c o m s u í n a justiç a ser e n c o m i a d o p o r u m a v i t ó r i a d e s s a e s p é c i e ; e s e r á o i n v e r s o se o c a s o for o o p o s t o . 0 ateniense: B e m , d e i x a n d o d e l a d o a q u e s t ã o d e s e o pior elemento jamais é superior ao melhor elemento ( u m a q u e s t ã o q u e exigiria u m a discussão m a i s prolongada), o q u e afirmas, como posso agora percebê-lo, é isto: q u e à s vezes c i d a d ã o s d e u m a l i n h a g e m e d e u m Estado, os q u a i s são injustos e n u m e r o s o s , p o d e m se u n i r e t e n t a r escravizar mediante, a força os q u e são justos, p o r é m em m e n o r n ú m e r o , e o n d e os primeiros triunfassem o E s t a d o em p a u t a seria corretamente cham a d o de inferior a si m e s m o e m a u , e n q u a n t o o n d e os p r i m e i r o s fossem derrotados, o E s t a d o seria d e n o m i n a do s u p e r i o r a si m e s m o e b o m . CUnias: E i s a í , e s t r a n g e i r o , u m a a s s e r ç ã o d e v e r a s e x t r a o r d i n á r i a , e n ã o o b s t a n t e , n ã o h á c o m o refutá-la. O ateniense: E s p e r a u m m o m e n t o . Há aqui igualmente

um ponto q u e t a m b é m merece nosso exame. Supondo q u e houvesse vários i r m ã o s dos m e s m o s pais, n ã o seria e m a b s o l u t o s u r p r e e n d e n t e s e a m a i o r i a d e l e s fosse injusta e a p e n a s a minoria, justa. CUnias: D e f a t o , n ã o . O ateniense: E, a d e m a i s , n ã o c a b e r i a a v ó s ou a m i m ir à caça dessa f o r m a de expressão, de q u e pela vitória d o s m a u s , tal c a s a e família p o d e r i a m na s u a totalidade ser

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tidas c o m o inferiores a si m e s m a s , e de q u e pela s u a d e r r o t a , a o contrário, p o d e r i a m ser t i d a s c o m o superiores, pois n o s s a p r e s e n t e referência ao uso do d i s c u r s o ordinário não concerne à propriedade ou impropriedade dos t e r m o s m a s sim à retidão ou i m p e r f e i ç ã o essenciais d a s leis. Clínias: É b a s t a n t e v e r d a d e i r o o q u e d i s s e s t e , e s t r a n g e i r o . Megilo: aqui. O ateniense: M a s e x a m i n e m o s , a i n d a , o p o n t o s e g u i n t e : o s i r m ã o s q u e a c a b a m o s d e m e n c i o n a r p o d e r i a m , sup o n h o , d i s p o r d e u m juiz? Clínias: Certamente. E b e l a m e n t e expresso, t a m b é m , a m e u ver alé

O ateniense: E q u a l d e s t e s d o i s s e r i a o m e l h o r : u m j u i z q u e destruísse todos os m a u s no seu seio e encarregasse o s b o n s d e s e g o v e r n a r , o u u m juiz q u e fizesse o s b o n s m e m b r o s governar e ao mesmo tempo q u e permitisse q u e o s m a u s vivessem, o s fizesse s u b m e t e r - s e v o l u n t a r i a m e n t e ao governo? E há um terceiro juiz q u e temos q u e m e n c i o n a r (terceiro e m e l h o r do p o n t o de vista do mérito) - se de fato um tal juiz p o d e ser e n c o n t r a d o q u e a o lidar com u m a ú n i c a família dividida n ã o des trói n e n h u m d o s m e m b r o s d e s t a , m a s s i m o s r e c o n c i l i a e c o n s e g u e , d e c r e t a n d o leis p a r a eles, a s s e g u r a r e n t r e os mesmos doravante u m a amizade permanente. Clínias: U m j u i z e l e g i s l a d o r d e s s a e s p é c i e s e r i a , s e m dúvida alguma, o melhor. O ateniense: E , n o e n t a n t o , n ã o s e r i a a g u e r r a , m a s e x a t a m e n t e o c o n t r á r i o q u e o levaria a d e c r e t a r essas leis. _., . . , , , Camas: I s t o e v e r d a d e . O ateniense: E q u a n t o à q u e l e q u e c o n d u z o E s t a d o à h a r m o n i a ? At) o r g a n i z a r a v i d a do E s t a d o se p r e o c u p a r i a e l e m a i s c o m a g u e r r a e x t e r n a do q u e c o m a g u e r r a inlestina o n d e esta ocorresse, esla a q u e d a m o s o n o m e d e g u e r r a c i v i l " e q u e é u m a g u e r r a q u e c a d a u m jam a i s d e s e j a r i a q u e o c o r r e s s e em s e u p r ó p r i o E s t a d o , e q u e se o c o r r e s s e d e s e j a r i a v e r t e r m i n a d a o m a i s d e p r e s sa p o s s í v e l ? Clínias: E v i d e n t e m e n t e e l e s e p r e o c u p a r i a m a i s c o m a segunda. 71 rfri (h.t.) E t U G l Ç , O nçno dt . , . , . (wintat, «fe se pt» (te f)í'. <fe
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Platão - As Leis
0 ateniense: E n e s t e c a s o o q u e se p r e f e r i r i a ? Q u e os

c i d a d ã o s fossem o b r i g a d o s a d e d i c a r s u a a t e n ç ã o a inimigos externos depois da h a r m o n i a i n t e r n a ter sido a s s e g u r a d a m e d i a n t e a d e s t r u i ç ã o d e u m a p a r t e e a vitória dos oponentes desta ou depois da reconciliação entre a s p a r t e s q u e e s t a v a m e m d e s e n t e n d i m e n t o interno ter e s t a b e l e c i d o a a m i z a d e e a p a z ? Clínias: T o d o s t e n d e r i a m a e s t a ú l t i m a a l t e r n a t i v a p a r a seu p r ó p r i o E s t a d o de p r e f e r ê n c i a à p r i m e i r a . O ateniense: E n ã o f a r i a o l e g i s l a d o r o m e s m o ? Clínias: M a s é c l a r o q u e s i m . O ateniense: N ã o v i s a r á t o d o l e g i s l a d o r e m t o d a s u a legislação o m a i o r bem? Clínias: Seguramente.

O ateniense: O m a i o r b e m , c o n t u d o , n ã o é n e m a g u e r r a n e m a revolução - coisas em relação às q u a i s deveríamos, de preferência, orar p a r a delas sermos p o u p a d o s m a s s i m a p a z r e c í p r o c a e o s e n t i m e n t o a m i s t o s o . Diria, a d e m a i s , q u e a vitória q u e m e n c i o n a m o s de um listado sobre si m e s m o n ã o é apenas u m a das melhores coisas a s e r e m atingidas, m a s sim u m a d a q u e l a s necessárias, corno se um h o m e m supusesse q u e um corpo h u m a n o está na sua melhor condição q u a n d o se a c h a e n f e r m o e s o b efeito d e u m m e d i c a m e n t o , s e m n u n c a atentar p a r a um corpo q u e n ã o necessita de medicam e n t o em absoluto! Analogamente, com relação ao bemestar de um Estado ou um indivíduo, tal h o m e m jamais s e revelaria u m g e n u í n o político p r e s t a n d o a t e n ç ã o prim e i r a c e x c l u s i v a m e n t e n a n e c e s s i d a d e d a g u e r r a externa, c o m o t a m b é m jamais se revelaria um legislador consciencioso a m e n o s q u e concebesse sua legislação relativa à g u e r r a v i s a n d o à p a z , de p r e f e r ê n c i a a conceber s u a legislação relativa à p a z v i s a n d o à guerra. Clínias: T u a s a f i r m a ç õ e s , e s t r a n g e i r o , s ã o a p a r e n t e m e n t e c o r r e t a s . T o d a v i a , a m e n o s q u e e u esteja b a s t a n t e equivoc a d o , n o s s a s i n s t i t u i ç õ e s legais e m C r e t a , b e m c o m o e m Laeedemônia, são inteiramente dirigidas p a r a a guerra. O ateniense: E b e m possível, m a s n ã o d e v e m o s n e s t e mo-

m e n t o atacá-las veementemente, m a s sim examiná-las com s u a v i d a d e , j á q u e t a n t o n ó s q u a n t o vossos l e g i s l a d o r e s

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a l i m e n t a m o s u m s é r i o i n t e r e s s e n e s t a s m a t é r i a s . Peçovos q u e a c o m p a n h e i s r i g o r o s a m e n t e o a r g u m e n t o . Tom e m o s a opinião de Tirtaeu,* um ateniense por nascim e n l o e d e p o i s c i d a d ã o de o u t r o E s t a d o , • * o q u a l , m a i s do q u e q u a l q u e r o u t r o h o m e m , t i n h a a g u d o i n t e r e s s e em nosso assunto. Eis o q u e dizia: " E m b o r a um hom e m fosse o m a i s r i c o d e t o d o s , e m b o r a u m h o m e m possuísse a b u n d â n c i a de b e n s (e ele especifica q u a s e todos os b e n s existentes), se n ã o conseguisse provar-se em todas as ocasiões o mais valente na guerra, eu n ã o faria dele n e n h u m a m e n ç ã o e n ã o o consideraria de m o d o a l g u m . " S e m d ú v i d a t u j á ouviste estes p o e m a s , enquanto Megilo: n o s s o a m i g o Megilo, i m a g i n o , d e l e s e s t á f a r t o .
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ilflfeíicwíinio. íu.t)

Por certo, estou.

Clínias: E p o s s o v o s g a r a n t i r q u e a t i n g i r a m ( ' r e l a . t a m bém, importados da Lacedemônia. O ateniense: M a s p r o s s i g a m o s e i n t e r r o g u e m o s e s s e p o eta desta maneira: "O Tirtaeu, inspiradíssímo poeta (pois s e g u r a m e n t e tu te afiguras a nós s á b i o e b o m p o r ter louvado excelentemente aqueles q u e na guerra se distinguem): em r e l a ç ã o a esta m a t é r i a q u e nós três Clínias de C n o s s o s e eu **"ê<;lo <i, .Alegik. (n.l e s t e q u e a q u i se e n c o n t r a , • • •

m e s m o - já e s t a m o s de inteiro a c o r d o contigo, assim o s u p o m o s , desejamos estar certos e ter como claro q u e tanto nós c o m o tu e s t a m o s nos referindo às m e s m a s pessoas. Diz-nos então: reconheces c l a r a m e n t e , c o m o o fazemos, dois tipos distintos de guerra? " Em resposta a isto, p r e s u m o q u e m e s m o u m h o m e m m u i t o m e n o s capaz do q u e Tirtaeu diria q u e está correto, q u e há dois tipos, um deles o q u e c h a m a m o s de revolução, q u e é de todas as guerras a m a i s amarga, o q u e dissemos há pouco, e n q u a n t o o outro tipo, q u e s u p o n h o todos n ó s concordaremos, é aquele no qual nos envolvemos q u a n d o l u t a m o s c o n t r a inimigos externos e. estrangeiros - u m a espécie de guerra muito m e n o s b r a n d a que a primeira. Clínias: C e r t a m e n t e a s s i m é. "Vejamos, então, que. t i p o de g u e r r e i r o s ,

0 ateniense:

c o m b a t e n d o e m q u e tipo d e g u e r r a , louvaste tão intensamente e n q u a n t o censuravas outros? Guerreiros, aparentemente, que c o m b a t e m n u m a guerra no estrangeiro. De q u a l q u e r m a n e i r a , em teus p o e m a s tu disseste que, n ã o p o d e s suportar h o m e n s q u e n ã o o u s a m

73

Platão - As Leis
'encarar a m a t a n ç a sangrenta e atacar o inimi* ÇFeõgtiíB de ^Megnm, «os ultegpM do ânimo t> uno da Simulo. Tfoi outo» de rfegicm bem nome A poesins (jmIbípos. ÇfíoMswiu m tamo de incodos do «tato VI o. C. e «amfoo do puMido afiietoraâtao de suo eiííoífa, ocnbou pó» se» AsfeModo polo |or!í:õo dc.»oMóliío.(n.(.) •* fiw...%aXeJtr|. Kupvc, 8ixooTaatT|... (... d,t penoso áseóídio, n Sumos...), o poeta sc W | C M sem dúvida à «í^oCue/ro, õ goowo cwíC (ti.í.) • • • cA 0'pMsssôo sugew o naíéiic.io fio vttlude [otef pot pflllte (c McíiC.ültfMiO, q«í: f> imbuído tno-só rlc coítog»*, Bfsfii SUS(bííIci«-SC «o senso «1» justiço, no prnÊnm * no fflWoíií. sr. Ciwilo n i«|íftsn»-8e nos jjifpütrjs: inimigos, k i t a - » , ' mote f; moM«. («.(.)
• • • * . . . J I A P A

go o e n f r e n t a n d o de perto'." " E e n t ã o p o d e r í a m o s , p o r n o s s a vez, d i z e r ; " P a r e c e , Tirtaeu, q u e estás principalmente louvando aqueles q u e se d e s t a c a m na g u e r r a e x t e r n a e estrangeira." C o m isto, s u p o n h o , ele c o n c o r d a r i a c d i r i a "Sim", n ã o é m e s m o ? Clínias; Certamente.

O ateniense: E , c o n t u d o , p o r m a i s b r a v o s q u e s e j a m estes h o m e n s , insistimos a i n d a q u e são s u p e r a d o s , e bast a n t e , e m b r a v u r a p o r a q u e l e s q u e s e d e s t a c a m e m coragem na mais r u d e das guerras; e contamos, nós tamb é m , com o t e s t e m u n h o de um poeta, Teógnis, • d ã o d e M e g a r a n a Sícflia, q u e diz :
u

cida-

Nos d i a s de p e n o s a discórdia, ó Q u i r n o s , * *

o guerreiro leal vale seu peso em o u r o e p r a t a . " U m tal homem, n u m a guerra muito mais penosa, se

r e v e l a s e m p r e b e m m a i s s u p e r i o r q u e o o u t r o - d e fato m u i t o s u p e r i o r visto q u e a justiça, a p r u d ê n c i a e a sabedoria unidas à bravura são melhores somadas q u e a b r a v u r a p o r s i só, pois u m h o m e m j a m a i s s e m o s t r a r i a l e a l e í n t e g r o n u m a r e v o l u ç ã o s e d e s t i t u í d o d e u m a virtude total, e n q u a n t o q u e na guerra à q u a l Tirtaeu se refere dispõe-se d e u m a e n o r m e q u a n t i d a d e d e mercen á r i o s prontos para pernas,* * * morrer lutando plantados sobre suas d o s q u a i s a m a i o r i a , c o m b e m p o u c a s ex-

ceções, se revela insolente, injusta, b r u t a l , em s u m a os m a i s insensatos dos h o m e n s . Para q u e conclusão, pois, o nosso presente discurso se dirige e q u e p o n t o p r o c u r a tornar claro através destas afirmações? E v i d e n t e m e n t e isto: q u e t a n t o o l e g i s l a d o r i n s p i r a d o p o r Z e u s * * * ' deste E s t a d o q u a n t o todo legislador q u e vale o q u e c o m e legislará c o m t o d a a certeza t e n d o em vista a v i r t u d e s u p r e m a e ela somente, e esta, c i t a n d o Teógnis, consist e e m " l e a l d a d e n o p e r i g o " , e p o d e r se-ia d e n o m i n á - l a " j u s t i ç a c o m p l e t a " . M a s a q u e l a v i r t u d e q u e T i r t a e u louvava especialmente, ***** a despeito de ser bela e c o m razão exaltada pelo poeta, merece, não obstante, com t o d o rigor, ser classificada c o m o a q u a r t a v i r t u d e dentro da ordem das virtudes. • * * • » • Clínias: Estrangeiro, estamos relegando nosso próprio

Atoç

VOHO06TT|Ç..., PitewlWlifc
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sfgw|iemi(ío rio po*lc A §a& t pó» nfc iiistwído. (IU.) • • • • • ^ [T Mi O i O lT ( a v S p e i O T T i ç ) ísoMn.

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* • * • * * Js Idos píilUíMOS fttfwfe sõo o üoWoíin (<j>povT]cnç). o psudêiipio / wfidoínçõn (0(j)())poouvri)
í! a justlílO (StKttlOCJUVTl).

legislador a um nível m u i t o baixo!

74

Livro I
O ateniense: Ele n ã o , meu prezado senhor! É a nós

mesmos que estamos relegando na medida em que i m a g i n a m o s q u e foi v i s a n d o p a r t i c u l a r m e n t e à g u e r r a q u e Licurgo e M i n o s f o r m u l a r a m t o d a s as instituições legais a q u i e em E a c e d e m ô n i a . Clínias: M a s e n t ã o c o m o d e v e r í a m o s e x p r e s s a r a s i t u a ç ã o ? O ateniense: D o m o d o q u e é , a m e u v e r , v e r d a d e i r o e justo q u a n d o nos referimos aos propósitos de h o m e n s q u e c u i d a m d e u m a l e g i s l a ç ã o d e o r i g e m d i v i n a , isto é , d e v e r í a m o s d i z e r q u e eles p r o m u l g a r a m leis n ã o visando a u m a ú n i c a fração, e a m a i s insignificante, da virtude, m a s a virtude c o m o um t o d o e que c o n c e b e r a m as p r ó p r i a s leis s e g u n d o c a t e g o r i a s , e m b o r a n ã o o s categorias q u e os atuais legisladores concebem, pois todos agora p r o p õ e m e concebem a categoria de que tem necessidade: um h o m e m trata de heranças e herdeiras, u m o u t r o d e c a s o s d e ultraje- e a s s i m p o r d i a n t e n u m a variedade interminável. Mas o q u e nós asseveramos aqui é q u e a c o n c e p ç ã o d a s leis, q u a n d o c o r r e t a m e n t e conduzida, segue o procedimento q u e a c a b a m o s de indicar. C o m efeito, m u i t o a d m i r e i a m a n e i r a c o m o introd u z i s t e tua i n t e r p r e t a ç ã o d a s leis p o i s c o m e ç a r c o m a v i r t u d e e a f i r m a r q u e e l a foi a m e t a d o l e g i s l a d o r c o n s titui o m o d o c o r r e t o . C o n t u d o , q u a n d o a f i r m a s t e q u e ele p r o d u z i u leis i n t e i r a m e n t e c o m r e f e r ê n c i a a. u m a fração da virtude, e esta a m a i s insignificante, pareceume q u e incorreste em erro e toda esta última parte do m e u d i s c u r s o a i s s o foi d e v i d o . Q u a l e n t ã o s e r i a a . m a neira de exposição que eu teria apreciado ouvir de tua p a r t e ? Poderei dizer-te? Clínias: Mas certamente. "O estrangeiro (assim deverias ter dito),

0 ateniense:

" n ã o 6 p o r a c a s o q u e a s leis d o s c r e t e n s e s g o z a m d e e x c e l e n t í s s i m a r e p u t a ç ã o e n t r e t o d o s o s h e l e n o s ; s ã o leis justas porquanto produzem o bem-estar daqueles q u e as utilizam p r o p o r c i o n a n d o todas as coisas q u e são boas. Ora, os b e n s são de d u a s espécie-, a saber, h u m a nos e divinos; os bens h u m a n o s d e p e n d e m dos divinos e aquele que recebe o maior bem adquire igualmente o menor, ouso c o n t r á r i o é p r i v a d o de a m b o s . E n t r e os b e n s m e n o r e s a s a ú d e vem em p r i m e i r o lugar, a b e l e z a em

75

Platão - As Leis
•...VOU CflB(t>pü)V
Y I R Y J L Ç

e^lç...fíis|iPsi(;.õo nmkmdnm da nCma oçaxüoda d inklupucia; tmmu (infciíin, o tmpmmfi. Matou fanfaoft. como ecfitpM, q« tman B o n s * » multe wgts dista» bosta*; dos conceitos gacgos, ofiesn» cio gncgo onfigo SB O mnttig ftugnfsticíi do tantas tíiiguos postaiowsiiicftiísw. ém «omôíticas como n (xifiiugijfs. ^ím dos woiwos í;k?i»[>!o<; disso C o wwprtto DÍ y u % r | , que. mlfjitinfwnío signi|ien « p * > aí? í«/í?. /uítiní/vo iwmifc. t, oomo toi sg fifi»oslnio do corcpíIo judoíeo n é n t e e n Miiíixrfi que oponncc w píiiinnlM) te* do "Tteitalosmo alsibufdn a vAlofíiós. syllna, oo m obsoíwdo (i taminoPofjío ^'Po!in|i«i, a pofoite ¥ X ' n - T" ootwnlcmniilf! toadugítwos (mi «ft«o (Patim: nw/wj) ou netíi: arigniM; mu bm m sentido pfímmdui «a sentido Ifiraiipo íntíptíjiío. Êw u t e f ó f o t e i , ò guiso do
«'FÜIIFIFC.
u !

s e g u n d o , o v i g o r e m t e r c e i r o , n e c e s s á r i o à corrida e todos os d e m a i s exercícios corporais; seguese o q u a r t o b e m , a r i q u e z a , n ã o a r i q u e z a cega, m a s aquela de visão aguda, q u e tem a sabedoria por companheira. A sabedoria, a propósito, o c u p a o primeiro lugar entre os bens q u e são divinos, vindo a racional moderação da a l m a * em segundo lugar; da u n i ã o destas d u a s com a c o r a g e m n a s c e a justiça, ou seja, o terceiro b e m divino, seguido pelo quarto, que é a coragem. Ora, todos estes b e n s estão posicionados, p o r natureza, antes dos bens humanos, e, em verdade, assim deverá o legislador posicioná-los, depois do q u e deverá ser proclamado aos cidadãos q u e todas as outras instruções q u e recebem têm em vista esses b e n s ; e q u e os b e n s h u m a n o s são orient a d o s p a r a os b e n s divinos, e estes p a r a a r a z ã o , que é soberana. E c o m respeito às relações de casamento dos cidadãos e subseqüente nascimento e educação das crianças, m e n i n o s ou meninas, tanto durante a juventude quanto na vida m a d u r a e até a velhice, o legislador deverá supervisionar os cidadãos, d i s p e n s a n d o devidamente h o n r a c desonra; e com respeito a todas a s f o r m a s d e r e l a c i o n a m e n t o dos c i d a d ã o s , será imperioso que o legislador observe e acompan h e s u a s d o r e s , prazeres, desejos e todas as paixões intensas, distribuindo aprovação e reprov a ç ã o d e m o d o c o r r e t o m e d i a n t e a s p r ó p r i a s leis. Ademais, no q u e concerne ao ódio c ao medo, e a t o d a s a s p e r t u r b a ç õ e s q u e a f e t a m a s a l m a s devido à d e s v e n t u r a e a t o d a s as f o r m a s de evitálas na v e n t u r a , e a t o d a s as vicissitudes q u e atingem os h o m e n s através d a s e n f e r m i d a d e s , guerras, p e n ú r i a ou seus opostos - em relação a t u d o isto o l e g i s l a d o r d e v e r á o r i e n t a r e d e f i n i r q u a n to ao q u e é c o r r e t o e o q u e é i n c o r r e t o em c a d a caso. È necessário, a seguir, q u e o legislador m a n t e n h a u m a vigilância sobre os métodos q u e os c i d a d ã o s e m p r e g a m p a r a o g a n h o e o gasto do dinheiro, c supervisione as associações q u e eles f o r m a m e n t r e si e a d i s s o l u ç ã o d e s t a s , se são

a piiquê:(\ mtpmitt dc mmsi
c

(ncuMadís, do apofifMMiistitifftü oí(: a do iitfpfcoío atiiO; | i o » Ph(ão a ^>vx^ ifiwhrím í> empkm. ulsBim, éfamtmute. da awfKMO sittgefa o «sliita (pie ofübiww» gmâmto, A paUanim afím m fontjo do Iitetódia da ^ifo«o]tic< FIRJS-Mtafl C do fiisíóíio do »nftgiõo mérim, ofestifcw* expKS)» no iiilftir:o»hflPidad(: no» o tonto fispttiln no dícolowio aptwi/oo/ifip ou cs|>Mo/ MONSMO. (ieMmeK te O» H'«h' ( P P /WS^Mf s(i contelo do fif!iif:of>M»to g»fgo íSgai|if.a o mk liofcjoqftifw o, MiJPifnítff! doe
O J K Í T I L F Ü . FLOIRFLCS. FMFLÇÕF??;, OTL|IIU(»LTOS O

pmmmtm. Oo*» orfxwws <j* «liíofogia (! ^"íraojift |o»iot»i um f>f<»
OIIOOBFODO»,

tiõo w s i s t a o s oni indica» oo

CMIm RRO-ottodtini (wslo que os «tfodoms fosluftifini ftwilds-sf nos talou (fftiieos de. |iPof;o|io) o ^óíwPo oítesmo de iiiirio
í^JIBIMO

Pme •Pmqitê. rjuc wwsla m <0 íststifl tirfiittp.
(TI.T.)

76

Livro 1 ••...£<17tStpü) v o l u n t á r i a s ou c o m p u l s ó r i a s ; ele d e v e r á o b s e r v a r a m a neira pela q u a l o s c i d a d ã o s c o n d u z e m f a d a u m a dessas m ú t u a s t r a n s a ç õ e s , v e r i f i c a n d o o n d e a j u s t i ç a e s t á pres e n t e e o n d e e s t á a u s e n t e . A o s q u e r e s p e i t a m a s leis e l e d e v e r á proporcionar h o n r a s c o n f o r m e a s leis, m a s a o s que as d e s r e s p e i t a m deverá impor penalidades devidam e n t e estabelecidas. E e n t ã o , finalmente, ao atingir a c o n c l u s ã o d e s u a o b r a p o l í t i c a n a s u a t o t a l i d a d e , terá que considerar de q u e maneira cm c a d a caso o sepullam e n t o dos m o r t o s deve ser realizado, e q u e h o n r a s dev e r ã o ser p r e s t a d a s a eles. Isto s e n d o f i x a d o , o legislador passará todos seus estatutos à responsabilidade de guardiões das leis, q u e , u n s g u i a d o s p e l a s a b e d o r i a , o u tros pela opinião sincera, farão com q u e pela razão, a q u a l vincula todos esses estatutos n u m sistema único, toda essa legislação fique s u b o r d i n a d a n ã o à cupidez p e l a riqueza ou à a m b i ç ã o , m a s sim à t e m p e r a n ç a e a j u s t i ç a . " E a s s i m , e s t r a n g e i r o s , que, t e r i a d e s e j a d o , e i n d a d e s e j o , q u e vós t i v é s s e i s p l e n a m e n t e e s c l a r e c i d o d e q u e m a n e i r a t o d a s e s s a s r e g r a s c o n s t a m n a s leis a t r i b u í d a s a Z e u s e n a q u e l a s de A p o i o pífio, as q u a i s f o r a m estab e l e c i d a s por M i n o s e L i c u r g o , e de q u e m a n e i r a o arranjo sistemático delas se mostra a b s o l u t a m e n t e evidente para aquele que, por arte ou prática, •• é um perito n a s l e i s , e m b o r a n ã o seja d e m o d o a l g u m e v i d e n t e p a r a o r e s t o de, n ó s , l e i g o s . Clínias: E c o m o e n t ã o , e s t r a n g e i r o , d e v e r e m o s p r o c e d e r doravante em nosso discurso? O ateniense: Deveríamos, a meu ver, f a z e r c o m o fizexc%vr\.... po» mm do PA|W!:»iftlfilll(lÇSn OU fUltfi. £'s íjieqns ontwjos Mio èiÜMjm» o íiiy» o ifctpif.fi do mte (%E%vr\), cano nóf!
LOJFTMDB.

'_/ssiw, rtiiíiMin n

ffinrcitn F I E TE^VT] r.fir>,jn ftwfs fiiiówwo ffc mk mammí íwfasfitiatn, íiwfuinfio ermo üPufi rigfiiilr:'; o ofewi, o ktfíno, fi pfnto,i f! o fiSfiiKf», erim onhrw - o íttfjitiMo, F! (K)flO I! o (íwniri!u>f|o fomlióm são oíleíõfis/fisfisifis/fí-oiiiens. fom am> o wdn.o ipir Ma a nnúdce olá n Miprtno ia nntf? q«C: p.wdtg o mgcw da maniia. vjaf eomilo f Mo Pfiln n ponto do rikíwjo» quasn tudo que rmecnite. ti fonijof^fio o« pwifíuf-fio d(' (iCfjíi & p.vMt/m dfiqniíf) quo d |)/ifif(ugidf! |y>Co tifiíwogo, fjf:eiif»do |w.w o tic&no OlnfiPlKifiiO finncfSfo ofiidotilnf modo/um dc ailiptíaíl m oposiçõn ò tirifttmt '-Poso mm lé/W.:n r um eonjtmlo de fimatfliMutlog ^mfímmn rinpttyodm paia l»pdugi,i afija po.ii fv cm\ih. um W!lf'|«to wiiiio um oofçodo, m oowpiifodf,,'! ou mm obfi de, mfa. v\n mm piiitu.M tu um pomo. €> emmU> <fc t c x v q a t e m tudo isto e mal». etífainfJo tnC Mino g«tfiiifif> paute dos MWMffS! fJMfjCf:. euownf! ftwgttogo sfiinfinliíifi. iVt.)

m o s i n i c i a l m e n t e , ou seja, c o m e ç a r do c o m e ç o a fim de explicar p r i m e i r a m e n t e as instituições q u e t ê m a ver c o m a c o r a g e m e d e p o i s d i s t o , s e for d e v o s s o a g r a d o , nos o c u p a r e m o s dc u m a segunda e u m a terceira forma de virtude. E assim (pie tivermos concluído nossa abord a g e m d o p r i m e i r o t e m a , t o m a r e m o s esta c o m o modelo e m e d i a n t e u m a discussão do resto em termos semel h a n t e s teremos c o m o p a s s a r o t e m p o nesta longa estrad a . E oo fim de nossa a b o r d a g e m da v i r t u d e sob t o d a s s u a s f o r m a s , d e i x a r e m o s c l a r o , s e for d a v o n t a d e d a D i v i n d a d e , que a s r e g r a s a t é a g o r a v e n t i l a d a s t i n h a m a própria virtude como sua meta.

77

Platão - As Leis
Megilo: U m a b o a s u g e s t ã o ! E p r i n c i p i a c o m n o s s o a m i go a q u i , o panegirista de Z e u s * * (k seja, CêJiiaa, Mmm, m. e fegistotio» dc C»eta, do Huai ÍMiiãg c" o digno mpmxmtmk, d jifto de O ateniense: P ô - l o à p r o v a , eu o f a r e i , s e m e x c l u i r - t e e a m i m m e s m o t a m b é m d e s s e e x a m e , visto q u e a d i s c u s s ã o diz r e s p e i t o a t o d o s n ó s três. M a s d i z - m e , * * e n t ã o ; estam o s d e a c o r d o q u e a s r e f e i ç õ e s c o m u n s e a g i n á s t i c a fo"* (0 (jttttiaisip se diAige o í.Aêf/íã) c «fio o í 5 ? Í W » r a m concebidas pelo legislador em função da guerra? Megilo: Sim. E haverá u m a terceira instituição dessa pô-lo à prova. - procura primeiro

O ateniense:

espécie, e u m a quarta...? Pois provavelmente seria de se e s p e r a r q u e se e m p r e g a s s e esse m é t o d o de e n u m e r a ç ã o t a m b é m n o t r a t o d a s s u b d i v i s õ e s ( o u s e j a c o m o for que. c h a m e m o s ) d a s o u t r a s f o r m a s de v i r t u d e , se é q u e p r e t e n d e m o s d a r clareza a o q u e q u e r e m o s dizer. Megilo: A t e r c e i r a c o i s a q u e o l e g i s l a d o r c o n c e b e u foi a *** K p u j t t e i a , substaiilfm opojentodo an uraèo K p U T r c e u c o (manta se <>soo»dido,
WIKSMWM-SP

c a ç a - é o q u e eu e t o d o l a c e d e m ô n i o d i r í a m o s . O ateniense: T e n t e m o s igualmente indicar o que vem

e m q u a r t o lugar... e m q u i n t o , t a m b é m , s e possível. Megilo: Q u a n t o a o q u e v e m e m q u a r t o l u g a r é - m e p o s s í vel i n d i c á - l o : é o t r e i n a m e n t o , l a r g a m e n t e d i f u n d i d o e n tre n ó s , envolvendo rigorosa resistência à dor, p o r meio t a n t o de concursos de pugilato q u a n t o furtos realizados sempre sob o risco de u m a boa surra; além disso, a criptéia, * * * c o m o é c h a m a d a , p r o p o r c i o n a um m a r a v i l h o s o t r e i n a m e n t o d e resistência, h a v e n d o e m p l e n o inv e r n o a m a r c h a de p é s n u s , o d o r m i r s o b r e o solo d u r o e a a u s ê n c i a do auxílio dos serviçais, os h o m e n s c u i d a n d o d e si, e a s v i a g e n s e r r a n t e s n o i t e e d i a p o r t o d a a r e g i ã o . A d e m a i s , e m n o s s o s jogos e x p e r i m e n t a m o s severos test e s d e r e s i s t ê n c i a q u a n d o h o m e n s n u s r e s i s t e m à violência do calor,**** e outros em tão elevado n ú m e r o que. s u a m e n ç ã o m i n u c i o s a s e r i a infindável. O ateniense: Esplêndido, ó estrangeiro da Lacedemô-

rwhoscodo) c no teêo Kpl'.TT(t> (oeiiftoíl-SC, etíbmse. cseonde» s* pow sub(/iaií-se oo oPíioses, etc). eitifiiéio cm ««cvw.ieío da Iteiwmietilo ijnmam no guo? jowj.bs soPdados o<!|io«taiwi Sfí tttatiíidam em emhoncodn po»o o coso do necessidade d« sufoca» «cfiePiõcs dos ife(os.(«.t.)

•••• u4 giiuiújyedia, dança
«o <f*rf ns ejionçds e os joiws c,sf>a«fattos cc. wortaw «ns soh o coníeoío fio* uoflo do cofclírio d e « W N . (n.t)

nia! Mas vejamos, a coragem, como a definiremos? Simp l e s m e n t e c o m o o c o m b a t e ao t e m o r e à d o r tão-somente, o u t a m b é m a o d e s e j o , a o p r a z e r c o m s u a s c a r í c i a s e seduções perigosas q u e derretem corno cera os corações dos h o m e n s - m e s m o daqueles q u e se crêem austeros? Megilo: C r e i o q u e a c o r r e t a d e f i n i ç ã o é o c o m b a t e a t u d o isso q u e citaste.

78

Livro 1
O ateniense: A n t e r i o r m e n t e e m n o s s a d i s c u s s ã o (se n ã o estou equivocado), este nosso a m i g o u s o u a expressão "inferior a si m e s m o " referindo-se a um E s t a d o ou a um i n d i v í d u o . C o n c o r d a s q u e o fizeste, ó e s t r a n g e i r o de Cnossos? CUnias; S e m a m e n o r d ú v i d a . O ateniense: E a g o r a d e v e m o s n ó s a p l i c a r o t e r m o " m a u " ao h o m e m q u e cede (que é inferior) à dor ou t a m b é m à q u e l e q u e cede (que é inferior) ao prazer? Clínias: P a r e c e - m e q u e m a i s a o h o m e m q u e c e d e a o p r a z e r d o q u e a o o u t r o . T o d o s n ó s , d e fato. q u a n d o a l u d i m o s a um h o m e m q u e é v e r g o n h o s a m e n t e "inferior a si m e s m o " , q u e r e m o s c o m isto d i z e r m a i s a q u e l e q u e é s u b j u g a d o p e l o s prazeres do q u e a q u e l e q u e o é, pelas dores. O ateniense: C o n s e q ü e n t e m e n t e , o l e g i s l a d o r de Z e u s e o d e A p o i o • • • • • • n ã o d e c r e t a r a m p o r lei u m t i p o h e miplégico de coragem, capaz a p e n a s de se defender pela e s q u e r d a , m a s i n c a p a z de resistir às atrações e seduções da direita. N ã o teriam, de preferência, d e c r e t a d o um tipo c a p a z de resistir em a m b o s os f lanços? Clínias: E u d i r i a , c o m e f e i t o , q u e u m t i p o d e c o r a g e m p a r a a m b o s os flancos. O ateniense: M e n c i o n e m o s m a i s u m a v e z a s i n s t i t u i ç õ e s d e vossos dois Estados q u e p r o d u z e m nos h o m e n s u m gosto pelos p r a z e r e s em lugar de deles afastá-los - do m e s m o m o d o q u e longe d e afugentarem a s dores mergul h a m seus cidadãos no meio delas, compelindo-os assim ou os i n d u z i n d o m e d i a n t e recompensas a subjugá-las. O n d e e n c o n t r a r e m v o s s a s leis d i s p o s i ç õ e s i d ê n t i c a s n o q u e se refere a o s p r a z e r e s ? Dizei me q u a l a regra e n t r e v ó s q u e faz o s m e s m o s h o m e n s s e r c o r a j o s o s d i a n t e d a s dores e dos prazeres igualmente, subjugadores daquilo q u e é preciso subjugar e de m o d o a l g u m inferiorizados pelos seus inimigos m a i s próximos e m a i s temíveis. Megilo: E m b o r a , e s t r a n g e i r o , e u fosse c a p a z d e m e n c i o n a r m u i t a s leis q u e t r a t a m d o d o m í n i o s o b r e a s d o r e s , n o q u e c o n c e r n e a o s p r a z e r e s n ã o j u l g a r i a t ã o fácil i n d i c a r e x e m p l o s i m p o r t a n t e s e m a r c a n t e s , p o d e n d o , talvez, no entanto, apresentar alguns exemplos de menor monta. Clínias; Nem poderia eu m e s m o d a r claros exemplos KOU O '...AlOÇ OUV ÒT) riuOlKOÇ
c m

••*** f) a/nmaisf: oqoto iioflrt n íli*igis-w, o CiíNmi. M.)

VOUO0£TT]Ç.... p íctjiftPnrifw de S '-c f> jfilipfi. ou sujo, 'jUíiioí: iitspi/ifido prei ^ M : (min Cuia e. íiiruiwjíi iiispijodo pm tAfx&o (mo P.spoido; m jpfoçõfi o este. úPtinio, ci 4m •Afoh (woJmki os («uíotiCos nttoDei: do RII>0ia
sow,«RFOFIBÍ<

(/tedo IMHPÍO da

^Apcéi fm •"-"DíÍIor, «ri .w/jífin do Tlófidn situado oo pé do «tonto <f>omm mimdn («ido R I T ) 8 t ó ) . -_A ptopüsíto, os ípml/m difjiiilóMos dos reis dc fispoífo incumbidos do fioasuífo ao oiifieiiín do. TV^os exm ('domados de, ot l l l i O i o t , os fittimim. i/ktomois, pitíeo d'q .««peito tombem oos jogos pítinos eéeh<md(M\ m íTMjn* do i|yfí^io otn qtiabd onos oro hmm de ^Apoff) pético, o d a s o(u(! mntr* a SMpímte de nome
R I U E Ü Í \ ' (PILO»), FUI.)

n e s s e s e n t i d o d a s leis cretenses.

79

Platão - As Leis
O ateniense: O q u e n ã o é «1c se s u r p r e e n d e r , m e u s e x c e lentíssimos amigos. M a s se no seu desejo de d e s c o b r i r o q u e é verdadeiro e o melhor, q u a l q u e r um de n ó s encont r a r a l g o c r i t i c á v e l ern q u a l q u e r lei n a c i o n a l d e s e u s vizin h o s , e n c a r e m o s isto s e m i m p a c i ê n c i a e s e m m e l i n d r e s . Clínias: Esl.ás c e r t o , e s t r a n g e i r o : é o q u e t e m o s a f a z e r . O ateniense: De fato, Clínias, p o i s t a i s s u s c e t i b i l i d a d e s

não caberiam a h o m e n s de nossa idade. Clínias: Realmente seriam descabidas. r a z ã o ou n ã o

O ateniense: Q u a n t o a s a b e r s e s e t e m nia e àquela de Creta.*

n a s c e n s u r a s q u e s e faz à c o n s t i t u i ç ã o d a L a c e d e m ô •...AaKOJviKri K C U xr| Kpr|TiKTi noXiTsta..., ou nojo, 'PPolão rfig nqai iianõtia, P uno ílofiedcinôiiio ou í?ífio»fo. tinto que o código dc ftss clVikwodo | I O Í iíirMgo cm (Snapxri), ííaccdomnnfo (o (owitóíío onde te iMdrimw ^nfn&lq) Joi opwiwlo «> ulifijoflo cm todo o 'iStmdm. o «gtóft ísirfcite do 'TVofmiteBO coíliofado pok Pipaiiki o do fp«C üütft Í - J O n CO|)i(o{. (u.(J é u m a outra história. Mas eu estaria provavelmente em melhor condição do que vós p a r a a p o n t a r o q u e é e f e t i v a m e n t e d i t o p e l a m a i o ria, j á q u e e m vosso c a s o , s e n d o vossas leis s a b i a m e n t e concebidas, u m a das melhores é aquela que proíbe q u e os jovens q u e s t i o n e m o q u e é certo ou e r r a d o no c o n j u n t o d a s leis, t e n d o todos, a o c o n t r á r i o , q u e dec l a r a r em u n í s s o n o , de um só voz q u e t o d a s são retamente estabelecidas por decreto divino, não se d a n do ouvidos a q u e m q u e r q u e afirme coisa diversa; e. ademais, q u e se alguma pessoa idosa tiver a l g u m a crítica a fazer em r e l a ç ã o a a l g u m a de vossas leis, q u e n ã o profira tais opiniões na presença de q u a l q u e r j o v e m , m a s s i m p e r a n t e u m m a g i s t r a d o o u alguém de sua própria idade. Clínias: Muito b e m o b s e r v a d o , estrangeiro! Tal como

um a d i v i n h o , a d e s p e i t o de estar t ã o d i s t a n t e do legisla d o r o r i g i n a l , t u v i s l u m b r a s t e b e m , m e p a r e c e , s u a intenção e a descreveste
E O I N

perfeita justeza.

O a t e n i e n s e : B e m , n ã o h á p e s s o a s j o v e n s c o n o s c o agora, d e m a n e i r a q u e n o s s e r á p e r m i t i d o p e l o legislador, v e l h o s c o m o s o m o s , d i s c u t i r e s s a s m a t é r i a s e n t r e né>s p r i v a d a m e n t e sem incorrer em q u a l q u e r ofensa. Clínias: E v e r d a d e , d e s o r t e q u e n ã o h á m o t i v o p a r a h e s i t a r e s E M c e n s u r a r n o s s a s leis, pois n a d a h á d e desonroso E M ser advertido d e u m a falha ; a o contrário, r e c o n h e c i d o o erro, é p r e c i s a m e n t e isto q u e c o n d u z ao r e m é d i o e à c u r a s e a c r í t i c a for a c e i t a s e m a n i m o s i d a de e n u m a disposição amigável.

80

Livro I
O ateniense,: Ó t i m o ! M a s e n q u a n t o e u n ã o tiver i n v e s t i g a d o v o s s a s leis c o m o m á x i m o c u i d a d o d e q u e s o u c a paz n ã o as censurarei, preferindo sim apresentar as dúvidas q u e t e n h o a respeito. Vós a p e n a s entre os helenos c os b á r b a r o s , pelo q u e está ao m e u alcance saber, possuis um legislador q u e vos prescreve a a b s t e n ç ã o dos prazeres e d i v e r t i m e n t o s m a i s a t r a e n t e s e o n ã o f r u i r d e l e s . Contudo, no q u e diz respeito às dores c os temores, como dissemos antes, o legislador sustentava q u e q u a l q u e r um q u e d e l e s f u g i s s e c o n t i n u a m e n t e d e s d e a i n f â n c i a ficaria reduzido a, q u a n d o d i a n t e de a p u r o s , temores c dores inevitáveis, fugir d o s h o m e n s q u e s ã o t r e i n a d o s nessas coisas, destes se t o r n a n d o escravo. Ora, me p e r m i t o p r e s u m i r q u e esse m e s m o legislador devia ter s u s t e n t a do a m e s m a posição c o m referência aos prazeres tamb é m , e devia ter cogitado q u e se nossos c i d a d ã o s se desenvolvem desde a juventude distantes do gozo dos maiores prazeres, a conseqüência será q u e q u a n d o se encontrarem em meio aos prazeres sem serem treinados no dever de resistir-lhes e r e c u s a r c o m e t e r q u a l q u e r ato desonroso, devido à n a t u r a l a t r a ç ã o d o s prazeres, sofrerão o mesmo destino daqueles q u e cedem ao medo: serão dc u m a outra forma, a i n d a mais vergonhosa, escravizados p o r a q u e l e s q u e são c a p a z e s d e resistir e m m e i o a o s prazeres c a q u e l e s q u e são versados na arte do prazer - seres h u m a n o s q u e são, p o r vezes, i n t e i r a m e n t e perversos - de m o d o q u e suas a l m a s serão e m p a r t e escravas, e m p a r t e livres, n ã o m e r e c e n d o e l e s s e m r e s e r v a s r e c e b e r o t í t u l o d e h o m e n s l i v r e s e h o m e n s d e c o r a g e m . Q u e vós c o n s i d e rei s , a g o r a , s e a p r o v a m e s t a s m i n h a s o b s e r v a ç õ e s . Clínias: Depois de ouvir-te, em princípio estamos

inclinados a aprová-las, c o n t u d o d a r crédito de m a n e i r a i m e d i a t a e fácil no q u e se r e f e r e a m a t é r i a s de tal i m p o r t â n c i a s e r i a , a m e u ver, p r e c i p i t a d o o i n s e n s a t o . O ateniense: Bem, Clínias, e tu, estrangeiro da

Laeedemôrúa, se e x a m i n a r m o s o segundo dos nossos a s s u n t o s , c o n f o r m e o q u e n o s p r o p o m o s fazer que encontraremos em distingo daquelas - pois d e p o i s da c o r a g e m d e v e m o s p a s s a r à t e m p e r a n ç a - o nossas constituições que as ao acaso, como concebidas

presenciamos presentemente no q u e diz respeito à organização militar destas?

81

Platão - As Leis
*...a<j)poSi0ia r | S o v a ç . . . , ptoym do amou, que* diga, f>*n#ft»es scuiais. eMicos. íj^/iodite ( A < t ) p o ô i T T | ) é o denso da faologo, encanto, atAação e sedução |ettiínitias oc.awoiotido as idéias A paimo secua? c psage» sraunf. finos ( E p m ç ) 6 / « f e dc oA|*ofiite, isto é, «u« certo sentido uma crfensão ou apêndice tÍGÍn, íesteiiginrJo a idéia do amo* sewaf mois oo etfemento íkmfa que o sigo/t é mais
IKCTSCUFÍTIO

Megilo; C e r t a m e n t e u m a s s u n t o n a d a f á c i l ! E , n o e n t a n t o , provavelmente os repastos c o m u n s e os exercícios físicos c o n s t i t u e m b o a s c o n c e p ç õ e s p a r a f o m e n t a r essas duas virtudes. O ateniense: E m v e r d a d e , e s t r a n g e i r o s , p a r e c e difícil p a r a as constituições se m a n t e r e m i g u a l m e n t e a l é m da crítica t a n t o n a teoria q u a n t o n a p r á t i c a . S u a s i t u a ç ã o s e assemelha a do corpo h u m a n o , em relação ao qual parece impossível i n d i c a r q u a l q u e r t r a t a m e n t o específico p a r a cada easo sem descobrir q u e essa m e s m a indicação é em p a r t e benéfica e em p a r t e prejudicial ao corpo. Assim, e s s a s refeições c o m u n s , p o r e x e m p l o , e a ginástica, emb o r a sejam a t u a l m e n t e benéficas aos Estados em muitos outros aspectos, no caso de revolução revelam-se perigosas (como é i n d i c a d o no caso d o s jovens de Mileto, Beócia e Túrio); a d e m a i s , essas instituições, estimuladas há m u i t o p e l a lei, p a s s a r a m a d e g r a d a r o s p r a z e r e s d o amor, • os quais são naturais não só para os indivíduos h u m a n o s como também para os animais. Relativament e a isto v o s s o s E s t a d o s s e r ã o o s p r i m e i r o s a s e r r e s p o n s a bilizados j u n t a m e n t e c o m t o d o s o s o u t r o s q u e d ã o especia l ê n f a s e a o e m p r e g o d a g i n á s t i c a . E faça-se a o b s e r v a ç ã o e m t o m s é r i o o u a t í t u l o d e gracejo, s e g u r a m e n t e n ã o s e deixa de constatar q u e q u a n d o o m a c h o se u n e à fêmea para procríação o prazer experimentado é considerado devido à natureza, p o r é m contrário à natureza q u a n d o o m a c h o se u n e ao m a c h o ou a fêmea se u n e à fêmea, sendo q u e o s p r i m e i r o s r e s p o n s á v e i s p o r t a i s e n o r m i d a d e s for a m i m p e l i d o s p e l o d o m í n i o q u e o p r a z e r e x e r c i a sobre, eles. E t o d o s n ó s a c u s a m o s o s c r e t e n s e s d e t e r e m i n v e n t a do a f á b u l a de C a n i m e d e s i *• visto q u e se acreditava q u e s u a s leis p r o v i n h a m de, Z e u s , eles h a v i a m a c r e s c e n t a d o diz-se - e s s a h i s t ó r i a e n v o l v e n d o Z e u s d e m a n e i r a a justificar o gozo desse p r a z e r t e n d o o d e u s c o m o modelo. Quanto à fábula em si n ó s n ã o temos m a i o r interesse, m a s q u a n do os indivíduos h u m a n o s estão investigando o assunto d a s leis, t a l i n v e s t i g a ç ã o e n v o l v e q u a s e q u e t o t a l m e n t e o s p r a z e r e s e a s d o r e s , seja n o s E s t a d o s , s e j a n o s i n d i v í d u o s . Estes são a s d u a s fontes q u e j o r r a m m e d i a n t e o i m p u l s o da n a t u r e z a e todo aquele q u e delas b e b e r a devida q u a n t i d a d e n o d e v i d o l u g a r e , h o r a ó a b e n ç o a d o - seja ele u m Estado, um indivíduo ou qualquer tipo de criatura; m a s

do que

jemiMuo; EptuÇ

(epaxj

signijica mais estMaitictite desejo (11110M80. dl ejetiua f)ote/iipç(ío sexwrf é jwta abones do deus <_A,v,s ( A p q ç ) , que é, o deus do guewa e da mlôiMa, fi/iitifiífiio «osfiufítio ar.fuo da scwoMade. e que jowna fto» íAfp.odit(i o giiatide |->o» dd amantes da mitologia gíega. LA \whma Á p t ] C pa/tHftlpa da mesma *afg de, a p e i r ) , cvecíêtioia, quaCidade tia quaí se é erecfaite, Di/itade, was que significa fawbéw co/tagew e, «o pftuaf alos (k Mítta(p>i. AvSpeia significa tanto

ui,«fidadc quanto o.oiago». (_A insinuação de que a co/iage» é uma qualidade ou i«idüide giKMciíta immmii/ia c evidente. (n.Ü

82

Livro I
** -..,4 «íti.eo ric. "-Wnfõo ao a q u e l e q u e fizer i s s o s e m e n t e n d i m e n t o e fora d a d e v i d a estação trilhará u m a s e n d a inversa. Megilo: R e a l m e n t e d i z - s e i s s o , e s t r a n g e i r o , e n ã o é d i t o s e m r a z ã o . E eu n ã o sei b e m o q u e r e s p o n d e r a isso. De q u a l q u e r m o d o , n o m e u p o n t o d e v i s t a o l e g i s l a d o r lac e d e m ô n i o estava certo ao d e t e r m i n a r q u e os p r a z e r e s f o s s e m e v i t a d o s , e n q u a n t o n o q u e c o n c e r n e à s leis d e C n o s s o s , n o s s o a m i g o Clínias, s e j u l g a r a p r o p r i a d o , a s defenderá. As regras relativas aos prazeres em E s p a r t a m e p a r e c e m a s m e l h o r e s d o m u n d o p o i s n o s s a lei b a n i u c o m p l e t a m e n t e desta (erra o q u e p r o p o r c i o n a a m a i o r i a d a s o p o r t u n i d a d e s p a r a os indivíduos se entreg a r e m a excessos de prazer, t u m u l t o s e. l o u c u r a s de t o d a o r d e m . N ã o e n c o n t r a r á s n e m n o c a m p o n e m n a s cidades controladas pelos espartanos locais a d e q u a d o s a festins e t a m p o u c o n a d a d a q u i l o q u e p o r via de conseqüência incita ao desregramento em todos os prazeres. D e fato, n ã o h á u m ú n i c o h o m e m q u e n ã o p u n i s s e imed i a t a m e n t e e com m á x i m a severidade q u a l q u e r beberrão com o qual porventura encontrasse, n ã o servindo n e m s e q u e r a festa d e D i o n í s i o c o m o j u s t i f i c a t i v a p a r a fazê-lo e s c a p a r d a p u n i ç ã o - festim q u e e u , u m a vez, presenciei no teu país c o m esses indivíduos sobre as carroças; e na nossa colônia de Tarenlo, igualmente, vi a c i d a d e i n t e i r a e m b r i a g a d a n a festa d e D i o n í s i o . C o n t u d o , conosco tal coisa n ã o é possível. O ateniense: E s t r a n g e i r o da L a c e d e m ô n i a , t u d o isso 6 liOínossMuflftswo é j/toiteo, poítaiifoMttfe no (lowossfiuwfeitio mascuíino (pedcMisttti). tWa

ao.epoionni »a QURCÂÜ antigo. i_A idéia da distinção «*t»c .tcíoçôeí; sciíuntü am/a>me a mhiMga r menções fíontua o imhanga e aqui ev]iPiMl(i!*KÍc inbodugida. Quanto à o.oiwão mim a drwossewnfiaWfi waWturi o o ginástico no sentido desta ptúmom QfjBíífti, tal tese esto/tio wdimdo numa eiwifjsfxição dn eufo o befego do ««fio masftuíitio abada ao assíduo e quase arofinfi» fiuíliW) do cowfionko masculina em dehimwlo do contato com a nniWifiit, o neio-eotitafo o distanciamento desto dando maífjc» o fuomísonidade oii|»e homem, desenuoteiido o gosto fcfíVi pitapk scfMsentado peta íieloçõo 3>eus/Qfliiiwedfis. L,4dowois, É iiBíw.Ç n eshMfo «neufoção
E S B E

digno de louvor desde q u e exista u m a firme resistência; m a s s e e s t a for r e l a x a d a , t u d o i s s o s e r e v e l a r á p u r a t o l i c e . Qualquer cidadão de nosso Estado poderia de imediato retaliar a p o n t a n d o para a licenciosidade de vossas m u l h e r e s . R e l a t i v a m e n t e a t o d a s e s s a s p r á t i c a s , seja em T a r e n t o , seja e n t r e n ó s o u e m E s p a r t a , h á u m a ú n i c a r e s p o s t a c a p a z de justificá-las. A r e s p o s t a universal q u e se dá ao estrangeiro q u e se surpreende ao testemunhar n u m E s t a d o a l g u m a p r á t i c a (pie p a r a ele é i n e o m u m é: " N ã o há razão p a r a surpreender-se, estrangeiro, tratase de nosso costume... em teu país talvez o costume no q u e se refere a isto seja d i f e r e n t e . " P o r é m , m e u s c a r o s senhores, nossa discussão agora n ã o diz respeito ao resto d a espécie h u m a n a , m a s u n i c a m e n t e concerne a o mérito ou demérito dos próprios legisladores. Portanto, vamos

os

pjícícír.fos jísioos constantes em emrúc.ii de instituiçoo e o ptótico béfioo, 0 qurií erefuí o m u í f e ; o coftngew
( A P E X R I )
É

o qualidade

[rtimo/tdiaC e funríamcutoP na
fiofaflio (JIOÀ.EUX>ç),

qualidade esta ausente na mufe. (n.t.)

83

Platão - As Leis
nos ocupar de modo mais minucioso da questão da

e m b r i a g u e z e m geral, visto q u e n ã o s e t r a t a d e u m a prática de ínfima i m p o r t â n c i a e em relação à qual se exija a p e n a s o e n t e n d i m e n t o d o l e g i s l a d o r m e d í o c r e . N ã o me refiro neste m o m e n t o à q u e s t ã o de b e b e r ou n ã o b e b e r o v i n h o em geral, m a s sim à e m b r i a g u e z c o m o tal, e a q u e s t ã o q u e se coloca é a seguinte: d e v e r e m o s lidar c o m ela c o m o f a z e m os citas e, os p e r s a s e t a m b é m os cartagineses, os celtas, os ibéricos e os trácios, todos estes povos de estirpe guerreira, ou c o m o vós, e s p a r t a n o s , fazem? Pois vós, c o m o o a s s e v e r a m , a r e j e i t a m t o t a l m e n t e , enquanto os citas e os trácios, h o m e n s e m u l h e r e s , sua prática como nobre e t o m a m o v i n h o p u r o e d e i x a m q u e ele escorra s o b r e s u a s vestes, e n c a r a n d o esta a f o r t u n a d a ; e os p e r s a s c e d e m l a r g a m e n t e a estes e o u t r o s d e l e i t e s q u e vós r e p u d i a i s , s e b e m q u e d e u m a m a n e i r a m a i s o r d e n a d a q u e os d a q u e l e s outros povos. Megilo; Mas, meu b o m amigo, q u a n d o tomamos as

a r m a s eles s e p õ e m e m fuga. O ateniense-. N ã o d i z t a l c o i s a , p r e z a d o a m i g o , p o i s n a verdade houve no passado e haverá no futuro muitas fugas e m u i t a s perseguições de d ú b i a explicação, de sor te q u e a vitória ou a d e r r o t a em b a t a l h a j a m a i s p o d e r i a ser c o n s i d e r a d a u m a prova decisiva m a s sim m e r a m e n te discutível do mérito ou d e m é r i t o de u m a instituição. E s t a d o s m a i o r e s , por exemplo, se s a g r a m vitoriosos em b a t a l h a s o b r e E s t a d o s menores, d e m o d o q u e assistim o s aos s i r a c u s a n o s s u b j u g a n d o os lócrios, q u e , entret a n t o , t ê m a r e p u t a ç ã o d e t e r e m d e t i d o a m e l h o r constituição d o s povos d a q u e l a região; e q u e se acresça o caso dos atenienses ern relação aos h a b i t a n t e s de Quios. Outros exemplos incontáveis do m e s m o tipo p o d e r i a m ser encontrados. Portanto, convém que desconsideremos de m o m e n t o vitórias e d e r r o t a s e d i s c u t e m o s c a d a u m a d a s instituições sob o prisma dc seus próprios méritos n u m e s f o r ç o d e p e r s u a d i r m o s a n ó s m e s m o s e e x p l i c a r de. eme m o d o u m a e s p é c i e d c i n s t i t u i ç ã o é b o a e a o u t r a , m á . E p a r a começar, ouvi-me sobre o m é t o d o correto de investigar os méritos e deméritos d a s instituições. Megilo: O q u e p e n s a s d i s s o ? O ateniense: Penso q u e todos aqueles q u e t o m a m u m a

instituição c o m o objeto de discussão e se p r o p õ e m de

84

Livro I
i m e d i a t o a censurá-la ou louvá-la estão p r o c e d e n d o de maneira absolutamente errônea. Seu procedimento é a n á l o g o à q u e l e d o h o m e m q u e t e n d o o u v i d o a l g u é m louvar o queijo como um b o m alimento, passa imediatam e n t e a d e p r e c i á - l o s e m t e r s e i n f o r m a d o s o b r e s e u s efei tos, o s e m p r e g o s q u e d e l e s e p o d e f a z e r e s e m t e r a p r e n dido de que maneira, por meio do que, em meio de qual regime, s o b q u e f o r m a e c o m q u e gênero de i n d i v í d u o s p o d e empregá-lo. Isto, parece-me, é e x a t a m e n t e o q u e estamos fazendo agora em nossa discussão. Diante da primeira m e n ç ã o d a m e r a palavra e m b r i a g u e z eis alguns de n ó s já se p o n d o a censurá-la, o u t r o s a louvá-la, o q u e é s u m a m e n t e absurdo. C a d a p a r t i d o conta com o suporte de testemunhos, e e n q u a n t o um partido sustenta que sua afirmação é convincente com base no grande n ú m e r o d e t e s t e m u n h o s a p r e s e n t a d o s , o o u t r o o faz s o b o fund a m e n t o d e q u e s e c o n s t a t a q u e q u e m s e a b s t é m d e vin h o sagra-se vitorioso em b a t a l h a , e e n t ã o t a m b é m este ponto dá origem a u m a polêmica. Ora, n ã o me agradaria n e m um p o u c o a b o r d a r todo o resto d a s instituições legais desta m a n e i r a , e. no q u e diz respeito à n o s s a presente matéria, a embriaguez, desejo mc expressar de u m a m a n e i r a i n t e i r a m e n t e d i v e r s a ( e m m i n h a o p i n i ã o , a certa) e m e e m p e n h a r e i , s e p o s s í v e l , e m m o s t r a r o m é t o d o c o r r e t o d e l i d a r c o m t o d o s e s s e s a s s u n t o s , p o i s , c o m efeito, a c e r c a d e s s e p o n t o , m i l h a r e s d e m i l h a r e s d e povos n ã o c o m p a r t i l h a r i a m d a o p i n i ã o d e vossos dois E s t a d o s e vos c o n t e s t a r i a m . Megilo: Certamente, se tivermos conhecimento de um

m é t o d o correto p a r a investigar tais m a t é r i a s , e s t a r e m o s dispostos a aprendê-lo. O ateniense: V e j a m o s o m é t o d o a s e g u i r . Imaginai que

a l g u é m tivesse em g r a n d e estima a criação de c a b r a s e o próprio a n i m a l como u m a p r o p r i e d a d e preciosa; imaginai, t a m b é m , q u e u m o u t r o i n d i v í d u o q u e tivesse v i s to cabras p a s t a n d o longe do r e b a n h o e do controle do pastor - c a u s a n d o d a n o s em terra cultivada - se pusesse a criticá-las e e n c o n t r a s s e motivo de c e n s u r a igualment e c o m r e l a ç ã o a todo a n i m a l q u e visse s e m u m g u a r dião ou m a l g u a r d a d a - teria a censura deste h o m e m , acerca de q u a l q u e r objeto, o m e n o r valor?

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Platão - As Leis
Megilo: Certamente não.

O ateniense: E q u a n t o a u m b o m c a p i t ã o d e n a v i o ? N ó s o j u l g a r e m o s c o m o tal s o m e n t e p o r deter a ciência da n a v e g a ç ã o , i n d e p e n d e n t e m e n t e d e s o f r e r o u n ã o d c enjôo n o m a r ? Q u e d i z e r n o q u e d i z r e s p e i t o a isto? Megilo: Q u e n ã o e s t a r e m o s d e m o d o a l g u m d i a n t e d e u m b o m c a p i t ã o s e além d e deter s u a ciência ele sofrer do mal que mencionas. O ateniense: E o q u e d i z e r d o c o m a n d a n t e d o e x é r c i t o ? S e r á um h o m e m t a l h a d o p a r a o c o m a n d o pelo fato de d e t e r c o n h e c i m e n t o militar, m u i t o e m b o r a seja covarde diante do perigo, o m e d o a b a l a n d o sua coragem como u m a espécie d e embriaguez? Megilo: E c e r t o q u e n ã o . O ateniense: E imaginai que lhe falta conhecimento

militar além de ser um poltrão... Megilo: E s t á s d e s c r e v e n d o u m
• u\ «MMOT mm wifuac

indivíduo absolutameu. .

,

,

te indigno, de m a n e i r a a l g u m a um c o m a n d a n t e de hometis, m a s sim d a s mais femininas d a s mulheres. * O ateniense: C o n s i d e r a a g o r a o c a s o de q u a l q u e r i n s t i tuição social q u e n a t u r a l m e n t e tem alguém q u e a administra e q u e , sob esta a d m i n i s t r a ç ã o é benéfica; supõe q u e a l g u é m q u e j a m a i s tivesse assistido à a d m i n i s t r a ção dessa instituição, m a s apenas a observasse sem qualquer administração ou mal administrada, se pusesse a l o u v a r ou r e p r o v a r a instituição: i m a g i n a r í a m o s nós q u e o louvor ou a reprovação de um tal observador d e u m a tal i n s t i t u i ç ã o tivesse a l g u m a valia? Megilo: assistiu E c o m o p o d e r í a m o s se tal indivíduo jamais ou participou de u m a comunidade onde a
. . , .

amtaiwititMwi mfiMwiiio t.

.

,

mms «mo *.g cnjoligodo. («.(.)

i n s t i t u i ç ã o foi c o r r e t a m e n t e a d m i n i s t r a d a ? O ateniense: E s p e r a u m m o m e n t o ! P o d e m o s n ó s a d m i t i r que, entre as n u m e r o s a s m o d a l i d a d e s de instituições sociais, está i n c l u í d a t a m b é m a q u e l a c o n s t i t u í d a p o r u m a reunião de bebedores de vinho? Megilo: C o m O ateniense: toda a certeza. Mas a l g u é m a l g u m d i a p o r v e n t u r a já con-

templou u m a tal instituição sendo b e m administrada?

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Livro I
Ambos poderão facilmente responder-me "Não, n u n c a " pois em vossos E s t a d o s essa i n s t i t u i ç ã o n ã o é n e m cons o l i d a d a pelo uso, n e m u m a instituição legal. E n t r e t a n t o , e u f r e q ü e n t e i m u i t o s d e s s e s l u g a r e s o n d e tais festas s ã o r e a l i z a d a s , me d i s p o n d o a e s t u d a r s u a q u a s e totalid a d e , e m u i t o r a r a m e n t e observei u m a ou ouvi falar de u m a u n i r a q u e fosse q u e t i v e s s e s i d o e m t o d o s o s p o n tos c o r r e t a m e n t e a d m i n i s t r a d a ; exceto p o r a l g u n s detalhes r e g u l a r e s a q u i e ali, o c o n j u n t o se revelava, devo dizê-lo, i n t e i r a m e n t e falho. Clínias: 0 q u e queres dizer com isso, estrangeiro? Ê

mister q u e te expliques com m a i o r clareza pois consid e r a n d o - s e q u e n ã o d i s p o m o s (corno m e n c i o n a s t e ) d e q u a l q u e r experiência com respeito a tais instituições, e m b o r a as observemos, provavelmente n ã o conseguiríam o s de i m e d i a t o perceber o q u e nelas está certo e o q u e está errado. O ateniense: É b a s t a n t e p r o v á v e l . T e n t a , t o d a v i a , te i n s truir b a s e a d o em m i n h a s explicações. Admites q u e em todas as reuniões e associações c o m os m a i s diversos propósitos c certo q u e c a d a g r u p o s e m p r e t e n h a u m chefe? Clínias: Sem dúvida.

O ateniense: A l é m d i s s o , d i s s e m o s h á p o u c o q u e o com a n d a n t e d o s c o m b a t e n t e s t e m q u e ser corajoso. Clínias: É claro.

O ateniense: O r a , o c o r a j o s o e x p e r i m e n t a m e n o s q u e o covarde os transtornos do medo. Clínias: Isto é i g u a l m e n t e v e r d a d e i r o .

O ateniense: A g o r a , s e h o u v e s s e q u a l q t i e r m e i o d e c o l o c a r u m e x é r c i t o n a s m ã o s d e u m g e n e r a l q u e fosse a b s o l u t a m e n t e impermeável ao t e m o r e à p e r t u r b a ç ã o , não f a r í a m o s n ó s t o d o s o s e s f o r ç o s c o n c e b í v e í s p a r a fazê-lo? Clínias; C o m toda » certeza.

O ateniense; M a s o q u e e s t a m o s d i s c u t i n d o a g o r a n ã o é o h o m e m a ser e n c a r r e g a d o do c o m a n d o de um exército em tempo de guerra nos encontros de inimigo contra inimigo, mas sim o h o m e m q u e será incumbido de orientar amigos em associação amigável com amigos em tempo de paz.

87

Platão - As Leis
Clínias: Precisamente. Ora, se uma semelhante assembléia for

O ateniense:

a c o m p a n h a d a p e l a e m b r i a g u e z , n ã o e s t a r á livre d e tumulto, certo? Clínias: D e c i d i d a m e n t e n ã o ; i m a g i n o q u e j u s t a m e n t e o contrário. O ateniense: Assim sendo, esses indivíduos também

n e c e s s i t a m , a c i m a de t u d o o mais, de um chefe. Clínias: E i n d u b i t á v c l . . . e l e s a t é m a i s q u e o s o u t r o s . O ateniense; chefe Clínias: D e v e r í a m o s né>s, se p o s s í v e l , d a r - l h e s um

imperturbável? Seguramente. Naturalmente, também, ele deveria ser

O ateniense:

capaz de mostrar sabedoria no trato das assembléias sociais, visto q u e t e r á t a n t o q u e p r e s e r v a r a a m i z a d e j á existente entre os m e m b r o s do grupo como cuidar p a r a eme a presente a s s e m b l é i a fortaleça o g r u p o a i n d a mais. Clínias: I s t o é b e m v e r d a d e . O ateniense; E e n t ã o um h o m e m sóbrio e sábio que

devemos instalar no c o m a n d o de indivíduos ébrios, e n ã o o c o n t r á r i o , visto q u e u m chefe d e é b r i o s q u e fosse e l e m e s m o é b r i o , j o v e m e tolo, se, r e v e l a r i a u m g r a n d e f e l i z a r d o se conseguisse se furtar a cometer um sério d a n o . Clínias: lnvulgarmente Supõe, felizardo.

O ateniense:

e n t ã o , q u e a l g u é m e n c o n t r a s s e fa-

lhas em relação a essas instituições em listados nos (piais e l a s s ã o a d m i n i s t r a d a s d a m e l h o r f o r m a p o s s í v e l , o u seja, tivesse u m a o b j e ç ã o c o m r e s p e i t o à i n s t i t u i ç ã o e m si. N e s t e c a s o p o d e r i a , t a l v e z , e s t a r c e r t o e m fazê-lo. M a s s e a l g u é m ofende u m a i n s t i t u i ç ã o q u a n d o p e r c e b e q u e essa é a d m i n i s t r a d a d a p i o r f o r m a possível, está c l a r o q u e s e trata d e u m i g n o r a n t e , p r i m e i r o d o fato d e q u e t a l i n s t i t u i ç ã o é mal a d m i n i s t r a d a e s e g u n d o de q u e toda instituição se afigurará similarmente ruim q u a n d o 6 implantada sem um. mestre e. a d m i n i s t r a d o r sóbrio, pois p o r certo perceberá» q u e um piloto no m a r e aquele q u e c o m a n d a qualq u e r c o i s a , s e e m b r i a g a d o s , a t u d o t r a n s t o r n a m , seja u m a e m b a r c a ç ã o , u m a bíga, u m exército o u q u a l q u e r coisa q u e esteja s o b s e u c o m a n d o .

88

Livro I
CUnias; O q u e d i z e s , e s t r a n g e i r o , é p e r f e i t a m e n t e v e r d a deiro. M a s diz-nos, p a r a p a s s a r m o s à q u e s t ã o seguinte, s u p o n d o q u e essa i n s t i t u i ç ã o d o b e b e r fosse c o r r e t a m e n t e a d m i n i s t r a d a , q u e possível benefício n o s traria? T o m a o exemplo de um exército, q u e a c a b a m o s de m e n c i o n a r ; neste caso, contando-se c o m o chefe correto, os c o m a n d a d o s d e s t e c o n q u i s t a r ã o a v i t ó r i a n a g u e r r a o q u e , certamente, n ã o constitui p e q u e n o benefício, o m e s m o suc e d e n d o n o s o u t r o s casos: m a s q u a l efetiva v a n t a g e m a d v i r i a seja p a r a os i n d i v í d u o s , seja p a r a o E s t a d o da correta administração de um b a n q u e t e regado a vinho? O ateniense; Bem, q u e grande vantagem diríamos q u e

adviria ao Estado a partir do correto controle de u m a ú n i c a c r i a n ç a o u d e u m g r u p o d e c r i a n ç a s ? A u m a tal q u e s t ã o a s s i m c o l o c a d a a n ó s r e s p o n d e r í a m o s q u e o Est a d o e x t r a i r i a p o u c o p r o v e i t o d i s s o ; s e , e n t r e t a n t o , s e form u l a u m a questão geral com referência a qual vantag e m efetiva e x t r a i o E s t a d o d a e d u c a ç ã o d a s c r i a n ç a s , e n t ã o prover u m a resposta será e x t r e m a m e n t e simples p o i s r e s p o n d e r í a m o s q u e . c r i a n ç a s b e m e d u c a d a s s e revelarão bons indivíduos, q u e sendo bons vencerão seus inimigos em batalha, além de agirem com nobreza em relação a outras coisas. Assim, se p o r um lado a educaç ã o t a m b é m p r o d u z vitória, e s t a , p o r vezes, p r o d u z falta d e e d u c a ç ã o visto q u e o s h o m e n s a r n i ú d e s e t o r n a m m a i s insolentes devido á vitória na guerra, e através de sua wisolência se t o r n a m repletos de o u t r o s vícios incontáveis; e se ao p a s s o que, a e d u c a ç ã o j a m a i s se mostrou a t é a g o r a cadminna, * guerra com CUnias: as vitórias q u e os h o m e n s o b t ê m na foram e serão amigo, cadrníanas.* que tais
• . . . KGU TOlSeUI U.KV ouScTHOtiotE ycyovE

freqüência meu

Insinuas,

parece-nos,

reuniões

festivas q u a n d o c o r r e t a m e n t e c o n d u z i d a s

K c t S u E i a . . . - o »eJ6»ÍJtMíi é 00 fcndoMo {««fado» At,

constituem um importante elemento educativo. O ateniense: CUnias: E como!

Ódios, CWmos. fislo amam dotilos de d/iogão dm (pois íoweMim os Rf>míi, q » , o despeito do ooftfi.ww vmo uitójfio, «esto oeobwtoM st motoiifío ertw si. u4
«fiwisson úodiriioito, po*

Poderia- agora d e m o n s t r a r a v e r d a d e do q u e

acabas de afirmar? O ateniense: A v e r d a d e da m i n h a a f i r m a ç ã o , a q u a l é questionada por muitos, compete a um deus assegurar, m a s estou i n t e i r a m e n t e pronto a dar, se necessário, minha própria opinião agora que, realmente, e m b a r c a m o s n u m a d i s c u s s ã o d a s leis e constituições.

coussguitils, sug«sf! oígo rjac oooMetfl fiifits saMn «goíiiíi do que f>osiiit'n. (»i.)

89

Platão - As Leis
Clínias: B e m , é p r e c i s a m e n t e t u a o p i n i ã o a r e s p e i t o d a s questões agora em discussão que estamos tentando apreender. 0 ateniense: A s s i m , c o m e f e i t o , d e v e m o s f a z e r , e v ó s d e veis unir-vos no esforço de a p r e e n d e r o a r g u m e n t o enq u a n t o eu devo e m p e n h a r - m e em expô-lo o m e l h o r possível. M a s , e m p r i m e i r o l u g a r , t e n h o u m a o b s e r v a ç ã o inicial a fazer: m i n h a c i d a d e é, s e g u n d o a o p i n i ã o geral dos helenos, tanto apreciadora da conversação q u a n t o repleta de conversação, m a s a L a c e d e m ô n i a é m u i t o pouco l o q u a z , e n q u a n t o Creta é m a i s ciosa da r i q u e z a de sentido do q u e da a b u n d â n c i a das palavras; de man e i r a q u e receio vos fazer p e n s a r q u e s o u u m g r a n d e d i s c u r s a d o r d e u m p e q u e n o t e m a , e l a b o r a n d o u m discurso de prodigiosa extensão em torno do insignificante a s s u n t o da e m b r i a g u e z . M a s o fato é q u e a c o r r e t a o r d e n a ç ã o disso j a m a i s p o d e r i a ser a b o r d a d a a d e q u a da e claramente em nossa discussão independentemente d a c o r r e ç ã o n o q u e s e refere à m ú s i c a , b e m c o m o n ã o poderia a música independentemente da educação c o m o um todo, o q u e exigiria u m a longa discussão. Vede, e n t ã o , o q u e p o d e r í a m o s fazer, a s a b e r , q u e tal se d e i xássemos estas m a t é r i a s em suspenso p o r ora e cuidas s e m o s d e a l g u m o u t r o tópico legal? Megilo; 0 e s t r a n g e i r o d e A t e n a s , n ã o e s t a i s , t a l v e z , c i e n t e d e q u e m i n h a f a m í l i a é , r e a l m e n t e proxena' * 7 E p o Ç e v o ç , «ilwos Srfndos (rfêmror: o Ittufo dc fc>«« concedido o eidodõo DE
oulío fislnrfo g/icgo o« mesmo

d c t u a ci-

d a d e . É provavelmente certo no q u e concerne a todas as c r i a n ç a s q u e u m a v e z a e l a s s e t e n h a d i t o q u e s ã o proxe nas d e u m c e r t o E s t a d o , d e s e n v o l v e m u m a f e t o p o r e s t e E s t a d o m e s m o a p a r t i r da infância, e c a d a u m a delas o e n c a r a c o m o u m a s e g u n d a terra n a t a l , logo d e p o i s d e s u a pátria. E este p r e c i s a m e n t e o s e n t i m e n t o q u e eu ago r a e x p e r i m e n t o . Q u a n d o , c o m efeito, u m a c r i a n ç a o u v i a os l a e e d c m ô u i o s tecer críticas ou elogios a o s a t e n i e n s e s e s c m e d i z i a : " V o s s a c i d a d e , Megilo, c o m p o r t o u - s e b e m o u . , I - " , y j Ic o m p o r t o u - s e m a l em r e l a ç ã o a n o s - q u a n d o , digo, ou . . . . L . J via t a i s o b s e r v a ç õ e s , c o n s t a n t e m e n t e c o m b a t e n d o con. , . , . < t r a a q u e l e s q u e e s t a v a m a s s i m d e s a c r e d i t a n d o vosso Kv
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tqat de , a g o rqau in ã a a p ea ap r o pu e c ia a toesisço o op a q ue l ec o dn o m o d o rio um n s al rnd o v a s t o r e , r e julgo i o ad a b s o l u t a m e n t e v e r d a d a d e i r o o adágio ordinário q u e diz que
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1

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In.l.)
90

Livro I
s ó eles são b o n s n ã o p o r c o m p u l s ã o externa m a s sim p o r disposição interior. Assim, no q u e me diz respeito, p o d e s falar s e m receio e dizer o q u e desejas. Clínias: Q u a n t o a m i n h a h i s t ó r i a , e s t r a n g e i r o , i g u a l m e n te d e p o i s de a ouvires te sentirá* totalmente à vontade p a r a dizere.9 o q u e d e s e j a s . P r o v a v e l m e n t e d e v e s t e r ouvido falar como a q u e l e h o m e m inspirado, E p i m ê n i des, q u e era meu parente, nasceu em Creta, e como dez a n o s antes da guerra contra a Pérsia, em obediência ao o r á c u l o d o d e u s , e l e s e d i r i g i u a A t e n a s e o f e r e c e u certos sacrifícios q u e h a v i a m sido o r d e n a d o s pelo d e u s , e corno, a d e m a i s , q u a n d o os atenienses ficaram alarmad o s d i a n t e d a f o r ç a e x p e d i c i o n á r i a d o s p e r s a s , e l e fez esta profecia: "Eles n ã o virão por dez a n o s e q u a n d o realmente vierem, retornarão novamente com todas suas e s p e r a n ç a s f r u s t r a d a s , e d e p o i s d e s o f r e r e m m a i s infelicidades do q u e as infligirem. ' E n t ã o nossos ancestrais p a s s a r a m a p e r m u t a r hospitalidade e a m i z a d e com os vossos, e d e s d e e n t ã o t a n t o m e u s pais q u a n t o eu desenvolvemos u m a afeição por Atenas. O ateniense: Evidentemente, então, estais a m b o s pron1

tos a me ouvirem. M a s da m i n h a parte, e m b o r a vontade h a j a p a r a isso, e m p r e e n d e r a t a r e f a n ã o é fácil. De q u a l q u e r m a n e i r a , é p r e c i s o q u e e u t e n t e . D e s t a feita, em p r i m e i r o lugar, nossa reflexão r e q u e r q u e definam o s a e d u c a ç ã o e d e s c r e v a m o s s e u s efeitos: este é o cam i n h o q u e o nosso presente discurso deve trilhar até q u e finalmente atinja o deus do vinho. Clínias: P e r f e i t a m e n t e , q u e f a ç a m o s a s s i m , j á q u e é d e teu agrado. O ateniense: E n t ã o , s e e u , p o r u m l a d o , d i g o n o q u e d e v e c o n s i s t i r a e d u c a ç ã o , vé>s, d e v o s s a p a r t e , d e v e i s c o n s i d e r a r se estais satisfeitos com m i n h a definição. Clínias: Pois e n u n c i a t u a definição.

O ateniense: E u o f a r e i . O q u e a f i r m o é q u e t o d o h o m e m q u e p r e t e n d a ser b o m e m q u a l q u e r a t i v i d a d e precisa dedicar-se à prática d e s s a a t i v i d a d e em especial desde a infância utilizando todos os recursos relacionados a sua a t i v i d a d e , s e j a e m s e u e n t r e t e n i m e n t o , seja n o t r a b a l h o . Por e x e m p l o , o h o m e m q u e p r e t e n d e ser u m b o m construtor necessita ( q u a n d o menino) entreter-se b r i n c a n d o

91

Platão - As Leis
d e c o n s t r u i r casas, b e m c o m o a q u e l e q u e deseja ser agricultor deverá (enquanto menino) brincar de lavrar a terra. C a b e r á aos educadores dessas crianças suprilas com f e r r a m e n t a s d e b r i n q u e d o m o l d a d a s s e g u n d o as reais. A l é m disso, dever-se-á m i n i s t r a r a essas crianças instrução básica em todas as m a t é r i a s necessárias; sendo, por exemplo, ensinado ao aprendiz de carpinteiro sob forma de b r i n q u e d o o m a n e j o da r é g u a e da trena, à q u e l e q u e será um soldado c o m o m o n t a r e dem a i s c o i s a s p e r t i n e n t e s . E a s s i m , p o r m e i o de. s e u s b r i n q u e d o s c jogos, n o s e s f o r ç a r í a m o s p o r dirigir os gostos e desejos d a s c r i a n ç a s p a r a a direção do objeto q u e constitui seu objetivo p r i n c i p a l r e l a t i v a m e n t e à i d a d e a d u l ta. Em p r i m e i r o lugar e a c i m a de t u d o , a e d u c a ç ã o , nós o asseveramos, consiste na formação correta q u e m a i s intensamente atrai a a l m a da criança d u r a n t e a brincadeira para o amor d a q u e l a atividade da qual, ao se t o r n a r adulto terá q u e deter perfeito d o m í n i o . Agora julgai, c o m o eu disse a n t e r i o r m e n t e , se até este ponto, estais satisfeitos c o m m i n h a definição. CUnias: E c e r t o q u e e s t a m o s . O ateniense: M a s é i m p e r i o s o q u e n ã o d e i x e m o s q u e n o s sa definição de e d u c a ç ã o p e r m a n e ç a vaga, pois atualmente q u a n d o censuramos ou elogiamos a formação de um indivíduo h u m a n o , definimos um como educa•...Kunn/xiuç kui do e um o u t r o c o m o n ã o - e d u c a d o , a d e s p e i t o d e s t e últim o p o d e r ser e x t r a o r d i n a r i a m e n t e b e m e d u c a d o n o comércio c o m o mascate ou como piloto de e m b a r c a ção, • ou a i n d a em a l g u m a o u t r a o c u p a ç ã o similar. Mas nós, naturalmente, na presente discussão não estamos a s s u m i n d o o parecer q u e coisas como essas constituem educação: a educação a q u e nos referimos é o treinam e n t o desfie a i n f â n c i a na v i r t u d e , o q u e t o r n a o indivíd u o entusiusticamente desejoso de se converter n u m c i d a d ã o perfeito, o q u a l possui a c o m p r e e n s ã o t a n t o de g o v e r n a r c o m o a de ser g o v e r n a d o c o m justiça. E s t a é a forma específica de f o r m a ç ã o à q u a l , s u p o n h o , nossa d i s c u s s ã o em quanto p a u t a r e s t r i n g i r i a o t e r m o exiitcação, enuma f o r m a ç ã o q u e visa. s o m e n t e à destituída de sabedoria c seria vulgar, servíl e inteiramente i n d i g n o chaVU!iK>.r||U{.(.Ç.... «fiawlf: ou pilote do wlmíonçno; va»KA,r|piaç <!iqní{tiofl (anta o oopilõo íjuc omwwdfl nono do iwiwi «1M0 (o (jcaoíifBwcnh o piio|is«õn do piPolo) rj(in«(o n iwiiiio (jjelndo. f. conto tentei oiitan, «mo paftnMi dctiiodo de v a u ç (nou. nowo, mmr, embo*0flçfio), como vauKA.r| p o ç {pimwks). v a u x i i c o ç ((jiio díg Kspcffo ò Houcgoono, ttflufiO.o) r. v a u t i a (fttijôü cômodo polo mm p pot. nvk-mõn náusea]- (».(.) 92

m a r fie educação guma

a q u i s i ç ã o d o d i n h e i r o , rio v i g o r f í s i c o o u m e s m o d e a l h a b i l i d a d e mctilal

Livro I
justiça. Q u e n ã o d i s p u t e m o s , entretanto, por c a u s a de um n o m e , mas atenhemo-nos à afirmação com a qual concordamos há pouco, a saber, q u e aqueles que são c o r r e t a m e n t e e d u c a d o s se t o r n a m , via de r e g r a , b o n s , e q u e em caso a l g u m a e d u c a ç ã o deve ser d e p r e c i a d a pois ela é o p r i m e i r o dos m a i o r e s b e n s q u e são proporcionados aos melhores liome e l a a l g u m a vez d e s v i a r d o c a m i n h o certo, m a s p u d e r ser r e e n e a m i n h a d a , t o d o h o m e m , e n q u a n t o viver, d e v e r á e m p e n h a r - s e c o m tod a s s u a s forças a essa tarefa. Clínias: E s t á s c e r t o e c o n c o r d a m o s c o m o q u e d i z e s . O ateniense: A d e m a i s , c o n c o r d a m o s h á m u i t o q u e s e o s h o m e n s são capazes de d o m i n a r a si mesmos, são bons, m a s s e i n c a p a z e s d e fazê-lo, s ã o m a u s . Clínias: I s t o é a b s o l u t a m e n t e v e r d a d e i r o . O ateniense: V a m o s , e n t ã o , r e s t a b e l e c e r m a i s c l a r a m e n t e o q u e e n t e n d e m o s p o r isso. S e v ó s o p e r m i t i r d e s , far e i u s o d e u m a i m a g e m c o m o fito d e e x p l i c a r o a s s u n t o . Clínias: Vai em f r e n t e . E possível i m a g i n a r m o s q u e cada um de

O ateniense:

nós é p o r si só um todo? Clínias: Sim. E q u e c a d a um possui d e n t r o de si dois

O ateniense:

conselheiros antagônicos e insensatos, aos quais denom i n a m o s prazer e dor? Clínias: T r a t a - s e d e u m f a t o . O ateniense: E q u e , a l é m d e s s e s d o i s , c a d a h o m e m p o s sui o p i n i õ e s a c e r c a d o futuro, q u e a t e n d e m pela designação geral de expectativas, das (mais aquela que p r e c e d e a d o r d e t é m o n o m e e s p e c i a l d e medo, e a q u e p r e c e d e o p r a z e r o n o m e e s p e c i a l d e confiança; e «pie s e s o m a n d o a t o d a s e s t a s h á a avaliação, s e p r o n u n c i a n d o s o b r e q u a l d e l a s ó b o a , q u a l é m á ; e à avaliação q u a n d o se t o r n o u o decreto p ú b l i c o do Estado dá-se o n o m e d e lei, Clínias: Estou e x p e r i m e n t a n d o certa dificuldade para

s e g u i r t e u r a c i o c í n i o , m a s c o n t i n u a corno s e e u o seguisse sem maiores p r o b l e m a s . Megilo: E u t a m b é m m e e n c o n t r o n o m e s m o c a s o .

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Platão - As Leis
O ateniense: V a m o s c o n c e b e r a m a t é r i a d a s e g u i n t e m a n e i r a : s u p o n h a m o s q u e c a d a u m d e n ó s , c r i a t u r a s vivas, é um engenhoso marionete dos deuses, ou inventad o p a r a ser u m b r i n q u e d o deles, o u p a r a u m p r o p ó s i t o sério - com referência ao que n a d a s a b e m o s , exceto q u e e s s e s nossos sentimentos interiores, como tendões ou c o r d é i s , o os a r r a s t a m e, s e n d o p o s t o s em o p o s i ç ã o recíproca, arrastam-se u n s contra os outros p a r a ações contrárias; e aqui jaz a l i n h a divisória entre a v i r t u d e e o vício, pois c o m o i n d i c a n o s s o r a c i o c í n i o , é forçoso q u e todo h o m e m obedeça a u m a dessas forças de tração, n ã o a s o l t a n d o em n e n h u m a c i r c u n s t â n c i a , contrabal a n ç a n d o desta forma à tração dos outros tendões: é o fio c o n d u t o r , d o u r a d o e s a g r a d o , d a avaliação q u e s e i n t i t u l a lei p ú b l i c a d o E s t a d o ; e e n q u a n t o o s o u t r o s cord é i s são d u r o s e corno a ç o , e de todas as formas e a s p e c t o s p o s s í v e i s , e s s e fio é f l e x í v e l e u n i f o r m e , v i s t o q u e é d c o u r o . C o m e s s e e x c e l e n t í s s i m o f i o c o n d u t o r d a lei nós temos q u e cooperar sempre pois considerando-se q u e a avaliação é s u m a m e n t e boa, porém mais b r a n d a do que dura. seu fio condutor requer colaboradores p a r a assegurar que a raça áurea dentro de nós possa derrotar as outras raças. Deste m o d o a alegoria q u e nos comp a r a a m a r i o n e t e s n ã o s e r á s e m efeito e o s i g n i f i c a d o das e x p r e s s õ e s superior a si mesmo e inferior a si mesmo se tornará um tanto m a i s claro, e t a m b é m q u ã o necessário será p a r a o indivíduo compreender o verdadeiro v a l o r d e s s a s forças de t r a ç ã o i n t e r i o r e s e viver de acord o c o m isto, e q u ã o n e c e s s á r i o a o E s t a d o ( q u a n d o este r e c e b e u t a l valor seja d e u m d e u s , seja d e u m h o m e m e s c l a r e c i d o ) f a z e r d i s s o u m a lei p a r a s i e s e r g u i a d o p o r meio dela em sua relação tanto consigo m e s m o q u a n t o c o m o u t r o s E s t a d o s . Assim, t a n t o o vício q u a n t o a virtude seriam p a r a nós diferenciados com maior clareza, e se t o r n a n d o estes mais evidentes, provavelmente a educação t a m b é m e as outras instituições p a r e c e r i a m men o s o b s c u r a s ; e q u a n t o à i n s t i t u i ç ã o d o s b a n q u e t e s rega•...Otvotç d o s a v i n h o * cm p a r t i c u l a r , poder-se-ia, m u i t o provalvelm e n t e , d e m o n s t r a r q u e n ã o se trata, e m absoluto, c o m o se p o d e r i a p e n s a r , de um a s s u n t o d e s p r e z í v e l q u e s e r i a d i s p a r a t a d o discutir m i n u c i o s a m e n t e , m a s sim u m ass u n t o totalmente digno dc ser extensivamente discutido.

SiatplPqç...,

ÇiliwifWüif, („lj

o[>msa,i n tcmpri eam P rido.

94

Livro I
Clínias: A b s o l u t a m e n t e c e r t o . V a m o s e x a m i n a r c a d a t ó p i c o epie s e a f i g u r e i m p o r t a n t e p a r a a p r e s e n t e d i s c u s s ã o . O ateniense: E n t ã o d i z - m e : s e d é s s e m o s b e b i d a f o r t e a esse nosso m a r i o n e t e , q u e efeito p r o d u z i r i a e m s e u caráter? Clínias: C o m r e f e r ê n c i a a o q u e f a z e s e s t a p e r g u n t a ? O ateniense: rais em De m o m e n t o , c o m isto participa referência a n a d a no o que que se em

p a r t i c u l a r : e s t o u c o l o c a n d o a q u e s t ã o e m t e r m o s gequando daquilo, expressar converte diconseqüência? T e n t a r e i quero

zer a i n d a m a i s c l a r a m e n t e . 0 q u e i n d a g o é o seguinte: beber intensifica os prazeres, as dores, os scrilimentos • • Clínias: e os d e s e j o s * *? Sim, bastante. * * . . . 0 u u . o u ç KOU epmaç..., o moção (como sede dos sentimentos c das pairõesj o o desejo sensual („ |)

ü ateniense: E q u a n t o às s e n s a ç õ e s , l e m b r a n ç a s , o p í n i õ e s e p e n s a m e n t o s ? B e b e r , do m e s m o m o d o , os t o r n a m a i s intensos? Ou, pelo c o n t r á r i o , n ã o a b a n d o n a m estes int e i l a m e n t e o i n d i v í d u o q u a n d o este se e n c h e de b e b i d a ? Clínias: D e f a t o , e l e s o a b a n d o n a m c o m p l e t a m e n t e . O ateniense; E e n t ã o e l e a t i n g e o m e s m o e s t a d o d e a l m a de q u a n d o era u m a criancinha? CUnias: Sem dúvida.

O ateniense; E n e s s e m o m e n t o e l e t e r á u m m í n i m o c o n trole de si m e s m o ? CUnias: De fato, m í n i m o .

O ateniense: E um t a l i n d i v í d u o , n ó s o d i r í a m o s , é m u i to m a u ? CUnias: Muito, realmente.

O ateniense: P a r e c e , p o r t a n t o , q u e n ã o a p e n a s o a n c i ã o de b a r b a grisalha p o d e estar em sua segunda infância, c o m o t a m b é m o ébrio. Clínias: F i z e s t e u m a a d m i r á v e l o b s e r v a ç ã o , e s t r a n g e i r o . O ateniense: Haveria algum argumento que pudésse-

m o s e m p r e e n d e r a fim d e n o s p e r s u a d i r q u e d e v e m o s u s u f r u i r d e s s a p r á t i c a e m lugar d e evitá-la c o m t o d a s nossas forças?

Clínias: P a r e c e q u e h a v e r i a . A o m e n o s foi o q u e afirm a s t e e estavas há p o u c o p r o n t o a a p r e s e n t á - l o .

95

Platão - As Leis
0 ateniense: T u a m e m ó r i a e s t á s e n d o fiel a ri, e eu e s t o u a i n d a p r o n t o a fazê-lo a g o r a q u e t u e Megilo e x p r e s s a r a m a m b o s vosso desejo de ouvir-me. Clínias: E s t á c l a r o q u e t e o u v i r e m o s , m e s m o q u e s e j a apenas em função do elemento extraordinário e desconcertanle pelo q u a l u m ser h u m a n o , d e s u a livre v o n t a d e , se dispõe a mergulhar n a s profundezas da abjeção. O ateniense: A b j e ç ã o d a a l m a , q u e r e s dizer, n ã o é m e s m o ? Clínias: Sim. E q u a n t o a m e r g u l h a r n u m e s t a d o r u i m do

O ateniense:

c o r p o , tal c o m o a m a g r e z a , a d i s f o r m i d a d e ou a i n c a p a c i d a d e física? D e v e r í a m o s n ó s n o s s u r p r e e n d e r s e a l g u é m d e s u a p r ó p r i a livre v o n t a d e m e r g u l h a s s e n u m tal e s t a d o ? Clínias: É c l a r o q u e d e v e r í a m o s . O ateniense: B e m , e n t ã o , p o d e m o s n ó s s u p o r q u e p e s soas q u e se dirigem por si m e s m a s aos hospitais p a r a i n g e r i r e m r e m é d i o s n ã o e s t ã o c i e n t e s q u e logo d e p o i s , e por muitos dias subseqüentes, se acharão n u m estado físico t a l q u e t o r n a r i a s u a v i d a i n t o l e r á v e l s e t i v e s s e m q u e p e r m a n e c e r a s s i m s e m p r e ? E rios s a b e m o s , n ã o é m e s m o , q u e os h o m e n s q u e se dirigem ao ginásio p a r a u m á r d u o t r e i n a m e n t o dele s a e m n o c o m e ç o m a i s fracos? Clínias: È v e r d a d e q u e s a b e m o s d e t u d o i s s o . O ateniense: S a b e m o s , i n c l u s i v e , q u e e l e s a l i v ã o vo-

l u n t a r i a m e n t e em função de um benefício posterior, n ã o é assim? Clínias: E exato.

O ateniense: E n ã o se d e v e r i a f a z e r o m e s m o r a c i o c í n i o no q u e respeita t a m b é m a. outras instituições? Climas: Certamente. E n t ã o é preciso t a m b é m a s s u m i r raciocí-

O ateniense:

nio idêntico q u a n t o à prática de passar o t e m p o tornand o v i n h o n o s b a n q u e t e s , c a s o s e p o s s a c l a s s i f i c á - l a legitimamente entre as demais práticas. Clínias: Está claro q u e é preciso.

0 ateniense: S e e n t ã o e s s a p r á t i c a s e m o s t r a r t ã o b e n é fica a n ó s q u a n t o o t r e i n a m e n t o físico, s e g u r a m e n t e s e r á n o c o m e ç o s u p e r i o r a ele n a m e d i d a e m q u e n ã o é , c o m o o t r e i n a m e n t o físico, a c o m p a n h a d a d a d o r .

96

Livro I
Clínias: I s t o é v e r d a d e i r o , m a s e u m e s u r p r e e n d e r i a s e conseguíssemos descobrir nela q u a l q u e r benefício. O ateniense: E s t e é p r e c i s a m e n t e o p o n t o q u e n e c e s s i t a mos tentar deixar claro i m e d i a t a m e n t e . Diz-me, agora: p o d e m o s nós discernir dois tipos de m e d o , dos q u a i s um é q u a s e o oposto do outro? Clínias: A. q u e t i p o s tu te r e f e r e s ? O ateniense: E s t e s : q u a n d o v i s l u m b r a m o s a o c o r r ê n c i a dos males, nós os tememos... Clínias: Sim. a m i ú d e tememos pela reputação, quan-

O ateniense:...E

d o refletimos que incorreremos n u m a m á r e p u t a ç ã o a o f a z e r o u d i z e r a l g o vil; e a e s t e m e d o n ó s ( c o m o t o d a s a s outras pessoas além de nós, eu presumo) d a m o s o n o m e de vergonha. Clínias: Certamente.

O ateniense: S ã o e s s e s o s d o i s m e d o s a o s q u a i s m e refer i a , e d o s d o i s o s e g u n d o se o p õ e a o s s o f r i m e n t o s e a todos os d e m a i s objetos do m e d o , c o m o t a m b é m se opõe a o s m a i o r e s prazeres e à maioria destes. Clínias: O q u e d i z e s é m u i t o j u s t o . O ateniense: N ã o t e r á , p o r t a n t o , O l e g i s l a d o r e t o d o h o m e m q u e seja d i g n o d e s t e c o n t a da h o n r a
N O M E ,

esse tipo de m e d o n a

m a i s e l e v a d a , c h a m a n d o - o de. pudor e

n ã o d a r á à confiança q u e s e l h e o p õ e o n o m e d e impu dêncki, j u l g a n d o e s t a p a r a t o d o s , t a n t o p u b l i c a q u a n t o privadamente, um grandíssimo mal? Clínias: Estás totalmente certo. E esse medo, além de n o s p r e s e r v a r cm , „ A è o B o v rmcov . a p a ÒKi Y i v v c a t ' *
11 K C t l <

O ateniense:

m u i t o s outros aspectos i m p o r t a n t e s , n ã o se revela inais . . . . r • I eticaz do q u e q u a l q u e r outra C O I S A assegurantto-nos a • • i . • v i t o r i a na g u e r r a e s e g u r a n ç a . ' Isto p o r q u e a v i t ó r i a e, de, f a t o , a s s e g u r a d a p o r d u a s c o i s a s , s e n d o u m a d e l a s a c o n f i a n ç a p e r a n t e os i n i m i g o s , e a o u t r a o m e d o da verg o n h a da c o v a r d i a p e r a n t e os amigos. Clínias: Assim é.

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ou sejn, aro; mam |>«fru»o<:: í pt»im < > tni":i«fi t(»i|if> M drutemca dionlf. do inimigo («Kl wwí-fc e hm» da vwpéo d« erao.tán o amigo, fti.f.j 97
PTUOSLR

O ateniense:

D e s t e m o d o , c a d a u m d e n ó s d e v e s e tor-

n a r t a n t o d e s t e m i d o q u a n t o t e m e r o s o , • e isto d e v i d o às várias razões q u e acabamos de explicitar.' Clínias: P e r f e i t a m e n t e .

Platão - As Leis
0 ateniense: A d e m a i s , q u a n d o d e s e j a m o s t o r n a r u m a p e s soa d e s t e m i d a e o m r e s p e i t o a v á r i o s m e d o s é c o n d u z i n d o * c o m o a u x í l i o d a lei p a r a o m e d o q u e a t o r n a m o s s e m m e d o . Clínias: A s s i m é a p a r e n t e m e n t e . O ateniense: colocando-o E q u a n t o ao c a s o o p o s t o , q u a n d o c o m a contra a i m p u d ê n c i a e o exercitando con-

ajuda da justiça t o r n a m o s um h o m e m temeroso? N ã o é tra ela q u e d e v e m o s torná-lo vitorioso n a l u t a c o n t r a seus próprios prazeres? Ou d i r e m o s nós q u e e n q u a n t o no caso da coragem é s o m e n t e c o m b a t e n d o e subjugand o sua covardia inata q u e a l g u é m p o d e s e t o r n a r perfeito ( e n i n g u é m n ã o - v e r s a d o e s e m p r á t i c a e m c o m p e t i ções desse tipo é c a p a z de obter s e q u e r a metade da excelência da q u a l esse a l g u é m é c a p a z ) , no caso da temperança, por outro lado, pode-se atingir a perfeição s e m u m a luta o b s t i n a d a c o n t r a as h o r d a s de p r a z e r e s e des e j o s q u e i m p u l s i o n a m p a r a a i m p u d ê n c i a e a a ç ã o incorreta, e sem subjugá-las m e d i a n t e o discurso, o ato e a a r t e , t a n t o n o s jogos q u a n t o no t r a b a l h o - e, r e a l m e n te, s e m se s u b m e t e r a q u a i s q u e r d e s s a s e x p e r i ê n c i a s ? Clínias: N ã o s e r i a p l a u s í v e l s u p ô - l o . 0 ateniense: M u i t o b e m ! N o c a s o d o m e d o , e x i s t e a l g u m a droga dada por um deus à humanidade que q u a n t o mais um i n d i v í d u o a p r e c i e t o m á - l a , m a i s a c a d a d< >se e l e se c r e i a m e r g u l h a d o t a n t o n a infelicidade c o m o n a angústia, m a i s ele t e m a t u d o q u e l h e a c o n t e ç a n o p r e s e n t e e p o s s a a c o n t e c e r rio f u t u r o , a t é q u e f i n a l m e n t e , e m b o r a c i e seja o m a i s bravo dos homens, chegue ao terror mais pleno, e n q u a n t o q u e , s e l i b e r t a d o d a p o ç ã o e d e s p e r t o d e s e u t o r p o r , ele s e m p r e volta a s e r e l e m e s m o n o v a m e n t e ? Clínias: Q u e p o ç ã o desse tipo, q u e existisse em q u a l -

quer parte, poderíamos mencionar, estrangeiro? 0 ateniense; N ã o h á n e n h u m a . M a s s u p o n d o , c o n t u d o , q u e h o u v e s s e u m a , seria ela d e a l g u m a u t i l i d a d e p a r a o legislador p a r a promover a coragem? Por exemplo, p o d e r í a m o s p e r f e i t a m e n t e nos dirigir a ele referiudon o s a ela nos s e g u i n t e s t e r m o s : " V e j a m o s , legislador esteja vós l e g i s l a n d o p a r a c r e t e n s e s o u q u a i s q u e r outros - n ã o s e r i a vosso p r i m e i r o desejo d i s p o r de um teste de. c o r a g e m e d c c o v a r d i a q u e fosse a p l i c á v e l a o s v o s s o s cidadãos?"

98

Livro I
Clínias: Obviamente qualquer legislador responderia

q u e sim. O ateniense; " E d e s e j a r i a s u m t e s t e q u e f o s s e s e g u r o e isento de sérios riscos, ou o contrário?" Clínias: Q u a l q u e r l e g i s l a d o r d i r i a q u e o t e s t e t e r i a q u e ser seguro. O ateniense: " E f a r i a s u s o d o t e s t e e x p o n d o o s h o m e n s às circunstâncias geradoras de m e d o e provando-os enq u a n t o f o s s e m a s s i m a f e t a d o s , c o m o s e p a r a forçá-los a se t o r n a r e m destemidos, distri-buindo exortações, advertências e recompensas, m a s t a m b é m p r o m e t e n d o a deg r a d a ç ã o à q u e l e s q u e sc r e c u s a s s e m a se c o n f o r m a r int e i r a m e n t e aos vossos ditames? E absolverias sem qualq u e r p e n a l i d a d e q u a n t o s tivessem s e s u b m e t i d o a o trein a m e n t o d e m a n e i r a viril e b o a , i m p o n d o , p e l o c o n t r á rio, u r n a p u n i ç ã o a q u a n t o s tivessem se s a í d o mal? Ou vos r e c u s a n e i s t e r m i n a n t e m e n t e a e m p r e g a r a p o ç ã o a título de teste, e m b o r a não tivésseis q u a l q u e r o b j e ç ã o a ela q u a n t o ao mais? " Clínias: Não resta dúvida que ele a empregaria,

estrangeiro. 0 ateniense: De q u a l q u e r f o r m a , m e u amigo, o treina-

m e n t o envolvido seria tremendamente simples se compar a d o a o s n o s s o s m é t o d o s a t u a i s , fosse ele a p l i c a d o a o s indivíduos i s o l a d a m e n t e , ou a p e q u e n o s g r u p o s , ou a grup o s c a d a vez m a i o r e s . S u p õ e , e n t ã o , q u e u m h o m e m i m pulsionado por um sentimento de vergonha e relutante e m exibír-sc e m p ú b l i c o a n t e s d e g o z a r d e m e l h o r condiç ã o , d e v e s s e p e r m a n e c e r s o z i n h o e n q u a n t o fosse s u b m e tido a esse t r e i n a m e n t o c o n t r a os m e d o s e contasse s o m e n t e c o m a p o ç ã o c o m o s e u r e c u r s o solitário, e m l u g a r d e exercícios i n t e r m i n á v e i s ele e s t a r i a a g i n d o d e m a n e i r a i n t e i r a mente acertada, do m e s m o m o d o q u e aquele q u e confiando em si m e s m o q u e pela n a t u r e z a e a prática já está bem equipado, n ã o hesitaria em treinar em c o m p a n h ia dc muitos q u e b e b e m , m o s t r a n d o a d i c i o n a l m e n t e c o m o q u a n t o à v e l o c i d a d e e f o r ç a ele é s u p e r i o r a o p o d e r d a s d o s e s q u e ê i m p e l i d o a b e b e r , r e s u l t a n d o q u e e m f u n ç ã o d e s u a excelência ele n e m c o m e t e qualquer i m p r o p r i e d a d e grave n e m perde sua cabeça, c é q u e m , antes da última rodada, é capaz de deixar os convivas graças ao m e d o da derrota infligida a todos os h o m e n s pela taça de vinho.

99

Platão - As Leis
Clínias: Sim, estrangeiro. Um tal h o m e m seria s á b i o

assim agindo. 0 ateniense: U m a v e z m a i s c u m p r e q u e n o s d i r i j a m o s ao legislador e d i g a m o s : " Q u e a s s i m seja, ó legislador, q u e p a r a combater m e d o u m a tal droga n ã o t e n h a apar e n t e m e n t e sido concedida aos h o m e n s por u m deus, n e m n ó s m e s m o s a i n v e n t a m o s (pois n ã o se e n c o n t r a m m a g o s e n t r e n o s s o s c o n v i v a s ) ; p o r é m e f e t i v a m e n t e existe u m a poção p a r a induzir à ausência do m e d o e a u m a c o n f i a n ç a excessiva e i n t e m p e s t i v a - ou o q u e d i r e m o s acerca disso?" Clínias: E p r e s u m í v e l q u e e l e a f i r m a s s e q u e e x i s t e u m a , a saber, o vinho. 0 ateniense: E n ã o é e s t e e x a t a m e n t e o o p o s t o da p o ç ã o d e s c r i t a há p o u c o ? Afinal p r i m e i r o ele t o m a a p e s s o a q u e o b e b e m a i s jovial do q u e e r a a n t e s e «pranto m a i s ela o saboreia, m a i s se enche de belas e s p e r a n ç a s e de um senso de poder, até q u e finalmente estufado de pre'...CTCKJKX; t o v U E O T O U T a i . . . . Mpklo de sim snliedonia, ai rjuisOBitos esta* wnis (iKówmos fio UmMaài. f) km. r. «íiiamciití! («ósif.o, fido («'líaiiitoi o
(MICIUQÕO
IJNÍ

sunção, *

ela explode n u m a completa liberalidade de

discurso e ação e toda o r d e m de ousadia, sem q u a l q u e r e s c r ú p u l o q u a n t o a o q u e diz o u faz. T o d o s , i m a g i n o , concordariam q u e assim é. Clínias: Indubitavelmente. R e c o r d e m o s de n o s s a a f i r m a ç ã o an-terior,

O ateniense:

oo

segundo a q u a l temos q u e cultivar em nossas a l m a s d u a s coisas, a saber, a m a i o r confiança possível, e seu oposto, o m a i o r m e d o possível. Clínias: O ( p i e c o n s í d e r a s t e c o m o a s m a r c a s d o p u d o r , me parece. O ateniense: T u a m e m ó r i a é p a r a t i u m a e f i c i e n t e s e r v a .

(•orffi. («.(.)

. . . A V Õ P T A V

Kai

T R | V

Visto q u e a c o r a g e m e o d e s t e m o r * ' t ê m q u e ser praticados em meio aos medos, é mister que e x a m i n e m o s se a q u a l i d a d e oposta deve ser cultivada cm meio a condições do tipo oposto. Clínias: I s t o s e m e a f i g u r a c e r t a m e n t e p r o v á v e l . O ateniense: em meio Parece, e n t ã o , q u e d e v e m o s ser c o l o c a d o s àquelas circunstâncias que tendem

a<j>o(3iav....

{«.tj

n a t u r a l m e n t e a nos t o r n a r excepcio n a l m c n t e confiantes e a u d a c i o s o s q u a n d o e s t a m o s às voltas com a prática d e c o m o e s t a r o m a i s livre possível d a i m p u d ê n c i a e d a a u d á c i a excessiva, e t e m e r o s o s de em q u a l q u e r ocasião o u s a r dizer, sofrer o u fazer q u a l q u e r coisa v e r g o n h o s a .

1 0 0

Livro I
Clínias: Assim parece.

0 ateniense: E n ã o s ã o e s t a s a s c o n d i ç õ e s n a s q u a i s n o s e n q u a d r a m o s n o s s e n t i m e n t o s j á d e s c r i t o s , o u seja, cólera, desejo sensual, ínsolência, ignorância, cobiça e prodig a l i d a d e , b e m c o m o r i q u e z a , beleza, vigor e t u d o o m a i s q u e inioxii a u m i n d i v í d u o d e p r a z e r e l h e t r a n s t o r n a a cabeça? E t e n d o em mente, em p r i m e i r o lugar, a disponib i l i d a d e d e u m teste b a r a t o c r e l a t i v a m e n t e i n ó c u o p a r a essas condições ou s e n t i m e n t o s e, em s e g u n d o lugar, p u r a prover a s u a p r á t i c a , q u e e x p e d i e n t e m a i s a d e q u a d o p o d e r í a m o s n ó s i n d i c a r d o q u e o v i n h o , e s t e teste d i v e r t i d o ( « m a n t o q u e fosse e m p r e g a d o c o m t o d o o c u i d a d o ? Pois reflete n o
CASO

d e se t e s t a r u m c a r á t e r difícil e s e l v a g e m

(do q u a l e m e r g e m i i i i q ü i d a d e s s e m conta); n ã o é m a i s perigoso testá-lo e n t r a n d o e m t r a n s a ç õ e s q u e envolvem d i n h e i r o consigo, sob o próprio risco pessoal, do q u e se a s s o c i a n d o a ele c o m a a j u d a de Dionísio d e n t r o de seu e s p í r i t o festivo? E q u a n d o u m a a l m a ' * * é escrava dos p r a z e r e s do sexo, n ã o s e r á teste m a i s a r r i s c a d o confiar a ela n o s s a s p r ó p r i a s filhas, filhos e esposa, p o n d o em perigo aqueles q u e n o s s ã o m a i s p r ó x i m o s e m a i s c a r o s a fim d e a v e r i g u a r a d i s p o s i ç ã o d e tal a l m a * * * ? N a v e r d a d e , p o d e r í a m o s citar i n ú m e r o s exemplos n u m desnecessário e m p e n h o d e d e m o n s t r a r a total s u p e r i o r i d a d e d e s s e d i v e r t i d o m é t o d o de i n s p e ç ã o , q u e é isento seja de conseq ü ê n c i a s s é r i a s , seja d e d a n o s custi isos. R e a l m e n te, n o q u e c o n c e r n e a isso, n e m o s c r e t e n s e s , s u p o n h o , n e m q u a l q u e r o u t r o p o v o c o n t e s t a r i a m o fato q u e d i s p o m o s n e s t e c a s o d e u m excelente teste p a r a t e s t a r m o s u n s aos outros, e q u e no q u e diz respeito à m o d i c i d a d e , segurança e rapidez trata-se de um teste s u p e r i o r a q u a i s q u e r o u t r o s . Clínias: Isto é c e r t a m e n t e v e r d a d e i r o . Isso, por conseguinte, quer dizer, a d e s c o * * • vjcdíirt-íic em mente n

concerto dc V|/U^r|, oo qiioP
jó MS v^iaimos cm noto pücecdcnlc. („.(.)

O ateniense:

berta das naturezas e disposições das a l m a s h u m a n a s se revelará c o m o u m a d a s coisas m a i s úteis p a r a a arte cuja i n c u m b ê n c i a é d e l a s tratar. E esta a r t e é ( c o m o p r e s u m o q u e o diríamos), a política, n ã o é mesmo? Clínias: N ã o há dúvida.

101

Platão - As Leis
T o ôr| uetqt x o u x o , coç e o v k c , a K e i x x e o v e k e i v o n s p i

a u t t ú v , r c o x e p a x o o x o p o v o o a y a f l o v e%ei,...

Livro II

102

Livro II
* ©u sejft, o d f s fconqueíes

O ateniense:

A

s e g u i r , p r o v a v e l m e n t e d e v e r í a m o s investi-

negados a tinto, (n.tj

gar, r e l a t i v a m e n t e a e s t e a s s u n t o , s e a d e s c o b e r t a d a s d i s posições n a t u r a i s h u m a n a s constitui a ú n i c a v a n t a g e m q u e se pode extrair dos b a n q u e t e s em q u e se passa o tempo t o m a n d o vinho ou se estes trazem benefícios tão grand e s q u e m e r e ç a m o nosso meticuloso e x a m e . O q u e dizerm o s acertai disto? N o s s a l i n h a d e r a c i o c í n i o e v i d e n t e m e n te tende a indicar q u e efetivamente trazem tais benefícios. M a s s o b q u e f o r m a e d e q u e m a n e i r a , é o q u e n o s c o m p e t e e s c u t a r a t e n t a m e n t e , ( a s o c o n t r á r i o essa n o s s a lin h a d e r a c i o c í n i o m e s m a p o d e r i a n o s f a z e r perdia- o r u m o . Clínias: P o i s b e m ! 0 ateniense: Fala! que relembrássemos a q u e l a nos-

• • ... rjipovnmv 5 e tem aXiiOeiç 8 o E , a ç . . . . Mssnftondo que a X q O c i a
(nadado) não «iMraponoV ontanrate oo conceito ocirfetttaC moderno do t«w'o do confcwiwnto (o tmtma ftjira entuf. o objeto «ogncscíueü (KSffibido çnipiíicotiietito e n pwpraiçoo tcó/iico emitido pejo .'ajeito o «ospeito do objeto eonkeido). o que nõo tèfcm PssewsoíWiilc da « ç õ o uiígo/i e. enwítn de ee.td/ide. rpe te», o pnopósiln, ^«domonto {íPosélioo: JfiôKjidn dig que (oi Ayr ri fseolh mas uno (ei. isto ó, a («oposição omitido po* efe, rio digoi ò meie que ^oi nõo oow^ipoflde o um fato (enipiw,omríito eooiptóiuodnj de.

Gostaria

sa d e f i n i ç ã o da c o r r e t a e d u c a ç ã o , visto q u e a preservação desta depende, pelo q u e s u p o n h o agora, do acertado estabelecimento da instituição em pauta. • Clínias: E i s u m a a f i r m a ç ã o d c m o n t a ! O ateniense: O q u e a f i r m o é o s e g u i n t e : q u e q u a n d o c r i a n ças as p r i m e i r a s sensações pueris a serem e x p e r i m e n t a d a s s ã o o p r a z e r e a d o r , e q u e é s o b essa. f o r m a q u e a v i r t u d e e o vício s u r g e m p r i m e i r a m e n t e na a l m a ; m a s no q u e r e s p e i t a à s a b e d o r i a e às o p i n i õ e s v e r d a d e i r a s • • e s t a b e l e c i d a s , u r n s e r h u m a n o s e r á feliz s e e s t a s o a l c a n ç a r e m m e s m o na velhice, e a q u e l e q u e é d e t e n t o r dessas b ê n ç ã o s , e de t u d o q u e a h a r c a m , é de fato um h o m e m p e r f e i t o . E n t e n d o a s s i m p o r educação a p r i m e i r a a q u i s i ç ã o q u e a c r i a n ç a fez d a v i r t u d e . Q u a n d o o p r a z e r , o amor,*
, #

te» ido. ÁÀqB-nÇ . o
«doíieko, ptfo (Síitiioftyjo da poítari, c o imofsqimrío, o lão-miàatío. o ivrmi^o r nrfiiki que não se jietden. npavcr.íoíido- se. ossim, tnois oo eotiWto moderno de nenfidade elo que doqiirfr. de aetdnde, qw aemwta o dieotoniio i ^ d o dei,(f.íjfl5so p«escnl<> na fórjirw, que t o instiüiiifiifo do gnoseofogio. 9, po» isso que <i p r e s s ã o np/eiões' widodnims nos soo es(;tni4n. me*\mo pesque, r ip.compotMiP com o eoiieepefio (tiiiiiotiisto do ^ifriscjío modrwn it sutijolitidode. e objctiifdndíi. (n.t.) * * • (|>t/Ua, que abrange tOBrXW $rm conceito dr, owigode. mets distinto de Kpoç w tyiwç fnmr* erasuof) e OtyttJtu, (coticeiio fwm jjmíímo do Patim emi/aq- (n.l.)

a dor e ódio nascem com justeza n a s a l m a s

a n t e s d o d e s p e r t a r d a r a z ã o , e u m a vez a r a z ã o d e s p e r t a , o s s e n t i m e n t o s s e h a r m o - r i i z a m c o m ela n o r e c o n h e c i mento de q u e t i r a m b e m treinados pelas práticas adeq u a d a s c o r r e s p o n d e n t e s , e essa h a r m o n i z a ç ã o , vista como um todo. constitui a virtude; rnas a parte dela q u e é c o r r e t a m e n t e t r e i n a d a q u a n t o a o s p r a z e r e s e o s sofrim e n t o s , de m o d o a o d i a r o q u e deve ser o d i a d o d e s d e o início até o fim, c a m a r o q u e deve ser a m a d o , esta á a q u e l a q u e a razão isolará para denominá-la educação, o q u e é , a r n e u ver, d e n o m i n á - l a c o r r e t a m e n t e . Clínias: E s t á s , p e l o q u e n o s p a r e c e , i n t e i r a m e n t e c e r t o , estrangeiro, tanto q u a n t o no q u e disseste antes como no q u e agora profcrisle sobre o educação.

103

Platão - As Leis
O ateniense: Ó t i m o . E p r o s s e g u i n d o n o t a r e m o s q u e es-

sas formas dc t r e i n a m e n t o infantil, q u e consistem na correta disciplina dos prazeres e das dores, se afrouxam e se debilitam n u m a g r a n d e m e d i d a ao longo da vida h u m a n a : assim, os deuses, c o m p a d e c i d o s pela espécie h u m a n a deste m o d o nascida p a r a a miséria, instituíram os banquetes dc ação de graças como períodos de trégua em relação às vicissitudes h u m a n a s ; e à h u m a n i d a d e conferiram como companheiros de seus banquetes as Musas, Apoio, o mestre da m ú s i c a c Dionísio p a r a q u e p u d e s s e m , a o m e n o s , restabelecer s u a s f o r m a s d e disciplina se reunindo em seus banquetes com os deuses. Devemos considerar, portanto, se o a r g u m e n t o q u e apresentamos neste m o m e n t o tem fundamento na natureza ou d i f e r e n t e m e n t e . O q u e ele assevera é q u e , q u a s e s e m exceção, t o d o s os i n d i v í d u o s jovens s ã o i n c a p a z e s de cons e r v a r seja o c o r p o seja a l í n g u a imóveis, e s t a n d o tais jovens s e m p r e p r o c u r a n d o i n c e s s a n t e m e n t e s e m o v e r e m e gritarem, s a l t a n d o , p u l a n d o e se d e l i c i a n d o com d a n ç a s e jogos, a l é m d e p r o d u z i r e m r u í d o s d e t o d o n a i p e . Ora, e n q u a n t o todos os outros a n i m a i s carecem de qualq u e r senso de o r d e m ou desordem nos seus movimentos (o q u e c h a m a m o s de r i t m o c h a r m o n i a ) , a nós os próprios deuses, q u e se prontificaram c o m o já o dissemos em ser nossos companheiros na d a n ç a , concederam a agradável percepção do ritmo e da harmonia, por meio do q u e n o s fazem n o s mover e c o n d u z i r nossos coros, de m o d o que. n o s ligamos m u t u a m e n t e m e d i a n t e c a n ç õ e s e d a n ç a s ; e o n o m e c o r o p r o v é m d o j ú b i l o q u e d e l e extraí• Sklt) sc áwiiwtnos Xopoç de %apa, júbito. (fi.í.) mos. • D e v e r e m o s n ó s a c e i t a r esse a r g u m e n t o p a r a term o s com o q u e começar, e postular q u e a e d u c a ç ã o deve s u a o r i g e m a A p o i o e às M u s a s ? Clínias: O Sim. Poderemos supor que o homem não-

ateniense:

e d u c a d o n ã o conta c o m o treinamento nos corais e q u e o e d u c a d o conta inteiramente, com tal treinamento? Clínias: Certamente. todo,

O ateniense: O t r e i n a m e n t o n o s c o r a i s , c o m o u m inclui, é claro, t a n t o a d a n ç a q u a n t o as canções. Clínias: N ã o há dúvida.

O ateniense: E p o r t a n t o o h o m e m b e m e d u c a d o terá a capacidade tanto de cantar quanto de dançar bem.

104

Livro II
Clínias: Evidentemente.

O ateniense: C o n s i d e r e m o s a g o r a o q u e s u g e r e e s s a n o s s a última Clínias: afirmação. Que afirmação?

0 ateniense: N o s s a s p a l a v r a s s ã o : " e l e e a n t a b e m e d a n ç a b e m " - d e v e m o s o u n ã o d e v e m o s a j u n t a r : *... c o n t a n to q u e cante belas canções e d a n c e belas danças"? Clínias: P e n s o q u e d e v e m o s a j u n l a r i s s o . O ateniense: E s e , t o m a n d o o b e l o p e l o b e l o , e o feio p e l o feio e l e o s e n c a r a r s e g u n d o e s t e c r i t é r i o ? C o n s i d e r a r e m o s u m tal indivíduo c o m o m e l h o r t r e i n a d o nos corais e na m ú s i c a q u a n d o se revela s e m p r e c a p a z tant o n o s gestos c o m o n a voz d e r e p r e s e n t a r a d e q u a d a m e n te a q u i l o q u e c o n c e b e ser belo, e m b o r a n ã o sinta n e m o deleite na beleza, n e m o ódio da disforrnidade - ou q u a n do, omito e m b o r a n ã o plenamente capaz de representar s u a c o n c e p ç ã o a c e r t a d a m e n t e m e d i a n t e a voz e os gestos, ele a i n d a a s s i m s e m a n t é m g e n u í n o etn seus sent i m e n t o s dc d o r e prazer, a c o l h e n d o t u d o q u e é belo e repelindo t u d o q u e n ã o é belo? Clínias: H á u m a e n o r m e d i f e r e n ç a e n t r e o s d o i s c a s o s , estrangeiro, no q u e diz respeito à educação. O ateniense: S e , e n t ã o , n ó s t r ê s d i s c e r n i m o s n o q u e c o n siste a b e l e z a r e l a t i v a m e n t e à d a n ç a e à c a n ç ã o , t a m b é m saberemos discernir entre q u e m é e q u e m n ã o é c o r r e t a m e n t e e d u c a d o ; m a s sem este c o n h e c i m e n t o n u n c a s e r e m o s c a p a z e s de discernir se existe q u a l q u e r salvaguarda p a r a a e d u c a ç ã o ou o n d e ela d e v e ser cn contrada. N ã o é assim? Clínias: E. •*... KOU ueAx>Ç K t t l ojõr|v kcu opxnotv.,
1

muno hadiupa mono : fliiw. ... a mfadin mm a canção <' fí dança- (n.t.j avoptKnc ¥ t ' x n ç - > 'wp'"' « tdaàtfpmpki « « « ( ( u n i e flVi (HrHifdfillíflWí f-OJti (i
1

O ateniense: O q u e t e m o s q u e l o c a l i z a r n a s e q ü ê n c i a , c o m o cães no rastro da caça, são a beleza d a s posturas c d a s mel o d i a s em c o n e x ã o c o m a c a n ç ã o c a d a n ç a ; * • se n o s perd e r m o s n e s t a b u s c a será i n ú t i l c o n t i n u a r m o s a d i s c u t i r sob r e a c o T r e t a e d u c a ç ã o , s e j a d e gregos o u d e b á r b a r o s . Clínias-, Sim.

hmm. 'Vtmt '"Pínlôr. e os rpegos u oo^on/!íw f, umo uiítiif/í' woíuüiito f
nwKO/IIRMKIIITE

O ateniense: B e m , e n t ã o c o m o d e f i n i r a beleza da p o s t u r a ou da m e l o d i a ? Vejamos: q u a n d o u m a a l m a viril * • * é a t i n gida por transtornos e u m a alma covarde é atingida por t r a n s t o r n o s idênticos e iguais, s ã o as p o s t u r a s e expressões vocais d a í resultantes s e m e l h a n t e s n o s dois casos?

iviowuftno, do (n.t.)

quoí o-: awfttSH» soo mhwhimk üwopfigco-

105

Platão - As Leis
• X P C O U . A (e« rfn pek:

Clínias: E c o m o p o d e r i a m s e r s e a t é s u a s c o r e s * d i f e r e m ? O ateniense; M u i t o b e m d i t o , m e u a m i g o . M a s r e a l m e n t e embora posturas e melodias existam efetivamente na m ú s i c a , • • a q u a l envolve ritmo e h a r m o n i a , de m a n e i r a q u e se p o d e falar a p r o p r i a d a m e n t e de u m a melodia ou p o s t u r a c o m o s e n d o rítmica o u harmoniosa, n ã o s e p o d e apropriadamente aplicar a m e t á f o r a bem colorida dos m e s t r e s d e c o r o à m e l o d i a e à p o s t u r a ; n o e i i i a n to, p o d e se u s a r essa expressão a respeito da p o s t u r a e m e l o d i a do h o m e m corajoso e do covarde, sendo a p r o p r i a d o c h a m a r as do h o m e m corajoso de belas, e as do covarde d e feias. E p a r a n o s p o u p a r u m a d i s c u s s ã o t e d i o s a m e n t e longa, r e s u m a m o s t o d o o assunto a f i r m a n d o q u e as posturas e as melodias q u e se v i n c u l a m à virtude da alma ou do corpo, ou a alguma imagem deste, são universalmente belas, enquanto q u e aquelas que se v i n c u l a m ao vício, s ã o e x a t a m e n t e o c o n t r á r i o . Clínias: O q u e p r o p õ e s e s t á c o r r e t o , e n ó s d e m o m e n t o formalmente o endossamos. O ateniense: U m o u t r o p o n t o : e x p e r i m e n t a m o s o m e s m o p r a z e r em todas as d a n ç a s c o m coral • • • ou longe disto? Clínias: D e f a t o , b e m l o n g e d i s s o . O ateniense: Então o q u e poderíamos nós supor q u e nos

gpjcdfoaweiifc, cai) sigrtjíen tombe» modnCaçâo, deeifjBOftdo ignafeierte um tipo dc composição nwsicnJ ei» que sc pnoeede [>o» sctnitoiis - a clamado «feten mmálica. \Aima\&, o (ifJjcfluo
% p u ) l i a t l K O Ç sc, ,M!JB»f!

tfinío o iiinri gamo cie cones como a nino gomo iwisiool (o jamoso oitava de 'Pitógosas, o escalo fiuKicnP). (tii.)

•• poucjucoç (r), OV)
é o odijctii'0 que indica «s adies que eoneeinem às •m especialmente o

música. Mm é acftessáíin que nos p/iendaraos ao conceito do g«:go, ou sejo. po.to os Menos a música não ffio distinta da dama

(opxriatç, opXTioxoç),
comfweetiaWo-a além. da (mano que itiefcín, fio» sua wg, o ncotnpaníiamento instatneslaf {designados como ü)6t]). (jt música e,»a pfeetttoda índitldualtMinta {aoÀà) ou po/i g/mpas

Induz ao erro? S e r á o fato de q u e n ó s t o d o s n ã o v e m o s c o m o b e l a s a s m e s m a s c o i s a s , o u s e r á o fato d e q u e , e m bora elas sejam as m e s m a s , n ã o são p e n s a d a s corno as mesmas?. . . pois c e r t a m e n t e n i n g u é m sustentará q u e as a p r e s e n t a ç õ e s corais d a n ç a n t e s d o vício são m e l h o r e s d o q u e a s d a virtude, o u q u e ele p r ó p r i o d e s f r u t a d a s posturas da m a l d a d e e n q u a n t o todos os outros experimentam p r a z e r c o m a m ú s i c a do t i p o o p o s t o . * * • « A m a i o r i a d a s pessoas, contudo, afirmam q u e o valor da música reside n o s e u p o d e r d e p r o p o r c i o n a r p r a z e r à a l m a . E s t a afirm a ç ã o , entretanto, é a b s o l u t a m e n t e inaceitável e u m a i m p i e d a d e o m e r o a t o d e p r o f e r i - l a . O fato q u e n o s i n d u z ao erro é c o m m a i o r p r o b a b i l i d a d e o seguinte.,. Clínias: Qual?

(xopeia) e na músico
assim entendida a posliun

(oxr||ia) digia ««peito
ao daneaiino ou dança/iinn

(opxricJTpiç). e a melodia ( u e ^ o ç ) oo cantai ou oanfofto (toôoç). (n.t.) O ateniense: V i s t o q u e a s a p r e s e n t a ç õ e s c o r a i s d a n ç a n tes s ã o r e p r e s e n t a ç õ e s d e p e r s o n a g e n s , e x i b i d a s m e d i a n te ações e circunstâncias de Ioda espécie, n a s q u a i s os

106

Livro II
vários intérpretes d e s e m p e n h a m seus papéis por hábito e arte intitativa, s e m p r e q u e as apresentações corais se lhes a d e q u a m p o r meio de palavras, melodia ou outros a s p e c t o s (seja p o r p e n d o r n a t u r a l , s e j a p o r h á b i t o , o u a p a r t i r d e u m a c o m b i n a ç ã o destas d u a s causas), esses intérpretes i n v a r i a v e l m e n t e e x p e r i m e n t a m p r a z e r e m t a i s apresentações e as exaltam como belíssimas; p o r outro lado, aqueles que as julgam adversas às suas naturezas, disposições ou hábitos são possivelmente incapazes de extrair p r a z e r delas ou louvá-las. considerando-as, ao c o n t r á r i o , d i s f o r m e s , • • • • • E q u a n d o o s i n d i v í d u o s est ã o certos e m seus gostos n a t u r a i s , m a s e r r a d o s n a q u e l e s a d q u i r i d o s p o r h á b i t o , ou certos nestes m a s e r r a d o s naq u e l e s o c o r r e q u e a t r a v é s de. s u a s m a n i f e s t a ç õ e s d e l o u vor t r a n s m i t e m o oposto do q u e s e n t e m realmente, pois e m b o r a digam q u e u m a apresentação é agradável, po r é m r u i m e se s i n t a m e n v e r g o n h a d o s de c e d e r e m a esses m o v i m e n t o s corporais d i a n t e d e h o m e n s cuja s a b e d o r i a r e s p e i t a m , ou c a n t a r e m certas c a n ç õ e s (como se seriam e n t e a s a p r o v a s s e m ] , n a v e r d a d e d e l a s e x t r a e m [prazer íntima e particularmente. Clínias: I s t o é b e m v e r d a d e i r o . O ateniense: E se segue q u e a q u e l e q u e se c o m p r a z c o m •••••ciPo ponío dc tisto do educação espcoiafmontc, "Tilatõo tem o» oPlíssima conto o ijosmoçòo dos gostos c dos, o*,/isòes, o que dotem um peso {««comente estético. £.'• notoliio o enowtfi apíeeo que os gwgos nhibtiíont ò í>e%o so opondo ei incisiiJn iiepuqnôtifia que lOtoiíoin a dis/jrímidfldc, Poso T(filfío o Manca bem e.dueodo Clínias: E provável. deiifttio se sentiu instintivamente (úmida paio o bofo o eypeíímenfo,! uma fioptifso imediato dinnto, do {ao. .9sto eonduj o umo espécie dfl conjunção o«He o estético o o ético, pois o Mo ooaho se identificando com o bom a o {cio com o mau. A fritam o« wfcitirta do diáíogo :J ''RepiíMíeci \fmmtk oo Peito* p*oeiosos subsídios pawi a cowpjfonsão desso Clínias: Acredito q u e n a d a . quesfõo no domínio do pensamento píotõnieo. (n.l.) 0 ateniense: N ã o s e r á a p e n a s p r o v á v e l m a s i n e v i t á v e l o resultado nesse caso ser e x a t a m e n t e idêntico à q u e l e q u e advém ao h o m e m q u e vivendo segundo os m a u s hábitos de h o m e n s perversos, realmente n ã o os a b o m i n a m a s sim os a c e i t a e c o m eles se c o m p r a z , e m b o r a os c e n s u r e casualmente, como se vagamente ciente dc sua própria p e r v e r s i d a d e ? N u m tal caso é s e g u r a m e n t e inevitável q u e um h o m e m q u e assim se c o m p r a z assimile tais hábitos, b o n s o u r u i n s , m u i t o e m b o r a se, e n v e r g o n h e d e l o u v á - l o s . E não obstante, o q u e haveria de melhor ou pior do q u e essa assimilação a nos acontecer tão inevitavelmente?
L :

• * • % 0 p 8 t a , um outito tetmo o ílqoí intjndugíucC; concebendo n Músico olrtongcndo o danço, t*otota».(: IccaiCíiBienlc do movimento icgiodo pefo .Wduo, consubstanciando o dotiço, atoando ootafuotnonle cm oombineiçõo com o coto. (n.i.) • • • • ... UÁ./.0I evavtta Taurqç Mourrn, t i v i ... . no out»oe apseeiam umo woso oposta a esta. (n.t.)

p o s t u r a s e m e l o d i a s r u i n s sofre q u a l q u e r d a n o e m c o n s e q ü ê n c i a disto, ou q u e a q u e l e q u e tira p r a z e r do oposto obtém q u a l q u e r benefício c o m o resultado?

107

Platão - As Leis
O ateniense: O r a , o n d e l e i s r e l a t i v a s à e d u c a ç ã o m u s i cal e à r e c r e a ç ã o existirem (agora ou no futuro), estabelecidas corretamente, seria de se supor q u e aos poetas fosse o u t o r g a d o o d i r e i t o d e e n s i n a r e m a f o r m a d e r i t m o , m e l o d i a o u letra q u e b e m e n t e n d e s s e m a o s filhos d e c i d a d ã o s ciosos d a lei e a o s j o v e n s n o s c o r o s , n ã o i m p o r t a n d o q u a l seria o resultado no q u e respeita à v i r t u d e o u a o vicio? • <_A despeito dos mePindíes doe íiistoíiodoícs o/itodome, •testa pouquíssima dúwda de que TVolõo tendo eonliccido peesooíWnlc o Sgito e sido uni iniciado nutua de suas Psrofas r/r ^ílisfêios. o4 odniiioçõo e pPcna opftovoeõo que etpmm em íiePação o umo instituição egípcio pcPa dono dc O afrniriisr nõo soo, po/itonto, smp/ieendentes. f) íóluPo de oíeoisino em tuotrâío de poesio e músico, que TUIWioitítjj, pa» evempPo, Píie imputo, embota acertado em ptincípio, c dc pouco eafia do ponto dc Cisto do conteria da jifoeojia poPítieo pPatônieo, já que num fistado eomunisio a Pibctdadc dc es'p,tcs8ào indieiduaP de o/distas e quaisquet outtos cidadãos no que se tcjctc oo inteiicssc comum (no que se inscitc. a n a i ô s i a ) é insustenfá^cC. P, pe;^ei(amenie Pcgífimo e possácP tc£uto,t e ejitica» o conscíÇadatísttio «manjado na base do cisão socioPisto de 'PPotão, mas bastante di^íeiP nc.imii o
mesl/(C da L.irndr/m'0 de

Clínias: C o m t o d a a c e r t e z a i s s o s e r i a i n s e n s a t o . O ateniense: do Egito. Clínias: E eomo é, a propósito, na tua opinião, a E no e n t a n t o atualmente tal direito é

concedido em p r a t i c a m e n t e todos os Estados, à exceção

legislação no Egito (no q u e se refere a esse ponto)? O ateniense: O s i m p l e s e n u n c i a d o d e l a já é a d m i r á v e l .

