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Artigo_Etnomatem+ítica

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UM ESTUDO TEÓRICO DAS PESQUISAS EM ETNOMATEMÁTICA

39917045287 Eixo Temático 03: Etnomatemática e as relações entre tendências em educação matemática. Parabeniso Resumo: Neste artigo visamos mapear a produção acadêmica sobre a etnomatemática, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática da Universidade Federal do Pará, em particular as dissertações que foram orientadas por pesquisadores que integram o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Matemática e Cultura Amazônica (GEMAZ). Para tanto, assumimos como categorias de análise os grupos propostos por Knijnik (2002) para mapear a produção científica dentro do campo da etnomatemática. O referido mapeamento foi realizado no período 20062011. Inicialmente dialogamos com pesquisadores que contribuíram de forma significativa para difusão dessa linha de pesquisa dentro da Educação Matemática a saber: Ubiratan D‟Ambrosio, Paulus Gerdes, Eduardo Sebastiani Ferreira, Márcia Ascher, Gelsa Knijnik e Alan Bishop, que foram selecionados em virtude de serem referenciados nos trabalhos produzidos pelo GEMAZ. Na sequência faremos considerações sobre alguns grupos de pesquisa cadastrados no CNPq e que apresentam o termo etnomatemática, seja na denominação do grupos e/ou como linha de pesquisa. As análises apontam para a maior incidência de produção no grupo Etnomatamática e Educação Rural, com ênfase, em estudos sobre temas ribeirinhos. Palavras-chave: Etnomatemática; Pesquisa; Grupo de Pesquisa; GEMAZ.

INTRODUÇÃO No presente artigo visamos mapear a produção acadêmica sobre a etnomatemática, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática da Universidade Federal do Pará, em particular as dissertações que foram orientadas por pesquisadores que integram o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Matemática e Cultura Amazônica (GEMAZ). Para tanto, dialogamos com os pesquisadores e respectivas contribuições dentro da etnomatemática. Esses pesquisadores são: Ubiratan D‟Ambrosio, Paulus Gerdes, Eduardo Sebastiani Ferreira, Márcia Ascher, Gelsa Knijnik e Alan Bishop. Estes foram selecionados por serem alicerces aos estudos realizados no âmbito do GEMAZ. O artigo está dividido em quatro seções. Na primeira seção discutimos o contexto da Etnomatemática na visão de seis pesquisadores, sendo três nacionais e três internacionais, compreendendo suas trajetórias e delineando seus direcionamentos sobre o conhecimento etnomatemático. Na segunda seção uma abordagem sobre os grupos de

Para esse recorte apoiamo-nos nas categorias propostas por Knijnik (2002) quando realizou mapeamento da pesquisa acadêmica brasileira sobre Etnomatemática. D‟Ambrósio não se mostra alheio à preocupação em em 1996 – Matemática . a Matemática seria um subconjunto da Etnomatemática que por sua vez. Ascher em 1991 – Matemática dos povos não-letrados. no qual o termo aparece inserido na História da Matemática. na quarta e última seção A ETNOMATEMÁTICA E OS CAMINHOS TEÓRICOS Os primeiros estudos etnomatemáticos voltaram-se à investigação de uma matemática presente nas práticas cotidianas dos grupos em diferentes contextos culturais. tecemos nossas considerações. baseado em Gerdes. cujos orientadores são integrantes do GEMAZ. para Gerdes em 1989 – Matemática oprimida ou congelada e Matemática não-estandartizada. muitas foram as tentativas de conceituação para a Etnomatemática. no entanto não fora publicada. por fim. Para ele. Nessa perspectiva.pesquisas nacionais que desenvolvem trabalhos alinhados com a etnomatemática. porém este autor deixa claro que já havia mencionado esse termo em 1978 na Reunião Anual da Associação Americana para o Progresso da Ciência. E somente três anos depois é que usou o termo Etnomatemática em seu livro “Etnomathematics and its place in the History of Mathematics. Knijnik Popular. mas que atribuíram denominações diferenciadas a saber: D‟Ambrósio em 1982 – matemática espontânea.”. Sebastiani (1997). Ubiratan D’Ambrosio D‟Ambrósio (1982). em que D‟Ambrósio contribui para a discussão evidenciando a Etnomatemática como as diferentes formas de Matemática que são próprias de grupos culturais. Sebastiani em 1987 – matemática codificada no saber-fazer. E. é subconjunto da Educação. evidênciam que pesquisadores seguiram caminhos teóricos dentro da ótica da etnomatemática. Na terceira realizaremos um recorte sobre as pesquisas desenvolvidas no Programa de PósGraduação em Educação em Ciências e Matemática (PPGECM) no período de 2006 a 2011. um fato importante foi a criação. utilizou a metáfora “Matemática espontânea” para se referir aos métodos matemáticos desenvolvidos por povos na luta pela sobrevivência. em 1986. Nesta perspectiva. Dentro deste contexto. do Grupo Internacional de Estudos em Etnomatemática (IGSEm).

