Guenon Schuon

A metafísica diz respeito à estrutura geral da realidade, isto é, ao discernimento do possível e do impossível.

Existe uma metafísica "normal", compartilhada por todas as r eligiões, que sem isso não teriam durado milênios e criado civilizações, assim como existe m metafísicas insanas, das quais algumas se tornaram endêmicas na modernidade. Mas a salvação da alma NÃO depende somente da estrutura geral da realidade, e sim de uma in iciativa divina imprevisível e incontrolável, que é a ação da Graça em cada caso concreto. Isso significa que as religiões podem unir-se no combate às metafísicas insanas, mas não podem oferecer aos indivíduos humanos perspectivas espirituais de igual eficiência salvadora. Só o estudo aprofundado dos milagres esclarecerá essa diferença crucial, ma s os milagres não são temas da metafísica. A metafísica está para as doutrinas religiosas como a matemática está para as ciências físic as. Uma matemática correta é uma condição necessária, mas não suficiente para que uma teoria científica possa justificar suas pretensões. Em pleno surto de deslumbramento pela escola tradicionalista de Guénon e Schuon, t omei conhecimento da existência do Padre Pio por meio de Marco Pallis, um religios o budista que havia se afastado da tariqah de Schuon mas permanecia, no essencia l, fiel aos seus ensinamentos. Estudando a coisa um pouco mais de perto, vi que os milagres do grande santo escapavam de toda possibilidade de explicação "metafísica" , já que refletiam a liberdade divina e não as estruturas permanentes do mundo espir itual, e assim transcendiam, na prática, toda perspectiva esotérica e iniciática. Foi então que decidi que, daí por diante, meu unico guru seria Nosso Senhor Jesus Cristo EM PESSOA e não a "função cósmica" correspondente com a qual os tradicionalistas O conf undiam. Todo o conceito atual de "ecumenismo" não é senão uma adaptação carola da teoria da "unida de transcendente das religiões" (termo de Schuon). O que esses papas e seus assess ores teológicos são burros demais para perceber é que essa teoria, certíssima dentro dos seus limites, só prova que todas as grandes religiões têm uma metafísica similar, não que valham o mesmo do ponto de vista da salvação da alma. Por exemplo, ninguém entenderá NADA da crise da Igreja se não levar em conta a influênci a tremenda que as ideias de René Guénon tiveram sobre os SEIS últimos papas.

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