Parece-me q u e há muito t e m p o a p r e n d e r a m esta regra de q u e estamos falando agora, a saber, q u e os jovens de um Estado devem praticar em seus ensaios boas posturas e b o a s m e l o d i a s . E s t a s f o r a m p o r eles p r e s c r i t a s m i n u c i o s a m e n t e e e x p o s t a s n o s t e m p l o s , s e n d o i n t e r d i t o ( a s s i m foi e a i n d a é ) a o s p i n t o r e s e t o d o s o s d e m a i s c r i a d o r e s d e posttir a s e r e p r e s e n t a ç õ e s i n t r o d u z i r n e s s a lista o f i c i a l q u a l q u e r i n o v a ç ã o o u c o n c e p ç ã o n o v a , seja e m t a i s p r o d u ç õ e s , seja e m q u a l q u e r o u t r o r a m o d a m ú s i c a , q u e afete d e u m a m a n e i r a ou outra as formas tradicionais. Se o examinares, verás q u e a s coisas p i n t a d a s o u e s c u l p i d a s l á h á dez m i l a n o s ( e q u a n d o d i g o d e z m i l a n o s , n ã o s e t r a t a d e força de expressão, m a s de literalidade) n ã o são n e m melhor e s n e m p i o r e s q u e a s p r o d u ç õ e s d e h o j e , m a s s i m confeccionadas com a m e s m a técnica. • Clínias: E admirável!

O ateniense: D i z a i n d a m a i s q u e é d i g n o n o m a i s a l t o grau de um h o m e m de E s t a d o c de um legislador. S e m dúvida, tu e n c o n t r a r á s no Egito outras coisas q u e são reprováveis. M a s essa r e g u l a m e n t a ç ã o d a m ú s i c a const i t u i u m fato r e a l e d i g n o d e m e n ç ã o p e l o q u a l s e revelou possível q u e a s m e l o d i a s d e t e n t o r a s d e u m a exatid ã o c o n f o r m e a n a t u r e z a fossem p r o m u l g a d a s p e l a lei c c o n s a g r a d a s p e r m a n e n t e m e n t e , isto teria sido a o b r a de um deus ou de um homem semelhante a um deus ou m e s m o , como dizem no Egito, q u e as melodias

ineocitêncio. (n.l.)

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Livro II
p r e s e r v a d a s p o r t o d o esse t e m p o são c o m p o s i ç õ e s d e Tsis. A s s i m , c o m o e u a s s e v e r e i , s e a l g u é m a l g u m d i a p u desse captar de algum modo o princípio da exatidão em matéria de melodia, poderia então confiantemente reduzi-lo a u m a forma e prescrição legais, visto q u e a tendência do prazer e da d o r de serem transmitidos const a n t e m e n t e através de música nova n ã o exerceu, afinal, um poder muito g r a n d e capaz de corromper os corais consagrados pelo tempo simplesmente os t a x a n d o de a n t i q u a d o s . No Egito, ao m e n o s , n ã o p a r e c e ter possuído tal p o d e r de c o r r u p ç ã o - aliás, m u i t o pelo c o n t r á r i o . Clínias: P a r e c e s e r e s t e e v i d e n t e m e n t e o c a s o , a j u l g a r pelo q u e a c a b a s t e de dizer. O ateniense: Poderíamos, então, de maneira confiável

descrever o correto m é t o d o na m ú s i c a e n a s festas associadas às d a n ç a s corais nestes termos: regozijamos s e m p r e q u e a c h a m o s q u e e s t a m o s p r o s p e r a n d o , e viceversa, sempre q u e regozijamos a c h a m o s q u e estamos prosperando? Não é assim? Clínias: Sim, é assim.

O ateniense: E q u a n d o e s t a m o s n e s s e e s t a d o d e r e g o z i j o somos incapazes de permanecer em repouso. Clínias: E verdade. E também não é verdade que enquanto

O ateniense:

n o s s o s j o v e n s t ê m efetiva d i s p o s i ç ã o p a r a d a n ç a r , n ó s , os velhos, a c h a m o s q u e nos convém mais empregar nosso t e m p o a o b s e r v á - l o s , felizes c o m s e u s jogos e s u a s festas, a g o r a q u e n o s s a ligeireza n o s está a b a n d o n a n d o ; e é n o s s o s e n t i m e n t o de p e s a r em r e l a ç ã o a isso q u e n o s faz p r o p o r t a i s c o n c u r s o s p a r a a q u e l e s q u e s ã o r a pazes de melhor despertar em nós por meio da recordação as emoções latentes da juventude. Clínias: O Isto é b a s t a n t e v e r d a d e i r o . Assim não podemos descartar como

ateniense:

completamente destituída de f u n d a m e n t o a opinião a t u a l m e n t e de o r d i n á r i o e x p r e s s a a r e s p e i t o do folião, ou seja, que aquele que é o m a i s c a p a z de nos p r o p o r c i o n a r alegria e p r a z e r d e v e r i a ser j u l g a d o o m a i s hábil e p r o c l a m a d o o vencedor, pois desde q u e nos p e r m i t i m o s a diversão em tais ocasiões, decerto a m a i o r

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Platão - As Leis
• paycuôia,
genffliiMWjtfe mítação A tirn pamt, es[**!$car»(*l/!. «citação dc «m |w:ma «f*o. (wCfiwa designaia lambem de modo genético o p-tópsio poewa, e e.<í)>fri|í(V:niwiite o (im«ci épico. Cl patfraôoç ({fenfaenfe oqmk que ajusta miifcv) Via m cantai iwda/iilfc que «siiaio eidades: sucessiias .wütando | « m a s . pjiitcípaftíictile | « i w i c <piw. e onhe estes poífioiuWwte os do maio» poeto épien da antiga Q/iéniíi, 'tjfelnftio. (lü.) *•... Ki0ap«Ôiav.... h o n r a e os louros da vitória, como acabei de dizer, d e v e r i a m s e r c o n c e d i d o s a o c o n v i v a e f o l i ã o c a p a z de. produzir a maior diversão ao maior n ú m e r o de pessoas. N ã o é esta a p o s i ç ã o a c e r t a d a e. t a m b é m o m o d o a c e r t a d o d e a ç ã o , s u p o n d o q u e fosse l e v a d o a c a b o ? Clínias: Talvez.

O ateniense: M a s , m e u c a r o s e n h o r , n ã o d e v e m o s d e c i d i r este a s s u n t o a p r e s s a d a m e n t e , e sim pelo contrário analisá-lo por inteiro, e x a m i n a n d o - o de u m a m a n e i r a c o m o a s e g u i n t e ; s u p õ e q u e u m h o m e m fosse o r g a n i z a r u m a competição, sem qualificá-la como de ginástica, musical ou eqüestre; e s u p õ e q u e ele devesse r e u n i r t o d a a p o p u l a ç ã o do Estado, e p r o c l a m a n d o que se t r a t a p u r a m e n t e de u m a c o m p e t i ç ã o p a r a o p r a z e r de todos da q u a l , q u e m o deseje, p o d e p a r t i c i p a r , ofereça um prêmio ao participante que proporcionar mais entretenimento aos espectadores do concurso - sem q u a l q u e r restrição aos métodos empregados - e que exceda a todos os outros na concretização de tal coisa no m a i s alto g r a u possível, s e n d o julgado veucedor aquele que produz mais prazer entre todos os competidores. Qual seria, segundo nossa conjetura, o efeito d e u m a tal p r o c l a m a ç â o ? Clínias: Q u e r e s d i z e r e m r e l a ç ã o a o q u e ? O ateniense: Naturalmente haveria alguém que

© KiOapaoiooç o» n
locado* dc citam; o adjeliiso

KlOttpOJÔiKOÇ SC .v(mn
à mie. daquele que emiava mm o acotnpanliaiMRbi iristawcntaí da citam. (n.(.)

• • • tpaycoôia,
ftf&iaft»«[c canto rio Me, pois atígiiiaftimik: {oi um canto Hêtftm intogwintc dos fpiim de P,aeo que c/<n mloado duAanle a imotaçõo dc um Me
c

apresentaria, como Homero, u m a rapsódia*, outro que apresentaria u m a canção de citara,* * um outro u m a tragédia*** e um outro ainda, urna comédia; nem nos surpreenderia, tampouco, que alguém chegasse, a i m a g i n a r q u e t e r i a a m e l h o r d a s c h a n c e s de g a n h a r com um espetáculo de marionetes. Desta m a n e i r a , e n t r a n d o estes e m i l h a r e s de outros em tal competição, poderíamos nós dizer quem se sagraria vencedor? Clínias: Tua pergunta é estranha•••• • pois q u e m

(xpayoç).

Qpiiaicamenle o

significado é dc um eanlo ou étm k/ióieo: mais

pOlttio.u(!a*f)tenlo se. wff.ie o uma encenação lealíaí fetóien eie (fcaJBB» in^iPig e dcsasbioso, daí as harpéacde físquiíb e fiójocfei (cs giiandcs poetas taógioos giegos) fi de fifcifrespeo.te, (n.l.)

poderia respondê-la c o m conhecimento de causa antes de ter o u v i d o c a d a u m d o s c o m p e t i d o r e s e o p r ó p r i o v e r e d i t o ? 0 ateniense: M u i t o b e m , e n t ã o ! Q u e r e i - * * * * * * vos dê a r e s p o s t a a essa e s t r a n h a p e r g u n t a ? Clínias: Sem dúvida. q u e eu

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Livro II
••••Ktopwòta, O ateniense-. S e o s j u i z e s f o s s e m c r i a n ç a s p e q u e n a s , d a r i a m o prêmio ao apresentador de marionetes, n ã o é mesmo? CUnias: Certamente, Se fossem g a r o t o s m a i s v e l h o s p r e m i a r i a m oiiigiiiaiiameulf; cm(}õo ou OOitfo que SO HOlTOltl às (louças ovewrfofíos oWh(í! os jáníosets e hti/joimsfirig /«/«<? em /1011X1 e/o e/as 'Dionísio
(TETUPOÇ).

O ateniense:

o cômico, e n q u a n t o as mulheres educadas, 03 h o m e n s jovens e, creio, o c o n j u n t o do p ú b l i c o p r e m i a r i a m o trágico. CUnias: E b e m p r o v á v e l , O ateniense: E quanto a nós, h o m e n s velhos, muito

Qene»io,amírf.c

igpktmUtqüh astísficn (leohaC t? Musicai) dc, htm e mais espceiaíVcnte I o » (íc fJMCCjO ou escárnio, d K r o p o ) ô o ç nm 0 canlos que; ítttnp/iofa» as canções dc edflfioto nos {estos dc '•Dionísio; | « f r a i o « . n ( c o dc íiifl«SMi tjoMÍW'0 assa pcifcwa passou a significa»! tanto olofl cômico quanto E v i d e n t e m e n t e nós três não poderíamos ouloíi cômico, (n.t.) • • • • • ' - p f a t ã o etvifMgo o looáliuío A T O T O V , O U seja. aqiitfo que não está iw .seu devido êifjaa. ;_,4ssiw. a coíitcsfação de Climas não indico que a questão do oMniense seja eshanéa no sentido dc se» ohcu/ido ou iMacionot , mas sim que c dosfvhida. (n.t.) • " • • • • C o m o scmpflf, afeitifjise cia dc negiia s« díwqe a Cfíttías, cBpoKadic.fimcrfe a .AkgiCo, c po» a-jos, ceitiio aqui. o owbos; po» oulia fado, não fi. mm seu intesíocuioít OMnoipaP, Cêiiías, inanijosfo'1-sc «'píessondo não apenas suo oscilação ao sím dísciaso, como também «jp.iesenlaiido o ap*oiriçó(> dc uikejih. (n.t.) 0
1

provavelmente experimentaríamos mais prazer ouvindo u m r a p s o d o r e c i t a r a ( l i a d a o u a O d i s s é i a d c H o m e r o , 011 u m d o s p o e m a s d e H e s í o d o e d e c l a r a r í a m o s s e r ele, o rapsodo, sem q u a l q u e r dificuldade, o vencedor. Ora, q u e m e n t ã o seria, a justo título, o v e n c e d o r da competição? Esta é, a p e r g u n t a q u e se c o l o r a a g o r a , n ã o é m e s m o ? CUnias: Sim.

O ateniense:

d e i x a r d e d i z e r q u e a q u e l e q u e foi j u l g a d o o v e n c e d o r pelos de nossa i d a d e seria o justo vencedor, já q u e nossa experiência p a r e c e ser entre os diversos títulos q u e se a p r e s e n t a m a t u a l m e n t e em todos os Estados e lugares o q u e h á d e m a i s excelente. CUnias: Certamente. T e n d o a t é a c o n c e d e r a f a v o r da m a i o r i a

O ateniense:

q u e o critério da m ú s i c a deva ser o prazer; c o n t u d o , n ã o o prazer dc q u a l q u e r indivíduo ordinário, devendo eu, sim. considerar aquela música q u e agrada os melhores indivíduos e os muito bem educados como aproximadamente a melhor, e como absolutamente a melhor se produzir prazer àquele que supera todos os outros em virtude c e d u c a ç ã o . E dizemos q u e os juizes desses assuntos necessitam de virtude p o r q u e é necessário q u e p o s s u a m n ã o só s a b e d o r i a em geral c o m o part i c u l a r m e n t e c o r a g e m , pois o v e r d a d e i r o juiz n ã o deve dar seus vereditos a partir dos ditames da platéia, ncui ceder d e b i l m e n t c ao t u m u l t o da m u l t i d ã o ou à falta de e d u c a ç ã o d e l e p r ó p r i o ; n e m t a m p o u c o , t e n d o ele, t o m a do ciência da v e r d a d e , deverá emitir seu veredito neglig e n t e m e n t e movido pela covardia e a tibiez, falseando com a m e s m a boca c o m a q u a l invocou os deuses

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Platão - As Leis
• fi KpiTT|Ç (julg) dos cottipetiçõps de. tmtítim

q u a n d o pela p r i m e i r a vez t o m o u o assento c o m o juiz, • pois, a f a l a r m o s c o m justeza, o juiz a s s u m e seu posto n ã o como u m discípulo, m a s sim como u m mestre dos espectadores, estando pronto para se opor àqueles q u e l h e s o f e r e c e m p r a z e r de. u m a m a n e i r a i n c o n v e n i e n t e o u e r r ô n e a ( o p o s i ç ã o p o s s í v e l e m f u n ç ã o d e a n t i g a l e i lielò n i c a ) , fj q u e , i n c l u s i v e , é o q u e f a c u l t a a lei v i g e n t e tia Sicília e na Itália, a q u a l ao confiar a d e c i s ã o do p r e m i a do a o s e s p e c t a d o r e s p e l o voto destes m e d i a n t e o erguim e n t o d a s m ã o s n ã o s ó c o r r o m p e u o s p o e t a s (visto q u e adaptam suas obras ao precário p a d r ã o de prazer dos juizes, o q u e significa q u e os e s p e c t a d o r e s é q u e são os mestres dos poetas), como t a m b é m degradou os prazeres da platéia, pois se d e v i a m estar a p r i m o r a n d o seu p a d r ã o de prazer ouvindo a personagens superiores aos s e u s , o q u e fazem a g o r a exerce p r e c i s a m e n t e o efeito oposto. Qual, então, é a conclusão o ser retirada deste exame? E esta, supões? Clínias: Qual?

empomín

(yuuvaotiKOç)

bem como dos ctmmm
I W M i S (flOUCTlKOÇJ.

pMbM. «w» todo» os
mofjrslíados do ê s f o d o . um jmomta mvpmaplmdo-w
RAIOS

a

desempenha,

jutiçÃcs «otw

eibso&íta ftxuw. («.(.)

O ateniense: E s t a é , s u p o n h o , a t e r c e i r a o u q u a r t a v e z q u e nosso discurso descreveu um círculo e retornou a este m e s m o p o n t o , a saber, q u e a e d u c a ç ã o é o processo de a t r a i r e o r i e n t a r c r i a n ç a s r u m o a esse p r i n c í p i o q u e é p r o n u n c i a d o c o m o c o r r e t o p e l a lei e c o r r o b o r a d o c o r n o v e r d a d e i r a m e n t e c o r r e t o p e l a e x p e r i ê n c i a d o s m a i s velhos e dos m a i s justos. Assim p a r a q u e a a l m a da crianç a p o s s a n ã o s e t o r n a r h a b i t u a d a a e x p e r i m e n t a r sofrim e n t o s e p r a z e r e s q u e c o n t r a r i e m a lei e a q u e l e s q u e a c a t a m a l e i , m a s s i m e m c o n f o r m i d a d e c o m e l a , experimentando prazer e dor c o m as m e s m a s coisas q u e o h o m e m velho, por essa razão d i s p o m o s daquilo q u e c h a m a m o s d e cantos, q u e e v i d e n t e m e n t e são n a reali" . . . w o a ç KfjAooucv,
OVTWÇ p x v KítOÔai ..., can/cvi, que nídciiíemenfc são na

d a d e e n c a n t a m e n t o s • * seriamente concebidos p a r a produzir nas almas aquela conformidade e harmonia a que n o s referimos. M a s visto q u e a s a l m a s d o s jovens s ã o i n c a p a z e s de s u p o r t a r o sério estudo, nós os c h a m a m o s d e jogos c cantos e o s u s a m o s c o m o t a i s , c o m o c o m o s enfermos e de s a ú d e precária: as pessoas encarregadas de sua a l i m e n t a ç ã o tratam de lhes servir o q u e é sadio em a l i m e n t o s e b e b i d a s a g r a d á v e i s , e o q u e n ã o é sa dio, ao contrário, sob formas desagradáveis, de sorte

mfidade

/«wá?
(«.(.)

iiirígimft.

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Livro II
que possam formar o hábito acertado de aprovar um t i p o c a b o m i n a r o o u t r o . Dc, m a n e i r a a n á l o g a , n o q u e diz respeito ao trato do poeta, o b o m legislador o persuad i r á - ou o c o m p e l i r á - c o m s u a b e l a e louvável l i n g u a gem a retratar por m e i o de seus r i t m o s os gestos, e p o r meio de suas harmonias as melodias de homens que são m o d e r a d o s , corajosos e b o n s em todos os aspectos, daí compondo corretamente os poemas. Clínias: P o r Z e u s , e s t r a n g e i r o . . . a c r e d i t a s q u e e s s a é a m a n e i r a de c o m p o r poesia a t u a l m e n t e nos outros Estados? Dentro do q u e eu m e s m o posso observar, ignoro q u a i s q u e r p r á t i c a s tais c o m o e s t a s q u e descreves salvo em m e u p r ó p r i o país e na Lacedemônia. listou ciente, e n t r e t a n t o , d o q u e n o v i d a d e s e s t ã o s e n d o s e m p r e introduzidas na d a n ç a c cm todas as outras formas da música, a l t e r a ç õ e s q u e s e d e v e m n ã o à s leis, m a s s i m a gost o s d e s o r d e n a d o s , q u e b e m longe, d e s e r e m c o n t i n u a m e n t e u n i f o r m e s e estáveis - c o r n o e x p l i c a s ern r e l a ç ã o ao Egito - não são uniformes jamais. O ateniense: D i s s e n t e b e m , ó Clíniasl M a s , c o n t u d o , se, a t i p a r e c e u q u e e u d i s s e q u e a s p r á t i c a s à s q u a i s te. referiste estão h o d i e r n a m e n t e e m uso, m u i t o provável m e u t e t e u e r r o foi g e r a d o p o r m i n h a p r ó p r i a f a l h a d e e x p r i m i r o que, eu q u e r i a d i z e r c o m c l a r e z a ; é provável q u e eu t e n h a expresso m e u s próprios desejos relativamente à m ú s i c a d c u m a t a l m a n e i r a q u e m e i m a g i n a s t e exp r e s s a n d o fatos p r e s e n t e s , D e n u n c i a r coisas q u e s ã o i r r e m e d i á v e i s , e n a s q u a i s o e r r o foi d e m a s i a d o l o n g e , 6 u m a i n c u m b ê n c i a n a d a agradável, a despeito dc ser por vezes n e c e s s á r i a . E a g o r a que, tu p a r t d h a s da m e s m a o p i n i ã o a respeito dessa matéria, me diz: afirmas q u e tais práticas são mais c o m u n s entre os cretenses e os l a c e d e m o n i o s d o q u e entre o s d e m a i s gregos? Clínias: Certamente. Supõe, desta feita, que passariam a ser

O ateniense:

t a m b é m comuns entre os dentais. Diríamos que assim seria m e l h o r do q u e o é agora? Clínias: O melhoramento seria i m e n s o se, a s coisas

f o s s e m f e i t a s c o m o s ã o n a m i n h a t e r r a e n a deste, n o s s o amigo, como, ademais, tu m e s m o aeabaste de dizer q u e deveriam.

113

Platão - As Leis
' . . . 7tai6eia
tmísico,
«11Í1O1W KCCI

poucnicn, ... , educação e o contarei tmétom sugõto educação musical!, que c o opção de mim lioPcnistos. (n.t.)

O ateniense: O r a , c h e g u e m o s a um c o n s e n s o s o b r e e s s e a s s u n t o . N ã o é v e r d a d e q u e entre vós no q u e c o n c e r n e à e d u c a ç ã o e a m ú s i c a * o v o s s o e n s i n o é este?... ou seja: v ó s o b r i g a i s o s p o e t a s a e n s i n a r q u e o h o m e m b o m , sáb i o e j u s t o , • • é p r ó s p e r o e feliz, a d e s p e i t o d e s e r g r a n d e o u p e q u e n o , forte o u fraco, rico o u p o b r e , e n q u a n t o emb o r a s e j a m e s m o m a i s a b a s t a d o » d o q u e C i n i r a s e Midas,•*• s e for i n j u s t o , é u m h o m e m d e s g r a ç a d o e vive u m a v i d a m i s e r á v e l . V o s s o p o e t a , • * • • se é q u e se e x p r i m e c o r r e t a m e n t e , diz-, "Eu n ã o g a s t a r i a s e q u e r u m a p a lavra e não teria n e n h u m a consideração pelo homem... q u e s e m j u s t i ç a f i z e s s e o u a d q u i r i s s e t o r l a s a s c o i s a s tid a s p o r b o a s ; " e m a i s u m a vez ele d e s c r e v e c o m o o hom e m j u s t o "... u s a s u a l a n ç a c o n t r a o i n i m i g o à q u e i m a r o u p a , . e n q u a n t o o i n j u s t o n ã o o u s a . . . "olhar o r o s t o d o m o r t i c í n i o s a n g u i n á r i o , ..." n e m t a m p o u c o s u p e r a e m v e l o c i d a d e n a c o r r i d a "...o v e n t o n o r t e d a T r á c i a . . . e n e m t a m p o u c o a i n d a a d q u i r e n e n h u m a d a s o u t r a s c o i s a s den o m i n a d a s boas." Pois as coisas q u e a m a i o r i a denomina b o a s são e r r o n e a m e n t e designadas. Dizem q u e o b e m m a i o r é a saúde, o s e g u n d o a beleza, o terceiro a riqueza; e c h a m a m d e bens i n ú m e r a s o u t r a s c o i s a s - t a i s c o m o a a c u í d a d e visual e a u d i t i v a , e a a g i l i d a d e na p e r c e p ç ã o de todos os objetos dos sentidos; e t a m b é m ser um tirano e fazer t u d o q u e se deseja; e p o s s u i r a t o t a l i d a d e d e s s a s c o i s a s e se, t o r n a r d e i m e d i a t o i m o r t a l - i s t o , c o m o d i z e m , c o n s t i t u i o c o r o a m e n t o e o c l í m a x de t o d a a f e l i c i d a d e . M a s o q u e vós e eu d i z e m o s é isto: q u e t o d a s essas coisas s ã o m u i t o b o a s c o m o posses p a r a h o m e n s q u e s ã o justos c piedosos, p o r é m p a r a os injustos elas são (todas elas, a começar pela saúde) muito ruins; e dizemos, ademais, q u e a visão, a a u d i ç ã o , as s e n s a ç õ e s e m e s m o a p r ó p r i a vida constituem g r a n d e s males p a r a o h o m e m detentor d e t o d o s esses d e s i g n a d o s b e n s , m a s q u e c a r e c e d e justiça e virtude e goza da imortalidade, s e n d o um m a l m e n o r p a r a t a l h o m e m s e sobrevivesse a p e n a s p o r u n i c u r t o p e r í o d o d e t e m p o . I s t o , i m a g i n o , é o q u e vós ( c o m o e u p r ó p r i o j c o n v e n c e r e m o s ou c o m p e l i r e m o s vossos p o e t a s a e n s i n a r , eompelindo-os t a m b é m a e d u c a r vossa juventude suprindo-os c o m r i t m o s e , h a r m o n i a s q u e s e c o a d u n e m c o m esse e n s i n o . Estarei certo? S i m p l e s m e n t e c o n s i d e r a i : o q u e ass e v e r o é q u e a q u i l o q u e é c h a m a d o de males é o b e m do

••... ayaOoç avr|p aco(J)pcov «V ícai
SiKaioç... . --PPotõo emprega avr|p o» Pugru de «vOpftmoç;, ojícofwindo o muÇlto* (yuvr|) da pc»íiitêiicia de lodo este tópico, (n.t)

•*• ICiwjpa. «ei
c

JOOUPOBO

dc Pajpí; ou Oíiip/iO; tj-lidos, ,wi ela \3F*i'gi« (n.t.) • * • • © conceito de TtOlTITriÇ 6 tuuito foto, podendo até se* tadugido goneiicantonte pomo atado* e ptodiito» (TO)IT|OIÇ Bigni/ica o ação do fa-jc», dc etiat, a criação}; o lo.wo 7tOtnTr|Ç designa todos oquo.Pes que entendemos (nosdo.inomenle como artesãos p a/i/isfas i> até Cientistas e técnicos, já que os gwgos não disfinguiam no se« tempo a espaço cuftu/ioís orfo, e técnica (índiBCjiwtofldoiiipiite
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Conceito se inefeom arjucPe que (soduçjia lijoPonfo oPei.io), liem como o constato da casa, o ojniciio foonfVee.iotiodoi de, ojtnos) e (odos os demais oitíjie.es e: orfesnos, lonto quonlo o e,scuPlo;i (éíiiodot do Bslrihio). o pinte (ciiodos do píntoo). o músico (citado* dc Ritmos. Ito^monios, postu,tas, mePodios, ete) c inclusiue o médico fwriodea do soúde). lA pnhmn Jtoiripa

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Livro II
[também da mí% do w.nbo injusto, s e n d o p o r é m o m a l do justo, e n q u a n t o os c h a m a d o s bens s ã o r e a l m e n t e b e n s p a r a o s b o n s , e c o n h i d o m a l e s p a r a o s m a u s . R e p i l o , p o r t a n t o , m i n h a p e r g u n t a : estais de a c o r d o comigo... ou c o m o fica o assunto? Clínias: P a r e c e - m e q u e e m p a r t e c o n c o r d a m o s , m a s e m parte muito pelo contrário. O ateniense: T o m a i o c a s o d e a l g u é m q u e g o z a de. s a ú d e , possui riqueza e poder absoluto em caráter d u r a d o u r o a l é m do q u e , eu lhe c o n c e d e r i a , se é do vosso a g r a d o , força e c o r a g e m i n c o m p a r á v e i s s o m a d a s à i m o r t a l i d a d e e i m u n i d a d e e m r e l a ç ã o a t o d o s o s c h a m a d o s males m a s me referindo a alguém q u e abriga d e n t r o de si tãos o m e n t e injustiça e insolência. P r o v a v e l m e n t e eu fracass a r i a e m vos p e r s u a d i r q u e a l g u é m q u e viva tal v i d a n ã o seja o b v i a m e n t e v e n t u m s o , m a s d e s v e n t u r a d o ? Clínias: Dizes a v e r d a d e m e s m a . N ã o julJTOtEtú (fogci. jobietu. p.todujii, eaía*)l (em o sentido g » t t r » de obna (o tijodo, o mc#4, n enaa, a cstrSfun, o canção, a saúde, etc), ateu dc detc» o sentido panfioute de abta jiréiiea, 'fieejwi. 0 sentido neste conforto de i_As 3'r'i?. cttewMOHte às antes dos ,/Uusa.e (nic.wenle músico, dança, teot«) e pocao - pato os gnogos ftmm /ii(f's.inêímis. itimpaiãveiài, CiePiii os artesãos e se aptovimo pfcusiiefwente do nosso conceito dc, a.tfista «ãoffefico, afiançando os conceitos cspccioíigndos de músico (ennfoí, cemposito», instíumcntista), de dançarino (eyceutnnte do dança, co»eógno|o), dc auto» (cotaC (e o ato») c de "poeto . (n.t.)

0 ateniense: B e m , q u e d e v e r e i d i z e r a s e g u i r ?

g a i s q u e se a l g u é m é corajoso, forte, b e l o , rico, age exat a m e n t e como bem e n t e n d e toda sua vida, e além disso é realmente injusto c insolente, n ã o deve estar necessar i a m e n t e v i v e n d o u m a v i d a vil? Clínias: Certamente. E também uma vida iná?***'*

O ateniense:

••••* 'Ttiá aqui «mi cento ambigüidade nisto que f) almimge (pensonagem oentunt de ^PPotão que substitui fióMalw}, psocoieCmenle po» nabitidode dtaífetíco no uso da oiaiêutieo soenótieo, amiindago T l 5 e ; T O K C U KCXKtòÇ; oeoMC que KaKtóÇ Çr|V significa tanto i/me» mal (em más fio/irfifôes) quanto i/im moMeesameitle f, mm (ievvrtittimrfaMefiie e t nesta uflinm acepção que CPmias entende, (n.t.)

Clínias: N ã o i r í a m o s t ã o l o n g e a p o n t o d e a d m i t i - l o . O ateniense: B e m , e a d m i t i r i a s os q u a l i f i c a t i v o s desagradável c desvantajosa para si mesmo?

Clínias: E c o m o p o d e r í a m o s c o n c o r d a r c o m e s s a s n o v a s designações? O ateniense: Como? Somente (como parece, meu

go) s e u m d e u s n o s p r e s e n t e a s s e c o m essa c o n c o r d â n cia, pois n o m o m e n t o e s t a m o s n i t i d a m e n t e d i s c o r d a n d o u m d o outro. E m m i n h a o p i n i ã o tais fatos são absol u t a m e n t e indiscutíveis, até m a i s claramente, m e u caro (Mintas, q u e o f a t o d e C r e t a s e r u r n a i l h a , e s e e u fosse u m l e g i s l a d o r m e e m p e n h a r i a e m forçar o s p o e t a s e tod o s os c i d a d ã o s a se e x p r i m i r e m n e s s e s e n t i d o , e infligiria as penalidades mais pesadas sobre todo aquele no país q u e declarasse q u e h o m e n s maldosos levam vidas agradáveis, ou q u e coisas vantajosas e lucrativas são diferentes de coisas justas; e há m u i t a s outras coisas

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Platão - As Leis
contrárias ao q u e é atualmente dito, como parece, p o r cretenses e l a c e d e m ô n i u s , e - está c l a r o - p e l o resto da humanidade que eu persuadiria meus cidadãos a p r o c l a m a r . Pois, c o n v e n h a m o s , e x c e l e n t í s s i m o s senhores, em nome de Zeus e de Apoio, supondo que interrogássemos esses próprios d e u s e s q u e legislaram p a r a vós e os i n d a g á s s e m o s : "E a m a i s j u s t a d a s vidas a mais agradável, ou existem d u a s vidas, das q u a i s u m a é a m a i s a g r a d á v e l e a o u t r a a m a i s justa?" Se respondessem q u e existem duas, poderíamos a i n d a lhes indagar, se estivéssemos dispostos a lhes colocar a q u e s t ã o correta: " Q u a l d a s d u a s dever-se-ia d e s c r e v e r c o m o a m a i s feliz, o u m e l h o r , q u e h o m e n s seriam os mais aprovados pelos deuses - aqueles q u e levam a vida m a i s justa ou a q u e l e s q u e levam a vida m a i s a g r a d á v e l ? " S e r e s p o n d e s s e m " À q u e l e s q u e levam a vida m a i s agradável", esta seria u m a m o n s t r u o sa afirmação em s u a s bocas. Mas eu prefiro n ã o atribuir tais afirmações aos deuses, m a s sim a ancestrais e legisladores; s u p o n h a m o s , então, q u e as p e r g u n t a s que apresentei tivessem sido a p r e s e n t a d a s a um ancestral e legislador e q u e este tivesse r e s p o n d i d o q u e o h o m e m q u e leva a v i d a m a i s a g r a d á v e l é o m a i s feliz. A s e g u i r eu d i r i a a ele: " O , p a i , n ã o d e s e j a v o s q u e eu vivesse o m a i s a f o r t u n a d a m e n t e possível? E, todavia, tu me exortavas incessantemente em todos os e n s e j o s a viver o m a i s j u s t a m e n t e p o s s í v e l . " E n e s te ponto, c o m o penso, nosso legislador ou ancestral se mostraria incapaz de p e r m a n e c e r coerente consi go m e s m o . M a s , se ao c o n t r á r i o , ele a p o n t a s s e a v i d a m a i s j u s t a c o m o a m a i s feliz, t o d o s q u e o o u v i s s e m indagariam, suponho, qual é o bem e o encanto que essa vida contém q u e são superiores ao prazer e pelos q u a i s o legislador a louva. Pois, s e m c o n t a r c o m o p r a z e r , c o m q u e b e m pode. c o n t a r o justo? "Pois, diz-me, s ã o a b o a faina e o louvor o r i u n d o s d a s b o c a s dos h o m e n s c dos deuses u m a coisa nobre e boa, m a s d e s a g r a d á v e l , e n q u a n t o a má f a m a é o o p o s t o ? " De modo- a l g u m , m e u caro legislador, n ó s d i r í a m o s . E é d e s a g r a d á v e l , p o r é m n o b r e e b o m , n ã o ferir n i n g u é m e n ã o ser ferido p o r n i n g u é m , e n q u a n t o é a g r a d á v e l o o p o s t o , p o r é m igné-bil e m a u ?

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Livro II
Clínias: De maneira alguma.

O ateniense; E n t ã o o e n s i n o q u e se r e c u s a a s e p a r a r o agradável do justo ajuda, no m í n i m o , a induzir um h o m e m a viver a v i d a p i e d o s a e justa, de m a n e i r a q u e q u a l q u e r d o u t r i n a q u e n e g a r essa v e r d a d e é, a o s olhos do legislador, s u m a m e n t e vergonhosa e a b o m i n á v e l , pois ninguém consentiria voluntariamente em ser i n d u z i d o a cometer um ato a n ã o ser q u e este envolvesse c o m o sua c o n s e q ü ê n c i a m a i s p r a z e r do q u e dor. A distância torna obscura a visão de q u a s e todas as pessoas, especialmente a das crianças; mas nosso legislador eliminará essa falha visual removendo a obscuridade, c l a n ç a n d o m ã o de um recurso ou outro (hábitos, elogios ou a r g u m e n t o s ) c o n v e n c e r á as pessoas q u e s u a s noções de justiça c de injustiça são i m a g e n s ilusórias, objetos injustos p a r e c e n d o agradáveis e objetos justos e x t r e m a m e n t e desagradáveis à q u e l e q u e se o p õ e à justiça e n q u a n t o são e n c a r a d o s p o r seu p r ó p r i o p o n t o de vista injusto e m a u , sendo q u e q u a n d o e n c a r a d o s do p o n t o de vista da justiça, a m b o s parecem de todos os m o d o s inteiramente o oposto. Clínias: O Assim parece. Mas dessas duas reivindicações ao bem

ateniense:

v e r d a d e i r o , q u a l delas d i r e m o s ser a m a i s f u n d a m e n t a d a - a da pior a l m a ou a da m e l h o r ? Clínias: A O ateniense: da m e l h o r , incontestavelmentc.

E n t ã o é t a m b é m incontestável q u e a vida

i n j u s t a n ã o é a p e n a s m a i s vil e i g n ó b i l , c o m o t a m b é m m u i t o v e r a z m e n t e m a i s desagradável do q u e a vido justa e piedosa. Clínias: E o q u e p a r e c e , m e u s a m i g o s , a c r e r m o s n o presente argumento. E m e s m o q u e as coisas fossem diferentes

O ateniense:

d o q u e a g o r a foi p r o v a d o q u e s ã o p o r n o s s o a r g u m e n t o , poderio um legislador digno deste n o m e descobrir urna f a l s i d a d e m a i s ú t i l d o q u e e s t a (se e l e o u s a s s e e m p r e g a r q u a l q u e r f a l s i d a d e no o c u p a r - s e c o m os jovens p a r a o b e m destes), o u m a i s eficaz n a p e r s u a s ã o d e todos n o s e n t i d o de agir com justiça em relação a t o d a s as coisas dc livre v o n t a d e e s e m c o a ç ã o ?

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Platão - As Leis
Clínias: A v e r d a d e é u m a c o i s a n o b r e , e s t r a n g e i r o , e d u r a d o u r a , c o n t u d o n ã o m e p a r e c e fácil f a z e r c o m q u e seja admitida. E n t r e t a n t o , fazer

O ateniense: T e n h o q u e r e c o n h e c ê - l o . • (\ seja, a ^ábuCa do jiwdnção do fJebas ftíw (ladinos, (st.f.) a d m i t i r a fábula de Sidônío, • fosse, i n ú m e r a s outras. Clínias: Qual fábula?

por m a i s incrível q u e

revelou-se fácil, o q u e se a p l i c a , i n c l u s i v e , a

O ateniense: A q u e l a d o s d e n t e s q u e f o r a m s e m e a d o s e dos hoplitas q u e deles n a s c e r a m . O legislador dispõe aqui, realmente, de um exemplo notável de c o m o sc pode, caso se tente, p e r s u a d i r as a l m a s dos jovens de seja l á o q u e for, d e u m a t a l m a n e i r a q u e a ú n i c a q u e s t ã o a s e r c o n s i d e r a d a p o r ele q u a n t o a s u a ficção é o q u e t r a r i a m a i o r b e n e f í c i o a o E s t a d o c a s o essa ficção fosse *• W a í ã c i sábio, cspeeiaôiicnfc ogota no idade Mancado em q* compuním c-fe í f e , q«õo dijíeií dia
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a c r e d i t a d a ; e e m s e g u i e l a ele, t e r i a q u e c o n c e b e r t o d o s os meios possíveis para assegurar que toda a comunidade constantemente, e n q u a n t o sobrevivesse,

empregasse exatamente a mesma linguagem, na medida do possível, r e l a t i v a m e n t e a esses a s s u n t o s , em s u a s c a n ç õ e s , em seus rnitos e em seus discursos. •• Se, t o d a v i a , vós p e n s a i s d i f e r e n t e m e n t e , n ã o faço o b j e ç ã o a que argumenteis contrariamente. Clínias: Penso que nenhum de uós dois poderia

consofidot o E s t a d o comunista que, concebe» ei» <_A lítpiíMica, daí não desita* cm enunciai o principio segundo o quaf a {jie.r/w. a |oí?sídoffc a menton ( y e o o o ç ) p«fc scmí» o letdode ( a À n B e t a ) . 'Po> oufjfi fado, se admitíssemos o 'Wofrio Melado nas fiseoüas df. L,'ilisté!iios do 8gito, conelui.ífaiMOs com ele que kuraia iMuiln tentado, oeníío nos mitos, (ii.i.) ••• f)atarimanse «ejete a e s p a n t a , onde ftobitaoíWnle eojilnea-se com ttcc, cotas moscuPijios nos Jeslitais: o dos meninos, o dos mocos e o dos íiomens mais tildes. £ que se «rfembíc que o mo (xopoç) ineíuía ncecesaitiowente, a danço, (n.t.)

a r g u m e n t a r contra os princípios q u e expuseste. O ateniense: C o m p e t e a m i m , p o r c o n s e g u i n t e , l i d a r c o m o p r ó x i m o assunto. Sustento q u e todos os três coros»** precisam encantar as a l m a s d a s crianças, e n q u a n t o estas são jovens e ternas, e n s a i a n d o todas as coisas nobres q u e já expusemos ou q u e exporemos doravante, o que sintetizamos assim: ao afirmar q u e os deuses d e c l a r a m q u e u m a única e m e s m a vida é tanto a mais agradável q u a n t o a mais justa, n ã o estaremos somente dizendo o que é s u m a m e n t e verdadeiro, como também estaremos convencendo aqueles q u e necessitam do convencimento m a i s i m p e r i o s a m e n t e d o q u e p o d e r í a m o s fazer m e d i a n t e qualfiuer outra asserção. Clínias: E m i s t e r a q u i e s c e r m o s a o q u e d i z e s . 0 ateniense: Em primeiro lugar, portanto, segundo a

o r d e m correta, avançaria o coro d a s crianças consagrado

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Livro II
às Musas para c a n t a r essas m á x i m a s com o m á x i m o vigor c d i a n t e de toda a c i d a d e ; em s e g u n d o l u g a r viria o coro daqueles Apoio que
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têm
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menos como

de

trinta anos, da •*•• r i a t a v fTIaitüv signiijiwi Fjtenafmcule cmdn}; A K O À A Ü J V {de. AneXXwv, n que- aiasln r mal') 'U) deus do.': natos (ineftiindo n wiísiea e a poesia), o gi«' o !>igo fistaifriwciite às .^Uuscis. Sn» fllMbuiçõo adicionai de mandai mo t> de esLtniuW pois os íjuegos (oo menos, aqucPes ipc cuPhiaeo» R_4poft> T l a e o v ) e«'íwm«»i o «U6ie.il ramo nina mcdioifia da aftna. (n.t.)
• * • * • ü c pflitside.WIWOS n

invocando

Paeon""

testemunha

verdade do que é d i t o *

e suplicando sua graça

p a r a p e r s u a d i r os jovens; os cantores q u e se seguiriam pertencem ao terceiro coro, constituído de h o m e n s de mais de trinta anos e menos de sessenta. Finalmente sobrariam aqueles que não sendo mais capazes de erguer suas vozes, se o c u p a m dos m e s m o s temas morais em narrativas e. por meio de discursos dc inspiração oracular. Clínias: A q u e m te referes, e s t r a n g e i r o , no caso d o s

m e m b r o s desse terceiro coro? N ã o c o m p r e e n d e m o s com m u i t a clareza o q u e queres dizer a respeito deles. 0 ateniense: E , n o e n t a n t o , foi a e l e s e f e t i v a m e n t e q u e dedicamos a maior parte de nossa discussão precedente. Clínias: Permanecemos diante da obscuridade. Tenta

explicar-te a i n d a com m a i s clareza. O ateniense: N o c o m e ç o de nossa discussão dissemos,

«»dode, n pnobídodc p a rnen í i ia qurinf íf a! iin mente, uApoíVi é um dos mais «iidfideiíios (s pitohos cnf/ic « deuses gregos. Sfc» nnfó.iine suas di{c,wn(ION com seu limão F i p p r n ç . o deus do oenmnierição, do eomAteio e dos íodjões. (ti.l.j

s e b e m l e m b r a m o s , q u e c o m o t o d o s o s i n d i v í d u o s jovens são por natureza ardentes, são incapazes de manter tanto o corpo q u a n t o a língua em repouso, e s t a n d o sempre gritando c saltando de m a n e i r a desordenada; d i s s e m o s t a m b é m q u e n e n h u m d o s o u t r o s s e r e s vivos d i s p õ e de s e n s o de o r d e m , seja c o r p o r a l ou vocal; e q u e este é p o s s u í d o exclusivamente p e l a h u m a n i d a d e ; e q u e a o r d e m n o s m o v i m e n t o s é c h a m a d a d e ritmo e n q u a n t o q u e a q u e l a d a voz ( n a q u a l t o n s a g u d o s e g r a v e s s ã o mesclados) nação é chamada duas de harmonia, sendo a coral. combiAfirmadestas denominada dança

mos, igualmente, que os deuses, compadecidos de nós, nos concederam, p a r a q u e partilhassem e dirigissem nossa d a n ç a coral, Apoio e as Musas lugar, de Dionísio. Clínias: P o r c e r t o o r e c o r d a m o s . O ateniense: A d a n ç a c o r a l de A p o i o e a d a s M u s a s f o r a m descritas, tendo q u e ser descrita a terceira e restante, ou seja, a d a n ç a coral de D i o n í s i o . além dos quais fizemos m e n ç ã o , se é q u e o r e c o r d a m o s , em terceiro

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Platão - As Leis
Clínias: E c o m o isso? E x p l i c a - t e . Ao ouvi-lo à p r i m e i r a vista, soa bastante, e s t r a n h o um coro d i o n i s í a c o f o r m a d o p o r velhos - se q u e r e s d i z e r q u e h o m e n s c o m mais de trinta anos e m e s m o h o m e n s dc mais de cinqüenta e até sessenta anos irão realmente d a n ç a r em h o n r a do deus. O ateniense: 0 q u e d i z e s , c o m efeito, é perfeitamente

v e r d a d e i r o . I m a g i n o q u e p a r a d a r p l a u s i b i l í d a d e a isso há necessidade de argumentação. Clínias: Com certeza! Estamos de acordo quanto aos pontos

O ateniense,: anteriores?

Clínias: C o m r e s p e i t o a o q u e ? O ateniense; Q u e c o n s t i t u i a o b r i g a ç ã o d e t o d o i n d i v í d u o e toda criança escravos e livres, h o m e n s e m u l h e r e s - e que descrevemos, a o b r i g a ç ã o de t o d o o E s t a d o e n c a n t a r a si m e s m o s incessantemente com os cantos a l t e r a n d o <•< c o n t i n u a m e n t e e a s s e g u r a n d o a v a r i e d a d e de todas as m a n e i r a s possíveis, de m o d o a inspirar os cantores c o m um apetite insaciável pelos hinos e o prazer nestes contidos. Clínias: Seguramente concordaríamos com essa

obrigação. O ateniense: P o i s , e n t ã o , o n d e a e l i t e d o E s t a d o , c u j a i d a d e e s a b e d o r i a faz d e l a o c o n j u n t o d e c i d a d ã o s m a i s influentes, cantará o q u e há de m a i s belo visando a p r o d u z i r o m á x i m o de b e m ? Ou s e r e m o s tão tolos a ponto de dispensar essa parte de cidadãos detentora da mais elevada capacidade para interpretar as mais nobres e m a i s úteis canções? Clínias: N ã o h a v e r i a c o r n o d i s p e n s á - l a , a j u l g a r p e l o q u e a c a b a s dc dizer. O ateniense: Então, qual seria o m é t o d o conveniente a

ser a d o t a d o ? S e r á q u e este?... Clínias: O Qual? Todo aquele que envelhece torna-se

ateniense:

r e l u t a n t e a n t e a idéia de c a n t a r canções e extrai m e n o s prazer do canto, e q u a n d o obrigado a cantar, q u a n t o m a i s v e l h o e m a i s m o d e r a d o for m a i s s e s e n t i r á envergonhado. Não é assim?

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Livro II
Clínias: E.

O ateniense: C o m c e r t e z a , p o r t a n t o , f i c a r á m a i s d o q u e n u n c a constrangido em levantar-se e c a n t a r no teatro diante de pessoas de todos as espécies. Ademais, se h o m e n s velhos c o m o este fossem força-dos a fazer c o m o fazem os m e m b r o s do coro, q u e se e x t e n u a m e jejuam d u r a n t e o t r e i n o de s u a s vozes p a r a u m a repetição, certamente considerariam o cantar uma tarefa desagradável e degradante, e a empreenderiam com pouca disposição. Clínias: I s s o n ã o d e i x a m a r g e m à d ú v i d a a l g u m a . O ateniense: E n t ã o c o m o o s e s t i m u l a r e m o s a s e p r e pararem para o canto? Não deveremos promulgar u m a lei s e g u n d o a q u a l e m p r i m e i r o l u g a r n e n h u ma criança abaixo de dezoito anos pode tocar de m o d o algum o vinho, ensinando que é errado verter fogo s o b r e fogo n o c o r p o e n a a l m a a n t e s q u e p r i n c i piem a se o c u p a r de seus efetivos l a b o r e s , e a s s i m n o s g u a r d a n d o da disposição excitável d o s jovens? E em seguida r e g u l a - m e n t a r e m o s p a r a q u e o jovem de menos de trinta anos possa tomar vinho com moderação, abstendo-se inteiramente da intoxicação e da embriaguez. Mas q u a n d o um indivíduo atingir quarenta a n o s , p o d e r á p a r t i c i p a r d a s r e u n i õ e s fes»

tivas e invocar os deuses, p a r t i c u l a r m e n t e Dionísio, c o n v i d a n d o este d e u s p a r a o q u e é s i m u l t a n e a m e n t e cerimônia religiosa» c a recreação dos mais velhos, a q u a l ele c o n c e d e u à h u m a n i d a d e c o m o um p o t e n t e m e d i c a m e n t o » * contra a rahugíce da velhice, p a r a q u e através deste possamos reavivar nossa juventude e q u e o l v i d a n d o seu zelo, a t e m p e r a de n o s s a s a l m a s possa p e r d e r sua d u r e z a e se t o r n a r m a i s macia e m a i s d i í c t i l , t a l c o m o o f e r r o q u e foi f o r j a d o n o f o g o e p a s s o u a ser m a i s maleável. N ã o t o r n a r á esta disposição mais branda, em gido a entoar cantos c primeira instância, cada encantamentos (como ainiúum daqueles idosos mais disposto e menos constrande os chamamos) na de amigos íntimos? Clínias: F i c a r i a b e m m a i s d i s p o s t o . presença não de um grande

TCÀ-CTLL,

fio,» CVÍOliSÒO

| ("iíri eu sito jpftrjiose.
:

eirjnijieoffi Bspecijíeantcnlc o tttei inírtirííím cm imc ('Mm « f e h w d o s os mis/é»ins. «crie coso cs dionisíacos, (n.t.) ••..jlPguiis («tenistas que cstoiiofeeesatn o terfo íjfitqo «'(jishrim fltitM coMiftec otvov antes de <|>upuaKOV. Oiitios não o \A nós («woc, im|)Píeilo que o medicamento í<j>apuaKOvj é o uiiuVi (ÒIVOÇ), mas oonifxiccndcttios o enidodo dc queni optou peto ecpfViloçõo. (n.t.)
TOV

grupo de estrangeiros, mas de um pequeno número

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Platão - As Leis
O ateniense: Assim, com o propósito de levá-los a

p a r t i l h a r de nosso c a n t o , esse absolutamente Clínias: impróprio.

método

não seria

De m o d o algum.

O ateniense: Q u e t i p o d e c a n ç ã o e s s e s h o m e n s s e f a r ã o ouvir? N ã o será, e v i d e n t e m e n t e , a q u e l a q u e s e e n q u a d r a na p r ó p r i a condição deles em todos os casos? Clínias: Sem dúvida Qual alguma. então, caberia a homens

O ateniense:

canção,

divinos? Seria u m a c a n ç ã o d a s d a n ç a s corais? Clínias: * Cyífiifivw ftí^pftc nos
oMtatscs e nos {OOP.OWÔKÍOS
toiwndo a si p ^Megih pomo
«!|),w.son(o«(fis. (n.tj

Bem,

estrangeiro, outras

de q u a l q u e r m o d o nós e além daquelas que

nossos amigos a q u i * quaisquer

seríamos incapazes de entoar canções

a p r e n d e m o s na prática nas d a n ç a s corais. O ateniense; N a t u r a l m e n t e p o i s e m v e r d a d e v ó s n u n c a atíngistes o m a i s belo c a n t o . Vossa o r g a n i z a ç ã o cívica é m a i s de um exército em acampamento do q u e de habitantes fixados cm cidades. C o n s e r v a i s vossos jovens a j u n t a d o s c o m o um b a n d o de potros no pasto. N e n h u m de vós t o m a seu p r ó p r i o potro, afastando-o de seus companheiros, e m b o r a ele seja b r a v i o c irritadiço, p a r a confiá-lo a um cavalariço p a r t i c u l a r , treiná-lo c u i d a n d o dc seus ferimentos, doniesticandoo e e m p r e g a n d o todos os meios a p r o p r i a d o s de u m a e d u c a ç ã o q u e possa fazer dele n ã o a p e n a s u m b o m soldado, mas também alguém capaz de administrar Estados e cidadãos, em suma, um h o m e m q u e (como d i s s e m o s n o p r i n c í p i o ) é m e l h o r guerreiro.) q u e o s guerreiros de Tirtaeu, p o r q u a n t o sempre e cm toda p a r t e , t a n t o no» q u e d i z r e s p e i t o a o s E s t a d o s q u a n t o ao q u e diz respeito a o s i n d i v í d u o s , ele t e m a c o r a g e m c o m o a q u a r t a na o r d e m das virtudes e n ã o a p r i m e i r a . Clínias; M a i s u r n a v e z , e s t r a n g e i r o , e s t á s d e u m a c e r t a m a n e i r a r e b a i x a n d o os nossos legisladores. O ateniense: N ã o é i n t e n c i o n a l m e n t e q u e o faço. m e u

a m i g o . . . sc o estou f a z e n d o ; m a s se é a s s i m q u e a discussão n o s c o n d u z , é preciso q u e sigamos por este c a m i n h o , s e c q u e isto é d e v o s s o a g r a d o . S e t i v e r m o s conhecimento de u m a música q u e é superior a dos coros ou a d o s teatros públicos, t e n t e m o s fornecê-la à q u e l e s

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Livro II
h o m e n s que, c o m o dissemos, fieam envergonhados com estas últimas, desde q u e se motivem p a r a participar dessa m ú s i c a q u e é a mais excelente. CUnias: Certamente.

0 ateniense: O r a , p a r a c o m e ç a r , n ã o u r g e q u e s e j a v e r dadeiro de t u d o q u e é a c o m p a n h a d o de um certo enc a n t o q u e seu e l e m e n t o m a i s i m p o r t a n t e seja o u esse encanto em si mesmo, ou alguma forma de retidão, ou, E M terceiro lugar, a utilidade? Por exemplo, c o m i d a e b e b i d a e o a l i m e n t o em geral c o m o o estou a f i r m a n d o , são a c o m p a n h a d o s pelo encanto q u e deveríamos cham a r d e prazer; M A S com relação a s u a retidão e utilidade, q u a n d o nos referimos à qualidade de sadio de cada i g u a r i a servida e s t a m o s i n d i c a n d o p r e c i s a m e n t e o elem e n t o de retidão contido no alimento. Clínias: I s t o é c e r t o . O ateniense: O e s t u d o t a m b é m é a c o m p a n h a d o p e l o e l e m e n t o de e n c a n t o q u e é o prazer, m a s o q u e p r o d u z s u a retidão e utilidade, seu b e m e sua beleza, é a v e r d a d e . Clínias: Exatamente. Ora, e quanto às artes que produzem ** Ai seja. os antes fioi p t p q c r i ç (imitação), aquelas: que m baseiam «um moffcPo oíiiOjinnP pana pnodiigi»
MIIFI

imagem poi anaíogia,

tais somo a pintuíin, a neeiiPtina e mesmo a iep;ieeenlaeõe leat/ioP pato os g.tegos, que no píiáiiea ouofWa o múeiea e o poesia. ("-!•) **• Ce sos easos ia aPimciilaeõe e inePusitc do estudo a ufiftdade i indissofeP da wtidõfí, a pnitiieíto está ausente, a IMiueífiio, nas atles imifotitaü; julgaremos corretamente verdade, neste raso se impõe cofoenj a lelidão oeimo do psaget. ^4 pieiaíêneia da .lefaeão ruim quantidade e qnafidnde ce jando nn ^nlo de que numa <:iwrSa»(n r p,;eeiso íiam.i efwespoiidêneio quntititaliW e qiiadloliiYi. J\.« seqüenein do ao prazer que não dióPoqo esio questão adqui-re mriiat oltocga. (ti.!.) O ateniense:

s e m e l h a n ç a s ? * • Se são eficientes em suas criações, n ã o deveria q u a l q u e r prazer concomitante q u e delas resulta ser c h a m a d o com ('línias: Sim. m a i o r p r o p r i e d a d e d e encanto}'

O ateniense: E n t r e t a n t o , f í d a n d o em t e r m o s g e r a i s , a retid ã o nessas artes provém m a i s da exata correspondência n a relação q u a n t i d a d e / q u a l i d a d e d o q u e d o prazer. • • * Clínias. Perfeitamente. Por conseguinte,

O ateniense;

m e d i a n t e o critério do p r a z e r a p e n a s o objeto q u e n o s seus efeitos n ã o p r o d u z n e m u t i l i d a d e ,
R I E M

n e m s e m e l h a n ç a E n e m s e q u e r d a n o , e q u e existe tão-só E M função d o elemento concomitante d o encanto, elemento que será melhor designado c o m o prazer s e m p r e q u e n ã o for a c o m p a n h a d o p o r n e n h u m a d a s outras qualidades mencionadas. Clínias: E n t ã o te referes s o m e n t e

produz dano.

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Platão - As Leis
O ateniense: S i m , e d i g o q u e e s s e m e s m o p r a z e r é t a m b é m jogo q u a n d o o d a n o o u b e m p o r ele p r o d u z i d o s forem irrisórios. Clínias: Isto é b a s t a n t e v e r d a d e i r o . Diante disso n ã o deveríamos nós afirmar,

O ateniense:

a título de conclusão, q u e n e n h u m a i m i t a ç ã o deveria ser julgada segundo o critério do p r a z e r ou da opinião * ...So^T| m-| inexata,* como tampouco realmente deveria qualquer s i m é t r i c o é s i m é t r i c o , n ã o é ern tipo de igualdade ser assim julgada? A razão pela q u a l o i g u a l ó i g u a l ou o absoluto porque alguém assim opina ou se encanta com isso, m a s a c i m a de t u d o p o r c a u s a da v e r d a d e , e o mínim o possível p o r q u a l q u e r o u t r a razão. Clínias: Com toda a certeza.

a X r | 9 e i . . . , opinião oontíáJio ò vmdadt. (n.t.)

O ateniense: A f i r m a m o s , n ã o é m e s m o , q u e t o d a a m ú sica é r e p r e s e n t a t i v a e imitativa? Clínias: E s t á c l a r o q u e s i m . • * S |«(iciso gRw|i,!f! te* em mente o rawfifc conceito gicgo de mácica como mm eomliinoção naMoniosn de poesio, canto eonaP, fiança e wpíesentaçoo f e o t a P . o{ofilonflo nosso conceito cspocioPígodo e iestíiiío dc música como cHoçoo ontístico alistada, paio o quoP mesmo a klta (ptoesifi) í dispensáeeP e opcionoP. 0)HEide»e-se, tombem, é ePoso, o mclojísica pPolônica, segundo a gtioP o iNiiftdo sensíéeP é incüa imogeoí (eiôOJÀOV) fto mundo intcPigíveP. (n.l.) *** ... T t o t r | | i a T f t ) V . . . , a despeito do pwitwdirrf sentido genésico de J t o i T ) u a , o sentido aqui é de «tio ohsa peViíiea, poema, insortielo mmm composição tnnsienP nos moPdes íiePcnicos. (n.t.) O ateniense; A s s i m q u a n d o alguém afirmar que o pra-

zer é o critério da m ú s i c a , nós d e c i d i d a m e n t e contestar e m o s tal a f i r m a ç ã o , e c o n s i d e r a r e m o s tal m ú s i c a c o m o a m e n o s s é r i a d e t o d a s (se é q u e r e a l m e n t e a t r i b u í m o s seriedade a q u a l q u e r música) e preferiremos aquela q u e detém s e m e l h a n ç a em sua imitação do belo. Clínias: E b a s t a n t e v e r d a d e i r o o q u e d i z e s . O ateniense: A s s i m a q u e l e s q u e e s t ã o e m b u s c a d o m e lhor canto e da m e l h o r música têm q u e buscar, como parece, n ã o a que é agradável, mas a q u e tem retidão, e a retidão no imitativo consiste, dizemo-lo, na reprodução do original na s u a própria quantidade e qualidade. Clínias: E indubitável.

O ateniense: E i s s o é c e r t a m e n t e v e r d a d e i r o n o q u e c o n c e r n e à m ú s i c a , c o m o t o d o s o a d m i t i r i a m , o u seja, q u e todas as suas criações são imitativas c representativas... o q u e m a i s admitiriam u n a n i m e m e n t e p o e t a s , platéia e atores? • • C l í u a i s : C e r t a m e n t e a d m i t i r i a m isso. O ateniense: O r a , a q u e l e q u e d e v e j u l g a r a c e r t a d a m e n l e u m a o b r a * * * necessita em cada caso particular conhecer a n a t u r e z a e x a t a d a o b r a * * * p o i s s e d e s c o n h e c e r s u a

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Livro II
essência, q u a l é seu p r o p ó s i t o e q u a l o original real do q u a l ela é a i m a g e m , dificilmente será c a p a z de decidir a t é q u e p o n t o tal o b r a c o n s e g u i r á o u d e i x a r á d e conseguir realizar seu propósito. Clínias: Dificilmente, c o m certeza.

O ateniense: E a l g u é m q u e i g n o r a o q u e é a r e t i d ã o seria capaz de decidir quanto à boa qualidade ou má q u a l i d a d e dc u m a obra? M a s n ã o estou sendo absolut a m e n t e claro: ficaria m a i s claro se eu me exprimisse d a s e g u i n t e m a n e i r a ... Clínias: Que maneira?

O ateniense: N o q u e s e r e f e r e a o s o b j e t o s d a v i s ã o , d i s p o m o s , está claro, de i n u m e r á v e i s representações. Clínias: Sim. Bem, o q u e a c o n t e c e r i a se em c o n e x ã o c o m

O ateniense:

essa classe de objeto se ignorasse a natureza, dc c a d a u m d o s c o r p o s r e p r e s e n t a d o s ? Poder-se-ia a l g u m a vez estar certo de sua correta execução? O q u e q u e r o dizer é isto: s e r á q u e p r e s e r v a as p r ó p r i a s d i m e n s õ e s c as disposições de cada u m a das parles do corpo e captou o exato n ú m e r o delas além da ordem correta na qual cada p a r t e está d i s p o s t a j u n t o às o u t r a s , e a i n d a s u a s cores e formas, ou estarão todas essas coisas na representação compostas confusamente? Imaginas q u e alguém poderia definir esses p o n t o s se ignorasse t o t a l m e n t e q u a l o s e r vivo q u e e s t i v e s s e s e n d o r e p r e s e n t a d o ? Clínias: E como poderia?

O ateniense: B e m , s u p õ e q u e s o u b é s s e m o s q u e o o b j e t o p i n t a d o ou e s c u l p i d o é um h o m e m , e q u e a a r t e o dot o u de todas as suas partes, cores e. formas próprias. N ã o será de i m e d i a t o forçoso q u e a pessoa d e t e n t o r a desse c o n h e c i m e n t o possa facilmente discernir se a o b r a é bela, ou no q u e carece de beleza? Clínias: S e a s s i m f o s s e , e s t r a n g e i r o , e u p o d e r i a d i z e r - t e q u e praticamente todos uós conheceríamos a beleza dos s e r e s vivos. O ateniense: E s t á s p l e n a m e n t e c e r t o . R e l a t i v a m e n t e , p o r t a n t o , à t o d a r e p r e s e n t a ç ã o - s e j a n a p i n t u r a , tia m ú s i ca ou em q u a l q u e r outra arte - n ã o necessitará o críti co judicioso possuir os seguintes requisitos, a saber:

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Platão - As Leis
p r i m e i r a m e n t e , u m c o n h e c i m e n t o d o o r i g i n a l , e m seg u n d o lugar um conhecimento da retidão da cópia e e m t e r c e i r o u m c o n h e c i m e n t o ela e x c e l ê n c i a c o m a q u a l • ftihjrwmc o levlo gwgo cstotiepeeido pa\ muitos k&mstm:, # amsrvk mpi (ejittie cofckles nu não) o seguinte,: p n , u . a . 0 i Kai
U £ À £ G L

a cópia é executada? • Clínias: A s s i m O ateniense: ponto em pareceria, reside seguramente. portanto, dificuldade em da indicar o a música. Não que hesitemos,

ts

S i m p l e s m e n t e porque, dela s e fala m a i s d o q u e d c qualquer outra forma de representação, requer maior cautela do que qualquer outra. Aquele q u e comete t r o p e ç o s n e s s a a r t e p e r p e t r a r á ele p r ó p r i o o m a i o r d a n o m e d i a n t e a a c o l h i d a de m a u s c o s t u m e s ; e a d e m a i s é muito difícil discernir seus tropeços p o r q u a n t o nossos p o e t a s • • são inferiores c o m o p o e t a s * * às próprias Musas, pois as Musas jamais e r r a r i a m a ponto de atribuir u m a m e l o d i a e u m a p o s a t r a femininas a versos compostos p a r a h o m e n s , o u a d a p t a r o s r i t m o s d e cativos e escravos à m e l o d i a e às p o s t u r a s c o n s t r u í d a s p a r a h o m e n s livres, o u i n v e r s a m e n t e , d e p o i s d e c o n s t r u i r o s r i t m o s e p o s t u r a s d e h o m e n s livres a t r i b u i r a o s r i t m o s u m a m e l o d i a o u versos d e u m estilo oposto. T a m p o u c o jamais m e s c l a r i a m as M u s a s n u m a ú n i c a peça gritos e v o z e s d e a n i m a i s e de, s e r e s h u m a n o s , o e n t r e c h o q u e , d e i n s t r u m e n t o s e ruídos de todas as espécies c o m o meio de, representar um único objeto, enquanto os compositores h u m a n o s , insensatamente misturando tais coisas e fazendo u m a m i x ó r d i a c o m elas, forneceriam um objeto de riso a todos os indivíduos h u m a n o s q u e , na frase dc Orfeu "alcançaram vêem da a plenitude essas da primavera", • • • pois Iodas coisas

Kttl TOIÇ

p u O u x i i ç (ImodtmteJ pafmm.i, mekidtas e setjndti o <:(u titmo). -DcxifJo ns dqfícuMades de hmsfmln» o pensamento dc um quodio de signos po«a ouíjo (bodução) « " f o f a d o o gMgo antigo v, m wlatiUow(!»te jmrékio ídionra raode/iHO, centos hndutoMis p»e^?»em, em Pugnft de ocieseenttH o tteefio ndicionof, [íundi-fo pa»« efeito de taduçõo ao twcím rinte/uo» do fatixito iwjo», pelo que ojcscccmos U » n i»od«çno opeionoí: ... o e» (mmlto qnf wâu pmmitni todm mm imqem iiipiodigi/ína pot meio de, loeáMo':, mfatm e sa quedo <:en si fixo. (n.l.) • • P u seja, ciindoMS (eompoxi/amj de i»ií';ica,

d e s o r d e n a d a m e n t e misturadas; e p a r a cúmulo os poetas grosseiramente separam posturas, colocando melodia o versos r i t m o e as sem nos palavras

• • * (Ou s e | o . " Xa%av COpaV TT|Ç TKpt(/lOÇ". (•a.)

a c o m p a n h a m e n t o melódico, ou d e i x a n d o a m e l o d i a e o ritmo s e m palavras, u s a n d o o s o m isolado da citara o u d a f l a u t a , e m t u d o isso s e n d o q u a s e impossível discernir o q u e pretendem c o m esse ritmo e h a r m o n i a destituídos de palavras, ou q u e original digno de nota eles r e p r e s e n t a m . T a i s p r o c e d i m e n t o s , c o m o é i m p e r i o s o q u e se compreenda, são extremamente rudes na medida em que exibem um desejo excessivo de velocidade, p r e c i s ã o m e c â n i c a e i m i t a ç ã o ele s o n s p r ó p r i o s d o s

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Livro II
animais, resultando n u m emprego da flauta e da citara sem o acompanhamento da é dança a e da canção, do desconsiderando-se que o uso de um ou outro desses instrumentos isoladamente característica c h a r l a t ã o o u d o i n d i v í d u o vulgar. Eis a í n o s s a a v a l i a ç ã o e hasta, portanto, deste assunto. O que estamos c o n s i d e r a n d o não é a f o r m a p e l a q u a l a q u e l e s e n t r e nós que têm acima de trinta anos, ou mais de cinqüenta, n ã o devem cultivar a música, mas sim a forma pela qual d e v e m cultivá-la. • • • • P e n s o q u e nossa d i s c u s s ã o já nos e n c a m i n h a p a r a e s t a c o n c l u s ã o , a s a b e r , q u e t o d o s os indivíduos de mais de cinqüenta anos q u e estão em condições de cantar devem contar com um treinamento superior àquele, dos coros musicais p o r q u e é necessário que possuam conhecimento c uma pronta percepção d o s r i t m o s e h a r m o n i a s , pois sem isto c o m o p o d e r á alguém reconhecer as melodias corretas? Clínias: E ó b v i o q u e , n ã o p o d e r i a d e m a n e i r a a l g u m a . O ateniense: E absurdo aqueles que pertencem que. à ^
im

p(

m

n> ((fio de wúsiea (H t) r

multidão

ordinária

imaginarem

podem

c o m p r e e n d e r p l e n a m e n t e o (pie é h a r m o n i o s o e rítmico e o q u e n ã o é pelo fato de terern sido t r e í - n a d o s a c a n t a r com o a c o m p a n h a m e n t o de flauta e se m o v e r e m c o m c a d ê n c i a ; está claro q u e n ã o c o n s e g u e m c o m p r e e n d e r q u e ao realizarem estas d u a s coisas as realizam sem c o n h e c i m e n t o . O fato é q u e I o d a m e l o d i a q u e possui seus elementos adequados é correta, enquanto é incorreta aquela q u e possui elementos inadequados, Clínias: N ã o r e s t a O ateniense: dissemos, melodia? Clínias: N ã o h á c o m o e l e p u d e s s e f a z ê - l o . O ateniense: Estamos agora, mais u m a vez, pelo q u e dúvida.

E o q u e dizer daquele q u e desconhece até aquilatar da retidão desta ou daquela

q u a i s são os e l e m e n t o s da m e l o d i a ? S a b e r á ele, c o m o o

p a r e c e , c o n s t a t a n d o o fato d e s s e s n o s s o s c a n t o r e s ( q u e estamos presentemente convidando e de certo modo c o n s t r a n g e n d o , p o r a s s i m dizer, a c a n t a r de s u a livre vontade) terem q u e q u a s e n e c e s s a r i a m e n t e ser treinad o s até o p o n t o de c a d a um deles mostrar-se c a p a z tanto de a c o m p a n h a r a cadência d e t e r m i n a d a pelos ritmos

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Platão - As Leis
quanto as notas das melodias, de maneira que pela observação das harmonias e dos ritmos possam estar aptos a selecionar aqueles q u e sejam de um tipo adeq u a d o à interpretação de h o m e n s de sua i d a d e e situação, p o d e n d o eles c a n t a r d e s s a forma, e neste c a n t a r n ã o s ó e x p e r i m e n t a r , eles m e s m o s , u m p r a z e r i n ó c u o , c o m o t a m b é m servir corno mestres dos m a i s jovens n a s u a c o n v e n i e n t e a d o ç ã o d e c o s t u m e s virtuosos. S e trein a s s e m a t é tal p o n t o , s e u t r e i n a m e n t o seria m a i s c o m • ... KaXov s i x s (IT| pleto d o q u e o d a m a i o r i a , o u c o m efeito m a i s c o m p l e t o d o q u e o d o s p r ó p r i o s p o e t a s , pois e m b o r a seja p a r a estes p r a t i c a m e n t e n e c e s s á r i o c o n h e c e r h a r m o n i a e ritm o , é-lhes d i s p e n s á v e l o c o n h e c i m e n t o do terceiro i t e m , a s a b e r , se a r e p r e s e n t a ç ã o é b e l a ou n ã o - b e l a . • T o d a via, no caso dos nossos c a n t o r e s m a i s velhos o conhecim e n t o de todos esses três itens é m i s t e r v i s a n d o a capac i t á - l o s a d e t e r m i n a r o q u e é p r i m o r d i a l e o q u e é sec u n d á r i o na ordem da beleza, • • caso contrário n e n h u m deles j a m a i s terá êxito em atrair p a r a a v i r t u d e por meio de seus e n c a n t a m e n t o s os jovens. Assim, a tarefa inicial de nossa discussão, q u e era d e m o n s t r a r q u e n o s s a defesa do coro de Dionísio e r a justificável foi agora realizaria da m e l h o r forma de q u e somos capaz e s . M a s v e j a m o s fsc foi o s u f i c i e n t e ] p a r a g a r a n t i r s e u sucesso. • • • U m a tal r e u n i ã o t e n d e i n e v i t a v e l m e n t e , à m e d i d a q u e prossegue a bebedeira, a se t o r n a r m a i s c m a i s t u m u l t u a d a ; é o q u e no p r i n c í p i o a p o n t a m o s c o m o inevitável n e s s a s r e u n i õ e s d o m o d o q u e s e realizam Clínias; atualmente. E inevitável. K d X o V T O ( i l ( i T | U a ... . &tcndo-se aqui O béo m> unicamente como quaíWade nbfitwitn aqmdávé captado
c

Via sensação ( a i a 0 T | C J l ç ) ; pa»a Phtüo o manca (danada umo ò iMtude (apETTi) dem desenuofoojt np.ccssa/iiatwínti; a naturalapuotação pc.Co befo e a poíuífií tepugnãncio peto difif,o«t»c, dc so»tc que o constituição dn k*ut» vithioso f. iiiconccbíucP som a mnbüídade, estética, a ponto dc po* urges m éjfcfl distingui* n jsonttMo ente! o estético (domínio do bcfega) c o ótico (domínio do conduto Humana). '-Dn quoPqtM MOMü/io, o poeto ou cowposito» enquanto loí não é obftigodo a »sesponsobifigo* pelo conseqSCiicin psiooPógioo ou moiof emeida po» suo coiuposifjão. (n.l.)

O ateniense: P o r o u t r o l a d o , c a d a u m s e e x a l t a , s e s e n t e m a i s superficial e m m e i o a o p r ó p r i o a t r e v i m e n t o , regozijo e l o q u a c i d a d e e n ã o s e d i s p õ e a e s c u t a r s e u s vizin h o s , c o n s i d e r a n d o - s e c o m p e t e n t e t a n t o p a r a s e govern a r como p a r a governar a todos os demais. Clínias: Decerto é assim.

** Ajide noto acima. (n.t.) ***f)u seja, umo justificação no pPono leeí/iico do /iagãe> tem que era coi^iiimodo em suo opíicoçno píãtico. (n.l)

O ateniense: E n ã o d i z í a m o s n ó s q u e o p t a n d o i s s o o c o r re, a s a l m a s d o s b e b e d o r e s s e t o r n a m m a i s b r a n d a s c o m o o ferro q u e a q u e c i d o torna-se m a i s m a l e á v e l , e t a m b é m r e j u v e n e s c i d a s , a p o n t o d e p a s s a r e m a s e r flexíveis, c o m o q u a n d o e r a m j o v e n s , n a s m ã o s d a q u e l e q u e

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Livro II
d e t é m o t a l e n t o e a c a p a c i d a d e de t r e i n á - l a s e m o l d á las? E t a n t o agora q u a n t o e n t ã o o seu m o d e l a d o r é o b o m legislador: c a b e - l h e d a r o b a n q u e t e d e leis c a p a zes de controlar a q u e l e conviva q u e se t o r n a confiante, a u d a c i o s o , i n d e v i d a m e n t e d e s a v e r g o n h a d o e n ã o desejoso de a c a t a r a s u a vez de se c a l a r e de falar, de b e b e r e de cantar, permitindo-se fazer de t o d a s as m a n e i r a s o o p o s t o disso - leis c a p a z e s , t a m b é m , a j u d a d a s p e l a justiça, d e c o m b a t e r a e n t r a d a d a i m p u d ê n o i a a t r a v é s d a a d m i s s ã o d a q u e l e m e d o s u m a m e n t e n o b r e • * • » ao q u a l demos Clínias: o nome é. de pudor e auta-respeito. • • • • Çíló fifiteiisfns que estobefccew»" o tato gtego 0 ateniense: E , c o m o g u a r d i õ e s d e s s a s l e i s e s e u s c o l a boradores, devem haver sóbrios e serenos estrategos q u e atuem como controladores dos ébrios, pois combater a e m b r i a g u e z s e m e l e s s e r i a u m a i n c u m b ê n c i a m a i s formidável do q u e c o m b a t e r inimigos sem chefes serenos. Todo aquele q u e se recusar voluntariamente, a obedecer a esses estrategos e os oficiais de Dionísio ( q u e t ê m m a i s de sessenta a n o s de idade) incorrerá em tanta desg r a ç a q u a n t o a q u e l e q u e d e s o b e d e c e o s oficiais d e Ares, e até mais. Clínias; Certíssimo. («•wíüíio
Q E I O V

Assim

qwPov

ontfií: dc ( r t v o p a t í a u x v , n
qt«; «os n t a j w l a o ocícsee*

oqtii ... , mxífí (laivo, (n.t.)

O ateniense: Se e s s e fosse o c a r á t e r do b e b e r e do r e c r e a r se n ã o t i r a r i a m tais convivas disto o m e l h o r proveito e com maior a m i z a d e do q u e antes, em lugar de o fazerem c o m o i n i m i g o s , q u e é , o que, s u c e d e a g o r a ? P o i s s e r i a m g u i a d o s p o r leis e m t o d a s a s s u a s relações e d a r i a m ouvidos às orientações d a d a s aos ébrios pelos sóbrios. Clínias: S c o c a r á t e r d a r e u n i ã o fosse r e a l m e n t e c o m o descreves, tenho o q u e dizes c o m o verdadeiro. O ateniense: Portanto não devemos continuar, de ma-

n e i r a d e s q u a l i f i c a d a , a r e p r o v a r o d o m de Dionísio • • • • « c o m o s e n d o m a u e i n d i g n o dc ser a d o t a d o n u m l i s t a d o . D e fato, dever-se-ia a m p l i a r c o n s i d e r a v e l m e n t e a d i s c u s s ã o deste a s s u n t o visto q u e há m u i t a h e s i t a ç ã o q u a n t o a se d e c l a r a r d i a n t e da m u l t i d ã o o m a i o r benefício c o n f e r i d o p o r esse d o m , j á q u e q u a n d o a s s i m declar a d o é m a l c o m p r e e n d i d o e difícil d e s e r r e c o n h e c i d o . Clínias: A o q u e t u t e r e f e r e s ?
'do, íu.í.)

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Platão - As Leis
O ateniense: Há uma tradição e um rumor que

i n s i n u a m q u e e s s e d e u s foi d e s p o j a d o d e s e u j u í z o m e n t a l p o r sua m a d r a s t a H e r a e p a r a se vingar criou os rituais das bacantes e todas as d a n ç a s delirantes, t e n d o com o m e s m o intuito concedido o d o m do vinho. Deixo, entretanto, estas coisas p a r a a q u e l e s q u e a c h a m p r u d e n t e mencioná-las em conexão com os deuses. O q u e sei é q u e n e n h u m s e r vivo j a m a i s n a s c e d e p o s s e dessa razão, ou da quantidade dc razão que deverá ter em sua i d a d e adulta; c o n s e q ü e n t e m e n t e , todo ser vivo, d u r a n t e o p e r í o d o em q u e a i n d a é falto da inteligência q u e lhe é própria, p e r m a n e c e louco, emite gritos selvagens e t ã o logo se e r g u e s o b r e os p é s põe-se a saltar. R e l e m b r e m o s q u e situamos aí as origens da m ú s i c a e da ginástica. Clínias: P o r c e r t o n o s l e m b r a m o s , é c l a r o . O ateniense; E porventura não nos lembraremos

t a m b é m q u e a f i r m a m o s q u e a p a r t i r d e s s a o r i g e m foi inculcado em nós, seres h u m a n o s , o senso do ritmo e da h a r m o n i a e q u e os co-autores disso foram Apoio e as Musas, além do deus Dionísio? Clínias: P o r c e r t o n o s l e m b r a m o s . O ateniense: A d e m a i s , q u a n t o a o v i n h o , p a r e c e q u e a o p i n i ã o c o r r e n t e é q u e foi c o n c e d i d o a nós, seres h u m a n o s , c o m o u m a p u n i ç ã o a fim d e n o s e n l o u q u e c e r ; p o r é m nossa opinião ao contrário é q u e o vinho é um m e d i c a m e n t o q u e n o s foi d a d o c o m o p r o p ó s i t o d e facilitar à a l m a a a q u i s i ç ã o do p u d o r e ao c o r p o a a q u i s i ç ã o da s a ú d e e da força. Clínias: R e s u m i s t c a d m i r a v e l m e n t e a n o s s a o p i n i ã o , ó estrangeiro. O ateniense: E - n o s l e g í t i m o d i z e r e n t ã o q u e d e m o s c o n t a da m e t a d e do assunto da d a n ç a coral. Passaremos a tratar i m e d i a t a m e n t e d a outra m e t a d e d a forma nos parecer melhor ou a deixaremos de lado? Clínias: A q u e m e t a d e s t e r e f e r e s ? C o m o e s t á s d i v i d i n d o o assunto? O ateniense: A n o s s o v e r , a d a n ç a c o r a l c o m o um t o d o é idêntica à e d u c a ç ã o c o m o um todo e a p a r t e dela q u e c o n c e r n e à voz consiste dc r i t m o s e h a r m o n i a s . que

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Livro I I
Clínias: Sim. E a parte que concerne ao movimento * Sfoc/iafincnte <|xt)vr|Ç Kivnotç significo mmí/rmfo ipm/i o conceito KtVT|CJlÇ é muito móis ofew»geiiíe do que o «osso dc, moMmmtp. cngCoboído «ossos concertos dc estímuto. joiticnin, wnííiraçõo. tíonstowo, poíturtíiaçãe, instfibiíidodt. comoção c O ateniense: Quanto aos movimentos corporais que emoção. Os i o d o s tnma o múbiPl^a» (dn fnlíw mmw) guasdoin poíte. dr.sso oa»ga semântica (ww como o snbstontiio moto*, (n.t.) ** 'J-laie uma w% o woi&itico seoflótíca citifijcgodo |iO!t
(

O ateniense:

corporal possui, em c o m u m com a vocalização, • ritmo, a l é m do q u e d e t é m como seu da v o c a l i z a ç ã o . • Clínias: I s t o é i n t e i r a m e n t e v e r d a d e i r o . O ateniense; Ora, q u a n d o a v o c a l i z a ç ã o se i n s e r e no a excelência da alma, nos atributo peculiar a posUira, tal c o m o a m e l o d i a constitui o a t r i b u t o peculiar

treinamento

que visa

a r r i s c a m o s d e a l g u m m o d o a c h a m á - l a d e música. Clínias: S i m , i s t o é e x a t o .

c h a m a m o s de d a n ç a dc folguedos, caso tais movimentos se prestem à consecução da excelência do corpo, nos s e r á p o s s í v e l d a r o n o m e d e ginástica a o d o c o r p o p a r a essa finalidade. Clínias: E a b s o l u t a m e n t e certo. treinamento

O ateniense: Q u a n t o à m ú s i c a , à q u a l f i z e m o s r e f e r ê n c i a alguns momentos atrás ao afirmarmos que metade do a s s u n t o d a d a n ç a c o r a l fora d e s c r i t o e t r a t a d o , q u e s e diga o m e s m o dela agora; porém com relação à outra metade, deveremos abordá-la ou o q u e faremos? Clínias: M e u c a r o s e n h o r , e s t á s a c o n v e r s a r c o m c r e t e n s e s e lacedemônios e discorremos longamente sobre a m ú s i c a ... Q u e r e s p o s t a a tua p e r g u n t a , p o r c o n s e g u i n t e , e s p e r a s q u e um ou outro de nós d a r á q u a n d o o a s s u n t o que p e r m a n e c e n ã o abordado é a ginástica? O ateniense: Eu diria clara que me deste uma resposta pergunta,

PSMIÕO

|w.i

intcMtwdio do n/rnimv mfâm suo eficiência, pois Cfínias, desta jeito, «ao apenos anut c coiupoítídia dos (raciocínios do «conttfiiWcJ. da discussão, como fantíietn sepfiea ínoníeomrnte ante <i indagação didaticamente pjrofoealiwi do otaiicmc. TJorfos Sflíx» quanlo os enetenses <>. os espoilaiios pícgaeam a ginástica.' (»,(.)

perfeitamente

fazendo-me

essa

e n t e n d e n d o q u e e m b o r a t e n h a sido u m a pergunta é t a m b é m (eu o repito) u m a resposta, ou m e l h o r a i n d a u m a determinação para discutir de m a n e i r a plena o assunto da ginástica. Clínias: Perc.ebcste o q u e e u q u i s d i z e r p e r f e i t a m e n t e . (Assim) o f a z . " » 0 ateniense; F a z ê - l o d e v o eu e r e a l m e n t e n ã o c o n s t i t u i t a r e f a m u i t o difícil f a l a r d e c o i s a s t ã o b e m c o n h e c i d a s por vós, visto q u e t e n d e s m u i t o m a i s e x p e r i ê n c i a nesta arte do q u e na outra.

• • * _Aln ip.rdodr- dão se (nata
;

aqui pMrpíioiiicntc de uma jiiose eonePusieo. {ícapdo no Püiiitc etit»c o eoücfticWi c o mraa«ie«le odífíto. mt seja, ... x c teca ouxw 5q t r a t e i ... . (n.l.)

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Platão - As Leis
Clínias: D i z e s a p u r a v e r d a d e , O ateniense: A o r i g e m d o f o l g u e d o * a q u e e s t a m o s n o s referindo deve ser e n c o n t r a d a n o h á b i t o n a t u r a l q u e todo ser vivo tem de saltar; assim, o ser h u m a n o a d q u i r i n d o , como dizíamos, o senso do ritmo, deu origem e produziu a dança, e considerando-se que o ritmo é sugerido e despertado pela melodia, a união * Ou scjo, o rinnço de fO%uodos ou luoeituettio coupodol fmut e hímSvo que se coiitiopõe õ música ou linjwouio. que se eíigino, po» suo upg. do unhunf lióbito kmaito de qsilnj. («.(.) O ateniense: INo que diz respeito à d a n ç a coral, já discutimos u m a parte, e nos empenharemos em seguida em discutir a outra parte. Clínias: De p l e n o acordo. d e s t e s d o i s p r o d u z i u a d a n ç a ••oral e o f o l g u e d o . Clínias: I s t o é b e m v e r d a d e i r o .

O ateniense: M a s , s e vós a m b o s c o n c o r d a r e m , a n t e s d i s s o daremos urn fecho à nossa discussão acerca dos banquetes com bebida. Clínias: D c q u e f e c h o f a l a s ? O ateniense: S e u m l i s t a d o s e d i s p u s e r a fazer u s o da

i n s t i t u i ç ã o e m p a u t a d e u m a m a n e i r a legal e o r d e n a d a , encarando-a oireunspeclamente e liberando sua prática com vistas à t e m p e r a n ç a , e c e d e n d o a todos os d e m a i s prazeres analogamente e conforme o m e s m o princípio, irias a s s u m i n d o os m e i o s de, s o b r e eles, exercer controle, ter-se-á à disposição •O jwneo efcgio de PPatõo à píófieo dos .wuiiiõos «igodos o Mudo em cmMet insíitueiowiP se itestMttge esbwfnweiile o esle quodío. («.}.)
c

um m é t o d o a ser e m p r e g a d o

extensivamente;* *

s e , t o d a v i a , p o r o u t r o l a d o , tal

i n s t i t u i ç ã o for e n c a r a d a c o m o u m f o l g u e d o c q u a l q u e r um q u e o desejar goze da p e r m i s s ã o de b e b e r q u a n d o q u i s e r e com q u e m q u i s e r e c o m b i n a n d o isso c o m t o d o s os outros tipos de licenças, eu n ã o d a r i a o m e u sufrágio favorável à p r á t i c a ele b e b e r a tal E s t a d o ou tal indivíduo, mas indo além m e s m o do uso dos cretenses e l a c e d e m ô n i o s , e u d a r i a m i n h a a d e s ã o à lei d e C a r t a g o , a qual ordena que n e n h u m soldado em c a m p a n h a beber unicamente água. E eu j a m a i s prove a poção e m b r i a g a n t e , limitando-se d u r a n t e todo esse tempo a a c r e s c e n t a r i a q u e na cidade, t a m b é m os escravos e, e s c r a v a s j a m a i s a p r o v a s s e m ; e «pie o s m a g i s t r a d o s n o desenrolar do a n o de seu m a n d a t o , os pilotos e, os juizes enquanto no cumprimento de seus devores não bebessem vinho algum, bem como qualquer conselheiro

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Livro II
q u e fosse c o n v o c a d o a d a r s e u p a r e c e r c o l i m a n d o u n i a deliberação de considerável monta; nem qualquer pessoa d u r a n t e o d i a salvo por motivo de t r e i n a m e n t o físico o u s a ú d e ; n e m t a m p o u c o u m h o m e m o u u m a m u l h e r à noite, q u a n d o se p r o p õ e m a procriar. Poderse-ia c i t a r u m g r a n d e n ú m e r o de, o u t r a s c i r c u n s t â n c i a s n a s q u a i s o v i n h o n ã o deve ser b e b i d o por a q u e l e s q u e s ã o d i r i g i d o s p e l a r e t a r a z ã o e a lei. P o r c o n s e g u i n t e , d e acordo com essa reflexão n ã o haveria necessidade alguma para Estado algum de contar com um grande n ú m e r o de vinhedos; e se todos os outros produtos agrícolas e controlados, mantida todos os gêneros das menores alimentícios seriam e mais modestas a p r o d u ç ã o de vinho em especial seria

dentro

p r o p o r ç õ e s . Q u e este seja e n t ã o , estrangeiros, o fecho ao discurso concernente ao vinho. Clínias: E x c e l e n t e , e c o m o que, c o n c o r d a m o s t o t a l m e n t e .

133

Platão - As Leis
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Livro III

134

Livro III
O ateniense: E i s q u e e s s a q u e s t ã o e s t á e n c e r r a d a . E a g o ra o q u e t e r e m o s a dizer a respeito da origem d a s constituições?* N ã o será através deste p o n t o de vista q u e a vislumbraremos c o m m a i o r facilidade? Clínias: Q u e p o n t o d e v i s t a ? O ateniense: D a q u e l e a p a r t i r d o q u a l s e d e v e s e m p r e observar o progresso dos Estados à m e d i d a q u e camin h a m r u m o à v i r t u d e o u a o vício. Clínias: M a s q u e p o n t o q u e r e s d i z e r ? O ateniense: A o b s e r v a ç ã o , c o m o e u o s u p o n h o , d e u m p e r í o d o de tempo infinitamente longo e d a s transformações que nele ocorrem. Clínias: E x p l i c i t a o q u e e n t e n d e s p o r i s s o . O ateniense: D i z - m e o s e g u i n t e : a c h a s q u e s e r i a s c a p a z de i n d i c a r a longa d u r a ç ã o de t e m p o t r a n s c o r r i d a desde q u e as c i d a d e s p a s s a r a m a existir e os seres h u m a nos vivem como cidadãos? Clínias; S e g u r a m e n t e n ã o s e r i a u m a fácil e m p r e s a . O ateniense: De q u a l q u e r modo, podes perceber com

«... jtoXtteiaç 8 apxev..., o g o A w o
pofitim, isto t, ki TtoXiÇ;
po» « t e s ã o , a (o/rma de

ffoWMo do Ssíado, a
Kjustltmção.

ÍK.t.)

facilidade q u e se trata de u m a d u r a ç ã o i m e n s a e incomensurável? Clínias: I s s o p o s s o p e r c e b e r c o m t o d a a c e r t e z a . O ateniense; D u r a n t e e s s e t e m p o , n ã o p a s s a r a m a existir m i l h a r e s e m i l h a r e s de E s t a d o s e, n u m cálculo similar, m i l h a r e s e m i l h a r e s n ã o p e r e c e r a m ? E n ã o apres e n t a r a m eles, c a d a u m p o r s u a vez, t o d a s a s espécies de constituições ciclicamente? E n ã o aconteceu que, por vezes, os p e q u e n o s se t r a n f o r m a r a m em grandes, os grandes cm pequenos, os melhores em piores, os piores em melhores? Clínias; Necessariamente. desse proces-

O ateniense: T e n t e m o s d e s c o b r i r a c a u s a

so de transformação, se o p u d e r m o s , pois q u e m sabe isso p o d e r i a n o s revelar a o r i g e m p r i m e i r a d a s constituições, b e m como a transformação destas. Clínias: T e n s r a z ã o e t o d o s n ó s t e m o s q u e n o s e m p e n h a r nisso. T u , e x p o n d o t u a o p i n i ã o e n ó s te a c o m p a n h a n d o , O ateniense; Parece-vos que as antigas tradições

encerram alguma verdade?

135

Platão - As Leis
Clínias; * :_-4 MSpOSlB pfl»OT! f!M dado oo singufe* |i»o()Osiín6ufiit(f! pois (P afmeitse psctende cmienedm o temo pato «ma so(ósffio(jo f,SpCSf|ifO. «• £ sswpjc opothwo íembiim que esse ,v(Vito som efeito PBÍÓ essencialmente píicsente «os («adições dos mais tomados poios (iitcJusiwí Ac oufímns tão distintas quanto «ekcus d indianos); o tema do K a t a K À u c r u o ç (inundação, diCúiio) c ütelkeiep l.wlndo pejo psópíio ' Platão no seu dióCogo inacabado (l»âimr\m SP «c|eíic o .JlPâiilida. (n.t.) Quais? segundo a q u a l o i n u n d o dos seres

O ateniense: A q u e l a *

h u m a n o s foi d i v e r s a s v e z e s d e s t r u í d o p o r d i l ú v i o s , p r a g a s e m u i t o s o u t r o s f l a g e l o s , d e tal m o d o q u e a p e n a s u m a p e q u e n a porção da espécie h u m a n a sobreviveu. • • Clínias: T o d o s c o n s i d e r a r i a m t a i s r e l a t o s p e r f e i t a m e n t e críveis. O ateniense: através Clínias: do Pois dilúvio. p o d e r í a m o s fazer dele? bem, vamos nos ater, a título de

exemplo, à imagem da catástrofe que ocorreu outrora

E q u e imagem

O ateniense: Q u e a q u e l e s q u e n e s s a o c a s i ã o e s c a p a r a m à d e s t r u i ç ã o d e v e m ter sido p r i n c i p a l m e n t e p a s t o r e s dos montes, p e q u e n a s centelhas da espécie h u m a n a preservadas nos cimos das m o n t a n h a s . Ciúiias: E evidente.

O ateniense: E q u e s e a c r e s ç a a i s s o q u e i n d i v í d u o s d e s s e t i p o d e v e m ter sido f o r ç o s a m e n t e i n e x p e r i e n t e s n a s artes em geral, e p a r t i c u l a r m e n t e no q u e c o n c e r n e a esses i n s t r u m e n t o s q u e o s c i d a d ã o s u t i l i z a m u n s cont r a os o u t r o s n a s c i d a d e s a serviço da a m b i ç ã o e da rivalidade e de todas as d e m a i s vilezas q u e c o n c e b e m u n s contra os outros. Clínias: I s s o é c e r t a m e n t e p r o v á v e l . O ateniense: P r e s u m i r e m o s q u e a s c i d a d e s s i t u a d a s n a s planícies e p r ó x i m a s ao m a r foram i n t e i r a m e n t e destruiídas na ocasião? Clínias: Vamos presumi-lo.

O ateniense:

V. s u s t e n t a r e m o s q u e t o d o s os i m p l e m e n t o s

foram perdidos e que suas descobertas importantes cm t o d a s a s a r t e s d a s q u a i s p o d e m ter sido d e t e n t o r e s , envolv e n d o a política ou o u t r a s ciências, d e s a p a r e c e r a m naq u e l a o c a s i ã o . Pois s e s u p u s é s s e m o s q u e e s s a s c o i s a s - q u e b o m - tivessem p e r m a n e c i d o todo esse t e m p o o r d e n a d a s tal c o m o a s v e m o s a t u a l m e n t e . . . c o m o , m e u c a r o s e n h o r , p o d e r i a ter h a v i d o l u g a r p a r a n o v a s descobertas? Clínias: Q u e r e s i n s i n u a r q u e t a i s c o i s a s p e r m a n e c e r a m desconhecidas p a r a os h o m e n s primitivos d a q u e l a época p o r m i l h a r e s e m i l h a r e s de a n o s e q u e há mil ou dois

136

Livro III
m i l a n o s a t r á s a l g u m a s d e l a s f o r a m r e v e l a d a s a Déclalo, o u t r a s a O r f e u , o u t r a s a P a l a m e d e s , a a r t e m u s i c a l a M á r s i a s e O l i m p o , a lírica a A n f i o n e, cm síntese, um e n o r m e n ú m e r o de outras a outros - todas d a t a n d o , p o r assim dizer, de o n t e m ou a n t e o n t e m ? O ateniense: E s t á s c i e n t e , Clínias, q u e o m i t i s t e t e u a m i g o , q u e foi l i t e r a l m e n t e u m h o m e m d e o n t e m ? Clínias: Tu te r e f e r e s a Epiinènides?

O ateniense; S i m , é a e l e q u e m e r e f i r o p o i s d e l o n g e s u p e r o u a todos, m e u a m i g o , m e d i a n t e a q u e l a sua inv e n ç ã o * * • da q u a l foi o efetivo a u t o r , c o m o v ó s c r e t e n s e s d i z e m , e m b o r a H e s í o d o a t i v e s s e p r e v i s t o e d e l a falado muito antes. Clínias: N ó s o d i z e m o s , c o m e f e i t o . O ateniense: P o d e r í a m o s e n t ã o a f i r m a r q u e na época ' " A tíWctiçõo dc.

Êfiimcnidcs tolo sido um |iM:fi(isfldo dc ewos. e<t mnis cwilomcntfi o íOÍWf fia vida.

d e s s a d e s t r u i ç ã o o s a s s u n t o s h u m a n o s e s t a v a m n a seg u i n t e s i t u a ç ã o : u m a i m e n s a e a t e r r a d o r a s o l i d ã o sobre u m a e n o r m e superfície de terra, a maioria dos a n i m a i s destruídos c u n s poucos r e b a n h o s de bois e b a n d o s de cabras que haviam sobrevivido fornecendo escasso sustento, nesse início, aos seus boiadeiros c pastores? Clínias: Sim.

O ateniense: E q u a n t o a o s a s s u n t o s v e n t i l a d o s n a n o s s a presente discussão, a saber. Estados, constituições e legislação - é-nos cabível p e n s a r q u e eles p u d e s s e m ter retido q u a l q u e r l e m b r a n ç a , falando no geral, de tais assuntos? De modo algum. Clínias:

O ateniense: M a s n ã o foi d e s s a s i t u a ç ã o q u e b r o t o u t o d o o nosso sistema atual. Estados e constituições, artes e leis, a c o m p a n h a d o s d e u m a g r a n d e q u a n t i d a d e d e vício e v i r t u d e ? Clínias: O q u e q u e r e s d i z e r ? O ateniense; Imaginas, meu bom homem, que os

indivíduos daquela época, q u e n a d a conheciam dos c o s t u m e s da vida u r b a n a - m u i t o s e n t r e eles b o n s , outros, i n a u s - l i a v i a m a t i n g i d o a p e r f e i ç ã o n a v i r t u d e o u n o vício? (Imitiu: A h , t u o d i s s e s t e b e m ! A g o r a t e c o m p r e e n d e m o s .

137

Platão - As Leis
O ateniense: À medida que o tempo passou e nossa

espécie multiplicou-se, houve progresso, n ã o é m e s m o ? Progresso p a r a a condição agora existente. Clínias: Precisamente. Mas, com toda a probabilidade, eles

O ateniense;

progrediram muito gradualmente e n ã o de súbito, exigindo para seu progresso u m a e n o r m e q u a n t i d a d e de tempo. Clínias; S i m , i s s o é s u m a m e n t e p r o v á v e l . O ateniense: P o i s t o d o s , i m a g i n o , s e n t i a m a i n d a r e n o v a r se o terror a n t e a idéia de d e i x a r as elevações p a r a ocuparem as planícies. Clínias: Obviamente.

O ateniense; E p e l o f a t o d e s e r e m t ã o p o u c o s n a q u e l e s dias não sentiam grande prazer em se verem? Mas como se os meios de transporte q u e lhes possibilitariam se visitarem m u t u a m e n t e através de m a r e terra haviam t o d o s p r a t i c a m e n t e d e s a p a r e c i d o j u n t a m e n t e c o m a s artes? D a í c o n c l u o q u e o r e l a c i o n a m e n t o n ã o e r a n a d a fácil. S e p o r u m l a d o o f e r r o , o b r o n z e e t o d o s o s m e t a i s e minérios nas m i n a s haviam sido colhidos pelo dilúvio e assim p e r d i d o s , p o r o u t r o l a d o era e x t r e m a m e n t e difícil v o l t a r a extraí-los; a l é m d i s s o , h a v i a escassez de árvores p a r a d e r r u b a m e n t o e de madeira, pois m e s m o q u e a i n d a tivessem restado a l g u m a s f e r r a m e n t a s e m a l g u m a p a r t e d a s m o n t a n h a s , estas logo se desgastar a m , n ã o p o d e n d o ser s u b s t i t u í d a s p o r o u t r a s até q u e os h o m e n s redescobrissem a arte da metalurgia. Clínias; R e a l m e n t e n ã o p o d e r i a m fazê-lo. E q u a n t a s gerações, p o d e r í a m o s supor,

O ateniense:

s e r i a m n e c e s s á r i a s p a r a q u e isso ocorresse? Clínias; Muitíssimas, evidentemente.

O ateniense: E d u r a n t e t o d o e s s e p e r í o d o , o u m e s m o m a i s , t o d a s as artes q u e r e q u e r i a m ferro e b r o n z e , e todos os d e m a i s m e t a i s d e v e m ter p e r m a n e c i d o em suspenso? Clínias: O Certamente. Ademais, as revoluções e as guerras

ateniense:

t a m b é m d e s a p a r e c e r a m d u r a n t e esse t e m p o e isto p o r muitas razões.

138

Livro III
CUnias: Como assim? Em p r i m e i r o lugar, d e v i d o à solidão, ali-

0 ateniense;

m e n t a v a m u m a d i s p o s i ç ã o a m á v e l e a m i s t o s a e n t r e si; em segundo lugar, n ã o precisavam entrar em conflito p o r c a u s a d e a l i m e n t o p o i s n ã o f a l t a v a m r e b a n h o s (exceto, talvez, a l g u n s deles no início) e n a q u e l a é p o c a e r a principalmente com base nessas coisas q u e os h o m e n s viviam. Assim c o n t a v a m com b o m s u p r i m e n t o de leite e c a r n e e s u p l e m e n t a v a m seus estoques de vívcres, de boa q u a l i d a d e e em a b u n d â n c i a , m e d i a n t e a caça. Tamb é m contavam com boa provisão de roupas, cobertores e m o r a d i a s , b e m como utensílios de cozinha e outros, j á q u e n ã o h á necessidade d e ferro p a r a a s artes d a modelagem e da tecelagem, as q u a i s foram outorgadas à h u m a n i d a d e pela divindade p a r a supri-la de todos os r e c u r s o s p a r a q u e a espécie, h u m a n a p u d e s s e g e r m i n a r e crescer s e m p r e q u e caísse e m tal e s t a d o d e d e s o l a ç ã o . Conseqüentemente, n ã o eram excessivamente pobres, e tampouco não e r a m impelidos pela pressão da pobrez a a b r i g a r e m e n t r e si; e , p o r o u t r o l a d o , v i s t o q u e n ã o d i s p u n h a m de ouro e prata, jamais podiam se tornar ricos. Ora, a c o m u n i d a d e q u e n ã o c o n h e c e j a m a i s n e m a r i q u e z a n e m a p o b r e z a é geralmente a q u e l a na q u a l se desenvolvem as personalidades m a i s nobres, pois aí n ã o há espaço p a r a o crescimento da insolência e da injustiça, d a s rivalidades e dos ciúmes. Eles e r a m , portanto, bons, tanto por essas razões q u a n t o por sua candura, como a c h a m a m o s , pois sendo cândidos q u a n d o ouviam coisas ditas m á s ou boas, t o m a v a m o q u e e r a d i t o p o r p u r a v e r d a d e e a c r e d i t a v a m , N e n h u m d e l e s tin h a a perspicácia do h o m e m m o d e r n o em suspeitar de u m a falsidade; aceitavam como verdadeiras as afirmações feitas a r e s p e i t o de d e u s e s e seres h u m a n o s e norteavam suas vidas p o r elas. Assim, d e t i n h a m inteiram e n t e o caráter q u e a c a b a m o s de descrever. Clínias: P o r c e r t o Megilo e e u c o n c o r d a m o s p l e n a m e n t e com o q u e dizes. O ateniense: E não diremos nós q u e pessoas vivendo

por várias gerações dessa forma estavam condenadas à inabilidade se c o m p a r a d a s com os antediluvianos e os

139

Platão - As Leis
hodiernos; e q u e e r a m ignorantes d a s artes em geral, especialmente das artes bélicas q u e são atualmente praticadas na terra e no mar, inclusive aquelas artes belicosas, q u e disfarçadas com os n o m e s de processos judiciais e sedições, caracterizam as cidades, a p a r e l h a das c o m o estão pela palavra e pela ação p a r a se agredirem e se provocarem d a n o s reciprocamente; e q u e e r a m t a m b é m mais cândidas, mais corajosas e mais moderad a s , e de toda sorte m a i s justas? A r a z ã o desse estado d e c o i s a s j á foi p o r n ó s e x p o s t a . Clínias: li e x a t o o q u e d i z e s . O ateniense: D e v e m o s t e r e m m e n t e q u e t o d o o p r o p ó s i t o do q u e d i s s e m o s e do q u e v a m o s d i z e r a seguir é este: a c o m p r e e n s ã o d a possível n e c e s s i d a d e d e leis p o r p a r t e dos seres h u m a n o s d a q u e l a época e identificação de seu legislador. Clínias: Excelente. Será cabível supormos que não tinham

O ateniense:

necessidade de legisladores e q u e naqueles dias n ã o era a i n d a u s u a l d i s p o r d e tal instituição?... visto q u e a q u e l e s q u e nasceram n a q u e l a época da história do m u n d o n ã o p o s s u í a m a i n d a a a r t e da escrita, limitando-se a viver * (-)u seja. fi «efoíiidode do J i c c t r j p , o fiíii (imkfm. o rwôj. e (ifit orfettecm, os m'ós, otiocslwiis. .J,\n pjóiioo. ttotaua-sc fio iiinn oiiío»idode pessoal? obsofttfo cneosnodo no pm ou ctejí! dc ijotiiíCio (&caKQTr\ç sem quoquoj coitolflçõo ficjrwoliwi) c k a d o d o tio Pinliorjem moscuPino, doí o sentido p f x M m da paktm pat.iia.wodo. islo é, outosidode, pode», enturmdo,
goiano

s e g u n d o os costumes e o q u e era c h a m a d a ancestrais. Clínias: I s s o ó s e g u r a m e n t e p r o v á v e l .

d e lei d o s

O ateniense: E n t r e t a n t o , isso j á r e s u l t a v a n u m a e s p é c i e de governo. Clínias: Que espécie?

O ateniense: T o d o s , a c r e d i t o , a t r i b u e m a e s s a é p o c a u m a forma de governo baseada na autoridade pessoal,* q u e . a propósito, c o n t i n u a existindo hoje entre gregos e b á r b a r o s em muitos lugares. E, evidentemente, H o m e r o m e n c i o n a tal forma de governo em conexão com o sistema d o m é s t i c o dos ciclopes** q u a n d o diz:

(apxi)

delido pcftw Estas nem assembléias deliberativas nem regulamentos têm, Mas nos ocos de cavernas nos cimos das montanhas Habitam, cada um fazendo seu próprio regulamento

setes íminoeos do srao mosoufao. (n.l.)
KUKÀ.WJMÚV
O I K I | C H V . . .

. (ii.f.)

Para, seus filhos fí mulheres, sem com seus vizinhos se importar. •••

140

Livro 1 1 1 Scpurraç,

* * *f)dmsãfi, ir, 112 o 115:

T O I O T V

8

o u x a y o p a i pouXr)<j)opoi o u t e

cOJk o i y uv|/rj>uüv o p g i o v v a t o u c n í c a p n v a E V cnteoCTi y  a q w p o i a i , O e p t a x s u e i 5 e e t c a o - t o ç T t a t f i t o v T]S a À o x t u v , o u S aXXr|X(ov a  s y o u c J i v .

M
Clínias: l i s t e v o s s o p o e t a p a r e c e t e r s i d o e n c a n t a d o r . L e m o s t a m b é m outros versos dele e e r a m e x t r e m a m e n t e belos, e m b o r a na v e r d a d e n ã o t e n h a m o s lido m u i t o de tal poeta, já q u e nós, cretenses, n ã o nos d e t e m o s m u i t o com a poesia estrangeira. Megilo: M a s n ó s • • • • s i m , c o c o n s i d e r a m o s o m e l h o r d e t o d o s , isto e m b o r a o m o d o d e v i d a q u e ele d e s c r e v e ser s e m p r e m a i s p r o p r i a m e n t e jônico d o q u e lacônico. E n e s t a o p o r t u n i d a d e ele p a r e c e e s t a r c o r r o b o r a n d o admiravelmente tua afirmação ao atribuir em sua narrativa mitológica os m o d o s primitivos dos ciclopes a sua sclvageria. S i m , o seu t e s t e m u n h o n o s a p o i a , de m a • • • • f ) u sejo, os eipastanos. ( (j
(|

O ateniense:

neira q u e p o d e m o s tomá-lo c o m o prova de q u e formas de governo dessa espécie, p o r vezes, de fato existiram. Clínias: Perfeito. E u ã o teria nascido entre aqueles grupos

O ateniense:

h u m a n o s q u e viviam dispersos c m clãs s e p a r a d o s o u e m famílias isoladas devido aos infortúnios resultantes das catástrofes, o n d e os m a i s velhos governavam em função do p o d e r a eles t r a n s m i t i d o pelos p a i s , t e n d o eles em sucessão a estes f o r m a d o u m ú n i c o b o n d o , c o m o u m a nin h a d a de pássaros, e vivendo sob um governo patriarcal, u m a realeza, q u e era de todas as realezas a m a i s justa? Clínias: Com certeza. ter se c o n g r e g a d o cm maiores; e

O ateniense; grupos

Em seguida, devem formando

maiores,

multidões

p r i m e i r a m e n t e dedicaram-se à agricultura nos flanços das m o n t a n h a s , fazendo cercas de pedras brutas p a r a s e d e f e n d e r e m dos a n i m a i s ferozes, até q u e f i n a l m e n t e construíram u m a grande habitação c o m u m única. ('línias: E c e r t a m e n t e provável q u e as coisas t e n h a m assim.

acontecido

141

Platão - As Leis
O ateniense: E n ã o s e r i a t a m b é m p r o v á v e l i s t o ? Clínias: I s t o o q u e ? O ateniense: Q u e à m e d i d a q u e e s s a s i n s t a l a ç õ e s m a i o r e s foram se desenvolvendo a p a r t i r d a s m e n o r e s originais, c a d a u m a d a s instalações m e n o r e s c o n t i n u o u a reter consigo o m e m b r o m a i s velho c o m o chefe de família e a l g u n s hábitos peculiares engendrados por seu isolamento m ú t u o . C o m o a q u e l e s q u e os h a v i a m gerado e e d u c a d o e r a m diferentes, t a m b é m seus c o s t u m e s relativos aos d e u s e s e a si próprios diferiam, sendo m a i s o r d e n a d o s o n d e seus ascendentes tin h a m s i d o o r d e n a d o s , e m a i s c o r a j o s o s o n d e eles h a v i a m s i d o corajosos; e a s s i m o s p a i s d e c a d a c l ã n o d e v i d o t e m p o i n c u b a r a m e m s e u s f i l h o s e n o s filhos d e s e u s filhos s u a p r ó p r i a m e n t a l i d a d e , c h e g a n d o eles e n t ã o a c o m u n i d a d e s m a i o r e s , c a d a u m a d e l a s d o t a d a d e leis p r ó p r i a s . Clínias: Isto p a r e c e evidente. E n e c e s s a r i a m e n t e c a d a clã t i n h a em a l t a

0 ateniense;

c o n t a s u a s p r ó p r i a s leis, n ã o t e n d o e m t ã o alta c o n t a a s leis de s e u s vizinhos. Clínias: O Inegável. Parece que inadvertidamente pusemos

ateniense:

nossos pés, p o r assim dizer, na origem da legislação. Clínias; Realmente.

O ateniense: O s e g u i n t e p a s s o n e c e s s á r i o s e r i a e s s a s p e s soas d a s c o m u n i d a d e - se reunirem c escolherem alguns m e m b r o s d e c a d a clã q u e , d e p o i s d e u r n e x a m e d o s cost u m e s legais d e t o d o s o s clãs notificariam p u b l i c a m e n t e os líderes e chefes tribais ( q u e p o d e r i a m ser c h a m a d o s d e s e u s reis) q u a i s d a q u e l e s c o s t u m e s o s h a v i a m a g r a d a d o m a i s , r e c o m e n d a n d o s u a a d o ç ã o . E s s e s m e m b r o s ser i a m c h a m a d o s e l e s m e s m o s legisladores, e quando tiv e s s e m e s t a b e l e c i d o os c h e f e s c o m o magistrados e e s t r u turado u m a aristocracia, ou possivelmente até m e s m o u m a monarquia a partir da pluralidade de patriarcados, t o d o s p a s s a r i a m a viver s o b a n o v a f o r m a d e g o v e r n o . Clínias: O p r ó x i m o p a s s o s e r i a t a l c o m o d e s c r e v e s t e . O ateniense: P r o s s i g a m o s d e m o d o a n o s r e f e r i r a u m a terceira forma de governo na q u a l estão c o m b i n a d o s todos os tipos e variedades de formas de governo tanto quanto Estados.

142

Livro III
Clínias: E q u e f o r m a é e s s a ? O ateniense: A m e s m a q u e o p r ó p r i o H o m e r o m e n c i o n o u a p ó s a s e g u n d a ao dizer q u e a terceira f o r m a surgiu assim... E i s s e u s versos: Fundou ele Dardãnia quando ainda

A santa ílion não fora construída Na planície, unia cidade para humanos mortais, Mas inda habitavam eles nas encostas elevadas Do Ida de muitas fontes. •

• -Moda. n, 216 n 218: KTiooe Se AapSaviqv 8V JieoWrt J t E J t o l l O T O , aXX e i ujwapciaç
H O X I Ç

eitet

ouítü) Xkxoq ipr|

uepoTtíuv avOptoTtwv,

C U K O U V

« o X o n t ô a i c o u I 8 r | ç (*.t.)

R e a l m e n t e ele profere estes seus versos, b e m c o m o a q u e l e s em relação aos ciclopes c o m o se falando segundo a divindade e a natureza, pois sendo divinamente inspirados q u a n d o ela canta, os p o e t a s com a ajuda d a s Graças e d a s M u s a s c o m freqüência c a p t a m a v e r d a d e histórica. CUnias: I s s o é c e r t o . 0 ateniense:' A g o r a a v a n c e m o s a i n d a m a i s n o m i t o q u e n o s o c o r r e u pois talvez p o s s a n o s sugerir algo c o m r e l a ç ã o à m a t é r i a q u e t e m o s e m v i s t a . D e v e r í a m o s n ó s fazê-lo? CUnias: C o m t o d a a c e r t e z a . O ateniense: l l i o n foi f u n d a d a , d i z e m o s , q u a n d o h o u v e o d e s l o c a m e n t o d a s regiões elevadas p a r a u m a g r a n d e e excelente planície sobre um outeiro de p o u c a altura junto a muitos rios q u e t i n h a m suas nascentes n o s cimos d o Ida. Clínias: A s s i m s e d i z . O ateniense: E p o d e m o s s u p o r q u e i s s o s u c e d e u m u i t a s «iras d e p o i s d o dilúvio? Clínias: C o m c e r t e z a s i m - m u i t o t e m p o d e p o i s . O ateniense: E de q u a l q u e r f o r m a , p a r e c e q u e as pes-

«ous s e e s q u e c e r a m e s t r a n h a m e n t e d a catástrofe q u e acabamos de mencionar já que instalaram sua cidade j u n t o a m u i t o s r i o s q u e f l u í a m d e m o n t a n h a abaixe» e c o n f i a r a m s u a s e g u r a n ç a e m p e q u e n a s c o l i n a s d e altura modesta.

143

Platão - As Leis
Clínias: O q u e t o m a e v i d e n t e q u e u m tempo bastante

considerável as s e p a r a v a de tal catástrofe. O ateniense: sido Por essa época, t a m b é m , como a espécie

h u m a n a se multiplicara, muitas outras cidades tinham fundadas. E claro. E essas cidades, a d e m a i s , a t a c a r a m ílion

Clínias:

O ateniense:

p o r terra, e t a m b é m p r o v a v e l m e n t e p o r m a r , visto q u e n e s s a época todos faziam uso d o m a r destemidamente. Clínias: Assim parece. u m a s s é d i o ele d e z a n o s o s

O ateniense:

E d e p o i s de

a q u e u s s a q u e a r a m Tróia. Clínias: Precisamente.

O ateniense. O r a , d u r a n t e e s s e p e r í o d o d e d e z a n o s , q u e foi o t e m p o q u e d u r o u o a s s é d i o , a s i t u a ç ã o d o m é s t i c a d a q u e l e s q u e s i t i a v a m T r ó i a foi m u i t o p r e j u d i c a d a d e vido às insurreições da juventude que, por ocasião do r e t o r n o d o s s o l d a d o s à s sueis p r ó p r i a s c i d a d e s e l a r e s , • Acoptqç personagem n ã o os recebeu c o n d i g n a m e n t e e com justiça, m a s de u m a tal m a n e i r a q u e s e s e g u i u u m e n o r m e n ú m e r o d e assassinatos, massacres e desterros. Conseqüentement e o s b a n i d o s m i g r a r a m p e l o m a r e d e v i d o a o fato d e ter sido Dorieus» q u e m os r e u n i u eles a d o t a r a m o n o m e d e dórios e m l u g a r d e a q u e u s . Vias q u a n t o a o s e v e n t o s q u e se sucedem a partir d a q u i , as tradições dos lacedemônios os narram completamente. Megilo: Decididamente. E a g o r a , c o m o se p o r o r i e n t a ç ã o d i v i n a , dúbio do pouío dc wsto da íusoáiio ofieioP wsto que poiioco set 'VMão o único o wciifíoiin-Po. T)e qooPqiu» modo, o ofncõo ó n imosõc P conquisto do ''pcpoponoso, quando os dówes po« tofto dc 9 0 0 o. C eifpufsotom os aqueus do suf da ("JjCeía. ' ("•(.) O ateniense:
l

r e t o r n a m o s m a i s u m a vez a o p r ó p r i o p o n t o d a n o s s a d i s c u s s ã o - o b r e a s leis q u a n d o a n o s s a d i g r e s s ã o n o s ** f) piitwciso é o {amípia ou cln sob n oulo,»idode pessoa? abeoPuta do T C a t n p . o segundo o tcunióc dos ePõs sob um goucíno íi.wsfocsnlipo ou monósquíco o o tacciío um p.sfndo /«oífc íum Gelado no pPfltooic pomo yprcti), que c opípspntodo como dcmocMideo cm :.J 'VffúMiCfí. (n.l.) fazia m e r g u l h a r no a s s u n t o da m ú s i c a e dos b a n q u e t e s c o m bebida; e p o d e m o s , p o r assim dizer, executar unia r e t o m a d a do a r g u m e n t o , a d i s c u s s ã o t e n d o atingido esse p o n t o , ou seja, o e s t a b e l e c i m e n t o da E a c o d e m ô i i i u , a r e s p e i t o d o q u a l vós v e r d a d e i r a m e n t e d e e l a r a s t e s ter s i d o ele b e m c o m o o de C r e t a f u n d a d o s em leis a f i n s . O curso tortuoso de nossa discussão e nossa excursão por várias formas de governo e fundações resultaram n u m grande ganho: discernimos um primeiro, um segundo e um terceiro Estado,» * todos, c o m o s u p o m o s , s u c e d e n d o

144

Livro III
um ao outro nas fundações q u e ocorreram no desenrolar de m u i t a s e l o n g u í s s i m a s eras, E a g o r a surgiu este quarto E s t a d o , • • • o u nação, s e o p r e f e r i s , q u e esteve, ***
1 o S

outrora a c a m i n h o de s u a f u n d a ç ã o e está agora fundad o . Se p u d e r m o s c o n c l u i r de t u d o isso (piais d e s s a s fund a ç õ c s e s t a v a m c o r r e t a s e q u a i s , e r r ô n e a s , q u a i s leis g a r a n t e m a s e g u r a n ç a do q u e e s t á s e g u r o , q u a i s a r r u i n a m aqiúlo q u e está a r r u i n a d o e quais transformações (em rjuais p a r t i c u l a r i d a d e s ) p r o d u z i r i a m a felicidade d o E s t a d o - t e r e m o s , e n t ã o , Megilo e Clínias, q u e d e s c r e ver essas coisas n o v a m e n t e , r e c o m e ç a n d o do início prévias afirmações. a menos q u e n ã o t e n h a m o s nenhuma, objeção às nossas '
< !

1*"'" f i s l n d n

v- ''' segundo "Tfetóo, «»»o eoii|f,dc»oeão de. fítc.e Estados
flssocmdos. '

0,

Megilo: P o s s o a s s e g u r a r - t e , e s t r a n g e i r o , q u e s e a l g u m d e u s n o s p r o m e t e s s e q u e f a z e n d o essa s e g u n d a t e n t a t i v a d e investigação d a legislação o u v i r í a m o s u m discurso q u e n ã o seria pior n e m m a i s curto d o q u e este q u e estamos a c o m p a n h a n d o , eu, de m i n h a parte, faria um longo c a m i n h o p a r a ouvi-lo, e esse d i a me p a r e c e r i a curto, e m b o r a d e fato e s t e j a m o s p r ó x i m o s d o solstício d e v e r ã o , O ateniense: A s s i m me parece q u e d e v a m o s prosseguir

com nossa investigação. Megilo: C o m t o d a a c e r t e z a . O ateniense: M u i t o b e m ! Então vamos nos transportar

pelo p e n s a m e n t o à q u e l a época q u a n d o a L a c e d e m ô n i a , j u n t a m e n t e com Argos, a Messênia e suas possessões foram completamente submetidos, Megilo, a vossos a n t e p a s s a d o s . S e g u n d o a tradição, eles se d e c i d i r a m em seguida pela divisão de suas hostes em três partes e pela f u n d a ç ã o de três E s t a d o s , a s a b e r : Eneedemônia. Megilo: O Perfeitamente. E Tememos tornou-se rei de Argos, Argos, M e s s ê n i a e

ateniense:

Cresfontes da Messênia, e Prócles e E u r í s t i n e s da Lacedemônia. Megilo: Estou de a c o r d o . E todas as populações daquela época

O ateniense;

j u r a r a m q u e s o c o r r e r i a m esses reis se alguém tentasse d e s t r u i r seu r e i n o s . Megilo: Exatamente.

145

Platão - As Leis
O ateniense: E a d i s s o l u ç ã o d e u m r e i n o o u d e q u a l q u e r g o v e r n o q u e j a m a i s foi d i s s o l v i d o a n t e s c a u s a d a p o r q u a l q u e r o u t r a a ç ã o salvo a d o s p r ó p r i o s g o v e r n a n t e s ? Ou será q u e tendo colocado esta q u e s t ã o há pouco q u a n do tratamos dessa matéria a esquecemos agora?* • ê akmm » o o
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Çftuol. (n.t.)

O ateniense: B e m , d e s t a v e z e s t a b e l e c e r e m o s m e l h o r n o s s a tese p o i s a p o r t a m o s à m e s m a d o u t r i n a a g o r a , p e l o q u e p a r e c e , a o l i d a r c o m fatos históricos. E p o r c o n s e guinte n ã o nos deteremos no seu e x a m e em abstrato m a s n o s r e f e r i n d o a e v e n t o s efetivos. O r a , o q u e a c o n t e c e u r e a l m e n t e foi o s e g u i n t e : c a d a u m a d a s t r ê s c a s a s reais e as c i d a d e s a elas s u b m e t i d a s j u r a r a m e n t r e si s e g u n d o a s leis q u e h a v i a m e s t a b e l e c i d o o b r i g a n d o t a n t o governantes q u a n t o súditos, q u e os primeiros com o p a s s a r do t e m p o e o progresso da raça se conteriam no sentido de n ã o t o r n a r s u a a u t o r i d a d e m a i s severa, e q u e os segundos - e n q u a n t o os governantes se mantivessem fiéis a s u a p r o m e s s a - j a m a i s t r a n s t o r n a r i a m a m o n a r q u i a eles m e s m o s , c o m o t a m b é m n ã o p e r m i t i r i a m q u e o u t r o s o fizessem; e a m b o s , g o v e r n a n t e s e povos s u b m e tidos, j u r a r a m q u e os reis d e v e r i a m auxiliar t a n t o reis q u a n t o povos em caso de injustiça, e os povos tanto pov o s q u a n t o r e i s e m c a s o i d ê n t i c o . N ã o e r a isso? Megilo: Era. N a s f o r m a s de governo l e g a l m e n t e estabe-

O ateniense:

lecidas - pelos reis ou p o r o u t r o s - n o s três E s t a d o s , n ã o e r a este o p r i n c í p i o m a i s i m p o r t a n t e ? Megilo: Qual? A q u e l e s e g u n d o o q u a l dois E s t a d o s deve-

O ateniense:

r i a m s e m p r e se u n i r c o n t r a o terceiro s e m p r e q u e este d e s o b e d e c e s s e as leis e s t a b e l e c i d a s . Megilo: E v i d e n t e m e n t e era.

O ateniense: O r a , c e r t a m e n t e a m a i o r i a d a s p e s s o a s i n sistiam q u e os legisladores deveriam p r o m u l g a r um tipo dc leis q ue a m a s s a p o p u l a r a c e i t a s s e v o l u n t a r i a m e n t e , d o m e s m o m o d o q u e s e insistiria p a r a q u e treinadores e médicos t r a t a s s e m e c u r a s s e m os corpos h u m a n o s de maneira agradável.

Megilo: I s s o é e x a t o .

146

Livro III
0 ateniense: Mas na verdade amiúde temos que nos

c o n t e n t a r c o m o f a t o de a l g u é m l e v a r a s a ú d e e o v i g o r a u m c o r p o s e m d o r excessiva. Megilo: E s s a é a p l e n a v e r d a d e . O ateniense: O s h o m e n s d a q u e l a é p o c a c o n t a v a m c o m u m a o u t r a v a n t a g e m q u e e r a d e g r a n d e v a l i a p a r a facilitar a legislação. Megilo: E q u a l e r a e l a ? 0 ateniense: S e u s l e g i s l a d o r e s , n o s o u e m p e n h o d e e s t a belecer a i g u a l d a d e d o s b e n s , e s t a v a m livres d a p i o r d a s acusações que acontecem comumente em Estados onde v i g o r a m leis d e t i p o d i v e r s o , q u a n d o q u a l q u e r um. s e p r o p õ e a t r a n s t o r n a r a o c u p a ç ã o da t e r r a ou p r o p õ e a a b o l i ç ã o d a s d í v i d a s visto q u e p e r c e b e q u e s e m a a d o ç ã o d e s s a s m e d i d a s a i g u a l d a d e n u n c a p o d e r i a ser plen a m e n t e assegurada. Em tais casos, se o legislador tentasse transtornar q u a i s q u e r dessas coisas, todo um povo o confrontaria dizendo-lhe p a r a não m u d a r o imutável, e o a m a l d i ç o a r i a p o r i n t r o d u z i r r e d i s t r i b u i ç õ e s de terr a s e supressões de dívidas, r e d u z i n d o todos à impotência. M a s os dórios d i s p u n h a m dessa v a n t a g e m adicion a l , p e l a q u a l e s t a v a m livres d e t o d o m e d o d e c a u s a r animosidade: p o d i a m dividir sua terra sem contestaç ã o e n ã o t i n h a m d í v i d a s de m o n t a e a n t i g a s . * • Megilo: E verdade.
c

• • O s doutos imindiitani o Petefio«eso, se cstafccftceso» e po* dincito de ««quisto podiom rjoge» o que bem fe enlcndcsse. ».màme.no de dine.itos po» pente, dos ontiqos pMiptietó.iios de tejtras ou e«edo»es cm. ponto»to, infidmissiVcP. (n.t.) • • • ©u scjn, -jbr-jns o o

O ateniense: O r a , c o m o e x p l i c a r , e x c e l e n t e s s e n h o r e s , o fato de seu estabelecimento e s u a legislação t e r e m se tornado tão ruins? Megilo: O q u e q u e r e s d i z e r ? Q u e f a l h a p o d e s a í e n c o n t r a r ? O ateniense: Esta: havendo três Estados estabelecidos,

dois deles, • • • r a p i d a m e n t e d e s t r u í r a m sua constituiç ã o e s u a s leis, a p e n a s u m d e l e s p e r m a n e c e n d o estáv e l . . . e e s t e foi o t e u E s t a d o , Megilo. Megilo: E s t a q u e s t ã o n ã o é n a d a fácil. O ateniense: E n o e n t a n t o e m n o s s o e x a m e e i n v e s t i g a ç ã o deste a s s u n t o , n o s d e d i c a n d o a o jogo s ó b r i o d a s leis da m a n e i r a q u e compete a h o m e n s velhos, é imperioso q u e prossigamos em nossa jornada sem pesar, como dissemos q u a n d o partimos.

-jtlcssênia. (n.t.)

147

Platão - As Leis
Megilo: C e r t a m e n t e , é p r e c i s o q u e f a ç a m o s c o m o d i z e s .
* Conjoime o feudo, esposo de Sewíwjmis, Jundodofi do Anpówo O S S Í M O e íiosponsóücí jioCo oonstwçÃn do ^Alútirt: po» lioftn do 2 2 0 0 o. C.. >-Alino teia sido assassinado po» «<fe» do Soniíwmis. (n.l.)

O ateniense: B e m , q u e l e i s o f e r e c e r i a m m e l h o r a s s u n t o p a r a i n v e s t i g a ç ã o d o opie a s l e i s p e l a s q u a i s a q u e l e s Estados eram governados? Ou, existiriam Estados maiores ou m a i s notórios em relação aos q u a i s p u d é s s e m o s investigar o estabelecimento? Megilo: S e r i a difícil e n c o n t r a r e x e m p l o s s u p e r i o r e s a esses. O ateniense: E b a s t a n t e óbvio q u e as p e s s o a s d a q u e l a

** fisfa cvp.iossõo, constante nos itiseiiiçõcs do Ci»o, em p.toioeoiaí pn/rfl a designação dos pode/tosoc u m d a % « , inas t hem posséJef. que Tfotno se wffiWsse oepeoijieoí«on(o ao eonliwpoMW u t a a m n s II. sei do
(

época visavam com sua organização a suprir u m a proteção a d e q u a d a n ã o só p a r a o Peloponeso como t a m b é m para toda a H c l a d e no caso de um a t a q u e de qualquer povo b á r b a r o , e x a t a m e n t e c o m o os antigos h a b i t a n t e s d o território d e llion s e h a v i a m s e n t i d o n a sua arrogância e s t i m u l a d o s a e m p r e e n d e r a G u e r r a de T r ó i a confiando no p o d e r assírio c o m o este fora no r e i n a d o de Nino,' pois m u i t o d o esplendor d a q u e l e I m p é r i o a i n d a subsistia e as pessoas d a q u e l a é p o c a t e m i a m o s e u pod e r c o n f e d e r a d o , t a l c o m o n ó s h o j e t e m e m o s o Orande Rei.'* P e l o f a t o d e T r ó i a t e r s i d o u m a p a r t e d o I m p é r i o assírio, a s e g u n d a • * • t o m a d a de Tróia representava u m a séria a c u s a ç ã o c o n t r a o s gregos. Foi e m f u n ç ã o d e t u d o isso q u e a s forças d ó r i a s e s t a v a m n a q u e l a é p o c a organiz a d a s e distribuídas entre três Estados sob a soberania de p r í n c i p e s i r m ã o s , os filhos de H é r a c l e s , « * • • o q u e era considerado admirável e nos seus recursos superior m e s m o à s forças q u e h a v i a m m a r c h a d o c o n t r a T r ó i a , pois os h o m e n s estimavam, em primeiro lugar, q u e dispun h a m de m e l h o r e s c h e f e s do q u e os pelópidas • • • • • n a s p e s s o a s d o s filhos de H é r a c l e s c em s e g u n d o l u g a r q u e esse exército e r a d e valor s u p e r i o r a o exército q u e r u m a r a p a r a T r ó i a , este ú l t i m o , a q u e u , t e n d o s i d o d e c i d i d a m e n t e d e r r o t a d o pelo p r i m e i r o , q u e e r a dório. N ã o dever í a m o s n ó s s u p o r q u e e r a d e s s a m a n e i r a , e c o m e s s a intenção q u e os homens daquela época se organizavam? Megilo: Certamente.

P<"»BÍO

e.nl»o 4 0 5 e 3 S g a. (!.. que ( m i a eoPebtado oi« 8 8 7 a. C. um ttafado oo» fispaífa que punda fim a todas os coi>fode»açõcs ItePêniens. *** psimeisa tomada dc

Tlióia c mencionado; pm rííotKfJio no canlo -Ti (640 e

seys.) da SPiarifl como afeta
de TMésacPes (vJióseuPes) duíionte o «oino dc '-lioomcdoti,

(n.t.) . . . . (f) . HpaKÍxtSat
pní dc
r

'PÍÍOJHO.

(fidos de ^((iioeSes) jrí mencionados amm Qcmenos. sobeíono de ._4»gos. 'piióefe e P,(i«íslinos da idíae.ônía e Om^mim da ^ilessôiiiain.t.)

•**•• f)s I leXomôai
(jiílos dc '-PéCops) cio» os elwfes gtegos do cosco o 'i'J»óia: \A gnmoiioii. Í C Í de

O ateniense: N ã o é t a m b é m p r o v á v e l q u e s u p u n h a m s e r esse um sistema estável e t e n d e n t e a p e r d u r a r muitíssim o t e m p o v i s t o q u e t i n h a m c o m p a r t i l h a d o m u i t o s lab o r e s e perigeis, e e r a m c o m a n d a d o s p o r c h e f e s d e u m a ú n i c a família (sendo s e u s principies, i r m ã o s ) c visto q u e , ademais, h a v i a m consultado vários adivinhos e, entre o u t r o s , Apoio em Delfos?

..Aliecítns e de trigos, e
.^'UenePau, /iei de P,spfi*ta.{n.l.)

148

Livro III
Megilo: N ã o h á d ú v i d a q u e i s s o é p r o v á v e l . O ateniense: Mas parece que tais g r a n d e s expectativas

desvaneceram celereinente, com a ú n i c a exceção, c o m o o d i z e m o s , d e u m a p e q u e n a p a r t e , o vosso E s t a d o d a Laoô n i a ; c d e s d e e n t ã o a t é a a t u a l i d a d e e s s a p a r t e n u n c a cess o u de fazer g u e r r a c o n t r a as o u t r a s d u a s , e todavia se o p l a n o original tivesse sido c o n c r e t i z a d o n o s e n t i d o d a u n i ã o , u m p o d e r bélico invencível teria sido c r i a d o . Megilo: I s s o c o m t o d a a c e r t e z a . O ateniense: E n t ã o c o m o e p o r q u e m e i o s t a l p l a n o foi frustrado? N ã o valeria a p e n a inquirir q u e golpe do destino • • • • • • teria arruinado uma união políti. . . . . . TUXT), 0 jojtimo. 0 OCOCO, 0 Sft*! fcs *.5jCS fcmáxf c f r % . às «fjps dcejflOWiueP s iii^ííg). (n.t.) . . . . . . . jl j { :, ,
) 0 a i (

ca • • • • * » • tão grandiosa? Megilo: S i m , p o i s c a s o se. n e g l i g e n c i a s s e t a l c o i s a , p r o v a velmente não se encontraria alhures constituições ou leis q u e p r e s e r v a s s e m i n t e r e s s e s t ã o l e g í t i m o s e g r a n d i o sos ou q u e , ao c o n t r á r i o , os a n i q u i l a s s e m c a b a l m e n t e . O ateniense: Neste ensejo, então, por u m a felicidade,

0UCTTT)pa no sou sentido
&tM0J OWjitmí S!(|liií.ifOM eim|ifositicníe rosi/Mt/o. MftMíi, tcwtião, dapns/fâô, mo
1

c o m o p a r e c e , e m b a r c a trios n u m a i n v e s t i g a ç ã o d e c e r t a importância. Megilo: Indubitavelmente.

iin|ift"f!Oiiflr! neecesaMomcnlo no CPKWtto de um conjunto coeso e owjraitgfido no quuí Iodos OS [íoiifes eonhitiuem peno o |iei^eifo fitiieionnidoflf do lodo. rpie é o eoneelto modismo de Vr.iftw. ^4qni especi^ícomailc o conceito se ri|wovii»o muito do conceito de CTltffdfMlçáo (au.<|>tKTiovia, au(|)iKTiX)Vta). (n.l.)

O ateniense: O r a , m e u c a r o s e n h o r , n ã o i m a g i n a m i n c o n s c i e n t e m e n t e os seres h u m a n o s em geral, c o m o nós present e m e n t e , q u e ti>do b e l o o b j e t o e m q u e p o u s a m o o l h a r p r o duziria resultados maravilhosos se alguém simplesmente compreendesse a m a n e i r a correta de lazer um bom uso dele? C o n t u d o , n o q u e c o n c e r n e a nós, s u s t e n t a r u r n a tal idéia relativamente a o a s s u n t o q u e d e p a r a m o s seria possivelmente tanto errado q u a n t o contrário à natureza, o m e s m o sendo verdadeiro em conexão c o m todos os outros casos n o s q u a i s os h o m e n s s u s t e n t a m tais idéias. Megilo: O q u e q u e r e s d i z e r ? E q u e d i z e r m o s d o q u e s e ria o propósito de t u a s palavras? O ateniense: Ora, meu b o m senhor, é de m u n m e s m o

q u e a c a b o d e z o m b a r , p o i s q u a n d o c o n t e m p l e i e s s a org a n i z a ç ã o d a q u a l e s t a m o s f a l a n d o julguei-a urna coisa e s t u p e n d a e p e n s e i q u e s e a l g u é m t i v e s s e feito u m b o m u s o dela. n a q u e l a é p o c a , t e r i a s e r e v e l a d o , c o m o disse, u m t e s o u r o prodigioso p a r a o s gregos.