quando se propõe a fazer um estudo com embasamento etnoantropológico. ele observa que não se deve tentar construir uma epistemologia ou teoria do conhecimento para a Etnomatemática. Estes quatro ramos correspondem ao que usualmente é estudado: cognição. (D‟AMBRÓSIO apud SEBASTIANI. não existe uma História da Matemática como um processo. o que iria contra à própria ideia central do programa (ao contrário da Matemática. de entender. como padrão que orienta a compreensão do modo de pensar matemático nas culturas estudadas). história e sociologia do conhecimento. Sendo assim. epistemologia. D‟Ambrósio (2002). define a Etnomatemática como uma “meta-definição etimológica”. devido ao caráter dinâmico do conhecimento. mas sim como um registro seletivo dos fatos e das práticas que serviram para esta apropriação. a geração. Paulus Gerdes . a organização intelectual. 2012. ou seja. e a difusão do conhecimento adquirido pelos grupos culturais. mas de entender a aventura da espécie humana na busca do conhecimento e na adoção de comportamentos. procura evidenciar que não trata de criar outra epistemologia. incluindo a Educação. e é no difundir que entra a parte da Educação. p. dado o caráter dinâmico do programa. de se desempenhar na realidade) e as ticas (arte ou técnica). pois para ele o mais importante seria encontrar dentre os pesquisadores um denominador comum para a Etnomatemática. já que assim se estaria propondo uma explicação final para a mesma. na tentativa de entender o ciclo do conhecimento. organização e difusão dos conhecimentos. a organização social. os matemas (de explicar. Na busca por este consenso D‟Ambrósio propõem um Programa Etnomatemática e não simplesmente Etnomatemática. Esse programa é definido como: A metodologia do programa de pesquisa denominado Etnomatemático deve ser muito ampla.encontrar uma homogeneização conceitual para a Etnomatemática. Ao propor esta denominação. que possuindo sua epistemologia estruturada. mas não considera isto como primordial. pois faz elaborações sobre as etnos (dentro de um contexto cultural próprio). Nesta dinâmica cultural. 11-12). o faz fundamentado nas culturas mediterrâneas e nos algoritmos. Ele focaliza a geração. Este fato faz brotar a vertente histórica do programa etnomatemática através da releitura da História do Conhecimento.

ao reunir sua vivência em vários mundos. nos seus trabalhos. Como produto cultural tem sua história.Desenvolveu pesquisas e ensino em Moçambique (África). nasce sob determinadas condições econômicas. sociais e culturais e desenvolve-se em determinada direção. Etnomatemática é tudo isso” (D'AMBRÓSIO. e mesmo sub-cultural. Paulus Gerdes chamou de Matemática Oprimida aquela desenvolvida em países subdesenvolvidos. então. Em 1982. nascida em outras condições teria um desenvolvimento em outra direção. utilizou o termo Matemática Não-Estandartizada para diferenciar da “standar” ou acadêmica. a aprendizagem e o desenvolvimento da Matemática” (GERDES apud SEBASTIANI. isto para se referir aos pesquisadores nesta área de conhecimento. foi matemática Escondida ou Congelada. Gerdes segue uma linha que defende a prudência e denomina. De acordo com D´Ambrósio. p. suas experiências em vários níveis de desenvolvimento. em que pressupunha a existência do elemento opressor: sistema de governo. exemplificar como diversas manifestações matemáticas encontram seu vínculo cultural entre o povo que sente o porquê da utilização desse instrumental. em 1985. Este estudo leva a ver a Matemática como um produto cultural. Paulus Gerdes procura. etc. 5-6). p. Outro termo usado por Gerdes. Mais tarde. fome. econômica e social. então. 1989. de Acento Etnomatemático referindo-se à pesquisa em si e de Movimento Etnomatemático quando for utilizado pedagogicamente. povo que necessita desse instrumental para sua plena realização cultural. Para ele “Etnomatemáticos salientam e analisam as influências de fatores socioculturais sobre o ensino. e. em 1987. 10). “ao reconhecer as diferenças. . produz matemática específica que resulta das necessidades específicas do grupo social. quando estudava as cestarias e os desenhos em areia dos moçambicanos. pobreza. cada cultura. comprometido com a reconstrução nacional de um país que se tornou independente na década de 70.

