Instituições financeiras no Brasil

O posicionamento para um novo cenário

Instituições financeiras no Brasil
O posicionamento para um novo cenário

com/about para a descrição detalhada da estrutura legal da Deloitte Touche Tohmatsu e de suas firmas-membro. Fortaleza. Acesse www. competência e habilidade em transformar seus conhecimentos em soluções para seus clientes. com escritórios em São Paulo. C. No Brasil. • Estão reservados à Deloitte todos os direitos autorais desta obra. Rio de Janeiro. da Deloitte e dos articulistas colaboradores. Porto Alegre. o propósito informativo desta obra. a despeito de mudanças pontuais ou ciclos curtos da economia e dos negócios. uma verein (associação) estabelecida na Suíça. Soares Sonia Hagemann Layout Sabrina Lotfi Hollo Fotos Walter Craveiro (fotógrafo oficial) Photocamera (Ney Ottoni de Brito) Ichiro Guerra (Paulo Rogério Caffarelli) Christina Rufatto (Ricardo Marino) Felipe Abud (José Sydrião de Alencar Júnior) Versão em inglês Unitrad – Profissionais em tradução Gráfica Ipsis Gráfica Tiragem 1. Curitiba. mediante consulta formal e comprometimento de citação de fonte.com A Deloitte oferece serviços nas áreas de Auditoria.deloitte. Suas operações cobrem todo o território nacional. de forma alguma. .000 profissionais são reconhecidos pela integridade. © 2010 Deloitte Touche Tohmatsu.000 profissionais atuando a partir de firmas-membro em mais de 140 países. Todos os direitos reservados. Campinas. qualquer que seja o seu segmento ou região de atuação. Corporate Finance. a Deloitte é uma das líderes de mercado e seus cerca de 4. A divulgação de dados pela imprensa ou por quaisquer outras fontes do mercado que venham a atualizar as estatísticas aqui expostas não invalida. C. Com uma rede global de cerca de 169. Consultoria em Gestão de Riscos Empresariais.© 2010 by Deloitte Todos os direitos reservados Direção geral do projeto Clodomir Félix F.500 exemplares na versão em português 500 exemplares na versão em inglês Empresas e entidades colaboradoras Aggrego Consultores Banco do Brasil Banco do Nordeste do Brasil (BNB) Bradesco Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) Fundação Getúlio Vargas (FGV) HSBC Itaú Unibanco Ney O. Junior Coordenação editorial Renato de Souza Mtb 26. Joinville. Belo Horizonte. • O conteúdo dos artigos assinados pelos articulistas colaboradores desta coletânea não reflete necessariamente as opiniões da Deloitte. a Deloitte reúne habilidades excepcionais e um profundo conhecimento local para ajudar seus clientes a alcançar o melhor desempenho. sendo cada uma delas uma entidade independente e legalmente separada. A reprodução de páginas deste livro está vetada e a citação de informações nele contidas está sujeita à autorização prévia. e sua rede de firmas-membro.563 Produção editorial Sthefani Tironi Produção gráfica Leonardo Salles Elisa Paulillo Otavio Sarsano Complementação de informações econômicas Silvana De Sario Revisão Miriam M. Brasília. Consultoria Empresarial e Outsourcing para clientes dos mais diversos setores. Brito e Associados Santander SulAmérica ING Tendências Consultoria Integrada Visa Considerações • As estatísticas mencionadas neste livro refletem a última informação disponível no fechamento da publicação. onde atua desde 1911. A Deloitte refere-se a uma ou mais Deloitte Touche Tohmatsu. Junior Conselho editorial Juarez Lopes de Araújo Heloisa Helena Montes Clodomir Félix F. Consultoria Tributária. Recife e Salvador. Filiada à Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) Contato para leitores desta obra: comunicacao@deloitte. que é o de articular movimentos e tendências essenciais que se estabelecem e se desenvolvem ao longo de anos.

Instituições financeiras no Brasil O posicionamento para um novo cenário .

.

é preciso se posicionar. sabemos apenas que os novos cenários da indústria financeira vão exigir estratégias muito consistentes. De certo. com instituições que se projetam como modelos de excelência nos mais diversos segmentos de atuação. O mundo mudou e. Aos articulistas colaboradores deste livro. para avançar nele. Juarez Lopes de Araújo Presidente da Deloitte . que servem de experiência para continuar progredindo no horizonte nem sempre previsível da economia global. o meu agradecimento pessoal por se disporem a compartilhar conosco seus valiosos conhecimentos e experiências. Os caminhos trilhados até aqui por essas instituições financeiras estão marcados por inúmeras conquistas e uma série de desafios superados.A coragem de se posicionar O Brasil tem assegurado diante do mundo um nível de excepcional desempenho no setor financeiro.

C. Marketing e Comunicação Corporativa do Santander André Loes Economista-chefe do HSBC Fernando Honorato Barbosa Economistacoordenador do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco Cláudio Furtado Doutor em Administração de Empresas e professor da FGV Gustavo Loyola Ex-presidente do Banco Central e sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada Deloitte – liderança local e global Clodomir Félix F. Junior Líder da Deloitte no Brasil para a indústria financeira Jack Ribeiro Líder global da Deloitte para a indústria  financeira . Egydio Martins Vice-presidente executivo de Marca. Indústria e Comércio Exterior Fernando B.Articulistas Alcides Tápias Ex-ministro do Desenvolvimento.

Joaquim Kiyoshi Kavakama Superintendente-geral da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) Paulo Rogério Caffarelli Vice-presidente de Negócios de Varejo do BB e presidente da Abecs José Sydrião de Alencar Júnior Diretor de Desenvolvimento do BNB Ricardo Marino Diretor executivo de Unidades Externas  do Itaú Unibanco Ney Roberto Ottoni de Brito Ph.D. em Finanças pela Stanford University. Brito  e Associados Roberto Teixeira da Costa Criador da CVM e membro do Conselho de Administração da  SulAmérica ING Octavio de Barros Diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos  Econômicos do Bradesco  Rubén Osta Diretor-geral da Visa no Brasil .  professor da UFRJ e sócio  da Ney O.

desafios e papéis para as instituições financeiras Alcides Tápias Capítulo 1 Uma perspectiva global para a indústria 18 Preparação para um tempo de incertezas Os aspectos fundamentais para se posicionar no novo cenário Jack Ribeiro Capítulo 2 O amadurecimento de uma nova disciplina 26 Um paradigma para o mundo O Brasil como exemplo em regulação bancária Gustavo Loyola 30 Apresentação 13 Uma homenagem à nossa vigorosa indústria financeira O contexto de mercado. Junior Sem olhar para o retrovisor Pelo fim dos regimes e mecanismos do passado André Loes 34 Da reforma do sistema mundial ao nosso mercado de capitais Sobre órgãos reguladores. C. Bolsa de Valores e instrumentos financeiros Roberto Teixeira da Costa .Sumário Prefácio 11 Pelo desenvolvimento sustentável do Brasil Méritos. a lógica e os temas desta coletânea de artigos Clodomir Félix F.

Capítulo 3 As operações na escala da excelência 42 Foco na eficiência Uma análise sobre quatro grandes segmentos de mercado Ney Roberto Ottoni de Brito Capítulo 4 Caminhos em um mundo de oportunidades 64 Novas fronteiras para os bancos brasileiros A busca de mercados a partir da internacionalização das operações Ricardo Marino Capítulo 5 Estratégias para um país em transformação 78 Os frutos permanentes da estabilização Medidas para garantir um novo grande ciclo de expansão Octavio de Barros e Fernando Honorato Barbosa 52 Inovação colaborativa A evolução do setor a partir de projetos de cooperação Joaquim Kiyoshi Kavakama 68 Histórias e conquistas do dinheiro de plástico A revolução eletrônica dos meios de pagamento Rubén Osta 82 58 O salto da mobilidade Avanços na tecnologia de mobile payments no Brasil Paulo Rogério Caffarelli Incentivos para um Brasil mais integrado A importância de uma política de desenvolvimento regional José Sydrião de Alencar Júnior 72 Relacionamentos mais humanos. resultados exatos Estratégias e customizações no marketing de relacionamento Fernando Byington Egydio Martins 86 Empreendimentos inovadores e revolução corporativa A nossa vigorosa indústria de private equity e venture capital Cláudio Furtado .

Prefácio

Pelo desenvolvimento sustentável do Brasil
A nossa moderna e competitiva indústria financeira, um referencial de sucesso para o país que todos queremos construir, tem diante de si o desafio de sempre se reposicionar, contribuindo para o progresso de toda a nação
Por Alcides Tápias

o longo da minha trajetória profissional, atuando em diversos setores do meio empresarial e até mesmo no governo, tive a oportunidade de acompanhar e participar diretamente de muitos dos movimentos mais importantes que marcaram a história recente do ambiente de negócios no Brasil. De uma longa sequência de conquistas obtidas e desafios enfrentados, resta hoje um balanço bastante positivo. Vivemos em um país que, de fato, evoluiu, assumindo uma posição de grande emergente no cenário internacional e deixando para trás aquele velho estigma de eterno, mas improvável, “país do futuro”. Depois de tantas décadas de instabilidade, alguns planos econômicos malsucedidos e ciclos de crescimento pouco consistentes, estamos finalmente, apesar de tantos problemas, diante de um conjunto concreto de oportunidades para avançar significativamente. Colhemos hoje aquilo que meu estimado economista Octavio de Barros denomina, no artigo que ele próprio assina neste livro, como “os frutos da estabilidade”, referindo-se aos benefícios duradouros da política econômica plantada ainda em meados da década de 90.

A

Evidentemente convivemos ainda com muitos entraves sérios à atividade empresarial. Da alta carga tributária à excessiva burocracia que atravanca os negócios, o Brasil defronta-se com um mundo de desafios que precisam ser melhor endereçados. Além disso, nossa capacidade de nos fazer competitivos na indústria e no comércio internacionais será posta certamente à prova nos próximos anos, desafiando o poder público e a iniciativa privada a investirem na aceleração de um desenvolvimento sustentável para o País. É basicamente disso que o Brasil precisa – crescer, produzir, vender, educar, tornar-se realmente grande frente ao mundo. Ao mesmo tempo, necessita fazer com que tudo isso se converta em um desenvolvimento perene, seguro e verdadeiramente próspero. Nesse objetivo de elevar o País ao patamar das vanguardas mundiais, pode-se dizer que já há alguns setores que desfrutam de posição privilegiada. Entre eles, certamente está a nossa indústria financeira. Moderna, competitiva e com bases regulamentares muito sólidas, ela representa uma parcela importante de um Brasil que já está à frente.

11

Alcides Tápias foi vice-presidente do Bradesco, presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), membro do Conselho Monetário Nacional, presidente do Grupo Camargo Corrêa e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Nosso setor de serviços financeiros vem sendo crucial para revolucionar a dinâmica corporativa local, financiar um número crescente de empresas e pessoas, integrar negócios, viabilizar projetos e transações, incentivar investimentos produtivos e intensificar as relações entre os cidadãos brasileiros. Em suma, ele tem sido capaz de fazer a diferença pelo desenvolvimento do Brasil. A experiência pela qual nosso setor financeiro passou por ocasião da crise dos mercados mundiais, ao final desta primeira década do século XXI, comprova o seu nível de competência. Em uma economia tão globalizada como a atual, seria natural esperar que os impactos da instabilidade internacional fossem sentidos em toda a cadeia dos serviços financeiros de um país emergente como o nosso. Porém, nosso sistema mostrou-se bem mais eficaz do que o de outros países, sustentado por um bom conjunto de regulamentações e um mercado de práticas bastante avançadas. Entretanto, apesar de o Brasil ter passado bem pela prova da turbulência global, convém lembrar que a indústria financeira, aqui ou em qualquer outro lugar, não será mais a mesma. É fato que, encerrada a fase mais aguda da crise, o setor dá sinais, em todo o mundo, de que continuará caminhando, nos próximos anos, para uma espécie de normalidade.

Por outro lado, é fato também que a crise deixou, no âmbito da indústria financeira, não apenas marcas, mas, sobretudo, lições, oportunidades e inúmeros desafios. É certo que a dinâmica do mundo externo interferirá de alguma forma no Brasil, seja pela presença mais acentuada de competidores globais nos países emergentes ou pela disseminação de novas práticas, gestadas em consequência da própria crise. Por tudo isso, sabemos hoje que o cenário que deve ser apresentado, nos próximos anos, para todas as instituições financeiras que atuam no Brasil é totalmente novo. Depois da volatilidade, não haverá mais retorno ao período anterior. Há, ao contrário disso, uma conjuntura genuinamente nova, que reúne aprendizados de um passado instável, recomendações de cautela para o presente e previsões de riscos que precisam ser bem gerenciados no futuro. Esse novo cenário exige das instituições financeiras que atuam no mercado local um posicionamento firme no princípio de contribuir com o desenvolvimento sustentável do País. A coletânea de artigos que formam esta obra reflete essa visão. Reconheço nas palavras de seus autores o conhecimento e a experiência de que o Brasil demandará para continuar avançando.

Apresentação

Uma homenagem à nossa vigorosa indústria financeira
Para ajudar a compreender a complexa e intensa dinâmica das instituições que fazem do setor financeiro nacional um dos mais modernos do mundo, nada melhor do que uma coletânea de visões e análises de alguns dos principais especialistas do tema no País
Por Clodomir Félix F. C. Junior

a virada da primeira década do século, nosso mercado financeiro ostenta provas incontestáveis de vitalidade e solidez. Superamos, sem grandes percalços, a turbulência dos mercados internacionais desencadeada pela crise que se instalou mundo afora a partir do segundo semestre de 2008. Vimos nossas instituições manterem firmes os seus pilares diante de um cenário global de profunda instabilidade. Mais do que isso, celebramos a presença de bancos brasileiros na lista dos maiores do mundo, sustentados por estratégias de crescimento consistentes e que hoje inspiram organizações de outros países emergentes.

N

Se as nossas instituições financeiras conseguiram atravessar a maior crise financeira internacional desde 1929, podemos creditar esse sucesso a três razões básicas, já bastante debatidas pelos estudiosos e agentes do setor: a competência de gestão das próprias organizações, a maturidade alcançada pelo mercado como um todo – fazendo uso das melhores práticas nacionais e globais – e a robustez de nossa estrutura de regulamentações e das ações do Banco Central do Brasil (BC). Desses motivos apontados, os dois primeiros sempre estiveram intimamente atrelados. À medida que a postura empreendedora das instituições financeiras construía as bases do nosso vibrante mercado, ele próprio ajudava a suportar o avanço das operações, constituindo instâncias de regulação, entidades representativas, sistemas compartilhados de informação e assim por diante.

desde sempre. a impressionante integração de informações que hoje universalizam os serviços em todo o território nacional e a enorme diversidade de produtos oferecidos a dezenas de milhões de clientes são legados deixados por organizações que. mesmo sabedores de que há muito o que ser feito pela prórpia dinâmica do mercado E. A rápida automatização de processos a partir do avanço da informatização nas redes bancárias. para garantir um nível respeitável de segurança ao mercado. seguradoras. É justamente esse conjunto de fatores positivos que constitui a base que suporta as nossas instituições financeiras no enfrentamento de uma série de desafios já presentes ou iminentes. convivemos hoje com um arcabouço de regras que coloca o País entre os mercados de melhores práticas do mundo. C. a nossa extensa base de regulamentações – terceira razão apontada para justificar a atual força do setor financeiro no Brasil – é o que hoje contribui. . se uniram no propósito de construir uma indústria de vanguarda e – por que não dizer – de vanguarda internacional. temos tido o conforto de contar com uma autoridade monetária altamente responsável e verdadeiramente preocupada com o crescimento sustentável do setor e da nossa economia como um todo. De modo complementar. fundos de private equity e toda a cadeia ligada ao setor financeiro no Brasil deixaram suas marcas em uma história de inovações e ousadias. prontos para apresentarem-se no horizonte de médio e longo prazos da indústria global. de modo decisivo.13 Clodomir Félix F. no comando dessa indústria. Junior é líder da Deloitte no atendimento às instituições financeiras no Brasil Foi assim que bancos. Das instruções que reproduzem localmente os parâmetros de segurança importados de regulamentações internacionais às normas concebidas para a peculiaridade do nosso próprio ambiente de negócios.

que trata das perspectivas de avanço da tecnologia dos mobile payments no Brasil. há anos gozando de estabilidade econômica. em um livro. O acadêmico e consultor Ney Ottoni de Brito abre esse grupo de artigos discorrendo sobre a eficiência econômica e operacional das instituições. Jack Ribeiro.14 Entre esses desafios. como os chamados mobile payments and commerce (tecnologia que permite pagamentos a partir de dispositivos móveis). o mercado de capitais terá um peso essencial para o desenvolvimento do setor nos próximos anos. Joaquim Kiyoshi Kavakama. alguns dos mais renomados especialistas do País em temas e campos específicos do setor financeiro. bem como executivos com histórico profissional associado às principais instituições do mercado. o capítulo “As operações na escala da excelência” reúne artigos em torno dos temas “eficiência”. o líder global da Deloitte para o setor financeiro. seguido de Paulo Rogério Caffarelli.” . no Brasil.) estão apresentados artigos redigidos sempre sob o ângulo da análise histórica dos avanços obtidos e das perspectivas que o mercado apresenta para os próximos anos. estão movimentos em curso há algum tempo ou ainda sendo gestados. superintendente-geral da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP). A lógica dos capítulos É diante de todo esse contexto que hoje permeia a dinâmica da indústria que a Deloitte decidiu levar adiante a iniciativa de reunir. a exigência sempre maior por práticas sustentáveis. chama a atenção para a necessidade de o Brasil. um dos criadores do Plano Real. Nesta obra. André Loes. lembra que. que pode servir de presente a todos os que buscam compreender a complexidade de uma das indústrias financeiras mais desenvolvidas do mundo. aborda a espetacular evolução do País nesse campo desde meados dos anos 90 – de “patinho feio” da indústria global a exemplo na área de regulação bancária.. o ex-presidente do Banco Central. de governança corporativa e de gestão de riscos e até mesmo a necessidade de lidar com canais alternativos pelos quais começam a trafegar as transações bancárias. que participou da criação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Finalizando o bloco. vice-presidente de Negócios de Varejo do BB. sinaliza grandes tendências para o futuro próximo e faz algumas recomendações para que as instituições se posicionem adequadamente diante dos novos cenários. “tecnologia disruptiva” e “inovação”. a inovação e os projetos colaborativos na indústria. complementa então abordando um tema nosso de cada dia. o economista-chefe do HSBC. o acadêmico Roberto Teixeira da Costa. à parte a importância dos órgãos reguladores para a saúde do sistema financeiro mundial. que trata do amadurecimento alcançado pelo Brasil no âmbito das regulamentações do setor financeiro. estão apresentados artigos redigidos sempre sob o ângulo da análise histórica dos avanços obtidos e das perspectivas que o mercado financeiro apresenta para os próximos anos. No mesmo capítulo. Gustavo Loyola. abandonar regimes e mecanismos compensatórios que marcaram o cenário regulamentar de períodos mais instáveis.. “Nesta obra (. Por sua vez. fatores decisivos para o aprimoramento da gestão e a otimização dos resultados. No primeiro capítulo. Na introdução da obra. desde a internacionalização das operações de bancos até a crescente sofisticação tecnológica dos processos.