149

Platão - As Leis
Megilo: E n ã o foi a b s o l u t a m e n t e a c e r t a d o e . s e n s a t o d e t u a p a r t e d i z e r isso, e da n o s s a endossá-lo? 0 ateniense: T a l v e z , e m b o r a e u c o n c e b a q u e t o d o s q u a n do c o n t e m p l a m algo g r a n d e , p o d e r o s o e vigoroso s ã o inst a n t a n e a m e n t e atingidos pela convicção de q u e se seu possuidor soubesse como empregar um instrumento de tal m a g n i t u d e e q u a l i d a d e , p o d e r i a p r c i m o v e r s u a p r ó p r i a felicidade m e d i a n t e m u i t a s realizações maravilhosas. Megilo: E n ã o é e s s a u m a c o n v i c ç ã o l e g í t i m a ? Q u e t e parece? O ateniense: E x a m i n a p o i s a s c o n s i d e r a ç õ e s q u e , e m rel a ç ã o a q u a i s q u e r objetos, conferem l e g i t i m i d a d e a esse louvor. E a c o m e ç a r pelo a s s u n t o neste m o m e n t o discutido: se os h o m e n s que se achavam então c o m a n d a n d o o exército s o u b e s s e m c o m o o r g a n i z a r c o n v e n i e n t e m e n t e s u a s forças, c o m o t e r i a m l o g r a d o o êxito? N ã o deveria ter sido c o n s o l i d a n d o tais forças com firmeza e as conservando perpetuamente, de modo que poderiam tanto assegurar s u a p r ó p r i a liberdade «pianto ser senhores de t o d o s a q u e l e s q u e escolhessem, e de m o d o q u e eles e seus filhos p u d e s s e m fazer o q u e lhes a p r o u v e s s e m através do m u n d o d o s gregos b e m c o m o d o m u n d o d o s b á r b a r o s ? N ã o seriam essas as razões pelas q u a i s s e r i a m louvados? Megilo: Certamente.

O ateniense: E e m t o d o s o s c a s o s e m q u e a l g u é m faz o discurso do louvor a n t e a opulência, ou à vista de honras q u e d i s t i n g u e m famílias ou de q u a l q u e r o u t r a coisa d o g ê n e r o , n ã o s e r i a c o r r e t o d i z e r q u e a o e m p r e g a r tal d i s c u r s o , esse a l g u é m tivesse s o b r e t u d o e m m e n t e q u e é provável q u e o p o s s u i d o r dessas coisas concretizaria todos, ou. ao m e n o s , a m a i o r i a e os m a i s caros entre os seus desejos? Megilo: P a r e c e - m e s e r i s s o p r o v á v e l . 0 ateniense: O r a , v e j a m o s . . . h á a l g u m d e s e j o - a p o n t a do p o r n o s s a d i s c u s s ã o - q u e seja c o m u m a t o d o s os seres h u m a n o s ? Megilo: Q u a l s e r i a e s s e ? O ateniense: A q u e l e s e g u n d o o q u a l t u d o - o u a o m e n o s t u d o q u e é h u m a n a m e n t e possível - acontecesse de acordo com as exigências de nossa alma.

150

Livro III
Megilo: Com certeza.

O ateniense: B e m , c o n s i d e r a n d o - s e s e r este o n o s s o d e s e j o c o m u m e c o n s t a n t e , seja n a i n f â n c i a , n a m a t u r i d a d e o u n a v e l h i c e , d e v e r i a m s e r a favor d e l e n o s s o s c o n t í n u o s votos? Megilo: M a s é c l a r o . O ateniense: A d e m a i s , em n o m e de n o s s o s a m i g o s so-

m a r í a m o s a o s s e u s n o s s o s p r ó p r i o s votos. Megilo: Com certeza.

O ateniense: O r a , u m f i l h o , q u e é u m a c r i a n ç a , é a m i g o do h o m e m q u e é seu pai. Megilo: Certamente. E, no entanto, um pai pedirá freqüentemente

O ateniense:

a o s d e u s e s q u e a s c o i s a s q u e s e u filho solicita p o s s a m n ã o s e r d c m o d o a l g u m c o n c e d i d a s c o n f o r m e o voto d o filho. Megilo: Q u e r e s d i z e r q u a n d o o f i l h o q u e s u p l i c a é a i n da j o v e m e tolo? 0 ateniense: S i m , e t a m b é m q u a n d o o p a i , o u p o r s e r j á velho ou p o r ser jovem d e m a i s , destituído de t o d o senso d o d i r e i t o e d o j u s t o , c e d e a v e e m e n t e s s ú p l i c a s a favor d a p a i x ã o ( c o m o a q u e l a s d e T e s e u c o n t r a H i p ó l i t o , q u e enc o n t r a u n i fim d e s v e n t u r a d o • ) , e n q u a n t o o filho, a o c o n trário, d i s p õ e de um senso de justiça. E neste caso s u p õ e s q u e o filho a c o m p a n h a r á o p a i n a s súplicas deste? Megilo: C o m p r e e n d o o q u e rpieres dizer. O q u e preten• íAmado de. to (ratado dcsoMOí 'xíedko, suo mndiwisla, Wipóftlo fltwiiu o | a n dc vleseu, m pau o quoP eijcíiijmnfiiiu" iMoeott m fwónitío pof (o deus 'Poscidon) uma moídiçõo c o n t a o |ítto, Quiottdo suo bígo. ÇtíipóCito {oi irtaceptodo poa um tomo, que eni/iodo po« •Ttoscídon ossosío» os eoDofos; estes desequiPibttttont o biga, cousfudo o quedo de tUipófito. que oiiido p»e.so ò mesmo {oi ottostado oté o iitoiiíc. (n.t.)

des dizer, a m e u ver, é q u e a q u i l o q u e u m h o m e m deve s u p l i c a r e a n e l a r pelos seus votos n ã o é q u e t u d o camin h e s e g u n d o seu p r ó p r i o desejo - visto q u e seu desejo de m a n e i r a alguma acata sua própria razão. E sim pela vitória da r a c i o n a l i d a d e q u e todos nós - tanto E s t a d o s q u a n t o indivíduos - devemos suplicar e lutar. 0 ateniense: S i m , e q u e , e u a t i v a r i a v o s s a m e m ó r i a b e m c o m o a m i n h a , d e c o m o foi d i t o (se b e m o l e m b r a i s ) n o princípio q u e o legislador do Estado ao estabelecer suas d e t e r m i n a ç õ e s legais, t e m s e m p r e q u e levar em c o n t a a racionalidade. A injunção que apresentastes 6 que o b o m l e g i s l a d o r t i n h a q u e m o l d a r t o d a s s u a s leis c o m vistas na g u e r r a ; eu, por outro lado, sustentei q u e e n q u a n to c o n f o r m e vossa i n j u n ç ã o as leis fossem m o l d a d a s tend o c o m o referencial a p e n a s u m a d a s q u a t r o virtudes, e r a

1S1

Platão - As Leis
•... i()povr)CTiç 8 E I T |
T O U T O
K C U

r e a l m e n t e essencial considerar a virtude total e a c i m a de tudo dar conta da principal virtude entre as quatro, a qual é a sabedoria, a razão e a opinião, * associadas à paixão e ao d e s e j o * • q u e as a c o m p a n h a m . E a g o r a a d i s c u s s ã o ret o r n o u o u t r a vez a o m e s m o p o n t o , d c sorte q u e r e p i t o neste m o m e n t o m i n h a afirmação anterior, a título de gracejo, s e p r c f e r i s , o u c o m g r a v i d a d e . E s t i m o q u e a s ú p l i c a c o n s t i m i u m a p r á t i c a perigosa p a r a a q u e l e q u e está priv a d o d a r a z ã o e q u e o q u e ele o b t é m é o o p o s t o d e s e u s desejeis, p o i s s e g u r a m e n t e e s p e r o q u e , n a m e d i d a q u e a c o m p a n h a i s o a r g u m e n t o recém-proposto, percebereis q u e a c a u s a da r u í n a desses reinos e de seu projeto na t o t a l i d a d e n ã o foi a c o v a r d i a o u a i g n o r â n c i a d a a r t e d a guerra por parte dos governantes ou daqueles que deviam ter sido seus súditos, m a s q u e a q u i l o q u e o s a n i q u i l o u f o r a m vícios d e o u t r o s g ê n e r o s , e e s p e c i a l m e n t e i g n o r â n c i a d o s i n t e r e s s e s m a i o r e s d a h u m a n i d a d e . Q u e e s t e foi o curso dos eventos então, q u e a i n d a p e r d u r a sempre q u e tais eventos o c o r r e m e q u e será s e m e l h a n t e no futuro isto, c o m v o s s a p e r m i s s ã o , m e e m p e n h a r e i e m d e s c o b r i r n o d e c o r r e r d a p r ó x i m a d i s c u s s ã o , t o r n a n d o - o o m a i s clar o q u e p o s s a a vós, m e u s e x c e l e n t e s a m i g o s . Clínias: C u m p r i m e n t o s verbais t ê m peso precário, cs

V O Ü Ç

Kttt

8 o £ , a . . . ij, luqrn. o páincipoP iwtude psopíW.afnenfe dita é o sabcdo.wo ( u ) p o v r | m ç ) , o lHtf.0en.to e o OpiniOO SCildo OS «(CePoS C »oc«sos indíspensáais pm atingi-la. (n.t.) "...
€ p ( O T O Ç T E

Kttt

e m O u p t a ç . . . , o dmjo smmée o apti/ik mm tradução mais pwVimo do PiíeítaPidadc, (n.t.) **•... e a v 0 e o ç e O c ^ T ] . . . . fi perfeitamente oobúJeJ do ponto ds uisla jiWógioo oejui todujis montado deus no SÜKJBPO*. Cfmiac podouo te* em mente um dm em pa»tieufos, rfigninos o deus mais pnestigiado dc ( V i a . 'Discordamos, entíietanto, dc fcwdugi/i po» <Zkm (... m Daiis qwsnt...) pois o monoteístno com base num "DIIUS úiiifto taiiscendonto, destituído dc owíMades c allibutos liumaiios (da concepção |udoíco, po* erempfc) é tetaPmcnío csl»f»ilio à teíigiosidode g tego c.
;

trangeiro. Mas pela ação, se n ã o pela palavra, prestarem o s a ti os m a i s elevados c u m p r i m e n t o s a t e n t a n d o ans i o s a m e n t e a o t e u d i s c u r s o , e é a s s i m q u e o h o m e m livre demonstra se os cumprimentos são espontâneos ou não. O ateniense: Muito bem, Clínias. F a ç a m o s como dizes.

Clínias: A s s i m s e r á , s e o s d e u s e s o q u i s e r e m . • * • A p e nas prossegue falando. O ateniense: B e m , a f i m d e a v a n ç a r n a s e n d a d c n o s s a d i s c u s s ã o , a f i r m a m o s q u e foi a i g n o r â n c i a s o b s u a forma mais aguda que naquela época destruiu o poder que descrevemos, e que, naturalmente, continua prod u z i n d o os m e s m o s resultados; e se assim é, conclui-se q u e o legislador precisa procurar instalar nas cidades o m á x i m o p o s s í v e l ele s a b e d o r i a e d e s e n r a i z a r a e s t u l t í eia • • • • o m á x i m o q u e s e u p o d e r o permitir. Clínüis: Obviamente. Que ignorância mereceria ser c h a m a d a a

incompatíucf com sua mitofogio. (n.t.) * * * • a v o i a é o negação ou ausência da v o i g a i ç , rpm é o jaeuPelodo ele pensa», o intePiqíncío, sendo assim Ptlowrfmcntc o inidtêgmia. JnoPogamenfe. o poPomo a y v o t a (ignosâneia) designa o negação ou Poeuno de y v o x n ç (e.oníiee.imento); PPolão também cjnpíioga ouUn poPruio jownnaa com o fmjfm

O ateniense:

maior? V e d e s e v ó s c o n c o r d a i s c o m m i n h a d e f i n i ç ã o . . . p a r a m i m é esta...

152

Livro III
dc. ncgoçòn a pa»o designa» a Clínias: Qual? em lugar iíjnciítâwsn. deseonfccimcnlo, ((iip. c. a u a O t a , o ous&eia da | i u ü r ) c u ç eu ua8T|jirjt (iustaiçãa, «iêncio. ccníipeitnento). (n.t.) ***** ()aimimelf% ama onaPogio cnljc O Selado ÍTtOÀtç) r. a afina (vjyuxr|). Como cm otefofcíte. polia
VQrtãa a riíwa (WÍMIUO c,

O ateniense: A q u e v e m o s n a q u e l e q u e o d e i a

de a m a r a q u i l o q u e julga ser n o b r e e b o m , ao m e s m o t e m p o q u e a m a e a c a r i n h a o q u e julga ser m a u e injusto. E s s a falta d e h a r m o n i a e n t r e o s s e n t i m e n t o s d e d o r e p r a z e r e o d i s c e r n i m e n t o r a c i o n a l é, eu o s u s t e n t o , a extrema f o r m a de i g n o r â n c i a e também a maior p o r q u e é p e r t i n e n t e à m a i o r p a r t e da a l m a , ou seja, a q u e l a q u e sente dor e prazer, correspondente à massa popul a c i o n a l do E s t a d o . • • • • • Assim s e m p r e q u e essa p a r t e se opõe ao que por natureza são os princípios reguladores ( c o n h e c i m e n t o , o p i n i ã o ou razão), c h a m o essa cond i ç ã o d e estultíc.ia seja n u m E s t a d o ( q u a n d o a s m a s s a s d e s o b e d e c e m o s g o v e r n a n t e s e a s leis), s e j a n u m i n d i v í d u o ( q u a n d o o s n o b r e s e l e m e n t o s r a c i o n a i s q u e exist e m n a a l m a n ã o p r o d u z e m n e n h u m b o m efeito, m a s p r e c i s a m e n t e o contrário). Todas estas eu teria na cont a d a s m a i s d i s c o r d a n t e s f o r m a s d e i g n o r â n c i a , seja n o E s t a d o ou no indivíduo, e n ã o a ignorância do artesão, se é q u e me entendeis, estrangeiros. Clínias: E n t e n d e m o s , c a r o a m i g o , e c o n c o r d a m o s . O ateniense: E n t ã o q u e f i q u e a s s i m r e s o l v i d o e d e c l a r a do q u e n e n h u m controle será confiado a c i d a d ã o s det e n t o r e s d e t a l i g n o r â n c i a , m a s s i m q u e e s t e s s e r ã o reprovados por sua ignorância, m e s m o sendo experientes no raciocínio, treinados em todas as habilidades e em tudo que promove a agilidade da alma, enquanto aqueles q u e d e t ê m u m a d i s p o s i ç ã o m e n t a l o p o s t a a e s s a , deverão ser considerados sábios, até m e s m o se - como diz o provérbio " N ã o s a b e m n e m ler n e m n a d a r " . A estes últimos, c o m o a h o m e n s de senso, o governo dever á ser c o n f i a d o , p o i s s e m h a r m o n i a , m e u s a m i g o s , c o m o p o d e r i a existir s e q u e r a m a i s í n f i m a fração de s a b e d o ria? È impossível. E a maior e melhor d a s h a r m o n i a s seria tida c o m justeza c o m o a m a i o r sabedoria, da q u a l c o m p a r t i l h a a q u e l e q u e vive s e g u n d o a r a z ã o , e n q u a n to a q u e l e a q u e m ela falta s e m p r e se revelará um dest r u i d o r d e c a s a s * * * * ' ' e j a m a i s u m s a l v a d o r d o Estado devido a sua ignorância dessas matérias. Portanto, q u e tal e n u n c i a d o p e r m a n e ç a , conforme o dissemos há pouco, como um dos nossos axiomas.

compAs» c licte.wgênca, um todo constante que necessito m noinogonigado. Aíeste caso
L 1

Wolãn eompo«o a fcí

(voftoç). iísfaoicifirc do icgpiitc do £'stado, à mgão (Koyoq,
V Ü U Ç

- o pa,ttc. da

afina a que c a l » otaa» como

e.Pemeiito «cgeute no indiiíduo). Sn sumo, no fisloda como na oPma íiumono lia uma pa»tc rjue dm gowMo» e autua a se*
gotciiKodo. mas a pMnwina

poste (a jKvjno o« a ki do gwcwante, iíifeíoíWntc OlKO<t>(k>pOÇ, que fiiienicníe poderíamos undují.» como nqucfe que rmuíKO m uegófínt domésticos, já que o conceito o i K t a P muito mais fato do que casa. (n.t) quofifatiiompnte supe.tioí) c guniifitatiiomeníe ii^nío» à segunda paute (constituído pejo insfiiiliiO e a emocionai na nfma c a mossa dc go*,tnados no ísiado). embata 'TÍVilão distingo o sentimento, o poftõo (Bllpoç) do desejo, apetite (eretOupta), suo onaíVigío é láfido e eficiente pois avim deite» sc» eoni»oíadoe pefa 10-300. (n.l.)

153

Platão - As Leis
CUnias: Que permaneça.

O ateniense: N o s s o s E s t a d o s , p r e s u m o , n e c e s s i t a m c o n tar com governantes e governados. CUnias: É claro.

O ateniense: M u i t o b e m . Q u a i s e q u a n t o s s ã o o s t í t u l o s ou direitos, sob consenso, de a u t o r i d a d e e de obediência existentes t a n t o nos Estados, g r a n d e s ou p e q u e n o s , como nos ambientes domésticos? N ã o será um deles o do p a i e da m ã e ? E, no geral, n ã o será o direito dos pais • LA ftesficito da aulokidade c, diluída das pais, um dos oCicenees da cidade, antiga, c bastante (wo*itosa a Peitaa dc lA Cidade cAntiga, dc, cKisteP dc CouPanges, fftod. dc fídson ífiüii, (incsente nesta mesma Séíiie Clássicos Sdipno. (n.t.) •v.ysvvatouç aysvvcov apxeiv.... '-PPotão é pessoaCmcnte um aftistocftata c o gouewo guc ideaPiga pana o seu modePo soo.iaPista de fístado c aitisiocitáHco, ou seja, eoPocado nas meios dos a p n x u o v , os rnePíioies [cidadãos], aqucPes que reuniam o moio/i númefto de lirfudes (sobedoJia, bftafuía, te.inpctattç.a, etc), Cim, na prática estes rafitn os mais bom nascidos, os nohtcs. (n.t.) * * * p.stó cPaio que o ducito de mandou de quem goeowo ini|iPieo ncecBSfl.tiainente o deie» de obedecei de quem é goecwado. (n.t.) CUnias: Está certo. O ateniense: O q u a r t o d i r e i t o é o q u e e x i g e a o b e d i ê n c i a dos escravos d i a n t e do m a n d o dos senhores. CUnias: É indiscutível. de governar seus d e s c e n d e n t e s u n i v e r s a l m e n t e justo?» CUnias: Certamente.

O ateniense: E d e p o i s d e s s e o d i r e i t o d o n o b r e g o v e r n a r o n ã o - n o b r e , • • e a s e g u i r c o m o um t e r c e i r o d i r e i t o , o d o s m a i s v e l h o s g o v e r n a r e m e o s m a i s j o v e n s s e r e m governados. • • •

O ateniense: E o q u i n t o é, eu o i m a g i n o , o do m a n d o do m a i s forte s o b r e o m a i s fraco. CUnias: Acabas de formular u m a forma de autoridade compulsória.

verdadeiramente O ateniense:

E q u e p r e d o m i n a e n t r e t o d o s o s s e r e s vi-

vos, s e n d o " d e a c o r d o c o m a n a t u r e z a " , c o m o o disse P í n d a r o de Tebas. O m a i s i m p o r t a n t e título ou direito é, a p a r e n t e m e n t e , o sexto, o q u a l d e t e r m i n a q u e a q u e l e q u e carece de e n t e n d i m e n t o deve a c a t a r , e o s á b i o conduzir e c o m a n d a r . Ora, neste caso, m e u m u i sapiente Píndaro, eu n ã o diria certamente q u e é contra a n a t u r e z a , p o r é m i n t e i r a m e n t e de a c o r d o c o m ela - a a u t o r i d a d e e x e r c i d a s e m c o n s t r a n g i m e n t o p e l a lc;i s o b r e o s governados que a aceitam voluntariamente. CUnias: Uma justíssima observação.

O ateniense: O f a v o r d o s d e u s e s c da f o r t u n a c a r a c t e r i za a sétima forma de governo, na qual um h o m e m se adianta p a r a um lance da sorte e declara q u e se g a n h a r s e r á c o m j u s t i ç a o g o v e r n a n t e , e se n ã o o c o n s e g u i r ass u m i r á s e u l u g a r e n t r e eis g o v e r n a d o s .

154

Livro III
CUnias: Corretíssimo.

O ateniense: " V ê , ó l e g i s l a d o r . . . , " e i s o q u e p o d e r í a m o s dizer p a r t i c i p a n d o d o jogo d e u m d a q u e l e s q u e encet a m d e s p r e o c u p a d a m e n t e o l a b o r l e g i s l a t i v o , "... q u a n tos são os direitos q u e c o n c e r n e m aos governantes, e q u a l é a oposição essencial q u e os s e p a r a ? Descobrim o s a q u i agora u m a fonte d e divisões q u e deves remediar. Assim, em p r i m e i r o lugar, junta-te a n ó s no investigar c o m o aconteceu e devido a q u e transgressão desses direitos os reis de Argos e M e s s ê n i a p r o v o c a r a m a r u í n a t a n t o p a r a s i c o m o p a r a o p o d e r d a G r é c i a , formidável c o m o era este n a q u e l a época. N ã o teria sido através da ignorância d a q u e l e justíssimo dito de Hesíodo, a saber, A m i ú d e é a m e t a d e maior q u e o todo'?" • • • • No caso de ser p r e j u d i c i a l t o m a r o t o d o , s e n d o a m e t a de suficiente, julgava ele c o n c l u s i v a m e n t e a favor da superioridade do m o d e r a d o sobre o imoderado, do melhor sobre o menos bom. CUnias: Justíssimo, realmente. E e n t ã o , a n o s s o ver, j u n t o a o s reis q u e • • " l A j i f t m o e õ o Pogieomentc mulMiátóMa se eonsidcftodn
isoPodoinente, „OÍO de

conterfo. L/Uns se o eyotninaitmos em A ÜMÒnfíios fi ps T)io<! e o
c

eineuCasmos ei qucefrio aqui O ateniense: aos povos? CUnias: Provavelmente isso é, principalmente, uma ttntodo poí ^Píofõn, ue»cmos que o que se cjuticn é ei p/iófwio cieesso do podeit poPítioo. ou sejo, se a sduocõo é toP que nõo nesta o que fogo* senõo optem entoe o todo oiwss/W e o mo/ode aqudd-imda, dcue-se p*ofe«i« esta úptiina. (n.t.) isso a p a r e c e u s u a l m e n t e p a r a a r u í n a deles ou j u n t o

d o e n ç a dos reis q u e se c o m p r a z e m na s o b e r b a e na voluptuosidade. O ateniense: N ã o é evidente q u e a q u i l o pelo q u e esses

r e i s s e e m p e n h a r a m i n i c i a l m e n t e foi o b t e r o m e l h o r d a s leis e s t a b e l e c i d a s , e q u e n ã o e s t a v a m de a c o r d o e n t r e si quanto ao que haviam prometido e jurado, de m o d o que a discórdia gozando da reputação de sabedoria, m a s r e a l m e n t e , c o m o a s s e v e r a m o s , o fastígio da ignor â n c i a - d e v i d o a s u a d i s s o n â n c i a e falta de h a r m o n i a , c o n d u z i u todo o m u n d o grego à r u í n a ? Clínias: Assim parece, seguramente.

O ateniense: M u i t o b e m . Q u e p r e c a u ç ã o d e v e r i a t o m a r o l e g i s l a d o r n a é p o c a a o p r o m u l g a r a s l e i s a fim d e s e p r o teger contra o d e s e n v o l v i m e n t o d e s s a d o e n ç a ? Pelos deus e s , p a r a p e r c e b ê - l o a g o r a n ã o s e exige g r a n d e s a b e d o r i a e n e m s e t r a t a d e algo difícil d e ser r e c o n h e c i d o , m a s a q u e l e q u e o tivesse previsto n a q u e l e s d i a s - se possível fosse p r e v ê - l o - t e r i a s i d o a l g u é m m a i s s á b i o d o q u e n ó s .

155

Platão - As Leis
Megilo: A o q u e e s t á s a l u d i n d o ? 0 ateniense: O b s e r v a n d o - s e o q u e a c o n t e c e u , Megilo, e n t r e v ó s , l a c e d e m f t n í o s , é fácil p e r c e b e r e d e p o i s d e p e r c e b e r a f i r m a r o q u e d e v i a t e r s i d o feito n a q u e l a é p o c a . Megilo: S ê a i n d a m a i s c l a r o e m t u a s p a l a v r a s . O ateniense: A m a i s c l a r a d a s a f i r m a ç õ e s s e r i a e s t a . . . Megilo: Qual? Se d e s o n r a r m o s da regra da m e d i d a atri-

O ateniense:

b u i n d o coisas de d e m a s i a d o p o d e r a coisas d e m a s i a d a m e n t e p e q u e n a s , sejam velas à s e m b a r c a ç õ e s , alimentos a o s c o r p o s , cargos a d m i n i s t r a t i v o s à s a l m a s , e n t ã o t u d o se t r a n s t o r n a r á , e f u n c i o n a r ã o m e d i a n t e o excesso da d e s m e d i d a , resultando em alguns casos em distúrbios c o r p o r a i s , n o u t r o s n a q u e l e r e b e n t o d a d e s m e d i d a cpie é a injustiça. O q u e temos, p o r t a n t o , a concluir? N ã o s e r á isto?... o u seja, q u e n ã o existe, m e u s a m i g o s , u m a a l m a mortal cuja n a t u r e z a , e n q u a n t o jovem e irresponsável, j a m a i s seja c a p a z d e s e colocar n a m a i s e l e v a d a posição de m a n d o na Terra s e m ter a m e n t e e m p a n t u r r a d a da m a i o r das e n f e r m i d a d e s , a estultíeia, e g r a n j e a n d o a a b o m i n a ç ã o de seus a m i g o s mais próxim o s ; e q u a n d o isso o c o r r e , r a p i d a m e n t e a r r u i n a a p r ó pria a l m a e a n i q u i l a a totalidade de seu poder. Exercer p r o t e ç ã o c o n t r a isso m e d i a n t e a p e r c e p ç ã o da d e v i d a m e d i d a constitui a tarefa do g r a n d e legislador. Por con s e g u i n t e , a m a i s razoável c o n j e c t u r a q u e p o d e m o s estab e l e c e r n o m o m e n t o a r e s p e i t o d o q u e pode; t e r a c o n t e cido n a q u e l a é p o c a p a r e c e ser esta... Megilo: Qual?

O ateniense: P a r a c o m e ç a r , h a v i a u m d e u s z e l a n d o p o r vós e, a n t e v e n d o ele o f u t u r o p r e n d e u d e n t r o de limites a p r o p r i a d o s o poder real fazendo com q u e vossa linhaf)<: w s m m d m «unos. („j_)
' 0 flwjisPnrfri* íilifiaijo

8

e n l

d e i x a s s e de ser s i m p l e s p a r a ser d u p l a . • Em seguino q u a l a n a t u r e z a h u m a n a

da, um certo h o m e m • •

foi m e s c l a d a a o p o d e r d i v i n o , v e n d o q u e v o s s a r e a l e z a a i n d a p e r m a n e c i a t o m u d a d e delírio febril, c o m b i n o u a força o r g u l h o s a da r a ç a c o m o p o d e r da t e m p e r a n ç a dos velhos, d a n d o ao p o d e r do conselho d o s vmte e oito a n c i ã o s o m e s m o peso d a q u e l e dos reis no e x a m e dos a s s u n t o s m a i s i m r i o r t a n t e s , N a s e q ü ê n c i a , o vosso t e r c e i r o

(Al)KOÜpyOÇ) nV: Q»mhi. (ii.l.)

156

Livro III
s a l v a d o r , • • • o b s e r v a n d o o g o v e r n o a i n d a c o r r o í d o e irritado, o enfreiou, c o m o poder-sc-ia dizer, m e d i a n t e o p o d e r d o s é f o r o s , o q u e o a p r o x i m o u do p o d e r a t r i b u í do p o r s o r t e i o . A s s i m , em v o s s o c a s o , de a c o r d o c o m esse relato, e m função d a m i s t u r a dos elementos corretos e da d e v i d a m e d i d a , a realeza n ã o a p e n a s sobreviveu c o m o t a m b é m assegurou a sobrevivência de t u d o o m a i s . Pois s e a m a t é r i a tivesse ficado n a s m ã o s d e Tem e n o s e d e C r e s f o n t e s e d o s l e g i s l a d o r e s q u e l h e s for a m c o n t e m p o r â n e o s - q u e m q u e r q u e f o s s e m e s s e s legisladores - m e s m o a p a r t e de A r i s t o d e m o s j a m a i s pod e r i a ter sobrevivido visto q u e n ã o e r a m i n t e i r a m e n t e v e r s a d o s na arte, de legislar, já q u e se o fossem dificilm e n t e teriam julgado suficiente m o d e r a r por m e i o de compromissos sob juramento u m a a l m a jovem d o t a d a d e u m t a l p o d e r p a s s í v e l de, c o n v e r t e r - s e e m t i r a n i a ; m a s agora os deuses m o s t r a r a m q u e espécie de governo dev i a t e r h a v i d o entãe», e d e v e h a v e r a t u a l m e n t e , q u e s e j a d u r á v e l . Q u e n ó s o c o m p r e e n d a m o s d e p o i s de ter a c o n t e c i d o é - c o m o e u disse, a n t e s - n e n h u m g r a n d e a t e s t a d o d e s a b e d o r i a , visto q u e n ã o é a b s o l u t a m e n t e difícil inferir com base n u m exemplo do passado; m a s se naq u e l a é p o c a tivesse h a v i d o a l g u é m q u e previsse o result a d o e fosse c a p a z d e a t e n u a r o s p o d e r e s r e i n a n t e s e unificá-los, t a l h o m e m teria p r e s e r v a d o todos os grandiosos p l a n o s e n t ã o c o n c e b i d o s e n e n h u m exército persa ou o u t r o teria m a r c h a d o c o n t r a a Grécia ou n o s encarado com desprezo c o m o um povo de p o u c a monta. Clínias: E verdade. O modo como repeliram tal exército Mas quando digo desonroso foi não •••TEOJIOU.JEO, que («"'bou Aiterníe eis quentci cmlm o ^Mcssèno t, |(u * •~ P " <**
f: akl t a W f )

<fc

^ 0 ° " ^ " ^"'^

0 ateniense: desonroso,

Clínias.

q u e r o dizer q u e n ã o c o n q u i s t a r a m g r a n d e s vitórias tanto p o r terra c o m o por m a r n a q u e l a s b e m sucedidas camp a n h a s ; o q u e c o n s i d e r o desonroso é o f a t o , e m p r i m e i r o lugar, d e a p e n a s u i n d a q u e l e s três E s t a d o s d e f e n d e r a Grécia, e n q u a n t o os outros dois foram tão sordidam e n t e corruptos a p o n t o de um d e l e s • • • • r e a l m e n t e i m p e d i r a L a c e d e m ô n i a dc auxiliar a Grécia l u t a n d o c o n t r a os l a c e d c m ô n i o s com t o d a s as s u a s forças, ao passo q u e Argos, o o u t r o Estado q u e se, d e s t a c a r a c o m o p r i m e i r o e n t r e os três n o s d i a s do e s t a b e l e c i m e n t o d ó r i o q u a n d o convocado para d a r sua assistência no c o m b a t e • • • • : À .Mcainin. { «

157

Platão - As Leis
aos bárbaros, n ã o se dignou a dar n e n h u m a atenção e
• T f e t õ o akda o iwasõo
dos ( I M S O S comandada ficfe

n ã o prestou q u a l q u e r ajuda. •

N a d a honrosas são as

m u i t a s a c u s a ç õ e s a s e r e m feitas c o n t r a a G r é c i a relativ a m e n t e a o s e v e n t o s d e s s a g u e r r a : de fato, f a l t a r i a à verdade q u e m sustentasse que a Grécia se defendeu p o r q u e s e n ã o fosse p e l a d e c i s ã o c o n j u n t a d c a t e n i e n ses e l a c e d e m ô n i o s de a f a s t a r a a m e a ç a da s e r v i d ã o , seria q u a s e certa agora a confusão de todas as raças helênicas, b e m c o m o a m i s t u r a de b á r b a r o s c o m gregos e gregos com b á r b a r o s - e x a t a m e n t e c o m o as raças atualm e n t e s u b m e t i d a s ao Império persa se a c h a m dispersas no estrangeiro ou d e s o r d e n a d a m e n t e miscigenadas, v i v e n d o n u m a c o n d i ç ã o m i s e r á v e l . T a i s s ã o , ó Megilo e Clínias, a s a c u s a ç õ e s q u e t e m o s q u e f a z e r c o n t r a o s c h a m a d o s estadistas e legisladores, tanto do pretérito q u a n to do presente a fim de p o r meio da s o n d a g e m de suas causas p o d e r m o s descobrir q u a l é o curso diferente a s e r s e g u i d o ; a s s i m c o m o n o c a s o d i a n t e de. n ó s , j u l g a mos um erro crasso instituir legalmente um governo demasiado grande c puro.»* D e f e n d e m o s a idéia de

gsnewif t/Wa*dônu>. (n.t.)

ueyaXaç apxctç
o»Ô ao auiKiouç.... gowsmo dswasiodo grande e

q u e um E s t a d o deve ser livre, r a c i o n a l e a m i g o de si mesmo, o legislando devendo d e s e m p e n h a r seu trabal h o v i s a n d o a isso. T a m p o u c o n o s s u r p r e e n d a m o s se as finalidades q u e propomos freqüentemente como metas a serem colunadas pelo legislador em seu mister são a p a r e n t e m e n t e distintas. E preciso refletir q u e a sabedoria e a a m i z a d e q u a n d o colocadas c o m o a m e t a a ser atingida não são r e a l m e n t e m e t a s distintas, m a s sim a mesma, n ã o devendo nos perturbar a multiplicidade de expressões q u e possamos encontrar. Clínias: N ó s n o s e s f o r ç a r e m o s p o r t e r i s s o e m m e n t e a o repassarmos os argumentos. Mas, de m o m e n t o , no que diz respeito à a m i z a d e , à s a b e d o r i a e à l i b e r d a d e , esclarece-nos q u a n t o à m e t a q u e a t r i b u i r i a s ao legislador. O ateniense: Escutai. Há duas formas de constituição

«w» jfiisfitfa. islo é, cujos
mtognanfas jossci» w e f b s t w « cstwlamcnte dos " f s v o u ç do
Q M S Í O . (n.t.)

q u e são p o r assim dizer, as matrizes a partir d a s q u a i s , q u e se o afirme em verdade, todas as restantes nascem. Destas u m a é c h a m a d a a d e q u a d a m e n t e de m o n a r q u i a , e a o u t r a , d e m o c r a c i a , s e n d o o caso e x t r e m a d o da prim e i r a a f o r m a de g o v e r n o d o s p e r s a s , e o da s e g u n d a a
» • • .(feio c. dc . J f e n o s .
(iii.)

nossa; ** * as restantes são p r a t i c a m e n t e todas, c o m o eu disse, modificações dessas d u a s . Ora, é essencial q u e

158

Livro III
u m a constituição encerre elementos dessas d u a s formas de governo se quisermos q u e disponha de liberdade e a m i z a d e c o m b i n a d a s c o m a s a b e d o r i a . E é isto q u e nossa argumentação pretende reivindicar a partir da afirmação de que a menos que um Estado participe dessas d u a s formas jamais poderá ser b e m governado. Clínias-, Não poderia.

O ateniense: O r a , v i s t o q u e u m d e s s e s E s t a d o s a b r a ç o u a m o n a r q u i a o o u t r o a l i b e r d a d e , de m a n e i r a exclusiva e excessiva, n e n h u m d e l e s a t i n g i u a j u s t a m e d i d a - vossos E s t a d o s , L a c e d e m ô n i a e Creta estão m e l h o r e s nesse aspecto do q u e estiveram A t e n a s e a Pérsia de outrora - se c o m p a r a r m o s com s u a a t u a l c o n d i ç ã o . Deverem o s e x p o r as razões disso? Clínias; N ã o há a m e n o r d ú v i d a , se é q u e d e s e j a m o s

completar a tarefa q u e nos p r o p o m o s . O ateniense: E n t ã o , e s c u t e m o s . Q u a n d o o s p e r s a s , s o b o c o m a n d o de Ciro, s u s t e n t a r a m o d e v i d o e q u i l í b r i o entre a e s c r a v i d ã o e a l i b e r d a d e , eles se t o r n a r a m , em prim e i r o lugar, livres eles p r ó p r i o s e em s e g u n d o , s e n h o res d e m u i t o s outros. Pois q u a n d o a q u e l e s q u e m a n d a v a m c o n f e r i r a m u m a p a r c e l a d e l i b e r d a d e a o s seus subordinados e os impulsionaram p a r a u m a posição de igualdade, os soldados p a s s a r a m a ser m a i s amigáveis c o m s e u s oficiais o, d e m o n s t r a r a m s u a d e v o ç ã o n o s mo m é r i t o s d e p e r i g o ; e se, h o u v e u m h o m e m s á b i o e n t r e eles, c a p a z d e a c o n s e l h a r , visto q u e o rei n ã o e r a inclin a d o ao c i ú m e , p e r m i t i a a livre e x p r e s s ã o da p a l a v r a e respeitava aqueles q u e decididamente p o d i a m ajudar m e d i a n t e seu c o n s e l h o , tal h o m e m teve a o p o r t u n i d a d e de, c o n t r i b u i r c o m s u a s a b e d o r i a p a r a o i n t e r e s s e com u m . Conseqüentemente, n a q u e l a época todos os seus negócios p r o s p e r a r a m devido à sua liberdade, a m i z a d e e p e r m u t a de idéias. Clínias: É p r o v á v e l q u e u s c o i s a s d e q u e f a l a s t e n h a m acontecido dessa maneira. O ateniense: C o m o e x p l i c a r e n t ã o q u e t e n h a m s i d o a r ruinadas no reinado de Camhíses c quase restauradas novamente sob o governo de Dario? Deveremos nós usar u m c e r t o t i p o de, a d i v i n h a ç ã o • • * • p a r a r e a l i z a r u m a reconstituição d o q u e teria acontecido? ••••pavTsta. anéeufo, pkiídieãa e. o ptôpm ato de. cottsufto* ou intofisetau um OíifiMÍn; 7ICXVTE10V é o MSpuia dt um OrióouPo. í) emumk) em a «sposfoi de. m ém owboia fosso wüouPodn poj uma p.wjoiiso mwíoC em < n # K (><*< n u O t a . •_A1os«o MI fsndiono wligioso Mifí-kíê.men o píofeln ó m i/i.fii.mnh ppfii dii/tododc, a (nwfofoejin fln Cníifn dãlma, I e de fa)i(fli: PdlitKK ODIIIO o (MMfel (f/feiii)e. dei ptffiMn ítif|Pôí: data é. bosfanfe siinostíMi. (n.l.)

159

Platão - As Leis

Clínias: S i m . Tsso c e r t a m e n t e n o s a j u d a r á n o e x a m e d o objeto de nossa investigação. O ateniense: O que eu a g o r a profetizo relativamente a

• MavTCuoucu S r )
vuv jrspi ye

Ciro«

é q u e a despeito de ser um b o m c o m a n d a n t e e

patriota, carecia completamente de u m a b o a educação e n ã o deu nenhuma atenção à administração doméstica. Clínias: E o q u e d e v e m o s e n t e n d e r p o r i s s o ? O ateniense: E p r o v á v e l q u e e l e t e n h a p a s s a d o t o d a s u a vida desde a meninice em expedições militares, deixando q u e as m u l h e r e s e d u c a s s e m s e u s filhos, e essas m u lheres os e d u c a r a m desde a mais tenra infância como se já tivessem a l c a n ç a d o a p l e n i t u d e da felicidade, corno s e n a d a m a i s l h e s f a l t a s s e e m b e m a v e n t u r a n ç a ; e trat a n d o - o s c o m o os favoritos do c é u e à força de i m p e d i r q u e q u a l q u e r urn l h e s c a u s a s s e a m a i s í n f i m a contrar i e d a d e e forçando a todos a louvar c a d a u m a de suas palavras e ações, fizeram deles o q u e eram. Clínias: U m a bela educação, eu diria! Seria m e l h o r d i z e r e s u m a e d u c a ç ã o femi-

KupoD.... T>ft<foo insiste
nn idéia da odivitilmção fiíoyawifmsiihí poitqitc não ásfiufida dc dodos fcslósíoüs snjifüwtos fiaso ma cjctiw fcipÓfCSC, SOSiOiwf. (".(.)

0 ateniense:

*• ... PaaiÃiooov
• y u v a i K t ú v . . . filMoènculr miSãms do M-í. f) tom c {«mtC(i«K»(o pcjowrUuo, coiidigctilc com o joMc doso dc Btisorjinin pmmhi m pensamento gingo. {».(.)

nina de mulheres do serralho** recentemente enriquecidas e q u e e d u c a v a m seus filhos s e m c o n t a r c o m os h o m e n s ausentes, retidos por muitos perigos e guerras. Clínias: I s s o s o a b e m p l a u s í v e l . O ateniense: E o p a i d e l e s e n q u a n t o c o n q u i s t a v a r e b a n h o s de g a d o e de ovelhas, b e m c o m o b a n d o s de hom e n s e d e a n i m a i s d e t o d a e s p é c i e , i g n o r a v a q u e o s filhos a o s q u a i s pretendia legar essas r i q u e z a s estavam p r i v a d o s da e d u c a ç ã o p a t e r n a l , a d o s p e r s a s - pastores q u e e r a d u r a , a p r o p r i a d a p a r a p r o d u z i r p a s t o r e s vigorosos, c a p a z e s de a c a m p a r ao relento e e s t a r e m vigilantes e, se necessário, t o m a r d a s a r m a s . Passou-lhe desap e r c e b i d o q u e s e u s filhos r e c e b i a m u m a f o r m a ç ã o n o estilo d a q u e l a d o s m e d a s , u m a e d u c a ç ã o d e t e r i o r a d a por u m a pretensa felicidade ministrada por mulheres e e u n u c o s - e d u c a ç ã o cujo r e s u l t a d o e r a fazê-los se t o r n a rem aquilo q u e se poderia esperar q u e se tornassem por terem sido educados segundo um método no qual os e d u c a d o r e s se abstinliam de corrigir a q u e l e q u e se p r e t e n d e educar. Assim q u a n d o por ocasião da m o r t e de C i r o seus filhos a s s u m i r a m o r e i n o , e x c e s s i v a m e n t e

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Livro III
a m i m a l h a d o s e indisciplinados corno e r a m , em primeiro l u g a r um a s s a s s i n o u o o u t r o • • • p o r a b o r r e c e r - s e p e l o fato d e o i r m ã o ser c o l o c a d o a o seu l a d o e m c o n d i ç ã o de i g u a l d a d e . Logo d e p o i s o a s s a s s i n o p e r d i a ele m e s mo o trono p a r a os m e d a s por mergulhar no desvario devido à e m b r i a g u e z e o d e b o c h e , isto por i n t e r m é d i o do h o m e m a q u e m se c h a m o u o e u n u c o , * • • • o q u a l desprezava a l o u c u r a de G a m b i s e s . Clínias: N ã o h á d ú v i d a q u e i s s o é o q u e s e d i z e p r o v a velmente está p r ó x i m o da verdade. O ateniense: D i z - s e , a d e m a i s , c o m o o r e i n o foi r e c u p e r a d o p o r D a r i o e os sete. • » • • • Clínias: De fato. Aapetou O ateniense; V a m o s a c o m p a n h a r a n a r r a t i v a e v e r q u a l foi o d e s e n r o l a r d o s a c o n t e c i m e n t o s . D a r i o n ã o e r a u m f i l h o d e r e i n e m foi e d u c a d o n a f r o u x i d ã o . Q u a n d o c h e g o u ao p o d e r e a s s u m i u o reino c o m s e u s seis c o m p a n h e i r o s , logo o dividiu em sete p a r t e s , d a s q u a i s a i n d a r e s t a m a l g u n s m o d e s t o s vestígios a t é os d i a s de hoje. Julgou a d e q u a d o a d m i n i s t r a r o r e i n o p r o m u l g a n d o leis pelas quais introduziu na coletividade u m a certa dose d e i g u a l d a d e e t a m b é m i n c o r p o r o u n a lei r e g u l a m e n t a ções relativas ao tributo q u e Giro p r o m e t e r a aos persas, pelo q u e assegurou a a m i z a d e e a c a m a r a d a g e m e n t r e t o d a s as classes e c o n q u i s t o u a p o p u l a ç ã o por m e i o de d i n h e i r o e p r e s e n t e s . E em f u n ç ã o disso, a d e v o ç ã o de seus exércitos rendeu-lhe u m a q u a n t i d a d e tão grand e d e t e r r i t ó r i o s q u a n t o a l e g a d a p o r ( a r o . D a r i o foi s u c e d i d o p o r X e r x e s , q u e t a m b é m foi e d u c a d o s e g u n do a frouxidão da casa real; "0 Dario,..." - pois assim é c o m o s e p o d e r i a c o m j u s t e z a elirigir-se a o p a i - "... c o m e i e n t e n d e r q u e i g n o r a s te o e r r o g r o s s e i r o de Giro e fizes t e c o m q u e X e r x e s fosse, e d u c a d o e x a t a m e n t e n o s m e s m o s h á b i t o s d e vida e m q u e Giro fizera e d u c a r Gambises?" E Xerxes, s e n d o o p r o d u t o da m e s m a educação, acabou por reproduzir q u a s e exatamente as mesmas desgraças de Gambises. Daqueles tempos para cá nfio s u r g i u m a i s e n t r e o s p e r s a s u m ú n i c o r e i q u e t e nha sido tanto real c o m o n o m i n a l m e n t e grande. E, como nossa a r g u m e n t a ç ã o demonstra, a causa disso u n o reside n o a c a s o , m a s sim n a m á vida e m q u e s e TÍDV e i r t a . . . , estintiníseimo diseseperneio cometido, pos Púaláo pois '-DOMO era um dos ICÍK P. não o oitavo doe nobses pessos.
1

* * * 0 u st-„jn, Ooiitbisce (fjnii a fido de Sstiwíiífe. (n.t.)

• • • • C mago éjornuola, que pesmonceen sete ivees no l.ioíio do Péfisin cm G2! o. (). possando-ee poí Pemcrdis. (D «Mparfc* {oi então mo»l r> pos sete nofejes pc«sos, sendo um destes <TV«o. (n.t.) KUI

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Platão - As Leis
comprazem geralmente monarcas excessivamente abastados, pois tal e d u c a ç ã o j a m a i s p o d e p r o d u z i r u m m e nino, ou um h o m e m , ou um velho q u e se dístinga pela v i r t u d e . E a isso, n ó s o d i z e m o s , q u e o legislador d e v e dar sua atenção como nós devemos nesta ocasião. Convém, entretanto, m e u s amigos lacedemônios, dar ao vosso E s t a d o , a o m e n o s , este crédito, o u seja, q u e n ã o atribuí- educação ou honra de maneira diferenciada a o p o b r e o u a o rico, a o c i d a d ã o c o m u m o u a o rei a l é m d a q u i l o q u e é e s t i p u l a d o pelo vosso o r á c u l o original da parte de um deus. N e m é t a m p o u c o legítimo q u e honras especiais n u m Estado sejam conferidas a um hom e m p o r q u e este é invulgarmente a b a s t a d o , do m e s m o m o d o q u e n ã o é legítimo conferi-las p o r q u e é corredor célere, ou formoso, ou forte m a s d e s p r o v i d o d e virtudes, ou virtuoso porém carente da temperança. Megilo: O q u e q u e r e s d i z e r c o m i s s o , e s t r a n g e i r o ? O ateniense: A c o r a g e m é , p r e s u m i v e l m e n t e , u m a p a r t e da virtude. Megilo: Seguramente.

O ateniense: A g o r a q u e j á a t e n t a s t e p a r a o a r g u m e n t o , julga p o r si m e s m o se acolherias c o m o c o m p a n h e i r o em t u a casa ou c o m o vizinho um h o m e m q u e é extremam e n t e corajoso, m a s t a m b é m m a i s licencioso d o q u e detentor da temperança. Megilo: E v i t a t a i s p a l a v r a s d e m a u a g o u r o ! O ateniense: Bem, o q u e d i r i a s de a l g u é m conhecedor

d a s a r t e s e d o s ofícios, m a s injusto. Megilo: D e m a n e i r a a l g u m a o a c o l h e r i a . O ateniense: M a s a j u s t i ç a , c e r t a m e n t e , independentemente da temperança. Megilo: Impossível. não é gerada

0 ateniense: T a m p o u c o é e l e a q u e l e ( p i e p r o p o m o s r e c e n t e m e n t e c o m o o nosso ideal de h o m e m sábio - a l g u é m quitem seus s e n t i m e n t o s dc p r a z e r e de d o r h a r m o n i z a d o s c o m o ( p i e é d i t a d o p e l a j u s t a r a z ã o e ( p i e a isso a c a t a m . Megilo: Decididamente não.

O ateniense:

Eis a q u i uni p o n t o q u e t e m o s (pie exami-

n a r a fim d e d e l i b e r a r m o s a r e s p e i t o d a c o n c e s s ã o d a s

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Livro III
h o n r a s o u d i r e i t o s civis n o s E s t a d o s , q u a n d o s ã o c o r r e tos ou incorretos. Megilo: E q u a l 6 e s s e p o n t o ? O ateniense: Se a temperança existisse isoladamente

na alma h u m a n a divorciada de todo o conjunto das outras virtudes, mereceria ela c o m justiça a nossa aprovação ou não? Megilo: N ã o c o n s e g u i r i a gunta. O ateniense: E n o e n t a n t o , e m v e r d a d e j á d e s t e u m a r e s p o s t a , e u m a r e s p o s t a razoável, p o i s se tivesses se declar a d o a favor d e u m a o u o u t r a d a s a l t e r n a t i v a s p r e s e n tes em m i n h a pergunta, terias dito o que, na m i n h a opinião, seria c o m p l e t a m e n t e despropositado. Megilo: A s s i m a c a b o u s u r t i n d o u m e f e i t o p o s i t i v o . 0 ateniense: M u i t o b e m . D e a c o r d o c o m i s s o o e l e m e n t o adicional nos objetos q u e merece aprovação ou reprov a ç ã o será a q u e l e q u e d i s p e n s a d i s c u r s o , q u e , p e l o contrário, exige q u e nos calemos. Megilo; E me p a r e c e q u e te referes à t e m p e r a n ç a . d a r u m a r e s p o s t a a essa per

O ateniense: S i m , e n a v e r d a d e t a m b é m à q u i l o q u e e s t i m a d o no m a i s alto grau e q u e seria o estimado com m a i o r justiça o u q u e , colocado n o nível s e c u n d á r i o m e receria a p r o v a ç ã o de nível s e c u n d á r i o , é o q u e , e n t r e as d e m a s v i r t u d e s nos traz, c o m a a d i ç ã o da t e m p e r a n ç a , os m a i o r e s benefícios: e assim r e l a t i v a m e n t e a t o d a s as outras virtudes sucessivamente a cada u m a será apropriado atribuir a honra q u e cabe à sua posição. Megilo; A s s i m é. Bem, será q u e n ã o deveríamos dizer agora

ü ateniense;

q u e a d i s t r i b u i ç ã o d e s s a s h o n r a s é a tarefa do legislador? Megilo: Certamente.

O ateniense: E t e u d e s e j o q u e e n t r e g á s s e m o s t o d a a d i s tribuição a ele, de m o d o q u e sc o c u p a s s e de todos os c a s o s e t o d a s as m i n ú c i a s , e n q u a n t o ruis - t a m b é m n ó s próprios entusiastas da legislação - nos restringiríamos u fazer u m a tripla p a r t i l h a e n o s e m p e n h a r í a m o s em distinguir o q u e por sua importância vem em primeiro lugar, em s e g u n d o e em terceiro?

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Megilo: S e m d ú v i d a a l g u m a , O ateniense: possível Declaramos, portanto, q u e um Estado q u e terá necessariamente que dispensar

p r e t e n d e d u r a r e s e r o m a i s feliz q u e for h u m a n a m e n t e corretamente h o n r a s e desonras, sendo o modo correto o seguinte: d e v e r á ser e s t a b e l e c i d o q u e os b e n s da a l m a recebam as mais elevadas honras e v e n h a m em primeiro l u g a r d e s d e q u e a a l m a seja d e t e n t o r a d e t e m p e r a n ç a ; em segundo lugar viriam as coisas boas e belas do corpo; c em terceiro lugar os c h a m a d o s b e n s s u b s t a n c i a i s e propriedades. E se q u a l q u e r legislador ou Estado t r a n s g r e d i r e s s a s regras, seja a t r i b u i n d o ao d i n h e i r o o p o s t o d a h o n r a , seja d e s i g n a n d o u r n a p o s i ç ã o s u p e r i o r a u r n a d a s classes dc b e n s inferiores, será responsável por infringir tanto o sagrado q u a n t o o político. Será esta a n o s s a d e c l a r a ç ã o ou o q u e t e r e m o s q u e declarar? Megilo: Que tenhamos isso, absolutamente, como

evidente. O ateniense; F o i a n o s s a i n v e s t i g a ç ã o d a f o r m a de go-

v e r n o d o s p e r s a s q u e n o s fez d i s c u t i r e s s a s m a t é r i a s d e m a n e i r a extensiva e minuciosa. Ora, c o n s t a t a m o s q u e eles n o d e s e n r o l a r d o t e m p o a i n d a p i o r a r a m , a r a z ã o sendo a nosso ver q u e despotismo tendo privado o povo indevidam e n t e de s u a l i b e r d a d e e t e n d o i n t r o d u z i d o excessivo d e s t r u í r a m no E s t a d o os laços de amizade c c a m a r a d a g e m . E q u a n d o estes são d e s t r u í d o s , o conselho dos governantes n ã o delibera m a i s no interesse d o s g o v e r n a d o s e do povo, m a s somente, no interesse, da m a n u t e n ç ã o de seu próprio poder; desde q u e creia p o d e r tirar p a r a si a m í n i m a v a n t a g e m se p õ e a q u a l quer tempo a aniquilar Estados, destruindo t a m b é m nações amigas pelo incêndio; c assim os governantes o d e i a m o , s ã o o d i a d o s eorn u m ó d i o c r u e l e i m p l a c á v e l . E q u a n d o acontece q u e necessitam do povo p a r a q u e e s t e l u t e a s e u favor, e n c o n t r a m m n p o v o d e s t i t u í d o d e patriotismo ou disposição para arriscar suas vidas na b a t a l h a , de, s o r t e q u e m e s m o d i s p o n d o d e u m n ú m e r o incontável de indivíduos, estes são Iodos i n ú t e i s p a r a a g u e r r a , e e n t ã o eles c o n t r a t a m s o l d a d o s estrangeiros c o m o s e lhes faltassem h o m e n s , i m a g i n a n d o q u e s u a segurança será gurantida por m e r c e n á r i o s e estrangeiros.

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E , a l é m d e t u d o isso, e x i b e m f a t a l m e n t e s u a l o u c u r a p o r q u a n t o , p o r seus atos, a t e s t a m q u e as coisas r e p u t a das como honradas e nobres n u m Estado não passam n u n c a de rebotalho c o m p a r a d a s ao o u r o e à prata. Megilo: Decididamente verdadeiro.

O ateniense: A s s i m é o b a s t a n t e p a r a a n o s s a q u e s t ã o do Império persa e do seu atual m a u regime de governo q u e se deve ao excesso de escravidão e despotismo. Megilo: Perfeitamente.

O ateniense: O q u e d e v e m o s e x a m i n a r n a s e q ü ê n c i a , d e a n á l o g a m a n e i r a , é a c o n s t i t u i ç ã o da Á t i e a • e m o s t r a r c o m o a l i b e r d a d e p l e n a s e m os grilhões de q u a l q u e r a u t o r i d a d e é s u m a m e n t e i n f e r i o r a u m a f o r m a de gov e r n o m o d e r a d a s o b o c o r n a n d o d e m a g i s t r a d o s eleitos. •• Q u a n d o os p e r s a s a t a c a r a m os gregos, e de fato poder-se-ia dizer - q u a s e todos os povos i n s t a l a d o s n a E u r o p a , n ó s , a t e n i e n s e s , d i s p ú n h a m o s de u m a a n t i g a c o n s t i t u i ç ã o * e de m a g i s t r a t u r a s b a s e a d a s n u m e s calonamento quádruplo; ademais tínhamos o temor respeitoso c o m o u m a espécie de d é s p o t a q u e nos fazia viver c o m o os e s c r a v o s v o l u n t á r i o s d a s leis e x i s t e n t e s . A l é m d i s s o , o t a m a n h o g i g a n t e s c o do exército p e r s a q u e nos ameaçava tanto por terra como por mar, pelo m e d o desesperado q u e nos inspirava nos prendia ainda mais e s t r e i t a m e n t e n o s laços d e e s c r a v i d ã o a o s n o s s o s govern a n t e s e n o s s a leis, e em f u n ç ã o de t u d o isso a a m i z a d e entre nós c o p a t r i o t i s m o foram b a s t a n t e intensificados. Foi a p r o x i m a d a m e n t e dez a n o s antes da b a t a l h a naval e m S a l a m i n a q u e u m outro exército chegou com o c o m a n d o de Dális, o q u a l Dario d e s p a c h a r a express a m e n t e c o n t r a o s a t e n i e n s e s c o s c r e t r i a n o s c o m ordens de reconduzi-los acorrentados além da advertência de q u e a m o r t e s e r i a a p u n i ç ã o em c a s o de fracasso. A s s i m , t r a n s c o r r i d o c u r t o p e r í o d o d e t e m p o , D á l i s , com a n d a n d o t r o p a s i n c o n t á v e i s , c a p t u r o u pela força a t o t a l i d a d e d o s c r e t r i a n o s ; e c m A t e n a s foi d i f u n d i d a a notícia a l a r m a n t e segundo a q u a l nem sequer um úni co eretriano lhe havia escapado; c o m p o n d o um encad e n m e n t o dc m ã o s unidas, os s o l d a d o s de Dátis t i n h a m c o l h i d o a t e r r a i n t e i r a d o s c r e t r i a n o s c o m o se fosse c o m u m a r e d e . E s s a n o t í c i a - fosse v e r d a d e i r a ou n ã o , ou *" ^" " * •
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Platão - As Leis
q u a l q u e r q u e fosse s u a origem - i n f u n d i u o terror e n t r e os gregos em geral, e p a r t i c u l a r m e n t e entre os atenienses, e q u a n d o estes e n v i a r a m e m b a i x a d o r e s e m t o d a s as direções em b u s c a de ajuda, todos a n e g a r a m exceto os laeedemônios, q u e retidos pela guerra q u e travavam contra Messênia e possivelmente por outros obstáculos (sobre os q u a i s n ã o d i s p o m o s de informações) chegar a m u m d i a a t r a s a d o s p a r a a b a t a l h a que, o c o r r e u e m M a r a t o n a . A p ó s isso», a m e a ç a s i n f i n d á v e i s e r e l a t o s d e preparações colossais p a s s a r a m a chegar constantement e d a p a r t e d o rei p e r s a . E e n t ã o , c o m o t r a n s c o r r e r d o t e m p o , c h e g o u a n o t í c i a d a m o r t e fie D a r i o e a i n f o r m a ção de q u e seu filho, q u e o s u c e d e r a no trono, era um j o v e m fogoso e q u e n ã o d e s i s t i r a d a p r o j e t a d a expedição. Üs atenienses imaginavam q u e todas essas prepar a ç õ e s t i n h a m a e l e s como» a l v o poir c a u s a d o q u e a c o n tecera e m M a r a t o n a ; e q u a n d o s o u b e r a m d e corno fora feito o c a n a l a t r a v é s de Atos c da p o n t e l a n ç a d a s o b r e o I l e l e s p o n t o e os i n f o r m a r a m do e n o r m e n ú m e r o de belonaves d a frota persa s e n t i r a m q u e n ã o havia salvação p a r a eles p o r t e r r a n e m t a m p o u c o p o r m a r . N ã o alim e n t a v a m q u a l q u e r e s p e r a n ç a d e r e c e b e r q u a l q u e r aju• f)u seja, os domens que o/mm então meAosos. (rnsiteiimes l o £ t X o ç ) . PColõo se íiojoit aqui à aeeoeinçáo de dois medos que wdundew na p.tãtiea «a safcaçrlo dos atenienses diante do dcsooMimaP |>ode» deitai dos j>e«sns e suo teMéJeP ameaça. „41ns o|ieeot desse (ato erfsacwdinettio, jxuodoefll (napaooi;oç), efwewnj que 'PPoleio, eomo tio de tflfjjfl todos os o/iondee [leneado/ies qieejoe. lôn o

d a d e q u e m q u e r q u e seja p o r t e r r a p o i s s e l e m b r a v a m q u e por ocasião da primeira investida dos persas e dc s u a subjugação da Eretria n i n g u é m os ajudara ou se a r r i s c a r a a a c o m p a n h á - l o s n a l u t a , fie m a n e i r a q u e esp e r a v a m q u e algo idêntico a c o n t e c e s s e n o v a m e n t e naquela o p o r t u n i d a d e . N ã o viam t a m b é m q u a l q u e r esper a n ç a de salvação por m a r com m a i s de mil vasos de g u e r r a a a f r o n t á - l o s . S o m e n t e u m » e s p e r a n ç a de, s a l v a ç ã o era c o n t e m p l a d a p o r eles pequena e desesperada esperança, é verdade, m a s a única esperança - extraída dos eventos do p a s s a d o , q u a n d o a vitória na b a t a l h a parecia nascer de u m a situação d e s e s p e r a d a ; e sustent a d o s p o r essa e s p e r a n ç a , d e s c o b r i r a m q u e p r e c i s a v a m em m a t é r i a de refúgio c o n t a r u n i c a m e n t e c o m cies próp r i o s e c o m o s d e u s e s . E foi a s s i m q u e t u d o i s s o n e l e s gerou urna a m i z a d e recíproca - tanto o m e d o q u e e n t ã o os possuía q u a n t o a q u e l e temor e n g e n d r a d o do passado c a d q u i r i d o d e v i d o a s u a sujeição as leis m a i s antigas (temor ao qual cm nossa discussão anterior a m i ú d e d e m o s o n o m e dc temor respeitoso, d i z e n d o o p a ' a e l e o

SElIia ( >fMii-ídõo,
f

eoi'o»dio) mouoooda pofei medo ( q j o l i o ç ) e o imni (ôiHLia) olioomeato eomo um dos osíodos mfjis deptWneie no eenduía do ktmm

(avnp).

(n.l.J

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Livro III
indivíduo deve se s u b m e t e r p a r a ser b o m - e m b o r a os pusilânimes dele estejam liberados e n ã o necessitem detêlo). M a s s e e s s e t e m o r n ã o t i v e s s e s e a p o d e r a d o e n t ã o deles, j a m a i s t e r i a m • se u n i d o p a r a a p r ó p r i a defesa e t a m p o u c o teriam defendido seus templos, t ú m u l o s e a terra pátria, b e m c o m o seus parentes, amigos, como naq u e l a o c a s i ã o d e f e n d e r a m ; p e l o c o n t r á r i o , t o d o s n ó s ter í a m o s sido divididos e dispersos em t o d a s as direções. Megilo: O q u e d i z e s , e s t r a n g e i r o , é p e r f e i t a m e n t e v e r d a deiro e digno tanto de teu Estado como de ti mesmo. O ateniense: A s s i m o c r e i o , Megilo. C o n v é m r e l a t a r a ti os acontecimentos daquele período já q u e compartilhas p o r n a s c i m e n t o d o c a r á t e r d e t e u s a n c e s t r a i s . M a s agor a t u e CUnias d e v e i s c o n s i d e r a r s e o q u e . e s t a m o s d i z e n do é a b s o l u t a m e n t e p e r t i n e n t e a n o s s a legislação, pois n ã o faço este m e u r e l a t o s i m p l e s m e n t e p e l o p r a z e r d e f a z ê - l o , m a s s i m e m f u n ç ã o d a l e g i s l a ç ã o a q u e m e refir o . Assim refleti vós: c o n s t a t a n d o q u e n ó s , a t e n i e n s e s , e x p e r i m e n t a m o s na prática a m e s m a sorte dos persas eles p o r r e d u z i r e m seu povo • • à escravidão e x t r e m a e nós, ao contrário, por impelirmos a massa do p o v o " à liberdade extrema - n ã o se conclui q u e m i n h a s afirmações anteriores são, n u m certo sentido, perfeitamente a d e q u a d a s à questão de definir a seqüência de nossas considerações? Megilo: D i s s e s t e b e m , m a s t e n t a t o r n a r a i n d a m a i s c l a ro p a r a n ó s o q u e q u e r e s dizer. O ateniense: E u o farei. S o b a s a n t i g a s l e i s , m e u s a m i g o s , nosso povo n ã o d e t i n h a controle sobre coisa a l g u m a , m a s e r a , p o r a s s i m d i z e r , v o l u n t a r i a m e n t e e s c r a v o d a s leis * * *. Megilo: A q u e l e i s t u t e r e f e r e s ? O ateniense: E m p r i m e i r o l u g a r a s q u e d i z i a m r e s p e i t o i » m ú s i c a d a q u e l a é p o c a , s e for p a r a d e s c r e v e r m o s d e s de o início c o m o a vida de l i b e r d a d e excessiva se desenvolveu. N a q u e l a é p o c a e n t r e n ó s a m ú s i c a era d i v i d i d a em vários g ê n e r o s e. estilos: um g ê n e r o de c a n ç ã o e r a o d o s o r a ç õ e s a o s d e u s e s , o q u a l o s t e n t a v a o n o m e d e hino; c o n t r a s t a n d o m m e s t e g ê n e r o h a v i a u u t o u t r o , a endeelia • • • » e um o u t r o e r a et peã ditirambo, • • • • • • que e outro a i n d a era o recebeu este n o m e , s u p o n h o , e m
'-Watão distingue aqui com a deuida psopsiedade íüigiiístíca 6 r | | i O ç IpfW). tfiín í, todo o conjunto dos goiwmodos sob guoÇquc/i foimia de goiüMio («o dcmocsocjo, todo o conjunto dc cidadõos Cimos) «'ceto o goüosnanfe ou goi'c/mantcs| dc T t À r j o o ç (o mossa pofwfat. o muftidão, o pofxtfesfe). que suge»e. o incjainente quantitativo em oposlçno oo qualilotWo). (n.l.) *** 1 wpMsseío íui/iioso o

Rígnijicatiwt do ''Pfefão é
«fio6«!nte SKCOV

cSouXsue xotç
VOptOtç, (n.t.) conto

•••• BpqVQC.
fünebic. (n.t.)

jtatav,
e o f c t í » «efeito

omito

(piúMipnUmtmk es» dou/ia de cApoCo) dc enmkk « « f a d o , podendo so* f/mofuo, do fooMtoçwo ou súpíteo, o, di|e»etitf»ionto, dc oPegjia, dc festa, gftwtWtite entoado ofitcs, duwmtc ou depois do combate em soPioitooôo do tilõitio ou jeí ficPe.bfiaíido esto. (n.t.)

StBupauBoç,
canto cm lioicia dc 1'eiMos dwindados, cspcoiaCmonto -'-TSiotiisío. (n.l.) vouoç, cotitn

c o n f o r m i d a d e c o m D i o n í s i o . Os c h a m a d o s notnos* • •••••

ou inePodio em t o » eíocado. (»>.(•]

167

Platão - As Leis
e r a m considerados t a m b é m um gênero distinto de canto, s e n d o p o s t e r i o r m e n t e descritos c o m o nomos cüaro-

•Ki8ap©5ih:ouç, o
iwimo eanlndo C O » ofMiviponiiawíííito da cílata.

édicos'.

Estes e o u t r o s g ê n e r o s s e n d o a s s i m classifica-

dos e estabelecidos, era p r o i b i d o fixar um tipo de letra a um diferente gênero de melodia. A autoridade q u e t i n h a p o r o b r i g a ç ã o c o n h e c e r e s s a s regras e a p l i c á - l a s c o m c o n h e c i m e n t o d e c a u s a p e n a l i z a n d o o s infratores não era um assobio, n e m tampouco, como é agora, os gritos n a d a musicais da t u r b a ou a i n d a o bater de palm a s q u e e x p r i m e m o a p l a u s o ; em s u b s t i t u i ç ã o a isso havia u m a regra feita p o r a q u e l e s q u e c o n t r o l a v a m a e d u c a ç ã o s e g u n d o a q u a l eles m e s m o s d e v i a m e s c u t a r p o r s u a conta e m silêncio, e n q u a n t o q u e a s crianças, o s

*• f) ^aiôayojyoç cm o
cscjtauo que finda corno
Junção Cttidngl» aí ftWangas

pedagogos» *

destas e a multidão eram mantidos sob

disciplina mediante o bordão dos guardas. Em matéria de música, a m a s s a popular se submetia voluntariamente ao controle disciplinar e se a b s t i n h a de pronunciarse ultrajantemeute através do c l a m o r ; m a s posteriormente surgiram como cabeças da ilegalidade anti-musical c o m p o s i t o r e s q u e , e m b o r a n a t u r a l m e n t e poéticos, i g n o r a v a m o r p i e e r a j u s t o e legal n a m ú s i c a ; e e s t e s , enlouquecidos e inconvenientemente possuídos pelo prazer, misturavam endechas com hinos e peãs com d i t i r a m b o s , e i m i t a v a m na citara a m e l o d i a da flauta, e se p u n h a m a m i s t u r a r indiscriminadamente todos os tipos de m ú s i c a , e desta m a n e i r a , p o r m e i o de sua ins e n s a t e z , s e m o p e r c e b e r p r o n u n c i a r a m um falso testem u n h o c o n t r a a m ú s i c a , corno u m a c o i s a s e m q u a l q u e r p a d r ã o de retidão, da q u a l o m e l h o r critério é o p r a z e r d o o u v i n t e , seja ele u m h o m e m b o m o u m a u . Através d e composições desse jaez, q u e r e c e b i a m letras similares, i n o u l e a r a m n a rnassa p o p u l a r f a l s o s p r i n c í p i o s r e l a t i v a m e n t e à m ú s i c a e o a t r e v i m e n t o de s u p o r e m a si m e s mos capazes de a avaliarem competentemente. C o m o c o n s e q ü ê n c i a , a s p l a t é i a s s e t o r n a r a m l o q u a z e s e m lugar de silenciosas, c o m o se c o n h e c e s s e m a diferença e n t r e a m ú s i c a b e l a e a feia, e c m l u g a r d e u m a a r i s t o c r a c i a d a m ú s i c a n a s c e u u m a vil t e a t r o c r a e i a , p o i s s e na música, e na música apenas, houvesse surgido uma d e m o c r a c i a d e h o m e n s l i v r e s , u m t a l r e s u l t a d o n ã o teria sido tão seriamente alarmante; p o r é m , da m a n e i r a q u e t u d o a c o n t e c e u , n a e s t e i r a ela p r e s u n ç ã o u n i v e r s a l

à escoCa: «nem cr-.tfa medida
o t e g a * a se* uma espécie de instoifoi! defas. fn.f.)

168

Livro III
d a s a b e d o r i a t o t a l e d o d e s p r e z o p e l a lei o r i g i n a d o s n o â m b i t o da m ú s i c a veio a l i b e r d a d e , c o m o se crendo-se c o m p e t e n t e s os indivíduos p e r d e s s e m o m e d o , a a u d á cia g e r a n d o o a t r e v i m e n t o - isto p o r q u e , ter receio da opinião de alguém superior devido ao orgulho, não p a s s a de vulgar atrevimento, o q u a l é e n g e n d r a d o por u m a liberdade demasiado audaciosa. Megilo: Bastante verdadeiro. f o r m a d e l i b e r d a d e vi-

O ateniense:

Logo d e p o i s dessa

ria a q u e l a q u e se rebela ante a sujeição aos governantes, q u e é seguida pelo esquivar-se à s u b m i s s ã o aos próprios pais, aos m a i s velhos e suas c e n s u r a s ; e e n t ã o no p e n ú l t i m o estágio v e m o esforço no s e n t i d o de descons i d e r a r a s leis. N o ú l t i m o estágio d e t o d o s p e r d e - s e t o d o o respeito pelos juramentos, compromissos e divindad e s - no q u e se exibe c se r e p r o d u z a n a t u r e z a d o s titãs d a n a r r a t i v a , • • • d o s q u a i s s e diz q u e r e v e r t e r a m a o seu estado original, arrastando u m a existência dolorosa p a r a a q u a l j a m a i s há q u a l q u e r r e p o u s o ou t r é g u a dia n t e d o i n f o r t ú n i o . E m a i s u m a vez n o s p e r g u n t a m o s : q u a l o objetivo d e d i z e r m o s t u d o isso? E v i d e n t e m e n t e , c imperioso q u e eu, a todo m o m e n t o , use as rédeas cm m e u discurso, corno s e fora u m cavalo, n ã o d e i x a n d o q u e d e s e m b e s t e . c o m i g o c o m o s e I h e f a l t a s s e freio à b o c a e assim "caia do b u r r o ' , c o m o diz o adágio. Por conseguinte, devo n o v a m e n t e repetir m i n h a pergunta e indag a r : c o m q u e i n t u i t o t u d o i s s o foi d i t o ? Megilo: Excelente.
1

• * • 'Pfotõo i M « i espérilo dc. jeitcPdio dos trios cm Jiefoção oo': deuses ofitupieoc Pideírodee |'0i 3 ' " ( í !

episódios que oqwímem tof seJicCdio c 'rieoPidode já cõo «Oiiwidos no Qeogoirio dc TíJcsíodo, onde se desfocam o guowi dos fiteis cíienhceadrie po» ^AlPos eoMsa os ofitupicos c o desobediência de ' Píroiuefoi (jiOdo de Jflprie), que (Wifxiiondo 2tCns. fufilo 0 jogo dos atum e o concede à

O ateniense: B e m , o i n t u i t o e r a e s t e . . . Megilo: Qual? Dissemos que o legislador tem q u e visar

O ateniense:

ktm(míA(iA(i(k, fnifo que irfo o otíoção dri espécie íuunono. («•(•)

em s u a legislação a três objetivos: a l i b e r d a d e , a u n i d a d e e a r a c i o n a l i d a d e d o E s t a d o p a r a o q u a l l e g i s l a . Foi o q u e d i s s e m o s , n ã o foi? Megilo; Certamente. m a i s d es

O ateniense: C o m e s s e i n t u i t o s e l e c i o n a m o s a

p ó t i e a d a s f o r m a s de g o v e r n o e a m a i s livre e e s t a m o s agora investigando qual destas é c o r r e t a m e n t e constituída. Q u a n d o tomamos em relação a cada u m a delas uma amostra na devida medida - do governo despótico

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Platão - As Leis
p o r um lado e do governo da l i b e r d a d e p o r outro - observ a m o s a presença da p r o s p e r i d a d e no m a i s alto grau. m a s q u a n d o c a d a u m a a v a n ç o u - u m a p a r a o e x t r e m o d a escravidão, a o u t r a p a r a o e x t r e m o da l i b e r d a d e - constatam o s a ausência de proveito p a r a q u a l q u e r u m a delas. Megilo: I s s o é s u m a m e n t e v e r d a d e i r o . O ateniense: C o m o m e s m o intuito em vista e x a m i n a -

m o s t a m b é m o e s t a b e l e c i m e n t o d a s forças d ó r i a s e a fund a ç ã o q u e D a r d a n o produziu ao pé das colinas, b e m c o m o a colônia junto ao m a r e os primeiros h o m e n s q u e s o b r e v i v e r a m a o d i l ú v i o , isto s o m a d o à s n o s s a s d i s c u s sões anteriores relativas à m ú s i c a e à e m b r i a g u e z , a l é m de todas a q u e l a s q u e as p r e c e d e r a m . O objetivo de todas e s s a s d i s c u s s õ e s foi d e s c o b r i r a f o r m a p e l a q u a l s e p o d e r i a m e l h o r a d m i n i s t r a r u m E s t a d o e q u a l a m e l h o r form a d e c a d a c i d a d ã o v i v e r a s u a v i d a . M a s q u a n t o a o valor d c n o s s a s c o n c l u s õ e s , q u e t e s t e p o d e r í a m o s a p l i c a r l h e s a q u i m e s m o entre, n ó s , ó Megilo e Clíniiis? Clínias: A c h o , e s t r a n g e i r o , q u e c o n h e ç o u m . F o i u m b o c a d o d e s o r t e p a r a m i m o fato d e t e r m o s a b o r d a d o t o d a s essas matérias em nossas discussões, pois na realidade acontece q u e no m o m e n t o delas tenho necessidade, dc m o d o q u e m e u e n c o n t r o c o n t i g o e Megilo a q u i foi a b s o l u t a m e n t e o p o r t u n o . N ã o farei q u a l q u e r s e g r e d o d o q u e * C íiflbiP -Pfílfõo, (lf[ui tuflfS ftlMtiln do que {ipósojo (pois põe no bom fio CJiuaa e «fio so aleiiKim o escopo maio» fio diófogo) apMísenta o
inhóito do :JÍÍI'JO IV o seguiu,
1

a m i m s u c e d e u d i a n t e de ti

- n ã o . . . pelei c o n t r a r i o , e u o

t e n h o a t é c o m o u m feliz, p r e s s á g i o . A m a i o r p a r t e d e C r e t a está s e e m p e n h a n d o n a f u n d a ç ã o d e u m a colônia, sendo q u e os cnossianos foram encarregados desse empreend i m e n t o ; a c i d a d e de C n o s s o s , p o r s u a vez, confiou a m i m e nove outros o e m p r e e n d i m e n t o . Fornos e n c a r r e g a d o s t a m b é m de, l e g i s l a r , p r o m u l g a n d o a s l e i s q u e n o s agrad a m , d e r i v a d a s d e n o s s a s p r ó p r i a s leis l o c a i s o u d e o u tros E s t a d o s , s e m q u a l q u e r restrição a o s e u c a r á t e r exótico, d e s d e q u e n o s p a r e ç a m m e l h o r e s . F a ç a m o s , p o r t a n t o , e s t e f a v o r a m i m , e a vós t a m b é m ; f a ç a m o s u m a seleção de t u d o q u e d i s s e m o s e e d i f i q u e m o s p e l a força d o s a r g u m e n t o s a estrutura de um E s t a d o , c o m o se o estivéssemos construindo a partir da fundação. Desta maneira e s t a r e m o s d a n d o s e g u i m e n t o à n o s s a i n v e s t i g a ç ã o e... é possível, talvez eu p o s s a utilizar n o s s a e s t r u t u r a no Estado a s e r f o r m a d o . *

tetovnonrío o tnesn*o (ema ccnhoP de ,J '"Pijxtfjâm, ogoío «o auge dc sua woliUidfido Jiíosofiea. Oonscqüontoiriontc, umo .«(•ciluw de ,_J 'Vo/iiêêm pltef/oicePinoiite em píuoPePo o fito de iJg Uifol. nos powe obigolóiia pena o eoínpícensoo da concepção pofitico de ''Pífllão. (n.t.)

170

üvro III
O ateniense: T u a declaração, Clínias, não é certamente

u m a declaração de guerra!

Assim, n ã o h a v e n d o q u a l q u e r

o b j e ç ã o p o r p a r t e d e Megilo, p o d e s c o n t a r c o m i g o e m t u d o q u e esteja a o m e u a l c a n c e p a r a satisfazer teu desejo. Clínias: E b o m o u v i r i s s o . Megilo: E podes contar comigo, t a m b é m . primeiro lugar tentemos

Clínias: E s p l ê n d i d o ! M a s c m f u n d a r u m E s t a d o e m teoria.

171

Platão - As Leis
4>spe
<ST|, T i v a

Sei S i a v o r ) 0 T ] v a i

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7toA.iv scecrfltti;

Livro IV
172

Livro IV
O ateniense: V e j a m o s , e n t ã o , s e p o d e m o s s u p o r o q u e s e r á esse E s t a d o . N ã o estou m e referindo a o seu presente n o m e o u a o n o m e q u e terá q u e o s t e n t a r n o porvir, pois isto poderia originar-se d a s condições de seu estabelecimento, o u d o n o m e d c a l g u m a localidade, o d e u m rio o u d e u m a f o n t e , o u u m a d i v i n d a d e local p o d e r i a a s s o c i a r s e u n o m e , s a g r a d o a o n o v o E s t a d o . O p o n t o a q u e m e r e f i r o é , difer e n t e m e n t e , o seguinte: deverá esse E s t a d o localizar-se no interior d o c o n t i n e n t e o u n a costa m a r í t i m a ? CUnias: 0 E s t a d o que- a c a b e i de, m e n c i o n a r , e s t r a n g e i r o , está situado a p r o x i m a d a m e n t e a oitenta estádios * do mar. 0 ateniense: B e m , e, s e u s p o r t o s f i c a m s i t u a d o s lado da costa ou n ã o há portos? Clínias: P o s s u i d e s s e l a d o os m e l h o r e s p o r t o s p o s s í v e i s , estrangeiro. 0 ateniense: O q u e d i z e s ? E q u a n t o à r e g i ã o q u e o circ u n d a ? É p r o d u t i v a em t o d o s os a s p e c t o s , ou é l a c u n a r e m certos produtos? CUnias: N ã o h á p r a t i c a m e n t e n e n h u m p r o d u t o q u e l h e falte. O ateniense: Haverá a l g u m E s t a d o q u e faça fronteira desse
1

PColfin f!»i[)*ra)n oqui o a wtMe (mm

fmPoiíio c r c a S i o v poso dmipm gn»fjfi ra»M'f:|i«ííra(f- « wsoo * t* (< íMmm, 6 0 7
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W<*>"P<". 6 9 0 <• *»«• W W s do Qwoío). v^lohiMrlatMte dpl<(:~ ««Kidííirai oqui o,<: 6 0 7 pé:, ssjO, ofixftimadomttlc 183 m

em suas proximidades? Clínias: A b s o l u t a m e n t e n e n h u m , e é e s t a p r e c i s a m e n t e a r a z ã o p a r a f u n d a r esse Estado pois t e n d o ocorrido um êxodo nessa região outrora, esta se encontra desde há muito tempo deserta. 0 ateniense: E q u a n t o a p l a n í c i e s , m o n t a n h a s e flores-

tas? Q u a n t a extensão possui disto? Clínias: C o m o u m t o d o , s u a c o n f i g u r a ç ã o s e a s s e m e l h a a t o d o o r e s t o de C r e t a . O ateniense: Q u e r e s d i z e r q u e 6 m a i s a c i d e n t a d o d o q u e plano? Clínias: Com certeza. E n t ã o tal Estado n ã o seria irremediavel-

O ateniense:

mente i n a d e q u a d o para a aquisição da virtude, pois se t i v e s s e q u e s e l o c a l i z a r ria c o s t a m a r í t i m a , d i s p o r d e b o n s p o r t o s , m a s ser deficiente e m m u i t o s p r o d u t o s em lugar de produzir tudo, necessitaria um poderoso p r e s e r v a d o r e legisladores divinos p a r a , d o t a d o de tais

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Platão - As Leis
características, evitar u m a m u l t i p l i c i d a d e de costumes t a n t o s u n t u o s o s q u a n t o vis. C o m o e s t ã o a s c o i s a s , c o n tudo, esses oitenta estádios r e p r e s e n t a m u m a esperança. De q u a l q u e r forma, esse E s t a d o se s i t u a a u m a ind e v i d a p r o x i m i d a d e do m a r e t a n t o m a i s pelo fato de, como dizes, contar com bons portos. Temos, entretant o , q u e t i r a r o m á x i m o de. p r o v e i t o d i s s o , p o i s e m b o r a a p r o x i m i d a d e d o m a r t o r n e a g r a d á v e l a viria c o t i d i a n a , o m a r é verdadeiramente " u m vizinho salgado e amargo" já q u e enchendo os mercados da cidade de mercad o r i a s e s t r a n g e i r a s e c o m é r c i o a v a r e j o , e f a z e n d o germinar nas almas h u m a n a s os expedientes da desonest i d a d e e da a s t ú c i a , t o r n a a c i d a d e ineonfiávcl e. s e m amizade, n ã o a p e n a s p a r a consigo m e s m a como t a m b é m e m r e l a ç ã o a o r e s t o d o m u n d o . N e s s e a s p e c t o , todavia, n o s s o E s t a d o e n c o n t r a c o m p e n s a ç ã o n o fato d e ser totalmente produtivo, m a s sua superfície acidentada o i m p e d i r á de, s i m u l t a n e a m e n t e , produzir t u d o e p r o d u z i r e m a b u n d â n c i a , p o i s s e a s s i m fosse a s n u m e r o s a s e x p o r t a ç õ e s q u e isso p e r m i t i r i a i n u n d a r i a m o E s t a d o de m o e d a s de o u r o e p r a t a - o q u e seria, pode-se dizer, u m a condição calamitosa n u m E s t a d o o n d e s e p r e t e n d e s s e a d q u i r i r c o s t u m e s n o b r e s e. justos como d i s s e m o s , vós o l e m b r a i s , em n o s s a d i s c u s s ã o a n t e r i o r . Clínias: N ó s o l e m b r a m o s e e n d o s s a m o s o q u e d i s s e s t e então e agora. O ateniense: B e m , e c o m o é n o s s a r e g i ã o n o q u e s e refere à m a d e i r a p a r a a c o n s t r u ç ã o de navios? Clínias: N ã o h á a b e t o q u e v a l h a a p e n a , n e m p i n h e i r o e s o m e n t e p o u c o c i p r e s t e ; t a m p o u c o foi p o s s í v e l e n c o n trar-se m u i t o lariço ou p l á t a n o , dos q u a i s os construtores n a v a i s s e m p r e s e s e r v e m p a r a a s p a r t e s i n t e r i o r e s das embarcações. O ateniense: Essas t a m b é m são características naturais

da região q u e n ã o serão nocivas ao Estado. Clínias: E por que?

O ateniense: C o n s t i t u i u m a b o a c o i s a n ã o s e r fácil p a r a uni Estado copiar os m a u s hábitos de seus inimigos. Clínias: C o m e s s a o b s e r v a ç ã o à q u a l d e n o s s a s a f i r m a ções visas?

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Livro IV
O ateniense: M e u c a r o s e n h o r , a t e n t e p a r a m i m c o m u m o l h a r l a n ç a d o d e v o l t a à nossa afirmação de abertura a r e s p e i t o d a s leis c r e t e n s e s . A f i r m a m o s q u e e s t a s t i n h a m um único objetivo, e q u a n d o deelarastes q u e era o poder bélico, e u vos a p a r t e e i d e c l a r a n d o q u e era preciso l o u v a r a p r o m u l g a ç ã o d e t a i s leis d o p o n t o d e v i s t a d a virtude, m a s q u e eu, de m o d o algum, aprovava q u e o objetivo se restringisse a u m a p a r t e em lugar de se aplic a r a o t o d o . P o r c o n s e g u i n t e , vós a g o r a , e m v o s s a vez, deveís vos m a n t e r vigilantes a o a c o m p a n h a r m i n h a presente obra de legislador p a r a o caso de eu promulgar q u a l q u e r lei q u e n ã o t e n d a e m a b s o l u t o p a r a a v i r t u d e ou q u e t e n d a a p e n a s para u m a parte dela. E aqui eu f o r m u l o o a x i o m a s e g u n d o o q u a l t o d a lei p r o m u l g a d a q u e n ã o visa, c o m o u m a r q u e i r o , a q u e l e o b j e t o * e ele s o m e n t e ( q u e é c o n s t a n t e m e n t e a c o m p a n h a d o p o r algo s e m p r e belo - elevando-se a c i m a de todo outro objeto, seja a r i q u e z a ou q u a l q u e r coisa d e s t e t i p o q u e é destit u í d a d e b e l e z a ) é u m a lei i n c o r r e t a m e n t e p r o m u l g a d a . C o m o fito d e i l u s t r a r c o m o a n o c i v a i m i t a ç ã o d o s inim i g o s d e q u e falei o c o r r e q u a n d o u r n p o v o v i z i n h o d o m a r é m o l e s t a d o p o r seus inimigos eu vos a p r e s e n t a r e i u m e x e m p l o ( s e m a i n t e n ç ã o , é c l a r o , d e v o s f a z e r evocar lembranças amargas ••). Q u a n d o Minos outrora s u b m e t e u t o d o o povo d a Ática a o p a g a m e n t o d e u m p e s a d o t r i b u t o , ele p o s s u í a u m a frota n a v a l m u i t o p o d e r o s a , e n q u a n t o o povo da Ática n ã o d i s p u n h a , naquela época, dc belonaves como dispõe atualmente, b e m como não era s u a terra tão rica em m a d e i r a q u e lhe possibilitasse a construção de navios p a r a constit u i r u m a força n a v a l . C o n s e q ü e n t e m e n t e , s e viu incap a c i t a d o de r a p i d a m e n t e copiar os métodos de const r u ç ã o naval de s e u s inimigos e repeli-los t o r n a n d o - s e ele m e s m o um povo de m a r i n h e i r o s . E r e a l m e n t e teria sido d e m a i o r valia p a r a eles p e r d e r a i n d a s e t e n t a vezes sete c r i a n ç a s d o q u e s e t o r n a r e m m a r u j o s , hoplitas d e t e r r a f i r m e s e c o n v e r t e n d o e m h o m e n s d o m a r , visto q u e marujos estão h a b i t u a d o s a saltar freqüentemente às praias e voltar velozmente aos seus navios, e n ã o vêem n e n h u m a vergonha em não morrer o u s a d a m e n t e em seus postos p o r ocasião do a t a q u e do inimigo, e p r o n t a m e n t e d e s c u l p a s s ã o f a b r i c a d a s p a r a eles q u a n d o p e r d e m s u a s ••SendoefcdnLÁfíca, o
EPÍRÓEFÍO

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175

Platão - As Leis
* fi pwiwieel! que '"Pfetão (enfio «rboído estos crpuessõcs de poemas que se pc»de«»>t, (ni-)

a r m a s e s e v a l e m d o q u e c h a m a m fie " f u g a n ã o d e s o n rosa". * E s t e s feitos c o n s t i t u e m o r e s u l t a d o u s u a l d o porém precisamente o oposto, e m p r e g o d e h o p l i t a s n a v a i s c n ã o m e r e c e m " u m a infinidade de louvores",* pois n ã o se deve j a m a i s h a b i t u a r os c i d a d ã o s aos costum e s vis, e s p e c i a l m e n t e o s m e l h o r e s d e l e s . O e n s i n a m e n to de q u e tal i n s t i t u i ç ã o é i n d i g n a e n c o n t r a - s e m e s m o em H o m e r o , o q u a l faz O d i s s e u * * repreender Agame-

O S u a a s u ç , Qlftssee.

iioii por ordenar aos aqueus q u e arrastem seus navios a o m a r q u a n d o n a refrega e r a m p r e s s i o n a d o s pelos t r o i a n o s . T o m a d o d e ira ele lhe diz: Tu ordenas ao teu povo que reboijuem seus navios de bons bancos Rumo ao mar quando a guerra, e os brados nos envolvem? E assim verão CM troianos suas súplicas atendidas, li o aniquüamento completo sobre nós sc abaterá! Pois quando os rtaves fxira o mar/orem arrastadas, não movi Irão nossos aqueiís manter o vigor da batalha, Mas com o olhar na retaguarda, abandonarão a luta, E assim teu conselho pernicioso se comprovará. * • *
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ftaoftiofe comandan/c dc ciiiqíiiiln homem; oqui este Irawo composto posexe designo» o segundo eontandoitic de «»>« beAinoit ío q»osso modo eawspondctite ao jvimeiko imediato Am (cwpos m e d e » ) , mas c fwnie pwMep que PPafão eefjicsee se sc{cS(itdo eiwppeeitiente ao thfa do iMpufoçõo, ou seja. o fiapilão. ÍH.t.)
1 1

Assim, t a m b é m H o m e r o estava ciente d o f a t o d e q u e trirremes**** alinhadas n o mar n a s proximidades d a i n f a n t a r i a c o m b a t e n d o e m t e r r a n ã o s ã o b o a coisa, p o i s a t é leões, se tivessem e s s e s hábitos, a c a b a r i a m se acost u m a m ! » a fugir d a s corças! A d e m a i s , E s t a d o s q u e dep e n d e m d e f o r ç a s n a v a i s p a r a a m a n u t e n ç ã o de, s e u p o d e r oferecem h o n r a s , c o m o recompensa d c s u a s e g u r a n ç a , a u m a p a r t e d e s s a s forças q u e n ã o r e p r e s e n t a o melhor dos guerreiros, pois d e v e m sua segurança às a r t e s d o piloto, ***** d o mestre d a e q u i p a g e m » • « • • • e , d o r e m a d o r - h o m e n s d c t o d a espécie e d e p o u c a respeitab i l i d a d e - d e m o d o a s e r impossível a t r i b u i r c o r r e t a m e n t e

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Livro IV
as h o n r a s aos indivíduos q u e a merecem. E portanto, como p o d e ser b o m u m E s t a d o q u e s e q u e r goza dessa retidão? Clínias: E q u a s e i m p o s s í v e l . C o n t u d o , e s t r a n g e i r o , foi a b a t a l h a naval em S a l a m i n a , travada pelos gregos contra os bárbaros q u e , ao m e n o s segundo nós, cretenses, salvou a Grécia. O ateniense: S i m , ó o q u e é d i t o p e l a m a i o r i a d o s g r e g o s e dos b á r b a r o s . Porém nós, q u e r dizer, eu m e s m o e nosso a m i g o Megilo, a f i r m a m o s q u e foi a b a t a l h a t e r r e s t r e d e M a r a t o n a q u e d e u início à salvação da Grécia e a de Platéia q u e a concluiu, e a f i r m a m o s , inclusive, q u e e n q u a n to essas b a t a l h a s t o r n a r a m os gregos melhores, as batalhas m a r í t i m a s os t o r n a r a m piores - se tivermos q u e nos e x p r e s s a r n e s s e s t e r m o s d e b a t a l h a s que, n o s a j u d a r a m n a q u e l a época a n o s s a l v a r m o s (pois conceder-te-ei cham a r a b a t a l h a de Artemísio do b a t a l h a naval, tanto q u a n to a de S a l a m i n a ) . M a s visto q u e o n o s s o presente objeto de d i s c u s s ã o é a excelência política, o q u e e s t a m o s exam i n a n d o é o c a r á t e r n a t u r a l de um país e suas instituiç õ e s l e g a i s , de, m o d o q u e n o s d i s t i n g u i m o s d e m u i t a s p e s s o a s p e l o fato d e u ã o c o n s i d e r a r m o s a m e r a s e g u r a n ça e a m a n u t e n ç ã o da existência c o m o as coisas m a i s preciosas a serem possuídas pela h u m a n i d a d e , m a s sim a c o n q u i s t a de t o d o o b e m p o s s í v e l c a p r e s e r v a ç ã o d e s t e a t r a v é s d a v i d a . A c r e d i t o j á t e r m o s a f i r m a d o isto a n t e s . Clínias: Com certeza.

O ateniense: A s s i m s e n d o , e x a m i n e m o s s o m e n t e i s t o , a saber, se c a m i n h a m o s pelo m e s m o c a m i n h o q u e t o m a m o s n a q u e l a o p o r t u n i d a d e , q u e ê o m e l h o r p a r a os Est a d o s em m a t é r i a de fundações e legislações. Clínias: Muito melhor.

O ateniense:

Na s e q ü ê n c i a d i z - m e : q u a l é o p o v o a s e r

instalado? Será este constituído por todos a q u e l e s q u e desejam d e i x a r q u a l q u e r ptirte d e C r e t a s u p o n d o que. em cada u m a das cidades a população tenha superado o n ú m e r o d e c i d a d ã o s q u e o solo d a r e g i ã o p o d e a l i m e n t a r ? D a m i n h a p a r t e , c r e i o q u e n ã o e s t a i s r e u n i n d o todos q u e t e n h a m tal desejo, e m b o r a r e a l m e n t e e u perceb a a p r e s e n ç a e m vosso p a í s d a q u e l e s q u e s e e s t a b e l e c e r a m v i n d o de Argos, E g i n a e de o u t r a s p a r t e s da Grécia. Por conseguinte, conta-nos dc q u e regiões será r e t i r a d o provavelmente o presente contingente de cidadãos.

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Platão - As Leis
Clínias: S e r á p r o v a v e l m e n t e d e C r e t a i n t e i r a , e n o q u e s e refere a o resto d a Grécia, p a r e c e m e s t a r m a i s predispostos a admitir gente do Peloponeso como companheiros de i n s t a l a ç ã o . De fato, é vero, c o m o a c a b a s t e de dizer, q u e t e m o s a q u i g e n t e d e Argos, c o n s t i t u i n d o eles o s m a i s f a m o s o s de n o s s o s clãs, ou seja, os g o r t í n i o s , q u e é u m a colônia da Cortine* do Peloponeso. * Toptovoç, cidade tio O ateniense: N ã o s e r i a t a m b é m f á c i l p a r a o s E s t a d o s o r i e n t a r c o l o n i z a ç õ e s se isto n ã o se fizesse à m a n e i r a de p o r u m a ú n i c a r a ç a de c o l o n o s v i n d a de u m a ú n i c a t e r r a , c o m o um a m i g o q u e viesse do s e i o d e a m i g o s , s o b a p r e s s ã o c r i a d a p e l a falta d e e s p a ç o o u o constrangimento de alguma outra necessidade p r e m e n t e d o m e s m o gênero. P o r vezes, t a m b é m , a violência d e u m a revolução p o d e r i a o b r i g a r u m a p a r l e inteira d e u m Estado a emigrar, e até já sucedeu de um Estado inteiro emp r e e n d e r o exílio q u a n d o t o t a l m e n t e e s m a g a d o p o r u m a t a q u e d e p o d e r d e s c o m u n a l . E m todos esses casos, s e essa for a m a n e i r a , a d i f i c u l d a d e s e r á m e n o r d o p o n t o d e v i s t a do f u n d a d o r e do legislador, p o r é m será m a i o r se a m a n e i ra for diversa. Em caso de u n i d a d e racial, p r e s e n ç a de l í n g u a i d ê n t i c a e leis i d ê n t i c a s , e s t a u n i d a d e p r o d u z i r á amizade já q u e haverá t a m b é m participação c o m u m nos ritos s a g r a d o s e em todas as m a t é r i a s religiosas, m a s u m a t a l e s t r u t u r a n ã o t o l e r a r á f a c i l m e n t e leis o u c o n s t i t u i ç õ e s q u e sejam distintas d a q u e l a s da metrópole. Além disso, no caso de u m a tal estrutura p e r d e r a u n i d a d e por c a u s a d e u m a r e v o l u ç ã o p r o v o c a d a p e l a m á q u a l i d a d e d a s leis, e a i n d a reter (à força do h á b i t o de m u i t o t e m p o ) os próp r i o s costumes q u e c a u s a r a m s u a r u í n a , a pessoa q u e detiver o c o n t r o l e d e s u a f u n d a ç ã o e s u a s leis t e r á n a s m ã o s u m a s s u n t o difícil e e s p i n h o s o . P o r o u t r o l a d o , o c l ã form a d o p e l a fusão d e vários e l e m e n t o s e s t a r i a , talvez, m a i s p r e p a r a d o p a r a s u b m e t e r - s e a leis n o v a s , e m b o r a s e revel a s s e n e s t e c a s o u m a t a r e f a p e n o s a e d i f i c í l i m a fazê-lo co participar n u m m e s m o espírito e arquejo (como dizem) e m u n í s s o n o c o m o u m a p a r e l h a d e c a v a l o s . M a s , e m verd a d e , a legislação e a f u n d a ç ã o de E s t a d o s s ã o e m p r e e n dimentos q u e exigem q u e h o m e n s a p r i m o r e m , acima d e tudo, outros homens na virtude. Clínias: E b e m p r o v á v e l , m a s e x p l i c a a i n d a c o m m a i o r clareza o q u e te i n d u z a expressar-se a s s i m .

pé do monlc êda. Semente et» 18S4 foi deseobato código fcgoí esc.jiío. (n.l.)

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Livro IV
O ateniense: M e u c a r o s e n h o r , a o v o l t a r a o a s s u n t o d o s legisladores de nossa investigação, creio q u e possa ao m e s m o t e m p o dizer algo desrespeitoso. Mas se o q u e d i s s e r for a p r o p ó s i t o , a c r e d i t o q u e n ã o h a v e r á m a l n i s so. Afinal, p o r q u e deveria eu me c o n s t r a n g e r ? N ã o é assim praticamente, com todos os assuntos humanos? Clínias: A o q u e t u t e r e f e r e s ? 0 ateniense: E u e s t a v a n a i m i n ê n c i a d e d i z e r q u e i n d i v í d u o h u m a n o a l g u m j a m a i s p r o d u z leis, m a s q u e s ã o o s a c a s o s e a c i d e n t e s de t o d o s os t i p o s , < >s q u a i s o c o r r e m de t o d a s a s m a n e i r a s , q u e a s p r o d u z e m p a r a n ó s - seja u m a g u e r r a q u e v i o l e n t a m e n t e d e r r u b a g o v e r n o s e a l t e r a a s leis, seja a p e n ú r i a c a u s a d a p e l a p o b r e z a a v i l t a n t e . A s d o e n ç a s , t a m b é m , c o m f r e q ü ê n c i a prove>eani i n o v a ç õ e s q u a n d o irr o m p e m epidemias e as estações de clima rigoroso se p r o l o n g a m p o r m u i t o t e m p o . A n t e v e n d o t u d o isso, p o d e r - s e ia julgar a p r o p r i a d o dizer - c o m o eu disse há pouco - q u e n e n h u m s e r h u m a n o m o r t a l p r o d u z q u a l q u e r lei, o s a s suntos h u m a n o s s e n d o q u a s e todos p r o d u t o s d o p u r o acas o . E n t r e t a n t o , o fato é q u e , e m b o r a p a r e ç a q u e a l g u é m e s t e j a a b s o l u t a m e n t e c e r t o a o d i z e r isso t u d o a r e s p e i t o d a s artes do navegador, do piloto, do m é d i c o e do general, a i n d a a s s i m há, r e a l m e n t e algo a m a i s q u e p o d e m o s dizer com a m e s m a certeza acerca dessas m e s m a s coisas. Clínias: E o q u e ê? 0 ateniense: Q u e h á u m d e u s q u e c o n t r o l a t u d o q u e é , e q u e o acaso c a ocasião c o o p e r a m c o m e s s e d e u s no c o n t r o le de todos os assuntos h u m a n o s . Será m e n o s d u r o , entret a n t o , s e a d m i t i r m o s q u e esses d o i s e l e m e n t o s s ã o a c o m p a n h a d o s p o r u m terceiro; a arte., p o i s e m t e m p o d e t o m i e t i t a q u e a a r t e do timoneiro coopere c o m a ocasião - o q u e eu r e p u t a r i a como u m a g r a n d e vantagem. N ã o é assim? Clínias: È.

0 ateniense: D i a n t e d i s s o t e r e m o s q u e c o n c e d e r q u e tal coisa é i g u a l m e n t e v e r d a d e i r a n o s outros casos, p o r sujeição aos m e s m o s princípios de raciocínio, inclusive no caso da legislação. Q u a n d o t o d a s as outras condi ções estão p r e s e n t e s , com o q u e um p a í s precisa c o n t a r e m m e i o a o j o g o d a s c i r c u n s t â n c i a s s e for p a r a s e r feliz, tal E s t a d o n e c e s s i t a r á ter à s u a d i s p o s i ç ã o u m legislador comprometido com a verdade.

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Platão - As Leis
* xün («Pesistas mine. os ejuc miabémmu» o tolo gMgo que mtotjKND o jmigunta de (Vimas c a svs,pmki-p'k(j<wki tia afattimigi! (as quais cnâmnioi) «m i/áâsoj como fiOMpfeiiMto do Mo.ioeínio dc olmiMsc fogo atiles (que eoPocatiios era fonte ifcíPieo/ neg/iiro), ou se„jo: (9 afunifitisc. "njojooiof!, PegisPado»... "nós fc diAÍoivios."... o que quraes e o físfndo ei» que eotidiçõo pato que, som isco, o pom® admini.sta safisfalojiamente?" QuoP o fionlo o seguis a soj riifo com psopsiodode ? "Dosemos esto sesposlo fio ponto de. i<ie(o do PegisPado»? (n.l.)
1 l

Clínias; D i z e s a l g o m u i t o v e r d a d e i r o . O ateniense; N ã o s e r i a e n t ã o a q u e l e q u e p o s s u í s s e a a r t e relativa a c a d a u m d o s ofícios m e n c i o n a d o s c a p a z d e suplicar s e m receio de erro por a q u e l a condição q u e , se fosse p r o p o r c i o n a d a p e l o a c a s o , r e q u e r e r i a t ã o - s o m e n te o suplemento de s u a própria arte? Glinias: C e r t a m e n t e seria. O ateniense: E s e t o d o s o s o u t r o s q u e a c a b a m o s d e m e n c i o n a r f o s s e m c o n v i d a d o s a e x p r e s s a r o o b j e t o rie s u a s s ú p l i c a s , s e r i a m c a p a z e s d e fazê-lo, o u n ã o ? Clínias: C l a r o q u e s e r i a m . O ateniense: E o l e g i s l a d o r , s u p o n h o , t a m b é m s e r i a c a p a z ? Climas: O "... com Clínias: Suponho que sim. legislador,.." em administrar seguir a n/m lhe diríamos, que,

ateniense: o isso,

" Vejamos, o possas a

que queres e o Estado

que condição para

satisfatoriamente.?'' com propriedade? vista, do

Qual o ponto Queres

ser dito

O ateniense: legislador?* Clínias:

dizer,

suponho,

do ponto de

Pu sejo, iiw

Sim.

tupavvoç,

MM

otonaíco

O ateniense: E i s o q u e e l e r e s p o n d e r á : " D á - m e o E s t a d o c o m um s o b e r a n o d e s p ó t i c o • * e q u e este seja p o r u a t u r e z a d e t e n t o r d e b o a m e m ó r i a , j o v e m , d o t a d o d e facilid a d e dc compreensão, coragem e maneiras nobres,**» c que aquela qualidade que anteriormente menciona mos**** acompanhe necessariamente todas as partes da virtude, estando presente t a m b é m agora na alma de n o s s o m o n a r c a , se é q u e q u e r e m o s que, o resto de s u a s q u a l i d a d e s a p r e s e n t e m q u a l q u e r proveito." N ã o é? Clínias: T e m p e r a n ç a , s u p o n h o , M e g i l o é o q u e o e s t r a n geiro indica c o m o c o m p l e m e n t o necessário. O ateniense: Sim, Clínias, a temperança, q u e r dizer, a

({no delem fiodc» absoluto, c não ncccssoWomcnte um usu»|iodo» do (sono do meiBOSquio que se scrtlo, cíc, «o píióliea ctucP e i»cot«pclcn(e (senUelo jeí fwjosolieo qno o poPowo adqulíe postesiosmorto o fttg d a s pouco bem sucedidos evpotíêneios deis nsmpadoscs nos tsoiios da íjsCcio artigo). iA f:fiticcpe;õfi da (ttaMO como «ma JIIMI cioccíbado ou degenosodo do tnonosquío não é, assim. osiginoP. powiin pSfisnniiecPtncnlc rfasiWido do dcPicadíssiino pode» obsoftilo maP uliPigodo nas meios da usuítpadoíics. (n.l.)

o r d i n á r i a , n ã o a q u e l e t i p o d e t e m p e r a n ç a a q u e s e faz referência q u a n d o se u s a linguagem a c a d ê m i c a e se identifica a t e m p e r a n ç a com a sabedoria, m a s sim o tipo q u e pelo instinto n a t u r a l brota por ocasião do nascimento nas crianças e animais, de m o d o q u e alguns são incontinentes, outros continentes no q u e diz respeito aos p r a z e r e s . C o m r e l a ç ã o a isso, d i z í a m o s q u e , q u a n d o essa

180

Livro IV
t e m p e r a n ç a e s t á i s o l a d a d o s n u m e r o s o s c h a m a d o s bens, carecia de importância. Entendeis, p r e s u m o , o q u e quero dizer? Clínias; Certamente. Que o nosso m o n a r c a despótico possua •••.avõpeioç CMogcm
K

MM nr/tm,

ueyaÂoupejiriç...,
IUOMÍWS

«sto tioíwiíjfl jó eicço o conjugou rfupfo mtlée, ou eejo, ceie tomem f*rto ' PPfltõo c neceíxáwn e obeiomoslc de finíiogem nohw, mat e p.itiu/planefimpíife dotodo de iiohwga do fííhfi. t> fejiino além das outras qualidades O ateniense: essa

qualidade natural

m e n c i o n a d a s se é q u e q u e r e m o s q u e o Estado adquira da m a n e i r a m a i s r á p i d a e m e l h o r possível a constituição q u e necessita p a r a assegurar a vida m a i s ven t u r o s a , visto q u e n ã o existe n e m p o d e r i a j a m a i s surgir um meio mais rápido e melhor de estabelecer u m a forma de governo. Clínias: C o m o e p o r i n t e r m é d i o d e q u a l a r g u m e n t o , est r a n g e i r o , p o d e r í a m o s c o n v e n c e r a n ó s m e s m o s d e «pie, a o d i z e r m o s isso, f a l a m o s c o m r a z ã o ? O ateniense: Pode-se conceber facilmente, Clínias, que

peyaX.o7tpgjtEta, o
(nopósifo, sígni{iea iiioPueiee, magnanimidade, genejocidade. («•(•) **"f)v seja. o tem|)e,TOiieo (a(D(J)porjüVq). (n.t.)

e s t á n a n a t u r e z a d a s p r ó p r i a s c o i s a s q u e a s s i m seja. Clínias: D e q u e m a n e i r a q u e r e s d i z e r ? S o b a c o n d i ç ã o , segundo dizes, de q u e haja um m o n a r c a despótico q u e seja j o v e m , m o d e r a d o , d e c o m p r e e n s ã o fácil, d e b o a m e m ó r i a , bravo e de nobres maneiras? O ateniense: A c r e s c e n t a t a m b é m feliz p e l o m e r o fato de

q u e d u r a n t e s u a v i d a p u d e s s e s u r g i r u m l o u v á v e l legis l a d o r e q u e p o r um b o c a d o de boa sorte a m b o s se enc o n t r a s s e m , p o i s s e a s s i m fosse e n t ã o a d i v i n d a d e t e r i a feito q u a s e t u d o q u e faz q u a n d o d e s e j a q u e u m E s t a d o seja p a r t i c u l a r m e n t e próspero. A c o n d i ç ã o í m e d i a tam e n t e inferior corresponderia ao surgimento de dois c o n d u t o r e s desse jaez; e e n t ã o viria a terceira com três condutores, e assim por diante, a dificuldade aument a n d o à m e d i d a q u e esse n ú m e r o de condutores a u m e n tasse, e vice-versa. Clínias: A p a r e n t e m e n t e q u e r e s d i z e r q u e o m e l h o r Est a d o nasceria de urna m o n a r q u ia despótiea q u a n d o esta contasse com um legislador de primeira categoria e um m o n a r c a despótico decente, sendo estas as condições n a s q u a i s a m u d a n ç a p a r a u m tal E s t a d o p o d e r i a ser e f e t u a d a c o m m a i o r facilidade e r a p i d e z , e a s e g u i r de u m a o l i g a r q u i a - ou o q u e é isso que. q u e r e s d i z e r ? E a i n d a a seguir de u m a democracia?

181

Platão - As Leis

*

€)u

SCJO,

0

TIIOBFUÍJUÍO

LLFL

O ateniense: N ã o

exatamente.

O passo

mais

fácil é a

quaí não kâ fintile pa»o o pode» pessoal do mona»e.o, o nionaJiquia absctula

partir de u r n a m o n a r q u i a despótica, •

o próximo mais

fácil de u m a m o n a r q u i a c o n s t i t u c i o n a l * * e o t e r c e i r o a partir de a l g u m a forma de democracia. U m a oligarquia, q u e vem em quarto lugar na ordem, somente mediante a m a i o r das dificuldades permitiria o desenvolvimento do m e l h o r E s t a d o j á q u e é a f o r m a d e g o v e r n o n a q u a l existe m a i o r n ú m e r o de condutores. • * • O q u e digo é q u e a m u d a n ç a ocorre q u a n d o a natureza supre um verdadeiro legislador e q u a n d o acontece q u e a opinião política dele é partilhada pelos indivíduos m a i s poderosos do E s t a d o ; a s m u d a n ç a s s ã o realizadas g e r a l m e n t e c o m rapidez e facilidade o n d e as a u t o r i d a d e s do E s t a d o são a um t e m p o as m a i s p o d e r o s a s e as m e n o s n u m e r o s a s . » * * * Clínias: C o m o assim? Não compreendemos. E n o e n t a n t o i s s o foi e n u n c i a d o n ã o u m a

(tupavviç).
ooin

(n.i.J

•• LA »oiio,»f}uio «Palito,
ÍIHMTOÇÕO

do pode* do

«ei; o que T % l à o etomo de

PamÂiKnç
TtoXiteiaç. (n.t.;

oÃiyapxia c o joumo de
goWtno «o. quoJ o podei é MGAcldo po* poucos pessoas ou poucas {nmíPias, mos o »e{e«!iieiof de. 'PPaíõo é pMeisowentc o monmqiiio despóíieo, «o quoP o pedes esteí inteifia e cffiftisiwmentc eo»R*«T*ado «a pcssoo do tijnno - oo sejo, um úitifio conduto» do fistado. fioli este ítejejcneifti o oíigoftquio í o sistema poPítioo que conta com o maio» núnieso de eondefaíes. (n.t.) • • * * © que é cncontsorío num goue.tno moiirisquieo abeofctista ( T u p a v v t ç j .

O ateniense:

vez, s u p o n h o , m a s m u i t a s vezes. E n t r e t a n t o , é b e m provável q u e vós j a m a i s vistes u m E s t a d o s u b m e t i d o a o poder d e u m m o n a r c a despótico. Clínias: N ã o e t a m p o u c o a l i m e n t o e u q u a l q u e r d e s e j o de vê-lo. O ateniense: E t u , c o n t u d o , p o d e r i a n e l e v e r u m a i l u s t r a ç ã o d o q u e a c a b o d e falar. Clínias: Como?

O ateniense: O f a t o d e u m m o n a r c a d e s p ó t i c o , q u a n d o se decide a alterar os costumes de um Estado, n ã o nec e s s i t a r p a r a isso d e g r a n d e s esforços n e m d e m u i t í s s i m o tempo, s e n d o l h e necessário r e a l m e n t e a p e n a s enveredar, ele m e s m o , p r i m e i r a m e n t e p e l o c a m i n h o desejado, seja este impelir os c i d a d ã o s r u m o à virtude ou o c o n t r á r i o . Através de seu e x e m p l o p e s s o a l ele deve, e m p r i m e i r o lugar, t r a ç a r a s l i n h a s c e r t a s , seja distrib u i n d o l o u v o r e s e h o n r a s seja d i s t r i b u i n d o c e n s u r a s , seja castiganelo a d e s o b e d i ê n c i a a c a d a m a n i f e s t a ç ã o . Clínias: S i m , t a l v e z p o s s a m o s s u p o r q u e o s d e m a i s cidadãos n ã o demorarão a imitar o governante q u e adota tal c o m b i n a ç ã o de p e r s u a s ã o e coerção. O ateniense: Que n i n g u é m , m e u s a m i g o s , t e n t e n o s p e r s u a d i r q u e u m E s t a d o p o s s a j a m a i s a l t e r a r s u a s leis mais rápida ou facilmente por outro meio além do

182

Livro IV
n o r t e a m e n t o pessoal d o s governantes: tal coisa n u m a p o d e r i a a c o n t e c e r , seja n a a t u a l i d a d e o u d o r a v a n t e . N a v e r d a d e , n ã o é b e m o r e s u l t a d o q u e j u l g a m o s difícil o u i m p o s s í v e l d e s u c e d e r ; o q u e é difícil s u c e d e r , p e l o c o n trário, é aquele resultado q u e sucede apenas rarament e n o d e s e n r o l a r d e l o n g a s e r a s e q u e , q u a n d o efetiva m e n t e sucede n u m Estado, p r o d u z neste Estado incontáveis b ê n ç ã o s de t o d a ordem. Clínias: A ( p i e r e s u l t a d o tu te referes'/' O ateniense: Q u a n d o um desejo divino d a s práticas da
• * * • •

t e m p e r a n ç a e d a justiça n a s c e n o seio d c u m g r a n d e pod e r q u e é s o b e r a n o s o b a forma da m o n a r q u i a institucional ou se destaca graças à superioridade da riqueza ou do nascimento, ou a i n d a se alguém passa a exibir as q u a l i d a d e s d e Nestor, d e q u e m s e diz q u e s e e r a cie superior a todos os outros seres h u m a n o s em eloqüência, o e r a a i n d a m a i s e m t e m p e r a n ç a . » • • * • I s t o foi, c o r n o d i zem, na época de Tróia - s e g u r a m e n t e n ã o no nosso tempo. D e q u a l q u e r m a n e i r a , s e u m tal h o m e m existiu, o u existirá ou existe e n t r e n ó s a t u a l m e n t e , a b e n ç o a d a é a v i d a q u e leva e a b e n ç o a d o s s ã o a q u e l e s q u e s e u n e m p a r a o u v i r a s p a l a v r a s dt; t e m p e r a n ç a q u e e m e r g e m d e s u a boca. A n a l o g a m e n t e no q u e diz respeito ao poder em geral, a m e s m a regra é aplicável: s e m p r e q u e o p o d e r supremo reúne, n u m indivíduohumano, sabedoria etemp e r a n ç a , • • • • • está p l a n t a d a a semente da m e l h o r constituição c da melhor legislação, c de n e n h u m a outra m a n e i r a chegar-se-á a isto. C o n s i d e r e m o s q u e t e m o s a q u i um mito proferido por um oráculo e consideremos como c o n s p í c u o q u e s e é difícil p a r a u m E s t a d o c h e g a r à s s u a s m e l h o r e s leis, d o m o d o q u e d i s s e m o s s e r á s u m a m e n t e m a i s fácil e m a i s r á p i d o d o q u e q u a l q u e r o u t r a c o i s a . Clínias: Provavelmente.**•• • •
L.4 bodueão da 0«i<|>poo~uvr| c seus dc/utados. mesmo num dofcesininodo eenlevfo, po* umo única fiafaiíia dccignndoM (te. um conCCilr unáoeo na {íngua modetna, é as ee.íjes muito psobfomático; aqui pon eyempPo a fempe.ionea iinpPieo tiocossíwiomonte a sabodoíeo. nu seja. denlíio da p.wp.Wo concepção da nioianquio d a s Wittudes c do nilurie tolnf, é twipossíutiP que qualquct domem seja detento) de lompcüanoa
se» dele» pAoviafiiCiilc

snbedr.ilo: não i«í como concebei no pxílica as duas liiitfufíee isofadnnieiitc. do<p a b a i » isto é sugotído já no pfrino feO.iioo pefa inatfoPogifl das paPa«as:...(J)povt;iv TC KCÜ CTOMJipOVClV...
(

0 ateniense: A p l i q u e m o s o o r á c u l o a o t e u E s t a d o , t e n tando assim, como meninos de b a r b a grisalha, moldar s u a s leis s e g u i d o n o s s o d i s c u r s o Clínias: S i m , v a m o s e m f r e n t e s e m m a i s d e l o n g a s . O ateniense; I n v o q u e m o s a p r e s e n ç a do d e u s na f u n d a -

L.scibedo.iio e tem|«ança...). fci.) Ou seja. ItJOJÇ. u U o s neste eoso os nopenistas que eslabePco.cNam o fovto gjcfjo díic.tgein. _,4 intcíPocuçiõo de CMutos podciMa sen também: Como'?

ç ã o do E s t a d o , e q u e ele possa n o s e s c u t a r , e n o s escut a n d o ser propício e benevolente assistíndo-nos na const r u ç ã o do E s t a d o e s u a s leis.

(ftaç)
183

(n.t.)

Platão - As Leis
• Optamos po« esto ccpMssõo composto pois nos pOMCC menos sujeito ò ambigüidade tio que o (cimo (IMmia. (n.t.) • • <_k nosso pofotMi daiiôMos é demasiado inconveniente pois adquisiu, cspeeiaCmentc o pa/ttiu

Clínias: S i m , q u e e l e s e m a n i f e s t e . O ateniense: Bem, q u e forma de governo t e n c i o n a m o s

atribuir ao nosso Estado? Clínias: Ao q u e te referes especificamente? Explica-te

d e m o d o a i n d a m a i s claro. Creio q u e t e n s e m vista u m a democracia, u m a oligarquia, u m a aristocracia ou u m a m o n a r q u i a constitucional?... pois c e r t a m e n t e n ã o te referes a u m a m o n a r q u i a despótica, * o q u e n u n c a pod e r í a m o s supor... O ateniense: V e j a m o s , q u a l d o s d o i s g o s t a r i a d e m e r e s p o n d e r em primeiro lugar e dizer em q u e tipo de forma de governo se e n q u a d r a a forma de governo de seu próprio Estado? Megilo: N ã o s e r i a a p r o p r i a d o q u e e u , s e n d o m a i s v e lho, respondesse primeiramente? Clínias: È provável.

do jim da -ôdade antiga, com
a instafeção do c/uslionistno ojíeiaf c. insíitueionaf na fiu/iopa, acepções e conotações intci/iamentc esfsannas sejo ao pensamento gsego, seja e) mitologia da Qíéeia, seja d sua wda Midgiosa. Cs píiineiMS fadtca c teóPogos da -5g»cjo ftUsíã cm {o*i«ação nüida no aduento do sectasismo ejüstão (a começo,» po» S ã o Justino, ijt(e»ógo»as, ííanln âtâm c atingindo seu auge. com ÇJéfituftono, fiftsiicíite dc

Megilo: N a v e r d a d e , e s t r a n g e i r o , q u a n d o p e n s o n a form a d e g o v e r n o d a L a c e d e m ô n i a , fico i m p o s s i b i l i t a d o de dizer-te p o r q u a l n o m e se deveria designá-la. Parecem e , c o m efeito, q u e s e a s s e m e l h a a u r n a m o n a r q u i a d e s p ó t i c a já q u e a institutiçâo de éforos q u e ela encerra é s u m a m e n t e despótica; e, no e n t a n t o , p o r vezes me p a r e c e m a i s p r ó x i m a d e u m a d e m o c r a c i a d o «pie t o d o s os outros Estados. De q u a l q u e r m o d o , seria inteiramente a b s u r d o negar q u e se trata de u m a aristocracia, mas q u e inclui u m a realeza vitalícia, a m a i s antiga de todas a c r e r m o s n ã o s ó e m n ó s m e s m o s c o r n o e m tejda a h u manidade. Mas de m i n h a parte, diante agora dessa p e r g u n t a r e p e n t i n a , estou r e a l m e n t e , corno disse, impossibilitado de dizer definitivamente a q u a l dessas formas de governo pertence. Clínias: E e u , Megilo, e n c o n t r o - m e i g u a l m e n t e p e r p l e x o

(/tteffflidwa e Oifígotes), no seu
twbafto e gelo de estabelece» os dogmas da noeo neligião e eombat» as seitas antagônicas e kJtétiwf: (p»ineipa!«cn(e os gnestioos), oMoíoot uma toíiiinoligia tcóiogieo wftcjioea que não dei»» de inefoij a

oduftaoção de concerteis
Médicos, isto, é ela,», usando o dcsmcficoci o jifoso|ia gieijo e NWJ uma gijfttsa mim o

paganismo. "Uma das fiAm faimm dessa aduffe»ação {oi
ptecisamente {mjaír «mr< dualidade metafísica nn eoiice|)Ção do dwino dos gitegos, seefessi{ieando o

p o i s a c h o m u i t o difícil a t r i b u i r a o r e g i m e d e C n o s s o s um desses n o m e s com certeza. O ateniense: S i m , m e u s c a r o s s e n h o r e s , p o i s v ó s , efetivamente, participais de várias formas de governo, enquanto aquelas que a c a b a m o s de n o m e a r n ã o são [a rigor| formas de governo, m a s sim a g r u p a m e n t o s ou sistemas políticos q u e d o m i n a m ou servem parcelas de si mesmos, sendo cada um n o m e a d o de acordo com o poder

o c u p o v i o v (ou S a i u w v )
como um se* nccescawamenlc maíigno c dedicado etenomenlc ao ntfrf, cm oposição absoftiía o
c

Beus, ou seja. uma

184

Livro IV
concepç/io meiniqueíslo

d o m i n a n t e . M a s s e o E s t a d o devesse, s e r n o m e a d o d e a c o r do c o m isso, o n o m e q u e deveria o s t e n t a r é o do d e u s q u e é o v e r d a d e i r o g o v e r n a n t e de i n d i v í d u o s r a c i o n a i s . Clínias: E q u e m é esse deus? Será q u e n ã o deveríamos, então, recorrer

fotaftwrfe ausento no mito P *

\*tm gregos, -jfa pníanos ô a t u t ü v f. OCtlUÜVtOV
íiijMJienm ftfeinitiicfití dimtdadr, nõo dando metógetn (t queiftjiie» díeotomto e mi» itínfiutwi rmpfeao,ão metafísico (•Lm; o ml.» sentido eobftef o estos i m l t a a s , deAühdo desse, sentido plinWiflí e fiíojoí, e, que Motõo iiftftgo eiquí bon eomo eo»entc»ente em seus fiiita: difiüofjos (de, iwnneüvi mateonle nei lApoérjin, onde fiócsatos se, MJTJK CIO S O I
c

O ateniense:

m a i s u m a vez a o m i t o d e m o d o a r e s p o n d e r satisfator i a m e n t e a essa q u e s t ã o ? Clínias: E por que não? Ótimo! Longas eras antes q u e existissem

O ateniense:

até m e s m o essas cidades d a s q u a i s indicamos a formação a n t e r i o r m e n t e , existia n o t e m p o d e C r o n o s , c o n t a se, u m g o v e r n o e f u n d a ç ã o s u m a m e n t e p r ó s p e r o s c o r r i b a s e n o s q u a i s o m e l h o r d o s E s t a d o s a t u a l m e n t e exist e n t e s foi m o l d a d o . Clínias: E e v i d e n t e q u e é de e x t r e m a i m p o r t â n c i a ter

ôcuucov) t, o de umo
fíivindode mejto/i,

c o n h e c i m e n t o disso. O ateniense: P a r e c e - m e q u e s i m e foi p o r i s s o q u e i n t r o duzi esse p o n t o em n o s s a discussão. Megilo: N e s s e c a s o a g i s t e a d m i r a v e l m e n t e e v i s t o q u e o m i t o a q u e te referes ó p e r t i n e n t e , farás m u i t o b e m em prosseguir dele t r a t a n d o até o fim. O ateniense: S ó m e c a b e f a z e r c o m o d i z e s . B e m , a t r a d i ç ã o n o s fala d e q u ã o v e n t u r o s a e r a a v i d a h u m a n a n a q u e l a é p o c a , s u p r i d a c o m t u d o e m a b u n d â n c i a e e m esp o n t â n e o d e s e n v o l v i m e n t o . E diz-se q u e a c a u s a d i s t o fora o seguinte: C r o n o s estava ciente de q u e n e n h u m ser h u m a n o , por sua natureza (como já explicamos) tem a c a p a c i d a d e de ter controle absoluto dc todos os assuntos h u m a n o s sem se t o r n a r locupletado de insolência e, in justiça; assim, p o n d e r a n d o s o b r e esse fato, d e s i g n o u c o m o reis e g o v e r n a n t e s p a r a n o s s a s c i d a d e s n ã o seres h u m a nos, m a s sim seres d e u m a raça m a i s divina, n o m e a d a m e n t e , o s dáimons. * • E l e a g i u e x a t a m e n t e c o m o n ó s p r e sentemente agimos no raso de ovelhas e rebanhos de a n i m a i s domesticáveis: n ã o colocamos bois a governa r e m b o i s , o u c a b r a s a g o v e r n a r e m c a b r a s , m a s s i m colocamos a nós mesmos, q u e somos de u m a raça melhor, a exercer o controle, sobre eles. De m a n e i r a a n á l o g a , o d e u s , e m s e u a m o r p e l a h u m a n i d a d e , i n s t a l o u p a r a n o s controlar n a q u e l a época a raça s u p e r i o r d o s dáimons' • a

(ucjetóquiofinicntc infcnioa nos
deuses (iné-oífmpicos ou oPímpieos, o (íoiiHn de

X p o v o ç ) que, o p.wpósito.
gcfc pcPa numonidade, inspiw e

Oflicnto cada indiiíduo tumono,
como um gênio pfiofctoí; um conceito eotnpa»ó«P oo conceito dc. anp da rjuatda do csistianismo. poitcim oPo/ia e, profundamente distinto elo conoeiío HiPgeu dc danam.
f

Jf«to -igostinlto (354 - 4 3 0

•A.. 'Ti) psoiaueénonte tone o

concibiíModo perto pejoebe»
quão inlePoetnoPmente desonesto e p,iOfji>ioticomontc inútif oíw csai uiimãn de dapmsm e of*onfa» o pensamento gwjn e

se devotou no suo fiPosefio
potósfico ò fentotwo do eonciftfi-Po com o dogmrííica custo, tomondo pam iw: p»ecisomente o fííbsofio platônico; wos ínfrfigmente, po*. esse le«ipo, o dúbio tejiminoPogiei do í)g»e,(o jeí se mnsoifííwi- (n.t.)

185

Platão - As Leis
• 'Pfatõo nciiena aqui o idéia de que a condução da «da ladiuidnaf no seio do jomítio, ou mclio», do cidadão (jó que raf « d a d e * ÜB» em ptsqWia consonância oom o uida do E s t a d o e, mesmo subordinada ao bew eofcfieo) bem como o condução do ê s t o d o não |rteselndem da i«s|ii*oção do eJemcnto divino ( t o 8 a i | i O v t o v ) [nesenle «o íntimo do lioinem. fintatanlo, fiascoe te» sido, eniiie, nuí.ws coisas, a fidelidade de

qual, muito facilmente de sua parte e p a r a nossa grande v a n t a g e m , encarregou-se de nós, p a s s a n d o a distrib u i r p a z e s e n s o dc h o n r a , leis e j u s t i ç a c o p i o s a , t o r n a n do a s s i m as tribos h u m a n a s e s t r a n h a s aos conflitos e p r e s e r v a n d o s u a felicidade, E m e s m o hoje este discurs o e n c e r r a u m a v e r d a d e , a s a b e r , q u e e m q u a l q u e r lug a r q u e seja o n d e u m E s t a d o t e m u m m o r t a l e n e n h u m deus como governante, nesse lugar as pessoas não têm trégua em relação ao peso dos m a l e s e das dificuldades; e se considera q u e devamos por todos os meios i m i t a r a v i d a da é p o c a de C r o n o s , tal c o m o a t r a d i ç ã o a retrata, o r d e n a n d o tanto nossos lares q u a n t o nossos Estados segundo o acatamento ao elemento imortal no nosso interior,* d a n d o a essa o r d e n a ç ã o da razão o n o m e d e lei. M a s s e u m i n d i v í d u o h u m a n o , u m a o l i g a r quia ou uma democracia encerram u m a alma que se e m p e n h a pelos prazeres e apetites, b u s c a n d o e m p a n turrar-se deles, i n c a p a z de continência e presa de um m a l i n t e r m i n á v e l e insaciável, se u m a a u t o r i d a d e de tal espécie, c h e g a r a g o v e r n a r u m E s t a d o o u i n d i v í d u o pis a n d o s o b r e a s leis, e n t ã o n ã o h a v e r á (corno e u disse h á p o u c o ) n e n h u m m e i o d e s a l v a ç ã o . E s t a é a r e f l e x ã o , Clínias, q u e d e v e m o s e x a m i n a r d e m o d o a c o n c l u i r s e n e l a d e v e m o s a c r e d i t a r o u o q u e d e v e m o s fazer. Clínias: D e v e m o s , é c l a r o , d a r c r é d i t o a e l a . O ateniense: E s t á s c i e n t e d e q u e d e a c o r d o c o m a l g u n s há t a n t o s t i p o s dc leis q u a n t o tipos de constituições. E n ó s a c a b a m o s de discorrer sobre os tipos de constituiç õ e s c o m u m e n t e r e c o n h e c i d a s . E p o r favor n ã o s u p õ e q u e o p r o b l e m a agora levantado carece de g r a n d e importância, pois e s t a m o s novamente frente ao p r o b l e m a do q u e deve ser o objetivo da justiça c da injustiça. N ã o é, c o m efeito - a s s e v e r a m - à g u e r r a ou h v i r t u d e total q u e a s leis v i s a m , m a s s i m a o i n t e r e s s e d a f o r m a d e governo estabelecida, q u a l q u e r q u e seja esta, d e man e i r a a ser p e r p e t u a d a no p o d e r c n u n c a ser dissolvida, de sorte qtie a n a t u r a l definição de justiça seja m e l h o r formulada deste modo... Clíniiis; O Que modo? A f i r m a n d o se mais forte. que a justiça consiste no

S ó e w t e s ao seu Saifiov
que o {toou na (isãlica a se

desentende» com o Séada
ateniense de enlão e se» condenado à t»o«(e, {m a

^AfxiQogiti de, SfieMles, de,
j>»e{e»e«c.(o a edição da

ÇJfgftms, S ã o Paufo,
í/tadtiçãc dc j U d i c i o ípugPicsi c Êdeo» íRini). (ni.)

c

ateniense: do

interesse

186

Livro IV*
Clínias; E x p l i c a - t e c o m maior clareza.

O ateniense; O r a , é a s s i m q u e é : a s l e i s m i m E s t a d o dizem - são sempre promulgadas pelo poder q u e nele vigora no m o m e n t o . N ã o é assim? Clínias: I s s o é i n t e i r a m e n t e v e r d a d e i r o . O ateniense: S u p õ e s e n t ã o - a r g u m e n t a m e l e s - q u e u m a d e m o c r a c i a ou q u a l q u e r outra forma de governo, até m e s m o u m a m o n a r q u i a despótica, t e n d o ela conquistado a hegemonia, irá por sua própria ação produzir l e i s que n ã o t e n h a m c o m o o b j e t i v o p r i m o r d i a l a s s e g u rar sua própria permanência no poder? Clínias; Certamente que não. P o r c o n s e g u i n t e , c» l e g i s l a d o r c l a s s i f i c a r á p u n i n d o to• * Í V Mijo, ai Pote pmdajidm m trftwsse evePusito fia {(«tina dc rjoWsna ifigetiff!, íjiie é sua iiiatuií«içõo |ifw[yifun no podes, (n.t.)

O ateniense:

c o m o justas a s l e i s a s s i m p r o m u l g a d a s , • *

d o s a q u e l e s q u e a s v i o l e m c o m o c u l p a d o s d e injustiça. Clínias: N ã o h á d ú v i d a d e q u e i s s o é p r o v á v e l . O ateniense: E a s s i m t a i s l e i s p r o m u l g a d a s c o n s t i t u i r ã o aí s e m p r e a justiça. Clínias: B e m , i s s o é , d e q u a l q u e r f o r m a , o q u e e s s e argumento O ateniense: títulos sob Clínias: sustenta. Sim, consenso pois este é ao um d a q u e l e s direitos ou

relativos
9

governo.

" * o 4 P u s ã o à passagem do i-fiifto III í>m fjur: PPatão d i s c o » : sofro os Muito: ou divilos íOJMíüitfs ao goLMnos n sus goimmodo <: oito TíndoMi. (n.t.)
;

Que.

títulos.

O ateniense: A q u e l e s d o s ( p i a i s t r a t a m o s a n t e s - t í t u l o s o u d i r e i t o s q u a n t o a q u e m d e v e g o v e r n a r q u e m . Foi d e m o n s t r a d o q u e os p a i s d e v e m g o v e r n a r os filhos, os mais velhos os m a i s jovens, os de l i n h a g e m nobre os s e m l i n h a g e m n o b r e , e (se l e m b r a i s ) h a v i a m u i t o s o u tros títulos, a l g u n s e n t r e eles m u t u a m e n t e conflitantes. O título ou direito d i a n t e de n ó s a g o r a é um destes e d i s s e m o s c i t a n d o P í n d a r o q u e a lei c a m i n h a c o m a n a t u r e z a q u a n d o justifica o direito do poder. Clínias: S i m , i s s o é o q u e foi d i t o e n t ã o . O ateniense: Observa agora a que partido deveríamos

confiar o nosso E s t a d o , pois a situação q u e temos aqui de fato já s u c e d e u aos E s t a d o s m i l h a r e s de vezes. Clínias: Que situação?