Tshokwe. da África. Warlpiri e Maori. por ser a disciplina que mais reprova e amedronta os alunos. ao possibilitar: a nossa libertação das verdades matemáticas universais e que respeita o aprendizado não acadêmico do cidadão. do Sul da America.18). ou seja. Então. embora não se parta da chamada Matemática acadêmica (ou ocidental). da Oceania. eu só vejo uma possibilidade a educação matemática através do Programa Etnomatemático. desenhar. Seus trabalhos investigativos evidenciam que modos específicos de contar. 15) corrobora com a delimitação da finalidade da Etnomatemática ao afirmar que a Matemática. Márcia Ascher As pesquisas de Márcia Ascher (1991. 2005) produzidas em colaboração do antropólogo Robert Ascher. Incas. Navajo e os Iroquois. manejar e lidar com a realidade visando o contexto holístico.Eduardo Sebastiani Ferreira Para Sebastiani. Posição que é corroborada por D„Ambrosio (1993) ao afirmar que a modelagem ao explicar. se buscarmos uma cidadania construída interiormente na ação social e política. Sebastiani (1997) defende a ideia de que a Etnomatemática se concretiza com a modelagem matemática utilizada como metodologia. Nesse sentido. mas que cada uma delas sistematiza. Define a cidadania como a condição de liberdade do indivíduo para exercer seus direitos e deveres. do Norte da America.donas do saber. entender. Criamos modelos matemáticos como tentativas de solução para os questionamentos levantados pela Etnologia em uma dada realidade. 1997. se centram no exame das matemáticas geradas com grupos com nenhuma ou pouca escolaridade como os Inuit. p. é ― a grande responsável pela exclusão da maioria da população no que tange à cidadania. Malekula. Bushoong e Kpelle. e se esperamos que o espaço pedagógico contribua para a formação e constituição do cidadão. . 1993. (SEBASTIANI. se torna importante metodologia de ensino para o Programa Etnomatemático. Sebastiani (1993. expressam e apresentam seus saberes matemáticos de forma diferentes. jogar e organizar o espaço e até mesmo identificar os números que existem em todas as culturas. conhecer. sem que seja determinada exteriormente por elites que se dizem . o Programa Etnomatemática resgata a Matemática existente nas diferentes formas de expressão cultural presentes no cotidiano do aluno e. o autor afirma que o Programa Etnomatemática estabelece a relação entre a educação matemática e a cidadania. por necessidade empregamos a terminologia acadêmica na sua discussão. de ser membro ativo do Estado. p.