tema tratado por Ricardo Marino. e Fernando Honorato Barbosa. A Deloitte agradece imensamente a todos os articulistas colaboradores que tornaram esta obra possível e espera que os conteúdos aqui apresentados sirvam de referencial a todos os que se dedicam a estudar a fascinante indústria financeira. Os resultados desse mercado falam por si. Cláudio Furtado. Marketing e Comunicação Corporativa do Santander. no Brasil e no mundo. com a formação de todo o mercado global de cartões de crédito. “A Deloitte agradece imensamente a todos os articulistas colaboradores que tornaram esta obra possível e espera que os conteúdos aqui apresentados sirvam de referencial a todos os que se dedicam a estudar a fascinante indústria financeira. É nessa perspectiva que se apresentam os artigos do capítulo “Estratégias para um país em transformação”. Fernando Byington Egydio Martins. que se confunde. Octavio de Barros. na busca de oportunidades em outros mercados. José Sydrião de Alencar Júnior. Considerando a importância do setor financeiro para o ambiente de negócios do País.15 Já os artigos do capítulo “Caminhos em um mundo de oportunidades” tratam de movimentos e estratégias de mercado que refletem a visão de grandes organizações que sabem se colocar à frente de seu tempo. os agentes do mercado são exigidos a assumir um papel colaborativo com o desenvolvimento do mercado nacional e da nação como um todo. Rubén Osta. o que passa por estratégias cada vez menos óbvias. vice-presidente executivo de Marca. conta como essa indústria vem modernizando-se no Brasil e abrindo perspectivas para transformá-lo a partir de uma gradual. abrem esse capítulo destacando ações fundamentais para que o Brasil da próxima década consiga manter os bons frutos da estabilidade econômica conquistada nos últimos anos. economista-coordenador do mesmo banco. diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco. mas consistente. diretor-geral da Visa do Brasil. inovando e empreendendo. E.” . para fechar o capítulo. no Brasil e no mundo. fala a respeito de uma das trajetórias mais bem-sucedidas da história da indústria financeira mundial – a de sua própria empresa. Fechando o capítulo. desbravando alternativas. É o caso de bancos brasileiros que hoje se posicionam em franco processo de internacionalização. A seguir. diretor-executivo de Unidades Externas do Banco Itaú Unibanco. justamente no momento em que regiões como o Nordeste se pronunciam como emergentes. Na sequência. revolução corporativa. diretor de Desenvolvimento do BNB. coloca em questão a relevância de se pensar estrategicamente o Brasil também a partir de uma política de desenvolvimento regional. professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em um mercado de ofertas aparentemente tão similares. aborda um aspecto particular dessa busca contínua de novos caminhos na concretização de oportunidades: o marketing de relacionamento. cada instituição tem o desafio de se diferenciar diante de seus públicos. a partir das ideias de seu visionário criador. um dos maiores especialistas do País no mercado de fundos de private equity.

Capítulo 1 Uma perspectiva global para a indústria mundo pós-crise • riscos • oportunidades .

.

Preparação para um tempo de incertezas Para enfrentar as dúvidas quanto ao futuro do setor. flexibilidade. responsabilidade e lucratividade Por Jack Ribeiro . as instituições financeiras de todo o mundo precisam atentar-se a quatro aspectos fundamentais para posicionarem-se e serem bem-sucedidas no novo cenário: sustentabilidade.

vivemos um momento de retorno a um nível mais confortável de estabilidade. na realidade. No entanto. os produtos estruturados parecerão de bom valor desde que a sua política de preços não venha a embutir todo o risco que eles carregam. Contudo. algumas instituições financeiras dependiam em demasia de recursos de curto prazo. Uma perspectiva global para a indústria . sem um método adequado para mensurar o valor de longo prazo desses talentos. ficou claro que muitas das práticas do setor de serviços financeiros simplesmente eram insustentáveis a longo prazo. mas é difícil para elas traçar um curso até o futuro quando tantos detalhes continuam incertos. certamente. há alguns aspectos fundamentais aos quais as instituições financeiras precisam se atentar para se posicionarem no novo cenário financeiro. Qual será o resultado final do debate sobre a regulação da indústria? O que vai acontecer quando o apoio dos governos cessar? E qual foi o tamanho do estrago causado às relações entre as instituições financeiras e os seus clientes e o público em geral? As instituições financeiras sabem que uma mudança significativa está a caminho. apesar disso. Por exemplo. Algumas estavam pagando bônus cada vez mais inflacionados para o talento de seus executivos. ainda há muita incerteza sobre a futura direção do setor de serviços financeiros globais. sem entender totalmente o risco neles embutido. É certo que recursos de curto prazo vão parecer ser de bom valor se nenhum prêmio de liquidez estiver vinculado ao preço. responsabilidade e lucratividade. Também é certo que o talento dos executivos parecerá de bom valor se forem mensurados apenas os ganhos de mercado de curto prazo. flexibilidade. Sustentabilidade Com a crise financeira. E outras estavam investindo em produtos estruturados. E. A dimensão comum a todos esses exemplos é uma lacuna entre a percepção do valor e a expectativa do preço.19 Jack Ribeiro é o líder global da Deloitte para a indústria financeira C omparando-se à agitação que se viu no auge da crise financeira. Esses aspectos incluem focar em quatro áreas específicas: sustentabilidade. sem “colchões” suficientes para absorver um choque de liquidez.

ela também precisa estabelecer-se no mercado de varejo. . Porém. Um passo fundamental para que isso seja alcançado é “reabilitar” os clientes para que apreciem o valor de determinados serviços que passaram a esperar receber gratuitamente.20 Instituições financeiras no Brasil Para que se tenha novamente um modelo mais sustentável no setor de serviços financeiros. em que os clientes se acostumaram a serviços gratuitos. para as instituições financeiras. No mercado institucional. essa medida é essencial. com o preço da liquidez. se quiserem recuperar a sustentabilidade de seu modelo de negócios. por exemplo. essa mudança já está ocorrendo. as instituições precisam fechar a lacuna entre o valor percebido e o preço esperado. como as contas correntes isentas de taxas. agora estabelecendo-se nas decisões relativas aos investimentos. mas. Será difícil para os clientes aceitarem esse ajuste.

Devido. seguido de reduções sensíveis. mas que as deixem com flexibilidade suficiente para se adaptarem à medida que as regulações evoluam e se estabilizem. Por isso. com o objetivo de proteger os clientes contra práticas supostamente predatórias das administradoras de cartões de crédito. à medida que a crise vai ficando para trás. Os Estados Unidos. da grande responsabilidade dos tomadores de decisão da indústria.” Uma perspectiva global para a indústria . se é que é realmente necessário. as instituições financeiras precisam desenvolver mais a disciplina da flexibilidade caso queiram manter uma posição de liderança durante esse período de pressões vindas de todas as direções. O tema. Responsabilidade A crise financeira destacou o impacto que o setor de serviços financeiros pode ter nas economias e na sociedade como um todo. por exemplo. nos Estados Unidos. Elas precisarão adotar uma estrutura e uma cultura de conformidade que lhes permitam responder às mudanças regulamentares iniciais. Com forças tão poderosas pressionando o debate em diferentes direções. parece que esse acordo e essa cooperação também estão perdendo um pouco do vigor. com a maioria dos países industrializados concordando que qualquer solução teria de ser compatível em todos os países para que tivesse sucesso. À medida que o setor supera a crise. é provável que a criação de qualquer nova regulação venha a ser um processo difícil. alguns países do G-20 parecem estar buscando soluções unilaterais para evitar uma futura crise. Parte dessa responsabilidade será imposta pelas autoridades. como as operações de mesa proprietária ( proprietary trading). foi “cooperação”. houve pedidos de uma nova abordagem à regulação e à supervisão globais. antes de o novo cenário regulador finalmente estabilizarse e ficar previsível de alguma forma. ele deve refletir sobre as maneiras de fortalecer esse senso de responsabilidade e tomar medidas para melhor proteger a economia e a sociedade contra eventuais crises futuras.21 Flexibilidade Logo após a estabilização do sistema financeiro. se é que é realmente necessário. A criação de uma agência mais ampla de proteção do consumidor de serviços financeiros também está sendo discutida como parte do pacote da reforma regulamentar norte-americana. a Lei de Prestação de Contas. parecem buscar um caminho para restringir as instituições de determinadas atividades. É um lembrete. No entanto. às pressões políticas locais para reagir à crise financeira. na ocasião. É um lembrete. Por exemplo. “A crise financeira destacou o impacto que o setor de serviços financeiros pode ter nas economias e na sociedade como um todo. Responsabilidade e Transparência dos Cartões de Crédito entrou em vigor em fevereiro de 2010. O provável é que tudo comece com excesso de regulação. da grande responsabilidade dos tomadores de decisão da indústria. de certa forma.

Os planos de recuperação devem conter detalhes de como as instituições diminuirão os riscos de suas posições para recuperar a liquidez durante períodos de crise. enquanto os setores de seguro e gestão de ativos estão mais concentrados em aumentar a receita por meio do desenvolvimento de novos produtos e de melhor distribuição. inclusive com medidas para a venda de ativos. as instituições financeiras serão forçadas a maximizar as eficiências e introduzir um controle de custos contínuo se quiserem manter as margens de lucro. criando mais pressões de custo para as empresas. Esses planos dão às instituições a oportunidade de detalhar quais passos darão para recuperar-se de outro aperto de liquidez ou como enxugarão a empresa de maneira responsável. No entanto. Por exemplo. o real desafio virá quando esse apoio cessar e as novas regulações e normas entrarem em vigor. Outra pesquisa da Deloitte indica que o setor bancário muito provavelmente buscará esse crescimento de receita nos mercados emergentes e também na expansão para outros setores. até que o ambiente fique mais claro. Uma pesquisa da Deloitte mostra que um número significativo de executivos de serviços financeiros acredita que os custos de fazer negócios aumentarão e. alerta para a dificuldade de repassar esses custos para o cliente. Os planos de resolução. mas precisarão fazer isso a fim de se manterem lucrativas.22 Instituições financeiras no Brasil Mesmo quando as ações não são obrigatórias. focando em garantir um modelo de negócios mais sustentável e mantendo suas atividades flexíveis. restaurando a responsabilidade pelas novas operações e também pelas já existentes e priorizando os resultados para manter a lucratividade durante esse período de mudança. flexíveis e responsáveis. Consequentemente. as instituições devem começar a se preparar. destinados a entrar em vigor se o plano de recuperação não funcionar. as instituições financeiras devem considerar os benefícios de adotar melhores práticas de responsabilidade. especialmente quanto ao ambiente regulamentar e de mercado. O atual clima de taxas de juros historicamente baixas e de garantias do governo facilitou um pouco para as instituições retornarem à lucratividade. Preparação O momento continua incerto para o setor. . As instituições financeiras que tiverem êxito nessas áreas-chave estarão em forte posição para serem bem-sucedidas no novo cenário financeiro. já que o comportamento dos clientes mudou de maneira significativa desde a crise e eles provavelmente darão mais atenção às ofertas de cada instituição em seus mercados locais. ao mesmo tempo. Lucratividade As instituições financeiras precisarão focar em maneiras de serem sustentáveis. Os dois tipos de plano também devem detalhar quem na organização é responsável pela implementação de cada um deles. devem descrever para os administradores como retirar as posições das instituições do mercado sem desencadear o risco sistêmico visto na última crise. É claro que também precisarão encontrar novas maneiras de aumentar a receita. muitas vezes chamados de “testamentos vitais” (living wills). quais eventos sinalizarão essa implementação e com que frequência eles devem ser atualizados. consideremos a introdução de planos de recuperação e resolução. Os dois caminhos para o crescimento da receita dependerão de uma seleção renovada de mercados e produtos. No entanto.

23 “O momento continua incerto para o setor. focando em garantir um modelo de negócios mais sustentável e mantendo suas atividades flexíveis (. as instituições devem começar a se preparar.. especialmente quanto ao ambiente regulatório e de mercado..).” Uma perspectiva global para a indústria . No entanto.

Capítulo 2 O amadurecimento de uma nova disciplina regulamentação • órgãos reguladores • mercado de capitais .

.

Um paradigma para o mundo
De antigo “patinho feio” da indústria financeira, o Brasil se coloca hoje como um exemplo na área de regulação bancária
Por Gustavo Loyola

27 O amadurecimento de uma nova disciplina Gustavo Loyola foi presidente do Banco Central nos períodos de 1992 a 1993 e de 1995 a 1997 e é sócio-diretor da Tendências Consultoria Integrada

ntre 1995 e 1997, o Brasil enfrentou o grave risco de uma crise financeira de grandes proporções. O recémimplementado Plano Real havia feito evaporar a receita inflacionária dos bancos – que correspondia a quase 10% do PIB (Produto Interno Bruto) –, e muitas instituições não se mostravam à altura do desafio de enfrentar uma economia estabilizada. Ao mesmo tempo, esgotava-se um modelo em que os Estados se utilizavam de seus bancos para financiar a irresponsabilidade fiscal, que vinha sendo regra na maioria das Unidades da Federação. Naquele período, o BC (Banco Central) defrontouse com um dos maiores desafios de sua história. De um lado, tinha a grande responsabilidade de conduzir as políticas monetária e cambial que assegurassem o êxito do Plano Real, no contexto de um ambiente externo eivado de crises soberanas, como as ocorridas no México, na Ásia e em outras regiões do mundo. De outro, tinha de adotar medidas radicais para evitar a emergência de uma crise financeira sistêmica, cujas consequências poderiam ser desastrosas para o País.

E

No âmbito da regulação e supervisão bancária, os instrumentos à disposição do BC eram flagrantemente inadequados. A legislação e as normas infralegais não davam à instituição plenas condições para o exercício eficaz de suas funções nesse campo, inclusive no que dizia respeito à resolução da crise. Ademais, a infraestrutura do mercado carecia de mecanismos mitigadores do risco sistêmico, principalmente no que concernia ao sistema de pagamentos. Não bastasse isso, as práticas e os processos de supervisão bancária eram, em boa medida, inadequados, o que dificultava a intervenção tempestiva do BC em situações de risco. Com o pleno apoio das autoridades políticas, o BC engajou-se em um projeto que, ao mesmo tempo em que buscava solucionar os problemas já visíveis, objetivava fortalecer o sistema financeiro nacional a médio e longo prazos, seja por meio da adoção de normas prudenciais e de uma supervisão em linha com as melhores práticas internacionais, seja pela criação de uma infraestrutura financeira que reduzisse os riscos sistêmicos.

28

Instituições financeiras no Brasil

Assim, foram implementados o Proer (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional) e o Proes (Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária), os quais, respectivamente, propiciaram a resolução das dificuldades enfrentadas por bancos de capital privado e oficial, evitando a ocorrência de uma crise financeira sistêmica. Além disso, foi criado o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para garantir depósitos de pequenos clientes dos bancos, bem como foi implementado o SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro), que observa os melhores padrões internacionais.

Os pilares de Basileia Quanto à regulação e à supervisão bancária, em uma demonstração de continuidade de políticas públicas raramente vistas no País, o Brasil implementou, ao longo dos últimos quinze anos, praticamente em sua integralidade, as recomendações do Comitê da Basileia, o que colocou o País à frente de muitas nações desenvolvidas que, por vários motivos, não implantaram inteiramente os seus ditames. Dessa maneira, foram adotadas aqui as normas do Acordo de Capital da Basileia (Basileia I) e suas revisões posteriores, bem como os seus princípios de supervisão bancária. Ao mesmo tempo, o Brasil, através do BC e de outros órgãos governamentais e não governamentais, passou a integrar os principais foros internacionais relevantes para a regulação e supervisão financeira. Desse modo, quando a crise do subprime chegou, em 2008, o Brasil estava em processo de implementação integral do Novo Acordo de Capital (Basileia II), em seus três pilares. Neste momento, é possível dizer que o País já praticamente atende às recomendações integrantes dos pilares 2 e 3 da Basileia II (processo de supervisão e disciplina de mercado), enquanto, para os requisitos de capital mínimo, vigora uma versão aperfeiçoada da Basileia I, que já contempla vários aspectos da Basileia II. Ao longo dos próximos cinco anos, prevê-se a entrada em vigência dos requisitos de capital para risco de crédito, risco de mercado e risco operacional.