187

Platão - As Leis
• "TWos dcMolodos, ptmmse. (n.t.) ** £ «fio cidadãos, (n.t.)
* * * QJm neofogisiMO que nos

O ateniense: Q u a n d o h á l u t a p e l o p o d e r , o s q u e s e sag r a m v i t o r i o s o s s e a p r o p r i a m elos c a r g o s p ú b l i c o s c o m pletamente, de m o d o a não deixar a m e n o r parcela de autoridade p a r a os próprios vencidos e seus descendentes, e c a d a p a r t i d o p a s s a a vigiar o o u t r o , c o m receio q u e h a j a u m a i n s u r r e i ç ã o e m r e p r e s á l i a a o s t r a n s t o r n o s sofridos a n t e r i o r m e n t e . • Com certeza negamos q u e essas formas de governo sejam realmente formas de governo, c o m o n e g a m o s q u e s e j a m leis v e r d a d e i r a s a s q u e n ã o são feitas a favor do interesse c o m u m de t o d o o E s t a d o . A s s i m r p i a n d o a s leis s ã o p r o m u l g a d a s n o i n t e r e s s e d e u m a p a r t e , c h a m a r e m o s a estes p r o m u l g a d o r e s de partidários" e a q u i l o q u e julgam ser s u a f o r m a de governo e n ã o de u m a a u t ê n t i c a f o r m a de d e enfeudamento • * *

(ip.ítmitiwo.<5 pona designo» ou. oo nienoe, sugenü m pseudoeonstituieôo hoseodo em feudos oo dwi.eões pos (««tido. í»ij **** Suai digo», o p,stado eujo fundoçõo e eonstituiçõo {oiíow eonjiodos o CJinios e autos, (n.t.) * • • • • U7tT)peTaÇ TOtÇ vouoiç. (n.t.)

g o v e r n o , s e n d o a justiça q u e a t r i b u e m a e s s a s leis m e r a m e n t e um n o m e vazio. Se o dissemos é p o r q u e n ã o t e u c i o n a m o s no t e u E s t a d o * * • • d i s t r i b u i r c a r g o s t o m a n do c o m o critério p a r a t a n t o a riqueza, ou qualejuer o u t r a q u a l i d a d e d o g ê n e r o , t a i s c o m o f o r ç a , c o m p l e i ç ã o física ou nascimento. Os cargos deverão caber aos h o m e n s q u e s e d e s t a c a m n a o b e d i ê n c i a à s leis e e s t e n d e m e s t a v i t ó r i a a o E s t a d o , o m a i s elcvadei c a r g o ( o s e r v i ç o a o s d e u s e s ) a o p r i m e i r o destes, o s e g u n d o cargo ao s e g u n d o destes, e os d e m a i s cargos s e n d o necessariamente distribuídos de maneira a n á l o g a e s u c e s s i v a m e n t e a t o d o s esses h o m e n s . Se c h a m o de servidores d a s leis* * * • • aqueles aos quais d a m o s o n o m e de magistrados n ã o é pelo simples prazer d e c u n h a r u m a expressão nova, m a s sim p o r q u e acredito q u e a salvação ou a ruína de um Estado, a c i m a de q u a l q u e r o u t r a coisa, se b a s e i a nisso, pois t o d o E s t a d o q u e t e m a lei n u m a c o n d i ç ã o s u b s e r v i e n t e e i m p o t e n t e está à b e i r a d a r u í n a e n q u a n t o q u e p a r a t o d o E s t a d o n o q u a l a lei é s o b e r a n a s o b r e os m a g i s t r a d o s e, e s t e s s ã o servidores da lei h a v e r á salvação e t o d a s as benesses q u e os deuses outorgam aos Estados. Clínias: S i m , p o r Z e u s , e s t r a n g e i r o ! C o m o s e c o a d u n a

• • • • • • f í hm píoitieef que "Tfelclo se (tejisa oqui o «» poemo de fi»jcu. (n.t.)

• • • • • • • A I K T | . a justiço pcAscnifleodo peto diWndode.
(n.t.)

Ãime. o rjesese do inundo k o a p i o y o v i a ) segundo 'PPolõo eonsufta o diófogo O/mcn, que eiieotl-e eslo queeíõo do abandono do deus. ftunp&e ofisowin que o

com tua idade, O ateniense:

tens r e a l m e n t e u m a visão aguda. m a t é r i a a visão de u m a

E q u e p a r a essa

h o m e m está m a x i m a m e i i t e e m b o t a d a na sua juventud e , e n q u a n t o m a x i m a m e i i t c a g u d a n a s u a velhice. Clínias; E b e m verdadeiro.

188

Livro IV
(l(il)ilO (il ' PPolÕO (Io .WOlUlSO
1

O ateniense: Q u a l s e r á e n t ã o o

nosso próximo passo?

no tnilo r-nm o intuito elo poisundis o facilitai o ocíiimiCaeão dc suas idéias (e. |ucsí<i!iíiwiCtM:ü((!. também

Não poderíamos supor q ue nossos imigrantes chegaram, q u e e s t ã o a q u i e c o n t i n u a r m o s a d i s c o r r e r s o b r e eles? Clínias: Sem dúvida. F a l e m o s , p o r t a n t o , ti eles da s e g u i n t e for

gonfcu o n|>oin do poftloí<wo oficiai, c nóo indispo.) mi com cpe), « f>o» um Podo jag do mestíc da .Academia um jifOse.fo-Piloiolo, po) ontíto muitos wges, pn/iodíwiíiiiciifc, toma o entendimento de suo doiií'itua psohPesnátie.o. '•PPatão, «o eoidode, distingue do ponto do lista cosmngòMeo o r.tiodat [ou mePlioii. inodePafíos e instauJadot do unitcwo í k - o a p o ç ) o paitis do ajganigaçõo ( K o a p o ç ) do caos ( x a o ç ) , ou soja. o ôripioupyoçl dos deuses

O ateniense:

ma: "Homens, o deus q u e tem em suas m ã o s segundo a t r a d i ç ã o a n t i g a , • o c o m e ç o , o f i m e o m e i o d c todos os seres q u e existem, e n c a m i n h a - s e diretamente para sua m e t a entre as revoluções da natureza; a c o m p a n h a - o s e m p r e a Justiça, • • • • • • • q u e s e v i n g a d a q u e l e s q u e i n f r i n g e m a lei d i v i n a ; e e l a é, p o r s u a vez, a c o m p a n h a d a p o r t o d o a q u e l e q u e d e s e j a a f e l i c i d a d e , q u e a c i a s e liga com humilde e ordenado comportamento; m a s aquele que se enche de soberba, exaltado por suas riquezas e suas h o n r a s o u a i n d a p e l a b e l e z a física e q u e . a t r a v é s d e s s e orgulho associado à juventude e à loucura tem sua a l m a i n f l a m a d a pela insolência, acreditando q u e prescinde de q u e m o governe ou o c o n d u z a e crendo, ao contrário, q u e é c a p a z de c o n d u z i r os o u t r o s - e s s e é a b a n d o n a d o c p r e t e r i d o p e l o d e u s , • • • • • • • • c s e n d o a b a n d o n a d o cie att'ai p a r a si outros de n a t u r e z a s e m e l h a n t e a s u a , e p o r seu pavoneam e n t o desatinado mergulha a todos na confusão; p a r a m u i t o s , r e a l m e n t e , ele é u m a p e s s o a i m p o r t a n t e , m a s n ã o d e m o r a p a r a q u e ele t e n h a «pie a c e r t a r a s c o n t a s , m e r e c i d u m e n t e , com a Justiça ao e n c a m i n h a r p a r a si a r u í n a l o t a i , f i c a n d o ó r f ã o d e s u a c a s a e d c seu E s t a d o . L a n ç a n do um o l h a r a estas coisas, a s s i m dispostas, o q u e deveria o h o m e m p r u d e n t e fazer, o u p e n s a r , o u d e i x a r d e f a z e r ? " Clínias: A r e s p o s t a é e v i d e n t e : o q u e d e v e p e n s a r t o d o h o m e m é estar entre aqueles q u e seguem na trilha do deus. O ateniense: V. q u a l é e n t ã o a c o n d u t a q u e é c a r a ao d e u s e q u e s e e n q u a d r a tio s e u c a m i n h o ? I m c e r t o t i p o de c o n d u t a é expresso n u m a frase a n t i g a , • • • • • • • • •
H

e díiindadcs raiados (conceitos de ftutpovtov

6eoç
oo

o

SaipeovJ.

_.4ssii«. deio-se entendei no contcvto da filosofia pPoiônien (que nos é apíosoníodo ftét oon|iinlo de todos os eiieilhjeii o a Ji<oio(jin rir Oóntei/es) ohaiidonn do demimqo e «rio ain/idoito de mu deis. (n.l.)

* • • • • • • • * ._4 fsase compPelo de VjJomoio, psosente na PdtWía, ww. 2f?> k ÍÜC OU Kl (teoç xov toç opoiov tov (/VIU

s a b e r , q u e " o s e m e l h a n t e é c a r o a o s e m e l h a n t e ' " ({liando é moderado, e n q u a n t o coisas i m o d e r a d a s n ã o são c u r a s n e m e n t r e s i n e m à s c o i s a s m o d e r a d a s . Aos n o s s o s o l h o s a d i v i n d a d e s e r á " u m e d i d a d e t o d a s a s coisas" n o m a i s alto g r a u - u m g r a u m u i t o m a i s alto d o q u e a q u e l e e m q u e está q u a l q u e r "ser h u m a n o " d o q u a l eles • • • • • • • • • • f a l a m . Aquele, por Imito, q u e p r e t e n d e s e t o r n a r c a r o a u m tal s e r p r e c i s a s e e m p e n h a r c o m t o d a s u s

ouotov,

(.1.1.J
• • • • • • • • • • pfrilõo .< íljfJlll aos sofistas o mais peoilieePas mente a ' P.iologo.ws. a.ilci do seiiíe nço o se / iumoue c o medido de iodeis eis eoisos.
1

(n.t.J

189

Platão - As Leis
s u a s forças p a r a s e t o m a r n a m e d i d a d o possível, d e u m caráter s e m e l h a n t e , e de acordo c o m o presente raciocínio a q u e l e q u e entre nós é temperante será caro ao deus, já q u e é s e m e l h a n t e a ele, e n q u a n t o aquele que não é t e m p e r a n t e s e r á d e s s e m e l h a n t e e hostil a e l e - c o r n o t a m b é m a q u e l e q u e é injusto, c assim de m o d o a n á l o g o mm o restante, p o r p a r i d a d e dc raciocínio. E disto se segue, q u e o observemos, esta regra c o m p l e m e n t a r - q u e de t o d a s as r e g r a s é a m a i s n o b r e e a m a i s v e r d a d e i r a - a s a b e r , q u e se d e d i c a r ao sacrifício e à c o m u n h ã o d o s d e u s e s c o n t i n u a m e n t e p o r intermédio de orações, oferendas e devoções de t o d a espécie constitui algo s u m a m e n t e belo, b o m e útil p a r a a v i d a feliz, s e n d o t a m b é m s o b e r a n a m e n t e a d e q u a do ao h o m e m b o m ; m a s p a r a o h o m e m perverso é precis a m e n t e o c o n t r á r i o , p o i s este t e m a a l m a i m p u r a e n q u a n t o a do h o m e m b o m é p u r a ; e d a q u e l e q u e t e m as m ã o s sujas n e n h u m h o m e m b o m e n e n h u m deus receberá dádivas. Por conseguinte, todos os g r a n d e s trabalhos q u e os hom e n s ímpios realizam pelos deuses são em vão, e n q u a n t o * PfolnV> HÍ baseio aqui «a dmíMm pífagé.tiea dos opostos, segundo a qttaf o númeto íiitfia» c stpetim no núinan pat e o Mo íiitüílo siipe/tiat 0.0 mqimdo, hei» somo o maseulíino í sufifirtlo» ao jeniinino. u4 PO,WCSf)Oli(lêll(!IO (,'HtMí OS deuses do mundo subteMoneo
c

aqueles dos piedosos são m u i t o proveitosos p a r a todos estes. E i s aí, p o r t a n t o , o alvo q u e d e v e m o s visar, m a s q u a n t o à s f l e c h a s q u e d e v e m o s l a n ç a r , e , p o r a s s i m d i z e r , o vôo delas, q u e t i p o d e f l e c h a s - a c h a i s - v o a r i a m m a i s d i r e t a m e n t e r u m o a o alvo? S ã o , e m p r i m e i r o lugar, d i r í a m o s , as h o n r a s q u e a p ó s serem prestadas aos olímpicos e aos deuses que m a n t ê m o Estado rendemos aos deuses do m u n d o i n f e r i o r ; r e s e r v a n d o - l h e s o par, o inferior e o es(juerdo a t e n d e m o s m e l h o r a o o b j e t i v o a q u e v i s a n o s s a piedade, enquanto mente.• as h o n r a s s u p e r i o r e s a e s s a s , o ímpar e o direito c a b e r ã o a o s d e u s e s q u e m e n c i o n a m o s anteriorNa seqüência depois destes deuses o h o m e m dc s e n s o p r e s t a r á c u l t o a o s dáimons e d e p o i s d e s t e s a o s heróis, a p ó s os q u a i s virão os s a n t u á r i o s p r i v a d o s legalmente d e d i c a d o s às d i v i n d a d e s ancestrais, e a seguir as h o n r a s p r e s t a d a s a o s p a i s vivos, p o i s é j u s t o q u e l h e s p a g u e m o s nosso dívida p r i m o r d i a l e essencial, de todos os créditos o m a i o r , e r e c o n h e c e r que, t u d o q u e p o s s u í m o s e t e m o s p e r t e n c e à q u e l e s q u e rios g e r a r a m e e d u c a r a m , d e m o d o q u e d e v e m o s servi-los a o m á x i m o d e n o s s a s forças - m e d i a n t e , n o s s a r i q u e z a , n o s s o c o r p o e n o s s a a l m a - recorripensando-os pelos e m p r é s t i m o s q u e nos fizeram há muito q u a n d o é r a m o s c r i a n ç a s em c u i d a d o s e esforços q u e d e s p e n d e r a m , e os a m p a r a n d o em sua velhice, q u e é

(..•XOovioiç a v T I Ç Geoiç..) i! o Pado cequendo (apurtepoç) cneotiLw eeo
também na dMnaçáo

(itavieta) dos gíiegoe, nn
quaP o Pado esque»da »a o Podo do ma pseísógio. do injojlúwo

(crivoç,

que

(sodngiu o latim siMsfm, que siíjnijioa Imilo esquado. do Podo csqiindo quanto eíwsfjo. de mau lisssságio, {micsto). (n.l.)

190

Livro IV
q u a n d o m a i s n e c e s s i t a m de a m p a r o . E ao longo de t o d a nossa vida devemos observar diligentemente, sobremaneira, o acato verbal ao nos dirigirmos aos nossos pais, pois p a r a a s p a l a v r a s , c o i s a s leves e a l a d a s , a r e p a r a ç ã o e m relação ao d a n o cometido é incomparavelmente pesada; N ê m e s i s , a m e n s a g e i r a d a J u s t i ç a , foi d e s i g n a d a p a r a s e m a n t e r v i g i l a n t e q u a n t o a isso. C o m p e t e a o filho, a s s i m , c e d e r a o s p a i s q u a n d o estes e s t ã o i r a d o s , e q u a n d o d ã o r é d e a solta à s u a cólera p o r p a l a v r a s ou ações deverá perdoá-los c o m p r e e n d e n d o q u e é b a s t a n t e n a t u r a l p a r a um p a i ficar p a r t i c u l a r m e n t e f u r i o s o q u a n d o julga q u e e s t á s e n d o e n g a n a d o p e l o filho. • • Q u a n d o os p a i s m o r r e m , os melhores funerais são os de maior sobriedade, aqueles n o s q u a i s o filho n e m s e excede n a p o m p a h a b i t u a l n e m fica a b a i x o d o q u e s e u s p r ó p r i o s a n c e s t r a i s f i z e r a m p o r seus pais; e de m o d o similar deverá ele c u i d a r d a s cerimônias anuais q u e são celebradas em h o n r a daqueles q u e c h e g a r a m a o d e s f e c h o . D e v e r á s e m p r e v e n e r á - l o s n ã o cess a n d o j a m a i s d e m a n t e r viva a m e m ó r i a d e l e s e d e s i g n a n do aos mortos a devida parcela dos recursos q u e a fortuna l h e d i s p o n i b i l i z a . T o d o s ruis, s e a s s i m a g i r m o s e o b s e r v a r m o s essas regras de vida ganharemos sempre a devida r e c o m p e n s a d o s d e u s e s e d e t o d o s [os s e r e s j m a i s p o d e r o sos d o q u e n ó s m e s m o s , c p a s s a r e m o s a m a i o r p a r t e d e nossas vidas d e s f r u t a n d o as e s p e r a n ç a s da felicidade. No q u e d i z r e s p e i t o à s o b r i g a ç õ e s c o m o s filhos, o s p a r e n t e s , o s a m i g o s , o s c o n c i d a d ã o s , e t o d o s esses d e v e r e s e s t a b e l e cidos pelos d e u s e s relativos à b o a h o s p i t a l i d a d e c o m os estrangeiros e t o d a s as classes de pessoas, p a r a essas obrig a ç õ e s cujo c u m p r i m e n t o s e g u n d o a lei p r o d u z i r á o enc a n t o e o a d o r n o de n o s s a s e x i s t ê n c i a s , a c o n s e q ü ê n c i a d a s p r ó p r i a s leis seja p e r s u a d i n d o , seja c a s t i g a n d o m e d i a n t e , a c o e r ç ã o e a j u s t i ç a q u a n d o os c o s t u m e s d e s a f i a m a p e r s u a s ã o - t o r n a r á (com a intereessão dos deuses) nosso Estado venluroso e próspero, l l á t a m b é m matérias q u e u m l e g i s l a d o r , s e c o m p a r t i l h a r d e m i n h a o p i n i ã o , terá n e cessariamente que regulamentar, embora não se prestem b e m a u m a f o r m u l a ç ã o s o b a f o r m a d e lei. A o s e o c u p a r d e s s a s m a t é r i a s c i e d e v e r i a , a m e u ver, p r o d u z i r u m m o d e l o p a r a s e u p r ó p r i o u s o e p a r a a q u e l e s a favor d e q u e m está l e g i s l a n d o , isto a n t e s d e s e d e t e r e m I o d a s a s m a t é r i a s restantes na m e d i d a de s u a c a p a c i d a d e e iniciar assim a tarefa d c r e d i g i r a s leis. c\]
m 0

(Jinfogo Calou

191

Platão - As Leis
Clínias: O assim Qual dizer, de delas. de • a forma Não uma é tal modelo especial, único de formular tais todas mas contamos algo matérias? num, por tentemos com a a

ateniense:

nada fácil abarcá-las de formulação; que afirmar maneira, já

pensá-las respeito

possibilidade * Segundo nCguns kCenislae, todo o («Io em líâllco ao Pado (inteiifoeuçõo de CfíUas e «aposta Ao atmiettse) se, soma às oonsideMções Imediatamente ontwiowiS do ateniense, (n.t.)

conseguirmos

definitivo

Clínias: C o n t a - n o s o q u e é e s s e algo. 0 ateniense: E u d e s e j a r i a q u e a s p e s s o a s f o s s e m o m a i s d ó c e i s possível em m a t é r i a de v i r t u d e , e isto ó e v i d e n t e m e n t e o q u e o legislador se e m p e n h a r á em b u s c a r em toda a sua obra. Clínias: Seguramente.

0 ateniense: A c r e d i t o q u e a a b o r d a g e m q u e f i z e m o s rec e n t e m e n t e p o d e r i a ser d e a l g u m a u t i l i d a d e p a r a fazer as pessoas escutarem as advertências q u e ela contém c o m s u a s a l m a s n ã o n u m e s t a d o d e c o m p l e t a selvageria, m a s n u m a disposição de m a i o r civilidade e m e n o r h o s t i l i d a d e . E s e r i a p a r a n o s c o n t e n t a r m o s se, c o m o digo, tornasse aqueles q u e as escutassem a p e n a s um p o u c o m a i s dóceis pelo fato d e e s t a r e m u m p o u c o men o s hostis, pois n ã o h á u m a e n o r m e q u a n t i d a d e d e pessoas ansiosas p a r a se t o r n a r e m as m e l h o r e s possíveis c o m t o d a a r a p i d e z ; a m a i o r i a , de fato, serve p a r a dem o n s t r a r q u ã o s á b i o foi H e s í o d o a o d i z e r q u e " . . . s u a v e é o c a m i n h o q u e c o n d u z à p e r v e r s i d a d e . . . * e q u e "...percorrê-lo d i s p e n s a q u a l q u e r suor...", visto q u e é "...extrem a m e n t e curto...", e m b o r a ele diga t a m b é m que... Diante da virtude os deuses imortais Colocaram o suor do esforço e longa E íngreme é a senda que a ela conduz, Sendo áspera a primeira subida; mas Conquistado o primeiro cimo, a jornada Facilitada é, a despeito de árdua ainda ser. » • • • Os QíohcSos e os '-nas. 2 8 7 o 2 9 2

:

T T | Ç Ô a p t t q ç , rjmmv, i S p w i a 0 e o i E p o n a p o i B c v sOrjicav

aflavatoi,

ucucpoç

bt

teca

opOioç

O I J Í O Ç

avxr\v,

K U I T p q x u ç T O n p o J T o v e w r | v 8 eiç a t e p o v u c q e u , p r p ô i v S r | j i e i t a <()epeiv, x a l e j i q jtep e o u c r a . (n.t.)

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Livro IV
CUnias: L u d i r i a q u e e l e s e e x p r i m e m u i t o b e m . O ateniense: C e r t a m e n t e . A g o r a d e s e j o v o s c o m u n i c a r o resultado da argumentação precedente. CUnias: P o i s o f a z . O ateniense: V a m o s n o s d i r i g i r a o l e g i s l a d o r e i n d a g a r : "Diz-nos, ó legislador: se s o u b e s s e s o q u e d e v e r í a m o s fazer e dizer, n ã o é óbvio q u e o f o r m u l a r i a s ? " Clínias: Necessariamente. Mas há p o u c o n ã o ouvimos nós dizer que

0 ateniense;

o legislador n ã o deveria permitir q u e os poetas compus e s s e m c o m o b e m l h e s a p r o u v e s s e ? Isto p o r q u e p r o v a velmente desconheceriam q u e palavras suas poderiam infringir as leis e p r o v o c a r d a n o ao E s t a d o ? CUnias: I s s o é b e m v e r d a d e . O ateniense: E s t a r í a m o s n o s d i r i g i n d o a ele r a z o a v e l m e n t e se o fizéssemos em n o m e d o s p o e t a s n o s seguintes termos... Clínias: Que termos? " H á , ó legislador, um a n t i g o provér-

O ateniense: E s t e s :

b i o - c o n s t a n t e m e n t e r e p e t i d o p o r n ó s m e s m o s e q u e recebe a a p r o v a ç ã o de todos - s e g u n d o o q u a l s e m p r e q u e um p o e t a está s e n t a d o no t r i p é d a s M u s a s , falta-lhe o controle s o b r e a m e n t e , a s s e m e l h a n d o - s e a u m a fonte (pie dá livre c u r s o à á g u a q u e afltii; e visto q u e s u a a r t e consiste n a i m i t a ç ã o , e l e é a m i ú d e c o m p e l i d o a c o n t r a d i z e r a si m e s m o ao criar personagens de disposições contraditórias, a l é m d e i g n o r a r d e q u e lado n o q u e d i z e m está a v e r d a d e . M a s o l e g i s l a d o r n ã o p o d e e m s u a lei f a z e r o m e s m o , isto é, c o m p o r d u a s f o r m u l a ç õ e s a respeito de u m a ú n i c a m a t é r i a , s e n d o necessário (pie p r o c l a m e sempre u m a ú n i c a f o r m u l a ç ã o a respeito d e u m a m a t é r i a . T o m a como exemplo u m a das próprias afirmações que f o r m n l a s t e h á p o u c o . E p o s s í v e l q u e u m f u n e r a l s e j a excessivo, deficiente o u m o d e r a d o : d e s t a s três a l t e r n a t i v a s escolhes u m a , o m o d e r a d o , a p ó s louvá-la i n c o n d i c i o n a l t mente. E u , p o r o u t r o l a d o , se tivesse u m a e s p o s a extrem a m e n t e rica q u e me incumbisse de representa la em •ett f u n e r a l m e d i a n t e m i n h a p o e s i a , o f a r i a c o m t o d a a p o m p a , e n q u a n t o u m h o m e m p o b r e e p a r e i n i o n i o s o louv a r i a o t ú m u l o d e f i c i e n t e , e a p e s s o a d c m o d e r a d o s recursos, se ela m e s m a m o d e r a d a , louvaria o m e s m o q u e

193

Platão - As Leis
tu. M a s t u n ã o deves m e r a m e n t e falar d e u m a eoisa c o m o ' m o d e r a d a ' d a m a n e i r a q u e fizeste a g o r a , d e v e n do sim explicar o q u e é 'o m o d e r a d o ' e q u a i s os s e u s limites; caso contrário, será p r e m a t u r o p a r a ti p r o p o r q u e t a l f o r m u l a ç ã o s e t o r n e lei. Clínias: A d m i t o q u e i s s o é s u m a m e n t e v e r d a d e i r o . O ateniense: D e v e , e n t ã o , o p r e p o s t o q u e n o m e a m o s p a r o essas leis d e i x a r d e fazer u m a t a l f o r m u l a ç ã o inicial e d e c l a r a r i m e d i a t a m e n t e o q u e t e m q u e s e r feito e o q u e n ã o tem e i n d i c a r a p u n i ç ã o na q u a l incorre a desobed i ê n c i a , e a s s i m voltar-se p a r a u m a o u t r a lei, s e m acrescentar aos seus estatutos u m a única palavra de encorajamento e persuasão? Tal como ocorre com os médicos, u m n o s t r a t a de, u m a m a n e i r a , o u t r o d e o u t r a : e l e s d i s p õ e m de dois métodos diferentes dos q u a i s p o d e m o s nos lembrar para que, como crianças que pedem ao médico para q u e as trate pelo método mais brando, p o s s a m o s fazer u m p e d i d o s e m e l h a n t e a o legislador. E o q u e q u e r e m o s d i z e r c o m isso? f lá h o m e n s q u e s ã o médicos, segundo dizemos, e outros q u e são assistentes d o s m é d i c o s , m a s c h a m a m o s estes ú l t i m o s t a m b é m d e médicos, não é mesmo?

Clínias: S e m d ú v i d a n ó s o f a z e m o s . O ateniense: E s s e s , s e j a m e l e s l i v r e s o u e s c r a v o s , a d q u i rem sua arte sob a direção de seus mestres» por meio • ÔEOTtOTCOV, OS oliefes
do jonntio/soso ( O I K O Ç ) , e

da observação e da prática* • e n ã o pelo estudo da nat u r e z a , que, é o m e i o p e l o q u a l os m é d i c o s livres eles m e s m o s a p r e n d e m a arte, s e n d o t a m b é m este o m e i o pelo qual i n s t r u e m seus próprios discípulos. Dirias q u e t e m o s a q u i d u a s c l a s s e s d o q u e é c h a m a d o d e médicos? CUnias: Certamente.

seus scníioiies absolutos; diíiginm, ífiofcsi*, o treinamento o inshuçrio dos mfmhnm kmonos do O l t c o ç , «ias uno M M píceisoinentc o s ItlOstllCS (tllCstllC õiScxaKaXoç) dos a*fe.e, somo, neste coso, do medicino, (n.t.) Ocwptav K(XT Kai
1

O ateniense: E s t á s t a m b é m c i e n t e d e q u e c o m o a s p e s s o a s e n f e r m a s n a s c i d a d e s s ã o c o n s t i t u í d a s t a n t o p o r escravos q u a n t o p o r c i d a d ã o s livres, o s escravos s ã o geralm e n t e t r a t a d o s pelos escravos, em s u a s r o n d a s pela cidade ou a g u a r d a n d o nos dispensários; e n e n h u m desses médicos dá ou recebe quaisquer explicações sobre as várias d o e n ç a s dos diversos servos q u e t r a t a m , limitando-se a prescrever p a r a c a d a um d e l e s o q u e julga certo c o m b a s e ria e x p e r i ê n c i a , c o m o s e d e t i v e s s e c o n h e c i m e n t o

C|i7teipiav..., f da

PKcjotWnle j/ya mela ,da fTMlmphfâo oiiw:iiwniloifia. (n. f.)

194

Livro IV
exato, e com a auto-suficiência de um m o n a r c a despótico; e m seguida p a s s a d e u m átimo m u i t o r a p i d a m e n t e p a r a u m outro servo enfermo, p o u p a n d o assim seu mestre do a t e n d i m e n t o dos doentes. M a s o médico nascido l i v r e s e o c u p a p r i n c i p a l m e n t e e m v i s i t a r e t r a t a r d a s enfermidades d a s p e s s o a s l i v r e s e o faz i n v é s t i g a n d o - a s d e s de o c o m e ç o e c o n f o r m e o c u r s o n a t u r a l ; c o n v e r s a c o m o p r ó p r i o p a c i e n t e e c o m seus a m i g o s , p o d e n d o a s s i m tanto obter conhecimento a partir daquele q u e padece da d o e n ç a [e s e u s a m i g o s ] c o m o t r a n s m i t i r a estes as devid a s impressões n a m e d i d a d o possível. A d e m a i s , ele n ã o prescreve n a d a ao paciente e n q u a n t o n ã o conquistar o Consentimento deste,*** p a r a só q u a n d o consegui-lo e n t ã o , m a n t e n d o a d o c i l i d a d e • • • • do p a c i e n t e p o r m e i o da p e r s u a s ã o , r e a l m e n t e tentar c o m p l e t a r a tarefa de devolver-lhe a s a ú d e . Q u a l dessas d u a s f o r m a s da medicina revela o m e l h o r médico, c em m a t é r i a de treinamento, o melhor treinador? Deverá o m é d i c o esecular u m a única função idêntica de d u a s maneiras ou de u m a maneira apenas, e neste caso a pior m a n e i r a das d u a s e a menos humana? Clínias: A c r e d i t o , e s t r a n g e i r o , q u e o m é t o d o d u p l o é s e m d ú v i d a o melhor. 0 ateniense: lações? Clínias: C o m t o d a a c e r t e z a e u o d e s e j a r i a . O ateniense; Pois e n t ã o , diz-me, em n o m e dos deuses, Desejanas que examinássemos o método * • • f)u seja, (iiifiuafifn «ão o fw» ecnwiiieide das imjijcssfkü! (jtifc eh (iiiciííeo) esffi feudo do jmbkno de saúde, do (ineiejitc. (*.(.) **•* Ou scjrt, <iun ennfifmço t; pac.d(íifiosiçfif) pata m boiada, (ti.f.j

d u p l o e o s i m p l e s t a m b é m e m s u a a p l i c a ç ã o n a s legis-

q u a l s e r i a a p r i m e i r a lei a s e r f o r m u l a d a p e l o l e g i s l a dor? N ã o seguirá ele a o r d e m da n a t u r e z a c o m e ç a n d o cm suas disposições pela regulamentação dos nascimentos em seu p o n t o de p a r t i d a n o s Estados? Clínias: M a s é. c l a r o . O ateniense: E n ã o r e s i d e o p o n t o d e p a r t i d a d o s n a s c i mentos em todos os Estados na união e celebração do casamento? (Uínias: Certamente. P o r t a n t o p a r e c e q u e s e n d o a s leis d o c a s a -

O ateniense;

mciilo as primeiras a serem p r o d u z i d a s [e promulgadasl, esto s e r i a o p r o c e d i m e n t o c o r r e t o e m t o d o s o s E s t a d o s . . .

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Platão - As Leis
Clínias: C o m t o d a a c e r t e z a . O ateniense: B e m , v a m o s e n u n c i a r a lei n a s u a f o r m a m a i s simples primeiro. E corno seria? Provavelmente assim: "Dever « s i casar entre trinta e trinta e cinco anos, o n ã o fazê-lo a c a r r e t a n d o c o m o p u n i ç ã o m u l t a e d e g r a * c r a u r a , Çi(c»nf«(>itt(!

d a ç ã o , * a m u l t a c o r r e s p o n d e n d o a esta ou a q u e l a q u a n t i a , e a d e g r a d a ç ã o a e s t e ou a q u e l e t i p o . " E s t a s e r á a f o r m a s i m p l e s d a lei d o c a s a m e n t o . E e i s a f o r m a d u pla: "Dever-se-á c a s a r entre t r i n t a e t r i n t a e cinco a n o s , tendo-se cm m e n t e q u e este é o m o d o pelo q u a l a r a ç a h u m a n a , por natureza, participa da imortalidade, e p a r a o q u a l a n a t u r e z a implantou em todo indivíduo h u m a n o urn desejo forte. O desejo de g r a n j e a r a glória, e m lugar d e r e p o u s a r n u m t ú m u l o a n ô n i m o , visa a u m objetivo s e m e l h a n t e . • • Assim a h u m a n i d a d e t e m u m a a f i n i d a d e n a t u r a l c o m o c o n j u n t o do t e m p o , * • • acomp a n h a n d o - o continuamente no presente e no futuro, s e n d o o m e i o pelo q u a l se i m o r t a l i z a este: d e i x a n d o atrás dc si os filhos d o s filhos e pn •-seguindo s e m p r e u n a e idêntica, cia assim pela r e p r o d u ç ã o participa da imortalidade. J a m a i s será um ato piedoso privar-se disso v o l u n t a r i a m e n t e e a q u e l e q u e negar a si m e s m o esposa e filhos é c u l p a d o de tal p r i v a ç ã o i n t e n c i o n a l . A q u e l e q u e a c a t a r a lei e s t a r á livre d e p u n i ç ã o , m a s q u e m d e sobedece la e n ã o casar até os trinta e cinco a n o s pagar á u m a m u l t a a n u a l d e u m certo valor - a fim d e q u e n ã o veja n o c e l i b a t o u m m o t i v o d e g a n h o e b e m - e s t a r e n ã o deixe d e ter s u a p a r c e l a n a s h o n r a s p ú b l i c a s q u e o s jovens de tempos em tempos p r e s t a m aos m a i s velhos." Ao o u v i r - s c e c o m p a r a r - s e e s t a lei c o m a a n t e r i o r , é p o s sível j u l g a r e m c a d a c a s o p a r t i c u l a r s e a s leis d e v e m ser duplas ao menos em extensão, s o m a n d o a persuasão à ameaça, ou somente simples em sua extensão empregando apenas a ameaça. Megilo: N ó s , l a e o n i a n o s , e s t r a n g e i r o , p r e f e r i m o s s e m p r e a c o n c i s ã o , m a s tivesse e u q u e o p t a r q u a l d e s s a s d u a s d i s p o s i ç õ e s legais d e s e j a r i a v e r p r o m u l g a d a p o r escrito em m e u Estado, escolheria a m a i s extensa; e igualmente e m r e l a ç ã o a t o d a s a s d e m a i s leis, c a s o s e a p r e s e n t a s s e m sob d u a s formas e x i m o nesse exemplo, faria a m i n h a e s c o l h a ela m e s m a m a n e i r a . É n e c e s s á r i o , e n t r e t a n t o ,

degpscge. degtndtiçõo. <Jkm
aqui '-Platão empuegn a

pahsm sejesindo-se
especificamente o UM tipo de punição pwiticndo cin ^Atenos, a sobes, a destituição paseiai ou totaf (dependendo do soso) dos diiieifos dc cidadania, pelo n«ai k cioso, alguém ma

derpmdadn. (n.t.)
* * t.A Respeito deste assunto, consi/fíc-se moimento o

'•'-Banquete ( E u u j c o a i o v )
piSescnte nesta Sétie Ctrissicns

dnSdlpMi.
* * * . . , TOU

(n.t.)

TTttVXOÇ

Xpovou..., n totalidade do
tempo, (n.t.)

196

Livro IV
q u e t i s leis q u e e s t á v a m o s c r i a n d o a g o r a c o n t e m c o m a aprovação de nosso amigo Clínias t a m b é m , pois no m o m e n t o é o seu E s t a d o q u e se p r o p õ e a u s a r essas leis. Clínias: Tu te e x p r e s s a s t e b e m , Megilo.

O ateniense: D e q u a l q u e r m o d o , s e r i a e x t r e m a m e n t e t o l o d i s c u t i r a c e r c a d a e x t e n s ã o o u c o n c i s ã o d a s leis escrit a s , p o i s o q u e d e v e m o s valorar, a meti ver, n ã o é se s ã o e x c e s s i v a m e n t e breves ou prolixas, m a s sim s u a excel ê n c i a ; e , n o c a s o d a s l e i s q u e a c a b a m o s de. m e n c i o n a r , u m a forma possui o d o b r o do valor da o u t r a do p o n t o d e vista d a excelência prática c o m o t a m b é m g u a r d a u m a perfeita a n a l o g i a c o m o e x e m p l o d o s dois tipos de méd i c o s q u e há. p o u c o a p r e s e n t a m o s . A e s t e r e s p e i t o p a r e ce q u e n e n h u m legislador jamais percebeu a i n d a q u e e m b o r a esteja e m seu p o d e r fazer u s o d o s dois m é t o d o s em s u a legislação, a s a b e r , a p e r s u a s ã o e a força, na m e d i d a e m q u e seja p r a t i c á v e l q u a n d o s e lida c o m a m a s s a h u m a n a inculta, os legisladores na realidade e m p r e g a m a p e n a s u m m é t o d o , o u seja, a o l e g i s l a r e m n ã o c o m b i n a m a coerção com a persuasão, empregando sim s o m e n t e a coerção pura. E eu, m e u s caros se nhores, noto a i n d a um terceiro requisito q u e deve estar p r e s e n t e r i a s l e i s e q u e , n o e n t a n t o , a t u a l m e n t e n ã o temos onde encontrar. 'í Clínias: A. q u e r e q u i s i t o a l u d e s ? O ateniense: U m a m a t é r i a q u e , p o r u m a e s p é c i e d e o r i e n taçâo divina, acabou brotando dos próprios assuntos que estamos agora discutindo. Foi logo depois d a a u r o r a q u e p r i n c i p i a m o s a falar s o b r e leis c a g o r a é meio-dia e aqui estamos neste belo posto de descanso, t e n d o p a s s a d o todo o t e m p o s e m falar de o u t r a coisa a nfio s e r d e l e i s ; e n o e n t a n t o , p e l o q u e p a r e c e , m a l e o m e ç a m o s a formulá-las, pois t u d o q u e dissemos a t é o m o m e n t o n ã o p a s s o u d c p r e l ú d i o s à s leis. O q u e p r e t e n d o ao d i z e r isto? T o d o d i s c u r s o e toda e x p r e s s ã o vo <:ul c o n t a c o m p r e l ú d i o s e p r e l i m i n a r e s q u e p r o d u z e m Uma espécie de p r e p a r a ç ã o em apoio ao desenvolviment o p o s t e r i o r d o a s s u n t o . D e fato, d i s p o m o s d e e x e m p l o s tle p r e l ú d i o s a d m i r a v e l m o n t e e l a b o r a d o s q u e p r e c e d e m o tipo de canto a c o m p a n h a d o pela citara a q u e se dá o n o m e d e nomo b e m c o m o melodias de todo tipo.

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Platão - As Leis
• P?otóo joga com o potania voitoç n«c sigtíjica torto noivo ípoitío costume, opinião gwaí, no*mo de conduta, coneenção e ên {n.t) " A t a é, tio KoXiç (eidadc-êstado). (n.l.)
c

M a s p a r a as v e r d a d e i r a s leis •

q u e d e n o m i n a m o s polítiformulou, compôs ou

cas,** n i n g u é m a t é a g o r a j a m a i s

p u b l i c o u um p r e l ú d i o , c o m o se a n a t u r e z a n ã o o comportasse. Contudo, nossa presente discussão prova, a m e u ver, q u e existe t a l c o i s a , e m e o c o r r e u h á p o u c o q u e a s leis q u e e s t á v a m o s f o r m u l a n d o s ã o algo m a i s d o q u e simplesmente duplas, consistindo sim dessas duas c o i s a s c o m b i n a d a s , i s t o é, a lei e o prelúdio à lei. A p r e s c r i ç ã o q u e d e s i g n a m o s c o m o despótica e c o m p a r a d a à s p r e s c r i ç õ e s d o s m é d i e o s - e s c r a v o s e r a a lei p u r a , m a s o q u e dissemos antes, e q u e foi tido c o m o persuasivo •* • era realmente b e m persuasivo e cumpre t a m b é m a mesma função do prelúdio de u m a oração. Assegurar q u e a p e s s o a a q u e m o l e g i s l a d o r e n d e r e ç a a lei a c e i t e a p r e s crição c o m tranqüilidade, e devido a esta tranqüilidade a aceite c o m d o c i l i d a d e era, eu s u p u n h a , o conspíc u o objetivo do o r a d o r ao proferir seu p e r s u a s i v o discurso. Por conseguinte, de acordo com m e u argumento, o t e r m o c e r t o p a r a e l e s e r i a n ã o t e x t o d a lei, m a s s i m p r e l ú d i o , e n e n h u m o u t r o v o c á b u l o . T e n d o d i t o isso, q u a l é a p r ó x i m a a f i r m a ç ã o q u e eu gostaria de fazer? Ei-la: q u e o l e g i s l a d o r n ã o d e v e j a m a i s d e i x a r d e fornecer prelúdios a título de p r e â m b u l o s t a n t o do conjunto d a s leis q u e n ã o c e s s a m d e s e a p r e s e n t a r c o m o d e c a d a lei p a r t i c u l a r , p o i s g r a ç a s a isso t a i s leis g a n h a r ã o t u d o q u e g a n h a r a m as leis f o r m u l a d a s a i n d a há p o u c o . • • • • Clínias: neira Eu, de m i n h a parte, e n c a r r e g a r i a o especiadiversa. Penso, Clínias, que acertas acerca deste

' fis-pPicitamcníe po* .Jégé. (n.t)

• • • • ^ e f c a c n e i o oes üwtíipfos dados: /tá patino das josntas siínpPss e dupfo dn wdação das ( t e . (n.t.)

lista nessas m a t é r i a s em assim legislar, e n ã o de m a -

O ateniense:

p o n t o a o d e s e j a r q u e t o d a s a s leis t e n h a m u m p r e l ú d i o e q u e ao c o m e ç o de t o d a o b r a legislativa se d e v a prefaciar cada promulgação com o prelúdio q u e naturalmente l h e d i g a respeito, pois a f o r m u l a ç ã o q u e se seguirá a o p r e l ú d i o t e m g r a n d e i m p o r t â n c i a e faz e n o r m e diferença se essas formulações são l e m b r a d a s distinta ou i n d i s t i n t a m e n t e : dc, q u a l q u e r m a n e i r a , e s t a r í a m o s err a d o s se p r e s c r e v ê s s e m o s q u e t o d a s as leis, g r a n d e s c peq u e n a s , fossem d o t a d a s d e p r e l ú d i o s d e m o d o invariável, p o i s isso n ã o d e v e s e r feito n o c a s o d e c a n ç õ e s e d i s c u r s o s d e e s p é c i e a l g u m a visto q u e se, t o d o s t ê m n a t u r a l m e n t e

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Livro IV
prelúdios n e m sempre p o d e m o s empregá-los, o q u e deve ser deixado em c a d a caso a critério do p r ó p r i o orador, c a n t o r ou legislador. Clínias: O q u e d i z e s é , c r e i o , b a s t a n t e v e r d a d e i r o . M a s n ã o retardemos mais. Retorna ao nosso assunto princip a l e r e c o m e ç a , se o c o n c o r d a i s , pelo que. disseste e n t ã o sem incluir um preâmbulo. Retomemos, portanto, como se c o s t u m a dizer, m e d i a n t e um segundo lance de m a i o r sorte, c o m a i n t e n ç ã o de executar um prelúdio e n ã o , c o m o antes, de fazer um d i s c u r s o fortuito; t o m e m o s o início c o m o um p r e l ú d i o confesso. S o b r e o culto aos d e u s e s e o s c u i d a d o s d e v i d o s a o s a n c e s t r a i s , o q u e foi d i t o a n t e r i o r m e n t e é s u f i c i e n t e ; é o q u e se s e g u e a i s t o q u e deves tentar dizer até q u e a totalidade do prelúdio t e n h a sido, em nossa opinião, a d e q u a d a m e n t e formul a d a p o r ti. D e p o i s d i s s o t u p r o s s e g u i r á s c o m a i n d i c a ç ã o d a s p r ó p r i a s leis e s c r i t a s . O ateniense: E n t ã o o prelúdio q u e anteriormente com-

p o m o s referente aos deuses e àqueles q u e lhes estão p r ó x i m o s , r e f e r e n t e a o s p a i s , vivos e m o r t o s , foi, c o m o o d e c l a r a m o s agora, suficiente; e estás neste m o m e n t o me s o l i c i t a n d o , p e l o q u e c o m p r e e n d o , q u e traga, p o r ass i m dizer, à luz do d i a o resto desse m e s m o assunto. Clínias; Precisamente.

0 ateniense: B e m , c o m c e r t e z a é c o n v e n i e n t e e do m a i o r interesse c o m u m que, j u n t a m e n t e com os assuntos mencionados, o o r a d o r e seus ouvintes tratassem da q u e s t ã o d o g r a u d e zelo o u n e g l i g ê n c i a q u e a s p e s s o a s d e v e m utilizar com respeito às suas a l m a s , seus corpos e seus bens, e s o b r e isto p o n d e r a r e a s s i m a m p l i a r s u a e d u c a ç ã o n a m e d i d a do possível. E p r e c i s a m e n t e esta a f o r m u l a ç ã o q u e p r e c i s a m o s r e a l m e n t e fazer e e s c u t a r a seguir. Clínias: Perfeitamente.

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Platão - As Leis
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Livro V
200

Livro V
O ateniense: Q u e m e e s c u t e m , p o r t a n t o , t o d o s a q u e l e s q u e há pouco me ouviram falar dos deuses e de nossos caros ancestrais. De todos os bens q u e se possui depois dos deuses, o m a i s divino é a a l m a visto q u e é o m a i s pessoal. * Esses b e n s de todo ser h u m a n o p e r t e n c e m
dc m >'h ponto T ^ o t ã o iiwfttaf ( a O a v a t o ç ) c • .Quonto o esto questão do oosótc» pessoa? da o&no.

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i n v a r i a v e l m e n t e a d u a s categorias: os b e n s s u p e r i o r e s e m a i s fortes q u e c o m a n d a m e os b e n s inferiores e m a i s d é b e i s q u e s e r v e m ; * • deve-se, e n t r e esses b e n s , s e m p r e preferir os q u e c o m a n d a m aos q u e servem. Assim, port a n t o , q u a n d o a f i r m o q u e s e d e v e h o n r a r a a l m a logo d e p o i s d o s d e u s e s q u e c o m a n d a m e , a s d i v i n d a d e s secundárias, •* • estou fazendo u m a correta injunção. Ora, dificilmente h á alguém entre nós q u e h o n r e corret a m e n t e s u a a l m a , e m b o r a creia q u e o faça, pois enq u a n t o urna h o n r a p r e s t a d a a u m a coisa divina é benigna, n a d a q u e é maligno confere h o n r a ; e a q u e l e q u e pensar estar engrandecendo sua alma mediante palavras, dádivas ou mesuras e n q u a n t o n ã o a aprimora, e s t a r á i m a g i n a n d o q u e lhe p r e s t a h o n r a , m a s d e fato n ã o estará. Por exemplo, todo aquele q u e atinge a idade a d u l t a , se julga c a p a z de a p r e n d e r t o d a s as coisas e s u p õ e q u e h o n r a sua a l m a a o louvá-la, p e r m i t i n d o - l h e de f o r m a p r e c i p i t a d a fazer o q u e lhe a p r a z . E n t r e t a n t o , a s s i m a g i n d o , ele e s t a r á o f e n d e n d o s u a a l m a e m lugar de honrá-la, nós o asseveramos agora, c o n t r a r i a m e n t e a o q u e a f i r m a m o s , isto é , q u e ele deve p r e s t a r - l h e h o n r a logo d e p o i s d o s d e u s e s . E t a m b é m q u a n d o u m ser h u m a n o i m p u t a s e m p r e a o u t r o s c n ã o a si m e s m o a r e s p o n s a b i l i d a d e por s u a s faltas e a d o s m a l e s m a i s num e r o s o s e m a i s graves, i s e n t a n d o - s e a si m e s m o s e m p r e d a c u l p a , i m a g i n a n d o que, m e d i a n t e isso está h o n r a n d o s u a p r ó p r i a a l m a , n ã o o e s t a r á f a z e n d o de, m o d o a l gum, e sim a ofendendo. E q u a n d o alguém cede aos p r a z e r e s c o n t r á r i o s a o c o n s e l h o e r e c o m e n d a ç ã o d o legislador, t a m b é m n ã o está h o n r a n d o sua alma, m a s sim a d e s o n r a n d o ao carregá-la de i n f o r t ú n i o s e r e m o r s o s ; e a i n d a n o caso oposto, q u a n d o s e r e c o m e n d a m esforços, t e m o r e s , d i f i c u l d a d e s e d o r e s e o ser h u m a n o se e s q u i v a a e s t e s e m l u g a r d e s u p o r t á - l o s c o m f i r m e z a t a l esq u i v a m e n t o n ã o confere h o n r a n e n h u m a a sua a l m a fiois m e d i a n t e t o d a s essas ações ele a deprecia. T a m pouco h á h o n r a q u a n d o julga, sem q u a i s q u e r reservas,

twMiswigsn» iueiuidueiênmif!
opôs o «oito dc um coípo po.ta «loto (doutjiino do iiiCtcmpsicoscJ, eonsitPfei» o fJedou, o Qtílem. o éuitipe» c o u4f>ofiirjt'o de Qéemles.

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que seio sede,»es e os bem in^Moscs o móis doteis que são usemos- <j\ fama de. Pinguagem dc '-"PPntõo »oea»o ò onaPogia com a distinção fundntncnioP no seio do

o i k o ç (n.l.)
*** <Pam '"Píntoo oPmo e cotpo são distintos e o p/iitnci»o iieocsseiiioíncnte euposio/t oo segundo o immlni duafewo que Pito pekmlie foge» do riPino m ha» ou tosomo Í K t r i p a ) í[nc o objeto elo op»f:f;o. de lioitto ( t t p r | ) e tão pwcioso o ponto de esto» Pogo abfliwi dos dfíininitg e /mtois. fionsuPto* os dinPofjos 'i7ée/em. Ctífait. Pulípem e o ..Âpofoejia de Sóemies. (ni.)

201

Platão - As Leis
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a v i d a c o m o u m a coisa b o a p o i s n e s t e caso a a l m a tom a r á p o r um m a l t o d a s as condições do H a d e s e a pessoa a ela cederá em lugar de se lhe o p o r p a r a instrui-la e convencê-la de q u e p o d e m o s encontrar, ao contrário, a s m a i o r e s b ê n ç ã o s n o r e i n o d o s d e u s e s d o m u n d o inferior. T a m b é m q u a n d o s e t e m m a i o r a p r e ç o p e l a b e l e z a do q u e pela v i r t u d e deprecia-se literal e t o t a l m e n t e a a l m a pois, isto i m p l i c a o r a c i o c í n i o c u j a c o n c l u s ã o é q u e o c o r p o é m a i s d i g n o dc a p r e ç o do q u e a a l m a , o q u e é falso* já q u e n a d a n a s c i d o na terra é digno dc m a i o r a p r e ç o do q u e o o l í m p i c o • • e a q u e l e q u e c o m referência à a l m a professa p a r e c e r diverso ignora de q u e admirável tesouro está deseurando. Igualmente q u a n d o u m ser h u m a n o a n s e i a a d q u i r i r r i q u e z a d e s o n e s t a m e n t e o u n ã o s e aflige p o r a d q u i r i - l a a s s i m n ã o e s t a r á através d e s u a s d á d i v a s h o n r a n d o s u a a l m a - b e m l o n g e disto!... p o i s o q u e a í h á d e h o n r o s o e b e l o e s t á s e n d o n e g o ciado por um p u n h a d o de ouro, n ã o obstante todo o ouro sobre a T e r r a e sob ela n ã o se iguale ao valor da virtude. Para sermos concisos: com respeito às coisas q u e o legislador i n d i c a e classifica c o m o , de um l a d o , vis e m á s , ou do o u t r o , n o b r e s c b o a s , q u e m q u e r q u e seja q u e se r e c u s a r a evitar p o r t o d o s os m e i o s as prim e i r a s e a p r a t i c a r c o m t o d a s as s u a s forças as segundas saberá q u e está t r a t a n d o sua a l m a , a m a i s divina d a s coisas, da m a n e i r a m a i s d e s o n r o s a e lamentável. Dificilmente alguém se dá conta do m a i o r julgamento, c o m o é dito, da a ç ã o m á , ou seja, a s s e m e l h a r - s e a h o m e n s q u e são perversos c assim f a z e n d o afastar-se dos h o m e n s b o n s , dos b o n s conselhos e c o m estes romper, a p e g a n d o se. ao c o n t r á r i o , à c o m p a n h i a d o s p e r v e r s o s e o s s e g u i n d o ; e a q u e l e q u e s e j u n t a r a t a i s h o m e n s fat a l m e n t e fará e e x p e r i m e n t a r á o q u e essas pessoas se c o n v i d a m m u t u a m e n t e a fazer. O r a , t a l r e s u l t a d o n ã o é u m julgamento ( p o r q u a n t o j u s t i ç a e j u l g a m e n t o s ã o cois a s h o n r o s a s ) , m a s s i m u m a p u n i ç ã o , u m efeito q u e s e segue à injustiça; e a q u e l e q u e s u p o r t a essa p u n i ç ã o e a q u e l e q u e n ã o a s u p o r t a são i g u a l m e n t e infelizes • este p o r q u e ficou sem c u r a , a q u e l e p o r q u e p e r e c e a fim de a s s e g u r a r a salvação dc m u i t o s outros.* " A s s i m , declar a m o s q u e a h o n r a , em termos gerais, consiste em acatar o m e l h o r e em e m p r e e n d e r o m á x i m o p a r a m e l h o r a r o

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Meioeínio euefeutei que o empo é mais digno de op.ie.co do que a nfmo. o que é feiéo - esta sesia «mo ttodnçõo wais tendente n ftte/iaftdadc. (n.t.) ** Ou seja, fio domínio dos deuses oÊmpifiac. (D tadiitai se sente tentado eiejui a opo*

o toíiestíte ao otàsfied mas
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(que é a mo/ioda pié-

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Yjensáfta c o Mawdònin)
não significa ftfMisnmenta' « k LAIA tleogonio dc

TÍterfodo, Qhami (Ovpavoçj nan c apenas

o pai de Oionos e rreô de "jjeus, como tawbíw o geKidn* de uníiíris deuses c dns fWí? com Qéia (inofusii/e C a p e l o , jiaí dc (Alfas e de 'Piometeu). (n.t.)

*** flahiie. isto e.onsuPta* o

Qfiàgios. (».(..) 202

Livro V
m e n o s r u i m , q u a n d o este o a d m i t e . O ser h u m a n o n ã o dispõe por natureza em si mesmo de n a d a mais aprop r i a d o do q u e a a l m a p a r a evitar o mal, localizar e apreender tudo que há de melhor, e depois de apreend ê - l o v i v e r c o m isso p e l o r e s t o d e s u a v i d a , p e l o q u e a a l m a está classificada em segundo lugar na o r d e m d a s h o n r a s . Q u a n t o ao terceiro todos seriam u n â n i m e s em dizer q u e este lugar cabe a h o n r a d e v i d a ao c o r p o e a q u i , novamente, é preciso investigar as várias formas de h o n r a - q u a i s as g e n u í n a s , q u a i s as falsas - o q u e é f u n ç ã o d o l e g i s l a d o r . O r a , ele - s u p o n h o - d e c l a r a q u e as h o n r a s são as seguintes e dos seguintes tipos; o corpo d i g n o de a p r e ç o n ã o 6 o c o r p o b e l o , o forte, o célere, n e m o grande e n e m mesmo o corpo saudável, embora muitos creíam nisto; n ã o é t a m p o u c o o corpo que reú ne as q u a l i d a d e s o p o s t a s a estas. Os c o r p o s q u e ocup a m a posição m e d i a n a entre todos esses extremos opostos s ã o , c o m l a r g a v a n t a g e m , os de m a i o r t e m p e r a n ç a e e s t a b i l i d a d e pois se um e x t r e m o t o r n a as a l m a s soberb a s e o r g u l h o s a s , o o u t r o as t o r n a v i s e m e s q u i n h a s . O m e s m o se aplica à posse de b e n s c riquezas, d e v e n d o e s t e s s e r v a l o r a d o s n u m a e s c a l a s i m i l a r ; q u a n d o excessivos, g e r a m a n i m o s i d a d e s e conflitos t a n t o no E s t a d o c o m o no â m b i t o particular e q u a n d o deficientes geram, via de regra, servidão. E q u e n i n g u é m a m e as riquezas p o r c a u s a d e s e u s f i l h o s c o m o filo d e d e i x á - l o s o m a i s r i c o s possível, p o i s isto n ã o é b o m n e m p a r a eles n e m p a r a o Estado. P a r a os jovens, recursos q u e n ã o a t r a e m bajuladores, e q u e n ã o os p r i v a m do necessário, constit u e m os mais h a r m o n i o s o s e mais excelentes de todos, v i s t o q u e t a i s r e c u r s o s e s t ã o e m s i n t o n i a e a c o r d o conosco, t o r n a n d o nossa vida em todos os aspectos isent a d e s o f r i m e n t o . Aos filhos deve-se d e i x a r u m g r a n d e l e g a d o de. r e s p e i t o p r ó p r i o e n ã o d e o u r o . I m a g i n a m o s q u e é m e d i a n t e a correção da i m p u d ê n c i a da juventud e q u e lhe l e g a m o s essa v i r t u d e , m a s n ã o é isto q u e r e s u l t a d a r e p r e e n s ã o d i r i g i d a c o m u m e n t e h o j e a o s jovens q u a n d o a s p e s s o a s lhes d i z e m q u e "os jovens dev e m r e s p e i t a r a todos* . 0 l e g i s l a d o r p r u d e n t e d e v e r á , a n t e s , advertir a s p e s s o a s m a i s velhas p a r a q u e respeit e m o s j o v e n s e , a c i m a de, t u d o , s e a c a u t e l e m p a r a n ã o serem jamais surpreendidas por um jovem fazendo ou
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d i z e n d o a l g o v e r g o n h o s o , p o i s ali o n d e o s v e l h o s s ã o i m p u d e n t e » , os jovens fatalmente o s e r ã o a i n d a m a i s ; o m o d o rnais eficiente de e d u c a r os jovens - b e m c o m o as próprias pessoas mais velhas - n ã o é repreender m a s sim simplesmente, praticar por toda nossa vida aquilo pelo q u e repreendemos os outros. Q u a n t o à parentela, a q u e l e s a q u e m nos ligam os deuses familiares e q u e n o s s ã o c o n s a n g ü í n e o s , q u e m q u e r q u e o s h o n r e e reverencie pode, na m e d i d a de q u a n t o é piedoso, assegurar a b o a vontade dos deuses do nascimento p a r a a proc r i a ç ã o d e s e u s filhos. A d e m a i s , u m ser h u m a n o encontrará a m i g o s e c o m p a n h e i r o s b e m p r e d i s p o s t o s p a r a o s r e l a c i o n a m e n t o s d a v i d a s e c o l o c a r m a i s alto d o q u e eles colocam o valor e a i m p o r t â n c i a d o s serviços q u e lhe p r e s t a m e conferir m e n o s valor aos favores q u e lhes p r e s t a do q u e eles p r ó p r i o s (seus a m i g o s c c o m p a n h e i ros) c o n f e r e m . N a r e l a ç ã o c o m s e u E s t a d o e s e u s c o n c i d a d ã o s e s s e ser h u m a n o s e d e s t a c a r á , preferível m e n t e n ã o o b t e n d o u m a vitória e m O l í m p i a o u e m q u a l q u e r outro concurso de guerra ou de paz, m a s optando pela r e p u t a ç ã o de vencedor no serviço d a s leis de s u a cidade, sendo o indivíduo q u e superou a todos os demais as servindo d e m a n e i r a m a r c a n t e d u r a n t e t o d a s u a vida. Além disso, um indivíduo deve c o n s i d e r a r c o m o especialm e n t e sagrados os contratos celebrados com estrangeir o s p o i s , p r a t i c a m e n t e , t o d a s a s faltas c o n t r a o s e s t r a n geiros são - se c o m p a r a d a s com a q u e l a s c o m e t i d a s cont r a c o n c i d a d ã o s - m a i s e s t r e i t a m e n t e l i g a d a s a u m a div i n d a d e vingadora. O estrangeiro, p o r q u a n t o está privado de c o m p a n h e i r o s e da família, é q u e m mais atrai a c o m p a i x ã o de seres h u m a n o s e deuses, pelo q u e a q u e les q u e têm a c a p a c i d a d e de vingá-lo e se a p r e s s a m p a r a socorrê-lo s ã o o dáimon c o d e u s do e s t r a n g e i r o , os q u a i s • f) rlc«: í|WM()ifio rios (lucilo': cie tospilnfòflWc. (iU.) f a z e m p a r l e da e s c o l t a de Z e u s X e n i o s . • T o d o a q u e l e , p o r t a n t o , q u e for m i n i m a m e n t e p r u d e n t e t o m a r á o m á x i m o c u i d a d o de viver t o d a s u a v i d a , até o s e u fim, s e m perpetrar q u a l q u e r ofensa c o n t r a estrangeiros. De t o d a s as ofensas c o m e t i d a s c o n t r a estrangeiros ou comp a t r i o t a s , em todos os casos a m a i s grave é a q u e se refere aos r e q u e r e n t e s , p o r q u e q u a n d o u m r e q u e r e n te, a p ó s i n v o c a r u m d e u s c o m o t e s t e m u n h a , é l u d i b r i a d o , e s s e d e u s s e t o r n a o p r o t e t o r e s p e c i a l d e q u e m foi

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ludibriado, de sorte q u e « v í t i m a jamais ficará sem vingança. N o q u e c o n c e r n e à s relações d e a l g u é m com s e u s pais, consigo m e s m o e seus próprios bens, b e m c o m o c o m o E s t a d o e s e u s p a r e n t e s - s e j a m as relações exteriores, sejam as d o m é s t i c a s - c o m p l e t a m o s nosso e x a m e . Na s e q ü ê n c i a nos cabe e x a m i n a r o caráter q u e é o m a i s c o n d u z e n t e a u m a vida digna, e depois disto teremos q u e indicar todas as matérias q u e estão sujeitas n ã o à lei, m a s s i m a o l o u v o r e à c e n s u r a , c o m o o s i n s t r u m e n tos pelos q u a i s os c i d a d ã o s são e d u c a d o s individualm e n t e e t o r n a d o s m a i s dóceis e p r e d i s p o s t o s às leis q u e lhes serão impostas. Entre todos os bens tanto p a r a os d e u s e s q u a n t o p a r a os seres h u m a n o s , a v e r d a d e v e m e m p r i m e i r o lugar. Q u e dela participe c a d a indivíduo h u m a n o d e s d e o p r i n c í p i o dc s u a vida se seu p r o p ó s i t o for a b e m - a v e n t u r a n ç a c a f e l i c i d a d e , d e m o d o q u e p o s s a v i v e r s u a v i d a o r n a i o r t e m p o p o s s í v e l s e g u n d o a verd a d e . E s t e é u m i n d i v í d u o d i g n o d e c o n f i a n ç a , m a s indigno de confiança é aquele q u e gosta de m e n t i r volun t a r i a m e n t e , e n q u a n t o , p o r o u t r o l a d o , é i n s e n s a t o o indivíduo a q u e m a p r a z a m e n t i r a involuntária. E nen h u m destes dois ú l t i m o s é p a r a ser invejado pois q u e m é i n s e n s a t o oit i n d i g n o d e c o n f i a n ç a n ã o t e m a m i g o s e q u a n d o o d e c o r r e r do t e m p o se faz c o n h e c e r , ele • • constrói p a r a s u a velhice u m i s o l a m e n t o total a o fim d e s u a vida, estejam s e u s c o m p a n h e i r o s e filhos vivos ou n ã o . Aquele q u e n ã o comete q u a l q u e r erro é efetivamente um h o m e m digno de honra, porém digno de honra em d o b r o , e m a i s , é a q u e l e q u e em a d i ç ã o a isto n ã o p e r m i te q u e os c o m e t e d o r e s de erros os c o m e t a m , pois enq u a n t o o p r i m e i r o vale p o r um h o m e m o s e g u n d o vale por muitos já q u e informa os magistrados a respeito da ação errônea dos outros. E aquele q u e auxilia os magistrados, na m e d i d a de suas forças, a p u n i r , q u e o proclam e m o s o grande homem no Estado,**» e homem con•••..pcyaç avqp gv " • f e r i é, o insenfinta nu ndiruio dc fiotijweo. (n.l.)

s u m a d o , c a m p e ã o da virtude. A t e m p e r a n ç a e à sabed o r i a deve-se a t r i b u i r o m e s m o louvor e a t o d o s os outros b e n s q u e seu p o s s u i d o r n ã o p o d e m a n t e r a p e n a s p a r a si m a s q u e p o d e m t a m b é m ser repartidos c o m os outros; a q u e l e q u e o s r e p a r t e deve ser h o n r a d o corno d e s u m o mérito e aquele q u e os q u e r repartir m a s n ã o tem c o n d i ç õ e s d e fazê-lo c o m u m m é r i t o s e c u n d á r i o , e n q u a n t o

TtoXst.... <A «mal
|>fu'tiio<jio cio wfificuPíno «o íuwfcifn do a p t - r n i se {oj rooK umo w% fXiesotife. («.(.)

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o egoísta» <}>0ovouvra...,
fítoolmenle cijiwefifo, ou aejo, aqueUe qiie tem ciúme de seus bem. o que. o |og jornais liristiPíiá-Pos ( m u outws. (n.l.) •*... ttd>9ovcoç..„ sem

e n ã o desejoso de repartir q u a i s q u e r b o a s

c o i s a s c o m o s o u t r o s d e v e r á ser o b j e t o d e c e n s u r a , e m bora o b e m q u e possui n ã o deva ser depreciado p o r sua c a u s a , m a s p e l o c o n t r á r i o motivo d e g r a n d e esforço p a r a ser obtido. Q u e todos nós ambicionemos a conquista d a v i r t u d e , p o r é m d e m o d o b e n e v o l e n t e , * * pois a s s i m os Estados serão ampliados, rivalizando no empenho sem se paralisarem pela maledicência; m a s o malevolente, p e n s a n d o q u e a melhor forma de assegurar sua s u p e r i o r i d a d e é m a l d i z e r o s o u t r o s d e s p e n d e p o u c o esforço p a r a g a n h a r excelência v e r d a d e i r a e d e s e s t i m u l a s e u s r i v a i s o s c e n s u r a n d o i n j u s t a m e n t e , c o m o q u e leva t o d o o E s t a d o a ser m a l t r e i n a d o na c o m p e t i ç ã o pela v i r t u d e e o t o r n a , de, s u a p a r t e , m e n o s d e t e n t o r d e b o a r e p u t a ç ã o , l o d o h o m e m deve tinir à cólera a m a i o r a m a b i l i d a d e possível. E m relação aos erros dos outros q u e nos p õ e m em perigo e q u e têm p o u c a ou n e n h u m a chance de serem remediados, só podemos nos subtrair t r i u n f a n d o sobre eles m e d i a n t e u m a l u t a defensiva c os castigando inflexivebnente, o q u e n e n h u m a alma pode realizar s e m u m a n o b r e cólera. • • • M a s , p o r o u t r o lado, q u a n d o s e c o m e t e u e r r o s remediáveis, dever-se-ia, e m p r i m e i r o lugar, r e c o n h e c e r q u e todo c o m e t e d o r d e e r r o s o é i n v o l u n t a r i a m e n t e , • • • • p o i s n i n g u é m em p a r t e

«Ví/ie (oPtaictieflmeíte). (n.(.}

•**... Buuou yevvaioo,,., pomo
qepofioeri. -jl idéia mais Uíginíw que dislo ICJÍaraoe sesin m Hoknlo sentimento de. iudígimeâo diante do mal {oito c pwttofaxm-te pwart': o

a l g u m a j a m a i s iria d e b o a v o n t a d e g r a n j e a r n e n h u m dos grandes males, sobretudo em meio ao q u e possui de m a i s p r e c i o s o . Ora, a a l m a , c o m o d i s s e m o s , é c o m t o d a a verdade p a r a todo h o m e m o b e m m a i s precioso. N i n g u é m , p o r t a n t o , a d m i t i r á v o l u n t a r i a m e n t e a o seio d e s s a coisa p r e c i o s a o m a i o r d o s m a l e s , p a s s a n d o a viver sua vida inteira o a b r i g a n d o . Mas q u e m cometer erros merece toda a compaixão, tanto q u a n t o qualquer h o m e m q u e for a t i n g i d o p e l o m a l , e p o d e m o s n o s c o m padecer daquele que padece de um mal remediável, conter e a b r a n d a r nossa cólera em lugar de p r o p a g a r c o n s t a n t e m e n t e o m a u h u m o r c o m o u m a m u l h e r ral h a d o r a : m a s ao t r a t a r m o s com a q u e l e q u e é total e obst i n a d a m e n t e perverso e irrecuperável será necessário d a r livre c u r s o à ira. r a z ã o p e l o q u a l d i s s e m o s q u e c a b e ao h o m e m de b e m unir a a m a b i l i d a d e à cólera, sendo colérico ou a m á v e l de a c o r d o c o m a ocasião. Há um m a l , m a i o r q u e todos os outros, q u e a m a i o r i a dos seres

mei&eilo.i que noo Prwmin fcfjiilmonicnle o nos enfutecei (!, ineJueWe, oHugi-Co com nosso jé»io. (n.t.) *•••
TAÍÍI
O

-Ptotáípws.
(u.f.)

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Livro V
h u m a n o s í n c u l c a r a m em suas a l m a s e, cada um deles d e s c u l p a e m s i m e s m o , n ã o f a z e n d o n e n h u m esforço p a r a evilá-Io. T r a t a - s e d o m a l q u e i n d i c a m o s a o d i z e r q u e t o d o ser h u m a n o é, p o r n a t u r e z a , um a m a n t e de si m e s m o , e q u e é c o r r e t o q u e a s s i m seja, M a s a v e r d a d e é q u e a c a u s a d e t o d a s a s faltas e m t o d a s a s c i r c u n s t â n c i a s está n o excessivo a m o r q u e a p e s s o a d e d i c a a si m e s m o , p o i s a q u e l e q u e a m a é cego e m s u a visão d o objeto a m a d o , d e sorte q u e se revela u n i m a u juiz d a s coisas justas, b o a s e belas ao julgar q u e deve s e m p r e preferir o q u e lhe é próprio ao verdadeiro; n ã o é n e m a nós m e s m o s e n e m aos nossos próprios b e n s q u e devemos nos devotar se pretend e m o s s e r grandes, m a s s i m a o q u e é j u s t o , i n d e p e n d e n t e m e n t e da a ç ã o justa ser nossa ou dos outros. E é dessa m e s m a falta q u e t o d o ser h u m a n o tirou a idéia d e q u e sua loucura é sabedoria, de m o d o que sem nada saber o u q u a s e n a d a saber, c r e m o s s a b e r t u d o , e visto q u e n ã o c o n f i a m o s aos outros o fazer a q u i l o q u e i g n o r a m o s , nec e s s a r i a m e n t e e r r a m o s a o fazê-lo n ó s m e s m o s . P o r c o n s e g u i n t e , t o d o s e r h u m a n o d e v e fugir d o e x c e s s i v o a m o r de si m e s m o e s e m p r e seguir a l g u é m m e l h o r do q u e ele, sem pretextar jamais a vergonha q u e experimenta nessa ocasião. Preceitos q u e são m e n o s importantes do q u e estes, e a m i ú d e r e i t e r a d o s - e m b o r a n ã o m e n o s proveito• i / i i i i • s o s - c o m p e t e a n o s r e p e t i - l o s a t i t u l o de l e m b r e t e , p o i s o n d e há um c o n s t a n t e refluxo deverá s e m p r e se produz i r t a m b é m u m i n f l u x o c o r r e s p o n d e n t e , e q u a n d o a sab e d o r i a r e f l u i o i n f l u x o a d e q u a d o é c o n s t i t u í d o p e l a rem i n i s c ê n c i a , • • • • • p e l o q u e s e faz n e c e s s á r i o r e p r i m i r riso e l á g r i m a s intempestivos, e t o d o h o m e m [ b e m c o m o o c o n j u n t o do E s t a d o ] deverá c o b r a r de t o d o h o m e m a t e n t a t i v a de d i s s i m u l a r t o d a e x i b i ç ã o d o s e x t r e m o s de alegria e de tristeza, de m a n e i r a a comportar-se conv e n i e n t e m e n t e t a n t o na p r o s p e r i d a d e s o b a b o a s o r t e de a c o r d o c o m o gênio i n d i v i d u a l de c a d a um • • • • • • c n o s i n f o r t ú n i o s s o b a má s o r t e q u a n d o os dáimons se o p õ e m a c e r t o s a t o s h u m a n o s q u e se c h o c a m c o n t r a a l t u r a s v e r tíginosas; é preciso sempre esperar q u e a dívinda
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Platão - As Leis
Nestas esperanças e nas reminiscôncias de todas essas v e r d a d e s d e v e c a d a u m viver, s e m s e p o u p a r d o s s o f r i m e n t o s a fim d e m a n t e r c o m c l a r e z a a s r e m i n i s c ê n c i a s tanto para os outros quanto para si mesmo, no trabalho e no e n t r e t e n i m e n t o . E assim, q u a n t o ao q u e respeita ao devido caráter d a s instituições e o devido c a r á ter d o s indivíduos, t e m o s a g o r a f o r m u l a d a s q u a s e tod a s as regras de sanção divina; as de origem h u m a n a i n d a n ã o f o r m u l a m o s , o q u e d e v e m o s fazer visto q u e nos dirigimos a seres h u m a n o s e n ã o a deuses. Prazeres, dores e desejos são p o r n a t u r e z a especialmente hum a n o s e é destes, necessariamente, q u e cada criatura m o r t a l e s t á , p o r assim dizer, s u s p e n s a e d e p e n d e n t e p o r m e i o d o s m a i s fortes laços d e influência. Assim, deve-se r e c o m e n d a r a vida m a i s n o b r e n ã o só p o r q u e exteriorm e n t e seja s u p e r i o r e m t e r m o s d e b o a r e p u t a ç ã o , m a s t a m b é m p o r q u e se a l g u é m c o n s e n t e em gozá-la e n ã o evitá-la na juventude, será igualmente superior naquilo q u e todos os indivíduos h u m a n o s cobiçam: o máximo de prazer e o m í n i m o de d o r ao longo de toda a e x i s t ê n c i a . Q u e e s t e s e r á c l a r a m e n t e o r e s u l t a d o , s e alg u é m desfrutar tal vida corretamente, ficará p l e n a m e n t e e v i d e n t e d c i m e d i a t o . M a s n o q u e c o n s i s t e e s s a retidão? Esta é a q u e s t ã o q u e agora temos dc e x a m i n a r à luz de nosso a r g u m e n t o . C o m p a r a n d o a vida m a i s prazerosa com a mais dolorosa, será nossa tarefa através deste m e i o c o n s i d e r a r se u m a é-nos n a t u r a l e a o u t r a c o n t r a a natureza. Desejamos o prazer e n q u a n t o a dor nós n e m o p t a m o s por ela e n e m a desejamos; q u a n t o ao estado n e u t r o , n ã o o d e s e j a m o s no l u g a r do p r a z e r , m a s o desejamos como substituto da dor; e desejamos m e n o s dor com mais prazer, mas não desejamos menos prazer com m a i s dor; e q u a n d o os dois estão equilibrados por igual, somos incapazes de afirmar claramente nossa preferência. E todos esses e s t a d o s - no q u e se refere ao seu n ú mero, q u a n t i d a d e , grandeza, igualdade e os opostos destes - t ê m ou n ã o têm influência sobre o desejo no s e n t i d o de c o n t r o l a r a escolha q u e o desejo fará de c a d a um. E s t a n d o as coisas assim dispostas necessariamente, d e s e j a m o s a q u e l e tipo d e v i d a n o q u a l o s s e n t i m e n tos são muitos, g r a n d i o s o s e intensos com a p r e d o m i nância dos prazerosos, mas não desejamos a vida na

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Livro V
q u a l p r e d o m i n a m 08 sentimentos dolorosos; e, inversamente, n ã o desejamos a vida na q u a l os sentimentos são escassos, modestos e s e m i n t e n s i d a d e , com a predom i n â n c i a dos dolorosos; m a s se os prazerosos predominarem, nós os desejamos. Ademais, temos q u e considerar a vida em q u e há um equilíbrio igual de prazer e dor c o m o o fizemos previamente referindo-nos ao estado n a t u r a l : d e s e j a m o s a vida e q u i l i b r a d a na m e d i d a em q u e ela excede a v i d a d o l o r o s a n a q u i l o q u e gostamos, m a s n ã o a desejamos na m e d i d a cm q u e excede a vida prazerosa n a q u i l o d e q u e n ã o gostamos. I o d a s as vidas h u m a n a s têm q u e ser e n c a r a d a s como naturalm e n t e circunscritas a esses s e n t i m e n t o s , e o q u e n o s c a b e discernir 6 q u a i s os tipos de vida q u e n a t u r a l m e n t e desejamos; p o r é m , se acontecer de d e s e j a r m o s algo m a i s a l é m desses limites, será devido à ignorância e inexperiência das vidas como elas r e a l m e n t e são q u e estaremos nos pronunciando. Quais e q u a n t a s , então, são as vidas em q u e um indivíduo t e n d o ele e s c o l h i d o o des e j á v e l e o v o l u n t á r i o p r e f e r i v e l m e n t e ao i n d e s e j á v e l e o i n v o l u n t á r i o e t e n d o t o r n a d o i s s o u m a lei p a r a s i m e s mo selecionando o q u e de i m e d i a t o é t a n t o a d e q u a d o e p r a z e r o s o q u a n t o s u m a m e n t e b o m e belo - p o d e viver t ã o feliz q u a n t o é h u m a n a m e n t e p o s s í v e l ? D e c l a r e m o s q u e u m a delas é a vida de t e m p e r a n ç a , o u t r a a vida do s á b i o , o u t r a a do corajoso e c l a s s i f i q u e m o s a v i d a s a u dável c o m o u m a outra; e a estas colocaremos em oposição q u a t r o o u t r a s : a vida do tolo, a do covarde, a do licencioso e a do enfermo. Aquele q u e conhece á v i d a de t e m p e r a n ç a verá diante de si u m a vida delicada em todos os aspectos, proporcionando prazeres b r a n d o s b e m c o m o dores b r a n d a s , apetites e desejos m o d e r a d o s t o t a l m e n t e e s t r a n h o s ao frenesi; m a s o q u e c o n h e c e a vida licenciosa d e s c o r t i n a r á d i a n t e de si u m a v i d a violenta em todos os sentidos, p r o p o r c i o n a n d o dores c prazeres extremos, apetites intensos e desvairados e os desejos m a i s frenéticos possíveis; e e n q u a n t o na vida de temperança os prazeres têm maior peso que as dores, n a vida lic.cnsiosa a s d o r e s e x c e d e m o s p r a z e r e s e m e x t e n s ã o , n ú m e r o c f r e q ü ê n c i a . Disto r e s u l t a forços a m e n t e q u e u m a d e s t a s v i d a s t e m q u e ser n a t u r a l m e n t e mais prazerosa c a outra mais dolorosa p a r a nós; e n ã o

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Platão - As Leis
é m a i s possível p a r a o h o m e m q u e deseja u m a v i d a praz e r o s a v i v e r v o l u n t a r i a m e n t e u m a v i d a l i c e n c i o s a , fic a n d o c l a r o a g o r a (se a c e r t a d o for o n o s s o a r g u m e n t o ) q u e p a r a n i n g u é m é possível ser licencioso v o l u n t a r i a m e n t e , ou seja, é d e v i d o à i g n o r â n c i a ou à i n c o n t i n ê n cia, ou devido a a m b a s q u e a m a i o r i a e s m a g a d o r a da h u m a n i d a d e vive v i d a s n a s q u a i s a t e m p e r a n ç a e s t á ausente. Analogamente, com relação à vida de enfermid a d e e à vida de s a ú d e , é preciso observar q u e e n q u a n t o a m b a s a p r e s e n t a m p r a z e r e s e d o r e s , o s p r a z e r e s excedem as dores na saúde, m a s as dores excedem os praz e r e s n a e n f e r m i d a d e . N o s s o d e s e j o n a e s c o l h a d a s vid a s n ã o é q u e a d o r s e j a e x c e s s i v a , m a s a v i d a q u e julgam o s a m a i s p r a z e r o s a é a q u e l a na q u a l a d o r é excedida pelo prazer. Afirmaremos, então, q u e já q u e a vida de temperança abriga sentimentos mais modestos, mais escassos e m a i s leves q u e a v i d a licenciosa, o m e s m o acontecendo com à v i d a do sábio em relação à vida do tolo, e c o m a do corajoso em r e l a ç ã o à v i d a do covarde, e já q u e u m a vida ó superior à o u t r a em prazer, m a s inferior em dor, a vida do corajoso triunfa sobre a do c o v a r d e e. a do s á b i o s o b r e a do tolo. C o n c l u í m o s q u e o p r i m e i r o conjunto de v i d a s se classifica c o m o m a i s prazeroso q u e o segundo, q u e r dizer, as vidas de t e m p e r a n ça, de coragem, de sabedoria e de s a ú d e são m a i s prazerosas q u e as vidas do licencioso, do covarde, do tolo e do enfermo. Em s u m a , a vida q u e c o n t a com a excelência do corpo e da a l m a c o m p a r a d a à q u e l a q u e abriga o vício n ã o é a p e n a s m a i s p r a z e r o s a c o m o t a m b é m é grand e m e n t e s u p e r i o r e m b e l e z a , r e t i d ã o , v i r t u d e e b o a rep u t a ç ã o , de m o d o a fazer c o m q u e a q u e l e q u e a vive, v i v e r s e m p r e m u i t o m a i s feliz d o q u e q u e m v i v e a v i d a oposta. Assim até a q u i f o r m u l a m o s o prelúdio de nossas hás, e q u e esta formulação se encerre. Ao prelúdio •v_Alnwi"f*t.<! 'Tíotõo (stéfiPki f»m o dufrfo sentido d o pafama v o p o ç . (n.t.) deve n e c e s s a r i a m e n t e ; seguir-se o i i o m o * , ou m e l h o r , p a r a ser r i g o r o s a m e n t e e x a t o , um e s b o ç o da o r g a n i z a ç ã o elo E s t a d o . E a g o r a , t a l c o m o n o c a s o d c u m p e d a ç o de tecido, ou q u a l q u e r outra m e r c a d o r i a entretecida, n ã o é p o s s í v e l f a z e r do mesme> m a t e r i a l a u r d í d u r a e a t r a m a , s e n d o n e c e s s á r i o q u e o m a t e r i a l d a u r d i d u r a seja de melhor q u a l i d a d e por sua resistência e u m a certa firmeza que lhe é inerente, e n q u a n t o a t r a m a é mais

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Livro V
•""Uejo-sc o 'dhâiieo. mãe, m a c i a e apresenta u m a razoável flexibilidade:» * poTflnlno uso o ttoliofk» do tafóo «o íeo» como w l ó j o » do ítcéâo iíw/cujo tabnlio delicado consiste ei* combina» os oposto*, ftgo» e enteango* os tendências m oposição do wdldtwi (ou seja. daqueles que goi&winm) e do tmma (que* diy/i. dos governados), (n.t.) •••Tiejo-se noWimenlo o W/fm nókatúç... {«.!.) &lende-se que o ****... K a G a p u o u ç jonitiQçõo e |*fst*oçõo de um tom fistado sob quolque» jonKO dc gowuto (iftcfcsite a aMstrwãtiea, |«cc:onígodo pot 'Watão) erigem a seleção inicial e contínua (iodo «instituição do cidodonio, sob wí»ios jownos dc, dcpoMiçâo, que incluem desde a dcpontoçõo suiwifiia dc indiifduos eottsidcsadoB MsotfMwtet ao fistado até o crfcuMÍnio de indivíduos tidas como gnondes ttiwinosos [especialmente os acusados e condenados po» delitos conta os pais, o fistado ou seus deuses {impiednd^, rjiiinc cm que Ineowiu o psópwo Síicuatee na democrática ijUcnos], <tfm a
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demos perceber que, de maneira um tanto semelhante, teremos que distribuir aqueles q u e deterão as grandes m a g i s t r a t u r a s no E s t a d o e a q u e l e s aos (piais serão confiadas as p e q u e n a s m a g i s t r a t u r a s * * • d e p o i s da aplicação d e u m teste educacional a p r o p r i a d o e m c a d a u m d o s casos, isto em f u n ç ã o de d u a s tarefas a s e r e m e m p r e e n d i d a s na o r g a n i z a ç ã o do E s t a d o , a saber, a design a ç ã o dos indivíduos p a r a os cargos e a atribuição d a s leis a o s c a r g o s . M a s , e m v e r d a d e , a n t e s d e n o s o c u p a r m o s de todas essas matérias é imperioso q u e observem o s o seguinte: Ao cuidar de um r e b a n h o de q u a l q u e r tipo, o p a s t o r ou b o i a d e i r o , a q u e l e q u e c u i d a de cavalos o u q u a i s q u e r d e s s e s a n i m a i s , j a m a i s t e n t a r á fazê-lo e n q u a n t o n ã o tiver a p l i c a d o a c a d a g r u p o de a n i m a i s a devida d e p u r a ç ã o - q u e consiste em separar os a n i m a i s saudáveis dos q u e n ã o estão saudáveis e os de boa raça dos q u e n ã o o são, e n v i a n d o em seguida estes últimos a outros rebanhos e m a n t e n d o apenas os primeiros sob seu c u i d a d o , visto q u e reconhece, q u e seu labor seria infrutífero e i n t e r m i n á v e l se d e s p e n d i d o em c o r p o s e a l m a s q u e a n a t u r e z a e a má formação se c o m b i n a r a m p a r a a r r u i n a r , esses corpos e a l m a s m e s m o s promovendo a r u í n a de r e b a n h o s saudáveis e incólumes nos háb i t o s e n o s c o r p o s - s e j a q u a l for a e s p é c i e d e a n i m a l - s e u m a c o m p l e t a d e p u r a ç ã o n ã o for feita n o r e b a n h o existente. Esta é u m a matéria de importância secundária q u a n d o se refere a outros a n i m a i s , m e r e c e n d o m e n ç ã o a q u i s o m e n t e a título ilustrativo; m a s q u a n d o se refere a o ser h u m a n o a d q u i r e s u m a i m p o r t â n c i a e c o m p e t e a o legislador investigar e declarar o q u e é a p r o p r i a d o a c a d a classe t a n t o no q u e c o n c e r n e à d e p u r a ç ã o q u a n t o ao q u e diz respeito a t o d a s as d e m a i s m e d i d a - cabíveis. Por exemp l o , r e l a t i v a m e n t e à d e p u r a ç ã o civil, * * • • d e v e r i a s e r feita da m a n e i r a seguinte: dentre os muitos modos de depur a ç ã o p o s s í v e i s , a l g u n s s ã o m a i s b r a n d o s , o u t r o s m a i s sev e r o s ; u m l e g i s l a d o r q u e fosse s i m u l t a n e a m e n t e u m m o n a r c a despótico p o d e r i a utilizar o s m a i s severos, q u e são o s melhores, ***** m a s u m legislador q u e n ã o dispusesse de poder despótico poderia m u i t o b e m contentar-se, ao estabelecer u m a nova constituição e nova legislação, c o m a possibilidade de efetuar a m a i s b r a n d a d a s depurações.

Rcpftíica e a cApoCogia de

SfimoHs. (,n.t.) *""<JÍ despeito de acabou

po» p»e|cji* a osistocMio, '-Platão não consegue disjaitçns uma senta simpatia pela monoíquia dcspóiico, etnbma concebo esse despotismo sendo CMieido po* um sábio moixam-fifósofo e não um tiíano comum, (n.t.)

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Platão - As Leis
A m e l h o r d e p u r a ç ã o é dolorosa, c o m o todos os medicam e n t o s e f e t i v a m e n t e eficazes fsão a m a r g o s ) : é a q u e l a q u e a r r a s t a a punições por meio da justiça associada à • TT| 8lKT) UETCX T t p W p i a Ç . . . . \ (tolitoiMi
Kj

v i n g a n ç a , » esta c o r o a n d o com o exílio ou a m o r t e ; essa d e p u r a ç ã o , via d e r e g r a , a f a s t a o s m a i o r e s c r i m i n o s o s q u e são irrecuperáveis e causadores de sérios d a n o s ao E s t a d o . U m a f o r m a m a i s s u a v e d e d e p u r a ç ã o é a seguinte; q u a n d o devido à escassez de alimento os carentes se p r e d i s p õ e m a seguir líderes q u e os c o n d u z e m ao s a q u e d a s p r o p r i e d a d e s dos ricos, o legislador p o d e considerá-los c o m o um m a l inerente á c i d a d e e despaeliálos p a r a o e x t e r i o r o m a i s d e l i c a d a m e n t e ' p o s s í v e l , u s a n do o eufemismo emigração p a r a designar sua evacuação. • • De um m e i o ou o u t r o isso tem q u e ser r e a l i z a d o por todo legislador no princípio, m a s no nosso caso a tarefa é presentemente a i n d a mais simples pois n ã o enfrentamos a necessidade de impor no momento nem u m a forma de emigração n e m q u a l q u e r outra seleção p o r d e p u r a ç ã o ; m a s tal c o m o q u a n d o h á u m a c o n f l u ê n cia de i n u n d a ç õ e s provenientes de várias origens a l g u m a s p r o v e n i e n t e s de fontes, o u t r a s de t e m p o r a i s p a r a u m aguaceiro único, temos q u e t o m a r diligentes p r e c a u ç õ e s no sentido de nos a s s e g u r a r q u e a á g u a seja d a m á x i m a p u r e z a possível e n c a m i n h a n d o - a e m a l g u n s casos, em outros c a n a l i z a n d o - a de m o d o a desviar seu curso. Em todo e m p r e e n d i m e n t o político há dificuldade e risco, m a s considerando-se, entretanto, q u e nossos p r e s e n t e s esforços s ã o v e r b a i s e n ã o de a ç ã o , v a m o s supor q u e nossa coleção de cidadãos está agora completa e que, s u a p u r e z a , a n ó s a s s e g u r a d a , n o s satisfaz, m e s mo porque permaneceremos testando inteiramente e de todas as formas ao longo do t e m p o os indivíduos m a u s que tentarem adentrar nosso presente Estado na qualidade de cidadãos, assim imped indo sua admissão, e n q u a n t o d a r e m o s as boas vindas aos virtuosos com toda a a m a b i l i d a d e e boa vontade possíveis. E q u e n ã o d e i x e m o s d e n o t a r esta b o a sorte, o u seja, que como d i s s e m o s , a c o l ô n i a d o s heraclíâeos foi feliz em e v i t a r o c o n f l i t o b r u t a l e p e r i g o s o epie c o n c e r n e à d i s t r i b u i ç ã o d a t e r r a e elo d i n h e i r o c o c a n c e l a m e n t o d a s d í v i d a s ( « a s s i m s o m o s i g u a l m e n t e felizes), p o i s q u a n d o u m E s t a do se vê c o n s t r a n g i d o a legislar o a s s u n t o dessa d i s p u t a

culto

SlKTl € TlUCOpia

não C definido e píieoiso como

aetm <xm nossos conceitos de
justiça e eingonoo. fimbnío o signifiendo [rtiiuoídiaP desse segundo eocábirfo gjege ecjn <:pen»o. p.wíacrip. dc/ean. significo (owbéiii msóv/o, jmuiçãn. Om. o fiiiiiiçõo ê um instíimncnto neecssóíio da jusIiÇO; OSSiM n Tl(XO)pia paítooc eslM melídnm ÔIKT). sendo sua riíiodo imfifícilo. P. de quoPquei modo, o ale dc i/ítigonça peno os gw.gos onfigos «elo findo qimPqucíi peso átieo negativo muito frtíPo coitlMíitio... (n.l.) • • O lom Cigciioinunle iiôiiíeo de PCofão é doslonle eoiiijiicinsiio. ..A despeitei de se.» o «cslse da ,_,4eodo«ia e do IrtiPíio PitOMMio Co» que, oigiíicscflu snns dnuíiiinas (ífosófioos (que incluem o concepção dc u» E s t a d o soeioPielo), for íicmpv um genuíno fliiielocsoto o f:,iílieo duio do niode.wa demoe.íiaoio ototionse. (n.tj

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Livro V
n ã o é c a p a z n e m de d e i x a r i n a l t e r a d o » os interesses ass e n t a d o s n e m d e alterá-los d e a l g u m a forma, n ã o lhe restando meio algum a n ã o ser o q u e p o d e r í a m o s cham a r de pia aspiração e m u d a n ç a cautelosa, pouco a p o u c o e s t e n d i d a s sobre u m longo período, esse m e i o consistindo no seguinte: deve já existir u m a c e r t a q u a n tidade de indivíduos para realizar a m u d a n ç a que, em cada o p o r t u n i d a d e , eles m e s m o s , d i s p õ e m de terra em a b u n d â n c i a e t a m b é m têm muitas pessoas que são seus devedores, e que são suficientemente bondosos a ponto de estarem dispostos a d a r u m a parcela do q u e possuem à q u e l e s q u e são carentes, seja c a n c e l a n d o dívidas, seja d i s t r i b u i n d o t e r r a s , p r o d u z i n d o u m a espécie, d e regra de m o d e r a ç ã o e p e r s u a d i d o s de q u e o empobreci m e n t o é constituído menos pela redução da riqueza do q u e pelo a u m e n t o da ambição, Eis aí o f u n d a m e n t o da s e g u r a n ç a d o E s l a d o e s o b r e ele, c o m o s o b r e u m a b a s e firme, é possível c o n s t r u i r q u a l q u e r tipo de o r d e m política em c o n f o r m i d a d e c o m as disposições descritas; cont u d o , s e o f u n d a m e n t o for p o d r e , a s s u b s e q ü e n t e s o p e r a ç õ e s p o l í t i c a s n ã o s e r e v e l a r ã o n a d a fáceis p a r a q u a l quer Estado. Esta dificuldade, como dissemos, é para nos evitávcl, e m b o r a seja m e l h o r q u e e x p l i q u e m o s o m e i o p e l o q u a l , n a h i p ó t e s e d e , e f e t i v a m e n t e n ã o a evit a r , p o d e r í a m o s e n c o n t r a r u m a m a n e i r a p a r a d e l a escapar. Q u e se esclareça q u e esse m e i o consiste cm ren u n c i a r à avareza com a ajuda da justiça, n ã o h a v e n d o outro c a m i n h o , largo ou estreito, de se furtar a essa dificuldade exceto esse expediente. Assim q u e isso fique pré-fixado p a r a mis agora c o m o u m a espécie d e c o l u n a do E s t a d o . Os b e n s dos c i d a d ã o s terão q u e estar distrib u í d o s dc u m a m a n e i r a a n ã o suscitar conflitos intestinos, caso c o n t r á r i o n o c a s o d a p r e s e n ç a d e p e s s o a s que, m a n t ê m a n t i g a s d i s p u t a s e n t r e si, o s i n d i v í d u o s h u m a nos de livre e e s p o n t â n e a v o n t a d e n ã o p r o g r e d i r ã o na construção política se n ã o tiverem um m í n i m o de sen so. E n t r e t a n t o , n o caso d a q u e l e s p a r a q u e m - c o m o p a r a nós nesta o p o r t u n i d a d e a d i v i n d a d e deu um novo E s t a d o p a r a ser f u n d a d o o n d e n ã o e x i s t e a i n d a c o n f l i t o s internos - q u e esses f u n d a d o r e s f o m e n t a s s e m a animosid a d e c o n t r a s i m e s m o s p o r c a u s a d a d i s t r i b u i ç ã o d a s terras e d a s c a s a s seria u m a i n s a n i d a d e c o m b i n a d a a u m a

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Platão - As Leis
c o m p l e t a m a l e v o l ê n c i a d a s q u a i s n e n h u m ser h u m a n o p o d e r i a ser c a p a z . Q u a l seria, p o r conseguinte, o p l a n e jamento para u m a correta distribuição? Em primeiro l u g a r , faz-se m i s t e r f i x a r o n ú m e r o t o t a l d e c i d a d ã o s ; a seguir t e r e m o s q u e c h e g a r a um c o n s e n s o q u a n t o à dist r i b u i ç ã o d e l e s , o u seja, e m q u a n t a s classes d e v e r ã o ser d i v i d i d o s e a d i m e n s ã o d e c a d a u m a d e s s a s c l a s s e s ; fin a l m e n t e restará a tarefa de distribuir, o m a i s e q u â n i m e m e n l e possível, t e r r a s e habitações. S e r á impossível definir um n ú m e r o p a r a a população sem considerar o território e os E s t a d o s vizinhos. No q u e se refere a território, precisamos a p e n a s d a q u a n t i d a d e suficiente p a r a a l i m e n t a r u m a c e r t a q u a n t i d a d e d e h a b i t a n t e s teitiperantes, e n a d a mais; q u a n t o à p o p u l a ç ã o será necessário u m n ú m e r o d e h a b i t a n t e s q u e seja suficiente p a r a defender o Estado contra agressões dos povos vizinhos, e t a m b é m q u e seja suficiente p a r a q u e o E s t a d o [na qualidade de aliado] possa prestar ajuda aos vizinhos agredidos. Definiremos estas matérias p a r a sua aplicação prática sob o suporte da razão q u a n d o examinarm o s o território e seus vizinhos. No m o m e n t o , limitamo-nos a um esboço de nossa legislação, q u e p a s s a m o s a completar mediante nossa argumentação. Suponha• 'Ttntno «fio CBC.OIW este númoito fowofcwitlf:. Çíiiolo -aí de «mo oítjKi dt. gnondego modmda cm o moiot i<íi>tc*o (iossíucÍ ds diUisoíss (ott seja, nnqiieiifa e. mui incfiiitido a totalidade dos dígitos, ifol o 10. (n.t.)

mos que hajam - como um n ú m e r o a d e q u a d o - 5040* h a b i t a n t e s a serem detentores de terras e defensores de seus lotes, a t e r r a e as h a b i t a ç õ e s s e n d o d i v i d i d a s igualmente no m e s m o n ú m e r o de partes, um h o m e m e seu lote f o r m a n d o u m par. C o m e c e m o s p o r dividir o n ú m e r o t o t a l p o r d o i s , d e p o i s o d i v i d a m o s p o r t r ê s , e e m seguida na ordem natural por quatro, cinco e assim por d i a n t e até dez. No q u e concerne, a n ú m e r o s , todo hom e m q u e e s t á p r o d u z i n d o leis t e m q u e e n t e n d e r a o m e n o s q u a l n ú m e r o e q u a l tipo de n ú m e r o será o m a i s útil a todos os Estados. Escolhamos aquele q u e contém as m a i s n u m e r o s a s e m a i s c o n s e c u t i v a s s u b - d i v i s õ e s . A série n u m é r i c a c o m p l e t a c o m p r e e n d e t o d a s a s divisões p a r a todos os propósitos, e n q u a n t o o n ú m e r o 5 0 4 0 , seja vis a n d o à g u e r r a , seja v i s a n d o a t o d o s os propósitos da p a z ligados a c o n t r i b u i ç õ e s e d i s t r i b u i ç õ e s , a d m i t e c o m o divisores n ã o m a i s q u e 5 9 divisores, s e n d o estes consecutivos de um a d e z . E i m p e r i o s o q u e esses fatos a respeito dos n ú m e r o s sejam captados rigorosamente e com

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Livro V
d e l i b e r a d a atenção por aqueles q u e são a p o n t a d o s pela lei p a r a c a p t a los; s ã o p r e c i s a m e n t e c o m o o s i n d i c a m o s e a r a z ã o p a r a i n d i c á - l o s ao f u n d a r um E s t a d o é a seguinte: no q u e diz respeito aos deuses, s a n t u á r i o s e templos a serem instalados p a r a os vários deuses do Estad o , e o s d e u s e s e dáimons q u e l h e s e m p r e s t a r ã o s e u s n o m e s , n e n h u m a p e s s o a de s e n s o - esteja ela construindo um novo Estado ou reformando um velho q u e tenha s i d o c o r r o m p i d o - t e n t a r á a l t e r a r as o r i e n t a ç õ e s de Delfos, D o d o n a , A m o u o u d e o u t r o d o s a n t i g o s o r á c u l o s , s e j a l á q u a l a f o r m a q u e a s s u m a m , s e o r i u n d a s d c visões o u d e m e n s a g e n s d c i n s p i r a ç ã o divina. S e g u n d o essas orientações foram instituídos sacrifícios combin a d o s c o m ritos, d e o r i g e m local o u i m p o r t a d o s d a T i r rênia, •• Chipre ou outros lugares e por meio dessas c o m u n i c a ç õ e s f o r a m s a n t i f i c a d o s o r á c u l o s , e s t á t u a s , alt a r e s e t e m p l o s e d e m a r c a d o s p a r a c a d a u m d e l e s gleb a s sagradas. N e n h u m a destas coisas o legislador deve a l t e r a r no m a i s í n f i m o g r a u ; a c a d a d i v i s ã o ele d e v e r á d e s i g n a r u m d e u s , u m dáimon o u a i n d a u m h e r ó i e n a d i s t r i b u i ç ã o d a t e r r a ele d e v e r á a t r i b u i r p r i m e i r a m e n te a essas divindades d o m í n i o s selecionados a c o m p a n h a d o s de tudo q u e lhes pertencem, de sorte que, q u a n do as reuniões de cada divisão ocorrerem nas ocasiões pré-eslabelecidas, possam prover um lato suprimento d a s coisas necessárias c as pessoas p o s s a m se fraternizar e n t r e si n o s sacrifícios e g r a n j e a r c o n h e c i m e n t o e i n t i m i d a d e , visto q u e n a d a é m a i s benéfico ao E s t a d o do q u e essa a p r o x i m a ç ã o recíproca, pois o n d e os hom e n s ocultam seus c a m i n h o s u n s dos outros na obscur i d a d e e m l u g a r d e e x p ô - l o s è l u z n e n h u m h o m e m jamais obterá c o m retidão a h o n r a ou o cargo q u e lhe são devidos, ou a i n d a a justiça q u e lhe cabe, motivo pelo q u a l todo h o m e m em todo Estado necessita, a c i m a de t u d o , e m p e n h a r - s e em exibir-se v e r d a d e i r a e s i n c e r a m e n t e a n t e t o d o s , n ã o p e r m i t i n d o , a d e m a i s , q u e seja ele m e s m o objeto da falsidade d o s outros. O p r ó x i m o p a s s o no nosso estab e l e c i m e n t o d a s leis é d e tal feitio q u e p o d e r á a p r i n c í p i o c a u s a r s u r p r e s a em r a z ã o de seu c a r á t e r singular, c o m o o movimento d e u m jogador d e d a m a s que a b a n d o n a s u a " l i n h a s a g r a d a " , • • • e no e n t a n t o a r e f l e x ã o e a e x p e r i ê n cia d e m o n s t r a r ã o q u e u m E s t a d o c o r r e p r o v a v e l m e n t e
•** ijium Inbutewi dc jogo dc dnmofi, o Pítido mediam. ** Pa,»lc do penítwiPo ilnfíco cujo costa c íwmkidfl pefo mo* TjlMÍJK) (o Crltlíílin). (ll.l.)
L

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Platão - As Leis
o risco de ser f u n d a d o s e g u n d o um p l a n e j a m e n t o de segunda do ponto de vista da excelência. E provável q u e houvesse recusa em aceitá-lo devido a n ã o familiaridade com legisladores q u e n ã o são igualmente déspotas, e c o n t u d o trata-se r e a l m e n t e do p l a n o m a i s correto p a r a descrever a primeira melhor constituição, a segunda m e l h o r e terceira melhor, e depois de descrevê-las ceder a escolha ao indivíduo q u e está e n c a r r e g a d o da fundação. A d o t e m o s este p l a n o agora i n d i c a n d o as constituições q u e se classificam em p r i m e i r o , s e g u n d o e terceiro l u g a r em e x c e l ê n c i a . E a e s c o l h a p a s s a r e m o s a Clínias e a q u e m q u e r q u e seja m a i s q u e q u e i r a a q u a l q u e r t e m p o , p r o c e d e n d o à seleção de tais coisas, a s s u m i r de acordo com sua própria disposição o q u e tem em apreço em s u a p r ó p r i a p á t r i a . O p r i m e i r o l u g a r é do E s t a d o e const i t u i ç ã o (de m e l h o r e s leis, inclusive) n o q u a l s e p o d e observar o m a i s m e t i c u l o s a m e n t e possível em relação a sua totalidade o velho dito segundo o q u a l "amigos têm • Sentença pitngóíien a qixt 'Pfotõn iWCn/iw lá.iian w.ges. todas as coisas realmente em c o m u m " . • Q u a n t o a esta c o n d i ç ã o - existindo ela em a l g u m a p a r t e a t u a l m e n t e ou a l g u m d i a no f u t u r o - em que há uma comunidade de esposas, meios comum, reza que ferem, sas como se todos a se o logrado erradicado, de de filhos e tudo que se se de tem ou os todas na as coisas, medida outra, olhos, ouvir na e na com os se por todos em o todo a as os como privado foi mesmo lugar tornar mãos, e

chegamos como

do possível ouvidos e agir em medida as e

uma forma

que por natucomum; que leis -

é particular, os

todos parecessem indivíduos no e de de unanimidade regozijando máximo

ver,

tenham, louvor se

do possível, concoique mesmas

censura aquelas Estado

afligindo

c que honrassem

lodo seu

coração

produzem

união possível ao

neste

caso ninguém jamais formularia u m a outra definição q u e fosse m a i s v e r d a d e i r a o u m e l h o r d o q u e e s s a n o q u e diz respeito à excelência. N u m tal E s t a d o que o h a b i t a s s e m d e u s e s ou filhos de d e u s e s - os h a b i t a n t e s viveriam a g r a d a v e l m e n t e s e g u n d o esses princípios, motivo pelo qual estamos dispensados de buscar alhures outro m o d e l o de constituição,* • d e v e n d o n ó s sim 7iapaôeiYu.a y e 7toXueiaç... (n.l.) nos a t e r r a r m o s a esse e c o m t o d a s as n o s s a s forças procur a r m o s a c o n s t i t u i ç ã o q u e a ele se a s s e m e l h e o m á x i m o possível. Essa constituição d e q u e a g o r a nos o c u p a m o s ,

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Livro V
• • • ^PPatão »ctoina aqui um se v i e s s e a ser, s e r i a m u i t o p r ó x i m a da i m o r t a l i d a d e e
f

' oj-ioucígr turnos de iA
o s

v i r i a em s e g u n d o l u g a r do p o n t o de v i s t a do m é r i t o . • • • O q u e v i r i a em t e r c e i r o n ó s o i n v e s t i g a r e m o s na s e q ü ê n c i a , se a d i v i n d a d e a s s i m o q u i s e r ; m a s p o r o r a , n o s perguntamos, qual é a segunda melhor constituição e c o m o p o d e r i a a s s u m i r um t a l c a r á t e r ? Q u e n o s s o s c o l o n o s d i v i d a m a t e r r a e as h a b i t a ç õ e s m a s n ã o c u l t i v e m a t e r r a em c o m u m , visto q u e u m a t a l p r á t i c a e s t a r i a a l é m da c a p a c i d a d e de p e s s o a s do n a s c i m e n t o , f o r m a ç ã o e t r e i n a m e n t o q u e s u p o m o s . E q u e a d i s t r i b u i ç ã o seja feita c o m esta i n t e n ç ã o , ou seja, q u e o h o m e m q u e recebe s e u lote a i n d a a s s i m o c o n s i d e r e c o m o p r o p r i e d a d e c o m u m de t o d o o E s t a d o • • • • e q u e c u i d e da t e r r a , q u e é s u a t e r r a n a t a l , c o m m a i o r diligência do q u e u m a m ã e c u i d a de seus filhos, p o r q u a n t o ela sendo u m a d e u s a é t a m b é m senhora sobre sua população mortal, e q u e observe a m e s m a atitude igualmente e m r e l a ç ã o a o s d e u s e s e dáimons l o c a i s . E p a r a q u e e s s a s coisas persistam nesse estado i n d e f i n i d a m e n t e deverão ser a c a t a d a s as seguintes regras adicionais: o n u m e r o d e lares, já agora delimitado por nós, precisa
, t

dScpébdca. ^Beiteta o supejitotidade d o Sstodo comunista, mos embata pcjmoneça essencialmente jfet a essa sua concepção político, '"sislií no binômio possívef /ideai c , {ma centos /tebtataçõcs de idéias explicitadas no diálogo ontenio». (n.t.) ^ noção d e /no/Wcdetdepaniieiiüan d a
m n è 1

M<*™k' amsa e

incompotíiel com o f i s t o d o ideofegodo poí^Plotõo. (n.t.) • • • • • (f)„ ^^n, a tenta, (n.t.) . . . . . . (T)
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p e r m a n e c e r i n a l t e r a d o , o u seja, n ã o d e v e r á n u n c a ser m a i o r ou m e n o r , o q u e p o d e r á ser c o n c r e t i z a d o c o m s e g u r a n ç a e m t o d o E s t a d o d a m a n e i r a a s e g u i r , quer dizer, o d e t e n t o r d o l o t e d e i x a r á s e m p r e a t r á s d e si c o m o h e r d e i r o do l o t e um f i l h o de s u a e s c o l h a q u e o s u c e d a no z e l o d o s a n c e s t r a i s d i v i n i z a d o s , d i v i n d a d e s f a m í l i a r e s e d e u s e s da c i d a d e , t a n t o os v i v o s q u a n t o os q u e já estiverem mortos; q u a n t o ao r e s t o d o s f i l h o s , q u a n d o um h o m e m tiver m a i s de u m , d e v e r á c a s a r as f i l h a s de a c o r d o c o m a lei a s e r e s t a b e l e c i d a e a b r i r m ã o d o s f i l h o s do s e x o m a s c u l i n o [ e x c e t o s e u s u c e s s o r ] a favor d o s c i d a d ã o s q u e n ã o t e n h a m f i l h o s - h o m e n s , se p o s sível m e d i a n t e um a r r a n j o a m i g á v e l . M a s , q u a n d o ess e s a r r a n j o s se r e v e l a r e m i n s u f i c i e n t e s , ou q u a n d o n a s f a m í l i a s os f i l h o s do s e x o f e m i n i n o ou do m a s c u l i n o f o r e m d e m a s i a d o n u m e r o s o s , ou a i n d a q u a n d o , p e l o contrário, forem d e m a s i a d o poucos devido à ocorrênc i a da e s t e r i l i d a d e - em t o d a s e s t a s s i t u a ç õ e s a a u t o r i dade que indicaremos como a mais elevada e a mais d e s t a c a d a d e f i n i r á o q u e fazer cm r e l a ç ã o ao excesso o u deficiência existentes n o seio d a s famílias, t o m a n d o '

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ifíP doméstico que os frite: p»iwogênitos jamais podiam deixo» que se extinguisse, o que, oea»eto»ío a extinção do pnóp/iio jaroíftn- íTuetcl d e Coulanges, '» d Cidade :Jntiga nealigo «tenso e p/iojundo estudo dessa iinpo/itontíssima instituição ,'iePigioso ente os g/iegos e as; iiomanos, o qual findo einouPaçõce cslACilns e nccessáiúas com os instituições Pegais c condieionoio todo o vido do cidadão, c/f Cidade ^Antiga integ/ia esta mesmo Sc.tieCfóssteosda pdi/wi. (n.t.) . . . . . . . . (fi • • • • • • • • Ç-J,, (jjj^ os oncest/iais. (n.t.)
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217

Platão - As Leis
as melhores m e d i d a s possíveis p a r a assegurar q u e os 5040 lares p e r m a n e ç a m inalterados. Há muitas medid a s q u e são possíveis: e m caso d e m u i t a fertilidade p o d e se r e c o r r e r a m é t o d o s a n t i c o n c e p c i o n a i s , e no caso contrário a métodos de fomento e estímulo da taxa de nasc i m e n t o s , envolvendo a concessão de h o n r a s e desonras, a r e p r e e n s ã o dirigida a o s jovens pelos velhos - tod o s estes m é t o d o s c a p a z e s de p r o d u z i r o efeito n e c e s s á rio. A d e m a i s , c o m o providência final - no caso de u n i absoluto desespero p a r a a m a n u t e n ç ã o dos 5040 lares diante da explosão demográfica devido à afeição m ú t u a d a q u e l e s q u e c o a b i t a m entre si - poder-se-á a p e l a r para aquele antigo expediente que mencionamos amiúde, a saber, o envio de rnodo amistoso e n t r e E s t a d o s amigos da q u a n t i d a d e de colonos q u e se julgar necessária. For outro l a d o , n o caso d o E s t a d o ser a l g u m a vez vitimado por u m a avassaladora onda de doenças ou guerras devastadoras, sofrendo a p o p u l a ç ã o t a n t a s perdas a p o n t o de c o m p r o m e t e r em muito o n ú m e r o préestabelecido de liabilantes. n ã o convém q u e se introduza de b o a vontade novos cidadãos b a s t a r d a m e n t e educ a d o s fno seio do E s t a d o ] , m a s a n e c e s s i d a d e , c o m o diz o adágio, " n e m o próprio deus pode constranger". * V a m o s , e n t ã o , e x t r a i r de n o s s o p r e s e n t e d i s c u r s o o seT í m o fnasie dc S l m ô i i i f e «À o '-fiw/rígpMs. («.(.)

guinte conselho: m e u s excelentíssimos amigos, n ã o deix e m de a c a t a r , s e g u n d o a n a t u r e z a , a s i m i l a r i d a d e , a i g u a l d a d e , a i d e n t i d a d e e a c o n g r u ê n c i a no n ú m e r o e em toda p r o p r i e d a d e capaz de produzir coisas belas e boas. A c i m a de tudo, agora, em primeiro lugar, g u a r d a i ao longo de vossas v i d a s o n ú m e r o e s t a b e l e c i d o , a seguir n ã o ofendei a devida m e d i d a do m o n t a n t e e d a s d i m e n s õ e s d o s vossos haveres tais c o m o o r i g i n a l m e n t e recebidos c o m p r a n d o e v e n d e n d o entre vós pois n ã o tereis ao vosso l a d o n e m a sorte q u e executou a partilha, • * q u e é divina, e n e m o legislador pois agora toda d e s o b e d i ê n c i a s e c h o c a r á p r i m e i r a m e n t e c o n t r a a lei, a qual advertira para n ã o participar da distribuição sem antes primeiro estar disposto a reconhecer q u e a terra era c o n s a g r a d a a t o d o s os d e u s e s e a p ó s a c e i t a r que. tendo sacerdotes c sacerdotisas realizado orações por ocasião do p r i m e i r o sacrifício, depois no s e g u n d o e a t é n u m terceiro sacrifício, q u e m q u e r q u e c o m p r a s s e o u

• • KÂ.r|poç significa lauto gcnciiicniBCnlc qunPqiie/i objeto (jiic cc i«n (iojo (Una o coflfc (c himhíw oq«iPo que ce nbíéis: t»tediot# n antcio) quente Polo, píaçõo. posto («rindo, (naonço c ocpoeifíeomonte. o fole. é. imn quf ma cimhfhiklo ao<: mêmmpm uni teia (n.t.)

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Livro V
v e n d e s s e a h a b i t a ç ã o ou terreno) a t r i b u í d o s p e l a sorte sofreria as p e n a l i d a d e s p r o p o r c i o n a i s a esses delitos. O s oficiais i n s c r e v e r ã o s o b r e t a b u i n h a s d e cipreste registros escritos p a r a referência futura, e os d e p o s i t a r ã o n o s santuários; a d e m a i s , colocarão a responsabilidade de aplicar essas detenções n a s m ã o s d a q u e l e magistrad o q u e for c o n s i d e r a d o d e v i s ã o m a i s a g u d a , a f i m d e q u e t o d a s a s t r a n s g r e s s õ e s d e s s a s r e g r a s p o s s a m ser p e r c e b i d a s p o r ele, e p o s s a ser p u n i d o t o d o a q u e l e q u e d e s a c a t a t a n t o a lei q u a n t o o d e u s . Q u ã o g r a n d i o s a m e n t e benéfica essa prescrição agora descrita - q u a n d o a o r g a n i z a ç ã o a p r o p r i a d a a a c o m p a n h a - se r e v e l a a todos os E s t a d o s q u e a a c a t a m é algo q u e , c o m o diz o velho provérbio, n e n h u m daqueles q u e são m a u s saberá, m a s s o m e n t e a q u e l e q u e se tornou experiente e hab i t u a d o à prática da virtude pois na organização descrita inexiste o excesso de [formas dej g a n h a r d i n h e i r o , envolvendo a condição de n e n h u m a facilidade dever ou p o d e r ser d a d a a q u e m q u e r q u e seja p a r a fazer d i n h e i ro p o r meio de q u a l q u e r comércio indigno de um hom e m livre - n a m e d i d a e m q u e o q u e c h a m a m o s d e ocupações desprezíveis de indivíduos vulgares pervertem o c a r á t e r d o h o m e m livre - e d e , i n c l u s i v e , n i n g u é m r e i vindicar jamais o a m e a l h a m e n t o de riquezas oriundas d e u m a t a l fonte. A l é m d i s s o , s o m a n d o - s e a t u d o isso s e g u e - s e a i n d a u m a lei q u e p r o í b e a t o d o c i d a d ã o a p o s s e p a r t i c u l a r de o u r o e p r a t a , à exceção de m o e d a s p a r a as p e r r n u t a s diárias, o q u e é p r a t i c a m e n t e indispensável a o s a r t e s ã o s e a t o d o s a q u e l e s q u e p r e c i s a m d e s s a s coisas p a r a p a g a r o s m e r c e n á r i o s , escravos o u i m i g r a n tes. Por essas razões a f i r m a m o s q u e nosso povo deveria p o s s u i r m o e d a c u n h a d a c o m valor c i r c u l a n t e legal entre s e u s i n t e g r a n t e s , m a s som valor a l h u r e s . Relativam e n t e à m o e d a c o m u m a toda a G r é c i a - em f u n ç ã o d a s expedições e visitas estrangeiras, b e m como de embaix a d a s o u t p t a i s q u e r o u t r a s missões n e c e s s á r i a s a o Estado, se houver necessidade de enviar alguém ao estrangeiro - p a r a situações desse n a i p e será preciso q u e o E s t a d o s e m p r e c o n t e c o m m o e d a g r e g a . S e u m cidadão» na s u a condição p a r t i c u l a r se vir a l g u m dia forçado a v i a j a r p a r a o e x t e r i o r , p o d e r á fazê-lo d e p o i s d c s o l i c i t a r licença aos magistrado» e, na hipótese de retornar com

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q u a l q u e r excedente em d i n h e i r o estrangeiro, deverá entregado ao Estado, t o m a n d o em seu lugar um equival e n t e e m m o e d a n a c i o n a l ; e s e a l g u é m for e n c o n t r a d o c o n s e r v a n d o - o p a r a si, tal d i n h e i r o s e r á c o n f i s c a d o , e tanto aquele q u e disso estava inteirado e n ã o o d e n u n ciou q u a n t o o p o r t a d o r e s t a r ã o sujeitos à m a l d i ç ã o e i n f â m i a e , a l é m d i s s o , a u m a m u l t a n ã o i n f e r i o r a o din h e i r o estrangeiro m a n t i d o p a r t i c u l a r m e n t e . Por ocas i ã o d e c a s a m e n t o o u q u a n d o d c d á u m a f i l h a p a r a cas a m e n t o n e n h u m d o t e , d e valor a l g u m , s e r á d a d o e recebido. N i n g u é m depositará dinheiro em benefício de alguém em q u e m n ã o confie, n e m fará e m p r é s t i m o a juros, visto que, é permissível ao e m p r e s t a d o r recusarse i n t e i r a m e n t e a p a g a r s e j a o j u r o s e j a o c a p i t a l . A excelência dessas regras a serem observadas como prática no Estado p o d e ser percebida se as e n c a r a r m o s do prisma de sua intenção primária. A intenção do h o m e m de Estado judicioso, nós o asseveramos, n ã o coincide em a b s o l u t o c o m a i n t e n ç ã o q u e a m a i o r i a a t r i b u i r i a a ele, q u e d i r i a q u e o b o m legislador d e v e r i a desejar q u e o Estado, p a r a o qual está legislando benevolentement e , fosse, o m a i o r e o m a i s r i c o p o s s í v e l , d e t e n t o r d e o u r o e p r a t a e d o m i n a d o r do m a i o r n ú m e r o de povos possível s o b r e a t e r r a e o m a r ; e a c r e s c e r i a m q u e e l e d e v e r i a d e s e j a r q u e o E s t a d o f o s s e o m e l h o r e m a i s feliz p o s s í vel, s e n d o u m v e r d a d e i r o legislador. E n t r e estes objetos de desejo a l g u n s são exeqüíveis, o u t r o s n ã o ; a q u i l o cuja c o n c r e t i z a ç ã o é possível c o n s t i t u i r á o desejo do o r g a n i z a d o r do E s t a d o ; q u a n t o ao impossível ele n ã o o desej a r á e m v ã o e t a m p o u c o o t e n t a r á . Q u e o E s t a d o seja c o n j u n t a m e n t e feliz e b o m é s i m p l e s m e n t e u m a n e c e s * íífrh.W! <":(« uilfilPflÇW: MWSÉtfO MbR 9» / ( " % ( a j o a t u x o v ) <: ws hmu P u y a Q o ç ) wiiraiPlm A
1

s i d a d e , * d e m o d o q u e ele p r e t e n d e r á q u e a s pessoas s e j a m t a n t o b o a s q u a n t o felizes; n o e n t a n t o , é impossível q u e s e j a m s i m u l t a n e a m e n t e t a n t o b o a s q u a n t o m u i t o ricas, ao m e n o s c o m o a q u e l e s q u e a m u l t i d ã o tem na conta de ricos pois esta considera c o m o ricos aqueles, bastante raros, q u e possuem bens avaliados n u m a enor m e cifra d e d i n h e i r o , o q u e m e s m o u m h o m e m pervers o p o d e r i a p o s s u i r . E visto q u e a s s i m é , e u j a m a i s conc o r d a r i a c o m o p o n t o de vista de q u e o h o m e m rico é r e a l m e n t e feliz n ã o s e n d o t a m b é m b o m ; p o r o u t r o l a d o . s e u n i h o m e m for s u m a m e n t e b o m , s e r á i m p o s s í v e l q u e

indjf.íêiicifi d -Qrpiihden e o
9Ma (fi.f.)

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Livro V
seja t a m b é m s u m a m e n t e rico. " P o r q u e ? poder-se-ia

indagar. Porque, responderíamos, o lucro q u e se extrai do q u e é justo s o m a d o ao injusto é m a i s q u e o d o b r o do q u e o q u e se extrai s o m e n t e do justo, e n q u a n t o a despesa daqueles q u e se recusam a gastar honesta ou deso n e s t a m e n t e corresponde a somente a m e t a d e da despesa daqueles q u e são honestos e apreciam gastar honestamente; por conseguinte, a riqueza daqueles que dob r a m s e u s l u c r o s e r e d u z e m à m e t a d e s e u s g a s t o s jamais será s u p e r a d a pela riqueza daqueles q u e proced e m nesses dois aspectos precisamente de m o d o oposto. O r a , d e s t e s d o i s t i p o s de i n d i v í d u o s , um é b o m e o o u t r o n ã o é m a u e n q u a n t o for p a r c i m o n i o s o , p o r é m i n t e i r a m e n t e m a u q u a n d o n ã o o for, e , c o m o d i s s e m o s , e m m o m e n t o algum, b o m , pois e n q u a n t o u m h o m e m , pelo fato de ter lucro tanto justa q u a n t o i n j u s t a m e n t e e n ã o g a s t a r n e m justa n e m i n j u s t a m e n t e , é rico (e o hom e m i n t e i r a m e n t e m a u , p o r ser via d e regra d e b o c h a do, é m u i t o pobre), o outro, q u e gasta em belos objetos e s ó o b t é m g a n h o s p o r m e i o s j u s t o s p r o v a v e l m e n t e jam a i s s e t o r n a r á e x t r e m a m e n t e rico o u e x t r e m a m e n t e p o b r e . • * T u d o i s t o c o m p r o v a a v e r a c i d a d e d o q u e afirm a m o s , ou seja, q u e os m u i t o ricos n ã o são b o n s e n ã o s e n d o b o n s t a m p o u c o s ã o felizes. * • • B e m , o p r o p ó s i t o f u n d a m e n t a l d e n o s s a s leis e r a este: q u e o s c i d a d ã o s fossem o m a i s felizes possível e u n i d o s r u i m ú t u a a m i zade no mais alto g r a u . • • • • Ora, jamais serão amigos se h o u v e r entre eles m u i t o s atos ilegais e processos c o m m u i t a freqüência em lugar destes ocorrerem escassa e raramente. Afirmamos q u e é imperioso não haver no Estado nem ouro nem prata, e nem tampouco muitas f o r m a s d e g a n h a r d i n h e i r o m e d i a n t e o c o m é r c i o vulgar, a u s u r a e a c r i a ç ã o v e r g o n h o s a de a n i m a i s , • • • • • m a s a p e n a s a q u e l e lucro possibilitado e produzido pela a g r i c u l t u r a e a i n d a n a m e d i d a e m q u e tal a t i v i d a d e q u e t e m c o m o o b j e t i v o o g a n h o d c d i n h e i r o n ã o leve a s p e s soas a negligenciar os objetos p a r a os q u a i s o d i n h e i r o e x i s t e , » * • • • • q u e s ã o a a l m a e o c o r p o , os q u a i s s e m a ginástica e os outros r a m o s da e d u c a ç ã o n u n c a se c o n v e r t e r i a m em coisa de valor, pelo q u e asseveram o s (e isto n ã o só u m a vez) q u e a b u s c a do d i n h e i r o está em último lugar no recebimento de nossas honras. •• 'TViíeec tmpfceita o »cp,MWoçòn fie. •Wafõe à wiiMíjo <! no m opoeln, o pMidigoífdode. (n.t.) •••OonsidcM» o segundo noto ne.tmo. (n.t.) • • • * -_,\ «''peito <fo Oiiin* scneuof c o amtpA (i-."ptt>ç
e §l~Ma) eoneuPfe-se o

'-'fímiqt/flfce o 'í7/>dw. ín.f.j ••••• f \ i seja, o cuiai/in fie animais coetmdos po.in engeado e vendo, (n.t.) ****** 'Poso 'Platão não só o dinneííiO C um wrtf> e não mu /iiu somo 0': jinc (undomeulois a que doe ecui.* não <:ão erfe,>iio»es ao indii-íriao íuimono (fiens maío^iais e pooooo). mm tím o /itópiíe índiiíduo úumano, on seja. a oPtuo e ri eospo que o eonelileein. («.!.)

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De todos os três objetos q u e interessam a todo indivíd u o h u m a n o , o interesse pelo dinheiro, se corretamente d i r e c i o n a d o , é o t e r c e i r o e ú l t i m o , o i n t e r e s s e p e l o corpo vindo em segundo, e aquele pela a l m a sendo o p r i m e i r o . P o r c o n s e g u i n t e , a f o r m a d e g o v e r n o q u e est a m o s d e s c r e v e n d o t e r á s u a s leis c o r r e t a m e n t e f o r m u ladas se prescrever as h o n r a s nessa ordem; porém, se q u a l q u e r u m a d a s leis n e l a p r o m u l g a d a s a p r e s e n t a r eonspieuamente a saúde como detentora de maior honra no Estado do q u e a temperança, ou a riqueza detentora de m a i o r h o n r a do q u e a s a ú d e e a t e m p e r a n ç a teremos claramente urna promulgação errada. Assim, o legislador terá q u e se interrogar c o m freqüência nestes termos: "O q u e eu p r e t e n d o ? " e " E s t o u c o n s e g u i n d o isto ou n ã o estou a t i n g i n d o a m e t a ? " Desta m a n e i r a ele p o d e r i a , talvez, d a r c a b o dc s u a o b r a de legislação e p o u p a r aos outros essa dificuldade, m a s d e n e n h u m a o u t r a m a n e i r a p o d e r i a fazê-lo. 0 h o m e m q u e r e c e b e u uni l o t e o c o n s e r v a r á , c o m o o d i s s e m o s , n o s t e r m o s i n d i c a d o s . T e r i a sido r e a l m e n t e e s p l ê n d i d o se c a d a pessoa, ao i n g r e s s a r na c o l ô n i a , o fizesse p o s s u i n d o os m e s m o s b e n s , m a s visto s e r isso impossível, c h e g a n d o u m a com mais dinheiro do q u e a outra, é necessário p o r m u i t o s motivos e c o m o objetivo de igualar as chances n a v i d a p ú b l i c a q u e s e j a m feitas a v a l i a ç õ e s d e s i g u a i s p a r a q u e cargos e c o n t r i b u i ç õ e s p o s s a m ser i n d i c a d o s em conformidade com a avaliação a p u r a d a em cada caso, n ã o a p e n a s segundo a excelência m o r a l dos ancestrais de um h o m e m ou dele m e s m o , s u a força e belez a físicas, m a s t a m b é m s e g u n d o s u a r i q u e z a o u p o b r e za d e m o d o q u e p o r u m a r e g r a de. d e s i g u a l d a d e p r o p o r c i o n a l • p o s s a m receber cargos e h o n r a s o m a i s igualtifi Ofqnônr.tfi fsfo

m e n t e possível, p o d e n d o - s e e l i m i n a r q u a l q u e r conflito. D i a n t e dessas razões é preciso q u e c r i e m o s q u a t r o classes c o n f o r m e o g r a u da extensão d o s b e n s , d e n o m i n a n do-as primeira, segunda, terceira e q u a r t a (podendo d e n o m i n á - l a s d i f e r e n t e m e n t e ) seja q u a n d o o s i n d i v í d u o s p e r m a n e c e m n a m e s m a c l a s s e seja q u a n d o , a t r a v é s d e u m a m u d a n ç a da pobreza para a riqueza ou desta para a q u e l a , p a s s a m pela classe à q u a l pertencem. O tipo d e lei q u e e u p r o m u l g a r i a c m c o n s e q ü ê n c i a d i r e t a d e s tas considerações seria o seguinte: é, c o m o a f i r m a m o s ,

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necessário a um Estado q u e pretende evitar a maior das pragas, q u e seria melhor c h a m a r de r u p t u r a do q u e d e cisão, q u e n e n h u m d e seus c i d a d ã o s esteja n a condição de penúria ou naquela da riqueza, já q u e u m a ou o u t r a g e r a m a q u e l e mal. Conclui-se q u e o legislador t e m agora q u e declarar u m limite p a r a a m b a s essas condições. O limite p a r a a p o b r e z a d e v e r á ser o valor do lote, o q u a l p e r m a n e c e r á fixo e n e n h u m m a g i s t r a d o ( c o m o tampouco n e n h u m outro cidadão que aspira à virtude) p e r m i t i r á q u e seja d i m i n u í d o . E t e n d o d e f i n i d o este c o m o o valor inferior, o legislador p e r m i t i r á q u e se poss u a d u a s , três o u q u a t r o vezes esse valor. N a hipótese d e a l g u é m a d q u i r i r m a i s d o q u e isso - m e d i a n t e u m a descoberta, dádiva recebida, bons negócios ou g a n h a n do por meio de algum outro golpe de sorte u m a s o m a q u e exceda a d e v i d a m e d i d a - se d o a r o excedente ao E s t a d o e aos d e u s e s q u e z e l a m pelo E s t a d o , será alvo de b o a e s t i m a e e s t a r á isento de p u n i ç ã o ; se, e n t r e t a n to, a l g u é m d e s a c a t a r e s t a lei, poder-se-á l i v r e m e n t e d e n u n c i á - l o e receber, p o r isso, a m e t a d e do excedente, além do que o culpado pagará u m a multa no mesmo índice sobre seus bens legítimos, sendo q u e a outra m e t a d e do excedente caberá aos deuses. A totalidade da propriedade adquirida de todo indivíduo acima de s e u l o t e s e r á d i v u l g a d a p u b l i c a m e n t e p o r e s c r i t o e ficar á s o b a g u a r d a d e m a g i s t r a d o s d e s i g n a d o s p e l a lei, d e sorte q u e os direitos legais p e r t i n e n t e s a t o d o s os assunt o s r e l a t i v o s à p r o p r i e d a d e p o s s a m s e r d e fácil d e l i b e r a ç ã o e p e r f e i t a m e n t e claros. A seguir, o f u n d a d o r deverá i n s t a l a r a c i d a d e o m a i s p r ó x i m o possível do c e n t r o d o país, e s c o l h e n d o u m lugar q u e possui todas a s out r a s c o n v e n i ê n c i a s q u e u m a c i d a d e exige e cuja c o n c e p ç ã o e especificação são s u f i c i e n t e m e n t e fáceis. D e p o i s disso, ele p r e c i s a r á dividir o território em doze p a r t e s , começando por separar u m a gleba sagrada para Hés tia, Z e u s e Atena, à q u a l d a r á o n o m e dc Acrópole e q u e envolverá com um m u r o circular; p a r t i n d o disto lhe competirá dividir tanto a própria cidade q u a n t o a região inteira em doze partes, as q u a i s serão igualadas reser vando-se m e n o s terra à porção q u e dispuser de terra boa e mais terra à parte que possuir terra precária. 5.040 l < >tes s e r ã o d e l i m i t a d o s , m a s c a d a u m s e r á d i v i d i d o e m d o i s

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e se a c o p l a r á d u a s frações, de m a n e i r a q u e c a d a lote tenha u m a parte aproximada c u m a outra afastada do centro: u m a parte contígua à cidade constituirá um ú n i c o lote c o m u m a o u t r a s i t u a d a à fronteira, a segund a p a r t i n d o d a c i d a d e c o m a s e g u n d a p a r t i n d o d a s fronteiras, e assim p o r diante. E ao lidar c o m estas porções s e p a r a d a s dever-se-á utilizar o e x p e d i e n t e q u e m e n c i o n a m o s há pouco a respeito da terra precária e terra b o a e a s s e g u r a r a i g u a l d a d e t o r n a n d o as p o r ç õ e s designadas de maior ou m e n o r t a m a n h o . E o fundador deverá distribuir t a m b é m os cidadãos em doze partes, tornando t o d a s as d o z e p a r t e s o m a i s iguais possível relativam e n t e ao valor do resto de s u a p r o p r i e d a d e , a p ó s ter feito u m c e n s o d e t o d o s . A p ó s isso, dever-se-á t a m b é m "... S m S k k o i Oeotç.... là icjfíwiniü. é. |i,W8i!mi*Jm<irfp. oos doge deuses oiíinfilons (seis deuses e . seis densos), a sobe»,
c

d e s i g n a r d o z e lotes p a r a os d o z e d e u s e s , * a l é m de nom e a r e c o n s a g r a r a p o r ç ã o a t r i b u í d a a cada. d e u s , d a n d o - l h e o n o m e de tribo. E na s e q ü ê n c i a s e r á i m p e r i o s o V
v e r m

d i v i d a m as doze partes da c i d a d e da m e s m a m a m a r

n e i r a q u e d i v i d i r a m o resto do p a í s ; e c a d a c i d a d ã o de^
t o

PosM(ÍMt, lAffS, Wmm

c o m o seu q u i n h ã o d u a s m o r a d a s , u m a pró-

fík/âíe/fíg, ; Âpúft). 'xUfstia, itími, <DmSa. uíiltmís, •jifàfidiln c jffma. (n.t)

x i m a do c e n t r o do p a í s e a o u t r a p r ó x i m a d o s a r r a b a l d e » - E a s s i m a f u n d a ç ã o e s t a r á c o m p l e t a . M a s t e m o s de l o d o m o d o q u e o b s e r v a r isto, ou seja, q u e t o d a s as disp o s i ç õ e s q u e f o r a m a g o r a d e s c r i t a s p r o v a v e l m e n t e jam a i s e n c o n t r a r ã o tais condições favoráveis d e m a n e i r a a t o d o o p r o g r a m a p o d e r s e r i m p l a n t a d o de, a c o r d o c o m o plano, o q u e requereria q u e todos os cidadãos n ã o a p r e s e n t a s s e m objeções a um tal m o d o de vida conjunta e t o l e r a s s e m e s t a r restritos a vida i n t e i r a a q u a n t i d a d e s f i x a s c l i m i t a d a s d e b e n s e a o t i p o d e e s t r u t u r a familiar q u e m e n c i o n a m o s , e a e s t a r p r i v a d o s de o u r o e d a s outras coisas em relação às q u a i s o legislador está claramente obrigado por nossas regras a proibir, tendo t a m b é m (os c i d a d ã o s ) q u e s e s u b m e t e r e m a o s a r r a n j o s q u e o l e g i s l a d o r d e t e r m i n o u p a r a o t e r r i t ó r i o t o d o c inclusive a cidade, c o m as m o r a d i a s i n s t a l a d a s no centro e em círculo - q u a s e c o m o se ele estivesse c o n t a n d o m e r a m e n t e sonheis o u m o d e l a n d o , p o r a s s i m dizer, uma. c i d a d e e c i d a d ã o s c o m cera. E s s a s c r í t i c a s n ã o s ã o int e i r a m e n t e i m p r o c e d e n t e s e o legislador deverá reconsider a r o s p o n t o s q u e s e s e g u e m . Assim o l e g i s l a d o r n o s f a l a novamente neste termos: "Não pensais, meus amigos, q u e

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Livro V
neste m e u discurso deixei de n o t a r a v e r d a d e do q u e é a g o r a d e s t a c a d o nessa crítica, m a s ao se o c u p a r c o m todos os e s q u e m a s visando ao futuro, o melhor plano, a c h o , é este: q u e q u e m p r o p õ e o m o d e l o s e g u n d o o q u a l o e m p r e e n d i m e n t o deve ser m o l d a d o n ã o o m i t a q u a l q u e r detalhe do mais belo e do mais verdadeiro, m a s o n d e q u a l q u e r u m d e l e s for irrealízável esse d e t a l h e particular deverá ser omitido e deixado sem execução; entretanto, o proponente do modelo se e m p e n h a r á em executar, por outro lado, todos os demais detalhes com a m a i o r p r o x i m i d a d e possível do m o d e l o perfeito. E deveria permitir ao legislador expressar seu ideal complet a m e n t e , e feito i s t o s e l i m i t a r i a a e x a m i n a r e m c o n j u n to c o m ele o q u e é e x p e d i e n t e no p l a n o t r a ç a d o e o q u e e q u a n t o na legislação é i m p r a t i c á v e l . Pois o a r t e s ã o até m e s m o do m a i s trivial objeto, se quiser ter qualquer mérito, tem q u e produzi-lo em todos os pontos coerente consigo mesmo.'' Assim, nos c o m p e t e agora o esforço p a r a d i s c e r n i r - a p ó s l e r m o s d e c i d i d o s o b r e nossa divisão em doze partes - de q u e forma as subdivisões q u e se s e g u e m a essas e q u e são seu p r o d u t o , até o núm e r o derradeiro 5.040 (e d e t e r m i n a n t e s , c o m o o são, d a s fratrias, d e m o s e povoados, b e m como das milícias e pelotões, e t a m b é m do sistema de e u n h a g e m , dos pesos e m e d i d a s p a r a os l í q u i d o s e os sólidos), todas essas n u m e r a ç õ e s s e r ã o f i x a d a s p e l a lei de sorte a serem da g r a n d e z a c o r r e t a e c o e r e n t e s e n t r e si. A d e m a i s , e l e n ã o deve hesitar, t o m a d o pelo receio de ser responsabilizad o p e l o que, p a r e c e r i a ser reles d e t a l h a m e n t o , e m prescrever q u e de todos os utensílios q u e os cidadãos estão a u t o r i z a d o s a possuir, n e n h u m p o d e r á ser de t a m a n h o indevido.»'Terá q u e reconhecer como regra universal q u e as divisões e variações dos n ú m e r o s são aplicáveis a todos os propósitos - t a n t o às s u a s p r ó p r i a s variações aritméticas q u a n t o às variações geométricas d a s superfícies e s ó l i d o s , e t a m b é m à q u e l a s d o s s o n s e d o s m o v i m e n t o s , seja e m l i n h a r e t a a s c e n d e n t e e d e s c e n d e n t e m e n t e ou circula r m e n te. •" • O l e g i s l a d o r d e v e r á t e r t u d o isso em vista c p r e s c r e v e r a t o d o s os c i d a d ã o s (pie se a t e n h a m f i r m e m e n t e , n a m e d i d a d o p o s s í v e l , a e s s e sistema n u m é r i c o organizado, pois no q u e se relaciona à vida familiar, à vida p o l í t i c a • • • • e às artes, n e n h u m
KCU • * * fXt. m outüos [mfowis, as tes do asitmétioo (o oirârnia dos númcüos) se apíiisom também tonto ò rjrompl.üo pÇano e o dos sólidos quarto à acústica (ciência dos sons) c à citiêlifia (ciência do wowiiwiifoj. oiKOvouiav ItpOÇ a (n.t.) • • pf'ntõo SP. pwjonupo
c

fiPfMniiifitlfi som o podiTOlii^OPÕO oro (Vurjn cscofti, um dos sim quo um do fistado comunista.