tenho que encontrar maneiras de relacionar as crianças a sua cultura matemática. é importante destacar que Ascher (2006) a utilizava independente da produção de D‟ Ambrósio. Ascher (1991) caracteriza seus trabalhos como etnomatemáticos pelo fato de suas investigações se configurarem no exame das matemáticas geradas por povos com pouca ou nenhuma escolaridade. Além disso. de «uma maneira de conhecer». “Por mais que as verdades matemáticas sejam universais. que se publica na Inglaterra. a autora destaca que seus estudos envolvem a compreensão de vários aspectos das culturas do grupos investigados. ou seja. “O que me interessa são os problemas da educação matemática e tenho que encontrar maneiras educativamante signiticativas de relacionar as pessoas e sua cultura matemática.” (BISHOP. o artigo pretende esclarecer alguns mal entendidos que aparecem na literatura a cerca das possibilidades da Etnomatemática. essencialmente. afirma a autora: recentemente. Nessa oportunidade. Para ele. p. O artigo aparecerá em 1986. D‟ Ambrósio. De todas as maneiras. sendo seus saberes matemáticos apenas uma das dimensões de suas pesquisas (Ibidem.Entretanto sobre a expressão etnomatemática. 119). onde pode ser visto na carta publicada no Boletim do ISGEm – Grupo Internacional de Estudos de Etnomatemática. p. em especial. 20). (ASCHER. escrevi um artigo intitulado: Etnomatemática. que se diferenciam (e por isso não se enquadram) do conjunto de conhecimentos identificados com a matemática. Concretamente. em 1996. p. desconhecíamos o trabalho de Dr. “Em contraste. está relacionada ao fato de considerar a matemática um tipo de conhecimento cultural que é produzido por diferentes grupos culturais. 24) Os distintos grupos culturais produzem conhecimentos matemáticos que não necessariamente coincidem e/ou estão relacionados ao conhecimento matemático ocidental que é aceito e considerado com verdade no âmbito acadêmico. E ainda. Alan Bishop A contribuição teórica deste autor ao campo da educação matemática e. em History of Science. A princípio. Considero que o artigo em sua extensa bibliografia será de interesse para seus membros. 1999. Em consonância com sito. minha opinião é que uma educação matemática se ocupa. Isto é o que me impulsiona a observar o conhecimento matemático a partir de uma perspectiva cultural” (BISHOP. 1999. ampliar a percepção da matemática para incluir mais do que fazem os profissionais ocidentais. nossos propósitos são semelhantes. em colaboração com o antropólogo (meu esposo). à etnomatemática. Seu uso do termo parece incluir o nosso. Nele definimos o termo como um estudo sério das ideias matemáticas de povos analfabetos. 2006). isso .

ao mesmo tempo em que assimilam. A pesquisa de doutorado de Knijnik obteve repercussão internacional. Nessa pesquisa objetivou a construção do sistema escolar por assentados de um acampamento do Movimento dos Sem-Terra. 1999. como é conhecida de maneira formal. e que tem como resultado ideias. Educação e Matemática na luta pela terra”. Rio Grande do Sul. . De acordo com Knijnik. que era necessário ter a sensibilidade de reconhecer os saberes trazidos pelos indivíduos. Gelsa Knijnik Doutora em Educação. embora seja inevitável que haja diferença em algum aspecto devido a função «recriadora» por parte da geração seguinte (BISHOP. defendeu a tese “Cultura.” Nesta perspectiva. Uma educação matemática tem que fazer algo mais que se limitar a comunicar essas verdades aos alunos. normas e valores que são similares de uma geração a outra. no intuito de incorporá-las ao currículo como conhecimento escolar. mas que apreenda este conhecimento com vistas a utilizar em situações reais na medida em que se configurar como mais apropriado. Nesta pesquisa Knijnik (1993) desenvolveu o que denominou de abordagem etnomatemática. 1999. a qual representa “A investigação das concepções. E aculturação que considera o processo pelo qual os indivíduos passam a ser iniciados em uma cultura que é distinta à sua. p. A enculturação de que propõe Bishop considera que os indivíduos imersos em uma cultura vão assimilando os hábitos. para tanto. identificando-a como o processo pelo qual os indivíduos entram em contato e passam a assimilar a cultura do grupo a que pertencem. é um processo criativo e interativo no qual há a interação entre quem vive na cultura e quem nasce dentro dela. costumes e práticas dessa cultura à medida em que interagem no cotidiano e. o trabalho desenvolvido precisa permitir que o trabalho pedagógico dê ênfase não somente aos conteúdos estabelecidos pelo currículo oficial. p. tradições e práticas matemáticas de um determinado grupo social. Trabalhou junto à formação de professores que iriam atuar no assentamento e considerou. A enculturação. De acordo com o autor.não significa que o ensino de matemática deve ignorar a individualidade dos alunos e o contexto social e cultural no ensino. Atualmente é professora e pesquisadora do programa de Pós-graduação em educação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). São Leopoldo.” (BISHOP. 119). 27) Bishop trabalha com o conceito de enculturação. de forma a elaborar um programa adequado ao público ao qual pretendiam atuar. modificam-na tendo em vista que o processo de ensino-aprendizagem privilegia a reconstrução.