O que se busca é tornar o sistema bancário menos procíclico. Um dos principais focos dessas propostas é o aumento da qualidade e da transparência da base de capital dos bancos. antes mesmo da promulgação da Lei nº 11. tanto pelos seus prováveis efeitos alocativos negativos como. Alinhados. a proposta contempla a introdução de limites de alavancagem.” . a fim de preservar o País de crises financeiras e. na Inglaterra e em outras jurisdições.29 O amadurecimento de uma nova disciplina Além disso. propostas para fortalecer a regulação de capital e de liquidez dos bancos. a proposta do governo norteamericano de limitar o tamanho dos bancos e de proibir as operações de tesouraria “proprietárias” é totalmente imprópria. Ocorre que a crise financeira recente evidenciou a necessidade de revisão das recomendações integrantes da Basileia II. a necessidade de manter esse alinhamento não deve levar os reguladores brasileiros a certos exageros que inevitavelmente estão sendo cometidos na escalada re-regulatória que se segue à pior crise financeira do pós-guerra. bem como a constituição de “colchões” de capital nos momentos conjunturalmente favoráveis. o Comitê de Supervisão Bancária da Basileia divulgou. A crise recente mostrou que o sistema bancário nacional é altamente resiliente e que o Brasil não havia incorrido nas falhas de regulação e supervisão observadas nos Estados Unidos. Além disso. pelo abuso no emprego de conceitos alternativos de capital.638/07. Por exemplo. principalmente pela sua ineficácia como limitadora do risco sistêmico. é o Brasil manter-se em linha com o consenso internacional na área regulatória e de supervisão – sempre evitando a adoção dos exageros referidos –. e outras que ainda virão emanadas tanto do Comitê da Basileia quanto do FSB (Financial Stability Board). “A crise recente mostrou que o sistema bancário nacional é altamente resiliente e que o Brasil não havia incorrido nas falhas de regulação e supervisão observadas nos Estados Unidos. O propósito é fazer com que o cálculo dos requisitos de capital não deixe de fora riscos originários de operações com derivativos e compromissos de financiamento e de recompra assumidos por tais instituições. que prevê o emprego dessas normas pelas empresas brasileiras em geral. para os próximos anos. antes mesmo que estivessem plenamente adotadas pelas principais economias do mundo. sistemicamente relevantes. o BC já estava comprometido com a adoção plena das normas contábeis internacionais – o IFRS (International Financial Reporting Standards) – pelas instituições financeiras brasileiras. ao mesmo tempo. que terão de incorporá-las ao nosso arcabouço regulamentar nos próximos anos. Nesse sentido. O importante. impõem novos desafios aos reguladores brasileiros. com vistas a reduzir o impacto das perdas em conjunturas de contração econômica. com vistas a abarcar todos os riscos incorridos pelos bancos. tendo em vista a observada erosão da capitalização de muitas instituições. antes mesmo da implementação plena da Basileia II. em dezembro de 2009. A ideia básica é adotar uma definição mais restrita de capital. Em linhas gerais. Sua adoção no Brasil deve ser totalmente descartada. Um terceiro propósito do Comitê é a criação de mecanismos com o intuito de evitar a excessiva alavancagem dos bancos durante as fases de expansão do ciclo econômico. o Comitê da Basileia propõe a adoção de regras que alarguem o escopo da exigência de capitais mínimos. na Inglaterra e em outras jurisdições. facilitar a inserção da indústria financeira brasileira nos mercados globais. mas sem exageros Contudo. Essas recomendações.

regimes e obrigatoriedades que ainda amarram o sistema financeiro ao passado Por André Loes .Sem olhar para o retrovisor Ao deixar para trás um longo período de instabilidade. o País precisa agora abandonar alguns mecanismos compensatórios.

na última década. regimes e obrigatoriedades que miram o retrovisor. pois o período de forte desequilíbrio dos anos 80 a meados dos 90 não constituiu uma exceção. Essa evolução foi particularmente relevante. um nível de estabilidade macroeconômica inédito em sua história. Uma economia exposta a tão longo período de instabilidade desenvolve mecanismos para lidar com o desequilíbrio. uma prática justificada. tais mecanismos manifestaram-se por meio do comportamento dos seus agentes – preferência pela liquidez. antes. é preciso superar e/ou transformar tais mecanismos e regimes. a seguir. devem ser objeto de mudanças significativas ao longo da década que se inicia. O O País deixou esse capítulo para trás.31 O amadurecimento de uma nova disciplina André Loes é economista-chefe do banco HSBC Brasil alcançou. e a elevação dos compulsórios aos níveis anormalmente altos que se observa no Brasil. por exemplo – e também por medidas tomadas pelo governo para remediar a manifestação desses desequilíbrios. Discutirei. . Para o setor financeiro. Para que o sistema financeiro seja capaz de desempenhar adequadamente seu papel ante a sociedade nos próximos anos. acredito. quando o controle de liquidez era crítico. três pontos que. uma exacerbação de desequilíbrios presentes ao longo da maior parte do século passado. mas. A indexação. Trata-se de um dos legados do período de alta inflação. a preferência pelo consumo presente sobre o consumo futuro e as taxas de juros muito altas são alguns exemplos. Recolhimento sobre passivos O primeiro ponto refere-se às altas taxas de recolhimento compulsório sobre passivos bancários. mas ainda convivemos com mecanismos. o encurtamento de prazos.

na média dos últimos cinco anos. do ponto de vista da remuneração dos diferentes compulsórios. atingiu 13. 6. em termos do risco sistêmico a ele associado. poderiam ser alocados para empréstimos ao setor privado. Ou seja. penaliza desproporcionalmente os bancos de varejo. Créditos direcionados O segundo ponto refere-se aos direcionamentos obrigatórios de crédito. de outra maneira. Os limites ao alongamento refletem menos a preocupação com o risco Tesouro e mais com o risco de descasamento dos balanços. privilegiando mais do que seria normal os produtos de alto retorno. o tratamento diferenciado.75%. com os setores favorecidos recebendo um montante maior do que indicaria uma avaliação de risco-retorno. 25% de tais recursos devem ser obrigatoriamente emprestados às atividades rurais. em resposta à indisponibilidade de parte de seus depósitos. O excessivo descasamento entre prazos médios de passivos e ativos significaria um risco muito grande para as instituições e inaceitável para a autoridade monetária (em sua função de supervisão bancária). No caso dos depósitos de poupança. Por fim. de risco baixo e com investimentos que demandam horizonte de financiamento cada vez mais longo. Essa preferência manifesta-se na concentração da riqueza em aplicações de liquidez diária. Alta inflação. com um spread de até 6% sobre seu custo de captação. confiscos e indexação assimétrica levaram os aplicadores a uma forte preferência pela liquidez e pela indexação ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário). O retorno necessário à remuneração da intermediação bancária precisa ser obtido a partir de um menor montante de recursos disponíveis para empréstimo. No que se refere aos empréstimos imobiliários. Além disso. que tem acesso garantido a recursos que. no máximo. a uma taxa fixa de. os spreads cobrados nos empréstimos para os segmentos não favorecidos por crédito direcionado obviamente mantêm-se mais altos do que poderiam ser. pelo risco inerente ao negócio. cujo custo de manutenção das agências que captam depósitos à vista acaba sendo remunerado por um spread que incide sobre pequena parte dos depósitos. por exemplo. por exemplo. dada a estabilidade alcançada pelo Brasil. só podem existir segmentos favorecidos se os demais forem preteridos. Os títulos do Tesouro Nacional. assim. a manutenção dos direcionamentos distorce a alocação de recursos. é possível que. No caso dos depósitos à vista. Trata-se de dispositivos originalmente desenhados para garantir a oferta mínima de crédito a setores que. A principal consequência negativa do encurtamento de prazos é que os ativos dos bancos e dos fundos de investimento também acabam por apresentar limitações de prazo. “O que não se pode mais é postergar as mudanças necessárias à adequação do sistema financeiro à realidade de um país estável. bastante inferior à taxa básica. os bancos apresentem um viés na alocação dos recursos restantes. e o tomador final fica. Além disso. acabam por apresentar um prazo médio inferior ao que poderiam obter. dificilmente conseguiriam ter acesso a um volume adequado de recursos. Os prazos dos empréstimos ao setor privado também apresentam limitação por conta de tal descasamento.73%.32 Instituições financeiras no Brasil Compulsórios muito altos causam elevação de spreads. 65% devem ser empregados na concessão de empréstimos imobiliários. a recente ampliação dos depósitos em poupança implica a necessidade de aumento compulsório do crédito imobiliário em uma velocidade que poderia comprometer a qualidade da carteira de empréstimos.” . em detrimento do retorno. Prazos curtos O terceiro ponto de interesse refere-se ao prazo excessivamente curto dos passivos no Brasil. Na ausência das condições que levaram à sua introdução no passado. onerado – em benefício do governo. que. por exemplo.

Um prazo mais dilatado também é desejável para que o Tesouro se prepare para a colocação de seus títulos. sobretudo. No caso do crédito agrícola. beneficiando as de longo prazo – contribuiria para induzir o desejado alongamento dos passivos. mas seria desejável trazer gradualmente sua remuneração para taxas de mercado.33 O amadurecimento de uma nova disciplina Como avançar No caso dos compulsórios. evitando que o Tesouro venha a ter dificuldades na colocação de sua dívida e que os bancos tenham necessidade de aumentar sua carteira de crédito imobiliário em condições inapropriadas de relação risco-retorno. a solução mais adequada seria aumentar a progressividade da taxação sobre os ganhos das diferentes aplicações financeiras. Uma possibilidade seria. com a taxa voltando a igualar-se à Selic sempre que esta estiver abaixo desse teto. Para que a transição se faça de maneira suave. sem poder mais contar com a demanda cativa representada pelos compulsórios depositados em títulos públicos. Nesse sentido. como se sabe. Enquanto tivermos juros básicos significativamente mais altos do que a média internacional. reduz-se a migração de recursos de outras aplicações para a poupança. O que se espera aqui é uma migração do esquema atrelado à TR (Taxa Referencial) para algo que se mova com a taxa Selic. até com um cronograma definido. com efeitos indesejados sobre a inflação. o direcionamento poderia ser extinto e os bancos emprestariam a partir de seus recursos livres. é politicamente inevitável que a maior parte dos empréstimos até um determinado teto apresente uma limitação de taxa. à medida que a taxa básica convirja definitivamente para a média internacional. ainda que com alguma flexibilidade de implantação. . A alta preferência pela liquidez do aplicador brasileiro pode ser alternativamente descrita como baixa elasticidade ao retorno da aplicação. O que não se pode mais é postergar as mudanças necessárias à adequação do sistema financeiro à realidade de um país estável. Dessa forma. igualando-a à taxa Selic. reduzir o subsídio da taxa de empréstimo. O direcionamento para o crédito imobiliário é uma questão mais complexa. como é o caso em economias com longo período de estabilidade. durante um período de transição. As propostas aqui expostas servem como ponto de partida para discussão. a redução das taxas de recolhimento para valores mais próximos à média de outros países emergentes poderia ser perseguida como uma meta explícita de médio prazo pelo Banco Central – eventualmente. aumentar a intensidade com a qual as alíquotas de imposto sobre ganhos financeiros são diferenciadas – penalizando mais as aplicações no curto prazo e. os depósitos em poupança. o direcionamento para os produtores poderia até ser preservado em um primeiro momento. poderia ser introduzido um teto. A mudança deve ser necessariamente de médio prazo. O maior problema está. Mais tarde. Com relação aos créditos direcionados. pois uma redução rápida implicaria aumento excessivo de liquidez. os prazos e as propostas devem diferir caso a caso. de risco baixo e com investimentos que demandam horizonte de financiamento cada vez mais longo. no caso dos prazos dos passivos. Finalmente. na remuneração da parte passiva.

os instrumentos financeiros.Da reforma do sistema mundial ao nosso mercado de capitais O fortalecimento dos órgãos reguladores continuará essencial para a saúde do sistema financeiro no mundo. a Bolsa de Valores e as instituições investidoras terão relevância especial para o nosso desenvolvimento Por Roberto Teixeira da Costa . no Brasil. mas.

Temos de. criador da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Posteriormente. em fevereiro de 2010. não devemos ficar tranquilos e achar que tudo que tinha de ser feito já foi realizado. a legislação e os regulamentos que se seguirão buscarão cobrir as deficiências atuais e as insuficiências claramente indicadas nos procedimentos autorregulatórios. O incentivo à autorregulação não deve ser esquecido. segundo tendências das economias desenvolvidas. continuamente. Todavia. é membro do Conselho de Administração da SulAmérica ING Brasil passou bem pela crise internacional e nosso sistema financeiro deu mostras de estar equipado para superar esse grande teste de “estresse”. o presidente do BC (Banco Central) colocou em audiência um conjunto de medidas destinadas a regular a compensação nacional dos gestores de instituições financeiras. . O Em dezembro de 2009. dos agentes financeiros. nem sempre saudável.35 O amadurecimento de uma nova disciplina Roberto Teixeira da Costa. como também programas de educação financeira. O contínuo fortalecimento dos órgãos reguladores é fundamental pelo desafio de enfrentar a criatividade. É necessário que os investidores tenham a exata percepção dos produtos que lhes serão oferecidos e dos riscos inerentes. algumas medidas foram anunciadas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) decidindo aumentar a transparência externa pelos bancos instalados no País quando contratarem derivativos. Evidentemente. como a CETIP (Central de Custódia e Liquidação). ajustar-nos às novas realidades de um sistema em fase de transição e antecipar-nos aos marcos regulatórios que virão. que terão de ser registrados em câmaras de compensação e liquidação.

terá de estimular cada vez mais os agentes de mercado para fortalecer os mecanismos de autorregulação. recomendando que os reguladores fortaleçam a sua definição de capital regulatório. a regulação do mercado de balcão dos derivativos e de ativos lastreados em títulos. com o objetivo de aumentar a qualidade. passemos ao outro extremo.. mas temos de evitar que. destinada aos investidores do mercado. V – Proposição de medidas na esfera internacional. principalmente os momentos de pânico. o projeto “A Reforma Regulatória Financeira do Século XXI”. de uma legislação considerada por muitos de excessiva liberalidade. porém. desenvolvendo mecanismos que permitem assumir e desenredar instituições financeiras em processo de falência.36 Instituições financeiras no Brasil E o que vem de fora? Certamente há a necessidade. “Nosso sistema regulatório. em 2007. a Consumer Financial Protection Agency.). em primeiro lugar. apresentou. em todo o mundo. III – Regulação para proteger melhor consumidores e investidores. uma espécie de Procon financeiro no jargão brasileiro. criando o Financial Services Oversight Group. Barack Obama. estancar a desconfiança que afetou o mercado bancário. principalmente nos Estados Unidos e na Europa.. que coordenará a atuação das entidades reguladoras. além de transparência em todas as negociações envolvendo valores mobiliários. Essa medida parte da preocupação de que tem de haver uma análise sistêmica e não individualizada por instituições. da busca de um acordo para coibir abusos. entre outros temas. Nesse sentido. há indicações de que a fase crítica tenha passado. ajustes adicionais certamente terão de acontecer. que superou bem a tormenta. cumprindo suas promessas. com regras que acabem por engessar os mercados. Simultaneamente. com a criação de uma nova agência. foi essencial. a quantidade e a consistência internacional do capital. terá de buscar uma convergência com padrões mundiais (. o presidente norte-americano. No entanto. Não se pode afirmar que tenha sido plenamente superada. ainda em 2009. Na primeira fase da crise. que propõe. II – Regulação dos mercados financeiros.” . detalhado a seguir em cinco capítulos diferentes: I – Regulação das entidades financeiras. IV – Maiores e melhores instrumentos para o governo administrar crises.

evitando também conflitos de interesse insolúveis na relação com clientes. investir ou patrocinar fundos de hedge ou private equity. estabeleceu-se um novo modelo de regulação financeira. ao final da reunião com chefes de Estado e de Governo da União Europeia. com republicanos mais conservadores e muito críticos sobre a crescente intervenção do Estado na economia. indicou que um número demasiado de instituições financeiras colocou o dinheiro do contribuinte em risco. por sua vez. Pelo plano apresentado. o sistema de supervisão terá poderes sobre autoridades nacionais de fiscalização de sistema. sobressaindo o Conselho Europeu de Risco Sistêmico e o Sistema Europeu de Supervisões Financeiras. Nesse contexto. . Obama anunciou outras medidas de reforma estrutural do sistema financeiro dos Estados Unidos.37 O amadurecimento de uma nova disciplina Já em 2010. principalmente nos Estados Unidos. Enquanto o primeiro irá analisar riscos para a estabilidade financeira. O G20 (grupo dos 20 maiores países desenvolvidos e emergentes) deve ter. quer evitar que assumam riscos não inerentes a suas atividades tradicionais. Algumas das medidas propostas receberam duras críticas dos gestores de instituições financeiras. e dos defensores do livre mercado. fazendo investimentos nos produtos antes referidos. em junho de 2009. provocando um debate intenso no congresso norte-americano. os bancos ficarão proibidos de realizar operações de tesouraria e de possuir. obrigando-as a uma legislação uniforme. emitindo alertas e propondo recomendações. Na ocasião. Em outras palavras. também encontrando obstáculos a serem superados. seu papel destacado no cenário financeiro global e uma de suas importantes recomendações é de que os bancos devam acumular maiores reservas nos chamados “bons tempos” para protegê-los contra as quedas abruptas do ciclo econômico. A busca de convergência dos Estados Unidos com as autoridades europeias é outro ponto crítico quanto ao sistema financeiro global.

mas caberá ao nosso mercado de capitais e ao sistema financeiro o papel principal de mobilizar recursos para o nosso desenvolvimento.” .38 Instituições financeiras no Brasil “Sabemos da relevância do capital estrangeiro.

para alcançarmos um desenvolvimento compatível com as necessidades do País. em quantidade e qualidade. terá de estimular cada vez mais os agentes de mercado para fortalecer os mecanismos de autorregulação. em sua formulação. sempre preocupados com a educação dos investidores. Como ficamos? Nosso sistema regulatório. mas caberá ao nosso mercado de capitais e ao sistema financeiro o papel principal de mobilizar recursos para o nosso desenvolvimento. mas também os benefícios de médio e longo prazos. Existem. O BNDES continuará tendo a relevância que marcou historicamente sua presença. Malgrados os momentos de dúvidas. O Brasil distinguiu-se de outros países da região. Eles devem ser os maiores interessados no fortalecimento institucional do mercado. particularmente o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).39 O amadurecimento de uma nova disciplina Outra iniciativa foi tomada em dezembro de 2009. uma missão tão complexa. um número expressivo de empresas brasileiras alcançou a dimensão internacional. É difícil imaginar. as informações que necessitam para tomar decisões racionais de investimento. que superou bem a tormenta. enfim. desde que. sejam ponderados não só os ganhos de curto prazo. principalmente atuando anticiclicamente e beneficiando o setor de inovação. dando-lhes. aos brasileiros nunca faltou a confiança básica no futuro do País. Os detalhes serão negociados até o final de 2012. Para concluir. . que ressaltou sua relevância nos momentos da crise financeira que atravessamos. os instrumentos de mercado e o papel da Bolsa de Valores e das instituições ligadas à área de investimento têm de ter a consciência de seu papel nesse processo. Hoje. No entanto. Simultaneamente. o que não aparenta ser. porém. baseando-se na captação de recursos via mercado de capitais. No entanto. recomendando que os grandes bancos sejam obrigados a garantir um maior capital para resistir a eventuais turbulências. vindo particularmente da França e Alemanha. ao preservar sua estrutura básica de mercado. estimulando que as poupanças interna e externa tenham no mercado uma de suas opções. cabe sublinhar o contínuo fortalecimento do mercado de capitais. Não devemos menosprezar também a importância dos órgãos de fomento interno e externo. um crescimento sustentável sem que o nosso mercado de capitais continue sendo um elemento crucial para as companhias. com o Comitê da Basileia de Supervisão Bancária. Portanto. durante os momentos de crise. muitas barreiras a enfrentar e é provável que as mudanças na regulação do sistema financeiro mundial tardem mais do que o inicialmente previsto. o sistema financeiro nacional tem de estar preparado para essa função. Sabemos da relevância do capital estrangeiro. terá de buscar uma convergência com padrões mundiais. é preciso olhar o incentivo como mecanismo positivo. Mais um tema polêmico no âmbito das medidas regulatórias está ligado à questão da remuneração dos executivos das instituições financeiras. muito embora o presidente Obama tenha também se pronunciado em diferentes ocasiões a respeito. Não há dúvida de que mecanismos que incentivam a busca da rentabilidade a curto prazo para gerar benefícios aos executivos não são saudáveis. O clamor maior é europeu. pelos resultados até aqui alcançados.

Capítulo 3 As operações na escala da excelência eficiência • inovação • tecnologia .