TOÀueiav.,..

administração do j a m í í W saso (OUCOQ « dos assuntos da sidade./fislado ( n o ^ t ç ) . (»•(.)

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Platão - As Leis
r a m o isolado da educação detém u m a influência tão g r a n d e q u a n t o o estudo dos n ú m e r o s . O p r i n c i p a l benefício q u e p r o p o r c i o n a é d e s p e r t a r o indivíduo q u e é p o r n a t u r e z a i n d o l e n t e e de m e n t e p r e g u i ç o s a , torn a n d o - o ágil p a r a o a p r e n d i z a d o , d e t e n t o r de b o a memória e sagaz, progredindo além de sua capacidade © u B6jo, o s matemáticas. (n.t.) n a t u r a l p e l a a r t e d i v i n a . • T o d o s esses t e m a s da e d u c a ç ã o se revelarão b o n s e a d e q u a d o s d e s d e q u e se elimine a mesquinhez e a avareza p o r m e i o de out r a s leis e i n s t i t u i ç õ e s d a s a l m a s d a q u e l e s a o s q u a i s cabe adquiri-los convenientemente e deles tirar proveito; caso c o n t r á r i o , a c a b a r e i s p o r p e r c e b e r q u e se produziu um espertalhão em lugar de um sábio. E x e m p l o s d i s t o p o d e m o s o b s e r v a r a t u a l m e n t e n o efeito p r o d u z i d o em egípcios e fenícios e o u t r o s povos pela m e s q u i n h e z v i n c u l a d a à p r o p r i e d a d e e suas instituições - seja em f u n ç ã o de t e r e m c o n t a d o c o m um m a u legislador, ou que alguma fortuna adversa os tenha atingido ou t a m b é m , possivelmente, devido a a l g u m a d e s v a n t a g e m n a t u r a l . Pois isto i g u a l m e n t e , Megilo e Clínias, constitui um p o n t o que não podem o s d e i x a r d e n o t a r , o u seja, q u e a l g u n s locais são n a t u r a l m e n t e superiores a outros p a r a gerarem indivíduos h u m a n o s de u m a índole boa ou má, diferença natural contra a q u a l nossa legislação n ã o p o d e se chocar. Alguns locais são desfavoráveis ou favoráveis em função de ventos de diversos tipos ou o n d a s de calor p r o d u z i d a s pelos raios solares, outros devido às suas águas, outros por causa simplesmente dos p r o d u t o s do solo, o q u e significa b o a ou má n u t r i ç ã o p a r a os corpos, sendo i g u a l m e n t e capazes de provoc a r r e s u l t a d o s s i m i l a r e s t a m b é m n a s a l m a s . E n t r e todos estes, seriam s u m a m e n t e m e l h o r e s os locais q u e se destacassem pela presença de um sopro divino e onde as porções de terra estivessem sob o c u i d a d o de dáimons, os quais acolheriam favorável ou desfavor a v e l m e n t e os c o l o n o s q u e dc t e m p o s a t e m p o s viessem se instalar ali. O legislador judicioso e x a m i n a r á esses locais na m e d i d a em q u e o e x a m e de tais m a t é r i a s seja possível p a r a u m m e r o s e r h u m a n o e t e n t a r á a j u s t a r s u a s l e i s a i s s o . E t u t a m b é m , Clínias, t e n s que adotar o mesmo procedimento. Na tua proposta

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de colonizar o território, deves, em primeiro lugar, d a r a t e n ç ã o a esse aspecto. Clínias: D i s s e s t e - o b e m , e s t r a n g e i r o , e d e v o f a z e r c o m o aconselhaste.

Platão - As Leis
AXXa iir\v \iExa y e j i a v x a Ta v u v a p r | U £ v a

c r x E S o v a v a p ^ c o v e i e v c t o i K a T a O T a c r e i ç xr\ KOXU.

Livro VI

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O ateniense: B e m , d e p o i s d e t u d o q u e foi d i t o , s u p o n h o q u e a próxima tarefa será a p o n t a r os magistrados p a r a o teu Estado. Clínias: Assim é.

0 ateniense: N o q u e s e r e f e r e a i s s o h á d o i s e s t á g i o s n a organização fixação do do Estado: primeiro a definição das magistraturas e a designação dos magistrados, com a n ú m e r o correto necessário e o método c o r r e t o d e d e s i g n a ç ã o ; segundo a a t r i b u i ç ã o d a s l e i s (considerando a n a t u r e z a e q u a n t i d a d e destas) a cada magistratura de maneira apropriada. Mas antes de p r o c e d e r m o s à nossa seleção, v a m o s nos deter por um m o m e n t o e fazer u m a o b s e r v a ç ã o q u e v e m a c a l h a r a esse propósito. Clínias: Que observação? fato c l a r o p a r a t o d o s incapazes para se

0 ateniense: a

E o s e g u i n t e : é um de magistrados

q u e , s e n d o a tarefa da legislação u m a o b r a g r a n d i o s a , indicação e n c a r r e g a r e m d e leis b e m c o n s t i t u í d a s e m E s t a d o s b o m e q u i p a d o s n ã o a p e n a s d e s p o j a r á e s s a s leis d e t o d o o seu mérito e as tornará ridículas, como t a m b é m , provavelmente, se revelará u m a fonte fertilíssima de d a n o e perigo em tais Estados. Clínias: Indubitavelmente.

0 ateniense: V a m o s , e n t ã o , m e u a m i g o , t e r i s s o c m m e n te incisivamente ao nos ocuparmos agora de t u a cons t i t u i ç ã o c de teu E s t a d o . P e r c e b e s q u e é n e c e s s á r i o , em p r i m e i r o lugar, q u e p a r a ter legítimo acesso aos cargos oficiais os c a n d i d a t o s d e v e r ã o em todos os casos s e r c o m p l e t a m e n t e t e s t a d o s - t a n t o e l e s c o m o s u a s famílias - d e s d e sua infância até a d a t a dc s u a eleição; em s e g u n d o lugar, q u e seus eleitores t e n h a m sido educ a d o s s e g u n d o o a c a t o à lei, e d e v i d a m e n t e t r e i n a d o s p a r a s e i n c u m b i r e m a c e r t a d a m e n t e d a tarefa d e aceitar ou rejeitar os candidateis q u e merecem sua aprovação ou reprovação. E, c o n t u d o , no tocante a este ponto, será q u e p o d e m o s s u p o r q u e p e s s o a s q u e tão recent e m e n t e p a s s a r a m a viver j u n t a s , q u e n ã o se c o n h e c e m m u t u a m e n t e e q u e n ã o d i s p õ e m d e n e n h u m treinamento, seriam realmente capazes de escolher seus magistrados de urna maneira impecável?

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Clínias; I s s o é p r a t i c a m e n t e * f)« seja, uma ttf engajados num empmendimmtio, não Im coma itauiak. f)« ainda, como digem os otterfois, uma ie§ eanafyjudo um lig»e, não íá uorno desnoniá-üa «o ootmido(n.l.) • * áitenafcieiitc aK6f|iaÀOV (sem cabeça). Consulta» o Qóiiffios, o Witebo e o 0'ímeu. (n.t.) <.À noto nníejioíi offwioa esto. (n.t.) impossível.

O ateniense: E , n o e n t a n t o , c o m o d i z e m , " a c o n t e n d a n ã o a d m i t e q u a i s q u e r escusas". * E esta é a i n c u m b ê n c i a q u e c a b e a ti e a m i m , p o i s t u , c o m o disseste, te c o m p r o m e t e s t e c o m o s < reicu-.es a , j u n t a m e n t e c o m t e u s n o v e c o l e g a s , d e votar-te à f u n d a ç ã o de um E s t a d o , e eu, de m i n h a p a r t e , me comprometi a te ajudar no esboço q u e agora estamos fazendo. E realmente n ã o me sentiria b e m se deixasse nosso e s b o ç o inacabado • • p o i s e s t e p a r e c e r i a c o m p l e t a m e n t e a m o r f o se p e r a m b u l a s s e p o r aí n e s s a s i t u a ç ã o . • • • Clínias: Ê c o m e n t u s i a s m o q u e a p r o v o o q u e d i z e s , e s trangeiro. O ateniense: E n ã o m e l i m i t a r e i a d i z ê - l o mas, dentro

de m i n h a s forças, é efetivamente o q u e farei. Clínias; Perfeitamente, façamos como dizemos.

0 ateniense: A s s i m

s e r á f e i t o , se o deus o q u i s e r e se

conseguirmos até lá vencer nossa velhice. Clínias: É p r o v á v e l q u e e l e o q u e i r a . O ateniense: É p r o v á v e l , r e a l m e n t e e , c o n t a n d o c o m e l e c o m o g u i a , o b s e r v e m o s t a m b é m isto... Clínias: I s t o o q u e ? O ateniense; C o m q u e c o r a g e m e a u d á c i a n o s s o E s t a do, nessas circunstâncias, terá sido fundado? Clínias: O q u e t e n s a g o r a e m e s p e c i a l q u e f a z c o m q u e d i g a s tal c o i s a ? O ateniense; O f a t o d e e s t a r m o s l e g i s l a n d o p a r a h o m e n s i n e x p e r i e n t e s s e m r e c e a r s e a c e i t a r ã o a s leis a g o r a p r o m u l g a d a s . U m a c o i s a é , a o m e n o s , e v i d e n t e , Clínias, p a r a t o d o s - m e s m o p a r a a m e n t e m e n o s b r i l h a n t e - ou seja, q u e n ã o a c o l h e r ã o p r o n t a m e n t e n e n h u m a d e s s a s leis rio início; p o r é m , s e essas leis p u d e r e m ser p r e s e r v a d a s i n c ó l u m e s a t é q u e a q u e l e s q u e a s a s s i m i l a r a m n a infância e q u e foram e d u c a d o s s e g u n d o elas e se tornar a m p l e n a m e n t e h a b i t u a d o s a e l a s p a r t i c i p e m d a s elei ções às m a g i s t r a t u r a s em todas as p a r t e s do E s t a d o e n t ã o , q u a n d o isso tiver o c o r r i d o ( n a hipéitese d e s e enc o n t r a r a l g u m m e i o o u m é t o d o p a r a fazer c o m q u e ocorr a a c e r t a d a r o e n t e ) , t e r e m o s , a m e u v e r , u m a s ó l i d a certeza d e q u e a p ó s esse p e r í o d o d e t r a n s i ç ã o d e disciplin a d a aeloleseêueia, o E s t a d o se m a n t e r á firme. na c a b e ç a e o

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Clínias: É c e r t a m e n t e r a z o á v e l 8 u p ô - l o . 0 ateniense: P o r t a n t o c o n s i d e r e m o s se c o n s e g u i r í a m o s Clínias, q u e v ó s , h a b i t a n t e s d e C n o s s o s , s u p r i r u m m e i o a d e q u a d o a esse fim n a s e q ü ê n c i a , p o i s devo afirmar, a c i m a d e q u a i s q u e r o u t r o s c r e t e n s e s , n ã o a p e n a s deveis vos a b s t e r d e l i d a r d e u m a m a n e i r a p u r a m e n t e formal com o território q u e estais agora colonizando, c o m o deveis t a m b é m t o m a r o m á x i m o c u i d a d o p a r a q u e os p r i m e i r o s a o c u p a r e m os cargos oficiais sejam n o m e a d o s do m o d o m e l h o r e m a i s seguro possível. A seleção dos d e m a i s será u m a tarefa m e n o s séria, m a s é i m p e r i o s o q u e e s c o l h e i - vossos g u a r d i õ e s d a lei e m primeiro lugar mediante extremado cuidado, Clínias: Qual meio p o d e m o s e n c o n t r a r p a r a isso, ou

q u a l regra? 0 ateniense: E s t a , e u d e c l a r o , a v ó s f i l h o s d e ( ' r e l a : q u e visto q u e os c n o s s i a n o s t ê m p r e c e d ê n c i a s o b r e a m a i o ria d a s cidades cretenses, devem se associar àqueles q u e chegam p a r a essa f u n d a ç ã o a fim de selecionar t r i n t a e sete p e s s o a s d e n t r e eles m e s m o s e os recémc h e g a d o s (dezenove e n t r e estes colonos e os r e s t a n t e s da p r ó p r i a Cnossos), entregá-las a t u a c i d a d e e fazer de ti m e s m o , Clínias, u m c i d a d ã o d e s s a c o l c m i a , i n t e g r a n d o um d o s dezoito - u s a n d o p a r a isso a p e r s u a s ã o ou, possivelmente, um grau razoável de força. Clínias: E p o r q u e , e s t r a n g e i r o , t a m b é m t u e Megilo n ã o p o d e r i a m [se j u n t a r a n ó s s e t o r n a n d o m e m b r o s d o E s tado para] nos dar urna m ã o em nossa constituição? O ateniense: A t e n a s é o r g u l h o s a , Clínias, c o m o t a m b é m

Esparta é orgulhosa e ambas estão muito distantes, mas para ti tudo se adequa, bem como para os demais fundadores da colônia, aos quais se aplicam t a m b é m a s ú l t i m a s o b s e r v a ç õ e s q u e f i z e m o s s o b r e ti. V a m o s s u p o r , e n t ã o , que, esse seria o a r r a n j o m a i s e q u i l a t i v o sob as condições existentes no m o m e n t o . Posteriomente, no caso da p e r m a n ê n c i a da c o n s l i t u i ç ã o , a seleção dos m a g i s t r a d o s ocorrerá da seguinte forma: da sele ção irão participar todos aqueles q u e portam a r m a s como integrantes da cavalaria ou infantaria ou aqueles q u e s e r v i r a m n a g u e r r a s e s u a i d a d e e c a p a c i d a d e o p e r m i t i r e m ; eles r e a l i z a r ã o a eleição no s a n t u á r i o

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Platão - As Leis
q u e o E s t a d o c o n s i d e r a r á o m a i s s a g r a d o e c a d a u m levará ao altar do d e u s , escrito n u m a t a b u i n h a , o n o m e de seu c a n d i d a t o , incluindo o n o m e do pai deste, o de sua tribo e do d e m o a q u e p e r t e n c e e, além disso, incluirá seu p r ó p r i o n o m e d a m e s m a m a n e i r a . Q u a l q u e r eleitor terá a permissão de remover q u a l q u e r t a b u i n h a na q u a l lhe pareça estar impropriamente registrado um n o m e p a r a levá-la à p r a ç a p ú b l i c a d u r a n t e u m p e r í o d o n ã o inferior a t r i n t a dias. Q u a n t o às t a b u i n h a s q u e , a c o m e ç a r pelas primeiras até o n ú m e r o de trezentas, foram admitid a s como válidas, os magistrados as exibirão publicamente p a r a q u e t o d o o E s t a d o as veja e t o m e c o n h e c i m e n t o . Em seguida os cidadãos votarão novamente de m a n e i r a idêntica nos trezentos indicados de acordo com suas preferências. O s m a g i s t r a d o s , m a i s u m a vez, e x i b i r ã o public a m e n t e o s n o m e s d o s p r i m e i r o s i n d i c a d o s , d e s t a vez a t é o n ú m e r o d e c e m . P e l a terceira vez, c a d a u m d o s cidad ã o s eleitoivs facultativamente escolherá seu c a n d i d a t o e n t r e o s c e m p a s s a n d o , a o fazê-lo, e n t r e a s v í t i m a s s a c r i f i c a d a s ; • f i n a l m e n t e os trinta e, sete q u e t i v e r e m o b t i d o o * fisto terei:)» fatio tia efeçno ineitoia, a lílnfti de notificação ítcfigiosa, uma fonma de iiecnonmiteia (vEKUOUaVTEia), OU «mit erafameufe, umo v e i c u l a , socsífício dc, animais seguido da odiWiíiação pc* melo do «'orno de suas enFiiati&ns. (n.t.) •• (0 momo mcticiiCoso dc toda a i'ido do coiididfilo a finnfíJ de sua itijônoío, a ejue o ofe/itmsp ká pouco níudíu. m a i o r n ú m e r o de sufrágios s e r ã o s u b m e t i d o s ao teste» • e p r o c l a m a d o s m a g i s t r a d o s . M a s q u e m s ã o , CUnias e Megilo o s q u e e s t a b e l e c e r ã o e m n o s s o E s t a d o t o d a s e s s a s regras q u e d i z e m respeito a o s cargos e os testes d o s cand i d a t o s ? P e r c e b e m o s ( n ã o é m e s m o ? ) q u e p a r a os Estad o s q u e e s t ã o s e n d o e q u i p a d o s a s s i m p e l a p r i m e i r a vez d e v a m f o r ç o s a m e n t e h a v e r p e s s o a s p a r a a s s u m i r tais cargos, m a s q u e m p o s s a m ser essas pessoas é impossível discernir antes q u e existam os primeiros magistrados. De u r n a m a n e i r a ou o u t r a elas devem estar presentes, e além disso h o m e n s dc m o d o algum medíocres, m a s do maior m é r i t o p o s s í v e l ; p o i s , c o m o d i z o p r o v é r b i o , " u m b o m com e ç o já é a m e t a d e ela o p e r a ç ã o ' " , e t o d o s os b o n s c o m e ç o * a t r a e m a u n a n i m i d a d e d o s elogios; e m v e r d a d e , p e l o q u e me parece, aí reside mais do q u e a m e t a d e e um b o m c o m e ç o n u n c a r e c e b e u suficientes elogios. CUnias: Dizes a verdade. Que, portanto, sabiamente não deixemos

O ateniense:

e s t e p r i m e i r o p o n t o d e s a p e r c e b i d o , n e m t a m p o u c o falhem o s no sentido dc esclarecer a nós m e s m o s sobre o meio d e r e a l i z á - l o . D a m i n h a p a r t e , e s t o u a p e n a s s e g u r o a resp e i t o d i s t o q u a n t o a u m a o b s e r v a ç ã o q u e , e m v i s t a ela p r e s e n t e s i t u a ç ã o , é a um t e m p o n e c e s s á r i o e útil fazer.

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Livro VI
CUnias: E q u e o b s e r v a ç ã o é e s s a ? O ateniense; Ora, devo afirmar que o Estado para o

qual estamos p l a n e j a n d o a f u n d a ç ã o n ã o tem, por assim dizer, n e m pai nem m ã e exceto o E s t a d o q u e o está f u n d a n d o , e m b o r a e u esteja t o t a l m e n t e ciente d e q u e muitos dos Estados-colônias estiveram e estarão m a i s d e u m a vez e m conflito c o m o s E s t a d o s q u e o s f u n d a r a m . M a s agora, n a s i t u a ç ã o p r e s e n t e , tal c o m o u m a criança indefesa - a despeito da p r o b a b i l i d a d e de entrar em desentendimento com seus pais no futuro o Estado-eolônia a m a seus pais e é a m a d o por eles, e sempre apela p a r a a ajuda dos seus, encontrando neles e s o m e n t e neles seus aliados - de sorte q u e agora, c o m o assevero, essa r e l a ç ã o já 6 existente p a r a os cnossianos em relação ao jovem E s t a d o devido ao seu cuid a d o p o r ele e do jovem E s t a d o em r e l a ç ã o aos cnossiatios. E u a f i r m o m a i s u m a v e z c o n t o a f i r m e i b á p o u c o visto q u e n ã o h á n e n h u m m a l c m reiterar u m a boa afirmação - q u e os cnossianos têm q u e assumir u m a p a r c e l a d o c u i d a d o d e t o d a s essas m a t é r i a s , selecion a n d o n ã o m e n o s que cem dos novos colonos, os mais velhos e m e l h o r e s q u e sejam c a p a z e s de Selecionar, e q u e entre os próprios cnossianos haja u m a outra centena. Este corpo conjunto necessita, digo, dirigir-se e n t ã o ao novo E s t a d o e d i s p o r em c o m u m a c o r d o p a r a que os magistrados sejam designados em conformidade c o m as leis e t e s t a d o s a p ó s a d e s i g n a ç ã o . Isto feito, d e v e r ã o o s c n o s s i a n o s v o l t a r a v i v e r e m C n o s s o s , o jov e m E s t a d o d e v e n d o e m p r e e n d e r s e u s p r ó p r i o s esforços p a r a assegurar-se s e g u r a n ç a e sucesso. Q u a n t o aos q u e i n t e g r a m os t r i n t a e sete, t a n t o a g o r a q u a n t o no porvir q u e nós os elejamos pura as seguintes atribuições: e m p r i m e i r o lugar d e v e r ã o a t u a r c o m o g u a r d i õ e s d a s leis e em s e g u n d o l u g a r c o m o g u a r d i õ e s d o s d o c u m e n t o s o n d e c a d a u m d e v e r á fazer c o n s t a r p a r a o s m a gistrados o m o n t a n t e de seus bens, omitindo q u a t r o m i n a s se p e r t e n c e r a m a i o r d a s classes p r o p r i e t á r i a s , três m i n a s se p e r t e n c e r à s e g u n d a classe, d u a s se pert e n c e r à t e r c e i r a e u m a se p e r t e n c e r à q u a r t a classe. C a s o s e p r o v e q u e a l g u é m p o s s u i m a i s d o q u e o q u e foi registrado, todo o excedente será confiscado, além do q u e , tal p e s s o a ficará sujeita a ir a j u l g a m e n t o p e l a

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Platão - As Leis
* <_Alote-sc que quem psotno* o açõo juriicioP i u a etdodoo poíliciAit e. uno r o Estado, que se contento eoin o confisco. <Pxmmm que osso eidoeíõo podeiilo se.» níejué» que hm o/vot cm oPgumn tionsaçõn com fins fccnotiios ou cspeorfotiws (enioteido jwos). opejtaçno «bsoPuíomonle iníeidíta c ownüioeo «o fisfado concebido po»' PPrifno: «esta coso. opo»ei<to«ci*, o PgísPneõo do fislwío sofíoPista não psoiiê nnnfiumo ocusooôo (digotnos. de. mmpfíeidade ou eonumma) pmo o possíuif j>nnfidimdfí, n.slo que quoPquos eidodòo nPc.ni dcíe e mesmo iníciwmenlc ecfaanlo éi acumuPoeãn ifcgoP dc foièm do confiscado, podewn denunciou este úPtímo, atuando eomo um vigilante comum dos (eis do fistodo. (ni.J • • t pnPotto a ç ã o d e q u e m q u e r rpie deseje processá-la,' um

j u l g a m e n t o d e s o n r o s o e de má r e p u t a ç ã o se a pess o a for c o n d e n a d a p o r d e s a c a t o d a l e i c o m o b j e t i vo de lucro. Assim, q u e m desejá-lo o a c u s a r á de e x p l o r a ç ã o c o p r o c e s s a r á s e g u n d o a lei p e r a n t e os p r ó p r i o s g u a r d i õ e s d a s leis; e se o r é u for condenado não participará mais dos bens públicos e t o d a v e z q u e o E s t a d o fizer u m a d i s t r i b u i ç ã o ele n ã o receberá porção alguma, ficando reduzido ao s e u lote; a d e m a i s , ficará r e g i s t r a d o c o m o u m criminoso c o n d e n a d o n u m lugar no qual q u e m q u e r q u e seja p o d e r á l e r s u a s e n t e n ç a e n q u a n t o ele viver. O m a n d a t o d o g u a r d i ã o d a s leis n ã o d u r a r á m a i s d e vinte a n o s e s u a eleição só p o d e r á ocorrer após comp l e t a r c i n q ü e n t a a n o s . P o r o u t r o l a d o , s e for e l e i t o c o m sessenta a n o s d e i d a d e , seu m a n d a t o s e r á d e a p e n a s dez anos, e de acordo com a m e s m a regra, q u a n t o m a i s e x c e d e r a i d a d e m í n i m a p a r a ser eleit o , m e n o r s e r á s e u m a n d f i t o , d e m o d o q u e , s e sobreviver aos s e t e n t a a n o s , sua p r e t e n s ã o de perm a n e c e r j u n t o a esses m a g i s t r a d o s e n c a r r e g a d o s d e u m a r e s p o n s a b i l i d a d e d e tal m o n t a s e t o r n a r á incogitável. Assim sendo, no q u e se refere aos g u a r d i õ e s d a s leis, d e c l a r a m o s q u e essas três obrigações lhas são impostas e, à m e d i d a q u e progredirm o s c o m a s leis, c a d a n o v a lei i m p o r á a e s s e s homens quaisquer obrigações adicionais de q u e se deverão incumbir além dessas agora indicadas. E p a s s a r e m o s a descrever a seleção dos outros magistrados. Os cslrategos» * devem ser selecionados na s e q ü ê n c i a e c o m o seus s u b o r d i n a d o s p a r a fins m i l i t a r e s o s h i p a r c a s , * • • o s f i l a r c a s » * • * e o s ofi ciais-ordenadores d a s fileiras de infantaria recrutadas nas tribos, para os quais a designação de ta.T.iarc,as, • * • • • q u e é a l i á s o próprio) n o m e q u e m u i tos l h e s d ã o , s e r i a p a r t i c u l a r m e n t e a p r o p r i a d a . O s estrategos serão indicados cm primeira m ã o pelos g u a r d i õ e s d a s leis, senrjo t o m a d o s exclusivam e n t e de nosso E s t a d o ; e a p a r t i r d o s i n d i e a d o s a s e l e ç ã o d e v e r á s e r f e i t a p o r t o d o s epie e s t ã o s e r v i u d o o u s e r v i r a m n a g u e r r a , d e a c o r d o c o m sua variação de idades. E se houver alguém q u e julgue q u e

axpaxriYOç

Significo geneticamente ennandniite do ctótrilo, gemiali posem 'PPolãn uiifigo oqui o le»mo n m seniido um u fnnio moic específico ([uc, lodniin, nòo evepui o seniido gonótioo. mos sim o englobo ío,inando-o mais íeonico c cspeoioftgnfio. o sobci.
umo espécie de mimstw da gticuo r aa mesmo fpmftn dqje das foscas

atinadas. i_A(os pMweiftos tempos dc •jtfenns feiHom deg cslíolcgos, que esom epoilos nnuoPmenle euhc os eidorfõos atenienses, cindo um de eodn mm dos do.g txbos e assumindo o f-rmwndo dos ÍMpas aPioMiodomonfe pe.Pa o»dem dc insejíçSo. (.ilm tempos dc PPotno os e.stailogoe que efetivamente comandavam o e.véneifo eoi boíaPíio Mnm openos dois, o eomandonte
dos /o.tças de saiafem/a (o E J U
c

Tü)V 17I7IEOVJ c o comondanlc deis fa.ieeis de. in/aii/at/a (o OTI 234

Livro VI
TttlV O7tA,lT0Jv); 08 fJfWOiS MIO algum entre os q u e n ã o foram n o m e a d o s é melhor q u e u m d a q u e l e s q u e foi n o m e a d o , d e v e r á i n d i c a r o n o m e desse i n d i v í d u o de sua preferência e tamb é m o n o m e d a q u e l e q u e a c h a q u e deve ser substit u í d o , e f a z e n d o o j u r a m e n t o em r e l a ç ã o a isso p r o p o r á o substituto; e q u e aquele, entre os dois, q u e tiver o m a i o r n ú m e r o de votos ingresse no e l e n c o d o s elegíveis. E os três c a n d i d a t o s q u e o b t i v e r a m o m a i o r n ú m e r o d e votos p a r a servirem c o m o estrategos e comissários de assuntos bélicos serão subm e t i d o s a testes c o m o f o r a m o s g u a r d i õ e s d a s leis. Os estrategos eleitos n o m e a r ã o p a r a si os taxi arcas, doze p a r a cada tribo; e aqui, no caso dos taxiarcas, tal c o m o no caso dos estrategos, vigorará o direito de oontra-nomeaçãü (eontra-indicação) e um p r o c e d i m e n t o a n á l o g o de votação e teste. Antes da eleição dos prítanes • • • • • » e do conselho, • • • • • • • u m a assembléia será provisoriamente convocada pelos g u a r d i õ e s d a s leis no sítio m a i s s a g r a d o e m a i s espaçoso possível p a r a a í a c o m o d a r , d e u m lado, os hoplitas; do outro, os cavaleiros e, n u m a terceira posição, p r ó x i m a a estes últimos, t o d o s a q u e l e s q u e pertencem às tropas militares. Todos votarão p a r a os estrategos [e os hiparcas*-* ** ***J, todos que são portadores dc escudos p a r a os taxiareas; t o d o s o s c a v a l e i r o s e l e g e r ã o p a r a s i f i l a r c a s ; o s est r a t e g o s i n d i c a r ã o p a r a s i m e s m o s o s chefes d e inf a n t a r i a ligeira, os a r q u e i r o s ou q u a i s q u e r outros m e m b r o s do ção dos serviço bélico. que serão Só nos resta a indicameshiparcas, indicados pelas
, ,

deiriwoi» de ses mnqistados eneattegodos de amdtn liíft«is. Bin<! pewnoncoiont em -^Atenas, (n.t.) * * * l 7 r a a p % o ç . ooinonflonfí dos topos de, eamhm. (tü.) * • • • (fiu^apxoç, o sentido aqui «npüegado pos 'Watõo c de comandante de uni ceiiifia dc caieiibtia (mnceida/>n> ama tubo. (n.t.)

Ta^tapxoç,
eowondonlc, dr, um eo/ipo dc iiijantojio. (n.t.) • • • • • • 7tputavtç, genejicnmcnlc mestie. ek/jc ou mesma magistrado « f s n w . cAlos Tfcfio onpiíc.cjo aqui o paffluo no sentido eepeeí|icf) que tíic ma fltwlmíno m -feiios: MU dos defejodos (que ew -Jtomm
«K*I

cinqüenta) que e.vu» efeitos (odo ono pelas tubos (fm cAlcncis. dej) po.w /o/um» o eanseMo d/x quin/ientos (senado) e, o rrtesidi*. (n.t.) *•••••*[loi)A,T|, q« signi|i«i ftieiioPmente ar/mfo que se quet. ifiiitnde. drídicMeãn e. po» eriensõo conseWio delihmím; -PPotõo está pfns«do no riMiseffio deis qiuiiiai/as de uAtenos. P,stn ooopção de poii^-n eoweponde opson'motii'o»ente oo conceito de meiliu: (conseCíio dos icído j de 'Uonto. (u.l.j • • • • • • • • -Ho oqui diec»gênoia entac os íiePenístos q«c cstafecJcaewt o Wti qtego. T)e frito a ouséw-io desln pequeno fam »eí"ofieo oos f c p o i c o s [ K C U tTtwapxouç] rlitnina o eontwdiçõo do farto Moda oftfimfis Pintos a t e m (... Sôim iieiei a indicação dos /li/micas, „). (n.t.j * • • • • • • • • f ) u seja, os mogist.wdos que pnesidew a ossxiwljféio. (n.t.)
c

m a s p e s s o a s q u e i n d i c a r a m os e s t r a t e g o s , o sistema de eleição e a c o n t r a - i n d i c a ç ã o , s e n d o idênticos aos dos estrategos; a cavalaria votará p a r a si na presença e. sob o o l h a r dos m e m b r o s da infantar i a e os dois cavaleiros q u e o b t i v e r a m m a i s sufrág i o s s e r ã o o s c a p i t ã e s d e t o d o s o s m e m b r o s d a cavalaria. A votação estará sujeita à contestação apen a s p o r d u a s vezes; n o c a s o d e u m a t e r c e i r a contestação, a decisão final d e p e n d e r á d a q u e l e s a q u e m c o m p e t e ern c a d a o p o r t u n i d a d e c o n t a r o s sufrágios. • • • • • • • • • O conselho será constituído por trinta dúzias de m e m b r o s já que o n ú m e r o trezentos

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Platão - As Leis
' ' l e i em monte o c,ifj»a 5 0 4 0 . (n.l.)

e sessenta se e n q u a d r a b e m n a s suh-divisões; *

serão

d i v i d i d o s e m quatro» g r u p o s e e m c a d a u m a d a s q u a tro classes definidas de acordo c o m o volume de b e n s s e e l e g e r á n o v e n t a c o n s e l h e i r o s . E m p r i m e i r o lugar, todos os cidadãos serão obrigados a votar nos candidatos a c o n s e l h e i r o s provenientes da classe m a i s a l t a , c q u e m n ã o o fizer será p u n i d o m e d i a n t e m u l t a . F i n d a essa votação, os n o m e s dos eleitos serão registrados; n o d i a s e g u i n t e , votar-se-á n o s c a n d i d a t o s v i n d o s d a segunda classe segundo um procedimento similar ao

•*... Tcctvra avSpa...,
Iodos O ! homens, ou seja, lionietis odupíos. _A'Wne<ics, e.tíanças«eseíoeos, eiideiilemenle, tino |>oiífiei|inm fio nado disso, nisto quo não são eidnelâos. mns aprens bens inóeeis do Olicoç sob o (Xide.i obsfipulo do e(io|o e/e
1

d o dia a n t e r i o r ; n o terceiro d i a votar-se-á s e m o b r i g a toriedade nos c a n d i d a t o s o r i u n d o s da terceira classe, m a s e s s a votação» s e r á c o m p u l s ó r i a p a r a o s c i d a d ã o s pertencentes à s três p r i m e i r a s classes, e n q u a n t o q u e os c i d a d ã o s da q u a r t a e mais b a i x a classe serão poup a d o s da m u l t a se n ã o q u i s e r e m votar; no q u a r t o dia todos deverão votar nos c a n d i d a t o s a conselheiros procedentes da q u a r t a classe (a m a i s inferior), m a s se q u a l q u e r m e m b r o d a terceira o u d a q u a r t a classe n ã o desejar votar, será p o u p a d o da m u l t a , o q u e n ã o ocorrerá com q u a i s q u e r m e m b r o s da p r i m e i r a e segunola classes, q u e serão m u l t a d o s se n ã o votarem, o m e m bro da s e g u n d a classe no valor c o r r e s p o n d e n t e a três Vezes o v a l o r d a p r i m e i r a m u l t a e o m e m b r o d a p r i m e i r a classe no v a l o r c o r r e s p o n d e n t e a rpiatrei v e z e s o valor da p r i m e i r a multa. No q u i n t o dia os magistrados publicarão os nomes registrados p a r a q u e todos os c i d a d ã o s os v e j a m e teimem c o n h e c i m e n t o ; e loilos os homens* • votarão nos candidatos que constam nessa lista, a a b s t e n ç ã o r e s u l t a n d o em m u l t a no valor estabelecido p a r a a p r i m e i r a m u l t a ; e t e n d o sido selecion a d o s cento e oitenta h o m e n s de cada classe, chegarse-é à m e t a d e d e s t e n u m e r o p o r m e i o d e s o r t e i o , o s trezentos c sessenta s e n d o e n t ã o testados. Estes s e r ã o

(,oniíPio íoccmoTnç). „\lo
sca Ssfodo soeíaPista < PPatão nfin e.iifioo tePiios esíjutioos Ijodíeintinis fjíeqas eomo osso. que ele, (eonsftwndo.i. avesso òs inoiioçõcs o i-tílieo. isto sim, do demoejiaeio modma otoitíense) insone e oté (inrjotlgo no seu ideaP de e s t a d o , eofioebendn a eomimldnde eh<! esposeis e (i(kos em -,A 'Vepúhfiea. (n.l.)

* • • <% seja, nino sePeeõo m eine.o bmm mais o sosteie; (oPewento que envoPvia o osfieelo ,'(efi(|('oso). Quanto oo mandato de um ono,'PPatão nejeiodug di;ietfmiente e> fiüneípio da oonsfildieãe: n/eii{nnse.(»i)

os conselheiros d u r a n t e um a n o . * * •

Tal sistema de meio termo

seleção dos magistrados consistirá n u m

e n t r e as c o n s t i t u i ç õ e s m o n á r q u i c a e d e m o c r á t i c a e a meio c a m i n h o entre estas deve estar sempre nossa constituição, pois e n t r e escravos e s e n h o r e s jamais h a v e r á a m i z a d e e n e m entre patifes e h o m e n s honestos, mesmo optando o c u p a r e m posições cm direito de igualdad e visto q u e q u a n d o s e c o n c e d e a i g u a l d a d e à s c o i s a s

236

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Livro VI
desiguais, o r e s u l t a d o será desigual a n ã o ser que se aplique a devida m e d i d a , e é por causa d essas d u a s condições q u e a s cisões estão m a c i ç a m e n t e p r e s e n t e s nos regimes políticos. Há um v e l h o e vero d i t a d o segundo o qual "a igualdade gera amizade", ditado q u e , sem d ú v i d a , é m u i t o a c e r t a d o e expresso c o m equilíbrio; m a s o q u e é esta i g u a l d a d e c a p a z de p r o d u z i r tal e f e i t o 6 a l g o q u e n ã o fica b e m c l a r o , c o n s t i t u i n d o p a r a nós u m sério p r o b l e m a , pois h á d u a s espécies d e iguald a d e que, e m b o r a ostentem o m e s m o nome, são, no q u e concerne aos seus resultados práticos, com freqüência, quase opostas. U m a delas - n o m e a d a m e n t e , a iguald a d e d e t e r m i n a d a pela medida, peso c n ú m e r o - qualq u e r Estado ou legislador tem competência p a r a aplicar distribuindo por sorteio as honras; m a s a forma m a i s v e r d a d e i r a e m e l h o r d e i g u a l d a d e n ã o é u m a cois a fácil d e s e d i s c e r n i r . E l a i m p l i c a n o j u l g a m e n t o d e Zeus e raramente vem em socorro da h u m a n i d a d e , embora a esporádica ajuda q u e traz aos Estados e m e s m o aos i n d i v í d u o s s ó p r o d u z a b e n s , visto q u e dispensa mais ao maior e menos ao menor, proporcion a n d o a devida m e d i d a a c a d a um conforme a n a t u r e za; e no q u e r e s p e i t a às h o n r a s , t a m b é m , c o n c e d e n d o o m a i o r àqueles q u e são maiores em virtude e m e n o s à q u e l e s de c a r á t e r oposto no q u e t a n g e à v i r t u d e ; e a educação atribui proporcionalmente o que cabe a cada u m . R e a l m e n t e , c p r e c i s a m e n t e isto q u e c o n s t i t u i p a r a n ó s a justiça no E s t a d o , q u e é o objetivo q u e d e v e m o s , Clínias, n o s e m p e n h a r e m b u s c a r ; e s s a igualdade é o que temos que colunar agora q u e estamos fundando o E s t a d o q u e está em seu nascedouro. E q u e m q u e r q u e seja q u e esteja f u n d a n d o u m E s t a d o e m q u a l q u e r p a r te a q u a l q u e r t e m p o deverá visar em s u a legislação a esse m e s m o objetivo - n ã o à v a n t a g e m de a l g u n s m o narcas despótieos, ou de um, ou de alguma forma de d e m o c r a c i a - m a s sim à justiça sempre, o q u e consiste no q u e a c a b a m o s de e n u n c i a r , isto é, a i g u a l d a d e concedida em toda ocasião aos desiguais segundo a natureza. E, no e n t a n t o , é necessário q u e todo Estado, às vezes, e m p r e g u e , m e s m o essa i g u a l d a d e , n u m g r a u variável, se p r e t e n d e r evitar o p r ó p r i o envolvimento em lutas i n t e s t i n a s , a favor de um p a r t i d o ou outro, já q u e

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não nos convém esquecer que a eqüidade e a indulgência constituem s e m p r e u m a alteração do perfeito e do exato em d e t r i m e n t o da justiça estrita; pela m e s m a r a z ã o é m i s t e r fazer u s o t a m b é m d a i g u a l d a d e d o sorteio e m f u n ç ã o d o d e s c o n t e n t a m e n t o d a s m a s s a s , e a o fazê-lo o r a r , i n v o c a n d o a d i v i n d a d e e a b o a f o r t u n a para q u e guie a sorte r e t a m e n t e r u m o a mais elevada justiça. Assim é a necessidade q u e nos c o m p e l e a empregar a m b a s as formas de igualdade; entretanto, dev e r í a m o s u s a r o m a i s r a r a m e n t e possível a forma q u e requer b o a sorte. 0 Estado q u e quiser sobreviver terá q u e agir n e c e s s a r i a m e n t e assim, m e u s amigos, pelas razões q u e indicamos. Pois d a m e s m a forma q u e u m navio ao s i n g r a r os m a r e s exige c o n t í n u a vigilância n o i t e e dia, u m E s t a d o , q u a n d o vive e m m e i o a o s impulsos r e p e n t i n o s de E s t a d o s q u e o c i r c u n d a m e s o b o risco de ser enredado p o r t o d a s as espécies de t r a m a s , requer u m a cadeia ininterrupta de magistrados dia e noite e noite e dia e guardiões q u e s u c e d a m guardiões e q u e sejam, p o r s u a vez, sucedidos, de m a n e i r a contínua. U m a multidão jamais é capaz de executar quaisq u e r dessas tarefas cornpetentemente, e a m a i o r i a dos conselheiros dedica a maior parte de seu tempo aos seus negócios privados e assuntos domésticos, de m o d o q u e é forçoso q u e d e s i g n e m o s a d u o d é c i m n p a r t e de * ©s fltifmx(«»noto les • p a r a c a d a u m d o s d o z e m e s e s d e m o d o q u e o E s t a d o seja s u p r i d o de g u a r d i õ e s em r o d í z i o , p r o n t o s p a r a atender tanto aqueles q u e vêm do estrangeiro q u a n t o os q u e provêm do próprio Estado, com o intento de prestar informações ou inquirir sobre algum assunto de importância na relação dos Estados, ou se algum E s t a d o j á foi i n d a g a d o o b t e r s u a r e s p o s t a e t a m b é m com o olhar em todos as inovações q u e n ã o cessam de t e n d e r a o c o r r e r nos E s t a d o s a fim d e , se possível, imp e d i r q u e o c o r r a m e, se r e a l m e n t e o c o r r e r e m , assegur a r q u e o E s t a d o p o s s a d e t e c t a r e r e m e d i a r a ocorrên* * (D pfílmoét. (n.t.) cia o m a i s r a p i d a m e n t e possível. Face a essas razões, essa seção em presidência do conselho do E s t a d o * • terá q u e deter s e m p r e o controle da convocação e dissolução d a s assembléias, as a s s e m b l é i a s legais regula res b e m c o m o as realizadas em caráter de emergência. Assim, u m a d u o d é c i m a parte do conselho será o corpo olfjumw: [inqltioB nLttfe). («.(.}

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q u e a d m i n i s t r a r á t o d o s esses assuntos, e c a d a um desses c o r p o s p e r m a n e c e r á d e folga, a l t e r n a t i v a m e n t e , d u r a n t e onze dos doze meses do a n o ; m a s será necessário q u e em associação com os d e m a i s magistrados essa duodécima parte do conselho m a n t e n h a assídua e con t i n u a m e n t e s u a g u a r d a dos assuntos do Estado. Essa o r d e n a ç ã o d o s a s s u n t o s d o E s t a d o s e revelará u m arr a n j o c o n v e n i e n t e . M a s q u e c o n t r o l e d e v e r e m o s ter, e q u e sistema, p a r a todo o resto do território? Agora q u e t o d a a c i d a d e e todo o território foram, c a d a u m , divididos em doze partes, n ã o será necessário q u e sejam a p o n t a d o s s u p e r v i s o r e s p a r a a s vias d a p r ó p r i a cidad e , p a r a a s m o r a d i a s , edifícios, p o r t o s , m e r c a d o , fontes e t a m b é m p a r a as glebas s a g r a d a s e os t e m p l o s e o u t r o s sítios d o m e s m o tipo? Clínias: Seguramente. ••• aoTuvopoç.

O ateniense: D i g a m o s a g o r a q u e , e m r e l a ç ã o a o s t e m plos, teremos q u e contar com guardiões, sacerdotes e sacerdotisas; p a r a a m a n u t e n ç ã o da o r d e m d a s vias c edifícios, a p r e v e n ç ã o de atos d a n o s o s de seres h u m a n o s e a n i m a i s s e l v a g e n s e a p r e s e r v a ç ã o da d e v i d a ord e m a ser o b s e r v a d a n o s limites da c i d a d e e n o s sub ú r b i o s t e r e m o s q u e selecionar três tipos de magistrad o s ; c h a m a r e m o s d e aslínomos * * * a q u e l e s q u e s e o c u p a r ã o d a s t a r e f a s q u e a c a b a m o s de. m e n c i o n a r e d e agorãnornos* • • • a q u e l e s q u e c u i d a r ã o da m a n u t e n ç ã o d a o r d e m n a agora, ü s s a c e r d o t e s o u s a c e r d o t i s a s dos templos que detêm sacerdócios hereditários não serão afetados por nossas disposições, m a s se - como m u i t o p r o v a v e l m e n t e é o caso no q u e se refere a isso com um povo q u e está s e n d o o r g a n i z a d o pela primeira vez - inexistir um corpo sacerdotal ou houver apen a s a l g u n s s a c e r d o t e s , t e r e m o s que, e s t a b e l e c e r u m corpo sacerdotal composto de sacerdotes e sacerdotisas q u e serão guardiões dos templos p a r a os deuses. N o e s t a b e l e c i m e n t o d e t o d a s e s s a s m a g i s t r a t u r a s ter e m o s q u e i n d i c a r a l g u m a s via eleição, o u t r a s via sorteio, combinando métodos democráticos com nãode a s s e g u r a r a m ú t u a amizade d e m o c r á t i c o s a fim

genoweoincnic gua/idiõo dr. «mo eidode; (!B|i«:i|íeatvie«fo (o signi|iendo oqui) magietnade .mpruisâwf />eê> /mêeia/netita das tuas e maiuifaifãa da mdem na cidade,, (n.t.) * • • • ayopavouoç, mogistaodo cneoftítegodo |ifi«f[í;oCflíi!ií'fi(o da inspeção do mraendo do e.idnde. ou mnis pseeisotiiente, do ayopa (ngono). 9n alleiios o a/Opa não e,w openos o esposo onde os Btejreodo/ics se m*Um e jogietii eowíiieií), mos iodo o ompío esposo onde se orJwwim fíwows, jonles, os edifícios do conatMo dos <l«iiiIie,iiío!i, dos (/«fiunois, os (empfos, ele e diwdido ei» eeísios seções oiíiÍMiídtts o codn cfjíipome/io de weiendoses. (n.(.)

em todas as áreas tanto da cidade quanto do campo, de m a n e i r a a se a l c a n ç a r o m á x i m o de u n i ã o possível. Quanto aos sacerdotes, confiaremos ao próprio deus

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( a s s e g u r a n d o o p r ó p r i o p r a z e r deste) a escolha, efetuando a seleção p o r sorteio e a s s i m d e i x a n d o a s u a indicação a critério da sorte divina; mas, de q u a l q u e r m o d o . s u b m e t e r e m o s o eleito do d e u s ao devido teste (exame), p r i m e i r o v e r i f i c a n d o se é s a d i o e l e g i t i m a m e n te nascido, e em segundo lugar se provém de u m a casa s e m q u a l q u e r m á c u l a , n ã o tendo ele j a m a i s c o m e t i d o um assassinato ou qualquer u m a d a q u e l a s ofensas contra a divi n d u d e , o q u e se e s t e n d e t a m b é m a o s s e u s p a i s . D e v e r - s e - á t r a z e r d e D e l f o s l e i s p a r a t u d o o q u e s e refere aos cultos religiosos, i n d i c a r seus i n t é r p r e t e s e fazer uso d e s s a s leis. T o d a m a g i s t r a t u r a s a c e r d o t a l d e v e r á d u r a r um a n o e n ã o m a i s q u e isto, e a q u e l e q u e será u m eficiente m a g i s t r a d o dos a s s u n t o s s a g r a d o s conform e a s leis religiosas n ã o d e v e r á ter m e n o s d e s e s s e n t a anos, estas regras valendo igualmente p a r a as sacer d o t i s a s . Os i n t é r p r e t e s s e r ã o e s c o l h i d o s em três eleiç õ e s à r a z ã o ole q u a t r o p o r g r u p o ole q u a t r o t r i b o s , u m de c a d a tribo,* e q u a n d o os três c a n d i d a t o s q u e obti* xJondo ctn monto os etoge l.íifios. n ó s ns dividimos em íítk fjjrapoe <k qaaíw eodo. Cndn fjimpo s n l ô o tndieo ftos, totoPigondo assim » « » O S / ' Ô S «OstOnfes 0[u( SÕO O.liíjiflos pnw< eompfcío» n mimo (ou seja, do;jf) s õ o selecionados pos definição (Io «ocupo n pmtit dos )<wvlt»0': ume eandidotcis do Cisto, j l s s i m , o íníní do ofoifos pato o « n g e do infóipjclos seso qiioiltn.
(«ol.)

v e r a m maior n ú m e r o de votos tiverem sido testados, os outros nove d e v i r ã o ser e n v i a d o s a Delfos p a r a q u e o oráculo selecione um de c a d a trio; q u a n t o às regras, teste e limite de i d a d e , serão idênticos aos dos sacerdotes. Esses h o m e n s t e r ã o u m a m a n d a t o vitalício c o m o intérpretes, e q u a n d o um deles m o r r e r , as q u a t r o tri bos* * elegerão um substituto proveniente da tribo a q u a l ele p e r t e n c i a . C o m o tesoureiros responsáveis pelo c o n t r o l e d o s f u n d o s s a g r a d o s d e c a d a t e m p l o e d a s glebas sagradas c o m sua p r o d u ç ã o e locações, teremos q u e escolher e n t r e a s classes m a i s elevadas d e proprietários três nomes p a r a os templos maiores, dois p a r a os menos grandes e um para os de menor t a m a n h o . Neste caso o m é t o d o dc seleção e e x a m e será idêntico a o u t i l i z a d o c o m o s e s t r a t e g o s . Eis a í a s r e g u l a m e n t a ç õ e s r e f e r e n t e s a o c u l t o . N a d a , n a m e d i d a tio p o s s í v e l , deverá ser deixado) sem p r o t e ç ã o . No q u e diz r e s p e i t o à cidade, ficarão i n c u m b i d o s de guardá-la os estrategos, os t a x i a r c a s . os h i p a r c a s , os fi(arcas e os p r í t a n e s , b e m corno os a s t í n o m o s e os a g o r â n o m o s logo q u e dis p u s e r m o s de um n ú m e r o suficiente desses magistrados, c o r r e t a m e n t e i n d i c a d o s e eleitos. T o d o o resto do t e r r i t ó r i o d e v e r á ser p r o t e g i d o d a s e g u i n t e m a n e i r a :

* * Ou mePlio», o giupo do Whofi pcfo quoP o iniráp.wlo dosopíHOOido LONA efeito, (n.t.)

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n o s s o território i n t e i r o ' • * já estará dividido em doze p a r t e s a p r e s e n t a n d o a m a i o r i g u a l d a d e possível; a c a d a p a r t e u m a tribo será designada por sorteio, tendo q u e fornecer a n u a l m e n t e cinco de seus m e m b r o s p a r a atuar e m c o m o agrônomos * * • * e frourarcas; • • • • • será o b r i g a ç ã o d e c a d a u m d o s cinco s e l e c i o n a r d o z e j o v e n s de sua p r ó p r i a tribo na faixa etária e n t r e 25 e 30 a n o s . A estes g r u p o s de doze as doze p a r t e s do território se rão atribuídas m e d i a n t e sorteio, u m a p a r a cada u m em sistema de rodízio durante um mês alternadam.cnte, d e m o d o q u e t o d o s eles a d q u i r a m e x p e r i ê n c i a e con h e c i m e n t o de todas as regiões do território. O m a n dato de g u a r d a s e magistrados será de dois anos. Qualquer q u e tenha sido a primeira atribuição das porções de t e r r a p o r sorteio, eles p a s s a r ã o t o d o m ê s à região Seguinte, c o n d u z i d o s pelos frourarcas p a r a a direita, ou seja, do oeste p a r a o leste. C o n c l u í d o o p r i m e i r o a n o , p a r a q u e o m a i o r n ú m e r o possível d e g u a r d i õ e s tenha n ã o somente se familiarizado com o território n u m a ú n i c a e s t a ç ã o d o a n o , c o m o t a m b é m p o s s a ter a p r e n d i d o o q u e o c o r r e n a s m a i s v á r i a s regiões e m diferentes estações, seus condutores os guiarão de volta novamente na direção oposta, m u d a n d o continuamente suas regiões, até q u e completem seu segundo a n o de s e r v i ç o . N o t e r c e i r o a n o d e v e r ã o s e r e l e i t o s n o v o s agrônomos (guardiões do campo) e frourarcas (comandant e s d e p o s t o s d e g u a r d a ) . D u r a n t e s e u s p e r í o d o s d e res i d ê n c i a e m c a d a r e g i ã o d o t e r r i t ó r i o t e r ã o t a r e f a s específicas, a saber: em p r i m e i r o lugar, p a r a q u e o território se t o r n e o m a i s inacessível possível a o s inimigos, c o n s t r u i r ã o c a n a i s o n d e f o r n e c e s s á r i o e c a v a r ã o foss o s a l é m d e c o n s t r u i r fortificações n o m á x i m o d e s u a s forças de sorte a a f a s t a r o p e r i g o da t e n t a t i v a de p e n e t r a ç ã o rio t e r r i t ó r i o e m p r e j u í z o d e s t e e d e s u a s r i q u e zas; p a r a isso farão u s o d o s a n i m a i s de c a r g a e. d o s servos em t o d a s as regiões, utilizando os p r i m e i r o s e s u p e r v i s i o n a n d o o s s e g u n d o s , d a n d o preferência semp r e , n a m e d i d a d o possível, à s ocasiões e m q u e essas p e s s o a s n ã o estão o c u p a d a s c o m seus p r ó p r i o s negócios. Deverão, de todas as m a n e i r a s , dificultar o acesso d o s i n i m i g o s e facilitar- o d o s a m i g o s - s e j a m p e s s o a s , mulas ou gado - c u i d a n d o das estradas de m o d o a se
• • • • • rjipoupapxoç, ct>c|e dc. um posto de g«o»do. (n-t.) * * * 3slo ít, a lofoEWode fio te»itó»io menos o cidade, qum dipk, o «egíõo mat In.f.) •••• aypovopoç.

místico, Cfltnpcstite; oqui, gutudlãn do cnittpo. (n.l.j

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t o r n a r e m o m a i s p l a n a s possível e l i d a n d o c o m a á g u a das chuvas • p a r a q u e beneficie o território em lugar • ^Respectivamente... A i o ç uõcacov... e Atoç u õ a x a . . . . CitRíioímcnte a água de. ^eus. ^PPatão, eomo é usuoP, sc apoio «o mito pa»o CKpftessait suas idéias c utiPiga à vontade a Cinguagem niitoPógica. ^4 cliuvo é uma água dc o.wgem cePestc, e como fenômeno atmosférico está sob o cnntíoPe de 'jjeus, que c o senlio/i oPímpioo do céu c tnonipufodou de todos os seus fenômenos, a começo* peto ücPâmpago, o itaio e o IftoVão. (n.t.) d e p r e j u d i c a d o à m e d i d a q u e f l u i d a s r e g i õ e s m a i s altas p a r a todos os vales entre as m o n t a n h a s ; deterão as i n u n d a ç õ e s p o r meio de b a r r a g e n s e canais a fim de q u e os vales r e t e n h a m ou a b s o r v a m a á g u a de origem pluvial q u e se precipita do céu, • formando assim p a r a todos os c a m p o s e p o v o a d o s s i t u a d o s m a i s a b a i x o piscinas n a t u r a i s o u fontes, f a z e n d o c o m q u e m e s m o a s regiões m a i s secas sejam s u p r i d a s c o p i o s a m e n t e d e b o a água. Q u a n t o às águas das nascentes, sejam elas sob forma de rios ou fontes, eles d e v e r ã o a d o r n á - l a s e embelezá-las c o m p l a n t a ç õ e s e edifícios, e c o n e c t a n d o as c o r r e n t e s d á g u a p o r m e i o d e t u b o s s u b t e r r â n e o s esp a l h a r ã o por todos os lugares a fertilidade; por meio da irrigação se embelezará em todas as estações do a n o q u a l q u e r g l e b a o u b o s q u e s a g r a d o q u e p o s s a existir n a s v i z i n h a n ç a s c o n d u z i n d o - s e a s á g u a s d i r e t a m e n t e p a r a os santuários dos deuses. E em todas as partes n e s s e s l o c a i s o s j o v e n s d e v e r ã o c o n s t r u i r ginásios t a n to p a r a si mesmos como p a r a os velhos, instalando p a r a estes os b a n h o s q u e n t e s , [para o q u e ] m a n t e r ã o um abundante suprimento de lenha, proporcionando tamb é m amáveis boas vindas e ajuda aos enfermos e àqueles cujos c o r p o s s e a c h a m d e s g a s t a d o s p e l a l a b u t a c o m o agricultores acolhida bem melhor do que o cuidado q u e lhes poderia d a r um médico n ã o muito hábil. Es sas operações e todas as outras similares n a s regiões do território servirão tanto ao o r n a m e n t o q u a n t o ao aproveitamento do território, sem deixar t a m b é m de • • u.va, unidade dc peso e de cáPouPo moncláíio que lofio cem Spaxuaç (õpa%u.r|, moedo dc píoto, unidade inonefá/<ia e jcfewnoioP do sistema monetário ateniense). Sessenta minos a peso de pnata eowespondiam em <_Atonas a um toPento, o quoP também e/in unidade de peso. ufaüm. o mino e o toPento ( t a X a v i o v ) não e/iam taP proporcionar recreação à qual não faltará encanto. Mas as ocupações mais sérias serão as seguintes: c a d a grup o d e sessenta g u a r d i õ e s t e r á q u e zelar por sua própria região, n ã o a p e n a s protegendo-a de seus inimigos, m a s t a m b é m dos p r e t e n s o s a m i g o s . E se a l g u é m e n t r e o s v i z i n h o s e s t r a n g e i r o s o u e n t r e o s p r ó p r i o s cid a d ã o s ferir u m o u t r o c i d a d ã o , seja o c u l p a d o escravo o u h o m e m l i v r e , o s j u i z e s epre o u v i r e m o q u e i x o s o s e r ã o o s p r ó p r i o s cinco m a g i s t r a d o s n o s c a s o s m e n o s g r a ves, e os cinco, c a d a um a c o m p a n h a d o de seus d o z e s u b o r d i n a d o s , nos casos m a i s graves, em q u e os d a n o s reivindicados forem até três m i n a s . N e n h u m juiz ou

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como o meio-óbuh m a g i s t r a d o deverá c u m p r i r m a n d a t o sem ser s u b m e t i do a u m a prestação de contas, com a ú n i c a exceção d a q u e l e s q u e c o m o reis f o r m a m u m a corte de apelaç ã o e m ú l t i m a i n s t â n c i a . D e s t e m o d o , t a m b é m e m rel a ç ã o a e s s e s agrônomos, s e l e s a r e m d e a l g u m a f o r m a a q u e l e s q u e s ã o p o r eles s u p e r v i s i o n a d o s i m p o n d o - l h e s p a g a m e n t o s i n í q u o s o u t e n t a n d o e x p l o r a r s u a s fazendas e a r m a z é n s sem seu consentimento, ou se aceitarem um presente a título de s u b o r n o , ou distribuírem bens injustamente - que por cederem à sedução sejam marcados com a infâmia perante todo o Estado; e com respeito a t o d a s as outras faltas q u e t e n h a m c o m e t i d o c o n t r a o p o v o d a r e g i ã o a v a l i a d a s e m a t é u m a mina • • terão que, voluntariamente, se submeter ao julgamento do p o v o a d o e d o s v i z i n h o s , e se em q u a l q u e r ocasião (com respeito a u m a g r a n d e ou p e q u e n a falta) se r e c u s a r e m a essa sujeição ao j u l g a m e n t o - c o n f i a n d o q u e devido a sua m u d a n ç a mensal para u m a outra região se safarão do j u l g a m e n t o - a p a r t e lesada terá d i r e i t o a a u d i ê n c i a s n o s t r i b u n a i s p ú b l i c o s e, se gan h a r a causa, exigirá a p u n i ç ã o em d o b r o do réu q u e se e v a d i u e se r e c u s o u a c o m p a r e c e r l i v r e m e n t e p a r a s e r j u l g a d o . O m o d o d e v i d a d o s m a g i s t r a d o s e agrônomos d u r a n t e o s s e u s d o i s a n o s d e p r e s t a ç ã o d e s e r v i ç o será c o m o se segue: em primeiro lugar, em todas as regiões h a v e r á repastos públicos, dos q u a i s todos dev e r ã o p a r t i c i p a r p a r a s u a a l i m e n t a ç ã o . S e a l g u é m furtar-se a isto d u r a n t e o d i a ou à n o i t e p a r a d e d i c a r se ao s o n o s e m o r d e n s expressas dos m a g i s t r a d o s ou dev i d o a a l g u m a c a u s a u r g e n t e , e s e o s cinco o d e n u n c i a r e m e a f i x a r e m seu n o m e na p r a ç a p ú b l i c a c o m o culp a d o d e a b a n d o n a r seu p o s t o , ele sofrerá d e g r a d a ç ã o por trair seu dever público, e todo a q u e l e q u e o encontrar em seu c a m i n h o e q u e o q u i s e r p u n i r p o d e r á açoitá-lo i m p u n e m e n t e . N o c a s o d o s p r ó p r i o s m a g i s t r a d o s , c a b e r á a t o d o s os s e s s e n t a vigiá-los, e, se um deles cheg a r a c o m e t e r u m tal a t o e a l g u m d o s s e s s e n t a o p e r c e ber ou [simplesmente] ficar s a b e n d o e se omitir de processar o faltoso, será c o n s i d e r a d o c u l p a d o de acord o c o m a s m e s m a s leis e p u n i d o a i n d a m a i s severam e n t e q u e os jovens; estará c o m p l e t a m e n t e desqualific a d o de exercer p o s t o s de c o m a n d o s o b r e os jovens. • • • (qpuoPoA-tov), o óbuPo (opoA.oç), o dióbolo

(ôuoPoA.ov), o dkacma,
th:, m*dm m wetoC sonanlc como. digamos, nossas moedas c céduPas de íieaie (as quais não possam de cem fteais), mos sim unidades de côntputo em junção do peso em p.iota ou em ou»o. (n.i.) • • • '-PPalão pe/ioebio que uma das bases pana o eficiente funcionamento e p»ese»vnção de um fistado soeiaPisto e»a fage» de cada cidadão, o começo» píceísomente petos funcionamos do fístado (o totoPidade dos magistuados) um eigia impüacáiicd'do ouiio cidadão no que «espeitaua ao oumpitiniento das Peis, niinimigando assim o núme»o das l»onsg»essões que omcoço.iiam a outoftidode e eetabiPidade do fístado como um todo. evWesse contexto, a denúncia não é vista como uma atitude dcpConãveC (uiginfco da t»oição) que ofende a Pibctidade e os di*citos individuais (visão dcmoc»átiea e /(Oniãntiea), mas sim como uma ob»igação do cidadão e espeeinPmcnte do magist»adn, que inco»»e num g«avc dePito se não »eeowic» a ela, já que ele é um dos bnaços do fístado. í) p»ineípio soeiaPisto está impPícito: toda veg que a ação indiuiduaP ameaço» o bem-esta» comum, o indivíduo devená se» detido e punido, (n.t.)

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Platão - As Leis
*...7iav"t a v õ p a . . . . (n.l.)
• • . . . a v Ô p c o T t o ) . . . . (n.l.)

S o b r e esses i n c i d e n t e s o s g u a r d i õ e s d a s leis d e v e r ã o exercer u m a s u p e r v i s ã o e x t r e m a m e n t e c u i d a d o s a a fim d e p r e v e n i r , s e p o s s í v e l , s u a o c o r r ê n c i a e o n d e e l e s efetivamente ocorram, assegurar q u e sejam p u n i d o s dev i d a m e n t e . Faz-se m i s t e r q u e t o d o h o m e m • t e n h a e m vista, no q u e concerne aos seres h u m a n o s * • cm geral, q u e aquele q u e n ã o a p r e n d e u a servir jamais se tornará um s e n h o r * * • d i g n o de louvor e tjue o m e i o correto de granjear h o n r a consiste m a i s em servir dignam e n t e do q u e em m a n d a r d i g n a m e n t e - servindo prim e i r a m e n t e às leis, visto q u e isto é servir a o s d e u s e s , e, cm s e g u n d o lugar, da p a r t e dos jovens, servir s e m p r e aos mais velhos e àqueles q u e viveram vidas honrad a s . Á s e g u i r , a q u e l e d e q u e m s e fez u m g u a r d i ã o d o c a m p o deverá p a r t i c i p a r d a s rações diárias, frugais e f r i a s * * • * , d u r a n t e o s d o i s a n o s ole s e r v i ç o p o i s , s e m p r e q u e o s doze t i v e r e m s i d o e s c o l h i d o s , e s t a n d o r e u n i d o s c o m o s cinco, r e s o l v e r ã o q u e a t u a n d o c o m o s e r vos n ã o t e r ã o p a r a atendê-los s e r r o s e escravos • • • • • e n e m e m p r e g a r ã o q u a i s q u e r serviçais pertencentes a outros agricultores ou habitantes dos povoados para atender às suas necessidades pessoais, m a s somente p a r a o serviço público, c em todos os o u t r o s aspectos se d e t e r m i n a r ã o a viver u m a vida i n d e p e n d e n t e , prest a n d o serviço e s e n d o seus próprios servidores, e adem a i s e x p l o r a n d o , a r m a d o s , o t e r r i t ó r i o i n t e i r o n o ver ã o e no i n v e r n o , p a r a protegê-lo e fazer c o n h e c i m e n t o de c a d a u m a d a s várias regiões. Parece, a propósito, q u e nesse caso constitui um estudo superior a qualq u e r o u t r o c o n h e c e r a f u n d o o p r ó p r i o território, c ass i m o s j o v e n s d e v e r ã o p r a t i c a r a c a ç a c o m c ã e s e toolas as outras formas de caça, tanto por essa razão como pelo prazer e benefício q u e p o d e extrair desses espor tes. R e l a t i v a m e n t e , p o r t a n t o , a esse r a m o do serviço t a n t o n o q u e s e refere aos p r ó p r i o s h o m e n s q u a n t o à s suas tarefas, quer os chamemos de agentes secretos » » * • • * o u g u a r d i õ e s d o c a m p o , q u e r o s d e s i g n e m o s com q u a l q u e r outro nome - todos aqueles que pretend e m proteger seu próprio E s t a d o eficientemente terão q u e c u m p r i r s u a t a r e f a c o m z e l o aoi m á x i m o d c s u a s forças. A p r ó x i m a e t a p a na n o s s a seleção de magistrad o s se. r e f e r e a o s agorânomos e astínomos. Aos s e s s e n t a

•**...UT|

SüuXaxraç

o u ô avSscsTtorriç...
COMO-SP

fKjui o itísno A

ratondoít quo, pata tamat-se um sedo» digno de (ouws, é ptceiso fe,t sido neeessmiaitienie um esemo, idóio etídoníBiienfí íncogitáiípf pa«n PPatão que p/inwbíj cscwo c sento*
COMO
t:

distintos (io» nataego. LJJO wadade, o eiqiw.esõo Pi. « a i s wofafjóííoo do que fitem! o, de sesto. o pjfipMo 'Píoifão sspPo*po(«á esto ponto fogo no seqüência no distingui* os conceitos do S o u X o ç (oSOM#) O OlKSTr|Ç (sfiíM), sciteiçaf d« onsa/jomiftc). ^,4 idéie, do m,wik ns tas do Enfado c. aos deuses enuofee mais ns senkiics do qwi os cs,e,taiOs, já quo estes pNiMOttcecin na csjcíia tneno* do OIKOÇ o não no fsjow maioí

da 7ioA,tÇ; a idóio
snptWitto» sugcwda oqtii pot
c

PPofon ó que se todo escm>o e um se»et (widos). nem fado sm>ém esemuo. (n.l.)

••••...aicopou..., ftlMafaenfe <?m fogo. '"Pm crfcnsõo, oquiCo quo «no foi submelido oo jogo. que não /ei aqueeida ou soja, no eosfl do aPimoíilo, aquele. qu(: pftwnancec tanto fiio quanto em. (n.l.) ••***...oiKstaç T I : K a i 8ou>v,ouç....(n.t.)

" • • • * KpUTTTOUÇ, oquiPo
ou oquoPe quo ostá íPOOÍiotlo, ooufto, onibosoodo. (n.t.)

244

Livro VI
agrônomos (guardiões do campo) corresponderão três

astínomos, que dividirão as doze porções da cidade em três p a r t e s e i m i t a r ã o os a g r ô n o m o s no c u i d a d o das ruas da cidade e das várias estradas q u e penetram na c i d a d e v i n d o do c a m p o , e d o s edifícios, de m a n e i r a q u e t u d o isso s e c o n f o r m e à s e x i g ê n c i a s d a lei; t a m b é m será d a r e s p o n s a b i l i d a d e d o s a s t í n o m o s o s suprimentos de água q u e os guardiões do c a m p o lhes remeterão e transmitirão em boa condição, e q u e deverá chegar pura e a b u n d a n t e às cisternas p o d e n d o assim, e m b e l e z a r c ser útil à c i d a d e . Faz-se, a s s i m , n e c e s s á r i o q u e esses h o m e n s t a m b é m d i s p o n h a m tanto d e capacidade q u a n t o de tempo para atender aos assuntos públicos. C o n s e q ü e n t e m e n t e , p a r a o cargo de a s t í n o m o todos os cidadãos poderão propor o n o m e de qualquer p e s s o a da classe m a i s elevada d o s p r o p r i e t á r i o s ; e tendo o c o r r i d o a v o t a ç ã o nesses c a n d i d a t o s e se c h e g a d o aos seis m a i s votados, a q u e l e s [magistrados] q u e presidem à eleição selecionarão os três p o r sorteio, q u e d e p o i s de serem s u b m e t i d o s ao teste a s s u m i r ã o o cargo e o e x e r c e r ã o s e g u n d o as leis e s t a b e l e c i d a s p a r a eles. Ato c o n t í n u o d e v e r ã o ser eleitos c i n c o a g o r â n o m o s (insp e t o r e s da agora) a s e r e m o b t i d o s da s e g u n d a e primeira classes de proprietários; q u a n t o aos d e m a i s proc e d i m e n t o s de seleção, serão s e m e l h a n t e s aos seguidos no caso d o s a s t í n o m o s . Dos dez c a n d i d a t o s definid o s p o r v o t a ç ã o o s c i n c o s e r ã o s e l e c i o n a d o s p o r sorteio, e x a m i n a d o s e p r o c l a m a d o s magistrados. Todos serão obrigados a votar p a r a essas magistraturas. Q u e m se r e c u s a r a fazê-lo, se d e n u n c i a d o a o s m a g i s t r a d o s , será m u l t a d o e m c i n q ü e n t a dra. m a s . a l é m d e ser dec l a r a d o m a u cidadão. A assembléia e as reuniões públicas serão a b e r t a s a todos e será obrigatória a pres e n ç a n e l a s d o s i n t e g r a n t e s d a s e g u n d a e p r i m e i r a classes d e p r o p r i e t á r i o s , q u e serão m u l t a d o s e m dez dracm a s em caso de ausência; os m e m b r o s da terceira ou q u a r t a classes estarão isentos dessa obrigatoriedade, e s c a p a n d o de q u a l q u e r m u l t a , a n ã o ser q u e os magistrados, devido a algum motivo urgente, intimem todos ao compareeimento. Os inspetores da praça do mercad o (agora) d e v e r ã o c u i d a r p a r a q u e a s atividades na agora o c o r r a m s e g u n d o a lei e q u e s e u s t e m p l o s e f o n t e s

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Platão - As Leis
• u4 paüanm y u p v a c u a

n ã o s e j a m d a n i f i c a d o s ; e m c a s o d e d a n i f i c a ç ã o o resp o n s á v e l , s e for e s c r a v o o u e s t r a n g e i r o , s e r á p u n i d o c o m açoites e prisão, e n q u a n t o se o c u l p a d o de tal má cond u t a for c i d a d ã o , o s a g o r â n o m o s p o d e r ã o , a s e u critério e por sua autoridade, aplicar u m a m u l t a de até c e m d r a e m a s e m e s m o o d o b r o d e s s a q u a n t i a se julgarem o culpado em associação com os astínomos. De maneira análoga, os astínomos poderão punir em sua p r ó p r i a esfera m u l t a n d o e m até u m a m i n a m e d i a n t e sua a u t o r i d a d e , e até o d o b r o dessa s o m a em associação com os agorânomos. Será conveniente indicar a seguir os magistrados q u e se i n c u m b i r ã o da m ú s i c a e d a ginástica • , q u e serão d e dois tipos p a r a c a d a setor - o magistrado educador e o magistrado controlador d a s c o m p e t i ç õ e s . A lei e n t e n d e p o r m a g i s t r a d o s e d u c a dores os supervisores dos ginásios e escolas, q u e estão encarregados tanto da disciplina e do ensino quanto do controle dos comparecimentos e da acomodação de m e n i n o s e m e n i n a s . A lei e n t e n d e p o r m a g i s t r a d o s c o n troladores das competições os árbitros das competições tanto de ginástica q u a n t o de música, q u e serão, assim t a m b é m , de dois tipos. • • [No q u e diz respeito às competições de ginástica] os árbitros das competições hum a n a s serão o s m e s m o s d a s c o m p e t i ç õ e s c o m o s cavalos, m a s n o caso d a m ú s i c a será a p r o p r i a d o ter árbitros distintos p a r a solistas e representações p o r imitação, digamos por exemplo, uma equipe selecionada p a r a rapsodos, citaristas, flautistas e todos os músicos desse tipo, e urna outra equipe p a r a os intérpretes do canto coral. Devemos selecionar p r i m e i r a m e n t e os m a gistrados p a r a o jovial exercício d o s coros d a s crianças, moços e moças n a s d a n ç a s e em todas as outras manifestações musicais regulares; neste caso, bastará u m m a g i s t r a d o , q u e n ã o deverá ter m e n o s d e q u a r e n ta anos. No caso dos solistas um árbitro de i d a d e n ã o inferior a trinta anos será suficiente p a r a a t u a r c o m o a p r e s e n t a d o r e d a r a d e q u a d a m e n t e o v e r e d i t o em relação aos competidores. O magistrado-administrador d o s c o r a i s d e v e r á s e r e l e i t o , a p r o x i m a d a m e n t e , d a seguinte forma: todos os aficionados nessa arte deverão comparecer à reunião pertinente [para votação], sob p e n a de serem m u l t a d o s a critério dos guardiões das

significa sinipfesmente
fimtefetn. (?) y u p v a c m K O ç (o que
COnCe/MC aOS eVMCÍCiOS

coípo/tais) eobiia poittanto uma ompPo gomo dc modaPidades dc atletismo, como a Pula, o tioiuúda, o Cançamento do disco c todas as demais modoíidades que se towanoin notótóas poit meio dos jogos ofintpicos do
Qjécio. P) y u p v a c u o v

(ginásio) e»o nos cidades g»cgas um PocaP púbPieo (não necessariamente ao o» Piwe) pa»o a prático dos cveteícíos físicos, (n.t.) • * cApcsa» dc uma ecíta /tedundoneia, aílguns (tcPonistos acjcscentam oqui: wts pruri a
imitam, cubos pruri a Ada

(nepi p o ü a n c r | v u s v s r s p o u ç , jtepi a y t o v i a v 8 aÀÀouç). (n.t.) • • • c^lote-sc o pMneípio ma/ieantemente nãodmnocitáiico que nodleio o

pltocosso cPetiDo dos magistjiodos em 'PPatão, eonsideíondo-se que os p»óp»íoe eCeitojcs já são e.Pes prtóprtioe previamente ccPecionodos c o jato dc que somente cidadãos detcnto/iee dc p/iopdicdadec notam, ou seja, o pequeno contingente popuCaeionaP constituído poli pa»(e. dos /tomais aduÇtos e Çiünes. Q.lm cuidado evtícmo dei'e ses lomado no escodio doque.Pec que oeupa»ão os
v

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Livro VI
leis; o s d e m a i s e s t a r ã o d i s p e n s a d o s d e s s a o b r i g a ç ã o , c o m p a r e c e n d o s o m e n t e se o d e s e j a r e m . T o d o s os eleitores terão q u e escolher entre os n o m e s de um elenco de i n d i v í d u o s e x p e r i e n t e s , e o teste (exame) d o s eleitos só c o m p o r t a r á estes motivos p a r a a p r o v a ç ã o ou reprovação, a saber, a competência (adquirida pela experiência) ou a i n c o m p e t ê n c i a ; * • • a q u e l e , e n t r e os d e z c a n d i d a t o s , q u e obtiver o m a i o r n ú m e r o de votos, a p ó s o e x a m e , será o m a g i s t r a d o do a n o e n c a r r e g a d o dos c o r o s , c o n f o r m e a l e i . D e m o d o i d ê n t i c o d e v e r á s e r selecionado o magistrado que se encarregará por um ano d a q u e l e s q u e irão p a r t i c i p a r d e competições e m interp r e t a ç õ e s solo e i n t e r p r e t a ç õ e s e m g r u p o d e f l a u t a . N a s e q ü ê n c i a será conveniente escolher árbitros dos concursos atléticos hípicos e h u m a n o s nos integrantes da t e r c e i r a e s e g u n d a classes de p r o p r i e t á r i o s ; a particip a ç ã o n e s t a eleição será c o m p u l s ó r i a p a r a as três prim e i r a s classes, m a s facultativa p a r a a classe m a i s baixa, cujos m e m b r o s n ã o serão m u l t a d o s e m caso d e abst e n ç ã o . Três á r b i t r o s serão eleitos d a seguinte m a n e i ra: n o p r i m e i r o t u r n o , vinte c a n d i d a t o s s e r ã o i n d i c a dos pelas m ã o s erguidas dos eleitores e no segundo, dos vinte, os três serão definidos por sorteio, seguindose o usual exame para aprovação ou reprovação. Em caso d e q u a l q u e r c a n d i d a t o à s m a g i s t r a t u r a s ser desq u a l i f i c a d o n o p r ó p r i o p r o c e s s o d e v o t a ç ã o o u ser reprovado no exame, um substituto do candidato deverá ser p r o v i d e n c i a d o e s u b m e t i d o ao m e s m o e x a m e a q u e foi s u b m e t i d o o c a n d i d a t o o r i g i n a l . N o s e t o r d e q u e estamos nos o c u p a n d o resta a i n d a um magistrado a ser d e f i n i d o , ou seja, o d i r e t o r geral de t o d a a e d u c a ç ã o d e m e m b r o s d o s dois sexos. N e s t e caso h a v e r á u m magistrado legalmente selecionado, q u e n ã o deverá ter m e n o s de c i n q ü e n t a a n o s e q u e terá q u e ser pai de filhos legítimos d e u m sexo o u o u t r o , o u d e preferência de a m b o s . Q u e o c a n d i d a t o eleito e os eleitores se convençam de que, de todas as supremas magistratur a s do E s t a d o , esta é, em m u i t o , a m a i s i m p o r t a n t e • • • • p o i s , no c a s o de t o d a c r i a t u r a vegetal ou a n i m a l • • • • • - t a n t o d o m é s t i c a q u a n t o s e l v a g e m • • • • •• - é o p r i m e i ro i m p u l s o de v i d a , é o brotar bem q u e se r e v e l a o m a i o r promotor do a d e q u a d o desenvolvimento q u e confere à •** * Como se eê, o afeito acenoa do p»imogia do educação já é antigo. Tilatão viveu c esoícecu estas Pinkos no sécuÇo IV a. C. e nós estamos no iminência dc odento o
IracMio iniPênio com
WÍMOS

congos púbPie.os e não compete absoPutatnente ao povo (oT|poç) - eonjunto íictciogênco dos cidadãos sem distinções - o.Çegê-Poc. ademais, não ká eleições num único tietno e a opuovação jinaP não depende dos ePcitoes, mas sim de inogiefíiadoe supitcmos cm creíoício c do sojlcio (a latificação dos deuses), (n.t.)

poises cujeis govc/uios seque» gePam poPo educação básica, inePusive demoetaeias... (n.t.)
• • • • •

L/tesosoido neste ponto

peu aPguns liePenistos de KCXI avBpcoJitov (e senes kumonos). (n.t.) qpepov K C U

ayptcov.... ,_A píimei/ia destas paPoiítas cobue o ecpcetío semônticei que. ine.Pui conceitos como domado, domestieado (tejciindo-cc a muitas espécies animais), euftivado (scjenindo-sc aos vegetais, na distinção o.nlte os pPantos siPi/eslJcs e as ouPfivados. po.t eiempPo, num jfliidim ou lauto), e dóciC e.mdgado («ejeíindo-sc a centos espécies animais, inePusive a kuinano). (n.t.)

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Platão - As Leis
c r i a t u r a a necessária excelência, O ser h u m a n o , nós o afirmamos, é u m a criatura doméstica, civilizada e, no entanto, se por um lado, graças a u m a correta educação c o m b i n a d a a u m a felicidade n a t u r a l se converte o r d i n a r i a m e n t e n a m a i s d i v i n a e n a m a i s d ó c i l d e tod a s as c r i a t u r a s , à falta da e d u c a ç ã o suficiente e b e m o r i e n t a d a , é a m a i s selvagem de t o d a s s o b r e a T e r r a , Diante disso, é imperioso q u e o legislador n ã o p e r m i t a que, a e d u c a ç ã o i n f a n t i l seja e n c a r a d a c o m o m a t é r i a d e i m p o r t â n c i a s e c u n d á r i a o u inessencial; m a s , visto q u e o futuro d i r e t o r t e m q u e s e r b e m s e l e c i o n a d o , o legislad o r deverá c o m e ç a r por fazer com q u e se esforcem ao máximo para indicar entre os cidadãos aquele q u e mais se d e s t a c a r em t u d o corno o m a i s virtuoso. E, p o r t a n t o , t o d o s os m a g i s t r a d o s , exceto os conselheiros e os prítanes, d e v e r ã o se dirigir ao templo de Apoio e d a r secretam e n t e o s e u v o t o à q u e l e e n t r e o s g u a r d i õ e s d a s leis q u e julgarem o m e l h o r p a r a dirigir os assuntos da e d u c a ç ã o . Aquele, q u e obtiver m a i o r n ú m e r o d e sufrágios, d e p o i s de se s u b m e t e r favoravelmente, a um e x a m e aplic a d o pelos magistrados i n c u m b i d o s da seleção ( n e n h u m d e l e s u m g u a r d i ã o d a s leis) a s s u m i r á o c a r g o c o o c u p a r á p o r cinco a n o s ; n o sexto a n o , u m o u t r o h o m e m dever á s e r e l e i t o p a r a esse, c a r g o n o s m e s m o s t e r m o s . Se, q u a l quer magistrado morrer mais de trinta dias antes do t é r m i n o d e seu m a n d a t o , a q u e l e s a q u e m c a b e e s t a tarefa t e r ã o q u e p r o v i d e n c i a r , s e g u n d o o s m e s m o s procedimentos, um substituto. Se um tutor de órfãos falecer, os p a r e n t e s destes r e s i d e n t e s n a c i d a d e , d o l a d o p a t e r n o e d o m a t e r n o , até, os filhos dos p r i m o s c o n s a n g ü í n e o s , deverão a p o n t a r um substituto no prazo de dez dias; caso contrário, pagarão cada um u m a multa de u m a d r a e m a por dia até i n d i c a r e m um substituto p a r a o tutor falecido. U m E s t a d o , d c fato, n ã o s e r i a u m E s t a d o s e n ã o p o s suisse tribunais a d e q u a d a m e n t e organizados, m a s u m j u i z q u e fosse m u d o o u q u e d i s s e s s e t ã o p o u c o q u a n t o p a r t e s e m l i t í g i o n u m a i n s t r u ç ã o p r e l i m i n a r , c o m o fazem os responsáveis pela arbitragem, n u n c a estará qualificado p a r a d i s t r i b u i r justiça; por conseguinte, n ã o será f á c i l p a r a u m a g r a n d e o u p e q u e n a e q u i p e de, h o m e n s julgar b e m se forem p o u c o capacitados, A m a t é r i a em

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Livro VI
* ©a sejo, po» mm dos

d i s p u t a de c a d a lado t e m s e m p r e q u e ser esclarecida e p a r a a elucidação do ponto em questão o t e m p o q u e se a r r a s t a , a d e l i b e r a ç ã o e as i n s t r u ç õ e s f r e q ü e n t e s s ã o ú t e i s . É p o r isso q u e os q u e i x o s o s d e v e m se d i r i g i r p r i meiramente aos vizinhos e aos amigos que conhecem b e m a s a ç õ e s e m litígio. S e n ã o c o n s e g u i r e m o b t e r u m a decisão conveniente dessa corte, a p e l a r ã o p a r a u m outro t r i b u n a l e, se as d u a s cortes n ã o forem c a p a z e s de definir o assunto, u m a terceira p o r á fim ao caso. N u m c e r t o s e n t i d o , é-nos lícito d i z e r q u e a o r g a n i z a ç ã o de tribunais vem a d a r no m e s m o q u e a eleição dos magist r a d o s visto q u e t o d o m a g i s t r a d o t e m q u e ser t a m b é m u m juiz d e certas m a t é r i a s , e n q u a n t o u m juiz, m e s m o n ã o sendo um magistrado, pode-se dizer q u e o é e dc não pouca m o n t a no dia em q u e conclui um processo p r o n u n c i a n d o s u a s e n t e n ç a . S u p o n d o e n t ã o q u e o s juizes s e j a m m a g i s t r a d o s , d e c l a r e m o s q u a i s s e r ã o o s juizes a d e q u a d o s , q u e c a u s a s p o d e r ã o julgar e q u a n t o s serão necessários para cada u m a . A forma mais elementar de corte é a q u e as d u a s partes a r r a n j a m p a r a si m e s m a s , escolhendo juizes segundo acordo m ú t u o ; q u a n t o às r e s t a n t e s , c o n d u z e m a d u a s f o r m a s de julgam e n t o , a q u e l a n a tpial u m c i d a d ã o p a r t i c u l a r a c u s a u m o u t r o d e lesá-lo e . p r e t e n d e o b t e r u m v e r e d i t o q u e l h e seja favorável l e v a n d o o o u t r o c i d a d ã o a j u l g a m e n to, e a q u e l a na q u a l a l g u é m crê q u e o E s t a d o está send o l e s a d o p o r u m d o s c i d a d ã o s e d e s e j a d e f e n d e r o interesse c o m u m . • E i m p e r a t i v o i n d i c a r q u e m s e r ã o os juizes e de q u e espécie. Em p r i m e i r o lugar, é preciso q u e t e n h a m o s u m t r i b u n a l q u e seja c o m u m a t o d o s o s cidad ã o s q u e a p e l a m e m terceira i n s t â n c i a , q u e s e constituirá da m a n e i r a q u e descrevemos a seguir, a saber, no dia q u e precede o começo de um novo ano de m a n d a t o - quer dizer, q u e c o m e ç a c o m o m ê s * * q u e se s e g u e i m e d i a t a m e n t e ao solstício de v e r ã o * • • - t o d o s os magistrados, d c m a n d a t o d e a p e n a s u m a n o o u m a i s longo, s e r e u n i r ã o no m e s m o t e m p l o e, a p ó s ter p r e s t a d o j u r a m e n t o a o d e u s , t o m a r ã o d e c a d a c o r p o d e m a g i s t r a d o s u m juiz, n o m e a d a m e n t e , o m e m b r o de cada corpo q u e consider a m o m e l h o r e q u e lhes parece ter m e l h o r e s condições d e d e c i d i r q u a n t o a o s litígios d c s e u s c o n c i d a d ã o s durante o a n o seguinte da forma m e l h o r e m a i s s a g r a d a .

mogisttodos o P s l n d o . dispensando quaísque» p»ocedii«ntos judiciais que não o afetam e aos quais eslá imune, eosliyo diwlammhi os cidadãos que, violam certas leis, deixando oo cidadão comum exemplos, que toma os dotes do e s t a d o no seu senso da coisa pública, a ta»cfo c*nt«af dc denuncio» e/oe p«oecssa» aqueles que í«fjtingcm as leis em ge»al. fiis um dos pitincipais fundamentos do fístado socialista platônico. Í..I.) * * f)u o feri, P)s gncgos (mais pseeisomente, os atenienses) se baseatam no ciclo Cunot pata monta» o seu calendário (ano de doge meses oniginafmente de t»inta dias). "Daí a possível ambigüidade raioda po» -Platão «este Ueeíio ( „ . U £ T a flepivaçipcmaçTOJ ETiiovii p n v i y t y v e a G a i . . . ) «ão jc|>.<TCSontM p»obl(«a algum [mês c u r i v (u.rjv>Qç) e lua f, HTjvrj]. (n.t,) * * * C) início do ano ateniense etn «o piimeiso dia do més dc cslio ofwmado E K H . T o u . p a t c u v que eonespondia segundo alguns íielcnistns as peiíodo enfie a segunda meiade dc juldo e a p»imei»a mclade dc aqoslo. segundo oul»os a junlio/juldo e no po/ieec» ainda de outros ofiroxitnadomcnte 00 mês de jullio. (n.l.)

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Platão - As Leis
E s t a n d o estes escolhidos, s e r ã o s u b m e t i d o s a o e x a m e a n t e aqueles q u e os elegeram, e no caso de a l g u m a reprovação desqualificadora, devera se p r o c e d e r à substituição c o n f o r m e p r o c e d i m e n t o s análogos. Os a p r o v a d o s no exame a t u a r ã o corno juizes p a r a os queixosos q u e a p e l a r a m d a decisão d o s outros t r i b u n a i s , i n d i c a n d o seus votos e m público. Os conselheiros e todos os outros magistrados q u e os elegeram serão o b r i g a d o s a c o m p a r e c e r a esses julgamentos na q u a l i d a d e de ouvintes c p a r a testemun h a r e m o acontecimento; por outro lado, tais julgamentos s e r ã o a b e r t o s a o p ú b l i c o . N o c a s o d e a l g u é m a c u s a r u m juiz d e a p l i c a r d e l i b e r a d a m e n t c u m a s e n t e n ç a injust a , o a c u s a d o r d e v e r á d i r i g i r - s e a o s g u a r d i õ e s d a s leis e apresentar-lhes s u a a c u s a ç ã o . S e n d o o juiz c o n d e n a d o em função de u m a tal acusação se verá obrigado a pa•..10

qntau...

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a

quantia correspondente

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metade*

daquela

f i n f i t e t o n í o , o s gsandes tcfcnictoe e fifáPogos f.tigftwd e C. 'HiíirA. este úfKmo pos entifei do anoPogio eom um fjcefco «o scqiiê.iiein de. ;jts áftüs, «gtofofacMN T O S i t t X a a i o v ( o dob»e>) e m Puga» dc TO q u i o T J (o metade), (n.l.) for

a v a l i a d a p a r a os d a n o s sofridos p e l a p a r t e lesada, e se julgado q u e merece u m a p u n i ç ã o maior, os juizes do caso deverão estimar qual a punição complementar a s e r i n f l i g i d a , ou q u a l o v a l o r a d i c i o n a l a s e r p a g o ao E s t a d o c ao q u e i x o s o . No q u e c o n c e r n e às o f e n s a s f e i t a s c o n t r a o E s t a d o é n e c e s s á r i o , em p r i m e i r o lugar, q u e a m u l t i d ã o p a r t i c i p e do j u l g a m e n t o , pois q u a n d o um delito

& cometido contra o Estado, todo o povo é atingido, o

q u a l se sentiria l e s a d o se n ã o p a r t i c i p a s s e desses julgamentos; p o r é m , se p o r um l a d o é correto q u e o começo e a conclusão dc tais julgamentos sejam entregues às m ã o s do povo, a instrução deverá ocorrer diante dc três dos magistrados supremos, escolhidos sob acordo m ú t u o de r é u e q u e i x o s o , q u e s e n ã o f o r e m c a p a z e s s o z i n h o s ole c h e g a r a um c o n s e n s o , p a s s a r ã o ao c o n s e l h o , o q u a l dec i d i r á ern ú l t i m a i n s t â n c i a p a r a c a d a u m a d a s d u a s p a r tes. I g u a l m e n t e n o s j u l g a m e n t o s p r i v a d o s , n a m e d i d a d o possível, t o d o s o s c i d a d ã o s d e v e r ã o p a r t i c i p a r , pois l o d o aquele que n ã o participa dos julgamentos se imagina a b s o l u t a m e n t e excluído do Estado. C o n s e q ü e n t e m e n t e . s e faz i m p e r i o s a t a m b é m a e x i s t ê n c i a d c t r i b u n a i s p a r a c a d a t r i b o , e juizes a p o n t a d o s p o r sorteie} q u e i m p r o v i s a d a r n e n t e deverão ajuizar os casos, fazendo-se inacessíveis às apelaç õ e s ; c o n t u d o , o v e r e d i t o final c m t o d o s e s s e s c a s o s d e v e rá ser de responsabilidade do t r i b u n a l a ser organizado, c o m o d e c l a r a m o s , d a m a n e i r a m a i s i n c o r r u p t í v e l q u e seja

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Livro VI
h u m a n a m e n t e possível, e s p e c i a l m e n t e p a r a o benefício d a q u e l e s q u e n ã o c o n s e g u i r a m u m a d e f i n i ç ã o d e seus casos n e m d i a n t e dos vizinhos, n e m n a s cortes das tribos. demos • * P o r c o n s e g u i n t e , no q u e diz respeito a o s tridizer com certeza se são magistraturas o u não • * CM »csutno, soo indicados duos modofedndns de ftmsm seguidos de jufgowenlos (o p»it odo c o piiíific.o) de que dmm do* conta Ms tipos: de Ijibunnis: os noites íocais fo/urodos po» w-giiiíioc. os SMtes dos b i f a s e os e.o»tes dc opefoçõo. (n.t.)
:

b u n a i s , e m relação aos quais, c o m o a f i r m a m o s , n ã o pos e m c a i r m o s n u m a a m b i g ü i d a d e , - esse e s b o ç o servirá p a r a dar deles u m a descrição parcial, a despeito de m u i t o o m i t i r , j á q u e s e r i a m a i s a p r o p r i a d o q u e a legislação o a definição nas suas m i n ú c i a s no q u e trata aos processos fossem colocadas na conclusão do código de leis. Posto isto, q u e e s s a s m a t é r i a s n o s a g u a r d e m n a conc l u s ã o . Q u a n t o à s o u t r a s m a g i s t r a t u r a s , p e n s o q u e rec e b e r a m a m a i o r i a d a s l e i s q u e r e q u e r i a m p a r a s e u est a b e l e c i m e n t o . M a s será impossível a p r e s e n t a r c l a r a m e n t e um relato completo e preciso sobre todos os d e p a r t a m e n tos do E s t a d o na p a r t i c u l a r i d a d e de c a d a um e s o b r e o todo da organização do Estado e n q u a n t o nosso exame não tiver a b a r c a d o t o d a s a s p a r t e s d e s e u o b j e t o , d a p r i m e i r a à ultima, na devida ordem. De m o d o q u e agora, no ponto em q u e nos encontramos q u a n d o n o s s a e x p o s i ç ã o j á cheé-nos possível gou a incluir a eleição d o s magistrados -

a c h a r u m p o r t o seguro p a r a encerrar nosso assunto anterior e iniciar o a s s u n t o da legislação, q u e d i s p e n s a a g o r a quaisquer adiamentos ou retardamentos. CUnias: 0 a s s u n t o a n t e r i o r , e s t r a n g e i r o , t u o t r a t a s t e d e m o d o a nos satisfazer p l e n a m e n t e , m a s a n s i á m o s com m a i o r e n t u s i a s m o a i n d a ao ouvir te falar do c a m i n h o p e l o q u a l ligaste t u a s a f i r m a ç õ e s p a s s a d a s às f u t u r a s o fim ao início. 0 ateniense: P a r e c e , e n t ã o , q u e a t é a g o r a , j o g a m o s b e m o n o s s o jogo razoável de velhos. Clínias: E s t á s m o s t r a n d o , m e p a r e c e , u m b o m t r a b a l h o para homens. O ateniense: M u i t o p r o v a v e l m e n t e , m a s v e j a m o s se tu

c o n c o r d a s c o m i g o mini o u t r o p o n t o . Clínias: Q u a l é e a o q u e s e r e f e r e ? 0 ateniense: S a b e s c o m o , p o r e x e m p l o , a a r t e d o p i n t o r a o r e t r a t a r o s v á r i o s l e m a s p a r e c e n ã o t e r l i m i t e , s e afig u r a n d o incapaz de se dcier na aplicação dos toques c o l o r i d o s - o u seja l á q u a l for a e x p r e s s ã o c o m a q u a l o s

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Platão - As Leis
pintores profissionais d e n o m i n a m este processo a p r i m o r a m e n t o em termos de beleza e expressão. Clínias: E u , i n c l u s i v e , m e r e c o r d o de. t e r o u v i d o a l g o a respeito d o q u e m e n c i o n a s , e m b o r a e u n ã o seja d e m o d o algum prático nesse tipo de arte. O ateniense: N ã o és c e r t a m e n t e o p i o r n e s s a m a t é r i a . e atin-

gir u m p o n t o tio q u a l o q u a d r o n ã o a d m i t a m a i s n e n h u m

P o d e m o s , d e q u a l q u e r m a n e i r a , u s a r esse fato q u e n o s ocorreu e que mencionamos para ilustrar o seguinte ponto; supondo que alguém se proponha a pintar um objeto e x t r e m a m e n t e belo n u m esforço n o sentido d e q u e esse objeto ao longo d o s a n o s j a m a i s p e r c a em beleza m a s só a g a n h e , n ã o a c h a s q u e c o n s i d e r a n d o q u e o p i n t o r é m o r t a l , a m e n o s q u e ele deixe um sucessor c a p a z de r e p a r a r o q u a d r o em c a s o d e s t e sofrer os desgastes provocados pelo tempo e t a m b é m no futuro aind a m e l h o r á - l o r e t o c a n d o q u a l q u e r deficiência p o r seu próprio lavor imperfeito, o seu t r a b a l h o infindável terá apenas resultados de efêmera duração? Clínias: A c h o q u e s i m , O ateniense: O r a , evidentemente.

não achas t a m b é m que o propósito

do legislador é semelhante? Ele se propõe, primeiram e n t e , a redigir a s leis, n a m e d i d a d e s u a c a p a c i d a d e , com c o m p l e t a precisão; a seguir, q u a n d o no decorrer d o t e m p o ele s u b m e t e s e u s d e c r e t o s d e lei à p r o v a d a prática, n ã o p o d e s i m a g i n a r q u e ele (como q u a l q u e r outro legislador) será tão tolo a p o n t o de n ã o p e r c e b e r q u e v á r i o s a s p e c t o s f a l h o s d e s u a l e g i s l a ç ã o d e v e m fat a l m e n t e ser e l i m i n a d o s , o q u e será a tarefa de a l g u m sucessor seu p a r a q u e a constituição e a organização do Estado possam sempre m e l h o r a r e n u n c a piorar. Clínias: isso, está claro, é o q u e t o d o s n a t u r a l m e n t e

desejam. O ateniense: S u p õ e , e n t ã o , q u e a l g u é m c o n h e c e s s e u m meio pelo qual pudesse ensinar u m a outra pessoa mediante a ação e a palavra a compreender, n u m grau m a i o r o u m e n o r , c o r n o p r e s e r v a r o u c o r r i g i r a s leis neste caso, p r e s u m o , esse a l g u é m c e r t a m e n t e j a m a i s cessaria de expor esse seu meio e n q u a n t o n ã o tivesse a t i n g i d o seu fim, n ã o é m e s m o ? Clínias: Certamente, não.

252

Livro VI
O ateniense: Não precisaríamos nós três agir assim

neste ensejo? CUnias: O q u e q u e r e s d i z e r ? O ateniense: E s t a m o s p r e s t e s a p r o d u z i r l e i s , e g u a r d i õ e s d a s leis f o r a m i n d i c a d o s p o r n ó s . P o r t a n t o , c o m o e s t a m o s n o a n o i t e c e r d a vida, e n q u a n t o eles c o m p a r a d o s a n ó s são jovens, n ã o d e v e r í a m o s nos limitar a legislar n ó s m e s m o s , m a s t a m b é m fazer d e l e s legisladores a o m e s m o t e m p o q u e g u a r d i õ e s d a s leis n a m e d i d a d e inossa capacidade.

CUnias: D e v e r í a m o s . . . q u e r d i z e r , s e f o r m o s c a p a z e s d e realizado. O ateniense: D e q u a l q u e r m a n e i r a , t e m o s q u e t e n t a r , e duramente. CUnias: N ã o h á a m e n o r d ú v i d a . O ateniense: Dirijamo-nos muitas a eles, nas portanto, matérias nos que

seguintes termos: deixaremos

"Caros p r e s e r v a d o r e s d a s leis, lacunas

c o n c e r n e m a essas leis, o q u e é inevitável: a i n d a a s s i m , todas as m a t é r i a s i m p o r t a n t e s , b e m c o m o o texto geral serão incluídos, na medida de nossa capacidade, em

nosso

esboço. Vossa a j u d a será exigida p a r a c o m p l e t a r

este esboço e precisais ouvir o q u e temos a dizer a respeito d o objetivo q u e deveis ter e m m i r a a n t e s d e e m p r e e n d e r d e s e s s a t a r e f a . Megilo, Clínias e eu * temos •...Mt:ytA,Xoç u e v y a p K O U eyco K C U
K Â E I V U X Ç

a f i r m a d o c o m freqüência e n t r e nós esse objetivo e concordamos q u e está corretamente expresso, de m o d o q u e desejamos q u e vós entreis d e i m e d i a t o e m u n í s s o n o conosco, como nossos discípulos, a s s u m i n d o a meta q u e c o n f o r m e o c o n s e n s o de n ó s t r ê s , o legislador e o g u a r d i ã o d a s leis d e v e m a s s u m i r . N o s s o a c o r d o e m s í n t e s e e n a s u a e s s ê n c i a foi s i m p l e s m e n t e e s t e : q u e fosse q u a l fosse o m e i o p e l o q u a l u m m e m b r o d e nossa C o m u n i d a d e - h o m e m ou m u l h e r , jovem ou velho pudesse se tornar um bom indivíduo, detentor da excelência q u e é própria da a l m a h u m a n a , a partir de alguma ocupação, de u m a disposição moral, dc u m a f o r m a de n u t r i ç ã o , * * ou a p a r t i r do desejo, da o p i n i ã o o u d e c e r t a s f o r m a s d e e s t u d o , a o l o n g o de, t o d a s u a existência todos os seus esforços s e r i a m dirigidos à realização desse propósito; e nem urna única pessoa

.yMwjiPn, e» c

OPínias. (n.l.)

* • u4f» m rapwnfwita!
« r i d b e M m m fio (reto díi'o,*qPí»
PIIÍ.ÍO

ns

moífoPeqifnírwitífí sratiePíionlos a i r r | o c t o ç (nuí»içõo. oftttwnlíiçôo) p K T q c j e o j ç (nqnisipno. posso), fitnbo/in toiilirmw: lep/iodiigidn fi (rtinip.i.m fiosíf/io, o jota ó quo todos mm
««OPÍIOS
SP

onqnodtoín jiosín Pinto do M/Piopínio dpspnioPiída (>p>;i
c

PPaíòo. (n.l.)

253

Platão - As Leis
sc manifestará ciando preferência a q u a i s q u e r bens q u e obstem * Ô « seja, o bom mirnibtc da
comunidade, (n.f.)

essa meta;

finalmente, m e s m o no q u e diz

respeito ao E s t a d o , será preferível q u e ele* o deixe ser a b a l a d o p o r u m a insurreição, s e p a r e c e r inevitável, d o q u e voluntariamente se submeter ao jugo da escravidão sob o governo d o s piores ou, a i n d a m a i s , t e n h a ele q u e a b a n d o n a r o E s t a d o c o m o um exilado. E preferível q u e as pessoas s u p o r t e m t o d a s esses sofrimentos a m u d a r p a r a u m a forma de governo que, naturalmente, torna a h u m a n i d a d e pior. Foi n i s t o q u e c h e g a m o s a um c o n s e n s o a n t e r i o r m e n t e e c o m p e t e a vós agora m a n t e r esses nossos dois objetivos em vista ao revisardes as leis e reprovardes todas as q u e n ã o são c a p a z e s de a t e n d e r a eles, a p r o v a n d o t o d a s as q u e sejam c a p a z e s de os a t e n d e r , e as a c o l h e n d o de t o d o o c o r a ç ã o governar vossas vidas por elas. A todas as outras p r á t i c a s q u e t e n d e m p a r a o s c h a m a d o s bens d i f e r e n t e s desses deveis dizer adeus." C o m o p o n t o d e p a r t i d a d a s leis q u e s e s e g u e m devem o s nos o c u p a r d a s coisas s a g r a d a s . T o m e m o s novam e n t e o n ú m e r o 5 0 4 0 e o n ú m e r o de subdivisões conv e n i e n t e s q u e d e s c o b r i m o s q u e cie c o n t é m t a n t o c o m o inteiro q u a n t o q u a n d o dividido em tribos. O n ú m e r o d a s tribos, como dissemos, é a d u o d é c i m a p a r t e do n ú m e r o inteiro, q u e corresponde exatamente à multiplicação de 20 por 2 1 . * * Nosso n ú m e r o inteiro tem

• * (-h mija, a dhiwa
segunda patk de C 0 4 0 é 4 2 0 , tjuc é f>/tecisanie«te o ncsuflndo da multiplicação dc 20 pai 21. (n.t.)

doze subdivisões e o n ú m e r o d a s tribos t a m b é m , e cada u m a dessas frações deve n e c e s s a r i a m e n t e ser encarada como um dom sagrado do deus, em conformidade com os m e s e s e a revolução do universo, pelo q u e , também, todo Estado é guiado pelo seu instinto a preservar a s a c r a l i d a d e dessas divisões, e m b o r a a l g u m a s pess o a s t e n h a m p o s s i v e l m e n t e feito s u a s d i v i s õ e s m a i s corretarnentedo que outras, ou as t e n h a m consagrado com m a i o r felicidade. Nós, em todo caso, a f i r m a m o s agora q u e estamos perfeitamente corretos em primeirament e s e l e c i o n a r o n í i m o r o 5 0 4 0 , o q u a l é d i v i s í v e l p o r tod o s os n ú m e r o s dc 1 a 12, c o m a ú n i c a e x c e ç ã o do 11, e x c e ç ã o q u e p o d e s e r m u i t o l a c i l m e u t c r e m e d i a d a vist o cjue a m e r a s u b t r a ç ã o d c d o i s l a r e s d o t o t a l r e s t a u -

•••flusejo, M - (t! v

ra um n ú m e r o inteiro c o m o q u o c i e n t e , * * * v e r d a d e que poderíamos demonstrar, à vontade, mediante

+ 2.
(n.f.)

254

Livro VI
u m a brevíssima explicação. No m o m e n t o , então, confiaremos na afirmação oracular enunciada e empregaremos essas subdivisões, d a n d o a cada fração o n o m e d e u m d e u s o u d e u m filho d e u m d e u s e a t r i b u i n d o o s a l t a r e s e todos os acessórios; e d i a n t e destes a l t a r e s determinaremos que ocorram duas reuniões por mês para a c e l e b r a ç ã o d e s a c r i f í c i o , d a s q u a i s ( a n u a l m e n t e falando) doze serão para toda a divisão tribal e doze p a r a s u a p a r t e u r b a n a a p e n a s . O objetivo em p a u t a será, p r i m e i r a m e n t e , oferecer a ç ã o de graças aos d e u s e s e servi-los, e em s e g u n d o lugar, f o m e n t a r entre n ó s a c a m a r a d a g e m , a m ú t u a f a m i l i a r i z a ç ã o e t o d a s a s form a s de r e l a c i o n a m e n t o pois, v i s a n d o à c a m a r a d a g e m e às u n i õ e s m a t r i m o n i a i s , será n e c e s s á r i o e l i m i n a r a ignorância tanto da p a r t e do m a r i d o em referência à m u l h e r q u e d e s p o s a e a f a m í l i a da q u a l ele p r o v é m como da parte do pai com referência ao h o m e m ao qual está d a n d o sua filha em casamento. E s u m a m e n te i m p o r t a n t e em tais a s s u n t o s evitar, na m e d i d a do possível, q u a l q uer erro. A fim de atingir essa séria m e t a , d e v e r ã o ser o r g a n i z a d a s d a n ç a s p a r a r a p a z e s e m o ç a s , n a s q u a i s eles ao m e s m o t e m p o se o b s e r v a r ã o e se deix a r ã o ser o b s e r v a d o s de u m a m a n e i r a razoável e em ocasiões q u e ofereçam um a d e q u a d o pretexto, com seus corpos n u s nos limites q u e u m a sábia reserva impon h a a todos. Os magistrados q u e se o c u p a m dos corais serão os supervisores e controladores de todas essas matérias, bem como em associação com os guardiões d a s leis s e r ã o o s l e g i s l a d o r e s d e t u d o q u e d e i x a r m o s sem r e g u l a m e n t a ç ã o . È, c o m o dissemos, inevitável q u e no tocante a todas as matérias q u e envolvem numerosos p e q u e n o s d e t a l h e s o legislador d e i x e l a c u n a s [e comedi imperfeições], de maneira q u e modificações e correções d e v e r ã o ser feitas a n u a l m e n t e p o r a q u e l e s q u e [ l i d a n d o c o n s t a n t e m e n t e c o m a s leis] a d q u i r e m experiência delas ao longo dos a n o s e são orientudos p e l a p r á t i c a , até q u e s e d e c i d a q u e u m c ó d i g o legal s a t i s f a t ó r i o t e n h a s i d o f o r m a d o p a r u r e g u l a m e n t a r todos esses p r o c e d i m e n t o s . Um p e r í o d o justo c suficiente p a r a a execução desse t r a b a l h o experimental seria dez a n o s , tanto p a r a os sacrifícios q u a n t o p a r a as d a n ças em todos os seus diversos detalhes; c a d a e q u i p e de

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Platão - As Leis
magistrados a t u a n d o em associação com o legislador o r i g i n a l , s e este a i n d a estiver vivo, o u s o m e n t e eles s e estiver m o r t o , c o m u n i c a r á a o s g u a r d i õ e s d a s leis a s omissões observadas em sua própria área, preenchendo, completando e aprimorando até q u e cada detalhe a l c a n c e s e u a d e q u a d o a c a b a m e n t o ; feito isto, o s magist r a d o s d e c r e t a r ã o e s s a s leis c o m o r e g r a s e s t a b e l e c i d a s , e a s e m p r e g a r ã o c o m o o r e s t o d a s leis p r o m u l g a d a s o r i g i n a l m e n t e pelo legislador. Estas últimas n ã o deverão j a m a i s ser a l t e r a d a s p o r eles s e g u n d o s u a p r ó p r i a vontade. Entretanto, se em algum m o m e n t o se concluir pela n e c e s s i d a d e de u m a alteração, todo o povo terá q u e ser consultado, b e m como todos os demais magistrados, a l é m do fato de ser o b r i g a t ó r i a a b u s c a de o r i e n t a ç ã o j u n t o a todos os oráculos dos deuses; e caso haja um c o n s e n t i m e n t o geral p o r p a r t e d c todos, e n t ã o p o d e r ã o realizar a alteração, m a s sob q u a i s q u e r o u t r a s condições em m o m e n t o a l g u m ; e a q u e l e q u e objetar a alteraç ã o p r e v a l e c e r á s e m p r e d e a c o r d o c o m a lei. Q u a n d o um h o m e m de vinte e cinco a n o s de idade, •
* :A fflíw ptíí*iíi indicada |io« ' P l a t ã o otitawowcntc ç.

a p ó s observação dos outros e depois de ter sido objeto da observação dos outros, acredita ter encontrado em algum lugar uma companheira do seu gosto e a d e q u a d a p a r a a p r o c r i a ç ã o de filhos, ele se c a s a r á , sempre antes de completar trinta e cinco a n o s ; ' antes mas deverá escutar a orientação quanto a como

«rim b o d a e tawte « «uno
mios. (n.t)

procurar a m u l h e r conveniente e a d e q u a d a pois, como s u s t e n t a CUnias, d e v e - s e i n t r o d u z i r c a d a l e i m e d i a n t e u m p r e l ú d i o q u e l h e seja a p r o p r i a d o . CUnias; M u i t o b e m l e m b r a d o , e s t r a n g e i r o , e e s c o l h e s t e , a m e u ver, u m p o n t o b a s t a n t e o p o r t u n o n o t e u d i s c u r s o p a r a lembrá-lo. O ateniense; E s t á s c e r t o . A s s i m d i g a m o s a o f i l h o d e p a i s e x c e l e n t e s : " M e u f i l h o , eleves c o n c l u i r u m c a s a m e n t o q u e seja a p r o v a d o por h o m e n s de scuso, q u e te aconsel h a r i a m a n ã o evitar a ligação com u m a família p o b r e e n e m b u s c a r a r d e n t e m e n t e a ligação com u m a família rica, m a s , sendo todas as outras coisas iguais, preferir s e m p r e u m a aliança c o m u m a família d e recursos mod e r a d o s . Um tal p r o c e d i m e n t o beneficiará tanto o E s t a d o q u a n t o os lares u n i d o s já q u e o e q u i l í b r i o e q ü i t a t i v o c a proporção são s u m a m e n t e superiores a um extremo sem

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Livro VI
' mescla. O h o m e m q u e se sabe i n d e v i d a m e n t e precipi' t a d o e violento em todas suas ações deve c o n q u i s t a r • u m a noiva o r i u n d a dc pais serenos, e n q u a n t o o hom e m de t e m p e r a m e n t o oposto deve agir v i s a n d o a. se unir a u m a esposa de tipo oposto. Com relação ao cas a m e n t o e m geral deverá haver u m a regra geral: t o d o h o m e m terá q u e constituir o c a s a m e n t o m a i s p e n s a n d o n o benefício d o E s t a d o d o q u e n a q u i l o q u e a g r a d a , m a i s a si m e s m o . T o d o s t e n d e m n a t u r a l m e n t e a b u s car u m a companheira que se assemelhe o máximo possível a si m e s m o , o q u e p r o d u z em t o d o o E s t a d o o desequilíbrio tanto dos bens q u a n t o do caráter do ponto de vista moral, c por causa disso as conseqüências m a i s indesejáveis p a r a nós são a q u e l a s q u e geralmente se a b a t e m sobre a maioria dos Estados. Promulgar leis e x p r e s s a s a c e r c a d e s s a s m a t é r i a s - c o m o p o r exemplo proibir q u e u m h o m e m rico s e case com u m a mulher de família rica ou q u e um h o m e m p o d e r o s o se u n a a u m a família poderosa, ou obrigar um h o m e m . de t e m p e r a m e n t o impulsivo a b u s c a r a l i a n ç a [através do casamento] com aqueles q u e têm t e m p e r a m e n t o s • m a i s detidos, c o lento c o m o p r e c i p i t a d o - isto, a l é m d e s e r r i d í c u l o , p r o d u z i r i a r e s s e n t i m e n t o e m l a r g a esc a l a , p o r q u e a s p e s s o a s n ã o a c h a m fácil p e r c e b e r q u e um E s t a d o deveria ser c o m o um grande, v a s o * • cont e n d o v i n h o m i s t u r a d o no q u a l q u a n d o o v i n h o é vertido, n u m p r i m e i r o m o m e n t o ele e s p u m a furiosamente, s e n d o , e n t r e t a n t o , logo m o d e r a d o p o r u m a o u t r a sóbria divindade* * • c formando u m a boa combinação e produzindo uma bebida saudável e temperada; q u e isto é p r e c i s a m e n t e o q u e acontece na p r o c r i a ç ã o d a s c r i a n ç a s é algo q u e dificilmente a l g u é m é c a p a z de perceber. D a í é preciso q u e se o m i t a no código legal tais regras, tentando-se meramente, por meio de u m a ' espécie dc e n c a n t a m e n t o verbal p e r s u a d i r n todos no sentido dc estimarem o equilíbrio de suas crianças com m a i o r peso q u e aquela igualdade dc uru c a s a m e n t o f ! com r i q u e z a excessiva, e p o r m e i o de c e n s u r a s desviar desse objeto a q u e l e q u e se p r o p õ e a c a s a r por dinheiro, e m b o r a n ã o p o s s a m o s obrigá-lo p o r m e i o d e u m a lei e s c r i t a . C o m r e f e r ê n c i a a o c a s a m e n t o , e s s a s s e r ã o a s e x o r t a ç õ e s f e i t a s a se, s o m a r e m à s q u e f o r a m
* * * * "Õwatando aqui do Casamento. 'TPalão dejine i

:t

••

Kparqp

( K p a r q p o ç ) , g,w«Jc wiso ou fnça dc boca Cawja onde se.
wistMoVo vitilio o, água pato depois se tom dePe » mielriíio em tae,as pequenas eomuue; oa uliPijjodo inflPusice et» oeMíitôMas soPigiosas pana a fibnçeio dos participante; aos deuses. (».(.) ' * ' ( • ) { > seja, a do eiquo. (M.)

!
bem os domínios do PegaP (vouoç) c do nto.ioP
(r)9iKOç). (n.l.)

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Platão - As Leis
• Que se entendo que o eseoCtia da esposa c família não seria detesminoda por te. mas o casamento sim. no que ' P l a t ã o simplesmente honscíiew paro seu fistado ideal a lei »cfe*enfc ao casamento ( y a u o ç ) eiqgnte de fato na gwnde maioria das cidades gregas da antigüidade mais *e»ora (que para ele não c»a (no semota), ine(!«si* ei» ;.4fenas. >A obrigatoriedade do casamento em função da piiOCMação dc, jilfcos legítimos estaio na onfígiiidode g/iega lineulada Hçeeesa.tíameníe ã perenidade do culto nas deuses domésticos no Ia» [EOTial (responsabilidade

feitas a n t e r i o r m e n t e , a f i r m a n d o o dever de se ligar à r e a l i d a d e e t e r n a d e i x a n d o a t r á s de si filhos dos p r ó p r i o s filhos e f o r n e c e n d o ao d e u s servidores q u e n o s s u b s t i t u e m i n c e s s a n t e m e n t e . T u d o isso e m a i s p o d e r se-ia d i z e r n u m a p r o p r i a d o p r e l ú d i o r e l a t i v o a o c a s a m e n t o e ao dever de se casar. * No caso de a l g u é m , entretanto, furtar-se v o l u n t a r i a m e n t e a esse dever, m a n tendo-se isolado e sem c o m p a n h e i r a no Estado até atingir a i d a d e de t r i n t a e c i n c o a n o s solteiro, dever-se-á lhe impor u m a multa anual de cem draemas se pertencer à mais alta classe de proprietários, setenta drae m a s se p e r t e n c e r à s e g u n d a , s e s s e n t a se p e r t e n c e r à t e r c e i r a , e t r i n t a se p e r t e n c e r à quarta. O dinheiro dessa multa será consagrado a Hera. • * Aquele que d e i x a r de p a g a r a multa no seu valor total todo a n o ficará d e v e n d o d e z vezes o valor d e l a , s e n d o tarefa do tesoureiro da d e u s a cobrá-lo e exigir tal p a g a m e n t o , s o b p e n a d e e l e m e s m o a r c a r c o m o p a g a m e n t o s e faltar a sua tarefa; enfim, na prestação dc contas, lodo c i d a d ã o [solteiro] d e v e r á fazer s u a q u i t a ç ã o d a m u l t a devida. Do p o n t o de vista financeiro, será essa a m u l t a dos eclibatários; m a s além disso serão privados da honra p r e s t a d a pelos jovens e n e n h u m destes terá de s u a e s p o n t â n e a v o n t a d e q u a l q u e r c o n s i d e r a ç ã o p o r eles; se um celíbatário t o m a r a iniciativa de castigar alguma pessoa, todos d e v e r ã o vir em auxílio da v í t i m a c defendê-la, e t o d o a q u e l e q u e estiver p r e s e n t e e se omitir em relação a essa assistência será p r o c l a m a d o p e l a lei c o m o s e n d o a u m a v e z c o v a r d e e m a u c i d a d ã o . N o q u e c o n c e r n e a o d o t e , foi a f i r m a d o a n t e r i o r m e n t e , e será a f i r m a d o n o v a m e n t e , q u e um i n t e r c â m b i o igualitário consiste em n e m d a r n e m receber q u a l q u e r presente, n e m é provável q u e d e n t r e os c i d a d ã o s os pobres p e r m a n e ç a m nessa c o n d i ç ã o solteiros até a velhice p o r falta de r e c u r s o s , * * • pois cm n o s s o E s t a d o to dos terão o necessário para a vida, e o resultado dessa regra será m e n o s insolência p o r p a r t e d a s e s p o s a s e menos h u m i l h a ç ã o e servilismo da parle do m a r i d o por causa de dinheiro. Quem acatar esta regra estará agindo nobremente, mas q u e m desacatá-la d a n d o ou r e c e b e n d o p a r a o enxoval u m a s o m a s u p e r i o r a cinqüenta draemas, ou superior a u m a mina, ou superior

do filto primogênito), céluíabasc do culto »e!ígioso p»csen(c «o p»óp»fa y e v o ç (o família g»ega formado Icrjoíwcntc a partir dc iti» tronco comum, isto é, de um antepassado comum de origem Píiiíc), euflo este a ser completado pelo culto público nos deuses do fistado. fislá cloro que -Platão não adota toda esso ectwiura na sua concepção da organização do fistado - titoía-se apenas de saliento» que o obrigatoriedade do casamento f>fi íficula;imetitc eiibe um
;

elemenio soudosisla no socialismo platônico, muito pouco peímeáieí a efcííuae armações,
!

Pfeomendatníis

nofonienle a feitura alenin de • A ('idade .ytnligo dr \ l u s l c t de (íouPangee e de. A Pfqiiiliííoei dr: • Pfnlan. desta mesmo série fiteeieoe. (n.t.)

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Livro VI
a u m a m i n a e m e i a , o u a i n d a (se m e m b r o d a c l a s s e d e proprietários m a i s elevada) u m a q u a n t i a acima d e d u a s m i n a s - ficará devendo ao tesouro público u m a s o m a de valor c o r r e s p o n d e n t e e a s o m a d a d a ou recebida será c o n s a g r a d a a H e r a e Z e u s , e os t e s o u r e i r o s d e s s a s divind a d e s deverão a d m i n i s t r a r a p r e s t a ç ã o de contas conforme a regra dos casos dos celibatários, nos q u a i s o a j u s t e é feito a c a d a o p o r t u n i d a d e p e l o s t e s o u r e i r o s d e H e r a , q u e se n ã o o fizerem a r c a r ã o eles m e s m o s c o m a multa dos devedores às suas próprias expensas. O direito de contratar c a s a m e n t o pertence em primeiro lugar ao pai, a seguir ao avô e em terceiro lugar aos i r m ã o s n a s c i d o s do m e s m o pai; à falta destes, c a b e com justiça aos parentes por linhagem materna em o r d e m a n á l o g a , o c m c a s o d e q u a l q u e r i n f o r t ú n i o excepcional, o direito c a b e r á aos p a r e n t e s mais próximos em cada caso, que atuarão em associação com os g u a r d i õ e s . • • • » C o m r e l a ç ã o ao sacrifício inicial do c a s a m e n t o e todas as outras cerimônias sagradas prén u p e i a i s , n u p e i a i s e pós-nupeiais, c a d a um deverá int e r r o g a r os i n t é r p r e t e s * • • • • a r e s p e i t o e a c r e d i t a r q u e obedecendo às suas orientações terá todas essas coisas f e i t a s a d e q u a d a m e n t e . C o m r e f e r ê n c i a à s f e s t a s d e casamento, a m b a s as partes devem convidar os amigos dos dois sexos, em n ú m e r o n ã o superior a cinco pessoas de c a d a l a d o e um n ú m e r o igual de p a r e n t e s e conhecidos das d u a s casas. E imperioso q u e em hipótese a l g u m a se vá a l é m no q u e se refere às despesas da festa a l é m d o s r e c u r s o s d i s p o n í v e i s , a s a b e r , u m a m i n a p a r a a classe m a i s rica, m e i a m i n a p a r a a s e g u n d a classe e daí por d i a n t e proporcionalmente de acordo com a d i m i n u i ç ã o d o s r e c u r s o s . Q u e m o b e d e c e r a lei s e r á merecedor do encômio de todos, m a s q u e m a desobed e c e r s e r á p u n i d o p e l o s g u a r d i õ e s d a s leis c o m o u m a pessoa de m a u gosto e mal treinado nos n o m o s d a s M u s a s n u p e i a i s . Beber em excesso é urna prática q u e cm lugar a l g u m é conveniente, salvo nos b a n q u e t e s do d e u s q u e é o d o a d o r do v i n h o , • • • • • • e, t a m p o u c o se gura, o certamente não o é para aqueles que encaram o c a s a m e n t o com seriedade, pois nesta ocasião em p a r t i c u l a r c a b e à noiva c ao noivo e s t a r e m sóbrios, o.onsiderando-se que, se trata de urna g r a n d e m u d a n ç a
***** :Ã pafcesa usada po* P í W n o é e | r | Y T j T q ç , nquek que mtúni $civ> o /iieamidamento de um
c

• • l l p a . f/Ptin de Ototios e de, í3fiía, raposa legítima de ^íeus, deuso do ftosawento. (n.l.)
c

• • • A w p í i e a n d o , é cimo, a ioÈdadc do e o n l w t o c, a
gajontio de que sons eompjotiiissos se»cío don»ados. (n.l.)

••••0» seja,

os guoíidióee

dos óíifjãoc. (n.f.)

micjáelei, um txomtv (pm eranpfo. a d ü r ç ã o de unia easa); triiiiliím o inféípíete. dos OJáeufos, dos píreseágies e dos soutos. kA({«I, enhefonfo, '-"PPatáo usa a paPnuMi nu» seniido pristiOuPoí figodn o outonos: intésp,íole (erogela) dos fOMiiiônioo sagiodos. ín.l.)

•Difinisio

••••••Quei di^ei, (Atovurnoç), ou
'T!oe'o (BaK%oçj.

segundo seu nome inoís .íoeenie. (n.l.)

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Platão - As Leis
e m s u a s vicias, e a f i m d c a s s e g u r a r , n a m e d i d a d e possível, em iodos os casos que a c r i a n ç a a ser g e r a d a p o s s a b r o t a r d o s c o r p o s cie p a i s s ó b r i o s , v i s t o q u e q u a l será, c o m a a j u d a do d e u s , a n o i t e ou o d i a de s u a geração, ó algo a b s o l u t a m e n t e incerto. A d e m a i s , n ã o é c e r t o q u e a p r o c r i a ç ã o seja o l a b o r de c o r p o s d i s s o l vidos pelo excesso de vinho, m a s sim q u e o e m b r i ã o possa ser constituído com firmeza, e s t a b i l i d a d e e tranqüilidade no útero. Mas o h o m e m tomado pelo vinho provoca e recebe c h o q u e s de todas as m a n e i r a s , conv u l s i o n a d o em seu corpo e a l m a ; c o n s e q ü e n t e m e n t e , q u a n d o e m b r i a g a d o , é desgracioso e falho no deitar seu sêmen, sendo assim provável q u e gere descendentes instáveis e inconfiáveis, distorcidos em s u a forma e caráter. D i a n t e disto, é m i s t e r q u e seja m u i t o c u i d a doso por todo o a n o e ao longo de toda sua vida, p a r tieularmente d u r a n t e o período em q u e está gerando, d e m o d o a n ã o c o m e t e r n e n h u m a t o q u e envolva seja e n f e r m i d a d e d o c o r p o , seja violência o u injustiça, pois é o q u e i m p r i m i r i a i n e v i t a v e l m e n t e n a s a l m a s e corpos de seus filhos, gerando-os em t u d o c o m o criatur a s inferiores. De a t o s de tal e s p é c i e é p r e c i s o q u e se a b s t e n h a especialmente no dia e noite de seu casam e n t o , p o i s o começo q u a n d o s e instala como urna d i v i n d a d e entre os seres h u m a n o s t u d o salva, desde q u e receba a h o n r a que lhe é devida de c a d a um q u e dele se a p r o x i m e . • O h o m e m q u e se casa tem q u e se separar de seu pai e sua m ã e , e t o m a r u m a das d u a s
Co«jo»«c (filo fil/ifio ot#,tjttttiiwta. (n.t.)

h a b i t a ç õ e s de s e u lote p a r a ser, p o r a s s i m dizer, o nin h o e lar de seus filhotes, realizar aí seu c a s a m e n t o e c o n s t i t u i r a m o r a d a de si m e s m o e de seus filhos. C o m efeito, n a s afeições o n d e h á a p r e s e n ç a d e u m certo

* * n o O o ç tfewjo A * o%» to». |iot cvlcncòo. (ic (éiaím) gue v, oeíio
OUÍCIIIC

grau de s a u d a d e , * *

esta p a r e c e c i m e n t a r v á r i a s dis-

p o s i ç õ e s e u n i - l a s , e n q u a n t o q u e a c o n v i v ê n c i a fustid i o s a à q u a l falta a s a u d a d e p r o d u z i d a p o r u m inlerv a l o leva os a m i g o s a se a f a s t a r e m u n s d o s o u t r o s d e vido a u m a s a t u r a ç ã o d a c o m p a n h i a r e c í p r o c a . Assim, o casal tem q u e deixar suas próprias casas p a r a s e u s p a i s e os p a r e n t e s da n o i v a e a g i r c o m o se tivessem se m u d a d o p a r a u m a colônia, visitando-os e sendo v i s i t a d o s em s u a casa, g e r a n d o c e d u c a n d o filhos e deste m o d o t r a n s m i t i n d o a vida c o m o um archote

ou

ojoütorlo. (n.l.)

260

Livro VI
de geração em geração, e sempre venerando os deuses c o n f o r m e o n o r t e a m e n t o d a s leis. Na s e q ü ê n c i a , no q u e diz respeito às posses, o q u e deveria volume alguém possuir de maneira a formar um razoável de riqueza? Q u a n t o à maioria dos

b e n s , é s u f i c i e n t e m e n t e fácil t a n t o v e r q u a i s d e v a m s e r q u a n t o adquiri-los. Entretanto, no q u e concerne aos servos, enfrentamos toda espécie de dificuldade. Â r a z ã o disto é q u e n o s s o d i s c u r s o em relação a eles é p a r c i a l m e n t e certo e p a r c i a l m e n t e errado já q u e esse discurso que empregamos tanto contradiz quanto c o n c o r d a c o m nossa e x p e r i ê n c i a prática c o m eles. Megilo: O que significa isso? Não compreendemos

a i n d a , estrangeiro, ao q u e tu te referes. O ateniense: I s s o é i n t e i r a m e n t e n a t u r a l , Megilo, pois

provavelmente o p r o b l e m a q u e m a i s suscita polêmicas e q u e r e l a s em t o d a a G r é c i a é este q u e diz r e s p e i t o aos ilotas de L a c e d e m ô n i a , com gente a p r o v a n d o a instituição, outros a reprovando; u m a disputa menos violenta acontece em torno do sistema de escravidão praticado em Heracléia s o b r e o s mariandinianos• * • • • • ij) moMotidiitiotios,
s c

e s o b r e os penestes* • •

na T e s s á l i a . D i a n t e d e s t e s e

r a t t i í j o s scniiojes dos b a ú s M I /legifio tioitdcele dn TJílínio, Joíiom mlttgidin à stvtdldôo pelos jiiMÍndfittiS rjtcgos dc '(llcíocftiifl do f>o«fn. c 05 dówos, oo ttiiíodMui a
c c

outros e x e m p l o s similares, o q u e d e v e r e m o s fazer q u a n t o a essa q u e s t ã o de p o s s u i r servos? O p o n t o q u e acabei por levantar no desenrolar de m e u discurso - e em relação ao qual tu naturalmemente me perguntas ao q u e me refiro - é este. E s t a m o s cientes, é claro, de nossa unanimidade quanto a achar que se deve possuir escravos os m a i s dóceis e excelentes possíveis pois no p a s s a d o m u i t o s escravos se revelaram a si m e s m o s superiores em todos os aspectos a i r m ã o s e filhos, e s a l v a r a m seus s e n h o r e s e os b e n s destes, t a n t o quanto suas habitações inteiras. Seguramente s a b e m o s que, ê n e s s e s t e r m o s q u e s e faz r e f e r ê n c i a aos escravos, n ã o é mesmo? Megilo: Certamente.

fc.esólio, nõo f:ó fiuhjao/rtflBi

os seus ímbitonfes eólios (pnsecPa dos m(«ius itafiuos), como os aomnutm o gfefio nofi o lííiiío de n c v t í C T T q ç , {pmrfi/rl, (juc rjuc» digeí cspceijicmnenlc ur-kio tmtrmáwi na ' Pttatóo di0 OC(lli...JH;V£CTTtKOV c O v O Ç . . . (... o «fosse dos |ieticsies...). ( n i . J ílemáffa:

O ateniense: E n ã o é o d i s c u r s o o p o s t o t a m b é m u s a d o q u a n d o se. d i z q u e a a l m a d e u m e s c r a v o n ã o é s ã e que um homem sensato jamais deve confiar nessa classe de gente? E o m a i s s á b i o de nossos p o e t a s , t a m b é m , ao se referir a Zeus d e c l a r o u que...

261

Platão - As Leis
Da metade de sua inteligência [Zeus trovejante que vê longe priva Os homens sobre os quais o dia lda escravidão se abate. •

• êdiseéie, wn, 3 2 2 a 3 2 3 :

rptoo yap V O O U , tjmotv, a r t a u t a p c T c u eupuoíta Zeoç avSptov ouç av Sr) t c a T a SovAtov quap zXr\ai. (n.t)
T E

Por conseguinte, cada partido adota unia diferente p o s t u r a : u m n ã o d e p o s i t a c o n f i a n ç a a l g u m a n o s servos, e os t r a t a n d o c o m o feras c o m a g u i l h õ e s e açoites t o r n a m as a l m a s dos servos n ã o a p e n a s três vezes m a s c i n q ü e n t a vezes escravizadas, e n q u a n t o do age precisamente da m a n e i r a oposta. Megilo: Clínias: E b e m assim. Visto que tal diferença de opinião existe, o outro parti-

e s t r a n g e i r o , o q u e d e v e m o s nós fazer q u a n t o ao n o s s o próprio país no q u e concerne à p r o p r i e d a d e de escravos e à p u n i ç ã o destes? 0 ateniense: Bem, Clínias, considerando-se que o

animal h u m a n o é u m a criatura intratável, é evidente q u e n ã o é d e m o d o a l g u m fácil n e m o s e r á d e ele s e ocupar no q u e se refere à necessária distinção na p r á t i c a e n t r e o escravo e o s e n h o r n a s c i d o livre. Clínias: E , d e f a t o , e v i d e n t e . O ateniense: O escravo n ã o é uma propriedade nada

fácil d e s e l i d a r . A r e a l i d a d e d e m o n s t r a q u a n t o s m a l e s resultam da escravidão, como no caso das freqüentes r e v o l t a s n a M e s s ê n i a e n o s E s t a d o s o n d e h á m u i t o s servos q u e f a l a m a m e s m a l í n g u a , isto s e m m e n c i o n a r o s * * 9. fnm;rí#J oiic n c»'|Mí!':':ftn...7tt;pt8tv<üV... (os q* emxkm à voÜín) m n|->(Wsss M I iíMpn ríc PPnlõn nos pmúm d o fioslo d r Çjntsnlo. (n.l.) c r i m e s dc t o d a s o r t e p e r p e t r a d o s p e l o s corsários, • • q u e c c o m o são c h a m a d o s a q u e l e s q u e infestam as costas da I t á l i a , e as r e t a l i a ç õ e s q u e d a í d e r i v a m . D i a n t e de t o d o s esses fatos o e o m o lidar c o m t o d a s essas m a t é r i a s se t o r n a um q u e b r a - c a b e ç a s . Só n o s r e s t a m d o i s rec u r s o s a s e r e x p e r i m e n t a d o s : o p r i m e i r o c o n s i s t e cm n ã o p e r m i t i r q u e todos os escravos, se q u i s e r m o s q u e t o l e r e m a e s c r a v i d ã o s e m r e b e l d i a , p e r t e n ç a m ao- m e s m o país, m a s s i m , n a m e d i d a d o possível, tê-los d e

262

Livro VI
diferentes raças; o s e g u n d o consiste em dar-lhes tratam e n t o a d e q u a d o , n ã o tanto e m benefício deles, m a s em benefício de nós mesmos. O t r a t a m e n t o a d e q u a d o d o s servos consiste em n ã o utilizar a violência com eles e e m feri-los a i n d a m e n o s , s e possível, d o q u e n o s s o s próprios iguais, pois é nossa m a n e i r a de tratar criatur a s h u m a n a s c o m a s q u a i s é fácil a g i r m a l q u e r e v e l a com m a i o r clareza se somos sinceros ou hipócritas em nossa reverência pela justiça e repulsa pela injustiça. P o r t a n t o , a q u e l e q u e no t r a t a r os escravos escapa, nos seus m o d o s e s e u c o m p o r t a m e n t o , d a s m á c u l a s da imp i e d a d e e da injustiça estará m a i s qualificado a s e m e a r p a r a u m a colheita dc virtude - e isto p o d e m o s dizer, e dizer c o m justeza, de todo senhor, m o n a r c a despenco, e de todos q u e d e t ê m q u a l q u e r tipo de a u t o r i d a d e sobre u m a pessoa m a i s fraca. E preciso, todavia, q u e p u n a m o s os escravos c o m justiça e n ã o os t o r n e m o s afetados fe estragadas] advertindo-os m e r a m e n t e como f a r í a m o s c o m h o m e n s livres. O m o d o de se dirigir a um servo deveria se resumir, na m a i o r i a d a s vezes, a u m a simples ordem; não se deveria jamais gracejar com servos ou servas, pois através de ura excesso imprudente de indulgência [permitindo familiaridades] no t r a t a m e n t o dc seus escravos os senhores freqüentemente t o r n a m a v i d a m a i s difícil t a n t o p a r a si m e s m o s , na qualidade de detentores da autoridade, quanto para seus escravos, q u e devem obedecer. Clínias: O Isso é v e r d a d e . Supondo, então, que estamos agora

ateniense:

m u n i d o s de servos em n ú m e r o e q u a l i d a d e suficientes para nos assistir em todos os tipos de tarefas, n ã o deveríamos a seguir descrever nossas habitações? Clínias: Com toda a certeza. nova c

O ateniense; de,

Parece q u e nossa c i d a d e , serido

sem casas até a q u i , terá q u e promover a c o n s t r u ç ã o praticamente, a totalidade de suas habitações templos e muros. Estas coisas, Clínias, organizando todos os detalhes de s u a arquitetura e incluindo realmente devem anteceder o casamento, m a s já q u e n o s s a c o n s t r u ç ã o a g o r a é a p e n a s v e r b a l , este é um lugar bastante apropriado para nos ocuparmos delas.

263

Platão - As Leis
Q u a n d o c h e g a r m o s à c o n s t r u ç ã o efetiva do E s t a d o faremos, se for a vontade divina, com que as construções precedam o casamento, coroando então todo o nosso t r a b a l h o a r q u i t e t ô n i c o c o m nossas leis que regulamentam o matrimônio. relativas à construção. Clínias: Certamente. Teremos q u e edificar os t e m p l o s todos ao De momento, nos restringiremos a um esboço sumário das nossas regras

0 ateniense:

r e d o r d a agora e t a m b é m c i r c u n d a n d o t o d a a c i d a d e n o s pontos mais elevados por questões de segurança e limpeza. A o l a d o d o s t e m p l o s c o n s t r u i r e m o s a s h a b i t a ç õ e s d o s magistrados c os tribunais nos q u a i s serão pronunciadas e ouvidas sentenças c o m o em lugares sagrados - em p a r t e p o r q u e aí se lida com assuntos sagrados e em p a r t e p o r q u e são as sedes dos deuses sagrados; e nesses serão realizados a p r o p r i a d a m e n t e os julgamentos por homicídio e de todos os crimes passíveis de serem p u n i d o s com a m o r t e . Q u a n t o a o s m u r o s , Megilo, e u c o n c o r d a r i a c o m tua E s p a r t a ao deixar os m u r o s jazerem adormecidos no s o l o , s e m e r g u ê - l o s e isto p e l o s m o t i v o s q u e s e s e g u e m .
• D«;ootilimidfl. , J t o s Tfewstefes, atiost da bnlodin (te SnPnwijia, quando w n w w d a t am
émmm a
í

Diz m u i t o b e m o p o e t a • n u m verso q u e é a m i ú d e repetid o q u e " o s m u r o s d e v e r i a m s e r feitos m a i s d e b r o n z e e f e r r o d o q u e de, p e d r a " . M a s n o s s o p l a n o , m e r e c e r i a , a d e m a i s , ser objeto de riso - q u e r o dizer, o p l a n o de e n v i a r jovens t o d o s os a n o s ao c a m p o p a r a cavar, fazer trincheiras e p a r a construir obras q u e visam a conter o inimigo e impedir q u e p o n h a os pés n a s fronteiras do território s e n o s f i z é s s e m o s c e r c a r p o r m u r o s q u e , e m p r i m e i r o lugar, n ã o r e p r e s e n t a m v a n t a g e m a l g u m a p a r a a s a ú d e p ú b l i c a , e a l é m d i s s o c r i a m u m a b r a n d a d i s p o s i ç ã o n a s alm a s d o s h a b i t a n t e s os c o n v i d a n d o a b u s c a r refúgio no interior d o s m u r o s cm l u g a r de r e p e l i r o i n i m i g o . Ao invés d e g a r a n t i r s u a s e g u r a n ç a m a n t e n d o v i g i l â n c i a n o i t e e dia, essa disposição os t e n t a a a c r e d i t a r q u e s u a segurança é g a r a n t i d a e s t a n d o eles cercados p o r m u r o s e portões, p o d e n d o i r d o r m i r , c o m o h o m e n s q u e fogem d a dificuldade, ignorando q u e a tranqüilidade é realmente o f r u t o d a d i f i c u l d a d e , e n q u a n t o u m a n o v a s a f r a d e dific u l d a d e s é o r e s u l t a d o inevitável, p e n s o , da t r a n q ü i l i d a de vergonhosa e da indolência. Mas se os seres h u m a nos realmente necessitarem de muros, a construção das

ottmmm que
cidade, lenia

ei|i,«>sso idéia sewcfíiaelc ao
êgm que o cesdodeiito AÍOKK

um (Sea onde se oojiotat< seus
wittos, wos onde ec oclniíim seus cidodàoe. (ti.!.)

264

Livro VI
habitações particulares deverá ser organizada desde o início de u m a tal m a n e i r a q u e a cidade toda forme u m a m u r a l h a ú n i c a ; t o d a s a s casas d e v e r ã o ter b o n s m u r o s , c o n s t r u í d o s r e g u l a r m e n t e e em estilo s e m e l h a n t e , d a n d o p a r a a s vias, d e m o d o q u e a c i d a d e i n t e i r a a s s u m i r á a f o r m a de. u m a ú n i c a h a b i t a ç ã o , o q u e l h e c o n f e r i r á u m a b o a a p a r ê n c i a alérn d e possibilitar c o m e n o r m e vantagem o melhor planejamento no q u e se refere à s e g u r a n ç a c facilidade de defesa. Tais cuidad o s e a m a n u t e n ç ã o do p l a n o inicial c a b e r ã o , sobretud o , c o m o c o n v é m q u e seja, a o s h a b i t a n t e s ; o s astínom o s c u m p r i r ã o o papel de supervisores e pressionarão c o m m u l t a s o s negligentes, t a m b é m z e l a n d o p e l a limpeza de tudo na cidade, além de impedir q u e qualq u e r p a r t i c u l a r i n v a d a áreas de propriedade, do Estado c o m o objetivo de construir ou realizar escavações. Esses m a g i s t r a d o s terão t a m b é m q u e m a n t e r vigilância s o b r e o correto e s c o a m e n t o da á g u a de origem pluvial e os d e m a i s assuntos q u e são de s u a competência. T o d o s esses d e t a l h e s - e t u d o o m a i s c o m q u e o legislad o r n ã o é c a p a z de l i d a r c o m i t e - os g u a r d i õ e s d a s leis r e g u l a m e n t a r ã o por meio de decretos complementa res, à luz da e x p e r i ê n c i a , E agora q u e esses edifícios, o s d a agora, o s g i n á s i o s e t o d a s a s e s c o l a s f o r a m c o n s truídos e a g u a r d a m seus usuários, b e m ramo os teatros a g u a r d a m seus espectadores, p a s s e m o s p a r a o ass u n t o q u e vem na s e q ü ê n c i a após o assunto do casam e n t o , p o n d o ordem em nossa legislação. Clínias: Certamente. Vamos considerar como encerrado o as-

O ateniense:

s u n t o c a s a m e n t o d o p o n t o d e vista d e s u a c e r i m ô n i a , CUnias, o q u e é s u c e d i d o p e l o período» q u e a n t e c e d e o nascimento da criança, o que se estenderá por um ano inteiro. A. f o r m a c o m o os recém-casados deverão pass a r esse t e m p o n u m E s t a d o q u e será diferente d a maioria dos outros Estados será nosso próximo tema, n ã o s e n d o a l g o f á c i l d e s e r e x p l i c a d o . A n t e r i o r m e n t e fizem o s u m b o m n ú m e r o de. o b s e r v a ç õ e s d i f í c e i s d e s e r e m aceitas, mas n e n h u m a delas a multidão achará tão difícil d e ser a c e i t a q u a n t o e s t a . D e q u a l q u e r m o d o , o q u e a c r e d i t a m o s ser correto e verdadeiro t e m q u e ser absolutamente expresso, Clínias.

265

Platão - As Leis
Clínias: Seguramente. Quem quer que se p r o p o n h a a publicar

0 ateniense:

l e i s p a r a o s E s t a d o s , r e g u l a m e n t a n d o a c o n d u t a d o s cid a d ã o s na sua conexão com os negócios do Estado e assuntos públicos e julgar q u e n ã o há necessidade de p r o d u z i r [ e p r o m u l g a r ] leis p a r a a c o n d u t a p e s s o a l d o c i d a d ã o , m e s m o e m a s s u n t o s necessários, m a s q u e deveria ser p e r m i t i d o a todos p a s s a r seus dias c o m o a p r o u ver a c a d a u m , e m l u g a r d e ser c o m p u l s ó r i a p a r a t u d o , vida p ú b l i c a e p r i v a d a , u m a a ç ã o s e g u n d o u m a regra regular, e s u p o r q u e se d e i x a r o c o m p o r t a m e n t o privad o n ã o r e g u l a m e n t a d o p e l a lei, o s c i d a d ã o s a i n d a c o n sentirão em ter suas vidas (no q u e é p ú b l i c o t a n t o q u a n to no q u e é p r i v a d o ) r e g u l a d a s p e l a lei - quem quer que se proponha a isto e s t á p r o p o n d o a l g o e r r a d o . E p o r q u e razão o digo? P o r q u e nos c u m p r e a f i r m a r q u e os casad o s t e r ã o q u e t o m a r s u a s r e f e i ç õ e s p o r o c a s i ã o d o s repastos públicos c o m o s e m p r e o fizeram a n t e s do casamento. Q u a n d o o costume dos repastos públicos apareceu pela p r i m e i r a vez em vossos países, provavelmente ditado p o r u m a guerra ou por algum evento de idêntica força, q u a n d o vossa s i t u a ç ã o e r a d e escassez d e h o m e n s e angustiante, se afigurou c o m o u m a instituição extrao r d i n á r i a ; m a s d e p o i s q u e tivestes a e x p e r i ê n c i a d e s s e s r e p a s t o s p ú b l i c o s e fostes c o n s t r a n g i d o s c a d o t á - l o s , t a l c o s t u m e p a r e c e u c o n t r i b u i r a d i n i r a v e l m e n t e p a r a a seg u r a n ç a e dc a l g u m a m a n e i r a o repasto público passou a ser u m a d a s vossas instituições vigentes. Clínias: Isso é suficientemente provável.

O ateniense; A s s i m , e m b o r a t i v e s s e s i d o o u t r o r a , c o m o eu disse, u m a instituição extraordinária e a l a r m a n t e a ser i m p o s t a às p e s s o a s , a l g u é m que. t e n t a s s e impô-la c o m o lei a t u a l m e n t e n ã o s e d e f r o n t a r i a m a i s c o m u i n e m p r e e n d i m e n t o t ã o difícil. dessa instituição Entretanto, a aplicação q u e , s e c o n c r e t i z a d a , a c a b a r i a real-

m e n t e p o r ser b e m s u c e d i d a ( e m b o r a n o p r e s e n t e n ã o s e j a l e v a d a a c a b o c m l u g a r a l g u m , o q u e faz c o m q u e o legislador, ao tentá-lo, p a r e ç a estar, c o m o diz o provérbio, " c a r d a n d o s u a lã p a r a d e n t r o do fogo" e trabal h a n d o em vão n u m esforço infindável) - n ã o é n e m fácil d e s e r f o r m u l a d a n e m , q u a n d o f o r m u l a d a , fácil de ser [efetivamente] posta em prática.

266

Livro VI
Clínias: Por que demonstras tanta hesitação ao

m e n c i o n a r isso, estrangeiro? O ateniense: E s c u t a i , a g o r a , p a r a q u e p o s s a m o s e v i t a r despender m u i t o tempo no assunto sem proveito. T u d o q u e ocorre no Estado em h a r m o n i a c o m a o r d e m e a lei p r o d u z t o d a s a s e s p é c i e s d e r e s u l t a d o s f e l i z e s , m a s a m a i o r i a d a s coisas q u e ou carecem de o r d e m ou est ã o m a l o r d e n a d a s s e o p õ e m a o s efeitos d o b e m o r d e n a d o . E é n e s t a categoria q u e se i n s e r i u o e x e m p l o [da a p l i c a ç ã o p r á t i c a ] q u e e s t a m o s d i s c u t i n d o . E m vosso caso, Clínias e Megilo, os r e p a s t o s p ú b l i c o s p a r a homas m e n s foram, como eu afirmei, estabelecidos correta e admiravelmente por u m a necessidade divina,*
* ^Âfeo (aqueçamos que a íejciçõo em comum em £sf>o»(a foi instituída ('«imertamente ctita os

p a r a a s m u l h e r e s e s s a i n s t i t u i ç ã o foi m a n t i d a , d e m o d o i n t e i r a m e n t e i n c o r r e t o , n ã o p r e s c r i t a p e l a lei, n ã o s e efetivando p a r a elas; em lugar disso, o sexo f e m i n i n o , esta própria porção da h u m a n i d a d e q u e , devido à s u a fraqueza é, em outros aspectos, muito dissimulada e intrigante,* • é d e i x a d a em s u a c o n d i ç ã o de desord e m graças à perversa c o m p l a c ê n c i a do legislador. Por c a u s a d e v o s s a n e g l i g ê n c i a c o m esse sexo, m u i t a s coisas e s c a p a r a m ao vosso controle q u e estariam bem m e l h o r no presente se tivessem e s t a d o s u b m e t i d a s à lei. Pois n ã o s e t r a t a m e r a m e n t e , c o m o p o d e r - s e - i a presumir, de um assunto que tange a u m a metade da t o t a l i d a d e de nossa tarefa [no q u e diz respeito ao Estad o ] , ou seja, o a s s u n t o da n e g l i g ê n c i a q u a n t o à regu l a m e n t a ç ã o d o sexo f e m i n i n o , visto q u e n a m e d i d a em q u e as mulheres são inferiores aos h o m e n s do p o n t o de vista da virtude, p r o p o r c i o n a l m e n t e m a i s da m e t a d e é afetada. E m e l h o r , p o r t a n t o , p a r a o b e m e s t a r do E s t a d o q u e tal i n s t i t u i ç ã o seja revista e ref o r m a d a , r e g u l a m e n t a n d o - s e t o d a s a s i n s t i t u i ç õ e s indistintamente para h o m e n s e mulheres. Hoje, contudo, a espécie h u m a n a está tão longe de ter atingido essa posição afortunada que todo h o m e m sensato precisa r e a l m e n t e evitar qualquer m e n ç ã o dessa prática em regiões e E s t a d o s n o s q u a i s m e s m o a existência dos repastos públicos carece de q u a l q u e r reconhecimento formal. C o m o , e n t ã o , se t e n t a r á , obrigar, s e m se conv e r t e r e m m o t i v o d e r i s o , r e a l m e n t e a s m u l h e r e s a comer e beber publicamente, expostas ao olhar de todos?

soldados cm campntki,
«sondo a fortaleceu ao moyiíno o união ent,te os intcíj/iontcs do «í/teilo c os bftios deste, que nesse fie/iíodo, cvcntuolrncnte, contava com m pequeno contingente diante de joiços inimigas quantitativamente muito

8upcMo*cs. Vük fcoifeiMJ que
a ediieoção cw 8s|ia,».ta e»a

c

ptedowinanteniente mmaí o
que, é enítieodo fiou PPatão ontcwo.wtcnte neste diálogo, (ni.) • * Gomo i_yUistóte!os e outros pensadoses g/icgos. '-Platão lambi» «no escapou á misorjinia m sua Visão do sc* kmoiio. {».(,)
c

267

Platão - As Leis
O sexo f e m i n i n o e s t a r i a d i s p o s t o a s u p o r t a r q u a l q u e r o u t r a c o i s a de p r e f e r ê n c i a a isso. A c o s t u m a d a s c o m o estão a viver u m a vida reclusa e r e c o l h i d a , as m u l h e res resistirão de t o d a s as formas a s e r e m expostas à luz, constituindo u m a barreira d e m a s i a d o poderosa p a r a o legislador. Alhures, p o r t a n t o , c o m o já asseverei, as m u l h e r e s s e q u e r e s c u t a r i a m a m e n ç ã o da regra correta sem emitirem gritos de indignação; m a s em nosso E s t a d o talvez o farão. Por conseguinte, se concordarmos que nosso discurso acerca do conjunto dos assuntos do Estado n ã o deve - ao m e n o s teoricamente - se revelar a b o r t i v o , eu d e s e j a r i a explicar c o m o essa instituição é b o a e a d e q u a d a , se vós de vossa p a r t e tamb é m estiverdes desejosos de ouvi-lo; em c a s o c o n t r á rio, d e i x a r e m o s o a s s u n t o de lado. Clínias: Em absoluto, estrangeiro. Nós dois estamos

t r e m e n d a m e n t e desejosos d e ouvi-lo. O ateniense: Pois b e m ! Prossigatnos então. E n ã o vos

s u r p r e e n d e i s se eu t o m a r o a s s u n t o n o v a m e n t e a partir d e u m p o n t o j á v e n t i l a d o , pois e s t a m o s agora desf r u t a n d o dc nosso lazer e ínexiste q u a l q u e r razão prem e n t e a n o s i m p e d i r de e x a m i n a r o t e m a d a s leis todos os ângulos. Clínias: Isso é corretíssimo. R e t o r n e m o s , p o r t a n t o , às nossas primeisob

O ateniense:

r a s a f i r m a ç õ e s . Isto, a o m e n o s , todo h o m e m deve compreender, a saber : que jamais houve em absoluto um começo para a espécie h u m a n a e jamais haverá um f i m , m a s q u e e l a s e m p r e foi e s e m p r e s e r á , o u q u e e l a existe há u m a e x t e n s ã o incalculável de t e m p o d e s d e a data dc sua origem. Clínias: E f o r a de d ú v i d a . Bem, daí não p o d e r í a m o s supor q u e em

O ateniense:

todo o m u n d o e de todas as m ú l t i p l a s formas h o u v e e t e m havido ascensões e q u e d a s de Estados, c instituições variáveis de o r d e m e d e s o r d e m e apetites alimen. /ri ,T>
• ( )u
JÍPIKÍ

-J
I

t a r e s de c a r n e s e b e b i d a s de t o d a s o r t e , c t o d o s os t i p o s
'<W,<:101K! _ " '

(flFpa€<j)Ovq)

rir

de v a r i a ç õ e s
m a , l i , n a i s

nas estações, d u r a n t e o q u e é provável q u e

*3« B CDnrtíte («si»,, éam

sofreram inúmeras m u d a n ç a s ?

rtri

(ramo c

rln

wjwiiidiiMi).

Clínias: C e r t a m e n t e .

268

Livro VI
sobtcMôneo d o s «tmíos [acino O ateniense: D e v e m o s n ó s c r e r e n t ã o q u e a s v i n h a s , q u e n ã o existiam outrora, a p a r e c e r a m n u m certo estágio, o m e s m o a c o n t e c e n d o com as oliveiras c as d á d i v a s de D e m é t e r e C o r é • ? E q u e um c e r t o T r i p t o l e m o • • foi q u e m a b a s t e c e u desses frutos? E p o d e m o s s u p o r q u e d u r a n t e o p e r í o d o n o q u a l e s s e s f r u t o s n ã o e x i s t i a m , c o m o h o j e existem, os animais se alimentavam u n s dos outros? CUnias: C e r t a m e n t e q u e sim. de Ç l J o d e s (Alônç) ou 'Pfcífio (1 I^ODTCüv)]
(ígoda, e o

esto

como suo mãe,

I o d o s os J M l o s . superficiais c

profundos, do lesão, (n.t.)

• • TptJtxoIepoç, ncsóf
Vinculado oo culto de filêusís (onde c/iam Deliciadas
:

O ateniense: O c o s t u m e d o s a c r i f í c i o h u m a n o , a l i á s , sobrevive m e s m o hoje e n t r e m u i t o s povos, e n r p i a n t o relat i v a m e n t e a o u t r o s c o m e n t a - s e s o b r e a e x i s t ê n c i a d o costume contrário, segundo o qual proibia-se até mesmo q u e s e devorasse u m boi, s u a s o f e r e n d a s a o s d e u s e s consistindo n ã o de a n i m a i s m a s sim de bolos de farinha e c e r e a i s t e m p e r a d o s c o m m e l , c o u t r o s sacrifícios riãos a n g r e n t o s , a b s t e n d o - s c esses povos d a c a r n e c o m o s e fosse i m p i e d o s o c o m ê - l a o u c o m o s e o s a n g u e m a c u l a s se os a l t a r e s dos deuses; em s u b s t i t u i ç ã o a isto, os ho m e u s que, c o m o nós, existiam então viviam o q u e é cham a d o de. " v i d a ó r f i e a " , s u s t e n t a n d o - s e t o t a l m e n t e d e a l i m e n t o de seres alimento Clínias; inanimados e a b s t e n d o - s e t o t a l m e n t e d e de seres animados, *•• referes a tradições oriundo há

-T)e.(nétw c '-pMséfone), tido

como intento* c patrono do agricultura, (n.t.) * * *... ayu%mv pxv BXOpeVOl JMXVTtttV, £ji\|/oxü>v Se, rouvavxiov jtavrwv ajtE%on£vot
aqui «roa interessante

alemos

apjowmação c cniiffu&tein lingüístico dos conecilos de

qeuxq

iifíligodo fios

-'Platão

negotiwi e, afiAmalivamcnlc

(aq/t)x«>ov £
eut(n>xa>v). o Utmrn Mpksd C 0 lotilil fllilliia,
todos convergindo prata a

Não

dúvida

q u e te

b a s t a n t e d i v u l g a elas e m u i t o d i g n a s d e c r é d i t o . O ateniense: E p o s s í v e l q u e a l g u é m m e i n d a g a s s e : " C o m q u e finalidade disseste t u d o isso?" Clínias: U m a suposição justa, estrangeiro. Clínias, s e p u d e r

idéia do princípio Vital, sopro Vital
ou a l m a iWeiilc.
LASSÍM,

o português Inmimados e. animados (de origem falido) devem m compreendidos no sentido estalo e original de smi afino e r.am adiuo. D o
c

O ateniense: P o r c o n s e g u i n t e , t e n t a r e i ,

fazê-lo, e s c l a r e c e r o a s s u n t o s u b s e q ü e n t e , c o n f o r m e nossa ordem. Clínias: Pois fala. humanos tudo

ponlo de

visto religioso, pode-

O ateniense: O b s e r v o q u e c o m o s s e r e s

se depreende* que, difcrcnleiitenfe do fcnduísmo, poft evemplo, o religião órfíeo c o .judaísmo o/itodowi coiiocbiom que as animais possuíam alma viVeníe, os Vcgclois, não; o pwipósílo, a
p.rópjio iiiorjolfigio c

d e p e n d e de u m a necessidade e apetite triplos. Se as coisas nesse sentido procederem de m a n e i r a correta, o r e s u l t a d o será a virtude, se p r o c e d e r e m dc m a n e i r a incorreta, o r e s u l t a d o será o oposto. E n t r e esses apetites, os de c o m e r e b e b e r se m a n i f e s t a m logo q u e o ser hum a n o n a s c e e no q u e c o n c e r n e a t o d a a esfera do alim e n t o t o d a criatura e x p e r i m e n t a um desejo instintivo, um anelo total e veemente, e p e r m a n e c e i n t e i r a m e n t e

etimologia da palavra animai' sugere isso. (n.t.)

269

Platão - As Leis
s u r d a a q u a l q u e r sugestão de q u e deveria fazer algo m a i s a l é m de satisfazer s e u p a l a d a r e a p e t i t e p o r esses objetos de desejo, livrando-se assim c o m p l e t a m e n t e de toda dor. Em terceiro lugar vem nossa m a i o r necessidade e apetite mais agudo, q u e e m b o r a sendo o último a emergir, i n f l u e n c i a a a l m a h u m a n a c o m a m a i s f u r i o s a d a s loucuras: o apetite de gerar filhos, o q u a l a r d e c o m
•...voGqpaTa.,,. São estados ctomtlfig ponque inteiwwcnte iMoeioiinis; enliotonto, é fiícoíso cotnp/icendc* quo são estados notoais o itceessóMos do n í » o , a se»om eonitoPodoe o drieeíonados \\éu «ojãa, (n.l.) * *... aA.r)fl£i Àcrycü.... (».t.) • * • ' P P a t ã o se tejeice sitnpPesmenle ã suMimoeão. cspoeíaímente, do atividade sertiol, que se obtém mediante o euPtivo da «úsiea e do esposte. (n.t.)

m á x i m a violência. Esses três estados m ó r b i d o s * d e v e m ser dirigidos p o r n ó s ao q u e é m a i s excelente e n ã o ao q u e é , como» s e o c h a m a , m a i s p r a z e r o s o , n u m e s f o r ç o de contê-los p o r m e i o d o s três freios m a i s fortes, a saber, o t e m o r , a lei e a r a z ã o v e r d a d e i r a , * * s e c u n d a d o s p e l a s M u s a s e os d e u s e s d o s jogos, de m a n e i r a a aten u a r s e u crescimento e influxo. • • • Assim, v a m o s d i s p o r o assunto da r e p r o d u ç ã o h u m a n a logo depois d a q u e l e do c a s a m e n t o , e a p ó s o a s s u n t o da r e p r o d u ç ã o o da nutrição e e d u c a ç ã o d a s crianças. Se nosso discurso proceder nesta l i n h a de raciocínio, é possível q u e c a d a u m a de n o s s a s leis seja c o n c l u í d a e q u a n d o c h e g a r m o s a o s repastos públicos p o d e r e m o s c o n s i d e r a r de p e r t o e provavelmente discernir c o m maior clareza se tais reuniões d e vem ser apenas para homens ou também para m u l h e r e s ; e assim poderemos n ã o somente definir as questões preliminares q u e carecem ainda de regulament a ç ã o l e g a l e c o l o c á - l a s c o m o o b s t á c u l o s a n t e s d o s repastos públicos, como t a m b é m , conforme eu disse há pouco, p o d e r e m o s discutir com maior precisão o caráter dos repastos públicos, t e n d o assim provavelmente reunido melhores condições p a r a prescrever em relação a eles leis c o n v e n i e n t e s e a d e q u a d a s . Clínias; Estás perfeitamente Vamos, portanto, certo, ter em m e n t e as coisas provável que

O ateniense; que

mencionamos há pouco pois é

precisemos delas agora. Clínias: Q u a i s s ã o e s s a s c o i s a s q u e t u n o s c o n v i d a s a lembrar? O ateniense; A q u e l a s q u e d i s t i n g u i m o s p e l o s t r ê s t e r m o s q u e u s a m o s . Vós lembrais q u e falamos do comer, em segundo lugar do b e b e r e em terceiro do apetite sexual. Clínias: Certamente não esqueceremos dessas coisas

que nos pedes para lembrar agora, estrangeiro.

270

Livro VI
O ateniense; Excelente. Voltemos então aos recérn-

casados para os ensinarmos como e de q u e maneira devem gerar filhos e, se n ã o c o n s e g u i r m o s p e r s u a d i los, i n t i m i d á - l o s m e d i a n t e c e r t a s leis. Clínias: Como? E s p o s a e e s p o s o d e v e m ter em vista g e r a r

O ateniense:

para o E s t a d o crianças da m a i o r excelência e beleza possíveis. T o d a s as pessoas q u e são parceiras em qualq u e r ação p r o d u z e m resultados belos e bons q u a n d o e s t ã o a t e n t a s a si m e s m a s c à a ç ã o ; c o n t u d o , o r e s u l t a do c o r r e s p o n d e ao c o n t r á r i o q u a n d o lhes falta a atenção ou n ã o s a b e m aplicá-la. Deste m o d o , o esposo deverá ficar a t e n t o tanto à sua esposa q u a n t o ao trabalho de p r o c r i a ç ã o , o m e s m o d e v e n d o fazer a esposa, e s p e c i a l m e n t e d u r a n t e o p e r í o d o no q u a l eles n ã o têm filhos a i n d a n a s c i d o s . E s t a r ã o i n c u m b i d a s d e vigiá-los as inspetoras femininas escolhidas por nós, em q u a n tidade maior ou menor de acordo com a deliberação dos m a g i s t r a d o s ; e elas deverão se r e u n i r todos os dias no t e m p l o de I l i t í a • • • • d u r a n t e no m á x i m o um t e r ç o do dia, e em s u a s r e u n i õ e s d e v e r ã o c o m u n i c a r e n t r e si .qualquer irregularidade que tenham notado na qual u m h o m e m o u m u l h e r n a i d a d e d e procriação esteja d e d i c a n d o s u a atenção a outras coisas em lugar d a s regras d e t e r m i n a d a s nos sacrifícios e c e r i m ô n i a s do c a s a m e n t o . O p e r í o d o de p r o c r i a ç ã o e s u p e r v i s ã o deverá ser d e d e z a n o s e n ã o s u p e r i o r q u a n d o h o u v e r u m a l t o í n d i c e de. p r o c r i a ç ã o ; m a s s e n o t é r m i n o d e s s e p e ríodo n e m s e q u e r um filho tiver sido gerado, esposa e esposo procurarão aconselhamento em comum p a r a decidir q u a n t o aos termos m a i s vantajosos p a r a ambos junto aos seus parentes próximos e aos magistrad o s f e m i n i n o s , e se d i v o r c i a r ã o . Se surgir a l g u m a disp u t a q u a n t o ao q u e é a d e q u a d o e. vantajoso p a r a c a d a p a r t i d o , d e v e r ã o e s c o l h e r d e z d o s g u a r d i õ e s d a s leis q u e a t u a r ã o c o m o árbitros c cujas decisões serão aceitas p o r a m b o s o s cônjuges. A s i n s p e t o r a s f e m i n i n a s ent r a r ã o n a s c a s a s d o s j o v e n s e , em. p a r t e m e d i a n t e a m e a ças, em parte m e d i a n t e advertências, os dcterão em sua falta e ignorância; se n ã o lograrem êxito nisto c o m u n i c a r ã o o caso a o s g u a r d i õ e s d a s leis, q u e se e n c a r r e g a rão do caso; se m e s m o estes se p r o v a r e m i n c a p a z e s . . . . qy
fmn

p \pi
m

ma

d

0B

mamerim (n.t)

271

Platão - As Leis
de solucionarem o problema, informarão ao conselho do Estado, afixando u m a declaração pública e atest a n d o s o b j u r a m e n t o d e q u e são " v e r d a d e i r a m e n t e in* Aito pam «os soo inócuo, (tios pano o wemb/io fie um toP Ssfndo (i|etoaio scittomcnfí; o suo cidadania. (i>.f.) * * -PPatão iieio concebe quaPque» AOpfiecsão setsiaP poM os Oifirir/fioo ele seu fistodo: o oduCfc.no só c possWeí de sonção fegaf quondo ameaça o intracssc e o

c a p a z e s ole c o r r i g i r f u l a n o e f u l a n a . " S e a q u e l e q u e foi d e n u n c i a d a p u b l i c a m e n t e n ã o c o n s e g u i r o b t e r u m a vitória judicial sobre aqueles q u e o d e n u n c i a r a m nos t r i b u n a i s , será p u n i d o pela p e r d a d o direito d e comp a r e c e r a q u a i s q u e r c e l e b r a ç õ e s d e c a s a m e n t o s o u festas de celebração de nascimentos,* determinação que s e n ã o for a c a t a d a o s u j e i t a r á a o c a s t i g o s o b o l á t e g o a p l i c a d o p e l a p r i m e i r a p e s s o a q u e d e s e j a r fazê-lo. A m e s m a lei t e r á a p l i c a b i l i d a d e p a r a a s m u l h e r e s , o u seja, a t r a n s g r e s s o r a s e r á e x c l u í d a d o s p a s s e i o s femininos, h o n r a s ou convites a celebrações de c a s a m e n t o s e n a s c i m e n t o s se tiver sido p u b l i c a m e n t e d e n u n c i a d a d e m a n e i r a s e m e l h a n t e p o r tal i r r e g u l a r i d a d e e t e r s u a defesa frustrada. E q u a n d o tiverem concluído a geraç ã o de filhos em c o n f o r m i d a d e c o m as leis, se o hom e m m a n t i v e r relações sexuais com u m a m u l h e r alheia ou a m u l h e r com um outro h o m e m , estando a nova p a r c e i r a o u p a r c e i r o n a faixa e t á r i a d e p r o c r i a ç ã o . est a r ã o p a s s í v e i s d a m e s m a p e n a l i d a d e q u e foi e s t a b e l e cida acpteles q u e a i n d a g e r a m filhos. P a s s a d a a

estabi Cidade do fistodo ao
ficrfuzibaí o cortino dos cônjuges »o po/iíodo de goMiçõo dos jiltos. Quanto oo móis, o mátfmo que se cwge é

lempraançn, a ilida semoP dos pessoas jieondo mais no pPonn
mo»oP do que «o Pcgof. «o quaP se puni.uo apenas os obusos. (n.t)

• • * ([iparpia.
associação de eidodõns baseado na «eaPigoeão de sacsijíeios e, wipasfos sePigiosos comuns; a pruliji do PegisPado/i fióCon (que uiieu cotio 639 e PX9 a. (1) passou o ci'isti;i em p l e n o s Ws (jjflljias em coda uma das

i d a d e d e p r o c r i a ç ã o , a q u e l e s q u e v i v e r e m s ó b r i a c sab i a m e n t e no q u e diz respeito a todos esses a s s u n t o s serão honrados, os outros gozarão de má reputação, ou preferível m e n t e s e r ã o d e s o n r a d o s . Se a m a i o r i a mostrar tal m o d e r a ç ã o [no q u e concerne ao c o m p o r t a m e n t o s e x u a l ] n ã o h a v e r á m e n ç ã o e n e m p r e s c r i ç ã o d e regras de lei a r e s p e i t o ; p o r é m , se h o u v e r desregramento, s e r ã o e l a b o r a d a s r e g r a s a s e r e m a p l i c a d a s de acordo c o m as leis p r o m u l g a d a s e n t ã o . * * P a r a todos os i n d i v í d u o s o p r i m e i r o a n o [da vida] é o início de t o d a a vida. [ D u r a n t e este p r i m e i r o anoj o n a s c i m e n t o de m e n i n o s o m e n i n a s deverá ser registrado nos s a n t u á r i o s d e s e u s a n c e s t r a i s s o b o t í t u l o início d a vida: a o l a d o do n o m e de c a d a m e n i n o ou m e n i n a será escrito sobre u m a p a r e d e p i n t a d a de b r a n c o em c a d a fratria* * * o número de a r c o n t e s * * * * q u e d ã o seu n ú m e r o ao a n o , e os n o m e s d o s m e m b r o s vivos da fratria d e v e r ã o ser registrados s u c e s s i v a m e n t e u m a o l a d o d o o u t r o , sendo os dos m e m b r o s mortos apagados. Para as moças a

quaiso tubos (inibo: <j>lAr|).
endn (salsia oneowoíido tsinlo jotníPios lomfPío: y e v o ç ) . , J s s i m , o S s t o d o (iroéUç) ateniense se dividia o»ganieomc«te em quat«o lliibos que eotilinlont dojo jsolíios que, poft suo wg. conüiiíiom 360 jnmtPios. (n.t)

* • * * apxiüv

( O V T O Ç ) ,

gcneíiieomciite mogislMido. Sm •.,'lfenos, os n/icontes esom os «ove psineipais inagistiadoe do cidode. (n.t)

272

Livro VI
faixa e t á r i a p a r a o c a s a m e n t o será entre dezesseis e vinte anos, limite m á x i m o ; p a r a os rapazes de trinta a trinta e cinco a n o s . O limite de i d a d e p a r a os cargos oficiais será de q u a r e n t a a n o s p a r a o sexo f e m i n i n o e trinta anos para o masculino. Quanto à atividade militar, os h o m e n s p e r m a n e c e r ã o disponíveis e n t r e vinte e s e s s e n t a a n o s . C o m relação aos serviços militares q u e se a c h a r i a cabível i m p o r às m u l h e r e s a p ó s o n a s c i m e n t o d o s f i l h o s , fixar se á o q u e é p o s s í v e l e a p r o p r i a d o p a r a cada u m a sem ultrapassar a idade de cinqüenta anos.

273

Platão - As Leis
1

evojievtuv Se tiatSow

appEvcuv Kai

rln/ximv

xpoênv pxv wot) mi TOti&iav TO peca xaxna...

Livro VII

274

Livro VII
O ateniense: Agora que nossas crianças, meninos e

meninas, nasceram o próximo passo que se nos impõe a p r o p r i a d a m e n t e é nos o c u p a r de sua n u t r i ç ã o e educação. Este é urn p o n t o cuja omissão é inteiramente impossível, m a s o b v i a m e n t e p o d e s e r v e n t i l a d o m a i s a d e q u a d a m e n t e sob forma de instrução e exortação do q u e sob f o r m a d e lei, v i s t o q u e n a v i d a p r i v a d a e d o m é s t i c a u m a multiplicidade de coisas triviais é passível de execução se f u r t a n d o à p e r c e p ç ã o pública, coisas q u e são o fruto de sentimentos individuais de dor, de p r a z e r ou de apeti tes, q u e se p r e d i s p õ e m a se afastar d a s orientações do legislador e q u e p r o d u z i r ã o n o s c i d a d ã o s u m a g a m a variável de t e n d ê n c i a s c o n t r a d i t ó r i a s . Isto n ã o é benéfico p a r a o Estado. Se por um lado n ã o é conveniente n e m decente submeter tais práticas a penalidades determinad a s p e l a lei e m f u n ç ã o d e s u a t r i v i a l i d a d e e a s s i d u i d a d e , p o r o u t r o a a u t o r i d a d e d a lei e s c r i t a é s o l a p a d a n a m e d i da em q u e os seres h u m a n o s , m e d i a n t e essas trivialidad e s r e i t e r a d a s , se h a b i t u a m a ser infratores. C o n s e q ü e n t e m e n t e , se por um lado é impossível silenciarmos diant e d e t a i s p r á t i c a s , p o r o u t r o é difícil l e g i s l a r n o q u e c o n c e r n e a e l a s . P r o c u r a r e i e s c l a r e c e r a q u e p r á t i c a s m e refiro t r a z e n d o à luz, p o r a s s i m dizer, a l g u n s exemplos, já que m e u presente discurso tende à obscuridade. Clínias: I s s o é d e f a t o a b s o l u t a m e n t e v e r d a d e i r o . 0 ateniense: Quando dissemos que a nutrição correta

t e m q u e ser d e t i d a m e n t e c a p a z d e t o r n a r t a n t o corpos q u a n t o a l m a s em todos os aspectos os m a i s belos e melhores possíveis falamos, p r e s u m o , i m b u í d o s d a v e r d a d e ? Clínias: Não há dúvida q u e sim.

O ateniense: E s u p o n h o q u e , t o m a n d o o m a i s e l e m e n tar dos aspectos, os corpos mais belos devem já da mais tenra infância se desenvolverem com a maior normalidade Clínias: possível?

C o m toda a certeza. n ã o acontece de o b s e r v a r m o s q u e ,

O ateniense: B e m ,

no q u e d i z r e s p e i t o a q u a l q u e r ser vivo, o p r i m e i r o i m p u l s o r e p r e s e n t a de m u i t o o c r e s c i m e n t o m a i s int e n s o e m a i s l o n g o , a p o n t o de m u i t a s p e s s o a s afirm a r e m convictamente q u e , q u a n t o à a l t u r a os indivíduos h u m a n o s crescem mais nos primeiros cinco anos de vida do q u e nos próximos vinte?

275

Platão - As Leis
Clínias: I s s o é v e r d a d e . O ateniense: M a s n ó s s a b e m o s , n ã o é m e s m o , q u e q u a n do o crescimento ocorre r a p i d a m e n t e d e s a c o m p a n h a d o d e m u i t o exercício a d e q u a d o p r o d u z n o corpo males i n c o n t á v e i s ? Clínias: Certamente. o m á x i m o de

O ateniense: E q u e c o r p o s q u e r e c e b e m

a l i m e n t o r e q u e r e m o m á x i m o de exercício? Clínias: O q u e q u e r e s d i z e r , e s t r a n g e i r o ? S e r á q u e p r e t e n d e m o s p r e s c r e v e r o m á x i m o de exercício físico p a r a os r e c é m - n a s c i d o s e as c r i a n c i n h a s ? O ateniense: N ã o . N a v e r d a d e , b e m a n t e s d i s s o . pos de suas mães. Clínias: O q u e q u e r e s d i z e r , c a r o s e n h o r ? É a o s f e t o s q u e tu te referes? 0 ateniense: E. De q u a l q u e r m o d o , n ã o é de m a n e i r a Nós o

p r e s c r e v e r e m o s p a r a a q u e l e s q u e s ã o n u t r i d o s n o s cor-

alguma s u r p r e e n d e n t e q u e n a d a sabeís dessa ginástica pré-natal; entretanto, a despeito de s u a estranheza, g o s t a r i a de e x p l i c á - l a a vós. Clínias: I n s i s t o q u e o f a ç a s . O ateniense: U m a tal p r á t i c a é m a i s fácil de s e r c o m -

preendida em m e u Estado, porque lá há pessoas que prat i c a m o s j o g o s a t é o e x c e s s o . Ali e n c o n t r a m o s n ã o a p e n a s m e n i n o s m a s p o r vezes m e s m o h o m e n s v e l h o s c r i a n d o p e q u e n a s aves» c as t r e i n a n d o p a r a a luta. M a s essas o p v i 8 ü ) v . . . , oura dc. t#q**n porte cm qnaC; '•Pfnlno. (í(il.«!lrmflf>. CMf>,w:<]« o (ramo tupi pena dfsigno» uwn ave oViiwelifri c:|iR(:í|ifn: o (jflPn. fi ifial na adtfimdp pata a<: Mudos, (n.l.) p e s s o a s e s t ã o l o n g e d e c r e r que- o a d e s t r a m e n t o q u e l h e s p r o p o r c i o n a m e x c i t a n d o s u a p u g n a o i d a d e p r o d u z exercício suficiente; a l é m disso, c a d a u m a d e l a s a p a n h a s u a a v e e c o m e l a n o p u n h o , s e for m e n o r , o u n o b r a ç o , s e for m a i o r , c a m i n h a m u i t o s e s t á d i o s a f i m d e m e l h o r a r a condição não de seus próprios corpos, mas sim aquela desses a n i m a i s . Assim se mostra c l a r a m e n t e a qualq u e r observador q u e todos os corpos são beneficiados, como sc por um tônico, q u a n d o são deslocados medi a n t e q u a l q u e r t i p o d e a g i t a ç ã o o u m o v i m e n t o , seja q u a n do são movidos por ação própria - como n u m balanço o u n u m b a r c o a r e m o - seja q u a n d o s ã o t r a n s p o r t a d o s no dorso de um cavalo ou por q u a i s q u e r outros corpos dc m o v i m e n t o célere; e [ t a m b é m se m o s t r a ] q u e é esta a

276

Livro VII
razão p o r q u e os corpos p o d e m assimilar eficientemente seus s u p r i m e n t o s de a l i m e n t o e b e b i d a c n o s proporc i o n a r s a ú d e , b e l e z a e vigor. E m face d e s t a c o n s t a t a ç ã o , o q u e n o s c a b e fazer no futuro? Iremos nos arriscar a s e r r i d i c u l a r i z a d o s p r o m u l g a n d o u m a lei s e g u n d o a q u a l a m u l h e r grávida será obrigada a c a m i n h a r e a criança, a i n d a tenra, deverá ser m o d e l a d a c o m o cera c m a n t i d a n a s f r a l d a s a t é o s d o i s a n o s d e i d a d e ? E d e v e r e m o s nós t a m b é m o b r i g a r a s a m a s d e leite s o b risco d e serem p u n i d a s p e l a lei a s e m a n t e r e m c a r r e g a n d o a s c r i a n ç a s de alguma forma, levando as aos campos, ou aos tem pios ou aos seus parentes o t e m p o todo até q u e possam ficar d e p é p o r c o n t a p r ó p r i a ? E d e p o i s d i s s o a i n d a a s c o n t i n u a r carregando até os três a n o s de idade, c o m o u m a p r e c a u ç ã o c o n t r a o perigo de torcerem s u a s pern a s devido a o excesso d e esforço e n q u a n t o a i n d a s ã o m u i t o j o v e n s ? E q u e a s a m a s d e l e i t e s e j a m a s m a i s fortes possíveis? E i m p e r e m o s u m a p e n a l i d a d e p o r escrito p a r a todos aqueles q u e deixarem de cumprir essas det e r m i n a ç õ e s ? Uni tal p r o c e d i m e n t o está c o m p l e t a m e n te lora de q u e s t ã o pois levaria a um grau d e s m e d i d o daquela conseqüência que mencionamos há pouco. Clínias: E q u a l e r a tal c o n s e q ü ê n c i a ? O e n o r m e r i d í c u l o ao q u a l nos exporía• * PÇolão jfi oqicnlnicntaw

« di|if'liMfHJ(i ejlUCiof dc dtmhn qwrf o tawto
pOWOpO

dc fibocífldc

indiUiduoê, po» tnois MOflcslo cp». J o w , compalíeeP coto n oaejonígoeáo e ^iiinionitiurato cfícíciifc do fistodo comunista; nenlo passagem hiftonte dc uif: Úi<K cie no monos ostabePeee Km líotiepaiõneio quo aquifo quo oíimuniiic: modo.tttomonto dc paiioeidode c flíisoPutamcnto irnpoeeó'^ na esí/iutuíta do uíu estadofliifoiiüc.owonlc soeioPielo. Quncfo no móis. ePe m empenítawí cm doa eonlo dos («oMctiios que o fudiiiduoPidodf: netnano apsesenfo musa soeicdfldo que dit píiituosio no botw esloi eofetieo, enlendendo que o

O ateniense:

mos, além dc defrontarmos c o m a franca recusa em o b e d e c e r p o r p a r t e d a s a m a s d e leite, d o t a d a s d c s u a s m e n t e s características de m u l h e r e s e escravas. Clínias: Q u e r a z ã o , e n t ã o , tivemos p a r a afirmar q u e

essas regras devem ser formuladas? O ateniense: Esta: as m e n t e s d o s s e n h o r e s e d o s ho

rnens livres d o s E s t a d o s talvez p o s s a m ouvir |e compreender] e desta m a n e i r a chegar à correta conclusão de q u e a menos que os assuntos privados n u m Estado sejam acertada m e n t e a d m i n i s t r a d o s será vão s u p o r q u e q u a l q u e r c ó d i g o legal q u e a s s u m a v i g ê n c i a e x i s t a p a r a os a s s u n t o s p ú b l i c o s : * • e q u a n d o o perceberem, o c i d a d ã o p a r t i c u l a r p o d e r á p o r si a d o t a r c o m o leis as r e g r a s q u e f o r m u l a m o s a g o r a , e o f a z e n d o e a s s i m ord e n a n d o c o r r e t a m e n t e t a n t o s u a casa q u a n t o seu Est a d o lhe será possível atingir a felicidade. Clínias: U m t a l r e s u l t a d o p a r e c e b a s t a n t e p r o v á v e l .

euõatpovta «oo c
consumado «o csjew do o f a a indiiíduoP mas somente no dimensão cm que o cidadão, o se» poPiiieo Isaiis-indwiduaP, é conslifuído, (n.(.)

277

Platão - As Leis •...KopupavTwv....
t

O ateniense: E p o r t a n t o n ã o d e v e m o s d e s i s t i r d e s s e tipe> de legislação e n q u a n t o não tivermos descrito minuciosamente o t r a t a m e n t o apropriado às a l m a s das crianças n a tenra infância d a m e s m a m a n e i r a q u e principiam o s a fazer no q u e diz r e s p e i t o a o s s e u s c o r p o s . Clínias: Estás absolutamente então, certo. o seguinte como uma O ateniense: Tomemos,

T feião .relaciona o évmaio mal dos muhanim (dclísio

!

produzido peto »ituaf frenético dos sacerdotes) oo deus
c

R a c o (Tjionísio) devido oo eo<ráte» osgíaco ( u p y r | .

CifRítoíweHfe agitação

WPMOÍ

hipótese f u n d a m e n t a l em a m b o s os casos: q u e t a n t o p a r a o c o r p o q u a n t o p a r a a s a l m a s d o s b e b ê s u m processo de n u t r i ç ã o infantil e m o v i m e n t a ç ã o , q u e seja o m a i s i n i n t e r r u p t o possível d i a e noite, é s e m p r e salutar e especialmente no caso dos bebês m a i s novos, q u e d e v e r i a m , s e p o s s í v e l , s e r b a l a n ç a d o s c o m o s e estivess e m n u m n a v i o ; c o m o s r e c é m - n a s c i d o s s e d e v e r i a reproduzir esta condição com m á x i m a proximidade da c o n d i ç ã o o r i g i n a l . U m a e v i d ê n c i a s u p l e m e n t a r a favor disto p o d e ser c o n s t a t a d a n o fato d e s s e p r o c e d i m e n t o ser a d o t a d o e s u a u t i l i d a d e ser r e c o n h e c i d a t a n t o por quem alimenta os bebês quanto por q u e m administra m e d i c a m e n t o s em casos do coribantismo. • Assim q u a n d o m ã e s t ê m filhos q u e p a d e c e m de i n s ô n i a e

do nftna) da ccM»oção dos mistérios de Booo eveoutodo po» sons sacerdotisas (boc.anfc: paKXTl), Contudo, os COJibaíilCS
L

(Kopufittvxeç)

tjfim os

sacerdotes que tmki*mk> agitada c desordenadamente dança e canções celebravam os Mistérios da deusa frígía Cibele

(KnfJeXrj).

Consulto-se eom ícfercneia a islo o -Ratiquete e % n . (n.t.J • * cAfossa coíifieeida canção de ninar, fn.t.) * * * Considere-se a penúltima nota acima.
(ÍI.I.)

desejam acalmá-los para que a d o r m e ç a m , o tratamento q u e lhes d ã o n ã o é imobilizá-los m a s sim movê-los pois o s e m b a l a m c m s e u s b r a ç o s c o n s t a n t e m e n t e ; e e m lugar de silêncio fazem uso de u m a espécie de cantarolar, • • e a s s i m l i t e r a l m e n t e f a s c i n a m s e u s b e b ê s , sem e l h a n t e m e n t e a o q u e a c o n t e c e c o m a s v í t i m a s d o frenesi de Baco, * • * p o r m e i o do e m p r e g o do m o v i m e n t o combinado da dança e da canção como medicamento. Clínias: disso? O ateniense: Clínias: Percebê-lo é suficientemente fácil. E qual, estrangeiro, seria a principal causa

• • • • f)u sejo. o delírio do coribonlc ou do bocante c a insônia do bebê. (n.t.)

...Kiviiatç...
Como já a t e l n w i s , este conceito é. crtaordinoriarocnlo fato. « r e s p o n d e n d o não apenas ao nosso conceito (-imitado de movimento, mas abrangendo nossos vários conceitos cowelaeionóvcic dc mudança, móvef. emoção, comoção, sentimento, pertiuéação. poicão. instabilidade, inconstância, eveitação, ímpeto c todos os demais po» ossím dijer estados e disposições que são experimentados pela olmo.

Mas qual Tanto

é exatamente? uma doença quanto a outra••••

O ateniense:

são formas de m e d o e os m e d o s se devem a u m a condiç ã o p r e c á r i a d a a l m a . A s s i m , t o d a vez q u e s e a p l i c a um s a c u d i r e x t e r n o a m a l e s d e s s e t i p o , este m o v i m e n to externo aplicado domina o movimento***•• interno d e m e d o e f r e n e s i , c a o d o m i n á - l o p r o d u z u m a visível tranqüilidade na a l m a e u m a cessação da angustiante

278

Livro Vil
palpitação do coração existente em cada caso. Assim os resultados produzidos são bastante satisfatórios. As crianças são levadas ao sono; as bacantes, despertas, são levadas a um estado mental saudável que substitui o delírio por meio da d a n ç a e da interpretação i n s t r u m e n t a l e com a ajuda de q u a i s q u e r deuses q u e p o s s a m e s t a r c u l t u a n d o m e d i a n t e sacrifícios. Temos aqui, de m a n e i r a concisa, u m a exposição bastante plausível do assunto. Clínias: PI a u s i b i l í s s i m a . Vendo, portanto, q u e essas causas produSob»e tyV%t) d KlvriCJtÇ no pfatonismn consuPtiec especialmente o Çfeduo. o xfédm n o Çjfüwai. fioii o prisima rio conjunto do filosofia pós-soe/iótiro o eshirio do ^Do <Mm f T l f p i ^ t r / r i ç ) dc- Jasiókh!: d indispensável, («.tj

O ateniense:

z e m os efeitos descritos, q u a n t o às p e s s o a s i n d i c a d a s deve-se o b s e r v a r o seguinte p o n t o , a saber, q u e t o d a alma submetida ao medo desde a juventude tenderá de m o d o particular a se t o r n a r tímida, o que, todos c o n c o r d a r ã o , a b r e c a m i n h o p a r a a p r á t i c a d a covard i a e n ã o da coragem. Clínias: N ã o h á d ú v i d a q u e a s s i m é . O ateniense: O c a m i n h o o p o s t o , o u s e j a , p a r a a p r á t i c a da c o r a g e m a p a r t i r da j u v e n t u d e consiste, n ó s o direm o s , n a s u p l a n t a ç ã o d o s terrores e m e d o s q u e n o s assaltam. Clínias: E verdade. Digamos, então, que o fator em pauta,

O ateniense:

isto é, o exercício p a r a c r i a n ç a s e x t r e m a m e n t e novas por meio de movimentos variados, contribui grandem e n t e p a r a o d e s e n v o l v i m e n t o d e u m a p a r t e d a virt u d e da a l m a . * • • • • • Clínias: Certamente. E ademais, uma d i s p o s i ç ã o q u e seja de

•••***... v|mxqoiiopiov
a p e T J j ç . . . Como \ó uiwos auteriormerte «este tolo, P l o t ã o conecta o Virludc como t»i lodo orgânico «dujívcf à s SBOS portes que então, encontrar são os virtudes particulares iiie,ra»quieame,ncc dispostos (consultesc o diálogo ' Prolágoíns a irnspcilii). LA porte o que ele so rçfeje nesta oportunidade é o wrhidc do

O ateniense:

leveza o u d e p e s a d u m e n ã o influenciará p o u c o n a b o a o u m á d i s p o s i ç ã o [geral] d a a l m a . Clínias: Está claro q u e sim. Que meio poderemos,

O ateniense:

para implantar imediatamente na criança recém-nascida a disposição q u e desejarmos? Ê imperioso q u e nos esforcemos para indicar como e em q u e medida podem o s fazê-lo. Clínias: Sem dúvida.

coragem (avõpaa), temo tratado cm especial «o Síoqucs. (».t.) 279

Platão - As Leis
O ateniense: A. d o u t r i n a c o r r e n t e e n t r e n ó s , eu o e n t e n do e explico, é a q u e l a s e g u n d o a q u a l a v i d a i n d o l e n t e desenvolve n a s c r i a n ç a s u m h u m o r melancólico, tendente à cólera e m u i t o facilmente movido pelas ninharias; p o r o u t r o lado, o rigor e x t r e m o e r u d e a p o n t o de reduzi-las a u m a escravização cruel as t o r n a vis, mesq u i n h a s e m i s a n t r ó p i c a s e assim insociáveis. Clínias; D e q u e m a n e i r a , e n t ã o , d e v e r á o E s t a d o c o m o um todo educar crianças q u e ainda são incapazes de c o m p r e e n d e r o q u e se lhe diz ou receber outros tipos de educação? O ateniense: Desta: toda criatura recém-nascida - c a

c r i a t u r a h u m a n a e s p e c i a l m e n t e - c o s t u m a e m i t i r gritos; e m a i s , a c r i a n ç a v a i a l é m d o s b e r r o s e g e r a l m e n t e se p õ e a c h o r a r . Clínias: Está certíssimo.

O ateniense; E q u a n d o a s a m a s d e l e i t e t e n t a m d e s c o brir o q u e os bebês q u e r e m se baseiam nesses mesmíss i m o s i n d í c i o s p a r a l h e s d a r a s c o i s a s : s e o s b e b ê s sil e n c i a m a p ó s receberem a coisa, as a m a s c o n c l u e m q u e d e r a m a coisa c e r t a , se c o n t i n u a m a c h o r a r e b e r r a r , c o n c l u e m q u e d e r a m a coisa e r r a d a . Assim os b e b ê s indicam dc que gostam ou de que não gostam por meio de choro e berros, ou seja, c e r t a m e n t e sinais q u e n ã o são d e felicidade. Este p e r í o d o d a i n f â n c i a d u r a n ã o m e n o s q u e três a n o s , o q u e n ã o c o n s t i t u i p o u c o t e m p o p a r a s e viver m a l o u b e m . Clínias: Estás certo. alguém é rabugento e nem um

O ateniense:

Quando

p o u c o jovial, n ã o n o t a s q u e tal p e s s o a é m a i s l a s t i m o sa e, de ordinário, mais inclinada a lamentações do q u e o q u e conviria a u m a pessoa dc bem? Clínias: E certo q u e é precisamente essa a impressão

que tenho dessa pessoa. O ateniense: Bem, supõe que tentássemos assegurar

m e d i a n t e todo meio disponível que nossa criança de peito provasse o m í n i m o possível de aflição, m e d o ou sofrimento de q u a l q u e r espécie. Não seria de se acreditar q u e graças a esse meio a a l m a do lactenle ganharia m a i s luz e leveza?

280

Livro VII
Clínias: Evidentemente que sim, estrangeiro, e mais

a i n d a se lhe fossem p r o p o r c i o n a d o s m u i t o s prazeres. O ateniense; N e s t e c a s o , t e r e i q u e r o m p e r c o n t i g o , CUnias, m e u c a r o s e n h o r , p o i s a n o s s o s o l h o s t a l p r o c e d i m e n t o constitui a pior f o r m a de c o r r u p ç ã o visto ocorrer e m t o d o s o s c a s o s n o p r ó p r i o início d a e d u c a ç ã o d a criança. Vejamos se tenho razão. Clínias: Explica t e u p o n t o de vista.

O ateniense: A c r e d i t o q u e a q u e s t ã o d i a n t e d e n ó s c d e e x t r e m a i m p o r t â n c i a . T u , t a m b é m , Megilo, e x a m i n a o a s s u n t o , p e ç o - t e , e sê n o s s o j u i z . O q u e s u s t e n t o é isto: q u e á v i d a a c e r t a d a n ã o deve n e m visar [exclusivamente] aos prazeres n e m se esquivar inteiramente às dores, dev e n d o s i m e n c e r r a r a q u e l e e s t a d o i n t e r m e d i á r i o d e leveza, c o m o o c h a m e i há pouco, o q u a l - c o m o todos nós supomos com justeza sob o e n u n c i a d o divinatório forte impulso de um - é a p r ó p r i a c o n d i ç ã o da divin-

d a d e m e s m a . E s u s t e n t o q u e q u e m q u e r q u e seja e n t r e n ó s q u e fosse d i v i n o t e r i a q u e b u s c a r e s s e e s t a d o d e a l m a , n e m se t o r n a n d o a b s o l u t a m e n t e inclinado aos prazeres, m e s m o p o r q u e corn i s t o n ã o e s t a r i a l i v r e d a d o r , n e m p e r m i t i n d o q u e n e n h u m a o u t r a pessoa, velha o u jovem, h o m e m o u m u l h e r , ficasse n e s s a c o n d i ç ã o e m u i t o m e nos, na m e d i d a do possível, o b e b ê recém-nascido, pois d e v i d o à força d o h á b i t o é n a i n f â n c i a q u e t o d o o c a r á t e r é m a i s efetivamente determinado. Eu a i n d a sustentaria, s o b o risco de estar p a r e c e n d o q u e gracejo, q u e as mu llieres g e s t a n t e s , m a i s d o q u e q u a l q u e r o u t r a p e s s o a , dev e r i a m ser objeto d e c u i d a d o d u r a n t e s e u s a n o s d e gravidez no sentido dc n ã o se entregar a prazeres reiterados e intensos em lugar de cultivar d u r a n t e a totalidade desse p e r í o d o u m h u m o r j o v i a l , leve c s e r e n o . Clínias: N ã o é n e c e s s á r i o , e s t r a n g e i r o , q u e p e r g u n t e s a Megilo q u a l d e n ó s d o i s fez a a f i r m a ç ã o m a i s v e r d a deira, pois eu m e s m o te concedo q u e todos devem se esquivar a u m a vida de prazer ou dor sem mescla e sempre trilharem o c a m i n h o do meio. De sorte que tudo está em o r d e m q u a n t o ao q u e tu disseste e q u a n to a m i n h a resposta. O ateniense: Estás perfeitamente certo, Clínias, E as-

s i m e x a m i n e m o s n ó s t r ê s j u n t o s o p o n t o que s e s e g u e .

281

Platão - As Leis
Clínias: E q u a l é e l e ? O ateniense: escritas, co ao Que t o d a s as regras q u e e s t a m o s formu-

l a n d o a g o r a é o q u e e o m u m e n t e s e c h a m a d e leis nãoo q u e , no seu c o n j u n t o , é p r e c i s a m e n t e idêntique as pessoas c h a m a m d e costumes ancestrais.

A l é m d i s s o , a p o s i ç ã o q u e h á p o u c o a p r e s e n t a m o s seg u n d o a q u a l n ã o se deveria considerar tais regras ou c o s t u m e s c o m o leis e t a m p o u c o d e i x á - l o s n a o m i s s ã o , era u m a posição correta pois eles c o n s t i t u e m os liames d e toda constituição, f o r m a n d o u m elo entre todas s u a s leis ( t a n t o a q u e l a s j á p r o m u l g a d a s p o r escrito q u a n t o as ainda por serem promulgadas) exatamente como os costumes ancestrais muito antigos, q u e b e m estabelecid o s e praticados servem p a r a envolver c o m segurança a s leis j á e s c r i t a s , e n q u a n t o s e e s c a p a s s e m d a s a b e d o ria e da m e d i d a c o m o escoras q u e desmoronassem no m e i o d e u m a h a b i t a ç ã o , a r r a s t a r i a m consigo a o desequilíbrio t u d o o m a i s , u m a coisa e n t e r r a d a sob a outra, p r i m e i r a m e n t e as p r ó p r i a s e s c o r a s e em s e g u i d a a sólid a e s t r u t u r a , u m a vez t i v e s s e m o s e s t e i o s a n t i g o s c a í d o a o c h ã o . C o m i s t o c m m e n t e , Clínias, ê p r e c i s o q u e con e c t e m o s este vosso E s t a d o , q u e é novo, através de todo m e i o possível, s e m o m i t i r n a d a g r a n d e o u p e q u e n o d o p o n t o de vista d a » leis, c o s t u m e s e i n s t i t u i ç õ e s , p o i s é graças a todos esses meios q u e um E s t a d o a d q u i r e coes ã o , e n e n h u m a e s p é c i e d e lei é p e r m a n e n t e s e m o s outros.*
IN sojo, os costumes f; as

C o n s e q ü e n t e m e n t e , n ã o h á p o r q u e nos sur. . .

preendermos se a admissão de um grande número de , . ttscftufooos. (n.t.) costumes ou usos a p a r e n t e m e n t e triviais t o r n a r um tanto e x t e n s a a r e d a ç ã o de n o s s a s leis. Clínias: O q u e d i z e s é a b s o l u t a m e n t e v e r d a d e i r o , e n ó s o teremos em m e n t e . O ateniense: Se for c o n s e g u i d o q u e tais regras sejam

cumpridas melodicamentc e não meramente aplicadas casualmente no q u e diz respeito a m e n i n a s e m e n i n o s até os três anos de idade, cias concorrerão g r a n d e m e n te p a r a o b e n e f i c i a m e n t o de nossas c r i a n ç a s de peito. A f o r m a ç ã o ) d o c a r á t e r d a c r i a n ç a ole m a i s ole t r ê s a n o s e a t é seis exigirá a p r á t i c a de jogos; n e s t e p e r í o d o se fará u s o d o castigoi a f i m d e i m p e d i - l a d e s e r i n d o l e n t e não, todavia, um castigo de tipo d e g r a d a n t e , m a s

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Livro VII
p r e c i s a m e n t e , c o m o d i s s e m o s a n t e s , n o caso d o s escravos • • q u e se d e v e r i a evitar enraivecer as p e s s o a s p u n i d a s por meio de castigos d e g r a d a n t e s , ou amolecê-las d e i x a n d o - a s i m p u n e s . N o q u e r e s p e i t a a o s n a s c i d o s livres a m e s m a r e g r a é válida. P a r a c r i a n ç a s d e s s a i d a d e h á jogos q u e n a s c e m d o p r ó p r i o i n s t i n t o n a t u r a l e elas o s i n v e n t a m elas m e s m a s s e m p r e que. e s t ã o j u n t a s . Logo q u e a t i n g i r e m o s três a n o s , t o d a s e n t r e três e seis a n o s terão q u e ser r e u n i d a s nos t e m p l o s d o s povoados, reunindo-se no m e s m o lugar as q u e p e r t e n ç a m ao m e s m o p o v o a d o . Acresça-se a isso q u e as a m a s de leite dessas crianças precisam zelar p o r seu c o m p o r t a m e n t o , ordenado ou desordenado; e acima das próprias amas de leite e de t o d o o b a n d o de c r i a n ç a s s e r á necessário indicar a n u a l m e n t e entre as doze m u l h e r e s já eleitas u m a mulher para se encarregar de cada b a n d o , a indicação c a b e n d o aos g u a r d i õ e s d a s leis; e s s a s m u l h e r e s s e r ã o eleitas pelas inspetoras de casamento, u m a retirada de c a d a t r i b o e t o d a s d e i d a d e s e m e l h a n t e . A m u l h e r [eleit a e ] a s s i m i n d i c a d a fará d i a r i a m e n t e u m a visita oficial ao templo e, c o n t a n d o com o auxílio de um servidor do Estado, castigará s u m a r i a m e n t e crianças escravas e est r a n g e i r a s d e a m b o s o s sexos; q u a n t o a o s [filhos dos] c i d a d ã o s , s e h o u v e r c o n t e s t a ç ã o d a p u n i ç ã o a ser inflig i d a ela levará a c r i a n ç a aos a s t í n o m o s p a r a q u e estes julguem q u a n t o à m e l h o r forma de castigá-la; se n ã o h o u v e r contestação, ela m e s m a s e e n c a r r e g a r á d a punição. Após o s seis a n o s d e v e r á haver u m a s e p a r a ç ã o dos sexos, m e n i n o s convivendo c o m m e n i n o s , m e n i n a s com meninas. Entretanto, tanto meninos quanto meninas p a s s a r ã o a receber instrução; os m e n i n o s a p r e n d e r ã o equitaçâo, o m a n e j o do arco, o a r r e m e s s o do d a r d o e da funda; as meninas também, por pouco que se prestem a isso, d e v e r ã o p a r t i c i p a r d a s lições, e s p e c i a l m e n t e daq u e l a s q u e s o r e f e r e m a o m a n e j o d e a r m a s . E fato, q u e sobre este ponto, p r e d o m i n a u r n a o p i n i ã o f u n d a d a n u m desconhecimento quase universal. Clínias: Que opinião?

O ateniense: A o p i n i ã o s e g u n d o a q u a l n o q u e r e s p e i t a às mãos, direito e e s q u e r d o são por n a t u r e z a diferentes no q u e se refere à h a b i l i d a d e p a r a ações específicas. Diga-se d c p a s s a g e m q u e n o (pie c o n c e r n e a o s p é s

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Platão - As Leis
• n a Y K p c x x t O V , eoitibnte enuo&endo aofs oponentes que eombinawi o pugifnlo (TtUYJITj) e o dita *»awono'. ijéo pancitóeio os odamMoa se enjitcnlmiotn com os punnos nus. (n.l.) • • F r i p U C u V , j i i o tis Cíisoo* e. cio oo.eanida Ortft.woê, qifjnnte com líês cabeças, íics 1/ioncos moscudnos e seis mãos. indo apoiado sobse um únieo po* de pe/mos. O décimo IsabaCíio d( íltfííiocPcs

e m e m b r o s inferiores fiea evidente q u e n ã o h á q u a l q u e r d i f e r e n ç a de, h a b i l i d a d e , e é s o m e n t e g r a ç a s à e s t u p i d e z d e a m a s d e leite e m ã e s q u e n o s t o r n a m o s t o d o s p o r a s s i m d i z e r aleijados d a s m ã o s , p o i s a h a bilidade n a t u r a l dos dois m e m b r o s é p r a t i c a m e n t e igual; fomos n ó s q u e a c o s t u m a d o s a usá-los erroneamente os t o r n a m o s desiguais. Em ações dc m e n o r m o n t a isso n ã o i m p o r t a , c o m o , por e x e m p l o , q u a n do a l g u é m u s a a m ã o e s q u e r d a p a r a t o c a r a lira c a direita p a r a m a n e j a r o a r c o , e coisas deste jaez. C o n t u d o , a c a t a r esses precedentes e u s a r as m ã o s d e s s a m a n e i r a em outras ocasiões, q u a n d o é desnecessário, c o n s t i t u i r e m a t a d a tolice. I s s o é m o s t r a d o p e l o c o s t u m e cita n ã o só de utilizar a m ã o e s q u e r d a p a r a d o b r a r o a r c o e, a d i r e i t a p a r a a j u s t a r a f l e c h a n e l e , q u a n t o t a m b é m , de usar as d u a s mãos indiferente m e n t e em a m b a s as ações. Há outros incontáveis exemplos de caráter s e m e l h a n t e c o m relação a dirigir b i g a s e o u t r a s a t i v i d a d e s q u e n o s e n s i n a m q u e aqueles que tratam a m ã o esquerda como mais débil q u e a d i r e i t a se o p õ e m à n a t u r e z a . M a s isto, c o m o afirmamos, i m p o r t a pouco no caso de plectros (como o da lira) feitos de chifre e i n s t r u m e n t o s s i m i l a r e s ; n o e n t a n t o , q u a n d o s e t r a t a d e m a n e j a r o ferro n o uso de a r m a s - arcos, d a r d o s e s i m i l a r e s - i m p o r t a m u i t o , e, p r i n c i p a l m e n t e q u a n d o se c o m b a t e a queima-roupa; impõe-se aqui u m a e n o r m e diferença entre quem aprendeu e quem não aprendeu, entre o guerreiro treinado e o não-treinado. O atleta q u e tem completa experiência no pancrácio,» no pugilato ou no c o m b a t e corpo a corpo n ã o é incapaz de recorrer a . s u a m ã o [ e b r a ç o | e s q u e r d o s e n ã o m o v e esse lado c o m o se estivesse d o r m e n t e ou p a r a l i s a d o s e m p r e q u e é o b r i g a d o a pô-lo em a ç ã o q u a n d o seu adversário se desloca lateralmente. A m e s m a regra vale, p r e c i s a m e n t e , p e n s o eu, no q u e diz respeito ao u s o de. a r m a s p e s a d a s e t u d o o m a i s . A « p i e m q u e r q u e d i s p o n h a de dois m e m b r o s de defesa e atiique essa regra prescreve q u e n ã o deixe, s e m p r e q u e possível, n e m u m n e m o u t r o o c i o s o , s e m t r e i n a m e n t o e p r á t i c a . N a v e r d a d e s e u m h o m e m r e c e b e s s e d a nat u r e z a a c o m p l e i ç ã o d c G e r i o n o u de, B r i a r e u • • c o m

tm*m

píecisamenio ò

eoptuso do bofesiino godo de Qejion. e[ue cito m de Tiasfcsso e liobitouo a ilifl de, fiMfaóia (Codig). B p i a p e c O Ç , giqonfc do cem bíaçoc JiEíio de '"Umno c Cjain (o Céu e o 9 S w o ) . q» m «ewih» opntn.ii ^ c u s o os deuses oPémpi.cos. Joi casíigodo c de|»:is de|eiideii os deuses no guowo confim os titõs. (ni.)

• • ...xa
v u L i v a o m c n ç av Suo,

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Se
%o

p £ v opxnoiç TO 8e 7ttX^r|-.. Tb» eonlo do pw.jcto do edueiição (TOlSeiu) 'PPniõo
ompfto o eoneeilo dc giuóstíeo, (ni.)

••••...Avxaioç r| KepKUtóV..., gigonfes fulodfws
«os quois se ottübui o uso dos poimoe eomo técnico de íuío. :„4iile« odquisio conlinuotnenle dn Ic/twi um figo» ovhojno c se teimou um putodf» ineencíUií ;
1

Hpo^XvÇ

(, llcaaeíVc) que iiíie fio openas o móis (|Oí'((e dos nioalois. mas lambem eoulioeeríoa sagas; do oste do Pulo, ao onjaetilá Co eagueu n do so('o. minando lie a (otçn o o esmagando. EjIRlOÇ c eiiodo no %"odo de vUowow. « I H , 66K eomo um pugiPislo. A p U K O Ç i lido eomo o tiiuenfo» das furto; de hove (ipXXVTeg. (n.l.)

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Livro VII
• • • • • PÍVltrtO u .tCJOÍC O R C

suas cem m ã o s deveria ser capaz de arremessar c e m d a r d o s , T o d a s essas m a t é r i a s t e r ã o q u e cont a r c o m o zelo d o s m a g i s t r a d o s m a s c u l i n o s e femin i n o s , as m u l h e r e s s u p e r v i s i o n a n d o os jogos e a a l i m e n t a ç ã o d a s c r i a n ç a s e os h o m e n s a s u a instrução, visando q u e todos os m e n i n o s e todas as m e n i n a s p o s s a m ser sãos de m ã o s e de pés e poss a m n ã o ter, d e m o d o a l g u m , s u a s n a t u r e z a s d i s torcidas p o r seus h á b i t o s . As lições p o d e m , p o r u m a q u e s t ã o d e p r a g m a t i c i d a d e , ser divididas e m d u a s categorias: as da ginástica q u e e d u c a m o cor po e as da música q u e e d u c a m a alma. Há dois tipos de ginástica: a d a n ç a e a luta. • • • No q u e tange à d a n ç a há um r a m o no q u a l o estilo da Musa é imitado p r e s e r v a n d o a um t e m p o liberdad e e n o b r e z a , e o u t r o q u e visa a s a ú d e d o c o r p o , sua agilidade e beleza, assegurando p a r a as várias partes e m e m b r o s do corpo o grau a d e q u a d o de flexibilidade e e x t e n s ã o c lhe c o n f e r i n d o , ademais, o movimento rítmico que é pertinente a cada u m a das partes e membros e que tanto acompanha quanto é distribuído completamente durante a dança. Q u a n t o às invenções introduzidas por An teu o u C é r c í o n n a a r t e d a l u t a p o r u m a glória vã, e no pugilato p o r E p e i o ou Amico. • • • • visto q u e são inúteis nos e m b a t e s guerreiros, não m e r e c e m a q u i elogio a l g u m . E n t r e t a n t o , os exercícios de luta íntegra, tudo q u e destaca a m a n e i r a pela qual se desimpede o pescoço, as m ã o s . os flaneos q u a n d o n o s a p l i c a m o s a isso s o m a n d o a r d o r e e l e g â n c i a ao objetivo de o b t e r vigor e s a ú d e , t u d o isso n ã o d e v e s e r o m i t i d o , visto q u e é a p r o v e i t á v e l e m t o d a s as circunstâncias; m a s temos q u e i m p o r a discípulos e m e s t r e s , n o a t i n g i r m o s e s t e p o n t o d e n o s s a legislação, q u e estes ú l t i m o s t r a n s m i t a m essas lições g e n t i l m e n t e e q u e os p r i m e i r o s as r e c e b a m c o m gratidão. T a m p o u c o se deverá descurar a q u e l a s danças por imitação q u e se a j u s t a m ao uso de nossos corais, como, p o r exemplo, a d a n ç a a r m a d a dos curelcs* • • • • a q u i em C r e t a e adiwJXoscuros'* *• • • n a I . a c e d e m ô m a ; e ria m i n h a t e r r a t a m b é m a n o s sa virgem s o b e r a n a , • • • • • » • a g r a d a n d o se c o m a

K o u p n x e ç . « o e e t t t e d c <$m
em Creta. (iü.) * í ) s A l O O K O p t ú V , que «ftjM(icn íitcroPiticntc jovens fiílos de. 'fim, m> Cósto/i (! P ó t e . (n.f.) .K-opn ôecJTtotva KCtl
c

jovem viagem e

MnllOM; o ateniense alude fl j l t e n a (A9T)Va), douta Vineufoda à iiiletigéneia e, ò sabedoria e divindade. epfiMnw dc p l e n a s . ÍA despeito dc vóMoc propostos c. tentativos dc estupro. -Adem feria se»p»c se manlido virgem, o que jog com que Miiílos veges seja caracterizado enfie as seis deusas olímpicas (a despeito da presença de :yl»fet«is) como a ihqet». ílwjundo ma tradição, ._.-ltetio. muito ofnífo. às a*was, espceiaPmeiitc, a Pança e o escudo, quando menino, oo brincar de combate com TVifos

{JlaXkacj a

matou

acidentalmente; em sua íiotsienagem adotou -PaPos como seu pícnomc; oro, TZU-KXuE, significo ttmlo goroto quanto donzela. £.' eusíosa notar tombem que um dos mitos sobre a nascimento dc. >_Alcna conta que ela emergiu di/ielamentc do cabeça de 2»eus. o que «ao só sugere intelcclunlidadc eoino indico uma fmma osscwol de geroçãa. :Mo •• Jimsu 'PPalão <:e. refere o flófon no templo de ! o ' S e idonlifieei ;.,4(e«i Ofiiu a eelfia deusa fibia Alw((i que.
v f

nós o sabemos, corresponde ã ogioeio „Vot(. sendoiíi da abóboda celeste. i_,4pe<:ar dc cslo» entre os seis do f)!iwpo patriarcal e dc sufi niaseuPinigaeão insinuada pelo gosto pePo'. armas, percebe-se que Afatt lem uií jee psó-olíMpíeas dilicta ou indiretamente ligados às "deusasniãcs da i r a mrrhiareaf, fn.íj

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Platão - As Leis
diversão d a s d a n ç a s corais, n ã o julgou q u e devesse participar delas com as m ã o s vazias, se a r m a n d o dos pés a c a b e ç a , s e n d o a s s i m p a r a m e n t a d a q u e se p õ e a executar sua dança. Seria conveniente q u e os meninos e as m e n i n a s imitassem tais exemplos e assim cultivassem o íavor da deusa, t a n t o p a r a o serviço bélico q u a n t o p a r a o u s o n o s festivais. C o n s t i t u i r á r e g r a p a r a as c r i a n ç a s , d o s seis a n o s d e i d a d e a t é a i d a d e d o serviço m i l i t a r , estar sempre e q u i p a d a s com a r m a s e cavalos diante de cortejos em h o n r a d o s d e u s e s , e d a n ç a r e m a r c h a r altern a n d o celeridade com lentidão e n q u a n t o dirigem suas súplicas aos d e u s e s e filhos d o s d e u s e s . Tal é o propósito, e ú n i c o propósito a ser visado ao devotar-se às competições de ginástica e aos exercícios p r e l i m i n a r e s de p r e p a r a ç ã o p a r a a s m e s m a s ; é u m fato q u e t ê m utilidade, t a n t o n a p a z q u a n t o n a g u e r r a , t a n t o p a r a o E s t a d o q u a n t o p a r a a família. Todavia, todos os outros tipos de t r a b a l h o , jogos e exercícios c o r p o r a i s n ã o s ã o d i g n o s de
* ê s l o tese do uifcp do LwihoWio m.\xm( c f»oçní>

um h o m e m l i v r e . *

E a g o r a , ó Megilo e Clínias, t e n h o

por concluída a completa descrição daquela ginástica q u e , c o m o afirmei antes em nosso discurso, requer u m a descrição. Caso conheceis u m a ginástica melhor do que e s s a , falai e a r e v e l a i . Clínias: N ã o s e r á t a r e f a f á c i l , e s t r a n g e i r o , r e j e i t a r t u a exposição sobre ginástica envolvendo treinamento e competição, e produzir u m a melhor. O ateniense: O a s s u n t o q u e v e m a s e g u i r e q u e s e r e l a ciona com os d o n s de Apoio e d a s M u s a s é aquele q u e p e n s a m o s a n t e r i o r m e n t e ter esgotado, tendo restado

senti demftiotwda quase, que
ei'o«s(woi«ci>(e peto móis M l m l e . dos rf[seíf>uíoíi dc ' W o t õ o . ÃwslMefe.
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• • l_â i/iísõo wíiseoiilemeiile eoneeModom que o ateniense pnssa/iá d efpo» flfiqiii po»n a |»enfe <i «espeifo fins jogos iflfíillliS COMO oPctitcnlo neoessríaio dn TOXlôeta o niíl/fos temos aeuefaaói um 'Wflloo que, «n cwpíteeuPfi fín llirffl (! |)fUt(Sllf(l*l»f'lllS dcsgosloso com o ámuanma olcnioiee, eonspifuotuenle MioPigo o selsaloçõo de oíquwfis toses paeeenles otn -j\
!

a p e n a s a g i n á s t i c a p a r a s e r d i s c u t i d a . Vejo, e n t r e t a n t o , a g o r a c o m c l a r e z a n ã o sé) o q u e p r e c i s a a i n d a s e r d i t o a t o d o s c o m o t a m b é m q u e d e v e vir e m p r i m e i r o l u g a r . Vamos, p o r t a n t o , i n d i c a r esses p o n t o s n a devida o r d e m . Clínias: Façamo-lo certamente. já o t e n h a i s

O ateniense:

Escutai-me, então, embora

feito a n t e s . C o n t u d o , é i m p e r i o s o q u e e s t e j a m o s s u m a mente atentos agora como antes tanto ao dizer q u a n t o ao ouvir algo q u e é e x t r e m a m e n t e e s t r a n h o c novo. Fazer a a f i r m a ç ã o q u e estou ragem para n ã o recuar. * • na i m i n ê n c i a de fazer c o n s t i t u í u m a t a r e f a t e m í v e l ; e n t r e t a n t o , r e u n i r e i co-

"i?0púMi0O. ftl.l.)

286

Livro VII
Clínias: A q u e a f i r m a ç ã o t u t e r e f e r e s , e s t r a n g e i r o ? 0 ateniense: A f i r m o e d e c l a r o q u e h á e m t o d o E s t a d o u m a total i g n o r â n c i a a respeito d o s jogos infantis, de s u a i m p o r t â n c i a d e c i s i v a p a r a a l e g i s l a ç ã o c o m o fatores q u e a t u e m p a r a d e t e r m i n a r s e a s leis p r o m u l g a d a s devem ser p e r m a n e n t e - o u n ã o . Q u a n d o h á u m a prescrição d o p r o g r a m a dos jogos q u e a s s e g u r a q u e a s m e s m a s c r i a n ç a s j o g u e m s e m p r e os m e s m o s jogos e se divirtam com os mesmos brinquedos da m e s m a maneira e nas mesmas condições, se permite t a m b é m que as leis efetivas e s é r i a s p e r m a n e ç a m i n a l t e r a d a s ; m a s q u a n d o , ao c o n t r á r i o , tais jogos v a r i a m e sofrem inovações entre outras m u d a n ç a s contínuas, as crianças n ã o cessam de fazer seu capricho se transferir de um folguedo p a r a o u t r o , d e m o d o q u e n e m n o q u e diz respeito às suas próprias posturas corporais nem no que respeita a todos os objetos de seu uso c o n t a m c o m um p a d r ã o estabelecido e reconhecido de p r o p r i e d a d e ou i m p r o p r i e d a d e n o s e u c o m p o r t a m e n t o . M a s q u e m receberá especial aprovação é aquele q u e está sempre i n o v a n d o o u i n t r o d u z i n d o a l g u m i n v e n t o n o v o q u e alt e r a a f o r m a , a c o r o u a l g o d o g ê n e r o , i s t o e m b o r a fosse perfeitamente verdadeiro afirmar que não pode h a v e r flagelo pior n u m E s t a d o d o q u e a l g u é m desse t i p o , visto q u e ele a l t e r a p r i v a d a m e n t e o c a r á t e r d o s j o v e n s e os faz d e s p r e z a r o q u e é v e l h o e n ã o e s t i m a r s e n ã o o q u e é novo. E eu reitero q u e um E s t a d o n ã o p o d e ser v í t i m a d e d a n o p i o r d o q u e o c a u s a d o p o r u m a tal s e n t e n ç a e d o u t r i n a . S i m p l e s m e n t e e s c u t a i e n q u a n t o vos falo d e q u e m a g n i t u d e é e s s e m a l . Clínias: Estás te referindo ao m o d o c o m o as pessoas

reprovam o que é antigo nos Estados? O ateniense: Exatamente.

Clínias: B e m , q u a n t o a esse l e m a n ã o t e r á s e m n ó s o u v i n tes relutantes, m a s sim os m a i s simpáticos possíveis.•*• 0 ateniense: E c e r t a m e n t e o q u e eu esperaria.
* * * T)'a0 come d otaiensc,
fiPínias (: J f c f f o lottèfit»

Clínias: 8 ó r e s t a ( p i e f a l e s . 0 ateniense: Vamos nos escutar e nos dirigir um ao

não wtftns, M M quoit ê meio
mata ftWf (crfm dr. wwxra
miliqns êo qi/f i:tm ptm.

o u t r o sobre esse a s s u n t o c o m m a i o r c u i d a d o d o q u e nunca. Nada, como constataremos, é mais arriscado

ÍS.I.J

287

Platão - As Leis
do q u e m u d a r relativamente a t u d o exceto s o m e n t e ao q u e é m a u - seja e m r e l a ç ã o à s e s t a ç õ e s , a o s v e n t o s , à dieta alimentar do corpo ou à disposição da a l m a em síntese t u d o com a ú n i c a exceção, c o m o a c a b e i de dizer, do q u e é m a u . C o n s e q ü e n t e m e n t e , se e x a m i n a r m o s o corpo h u m a n o e verificarmos c o m o se h a b i t u a a todas as espécies de a l i m e n t o s , b e b i d a s e exercícios, m e s m o q u e no início o t r a n s t o r n e m , e c o m o a c a b a , a p a r t i r desses m e s m o s materiais, por g a n h a r carnes q u e lhes são afins e a d q u i r i r c o m eles f a m i l i a r i d a d e e gosto, p o r t o d a essa dieta, [perceberemos q u e o corpo h u m a n o ] viverá u m a vida s u m a m e n t e saudável e agradável; m a s se houver, a q u a l q u e r m o m e n t o , a necessidade d e u m ser h u m a n o mudar, retornando a u m a daquelas dietas alimentares de g r a n d e reputação, só será com p e r t u r b a ç õ e s iniciais, enfermidades e g r a n d e s dificuldades q u e se reacostumará à dieta. Sucede, d e v e m o s supor, algo e x a t a m e n t e idêntico c o m os intelectos h u m a n o s e a n a t u r e z a da a l m a h u m a n a p o i s s e e x i s t e m leis s o b a s q u a i s a h u m a n i d a d e foi f o r m a d a e q u e p e l a p r o v i d ê n c i a d i v i n a p e r m a n e c e r a m i n a l t e r a d a s p o r m u i t o s s é c u l o s , a p o n t o d e n ã o existir q u a l q u e r m e m ó r i a ou registro de j a m a i s terem sido diferentes d o q u e s ã o a g o r a , e n t ã o a a l m a n a s u a totalid a d e está proibida pela reverência e o t e m o r a alterar q u a l q u e r u m a d a s coisas i n s t a u r a d a s outrora. E necessário, portanto, q u e o legislador conceba a todo preço u m m e i o pelo q u a l p o s s a a s s e g u r a r a o E s t a d o esse b e n e fício. E eis o n d e p e n s o t e r d e s c o b e r t o e s s e m e i o : a s t r a n s f o r m a ç õ e s d o s jogos i n f a n t i s s ã o c o n s i d e r a d a s p o r t o d o s os legisladores, c o m o o asseveramos antes, c o m o sendo m e r a s m a t é r i a s de diversão e n ã o c o m o c a u s a s de sérios d a n o s ; d a í em l u g a r de proibi-las, eles a elas c e d e m e as a c o l h e m . N ã o c o n s e g u e m refletir q u e essas c r i a n ç a s q u e t r a n s f o r m a m s e u s jogos s e r ã o a d u l t o s diferentes d e s e u s pais c o sendo b u s c a m um sistema diferente d e v i d a , q u e s e n d o b u s c a d o o s l e v a a d e s e j a r o u t r a s i n s t i t u i ç õ e s c leis; e n e n h u m d o s l e g i s l a d o r e s s e i n t r a n q ü i l i z a d i a n t e d a conseqüente a p r o x i m a ç ã o desse resultado q u e a c a b a m o s dc descrever como o m a i o r dos m a l e s a se a b a t e r sobre um Estado. O mal produzido por m u d a n ç a s que afetam apen a s formas exteriores seria d e m e n o r m o n t a , m a s m u d a n ç a s f r e q ü e n t e s ern a s s u n t o s q u e i m p l i c a m e m a p r o v a ç ã o ou r e p r o v a ç ã o m o r a l são, a m e u ver, de e x t r e m a importância e requerem m á x i m a cautela.

288

Livro Vil
CUnias: Muito seguramente. continuaremos a depositar nosso

O ateniense:

Bem,

c r é d i t o n a s n o s s a s a f i r m a ç õ e s a n t e r i o r e s , o u seja, d e q u e as matérias do ritmo e da música geralmente são imitações das maneiras de homens de bem ou homens m a u s , ou c o m o ficamos nós? CUnias: N o s s a p o s i ç ã o p e r m a n e c e t o t a l m e n t e i n a l t e r a d a . O ateniense: A f i r m a m o s , e n t ã o , q u e c u m p r e a p e l a r p a r a todo recurso no sentido de não somente impedir que n o s s a s c r i a n ç a s p a s s e m a d e s e j a r i m i t a r m o d e l o s diferentes de dança e canto como t a m b é m impedir que. s e j a q u e m for, a s t e n t e i n d u z i n d o - a s p o r m e i o d e p r a zeres de toda sorte. Clínias: Absolutamente certo,

O ateniense:

E p a r a atingir esse objetivo seria possível

que q u a l q u e r um de nós indicasse um expediente melhor do a q u e l e dos egípcios? Clínias: E q u e e x p e d i e n t e é e s s e ? O ateniense: 0 e x p e d i e n t e de c o n s a g r a r t o d a d a n ç a e

toda música, a começar pela regulamentação de todas a s f e s t a s s a g r a d a s p u b l i c a n d o u m a l i s t a a n u a l d a s festas a s e r e m r e a l i z a d a s com i n d i c a ç ã o d a s d a t a s específicas e d o s n o m e s d o s d e u s e s específicos, filhos de deus e s e dáimons a s e r e m h o m e n a g e a d o s ; a seguir especificam os hinos a serem cantados d u r a n t e c a d a um dos sacrifícios e as d a n ç a s com q u e c a d a um d e s s e s sacrifícios religiosos s e r á a g r a c i a d o . E s s a s d e t e r m i n a ç õ e s d e v e m ser feitas a p r i n c í p i o p o r c e r t a s p e s s o a s e e n t ã o todo o c o r p o dos c i d a d ã o s , a p ó s r e a l i z a r um sacrifício p ú b l i c o às M o i r a s * e a t o d a s as o u t r a s d i v i n d a d e s , deverá consagrar m e d i a n t e u m a libação essas determ i n a ç õ e s d e d i c a n d o c a d a u m d o s h i n o s a o s seus respectivos d e u s e s e d i v i n d a d e s . E se q u a l q u e r p e s s o a propuser outros hinos e d a n ç a s além desses para qualq u e r um dos deuses, os sacerdotes e sacerdotisas esta rão a g i n d o tanto de a c o r d o com a religião q u a n t o c o m a lei a o e x p u l s a r , a u x i l i a d o s p e l o s g u a r d i õ e s d a s leis, tal pessoa da festividade; e no caso de resistência à expulsão, essa pessoa ficará sujeita pelo resto da vida a ser processada p o r iropiedade p o r q u a l q u e r pessoa q u e d e s e j a r fazê-lo.

• Moiptxi,

iwmúwks

p«»o,wliois jiPlios dos

(Epepoç) c dn ,_Àloife
( N n Q . Cinto. ííaefcesis o l i m p o s Mge» os destinos do ímnionidode, tnos sob as deftbeíaç.òes de *§m. f) temo

potpa

siqnijinti

PitesoPincnte pa/iíe, poroão, Pote e pos cvteneão o Pole que cabe a eado mOítaP durante a ei-ieténeia, ou seja. o eo/ite, o destino.

KXíüStü

siqttijiec

"oquePo que jio, a jiandeija",

AaxeaiÇ

ííifeiiafMenfe

eo»lc, destino) é "oqueio que auaPia" e AoptúltíOÇ signijien oquePo que não pode sen desejado ou cií!oda".fn.l.)

289

Platão - As Leis
Clínias: Está certo.

O ateniense: E j á q u e n o s e n c o n t r a m o s a g o r a t r a t a n d o desta matéria, comporterno-nos como nos cabe. Clínias: Que queres dizer?

O ateniense: T o d o h o m e m j o v e m , e m a i s a i n d a u m h o m e m idoso, ao ouvir ou ver a l g u m a coisa i n c o m u m e e s t r a n h a , p r o v a v e l m e n t e e v i t a r á m e r g u l h a r n u m a solução precipitada e impulsiva com relação às suas dúv i d a s [ s o b r e o q u e o u v e ou vê]; ele se d e t e r á e c o r n o um h o m e m q u e chegou a u m a e n c r u z i l h a d a e n ã o está t o t a l m e n t e seguro acerca de seu c a m i n h o , se estiver viajando sozinho, se i n d a g a r á ou, se estiver viajando a c o m p a n h a d o de o u t r o s , os i n d a g a r á t a m b é m a respeito do assunto duvidoso, recusando-se a prosseguir viagem até certificar-se pela investigação da direção q u e d e v e t o m a r . È m i s t e r q u e a j a m o s d a m e s m a form a . No n o s s o d i s c u r s o s o b r e as leis, face à e s t r a n h e z a do p o n t o q u e neste ensejo nos ocorreu, só nos resta investigá-lo com rigor, e d i a n t e de um t e m a de t a l grav i d a d e se nos impõe, a nós em nossa idade, n ã o conjeeturar ou sustentar levianamente q u e p o d e m o s fazer q u a l q u e r a f i r m a ç ã o confiável a respeito de i m e d i a t o . Clínias: H á m u i t a v e r d a d e e m t u a s p a l a v r a s . O ateniense: Devotaremos, portanto, algum tempo a

esse a s s u n t o , e s o m e n t e q u a n d o o tivermos pesquisado cabalmente, reconheceremos como certas nossas conclusões. Mas para que não sejamos inutilmente impedidos de completar as determinações que acomp a n h a m a s leis d e q u e t r a t a m o s a g o r a , c u i d e m o s d a c o n c l u s ã o d e l a s , p o i s m u i t o p r o v a v e l m e n t e (se for a vontade divina) esta exposição levada completamente à sua conclusão poderá t a m b é m esclarecer o problema com q u e nos defrontamos agora. Clínias: T u o d i z e s b e m , e s t r a n g e i r o . F a ç a m o s p r e c i s a mente como afirmas. O ateniense: A c e i t e m o s o e s t r a n h o f a t o d e q u e n o s s o s h i n o s s e t o r n e m nomos, t a l c o m o o s h o m e n s d e o u t r o ra, é o q u e p a r e c e , d e s i g n a r a m as m e l o d i a s t o c a d a s com o a c o m p a n h a m e n t o da citara de m o d o q u e eles, t a m b é m , possivelmente n ã o discordassem por completo

290

Livro VII
da nossa presente sugestão, m a s q u e um deles pudesse tê-lo a d i v i n h a d o i n d i s t i n t a m e n t e , e o m o s e n u m s o n h o noturno ou n u m a visão desperto. De q u a l q u e r maneir a , q u e s e j a o s e g u i n t e o d e c r e t o s o b r e essa, m a t é r i a : que as melodias populares e as canções sagradas b e m c o m o o conjunto das d a n ç a s corais dos jovens sejam, na m e s m a c o n d i ç ã o q u e q u a l q u e r o u t r o n o m o , • leis* q u e n ã o se possa violar n e m por um som vocal n e m p o r u m p a s s o d e d a n ç a . A q u e l e q u e a isto a c a t a r estar â l i v r e de, p e n a l i d a d e s , m a s q u e m o d e s a c a t a r s e r á c o m o o dissemos há p o u c o p u n i d o pelos guardiões d a s leis, as s a c e r d o t i s a s e os s a c e r d o t e s . S e r á q u e pod e m o s a g o r a p r o m u l g a r isso e m n o s s o p r o j e t o d e lei? Clínias: Pois o promulgues. C o m o p r o m u l g a r e m o s essas regras como , cpp (g (jcbaPda eom o
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O ateniense:

leis s e m e s c a p a r m o s a o r i d í c u l o ? C o n s i d e r e m o s a i n d a um outro p o n t o q u e lhes diz respeito. O m é t o d o m a i s seguro consiste e m c o m e ç a r p o r m o l d a r e m nosso discurso a l g u n s casos típicos, p o r a s s i m dizer. Eis c o m o f o r m u l o u m d e s t e s e x e m p l o s . S u p õ e q u e a o ser u m sacrifício r e a l i z a d o e as o f e r e n d a s d e v i d a m e n t e q u e i m a d a s , u m v e n e r a d o r e m p a r t i c u l a r (filho o u i r m ã o ) post a d o ao l a d o do altar e d a s o f e r e n d a s se p o n h a a proferir todos os tipos de blasfêmias. N ã o p r o d u z i r i a s u a voz s o b r e s e u p a i e o resto da f a m í l i a um s e n t i m e n t o d e d e s e s p e r o e , de, p r e s s e n t i m e n t o s s i n i s t r o s ? Clínias: Impossível duvidá-lo.

O ateniense: B e m , n e s t a n o s s a p a r t e d o m u n d o é o q u e a c o n t e c e , poder-se-ia dize-lo, em q u a s e todos os Estados. Q u a n d o u m m a g i s t r a d o realiza u m sacrifício púb l i c o , • • o q u e . s u r g e na s e q ü ê n c i a n ã o é u m a d a n ç a coral m a s s i m u m a m u l t i d ã o de d a n ç a s c o r a i s que, a v a n ç a m c t o m a m suas posições n ã o a u m a certa distância dos altares, m a s a m i ú d e e x t r e m a m e n t e próximas deles, d e p o i s d o q u e p r o f e r e m u m t u r b i l h ã o d e b l a s f ê m i a s , a t o r m e n t a n d o a s a l m a s de, s u a a u d i ê n c i a c o m p a l a vras, ritmos e melodias s u m a m e n t e lastimosos, sendo q u e aquele, q u e logra assim dc i m e d i a t o a r r a n c a r o m á x i m o de l á g r i m a s da c i d a d e q u e sacrifica leva a p a l m a d a vitória. N ã o t e r e m o s n ó s q u e rejeitar u m tal c o s t u m e ? Pois se é r e a l m e n t e n e c e s s á r i o q u e em c e r t a s ^ . . ^
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291

Platão - As Leis
ocasiões os cidadãos o u ç a m semelhantes lamentos, seria mais a d e q u a d o q u e os coros fossem contratad o s do e s t r a n g e i r o e que. a r e p r e s e n t a ç ã o a c o n t e c e s se n ã o em dias santos m a s a p e n a s cm dias nefastos lal c o m o o c o r r e c o m u m m o r t o q u e 6 e s c o l t a d o c o m música cariana por carpideiros contratados. Tal música constituiria t a m b é m o a c o m p a n h a m e n t o conveniente a hinos dessa espécie, e a decoração q u e caberia a esses hinos lúgubres não seria coroas nem ornamentos dourados, mas simplesmente o oposlo, isto d i t o p a r a q u e e u p o s s a e n c e r r a r e s t e a s s u n t o o mais breve possível, t e n d o nós s o m e n t e de nos dirigir m a i s u m a vez esta ú n i c a p e r g u n t a : e s t a m o s satis feitos c o m essa promulgação como nossa primeira regra-rnodclo p a r a hinos? Clínias: »... E i M t > r p i a (wfauo Que regra? A do d i s c u r s o a u s p i c i o s o . • E devemos dis-

O ateniense:

de. bo« ourjúrio, que do porto de. iieío «tótniMiiitc keligioso senin ÍI postura de. bem augúrio i>iom'{cslodo pelo BiíctiCio religioso, nu seja, a ausência de, iodo discurso quando este. se. revela dc, mau augúrio. ulesim o eufemismo c tonto o uso da poloifto propício quanto c uso do silencio propicio (o não-discurso, O À o y i a / . •'PCofõo se mie.ne oo primeiro desíe.R ufios pois CRM abordando o questão dos lisos c dos tos, matérias necessariamente discursivas, (».(.)

p o r d e u m a m o d a l i d a d e d c h i n o q u e seja c o m p l e t a m e n t e em todos os aspectos auspicioso? Ou deverei eu determ i n a r q u e assim será sem maior questionamento? Clínias: E c e r t í s s i m o q u e d e v e i s d e t e r m i n á - l o p o i s s e t r a t a d e u m a lei p r o m o v i d a p e l a u n a n i m i d a d e d o s v o t o s . O ateniense: Q u a l s e r i a , e n t ã o , a s e s u c e d e r a o d i s c u r s o a u s p i c i o s o , a s e g u n d a lei d a m ú s i c a ? N ã o s e r i a q u e as orações d e v e r i a m ser e n d e r e ç a d a s t o d a s as vezes aos deuses a q u e m se fazem as oferendas? Clínias: Certamente. lei, suponho, será a seguinte:

O ateniense: A t e r c e i r a

(pie os p o e t a s , c i e n t e s de q u e as o r a ç õ e s são solicitações dirigidas aos deuses, p r e c i s a m t o m a r o m á x i m o cuidado para não solicitarem inadvertidamente um m a l c m l u g a r d e u m b e m , visto q u e c o m p o r u r n a tal o r a ç ã o s e r i a , i m a g i n o , u m a tolice risível. CUnias: O Certamente. Nosso argumento não nos convenceu

ateniense;

• • ílXouTOÇ, deus do ,rique;]a
( T I A - Ü W O Ç

pouco tempo atrás de que n e n h u m Pinto• • de ouro o u de. p r a t a d e v e r i a r e s i d i r d e n t r o d e u m s a n t u á r i o do Estado? Sim, convenceu.

riquego

cnnsliiiiído por ouro c praia), j i f e dc -Demcta c J á e i o . (n.l.)
(

Clínias:

292

Livro VII
O ateniense: E q u e lição estaria essa a f i r m a ç ã o ilus-

t r a n d o ? N ã o seria a de q u e os p o e t a s n ã o são inteiramente capazes de discernir muito b e m entre o q u e é b o m c o q u e n ã o é? Pois c e r t a m e n t e q u a n d o um poeta, vítima desse erro, c o m p õ e orações em versos ou prosa, estará fazendo nossos cidadãos incorrerem em contradições conosco em suas orações por coisas da m a i o r i m p o r t â n c i a ; e, no e n t a n t o , este, c o m o o d i s s e m o s , é um erro com o qual poucos outros podem se igualar em t e r m o s de g r a v i d a d e . Face a isso, p r o m u l g a r e m o s t a m b é m e s t a c o m o u m a d e n o s s a s l e i s e p r i n c í p i o s gerais relativos às Musas. Clínias: Q u e l e i ? E n e c e s s á r i o q u e o e x p l i q u e s a com maior clareza. O ateniense: A l e i s e g u n d o a q u a l o p o e t a n ã o c o m p o r á n a d a q u e ultrapasse os limites daquilo q u e o Estado t e m c o m o legal e correto, b e l o e b o m ; n e m m o s t r a r á ele s u a s c o m p o s i ç õ e s a n e n h u m a p e s s o a p r i v a d a enq u a n t o não tiverem sido p r i m e i r a m e n t e mostradas aos j u i z e s d e s i g n a d o s p a r a l i d a r corri e s s e s a s s u n t o s e a o s g u a r d i õ e s d a s leis, e t e n d o estes as a p r o v a d o . * " » E, c o m efeito, t e m o s juizes j á d e s i g n a d o s e n t r e a q u e l e s q u e selecionamos p a r a serem legisladores em matéria d e m ú s i c a e n a f i g u r a tio s u p e r v i s o r d a e d u c a ç ã o . B e m , devo repetir m i n h a p e r g u n t a : d e v e m o s p r o m u l g a r isso c o m o n o s s a t e r c e i r a lei c c o r n o t e r c e i r o p r i n c í p i o g e r a l e modelo? Qual é vossa opinião? Clínias: Que seja efetivamente promulgado.
* * * i.A frírjfdci M S W I rio

nós

&!tflfÍ0. :.A OW0ÇÕ0 OrfÍBÍiüfl e mmtent fcw c poeticamente. (loSOOWptfimofido Ó infonocbíeoJ po»a ^PPoloo o muito menos ainda o (ate. peta n*to. LA músico, eomo quoisque* oufcwre mminjcsfnçõcs ostísticoe, nõo só (em objetiuo eomo cisa o r«» objetivo oriiie.iicln e. espeorfjíoo: o de.sonüofoimenfo das eüitudcs do afino constituindo o sei humano pcsjcítamonio bom e jpPig que se coibindo iiCcccso»iawe.ii|(i com o cidodõo ei-cmpfa». (n.t.)

O ateniense: E m s e q ü ê n c i a a i s s o , s e r á d a m a i o r c o n v e niência entoar hinos e louvar os deuses associando-os às orações, e depois dos deuses virão orações combin a d a s c o m l o u v o r a o s dáimons c apropriada a cada um. Clínias: Certamente. Feito isso, poderemos, sem hesitação c heróis, da maneira

O ateniense:

i m e d i a t a m e n t e , f o r m u l a r a s e g u i n t e lei: t o d o s os c i d a dãos q u e chegaram ao termo da vida depois de terem realizado pelo corpo ou a a l m a o b r a s n o b r e s e labores difíceis e t e r e m sido o b e d i e n t e s às leis s e r ã o c o n s i d e rados c o m o a p r o p r i a d o s objetos dc louvor.

293

Platão - As Leis
Clínias: N ã o há c o m o refutá-lo. Q u a n t o à q u e l e s q u e a i n d a s ã o vivos n ã o 6

O ateniense:

v e r d a d e i r a m e n t e seguro h o n r a d o s c o m h i n o s e louvores. K p r e c i s o q u e s e a g u a r d e q u e t e n h a m p e r c o r r i d o a totalid a d e da vida c o r o a n d o a por m e i o de um belo desfecho. Todas essas h o n r a s serão i g u a l m e n t e p a r t i l h a d a s p o r mulheres e h o m e n s q u e se destacaram p o r seus méritos. Q u a n t o aos cantos e às d a n ç a s será nos seguintes moldes q u e d e v e r ã o ser o r g a n i z a d o s . E n t r e a s composições d o s antigos existem m u i t a s excelentes peças musicais, b e m c o m o d a n ç a s , entre as q u a i s é possível s e l e c i o n a r m o s sem maiores hesitações aquelas q u e mais se ajustam e mais convém à constituição q u e estamos fundando. P a r a se e n c a r r e g a r e m cio m i s t e r d a s e l e ç ã o e s c o l h e r e m o s h o m e n s d e i d a d e n ã o inferior aos c i n q ü e n t a anos; q u a l q u e r q u e seja a c a n ç ã o antiga a p r o v a d a , será a d o t a d a p o r n ó s , c o m o toda aquela q u e n ã o conseguir atingir nosso p a d r ã o ou for a b s o l u t a m e n t e i n a d e q u a d a s e r á o u i n t e i r a m e n t e r e jeitada ou revisada e r e m o d e l a d a . P a r a esta tarefa convoc a r e m o s poetas e músicos p a r a a t u a r e m e o m o conselheiros e e m p r e s t a r e m s u a c a p a c i d a d e a o t r a b a l h o , s e m , e n tretanto, n o s f i a r m o s em seus gostos e desejos a n ã o ser e x c e p c i o n a l m e n t e . E e x p o n d o a s s i m a s i n t e n ç õ e s d o legislador, o r g a n i z a r e m o s de m o d o a satisfazê-lo a d a n ç a , o c a n t o e t u d o q u e c o n c e r n e aos coros. Na v e r d a d e , toda criação musical sem u m a ordenação regular se torna, q u a n d o r e g u l a m e n t a d a , mil vezes m e l h o r , m e s m o q u e s u a melosídade n ã o seja e l i m i n a d a : t o d a c r i a ç ã o m u s i c a l p r o p o r c i o n a p r a z e r , j á q u e s e u m a p e s s o a foi e d u c a d a d e s d e a i n f â m i a até a i d a d e a d u l t a e da r a z ã o o u v i n d o música sóbria e regrada detestará o tipo oposto, c h a m a n d o - o d e vulgar, e n q u a n t o q u e s e t i v e r s i d o e d u c a d a c o n v i v e n d o c o m o tipo ordinário e meloso de música, declarar á s e r o t i p o c o n t r á r i o frio e d e s a g r a d á v e l . D a í , c o m o o dissemos há pouco, no tocante ao prazer ou desprazer q u e p r o d u z e m , n e n h u m t i p o s o b r e p u j a o o u t r o ; a sup e r i o r i d a d e consiste n o falo d e q u e u m tipo t o r n a a q u e les q u e f o r a m n e l e e d u c a d o s m e l h o r e s , o o u t r o , p i o r e s . Clínias: Eis um belo discurso.

O ateniense: A d e m a i s , s e r á c o n v e n i e n t e q u e o l e g i s l a d o r separe as canções a d e q u a d a s aos homens das adequad a s à s m u l h e r e s b a s e a d o n o c a r á t e r geral d a s m e s m a s . Ele, t e r á q u e , o b r i g a t o r i a m e n t e , a j u s t a Ias à s h a r m o n i a s

294

Livro VII
e r i t m o s pois seria u m a coisa horrível existir d e s a r m o nía entre o tema e a melodia, o contratempo e o ritmo como resultado de se proporcionar às canções os acomp a n h a m e n t o s i m p r ó p r i o s . Deste m o d o , é a b s o l u t a m e n te imperioso q u e o legislador determine, ao menos, um esboço dessas coisas. E se por um lado é necessário q u e ele designe lanto letra q u a n t o música p a r a a m b o s os tipos de canções corno definido pela diferença natural dos dois sexos, p o r o u t r o ele terá t a m b é m q u e d e c l a r a r com clareza no q u e consiste o tipo feminino. E a g o r a nos é possível afirmar q u e o q u e p e n d e p a r a a generosidade e a coragem é masculino, enquanto o q u e se inclina m a i s p a r a o decoro e a m o d e r a ç ã o deve ser enc a r a d o m a i s c o m o f e m i n i n o t a n t o n a lei q u a n t o n o d i s curso. E esta, p o r t a n t o , nossa legislação da matéria. T e m o s a seguir q u e discutir a q u e s t ã o do e n s i n o e transmissão desses assuntos - como, por q u e m e q u a n d o c a d a u m deles deveria ser p r a t i c a d o . Tal c o m o u m construtor de navios no início de seu t r a b a l h o esboça a forma de sua embarcação definindo a quilha, pareço eu estar fazendo o m e s m o ao tentar distinguir as formas de vida segundo os tipos de caráter das almas, assim definindo literalmente as quilhas dessas formas pela consideração de que meios e por q u e modos de vida conduzire m o s o m e l h o r possível n o s s a e x i s t ê n c i a a o t e r m o d a viagem da vida. E a despeito dos assuntos h u m a n o s serem indignos de serem levados m u i t o a sério, somos compel i d o s a levá-los a sério, o q u e c o n s t i t u i o n o s s o i n f o r t ú nio. E todavia, estando mis o n d e estamos, conviria indubitalvelmcnte q u e indicássemos um r u m o a d e q u a d o a t a l s e r i e d a d e , o q u e m e faz t e r d i a n t e d e m i m s e m d ú v i d a a seguinte p e r g u n t a : "O q u e q u e r o dizer c o m isso?" Clínias: Perfeitamente.

•...0eov...,

deus. 0 leite

T f c f õ o p»e|o»iu uso» oqui este («mo genfitico c Wi'|o pfi»o designo» o que, no suo mcla^ísíco não é MCíaiwnle ura deus mos sim o que no cosmogonia »ct«atado no í/imeu ele dam dc

AT|U.tO"upYOÇ, temo que
emprestou do tooabuíáwo eo»»e«tc do gwgn c que. sigiiijica titaoPmctitc artesão, opoió.uo, wodePado». C>
v

pic»ii«gc é o fabricado» do

universo, o sc» supremo e único que impôs Oídcm, ojgoíiijaeõc
( K Q O U O Ç )

on abismo

pwmásío, Iciieb/ioso e desoídenado

O ateniense: O q u e q u e r o d i z e r é q u e se d e v e l e v a r a s é r i o c o i s a s s é r i a s e n ã o n i n h a r i a s e q u e o o b j e t o r e a l m e n t e digno de t o d o esforço s é r i o e a b e n ç o a d o é por natureza a Divindade, • e n q u a n t o o s e r h u m a n o foi f a b r i c a d o , c o m o d i s s e m o s a n t e s , p a r a ser u m b r i n q u e d o d a D i v i n d a d e , consistindo nisto efetivamente s u a m e l h o r parte. P a r t i n d o daí, p o r t a n t o , d i g o q u e t o d o h o m e m e t o d a m u l h e r d e v e m perc o r r e r t o d o o c u r s o d e s u a e x i s t ê n c i a d e s e m p e n h a n d o esse p a p e l , d i v e r t i n d o s e c o m o s jogos m a i s e x c e l e n t e s , m a s n ã o e n t e n d e n d o s e u s jogos c o m o o s e n t e n d e m h o j e .

(xaoç)
J felina do

moMoudo tudo qm ais/f r /• (ia ÜVT-a).
Tímeu se ^qj absofuíomenle inipreeeindívep pa»a a criinp»eeneão desse lema, [>fito o que concorrerá tombem em pceiíieuPa» a fetari do
(

Pa»mênides e do fío^isío, de

preferência antes do estudo do TJiinru. (n.l.)

295

Platão - As Leis
Clínias: O q u e queres dizer?

O ateniense: Ora, a t u a l m e n t e s e i m a g i n a , e m s u m a , q u e a s c o i s a s s é r i a s d e v e m ser feitas t e n d o e m vista o s jogos; a s s i m se p e n s a q u e é em vista da p a z q u e é. preciso c o n d u z i r b e m o sério t r a b a l h o da g u e r r a . Bem, o fato é opte a g u e r r a j a m a i s p ô d e n o s p r o p o r c i o n a r s e j a a r e a l i d a d e seja a promessa d e u m jogo a u t ê n t i c o o u d e u m a e d u c a ç ã o d i g n a deste n o m e , o s q u a i s s ã o , a n o s s o ver, o q u e há de m a i s sério. E a vida pacífica q u e todos deveriam viver o m á x i m o e o m e l h o r possível. Q u a l é e n t ã o a sonda correta? D e v e r í a m o s viver n o s s a s v i d a s p a r t i c i p a n d o d e c e r t o s jogos - s a c r i f i c a n d o , c a n t a n d o e d a n ç a n d o - de m o d o a n o s c a p a c i t a r m o s a c o n q u i s t a r o favor d i v i n o e r e p e l i r n o s s o s i n i m i g o s e vencê-los na luta. Por meio de que tipos de canto e d a n ç a p o d e r ã o a m b o s e s s e s o b j e t i v o s s e r a t i n g i d o s - i s t o foi e m p a r t e d e l i n e a d o e os c a m i n h o s foram d e m a r c a d o s , se acred i t a r m o s q u e o p o e t a e s t á certo) a o d i z e r : Telêmaco, lua própria inteligência teu em parte te instruirá. vonta-

E o resto um dáimon te suprirá; pois penso que é à • \tíomm, Odisséia, iü, 26 c surjfi.: aM.a tapeei pev Tr\Xma%, auroçevi de dos deuses que deves nascimento

e crescimento. •

N o s s o s l a c t e n t e s * * deverão» c o m p a r t i l h a r d e m e n t a l i d a d e idêntica e a c r e d i t a r q u e o (pie d i s s e m o s b a s t a e q u e s e u s dáimons e a D i v i n d a d e l h e s s u g e r i r ã o t u d o o m a i s no q u e t a n g e aos sacrifícios e às d a n ç a s ; e a esses deuses deverão h o n r a r nas estações [ a p r o p r i a d a s ] lhes oferecendo p r i m e i r a m e n t e seus jogos propicíatórios p a r a d e p o i s g r a n j e a r s e u favor, c a s s i m m o l d a r s u a s vidas em conformidade com sua natureza, partilhando ocasionalmente de alguns lampejos da verdade e m b o r a n ã o p a s s e m ole m a r i o n e t e s .

rjTicn V O T | 0 C I Ç , aXka St; yap mt oito

8ai(iü>v

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OXKTITI

TCveaOui

xe

Tpa<t>epfv T E . (n.l.)

" . . . Tipexepovjç TpO0tpot)Ç.... enquanto
ÍJIÍI

Megilo: T e n s o g ê n e r o h u m a n o e m p é s s i m a c o n t a , estrangeiro. O ateniense: Não te espantes, Megilo, mas antes me

TpOfj)£iJÇ

(•

tiquoPa que (n.t.)

mito, ou seja, ri orno do Coito.

p e r d o e s . E oxim o o l h a r fixo n a D i v i n d a d e e m o v i d o i p o r ela q u e eu disse o q u e disse. C o n c e d a m o s , contudo, se assim o q u e r e s , q u e a raça h u m a n a n ã o é intei ramenlo m e s q u i n h a e q u e merece u m a séria atenção. R e t o m a n d o o n o s s o t e m a , c u m p r e considerar q u e descrevemos construções p a r a ginásios públicos bem como escolas cm três lugares no centro da c i d a d e c t a m b é m

296

Livro VII
em três lugares em t o r n o da c i d a d e e c a m p o s d e trei-

n a m e n t o e pistas de corridas p a r a cavalos, organizad o s [inclusive] p a r a a p r á t i c a de arco e flecha e o u t r o s tipos de tiro à longa distância, t a n t o p a r a a i n s t r u ç ã o q u a n t o p a r a a prática dos jovens. Se nossa descrição se mostrou, entretanto, i n a d e q u a d a , conviria q u e agora descrevêssemos tais coisas m a i s explicitamente pass a n d o d e p r e s c r i ç õ e s p a r a a f o r m u l a ç ã o d c leis. O s p r o fessores de todas as disciplinas residirão n e s s a s construções e serão estrangeiros pagos. Ensinarão aos seus alunos todas as m a t é r i a s q u e se relacionam com a guerra e a m ú s i c a ; c n ã o c a b e r á a n e n h u m p a i decidir enviar ou n ã o s e u filho à e s c o l a , ao s e u p r ó p r i o c r i t é r i o . "Todo h o m e m e todo r a p a z " , na m e d i d a do possível, será o b r i g a d o a se e d u c a r já q u e m a i s q u e filhos de s e u s p a i s e l e s s ã o f i l h o s d o E s t a d o . A lei q u e d e s e j o v e r promulgada estabelecerá regulamentações idênticas p a r a h o m e n s e mulheres, inclusive o m e s m o treinament o p a r a e s t a s ú l t i m a s . N ã o a f i r m a r e i , m e s m o s o b o risc o d e s e r o b j e t a d o , q u e t a n t o a e q u i t a ç ã o q u a n t o a ginástica, q u e são próprias p a r a os h o m e n s , são impróprias para as mulheres. Creio nas velhas narrativas q u e ouvi e estou ciente agora, b a s e a d o em m i n h a s próprias observações, q u e existem milhares e milhares de m u l h e r e s c h a m a d a s saurornálidas • • « e m t o r n o da região d o P o n t o • • • • à s q u a i s s e i m p õ e , tal c o m o aos homens, que se pratique, do mesmo modo que os homens, n ã o somente a equitação, como t a m b é m o manejo do a r c o e de o u t r a s a r m a s . A isto a d i c i o n o o a r g u m e n t o a s e g u i r . D i a n t e d a p o s s i b i l i d a d e d e s s e c o s t u m e s o u levado a afirmar que o uso atualmente predominante nos nossos Estados é s u m a m e n t e irracional, a saber, a q u e l e que. i m p e d e h o m e n s e m u l h e r e s de p r a t i c a r e m juntos com todas s u a s forças e â n i m o idêntico os mesm o s exercícios. O r e s u l t a d o disso é q u e todo E s t a d o ou q u a s e t o d o E s t a d o a o custo d a s m e s m a s d e s p e s a s e dificuldades a c a b a p o r ser a p e n a s meio E s t a d o em lugar de um inteiro, o q u e representaria um erro surpreendente a ser c o m e t i d o p o r um legislador. Clínias: ro em de K o coisas que parece, que agora nossas com mas formas realmente de um grande núme estão

••*... Zavjpopaxtoaç....
o bem paotóvof que o ateniense se aeji/ta eis pftfipMat; muftcjes srlwtfllos, fieatenee.iif.es ei um pato « I o que Viveu eomo nômade, ttemo evteiisa aeqieto do (ieste euaopeu (fioameieio), ftoje eoa.tespondenle ò paute do tcniíeaio do ''Poíônio e de. poises viginfios. LAIOB (empes de • pflntóo (sceufc IV o. (!.) f*ei Mttmaf f[ne o »e,|eaô»ieio josse jeito o arejieV) do <„Asio ,_/ll««.)S denominado "Ponto (meu './\lc(j«o). junto ao qual! eMetia um íjaondc. Mino. Esta pflssofjcm de >_4s díeie demonslío ÍMioniesiertlmente quonlo traio Viajado 'Tfolíio. (».(•) • • * • . . . Jiept T O V o^piíessao • Ponto designava tonto o mo* ^Àlegno [TtOVTOÇ

E\)í;etvoç

- '-'Ponto fiwilio

rnencianaste,

estrangeiro,

(ma» íwspitofciso)] quonlo o aeino junto o esse inm
(TCOVTOÇ). (n.l.)

conflito

governo

ordinárias.

297

Platão - As Leis
O mos que ateniense; que então o Que seja, porém acolhêssemos a eu havia seu dito que permitiríacurso completo para nós aprovada. e como me te

raciocínio percorresse

conclusão por muito mim no

Clínias: fazes de • ut%w<! fiefenistos eminentes entoft-idos no estabelecimento deste dialogo fcnlw eles .j4uguste 'Diés) têeni «tu todo o lerfo que indiconws cm íiófiCO d jofo G K I I I S W O dc Clínios. situação era que traíamos que ttooru o «/ <4?írt7 f>Ofl A AwííW. ÊslO diferença {nwial. embora ajetondo ei interfotíuçõo. M Í O oftoo cm absoluto o tmêsm e.ortejtiioP do tco» do diálogo, já que Clínios j-og nesse último coso suos os poPoWios do ateniense, (n.t.)
;

Nesse isso

aspecto/alaste censurar • a prossegue

razoavelmente que que. pretendes

com dizer.

mesmo peto

acabei

Portanto, apropriado.

parecer

O ateniense: O q u e m e p a r e c e a p r o p r i a d o , Clínias, c o m o o disse a n t e s , é q u e se a p o s s i b i l i d a d e da o c o r r ê n c i a de tal e s t a d o de coisas n ã o tivesse sido suficientemente c o m p r o v a d a p o r fatos, p o d e r i a ter sido possível cont r a d i z e r o q u e p r o p o m o s , m a s d o jeito q u e é . a q u e l e q u e r e j e i t a e s s a n o s s a lei t e r á q u e r e c o r r e r a u m o u t r o m é t o d o , b e m c o m o essa rejeição n ã o a t e n u a r á o vigor com o q u a l a f i r m a m o s em nossa d o u t r i n a q u e o sexo feminino deve partilhar com medida possível, t a n t o n a o masculino, n a maior e d u c a ç ã o q u a n t o em t u d o o

m a i s , p o i s na v e r d a d e é forçoso q u e c o n c e b a m o s o ass u n t o s o b essa luz. S u p o n d o q u e a s m u l h e r e s n ã o comp a r t i l h a s s e m c o m o s h o m e n s n o q u e d i z r e s p e i t o à tot a l i d a d e ele s e u s i s t e m a d e v i d a , n ã o p r e c i s a r i a m e l a s dispor de um sistema diferente próprio? Clínias: Decerto q u e precisariam. Pois b e m ! Qual dos sistemas atualmente

0 ateniense:

em voga i n d i c a r e m o s de p r e f e r ê n c i a a este s i s t e m a com u n i t á r i o q u e estamos sugf:rindo agora q u e se lhes i m p o n h a ? S e r á o d o s trácios, e de m u i t a s o u t r a s tribos, segundo o qual as mulheres são empregadas p a r a arar a terra, cuidar dos bois e das ovelhas e trabalharem a r d u a m e n t e c o m o escravos? Ou será a q u e l e co m u n i e n t r e mis e todos os nossos povos vizinhos? A m a n e i r a na qual as mulheres são tratadas entre nós p r e s e n t e m e n t e é esta: j u n t a m o s todos os nossos bens, corno diz o a d á g i o , e n t r e q u a t r o p a r e d e s e os confia m o s à i n t e n d ê n c i a d a s m u l h e r e s , s o m a n d o isso à s u a a d m i n i s t r a ç ã o d a s navetas e dc todos os tipos de lanif í c i o . O u d e t e r m i n a r e m o s p a r a e l a s , Megilo, a q u e l e sist e m a i n t e r m e d i á r i o , o lacônico?... S e g u n d o o q u a l as m o ç a s p a r t i c i p a m da ginástica e da música e as mulheres se a b s t ê m do t r a b a l h o c o m a lã, m a s têm q u e tecer elas m e s m a s e m lugar disso u m a vida q u e n ã o é

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Livro VII
a b s o l u t a m e n t e trivial e t a m p o u c o inútil e m b o r a á r d u a , a v a n ç a n d o , por assim dizer, meio c a m i n h o entre os cuidados e administração domésticos c a formação das crianças, m a s sem p a r t i c i p a r do serviço militar, de m a n e i r a q u e se acontecer ser necessário q u e l u t e m em defesa de s u a c i d a d e e de s e u s filhos, s e r ã o i n c a p a z e s de m a n u s e a r habilmente um arco, como fazem as a m a z o n a s , * » o u q u a l q u e r o u t r o projétil, n ã o s e n d o capazes t a m b é m de e m p u n h a r l a n ç a e escudo no estilo da d e u s a • • * se c a p a c i t a n d o n o b r e m e n t e a c o m b a t e r a d e v a s t a ç ã o de sua terra n a t a l e i n f u n d i r o m e d o - ao menos - ao inimigo q u e as contemplasse m a r c h a n d o como tropa organizada. Se vivessem desta maneira, c e r t a m e n t e n ã o o u s a r i a m a d o t a r o estilo dos saurom á t i d a s , cujas mulheres p a r e c e r i a m h o m e n s ao lado delas. Assim, em relação a essa m a t é r i a , q u e louve teus legisladores lacônicos q u e m quiser! De minha parte, n ã o saberia como alterar m e u pensamento. C u m p r e q u e o legislador atinja o t e r m o de s u a missão, ao contrário de se deter no meio do caminho, permitindo que as m u l h e r e s c e d a m à i n d o l ê n c i a , ao luxo e a m o d o s desregrados de vida, limitando-se ele a supervisionar o sexo m a s c u l i n o e a s s i m l e g a n d o , f i n a l m e n t e , ao Estado apenas u m a metade da prosperidade em lugar da prosperidade integral. Megilo: O q u e n o s r e s t a f a z e r , Clínias? P e r m i t i r e m o s q u e o estrangeiro o p r i m a nossa E s p a r t a desta forma? • • * * Clínias: Sim. Visto q u e l h e c o n c e d e m o s l i b e r d a d e d e ""íApiüdà do sistema
intctmediásio, como o ateniense classifica o legislação dc S s p a r l a icfativawenfe à situação do multes, os espartanos conferiam pouco espaço à atividade jeitiMna, especialmente eis ntuPíieree casadas, fie po» um lodo, po» determinação legal e*a ministrado amo educação às meninas e moços semelnonte aquela ministrada aos meninos e mpogfis, po» outfto os leis .tefcsenlcs oo matwmônio (7txn,oç) sedugia» as moças ao se casarem ãs obrigações domésticas. I_4ssii« sc ceplica a quase indignação de _Megilo ante o suposto feminismo do otcnieiise. (ii.t.)

**... ApiaÇoveç... ,
literalmente despmüdnn de seios. L_AiMks.cs gwNMMS que teriam constituído um povo que jfojcsceu no Po«l.o, tia Oítía c «a Úíkn.
• • • A F E I T O , (TT.l.)
c

(n.t.)

se expressar é preciso q u e o d e i x e m o s prosseguir até c o n c l u i r m o s a p l e n a d i s c u s s ã o d a s leis. Megilo: Estás certo.

O ateniense:

Posso e n t ã o me e m p e n h a r sem m a i o r de-

m o r a em d a r continuidade à m i n h a exposição? Clínias: Sem dúvida. Q u e gênero de v i d a l e v a r i a m os seres hu***** P í a t õ o insiste no limitação da «iquego. numa
c

O ateniense:

vido sem lura e eveessos materiais, pois está convicto que a acumulação dc bens e os íiábitos desenvolvidos «o jousto são incompatíveis com a justiça e a tempcianço. Virtudes da alma a sesem visadas po* todo

m a n o s prcssupondo-se que dispusessem de um modo r a d o s u p r i m e n t o de t u d o q u e é n e c e s s á r i o , tivessem confiado t o d o s os ofícios a o u t r a s m ã o s e s u a s f a z e n d a s aos escravos, produzindo-lhes o suficiente p a r a satisfazer s u a s m o d e s t a s n e c e s s i d a d e s ? * • * ** S u p o n h a m o s , ademais, que disponham de salas para os repastos

cidadão, (n.t.)

Platão - As Leis
públicos, salas s e p a r a d a s p a r a os h o m e n s e o u t r a s contíguas p a r a o pessoal de casa, incluindo» as m o ç a s e " 'Varrhase que o suposto jeminienin dc -PPoínn ífc.wi m entendido toque com MisrMns. dentío de teimeis Jctotiioc. (n.t.)
(

suas m ã e s . • e q u e se encarregassem de c a d a u m a dessas salas u m s e n h o r o u s e n h o r a responsáveis pela dispensa do grupo, sua supervisão e a observação de s u a c o n d u t a . E q u e ao e n c e r r a m e n t o da refeição o s e n h o r e t.ido o g r u p o vertessem u m a l i b a ç ã o em h o n r a daqueles deuses aos quais aquela noite e dia são dedicados, e finalmente se retirassem p a r a suas casas. Sup o n d o q u e estivessem assim organizados, não haveria n e n h u m t r a b a l h o necessário, d e u m a espécie r e a l m e n t e a p r o p r i a r i a , q u e l h e s fosse r e s e r v a d o , t e n d o t o d o s eles q u e p r o s s e g u i r s e e n g o r d a n d o c o r n o g a d o ? Isto, afirm a m o s , n ã o é neta correto n e m bom: n e m t a m p o u c o é possível q u e a l g u é m q u e viva a s s i m e s c a p e à s u a s o r t e , e a sorte de urn a n i m a l ocioso, e n g o r d a d o na indolênc i a é , via d e r e g r a , c a i r n a s g a r r a s d e u m o u t r o a n i m a l - um daqueles q u e emagrece a ponto de se tornar pele e osso, m i n a n d o s u a coragem no excesso de t r a b a l h o d u r a m e n t e s u p o r t a d o . Ora, é provável q u e se procur a r m o s e n c o n t r a r esse e s t a d o d e | e q u i l í b r i o e n t r e trabalho e] lazer p l e n a m e n t e realizado exatamente como descrevemos ficaremos desapontados e n q u a n t o mulheres, c r i a n ç a s e, c a s a s p e r m a n e c e r e m p a r t i c u l a r e s , est a n d o essas coisas estabelecidas como propriedades p r i v a d a s d o s i n d i v í d u o s ; m a s se o segundo melhor Estado " ' a g o r a d e s c r i t o p u d e s s e e x i s t i r , p o d e r í a m o s r i o s c o n t e n t a r c o m ele. E , p o d e m o s a f i r m a r , q u e efetivam e n t e resta p a r a a q u e l e s q u e vivem essa vida u m a tarefa q u e n ã o é d c m o d o a l g u m t a c a n h a o u t r i v i a l , m a s n a v e r d a d e q u e é i m p o s t a p o r u m a j u s t a lei s o b r e s e u s ombros como a mais pesada de Iodas pois, c o m p a r a da com a vida a l m e j a d a n u m a vitória pítica ou olímpica à q u a l falta i n t e i r a m e n t e o l a z e r p a r a o u t r a s t a r e fas, e s s a v i d a d e q u e f a l a m o s - q u e m u i v e r d a d e i r a m e n t e m e r e c e o n o m e d e vida - é d u p l a m e n t e , o u m e lhor, m u l t i p l a m e n t e falta de lazer já q u e está o c u p a d a c o m o c u i d a d o da v i r t u d e eni geral do c o r p o e da a l m a . [s1o p o r q u e n ã o d e v e h a v e r n e n h u m a t a r e f a s e c u n d á ria p a r a obstar o trabalho de suprir o corpo de seu exercício e n u t r i ç ã o p r ó p r i o s ou a a l m a dc conhecim e n t o e d o s c o s t u m e s a ela c o n v e n i e n t e s . N ã o , n e m

* * (Ou scjei, o crwcffiçno de feffldn riqui opficscntndo, etn eonhasle ecm n (ipiesonlnda em ,A 'PepúbPien. que ama o /itimolio mefkosi Estado, vepto PUnitio se dei conto rifj inoveqiiibiPidnde dei ePüninaçao fiuwãhia do instituição dn pinp.iiedode p/Ciado (item |undnmunlap dei seu p,»aje(o dn Grilado eoiwinisln em :..A 'CepúIiPioaj• A 'irijiinr/n medo* eonsliluioão pato o í?stndn c a nPlesnatiCo ficofejfíiipj, emtifua seja fiam TPnlrio apenas oeeitáticp (como ePe njiimn Poejo na seqüêncín, m/mg rir no? oo/i/onfoi). (n.t.)

300

Livro VII
todas as horas da noite e do dia são suficientes para q u e m dela s e o c u p a extrair seus frutos d e m a n e i r a plena e a m p l a . S e n d o esta a n a t u r e z a d a s coisas, será necessário elaborar um p r o g r a m a para todos os h o m e n s n a s c i d o s l i v r e s i n d i c a n d o c o m o d e v e r ã o e m p r e g a r tod a s as horas de seu tempo, continuamente, da aurora à a u r o r a e n a s c e r d o sol d e c a d a d i a q u e s u c e d e . S e r i a indigno q u e um legislador se ocupasse de um sem-número de pequenos detalhes prosaicos da administração doméstica, por exemplo d e t e r m i n a r q u a n t o t e m p o dev e r i a m f i c a r d e v i g í l i a t o d a n o i t e o s h o m e n s q u e s e prop õ e m a proteger todo o E s t a d o de m a n e i r a a d e q u a d a e ininterrupta. Q u e q u a l q u e r c i d a d ã o , r e a l m e n t e , p a s s e as noites inteiras d o r m i n d o , em lugar de d a r um exemp l o e m s u a c a s a s e n d o ele m e s m o s e m p r e o p r i m e i r o a d e s p e r t a r e se l e v a n t a r - esta p r á t i c a d e v e r á ser consider a d a p o r t o d o s c o m o i n d i g n a d e uni h o m e m livre, q u e r t e n h a m o s essa reprovação n a c o n t a d e u m c o s t u m e o u d e u m a lei. A l é m d i s s o , t a m b é m c o n s t i t u i p r á t i c a vergon h o s a a s e n h o r a d a c a s a p r e c i s a r ser d e s p e r t a d a p e l a s s e r v a s em l u g a r dc ser a p r i m e i r a a levantar-se e despert a r t o d a s as s e r v a s , e se possível, a c a s a inteira; é o q u e c o m e n t a r ã o o b r i g a t o r i a m e n t e e n t r e si servos e s e r v a s e m e s m o os m e n i n o s . E, despertando-se à noite, poder-se-á c o m certeza e m p r e e n d e r u m a g r a n d e parcela de tarefas, sejam do interesse do E s t a d o , sejam do interesse doméstico, os m a g i s t r a d o s na c i d a d e e os s e n h o r e s e as senhoras em suas próprias casas. • * • n e m às nossas almas, Pois m u i t o s o n o n ã o é n a t u r a l m e n t e conveniente n e m aos nossos corpos n e m t a m p o u c o a o exercício d a s atividades q u e lhes são próprias. U m h o m e m a d o r m e cido n ã o vale n a d a , o m e s m o q u e se estivesse m o r t o . Ao contrário, todo aquele entre nós q u e se importa muito com a vida e com o pensamento p e r m a n e c e desperto o m á x i m o possível, r e s e r v a n d o do seu t e m p o p a r a o sono a p e n a s o exigido p e l a s a ú d e , o q u e é p o u c o u m a vez b e m f o r m a d o o h á b i t o . E g o v e r n a n t e s q u e f i c a m vigilantes à noite nas cidades representam um terror para o s malfeitores, sejam estes c i d a d ã o s o u i n i m i g o s , e m b o ra objetos dc r e s p e i t o e a d m i r a ç ã o p a r a os justos e temp e r a n t e s . Esses g o v e r n a n t e s b e n e f i c i a m t a n t o a si mesmos q u a n t o todo o Estado. * • * . . . TE ItoA,lTlKÜ)V

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na cidade e os danou e donas de casa em suas /iió/wm casas. físta taodiiçõo que jovoseccitio o fUmtukèi (c

rfiif é. o opção dc oftjuns McnislOs) nos |ia!lCC0 Cqué-WM pasque n nosso adjctwo /teét/co e cspeciaiWatc o ad.jclieo eetonâuiea me, tmmpmám màmmti aos

c o n e c t e qteqos contidos nos adjeiieos mmjoCogtcawciite scwcftantcs. (n.f.)

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Platão - As Leis
jrm&Jtytwyrav..., como jó csepOMoemos cm noto nnlwif*, esto (igu»o c»o o eíe um esctaio que fewiifi «s Mímicas ôwies à escoPo. responsável po» su« disciplina r eegmaneo, e que na p»ãtiea ocobova poíi ossumi» já a&jum popeP cdueacioitof na (o»itineão das pequenos, p.iia a epomcitfn dc figação crf/ie a nine c o amo c o pjojossn» p»op»iatucntc diín (5i8aaK(xA.Oíj. (n.l.)

A noite, se a s s i m p a s s a d a , a l é m de t o d o s os o u t r o s benefícios indicados, conferirá m a i o r fortaleza às a l m a s de todos que residem nesses Estados. C o m o retorno do dia, as crianças deverão se dirigir aos seus educadores, pois como n e n h u m a ovelha ou outro animal de p a s t o deve viver s e m a p r e s e n ç a d e u m p a s t o r , t a m b é m n ã o p o d e m as c r i a n ç a s viver s e m um t u t o r * e escravos sem um senhor. E entre todas as criaturas selvagens a c r i a n ç a é a m a i s i n t r a t á v e l ; p e l o p r ó p r i o fato d e s s a fonte de r a z ã o q u e nela existe a i n d a ser i n d i s c i p l i n a d a , a criança é u m a criatura traiçoeira, astuciosa e sumam e n t e insolentc, d i a n t e d o q u e , t e m q u e ser a t a d a , por a s s i m dizer, p o r m ú l t i p l a s r é d e a s , a c o m e ç a r p o r q u a n do deixa o c u i d a d o da a m a e da m ã e , q u a n d o está c o m os tutores, q u e a n o r t e i a m em s u a p u e r i l i d a d e e depois disso com todos os professores de todas as modal i d a d e s de m a t é r i a s e lições, q u e a t r a t a m c o m o c o n v é m a u m a c r i a n ç a n a s c i d a livre. P o r o u t r o l a d o , precisa ser t r a t a d a c o m o um e s c r a v o * • e qualquer hom e m livre q u e e n c o n t r a r a c r i a n ç a , o t u t o r ou o professor agindo i n c o r r e t a m e n t e os castigará. E todo aquele q u e os e n c o n t r a r [assim a g i n d o ] e n ã o puni-los devid a m e n t e e s t a r á sujeito, d e s d e já, à m a i o r d a s d e g r a d a ç õ e s * * * e o g u a r d i ã o da l e i e s p e c i a l m e n t e s e l e c i o n a d o p a r a dirigir os assuntos da infância deverá estar atento em relação à q u e l e qve p r e s e n c i o u as m á s ações m e n c i o n a d a s e se o m i t i u q u a n t o a a p l i c a r o castigo n e c e s s á r i o , s e j a p o r n ã o fazê-lo p u r a e s i m p l e s m e n t e , seja p o r aplicá-lo i n c o r r e t a m e n t e . A d e m a i s , esse g u a r d i ã o d a lei s u p e r v i s i o n a r á i n c i s i v a m e n t e a e d u c a ç ã o das crianças, moldando suas naturezas norteando-as s e m p r e p a r a o b e m p r e s c r i t o p e l a s leis. * * * * M a s c o m o e d u c a r á a d e q u a d a m e n t e a p r ó p r i a lei e s s e n o s s o g u a r d i ã o d a lei?... P o i s a t é o p r e s e n t e , a lei n ã o e s t a b e l e ceu a i n d a n a d a claro e a p r o p r i a d o , indicou a l g u m a s coisas, m a s o m i t i u o u t r a s . Mas no q u e respeita a esse g u a r d i ã o n ã o é admissível q u e o m i t a n a d a , m a s necessário que e x p o n h a p l e n a m e n t e tutlo m i n u c i o s a m e n t e p a r a q u e ele possa ser p a r a os o u t r o s t a n t o o intérprete q u a n t o o a l i m e n t a d o r . Q u a n t o a o s a s s u n t o s referent e s a o c o r a l e n v o l v e n d o m e l o d i a s e d a n ç a s , o s t i p o s a ser e m s e l e c i o n a d o s , r e m o d e l a d o s e c o n s a g r a d o s , t u d o isto j á foi c o b e r t o p o r n o s ; n u n c a , e n t r e t a n t o , a b o r d a m o s a

* * Sendo wn aníino%inlio intwtnwP c eoini-iocíonop. a ejionça seque» um hatomeiitíi dc «éden dupfa, o sabes, n nííenloçõo apwipíiodo aos liomens PiAcs associada oo easiígo npKiprtíado aos escMi/flç. (n.l.) • • * PPalão insiste cm t,tonst»iti» oo cidadão (o que tofcog pudéssemos oliatvio» liojc dc sociedade eiiip) não só a junção de wgiPonte do oumpíimenio da Pei eomo um cjotiuo pode» de poPíoia. (n.t.) * • • • Aito não quo» dijo» a identificação rio mo»oP com ei PegnP, mas que esles não podem oHsli» um sem o o u t » ; fjeiem enerisfi» noe:cssoftía c pa»oPePameíife eomo os dois bfinçns dc otrt empo. CO nomem de betn só esíste so cwstis o bom cidadão eoMOSfiOndetito. CO ético isoPndo do político se»in umn tno»n obstinçãrinútiP. L-AIO p»ãfioa, não (,ag neníiu» sentido o indivíduo humano sfti bom somente pana si mesmo o po»a os deuses:
c

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Livro VII
deve ser hnm no contato cot»

q u e s t ã o do tipo de literatura q u e é escrita s e m métrica. • • • • • E a í i n d a g a m o s : " 0 excelente s u p e r v i s o r d a s crianças, de q u e espécie deveria ser essa prosa e de q u e modo teus discípulos a deverão receber?" Sabes b a s e a d o e m n o s s o prévio d i s c u r s o q u a i s s ã o o s exercícios m a r c i a i s q u e p r e c i s a m a p r e n d e r e p r a t i c a r , p o r é m os a s s u n t o s q u e n ã o foram a i n d a , m e u a m i g o , a ti declarados pelo legislador são os seguintes: em primeiro lugar, as letras, em seguida c o m o tocar a lira e, tamb é m , a aritmética, da qual eu disse que deveria haver q u a n t a for n e c e s s á r i a a t o d o s a p r e n d e r de m o d o a sup r i r o s objetivos d a guerra, d a a d m i n i s t r a ç ã o doméstica e da administração da cidade. S o m a d o ao que é útil a p r e n d e r p a r a essas m e s m a s finalidades está o c o n h e c i m e n t o dos cursos dos c o r p o s celestes - estrelas, sol e l u a - na m e d i d a em q u e c a d a E s t a d o se vê obrigado a levá-los em c o n s i d e r a ç ã o . É ao s e g u i n t e q u e aludo: o a r r a n j o dos dias em períodos m e n s a i s , e dos meses e m a n o s , e m c a d a c a s o d e m a n e i r a q u e a s estações, c o m seus respectivos sacrifícios e festas, p o s s a m c a d a u m a r e c e b e r s u a d e v i d a p o s i ç ã o , s e n d o m a n t i d a s segundo a natureza, e que assim possam gerar ânimo e alerta no Estado e possam prestar suas devidas honras aos deuses, e p o s s a m (igualmente) t o r n a r os cidadãos mais inteligentes com respeito a essas matérias. Esses pontos, m e u amigo, a i n d a n ã o foram em absoluto explicados a ti pelo legislador. Agora a t e n t a cuidad o s a m e n t e p a r a q u e o q u e na s e q ü ê n c i a deve ser dito. Em primeiro lugar, estás, como dissemos, insuficientemente, instruído até agora relativamente às letras. O p o n t o em relação ao q u a l nos q u e i x a m o s é que, até o p r e s e n t e , a lei n ã o disse a ti c l a r a m e n t e se a q u e l e q u e é p a r a ser um b o m c i d a d ã o d e v e r á devotar-se a esse estudo a s s i d u a m e n t e , ou negligenciá-lo c o m p l e t a m e n te, o m e s m o se d i z e n d o em r e l a ç ã o à lira. A f i r m a m o s neste m o m e n t o q u e é necessário q u e n ã o os negligencie. Q u a n t o a o e s t u d o d a s letras, u m p e r í o d o e m t o r n o de três anos será razoável p a r a u m a criança de dez a n o s de i d a d e ; e q u a n t o ao e s t u d o da lira a c r i a n ç a deverá iniciá-lo a o s treze a n o s e a ele se a p l i c a r p o r três a n o s . E q u e r a c r i a n ç a goste ou n ã o goste do estud o , n ã o s e r á p e r m i t i d o seja a e l a seja a o seu p a i e n c u r t a r ou a l o n g a r o p e r í o d o de e s t u d o , c o n t r a r i a n d o a lei;

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conwiKfmíe. i.ÁM':tátí», límntiúdmá foi discussão de
I M M U O ri fionclui» que o se»

liumono c i«t ÇtOOV

JI0A.ITIK0V (onimaf
ppâfíccj. (n.f.)

...TU & ev p o n ^ a o t uev ovca, aven Se uverpcov.... jl
tejcsência í ò pato. do «sino elementar que «ôo e,ro acomponliada de música; n íiíjos, o «osso conceito dc knatnto não fcwdug com cvntidão o conceito do

papuaTlKOÇ.

qttec

oquífo que ceneewe ò ente de êt em exfíteeet, o o»fe do esraibo, o capacidade dc lei toa e de »cdação (pressupondo o eonlieeimeiilo do gramática do língua). ,A pofruM (et/todo ffitemtrj neste enso (nusu mundo de inúmeros analfabetos em que o figuro fio ese.riba se destacava) designava apenas o cidadão bem alfabetizado eopog de pe« e escreve» {íuentemente. e nôo o me.st»o da palavra escsíto, que f o sen fido que otóbuíwes à palavra ksje. (n.t.)

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Platão - As Leis
e a q u e l e q u e i n c o r r e r n a d e s o b e d i ê n c i a à lei s e r á p r i v a d o d a s h o n r a s e s c o l a r e s q u e m e n c i o n a r e i l o g o n a seq ü ê n c i a . E d u r a n t e esses períodos, q u e a s s u n t o s dever ã o as c r i a n ç a s a p r e n d e r e os professores e n s i n a r é o q u e cabe, a t i a p r e n d e r p r i m e i r o . D e v e r ã o s e o c u p a r d a s l e t r a s o s u f i c i e n t e p a r a se c a p a c i t a r e m a l e r e e s c r e v e r . * N ã o h á n e c e s s i d a d e d e exigir u m a d e s t r e z a s u p e r i o r n o • Este
(*(K(!

de '-Ptnlno, rjuc

escrever o u u m a m a i o r beleza n o m a n u s c r i t o d a q u e l e s cujo p r o g r e s s o n o p e r í o d o e s t a b e l e c i d o for d e m a s i a d o l e n t o . Q u a n t o à s lições d e l e i t u r a , h á c o m p o s i ç õ e s escrit a s n ã o m u s i c a d a s , seja m e t r i f i c a d a s o u d e s t i t u í d a s d c divisões rítmicas composições meramente proferidas em prosa, desprovidas de r i t m o e h a r m o n i a . E alguns d o s m u i t o s c o m p o s i t o r e s d e s s a e s p é c i e n o s l e g a r a m esc r i t o s p e r i g o s o s . * • C o m o l i d a r e i s c o m e l e s , ó m e u s exc e l e n t e s g u a r d i õ e s d a s leis? O u q u e m é t o d o d e c o m e l e s lidar o legislador com justeza d e t e r m i n a r á ? A perplexid a d e deste será imensa, estou certo. Clínias: O q u e s i g n i f i c a i s s o , e s t r a n g e i r o ? E e v i d e n t e q u e estás te d i r i g i n d o a ti m e s m o e estás p a s m o ? O ateniense: Estás certo em tua suposição, Clínias.

se tWiufn o nossa »olo orfmioíi, deiro cPnso o concedo á :

•ypaiin.ata
!

(que wo.'(|oí ogisra«MÍe ris» niiigwii ò nossa paíViwa g*OMáí(0o, «ns que somantienmcnle não íio coJHiüiponaV ). (n.t.) * * s_Alo que itcspcitn os concepções A 'PPaião quanto oo /iiMinufimi do educação fiCcmcnto», concepções que então estíieitaraenlc ftgndan à sua íervtio estético, vo* priiitioutetnento os Síirtos III e X de. LA TJepúhftco. (n.t.)
1

G o m o sois m e u s p a r c e i r o s n e s t a investigação d a s leis d e v o e x p l i c a r - v o s o q u e se a f i g u r a fácil c o q u e se afigura difícil.

Clínias: B e m , a o q u e e m r e l a ç ã o a e l a s e s t á s a l u d i n d o a g o r a e q u a l é o transtorne» q u e te a c o m e t e ? O ateniense: D i r - t e - e i , p o i s n ã o é n a d a fácil s u s t e n t a r o contrário do que repetem muitas milhares de línguas. Clínias: Mas vejamos. Acreditas q u e os pontos nos quais

n o s s a s c o n c l u s õ e s a n t e r i o r e s a r e s p e i t o d a s leis c o n t r a d i s s e r a m as opiniões o r d i n á r i a s foram poucos e irrisórios? O ateniense: T u a o b s e r v a ç ã o é b a s t a n t e j u s t a . Entendo

epte m e c o n v i d a s a g o r a q u e o c a m i n h o q u e é d e t e s t á v e l a muitos é para outros atraente, outros possivelmente n ã o ein n ú m e r o inferior (ou, s e m e n o s n u m e r o s o s , segur a m e n t e n ã o m e n o s competentes) - estás, digo, me conv i d a n d o a mo a v e n t u r a r com este ú l t i m o g r u p o a prosseguir o u s a d a m e n t e e sem descanso ao longo do camin h o da legislação definida por nosso presente discurso. Clínias: Certamente.

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Livro Vil
O ateniense: Então não descansarei. Em v e r d a d e de-

claro q u e há entre nós poetas q u e c o m p õ e m versos inumeráveis: hexâmctros, trímetros e toda métrica q u e p o d e i s m e n c i o n a r , a l g u n s tendo p o r objetivo a seried a d e , outros a comicidade; é com esses escritos, d i z e m muitas milhares de pessoas, q u e devemos educar e e m p a r i t u r r a r os jovens se p r e t e n d e r m o s d a r - l h e s a correta educação, e n c h e n d o seus ouvidos de leituras e suas c a b e ç a s de lições, a p o n t o de a p r e n d e r e m de cor t o d o s os poetas.» • • O u t r o s c o m p i l a m as o b r a s de todos os * * * giofMM «fio í mm no «trate cio oíutio um mim frtortto c citislofigodo. tji íosficlto dei leoflin do cotiltccimetito cm 'Vfalõo cousitPto» o dióforjo rjeêtcto. {«-(.} poetas, produzindo coletâneas e reunindo passagens inteiras, nos a f i r m a n d o q u e é preciso q u e um m e n i n o s a i b a t u d o isso de cor e o retenha na m e m ó r i a se desej a m o s q u e ele se t o r n e b o m e s á b i o c o m o r e s u l t a d o de u m a ampla e variada g a m a de instrução. Gostarias q u e eu dissesse a g o r a francamente a essas pessoas o q u e está e r r a d o em s u a s a f i r m a ç õ e s e o q u e está certo? Clínias: E claro. Como poderei n u m a única frase acerca

0 ateniense:

de todas essas pessoas exprimir um juízo a d e q u a d o ? Bem, talvez deste m o d o , com q u e todos c o n c o r d a r ã o , a saber, q u e todo poeta proferiu m u i t o dc b o m c muito t a m b é m q u e é m a u , d e forma q u e s o u l e v a d o a afirmar que uma a m p l a g a m a d e a p r e n d i z a d o envolve perigo para as crianças. Clínias: Q u e c o n s e l h o d a r i a s e n t ã o a o g u a r d i ã o da. lei? O ateniense: Acerca do que?

Clínias: A c e r c a d o m o d e l o p e l o q u a l s e g u i a r i a c o m respeito a o s a s s u n t o s específicos cujo a p r e n d i z a d o ele p e r mitiria ou proibiria às crianças. Diz-nos e sem hesitação. O ateniense: Parece, m e u b o m Clínias, q u e n i s s o c o n t o

com um b o c a d o de sorte. Clínias: O q u e q u e r e s d i z e r ? O ateniense: Que quanto a um modelo n ã o estou in

teiramente perdido, pois ao lançar um olhar agora às discussões das quais estamos nos ocupando desde a a u r o r a a t é este, m o m e n t o - e i s t o , i m a g i n o , n ã o s e m alguma ajuda divina - me pareceria q u e foram mold a d a s e x a t a m e n t e c o m o um p o e m a . E n ã o é de se surpreender, talvez, q u e eu l e n h a sido a s s a l t a d o por um

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sentimento de intenso prazer q u a n d o contemplei todos os nossos discursos enfileirados, c o m o p o r a s s i m dizer, e m r i g o r o s a f o r m a ç ã o m i l i t a r ; d e t o d o s o s d i v e r s o s disc u r s o s q u e j á o u v i o u li, s e j a e m p o e m a s o u n u m l i v r e fluxo de p a l a v r a s c o m o o n o s s o , eles me i m p r e s s i o n a ram como sendo não apenas os mais adequados, como t a m b é m o s m a i s c o n v e n i e n t e s p a r a o s o u v i d o s d o s jovens. E m n e n h u m lugar, acho, p o d e r i a e u e n c o n t r a r u m m e l h o r m o d e l o d o q u e esse p a r a a p r e s e n t a r a o guard i ã o d a lei q u e a t u a c o m o e d u c a d o r , d e m o d o q u e fizes se c o m q u e as crianças fossem e n s i n a d a s p o r seus mestres m e d i a n t e esses nossos discursos e o u t r o s q u e lhes a s s e m e l h a m e se lhes a p r o x i m a m ; e se a c o n t e c e s s e q u e e m s u a b u s c a ele desse c o m p o e m a s o u escritos e m prosa, ou m e r o s discursos v e r b a i s e não-escritos a p a r e n t a dos aos nossos, ele n ã o d e v e r i a negligenciá-los d e m o d o algum e, pelo contrário, fazer c o m q u e fossem escritos. Primeiramente, teria q u e obrigar os próprios preceptores a a p r e n d e r esses d i s c u r s o s e louvá-los, a q u e l e s q u e d e i x a s s e m de aprová-los n ã o d e v e n d o ser e m p r e g a d o s c o m o colegas, p o r é m s o m e n t e os q u e a p r o v a s s e m o seu louvor aos discursos, aos quais confiaria o e n s i n o e o treinamento da juventude. E permite-me aqui encerrar m i n h a homília no q u e toca aos mestres da escrita e às obras escritas. Clínias: A j u l g a r p e l a n o s s a i n t e n ç ã o o r i g i n a l , e s t r a n geiro, c e r t a m e n t e n ã o a c h o q u e d e s v i a m o s d a l i n h a d e raciocínio q u e pretendíamos. Mas considerando o as s u n t o c o m o u n i t o d o , é difícil, i n d u b i t a v e l m e n t e , ter certeza de que estamos com razão ou não. O ateniense: I s s o , Clínias, c o m o c o s t u m a m o s d i z e r , p r o -

vavelmente se fará m a i s claro q u a n d o c h e g a r m o s ao fim d e n o s s a e x p o s i ç ã o i n t e i r a r e l a t i v a à s leis. Clínias: I s s o é m u i t o v e r d a d e i r o . O ateniense: D e p o i s d o m e s t r e d a e s c r i t a , n ã o d e v e m o s nós na seqüência nos ocupar do mestre da citara? Clínias: Certamente.

O ateniense: A o a t r i b u i r a o s m e s t r e s d e c i t a r a s u a s o b r i gações p r ó p r i a s no q u e respeita ao ensino e t r e i n a m e n to geral dos a s s u n t o s p e r t i n e n t e s , é-nos i m p e r i o s o , a m e u ver, ter e m m e n t e n o s s a s d e c l a r a ç õ e s a n t e r i o r e s .

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Clínias: A q u a i s d e c l a r a ç õ e s t u t e r e f e r e s ? O ateniense: D i s s e m o s , s u p o n h o , q u e o s c a n t o r e s s e x a genários de hinos d e d i c a d o s a Dionísio deviam ter percepção excepcionalmente aguda relativamente a ritmos e composições harmônicas de maneira que ao lidarem com representações musicais d e u m a espécie b o a o u m á , pelas quais a alma é emocionalmente afetada, pudess e m ser c a p a z e s d e d i s c e r n i r a s r e p r o d u ç õ e s b o a s d a s m á s , e rejeitando esta últimas p u d e s s e m produzir as outras em público, e encantar as almas das crianças cantando-as e assim desafiá-las todas a acompanhá-los na aquisição da virtude por meio dessas representações. Clínias: E bem verdade. com o fito de atingir essa meta,
• Sm lodo esta parte sobre o ensino f/o interpretação no instrumento tfc so/if/os de.diPnado, PPatão usa indiscriminadamente a palavra
c

O ateniense: A s s i m ,

tanto o mestre da lira*

q u a n t o seu aluno t ê m q u e

e m p r e g a r as n o t a s da lira c o n f o r m e a diversidade de suas cordas, atribuindo às notas da canção notas que sintonizem com as notas d a s cordas. • • Mas quanto à divergência de s o m e v a r i e d a d e d a s notas da lira, q u a n d o as cordas tocam u m a melodia e o compositor outra, ou q u a n d o resulta u m a combinação de notas baixas e altas, tons lentos e tons rápidos, sons agudos e graves e todos os tipos de v a r i a ç õ e s r í t m i c a s às notas da lira, r e p r o v a m o s o uso de todas essas complicações com alunos que têm que absorver rapidamente, n u m p e r í o d o de três anos, os elementos úteis da m ú s i c a , pois o c h o q u e d o s opostos e n t r e si i m p e d e a facilidade do a p r e n d i z a d o , e a c i m a de tudo, os jovens d e v e r i a m a p r e n d e r c o m facilidade, visto q u e as lições q u e lhes são impostas não são n e m poucas n e m pouco extensas, lições estas q u e serão i n d i c a d a s p o r noss o d i s c u r s o n a s e q ü ê n c i a e m m o m e n t o o p o r t u n o . Portanto, q u e nosso e d u c a d o r regulamente essas matéri as da maneira estabelecida. No que toca ao caráter das próprias melodias e letras q u e os mestres de coro deverão ensinar, nós já o explicamos de m o d o minucioso e extensivo. • • • tas A f i r m a m o s q u e em t o d o s os assim benéficas aos c a s o s d e v e r i a m s e r c o n s a g r a d a s e a d a p t a d a s à s fesapropriadas, revelando-se Estados fornecendo-lhes diversão propícia. Clínias: I s s o t a m b é m , v e r d a d e i r a m e n t e , t u o e x p l i c a s t e .

Xx>pa (í ira, instrumento
musical dc.diPliávcP originalmente, tfc quatro cordas e. que passou a te* depois sete cordas) c

KlGapa (a citara,
instrumento dcdilliávcí seineWiante o Pira). i_Aía verdade, P l a t ã o está se referindo o qualquer instrumento dcdilkávcl de cordas evistente na época, incPusive a darpo dc origem egípcia, (n.t.) •• (*)u seja, c necessário íiouer uma íiarmonia entre as notas produgidas pcPo instrumento e, as notas produgidas pela vog do canto*, (n.t.) • • • fim resumo, cantos e danças deveriam te* um c,a*áte,r religioso.

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O ateniense-. S i m , m u i t o v e r d a d e i r a m e n t e . Q u a n t o a e s s a a d a p t a ç ã o , d e v e m o s t r a n s m i t i r este e n c a r g o e supervis ã o ao d i r e t o r m u s i c a l , e q u e a b o a f o r t u n a o ajude. E suplementemos nossas anteriores observações relativas à d a n ç a e ginástica corporal em geral. Tal c o m o no caso da música suprimos as regulamentações q u e faltavam, devemos agora fazer o m e s m o com referência à ginástica. Será q u e c o n c o r d a m o s q u e t a n t o m e n i n o s como m e n i n a s devem a p r e n d e r d a n ç a e ginástica? Clínixis; Sim.

O ateniense: E n t ã o p a r a s u a s p r á t i c a s s e r i a m a i s a p r o priado q u e os meninos dispusessem de mestres de dança e as m e n i n a s , mestras. Clínias: Admito-o.

O ateniense: C o n v o q u e m o s m a i s u m a v e z o h o m e m a o qual caberá a execução da maioria dessas obrigações, o diretor dos assuntos infanto-juvenis, o qual, supervisionando tanto a música q u a n t o a ginástica disporá d e p o u c o t e m p o d e folga. . t\ , „ . »„j„ , „, / ,„e Clínias: C o m o s e r á e l e c a p a z , na s u a i d a d e , '
(

de s u -

• f' rnoqífitioefo ftesj-io^oeei' ^ » j - j , . , pervisionar tantos assuntos? pefln e.dueoçnn doam fm meiir; ele einqüenlo anos. O ateniense; C o i s a b a s t a n t e f á c i l p o i s a l e i l h e c o n c e d e
1

(ni.)

e c o n t i n u a r á a l h e c o n c e d e r o d i r e i t o de se a s s o c i a r a todos os h o m e n s e mulheres q u e desejar q u e o a p o i e m n e s s a d i r e ç ã o e s u p e r v i s ã o . Ele s a b e r á q u a i s as p e s s o a s certas a s e r e m escolhidas, e se m a n t e r á a n s i o s o p a r a n ã o cometer deslizes nesses assuntos, reconhecendo a g r a n d e z a dc s e u c a r g o e s a b i a m e n t e o t e n d o em elevado respeito, e c o n s e r v a n d o t a m b é m a convicçfio de q u e e n q u a n t o os jovens forem b e m educados, o Estado navegará [em á g u a s t r a n q ü i l a s ] c o m o é preciso; caso contrário, as conseqüências serão tais q u e seria proibitivo a n ó s a elas n o s referirmos, c o m o n ã o o faremos ao nos ocuparmos com um novo Estado, por t e m o r aos A d e m a i s , no t o c a n t e a es-

* * Oa ,'iejfl. oonoideitru «e-ío o eiiiijiPes tecerão dn. nffjn émixm, f*MlitwftiMtie*te aeÍTieiíwidn n «pVjutiin e.niso no wiwdotuo ou jceówiioíOidn, conto de wou oiqúwo.
S

d e m a s i a d o supersticiosos. • •

a s m a t é r i a s q u e se r e l a c i o n a m a o s m o v i m e n t o s da d a n -

ça e da ginástica, já n o s o c u p a m o s l a r g a m e n t e . Estabelcc o r n o s as f o r m a s de g i n á s t i c a e t o d o s os e x e r c í c i o s físicos l i g a d o s ao t r e i n a m e n t o m i l i t a r , o u s o do a r c o e t o d o s os t i p o s de p r o j é t e i s , o e m p r e g o do e s c u d o leve e a r m a s p e s a d a s de toda espécie, evoluções táticas, m a r c h a s d a s

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c o m p a n h i a s , formações de a c a m p a m e n t o e todos os detalhes do treinamento da cavalaria. Em todas estas áreas devem haver instrutores públicos remunerados pelo E s t a d o e seus a l u n o s devem ser n ã o só os r a p a z e s e h o m e n s do Estado, como t a m b é m as moças e mulheres q u e já têm compreensão dessas matérias, q u e deverão ser t r e i n a d a s em todos os m o v i m e n t o s r e q u e r i d o s pelo m a n e j o d a s a r m a s e no c o m b a t e desde, m e n i n a s , e ao se t o r n a r e m m u l h e r e s , p a r t í c i p e s d a s evoluções, f o r m a ç õ e s de fileiras, deposição e r e t o m a d a d a s a r m a s , e isto - se n ã o p o r o u t r a r a z ã o - ao m e n o s p o r e s t a , a s a b e r , s e a l g u m d i a for n e c e s s á r i o q u e o s g u a r diões d a s c r i a n ç a s e do resto do E s t a d o deixem a cidade e m a r c h e m na totalidade das tropas, essas mulheres sejam, pelo m e n o s , capazes de t o m a r seus lugares; e n q u a n t o se, p o r o u t r o l a d o - e se t r a t a a q u i de u m a c o n t i n g ê n c i a a b s o l u t a m e n t e possível - um exército invasor de estrangeiros, b r u t a l e poderoso, forçar u m a batalha em torno da própria cidade, então ocorrerá u m a amarga desgraça p a r a o Estado se suas mulheres tiverem sido tão m a l e d u c a d a s a p o n t o de serem mesmo carentes de vontade para agir como as mães dos p á s s a r o s q u e se d e f r o n t a m com as feras m a i s poderosas em defesa de s u a s n i n h a d a s , • • * e, ao c o n t r á r i o , n e g a n d o - s e a a f r o n t a r t o d o s os riscos, e a p r ó p r i a m o r t e , f u g i s s e m d i r e t a m e n t e p a r a o s t e m p l o s , l o t a n d o tod o s os s a n t u á r i o s e sítios s a g r a d o s , e t r a z e n d o à h u m a n i d a d e a m a r c a i t i f a m a n t e dc ser a espécie m a i s covard e e n t r e t o d a s a s e s p é c i e s d c s e r e s vivos. Clínias: P o r Z e u s , e s t r a n g e i r o , s e a l g u m d i a i s s o s u c e desse a um E s t a d o , seria a. coisa m a i s d e s o n r o s a , a l é m do enorme infortúnio. 0 ateniense: P o r t a n t o , s e r á q u e p o d e m o s f o r m u l a r e s t a lei, a saber, q u e as m u l h e r e s n ã o d e v e r ã o d e s c u r a r do t r e i n a m e n t o militar, m a s q u e todos os cidadãos, tanto h o m e n s q u a n t o m u l h e r e s , d e v e r ã o e s t a r a t e n t o s a ele? Clínias: Eu participo dessa o p i n i ã o . respeito à luta, alguns aspec-

O ateniense: N o q u e d i z

tos f o r a m e x p l i c i t a d o s , m a s n ã o e x p l i c a m o s , a m e u ver, aquele que é o aspecto mais importante, tampouco é fácil de. s e r e x p r e s s o m e d i a n t e , p a l a v r a s s e m a a j u d a d e

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Platão - As Leis
u m a ilustração prática. S o b r e esse aspecto n ó s decidir e m o s [logo n a s e q ü ê n c i a ] q u a n d o a p a l a v r a a c o m p a n h a d a d a a ç ã o p o d e r á d e m o n s t r a r c l a r a m e n t e e s s e fato e m meto a o s o u t r o s m e n c i o n a d o s , a s a b e r , q u e a l u t a desse tipo é, de todos os m o v i m e n t o s , de longe o mais ligado ao c o m b a t e militar, e t a m b é m q u e n ã o é este ú l t i m o q u e deve ser a p r e n d i d o por c a u s a do primeiro, m a s q u e , pelo c o n t r á r i o , é o p r i m e i r o q u e deve ser praticado por causa do último. Clínias: Q u a n t o a i s s o , t e n s r a z ã o . O ateniense: D e m o m e n t o , q u e i s s o s e j a s u f i c i e n t e c o m o exposição d a s funções de u m a escola de luta. Q u a n t o aos outros movimentos do corpo todo, dos quais sua p a r t e pri ncipal é a d e q u a d a m e n t e c h a m a d a de d a n ç a , • v i s l u m b r a m o s d u a s espécies: a p r i m e i r a representanP f a ó o «fifiyi aqui o tnm

OPXTIOIV

do o m o v i m e n t o s o l e n e de belos c o r p o s c a o u t r a repres e n t a n d o o m o v i m e n t o i g n ó b i l de c o r p o s feios, e a p a r tir d a q u i t e m o s d u a s subdivisões d e a m b a s . D a espécie n o b r e h á , p o r um l a d o , o m o v i m e n t o g u e r r e i r o e aquele de belos corpos e a l m a s corajosas envolvidos n u m esforço violento, e p o r o u t r o l a d o , há o m o v i m e n to dc u m a a l m a m o d e r a d a vivendo n u m estado de prosp e r i d a d e e p r a z e r e s m o d e r a d o s ; este ú l t i m o tipo de dança chamaremos, em conformidade com sua natureza, de pacífico. A d a n ç a guerreira, q u e é distinta da p a c í f i c a , p o d e - s e d a r a p r o p r i a d a m e n t e o n o m e d e pír rica, a q u a l r e p r e s e n t a , p o r u m l a d o . o s m o v i m e n t o s q u e s e faz p a r a e v i t a r t o d o s o s g o l p e s a s s e s t a d o s d e p e r t o o u d e l o n g e , l a n ç a r - s e d e l a d o l a t e r a l m e n t e , recuar, saltar em altura, abaixar-se, e por outro lado, os m o v i m e n t o s contrários, estes q u e c o n c e r n e m às postur a s ofensivas e p r o c u r a m i m i t a r os m o v i m e n t o s do tiro de arco ou do l a n ç a m e n t o dos d a r d o s , ou os gestos p a r a assestar de perto q u a i s q u e r golpes. Em todos esses casos, a ação e a tensão dos tendões são corretos q u a n do há u m a representação de belos corpos e almas em q u e a m a i o r i a d o s m e m b r o s do c o r p o é e s t e n d i d a retil i n e a m e n t e . D e c l a r a m o s ser e s t a a r e p r e s e n t a ç ã o c o r r e t a , mas o t i p o o p o s t o , e r r a d o . N a d a n ç a p a c í f i c a o p o n t o a ser c o n s i d e r a d o em t o d o s os c a s o s é se o execut a n t e , e m s u a s i n t e r p r e t a ç õ e s s e c o n f o r m a o u n ã o a o nobre tipo dc d a n ç a c o m o convém a h o m e n s q u e r e s p e i t a m

mm sentido

muito fnfo pona designo» Iodos os tipos de gostos e posturas nospoxiis. fui.)

*•,..Nvj|i(|)açxe E£iXr|vorj<; EaTOpoDÇ...

mi KOI Jls

fiavcxç K a i

nfos, descendentes tonto de

310

Livro VII
deuses quanlo de lilfis, c/teu»

a lei. A s s i m , e m p r i m e i r o l u g a r , d e v e m o s e s t a b e l e c e r u m a fronteira entre a d a n ç a questionável e a d a n ç a inquestionável. T o d a d a n ç a do tipo b á q u i c o e cultivada por aqueles q u e se entregam à imitação embriag a n t e de Ninfas, P ã s , Sílcnes e sátiros, • • que servem de referência a esse tipo de d a n ç a , e x e c u t a n d o certos ritos de e x p i a ç ã o e iniciação n ã o p o d e ser facilmente definida c o m o pacífica ou guerreira, ou c o m o pertencente a q u a l q u e r outra categoria distinta. O meio mais correto de defini-la me parece, ser o seguinte: separá-la tanto do tipo pacífico q u a n t o do guerreiro e declararm o s q u e tal espécie de d a n ç a é i m p r ó p r i a p a r a os nossos c i d a d ã o s . E t e n d o a s s i m a d e s c a r t a d o e e l i m i n a d o , p o d e r e m o s agora r e t o r n a r aos tipos guerreiro c pacífico q u e , i n q u e s t i o n a v e l m e n t e , se r e f e r e m a nris. • • • O gênero da Musa pacífica, pelo q u a l se h o n r a m e d i a n t e a d a n ç a os d e u s e s e os filhos d o s d e u s e s , consiste em termos gerais de toda d a n ç a executada sob a inspiração de um s e n t i m e n t o de bem-estar. Deste gênero podese, d i s t i n g u i r d u a s s u b d i v i s õ e s : u m a d e l a s a p r e s e n t a um caráter mais jubiloso, sendo apropriada àqueles q u e e s c a p a r a m de u m a s i t u a ç ã o de dificuldades e perigos p a r a um estado de felicidade; a outra está ligada m a i s à p r e s e r v a ç ã o e a u m e n t o d a s v e n t u r a s pré-existentes, exibindo conseqüentemente, um júbilo de caráter m e n o s a r d e n t e . Nestas condições, todos os seres hum a n o s movem seus corpos mais intensamente quando suas alegrias são maiores, menos intensamente q u a n d o são m e n o r e s ; a l é m disso, o s m o v e m m e n o s int e n s a m e n t e q u a n d o s ã o m a i s m o d e r a d o s e . m e l h o r treinados na coragem, mas q u a n d o são covardes e pouco afeitos à m o d e r a ç ã o c e d e m a alterações m a i o r e s e m a i s i n t e n s a s d o s m o v i m e n t o s ; e e m geral n i n g u é m q u e esteja u s a n d o s u a voz, seja n u m a c a n ç ã o seja n u m discurso é c a p a z de m a n t e r seu c o r p o c o m p l e t a m e n t e em repouso. Daí, q u a n d o a representação de coisas expressas por m e i o de gestos surgiu, p r o d u z i u toda a a r t e da d a n ç a . E m todos esses exemplos, h á e n t r e n ó s q u e m s e m o v a em h a r m o n i a com seu t e m a e há q u e m n ã o o faça. Muitos d o s n o m e s d a d o s n o s t e m p o s antigos são dignos de nota e louvor por sua excelência e p o d e r descritivo, s e n d o um destes o n o m e d a d o às d a n ç a s d o s

dwnoWes

IWMOMS

víiieuftidos

ò n a t a e g a e que nabilauam píúne.ipaftnonfe, sios, Pagos e montonfcos. '-Pã (o p f a a t

r i a v a ç esifwegndo pot
4 % l ã o é {iguso de linguagem) é uma divindade não-oPímpieo e gooant»opomó«jt"co figadn à «almeja, mas são uma divindade seei«dõ»io, e sim eompasávot aos gwndcs deuses: p w M o t d a s eolmcias, «cbonfios e tombem dos posloaes, voqucinos c eoçodo.ics ( Põ ei» psogenteiso e r>»cstaiii.o), suo tjiftação é duvidoso (C*a«o.e e. ^ é i a , xttiWies c •Tttíofte., Çtíoumos e €>ene,ís. 'ttícamc.s e '"PonéCnpo, ÇWcitmcs e i_h»oÇ(éío, o ealiia, etc); eom pcanas e eoscos de bode, clubes e eouda, P ã passava pa/ile do tempo perseguindo as LAIinjas, fendo sedugido muitas dcPos ( £ c o , po* ei-etnpfri); dige» que quando pestobodo, emilia utn oCto e kiMMido qtíto que jogio os que o ouvisse» im os eobefos « i ç a d a s , daí o adjetivo riiXVlKOÇ ossumu também o signíjieaífo de ím.tar, 'Pã c o únieo deus que no eieJo de otivieloelcs dos deuses iw<nt. fiifcne (o pPu,toP iambé» c {igusotixo) joi uma ninjo que sewiu dc amo ao deus ÇUcimes. tk sãtisos mm
; c

semi deuses «ústicos de apa»éncía e cestos modos scntcttaníes aos dc P ã .
c

(ni.)

• • • Sfes o Cmtth. (n.t)

311

Platão - As Leis
homens que se encontram n u m estado de bem-estar e q u e se entregam a prazeres de um tipo m o d e r a d o . Q u ã o v e r d a d e i r o e q u ã o m u s i c a l foi o n o m e t ã o r a c i o n a l m e n te aplicado a essas d a n ç a s pelo h o m e m (quem q u e r q u e t e n h a sido) q u e a s c h a m o u p e l a p r i m e i r a vez d e emelias e e s t a b e l e c e u d u a s e s p é c i e s d e b o a s d a n ç a s : a g u e r r e i r a , c h a m a d a - d e pír rica e a p a c í f i c a c h a m a d a d e emelia, c o n f e r i n d o a c a d a u m a s e u n o m e a p r o p r i a do e h a r m o n i o s o . O l e g l s l a d o r d e v e r i a e s b o ç a r a d e s crição dessas d a n ç a s e o g u a r d i ã o d a s leis p e s q u i s á las, e as t e n d o investigado, c o m b i n a r as d a n ç a s com o resto da m ú s i c a e a t r i b u i r o q u e d e l a s é c o n v e n i e n t e a cada u m a d a s festas sacrificiais, d i s t r i b u i n d o - a s p o r t o d a s a s f e s t a s . E q u a n d o t i v e r c o n s a g r a d o a s s i m todas essas coisas na devida ordem, deverá doravante n ã o fazer q u a l q u e r a l t e r a ç ã o em t u d o q u e se refira à d a n ç a e ao canto, de sorte q u e a c i d a d e e seu corpo de cidadãos prossiga de u m a o m e s m a m a n e i r a , desfrut a n d o os m e s m o s prazeres e vivendo semelhantement e d e t o d a s o s m o d o s p o s s í v e i s , c a s s i m p a s s a r s u a s vid a s f e l i z e s e b e m . C o m r e s p e i t o à s a ç õ e s d o s b e l o s corpos e das a l m a s nobres no q u e diz respeito ao a s s u n t o d o t i p o d a s d a n ç a s q u e a p r o v a m o s c o m o c o r r e t o tem o s c o m o concluída nossa tarefa. Devemos agora proceder ao e x a m e e à avaliação d a s ações dos corpos disformes, das idéias disformes e dos h o m e n s dedicados à comédia, considerando-se tanto o discurso quanto a d a n ç a , e a s r e p r e s e n t a ç õ e s d a d a s p o r t o d o s esses com e d i a n t e s . Isto p o r q u e , se a l m e j a m o s a s a b e d o r i a , é impossível a p r e n d e r o sério sem o cômico, ou q u a l q u e r elemento dc dois contrários sem considerar o outro: m a s colocá-los a m b o s em p r á t i c a é i g u a l m e n t e i m p o s sível c a s o s e p r e t e n d a p a r t i c i p a r a o m e n o s d e u m a p e q u e n a parcela da virtude; aliás, é precisamente por esta r a z ã o q u e se deve a p r e n d e r o c ô m i c o - a fim de evitar sempre fazer ou dizer q u a l q u e r coisa ridícula p o r i g n o r â n c i a q u a n d o n ã o s e deve. I m p o r e m o s tal imitação aos escravos e mercenários estrangeiros e n e n h u m a séria a t e n ç ã o j a m a i s será a ela d e v o t a d a e n e m d e v e r á q u a l q u e r h o m e m livre o u m u l h e r livre s e
* Qtirít digr-s, itóniido a

prestar ao seu a p r e n d i z a d o , '

devendo sempre haver

^ I j

a l g u m aspecto novo em seus e s p e t á c u l o s de i m i t a ç ã o .

312

Livro VII
Que sejam, portanto, essas as regras para todas aquelas diversões p r o v o c a d o r a s de riso q u e todos n o s c h a m a m o s d e comédia, f o r m u l a d a s s e j a p o r f o r ç a d e l e i s e j a p o r força d e a r g u m e n t a ç ã o . Agora, n o q u e tange a o s que. c h a m a m o s d e n o s s o s p o e t a s sérios, o s t r á g i c o s , i m a g i n a i q u e a l g u n s d e l e s s c a p r o x i m a s s e m d e n o s e n o s ind a g a s s e m assim: " 0 estrangeiros, d e v e m o s o u n ã o devem o s visitar a vossa c i d a d e e país e exibir n o s s a poesia? Ou o q u e decidistes fazer a r e s p e i t o disso?" Q u a l seria a c o r r e t a resposta a ser d a d a a essas i n s p i r a d a s p e s s o a s em r e l a ç ã o a isso? A m e u ver, esta d e v e r i a s e r a resposta: "Excelentíssimos estrangeiros, nós m e s m o s , na m e d i d a d e n o s s a c a p a c i d a d e , s o m o s o s a u t o r e s de, u m a t r a gédia a um tempo superlativamente bela e boa; t o d a n o s s a c o n s t i t u i ç ã o t e m c o m o ú n i c a r a z ã o d e ser i m i t a r a m a i s bela e m e l h o r vida, no q u e consiste verdadeiram e n t e , a n o s s o v e r , a m a i s a u t ê n t i c a d a s t r a g é d i a s . Assim s o m o s compositores d a s m e s m a s coisas q u e vós, vossos rivais c o m o artistas e atores do d r a m a m a i s belo, o q u a l s o m e n t e a lei v e r d a d e i r a e s t á n a t u r a l m e n t e a p t a a criar. N ã o imaginais, pois, q u e p e r m i t i r e m o s em q u a l q u e r t e m p o q u e instaleis vosso p a l c o a o nosso l a d o n a agora e q u e d a r e m o s p e r m i s s ã o a o s v o s s o s a t o r e s i m p o r t a d o s com s u a s d o c e s m e l o d i a s e vozes m a i s a l t a s q u e as nossas p a r a arengar m u l h e r e s e crianças e toda a m u l t i d ã o , e d i z e r e m n ã o as m e s m a s coisas q u e dizemos sobre as m e s m a s instituições, mas, ao contrário, coisas q u e são, na sua maioria, precisamente o oposto. Na verdade, tanto nós mesmos quanto todo o Estado estaríamos c o m p l e t a m e n t e loucos se permitíssemos q u e fizésseis c o m o e u disse, a n t e s q u e o s m a g i s t r a d o s tivessem decidido se vossas composições são merecedoras de e n u n c i a ç â o e a p r o p r i a d a s p a r a p u b l i c a ç ã o . Assim, ago r a , vós filhos o r i u n d o s d a s M u s a s l a s t i m o s a s , p r i n c i p i a i por exibir vossos cantos l a d o a l a d o c o m os nossos diante dos magistrados e se vossos e n u n c i a d o s parecerem idênticos aos nossos ou melhores, vos concederemos um c o r o , * • m a s s e e s t e n ã o for o c a s o , m e u s a m i g o s , u a d a poderemos fazer."
* • (H« íOijn. swtft dada a

Pifcnçfl pata encenai a

haqédía.

(n.f.)

Q u e sejam esses, p o r t a n t o , os costumes regrados pelas leis r e l a t i v a m e n t e à s d a n ç a s e s e u a p r e n d i z a d o , m a n t e n d o - s e d i s t i n t o s o q u e é p a r a os e s c r a v o s e o q u e é p a r a os s e n h o r e s , se vos o c o n c o r d a i s . " • • • • * 'Tc* >À TcepMea.

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Platão - As Leis
Clínias: E s t á c l a r o q u e a g o r a c o n c o r d a m o s c o m i s s o . O ateniense: Permanecem ainda p a r a os nascidos li-

vres três r a m o s do a p r e n d i z a d o : destes o p r i m e i r o é o c á l c u l o e a a r i t m é t i c a , o s e g u n d o a a r t e da m e d i ç ã o d a s extensões, d a s superfícies e dos sólidos e o terceiro d i z r e s p e i t o ao c u r s o d o s astros e a f o r m a de seu trajet o n a t u r a l u m e m r e l a ç ã o a o outro. • T o d a s estas ciências n ã o devem ser estudadas com minuciosa precisão * u4 asfcrofogia e a astronomia, fui.) p e l a m a i o r i a d o s a l u n o s , m a s a p e n a s p o r a l g u n s selecionados, q u e diremos q u e m serão q u a n d o estivermos p r ó x i m o s do fim [deste t r a t a d o d a s leis], visto q u e este será o lugar a d e q u a d o p a r a tal. Q u a n t o ao grosso dos alunos, se por um lado seria vergonhoso p a r a a maior i a deles n ã o c o m p r e e n d e r t o d a s e s s a s p a r t e s [ d a s ciências] que são com justiça consideradas necessárias, ê p r e c i s o q u e s e a d m i t a q u e n ã o é fácil e m e s m o a b s o l u t a m e n t e possível p a r a t o d o e s t u d a n t e penetrá-las n a s suas minúcias. Bem, a parte necessária delas é impossível r e j e i t a r e p r o v a v e l m e n t e e r a i s t o q u e e s t a v a n a m e n t e do autor original do provérbio q u e diz q u e "não se verá j a m a i s n e m m e s m o a D i v i n d a d e l u t a n d o con* • a l i a verdade 'Platão
OFTCWMI

tra a necessidade", • •

q u e r e n d o d i z e r c o m isso, eu necessidades humanas, às

aqui o provérbio pano c teologia

s u p o n h o , t o d o s o s t i p o s d e n e c e s s i d a d e s q u e s ã o divin a s visto q u e e m relação à s q u a i s m u i t a s p e s s o a s a p l i c a m o p r o v é r b i o ao citá-lo, esse provérbio e n t r e todos os provérbios seria, de muito, o m a i s fátuo de todos. Clínias: E q u e n e c e s s i d a d e s , e s t r a n g e i r o , p e r t i n e n t e s a essas ciências n ã o são desse tipo, m a s divinas? O ateniense: A q u e l a s , a c r e d i t o , q u e t ê m q u e s e r p r a t i c a d a s e a p r e n d i d a s p o r t o d o d e u s , dáirnon e h e r ó i q u e q u i s e r e m ser s e r i a m e n t e c o m p e t e n t e s p a r a supervision a r a h u m a n i d a d e . U m ser h u m a n o c e r t a m e n t e estar i a l o n g e ele s e t o r n a r d i v i n o s e f o s s e i n c a p a z d e a p r e n der a n a t u r e z a do um, do dois, do três e dos n ú m e r o s p a r e s e í m p a r e s em geral, e se t u d o d e s c o n h e c e s s e a respeito do contar e não pudesse sequer contar mesmo o d i a e a n o i t e c o m o d i s t i n t o s o b j e t o s , e se fosse i g n o r a n t e a c e r c a d a s revoluções do sol e da lua e de todos os outros astros.» * * S u p o r , p o r t a n t o , q u e tod o s e s s e s e s t u d o s n ã o s ã o necessários p a r a a l g u é m q u e

q « B sc enquadrasse «a sua
COSMOGONIO

encimadas peÇa figura do 'Demiurgo, f) provérbio, citado por <lc mesmo pela boca dc Sócrates 110 IVitóqowft c avocyicri S cruôe §eoi na^oviai (quouto n necessidade, nem os próprios deuses o cfti resislem). (n.l.)

* • * >-A persistente influencio pilagorica relido par TValóe: o número não é um moro (lemento fjhef.wto eríndo pela 303Õ0. itms sim algo onlológioo ligada ao que ki de poiCiicraPmcnle divino no ser íuuuano. ín.l.)

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Livro VII
pretende entender ao menos o q u e há de mais simples [e singular] n a s mais belas ciências é u m a suposição s u m a m e n t e tola. A p r i m e i r a coisa q u e t e m o s q u e comp r e e n d e r c o r r e t a m e n t e é isto: q u e r a m o s d o e s t u d o e m particular é preciso aprender, quantos, como e quand o , e q u a l em r e l a ç ã o à q u a l , e q u a l s e p a r a d a m e n t e e o m é t o d o de c o m b i n á - l o s . Feito isto, e c o m esse e s t u d o c o r n o i n t r o d u t ó r i o , p o d e r se-á s e p r o c e d e r a o a p r e n d i z a d o do resto. Este é o p r o c e d i m e n t o n a t u r a l determin a d o pela necessidade, contra a qual, como declaramos, n e n h u m deus luta ou jamais lutará. Clínias: S i m , e s t r a n g e i r o , e s s a s t u a s e x p l i c a ç õ e s p a r e c e m r e a l m e n t e estar de acordo c o m a natureza, e ter conteúdo O ateniense: verdadeiro. Isso é r e a l m e n t e a v e r d a d e sobre a m a t é -

r i a , Clínias, m a s p r o m u l g a r c o m o l e i e s s e n o s s o p r o g r a m a é u m a difícil t a r e f a . P r o m u l g a r e m o s i s s o c o m m a i o r precisão, se concordares, n u m a ocasião posterior. Clínias: T u n o s p a r e c e , e s t r a n g e i r o , m u i t o r e c e o s o c o m a inexperiência h a b i t u a l de nossos países relativamente a esses estudos. M a s e r r a s no teu temor. Portanto, n ã o te d e t e n h a s e m t u a e x p o s i ç ã o , t e n t a n d o s i m levá-la a d i a n t e . O ateniense: Estou realmente atemorizado com o há-

bito q u e mencionaste, mas estou a i n d a mais alarmado com as pessoas q u e t o m a m essas m e s m a s ciências p a r a estudo e o fazem tão mal. A completa, e absoluta i g n o r â n c i a d e l a s j a m a i s chega a ser a l a r m a n t e e, t a m pouco constitui um imenso mal. Muito mais d a n o s o é u m a ampla variedade de conhecimento e aprendizado combinados com mau treinamento. Clínias: Isso é v e r d a d e i r o . Será imperioso declarar, então, que as

O ateniense:

c r i a n ç a s n a s c i d a s livres d e v e m a p r e n d e r t a n t o dessas disciplinas q u a n t o a inumerável multidão de crianças do Egito a p r e n d e j u n t a m e n t e com s u a s letras. Em prim e i r o lugar, no q u e tange a contar, foram i n v e n t a d a s lições para o a p r e n d i z a d o da c r i a n ç a já na t e n r a ida d e , u t i l i z a n d o jogos e d i v e r t i m e n t o , seja d i v i d i n d o m a ç ã s e c o r o a s d e m a n e i r a q u e u m m e s m o n ú m e r o total s e d i s t r i b u a a u m g r u p o m a i o r e u m g r u p o m e n o r , seja classificando no pugilato e na l u t a os pugilistas e

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Platão - As Leis
lutadores em í m p a r e s e pares, tomando-os a l t e r n a d a e consecutivamente em sua ordem natural. Ademais, n u m jogo o s m e s t r e s m i s t u r a m r e c i p i e n t e s feitos d e o u r o , b r o n z e , p r a t a e metais s e m e l h a n t e s e outros os distribuem em grupos de um tipo ánico, a d a p t a n d o as r e g r a s d a a r i t m é t i c a e l e m e n t a r a o jogo, o q u e s e r á útil aos a l u n o s n a s s u a futuras tarefas de enfileirar, conduzir e fazer m a r c h a r os exércitos ou m e s m o na administração doméstica, tornando os mais preparados em todos os sentidos p a r a seus próprios assuntos e m a i s alertas. O p r ó x i m o p a s s o a ser d a d o pelos professores s e r i a e l i m i n a r a t r a v é s d a a d m i n i s t r a ç ã o d e lições sobre pesos e m e d i d a s um certo tipo de ignorância, ao mesmo tempo absurda e desastrosa, que é naturalment e i n e r e n t e a t o d o s o s s e r e s h u m a n o s , n o t o c a n t e a lin h a s , superfícies e sólidos. Clínias: A q u e i g n o r â n c i a t u t e r e f e r e s e d e q u e e s p é c i e é ela? O ateniense: Meu caro CUnias, quando me dei conta

m u i t o r e c e n t e m e n t e d e nossa p r e c á r i a s i t u a ç ã o relativ a m e n t e a essa m a t é r i a , eu p r ó p r i o fiquei a s s o m b r a d o ; p a r e c e u - m e m a i s a s i t u a ç ã o e s t ú p i d a d e s u í n o s glutões do q u e a de seres h u m a n o s , e me senti envergonhado não apenas de mim mesmo, mas também de t o d o o t n u n d o grego. • CUnias: P o r q u e ? D i z - n o s o q u e q u e r e s d i z e r c o m i s s o , estrangeiro. O ateniense: Na v e r d a d e já o e s t o u f a z e n d o , m a s me

explicarei m e l h o r fazendo u m a pergunta.

Responde-

me com brevidade: sabes o q u e é u m a linha? CUnias: Sim. E uma superfície?

O ateniense: Clínias:

Certamente.

O ateniense: E s a b e s q u e e s s a s s ã o d u a s c o i s a s , e q u e a terceira coisa mais próxima dessas é o sólido? Clínias: Sei.

O ateniense: E n ã o a c h a s q u e t o d a s a s t r ê s s ã o e n t r e s i comensuráveis? Clínias: Sim, acho.

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Livro VII
O ateniense: E a c r e d i t a s , s u p o n h o , q u e s ã o r e a l m e n t e c o m e n s u r á v e í s e n t r e si a l i n h a c o m a l i n h a , a. superfície c o m a superfície e o sólido com o sólido? CUnias: N ã o há dúvida.

O ateniense: M a s s u p o n d o q u e a l g u m a s d e s s a s d i m e n s õ e s n ã o s ã o n e m a b s o l u t a n e m m o d e r a d a m e n t e comensuráveis, algumas o sendo e outras não, considerando-se q u e em t u a opinião todas o são, o q u e pensarías do teu estado m e n t a l a respeito delas? Clínias: E v i d e n t e m e n t e e s s e m e u e s t a d o s e r i a d e p l o r á v e l . O ateniense: O r a , no q u e t o c a à r e l a ç ã o da l i n h a e da

superfície, c o m o sólido, ou da s u p e r f í c i e e a l i n h a recip r o c a m e n t e , n ã o i m a g i n a m o s todos nós gregos q u e são, d e a l g u m m o d o , c o m e n s u r á v e í s e n l r e si? Clínias: C o m t o d a a c e r t e z a . O ateniense: M a s s e n ã o p o d e m a s s i m s e r m e d i d o s d e n e n h u m m o d o ou meio, e n q u a n t o , como eu disse, todos nós gregos i m a g i n a m o s q u e p o d e m , n ã o estar e m o s certos d e e s t a r e n v e r g o n h a d o s p o r t o d o s eles ao d i z e r m o s "O vós, nobilíssimos e n t r e os gregos, n ã o s e r á e s s a u m a d a q u e l a s c o i s a s ' n e c e s s á r i a s ' q u e afirm a m o s ser u m a d e s o n r a n ã o conhecer, m a s n a q u a l a ciência das verdades elementares nada apresenta de grandioso"? Clínias: E c o m o negá-lo?

O ateniense: A se, s o m a r e m a e s s a s há o u t r a s m a t é r i a s , q u e l h e s s ã o e s t r e i t a m e n t e r e l a c i o n a d a s , n a s q u a i s registramos a ocorrência de muitos erros q u e são q u a s e afins aos erros m e n c i o n a d o s . Clínias: E q u a i s s ã o e l e s ? O ateniense; P r o b l e m a s c o n c e r n e n t e s à n a t u r e z a es-

s e n c i a l do c o m e n s u r á v e l c do i n c o m e n s u r á v e l . 15 isto q u e é preciso e x a m i n a r e distinguir sob p e n a de se cair n u m esforço t o t a l m e n t e inútil; são esses os problemas a serem mutuamente propostos, passatempo muito m a i s r e f i n a d o p a r a os velhos q u e o jogo de damas. Clínias: È i n d u b i t á v e l . E , a f i n a l , n ã o parece; h a v e r a s s i m m u i t a d i f e r e n ç a e n l r e o jogo dc d a m a s c esses estudos.

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Platão - As Leis
O ateniense: E, p o r t a n t o , Clínias, s u s t e n t o q u e t a i s a s -

s u n t o s t ê m q u e ser a p r e n d i d o s pelos jovens pois n ã o são, na v e r d a d e , n e m prejudiciais n e m difíceis, e q u a n d o a p r e n d i d o s via jogo n ã o p r o v o c a r ã o q u a l q u e r d a n o ao nosso Estado, m a s sim benefícios. Se q u a l q u e r contestação surgir, q u e o u ç a m o s q u e m contesta. Clínias: Está claro q u e sim. B e m , se e s s e for c l a r a m e n t e o c a s o , e v i d e n -

O ateniense:

t e m e n t e a d o t a r e m o s esses assuntos; m a s se n o s p a r e c e r c l a r a m e n t e ser o contrário, nós os d e s c a r t a r e m o s . Clínias: Sim, obviamente. Não deveremos então formulá-los como

O ateniense:

necessários objetos de instrução, de maneira a n ã o h a v e r n e n h u m l a c u n a e m n o s s o c ó d i g o d e leis? E n o e n t a n t o devemos formulá-los provisoriamente - c o m o p r o m e s s a s c a p a z e s de r e d e n ç ã o - à p a r t e do resto de n o s s a constituição n o caso d e n ã o c o n s e g u i r e m satisfazer a nós q u e os p r o m u l g a m o s ou vós, p a r a q u e m são promulgados. Clínias: S i m , e s s e é u m m o d o c o r r e t o d e f o r m u l á - l o s . 0 ateniense: crianças? Clínias: Simplesmente diz-nos tua Bem, q u a n t o a opinião. estranho lato, Considero na s e q ü ê n c i a se aprovaremos

ou não o aprendizado da astronomia por parte das

O ateniense:

isso é um

n a v e r d a d e a b s o l u t a m e n t e intolerável. Clínias: O q u e é?

O ateniense: E c o m u m a f i r m a r m o s q u e o s s e r e s h u m a n o s n ã o d e v e m i n d a g a r n o q u e c o n c e r n e a o d e u s sup r e m o e sobre o universo n e m se o c u p a r e m na busca d e s u a s c a u s a s , visto ser r e a l m e n t e í m p i o fazê-lo, enquanto o procedimento correto, com toda a probabili d a d e é exatamente o oposto. Clínias: Explica-te. Minha afirmação parece paradoxal e po

O ateniense;

der-sc-ia considerá-la i n c o n v e n i e n t e p a r t i n d o d e u m h o m e m velho; m a s o fato é q u e q u a n d o um h o m e m acredita q u e u m a ciência é bela, v e r d a d e i r a e benéfi ca ao E s t a d o e c o m p l e t a m e n t e agradável à Divindade,, n ã o p o d e , t a l v e z , r e f r e a r - s e m a i s d e d e c l a r á - l a .

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Clínias: I s s o é r a z o á v e l , m a s c o m q u e c i ê n c i a d e s s e t i p o p o d e r e m o s nos defrontar ao lidar c o m os astros? O ateniense: A t u a l m e n t e , m e u s caros senhores, quase

t o d o s n ó s , gregos, d i z e m o s o q u e é falso s o b r e essas p o d e r o s a s d i v i n d a d e s , o Sol e a L u a . * Clínias: E q u a l é essa falsidade? • HXiov le^vr-ç. TI* oeu,a Km

(».t)

O ateniense: A f i r m a m o s q u e e l e s , e a l g u n s o u t r o s a s tros c o m eles j a m a i s fazem um trajeto i d ê n t i c o , e ass i m os c h a m a m o s de planetas. * * Clínias: S i m , p o r Z e u s , e s t r a n g e i r o , i s s o é v e r d a d e , p o r q u e d u r a n t e toda a m i n h a vida tenho percebido com freqüência q u e o astro m a t u t i n o e o astro vespertino» • * e o u t r o s astros j a m a i s se m o v e m no m e s m o c u r s o , m a s s e m a n t ê m errando d e t o d a s a s m a n e i r a s ; m a s q u a n t o a o Sol e a L u a , s a b e m o s q u e s e m a n t ê m f a z e n d o isso. O ateniense: E precisamente por essa razão, Megilo e • • 0 sentido lifewP dos odjctiios n^avr-Tr-ç < • JtÀtXvriTOÇ ó vagabunde, amnte. pra ntmsfio o osho que. se ocicditovo segundo o ostíonowio antigo se* o único quo nrto tinlo uwo õubito definido o nem ato (íwi: o pPmicto. (n.t.) EOKIÒOpOV « X I

Clínias., q u e a f i r m o a g o r a q u e n o s s o s c i d a d ã o s e n o s s a s c r i a n ç a s d e v e m a p r e n d e r o s u f i c i e n t e d o t o d o s esses fatos q u e c o n c e r n e m a o s d e u s e s do cêu • • • • q u a n to seja n e c e s s á r i o p a r a n ã o b l a s f e m a r em r e l a ç ã o a eles, m a s s e m p r e falar p i a m e n t e t a n t o e m sacrifícios q u a n to por ocasião de suas reverentes orações.

TOV

ErjJtepov....

c.mlirao islo sígníjiquc estitefo dn tunnlin (dn auftoso) o ccLtcPo do anoitece», ns (pegos e oufüos povos antigos
SC

«cJoíliíM 0

U « M0.CMO

co/tpo

Clínias:

Estás certo, contanto q u e em

primeiro lugar faça c o r r i g i r

cefcslc, isto o, oquoío que c elianindo aoMentemcntc de estiefo '-Vngpn. o planeta Tiênue. (n.l.)
6 E C 0 V T Ü ) V

seja possível a p r e n d e r o a s s u n t o q u e m e n c i o n a s ; e contanto t a m b é m q u e o aprendizado nos q u a i s q u e r erros q u e possamos estar c o m e t e n d o sobre cies a g o r a - e n t ã o eu t a m b é m c o n c o r d a r i a q u e um ass u n t o d e tal i m p o r t â n c i a devesse ser a p r e n d i d o . Send o a s s i m , faz r e a l m e n t e todo o esforço de prosseguir em tua exposição e nós, de nossa parte, nos empenharemos em a c o m p a n h a r - t e c aprender. O ateniense: B e m . a m a t é r i a a q u e me r e f i r o n ã o é fácil d e s e r a p r e n d i d a : n e m t a m p o u c o é a b s o l u t a m e n t e difícil e e x i g e u m e s t u d o m u i t o p r o l o n g a d o . E m b o r a n ã o t e n h a m me falado disso n e m nos dias de m i n h a juven t u d e n e m há m u i t o t e m p o , sou c a p a z de explicá-los a vós n u m t e m p o r e l a t i v a m e n t e c u r t o . O r a , se o a s s u n t o fosse t ã o difícil, e u n ã o s e r i a j a m a i s c a p a z d e expô-lo a vós, eu na m i n h a i d a d e a vós na vossa.

KTÍT

orjpavoç...

(n.t.}

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Platão - As Leis
Clínias: I s s o é b e m v e r d a d e i r o . M a s q u a l é e s s a c i ê n c i a cujo a p r e n d i z a d o tu descreves c o m o m a r a v i l h o s o e a d e q u a d o p a r a a juventude e da q u a l somos ignorantes? T e n t a n o s d a r s o b r e esse p o n t o p r e c i s o a s explicações m a i s claras possíveis. O ateniense: de q u e Preciso tentá-lo. A opinião, m e u s amigos,

S o l e L u a e o r e s t o d o s a s t r o s erram n ã o é c o r

reta; a v e r d a d e é p r e c i s a m e n t e o oposto: c a d a um deles s e m p r e s e m o v e n u m c í r c u l o e x e c u t a n d o u m m e s mo trajeto - n ã o vários trajetos, e m b o r a p a r e ç a q u e se m o v a m ao longo de diversos trajetos; e o m a i s r á p i d o dos astros é considerado e r r o n e a m e n t e como o m a i s l e n t o e vice-versa. Se estes s ã o os fatos r e a i s e i m a g i n a mos o contrário, supõe q u e alimentássemos u m a noção semelhante sobre cavalos correndo em Olímpia, ou sobre corredores de longa distância e proclamássemos os mais rápidos como sendo os mais lentos e os mais lentos como sendo os mais rápidos e cantássemos canções louvando o perdedor como g a n h a d o r ; tais elogios n ã o s e r i a m n e m justos, p e n s o eu, n e m feitos para agradar os corredores aos quais se dirigissem, embora não passassem de homens mortais. Mas quando na r e a l i d a d e 6 c o m os deuses q u e c o m e t e m o s esses e r r o s , n ã o s e r i a d e s e p e n s a r q u e se, r i d í c u l o s e e r r ô n e o s n a q u e l e caso, agora n ã o s e p r e s t a m m a i s a o riso, n ã o s e n d o t a m p o u c o a g r a d á v e i s a o s d e u s e s , a q u e m , de fato, entoaremos hinos e contos plenos de mentira? CUnias: I s s o é b a s t a n t e v e r d a d e i r o , s e o s f a t o s s ã o c o m o o dizes. O ateniense: Kntão, se demonstrarmos q u e são real-

m e n t e assim, serão esses a s s u n t o s a p r e n d i d o s até o ponto m e n c i o n a d o e se formos incapazes de d e m o n s trá-lo os d e s c a r t a r e m o s . S e r á este o nosso acordo? Clínias: Certamente. Podemos agora dizer q u e nossas regula

O ateniense:

mentações tocantes aos assuntos da educação estão c o n c l u í d a s . O a s s u n t o da c a ç a e investigações correlat a s deverão ser agora a b o r d a d o s de m a n e i r a similar. A o b r i g a ç ã o q u e c o m p e t e a o l e g i s l a d o r p r o v a v e l m e n t e vai a l é m d a s i m p l e s tarefa d e p r o m u l g a r leis; a l é m d a s leis, há algo m a i s q u e cai n a t u r a l m e n t e entre o conselho e

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a lei - a l g o e m q u e e s b a r r a m o s v á r i a s v e z e s a o l o n g o d e nosso discurso, como por exemplo em conexão com a alimentação dos bebês - tais matérias, dizemos, n ã o p o d e m ficar s e m r e g u l a m e n t a ç ã o , m a s seria, c o n t u d o , d e m a s i a d o tolo c o n s i d e r a r essas regras c o m o leis prom u l g a d a s . Q u a n d o , e n t ã o , as leis e t o d a a c o n s t i t u i ç ã o estiverem assim escritas, nosso louvor do c i d a d ã o q u e é pré-eminente pela virtude n ã o será completo quando d i z e m o s q u e o h o m e m v i r t u o s o é a q u e l e q u e é o m e l h o r servo d a s leis e o m a i s o b e d i e n t e . U m a afirmação mais completa é a seguinte: q u e o h o m e m virtuoso é a q u e l e q u e p a s s a através da v i d a o b e d e c e n d o coer e n t e m e n t e à s regras escritas d o legislador tal c o m o d a d a s em sua legislação, aprovação c reprovação. • Esta a f i r m a ç ã o é a forma m a i s correta de l o u v a r o c i d a d ã o , e deste m o d o , a d e m a i s , o legislador n ã o se l i m i t a r á a e s c r e v e r as leis, m a s c o m o em a c r é s c i m o às leis, e c o m b i n a d a s a elas, ele terá q u e t o r n a r t a m b é m escritas suas decisões quanto a q u e coisas são b o a s e q u a i s são m á s ; c o c i d a d ã o perfeito deverá nortear-se n ã o m e n o s por essas decisões do q u e pelas regras impostas pela lei e p a s s í v e i s de p u n i ç ã o . * • E possível a d u z i r o ass u n t o q u e se coloca agora d i a n t e de nós c o m o testemun h o de m o d o a d e m o n s t r a r m o s com m a i o r clareza o q u e q u e r e m o s dizei . À c a ç a é c o m efeito t o d o um largo e c o m p l e x o c o n j u fito d e a t i v i d a d e s q u e h o j e q u a s e c o m p l e t a m e n t e r e s p o n d e p o r essa ú n i c a palavra.* • • bém Há muitas variedades de caça de animais aquáticos e tamm u i t a s d e aves, b e m c o m o m u i t í s s i m a s d e animais terrestres, não a p e n a s de bestas selvagens como t a m b é m , observai, d e seres h u m a n o s t a n t o n a guerra q u a n t o , f r e q ü e n t e m e n t e , na a m i z a d e , * • * • um tipo de caça q u e é em p a r t e aprovado e em parte reprovado; e t a m b é m existem os r o u b o s e caças e x e c u t a d o s pelos p i r a t a s e os b a n d o s . Q u a n d o o legislador estiver f a z e n d o leis referentes à caça, deverá estabelecer essas distinções de m o d o claro e f o r m u l a r instruções de teor a m e a ç a d o r pela imposição dc regras e penalidades p a r a todas essas modalidades. O que então tem q u e ser feito a r e s p e i t o d e s s a s m a t é r i a s ? O legislador, de s u a parte, estará certo cm louvar ou c e n s u r a r a caça com um o l h a r atento nos jovens, vendo o q u e dela lhes
-

* Ou seja, o ittfufír porfeilo não requer apenas o oeotnmcwto ò lei estabelecida, como (ombémi o respeito o iodos os demais regras o costumes indisodos pelo Icgislodor sob a forma menos rígido do odtnocstoçôo (ap/mvoçõo ou rcpjoeoção). (n.t.)

* * \ N f riSSUSfn, (:!•<(«!
v

outros. -PCotõo « d n alterou do pensamento que já batia «posto «o Cliílon. • • • A d o é, (n.t.) fn.l.)

©ripa.

• • • • ' P l a t ã o se refere ao eliamado jogo do amo» ou caçaria dos amantes (que ele enama no Sofista de Tj Ttov epcovTtflv 6r|pa).

basicamente o jogo de sedução e atração p a t a aproximação dos sesos, ou atfi eeenlíioíWntc dc indivíduos do mesmo sem, do que são oopioeoc os crompPes na nanoliea mitológico olímpico, principalmente protagonizados por ^ e u s . JWo -Banquete ' P l a t ã o cliamo o deus do amor sensual (EpfflÇ) de ô T j p e i j r r j c T c c t v o i ; . P« seja. caçador poderoso. D e falo. o ritual do caçada dos amantes foi muito comum ínePeeiee na manifestação .religiosa de muitos patas anlajos (além de estar sendo jtiMiida atualmente, por evcniplo. no ressurgimento do paganismo QUwa. fn.l.)
c

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Platão - As Leis
c o n v é m e m m e i o à s Infantas e o c u p a ç õ e s d o j o v e m , e o jovem e s t a r á certo ouvindo e o b e d e c e n d o e n ã o permitindo q u e n e m o p r a z e r n e m a fadiga o o b s t e m , e a c a t a n d o c o m g r a n d e respeito as o r d e n s s a n c i o n a d a s pelo louvor de preferência a incorrer no domínio das determinações p r o m u l g a d a s p e l a lei s o b a a m e a ç a d e p e n a l i d a d e s . Depois de todas essas observações à guisa de preâmb u l o se.guir-se-á o a d e q n a d o l o u v o r o u c e n s u r a d a c a ç a : louvor ao tipo que t o r n a as almas dos jovens melhores, e c e n s u r a ao tipo q u e p r o d u z o oposto. O p r ó x i m o p a s s o será nos dirigir aos jovens sob forma de súplica: " A m i g o s , q u e j a m a i s p o s s a m vós s e r d e s com anzol ou de tomados por q u a l q u e r desejo ou ânsia de caçar ao m a r ou pescar uma maneira qualquer perseguir a n i m a i s a q u á t i c o s , o u vos d e d i c a r à c a ç a p r e g u i ç o s a n a q u a l a r m a d i l h a s f a z e m o t r a b a l h o p o r vós. Q u e n ã o vos i n v a d a e s s a p a i x ã o d a c a ç a d o h o m e m a o m a r , n e m a da p i r a t a r i a , q u e fará de vós c a ç a d o r e s cruéis e a t u a n d o f o r a d a lei; c q u e p o s s a o p e n s a m e n t o d e c o m e t e r roubo no campo ou na cidade n e m sequer passar por vossas m e n t e s . E q u e t a m p o u c o se aposse de q u a l q u e r jovem o desejo v e e m e n t e e arlificioso de c a ç a r os pássaros, p a i x ã o tão p o u c o d i g n a d e u m h o m e m livre. Desta forma, resta aos nossos atletas s o m e n t e a caça e c a p t u r a de a n i m a i s terrestres. Deste r a m o da caça, a m o d a l i d a d e c h a m a d a de caça n o t u r n a , na q u a l a atividade é intermitente, s e n d o o t r a b a l h o de h o m e n s preguiçosos q u e d o r m e m alternadamente, é a q u e l a q u e n ã o m e r e c e q u a l q u e r louvor, c o m o t a m p o u c o merece, o tipo no q u a l há intervalos para repouso d u r a n t e a l a b u t a , q u a n d o o s h o m e n s d o m i n a m a força s e l v a g e m dos a n i m a i s m e d i a n t e redes c a r m a d i l h a s em lugar de fazê-lo a t r a v é s d o p o d e r v i t o r i o s o d e u m a a l m a a m a n te do esforço. C o n s e q ü e n t e m e n t e , o ú n i c o tipo de c a ç a q u e r e a l m e n t e resta p a r a todos, e o tipo melhor, é a c a ç a aos q u a d r ú p e d e s com cavalos e cães e os p r ó p r i o s m e m b r o s do caçador, q u a n d o os h o m e n s c a ç a m pessoalmente e subjugam * Ç J i M cfcttt n fioiicwio mheúa e w.msám wt»t>. « f/iMi p n mliidc in níwftn. todas as criaturas correndo, golpeando e a t i r a n d o eles m e s m o s - todos h o m e n s , q u e r dizer, a q u e l e s q u e cultivam a coragem q u e é divina.* Com referência ao conjunto deste assunto, a exposição q u e a p r e s e n t a m o s servirá c o m o louvor e c e n s u r a ;

322

Livro Vil
e a l e i t e r á a s e g u i n t e r e d a ç ã o ; n i n g u é m i m p e d i r á esses c a ç a d o r e s v e r d a d e i r a m e n t e s a g r a d o s d e c a ç a r o n d e e como quiserem, mas quanto ao colocador de armad i l h a s n o t u r n o q u e c o n t a c o m redes e a r m a d i l h a s , este n i n g u é m jamais permitirá q u e cace em lugar algum. O c a ç a d o r de aves n ã o será detido em terra de pouso o u n a m o n t a n h a ; m a s a q u e l e q u e o e n c o n t r a r e m ter ras cultivadas e glebas sagradas deverá expulsá-lo. O pescador terá permissão de a t u a r em todas as á g u a s exceto p o r t o s e rios, lagoas e lagos s a g r a d o s , m a s s o b a c o n d i ç ã o de q u e n ã o faça uso de sucos i m p u r o s . " Portanto, agora finalmente, podemos dizer q u e todas as n o s s a s l e i s r e l a t i v a s à e d u c a ç ã o e s t ã o c o m p l e t a s . CUnias: P o d e s c o m j u s t i ç a d i z ê - l o . * * 'TVdutos (sucos obtidos pelo míshtta d c wrjcloisj que posso» cuucuctio* o ógur; c
m o t o os peíves. (n.t.)

Platão - As Leis
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Livro VIII

324

Livro VIU
O ateniense: N o s s a p r ó x i m a t a r e f a s e r á , c o m a aju-

da do o r á c u l o de Delfos, organizar e p r o m u l g a r por lei o s f e s t i v a i s , p r e s c r e v e n d o q u e s a c r i f í c i o s e p a r a q u e divindades será b o m e direito que o Estado

"...ETl ÕE mi TO Tü)V xOovtwv KCU O C O CO) UJ Ç
ô e o u ç o u p a v i o u ç . . . . f)s ríouses
subteaãneos ou do inunda ii^o»ins (infiano T a p i a p o ç ). n inundo

faça s u a s o f e r e n d a s . Q u a n t o às d a t a s e o n ú m e r o desses festivais c a b e r á , s e m d ú v i d a , a nós m e s m o s determiná-los. Clínias: deles. O ateniense: Então comecemos indicando o númeMuito provavelmente, ao menos o número

dos moíilno. incluem oUlnos. ^Am\ c 'íQodoíiwsiro (deuses-juí-jes J. ns fiíítíos ou rfiinios (íTisíf/.«e, ,A Poeto e vUen/t.to ), o deusa das bimoe. fííéoate.. o íiaiiiíia Pe.*sc(,oiio e o sendo» do mundo dos motins, 'êjíodcs (também eliomado de P P u t à o ) : a j»ontei»o o.iitto o mundo cupo»io» o o mundo injeiio» é o (io»íiendo »io eliomado P s l i t p x u f , (o substantivo crcuÊ, significa objeto odioso, noítívoP, monstíuoso)] po» onde o benqucéto Ooionlo (Xapcov ) eondiig os n Pinas (que pudim* pago» po» isso, é ePa»o!); as p o d a s do £J"á»to»o são Vigiadas «intua intsusos vivos e montas não Pibe»ados po» (Votante po» Ocíibcto
r (

ro. Deverá haver n ã o m e n o s do q u e 3 6 5 festas, de m a n e i r a q u e haja s e m p r e a l g u m m a g i s t r a d o realizando sacrifício para algum deus ou dáimon em

n o m e do Estado, do povo e de sua propriedade. Os i n t é r p r e t e s , os sacerdotes, as s a c e r d o t i s a s e os profetas se r e u n i r ã o e na c o m p a n h i a das leis dos guardiões

d e t e r m i n a r ã o o q u e o legislador será obrib e m c o m o no q u e consistirão tais

gado a omitir,

o m i s s õ e s . A l e i e s t a b e l e c e r á q u e h a v e r á d o z e festas d e d i c a d a s aos doze deuses q u e dão seus nom e s às v á r i a s tribos. P a r a c a d a um deles eles, realizarão sacrifícios m e n s a i s e a t r i b u i r ã o coros e concursos musicais b e m como competições de ginástica, c o m o convém aos p r ó p r i o s d e u s e s e às diversas e s t a ç õ e s d o a n o ; e e l e s d e t e r m i n a r ã o , t a m b é m , festivais f e m i n i n o s , p r e s c r e v e n d o q u a n t o s d e s t e s se-

(KeppY.poç J; o Mino de "9 Wcs.
setiiePliaiilfi oo ,ieino dc (Osóiis da «epigíão egípcio, não é OT.Pusiva c necessaiiomeiilr umo dimensão de íovtmoníos. deeccpeso e ÍIO»TO», tnos Sim a dimensõo do jupgomenlfi dos modos e dc suo deslinnoão eonfo.iwc o vida que iive«oiti. P n t i e os deuses oePeslos eslão lonlo os p»é-opiínpieos (eomo Tl-iapo, (joio e C i r n a s j quonlo a p»oqênie dc C w n o s (oíouídeos j encohcçodfl po» "yjcus e oiihoe nPímpieos, o.mbo»o o gtonele conto» oPímpieo do céu sijo ' J c u s , ''Poscidon driininotido os motes e 'Doméle» (mãe de Co»é com-e»lido cm Pfí»sé|íone) se|o a denso dos |»ulos do leoio jepjesenlondo os oPímpicos. boi./
c

rão exclusivamente femininos e q u a n t o serão abertos t a m b é m aos h o m e n s . Ademais, eles terão q u e d e t e r m i n a r , em c o n f o r m i d a d e c o m a lei, os ritos apropriados aos deuses subterrâneos e q u a n t o s dos deuses celestes* d e v e r ã o ser invocados e q u e ritos não deverão ser m i s t u r a d o s dispor estes

a eles relacionados

[aos ritos dos deuses s u b t e r r â n e o s ] , e

no d é c i m o m ê s , q u e é c o n s a g r a d o a P l u t ã o . A propósito, este d e u s n ã o deve ser motivo de a n t i p a t i a por parte dos guerreiros, e pelo contrário deve ser honrado como um dos deuses que é sumamente

b o m com a raça h u m a n a , pois como eu afirmaria com toda a seriedade, n u n i ã o da a l m a ao corpo

325

Platão - As Leis
* P p««:iso ItoMO» o deus

n ã o é cie m o d o a l g u m m e l h o r q u e s u a s e p a r a ç ã o . * A d e mais, se p r e t e n d e m estabelecer essas m a t é r i a s adequadamente, essas pessoas terão q u e acreditar q u e n ã o há n e n h u m outro Estado q u e possa se comparar ao nosso relativamente, ao grau de lazer e controle q u a n t o às ne cess i d a d e s da v i d a , e a c r e d i t a r q u e ele, • * c o m o um i n d i víduo, deve levar u m a b o a vida. M a s p a r a u m a vida b o a e feliz o p r i m e i r o r e q u i s i t o é n e m c o m e t e r i n j u s t i ç a s c o n t r a s i m e s m o n e m sofrer injustiças c o m e t i d a s p o r o u t r o s . Destas, as primeiras n ã o são muito duras, m a s é muito difícil m a n t e r - s e i m u n e à s i n j u s t i ç a s d e o u t r e m ; c o m efeito, é impossível c o n q u i s t a r essa i n v u l n e r a b i l i d a d e perfeitamente, a n ã o ser q u e n o s t o r n e m o s p e r f e i t a m e n t e bons. Analogamente, um Estado poderá obter u m a vida pacífica s e s e t o r n a r b o m , m a s s e for m a u , t u d o q u e obterá será u m a vida de guerra tanto no estrangeiro q u a n t o domesticamente. Assim sendo, todos deverão treinar p a r a a guerra n ã o em tempo de guerra, mas em tempo de paz. C o n s e q ü e n t e m e n t e , u m E s t a d o judicioso t e r á q u e realizar u m a marcha mensalmente empregando não menos que u m d i a i n t e i r o , o u m a i s ( d e p e n d e n d o d o d e c r e t o d o s g o v e r n a n t e s ) i n d e p e n d e n t e m e n t e d e a t e m p e r a t u r a est a r fria o u q u e n t e . D e s s a m a r c h a d e v e r ã o p a r t i c i p a r h o mens, mulheres e crianças sempre q u e os governantes d e s e j e m fazê-los m a r c h a r e m m a s s a ; e m o u t r a s o c a s i õ e s c a m i n h a r ã o e m seções. P a r a l e l a m e n t e a o s sucrifícios, eles d e v e r ã o c o n t i n u a m e n t e c r i a r n o b r e s jogos q u e d ê e m ensejo a c o m p e t i ç õ e s n o s festivais, m o l d a d o s o m a i s e s t r e i t a m e n t e possível n o s jogos d e g u e r r a . E m c a d a u m a dessas ocasiões deverão distribuir prêmios e c o m e n d a s e c o m p o r discursos de louvor e censura, de a c o r d o com o caráter q u e cada um exibe n ã o somente n a s competições c o m o , t a m b é m , na p r ó p r i a vida em geral, enaltecendo q u e m é avaliado como s u m a m e n t e bom e cobrindo de reprovações q u e m n ã o o é. Tais discursos n e m todos comp o r ã o pois, e m p r i m e i r o lugar, n i n g u é m c o m m e n o s d e c i n q ü e n t a a n o s o fará e a d e m a i s , n i n g u é m o fará, mesmo s e n d o p l e n a m e n t e c o m p e t e n t e em poesia e música, e n q u u n t o n ã o tiver s i d o o a u t o r d e u m a a ç ã o n o b r e . N a v e r d a d e , m e s m o q u e l h e s falte m u s i c a l i d a d e , o s p o e m a s a s e r e m i n t e r p r e t a d o s s e r ã o a q u e l e s c o m p o s t o s p o r hom e n s q u e são pessoalmente bons e h o n r a d o s no Estado

dos modos po»que «osso olmo é iinfwtnf e scpoitodo do co»po odmibmw o íoino dos
HSMIOS.

ul unido 6 infiaio* A

sepasoçõo f>o*q«e obnígo o saí
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Ortton. o &dí|soe e a 'rindo».
(M.)
* • f)u seja, o f i s t a d o . k l )

326

Livro VIII
c o m o r e a l i z a d o r e s d e feitos n o b r e s . O j u l g a m e n t o d e s t e s c a b e r á a o e d u c a d o r e a o r e s t o d o s g u a r d i õ e s d a s l e i s , cjue l h e s c o n c e d e r ã o o e x c l u s i v o p r i v i l é g i o d o d i s c u r s o livre na canção, e n q u a n t o n e n h u m a permissão será d a d a aos outros, n ã o devendo t a m p o u c o n i n g u é m arriscar-se a c a n t a r u m a c a n ç ã o n ã o - a u t o r i z a d a , m e s m o q u e seja m a i s doce q u e os h i n o s de Orfeu ou de T â m i r a s ; * • • só serão a d m i t i d o s os p o e m a s q u e foram consagrados e reservad o s aos d e u s e s , e a q u e l e s em q u e p e s s o a s de b e m , discern i n d o a c e n s u r a ou o elogio, f o r a m r e c o n h e c i d a s c o m o e x e c u t o r a s d o q u e r e a l m e n t e e r a p a r a s e r feito. N o t o c a n t e t a n t o à s o p e r a ç õ e s m a r c i a i s q u a n t o à l i b e r d a d e d o discurso poético, declaro q u e as m e s m a s regras deverão se aplicar i g u a l m e n t e a h o m e n s e m u l h e r e s . O legislador deverá refletir de p e r si e r a c i o c i n a r assim: "Vamos, q u e h o m e n s p r e t e n d o e u f o r m a r q u a n d o tiver t o d o o E s t a d o pronto e f o r m a d o ? N ã o d e v e r ã o eles ser a t l e t a s p a r a o s maiores combates, nos q u a i s os afrontarão milhares e m i l h a r e s de a n t a g o n i s t a s ? " C o m t o d a a c e r t e z a , " a ele a l g u é m r e s p o n d e r i a c o m a c e r t o . E d a í ? S u p õ e q u e estivéssemos formando pugilistas ou lutadores do pancrácio o u c o m p e t i d o r e s p a r a q u a l q u e r o u t r o r a m o similar do atletismo - será q u e iríamos d i r e t a m e n t e p a r a a competição sem previamente nos devotar diariamente ao c o m b a t e c o m alguém? Se fôssemos pugilistas, por um grande n u m e r o de dias q u e antecedessem a competição deveríamos estar a p r e n d e n d o como lutar, e t r a b a l h a n d o duro, praticando por imitação todos aqueles métodos que pretendêssemos empregar no dia em (pie estivéssemos l u t a n d o p a r a granjear a vitória, i m i t a n d o a coisa real da f o r m a q u e m a i s estivesse p r ó x i m a d a r e a l i d a d e . Usaríamos em lugar de luvas almofadadas as próprias luvas de tiras de couro de m a n e i r a a desenvolver a m e l h o r práti c a possível e m d a r g o l p e s e e v i t á - l o s ; e n o c a s o d e t e r m o s q u e enfrentar a escassez de parceiros de treinamento, s u p õ e que. d e v e r í a m o s nos d e t e r pelo receio d o riso d o s tolos e deixar de erguer um b o n e c o sem vida e nele pratic a r ? C o m efeito, m e s m o s e e s t i v é s s e m o s n o d e s e r t o , s e m d i s p o r d e p a r c e i r o s vivos o u m e r o s b o n e c o s , n ã o d e v e r i a m o s recorrer à luta c o m n o s s a s p r ó p r i a s s o m b r a s n o sent i d o m a i s literal? O u q u a l o o u t r o n o m e q u e dever-se-ia d a r à p r á t i c a da p o s t u r a p u g i l í s t i c a ? » • • •
• • • • ( D m*fím dc
l-iriuomcísfo no ouioíl inícm.0
Cflll um pOiieeiJIO. MOCfmOS o

•••...©auupoo...
fcnrlótio fliúsico .sócio.
(M.)

eospo c, os bioços como se c;:tíw'<scmo<! oputondo m
!|of|ií« rfC IIIII flíí*,W)!í(0. (il-f.)

327

Platão - As Leis
Clínias: N ã o h â n e n h u m o u t r o n o m e p a r a i s s o , e s t r a n geiro, salvo o q u e a c a b a s t e de dar. O ateniense: E e n t ã o ? S e r á q u e a f o r ç a d e l u t a d e n o s s o E s t a d o o u s a r á a v a n ç a r todas as vezes m e n o s p r e p a r a d a p a r a defender vidas, crianças, b e n s e todo o Estado do q u e os atletas competidores q u e descrevemos? T e m e r á o legislador incorrer em aspectos q u e se afigurarão ridículos p a r a a l g u n s a p o n t o d e s e o m i t i r q u a n t o à p r e s c r i ç ã o desses treinamentos de combates?.., a p o n t o de deixar d e p r o m u l g a r leis p e l a s q u a i s d e t e r m i n a r á o p e r a ç õ e s d e campo?... entre as quais o tipo secundário, sem a r m a s p e s a d a s , d e v e r á o c o r r e r todos os dias, se possível - p a r a o q u e t a n t o os coros q u a n t o a ginástica d e v e r ã o ser direcionados - enquanto os outros tipos, c o m o aquele tipo m a i s i m p o r t a n t e d e ginástica c o m c o m p l e t o p o r t e d e arm a s e c o u r a ç a , ele o r d e n a r á q u e seja r e a l i z a d o a o m e n o s u m a vez p o r m ê s ? N o caso d e s t e ú l t i m o t i p o h a v e r á c o m petições r e c í p r o c a s p o r t o d o o p a í s , em c o n t e n d a s envolv e n d o a t o r n a d a de fortes e e m b o s c a d a s e em t o d a s as f o r m a s d e g u e r r a s i m u l a d a ; c o m efeito, s e l u t a r á literalm e n t e empregando-.se bolas e d a r d o s com o m á x i m o de r e a l i d a d e possível, * e m b o r a as p o n t a s d o s d a r d o s dever ã o ser feitas m e n o s perigosas, a fim de q u e seus jogos de *...Z«t>aipouaxciv T C K C U P o  a i ç coç
cyyuTaTa TCOV

c o m b a t e p o s s a m conter algum elemento d e a l a r m e , pod e n d o produzir terrores e indicar n u m a certa m e d i d a q u e m tem coragem e q u e m n ã o a tem. Ao p r i m e i r o o legislador a t r i b u i r á as devidas h o n r a s e ao s e g u n d o a d e g r a d a ç ã o , de m a n e i r a a ter condições de p r e p a r a r todo o E s t a d o p a r a s e r útil a o l o n g o d e t o d a a v i d a n o c o m b a t e r e a l . A d e m a i s , s e a l g u é m for m o r t o n e s s a s l u t a s s i m u l a d a s , c o n s i d e r a n d o - s e q u e o c r i m e é i n v o l u n t á r i o , o legislador declarará o assassino dc mãos puras depois de ter sido legalmente purificado; pois o legislador refletirá que, q u a n d o alguns h o m e n s morrem, outros igualmente bons, crescerão para t o m a r s e u s l u g a r e s e n q u a n t o se, p o r a s s i m dizer, o t e m o r estiver m o r t o , ele e s t a r á i n c a p a c i t a d o d e d e s c o b r i r u m teste p a r a d i s t i n g u i r e m t o d o s esses casos, o b o m do m a u maior p a r a um Estado. Clínias; N ó s , a o m e n o s , e s t r a n g e i r o , c e r t a m e n t e c o n c o r daríamos q u e todo Estado deveria tanto determinar q u a n t o p r a t i c a r essas coisas. o q u e será um mal m u i t o

aA/qutov.... ,.,4
fmfrmnaqiiia em umo

eotnpstieõo wlír. dois grupos ssBtcWioiili! n nossos partidas de kiadhoft , póPo ou htd-rij.
1

328

Livro VIII
O ateniense: E s t a m o s n ó s t o d o s c i e n t e s d a r a z ã o p o r q u e todos esses coros e essas competições n ã o existem atualm e n t e em lugar a l g u m nos Estados, a n ã o ser n u m a med i d a m u i t o m o d e s t a ? D i r í a m o s q u e isso 6 d e v i d o à ignor â n c i a da m u l t i d ã o e d a q u e l e s q u e legislam p a r a ela? Clínias: Possivelmente. De m a n e i r a a l g u m a , m e u b e m - a v e n t u r a d o

O ateniense:

Clíniasl O q u e n o s c o m p e t e d i z e r é q u e h á d u a s c a u s a s p a r a isso, e a s d u a s d o m a i o r peso. Clínias: E quais são?

Ü ateniense: A p r i m e i r a n a s c e d e u m a m o r p e l a r i q u e z a que n ã o permite q u e a pessoa disponha de tempo para se d e d i c a r a o u t r a coisa exceto a o s seus p r ó p r i o s b e n s p e s s o a i s ; e q u a n d o a a l m a d e q u a l q u e r c i d a d ã o fica i n t e i r a m e n t e p r e s a a isso, t o r n a - s e i n c a p a z d e l i d a r c o m q u a i s q u e r o u t r o s a s s u n t o s a n ã o ser p r o d u z i r o g a n h o d i á r i o . S e j a q u a l for a c i ê n c i a ou p r o f i s s ã o q u e a isso c o n d u z a , * * todo h o m e m individualmente está sempre disposto a a p r e n d ê - l a , d e s p r e z a n d o todo o resto. Eis aí o p r i m e i r o m o t i v o , e i s o n d e é p r e c i s o ver a c a u s a q u e i m p e d e u m E s t a d o d e s e d e d i c a r a c u l t i v a r s e r i a m e n t e esses e x e r c í c i o s , ou q u a l q u e r outra bela e nobre ocupação; e porque, por outro lado, todo indivíduo, devido à sua a m b i ç ã o p o r prat a e o u r o , s e d i s p õ e a o esforço á r d u o e m t o d o ofício o u e x p e d i e n t e , n o b r e s o u i g n ó b e i s , s c for provável ( p i e s e torne rico através deles, desejoso, inclusive, de realizar ações t a n t o p i e d o s a s q u a n t o i m p i e d o s a s o u p l e n a m e n t e vergon h o s a s s e m q u a l q u e r e s c r ú p u l o , c o n t a n t o q u e ele seja c a p a z d e saciar-se a o extremo, c o m o u m a n i m a l selvagem, de t o d o o t i p o de a l i m e n t o , b e b i d a c a p e t i t e s v i s . " • • Clínias: E verdadeiro. E n t ã o q u e se d e c l a r e o q u e estou descre• • • • Iwilno M[»f»'f! inlfi.Mtncnlc o orne» à tiiptjn, o sede de onio r (isolo t>. tf: nlslo itttin rios p.tmeipois sonsos rio eoMiipsrio dos £:sffldos. B rfMÉ) o isso. ínsPusiu:, rjtic ocneobeii o sisloiKi de moedrr dupíVt, |ó 'ref.esido milofitosinenle useis dlnCorjn. (n.l.) • • flu sojn. o pWuçtw <h< ejoníio dió.wo. fn.f.)

O ateniense:

vendo como u m a causa que impede os Estados de praticar a d e q u a d a m e n t e operações militares ou q u a i s q u e r o u t r o s e x e r c í c i o s n o b r e s , e q u e faz c o m q u e h o m e n s d e t e n t o r e s d e u m a n a t u r e z a pacífica, s e t r a n s f o r m e m em c o m e r c i a n t e s , p r o p r i e t á r i o s de navios e servos, enq u a n t o transforma os bravos cm piratas, assaltantes, l a d r õ e s dc t e m p l o s , l u t a d o r e s c d é s p o t a s e isso e m b o ra em alguns casos n ã o t e n h a m natureza propriamente m á , m u s sejam simplesmente inclinados à infelicidade.

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Platão - As Leis
Clínúis: O q u e q u e r e s d i z e r ? O ateniense: B e m , c o m o p o d e r i a e u d e s c r e v e r d e o u t r a forma a n ã o ser c o m o c o m p l e t a m e n t e infelizes h o m e n s q u e são obrigados ao longo de toda a vida a conviver * (Du srjo. o jome do orno. (*•'•) c o m [ e s s a ] f o m e » s e m p r e em s u a s a l m a s ? CUnias: E s s a é , e n t ã o , u m a c a u s a . Q u a l é a s e g u n d a causa a q u e te referiste, estrangeiro? O ateniense: Estás certo em me l e m b r a r .

Megilo: U m a c a u s a , c o m o a s s e v e r a s , é e s s a b u s c a i n s a ciável a o longo d a v i d a i n t e i r a q u e o c u p a t o d o o t e m p o dos h o m e n s e os impede de praticar corretamente as m a n o b r a s m i l i t a r e s . Q u e a s s i m seja! A g o r a d i z - n o s q u a l é a segunda causa. O ateniense: Pensas que demoro para dizê-lo porque

estou perdido? Megilo: N ã o . M a s a c h a m o s q u e , d e v i d o a u m a e s p é c i e de ódio contra o c a r á t e r q u e descreves, o estás castigando mais severamente do que é necessário ao argumento q u e ora utilizas. O ateniense: Vossa observação é perfeitamente justa,

e s t r a n g e i r o s . Q u e r e i s . "parece, o u v i r o q u e s e s e g u e . Clínias: Apenas continua.

O ateniense: S u s t e n t o q u e e s s a c a u s a r e s i d e n e s s a s falsas constituições q u e m e n c i o n e i a m i ú d e e m n o s s a disc u s s ã o a n t e r i o r , ou s e j a m , a d e m o c r a c i a , a o l i g a r q u i a e a m o n a r q u i a d e s p ó t i c a . N e n h u m a d e l a s é d e fato u m a constituição, merecendo sim, verdadeiramente, o n o m e d e partido, p o i s n e n h u m a c o n s t i t u i u m a f o r m a d e governo na q u a l a vontade exercida sobre os súditos se casa com a boa vontade desses súditos, exercendo-se sim contra a vontade dos governados sempre por meio de a l g u m t i p o d e c o a ç ã o ; e o g o v e r n a n t e , p o r m e d o d o gov e r n a d o , j a m a i s lhe permitirá v o l u n t a r i a m e n t e tornarse n o b r e , rico, forte ou corajoso ou de u m a m a n e i r a ou outra, guerreiro. Estas são, portanto, as duas principais causas de quase tudo, e certamente das condições q u e d e s c r e v e m o s . A c o n s t i t u i ç ã o , t o d a v i a , p a r a a q u a l estam o s legislando escapa a essas d u a s causas, pois n ã o só proporciona u m a g r a n d e q u a n t i d a d e de lazer corno s e u s c i d a d ã o s s ã o l i v r e s e n t r e si, e c o m o c o n s e q ü ê n c i a

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Livro VIII
| j I . I d e s t a s n o s s a s leis s e r ã o p r o v a v e l m e n t e os c i d a d ã o s menos inclinados ao a m o r ao dinheiro. Por conseguinte, é a u m a vez n a t u r a l e lógico q u e de t o d a s as c o n s t i t u i ç õ e s existentes s o m e n t e esse tipo a c o l h e r i a o sistema deserito acima, que combina instrução militar com esporte, c o m o q u e c o m p l e t a m o s d e v i d a m e n t e essa descrição. I [ I f | ' Clínias: E x c e l e n t e . 0 ateniense: N a s e q ü ê n c i a , n o s c o m p e t e l e m b r a r c o m relação a t o d a s as competições de ginástica q u e t o d a s a q u e l a s q u e p r o p i c i a m t r e i n a m e n t o bélico devem ser instituídas, com prêmios a contemplá-las, enquanto a q u e l a s q u e n ã o o propiciam devem ser d e s c a r t a d a s . Q u a n t o a identificar essas competições será convenient e c o m e ç a r p o r i n d i c á - l a s e p r e s c r e v ê - l a s c o m o lei. E m • p r i m e i r o lugar, n ã o deveríamos prescrever as competições de c o r r i d a e velocidade em geral? \ Clínias: P o r c e r t o q u e s i m . O ateniense: D e t o d a s a s c o i s a s i m p o r t a n t e s p a r a a g u e r ra destaca-se, s e m d ú v i d a , a atividade geral do corpo, seja d a s m ã o s ou d o s pés; a a t i v i d a d e d o s p é s p a r a a fuga e a p e r s e g u i ç ã o e d a s m ã o s p a r a o c o m b a t e c o r p o a c o r p o q u e e x i g e r o b u s t e z e vigor. Clínias: È induhitável.

0 ateniense: E n o e n t a n t o , n a d a d i s s o é m u i t o ú t i l q u a n do faltam armas. Clínias: Evidentemente. nas nossas competições o arauto,

0 ateniense: A s s i m

c o m o a g o r a é c o r r e n t e , c o n v o c a r á p r i m e i r a m e n t e o corredor de curta distância, o qual entrará completamente a r m a d o ; p a r a o c o r r e d o r s e m a r m a s n ã o o f e r e c e r e m o s p r ê m i o algum. Em primeiro lugar então será admitido o h o m e m q u e terá q u e percorrer a r m a d o o estádio, • • em s e g u n d o l u g a r o c o r r e d o r do e s t á d i o d u p l o , • • • em terceiro aquele q u e executará o percurso h í p i c o , • • • * em q u a r t o o c o r r e d o r de longa estádio • • • * • e cm q u i n to, o corredor da corrida de longa distância q u e despac h a r e m o s em primeiro lugar, totalmente a r m a d o , p a r a correr u m a d i s t â n c i a de sessenta estádios • • • • • • até o t e m p l o de Ares e de volta; ele e s t a r á c o m c o u r a ç a e p e s a d a m e n t e a r m a d o , pelo q u e o c h a m a r e m o s de hoplita, e * * * * Ociica dc «cia t«iP(io. t>i.) • * * • * Cinca dr tw.s quantos d c miCda. (tt.l.) ••»••• Q intuas, (n.t.)
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• • ^Po* wiíta dc, tu« oitavo dc, tnifto. (n.t.) . . . ;p
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331

Platão - As Leis
executará s u a c o r r i d a p o r uni terreno m a i s regular, enquanto um segundo quinto corredor [que será seu adversário direto] estará trajado com todo o equipamen* '-Pm unüln dc. dosjc mlftm. (»•(. J • íPwrs c denso fimigoc e tomos, ( i d o s dc ' g w s c íÜrln. {n.l.)

to de a r q u e i r o e correrá cem estádios* até o t e m p l o de Àpolo e A r t e m i s • • a t r a v é s de c o l i n a s e s u p e r f í c i e irregular dc todo tipo. K tendo assim estabelecido as competições, a g u a r d a r e m o s o retorno desses corredores, e ao vencedor de cada corrida entregaremos o prêmio. Clínias: Muito exato.

O ateniense:

V a m o s d i s t r i b u i r e s s a s c o m p e t i ç õ e s em três

categorias: u m a infantil, u m a juvenil e u m a a d u l t a masculina. Determinaremos que o percurso das corridas dos jovens corresponderá a dois terços do percurso completo e q u e o infantil c o r r r e s p o n d e r á à m e t a d e do p e r c u r s o c o m p l e t o a o c o m p e t i r e m seja c o m o a r q u e i r o s o u h o p l i tas. No caso d a s mulheres, prescreveremos corridas de u m e s t á d i o , e s t á d i o d u p l o , e s t á d i o h í p i c o e l o n g o está'* fcucüfinndcnfúnfi

d i o * • • p a r a garotas abaixo da p u b e r d a d e , q u e deverão correr n u a s na própria pista. As garotas com m a i s de treze a n o s d e v e r ã o c o n t i n u a r p a r t i c i p a n d o a t é o casamento, no m á x i m o até a idade de vinte anos, ou ao men o s d e z o i t o , m a s a p a r e c e n d o e p a r t i c i p a n d o d e s s a s corr i d a s a p r o p r i a d a m e n t e , vestidas. Q u e sejam estas, port ã o to, a s r e g r a s r e l a t i v a s à s c o r r i d a s p a r a h o m e n s e m u lheres. Q u a n t o às provas de força, em lugar da l u t a * • • • e as outras modalidades similares de peso pesado em

íi|MdWinfitiWis uns oolne tmlriirors. (n.t.)

' t*\' í;Ojff, 0 í/üifl íOfHfli1fl. (...O

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m o d a a t u a l m e n t e , p r e s c r e v e r e m o s o s c o m b a t e s c o m porte de a r m a s em competições tanto individuais q u a n t o de equipe, c a d a e q u i p e c o n t a n d o com dois a dez competid o r e s . Q u a n t o aos golpes q u e u m v e n c e d o r t e m q u e acertar ou frustrar c a q u a n t i d a d e dc pontos necessária ao s e u score - tal c o m o a t u a l m e n t e n o c a s o d a l u t a , aqueles que. l i d a m c o m essa a r t e f i x a r a m p o r lei o s p o n t o s d a boa l u t a e o s d a m á , e a s s i m d o m e s m o m o d o d e v e r e m o s convocar os h o m e n s experientes no combate com a r m a s e c o n v i d á - l o s a n o s a s s i s t i r n o d e l i n e a m e n t o d e leis p e l a s q u a i s p o d e m o s decidir q u a n t o a o justo vencedor e m tais l u t a s , s o b r e o q u e ele t e m que: fazer e s o b r e o q u e t e m q u e evitar, c a n a l o g a m e n t e , as regras p a r a d e t e r m i n a ção do perdedor. No caso d a s m u l h e r e s até a idade, do

IleÃTaC5TIK'l"|V. wi ce.Jo, que d i j .respeito oos pePtosfoe, qiKt i.wim eoMorfos dn iiif/nclfijin Piíjc.iio. (n.l.)

c a s a m e n t o s e r ã o e s t a b e l e c i d a » l e i s i d ê n t i c a s . E c m .substituição ao paucrácio i n s t a u r a r e m o s um torneio geral de. p c l t a s t a s , • • • • • q u e c o m p e t i r ã o c o m a r c o s , p e q u e n o s

332

Livro VIII
. . . • . . . ; ( ..npmj,,,!,, ifi,
n

e s c u d o s , d a r d o s e p e d r a s l a n ç a d a s seja m a n u a l m e n t e seja p o r m e i o d e f u n d a ; n e s t e s c a s o s t a m b é m p r e s c r e v e r e m o s leis r e l a t i v a s à a t r i b u i ç ã o de r e c o m p e n s a s e p r ê mios à q u e l e q u e m e l h o r s e e n q u a d r a r à s regras vigentes p a r a essas competições. Depois dessas competições, a p r ó x i m a m o d a l i d a d e a ser p r e s c r i t a será a c o r r i d a de cavalos. Aqui, n u m t e r r i t ó r i o c o m o C r e t a , b á p o u c a necessidade de c a v a l o s • • • • • • - ao m e n o s n ã o em grande n ú m e r o - de m a n e i r a q u e é inevitável d a r m e n o s atenção tanto à criação de cavalos q u a n t o às competições hípicas. Q u a n t o à s bigas, n ã o c o n h e c e m o s n i n g u é m q u e as possua e tampouco alguém aqui q u e provavelmente se empolgasse em relação a elas, • • • • • • • de m o d o q u e e s t a b e l e c e r c o m p e t i ç õ e s c o m elas seria c o n t r á r i o a o cost u m e n a t i v o , e m a i s d o q u e p a r e c e r u n i a a ç ã o t o l a , seria u m a a ç ã o tola. Se, e n t r e t a n t o , e s t a b e l e c e r m o s p r ê m i o s p a r a cavalos de sela, sejam potros, cavalos de idade intermediária*•••*•*• ou animais já plenamente desenvolvidos, t e r e m o s q u e a d a p t a r o h i p i s m o às características do território. U m a competição será estabel e c i d a p o r l e i p a r a q u e m m o n t a r e s s e s a n i m a i s , o s filarc a s c o s h i p a r e a s a t u a n d o c o m o j u i z e s p ú b l i c o s d a s corridas e dos competidores q u e m o n t a r ã o a r m a d o s . Incorreríamos em erro se premiássemos os competidores d e s a r m a d o s , t a n t o neste caso c o m o n a q u e l e das competições de g i n á s t i c a . * • * • • • • • * C o n v é m observar q u e , p a r a u m c r e t e n s e , é i m p o r t a n t e ser u m a r q u e i r o o u lanc e i r o m o n t a d o , d e s o r t e q u e t e r e m o s c o m p e t i ç õ e s e disp u t a s de caráter esportivo t a m b é m deste tipo. Q u a n t o às m u l h e r e s , n ã o v a l e r á a p e n a p r o m u l g a r leis e e s t a b e lecer r e g r a s q u e t o r n e m c o m p u l s ó r i a s u a p a r t i c i p a ç ã o n e s s a s c o m p e t i ç õ e s , m a s se, c o m o r e s u l t a d o d o t r e i n a m e n t o anterior q u e desenvolveu um h á b i t o a n a t u r e z a delas o permitir em lugar de interditá-lo. q u e m e n i n a s ou m o ç a s * * • • • • * * • • participem sem q u a l q u e r culpa. E assim d a m o s por concluída a exposição referente aos assuntos da competição e da i n s t r u ç ã o de ginásti c a n o epie c o n c e r n e à n o s s a e d u c a ç ã o m e d i a n t e c o m p e t i ç õ e s e e n s i n o d i á r i o . A m a i o r p a r t e d e n o s s a exp o s i ç ã o s o b r e m ú s i c a foi, i g u a l m e n t e , c o m p l e t a d a ; a s r e g u l a m e n t a ç õ e s que- t o c a m a o s r a p s o d o s , c o n t u do, c a tudo q u e os afeta, b e m corno as competições

rir Creio oprccrailo uni lr.inr.Mi irregular e oeidenfado. inoic ojiülo nos mnMkf: r corredores p o » « ílílnpflr-SIHPUtr; rio que o mntttm r condutores dc íiirjris. (n.t.) * • • • * * * T e r noto f t . n l r . i i n i . (n.t.) • • • • • • • • A i sejo. em lorno dc l.iêe «nos. ( e i . ) Píotõn pjngmatioomCHte funde de iiifineíw necessário o competição ric preparo tniíiln». flrtí o constante presença do poste C manejo dne frttnfiG. ..A cnmpcliçôo, entendida mm TiaiSeia,

não se eireuneercM apenas no mm es|ifiíte e entate-uínienlo. mas lisa. a t i n o de todo. a formação do corpo sadio e M o . o dcsrnuofcimontri do afino wttuoeo e no (opo dc ludo isto, a formação do cidadão pejfrilo, que não pode sê-lo sem m copog de tomos turnos pruri defende* o Psfado. (n.l.j

••••„.r.oiõuç i| TcapOevouç... 0 conceito
roípOevoç, que Isodugimos f i e i e m C M l e por iuoea. implica iieeensoriaineiife virgindade

ÍJtapGsvia),
identffiwmrlo-se no ámbílo do mundo qreqo com. a tmiflicít
jotoiu

solteiro, poro a qual a

prado do Virgindade, antes do

casamento fyapoç) cro
proibitivo, (n.t.)

Platão - As Leis
c o r a i s q u e d e v e m a c o m p a n h a r o s festivais, s ã o m a t é r i a s a ser o r g a n i z a d a s d e p o i s q u e os d e u s e s e semi-deuses tiverem seus meses, dias e a n o s designados a c a d a u m ; em seguida se e x a m i n a r á se tais competições deverão ser de três em três a n o s ou de cinco em cinco a n o s , ou segundo um outro critério e m a n e i r a q u e os deuses possam nos sugerir. E n t ã o , t a m b é m , se espera q u e os c o n c u r s o s musicais sejam realizados de m o d o escalonado, sendo s u a o r d e m e s t a b e l e c i d a p e l o s m e s t r e s d o s jogos, o e d u c a d o r d a j u v e n t u d e e o s g u a r d i õ e s d a s leis, q u e s e r e u n i r ã o p a r a esse propósito específico e a t u a r ã o p e s s o a l m e n t e c o m o l e g i s l a d o r e s a fim d e d e t e r m i n a r d a t a s , c o n c o r r e n tes e a c o m p a n h a n t e s p a r a t o d o s os corais e d a n ç a s . O q u e deverá ser c a d a u m destes n o q u e respeita à s palavras, c a n ç ã o e h a r m o n i a mesclados com r i t m o c d a n ç a * ©u sr,)o. nos ílimos VI d VII. (n.t) Y' foi i n d i c a d o m u i t a s v e z e s • p e l o l e g i s l a d o r o r i g i n a l ; os l e g i s l a d o r e s s u b s e q ü e n t e s d e v e r ã o s e e s f o r ç a r p a r a legislar s e g u n d o s u a s diretrizes e deverão o r g a n i z a r os concursos em ocasiões convenientes q u e se e n q u a d r e m aos d i v e r s o s sacrifícios, a p o n t a n d o a s s i m festivais a ser o b servados pelo E s t a d o . B e m , q u a n t o a essas e as m a t é r i a s a n á l o g a s , n ã o é e m a b s o l u t o difícil d e s a b e r q u a l é a r e g u l a m e n t a ç ã o legal q u e d e v e m r e c e b e r e , r e a l m e n t e , qualquer alteração q u e aqui se realizasse n ã o causaria g r a n d e benefício ou prejuízo ao Estado. Mas as coisas q u e e f e t i v a m e n t e n ã o f a z e m p o u c a diferença, e c o m relaç ã o à s q u a i s é difícil p e r s u a d i r a s p e s s o a s , c o n s t i t u e m u m a t a r e f a e s p e c i a l m e n t e p a r a a D i v i n d a d e (se fosse p o s sível q u e a s o r d e n s p r o c e d e s s e m d e l a ) . C o m e f e i t o , h á a q u i p r o v a v e l m e n t e a n e c e s s i d a d e de. u m h o m e m a u d a cioso q u e , c o l o c a n d o a f r a n q u e z a a c i m a de ttido, d e c l a r a r a o q u e julga m e l h o r p a r a a c i d a d e e os c i d a d ã o s , e em meio às almas corrompidas prescreverá o a p r o p r i a d o p a r a a m a n u t e n ç ã o d o q u e exige a c o n s t i t u i ç ã o , d i z e n d o não a o s a p e t i t e s m a i s p o d e r o s o s , e a t u a n d o s o z i n h o s e m t e r n i n g u é m q u e o a p o i e s a l v o a voz s o l i t á r i a d a r a z ã o . Clínias: Sobre o que estamos raciocinando agora,
1

estrangeiro? Pois n ó s n o s m a n t e m o s sem c o m p r e e n d e r . O ateniense: O q u e não me s u r p r e e n d e , m a s tentarei

m e explicar c o m m a i o r clareza. Q u a n d o n o m e u disc u r s o a t i n g i o a s s u n t o relativo à e d u c a ç ã o , vi m o ç o s e m o ç a s se u n i n d o entre si p e l a afeição; e n a t u r a l m e n t e ,

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Livro VIII
fui a s s a l t a d o p o r u m s e n t i m e n t o d e t e m o r q u a n d o m e p e r g u n t e i c o m o a d m i n i s t r a r u m E s t a d o c o m o esse n o q u a l moços e m o ç a s são b e m n u t r i d o s m a s isentos dc t o d o s os t r a b a l h o s d u r o s e servis, q u e s ã o os m a i s seguros i n s t r u m e n t o s p a r a extinguir o ímpeto da p a i x ã o e no q u a l a principal ocupação de todos ao longo da vida inteira consiste [exclusivamente] em sacrifícios, festas e d a n ç a s . N u m l i s t a d o c o m o esse, c o m o i r ã o o s j o v e n s s e a b s t e r d a q u e l e s desejos q u e a m i ú d e l a n ç a m m u i t o s à r u í n a - t o d o s esses desejos em r e l a ç ã o aos q u a i s a raz ã o , no s e u esforço de s e r lei, p r e s c r e v e a a b s t e n ç ã o ? Q u e a s leis p r e v i a m e n t e e s t a b e l e c i d a s s e r v e m p a r a rep r i m i r a m a i o r i a dos desejos n ã o c a u s a espanto. Assim, p o r exemplo, a p r o i b i ç ã o da r i q u e z a excessiva repres e n t a m u i t o no sentido de f o m e n t a r a t e m p e r a n ç a e o c o n j u n t o d e n o s s o s i s t e m a e d u c a c i o n a l c o n t é m leis ú t e i s p a r a q u e se c u m p r a a m e s m a m e t a . Junte-se a isso o olhar vigilante dos magistrados, treinados p a r a fixarem seus o l h a r e s s e m p r e n e s s e p o n t o e c o n s e r v a r u m a estreita vigilância s o b r e os jovens. Estes i n s t r u m e n t o s , portanto, b a s t a m (na m e d i d a da suficiência de um instrum e n t o h u m a n o ) p a r a se lidar com os outros desejos. Mas, q u a n d o se t r a t a dos desejos sensuais de moços e moças, de homens por mulheres e mulheres por homens - desejos q u e têm sido a causa de m a l e s incontáveis tanto p a r a indivíduos q u a n t o p a r a Estados inteiros - como n o s p r o t e g e r c o n t r a tais p a i x õ e s , o u que. r e m é d i o p o d e ríamos aplicar de m o d o a encontrar um meio para es c a p a r em t o d o s esses casos de um tal perigo? E extrem a m e n t e d i f í c i l . Clínias, p o i s s e n o q u e t a n g e a o u t r a s m a t é r i a s , q u e n ã o s ã o p o u c a s , C r e t a g e r a l m e n t e e Eacedemònia nos s u p r e m - e a c e r t a d a m e n t e - nos d a n d o g r a n d e s u p o r t e n u p r o d u ç ã o d e leis q u e d i f e r e m d a q u e las de u s o c o m u m - no tocante às paixões do sexo (no q u e estamos absolutamente por nossa conta) nos são totalmente contrárias. Se fôssemos seguir os passos da n a t u r e z a e p r o m u l g a r a q u e l a lei q u e e r a v i g e n t e a n t e s d a época de 1 ,aios,• • d e c l a r a n d o q u e é certo nos abs' *
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ter d a r e l a ç ã o s e x u a l e m q u e s u b s t i t u í m o s u m a m u l h e r p o r uni h o m e m o u u m rapaz, a d u z i n d o c o m o evidência a n a t u r e z a d o s a n i m a i s s e l v a g e n s e a p o n t a n d o o fato d o m a c h o n ã o t o c a r o m a c h o c o m esse, p r o p ó s i t o , v i s t o

pai dc Sdipn. é tido como o instomodoi* do IwmorscMofeflio rooficiifiiio (cevo conte o n a t a e g o ) . (n.t.

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Platão - As Leis
• P t a f i o (5 IftMMiimiiteinoite c o n t a a píiífewçttn, ccjo porque é nntl-antonC, urjn pwque í: (ínnrritriftilr cntifcicoin « luelo que 0 EogisíWwr pessequc, n snte», o aquisição da «ilurfe jxun o poswnçãn dn íiotn cidadão. Í J I O que wsperfo à': Menções ftaoioeeoyuois iiioseuPinas eruisuPle-so o 'Rnnquclc. eepeeiaPWiilc o díseu/iso pAo^oiido pon ÇJW/fto o. '-Pausámos. Sobtit os diwssas jnjntos rio atnos coneuPic-ec

q u e é contra a n a t u r e z a , * em t u d o isso e s t a r í a m o s provavelmente u s a n d o u m a r g u m e n t o q u e n ã o é n e m convincente n e m t a m p o u c o c o n s o a n t e com vossos Estados.* • A l é m d i s s o , a q u e l a i n t e n ç ã o q u e , s e g u n d o afirm a m o s , o legislador deve s e m p r e ter em vista n ã o se coad u n a c o m essas práticas, m e s m o p o r q u e a indagação q u e i n s i s t i m o s em fazer é esta: q u a i s d a s leis p r o p o s t a s prom o v e m u n i a i n c l i n a ç ã o p a r a a v i r t u d e e q u a i s n ã o o fazem? Pois b e m , s u p õ e q u e sejam l e g a l i z a d a s tais prátic a s e q u e a s a p r e s e n t e m o s c o m o n o b r e s e d e m o d o alg u m ignóbeis, no q u e promoveriam a virtude? Engend r a r i a m n a a l m a d a q u e l e cjue é s e d u z i d o u m c a r á t e r cor a j o s o (viril), o u n a a l m a d o s e d u t o r a q u a l i d a d e d a t e m p e r a u ç a ? N i n g u é m j a m a i s a c r e d i t a r i a e m tal coisa; pelo c o n t r á r i o , dei m e s m o m o d o q u e t o d o s c e n s u r a r i a m a covardia daquele q u e sempre cede aos prazeres e jamais é c a p a z de se c o n t e r em r e l a ç ã o a eles, n ã o c e n s u r a r i a m a do h o m e m q u e imita o papel de urna mulher mediante a [precária| semelhança com seu modelo? Haveria, então, a l g u m ser h u m a n e i q u e prescrevesse legalmente tais práticas? N e n h u m , e u d i r i a , q u e tivesse s e q u e r u m a n o ç ã o d o q u e é a v e r d a d e i r a lei. E , p o r t a n t o , o q u e d e c l a r a m m o s c o m o s e n d o a v e r d a d e com respeito a este a s s u n t o ? E n e c e s s á r i o q u e d i s t i n g o ritos a r e a l n a t u r e z a d a a m i z a de, do desejo e do q u e se c o s t u m a c h a m a r de a m o r • • • se quisermos determiná-los corretamente, pois o q u e causa m á x i m a c o n f u s ã o e o b s e u r i d a d e é o fato d e s s a ú n i c a p a l a v r a * • • • a b r a n g e r e s s a s d u a s c o i s a s e t a m b é m u m a terceira espécie composta das d u a s primeiras. Clínias: O q u e queres dizer? nome que damos à afeição

lambem o 'rfeduo. (n.l.) * * :.Apoie»icme.í\{e. nas
feqisfoe/MIS de fispavla e

Qifin ineiisíia

QITOFQIIOT

Per

QUE

p.inibieer o íiowceeeeuaPiemo moscuPino. (ii.f.)
* * • . . . T T | V

Ttgç <|)iA,taç Ttov tfieiv
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T C KCU C T t O u U l t t Ç

a p a Kai Ât:youavtov <t>uaiv

qxúToiv

avayicaiov,....

p»il«ei«0 eoitocrfo ((|>i/Uuç) WttM.spnud'. np.ioiimnlíiamenlr, ao Pofim e.milm (orno* jwlciiirií, soPidosicdaf/e, flfuigode j. o segundo ( e j l l O u u i a ç } a

O ateniense: A m i z a d e é o

desejo, apetite e o ineeito
fcpeoç papoila muilne ee^ee («ifnwjndfi geiio/iienmenle) o nino» eeneuaP. Prudentemente n oi-pPiençoo que 'PPolão, peta boea dn atenieneee, ap.tesenfa fin seqüência dn eonlo dos p.iáp.iiris eomttn ijmjm tmado oo que PPatão penso* desce sentimentos, (n.l.)

d a q u e l e s q u e s e a s s e m e l h a m r e c i p r o c a m e n t e p e l a virt u d e , e de igual p a r a igual, m a s t a m b é m à afeição do p o b r e pelo rico, q u e é do tipo oposto; q u a n d o u m a ou o u t r a dessas afeições (sentimentos) se t o r n a i n t e n s a n ó s a c h a m a m o s de amor. * * * * * Clínias: Está exato.

O ateniense: A a m i z a d e q u e . a c o n t e c e e n t r e os o p o s t o s é cruel e selvagem e r a r a m e n t e recíproca e n t r e as p e s s o a s , e n q u a n t o a b a s e a d a na s e m e l h a n ç a é suave e recíproca

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Livro VIII
a o l o n g o d e t o d a a -vida. A e s p é c i e d e a m i z a d e q u e s u r g e a p a r t i r de u m a c o m b i n a ç ã o desses dois primeiros tipos c r i a d i f i c u l d a d e s : primeiro d e s c o b r i r o q u e a p e s s o a afet a d a p o r esse terceiro tipo d e a m o r • • • • • • r e a l m e n t e d e seja o b t e r , segundo (já q u e a p r ó p r i a p e s s o a e s t á p e r d i d a , sendo arrastada em direções opostas pelas d u a s tendênc i a s ) resolver o e m b a r a ç o e x p e r i m e n t a d o p e l a p e s s o a , q u e se p o r um lado é c o n v i d a d a (graças a u m a d a s tendências) a u s u f r u i r d a flor [ d e b e l e z a e j u v e n t u d e j d a p e s s o a a m a d a , p o r o u t r o [ m o v i d a pela t e n d ê n c i a oposta] é b l o q u e a d a . Pois a q u e l e q u e e s t á a p a i x o n a d o p e l o c o r p o e esfomead o p o r s u a flor (juventude) c o m o s e fosse p o r u m p ê s s e g o m a d u r o , busca a r d e n t e m e n t e sua satisfação, n ã o tendo q u a l q u e r respeito pela disposição da pessoa a m a d a . Aquele, e n t r e t a n t o , q u e t e m o d e s e j o físico c o m o s e c u n d á r i o , que a n t e s considera q u e n ã o se o cobice, c o m a a l m a real m e n t e a n s i a n d o p e l a o u t r a a l m a , julgará a satisfação carnal do corpo c o m o um ultraje e, r e v e r e n c i a n d o a temper a n ç a , a c o r a g e m , a n o b r e z a e a s a b e d o r i a d e s e j a r á viver s e m p r e s o b r i a m o n t e n a c o m p a n h i a d o sóbrio objeto d e seu a m o r . Mas o a m o r q u e corresponde à mistura desses dois tipos é o q u e descrevemos há p o u c o c o m o terceiro t i p o . E visto, e n t ã o , q u e e x i s t e m d o a m o r t a n t a s v a r i e d a des d e v e r á a lei p r o i b i r a t o d a s e i m p e d i r q u e f l o r e s ç a m em nosso meio, ou deveremos n ó s e v i d e n t e m e n t e acolher o t i p o d e a m o r [ q u e d i z respeito à a l m a , e q u e p r o m o v e pura o a m a d o (para a j u v e n t u d e j a m a i o r p e r f e i ç ã o possível], a c o l h e n c l o - o p a r a n o s s o E s t a d o , e n q u a n t o p r o i b i r e m o s , s e possível, o s o u t r o s d o i s t i p o s ? O u q u a l s e r i a a noss a o p i n i ã o , m e u c a r o Megilo? Megilo: T u a d e s c r i ç ã o d o a s s u n t o , e s t r a n g e i r o , é p e r f e i t a m e n t e correta. O aterdense: P a r e c e q u e , c o r n o e s p e r a v a , g a n h e i t e u a s seiitimento, d c m a n e i r a q u e n ã o h á necessidade d e exam i n a r tua l e i • • • • • • • e sua posição a respeito desses assuntos, mas limitar-me a receber a aprovação q u e dás à s m i n h a s a f i r m a ç õ e s . M a i s t a r d e t e n t a r e i e n c a n t a r Clínias d c m o d o a p e r s u a d i - l o d a s m e s m a s d i s p o s i ç õ e s , C o n leiito-me, p o r t a n t o , c o m vossa c o n c o r d â n c i a , c o m p e t i n d o - n o s a g o r a i r a v a n t e n a n o s s a e x p o s i ç ã o s o b r e a s leis. Megilo: Perfeitamente. **••••* (Xt seja. a Peglelação de fispn/rfa. (n.t.) • • • • O u eejo, MM* fcptrtç).
(«-!-)

*****f>ii sejo, o dijciienen ente ( J i i X t a ç e i;po>ç K Õ O é quaulalwa e uri» de entalei eemnC iiiee: fmcmcMi: qnanlifaliia, embo.w oeo»cle uiiin grande coliga emocional oo fiflisíõn no eci<« de Epcoç. (ii.l) c p f t i x a . . . , de soíile que' PftitãO \ô tê oqui o amigado intensificada, ou seja, tiancfoftmndo em ornai. (».(.)
1

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Platão - As Leis
• O « I o cPioíõo, «etrafando-se mais uma «>% ia seus possíeeis awoubos ao ese/we» o 'TJCAO, o fianquete e Tüepéfeffco, (pia muito maduramente peío pais estreito enMKMmtrwgMO si» maféMa dc vida s o m a i u t l a s este ma«ofis»o sc compatibiliza perfeitamente com o legislação aqui concebida. Tinia sociedade que se pretende socialista (mesmo que não seja aquela estritamente comunista proposta em u4 "líepúMioa) não pode admitir a elasticidade e flcribilidode da uda indiíidual, o que. poria em risco os mecanismos de controle do fistado bem como a aplicação da te, de modo que é eampsceueéJef que '"Platão repitowi radicalmente não só as relações seraaie cottíta na/ma como a própria eida scwal intensa e eveitante, qms t a l como a busea obstinada da Mqucgn ecoessiw c o que, esta permite, aumento a (Wprcssãn da liberdade («díwduaí, dificultando o controle dos cidadãos por parte do fistado, (n.t.) Megilo; T u t e r e f e r e s e x p l i c i t a m e n t e a q u e s i t u a ç õ e s ? O ateniense: Sempre que a pessoa t e m um i r m ã o ou
<:

O ateniense: B e m , p a r a e s t a b e l e c e r c o m f i r m e z a a l e i de que nos ocupamos penso, no momento, n u m procedimento para sua promulgação, que, se de um certo m o d o é fácil, é de r e a l i z a ç ã o s u m a m e n t e difícil. Megilo: E x p l i c a o q u e q u e r e s d i z e r . O ateniense: Mesmo atualmente, como estamos cien-

tes, a m a i o r i a dos seres h u m a n o s , por m a i s contrária à lei q u e s e j a s u a c o n d u t a , s e a c h a e f e t i v a e r i g o r o s a mente afastada da relação sexual com pessoas belas, o que ocorre n ã o contra sua vontade, m a s perfeitamente de acordo c o m esta.

i r m ã b e l o . E t a m b é m n o c a s o d e u m filho o u filha a m e s m a lei n ã o - e s c r í t a s e r e v e l a e x t r e m a m e n t e eficient e n o s e n t i d o d e p r o t e g e r e s s a s p e s s o a s d o c o n t a t o sex u a l , seja a b e r t o o u discreto, i m p e d i n d o m e s m o q u a l q u e r a b o r d a g e m c o m i n t u i t o sexual; de fato, a m a i o ria d a s pessoas s e q u e r a l i m e n t a desejos q u a n t o a isso. Megilo; Isso é v e r d a d e . Não será u m a pequena frase o b a s t a n t e

O ateniense:

p a r a extinguir esses apetites? Megilo: A q u e f r a s e t u t e r e f e r e s ? O ateniense: A f r a s e e m q u e s e a f i r m a q u e t a i s a t o s s ã o a b s o l u t a m e n t e ímpios, odiosos à d i v i n d a d e e os m a i s infames entre todos.» E n ã o residirá a r a z ã o disso no fato d e q u e n i n g u é m a l u d e a tais atos d e m a n e i r a diversa?... q u e t o d o s n ó s , d e s d e o d i a d e n o s s o n a s c i m e n t o , ouvimos essa o p i n i ã o expressa o t e m p o todo e em todo lugar, e não. s ó n o d i s c u r s o c ô m i c o c o m o t a m b é m c o m freqüência na tragédia séria, c o m o q u a n d o se apresent a m um Tiestes» • ou um E d i p o , • • ou a i n d a um Ma careu* * t e n d o relações í n t i m a s c o m u m a i r m ã , acab a n d o estes por v o l u n t a r i a m e n t e atrair a m o r t e p a r a si m e s m o s como p u n i ç ã o por seus crimes? Megilo: Ao dizê-lo ao menos expressas exatamente como a opinião pública tem u m a influência poderosa, diante da qual ninguém ousa sequer tentar articular u m a p a l a v r a q u e c o n t r a d i z a lei.

• • Ôuearrjç,

fiPfc» de.

'Pélope e Y^ipodanuílo, uíolentou sno própria filna 'Pclópia. eaecüdolíso em Síeion; O t ô i r c o u ç . set» sabê-lo, matou o próprio pai (ífaios) e, se casou com a mãe (loensta);

Mcocapeoç,

o

jiHo mais nouo dc fiólio e, financtc, pradeoti o incesto

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Livro VIII
O ateniense: E n t ã o n ã o c v e r d a d e , c o r n o a c a b e i d e d i zer, q u e , q u a n d o u m legislador deseja s u b j u g a r u m d a q u e l e s apetites q u e de m o d o especial subjuga as pess o a s , é p a r a e l e fácil a o m e n o s c o n h e c e r o m é t o d o d e dominá-los, a saber, consagrando pela opinião pública um idêntico sentimento a respeito de um m e s m o a s s u n t o na m e n t e de todos, q u e r sejam escravos ou h o m e n s livres, m u l h e r e s ou c r i a n ç a s e toda o E s t a d o ? N ã o será assim q u e conferirá o m á x i m o de estabilidade a e s s a lei? Megilo: C e r t a m e n t e . M a s c o m o s e r s e m p r e p o s s í v e l p a r a ele fazer c o m q u e todos u s e m d e b o a v o n t a d e u m a mesma linguagem? Eizeste u m a o b s e r v a ç ã o bastante oportucom Suo iltnto Cnnncdc a l i rjuc o poí o nWobitiii c p«oii(dencioii o mosío iitjowraile cie ontboe. paira depois

pméa que seus oubtos cinco
^iffcos c fíiPlios Jagiam o mesmo, ignorantes que toí nto desogAodoto nos deuses - só Cite «estando conside.»á-fos maitido c, n i u f e . (n.l.)

O ateniense:

na pois é p r e c i s a m e n t e isso q u e eu p e n s a v a ao me referir a o p r o c e d i m e n t o d e q u e t e n h o c o n h e c i m e n t o p a r a i m p o r e s s a lei q u e e x i g e q u e s e s i g a a n a t u r e z a n a c ó p u l a d e s t i n a d a à r e p r o d u ç ã o , seja n ã o t o c a n d o n o sexo m a s c u l i n o , • * * seja a b s t e n d o - s e do e x t e r m í n i o de indiv í d u o s h u m a n o s , • • • • s e j a n ã o l a n ç a n d o a s e m e n t e sobre rochas e p e d r a s * • * • • o n d e jamais criará raízes e n e m fru t i ficará; e f i n a l m e n t e , n o c a m p o f e m i n i n o , q u e s e a b s t e n h a d e q u a l q u e r a t i v i d a d e s e x u a l q u e n ã o ten h a p o r p r o p ó s i t o a f e c u n d a ç ã o . • • • • • • E s t a lei, q u a n do se t o r n a r p e r m a n e n t e c s o b e r a n a , tão s o b e r a n a q u a n to esta q u e agora proíbe a relação [sexual] entre pais o filhos, e o b t e r no q u e diz respeito a o s o u t r o s tipos de relações a devida vitória será infinitamente benéfica, já que em primeiro lugar acata as determinações da n a t u r e z a , servindo inclusive p a r a afastar as pessoas d a s fúrias e l o u c u r a s sexuais, e de todo tipo de a d u l t é r i o b e m c o m o de bebedeiras c glutonices, c em segundo lugar promove a afeição dos m a r i d o s por suas próprias esposas; na verdade, outros i n ú m e r o s benefícios result a r i a m c a s o s e p u d e s s e t o r n a r e s s a lei v i g e n t e e s o b e r a n a . M a s é possível q u e a l g u m jovem d o t a d o de extrema v i r i l i d a d e , a o t i o s o u v i r p r o m u l g a r tal lei, n o s d e n u n c i e p o r produzir regras tolas e impossíveis cobrindo-nos de injúrias e vociferando p o r todo o lugar, s e n d o p o r isso q u e asseverei q u e c o n h e c i a u m p r o c e d i m e n t o p a r a ass e g u r a r a e s t a b i l i d a d e d e s s a lei u m a v e z t e n h a s i d o est a b e l e c i d a , p r o c e d i m e n t o q u e é a u m a vez o m a i s fácil • • • © u seja, ausência dc puiáfien da pcdeioslin. (n.t.) • • • • tpfntão. certamente, sc pteoeupoca no seu lempo (ossoPado po» gttewas Requentes) eow o oitotiiíneo dc wdas itumanas, neto sei po/t (tagoes de mio motaf. eomo também po» uma aagãfl pitaüen: o fistodo necessito dc uma popuí'n(jão mínima paia se» constituído, p»eee»i'ode e. dcsentJofcido. (n.t.) ••••*í-Vp»cssão poético « delicado de. ^Píatão pa»a designa.» a mnsttetbaeão moscuftnn. (n.t. J • • • • " • ( D u seja, nennumo jepaeõo somai utiPigando-se quaPquc» meio eonhaceptico. (n-t.)