na Universidade Federal do Pará. Em nosso delineamento faremos referência a alguns destes. focaliza possíveis diálogos entre saberes tradicionais e conhecimentos científicos. Chegamos a este número por eleger como critério o termo etnomatemática no nome do grupo e/ou na linha de pesquisa. possibilitando que os adultos e jovens que dele participaram. A ETNOMATEMÁTICA E OS PRINCIPAIS GRUPOS DE PESQUISAS No Brasil as pesquisas sobre Etnomatemática começaram a ser discutidas a partir de 1999. realizando pesquisas no campo da Educação Matemática desde uma perspectiva sociocultural. Dentre eles. examinando em diferentes tempos e espaços. por Ubiratan D'Ambrosio e Maria do Carmo Domite. No ano de 2004 sobre a liderança da pesquisadora Knijnik. Identificamos 23 grupos de pesquisas cadastrados no portal do CNPq que trabalham de forma direta com a Etnomatemática. Analisa questões relativas à política do conhecimento e suas implicações no âmbito do social. o Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Educação Matemática e Sociedade. concomitantemente compreendessem de modo mais aprofundado sua própria cultura e tivessem também acesso à produção científica e tecnológica contemporânea” (2003. cujo objetivo é fortalecer a discussão em torno dos trabalhos que procuram analisar as relações quantitativas e espaciais presentes no saber-fazer assim como de um história da matemática não documentada para divulgálos e aproveitá-los em termos educativos. Outro importante grupo de pesquisa em Etnomatemática e o da Universidade Federal Fluminense . vinculado à Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS iniciou seus trabalhos. configura-se a “Matemática Popular” que é resultante da criação por grupos sociais. 106). divulgando e desenvolvendo a linha de pesquisa etnomatemática no Estado do Rio de Janeiro. processos educativos escolares e não escolares nos quais saberes matemáticos estão envolvidos. na perspectiva da aprendizagem matemática e da formação de professores de matemática nos mais .UFF que foi criado em 2004 com o objetivo de ser um espaço de estudos e pesquisas nesta área.no processo educativo as inter-relações entre os saberes populares e os acadêmicos foram qualificadas. Discute que além da existência da “Matemática Acadêmica” que apresenta o acúmulo de conhecimentos legitimados ao longo de anos. criado em 2006. O GEMAZ. destacamos inicialmente o primeiro Grupo de Estudos e Pesquisa em Etnomatemática GEPEm da Universidade de São Paulo pela Faculdade de Educação. O grupo é atualmente coordenado pela Professora Doutora Maria Cecília Fantinato.

classificar. Identificamos produção em crescimento gradativo. a qual deve reconhecer a diversidade social e cultural no país. ordenar. a saber: Etnomatemática e Educação Indígena. Etnomatemática e Formação de Professores. Tendo como ponto de partida os estudos voltados para formação superior indígena. O gráfico a seguir evidencia a proporcionalidade entre o número de dissertações que foram produzidas no âmbito do programa. dentre estas 8 localizam-se dentro da linha de pesquisa da etnomatemática. O grupo tem como interesse estudar os processos de geração. sob a concepção da modelagem matemática como um ambiente gerador de aprendizagem. Para este mapeamento. no âmbito do PPGECM. institucionalização. em especial aos povos indígenas em sua relação com a sociedade nacional. Etnomatemática e Educação Rural. dada à história recente do Programa e da Linha de Pesquisa em etnomatemática. Em 2008 também foi criado o grupo dos Povos Indígenas. no período de 2006-2011.diversos níveis e a superação do modelo fragmentário de conhecimento. transmissão e difusão de conhecimentos relacionados às diferentes formas de contar. explicar e inferir produzidos pelas comunidades indígenas e pelos povos africanos e afro-brasileiros. assumimos os cinco grupos propostos por Knijnik (2002). A ETNOMATEMÁTICA NO CONTEXTO DO GEMAZ Ao realizarmos mapeamento inicial a respeito da produção. Cidadanias Interculturais e Estudos Transdiciplinares vinculado à Universidade Federal de Roraima – UFRR e tem por objetivo estudar e refletir as diversas situações sociais que envolvem a população amazônica. É coordenado pela Professora Doutora Isabel Cristina Rodrigues de Lucena. obtivemos 134 dissertações produzidas. com destaque para a produção na linha da etnomatemática. a segunda Etnomatemática Negra e por fim a de Formação de Professores. debatemos diversos aspectos relacionados com o reconhecimento de uma cidadania plena numa perspectiva intercultural. localizar-se. Destaca-se a investigação na linguagem matemática que obstaculiza a construção do conhecimento com vistas à compreensão das diferentes matemáticas do homem e suas linguagens. Já com uma história recente temos o Grupo de Estudos e Pesquisas em Etnomatemáticas Negras e Indígenas – GEPENI da Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT criado em 2008 e que atua em conformidade com três Linhas de Pesquisa a primeira Etnomatemática Indígena. Etnomatemática e Educação Urbana e .