.

a partir dos grandes segmentos de sua atuação no mercado: dos bancos comerciais e de investimentos à gestão de recursos proprietários e de terceiros Por Ney Roberto Ottoni de Brito .Foco na eficiência Uma análise sobre a eficiência operacional e econômica das instituições financeiras no Brasil.

esse ciclo era razoavelmente longo e os depósitos eram lançados em livros. até serem disponibilizados para empréstimos.43 Ney Roberto Ottoni de Brito é professor titular de Finanças da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). o que consumia alguns dias em seu ciclo de produção. O artigo é encerrado com considerações sobre a exposição da indústria a um maior nível de risco regulatório nos próximos anos e a uma síntese de suas principais conclusões. algumas características específicas da indústria de intermediação financeira são destacadas. Hoje. Até a década de 60. Brito e Associados ste artigo visa à analise de aspectos relevantes para ganhos de eficiência operacional em instituições financeiras. Ph. As operações na escala da excelência .D. agregados e processados manualmente. seu reconhecimento pela estrutura da instituição financeira e sua disponibilização para os agentes responsáveis por empréstimos dentro da instituição. um ciclo de produção na indústria entre o recebimento de moeda de poupadores. são apresentados e discutidos os quatro grandes segmentos de atuação das instituições financeiras: banco comercial. em Finanças pela Stanford University e sócio da consultoria Ney O. com o nível de desenvolvimento de TI. Inicialmente. bem como à evidência de sua contribuição a uma maior eficiência econômica. E A indústria de intermediação financeira Como observado pelos autores Brito e Larréché(1). o ciclo tornou-se instantâneo para instituições financeiras. a indústria de intermediação financeira tem uma característica peculiar: ela coleta depósitos em moeda de poupadores e empresta moeda a investidores e consumidores. esse ciclo foi sendo reduzido. com a introdução gradual de computadores e da Tecnologia da Informação (TI) na indústria. As tendências e os aspectos relevantes para ganhos de eficiência operacional em cada segmento são então analisados à luz das características da indústria. entretanto. Existe. gestão de recursos proprietários e gestão de recursos de terceiros. A evidência de contribuição a uma maior eficiência econômica nos segmentos de atuação também é discutida. banco de investimento. o input na indústria é idêntico ao seu output: moeda. Ou seja. A seguir. A partir de meados da década de 60.

Instituições financeiras precisam atrair tanto depósitos como tomadores de empréstimos. e de custo e risco. Por isso. • Decisões de estrutura de capital e capitalização/ alavancagem. • Decisões de investimento em TI. Merrill Lynch e Bank of America tinham alavancagem de mais de 20 vezes em ativos estruturados em hipotecas de baixa qualidade. • Decisões de estrutura e qualidade de seus passivos exigíveis: sua captação.” . o ciclo de produção no comércio está longe de ser instantâneo. as grandes decisões de planejamento estratégico de instituições financeiras são destacadas por Brito e Larréché: • Decisões de estrutura e qualidade de seus ativos: os empréstimos e as aplicações. • Decisões de investimento em Tecnologia Financeira (TF): análise e processamento de informações. • Decisões integradas de estratégia de mercado no âmbito de ativos e passivos. “Ativos de melhor qualidade permitem maior alavancagem. Todos os grandes bancos tinham alavancagem excessiva. Um banco não pode ser atacadista nos empréstimos e varejista na captação. que ainda abrangem tempo significativo. em particular. Quando o Lehman Brothers quebrou. O passado recente é cheio de exemplos de decisões estratégicas inadequadas de instituições financeiras nacionais e internacionais. com sistemas de controle de risco inadequados e com grande exposição a risco de contraparte. em geral. O conjunto de suas decisões estratégicas era tão ruim que passou a levantar dúvidas sobre a eficiência econômica do sistema financeiro e sobre as necessidades de sua regulação. embora sejam reduzidas por TI. TI é fundamental para as operações e o desenvolvimento das instituições financeiras. Maior alavancagem requer melhores sistemas de controle de risco e maiores investimentos em TF e em TI. no comércio.44 Instituições financeiras no Brasil Pode-se argumentar que existe outro setor de atividade em que o input é igual ao output: o comércio. Essas decisões requerem um alto nível de integração. Entretanto. O descasamento de maturidades entre ativos e passivos representa um risco a ser medido e administrado. É interessante observar que. mais do que em qualquer outra indústria convencional. tinha ativos totais que representavam 33 vezes seu capital – sua alavancagem era de 33 vezes. No caso de instituições financeiras. Maior alavancagem requer melhores sistemas de controle de risco e maiores investimentos em TF (Tecnologia Financeira) e em TI (Tecnologia da Informação). as atividades de marketing envolvem tanto o input quanto o output. as atividades de marketing concentram-se nas vendas – o seu output. A movimentação de mercadorias envolve estocagem e outras atividades logísticas. Nesse contexto geral. Ativos de melhor qualidade permitem maior alavancagem. Qualquer indústria com input idêntico ao output e ciclo de produção instantâneo torna-se essencialmente uma indústria de processamento de informações.

grandes operações estruturadas e outras não convencionais. Em muitos casos. Entretanto. as atividades de corretagem convencional podem ser acomodadas nesse segmento e não no segmento de banco comercial. • Serviços gerais: custódia e liquidação de transações de carteiras. em que algumas instituições líderes separam os segmentos. • Private banking: gestão de recursos de grandes pessoas físicas. produção e distribuição de produtos estruturados e de lançamentos de debêntures e ações. • Corretagem de atacado – prime brokerage: financiamento de alavancagem de hedge funds e fundos de private equity. Existem quatro grandes segmentos de atividades que devem ser discutidos: Banco comercial – foca-se em produtos e envolve três grandes grupos de atividades: • Bancarização básica: contas correntes. • Crédito de varejo: cheque especial. Banco de Investimentos (BI) – volta-se aos serviços e envolve quatro grandes grupos de atividades: • Crédito corporativo. • Corretagem convencional: home broker e operações convencionais de pessoas físicas e jurídicas. • Gestão de recursos institucionais: gestão de recursos de fundos de pensão e outros investidores institucionais. os dois segmentos de corretagem atendem a demandas diferentes e já operam separadamente há algum tempo no mercado internacional. reestruturação de passivos e outros. Eventualmente. cartões de crédito. Gestão de recursos de terceiros (asset management) – envolve serviços prestados a terceiros em quatro grandes grupos de atividades: • Gestão de fundos: fundos próprios e de terceiros a serem distribuídos a clientes. as aplicações de recursos próprios envolvem operações de prime brokerage e produtos gerados nas atividades de bancos de investimentos. Gestão de Recursos Proprietários (GRP) – foca-se na gestão dos recursos próprios da instituição e é um importante centro de lucros para diversas instituições internacionais – Goldman Sachs em particular – e também para algumas instituições nacionais. • Mercado de capitais: coordenação. Essa tendência é observada no mercado nacional.45 Os segmentos de atuação Com a caracterização das principais decisões de instituições financeiras. crédito pessoal e crédito a pequenas e médias empresas. As operações na escala da excelência . • Serviços corporativos: fusões e aquisições. pode-se prosseguir para analisar as tendências nos principais segmentos de sua atuação. sua operação e movimentação. É interessante observar que a maior parte das instituições brasileiras ainda opera corretagem convencional e de atacado em conjunto dentro da mesma estrutura.

a grande vantagem comparativa para rentabilizar um BI por atividades não convencionais é o acesso e processamento diferencial de informações. Os ganhos de tesouraria na montagem e distribuição de operações estruturadas são elevados. devem ser vistos como processadores de informações e precisam focar-se nisso. escala em banco comercial gera sinergias em banco de investimento. para bancos como Goldman Sachs e JP Morgan. Na realidade. as aberturas de capital) foram extremamente rentáveis. os investimentos em TI não devem focar-se apenas em hardware. em geral. e BIs em particular. Uma característica importante desse segmento. os ganhos de escala na fusão Itaú Unibanco certamente se traduzirão em melhores resultados operacionais. Por exemplo. destacada por Brito e Larréché. . o foco está em produtos e serviços específicos e personalizados. A flexibilidade da estrutura e capacidade de desenvolvimento de software é uma vantagem ou desvantagem comparativa determinante para o acompanhamento e posicionamento competitivo no segmento. Finalmente. Como caracterizado anteriormente. O grupo de atividades não convencionais envolve conjuntos de atividades convencionais e outras atividades recentes pouco convencionais.Já no segmento de banco de investimentos. é que toda inovação pode ser copiada e a internalização de seus ganhos pode ocorrer em períodos cada vez mais curtos. Ou seja. • Investimentos em TI são críticos para a sua eficiência operacional. particularmente no exterior. Dois grandes grupos de atividades precisam ser diferenciados na geração de resultados. Investimentos em TI são relevantes como instrumento de “enlatar” TF e disponibilizar sua utilização mais generalizada por equipes menos especializadas. que requerem um baixo nível de interação pessoal. Também no passado recente. tanto no Brasil quanto no exterior. investimentos em TF são fundamentais para um posicionamento competitivo. instituições financeiras. Por isso. Obter escala na captação é uma vantagem competitiva importante na montagem de grandes transações. Por exemplo. operações conjuntas abrangendo empréstimos corporativos “ponte” resgatados com operações de lançamento de ações e IPOs (Initial Public Offerings. Ou seja. A escala de operações é menos relevante do que no segmento de banco comercial. A maior parte dos produtos e serviços pode ser operada por Terminais Bancários Automáticos – no jargão do sistema. fusões e aquisições. serviços de reestruturação de passivos etc – geram resultados bons. as operações de prime brokerage no financiamento e na repartição de resultados de hedge funds e fundos de private equity foram fundamentais. Em síntese. o primeiro segmento anteriormente apresentado – o de banco comercial – foca a operação de produtos ou serviços padronizados. os ATMs. mas também convencionais. o que tem duas implicações imediatas: • Escala de operações é fundamental no segmento. As tendências operacionais em cada segmento Na busca por eficiência operacional. as atividades não convencionais de um BI envolvem o uso e processamento inteligente de informações. no passado recente. coordenação e distribuição de lançamentos. cabe observar que as características do segmento tendem a tornar cada vez mais difícil o posicionamento competitivo de pequenas e médias instituições sem um nível adequado de escala. mas não deve ser subestimada. As atividades convencionais de um BI – empréstimos corporativos.

Esses processos já foram implementados em instituições financeiras nacionais líderes e representam uma importante contribuição para seus lucros. a oferta de ETFs até aqui ficou restrita ao PIBB (Papéis de Índice Brasil Bovespa) e a três fundos iShares negociados na BM&FBovespa. foram desenvolvidos fundos cujas cotas são negociadas em Bolsas de Valores.05% a 0. Entre os vértices de alocação mais rentáveis. Evidentemente.60% – e atraentes para os investidores. (. A gestão de recursos de terceiros.) Entretanto. mais relevante tornase esse grupo de atividade. • Conflito entre demanda por serviços e oferta de fundos ou produtos. esses fundos eram passivos e simplesmente replicavam índices de mercado. O foco em GRP iniciou-se no exterior. Esse grupo de atividades tende a disseminar-se em instituições eficientes. • Consistência com a estratégia institucional. como o apoio em funding de private equity e hedge funds por meio de prime brokerage. No Brasil. Com isso. Como inexistem custos de distribuição. tendo a preocupação de identificar suas vantagens diferenciais em informações e montando transações não convencionais com base em tais vantagens. Todos são fundos de ações com taxas de administração baixas e atendem à demanda por investimentos em ações da maioria dos investidores. Elas podem ser compradas ou vendidas em pregões e não requerem nenhum contato com equipes de distribuição ou vendas. grandes conglomerados. o aparecimento. com tendência ao crescimento. Inicialmente. Em síntese.47 Em nível estratégico. Essa integração tende a confundir as atividades de GRP e de BIs. A partir do final dos anos 90 e início dos anos 2000. em que Black e Litterman(2) desenvolveram os fundamentos de processos estruturados de alocação de ativos. além das vantagens de escala. na realidade. destacavam-se operações típicas de BIs. suas taxas de administração são extremamente baixas – tipicamente de 0. Hoje. Os processos e a tecnologia de alocação de ativos já foram ajustados aos mercados nacionais e são discutidos por Brito(3)(4). Quanto maiores as vantagens diferenciais em informações. “A adequada regulação e a lucratividade das instituições brasileiras minimizaram o impacto da crise financeira internacional. por sua vez. A prática foi rapidamente adotada pelos grandes bancos de investimento e instituições financeiras. têm vantagens competitivas informacionais que devem ser utilizadas. eles cobrem estratégias ativas e passivas em todos os segmentos. as operações de um BI devem basear-se em operações tradicionais.. é um segmento de atividades sujeito a uma dinâmica estrutural cujo resultado se torna difícil de prever. terceiro segmento analisado neste artigo. os efeitos em nível regulatório apenas começam a ser desenhados e não devem ser desprezados. A atividade de gestão de recursos proprietários. mais precisamente no Goldman Sachs. Três grandes vetores de mudança atuam no segmento: • Crescimento dos Exchange Trade Funds (ETFs).” As operações na escala da excelência . os volumes captados por ETFs não param de crescer no mercado internacional. mas. Algumas grandes instituições brasileiras já criam áreas específicas para o desenvolvimento de ETFs. as atividades de GRP são um centro de lucro separado que não requerem a existência de um BI. é hoje fundamental para a rentabilização das operações de qualquer banco. dos ETFs pressiona a receita e a rentabilidade da gestão de recursos de terceiros..

para suportar a expansão do crédito e a redução de taxas de juros. a contribuição ao lucro da venda de fundos na rede do varejo de um banco comercial representa mais de 75% dos lucros globais da asset. O mercado.5% em dezembro de 2008 para 31. Tipicamente. Eles resolveram seus conflitos de objetivo público versus privado. o Barclays vendeu a Barclays Global Investors – a maior em recursos sob gestão no mundo – para o BlackRock. Afinal. parece claro que os dias de uma asset de grupo bancário. Essa tendência deve ser monitorada. enquanto assets de grupos bancários querem oferecer produtos ou fundos sem envolver-se com os serviços de ajuste. No decorrer de 2009. Ganhos de eficiência econômica resultam de variações em medidas do sistema. Embora a rede comercial saiba vender produtos padronizados. buscando maximizar resultados. . mas espera-se uma continuidade de ganhos. ela não sabe prestar serviços personalizados. favoráveis ao crescimento e a uma melhor distribuição de renda. pressiona por redução de taxas de administração e receitas e os investidores e consumidores pressionam por mais serviços e elevação de custos. passando de 43. No segmento de banco comercial. Essa redução gerou ainda a menor taxa de juros cobrados do consumidor final na série histórica em dezembro de 2009: 42. Treiná-la para prestar tais serviços seria caro e de rentabilidade duvidosa. trazendo claros ganhos de competitividade ao sistema. Esses vetores têm levado as instituições a uma reavaliação estratégica de suas áreas de asset. mas tem de ter independência operacional para rentabilizar-se nos mercados nacionais e internacionais. a melhora dos indicadores mostra que o sistema vem obtendo ganhos de eficiência econômica no segmento de bancos comerciais. Cabe aqui destacar a descoberta de vocação de bancos públicos no decorrer de 2009. A Merrill Lynch seguiu o mesmo caminho. serão cada vez mais difíceis. a melhor medida de eficiência econômica é o spread de operações de crédito à pessoa física. Entretanto. voltada para uma produção focada nos interesses operacionais do grupo. A asset pode até ser controlada pelo grupo. O Citigroup vendeu a sua para a LeggMason. A eficiência econômica Além de ser eficiente operacionalmente. Cabe agora examinar a evidência empírica e os aspectos críticos para ganhos de eficiência econômica do sistema em cada um dos segmentos anteriormente destacados.6% em dezembro de 2009. Tanto o nível do spread quanto o nível de juros são ainda bastante elevados na comparação com padrões internacionais de países de primeira linha. Rentabilizar competitivamente uma área de asset management em relação às demais áreas de atuação de um banco – BI e GRP – tem se tornado difícil. Investidores crescentemente demandam serviços personalizados de seleção de investimentos ajustados à sua capacidade de tomar risco.4%.48 Instituições financeiras no Brasil O segundo vetor envolve características de investidores e das áreas de asset management. seria melhor privatizá-los. o sistema de instituições financeiras deve gerar ganhos de eficiência econômica nos diversos segmentos de sua atuação. muitas instituições têm decidido fechar suas assets.7% ao ano. Esse spread é acompanhado pelo Banco Central e vem sendo reduzido continuamente. optando pelo objetivo público. se bancos públicos fossem atuar com objetivos privados. Por isso. com seus ETFs. ele se reduziu em 13. Prever o resultado da atuação desses vetores no mercado nacional é complicado. Entretanto.

no mercado internacional.49 No caso do banco de investimentos. provavelmente. Esse problema de moral hazard (“perigo moral”) pode gerar riscos sistêmicos e ineficiência econômica. São apenas recursos do capital de risco e do patrimônio líquido do banco? Abrangem recursos de terceiros captados via depósitos e letras financeiras? No primeiro caso. “Parece bastante claro que a relação de bancos com a sociedade e o setor público mudará de forma fundamental e duradoura nos próximos anos. a análise deve ser dividida em duas partes. tudo sugere um processo economicamente eficiente de formação de preços. Essas operações envolvem partes qualificadas em um mercado razoavelmente competitivo. Entretanto. obtendo uma remuneração adequada para a sua exposição a risco. Tudo sugere existir um processo de formação de preços competitivo e economicamente eficiente nessas transações. o relacionamento entre os BIs e os fundos de private equity e hedge funds é quase societário.” As operações na escala da excelência . essa pouca transparência sugere a existência de eventuais riscos sistêmicos e ineficiência econômica no processo. bancos estarão administrando seu capital e. A evidência sugere que os retornos associados a essas transações foram anormalmente elevados e que seu processo de formação de preços foi economicamente ineficiente. com investimentos alavancados por recursos de terceiros em operações de alto risco em private equity. A segunda parte envolve as operações não convencionais de um BI: cestas de operações convencionais e transações de prime brokerage. coordenação e distribuição de lançamentos etc. Tal alavancagem pode estimular investimentos de maior retorno e risco. seriam adequados. Isso precisa ser considerado por nossas instituições em seu planejamento estratégico. A primeira envolve as operações convencionais de um banco de investimentos: empréstimos corporativos. Como os recursos envolvidos podem ter sido captados via depósitos à vista ou a prazo. Um caso recente e relevante de cestas de operações convencionais foram os empréstimos “ponte” associados a lançamentos de ações e IPOs. ficou bastante evidente na recente crise internacional. as dificuldades começam com a definição do que são recursos proprietários. particularmente se o banco é “grande demais para falir”. Transações de prime brokerage envolvendo financiamento de private equity e hedge funds parecem ter um processo de formação de preços ainda mais difícil. com um processo de formação de preços pouco transparente. Esse problema. Para o segmento de gestão de recursos proprietários. Ele ainda não parece ser significante no mercado nacional. fusões e aquisições. Na realidade. hedge funds e títulos colateralizados. Nesse caso. a eventual utilização de recursos de terceiros representa uma alavancagem dos retornos do capital de risco do banco. via autorregulação ou regulação. quando são resgatados. mas o seu monitoramento e uma atuação preventiva.