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Platão - As Leis
de t o d o s e o m a i s difícil, visto q u e , se p o r um l a d o é facílimo p e r c e b e r q u e isso é possível e c o m o é possível p o r q u a n t o a f i r m a m o s q u e essa regra, u m a vez consag r a d a d e v i d a m e n t e [pela opinião pública] d o m i n a r á todas as almas, fazendo-as t e m e r as leis p r o m u l g a d a s e render-lhes total obediência - p o r outro, a p o r t a m o s a essa situação, s e g u n d o a q u a l as pessoas a c h a m , mesmo assim, q u e tal regra é irrealizável, tal c o m o no caso da instituição d o s repastos c o m u n s as pessoas se recus a m a crer q u e é possível p a r a o E s t a d o inteiro d a r cont i n u i d a d e a esta p r á t i c a e isto, inclusive, a d e s p e i t o da evidência d o s fatos e da existência da p r á t i c a em vossos países, onde, a i n d a assim, no q u e diz respeito à presença das mulheres, tal pratica é considerada não-natural. E em f u n ç ã o disso, d e v i d o à resistência dessa descrenç a , q u e e u d i s s e q u e é b a s t a n t e difícil p r o m u l g a r c o m o leis essas p r á t i c a s d e m o d o a p e r d u r a r e m . Megilo: E e s t a v a s c e r t o em d i z ê - l o . De qualquer modo, a fim de d e m o n s t r a r

O ateniense:

q u e isso n ã o está a l é m d o p o d e r h u m a n o , s e n d o possível, gostarias q u e eu tentasse apresentar um raciocínio q u e n ã o é destituído de alguma plausibilidade? Clínias: Certamente.

O ateniense: E s t a r i a a l g u é m m a i s p r e d i s p o s t o a se a b s t e r d o s p r a z e r e s d o sexo, c o n s e n t i n d o e m a c a t a r s o b r i a m e n t e a lei q u e r e g u l a m e n t a e s s e a s s u n t o s e e s t i v e s s e c o m s e u corpo não em má condição, m a s n u m a boa condição? Clínias: E l e e s t a r i a m u i t o m a i s p r e d i s p o s t o s e s e u c o r p o n ã o estivesse e m m á c o n d i ç ã o . O ateniense: N ã o o u v i m o s f a l a r d e I c o d e T a r e n t o q u e d e v i d o à s s u a s c o m p e t i ç õ e s d e O l í m p i a e c m o u t r o s lugares, e e s t i m u l a d o pelo desejo de vencer e p o r sua própria técnica, movido pela coragem aliada à temperança em sua alma, d u r a n t e todo o período de seu treinam e n t o , c o m o c o n t a a história, n u n c a tocou u m a mulher e n e m t a m p o u c o um rapaz? História idêntica é n a r r a d a e n v o l v e n d o Críson, Astilo, D i o p o m p o e m u i t í s s i m o s o u t r o s . E n o e n t a n t o , Clínias, e s s e s h o m e n s n ã o só contavam com u m a educação de alma muito pior do q u e aquela dos teus e m e u s cidadãos como t a m b é m p o s s u í a m m u i t o m a i o r vigor s e x u a l físico.

340

Livro VIII
Clínias: Q u e isso r e a l m e n t e a c o n t e c e u no caso desses

atletas é realmente, c o m o dizes, registrado confiavelmente pelos antigos. O ateniense: O r a , s e e s s e s h o m e n s t i v e r a m f o r t a l e z a b a s t a n t e p a r a se p r i v a r e m d a q u i l o q u e p a r a a m a i o r i a constitui a m a i o r d a s felicidades por a m o r à vitória na luta, na c o r r i d a e coisas similares, s e r ã o nossos r a p a z e s inc a p a z e s d e s e r e f r e a r e m a fim d e c o n q u i s t a r u m a vitória minto mais nobre aquela q u e é a mais nobre de todas as vitórias, sobre a q u a l os entreteremos, espero, a partir de sua infância através do encanto das narrativas, discursos e canções? Clínias: Q u e vitória? A v i t ó r i a s o b r e os p r a z e r e s , a q u a l se for

O ateniense:

p o r eles o b t i d a lhes p r o p i c i a r á u m a vida d e felicidade, sendo q u e se n ã o a lograrem terão e x a t a m e n t e o oposto. A d e m a i s , n ã o lhes d a r á o t e m o r de q u e é isso algo t o t a l m e n t e í m p i o p o d e r p a r a d o m i n a r esses i m p u l s o s q u e h o m e n s inferiores a eles c o n s e g u i r a m d o m i n a r ? » Clínias: E c e r t a m e n t e r a z o á v e l s u p o r q u e s i m . O ateniense: E a g o r a q u e a t i n g i m o s e s t e p o n t o c o m respeite) a essa lei, e m b o r a t e n h a m o s c a í d o n a i n c e r t e z a graças à covardia da maioria, sustento q u e nossa regulament a ç ã o s o b r e esse t e m a precisa a v a n ç a r e p r o c l a m o q u e n o s s o s c i d a d ã o s n ã o d e v e m s e r p i o r e s q u e aves e m u i t o s outros animais q u e são gerados em grandes n i n h a d a s e q u e v i v e m v i d a s c a s t a s e e m c e l i b a t o s e m m a n t e r e m relações sexuais até a l c a n ç a r e m a i d a d e de p r o c r i a ç ã o ; e q u a n do a l c a n ç a m essa i d a d e se a c a s a l a m movidos pelo instint o , m a c h o c o m f ê m e a e f ê m e a c o m m a c h o , e de>ravanto vivem de u m a m a n e i r a q u e é s a n t a e justa, p e r m a n e c e n d o fiéis a o s s e u s p r i m e i r o s a c o r d o s d e a m i z a d e : n ã o resta d ú v i d a q u e nossos c i d a d ã o s d e v e r ã o ser a o m e n o s m a i s virtuosos q u e esses a n i m a i s . Se, e n t r e t a n t o , forem c o r r o m p i d o s p e l a m a i o r i a d o s o u t r o s h e l e n o s o u b á r b a r o s a o verem q u e e n t r e eles a chamada desregrada Afrodite' • é ele g r a n d e p o d e r e a s s i m s e t o r n a m i n c a p a z e s d e s u b j u g a r tal a m o r , o s g u a r d i õ e s d a s leis, a t u a n d o c o m o l e g i s l a d o r e s , t e r ã o q u e p r o d u z i r p a r a e l e s u m a s e g u n d a lei. Clínias: Q u e lei l h e s r e c o m e n d a p r o d u z i r s e e s s a a g o r a q u e é p r o p o s t a se lhes escapa? • -Pf(llll() r S W 0 Ilido CC O sevuoP, mesmo dos liomeiis. oo eosomenlo. apontando os eonípclioães do ginástica como meios de suMintor os ardores do cevo. Como o eosomenlo
r

(ycxuoç) é uma instituição
obrigatória pana todos e que dcue oco/He.! numo faira etá/tia /icPotiiomeiite baiva, efe pensa com isso eontroPar. ou oo menos contornar o gosto poPos aecnturos amorosas e a promiscuidade no estiPo oPímpicn. (n.(.) • A,i;yopsvqv

ataietov AqipoótTqv.... j l j r o d i t e , o bePo deusa do amo», que ignorando quaisquer Ceie, regras. discipPina ou escrúpuPoc, mantindo constantes e numerosos casos. P J a é o sáuboPo do amor iPícilo. (n.l.)

341

Platão - As Leis
O ateniense: Evidentemente aquela lei que a sucede

como segunda. Clínias: E q u a l é e l a ? O ateniense: P r i v a r o m á x i m o p o s s í v e l e s s e s p r a z e r e s d a força q u e a d q u i r e m p o r s u a a t i v i d a d e n a t u r a l d e s v i a n do seu curso e desenvolvimento m e d i a n t e trabalhos d u r o s p a r a outra parte do corpo. Isto p o d e r i a funcion a r s e a p r á t i c a d a r e l a ç ã o s e x u a l fosse d e s a c o m p a n h a da de despudor, pois se devido ao p u d o r as pessoas a praticassem a p e n a s r a r a m e n t e , esta r a r i d a d e de prática resultaria em q u e p a s s a r i a m a achá-la menos tirânica. Q u e se e n c a r e , p o r t a n t o , a p r i v a c i d a d e nessas ações - e n ã o mais a inteira abstenção dessas ações - como h o n r a d a , s a n c i o n a d a t a n t o p e l o c o s t u m e c o m o p e l a lei não-escrita. C o m isso d i s p o r e m o s d e u m s e g u n d o pad r ã o d o q u e é h o n r a d o e d e s o n r a d o e s t a b e l e c i d o p o r lei e detendo um segundo grau de moralidade; e aquelas pessoas de n a t u r e z a corrupta, q u e classificamos como inferiores a si mesmas e q u e f o r m a m um d a s a s e r e f r e a r e m d a v i o l a ç ã o d a lei. Clínias: E q u e t i p o s d e c o a ç ã o s ã o e s s e s ? 0 ateniense; O temor aos deuses, o a m o r à honra e a tipo ú n i c o , serão atingidas por m a i s três tipos de coação e compeli-

a q u i s i ç ã o d o h á b i t o d e d e s e j a r e m l u g a r d a s b e l a s form a s elo c o r p o , a s b e l a s f o r m a s d a a l m a . A s c o i s a s q u e m e n c i o n o a g o r a são, talvez, c o m o os ideais visionários n u m a historia, e no entanto, em verdade, se p u d e r e m *:.A despeita de já cnjícitgos a piiuoeidade da sewoP, titondo c rigor da psimei.ro Pci,' PPatâo eisiuePmcnte se ressente do foMitirfrírtP dificuPdadc de PegisPar no domínio do assunto d a s Mjpaeões sevuois. de modo a apresentar projetos de Pci bem ocnltos e fadados a duro», (n.t.) * * Troibieão sumertio c mmbifn do noniossesnaPismc maseufinn (pcdejiaslio). (n.t.) ser i m p l e m e n t a d a s , s e revelarão u m e n o r m e benefício para todo Estado.* Possivelmente, se a D i v i n d a d e o permitir, poderíamos impor u m a de duas alternativas no q u e respeita às relações sexuais: ou n i n g u é m ousará t o c a r n e n h u m a p e s s o a n o b r e e livre exceto s u a p r ó p r i a esposa, n e m lançar sua semente em mulheres adúlteras g e r a n d o filhos ilegítimos e b a s t a r d o s , n e m pervertendo a n a t u r e z a desperdiça ndo seu sêmen na sodomia; ou então deveremos abolir inteiramente as relações com o s e x o m a s c u l i n o , * • e q u a n t o às m u l h e r e s , - se p r o m u l g a r m o s u m a lei s e g u n d o a q u a l todo homem q u e for d e n u n c i a d o c o m o m a n t e n d o relações sexuais c o m q u a i s q u e r m u l h e r e s exceto a q u e l a s q u e foram a d m i t i d a s a s u a c a s a s o b s a n ç ã o divina c celebração religiosa do

342

Livro VIII
casamento, sejam as primeiras c o m p r a d a s ou adquirid a s de o u t r a forma, será p r i v a d o (como tais m u l h e r e s t a m b é m o serão) de t o d a s as h o n r a s cívicas, ficando na m e r a situação de um estrangeiro - provavelmente tal lei c o n t a r i a c o m a a p r o v a ç ã o , s e n d o c o n s i d e r a d a j u s t a . A s s i m , q u e s e j a e s t a lei, q u e r a c h a m e m o s d c u m a lei o u d u a s leis, f o r m u l a d a e p r o m u l g a d a c o m referência às relações sexuais e casos de a m o r em geral, estipulando nesse sentido o q u e é comportamento correto ou incorreto nas nossas relações m ú t u a s movidas por esses desejos,•*• Megilo: D a m i n h a p a r t e , e s t r a n g e i r o , d a r i a d e b o m g r a d o m i n h a s b o a s v i n d a s a e s s a lei. Q u a n t o a Clínias, t e r á que, d i z e r ele m e s m o q u a l é s u a o p i n i ã o a r e s p e i t o . Clínias: Eu o f a r e i , Megilo, q u a n d o j u l g a r a s i t u a ç ã o
* * * fi ínrtioíio nota» o silêncio de Píeit(ío o *cspe,ito dn píinsfffuiçno. um jenôweno que, temos que odwtiti-Po, Hão teia o minou dance, de assumi* p*opo»o/)os considatáMs «o fistado pam o qual efe está Pegislando, seja peto neeiuideseimcnto da lei «onoíísto, seja, fioitodowrfitietile. pelo «eíalito cquiCífi/tio sewaP que íní fistodo, se impfantado som êfifo, psopic.ia/iifl. (n.t.)
c

oportuna, m a s de m o m e n t o deixemos o estrangeiro a v a n ç a r a i n d a m a i s c o m s u a s leis. Megilo: Estás certo. Bem, em nossa m a r c h a chegamos ao p o n

0 ateniense:

to no q u a l as refeições c o m u n s f o r a m estabelecidas, a l g o q u e e m o u t r a s p a r t e s , c o m o d i z e m o s , s e r i a difícil, m a s cujo a c e r t o e m C r e t a n i n g u é m q u e s t i o n a r i a . No q u e c o n c e r n e ao seu estilo, se deveremos a d o t a r o estilo cretense ou o l a c e d e m ô n i o , se devemos b u s c a r um terceiro estilo q u e seja s u p e r i o r a a m b o s - isso n ã o m e p a r e c e u m p r o b l e m a difícil d e ser r e s o l v i d o , n e m t a m p o u c o esta resolução se revelaria assim tão proveitosa, já q u e essas refeições se a c h a m a t u a l m e n t e estabelecidas d e u m a m a n e i r a satisfatória. A seguir temos q u e a b o r d a r a q u e s t ã o da o r g a n i z a ç ã o d o a b a s t e c i m e n t o d e a l i m e n t o s e c o m o a j u s t á - l o a o vol u m e d e refeições. E m outros E s t a d o s , esse abastecimento inclui todos os tipos de a l i m e n t o s e provém de muit a s fontes, seguramente, do d o b r o de fontes de q u e disp o m o s p a r a nosso E s t a d o , visto q u e a m a i o r i a dos gregos p o d e m fazer vir seu a l i m e n t o t a n t o d a t e r r a q u a n t o d o m a r , o q u e n ã o a c o n t e c e r á c o m n o s s o p o v o , q u e sé» p o d e r á obtê-lo da terra. Isto t o r n a a tarefa do legislador m a i s fácil p o i s b a s t a r ã o a m e t a d e , o u m e n o s , d c l e i s , a l é m d a v a n t a g e m de, q u e a s l e i s se, e n q u a d r a r ã o m e l h o r a o s h o m e n s livres. E n t e n d a - s e q u e o l e g i s l a d o r d e

343

Platão - As Leis
n o s s o E s t a d o e s t á m a j o r i t a r i a m e n t e l i v r e d e nrjgócios m a r í t i m o s , o p e r a ç õ e s m e r c a n t i s , p r o b l e m a s d e alojam e n t o s e estalajarias, questões de n i b u t o s alfandegários, questões financeiras envolvendo juros, empréstimos, u s u r a e m i l o u t r a s m a t é r i a s d e feitio s e m e l h a n t e ; p o d e rá d i z e r a d e u s a t u d o isso e legislar p a r a f a z e n d e i r o s e agricultores, p a s t o r e s e a p i c u l t o r e s e a respeito d o s inst r u m e n t o s u t i l i z a d o s n e s s a s o c u p a ç õ e s . Isto é o q u e ele
• A fiojçno de tcw< dcino/icodn no Qfiéeio antigo (jó bem nutra de PPnlno) fo^io imite da
O I K O Ç
c

fará, a g o r a q u e j á p r o m u l g o u a s leis m a i s i m p o r t a n t e s , q u e dizem respeito ao casamento, ao nascimento, à n u t r i ç ã o e e d u c a ç ã o d a s crianças e com a seleção dos m a g i s t r a d o s d o E s t a d o . Neste m o m e n t o , a o legislar, terá q u e se ater ao a s s u n t o a l i m e n t o e c o m a q u e l e s cujo la b o r c o n t r i b u i p a r a a f o r m a ç ã o d o s u p r i m e n t o d e alim e n t o s legue g a r a n t i r á o a b a s t e c i m e n t o l . Q u e haja, e m p r i m e i r o lugar, u m código d e leis q u e c h a m a r e m o s de código agrícola. A p r i m e i r a d a s leis d e s t e código aquela consagrada a Zeus, o protetor das demarcações, será assim formulada: n i n g u é m alterará as demarcações da terra, sejam estas pertencentes a um vizinho q u e é um c i d a d ã o local ou p e r t e n c e n t e s a um e s t r a n g e i r o [ern c a s o d e p o s s e d c t e r r a e m t e r r i t ó r i o f r o n t e i r i ç o ( e n t r e d o i s E s t a d o s ) ] , e n t e n d e n d o q u e fazê-lo é verdadeiramente inculpar-se de estar movendo um marco sacrossanto; • é p r e f e r í v e l q u e a l g u é m t e n t e m o v e r a m a i o r das rochas que não é unia demarcação do que urna p e q u e n a p e d r a q u e serve d e d e m a r c a ç ã o p o r s a n ç ã o d i v i n a e n t r e território a m i s t o s o e hostil, • • p o i s de um l a d o Z e u s é testemunha e protetor daqueles q u e pertencem à m e s m a t r i b o e do o u t r o Z e u s é t e s t e m u n h a e p r o t e t o r d o s e s t r a n g e i r o s ; d e s p e r t a r u m o u o u t r o d e s s e s d e u s e s significa a t r a i r g u e r r a s l e t a i s . A q u e l e q u e o b e d e c e r à lei n ã o s e r á c a s t i g a d o p e l a s d o r e s q u e ela inflige, m a s q u e m a d e s p r e z a r s e r á p a s s í v e l ele d u p l a p u n i ç ã o , a p r i m e i r a p r o v e n i e n t e d o p o d e r d i v i n o , a s e g u n d a p r o v e n i e n t e d a lei. N i n g u é m moverá por sua própria vontade as demarcações das terras dos vizinhos, se alguém o fizer, q u e m q u e r q u e desejar d a s t e r r a s , e eles o poderá denunciá-lo aos detentores

(foniífta/

tiobifoção) bem eonio os esraouns. imoftwenlos og/ucoPas. animais, ele, e codo fnmíPia cuPtuaeo unia rífuioríoríf! cw.ftisno fio seu fogo r/nfnóofioo mimo pn/ite cspeeoP (to coso ( e a x i a ) , que jamais podia se cvtingui», sendo tiinntido oeeso oo Congo doe genoeóee. o4
O I K O Ç

cm pattonto eog;iodn e
infocaueC sendo

consequentemente quoPque/i componente seu igunftnente sogsodo e imeinoUíueC 'Jeus, que é um deus postc/uou oPítnpíeo (e que inePueicc, no dieeu/ico milóPogieo. feg de v}4éslin E c m a umo dos seis densos ofímpiens) nno se conlwipõe o soe.wftdnde do
O I K O Ç ,

e sim

o enfotign; mns coino efe uõo é umo diuindode doméslieo e nem mesmo epôuimn, sendo o deus dos deuses, ePe gePn e inteieede pefii le.Mos demo»eodos de todos os ffimídoe, e oeimo de tudo, pePns
IIÍUIOS

l e v a r ã o a o t r i b u n a l . E s e a l g u é m for c o n d e n a d o , v i s t o q u e p o r esse c r i m e o c o n d e n a d o e s t a r á s e c r e t a e v i o l e n t a m e n t e m i s t u r a n d o as terras formando um todo, o tribunal terá q u e avaliar a p e n a q u e o c o n d e n a d o deverá c u m p r i r ou a m u l t a q u e deverá pagar.

demníiendos

dc todos os Estados g;iegos.

(„.(.)
• • A:tn é, enhc a nmigodc e o ódio. (n.t.)

344

Livro VIII
• • • Como o lomnnlio do

Q u e se a c r e s ç a a isso q u e m u i t o s p e q u e n o s erros são p e r p e t r a d o s e n t r e « z i n h o s , o s q u a i s à força d a f r e q ü ê n c i a g e r a m u m a i m e n s a q u a n t i d a d e d e i n i m i z a d e , torn a n d o a v i z i n h a n ç a u m a coisa aflitiva e a m a r g a , p e l o q u e todo vizinho precisa t o m a r todo o c u i d a d o possível para não incorrer em qualquer atitude inamistosa, e precisa, a c i m a de t u d o o mais, exercer um c u i d a d o peculiar para não ultrapassar n e m em um único centímetro s u a p r ó p r i a p o r ç ã o de terra, • • • pois, se p o r um l a d o é fácil e possível p a r a q u a l q u e r u m c o m e t e r u m d a n o , fazer u m benefício n ã o e s t á e m a b s o l u t o a o alcance de todos. Todo aquele q u e invadir a terra alheia, t r a n s p a s s a n d o as d e m a r c a ç õ e s , deverá p a g a r p o r esse d a n o ; e a título de c o m p e n s a ç ã o p o r seu d e s p u d o r e incivilidade deverá, t a m b é m , pagar à parte ofendida o dobro do custo do d a n o provocado. Em todas essas matérias os guardiões dos c a m p o s a t u a r ã o como inspetores, juizes e avaliadores - toda a e q u i p e dos doze, c o m o m e n c i o n a m o s antes, q u a n d o se tratar dos casos mais importantes e q u a n d o se tratar dos menos importantes a p e n a s os c o m a n d a n t e s de postos. Em caso de invasão de terras de pasto, tais m a g i s t r a d o s farão a devida insp e ç ã o , d e c i d i r ã o e f a r ã o a a v a l i a ç ã o . E s e a l g u é m , ced e n d o a o gosto pelos p r o d u t o s d a s a b e l h a s , g a r a n t i r p a r a si u m a colmeia alheia atraindo o e n x a m e pelo ruído de utensílios de metal, t a m b é m deverá cobrir os prejuízos causados. E os magistrados d e t e r m i n a r ã o também a multa conveniente para aqueles q u e ao produzirem q u e i m a d a s cm sua terra n ã o t o m a r e m as devidas m e d i d a s p a r a q u e estas n ã o atinjam a terra vizinha. D a m e s m a m a n e i r a , u m h o m e m q u e a o p l a n t a r árvores, n ã o deixar o devido espaço suficiente d e t e r m i n a d o p e l o s l e g i s l a d o r e s e n t r e a s á r v o r e s c a t e r r a v i z i n h a , resp o n d e r á p e r a n t e o s m a g i s t r a d o s , t e n d o isso sido adeq u a d a m e n t e e s t a b e l e c i d o p o r m u i t o s l e g i s l a d o r e s , cujas leis d e v e m ser e m p r e g a d a s s e m n e c e s s i d a d e d e recorrermos ao supremo organizador do Estado para que legisle s o b r e t o d o s o s n u m e r o s o s p e q u e n o s d e t a l h e s q u e são da competência de q u a l q u e r legislador ocasional. Assim, n o q u e s e refere t a m b é m aos s u p r i m e n t o s d e á g u a h á e x c e l e n t e s leis a n t i g a s p r o m u l g a d a s p a r a a g r i c u l t o r e s q u e nós, em nossa exposição n ã o precisamos abordar.

tatitóMo íiudoP ti estável Í P l o í ã o noo p»evc nem sou aumento mediante eventuoP onevoçõo de novas tentai! otnovés de guewos dc conquista ou out/ios Itectusos c nem sua dedução g«aças à dejesa constante do fistado), e cado oijAieuftn* possui suo cota ptá-defftida dc ta/ta iniutávcl e inviolável] (e apenas no,»dávoP ), a cvponsão c o eontc/tcio ag/iádio cm tal fistodo scíiom a fiigod impossíveis. LAIOÍS uma veg '-Plflfão desconfio se/iiomente dos g/iotides vôos wescu/tiaiioc da e/iiatividade indiViduoC c p l e i t o , um tcMitóíio Miial cm hvitico e p/teto onde todos têm um pedaço dc tema powi cultivem a um mundo /tuítal coPoíído c desiguaP dc gigantescos latifúndios semipüodufivos c ag*icuPto»cs sem teima alguma. TVwi wois cimpPislo c insípido que posso poíicccii suo solução c mesmo ooneidraondo seu onawionísmo perto a nossa noolidade íui/tal atiiaP, - P l a t ã o jamois tcitia cm seu fistado o necessidade de. uma ;icjo»ma ag»á/tia, contcniplando o espetáculo patético que contemplamos nada inoís nada menos q«c vinte e, quanto séculos depois dele, de millioiics dc íiccto.ics impíodutiVos (mas jéittei.e) ao Pado de miCíia.ies dc rniPlianes de, {omintos e, umo multidão dc itivasoíics. (n.t.)

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Platão - As Leis
Q u e acerca disto baste o seguinte: q u e a q u e l e q u e deseja trazer água p a r a sua própria terra t e n h a permissão d e fazê-lo c o m e ç a n d o p e l o s r e s e r v a t ó r i o s p ú b l i c o s , m a s sem interceptar os poços expostos de q u a l q u e r particular; p o d e r á c o n d u z i r t a l á g u a p e l a r o t a q u e d e s e j a r exceto a t r a v é s d e u m a c a s a , t e m p l o o u t ú m u l o e n ã o dever á c a u s a r m a i o r d a n o d o q u e a q u e l e inevitável produz i d o p e l o efetivo t r a b a l h o d e c a n a l i z a ç ã o . S e a s e c u r a n a t u r a l em certos lugares o i m p e d i r de reter á g u a da c h u v a e o privar da á g u a potável necessária, ele p o d e r á cavar em seu t e r r e n o a t é atingir a argila, e se m e s m o a esta profutidielade não e n c o n t r a r água, terá direito de procurar seus vizinhos p a r a receber t a n t a água q u a n t o necessária p a r a saciar a sede das pessoas de s u a casa. Se seus próprios vizinhos sofrerem de escassez em seus
* 0 tato flíjul ó Uogo. -Tfotõo pnjer-.fi refm faguisficoweníe dieinigondo o outono (... O r a a p a ç . . . ) , o estação dos fiutVnt «o

s u p r i m e n t o s , e l e s o l i c i t a r á u m a r a ç ã o d e á g u a d o s agrônomos ( g u a r d i õ e s d o c a m p o ) , t o r n a n d o - a d i a a d i a , d e m a n e i r a a [inclusive] reparti-la c o m seus vizinhos. E se com a chegada da chuva q u a l q u e r habitante d a s terras m a i s b a i x a s p r e j u d i c a r o agricultor a c i m a dele ou o h a b i t a n t e p r ó x i m o i m p e d i n d o o f l u x o d a á g u a d e origem pluvial, ou se - ao c o n t r á r i o - o d e t e n t o r de t e r r a mais alta prejudicar o lavrador abaixo deixando a água fluir à v o n t a d e a p o n t o de se d e s v i a r e ser d e s p e r d i ç a d a - e se, c o n s e q ü e n t e m e n t e , se r e c u s a r e m a e n t r a r n u m acordo a respeito disso, q u a l q u e r pessoa q u e o desejar p o d e r á solicitar a presença de um a s t í n o m o (guardião urbano) na cidade ou um a g r ô n o m o (guardião rural) n o c a m p o p a r a q u e seja d e f i n i d o o q u e c a d a p a r t i r l o deve fazer; e a q u e l e q u e n ã o a c a t a r a o r d e m d e e i s ó r i a ficará passível de ser a c u s a d o de inveja e i n s u b o r d i n a ç ã o , e se c o n d e n a d o terá q u e p a g a r à p a r t e o f e n d i d a o dobro do correspondente ao d a n o por ter se negado a obedecer aos magistrados. No tocante à colheita de frutos, a regra de p a r t i l h a p a r a todos será esta: esta d e u s a • n o s c o n c e d e u d u a s dádivas, a saber, a d i v e r s ã o de Dionísio q u e n ã o é preciso a r m a z e n a r e a outra p r o d u z i d a p e l a n a t u r e z a p a r a ser a r m a z e n a d a . ' • P o r t a n t o , q u e e s t a lei s e j a p r o m u l g a d a c o m r e s p e i t o à c o l h e i t a d o s frutos: q u e m q u e r q u e seja q u e p r o v a r a s a f r a r ú s t i c a d e u v a s o u figos a n t e s d a estação da vindima, Ique coincide com a ascensão de

Qmarj.

j l l o s consideramos mais pMiiã#í> que esteja aPudindo. cni úPfima anáftse, o "-Demites (ÀT|p.T|T;6p), dcueo dos {íuifos do le««o c psatetoso dos Pagadores, umo dos seis aPírapieos o umo dos poseíecis mõcs dc ^Dionísio, o deus que Ictífl ensinado nos íiomcne o pfoiitlo do uio c o fabsien fio vindo. (n.f.) * * Ou sejo, o jwfo eePoeinnadn e no ponto poso consumo imediato, e o fsuio luístico, nindn não fofoPmcnte dCBCneofíido c que «mitos iCgce amadurece nnlcs do tempo (temporão). de quoPidadc injeiuos, que se destinouo oo osinogcnoinenlo e. no coco do uuo, osn empregado para o ePabororãn do einíio. (fi.l.)

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Livro VIII
Arcturus, • • • ] e s t e j a e s s a e m s u a p r ó p r i a t e r r a o u n a de outros, ficará devendo c i n q ü e n t a d r a c m a s sagradas a Dionísio terços se de ou as tiver uma figos apanhado se de sua própria da são plantação, u m a m i n a se da plantação de seu vizinho, dois mina tiver apanhado como plantação de outros. E se alguém quiser colher uvas selecionadas selecionados c h a m a d o s a t u a l m e n t e - se o fizer em s u a p r ó p r i a t e r r a q u e o faça c o m o e q u a n d o o d e s e j a r , m a s se o fizer na t e r r a a l h e i a s e m a p e r m i s s ã o do o u t r o * • • •
rjtimd/ào • • • ^HÍHO fins mtillae Bise«ç,õcs perto ejello dr> «fiftcitação que o

mauaut

dos dcConístos LAuqgslf CDièfi. 1 2 . f j . R i * | , efe .) utiCijnm ilCSlO jif/SSOtJflll fi fjllí; nós npiroDamosi a erpucssão composto L/tiflutus c gncga ( A p K T O u p o ç ) fl S(íjli||iSO filmai s sugectiioweiife designando uma oelwPo muita fifiiCdonlc (dr. juinwisa gitandtga da oonsfcfação do '"BoiciHi) que está doj*o»fc do Qsnndí •Qlusa. k_A ascensão de '.AiClmiiB manco o início do equinóoio de outono (ou soja, 22 ou 23 dc solombiio no kt»is(ctiio noite). (n.t.)
f

será "não

m u l t a d o t o d a s a s dn e z e s d e a c o r d o c o mm.w, l e i v a

deslocares a q u i l o q u e n ã o instai aste." E se um escravo, sem o consentimento do senhor dos campos, tocar um só desses frutos, d e v e r á receber tantos açoites q u a n t o s f o r e m o s b a g o s d o c a c h o d e u v a s o u o s figos n a f i g u e i r a , Se um estrangeiro residente comprar uma safra selecionada, ele p o d e r á colhê-la se o desejar. Sc um estrangeiro viajando pelo país desejar comer algum fruto d a safra a o c a m i n h a r p e l a e s t r a d a , ele m a i s u m a t e r t d e n t e p o d e r á , se, o d e s e j a r , a p a n h a r a l g u n s f r u t o s s e l e c i o n a d o s s e m p a g a r p o r eles, c o m o u m p r e s e n t e d e h o s p i t a l i d a d e , m a s a lei p r o i b i r á q u e n o s s o s e s t r a n g e i r o s partilhem dos chamados frutos rústicos, temporões e outros similares; e caso um senhor ou um escravo os toque inscientemento, o escravo será castigado com açoites e, o h o m e m livre l i b e r a d o c o m u m a d u r a r e p r i m e n d a e a i n s t r u ç ã o de tocar a p e n a s a o u t r a safra, q u e não é adequada para o armazenamento visando a o f a b r i c o d e p a s s a , v i n h o e figo s e c o . Q u a n t o à s p e r a s , m a ç ã s , r o m ã s e t o d o s esses frutos, n ã o se i n c o r r e r á cm desonra por apanhá-los privadamente, mas todo h o m e m com m e n o s d e t r i n t a a n o s d e i d a d e q u e for f l a g r a d o nesse ato será s u r r a d o , m a s l i b e r a d o sem ferimentos, d o q u e n ã o e s t a r á i s e n t o o h o m e m livre. O s e s t r a n g e i r o s p o d e r ã o p a r t i l h a r desses frutos nos m e s m o s m o l d e s d a s safras das uvas. E se alguém com idade s u p e r i o r a trinta a n o s o s t o c a r , c o m e n d o n o l u g a r e n a d a leva r i d o c o n s i g o , terá uma cota em todos esses frutos, à tal como o de e s t r a n g e i r o ; m a s se, d e s a c a t a r a lei, s e r á p a s s í v e l d c s e r destitituído do direito às h o n r u s e c o n h e c i m e n t o dos juizes na ocasião. disputa c o m p e t i ç õ e s no caso de a l g u é m trazer esses fatos ao

* * * * Qm se (onda cm mente ejiie essas poiçõec dc t a u a são aquePos destinadas o cada ognicuíto peíb Balada segundo o pioecsso Mensiita o minuciosamente crpfteodo j>o»
'PPolãri o i i t o i i o H i i c n t e no

pnoscnle íDiófogo. fifiibotn tenda oeoítído a inloeohifidade eognado do lewo do síslcma do Qioeio

Oíieoieo e o adaptada á suo
concepção dn fistodo 'doai. PPotriri íiíitiomente »e.jei(o o sistema euceesfuiio antigo, mesmo poíqee ineiisle no sistema ogjásio que ietcaPigo a e|elieo piopiicdade

:uuat'

penííouPoj e indieidunf, já quo ioda o íessa poilraee a sigo» ao fistado. ( e t . )

347

Platão - As Leis
A água, m a i s do q u e q u a l q u e r outra eoisa n u m jardim, mas é fácil de ser

é o elemento mais nutriente,

c o n t a m i n a d a , p o i s e n q u a n t o o solo, o sol e o v e n t o , q u e associados à água nutrem as plantas em crescimento, n ã o são facilmente deterioráveis e inutilizáveis por meio de e n v e n e n a m e n t o , desvio ou furto, a á g u a , p o r s u a vez, está exposta a todos esses inconvenientes, de sorte q u e e l a n e c e s s i t a a p r o t e ç ã o d a lei. Q u e s e j a , p o r t a n t o , e s t a a lei q u e d i z r e s p e i t o à á g u a : se a l g u é m d e l i h e r a d a m e n t e estragar a á g u a de o u t r a pessoa, seja da fonte ou da cisterna por meio de envenenamento, retenção em valas ou furto, a p a r t e p r e j u d i c a d a a c u s a r á tal pessoa p e r a n t e os astínomos, registrando a dimensão do dano s u p o r t a d o ; e t o d o a q u e l e q u e for c o n d e n a d o p o r e s s a espécie de d a n o envolvendo e n v e n e n a m e n t o , terá que, a l é m d e ser m u l t a d o , l i m p a r a s fontes o u a b a c i a d á g u a , • Ou sejo, os intG/i|iW!lcs dos Pcis de, (lunfio «cftgiosfi. (n.f.) da m a n e i r a q u e os i n t é r p r e t e s da l e i • d e t e r m i n a r e m q u e é c o r r e t o p a r a a p u r i f i c a ç ã o a s e r f e i t a em c a d a caso e para cada queixoso. Q u a n t o ao t r a n s p o r t e d a s colheitas, q u e m assim o desejar t e r á o direito de c o n d u z i r s u a colheita p o r q u a l q u e r via, c o n t a n t o q u e , c o m isso, n e m p r e j u d i q u e d e m o d o algum qualquer pessoa n e m granjeie para si um lucro c o r r e s p o n d e n t e a três vezes o custo do prejuízo q u e causou ao seu vizinho; a a u t o r i d a d e neste assunto caberá aos magistrados, como em todos os outros casos n o s q u a i s a l g u é m d e l i b e r a d a m e n t e lesa p o r m e i o d a força ou da perfídia a l g u é m , seja d i r e t a m e n t e seja a t r a vés d o s b e n s do lesado. Em todos esses casos, o prejudic a d o d e v e r e c l a m a r a o s m a g i s t r a d o s p a r a o d e v i d o rep a r o q u a n d o o prejuízo c a u s a d o n ã o u l t r a p a s s a r três m i n a s ; m a s s e a l g u é m fizer u m a r e c l a m a ç ã o q u e envolv a u m m a i o r valor, deverá mover u m processo p e r a n t e os t r i b u n a i s públicos p a r a a p u n i ç ã o do lesador. Caso se julgue q u e algum dos magistrados p r o n u n c i o u um veredito injusto q u a n t o à d e l i b e r a ç ã o d a s p e n a s , esse m a g i s t r a d o estará sujeito a p a g a r o d o b r o da q u a n t i a à p a r t e lesada; e q u e m o q u i s e r p o d e r á |inclusive] levar as injustiças dos magistrados aos t r i b u n a i s c o m u n s em c a s o d e c a d a r e c l a m a ç ã o . E v i s t o q u e h á i n ú m e r o s casos de p o u c a i m p o r t â n c i a p a r a os q u a i s é preciso estabelecer p e n a s , referindo-se a q u e i x a s e citações escritas

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Livro VIII
e provas de citações, em q u e as citações r e q u e r e m d u a s ou m a i s t e s t e m u n h a s - e todas as m a t é r i a s de tipo semel h a n t e - esses casos n ã o p o d e m d i s p e n s a r u m a regulam e n t a ç ã o legal, e m b o r a a o m e s m o t e m p o n ã o m e r e ç a m a a t e n ç ã o de um legislador idoso. Assim, os legislador e s j o v e n s d e v e r ã o p r o d u z i r leis p a r a e s s e s c a s o s , m o l d a n d o suas p e q u e n a s regras conforme as grandes de nossas p r o m u l g a ç õ e s anteriores, e a p r e n d e r pela experiência até q u e p o n t o são necessárias na prática até q u e se tenha q u e decidir q u e sejam todas promulgadas como leis; e e n t ã o , a s t e n d o f i x a d o d e m a n e i r a p e r m a n e n t e , d e v e r ã o v i v e r a s a p l i c a n d o , a g o r a q u e s e e n c o n t r a m estabelecidas na sua devida forma. T a m b é m p a r a o s artífices temos q u e p r o d u z i r regula m e n t a ç õ e s dessa m a n e i r a . E m primeiro lugar, n e n h u m c i d a d ã o r e s i d e n t e d e v e r á estar e n t r e a q u e l e s q u e s e ocup a m d o s ofícios d o s a r t í f i c e s , b e m c o m o n e n h u m d e s e u s s e r v o s . Isto p o r q u e o c i d a d ã o j á t e m a s e u c a r g o u m ofício [ m a i s q u e ] suficiente, e q u e d e l e exige m u i t a prática e m u i t o s e s t u d o s , q u e é o zelo e a m a n u t e n ç ã o pel o s i n t e r e s s e s p ú b l i c o s d o E s t a d o , u m a t a r e f a q u e req u e r d e s u a p a r t e p l e n a a t e n ç ã o ; o r a , d i f i c i l m e n t e existirá u m ser h u m a n o d o t a d o d a c a p a c i d a d e d e r e a l i z a r d u a s i n c u m b ê n c i a s o u d o i s ofícios c a b a l m e n t e e t a m p o u c o realizar um deles ele m e s m o e s u p e r v i s i o n a r o outro executado por outra pessoa. Assim é preciso q u e , e m p r i m e i r o lugar, f o r m u l e m o s esta c o m o u m a regra f u n d a m e n t a l n o E s t a d o : n e n h u m h o m e m (pie seja u m ferreiro a t u a r á corno u m m a r c e n e i r o , n e m u m marcen e i r o s u p e r v i s i o n a r á outros na oficina de ferreiro, em l u g a r d e s e a t e r a o s e u p r ó p r i o ofício, s o b o p r e t e x t o d e q u e , assim s u p e r v i s i o n a n d o m u i t o s servos q u e trabal h a m p a r a o s e u g a n h o seja n a t u r a l q u e d ê m a i s a t e n ç ã o à o b r a q u e e l e e x e c u t a a t r a v é s d e l e s , v i s t o q u e extrai disso u m a renda m u i t o m a i o r do q u e de seu próp r i o ofício. Q u e c a d a u m , a o c o n t r á r i o , s e o c u p e n o Estad o d e a p e n a s u m ofício, d o q u a l r e t i r e o s u s t e n t o p a r a sua vida. Os a s t í n o m o s deverão se e m p e n h a r no sentido d e z e l a r p a r a q u e e s s a lei seja c u m p r i d a e [ i n c l u s i v e ] p u n i r ã o o c i d a d ã o residente q u e se desviar para q u a l q u e r ofício, o p r e f e r i n d o a b u s c a r a v i r t u d e , - • m e d i a n t e rep r i m e n d a e d e g r a d a ç ã o a t é o r e c o l o c a r e m no s e u p r ó p r i o . . f)
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349

Platão - As Leis

• 'õais dunas restrições oo
comércio evletio*., pedo quoP T f e t ã o jornais toe a menor simpatia, s o m a d a s à s restrições á afwidado, comercia? interna, uisam, cadentemente, a refrear a

c a m i n h o ; e se o e s t r a n g e i r o se d e d i c a r a d o i s o f í c i o s e l e s o p u n i r ã o c o m a p r i s i o n a m e n t o , m u l t a s em d i n h e i r o e a expulsão do Estado, obrigando-o assim a agir c o m o um h o m e m e n ã o c o m o vários. No tocante aos salários devidos aos artífices e os c a n c e l a m e n t o s do t r a b a l h o cont r a t a d o e q u a i s q u e r injustiças q u e lhes s e j a m feitas p o r outros, ou feitas p o r eles c o n t r a outros, os a s t í n o m o s deverão a t u a r c o m o árbitros a t é [ u m a situação q u e envolva u m valor c o r r e s p o n d e n t e a ] c i n q ü e n t a d r a e m a s , sendo q u e no caso de q u a n t i a s maiores as cortes públi cas d e v e r ã o j u l g a r c o n f o r m e a lei. No q u e concerne à exportação ou importação de mercadorias, n e n h u m imposto deverá ser p a g o ao Estado. Ning u é m i m p o r t a r á incenso e t o d a s esses p e r f u m e s estrangeiros p a r a u s o n o s ritos religiosos, a p ú r p u r a e t o d a s as outras tinturas q u e n ã o são produzidas aqui e tudo que for r e l a t i v o a q u a l q u e r o u t r o o f í c i o q u e exija m a t e r i a i s i m p o r t a d o s estrangeiros p a r a um uso q u e n ã o é necessário; t a m p o u c o será p e r m i t i d o e x p o r t a r t u d o a q u i l o q u e é necessário p e r m a n e c e r no país. Os inspetores e supervis o r e s d e s t e s a s s u n t o s s e r ã o o s d o z e g u a r d i õ e s d a s leis q u e s e s u c e d e m a o s c i n c o m a i s v e l h o s afastade>s. Q u a n t o às a r m a s e todos os i n s t r u m e n t o s bélicos, se houver n e c e s s i d a d e d e impe>rtar a l g u m a t é c n i c a , e n g e n h o , m e t a l , corda ou a n i m a l com finalidade militar, os h i p a r c a s e os estrategos controlarão tanto as importações cjuanto as exportações d e p e n d e n d o do caso de o Estado estar c e d e n d o o u r e c e b e n d o , p a r a o q u e o s g u a r d i õ e s d a s leis d e v e r ã o p r o m u l g a r leis c o n v e n i e n t e s e a d e q u a d a s . M a s n e n h u m c o m é r c i o v i s a n d o a l u c r o , seja n e s t e r a m o o u e m q u a l q u e r outro será praticado em p a r t e alguma d e n t r o d a s fronteiras de n o s s o E s t a d o c t e r r i t ó r i o . • C o m r e l a ç ã o ao a b a s t e c i m e n t o alimentar e a distribuição dos produtos agrícolas, um sistema q u e se aproxima daquele q u e está legalizado em Creta provavelmente se revelaria satisfatório. T o d a a p r o d u ç ã o do solo deverá ser d i v i d i d a p o r t o d o s e m d o z e p a r t e s , d e a c o r d o c o m o m é t o d o de seu c o n s u m o . » • E cada duodécima p a r t i ' ( d e t r i g o e c e v a d a , p o r e x e m p l o ) - e t o d a s as colheitas restantes q u e deverão ser distribuídas de man e i r a i d ê n t i c a , tal c o m o t o d o s o s a n i m a i s v e n d á v e i s e m c a d a região - t e r ã o q u e ser divididas p r o p o r c i o n a l m e n t e

cobiça pefo ouro e, a p r a t a seguida do evr.ossino enriquecimento indwiduaP

p/iieodo (c ilícito) c faeiÇilar o controfe pcPo E s t a d o dos transações e incPusW, do aumento d a s fo/dunas privadas, que como já foi dito c reiterado, em Puga/i de ap/iovimar o c i d a d ã o da Çiítudc. d e f e o a f a s t a m . (»d.) • • cptíCa meia dist/iibuição dos produtos cin espécie T P a t ã o já cPimina a possibilidade das

transações mediante moedn no campo, o que, ircsiiftario certamente cm atividade mc/icantiÇ eiuioPeendo oomcreiaPigaçães PuaratiWis.

nas quais nomeies astuciosos e c a p i t a í i g a d o s rjíianjcaíãaiu grandes Pucros pessoais em oujfi e p.rolo a p ó s coin|i/ia»cn\ dos produtores a baivo preço, rio que. odeiriaiu posteriorinente todos as inonipuPaçães c ecpccudiçãce financeiras aPionadns dos proflulos reais, tais como os empréstimos a Juros, o agiotagem c o descneoPiiiiicnlo da usura, (n.l.)

350

Livro

VIII

em três parcelas, d a s q u a i s a p r i m e i r a será p a r a os cidad ã o s n a s c i d o s l i v r e s e a s e g u n d a p a r a s e u s s e r v o s . A terc e i r a p a r c e l a c a b e r á a o s a r t í f i c e s e e s t r a n g e i r o s e m geral, incluindo q u a i s q u e r estrangeiros residentes q u e poss a m estar m o r a n d o juntos e necessitando o indispensável s u s t e n t o , e t o d o s q u e t e n h a m e n t r a d o n o p a í s e m q u a l q u e r o c a s i ã o a fim d e e x e c u t a r negócios p ú b l i c o s o u privados. E esta terceira parcela de todas as mercad o r i a s necessárias ao c o n s u m o será a ú n i c a passível de ser l e v a d a o b r i g a t o r i a m e n t e a o m e r c a d o p a r a v e n d a , sendo proibido vender qualquer parte das outras duas parcelas. • • ' Q u a l será, e n t ã o , a m e l h o r forma de efetuar tais divisões? E s t á claro, p a r a c o m e ç a r , q u e nossa divisão é de u m a certa m a n e i r a igual, m a s d e u m a outra, desigual. Clínias: O q u e q u e r e s dizer?
* * * Com isto '-Pftifõo po»ía no oonoioPc do fistado dois tacos (quase setenta po» sento) dos p»odutos, que „ico»iafti inacessíveis aos coftmoiont.ee e tne»cado»es ávidos de siquego e pode», (n.t.)

O ateniense: T e m o s q u e a d m i t i r q u e d e c a d a u m d e s s e s p r o d u t o s d o solo, n e c e s s a r i a m e n t e , a l g u m a s p a r t e s são piores e outras melhores. Clínias: È claro.

O ateniense: C o m r e s p e i t o a i s s o , n e n h u m a d a s t r ê s p a r celas a p r e s e n t a r á u m a v a n t a g e m indevida nem aquela entregue aos senhores, n e m a d o s escravos, n e m a dos estrangeiros, m a s a distribuição terá q u e contemplar a t o d o s c o m a m e s m a i g u a l d a d e d e s i m i l a r i d a d e . C a d a cid a d ã o t o m a r á d u a s parcelas e assumirá o controle da d i s t r i b u i ç ã o d e l a s a o s e s c r a v o s e a o s h o m e n s l i v r e s respectivamente, na q u a n t i d a d e e q u a l i d a d e q u e desejar distribuir. O excedente sobre e a c i m a disso d e v e r á ser distribuído, por peso e n ú m e r o da m a n e i r a q u e se segue: o p r o p r i e t á r i o deverá t o m a r o n ú m e r o de todos os anim a i s q u e devem se nutrir dos produtos da terra, fazendo s u a d i s t r i b u i ç ã o e m c o n f o r m i d a d e c o m isso. O p r ó x i m o p a s s o é p r o v i d e n c i a r m o r a d i a s p a r a o s cidadãos organizadas independentemente. Uma adequada organização p a r a elas será a seguinte: deverá haver doze vilas, u m a no m e i o de c a d a um dos doze distritos, e em c a d a vila c o m e ç a r e m o s p o r s e l e c i o n a r temp l o s e u m a agora p a r a o s d e u s e s e o s s e m i - d e u s e s ; e s e tiver q u e existir q u a i s q u e r d i v i n d a d e s locais d o s Magnetos ou q u a i s q u e r santuários de outros deuses antigos cuja m e m ó r i a é a i n d a p r e s e r v a d a , p r e s t a r e m o s a eles o m e s m o culto q u e lhes p r e s t a r a m os a n t i g o s .

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Platão - As Leis
E em t o d o l u g a r e r i g i r e m o s t e m p l o s a H ó s t i a , a Z e u s e a A t e n a , e a q u a l q u e r o u t r a d i v i n d a d e q u e seja a p a t r o n a d o distrito e m questão. E m p r i m e i r o lugar, as c o n s t r u ç õ e s d e v e r ã o ser erigidas em t o r n o desses t e m p l o s e o n d e o solo for a l t o , p a s s í v e l de se f o r m a r u m a fortaleza, b e m como todo cercado por u m m u r o p a r a u m a g u a r n i ç ã o ; e q u a n t o a todo o resto da terra providenciaremos para q u e os artífices sejam divididos em treze seções, d a s q u a i s u m a delas se instalará n a c i d a d e {seção q u e s e r á s u b d i v i d i d a n o v a m e n t e e m doze partes, c o m o a totalidade da p r ó p r i a cidade, c d i s t r i b u í d a com os s u b ú r b i o s a s u a volta). Em c a d a vila (povoado) estabeleceremos classes de artífices q u e são úteis aos agricultores. Dc todos estes os chefes d o s a g r ô n o m o s ( g u a r d i õ e s d o s c a m p o s ) s e r ã o o s supervisores, d e t e r m i n a n d o q u a n t o s e q u e artífices c a d a lugar necessita, e o n d e residirão, de m o d o a provocar o menor ga t r a n s t o r n o possível aos agricultores e lhes serem o m a i s úteis possível. E de m a n e i r a análoa e q u i p e de a s t í n o m o s supervisionará diligentem e n t e os artífices na cidade. T o d o s o s a s s u n t o s r e l a t i v o s à agora t e r ã o q u e s e r a d m i n i s t r a d o s p e l o s i n s p e t o r e s d a agora ( a g o r â n o m o s ) . A l e m d c s u p e r v i s i o n a r o s t e m p l o s j u n t o à agora a f i m d e p r e v e n i r q u a i s q u e r d a n o s d e q u e p o s s a m ser vítimas, supervisionarão, em segundo lugar, o comportamento pessoal, conservando-se atentos à conduta m o d e r a d a c ultrajante, de m o d o a providenciar pu niçâo onde necessária cadorias for. Supervisionarão as mermodo a estarem inpostas à v e n d a , de

f o r m a d o s q u e , a s v e n d a s q u e o s c i d a d ã o s v i s a m a faz e r c o m o s e s t r a n g e i r o s s ã o s e m p r e , c o n d u z i d a s legalm e n t e . I l a v e r á n e s t e c a s o e s t a lei: q u e n o p r i m e i r o dia do m ê s a p o r ç ã o das m e r c a d o r i a s a ser vendida a o s e s t r a n g e i r o s seja t r a z i d a à p r a ç a p e l o s g e r e n t e s , ou seja, os estrangeiros ou escravos q u e a t u a m c o m o gerentes p a r u os cidadãos; e, as p r i m e i r a s m e r c a d o r i a s • c n t O Ç , piiiiM|)o(W.nto o líif|o. (n.l.) s e r ã o a d u o d é c i m a p a r t e dc c e r e a l * , e o e s t r a n g e i r o deverá c o m p r a r cereal e tudo q u e o a c o m p a n h a r durante o mês inteiro nesse p r i m e i r o m e r c a d o . No décimo dia do mês, líquidos suficientes p a r a d u r a r o mês todo deverão ser v e n d i d o s por unia parte e

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Livro VIII
c o m p r a d o s por outra. Km terceiro lugar, no vigésimo d i a h a v e r á u m a v e n d a d e a n i m a i s vivos d a s fazendas, t a n t o q u a n t o c a d a p a r t e p u d e r c o m p r a r o u venc também d e r a fim de atender às s u a s necessidades,

de todos os utensílios ou mercadorias q u e os agricultores têm p a r a v e n d a , t a i s corno peles o u q u a l q u e r o u t r o tipo d e v e s t i m e n t a o u p e ç a t e c i d a , feltro o u q u a l q u e r outro material; e estas os estrangeiros terão tpie obter dos outros mediante compra. Mas nenhuma destas mercadorias, n e m c e v a d a ou trigo t r i t u r a d o e transform a d o em farinha, e tampouco qualquer outro tipo de p r o d u t o a l i m e n t í c i o p o d e r á s e r v e n d i d o n o c o m é r c i o varejista aos c i d a d ã o s e seus escravos ou c o m p r a d o s de tais v a r e j i s t a s . E n t r e t a n t o , p a r a os a r t í f i c e s e s e u s esc r a v o s n o m e r c a d o d o s e s t r a n g e i r o s u m e s t r a n g e i r o poderá v e n d e r e traficar em vinho e cereal através do q u e E os açoué c h a m a d o g e r a l m e n t e de pequeno vareje).

gueiros r e t a l h a r ã o os a n i m a i s e d i s t r i b u i r ã o a c a r n e aos e s t r a n g e i r o s e artífices e. s e u s servos. Q u a l q u e r e s t r a n geiro q u e o deseje p o d e r á c o m p r a r q u a l q u e r q u a n t i d a de de lenha p a r a combustível em grande volume, todos os d i a s , d o s gerentes p r e s e n t e s n o s distritos; e a vender ã o aos estrangeiros na q u a n t i d a d e e em q u a l q u e r tempo q u e quiser. No q u e se refere a t o d a s as o u t r a s m e r c a d o r i a s e utensílios q u e c a d a g r u p o necessite, terão q u e c o m p r á - l o s n a agora, c a d a t i p o n o l u g a r p a r a e l e d e s i g n a d o , o n d e o s g u a r d i õ e s d a s leis e o s a g o r â n o m o s c o m a a j u d a d o s a s t í n o m o s d e m a r c a r a m sítios a d e q u a d o s c i n s t a l a r a m b a r r a c a s p a r a o s p r o d u t o s vendáveis: a í eles perinularão m o e d a s p o r m e r c a d o r i a s e m e r c a d o r i a s por moedas e n e n h u m h o m e m cederá sua parcela ao outro s e m r e c e b e r o e q u i v a l e n t e ern d i n h e i r o ; e se a l g u é m o ceder, por assim dizer à base de crédito, deverá negoc i a r a o m e l h o r p r e ç o p o s s í v e l , a c a b a n d o o u n ã o p o r rec e b e r o q u e l h e é d e v i d o , v i s t o q u e e m tais t r a n s a ç õ e s n ã o pode; c o n t a r c o m n e n h u m r e c u r s o legal. E se a c o m pra ou venda foram maiores ou mais dispendiosas do q u e o q u e é p e r m i t i d o p e l a lei q u e e s t a b e l e c e os l i m i t e s de acréscimo ou decréscimo da propriedade além dos q u a i s a m b a s essas transações estão proibidas, o valor da diferença será i m e d i a t a m e n t e ( e m r a s o d e excesso) regist r a d o c o m o s g u a r d i õ e s d a s leis e ( e m c a s o d e e s c a s s e z }

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Platão - As Leis
cancelado. A m e s m a regra se aplicará ao registro de p r o p r i e d a d e s q u e d i z e m r e s p e i t o a e s t r a n g e i r o s resid e n t e s . T o d o a q u e l e q u e desejar, o u seja, u m estrangeiro p o d e ser a d m i t i d o n o E s t a d o c o m o r e s i d e n t e sob t e r m o s pré-estabelecidos, visto q u e a r e s i d ê n c i a é perm i t i d a a q u e m esteja desejoso e capacitado a residir n o E s t a d o , c o n t a n t o q u e p o s s u a u m ofício e p e r m a neça no país não mais q u e vinte anos a contar da d a t a de seu registro, sem o p a g a m e n t o de n e m mesmo u m a i r r i s ó r i a t a x a , exigirido-se.-lhe t ã o - s o m e n t e conduta virtuosa, ou realmente n e n h u m a outra taxa por q u a l q u e r c o m p r a ou venda; e ao seu vencimento, ele p a r t i r á l e v a n d o c o n s i g o s e u s p r ó p r i o s b e n s . E se, d u r a n t e o p e r í o d o de vinte a n o s a c o n t e c e r ficar comprovado seu mérito por prestar algum serviço considerável ao E s t a d o , e se ele se julgar c a p a z de p e r s u a d i r o C o n s e l h o e a A s s e m b l é i a a a t e n d e r e m s u a reivindicação e a autorizar um a d i a m e n t o de sua partida, ou mesmo a autorização p a r a sua permanência definitiva no país, q u a l q u e r u m a dessas solicitações p a r a as q u a i s ele conseguir, p o r sua p e r s u a s ã o , a a p r o vação do Estado, se efetivamente concedidas, serão c u m p r i d a s a seu favor p l e n a m e n t e . N o q u e respeita aos filhos d o s estrangeiros residentes q u e sejam artífices e c o m m a i s de q u i n z e a n o s de i d a d e , o p e r í o d o de residência c o m e ç a r á a c o n t a r a partir dos q u i n z e a n o s e o filho do estrangeiro residente, depois de habitar durante vinte anos a partir daquela data partirá se o desejar, ou se desejar ficar, deverá c o n q u i s t a r a p e r m i s s ã o p a r a t a n t o de m a n e i r a s e m e l h a n t e e assim permanecer; e aquele q u e partir deverá, primeiramente, providenciar junto aos magistrados o cancelamento de seu n o m e nos registros.

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Livro

VIII

Platão - As Leis
À i K a i Sr) xa pxxa TOCUXOC aKoA.00801 xcaç E^Kpocrítev npaÇerjiv a n a n a i ç oucrca K a t a ttbuaiv y i y v o i v t o av xr\v xr\q ôiaKocru;r|o-£oç xcov VOH.C0V.

Livro IX
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Livro IX
0 ateniense: O m é t o d o de n o s s a legislação r e q u e r q u e

p a s s e m o s agora p a r a os procedimentos judiciais relacio n a d o s a t o d a s as t r a n s a ç õ e s descritas a t é esta o p o r t u n i d a de. As m a t é r i a s q u e envolvem tais p r o c e d i m e n t o s f o r a m parcialmente enunciadas (aquelas, nomeadamente, que d i z e m respeito à agricultura e todas as atividades q u e dela dependem), mas não enunciamos as mais importantes de todas essas matérias; de sorte q u e nosso p r ó x i m o passo consistirá em enunciá-las na totalidade, indicando minuc i o s a m e n t e q u e p e n a l i d a d e c o r r e s p o n d e r á a c a d a ofensa, e p e r a n t e q u e t r i b u n a l deverá ser julgada. Clínias: E verdade. K, n u m c e r t o s e n t i d o , . v e r g o n h o s o p r o d u z i r

O ateniense:

t o d a s essas leis q u e e s t a m o s p r o p o n d o a p r o d u z i r n u m E s t a d o c o m o o nosso, q u e é , c o m o d i s s e m o s , p a r a ser b e m a d m i n i s t r a d o e d o t a d o de t u d o q u e é a p r o p r i a d o à prática da virtude. N u m tal Estado, a m e r a suposição de q u e q u a l q u e r cidadão crescerá p a r a compartilhar d a s piores formas de criminalidade praticadas em outros Estados, a p o n t o de o legislador ter q u e prevenir m e d i a n t e a m e a ç a s s u a a p a r i ç ã o e n ã o s ó p a r a conjiirar s e u s c r i m e s , c o m o t a m b é m para, no caso de já terem sido cometidos, punilo, d e v e n d o p r o d u z i r l e i s p a r a c o m b a t ê - l o - isto, c o m o o disse, é m i m certo s e n t i d o vergonhoso. Mas n ã o e s t a m o s a g o r a legislando, c o m o os antigos legisladores, p a r a her ó i s e f i l h o s de d e u s e s , q u a n d o - c o n f o r m e d i z a h i s t ó r i a t a n t o os próprios legisladores q u a n t o os c i d a d ã o s p a r a q u e m legislavam e r a m d e s c e n d e n t e s d o s deuses. Nós, a o c o n t r á r i o , n ã o p a s s a m o s d e s e r e s h u m a n o s m o r t a i s legisl a n d o p a r a f i l h o s d e s e r e s h u m a n o s , c p o r t a n t o é-uos p e r m i t i d o ter e n t r e n o s s o s c i d a d ã o s a l g u m c o m c o r a ç ã o d a d u r e z a dc» chifre, • t ã o d u r o a p o n t o de ser imp< >ssi'vel d e r retê-lo; e t a l c o m o esses g r ã o s corneados* n ã o p o d e m ser a r n o l e e i d o s p e l a fervura s o b o fogo, t a i s h o m e n s n ã o receb e m a i n f l u ê n c i a d a s leis, p o r m a i s e n é r g i c a s q u e s e j a m . Assim, d e v i d o a esses s e n h o r e s n ã o e s t a b e l e c e r e m o s nen h u m a lei m u i t o b r a n d a , e m p r i m e i r o l u g a r n o q u e c o n c e r n e a o r o u b o d o s t e m p l o s , n o c a s o d e a l g u é m s e atrever a cometer um tal crime. N ã o é de se desejar n e m esperar q u e u m c i d a d ã o c o r r e t a m e n t e e d u c a d o seja c o n t a m i n a d o p o r e s s a d c lença, p o r é m h á t e n t a t i v a s n e s s e s e n t i d o p o r p a r t e d e s e u s s e r v o s , e s t r a n g e i r o s o u e s c r a v o s d e estrangeiros. * A (iijuw dr finquíiffiii dc, ' PPofõo r depfn. Oo pm \im Podo se ieje»c

à «(.«»«

diuejo de efcf.ie nm> tssrtrífoffn da eompPeln f/uego e ineeiieíliíPídode de um eoweõo

immao, po» trem lofcej
oPiidicer o umo ccrlo siipessliçõn eoMjentc segundo o guoP os grane atingidos petos erunos de niti oiiiiwf ndqui/eoít! nino

dwtefid rn.ineo.
(n.l.)

iiõo sendo mois poesfef eoginlió Cos no fogo.

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Platão - As Leis
* ' P a n o os artigos g»«gos não havia o»i»c maio» p. mais ítedionde do quo a utipicdade

Desta forma, p r i n c i p a l m e n t e devido a estes ú l t i m o s

e,

t a m b é m , a título de p r e c a u ç ã o c o n t r a e fraqueza geral d a n a t u r e z a h u m a n a , i n d i c a r e i a lei a p l i c á v e l a o r o u b o dos templos e todos os outros crimes de caráter semel h a n t e c u j a c u r a é difícil, s e n ã o i m p o s s í v e l . E , d e a c o r do com nossa regra já aprovada, temos q u e preestabelecer p a r a t o d a s essas leis , p r e l ú d i o s q u e s e j a m o s m a i s breves possíveis. Por m e i o de a r g u m e n t a ç ã o e advertências poder-se-ia dizer o seguinte ao h o m e m q u e é sacudido diiranie o dia por um desejo m a u e q u e desperta à noite levando-o a furtar um objeto sagrado: "Meu b o m h o m e m , a força do m a l q u e a g o r a te i m p u l s i o n a e te incita ao roubo dos templos não tem origem n e m hum a n a n e m divina, m a s s e trata d e a l g u m impulso gerad o h á m u i t o n o s s e r e s h u m a n o s d e v i d o a f a l t a s n ã o exp i a d a s por eles; tu a carregas a t o d a s as p a r t e s contigo, u m i m p u l s o f u n e s t o d o q u a l d e v e s t e d e f e n d e r c o m tod a s a s f o r ç a s . C o r n o fazê-lo a p r e n d e a g o r a : q u a n d o t e assaltar tal i n t e n ç ã o p r o c e d e aos r i t u a i s purificatórios, busca como suplicante os santuários das divindades que desviam as maldições, busca a c o m p a n h i a dos h o m e n s q u e são r e p u t a d o s corno virtuosos, c assim a p r e n d e , em p a r t e d o s o u t r o s , e m p a r t e p o r a u t o - i n s t r u ç ã o , que, t o d o h o m e m d e v e h o n r a r o q u e é n o b r e e j u s t o ; m a s foge e<>m pletamente da c o m p a n h i a dos h o m e n s m a u s e n ã o te voltes. E , se através disso, tua d o e n ç a crescer m e n o s , m u i t o b e m ; e se este n ã o for o c a s o , j u l g a a m o r t e o c a m i n h o m a i s n o b r e e livra-te d a v i d a . " * A m e d i d a q u e e n t o a m o s esse p r o ê m i o a todos q u e m e d i t a m sobre todos esses atos ímpios e destrutivos da vida c í v i c a , d e i x a r e m o s a p r ó p r i a lei m u d a p a r a a q u e l e q u e obedece, m a s para q u e m desobedecer, findo o prelúd i o , t e r e m o s q u e e n t o a r b e m a l t o a lei : t o d o a q u e l e q u e . for p e g a d o r o u b a n d o u m t e m p l o , s e for u m e s t r a n g e i r o ou um escravo, terá o estigma dc s u a m a l d i ç ã o marcad o a fogo n a s u a t e s t a e n a s s u a s m ã o s , a l é m d e s o f r e r o látego no n ú m e r o de golpes d e c r e t a d o s pelos juizes; a d e mais, será expulso nu p a r a a l é m d a s fronteiras do país, p o i s t a l v e z apéis s e r a s s i m p u n i d o , p o s s a d i s c i p l i n a r - s c para uma vida melhor. E n t e n d e m o s q u e toda punição l e g a l m e n t e a p l i c a d a n ã o visa a o m a l , m a s via d e r e g r a p r o d u z u m d e s t e s d o i s efeitos: o u t o r n a a p e s s o a t p i e

(avoaioTT|ç - T O avoaia - aaefkia), ou
sega. o mm eortw os fiais, a (láíitia ou as divindades do <?.stodo. t A t e h último oaso, ainda agunvado po» «m snewlégio dos antepassados ítei muito tempo não quitado oom as divindades mediante todo um conjunto dc ditos c

snetiijícios, o Jtnsuttado e«o
iwa espécie de maldição que se abatia sof>»c um dos dcscesflcntcs sob o |o«mo dc uma espéoie de compulsão peito o íioubo elos templos. S e , a despeito de toda a suo dcvoçéio e e.sjo»ço poso pu»ij5ieo»-se e. salda» o fcwíve.1 jnfto de seus oncest»ois, essa compulsão doentia não fiesapajccessc ou ao menos, cedesse, só Ide *cstova da» cabo da p»óp«io vida. 'Wa(ão t,»ons|o*ma»ó a concessão do suicídio íion»oso (tão comum o.nt»o ee»tos povos antigos o tão incomn» cnlao modo»nos c e.nnlemposnncos) cm peno dc moíle. |i«»o o oídodõo sesidenle. (n.i.j
(

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Livro IX
sofreu a p u n i ç ã o , m e l h o r ou a t o r n a m e n o s m á . Mas se q u a l q u e r c i d a d ã o é reiterada m e n t e c o n d e n a d o p o r esse a t o , ou seja, a p e r p e t r a ç â o de a l g u m a falta g r a v í s s i m a e i n f a m e c o n t r a os d e u s e s , os p a i s ou o E s t a d o , * • o juiz o considerará como já incurável reconhecendo que, apesar de todo o t r e i n a m e n t o e e d u c a ç ã o q u e recebeu desde a infância, n ã o se conteve, a p o n t o de cometer a pior d a s i n i q ü i d a d e s . P a r a ele a p e n a s e r á a m o r t e , o m e n o r d o s males, o q u e p a r a os outros [cidadãos] será um exemplo benéfico, pois o verão c a í d o em d e s g r a ç a e eliminad o p a r a a l é m d a s f r o n t e i r a s d o p a í s . • • • M a s s e u s filhos e família, se fugirem ao c o m p o r t a m e n t o do pai, serão honrados e citados honrosamente, constatandose q u e se d e d i c a r a m c o m e m p e n h o e c o r a g e m no sentid o d e t r o c a r e m o s c a m i n h o s d o vício p o r a q u e l e s d a v i r t u d e . Q u e o s b e n s d e u m tal c r i m i n o s o s e j a m confisc a d o s n ã o s e c o a d u n a c o m u m E s t a d o n o q u a l o s lotes d e v e m p e r m a n e c e r s e m p r e idênticos c em n ú m e r o igual. Q u e m q u e r q u e seja q u e tiver c o m e t i d o u m a falta a f i a n çávcl d e v e r á p a g a r a m u l t a e s t i p u l a d a em d i n h e i r o s e m p r e q u e o valor da m u l t a estiver d e n t r o d o s limites do excedente de q u e dispuser em relação ao seu aquin h o a inento, mas n ã o o q u e o exceda. Os guardiões das leis d e s c o b r i r ã o os fatos precisos relativos a esses casos n o s registros, t e n d o q u e i n f o r m a r os juizes a respeito do verdadeiro estado de cada caso de m a n e i r a a imped i r q u e q u a l q u e r u m dos lotes j a m a i s p e r m a n e ç a improdutivo pelo fato de faltarem recursos financeiros ao detentor da terra. Quem quer q u e pareça merecer u m a m u l t a superior e n ã o tenha ninguém entre seus amigos d e s e j o s o d e l h e p r e s t a r c a u ç ã o , [ p a g a r p o r ele] e l i b e r á lo, terá q u e ser p u n i d o p o r a p r i s i o n a m e u t o prolongado, d e t i p o p ú b l i c o e p o r m e d i d a s d e d e g r a d a ç ã o . M a s ning u é m f i c a r á a b s o l u t a m e n t e à m a r g e m d a lei d e v i d o a u m ú n i c o c r i m e , m e s m o q u e seja b a n i d o d o E s t a d o . A s p e n a s a s e r e m a p l i c a d a s em tais casos s e r ã o a m o r t e , a prisão, os açoites, d e t e r m i n a d a s posturas h u m i l h a n t e s , s e n t a d o , d e p é , e x p o s t o à p o r t a d e u m t e m p l o n a s fronteiras do território, ou multas em dinheiro às quais já n o s referimos antes. Nas situações em q u e a p e n a é a morte, o s j u i z e s s e r ã o o s g u a r d i õ e s d a s leis a s s o c i a d o s à c o r t e d o s magistrados d o ú l t i m o a n o , selecionados pelo m é r i t o .
* • f)u seja, o anm dc Iwpiedade. (n.t.) • * * © tento aqui ê um pouco confuso, pois íein-sc o impressão que Pfotõo csló fofondo oo mesmo tempo do csíMiiKjei» c esenoeo punidos com a cetiqmafigoção, os açoites, a evpufeão, ele e do cidadão residente que t punido com o morte. Como o suspensão dos tontos póstumas prestadas aos mortos era muito penosa poro a alma do morto, é bem p,roiá»i que fosse iucâuda essa interrupção como castigo adicionai ao cidadão residente etceuiodc e reincidente no gratíssimo crime de impiednde, isso representando deson/ia para o morto (ou mefto». para sua afmaj e não para sua fontífio. («-!-)
1 c

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Platão - As Leis
• ©n seja, o M A O offuem coloca o <ii c tm lefíios inlciiloeulntes (Ofihiw; o Alegifo) « m o os pitimctws logísfadoios onigiiinis o mm sucedidos pos logistodotes posfraiosfis e Jotws. (n.t.)

Quanto a esses casos, os legisladores m a i s jovens dever ã o a t e n d e r às citações e convocações, a t o d a s essas m a térias e aos seus p r o c e d i m e n t o s pertinentes, e n q u a n t o c o m p e t e a n ó s r e g u l a m e n t a r p o r lei o m é t o d o d e v o t a ç ã o . • A v o t a ç ã o d e v e r á s e r feita a b e r t a m e n t e e a n t e s q u e isso a c o n t e ç a , o s juizes d e v e r ã o e s t a r s e n t a d o s , e n c a r a n d o o r e c l a m a n t e e o a c u s a d o n u m a fila c e r r a d a d i s p o s t a p o r o r d e m d e i d a d e , s e n d o opte t o d o s o s c i d a d ã o s c o m t e m p o disponível c o m p a r e c e r ã o c assistirão a esses julgamentos muito atentamente. Um discurso deverá ser feito p r i m e i r a m e n t e , p e l o r e c l a m a n t e , s e g u i n d o - s e d o d i s curso do a c u s a d o . E i n d o s estes discursos, o m a i s v e l h o dos juizes deverá d a r p r o s s e g u i m e n t o c o m o seu e x a m e d o caso, n o q u a l reverá e m d e t a l h e a s afirmações feitas. E depois do m a i s velho, c a d a um d o s d e m a i s juizes pass a r á a o i n t e r r o g a t ó r i o , d e s t a c a n d o e d i s c u t i n d o torlo p o n t o opte t e n h a n o t a d o n o s d i s c u r s o s d e u m a o u o u t r a p a r t e e m litígio n o q u a l p o s s a m s e r e u l p a b i l i z a d a s p o r terem c o m e t i d o a l g u m a o m i s s ã o o u deslize e m s u a s declarações. E t o d o juiz q u e n ã o tiver n e n h u m a crítica a ser feita p a s s a r á a p a l a v r a a o j u i z s e g u i n t e . [ E n c e r r a d o o interrogatório d o s juizes] eles r e g i s t r a r ã o p o r escrito as declarações q u e julgaram relevantes, assinarão o docum e n t o e o d e p o s i t a r ã o n o a l t a r d e H ó s t i a . * • N o d i a seguinte os juizes se r e u n i r ã o no m e s m o lugar e discutirão o caso e farão seus p r o n u n c i a m e n t o s de m a n e i r a idêntic a , a s s i n a n d o n o v a m e n t e s u a s d e c l a r a ç õ e s . E a p ó s o fazerem três vezes - período durante: o q u a l p r e s t a r ã o plen a a t e n ç ã o à s proveis e t e s t e m u n h o s - c a d a u n i d o s j u i z e s votará secreta e sagradamente, p r o m e t e n d o em n o m e de Hóstia emitir o m e l h o r e m a i s justo juízo p e r m i t i d o p o r s u a c a p a c i d a d e . E a s s i m d a r ã o u m fim a o j u l g a m e n t o . Depois dos casos concernentes aos crimes contra os d e u ses, v ê m o s c a s o s r e l a t i v o s a o s c r i m e s c o n t r a a c o n s t i t u i ç ã o d o E s t a d o . Todo a q u e l e q u e fizer a s leis d e s e r v a s e o l o o a n d o - a s a s e r v i ç o ela a u t o r i d a d e d o s s e r e s h u m a n o s * * * e t o r n a r o E s t a d o sujeito a u m a facção, e a t u a r ilegalment e a g i n d o c m t u d o isso p e l a v i o l ê n c i a e i n c i t a n d o à i n s u r reição* * * * terá q u e ser c o n s i d e r a d o o p i o r d o s i n i m i g o s do Estado em sua totalidade. E todo aquele que, embora n ã o p a r t i c i p e d e n e n h u m a d e s s a s a ç õ e s , d e i x a ele o b s e r vá-las* • • • • e n q u a n t o estiver p a r t i c i p a n d o d a s principais magistraturas do Estado, ou m e s m o as observando,

* * cAlcm ris davet nos tempos mais antigos da Quieta um iteoatilo sagnado

(ccraa)

cm lodo caso p o » o

oftau onde sc i n e m a divindade dnineelíeo, a densa 'Vltelio (Eo~Tta), deusa psotctaüo dos lanes, possuía cm L.4lcnas um alta» no edifício do p.iilancii, afins que cio considerado o Pocní mais sagjodo da cidndr e onde se supõe que esses jiiíjes sc .reuniam, (n.l.) * * * th se.ja, uma upg estabelecido c pjomutgodo umo lei, ticníuim sai luimrinfi, sejn quem jn», cslrí acima dela. :A tei c absolutamente snboMwn c ncnliumo ouloflidnde, netuW pode» pode o tta se c o h c p o í e eubojidinnIo a si. <_\ioln-!ic nos enlfioliníios mais uma cMfien sutil a nPign.tqtiio, ò monenquín e à demor.irieio. ' Pfolão é um dos pjiihioinos pensodo/ics políticos o efcsonvoiVr» o conceilo de (vindo do âgrdidodo. (n.l.)

••••

SÀaatv...,

nevclueõo inferno, quotio eiVil.

* * * * * f\i seja, se omite, jng visto gjossa. (n.l.)

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Livro IX
n ã o c o n s e g u e d e f e n d e r o E s t a d o legal e p u n i r q u e m d e v e s e r p u n i d o , d e v i d o a s u a c o v a r d i a , u m tal c i d a d ã o d e v e ser tido c o m o u m c ú m p l i c e d o crime. T o d o i n d i v í d u o , p o r m e n o s importância q u e detenha na comunidade, deverá i n f o r m a r os m a g i s t r a d o s p r o c e s s a n d o o c o n s p i r a d o r s o b a a c u s a ç ã o d e t r a n s f o r m a ç ã o • • • • • • v i o l e n t a e ilegal d a constituição. Essas pessoas deverão ser levadas aos mesm o s juizes q u e j u l g a m os ladrões dos templos e t o d o o p r o c e d i m e n t o processual do julgamento será idêntico, a p e n a d e m o r t e d e v e n d o s e r i m p o s t a p e l a m a i o r i a d o s votos. E m s í n t e s e : a d e s o n r a o u p u n i ç ã o a p l i c a d a s a u m p a i n ã o s e r á h e r d a d a p o r s e u s filhos, e x c e t o n o c a s o e m que. n ã o sei o p a i , c o m o t a m b é m o a v ô e o b i s a v ô f o r a m t o d o s c o n d e n a d o s à p e n a c a p i t a l . N u m t a l c a s o , o s filhos, e m b o r a r e t e n h a m s e u s h a v e r e s p e s s o a i s , à e x c e ç ã o d o lote d e terra c o m todos seus pertences, serão d e p o r t a d o s pelo Est a d o p a r a seu país e E s t a d o o r i g i n a i s . • • • • • • * F , n o caso d o s c i d a d ã o s q u e s e c o n s t a t e terem vários filhos v a r õ e s d e a o m e n o s dez a nos d e idade, s e sorteará d e z deles entre o s i n d i c a d o s pelo p a i ou pelo avô p a t e r n o ou m a t e r n o , e tais n o m e s s e r ã o e n v i a d o s a Delfos - e o h o m e m d e s i g n a d o p e l o d e u s s e r á e m p o s s a d o c o m o d e t e n t o r d o lote n a c a s a d a q u e l e s q u e p a r t i r a m , e q u e seja m a i s a f o r t u n a d o ! Clínias: Muito bem.
• • • • • • • íptiisimie-sr: rmc '-Pffitõo sc itejtíio. oqui, (mítíciiüwunenfc, nos fiíkis drcoiishiWoíes que uno c m » cidadão?, nnlites «isidculcs uo fislnrln litlworln (ictes atmen em ponto, (n.t.) (n.t.) )tcTarjxa<T8Ci)ç.... íjriie.tífíitMíite iwirfnnço, twmcfiosivinção: oqui (.irais|o,M«uçõo da Mmstiliiiçâí', iieWi&mo.

O ateniense: A d e m a i s , u m a t e r c e i r a lei g e r a l s e r á f o r m u l a d a r e f e r i n d o - s e a o s j u i z e s a s e r e m e m p r e g a d o s e o sistem a ilos j u l g a m e n t o s , e m c a s o s n o s q u a i s u m h o m e m p r o cessa u m o u t r o a c u s a n d o - o d e traição; e n o q u e diz respeito aos descendentes, analogamente, se devem permanec e r n o t e r r i t ó r i o o u s e r e m e x p u l s o s , e s t a ú n i c a lei s e a p l i c a n d o triplamcnte, a saber, no caso do traidor, do ladrão d e t e m p l o s c d o c o n s p i r a d o r q u e a t e n t a c o u t r a a s leis d o E s t a d o pela violência. No caso do l a d r ã o , inclusive, t e n h a e l e f u r t a d o u n i a g r a n d e coisa o u p e q u e n a , p r o m u l g a r e m o s u m a ú n i c a lei e u r n a ú n i c a p u n i ç ã o legal p a r a t o d o s i n d i s c r i m i n a d a m e n t e . E m p r i m e i r o l u g a r t e r á quis p a g a r o d o b r o do valor do artigo furtado se p e r d e r seu caso e p o s s u i r b e n s s u f i c i e n t e s a c i m a d e s e u lote f i a r a p a g á - l o ; s e n ã o tiver c o n d i ç õ e s p a r a t a n t o , s e r á a p r i s i o n a d o a t é c o n seguir p a g a r a s o m a ou tiver sido l i b e r a d o por q u e m o p r o c e s s o u . S e a l g u é m for p r o c e s s a d o p o r f u r t o d o p a t r i m ô n i o do Estado, será libertado depois de obter o p e r d ã o d o E s t u d o 011 d e p o i s d e t e r p a g o o d o b r o d a q u a n t i a correspondente ao objeto furtado.

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Platão - As Leis
Clínias: C o m o p o d e r e m o s n ó s d i z e r , e s t r a n g e i r o , q u e n ã o h á q u a l q u e r diferença e n t r e u m furto grave e u m p e q u e n o furto, u m furto n u m sítio s a g r a d o e o u t r o n u m profan o , e [nos p o s i c i o n a r d i a n t e ] de todas as o u t r a s diferenç a s q u e p o d e m e x i s t i r n o a t o d c u m f u r t o , e n q u a n t o que, o legislador deve a d e q u a r a p u n i ç ã o a c a d a c r i m e p e l a aplicação de p e n a s diversas nesses casos variados? O ateniense: M u i t o b e m d i t o , Clínias'. T u c o l i d i s l e c o m i -

go q u a n d o eu, p o r assim dizer, a todo v a p o r a v a n ç a v a p a r a a frente e assim me acordaste. Tu me l e m b r a s t e de u m a anterior reflexão m i n h a , d e como n e n h u m a d a s t e n t a t i v a s a t é e n t ã o f e i t a s e m m a t é r i a d e l e g i s l a ç ã o fora m e f e t i v a d a s c o r r e t a m e n t e - c o m o dc fato p o d e m o s inferir do exemplo perante nós. O q u e q u e r o insinuar com esta observação? N ã o fizemos u m a má analogia q u a n d o c o m p a r a m o s t o d a a legislação existente com o f a t o ile e s c r a v o s s e r e m m é d i c o s d e e s c r a v o s . P o i s d e v e se p e r c e b e r c u i d a d o s a m e n t e o seguinte, a saber, q u e se q u a l q u e r um dos médicos q u e pratica medicina mediante métodos p u r a m e n t e empíricos, sem qualquer base teórica racional presenciasse a conversa entre um médico livre c um p a c i e n t e livre na q u a l o p r i m e i r o u s a r i a r a c i o c í n i o s b a s t a n t e p r ó x i m o s d a q u e l e s d a filosofia, a t a c a n d o a doença à sua origem, r e m o n t a n d o à naturez a g e r a l d o c o r p o , b e m d e p r e s s a ele i r r o m p e r i a n u m a gargalhada e a linguagem q u e empregaria n ã o seria de m o d o a l g u m d i f e r e n t e d a q u e l a q u e v e m fácil à l í n g u a d e t a n t o s p r e t e n s o s m é d i c o s : " N ã o p a s s a s d e u m tolo...", ele d i r i a , "...não e s t á s t r a t a n d o teu p a c i e n t e , m a s sim o i n s t r u i n d o , p o r a s s i m d i z e r , c o m o se, o q u e e l e q u i s e s s e fosse t o r n a r - s e u m m é d i c o e n ã o u m h o m e m s a d i o " . Clínias: E a o d i z e r isso n ã o e s t a r i a e l e c e r t o ? O ateniense: P o s s i v e l m e n t e , d e s d e q u e e l e t a m b é m fos-

s e d a o p i n i ã o d e q u e o h o m e m (pie t r a t a a s leis d o m o d o q u e e s t a m o s f a z e n d o a g o r a e s t á m a i s i n s t r u i n d o o s cid a d ã o s d o q u e legislando. N ã o e s t a r i a ele certo a o dizer isso, t a m b é m ? Clínias: Provavelmente, Que felicidade termos chegado à conclu-

O ateniense: são a Clínias:

q u e chegamos agora! Que conclusão?

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Livro IX
O ateniense: E s t a : q u e n ã o há n e c e s s i d a d e de legislar,

bastando q u e nos tornemos estudantes nós mesmos e nos esforcemos p a r a discernir em meio a todas as constituições (formas de governo) c o m o a m e l h o r f o r m a p o d e r i a ser i m p l a n t a d a e, t a m b é m , c o m o p o d e r i a ser i m p l a n t a da a m a i s e l e m e n t a r possível e n t r e t o d a s elas. Neste m o m e n t o , é-nos permissível, c o m o p a r e c e , e s t u d a r , s e p o r isso o p t a r m o s , a m e l h o r f o r m a d e l e g i s l a ç ã o o u , s e a s s i m escolhermos, a mais elementar. De m o d o q u e devemos fazer n o s s a e s c o l h a e n t r e e s s a s d u a s f o r m a s . Clínias: A e s c o l h a q u e n o s p r o p o m o s , e s t r a n g e i r o , é u m a escolha absurda. E s t a r í a m o s agindo c o m o legisladores q u e estivessem s e n d o i m p u l s i o n a d o s p o r a l g u m a necess i d a d e u l t r a p o d e r o s a a p r o d u z i r leis n o i m e d i a t í s m o , p o r q u e l h e s s e r i a i m p o s s í v e l fazê-lo n o d i a s e g u i n t e . M a s n o n o s s o c a s o (se a D i v i n d a d e a s s i m o q u i s e r ) é p e r f e i t a m e n t e possível fazer c o m o o s pedreiros, o u h o m e n s q u e c o m e ç a m q u a l q u e r o u t r o t i p o d e c o n s t r u ç ã o , o u seja, colher o material gradativamente peça por peça, a partir do q u a l p o d e m o s selecionar o q u e é a d e q u a d o p a r a o edifício (pie p r e t e n d e m o s construir, e, a d e m a i s , selecion á - l o s o s s e g a d a m e n t e . V a m o s s u p o r , a s s i m , q u e n ã o est a m o s agora construindo sob pressão, m a s q u e estamos a i n d a e m r i t m o d e lazer, e o c u p a d o s e m p a r t e e m colher m a t e r i a l e ern p a r t e e m j u n t á - l o , d e m a n e i r a q u e p o s s a m o s a f i r m a r c o m justiça q u e n o s s a s leis e s t ã o e m p a r t e já construídas, e em parte coletadas. O ateniense: D e s s e m o d o , Clínias, n o s s o e x u m e d a s l e i s de q u a l q u e r m a n e i r a seguirá m a i s e s t r e i t a m e n t e o curso n a t u r a l . Mas consideremos, pelos deuses, o ponto seguinte a respeito dos legisladores. Clínias: Que ponto? nossos Estados n ã o a p e n a s

O ateniense: D i s p o m o s e m

da literatura e discursos escritos dc m u i t a s o u t r a s pess o a s (os c h a m a d o s escritores] c o m o t a m b é m d a literat u r a e d o s discursos escritos do legislador. Clínias: Certamente. então, dedicar a nossa aten-

O ateniense: D e v e r í a m o s ,

ção às composições dos outros - poetas e todos q u e , em verso ou em p r o s a , t ê m c o m p o s t o e registrado seus conselhos sobre a vida - e n ã o dedicar a m e n o r atenção aos escritos d o s legisladores? Ou, n ã o deveríamos, ao contrario, nos ater a estes a c i m a de todos os outros?

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Platão - As Leis
Clínias: N ã o h á d ú v i d a q u e a e s t e s a c i m a d e t o d o s o s outros. O ateniense: M a s c e r t a m e n t e n ã o q u e r e m o s d i z e r q u e o legislador s o z i n h o , e n t r e todos os escritores, é o ú n i c o q u e não tem o direito de d a r conselhos a respeito do b e m , d o b e l o e d o j u s t o , e d e e n s i n a r seja s u a n a t u r e z a , seja a m a n e i r a p e l a q u a l c u l t i v á - l o s a s p e s s o a s q u e d e s e j a m s e r felizes? Clínias: C o m o s u p o r t a l c o i s a ? O ateniense: Pois b e m , será m a i s vergonhoso p a r a Ho-

m e r o e T i r t a e u e o resto d o s p o e t a s , f o r m u l a r em s e u s escritos m á s regras sobre a vida e suas ocupações e m e n o s v e r g o n h o s o p a r a L i c u r g o , S o l o u e t o d o s o s legisl a d o r e s q u e e s c r e v e r a m ? O u , n ã o s e r á c e r t o q u e d e tod o s o s escritos e x i s t e n t e s n o s E s t a d o s , a q u e l e s q u e diz e m r e s p e i t o à s leis d e v e r i a m ser logo q u e expostos e n c a r a d o s c o m o de m u i t o os m a i s belos e melhores e todos os o u t r o s escritos ou neles serem m o l d a d o s ou, se c o m eles d i s c o r d a n t e s , se c o n v e r t e r e m em motivo de desprezo? Será q u e d e v e m o s c o n c e b e r q u e a s leis escritas nos nossos E s t a d o s se a s s e m e l h e m em seu teor às atitudes de pessoas m o v i d a s por a m o r o s a b e d o r i a , tais c o m o um pai c u m a m ã e , ou que d e v a m refletir a t i t u d e s de c o m a n d o e a m e a ç a c o m o as dc um tirano ou uni déspot a q u e escreve, s e u d e c r e t o s o b r e u m a p a r e d e e e m seg u i d a t u d o é l a r g a d o ? A s s i m s e n d o , t e m o s que, c o n s i d e r a r a g o r a s e v a m o s t e n t a r d i s c u t i r a s leis c o m essa intenção, d e m o n s t r a n d o zelo, d e q u a l q u e r m o d o , m e s m o s e m ter c e r t e z a se i r e m o s o b t e r êxito ou n ã o ; e se tril h a n d o esse c a m i n h o tivermos q u e enfrentar p r o b l e m a s , q u e assim seja. E no e n t a n t o o r a m o s p a r a q u e t u d o cor ra b e m conosco, e, se a g r a d a r à D i v i n d a d e , correrá b e m . Clínias: E s t á s c e r t o . F a ç a m o s c o m o d i z e s . O ateniense: P a r a c o m e ç a r , j á q u e p r i n c i p i a m o s p o r i s s o , "... T i a Ü i g u a t u
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t e m o s q u e e x a m i n a r r i g o r o s a m e n t e a lei referente a o s l a d r õ e s de, t e m p l o s e t o d a s a s f o r m a s d e f u r t o , r o u b o c t o d a sorte, d e b a n d i d a g e m ; e n ã o d e v e r e m o s f i c a r c o n s t r a n g i d o s p e l o fato de, s e p o r uni l a d o e s t a m o s p r o m u l g a n d o alguns pontos durante, a legislação, alguns p o n tos p e r m a n e c e m e m s u s p e n s o , p o i s e s t a m o s p a s s a n d o pelo processo de nos t o r n a r m o s legisladores, e talvez

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364

Livro IX
(fKMlfPo <|l" |l»OWllllflí! ojeinndo nosso etapo e. «oeso
:

n ó s n o s t o r n e m o s tal,

m a s n ã o s o m o s legisladores ain-

oPtno, paivõo, passividade, o so(»e« da nofio «*'' enittom) (•(»< o J t o t q p a (oquiPo que |ogrmos, atividade, a aeão

d a . Deste m o d o , se c o n c o r d a m o s em e x a m i n a r as matérias m e n c i o n a d a s por m i m d a forma q u e a s m e n c i o n e i , q u e o façamos. Clínias: C o m t o d a a certeza.

que psodtigittios e que se ej-ejtee sebtc OvtíOltt). Quando estamos cipat.wnados, estamos eiielaPíjaeíomente inativos e iuesfes. Pit»itonrio nos a softa o aeão (vin de teqtn lusfoiiseioiite e. MWweiite eenseieníe) elo objeto de nossa paivõo, f) outêntieo estado de, paivõo e o mais utpno.tõvoP que eWrsfe pois «os tofíw qtinPquot vontade e, aeão dttiqidne no sei atuaria - estamos ejittoatttente. passivos o sujeitos ei pessoa ornaria, no que piioe.isomcnle, eonsisfe o nosso eepeeiaí e inifjuriPóVeP defeito: é o mais suptemo e rjitandioso etos dcíeitee et, oo «esmo lewpo, o mais tentVcP c {piai, pois 0 OpílOit fio S0'r amrifío que não está eipaiepnndo po* nós, o que
1

O ateniense: C o m r e s p e i t o à b o n d a d e e à j u s t i ç a c o m o u n i todo, tentemos discernir o seguinte : até q u e ponto concordamos agora com nós mesmos, até q u e ponto d i s c o r d a m o s (pois n ó s d e v e r í a m o s C e r t a m e n t e dizer q u e desejamos, ao menos, divergir da maioria das pessoas) e até q u e p o n t o t a m b é m a s pessoas n a s u a m a i o r i a concordam ou divergem entre si mesmas. Clínias: Q u e d i f e r e n ç a s n o s s a s t e n s e m m e n t e ? O ateniense: T e n t a r e i e x p l i c a r . N o q u e t o c a à j u s t i ç a e m geral, f i e m c o m o seres h u m a n o s , coisas o u ações q u e s ã o j u s t a s todos c o n c o r d a m o s q u e t u d o isso d e t é m beleza [moral], dc m o d o q u e c h a m a r i a a atenção ao dizer o q u e está errado m e s m o sc mantivesse q u e as pessoas justas, e m b o r a fisicamente disformes, são perfeitamente belas cm função de seu p r ó p r i o caráter justo. Clínias: E i s s o n ã o s e r i a c e r t o ? O

ateniense:

Talvez, m a s o b s e r v e m o s o seguinte: q u e p a r a néis paixões tantas quantas

se todas as coisas q u e p e r t e n c e m à justiça são belas, e s s e todas i n c l u i c o m o as ações. • Clínias: Bem, c daí? Toda a ç ã o j u s t a n a m e d i d a c m q u e p a r t i

(íffo,tmiHO o ausínain ela pofaitidriaV o o equíPíí)»ie pes(eí(ot , pode (et o e(rilo fio
:

O ateniense:
cipa da mesmo
Cllnim: O

justiça p r a t i c a m e n t e participa da beleza no grau.
Sim.

onnlentpPoe/io e(n Qówjona ,A\cÀ\e:a que nos po(íti|ieo o anuPo. Como digeni os su( is,
:

(Ueniense: E p r e c i s o c o n c o r d a r t a m b é m - a f i m d e p r e -

servar a coerência de nosso raciocínio - q u e u n i a p a i x ã o q u e participa da justiça se t o r n a , nessa m e d i d a , bela.

"a moíiiposo (V,uen de pnitão pePn Pirg rio jogo neoba nePe, se eonsiittiineío. £ di^íeif víefumÍMM ott odiVínítos o

Clínias: I s s o é v e r d a d e i r o . 0 ateniense: M a s s c c o n c o r d a r m o s
m a r a s coisas justas d e indeoorosas, Clínias: O q u e q u e r e s d i z e r c o m i s s o ?

q u e u m a paixão, cha-

inoeonsst»o da paivõo sein eompíeendeí o meoaniEmo ia sedução ou attbt dos sejeios ( I e t p r | V O Ç ) . OonsuPleoi o (jáKjiofi, o Çíe/lio o o •díanquele o íteepriío. (n.t.)

e m b o r a sendo justa, é indecorosa, e n t ã o a justiça e a beleza estarão em desacordo, pois teremos q u e

365

Platão - As Leis
O ateniense: N ã o é d i f í c i l c o m p r e e n d ê - l o . A s l e i s que

promulgamos há pouco pareceriam estar formulando exatamente o contrário do q u e estamos afirmando presentemente. CUnias: M a s a q u e f o r m u l a ç õ e s t u t e r e f e r e s ? O ateniense: P r o m u l g a m o s q u e é j u s t o c o n d e n a r â m o r t e o l a d r ã o d o s t e m p l o s e o i n i m i g o d a s leis c o r r e t a m e n t e promulgadas; e então, q u a n d o nos preocupávamos em promulgar um grande n ú m e r o de regras semelhantes, d e t e m o - n o s visto q u e p e r c e b e m o s q u e essas regras envolv i a m paixões q u e e r a m e m n ú m e r o e m a g n i t u d e infinitas e q u e , e m b o r a fossem e m i n e n t e m e n t e justas, e r a m t a m b é m e m i n e n t e m e n t e indecorosas. Assim o justo e o belo nos parecerão n u m m o m e n t o inteiramente idênticos, m a s c m outro i n t e i r a m e n t e opostos, n ã o parecerão? CUnias: Receio q u e sim.

O ateniense: E n t ã o o q u e a c o n t e c e é q u e , p a r a a m u l t i d ã o , o justo e o b e l o s ã o v i o l e n t a m e n t e divorciados, sendo em relação a eles u s a d a u m a l i n g u a g e m incoerente. CUnias: A s s i m parece, estrangeiro nossa pró-

O ateniense: E n t ã o r e e x a m i n e m o s , C l í n i a s , esse respeito. CUnias:

pria opinião e verifiquemos até q u e ponto é coerente a

Q u e t i p o de coerência e a respeito do q u e estás

falando? O ateniense: Eu acredito q u e disse expressamente em

n o s s a d i s c u s s ã o a n t e r i o r , o u , s e n ã o o fiz a n t e s , p o r favor s u p õ e q u e o diga agora... CUnias: O que? Q u e t o d o s o s i n d i v í d u o s m a u s o s ã o e m to-

O ateniense:

dos os aspectos i n v o l u n t a r i a m e n t e m a u s ; e assim s e n d o , a n o s s a p r ó x i m a a f i r m a ç ã o t e r á q u e c o n c o r d a r c o m isso. CUnias; Que afirmação queres dizer? Esta-, q u e o h o m e m i n j u s t o é e f e t i v a m e n t e

• vy4 á s M s s õ o oiuoPuratrib o O ateniense:

r f i s f i n ç f i o urittt n injusliçn m a u , m u s q u e o h o m e m m a u é i n v o l u n t a r i a m e n t e m a u . * wPonfóitin i. o ínjusfiço (x>* '"PPnlrio no Tttfrfnr: ,Mi:mi. (n.l.) M a s é ilógico s u p o r q u e u m a a ç ã o v o l u n t á r i a é p r o d u z i a t o i n j u s t o o faz i n v o l u n t a r i a m e n t e na o p i n i ã o de q u e m supõe q u e a injustiça é involuntária - u m a conclusão q u e iiu'oíiiiifó*io jnf intadíigidti d a i n v o l u n t a r i a m e n t e ; a l é m d i s s o , a q u e l e q u e c o m e t e u m

366

Livro IX
eu t a m b é m agora tenho q u e reconhecer, pois concordo q u e todos os indivíduos c o m e t e m atos injustos involunt a r i a m e n t e ; assim, visto q u e sustento essa o p i n i ã o - e n ã o partilho da opinião daqueles que por animosidade ou arrogância, afirmam que enquanto há alguns que são injustos c o n t r a sua vontade, há t a m b é m m u i t o s q u e o s ã o v o l u n t a r i a m e n t e , como p o s s o s e r c o e r e n t e c o m m i n h a s p r ó p r i a s a f i r m a ç õ e s ? S u p o n d e s v ó s , Megilo e Clínias... apresentai esta p e r g u n t a p a r a m i m : "Se esta é a situação, estrangeiro, q u e conselho nos darias q u a n t o a l e g i s l a r o E s t a d o m a g n e s í a n o • • ? L e g i s l a r e m o s ou n ã o ? " " A b s o l u t a m e n t e o legislaremos ', eu r e s p o n d e r i a . "Fareis u m a distinção, então, entre m á s ações voluntárias e m á s ações involuntárias, e iremos promulgar penas mais pe sadas para os crimes e m á s ações q u e são voluntários, e p e n a s m a i s leves p a r a o s o u t r o s ? O u p r o m u l g a r e m o s p e n a s iguais p a r a todos a c h a n d o q u e n ã o há o ato voluntário dc injustiça?" Clínias: O q u e d i z e s , e s t r a n g e i r o , é a b s o l u t a m e n t e c e r to, d e m a n e i r a q u e q u a l u s o sentes argumentos? U m a excelente pergunta! O uso q u e dared a r e m o s aos nossos pre1

* * (D fistado mo(jii(!8íoiio (Mayvqttüv

noXa) (• o

fistado sujo fundação foi MliOÇjuí! nas mãos du CPínios d outros cidadãos n paira Cuja o/ujnníjoçãc r- fejisPaçõo o olenicnsc o esfá ouyiPiando.

(n.g

O ateniense:

m o s a eles, p a r a c o m e ç a r , é este... Clínias: Qual? Vamos relembrar como, há um momento

O ateniense:

a t r á s , n ó s a f i r m a m o s c o r r e t a m e n t e que, em r e l a ç ã o à justiça estamos submetidos a maior das confusões e i n c o e r ê n c i a s . C o m a c o m p r e e n s ã o d e s s e fato. i n d a g u e m o n o s de novo q u a n t o à nossa perplexidade a respeito d e s s a s m a t é r i a s visto q u e n e m a s t o r n a m o s c l a r a s n e m d e t e r m i n a m o s o p o n t o d e d i f e r e n ç a e n t r e e s s e s d o i s tip o s de a ç ã o iná, v o l u n t á r i a e i n v o l u n t á r i a , q u e s ã o trat a d a s (Mimo l e g a l m e n t e d i s t i n t a s e m t o d o E s t a d o p o r todo legislador q u e ja a p a r e c e u [no m u n d o ) . Será q u e a afirmação q u e fizemos recentemente é para p e r m a n e cer c o m o um oráculo divino, c o m o u m a mera afirmaç ã o e x cathedra, s e m a s u s t e n t a ç ã o d e p r o v a a l g u m a e p a r a servir c o m o u m a espécie d e contra-legislação? Isto é i m p o s s í v e l e a n t e s de l e g i s l a r m o s é p r e c i s o p r i m e i r a m e n t e deixar claro de alguma forma q u e essas ações m á s são duplas, e determinar em q u e consiste sua

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Platão - As Leis
diferença, a fim de q u e , q u a n d o i m p u s e r m o s a p e n a sobre q u a l q u e r m o d a l i d a d e , todos p o s s a m seguir nossas r e g r a s e ser c a p a z e s de f o r m a r a l g u m juízo a respeito da adequabilidade ou não de nossas promulgações. Clínias: O q u e d i z e s , e s t r a n g e i r o , n o s p a r e c e e x c e l e n t e ; t e m o s q u e fazer u m a d e s t a s d u a s coisas: o u n ã o assever a r q u e t o d o s o s a t o s i n j u s t o s s ã o i n v o l u n t á r i o s , o u fazer p r i m e i r o n o s s a s distinções e em seguida p r o v a r a correção do q u e asseveramos. O ateniense: Dessas alternativas a primeira é para m i m

a b s o l u t a m e n t e intolerável, a saber, n ã o asseverar o q u e t e n h o p o r v e r d a d e - p o i s isso n ã o s e r i a u m a c o i s a lícita c tampouco piedosa. Mas ao q u e se refere à qucslão de como tais atos s ã o d u p l o s - se ó que. a diferença n ã o reside na i n t e r m e d i a r i e d a d e do voluntário e, do involuntário - t e m o s eme explicá-lo p o r m e i o d e a l g u m a o u t r a d i s t i n ç ã o . Clínias: B e m , c e r t a m e n t e , e s t r a n g e i r o , n o q u e t o c a a e s s e a s s u n t o n ã o existe n e n h u m o u t r o p l a n o q u e p u d é s s e mos adotar. 0 ateniense: S e r á feito. V a m o s lá, n a s n e g o c i a ç õ e s c relações entre os cidadãos, ofensas cometidas por uns contra outros ocorrem freqüentemente, e envolvem muito» d o v o l u n t á r i o t a n t o q u a n t o d o i n v o l u n t á r i o . Clínias: C o m t o d a a c e r t e z a . O ateniense: Q u e n i n g u é m t e n h a t o d a s a s o f e n s a s c o m o atos de injustiça c e n t ã o c o n s i d e r e os a t o s injustos envolvidos como d u p l o s da m a n e i r a descrita, a saber, q u e são parcialmente voluntários c parcialmente involuntários (pois, d o total, a s ofensas i n v o l u n t á r i a s n ã o s ã o inferior e s á s v o l u n t á r i a s seja e m n ú m e r o o u e m g r a n d e z a ) ; m a s considerai sc ao dizer o q u e estou na i m i n ê n c i a de dizer estarei f a l a n d o algo s e n s a t o ou um total a b s u r d o , p o i s o q u e a f i r m o , Megdo e . Clínias n ã o é q u e s e u m h o m e m o f e n d e u m o u t r o i n v o l u n t a r i a m e n t e e s e m desejá-lo, ele estará agindo injustamente embora involuntariamente, n e m e n l e g i s l a r i a d e s t a m a n e i r a , p r o n u n c i a n d o tal c o i s a c o m o u m ato involuntário d c injustiça, m a s p r o n u n c i a r i a q u e . tal o f e n s a n ã o é i n j u s t i ç a a l g u m a , seja a o f e n s a de g r a n d e m a g n i t u d e ou não. E se m i n h a opinião prevalecer, d i r e m o s c o m freqüência q u e o a u t o r de um benefício m a l e x e c u t a d o comete u m a injustiça; pois via

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Livro IX
d c regra, m e u s amigos, n e m q u a n d o a l g u é m d á u m objeto m a t e r i a l a outro, n e m q u a n d o ele o t o m a e leva p a r a * longe, deveria a l g u é m classificar tal a t o c o m o absolutam e n t e justo o u injusto, m a s s o m e n t e q u a n d o a l g u é m d e caráter e disposição justas p r o d u z a l g u m benefício ou d a n o p a r a o u t r o - é i s t o q u e o l e g i s l a d o r d e v e t e r e m vista; terá q u e c o n s i d e r a r essas d u a s coisas, injustiça e d a n o , e q u a n t o ao d a n o infligido ele d e v e r á c o m p e n s á - l o o m á x i m o possível m e d i a n t e m e i o s legais; t e r á q u e salvar o q u e e s t á p e r d i d o , r e s t a u r a r o q u e foi d e s t r u í d o , d a r i n t e g r i d a d e c s a ú d e a o q u e foi m o r t o e ferido; e q u a n d o todos os d a n o s tiverem sido ajustados pela compensação, ele t e r á q u e s e esforçar s e m p r e p o r m e i o d a s leis p a r a converter as p a r t e s q u e os tiverem infligido e a q u e las q u e os sofreram de u m a condição de discórdia p a r a u m a condição de amizade. CUnias: E l e e s t a r á c e r t o e m fazê-lo. O ateniense: N o q u e r e s p e i t a a d a n o s e g a n h o s i n j u s t o s , n o case» e m q u e a l g u é m t e m g a n h o s o b r e o u t r o a t u a n d o i n j u s t a m e n t e p a r a com ele, t o d o s o s casos passíveis d e cura teremos q u e curar, considerando-os como doenças da alma. E deveríamos afirmar q u e nossa cura p a r a a injustiça reside nesta direção... CUnias: Que direção?

O ateniense: E s t a : q u e s e m p r e q u e a l g u é m c o m e t e q u a l q u e r a t o i n j u s t o d e g r a n d e o u p e q u e n a g r a v i d a d e , a lei o instruirá e absolutamente o compelirá tio f u t u r o a n ã o mais o u s a r dc.liberadamcntc cometer tal ação, ou, ao m e n o s , a cometê-la c a d a vez c o m m e n o r freqüência, a l é m de pagar pelo d a n o provocado. E f e t u a r tal coisa, seja p o r a ç ã o o u d i s c u r s o , p o r m e i o d e p r a z e r e s e d o r e s , h o n r a s e d e s o n r a s , m u l t a s em d i n h e i r o e. r e c o m p e n s a s em dinheiro, e em geral por q u a i s q u e r meios empregáveis p a r a fazer as p e s s o a s o d i a r e m a injustiça e a m a r o u , ao m e n o s , n ã o o d i a r a j u s t i ç a é p r e c i s a m e n t e a funç ã o d a s m a i s n o b r e s leis. M a s e m r e l a ç ã o a t o d o s a q u e l e s q u e o l e g i s l a d o r p e r c e b e r q u e s ã o i r r e c u p e r á v e i s (incuráveis) em relação a essas m a t é r i a s , q u e p e n a l i d a d e d e v e r á e l e p r o m u l g a r , e q u e lei? O l e g i s l a d o r c o m p r e e n d e r á q u e em todos esses casos n ã o a p e n a s é melhor p a r a os próprios infratores n ã o viverem m a i s c o m o se revelará

369

Platão - As Leis
t a m b é m d u p l a m e n t e b e n é f i c o a o s o u t r o s q u e eles d e i x e m a vida, o q u e servirá tanto como u m a advertência p a r a q u e os outros n ã o ajam injustamente q u a n t o p a r a livrar o E s t a d o d e i n d i v í d u o s perversos, d e sorte q u e ele necessariamente aplicará a morte como punição por seus crimes
* '"Wnlno, na eendade., «sondo à constituição o psescjuação dc um C i l a d a jclig e «gonoso, mortuo-se setupiie muito pragmático a nodn eensíucl às misfidias do indiiíduo iiumano, seja» estas congênitas ou adquiridas, «este úptimo caso a despeito da eveePcntc educação que resowa ãs enianços. ndoPcscentcs e jo*tis no fislado por efe concebido. Entretanto, esta sua prescrição da pena capital openos pasa esses casos aqui referida eonstitui um certo abrandamento, pois «m. ;Á TíepúbPica ePe o W e a uma moíte po» abandono, também, posa os mat dotados de eo»po: " T)eira,r-sc-á MOMM aquePes cujos eo/epos são ma{ constituídos c os cidadãos j a w o perece» ePes mesmos aqueles que têm a oPtno «ntmoPmente perversa e incoMiqíueP. fi euidentemenie o que kã de mcPno» o se foge», que* pana esses «ijclijce. que» powi o fistado."" (n.l.)
c

em casos desse tipo, e desse tipo exclusivamente. • CUnias: O q u e d i s s e s t e p a r e c e b a s t a n t e r a z o á v e l , m a s f i c a r í a m o s felizes s e p u d é s s e m o s o u v i r u m a e x p o s i ç ã o a i n d a mais clara relativa à diferença entre o d a n o e a injustiça, e c o m o a d i s t i n ç ã o e n t r e o v o l u n t á r i o e o invol u n t á r i o se aplica nesses casos. O ateniense: E m i s t e r q u e me e s f o r c e a r e a l i z a r o q u e me i n t i m a s a fazer, e e x p l i c i t a r a m a t é r i a . I n d u b i t a v e l m e n t e , em vossas palestras dízeis e ouvis dizer, ao me n o s , este t a n t o s o b r e a a l m a , o u seja, q u e u m e l e m e n t o e m s u a n a t u r e z a - seja e l e u m a a f e i ç ã o o u u m a p a r t e constitutiva - é a paixão, q u e é u m a q u a l i d a d e ( i n e r e n te à a l m a ] de caráter conflitante e p u g n a z , e q u e p o r s u a força i r r a c i o n a l t r a n s t o r n a m u i t a s coisas. CUnias: De fato. O u t r o s s í m , d i s t i n g u i m o s o p r a z e r da p a i x ã o

O ateniense: e

afirmamos q u e o poder de d o m í n i o dele é de um tipo

oposto, visto q u e ele efetua t u d o q u e é desejado p o r s u a intenção mediante u m a misníra de persuasão e engano. CUnias: Exatamente.

O ateniense: ' T a m p o u c o s e r i a f a l s o a f i r m a r q u e a t e r c e i ra c a u s a de n o s s a s faltas é a ignorância. Esta c a u s a , todavia, o legislador faria b e m em subdividir em d u a s , considerando a ignorância sob sua forma simples como s e n d o a c a u s a d o r a de p e q u e n a s faltas, e sob s u a forma d u p l a - o n d e a l o u c u r a se deve ao indivíduo ser p r e s a da ignorância como t a m b é m por u m a ilusão de sabed o r i a , c o m o s e tivesse c o n h e c i m e n t o p l e n o d e coisas q u e d e s c o n h e c e c o m p l e t a m e n t e - c o m o s e n d o a c a u s a ele faltas graves e b r u t a i s q u a n d o se associa à força e ao vigor, m a s s i m p l e s m e n t e a c a u s a de faltas p u e r i s e senis q u a n d o se associa com a f r a q u e z a ; ele terá estas ú l t i m a s c o m o faltas e p r o m u l g a r á leis p a r a p u n i r o s q u e as c o m e t e r e m , m a s leis q u e s e r ã o , a c i m a d e t o d a s a s outras, s u m a m e n t e brandas e indulgentes. CUnias: Isso é razoável.

370

Livro IX
O ateniense: O r a , r e f e r i n d o - n o s a o p r a z e r o u à p a i x ã o , dizemos quase q u e u n a n i m e m e n t e q u e esta pessoa é a e l e s superior, a q u e l a l h e s é inferior. assim Clínias: mesmo. C o m toda a certeza. E na r e a l i d a d e é

O ateniense: M a s n u n c a o u v i m o s d i z e r q u e e s t a p e s s o a é superior e a q u e l a Clínias: E o u t r a inferior à ignorância. • * * * Dijfs*etitement(: do finivrir Rotttrtbnm e
c

bem verdadeiro.

O ateniense: E a f i r m a m o s q u e t o d a s e s s a s c o i s a s * * * i m p e l e m t o d o ser h u m a n o c o m freqüência a c o n t r a r i a r o p e n d o r real dc s u a própria inclinação. Clínias: R e a l m e n t e , c o m b a s t a n t e f r e q ü ê n c i a . O ateniense: Agora definirei de para ti, o clara e

e do ptaflp.li que naiem

(Kivr)o-iç) ri ofmo. (Unnigniido esta Süliiwi e JagtWo Ciente ri jagoo, a igiioiiôticiri nõo lem ensaie.» (ninrfhioüo G f:Ofl(fiinii(e. (••' notóíiia e pjoueibiof o doeiíMnelo, o coitfíoMiii.emo, fl ingenuidade e. a tarniftdade dos igiioíonícs. (ti i.)

descomplicadame.ilte m i n h a noção injustiça. Chamo geralmente

de justiça e de domínio

injustiça

exercido na a l m a p e l a p a i x ã o , o m e d o , o prazer, a dor, as invejas e os desejos, q u e r p r o v o q u e m d a n o ou não. Mas se a crença no bem s u p r e m o - sob q u a l q u e r forma q u e Estados ou indivíduos pensem q u e p o d e m atingilo - prevalecer nas a l m a s h u m a n a s e exercer controle sobre cada indivíduo humano, mesmo sc algum dano f o r p r o d u z i d o , t e r e m o s q u e a s s e v e r a r q u e t u d o q u e for feito é j u s t o , e que, em t o d o i n d i v í d u o h u m a n o a p a r t e s u b m e t i d a a esse controle é t a m b é m justa, e o m e l h o r p a r a a vida inteira da espécie h u m a n a , e m b o r a a m a i o r i a d o s s e r e s h u m a n o s s u p o n h a m q u e tal d a n o é u m a injustiça involuntária. Mas n ã o estamos agora interessados n u m a disputa verbal. Considerando-se, e n t r e t a n t o , q u e foi d e m o n s t r a d o q u e h á t r ê s t i p o s d e f a l t a s , p r e c i s a m o s e m p r i m e i r o l u g a r i n n u l c a r isso a i n d a mais na mente. Desses tipos, u m , c o m o sabemos, é d o l o r o s o , e i s s o n ó s c h a m a m o s dc p a i x ã o e m e d o . * * * • Clínias: Perfeitamente. O segundo tipo consiste de prazer e

* * * Ou seja. a fiairão, o (iMige* e. a tgno.wínria. (n.t.)

• • • • Consulta o TfilUfl.

O ateniense:

apetites; o terceiro, q u e é um tipo distinto, consiste de e s p e r a n ç a s e a c r e n ç a falsa c o m r e l a ç ã o ao atingir do b e m s u p r e m o . E q u a n d o este ú l t i m o tipo é subdividido em três, totaliza-se cinco classes, c o m o a f i r m a m o s agora. E p a r a estas cinco classes temos q u e p r o m u l g a r leis d i s t i n t a s , de dois tipos p r i n c i p a i s .

371

Platão - As Leis
CUnias: E q u a i s s ã o e l e s ? O ateniense: Um concerne aos atos cometidos ocasio-

n a l m e n t e através de m e i o s violentos e a b e r t a m e n t e , o outro diz respeito aos a t o s cometidos p r i v a d a m e n t e , e n c o b e r t o s pelas s o m b r a s e pela fraude, ou às vezes aos atos cometidos dessas d u a s m a n e i r a s - e p a r a atos deste último tipo as l e i s serão mais severas se quisermos q u e se revelem a d e q u a d a s . CUnias: Naturalmente.

O ateniense: R e t o r n e m o s a s e g u i r a o p o n t o q u e o r i g i n o u essa digressão e prossigamos c o m n o s s a p r o m u l g a ç ã o d a s leis. F o r m u l a m o s l e i s , a c r e d i t o , r e f e r e n t e s à q u e l e s q u e r o u b a m os t e m p l o s e os t r a i d o r e s , e t a m b é m p a r a aqueles q u e a r r u i n a m a s l e i s c o m a i n t e n ç ã o d e d e r r u b a r a constituição vigente. Atos d e s s a n a t u r e z a p o d e r i a m ser cometidos por p e s s o a s cm estado de loucura, acometid a s p o r a l g u m a d o e n ç a o u n u m p o n t o d e s e n i l i d a d e ext r e m a , o u a i n d a n u m e s t a d o de. i n f a n t i l i d a d e , e s t a d o s que n ã o diferem a rigor do e s t a d o de loucura. Se qualquer um desses casos chegar ao c o n h e c i m e n t o dos juizes selecionados, s e j a por informação do autor do ato ou d a q u e l e q u e o e s t á r e p r e s c n l a n d o , e s e for j u l g a d o q u e cie s c e n c o n t r a v a n e s s e e s t a d o d e i n s a n i d a d e q u a n d o violou a l e i , ele c e r t a m e n t e p a g a r á pelo d a n o q u e t e n h a provocado, m a s somente a s o m a exata, s e n d o absolvido d a s o u t r a s a c u s a ç õ e s , a n ã o ser q u o t e n h a m o r t o a l g u é m e n ã o t e n h a purificado s u a s m ã o s do sangue. Neste caso, ele terá q u e p a r t i r p a r a o u t r o p a i s e l u g a r c aí r e s i d i r como um exilado durante um ano; c se retornar antes da d a t a f i x a d a p e l a lei, o u s e i n s t a l a r - s e n o v a m e n t e e m s e u país, será trancafiado no cárcere público pelos guard i õ e s d a s leis p o r d o i s a n o s , n ã o s e n d o l i b e r t a d o d a cadeia a n ã o ser d e p o i s de t r a n s c o r r i d o esse p e r í o d o . N ã o t e m o s q u e h e s i t a r e m p r o m u l g a r leis s o b r e , q u a l q u e r classe de assassinato em l i n h a s s e m e l h a n t e s agora que estabelecemos um começo. Primeiramente, nos o c u p a r e m o s d o s casos q u e são violentos e involuntários. S e alguém tiver m a t a d o u m a m i g o n u m a c o m p e t i ç ã o ou em jogos p ú b l i c o s - t e n h a s i d o a m o r t e i m e d i a t a ou conseqüência posterior dos ferimentos ou, analogamente, se o tiver m a t a d o na guerra ou em a l g u m a

372

Livro IX
a ç ã o de t r e i n a m e n t o p a r a a g u e r r a , seja d u r a n t e a p r á tica de exercício de d a r d o s e m c o u r a ç a ou d u r a n t e o envolvimento cm a l g u m a m a n o b r a bélica com a r m a s p e s a d a s , d e p o i s d e ter s i d o p u r i f i c a d o c o m o o r i e n t a a regra d c Delfos, e s t a r á livre d e q u a l q u e r processo p o r c r i m e . O m e s m o se a p l i c a a t o d o s os m é d i c o s : se, o p a c i e n te vier a falecer c o n t r a a v o n t a d e de seu m é d i c o , este será considerado de mãos p u r a s e isento de crime, T o d o a q u c l e q u e t i v e r m a t a d o a l g u é m m e d i a n t e tini a t o direto, m a s i n v o l u n t a r i a m e n t e - seja s e m o u t r a s a r m a s s e n ã o s e u p r ó p r i o c o r p o , s e j a e m p r e g a n d o u m instrumento ou arma, ou mediante u m a dose de bebida ou a l i m e n t o s ó l i d o , o u p e l a a p l i c a ç ã o d e fogo o u frio o u pela p r i v a ç ã o de ar, e o faça ele m e s m o c o m seu p r ó p r i o corpo ou por meio de outros corpos em todos esses casos será c o n s i d e r a d o c o m o seu p r ó p r i o a t o pessoal, f i c a n d o ele passível d a s s e g u i n t e s p e n a l i d a d e s : se tiver m a t a d o u m e s c r a v o , t e r á q u e e n c a r a r o f a t o c o m o se, tivesse s i d o u m p r ó p r i o escravo seu q u e tivesse s i d o destruído e i n d e n i z a r o senhor do escravo m o r t o pelo d a n o ou incorrer n u m a multa de valor correspondente ao d o b r o do valor do h o m e m morto, ficando a critério dos juizes a d e t e r m i n a ç ã o desse valor; a d e m a i s terá q u e recorrer a u m a g a m a de purificações maior e mais num e r o s a d o q u e a q u e l e s q u e p r o v o c a m a m o r t e n o s jog o s ; o s r i t o s p u r i f i c a t ó r i o s f i c a r ã o a c a r g o d a q u e l e s intérpretes designados pelo deus; m u s se o escravo morto for o s e u p r ó p r i o e l e s e r á l i b e r t a d o a p ó s a p u r i f i c a ç ã o legal [ r e g u l a r ] . A q u e l e q u e m a t a r u m h o m e m l i v r e i n v o l u n t a r i a m e n t e será s u b m e t i d o às m e s m a s purificaç õ e s a q u e foi s u b m e t i d o o h o m e m q u e m a t o u u m e s cravo, h a v e n d o u m a antiga fábula, c o n t a d a há muito, à q u a l ele n ã o d e v e r á d e i x a r d e d a r o u v i d o s . A f á b u l a d i z q u e o h o m e m a s s a s s i n a d o v i o l e n t a m e n t e q u e l e n h a viv i d o u m a v i d a livre e o r g u l h o s a se i r r i t a c o m s e u m a t a dor q u a n d o recentemente morto, e a d e m a i s cheio de m e d o c h o r r o r e m f u n ç ã o d e s e u p r ó p r i o fim b r u t a l , a o ver seu assassino viver s e g u n d o os m e s m o s c o s t u m e s em q u e ele vivia fe f r e q ü e n t a r os m e s m o s l u g a r e s | é assaltado pelo m a i o r horror, e nesse estado de intranqüilid a d e , i d e n t i f i c a n d o - s e c o m s e u a s s a s s i n o , ele lhe, t r a n s m i te c o m t o d a s s u a s forças s u a p r ó p r i a i n t r a n q ü i l i d a d e ,

373

Platão - As Leis
afetando tanto a a l m a q u a n t o as ações do assassino. D i a n t e d i s s o , c o n v é m a o a s s a s s i n o q u e se. a f a s t e d e s u a
c

D(i seu fúmuío, p/tessnw! se.

v í t i m a * p o r t o d a s a s e s t a ç õ e s d e u m a n o i n t e i r o e , deixe, de freqüentar todos os lugares q u e freqüentou com o morto, q u a l q u e r sítio d e s u a p á t r i a q u e seja; n o c a s o de o h o m e m m o r t o ser um estrangeiro, o a s s a s s i n o deverá ter s u a e n t r a d a à terra do m o r t o b a r r a d a d u r a n t e o m e s m o p e r í o d o . Se o c u l p a d o submeter-se voluntariam e n t e a e s s a lei, o p a r e n t e m a i s p r ó x i m o da v í t i m a , cont a n d o c o m a s u p e r v i s ã o n a e x e c u ç ã o d e t o d a s essas regras, o p e r d o a r á e viverá em p a z c o m o c u l p a d o , comportamento q u e será considerado perfeitamente aprop r i a d o ; m a s s e o c u l p a d o a f r o n t a r t a l lei e o u s a r , e m p r i m e i r o lugar, a p r o x i m a r - s e d o s a l t a r e s e r e a l i z a r sacrifícios a i n d a d e m ã o s i m p u r a s a l é m d e recusar-se a c u m p r i r os p e r í o d o s d e t e r m i n a d o s de exílio, e n t ã o o parente mais próximo da vítima processará o assassino p o r h o m i c í d i o e s e e s t e for c o n d e n a d o , t o d a s a s s u a s p e n a s serão d u p l i c a d a s . E caso o p a r e n t e mais próximo deixe de processá-lo pelo crime, será c o m o se a mác u l a fosse t r a n s f e r i d a p a r a e l e , v i s t o q u e a v í t i m a d e s v i a r á p a r a ele s u a s r e c l a m a ç õ e s p e l a f a t a l i d a d e q u e s e a b a t e u sobre ela. * * E q u e m o desejar p o d e r á acusá-lo e forçá-lo p o r lei a d e i x a r s e u p a í s p o r c i n c o a n o s . Se um estrangeiro, involuntariamente, m a t a r um estrangeiro q u e é residente no Estado, q u e m o quiser p o d e r á p r o c e s s á - l o s e g u n d o a s m e s m a s l e i s ; s e f o r u m rneteco • • • s e r á p u n i d o c o m o d e s t e r r o de um a n o ; se for totalmente estrangeiro, deverá n ã o a p e n a s se purificar, m a s n o caso d e s u a vítima ser u m estrangeiro, meteco ou cidadão nativo, além das purificações impostas sua presença será b a r r a d a por toda s u a vida do país q u e t e m essa legislação vigente; e m caso d e t r a n s g r e s s ã o d a lei, o u seja, c a s o ele force s u a e n t r a d a n o p a í s , o s g u a r diões d a s leis o p u n i r ã o c o m a m o r t e e se ele p o s s u i r algum b e m , eles'o entregarão ao parente mais p r ó x i m o d a v í t i m a , li, c a s o ele regresse c o n t r a s u a v o n t a d e , dig a m o s devido a um naufrágio q u e o l a n c e à costa, ele ali a c a m p a r á c o m s e u s p é s s o b a á g u a , a g u a r d a n d o u m a e m b a r c a ç ã o [ q u e o leve e m b o r a ] ; e a i n d a n o c a s o d e t e r sido forçado a p o r os pés em terra, o p r i m e i r o magistrado do E s t a d o q u e o e n c o n t r a r o l i b e r t a r á e o fará c r u z a r

* * Qmhom '^PPotõo use o
ííBfjueigei» de miln, fjleo efow suei enneiceõti s o b e o

iinorlofeiode do alma. {».(.)
• • • (JGTOIKOÇ estanejeijo que se eslobeícee. num outro país: e» cAtonns esto poPnWn (e,« um sentido oindo inois cspcc.ífieo, dnoiíjnondo o ceÍMinrjeiw c s t n M c e i d o e residente nn etdode mediante umo sendo. (n.f.)

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Livro IX
a fronteira s e m sofrer q u a l q u e r d a n o . Se u m a pessoa m a t a r c o m s u a s p r ó p r i a s m ã o s u m h o m e m livre, a a ç ã o sendo p e r p e t r a d a passionalmentc, nos c a b e r á necessariamente fa/er u m a distinção entre d u a s variedades do crime. O assassinato é cometido passionalmentc por aqueles que, de súbito e sem intenção de matar, aniq u i l a m alguém m e d i a n t e golpes ou o u t r a s violências do gênero n u m a t a q u e repentino, sendo a ação imediat a m e n t e seguida pelo a r r e p e n d i m e n t o . Mas t a m b é m é c o m e t i d o p a s s i o n a l m e n t e q u a n d o p e s s o a s q u e s ã o insultadas por meio de palavras ou atos desonrosos busc a m vingança e a c a b a m por m a t a r a l g u é m c o m deliber a d a i n t e n ç ã o d e fazê-lo, n ã o e x p e r i m e n t a n d o o m e n o r a r r e p e n d i m e n t o p o r esse ato. E preciso, pelo q u e parece, q u e e s t a b e l e ç a m o s q u e esses assassinatos são de dois tipos distintos, a m b o s via de regra c o m e t i d o s sob o imp u l s o da p a i x ã o , e se q u i s e r m o s descrevê-los c o m máxima propriedade, teremos q u e dizer q u e estão a meio c a m i n h o entre o voluntário e o involuntário. Todavia, c a d a um desses tipos apresenta s e m e l h a n ç a s de um e o u t r o l a d o pois o h o m e m q u e refreia s u a cólera e n ã o age de imediato, m a s planeja vingança, e depois de um lapso de t e m p o age c o m i n t e n ç ã o d e l i b e r a d a , se assemelha ao assassino voluntário, e n q u a n t o o h o m e m q u e n ã o a l i m e n t a s e u ó d i o e a ele c e d e de i m e d i a t o sob um impulso repentino e sem intento deliberado se assemel h a a o a s s a s s i n o i n v o l u n t á r i o s e m ser ele m e s m o inteir a m e n t e involuntário, e m b o r a g u a r d e c o m isso a semelhança. Assim os assassinatos cometidos p a s s i o n a l m e n t c s ã o d i f í c e i s d e s e r d e f i n i d o s , q u e r o s t r a t e m o s n a lei como voluntários ou involuntários. O melhor m o d o de l i d a r c o m eles, q u e é t a m b é m o m a i s v e r d a d e i r o , é classificar a m b o s c o m o s e m e l h a n ç a s , e distingíii-los pela característica da intenção deliberada ou a ausência de tal intenção, i m p o n d o p e n a s mais severas àqueles q u e m a t a m com intenção c movidos pelo ódio, e penas mais b r a n d a s àqueles q u e o fazem sem premeditação e sob u m i m p u l s o r e p e n t i n o , isto p o r q u e o q u e s e a s s e m e l h a a u m m a l m a i o r t e m q u e ser p u n i d o com m a i o r rigor, enquanto aquilo q u e se assemelha a um mal menor deve ser p u n i d o m e n o s r i g o r o s a m e n t e . De m o d o q u e é este o r u m o q u e d e v e m n o s s a s leis tornar.

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Platão - As Leis
•^Aiofe-sc que, '-Platão, « c e i o neste coso externo c empeioenf. evita puni» o cidadão Homicida, mesmo aquele que fisemcdita o oítime, com a peita capito!, visto que esse tipo ele eíilwe, (o assassínio. o ceijo* da vido de um sen kitiann, pato nós tão ítoweudo) oeo«c genoftnenfe no âmbito das «ofacões e n t e os indivíduos e «tio abafa di«ctaittcit(e a estabilidade do E s t a d o , o que não acontece no coso do impiedoso (alentado ô Vida que onveilve os eleuscs, os pois e o fistado) e do sublevodo» que atento c o n t a o podei e o constituição vigentes. ^Alo ge/icrf. Pfoíão neso.HWtá a pena eoptlaP mojO.iilaJiomentc
c

Climas: Com t o d a a c e r t e z a o é. O ateniense: V o l t a n d o e n t ã o a n o s s a i n c u m b ê n c i a façam o s este p r o n u n c i a m e n t o : s e a l g u é m c o m s u a s p r ó p r i a s m ã o s m a t a r u m i n d i v í d u o livre, a a ç ã o s e n d o c o m e t i d a sob o impulso da cólera m a s s e m i n t e n ç ã o deliberada, sofrerá a s p e n a s r e s e r v a d a s à q u e l e q u e m a t o u n ã o p a s s i o n a l m e n t c , s o m a n d o - s e a isso o exílio p o r d o i s a n o s p a r a q u e p u n a sua própria cólera. Aquele q u e m a t a r sob os d i t a m e s da p a i x ã o e c o m i n t e n ç ã o d e l i b e r a d a será tratado nos demais aspectos como o assassino passional nãoi n t e n c i o n a d o , p o r é m s e u e x í l i o s e r á d e t r ê s a n o s e m lug a r de, d o i s c o m o o o u t r o - r e c e b e n d o u m a p e n a m a i s l o n g a devieJo à e x t e n s ã o d e s u a p a i x ã o . N o q u e , d i z respeito ao retorno dos exilados a legislação terá q u e ser da m a n e i r a q u e s e s e g u e , t e n d o ruis q u e a d m i t i r q u e s e r á difícil d o t á - l a d e p r e c i s ã o p o i s à s v e z e s o m a i s p e r i g o s o d o s d o i s a s s a s s i n o s a o s o l h o s d a lei p o d e r á s e r e v e l a r o m a i s dõjcil e o m a i s d ó c i l a o s o l h o s d a lei, o m a i s p e r i g o so, este ú l t i m o t e n d o c o m e t i d o o c r i m e m a i s selvagemente e o p r i m e i r o a t é m e s m o s e m selvageria. Mus, via d e regra, as coisas s u c e d e m da m a n e i r a q u e indicamos, de m o d o q u e relativamente a todas essas regulamentações o s g u a r d i õ e s d a s leis t e r ã o q u e a t u a r corno supervisores. Q u a n d o tiver t r a n s c o r r i d o o p e r í o d o d e exílio e m c a d a caso, eles d e v e r ã o e n v i a r d o z e e n t r e si às fronteiras do territéirio p a r a a t u a r e m c o m o juizes, o q u e d e v e r á ter s i d o precedido dc um e x a m e a i n d a mais rigoroso do comport a m e n t o dos exilados. lí c a b e r á a esses h o m e n s t a m b é m j u l g a r se os d e s t e r r a d o s r e c e b e r ã o o p e r d ã o e s e r ã o readmitidos em sua pátria. Só restará aos exilados a c a t a r a decisão desses m a g i s t r a d o s . E se q u a l q u e r um deles, tendo sido readmitido à pátria, reincidir no m e s m o crime, s e r á p u n i d o c o m o e x í l i o p e r p é t u o . E s e a i n d a a s s i m forçar o p r ó p r i o r e t o r n o terá o m e s m o d e s t i n o do estrangeir o q u e força s e u r e t o r n o . • Aquele q u e m a t a r u m escravo d e s u a p r o p r i e d a d e purific a r á a si m e s m o , e se m a t a r o escravo de um o u t r o h o m e m t o m a d o pela cólera terá q u e p a g a r ao p r o p r i e t á r i o o valor correspondente ao dobro do d a n o praticado. E se qualq u e r um entre todos esses tipos de assassinos desobedecer a lei c, d e m ã o s i m p u r a s , m a c u l a r a

nos eumnm, nos \mwim
que matam movidos pela onPoíri. aqueles que decwspcilam a pena de

destemo ou os Joineldentea.
caso em que se to/inom ejetivo pe/iign público oPíni dos pnlíicidas e matíiicidos, o que envolve o otime de impiedade. o\ío caso dos cidadãos, o opção decaí/tá euiase sempte no dcstewto prapétiin, que. a píopósito, [insn os antigos gíiegos, egípcios. tememos n veíiiíos atritos povos antigos costumava m c«eo»odo como

líina punição mais penosa e móis ttísie do que o molde. cÀloquoloe letnpos voPto

agora,

o s jogos e o u -

tras assembléias sagradas, q u e m o quiser processará

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Livro IX
t a n t o o parente do assassinado q u e o p e r m i t e c o m o o próp r i o a s s a s s i n o e o b r i g a r á um a c o b r a r e o o u t r o a p a g a r o d o b r o d o m o n t a n t e d a s m u l t a s e m d i n h e i r o e d e m a i s valores c o b r a d o s ; • • q u a n t o à s o m a p a g a ele a m i n a r á p a r a s i m e s m o d e a c o r d o c o m a lei, • * * S e u m e s c r a v o , t o m a d o pela cólera, m a t a r o seu p r ó p r i o senhor, os parentes do m o r t o t r a t a r ã o o a s s a s s i n o c o m o o d e s e j a r e m , e m b o r a seja n e c e s s á r i o q u e d e m o d o a l g u m o d e i x e m viver, e o f a z e n d o ficarão sem mácula.* • • • E se um e s c r a v o m a t a r u m a p e s s o a livre ( q u e n ã o seja s e u s e n h o r ) m o v i d o p e l a c ó l e r a , seus s e n h o r e s deverão entregar o escravo aos p a r e n t e s do m o r t o , e estes s e r ã o o b r i g a d o s [ p e l a lei] a d a r c a b o d o culp a d o , fazendo-o d o m o d o q u e preferirem. Se, n u m acesso d e cólera, u m pai o u u m a m ã e m a t a u m filho o u u m a filha m e d i a n t e golpes o u a l g u m a espécie de violência - algo q u e e m b o r a r a r o , r e a l m e n t e às vezes acontece - o m a t a d o r fará as m e s m a s purificações d o s outros a s s a s s i n o s e será exilado p o r três a n o s ; findo o desterro c tendo retornado aquele q u e cometeu o crime, a e s p o s a será s e p a r a d a do m a r i d o e este tia e s p o s a , e n u n c a t e r ã o m a i s u m filho j u n t o s , t a m p o u c o c o m p a r t i l h a r ã o n u n c a mais de um lar c o m aqueles dos q u a i s o a s s a s s i n o p r i v o u u m f i l h o , filha o u i r m ã o , b e m c o m o n ã o farão m a i s p a r t e de seu culto; a q u e l e q u e se m o s t r a r des o b e d i e n t e e í m p i o no q u e c o n c e r n e a essa m a t é r i a estar á sujeito a u m a a ç ã o p o r i r n p i e d a d e m o v i d a p o r q u e m q u i s e r m o v ê - l a . E s e u m e s p o s o n u m a c e s s o d e fúria m a t a r s u a e s p o s a o u s e u m a e s p o s a , tle m a n e i r a a n á l o g a , m a tar seu esposo, deverão submeter-se às m e s m a s purificações e se m a n t e r e m no exílio d u r a n t e três a n o s . E q u a n do a q u e l e q u e cometeu o crirne retornar, n ã o participará m a i s do culto c o m seus filhos, n e m s e n t a r á à m e s a c o m eles; c se h o u v e r d e s o b e d i ê n c i a p o r p a r t e do p a i ( m ã e o u p a i ) o u d o filho, e s t a r ã o s u j e i t o s a u m a a c u s a