2008. cujo objetivo foi “analisar o desenvolvimento de processos de ensino-aprendizagem dos conceitos matemáticos construídos por um grupo de cinco alunos com surdez. alguns trabalhos mapeados por este estudo. Epistemologia e História da Matemática.CNPq /MCT Universal” (2007-2009). mapeamos a dissertação intitulada “Magistério Indígena: contribuições da etnomatemática para a formação dos professores indígenas do Estado do Tocantins”. No ano de 2011. “As Relações Raciais e a Escola no Âmbito dos Novos Marcos Legais: a problemática amazônica” (2008-2010). 2 no grupo Etnomatemática e Educação Urbana e 1 no grupo Etnomatemática e Educação Indígena. p. Esta pesquisadora analisa as práticas de uma professora que atuam em uma escola na ilha do Combu. Vejamos na sequência. Iniciamos o mapeamento com a pesquisa intitulada “Educação Matemática. 2009. “Educação Matemática no primeiro ano de escolarização e avaliação da alfabetização matemática (Provinha Brasil): tecendo interações” (2009-2011). levando em consideração a Cultura Surda e as ideias matemáticas construídas em correlação com essa cultura” (CARNEIRO. Essa pesquisa apresentou como objetivo “analisar a prática pedagógica de uma professora que aborda diversos conteúdos matemáticos. 11). p. à margem de um rio”. Mapeamos 8 dissertações. Vejamos alguns projetos desenvolvidos ou em desenvolvimentos pelo GEMAZ. Essa dissertação teve como objetivo central “investigar o quanto os estudos etnomatemáticos podem contribuir com as diferentes relações e práticas do . Destas 5 enquadram-se no grupo Etnomatemática e Educação Rural (Ribeirinha). 10). desde sua inscrição como grupo de pesquisa no CNPq: “Imagens Amazônicas: diálogos entre matemática e cultura na sala de aula . No grupo Etnomatemática e Educação Urbana mapeamos a dissertação “Cultura Surda na Aprendizagem Matemática: o som do silêncio em uma sala de recurso Multifuncional”. Cultura Amazônica e Prática Pedagógica. “Imagens Amazônica: cultura e comunicação na formação de professores de matemática” (2010-2013) e “Alfabetização Matemática na Amazônia Ribeirinha: condições e proposições” (2011-2014).Etnomatemática. Esta foi a primeira pesquisa de mestrado orientada por professora integrante do GEMAZ e verificamos consonância com o grupo Etnomatemática e Educação Rural (Ribeirinha). a partir da Cultura Amazônica em uma escola pertencente a uma das ilhas de Belém do Pará” (BRITO.