ou seja.50% 51. o baixo nível de poupança é uma das maiores restrições ao crescimento de nossa economia.5% Taxa de administração Prazo (em anos) 1 5 10 20 2.13% 4% 68.01% 82. Considerando que um fundo DI simplesmente compra LFTs (Letras Financeiras do Tesouro) ao par – um título público líquido e disponível em mercado – e rende pela taxa Selic no período.00% 82.54% . Como é de conhecimento geral. o gestor ganharia 202% – mais do que o dobro – do ganho do investidor. nossa poupança não chega a 20%.30% 62.04% 4% 91. ocorreu uma significativa redução de taxas de administração no período. Enquanto a China tem uma poupança de mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB). A tabela a seguir apresenta o percentual de ganho do gestor em relação ao ganho do investidor para dois níveis de taxa Selic e taxas de administração de 2. Potencial de ganho do gestor versus investidor Taxa Selic = 8. No início de 2006. Quanto maiores forem os níveis de rentabilidade dos investidores em nosso sistema de gestão de recursos de terceiros. • A redução da rentabilidade dos gestores e os ganhos de eficiência econômica no período 2006-2010 no segmento foram significativos.5% no início de 2010.64% 169. Isso indica que existiram ganhos de eficiência do segmento no período.33% 201.58% 108.75% Taxa Selic = 10. maiores serão os níveis de sua poupança e do crescimento de nossa economia. Com a redução da taxa para 2. Duas conclusões são evidentes: • Os ganhos dos gestores em 2006 eram extremamente elevados e seus preços indicavam grande ineficiência econômica.66% 2. com uma taxa de administração de 4% ao ano em um período de 20 anos. parece razoável utilizar os fundos de menor nível de risco – os fundos DI (Disponibilidade Interna) – com um investimento inicial exigido de mil reais.70% 92.85% 105. em 2006. O critério de repartição de resultados entre gestores e investidores é discutido por Brito(3).5% 34.5% 43. A tabela abaixo indica que.26% 133. Nesse contexto. a repartição dos resultados entre gestores e investidores será uma função do nível da Selic. a rentabilização de nossa poupança financeira é um aspecto crítico – e muito pouco discutido – para o nosso desenvolvimento.50 Instituições financeiras no Brasil Resta então a análise da eficiência econômica no segmento de gestão de recursos de terceiros. Duas medidas de eficiência econômica podem ser propostas para o segmento: taxas de administração de fundos e critério de repartição de resultados entre investidores e gestores.53% 41. Essa taxa foi reduzida para 2.5% e 4%. esse percentual foi reduzido para 92%. a taxa de administração desses fundos nas assets dos grandes bancos conglomerados era de 4% ao ano. Como referência de análise. que comprometia a formação de poupança financeira e o crescimento econômico. da taxa de administração do fundo e do prazo de investimento.5%.95% 53.

Nesse segmento. “Asset Allocation”. cabe aqui destacar que regulação sempre deve ser considerada à luz de alternativas de incentivos fiscais e econômicos. a melhor solução. com a estruturação de processos formais de alocação de ativos. Finalmente. “Asset allocation” em Private Banking. N. Esse segmento ainda é tratado com baixo nível de formalidade em grande parte das instituições e será cada vez mais relevante para sua rentabilização. Sem querer discutir o mérito dessas propostas. ex-presidente do FED (Federal Reserve) de Saint Louis. Entretanto. Uma excelente discussão do conceito de alternativas econômicas à regulação é desenvolvida por Poole(6). Ele propõe. no longo prazo. Parece bastante claro que a relação de bancos com a sociedade e o setor público mudará de forma fundamental e duradoura nos próximos anos. Editora ArtMed. N.51 Apesar dos ganhos. “Moral Hazard: The Long Lasting Legacy of Bailouts”. vol. Financial Analysts Journal. aqui ela afetou a captação de pequenos e médios bancos e pôde ser administrada em nível operacional pela injeção de liquidez. dois dos quatro grandes segmentos de sua atuação mostram evidência de ganhos de eficiência econômica. Agosto de 2007. Como observado por Merton(5). taxas de administração ainda são altas comparadas a padrões internacionais e ganhos de eficiência adicionais podem ser obtidos. como alternativa para controlar a alavancagem. Ao contrário do mercado global. O Banco Central colocou em audiência uma proposta de regulação de remuneração de executivos. Campos do Jordão. O segmento de bancos de investimentos sugere que o processo de formação de preços em algumas operações pode ser discriminatório e economicamente ineficiente. Provavelmente outras medidas virão. os fundamentos conceituais de assimetria de informações sugerem o monitoramento e a autorregulação ou regulação de certos tipos de transações. Agosto de 2007. a eliminação da dedutibilidade fiscal de juros pagos pelos bancos. Bancos comerciais vêm reduzindo o spread de suas operações com pessoas físicas e suas áreas de gestão de recursos de terceiros vêm reduzindo suas taxas de administração de fundos de investimento. “Asset Allocation: Combining Investor Views with Market Equilibrium”. ele propõe a obrigatoriedade de emissão de debêntures subordinadas pelos bancos – suas taxas serão um sinal de mercado da saúde do banco. Goldman Sachs. “The Strategic Planning of Financial Institutions”. as instituições financeiras brasileiras vêm mantendo lucratividade e eficiência em suas operações consolidadas. 65. parece existir espaço para ganhos de eficiência operacional.5%. No quarto e último segmento – gestão de recursos proprietários –. Isso precisa ser considerado por nossas instituições em seu planejamento estratégico. (5) Merton. R. por exemplo. Adicionalmente. Campos do Jordão. em geral. Fixed Income Research Series. Lucros e eficiência nas operações Como é de conhecimento geral. teriam taxas de administração de cerca de 0.2%. Relatório de Pesquisa desenvolvido para a Fondation Nationale Pour L’Enseignment de la Gestion (FNEGE). (6) Poole. cabe ressaltar a importância do conceito: não é claro que uma regulação excessiva seja. F.75% e uma taxa de administração de 2. gestores e investidores repartem os resultados das aplicações em partes aproximadamente iguais para uma Selic de 8. (3) Brito. J. fundos ETF. (2) Black. R. Para controlar a necessidade de proteção de credores depositantes. Agosto de 1980. Ou seja. e Litterman. “Alocação de Ativos e Risco no Mercado Nacional”. nº 6. Novembro de 2009. disponíveis ao público e com as mesmas características de administração de um fundo DI. Referências bibliográficas (1) Brito. N. em que a crise se originou nos grandes bancos. França. Apresentação no 3º Congresso Internacional da BMF. W. os efeitos em nível regulatório apenas começam a ser desenhados e não devem ser desprezados. (4) Brito. Setembro de 1990. 2006. e Larréché. Apresentação no 3º Congresso Internacional da BMF. A adequada regulação e a lucratividade das instituições brasileiras minimizaram o impacto da crise financeira internacional. os resultados indicam que. As operações na escala da excelência .

Inovação colaborativa A evolução da indústria financeira no Brasil aponta para o desenvolvimento de projetos colaborativos entre as instituições. preservando a saudável competitividade do mercado Por Joaquim Kiyoshi Kavakama . sobretudo. contribuindo para a inovação constante e.

As operações na escala da excelência . Se analisarmos o passado recente ao qual a indústria financeira esteve submetida.00 em apenas um dia. Entretanto. farmácias e supermercados. um processo viabilizado pela custódia eletrônica implantada há vários anos.53 Joaquim Kiyoshi Kavakama é superintendente-geral da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) grau de inovação dos bancos brasileiros é surpreendente e só tomamos consciência disso ao compararmos com as instituições de outros países e regiões. dispor da velocidade da compensação dos cheques de valores iguais ou superiores a R$ 300. esta não é a mais relevante. porque. O Quais seriam as razões que propiciaram esse ambiente de inovação no Brasil? Uma das mais citadas é o período de altos índices inflacionários – a hiperinflação das décadas de 80 e 90 –. comprar ações e não recebê-las em papel. transferir quaisquer valores para outras pessoas a qualquer momento. como casas lotéricas. nessa época. Pagar contas com comodidade e segurança via home banking ou office banking em qualquer banco. que impulsionou os bancos a fazerem vultosos investimentos em TI (Tecnologia da Informação). como correspondentes bancários são alguns exemplos de inovações para as quais não encontramos similares em alguns países desenvolvidos e em desenvolvimento. e utilizar os estabelecimentos de varejo.000. praticamente em âmbito nacional. realizar transferências a partir de R$ 3. apesar de ser uma das razões para o ambiente inovador do País. independentemente de qual deles tenha emitido a cobrança. tornam-se comuns aos nossos olhos. pois seus serviços já tornaram-se parte de nosso dia-a-dia e. a taxa do overnight se situava em torno de 3% e cada dia que a informação pudesse ser antecipada resultava em significativo aumento da rentabilidade. por isso.00 via TED (Transferência Eletrônica Disponível) e tê-las disponibilizadas na conta do beneficiário alguns segundos depois. Esses investimentos em TI eram uma questão de competitividade para o setor. veremos como se desenvolveu a capacitação desse setor.

o real desde 1994. planejamento e resiliência foram exaustivamente desenvolvidas. como nos períodos em que foram criados índices ou indexadores para as operações financeiras – demandaram uma incrível capacidade de resposta dos bancos e de seus profissionais. sistemas e processos para responder aos vários planos econômicos – Plano Cruzado. setecentos e cinquenta). o desenvolvimento da capacidade logística. a livre concorrência e a necessidade de diferenciação e de geração de valor. novamente cruzeiro. além da ampliação e do crescimento dos canais de atendimento em um país de dimensões continentais – só para citar alguns exemplos. Plano Bresser. cruzado. todos esses desafios ocorreram concomitantemente com as condições de mercado observadas em quaisquer ambientes competitivos. finalmente.750 (dois mil. . em 1987. em 1989. eliminação de centavos e. cruzeiro novamente. do treinamento e da comunicação foram competências adquiridas nessas transições. da flexibilidade de sistemas e de programação. pois fechar os bancos em um feriado bancário e abri-los três dias depois com todas as operações aderentes à regulamentação – inclusive diante de desafios complexos. A adequação de operações. para a transição ao real. em 1990. Plano Verão. cruzeiro novo. cruzado novo. em 1986. em 1993 – também impulsionou a criação de músculos na indústria financeira. e Plano Real. cruzeiro real e. Evidentemente. para bem atender à população.54 Instituições financeiras no Brasil O Brasil passou por inúmeras trocas de moedas nos últimos 50 anos: cruzeiro. Plano Collor. quais sejam: o processo de aquisições e fusões. Algumas delas implicaram divisão por mil. Sem dúvida alguma. Competências como capacidade de mobilização. a divisão do cruzeiro real por 2.

Entre as várias medidas adotadas na reforma. o mais recente projeto colaborativo da indústria. reconhecendo a liquidação líquida multilateral e a figura da contraparte central (câmaras) para assegurar a liquidação de todas as operações cursadas em sistemas sistemicamente importantes. trouxe mais inovações e aprendizados. segundo. contando com a representatividade dos bancos grandes. liderado pelo Banco Central entre 2001 e 2002. pelo curto tempo de desenvolvimento e de início das operações. pela característica única de toda a cobrança eletrônica poder ser apresentada por qualquer banco do País. os reais aprendizados foram a governança do projeto e a delimitação do escopo de um projeto colaborativo. cujo objetivo foi o de fortalecer o sistema financeiro com a redução do risco sistêmico. ABBI (Associação Brasileira de Bancos Internacionais). terceiro. “A competência na gestão de projetos colaborativos é um diferencial para o futuro da indústria e do País. o DDA (Débito Direto Autorizado). ou e-Invoice (no termo em inglês). Contudo. de março de 2001. estabeleceu-se como outro grande desafio. e. que consiste na apresentação eletrônica da cobrança. a implantação da infraestrutura contendo as inovações tecnológicas. de apenas 11 meses: prazo inimaginável. as principais foram a implementação da liquidação interbancária em tempo real. Essa implementação demonstrou a grande capacidade de articulação e de colaboração da indústria e do Banco Central. ASSBAN (Associação de Bancos no Distrito Federal) e Febraban (Federação Brasileira de Bancos) –. A constituição da governança do projeto. Mesmo com todas essas competências adquiridas pela indústria financeira.” As operações na escala da excelência . a interligação com os sistemas legados dos bancos. o desenvolvimento de novos processos e produtos. pois o desenho dos modelos de negócio. Em primeiro lugar. A diminuição do risco sistêmico de a quebra de um banco ocasionar a quebra em cadeia de outros bancos – mais conhecido como efeito dominó – foi equacionada pela aplicação dos princípios do BIS (Bank for International Settlement). via associações de bancos – ABBC (Associação Brasileira de Bancos). médios e pequenos. porque foi desenvolvido em um escopo de autorregulamentação e os prazos foram estipulados pela indústria. a implantação dos novos conceitos e a constituição das câmaras foram realizados no prazo recorde de dois anos. e o alinhamento dessa governança com os anseios do Banco Central foram determinantes na coordenação e na execução do projeto no prazo. dada a complexidade sistêmica de se integrar à solução dos bancos e do DDA.55 A reforma do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). o conceito de entrega contra pagamento para os ativos e a promulgação da Lei nº 10. quando pensamos acerca da situação privilegiada do Brasil no cenário internacional.214. uma vez que existe um repositório central das informações.

em nenhum momento. segundo pesquisa da consultoria Economática –. agregue valor e produza bem-estar social. Dispondo de uma indústria financeira robusta. subtrair do espaço competitivo dos bancos as decisões que ali deveriam permanecer. no entanto. porém. Pelo sucesso do lançamento do DDA e pela grande competição que ocorreu e vem ocorrendo entre os bancos para os clientes aderirem a ele em suas respectivas instituições. são colhidos individualmente pelos agentes. a aplicação de novas tecnologias de acesso e de convergência. da Fundação Getúlio Vargas): Inovação = ideia + implementação + resultados. o espaço competitivo adequado para que todos os agentes do ecossistema possam capturar o resultado esperado da equação que define a inovação. Em âmbito nacional. permitindo bastante espaço competitivo para que cada banco se diferenciasse na oferta do produto ao seu segmento-alvo de mercado. A implementação pode ser dividida em elementos de cooperação e elementos individuais. individualmente. Ora. os processos interbancários. . O segredo do projeto foi a acurada delimitação do espaço colaborativo e competitivo. sua evolução e maturação ocorrem via processo de colaboração intensa entre os participantes. os resultados. as regras de negócio associadas e a autorregulamentação foram cuidadosamente examinados para. pelo critério de rentabilidade sobre o patrimônio. E só há inovação se não faltar nenhum elemento da equação. esse reconhecimento será fruto do trabalho colaborativo entre vários setores da economia e do governo. poderá beneficiar-se de modelos colaborativos para a obtenção de escala transacional e interoperabilidade. a ideia é normalmente uma construção coletiva. ou lucros. A competência na gestão de projetos colaborativos é um diferencial para o futuro da indústria e do País. como o celular. Com certeza. Isso se explica porque os agentes econômicos buscam. o fornecimento de serviços financeiros à população não bancarizada. inovar. na definição do escopo do modelo colaborativo. que pode ter sido formulado por um agente individual. As padronizações das trocas de informações. Esse conceito explica por que o DDA foi discutido por um longo período de tempo até que sua implementação pudesse finalmente ocorrer. É importante ressaltar que modelos como esse só lograrão êxito se estiver garantido. quiçá. de um sistema de pagamentos reconhecido mundialmente como um dos melhores e com três bancos brasileiros ocupando as primeiras posições – quando comparados com instituições dos Estados Unidos e da América Latina. porque parte de um embrião. viabilizando. em um projeto colaborativo. nota-se a adequação da estratégia de delimitação do escopo do espaço colaborativo. necessário para que o modelo de negócio seja sustentável.56 Instituições financeiras no Brasil Equação inovadora A delimitação do escopo do que deveria constar do modelo colaborativo é demarcada como outro grande desafio. o próximo passo será a obtenção do reconhecimento internacional para que o País seja um polo financeiro e de investimentos da região. sendo uma boa definição de inovação a adotada pelo Fórum de Inovação da FGV-EAESP (Escola de Administração de Empresas de São Paulo. quando pensamos acerca da situação privilegiada do Brasil no cenário internacional.

sua evolução e maturação ocorrem via processo de colaboração intensa entre os participantes. porém.57 “Em um projeto colaborativo. a ideia é normalmente uma construção coletiva. porque parte de um embrião.” As operações na escala da excelência . que pode ter sido formulado por um agente individual.

O salto da mobilidade O avanço da tecnologia do mobile payment no Brasil. essencial para o desenvolvimento do setor financeiro nos próximos anos. ainda depende da superação de grandes desafios. processos e estratégias das indústrias de cartões e de telefonia celular. como a convergência de sistemas. mas todo o mercado já se move claramente na direção de um objetivo comum Por Paulo Rogério Caffarelli .

permitindo que o cartão. os desafios de construir o mobile payment no Brasil não são pequenos ou triviais.7 milhão de estabelecimentos comerciais credenciados e localizados nos mais diversos e longínquos pontos do Brasil. além das características favoráveis dos consumidores brasileiros no que tange à propensão ao uso cada vez maior de soluções de cartões e de celulares. tivemos também a massificação do processo de colocação de chips nos milhões de cartões que circulam hoje no mercado. Temos a nosso favor a tecnologia que vem evoluindo rapidamente. agregando maior valor aos cartões de múltiplas funções e conferindo maior segurança ao usuário e aos estabelecimentos. Somado a isso. lembrando que o ano 2010 se iniciou com mais de 160 milhões de aparelhos celulares ativos no País. essa rede já era formada por mais de 1. seja em um relógio que passa a ter funções sem contato (contactless) ou. em poucos anos. Em 2009. Afinal. O O que vem pela frente é a transposição das funções dos cartões de crédito e débito nos mais variados tipos de dispositivo. além de já indicar uma possível aposentadoria da tecnologia de tarja magnética. Contudo. A telefonia celular é atualmente uma das tecnologias de maior penetração no mercado de varejo. Não foi por acaso que construímos a maior rede on-line de captura de transações eletrônicas do País. ainda.59 Paulo Rogério Caffarelli é vice-presidente de Negócios de Varejo do BB e presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) mercado de cartões exerce historicamente um papel de grande relevância no processo de modernização e automatização do uso dos meios de pagamento no Brasil. na transposição das soluções de cartões para os dispositivos móveis que já acompanham boa parte da população brasileira. passasse a representar mais de 20% do consumo das famílias brasileiras. quão grande é esse desafio então? As operações na escala da excelência .

” . Tanto no âmbito da Febraban (Federação Brasileira de Bancos). estamos discutindo e propondo a criação de uma ampla plataforma de integração entre esses dois mundos. estamos discutindo e propondo a criação de uma ampla plataforma de integração entre esses dois mundos (as indústrias de cartões e de telefonia celular). “Tanto no âmbito da Febraban. tendo como princípio uma ampla participação dos diversos agentes que podem colaborar para a formação de um grande negócio para as partes envolvidas. processos e estratégias comerciais de duas das maiores “indústrias” de varejo do País – a de cartões e a de telefonia celular. Essa plataforma certamente seguirá as premissas já estabelecidas nas estratégias dos bancos para o mercado de cartões. Temos a certeza de que vivemos um momento de aproximação e consolidação dessas duas indústrias em torno de um objetivo comum: prover um ambiente de relacionamento cada vez melhor para nossos consumidores e construir uma plataforma aberta e voltada para a ampliação dos serviços e da concorrência nesses dois setores. da Abecs (Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) ou das relações privadas entre as partes. Mas não estamos parados. mas seguramente passa pela convergência de sistemas.60 Instituições Financeiras no Brasil A resposta ainda não é simples e direta como gostaríamos que fosse. da Abecs ou das relações privadas entre as partes. As bandeiras (locais ou internacionais). as operadoras de telefonia e os emissores ou adquirentes apoiando uns aos outros com foco no cliente certamente conseguirão estabelecer os padrões de operação e relacionamento entre todos os participantes desse novo padrão.

61 Duas indústrias em forte crescimento Os setores de cartões e de telefonia celular têm demonstrado vitalidade no mercado brasileiro.6 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 (fev) Fonte: Research – Deloitte (a partir da consolidação de dados da Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações) As operações na escala da excelência . Evolução das transações com cartões de pagamento (em R$ bilhões) 309 256 215 174 95 42 56 115 67 142 89 107 129 158 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010* Cartão de débito Cartão de crédito Fonte: Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) * estimativa Evolução do número de celulares em circulação no Brasil (em milhões de unidades) 174.6 86.9 121.2 99.0 150.8 65.0 176. sedimentando as bases para a integração de sistemas e tecnologias que permitirão o desenvolvimento de uma ampla plataforma de mobile payment no Brasil.

Capítulo 4 Caminhos em um mundo de oportunidades internacionalização • visão de mercado • marketing .

.

ganhando relevância cada vez maior entre os mais importantes competidores globais Por Ricardo Marino . as instituições financeiras brasileiras também avançam no exterior.Novas fronteiras para os bancos brasileiros Acompanhando as empresas nacionais. em forte movimento de internacionalização.

por estarem habituados à regulamentação mais restritiva existente no País. Este foi o caso dos bancos norte-americanos. apoiando a grande internacionalização das empresas nacionais ocorrida nos últimos anos. a redução dos custos de funding e a possibilidade de ampliação da carteira de crédito. Com o aumento expressivo de confiança dos mercados. a criação de novas regras globais para gestão do sistema financeiro. Além disso. franceses. que já vinha intensificando-se nos últimos anos. as vantagens competitivas dos bancos brasileiros no atendimento aos clientes empresariais que atuam fora do País aumentaram. prejudicando a economia como um todo. que chegaram a países como o Brasil com as suas indústrias.65 Caminhos em um mundo de oportunidades Ricardo Marino é diretor executivo de Unidades Externas do Itaú Unibanco istoricamente. desta vez. encontra agora um cenário macroeconômico mais favorável. Também é o movimento que presenciamos em relação à China. Felizmente. no momento em que as nossas relações comerciais com o país asiático se intensificam. trazida pelo bom desempenho durante os momentos críticos da crise. ao contrário do que ocorria nas décadas de 80 e 90. a estratégia de atuação internacional dos bancos brasileiros faz-se mais necessária. e o refinamento das questões relacionadas aos modelos de risco de liquidez beneficiam a adaptação dos bancos brasileiros a novos mercados. . quando os abalos nas finanças externas rapidamente afetavam as taxas de câmbio e de juros no País. as rígidas regulamentações brasileiras e a maior estabilidade econômica permitiram o fortalecimento das instituições bancárias do Brasil frente ao mercado externo. e das próprias instituições brasileiras no exterior. os bancos internacionalizam-se acompanhando o movimento das empresas nacionais. alemães e espanhóis. como a revisão da Basileia II. a operação dos bancos brasileiros no exterior. H Dessa forma. Com a crise que atingiu o sistema financeiro a partir de 2008 e o consequente estreitamento do crédito. e não abrindo novos mercados.

esse direcionamento para outros mercados faz-se cada vez mais necessário e o processo deve tornar-se mais efetivo nos próximos anos. sem dúvida. a construção de um modelo global de atuação no setor auxiliará as empresas nacionais e. O cenário favorável permitiu o aumento sensível da relevância das instituições financeiras brasileiras entre importantes competidores globais. Além do Itaú Unibanco.. Fonte: Research – Deloitte (a partir da consolidação de dados do Banco Central) . ao transporte ou à mineração. presente em 12 países. que apresentam contínua melhora em seus fundamentos e possuem características de mercado mais parecidas com aquelas encontradas no Brasil nos últimos anos. a exemplo do que existe no setor industrial voltado ao consumo. Este montante é cerca de 150% superior ao registrado no início da década.” Este foi o total de Investimento Brasileiro Direto (IBD) no exterior em 2008 (último ano sobre o qual havia dados disponíveis e consolidados até abril de 2010). A partir daí.) as rígidas regulamentações brasileiras e a maior estabilidade econômica permitiram o fortalecimento das instituições bancárias do Brasil frente ao mercado externo. cito como exemplo a instituição em que atuo. consequentemente. Aqui. o Itaú Unibanco.1 bi “(. o tempo e o investimento necessários para a adaptação cultural e uniformização de processos durante a instalação das novas operações podem ser reduzidos. US$ 122.66 Instituições financeiras no Brasil As chances de êxito dos bancos brasileiros também tendem a ser maiores a partir da concentração de seus esforços nos países em desenvolvimento. Mesmo sendo a empresa do setor financeiro mais internacionalizada do País. a grande capacitação interna. Mas. o País a ampliarem seus resultados e competirem em igualdade de condições no mercado global do qual participamos. Independentemente da estratégia de cada instituição. que está entre os 10 maiores bancos por valor de mercado e é a 49ª maior empresa do mundo. O movimento deve aproveitar as boas bases oferecidas pela estabilidade econômica no Brasil e a confiança com que a economia nacional conta. instituições como o Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também buscam mercados internacionais para apoiar a expansão das empresas brasileiras. sinalizando a vitalidade do processo de internacionalização dos negócios brasileiros.. ainda não é possível afirmar que já exista uma grande multinacional brasileira no setor. Com isso. a eficiência operacional e a adequação às rígidas regulamentações globais tornam a empresa bem preparada para a competição internacional.

encontra agora um cenário macroeconômico mais favorável. que já vinha intensificando-se nos últimos anos.” .67 Caminhos em um mundo de oportunidades “A operação dos bancos brasileiros no exterior.

empresas e governos Por Rubén Osta .Histórias e conquistas do dinheiro de plástico Da ideia de um visionário que lançou. nos anos 50. que aceleram os negócios e as relações entre pessoas. as bases da revolução eletrônica nos meios de pagamento às transformações contínuas que hoje vivemos na dinâmica das transações comerciais.

além de efetuarem suas compras mais eficientemente. como a garantia do recebimento. as pessoas mudassem a maneira de fazer seus pagamentos. alguns anos depois. Até os governos beneficiam-se dos pagamentos eletrônicos. Consumidores e empresas estão. por um custo minúsculo!”. ganhos de mercado em relação à concorrência.69 Caminhos em um mundo de oportunidades Rubén Osta é diretor-geral da Visa do Brasil o final da década de 50. estamos vivendo uma migração contínua para a moeda digital. O indivíduo. Com essa ideia brilhante. estabelecimentos comerciais e governos. o dinheiro poderia atravessar o mundo na velocidade da luz. ainda. se comparada a outros meios de pagamento. teve o seguinte pensamento: “E se o dinheiro se tornasse totalmente eletrônico? Transformando-se em elétrons e fótons. Por essas e outras razões. Os estabelecimentos comerciais que recebem pagamentos eletrônicos também usufruem das vantagens do uso dos cartões de crédito e de débito. ajudando a estimular o crescimento e a geração de empregos e permitindo um melhor controle financeiro para consumidores. fundador e CEO (Chief Executive Officer) emérito da Visa. novas tecnologias e novos dispositivos que facilitem o seu cotidiano e garantam mais flexibilidade. finalmente. o aumento do ticket médio de compra e. a moeda digital incentiva a inclusão social. . obtendo redução de custos. ele contribuiu para que. confiabilidade e praticidade da moeda digital. assim como o mercado. ao permitir a entrada de pessoas não bancarizadas no sistema financeiro. Empresas de todos os tamanhos são beneficiadas. Para os portadores de cartões. o mundo deixasse de ser local para ser global. a tecnologia evoluísse de analógica para digital e. já que podem oferecer programas de benefícios sociais por meio de cartão. está em constante transformação na busca de aperfeiçoamento. N Os pagamentos eletrônicos incentivam o crescimento das economias e contribuem para um sistema de comércio estável. a agilidade e rapidez no pagamento. segurança e comodidade. pois conseguem organizar seu fluxo de caixa e reduzir custos operacionais. impulsionando seus negócios. o visionário Dee Hock. cada vez mais. convencidos da eficiência.

Vemos.” . estabelecimentos comerciais e governos. “Os pagamentos eletrônicos incentivam o crescimento das economias e contribuem para um sistema de comércio estável.7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.70 Instituições financeiras no Brasil Para se ter ideia da dimensão desse universo. o BankAmericard. Em pouco tempo. o Banco Central (BC) preparou um estudo para identificar o custo de cada sistema de pagamento para a economia brasileira e avaliar o nível de economia gerado pela adoção de meios eletrônicos de pagamento. com limite de crédito de US$ 300. que o pagamento eletrônico é a moeda do progresso e tem a capacidade de transformar a vida das pessoas ao redor do mundo. na Califórnia. quando o Bank of America introduziu no mercado um cartão de papel aceito nas lojas locais de Fresno. ajudando a estimular o crescimento e a geração de empregos e permitindo um melhor controle financeiro para consumidores. esse cartão estava na carteira de milhões de pessoas nos Estados Unidos. com isso. Foi o início da revolução da substituição do dinheiro. Os primórdios da moeda eletrônica Tudo começou em 1958. em julho de 2007. A análise revelou que a substituição de instrumentos de pagamento baseados em papel por métodos eletrônicos poderia representar uma economia de até 0.

é claro. Segundo um estudo feito pelo BC. registrando 2. que permite a utilização de celulares com a tecnologia NFC (Near Field Communication) para a realização de pagamentos. que é pronunciada da mesma maneira em diferentes idiomas. se comparada a outros meios de pagamento. Hoje existem cerca de 2 bilhões de cartões Visa e aproximadamente 4 bilhões de telefones celulares no mundo. E o futuro dos meios eletrônicos de pagamento não para por aí. fazendo a maior abertura de capital da história dos Estados Unidos. segundo a União Internacional de Telecomunicações (UIT. A resposta foi o advento de uma nova organização. do próprio cartão de crédito.9 bilhão de cheques emitidos. passando de uma associação de bancos-membro para uma empresa de capital aberto.71 Caminhos em um mundo de oportunidades Nessa mesma época. aumentam o uso de dispositivos móveis e. o BankAmericard finalmente espalhou-se pelo mundo. há uma imensa oportunidade. Esses são alguns exemplos de que ainda temos oportunidades de expansão em uma região em que o mercado de cartões. A partir daí. Esses e outros produtos tiveram papel fundamental na migração do cheque e dinheiro para os meios eletrônicos de pagamento. uma palavra simples. podemos citar o Visa Mobile Pay. em 2008. o cartão com chip e os vouchers eletrônicos de alimentação e refeição. segundo a Abecs (Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços). ao constatarmos a mudança operada na maneira como o dinheiro movimenta-se no mundo. na ordem de 20% ao ano. lembramos de que tudo começou com uma ideia singela de oferecer às pessoas uma forma mais eficiente e segura de fazer e receber pagamentos para. Em 1976. além. demos um passo à frente nessa evolução. Como exemplo de inovações da Visa no Brasil. “Consumidores e empresas estão. confiabilidade e praticidade da moeda digital. melhorar suas vidas. Em 2008. como o cartão de débito. agilizando as transações e minimizando as fraudes. inúmeras inovações foram desenvolvidas para revolucionar ainda mais o mercado de meios eletrônicos de pagamento. consequentemente.” . o BankAmericard mudou o nome para Visa. cresce exponencialmente. convencidos da eficiência. qual seria a organização ideal para criar o primeiro sistema global de troca de valor?”. assim. tendo seu crescimento local marcado pela introdução e popularização de alguns produtos. Assim. na sigla em inglês). ou seja. serviço de pagamento remoto por meio de mensagem de celular (SMS). cada vez mais. A Visa chegou ao Brasil na década de 80. pela qual todos os bancos poderiam oferecer o BankAmericard para seus clientes e trabalhariam juntos com uma visão unificada. Hock criou o primeiro sistema de autorização eletrônica do mundo. Hoje. e o Visa payWave.1 bilhões de transações com cartões de débito. esperam que a tecnologia e os serviços de mobilidade se adaptem às suas necessidades. Dee Hock pediu para um grupo de executivos reunir-se para a seguinte reflexão: “Se tudo no mundo fosse possível. Estamos empenhados para que os próximos anos sejam tão significativos para a história da humanidade como foram todos esses anos já trilhados. Em seguida. ante 1. o uso dos cartões de débito superou o do cheque no Brasil. que substituíram os vales de papel. cada vez mais. Programas de pagamento via celular estão sendo lançados em todo o mundo para atender à demanda de consumidores que.

de uma missão que se abre para inúmeros caminhos: a construção de relacionamentos Por Fernando Byington Egydio Martins . cada vez mais. resultados exatos Em meio a portfólios de produtos e serviços tão similares. as estratégias de marketing para diferenciar um banco em relação aos concorrentes e diante de milhões de clientes dependem.Relacionamentos mais humanos.

Definir a estratégia de marketing de uma organização com milhões de clientes. Segundo Drucker. por quanto a organização conhece o seu cliente. têm consistentemente mostrado-se bem-sucedidos ao longo do tempo. O plano de ação sempre vai depender do cenário de mercado e das particularidades da empresa e dos seus públicos. essa missão não tem um modelo de atuação único como a resposta mais adequada. no entanto. Alguns fundamentos. Vale notar que esse pensamento se encaixa como uma luva quando pensamos em um banco no mercado brasileiro. então. as principais instituições financeiras são quase commodities. Justamente por passar longe das ciências exatas. e se sabe como satisfazê-lo e surpreendê-lo. no imaginário popular. É o caso da opção por construir relacionamentos. por exemplo. “a meta do marketing é conhecer e entender o consumidor tão bem que o produto ou serviço se molde a ele e se venda sozinho”. Já se passam cerca de 40 anos desde que o austríaco Peter Drucker. Trata-se de encontrar formas de comunicar bons produtos e serviços de dentro para fora. como forma de engajar homens e mulheres. A diferenciação dá-se. . sentenciou algo que. já que o portfólio de produtos e serviços é bastante parecido. Marketing e Comunicação Corporativa do Santander A inda que. o quanto tem consciência do que ele espera. as instituições financeiras sejam quase sempre associadas a números e cálculos. sonhos e emoções. significa lidar com aspirações. vários dos desafios que existem dentro de um grande banco têm uma natureza mais de ciências humanas do que de exatas. na minha visão. gente do Sul e do Norte – todos com ideias e vontades totalmente diferentes. espécie de lenda da Administração. justamente pelo relacionamento. Conhecer e entender nada mais são do que categorias de relacionamento. pessoas jovens e maduras. continua plenamente válido nesse sentido. Levando em consideração que o nosso sistema bancário é um dos mais avançados do mundo.73 Caminhos em um mundo de oportunidades Fernando Byington Egydio Martins é vice-presidente executivo de Marca. no lugar de atingir clientes e potenciais clientes com enxurradas de produtos e propagandas.

orienta. assim como nas demais áreas de uma instituição financeira. orienta. mas significativo. o mesmo ocorre quando ela escuta as ideias do público no Twitter ou em outras redes sociais e dialoga para. um banco mais humano e stakeholders mais fiéis. E reter clientes é muito mais provável quando se percorre o caminho do relacionamento do que o da venda pura e simples. uma conta de Twitter ou uma campanha publicitária serão capazes. um blog. Dentro das iniciativas de comunicação que saem fortalecidas nesse cenário. da mesma forma é quando uma instituição leva cultura à periferia. juntos. mostra que a construção de relacionamentos só é eficiente como estratégia de marketing se refletir o modelo de negócios. que o modelo comercial e o de marketing das grandes empresas estão convergindo para um mesmo ponto: no lugar da atração de clientes. “É uma sensação estranha”. estão o marketing um a um e as ações interativas formadoras de redes. sozinhos. é verdade. Se todas atuarem alinhadas e em sinergia com esse objetivo. Para ir fundo assim. que está no marketing. Esse caso. a instituição financeira precisa gerar experiências para os seus públicos. dá o crédito certo em vez do crédito fácil e viabiliza sonhos. “Quando uma instituição financeira apoia o empreendedorismo. que é pontual. Quando uma instituição financeira apoia o empreendedorismo.74 Instituições financeiras no Brasil Recentemente. Dificilmente. continuava recebendo cartas com o tratamento “Sr. principalmente aquelas suportadas pelas novas ferramentas de mídias sociais. Constrangida. agregar valor à vida das pessoas e ser indispensável em um mundo que não precisa de mais um banco. uma reportagem de uma revista de negócios tratou de uma pessoa que. ela está gerando experiência.”. ganham lugar a política e a comunicação voltadas à retenção de clientes. estimula o consumo consciente ou compartilha soluções sustentáveis para o dia-a-dia. aliás.” . depois de 30 anos sendo cliente de uma mesma companhia. dá o crédito certo em vez do crédito fácil e viabiliza sonhos. ela está gerando experiência. é necessário que todas as áreas da organização estejam engajadas na mesma missão e no mesmo valor./Sra. Para fazer esse modelo funcionar. Construir relacionamentos é uma missão com inúmeros caminhos. construir um novo banco. satisfeitos e que contribuem para o aprimoramento da organização. o resultado será exato: uma instituição mais humana. de aproximar a organização das pessoas e torná-la mais humana. essa pessoa passou a perguntar-se como poderia até hoje a companhia não saber se ele era homem ou mulher. explicou. É fácil notar.

75 Caminhos em um mundo de oportunidades “A diferenciação dá-se.” . o quanto tem consciência do que ele espera. por quanto a organização conhece o seu cliente. e se sabe como satisfazê-lo e surpreendê-lo. então. justamente pelo relacionamento.

Capítulo 5 Estratégias para um país em transformação macroeconomia • desenvolvimento regional • investimento .