Márcia. D‟AMBROSIO. Referências ASCHER. Dissertação (Programa de PósGraduação em Educação em Ciências e Matemática) – Universidade Federal do Pará. 2008.Universidade Federal do Pará. D'AMBRÓSIO. Ubiratan. 1989. Maria Augusta Raposo de Barros. CARNEIRO. Educação Matemática. 2006. Knijnik. Especial n. Carta publicada no Boletín Del ISGEm .A. 1991. U. Isto evidencia o interesse em pesquisas que resgatam e valorizam as práticas. Paidos Ibérica S. Dissertação (Programa de PósGraduação em Educação em Ciências e Matemática). Rio Claro: UNESP. Ed. ASCHER Robert. Enculturación matemática: La educación matemática desde una perspectiva cultural. CONSIDERAÇÕES As dissertações de mestrado produzidas no âmbito do PPGECM e. Alan. orientadas por pesquisadores integrantes do GEMAZ. dos grupos de comunidades ribeirinhas da Amazônia. 30). Cultura Amazônica e Prática Pedagógica: à margem de um rio. A multicultural view of mathematical ideas. BISHOP. BRITO. Etnomatemática: Arte ou técnica de explicar ou conhecer. inclusive.-Barcelona-Espanha. p. Essa dissertação enquadra-se ao grupo Etnomatemática e Educação Indígena. relacionadas à etnomatemática.meio cultural indígena” (MONTEIRO. Etnomathematics. costumes. New York: Chapman & Hall. . no âmbito da etnomatemática.1. (Série Fundamentados). ASCHER. 5a Edição. 1999.Grupo Internacional de Estudos de Etnomatemática. valores e produções artesanais presentes no cotidiano dos moradores das ilhas e apoiam-se em teóricos como D´Ambrósio. ao grupo Etnomatemática e Educação Rural (Ribeirinha) proposto por Knijnik (2002). enquadram-se. 2011. Kátia Tatiane. 88 p. Cultura Surda na Aprendizagem Matemática: o som do silêncio em uma sala de recurso multifuncional. Bolema. Belém/PA. as pesquisas evidenciam as práticas. Sebastiani e Bishop para fazer entrelaçamento entre a cultura local. Introdução. Márcia. São Paulo: Ática. em particular. Belém/PA. 2009. nas ilhas que foram lócus das pesquisas. 1998. em sua maioria. Dentro desta perspectiva. e a cultura da matemática oficializada pelos currículos e contidas nos livros didáticos usados.

SP: HM.pdf . Edição Especial. Revista Brasileira de História da Matemática. U. Etnomatemática: Um Programa.unisinos. Etnomatemática. Blumenau. n. v. p.br/tde_arquivos/10/TDE-2007-07-05T123224Z356/Publico/escola%20e%20matematica. Especial n. Maputo. 2007. Etnomatemática e Educação Popular: um estudo em um assentamento do movimento sem terra. Magistério Indígena: contribuições da etnomatemática para a formação dos professores indígenas do Estado do Tocantins. Educação. Etnomatemática: Cultura. Acesso em 26/06/2012 . Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática)Universidade Federal do Pará. U. A educação Matemática em Revista. 1. n. 273-280. São Paulo: UNESP. P. Moçambique. 1993. 110 p. Revista Currículo sem Fronteiras. 12-18. O saber acadêmico e o saber popular na luta pela terra. Currículo. Gelsa. 5-11. 1. Etnomatemática uma proposta metodológica.br/leptrans/arquivos/etno. F. __________. n. Blumenau.1. KNIJNIK. KNIJNIK. Educação Matemática em Revista. G. Programa de Pesquisa Científica Etnomatemática. pp. p. GERDES. Blumenau. 2a Edição. 1997. MONTEIRO. 1993. 2011. 2007. WANDERER. Análise de alguns cestos de índios do Brasil. Hélio Simplício Rodrigues. 1.D'AMBRÓSIO.pdf . http://bdtd. Belém/PA. Escola e Matemática Escolar: mecanismo de regulação sobre sujeitos escolares de uma localidade rural de colonização alemã do Rio Grande do Sul. __________. Belo Horizonte: Autêntica. Cidadania e Educação Matemática. Capturado em: 07 de junho de 2012. (Coleção Tendências em Educação Matemática). 1993. Matemática. O que é etnomatemática. Jan/Jun 2003. n. Disponível em: http://www. Educação Matemática em Revista.3. 1989. 1991.1. Eduardo Sebastiani. Sobre aritmética e ornamentação geométrica. FERREIRA. D'AMBRÓSIO. GERDES. __________. n.ufrrj. Desenhos Tradicionais na areia em Angola e seus possíveis usos na aula de matemática. Bolema. 2002. SC: SBEM. p.96-110. Elo entre as tradições e a modernidade.1. Paulus. Rio de Janeiro: MEM/ USU. p. 5-11.

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