.

mantendo o combate à inflação e a redução do endividamento público. realizando a reforma previdenciária e aprimorando as políticas sociais – tudo para garantir o que pode ser o maior ciclo de expansão desde o milagre econômico Por Octavio de Barros e Fernando Honorato Barbosa . o Brasil precisa estabelecer uma estratégia para torná-lo permanente.Os frutos permanentes da estabilização Após colher o sucesso da estabilidade econômica nos últimos anos.

que viu dobrar a sua participação no PIB em oito anos. de um modo mais amplo. em particular. aumentando sua confiança e acelerando o consumo presente. a ponto de registrarmos. que é justamente a renda corrente. a despeito de ainda haver uma longa avenida para nos tornarmos comparáveis à média do mundo emergente. portanto. Não menos extraordinários foram o avanço e o acesso ao crédito no Brasil. Todos esses elementos passaram por mudanças profundas no Brasil desde meados da década de 90. à medida que. adicionalmente. teria sido impossível observarmos os extraordinários ganhos de renda dos últimos anos. diretor e economista-coordenador do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco A s teorias mais comuns a respeito dos determinantes do consumo sugerem que ele depende da renda corrente e das expectativas quanto à renda futura. Sugerem. ao reduzir as incertezas quanto ao crescimento futuro do PIB (Produto Interno Bruto) e da geração de empregos. e também do grau de poupança precaucional que as pessoas desejam reservar para imprevistos. O traço mais marcante da última década e meia foi definitivamente a estabilização de preços e. como resultado da adoção de um conjunto amplo de melhoras institucionais e de uma gestão macroeconômica orientada para a estabilização. uma vez que elas esperam contar com um fluxo mais intenso e previsível de renda no futuro. . amplia e melhora as perspectivas para a renda permanente das famílias. Sem ela. a qual. o crescimento econômico e a redução da pobreza e da desigualdade. combinada com a menor volatilidade do PIB. Os avanços institucionais e a solidez do arcabouço macroeconômico permitiram também uma formidável melhora do mercado de trabalho. que fizeram aumentar o componente mais importante do consumo das famílias. em vista das recorrentes frustrações econômicas do Brasil às quais nos habituamos entre as décadas de 70 e 90. em 2010. A estabilização cumpriu um papel fundamental também na redução da poupança precaucional. da economia. que o consumo depende da disponibilidade de crédito e. permitiu que se poupasse menos para o futuro. no que diz respeito ao crédito imobiliário. da taxa de “impaciência” das famílias.79 Estratégias para um país em transformação Octavio de Barros e Fernando Honorato Barbosa são. respectivamente. a menor taxa de desemprego de nossa história.

. elevando enormemente as vendas de bens de maior valor agregado. A todos esses elementos macroeconômicos deve-se somar o conjunto de políticas públicas e sociais dos últimos anos. planejado e racional. Essa rede de proteção social permitiu que o Brasil passasse pela maior crise desde 1929 de forma estupenda.). Nos últimos anos. se não houvesse disponibilidade. permitindo que parte dessas boas perspectivas se traduzisse em antecipação de um pedaço do consumo futuro. para citar alguns dos programas. contribuiu muito para trazer para o mercado consumidores que antes jamais se poderiam dar ao luxo de trazer a valor presente um pouco do seu consumo futuro. criação de novos produtos e acesso a crédito. ao sinalizar para uma renda permanente mais robusta. como ocorreu nos últimos anos. As mudanças em curso na pirâmide de distribuição econômica no Brasil não têm precedentes nas últimas décadas. que requerem um certo grau de previsibilidade da renda futura. que vai desde a política de valorização do salário mínimo à abrangência do segurodesemprego e do Bolsa Família e aos programas de inclusão social em universidades e ao crédito subsidiado. ampliando ainda mais o mercado doméstico.. Milhares de famílias deixaram as classes D e E nos últimos anos e outras milhares as deixarão daqui para frente. Milhares de famílias deixaram as classes D e E nos últimos anos e outras milhares as deixarão daqui para frente (. O intenso processo de bancarização trouxe ao mercado consumidor milhares de famílias. dando lugar a um consumo mais regular. com a estabilização. por exemplo. Uma sociedade que viveu por décadas diante de uma enorme incerteza inflacionária guarda ainda na memória uma elevada taxa de impaciência e deseja consumir sempre que as condições econômicas melhoram.80 Instituições financeiras no Brasil “As mudanças em curso na pirâmide de distribuição econômica no Brasil não têm precedentes nas últimas décadas. de nada valeria ter ampliado o horizonte de confiança das famílias. mas também naquilo que consideramos uma das maiores redes de proteção social do mundo emergente. que tiveram o objetivo de reduzir a pobreza e a desigualdade. que passaram a contar com a suavização do consumo ao longo do tempo por meio dos instrumentos de crédito. . A redução dos juros reais ao longo desse processo.” De qualquer forma. ainda que incompleta. amparadas na maior oferta de trabalho. essa taxa de impaciência tem se reduzido.

Esses investimentos requerem um elevado grau de comprometimento do governo com regras claras. complementarmente. Esse tema. incentivando ainda mais a criação de empregos. a perseguição incansável de níveis razoáveis e possivelmente mais baixos do que os observados hoje em dia para a inflação deve ser uma prioridade. Assim. orientadas por metas e avaliação de objetivos. Os investimentos devem ser a chave para o novo ciclo de expansão da economia.). a fim de tornar sustentáveis. que não é privilégio do Brasil.” . aquilo que acreditamos que será o maior ciclo de expansão do investimento brasileiro desde a época do milagre econômico. seríamos capazes de alcançar patamares mais seguros para a dívida pública no longo prazo.81 Estratégias para um país em transformação Condições para o futuro Apesar dessa história de sucesso. robustecendo ainda mais o consumo das famílias. como o aumento da escolaridade. disponibilidade de financiamento e juros moderados. Para tanto. deveria ser encaminhado ao longo dos próximos anos. há inúmeros desafios para o futuro. que o governo reduza a carga tributária. criando mecanismos que possam. A previdência social. que só serão viáveis com um rigoroso controle dos gastos públicos correntes. contribuindo para a ampliação adicional do crédito e a redução dos juros. A sinalização de que a política econômica seguirá perseguindo a redução do endividamento público e a estabilidade de preços é fundamental para preservar intactas essas boas perspectivas de crescimento econômico e fazer materializar. o desafio é torná-las ainda mais efetivas na redução da pobreza e da desigualdade. para que o maior problema a ser administrado pelo Brasil nos próximos anos seja o de como lidar com o sucesso. A condição básica para que o consumo continue se ampliando é a persistência no caminho da estabilidade. tornar endógenas. disparado. São eles que irão gerar os empregos necessários para o crescimento da massa de rendimentos das famílias no futuro.. da mesma forma. A inflação é. com o tempo. Com isso. por meio do mercado. no longo prazo.. também é verdade que a preservação desse estado privilegiado da macroeconomia brasileira irá requerer uma boa dose de compromisso com a continuidade e a ampliação da estabilidade econômica. Do lado das políticas sociais. “A sinalização de que a política econômica seguirá perseguindo a redução do endividamento público e a estabilidade de preços é fundamental para preservar intactas essas boas perspectivas de crescimento econômico (. que reverberariam em redução do prêmio de risco e da incerteza em relação ao futuro. precisará ser reformada. permitindo ao BC (Banco Central) reduzir os juros e. o maior agente causador de danos ao consumo. essas melhorias de renda e abrindo espaço no orçamento público para a ampliação de outros investimentos. se é verdade que os últimos anos foram um período de elevado crescimento da renda e do emprego e os próximos deverão seguir nessa direção. os ganhos de renda real que seus beneficiários tiveram nos últimos anos. nos próximos anos. período que deverá ser de elevada prosperidade econômica.

Incentivos para um Brasil mais integrado Pensar estrategicamente o Brasil das próximas décadas passa pela análise do papel de cada região e Estado no novo contexto do mercado e da economia como um todo. ganhando relevância a discussão de uma política regional para o País Por José Sydrião de Alencar Júnior .

5 milhão de km2. apresentou um processo de decadência da produção açucareira a partir do século XVII e ficaria até o século XX à margem dos poderes econômico e político do Brasil independente. Tal processo foi operado dentro do ambiente de uma economia com alto grau de fechamento para o exterior. quando comparados à média histórica brasileira das últimas décadas. Nordeste e Centro-Oeste com o eixo Sul-Sudeste. ao lado de Rússia. que passou a fornecer produtos industrializados. ganhando relevância a discussão de uma política regional para o País. que ficaram. As diferenças entre as regiões brasileiras permanecem neste início do século XXI.A. A atual Região Nordeste. quando ocorreu a unificação do poder político na cidade do Rio de Janeiro. e uma nova inserção no plano internacional. com uma população de mais de 50 milhões de habitantes e um PIB (Produto Interno Bruto) de mais de US$ 140 bilhões. Neste artigo. sede do primeiro grande ciclo econômico da colônia. . com alterações no contexto nacional e internacional. representando um mercado maior que o de vários países da América Latina. em especial. Atualmente. entre as Regiões Norte. dos transportes e das logísticas. em decorrência principalmente da necessidade de administrar as riquezas auríferas da província de Minas Gerais. pensar estrategicamente o Brasil significa abordar o papel de cada região e Estado neste novo contexto. os denominados “BRICs”. para as Regiões Nordeste e Norte. em grande parte. o Estado de São Paulo alcançaria a hegemonia econômica e o mercado brasileiro se consolidaria até os anos 60. O Brasil está convivendo em um espaço de economia mais aberta e com baixos níveis de inflação. No século XX. A América Colonial portuguesa foi administrada de forma fragmentária pela metrópole até o final do século XVIII.83 Estratégias para um país em transformação José Sydrião de Alencar Júnior é doutor em Sociologia. em especial. que compreende nove Estados em uma área de 1. à margem da dinâmica do crescimento nacional a partir do século XX. vamos nos dedicar à importância da Região Nordeste. mestre em Economia e diretor de Desenvolvimento do Banco do Nordeste do Brasil S. Índia e China. com a integração.

Foi nessa região que se observou. Os atuais contextos logístico e de transporte do País. O Nordeste se apresentará nos próximos anos como grande produtor de fertilizantes fosfatados (Itataia. em Pernambuco). que integrará a economia do Nordeste às outras regiões e à dinâmica nacional. para ser efetivo. no Estado de São Paulo. seja para abastecimento doméstico ou para exportação. suínos e de pecuária de leite. cloroquímicos. de gás e sal. tanto nos Estados-sede como nos limítrofes. a maior migração de pessoas da classe D para a C. Esse exemplo indica um investimento estruturante. ao serem comparados com o porto de Santos. bem como o cenário que se apresenta para os próximos anos. em Pernambuco – apresentam-se como alternativas claras para cobrir parte significativa da expansão do comércio exterior brasileiro. Bahia e Tocantins e mesmo parte da produção do Mato Grosso. três portos situados no Nordeste – Itaqui. mais uma vez. que possibilitará a otimização do transporte da produção dos cerrados dos Estados de Piauí. viabilizando o processamento de parte dessa produção no semiárido – no caso. nos últimos anos. Esse potencial nordestino. no Maranhão. Portanto. como os complexos petroquímicos de Camaçari. no Maranhão. como no caso do gesso (Araripina. de refinaria e siderurgia. Portanto.84 Instituições financeiras no Brasil Uma janela para o mundo As ações governamentais na região possibilitam pensar estrategicamente o Nordeste para os próximos anos e o seu potencial no espaço nacional. no Rio Grande do Norte. no Ceará. a criação de polos avícolas. Pecém. no Ceará) e de corretivos para os solos do cerrado. no Maranhão. O Nordeste é um grande mercado consumidor. em Itataia. Nesse contexto.” . a Europa e a África. São negócios que necessitam de empreendimentos de todos os portes. isso exemplifica. Tem-se uma situação de saturação dos principais portos brasileiros situados no eixo Centro-Sul e Sul do País. em Alagoas. e Suape. e também de siderurgia. como a ferrovia transnordestina e a sua continuação até a cidade de Estreito. no Ceará. muitos dos quais estão hoje no âmbito do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). a mais importante fronteira agrícola do País. “A grande expansão das aplicações do BNB reflete o potencial de crescimento da região para os próximos anos. usufruindo tanto do mercado interno nordestino como também das vantagens logísticas e de transporte. a complementaridade produtiva entre os vários espaços brasileiros. O potencial do Nordeste estende-se para as complementaridades produtivas de grandes polos em processo de instalação. Maranhão. a América do Norte. depende de um conjunto de investimentos estruturantes. Construção Naval e Refinaria Abreu e Lima. Os portos nordestinos proporcionam uma vantagem de cinco a seis dias no transporte marítimo para a Europa e os Estados Unidos. Seu consumo de bens e serviços cresce a uma taxa superior à da média nacional. de fosfato e urânio. do Governo Federal. não se pode pensar em um projeto para o Brasil sem levar em conta o papel do Nordeste. colocam o Nordeste como a principal “janela” das relações do Brasil com o norte da América do Sul. Deve-se atentar que o Brasil importa mais de 60% dos fertilizantes fosfatados e que o gesso é um importante corretivo para os solos dos cerrados.

com mais de 500 mil clientes. nos últimos anos. tanto com o resto do País quanto com outros mercados do mundo.). com mais de 60% dos recursos do crédito de médio e longo prazos. deve ser lembrado o projeto.. O BNB é o principal financiador ao setor empresarial na Região Nordeste. no presente. conforme cotação de dezembro de 2009). com um valor aplicado em 2009 de R$ 2. no caso..) a maior integração do País no mercado internacional tem de ser feita em um processo de maior integração também do próprio Nordeste. Deve ser recordada ainda a liderança nacional do BNB no Crediamigo. de revitalização do Rio São Francisco. significando uma segurança hídrica para uma população superior a 20 milhões de pessoas. não se pode pensar em um projeto para o Brasil sem levar em conta o papel do Nordeste. sendo. como África.3 bilhões. destacou-se.” . o BNB (Banco do Nordeste do Brasil). usufruindo da vantagem comparativa da proximidade geográfica com essas regiões do mundo. responsável por mais de dois terços dos financiamentos de médio e longo prazos na região.4 bilhões aplicados em 2009 (cerca de US$ 11. Ceará. Portanto.85 Estratégias para um país em transformação Tanto do ponto de vista social como da segurança dos investimentos. com captações tanto no mercado doméstico como no internacional. Paraíba e Rio Grande do Norte. oferecendo toda a gama dos principais produtos liberados pelo sistema financeiro.. Europa e América do Norte. Vale destacar também a recuperação das condições ambientais e das matas ciliares. o tratamento de esgotos e o fornecimento de recursos hídricos para um amplo espaço do semiárido dos Estados de Pernambuco. “(. atualmente em curso. por meio dos recursos do FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste). alcançando a marca histórica de R$ 20.8 bilhões. A grande expansão das aplicações do BNB reflete o potencial de crescimento da região para os próximos anos. o maior programa de microcrédito do Brasil e o segundo da América Latina. Ou seja. a maior integração do País no mercado internacional tem de ser feita em um processo de maior integração também do próprio Nordeste. tanto com o resto do País quanto com outros mercados do mundo (. o financiamento de micro e pequenas empresas.. O Governo Federal tem sido também responsável pela expansão de um dos mais importantes instrumentos de ação estatal no Nordeste. Como um dos segmentos de maior crescimento operados pelo BNB.

Empreendimentos inovadores e revolução corporativa Nascida ao final dos anos 90. a nossa indústria de private equity e venture capital. continuará semeando perspectivas no terreno fértil da nova economia brasileira Por Cláudio Furtado . que demonstrou vitalidade ao atravessar sem grandes percalços a crise mundial.

um cenário de oportunidades e desafios a serem vencidos como jamais aconteceu em sua história de desenvolvimento nos últimos 50 anos. em torno de dois terços das ações eram vendidas a investidores estrangeiros. na segunda década do século XXI. Nossa “indústria de private equity e venture capital ” completava. As poucas aberturas de capital de empresas investidas ofereciam ativos ambicionados pelos investidores internacionais que afluíam ao mercado de capitais. país do futuro que já chegou”.87 Estratégias para um país em transformação Cláudio Furtado é doutor em Administração de Empresas e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Brasil contempla. . em um movimento que. O que parecia uma remota possibilidade durante os primeiros cinco a seis anos – a venda de participações nas empresas investidas por meio de abertura de capital – já se concretizava ao final de 2004. mas a sociedade organizada demonstra-se capaz de isolá-los para um tratamento corretivo durante o progresso dos anos futuros. O Há não mais de uma dúzia de anos. da sociedade e da economia. vive-se um clima de “Brasil. ao longo de 2005. de desenvolvimento institucional e de consolidação democrática. tendo atravessado sem grandes percalços a crise financeira de 2008. agigantou-se na segunda metade da década. o seu primeiro ciclo: diplomava-se com louvor. emergiu no País uma geração de gestores de investimentos de private equity e venture capital (PE & VC). tímido nos primeiros cinco anos. Enquanto os países do chamado “G-7” ensaiam o segundo passo de uma lenta recuperação da crise de 2008. No mundo dos negócios. o Brasil tornou-se vitrine de oportunidades de negócio e paradigma de gestão macroeconômica. A cada oferta pública de empresa investida pelas organizações gestoras de PE & VC. Estigmas do passado perduraram em certas áreas das instituições políticas.

2 1.2 1999 2000 2001 2002 2003 Fonte: Banco Central e GVCepe.2 1.6 0.8 1.9 1. Cláudio. páginas 9.7 1.9 0.4 1. Caio e Furtado.7 2.0 0.6 1. “Panorama da Indústria Brasileira de Private Equity e Venture Capital” – dezembro de 2008.6 0.88 Instituições financeiras no Brasil A evolução do capital comprometido alocado ao Brasil Forte crescimento desde o final da década de 90 (em US$ bilhões) 35 30 25 20 15 10 5 4 5 5 5 5 6 24 22 28 29 30 28 28 34 32 13 8 Fonte: Ramalho. GVcepe – Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da FGV-EAESP (em % do PIB) 1. os percentuais indicados na linha do gráfico estão arredondados 20 07 M ar /2 00 8 Ju n/ 20 08 Se t/ 20 08 D ez /2 00 8 M ar /2 00 9 Ju n/ 20 09 Se t/ 20 09 D ez /2 00 9 2004 2005 2006 2007 2008 2009 0 4 20 02 20 01 9 20 0 3 20 0 5 20 0 20 0 20 0 19 9 6 .9 0.8 0.9 1. 2008.0 0. 10 e 16.8 0.

aplicações de reservas técnicas de seguradoras e carteiras próprias de algumas instituições financeiras são tipicamente os investidores de PE & VC. quando o consegue e transfere os talentos dos líderes ao resto da organização. as aberturas de capital). Além disso. retroalimentavam a captação de novos recursos pelas organizações gestoras de PE & VC. e ter habilidade para escolher a forma e o momento de alienar as participações. No início de 2005.89 Estratégias para um país em transformação As IPOs (de “Initial Public Offerings”. especializado na criação de valor e gestão de empreendimentos. mas. . assistência odontológica e comércio eletrônico diversificavam as oportunidades de investimento em negócios no segmento do Novo Mercado da Bolsa de Valores. ofereciam ao público investidor ativos financeiros de setores econômicos jamais encontrados no mercado de capitais: empresas de locação de veículos. equivalentes a 0. e. finalmente. medicina diagnóstica.700 profissionais. As estatísticas que refletem a consolidação desse segmento diferenciado da indústria de intermediação financeira no Brasil. estabelecer teses de investimento e regras de tomada de decisão com os investidores dos seus veículos de investimento. 140 gestores administravam comprometimentos de capital de US$ 34 bilhões alocados ao Brasil. Essa é a evidência empírica mais impressionante da indústria. o sucesso persiste. fechadas ou levadas à abertura de capital por esses gestores de PE & VC. a maioria. mostravam-se nas telas do radar dos investidores globais com interessados nas dinâmicas economias emergentes. patrimônios administrados de indivíduos e family offices. 2. que já ofereciam gratificantes retornos aos investidores. As empresas gestoras desses fundos precisam manter relações complexas de incentivo. dos quais um terço detinha formação superior. O funcionamento da indústria de PE & VC Criar negócios e times empreendedores e administrá-los estrategicamente. precisam manter o histórico de sucesso para levantar sucessivos veículos de investimento. criar métodos e manter-se na disciplina da prospecção. As novas empresas em Bolsa. monitorar o processo de criação de valor e garantir rodadas sucessivas de financiamento constituem as funções características dos investimentos de PE & VC. Esse diferencial é de apenas 2% ao ano entre bons e maus gestores de fundos mútuos de ações transacionadas em bolsa. com seus sólidos padrões de governança corporativa e modelos de negócios reconcebidos com a ajuda dos gestores. Ao fim de 2009.2% do PIB.7% do PIB (Produto Interno Bruto). em contraposição ao que se documenta sobre o desempenho na gestão de fundos mútuos de investimentos: estima-se que o diferencial de performance entre um ótimo gestor e um mau gestor de PE & VC possa atingir 15% ao ano. existiam 71 organizações gestoras de pouco mais de US$ 6 bilhões em veículos de investimento (fundos) de PE & VC. Essas organizações possuíam participação acionária e realizavam governança ativa em 550 empresas. logística ferroviária. do monitoramento e da gestão estratégica dos negócios em que investem. A liquidez dos investimentos em PE & VC geralmente ocorre ao fim de 3 a 5 anos de trabalho diligente com foco nos altos retornos a longo prazo. consolidando-se no negócio. Fundos de aposentadoria e pensão. Essas organizações gestoras empregavam 1. É muito difícil que um gestor atinja os quartis superiores de performance na indústria. realizar o ganho de capital para investidores.

Os requisitos de prestação de informações à CVM no Brasil são muito maiores do que aqueles que se exigem das limited partnerships nos Estados Unidos. no Brasil. após investirem.90 Instituições financeiras no Brasil O modelo típico no fundo de private equity e venture capital. ainda que possam não deter o controle do capital votante. A diversidade de competências requeridas dos gestores nas atividades de prospecção de oportunidades. As relações de convivência entre investidores e gestores de PE & VC são estabelecidas de modo predominantemente contratual. usando melhores práticas de governança e retendo grandes poderes de supervisão e gestão estratégica. nas suas modalidades seed. com modelos de negócios que requeiram grandes ajustes. conduzem à especialização dos gestores de PE & VC. Empreendimentos na fase inicial de sua existência. monitoramento e saída dos investimentos. IGPM mais 6% ao ano. times empreendedores em formação e alto potencial de crescimento são o universo dos investimentos de venture capital. O processo decisório desses investimentos requer cuidadosa business due diligence e. estruturação. digamos. early stage e later stage (“semente” e estágios “inicial” e “tardio”). usualmente baseados em tecnologias avançadas.5% a 2% sobre o capital comprometido e de 20% dos ganhos de capital auferidos na venda de participações que excederem uma taxa piso anual. bem como o grau de concorrência pelos recursos de investidores. . a limited partnership (sociedade limitada) norte-americana e o “condomínio” típico do Brasil apresentam a característica comum de remunerar a organização gestora por meio de uma taxa de administração anual de 1. Eles financiam empreendimentos de alto risco e elevadas perspectivas de retorno. sujeitas. a requisitos gerais de interesse público e métodos inovadores de resolução de conflitos estabelecidos em Instruções da Comissão de Valores Mobiliários (CVM 209 e 391). incorporando-se à gestão dos empreendimentos. os gestores protegem o valor do seu investimento.

resolvem esses problemas: envolvem-se diligentemente na compreensão do modelo de negócios e de seu potencial futuro e na análise de contingências. Fundos de fundos investem em veículos de PE & VC. O reposicionamento estratégico. O modelo de organização e gestão do investimento de venture capital decorre da necessidade de se financiar um negócio de alto potencial de crescimento em um ambiente de enorme assimetria de informações entre o gestor e o time empreendedor e também de grande incerteza sobre os resultados futuros do negócio. são operações de buy out e. Por isso. que requerem aportes de capital para sustentar um crescimento rápido. eliminam também as restrições ao fluxo de capitais no processo poupança-investimento. se financiam as aquisições com elevadas parcelas de dívidas sênior e subordinada. Este é o universo dos investimentos de private equity dedicados à expansão e consolidação. como “intermediários especializados”.91 Estratégias para um país em transformação No estágio subsequente de maturidade. Com governança ativa. Sua natureza torna o modelo de PE & VC uma interessante ferramenta de política pública para fomentar a capitalização de empresas nascentes de alto risco tecnológico ou mesmo das existentes que necessitam de reestruturação e novas práticas de governança. cuja posição-chave no Hemisfério Sul já o coloca entre os três maiores emergentes de PE do mundo. Esse é o nexo econômico da atividade de private equity e venture capital. Fundos de operações secundárias promovem compra e venda de cotas de fundos de PE & VC. caracterizam as oportunidades de investimento do tipo build and hold. ou empreendimentos que requerem mudança do modelo de negócio. O mundo de private equity (PE) e venture capital (VC) olha com interesse os maiores mercados emergentes. as operações são ditas “alavancadas” ou leveraged buy outs. bem como a obtenção de ganhos de escala e de produtividade. Pipes (Private Investment in Public Equity) são veículos que investem em empresas de capital aberto com baixa liquidez e agregam valor pela implantação de melhores práticas de governança e de relações com investidores. entre eles. monitoram o negócio e criam valor por muitos anos antes de venderem sua participação no negócio. expansão por aquisição ou reestruturação financeira. podendo consolidar setores fragmentados a partir de uma empresa-plataforma. como bancos comerciais e de investimentos. permitindo ampla diversificação e retornos compatíveis com o menor risco. que se traduzem em maiores resultados por unidade de capital investido. . ao reduzirem a assimetria de informação. antes de concretizarem o investimento. que investem em instrumentos híbridos de financiamento. a revisão ou reconcepção do modelo de negócios. Sob a ótica do sistema econômico. Como intermediários no processo de financiar investimentos de longo prazo. o Brasil. de energia. que se caracterizam por grande assimetria de informação e problemas de agentes. Outra forma de private equity são os veículos de mezanino. os gestores de PE & VC resolvem ou minimizam alguns problemas centrais do financiamento desses empreendimentos. São investimentos em negócios que derivam de conhecimento proprietário e de tecnologias disruptivas. Tais funções não poderiam ser economicamente conduzidas por intermediários regulamentados. Quando adquirindo controle acionário. de infraestrutura e florestais. possibilitando liquidez aos investidores antes do final do prazo do veículo primário. tais como os imobiliários e os de biotecnologia. Há organizações gestoras que se dedicam a setores particulares e requerem alta especialização para gerirem os investimentos. Os gestores de PE & VC. recebem remuneração e incentivos fortemente vinculados à criação de valor resultante do investimento. encontram-se empreendimentos consolidados.

Índia e Brasil.5 mil nos Estados Unidos. até 2014. Ele está hoje presente em mais de 90 países.5 mil na Alemanha. estabilidade institucional e macroeconômica. 5% e o Japão. saltando do patamar de US$ 960 bilhões em 2003. Estima-se que os ativos sob gestão da indústria de PE & VC no mundo tenham atingido US$ 2. já as organizações gestoras de venture capital respondiam por 15% da indústria. À medida que as economias nacionais apresentem dimensões adequadas. governos com atitudes e políticas favoráveis à criação de novas empresas e à transformação de organizações tradicionais. a soma dos PIBs dos emergentes poderá ser mais de metade do PIB mundial e as perspectivas de crescimento levaram a Universidade de Chicago a projetar. tiveram uma capacidade de recuperação muitíssimo superior às economias desenvolvidas (G-7). com PIBs superiores a US$ 500 bilhões e também instituições garantidoras do cumprimento de contratos. surpreendente verificar. infraestrutura. mercados de capitais ativos e que ofereçam facilidade para a abertura de capital. a União Europeia.2 mil na França. US$ 1 trilhão sob gestão. com US$ 350 bilhões. o modelo de PE & VC se instala e se consolida. e todos os demais (reestruturação. 2%. a China com 40%. Ao todo. 1. para 2040. .400 profissionais na indústria brasileira de PE & VC em 2008. O mundo constatou que. a Índia com 12% e o Brasil possivelmente com 8 a 10% do PIB mundial.5 mil na Inglaterra.92 Instituições financeiras no Brasil A presença e a força da indústria A indústria de PE & VC está hoje em rápida expansão pelo mundo. 2. que o último levantamento feito pelo GVcepe da FGV tenha computado 1. ao fim de 2008. 7. sobretudo China. por ordem decrescente: 37.2 mil no Canadá e 1. os veículos de investimento de PE & VC imobiliários.4 mil na Austrália. estima-se que a indústria empregue 65 mil pessoas. distribuídas. 1. enquanto os Estados Unidos terão 14%. 1.1 mil no Japão. A crise de 2008 e a recessão de 2009 revelaram fatos surpreendentes: as chamadas “economias emergentes”. E. As organizações gestoras de private equity buy out detinham. recursos naturais etc) respondiam por US$ 510 bilhões. balanceados. com US$ 500 bilhões. mezanino.5 trilhões em 2008.

37% foram operações típicas de venture capital. automação industrial.” . biotecnologia (4%) e indústrias diversas (19%).93 Estratégias para um país em transformação O mundo de private equity e venture capital olha com interesse os maiores mercados emergentes. de empresas de capital aberto. Os negócios típicos de expansão em private equity representaram outros 35%. Neste último grupo. respectivamente. informática e eletrônica (13%). automotiva. o terreno fértil para receber a revolução corporativa plantada pela indústria de private equity e venture capital. energia (7%). O censo de 2005 já demonstrava que dois terços dos empreendimentos então existentes na carteira dos fundos tinham recebido o primeiro investimento quando eram negócios típicos de venture capital. alimentos e bebidas (4%). que absorveram 6% do valor total dos investimentos. com investimento médio de US$ 45 milhões. bem como a forte demanda por investimentos na infraestrutura. do número total de investimentos realizados pelas organizações gestoras entre 2005 e 2008. Mas essa não é apenas uma tendência recente. varejo (5%). agronegócios (6%). encontra-se um setor governamental que investe pouco (1% da Formação Bruta de Capital Fixo) e que gera uma hiato de investimentos de pelo menos 3% entre o nível atual e os desejáveis 22% do PIB. Negócios de mezanino e Pipes representaram 16% do número total. máquinas e equipamentos. decorrente da intensa atividade de abertura de capital pelos fundos de PE & VC. na economia brasileira. com investimentos médios de US$ 11 milhões e US$ 8 milhões. políticas públicas orientadas à criação e capitalização de empresas inovadoras de base tecnológica. o Brasil. Os indicadores de que continuará a haver crescente demanda por venture capital nos elos primários da cadeia de empreendimentos e de private equity para a expansão das empresas existentes são muitos: oportunidades no setor imobiliário e de bens duráveis decorrentes da expansão do crédito. A distribuição dos investimentos da indústria brasileira de PE & VC no triênio 2005-2008 sedimenta a crença nessas tendências futuras. Essa composição de negócios reflete não apenas a capacidade de a indústria de PE & VC investir e responder às demandas de criação de valor em todos os estágios de vida dos negócios. encontram-se segmentos econômicos tão diversos quanto siderurgia. e 15%. entre outros. mais 12% em estágio maduro. grandes perspectivas de educação de nível médio e superior orientadas para a qualificação da força de trabalho. grande parte delas. com inigualável impacto sobre a produtividade e renda na economia. A pesquisa do GVcepe demonstra que 34% do número total de empreendimentos existentes na carteira dos fundos em 2008 eram investimentos típicos de venture capital (de seed ao later stage). que representam cerca de 13% dos negócios. entre eles. uma população jovem na força de trabalho. negócios de porte médio em expansão e consolidação. indústria química. comunicação e mídia (8%). cuja posição-chave no Hemisfério Sul já o coloca entre os três maiores emergentes de PE do mundo. saneamento e mineração. do rápido crescimento da renda e do tamanho da classe média. nesse mesmo país de uma economia em que o consumo das famílias representa 60% do PIB. “Está preparado. 43% eram próprios de private equity . mas também o fato de que a cultura empreendedora de venture capital e private equity está penetrando nos setores mais tradicionais da economia brasileira. Nessa tendência. A diversidade alcançada envolve os mais variados setores: construção civil e setor imobiliário. No entanto. uma média de US$ 4 milhões por negócio.

10 e 16. “Panorama da Indústria Brasileira de Private Equity e Venture Capital” – dezembro de 2008. Cláudio. 2008. GVcepe – Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da FGV-EAESP Marathon (EUA) Monashees (EUA) Santander (Espanha) Spinnaker (EUA) Standard Bank (África do Sul) Tarpon (Bermudas) Timber Capital (Bermudas) Vita Bioenergia (Suíça) . regional e/ou para mercados emergentes DL J Actis Autonomy AAI Global Advent AIG Darby Econergy General Atlantic Merril Lynch Morgan Stanley One Equity Partners Paul Capital The Carlyle Group Mifactory GP Investments Equity International BDF Utilizando veículos exclusivos para investimentos no País Alothon (EUA) ABN AMRO Real (Espanha) Banif (Portugal) Cartica Capital (EUA) DEG-KFW Banking (Alemanha) ES Capital (Portugal) Franklin Templeton (EUA) Intel Capital (EUA) Itacaré (Ilhas Virgens) Fonte: Ramalho.94 Instituições financeiras no Brasil Origem das organizações gestoras que investem no Brasil Utilizando veículos de investimentos com abrangência global. Caio e Furtado. páginas 9.

Os gestores norte-americanos e europeus diferenciam-se sob a pressão da concorrência nos seus países. educação e energia criam as condições que impulsionam a demanda por investimentos de PE & VC no Brasil. entre outros. Se forem retirados daquele total cinco megaoperações. representando ofertas de R$ 28. fundos imobiliários e fundos de reestruturação. Dessas. totalizando R$ 113 bilhões. Ao lado das oportunidades de reestruturar empresas fechadas em setores tradicionais e de grande crescimento do grau de dinamismo e de inovação. das organizações-mãe (13%). Importantíssima também é a presença de organizações gestoras internacionais de origem norte-americana (17) e europeia (9).4 bilhões. na economia brasileira. a maior parcela do capital comprometido (60. dos fundos de investimentos (8%). a participação relativa dos investidores estrangeiros nas captações de 2006 a 2009 declinou para menos de 50% do total. comparável às das economias desenvolvidas. seja criando veículos adicionais (aos buy outs e VCs tradicionais).5%) dos veículos de investimento de PE & VC. o terreno fértil para receber a revolução corporativa plantada pela indústria de private equity e venture capital. 41 empresas eram das carteiras de organizações gestoras de PE & VC. vão tornar mais acessível a realização de negócios e investimentos no setor. A configuração da indústria brasileira de PE & VC. da quantidade de profissionais de alto gabarito técnico e de administradores que desejam tornar-se empreendedores. . cuja participação já se eleva a 27% do capital comprometido no País. sofrerá a influência dessas tendências globais. as ofertas de empresas investidas de PE & VC representaram 40% do remanescente das ofertas públicas. Está preparado. somada às práticas profissionais especializadas das consultorias de serviços de contabilidade e gestão de investimentos e de executivos conhecedores desse mercado – competências que se consolidaram no País nos últimos cinco anos –. dos bancos (7%). capazes de realizar o ciclo completo de PE & VC. foram ao mercado 118 ofertas públicas de abertura de capital. Embora crescente em volume. cada vez mais. dos fundos de pensão brasileiros. seja desenvolvendo parcerias estratégicas com gestores locais e participando da captação de recursos e prestação de serviços diferenciados. que compunham um quadro globalizado e de organizações gestoras atuando no País. E a educação para a indústria de PE & VC. Esse universo de oportunidades galvanizou o interesse das organizações gestoras de PE & VC que atuam em escala global. seja utilizando veículos globais ou exclusivos para investimento no Brasil. em 2009. dos family offices (6%). Esse é o reflexo de uma tendência global observada na indústria de PE & VC das economias desenvolvidas: estabelecer veículos de investimento afiliados e alianças estratégicas nos países e nas regiões que apresentem condições de crescimento sustentável. como mezaninos. adequado ambiente de negócios e gestores locais qualificados. sobretudo. as quais representavam R$ 41 bilhões. as oportunidades em infraestrutura. Isso também indica a importante diversificação de investidores nos veículos de PE & VC. Os investidores domésticos detinham. do crescente número de gestores e investidores locais – neste último caso. caindo de um pico de 65% em 2006.95 Estratégias para um país em transformação No caso particular do mercado de capitais. a indústria de PE & VC foi aprovada no teste de saída: entre 2004 e fevereiro de 2010.

Juarez Lopes de Araújo Presidente da Deloitte Clodomir Félix F. Junior Líder da Deloitte no Brasil para a indústria financeira .A Deloitte agradece a todos os colaboradores articulistas que tornaram possível a realização desta coletânea. C.

.

foco em eficiência. Regulamentações. novas tecnologias. . inovação. Muito mais do que publicar uma coletânea de textos sobre aspectos diversos desse mercado. seguradoras.O horizonte que se apresenta às instituições que movimentam o setor financeiro no Brasil continua tão desafiador quanto os caminhos que elas próprias percorreram nos anos recentes. estratégias de marketing. Estes e outros temas são tratados nos artigos de “Instituições financeiras no Brasil – O posicionamento para um novo cenário”. a Deloitte se propõe a reunir neste livro visões e análises de especialistas e tomadores de decisão de primeiro nível na indústria financeira. fundos de investimento e outras organizações dessa cadeia é bastante extensa. internacionalização. oportunidades de investimento – a lista de temas importantes que hoje preocupam bancos.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful