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Este Dicionário de Política é destinado ao leitor não-especialista, ao homem culto, aos estudantes de segundo grau e nível superior, e a todos os que lêem revistas e jornais políticos, aos que ouvem conferências e discursos, aos que participam de comícios ou que assistem a debates na televisão, dirigidos por especialistas ou por políticos profissionais. Oferece uma e plica!ão e uma interpreta!ão simples e possivelmente e austiva dos principais conceitos que fa"em parte do universo do discurso político, e pondo sua evolu!ão hist#rica, analisando sua utili"a!ão atual e fa"endo referência aos conceitos afins ou contrastivamente antitéticos, indicando autores e obras a eles diretamente ligados. $ão mais de %.&'' p(ginas, agrupadas em dois volumes para facilitar sua consulta, através de verbetes, ordenados alfabeticamente e esquemati"ados de modo a informar, conceituar e debater os principais aspectos de cada problema versado. $eus autores são cientistas políticos de conceito acadêmico reconhecido mundialmente e que contaram com a colabora!ão de uma equipe de especialistas em quest)es políticas, sociol#gicas, hist#ricas, jurídicas e econ*micas, oriundos das universidades de +urim, ,loren!a, -olonha, .(dua, .avia e /oma. 0( também colaboradores de -onn, 1assachusetts-2mherst e Ohio.

DICIONÁRIO DE POLÍTICA VOL. 1

FUNDA !O UNIVER"IDADE DE #RA"ÍLIA Reitor 3auro 1orh4 Vice-Reitor +imoth4 1artin 1ulholland

EDITORA UNIVER"IDADE DE #RA"ÍLIA Diretor 2le andre 3ima 5O6$E30O E78+O/823 Presidente Emanuel 2ra9jo 2le andre 3ima :lvaro +ama4o 2r4on 7all;8gna /odrigues 7ourimar 6unes de 1oura Emanuel 2ra9jo Euridice 5arvalho de $ardinha ,erro 39cio -enedito /eno $alomon 1areei 2uguste 7ardenne $4lvia ,icher <ilma de 1endon!a ,igueiredo <olnei =arrafa

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6O/-E/+O -O--8O, 685O32 12++E>558 E =826,/265O .2$?>86O %%@ edi!ão Tradução 5armen 5. <arriale, =aetano 3o 1*naco, Aoão ,erreira, 3uís =uerreiro .into 5acais e /en"o 7ini Coordenação da tradução Aoão ,erreira Revisão geral o ,erreira e 3uís =uerreiro .into 5acais

7ireitos e clusivos para esta edi!ãoB E78+O/2 >68<E/$8727E 7E -/2$C382 $5$ ?.'D -loco 5 6e EF Ed. OG DH andar E'&''-I'' -rasília 7, +el.B J'K%L DDK-KFEM ramal &' ,a B J'K%L DDI-IK%% +ítulo originalB Dizionario di política Copyright N %OF& by >+E+ J>nione +ipogr(fico Editrice +orineseL +odos os direitos reservados. 6enhuma parte desta publica!ão poder( ser arma"enada ou reprodu"ida por qualquer meio sem a autori"a!ão por escrito da Editora. I presso no !rasil
EDITORE" CONTROLADORE" DE TE$TO

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7ados de cataloga!ão na publica!ão J58.L internacional 5Wmara -rasileira do 3ivro - $.X-rasil -obbio, 6orberto, %O'O7icion(rio de política I 6orberto -obbio, 6icola 1atteucci e =ianfranco .asquinoY trad. 5armen 5, <arriale et ai.Y coord. trad. Aoão ,erreiraY rev. geral Aoão ,erreira e 3uis =uerreiro .into 5acais. - -rasília B Editora >niversidade de -rasília, % la ed., %OOF. <ol. %B KEM p. JtotalB %.&&' p.L <(rios 5olaboradores. Obra em Dv. %. .olítica - 7icion(rios %. 1atteucci, 6icola 88. .asquino, =ianfranco 888. +ítulo. O%-'K&K 577 &D'.'& "ndice para cat#logo siste #tico$ %. 7icion(riosB .olítica &D'.'& D. .olíticaB 7icion(rios &D'.'&

ELENCO DE AUTORE"
2. 1aria 5onti Odorisio, %niversidade de Ro a 2. 1aria =entili, %niversidade de !olonha 2lberto 1arradi, %niversidade de !olonha 2ldo 2gosti, %niversidade de Turi 2ldo 1affe4, Ro a 2lessandro 5avalli, %niversidade de Pavia 2lessandro .asserin 7;Entreves, %niversidade de Turi 2lfio 1astropaolo, %niversidade de Turi Qngelo .anebianco, %niversidade de !olonha 2nna 2nfossi, %niversidade de Turi 2nna Oppo, %niversidade de Cagliari 2rturo 5. Aemolo, outrora da %niversidade de Ro a 2rturo 5olombo, %niversidade de Pavia -runo -ongiovanni, %niversidade de Turi 5amillo -re""i, %niversidade de +rezzo 5ario -aldi, %niversidade de !olonha 5ario =uarnieri, %niversidade de !olonha 5ario 3eopoldo Ottino, Turi 5ario 1arletti, %niversidade de Turi 5arlos -arbé, %niversidade de Turi 5assio Ortegati, Pavia 5esare .ianciola, Turi 5l(udio 5esa, %niversidade de (ena 5l(udio Sanghi, %niversidade de &essina 5ristina 1archiaro 5ercho, Turi 7anilo Solo, %niversidade de (assari 7omenico -arillaro, outrora da %niversidade de Ro a 7omenico ,isichella, %niversidade de Ro a 7omenico $ettembrini, %niversidade de Pisa Edda $accomani $alvador, %niversidade de Turi Edoardo =rendi, %niversidade de ,-nova Emanuele 1arotta, Co o Emile .oulat, Centro .acional de Pes/uisa Cientí0ica) Paris Enrica 5ollotti .ischel, %niversidade de !olonha Ernesto 1olinari, %niversidade de !olonha Ettore /otelli, %niversidade1de !olonha ,(bio /oversi-1onaco, %niversidade de !olonha ,abri"io -encini, *lorença ,eli E. Oppenheim, %niversidade de &assachusetts2 + herst ,rancesco 1argiotta -roglio, %niversidade de *lorença ,rancesco /ossolillo, %niversidade de Pavia ,ranco =arelli, %niversidade de Turi ,ranco 1osconi, %niversidade de Pavia ,ulvio 2ttin[, %niversidade de Cat3nia =iacomo $ani, %niversidade de Colu bia) 4hio =iampaolo Succhini, %niversidade de !olonha =ian Enrico /usconi, %niversidade de Turi =ian 1ario -ravo, %niversidade de Turi =ianfranco .asquino, %niversidade de !olonha =ianni -aget -o""o, ,-nova =ianni <attimo, %niversidade de Turi =iorgio -ianchi, Turi =iorgio ,reddi, %niversidade de !olonha =iorgio .astori, %niversidade Cat'lica de &ilão =iovanna Sincone, %niversidade de Turi =iuliano 1artignetti, Turi =iuliano .ontara, %niversidade de 5stocol o =iuliano >rbani, %niversidade !occoni de &ilão =iuseppe -adeschi, %niversidade de Ro a =iuseppe 7e <ergottini, %niversidade de !olonha =iuseppe /icuperati, %niversidade de Turi =ladio =emma, %niversidade de &'dena =l#ria /egonini, %niversidade de &ilão =uido ,assZ, outrora da %niversidade de !olonha =uido <errucci, %niversidade de (alerno =ustavo =o""i, %niversidade de !olonha 8da /egalia, %niversidade de &ilão ítalo de $andre, %niversidade de P#dua Aean =audemet, %niversidade de Paris JIIL Aean-1arie 1a4er, %niversidade de (orbonne) Paris Garl 7. -racher, %niversidade de !onn 3aura 5onti, &ilão 3eonardo 1orlino, %niversidade de *lorença 3iliana ,errari, %niversidade de Trieste 3oren"o -edeschi, %niversidade de Turi 3oren"o ,ischer, %niversidade de Turi 3isa ,oa, Ro a 3uciano -onet, %niversidade de Turi 39cio 3evi, %niversidade de Turi 3udovico 8ncisa, Ro a 3uigi -onanate, %niversidade de Turi 3uigi $alvatorelli, outrora da %niversidade de Turi 1abel Olivieri -arbé, %niversidade de Turi 1arco 5ammelli, %niversidade de &'dena 1arino /egini, %niversidade de &ilão 1(rio $toppino, %niversidade de Pavia 1assimo ,ollis, %niversidade de Turi 1assimo Aasonni, %niversidade de !olonha 1arulio =uasco, %niversidade de Verona 1auri"io 5otta, %niversidade de (ena 1auro 2mbrosoli, %niversidade de Turi 1irella 3ari""a, %niversidade de Turi 6icola 1atteucci, %niversidade de !olonha 6icola +ranfaglia, %niversidade de Turi 6ino Olivetti /ason, %niversidade de P#dua 6orberto -obbio, %niversidade de Turi Ora"io 1. .etracca, %niversidade de (alerno .aolo 5eri, %niversidade de Turi .aolo 5olliva, %niversidade de !olonha .aolo ,arneti, outrora da %niversidade de Turi .aulo 1en"o""i, %niversidade de !olonha .ier .aolo =iglioli, %niversidade de &ilão .irangelo $chiera, %niversidade de Trento .iero Ostellino, &ilão /oberto -onini, %niversidade de !olonha /oberto 7;2limonte, %niversidade de *lorença $affo +estoni -inetti, %niversidade de !olonha $andro.Ortona, Turi $érgio -ova, %niversidade de Turi $érgio .istone, %niversidade de Turi $érgio /icossa, %niversidade de Turi $érgio $camu""i, %niversidade de Turi $ilvano -elligni, %niversidade de Turi $ilvio ,errari, %niversidade de Par a $iro 3ombardini, %niversidade de Turi $tefano -artolini, %niversidade de *lorença +i"iano -ona""i, %niversidade de !olonha +i"iano +reu, %niversidade de Pavia >mberto =ori, %niversidade de *lorença <alério Sanone, Ro a <incen"o 5esareo, %niversidade Cat'lica de &ilão <incen"o 3ippolis, %niversidade de Ro a

INTRODU !O
política é notoriamente ambígua. 2 maior parte dos termos usados no discurso político tem significados diversos. Esta variedade depende, tanto do fato de muitos termos terem passado por longa série de muta!)es hist#ricas \ alguns termos fundamentais, tais como ]democracia], ]aristocracia], ]déspota] e ]política], foram-nos legados por escritores gregos \, como da circunstWncia de não e istir até hoje uma ciência política tão rigorosa que tenha conseguido determinar e impor, de modo unívoco e universalmente aceito, o significado dos termos habitualmente mais utili"ados. 2 maior parte destes termos é derivada da linguagem comum e conserva a fluide" e a incerte"a dos confins. 7a mesma forma, os termos que adquiriram um significado técnico através da elabora!ão daqueles que usam a linguagem política para fins te#ricos estão entrando continuamente na linguagem da luta política do dia-a-dia, que por sua ve" é combatida, não o esque!amos, em grande parte com a arma da palavra, e sofrem varia!)es e transposi!)es de sentido, intencionais e não-intencionais, muitas ve"es relevantes. 6a linguagem da luta política quotidiana, palavras que são técnicas desde a origem ou desde tempos imemoriais, como ]oligarquia], ]tirania], ]ditadura] e ]democracia], são usadas como termos da linguagem comum e por isso de modo nãounívoco. .alavras com sentido mais propriamente técnico, como são todos os ]ismos] em que é rica a linguagem política \ ]socialismo], ]comunismo], ]facismo], peronismo], ]mar ismo], ]leninismo], stalinismo], etc. \, indicam fen*menos hist#ricos tão comple os e elabora!)es doutrinais tão controvertidas que não dei am de ser suscetíveis das mais diferentes interpreta!)es. .ois bemB o escopo deste dicion(rio é o de oferecer a um leitor não-especialista, ao homem culto e aos estudantes de segundo grau e nível superior, e a todos os que lêem revistas e jornais políticos, aos que ouvem conferências e discursos, aos que participam de comícios ou que assistem a debates na televisão, dirigidos por especialistas ou por políticos
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profissionais, uma e plica!ão e uma interpreta!ão simples e possivelmente e austiva dos principais conceitos que fa"em parte do universo do discurso político, e pondo sua evolu!ão hist#rica, analisando sua utili"a!ão atual e fa"endo referência aos conceitos afins ou contrastivamente antitéticos, indicando autores e obras a eles diretamente ligados. 5omo o universo da linguagem política não é um universo fechado e comunica com os universos contíguos, como são o da economia, da sociologia e do direito, haver( também neste dicion(rio palavras do vocabul(rio econ*mico, como ]capitalismo], ou sociol#gico, como ]classe], ou jurídico, como ]codifica!ão]. O leitor não deve procurar aqui, para esses termos, um tratamento completo como o que acharia em dicion(rios de economia, de sociologia ou de direito, pela simples ra"ão de haver apenas o intuito de as incluir e de as tratar no que tange aos aspectos políticos mais específicos do conceito. 6o mais, diferentemente de outras ciências que têm uma tradi!ão mais longa e uma autonomia reconhecida e respeitada, a ciência política, apesar de antiga, não alcan!ou ainda uma autonomia completa. .or esse motivo, tanto os soci#logos, como os juristas, os economistas e os historiadores sempre ofereceram a ela importantes contribui!)es, O leitor não dever( surpreender-se, por conseguinte, que para a reda!ão de alguns verbetes deste dicion(rio tenham sido convidados, além de cientistas políticos propriamente ditos, também soci#logos, juristas, economistas e historiadores. T possível que a diferenciada proveniência dos autores de cada verbete repercuta numa certa desigualdade ou diferencia!ão de estilo e até de linguagem. +rata-se porém de um inconveniente inevit(vel no estado atual do desenvolvimento dos estudos políticos. 6enhum termo da linguagem política é ideologicamente neutro. 5ada um deles pode ser usado como base na orienta!ão política do usu(rio para gerar rea!)es emocionais, para obter aprova!ão ou desaprova!ão de um certo comportamento, para

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86+/O7>^RO 5omo todos os dicion(rios, também este, que teve de enfrentar matéria acidentada e de contornos confusos, sem ter o respaldo de uma tradi!ão consolidada de empresas an(logas, não pode dei ar de ter suas lacunas. 2 ausência de palavras da gíria política quotidiana é intencional. 2lgumas lacunas são aparentes, uma ve" que, para não multiplicar inutilmente o n9mero de verbetes, reuniram-se matérias afins dentro de um verbete idêntico. .ara identific(-las, bastar( que o leitor use o índice analítico. Outras lacunas dependem certamente de esquecimentoB e ao mesmo tempo que pedimos desculpa disso, desejaríamos ter leitores tão interessados que tomassem consciência delas e nos transmitissem suas observa!)es.

provocar, enfim, consenso ou dissenso. 2pesar do esfor!o em se evitar o uso da linguagem prescritiva, a presun!ão do dever ser, e apesar de se haver preferido a descri!ão dos diversos significados ideol#gicos em que um termo é usado [ imposi!ão de um deles, ou seja, apesar de se ter procurado falar da maneira mais neutral possível de termos que em si mesmos nunca são neutros, não se pode e cluir que os autores dos verbetes, sobretudo daqueles em cujo conte9do mais se agitam e mais são agitadas as pai )es partid(rias, tenham dei ado transparecer suas simpatias ou antipatias. 2 impassibilidade é uma virtude difícil. E quando é levada até suas e tremas conseq_ências do desapego ou da indiferen!a não é nem sequer uma virtude.

A%&ol'ti&(o. 8. O 2-$O3>+8$1O 5O1O ,O/12 E$.E5C,852 7E O/=268S2^RO 7O .O7E/. \ $urgido talve" no século `<888, mas difundido na primeira metade do século `8`, para indicar nos círculos liberais os aspectos negativos do poder mon(rquico ilimitado e pleno, o termo-conceito 2bsolutismo espalhou-se desde esse tempo em todas as linguagens técnicas européias para indicar, sob a aparência de um fen*meno 9nico ou pelo menos unit(rio, espécies de fatos ou categorias diversas da e periência política, ora Je em medida predominanteL com e plícita ou implícita condena!ão dos métodos de =overno autorit(rio em defesa dos princípios liberais, ora, e bem ao contr(rio Jcom resultados qualitativa e até quantitativamente efica"esL, com ares de demonstra!ão da inelutabilidade e da conveniência se não da necessidade do sistema monocr(tico e centrali"ado para o bom funcionamento de uma unidade política moderna. 2 for!a polêmica do termo, presente desde sua apari!ão e nunca abafado pela sua contradit#ria difusão, acelerou e acentuou por uma parte o sucesso, mas também proporcionou v(rios equívocos sobre sua essência, tornando de uma certa maneira problem(tica a utili"a!ão dentro de margens rigorosamente suficientes para garantir a cientifícidade requerida pela pr#pria pesquisa historiogr(fica. 2 primeira generali"a!ão a que inevitavelmente se chegou foi a de identificar o conceito de 2bsolutismo com o de ]poder ilimitado e arbitr(rio]. $e esta era a prov(vel origem do significado do termo, é também evidente que se tratava de uma acep!ão indubitavelmente 9til no plano do debate político e ideol#gico mas inteiramente estéril para fins de pesquisa hist#rico-política e constitucional, desde o momento em que nada acrescentava em termos de distin!ão e especifica!ão no seio de um fen*meno genérico em si e meta-hist#rico como o do poder. 7aqui veio a dupla tendência em ligar estritamente o conceito em questão com uma

perspectiva eminentemente tipol#gica e estrutural, confundindo-o ou assimilando-o com outro conceito, bem mais definido no plano l#gico e dos conte9dos, que é o de ]tirano]Y ou então redu"i-lo a sin*nimo da mais precisa especifica!ão hist#rica do =overno arbitr(rio que é o ]despotismo], com seus insubstituíveis elementos m(gicosagrados e sua absoluta falta de referências jurídicas, em sentido ocidental. Em ambos os casos, mas sobretudo no segundo Jno qual mesmo no plano ling_ístico foi onde se criaram os maiores equívocos, com a utili"a!ão, ainda não inteiramente superada, dos dois termos como sin*nimos nas principais línguas européiasL, houve uma conseq_ência posteriorB projetar o 2bsolutismo na dimensão, eminentemente contemporWnea, do ]totalitarismo]. T evidente que se trata, em todo o caso, de um conceito artificial. +anto nos seus significados polêmicos como nos diferentes significados que lhe são atribuídos, toda a defini!ão de 2bsolutismo não pode dei ar de parecer ]e terna], convencional e relativa, passível, portanto, de ser avaliada s# em fun!ão do grau de clare"a que pode introdu"ir na compreensão \ no plano hist#rico e, como conseq_ência, também no categorial \ de um aspecto imprescindível da e periência política, que é o poder. 6ão se pode prescindir, portanto, se quisermos aprofundar este aspecto, da séria tentativa de relacionar o 2bsolutismo com uma forma específica de organi"a!ão do poder, característica em rela!ão a outras. +al especificidade podemos verific(-la particularmente no plano hist#rico, referida a uma determinada forma hist#rica de organi"a!ão do poder. 2 perspectiva que daí resulta é, portanto, em primeiríssimo lugar, hist#rico-constitucional. Em sua essência, os parWmetros classificat#rios mais #bvios e rent(veis parece serem os que estão ligados ao espa!o cultural do Ocidente europeu, no período hist#rico da 8dade 1oderna e na forma institucional do Estado moderno. 2 primeira limita!ão serve, antes de tudo, para manter as distWncias da e periência oriental e eslava do despotismo cesaropapista. 2 segunda

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serve para diferenciar a organi"a!ão ]absolutista] do poder do sistema político feudal anterior e da antiga $O58E727E .O/ 521272$ J<.L. 2 terceira, finalmente, serve para lembrar os contornos concretos que o 2bsolutismo assumiu como ]forma] hist#rica de poder. 88. 2 $O-E/2682. \ 7e um ponto de vista descritivo, podemos partir da defini!ão de 2bsolutismo como aquela forma de =overno em que o detentor do poder e erce este 9ltimo sem dependência ou controle de outros poderes, superiores ou inferiores. 8nteiramente diferente seria defini-lo como ]sistema político em que a autoridade soberana não tem limites constitucionais], ou apenas ]sistema político que se concreti"a juridicamente através de uma forma de Estado em que toda a autoridade Jpoder legislativo e e ecutivoL e iste, sem limites nem controles, nas mãos de uma 9nica pessoa]. O problema decisivo é o dos limitesB a respeito dele, o 2bsolutismo se diferencia de forma clara da tirania, por uma parte, e do despotismo cesaropapista, por outra. Em primeiro lugar, na verdade, a redu!ão, v(lida, embora elementar, do princípio de fundo do 2bsolutismo [ f#rmula legibus solutus) referida ao príncipe, implica autonomia apenas de qualquer limite legal e terno, inclusive das normas postas pela lei natural ou pela lei divinaY e também, a maior parte das ve"es, das ]leis fundamentais] do reino. +rata-se, portanto, mesmo em suas teori"a!)es mais radicais, de um 2bsolutismo relativo [ gestão do poder, o qual, por sua ve", gera limites internos, especialmente constitucionais, em rela!ão aos valores e [s cren!as da época. O 2bsolutismo não é portanto uma tirania. $ecundariamente, aqueles limites, em particular os dois primeiros, embora sejam de nature"a religiosa ou sacra, são apenas limitesB desempenham um papel negativo, mas não representam a substWncia do 2bsolutismo ou o seu conte9do. /epresentam apenas o imprescindível termo de confronto, o limite que não é possível ultrapassar em rela!ão [ tirania. 2ssim, o 2bsolutismo é totalmente diferente do despotismo, o qual, ao contr(rio, acha nos elementos m(gicos, sagrados e religiosos a pr#pria identifica!ão positiva, a pr#pria legitima!ão 9ltima. +rata-se então de um regime político constitucional Jno sentido de que seu funcionamento est( sujeito a limites e regras preestabelecidasL, não arbitr(rio Jenquanto a vontade do monarca não é ilimitadaL e sobretudo de tradi!)es seculares e profanas. 5om tais características, a coloca!ão espacial e cultural, cronol#gica e institucional do 2bsolutismo adquire maior crédito e significado.

7ando convencionalmente por descontado o término final do 2bsolutismo na /evolu!ão ,rancesa Jmesmo ficando de pé o problema da sobrevivência de elementos absolutistas em diversos países da Europa continentalL, as opini)es são necessariamente contrastantes quanto ao seu início. .resente, em condi!)es mais ou menos evoluídas ap#s o est(dio de desenvolvimento das diversas monarquias ]nacionais] européias, j( na fase de transi!ão do sistema feudal para o Estado moderno, é concomitante com a afirma!ão deste 9ltimo que o regime absolutista se afirma plena e conscientemente tanto no plano pr(tico quanto no plano te#rico. 2 parte, portanto, a necessidade de investigar as origens e as antecipa!)es até ao século `888, podemos talve" ra"oavelmente atribuir-lhe como idade peculiar, se não e clusiva, a que vai do século `<8 ao século `<888. Entretanto, mais complicado seria tentar fi ar, dentro destes limites, seu desenvolvimento homogêneo nas diversas e periências políticas européias, onde, ao contr(rio, ele se apresentou em tempos e modos diferenciados, dando lugar a não poucos e importantes problemas de recep!ão ou de influências a partir de v(rias e periências. -asta pensar nas enormes diferen!as e istentes entre o 2bsolutismo inglês, francês e alemão. ,alta di"er, enfim, algo sobre o risco cone o com uma e cessiva identifica!ão do 2bsolutismo com a forma hist#rica ocidental moderna do Estado. Em primeiro lugar, porque sempre e istiram ilustres e emplos de organi"a!ão estatal moderna no Ocidente inteiramente distantes da hip#tese absolutista. Em segundo lugar, porque esta é apenas uma hip#tese que foi freq_entemente reali"ada de uma maneira completa, mas nunca a ponto de e cluir outras hip#teses e orienta!)es, opostas ou contradit#rias, de cuja dialética derivou boa parte do posterior desenvolvimento constitucional. $e, portanto, na sua primeira fase, o Estado ocidental moderno foi, antes de mais nada, um Estado absoluto, ele não foi s# isso e o 2bsolutismo foi apenas nele um componente essencial, juntamente com outros. ,oi um elemento característico mas não e clusivo das constitui!)es ocidentais, podendo ser redu"ido, em sua essência, a dois princípios fundamentais, o da seculari"a!ão e o da racionali"a!ão da política e do poder. 7e tal processo, o 2bsolutismo representou certamente, no plano te#rico e pr(tico, uma das contribui!)es mais efica"es do espírito europeu e merece ser estudado debai o desta lu". 888. 2$.E5+O A>/C785O-86$+8+>58O623. \ $e esta hip#tese é verdadeira, o 2bsolutismo apresenta-senos em sua forma plena como a conclusão de uma longa evolu!ão, a qual, através da indis-

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pens(vel media!ão do cristianismo como doutrina e da 8greja romana como institui!ão política universal, condu", desde as origens m(gicas do poder, até a sua funda!ão em termos de racionabilidade e eficiência. Este fato é perfeitamente testemunhado pela evolu!ão sofrida pelo princípio de legitima!ão mon(rquica da antiga investidura, transmitida [ monarquia de direito divino através da gra!a divina, e também o princípio mon(rquico constitucional do século `8`. +al evolu!ão vai de uma justifica!ão perfeitamente religiosa, embora cada ve" menos m(gica, do poder, até o tipo her#ico e classista, que podemos individuali"ar entre %MK'-%ME' e %EK'-%EE', caracteri"ada por uma fei!ão ideol#gica e propagandística de tipo mitol#gico em rela!ão [ figura do príncipe, até alcan!ar uma postura eminentemente jurídica e racional em rela!ão aos fins. 2 amplitude da par(bola dentro da qual o 2bsolutismo se coloca permite atribuir um significado menos superficial [ sua rai" etimol#gica. O conceito de legibus solutus denuncia imediatamente que o terreno sobre o qual se sediou desde o fim da 8dade 1édia a obriga!ão política no Ocidente foi jurídico. 6esse Wmbito, todavia, em que dominava a tradi!ão romana, tida como viva e interpretada pela 8greja, se verificou, no início da 8dade 1oderna, uma brecha revolucion(ria, na medida em que a independência das leis se torna bem depressa o emblema dos novos princípios territoriais que aspiravam [ conquista e [ consolida!ão de uma posi!ão de autonomia, em contraste com as pretens)es hegem*nicas imperiais e papais de uma parte e com os senhores locais de outra. 6o fundo, este desencontro refletia porém uma mudan!a cultural importante, tornada possível e incrementada pela descoberta do direito romano e pela imensa obra de moderni"a!ão e interpreta!ão levada a cabo pelos juristas leigos e eclesi(sticos, pelas escolas e pelas orienta!)es que se sucederam em toda a Europa até o século `<88. +rata-se da progressiva contesta!ão do ]bom direito antigo], do simples e indemonstrado apelo a ]7eus e ao direito], da concep!ão \ de nature"a evidentemente sacra \ do direito ]achado] pelo príncipe-sacerdote na grande massa das normas, consuetudin(rias, naturais e divinas, e istentes desde tempos imemoriais. Em seu lugar afirma-se a idéia de um direito ]criado] pelo príncipe, segundo as necessidades dos tempos e baseado em técnicas mais modernas. >m direito concreto, adequado a seus fins, mas também mut(vel, não vinculado, ao qual o príncipe que o criou pode subtrair-se em qualquer caso. T na base deste direito que o príncipe proclama, ou fa" proclamar por seus legistas, a independência. .rova evidente de que esta nova tendência se

move j( conscientemente no sentido de racionali"ar e intensificar o poder e a rela!ão fundamental em que o mesmo se desdobraB a rela!ão entre autoridade e s9ditos. 2 referida f#rmula se articula efetivamente, no plano l#gico, em duas reivindica!)es posteriores, também elas tomadas, embora em sentido inteiramente diverso, do antigo direito romano e que correspondem, em sua substWncia, [s linhas de fundo do processo de forma!ão do Estado moderno, através da consolida!ão da autoridade para fora e também dentro do ]territ#rio] no qual surge. $upremacia imperial e papal, de uma parte, e participa!ão dos poderes locais Jconsiliu L) de outra, são os dois obst(culos que se entrep)em para defini!ão do poder monocr(tico do príncipe. 5ontra o primeiro obst(culo, o poder monocr(tico se proclama ]superiorem non recognoscens] e ]imperator in regno suo], negando qualquer forma de dependência tanto em rela!ão ao imperador quanto em rela!ão ao .apa. 5ontra o segundo, em concomitWncia com a substitui!ão sempre mais convincente do direito ]criado] pelo direito ]achado] e com a crescente e igência de estabelecer e manter a pa" territorial, se afirma o princípio através do qual ]quod principi placuit legis habet vigorem]. 6este ponto, o 2bsolutismo do poder mon(rquico é alcan!ado, ao menos em teoria, na medida em que o príncipe não encontra mais limites para o e ercício de seu poder nem dentro nem fora do Estado nascente. Ele não é mais s9dito de ninguém e redu"iu a s9ditos todos aqueles que estão debai o de suas ordens. 7elineou-se, na verdade, em seus tra!os essenciais, o novo e indiscutível princípio de legitimidade do príncipe no EstadoB o princípio de soberania, a ]summa legibusque soluta potestas], da qual no 9ltimo quartel do século `<8 -odin deu a sistemati"a!ão te#rica definitiva. 2 redu!ão do 2bsolutismo aos seus referentes jurídicos, todavia, se esgota o aspecto semWntico do problema e serve para descrever boa parte da sua hist#ria, não basta para delinear completamente a mudan!a profunda a que, no Wmbito da e periência política ocidental, o 2bsolutismo corresponde. .assando também através do filtro jurídico, mas investindo problem(ticas e convic!)es bem radicadas e envolventes, se completou, na verdade, entre os séculos `888 e `<8, uma das maiores revolu!)es culturais que o Ocidente conheceu. 8<. 2$.E5+O .O3C+85O-/258O623. \ $e seculari"a!ão significa perda progressiva de valores religiosos JcristãosL da vida humana, em todos os

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seus aspectos, o 2bsolutismo significa, também e sobretudo, separa!ão da política da teologia e a conquista da autonomia daquela, dentro de esquemas de compreensão e de critérios de juí"os independentemente de qualquer avalia!ão religiosa ou moral. 7este ponto de vista, entram certamente na hist#ria do 2bsolutismo, como doutrina política, pensadores e movimentos que debai o de um aspecto estritamente técnico dele seriam e cluídos pela pouca aten!ão dada aos elementos jurídico-institucionais, que fa"em do 2bsolutismo um fen*meno concretamente constitucional. 7ei ando de parte as passagens através das quais se reali"ou a ]desmorali"a!ão] da política e que contribuíram para o surgimento do ]espírito laico], dentro de um sistema prevalentemente antitomista, um dos pontos de chegada do processo é representado, sem a menor sombra de d9vida, pela obra de 6iccolZ 1achiavelli, apesar da posi!ão equívoca que o mesmo mantém em rela!ão aos dois e traordin(rios fen*menos hist#rico-políticos que se estavam preparando e reali"ando em seu tempoB o surgimento da /eforma religiosa e a constru!ão do moderno Estado institucional. 6a verdade, a compara!ão de 1aquiavel com o 2bsolutismo est( ainda ligada essencialmente aos esquemas tradicionaisY a ordem absoluta, comparada com a civil, é para ele sin*nimo de tirania, de ilimitado e incontrolado poder. .or outra parte, o seu príncipe corresponde, embora com toda a cautela e ajustamento das condi!)es necess(rias, [quele modelo, em fun!ão da 9nica coisa que no fundo lhe interessaB elevar o poder até o ponto central se não 9nico da e periência política e elaborar critérios e normas de comportamento político avaliados segundo estes fins, eliminando nele qualquer elemento que manche a pure"a da rela!ão que deriva da obriga!ão política rigorosamente formulada em seus termos terrenos, concretos, efetivos e reais. $e, na verdade, as f#rmulas de 1aquiavel aparecem historicamente muito rígidas e circunscritas, isso é devido unicamente ao pesado condicionamento dos meios políticos italianos do qual ele não p*de libertar-se e, em parte, também, ao significado que ele, mais ou menos conscientemente, atribuiu [ sua obra principal Il Príncipe) que é e atamente um tratado sobre o poder e não sobre o Estado. .ara demonstra!ão da comple idade e da globalidade assumida pelo fen*meno de absoluti"a!ão da política, no qual se inclui o 2bsolutismo como realidade hist#rica, e do qual 1aquiavel foi certamente o e poente mais importante, não se pode esquecer outro filão através do qual se concreti"ou a contribui!ão estritamente religiosa JcristãL para a separa!ão entre política e moral, mesmo que isso se verifique através de uma

recupera!ão radical da outra dimensão, que 6 precisamente a religiosa e que representa a contesta!ão ao tomismo dentro da 8greja. +rata-se, naturalmente, da /eforma .rotestante, cuja contribui!ão para o refor!o do poder mon(rquico em sua dimensão institucional é ineg(vel, quer no plano te#rico, quer no plano pr(tico, não apenas nos territ#rios germWnicos, onde intervieram também motivos hist#ricos contingentes, mas também nos principais países europeus, h( muito tempo preparados para a concentra!ão e racionali"a!ão mon(rquica, como é o caso da 8nglaterra e da ,ran!a. 7e tal contribui!ão vale a pena lembrar não apenas o assunto da não-positividade da vida terrena para a vida do além e a conseq_ente desvalori"a!ão de todo o esfor!o inclusive político fora daquele \ eminentemente burocr(tico, de servi!o \ do príncipe, mas também o conseq_ente e estreitíssimo vínculo de obediência do s9dito [ autoridade e ainda, também, pela modernidade e repetido sucesso da justifica!ão, a legitima!ão do poder absoluto em termos de mero ]bonum commune], entendido este 9ltimo em sentido especificamente material, de seguran!a, pa", bemestar e ordem. +odos estes motivos, os de 1aquiavel e os da /eforma .rotestante, confluíram facilmente para as doutrinas políticas do 2bsolutismo que se desenvolveram entre os séculos `<8 e `<888, tanto para as de conte9do imediatamente operacional, coletadas e misturadas dentro do gênero liter(rio da chamada ]ra"ão de Estado], como para as de fundo mais abertamente te#rico e sistem(tico dos grandes autores do 2bsolutismo, como Aean -odin ou +homas 0obbes. 4s seis livros do 5stado do primeiro representam certamente o projeto mais convincente saído do movimento dos políticos) no cen(rio do século `<8, em resposta a uma situa!ão interna da ,ran!a gravemente deteriorada, se pensarmos que a longa caminhada reali"ada pela monarquia em dire!ão a uma gestão centrali"ada e racional do territ#rio unificado tinha sofrido uma pausa e um regresso surpreendentes, em nome de uma contraproposta religiosa atr(s da qual se escondia uma estranha mistura de antigos interesses feudais e de novos interesses burgueses, talve" ainda não conscientes, em luta com as prerrogativas preponderantes e as aspira!)es da alta nobre"a dos =randes do /eino. ?ue a vit#ria tenha sorrido aos politi/ues) em nome do novo princípio, polemicamente atribuído a eles por seus advers(rios, de ]estat, estatY police, police], é altamente significativo. ?uem venceu, de forma aberta, foi na verdade o Estado e a política, encarnados, um e

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outra, na figura do príncipe, mas levados a uma unidade te#rica, gra!as a -odin, no princípio de legitima!ão da soberania, ]summa legibusque soluta potestas], desdobrada essencialmente no ]não ... estar de nenhuma forma sujeito [s ordens de outro e ... Jno poderL dar leis aos s9ditos e cancelar ou anular as palavras in9teis da lei, substituindo-as por outras, coisa que não pode fa"er quem est( sujeito [s leis ou a pessoas que e er!am poder sobre ele] J4s seis livros do 5stado) 3ivro 8, capítulo <888L. ,ica, certamente, o limite da ]lei natural e divina], mas é um limite, além de dificilmente sancion(vel, bastante abstrato para não atingir os problemas inerentes aos concretos neg#cios do =overno. .or outro lado, a sua inderrogabilidade serve a -odin para defender a ]derrogabilidade] das ]leis ordin(rias], apoiando-se numa passagem das ]leis decretais]. .ermanece ainda a fronteira daquelas ]leis que di"em respeito [ pr#pria estrutura do reino e [ sua ordem b(sica], embora até ela encontre uma e plica!ão totalmente convincente nos termos do 2bsolutismo que est( mais dentro da l#gica e da for!a interna do Estado do que na figura pessoal do monarca, na medida em que ]essas leis estão ligadas [ coroa e a elas inscindivelmente unidas] Jibide L7 6a verdade, haveria ainda uma 9ltima fronteira que seria decisiva e poria em jogo o conceito de soberania se fosse verdadeiramente vinculante. T aquela que deriva do juramento do príncipe no que toca ao respeito das ]leis civis] e dos ]pactos] estipulados entre ele e seus s9ditos Jsobretudo, com as assembléias dos grupos representativosL. T um caso que -odin encara com uma série ilimitada de distin!)es e de e emplos hist#ricos, para em seguida resolvê-lo definitivamente, recorrendo a um e pediente finalB a decisão no caso de e ce!ão di" respeito ao príncipe ]conforme as circunstWncias, os tempos e as pessoas o e igirem]. ,ica assim estabelecido definitivamente ]que o mais alto ponto da majestade soberana est( em dar a lei aos s9ditos, tanto no seu aspecto geral como em seu aspecto particular, sem necessidade de seu consentimento] Jibide L7 2 questão do recurso ao e pediente final foi recentemente retomada por 5arl $chmitt como verdadeiro tra!o da soberania. 1ais oportuna e clara ainda é a argumenta!ão apresentada por 0obbes, três séculos mais tarde, em defesa do poder absoluto. 8sso tornou-se mais inquietante pelo fato de a grande comple idade dos problemas o ter constrangido a dei ar o caminho s#lido de -odin e dos politi/ues que tinham essencialmente em mente a constitui!ão funcional do poder, em termos de eficiência e de ordem, limitandose a recorrer apenas [ l#gica

abstrata e instrumentalmente neutra do direito. 6uma situa!ão política certamente mais avan!ada, que j( havia presenciado a afirma!ão do poder mon(rquico e que estava vivendo a (spera contesta!ão por parte de for!as bem mais homogêneas e consolidadas na defesa dos novos interesses econ*micos, bem diferentemente daquilo que tinha acontecido na ,ran!a durante o século anterior, 0obbes foi obrigado a percorrer o 9nico caminho disponível para restabelecer a liga!ão entre soberania Jreivindicada de maneira decisiva e tradicional pela monarquia $tuartL e direito Jo direito dos centros de poder local, do .arlamento que os congregava, da gentry que come!ava a e primi-los em nível de classeL e para fundar uma legitimidade realB o engajamento dentro de um sistema jurídico reconhecido universalmente. 8sso e istia no direito natural moderno que, depois de ter sido utilmente empregado no decurso do século `<8 como instrumento racional para resolver quest)es importantes ou muito originais, encontrou aplica!ão, gra!as a 0obbes, na defini!ão te#rica do poder, da soberania e do Estado. 2s quest)es específicas a que foi aplicado esse direito foram aquelas que derivaram de circunstWncias pr#prias de novos países ultramarinos e quest)es .de direito internacional. 2p#s o grande quadro tra!ado por -odin para o Estado, este foi redu"ido em sua 9ltima essência ao ]animal artificial], ao ]aut*mato], ou seja, a ]um homem artificial, ainda que de maior for!a e estatura do que o homem natural, concebido para prote!ão e defesa deste] J8eviatã) IntroduçãoL7 7esta forma, o 2bsolutismo que caracteri"a o poder do Estado nada mais é do que a proje!ão do 2bsolutismo natural da rela!ão e clusiva e istente de homem para homem e o ref9gio natural das conseq_ências mortais do inevit(vel conflito no qual os homens vivem em Estado de nature"a. 2 legitima!ão que daí resulta 9 a mais radical jamais concebível, pois que afunda suas raí"es na pr#pria nature"a humana e na ]analogia das pai )es] pr#prias do homem individual. 7essa forma, finalmente, 0obbes complementa a revolu!ão de 1aquiavel, fundamentando o 2bsolutismo da política no 2bsolutismo do homem e fundando a brutalidade necess(ria do poder no Estado na simples considera!ão de que este é uma cria!ão artificial do homem a quem ele recorre para moderar na hist#ria a tragicidade do seu destino de lupus) que não pode ser senão a morte. O raciocínio é elementarB as pai )es humanas, naturais e prejudiciais, não são pecado senão a partir do momento em que uma lei as proíbeY mas a lei deve ser feita e para esse fim deve ser nomeada uma pessoa dotada de autoridade. 8njusti!a, lei e

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2-$O3>+8$1O la que e iste entre autoridade e s9dito. $# no Wmbito desse dualismo e na delimita!ão precisa das respectivas competências é possível, por um lado, conhecer as fronteiras e atas, por mais amplas e e tensas que sejam para 0obbes, do poder e, portanto, limit(-lo de alguma forma e, por outro, estabelecer e defender o Wmbito de independência e autonomia individual, mesmo quando se trata apenas do espa!o interior apolítico de 0obbes. O 2bsolutismo político, na realidade, deu respostas bastante unilaterais a estes problemas no campo hist#rico-constitucional. 5om isso dilatou e ageradamente um p#lo do dualismo \ o p#lo autorit(rio. .or outro lado, ele fi ou o princípio da contraposi!ão e a necess(ria premissa da sua possível regulamenta!ão. 8sto permite-nos, finalmente, estabelecer uma distin!ão indiscutível de princípio entre 2bsolutismo e totalitarismo. Este 9ltimo consiste precisamente na identifica!ão total de cada indivíduo com todo o corpo político organi"ado e mais ainda com a pr#pria organi"a!ão desse corpo. 8sso pode naturalmente acontecer nos dois sentidos implícitos do dualismo autoridade-s9dito. 1ediante a desmedida dimensão do p#lo autorit(rio, que chega a compreender em si todo o aspecto e momento da vida individual, redu"indo o aspecto privado a simples elemento constitutivo da sua pr#pria estrutura organi"acional ou, então, através da absoluti"a!ão da presen!a individual, numa contínua e global participa!ão do homem na política. 6os dois casos, dar-se-ia a absoluta politi"a!ão da vida individual, numa perspectiva dramaticamente alienante ou fascinosamente liberante, mas chegando, num ponto, ao mesmo resultadoB a libera!ão dos limites da política, a sua totali"a!ão, e, portanto, a perda de sua autonomia em nome de uma hegemonia absoluta em torno de qualquer aspecto da vida humana, que a subjugaria inevitavelmente de novo, com escolhas e op!)es prejudiciais de tipo transcendente. +rate-se de um totalitarismo autorit(rio e tecnocr(tico ou então de um totalitarismo democr(tico e humanístico, certamente os m#dulos de organi"a!ão e sobretudo os culturais e e istenciais em que ele é concreti"ado seriam necessariamente diferentes daqueles a que a e periência constitucional ocidental moderna nos habituou. Em todo caso e por mais absurdo que pare!a tratar no plano conteudístico das duas possíveis linhas desse totalitarismo, parece necess(rio tomar consciência das implica!)es e das conseq_ências que as duas comportam, dentro da convic!ão, sempre prov(vel, de que a idade do totalitarismo j( come!ou.

poder são três anéis da mesma cadeia l#gica que procura permitir a sobrevivência artificial do homem. Em conclusão, também para 0obbes, a essência da soberania est( no 2bsolutismo e na unicidade do poder, de tal forma que as vontades humanas individuais estejam subordinadas a uma s# vontadeB ]8sto é mais do que um consenso ou um acordoB é uma unifica!ão de todas as vontades numa mesma pessoa, feita por meio de um pacto de cada homem com cada homem...] Jibide ) capítulo `<88L. O Estado, de homem artificial, se transforma em deus mortal, ]... uma pessoa, de cujos atos cada indivíduo de uma grande multidão, com pactos recíprocos, se fe" autor, a fim de que possa usar a for!a e os meios de todos eles, quando achar oportuno, para a pa" e defesa comum] Jibide L7 4 fato de a e pressão e celente da soberania residir no poder legislativo deriva das premissas do pr#prio te to de 0obbes. $# o direito positivo sabe desalojar as pai )es humanas e impedi-las positivamente através de san!)es. 6esse sentido, o direito positivo não é mais do que um mergulho necess(rio, artificial e racional, dentro do direito natural, cujas leis eram continuamente violadas, no Estado de nature"a pelas pai )es. O Estado feito [ semelhan!a do homem, mas quase-deus, e prime fundamentalmente, para 0obbes, para além do 2bsolutismo político, o pr#prio 2bsolutismo do homem, em suas pai )es e em seu heroísmo. 2 sua grande essência inventiva, que reside na abstra!ão do poder numa vontade artificialmente unificada, é o instrumento racional com que o homem salva a pr#pria concretudeB a vida. 6o Estado, o homem se salva, não se perde. <. 1O7E3O -8.O32/B 2>+O/8727E E $V78+O. \ .arado almente, é este o resultado final a que condu" o 2bsolutismo políticoB a garantia da liberdade humana \ aquele tanto de liberdade que é compatível com a compreensiva necessidade da política \, agora definitivamente redu"ida [ esfera aut*noma de rela!)es humanas, sem justifica!)es ou apelos de tipo transcendente. 2 partir de 0obbes, ser( dentro da realidade do poder, especificamente dentro da figura abstrata mas poderosíssima do Estado, que se desenvolver( o processo de alargamento e de consolida!ão desta garantia. Os modelos posteriores, tanto os de tipo constitucional quanto os de tipo absolutista e iluminista, como ainda os mais modernos do Estado de direito e do Estado social, não serão capa"es de sair da rígida rela!ão-separa!ão em que o 2bsolutismo, mediante o recurso [ soberania, havia fundado a pr#pria obriga!ão políticaB aque-

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#I#LIO)RAFIA. \ .. 267E/$O6, 84 (tato assoluto7 4rigini ed evoluzione dell1+7 occidertale e orientale7 1ondadori, 1ilano %OF'Y ,. 02/+>6= e /. 1O>$68E/, :uel/ues probl; es concernants la onarchie absolue) in ]/ela"ioni dd `. 5ongresso 8nterna"ionale di $cien"e storiche]. 8<. (toria oderna) $ansoni. ,iren"e %OIIY P. 0>-2+$50, Das <eitalter der +bsolutis us %K''-%EFO, Pestermann, -raunschaeig %OKIY G. G2$E/, 81et= dell1assolutis o J%OD&L, <allecchi, ,iren"e %ODKY /. 1267/O>, 815urope >absolutiste>7 Raison et raison d1?tat) %KMO%EEI, ,a4ard, .aris %OEEY ,. 1E86E5GE, 81idea della ragione di (tato nella storia oderna J%ODML, $ansoni. ,iren"e %OKEY 2. 6E=/8, voe. ]2.], in (cienze Politiche7 8. (tato e Política7 ,eltrinelli, 1ilano %OE'Y =. OE$+/E850, Proble i di struttura dell1+7 europeo) in 8o (tato oderno7 8. Dal &edioevo all1et= oderna) ao cuidado de E. /O+E338 e .. $508E/2, 8l 1ulino, -ologna %OE%Y /. $506>/, Individualis o e +7) =iuffrb, 1ilano %OEOY =. +2/E33O, (toria della cultura giuridica oderna7 I7 +7 e codi0icazione del diritto) 8l 1ulino, -ologna %OEKY 5. <8<26+8, .ote per una discussione sull1+7) in ]?uaderni di rassegna soviética], +tti del III Convegno degli storiei italiani e sovietici) /oma %OKOY ,. P23+E/, 5uropa in <eitalter des +bsolutis us %K''-%EFO, Oldenburg, 1_nchen %OIO. c.8E/26=E3O $508E/2d A%&tencioni&(o. Este termo é usado essencialmente para definir a não participa!ão no ato de votar. .ode, todavia, compreender a não participa!ão num conjunto de atividades políticas, conquanto, em suas formas mais acentuadas, a não participa!ão possa ser definida como apatia, aliena!ão, e por aí além. 5omo muitas das vari(veis ligadas [ participa!ão eleitoral, o 2bstencionismo é de f(cil avalia!ão quantitativa. T, com efeito, calculado como percentual daqueles que, tendo direito, não se apresentam [s urnas. T diferente o caso dos que, apresentando-se, dei am a cédula eleitoral em branco ou, deliberadamente, a anulam de diversas maneiras. Embora tanto os que não se apresentam [s urnas como os que se manifestam mediante voto não v(lido pretendam e pressar desafei!ão ou desconfian!a, ambos os fen*menos são considerados como analiticamente distintos. Em geral, as vari(veis que influem na predisposi!ão [ participa!ão política de sentido amplo influem também positivamente na participa!ão eleitoral. .ode-se di"er, ao contr(rio, que os abstencionistas são, do ponto de vista sociol#gico, com poucas diferen!as de um país para outro e salvo algumas e ce!)es Jpor e emplo, a de abstencionistas volunt(rios e ]resolutos] como os peronistas argentinos, sempre que se sentiam discriminados, ou

os radicais italianos nas elei!)es administrativas de %OF' e %OF%L, um grupo de indivíduos com características relativamente definidasB antes de tudo, bai o nível de instru!ãoY em segundo lugar, de se o femininoY em terceiro, de idade avan!ada ou então muito jovem. 7e forma an(loga [ de qualquer outra vari(vel, a instru!ão, ou, melhor, a carência de um adequado nível de instru!ão, influi negativamente na participa!ão eleitoral. 5ontudo, tem sido observado que, se um indivíduo come!ou a participar nas elei!)es porque ]mobili"ado], por e emplo, por um partido ou por circunstWncias e cepcionais, a guerra, a depressão, é prov(vel que continue ]participante], não contando seu nível de instru!ão. 2s ta as de 2bstencionismo variam consideravelmente de país para país e de uma consulta eleitoral para outra. 2s mais elevadas se encontram, no que toca a regimes democr(ticos, nos Estados >nidosB nas elei!)es presidenciais, o 2bstencionismo ultrapassou, na década de E', MIeY nas elei!)es para o 5ongresso, vota atualmente menos da metade dos que teriam direito, embora haja acentuadas diferen!as entre um Estado e outro e entre as diversas elei!)es. 2s ta as mais bai as se encontram, em ordem gradual, na 2ustr(lia, 0olanda, :ustria, 8t(lia e -élgica, sendo, nas elei!)es políticas do segundo p#sguerra, inferiores a %'e. Em média, as ta as de 2bstencionismo nos regimes democr(ticos giram em torno de D'e, mas h( sintomas que indicam um ligeiro crescimento no percentual de eleitores que desertam volunt(ria e deliberadamente das urnas. 2s causas do 2bstencionismo são m9ltiplas. 8mportantes, mas certamente não decisivas para a e plica!ão das altas ta as que se registram em alguns países, são as normas que regulam o e ercício do direito ao voto. 2 facilidade ou não de inscri!ão nas listas eleitorais \ autom(tica em alguns casos, dei ada em outros ao potencial eleitor \ e a obrigatoriedade ou não de votar Jna 2ustr(lia, por e emplo, o voto é obrigat#rioY na 8t(lia e iste uma san!ão de car(ter administrativo, a inscri!ão ]não votou] no certificado de bom comportamentoL influem, como é #bvio, no percentual de eleitores que se dirigem [s urnas. +em-se observado, ali(s, que nem mesmo a queda dos requisitos mais onerosos fe" com que aumentasse o percentual de eleitores no conte to norte-americano. 1aisB de um modo geral, nota-se que a e pansão do corpo eleitoral, qualquer que seja a ra"ão Jsufr(gio universal masculino, e tensão do voto [s mulheres, [s minorias, diminui!ão do limite de idadeL, provoca uma queda nas ta as de participa!ão, ao inserir no corpo eleitoral indivíduos ainda não habituados a votar. 6ormalmente,

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porém, superada a fase de ]aprendi"agem], as ta as de 2bstencionismo tendem a decrescer rapidamente. 1as tal não aconteceu nos Estados >nidos. 2lguns autores buscaram por isso as causas do 2bstencionismo em dois grupos de vari(veisB de um lado, em vari(veis individuais, psicol#gicasY do outro, em vari(veis de grupo, políticas e sistem(ticas. .ara que o 2bstencionismo não cres!a, é preciso, atendendo ao primeiro conjunto de vari(veis, que os novos eleitores tenham interesse pela atividade política, possuam boa informa!ão política e se mantenham ]efica"es], ou seja, capa"es de influir no resultado das competi!)es eleitorais. 5omo os indivíduos admitidos [ participa!ão eleitoral estão muitas ve"es escassamente interessados na política, estão pouco informados e são ]inefica"es] Jhomens antes e cluídos por causa do seu analfabetismo, mulheres sem e periência política anterior, minorias subalternas \ uma e ce!ão, os jovens da década de E', j( ]automobili"ados], mas talve" em fase de reflu o, e com alto nível de instru!ãoL, a ta a de 2bstencionismo crescer(. ?uem atende [s vari(veis de grupo, tanto políticas como sistem(ticas, buscar( uma e plica!ão do eventual crescimento do 2bstencionismo sobretudo em três fen*menosB antes de mais, no tipo de consulta eleitoralY em segundo lugar, na competitividade das elei!)es Jou seja, na importWncia do risco e na incerte"a do ê itoLY enfim, na nature"a do sistema partid(rio e das organi"a!)es políticas Jgrau de presen!a e de assentamento socialL. Os dados são concordes em indicar um 2bstencionismo seletivo do eleitor que vota, em percentuais mais elevados, nas elei!)es consideradas mais importantes, mais nas elei!)es políticas, portanto, que nas administrativas Jnos Estados >nidos, é maior a vota!ão nas elei!)es presidenciais que nas do 5ongressoY na ,ran!a, é maior no segundo turno, ou seja, no da decisão, que no primeiroL. T o caso da 8t(liaY mas aqui é preciso acrescentar uma participa!ão em declínio, isto é, um crescente 2bstencionismo nas consultas por re0erendu Jde %%,Oe, em %OEM, a %F,Fe, em %OEF, e D',Me, em %OF%, com aumento também de cédulas brancas e nulasL. 2 outra causa sistem(tica do 2bstencionismo, a não competitividade das elei!)es, é de mais difícil verifica!ão. 1uitas ve"es, os eleitores poderão adu"ir a pouca diferen!a dos programas dos partidos ou das posi!)es dos candidatos como causa da sua não participa!ão Jo que é mais freq_ente nos sistemas bipartid(riosL. Ou também positivamenteB a vit#ria de um ou de outro não influir( negativamente nas suas preferências.

recursos e e pectativas. 2o contr(rio, porém, o elevado nível do reecontro político e as fortes diferen!as program(ticas poderão fa"er diminuir o 2bstencionismo, mobili"ando eleitores ali(s não disponíveis. Os casos italiano e francês parecem seguir esta dire!ãoY o caso estadunidense, de que possuímos uma massa de dados sem igual, caminha no outro sentido. Enfim, a e plica!ão mais comumente apresentada e da maneira talve" mais convincente é a de que, onde os partidos estão bem organi"ados, capilarmente presentes e muito ativos, a ta a de 2bstencionismo mantém-se muito moderadaY onde eles estão em crise, sua capacidade de mobili"a!ão e conquista do eleitorado se esvai e o 2bstencionismo cresce, crescendo ainda mais se, como ocorreu nos Estados >nidos nos anos K', sua crise for contemporWnea [ e pansão do eleitorado potencial. 6ão inserido no circuito da política organi"ada, este eleitorado depressa se acolhe ao 2bstencionismo e, se não recuperado com o andar do tempo, se perpetuar( como um eleitorado abstencionista cr*nico. A( que, em geral, parece ter de se contar com uma diminui!ão da atra!ão dos partidos de massa e das organi"a!)es políticas que propendem [ participa!ão eleitoral, a tendência futura mais prov(vel é a do crescimento do 2bstencionismo. ?ue efeitos produ" o 2bstencionismo no funcionamento dos regimes democr(ticosf Em primeiro lugar, não são poucos os que pensam que altas ta as de 2bstencionismo constituem uma deslegitima!ão, atual ou virtual, dos governantes, da classe política e até mesmo das pr#prias estruturas democr(ticas. $e democracia é participa!ão dos cidadãos, uma participa!ão insuficiente debilita-a. Em segundo lugar, quem aceita uma visão mais desinteressada do problema da legitimidade dos regimes democr(ticos acentua, em ve" disso, a necessidade de se levar em conta a ]produ!ão] do regime. $e os abstencionistas constituem um grupo, não s# sociologicamente diverso de quem vota, mas também diverso em termos de preferências políticas, sua absten!ão tornar( difícil Je não essencialL [s autoridades, aos governantes, serem sensíveis [s e igências não e pressas. .or isso a produ!ão legislativa, a distribui!ão dos recursos, as op!)es globais do sistema premiarão os que participam em prejuí"o dos que se abstêm, o que pode assumir aspectos de particular gravidade, se os abstencionistas pertencerem a grupos sociologicamente ]subprivilegiados]. Em parte é assim, em parte nãoB os abstencionistas s# em parte são diferentes, particularmente nos Estados >nidos, daqueles que votam.

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1antém-se, todavia, em pé o problema dos regimes democr(ticos onde um alto percentual de eleitores resolve não ]se incomodar] por influir no resultado das competi!)es eleitorais. 6a realidade, s# em escassa medida se pode pensar que o sistema, em seu conjunto, não fica com isso ]deslegitimado]. 2lém disso, a grande massa dos abstencionistas e eleitores flutuantes fica [ mercê dos apelos dos demagogos que prometem limpar a (rea e criar um regime de autêntica participa!ão. 2 mobili"a!ão dos abstencionistas desde o alto é, em conclusão, um perigo real em situa!)es onde a ta a de 2bstencionismo cresce sem solu!ão de continuidade. #I#LIO)RAFIA. - G 78++/850 e 3. 6. AO026$E6, 8a partecipazione elettorale in 5uropa J%OMI-%OEFLB iti e realt= in ]/ivista 8taliana di $cien"a .olítica], ` Jagosto %OF'LY 2. +. 0273EU, The 5 pty Polling !ooth) .rentice 0all, Engleaood 5liffs %OEFY E. 5. 3277 A/., @here Aave +ll the Voters ,oneB7 6orton, 6ea Uorg %OEFY 2. 3265E3O+, 81abstentionnis e electoral en *rance) 5olin, .aris %OKFY 5lectoral Participation) ao cuidado de /. /O$E, $age .ublications, -everl4 0ills-3ondon %OF'Y /. E. PO3,86=E/ e $. A. /O$E6$+O6E, @ho VotesC Uale >niversit4 .ress, 6ea 0aven-3ondon %OF'. J=826,/265O .2$?>86Od

A*+o Cat,lica. O decreto do 5oncilio <aticano 8l ]2postolicam actuositatem] a prop#sito da 2!ão cat#lica, isto é, das ]v(rias formas de atividades e de associa!)es que, mantendo uma mais estreita liga!ão com a hierarquia, se ocuparam e se ocupam com finalidades propriamente apost#licas], lembra a defini!ão que mais comumente, no passado, era a elas atribuídaB ]colabora!ão dos leigos com o apostolado hier(rquico] Jcap. D'L. +rata-se de uma f#rmula cujas origens remontam ao pontificado de .io `8 J%ODD%O&OL. Ela aparece, de fato, pela primeira ve", com palavras ligeiramente diferentes J]participa!ão dos leigos na missão pr#pria da 8greja]L, numa carta do então secret(rio de Estado cardeal =asparri aos bispos italianos, de D de outubro de %ODD. 8nserida na sua forma definitiva nos estatutos de 2!ão cat#lica italiana de %O&%, ser( mantida também pelos sucessivos pontífices. .ara captar seu significado é preciso considerar o conte to doutrinai em que ela amadurece, focali"ando, em primeiro lugar, a acep!ão que aí tem o termo ]apostolado]. Este indica um projeto totali"ante sobre o homem e a

sociedadeB não somente recondu"ir [ fé cada indivíduo que dela se tenha afastado, mas também recriar um organismo social baseado em todos os níveis, inclusive no nível da organi"a!ão civil e econ*mica, na doutrina da 8greja cat#lica. 6ão h( distin!ão, nessa perspectiva, entre ]religioso] e ]político]B os dois planos convergem num modelo ideal de sociedade hierarquicamente estruturada em que a 8greja \ o .apa em primeiro lugar e os bispos dele dependentes \ reveste a fun!ão de ordenadora 9ltima, como tal reconhecida pelo Estado que, em conseq_ência disso, recebe dela a sua legitima!ão. +rata-se de uma concep!ão, largamente difundida nos ambientes cat#licos europeus desde a primeira metade do século `8`, que teve origem na polêmica ultra-montana e intransigente contra o liberalismo. O termo 2!ão cat#lica Jou ]a!ão dos cat#licos]L come!a a ser usado, juntamente com o de ]movimento cat#lico], a prop#sito das organi"a!)es de leigos militantes que se formaram em diversos países da Europa Jas primeiras foram as da ,ran!a, da -élgica e as das regi)es de língua alemãL, em aberta oposi!ão ao Estado liberal. 6a 8t(lia esse termo é usado para indicar o variado conjunto de associa!)es e institui!)es chefiadas, desde %FEM, pela Obra dos 5ongressos. A( no início da década de K' a revista dos jesuítas ]3a 5ivilt[ 5attolica] elabora uma precisa defini!ão do papel que o laicato militante tem no Estado modernoB ele deve assegurar [ 8greja a tutela que os =overnos liberais lhe negam, defendê-la de seus ataques e influir, através de sua a!ão, para recondu"ir a sociedade, em seus v(rios níveis, [ sua imagem origin(ria de ]societas christiana]. 2 interven!ão política é um dos muitos instrumentos de que a 2!ão cat#lica tem o direito e o dever de servir-se, em obediência [s indica!)es da hierarquiaY é um direito que somente na 8t(lia sofre limita!)es no que di" respeito [ participa!ão dos cat#licos nas elei!)es políticas e isto com o intento de tornar mais efica" o protesto contra a ane a!ão dos Estados pontifícios, que se concluiu com a tomada de /oma em %FE'. O termo de 2!ão cat#lica foi ,dado pelo .apa .io `, na 8t(lia, a uma organi"a!ão particular, ap#s a dissolu!ão, por ele decretada, da ]Opera del 5ongressi] J%O'&L. 2 2!ão cat#lica, que sucedeu a esta obra, não é mais um movimento que nasce da iniciativa aut*noma do laicado, mas uma organi"a!ão promovida pela hierarquia e por ela diretamente controlada. 8nicia com .io ` uma série de revis)es estatut(rias que acentuam cada ve" mais seu car(ter centrali"ador, tornando-a um instrumento d#cil que a 8greja pode utili"ar no Wmbito de sua estratégia geral de ]recristiani"a!ão] da

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sociedade. 2 2!ão cat#lica italiana adquire com isso uma fisionomia que a diferencia sensivelmente, sob o perfil organi"ativo. das e istentes em outros países, especialmente da francesa, articulada em movimentos de categoria dotados de ampla autonomia. 7eve-se, também, considerar o car(ter de ]modelo e emplar] que o papado atribuir( cada ve" mais [ organi"a!ão da 258, como aquela que melhor reali"a o ideal do empenho do laicado nos confrontos com a 8greja e a sociedade. 8ntervindo diretamente na organi"a!ão do laicado militante e dando um reconhecimento especial a uma associa!ão específica, a $anta $é intende também controlar o surgimento, no Wmbito cat#lico, de movimentos que, como a democracia cristã de 1urri, coloquem, embora parcialmente, em discussão o seu projeto de sociedade e reivindiquem um espa!o aut*nomo de decisão para o laicado na (rea política. 2 defini!ão que .io `8 deu de 2!ão cat#lica sublinha a fun!ão subalterna que ela tem em rela!ão [ hierarquia, com cujo apostolado ]colabora] em qualidade de mero e ecutor. 6o quadro do acordo entre a 8greja e o fascismo sancionado pelos tratados de 3atrão, a 2!ão cat#lica ganha o espa!o de forma!ão de um pessoal capa" de influir nos v(rios níveis do Estado. 5om a reconstitui!ão da ordem democr(tica, no fim da $egunda =uerra 1undial, a 2!ão cat#lica não se limitar( a fornecer quadros ao partido cat#lico e a assegurar-lhe o seu m( imo apoio eleitoral, mas e ercer( sobre este partido a fun!ão de instrumento de pressão. 7urante o pontificado de .io `88. não obstante se afirme a nature"a puramente religiosa das fun!)es da 2!ão cat#lica, não muda o quadro tradicional de referência, isto é, a perspectiva do retorno da sociedade [ imagem unit(ria da ]societas christiana], para cuja atua!ão a 8greja privilegia o instrumento da gestão direta do poder político por parte dos cat#licos. O pontificado de Aoão ``888 e o 5oncilio <aticano 8l marcam, no que concerne [s linhas do discurso pastoral, um decisivo momento de mudan!a. O tema da ]op!ão religiosa], que se tornou central na 2!ão cat#lica do ap#s-concílio, representa um distanciamento da concep!ão do apostolado acima mencionada e embora parcialmente, um reconhecimento da autonomia da a!ão política em rela!ão aos princípios que determinam a e periência do cristão. 5omo isto se concreti"ou, qual a rela!ão entre a persistência de formas de interven!ão e de presen!as típicas do passado e entre o surgimento de uma nova concep!ão de 2!ão cat#lica, fica ainda, em grande parte, um problema aberto.

#I#LIO)RAFIA. \ 2>+ <2/.. 8a presenza sociale del PCI e della DC7 8l 1ulino. -ologna %OKFB =. 526783O/O, Il ovi ento cattolico in Italia7 Editori /iuniti. /oma %OEDY =. oi /O$2. (toria del ovi ento cattolico in Italia dalla restaurazione ali et= giolittiana7 3ater"a. -ari %OKKY ,. 12=/8, 8+7 Cattolica in It#lia7 3a ,iaccola. /oma %OI&, D vols.Y =. 1icolli, Chiesa e societ= in It#lia dal Concilio Vaticano I J%FE'L al Ponti0ica di ,iovanni DDIII7 in (toria d1Italia7 vol. <, 8 docu enti7 tomo 88, Einaudi. +orino %OE&, pp. %MO&-%IMFY =. .O==8. Il clero di riserva7 ,eltrinelli, 1ilano %OK&. c3838262 ,E//2/8d

Ad(ini&tra*+o P-%lica. 8. 2$ 2+8<8727E$ 271868$+/2+8<2$. \ Em seu sentido mais abrangente, a e pressão 2dministra!ão p9blica designa o conjunto das atividades diretamente destinadas [ e ecu!ão concreta das tarefas ou incumbências consideradas de interesse p9blico ou comum, numa coletividade ou numa organi"a!ão estatal. 7o ponto de vista da atividade, portanto, a no!ão de 2dministra!ão p9blica corresponde a uma gama bastante ampla de a!)es que se reportam [ coletividade estatal, compreendendo, de um lado, as atividades de =overno, relacionadas com os poderes de decisão e de comando, e as de au ílio imediato ao e ercício do =overno mesmo e, de outra parte, os empreendimentos voltados para a consecu!ão dos objetivos p9blicos, definidos por leis e por atos de =overno, seja através de normas jurídicas precisas, concernentes [s atividades econ*micas e sociaisY seja por intermédio da interven!ão no mundo real Jtrabalhos, servi!os, etc.L ou de procedimentos técnico-materiaisY ou. finalmente, por meio do controle da reali"a!ão de tais finalidades Jcom e ce!ão dos controles de car(ter político e jurisdicionalL. 6a variedade das atividades administrativas Jabstraindo-se o e ame daquelas de =overno, que merecem considera!ão [ parteL, dois atributos comuns devem ser destacadosY em primeiro lugar, o fato de essas atividades serem dependentes ou subordinadas a outras Je controladas por essasL, as quais determinam ou especificam os fins a atingir Jatividades políticas ou soberanas e de =overnoLY em segundo lugar, o de serem e ecutivas, no duplo sentido de que acatam uma escolha ou norma anterior, e de que dão continuidade [

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norma, intervindo para a consecu!ão final de interesses e objetivos j( fi ados. +ais atributos condu"iram a que a 2dministra!ão p9blica fosse identificada, i essencialmente, como uma fun!ão, ou como uma atividade-fim Jcondicionada a um objetivoL, e como organi"a!ão, isto é, como uma atividade voltada para assegurar a distribui!ão e a coordena!ão do trabalho dentro de um escopo coletivo. 88. 2$ E$+/>+>/2$ 271868$+/2+8<2$. \ 6o momento em que a e igência da distribui!ão e coordena!ão do trabalho administrativo assumiu relevo e dimens)es sempre crescentes no decorrer da e periência dos ordenamentos estatais modernos e contemporWneos, de tal modo que deu origem ao aparecimento e ao desenvolvimento de estruturas específicas, o termo 2dministra!ão p9blica, do Wngulo de seus destinat(rios, passou a indicar o comple o de estruturas que, conquanto se encontrem em posi!)es de subordina!ão diferentes, em rela!ão [s estruturas políticas e de =overno, representam uma realidade organi"ativa distinta daquelas. .ara a maioria dos estudiosos, as estruturas administrativas representam, mais do que tudo, o tra!o característico dos Estados modernos e contemporWneos, manifestando, quase fisicamente, sua presen!a no plano subjetivo. 5onstitui característica normal dessas estruturas o fato de se lhe ter destinado um pessoal escolhido por sua competência técnica, contratado profissionalmente e em car(ter permanente Jcorpos burocr(ticosL. Entretanto, fa"-se mister esclarecer que a 2dministra!ão p9blica não pode ser redu"ida, como [s ve"es ocorre, ao perfil de suas estruturasY de fato, isso não permite e plicar integralmente o fen*meno administrativo p9blico, tal como ele se delineia, do ponto de vista hist#rico e comparado, mormente se se tem em mente que nem sempre e istiram estruturas de tipo burocr(tico destinadas [ e ecu!ão de atividades administrativas e que, muitas ve"es, e iste continuidade ou identidade parcial entre as estruturas governativas e administrativas. 888. O ./O-3E12 271868$+/2+8<O E +8.O$ 7E 271868$+/2^RO. \ 2 variedade das fun!)es a que se pode endere!ar a a!ão administrativa; e a diversidade das atividades com que ela pode se manifestar aconselham que se assuma o ponto de vista mais abrangente de considerar a administra!ão como atividade ou fun!ão necess(ria, semelhante [ da política e [ do =overno, em qualquer ordenamento geral ou especial.

+rata-se, mais propriamente, de considerar como dado constante de toda a coletividade estatal Jcomo, ali(s, de todo o grupo social organi"adoL a e istência de um problema administrativo que tem ou pode ter solu!)es diversas, mesmo no plano organi"ativo em rela!ão [ varia!ão dos três componentes principais e individuantes de cada sistema e tendo em vista, também, as características diferentes de cada país no plano social, econ*mico e culturalB tipo de institui!)es políticas e de =overno e istentesY a rela!ão entre estas e a 2dministra!ão p9blicaY e as finalidades tidas como metas ou objetivos de interesse p9blico. O e ame do modo como se tem encarado e procurado resolver positivamente o problema administrativo, onde quer que se fa!a, com base nas três principais vari(veis j( lembradas, que escondem, de certo modo, os elementos fundamentais do fen*meno administrativo p9blico \ o elemento institucional, o organi"ativo e o funcional \, permite individuali"ar diversos tipos de 2dministra!ão p9blica, tanto no decurso da evolu!ão hist#rica como no confronto das diversas e periências nacionais. .oder( aparecer, em particular, como os neg#cios da 2dministra!ão p9blica seguem, pari passu) as formas de Estado e de =overno, tendo como manifesta!ão específica, e não menos essencial, a organi"a!ão e o equilíbrio e igido pelas circunstWncias. $er( igualmente possível constatar, especialmente na época atual, a co-presen!a de diversos tipos de 2dministra!ão p9blica dentro da pr#pria coletividade estatal. Em rela!ão a cada tipo de administra!ão é também possível elucidar como as institui!)es políticas e governamentais foram fortes e capa"es de reali"ar ou mandar reali"ar os pr#prios objetivos. .or outro lado, deve destacar-se também quanto a 2dministra!ão p9blica correspondeu, tanto no plano estrutural quanto no funcional, aos seus objetivos e como foi eficiente em atingi-los. 7entro desta rela!ão que vê, numa posi!ão de recíproca complementaridade e simultaneamente de contraposi!ão, a fun!ão política e governamental e a administrativa, coloca-se uma das problem(ticas vitais mais comple as e, parcialmente, insol9veis do nosso tempo. +orna-se particularmente evidente que nela e istem amplas estruturas burocr(ticas Jcomo regraL , enquanto, na realidade efetiva, a rela!ão institucional de dependência que a caracteri"a pode apresentar valores, se não opostos, pelo menos profundamente divergentes daqueles que foram previamente estabelecidos.

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271868$+/2^RO .>-3852 contradi" s# aparentemente a coloca!ão d( administra!ão como soberania delegada. O duplo aspecto do comando Jpara foraL e do servi!o Jpara dentroL contribui também para lan!ar lu"es sobre a posi!ão especial do aspecto da organi"a!ão que a 2dministra!ão p9blica assume em rela!ão ao poder político do =overno e de toda a coletividade. ,a"-se uma nítida distin!ão, especialmente, entre as regras do ordenamento pr#prio da administra!ão e as do ordenamento em geral. 8sto tem muito que ver com as e periências estatais da Europa continental. 2 e periência anglo-sa *nica é caracteri"ada por uma restrita (rea de atividades soberanas em sentido pr#prio e por uma subordina!ão geral das atividades p9blicas [s normas do direito comum, sendo caracteri"ada também pelo respeito e pela utili"a!ão dos poderes políticos locais para as metas da administra!ão. 2 organi"a!ão administrativa do Estado absolutista não tem, portanto, características estruturais aut*nomas em rela!ão [s da autoridade soberana. +odavia apresenta-se como um esquema de pessoas ligadas por vínculos de subordina!ão interna e privada ao soberano e, como j( se disse, como organi"a!ão ou administra!ão privada da soberania. j falta de características estruturais pr#prias típicas e aut*nomas por outra parte, a um período em que e iste uma indistin!ão subjetiva das fun!)es p9blicas, corresponde uma centrali"a!ão que é avaliada antes de tudo no plano político. O problema administrativo é resolvido na homogeneidade institucional e política entre governantes e pessoal administrativo, com base na nature"a das tarefas a e ecutar, no modesto volume de recursos, na prepara!ão técnica específica e na limitada necessidade de recorrer a estruturas burocr(ticas.

O respectivo papel das estruturas políticas e administrativas tendem a uma troca recíproca ou a uma configura!ão baseada num equilíbrio substancialmente alterado. 7aqui nasce outra tem(tica, tipicamente sociol#gica, que caracteri"a a 2dministra!ão p9blica de hoje em diversos conte tos institucionais dentro de uma variada tipologiaB a do papel político desenvolvido de fato pelas estruturas burocr(ticas. 8<. 2 271868$+/2^RO 72 $O-E/2682. \ .ara esquemati"ar sumariamente quais os tipos de administra!ão que adquiriram maior importWncia nas formas de Estado e de =overno modernas e contemporWneas, tendo em vista particularmente as e periências italiana e brasileira, e sem pretender ilustrar na sua singularidade hist#rica as v(rias administra!)es nacionais dos dois países, convir(, antes de tudo, relembrar a forma!ão das grandes monarquias da Europa continental. 5om o surgimento e o desenvolvimento de tais institui!)es de =overno monocr(tico e absoluto reali"a-se, como é conhecido, um tipo de administra!ão que representa, em certo sentido, a condi!ão necess(ria para que os nossos poderes políticos possam afirmar-se, estabili"ar-se e manterse. 2 a!ão administrativa é essencialmente orientada, portanto, para a conquista dos meios indispens(veis [ conserva!ão e refor!o do poder régio constituído. .ode pensar-se, dentro de tal perspectiva, que os primeiros setores administrativos a desenvolver-se são o setor militar e o financeiro e que, entretanto, se assiste ao progressivo monop#lio da fun!ão jurisdicional do chefe soberano. 2 organi"a!ão do =overno régio tende, além disso, a articular-se e a difundir-se de modo uniforme por todo o territ#rio, através da cria!ão de estruturas de administra!ão periférica, cujos respons(veis estão vinculados, por delega!ão ou por representa!ão do =overno central, enquanto as fun!)es administrativas do =overno aut*nomo local, especialmente urbano, se vão degradando. 6o que di" respeito a tais finalidades de base e a tais modalidades de desenvolvimento, a a!ão administrativa se posiciona como com participa!ão no e ercício da autoridade soberana ou como autoridade soberana delegada. 6este sentido, a 2dministra!ão p9blica se confunde com a atividade e o poder do =overno. Esta característica e plicar( not(vel influência sobre a sucessiva evolu!ão do fen*meno da 2dministra!ão p9blica. 6o conte to, o elemento institucional tem prevalência sobre o organi"ativo e o funcional. Estes se integram na f#rmula unit(ria do servi!o para o rei Jou para a 5oroaL. +al f#rmula

<. 2 271868$+/2^RO E1./E$2/823. \ T da transforma!ão destas premissas ligadas entre si que derivam, j( antes do advento do Estado de direito constitucional, importantes modifica!)es que levam ao progressivo e impetuoso predomínio da organi"a!ão, mesmo no Wmbito da coloca!ão que lhe foi dada originariamente. 5om a amplia!ão das tarefas p9blicas no campo das interven!)es infra-estruturais, e dos servi!os sociais e ainda no das atividades econ*micas de base \ fen*meno típico de uma variante do Estado absoluto seria o Estado policial \, emergem os tra!os de uma administra!ão diversa cujos fins estão voltados para interesses coletivos, o que requer estruturas pr#prias e est(veis e ainda pessoal recrutado profissionalmente e tecnicamente

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qualificado. E a partir daqui que nascem formas de organi"a!ão aut*noma, regidas por normas pr#prias e critérios internos de a!ão Jespecialmente no campo da contabilidade e das finan!asL, predispostas a atingir determinados objetivos de car(ter produtivoB as empresas. 2 administra!ão que participa do =overno e [ emana!ão da autoridade soberana se justap)e a administra!ão empresarial, um m#dulo organi"ativo de grande interesse para as perspectivas atuais da 2dministra!ão p9blica, conforme j(, oportunamente, acentuaram muitos estudiosos. +al m#dulo organi"ativo comportava de fato a ruptura da continuidade estrutural entre =overno e administra!ão e dava um relevo, [ parte [s responsabilidades decis#rias pr#prias do =overno e também [s de atua!ão e de gestão organi"ativa das mesmas. 8sso teria podido assegurar um not(vel efeito classificador no momento em que o ato de administrar entrou, juntamente com outras fun!)es p9blicas, no sistema do Estado constitucional de =overno parlamentar. -em ao contr(rio, o modelo da administra!ão empresarial foi baseado na proclamada necessidade de submeter todo o funcionamento do aparelho estatal ao controle do .arlamento através da responsabilidade das institui!)es ministeriais. <8. 2 271868$+/2^RO. \ 2>+O/8727E E 2 O/=268S2^RO 08E/:/?>852. \ 5om o aparecimento dos regimes constitucionais, a administra!ão foi subordinada [ lei e inserida no chamado poder e ecutivo estatal. 8sto, porém, não fe" senão dar uma roupagem formal mais atuali"ada ao que j( era uma ordem conceituai e pr(tica pree istente. Os novos princípios e os novos dispositivos institucionais agiram não no sentido da transforma!ão mas no da limita!ão e controle da a!ão administrativa em rela!ão ao p9blico. 2 a!ão administrativa foi regulamentada quanto aos interesses e metas a perseguir e também quanto ao Wmbito das suas possibilidades de interven!ão, particularmente as do tipo unilateral e autorit(rio. +odavia, a interven!ão foi configurada igualmente como manifesta!ão de autoridade Jlegislativamente circunscritaL para satisfa!ão de interesses pr#prios do titular da soberania Jnão do príncipe, mas da entidade estatalL. O momento de contato entre os dois campos separados da administra!ão e da sociedade é tradu"ido através do ato administrativo, o qual fi a concreta e unilateralmente o interesse do Estado-pessoa, dentro dos limites do tato que a legisla!ão permite e sem o qual, por outro lado, os remédios jurisdicionais aplicados não poderiam

oferecer corretivos efica"es e e austivos para tutela do interesse p9blico a defender. 7esta maneira, o aspecto organi"ativo da administra!ão torna-se prevalente. Enquanto assume seu pr#prio perfil estrutural, a administra!ão conserva e refor!a seus la!os de dependência dos dirigentes políticos, de tal modo que, pode di"er-se, a administra!ão não é mais do que o aparelho do =overno. 2s estruturas são ordenadas sobre o modelo ministerial e dentro de cada ministério as mesmas são articuladas de maneira a favorecer a dire!ão e o controle quotidiano das atividades administrativas pelos chefes políticos. E sabido que, dentro das estruturas centrais e periféricas dos ministérios, a distribui!ão das tarefas administrativas se reali"a progressivamente mediante a forma!ão de uma escala de competência interna. +al escala vai desde a competência geral [ competência específica e comporta, no caso de competência de nível inferior Je dos titulares de cargosL, a possibilidade de participa!ão ou de substitui!ão no e ercício da competência de nível inferior. 2o mesmo tempo, as diversas competências são individuali"adas de modo que a cada uma delas corresponda a reali"a!ão ou a prepara!ão de uma ou mais atividades de e ecu!ão normativa. 6este conte to, h( a supressão conseq_ente de qualquer responsabilidade direta por parte do pessoal administrativo que atua dentro das metas da organi"a!ão. 7isciplinando de modo uniforme a atividade ou o segmento de atividade confiado a cada uma das unidades organi"ativas, garante-se, por outro lado, um controle f(cil e uma possibilidade de r(pida agili"a!ão na transmissão das ordens e das diretri"es de c9pula, sempre que isso for necess(rio. <88. 2 5/8$E 72 O/=268S2^RO 08E/:/?>852. \ 2 organi"a!ão ministerial de tipo hier(rquico voltada para a acentua!ão da unidade e regularidade formal da a!ão administrativa move-se, na verdade, dentro de uma rela!ão de relativo equilíbrio com os objetivos de ordem e disciplina inerentes [ administra!ão segundo a concep!ão dominante do Estado liberal. .or outro lado, essa organi"a!ão representa, também, a nega!ão destas e igências se se levar em conta a carga política implícita que ela sup)e. Enquanto se admite que a 2dministra!ão p9blica deve atuar imparcialmente, cumprindo, de preferência, o mandado na lei, verifica-se, por outro lado, estar ela organi"ada de tal maneira que se torna facilmente perme(vel [ interferência de partes. Esta profunda contradi!ão não tardar( a vir ao de cima, colocando, em termos

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dram(ticos, o problema da separa!ão da esfera política da esfera administrativa. Entretanto, se se prescindir do aspecto da tutela jurisdicional, não serão alcan!adas senão solu!)es parciais e impr#prias, tendo em vista as causas de fundo que originaram o problema. ?uando se deveria dar um lugar distinto, respectivamente, [s estruturas de =overno Je de seus #rgãos au iliaresL e [s estruturas administrativas, atribuindo a estas 9ltimas uma configura!ão aut*noma precisa Jlembremo-nos dos #rgãos e agências e istentes no escalonamento hier(rquico da $uécia e da 2mérica do 6orteL, verifica-se apenas a concessão de garantias para o corpo burocr(tico em contraste com a classe política dirigente, assim como a concessão de privilégios para a maioria dos servidores a ela subordinada, sem que as estruturas percam seu car(ter uniforme e hier(rquico. 2 cria!ão de garantias de Estado para os empregados, o crescimento numérico do corpo burocr(tico e, de um modo geral, o poder alcan!ado por este em rela!ão [ classe política Jmesmo nos servi!os a ela prestados nos partidos e por ocasião de elei!)esL representam fatores que contribuem para agravar as condi!)es de irresponsabilidade pr(tica de cada um e da organi"a!ão em seu conjunto. Essa disparidade concorrer(, por seu turno, para enfraquecer mais o controle político até redu"i-lo a termos meramente fictícios, pouco ou nada ajudando na imparcialidade da a!ão administrativa. 2crescente-se a isto a considera!ão de que nem se constituíram centros de governo aut*nomo regional e local Jpara uma distribui!ão vertical do poder políticoL nem se reali"aram, a nível local, aquelas formas de autogoverno ou de auto-administra!ão, pr#prias do sistema inglês de ordena!ão onde as fun!)es estatais periféricas são entregues a #rgãos eletivos. Em um e outro caso poderiam ser retomadas as condi!)es de um decisivo controle político e de uma rela!ão de responsabilidade mais direta entre administradores e administrados. T sabido, por outro lado, que se assiste a uma progressiva absor!ão, por parte da #rbita estatal, das atividades administrativas de interesse local dos municípios, das províncias e até dos Estados, nos países federados. 6a 8t(lia constata-se a repressão da autonomia política das províncias e istentes no período fascista. 2 mudan!a sucessiva das tarefas administrativas \ conseq_ência da consolida!ão do Estado social \ pressup)e fundamentalmente os mesmos princípios que sustentavam a organi"a!ão hier(rquica tradicional como e igência de refor!o

das estruturas e das modalidades de a!ão relacionadas com os novos objetivos e com os fins da presta!ão dos servi!os sociais e da gestão das atividades econ*micas, e relacionadas também com a solu!ão integrada dos problemas de desenvolvimento da sociedade e com a consecu!ão efetiva dos resultados econ*mico-sociais visados. .erante tais problemas, as estruturas atuais não possuem a capacidade de uma fle ível e tempestiva adapta!ão. .or seu lado, a a!ão administrativa, se continuar centrada sobre atos e competências e atas, ir( complicar-se para além do que é desej(vel no ponto de vista comportamental e ter( efeitos paralisantes sobre a vida do país. 7estarte, aquilo que deveria ser um tipo de organi"a!ão realista e de eficiência administrativa terminar( por ser um mecanismo de funcionamento baseado em regras ultrapassadas no tempo e apoiado em critérios de autodefesa e de auto-perpetua!ão desligados do conte to vivo da a!ão e das diretri"es do =overno.

<888. 2 271868$+/2^RO .2/2 h/=RO$ E E1./E$2$. \ 2 crise da organi"a!ão administrativa tradicional não se seguia, até agora, a cria!ão de um modelo ou de um tipo alternativo de administra!ão. 2 tendência atual, j( iniciada tempos atr(s, est( voltada, de preferência, para a ruptura da unidade do sistema administrativo e para a introdu!ão, em seu lugar, de uma pluralidade de tipos de administra!ão, presentes no interior de uma mesma organi"a!ão. 2 primeira tendência alternativa a assinalar, enriquecida por vasta gama de manifesta!)es concretas, estaria em evitar a organi"a!ão ministerial. /espeitando a unidade do poder políticogovernamental, dentro da (rea da administra!ão, verifica-se, desde o início do século, o recurso, cada ve" mais generali"ado, a #rgãos e a empresas aut*nomas, ao mesmo tempo que, o =overno, pouco a pouco, mediante interven!ão, ane a novos campos de a!ão e coloca novas e igências de promo!ão operacional nos diversos setores econ*mico-sociais. 2 organi"a!ão interna de tais estruturas não se diferencia substancialmente da ministerial, da qual reprodu" as principais disfun!)es sem assegurar as vantagens desejadas, seja em ordem a uma maior correspondência política, seja em ordem a uma maior eficiência administrativa. O recurso a estruturas alternativas se amplia, pois Jtornando-se com isto particularmente significativoL. 6o emprego de formas organi"ativas pr#prias do mundo econ*mico e empresarial privado Jem particular, as sociedades acion(rias de

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participa!ão ou de direito p9blicoL, primeiro para os grandes setores de economia de base e, depois, como aconteceu em tempos recentíssimos, para as atividades tecnologicamente sofisticadas ou comple as do ponto de vista organi"ativo Jinform(tica, técnicas e participa!ão de programa!ão organi"ativa, territorial e econ*mica, etc.L. +udo isto vem determinar, num quadro dominado por uma organi"a!ão ministerial em a!ão, na forma acima descrita, juntamente com uma maior amplicidade e oportunidade da participa!ão, ulteriores e não menos graves problemas sobre a organicidade da a!ão p9blica em seu comple o, assim como no que di" respeito [s possibilidades de real dire!ão e controle da mesma, seja por parte do =overno, seja por parte do .arlamento, seja ainda por parte da coletividade em geral. 8`. 2 271868$+/2^RO .O3C+852 E 2 ./O=/212^RO. \ O processo de desenvolvimento da tendência acima referida foi paulatinamente revelando a necessidade de enfrentar o problema administrativo dentro de uma perspectiva de car(ter global mais ampla. >ma perspectiva que levasse em conta não apenas o modo de ser das estruturas burocr(ticas, mas buscasse também as solu!)es através da revisão do papel e da configura!ão de um lado, num confronto direto com as institui!)es políticas e governamentais, eY do outro, numa avalia!ão das institui!)es e das estruturas sociais como tais. 7ada a variedade das atividades administrativas, que compreendem momentos funcionais diversos desde aqueles que são propriamente governamentais ou de #rgãos au iliares do =overno até os que são de presta!ão de servi!os utilit(rios ou específicos, ambos configur(veis dentro de uma rela!ão de complementaridade específica, e iste a perspectiva de que os novos tempos e igirão que seja dada uma e pressão adequada aos diversos momentos funcionais, incluindo o plano organi"ativo que deve olhar as características e os requisitos peculiares de cada servidor num ordenamento democr(tico. 8sto comporta uma mudan!a radical no modo de conceber e de colocar a a!ão administrativa. 2 verdade é que valori"ando-se os diversos aspectos ou momentos funcionais, a a!ão administrativa dever( ser colocada numa rela!ão imediata com os objetivos a atingir e com as institui!)es políticas e sociais, num quadro constante de interdependência entre escolhas e resultados. T por este motivo que se assiste hoje a um processo de fragmenta!ão que atinge a 2dministra!ão p9blica. 7e uma parte, procura-se reconstruir as estruturas de =overno Jtanto do centro

como da periferiaL no Wmbito direto de responsabilidade das institui!)es políticasY de outra parte, procura-se vitali"ar estruturas de gestão no Wmbito direto de responsabilidade das institui!)es e dos grupos sociais. $egundo essa tendência, o conjunto das atividades administrativas deveria distribuir-se por todo o arco da organi"a!ão políticosocial. O problema administrativo parece que poderia resolver-se superando as estruturas burocr(ticas, na prefigura!ão de dois tipos distintos de administra!ãoB a administra!ão política, inserida nas novas estruturas de =overno, e a administra!ão social, correspondente [s estruturas de gestão, e pressão do autogoverno das coletividades territoriais e pessoais que agem no seio da comunidade nacional. 2 fim de que tal coisa possa reali"ar-se, parece que o primeiro problema funcional a ser reavaliado e reestruturado é o do =overno. Em dois sentidosB rompendo com o car(ter unit(rio e centrali"ador que tradicionalmente arrasta consigo, e dot(-lo de adequadas modalidades de desdobramento. 6o primeiro ponto de vista é colocada em relevo a regionali"a!ão como processo comum em voga, tanto na 8t(lia como na Europa. +al regionali"a!ão pode fa"er-se através da distribui!ão dos poderes do Estado e também através da coordena!ão dos poderes locais Jé um modo de se retomar, atuali"ada, a f#rmula dos Estados federados que tendem a assumir características afins aos Estados regionaisL. O segundo ponto de vista coloca em destaque o método da programa!ão. A( que as leis tendem cada ve" mais a fi ar os objetivos 9ltimos e a dei ar necessariamente amplo espa!o para a a!ão e ecutiva, compete a esta substancialmente determinar as pr#prias modalidades de participa!ão no espa!o e no tempo, fi ando, ou melhor, projetando concretamente o programa a desenvolver. O ponto alto da a!ão do =overno est(, portanto, na programa!ão e no planejamento, os quais, embora não garantam mais, como acontecia na administra!ão tradicional, a discrimina!ão entre autoridade e liberdade, na medida em que prima"ia aos interesses das pessoas e dos #rgãos p9blicos em rela!ão aos interesses privados, estabelecem, entretanto, critérios e instrumentos para o cumprimento de objetivos comuns de relevWncia social, arbitrando e mediando entre uma pluralidade de interesses coletivos. 7aqui nasce particularmente a e igência Jrepetidamente presente na legisla!ãoL de dar amplo relevo ao processamento na fase de forma!ão dos programas, na mira de favorecer a participa!ão desses interesses e de obter uma pondera!ão conveniente por parte da administra!ão política.

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Os programas representam também o parWmetro de compara!ão e de coloca!ão dos v(rios centros de =overno, respeitada a autonomia e a e ecu!ão de cada um nos v(rios níveis e dimens)es e as diversas responsabilidades políticas, como é o caso dos Estados com autonomia regional. `. 2 271868$+/2^RO $O5823 E 2 =E$+RO 72 ./O=/212^RO. \ 7entro de um sistema de programas e de planos de atividades, p9blicas ou privadas, tomam posi!ão particularmente importante outros momentos da a!ão administrativa, de tal modo que terminam por perder seu car(ter de atua!ão imperativa de normas Jestritamente p9blicasL para se tornar atividades de e ecu!ão de tarefas programadas, quer se destinem [ presta!ão de servi!os a assessorias, quer se destinem [ promo!ão, ao reequilíbrio ou [ regula!ão e ata de atividades econ*micas e sociais. 8sso deveria postular um emprego mais amplo de instrumentos privados e uma maior simplicidade no plano de processamento Jsalvo quando se tornar necess(rio garantir as e igências do contradit#rioL e no dos controles Jpodendo estes ser dirigidos não a cada ato singular, mas [ atividade ou [ gestão em seu todoL. +udo isto tem implica!)es organi"ativas importantesB desenha-se, em especial, a necessidade de vitali"ar estruturas gerenciais dotadas de importWncia especial em contraste com as estruturas de programa!ão, dotadas de centros pr#prios de dire!ão e de chefia. 2lém disso, essas estruturas gerenciais, reorgani"ando-se paralelamente [s do =overno, segundo critérios de articula!ão territorial, podem ser obrigadas a reentrar facilmente na #rbita dos poderes locais Jmais precisamente na #rbita do autogoverno localL e poderão adotar o controle sistem(tico ou mesmo a pr#pria administra!ão social das atividades e dos servi!os prestados por parte dos diversos grupos sociais interessados. 6este sentido se coloca o processo em curso de transforma!ão da administra!ão escolar, sanit(ria, assistencial e previdenci(ria que vai dos modelos de organi"a!ão setorial e vertical até os modelos de organi"a!ão territorial e hori"ontal Jdistritos escolares, unidades sanit(rias locais, unidades locais de servi!os sociaisL. 2n(logas tendências podem destacar-se também nos campos da participa!ão econ*mica Ja agricultura, por e emploL. 2 forma!ão das duas figuras da administra!ão política e da administra!ão social não leva somente [ supera!ão da unidade e da uniformidade do sistema administrativo, com a conseq_ente possibilidade de utili"ar esquemas organi"ativos diferenciados e m9ltiplos centros de participa!ão política e social, especialmente de car(ter local. Ela comporta, também, uma transforma!ão, em termos not(veis, do papel do

corpo; burocr(tico, o qual, como detentor de autoridade e como guardião da lei, assume diversas conota!)es vari(veis segundo as estruturas em que se insere. 6a administra!ão política se reali"a um equilíbrio diferente entre dire!ão política e pessoal profissional, na medida em que a a!ão program(tica postula um intercWmbio entre a assessoria dos técnicos para a formula!ão das delibera!)es políticas e a dire!ão e a participa!ão dos políticos na orienta!ão da a!ão dos técnicos. Este intercWmbio leva-nos a afirmar que o pessoal profissional se torna mais do que tudo um participante das decis)es político-administrativas. +ratando-se, porém, das estruturas gerenciais, o pessoal profissional atua como respons(vel pelas atividades programadas e também da gerência destas numa rela!ão direta entre estrutura administrativa e uso social, com base num constante controle e estímulo da parte de grupos e classes sociais para a consecu!ão efica" e objetiva dos resultados prefi ados. Em ambos os casos, o burocrata aparece como um especialista em condi!)es de utili"ar as contribui!)es de outras (reas e das técnicas de organi"a!ão ou de contribuir para a forma!ão das decis)es program(ticas pr#prias das estruturas políticas do =overno e de prover a condu!ão integrada das atividades de gestão, segundo as atuais tendências de desenvolvimento da 2dministra!ão p9blica.

#I#LIO)RAFIA. - ,. -E6<E6>+8, Pubblica a inistrazione e diritto a inistrativo) in ;]Aus], %OIEY 8d., 8a scienza dell1a inistrazione co e siste a) in Proble i della pubblica + inistrazioae) %, -ologna %O$FY -. 502.126, The Pro0ession o0 ,overn ent) The Public (ervice in 5urope7 233E6 k >6P86, 3O67O6 %OIOY Theory and Practice o0 Public +d inistration$ (cope) 4bEectives and &ethods7 a cuidado de A. 5. 502/3E$PO/+0, 2merican 2cadem4 of .olitical and $ocial $cience, .hiladelphia %OKFY .. =2$.2//i, 8a scienza dellFa inistrazione7 Considerazioni introduttive7 5E721, .adova %OIOY 1. $. =8266868, Diritto a inistrativo) =iuffrb, 1ilano %OE', vol. 8Y ,. 0E27U, Pubblica a inistrazione$ prospettive di analisi co parata J%OKKL, 8l 1ulino, -ologna %OKFY 8d., 81ad inistration publi/ue7 Recueil de TeGtes) a cuidado dos 8nstituis -elge et ,ran!ais des $ciences 2dministratives, .aris %OE%Y 5volution de la *onction publi/ue et 5Gigences de *or ation) a cuidado do 8nstitut 2dmimstration->niversité de -ru elles, %OKFY Trait9 de (cience ad inistrative) a cuidado de =. 326=/O7, .aris %OKKY VerHaltung7 5ine ein0Ihrende Darstellung) a cuidado de ,. 1O/$+E86 12/`. 7uncger and 0umblot, -erlin %OKIY ]/evue

O termo est(. =altung abordou e plicitamente o problema apresentando uma e plica!ão com base na teoria estruturalista e nos processos conflituais decorrentes de desequilíbrios entre os Estados em diversas dimens)es. se se e clui o problema da defini!ão jurídica da 2gressão internacional \ [ qual est( cone a a averigua!ão da viola!ão dos direitos de um Estado \. indicadas. nunca do pr#prio Estado. 7E.re&&+o. em quest)es políticas ou militares. tal como o apoio aos rebeldes de uma guerra civil num Estado estrangeiro. c. igualmente. que diferentes Estados assumem para a prote!ão e a obten!ão de seus interessesY o compromisso formali"a-se pela assinatura de um acordo ou tratado e pode-se até instituir uma organi"a!ão tempor(ria para a reali"a!ão dos compromissos assumidos.>3<8O 2++86jd Alian*a. %-D. [s ve"es. associado a uma conota!ão negativa. pelo compromisso.overn ent) 2llen k >nain. a an(lise da 2gressão não tem assumido uma relevWncia aut*noma no estudo das rela!)es políticas entre os Estados. 2s 2lian!as podem ser bi ou multilaterais.2=/E$$RO internationale des sciences administratives].ress. tempor(rias ou permanentes.868^RO E +8. D. devem permitir uma convergência de a!ãoY tal convergência possui maior probabilidade de materiali"ar-se quando a base da 2lian!a for constituída por um grupo de . caracteri"adas por uma colabora!ão prolongada no tempo. gerais ou limitadasY podem servir interesses idênticos ou complementares ou fundar-se em interesses puramente ideol#gicos. isto é. + (tructural Theory o0 +ggression) in ]Aournal of . de per si. Estes podem ser idênticos ou suscetíveis de tornar-se idênticos durante a 2lian!a. entretanto.olitical ?uarterl4]. 6a realidade.2$+O/8d %E tempor(ria das rela!)es entre dois EstadosB uma fase de um processo um pouco mais amplo de rela!)es conflituais que não merece. inicial mente não idênticos. usado em sentido mais amplo. $E3. hoje.eace /esearch]. !ureaucracy and innovation) >niversit4 of 2labama . %OKMY 0E/S.A. \ 2 comunhão de interesses é considerada por muitos como condi!ão para a e istência de uma 2lian!a. +d inistrative Theories and Politics7 +n In/uiry into the (tructure and Process o0 &ode . de fato.ress. Os interesses. como ?uine4 Pright. Elas vinculam a a!ão dos Estados nas circunstWncias e nos modos previstos pelo acordo ou tratado que as institui. secretas ou abertas. a subversão. 2o tipo de 2gressão cl(ssica. 88. acham mais 9til o estudo de algumas crises contemporWneas que configuram os caracteres da 2gressão. 6a an(lise política internacional. O termo 2gressão. é. para indicar as rela!)es entre Estados. 2lguns estudiosos tentaram compor listas de atos de 2gressão. 6ea Uorg %OKIY ?>865U P/8=0+. 8. 1uitos estudiosos chegaram. pelo contr(rio. +uscaloosa %OKO. [ conclusão de que uma defini!ão da 2gressão é técnica e politicamente impossívelB 0er" afirma que é possível reconhecer a 2gressão somente quando o Estado que sofreu a 2gressão se declara vítima da mesma. a penetra!ão econ*mica. $omente A. a fim de formular generali"a!)es com base em características comuns. International Politics in the +to ic +ge7 5olumbia >niversit4 . c=8O/=8O . criado para indicar atos de violência armada de um Estado contra o outro. se acrescentaram outras formas de 2gressão. contudo. a inspe!ão aérea e por meio de satélites. seria mais correto falar-se de alinha mento Jalign entL7 >ma 2lian!a se caracteri"a.. com o termo de 2gressão indireta. %OI%. D. porém.ature o0 Con0lict) in ]+he Pestern .$O6. =23+>6=. 6este caso. tanto que é usado para indicar atividade de um Estado inimigo. particular aten!ão. +0O1. com referência não somente a um ataque militar mas também a qualquer interven!ão ]impr#pria] de um Estado com prejuí"o de outro. a 2gressão é considerada somente como uma modalidade #I#LIO)RAFIA . mas tais listas se revelaram incompletasY outros. 6o direito internacional se encontram muitíssimas tentativas de definir a 2gressão internacional a fim de distingui-la dos atos legítimos de autodefesa. The . 2. a penetra!ão das fronteiras de um Estado por parte das for!as armadas de um outro Estado.. 2 palavra 2lian!a é utili"ada.O$ 7E 23826^2. O/8=E1 72$ 23826^2$. a espionagem. %OE% Jn9mero dedicado [ administra!ão italianaLY . \ 2s 2lian!as constituem a forma mais íntima de coopera!ão entre Estados. 3ondon %OE%Y <. A. ainda quando não formali"ada por acordo escrito. a propaganda Je emploB o incitamento [ revolta via r(dioL.

no sistema global atual. como instrumento de dissuasão e de defesa. não poderia conseguir. a distribui!ão natural das 2lian!as pode ser influenciada pela distribui!ão resultante do conflito global. não e plica por si s# por que os Estados. por sua ve". da $E2+O. por algum tempo. as 2lian!as nascem contra alguma coisa. por e emplo. no sistema global europeu de antanho. a estabilidade e a influência. inclusive. entretanto. contudo. um tratado de 2lian!a é assinado quando os interesses comuns de v(rios Estados não poderiam ser atingidos senão pela estipula!ão do mesmo. 2té mesmo os conflitos menores e ercem. Estes estudiosos fundam suas posi!)es no pressuposto de que o aparecimento das 2lian!as não pode ser e plicado Je. vantagens políticas e militares. \ Os objetivos ou interesses que um Estado-membro entende perseguir em uma 2lian!a são. Edaards conclui que as teorias convencionais supervalori"am a fun!ão dos interesses na origem das 2lian!as e nota que elas e ercem not(vel influência sobre a liberdade e a política dos Estados-membros. os motivos que mais comumente levam os Estados a participarem de uma 2lian!a. 888. e nas ]rela!)es especiais] entre os Estados >nidos da 2mérica e a =rã--retanha. previstoL na base de algumas regras ou princípios. freq_entemente. o mais fraco pode temer a perda interesses e não apenas por um. aproveita a ocasião para estender sua esfera de influência e aumentar seus recursos potenciais. até contrastantes. as quais podem. da 2lian!a Jhoje ultrapassadaL entre a 5hina e a >nião $oviética. 2 hip#tese de 7. dos conflitos internosY o equilíbrio interno das for!as. Entretanto. depende. três. 8sto é v(lido. e o conflito entre -ourbons e 0absburgos. as 2lian!as ratificam uma polari"a!ão j( e istenteY quando dois grandes conflitos. fa"er desaparecer. mas que esse surgimento depende e clusivamente da discricionariedade dos EstadosB um Estado decide entrar em uma 2lian!a ap#s avaliar discricionariamente a situa!ão presente e ter-se assegurado de que participar da 2lian!a permitir-lhe-( atingir determinados objetivos que. dentro destes objetivos. significa mais do que as amea!as e as press)es e ternas. em ambos os casos. quando e iste amea!a de um terceiro Estado. seja pelos Estados mais fracos. mais do que criadas para algo. Edaards sobre a origem das 2lian!as aplica-se [s grandes 2lian!as que se seguiram [ $egunda =uerra 1undial. pois. +al . ?uando um conflito global divide duas potências ou dois grupos de potências. fator de poder militarY o Estado sente poder contar com outras for!as além das suas. >m Estado se sente mais forte com o apoio diplom(tico de seus aliadosY com isso pode provocar ou impedir uma revisão ]pacífica] da situa!ão e istente.acto foi originado por três fatores concorrentesB a modifica!ão do status /uo militar Jremilitari"a!ão da 2lemanha ocidentalL. de outra maneira. e aminaram. 2 comunhão de interesses.ara o primeiro. de outro modo. escolhem uma forma particular de coopera!ão que constitui uma 2lian!a e não outro tipo de colabora!ão ou associa!ão. 2 adesão de um Estado a uma 2lian!a. muito mais do que observar quais são os fatores determinantes que se encontram na origem de quaisquer 2lian!as. $egundo 1orgenthau. polari"aram. as vantagens que um Estado pretende garantir.%F 23826^2 dessa potência dominante de refor!ar sua pr#pria influencia sobre seus aliados Jdiminui!ão do controle soviético sobre as rep9blicas populares européias ap#s a morte de $talinL. 2 partir da observa!ão da presen!a de determinados fatores na origem de diferentes 2lian!as e da constata!ão do papel representado por uma 9nica potência ]dominante]. isto é. nos sistemas regionais. 6a realidade.elo e ame de casos hist#ricos e contemporWneos ele conclui que as 2lian!as são a conseq_ência de conflitos com advers(rios comuns. correlatos e interdependentes de v(rias maneirasB a seguran!a. . O conflito entre o 3este e o Ocidente. O sistema dos Estados se subdivide em tantas 2lian!as quanto os diversos tipos de conflitos e istentes a níveis global. também. >ma 2lian!a é. as 2lian!as e ercem papel mais importante. regional e interno. inicialmente. em grande parte.acto de <ars#via. antes. segundo 3isga. na pr(tica. o sistema internacional em torno de duas grandes 2lian!as. seja por Estados poderosos. a quase totalidade dos estudiosos. 3isga e 7. diferentes ou. contudo. portanto. dividem três ou mais potências. Edaards. ao contr(rio. influência de grande importWncia na defini!ão do quadro de 2lian!as. os conflitos e istentes entre os aliados. . em certo momento. O Estado fraco vê acrescido seu poder. O estudioso norte-americano parte do e ame do . o desejo '& potência dominante de assegurar posi!)es de for!a cm rela!ão ao advers(rio comum diante de um declínio dos aliados tradicionais Jfraque"a dos Estados europeus vi"inhos da >/$$L e a vontade . interesses que podem ser idênticos. aliando-se a um Estado mais forteY este. $ão dignas de men!ão mais pormenori"ada as hip#teses de =. Edaards detecta estes fatores até na origem da O+26. O-AE+8<O$ 7O$ E$+27O$-1E1-/O$. O aumento da for!a pr#pria por meio de uma 2lian!a é objetivado. >ma 2lian!a oferece.

ainda. apenas. as consultas se revelam efica"esY caso contr(rio. quando estão de posse de uma informa!ão perfeita. segundo muitos. a ideologia tem a fun!ão de desmorali"ar o advers(rio e insere-se no Wmbito da guerra psicol#gicaY com rela!ão a seus membros. necessariamente. algumas proposi!)es gerais. determinantemente. os quais as aceitam.inalmente. pode ser comprometida quando um Estado considera e cessivo o peso das limita!)es que uma 2lian!a imp)e a seus interesses. é incrementada quando ocorre um equilibrado crescimento do poder dos diferentes aliados. O sucesso de uma 2lian!a depende. uma 2lian!a deveria cessar no momento em que seus objetivos fossem alcan!ados. pode-se formular. . mas até a estabilidade do sistema internacional. +T/186O 72$ 23826^2$. da amplitude da 2lian!aB quanto maior for o n9mero dos Estados-membros. por outro lado. condu" ao declínio os atores principais. a vida de uma 2lian!a. ao contr(rio. têm-se demonstrado menos predispostos a aceitar as limita!)es que surgem dentro de uma 2lian!a. Em 2lian!as que se caracteri"am pela igualdade e solidariedade entre seus componentes. nos sistemas em que o princípio da medida é operante. deverão escolher uma 9nica coliga!ãoY e o princípio de dese/uilíbrio) pelo qual os sistemas em que operam os dois princípios anteriores são inevitavelmente inst(veis por causa da tendência dos atores maiores em recompensar. que as 2lian!as deveriam tender a ser as mais redu"idas possíveis. na verdade. por e emploL corroer a coesão entre os aliados. refor!a as rela!)es entre os aliados. os participantes na 9ltima fase das negocia!)es. em tempo de pa" e em tempo de guerra. E`+E6$RO 72$ 23826^2$. 2 +EO/82 7E P. 5om rela!ão aos países não-membros. 8<. T por si mesmo evidente o fato de que a vida de uma 2lian!a é condicionada pela política interna de cada membro. a coesão da 2lian!a de que participam Estados politicamente ainda não amadurecidosY estes. permitindo a reali"a!ão dos objetivos da 2lian!a. com freq_entes trocas de =overno. mas essenciais [ coliga!ão mínima vencedora. em que se manifeste mais de uma coliga!ão mínima vencedora. enquanto o mais forte receia aumentai demasiadamente seus compromissos. constitui fator de desintegra!ão. mas são numerosos os motivos que provocam rompimentos antes do tempo previsto. provocada pela compreensão de uma disparidade entre os . O crescimento preponderante do poderio de um Estado. os atores menores. /8GE/. pelo fato de tais fatores não se encontrarem. redu" a efic(cia militar da 2lian!a e a influência que os membros mais importantes possam e ercer sobre os Estados não-membros. a todo o instante. como pre!o inevit(vel de resistência ao advers(rioY tal pre!o é sentido ainda mais quando o advers(rio busca. dedu"idos do modelo do citado jogoB o princípio da edida) segundo o qual os Estados. 6ormalmente. normalmente. de v(rias maneiras.23826^2 %O de sua pr#pria identidade ao entrar para uma 2lian!a. ele ser( colocado pelos líderes da coliga!ão sempre que for 9til. 2 coesão.o incremento de poder de cada Estado. 6ão apenas uma 2lian!a. O relacionamento entre =overno e oposi!ão influencia. muito embora se acredite que uma generali"a!ão a respeito seja in9til. 2s possibilidades materiais JcapabilitiesL dos diferentes Estados-membros influenciam. maior. tendem a formar a menor coliga!ão vencedora para dividir entre o menor n9mero possível de aliados o esp#lio da vit#riaY o princípio estrat9gico) segundo o qual. tendo em vista que a oposi!ão se inclina a modificar a política de 2lian!a do =overno anterior. afirma. presentes em todas as 2lian!as e de se combinarem. não corresponde aos interesses dos outros aliadosY o mesmo se pode di"er no que respeita ao declínio de poder de um aliado. entretanto. $ua teoria das coliga!)es se funda em três princípios. a causa desses rompimentos encontra-se na insatisfa!ão de um ou v(rios aliados. /iger. de fato. +al tendência. >ma 2lian!a. é fonte de limita!)es para os Estados participantes. através de t(ticas particulares Joferta secreta de vantagens a alguns membros. do tipo de consultas reali"adas entre os membros. partindo do modelo do jogo em ponto "ero Jque retém como o 9nico v(lido para que se entenda a políticaL. 2 política de 2lian!a seguida pelos Estados >nidos sob Eisenhoaer constitui e emplo concreto dessa concep!ão. P. criando a convic!ão da utilidade da união de seus pr#prios recursos e da supera!ão de eventuais divergências. <. Os fatores de coesão de uma 2lian!a são v(rios e. \ >ma ve" constituída. quase sempre. a qual dever( tender a aumentar sempre para assegurar o sucesso da coliga!ão. de modo crescente. . de maneiras diferentes.2+O/E$ 7E 5OE$RO. o dever de se recorrer a consultas gerais. O fator ideol#gico é de grande importWncia nas 2lian!asY onde não estiver presente. 7(-se aten!ão especial [ capacidade dos Estados-líderes. 2 instabilidade interna. \ O refor!o das posi!)es políticas e militares de um Estado depende. não favorece a coesão da 2lian!a porque. o sucesso de uma 2lian!a depende da coesão e integra!ão que seus membros desenvolvem entre si. onde e istem. aos poucos. correta mente.

\ ]2o nível de m( ima Estado e da 2liena!ão como rela!ão recíproca de cessão e troca. apenas. no campo do desenvolvimento de arsenais nucleares. na estrutura técnicohier(rquica da empresa individual. mas uma sua revisão. 6ea para indicar a cl(usula fundamental do contrato social 0aven %OKE. todavia. as quais deveriam oferecer garantias aos Estados. de um lado. aumentar o pr#prio prestígio e o potencial político-militar seria. h( de preferir ir ao encontro dos interesses do aliado. E7P2/7$. não e atamente uma desacelera!ão das 2lian!as.>3<8O 2++86jd modo que ]cada um. a 2liena!ão pode ser definida como o processo pelo qual alguém ou alguma coisa . algumas hip#teses. não deveria marcar.. fa" referência a uma dimensão subjetiva e juntamente a uma dimensão objetiva hist#rico-social. 38$G2. portanto. 88. 0O3$+8. \ 2 doutrina contratualista transfere o conceito de 2liena!ão do Wmbito originariamente jurídico Jalienatio como #I#LIO)RAFIA. provavelmente.D' 238E62^RO compromissos assumidos e as limita!)es sofridas. 5hiodiL. 2 falência de tal sistema. Jsegundo 1ar . a potência-líder da 2lian!a. \ >m tema muito discutido em obras mais recentes é o do relacionamento entre a prolifera!ão nuclear e a sobrevivência das 2lian!as. 0obbes fala de ]cessão] Jto give international alliances$ co parative studies) Pile4. que tornaria in9til as 2lian!as.ress. através de tarefas puramente e ecutivas e despersonali"adas. adaptando aos mesmos o pr#prio compromisso. institui a vontade geral. o fim da era das 2lian!as. <8.a"er-se ouvir. O uso corrente do termo designa. e os pr#prios fins e ambi!)es. 7E /O>$$E2> 2 12/`. freq_entemente em forma genérica. The theory nature"a. como alguns sustentam. da organi"a!ão mercificada do tempo livreY de 2liena!ão da técnica como instrumenta!ão dos aparelhos para que funcionem segundo uma l#gica de efic(cia e de produtividade independente do problema dos fins e do significado humano de seu uso. mas também [ comple idade de semWntica que ele tem na cultura filos#fico-política moderna dentro da qual ele foi elaborado. de c. político a fim de e plicar o fundamento do Estado e da . /ousseau introdu" o termo de 2liena!ão o0 political coalitions) Uale >niversit4 . 0egel rejeita a teoria contratualista de forma!ão do 8. 6este sentido se falaB de 2liena!ão mental como estado psicol#gico cone o com a doen!a mentalY de 2liena!ão dos coloni"ados enquanto sofrem e interiori"am a cultura e os valores dos coloni"adoresY de 2liena!ão dos trabalhadores enquanto são integrados. que a difusão das armas nucleares provocar(. /8GE/. 2ntes de renunciar aos compromissos frente a um aliado que conseguiu obter um potencial militar nuclear Jren9ncia que implicaria na perda de um aliadoL. . International cessão de uma propriedadeL para o Wmbito filos#ficopolitical analysis) 0olt. portanto.revê-se. . 2 prolifera!ão nuclear. O argumento mais substancial generali"a!ão. relacionada com uma situa!ão negativa de dependência e de falta de autonomia. T assunto sobremaneira comple o para elucida!ão do qual não são suficientes as e periências feitas até agora por algumas potências médias. levou os Estados a verem nas 2lian!as um instrumento ainda v(lido de seguran!a. por meio de um sistema de seguran!a coletiva.868^RO. por e emplo. a pr#pria nature"a pode ficar envolvida no processo de 2liena!ão humanaL é obrigado a se tornar outra coisa diferente daquilo que e iste propriamente no seu ser] J. . 6ea Uorg %OE&Y =./O38. que consiste na ]2liena!ão total de cada associado com todos os seus direitos a toda comunidade]. uma situa!ão psicossociol#gica de perda da pr#pria identidade individual ou coletiva. 23826^2 E .E/2^RO 6>53E2/. 6ea Uorg %OKOY O. KL. 2 2liena!ão.7. 0O. devido [ l#gica bipolar imposta pelas duas superpotências.. 7E. não obede!a. j( possuidora de armas nucleares. como não o foram o surgimento das duas organi"a!)es internacionaisB o da $ociedade das 6a!)es e o das 6a!)es >nidas. senão a si mesmo e fique tão livre quanto o era antes] JContrato (ocial) 8. assunto sobre o qual é possível emitir. 2 defini!ão do termo em rela!ão aos diferentes estados de despersonali"a!ão e de perda de autonomia por parte dos sujeitos envolvidos nos processos em questão corresponde a uma banali"a!ão do conceito. como o ato de cessão positiva que Aliena*+o. 2 2liena!ão se apresenta. sem ter nenhum poder nas decis)es fundamentaisY de 2liena!ão das massas enquanto objeto de heterodire!ão e de manipula!ão através do uso dos ass edia) da publicidade. do outro. . -altimore %OKFY P.ress. portanto. upL do direito de o soberano se governar a si mesmo. %nity and disintegration in sociedade política. unindo-se a todos.ations in alliance) através do pacto que marca a saída do Estado de 0opgins . o que objetivaria uma potência média que obteve a posse do armamento nuclear. $>338<26.1266 e A.

ainda.or isto. ao invés de ser reali"a!ão. . a objetividade e a alteridade como dimens)es positivas em linha de direito. enquanto aprofunda a an(lise do estranhamento através de uma hist#ria da propriedade privada como divisão do trabalho.euerbach denunciou a nega!ão idealista do sujeito e do predicado e reprop*s vigorosamente o sujeito como ser natural. 0egel entendeu que a hist#ria é a auto-produ!ão alienada que o homem fa" de si no trabalho. que de primeira necessidade se tornou atividade coataY cL estranhamento da essência humana enquanto a objetiva!ão do gênero humano est( degradada em atividade instrumental em vista da mera e istência particularY dL estranhamento dos homens entre si em rela!)es de antagonismo e concorrência. mas entende o trabalho como atividade espiritual de um sujeito absoluto. di" 0egel. ]O importante na *eno enologia hegeliana e no seu resultado final \ a dialética da negatividade como princípio motor e gerador \ é. que 0egel entende o autoprodu"ir-se do homem como um processo. porqueB aL se é verdade que no Capital não se encontra mais uma referência consistente [ 2liena!ão é também verdade que partes inteiras. 2lthusserL. a eles estranho e contraposto enquanto capital. o >no que se divide e se multiplica num processo necess(rio de 2liena!ãoestranhamento JrespectivamenteB 5ntJusserung2VerJusserung e 5nt0re dungL7 + 0eno enologia do espírito 9 inteiramente construída sobre a demonstra!ão do necess(rio processo da 2liena!ão-estranhamento do espírito. em particular. como objetividade alienada do ser do homem Jenquanto estranhamento das for!as essenciais da humanidade. O superamento da 2liena!ão gira em torno do ei o que é a aboli!ão da propriedade privada e do trabalho estranhado7 2 2liena!ão do trabalho nos &anuscritos 9 analisada comoB aL estranhamento do oper(rio do produto do trabalhoY bL estranhamento da atividade produtiva. o jovem 1ar encontra a chave interpretativa para reformular os resultados da economia política cl(ssica em sentido antropol#gico. O termo de referência é a ideali"a!ão Jpresente também em /ousseauL da unidade de indivíduo e comunidade na .. E iste. continuidade entre o conceito juvenil de trabalho estranhado e o maduro de trabalho abstratoO bL é ineg(vel a estreita correla!ão entre a an(lise do trabalho alienado e a an(lise do fetichismo e da rei0icação Jcap. em propriedade destas mesmas coisas JmercadoriaL e. e da necess(ria supera!ão do ser-outro e do estranhamento na totalidade do devir e na unidade do absoluto. 6a hist#ria do trabalho. come!a a caracteri"ar o comunismo filos#fico e o seu conceito-chaveB a 2liena!ão da essência humana. como 2liena!ão e supressão dessa 2liena!ãoY ele capta. uma an(lise de grande efic(cia do mundo moderno vendo-o como ]espírito que se estranhou].na *eno enologia de 0egel estão contidos. rejeitando a confusão hegeliana entre objetiva!ão e 2liena!ão. saber e for!a combinada do trabalho num aparelho objetivo. 1ar e Engels estão elaborando os conceitos fundamentais do materialismo hist#rico e aquela crítica da essência da economia política que se tornar( teoria do mundo de produ!ão capitalista. 0egel desenvolve. apare!a [ consciência como ]inversão] e ]perda da essência]. isto é.raticamente 0egel aplica no campo hist#rico-social o n9cleo conceituai pr#prio da teologia neoplat*nica. a essência do trabalho. 2 partir da Ideologia ale ã J%FMI-MKL. . estranhamento que se reali"ou sob o signo da propriedade privadaL. percorrem a hist#ria da ind9stria como crescente estranhamento dos trabalhadores em rela!ão [ concentra!ão dos instrumentos de trabalho. MF do livro 888L.] JTerceiro anuscrito) ``888L. 2 questão é muito controvertida. 7aí a tese de alguns intérpretes que e p)em a teoria da 2liena!ão do jovem 1ar como ]pré-mar ista] J3. então. embora numa forma idealística e mistificada. do ]car(ter mistificat#rio que transforma as rela!)es sociais. não entendeu a produtividade hist#rica de 2liena!ão enquanto premissa necess(ria do seu superamento hist#rico no comunismo. também. Ele. portanto. para as quais os elementos materiais servem de deposit(rios na produ!ão. $ão estas evolu!)es analíticas que 1ar tem em considera!ão nos &anuscritos econK ico-0ilos'0icos de LMNN para afirmar que . como a 8< sec!ão do primeiro livro. 6a perspectiva desta elabora!ão l#gico-ontol#gica. porém. portanto. πδλις O mundo moderno é o rompimento desta unidade. como estrutura baseada na produ!ão da mais-valia. 7e fato. O termo final é o saber absoluto como consciência de que o objeto é produ"ido pela autoconsciência e nela se resolve. sensível e. em forma .238E62^RO D% é o fato de que para ele o sujeito da hist#ria não são os indivíduos mas é o espírito absoluto ou autoconsciênciaY a multiplicidade e a alteridade JalterL aparecem como momentos derivados e negativos em rela!ão [ unidade do espírito Je de seus titularesB o espírito do povo. >todos os elementos de crítica]. 8 do livro 8 e cap. a 2liena!ão da autoconsciência ]tem sentido não somente negativo mas também positivo] enquanto necess(rio processo de auto-afirma!ão pela cisão e pela produ!ão das formas da alteridade hist#rico-objetiva. através do encadear-se das figuras hist#ricas. por causa especialmente da rique"a que destr#i a universalidade do Estado e fa" com que a realidade social. o objetivar-se como um opor-se. isto é. 1ar . 2 crítica antiespeculativa de .. o EstadoL.

DD 238E62^RO mais acentuada. 8`L. +7 e 0eticis o nel pensiero di &arG7 3ater"a. dirigidos pela racionali"a!ão baseada no c(lculo e por uma eficiência que tinha a si mesma como fim. especialmente para a civili"a!ão como um todo enquanto produto do princípio de presta!ão e da racionalidade instrumental. 5nciclop9dia Einaudi. 888. mas também ao mundo da ciência e da técnica formado no interior das rela!)es burguesas de produ!ão. . O 5O65E8+O 7E 238E62^RO 62 . embora conhecendo em parte os escritos inéditos de 1ar Jo .rundrisse) trabalhos preparat#rios para a crítica da economia política elaborados por 1ar nos anos de %FIE-IFY dL mas é também verdade que.O/E$8. -ari %OKFY 8d. [ administra!ão. #I#LIO)RAFIA. /oma %OKEY=. não di" respeito somente ao. 2 difusão da problem(tica da 2liena!ão se situa entre os anos de %OI'-K' quando foram descobertos os primeiros escritos de 3ug(cs e de Gorsch. 1ehringL. porém.. O conceito de 2liena!ão desempenha também uma fun!ão essencial no e istencialismo mar ista de $artre JCrítica da razão dial9tica) %OK'L que insiste na necess(ria recaída \ no quadro da pen9ria \ da pra e individual e de grupo no mundo dos an*nimos aparelhos reificados.O3C+852 5O6+E1. portanto. Per &arG J%OKIL.. 2 2liena!ão.achlass foi publicado em pequena parte por . 8a teoria Della7 &arG J%OE'L. a respeito do qual eles usam os conceitos de 2liena!ão e de reifica!ãoB a problematicidade das condi!)es de emergência da consciência revolucion(ria no capitalismo desenvolvido J3ug(csLY o capitalismo maduro como ]sistema] que tudo compreende e administra J1arcuseLY a gênese. . . . distinta a estrutura l#gico-ontol#gica do conceito de 2liena!ão e o seu uso parcialmente heurístico na revela!ão de aspectos hist#rico-sociais que constituem um problema para a filosofia política de origem mais ou menos mar ista. no qual os fins se mudam necessariamente em an*nima contrafinalidade e os homens se tornam objeto de processos que não controlam. a 2liena!ão substancialmente é um conceito estranho ao mar ismo-leninismo da +erceira 8nternacional. porque ambos estão interessados nas tendências objetivas. do outro. \ O mar ismo da $egunda 8nternacional. T oportuno.rundrisse em %O&O-M%. 2$+V582.82 . \ constituindo setores aut*nomos. 2 retomada da problem(tica conceituai referente ao ne o entre 2liena!ão-fetichismoreifica!ão acontece especialmente [ margem das correntes principais da tradi!ão mar ista. -edeschiL o fato de que estes autores privilegiam a cone ão entre 0egel e 1ar e acabam por confundir 2liena!ão e objetiva!ão.ara esse autor. e na altura em que os estudos de 1arcuse e de $artre j( tinham muitos seguidores.83O$O. inevitavelmente repressivo] J5ros e civilização) %OII. 521. pp. ]racionalmente o sistema de trabalho deveria ser organi"ado mais com o objetivo de economi"ar tempo e espa!o para o desenvolvimento individual al9 do mundo do trabalho. não obstante a escrupulosa publica!ão dos &anuscritos em %O&D e dos .oi frisado J=. . Editori /iuniti. de um lado. agora. vol. recaindo naquela posi!ão idealista que o jovem 1ar critica em 0egel. e do socialismo burocr(tico. freq_entemente por obra dos críticos desta tradi!ão. 508O78.eltrinelli. o mundo da serialidade e do pr(tico-inerte. 3ug(cs JAist'ria e consci-ncia de classe) %OD&L vê o fen*meno da 2liena!ão-reifica!ão se estender da f(brica ta4lorista a todos os setores da sociedade \ ao direito. 8. &'O-M&Y 5. mes(rios. 7e modo particular o conceito de 2liena!ão foi o centro da filosofia política que pretendeu reformular as categorias fundamentais hegeliano-mar istas referentes [ crítica do neocapitalismo.]. nas passagens de mais estreita correla!ão com a teoria juvenil. não atribui nenhuma importWncia ao conceito de 2liena!ão. 1ais do que em 0egel. ]2. fragment(rios. etc. de aparelhos burocr(ticos e repressivos J$artreL. a pr#pria rela!ão de produ!ão em uma coisa JdinheiroL]Y cL são especialmente o termo e o conceito de 2liena!ão que ocorrem muito freq_entemente e em trechos decisivos dos cadernos dos . trabalho nas condi!)es capitalistas. [ ind9stria cultural. ficaria. na crise geral do capitalismo e na transferência das for!as produtivas amadurecidas dentro da sociedade burguesa do socialismo entendido como estati"a!ão dos meios de produ!ão. ter em considera!ão o Wmbito referencial específico.3. +urim %OEE.O/Q6E2. -E7E$508. minimi"ada a desloca!ão epistemol#gica efetuadaY de modo especial é de assinalar o fato de que a desaliena!ão ou a reapropria!ão aparecem como efeitos de mudan!as estruturais no processo de transi!ão para um modo diferente JcomunistaL de produ!ão. dentro do pr#prio processo revolucion(rio. Encontramos em 1arcuse an(loga e tensão do conceito de 2liena!ão para o mundo do trabalho e. 6ão deve ser. o 1ar maduro s# raramente retorna [ elabora!ão conceituai de um suEeito Jo trabalho ou o homemL que se aliena ou reifica. desse modo. Il conceito di +7 da Rousseau a (artre) $ansoni.. como também. enquanto habitualmente fala de uma estrutura Jo modo capitalista de produ!ãoL no interior da qual as relaçPes sociais assumem necessariamente a aparência fetichista de coisas. (artre e il arGis o) .iren"e %OEMY . 1ilão %OKIY 8.

etc. de v(rios modos. O termo 2narquismo. doutrinas. mas posteriormente limitada e rejeitada no plano individual. na qual o homem se afirmaria apenas através da pr#pria a!ão e ercida livremente num conte to s#cío-político em que todos deverão ser livres.868^RO =E/23. Esta \ e o e emplo iluminista é e atamente o de /ousseau \ é acolhida no campo político.rancesa. pode ser sinteti"ada através das palavras retomadas em nosso século. o grupo jacobino. partid(rio maior dos princípios da autoridade e da centrali"a!ão. fora dos limites e istenciais do pr#prio indivíduoB liberdade de agir sem ser oprimido por qualquer tipo de autoridade. acompanhando. portanto. particularmente do setor agrícola. 62. como primeira forma de rea!ão e de união simultWnea em rela!ão ao racionalismo iluminista. a apresenta!ão de concep!)es libert(rias coincidiu com propostas genericamente definidas como utopistasY bL em segundo lugar.recisados os termos. congregavam numerosas for!as sociais. admitindo unicamente os obst(culos da nature"a. 8ezioni sul Capitolo sesto in9dito di &arG7 -oringhieri. a-autorit(ria. sem limita!ão de normas. 7aí provém o r#tulo de libertarismo. mas não sempre. de ordem social Jintegra!ão numa classe ou num grupo determinadoL. 62$581E6+O E . 2 estes motivos se junta o impulso geral para a liberdade. +al defini!ão genérica. o desenvolvimento s#cio-cultural. livre de todo o domínio político autorit(rio. atribuído ao movimento. 7E. . sob a forma de protesto coletivo e contestador das autoridades políticas e das estruturas sociais e istentes. neste Wmbito. fosse ele de ordem ideol#gica Jreligião. ou até de ordem jurídica Ja leiL. 8. empregado para designar o que adere ao libertarismo. fosse de ordem política Jestrutura administrativa hierarqui"adaL. e de libert(rio. todos os apelos milenarísticos de uma sociedade perfeita. 2 contradi!ão ideal presente nessa rela!ão mantém-se intacta se bem que levada a um plano de luta política efetiva. em autores de e cepcional ou insignificante relevo que se tornaram críticos da autoridade política do seu tempo e que discutiram a eventualidade de construir uma sociedade antiautorit(ria ou. do ]senso comum] e da vontade da comunidade geral \ aos quais o indivíduo se adapta sem constrangimento. como aspira!ão ou como objetivo 9ltimo e referencial. por volta dos anos D'. pelo menos. finalmente. por 2narquismo se entende o movimento que atribui. políticas. em numerosas e press)es e tremas de movimentos anabatistas. sempre se manifestou e manifesta como coisa reali"ada e elaborada. . Entram. por outras palavras. as duas manifesta!)es apontadas. 262/?>8$1O. de espa!o e de tempo. do movimento dos cavadores JdiggersL na revolu!ão do século `<88 ou nas revoltas dos camponeses alemães liderados por +homas 1un"er rebelados contra os príncipes ou. foram colocadas freq_entemente em confronto em movimentos efetivos de tipo social. o direito de usufruir toda a liberdade. sem =overnoB através deste voc(bulo se indicou sempre uma sociedade. a sociedade perfeita poderia verificar-se imediatamenteY cL finalmente. cheio de significados e de conte9dos. o anseio pela liberdade absoluta. geralmente rebeldes. 2narquismo significou.L. 1uitas ve"es. +urim %OED. 88. c5E$2/E . O ideal designado por este termo. 2 hist#ria d(-nos três formas diferenciadas da manifesta!ão do fen*menoB aL em primeiro lugar e iste a manifesta!ão de um 2narquismo a nível puramente intelectual.262/?>8$1O D& Editori /iuniti. ao qual freq_entemente é associado o de ]anarquia]./81E8/O 7E$E6<O3<81E6+O 7O \ O espírito libert(rio ou. em ocasi)es hist#ricas específicas. os quais. /oma %OEKY 5. intelectualística uma e fideística outra. é pr#prio de todas as épocas hist#ricas. por um ato livre de vontade. pelo an(rquico $ebastien . de ordem econ*mica Jpropriedade dos meios de produ!ãoL. provocando e aprofundando a discussão sobre o conceito de autoridade.ode-se até afirmar que o 2narquismo se apresentou com semblantes heterogêneos desde a antig_idade cl(ssica. onde a medita!ão entre o humano e o divino não precisaria de particulares supra-estruturas autorit(rias e onde. a liberta!ão de todo o poder superior.82658O32d Anar/'i&(o. 2s concep!)es libert(rias s# tiveram um desfecho irrevog(vel no mundo político do século `<888.aure na 5ncyclop9die anarchiste$ ]2 doutrina an(rquica resume-se numa 9nica palavraB liberdade]. da ]opinião]. 6esta. a aspira!ão an(rquica est( ligada a afirma!)es de tom mais ou menos vagamente religioso. no curso da /evolu!ão .O3EO68. tem uma origem precisa do grego anarcia. . -asta pensar nas freq_entes revoltas medievais dos camponeses da =rã--retanha para chegarem [s posi!)es libert(rias. \ 6ão é possível dar uma defini!ão totalmente precisa de 2narquismo. ao homem como indivíduo e [ coletividade. mediante a elimina!ão destas. embora tenha sofrido not(vel evolu!ão no tempo. avaliada de diversas maneiras por pensadores e movimentos rotulados de an(rquicos. dentro da perspectiva em que é analisado.

O primeiro índice desta mudan!a é a consagra!ão do termo anarquia em sentido positivo.DM 262/?>8$1O produ"iu. 6o campo do debate doutrinai. 2 E<O3>^RO 08$+h/852 7O 262/?>8$1O. 8<. apontando para uma ruptura revolucion(ria Ja nega!ão pura ser( talve" o 9nico componente a ser colocado em evidênciaL. sempre acompanhada de uma nega!ão absoluta do presente social. no decorrer do tempo. que é a reali"a!ão completa do 5%) numa sociedade não organi"ada e independente de todo o vínculo superior. a anarquia recebe formas novas de elabora!ão te#rica e de aplica!ão pr(tica que se vão acentuando. apesar de m9ltiplas tentativas. e outros \ vão-se configurando algumas divis)es fundamentais e dissens)es as quais. 9nicos na arrancada da a!ão para alcan!ar o fim 9ltimo. através do pr#prio ]egoísmo] e da for!a que dele deriva. 6esta luta evolutiva. a recusa de autoridades governantes e da lei são inseridos numa dinWmica dominada pela ra"ão e por um justo equilíbrio entre necessidade e vontade.rancesa e com o desenvolvimento industrial. participada por pensadores políticos e ]organi"adores] dessemelhantes entre si \ como . alguns e poentes de primeiro plano da conspira!ão babuvista pela igualdade. 7e quando em quando. desde que nela sejam salvaguardados os princípios fundamentais do 2narquismo. em contraposi!ão e também em equilíbrio com todas as outras for!as e egoísmos dos outros indivíduos. que tem como autor principal a 1a $tirner. 6o quadro das correntes descritas. ou seja. \ 5om a /evolu!ão . os enrag9s Jos enraivecidosL assim como. terminando na demanda de uma liberdade total no campo ético-político. cada ve" mais. na propor!ão das necessidades de cada um. O-AE+8<O$. $tirner e 1alatesta. o momento do desenvolvimento de um verdadeiro e pr#prio ]pensamento an(rquico] pode ser fi ado nos fins do século `<888. 6essa obra. for!as contestadoras e libert(rias. por e emplo. ao qual v(rios pensadores ou simples propagandistas juntarão. ap#ia tudo sobre o indivíduo. O primeiro. \ $e e aminarmos os momentos mais importantes e participantes do 2narquismo. no sentido de caos e de desordem. contraposto ao uso e até então quase que e clusivo. mais genericamente. a tem(tica relativa ao Estado. 1E8O$ E +:+852$.roudhon e -agunin. reali"(vel apenas num regime comunit(rio que desaprova a propriedade privada. nasce e se afirma um tipo de 2narquismo a que pode ser dado o nome de ]moderno] e que permanece ainda no debate político de nossa época. colocando em comum todos os meios a ela necess(rios. que prop)e o comunitarismo do trabalho e da produ!ão. na realidade social. desligando-os de seu conte to hist#rico ou de sua coloca!ão frente . teori"ado por -agunin e aplicado em Espanha. O 2narquismo comunista. ou como est(dio mais atrasado do mesmo. 888. o 2narquismo apresenta-se com cores políticas e sociais e s# raramente mantém integralmente a caracteri"a!ão de prevalência ética. os temas. que era not#ria na sua primeira e istência hist#rica. tais como. que se tornarão mais tarde típicos do 2narquismo. com o decorrer dos anos. ao =overno e. a saber. se identifica com o 2narquismo comunista. uma correspondência imediata. mas dei ando a cada um usufruir individualmente os resultados do trabalho pessoal. no decorrer do século `8` adquire uma organicidade como e pressão e ponto de encontro de um debate ideal que encontra. Este. novos elementos. não foram nunca sanadas. mais precisamente a econ*mica. pela vantagem da liberdade social. encontramos o 2narquismo coletivista. 2 cisão de base situa-se entre o 2narquismo individualista e o 2narquismo comunista. 5omo subcategoria do 2narquismo comunista. continuamente. Estes princípios. afirmase a si mesmo e [ sua pr#pria liberdade mas apenas na condi!ão e istencial totalmente privada de componente autorit(rio. que representa historicamente um passo [ frente em rela!ão ao 2narquismo individualista. interp)emse outras subdivis)es que acentuam os aspectos sociais \ de claras liga!)es com o mundo do trabalho e em particular com o proletariado \ ou que fa"em ressaltar os m#dulos político-ideais. $e em =odain o 2narquismo ainda não se apresenta como concep!ão completa. o e ercício das mais amplas liberdades para o indivíduo e para a sociedade. vê a reali"a!ão plena do 5% numa sociedade onde cada um for indu"ido a sacrificar uma parte da liberdade pessoal. em seu seio. Gropotgin e +olstoi. 5om essa característica. Esta pode ser alcan!ada através de uma organi"a!ão comunit(ria dos meios de produ!ão e do trabalho e numa distribui!ão comum dos produtos. numa obra famosa e popular e ao mesmo tempo grandiosa e abstrusaB a 5n/uiry concerning political Eustice de Pilliam =odain. fornecem o ponto de partida para o desenvolvimento posterior de toda a corrente ideal que. diversamente interpretados e ulteriormente elaborados. [ autoridade. +odas estas correntes que são mais para e aminar em suas rela!)es recíprocas e em seu devir hist#rico do que para aceitar \ dada a sua rigide" esquem(tica \ plasmaram o substrato dentro do qual se moveu o mundo que até hoje se voltou para o 2narquismo. no final do ciclo revolucion(rio.

como numa espécie de doa!ão. tanto no plano ideal como no plano real. aL O 2narquismo rejeita toda a autoridade na medida em que vê nela a fonte e clusiva dos males humanos. nas v(rias manifesta!)es do poder em escala nacional.262/?>8$1O DI aos problemas modernos. o indivíduo. poderemos descobrir três subcategorias que se referem respectivamente aL aos objetivos \ negativos J8L ou construtivos J88LY bL aos meiosY cL [s t(ticas. ]nobre mentira]. capa" de justificar o arbítrio usado com intuitos repressivos e de efeitos encontr(veis no campo moral para encarnar estruturas terrenas e coercitivas na vida individual e coletiva. vira completamente de bai o para cima a an(lise mar ista da rela!ão e istente entre estruturas econ*micas e superestruturas políticas. chamando unicamente para si a capacidade de agir e a possibilidade de definir a liberdade. cL . 6a verdade admite formas livres e espontWneas de jurisdi!ão que surjam das mesmas e igências de situa!)es concretas e que devem ser interpretadas como verdadeiras interven!)es terapêuticas por ocasião de males sociais e que têm por fim a cura desses males e não a sua persegui!ão ou condena!ão. enquanto ideologia. O Estado. ou seja. de certa maneira. impondo uma série de obriga!)es e de comportamentos a que o indivíduo não pode fugir. Q7 4bEetivos positivos e construtivos7 0( dois pressupostos que dinami"am estes objetivosB em primeiro lugar. [ an(lise mar ista. seja como forma de conten!ão de uma condi!ão social de liberdade seja como meio de ilusão levado a cabo pelos fortes em prejuí"o dos fracos. priva o indivíduo de toda a liberdade. 2 legisla!ão é rejeitada. %. como conseq_ência de sua atitude para com o Estado. Este s# consegue sobreviver porque se ap#ia numa base político-organi"acional que lhe é fornecida por estruturas estatais. na sua e istência social como também na sua capacidade de desenvolvimento ético e independente. com a 9nica e ce!ão das mutu(rias. em toda a sua organi"a!ão de pirWmide burocr(tica. 5omo corol(rio. mas plenamente aut*nomas nas épocas moderna e contemporWnea. . O Estado não est( apenas na rai" de todo o mal social. 2 autoridade política. na sua vida econ*mica. tal como sugerimos acimaY em segundo lugar. T isto que o 2narquismo pretende combater. 2 autoridade rejeitada pode ser tanto de ordem sobrehumana como de ordem humana. j frente de todas. a autoridade política foi identificada com aqueles que têm na mão a gestão do poder político desde a c9pula do =overno até os níveis mais bai os da ossatura do Estado. e pressão da autoridade ou do poder econ*mico segundo as interpreta!)es do 2narquismo ligadas. 5omo associa!ão política por e celência est( o partido ou os partidos visados pelo 2narquismo sendo que algumas correntes ainda toleram a organi"a!ão sindical num plano hori"ontal. por limites impostos ou por vontade. 8sto não impede que o 2narquismo não recuse toda a defesa do organismo social e istente. 6este conte to. o 2narquismo. conseq_entemente. o 2narquismo condena a lei. o de toda a crítica negativa a respeito do mundo e istente. . na pr(tica. por e emplo. T também o criador da ordem econ*mica e istente e do capitalismo moderno. que é negado não tanto como conseq_ência de um raciocínio filos#fico mas simplesmente como um poder. por isso. 6asce disto a firme oposi!ão do 2narquismo a todo o poder político organi"ado institucional-mente ou voluntariamente. 7este modo. o poder sobrenatural do qual deriva toda a faculdade de comando. na interpreta!ão de -agunin e de seus epígonos. nasce daí a repulsa por qualquer religião.ara o 2narquismo social. ele é um condicionador das escolhas e das a!)es volunt(rias do homem. est( a autoridade divina e. 4bEetivos negativos7 $ão estes certamente os frutos criticamente mais elaborados encarados permanentemente pelo 2narquismo e que podem ser colocados na negação sustentada pelo 2narquismo frenteB aL [ autoridadeY bL ao EstadoY cL [ lei. toda a forma de legisla!ão que. cede uma parte da sua liberdade [ coletividade e. o pressuposto de que.inalmente. como num nível superior é rejeitada toda a concep!ão contratual. Enquanto #rgão de repressão. esta ilusão da legisla!ão é praticada pelos ricos em prejuí"o dos pobres e pelos capitalistas em prejuí"o dos prolet(rios. seja e pressão de repressão por parte da m(quina de Estado. não são admitidas as teses de associa!ão. 0istoricamente dependente da autoridade divina. assim. dentro da organi"a!ão política. 2 lei é o instrumento de opressão de que se vale a organi"a!ão política do presente para coarctar especificamente as liberdades geralmente reprimidas pela autoridade. em nível mais bai o. bL 2 recusa do Estado por parte do 2narquismo est( intimamente ligada [ sua concep!ão de autoridade. 5omo tal. é a causa primeira da opressão do homem no Estado social e como tal deve ser combatida. o Estado é visto pelo 2narquismo com capacidade de interven!ão global na vida do indivíduo. é o #rgão repressivo por e celência. ele concede [ comunidade algo que tende a e altar-lhe a liberdade de indivíduo. 6essa condi!ão. onde o indivíduo não é privado do que lhe pertence. e onde.

por e emplo. coincidem mais com os eios) através dos quais o pr#prio 2narquismo entende reali"ar-se. T l#gico. j( referido. essas organi"a!)es di"em respeito a uma gestão comunit(ria ou comunística da sociedade. 4s eios7 $ão bastante diversos. porém. por isso.DK 262/?>8$1O conforme constata!ão. por uma contradi!ão meramente aparente. unidas ou separadas. o 2narquismo est( ligado =s assas e nunca =s classes7 7e modo particular. a possibilidade da fa"er reverência a uma ]futura sociedade an(rquica]. aL 4rganizaçPes an#r/uicas de tipo econK ico7 . Esta nova sociedade tem como fundamento pr#prio e como condi!ão essencial e 9nica a libera!ão do indivíduo. &. o levantar-se contra as estruturas do poder. que o 2narquismo tenha procurado colher. O dado organi"ativo teve sempre no 2narquismo uma referência social e plícita. a federa!ão das federa!)es. O 9nico vínculo a que ainda est( vinculado o comportamento individual é a ]opinião]. onde e ista a aceita!ão conceptual desta. Em geral. e. uma espécie de objetivo final como aspira!ão de uma meta de desej(vel reali"a!ão. porém. é oportuno observar também que o 2narquismo prop)e toda uma série de objetivos intermedi(rios que s# impropriamente podem ser chamados. se o homem deve viver sem Estado. desde que se respeitem determinados vínculos libert(rios como é o caso. não evoca a classe oper#ria) considerada como verdadeira aristocracia incapa" de querer obter a pr#pria liberdade enquanto integrada no ]sistema] e beneficiadora de in9meros privilégios. segundo as interpreta!)es. de toda a imposi!ão e terna. a atitude \ também livre e aut*noma \ de todas as outras m*nadas que constituem precisamente a sociedade. 2 união das comunas d( lugar [ federa!ão no Wmbito da qual as rela!)es intercorrentes são an(logas. bL 4rganizaçPes an#r/uicas de tipo social7 2 base social da organi"a!ão an(rquica. Estes 9ltimos. enquanto est( privada de representa!ão institucional Jaté em suas formas não delegadasL. . a partir de bai o. 7a forma cooperativa origin(ria de base se passa a constru!)es mais amplas através de figuras sucessivas e mais articuladas de federa!ão. uma e pressiva parte do 2narquismo Jcom o auspício de Eurico 1ala-testaL admitiu a possibilidade da organi"a!ão como fundamento do progresso e da difusão das pr#prias doutrinas an(rquicas apoiando-se na propaganda tradicional \ ou até na propaganda específica embora rejeitada por muitos. e eq_íveis a curto pra"o. sobre a livre associa!ão de indivíduos com fins de produ!ão e de distribui!ão de bens produ"idos e tendo em vista a elimina!ão de toda a tendência autorit(ria através da cria!ão da autogestão. bem diversa. paralela [ econ*mica. Embora se ap#ie em pressupostos antiorgani"ativos. é incompleta.ode se afirmar que todas são fundadas sobre o elemento cooperativo. é constituída segundo as correntes ou pelo pr#prio indivíduo ou pelo n9cleo familiar. por conseguinte. havendo. conseq_entemente. aL + educação na sociedade autorit#ria representa a primeira forma de interven!ão repressiva sobre o homem. foram definidas como organi"a!)es an(rquicas que di"em respeito ao JaL campo econ*mico e ao JbL campo social. as quais. que vive marginali"ado pela sociedade burguesa e em condi!)es de miséria material e moral e. chamada propaganda ]dos fatos] \ e usando. O 2narquismo liga-se mais ao sub-proletariado das cidades e ao campo em especial. entendidos como projetos de solu!ão global dos problemas da humanidade. mais do que de transforma!ão. a nível individual e social. Esta determina os objetivos comuns e indica os meios técnicos Jnecessariamente ]autorit(rios]L para alcan!ar fins concretos. todos aqueles elementos libert(rios aplic(veis [ crian!a e ao adulto. da que é proposta pelo mar ismo. numa espécie de democracia direta que. 6a verdade. assim. Organi"a!ão e propaganda. isto é. são as bases necess(rias para as três formas de organi"a!ão an(rquica que até agora caracteri"aram o movimento e que suscitaram a aten!ão te#rica dos estudiososB aL a educa!ãoB bL a rebeliãoY cL a revolu!ão. ou seja. $e estes são os aspectos positivos gerais do 2narquismo. deve também desenvolver a pr#pria e istência em qualquer sociedade. apesar de historicamente ter havido uma not(vel interdependência entre eles. até alcan!ar o ponto alto e ideal da pirWmide que seria a federa!ão an(rquica universal. constituem a comuna Jco uneL dentro da qual todos são iguais e as decis)es são tomadas por iniciativa de todos. de um lado. unidos num certo territ#rio geogr(fico e tendo interesses e atividades coletivas afins. sempre em escala geogr(fica mais vasta. da autogestão a partir de bai o para cima ou o da substitui!ão dos #rgãos centrais de dire!ão \ comitês centrais ou conselhos diretores \ por simples comitês de correspondência. e pode viver sem =overno. 6um quadro deste tipo podem surgir todas as formas de vida social organi"ada. de a!ão social e sempre de reali"a!ão imediata.oram propostas algumas organi"a!)es an(rquicas com base numa nova estrutura!ão econ*mica. como formas de estrutura!ão ética e cultural do homem sem constrangimento da inteligência e do espírito na base de esquemas fi os estabelecidos a priori7 2 educa!ão e mais genericamente toda a pedagogia libert(ria . Estes.

Observa-se que estes componentes quase sempre se manifestaram unitariamente. mas nunca manifestada senão na configura!ão redu"ida da rebelião e da insurrei!ão.ara ela. o qual. pode ter. o 2narquismo conscienti"ou-se de tal contradi!ão e o conceito de . sobre a vontade de cada um. até. 2parece claro o elemento utopístico de tal concep!ão revolucion(ria. de pai ão coletiva. pela for!a. para o 2narquismo. de fato. comporta espontaneamente o intuito de destrui!ão e de revolu!ão. unificadas na medida acima referida. mantendo. em conjunto e interseccionados entre si. 2 organi"a!ão admitida por alguns antiautorit(rios tem a e clusiva finalidade de facilitar o desenvolvimento das bL Característico do +nar/uis o 9 o 0enK eno da rebeldia) por seu lado e terior violento ou. precisamente pela desorgani"a!ão e impulsividade com que se manifesta. M.262/?>8$1O DE tentaram construir uma escola livre de vínculos com a sociedade repressiva. e apto a agir fora de todo o esquema imposto em seu relacionamento com a sociedade. +al tipo de a!ão. 6esta concep!ão. 5om efeito. sempre pronta a e plodir. mas não necessariamente cone o com o fen*meno paralelo do insurrecionismo. que não requer longa e particular predisposi!ão. a si pr#pria e [ autoridade contra a qual se rebela. est( na base. gerando um comportamento coletivo ou uma perspectiva de atos comuns. aL O 2narquismo. a opinião e o consenso não conseguiram diligenciar. bL 2s vontades individuais. muitas ve"es. na medida em que a revolu!ão é. e agregam as oportunidades de a!ão dos indivíduos. que fosse capa" de contribuir para criar um homem sem inibi!)es para consigo mesmo. e igências que terminam por e teriori"ar-se sem necessidade de uma estrutura que determine os fins ou de uma dire!ão que indique a elas o caminho. em grupo. . o fen*meno a que se pode dar o nome de ]a!ão libert(ria]. segundo -agunin \. imagin(vel em qualquer momento. enquanto contribuíram para formar. em tempo igual. representou também um dos maiores momentos da presen!a do 2narquismo. 2 maior parte das ve"es. +rata-se de uma contradi!ão íntima de todo o antiautoritarismo. recusando a consciência mar ista de classe. ao homem que vive em sociedade. baseadas no conceito de a or e de não-viol-ncia \ foi o caso de 3eão +olstoi \ atribuiu amplo espa!o a todas as motiva!)es que implicavam a possibilidade ou a necessidade de dar uma forma!ão livre [ crian!a ou. portanto. mas nasce espontaneamente e sem esfor!o s# pelo fato de que. não pacífico \ vi"inho. especialmente em suas e press)es pacifistas. mais do que política. pelo menos. tem um fim destrutivo imediato e a pr#pria manifesta!ão coincide j( com o seu desaparecimento na medida em que tende a eliminar. rea!)es contr(rias em detrimento de todo o 2narquismo. 1as a educa!ão. a revolu!ão mais do que efetiva é puramente ideal e. 2s rebeli)es libert(rias. que é pr#prio do indivíduo. revolu!ão enunciado \ derrubamento da autoridade -para instaura!ão da nova condi!ão ideal \ coincide com o de rebelião. inteiramente autorit(ria. mais amplamente. a maior parte das ve"es manifestando-se irracionalmente. de per si. as características do imediatismo e da impaciência revolucion(ria. j( que pretende obter. e iste a autoridade. emotiva e racional ao mesmo tempo. ap#ia a sua tese de interven!ão política unicamente na escolha livre do indivíduo e. cL + 0or a ais org3nica co eGpressão antiautorit#ria 9 segura ente a revolução pregada e propagandiada por numerosos pensadores e m9ltiplos movimentos e grupos an(rquicos que viram nela a possibilidade de reden!ão da opressão autorit(ria. 2s v(rias vontades são unificadas por uma espécie de ]espírito vital]. de uma a!ão eversiva contra a ordem constituída. Esta s# tem ra"ão de ser quando promana de e igências sociais. +s t#ticas7 0istoricamente. enquanto buscavam no fator educacional o fim e o princípio da pr#pria a!ão. sua nature"a manifesta-se mais intelectual e abstrata. O espontaneísmo. O impulso para a destrui!ão \ ou ]alegria] da destrui!ão. tudo o que a ra"ão. freq_entes em todas as épocas hist#ricas. um sucesso imediato. portanto. o 2narquismo lan!ou mão de alguns momentos t(ticos de manifesta!ão que deram lugar a autênticas teori"a!)es que podemos sinteti"ar assimB aL voluntarismoY bL espontaneísmoY cL e tremismoY dL assembleísmo e movimentismo. como acontece no caso de uma insurrei!ão \ precedida de uma teori"a!ão aplicada \ assim como pode dar lugar [ verdadeira revolu!ão. no presente. políticas ou simplesmente intelectuais. os fins devem ser alcan!ados imediatamente e os objetivos da transforma!ão social são reali"(veis no brevíssimo arco da revolu!ão-revolta. 2 rebeldia ou rebeldismo é a e teriori"a!ão violenta e de improviso. ou. s# em raros casos foram ]produtivas] para o movimento. de todo o movimento e de qualquer eventualidade de a!ão. porém. se comportam espontaneamente de um modo social e revolucionariamente anti-autorit(rio. tendo suscitado. entendida não mais como elemento de forma!ão individual e sim como verdadeiro processo de difusão de idéias an(rquicas na sociedade. 7aí provieram concep!)es que recebiam a denomina!ão de ]educacionismo]. pelo menos.

espontWneas. com o futuro ut#pico do antiautoritarismo total. $ua essência seria ainda a de um grupo disponível para qualquer a!ão emancipadora e e tremisticamente revolucion(ria. O 262/?>8$1O 1O7E/6O. O movimentismo constitui o privilegiamento da a!ão em si mesma. dos desclassificados intelectuais e de todas as outras classes da sociedade altamente industriali"ada. por 3enin por volta dos anos %O%E-%OD'.DF 262/?>8$1O op!)es espontWneas ou. coincidente. de todo o movimento antiautorit(rio. sociedade de consumoL. . o movimentismo esconde. efetivamente. O assembleísmo é. de uma parte. O movimento se rege e se organi"a através do uso do instrumento de assembléia. em sentido mais geral. o novo 2narquismo renovou. não com mira de um escopo concreto imediato. oposta a qualquer tentativa de restaura!ão e voltada para o retorno a um passado místico.erdendo sua caracteri"a!ão social. -agunin. tanto no terreno político como no social. privando-se da pr#pria consciência e da pr#pria capacidade de escolher livremente os objetos de seu pr#prio interesse. estranho aos grandes conflitos sociais do neocapitalismo mas ao mesmo tempo participante deles. não levando mais a fundo a introspec!ão. Esses rejeitados estão unidos por contingência da luta contra as novas formas autorit(rias do mundo moderno. e de for!ar as opini)es dos outros. o 2narquismo não teve sucesso até hoje. \ O 2narquismo. portanto a realidade. a e pressão dos ]rejeitados]. analisando a realidade concreta. nestes fatos. >ltrapassam. para entrar. ali(s. certamente. a forma democr(tica perfeita. independentemente da efetiva gestão delas e da possibilidade de cumprir. 5oncede ao indivíduo e [ sociedade o modo completo de e pressão das capacidades pr#prias sem imposi!ão de opini)es e de valores alheios. na perspectiva do que foi apresentado por 0erbert 1arcuse. e pressão das condi!)es de aliena!ão do mundo intelectual pequeno-burguês das sociedades mais evoluídas. capa" de organi"ar e de programar os trabalhos da assembléia. 6a realidade hist#ricosociol#gica é um instrumento capa" de funcionar por si s#. os novos vínculos de opressão do homem e. indu"indo a ]base] a aceitar o que foi preordenado pela referida elite.. o que é reafirmado ]e tremisticamente]. lei e =overnoL e tornando mais precisos certos objetivos da pr#pria polêmica antiautorit(ria Jideologias sociais. comprovada hist#rica e teoricamente pelo pr#prio -agunin e seus epígonos até nossa época. genericamente. $ão pr#prias do 2narquismo as m9ltiplas op!)es e tremísticas e aniquiladoras das condi!)es presentes. uma outra contradi!ão interna do movimento antiautorit(rio. 6a sua rejei!ão. mais tarde. é a de um movimento de rebeldia de perspectiva imediata. também. simplesmente os refutou com os mesmos instrumentos com que no passado negara Estado e =overno. uma elite Jqui!( ocultaL. um nada antiautorit(rio que se torne o tudo da racionalidade an(rquica. para e emplo. teoricamente. burocracia. as teses sustentadas pelos irmãos 5ohn--endit na obra 5Gtre is o) re 9dio da doença senil do co unis o J%OKFL. no plano pr(tico. mas sim com o objetivo de reali"ar subitamente um fim abstrato. identificadas mais com o poder político . e pressão de e igências ut#picas e. dL . intuitos meramente insurrecionistas. quando muito. T esta. no plano te#rico. a pr#pria tem(tica de contesta!ão e antiautorit(ria. a de coorden(las para o objetivo libert(rio final. 6ão para uma constru!ão futura a partir da pr#pria realidade. identificada por 1ar e por Engels a partir de %FE%-%FED e refor!ada. cL 2s propostas rebeldísticas e espontaneísticas fa"em com que o movimento an(rquico deva proporse sempre objetivos para além do tempo presente. mas sim conforme interpreta!)es do novo libertarismo. de outra. 6ão obstante a liga!ão e istente com a realidade e o prop#sito ultrarevolucion(rio. depois da v(lida elabora!ão dos anos do final do século `8` e princípios do século `` e do sucessivo impulso para a a!ão do período da guerra civil espanhola J%O&K-%O&OL. <. agindo embora nas organi"a!)es oficiais do proletariado J.rente [s doutrinas prevalente-mente sociais do passado. Auntou [ luta habitual contra toda a forma de repressão violenta a luta contra a repressão psicoideol#gica das sociedades de massa nas quais o homem se aliena. . e. volunt(rias e assim por diante. mas para uma subversão futurística que alcance a aboli!ão do que j( e iste. em seu lugar. no campo da pr#pria personalidade. assumindo tons mais moderados no que di" respeito [ rejei!ão de entidades hier(rquicas organi"adas JEstado. não mais no campo do trabalho e do capital. o 2narquismo fe" uma op!ão qualitativamente importanteB de uma teoria típica de países atrasados e de grupos e plorados passou a ser. provando com isto que sua verdadeira essência. com o escopo de definir a linha de a!ão das pr#prias organi"a!)es e. O 2narquismo individuou. em parte. teve uma reviviscência nos anos K'.ara o 2narquismo é o pr#prio ]movimento] espontWneo que cria as condi!)es do progresso ulterior do ideal que se quer afirmar.rimeira 8nternacionalL. procurou inserir nelas seus pr#prios n9cleos de ]fidelíssimos] de elite caracteri"ados pelo sectarismo e pelo car(ter de segredo. através do contínuo envolvimento em novas a!)es locais. <alem. E iste um grupo restrito de dirigentes.

%OEDY +narchis us7 . é coeva do tempo em que aquele modo de ser da sociedade e do Estado.resses >niversitaires de .Y =. R?. R?. \ . &arG et l1anarchis e7 . $e 3uís `8< tinha proclamadoB ]2 na!ão não se corpori-fica na . sugere que. 2/<O6. R?.CI5. +narchistes d1hier et d1auEourd1hui) Tditions $ociales. a no!ão do +. que de resto não é singular. 8.rimeiramente. +odavia. +O/86O %OED. 81+narchis o dalla dottrina all1azione J%OKIL.iren"e %OEDY +narchici e anarchia nel ondo conte por3neo) .ran!a. . 5E//8+O. O-E/3m67E/.I&5) devemos partir da ]descoberta] que no seu momento final fi"eram os contemporWneos.li anarchici) ao cuidado de =. =>833E1862>3+ e 2.aris %OE'. 8 +narchis o) in (toria delle idee politiche) econo iche e sociali) ao cuidado de 3. 8F+narchia J%OK&L. bastante definido em seu termo final.8/. 120T. ->-E/.anarchis e) . a pessoa e a institui!ão do rei não estão em discussão e. (critti scelti7 $avelli.aris %OEI. por se ter apresentado em outras circunstWncias. ela reside inteiramente na pessoa do rei]Y se 3uís `< reafirmara. Einaudi. come!a invocando o poder que a na!ão e erce ]sob os auspícios de um monarca].CI5. O primeiro momento surge seis semanas depois da reunião dos Estados gerais de <ersalhes JI de maioL.aris %OKFY 7.I&5) apareceu mesmo.. . 2 7E$5O-E/+2 7O 2658E6 /T=81E. colhe-se através de três momentos da /evolu!ão que se refletem em outros tantos documentos ou grupos de documentosB os de junho de %EFO. por ra")es de Estado. entidades e pessoas que detêm o poder econ*mico. ao cuidado de O. Glln-Opladen %OKOY E.aris %OE%Y 3. 88. . . (ull1+narchis o conte por3neo) in E. no juramento de ]leu de . %OKOL. 2 defini!ão de +. =>T/86. $26+2/E338. não e cluída uma.CI5. R?. 8l $aggiatore. /oma %OE&Y 8d. portanto. R?.CI5.runtdteGte zur Theorie und PraGis der . AO33. muito recente.CI5.rance. a saber. Olten. a na!ão. 1. <:/.. 128+/O6. (toria dell1anarchia7 <allecchi. M vols.ara estabelecimento do come!o do +. -E++868.2658E6 /T=81E DO que rege os Estados e os =overnos ou até cora as institui!)es destes e não com as institui!)es.aris %OKOY 0.Y Der +narchis us) ao cuidado de E. D vols.CI5. entre a =uerra dos 5em 2nos e a =uerra das /eligi)es. Editori /iuniti. /211$+E7+. os de agosto-setembro de %EFO e a 5onstitui!ão de %EO%.I&5 coloca-o no final da 8dade 1édia. Palter-<erlag. é também a mais 9til para compreender o +. no século `8` haver(.CI5.I&5 e o superou. 1ilano %OE&. .. 1ilano %OEKY A. a declara!ão com que a 2ssembléia define como ilegais os impostos reais. R?. Em segundo lugar.eltrinelli. . \ Os constituintes de %EFO e de %EO% que procederam [ obra jurídica de demoli!ão do velho regime e [ constitui!ão do novo são os contemporWneos e os protagonistas desta hist#ria. Os deputados do +erceiro Estado declaram representar pelo menos OKe da na!ão e afirmam que a denomina!ão de 2ssembléia 6acional é a 9nica que se aplica a eles J%E de junhoL.li +narchici J%OKML. cem anos mais Ancien R0.I&5 ou pelo menos confusa e identificada com a pessoa e as fun!)es reais. que adota precisamente a data de %KMF J-ehrens. Glln %OKEY =. R?. reisL.. 8e ouve ent anarchiste en *rance7 1aspero. R?. . .resses >niversitaires de . .eltrinelli. /oma %OE'Y A. +orino %OE%Y . conforme testemunhas e os cahiers de dol9ances) o princípio mon(rquico. este 9ltimo ficou definido pelo confronto. +narchis o e socialis o in It#lia7 %FED-%FOD.CI5.I&5) os autores recorrem a diversas interpreta!)es.I&5) dada implicitamente pelos constituintes. definitivamente.sau-me].rance. . . 7>53O$. 1232+E$+2. 6o mesmo dia.i(e.2>+. $avelli.or +. +rês dias depois. !aRunin cent1anni dopo) Edi"ioni 2ntistato. 1ilano %OIOY =. Os anos de %EFO-%EO% marcariam esse período final. . .li Dieu ni aitre7 +nthologie de l1anarchis e) 1aspero. >+E+. c=826 12A>O -/2<Od O aparecimento da defini!ão do +.ran!a dentro do período indicado é coisa p#stuma.O. I8 socialis o anarchico in Italia) .I&5 como identifica!ão do modo de ser da sociedade e do Estado na . 2 verifica!ão de tal fen*meno. . 3.reiburgX-. POO75O5G. R?. 26$2/+. e menos definido em seu termo inicial.iren"e %OEMY A. a regenerar a ordem p9blica e a manter os verdadeiros princípios da monarquia].CI5.onda"ione 3. 7estes te tos emergem alguns elementos. Editrice. a 2ssembléia 6acional afirma ser chamada a ]fi ar a 5onstitui!ão do reino. que continuem a ser cobrados. <Y 1.868^RO 7O 2658E6 /T=81E 72+2 72$ 5O6$+8+>86+E$ 7E %EFO E 7E %EO%. consentindo embora. o +. .I&5 se entende um certo modo de ser que caracteri"ou o Estado e a sociedade francesa num período de tempo. a opinião cl(ssica que. #I#LIO)RAFIA.I&5 não est( estritamente ligada ao car(ter mon(rquico do =overno Jde resto.. Der utopische (ozialis us7 <erlag Aagob 0egner. idéia estranha ao +. /oma %OEMY 8d. se afirma como distinta e separada do monarca. ainda. 6o momento em que o novo regime se afirmou por oposi!ão ao +.elo menos. . <O3. R?. 1ilano %OEEY .eHalt) Pestdeutscher <erlag. -/2<O. para definir o +.CI5. 2 7E. !ibliogra0ia deli1+narchis o) C7 .

2ssim.ancienne.. O/8=E1 7O +E/1O 2658E6 /T=81E. se integravam três novas condena!)esB a das corpora!)es profissionais. até uma regra de salva!ão. pelo menos. pode-se di"er que. ao contr(rio. de que se ousa fa"er um corpo separado do monarca. 8<..inalmente. do qual não se conservava nadaY um regime de desigualdade de nascimento e de privilégios. seria necess(ria uma an(lise minuciosa da imensa produ!ão legislativa da 2ssembléia 5onstituinte a que seria necess(rio acrescentar uma an(lise do vocabul(rio jornalístico. DL. prevaleceu rapidamente sobre os outros e tornou-se uma e pressão feita]. da liberdade individual e da liberdade de trabalhoY a dos votos religiosos. O conte9do de tais decretos mostra o que. uma regra. parecia regime feudal ou +. s#lido e incontest(vel te to legislativo. R?. era uma forma do Estado Jv.&' 2658E6 /T=81E tarde J& de mar!o de %EKKLB ]Os direitos e os interesses da na!ão. O +.I&5) a saberB toda a espécie de escravidão pessoal. ?ue o nome se aplicasse ao sistema secular do =overno da . do qual também não se conservava nada. literalmente.vieu regime.or outro lado. uma sociedade com os seus poderes.regime ancien. o fato de que. 2 estes elementos. 1irabeau escrevia ao reiB . não são contestados nem o rei \ definido ]restaurador da liberdade francesa] \ nem o car(ter cat#lico e cristão do regime. os direitos naturais. as suas mentalidades e as suas institui!)es. embora se fale de +. todos os direitos feudais ou senhoriais. 2 coragem estava em aplicar-lhe o epíteto de ancien7 Era uma tentativa.I&5 e que os constituintes definiam correntemente como ]regime feudal]. julgados contr(rios ao direito naturalY e sobretudo a da nobre"a. crie um comitê de 5onstitui!ão. . para as línguas estrangeiras. 888. privilégios pecuni(rios em matéria de impostos fiscais. a seus olhos. em %M de setembro de %EO%. cap. um modo de administra!ão. .o] J%+ntico Regi e e la Rivoluzione) libro 8. com os quais a 2ssembléia 5onstituinte ]destruiu inteiramente] o que constituía um dos fundamentos do +.rancesa não teve apenas o prop#sito de mudar um =overno . desigualdade de nascimento e de capacidade jurídica para os empregados. utili"ada e transferida. mas era também uma forma da sociedade. R?. a 2ssembléia 6acional tenha como escopo fi ar a 5onstitui!ão do reino.CI5.CI5. como se viu em %EFO. R?.ran!a. nada mais natural.2658E6 /T=81E.le regime précédent. \ 2 defini!ão de +ncien R9gi e) dada até agora com base em te tos dos . entendendo-se por tal não a 5onstitui!ão consuetudin(ria e as leis fundamentais do reino. o preWmbulo da 5onstitui!ão jurada pelo rei. estão necessariamente unidos aos meus e não repousam senão em minhas mãos]Y a 7eclara!ão dos direitos humanos e do cidadão JDK de agosto de %EFOL afirma. no tomo 8` da sua Aisloire de la langue 0rançaise) pondo a si mesmo o problema do aparecimento do termo que tivera tão enorme e pansão. etc. as características do regime destruídoB um regime feudal. de forma solene. mas .. que o princípio de toda a soberania reside essencialmente na na!ão e que nenhum corpo nem nenhum indivíduo pode e ercer autoridade se não emanar e pressamente dela Jart. décimas de toda a espécie. .I&5 não .CI5. quotidiano. pondo o termo na boca de 1irabeau no ano de %EO'B ]1enos de um ano ap#s ter come!ado a /evolu!ão.. da sociedade] J8. T ainda +ocqueville quem nos d( a respostaB ]2 /evolu!ão . Entretanto. p#stumo. 2$ 5O678^pE$ 7O $>. datada de %EFF.ancien. .nL. retomar(. do qual se conservava o respeito [ religiãoY um regime de venalidade e hereditariedade nos cargos. 7ois anos depois. R?. O que parece não dei ar d9vidas é o significado do termo no momento em que surgiu e se difundiu.I&5 numa brochure beauEolaise de origem nobre.CI5. 2-$O3>+8$1OL.. os seus usos. 6a realidade. &. R?. Encontra-se também . Os decretos da 5onstituinte di"em freq_entemente . que ultrapassavam a esfera do direito comum. duramente contestada e colocada entre os componentes essenciais do velho regime. ditado pela na!ão ou por seus mandat(rios com base em certos princípios.. o respeito da propriedade e da monarquiaY um regime eclesi(stico ou ligado [ 8greja. mas um claro. venalidade e hereditariedade dos cargos. a igualdade de nascimento dos cidadãos e a separa!ão dos poderes. para uma resposta e ata.. \ 5ontemporaneamente aos epis#dios descritos se verifica também o aparecimento. é contudo a partir de %EO' que a e pressão come!a a sua difusão para ser depois rapidamente adotada. DL.CI5. escrever(B ]>m regime era uma ordem. os seus costumes.5omparai o novo estado de coisas com o 2ntigo /egime. 2 segunda fase é representada pelos decretos emanados entre M e %% de agosto de %EFO.. mas o de abolir a forma . j( adquiridos. se proclame a 2ssembléia 6acional como 5onstituinte e se dedique [quela que ser( a 5onstitui!ão de %EO% implica que o +.E/21E6+O 7O 2658E6 /T=81E.tinha 5onstitui!ão.I&57 1as em que data. as suas tradi!)es. do termo +. precisamentef +ocqueville oferece indiretamente uma solu!ão. das artes e dos mestres.erdinand -runot. do qual se conservava. como a soberania nacional. R?.CI5.I&5) portanto. epistolar.

?uanto ao primeiro aspecto. ou talve" um pouco mais tarde.I&5 et la Revolution) toda voltada para a demonstra!ão da continuidade entre o antigo regime e a /evolu!ão. V+. devemos mencionar uma série de processos. R?. $em pretender estabelecer uma ordem de prioridade.CI5. a primeira edi!ão da famosa obra de 2le is +ocqueville. mas em sentido oposto. 2ssim. é insuficiente e inadequada. mas não associaram a na!ão a ela. a monarquia do +.or outra parte. efetivamente.I&5 e que contribuem para determinar ine oravelmente o fim e para defini-lo.852 7O 2658E6 /T=81E. 2 ]confusão] que caracteri"ava o antigo regime e contra a qual os constituintes reagiram em nome da /a"ão e das 3u"es derivava de sua pr#pria nature"a. ou seja. +odavia. questão essencialmente territorial.CI5. que tem do +.egés. que são o oposto do +.CI5.I&5) se aparece definido e claro em rela!ão [ sua ]morte legal].I&5 isolada tornou-se incapa" de transformar-se com ela e foi condenada.I&5 nasceu das guerras civis que atingiram a .2658E6 /T=81E &% constituintes. nos encontramos frente a uma historiografia j( not(vel que lan!a suas raí"es na segunda metade de oitocentos. frente [ sociedade que se transformou.CI5.agés. ser subvertidos e anulados e. se não do ateísmo. e remonta a %FEK a primeira edi!ão da obra antitocquevillia-na.CI5. entendida como modo de aproveitamento da terra e a ]feudalidade] entendida como um conjunto de liga!)es de homem para homem no Wmbito de uma sociedade militar J1. 7ualista. porque pressup)e que uma sociedade e um Estado. resultante da contraposi!ão do Estado [ sociedade. a monarquia do +.ara . essas novidades podem sinteti"ar-se comoB aL a acelera!ão dos transportes.I&57 5itaremos agora brevissimamente as teses mais recentes e significativas. 7e um lado. seja pelo fato de tentar abranger o fen*meno numa visão de conjunto.CI5. mas importante. 2 86+E/.CI5. devida [ lenta diminui!ão da mortalidade e ao crescimento r(pido da fecundidadeY iL o surgimento.I&5) na verdade. R?. /emonta a %FIK. porque pressup)e que na visão e na atividade dos constituintes não houve confus)es nem anacronismosB o que não é menos ine ato. aos produtores do campo e aos titulares da renda fundi(ria a pre-eminência até então desfrutadaY cL a institui!ão e a difusão de uma s#lida rede banc(riaY dL a unifica!ão ling_ística do paísY eL a instaura!ão e a aceita!ão do servi!o militarY fL a unifica!ão jurídica do país. no sentido da contraposi!ão da sociedade ao Estado.I&5 uma concep!ão dua-lista. em rela!ão ao que se lhe seguiu não parece tão claro. . R?. ocorre observar que na origem das ]confus)es]. como é inevit(vel aqui. R?.ran!a durante a segunda metade do século `<8 e desenvolveu obra consider(vel com 0enrique 8<. cronologicamente referíveis aos anos do período que vai de %EI' a %FI'. . R?. 1as mesmo que queiramos limitar-nos [s reconstru!)es gerais. est( também a concep!ão de $agnac.I&5 se reveste a pesquisa historiogr(fica. R?. R?. .icou prisioneira do passado. geralmente seculares e até milenares. não distinguindo. uma série de lentas mas decisivas novidades. 8es origines de la *rance con-le poraine) t. por uma dupla ordem de ra")es. 5onservou o velho car(ter de uma monarquia pessoal e não se desenvolveu senão através do esva"iamento das institui!)es que poderiam ter-lhe servido de sustenta!ão. como a sociedade e o Estado sucintamente delineados acima. diminui!ão do custo dos pr#prios transportes e uma certa unifica!ão econ*mica das regi)esY bL a industriali"a!ão iniciada nos fins do século `<888 e triunfante nos meados do século `8`. embora tenha desenvolvido uma fun!ão nacional. e que subtrai [ produ!ão agrícola. 7aqui deriva a importWncia que na defini!ão do +. sem d9vida discutível. 87) 8F+.CI5. -lochL. que culminou no c#digo 6apoleãoY gL a unifica!ão administrativa do reino. com a institui!ão dos intendentes Jé a conhecida li!ão de +ocquevilleL e completada depois pela 5onstituinte. segundo a qual a importWncia da forma do regime político foi e agerada. a obra verdadeira da /evolu!ão. R?. 3uís `888 e /ichelieu e com 3uís `8<. nem acontece. pelo menos de uma certa indiferen!a religiosa. e iste o fato de que o +. j( tentada desde a monarquia. não era senão o resultado de um conjunto de elementos. entre nobre"a. definidos apenas através de alguns atos normativos compreendidos no pequeno espa!o de alguns mesesB o que não pode nunca acontecer. <. pelo 5onsulado e pelo 8mpério e simboli"ada pelos prefeitosY hL a chama da revolu!ão demogr(fica. 7os dois principais motores da evolu!ão . por e emplo. seja pelo fato de esta tocar aspectos peculiares da sociedade e do Estado. R?.CI5. O +. de 04ppolite +aine./E+2^RO 08$+O/8O=/2. do qual jamais algum foi suprimido. de tal forma que corresponde a um dos períodos mais brilhantes da hist#ria francesa. na verdade. 2s institui!)es administrativas criadas por 3uís `8< e 5olbert aumentaram ainda mais a for!a do poder. por conseq_ência. questão de sangue e ]senhorio]. não soube dar uma base nacional [ sua autoridade. ou entre esta 9ltima. 5ometeu o erro de crer que a um =overno basta ser forte. que proporciona facilidade nos intercWmbios. \ ?uanto ao segundo aspecto. em que puderam cair os constituintes. podem. a come!ar pela de .

rancesa e nos decênios sucessivos Jdurante o século `8`L que o 2nticlericalismo de origem cristã e cat#lica e o 2nticlericalismo racionalista de personalidades particulares e de grupos dei am. além de muitos países latino-americanos. anima in9meros 2nticlericalismo afunda suas raí"es na 8dade 1édia.lammarion. se apresentava muito forte. acusou os clericais e a 8greja. isto é. na /eforma.aris %OK%Y =. infalibilista e temporalista.aris %ODF. hoje presentes. para as quais o +. . 2s principais fontes culturais que alimentam o 2nticlericalismo são o iluminismo e o filantropismo racionalista.5 . 1E-+08<8E/. em grande parte. que se estende também a grupos. segundo a inspira!ão do individualismo liberalY como defesa dos valores de liberdade de consciência e de Anticlericali&(o. na verdade. >. seu lugar e são absorvidos por um 2nticlericalismo que se manifesta como fen*meno relativamente de massa.. 8a *rance auG DVIP et DVll* si. dentro da linguagem política. quase conte tualmente opostos aos termos cleri-cal e #I#LIO)RAFIA.. vastas correntes de respeito do clero cat#lico. em /.I&57 catolicismo ultramontano.. a hipocrisia e a ganWncia. O =overnos e indivíduos que apoiam esta tendência. inicialmente aparecem na forma de R?.I&5) a sociedade foi sempre muito viva. 8 adjetivo.aris %OKOY . 8+. como rejei!ão de toda a interferência DIV7 5olin. em muitas particularmente na /enascen!a.ran!a. porque. clericalismo.L e do opinião p9blica liberal e democr(tica. 2o contr(rio.L. 1as.ran!a do +. a sociedade conseguiu agir sobre o Estado mais do que o Estado sobre a sociedade. 1ilano %OEKY apro imadamente entre %FI' e %FE'. Em certos países. .ocasi)es. encontra um centro ativo de sair a religião do seu Wmbito para invadir e dominar o iniciativas na ma!onaria.E$$8O6238$1O Jv. que se sentem ter nascido fora de um (lveo religioso. o 2nticlericalismo. e através de formas especificamente anti-romanas e antipapistas na 8nglaterra e na 2lemanhaY 2nticlericalismo que justifica e sustenta uma tendência [ laici"a!ão do Estado e da sociedade. como na percorre os séculos sucessivos e se manifesta . o positivismo evolu-cionista e o positivismo materialista. R?.I&5 J%OKOL.CI5.2=T$.ran!a e na 2lemanha. com os v(rios motivos e dire!)es da crítica racionalista. ocasiona uma forte literatura crítica vícios. para além das diversas interpreta!)es historiogr(ficas que se dão do +. a prepotência e a e uma literatura de divulga!ão popular. no regime da monarquia absolutista. se torna uma pai ão e uma autêntica fé que polêmica. os historiadores privilegiaram o segundo.CI5. nas can!)es e no teatro. de perseguir interesses arbítrio e no iluminismo. suscita 5O6. correspondência ao agravamento da oposi!ão ao >.I&57 . que se deve insistir para constatar em que medida. na .&D 26+853E/85238$1O hist#rica. . que é representado pela permanência das condi!)es sociais. partidos. 8a onarchie o fen*meno na época contemporWnea nasce alguns d1+. -élgica. da 8greja e da religião na vida p9blicaY como afirma!ão de uma necess(ria separa!ão entre política e cE++O/E /O+E338d religião.2 -E0/E6$.I&5 en *rance) de Aenri IV = 8ouis decênios antes.CI5. em seu tempo.CI5. . do 53E/A5238$1O Jv. ..ortugal. é sobre sua evoju!ão durante dois séculos. dissimularam o dado essencial. Espanha e . hier(rquicas. . . .I&5 forneceu os modelos. . +. no romance se afastar dos princípios evangélicos. como a melhoria do teor de vida e o regresso dos sinais e ternos da desigualdade social. j pergunta respondeu o historiador francês /obert 1androu. atingem momentos de fanatismo e de intolerWncia.CI5.or isso.I&5) é lícito perguntar também o que ele representa ainda hoje para n#s. 8 +. 2nticlericalismo invade grande parte da imprensa 5omo atitude de crítica contra a corrup!ão e os di(ria e peri#dica.CI5. =O>-E/+.aris %OKEY 0.. o 2nticlericalismo mobili"a. nos países e conjunto de idéias e de comportamentos polêmicos a no período acima mencionados. como organismo internacional. R?. . etapa por etapa. que se inspiram nos princípios do considerada a tendência do poder eclesi(stico a fa"er livre-pensa-mento.cles) . o popular e na literatura de cordel. debates parlamentares.. R?. entre Estado e 8greja. na . Aaca -oog. no livre. misturando-se contr(rios aos . se manifesta intolerWncia da ordem sacerdotal acusada de trair e de nas poesias.CI5. dos costumes e da mentalidade. se e pressa numa ideologia Wmbito da sociedade civil e do EstadoY posi!ão positiva. R?. Estes. a sociedade e o Estado.. autonomia moral. essencialmente nos países de predominWncia cat#lica. R?. R?. 8t(lia. daquela que é tendências radicais. $e os termos anticlerical e 2nticlericalismo. o hegelianismo. $obre estes temas e outros destes 2través deste termo se designa geralmente um derivados. redu"indo a 8greja ao direito comum e a religião a um fato privado. 1267/O>. que investiram contra a pr#pria religião cat#lica. que acentuou os efeitos enganosos de certas conota!)es da sociedade moderna. 1as é com a /evolu!ão .

Ele dirigiu a sua polêmica particularmente contra o clero regular. ap#s a /evolu!ão . O 2nticlericalismo foi também característica da aristocracia no +.ran!a da +erceira /ep9blica. 6a 8t(lia. das transforma!)es que se verificaram no mundo cat#lico e na 8greja.L. perante o qual sejam absolutamente livres e iguais todos os cultos e todas as profiss)es de idéiasY em alguns momentos e em alguns países. é conseq_ência dessa pr#pria guerra. 7urante o século `8`. em parte. est( presente e forte o movimento positivista lombardo chefiado por /o-magnosi-5attaneo-.26+853E/85238$1O && nacionais e. algumas correntes progressistas da classe política e iniciativas de educa!ão popular. o div#rcio. porém. especialmente. 6o período da direita hist#rica. o 2nticlericalismo identificou uma (rea de choque e tremamente (spera. Ele acompanha.L. o 2nticlericalismo levou a formas de controle da organi"a!ão eclesi(stica e a persegui!)es antiliberais. e um 2nticlericalismo cat#lico de esquerda e de direita. enquanto.rancesa e as revolu!)es do século `8`. do 2nticlericalismo deísta dos liberais se passou para o 2nticlericalismo agn#stico ou ateu dos democratas e dos radicais.CI5. 2p#s o advento da esquerda. a liquida!ão do patrim*nio eclesi(stico. e condu"iu uma batalha para subtrair o ensino da influência do clero e inspir(-lo nos princípios racionais e científicos. outras reivindica!)es fundamentais do 2nticlericalismo mais avan!ado. as posi!)es anticlericais não se identificam com a irreligião e o 2+EC$1O J<. mais se manifesta o abandono do 2nticlericalismo e do . alimenta. também na medida em que o 2nticlericalismo liberal entra em competi!ão com o democr(tico e o radical emergem cada ve" mais posi!)es implícita ou e plicitamente ateístas. para o 2nticlericalismo aberta e combativamente ateu dos anarquistas e dos socialistas. tais como a confisca!ão total dos bens eclesi(sticos. capilarmente presente na sociedadeY por isto. como aconteceu com os ministérios Paldecg-/ousseau e 5ombes. e igiu a aboli!ão das ordens e congrega!)es religiosas e a confisca!ão de suas propriedades. Em todos os países. na . isto é. portanto. de internacionalistas an(rquicos e socialistas. o 2nticlericalismo se ligou estritamente [ luta para a unifica!ão nacional e. a consecu!ão deste objetivo importou formas duras de luta e de interven!ão do Estado em rela!ão [ 8greja. de republicanos e radicais. em parte. mais do que o clero secular. a ab-roga!ão do primeiro artigo da 5onstitui!ão e a plena liberdade de consciência. a batalha das correntes liberais e democr(ticas para a cria!ão de um Estado laico no . a introdu!ão parcial de uma instru!ão laica obrigat#ria. ao cristianismo primitivo. que come!ou apro imadamente ap#s a . Auntamente com as inspira!)es culturais vindas de além-dos-2lpes. o movimento do livre-pensa-mento e a ma!onaria e. 7essa forma.errari. que constitui. as diversas correntes políticas da oposi!ão. contudo. de atentar contra a independência do país. em seguida. ao mesmo tempo. a supressão das despesas de culto do or!amento do Estado. em medidas diferentes. de acordo com as características de cada país. para a destrui!ão do poder temporal dos papas.iemonte. especialmente os jesuítas.rimeira =uerra 1undial. transforma!)es provocadas pelo pr#prio 2nticlericalismo e pela clara fun!ão de purifica!ão que este desempenhou indiretamente nas rela!)es com o fato religioso. 2 mobili"a!ão. entre o fim do século ``. o 2nticlericalismo atingiu alguns de seus objetivos com a introdu!ão do matrim*nio civil. outras suas reali"a!)es são a introdu!ão do juramento civil. O seu declínio. que é o clericalismo na escola. seus objetivos de laici"a!ão do Estado e da sociedade. 2 polêmica contra a religião e a 8greja cat#lica fa". O 2nticlericalismo atingiu. a prioridade do matrim*nio civil sobre o religioso. 6ão foram. por uma autêntica simpatia e pela necessidade de ter em conta as convic!)es das massas populares. na 8t(lia liberal. na maior parte de suas tendências. uma parte da burguesia se reapro imava da 8greja e da religião. a repressão dos abusos do clero e a possibilidade de crema!ão dos cad(veres. . no plano político o 2nticlericalismo se configura como 32858$1O Jv. em particular. entre o final do século `8` e o início do século ``. $e no plano das idéias acaba investindo contra o pr#prio Wmbito da religião e de seus princípios morais e sobrenaturais. até. antes de tudo.I&5 e se difundiu largamente no meio da burguesia. e conseq_ência também da diminui!ão de conflitos entre 8greja e alguns Estados europeus em fun!ão anti-socialista e. freq_ente referência. mas seguem prevalentemente uma orienta!ão deístaY progressivamente. em seguida.ormou-se também um 2nticlericalismo de origem protestante. e depois no meio da classe oper(ria. 6uma primeira fase. anticomunista e da emergência dos problemas sociais e nacionais que acabaram colocando o problema do 2nticlericalismo em segundo plano. relacionado com as lutas pela laici-dade do Estado. as iniciativas e as irrita!)es anticlericais atingem seu cume no período da esquerdaY enquanto. um corpo separado dentro do Estado e. democr(tico e igualit(rio. a um Estado plenamente laico. a aboli!ão da isen!ão dos clérigos do servi!o militar e a supressão das faculdades de teologia. R?. visa pelo menos. e. 2p#s a unifica!ão. como aconteceu também no tempo do SulturRa p0) na 2lemanha bismarcgiana. satisfeitas.

a oposi!ão é conte por3nea7 3a 6uova 8t(lia %OE%Y =. para melhor compreendermos sua e plica!ão.a4ard.2/2+8$1OL. realidade. %FE'L. na"ista!elgi/ue sous le gouve e e liberal doctrinaire hitleriano. possível a alian!a estratégica.. 5omo se vê. +rata-se. contida. fascista. mesmo que isso se mantenha dentro das regras da democracia pluralista e das rela!)es normais normal. quando as f#rmulas tradicionais se revelaram geral. também pode haver o que se inspira nos princípios liberais ou.apres les brochures politiques. anticapi-talistas. 2nticomunismo radical libert(rio. 8esprit lai/ue en 2nticomunismo de tipo clerical. -ari %OF%. que muitas ve"es $e se quisesse oferecer uma defini!ão vocabular. Videa laica neliltalia dos partidos comunistas. etc. na dialética política interesses. [ lu" do momento hist#rico. . pois. $E.rimeira =uerra 1undial. de defini!)es genéricas e li-mitativas. tanto interna como internacional. se distingue entre o #I#LIO)RAFIA \ 2. e tem por norma +ogliatti é ainda . também. aos olhos dos +nticlericalis o7 libero pensiero e ateis o nella comunistas. 2ntologia elaborada por =. o ocupa posi!)es de e trema esquerda. anticlericais. como tal. que se tradu" na sistem(tica repressão da inefica"es no controle das tens)es sociaisL. radicais e socialistas. 1as oposi!ão comunista. por haverem renegado e postergado os valores fundamentais da civili"a!ão humana]. e plic(vel. da burguesia em crise] Jisto é.. elemento de agrega!ão dos ]blocos populares] de republicanos. 6a realidade. 6a societ= italiana) 3ater"a. 3acaita. 6estes 9ltimos anos tem-se dado até a retomada de um certo Antico('ni&(o. como o campo daqueles que j( não são homens. da inconciliabilidade dos respectivos valores e princípios. o 2nticomunismo não é necessariamente de c=ui7O <E/>558d direitaB se e iste o 2nticomunismo de cunho clerical. não s# como um movimento organi"ado e atitudes repressivas internas e agressivas e ternasB difuso. um inequívoco valor ]de direita]. . j( se orienta para um compromisso entre o Estado e a 8greja. . 32858$1O. como 0'r ula política como é #bvio. por alguns como uma ]ideologia negativa] Jchamado. nos princípios da social-demo-cracia. 6a tradi!ão da 888 8nternacional.. no período de =iolitti. com os partidos e os Estados /evolu!ão de Outubro. o dos comunistas.aris %OEKY +.democr(tico]. que é o mais recente. 0( J%FIE-%FE'L d. 8sto não se d( necessariamente em mundial. .o plano interno) o 2nticomunismo e tremo é. o 2nticomunismo foi definido entre Estados. . baseado numa oposi!ão global ao comunismo e ligados. interesses org3nicos do proletariado e das classes 8anticlericalis o en *rance de LMLT = nos Eours) progressivas se identificam estreitamente com a linha . dividir categoricamente a humanidade em dois campos e considerar. o coeGist-ncia pací0ica partem uma e outra da 2nticomunismo assumiu necessariamente valores bem constata!ão da incompatibilidade radical com o campo mais profundos que o de uma simples oposi!ão de oposto. interesses.or isso. 7o lado comunista. mais e plícito quando escreve que ser anticomunista ]significa. o de tipo fascista e reacion(rio em de saída. para além de possíveis também as h( anticomunistas.E e 1. dado que os +0E1E3U. ideol#gico e político ao mesmo tempo. /E1O67. .&M 26+85O1>68$1O laicismo por parte da classe dirigente e da burguesia conservadora. +O12$A. além disso. para ampliar as bases conservadoras do pr#prio Estado Jv. 5onvém. 2nticomunismo visceral) ou nas rela!)es entre os Estados estão profundamente seja.. e das diversas origens ideais e políticas em que se inspira. reacion(rio. o 2nticomunismo interno e o que se d( em termos polêmicos. . manter distintas as duas não na adesão positiva a valores autonomamente esferas. difícil de definir no 2nticomunismo deveria ser obviamente entendido como oposi!ão [ ideologia e aos objetivos comunistasY plano ideol#gico. senão também como uma alternativa política mas tanto a estrat9gia do con0ronto quanto a da real em rela!ão aos regimes tradicionais. no entanto. no n9mero de ]/inascita] citado na bibliografia. estes se tornam bandeira de luta dos movimentos da oposi!ão e. o comunismo entrou na cena comunistas. 3ouvain depois as variantes de tipo social e de tipo %OKEY Vanticlericalis o nel Risorgi ento J%F&'.E. $e o 2nticomunismo é.. O 2nticlericalismo italiano consegue resultados menos incisivos do que em outros países e. fascista. no entanto. 1anduna %OKKY /. no plano mais especificamente político é entendido como convic!ão de que não é assim como e istem for!as sociais e posi!)es políticas antifascistas. etc. das condi!)es de cada um dos países. sendo de esquerda. sendo o 2nticomunismo um fen*meno comple o. não obstante. automaticamente definida como oposi!ão [queles 8Italia laica pri a e dopo li ita) %FMF-%OEK. e ]o americano. no período que precedeu a . assumindo. escolhidosLY foi definido por outros como ]ideologia aL . <E/>558. E/-2. ap#s a momentos t(ticos. ?uanto ao mais.

tendo. 6o primeiro caso. é indiscutivelmente antisoviética. conseq_entemente. 23+. est(-se atuando. é preciso distinguir os países onde não e iste uma oposi!ão comunista relevante daqueles onde a h(. portanto. por e emplo... -an %OF% c3>5826O -O6E+d Anti1a&ci&(o.258$1O. real sustento. + erican conservative thought in the tHentieth century7 ao cuidado de P. <:/. com uma estratégia essencialmente imperialista. 2 5hina . ou. >ma interpreta!ão do 2ntifascismo como fen*meno relativamente unit(rio pressup)e. um elemento de constante dialética e de controle da gestão do poder. \ 2o termo 2ntifascismo se d(. etc. ficando assim superado o 2nticomunismo tradicional que.2$58$1O &I tachar de comunismo qualquer oposi!ão de base popular. de preferência. .o plano internacional) o 2nticomunismo é o critério inspirador de uma política de alcance planet(rio. <isto que tais rela!)es são cada ve" mais insidia-das pelos processos de emancipa!ão política dos países subdesenvolvidos. uma interpreta!ão generali"ante do fascismoY . E>/O5O1>68$1OL nos sistemas pluralistas. de resto. a não ser [ custa de fortes dilaceramentos sociais. a incondicional aceita!ão do pr#prio Hay o0 li0eL7 /evela-se por isso. 6os regimes democr(ticos. nem sequer contaria j( com o consenso dos setores da sociedade civil não comunistas. 2 partir dos anos K'. In-chiesta sul2antico unis o) em ]/inascita].q FO. 2 vitalidade anticomunista é. muitos Estados (rabes e africanos. O 2nticomunismo converte-se então em critério discri-minante na forma!ão das coali")esB de um lado. embora possuam muitas ve"es culturas políticas nacionais dificilmente concili(veis com o comunismo. buscando-se assim privar de coa-te9do os motivos que seriam a base principal da adesão e do voto aos partidos comunistas. uma política e terna anti-soviética não ser( necessariamente inspirada pelo 2nticomunismo. um significado que abrange todas as tendências ideais. inversamente proporcional [ estabilidade das rela!)es hegem*nicas a nível mundial. pela progressiva escasse" das matérias-primas e dos recursos energéticos. cujos objetivos são si ultanea ente$ %L conten!ão do influ o dos Estados socialistasY DL interferência nos neg#cios internos de cada um dos países. -obbs-1erril. aí. Embora muitos polit#logos sustentem que um sistema político de tipo ocidental é incapa" de funcionar em confronto com uma forte forma!ão comunista Jsistemas ]polari"ados] ou ]centrífugos]L. ao mesmo tempo que um regime substancial e propensamente anticomunista não praticar( necessariamente o 2nticomunismo nas rela!)es internacionais. não se pode e cluir a permanente tendência da leadership ocidental J>$2L ao 2nticomunismo agressivo abertamente praticado nos anos I' e K' J5oréia. contudo. A( que. e traordinariamente efica" na preven!ão ou isolamento de possíveis movimentos de oposi!ão que se refiram. A/. movimentos e regimes caracteri"ados como fascistas. ao mar ismo e [s tradi!)es comunistas. 5O1.or outras palavras. uma fun!ão importante na integra!ão s#cio-política e na legitima!ão do sistema Jmediante. 2nno `8.L. O respeito pelas regras da democracia obriga então ao confronto com a oposi!ão comunista assente em programas e reali"a!)es concretas. o mais das ve"es. 2mérica 3atina.26+8. -u5G3EU. a fim de prevenir eXou reprimir os movimentos de inspira!ão comunista Jou tida como talL. o 2nticomunismo constitui. 8. papel da 62+O na Europa. a frente anticomunista tem revelado uma progressiva diminui!ão em sua agressividade. tendendo [s rela!)es de coe istência pacífica.. . um real processo de integra!ão dos partidos comunistas ocidentais Jv. n. <ietnã.opular. bL . por e emplo. em todo caso. por isso. os movimentos espontWneos e organi"ados e os regimes políticos que historicamente e erceram ou e ercem uma oposi!ão a tendências. no entanto. componente fundamental da cultura política difundida. as possibilidades de encontrar na sociedade civil assen-timento a uma política de choque são evidentemente muito redu"idas. %OIMY 1. são filo-soviéticos em política e terna. o 2nticomunismo encontram. mesmo que genericamente. 8ndianopolis e 6ea Uorg %OE'Y 8d. nos países onde a presen!a comunista é forte e constitui uma alternativa potencial. por seu lado. o antisovietismo e. também a >nião $oviética atua. e pela e istência de fortes tens)es sociais nos pr#prios países ocidentais. não decerto por via do 2nticomunismo. (tati %niti e PCI) 3ater"a..O6E6+E$ E . as for!as não dispostas [ colabora!ão com os comunistas Ja chamada preEudicial antico unistaL) do outro.2$E$ 7O 26+8. 2mbas as diretri"es de a!ão se interligam e definem o 2nticomunismo com rela!ão ao antisovietismo. os comunistas e as eventuais oposi!)es da e trema esquerda. entre as tens)es internacionais. #I#LIO)RAFIA. 12/=0+55O. mas dos pr#prios princípios comunistasY ao contr(rio. 2o contr(rio.

nasce como 9nico objetivo possível o da ditadura do proletariado.ara os comunistas. articulado e contradit#rio. proporcionalmen. sala"arismo.rimeira =uerra 1undial até nossos dias. 7aí nasce que as solu!)es dadas por liberais e radicais antifascistas diferem substancialmente das. como radical. partindo de uma compreensível rea!ão contra o uso genérico e indiscriminado do termo fascismo. 6ão falta. contemporaneamente.ara os mar istas do movimento comunista. inclina-se a consider(-lo como um fen*meno patol#gico Jcomo a posi!ão liberalL. geogr(fica e cronologicamente delimitados. a contradi!ão fascismo-2ntifascísmo. O objetivo do fascismo. Esta 9ltima interpreta!ão. por não ser insensível aos problemas estruturais e [ matri" de classe do fascismo. diversíssima da democracia parlamentar e sobretudo não inevit(vel. é destruir as organi"a!)es do movimento oper(rio e o pr#prio Estado dos soviéticos. que reconhece que o fascismo é apenas u a das formas possíveis da ditadura burguesa. por outra parte. 2 fase de maior varia!ão estratégica e t(tica entre o bloco liberal-radical e o bloco comunista reflete um período em que o perigo fascista não se tinha revelado ainda em todo o seu alcance mundial. um relativo acordo sobre movimento e regimes políticos caracteri"ados como fascistas. os dois são combatidos. ao contr(rio. na verdade. O fascismo é a e plosão que de improviso e irracionalmente surge de for!as demoníacas que encarnam em regimes desp#ticos. . .&K 26+8 . quem atribua fascismo. o derrube do fascismo deve envolver grupos e movimentos. mais ou menos deterministicamente imput(-veis [s estruturas tradicionalmente autorit(rias. não se pode di"er o mesmo sobre o que os individuali"a como tais.e. que e iste entre o 2ntifascismo comunista e as restantes formas antifascistas. é possível eliminar as desvantagens estruturais e os conflitos que originaram o fascismo. sobretudo no plano da a!ão política. segundo cie. franquismo. [ cr*nica fragilidade das institui!)es representativas. tendo em vista que foi h( muito ultrapassada pela oposi!ão entre comunismo e anticomunismo. . O abatimento do fascismo é visto como necessariamente conte tual ao do capitalismo. $e e iste. neste caso. etc. e difundidos através de parWmetro cronol#gico que vai dos fins da . quem procure uma e plica!ão para as semelhan!as entre o fascismo europeu e alguns movimentos e regimes iberoamericanos e do +erceiro 1undo. na"ismo. é e atamente o que diferenciou o 2ntifascismo nos seus diversos componentes e o tornou um movimento comple o. e efetivar uma unifica!ão operacional gradativa baseada em conte9dos políticos democr(ticos. 2s novas dimens)es do perigo fascista determinam uma . 7a identifica!ão entre o fascismo e o capitalismo. 7e 2ntifascismo pode-se falar essencialmente s# para a 8t(lia. comportamentos ideais e pr(ticas diversas. mais do que fisiol#gico JcomunistasL. ao qual vê como ditadura política e doen!a moral. sobretudo antes da difusão dos regimes fascistas dos anos &'. >ma síntese entre estas duas posi!)es foi tentada por uma terceira corrente interpretativa. a est(dios diversos do desenvolvimento econ*mico e político. através da interven!ão racio-nali"adora do Estado na economia. 2lém disso. Essa corrente vê o fascismo como a e plosão violenta de germes latentes de algumas sociedades nacionais. o fascismo é a forma necess(ria que a ditadura da burguesia assume na fase imperialista do capitalismo. comunismo e fascismo não são mais do que species diversas de um mesmo genus$ a ditadura totalit(ria. [s formas antidemocr(ticas em que se atuou a unifica!ão nacional. e. $egundo eles. que podemos definir. o 2ntifascismo se tornou uma categoria referível unicamente [ oposi!ão a um ou a alguns movimentos específicos ou a regimes hist#ricos. [ sua incidência. 2 contradi!ão entre fascismo e 2ntifascismo a nível internacional é de somenos importWncia. o fen*meno fascista circunscrito [ 8t(liaB é f(cil concluir que. . 7as três interpreta!)es tradicionais do fascismo se originam.or parte dos liberais e radicais. 2té a interpreta!ão daquilo que é orgWnico no fascismo. todavia.2$58$1O pressup)e que fascismo se tornou uma categoria que abrange movimentos e regimes com características distintivas comuns.or isso. mas suas estruturas políticas no quadro de um retorno [s liberdades políticas e [ democracia representativa sofrerão uma reforma de profundidade. permitir( dissolver a contradi!ão principal do 2ntifascismo. para além dos seus aspectos contingentes e das suas manifesta!)es e ternas. Esta oposi!ão se reflete e atamente nos v(rios setores do 2ntifascismo. 2 ala liberal do 2ntifascismo se apoia sobre uma interpreta!ão superestrutural do fascismo. etc. $# o desenvolvimento da an(lise mar ista e da linha política correspondente voltada para uma menor rigide". grosso modo. também a nível internacional. durante muito tempo a mais reacion(ria e tirani"ante.solu!)es dos comunistas. 2 chegada de 0itler ao poder tra" para primeiro plano. a sociedade capitalista é mantida. peronismo. dentro de um Wmbito europeu ou mundial. incluindo os socialistas rotulados de social-fascistas. que parecem constituir um sustent(culo e uma reserva dos regimes fascistas. 0ouve até quem quisesse ver.

6um nível diferente. depois da marcha sobre /oma. e um componente da emigra!ão. com algumas a!)es de tipo an(rquico e gielista. no quadro da busca de formas de apro ima!ão do poder por parte da classe oper(ria. comunistas. T o delito 1atteotti que liquida as 9ltimas ilus)es normali"adoras que tinham alimentado até então todos os setores políticos adversos ao fascismo. 2 resistência européia. são reconstituídos os partidos políticos e formados grupos e organi"a!)es antifascistas. a $egunda =uerra 1undial permite-lhe atingir uma dimensão internacional e. profundamente dividido. que vai [ falência por causa da desconfian!a de todos os partidos políticos. Em ondas sucessivas. O 2ventino marca o momento da plena e irrevog(vel ruptura entre o fascismo e os partidos democr(ticos. pelo menos até %ODO. populares. ou. mas também sobre o tipo de a!ão a p*r em pr(ticaB deve-se lutar no e terior ou. an(rquicos e republicanos. destinado a ceder lugar para uma coliga!ão contra-revolucion(ria baseada na socialdemocracia. representa a continua!ão e a e tensão do 2ntifascismo militante através da luta armada. 2 palavra de ordem da frente 9nica e das frentes populares. 0( nele dois componentesB um componente clandestino. ainda no Wmbito da legalidade. 6as -rigadas 8nternacionais. 6a >nião $oviética. nas suas diversas formas nacionais. como j( se disse. 5om as leis de e ce!ão J%ODKL se abre uma fase nova do 2ntifascismo italiano. é a prova geral da nova fase do 2ntifascismo internacional. do anti-parlamento e da mobili"a!ão das massas. um cleavage) que sobrepujou completamente. da conspira!ão nacional. além de uma enorme massa de trabalhadores. democr(ticos. na 8t(lia. o do comunismo-anticomunismo. de um modo particular. cujo comportamento ambíguo e débil tinha de fato favorecido a ascensão fascista. não s# sobre quest)es doutrinais. 5ome!ou. \ O aparecimento de uma oposi!ão espontWnea ao fascismo na 8t(lia é do tempo das primeiras violências de gruposB as massas trabalhadoras se organi"am em defesa dos pr#prios interesses econ*micos e políticos e s# a a!ão combinada entre o s/uadris o e o aparelho repressivo do Estado e certas carências de lideran!a política consegue domin(-las. nos paises ocupados pelos e ércitos hitlerianos. deve-se empregar uma a!ão de massa ou de grupos capa"es e ativosf 2 esta a!ão pluralista e ca#tica. que ocorreram para combater em favor da rep9blica espanhola.258$1O 8+23826O. o 2ntifascismo organi"a a mobili"a!ão popular e a luta de resistência de cada um dos países ocupados. Esta campanha foi reali"ada através de material impresso. O 2ntifascismo tradicional age dentro delas. o 2ntifascismo se tornou uma f#rmula política operante a nível mundial e a nível nacional. 2 guerra da Espanha. 6o campo das institui!)es partid(rias e sindicais. a a!ão clandestina come!ou através de n9cleos antifascistas. e determina a intransigência final. 6a 8t(lia. a tentativa de organi"a!ão de uma oposi!ão popular contra o s/uadris o através do &ovi ento degli arditi del popolo) uma oposi!ão popular armada para o par- tidarismo. T por isso que os comunistas contrap)em ao 2ventino legat(rio a proposta de greve geral. de preferência. de an(lise e de estratégia. publica!)es.ran!a.2$58$1O &E virada na t(tica da 8nternacional 5omunistaB o fascismo é isolado como inimigo principal. comunista. $uí!a e Estados >nidos da 2mérica do 6orte. cuja atividade política consiste essencialmente numa campanha propagan-dística permanente contra o regime de 1ussolini. o fascismo responde com pris)es e . O 2ntifascismo militante continua. O 26+8. mesmo com dolorosas divis)es. nas organi"a!)es comunistas. 88. e e atamente no momento da defini!ão de v(rias unidades políticas. conven!)es e demonstra!)es. talve" uma dimensão de massa. sobretudo. protagonistas da resistência espontWnea [ violência armada Js/uadris oL e intolerantes da tirania fascista. socialista an(rquico. na . a prop#sito. s# muito tarde. a partir das pris)es e das ilhas de deporta!ão. 1as j( nesta fase h( uma diferen!a marcante do partido comunista. de teor meramente comunista e s# depois apoiada pela organi"a!ão socialista-liberal ]=iusti"ia e 3iberta]. p)e em andamento um processo de agrega!ão pr(tica do 2ntifascismo tanto na permanência da individualidade política como ideal de cada um dos componentes que têm suas primeiras manifesta!)es na frente popular francesa e na espanhola de %O&K. que vê no fascismo um instrumento d#cil da burguesia de tendência antioper(ria. em sintonia ideal se não político-organi"ativa. pela defesa das liberdades democr(ticas. T e emplar. abandona a 8t(lia um grande n9mero de quadros políticos socialistas. se reali"a pela primeira ve" a a!ão unit(ria do 2ntifascismo democr(tico. mesmo se de forma provis#ria. Entram no campo do 2ntifascismo as democracias ocidentais. de imigrantes políticos. no entanto.26+8. $e a chegada de 0itler ao poder e a virada comunista permitem um salto qualitativo do 2ntifascismo. o 2ntifascismo italiano come!a a conquistar um mínimo de unidade. liberais. para impedir novos compromissos e capitula!)es. da unidade de a!ão popular contra o fascismo e a guerra. 2través desta.

um car(ter de massaY e. =obetti.&F 26+8. um papel politicamente marginal.ia""a . a op!ão antifascista reveste. na . organismo que condu" a luta de liberta!ão e tem seu bra!o militar no 5orpo de <olunt(rios da 3iberdade. 2 ]negra intriga] que representou o fascismo não parece. 8sso é favorecido pelo surgimento da guerra fria entre os blocos. e em -olonha. /osselli e de centenares de antifascistas. em parte. onde obtém. um dos fundamentos da estratégia dos comunistas italianosB se o fascismo é o fruto do en erto das novas formas da e plora!ão capitalista e monop#lica no terreno tradicional do domínio e da opressão feudal. a primeira vit#ria militar. 2s diretri"es do 5omintern e igem dos comunistas italianos que não participem daquele que foi o primeiro organismo unit(rio do 2ntifascis-mo fora da 8t(liaB a 5oncentra!ão 2ntifascista J%ODEL. em cuja escola se forma toda uma gera!ão de intelectuais antifascistas que acabaria.h$-=>E//2 2O$ 6O$$O$ 782$. no entanto. na 8t(lia. $urge o 5omitê de 3iberta!ão 6acional J5. ao lado dos veteranos do 2ntifascismo e da resistência. uma autonomia ideal pr#pria.>58. no 2n-tifascismo militante. estendendo-se a todos os partidos antifascistas que se reconstituíram na 8t(lia. 2parece nestas circunstWncias uma terceira gera!ão antifascista. torna a apresentar-se em resposta [s press)es mo-derni"antes e democrati"antes dos oper(rios e estudantes. E não esque!amos que também o movimento cat#lico tende ami9de a afirmar. uma oposi!ão cultural. situa!ão que apresenta de novo como fundamental a antítese comunismo-anticomunismo. 6as sangrentas demonstra!)es de julho de %OK'..ran!a. a revolução anti0ascista coincide com a transforma!ão democr(tica das estruturas que geraram o fascismo e que tendem a reprodu"i-lo constantemente.or volta dos anos E'. no plano interno. \ 2 derrota do na"ifascismo tira da frente antifascista todas aquelas for!as políticas. O regurgitamento fascista apresenta então uma tríplice faceB uma face legalista e honesta que obtém s#lido consenso eleitoral nas elei!)es administrativas parciais de %OE%Y uma face eversiva e populista. levadas a efeito no fim da década. se bem que atenuada e prudente.3. ter sido totalmente e tirpada da sociedade italiana. 2 esta oposi!ão diretamente política se junta. cujo objetivo havia sido a elimina!ão da ditadura mussoliniana e a restaura!ão do parlamentarismo e das liberdades políticas no quadro das antigas rela!)es sociais. de tentativas de insurrei!ão que adquirem. nos anos seguintes. que constitui a forma predominante do neofascismo na década de E' e que fa" os seus ensaios na .2$58$1O 7O .oi necess(rio esperar a virada do <88 5ongresso da 8nternacional 5omunista. de origem oper(ria e estudantil. de resto antecipada pelas press)es de massa em busca da unidade e pelo pacto de unidade de a!ão entre comunistas e socialistas. contudo. 7aí se segue. O 2ntifascismo italiano se apresenta unido na frente espanhola. como documentam os casos de 2mendola. com o 8ta-licus. com a provoca!ão e o assassinato político. como em /eggio 5al(bria. ir( fermentando uma oposi!ão que se transformar( em oposi!ão aberta de grande parte da intelectualidade. com a 2!ão 5at#lica e com a . surge uma nova gera!ão antifascista Jos ]jovens das camisetas listradas]L. para se registrar novo curso nas rela!)es entre os comunistas e os demais antifascistas. mas j( perto da reunifica!ãoL. Entretanto. 888. nos =>. 6as décadas de I' e K'. que tem seu p#lo de atra!ão na figura de -enedetto 5roce. . em -réscia. que reunia. 5entros de resistência moral e de oposi!ão cultural são igualmente as universidades.2$58$1O condena!)es do Tribunale (peciale) com a atividade da polícia secreta \ a O</2 \. o 2ntifascismo continua sendo. o insucesso da tentativa social-comunista de continuar a utili"ar o 2ntifascismo como 0'r ula política) que serviria de base na constru!ão de um regime de democracia progressiva. o partido socialista Jainda dividido nas fac!)es ma imalista e unit(ria. também ela. v(rias ve"es renovado a partir de %O&M.L. O 26+8. enfim. . 2 insurrei!ão das cidades mais importantes do 6orte é o momento culminanteB assinala o triunfo do 2ntifascismo e marca o ponto final de uma época hist#rica. principalmente no $ul. mesmo que o 2ntifascismo italiano pare!a recobrar uma fun!ão e uma capacidade aut*noma de mobili"a!ão por ocasião da tentativa de +ambroni de formar um =overno clérico-fascista. 2 unidade de a!ão antifascista se amplia durante a $egunda =uerra 1undial. em =uadalajara. alimentadora. onde.6.. a face terrorista dos atentados e da matan!a de massa. =ramsci. ali(s. dividida entre duas hip#teses estratégicasB o elemento ligado aos partidos da esquerda hist#rica visa [ desagrega!ão do bloco reacion(rio que nutre o neofascismo e reivindica um conjunto de reformas econ*micas e políticas capa" de lhe minar as bases sociaisY a parte mais radical do novo 2ntifascismo contrap)e a necessidade da . 2 esta articula!ão da a!ão neofascista consegue o 2ntifascismo italiano opor uma mobili"a!ão constante na defesa das institui!)es e uma a!ão sutil e tena" tendente a isolar e conter o movimento eversivo. os republicanos e os membros da ]3iga dos 7ireitos do 0omem] Jorgani"a!ão decalcada na sua congênere francesaL.ontana.

ou. de fen*menos bem diversos. e que apresenta conota!)es precisas e +rata-se. 8antiEascis o in It#lia e in 5uropa7 %ODD-%O&O.E8A5+. 5O65E8+O E 7E. 2inda. -asta pensar. -O--8O. hebreus como povo-classe e plica. se diversas comunidades. em diversos países. -ari %OEKY 6. 3ater"a.superficialmente atribuídas a fatores religiosos ou semitismo pode parecer suficientemente claro de ocasionais. Este fen*meno caracteri"a um povo. 2 coloca!ão hist#rica dos Anti2&e(iti&(o. etc. 5O32/8SS8.. ser da segunda metade do século `8`. o 2nti-semitismo antigo e medieval e o derivadas de outros fatores bem comple os e muito 2nti-semitismo moderno. também uma classe social. 7E . Editori /iuniti. desenvolveram movimentos de . /oma %OKEY 8d. cuidado de $. 3e#n. universal s# pode levar-nos a conclus)es a-hist#ricas e depois da guerra (rabe-israelense de %OKE. de se em sentido puramente ling_ístico não pode haver outra parte. o conflito econ*mico. hostilidade para com um mesmo povo. a nascimento do nacionalismo. 6os 9ltimos anos. o 7ito isto.26+8-$E18+8$1O &O autodefesa e da cria!ão de uma alternativa revolucion(ria no país que se aprimore nas lutas sociais e anti-institucionais. a freq_ência de conflitos e persegui!)es 8. em rela!ão com o considerado como um fen*meno hist#rico unit(rio. 8e interpretazioni del 0ascis o7 3ater"a. 2 tentativa de considerar o 2nti-semitismo perspectiva. que é ao mesmo tempo uma classe social. 6ão é um -ari %OI&Y *ascis o e antiEascis o ne@It#lia caso 9nico na hist#ria da humanidade. é pouco claro o significado como um fen*meno unit(rio ou como uma categoria preciso do termo 2nti-semitismo. ligado [ condi!ão hebraica. Co unis o) anli0ascis o7 resisienza7 conseq_ência social \ dos hebreus através da hist#ria. juntamente com a tradicional dicotomia da De ocrazia e ditlaiura7 in Política e cultura7 Einaudi. que liga!)es claras com outros fen*menos hist#ricos partem de causas econ*micas e sociais bem distantes contemporWneos Jnacionalismo. a posi!ão dos hebreus como termo foi e é aplicado a fen*menos inteiramente componente ainda não ]assimilado] pela sociedade foi diferentes. 6a verdade. Inlervisia 5omo observa 2.868^RO. embora j( menos importante os motivos de real em rela!ão aos hebreus] \. U 8FantiEascis o italiano) a genericamente sociol#gicas. mesmo hebraicas. tal fator é hoje cuidado de . em muitas aberrantes deste tipoB quase que entre as características fontes de informa!)es. 5olocando de lado as e plica!)es de ordem religiosa ou #I#LIO)RAFIA. como na Europa dos séculos `8`-``. que culminou depois com as persegui!)es por suas manifesta!)es de hostilidade para com 8srael. conhecidos século `8`. ?>2SS2. diversos. 6a realidade. =o33O++i. épocas e circunstWncias s#cioecon*micas. e de comerciantes e cuidado de E. ao primeiro de comerciantes. de origens variadas. portanto. não pode fugir [ observa!ão do historiador o fato de que. [ parte. por e emplo. entre si. não se pode considerar. de utili"ada para desviar a aten!ão de tens)es sociais modo unit(rio. \ O conceito de 2nti. no papel da burguesia urbana +orino %OEK. sobre esse povo. na fun!ão comercial dos chineses do $udeste asi(tico ou dos sírios e libaneses em diversas regi)es da :frica e da 2mérica meridional. 3oescher. isto é. Editori /iuniti.. O 2nti-semitismo não pode. Estados (rabes.L. identificado com a coloca!ão econ*mica \ e por 21E67O32. como o 2nti-semitismo. d9vida sobre o significado da palavra \ ]hostilidade. 6este conte to. hebraica. imperialismo. que se desenvolve a partir diferentes. no campo hist#rico. ve"es interessada \ entre conceitos substancialmente e coisas do gênero. /oma %OK%Y =. num ensaio sobre a questão su@anti0ascis o) 3ater"a. aquele em alguns países ap#s a $egunda =uerra 1undial. mais do que 2nti-semitismo. repubblicana7 ao cuidado de =. usur(rios depois. de uma parte. de fato. -ari %OEKY durante muitos séculos. que e plique a convergência de #dios e persegui!)es. >ma e tensão arbitr(ria do conceito não pode levar seria mais correto falar dos 2nti-semitismos através da senão a erros de interpreta!ão e a distor!)es da hist#ria. mas na realidade derivada de efetivos modo a tornar supérflua uma defini!ão. condi!ão hebraica \ povo e religião \ deve ser +orino %OIIY 81It#lia anti0ascista dal LVQQ al LVNW7 ao considerado um terceiro fatorB terem sido os hebreus. 2inda hoje. c$l3<26O -E338=68d para citar casos mais pr# imos do hebreu. $tampatori. 232+/8. +orino %OEIY /. hitlerianas. p*de-se dos hebreus estariam inseridos fatores que determinam assistir a freq_entes casos de confusão \ algumas a persegui!ão a elesY pesa sobre eles uma ]maldi!ão]. devem menos que não se limite a validade do termo ao 2ntiser colocadas as correntes anti-semitas que surgiram semitismo em sentido pr#prio. movimento particular surgido na segunda metade do como é o caso da >/$$. contrastes de interesses no campo econ*mico e. deve haver qualquer fator unificante. ou na coloca!ão atual dos parses da índia. desenvolvido pelos alemães nos países eslavos e b(lticos.

por isso. 6o século 8< d. que compreende. antes de tudo. $ão. 7edicadas provavelmente ao comércio. na época da destrui!ão do +emplo. uma ve" ou outra. comunidades florescentes se acham j( em numerosas cidades. Ocorre esclarecer aqui. todavia. O 2nti-semitismo assume. a dispersão dos hebreus teve início muito antes da queda de Aerusalém Jano E' d. devemos. o cristianismo torna-se religião oficial do império. por um banqueiro cristão contra um banqueiro hebreu. \ $e quisermos definir uma periodi"a!ão da hist#ria do 2nti-semitismo.5LY alguns séculos antes da era vulgar. +ratase de um 2nti-semitismo que se enraí"a nas antigas tradi!)es agrícolas da sociedade romana e no conseq_ente despre"o pelas atividades mercantisY despre"o que nasce. para desfa"er esta confusão.5. a partir do século 8` d. por sua ve".ouco freq_entes. 88. 7e outro lado. um dos seus componentes ideol#gicos fundamentaisB o componente religioso. 2té porque a nature"a tolerante do paganismo e a estrutura multinacional do império impedem o surgimento de hostilidades de tipo religioso e racial. Em /oma e nas principais cidades do Ocidente. grosso modo. o 2nti-semitismo est(.M' 26+8-$E18+8$1O anti-sionismo e a oposi!ão [ linha política do =overno judeu. uma outra diferen!a entre as duas épocas é dada pela superestrutura ideol#gica Jou ]cultural]. movimentos antisemitas de mais vastas propor!)es. estas comunidades cumprem importante fun!ão econ*mica. pouco difundido. mantendo-se no terreno da crítica política.5. . 5ontrariamente [ opinião durante certo tempo difundida. de um profundo antagonismo econ*mico entre produtores de bens e comerciantes. entre as classes superiores ou nas camadas intelectuais. que vai da 8dade 2ntiga até o século `8`. no quadro da campanha geral contra a religião que foi dirigida também contra outras confiss)es.arcialmente diversa é a situa!ão nas regi)es heleni-"adas do Oriente e sobretudo em 2le andria. que se deve entender por 2nti-semitismo apenas a hostilidade direta contra os hebreus considerados como comunidade comple a. 7o mesmo modo. desenvolve-se nos países ocidentais no período da r(pida assimila!ão econ*mica e social dos hebreus. não podem ser consideradas como anti-semitas aquelas posi!)es \ como a oposi!ão [ política israelense ou ao movimento sionista \ que. subdividir esta em duas grandes fases principais. que come!a a ser dirigida aos hebreus. é caracteri"ada pelo fato de que o 2nti-semitismo afunda suas raí"es na posi!ão s#cio-econ*mica particular dos hebreus. $e estas são as características de fundo da posi!ão hebraica.5. não somente toleradas. e toca seu (pice quando estes se transformaram num dos componentes perfeitamente integrados da sociedade. nas duas grandes fases da hist#ria do 2nti-semitismo. +ambém o antigo despre"o das classes superiores romanas . a nível de massa. mas que são também necess(rios [ sociedade e por isso mesmo inelimin(veis. n9cleos de comerciantes hebreus se fi aram nos maiores centros urbanos do império persa. nas suas conota!)es étnicas de povo e de religião. mas até freq_entemente protegidas pelas autoridades imperiais. na 8dade 1édia. fundado sobre a aversão [ ]obstina!ão] hebraica de não reconhecer o advento do 1essias e sobre a acusa!ão de ]deicídio]. O 26+8-$E18+8$1O 2+T O $T5>3O `8`. o período de %FI'-%OI'. a luta econ*mica levada a cabo. choca a mentalidade cosmopolita dos romanos. são dotadas daquela ]legitimidade] moral \ prescindindo de qualquer juí"o sobre sua validade \ que falta aos fen*menos aberrantes e repugnantes do 2nti-semitismo e do racismo. 2 primeira. onde a prote!ão concedida pelo =overno imperial [ comunidade hebraica determina. Os hebreus são postos em condi!)es de absoluta inferioridade jurídica e privados de todo o direito civilY e em tal status permanecerão durante toda a 8dade 1édia e a 8dade 1oderna até a emancipa!ão. em v(rias circunstWncias. de uma coloca!ão bastante precisa. pelo menos. por e emplo. as atitudes de antipatia ou de despre"o para com os hebreus aparecem. não podem ser consideradas como manifesta!)es de 2nti-semitismo. que se apropriam de uma parte destes bens. 2 segunda. por isso. suscitando rea!)es de hostilidade. +ambém a atitude nacionalista dos hebreus e o seu proselitismo. diferenciando-os do tradicional comportamento dos outros povos assimilados no império. sobretudo em /oma e 2le andria. voltada para a afirma!ão for!ada da religião de EstadoY multiplicam-se as leis e as disposi!)es tendentes a discriminar aqueles que professam outras confiss)es. ou a tentativa de dissuadir alguém de aderir [ religião hebraica verificada na >nião $oviética p#srevolucion(ria. 2 atitude tolerante do paganismo cede lugar a uma política asperamente confessional. o 2nti-semitismo se recobre geralmente de motiva!)es religiosasY no segundo. se de cultura se pode falar a prop#sitoL que reveste o 2ntisemitismo nos dois períodosB no primeiro. 6o século 8 d. que são conhecidos na sociedade como dotados de uma particular fun!ão econ*mica ou. que se reconhecem s9ditos do mesmo e mantêm a pr#pria religião sem porém procurarem estendê-la a outros. . nesta época. é o aspecto étnico e racional que sobressai.

$ua presen!a não parece justificada aos olhos dos governantes. ao financiamento do rei e da nobre"a. para os hebreus. 6a 8t(lia. na verdade. [ e ce!ão de /oma e 2ncona. Em conflito com todas as classes sociais. que vê. em grande parte. a m( ima prosperidade. na mentalidade popular. que decretam sua e pulsão em muitos países da EuropaB 8nglaterra em %DO'. Espanha em %MOD. até no século `<888. os séculos da decadência do império romano e da alta 8dade 1édia são. os hebreus são e pulsos da $icília e da $ardenha em %MOD. os hebreus. podem também come!ar a associar [ atividade de troca a atividade de empréstimoB tanto que. com poucas e ce!)es. e \ dentro de certos limites \ protegidas de abusos mediante uma precisa regulamenta!ão jurídica. durante a epidemia da peste negra.ontifícios. 2fastados progressivamente dos grandes tr(ficos internacionais. dos Estados . 7epois de terem sido afastados do grande comércio. a situa!ão parece menos m( do que em outros países. por isso. a restaura!ão religiosa desejada pela contra-reforma e a a!ão de numerosos frades pregadores contribuem para enriquecer de novos temas o repert#rio dos lugarescomuns anti-semitas. desenvolvem-se novos antagonismosB a burguesia nascente pressiona no sentido de uma total elimina!ão dos hebreus do comércioY as 5ru"adas. .26+8-$E18+8$1O Mo pelas profiss)es mercantis é recebido pelo cristianismo. para eles. as atividades comerciais refloresceram. bem rapidamente. 2 maior parte dos hebreus. é decretado pelo 8< 5oncilio de 3atrão. em condi!)es de miséria e degrada!ão.rimeiro. segregados nos guetos que são instituídos neste tempo. pouco difusoB algum epis#dio é gerado pelo desejo dos nobres se apoderarem das rique"as dos hebreus e de algumas outras circunstWncias ocasionais. que e plica como em %&MF-%&I'. perdem de fato. pode agora ser desencadeada completamenteY multiplicam-se. concedido ao camponês e [ arraia mi9da das cidades. e %&OM. /elegados agora. toda a fun!ão econ*mica específica. . que marcam para esta classe uma importante etapa de desenvolvimento. mas ao mesmo tempo toleradas. e depois noutros países. apesar do absoluto predomínio ideol#gico da 8greja.landres e na 8t(lia. j( ordenado pelos países islWmicos para todos os ]infiéis]. em toda a Europa ocidental. constituem. nesta época. mas também aí se multiplicam as restri!)es e medidas discriminat#rias. 5om efeito. em %D%I. a pr#pria situa!ão com o desenvolvimento das atividades banc(rias Jséculos `8<-`<L. 2quela que inicialmente era apenas uma atividade complementar tornou-se agora uma das principais fontes de sustenta!ãoY e enquanto nos séculos da alta 8dade 1édia os empréstimos hebreus eram destinados. que permanecem no Ocidente. acusados de envenenar os po!os. no século `<. 5ontemporaneamente. a primeira grande manifesta!ão de 2nti-semitismo medieval. 6ão são mais indispens(veis [ sociedade como em séculos anterioresY a sua posi!ão sofre um brusco deterioramentoY a antiga hostilidade latente na nobre"a. 2penas na 2lemanha e na 8t(lia do 6orte podem permanecer n9cleos conspícuos de hebreus. o quase total desaparecimento da economia de mercado e a virada para o autoconsumo durante a época feudal tornam a fun!ão comercial dos hebreus de grandíssima importWncia. agora se desenvolve o pequeno empréstimo. 6esta época. os hebreus. os hebreus devem voltar ao pequeno comércio e sobretudo [ usura. a causa da pr#pria misériaY especialmente na 2lemanha se radica. 2 obriga!ão de um distintivo. 6os tempos de 5arlos 1agno. na . erroneamente. os atos de saque e de espolia!ão de senhores. enquanto a for!ada separa!ão da comunidade cristã. ao mesmo tempo. que vê nos hebreus aqueles que se apropriam de uma parte de seus bens. para os hebreus. como se viu. ficarão.ran!a em %&'K. etc. ulteriormente. e mais tarde adotado pelos Estados italianos. a situa!ão come!a a mudar. como indispens(vel. Os hebreus perdem o monop#lio do comércio europeu e são relegados para posi!)es secund(rias. é obrigada a abandonar a Europa ocidental depois das e puls)es. do reino de 6(poles no período de %I%'-%IM%. Este fato leva ao r(pido deterioramento das rela!)es entre hebreus e o povo. em %IKO e %IO&. enquanto a freq_ente repeti!ão das mais (speras medidas ve at#rias dei a supor que a sua aplica!ão fosse geralmente mais branda. aos hebreus é consentido conservar os pr#prios costumes e a pr#pria religião. foram vítimas de massacres e fero"es persegui!)es. neles. os hebreus vêem piorar. para o pequeno comércio e para o empréstimo penhorado junto dos estratos mais pobres da popula!ão. o comércio entre Ocidente e Oriente é monopoli"ado de uma forma quase absoluta pelos hebreus. a sua presen!a é considerada. 2s comunidades hebraicas são discriminadas. se verifica. os hebreus vivem nos 9ltimos séculos da 8dade 1édia um dos momentos piores da sua hist#riaY na 8t(lia. 5om o século `88. durante toda a alta 8dade 1édia. +odavia. O 2nti-semitismo é por isso. uma época de desenvolvimento e de prosperidade. um tena" 2nti-semitismo. 7iferentemente dos pagãos \ aos quais se e ige uma r(pida assimila!ão \. nesta época. 2 sua situa!ão econ*mica e jurídica é notavelmente piorada. 1arginali"ados também das atividades de empréstimos. Vnicos a disporem de reservas monet(rias. 2s principais metas de emigra!ão .

e outra classe ou setor da sociedade. O 2nti-semitismo moderno nasce e se desenvolve como fen*meno pequeno-burguês. e pelo temor da . por isso. porém. assim. 888. em apoi(-lo e generali"(-lo. 6a realidade. não estão em condi!)es de se tornar um grupo antagonistaY as tentativas da nobre"a de. Os hebreus não e ercem mais uma fun!ão específica e e clusivaY não são mais um povo-classeY não se pode falar mais. de organi"ar autonomamente a!)es maci!as neste sentido. um impossível resgate.MD 26+8-$E18+8$1O são aqueles países onde o feudalismo ainda se conserva ou o desenvolvimento comercial não entrou aindaB +urquia. ou intelectuais. a falta de uma fun!ão específica na economia torna os hebreus não absolutamente necess(rios [ sociedadeB a sua elimina!ão. muitos hebreus abandonam a atividade independente e se tornam administradores dos bens dos nobres.L e do racismo. consentem em considerar os hebreus como um corpo estranho e potencialmente elimin(vel. onde sua presen!a na (rea ainda é maci!a. 2lemanha e Estados >nidos adquirem rapidamente uma nova dimensão e importWncia. go"am agora dos mesmos direitos dos outros cidadãos e têm a possibilidade de e ercer qualquer profissão. neste ponto. parado almente. pode agora ser discutida e proposta de forma concreta. é sentida pela pequena burguesia como um novo e perigoso ataque ao pr#prio statusO cria-se assim um terreno fértil para o desenvolvimento do 2nti-semitismo. 6esta época. Em seu flanco. condicionados também por essa situa!ão de irse-guran!a e precariedade. vendo neles uma importante fonte de rendaY as rela!)es econ*micas entre o povo e os hebreus são ainda escassas. por isso. 6enhuma profissão. de reais contradi!)es econ*micas entre hebreus. que ensaiam os primeiros passos. 2qui. /9ssia e a . O 2nti-semitismo na . 7e fato. de modo relativamente simples. as posi!)es anti-semíticas da pequena burguesia não nascem de uma clara visão da situa!ão econ*mica realB ao temor imediato da concorrência profissional se juntam considera!)es irracionais. tanto políticos como industriais. 2s comunidades da :ustria. pequenos comerciantesL. que se reali"a através da assimila!ão das comunidades hebraicas do Ocidente e da contemporWnea emigra!ão maci!a da Europa oriental. que. abandonando uma . numerosos são os casos de proletari"a!ão e de desqualifica!ão econ*mica e social. 1as entram assim em choque com os camponeses. é monopoli"ada por eles. ap#s a crise geral polonesa e a e pulsão das atividades comerciais e de empréstimo. O 2nti-semitismo adquire então uma nova for!a e virulênciaY enquanto isso. cabe toda uma multidão de intelectuais qu. os hebreus podem retomar suas antigas fun!)es mercantis e financeiras e alcan!ar um discreto grau de seguran!a e prosperidade. 7isposta potencialmente ao 2nti-semitismo. os hebreus da Europa ocidental se acham em condi!)es profundamente diversas das dos séculos precedentes. quando o capitalismo inicia sua penetra!ão na Europa oriental. fugir aos pesados encargos financeiros que a ligam aos emprestadores de dinheiro são contidas pela 5oroa. pelas pr#prias características de classe. [ semelhan!a do que havia acontecido na Europa ocidental alguns séculos antes. 2 situa!ão come!a a piorar no século `<88. a entrada no mercado de trabalho dos hebreus \ tradicionalmente dedicados a profiss)es de tipo pequeno-burguês \. as condi!)es econ*micas dos hebreus se tornam sempre mais prec(rias. O 26+8-$E18+8$1O 1O7E/6O. criando as condi!)es para o nascimento do 2nti-semitismo moderno. a prop#sito desta época. \ 6a segunda metade do século `8`. .ran!a. 2s camadas burguesas. um car(ter meramente ocasional e epis#dico. 6o século `8`. afirmando a nature"a ética e não territorial da comunidade nacional. numerosos hebreus retornam ao OcidenteY para ali os seguir( uma outra maci!a corrente de emigra!ão proveniente da /9ssia c"a-rista. dei ando os hebreus e postos aos ve ames da nobre"a. entram em jogo outras for!as sociaisB os grupos dirigentes.ol*nia feudal teria sido indispens(vel. 1as.ol*nia em esfacelamento. come!a a verificar-se. entendidos como corpo comple o. ilus#rias esperan!as de identificar num inimigo fraco e facilmente suprimível as causas da pr#pria situa!ão prec(ria e de conseguir. O crescimento da grande ind9stria e as crises econ*micas interdecorrentes colocaram a pequena burguesia num estado de perene inseguran!aY entre os estratos inferiores Jartesãos. especialmente na :ustria e na 2lemanha. porém. não estava em condi!)es.ol*nia dos séculos `<-`<8 tem. que vêem neles o instrumento de sua e plora!ão por parte dos propriet(rios de terras. uma grande percentagem de hebreus se dedica a atividades comerciais. que protege os hebreus.ol*nia. 1as. ao mesmo tempo que o poder régio enfraquece. 6estas circunstWncias. em concomitWncia com a decadência do feudalismo.Y. e atamente no momento em que todo o antagonismo real caiu. que na 8dade 1édia ou na . a pequena burguesia. gra!as ao fato de que as novas teorias do 6258O6238$1O Jv. Emancipados no plano jurídico. sobretudo. pela violência. além de grupos de e trema. compreendem a importWncia que pode ter o 2nti-semitismo como objetivo capa" de desviar a aten!ão para as tens)es da classe pequeno-burguesa e potencialmente do pr#prio proletariadoY esfor!am-se.

6a /9ssia. o 2nti-semitismo se desenvolve na 2lemanha depois da crise econ*mica de %FE&. de qualquer jeito. o 2nti-semitismo adquire importWncia com as leis racistas de %O&F. 5omo rea!ão a tal imigra!ão. teve início o e termínio sistem(tico das comunidades hebraicas da Europa. que não é apenas econ*mica.ora da 2lemanha. uma via de escape. embora ficasse como sentimento latente no espírito de muitos alemães. com certa amplitude. ap#s a tomada do poder. quando não abertamente hostil. se prestam a dar uma cobertura ]cultural] ao movimento anti-semita. que permanece inteiramente estranha. O na"ismo obtém. durante tantos anos confiantes na invencibilidade das armas alemãs. difundem-se sentimentos anti-semitas. E assim. o 2nti-semitismo perdeu muito da sua importWncia no cen(rio político da Europa ocidental e pareceu não poder constituir uma amea!a real. 1esmo na 8t(lia. prestam-se perfeitamente para ser utili"adas como sustenta!ão te#rica. por isso. o 2nti-semitismo é conscientemente encorajado pelo =overno c"arista como instrumento para apartar as massas populares dos seus reais problemas. da derrota.rimeira =uerra 1undial. o 2ntisemitismo e erce uma certa influência no mercado de trabalho. 6estas circunstWncias.ran!a. 7epois de %O%F. que acabava de nascer e que era dirigido por 0itler desde %OD%. uma ampla credibilidade. a absurda suspeita de que a guerra foi perdida. não por demérito do e ército nacional.ol*nia. 5ome!a a divulgarse. em nenhum país europeu. [s teorias racistas. 5om o ecletismo demag#gico que distingue todos os movimentos fascistas. sem solu!ão de continuidade. onde as idéias anti-semíticas foram levantadas como parte integrante do programa do partido social-cristão. se assiste a uma modera!ão do 2nti-semitismo. por outra parte. porém. O rancor das camadas médias arruinadas e dos ambientes militares desocupados e humilhados procura. que e plica sua r(pida ascensãoY e o 2nti-semitismo tornase.rimeira =uerra 1undial. que procurava um ideal em que novamente acreditasse. . mas por obscuras conjuras internas e internacionaisB as latentes tradi!)es anti-semitas do povo alemão refloresceram para acreditar na idéia de que foi o capitalismo internacional hebreu o verdadeiro artífice da derrota. difundir-se entre a popula!ão. na verdade. agora. dimens)es de massa. 6os anos que precederam a eclosão da . norma de lei. =obineau. T diferente a situa!ão nos Estados >nidos. lembrando a pr#pria presen!a de numerosos hebreus entre os principais te#ricos e ativistas do movimento comunistaL como ao proletariado Japroveitando a tendência anticapitalista desta classe social. . compreendeu a importWncia de ligar seu sucesso [ incrementa!ão do movimento anti-semita. a maior comunidade hebraica do mundo. favorecido que ficava pela persistência da antiga imagem dos hebreus como detentores do poder do dinheiro entre o povoL e [ pequena burguesia. das popula!)es eslavas e balcWnicas mantêm. como conseq_ência das estreitas rela!)es com a 2lemanha hitleriana. 7iversa é. 6a idade do progresso técnico e do positivismo. uma gravíssima crise. Embora sem atingir o nível de dramatici-dade da situa!ão alemã. na 2lemanha. 2s condi!)es dos hebreus se agravam sempre maisY com o início da $egunda =uerra 1undial e o avan!o do e ército na"ista.ol*nia. 5om estes fundamentos s#cio-econ*micos e ]culturais]. O 2nti-semitismo se cobre. e plica uma certa divulga!ão dele. /omêniaL. 0itler encoraja os sentimentos anti-semitas das massas germWnicas. apesar dos esfor!os da propaganda fascista. assim.26+8-$E18+8$1O M& concorrência hebraica. porém. o partido nacional-socia-lista. tal cobertura não pode ser mais de tipo religioso ou irracionalista. nos anos que antecederam a . na 0ungria e na /omênia. pouco a pouco. o peso das tradi!)es antigas. 2 incompleta penetra!ão do capitalismo naquelas regi)es e o forte espírito nacional.L. mar ismo e materialismo. ap#s as tens)es suscitadas no final do século pelo caso 7re4fus. de vestes ]científicas]B as teorias do /258$1O J<. +ambém na :ustria. para movê-la contra a ]plutocracia hebraica]. depois da subida ao poder J%FOIL. revigoradas com a penetra!ão das idéias do racismo alemão. $omente na . onde as novas teorias do novo ]racismo científico] podem inserir-se num fundo de 2nti-semitismo popular ainda largamente difun dido. o 2nti-semitismo volta a assumir uma posi!ão inteiramente marginal. os hebreus em posi!ão separada. o 2nti-semitismo não atinge. no período entre as duas guerras. não podem convencer-se. 5hamberlain e numerosos epígonos. do que aconteceu em outras comunidades nacionais. na pr#pria . que encontram as mesmas dificuldades de integra!ão na sociedade americana. 1ilh)es de pessoas. de resto. onde os hebreus são freq_entemente discriminadosY os períodos de maior virulência são os anos . permitindo a sobrevivência de formas de 2nti-semitismo herdadas. pouco a pouco. dos séculos precedentes. elaboradas por von +reitschge. entre a popula!ãoY [ semelhan!a. além disso. a sua importWncia foi diminuindo. a situa!ão nos países da Europa oriental J/9ssia. dirigindo-se tanto [s camadas superiores Jem que cria lampejos de equivalência entre hebraísmo. onde uma maci!a imigra!ão cria. para atingir seu (pice por volta de %FF'-%FF%Y ap#s isso. mas não consegue. se abate sobre a 2lemanha. em sentido étnico.

como conseq_ência do pWnico difundido nas camadas médias da popula!ão e de uma certa penetra!ão de idéias propaladas por pequenos grupos na"i-fascistas. \ O 2nti-semi-tismo é Jem sentido étnicoL. em da democracia socialista. como em algumas cidades do 6orte. especialmente em 6ova Uorg. por e tensão. a e posi!ão sobre o 2nti-semitismo não racial. os #rgãos de imprensa desenvolvem uma ativa e por ve"es violenta campanha contra o sionismo e a linha política do =overno de 8srael. é condenado pela imensa maioria da nalismo] hebraico.ran!a e na =rã.en*meno diverso no que respeita ao 2ntisemitismo europeu e americano é a supressão da cultura yiddish na >nião $oviética nos anos M'. especialmente (rabes Jna . 2o nível de massa. em seus #rgãos de imprensa. as tendências racistas se dirigem. especialmente locais. mas também como conseq_ência da profissionais especificamente hebraicos. têm apoio mínimo. O aparecimento ocasional de tépida pelas autoridades. o 2nti-semitismo seja quase por isso. 2 se coloca em dois planosB a nível de-massa. na >nião $oviética. que revelam entretanto \ na visão da responsabilidade coletiva dos povos \ estreitas liga!)es com a mentalidade do nacionalismo europeu. preocupando-se constantemente em distinguir a pr#pria posi!ão do 2nti-semitismo que é decididamente condenado. . <erificam-se rela!ão [s regi)es do $ul. na verdade. não foi completamente 8t(lia. o rep9dio da popula!ão. os t(rtaros da 5riméia e os alemães do <olgaL não estão. seja a nível popular. 2 larga difusão da mentalidade racista fa" todavia com que o 2nti-semitismo. 2s tendências racistas. uma violenta campanha anti-semita. mesmo sem alcan!ar habitualmente propor!)es de verdadeira dramaticidade. não s# pelas profundas raí"es assimila!ão [ estrutura econ*mica nacional e a hist#ricas que o 2nti-semitismo tem em toda a Europa conseq_ente e total ausência de grupos sociais ou oriental.ran!aL e africanos. onde tem sede a mais numerosa comunidade hebraica do mundo. muito mais e postos. opinião p9blica.MM 26+8-$E18+8$1O de %OD'-%ODM. para os hebreus. acham efetivamente maior desafogo quando voltadas para os imigrantes estrangeiros. além disso. reprimidos de maneira uma certa simpatia. mas contra os negros e porto-riquenhos. fa" com que desequilíbrios sociais ainda não inteiramente nas regi)es onde estão difundidos preconceitos resolvidos. quando a pr#pria Gu Glu Glan inclui a luta anti-hebraica nos seus programas e 0enr4 . O escasso n9mero de hebreus. não contra os hebreus. 2 inclusão dos hebreus na lista dos povos ]potencialmente subversivos] foi e plicada com a suspeita suscitada na roda de =overno de $talin pelas ]tendências cosmopolitas] dos hebreus e por suas pretensas liga!)es com os meios ocidentais. ainda bem presentes na sociedade européia. a nível geral. ap#s o vi!oso desenvolvimento do q_indênio precedente. [ hostilidade da popula!ão. >m duro golpe contra o 2ntisemitismo foi dado ao acentuarem-se as persegui!)es na 2lemanha. as maiores países africanos. O recurso a argumentos anti-semitas como instrumento de propaganda. 1esmo até nos Estados >nidos. o conflito com 8srael fe" com que comunidades hebraicas se acham na . até porque os hebreus nos Estados multinacionais do 3este europeu sempre foram considerados como uma na!ão 8<. as quais desviaram. por parte da ainda influenciadas por suspeitas de ]internacioe trema direita. mas considera!)es de ]seguran!a política]. de uma forma geral.ord desencadeia. e ainda a permanência na sociedade soviética de tens)es e de lembran!a das persegui!)es hitlerianas. E isto. esteja bastante enrai"ado.surgissem atitudes anti-semitas. ainda porque parece sustentado por pequenos grupos de e trema direita. 6a rai" dos decretos da desnacionali"a!ão lan!ados contra os hebreus e contra outros povos Jos calmucos. e. seja a nível oficial. encontrando. a sua perfeita e tirpada. indianos ou do 5aribe Jna 8nglaterraLY os mesmos grupos de e trema direita julgam agora mais ]rent(vel] voltar as pr#prias campanhas nacionalistas e racistas contra estes 9ltimos do que contra os hebreus. todavia. por sua posi!ão social. 2qui. tal distin!ão não é f(cil e evidente. e os que se seguiram [ grande crise de %ODO. talve" escritos e de publica!)es anti-semitas. 6a >nião $oviética. a simpatia de larga parte da opinião p9blica americana. o 2nti-semitismo ativo é imperfeitamente entendida. de tipo geralmente -retanha. que comunidades hebraicas da di(spora. de preferência. mas não constituem um problema hebreus Jcomo povoL e 8srael Jcomo EstadoL seja importanteY por outro lado. em alguns Entre os países da Europa ocidental. situa!ão de e trema tensão política e a escassa preconceitos anti-hebraicos não desapareceram de informa!ão das massas fa" com que a distin!ão entre todo ainda. e por causa de uma incompleta reali"a!ão racistas. epis#dios ausente e os hebreus e o Estado de 8srael go"em de ocasionais de 2nti-semitismo. hoje. O 26+8-$E18+8$1O 0OAE. por parte de organi"a!)es . contradi!)es de nature"a econ*mica. 6os países (rabes. evidente a solidariedade com 8srael por parte das como acontece na 8t(lia. 2 mentalidade anti-semita hoje um fen*meno socialmente pouco relevante na tradicional.

3862. 88. 3a 6uova 8t(lia.eltrinelli. 7epois da ascensão dos nacionalistas ao poder. fato que de resto se tradu" em outros métodos ]retr#grados] de luta Jcomo o terrorismoL. em primeiro lugar. comoB poder. O-AE+8<O$ 72 78$58. 08$+h/82 72 26+/O. 2. se e plica também pela imaturidade política e pela falta de uma visão clara de classe de algumas organi"a!)es.ia Política. 3EO6. 2 2ntropologia política não deseja elaborar abstra!)es. a 2ntropologia política quer reconhecer e e aminar empiricamente a nature"a dos sistemas e das combina!)es políticas. os princípios que regulam as rela!)es internas e e ternas dos membros das comunidades políticas diversas daquelas que nos são familiares. +eti. =overno. mas de modo a poder dar conta da grande diversidade de formas políticas no mundo. . ao mesmo tempo.n KK.O3O=82 . ```8<. +orino %OK%.inalmente.O382GO<. Da Voltaire a @agner J%OKFL. 2 2ntropologia política se coloca em polêmica contra a maior parte das teorias políticas centradas sobre o conceito de Estado e fundadas sobre uma no!ão unilateral de =overno das sociedades humanas.. . 8. 8sto responde [ ambi!ão 9ltima da 2ntropologia política. 8. \ 2 2ntropologia política é uma especiali"a!ão recente da antropologia social. 12U72.li ebrei nel siste a del diritto co une italiano 0ino alia pri a e ancipazione) =iuffrb.. recentemente. $+2386. Il arGis o e la /uestione ebraica7 antologia ao cuidado de 1 12$$2/2. 52. o 2nti-semitismo não vingou entre a popula!ão. onde vivem mais de cem mil J%''. =/21$58. . 1. Da Cristo agli ebrei di corte J%OIIL. a situa!ão destes 9ltimos é bastante satisfat#ria. 2 pesquisa antropol#gica sempre tinha considerado o fato político como um sistema de rela!)es derivado e..oi do e ame das estruturas sociais que nasceu.'''L hebreus. 8OED&Y 2. para torn(-las universalmente aplic(veis. 2 2ntropologia política rejeita tanto a filosofia política quanto a ciência política tradicionais. <. c$267/O O/+O62d Antro3olo. país racista por e celência.O3C+852. a 2ntropologia política tentou redefinir no!)es fundamentais. malgrado as simpatias filogermWnicas de muitos a0riRaners durante a 9ltima guerra mundial e a posi!ão declaradamente anti-semita assumida pelo partido racionalista do mesmo período. +ambém na 2mérica 3atina. 7l 6O32. A. Da &ao elto al &arrani J%OKOL.. 6a :frica do $ul. +ntise itis o in It#lia) %OKD-%OED. 7E .26+/O. legalidade. 1ilano %OEE. $avelli. %OKMY >. autoridade. > 6uova 8t(lia. malgrado a atividade de alguns grupos marginais de na"istas no período imediato [ $egunda =uerra 1undial. . . 7E. . \ Os primeiros estudos de 2ntropologia política que se ocuparam do fato político foram feitos de um modo indiretoY $ir 0enr4 1aine J+ncienl laH) %FK%L e 3. Il arGis o e la /uestione ebraica J%OMKL.onte]. (toria degli ebrei italiani solto il 0ascis o7 Einaudi. sistema político. !reve storia degli ebrei e deli antise itis o) 1ondadori. ra")es de política interna Javersão pelo 2nti-semitismo de boa parte da opinião p9blica.. 2s obras relativas [ 2ntropologia política prop)em classifica!)es das diversas formas de organi"a!ão política que permitem a racionali"a!ão e a compara!ão dos diversos sistemas.iren"e %OEKY E. por esse motivo. 1ilano %OEFY 3. legitimidade. 2. novembro-de"embro %OEFY 8d. 5brei sotto $oXr. 1organ J+ncient society) %FFEL elaboram teorias sobre a evolu!ão política da humanidade. 8antise i-tis o italiano solto il 0ascis o) 3a 6uova 8t(lia. #I#LIO)RAFIA.iren"e %OEIY 88.2S. 3E686. .O3C+852 MI (rabes e palestinas. n. . a e plicar a uniformidade e a diferen!a entre as institui!)es e a sua interdependência em rela!ão [s outras formas de organi"a!ão social. 8a situation des Eui0s en %nion (ovi9ti/ue7 in ]$ocialisme].O3O=82 . G2>+$GU. $2/25868. na verdade. 1ilano %OEDY =. O primeiro objetivo da 2ntropologia política é a defini!ão de politicidade. 5omo disciplina.+%T7 V+R7) 8a di0esa della razza) n9mero especial de ]88 . a fim de descobrir quais sejam. na realidade. E6=E3$. confinadas dentro da perspectiva ]eurocêntrica]. o interesse que privilegia o estudo dos sistemas políticos primitivos. (toria deli1antise itis o$ 8. .868^RO . a!ão administrativa. 12/`.iren"e %OEIY 888. -E-E3. <. <allecchi. G. não mais vinculada [s chamadas sociedades hist#ricas ou [ presen!a de um aparelho estatal. de propor-se como verdadeira ciência comparativa de =overno. penetra!ão dos hebreus na burguesia urbana de ra!a brancaL sugeriram o abandono de toda a tentativa de discrimina!ão anti-semita. indutivo e comparativo e tenda. 1ilano %OIKY /. tomara-o em considera!ão apenas marginalmente.E385E. `8. 0. mas estudar as institui!)es políticas com método científico que seja. 8a persecuzione antise ita %OM&-%OMI. a!ão política. .iren"e %OEIY <. /oma %OKF. O -2>E/. 3a 6uova 8t(lia. . que utili"ando categorias adequadas a todas as formas de organi"a!ão política de todas as épocas e dispondo de um esquema analítico possa chegar a comparar sistematicamente sociedades diferentes.iren"e %OE&Y 2. 5O3O/68. 8OE&DY G. Eles prop)em uma primeira distin!ão que ainda é atualB as sociedades fundadas sobre a organi"a!ão de parentela se diferenciam .

Eles destacam a an(lise do sistema político. 2 política estava a servi!o do conjunto da organi"a!ão.ortes e E. sobretudo as dos antrop#logos africanistas. analisaram os sistemas estatais não ocidentais e a nature"a do =overno e da política nos tipos de sociedade ditos ]sem Estado]. +. E. o seu car(ter etnocêntrico. 2 pesquisa sobre as origens do Estado. 3oaie d( um passo [ frente em rela!ão a 1aine e a 1organ enquanto demonstra a possibilidade de formas de passagem da organi"a!ão de parentela [ organi"a!ão territorialB estes dois tipos não são e clusivos nem de um nem de outro. no resto do mundo. a 2ntropologia política privilegia a an(lise dos casos.O3O=82 . T s# a partir dos anos I' que ao formalismo desta 2ntropologia política se juntam novas correntes te#ricas. 2 2ntropologia política dos anos &' e M' era. retomada por /adcliffe--roan. O te to que confere estatuto científico [ 2ntropologia política se intitula +0rican political syste s7 T uma série de ensaios de v(rios autores. preferindo e aminar os microcosmos políticos. Os antrop#logos da primeira corrente defendem uma visão global da sociedade e comparam a defini!ão oficial dos sistemas com as contradi!)es reveladas em seu funcionamento. dos atores e dos comportamentos.ritchard. de forma e plícita. E. e aprofundaram o e ame das estruturas de parentela e dos modelos de rela!ão que os regem. 1as a verdadeira origem da moderna 2ntropologia política se deve atribuir aos anos &' e [s pesquisas condu"idas no quadro da antropologia aplicada. 2 segunda corrente é tanto uma rea!ão contra o funcionalismo quanto uma rea!ão contra a visão historici"ante e global dos sistemas sociais J. para esta disciplina em embrião. +ais pesquisas foram impulsionadas. >m dos primeiros a abordar. 3. 2s duas correntes se contrap)em segundo o nível de an(lise escolhido. ou e istem apenas em n9mero mínimo. a utili"a!ão de categorias ocidentais mantêm. Evans. 3oaie emprega o termo político com o fim de designar o conjunto das fun!)es legislativas. a primeira 2ntropologia política é muito formal e apresenta descri!ão de normas políticas de funcionamento e não de comportamento real. nas quais não e istem. 2 série de pesquisas que se ocuparam. como prova de uma formali"a!ão implícita. institui!)es e fun!)es especiali"adas de tipo político. 2plica-se a teoria dos jogos ou da decisão para formali"ar comportamentos reais. +odavia. um tema de 2ntropologia política foi o americano /. 6este caso. 3oaie JThe origin o0 the (tate) %ODEL. mas sem construir um modelo. 6esta obra se distingue entre ]sociedades estatais] e ]sociedades sem Estado]. Enquanto nos Estados >nidos a rea!ão antifuncionalística e anticul-turalística toma a forma de um neo-evolucionismo que analisa as sociedades antigas e as sociedades contemporWneas J1. se ocupam. com uma introdu!ão dos editores e uma outra de /adcliffe--roan. enquanto que os segundos a reconstruem a partir das pr(ticas e das intera!)es individuais e coletivas. neste quadro te#rico. e também para um articulado debate te#rico e metodol#gico. 0. Os primeiros partem da totalidade e da teoria do sistema.ried. =lucgmann e =.O3C+852 daquelas que são fundadas sobre a territorialidade. Grader. PolfL. sublinhando as diferen!as estruturais e a e trema variedade de formas. E. esta classifica!ão é um progresso. quando. pela primeira ve".ouillonL e [ an(lise de um sistema político como sistema de a!ão política. publicada em %OM' por 1. -alandierL. 6ão foi por acaso que os antrop#logos do ap#sguerra se dedicaram sobretudo ao estudo dos conflitos sociais e políticosB o fim do sistema colonial imp)e a pr#pria dinWmica hist#rica [ teoria J1. Esta série de estudos abriu caminho para muitas pesquisas monogr(ficas e para obras de an(lise comparativa. . permitindo uma nova e mais funcional delimita!ão do Wmbito político e uma indi-vidua!ão mais e ata dos seus aspectos. era definida de modo unilateralB a manuten!ão da ordem e da coesão social. 6este sentido. do estudo dos sistemas políticos tradicionais na :frica combinam os métodos de trabalho sistem(tico de campo. e ecutivas e judici(rias. antes de tudo. +al distin!ão é especulativa. na medida em que se funda mais sobre uma concep!ão da evolu!ão hist#rica do que sobre uma informa!ão precisa concernente [ estrutura geral das chamadas sociedades ]primitivas]. . j( que o fato político não é mais e cluído daquelas sociedades que não possuem institui!)es específicas e especiali"adas. $ahlins. 2inda que sistem(tica e freq_entemente criticada. 3each. a intera!ão no seio das microcomunidades e constr#i modelos que têm em conta a dimensão individual. =. sistemas desse tipo estavam desaparecendo rapidamente. como processo. o que o condu" a privilegiar a e istência e o car(ter do =overno central. $ervice.. . por sua ve". funcionalista. seja pela descoberta de que no continente africano continuavam a e istir e a funcionar sistemas políticos ]tradicionais]. 2s pesquisas de 2ntropologia política. seja pelas e igências de conhecimento da política colonial britWnica de administra!ão ]indireta]. 1. . de 1alinoasgi com a perspectiva sociol#gica funcional de 7urgheim.MK 26+/O. 2 segunda corrente corresponde [ mudan!a estruturalista do antigo funcionalismo JE. nunca na perspectiva de uma estratifica!ão não igualit(ria dos grupos. por defini!ão. Os antrop#logos da segunda corrente. 2 política.

em alguns casos. que passa através do uso ou da possibilidade de uso da for!a] Jp.O3O=82 72$ . `8<L.allers J!antu bureaucracy) %OIK. como di" 3. /adcliffe--roan. na introdu!ão a +0rican political syste s) prop)e definir sistema político comoB ]aquela parte da organi"a!ão global de uma sociedade que se ocupa da conserva!ão ou da cria!ão de uma origem social. . 2s sociedades primitivas. muitas ve"es. 5olocando-se dentro da an(lise funcionalista. p. mas mais como um aspecto funcional de todo o sistema socialB fun!)es de conserva!ão. mas não é necess(rio que elas sejam organi"a!)es de =overno ou estatais. vêm as sociedades em que a organi"a!ão administrativa é o quadro da estrutura política. inspirando-se na teoria do conflito social de $immel. 1. 2!ão política é tudo aquilo que tende [ manuten!ão desta ordem e o sistema político é visto. do mesmo modo os antrop#logos funcionalistas concluem que a ausência de tais organi"a!)es não pode ser interpretada como ausência de institui!)es e de processos políticos. 6ão e iste portanto incompatibilidade entre o princípio de parentela e o princípio territorial. /adcliffe--roan e $chapera J. a base era representada . Os tipos de sociedade são finalmente redutíveis a doisB Estados centrali"ados com institui!)es administrativas e judici(rias especiali"adas Jstate societiesL e sociedades sem Estado Jstateless societiesL) estas 9ltimas baseadas sobre a linhagem e privadas das sobreditas institui!)es. 888. +al dicotomia foi objeto de in9meras críticas.O3O=82 . numa estrutura territorial. \ O primeiro problema da 2ntropologia política é o de definir o Wmbito da politicidade.O3C+852. 2s diferen!as estão no tipo de conceptuali"a!ão das rela!)es políticas que podem. tem um sistema político que opera no interior de um tecido territorial. e =lucgmann em primeiro lugar JPolitics laH and ritual in tribal societies) %OKIL. que obscurecem as rela!)es territoriais. através do e ercício organi"ado de uma autoridade coercitiva. E distinguem três tipos de sistema políticoB em primeiro lugar vêm de sociedades de pequenas dimens)es. 2.868^RO 7E . MIL. . +al defini!ão destaca a manuten!ão da ordem dos valores comuns de integra!ão. 1aine e 1organ deram importWncia particular ao critério territorial. . mas também a institui!)es especiais e unidades concretas.ritchard sustentam que s# os Estados têm um sistema de =overno.O38+858727E E +8. $aart". $ão aquelas que consideram o sistema político como o lugar de rela!)es assimétricas de competi!ão e de coopera!ão e que analisam as rela!)es entre os grupos em termos de estratégia. 7aqui. 2lguns temas permitem ligar as duas correntes. de decisão e de dire!ão dos neg#cios políticos. sem e clusão. 7E. e istem as sociedades em que a estrutura de descendência é o quadro do sistema político. inspirando-se nos tipos ideais de 1a Peber. que apesar de tudo sempre e istem. em geral.overn ent and politics in tribal societies) %OIKL reformularam o problema. Em terceiro lugar. pensar que ]a coisa política] di"ia respeito não a institui!)es particulares Je por institui!)es se entende aqui um modelo de comportamento que um grupo considera justo e corretoY uma norma de condutaL. 2ssim como os cientistas políticos defendem que não podem ser entendidos adequadamente os sistemas políticos das cidades ocidentais ou modernas se nos limitarmos ao estudo das organi"a!)es formais de =overno.allers. 6icholasL. e sim veículos que concorrem para manter a ordem social.ortes e Evans-. na qual os conflitos e certas formas de rebelião não são veículos de desintegra!ão do sistema. mas toda a sociedade.26+/O. O sistema político funciona por meio de grupos e de rela!)es sociais. a utilidade de definir ]institui!)es políticas] simplesmente como normas que governam o uso legítimo do poder e não como unidades sociais a que tais normas se aplicam. =lucgmann. produ"ido pela introdu!ão das institui!)es administrativas coloniais. e amina a nature"a da autoridade nos sistemas africanos tradicionais e p)e em destaque os conflitos produ"idos pela passagem de um sistema de autoridade ]patrimonial] para um sistema ]burocr(tico]. cada um é distinto e aut*nomo em sua esfera. de tal modo que nas rela!)es políticas coincidem com as rela!)es de parentelaY em segundo lugar. nas quais a unidade política de mais vastas dimens)es abrange um grupo de pessoas unidas entre si por la!os de parentela.O/12$ 7E O/=268S2^RO . não possuem unidades sociais especiali"adas para as quais é difícil distinguir entre os aspectos e os papéis políticos-econ*micos e religiosos.oi posto em relevo que nem em todas as sociedades chamadas ]sem Estado] a linhagem segmentaria representava a base e clusiva da organi"a!ão política. como ali(s j( o tinha destacado 3oaie. aquelas a quem competia o uso legítimo da for!a ou de san!)es com o fim de manter a ordem social \ o ]=overno] ou o ]Estado]. Embora haja entre os dois um ordenamento preciso. demonstrando que também as sociedades mais simples têm uma base territorial. elaborou a teoria dos ]equilíbrios oscilantes]. /. se ocuparam da conflitualidade. não como parte distinta e concreta do sistema social. de manipula!ão e de contesta!ão.O3C+852 ME -aille4. . Outros. equilíbrio e continuidade. ser e pressas em termos de parentela ou segundo outros modelos. Em muitas dessas. 2 tendência dominante tinha sido.

porque combinam f. E. retomada e adaptada de modelos ocidentais. 2s estruturas políticas. que interessam sobretudo para a influência que e ercem sobre outras institui!)es e . 8<. ao contr(rio da a!ão administrativa-. conselhos de aldeia. 6. acentuado os equilíbrios estruturais.MF 26+/O. pesquisa de campo da antropologia com a metodologia da ciência política americana.O3C+852 por grupos de idade ou por outras associa!)es de v(rios tipos. 2 a!ão política é. Os Estados centrali"ados estão divididos em três categoriasB aqueles em que os grupos de descendência são importantes unidades de a!ão políticaY aqueles em que e istem grupos de idadeY e aqueles em que têm importWncia outros grupos de associa!ão. e a uma série de obras muito recentes que podem considerar-se interdisciplinares. é por essência ]segment(rio]. >ma primeira contribui!ão para tais problemas se deve ao livro Political poHer and the distri-bution o0 poHer) publicado em %OKI. grupos de idade. 2 estrutura global dos novos Estados independentes. as contradi!)es internas e e ternas ao sistema. O quase monop#lio funcionalista que dominou por influência de 7urgheim tinha. composto de indivíduos e de grupos em competi!ão pelo controle dos neg#cios p9blicos. $mith tentou reformular no!)es e conceitos. portanto. a politici-dade é considerada sob o aspecto de rela!)es formais que dão conta das rela!)es de poder realmente constituídas entre os indivíduos e os grupos. 2s a!)es administrativas são aquelas que são dirigidas para a organi"a!ão e para a e ecu!ão de políticas ou programas de a!ão. 2 2ntropologia política pode. por sua nature"a. dar uma contribui!ão not(vel [ ciência política. 3each JPolitical syste s in Aighland !ur a) %OIML elabora um método estruturalista dinWmico. até então. embora mantendo a dicotomia de base.oder-se-ia. se bem que possa ser muitas ve"es apenas de tipo ritual e os centros periféricos possam ser. 6o processo governativo estão presentes tanto o aspecto político como o aspecto administrativo da a!ão. os ajustamentos vari(veis da cultura e do ambiente. ao fato de os antrop#logos terem a tendência a ver as institui!)es políticas e o seu funcionamento como vari(veis independentes. são sistemas abstratos que manifestam os princípios que unem os elementos constitutivos das sociedades políticas concretas. pondo em evidência a instabilidade relativa dos equilíbrios s#cio-políticos. 2s a!)es políticas colocam-se ao nível deci-sional. 6em a linhagem é privada de importWncia nas sociedades estatais. . em graus diferentes de coopera!ão eXou conflito. depois de v(rios anos de e periência política aut*noma. torna-se progressivamente menos significativa. sendo composto de centros diferenciados de poder. em grande parte. portanto. 3each p)e-nos de aviso contra a estaticidade dos sistemas estruturais. 2. O estudo de 3each contribuiu para uma reviravolta nos estudos de 2ntropologia política. ao contr(rio.ara os antrop#logos estruturalistas. 5. precisamente no estudo dos processos de mudan!a social. Eisenstadt d( talve" a classifica!ão mais e austiva. 2 a!ão política é definida como um aspecto da a!ão cuja outra face é a a!ão administrativa. que é hier(rquica. ou são a!)es do processo governativo voltadas para modelar e influenciar as decis)es nos neg#cios p9blicos e para e ercer poder sobre eles. em seu interior. os quais não se dão conta de uma realidade que nem sempre tem car(ter coerente. 3uc4 1air usa como critério de diferencia!ão o grau de concentra!ão do poder e por isso distingue entre ]=overno difuso] e ]=overno estatal] JPri itive . /. 5O653>$pE$. \ 6um artigo que remonta ao ano de %OIO. que. $. na medida em que variam em seu grau de diferencia!ão e em seu modo de associa!ão destas duas ordens de a!ão. como toda a estrutura social. as uniformidades culturais e as formas de coesão. de moderni"a!ão e de integra!ão nacional. pouco ou nada controlados. $outhall no seu livro sobre os alures J+lur society$ a study in processes and types o0 do ination) %OIML definiu Estados segmentados aqueles sistemas em que a soberania territorial do centro é reconhecida. $egue-se daí que os sistemas políticos se distinguem. 5lassifica as sociedades sem Estado segundo as formas de estrutura politicamente importantes \ linhagem segmentaria. constituir uma série tipol#-gica das combina!)es entre a!ão administrativa e a!ão política. 2 nova tendência da 2ntropologia política toma em considera!ão os conflitos. desviando o destaque das fun!)es para os aspectos da a!ão política. neste sentido. associa!)es. ]segmentaria]. completado o processo de descoloni"a!ão. e quer também ser uma supera!ão da tendência a tra!ar uma dicotomia simplista entre supostos sistemas ]primitivos] e a situa!ão contemporWnea. para entender seu funcionamento e a transforma!ão.O3O=82 . na medida em que organi"a os diversos graus de regras rígidas.overn ent) %OKDL. tal qual se apresenta. . 1. pois se e prime através da media!ão de grupos e de pessoas em competi!ão. deverão ser estudadas as reais intera!)es de grupos etnicamente e culturalmente diversos que neles coe istem. 2 autoridade é hier(rquica mas não o poder. na realidade. e. Easton defendia que aos estudiosos de 2ntropologia política faltava uma orienta!ão te#rica clara para a política e que isto era devido.

fa"em com que o 2parelho partid(rio evolua das associa!)es pioneiras de not(veis até as modernas ]m(quinas políticas]. tabeliães.O3C+85O. a negar que e ista a 2ntropologia política como disciplina. Elas Gompass. 2s novas necessidades de coesão. #I#LIO)RAFIA. uma fun!ão crítica que contribuiu para modificar as imagens comuns que caracteri"am as sociedades tomadas em considera!ão pelos antrop#logos. E. assumem a tarefa da escolha e apoio dos candidatos [s elei!)es. . de controle e de disciplina. s# se pode falar ainda de 2parelho em sentido impr#prio.arlamento e no jornalismo. o debate metodol#gico e te#rico a que deu origem a 2ntropologia política trou e [ lu" os limites. Easton chega. %OIOY +0rical political syste s) ao cuidado de 1.2.O/+E$ e E. porque lhe falta uma contribui!ão mais dinWmica que estabele!a uma tipologia baseada em estruturas de apoio. E<26$-. E2$+O6. Esta ]fraca] versão do 2parelho partid(rio declina [ medida que se estendem [s classes inferiores os direitos eleitorais e os partidos políticos se vêem na necessidade de conquistar sua adesão com programas nacionais orgWnicos e coerentes. e atuando fora da arena parlamentar. estreitados apenas por ocasião das campanhas eleitorais. 2 forma!ão do 2parelho dos partidos políticos é.essoas dotadas de prestígio e de honorabilidade social. fa"endo dela a fonte do pr#prio sustento . sobre a diferencia!ão dos papéis e sobre o processo de decision. . ./O. 2 sua a!ão apresenta um car(ter ocasional e diletante e não é diretamente remunerada pelo partidoY são assa" débeis a coesão hori"ontal entre os diversos círculos de not(veis e os contatos verticais com o centro. a 2ntropologia política ]ocupa uma posi!ão central. ?uando. portanto influentes. e indu"iu [ pesquisa de teorias e modelos que levam em conta as mudan!as e o desenvolvimento e também as invers)es de desenvolvimento e os processos de desintegra!ão. as críticas de Easton são fundadas na medida em que a 2ntropologia política se apresenta mais como um projeto em curso de reali"a!ão do que como um Wmbito j( constituído.overn ent and politics in tribal societies) 3ondon %OIKY 1.overn ent in <azzau7 3ondon %OK'. 3ondon %OM'Y 1. . =. . com o consolidar-se do poder da burguesia. em rela!ão [s fun!)es eleitorais desempenhadas pelas comiss)es de not(veis que constituem a delicada estrutura do partido pré-moderno.2/E30O . mas também da política. produto da democrati"a!ão do sufr(gio e da conseq_ente profissionali"a!ão da atividade políticaY assinala a e tensão [s associa!)es privadas e volunt(rias da tendência [ organi"a!ão burocr(tica revelada a nível estatal com o advento do absolutismo. quanto da an(lise estrutural. na sua base. tanto da an(lise funcional. estendendo-a até os pigmeus e ameríndios de poder mínimo. +odavia. 2 2ntropologia política e erceu. \ O 2parelho de um partido é o conjunto das pessoas. $8E=E3. o recurso [ organi"a!ão burocr(tica. no sentido de que se dedica a ela cotidiana-mente. derrotando a fascina!ão longamente e ercida pelo Estado sobre os te#ricos da politicidade]. principalmente dos partidos de ]base prolet(ria. advogados. =3>5G1266.E/2. Pri itive govern ent) -altimore %OKDY 87 $502. incluindo as ideologias mediante as quais as sociedades tradicionais e plicam a si pr#prias. em segundo lugar. +nthropologie politi/ue J%OKOL./8+502/7. 2. a 2ntropologia política levou [ descentrali"a!ão. pois. surgem os partidos políticos. Politics laH and ritual in tribal society) 5hicago %OKIY 3. burgomes-tres. jui"es. O e ercício continuado e especiali"ado da atividade política s# e iste no . Political aniropology) in ]-iennial /eviea of 2nlhropolog4]. 12 8/. 1ilano %OKOY 7.aRing e a resolu!ão dos conflitos. $18+0. segundo o cl(ssico ensinamento aeberiano.. por ter universali"ado a refle ão. na estrutura interna dos partidos. levando [ substitui!ão do político diletante pelo político de pro0issão) político que vive não s# para a política. T a crescente racionali"a!ão das técnicas eleitorais que e ige. -alandier J+ntropologia política) %OKOL p)e em relevo que.2/E30O MO fun!)es da sociedade de que fa"em parte. não obstante o longo caminho de sistemati"a!ão metodol#gica e conceptual ainda a percorrer. em 9ltima an(lise. professores e p(rocos na cidade. pondo-se [ disposi!ão dos partidos como agentes eleitoraisB são propriet(rios de terras e fidalgos no campo. criadas pelo alargamento do sufr(gio. \ =. por fim. 8. na medida em que lhe é permitido compreender a política na sua diversidade e p*r as condi!)es para um estudo comparado mais amplo. -232678E/. 2lém disso. 6a linha das críticas de Easton se move grande parte da pesquisa da 2ntropologia política atual J2idan $outhallL. precisamente porque falta. que nele desenvolvem uma atividade profissional e lhe garantem o funcionamento continuado. a conceptuali"a!ão dos principais atributos do sistema político e.8$$8O6238$1O . E.2/+87:/8O E . ao cuidado de -. c2662 12/82 =E6+838d A3arel4o. distribuídas por fun!)es diretivas e e ecutivas.

2+O3O=82 7O$ 2. dominada por 2parelhos de políticos de profissão. que se funda na consciência da pr#pria indispensabilidade e a leva a identificar a vontade coletiva do partido com a sua pr#pria vontade. de toda mudan!a que possa amea!ar a posi!ão consolidada dos seus membros a qualquer nívelY é favor(vel [ pequena cabotagem política. 5hegase assim [ forma!ão de uma verdadeira e autêntica casta olig(rquica. por isso. competência técnica. os papéis se estruturam segundo uma comple a hierarquia que termina num centro capa" de organi"ar os croncgramas da luta política. . além disso. $ua e periência e especiali"a!ão acaba por torn(-los indispens(veis e. \ 6a esteira da an(lise aeberiana. 6o seio desta burocracia profissional. 2 leadership concentra em suas mãos o poder organi"ativo e financeiro. Os partidos tendem a transformar-se em empresas. cl(ssica organi"a!ão oper(riofuncionalista. aparelhada para atuar efica"mente no campo político-eleitoral. inspira a maior parte das an(lises posteriormente dedicadas ao fen*meno pela sociologia política.2/E30O e a principal chance de promo!ão social. bem como de capacidade técnico-administrativa. selecionada através da pr(tica cotidiana ou formada nas escolas criadas de antemão pelo partido e dotada de capacidade política. mesmo e principalmente no que respeita aos partidos democr(-tico-socialistas organi"ados com base em princípios de solidariedade e igualdade. 2 conjuga!ão michelsiana entre a forma!ão dos 2parelhos partid(rios e o predomínio de tendências burocr(ticas e olig(rquicas. uma psicologia conseq_ente. mas constitui o seu estrato superior. e os fiduci(rios que prestavam seus servi!os ocasionalmente como volunt(rios. . praticamente inainovíveis dos cargos alcan!adosY a confian!a e devo!ão das massas refor!am de tal modo seu poder que até os 5ongressos que deveriam reelegê-los assumem a fisionomia de meros ritos cele-brativos. +orna-se além disso indispens(vel. os not(veis a quem eram antes confiadas as fun!)es eleitorais. devo!ão e lealdade [ causa. especiali"ando-se num dos ramos que comp)em o trabalho político. pelo funcion(rio de profissão. bem como a perpetua!ão das elites que a dirigem. mas condiciona também as decis)es políticas em sentido est(tico e conservadorB o 2parelho desconfia de toda inova!ão estratégica.orma-se um grupo de chefes dotados de qualidades ]demag#gicas]. T a qualidade de tais 2parelhos burocr(ticos que determina cada ve" mais o sucesso dos partidos. pois.I' 2. 2 verdadeira e autêntica burocracia do partido. /oberto 1ichels. com efeito. onde a leadership pertence [queles que são apoiados pelas ]m(quinas] dos partidos.l$8O3O=82 E . onde o poder est( em mãos daqueles que neles trabalham com continuidade. como o locus do processo de distor!ão dos fins. a partir de 1ichels. 3E686. os setores médio-bai os do 2parelho acomodam-se [s decis)es desse grupo e apoiam suas op!)es. a sobrevivência e o fortalecimento da organi"a!ão. 2 democracia parlamentar evolve assim quer para formas plebis-cit(rias. . $uperada a fase da consolida!ão orgWnica. apresenta uma interpreta!ão da etiologia e funcionamento do 2parelho das organi"a!)es oper(rias que se tornou cl(ssica. T evidente que o domínio dos políticos de profissão não se limita a e ercer seus efeitos deletérios no campo da democracia partid(ria. comum a toda a organi"a!ão política comple a. poder contar com a contribui!ão de todos os membros para financiar as campanhas eleitorais e sustentar as candidaturas oper(rias. O 2parelho partid(rio assim entendido é visto. sem carisma e sem qualidades. identifica-se sempre com as decis)es do establish ent interno contra toda crítica ou heresia e condiciona a sua inteligência política a ra")es de defesa corporativa e de solidariedade com a classe. deslocando o baricentro do poder das assembléias parlamentares para o sistema partid(rio. 2 crescente comple idade das fun!)es que o partido moderno é chamado a desenvolver provoca bem depressa a substitui!ão do homem de confian!a dos tempos her#icos da organi"a!ão. 6ecessidades administrativas e oportunidades político-organi"acionais concorrem. 2 consolida!ão do fen*meno dos 2parelhos partid(rios conta entre os seus efeitos o de modificar a estrutura do parlamentarismo. uma v(lvula que torna as comunica!)es internas da organi"a!ão . em seu estudo sobre os partidos oper(rios de massa no princípio do século.2/E30O$B 1850E3$. +odas elas repetem seu juí"o fundamentalB o 2parelho constitui um diafragma. a camada dirigente. para aumentar o n9mero daqueles para quem a atividade partid(ria constitui a profissão principal ou 9nicaB aos deputados e jornalistas se juntam funcion(rios. assenhorean-do-se dos canais de comunica!ão dentro do partidoY desenvolve.uncion(rios remunerados substituem parcial ou integralmente os homens representativos. +rata-se do modelo do Partei-apparat cujo e emplo mais célebre é o da social-democracia alemã da época guilhermina. 88. que não se identifica com o 2parelho em seu conjunto. ou do funcion(rio ocasional que não trabalha a tempo pleno. quer para formas burocr(ticas de democracia sem chefes. contadores e escrivães. =/21$58. sobretudo nos partidos de classe. a finalidade latente de todo o 2parelho vem a ser. que consagra ao partido toda a sua atividade.

dentro da crescente comple idade social. oposto ao ]de-mocratismo] dos partidos burgueses. O oper(rio revolucion(rio de vanguarda tem de se tornar um revolucion#rio pro0issional) que recebe da organi"a!ão os meios necess(rios [ sua subsistência. legal e clandestina. tornando-as politicamente efica"es. em boa parte determinado pelas condi!)es da luta política sob o =overno autocr(tico do c"ar. mas de fa"er com que os seus membros. o estado-maior distingue-se do quadro intermédio e do quadro de base. se quiser agir efica"mente. conscientes e disciplinados. como fa" 1ichels. a organi"a!ão revolucion(ria. em primeiro lugar dos partidos oper(rios. constitui o 2parelho em sentido estrito. chefes e funcion(rios sejam selecionados democraticamente e reali"em constante intera!ão com a base. atuando como elemento disciplinador da base. o 2parelho é o instrumento de estímulo e impulso da a!ão de massa. 2 esta maneira de conceber o 2parelho como instrumento da oligarquia. =rupo dirigente e quadro intermedi(rio formam o 2parelho em sentido latoY o estrato intermédio. em rela!ão ao modelo bol-chevique. pois. \ 6o Wmbito do fen*meno dos 2parelhos. ]emancipando-se] das fun!)es de que foi incumbidoY pode. o 2parelho coincide em larga medida com o partido. desde que aceitem e e ecutem o programa do partido.2. h( de confiar em quadros de base. O partido gramsciano est( disposto em três estratosB na base da pirWmide est( a massa dos homens comuns. disciplinando e centrali"ando for!as. obrigando o flu o do poder a mover-se de cima para bai o e não vice-versa. um papel essencial no funcionamento fisiol#gico do partido. para 3enin. embora não se ignore que é o estrato mais e posto a degenera!)es patol#gicas. entre a classe e o seu estado-maior organi"ado. intermédios e superiores. oposto ao princípio orgWnico dos oportunistas]. mas dentro de uma modalidade onde variam. 6o vértice. militantes não profissionais que precisam de organi"a!ão e diretri"es por não estarem dotados de capacidade criativa aut*noma. 8sto não quer di"er que o 2parelho nutra necessaria ente) segundo uma lei férrea. a oficialidade subalterna. Entre esses dois estratos atua um elemento intermédio que p)e em comunica!ão a base e o vértice. em virtude do seu maior conhecimento te#rico. 2 espontaneidade não carece de profissionali"a!ão. 6o modelo leninista. que . burocrati"ar-se. 7entro dele. em virtude da sua habilidade e do seu carisma.ouco importa a sua origem social. confiabilidade e habilidade organi"ativa. pondo em movimento todo o mecanismo. ali(s inertes e dispersas. segundo a f#rmula aeberiana. consciente das leis da marcha da hist#ria.2/E30O$B O E1.>658O6:/8O. mas impedindo igualmente que os chefes se afastem da luta política nas fases críticas. 2 política é pr( is cientificamente fundada e. e os 2parelhos funcionalistas dos partidos europeus. em suma. é. Este modo de entender a organi"a!ão profissional funda-se numa visão peculiar da rela!ão entre partido e classe gard9e) entre dire!ão e espontaneidade. os chefes servem de principal instrumento de coesão. 7esempenha. de que o 2parelho é produto. disciplinados e fiéis. que constitui o princípio em que se inspiram os partidos comunistas que aderiram [ +erceira 8nternacional. uma voca!ão burocr(tica e olig(rquica. ]o princípio orgWnico da social-democracia revolucion(ria. +8. decidido pelos organismos dirigentes que representam a autoridade da maioria. habilitados para atuar nos v(rios setores onde se articula a luta política. T sobre uma rede de revolucion(rios profissionais assim que se h( de estruturar.ara 3enin. a sociologia cl(ssica distingue dois tipos principaisB a political -chine) em v(rias vers)es. e aceito pelos partidos comunistas de todo o mundo. Este ]burocratismo]. a rígida centrali"a!ão das instWncias e a férrea disciplina que se acham formali"adas no sistema do centralismo democr(tico. com vistas ao fim revolucion(rio que se prop)e. estar dotado de uma voca!ão her#ica e não ser levado [ militWncia política por motivos de carreira. 888. aceitando tanto o princípio da organi"a!ão como o sistema que dela deriva. requer especiali"a!ão. ser insensível aos valores e atra!)es do sistema. adaptados [ realidade da guerra de posi!)es que se trava no Ocidente. questão de lhe negar fun!ão em nome de um igualitarismo amaneirado. até o ponto de quase se lhe sobrepor. pois. terminando na figura empresarial.O3C+852 E O . o Irait d1union entre centro e periferia.2/E30O I% monodirecionais. do conformismo e de estrangulamento das instWncias democr(ticas se contrap)e claramente a teoria leninista do partido e da organi"a!ão. 5aracteri"am o tipo de 2parelho ideali"ado e posto em pr(tica por 3enin. da sua superior capacidade política. em cotidiano contato com ela e com a classe. estar preparado para viver uma dupla e istência./E$:/8O 72 . a subordina!ão das partes ao todo.O3O=82 7O$ 2. . =ramsci retoma esta mesma concep!ão. como tal. ]antes de tudo e acima de tudo]. por ser o elemento mais alicer!ado no costume e menos inovadorY pode enrijecer como grupo solid(rio. . 2 hierarquia que nele se estabelece é emana!ão orgWnica da democracia de partido e (rdua sele!ão através da luta. cristali"e em divisão social. mas o partido. 6ão é. as dimens)es e o peso do elemento profissional. evitando que a divisão técnica do trabalho.

T bem verdade que a parte essencial da gestão político-administrativa do partido est( em . O caucus é um 2parelho sutilmente ramificado na base. 2 ele se agregam. mesmo que apresentem características diferenciais assa" claras em ra"ão das finalidades para que se constituíram historicamente \ a competi!ão eleitoral e o a!ambarcamento dos empregos num caso. no que se vale do rico butim de sinecuras e de empregos p9blicos. na 8nglaterra. o boss não é um funcion(rio e raramente é um homem p9blicoB age habitualmente entre os bastidores. no primeiro caso. cujo funcionamento e ige um consider(vel n9mero de funcion(rios a tempo pleno. de redu!ão dos conflitos. vê prevalecer em seu seio. fun!)es de integra!ão social e política das classes subalternas. a rela!ão autorit(ria que mantém com a base e os mecanismos de coopta!ão que lhe regulam a forma!ão e as transforma!)es. a ponto de se apresentarem. preparado para a conquista. em primeiro lugar. O modelo do partido de fiéis ou do partido de luta delineados por $el"nicg e por 7uverger não parecem hoje. o 2parelho comunista é constituído em fun!ão da agita!ão do proletariado e da conquista do poder. como j( vimos. a mobili"a!ão das massas com fins revolucion(rios no outro \. não é reconhecido pela organi"a!ão. seu papel parece. o controle férreo a que submete as articula!)es parlamentares do partido. que o spoils syste p)e [ disposi!ão do candidato vitorioso nas elei!)es. segundo alguns estudiosos. 2 ]m(quina] é um organismo de base local. como o election agent inglês ou o boss americano. os que desempenham cargos de confian!a. 2 ]m(quina]. em fase de redefini!ão. recursos. mas. combinando os fatores da produ!ão de poder. ao desenvolvimento do sistema do caucus) que se estendeu de -irmingham a todo o país. se trata de ]empres(rios da política]. construído segundo o modelo do partido bolchevique. remunerado pela organi"a!ão gra!as [s cotas pagas pelos aderentes. prestando gratuitamente seus servi!os. muitas ve"es nos limites da legalidadeY detém o controle e patronato dos empregos em seu setor distríbuindo-os em ra"ão dos servi!os prestados ao partido ou de compensa!)es em dinheiro. a figura do boss) um e pres#rio político) como o define 1a Peber no seu célebre ensaio sobre ]2 política como profissão]. Embora seja um político de profissão e e er!a indiscutivelmente fun!)es p9blicas na sociedade americana. e. por uma associa!ão de not(veis e por profissionais remunerados e empres(rios políticos. na figura do funcion(rio. Outra versão da ]m(quina] é a inglesa. não o move qualquer idealismo político. Enquanto o 2parelho socialista e ainda com maior ra"ão o dos partidos burgueses são concebidos e funcionam tendo em vista a luta parlamentar e a mobili"a!ão cultural e eleitoral das classes populares. depois continuado por todos os estudiosos do do fen*meno do partido-2parelho. é indiferente ao bem p9blico e 9 unicamente motivado pelo poder e pelo lucro. com tarefas de interferência junto aos eleitores. 2presenta-se como agente de compra-venda do voto. descrever adequadamente a realidade atual dos partidos comunistas de massa da Europa ocidental. contudo. de auto-reprodu!ão. no segundo. são os apparatcniRi que se convertem em sua estrutura. 2ntes de %FKF. 2 democrati"a!ão do sistema eleitoral condu". pelo menos até antes da guerra. depois o election agent) que desempenha fun!)es de organi"a!ão eleitoral. O 2parelho dos partidos europeus de massa do tipo continental ap#ia-se. 2mbos os tipos estão nas mãos de especialistas e de profissionais. sobretudo. ap#s %FKF. a organi"a!ão partid(ria era composta. 5om o leader do partido opera o Hhip) que est( incumbido da salvaguarda da disciplina parlamentar e disp)e do controle dos empregos.2/E30O se distinguem por sua ve" segundo os subtipos socialdemocr(tico e comunista. na sua típica versão americana descrita pelos pioneiros da sociologia do partido político. T isto que e plica a sua maior rigide" e disciplina.ID 2. acabam por desenvolver ]fun!)es latentes] que apresentam uma certa convergência. político ou técnico. de empregados remunerados pela organi"a!ão. como uma nova classe privilegiada. Este organismo apresenta facilmente vantagens com rela!ão [ organi"a!ão antecedente. 2o tipo social-democr(tico se contrap)e o tipo comunista. estabelecendo uma rígida centrali"a!ão do poder nas mãos do chefe do partido. T seu animador e organi"ador o boss) figura peculiar de profissio-nal-empres(rio político que atua no mercado eleitoral. organi"a!ão. ali(s. como j( vimos. de sele!ão da classe política nacional e local e. votos. com a ocupa!ão dos papéis fundamentais do sistema político-administrativo e o férreo controle dos cargos de administra!ão da economia e da sociedade. conforme documenta e emplarmente o caso de =ladstone. >m e outro. manuten!ão e gestão do poder na época da política de massa. em partes iguais. ?uando o partido est( no poder. usando favores e prote!ão como mercancia de trocaB fornece ao candidato os votos que controla mediante um ramificado sistema de rela!)es pessoaisY procura os meios financeiros por diversos métodos. perifericamente. $e os 2parelhos de políticos de profissão continuam a manter uma posi!ão essencial na economia da organi"a!ão.

parece ser realista pensar que até mesmo nos partidos comunistas de massa est( operando um policentrismo. mas não preponderantes. emigrados em sua maior parte como for!a de trabalho do subcontinente indiano desde meados do século `8`.L.2/+0E87. 8a struclure interne des partis politi/ues a 9ricains) 5olin. baseada na cor e nas características raciais. tanto as concep!)es em que se inspira a popula!ão a0riRaner Jque constitui dois ter!os da popula!ão brancaL. /oma %OE'Y /. 5omunit[. conquanto não fossem escravos. quando ascende ao poder o partido dos nacionalistas boêres Ja0riRanerL) o 6ationalist . Em conclusão. 1850E3$. que teve lugar A3art4eid. -arí %OE%Y .. +orino %OIDY <. no pr#prio desenvolvimento hist#rico da sociedade sulafricana. 6as origens do +partheid estão. 88. 8. =832$. =/21$58. I panai politici J%OIIL. 2 chegada J%KODL e a e pansão dos europeus. contudo. como a necessidade de apropriar recursos econ*micos e. pois. a diferencia!ão corresponde [ defini!ão de grupos raciais diversos e ao seu desenvolvimento . Vie traverse7 (trategia e tattica del co unis o7 5appelli. dos sindicalistas e dos membros do ]sistema e terno] das organi"a!)es de massa. -ologna %OIEY 2. > 1ulino. 8a d9 ocratíe et lorganisalion des partis politi/ues7 5alman-3cv4. /2CSE$ 08$+h/852$ 7O 2. residência e movimento. 2 e pansão rumo a novas terras. ap#s o grande treR Jê odo da col*nia do 5abo em dire!ão ao 6ordeste. Il lavoro inlelleltuale co e pro0essione J%OD%L. -ologna %OKKY 1. Einaudi. do outro.er ania i periale) 3ater"a. O +partheid não pode. a autonomia e o poder de veto dos grupos parlamentares. 5omuniti. 8a social-de ocrazia nella . #I#LIO)RAFIA. dos administradores locais. .. antes de tudo.art4 J6. /O+0. pois. . 3E686. que se op)e [s tendências integracionistas atribuídas ao partido do primeiro-ministro $muts. Os pr#prios asi(ticos. O$+/O=O/$G8. a aliena!ão das terras tribais e uma série de restri!)es que significavam o fim da sua autonomia. Em termos políticos. 2 institui!ão da escravidão. a que pertencem em sua grande maioria. -ologna %OKIY 1. 8a nuova classe J%OIEL. %.2-6S2. particularmente no respei-tante [ legisla!ão que abolia a escravidão e parecia encaminhada a favorecer uma lenta integra!ão das fai as mais evoluídas da popula!ão de cor. ser tradu"ido simplesmente como ]racismo] ou ]discrimina!ão racial]Y constitui um sistema social. O i grande treR foi fundamentalmente causado pelas diferen!as entre os a0riRaner e a administra!ão inglesa. que tende a redimensionar o poder autocr(tico dos 2parelhos e que estes come!am a tornar-se componentes importantes. Che0areB J %O'DL. (critti politici7 6iccolZ =ian-nottt Ed.. pregada pela 8greja reformada holandesa.2/+0E87 I& suas mãos. +orino %OE%Y 8d. o oposto de assimila!ão e de integra!ão. 1ilano %OK%Y 8d. $E>/86. 6a sua acep!ão mais comum. . também sofreram medidas discriminat#rias que lhes limitaram os direitos de cidadania.ote sul &achio-velli7 la política e Io (tato oderno) Einaudi. nos novos sistemas poli(rquicos para onde convergem até mesmo as organi"a!)es comunistas. \ O +partheid converte-se em política oficial do =overno sulafricano a partir de %OMF. . 8l 1ulino. baseada numa rígida hierarquia de castas raciais. Part%o e apparato7 5appelli. 2s raí"es do +partheid encontram-se.1. econ*mico e políticc-constitucional que se baseia em princípios te#ricos e numa legisla!ão ad hoc7 6este sistema. enquanto que as popula!)es de agricultores bantu tiveram de suportar.. pode tradu"ir-se por ]identidade separada] e designa a política oficial do =overno sul-africano no que respeita aos direitos sociais e políticos e [s rela!)es entre os diversos grupos raciais dentro da >nião. 3. . PE-E/. iniciado em %F&EL. \ Em língua a0riRaans) +partheid significa ]separa!ão]. -ologna %OIMY A. foi um dos elementos essenciais que determinaram a cria!ão de uma estrutura s#cioecon*mica de classes. onde têm posto numerosos quadros não-profissionais ou semiprofissionais. vieram a significar a quase total elimina!ão das popula!)es aut#ctones. O 2. chefiado por 1alan. para as quais e iste uma correla!ão direta entre a cor da pele e as possibilidades de acesso aos direitos e ao poder social e político. a partir da península do 5abo da -oa Esperan!a.aris %OI&Y 1. 5atama %OE'.2/+0E87 5O1O $8$+E12 $O5823. além disso. Os a0riRaner se consideram uma verdadeira e autêntica na!ão JvolRL) onde é fundamental a doutrina da desigualdade e separa!ão entre as ra!as. 1ilano %OK%Y 3.. mas não e iste uma absoluta coincidência entre 2parelho e instWncias diretivas. 5rescem.. $E3S685G. de controlar a for!a de trabalho indígena.2. 8a sociologia del partito político nella de o-crazia oderna J%O%DL. +partheid significa manuten!ão da supremacia de uma aristocracia branca.aris %O'MY =. c$l3<26O -E33%=68d separadoY é. 5cono ia e societ= J%ODDL. 7><E>=Es. de um lado. o peso da base e. Editori /iuniti. introdu"ida na :frica do $ul para suprir as crescentes necessidades de for!a de trabalho.

O princípio da segrega!ão tinha origem ainda mais antiga.O3C+852 7O 2. os bantustan serão transformados mais tarde. para não ser posta em perigo a supremacia branca JbaasRapL7 Os africanos. se afirmava que s# a popula!ão de descendência européia podia ser eleita e eleger membros para o . T desta alian!a que nasceu o partido . constituindo-se numa verdadeira e autêntica engenharia institucional e num planejamento autorit(rio.arlamento. mantém o monop#lio do =overno. de duas rep9blicas independentes.nacionalista que. s# tolerados como for!a de trabalho subordinada. em oito ho eland Jterrit#rios nacionaisL. 888. grosso odo) entre os defensores da segrega!ão total. que proibia aos africanos comprar terras ou im#veis no territ#rio reservado aos brancos. e um desenvolvimento territorial eXou político separado Jsistema dos ho elandL7 2 discrimina!ão. sob o =overno de <eraoerd. mission(rio da 3on-don 1issionar4 $ociet4 em %F%O. a r(pida e pansão das (reas urbanas com a imigra!ão da for!a de trabalho c a acelera!ão do processo de destribali"a!ão e de proletari"a!ão foram.2/+0E87 não sem guerras e duras repress)es. desde %OMF.Ee em %O&KY verdadeiras e autênticas reservas de mão-deobra destinada [s (reas mineiras e industriais. a conseq_ente passagem de uma economia predominantemente agrícola a uma economia miner(rio-industrial. a $outh 2frigan /epublic J+ransvaalL e o Orange . "ulu e sotho pela posse das terras mais produtivas. alian!a entre os e tremistas nacionalistas boêres e os sindical-populistas para a elimina!ão da concorrência dos trabalhadores africanos no mercado do trabalho durante a grande depressão dos anos &'. 5om a cria!ão da >nião. estava reservada aos brancosY os africanos eram considerados como estrangeiros. 2 posi!ão dos grupos raciais não-brancos era regida pela estrutura b(sica da economia das rep9blicasB a posse da terra. e aqueles que. é preciso trabalhar pela liberali"a!ão. remontando [s institui!)es hotentotes queridas pelo 7r. a situa!ão de subordina!ão jurídica e social dos nãobrancos fica definitivamente institucionali"adaB são abolidos os direitos políticos e civis que ainda subsistiam na província do 5aboY as . \ o +partheid se desenvolve segundo duas diretri"esB uma legisla!ão de discrimina!ão racial que aperfei!oa e sistemati"a. superpovoadas e subdesenvolvidas. pilar do direito de cidadania. tal como a segrega!ão. na realidade. Em 9ltima an(lise. mais do que nunca indispens(veis [ e pansão econ*mica. as etapas fundamentais da forma!ão do nacionalismo b*er. 2 descoberta e e plora!ão de enormes rique"as minerais Jdiamantes e ouroL. 6as rep9blicas boêres adotou-se uma política racial rígidaB o princípio orientador fundamental era o de que. tanto territorial como política. O sistema dos !aniu ho eland) comumente chamado bantustan ou das ]reservas]. do sistema.ree $tate. em conseq_ência da industriali"a!ão do país. a partir dos anos &'. uma situa!ão j( pree istente. baseada no princípio da manuten!ão da supremacia branca. respectivamente. percentual elevado para %&.2/+0E87. foi definitivamente bloqueado com uma lei de %O%& J6ati-ve 3and 2ctL. continuam. conquanto parcial. vêm sustentando cada ve" mais que o +partheid) com a manuten!ão dos bantustant) não pode manter a reprodu!ão da for!a de trabalho. o $outh :frica 2ct J&% de maio de %O%'L. 8<. 2 segrega!ão era então entendida no sentido cristão da necessidade de preservar os aut#ctones da influência dos brancosY foi daqui que nasceu a política das reservas na col*nia do 5abo. pois as ind9strias e igem oper(rios do mais elevado nível de qualifica!ão. . como da instala!ão. /2CSE$ +Eh/852$ 7O 2. em relativo contraste com a posi!ão da popula!ão branca de descendência inglesa. levou [ cria!ão de 6atal Jque ser( ane ado pela col*nia do 5abo em %FMIL e. Os bantustan constituíam apenas Ee do territ#rio nacional. 5om a 5onstitui!ão da >nião da :frica do $ul. nas rela!)es entre europeus e africanos Jdesignados com o termo de ]nativos] ou bantusL) não podia haver igualdade. foram determinadas pela luta pelo controle da terra e da for!a de trabalhoB di"ima!ão e sujei!ão dos hotentotes do 5abo. em %FID e %FIM. acompanhadas de uma r(pida e fundamental mudan!a na estrutura social do país e de um paralelo e contínuo controle da popula!ão africana. a ser tratados como s9ditos coloniais. Os grupos tribais aut#ctones foram assim privados das pr#prias terras e escravi"ados.IM 2. dissídio com as autoridades inglesas sobre o tratamento dos servos. tanto dos comportamentos.2/+0E87 \ 7epois de %OMF. . havia sido praticada desde o século `<88. e que. por isso.hilips. tornando-se sobretudo um meio de institucionali"a!ão da separa!ão das ra!as e de garantia do controle econ*mico e social sobre os trabalhadores negros. 2 classe dirigente sul-africana se divide. guerras com as popula!)es hosa. nem no Estado nem na 8greja. obrigados a viver nelas s# enquanto a economia branca precisa deles. a política das reservas muda de significado. mesmo depois da constitui!ão da >nião $ul-africana J%O%'L. com poucos e limitados direitos. a partir de %OMF.

a supremacia branca pretende tornar-se aceit(vel. Os africanos. mantendo-os como for!a de trabalho inteiramente dependente. onde se encontram todas as rique"as naturais. em %OEK. os lugares de trabalho e as cidades. podem e ercer o seu direito legislativo e a sua autonomia administrativa no Wmbito dos ho elandO no restante do país. etc. mas ainda não foi discutido. o =overno sul-africano tem procurado encontrar novas f#rmulas que permitam ao regime apagar a imagem de uma ditadura da ra!a branca sobre as demais. caso 9nico da discrimina!ão racial. a maioria. portanto. que e plodiu com mais violência a partir das revoltas dos guetos em %OEK. requer a revisão e moderni"a!ão de todo o aparelho de plani-fica!ão do +partheid7 2 manuten!ão de institui!)es racialmente separadas. fundado no conceito de ]diferen!a]Y cria o slogan ]separados. não fa"em entrever qualquer real possibilidade de que se possa impor uma solu!ão gradual e pacífica que venha p*r fim [ discrimina!ão e ao conflito inter-racial. em %OEE. Os africanos. sem e ce!ão. Os projetos se inserem.2/+0E87 II barreiras raciais que até agora eram determinadas mais pelos costumes do que pelas leis. divididos em parcelas territoriais dispersas Jo -ophuta-+saana é composto nada menos que por umas %O fra!)es espalhadas por três das quatro províncias sulafricanasL. para se definir como sistema de ]desenvolvimento separado]. na tradi!ão do ]desenvolvimento separado]. caracteri"adas pela integra!ão geogr(fica e sobretudo econ*mica.2. ou em FEe do país. 2 elabora!ão deste novo modelo constitucional. por e emplo. contudo. O +partheid assentaria. adquirem a fun!ão política de (libi para a priva!ão. 5om esta nova roupagem ideol#gica. da mãode-obra. 2 comunidade internacional tem condenado toda a tentativa de romper a unidade territorial da :frica do $ul e de privar os seus cidadãos. na busca de um apoio internacional que lhe tem sido sempre negado por causa da institucionali"a!ão. pois. registrado no documento de identidadeY proíbem-se os matrim*nios ou uni)es mistosY é introdu"ida a segrega!ão na gestão p9blica. 6a década de E'. tendo por base uma comple a teoria formulada pelo $outh 2frican -ureau for /acial 2ffairs J$2-/2L e as recomenda!)es e pressas pela +omlinson 5ommission. convertem-se em cidadãos estrangeiros. a desnacionali"a!ão dos africanos. FEe. de todos os direitos que lhes restavam.Y em todas as cidades se destinam aos grupos étnicos bairros residenciais ou guetos Jgroup #reasL pr#prios. com a conseq_ente redu!ão do papel das oposi!)es. T assim que chegam [ ]independência] o +ransgei. 2 independência de territ#rios paupérrimos. privados definitivamente de todo o direito Jresidência. a transferência do poder do . que priva a maioria dos mais elementares direitos políticos e sociais. e essas (reas deveriam desenvolver-se como unidades s#cioecon*micas diversas e separadas. E<O3>^RO 72 3E=8$32^RO 7O 2. e logo a seguir o <enda. desenvolver as pr#prias tradi!)es culturais da tribo. não são senão ]trabalhadores h#spedes]Y os mesti!os e os asi(ticos. \ 2 partir de %OEM. se reformula também como ideologia. de todos os direitos políticos e civis na "ona reservada aos brancos. $urgiu um projeto de reforma constitucional em %OEE. escolasL. terão uma certa participa!ão na administra!ão dos neg#cios comuns. a que os v(rios grupos étnicos estão historicamente ligados. a sua estrutura nas rela!)es efetivamente e istentes entre os diversos grupos raciais da >nião. pelas diferen!as de ra!a.arlamento para o e ecutivo. j( profundamente industriali"ada. as ind9strias. que não podem ter um ho eland por não possuírem 9m territ#rio tribal pr#prio. e tremamente comple o. mas iguais]. O +partheid) ao consolidar-se como sistema. nos meios de transporte. $ob o =overno de <eraoerd. segundo o =overno. Os bantu são obrigados a tornar-se cidadãos dos pr#prios ho eland) 9nico lugar onde go"am de direitos políticos e onde podem. Os protestos dos estudantes e dos oper(rios africanos não tiveram outra resposta senão a . são codificadasY introdu"-se a classifica!ão de todos os elementos da popula!ão de acordo com o grupo racial. as minas.2/+0E87. admitiam e ce!)es. imposta aos africanos divididos em ]na!)es]. o -ophuta+saana. os bantustan) definidos como ho eland) a par da sua fun!ão econ*mica de reservas e lugar de descarga. de cultura e de civili"a!ão. e que. não tem outro significado senão o de aperfei!oar o plano de afastar totalmente os africanos do $ul branco da :frica. 2 diferen!a pressuporia a e istência de (reas separadas. +anto as 6a!)es >nidas como a Organi"a!ão da >nidade 2fricana têm votado resolu!)es de condena!ão e todos os Estadosmembros têm negado qualquer reconhecimento aos pretensos novos Estados. constrangidos a aceitar a cidadania dos ho eland conforme a etnia a que pertencem e segundo critérios de difícil aplica!ão por causa do nível e profundidade da destribali"a!ão de uma sociedade como a sulafricana. <. servi!os sociais. é dito ali. esta política aperfei!oa-se ainda maisB os ho eland adquirem o direito de se tornar independentes. rejeitando as antigas identifica!)es inspiradas no conceito de ]desigualdade]. pela diversidade da solide" numérica dos v(rios grupos étnicos. são assim desnacionali"ados.

. ela volta-se a favor de uma potência imperialista. -ergele4 %OKEY 4G0ord hislory o0 (outh X0rica) ao cuidado de 1. no sentido de que se p)em em a!ão mecanismos mais em consonWncia com as e igências da economia e da sociedade contemporWneas. $egundo 1orgenthau.IK 2.esquisas sobre o comportamento político demonstraram que o fen*meno est( bastante difundido até nas modernas sociedades industriais de tipo avan!ado. . 3ondon %OKO-%OE%.E/. freq_entemente. embora nem sempre. T um comportamento ditado muitas ve"es pelo sentimento de 238E62^RO J<. mais freq_entemente. em que 5hamberlain e 7aladier aceitaram a ocupa!ão de uma parte da +checoslov(quia pela 2lemanha na"ista. etc. (outh X0rica$ + study in con0licl7 >niversit4 of 5alif#rnia . a partir de cima. /0OO78E. 8. respectivamente. O compromisso. uma posi!ão bastante periférica. são consideradas certas características da cultura política a presen!a ou a ausência de tra!os culturais ou subculturais que premiam ou desencorajam o interesse pelos fen*menos políticos.iren"e %OEOY 1. 7e outra sorte. +odavia. +udo fa" pensar que as ta as de 2patia são maiores na sociedade tradicional em vias de moderni"a!ãoY certamente era assim nos sistemas autocr(ticos do passado. . não um rela amento do +partheid) mas sim sua moderni"a!ão. >ma aquiescência que comporta algumas concess)es aos objetivos de um antagonista. <26 7E6 -E/=0E. A. a +ppease ent sempre deve ser condenada porque representa uma aquiescência a uma política imperialista. em %O&F. 3ondon %OEMY 6. passividade e falta de interesse pelos fen*menos políticos. O termo 2patia significa um estado de indiferen!a.$O6. P83$O6 e 3. (toria deli +2rica) 3a 6uova 8t(lia. c=825O1O $268d A33ea&e(ent.L 2s institui!)es políticas e as demais manifesta!)es da vida política ocupam. +0O1. sempre na linha da manuten!ão da supremacia branca. 2msterdam %OK'Y . que também são caracteri"adas por altos níveis de instru!ão e de difusão capilar das comunica!)es de massa. 7o ponto de vista da dinWmica interna do sistema e do equilíbrio das for!as políticas. >m e emplo de +ppease ent lembrado por muitos estudiosos é o acordo da 5onferência de 1unique. . de um bai íssimo nível de informa!ão sobre os fen*menos políticos. A. \ /. +ermo de difícil tradu!ão em português. <:/. que todavia parecem variar bastante de sistema para sistema. G>. na verdade. 2 2patia política é acompanhada do que se poderia chamar de uma bai a receptividade em rela!ão aos estímulos políticos de todo o tipo. <E6+E/. as margens de manobra das elites são bastante maiores. 0. na tentativa.. Ele não é nunca ativo protagonista de acontecimentos políticos. ignora-os inteiramente. 8egislation7 ideology and econo y in posi-LVNM (outh +2rica) in ]Aournal of $outhern 2frican $tudies]. nos segundos. Outros fatores de ordem sociol#gica. %OEMY 3.ress. parecem também relevantes. #I#LIO)RAFIA. 6um sistema político caracteri"ado por uma larga 2patia.msr. O ford >niversit4 . Race7 class and poHer) 7ucgaorth. Os fatores ligados [ 2patia são m9ltiplosB juntamente com certas propriedades estruturais do sistema político Jvisibilidade. como t(tica diplom(tica. no hori"onte psicol#gico do ap(tico. 3E52$$85G. a e istência de mecanismos competitivos que direta ou indiretamente solicitam a participa!ão do p9blico nos primeiros e a e istência de mecanismo de mobili"a!ão e de enquadramento das massas. deve-se lembrar que e atamente esta larga indiferen!a representa um obst(culo bastante sério quando o alcance de metas s#cioecon*micas pressup)e o envolvimento e a motiva!ão de largos estratos da popula!ão. antes da integra!ão de grandes estratos de p9blico na vida política. O fen*meno se d( em regime de tipo democr(tico e nos regimes autorit(rios e totalit(rios e.oderia ser vertido pela palavra ]aquiescência]. . e O>+/O$B + socio-econo ic eGposilion o0 the origin and develop ent o0 the apartheid idea) 7e -uss4. c2662 12/82 =E6+838d A3atia.ress. deve-se notar enfim que a e istência de amplos estratos de ap(ticos constitui um reservat#rio não indiferente de potenciais participantes. e. s# tem sentido entre advers(rios que aceitam a distribui!ão do poder e istente.L. não obstante isso. de refor!ar suas posi!)es ou de subverter as rela!)es de for!as e istentes. 3. enquanto que as reformas legislativas e os projetos de reestrutura!ão constitucional indicam.2+82 de uma mais dura e intransigente repressão. . que as elites governamentais e de oposi!ão podem tentar atrair e mobili"ar. em troca de uma simples promessa de pa" por parte de 0itler. Regi ini coloniali dellF+0rica ausirale) in 2>+. que atingiu até mesmo organi"a!)es moderadas. mas acompanha-os como espectador passivo e. acesso. estranhamento.

de muitosL. na verdade. aos sapientes. O 2silo se distingue em territorial e e traterritorial. daquela forma de =overno que ser( considerada por 2rist#teles como um desvio da 2ristocracia. 2 acusa!ão de +ppease ent foi dirigida v(rias ve"es aos =overnos das grandes potências no período da guerra fria.. 6O-/ES2L. os #ristoi) precisamente porque são moral e intelectualmente os melhores. E&trat0. /OP$E. todavia \ e é uma constante de todo o pensamento político grego \. 8e origini della seconda guerra ondiale J%OK%L. 2s mais cl(ssicas defini!)es de 2ristocracia. 5 V. . 7esde sua origem até o século `<888.0. contrapostos aos RaR'i) os mal-nascidos. +2U3O/. o 2silo é garantido no mesmo territ#rio do Estado a cuja jurisdi!ão o indivíduo pretende subtrair-se. 7urante o século passado.latão e em 2rist#teles. mesmo se. conhecedores e possuidores da verdade. 5ompete. aos s(bios. comandoL est( nas mãos dos #ristoi) os melhores. os poucos governam no interesse dos ricos e não da comunidade.ia e Política do& Ar(a(ento&. 7estaquemos. %OEObL. que têm uma fun!ão precisa de tutela a perseguidos políticos. que não eq_ivalem. necessariamente. para alcan!ar o verdadeiro bem JRepYblica) 88-<L. normalmente. O/8=E1 E 7E$E6<O3<81E6+O 7O 78/E8+O 7E 2$83O. a resistência sem compromissos. 3. c=l21.latão como para 2rist#teles. uma oposi!ão entre ricos e pobresB classe aristocr(tica e classe popular. entretanto. achamo-las em . como e alta!ão da aret. sobretudo em 2rist#teles. na oligarquia. o termo 2ristocracia vem carregado dos valores primigênios do mundo grego. F'-&L.2O3O S>55086ld Ar(a(ento&. 8. ligada ao princípio da inviolabilidade dos lugares sagrados. guiar o Estado. conforme é concedido por um Estado em seu pr#prio territ#rio ou na sede de uma lega!ão ou num barco ancorado no mar costeiro. 5ontr(ria [ política de +ppease ent é a política de conten!ão.ala-se também de 2silo ]neutral] quando este. no l'gos tripolitiR's ou agonia das políticas J+s hist'rias) 888. 2ssim. a primeira classifica!ão historicamente documentada da teoria da triparti!ão das formas de =overno Jde um. . nobres. 1O/=E6+02>. 3ater"a %OK%. enquanto agath'i) bem nascidos. de poucos. é concedido no territ#rio de um Estado neutro. 1as tanto para . aos melhores. não podem ser senão aqueles que pertencem [s classes mais elevadas da sociedade. apenas em dire!ão ao status /uo7 #I#LIO)RAFIA. ou seja. isto é. A&ilo6 Direito de. enquanto perfeitos. entendida como forma de =overno. Politics a ong na-lions) Gnopf %OKFY 2. de 2ristocracia entendida como grupo privilegiado por direito de sangue Jv. considerada negativamente e classificada como +ppease ent por parte da oposi!ão governamental interna. que é Estado ético. achando-se j( tra!os dele nas civili"a!)es mais antigas. \ 2 institui!ão do 2silo tem origens muito remotas.latão. os segundos são identificados com os primeiros. na verdade. A. que tanto sucesso ter( no pensamento antigo e não s# nele.>3<8O 2++862d Ari&tocracia. uma das três formas de =overno JPolítica) 888. 6este caso. Em conclusão. em tempo de guerra. +ppease ent7 + study in políticaC decline7 6orton %OK%Y 2. ele achou quase uma aplica!ão constante como institui!ão fundamentalmente religiosa. . o valor ético-pedag#gico vem a se identificar com uma precisa situa!ão econ*micosocial e daqui precisamente podemos passar para outro significado. e por educa!ão propriamente os bons. c. 6a rep9blica ideal delineada por . T sobretudo em cone ão com esse desenvolvimento que se pode falar hoje de um direito de 2silo. podemos ver. frente a uma política imperialista. que juntamente com a monarquia e a democracia Jmas 0er#doto usa ainda o termo isono ia) igualdade de todos os cidadãos diante da leiL no l'gos tripolitiR's mais que de 2ristocracia se fala de oligarquia.2/8$+O5/2582 IE >ma política de +ppease ent de uma parte pressup)e uma política imperialista da outra. os maus. mediante o respeito .) entendida não tanto como o arcaico e origin(rio ]valor] na guerra Jum dos elementos em que se formava e fundava a classe antiga da nobre"a gregaL mas mais como virtude de sabedoria e conhecimento. ?ualquer concessão para chegar a um acordo durante as conversa!)es diplom(ticas pode ser. ao contr(rio do que acontece na 2ristocracia. a plebe. disposta a descer ao compromisso. o 2silo se laici"ou para tornar-se mais decididamente objeto de normas jurídicas. +ristoRratia) literalmente ]=overno dos melhores]. podemos encontrar em 0er#doto.5. na medida em que. hoje mais comum. 1as j( no século < a. [ casta dos nobres. F. é uma das três formas cl(ssicas de =overno e precisamente aquela em que o poder Jgr(tos t domínio. por aliados descontentes ou pelos pr#prios advers(rios.

no plano de codifica!ão. estipulada entre os Estados-membros do 5onselho da EuropaL. 7ireito que come!a. com os quais os Estados se comprometem reciprocamente a entregar uns aos outros os indivíduos procurados. onde se afirma no art. a tropas ou a navios de Estados beligerantes.ederal 2lemã de %OMO. \ O direito de 2silo. 88. a prote!ão que um Estado concede a um indivíduo que busca ref9gio em seu territ#rio ou num lugar fora de seu territ#rio. 6o plano dos pactos foram adotadosB a 5onven!ão de =enebra. que tem a missão de estudar uma conven!ão universal sobre o 2silo territorialL. a 2ssembléia =eral da Organi"a!ão das 6a!)es >nidas adotou. de DF de mar!o de %OIM. .n. %M%Y 5onstitui!ão cubana de %OM'. é característica nestes tratados a tendência a e cluir os delitos políticos do n9mero dos reatos para os quais est( prevista a e tradi!ão. +al movimento deu lugar tanto [ conclusão de conven!)es como [ ado!ão de outros atos não diretamente obrigat#rios. que causou seus efeitos primeiro no plano interno e depois também no plano internacional. Essas declara!)es não obrigam em si. uma ve" entradas. +al afirma!ão lembra a ]7eclara!ão sobre o 2silo +erritorial]. %K. a recomenda!ão a todos os Estados-membros de prestarem assistência diretamente ou através da a!ão das 6a!)es >nidas [quele Estado que se ache em dificuldade pelo fato de ter concedido 2silo político. art. para a 5omissão para o direito internacional. por tratados relativos [ e tradi!ão. mesmo a nível constitucional. os Estados-membros das 6a!)es >nidas. art. 3818+2^pE$ 7O 78/E8+O 7E 2$83O. O direito de 2silo. como foi dito. O 2silo e traterritorial ou diplom(tico est( largamente em uso nos países da 2mérica 3atina. +êm. E`+/278^RO. sobre o comportamento dos seus #rgãos de =overno e dos seus jui"es. além disso Jart. geralmente bilaterais. art. 2silo nas persegui!)es]. de DF de julho de %OI%Y o Estatuto da 8/O JOrgani"a!ão 8nternacional para os /efugiadosLY outros atos internacionais relativos ao 2lto 5omissariado da O6> para os /efugiados e as duas conven!)es de 5aracas entre os Estados americanos. depois da . afirma Jart. 8gual influência teve depois o previsto no c#digo romeno de %ODE. em outro Estado. 8sto não impede que. segundo o qual os atos de terrorismo não são em caso algum considerados delitos políticosY também esta disposi!ão foi aceita em não poucos tratados de e tradi!ão Jpor e emplo. pelo menos psicol#gica. art. D. não de uma regra constante e rigorosamente aplicada. +ais declara!)es têm valor program(tico Jde modo especial. em %' de de"embro de %OMF. Esta e ce!ão foi bem depressa acolhida em numerosos tratados de e tradi!ão Jentre outros. %.rimeira e da $egunda =uerra 1undial. que ]todo o indivíduo tem o direito de buscar e go"ar. diretamente. a 5onven!ão Européia de E tradi!ão. noutros países. r %. a 7eclara!ão >niversal dos 7ireitos 0umanos. por conseq_ência.nL.IF 2$83O. nos acordos celebrados entre a /omênia e . mas [s ve"es também multilaterais Jpor e emplo. +rata-se de uma tendência. portanto. %'Y 5onstitui!ão da /ep9blica . 7epois da $egunda =uerra 1undial desenvolveu-se uma a!ão em torno da afirma!ão do direito de 2silo como direito fundamental da pessoa humana. +E//O/8$1O. em %K de de"embro de %OKE. O termo 2silo indica. deve ser entendido como direito de um Estado de conceder tal prote!ão. 2 7eclara!ão contém. em conseq_ência do funcionamento de um mecanismo de autodefesa da sociedade em face dos fen*menos do terrorismo. no plano convencional.ortugal e a EspanhaL.nL que as pessoas que têm ra"ão para 2silo não poderão ser rejeitadas nem. de %& de de"embro de %OIE. em algumas recentes 5onstitui!)es. 78/E8+O 7E de determinadas condi!)es. e muitas ve"es também com os princípios e pressos nos ordenamentos internos. em virtude do e ercício da pr#pria soberania e com a 9nica reserva de eventuais limites derivados de conven!)es de que fa!a parte Jconven!)es em matéria de e tradi!ão. não no indivíduo mas no Estado. +rata-se de acordos internacionais. etc. tenha sido sancionado e pressamente um direito constitucional de 2silo político. %IY 5onstitui!ão brasileira de %OMK. a qual. &%Y 5onstitui!ão italiana de %OME. uma not(vel influência. Em conformidade com o pr#prio instituto do 2silo. no plano da ordena!ão interna. em %FOF com o -rasil e em %O'D com a 7inamarcaL. portanto. pode ser limitado. por delitos previstos nos mesmos acordos. por e emploL. pela lei belga de DD de mar!o de %FIK. >ma tendência que tem até sofrido um progressivo e amplo enfraquecimento. que ]despoliti"ou] os as-sassínios e atentados contra os chefes de Estado estrangeiros. onde se tornou objeto de costumes particulares. sob a denomina!ão de ]cl(usula belga]. 6o plano não convencional. nos que os Estados >nidos da 2mérica estabeleceram em %FFF com a -élgica. podem ser e pulsas para os Estados onde estão arriscadas a ser vítimas de persegui!ão política. 2 primeira e ce!ão [ não e traditabilidade do respons(vel por delito político foi prevista. adotada pela mesma 2ssembléia =eral. T o caso por e emplo da 5onstitui!ão me icana de %O%E. em %FOI com a /9ssia. art. porém. até se tomar quase geral sua aplica!ão. entre outras coisas. %M.

uma limita!ão. 1ilano %OE&Y 3.2$83O. do direito de 2siloY sob este aspecto peculiar. eles estão sujeitos [s críticas dos defensores mais estrênuos desse instituto. e cluiu que possam ser considerados como políticos ]os delitos destinados a minar as bases de qualquer organi"a!ão social].nLY dei a-se. a cujo nível recordamos a 5onven!ão de Pashington. 2o lado de tais rea!)es. conculca os direitos fundamentais dos outros. Oceana. posta positivamente de lado a idéia de uma conven!ão que afrontasse. constituem. além disso. se não principalmente. esperados até o segundo p#s-guerra. são de registrar. de maneira global. desses atosY o 2silo. -O3E$+2-GOS8E-/O7SG8. por um lado. não pode transformar-se em garantia de impunidade para quem. um tratado de e tradi!ão. dos que contêm a ]cl(usula belga] [ 5onven!ão européia. 6ão obstante as cl(usulas de salvaguarda nela contidas. pp. %. os crimes que envolvem a utili"a!ão de bombas. em substWncia. E emplos do primeiro tipo de abordagem são as numerosas iniciativas tendentes [ repressão da pirataria aérea J5onven!)es de +#quio em %OK&. adotada em %OE% no Wmbito da Organi"a!ão dos Estados 2mericanos Jmas sem entrar ainda em vigorL. chamam a aten!ão para o fato de que os direitos que hão de ser tutelados não são s# os das pessoas acusadas ou condenadas por atos de violência. algumas iniciativas de organi"a!)es internacionais. para converter tais princípios em normas obrigat#rias. -E78. tendentes a impedir a impunibilidade do terrorista e patriado. .Y Q7 Inlernationales asyl-Collo/uiu ) . de 0aia em %OE' e de 1ontreal em %OE%L e [ prote!ão dos agentes diplom(ticos e consulares J5onven!ão das 6a!)es >nidas em %OE& sobre a preven!ão e repressão dos crimes contra pessoas internacionalmente protegidasL. o seq_estro de pessoas. variavel-mente profunda. =/EE6. na sessão de =enebra em %FOD. 7iversas tentativas têm sido feitas.nL. tem suscitado rea!)es firmemente negativas. o 8nstituto de 7ireito 8nternacional. a tomada de reféns. EM& ss. não podem ser considerados delitos políticos. como as demais conven!)es relativas ao terrorismo. sobretudo nos 9ltimos anos. como j( referimos. 8e droii d asile7 $i4thoff. The right o0 asylu in inle alional laH7 in ]3aa and $ociet4]. pp.. 6ea Uorg %OEMY $. -2$$8O>68. 5. 3e4den %OKDY . refle o da mudan!a nas e igências e características de uma sociedade profundamente modificada em sua estrutura. que os atos terroristas não devem ser considerados delitos políticos. entre eles o direito [ vida. o rapto. Esta 5onven!ão prescreve que. 1. International eGtradilion and Horld public order) $i4thoff. o problema do terrorismo em Wmbito mun dial. no entanto. 2 5onven!ão européia. 5Gtradilion in inle alional laH and practice) -ronder Offset. profundas transforma!)es. etc. de luta contra o terrorismo num Wmbito espacial particular Jo da Europa ocidentalL. +silo diplo #tico7 Contributo alio sludio delle consuetudini locali nel diritto in-lernazionale) =iuffrb. se comparada com a época hist#rica em que o instituto em questão come!ou a firmar-se. enfrentando o problema num plano mais integrado e homogêneo. para fins de e tradi!ão. quando.Y . ``88 %OEK. aos Estados-membros a liberdade de aplicar o mesmo regime a uma série bem mais ampla de crimes an(logos Jart. mesmo potenciais. granadas. além dos crimes de pirataria aérea Jfa"-se uma clara referência [s 5onven!)es de 0aia e de 1ontrealL e dos cometidos contra pessoas internacionalmente protegidas. O fundamento jurídico da e tradi!ão continua sendo o tratado ou qualquer outro instrumento jurídico pr#prio para regulamentar tal matériaY a 5onven!ão européia não fa" senão alargar o campo dos delitos para os quais est( prevista a e tradi!ão. os de todas as vítimas. desde o século passado. armas de fogo autom(ticas. ?ualquer que seja a tese que se queira aceitar. 78/E8+O 7E IO 2 par desta evolu!ão operada no Wmbito estatal e no das rela!)es bilaterais. 3e4den. 6o plano regional. /otterdam %OKKY 3. 8a posilion 0rançaise en ali9re d1asile diplo. tanto que se tem chegado a falar do fim do direito de 2silo e da tendência a questionar princípios de direito humanit(rio j( universalmente consolidados. 7.enal.5. 2ssim. 3e4den %OEI.. a tentativa de cometer os delitos acima mencionados e a cumplicidade neles Jart. em particular. instituto fundamental para a defesa dos direitos do homem. &D% ss.aii/ue7 in ]2nnuaire . reali"ada em <ars#via em %O&I. #I#LIO)RAFIA . certos tipos de atos e. elaborada e adotada em DE de janeiro de %OEE no Wmbito do 5onselho da Europa. conquanto decerto não suficiente. . governamentais ou não. $i4thoff.>U.ran!ais de 7roit 8nternational]. afirmou. +odos os instrumentos citados. é. 7>. por outro. numa das resolu!)es. posto que em nome de ideais políticos. Os primeiros ê itos neste sentido foram. a 5onven!ão européia. mesmo que a sua aplica!ão continue subordinada [s disposi!)es técni- cas vigentes sobre a matéria.ar ischPartenRirchen7 %OKM. h( que registrar os coment(rios dos que. e a 5onferência 8nternacional para a >nifica!ão do 7ireito ./2658O68. partindo do pressuposto de que a 5onven!ão constitui um instrumento necess(rio. D. é ineg(vel que o direito de 2silo tende a sofrer. perseguindo. mas também. merece especial aten!ão a 5onven!ão Européia para a /epressão do +errorismo. desde os tempos da $ociedade das 6a!)es.. manifestou-se uma firme tendência a buscar solu!)es parciais.

enquanto o regime parlamentar.rancesa. também 2$$E1-3T82 5O6$+8+>86+EL. %OEE. Enquanto os defensores do regime de 2ssembléia vêem nisso a reali"a!ão de uma maior democracia. 1_nchen %OKIY . 5om o tempo tende-se a limitar a autonomia do poder judici(rio. 2 2ssembléia constituinte é eleita com fins precisos e limitados no tempo. 81asile territorial7 Con09rence des . D-& %OEO. %EO%Y 2ssembléia nacional. na celebra!ão da missa. o 5omício. segundo a nova liturgia.ations Vnies J. a 7ieta. tipo conven!ão da hist#ria inglesa. 3E7>5. [ aboli!ão da distin!ão entre uma maioria Jque governaL e uma minoria Jque controlaL e ao perigo da instaura!ão de uma tirania da maioria. para submetê-lo a um maior controle democr(tico e popular. -/231u33E/. +ipologicamente. &'& ss. enquanto corpo separado que age em vista de interesses particulares. 8a convenzione europea per la repressione del terroris o) in ]/ivista di 7iritto 8ntema"ionale]. regionais e estaduais. e leva. embora haja precedentes nos . para distingui-la da 2ssembléia legislativa ou .. /O6686O. ou seja. por outro lado. =. 3`88. junto ao sacerdote. de cond*minosL. 2. para indicar o #rgão em que estão representados os =overnos de quase todos os países Ja 2ssembléia =eral das 6a!)es >nidasLY e no direito eclesi(stico quando. +ambém na hist#ria colonial inglesa se usou o termo 2ssembléia para indicar os #rgãos representativos das col*nias americanas. 6ea Uorg %OE%Y =. no regime de 2ssembléia o momento e ecutivo é reali"ado através de uma pluralidade de comitês. de acionistas. os conselhos comunais. . 2chamos de novo a e pressão no direito internacional. para indicar o #rgão representativo da na!ão Ja 2ssembléia nacional. . como a atividade legislativa e o controle do e ecutivo. 5Gtradition in interna-tional laH) >niversit4 . Enquanto no direito privado indica a reunião de todas as pessoas diretamente interessadas na solu!ão de problemas comuns J2ssembléia de s#cios.arlamento. d( uma relativa autonomia ao poder e ecutivo. a decis)es apressadas. fases. %EFOY 2ssembléia legislativa. sendo precisamente a 5onstitui!ão o ato que. o poder constituinte é um poder superior ao poder legislativo. provinciais. se destaca o papel dos fiéis. DD% ss. $0E2/E/. G)ln. usa-se este termo para indicar o corpo legislativo. o termo ocorre tecnicamente com três significadosB 2ssembléia constituinte. Jv. no direito p9blico indica o corpo representativo de toda a entidade coletiva. O termo 2ssembléia é geralmente usado para indicar qualquer tipo de reunião de v(rias pessoas para discutir ou deliberar sobre quest)es comuns.ortanto. e pressão direta da vontade popular.arlamentoY regime de 2ssembléia. <E8+E/ e P.or regime de 2ssembléia se entende um sistema político no qual todos os poderes estão concentrados numa s# 2ssembléia. para regular o funcionamento dos principais #rgãos de Estado e consagrar os direitos dos cidadãos. coligadas organicamente entre si. 2 . 1O$5O68. pp.arlamentos. para o passado. o 2rengo. para distingui-lo do regime parlamentar em sentido estritoY e 2ssembléia. esta forma de organi"a!ão do poder é a e pressão de uma democracia po-pulística.en.em. o regula e o limita. -erlin. Pien %OKO. 2 2ssembléia age com base no critério majorit(rio dentro dos limites postos pela 5onstitui!ão.ortanto. c52/3O -2378d A&&e(%l0ia.K' 2$$E1-3T82 5arl 0e4manns. 2 no!ão de 2ssembléia constituinte emerge nos fins do século `<888 com a /evolu!ão 2mericana e /evolu!ão . /oma %OKOY +sytrecht ais &enschenrecht) ao cuidado de +. Oceana.Y 6. 1uito freq_entemente e precisamente para destacar que a 5onstitui!ão é um ato que emana diretamente do povo. com a implícita desaprova!ão do princípio da separa!ão dos poderes. instaurando o =overno. para contrap*-la [ representa!ão. 1as é um poder e cepcional.ve) Eanvier LVZZL7 in ]2nnuaire .Y . 5. de um lado. +osi. 8e convenzioni ullilalerali europee di estradizione e di assistenza giudiziaria in at9ria penale) . instituídos pela 2ssembléia sem iniciativa por parte do =overno. <erlag G. 0aag %OKIY 8.ran!ais de 7roil 8nternational]. -oon. contradit#rias e confusas em contraste com a paralisia dos #rgãos e ecutivos.ress. respons(vel em rela!ão [ 2ssembléia mas dotado de uma unidade pr#pria para indicar o direcionamento político do =overno. .. que se d( somente no momento da funda!ão do Estado.. que não acha nenhum limite nem nenhum freio para satisfa!ão de sua vontade. o . T investida do mandato de fa"er uma 5onstitui!ão escrita. Diplo atic asylu 7 8egal nor s and political reality in 8atin + erican retations) 6ijhoff. que contenha uma série de normas jurídicas. 1anchester. os advers(rios mostram que isso leva. ``888. para indicar a reunião das duas 5WmarasL. 6o vocabul(rio político. mas se trata sempre de um uso translato. com seu sistema de pesos e contrapesos. pp. . ela é submetida a um re0erendu ) para controlar se a a!ão dos constituintes corresponde ou não ao mandato recebido.ran!a usou por v(rias ve"es este termo. ao qual são subtraídas todas as fun!)es mais especificamente políticas. %FEI.. 7e fato.

d( vida [ muitos aspectos. mas quais. +al todo o povo na elabora!ão de tal ato parecia. a 7eclara!ão da 8ndependência. 7e tal objetiva impossibilidade se organi"a!ão jurídica estatal. não s# cronologicamente. pois. dos estudantes. e traordin(rio e tempor(rio. livre no de constitui!)es escritas.inalmente.O7E/ Estado. normativos]. 7a direta Ja 2ssembléia dos oper(rios. premiaria apenas as necess(rias [ concreta atua!ão do novo ordenamento. que fa" surgir um novo ordenamento. absolutamente. O características da e traordinariedade e da recurso [ 2ssembléia.L e em particular no desenvolvimento democr(tico por ela dado [s teorias A&&e(%l0ia Con&tit'inte. #rgão e traordin(rio enquanto o e ercício da de reali"a!ão de uma maior participa!ão. O renovado e ercício dessa fun!ão burocr(tico e processos de tipo olig(rquico. Ele é fonte de definitiva da =rã--retanha. leva ao funcionamento. 7estes te tos. +al doutrina. cuja essência est( deviam. que precede. \ O pressuposto ideol#gico c685O32 12++E>58d da 5onstituinte foi identificado na doutrina do 5O6$+8+>58O6238$1O Jv. da assembléia. enquanto capa" de ordenar e recondu"ir a entretanto. 2 2ssembléia terminam por desconhecer ou não entender as reais constituinte é também #rgão tempor(rioB ela ser( necessidades da base. cuja a!ão poderia ser submetida [ chamada forma!ão derivadaL. na controle sobre o processo de decis)es ou como modo verdade. s# esva"iamento do movimento. um Estado. fundamentais da organi"a!ão estatalY tais normas +rata-se do poder constituinte. nature"a da fun!ão constituinte. nos Estados modernos. depois de verificar-se tal evento. 9nica sede do verdadeiro poder de decisão que é representa a atividade específica. 7e outra sorte. derivam para ela as duas burocracias que administram as for!as sociais. as 9ltimas das %EEK. irreali"(vel sob uma unidade toda a série de rela!)es sociais. embora nem sempre contraposta tanto [s representa!)es eleitas como [s 9nica. de p*r \ em outros termos \ as regras O povo devia participar na determina!ão das regras fundamentais do ordenamento jurídico estatal. avalia!ão de uma sucessiva consulta popular. . -aseando-se nisso. o termo 2ssembléia é usado também 2 2ssembléia constituinte é precisamente uma das para valori"ar uma institui!ão baseada na democracia formas de manifesta!ão do poder constituinte. alguns foram . a reali"a!ão hist#rica do sentido de que ela ]tira apenas de si mesma e não de mítico ]contrato social]. 2 idéia da participa!ão de outra fonte o seu limite e a norma da sua a!ão]. condenando-o [ para o desenvolvimento de fun!)es particulares nulidade política. \ 5om a e pressão 2ssembléia pelo consenso volunt(rio dos homens livres e iguais constituinte se designa um #rgão colegial.L. no tempo de sua luta e separa!ão fontes de produ!ão do direito objetivo. por sua nature"a. com a nega!ão de toda a forma de 5onstitui!ão. e não derivada o 5ongresso convidou as col*nias desprovidas de de outros ordenamentos. 88. +al poder é catalogado entre as 2mérica do 6orte.ode-se. pr#prias cartas constitucionais. cada Estado criou as fim e nas formas através das quais ele se e plica. cujo e ercício etc. O/8=E6$ 08$+h/852$. se levado [s e tremas dissolvida com a entrada em vigor da nova conseq_ências. 2 2$$E1-3T82 5O6$+8+>86+E E O . via no pr#prio Estado um organismo criado 5O6$+8+>86+E. O documento não falava da pr#pria juridicidade. a ra"ão da pr#pria validade e =overnos eficientes a darem-se autonomamente uma est(vel organi"a!ão política. ser fi adas num documento. neste caso. ficando eventualmente em organi"a!ão e de dire!ão política. pela pensamento de $ie4bs e de /ousseau \ a necessidade primeira ve". e também quando um de investir da fun!ão constituinte um #rgão ordenamento soberano passa a fa"er parte de outro Ja representativo. é 9til para fun!ão constituinte pode verificar-se uma s# ve" na impedir degenera!)es de tipo parlamentar ou vida de um Estado. O poder constituinte é pois. com inteira desvantagem da maioria ap(tica.2$$E1-3T82 5O6$+8+>86+E K% . serão criadas por ]fatos também logicamente. ao menos como instWncia de temporaneidade. que é Estado na vontade de todos os componentes da investido da fun!ão de elaborar a 5onstitui!ão do comunidade. quando num certo territ#rio se forma. 1as. importantes conseq_ências eram tiradas. por assim di"er. partindo da hip#tese da origem con-tratualística do 8. nos casos de forma!ão fa"ia derivar \ neste sentido é orientado o original. que numa ]vontade absolutamente prim(ria]Y prim(ria no constituísse. Estado. 2s primeiras figuras de 2ssembléia constituinte se afirmar que toda nova forma!ão estatal passa necessariamente [ e istência através da e plica!ão de encontram na hist#ria das col*nias inglesas da um poder constituinte. 8dentificada a fonte dos poderes do representativo. vontade. jusnaturalísticas do século `<888. portanto. 5om a resolu!ão de %'-Iprodu!ão das normas constitucionais. minorias ativas e dinWmicas. que têm em si mesmos. mas foi interpretado em tal sentido. 2 2ssembléia constituinte é.

e do período %OMM-MIL. no tempo da revolu!ão bourb*nica. a qual. preparou. enquanto se discute a avalia!ão da 5onven!ão de . desde os liberais [ corrente bolchevique da social-democracia. a assembléia. se denomina ]=overno provis#rio] Jo =overno provis#rio espanhol de %O&%. as 2ssembléias constituintes podem apresentar not(vel variedade de características particulares. composta por representantes dos Estados da 5onfedera!ão. Jcomo quando da convoca!ão da 5onven!ão por parte da 2ssembléia legislativa francesa em %EOD. é sempre. 6essa altu- ra.O3O=82 72 86$+8+>8^RO. 6umerosíssimas foram pois as 5onstituintes convocadas no decurso dos séculos `8` e ``. geralmente. Em tais casos. mantém sempre o car(ter da e traordinariedade. a 2ssembléia nacional francesa de %EFO. a classe mais progressiva da sociedade. puseram em evidência o surgir dos social-revolucion(rios como primeira for!a política do país. pela primeira ve". +8. . %FE'. 2 este prop#sito. $ob o aspecto formal. sobretudo. na verdade. a distin!ão. \ Embora cumprindo a mesma fun!ão. +endo a assembléia recusado ratificar a a!ão do poder bolchevique. ou então por um #rgão revolucion(rio que. ao invés. por assembléias especialmente eleitas para tal fim. depois de elei!)es que. na opinião de abali"ados autores. a mesma 5onstitui!ão federal dos Estados >nidos da 2mérica foi obra de uma conven!ão e traordin(ria. 888. mais tarde enunciada por $ie4bs. seguidores também na Europa. antes de outubro de %O%E. embora fosse #rgão regulado pela 5onstitui!ão na7ole*nica do ano <888. a decisão constituinte pode ser tomada por um #rgão do ordenamento antecedente. os bolcheviques sustentavam que o poder revolucion(rio. foi uma conven!ão convocada apenas para revisar a 5onstitui!ão pree istente e depois se autoelevou a conven!ão constituinteL. por sua ve". entre poder constituinte. adu"indo a ra"ão de que as listas eleitorais j( não refletiam as rela!)es reais de for!a e. mesmo no período entre fevereiro e outubro de %O%E. para e ercerem a fun!ão constituinte. não podia conviver com um sistema democr(tico-parlamentar. +anto foi assim que os primeiros decretos do poder bolchevique sobre a pa" e sobre a terra foram emitidos em forma provis#ria. de que o proletariado industrial. não podia submeter-se [ vontade de classes e grupos sociais menos progressistas. 2 primeira 2ssembléia constituinte européia foi. Os e emplos nos vêm da hist#ria constitucional francesaB os Estados gerais proclamaram-se 2ssembléia nacional em %E de junho de %EFO e o senado conservador. [ distWncia de poucos anos. 3enin foi intransigente fautor da convoca!ão da assembléia. 6a grande maioria dos casos.recisamente pode se dar que seja o pr#prio #rgão que teve a iniciativa aquele que venha a assumir a fun!ão constituinte.KD 2$$E1-3T82 5O6$+8+>86+E elaborados por assembléias que desenvolviam também uma fun!ão legislativa ordin(ria. embora fosse constituída por um #rgão ]ordin(rio] previsto pelo precedente ordenamento. a 2ssembléia constituinte é um #rgão eleito especialmente para elaborar a nova carta constitucional Jas 2ssembléias nacionais francesas de %OMI e de %OMK e a 5onstituinte italiana de %OMKL. de que a assembléia constituía uma institui!ão típica. que marca a abertura do processo constituinte. obra dos grupos políticos dominantes nesse particular momento hist#rico. Outros. 6esta diferencia!ão de #rgãos pode-se ver afirmada. Em geral. que cria a 5onstitui!ão. destinado a consolidar um sistema de ]democracia prolet(ria]. no período imediatamente seguinte. ainda que implicitamente. ou até mesmo contrarevolucion(rios. [ parte as atividades preliminares ou de autoorgani"a!ão Jnomea!ão do presidente. os =overnos provis#rios franceses de %FMF. derivando-o diretamente da titularidade da fun!ão constituinte. $ucessivamente. pode-se afirmar que através da 2ssembléia constituinte foram criadas as cartas constitucionais dos modernos Estados democr(ticos. 2 e periência americana teve. que têm no primeiro a sua origem e que devem ser e ercidos dentro do respeito das regras constitucionais. a 5onstitui!ão de K de abril de %F%M. 2 idéia de que o nascimento da democracia na /9ssia ap#s a derrocada do c"arismo devia passar pela a!ão de uma 2ssembléia constituinte havia-se tornado comum aos movimentos e partidos russos. efetuadas com base nas listas formadas durante o =overno de Gerensgi. na e pectativa da ratifica!ão da 2ssembléia constituinte. 2 iniciativa. e poderes constituídos. Em rela!ão [ atividade da 2ssembléia constituinte. merece uma referência particular o papel que tiveram na hist#ria russa o pedido de convoca!ão de uma 2ssembléia constituinte. apresentado pelas for!as antic"aristas. 3enin decidiu dissolvê-la. bem como sua dissolu!ão. decisão sobre a . mas ela pode também ser formada por um #rgão colegial j( e istente. fundamentalmente.iladélfia pelo 5ongresso americano em %EFE. ou ainda por um sujeito e trínseco ao Estado. e a sua conseq_ente convoca!ão. um Estado estrangeiro Ja iniciativa do Estado inglês de convocar uma 5onven!ão nacional irlandesa em %O%EL. Esta reuniu-se em %F de janeiro de %O%F. isto é. ado!ão de um regulamento interno. cujo voto tinha sido dado majoritariamente aos bolcheviques. isto é. que não entrou em fun!ão.

o projeto é obra de #rgãos internos da mesma 5onstituinte Jcomitês ou comiss)esL.3t. [ qual pode ainda competir eleger o presidente Jpor e .2$$E1-3T82 5O6$+8+>86+E K& publicidade a ser dada aos trabalhosL. normalmente qualificado de ]=overno provis#rio]. a aplica!ão e clusiva por parte do #rgão representativo bastaria para esgotar todo o campo de atividade constituinte. da forma!ão de um Estado federal através da união de v(rios Estados soberanos.elo contr(rio. por ve"es. o conselho de comiss(rios do povoL. ou pelas duas 5Wmaras de maioria de dois ter!os. . Eles devem limitar-se a modifica!)es nos detalhes e a dar apêndices ao te to constitucional vigente. previsto e regulado pela 5onstitui!ão. a primeira fun!ão da assembléia é a de chegar [ formula!ão de um projeto preliminar que constitua a base sobre a qual se dever( desenvolver a discussão. I. desde que se mova a partir do princípio da soberania nacional.. a e periência hist#rica parece ter-se inspirado em motivos de contingente oportunidade política. . se bem que a nature"a de tal ato seja discutida doutrinalmente. pode-se notar que. O e ercício do poder de revisão. pode entrar também na competência de assembléias especiais. O poder de revisão. com base no qual o poder reside inteiramente numa entidade impessoal que ultrapassa os cidadãos. caracteri"ado pela previsão de um procedimento particular. no ordenamento provis#rio do Estado. de uma maneira geral. em todo o caso.3g. um poder constituído. sejam elas #rgãos ordin(rios de revisão. é. /9ssia -ranca e +ranscauc(sia em %ODDY em outros. $e porém através do seu e ercício emanam atos de nature"a constitucional. 6os casos. a 2ssembléia constituinte francesa de %OMI. pois. formados de tal maneira que espelhem as orienta!)es políticas da assembléia. como no caso do acordo entre a /9ssia e >crWnia. 2s assembléias de revisão. que era chamada a eleger o presidente e a aprovar a composi!ão e o programa do =overno provis#rioL. 6estes termos se e primiu /ousseau. afirma que os representantes atuam no lugar da na!ão e que sua vontade comum é a da pr#pria na!ão. 2 2ssembléia constituinte pode. porém. não podem entrar no conceito de 2ssembléia constituinte pela pr#pria nature"a da atividade que desenvolvem. pode entrar em vigor em virtude da e clusiva delibera!ão desta ou depois de uma sucessiva consulta popular Jre0erendu ou plebiscitoL. a 2ssembléia nacional francesa de %EFOLY outras ve"es fica circunscrita a algumas matérias particulares Jv. parece l#gica conseq_ência achar necess(ria a interven!ão do povo. na verdade. surge o problema se é necess(ria uma manifesta!ão de vontade destes 9ltimos para aceita!ão da nova 5onstitui!ão. é possível fa"er uma distin!ão segundo ela desenvolve unicamente um trabalho de elabora!ão da nova 5onstitui!ão ou e erce outras fun!)es. no que respeita ao poder de revisão. houve uma ratifica!ão sucessiva. . 2ssim o art.inalmente.reuss para a 2ssembléia de Peimar. $ie4bs. de fato. porém. 2 nova 5onstitui!ão. ao contr(rio. em que se segue o normal procedimento legislativo. [ base da qual todos os cidadãos são titulares do poder soberano e têm o direito de participar em seu e ercício. é inteiramente entregue [ assembléia Jpor e . 2 pra e é discordante a este respeito. o 7.assando agora ao e ame da atividade relativa [ forma!ão da nova 5onstitui!ão. salvo a matéria constitucional. pode-se notar que para o princípio da soberania popular. sempre foi entregue a um #rgão mais restrito. com a mesma efic(cia dos que criaram a 5onstitui!ão. n.. ou por uma 5onven!ão convocada a pedido de dois ter!os das legislaturas dos Estados-membros. +al fun!ão pode ser cumprida com a simples ado!ão de um projeto preparado por v(rias pessoas que possam agir por iniciativa pr#pria Jo projeto apresentado pelos delegados da <irgínia [ 5onven!ão de . seja em regime de constitui!ão fle ível. referindo-se [ fun!ão constituinte. tais atos não podem instaurar um novo ordenamento. ao =overno. O e ercício da atividade legislativa.arece portanto e ato definir o poder de revisão como . seja em regime de constitui!ão rígida. sejam #rgãos especiais.] da 5onstitui!ão americana prevê que as emendas ao te to constitucional podem ser propostas. 2 maior parte das ve"es. 6o que toca a estes dois sistemas diversos. para adequ(-lo [s e igências que historicamente se manifestaram. mais do que em rigoroso desenvolvimento de princípios doutrinais. +odavia.n OF. de %K de mar!o de %OMK.. [ base do qual ]o poder legislativo ficava delegado.iladélfiaL ou por encargo Jo projeto preparado pelo jurista . respons(vel politicamente frente [ assembléia. com e ce!ão das leis eleitorais e das leis de aprova!ão dos tratados internacionais. que seriam deliberados pela assembléia]L. por encargo do =overno provis#rio. na 8t(lia. 2 fun!ão e ecutiva. . esse poder é e ercido pelos #rgãos de legisla!ão ordin(ria. Em certos casos houve uma aceita!ão prévia. +al sistema foi seguido pela 2ssembléia constituinte italiana de %OMK. 6esta segunda hip#tese pode incluir-se a ratifica!ão da 5onstitui!ão federal americana por parte de conven!)es especialmente eleitas em cada um dos Estados da 5onfedera!ão. ser titular da fun!ão legislativa ordin(ria e da fun!ão de dire!ão política. uma ve" discutida e aprovada pela assembléia.

+irava seus princípios informadores da contribui!ão universal para a sociedade humana precisamente da cultura européia e da doutrina da igualdade de todos os homens defendida pela /evolu!ão . 6este caso. >+E+. s# nas :uatre Co unes do $enegal foi aplicada uma política de 2ssimila!ão total. Consliiuiiona[ conventions 5allaghan.O38$d africanos administrados pela . 2s associa!)es diferem amplamente umas das outras pelo que di" respeito ao grau de organi"a!ão. 5hicago %FFEY 5. devendo e plicar-se num sentido circunscrito. c<85E6SO 38. os poderes e os procedimentos dos participantes. palavra Poiere Costituente) . +odo o associacionismo disp)e de uma estrutura formal centrada em rela!)es de tipo secund(rio. . 1O/+2+8. 2 política colonial da 2ssimila!ão invocava a identidade entre a col*nia e a p(tria-mãe. 2 grande maioria dos africanos não podia. palavra Costituente J2. junto da qual e iste também uma informal. +odavia. >+E+. se conseguia o status de assimilado por meio de um comple o procedimento legal. A21E$O6. baseando-se sobre o princípio da igualdade de todos os homens. era e igido um profundo conhecimento da língua portuguesa. . c2662 12/82 =E6+838d A&&ociacioni&(o Vol'ntário.. A&&i(ila*+o. 1ilano %OEDY . defendia que não e istiam diferen!as que não pudessem ser superadas pela instru!ão e pela a!ão da ]missão civili"adora] da cultura européia e cristã. Em outras regi)es.8E/267/E8. portanto. +orino %OIO. a esta segunda acep!ão do termo. Em %OK%.KM 2$$81832^RO um poder constituinte em sentido impr#prio. . aos critérios mais ou menos seletivos de recrutamento dos membros. religião cristã.ran!a.L in . 6os territ#rios 8.rancesa. =eralmente as associa!)es volunt(rias são classificadas com base nas principais fun!)es que elas desempenham ou nos interesses prevalentes que as originam. #I#LIO)RAFIA.ortugal \ aderiu. /oma %OMI. Em termos políticos. por esse motivo. ao nível mais ou menos elevado de envolvimento pessoal. 2té o início da guerrilha de 2ngola J%OK%L. devia possuir-se uma renda de determinado nível e dar provas de ser cat#lico e de ter um ]bom car(ter]. +orino %OKKY A. bom nível de instru!ão e boa conduta. de uma forma geral. com todos os direitos e deveres inerentes a tal estado. -2/83E.ara que tal status fosse concedido. 2ssimila!ão designa a teoria posta na base dos sistemas coloniais francês e português. por e emplo. .. entre a col*nia e a p(tria-mãe. agora em Racc\lta di scritti7 =iuflrb. 62+>/ES2 E . de tipo administrativo. considerada superior.. no sentido de que se trata de uma entidade organi"ada de indivíduos coligados entre si por um conjunto de regras reconhecidas e repartidas. conseguir o status de assimilado. que procede da intera!ão espontWnea de personalidades e de subgrupos e istentes dentro dela. que requerem dos participantes a especificidade ou a difusivi-dade das metas a atingir. E istem. a atividade de revisão pode ultrapassar os limites e plícitos e implícitos que lhe foram impostos. político e econ*mico. O mecanismo da 2ssimila!ão era semelhante nas col*nias portuguesas. que definem os fins.ortugal aboliu as diferen!as entre assi ilados e indígenas e concedeu a todos a cidadania portuguesa. \ 2s associa!)es volunt(rias consistem em grupos formais livremente constituídos. todavia. modificando os princípios fundamentais que estão na base do ordenamento e que o caracteri"am. 2 política da 2ssimila!ão adotada pelas potências coloniais \ . 2. para se poder go"ar do privilégio da cidadania francesa.ovíssi o Digesto) 8<. 8a Costituente7 7arsena.ran!a e . era necess(rio demonstrar possuir qualidadesB conhecimento profundo da língua francesa. 2 2ssimila!ão total requeria para o s9dito colonial o mesmo tratamento reservado para o cidadão da p(triamãe. com base em determinados modelos de comportamento oficialmente aprovados. temos o verdadeiro e ercício do poder constituinte e as assembléias de revisão devem ser qualificadas de ]#rgãos constituintes]. 2 2ssimila!ão total. associa!)es .] +al política de 2ssimila!ão é definida como gradualista eXou seletiva.ovíssi o Digesio7 `888. 6a teoria da 2ssimila!ão distinguem-se duas linhas de pensamentoB a primeira sustentava a 2ssimila!ão total e pessoal dos povos submetidos [ domina!ão colonial.>6^pE$. e que est( centrada sobre rela!)es de tipo prim(rio.. O fundamento desta particular configura!ão de grupo social é sempre normativo. aos quais se tem acesso por pr#pria escolha e que perseguem interesses m9tuos e pessoais ou então escopos coletivos. 2 segunda linha de pensamento julgava impossível a 2ssimila!ão total e era a favor de uma 2ssimila!ão parcial.

econ*micas. que sucessivamente os s#cios criem finalidades secund(rias que. etc. e em particular a /evolu!ão 8ndustrial. terminam por alterar significativamente ou por mudar totalmente tudo o que a associa!ão se propunha alcan!ar na data da constitui!ão. Em termos de rela!ão indivíduo-Estado. e em particular as associativas.ode de fato acontecer que uma associa!ão surja em seu princípio para reali"ar metas diversas das que foram anunciadas ou. que são levados a ocupar. . via de regra. Outrora. em condi!)es de satisfa"er as necessidades tanto de tipo instrumental como de tipo e pressivo. 7eve. 2 fun!ão mediadora das associa!)es volunt(rias. 2 instaura!ão de regimes democr(ticos foi o segundo acontecimento decisivo para o aparecimento e o desenvolvimento das associa!)es volunt(rias e representa uma condi!ão indispens(vel para que estas possam e istir. 1uitas associa!)es. >ma tal interpreta!ão é sustentada por 1annheim e outros. 2inda que algumas associa!)es estejam particularmente difundidas e sejam plurifuncionais. não esgotam nunca a totalidade de rela!)es que constituem a vida inteira das comunidades. 2 78. possuir um sistema eficiente de comunica!ão interna e e ercer um controle sobre as atividades desenvolvidas. sempre mais comple a e sempre mais caracteri"ada pela multiplica!ão de rela!)es de interdependência entre seus membros. é também verdade que nem em todas as sociedades contemporWneas se lhes reconhece not(vel ou até decisiva relevWncia. enquanto se posicionam como entidades de equilíbrio do poder central e como instrumento para a compreensão dos processos sociais e políticos. se encontra a sua diferencia!ão da comunidade. . 2s transforma!)es sociais. religiosas. 7uma"edier afirma que as associa!)es volunt(rias nasceram da demo cracia e +ocqueville defende que a democracia se desenvolveu em grande parte através delas. ao mesmo tempo. como os políticos. T o caso evidente da sociedade totalit(ria. v(rias posi!)es sociais Jfen*meno da pluricoloca!ãoL. cooperativas de produtores e de consumidores permitem alcan!ar a seguran!a pessoal.2$$O58258O68$1O <O3>6+:/8O KI culturais. e portanto surgiram novas estruturas. a participa!ão e a lealdade dos pr#prios s#cios. da auto-e pres-são e de a!ão coletiva. qualquer associa!ão volunt(ria deve garantir. recreativas. na consecu!ão de suas metas. através de uma série de incentivos e de gratifica!)es. políticas. além disso. tendem a dar maior relevo ao pr#prio aparelho organi"ativo do que [ participa!ão de cada participante. como asseguram aos pr#prios membros a interven!ão no controle destas 9ltimas. tanto a comunidade como a 8greja e a família patriarcal estavam em grau de satisfa"er e igências fundamentais de seguran!a pessoal. 6umerosos tipos de associa!)es sociais. d( aos membros uma série de satisfa!)es psicol#gicas. com o tempo. mesmo e istindo. \ 2 difusão do 2ssociacionismo volunt(rio constitui uma das manifesta!)es de relevo da sociedade moderna.>$RO 7O 2$$O58258O68$1O <O3>6+:/8O. 2s causas mais destacadas que determinaram o desenvolvimento do fen*meno associativo devem ser procuradas no processo de industriali"a!ão e de urbani"a!ão e na instaura!ão dos regimes democr(ticos. as associa!)es volunt(rias são consideradas essenciais para a manuten!ão de uma democracia substancial. 2s associa!)es volunt(rias e istem de fato em todas as sociedades democr(ticas. tanto suas fun!)es manifestas quanto as fun!)es latentes. $e é verdade que uma diferen!a entre a época medieval e a época moderna est( precisamente no aumento de grupos com interesses especiali"ados e atividades diversificadas. asso cia!)es de socorro m9tuo. 88. fica concentrado no Estado ou . até na mais envolvente. 7aqui a necessidade de identificar. para alcan!ar determinadas metas. na qual os agrupamentos volunt(rios. então. os recreativos e os culturais. não possuem praticamente nenhum poder. redu"iram notavelmente a capacidade destas estruturas tradicionais para fa"er frente a esta série de e igências. associa!)es comerciais. políticas e econ*micas não s# ajudam a compreender as dinWmicas sociais. tanto os econ*micos. através de um efetivo conhecimento destas agremia!)es. estabelecendo uma liga!ão concreta entre sociedade e indivíduo. profissionais. 6a pr#pria setorialidade interna de cada associa!ão. de controle da realidade circundante. que especificam nos grupos livremente escolhidos um dos meios principais para o progresso do desenvolvimento individual. o qual. que pode permitir a cada pessoa um maior conhecimento do papel que desempenha no Wmbito da sociedade.ara alcan!ar as pr#prias metas. Elas atingem todos os setores da vida social. 6em sempre porém as metas efetivas correspondem aos fins oficiais. 2ssocia!)es de todo o gênero satisfa"em as necessidades de companhia humanaB associa!)es econ*mico-sindicais. [ medida que se tornam amplas e comple as. os espirituais e os intelectuais. segundo conhecida teo-ri"a!ão de +)nnies. ainda que seu papel possa ser diverso e mais ou menos importante.

varia muito de país para país. preocupado e receoso da e istência de for!as que lhe poderiam ser hostis. na tradi!ão cat#lica. bL Os inscritos em partidos e círculos políticos são contemporaneamente membros de outras organi"a!)es em propor!ão maior do que a dos inscritos em outros tipos de associa!ão. mesmo apolíticas. no sentido de que aqueles que fa"em parte dos estratos sociais superiores. 2 . a participa!ão nas associa!)es volunt(rias formalmente organi"adas varia no Wmbito de uma mesma comunidade. The Eoiners$ a sociol'gicaC description o0 voluniary associati'n e bership in the %nited (tates7 -edminster . . a participa!ão gira em torno de &I-IIe Je cluídos os sindicatosL. em contraste com apenas Me de habitantes de uma cidade indiana. nos Estados >nidos. o qual. . são orientados no sentido de diminuir a sua participa!ão em associa!)es volunt(rias. 1. Em primeiro lugar. 02>$G6E50+. \ >ma das tem(ticas mais pesquisadas a fundo que se relacionam com o 2ssociacionismo volunt(rio é a das características quantitativas e qualitativas da participa!ão. 5om respeito a uma 9ltima rela!ão particularmente significativa \ aquela que e iste entre participa!ão em associa!)es volunt(rias e atividades políticas \. %'. %OKDY 1. Em segundo lugar. 888. que desenvolve muitas fun!)es que nos Estados >nidos são dei adas aos =overnos locais e aos cidadãos. =>86502+. . salientar os três aspectos essenciais e de alguma maneira ra"oavelmente generali"(veisB aL 2queles que pertencem a associa!)es políticas. na tradi!ão liberal estritamente ancorada na liberdade individual.A. 1E8$+E/. M. em outras associa!)es em medida menor do que aquelas que aderiram. tendem a aumentar a participa!ão. por e emplo. por e emplo.ran!a e na 8t(lia. o associacionismo não encontrou os obst(culos de ordem legislativa que encontrou na . não s# a condi!ão de s#cio. $egundo estimativas dos anos K'. /O$E. $e j( +ocqueville tinha percebido o ne o entre e pansão do 2ssociacionismo volunt(rio e regime político. tanto da 2mérica quanto da Europa. cL 2 participa!ão numa associa!ão política e erce um ]efeito catalisador] na participa!ão em outras atividades organi"adasY os resultados de algumas pesquisas.ran!a. <88. #I#LIO)RAFIA. em que os inscritos têm o direito de voto. por e emplo. do confronto do conte to francês com o norteamericano. 2 supressão da liberdade de associa!ão é de fato uma das primeiras iniciativas dos regimes autorit(rios. enquanto que aqueles que pertencem aos estratos inferiores. e precisamente aqueles que ocupam posi!)es sociais mais elevadas dela fa"em parte em medida maior do que aqueles que ocupam posi!)es sociais menos elevadas. a uma organi"a!ão política. /ose.78E/ e 5. com o aumento da idade. conforme j( se acentuou. na verdade. e na $uécia atinge os I%e.assaremos a considerar alguns dos aspectos mais freq_entes e significativos.arece e istir também uma tendência na base da qual a participa!ão em associa!)es volunt(rias depende ainda da posi!ão social. enfim. e cluídos os sindicatos. chega [ conclusão de que as causas do menor desenvolvimento e da menor relevWncia do associacionismo na . no forte =overno central. pela primeira ve". +((4ciations volontaires et de loisir7 5ssai bibliographi/ue) em ]5entro $ociale]. %OIFY 2. pode-se. Estas afirma!)es acham confirma!ão nos resultados de numerosas pesquisas específicas e de comunidade. 7eve-se acrescentar ainda que a importWncia relativamente escassa das associa!)es volunt(rias formais como fonte de contato social para a maior parte dos trabalhadores se torna ainda mais evidente quando se considera. com respeito aos Estados >nidos da 2mérica. e a partir de uma an(lise comparativa se percebe claramente que os países n#rdicos. mas ainda a efetiva participa!ão nas atividades associativas. Theory and ethod in the social sciences) >niversit4 of 1innesota . estão na deliberada repressão das formas associativas por parte do =overno. c<85E6SO 5E$2/EOd . colocam em evidência que as pessoas que aderiram num primeiro momento a uma associa!ão não política se inscreveram. 6ea Uorg %OKDY 2. a participa!ão de associa!)es volunt(rias formalmente organi"adas. participam das consultas eleitorais em medida maior do que aqueles que não fa"em parte de grupos formais volunt(rios. onde o direito de associa!ão foi suprimido durante o fascismo. Vers une sociologie des associa-tions7 em ]2rchives 8nternationales de $ociologie de la 5oopération]. com o passar dos anos.ress. 7>12S. numerosos estudiosos aprofundaram posteriormente e com maior sistemati"a!ão esta rela!ão.2/+858.ress. Entre estes lembramos.2^RO.KK 2$$O58258O68$1O <O3>6+:/8O num partido ou num grupo muito restrito de pessoas que controlam o Estado. 6os Estados >nidos da 2mérica e na $uí!a. conforme os diversos estratos sociais a que pertencem os habitantes. 1mneapohs %OIM. num segundo momento. apresentam a mais alta pefcentagem de participa!ão.

elas podem filiar-se somente a uma ou a outra das articula!)es e istentes. separa!ão das empresas de participa!ão estatal. Os acontecimentos e as polêmicas que marcaram a hist#ria recente das associa!)es do patronato industrial italiano Jpor e . .or todos estes motivos. a e igência de associar-se surge. mas de v(rias confedera!)es. num sistema social em que estas 9ltimas detêm o direito da iniciativa econ*mica e em que elas constituem. . Em ambos os casos se trata de ]sindicatos]. puseram especialmente em claro a fraque"a das 2ssocia!)es patronais. uma coali"ão. Estes aspectos mostram como o associacionismo patronal se desenvolveu multiformemente. de fato. . conforme se trate de empresas multinacionais ou não. >m outro fator determinante é a elevada heterogeneidade dos interesses também sindicais das v(rias empresas. mensurada como capacidade de impor linhas comuns de comportamento [s empresas filiadasB dada também a e ig_idade de possíveis san!)es. porém. um sujeito organi"ado. porém. Em ambos os casos. %OEML. 5onfagricultu-raL. etc. agir fora das diretri"es estabelecidas pelas pr#prias associa!)es. conflitos entre as posi!)es sustentadas pelas empresas dos setores em e pansão e e postas ã concorrência internacional e as posi!)es das empresas que produ"em para o mercado interno. etc. as associa!)es dos empres(rios não dependem de uma confedera!ão unit(ria. de per si.2+/O623. 6a 8t(lia. [s ve"es. cada uma. ou para se tutelarem perante a interven!ão dos =overnos em matéria de legisla!ão social e econ*mica. sindical. do conflito dos interesses de referência. portanto. 7e fato. e as empresas. 888. é sempre possível para cada empresa agir de forma aut*noma Jassessorada pelos pr#prios consultores. ou segundo outros critérios. de grandes monop#lios ou de pequenas e médias empresas que operam num mercado concorrencial. perante os pr#prios dependentes. de tutela dos interesses dos associados nos contatos e nas negocia!)es com o =overno e com os poderes p9blicos. 8. diferen!as fundamentaisB no caso das empresas. a relevWncia das 2ssocia!)es patronais aparece muito mais restrita se comparada com a dos sindicatos dos trabalhadores. 2 predominWncia de uma ou outra fun!ão depende das condi!)es do conjunto de rela!)es industriais no momento em questão. por e emplo. por e emplo.L e plicam-se a partir da diversidade e. de um lado. o pertencer ao setor p9blico da economia ou [s empresas municipali"adas. que não são resolvidas no Wmbito da empresa. . se se considera a amplitude das fun!)es efetivamente desempenhadas em rela!ão aos associados. porém. \ 7e um ponto de vista formal e jurídico.2$$O582^pE$ . de acordo com os diversos interesses que foram surgindo. E istem. ou para se defenderem perante a a!ão organi"ada dos sindicatos dos trabalhadores J-aglioni.2+/O628$ KE A&&ocia*7e& Patronai&../E$:/8O$. umas e outras são associa!)es de direito privado e go"am igualmente da liberdade de organi"a!ão sindical. tais como a dimensão. as associa!)es empresariais são articuladas em estruturas territoriais e de categoria. legalL [s empresas filiadas. O/=268S2^pE$ $8678528$LB no sistema italiano de rela!)es industriais.>6^pE$ 72$ 2$$O582^pE$ $8678528$ 7O$ \ 2s fun!)es que as 2ssocia!)es patronais desempenham podem ser subdivididas em fun!)es de assistência e consultoria Jtécnica. como o j( cl(ssico /elat#rio 7onovan. 3818+E$ 7O 2$$O58258O68$1O .2+/O628$. assim como acontece para os sindicatos dos trabalhadores Jv. trata-se de rea!)es defensivas perante possíveis amea!as [s liberdades empresariaisB o primeiro objetivo facilitar( o surgimento de organi"a!)es de dimensão nacional Jpara manter rela!)es com os =overnos e para e ercer press)es sobre elesLY o segundo solicitar( solu!)es organi"ativas paralelas [s dos sindicatos dos trabalhadores Ja congruência dos níveis organi"ativos respectivos é e igida pela evolu!ão dos contratos coletivosL J5legg. em primeiro lugar. E1. O/=268S2^pE$ $8678528$L. contratando o mais possível dentro da empresa e procurando e ercer press)es diretas e através de outros canais sobre os poderes p9blicosL. de acordo com os pr#prios interessesY enquanto os trabalhadores inscritos nas organi"a!)es confederais pertencem necessariamente a ambas as linhas organi"acionais. os estudos e as pesquisas. 8sto depende. %OEKL. 2 nível nacional. sobre o sistema de rela!)es industriais britWnico. elas podem. as associa!)es sindicais dos empregadores se apresentam an(logas [s associa!)es sindicais dos trabalhadores dependentes Jv. para as empresas. da diversa necessidade estrutural de organi"ar-se para tutelar os pr#prios interesses coletivos que têm os trabalhadores dependentes. quando isto parecer mais conveniente a cada empresa. de representa!ão dos membros nas contrata!)es coletivas e nas controvérsias. 88. divididas de acordo com os setores econ*micos em que atuam as empresas J5onfind9stria. e assim por diante. do outro. 6aturalmente. O/8=E6$ E E$+/>+>/2$ 72$ 2$$O582^pE$ \ 0istoricamente. 5onfecomércio.

aris... 6o século `<8. como a escola. o jesuíta 1ersenne afirmava que durante as guerras de religião. 0er 1ajest4. Research Papers7 %-%'. -2=38O68. Ele. com uma economia ligada [s e igências e aos ideais das emergentes classes burguesas. a religião na sua luta pela soberania popular e por uma sociedade baseada na igualdade e na justi!a.3O/8. 8a política del patronato italiano) 7e 7onato. objetivos de bem-estar individual e coletivo. 26=E38. etc. J7onovan /eportL. $l/ -. contribuíram para redu"ir enormemente a (rea de influência da religião. Con0industria) in (toria d1It#lia) 3a 6uova 8t(lia. polemicamente. no decorrer dos séculos. esporadicamente na 8dade 1édia e largamente no mundo moderno e contemporWneo.KF 2+EC$1O 2 e periência italiana ap#s a $egunda =uerra parece indicar que nos períodos de e pansão Jmilagre econ*mico. />=2. que daí pode decorrer. nas suas v(rias tendências. na produ!ão de um costume e de uma mentalidade que não dão nenhuma importWncia [ divindade e não revelam a influência determinante de elementos religiosos. então. multiforme. se intensifiquem os esfor!os por parte das associa!)es para tornar est(vel o aumento das ades)es Jpor e emplo.iren"e %OEF.3OUE/$ 2$$O582+8O6$. atribuindo-se novas prerrogativas e fun!)es tradicionalmente reservadas [ 8greja.CI5. Os Estados laicos que se afirmaram ap#s a /evolu!ão . com o subjetivismo. com o iluminismo. de qualquer conota!ão religiosa e produ"iram a descristiani"a!ão pr(tica de largas camadas da popula!ão burguesa e oper(ria. no mundo antigo. somente em .I&57 O movimento democr(tico e radical atacou. o fortalecimento dos sindicatos dos trabalhadores. 6a época contemporWnea. com um processo de lenta mas progressiva laici"a!ão da sociedade e do Estado. o socialismo de car(ter irreligioso ou anti-religioso. #I#LIO)RAFIA. o momento associativo. ou multiplicando os servi!os de consultoria e de assistência aos membrosL. foi se difundindo e adquirindo consider(vel relevWncia social a partir do declínio da 8dade 1édia e do surgimento da civili"a!ão humanístico-renascentista e. . motivos teístas e religiosos e motivos ateístas muitas ve"es se misturaram e se cru"aram e a fé religiosa sobreviveu ou ressurgiu no interior de tendências de pensamento ou de comportamentos pr(ticos que por diversos aspectos não davam coerente justificativa dessa fé. mas também de qualquer car(ter religioso e sagrado da vida e da realidade. 1o$$t++O.ierre -a4le sustentava que podia e istir uma sociedade formada de ateus e no fim do século `<888 5ondorcet auspi-ciava o advento de uma época em que todos os homens fossem livres e não reconhecessem outro dono a não ser a pr#pria ra"ão. em forma cada ve" mais ampla. 53E==. como o liberalismo. o 2teísmo se afirmou especialmente na Europa. em geral. +orino %OEMY 2 5O33872. Videoiogia della borghe-sia industriale ne@Italia liberale7 Einaudi.26E338. -ari %OEDY 0. quer no plano cultural e filos#fico quer no plano político e social. 5om essas características.rancesa. a democracia. Essa nega!ão pode manifestar-se e plícita e. o anarquismo. R?. esperan!as. recupera!ão entre os anos E'L aumenta a propensão das empresas mais dinWmicas para a autonomia perante as pr#prias associa!)esY enquanto. volta a dar impulso [s e igências de coordenar as decis)es de cada empresa.. pp. [s ve"es. não admitindo como seu fundamento nenhuma concep!ão teol#gica e proclamando a plena autonomia em rela!ão [ 8greja.s $tationer4 Office. havia cerca de cinq_enta mil ateusY no fim do século `<88. O anarquismo condu"iu uma luta aberta e direta . 3ondres %OKFY . do outro lado. 2 /evolu!ão 8ndustrial e a e pansão do capitalismo e o surgimento da ]questão social] criaram atitudes. (indicato e conlraltazione colletliva J%OEKL . 7E 52/3868 =. combateu a 8greja e o catolicismo porque estes apareciam estruturalmente ligados [ velha sociedade aristocr(tica do +. e plícita e combativa. 1ilano %OF'Y /OU23 5O18$$8O6 O6 +/27E >68O6$ 267 E1. %&E-I&. . despojado. a assistência. na constitui!ão de tendências e movimentos. 2través deste termo se designa uma atitude te#rica eXou pr(tica de nega!ão da e istência não somente de um 7eus transcendental e pessoal. 8sto. . o 2teísmo atingiu dimens)es imponentesB desenvolveram-se correntes culturais e filos#ficas que levaram a e tremas conseq_ências as tendências racionalistas. não obstante. c872 /E=2382d Ateí&(o. T prov(vel que. O liberalismo. com a e alta!ão de uma ciência aut*noma de qualquer condicionamento metafísico. proporcionando novos espa!os para a discussão e o confronto entre empresas em matéria sindical.=. através de inova!)es organi"acionais e mudan!a de diretri"es. reativando. 8. imanentistas e antropocêntricasY constituíram-se durante o século `8` movimentos político-sociais capa"es de arrastar atr(s de si grandes massas. 3. e se e pressa com mais freq_ência na elabora!ão de idéias e doutrinas. /. em geral. 8dentificou-se e se afirmou junto com o racionalismo. portanto.

$. em síntese. base de qualquer outra emancipa!ão. levou. =232$$O. dos movimentos político-sociais. pela sua tendência em reconhecer o pluralismo no seu interior e pela sua autonomia diante de rígidas premissas ideol#gicas. os movimentos político-sociais. do car(ter irreligioso de tão grande parte da cultura. Ditad'ra. da pra e em uso nas organi"a!)es hist#ricas dos movimentos oper(rios e que se tornou mais tarde. na 8t(lia liberal. Einaudi. porém. aos dos Estados liberais do século `8`. Embora o termo hoje tenha j( entrado na linguagem corrente e certas e press)es como ]fa"er a 2utocrítica] sejam de uso quase proverbial. +rataremos. onde a concreta pra e política anti-religiosa do partido bolchevique condicionou fortemente a organi"a!ão do Estado soviéticoB no Wmbito de um regime separatista e de uma laici"a!ão institucional. em alguns dos quais. +ambém o comunismo surgiu com características ateis-tas.2>+O5/C+852 KO contra a religião e contra a 8greja. e embora preocupado em não dividir em quest)es religiosas o pr#prio proletariado. todavia. %L $egundo o uso mais geral do termo. geralmente o 2teísmo foi. no plano institucional e jurídico. O nacionalismo. minorit(rias mas significativas. -ari %OE&Y 2. c=>87O <E/>558d A'tocracia. O declínio do 26+853E/85238$1O J<. de e pressão religiosa. 7E3 6O5E. considerada o apoio e a consagra!ão do autoritarismo do Estado. patrim*nio e clusivo dos partidos de tipo mar ista-leninista. pp. vamos ocupar-nos especificamente da pr(tica da 2utocrítica em sentido pr#prio. formalmente an(logos. 8eclissi del sacro nella societ= industria2e7 5omunit[. descobrir suas causas. provocaram uma limita!ão ou uma atenua!ão do car(ter laico destes Estados.das 8grejas cristãsY o fascismo e o na"ismo Jo primeiro especialmenteL tentaram utili"ar a religião como instru entu regni) no Wmbito de ideologias e de regimes totalit(rios que destinavam para a 8greja e a religião um papel pr(tico e subordinado. E verdade. persistem ou ressurgem. por 2utocrítica deve entender-seB ]/econhecer abertamente um erro. tendências e for!as político-sociais de inspira!ão cristã e cat#lica. O processo -de laici"a!ão da sociedade e do Estado. mais tolerado do que efetivamente reconhecido J5ardiaL. entre os séculos `8` e ``. a liberdade religiosa foi submetida a limita!)es e redu"ida. Estas características se refletiram. de uma nova moral. a persistente influência da ética religiosa e cristã nos países cat#licos e protestantes. analisar a situa!ão que o gerou e estudar atentamente os meios de o corrigir] J3enin. -ologna %OKMY =. especialmente nos 9ltimos tempos. +orino. da democracia e do socialismo. cada ve" mais. &-&%. +odos estes movimentos freq_entemente se apresentaram como portadores de valores alternativos no que di" respeito [ religião. 4 eGtre is oL7 . embora sustentando a prioridade da luta pela emancipa!ão econ*mica do proletariado. ao e ercício do culto. por e emplo. O peso e ercido por estas tendências e for!as. de fato se configurou como um movimento destinado a libertar a humanidade também da ]aliena!ão] religiosa. que tentaram conciliar os valores religiosos com os do liberalismo. e em alguns aspectos. que a ]laici"a!ão do Estado e da sociedade política aparece larga e constantemente retardada em rela!ão [ laici"a!ão da cultura] J=alassoL. +7 e liberl= religiosa ne@ ordin/ enlo giuridico7 nella scuola7 neliin0or azione dali%nil= al nostri gio i7 7e 7onato. quanto mais uma organi"a!ão de classe tende para o reformismo. 5V. embora tentando subordinar a questão religiosa [s e igências da luta de classe. pelas suas características mais evidentes. a considerar a profissão religiosa uma questão privada e a reafirmar a sua sempre menor incidência na vida p9blica. A'tocrítica. +leo) in ]Enciclopédia].L de certas formas de 2teísmo militantes. 52/782. em boa parte. O socialismo de inspira!ão mar ista. 1ilano %OE%Y 5. Enquanto a sociedade contemporWnea aparece cada ve" mais se-culari"ada em suas estruturas. as dimens)es do 2teísmo. 25?>2<8<2. formas novas. #I#LIO)RAFIA. de uma nova concep!ão do mundo e da vida. na forma estatal que o comunismo assumiu na /9ssia. 2 defini!ão deste conceito pressup)e preliminarmente uma distin!ão entre um uso mais geral do termo e um uso mais específico. . todavia. em suas diretri"es e em seus comportamentos. não redu"iu. também [ margem ou fora das 8grejas. 7e fato surgiram e se afirmaram. 1ulino. como. também. IIprobte deli17 IV 2. 88. que as levaram a reapro imar-se da 8greja e da religião. T por outro lado bastante sintom(tico o fato de que. que atingiu. o fascismo e o na"ismo e altaram princípios diferentes e contrastantes com os princípios da religião e. de fato. da vida privada e p9blica. no século ``.%OEE. tanto mais se afasta da pr(tica da 2utocrítica. as preocupa!)es conservadoras das classes dirigentes de alguns Estados europeus.

uma ve" que s# assim se podem formar verdadeiros quadros e verdadeiros dirigentes do partido] J$talin. . etc. quando o indivíduo fa" 2utocrítica com pouca convic!ão baseado em argumentos pr#prios.rancesa. nesta acep!ão. a aceita!ão das posi!)es de maioria é o 9nico critério de solu!ão para o mesmo. [ 2utocrítica. o que fa" da 2utocrítica uma pr(tica típica das organi"a!)es mar istas-leninistas é. . costumam ser individuadas as origens doutrin(rias do princípio de 2utodetermina!ão na teoria da soberania popular de /ousseau e na sua concep!ão da na!ão como ato volunt(rio. encarregado pela 5onstituinte de estudar a questão da 2ls(cia J&% de outubro de %EO'L. estão voltadas para a reafirma!ão formal do mo-nolitismo do partido. 6um plano conceituai. T típico. 5ertas 2utocríticas do período stalinista. constante e. na realidade. Os primeiros enunciados do princípio de 2utodetermina!ão foram feitos com a /evolu!ão .oi e atamente em torno deste ponto que historicamente se acenderam as discuss)es mais contundentes. 6o relato preparado por 1erlin de 7ouai. o recurso insistente. 2 2utocrítica neste segundo sentido deve ser sincera e convicta . em todos os níveis. usado em foro competente. DL 6o sentido mais específico do termo. deve-se acentuar entretanto que 2utocrítica de que nos ocupamos. de um lado. da aplica!ão constante do método dialético e crítico de tipo mar ista ao estilo de trabalho do partido. para além das denomina!)es. em seu sentido formal. através do qual um membro do partido ou um #rgão coletivo reconhece. como se fossem dois momentos de um mesmo processo de contínua redefini!ão de princípios te#ricos e diretri"es políticas. 2penas sua vontade e não ' tratado de 1_nster $ubstancialmente.orém. 2inda que se trate de casos-limites e por isso mesmo mais not#rios. partindo da e periência dos pr#prios erros. que consiste no direito de cada povo escolher a forma de =overno de sua preferência. 2utocrítica é aquele ato preciso Jescrito. mais do que aquela que a liga ao indivíduo que a fa". sempre est( cone a [ pr(tica da crítica. tem também e sobretudo uma fun!ão em rela!ão ao partido. relativamente institucionali"ado. onde a pr(tica da 2utocrítica. 8. etc.L. tirando vantagem did(tica dos erros e compreendendo cientificamente as causas e os remédios dos mesmos. mas plenamente convencido da necessidade de preservar diante do partido e frente [ opinião p9blica uma imagem de unidade. de outro. é característica de todas as organi"a!)es políticas.L. a 2utocrítica não pode ser definida tout court como uma degenera!ão da pr#pria pr( is. $8=68. este tipo de 2utocrítica é conseq_ência de um princípio b(sico para a concep!ão mar ista-leninista do partidoB aquele para quem a minoria é subordinada [ maioria e o indivíduo ao partido. e que tanto pode ser espontWneo como solicitado. desenvolvida [ lu" do sol. neste sentido. Embora não faltem referências a um senso de soberania nacional mesmo em épocas precedentes.E' 2>+O7E+E/1862^RO e não ditada por simples ra")es de oportunismo individual. a e periência do partido comunista chinês. >ma ve" que o conflito permanente e organi"ado não é admitido. discurso. na >/$$ ou nos países do 3este europeu.oderíamos pensar que.8527O 7O +E/1O. . a 2utocrítica representa o testemunho oficial e p9blico do reconhecimento dos pr#prios erros ou culpas e é um caminho para reencontrar a unidade do partido. portanto. não pode ser fruto de mera imposi!ão e sim fruto de convic!ão. dentro da pr'pria inst3ncia Jcélula. 7este ponto de vista. 1as esta aceita!ão. Princípios do leninis oL7 . +rata-se de pr(tica considerada importante na concep!ão mar ista-leninista do partido e necess(ria sobretudo para a ]educa!ão e instru!ão Jdos partidos mar istas-leninistasL. mais do que para a procura de unidade autêntica fundada sobre a discussão e a persuasão. em qualquer nível. 5rítica e 2utocrítica representam realmente um dos instrumentos principais destinados a garantir a a!ão eficiente do partido. met#dico. trata-se. os pr#prios erros ou culpas. incluindo a individua!ão e a den9ncia das responsabilidades. e. \ =eralmente entende-se por 2utodetermina!ão ou autodecisão a capacidade que popula!)es suficientemente definidas étnica e culturalmente têm para dispor de si pr#prias e o direito que um povo dentro de um Estado tem para escolher a forma de =overno. reparti!ão política. di"ia-seB ]O povo alsaciano uniu-se ao povo francês por sua pr#pria vontade. 6este aspecto. a pr(tica da 2utocrítica. a publicidade desta pr(tica. +rata-se portanto de um ato formal. por outro lado. comitês do partido em v(rios níveis. c3>5826O -O6E+d A'todeter(ina*+o.ode portanto distinguir-se um aspecto de ordem internacional que consiste no direito de um povo não ser submetido [ soberania de outro Estado contra sua vontade e de se separar de um Estado ao qual não quer estar sujeito Jdireito [ independência políticaL e um aspecto de ordem interna.

entre os homens. afirmava entre outras coisas a inviolabilidade da soberania internacional e declarava que o atentado contra a liberdade de uma na!ão constitui atentado contra a liberdade de todas as na!)es e proclamava o direito de cada povo organi"ar e mudar livremente sua forma de =overno. . a liberdade e a consecu!ão da felicidadeY que. na hist#ria e na cultura. e. e entidades naturais. pré-ordenada por 7eus. 2s na!)es deveriam constituir-se em Estados soberanos para conservar a pr#pria individualidade e para dar a pr#pria contribui!ão. gerando também a unifica!ão da 8t(lia e da 2lemanha. pois e istem j( e emplos anteriores e sua utili"a!ão est( amplamente documens tada no Risorgi ento italiano como forma de consagra!ão popular das ane a!)es da monarquia de $ab#ia. em sua essência. instituindo outro =overno baseado em princípios e organi"a!ão do poder que lhe permitam maiores probabilidades de lhe garantir a seguran!a e a felicidade. o plebiscito foi freq_entemente previsto em acordos internacionais que muitas ve"es disciplinam até as modalidades em que deverão desenvolver-se. 3embramos os plebiscitos da Emília. fundava na língua./865C. particularmente no passado. tornada coletiva. 2 pra e dos plebiscitos ascende. O cidadão e não o s9dito adquire sempre mais a consciência de pertencer a um determinado grupo socialY consciência que.8O 7E 2>+O7E+E/1862^RO E . >m argumento importante foi fornecido pelo conceito gantiano da autonomia do indivíduo e da liberdade como condi!ão de autonomia.] 88. Em tempos passados houve plebiscitos independentemente de algum tratado internacional que os previsse. para alcan!ar tais direitos são instituídos. o de 1ulhouse. 2s doutrinas filos#ficas deram também uma boa contribui!ão para a afirma!ão do princípio de 2utodetermina!ão como princípio de a!ão política. $chleiermacher.ara um maior aprofundamento do controvertido conceito de na!ão.rancesa. na medida em que se trataria de um . encontra sua e pressão no conceito de nacionalidade. pelas confus)es a que por ve"es deu ocasião. o plebiscito levantou muitas críticas. da +oscana.2>+O7E+E/1862^RO E% legitimou a união]. fichteana do Estado como condi!ão da liberdade do homem e pela idéia de 0erder de que o gênero humano foi dividido por 7eus em v(rios agrupamentos nacionais. O . submetida [ 5onven!ão Jembora não aprovada por estaL a D& de abril de %EOI e redigida pelo padre =reg#rio Jl. 2 ]7éclaration du droit des gens]. 1ancini tentou precisamente atribuir valor jurídico [ nacionalidade defendendo que os verdadeiros temas do direito internacional são as na!)es. a -ulg(ria e a $érbia. 7o resultado de um plebiscito pode depender a transferência ou não do territ#rio para outro Estado. os quais conseguem seus justos poderes através do consenso dos governadosY que toda a ve" que uma forma de =overno destr#i estes fins. cada um dos quais tem uma missão particular a cumprir. =overnos.8O 7E \ 5om a /evolu!ão .rancesa. no car(ter. tal como 0erder. convém consultar os verbetes 62^RO e 6258O6238$1O. das 1arcas e da umbria em %FK' e o de /oma em %FE'.2bbé =régoireL com a finalidade de e por os ]princípios de justi!a eterna que devem guiar as na!)es nas suas rela!)es recíprocas]. [s ve"es. sob o controle das 6a!)es >nidas. a distin!ão entre as v(rias na!)es. enquanto afirmava precisamente como princípio ideal de justi!a a e igência da forma!ão de Estados que tivessem como base a unidade nacional e não fragmentos ou partes de na!)es. ao gênero humano. verificaram-se na Europa. ]5onsideramos como evidentes estas verdades \ afirmavam os colonos americanos \ que todos os homens são criados iguais e dotados pelo 5riador de certos direitos inalien(veis./865C. época em que se reali"aram o plebiscito do 5ondado de <enassin e de 2vinhão em %EO%Y o de $ab#ia.3E-8$58+O 5O1O 86$+/>1E6+O 7E 2>+O7E+E/1862^RO. 6ão obstante a sua freq_ente utili"a!ão. 8nspirados em idéias nacionalistas. 8sto em termos modernos. e não os Estados que são entidades arbitr(rias e artificiais. 6umerosos plebiscitos se fi"eram nos 9ltimos anos sob os auspícios. o conceito de Estado patrimonial é substituído pelo de soberania da na!ão. a /omênia. o povo tem direito de mud(-la ou de aboli-la. +al doutrina teve um valor político not(vel. >ma contribui!ão para a doutrina da 2utodetermina!ão foi dada pela revolu!ão americana. movimentos insurrecionistas que levaram [ independência a =récia. obra de 7eus. 888. de 0ainaut e da /enWnia em %EOD. Outros argumentos foram oferecidos pela visão 2>+O/8727E. durante o século `8`. entre os quais a vida. [ /evolu!ão . sobretudo na época hist#rica em que foi formulada J%FI%L. $egundo pra es mais recentes. \ >m dos instrumentos através do qual se pode reali"ar a vontade de pertencer [ na!ão é o plebiscito que pode ser estabelecido entre os habitantes de um territ#rio. . 1uitos escritores liberais negaram que ele fosse o instrumento mais id*neo para e pressar e reali"ar o princípio de 2utodetermina!ão dos povos. especialmente em rela!ão ao processo de descoloni"a!ão.

ou ao domínio estrangeiro. >68<E/$238727E 7O .n de janeiro de %OMDL e na 5onferência de Ualta J%' de fevereiro de %OMIL foi confirmado que nenhuma modifica!ão territorial deveria acontecer sem o consenso das popula!)es interessadas. na 7eclara!ão das 6a!)es >nidas J%. na realidade. +udo isto não impede que. sem as quais a soberania internacional do Estado é bem pouca coisa. seja qual for a cor com que se cobre ou a ideologia em que se inspira. a 7eclara!ão universal dos direitos dos povos de 2rgel. 7eu-se conta de que a f#rmula de Pilson dos ]remanejamentos territoriais] comprometeria a seguran!a e o equilíbrio internacionais. 6enhum =overno. ?uanto [ descoloni"a!ão.8O 7E $>2 2. a ampliar a fai a dos titulares do direito de 2utodetermina!ão./865C. portanto. é possível dar-lhe um significado bem mais amplo. no decurso do conflito. o princípio da livre determina!ão dos povos mostrou-se não oportuno para servir de base de uma pa" duradoura.3852^RO j 7E$5O3O68S2^RO. tenha ele nascido de umtprocesso revolucion(rio ou da descoloni"a!ão. DKDI-``< de DM de outubro de %OE'L. de forma e tremamente clara. na 7eclara!ão sobre as rela!)es amig(veis. a inspirar o sistema dos mandatos. \ 7e um modo geral. foi ainda invocado o princípio de 2utodetermina!ão. a doutrina internacionalista. -em pelo contr(rio. mas que acompanha a vida de todos os povos. de um direito universalB a 2utodetermina!ão. afirmouB ato instantWneo e isolado. que afirma que todos os povos Jsem distin!ãoL têm direito a um regime democr(tico. Esta acep!ão do conceito de representatividade não pode ser compartilhada.nL. mas não teve lugar no te to final. em conformidade com o Estatuto das 6a!)es >nidas J/es. a regimes raciais ou ao domínio estrangeiro. apoiado em seus méritos passados. vindo-se. 6o m( imo. 6a esteira dos documentos acima citados e de outros. 6ão obstante isto. levando essencialmente em conta o aspecto internacional da 2utodetermina!ão. <. aos territ#rios não aut*nomos e aos territ#rios de administra!ão fiduci(ria. 8<. o principal instrumento para a satisfa!ão de desejos imoderados territoriais que levaram depois [ $egunda =uerra 1undial. sugerido freq_entemente pelas pai )es ou imposto por for!as e ternas. chega-se a reconhecer tal direito aos povos que se encontram sujeitos a um governo não representativo. pois. destinadas a obter a aplica!ão do princípio em questãoB a 2ssembléia =eral instituiu uma comissão para a descoloni"a!ão J5omissão dos %E.ED 2>+O7E+E/1862^RO que esta é um direito que tem de ser reconhecido aos povos submetidos [ domina!ão colonial. representativo da totalidade dos cidadãos. . gra!as sobretudo [ influência do presidente americano Pilson.rimeira =uerra 1undial. deve assegurar a qualquer povo a pr#pria soberania interna e as liberdades constitucionais fundamentais. +rata-se. 5ontrariamente [s e pectativas. ou então afunde suas raí"es em tradi!)es democr(ticas e constitucionais antigas ou recentes. pretender manter-se livre de um cotidiano ]controle de idoneidade] e e cluir o povo que governa do n9mero dos titulares do direito de 2utodetermina!ão. T neste sentido que se e pressa. na política de 0itler. O princípio de 2uto determina!ão foi e pressamente reafirmado na 5arta das 6a!)es >nidas que o tomou como um dos principais fins da Organi"a!ão e o incluiu entre os critérios inspiradores das disposi!)es que ela dedica [ promo!ão dos direitos humanos. afirma 2>+O7E+E/1862^RO. a regimes raciais. 6a 5arta 2tlWntica J%M de agosto de %OM%L. o mesmo princípio tornou-se. neste. entendendo-se como tal ]não s# um =overno racista. pode. %I%M-`< de %M de de"embro de %OK'L e a 7eclara!ão relativa aos princípios de direito internacional respeitantes [s rela!)es amig(veis e [ coopera!ão entre os Estados. entre outras. E. mas também um =overno que lenha de fato um dos povos que componham a comunidade submetida numa posi!ão de dependência]. capa" de garantir a todos o respeito efetivo dos direitos do homem e das liberdades fundamentais Jart. 7iversas resolu!)es da 2ssembléia =eral foram sucessivamente recalcando esse princípioB entre outras. de fato. tornada depois dos DML e recomendou repetidas ve"es aos Estados-membros da Organi"a!ão e [s institui!)es especiali"adas que se abstivessem de prestar assistência aos Estados que praticam uma política colonialY a mesma 2ssembléia =eral. em particular. 2 aplica!ão do princípio tão enfaticamente enunciado foi comprometida por considera!)es de car(ter estratégico e econ*mico. o princípio da 2utodetermina!ão tenha sido invocado sobretudo em apoio [ independência de povos sujeitos [ domina!ão colonial. limitando-se. \ O princípio da livre determina!ão dos povos constituiu um dos temas ideol#gicos mais vigorosos e efica"mente proclamados por acordo durante a . 72 $O58E727E 72$ 62^pE$ j O6>. as 6a!)es >nidas têm tomado iniciativas de v(rios tipos. Ele foi incluído nos dois primeiros projetos de Estatuto da $ociedade das 6a!)es. em sua dupla acep!ão de direito interno e internacional. T um direito que não se esgota com a aquisi!ão da independência. a 7eclara!ão sobre a concessão da independência aos países e povos coloniais J/es.

as diversas declara!)es se limitam a reconhecer a esses povos o direito ]de buscarem e receberem ajuda. tolera-se o recurso [s atividades terroristas. para se vir a reconhecer. muito grave alargar o campo de aplica!ão do art. ou até de um comportamento contr(rio aos fins e aos princípios da 5arta. E. Este direito. as declara!)es da 2ssembléia =eral das 6a!)es >nidas. T. especialmente contra os inocentesB ]e istem limites para aquilo que a comunidade internacional pode tolerar e aceitar]. legítimo o uso da for!a. 6a realidade. se não um dever. 7eclara!ão de 2rgelL. um direito. &'. O limite entre atividades lícitas e atividades ilícitas pode ser tra!ado em fun!ão dos meios empregados e da personalidade das vítimas dos atos terroristas. reconhecem. resistência ativa ao opressor. porém. O direito de usar a for!a s# deve. esses povos têm direito a buscar e receber apoio. 2>+O7E+E/1862^RO E 78/E8+O j /E$8$+v6582. perigosa. relativa [ defini!ão de agressãoL. ainda mais genericamente. no qual se observa que. mormente se dirigido contra vítimas inocentes. é um dever que incumbe a todos os membros da comunidade internacional Jart. ou a afirmar. 2 legitima!ão da interven!ão armada de um Estado não diretamente interessado na luta de liberta!ão seria. <8. em caso de resultado positivo das hostilidades. h( certos meios que \ como em toda a forma de conflito humano \ não devem ser utili"adosY a legitimidade de uma causa não justifica o recurso a certas formas de violência. 2o reagirem ou resistirem a medidas coercivas desse gênero. da hip#tese de um ataque armado. ali(s. discutível. além do mais. tal como o documento agora mesmo citado. e entre eles. I%. I% da 5arta da O6>. 1esmo que o terrorismo seja ami9de o 9nico meio efica" contra um inimigo muito mais forte e organi"ado \ como acontece nas lutas de liberta!ão \ e constitua. que ]a restaura!ão dos direitos fundamentais de um povo. em recurso ao uso da for!a como aplica!ão do direito de legítima defesa.n da /es. ser reconhecido aos povos que lutam em nome pr#prio pela sua 2utodetermina!ão. pois. com base em tal disposi!ão. T nesta perspectiva que se enquadra também o estudo sobre o terrorismo preparado pelo secret(rio das 6a!)es >nidas. quando muito. . embora o emprego da for!a seja jurídica e moralmente justificado. desde que reconhecida a legitimidade do recurso ao uso da for!a no e ercício do direito [ 2utodetermina!ão. de acordo com os objetivos e princípios da 5arta] Jassim a 7eclara!ão sobre as rela!)es amig(veis e o art. por conseguinte. espontWneos ou oportunamente organi"adosL. desde que não se dirijam contra vítimas inocentes e não se usem meios particularmente violentos e desumanos ou desproporcionados aos resultados esperados ou plausivelmente e pect(veis.2>+O7E+E/1862^RO E& ]todo o Estado tem o dever de se abster do recurso a qualquer medida coerciva capa" de privar os povos sob domina!ão colonial do seu direito [ 2utodetermina!ão. Estender a aplica!ão dessa disposi!ão [ luta pela 2utodetermina!ão dos povos seria abrir caminho [ esca-lation do recurso ao uso da for!a e ao processo de esva"iamento de todo o sistema de seguran!a coletiva criado pela 5arta. da sua liberdade e da sua independência. [ geral e genérica hip#tese de uma agressão ou do uso da for!a. &&%M``8` de %M de de"embro de %OEM. a que esteve sempre rigorosamente ligado. e istem meios de a!ão que devem ser banidos. quando forem gravemente conculcados. poderia constituir base de justifica!ão para a interferência de uma potência estrangeira nos assuntos internos de um Estado. no sentido de que não se pode considerar lícito o recurso a qualquer ato de violência. que justificariam e legitimariam os meios empregados. levadas a termo por indivíduos ou grupos que lutam pela 2utodetermina!ão. em primeiro lugar. seja qual for o escopo qiie se tenha em vista. sobretudo. é de certo modo limitado. 6ão se pode por isso compartilhar a tese de que as atividades terroristas. 2 hist#ria mais recente serve de li!ão. atos de legítima defesa. imposto a todos os membros das 6a!)es >nidas. aos povos que lutam pela pr#pria 2utodetermina!ão um direito de resistência que. \ +odos os instrumentos internacionais relativos [ matéria. hajam de ser consideradas atos contra o terror. a cuja solidariedade os mesmos povos têm também direito Jponto & da 7eclara!ão sobre a elimina!ão do apartheid) adotada em %OEK pelo semin(rio internacional que organi"ou a 5omissão Especial da O6> contra o apartheidL7 $eria. e. O direito [ 2utodetermina!ão dos povos est( intimamente ligado aos direitos dos indivíduos. um meio de luta difícil de condenar. de intervir ao lado dos povos oprimidos. se fa" comumente valer sua vincula!ão com o art. portanto. longe de fa"erem e pressa referência [ disposi!ão em causa. porquanto poderia levar a uma pesada ingerência da potência estrangeira na vida do novo Estado ou na condu!ão do novo =overno. em defesa de grupos rebeldes Jverdadeiros ou imagin(rios.se pode tradu"ir. em 9ltima instWncia. 6a interpreta!ão dos atos em questão. de acordo com os objetivos e princípios da 5arta das 6a!)es >nidas]. cujo direito [ 2utodetermina!ão fosse ine istente ou.

ress. 8e droit de la guerre et les conElits ar es dun caract. etc. 7E. $elfdeter ination in International 8aH7 2rchon -oogs.O>3O$-$+/2+8$. 8intervenlo delle . . escola. 7amasco %OKIY A. +jeeng Pilling -. The concept o0 sel0-deter ination in the %nited . 52$$E$E e E.ations7 The abhorrent isapplication o0 the Charter in respecl o0 (outh X0rica7 P. com base na atribui!ão do poder decis#rio [s coletividades definidas por cada uma das estruturas específicas de atividade Jempresa. .ations7 $ijthoff. /O6S8++8.. atropelando os direitos fundamentais da pessoa humana. portanto. 0amben J5onnecticutL %OEDY .L. $8O+8$.a-zioni %nite nelle consultazioni popolari7 =iuffrb. atividades administrativasL.adova %OKKY U2$$86 E3-2UO>+U. 81id9e de la nationalit. -ru elles %OE&Y Pour un droit des peuples7 ao cuidado de 2.acini.7 Practice7 $ijthoff.azioni %nite per i territori dipendenti e per la decolonizzazione7 5E721.. %nited . =enbve %OII. em sentido lato. E. =rassi. /ioo $>/E72. c52/3O -2378d A'to. Saolle-0olland %OEKY 0.azione e autodecisione del popoli7 Due idee nella storia) =iuffrb./=-62>7.8$52. 1l 2A2 7E 32 1>E32. <.2. AO><E. . +he 0ague %OEOY . #I#LIO)RAFIA \ =. -E/=1266. desenvolvidas mediante a coopera!ão de v(rias pessoas Jatividades produtivas. $. AO06$O6.7 and decolo-nization$ the role o0 +0ro-+sia7 6ijhoff. 523O=E/O..aris %OIFY >. servi!os. (el0deter ination7 The case o0 CzeRhoslovaRia %OKF%OKO. bairro.or 2utogestão. 3e4den %OE&Y 6. 1ilano %OKOY 2.isa %OEMY 1. 1ilano %OEEY = A. 3ugano--el-lin"ona %OEDY $. The %nited . A. >1OS>/8GE. . <8$12/2. The %7 . . identific(veis duas . . 1adrid %OKFY 2. 2. 2/26=8O-/>8S. 8e .EM 2>+O=E$+2O de que constitui um corol(rioY seria clara contradi!ão lutar pela 2utodetermina!ão. 7E 386+.roup Protection) $ijthoff. 8e guerre di liberaziane nazionale e il diritlo internazionale) . 3e4den %OKEY A. The 5volution o0 the right o0 sel0-deter ination7 + (tudy o0 %7 . A.868^RO E$$E65823. $ão. 5>/58O. $0>G/8.es7 -ru4lant. 3e4den %OKFY 2. +he 0ague %OE%. et de la libre disposition des peuples7 7/OS. 8. International .re noninlernational7 3ibraine génbrale de droit et de j9risprudence. onde as decis)es relativas [ gerência são diretamente tomadas por quantos aí participam.e&t+o. 8a e ancipaci'n de los puebios coloniales y et derecho internacional7 Editorial +ecnos. 8e droit des peuples a disposer deuG. -erger3evrault. O. \ .ans %OEFY 5. 327O/-3E7E/E/.ations Declaration o0 *riendly Reíations and the (yste o0 the (ources o0 International 8aH7 $ijthoff k 6oordhoff.ations7 2l Aadida . <. (el0deter ination Hithin the Co unity o0 . se deve entender um sistema de organi"a!ão das atividades sociais.

L. 2 segunda é a autonomia decis#ria de cada unidade de atividade. mais ainda. quer mediante a atribui!ão das responsabilidades e do poder gerencial a cada uma das coletividades de trabalho. com as posi!)es dos grupos ]e tremistas] ou ]operaris-tas]. ser atribuída.roudhonL. ]semin(rio. passeata. 7e modo particular. quer mediante a deses-trutura!ão do ordenamento estatal e sua transforma!ão num sistema de autonomias locais que permita a tais coletividades o controle direto das condi!)es da reprodu!ão social. um aspecto da interpreta!ão do seu significado. o conceito do ]sistema de conselhos] segundo os . 5ontudo. greve autogeri-dos].E/:/8O$ J<. da +erceira 8nternacional. nas concep!)es do sindicalismo revolucion(rio europeu e norteamericano e. difundidos por v(rios países da Europa no primeiro p#s-guerra.determina!)es essenciais do conceito de 2utogestão. sobre o problema da ]sociali"a!ão] da economia. no seio dos partidos socialistas e. a supera!ão da interferência de vontades alheias [s coletividades concretas na defini!ão do processo decis#rio. ou seja. como veremos. 2 primeira é a supera!ão da distin!ão entre quem toma as decis)es e quem as e ecuta. como supera!ão da l#gica autorit(ria da planifica!ão centrali"ada e da conseq_ente apropria!ão do poder por parte do aparelho burocr(tico. ao encontro do movimento dos 5O6$E30O$ O. especificam a 2utogestão como um modelo de sociedade socialista alternativo do modelo estatista burocr(ticoB de um lado. O/8=E6$ 7O 5O65E8+O. no sentido da reapropria!ão do poder decis#rio relativo a uma dada esfera de atividade contra qualquer autoridade. no que respeita ao destino dos papéis em cada atividade coletiva organi"ada com base na divisão do trabalho. etc. estas duas determina!)es qualificam a 2utogestão como princípio elementar de modifica!ão das rela!)es sociais e pessoais. como redefini!ão do car(ter coletivista da organi"a!ão social. é possível evidenciar alguns dos seus elementos prefigurati-vos no pensamento an(rquico Jparticularmente no conceito de de ocracia industrial de . com maior certe"a. 2 origem da problem(tica da 2utogestão pode. /eferidas [ vida associada cotidiana. na idéia do 2utogoverno industrial aventada pelos socialistas ghildistas. /eferidas ao funcionamento de um sistema social global. \ 2 individuali"a-!ão da matri" ideol#gica da no!ão de 2utogestão constitui. em ve" disso. embora legitimada por anterior delega!ão. mediante a atribui!ão de uma plena autonomia gerencial [s diversas unidades econ*micasY do outro. depois. 88. como se torna evidente em e press)es comoB ]2utogestão dos conflitos].

em conseq_ência da introdu!ão na 8ugosl(via de um sistema de organi"a!ão econ*mica e estatal assim denominado. não se estabeleceu no uso do termo uma significa!ão precisa no sentido institucional Ja não ser com referência ao sistema de organi"a!ão e representa!ão por conselhos de delegadosL e o seu sucesso coincide antes com a difusão de uma acep!ão de 2utogestão muito genérica. poder deliberativo em todas as decis)es que lhes di"em respeito \ antes de tudo. a manuten!ão da livre iniciativa nas unidades econ*micas. por outro. 888. enquanto o associonis o cooperativo p)e a alternativa do trabalho assalariado na redistribui!ão parit(ria da propriedade dos meios de produ!ão entre todos os membros de uma unidade econ*mica. mediante o direito indivisível do usufruto dos meios ]sociais] de produ!ão. portanto. seguran!a. como no respeitante [ matri" ideol#gica dos dois princípios. com a diminui!ão do espa!o para a proposta dos conselhos. cujo tra!o principal est( em sua referência a princípios pr#prios de diversas filosofias econ*micas. identific(vel. [ sua conota!ão não j( como proposta ]e tremista].L. comum aos dois princípios. de um lado. da rela!ão do sistema com o parWmetro do lucroY do outro. implica sempre uma modifica!ão mais ou menos ampla de toda a ordem econ*-mico-política como condi!ão da sua reali"a!ão. se esta maneira de abordar o problema p)e em evidência a fun!ão de integração dos trabalhadores no sistema empresarial. 6as décadas de D' e &'.2>+O=E$+QO EI escritos de G. ou seja. a 2utogestão deseja tornar realidade a socialização do poder gerencial) atribuindo aos trabalhadores. enquanto a co-gestão tem por objetivo a simples odi0icação do processo decis'rio das empresas. o princípio da 2utogestão. no plano social mais global. através de seus delegados. . em todo caso. . por um lado. a abranger a 2utogestão e a co-geslão numa mesma problem(tica. pelo menos em parte. a supera!ão da propriedade empresarial capitalista. Gorsch e 2. aparentemente inconcili(veisB a supera!ão. ao associonismo sindical. baseando-se na considera!ão de que ambos os princípios objetivam restituir aos trabalhadores o controle da situa!ão de trabalho. a uma forma particular de organi"a!ão coletivista. de fato. podendo até atribuir-se-lhes um poder aut*nomo restrito a alguns aspectos das condi!)es de trabalho Jservi!os sociais. mas sim a supressão de tal status e a conquista igualit(ria do poder de gestão. nas que concernem [ distribui!ão entre investimentos e remunera!)es \. enquanto o princípio cooperativo aceita.or conseguinte. com esse fim. em cujo Wmbito pode encontrar espa!o de reali"a!ão. da apropria!ão privada da mais-valia e. propondo. que aparece s# ocasionalmente em publica!)es alemãs. 5om efeito. a l#gica dos sistemas capitalistas. tem precisamente por objetivo a integra!ão ]ativa] dos trabalhadores em suas empresas. etc. a 2utogestão considera. antes de tudo por algumas incerte"as sobre a sua especificidade. . mesmo que não sejam definidas com este termo. pondo como condi!ão de tal processo não j( a aquisi!ão generali"ada do status de propriet(rio privado. ambiente. 5ontudo. dando lugar a uma configura!ão econ*mica original. como necess(ria a redefini!ão do papel e do poder dos trabalhadores no processo econ*mico. conseq_entemente. e. 1ais perto da idéia da 2utogestão est( o associonis o cooperativo) tanto em termos estruturais. quando referido a um conjunto de mecanismos e procedimentos articulados a nível de empresa e de estruturas político-administrativas. 0( uma orienta!ão sociol#gica bastante difusa que tende. com efeito. 5ontudo. a uma maior especifica!ão do conceito de 2utogestão. mediante a inclusão de consultas aos dependentes ou de formas de co-decisão com seus representantes. Em substWncia. o princípio da 2utogestão se refere simultaneamente a uma particular modalidade de organi"a!ão do processo gerencial dentro das empresas e. ao invés. 2 2>+O=E$+RO 5O1O $8$+E12 7E O/=268S2^RO E5O6w1852. 5ontudo. 2 difusão do termo 2utogestão na cultura e na linguagem política data s# dos anos I'. com a tendência libert(ria do movimento socialista. da 2utogestão como algo cujos pressupostos e condi!)es de reali"a!ão não se acham definidos de forma unívocaY daí a dificuldade de lhe demarcar uma problem(tica coerente. o que envolve. a da participa!ão oper(ria e da democracia industrial. Esta e periência levou. é possível identificar importantes elementos da problem(tica da 2utogestão na crítica trotsgista do papel da burocracia no sistema soviético. mas como solu!ão pr(tica do problema da eficiência e da democracia de um sistema socialista.annegoeg e o grams-ciano da ]ordem nova] são propostas de organi"a!ão de uma sociedade p#s-revolucion(ria segundo esquemas de todo semelhantes aos da 2utoges-tão. \ Essa dificuldade refere-se em particular ao significado da 2utogestão como princípio de organi"a!ão econ*mica. conquanto se possa imaginar atuando em escala limitada e seja comumente associado ao projeto de uma transforma!ão gradual das estruturas sociais. an(logas formas de organi"a!ão de tipo não volunt(rio Jconselhos e representa!)es de delegados eleitos com base na empresaL. opostas. transcura a diferen!a fundamental que e iste entre uma proposta de integra!ão ]passiva] e uma integra!ão ]ativa].

mas de poder ]individual] sobre a gestão da atividade coletiva. neste sentido. neste 9ltimo decênio.Eb 2>+O=E$+2O 8sto resulta de um claro prop#sito ideol#gico. o pr#prio significado da 2utogestão como forma específica de organi"a!ão econ*mica e social e.O3C+85O. si ulando o funcionamento do mercado. [ constitui!ão de um poder burocr(tico que impediria toda a efetiva participa!ão democr(tica. no Wmbito de esquemas de programa!ão ]policêntrica]. em suas implica!)es no funcionamento global do sistema econ*mico. mas também hori"ontal. ao invés. pois. . continuaria vinculado aos esquemas pr#prios do capitalismo. torna-se teoricamente injustificada e praticamente impossível a aceita!ão de tal princípio como solu!ão da condi!ão de aliena!ão dos trabalhadores. 8<. 2 base da proposta da 2utogestão est(. O sentido do projeto da 2utogestão corresponderia. 6esta perspectiva. baseadas na coopera!ão e na divisão do trabalho. [ necessidade de restituir aos trabalhadores o controle global da sua. redu"indo os trabalhadores [ condi!ão salarial como seus simples e ecutores ]materiais]. segundo a qual a contradi!ão fundamental das sociedades industriais não estaria tanto na estrutura das rela!)es de propriedade. pois. muito esquematicamente. Outros. em termos mais liberalistas. na medida em que se p)em como condi!)es de um sistema de 2utogestão critérios de racionalidade independentes dos e pressos nas decis)es aut*nomas das coletividades de trabalho. . \ 2 incerta defini!ão dos pressupostos da 2utogestão é compensada por uma mais clara eviden-cia!ão do seu significado como princípio político. resumível. 1as. por isso. em 9ltima instWncia. 2lguns acham por bem subtrair tal autonomia a uma direta rela!ão com os mecanismos do mercado. em geral. a tradu!ão de tais princípios num sistema concreto de organi"a!ão econ*mica constitui um problema ainda sem solu!ão para a teoria da 2utogestão e objeto de um debate que. definin-do-a no Wmbito de sistemas de planifica!ão capa"es de operar por meio de flu os de informa!ão. o mesmo princípio da autono ia dos produtores que havia sido a condi!ão de e istência do sistema artesanal continuaria sendo fundamental. com o novo significado de disponibilidade ]comum] dos meios de produ!ão. 2 2>+O=E$+RO 5O1O .roudhonL que.8O . 69cleo central do problema é a concep!ão da autonomia gerencial de cada uma das unidades produtivas. 6a realidade.artindo da necessidade de estabelecer uma alternativa. como conseq_ência da apropria!ão das tarefas de gestão pela propriedade privada ou estatal. que. as no Wmbito de estruturas produtivas de tipo industrial. tem levado [ e plícita formula!ão de pontos de vista essencialmente divergentes. 5ontudo.pr#pria atividade. capa" de regular o mercado por meio de uma matri" de cone ão entre v(rios centros aut*nomos de decisão. $er( mais coerente relacion(la com as doutrinas sociais Jparticularmente com o pensamento de . na realidade. presente no pensamento social contemporWneo. a um nível social mais geral. condenando a maior parte dos trabalhadores [ aliena!ão do seu trabalho e dando lugar. numa teoria da aliena!ão que. que. que violaria eGterna ente a intrínseca unidade do trabalho. admitem que s# o mercado autoregulado e a completa liberdade de iniciativa das empresas Jcorrigida por instrumentos tradicionais de política creditíciaL podem garantir a efetiva reali"a!ão de um sistema econ*mico gerido pelos trabalhadoresY reconhecem até que a ma imi"a!ão da renda de cada um dos seus membros h( de ser considerada como escopo essencial das empresas autogeridas JA. de fato. mas tambémB dL a possibilidade de uma plena autonomia gerencial de cada uma das coletividades de trabalho. se objeta que a aceita!ão do livre mercado como meio regulador das rela!)es entre as empresas autogeridas implica. ou então. isto é. tanto para o formalismo abstrato da democracia burguesa. reivindicada dentro de uma perspectiva de an(lise. p)em em questão seus pr#prios pressupostos e fins. dificilmente se poder( confundir com a perspectiva do materialismo hist#rico. 7e um lado se observa. quanto na das rela!)es de autoridade que o processo de racionali"a!ão tecnol#gica e organi"acional teria consolidado cada ve" mais. nesta seq_ência de considera!)es de princípioB aL a supera!ão da aliena!ão dos trabalhadores com respeito aos fins da sua atividade \ que constitui o fim 9ltimo do projeto socialista \ s# é possível com a condi!ão de queB bL eles mantenham o controle direto sobre o destino da mais-vaiia por eles produ"idaY isto e igeB cL não s# a supera!ão da propriedade capitalista. a aceita!ão do lucro como for!a motri" do sistema social. <anegL. isto é dentro da unidade contradit#ria entre trabalho e capital. considerado como característica essencial do sistema artesanal. vão buscar sua rai" [ cisão entre tarefas de gestão e de produ!ão. partindo do suposto de uma entidade natural do trabalho. que concebe a condi!ão salarial como efeito de uma rela!ão social de produ!ão. T evidente que tais divergências comprometem. como para o esquema autocr(tico das chamadas ]democracias populares]. a atualidade da proposta da 2utogestão é./865C. embora freq_entemente identificada com uma interpreta!ão ]humanística] do pensamento de 1ar . não s# em linha hier(rquica. de outro lado.

or um lado. independentemente da e istência de formas de representa!ão e da atribui!ão de responsabilidades definidas. se define como uma nova forma de organi"a!ão de todo o comple o social. a 2utogestão não pode imediatamente ser identificada com a no!ão de de ocracia direta) porque o mecanismo institucional previsto para a sua atua!ão. é importante sublinhar que o sistema institucional pressuposto pela idéia de 2utogestão tem. O 52$O 8>=O$32<O. Em síntese. significa a atividade da condu!ão di(ria de uma empresa. comumente associada pelos seus te#ricos a este princípio. ou seja. etc. em primeiro lugar as econ*micas. envolve os indivíduos como produtores nas unidades econ*micas e como consumidores nas unidades locaisY por outro ainda.L. a dissolução do poder econ*mico e político e o funcionamento das estruturas sociais s# mediante uma autoridade socializada7 5om estas bases. baseado na comunidade de competências e interesses criada pela participa!ão na mesma atividade social. como sugere a f#rmula da ]e tin!ão do Estado]. <. militares. de forma coerente. sua aplica!ão di(ria Jreali"ando. que permitiria a cada um tomar parte efetiva na forma!ão de tais decis)es. os e emplos de atua!ão deste princípio \ contra a opinião de alguns . a 2utogestão quer reabsorver o poder decis#rio-pcslítico na ]administra!ão das coisas]B em outros termos. . ou seja. Em primeiro lugar. a 2utogestão. características que se acham conotativamente bem claras na pr#pria no!ão de ]gestão] em sentido figurado. portanto. a fusão do momento ]legislativo] com o ]e ecutivo]L.L. com o fim de lhes assegurar o funcionamentoY tem seu momento-síntese a nível das comunidades locais. é preciso distinguir a 2utogestão de outros princípios políticos \ particularmente o autogoverno e a de ocracia direta \ com que se confunde ami9de. a manuten!ão de um poder e de uma organi"a!ão estatais \ contradit#ria em si com o princípio da 2utogestão \ é aceita pelos te#ricos dentro do esquema de um processo de transi!ão e tornada compatível com tal princípio em virtude da concep!ão de sistemas de representa!ão ]funcional]. de algum modo. pode ser definida como um mecanismo representativo transposto para o Wmbito das estruturas concretas das v(rias atividades econ*mico-sociais. ser eventualmente delegado para a sua e ecu!ão e controlar. nas implica!)es da rela!ão particular que este princípio entende estabelecer entre a coletividade e o objeto das suas decis)es. de empresa. se refere ao sistema de representa!ão por delega!ão Jconselhos de reparti!ão. mesmo compreendendo instWncias de decisão direta Jassembléias e formas diversas de consulta [ baseL. de bairro. 5ontudo. de servi!os. Ou seja. na linguagem econ*mica. que se torna possível pela atribui!ão a cada indivíduo de um diverso poder de decisão nos v(rios Wmbitos concretos da sua vida associada. este princípio de organi"a!ão como solu!ão do problema da democracia substancial7 2 significa!ão essencial desta elabora!ão pode sinteti"ar-se em termos formais comoB aL ]desloca!ão] do fulcro do problema da autoridade do momento do seu e ercício. ela implica. ao logicamente precedente da forma!ão das decis)es eB bL solu!ão do mesmo problema mediante proposta de ]sociali"a!ão] dos processos decis#rios. etc. que. [ absor!ão de muitas das suas fun!)es por comunidades territoriais locais dotadas de uma forte autonomia decis#ria. que toma como pressuposto da 2utogestão a supera!ão da propriedade privada dos meios de produ!ão.ara definir tal conceito. conselhos comunais. tendente [ descentrali"a!ão administrativa e. na medida em que a sua reali"a!ão requer uma reestrutura!ão do sistema político. isto é. embora a concep!ão mais radical sustente que este sistema tem de ser completado com o princípio da nature"a imperativa e revog(vel do mandato. 2 analogia substancial entre a idéia de de ocracia direta e a de 2utogestão encontra-se. outra coisa não é senão a aplica!ão [ esfera econ*mico-social de princípios democr(ticos j( postos em pr(tica na esfera políticaY por outro. ao Estado. na medida em que assume as v(rias atividades sociais e principalmente econ*micas \ e não a fi a!ão territorial \ como estrutura fundamental da participa!ão na vida associada. características quase opostas [s da hierarquia funcional e da intencionalidade subjeti va implícitas na no!ão de ]=overno]. .ode-se mais facilmente di"er que o princípio do autogoverno entra por implica!ão na problem(tica da 2utogestão. \ $egundo a defini!ão precedente. chegando a apresentar. ela implica não s# a descentralização) mas também a despolitização do sistema. .2>+O=E$+RO EE os te#ricos da 2utogestão acabaram por se integrar na corrente do pensamento democr(tico radical Jde /ousseau [ atual sociologia críticaL. estruturados com rela!ão [s diversas fun!)es sociais desempenhadas na sociedade Jprodutivas. de preferência. da emana!ão das ordens vin-culantes. sobretudo. em princípio. ou seja. em suas e tremas conseq_ências. enquanto princípio político. Em segundo lugar. enquanto a abrangência de significa!ão convencionalmente atribuída a esses 9ltimos se refere [ organi"a!ão político-territorial. o conceito de 2utogestão concerne ao conjunto das atividades sociais que comportam uma organi"a!ão coletiva.

aceito mediante concurso. de empresaLY os dois primeiros escolhem em seu seio os delegados que comp)em o #rgão imediatamente superior. de %OIK a %OIF e novamente em %OF%Y na +che-coslov(quia. o poder de op!ão em todas as quest)es relacionadas com a dire!ão da empresa. a freq_entes reformas institucionaisB quatro constitui!)es federais de %OMK a %OEM. das rela!)es de produ!ão. em numerosos centros de decisão e ligado. justificou-se como meio de conseguir um mais r(pido desenvolvimento do sistema econ*mico e. e decide qual a cota de renda que h( de ser destinada [s remunera!)es. 6este sentido. $egundo a 3ei de %OEK. o modelo da 2utogestão. assenta. no princípio da separa!ão dos poderes de gestão \ confiados a uma escala ascendente de #rgãos colegiais de decisão \ dos poderes de direção técnica e administrativa.EF 2>+O=E$+2O e sobretudo a atribui!ão de tal poder [s v(rias instWncias colegiais sofreram com o tempo profundas modifica!)es. 2 defini!ão do slatus do diretor em rela!ão ao poder coletivo dos #rgãos de gestão . nomeia e destitui o diretor. dei ando apenas [ planifica!ão central os instrumentos de política fiscal e creditícia. ao processo de liberali"a!ão das empresas. obrigados por mandato imperativo a representar ali os interesses dos respectivos eleitores. 2 institui!ão da 2utogestão na /ep9blica . destinadas depois a corrigir-lhes as respectivas disfun!)es. 5om isso. O conselho de empresa define as políticas gerais. em %OKFL. relativos precisamente a regimes coletivistas Jna 2rgélia em %OK&. inventado na realidade pelos dirigentes iugoslavos.. onde se decide também sobre admiss)es e dispensas. determinadas tanto pela dimensão territorial Jcomunas. o ordenamento da /. autores que aí incluem numerosas e periências de cooperativas de produ!ão. cuja distribui!ão individual tem de ser ainda estabelecida a nível inferior. nesse sentido. na primeira fase. mas restrita e unicamente em empresas agrícolasY na . os pr#prios termos da contradi!ão Jatribuída [ e periência soviéticaL entre pressupostos materiais do socialismo J]desenvolvimento das for!as produtivas]L e modifica!ão. aceita. segundo Wmbitos de competências funcionais. especialmente a partir dos anos K'. operante nas empresas. por isso. [ e tensão dos princípios essenciais da 2utogestão Jautonomia deris#ria e representa!ão delegadaL [ esfera administrativa. autonomias locais e partido \ cujas intrincadas intera!)es definem o car(ter particular de democracia ]participativa] que assumiu este ordenamento. rep9blicas. foi assumindo a configura!ão de um sistema articulado.ederativa $ocialista 8ugoslava e o processo conte tual de revisão ideol#gica e política Jcritica do ]socialismo burocr(tico]. 2 co una7 cuja e tensão territorial corresponde [ de uma província italiana. particularmente a dos Ributzi israelenses \ se redu"em a pouquíssimos casos. a nível das unidades produtivas.$. posi!ão de ]não alinhamento] no campo internacionalL hão de ser relacionados com o problema de uma economia fortemente atrasada. 7esde meados dos anos I'. [ desagrega!ão do anterior sistema monolítico de molde soviético e [ estrutura!ão de três subsistemas \ convencionalmenteB economia.. de estabelecimento. visou claramente [ completa autonomia das empresas. conforme a importWncia das decis)es. em substWncia. ao mesmo tempo. além de muitas outras leis fundamentais. submetido. tanto pela amplitude dos poderes econ*micos sobre as empresas que operam no seu territ#rio e pela consistência das fun!)es de =overno local a ela atribuídas. como por ser ela a intermedi(ria essencial na forma!ão do sistema da representa!ão funcional dos interesses sobre que se rege toda a ordem jurídica institucional. mediante um sistema progressivo de delega!ão. constitui a estrutura basilar deste sistema. [s organi"a!)es de base do trabalho associado JOourL \ grupos de trabalhadores articulados a nível de se!ão de fabrica!ão e de servi!os técnicos e administrativos \ se atribui. agravado pelas desvantajosas condi!)es de troca impostas pelos países do bloco socialista. definidos segundo uma estrutura hier(rquica convencional \ do diretor de empresa aos quadros inferiores. ou seja. a reali"a!ão deste modelo Ja chamada ]via iugoslava para o socialismo]L levou. de resto. enquanto que o poder decis#rio direto é conferido. através de uma série de reformas institucionais. federa!ãoL como pela dimensão téc-nico-produtiva.ol*nia. hori"ontal e verticalmente. de superar. ligadas. 2 organi"a!ão do sistema econ*mico que. pelo mesmo princípio da delega!ão progressiva com mandato imperativo. como modelo paradigm(tico de um sistema de 2utogestão. a três níveis de conselhos delegados Jconselhos das diversas Oour. uma imediata emancipa!ão da condi!ão salarialB como meio. 2 conveniência de conciliar a necessidade de uma recomposi!ão dos interesses individuais e locais Jaumentada pelas disparidades econ*micas das diversas regi)es do paísL com a possibilidade da sua direta articula!ão Jintrínseca ao pr#prio funcionamento da 2utogestãoL levou precisamente ao progressivo abandono das decis)es hier(rquicas de plano e [ simultWnea elabora!ão do modelo da 2utogestão social) que caracteri"a a e periência iugoslava. dos quais s# o iugoslavo assume o car(ter de uma e periência completa e duradoura.A. segundo a tese oficial mar ista-leninista.

a par do dos conselhos de empresa e conselhos territoriais Je iste. reclamada em quase todos os regimes coletivistas pelas insuficiências do sistema. o sistema iugoslavo prevê. imputadas a e periências anteriores de planifica!ão centrali"ada. +checoslov(quia e. um conselho do trabalho associado) composto por delegados das diversas Oour e de unidades similares de trabalho noutros setores. a modifica!ão de tais sistemas políticos. a nível das comunas e das rep9blicas. \ >lteriores tentativas inspiradas no princípio da 2utogestão Jparticularmente a polonesa e a tchecoslovacaL permitem precisar os termos mais genéricos da problem(tica da forma hist#rica segundo a qual se tornou realidade este sistema de organi"a!ão econ*mica. o e plícito reconhecimento de tais organismos a nível do sistema político-administrativo J8ugosl(viaL. associa!)es de guerrilheirosL.L \. pela dr(stica alternativa entre o brutal e progressivo esva"iamento das fun!)es aut*nomas dos conselhos J. por isso. em parte. a nível d( comuna. ilustra com e traordin(ria evidência as implica!)es políticas da 2utogestão. tem sua e plica!ão na particular gravidade das situa!)es de crise. ou seja. porém. como também porque a defini!ão da estrutura destes organismos Jmodos de elei!ão. E`. 2 pr#pria e cepcionalidade do surgimento de tal proposta como reivindica!ão espontWnea . Estes conselhos nomeiam.E/:/8O$ Jv. que integra o princípio da representa!ão geral dos cidadãos com a dos trabalhadores como tais. por sua ve". um terceiro conselho. etc.or outro lado. dimens)es. Esta descentrali"a!ão do sistema econ*mico e administrativo Jteori"ada como processo de ]deteriori"a!ão] do EstadoL trou e consigo também uma progressiva modifica!ão do status do partido 9nico e das demais organi"a!)es compreendidas na 2lian!a $ocialista Jsindicato. tanto no plano institucional. #rgãos deliberativos e de =overno. no Wmbito dos regimes de partido 9nico. não diretamente control(veis pelas organi"a!)es políticas dominantes Jpartido e sindicatoL \ é também posta em questão a estrutura que. 6este sentido. de qualquer modo. onde lhes foi reconhecido um poder menos disperso e melhor definido. mais indiretamente. 2 e periência polonesa mais recente. 8sto e plica não s# porque do confronto entre as v(rias e periências de 2utogestão resulta. sua dinWmica tem sido marcada. e um conselho das co unidades locais) com delegados eleitos. torna-se cada ve" mais evidente que tal problem(tica é atribuível. onde o partido 9nico logrou redefinir sua pr#pria fun!ão. a organismos não volunt(rios e. articula!ão. pelo menos até agora. de ligar a autonomia das empresas ao poder decis#rio dos conselhos oper(rios. . mediante a estrutura!ão das diversas organi"a!)es políticas segundo o princípio comum da delega!ão progressiva. tendo por base o territ#rio. a cada um dos três níveis territoriais. .or um lado. como meio de incentivar a produtividade do trabalho e de legitimar a nova dependência da renda dos oper(rios do lucro efetivo das empresas. uma dupla estrutura. sob prete to da necessidade funcional de que o ajustamento entre os diversos interesses tivesse um ponto de referência mais geral. terminada com o golpe militar de de"embro de %OF%.L e dos seus poderes em face dos do diretor das empresas constitui o n# crucial de tais e periências e o princípio da sua distin!ão formal. ou então.arlamento federal. 5om efeito. ela se insere na problem(tica mais geral da descentrali"a!ão das decis)es econ*micas.2>+O=E$+2O EO 5om efeito. desenvolvendo-se uma dinWmica que implica. 6o entanto. conseq_entemente. o conselho s'cio-político) eleito tendo por base as listas apresentadas pela 2lian!a $ocialistaL. incluído o caso iugoslavo. com competências funcionalmente diferenciadas Jecon*micas e políticoadministrativasL e baseadas num duplo sistema de representa!ão. 2ssim. nos v(rios bairros. mais que a motivos ideol#gicos. quanto no plano organi"acional. especialmente evidentes no concernente ao consumoY aqui a outra característica da 2utogestão. bem assim como porque. v(rios observadores têm notado que a pr#pria articula!ão e crescente comple idade dos mecanismos formais da ]democracia participativa] permitiram que o partido e seu grupo dirigente mantivessem de 0ato o papel de vari(vel independente do sistema. os delegados chamados a represent(-los nas respectivas cWmaras das assembléias das diferentes rep9blicas e assim sucessivamente no que respeita ao . composi!ão. a problem(tica destas e periências é indivisível das implica!)es políticas derivadas do ne o que uma tal reforma das empresas estabelece entre descentrali"a!ão e re-distribui!ão do poder econ*mico.ol*nia em %OIF. 2rgéliaL. [ necessidade pr(tica de consentir numa substancial autonomia gerencial das empresas. sustenta o monop#lio do poder. a 5onstitui!ão de %OEM prevê. como rea!ão a situa!)es de crise econ*mica e social. coeteris paribus) uma rela!ão inversa entre a autonomia gerencial atribuída [s empresas e os poderes reconhecidos aos conselhos.E/8v6582$ $>5E$$8<2$. na medida em que tal poder é atribuído aos 5O6$E30O$ O. precisamente em rela!ão ao particular significado de afirma!ão da autono ia política da classe oper(ria que esse princípio assumiu naquele conte to social e cultural. <8.

um compromisso. que j( tinha levado ao reconhecimento oficial do sindicato independente (olidarnosc) e a sucessiva indica!ão de tal reivindica!ão como objetivo estratégico do novo sindicato indicam que o sistema de 2utogestão industrial instituído no outono de %OF%. Estas considera!)es têm sido e postas dentro de uma perspectiva de tipo liberal. toda a diminui!ão da propriedade privada aumenta a preferência pelo consumo corrente em prejuí"o da acumula!ão para investimentos inovadoresY um limite que. uma forma particular de pluralismo político. com o tempo. isto é. das que visam o princípio como tal. . ?uando tal reforma se mantivesse restrita ao sistema das empresas. para fins de um desenvolvimento equilibrado do sistema. com o poder dividido entre o partido e a organi"a!ão (olidarnosc7 <88. entre a necessidade por parte dos trabalhadores de um comportamento orientado ao interesse coletivo Jconsciência socialistaL. 5/C+852$. ?s fen*menos em que se concentram fundamentalmente tais an(lises críticas são quer a e istência na sociedade iugoslava de fortes desigualdades nos rendimentos pessoais. particularmente [ iugoslava. ou seja. como demonstra a e periência. como parece resultar da mesma e periência iugoslava. a renda per capita era mais de seis ve"es mais alta que no GossovoL. pela pr#pria l#gica do princípio.or isso. os conselhos oper(rios obtivessem reconhecimento a nível de organi"a!ão estatal conforme o esquema da 2utogestão social iugoslava. representava. atribuídos aos conselhos oper(rios poderes muito amplos na gestão das empresas. longe de ser a forma ]natural] da produ!ão social. de um ponto de equilíbrio entre a necessidade de controlar o comportamento das empresas. de modo definitivo. daí derivaria \ diversamente do que ocorreu no caso iugoslavo \ mais que uma ]despoliti"a!ão] da dialética social. destinado a criar uma nova dialética política que envolveria. foram constantemente aumentando Jem %OEF. sancionando com isso. em que se inspiravam alguns dirigentes sindicais. ser( conveniente e aminar as críticas que lhe têm sido dirigidas. a distribui!ão do poder real. pr(ticas monop#licas. a da base oper(ria no Wmbito de um processo de insubordina!ão. não seria compensado pela possibilidade de tal princípio modificar a estrutura das rela!)es de trabalho. a categoria da e presa) 9 um requisito indispens(vel para o princípio da 2utogestão. 2s mais fortes partem da considera!ão de que. por outro lado. como requisito para uma distribui!ão não egoísta das vantagens. j( que o funcionamento das empresas requer necessariamente e de qualquer modo. a 2utogestão não seria senão uma tentativa fictícia de restituir aos trabalhadores a propriedade do seu trabalho. quanto no fato de que. de uma segunda cWmara com competência em matéria de economia. 1ais . muitas obje!)es se têm concentrado no pr#prio significado socialista do princípio da 2utogestão. ela se tradu"iria seguramente em processo conflituoso de ]controle oper(rio]. ?uando. organi"ado pelo sindicato independente. como crítica de fundo ao pr#prio princípio da 2utogestão. pois. propondo a descentrali"a!ão administrativa e a institui!ão a todos os níveis. mesmo em matéria de nomea!ão e destitui!ão dos diretoresL. Enfim. no sentido de que a separa!ão dos trabalhadores do controle dos meios de produ!ão não é senão o efeito da separação das empresas entre si. etc. é o resultado específico do modo de produ!ão capitalista. distinguindo. e a necessidade da sua autonomia como condi!ão da participa!ão dos trabalhadores na gestão. a incongruência de alguns dos resultados desta e periência j( trinten(ria com seus pressupostos socialistas. o limite fundamental do princípio de 2utogestão não estaria tanto no fato de que a sua reali"a!ão envolve um sistema de rela!)es econ*-mico-sociais definidas pela lei do valor do trabalho. que. quer sobretudo a diferen!a entre os diversos setores produtivos e entre as regi)es do país. se a autonomia das unidades produtivas. essa mesma categoria. as que foram feitas a e periências concretas. de fato. e a fun!ão de incentivo [ produtividade assumida pelas retribui!)esY isto repercutiria no malogro da busca. conquanto constituísse em sua estrutura formal uma inova!ão institucional sem precedentes para um regime de ]socialismo real] Jeram. com efeito. \ 7ada a forte densidade ideol#gica do conceito de 2utogestão. desequilíbrios que são atribuídos [ clara tendência das empresas autogeridas a reprodu"ir os esquemas de comportamento das capitalistas Jbusca do lucro. mesmo a nível do . pelo contr(rio. uma hierarquia social baseada na competência. a nível da engenharia social.L. 2s primeiras tendem em geral a p*r em evidência.F' 2>+O=E$+2O significativa é a observa!ão de que o sistema iugoslavo de 2utogestão se foi desenvolvendo dentro de um círculo vicioso. sonega!ão fiscal. enquanto possível. cujo limite estrutural é posto em sua impossibilidade de permitir a forma!ão de um sistema coerente de responsabilidade. na Eslovênia.arlamento nacional. na sua pretensão de constituir uma via para a efetiva transforma!ão neste sentido das rela!)es sociais. com inten!)es políticas diversas. ela impede toda a possibilidade de transição do sistema para outras rela!)es de produ!ãoY por este motivo. de qualquer modo.

3. 7/>3O<A5. Etas 3ibn. 2ngeli. a ind9stria.O8. 6uove Edi"ioni Operaie.) I entreprise et I 9cono ie nationale7 . /oma %OEFY 2. /us. <Y . -. a moeda. 3o $tato J%OEKL. 8. 2. Plan et autogestion7 . 8Fet= dellFautogestione J%OEIL. 88. 6apoli %OEKB . -asic -oogs. 2ngeli. /osenberg ^ $ellier. c. de grande amplitude tanto que. ..ress. portanto. no e ercício de suas atribui!)es. Per una teoria política dellFautogestione J%OE'L. (ociologia della partecipazione operaia J%OKFL. 1>3+8.adova %OEFY .. -ologna %OE&. os burgos e as par#quias. 2s competências e ercidas eram.-. 7edalo.. o comércio. que é a tradu!ão do inglês sel0govern ent) tem um significado impreciso não s# nos países continentais mas até na pr#pria 8nglaterra. eram atribui!)es dos #rgãos do =overno local. tratando finalmente das atuais perspectivas e linhas de tendência.ara estas tarefas foram designados funcion(rios eleitos pela assembléia dos cidadãos composta por todos os chefes de família ou somente pela elite constituída pelos maiores contribuintes Jpor este motivo h( a distin!ão entre sacristias abertas e 0echadasL7 Este 86=3v$. 1ilano %OEDY A. 1266 -O/=E$E. -O>/7E+. E. 6um plano descritivo. \ O termo 2utogoverno.. a defesa. Partecipazione e +utogestione7 8l $aggiatore. lhe general theory o0 labor anaged arRet econo ies7 5ornell >niversit4 . /. 2s unidades tradicionais em que se subdivide este 9ltimo são os condados. 3>E-</E. 0.aris %OE'Y 5.$ e E.8E//E e 3. 5cono ia di ercato e plani0icazione collettivista J%OEKL. #I#LIO)RAFIA. . Esta realidade. . . Editori /iuniti. E.ublications. .3858727E 7O$ $8=68.5. pela comunidade dos administrados e caracteri"ados. $2=E . embora rapidamente. ->/6$. a instru!ão. MY5. <allechi. 12$62+2. 1 32 /O$2 e =. -E++E30E81. 2 medida em que isso poder( ser v(lido ainda hoje ser( e aminada depois. simples em seu conjunto. o 2utogoverno representava a f#rmula organi"ativa em que se inspiravam as rela!)es entre o aparelho central e os poderes locais. G2/3$$O6 e <. -852685. +orino %OEFY 3. Tranzizione o nuova dipendenza7 8F+lgeria degli anni E'.2>+O=O<E/6O F% permanência de rela!)es sociais que ligam a posi!ão social dos indivíduos ao trabalho que desenvolvem. 727O$ $O-/E 2 E<O3>^RO 08$+h/852 7O 2>+O=O<E/6O \ T oportuno determo-nos.ranco-Empire. -3>1-E/=. tais como as rela!)es diplom(ticas. embora não cessando de ser parte da administra!ão estatal Jnão cessando. de ser 'rgãosL) desenvolviam. o aparelho central tinha apenas algumas atribui!)es particulares. até alguns decênios atr(s. $# no século `8`. as unidades de maior relevo foram os burgos e as par#quias aos quais foram particularmente confiadas tarefas de assistência e manuten!ão de matérias vi(veis. 8a via Eugoslava al socialis o J%OE&L.38$L 6a 8nglaterra.ara isso percorreremos a hist#ria anglo-sa *nica e continental do problema em causa.-5lio . A'to. 8a de ocrazia auiogesliia J%OE&L. 6ea Uorg-3ondon %OE'Y 0. vol. $26+25/O5E. como a polícia. 3ondon %OEOB 1. . 1ilano %OEOB 2. &.o8erno. Política e ercato J%OEEL. a plataforma marítima e alguns tributos indiretos. a administra!ão estatal periférica era constituída por entidades a quem era atribuída ou a personalidade jurídica Jcorpoc0itionsL ou uma mais limitada autonomia J/uasicorporalionsL7 Estas entidades. Aaca -oog. 1ilano %OEDY U. enquanto que o resto. as col*nias. =2/267.lammanon. /O$26<233O6./28/0. tornase comple a quando se passa a um e ame analítico de cada elemento que a comp)e.E8`8O582/8.eH di ensions to De ocracy) ao cuidado de 8. (58*-&anage ent. neste aspecto.aris %OEMY +uthoritarian politics in odern societies7 ao cuidado de $.8527O$ 7E 2>+O=O<E/6O. . sobre o processo hist#rico que condu"iu na 8nglaterra [ atual configura!ão do =overno local. 278S. +O12$E++2.rocuraremos por isso e aminar as causas que levaram ao uso impr#prio do voc(bulo. -an %OEK-EF. D. 1OO/E. . a agricultura e a assistência. o local govern ent se inspirou no sistema do 2utogoverno enquanto se reali"a através de uma série de entidades que e ercem as pr#prias fun!)es com um largo grau de independência do =overno central e que são regidos por sujeitos diretamente indicados pelas bases interessadas. como j( se disse. a sa9de. 6um plano de organi"a!ão. 4] va lFautogestion yougoslave71) 2nthropos.ress. 2ntes da grande reforma do século `8`. $anta -arbaraO ford %OEIY *abbrica e societ#7 +utogestione e partecipazione operaia in 5uropa7 ao cuidado de . . .8`2$8. 1ilano %OE'B /. além disso. 0>6+86=+O6 e 5.. um largo n9mero de fun!)es sob a orienta!ão de pessoas designadas através de elei!)es. . c12$$81O . <26EG. .5(TI4. 3iguori. 1ilano %OEDY 5. as respectivas atribui!)es e as rela!)es inter-decorrentes entre estas e o poder central assumem uma certa sistematicidade. onde hoje é usado como equivalente a cu unal autono y7 .iren"e %OEFY 2. por e emplo. 1E8$+E/. por larga independência em rela!ão ao aparelho central. 8F+%T4. . 8thaca %OE'. Calcolo econK ica e 0or e di propriet= J%OE'L. /oma %OEIY @orR and poHer7 The liberation o0 HorR and the conirol o0 political poHer7 ao cuidado de +. 3867-3O1. 1arsilio.aris %OEMY +uthoritarian politics in odern societies7 ao 1ulino.

mas a partir do século `` tornou-se na primeira e mais importante entidade local. os problemas técnicos e sociais assumiram um tal relevo que os levou além das possibilidades das par#quias e dos burgos. O esquema tra!ado por esta ocasião torna-se rapidamente um modelo para a a!ão do poder central em oufros setores como no dos po-deres municipais J&unicipal Corporations +ct) em %F&IL ou no da sa9de JPublic Aealth +ct) em %FMFL. 2té esta data. \ O que vimos até agora podemos. a variedade dos modos de ta a!ão. a conveniência das solu!)es introdu"idas mesmo em período de pa"L e as conseq_ências que advieram. da reavalia!ão do valor dos im#veis. 2 unidade utili"ada para tal fim é o condado. com efeito. ad hoc) num setor preciso e delimitado. ao mesmo tempo. mas trou e consigo profunda altera!ão na composi!ão da receita financeira dos níveis locais. o impacto negativo na popula!ão. 1as estes inconvenientes tornaram-se verdadeiros motivos de crise quando. em geral. em primeiro lugar. O fen*meno se manifesta em rela!ão ao =overno local inglês em dois sentidosB de um lado se manifesta a tendência das menores unidades a colocar em comum. dois elementos que abrem e encerram o período considerado. com o afrou amento.overn ent +ct em %FFF e pode considerar-se a base do atual sistema de =overno local. sobretudo em matéria de assistência.O/12 7E %OED 62 86=32+E//2. dos ritmos de infla!ão sofridos durante a década de E'. os servi!osY de outro lado aparecem novos tipos de organi"a!ão como entidades para as estradas e ped(gio JturnpiRes IruslsL que nasceram como conseq_ência do desenvolvimento do tr(fego rodovi(rio e hoje a j( conhecida inaptidão da par#quia para fa"er frente aos novos problemas. por ter enfrentado pela primeira ve" de uma forma diferente as rela!)es entre as autoridades centrais e locais. de alguma maneira. em matéria de assistência. 7epois surgem. a impopularidade decorrente de uma pressão tão acentuada. o asfalto. a nível local. apenas alguns dos fatores que provocaram a abertura de um longo debate sobre a reforma do =overno local. reali"ado. do desenvolvimento tecnol#gico bastar( evocar. assa" longa. política e institucional desta reforma foi. 6um sistema que. resumidamente. ?uando posteriormente o primeiro =overno liberal de =ladstone imp*s [s par#quias que dessem escola obrigat#ria [ popula!ão J%FEKL e gratuita também J%FO%L. com efeito. 2 elabora!ão cultural. com a /evolu!ão 8ndustrial. consider(-lo como relativo [ realidade do 2utogoverno inglês até [ $egunda =uerra 1undial.FD 2>+O=O<E/6O sistema apresenta deficiências de v(rios tipos como a absoluta falta de uniformidade e de coordena!ão entre as unidades de =overno local. pois. 1as a reforma mais importante. T um acontecimento importante porque representa o primeiro caso de ingerência formal do poder central sobre os servi!os locais e também porque introdu" um tipo de autoridade central funcional. pelo menos em parte. concessão de licen!as. baseia predominantemente a autonomia imposi-tiva local nos impostos sobre a propriedade imobili(ria. 888. dire!ão de polícia Jdesde %FI'L. institui!)es para tomar providências JI prove ent co issionsL voltadas para setores como a ilumina!ão. a contínua e visível eleva!ão do valor desta por via do ritmo inflacion(rio não podia dei ar de provocar o aumento da base tribut(vel e. 2 nova sistem(tica foi definida pelo 8ocal . se . -aseando-se nestas observa!)es. conseq_entemente. foi instituída em 3ondres uma comissão para a lei dos pobres que superintendesse ao servi!o feito pelas par#quias. que são completamente gratuitos. problemas novos Jou de novo e maior relevoL que acentuam a necessidade de uma incisiva obra de reforma de todo o =overno local. a saber. O esfor!o dos níveis locais por evitar. como o que analisamos. a dificuldade de achar pessoas dispostas a desempenhar os cargos administrativos. se. se evidenciou. em &'' par#quias e descreveu na rela!ão final o estado de e trema confusão e istente. a organi"a!ão administrativa especial adotada na 8nglaterra durante o período bélico Jcom a altera!ão da distribui!ão das fun!)es que daí se originou. a agrava!ão dos impostos devido [ progressividade das alíquotas. >ma comissão sediada pelo =overno central em %F&D e aminou as condi!)es. resultou clara a necessidade de especificar um nível de unidade local mais adequado no que di" respeito aos meios e id*neo em assegurar standards satisfat#rios de uniformidade. Estes são. atenuou. aumentando a importWncia do centro e dos meios por este distribuídos. o esgoto e dotadas de uma for!a embrion(ria de polícia. é a que foi introdu"ida em %F&M pelo Poor 8aH + end ent +ct7 O problema da assistência dada pelas par#quias tinhase agravado pela insuficiência de meios e pela absoluta confusão gerada pela diversidade de organi"a!)es e disciplina entre as par#quias. 2lém da corajosa entrada do Estado no campo da seguran!a social e das novas fun!)es introdu"idas no tocante [ organi"a!ão dos poderes p9blicos. tanto em termos de tempo como de c(lculo. o condado apenas se ocupara de estradas. 2 /E.

mostram. nestes 9ltimos trinta anos. pelos motivos j( indicados. O aumento quantitativo dos servi!os prestados [ coletividade e. como veremos. diríamos n#s. no ordenamento italiano. particularmente no tocante aos servi!os. T bom acrescentar que. provocou na 8nglaterra problemas totalmente específicos. pois. como j( foi lembradoL abandonou os trabalhos. <enhamos agora [s características da reforma introdu"ida em %OED. e 3ondres. Enquanto na 8t(lia. sem enfrentar simultaneamente também a questão das obriga!)es e fun!)es atribuídas ao =overno local. sa9de. também se apresentaram de novo algumas das mais relevantes e significativas quest)es enfrentadas pelos ingleses. O aumento dos encargos confiados aos níveis locais fica. os financiamentos destinados pelo centro atingem atualmente MIe da receita global dos 2utogo-vernos ingleses e não faltam pareceres favor(veis [ transforma!ão da totalidade das finan!as locais em finan!as ]derivadas]. a reorgani"a!ão do pr#prio =overno local. ou seja. inclusive nos outros sistemas. tanto em termos de popula!ão como de superfície. colocando a sua gestão Jaté por ra")es econ*micas de vultoL a um nível territorial mais amplo que o anteriormente aceito. com um sistema institucional pr#prio. estes dois aspectos têm sido freq_entemente considerados como independentes entre si \ tanto é assim que a 5onstitui!ão prevê um complicado processo para a modifica!ão das cir-cunscri!)es territoriais das entidades locais. por isso.2>+O=O<E/6O F& considera que seu início foi decidido j( em %OMI Jconstitui!ão da comissão para o reordenamento dos limites do =overno localL e a sua conclusão s# se deu em %OED Jlei de reforma apresentada pelo =overno conservador então em fun!ãoL. O novo sistema inglês compreende dois níveis de poderes. um superior JcondadosL e outro inferior JdistritosL. [ mera autonomia da despesa. de modo inequívoco. não podiam ser sustentadas desde um nível mais amplo e reclamavam. ainda em boa parte em nossos dias. mas nada di" sobre a rela!ão entre as novas dimens)es assim adquiridas e as novas fun!)es daí derivadas \. ao mesmo tempo que nos permite compreender com mais precisão o sentido do debate que teve lugar na 8nglaterra e o significado das op!)es aceitas com a reforma de ED. na 8nglaterra. [ total aboli!ão dos impostos locais sobre a propriedade e [ sua substitui!ão pelo produto da arrecada!ão Jou quotas desse produtoL dos impostos governamentais. administra!ão do tr(fico. sua transforma!ão Jtanto em termos de estruturas aparelhadas para a sua distribui!ão como pelo pr#prio conte9do dos servi!os oferecidosL impuseram. mais ainda. estendidos por todo o territ#rio nacional J8nglaterra e =ales precisamenteL. bibliotecas. tanto de tipo pessoal como realB instru!ão. é bom lembrar as linhas principais pelas quais se regulou este debate. e o reordenamento da administra!ão periférica do Estado manifestam. com regime aut*nomo. entrando em fase de e ecu!ão dois anos mais tarde. declarando que. o fim das bases sobre as quais se fora consolidando historicamente o modelo cl(ssico do 2utogoverno. na 8nglaterra. 2 primeira refere-se [ rela!ão entre as fun!)es desempenhadas ou a desempenhar pelos diversos níveis e a dimensão territorial dos respectivos níveis de =overno. 2 segunda diretri". comum [ totalidade dos países ocidentais. Os condados JMEL têm fun!)es preponderantes no setor dos servi!os. até porque. assistência. polícia. 5onstituem e ce!ão a Esc#cia. as e igências de renova!ão e evolu!ão para unidades mais vastas. por um lado. T a este resultado que levarão as propostas favor(veis. não menos importante. por outro. transportes p9blicos e planifica!ão das estruturas. p)e em evidência uma outra cone ão necess(ria. fa" ressaltar a íntima correla!ão e o condicionamento recíproco que o reordenamento das entidades locais de base JcomunasL. conforme dinWmicas. não tinha qualquer possibilidade de cumprir o encargo. segundo dados recentes. por ser ali tradicional a falta de um nível intermedi(rio entre o =overno local e o conjunto dos poderes centrais. baseadas em transferências dispostas pelo =overno e restringidas. particularmente. a real necessidade de prover ao seu reordenamento. Esta dinWmica. pela divergência introdu"ida entre a arrecada!ão dos recursos e a sua utili"a!ão. 2ntes de e plicar os termos desta reforma. bem como dos papéis e fun!)es da província. rede de estradas principais. . que é possível encontrar em muitos outros países e que. no italiano. a que e iste entre reordena!ão do =overno local e nível intermedi(rio. enquanto nos sistemas federais se verificou a potenciali"a!ão das estruturas estaduais ou regionais e nos Estados de administra!ão de tipo francês a atribui!ão de encargos ao prefeito ou a articula!)es estatais descentrali"adas do mesmo nível. Efetivamente. +udo isso. de alguma maneira ]dobrado] com a tendência [ centrali"a!ão da imposi!ão e da arrecada!ão fiscal. Era assim reconhecida uma primeira e necess(ria liga!ão que tem de ser tida como elemento orientador em toda a interven!ão nesta matéria. a primeira comissão criada Ja comissão de limites. em conseq_ência.

não são apresentados como entidades locais distintas do Estado. reali"ava ao mesmo tempo uma série de elementos que e aminaremos distintamente. 7eve observar-se por outro lado que o problema que e aminamos não é. os distritos urbanos. dentro deste Wngulo. isto é. 7o que acima foi e posto torna-se claro que os burgos e condados. uma política que poderíamos chamar ]b(sica] por di"er respeito [ gestão do patrim*nio imobili(rio Jé bom precisar que. 3eeds. com rela!ão ao sistema ordin(rio. os burgos municipais. com e clusão das par#quias. 8<. ao servi!o de limpe"a urbana. encargos habitualmente atribuídos [ comunaL. resultado de uma longa evolu!ão hist#rica. mesmo na variedade de seus elementos. sublinhando. $heffield e 6ea-castleL. 3iverpool. \ O sistema de 2utogoverno inglês. de que o 2utogoverno é e pressão. como atestam recentes estudos sobre a matéria de descentrali"a!ão administrativa. este esquema sofre not(veis modifica!)es. 6as (reas de alta concentra!ão urbana. +uto-ad inistração$ os cargos diretivos da entidade são confiados a pessoas diretamente escolhidas pelos administrados.8/12^RO 7O 2>+O=O<E/6O 6O$ O/7E621E6+O$ 5O6+86E6+28$. no que respeita [ 8nglaterra. 5O6+EV7O 7O 2>+O=O<E/6O. mas como ]articula!)es autogovernativas do Estado] nas matérias que lhes foram confiadas. 7ado o sistema bin(rio comum [ maior parte destes países. \ T precisamente este 9ltimo elemento que é inteiramente esquecido desde o início do século `8` quando o sistema do 2utogoverno se prop)e como um modelo para os ordenamentos continentais e se insere na corrente de rea!ão contra o centralismo napole*nico. caracteri"ados por uma distribui!ão de fun!)es que privilegia. 7evemos esclarecer porém \ e isto é um elemento largamente esquecido pelos estudiosos do 2utogoverno \ que se trata de uma descentrali"a!ão dentro da administra!ão estatal sem algum contato com a descentrali"a!ão aut(rquica. 2 e periência continental em termos de rela!)es entre centro e periferia era ali(s bastante diversa uma ve" que se cingia. de participa!ão e de descentrali"a!ão.FM 2>+O=O<E/6O Os distritos J&&&L intervém sobretudo numa fai a de atribui!)es atinentes [ política urbana e do territ#rio. tanto que se fala de condados e distritos ]metropolitanos] Jo que se verifica em seis (reasB -irmingham. ?uanto ao j( observado. é cedo para fa"er um balan!o de uma reforma de tal envergadura. não . mais os distritos que os condados Jem contraste. para a província metropolitana. quanto [ participa!ão dos cidadãos. senão uma das e press)es do princípio geral no taGation Hithout representation7 -aseada neste princípio. portanto. nos quais se articulou o sistema do 2utogoverno inglês. etc. um ter!o de toda a propriedade de constru!ão nacional e cerca de M'e das atuais constru!)es habitacionais pertencem [s entidades locais e são por elas administradosL. na 8nglaterra. $e consideramos com aten!ão o esquema do 2utogoverno que delineamos sumariamente até aqui. que a falta de aprofundamento da comple idade da e periência inglesa constitui o motivo principal de um uso do termo sempre mais parcial e impreciso. ao problema da autonomia local e [ rea!ão entre esta e o aparelho central estatal. de auto-administra!ão e de democraciaB %. se pode acrescentar que a mencionada necessidade de definir Wmbitos mais amplos para a gestão das fun!)es se tradu"iu. portanto. numa dr(stica simplifica!ão dos anteriores níveis de =overno. 2 2. a partir de agora. constatamos a presen!a de todos esses índices pr#prios. [ rede de estradas locais. os distritos rurais. verificamos a presen!a de elementos de descentrali"a!ão administrativa. 5omo é evidente. na 8t(lia. caracteri"ado pela oposi!ão [s entidades locais territoriais de #rgãos estatais locais em fun!ão de controle e coordena!ão. sobre este tema específico. com as tendências verific(veis. de tal maneira que através delas seja assumida a chefia do #rgão e a representa!ão da coletividade de que são e pressão. $e a isto ajun-tarmos a falta de uma rela!ão hier(rquica com o aparelho central e a observWncia limitada das leis Jcom e clusão de outros atos normativosL. Descentralização ad inistrativa$ no sistema inglês é reservada aos #rgãos periféricos uma esfera de competência tirada de outros controles que não sejam de car(ter cont(bil. a pretensão das autoridades p9blicas [ contribui!ão patrimonial do cidadão não pode ser separada da participa!ão deste 9ltimo no e ercício do poder. &. redu"idos. <. como as comunas ou as províncias mas com a participa!ão dos cidadãos segundo o sistema do 2utogoverno nos #rgãos da administra!ão estatal periférica. as e igências de democracia. 1anchester. [ planifica-!ão local e respectiva fiscali"a!ão. a cerca de um ter!o dos que e istiam antes. D. por e emplo. De ocracia$ na 8nglaterra a e igência de permitir a participa!ão do povo na determina!ão dos objetivos políticos foi obtida não com a cria!ão ou o reconhecimento de entidades separadas do Estado. onde a e istência de uma (rea metropolitana tra" consigo \ pelo menos no que respeita aos projetos de reforma atualmente em discussão no $enado \ a tendência a transferir para o alto. ao esporte e tempos livres.

foi usado com o significado de autonomia local. dessa maneira.elo que acabamos de e por torna-se evidente a necessidade de dar ao termo a acep!ão específica. jurisdi!ão superiorL. . se considerarmos as situa!)es referidas acima. tendo-se em conta que em alguns campos. O . tal como a autoadministra!ão é um dos modos de ser desse tipo de rela!)es. . se fa" referência aos conte9dos do mesmo 2utogoverno mas se perde seu car(ter de f#rmula organi"at#ria interna ao aparelho estatal. entendida esta como o poder reconhecido a certas entidades para e ercer atividades administrativas com as mesmas características e efeitos das atividades estatais. a necessidade de uma coordena!ão rígida. in odo unit#rio7 . era referido [quelas entidades que. 5onvenhamos entretanto que o sistema fosse inspirado no princípio do 2utogoverno. quer di"er. a no!ão que representa o modo Jou os modosL através do qual são reguladas as rela!)es organi"ativas entre sujeitos jurídicos Ja hierarquia e a subordina!ão. 6o plano jurídico.inalmente. o fen*meno do 2utogoverno não é ]uma posi!ão jurídica.ara além da qualifica!ão jurídica torna-se claro de qualquer maneira que o 2utogoverno em sentido pr#prio se refere aos #rgãos locais situados no Wmbito da administra!ão estatal. as fun!)es inicialmente desenvolvidas pelas corporations ou pelas /uasicorporations foram transferidas de uma maneira not(vel para #rgãos estatais locais dependentes do aparelho central e dirigidas por funcion(rios estavelmente adscritos [ administra!ão enquanto que os #rgãos estatais do 2utogoverno sofreram uma evolu!ão que os apro ima mais da figura das entidades locais. com o andar do tempo. 5omo se sabe. 7este ponto de vista pode di"er-se que o declínio do 2utogoverno acompanha o declínio do Estado liberal.or ve"es. que depois adquiriram fundamental importWncia como a economia. $e a isto forem acrescentadas as enormes transforma!)es tra"idas pela técnica. ligadas necessariamente a um territ#rio e popula!ão determinados. quer di"er. . . os poderes p9blicos estavam inteiramente ausentes. por e emploL. . é certo que deste estado de coisas derivava um particular relevo para os poderes locais.2>+O=O<E/6O FI poderiam ser referidas senão [s entidades locais territoriais.assemos agora a e aminar em que medida o 2utogoverno pode ainda hoje considerar-se f#rmula v(lida de organi"a!ão. ao menos no plano quantitativo. o termo pretende e primir hip#teses de descentrali"a!ão administrativa e então p)e em destaque as modalidades com que são e ercidas as fun!)es compreendidas na esfera de determinados #rgãos e entidades. que imp*s. 6este caso. digamos assim. como nos países continentais. com esta precisãoB que enquanto o primeiro é característico dos #rgãos locais e das entidades territoriais.igura organi"ativa é. as fun!)es restantes eram confiadas principalmente [s entidades e #rgãos locais Jas assim chamadas fun!)es de polícia) em sentido latoL. a autocefalia e a autarquia. portanto. como nos países anglo-sa *nicos ou que se ativesse ao sistema bin(rio. das rela!)es entre sujeitos. a tomada sempre crescente de mais e mais fun!)es por parte do aparelho central. não ligados por rela!ão de hierarquia ao aparelho central e dirigidos por funcion(rios de origem eletiva designados diretamente pela comunidade administrativa. o termo pode significar autarquia. conforme j( se assinalou. . j( que de 2utogoverno foram dadas as linhas de evolu!ão hist#rica e política. aos quais. fica e p0cado como os #rgãos de 2utogoverno foram submetidos a controles relevantes e como em seu flanco foram criados #rgãos ligados ao aparelho central através de uma rela!ão de hierarquia. Outras ve"es.ara estas 9ltimas se reivindica o 2utogoverno sem se atentar que. 1udan!as de tal relevo não podiam dei ar de introdu"ir tendências completamente novas e [s ve"es até opostas. O 2utogoverno. a entrada do poder p9blico em (reas abandonadas. modificou profundamente o quadro de rela!)es de organi"a!ão entre #rgãos e entidades locais de um lado e o aparelho do Estado de outro. precisão./865C. competia naturalmente a maior parte das atividades administrativas. como a autonomia. 6a 8nglaterra. a este 9ltimo eram confiadas apenas as fun!)es que não podiam ser e ercidas senão por um aparelho central. mas uma figura organi"ativa como a autoadministra!ão]. são caracteri"adas pela amplitude e pela generalidade dos fins para cuja consecu!ão são e igidas determina!)es políticas aut*nomas que podem até contrastar dentro de certos limites com as do aparelho estatal. <8. a segunda se situa prevalentemente dentro dos pr#prios #rgãos de base associativa. não sendo mais portadores de interesses estatais mas com tendência a reali"ar objetivos pr#prios.ora deste comple o funcional Jdefesa. rela!)es internacionais. O uso do termo que é feito nos países continentais perde. 8sto e plica por que sel0govern ent é um termo de significado . \ . enquanto é referido de ve" em quando apenas a um ou outro elemento a que se ligava originariamente. O declínio do Estado liberal. na verdade. caracteri"ados pela sua personalidade jurídica ou pelo menos por uma autonomia de gestão.8O 7O 2>+O=O<E/6O E 2 $>2 2+>23 E<O3>^RO. pela pr#pria nature"a de determinados servi!os. estatal.

podendo referir-se. se convertem em organismos de autonomiaY como nos países continentais. estendeu-se a todo o territ#rio nacional o sistema ]bin(rio]. etc. 2 imagem da ordem institucional que surge do concurso recíproco de tais fen*menos parece antes contradi"er as separa!)es estabelecidas pelas disposi!)es. a total centrali"a!ão de toda a interven!ão referente [ receita e a reserva e clusiva ao Wmbito nacional. ./. especialmente no que respeita [ administra!ão e aos aparelhos p9blicos. %OMFL.FK 2>+O=O<E/6O ambivalente. a autonomia passou a ser mais redu"ida] J=iannini. inalterado até os anos E'. tomando a aparência dos #rgãos autogovernados. intendências. ]2s duas grandes e periências do passado. onde o aparelho central tende a entregar servi!os estatais a entidades locais. O critério da separa!ão entre as diversas autoridades operantes a nível local foi. perfeitamente referíveis ao conceito de 2utogoverno enunciado no come!o destas considera!)es./O-3E12$. mas a nomea!ão das autoridades m( imas da administra!ão local era do =overnoB justamente o contr(rio. da defini!ão do tratamento jurídico e econ*mico tanto dos agentes de servi!os tipicamente locais Jescola. foi justamente a entrada em vigor do ordenamento regional J%OE'L que p#s [s claras a e istência de um n9mero consider(vel de elementos contradit#rios respeitantes a um delinea-mento tão pacífico como o do nosso sistema de =overno local. os vínculos de despesa cada ve" mais estritamente atribuídos [s regi)es e [s entidades locais pelas autoridades financeiras.n K%K de %OEEL e a conseq_ente ]co-gestão] an*mala que se criou entre os poderes centrais e as autoridades locais sobre a mesma matéria. cada uma tomando elementos da outra]. a gestão dos poderes de controle por parte do Estado. desempenham poderes e fun!)es estatais através de sujeitos eleitos pelos pr#prios administrados. dos sistemas de 2utogoverno onde a autoridade institucional é 9nica.O/12$ E <E30O$ .O8$ 72 5/82^RO 72$ /E=8pE$ 7E E$+2+>+O O/786:/8OB 6O<2$ /E. os limites bastante amplos impostos ao e ercício do poder legislativo regional. <88. podendo observar-se ]como nos países anglo-sa *nicos os organismos locais.or estes motivos. . mesmo constitucionais. e na fundamental submissão desta [quelas. representa uma singular mistura de características pr#prias da e periência francesa e alemãL. atualmente. se mantiveram imut(veis ou. fundado na distin!ão entre articula!)es periféricas do Estado Jprefeito. na medida em que são introdu"idos elementos de 2utogoverno. satisfa"endo deste modo as e igências de fian!a que todo o nível institucional reivindicava Je em boa medida ainda hoje reivindicaL em rela!ão ao imediatamente superior. para além de qualquer outra considera!ão. \ >ma ve" que o sistema institucional italiano pertence. portanto. através de períodos de contrata!ão. 7e tal modo que.alamos do sistema adotado desde o início do nosso ordenamento administrativo unit(rioB podemos acrescentar que tais características. em geral. 6ão obstante isto e o dado nada irrelevante de que tal ordenamento se manteve. como j( autori"adamente foi observado. é possível mostrar como se estão consolidando na realidade institucional italiana alguns aspectos inovadores de grande importWncia. Embora mais de uma vo" tivesse solicitado a ado!ão de um sistema inspirado no princípio do 2utogoverno. 5ontudo. mas a designa!ão dos respons(veis pela chefia a nível de =overno local é dei ada [ livre escolha das popula!)es interessadas. o título < da 5onstitui!ão.L e administra!ão local. enfim. por e emplo. acham-se hoje em linhas convergentes. pelo menos no plano institucional. 5om efeito. termina por reali"ar formas muito pr# imas do 2utogoverno porque as entidades locais. 2 fragmenta!ão que caracteri"ou a transferência das fun!)es administrativas para as regi)es Js# parcialmente corrigida pelo 7. confirma a separa!ão entre este e as entidades locais Jcomunas e provínciasL e entre o seu conjunto e as articula!)es periféricas da administra!ão estatal. n. assumiram uma fisionomia perfeitamente oposta [ do 2utogoverno. porque foi mantida a diversidade dos sujeitos institucionais. assistência sanit(ria municipali"adasL. como dos dependentes das pr#prias entidades também locais. na introdu!ão ao novo ordenamento regional. que regulam a . embora permanecendo as mesmas e sem assumir a nature"a de #rgãos. provedorias. mesmo nos países anglo-sa *nicos. em medida sempre crescente. desde os tempos da unifica!ão.. nossa an(lise sobre o 2utogoverno deveria. ocorre algo similar. 7urante o regime fascista. obrigam for!osamente [ revisão das bases antes referidas.. pelo que se viu até agora. ficar por aqui. e #rgãos periféricos das administra!)es de setorB inspetorias. repisado pela pr#pria 5arta 5onstitucional de %OMF. tanto a fen*menos de autono ia local quanto a e emplos de descentralização estatal7 6os países continentais acontece precisamente o contr(rio. do 2utogoverno e do sistema bin(rio. [ tradi!ão continental Jmais. O 2>+O=O<E/6O 6O O/7E621E6+O 8+23826O 7E. em primeiro lugar. quando modificadas.

conseq_entemente. por assim di"er ]alterado]. é inevit(vel que. 5ompreende-se. embora e ista um sistema normativo baseado na distin!ão entre diversos sujeitos institucionais. assessorias regionais da agricultura. isto é. O regime de separa!ão institucional. j( estendido também aos níveis comunais. mas pretende também atingir até algumas das ra")es que. sob este ponto de vista. 6a outra vertente. constituem a base do fen*meno agora assinalado. 2mbas as formas pertencem [ configura!ão do nosso sistema político. se tornam comuns ao intervir no mesmo setor. não é s# devida ao contraste objetivo e. precisar que esta obra de homogenei"a!ão das tendências demonstradas por centros institucionalmente de todo aut*nomos uns dos outros não se distribui com igual intensidade por todos os objetos sujeitos [ avalia!ão discri-cional das autoridades competentes. muitas ve"es mencionado. ami9de. $endo assim. de fato. a qualifica!ão proposta parece captar o sentido mais profundo do desenvolvimento em a!ão. parecem confirmar o que foi dito. por e emplo. de fato. presumivelmente. se articulem dinWmicas tão fortemente integradas que s# parcialmente respondam [s solicita!)es ou ao comando dos respectivos níveis de =overno. particularmente as reformas de setor em matéria de servi!os. não obstante. ainda caracteri"ado não s# pela subjetividade.2>+O=O<E/6O FE matéria e que delineiam. que atinge perpendicularmente numerosos níveis institucionais diversos e que é comumente observ(vel em cada um dos setores de interven!ão do =overno local. $empre que se objete que os fen*menos acima citados podem talve" representar o que ocorre a nível regional. podemos recordar a reforma dos #rgãos de gestão da administra!ão escolar J%OEML. com base na qual se transferiu uma parte not(vel das decis)es relativas ao servi!o Jque. por e emplo. a que se refere ao car(ter do nosso sistema administrativo. a grupos dirigentes cada ve" mais escolhidos pelas v(rias coletividades interessadas. como os cons#rcios de beneficiamento ou as entidades de desenvolvimentoL. 6asce daí uma intrincada rede de rela!)es. de qualquer forma. +rata-se. é. operantes no mesmo Wmbito. surgir com as recentes a!)es de reforma respeitantes tanto aos encargos da administra!ão periférica do Estado. fortemente mitigado pelas estreitas vincula!)es que os níveis centrais de cada partido político mantêm Jcom #bvias diferen!as. mas uma parte di" respeito ao funcionamento dos partidos. conforme o car(ter de cada umL com os níveis regionais e locais da pr#pria organi"a!ão e. basta pensar na sistemati"a!ão esbo!ada pela lei da reforma sanit(ria J%OEFL que. acentuando-lhe justamente as altera!)es. estrutura. um sistema propensamente homogêneo e unit(rio no plano administrativo. mas mantêm-se de qualquer modo e trínsecos ao pr#prio cora!ão do =overno local Ja comunaL. estatais e locais. contudo. enquanto é normalmente bastante mais tênue no que respeita [s decis)es de car(ter administrativo. com as decis)es e orienta!)es destes. . por que é que os aparelhos de diversas regi)es. de processos assa" recentes e de modo algum isentos de contradi!)es mesmo recíprocas. 7evemos. parecendo antes condensarse de preferência em torno da fai a de determina!)es de car(ter mais estritamente político Jcomo. o que se afigura sobremodo significativo. 1odelos muito semelhantes ao 2utogoverno parecem. como [s fun!)es tradicionalmente pr#prias das entidades locais. danoso que assim se veio a criar entre ordem essencial e disciplina normativa e é fonte de não poucas disfun!)es e incerte"as. como também pela autodetermina!ão e auto-organi"a!ão. regi)es e entidades locais. ?uanto ao segundo. reservando a dire!ão das suas v(rias articula!)es ao Estado. fundado na unicidade da organi"a!ão administrativa e na origem eletiva das diversas autoridades destinadas [ chefia dos v(rios segmentos Jcentrais. então a conclusão a tirar é que. nos diversos níveis e articula!)es. embora com incerte"as e obscuridades. . de forma unit(ria. entidades locais que operam no setor. $e as coisas são como acabamos de referir. embora pertencentes a autoridades distintas. ao contr(rio. 2 qualifica!ão que se atribui a tais formas de 2utogoverno. regionais e locaisL em que se articula a administra!ão p9blica. se poderia opor que os acontecimentos mais recentes. normalmente de car(ter vertical Jministério da agricultura. enquanto a outra se refere mais estritamente [ administra!ão e ao papel que esta desempenha. continua sendo estatal desde qualquer ponto de vistaL para os representantes das coletividades locais ou dos grupos sociais interessados. se foi gradualmente consolidando um sistema de 2utogoverno. cuja condu!ão est( confiada. toda a organi"a!ão administrativa do setor Jservi!o de sa9de nacionalL.or muitas e variadas que sejam as ra")es de tudo isto Jigual forma!ão do pessoal burocr(tico. outro elemento de unifica!ão é o representado pelos vínculos funcionais naturalmente surgidos no seio de aparelhos que. através desses canais. a forma!ão das maioriasL. é in9til acrescentar. estão entre si mais pr# imos que os diversos aparelhos de setor pertencentes [ mesma região. ?uanto ao primeiro aspecto. no nosso ordenamento. 6ão obstante.

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forte intera!ão entre os v(rios níveis em virtude de uma sistemati"a!ão assa" centrali"ada, tem(ticas comuns mesmo no plano técnico, di(ria intera!ão com interesses de setor e ternos, necessariamente iguaisL, é ineg(vel que deriva daí uma acentuada pressão tendente [ homogeneidade e, por ve"es, [ pr#pria uniformidade. Este r(pido esbo!o é suficiente para justificar o uso que se fe" da qualifica!ão de 2utogoverno ]alterado], j( que são manifestas as conseq_ências negativas em termos de conflito entre o sistema normativo e a ordem real, de rigide" administrativa de escassa influência dos v(rios níveis de =overno sobre a a!ão dos aparelhos, de grave confusão no plano das responsabilidades, provocada pela clara divergência entre centros formalmente competentes para o e ercício do poder deci-s#rio Jnão raro portadores de responsabilidade por fato alheioL e centros capa"es de desempenhar, de fato, um papel determinante, de que não resulta, no entanto, pelas mesmas ra")es, qualquer parcela de responsabilidade. 6ão são estes, evidentemente, os 9nicos elementos de diferen!a com rela!ão [ e periência inglesa de 2utogovernoB bastaria recordar como esta soube evitar normalmente Jmesmo na recente e ampla reforma apresentada nos anos E'L a permanência de velhas estruturas junto [s novas, introdu"idas em épocas sucessivas, ou evocar a constante liga!ão ali mantida entre reordena!ão dos níveis de i =overno local e mudan!a das circunscri!)es eleitorais Jdado, este 9ltimo, decisivo para a compreensão da ra"ão de tantos insucessos e do ê ito final dos projetos de reforma que tiveram lugar no 9ltimo p#s-guerraL. Entretanto, o que foi lembrado talve" j( nos permita compreender, em seus termos essenciais, a comple idade das quest)es agora chegadas ao .arlamento italiano, com o início dos trabalhos que visam [ aprova!ão de uma nova lei sobre a administra!ão local, comple idade devida, entre outros numerosos aspectos, [ proposta de optar por um sistema inspirado na separa!ão das autoridades institucionais ou por um modelo semelhante ao do 2utogoverno que, apesar das das aparências, por muito tempo se manteve em discussão e aguarda ainda uma decisão. #I#LIO)RAFIA. - 2. -2/-E/2, 8e istituzioni del pluralis o7 7e 7onato, -ari %OEEY ,. -2$$26868, 8e regioni 0ra stato e co unit=7 -ologna %OEKY -. 7E6+E, Il governo locale in It#lia) in 23+. <:/., Il governo locale in 5uropa) ]?uaderni di studi regionali], <8>, %OEEY 1. $. =8266868, +utono ia locale e autogoverno) in ]88 corriere amministrativo], %OMFY ,. 3E<8, (tudi sulla inistrazione regionale e locale) =iappichelli, +orino %OEFY .. =. /8502/7$,

The neH local govern ent syste 7 =. 2llen->nain, 3ondon %OEIY ,. 2. /O<E/$8 1w625O, Pro0ili giuridici del decen-tra ento nella organizzazione a inislraliva) 5E721, .adova %OE'Y 3. A. $02/.E, Il decentra ento in ,ran !retagna) in 2>+. <:/., A governo locale in 5uropa) ]?uaderni di studi regionali], cit. c12/5O 5211E338d

A'tono(ia. 5 V. A'to.o8erno9 De&centrali:a*+o e Centrali:a*+o. A'toridade.

8. 2 2>+O/8727E 5O1O .O7E/ E$+2-838S27O. \ 6a tradi!ão cultural do Ocidente, desde que os romanos cunharam a palavra auctoritas) a no!ão de 2utoridade constitui um dos termos cruciais da teoria política, por ter sido usada em estreita cone ão com a no!ão de poder. 2 situa!ão atual dos usos deste termo é muito comple a e intrincada. Enquanto, de um modo geral. $ua estreita liga!ão com o conceito de poder permaneceu, a palavra 2utoridade passou a ser reinterpretada de v(rios modos e empregada com significados notavelmente diversos. .or ve"es se negou, e plícita ou implicitamente, que e ista o problema de identificar o que seja 2utoridade e o de descrever as rela!)es entre 2utoridade e poderB em particular por parte daqueles que usaram poder e 2utoridade como sin*nimos. 1as e iste a tendência, de h( muito tempo generali"ada, de distinguir entre poder e 2utoridade, considerando esta 9ltima como uma espécie do gênero ]poder] ou até, mas mais raramente, como uma simples fonte de poder. >m primeiro modo de entender a 2utoridade como uma espécie de poder seria o de defini-la como uma rela!ão de poder estabili"ado e institucionali"ado em que os s9ditos prestam uma obediência incondicional. Esta concep!ão se manifesta sobretudo no Wmbito da ciência da administra!ão. 7entro dessa concep!ão, temos 2utoridade quando o sujeito passivo da rela!ão do poder adota como critério de comportamento as ordens ou diretri"es do sujeito ativo sem avaliar propriamente o conte9do das mesmas. 2 obediência baseia-se unicamente no critério fundamental da recep!ão de uma ordem ou sinal emitido por alguém. 2 esta atitude do sujeito passivo pode corresponder uma atitude particular até em quem e erce 2utoridade. Este transmite a mensagem sem dar as ra")es e espera que seja aceito incondicionalmente. 2ssim entendida, a

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2utoridade se op)e [ rela!ão de poder baseado na persuasão. 6esta 9ltima rela!ão, C utili"a argumentos em favor do dever ou da oportunidade de um certo comportamento na rela!ão de autoridadeY ao contr(rio, 5 transmite uma mensagem que contém a indica!ão de um certo comportamento, sem, entretanto, usar de nenhum argumento de justifica!ão. .a relação de persuasão) R adota o comportamento sugerido por C porque aceita os argumentos apresentados por 5, em seu favorY na relação de autoridade) ao contr(rio, R adota o comportamento indicado por C independentemente de qualquer ra"ão que possa eventualmente aconselh(-lo ou desaconselh(-lo. 2tendo-nos a esta primeira defini!ão de 2utoridade, o que conta é que R obede!a de modo incondicional [s diretri"es de CO para uma identifica!ão da 2utoridade não importa saber qual o fundamento em que se baseia R para aceitar incondicionalmente a indica!ão de 5 e este para e igir obediência incondicional. Esse fundamento tanto pode consistir na legitimidade do poder de 5 como num condicionamento fundado na violência. 7avid Easton estabeleceu precisamente uma distin!ão entre ]2utoridade legítima] e ]2utoridade coercitiva]. ,oi dentro de uma perspectiva an(loga que 2mitai Et"ioni apresentou uma articulada classifica!ão das formas de 2utoridade e organi"a!ão, embora ele não use a palavra ]2utoridade] como termo-chave. 7istingue três tipos de poderB ]coercitivo], baseado na aplica!ão ou amea!a de san!)es físicasY ]rerhunerativo], baseado no controle dos recursos e das retribui!)es materiaisY ]normativo], baseado na aloca!ão dos prêmios e das priva!)es simb#licas. $ão três os tipos de orienta!ão dos subalternos em face do poderB ]alienado], intensamente negativoY ]cal-culador], negativo ou positivo de intensidade moderadaY ]moral], intensamente positivo. 5ombinando juntamente os três tipos de poder e os três tipos de orienta!ão dos subalternos, Et"ioni descobre três casos ]congruentes] de 2utoridade e organi"a!ão e diversos outros casos ]incongruen-tes] ou mistos. Os congruentes sãoB a 2utoridade e as correspondentes organi"a!)es ]coercitivas] Jpoder coercitivo e orienta!ão alienadaLY a 2utoridade e as organi"a!)es ]utilit(rias] Jpoder remu-nerativo e orienta!ão calculadoraLY a 2utoridade e as organi"a!)es ]normativas] Jpoder normativo e orienta!ão moralL. 2 estes diversos tipos de 2utoridade e de organi"a!ão são depois ligados numerosos aspectos da estrutura e do funcionamento das organi"a!)es. Lames $. 5oleman, por sua ve", fe" recentemente uma distin!ão entre sistemas de 2utoridade ]disjuntos], em que os subalternos aceitam a 2utoridade para obter vantagens e trínsecas, por e emplo, um sal(rio, e

sistemas de 2utoridade ]conjuntos], em que os subalternos esperam benefícios JintrínsecosL do seu e ercícioY e entre sistemas de 2utoridade ]simples], onde a 2utoridade é e ercida pelo seu detentor, e sistemas de 2utoridade ]comple os], onde a 2utoridade é e ercida por lugar-tenentes ou agentes delegados pelo detentor da 2utoridadeY baseado em tais distin!)es, prop*s algumas hip#teses interessantes sobre a est(tica e a dinWmica das rela!)es de 2utoridade. 2 2utoridade, tal como a temos entendido até aqui, como poder est(vel, continuativo no tempo, a que os subordinados prestam, pelo menos dentro de certos limites, uma obediência incondicional, constitui um dos fen*menos sociais mais difusos e relevantes que pode encontrar o cientista social. .raticamente todas as rela!)es de poder mais dur(veis e importantes são, em maior ou menor grau, rela!)es de 2utoridadeB o poder dos pais sobre os filhos na família, o do mestre sobre os alunos na escola, o poder do chefe de uma igreja sobre os fiéis, o poder de um empres(rio sobre os trabalhadores, o de um chefe militar sobre os soldados, o poder do =overno sobre os cidadãos de um Estado. 2 estrutura de base de qualquer tipo de organi"a!ão, desde a de um campo de concentra!ão [ organi"a!ão de uma associa!ão cultural, é formada, em grande parte, [ semelhan!a da estrutura fundamental de um sistema político tomado como um todo, por rela!)es de 2utoridade. 6ão h(, pois, por que admirar-se se o conceito de 2utoridade ocupa um lugar de primeiro plano na teoria da organi"a!ãoY nem é de admirar que tão freq_entemente se fa!a uso do conceito de 2utoridade para definir o Estado ou a sociedade política. 2inda recentemente o polit#logo 0. Ecgstein prop*s que se identificasse a política pelas ]estruturas de 2utoridade]Y e definiu a estrutura de 2utoridade como ]um conjunto de rela!)es assimétricas, entre membros de uma unidade social ordenados de um modo hier(rquico, que têm por objeto a condu!ão da pr#pria unidade social]. 6a realidade, a estratifica!ão da 2utoridade política na sociedade é um fen*meno tão persistente que se afigura a v(rios autores como parte da hereditariedade biol#gica da espécie Jveja-se a resenha de estudos de ,red 0. Pillhoite 8r. Pri ates and political authority$ + biobehavioral perspective) em ]2merican political science re-viea], vol. 3``-%OEK, pp. %%%'-DKL. 2té agora ressaltamos, de forma acentuada, por um lado, o car(ter hier(rquico, por outro, a estabilidade da 2utoridade. 1as observe-se, no tocante ao primeiro ponto, que a 2utoridade, tal como a definimos até aqui, se é particularmente característica das estruturas hier(rquicas, não pressup)e, contudo, necessariamente a e istência de tal

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estrutura, nem mesmo de uma organi"a!ão formal. .ode verificar-se também em rela!)es de poder informal. .or e emplo, C pode estar disposto a aceitar incondicionalmente as opini)es de R Jum escritor ou jornalistaL no Wmbito de uma certa matéria. ?uanto ao segundo ponto, não se h( de esquecer o fato de que toda a 2utoridade ]estabelecida] se formou num determinado lapso de tempo, surgindo inicialmente como uma 2utoridade ]emergente] e acumulando pouco a pouco crédito ou uma aquiescência cada ve" mais s#lida e mais vasta no ambiente social circunstante, até se transformar e atamente em 2utoridade estabelecida, ou seja, em poder continuativo e cristali"ado. 7e fato, entre 2utoridade estabelecida e 2utoridade emergente, se manifestam freq_entemente duros conflitos que constituem uma dimensão muito importante da dinWmica de um sistema político Jveja-se a prop#sito -. de Aouvenel, De la poliI/ue pur-) .aris %OK&L. 88. 2 2>+O/8727E 5O1O .O7E/ 3E=C+81O. \ 2 defini!ão de 2utoridade como simples poder estabili"ado a que se presta uma obediência incondicional, prescindindo do fundamento específico de tal obediência, parece, no entanto, demasiado lata a muitos polit#logos e soci#logos. +em-se afirmado que tal defini!ão contrasta muitas ve"es com os usos da linguagem ordin(ria, onde uma e pressão como ]2utoridade coercitiva] parece contradit#ria e é claramente incompatível com a concep!ão tradicional dos governantes privados de 2utoridadeB usurpadores, conquistadores e ]tiranos] em geral. 7aí a segunda e mais comum defini!ão de 2utoridade, segundo a qual nem todo o poder estabili"ado é 2utoridade, mas somente aquele em que a disposi!ão de obedecer de forma incondicionada se baseia na cren!a da legitimidade do poder. 2 2utoridade, neste segundo sentido, o 9nico de que nos ocuparemos daqui para a frente, é aquele tipo particular de poder estabili"ado que chamamos ]poder legítimo]. 5omo poder legítimo, a 2utoridade pressup)e um juí"o de valor positivo em sua rela!ão com o poder. 2 este prop#sito, deve notar-se, em primeiro lugar, que o juí"o de valor pode ser formulado pelo pr#prio estudioso no Wmbito da filosofia ou da doutrina políticaY mas pode também set destacada pelo pesquisador como juí"o de pessoas implicadas na rela!ão de 2utoridade no Wmbito dos estudos políticos ou sociol#gicos de orienta!ão empírica. +odas essas concep!)es de 2utoridade como poder legítimo que comportam um juí"o de valor, por parte do pesquisador, não podem ser aceitas no discurso da ciência, que se mantém no campo da descri!ão. .ortanto, a e pressão ]poder legítimo] deve ser entendida aqui

no sentido de poder considerado como legítimo por parte de indivíduos ou grupos que participam da mesma rela!ão de poder. Em segundo lugar, devemos ter presente que uma avalia!ão positiva do poder pode di"er respeito a diversos aspectos do pr#prio poderB conte9do das ordens, o modo ou o processo como as ordens são transmitidas ou a pr#pria fonte de onde provêm as ordens JcomandoL. O juí"o de valor que funda a cren!a na legitimidade é mencionado em 9ltimo lugarB ele di" respeito [ fonte do poder. 2 fonte do poder pode ser identificada em v(rios níveis Jv. 3E=8+818727EL e estabelece por isso a titularidade da 2utoridade. 6o Wmbito social onde se situam as rela!)es de 2utoridade, tende a tornar-se cren!a que quem possui 2utoridade tem o direito de mandar ou de e ercer, pelo menos, o poder e que os que estão sujeitos [ 2utoridade têm o dever de obedecer-lhe ou de seguir suas diretri"es. T f(cil concluir que este ]direito] e este ]dever] podem ser mais ou menos formali"ados e podem apoiar-se na obriga!ão de dever típica da esfera ética, como acontece para os três tipos de legitimidade especificados por 1a Peber Jv. .O7E/L ou numa simples 2utoridade, como pode acontecer no caso de 2utoridade fundada em específica competência. 5ombinando esta segunda defini!ão com a que foi mencionada acima, pode-se di"er que na 2utoridade é a aceita!ão do poder como legítimo que produ" a atitude mais ou menos est(vel no tempo para a obediência incondicional [s ordens ou [s diretri"es que provêm de uma determinada fonte. 6aturalmente, isto se verifica dentro da esfera de atividade [ qual a 2utoridade est( ligada ou dentro da esfera de aceita!ão de 2utoridade. T evidente, na verdade, que uma rela!ão de 2utoridade como toda e qualquer outra rela!ão de poder di" respeito a uma esfera que pode ser mais ou menos ampla ou mais ou menos e plícita e claramente delimitada. 2crescente-se que a disposi!ão para a obediência incondicional, embora dur(vel, não é permanente. 2 fim de que a rela!ão de 2utoridade possa prosseguir, ocorre que, de tempos a tempos, seja reafirmada ostensivamente a qualidade da fonte do poder [ qual é atribuído o valor que funda a legitimidade. .or e emplo, a continuidade de uma rela!ão de 2utoridade fundada sobre a legitimidade democr(tica comporta a renova!ão peri#dica do procedimento eleitoralY e a continuidade de uma 2utoridade carism(tica de um chefe religioso requer, de ve" em quando, a reali"a!ão de a!)es e traordin(rias ou milagrosas que possam confirmar a cren!a de que o chefe possui a ]gra!a divina]. 5omo veremos mais adiante, para a concep!ão de 2utoridade como poder legítimo pode

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convergir, parcialmente, uma terceira defini!ão de 2utoridade como espécie de poderB aquela que a identifica com o poder ]formal] Jo poder que deveria ser e ercido num certo espa!o socialL. E o mesmo se pode di"er também para a concep!ão da 2utoridade como fonte de poder, desde que a mesma seja oportunamente corrigida. Esta 9ltima concep!ão foi defendida sobretudo por 5arl A. ,riedrich, segundo o qual a 2utoridade não é uma rela!ão entre seres humanos mas uma qualidade particular das comunica!)es \ que tanto podem ser ordens como conselhos ou opini)es que um indivíduo transmite a outro. Essa qualidade consiste no fato de a comunica!ão ser susceptível de uma elabora!ão racional, não em termos de demonstra!ão científica ou matem(tica, mas nos termos dos valores aceitos por aqueles entre os quais tramita a mensagem. +al qualidade torna as comunica!)es merecedoras de aceita!ão aos olhos daqueles a quem são dirigidas. .ortanto, a 2utoridade não é uma espécie de rela!ão de poder se ela pode ser uma fonte de poderB a capacidade que um homem tem de transmitir comunica!)es susceptíveis de uma elabora!ão racional \ no sentido e posto \ constitui para ele uma fonte de poder O limite desta concep!ão de 2utoridade é que, a menos que se hipostasie a ra"ão, a possibilidade de uma elabora!ão racional não pode partir de uma comunica!ão considerada em si mesma, mas deve centrar-se sobre a capacidade ,de fornecer uma tal elabora!ão da parte de quem transmite a comunica!ão e sobre o reconhecimento que de tal capacidade fa"em os destinat(rios da comunica!ão. 5onvém lembrar, entretanto, que uma comunica!ão tem 2utoridade, não em virtude de uma qualidade intrínseca, mas pela rela!ão com a fonte de que provém, da maneira como tal fonte é destinada por aqueles a quem a comunica!ão é dirigida. +anto é verdade que uma mesma opinião pode ser considerada autori"ada quando é proclamada por +ício e não ser considerada tal quando formulada por 5aio. 8nterpretado desta forma, o fen*meno e plicado por ,riedrich pode ser e presso destas duas maneirasB num sentido mais simples, é a cren!a de R na capacidade de 5 em elaborar, de modo racional, as suas comunica!)es nos termos dos valores aceitos por RO num sentido mais comple o, é uma rela!ão na qual R aceita a mensagem de 5, não porque R conhece e acha positivas as ra")es que justificam a mensagem \ e normalmente sem que 5 formule tais ra")es \ mas porque R crê que C seria capa" de dar ra")es convincentes nos termos dos valores por ele aceitos, como apoio da comunica!ão. +rata-se, neste segundo sentido, de um tipo particular de rela!ão de 2utoridade, entendida

como poder legítimoY e no primeiro, trata-se da cren!a da legitimidade que a fundamenta. 888. E,85:582 E E$+2-838727E 72 2>+O/8727E. \ 2 2utoridade comporta, portanto, de um lado, a aceita!ão do dever da obediência incondicional e, de outro, a pretensão a tal dever, ou \ o que é a mesma coisa \ ao direito de ser incondicionalmente obedecido. 6este sentido, pode construir-se um tipo puro de 2utoridadeB uma rela!ão de poder fundada e clusivamente na cren!a da legitimidade. C funda a pr#pria pretensão de achar obediência unicamente na cren!a na legitimidade do pr#prio poderY e R é motivado a prestar obediência unicamente pela cren!a na legitimidade do poder de 5. +rata-se de um tipo ]ideal] difícil de encontrar na realidadeY normalmente, a cren!a na legitimidade não é fundamento e clusivo do poder, mas somente uma de suas bases. O detentor do poder pretende obediência não s# por for!a da legitimidade de seu poder, mas ainda com base na possibilidade de obrigar ou punir, aliciar ou premiar. 7e outra parte, a cren!a na legitimidade do poder, como motiva!ão de quem se conforma com as diretri"es de outrem, é muitas ve"es acompanhada de outras motiva!)es como podem ser coisas de interesse pr#prio ou medo de um mal por amea!a. +ra-tar-se-( de rela!)es de poder que s# parcialmente e em certa medida assumem a forma de rela!)es de 2utoridade. 2lém disso, pode acontecer que o poder seja reconhecido como legítimo somente por um dos lados da rela!ão. Em tal caso, pode falar-se ainda de 2utoridade quando a cren!a na legitimidade do poder motiva apenas a obediência, mas não se pode di"er o mesmo quando ela motiva apenas o comando. 6esta 9ltima hip#tese, na verdade, ao comando não sucede a obediência, ou melhor, sucede a obediência, mas noutras bases Jtemor da for!a, interesse, etcL, enquanto que se quem obedece o fa" porque crê legítimo o poder, a rela!ão pode di"er-se fundada sobre a cren!a na legitimidade, quer o autor das ordens condivida de tal cren!a ou não. 2 importWncia peculiar da cren!a na legitimidade, que transforma o poder em autoridade, consiste no fato de que esta tende a conferir ao poder efic(cia e estabilidade. E ísto tanto do lado do comando como do lado da obediência. 6o primeiro ponto de vista, deve destacar-se o efeito psicol#gico que a fé na legitimidade do poder tende a e ercer em quem o detém. T por isso que se afirma que a diminui!ão dessa fé condu" ao descalabro do poder. $em sermos levados a afirma!)es tão gerais e perempt#rias, podemos afirmar com ra")es que a cren!a na legitimidade do poder tende a conferir ao comando certas

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características, como as de convic!ão, de determina!ão e de energia, que contribuem para sua efic(cia. Em segundo lugar, a cren!a na legitimidade tem um efeito relevante sobre a coesão entre os indivíduos e os grupos que detêm o poder. O fato de que todos os indivíduos ou grupos que participam do poder numa organi"a!ão condivi-dam a cren!a na legitimidade do poder da organi"a!ão p)e limites aos conflitos internos e d( muitas ve"es o princípio de sua solu!ão. 6asce daí uma maior coesão entre os detentores do poder e, por conseq_ência, uma maior estabilidade e efic(cia do poder. >ma classe política articulada numa pluralidade de grupos, que reconhecem toda a legitimidade do regime político, d( origem, em igualdade com outras condi!)es a =overnos mais est(veis e efica"es do que aqueles que foram originados por uma classe política em que uma parte importante não reconhece o regime como legítimo. .elo lado da obediência, a cren!a na legitimidade fa" corresponder o comportamento de obediência a um dever e tende a criar uma disposi!ão [ obediência incondicional. 6a medida em que a obediência se converte num dever, a rela!ão de poder adquire maior efic(ciaB as ordens são cumpridas prontamente, sem que os detentores do poder tenham de recorrer a outros meios para e ercer o poder, como a coa!ão, a satisfa!ão de interesses dos s9ditos ou até a persuasão que comportam maiores custos. 7e outra parte, na medida em que se gera uma disposi!ão para obedecer, o poder se estabili"aY e esta estabilidade é tanto mais s#lida quanto a disposi!ão para obedecer é, dentro da esfera de aceita!ão da 2utoridade, incondicional. E é necess(rio acrescentar que e iste também um ne o indireto entre cren!a na legitimidade do poder e disposi!ão para obedecerB num Wmbito social no qual um certo poder é larga e intensamente tido como legítimo, quem não o reconhece como tal pode ser sujeito a not(veis press)es laterais \ provenientes de outros indivíduos ou grupos sujeitos ao mesmo poder \ que tendem a indu"i-lo a obedecer por ra")es de oportunidade pr(ticaB para não ver perturbada a sua vida de afetos e de rela!ão na família, nas rela!)es de ami"ade, de trabalho, etc. 8<. 21-8=u8727E 72 2>+O/8727E. \ A( dissemos que a cren!a na legitimidade constitui normalmente uma entre as muitas bases de uma rela!ão de poder. T necess(rio, portanto, acrescentar que, entre cren!a na legitimidade e outras bases do poder, pode haver rela!)es significativas que alteram de forma substancial o aspecto aut*nomo de tal cren!a e conferem [ 2utoridade um car(ter particular de ambig_idade. .or um lado,

a cren!a na legitimidade pode originar parcialmente o emprego de outros meios para e ercer o poderB o uso da violência, por e emplo. .or outro lado, a cren!a na legitimidade pode constituir, por sua ve", uma simples conseq_ência psicol#gica da e istência de um poder fundado, de fato, sobre outras bases. 2 violência pode derivar, em qualquer grau da cren!a na legitimidade do poderB a cren!a de R na legitimidade do poder de C legitima, aos olhos de R) e facilita, portanto, o emprego da for!a em rela!ão a Ri) ou em rela!ão ao pr#prio R7 6o primeiro casoB uma forte cren!a na legitimidade do poder político da parte de uma minoria da sociedade legitima e facilita o emprego de outros instrumentos de poder, incluindo a violência, em rela!ão [ maioriaY ou então uma cren!a bastante divulgada na legitimidade do poder político legitima e facilita o emprego da violência em rela!ão aos poucos recalcitrantes. 6o segundo casoB os sequa"es de um chefe religioso, que é tido como representante da divindidade, aceita como legítima a violência empregada contra ele ou então a provoca ele mesmo, como puni!ão para um comportamento pr#prio de dissidência. Em todas estas hip#teses, a legitimidade do poder se tradu" na legitimidade da violência. 7aí se segue que esta 9ltima perde, para quem a considera legítima, o seu car(ter alienanteY e segue-se, também, a possível tendência, também para quem a considera legítima, [ colabora!ão ativa ou passiva para seu emprego. .or outras palavras, o emprego da violência torna-se possível, em grau maior ou menor, a partir da cren!a na legitimidade que transforma o poder em 2utoridade. 5onvém recordar que esta rela!ão entre cren!a na legitimidade e violência não é uma curiosidade te#rica. O grau e a intensidade com que a fé cega no princípio da legitimidade do poder pode desencadear a violência estão indelevelmente inscritos na hist#ria do homem. +estemunham-no a ca!a [s bru as e os linchamentos dos desviados e rejeitados, gerados, em apoio a uma determinada 2utoridade, pelos fanatismos políticos e religiosos de todos os tempos. +estemunha-o a imensa violência que por ve"es tem sido desencadeada em nosso século pela cren!a fan(tica num chefe ou numa ideologia totalit(ria. .or outra parte, como paradigma de rela!ão do poder em que a cren!a na legitimidade pode constituir uma simples conseq_ência psicol#gica, podemos tomar o e emplo de pai e filho, no qual se encontra geralmente, dentro de certos limites de tempo, quer uma preponderWncia de for!a quer uma dependência econ*mica. 6este caso, o emprego da for!a e o condicionamento econ*mico, mais do que uma deriva!ão, podem ser a fonte

2>+O/8727E da cren!a na legitimidade do poder do pai. .ode acontecer, certamente, que o respeito e o afeto legitimem, aos olhos do filho, o poder do pai, incluindo o poder de punirY mas pode acontecer, também, que o poder efetivo de punir do pai cause no filho um respeito e um afeto e portanto uma cren!a na legitimidade que não são genuínos. ,alando de cren!a não genuína, me refiro não apenas ao engano deliberado que também pode estar presente nas rela!)es de poder mas, e sobretudo, ao mais importante fen*meno do auto-enga-noY não [ falsidade consciente mas [ falsa consciência, que é o conceito central da 87EO3O=82 Jv.L no seu significado de origem mar ista. 6este sentido, convém averiguar-se em que grau a cren!a na legitimidade tem car(ter ideol#gico. $e o grau for muito elevado, não teremos mais uma rela!ão de 2utoridade, mas uma falsa 2utoridade, enquanto a cren!a na legitimidade da 2utoridade não constitui um fundamento real do poder. 8sto e plica por que uma situa!ão real de poder [ qual antes correspondia uma cren!a na legitimidade pode perder mais ou menos repentinamente tal legitimidade. +ratase de uma situa!ão de poder fundada principalmente sobre outras bases, por e ., sobre a for!a, mas [ qual, até que pare!a imodific(vel, convém, de qualquer modo, adaptar-se. 7aqui, o aparecimento de uma cren!a na legitimidade com car(ter prevalentemente ideol#gico. 1as esta legitimidade tende, bem depressa, a cair logo que a preponderWncia da for!a diminuir ou a situa!ão do poder come!ar a aparecer concretamente modific(vel. Outros aspectos da ambig_idade da 2utoridade provêm do fato que o titular da 2utoridade pode não dispor, em medida maior ou menor, do poder efetivoY e ainda do fato que os destinat(rios das ordens podem perder a cren!a no princípio de legitimidade sobre o qual o detentor do poder funda a sua pretensão de mando. .ara o primeiro deste fen*meno chamou a aten!ão, sobretudo, 3assaell, o qual, ao definir 2utoridade como ]poder formal] afirmou que ]di"er que uma pessoa tem 2utoridade não é di"er que efetivamente tem poder, mas que a f#rmula política Jisto é os símbolos políticos que dão a legitimidade do poderL lhe atribui poder e que aqueles que aderem [ f#rmula esperam que aquela pessoa tenha poder e consideram justo e correto o e ercício que ela fa" dele]. .or um lado, esta afirma!ão encerra uma confusão entre duas no!)es distintasB a da 2utoridade e a da cren!a na legitimidade do poder. >ma coisa é meu juí"o de valor, na base do qual reputo legítimo o comando que provém de uma certa fonteB a tal cren!a podem corresponder ou não efetivas rela!)es de poderY e outra coisa é o meu comportamento, através do

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qual me adapto incondicionalmente a certas diretri"es porque as tenho como legítimas em virtude da fonte de onde provêmB trata-se, neste caso, de uma verdadeira rela!ão de poder, um poder de tipo ]2]. 7e outro lado, porém, a afirma!ão de 3assaell pode ser entendida no sentido de que aquele que possui certa 2utoridade pode não ter todo o poder que na aparência e erce na rela!ão de 2utoridade. 2s rela!)es de 2utoridade podem ser acompanhadas de outras rela!)es de poder ainda mais relevantesY e o titular de 2utoridade, ao dar suas ordens, pode ser condicionado de forma substancial por outras rela!)es de poder não legítimas e talve" largamente desconhecidas. E na medida em que isto acontece, podemos di"er que a 2utoridade é apenas ]aparente]Y uma ve" que 5, enquanto acha que deve obedecer ao poder político de +) obedece, ao contr(rio, em maior ou menor grau, ao poder não legítimo de D7 3embraríamos a este prop#sito todos os conselheiros secretos e todos os centros de poder que [s ve"es dirigiram, desde os bastidores, a representa!ão da 2utoridade iluminada pelas lu"es da ribalta, bem como as transforma!)es dos regimes políticos onde as mudan!as na distribui!ão do poder efetivo precederam as da cren!a na legitimidade, vindo assim os regimes a tornarem-se mais ou menos formal i st asB o rei aparece ainda como titular e clusivo da 2utoridade, quando o poder j( passou definitivamente [s mãos do .arlamento. 5onsideremos agora o ponto em que e iste, nos destinat(rios, das ordens, menor cren!a na legitimidade do poder. +al queda de cren!a na legitimidade pode verificar-se seja porque os s9ditos não crêem mais que a fonte de poder tenha a qualidade que antes lhe atribuíam Jpor e ., a legitimidade não foi ]provada] ou foi considerada ]ideol#gica]L, seja porque os subordinados terminaram por abandonar o velho princípio da legitimidade para abra!ar um novo. Em ambos os casos, a situa!ão é normalmente de profundo conflito. +anto os superiores quanto os subordinados tendem a considerar-se traídos nas suas e pectativas e nos seus valores. 2 rela!ão de 2utoridade, então, diminui e, se a pretensão de mando permanece, se instaura uma situa!ão de 2>+O/8+2/8$1O J<.L. 6um dos seus possíveis significados, o termo ]autoritarismo] designa, na verdade, uma situa!ão na qual as decis)es são tomadas de cima, sem a participa!ão ou o consenso dos subordinados. 6este sentido, é uma manifesta!ão de autoritarismo alegar um direito em favor de um comando que não se apoia na cren!a dos subordinadosY e é uma manifesta!ão de autoritarismo pretender uma obediência incondicional quando os s9ditos entendem colocar em discussão

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os conte9dos das ordens recebidas. .ortanto, uma situa!ão de autoritarismo tende a instaurar-se todas as ve"es que o poder é tido como legítimo por quem o detém, mas não é mais reconhecido como tal por quem a ele est( sujeito. E esta situa!ão se acentua se o detentor do poder recorre [ for!a, ou a outros instrumentos de poder para obter aquela obediência incondicional que não consegue mais na base da cren!a na legitimidade. Observe-se que este fen*meno da transforma!ão da 2utoridade em autoritarismo, com a simples mudan!a dos princípios de legitimidade aceitos pelos subordinados, pode referir-se a todas as estruturas da 2utoridade, incluída a do Estado. 3embrarei apenas a este prop#sito os processos profundos de emancipa!ão que se acham [s ve"es presentes nos movimentos nacionalistas de independência, mediante os quais grupos de homens mais ou menos numerosos rompem as barreiras de suas consciências, que os ligavam [s velhas 2utoridades. .ortanto, ainda que como tipo puro constitua a forma mais plena de poder socialmente reconhecido e aceito como legítimo, na realidade da vida social e política, a 2utoridade é muitas ve"es contaminada e apresenta, sob v(rios aspectos, uma característica de ambig_idade. Ela pode ser geradora de violência, na medida em que a cren!a na legitimidade de alguns consente o emprego da for!a em rela!ão a outrosY pode ser ]falsa] na medida em que a cren!a na legitimidade não é uma fonte mas uma conseq_ência psicol#gica, que tende a esconder ou a deformarY pode ser apenas ]aparente], na medida em que o titular legítimo do poder não detém o poder efetivoY e pode transformar-se em autoritarismo, na medida em que a legitimidade é contestada e a pretensão do governante em mandar se torna, aos olhos dos subordinados, uma pretensão arbitr(ria de mando. #I#LIO)RAFIA. - A. $. 5O3E126, +uthority sysie s) in ].ublic Opinion ?uarterl4], vol. `38<J%OF'L, pp. %M&-K&Y 0. E5G$+E86, +uthority patlerns$ a structural basis 0or política2 in/uiry7 in ]2mencan .olitical $cience /eviea]. vol. 3`<88 J%OE&L, pp. %%MD-K%Y +. E$50E6->/=, DellFautorit= J%OKIL, 8l 1ulino. -ologna %OE'Y 2. E+S8O68, + co parative analysis o0 co pleG organizations7 ,ree .ress, 6ea Uorg %OK%Y +uthority ao cuidado de 5 A ,AtiE7P50, 0arvard >niversit4 .ress, 5ambridge, 1ass. %OIFY /. $E66E++, +utorit= J%OF'L, -ompiani, 1ilano %OF%Y 0. E. $81O6, Il co porta ento a inistrativo J%OIEL, 8l 1ulino, -ologna %OIFY 1. $+O..86O, 8e 0or e del potere) =uida, 6apoli %OEM. c12/8O $+O..86Od

A'toritari&(o. 8. ./O-3E12$ 7E 7E,868^RO. \ O adjetivo ]autorit(rio] e o substantivo 2utoritarismo, que dele deriva, empregam-se especificamente em três conte tosB a estrutura dos sistemas políticos, as disposi!)es psicol#gicas a respeito do poder e as ideologias políticas. 6a tipologia dos sistemas políticos, são chamados de autorit(rios os regimes que privilegiam a autoridade governamental e diminuem de forma mais ou menos radical o consenso, concentrando o poder político nas mãos de uma s# pessoa ou de um s# #rgão e colocando em posi!ão secund(ria as institui!)es representativas. 6esse conte to, a oposi!ão e a autonomia dos subsistemas políticos são redu"idas [ e pressão mínima e as institui!)es destinadas a representar a autoridade de bai o para cima ou são aniquiladas ou substancialmente esva"iadas. Em sentido psicol#gico, fala-se de personalidade autorit(ria quando se quer denotar um tipo de personalidade formada por diversos tra!os característicos centrados no acoplamento de duas atitudes estreitamente ligadas entre siB de uma parte, a disposi!ão [ obediência preocupada com os superiores, incluindo por ve"es o obséquio e a adula!ão para com todos aqueles que detêm a for!a e o poderY de outra parte, a disposi!ão em tratar com arrogWncia e despre"o os inferiores hier(rquicos e em geral todos aqueles que não têm poder e autoridade. 2s ideologias autorit(rias, enfim, são ideologias que negam de uma maneira mais ou menos decisiva a igualdade dos homens e colocam em destaque o princípio hier(rquico, além de propugnarem formas de regimes autorit(rios e e altarem amiudadas ve"es como virtudes alguns dos componentes da personalidade autorit(ria. 2 centralidade do princípio de 2>+O/8727E J<.L é um car(ter comum do 2utoritarismo em qualquer dos três níveis indicados. 5omo conseq_ência, também a rela!ão entre comando apodítico e obediência incondicional caracteri"am o 2utoritarismo. 2 autoridade, no caso, é entendida em sentido particular redu"ido, na medida em que é condicionada por uma estrutura política profundamente hier(rquica, por sua ve" escorada numa visão de desigualdade entre os homens e e clui ou redu" ao mínimo a participa!ão do povo no poder e comporta normalmente um not(vel emprego de meios coercitivos. T claro, por conseguinte, que do ponto de vista dos valores democr(ticos, o 2utoritarismo é uma manifesta!ão degenerativa da autoridade. Ela é uma imposi!ão da obediência e prescinde em grande parte do consenso dos s9ditos, oprimindo sua liberdade.

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.or outro lado, do ponto de vista de uma orienta!ão autorit(ria, é ' igualitarismo democr(tico que não est( em condi!)es de produ"ir a ]verdadeira] autoridade. 6este 9ltimo sentido, diversos autores, especialmente alemães dos anos &', pro-pugnaram a doutrina do ]Estado autorit(rio]. 7o mesmo modo, a ]personalidade autorit(ria] foi em parte antecipada pelo psic#logo na"ista E. /. laensch, o qual descreveu, em %O&F, um tipo psicol#gico notavelmente semelhante avaliando-o tanto de forma positiva como de forma negativa. E iste portanto um denominador comum no significado que o termo 2utoritarismo assume nos três conte tos indicados, embora neste campo haja conveniência de não se ir além dos limites. >m fundo de significado comum não quer di"er identidade, nem tão pouco plena coerência de significado. T um fato que o 2utoritarismo é um dos conceitos que, tal como ]ditadura] e ]totalitarismo], surgiram e foram usados em contraposi!ão a ]democracia], pretendendo-se acentuar num caso ou noutro parWmetros antidemocr(ticos. 6a verdade, as fronteiras entre estes conceitos são pouco claras e muitas ve"es até inst(veis em rela!ão aos diferentes conte tos. 6o nosso caso são relevantes sobretudo as rela!)es entre 2utoritarismo e +O+238+2/8$1O J<.L e estas rela!)es tendem a ser diferentes nos três níveis de 2utoritarismo acima indicados. 2 mais ampla e tensão de significado de 2utoritarismo acha-se nos estudos sobre a personalidade e sobre atitudes autorit(rias. 2pesar do conceito de ]personalidade autorit(ria] ter sido criado originariamente para descrever uma síndrome psicol#gica dos indivíduos ]potencialmente fascistas], investiga!)es posteriores estenderam o conceito ao pr#prio 2utoritarismo de esquerda e indagaram os comportamentos autorit(rios das classes bai as da mesma forma com que analisaram os comportamentos das classes médias ou altas. Em geral, neste setor de pesquisa não se fa" nenhuma distin!ão entre 2utoritarismo e totalitarismo. 6o campo das ideologias políticas, a (rea de significado do 2utoritarismo é incerta. 1as e iste uma tendência significativa para limitar o uso do termo para as ideologias nas quais a acentua!ão da importWncia da autoridade e da estrutura hier(rquica da sociedade tem uma fun!ão conservadora. 6este sentido, as ideologias autorit(rias são ideologias da ordem e distinguem-se daquelas que tendem [ transforma!ão mais ou menos integral da sociedade, devendo entre elas ser incluídas as ideologias totalit(rias. Em rela!ão aos regimes políticos, enfim, o termo 2utoritarismo é empregado em dois sentidosB um deles, muito generali"ado, compreende todos os sistemas não democr(ticos caracteri"ados por um bai o grau de

mobili"a!ão e de penetra!ão da sociedade. Este 9ltimo significado coincide em parte com a no!ão de ideologia autorit(ria. 1as s# em parte, pois que e istem tanto os regimes autorit(rios de ordem como os regimes autorit(rios voltados para uma transforma!ão, embora limitada, da sociedade. Em vista de tudo o que acabamos de e por, um fundo de significado comum não quer di"er plena coerência de significado. 1ais importante do que isso é sublinhar que a e istência de um fundo de significado comum não inclui a necessidade da copresen!a fatual dos três níveis de 2utoritarismo. /a"oavelmente pode supor-se que e ista uma certa congruência entre eles. >ma personalidade autorit(ria, por e emplo, sentir-se-( provavelmente [ vontade numa estrutura de poder autorit(ria e achar( provavelmente genial uma ideologia autorit(ria. 1as isto não significa que os três aspectos do 2utoritarismo estejam sempre e necessariamente presentes ao mesmo tempo. Em que grau e com que freq_ência os três níveis de 2utoritarismo se acham juntos ou separados nas diversas situa!)es sociais é um quesito cuja resposta não pode ser prejudicada, na partida, pelas defini!)es, mas deve ser pacientemente determinada através da investiga!ão empírica. Em linha de princípio, nada e clui que cren!as democr(ticas sejam impostas através de métodos autorit(rios. Ou que entre chefes de um Estado autorit(rio haja indivíduos não marcados por uma personalidade autorit(riaY ou que um regime autorit(rio de fato se acoberte por fora de uma ideologia democr(tica ou de uma ideologia totalit(ria que perdeu sua carga propulsiva e se transformou numa simples veste simb#lica. 88. 2$ 87EO3O=82$ 2>+O/8+:/82$. \ A( dissemos que não e iste coerência plena de significado entre o 2utoritarismo a nível de ideologia e o 2utoritarismo a nível de regime político. 2 estrutura mais íntima do pensamento autorit(rio acha correspondência não em qualquer sistema autorit(rio e sim no tipo puro de regime autorit(rio conservador ou de ordem. 6este sentido, o pensamento autorit(rio não se limita a defender uma organi"a!ão hier(rquica da sociedade política, mas fa" desta organi"a!ão o princípio político e clusivo para alcan!ar a ordem, que considera como bem supremo. $em um ordenamento rigidamente hier(rquico, a sociedade vai fatalmente ao encontro do caos e da desagrega!ão. +oda a filosofia política de 0obbes, por e emplo, pode ser interpretada como uma filosofia autorit(ria da ordem. 1as é uma teoria autorit(ria singular e de certo modo an*mala, porque toma a iniciativa-da igualdade entre os homens e dedu" a

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necessidade da obediência incondicional ao soberano através de um processo rigorosamente racional. =eralmente, as doutrinas autorit(rias, ao contr(rio, pelo menos as modernas, são doutrinas antiracionalistas e antiigualit(rias. .ara elas, o ordenamento desejado pela sociedade não é uma organi"a!ão hier(rquica de fun!)es criadas pela ra"ão humana, mas uma organi"a!ão de hierarquias naturais, sancionadas pela vontade de 7eus e consolidadas pelo tempo e pela tradi!ão ou impostas inequivocamente pela sua pr#pria for!a e energia interna. 7e costume, a ordem hier(rquica a preservar é a do passadoY ela se fundamenta na desigualdade natural entre os homens. T evidente que o problema da ordem é um problema geral de todo o sistema políticoY e, como tal, não pode ser um monop#lio do pensamento autorit(rio. +ambém em muitas e posi!)es da ideologia liberal e da ideologia democr(tica se acha, entre outros princípios, uma valori"a!ão da importWncia da autoridade como agente da ordem social. 1as o que caracteri"a a ideologia autorit(ria, além da visão da desigualdade entre os homens, é que a ordem ocupa todo o espectro dos valores políticos, e o ordenamento hier(rquico que daí resulta esgota toda a técnica da organi"a!ão política. Esta preocupa!ão obsessiva pela ordem e plica também por que o pensamento autorit(rio não pode admitir que o ordenamento hier(rquico seja um simples instrumento tempor(rio para levar a uma transforma!ão parcial ou integral da sociedade, tal como acontece, pelo menos na interpreta!ão ideol#gica, em muitos sistemas autorit(rios em vias de moderni"a!ão e nos sistemas comunistas. .ara a doutrina autorit(ria, a organi"a!ão hier(rquica da sociedade acha a pr#pria justifica!ão em si mesma e a sua validade é perene. 2lém do mais, o 2utoritarismo, como ideologia da ordem, se distingue de forma clara do pr#prio totalitarismo fascista, j( que ele apenas imp)e a obediência incondicional e circunscrita do s9dito e não a dedica!ão total e entusi(stica do membro da na!ão ou da ra!a eleita. 2 ordena!ão hier(rquica do 2utoritarismo ap#ia-se essencialmente no modelo que precedeu a época da /evolu!ão 8ndustrial. O pensamento autorit(rio moderno é uma forma!ão de rea!ão contra a ideologia liberal e democr(tica. 2 doutrina contra-revolucion(ria de 8. de 1aistre e de -onald constitui sua primeira e mais coerente formula!ão. 1ais tarde, com o ine or(vel avan!o da sociedade industrial e urbana, o 2utoritarismo compactuar( com o liberalismo, colorir-se-( de um nacionalismo sempre mais vistoso e procurar( respostas para o pr#prio socialismo. 3ogo depois da /evolu!ão ,rancesa, a $ociedade poder( ainda aparecer frente a um

bívioB de um lado, a continua!ão das correntes inovadorasY do outro, a plena restaura!ão da ordem pré-burguesa. 2ssim, Aoseph de 1aistre J%EI&-%FD%L pode contrapor ao iluminismo revolucion(rio uma doutrina que é uma reviravolta quase completa dele. 2o racionalismo iluminista ele op)e um radical irracionalismo. $egundo ele, as coisas humanas são o resultado do encadea-mento imprevisível de numerosas circunstWncias, por detr(s das quais est( a .rovidência divina. T por isso que o homem deve ser educado nos dogmas e na fé e não no e ercício ilus#rio da ra"ão. j idéia de progresso, ele contrap)e a da tradi!ãoY a ordem social é uma heran!a da hist#ria passada que a consolidou e e perienciou através do curso do tempo. +oda a pretensão do homem em transformar-se em legislador é perturbadora e desagregadora. j visão da igualdade dos homens contrap)e a da sua insuprimível desigualdade. j tese da soberania popular op)e a de que todo o poder vem de 7eus. 2os direitos do cidadão o absoluto dever da obediência do s9dito. 2 ordem do pensamento contrarevolucion(rio é rigorosamente hier(rquica. 5omo escreve o visconde de -onald J%EIM-%FM'L, o poder do rei, absoluto e independente dos homens, é a causaY os seus ministros Ja nobre"aL, que e ecutam a vontade dele, são os meiosY a sociedade dos s9ditos, que obedece, é o efeito. -onald e 1aistre iniciam um dos principais fil)es do pensamento autorit(rio \ o cat#lico \, o qual, com o passar do tempo, ser( enriquecido de novos componentes e assumir( tons inéditos. .or e emplo, pelos meados do século `8`, Luan 7onoso 5ortês J%F'O-%FI&L, frente ao desenvolvimento decisivo do liberalismo e da democracia c ao crescimento incipiente do socialismo, vê na rai" de todas estas correntes um pecado contra 7eus e uma nostalgia satWnica pelo caos. .ronuncia profecias apocalípticas prevendo que a monarquia não ser( mais suficiente para restaurar a ordem e que poder( dar vida a uma ditadura política. E entre os fins do século `8` e o início do século ``, o marquês /ené de la +our du .in J%F&M-%ODML contrap)e aos sindicatos socialistas uma reativa!ão das corpora!)es da 8dade 1édia cristã, que deveriam abranger os propriet(rios, os dirigentes e os trabalhadores de todos os setores da ind9stria, esconjurando assim a luta de classes e que teriam, de outra parte, uma fun!ão consultiva, de modo a não atacar a autoridade absoluta da monarquia heredit(ria. O 2utoritarismo foi uma característica importante e corrente do pensamento político alemão do século `8`. 8nicialmente, ele representou uma resistência contra a unifica!ão nacional e contra a industriali"a!ão, embora depois tenha

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acompanhado e guiado estas. 5itarei apenas alguns autores, cujas idéias tiveram um peso mais significativo até na política pr(ticaB 5arl 3udaig 0aller J%EKF-%FIML, de -erna, que construiu uma teoria contra-revolucion(ria fundada sobre a ideali"a!ão do estado patrimonial da 8dade 1édia e e erceu grande influência no círculo político de ,rederico =uilherme 8<Y ,riedrich lulius $tahl J%F'%%FK%L, que teori"ou sobre a monarquia heredit(ria legítima de direito divino, contribuindo para dar forma ao programa conservador da monarquia prussiana que terminou na obra unificadora de -ismarcgY e 0einrich +reitschge J%F&M-%FOKL, cujas doutrinas se tornaram parte integrante da ideologia do império alemão até a .rimeira =uerra 1undial. O pensamento de +reitschge é muito interessante porque nele se reflete a situa!ão de um Estado autorit(rio colocado diante do problema de operar uma forte mobili"a!ão social para consolidar a unidade nacional e para dirigir a moderni"a!ão a contar de cima. 7e uma parte se acha nele um nítido nacionalismo com marcantes tendências imperialísticas e um moderado acolhimento das teses liberais para levar a burguesia [ colabora!ão. 7e outra parte, o cerne da doutrina permanece autorit(rio, mesmo se a autoridade não se baseia na vontade de 7eus e sobre a hist#ria e sim na hist#ria e na potência da mesma. O Estado é for!a, tanto para dentro como para fora, e o primeiro dever dos s9ditos é a obediência. 2 melhor forma de =overno é a monarquia heredit(ria, que se adapta [s desigualdades naturais da sociedade, ao passo que a democracia contraria os dados naturais. O rei detém o poder, dirige o e ército e a burocracia e escolhe autonomamente seu =overno. T o modelo da monarquia constitucional prussiana, na qual a fun!ão do .arlamento e dos partidos \ que +reitschge admite \ é pouco mais do que consultiva. Esta estrutura hier(rquica do sistema político espelha e preserva as hierarquias naturais da sociedade civil, que têm no vértice a nobre"a heredit(ria, a ]camada eminentemente política], que tem em mãos a dire!ão do EstadoY no meio, a burguesia, que tem um papel importante na vida da cultura e na vida material, mas que degenera quando quer ocupar-se e cessivamente dos neg#cios p9blicosY e, na base, a grande massa dos trabalhadores bra!ais. Entre estes, +reitschge prefere significativamente os camponeses, conservadores e ligados [ tradi!ão, e olha com suspei!ão os oper(rios urbanos, irrequietos e ]singularmente sensíveis [s idéias de subversão]. .rosseguindo nesta breve resenha e emplifica-tiva, pode lembrar-se como característica da primeira metade do século `` a doutrina de

5harles 1aurras J%FKF-%OIDL que encabe!ou o movimento de e trema direita da +ction *ran-çaise na ,ran!a da 888 /ep9blica e procurou depois do pr#prio pensamento a ideologia oficial do regime de .étain. 6o conte to social em que 1aurras teori"ava, a industriali"a!ão tinha j( avan!ado, a penetra!ão do Estado na sociedade era not(vel e a efic(cia da a!ão política e igia um alto grau de mobili"a!ão. +udo isto repercute em tra!os do pensamento maurrasiano, que não fa"em parte do 2utoritarismo tradicional, do tipo do nacionalismo ]integral], do anti-semitismo e do estilo de a!ão política por ele propugna-do. 1as, simultaneamente, sua doutrina é fundamentalmente autorit(ria. 1aurras odeia os ]b(rbaros] internos, armados com palavras de ordem sobre a igualdade e a liberdadeY e odeia a democracia como for!a an(rquica e destruidora. 2 salva!ão da ,ran!a est( na restaura!ão de uma ordem que dê novo sangue vital [s ]belas desigualdades]. 2 ordem de 1aurras é necessariamente hier(rquica e encarna uma ]monarquia tradicional, heredit(ria, antiparlamentar e descentrali"ada], que tem o direito [ obediência incondicional dos franceses. 2 descentrali"a!ão do Estado tornou-se possível gra!as ao fato de a autoridade da monarquia ser indestrutível. Ela comporta a autonomia das comunidades locais e sobretudo um ordenamento corporativo do tipo do de la +our du .in. >ma das pilastras fundamentais da ordem maurrasiana é o e ército pelo qual ele nutria um verdadeiro culto e também a 8greja cat#lica, endendida não em sua mensagem cristã, mas como institui!ão de ordem e de hierarquia, e tudo, portanto, dentro de uma perspectiva de renova!ão da alian!a do trono e do altar. 5ertos aspectos do pensamento de 1aurras, como o nacionalismo radical e o anti-semitismo, antecipam claramente o fascismo. 1as o 2utoritarismo não é o totalitarismo fascistaY e quando para ele conflui ou dele se torna um simples componente, perde sua nature"a mais íntima. 6a ideologia fascista, o princípio hier(rquico j( não é instrumento de ordem mas instrumento de mobili"a!ão total da na!ão para desenvolver uma luta sem limite contra as outras na!)es. 6este sentido, no fascismo a ideologia autorit(ria cessa e torna-se outra coisa. 7epois da $egunda =uerra 1undial e das conseq_ências que dela derivaram, a ideologia autorit(ria acha-se frente a um mundo hoje muito estranho para poder lan!ar raí"es profundas. 6ão faltam regimes autorit(rios de tipo conservadorY mas é difícil que eles encontrem sua justifica!ão numa ideologia autorit(ria e plícita e decisiva. 5omo veremos abai o, Auan 3in" afirma que os atuais regimes autorit(rios, incluindo os

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conservadores, são caracteri"ados não pela ideologia, mas por simples ]mentalidade]. Esta diferencia!ão é talve" muito e plícita e poderia ser formulada de maneira diferente, distinguindo entre ideologias de alto e de bai o grau de articula!ão simb#lica e conceptual. Entretanto, fica sempre a verdade de que as ideologias autorit(rias de hoje têm um modesto nível de elabora!ão. E isto, por sua ve", depende do fato crucial da perspectiva da conserva!ão de uma ordem hier(rquica estabelecida definitivamente e essencialmente ligada ao passado pré-burguês que foi ine oravelmente marginali"ada como uma antiqualha in9til, por um mundo que é dominado, de fato e pelas e pectativas dos homens, pela industriali"a!ão, pelo urbanismo e pela idéia de progresso e de mudan!a contínua da sociedade. .arece portanto que a ideologia autorit(ria não tem futuro. .arece ainda que para ressurgir dever( adaptarse aos novos tempos e corrigir de forma substancial sua filosofia. 6a base de conjecturas, poder( imaginar-se que num mundo industriali"ado ela não poder( dei ar de juntar [ preserva!ão da ordem um tipo de administra!ão da mudan!a socialY e que nesta altera!ão de rota poder( fa"er reviver parcialmente o 2utoritarismo comtiano e um certo filão elitístico que pro-pugnou ou fantasiou uma elite dos intelectuais e dos competentes. 2 forma mais prov(vel é talve" a de uma tecnocracia coerente levada até [s 9ltimas conseq_ências. 888. .E/$O6238727E$ E 2+8+>7E$ 2>+O/8+:/82$. \ 1uitos aspectos da personalidade autorit(ria foram j( enucleados na descri!ão do ]car(ter autorit(rio] feita por Eric ,romm em *uga da liberdade J%OM%L. O te to fundamental neste campo é, todavia, a pesquisa monumental de +heodor P. 2dorno e dos seus colaboradores, + personalidade autorit#ria) publicada em %OI'. Esta pesquisa tem em mira descrever o indivíduo potencialmente fascista cuja estrutura da personalidade é tal que o torna particularmente sensível [ propaganda antidemocr(tica. Os autores procuram na verdade demonstrar que o antisemitismo, que constituía o tema inicial da pesquisa, é um aspecto de uma ideologia mais comple a caracteri"ada, entre outras coisas, pelo conservadorismo político-econ*mico, por uma visão etno-cêntrica e, mais em geral, por uma estrutura autorit(ria da personalidade. 6este quadro, a personalidade autorit(ria é descrita como um conjunto de tra!os característicos inter-relacionados. 5ruciais são as assim chamadas ]submissão] e ]agressão] autorit(riasB de uma parte, a cren!a cega na autoridade e a obediência voltada para os superiores e, de outra, o despre"o pelos inferiores

e a disposi!ão em atacar as pessoas débeis e que socialmente são aceit(veis como vítimas. Outros tra!os relevantes são a aguda sensibilidade pelo poder, a rigide" e o conformismo. 2 personalidade autorit(ria tende a pensar em termos de poder, a reagir com grande intensidade a todos os aspectos da realidade que tocam, efetivamente ou na imagina!ão, as rela!)es de domínio. T intolerante para com a ambig_idade, refugia-se numa ordem estruturada de modo elementar e infle ível e fa" um uso marcado de estere#tipos tanto no pensamento quanto no comportamento. T particularmente sensível em rela!ão [ influência de for!as e ternas e tende a aceitar supina-mente todos os valores convencionais do grupo social a que pertence. 2 estas características. 2dorno e seus colaboradores juntaram outras que podemos passar adiante nesta e posi!ão. 2 interpreta!ão que 2dorno e seus colaboradores deram da personalidade autorit(ria é profundamente psicanalítica. >ma rela!ão hier(rquica e opressiva entre pais e filhos cria no filho um comportamento muito intenso e profundamente ambivalente em rela!ão [ autoridade. 7e um lado, e iste uma forte disposi!ão para a submissãoY por outro lado, poderosos impulsos hostis e agressivos. Estes 9ltimos impulsos são porém drasticamente eliminados pelo superego. E a e traordin(ria energia dos impulsos contidos, enquanto contribui para tornar mais cega e absoluta a obediência [ autoridade, é, em sua maior parte, dirigida para a agressão contra os débeis e inferiores. T portanto um mecanismo através do qual o indivíduo procura inconscientemente superar seus conflitos interiores, o que desencadeia o dinamismo da personalidade autorit(ria. O indivíduo, para salvar o pr#prio equilíbrio amea!ado em sua rai" pelos impulsos em conflito, se agarra a tudo quanto é for!a e energia e ataca tudo quanto é fraque"a. 2 este dinamismo fundamental estão ligados todos os outros tra!os da personalidade autorit(riaB desde a tendência a depender de for!as e ternas até [ preocupa!ão obsessiva pelo poder e desde a rigide" até ao conformismo. O estudo de %OI' foi sujeito de v(rias críticas relativas tanto ao método usado quanto aos resultados obtidos. Entre as críticas de método lembraremos aquela segundo a qual a tendência dos sujeitos e aminados a dar respostas ]altas], isto é, a declararse de acordo com as proposi!)es do question(rio, pode depender mais do que de uma escolha de valores a respeito do conte9do da proposi!ão, da propensão a não discordar de uma afirma!ão j( formulada. Essa propensão pode estar ligada principalmente a pessoas de bai a renda e com um bai o nível de instru!ão. Esta crítica é importante porque as diversas escalas

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empregadas na pesquisa Jescalas do anti-semitismo, do etnocentrismo, do conservadorismo políticoecon*mico e das tendências antidemocr(ticasL foram todas construídas de modo que as respostas ]altas], ou seja, do consenso mais ou menos destacado a respeito das proposi!)es-teste constituíssem uma medida direta dos parWmetros politicamente ]negativos]B o antisemitismo, o etnocentrismo, o conservadorismo político-econ*mico e as tendências antidemocr(ticas. ,oi observado também que as proposi!)es-teste refletem de maneira acentuada a posi!ão de esquerda moderada dos autores, de tal maneira que o que se conclui não é o 2utoritarismo tout court) mas apenas o 2utoritarismo de tipo fascista. $egundo esta crítica, 2dorno e seus colaboradores trocaram a dicotomia preconceito-tolerWncia pela de direita-esquerda, com a conseq_ência de ignorar totalmente os preconceitos associados [s ideologias de esquerda e mais em geral o 2utoritarismo de esquerda. 6a verdade, pode afirmar-se que com base nas respostas aos question(rios preparados por 2dorno e pelos seus colaboradores, uma pessoa autorit(ria de esquerda teria verossimilmente totali"ado um total de pontos muito bai o e teria sido considerada não autorit(ria. .esquisas posteriores, levadas a cabo inclusive por alguns colaboradores de 2dorno, procuraram corrigir este ]tendenciosismo] da personalidade autorit#ria7 1as a crítica mais comum e mais importante é talve" aquela que di" respeito [ base e clusivamente psicanalítica- da interpreta!ão da personalidade autorit(ria. Observou-se que uma interpreta!ão mais completa deste tipo de personalidade requereria uma considera!ão e austiva do ambiente social, das diversas situa!)es e dos diversos grupos que podem influenciar a personalidade. 8sto porque muitos fen*menos que [ primeira vista aparecem como fatores de personalidade, depois de uma an(lise mais cuidada, podem revelar-se apenas como efeito de específicas condi!)es sociais. 6esta linha se foi constituindo, por parte de v(rios autores, uma segunda e plica!ão da forma!ão da personalidade autorit(riaB a do chamado ]2utoritarismo cognitivo]. $egundo esta coloca!ão, os tra!os da personalidade autorit(ria baseiam-se simplesmente em certas concep!)es da realidade e istentes numa determinada cultura ou subcultura. Essas concep!)es são apreendidas pelo indivíduo através do processo de sociali"a!ão e correspondem de forma mais ou menos rea-lística [s efetivas condi!)es de vida de seu ambiente social. 6a realidade, estas duas interpreta!)es da personalidade autorit(ria não se e cluem necessariamente entre si. 6umerosas pesquisas empíricas feitas recentemente parecem mostrar

que em certas situa!)es ou em certas classes sociais se encontram muitos dos fatos mencionados pela teoria do ]2utoritarismo cognitivo], enquanto que em outras situa!)es e em outras classes sociais a interpreta!ão psicanalítica mantém uma maior efic(cia e plicativa. 8ndubitavelmente inclinada para uma interpreta!ão sociol#gica mais do que psicol#gica dos comportamentos autorit(rios é a tese do ]2utoritarismo da classe trabalhadora], destacada principalmente por $e4mour 1. 3ipset. Esta tese não nega a e istência de tendências autorit(rias nas classes elevadas e médias, mas defende que na sociedade moderna as classes mais bai as se tornaram pouco a pouco a maior reserva de comportamentos autorit(rios. .or 2utoritarismo não se entende aqui ( síndrome da personalidade autorit(ria em toda a sua comple idade, mas de preferência uma série de atitudes individuais condi"entes com uma disposi!ão psicol#gica autorit(riaB uma bai a sensibilidade em rela!ão [s liberdades civis, a intolerWncia, bai a inclina!ão para sustentar um sistema pluripartid(rio, intolerWncia frente aos desvios dos c#digos morais convencionais, propensão para participar de campanhas contra os estrangeiros ou minorias étnicas ou religiosas, tendência para apoiar partidos e tremistas, etc. 6umerosas pesquisas mostraram que estes comportamentos estão presentes mais acentuadamente nas classes bai as. 3ipset imputa esta correla!ão [ situa!ão social da classe trabalhadora, caracteri"ada por um bai o nível de instru!ão, por uma bai a participa!ão na vida de organismos políticos e de associa!)es volunt(rias, por pouca leitura e escassa informa!ão, pelo isolamento derivado do tipo de atividade desenvolvida Jum fator que age em grau m( imo no caso dos camponeses e de outros trabalhadores, como os mineirosL, pela inseguran!a econ*mica e psicol#gica e pelo car(ter autorit(rio da vida familiar. +odos estes fatores contribuem para a forma!ão de uma perspectiva mental pobre e indefesa, feita de grande sugestionabilidade, de falta de um senso do passado e do futuro, de incapacidade de ter uma visão comple a das coisas, de dificuldade de elevar-se acima da e periência concreta e de falta de imagina!ão. T e atamente dentro desta perspectiva mental que deve ser procurada, segundo 3ipset, a comple a base psicol#gica do 2utoritarismo. +ambém [ tese de 3ipset foram dirigidas diversas críticas quer quanto ao método quer quanto [ interpreta!ão. 6o plano do método foi observado, por e emplo, que, em algumas pesquisas utili"adas por 3ipset, o modo de calcular os percentuais, que em certos casos equiparava as respostas ]não sei] [quelas que eram abertamente

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intolerantes, era desfavor(vel [s classes bai as, onde e iste maior quantidade de respostas incertas ou ausência de opinião. 2lém disso, o tipo de perguntas dirigidas aos entrevistados favorecia a classe média, j( que tais perguntas se referiam a argumentos que poderiam ser interessantes e compreensíveis para as pessoas de classe média mas não da mesma maneira para os trabalhadores. 6o plano da interpreta!ão, e com referência especial [ classe oper(ria, objetou-se que deveria ser levada em conta não apenas a condi!ão de oper(rio, mas a proveniência social do oper(rio. E uma tentativa de reelaborar os dados neste sentido parece mostrar que o 2utoritarismo deveria ser atribuído sobretudo aos oper(rios de imediata proveniência campesina. ,oi notado ainda que os estudos sobre o 2utoritarismo da classe oper(ria deveria ter em conta a mobilidade vertical uma ve" que h( ra")es para defender que são sobretudo autorit(rios os elementos que descem da classe média para a classe oper(ria e que, ao contr(rio, são tolerantes, aqueles que vão da classe oper(ria para a classe média. 8<. /E=81E$ E 86$+8+>8^pE$ 2>+O/8+:/82$. \ Em sentido generalíssimo, fala-se de regimes autorit(rios quando se quer designar toda a classe de regimes antidemocr(ticos. 2 oposi!ão entre 2utoritarismo e democracia est( na dire!ão em que é transmitida a autoridade, e no grau de autonomia dos subsistemas políticos Jos partidos, os sindicatos e todos os grupos de pressão em geralL. 7ebai o do primeiro perfil, os regimes autorit(rios se caracteri"am pela ausência de .arlamento e de elei!)es populares, ou, quando tais institui!)es e istem, pelo seu car(ter meramente cerimonial, e ainda pelo indiscutível predomínio do poder e ecutivo. 6o segundo aspecto, os regimes autorit(rios se distinguem pela ausência da liberdade dos subsistemas, tanto no aspecto real como no aspecto formal, típica da democracia. 2 oposi!ão política é suprimida ou obstruída. O pluralismo partid(rio é proibido ou redu"ido a um simulacro sem incidência real. 2 autonomia dos outros grupos politicamente relevantes é destruída ou tolerada enquanto não perturba a posi!ão do poder do chefe ou da elite governante. 6este sentido, o 2utoritarismo é uma categoria muito geral que compreende grande parte dos regimes políticos conhecidos, desde o despotismo oriental até ao império romano, desde as tiranias gregas até [s senhorias italianas, desde a moderna monarquia absoluta até [ constitucional de tipo prussiano, desde os sistemas totalit(rios até [s oligarquias moderni"antes ou tradicionais dos países em desenvolvimento. $e tivermos presentes apenas os sistemas políticos atualmente e istentes e

concentrarmos a aten!ão sobre o papel que neles têm os partidos, podemos distinguir três formas de regimes autorit(rios, segundo observa!)es de $amuel .. 0untington e de 5lemente 0. 1ooreB os regimes sem partidos, que correspondem habitualmente a níveis bastante bai os de mobili"a!ão social e de desenvolvimento político JEti#pia de 0ailé $elassié, por e emploLY os regimes de partido 9nico \ no sentido real e não formal da e pressão \ que são os mais numerosos Ja >nião $oviética, por e emploLY e, mais raramente, os regimes pluripartid(rios em que diversos partidos convencionam em não competir entre si, produ"indo resultados funcionais muito semelhantes [queles que encontramos no monopartidarismo Jcaso da 5ol*mbiaL. +odavia, na classifica!ão dos regimes políticos contemporWneos, o conceito de 2utoritarismo é empregado muitas ve"es para designar, não todos os sistemas antidemocr(ticos, mas apenas uma sua subclasse. 6este sentido, distingue-se entre 2utoritarismo e totalitarismo. 2 prop#sito desta distin!ão devemos di"er, em termos preliminares, que enquanto o uso estrito que se fa" de 2utoritarismo é 9til e legítimo, o uso amplo de ]totalitarismo] tra" consigo inconvenientes sérios, sendo vivamente criticado. 6a verdade o que se contrap)e aos regimes autorit(rios são todos os regimes monopartid(rios com índices de alta mobili"a!ão política. 6o verbete +O+238+2/8$1O encontraremos uma discussão e plícita deste ponto. 6a e posi!ão presente, para simplificar, continuaremos falando, embora com a devida cautela, de regimes ]totalit(rios]. .ara isso, deveremos voltar [ nossa distin!ãoB ela poder( ser levada ao grau da penetra!ão e da mobili"a!ão política da sociedade e aos instrumentos a que a elite governante especificamente recorre. 6os regimes autorit(rios a penetra!ão-mobili"a!ão da sociedade é limitadaB entre Estado e sociedade permanece uma linha de fronteira muito precisa. Enquanto o pluralismo partid(rio é suprimido de direito ou de fato, muitos grupos importantes de pressão mantêm grande parte da sua autonomia e por conseq_ência o =overno desenvolve ao menos em parte uma fun!ão de (rbitro a seu respeito e encontra neles um limite para o pr#prio poder. +ambém o controle da educa!ão e dos meios de comunica!ão não vai além de certos limites. 1uitas ve"es é tolerada até a oposi!ão, se esta não for aberta e p9blica. .ara alcan!ar seus objetivos, os =overnos autorit(rios podem recorrer apenas aos instrumentos tradicionais do poder políticoB e ército, polícia, magistratura e burocracia. ?uando e iste um partido 9nico, também acontece que ele não assume o papel crucial tanto no que di" respeito ao e ercício do poder como no que

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di" respeito [ ideologia, tal como acontece nos regimes ]totalit(rios]. 6estes 9ltimos regimes, a penetra!ão-mobili"a!ão da sociedade, ao contr(rio, é muito altaB o Estado, ou melhor, o aparelho do poder, tende a absorver a sociedade inteira. 6eles, é suprimido não apenas o pluralismo partid(rio, mas a pr#pria autonomia dos grupos de pressão que são absorvidos na estrutura totalit(ria do poder e a ela subordinados. O poder político governa diretamente as atividades econ*micas ou as dirige para seus pr#prios fins, monopoli"a os meios de comunica!ão de massa e as institui!)es escolares, suprime até manifesta!)es críticas de pequeno porte ou de oposi!ão, procura aniquilar ou subordinar a si as institui!)es religiosas, penetra em todos os grupos sociais e até na vida familiar. Este grande esfor!o de penetra!ão e de mobili"a!ão da sociedade comporta uma intensifica!ão muito destacada da propaganda e de arregimenta!ão. 7aqui nasce a importWncia central do partido 9nico de massa, portador de uma ideologia fortemente dinWmicaY e, em certos casos e tremos, comporta também uma intensifica!ão muito forte da violênciaY e daí nasce a importWncia, em casos e tremos, da polícia secreta e dos outros instrumentos de terror. O soci#logo político luan 3in", que é dos autores que mais contribuíram para precisar a distin!ão entre ]2utoritarismo] e ]totalitarismo] na tipologia dos sistemas políticos contemporWneos, prop)e esta defini!ãoB ]Os regimes autorit(rios são sistemas políticos com um pluralismo político limitado e não respons(velY sem uma ideologia elaborada e propulsiva, mas com mentalidade característicaY sem uma mobili"a!ão política intensa ou vasta, e ce!ão feita em alguns momentos de seu desenvolvimentoY e onde um chefe, ou até um pequeno grupo, e erce o poder dentro dos limites que são formalmente mal definidos mas de fato habilidosamente previsíveis]. O primeiro ponto di" respeito ao pluralismo políticoB um pluralismo limitado de direito e de fato, mais tolerado do que reconhecido e não respons(vel, no sentido de que o recrutamento político de indivíduos provenientes das diversas for!as sociais não se baseia sobre um princípio operante de represen-tatividade dessas for!as sociais, mas sobre escolha e preferência do alto. O segundo ponto destaca o bai o grau de organi"a!ão e de elabora!ão con-ceptual das teorias que justificam o poder dos regimes autorit(rios e, por conseq_ência, a sua modesta dinWmica propulsiva. O terceiro ponto acentua a escassa participa!ão da popula!ão nos organismos políticos e parapolíticos, que caracteri"a os regimes autorit(rios estabili"ados, mesmo quando em certas fases de sua hist#ria, especialmente em fases iniciais, a mobili"a!ão pode ser

muito maior. ,inalmente, o quarto aspecto torna claro o fato de que o poder do chefe ou da elite governante se e erce dentro de limites bastante definidos, mesmo quando não estão estabelecidos formalmente. Estes limites estão evidentemente ligados a outros aspectos dos regimes autorit(riosB o pluralismo moderado, a falta de uma ideologia propulsiva, escassa mobili"a!ão e ausência de um eficiente partido de massa. O grau relativamente moderado da penetra!ão no tecido social dos regimes autorit(rios depende sempre do atraso mais ou menos marcante da estrutura econ*mica e social. 1as neste conte to, a elite governante pode ter dois papéis diversosB pode refor!ar o modesto grau de penetra!ão do sistema político, escolhendo deliberadamente uma política de mobili"a!ão limitada, ou escolher uma política de mobili"a!ão acentuada cujos limites serão definidos pelas condi!)es do ambiente. 5om base no comportamento desses fatores, =. 2. 2lmond e =. -. .oael distinguem, no Wmbito dos regimes autorit(rios, entre regimes autorit(rios de tipo conservador e regimes autorit(rios em vias de moderni"a!ão. 4s regi es autorit#rios conservadores) como os de ,ranco e de $ala"ar, surgem dos sistemas políticos tradicionais dinami"ados por uma parcial moderni"a!ão econ*mica, social e política, e têm em vista limitar a destrui!ão da ordem social tradicional usando algumas técnicas modernas de organi"a!ão, de propaganda e de poder. O poder de mobili"a!ão, porém, é muito limitado. O regime não procura entusiasmo e sustenta!ão, contenta-se com a aceita!ão passiva e tende a desencorajar a doutrina!ão ideol#gica e o ativismo político. 4s regi es autorit#rios e vias de odernização que podem ser encontrados em v(rios países do terceiro mundo surgem em sociedades caracteri"adas por uma moderni"a!ão ainda muito débil e obstaculada por v(rios estrangulamentos sociais. Eles pretendem refor!ar e tornar incisivo o poder político para superar os i passes no caminho do desenvolvimento. 2 caminhada para a mobili"a!ão é por isso muito mais forte do que nos regimes de tipo conservadorY mas a for!a de penetra!ão do regime é limitada pela consistência das for!as sociais conservadoras e tradicionais e pelo atraso geral da estrutura social e da cultura política. 6esta situa!ão, a elite governante se esfor!a por introdu"ir os instrumentos modernos de mobili"a!ão social mas não est( em condi!)es de organi"ar um partido de massa verdadeiramente eficiente. Estas dificuldades que a elite governante enfrenta são ainda maiores nos regi es autorit#rios pr9obilizadosr j( que o ambiente que os caracteri"a é uma sociedade ainda quase inteiramente

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tradicional, tanto na estrutura social como na cultura política. 6um certo sentido, tais regimes não são senão ]meros acidentes hist#ricos, isto é, sistemas onde, em conseq_ência do influ o do colonialismo e da difusão das idéias e das atividades e istentes em países mais desenvolvidos, se criou uma elite moderni"ante e uma estrutura política diferenciada, muito antes que se tenha sentido a necessidade ou o impulso de desenvolver tais estruturas e culturas por pr#pria conta]. Os enormes obst(culos que se op)em [ mobili"a!ão política e [ moderni"a!ão, em casos como estes, ficaram bem ilustrados com os acontecimentos de =ana na época de 6grumah. >ma tipologia dos regimes autorit(rios contemporWneos, mais minuciosa e articulada, é a proposta por A. 3in". .revê cinco formas principais e duas secund(rias, sete tipos ao todo. %L Os regimes autorit(rios burocr#tico- ilitares são caracteri"ados por uma coali"ão chefiada por oficiais e burocratas e por um bai o grau de participa!ão política. ,alta uma ideologia e um partido de massaY e iste freq_entemente um partido 9nico, que tende a restringir a participa!ãoY [s ve"es e iste pluralismo político, mas sem disputa eleitoral livre. T o tipo de 2utoritarismo mais difundido no século ``B são disso e emplo o -rasil e a 2rgentina em alguns períodos da sua hist#ria, a Espanha de .rimo de /ivera e os primeiros anos de $ala"ar em .ortugal. DL Os regimes autorit(rios de estatalis o org3nico são caracteri"ados pelo ordenamento hier(rquico de uma pluralidade não competitiva de grupos que representam diversos interesses e categorias econ*micas e sociais, bem como por um certo grau de mobili"a!ão controlada da popula!ão em formas ]orgWnicas]. E iste também ami9de um partido 9nico, com um papel mais ou menos relevante, ao mesmo tempo que a perspectiva ideol#gica do regime assenta numa certa versão do corporativismo. E emplo típico do estatalismo orgWnico encontramo-lo no 5stado .ovo portuguêsY mas também h( tendências corporativas na 8t(lia fascista, na Espanha franquista e em alguns países da 2mérica 3atina. &L Os regimes autorit(rios de obilização e países p'sde ocr#ticos se distinguem pelo grau relativamente mais elevado de mobili"a!ão política, a que corresponde o papel mais incisivo do partido 9nico e da ideologia dominante, e por um grau relativamente mais bai o de pluralismo político permitido. $ão os regimes usualmente chamados ]fascistas] ou, pelo menos, a maior parte deles. O caso mais representativo é o do fascismo italiano. ML Os regimes autorit(rios de obilização p's-independ-ncia são os resultantes da luta anti-colonial e da conquista da independência nacional, especialmente espalhados pelo continente

africano. 5aracteri"am-se pelo surgimento de um partido 9nico ainda débil e não apoiado pelas forma!)es paramilitares típicas dos regimes fascistas, por uma leadership nacional muitas ve"es de car(ter carism(tico, por um incerto componente ideol#gico e por um bai o grau de participa!ão política. IL Os regimes autorit(rios p's-totalit#rios são representados pelos sistemas comunistas ap#s o processo de destalini"a!ão. $ão o resultado combinado de diversas tendênciasB forma!ão de interesses em conflito \ portanto de um pluralismo limitado \, despoliti"a!ão parcial das massas, atenua!ão do papel do partido 9nico e da ideologia, acentuada burocrati"a!ão. $ão tendências que provocam uma transforma!ão consider(vel e s#lida do anterior modelo totalit(rio. 2 estes cinco tipos principais de regimes autorit(rios, 3in" acrescentou ainda o KL totalitaris o i per0eito) que constitui geralmente uma fase transit#ria de um sistema cuja evolu!ão para o totalitarismo é sustada e tende depois a transformar-se em qualquer outro tipo de regime autorit(rio, e EL a chamada de ocracia racial) domínio autorit(rio de um grupo racial sobre outro grupo racial que representa a maioria da popula!ão J:frica do $ulL, embora internamente ele se reja pelo sistema democr(tico. Em analogia com os regimes políticos, pode-se atribuir o car(ter do 2utoritarismo também a outras institui!)es sociais familiares, escolares, religiosas, econ*micas e outras. 6este campo, o conceito de 2utoritarismo torna-se muito genérico e pouco preciso, ainda que seja claro que, para as outras institui!)es sociais, tal como acontece com os regimes políticos, ele se refere [ estrutura das rela!)es de poder. $eria lícito di"er que uma institui!ão é tanto mais autorit(ria quanto mais as rela!)es de poder que a distinguem são confiadas a comandos apodíticos e amea!as de puni!ão e tendem a e cluir ou a redu"ir ao mínimo a participa!ão de bai o na tomada de decis)es. 1as se pode ser relativamente f(cil concordar em gerao sobre os parWmetros do 2utoritarismo das institui!)es, é muito mais difícil concordar sobre sua aplica!ão concreta a esta ou [quela institui!ão. 6este campo tornam-se claramente relevantes, mais do que em qualquer outra circunstWncia, as orienta!)es de valor das diversas correntes. 8sso pode ser facilmente observado considerando as respostas que de costume são dadas aos dois principais problemas que emergem no setor. O primeiro problema pode ser formulado da maneira seguinteB até que ponto é legítima a analogia entre os conceitos de democracia e de 2utoritarismo ao nível dos regimes políticos e os mesmos conceitos ao nível das diversas institui!)es sociaisf 7e uma parte, alguns tendem a levar

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a analogia muito [ frente, querem democrati"ar as v(rias institui!)es sociais, introdu"indo parlamentos e assembléias com o m( imo poder de decisão, na escola, na f(brica, na igreja, etc. e chamam de autorit(rias todas as institui!)es que não se conformam com tais critérios. O alvo do ataque desta tendência radical é, em particular, a estrutura hier(rquica das grandes unidades econ*micas contemporWneas, para as quais a analogia com os regimes políticos não poderia ser negada desde o momento em que apenas as institui!)es sociais estão em condi!)es de tomar decis)es do mesmo alcance que o =overno. 7e outra parte, h( aqueles que refutam esta e tensão do significado de 2utoritarismo e que defendem o princípio da pluralidade das estruturas de poder nas diferentes institui!)es, afirmando que uma e cessiva difusão dos processos democr(ticos de deriva!ão política s# leva a desnaturar a fisionomia específica e a minar o bom funcionamento dos diversos setores institucionais. 2firma-se, por e emplo, que nas institui!)es que di"em respeito [s rela!)es entre adultos e jovens, como a família e a escola, e iste uma desigualdade de base que não permite uma total analogia com o sistema políticoY ou que a democrati"a!ão dos problemas econ*micos as privaria da sua eficiência. 5one o com a resposta radical ou moderada que se d( ao primeiro problema é o tipo de solu!ão do segundo problema que di" respeito [ coneGão entre a democracia e o 2utoritarismo das institui!)es sociais e a democracia e o 2utoritarismo do sistema político. .ara os moderados, a cone ão não e iste ou então é mínima. 6ão s# a organi"a!ão hier(rquica da família e da unidade econ*mica mas também a estrutura olig(rquica dos pr#prios partidos não atinge a democracia. .or um lado, a oligarquia a nível de partido político se converte na democracia a nível de sistema em seu conjunto, se e iste uma pluralidade de partidos .que periodicamente e livremente lutam pelo poder de =overno através do voto popular. 6este quadro, um certo grau de apatia política das massas é compatível com a democracia e pode até ser 9til para a sua estabilidade. .ara a posi!ão radical, ao contr(rio, a democracia de um sistema político é avaliada com base na real participa!ão dos cidadãos na forma!ão das decis)esY e nas atuais democracias liberais, a participa!ão política é realmente insuficiente, porque os homens não são educados para uma tal participa!ão, que muitas ve"es di" respeito a problemas longínquos e abstratos, através da oportunidade de participar nas decis)es que os tocam de perto na sua e periência concreta. 6esta perspectiva, a cone ão entre o 2utoritarismo ou a democracia das outras institui!)es sociais e o 2utoritarismo ou a democracia do sistema político toma-se bastante estreita. >m sistema político democr(tico pressup)e uma sociedade democr(ticaY e por isso as atuais democracias liberais devem sujeitarse a uma profunda transforma!ão, no sentido de uma

nítida democrati"a!ão das institui!)es sociais que, tal como acontece com as institui!)es econ*micas, envolvem mais diretamente os interesses dos homens que nelas trabalham dia-a-dia. >ma posi!ão intermedi(ria a respeito do problema da cone ão est( implícita na teoria da estabilidade dos sistemas políticos de 0arr4 Ecgs-tein. $egundo este cientista político, a estabilidade se apoia na ]congruência] entre o modelo de autoridade do regime político e os modelos de autoridade vigentes nas institui!)es sociais. 6este sentido, a estabilidade da democracia inglesa e da norueguesa depende do fato que uma an(loga dosagem de democracia e de autoridade caracteri"a tanto o =overno quanto as institui!)es sociaisY enquanto que a derrubada da /ep9blica de Peimar se atribui ao contraste claro entre a organi"a!ão democr(tica do =overno e a estrutura marcadamente autorit(ria das institui!)es sociais. 2qui, todavia, ]congruência] nem sempre quer di"er um pleno ]isomorfismo], mas muitas ve"es indica uma semelhan!a ]gradativa], mais relevante nas institui!)es mais pr# imas do =overno Jpartidos, grupos de pressão, associa!)es volunt(rias entre adultosL e muito menos significativa nas institui!)es mais distantes, como a família, a escola e for!as de produ!ão. $egundo Ecgstein, o insuprimível componente autorit(rio de diversas institui!)es sociais torna mais est(veis os sistemas políticos nos quais a democracia do =overno é atenuada por uma certa ]impure"a] #I#LIO)RAFIA. \ ?uanto [s ideologias autorit(riasB A. 7E 128$+/E, Consid9rations sH la*rance7 %EOK, e Du Pape7 %FD%Y 0. +/E8+$5085E, PolitiR) %FOE Jtrad. ital., -ari %O%FLY 5. 12>//2$, &es id9es politi/ues7 .aris %O&E. ?uanto ( personalidade e atitudes autorit(riasB +. P. 27O/6O, E. ,/E6GE3-/>6$P8G, 7. A. 3E<86$O6 e /. 6. $26,O/7, 8apersonalI= autorit#ria J%OI'L, 5omunit[. 1ilano %OE&Y (tudies in the scope and ethod o0 >+uthoritarian Personality>) ao cuidado de / 50/8$+8E e 1. A20O72, ,ree .ress. =lencoe, 888. %OIMY /. ,. 02183+O6, 8auloritaris o della classe opera ) in 8auloriiaris o e la societ= conte por3nea) ao cuidado de / 521.2, Ed. di 6uova 2ntologia, /oma %OKOY $. 1. 38.$E+, Vuo o e la política J%OK'L, 5omunit[, 1ilano %OK&. ?uanto aos regimes e institui!)es autorit(riosB =. 2. 231O67 e =. -. .OPE33, Política co parata J%OKKL, 8l 1ulino, -ologna %OE'Y The neH authoritarianis in 8atin + erica) ao cuidado de 7. 5O3->E/, .rinceton >niversit4 .ress, .rinceton, 6ea Aerse4 %OEOY 0. E5G$+E86, Division and cohesion in de ocracy7 .rinceton >niversit4 .ress, .rinceton, 6ea Aerse4 %OKKY

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2>+O/8+2/8$1O

=. =E/1268, +uHrilaris o) [ascis o e classi sociali7 8l 1ulino. -ologna %OEIY 2uthoritariap politics in modern societ4, ao cuidado de $. .. 0>6+86=+O6 e 5. 0. 1OO/E, -asic -oogs, 6ea Uorg %OE'B A. 386S, +n authoritarian regi e$ (pain) in Cleavages) ideologies and party syste s7 ao cuidado de E. 2332/7+ e U. 3rrru6E6, Pesiermarcg $ociet4, 0elsingi %OKMY 8d., Totalitarian and authoritarian

regi es) in AandbooR o0 political science7 ao cuidado de ,. 8. =/EE6$+E86 e 6. P. .O3$-U, 2ddisonPesle4, /eading, 1ass. %OEI, vol. 888Y =. O7O668.>., &oderniza-liun and bureaucratic authoritarianis 7 institute of 8nternational $tudies, -ergele4 %OE&. c12/8O $+O..86Od

#alcani:a*+o. -alcani"a!ão é uma e pressão política que significa a divisão de uma entidade continental, sub-continental ou regional em unidades politicamente separadas ou hostis entre si. O termo -alcani"a!ão tem suas origens na fragmenta!ão, em unidades políticas distintas, da região dos -(lcãs e, em particular, nas condi!)es que acabaram prevalecendo no processo de relacionamento entre estes Estados no período das guerras balcWnicas J%O%D-%&L. 6o vocabul(rio político contemporWneo, o termo -alcani"a!ão tem sido usado com rela!ão ao processo de descoloni"a!ão e de independência vivido pelos territ#rios africanos, anteriormente unidos debai o da mesma administra!ão colonial. /eferimo-nos a este processo como [ -alcani"a!ão da :frica. 2 -alcani"a!ão seria conseq_ência de uma op!ão política das potências coloniais que viam na fragmenta!ão, e na conseq_ente fraque"a econ*mica dos novos Estados independentes, o meio para perpetuar sua domina!ão neocolonia-lista. 7e acordo com os líderes nacionalistas africanos, a -alcani"a!ão é o principal instrumento do neocoloni(lismo, sendo por isso identificada com um novo tipo de imperialismo. 2 -alcani"a!ão acabaria favorecendo o neocoloni(lismo uma ve" que os novos Estados independentes, demasiado fracos política e economicamente para sobreviverem e progredirem unicamente com suas pr#prias for!as, transformar-se-iam em Estados satélites, formalmente independentes, na realidade presos financeira e diplomaticamente, também, [ e -potência colonial, até depender dela totalmente. 2 -alcani"a!ão da :frica teria como conseq_ência uma independência ilus#ria. O termo -alcani"a!ão, com estas conota!)es negativas, foi usado nos anos K' principalmente com referência ao desmembramento da :frica ocidental francesa em oito Estados Jalém de 5amar)es e +ogoL e da :frica equatorial francesa em quatro Estados. Outros territ#rios, anteriormente unidos, obtiveram a independência como unidades territoriais separadas, p. e . o /uanda

>rundi, hoje dividido em dois EstadosB /uanda e >rundi. 7a mesma forma, as guerras civis de Gatanga, no 5ongo, e de -iafra, na 6igéria, foram denunciadas pelos mais significativos líderes africanos como novas tentativas de -alcani"a!ão da :frica. c2662 12/82 =E6+838d

#anditi&(o. Entre os diversos significados que a palavra brigantaggio Jrelacionada com brigante) salteador, bandoleiro, malfeitorL adquiriu no italiano mais recente, penetrando muitas ve"es na (rea semWntica de bandido--anditismo, predomina o que se refere mais estritamente a um conte to hist#rico. 2 a!ão de bandos armados que agem contra a autoridade constituída, cometendo crimes contra a propriedade e contra as pessoas, é geralmente estimulada por movimentos políticos ligados a uma situa!ão de mal-estar social profundo. 2 debilidade do poder central e a e cessiva e plora!ão do campo e das classes rurais por parte do Estado e da nobre"a foram as condi!)es particulares em que tal fen*meno encontrou terreno favor(vel para se desenvolver na Europa, nos séculos anteriores [ consolida!ão do Estado burguês moderno e do sistema econ*mico em que ele se funda. 6omes como ,landrin, 5artouche, os mesnadeiros imortali"ados por $chiller, .assatore, não são senão os mais conhecidos a meio caminho entre a hist#ria e a literatura. 7iga-se ainda que o salteadorbandido, em certos casos, como o caso típico da 5#rsega, era apenas aquele que vivia a monte para se subtrair [ justi!a do Estado, enquanto que a comunidade de origem não o considerava como tal, mas tão-s# como vítima de uma injusti!a sofrida. 6a 8t(lia, o -anditismo teve dois momentos de grande importWnciaB durante as guerras napole*-nicas Jprincipalmente na rea!ão contra a rep9blica partenopéia de %EOOL e depois da união do

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reino das 7uas $icílias [ monarquia saboiana. $e na 8t(lia central e setentrional estava preponderantemente ligado [s intrigas legitimistas dos soberanos depostos por 6apoleão, na 8t(lia meridional apresentava um aspecto mais claramente classista. 3iberais e fidalgos, defensores primeiro da rep9blica partenopéia e depois da monarquia saboiana e da nova ordem unit(ria, eram também os usurpadores dos bens comunais e dos antigos direitos comuns, lan!ando assim seu ataque contra a parte mais pobre da popula!ão rural. O ressentimento de classe foi. então convenientemente e plorado pelos agentes; borb*nicos, mais ligados [ situa!ão local que a nova classe filo-saboiana e liberalY foram eles que, mediante promessas efica"es de novas coti"a!)es dos bens, mobili"aram a popula!ão rural contra as .novas institui!)es do reino da 8t(lia. 2 dura repressão que se seguiu J%FK'-%FKIL revela os limites da política saboiana de unifica!ão da península e da nova e pesada carga fiscal imposta [s províncias meridionais. 2 luta contra o -anditismo tornou-se fator de agrega!ão social e de divisão da sociedade meridional em grupos, uns defensores, outros inimigos da nova ordem política e econ*mica. 7esta divisão podem depender as posteriores cis)es entre fascistas e antifascistas locais, bem como as atuais clientelas políticas. 2 linguagem política mais recente esqueceu o brigantaggio como palavra de uso comum, preferindo bandido--anditismo para caracteri"ar a a!ão de grupos clandestinos que atuavam contra um poder político sem legitima!ão popular Ja rep9blica social italianaL, a que se contrapunha a imagem do salteador e ecr(vel. 2tualmente se fala de criminalidade política para identificar a a!ão de grupos que tentam desencadear a revolta popular contra institui!)es que go"am de forte consenso. 2s formas de delinq_ência mais modernas, organi"adas segundo os princípios do lucro capitalista, tornaram rapidamente obsoleto o uso de -anditismo na defini!ão de atividades criminais em que muitas ve"es se vai além das formas tradicionais Jpor e emplo, o seq_estro para fins de e torsão e o roubo de gadoL.

#e( Co('(. O conceito de -em comum é pr#prio do pensamento político cat#lico, e, em particular, da esco-l(stica nas suas diversas manifesta!)es desde $. +om(s a A. 1aritain, e est( na base da doutrina social da 8greja, baseada no solidarismo. O -em comum é, ao mesmo tempo, o princípio edificador da sociedade humana e o fim para o qual ela deve se orientar do ponto de vista natural e temporal. O -em comum busca a felicidade natural, sendo portanto o valor político por e celência, sempre, porém, subordinado [ moral. O -em comum se distingue do bem individual e do bem p9blico. Enquanto o bem p9blico é um bem de todos por estarem unidos, o -em comum é dos indivíduos por serem membros de um EstadoY trata-se de um valor comum que os indivíduos podem perseguir somente em conjunto, na conc#rdia. 2lém disso, com rela!ão ao bem ihdi-vidual, o -em comum não é um simples somat#rio destes bensY não é tampouco a nega!ão delesY ele coloca-se unicamente como sua pr#pria verdade ou síntese harmoniosa, tendo como ponto de partida a distin!ão entre indivíduo, subordinado [ comunidade, e a pessoa que permanece o verdadeiro e 9ltimo fimt +oda atividade do Estado, quer política quer econ*mica, deve ter como objetivo criar uma situa!ão que possibilite aos cidadãos desenvolverem suas qualidades como pessoasY cabe aos indivíduos, singularmente impotentes, buscar solidariamente em conjunto este fim comum. O conceito de -em comum apresenta analogias com o de vontade geral, embora seja um conceito objetivo, enquanto este 9ltimo é subjetivo, justamente pela mesma postura que ambos assumem com rela!ão aos bens individuais ou [s vontades particularesB tanto o -em comum como a vontade geral e primem a vontade moral dos indivíduos. Estes dois conceitos encontram as mesmas dificuldades no plano da pr(ticaB como é impossível definir empiricamente quem seria o portador da vontade geral, podendo aceitar apenas a vontade da maioria como sendo a vontade de todos, assim é difícil saber quem seria o intérprete do -em comumB pode ser o magistério da 8greja, isto é, uma estrutura burocr(tica portadora do carisma, ou podem ser os cidadãos que, ao contr(rio, na pr(tica, lutam e entram em contraste entre si justamente pelas diferentes interpreta!)es do que venha a ser -em comum ou de qual seja o fim para onde encaminhar a sociedade humana. O conceito de -em comum voltou recentemente [ cena com a an(lise econ*mica d#s bens coletivos ou p9blicos e com as concep!)es do

#I#LIO)RAFIA. \ ,. 7E ,E385E, (ociet= eridionale e brigantaggio nellltalia pn7st unit#ria7 ]/ivista storica del socialismo], <888, %OKIY 8l brigantaggio eridionale7 Cronaca inedita delFlunit= d1ltalia7 ao cuidado de 2. 7E A25O, Editori /iuniti, /oma %OKOY E. 87 0O-$-2P1, I banditi J%OKOL, Einaudi, +orino %OE%Y 8d., I ribellii %OIOL, Einaudi. +orino %OKKY ,. 1O3,E$E, (toria del brigantaggio dopo lFunit=) ,eltrinelli. 1ilano %OKMY .. $occio, %nit= e brigantaggio) E$8, 6apoli %OKO. c12>/O 21-/O$O38d

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neocontratualismo. $ão bens p9blicos os que geram vantagens indivisíveis em benefício de todos, nada subtraindo o go"o de um indivíduo ao go"o dos demais. O bem p9blico não transcende, na verdade, o bem privado, porque é igualmente um bem do indivíduo e se alcan!a através do mercado ou, mais freq_entemente, através das finan!as p9blicas Jv. +EO/82 72$ 7E58$pE$ 5O3E+8<2$L. .or seu lado, o neocontratualismo mostra como se deve dedu"ir do contrato social um conceito universal de justi!a, um -em comum, que consiste na ma imi"a!ão das condi!)es mínimas dos indivíduos, ou como se devem reformular as regras do jogo para obter uma a!ão não competitiva, mas cooperativa, que ma imi"e, além do interesse individual, o bem coletivo, que é coisa bem diferente da simples soma dos interesses individuais Jv. 5O6+/2+>238$1OL. ,inalmente, este conceito manifesta uma e igência que é pr#pria de toda sociedade organi"ada, claramente evidenciada pela ciência políticaB sem um mínimo de cultura homogênea e comum, sem um mínimo de consenso acerca dos valores 9ltimos da comunidade e das regras de coe istência, a sociedade corre o risco de se desintegrar e de encontrar sua integra!ão unicamente mediante o uso da for!a. O -em comum representa, pois, a tentativa maior para reali"ar uma integra!ão social baseada no consenso, embora este conceito, elaborado por sociedades agrícolas e sacrali"adas, não consiga se adaptar satisfatoriamente [s sociedades industriali"adas e dessacra-li"adas. c685O32 12++E>558d #ica(erali&(o. 8. 6O^RO. \ 6a linguagem corrente, se costuma ligar o conceito de -icameralismo [ e istência de parlamentos constituídos por duas assembléias ou cWmaras Jchamados, por isso, ]bi-camerais]L, distinguindo-o, por um lado, do mo-nocamerismo e, por outro, do pluricameralismZ, referentes respectivamente a parlamentos formados por uma 9nica assembléia JmonocameraisL e por mais de duas JpluricameraisL. 7esta maneira, a e pressão -icameralismo reflete o modo de ser de um certo tipo de parlamento num dado momento hist#rico, sem, no entanto, esclarecer as ]ra")es] pelas quais os parlamentos em questão -são de um tipo e não de outro. 2 este prop#sito é bom observar que, nos ordenamentos positivos, a preferência por um parlamento monocameral, bicameral ou pluricameral obedece ou tem

obedecido [ satisfa!ão de necessidades concretas. Em particular, para que certas e igências sejam plenamente satisfeitas e o -icameralismo se revele como um fen*meno dinWmico, não basta a e istência de duas cWmarasY é necess(rio que as suas vontades confluam para uma 9nica vontade. .or outro lado, a confluência das vontades de duas cWmaras pode ser suficiente para aprovar alguns dos atos de parlamentos pluricamerais, fa"endo nascer, substancialmente, uma forma an*mala de -icameralismo. T assim que, no parlamento penta-cameral iugoslavo, ordenado pela 5onstitui!ão de %OK& J5onstitui!ão que se manteve em vigor com v(rias emendas, mesmo referentes ao tema em e ame, até %OEML, havia uma cWmara federal que servia de elemento fundamental na produ!ão das leis, enquanto que as outras quatro se alternavam Jart. %E& da 5onstitui!ãoL de modo que as leis fossem aprovadas por duas assembléias com iguais poderesB a j( mencionada Ja mais amplamente representativaL e outra assembléia designada em cada caso, por sua competência na matéria J5Wmara dos 2ssuntos Econ*micos, art. %EM da 5onstitui!ãoY 5Wmara da 8nstru!ão e da 5ultura, art. %EIY 5Wmara dos 2ssuntos $ociais e da $a9de, art. %EKY 5Wmara dos 2ssuntos .olíticos e Organi"acionais, art. %EEL. Em contraposi!ão, o -icameralismo não tem modo de se manifestar nos parlamentos bicame-raisB %L nem quando as duas cWmaras atuam numa mesma sessãoY DL nem quando determinadas fun!)es são conferidas a uma assembléia e não a outraY &L nem quando um #rgão intercameral limitado aL substitui temporariamente as cWmaras ou bL se adota para dirimir as divergências entre elas. ?uanto ao ponto %L é de considerar que o ordenamento italiano \ cuja op!ão bicameral é sancionada pelo art. II, 8, da 5onstitui!ão, segundo o qualB ]o .arlamento é composto pela 5Wmara dos 7eputados e pelo $enado da /ep9blica] \ se serve do ]parlamento em sessão comum] para o desempenho das seguintes atribui!)es constitucionaisB elei!ão e juramento do .residente da /ep9blica Jart. F&, O%LY elei!ão de um ter!o dos membros do 5onselho $uperior da 1agistratura Jart. %'ML e de um ter!o dos membros da 5orte 5onstitucional Jart. %&I, 8LY mo!ão de acusa!ão contra o .residente da /ep9blica Jart. O'L, contra o .residente do 5onselho e contra os ministros Jart. OKLY compila!ão do elenco de cidadãos dentre os quais são tirados [ sorte %K jui"es adjuntos da 5orte 5onstitucional que intervém apenas quando o #rgão se re9ne para julgar as acusa!)es apresentadas pelo .arlamento Jart. %&I, <88L. ?uanto ao ponto DL vale a pena recordar que, na =rã-retanha, é a 5Wmara dos

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5omuns e não a dos 3ordes que confere ou tira a confian!a ao =overnoY nos Estados >nidos da 2mérica, é o $enado que emite, sem o concurso da outra 5Wmara, advices e consents que obrigam o e ecutivo na ratifica!ão dos tratados internacionais e na nomea!ão dos jui"es da 5orte $uprema e de outros funcion(rios federaisY na 2lemanha ocidental, é o !undeslag e não o !undesral que elege o chanceler federal Jart. K&, 8, 88, da CrundgeseizL e pode e pressar-lhe o voto de desconfian!a, elegendo por maioria dos seus membros o sucessor Jart. KEL. ?uanto ao 9ltimo ponto, alguns e emplos significativos da hip#tese aL são-nos oferecidos pelo Presidiu do (oviete $upremo da >/$$, no intervalo entre as sess)es do mesmo (oviele) de acordo com o art. %%O da 5onstitui!ão de %OEE, atualmente em vigor, e pela 5omissão comum que, na 2lemanha Ocidental, pode ocupar o lugar das cWmaras parlamentares, mas s# em conseq_ência da proclama!ão do ]Estado de defesa] e ]se a situa!ão e ige uma a!ão não adi(vel] Jart. %%I-a, 88Y %%I-e, 8L. 6o tocante [ hip#tese bL, limitar-nosemos a chamar a aten!ão para o con0erence co ittee7 formado por membros das duas cWmaras do 5ongresso dos >$2 para a busca de uma f#rmula de compromisso, quando ditas assembléias não chegam a um acordo sobre um determinado te to legislativo, e para a comissão mista parit(ria que, na ,ran!a, intervém em ocasi)es an(logas, conforme o art. MI da 5onstitui!ão. .odemos, pois, concluir que o -icameralismo se baseia no pressuposto da e istência de duas cWmaras parlamentares, quando menos, constitutivas, em sentido lato, de um parlamento ao menos bicameral. 6ão obstante, tal parlamento, ao desempenhar suas fun!)es, nem sempre se ajusta com o -icameralismo. 2li(s parece difícil conceber um parlamento bicameral cujos ramos não operem nunca de acordoB a e periência concreta demonstra que, onde e iste um parlamento bicameral, o -icameralismo se afirma numa forma ou noutra. O problema se concentra, portanto, na escolha do -icameralismo a aplicar. 88. -8521E/238$1O .E/,E8+O O> 86+E=/23, -8521E/238$1O 81.E/,E8+O O> 3818+27O. \ O -icameralismo se desenvolve em sua plenitude, tanto quando as duas cWmaras têm iguais poderes no e ercício de determinadas fun!)es, como quando os poderes, embora diversos, são complementares Jo que ocorre, por e emplo, quando, em certos países, ambas as cWmaras participam no processo de i peach ent$ uma \ a cWmara bai a \ apresentando a mo!ão de acusa!ão, e a outra \ a alta \ constituindo-se em 2lta 5orte de justi!a para os atos contr(rios aos interesses

gerais do Estado, cometidos por personalidades políticas no e ercício das suas fun!)esL. T este o -icameralismo perfeito ou integral, que alguns consideram como o 9nico -icameralismo autêntico e verdadeiro. O princípio bicameral se manifesta, ao invés, de forma atenuada, quando as duas cWmaras possuem atribui!)es parcialmente diferentes. T o -icameralismo imperfeito ou limitado, que parte do pressuposto de que pelo menos algumas das fun!)es do parlamento, nomeadamente a legislativa, se baseiam na convergência das vontades de ambas as assembléias, mesmo que depois uma delas acabe por prevalecer. 6este 9ltimo caso, a cWmara dotada de menores poderes h( de ter condi!)es de manifestar uma vontade aut*noma Jfaltando a qual não se pode falar de -icameralismo, nem mesmo de forma atenuadaL. 8sso quer di"er, referindo-nos aos caracteres estruturais das duas assembléias, que a composi!ão de uma cWmara não pode ser completamente controlada e disciplinada pela vontade da outra. 2 preferência pelo -icameralismo aceita como corol(rio que possam e istir divergências entre as duas cWmaras. .ara resolvê-las, alguns ordenamentos e cluíram intencionadamente qualquer tipo de normas, por se julgar que tais divergências pudessem ser superadas com o tempo e com o evoluir da discussãoY outros estabeleceram que os conflitos se e aurem no pr#prio Wmbito das cWmaras Jatribuindo, por e emplo, [ vontade de uma das assembléias preponderWncia sobre a da outra, ou predispondo a forma!ão de comiss)es mistasLY outros ainda prevêem o recurso a instrumentos que não dependem da vontade das cWmaras Jo referendum. por e emploL. 888. O -8521E/238$1O 5O1O ./O-3E12 7E O.^pE$ +T56852$ E .O3C+852$. \ .or que adotar o -icameralismo em ve" do monocamerismo ou do pluricameralismof .or que aprovar uma forma de -icameralismo de preferência a outrasf =eralmente rejeitado pelos te#ricos, raramente adotado na e periência constitucional dos ordenamentos modernos, o pluricameralismo desperta escasso interesse. 2 e periência mais recente, a iugoslava, baseada na 5onstitui!ão de %OK&, onde, ali(s, o pluricameralismo informava apenas, como foi dito, uma parte das atividades parlamentares, se dissolveu em pouco mais de de" anos. 2 5onstitui!ão de %OEM, ao optar pelo -icameralismo, estabelece, com efeito, no art. DFM queB ]os direitos e os deveres da 2ssembléia da /.$.,.A. são e ercidos pela 5Wmara ,ederal e pela 5Wmara das /ep9blicas e das .rovíncias, em conformidade com as normas desta 5onstitui!ão].

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2o invés, é cada ve" mais manifesta a op!ão alternativa entre a solu!ão monocamerao \ que, obviamente, e clui in li ine o -icameralismo \ e a solu!ão bicameral \ que permite a e periência e a aceita!ão de toda a forma e gradua!ão de -icameralismo. Entre os argumentos a favor do -icameralismo, se podem recordar, em síntese, os seguintesB o -icameralismo é um elemento 9til nos Estados descentrali"ados, nomeadamente nos Estados federais, contribuindo, por um lado, para os distinguir da 5onfedera!ão de Estados e, por outro, dos Estados centrali"ados. 8sto acontece, se uma cWmara é representativa do povo em sua totalidade e constitui elemento de garantia da unicidade do Estado, ao mesmo tempo que a outra se estrutura de modo que possa tutelar a e istência jurídica das entidades territoriais aut*nomo-aut(rquicas do mesmo Estado JEstados-mcmbros, 8ander) etcL. 8<. O -8521E/238$1O 62 E`.E/8v6582 5O6$+8+>58O623. \ 2 discussão sobre o tema da ]funcionalidade] do -icameralismo tra" a qualquer ordenamento positivo elementos 9teis para a disciplina das formas e dos modos de atua!ão das técnicas de organi"a!ão bicameral Jdo -icameralismo perfeito ao e tremamente atenuadoL, mas é talve" de nenhuma influência para a solu!ão do problema preliminarB se o parlamento deve ser constituído por uma ou por duas cWmaras. 6os nossos dias, a escolha do -icameralismo, quando não firmada na tradi!ão Jdivisão por 5stadosL) corresponde [ inten!ão de conferir eficiência aut*noma a grupos sociais heterogêneos, de modo que, enquanto uma cWmara representa o povo, entendido como totalidade indistinta, e é eleita pelo conjunto dos cidadãos, a outra tende a oferecer particular tutela, ou a diversas categorias de interesses Jculturais, econ*micos, sindicais, etcL, ouXe a entidades descentrali"adas, sejam elas Es-tados-membros do Estado federal ou realidades territoriais com autonomia garantida em Estados que, não se ajustando [ tipologia do Estado federal, assentam nos princípios da descentrali"a!ão. T interessante observar como o intento de que falamos afunda as suas raí"es nos princípios da democracia ocidental. 6ão é por acaso que os Estados, que se inspiram nesses princípios, são geralmente bicamerais. 5onstituem e ce!ão os mais pequenos J2ndorra, 3iechtenstein, 3u emburgo e 1*naco, por e emplo, optaram sempre pelo monocamerismoL e, nas 9ltimas décadas, também alguns Estados de maiores dimens)es. 2ssim, a 7inamarca estabeleceu em sua 5onstitui!ão de %OI&B ]O *olReting é constituído por uma assembléia 9nica] Jart. DFL. E a $uécia, na sua 5onstitui!ão de %OEI, determinavaB

]4 RiRsdag 9 formado por uma 5Wmara] Jc 888, artigo %.n, 88L. Os Estados socialistas, pelo contr(rio, tendem ao monocamerismo, justamente em virtude dos princípios que os informam. $# admitem a conveniência de subdividir o parlamento em dois ramos para conceder um especial reconhecimento a entidades territoriais descentrali"adas. 2ssim acontece na >/$$ e na 8ugosl(via. $e passarmos agora a considerar alguns e emplos particularmente significativos, observaremos que a fidelidade [s institui!)es é um elemento que caracteri"a o desenvolvimento constitucional do /eino >nido, onde o -icameralismo possui origens remotas. 8nicialmente, o princípio bicameral foi adotado de forma praticamente integralB 3ordes e 5omuns, embora com atribui!)es parcialmente diferentes \ como no j( citado processo de i peach ent \, se encontra em posi!ão de igualdade no e ercício dos principais poderes parlamentares. 1as, a partir de %F&D Jreforma da representa!ão políticaL a situa!ão foi mudando gradualmente. 2 responsabilidade das fun!)es de dire!ão e de controle político, bem como a atividade legislativa de maior importWncia, se concentraram nos 5omuns, como #rgão representativo da vontade popular. 2 5Wmara dos 3ordes, desautori"ada até formalmente JParlia- ent +cts de %O%% e %OMOL, isto é, rebai ada ao nível de cWmara de refle ão, fica sujeita [ completa atrofia. $e o -icameralismo continua a e istir no /eino >nido, na forma acentuadamente atenuada da atualidade, isso ocorre sobretudo porque as institui!)es, entre elas a 5Wmara dos 3ordes, disp)em de uma grande for!a simb#lica que impede, ou pelo menos retarda, qualquer modifica!ão formal do ordenamento. 6a ,ran!a, a escolha entre o -icameralismo Jde v(rias formasL e o monocamerismo tem sido objeto de fadigosas discuss)es, tendo dado lugar [ alternWncia de sistemas monocamerais e bicamerais. O atual .arlamento francês, formado pela 2ssembléia 6acional e pelo $enado, adota o -icameralismo de forma atenuada. 7e fato, nos casos mais controversos e delicados, a vontade da 2ssembléia Jeleita por sufr(gio direto, enquanto o $enado o é por sufr(gio indiretoL acaba por prevalecer. 2ssim, o =overno é ]respons(vel perante o .arlamento], ou seja, perante ambos os seus ramos Jart. D' da 5onst.L, mas s# a 2ssembléia ]p)e em causa a responsabilidade do =overno, mediante a vota!ão de uma otion de censure> Jart. MO, 88, da 5onst.L, ao passo que o $enado, a pedido do primeiro-ministro, deve limitar-se a uma declara!ão de política geral Jart. MO, <, da 5onst.LY ambas as 5Wmaras aprovam a lei, mas, em caso de contraste, não havendo outro

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solu!ão, é [ 2ssembléia que cabe a decisão definitiva a pedido do =overno. O -icameralismo desempenha um papel particularmente significativo na e periência constitucional dos Estados >nidos da 2mérica. 6a reda!ão original, a 5onstitui!ão estabelecia que os representantes fossem eleitos de dois em dois anos em colégios uninominais e que o seu n9mero, em cada uma das entidades estatais, devia ser proporcional ao dos cidadãos ali residentes. Os senadores, pelo contr(rio, deviam ser dois por Estado, escolhidos pelo parlamento estadual Jsobre este ponto, art. %.n, se!. 888, da 5onst.L. 2 evolu!ão do país mudou progressivamente a nature"a do -icameralismo, mas o fator determinante foi a mudan!a do critério de indica!ão dos membros do $enadoB não foram mais escolhidos pelo parlamento estadual, mas Jde acordo com a emenda `<88L eleitos pelo povo. O $enado assim escolhido poder( ainda hoje ser considerado uma ]5Wmara dos Estados]f T para se duvidar. O -icameralismo estadunidense, caracteri"ado por uma substancial igualdade das cWmaras no e ercício da fun!ão legislativa Ja iniciativa das leis relativas a finan!as concerne apenas aos representantes, mas aos senadores podem reformular o projeto a título de emendaL e pela manifesta!ão de poderes diversos mas coordenados por ocasião do i peach ent) se revela mais como técnica de organi"a!ão que como garantia da forma federal do EstadoY prova disso é que não s# é bicameral o 5ongresso do Estado federal, mas também, imitando-lhe o ]modelo], possuem duas cWmaras os .arlamentos J8egislaturesL da grande maioria dos Estados-membros. 5omo se sabe, a 3ei ,undamental da 2lemanha ocidental atribui a qualifica!ão de 0ederal [ republica alemãY este car(ter resulta com e trema clare"a, tanto da subdivisão do .arlamento em dois ramos, como da atua!ão do -icameralismo. T oportuno antes de tudo observar que uma das cWmaras, o !undestag) é eleita pelo povo da seguinte maneiraB tem direito a voto quem j( completou de"oito anos de idadeY a lei prevê uma dupla vota!ãoB metade dos membros da cWmara é eleita em colégios uninominais, ao passo que a outra metade é votada em colégios plurinominais, com base em listas partid(rias. 2 outra cWmara, ao contr(rio, o !undesrat) é composta por membros dos =overnos dos 8ander) que os nomeiam e os revocam Jart. I%, 8, da ,undgesetzLO todo o 8and pode ter de três a cinco votos, conforme os habitantes, e pode enviar ao !undesrat tantos membros quantos são os seus votos, mas estes s# podem ser e pressos unitariamente Jart. I%, 88, 888L. 2 5Wmara representativa do povo é a 9nica, como j( se disse, a e ercer o controle político

sobre o e ecutivoY em geral, quando age em conjunto com a outra 5Wmara, a sua vontade prevalece sobre a do !undesrat Jo que acontece, de costume, na cria!ão das leisL. 5ontudo, a ]5Wmara dos Estados] é a que se imp)e nos casos e cepcionaisB quando, por e emplo, for declarado ]estado de emergência legislativa], o projeto de lei rejeitado pelo !undestag poder( entrar em vigor com a mera aprova!ão do !undesrat7 2 5onstitui!ão soviética de %OEE adota o princípio bicameral, estabelecendo que ambas as 5Wmaras do (oviete (upre o da >/$$ \ o $oviete da >nião e o $oviete da 6acionalidade \ terão o mesmo n9mero de deputados JEI'L. 2 primeira cWmara est( destinada a representar proporcionalmente os habitantes de todas as rep9blicas federadas, a outra est( constituída de modo que cada rep9blica tenha igual n9mero de deputados J&DL, mas se conceda também uma certa representativi-dade a entidades territoriais aut*nomas, compreendidas nas diversas rep9blicas federadas Ja maior parte destas entidades menores pertence [ rep9blica russa que conta, por isso, com maior n9mero de deputadosL. 5omo #rgãos separados, as duas cWmaras possuem iguais poderesY mas o (oviete se re9ne em v(rias ocasi)es em sessão comum ou, como j( foi indicado, confia as fun!)es das assembléias ao pr#prio Presidiu 7 6a 8t(lia, o -icameralismo, e perimentado em sua forma atenuada com o Estatuto 2lbertino, foi adotado pela vigente constitui!ão republicana. 2 5Wmara dos 7eputados e o $enado se encontram em posi!ão de absoluta igualdade jurídica, têm competências idênticas e, depois da entrada em; vigor da lei constitucional de O de fevereiro de %OK&, n.n D, igual dura!ão Jcinco anosL. 2s diferen!as di"em respeito [ composi!ãoB a 5Wmara dos 7eputados é toda ela eletivaY o $enado, além dos membros eleitos, est( composto também por cinco senadores vitalícios nomeados pelo chefe do Estado e pelos e -presidentes da rep9blica, que são membros de direito. Os eleitores da 5Wmara são todos os cidadãos maiores de idade, ou seja, de acordo com a 3ei de F de mar!o de %OEI, n.] &O, quem tiver ultrapassado os de"oito anosY elegíveis apenas os que tiverem alcan!ado os vinte e cinco anos. .ara o eleitorado ativo e passivo do $enado, é e igida idade mais avan!adaB vinte e cinco e quarenta anos respectivamente. O n9mero dos deputados é o dobro do dos senadores eleitos. Os sistemas eleitorais adotados sãoB o das listas concorrentes, no que se refere [ 5WmaraY uma combina!ão entre o sistema uninominal e o de lista, de base regional, no que respeita ao $enado.

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?uanto aos conflitos, eles s# podem ser eliminados com a interven!ão do poder presidencial de dissolu!ão de ambas ou de uma das cWmaras. 2 divisão do .arlamento italiano em dois ramos parit(rios não trou e ao desenvolvimento democr(tico do país aquelas vantagens que a 5onstituinte esperava. .artindo de tal considera!ão, a doutrina mais recente, levada em conta a e periência concreta, tem apresentado uma série de propostas que modificam nosso sistema bicame-ral. .arece evidente que a diversidade de composi!ão não basta para evitar que as duas cWmaras operem de modo não diferenciado. O n9mero de senadores nomeados ou de direito é demasiado e íguo para ter realceY as. diferen!as de idade para o eleitorado ativo e passivo.e os diferentes sistemas adotados para as duas assembléias não influenciaram substancialmente até agora a preferência dos eleitores nem a orienta!ão dos eleitos, de modo que as duas cWmaras constituem, na pr(tica, uma a duplicata da outra. O -ica-meralismo, entendido neste sentido, fa" da assembléia que atua em segundo lugar uma cWmara de reconsidera!ão e de refle ão, mas torna pesados os trabalhos e multiplica os pra"os técnicos, sem geralmente melhorar o conte9do das decis)es. 2 curva das propostas modificativas atualmente em discussão é um tanto ampla. 2lguns J=. >. /es-cigno, 3abriolaL consideram o -icameralismo como um fator regressivo para o desenvolvimento democr(ticoB a seu entender, a modifica!ão do sistema deveria consistir, se não na aboli!ão do -icameralismo, pelo menos em sua atenua!ão e conversão em formas an(logas [ j( e perimentada noutros países, por e emplo, no /eino >nidoY outros, sem chegar a teses tão e tremas, sustentam, contudo, a necessidade de diferenciar mais as cWmaras, tanto no que concerne [ tutela dos interesses, como no que se refere [s suas fun!)es J-arile, 5ervati, $pagna 1ussoL. Em particular, defendeu-se de novo a idéia, que a 2ssembléia 5onstituinte não quis aprovar, de que o $enado devia ser a ]5Wmara das /egi)es] JOcchiocupoL e representar de alguma maneira as ]5Wmaras dos Estados] nos ordenamentos federais Jé particularmente sugestivo a tal respeito o e emplo da 2lemanha ocidentalLY foi depois apresentada a sugestão de atribuir [s duas cWmaras fun!)es distintas Ja uma a fun!ão legislativa, e [ outra a da orienta!ão e controleL. 1as houve quem objetasse que não adianta ]desemparelhar as fun!)es] das cWmaras J1an"ellaL, o que é preciso, em ve" disso, é agili"ar o procedimento, fa"endo uso mais atento das comiss)es bicamerais, sem, ali(s, ultrapassar o limite do voto separado de cada uma

das assembléias, tanto no e ercício da fun!ão legislativa, quanto na outorga ou retirada da confian!a ao Ooverno. #I#LIO)RAFIA. \ .. 281O, !ica eralis o e regioni) Edi"ioni dl 5omunit[. 1ilano %OEEY 2. -2/-G/2, 4llre il bica eralis o7 in ]7emocra"ia e diritto], %OF%Y .. -2/8> e 5. 125508+G38.2, I nodi della Costituzione7 Einaudi, +orino %OEOY .. -8$52/E++8 78 />,02 e =. 5/8$.8 /f-=0l""i, 8a Costituzione sovi9tica del LVZZ7 =iuffrb, 1ilano %OEOY 1. -O6 <28C2$$862. Il bica eralis o i perEetto o li itato neile costituzioni conte poranee7 in ]/assegna di diritto pubblico], %OIO. pp. D'E-&&MY 2. 2. 5E/<2+8, Parla ento eEunziont legislativo) in 2>+. <:/., +ttualit= e attuazione della Costituzione7 3ater"a, -ari %OEO. pp. MD-KMY 1. 5O++2, 83 proble a del bica eralis o- onoca- eralis o nel /uadro di una analísi struttural-0unzionale del Pi 1a ento7 in ]/jvista italiana di scien"a política];. 8l 6 ino, -ologna %OE%Y =. ,E//2/2, !ica eralis o e r r e del parla ento) em ]7emocra"ia e diritto]. %OF%Y 5. ,,//2/8. Proble i del nuovo Parla ento bica erale7 in ]2nnuario di 7iritto 5omparato e di studi legislativi]. %OMO, pp. D'I-K&Y 5. A. ,/8E7/850. Constitulional ,overn ent and De ocracy7 -laisdell .ublishing 5ompan4. Paltham. 1assachussetls %OKFY =. =u2/86O, Del siste a bica erale) in ]$tudi senesi], %OI&, 3`< J&.- sérieL pp. D'E-&%Y $. 32-/8O8.2. Parla ento7 Istituzioni7 De ocrazia7 in 2>+. <:/., Parla ento Istituzioni De ocrazia7 =iuffrb, 1ilano %OF'Y 2. 126SE332, Il Parla ento7 8l 1ulino. -ologna %OEEY E. 1O7G 2. Il raccordo Ca era-(enado nel >bica eralis o paritario>7 in ]88 .arlamento-analisi e proposte di riforma]. ?uaderno n. D di democra"ia e diritto. Editori /iunili. /oma %OEFY =. 6r=/i. !ica eralis o7 in ]Enciclopédia del diritto], vol. <, %OIO, pp. &MI-IMY 6. O5508O5>.O, 8a 1Co era delle Regioni>) =iuffrb, 1ilano %OEIY =. >. /8$58=6O, Corso di diritto pubblico7 Sanichelli. -ologna %OEOY E. $.2=62 1>$$O. !ica eralis o e riEor a del Parla ento$ in 2>+. <:/., Parla ento Istituzioni De ocrazia7 =iuffrb, 1ilano %OF'Y 3. $+>/8.E$G 8a crisi del bica eralis o in Inghilterra7 =iuffrb. 1ilano %OKKY $.+osi. Diritto parla entare) =iuffrb, 1ilano %OEM. c686O O38<E++8d #lan/'i&(o. O -lanquismo representa, no conte to do movimento oper(rio e socialista, a corrente elaboradora da teoria de que a insurrei!ão, violenta e improvisa, de uma elite de militantes seria o 9nico meio possível para se chegar ã revolu!ão propriamente dita, privilegiando o momento da organi"a!ão de um grupo limitado e fechado de dirigentes sobre o momento do desenvolvimento

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-326?>8$1O ]claro destaque e separa!ão da tropa organi"ada dos revolucion(rios declarados c ativos do ambiente circundante, mesmo que este fosse rcvolucionariamente ativo mas não organi"ado] e, além disso, na ]rígida disciplina, decisiva e determinante, das instWncias centrais, em todas as manifesta!)es vitais das organi"a!)es locais do partido]. 6a realidade, o pensamento de 3enin não foi ]blanquista] e ele refutou sempre o -lanquismo, pondo a descoberto suas carências no plano do esquema organi"acional e a inanidade do projeto insurrecional-revolucion(rio. ,oi justamente ao abordar este tema, especificamente o da insurrei!ão, nos dias imediatamente anteriores [ /evolu!ão de Outubro Jem 4 arGis o e a insurreição) setembro de %O%EL que 3enin reconfirmou as bases te#ricas da distin!ão entre mar ismo, revolu!ão e -lanquismo. 7isse a prop#sitoB ].ara vencer, a insurrei!ão h( de apoiar-se não numa conspira!ão, não num partido, mas na classe progressista. 8sso em primeiro lugar. 2 insurrei!ão tem de apoiar-se no ímpeto revolucion(rio do povo. 8sso em segundo lugar. 2 insurrei!ão deve aproveitar aquele ponto crítico da hist#ria da revolu!ão ascendente que é o momento em que atinge o auge a atividade das fileiras mais avan!adas do povo e é mais forte a hesita!ão nas fileiras dos inimigos e dos a igos d9beis) e/uívocos e indecisos da revolução7 8sso em terceiro lugar. $ão estas as três condi!)es que, constituindo as premissas da insurrei!ão, distinguem o arGis o do !lan/uis o>7 0oje por -lanquismo entende-se aquele tipo de comportamento político que, mesmo permanecendo no conte to do movimento oper(rio e se situando voluntariamente numa perspectiva clas-sista de luta social, privilegia, com rela!ão ao momento da organi"a!ão p9blica c partid(ria, o sectarismo, isto é a organi"a!ão de uma minoria prevalentemente intelectual que, mediante um ato de vontade, indu" as massas [ insurrei!ão num primeiro momento e [ revolu!ão em seguida. Esta minoria ultrarevolucion(ria precisa assumir necessariamente, para poder sobreviver, conota!)es e tremistas que acabam por afast(-la cada ve" mais dos objetivos, concretos e realistas, da luta da classe oper(ria e por apro im(-la a um vo-luntarismo de tipo pequeno-burguês. Outra característica do -lanquismo é a proposta da ditadura revolucion(ria, bastante diferenciada da ditadura do proletariado, uma ve" que nela se misturam, contraditoriamente, a ditadura de tipo robespier-riano, como for!a centrali"adora do poder, e a concep!ão baguniniana, segundo a qual a estrutura política vigente deve ser destruída pela interven!ão consciente de um pequeno grupo de revolucion(rios, c*nscios da necessidade de reali"ar

xem amplitude]. 5om rela!ão ao -lanquismo é possível, pois, falar em ]a!ão revolucion(ria] de uma minoria, que abriria espa!os, ap#s o epis#dio jn$urrecional, [ reali"a!ão de um socialismo Jou j e um comunismoL na pr(tica nunca suficientemente definido, a não ser na caracteri"a!ão genérica de um sistema contr(rio ao burguês-capitalis-la. 2 corrente tem sua origem no pensamento e, principalmente, na atividade política de 3ouis-2uguste -lanqui e, ap#s a Co una de .aris e a morte do agitador J%FFDL, na a!ão de seus seguidores franceses, reunidos no .artido $ocialista /evolucion(rio e convergido posteriormente no .artido $ocialista >nificado. T possível, porém, encontrar um outro fundamento do -lanquismo no espírito revolucion(rio babuvista, característico da primeira metade do século `8` na ,ran!a, em que convergem instWncias igualit(rias e clas-sistas, apoiadas na tradi!ão revolucion(ria do jacobinismo radical. +odos estes componentes deram origem ao fen*meno revolucion(rio iniciado por -lanqui, que, porém, vai além de sua figura, apresentando características de maior generali"a!ão. Especialmente depois de %FED, 1ar e Engels intervieram muitas ve"es criticando acentuada-mente o fen*meno e evidenciando os perigos nele implícitos de dogmatismo e obstru!ão caprichosa em rela!ão aos movimentos populares e revolucion(rios efetivos Jprincipalmente Engels, no que escreveu em %FEM sobre Progra a dos blan/uistas pr'0ugos da Co unaL7 2o -lanquismo e [s suas implica!)es, avaliadas, em geral, em termos negativos, se referiram depois muitas ve"es 3enin e 3u emburg. O primeiro, e atamente nos escritos em que colocava com maior for!a a questão da necessidade da centrali"a!ão do proletariado no partido de classe e acentuava os aspectos da organi"a!ão com rela!ão aos do movimento numa perspectiva revolucion(ria, p*s o m( imo empenho em distinguir a an(lise e a visão de classe em face do ]jacobinismo blanquista] implícito em muitos dos componentes, mesmo ]oportunistas], do movimento oper(rio Jfoi assim em % passo para a 0rente e dois para tr#s) de %O'ML. 2o invés, precisamente pela vantagem atribuída ao fator organi"acional e ao ]ultracentralismo], 3u emburg descobriu no projeto de 3enin um ani us blanquista, ou jacobino-blanquista, que não se apoiava mais na a!ão direta de classe das massas oper(rias, mas tudo fa"ia depender da elite intelectual, sec-tariamente agrupada Jem Proble as de organização da socialde ocracia russa) de %O'ML. Ela demonstrou ainda, de maneira polêmica, que a concep!ão leninista era a de um ]centralismo impiedoso], cujo ]princípio vital] estava no

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os objetivos libert(rios prefi ados. Estes objetivos, entre si unidos, produ"iriam como resultado uma ditadura popular, não ]da classe] mas agindo a favor da classe, ou mais genericamente a favor do povo todo, que \ pensa-se \ não participou da luta unicamente por falta de educa!ão. $eria, pois, tarefa dos revolucion(rios autênticos, por um lado, ]instruir] este povo e por outro ]arm(-lo], de maneira que se torne partícipe da insurrei!ão e, conseq_entemente, esta não venha rapidamente reprimida, como aconteceu historicamente no caso do célebre levante de %F&O, com a tentativa Jlogo fracassadaL de golpe de Estado, que acabou se tornando um ponto determinante para definir a orienta!ão assumida posteriormente pelo -lanquismo. #I#LIO)RAFIA \ $. -,/6$+>6. + !lan/ui and the art o0 inssurection7 3aarence and Pishart. 3ondon %OE%Y =. 1. -/2<O, (toria del socialis o7 %EFO-%FMF. Editon /iuniti. /oma %OEKY 1. /23,2. 8id9e de r9volution dons les doctrines socialistes7 Aouve et 5. .aris %OD&Y 2. -. $.8+SE/. The Revolutionary Theories o0 87 +7 !lan/ui) 5olumbia >niversit4 .ress, 6ea Uorg %OIE. c=826 12/8O -/2<Od

#loco&6 Política do&. 8. $8+>2^RO 08$+h/852. \ 6a linguagem política contemporWnea, quando se fala em blocos, entende-se a referência a uma específica defini!ão estrutural das rela!)es políticas internacionais, pela qual Estados diferentes, normalmente pr# imos geograficamente ou afins culturalmente, associam-se de fato para enfrentar um inimigo comum. 2 política dos -locos tem, pois, sua origem na pr#pria idéia de alian!aY porém, enquanto a alian!a é originada unicamente por um acordo baseado nas regras do direito internacional e sup)e que as partes dela participem em nível de igualdade pelo menos formal, o bloco não se apoia em nenhum reconhecimento formal e é caracteri"ado por uma estrutura hier(rquica. O termo blocos reporta a um particular período hist#ricoB a política dos -locos nasce ap#s a $egunda =uerra 1undial como conseq_ência da estrutura específica assumida pelo sistema político internacional. 2o término da guerra se imp)em no cen(rio político mundial dois Estados, de longe mais poderosos do que os outros JEstados >nidos e >nião $oviéticaL, que passam, nas rela!)es entre si, de uma posi!ão de colabora!ão contingente para uma posi!ão de oposi!ão total, como campe)es de dois sistemas ideol#gicos opostos e

inconcili(veis. O ato do nascimento da política dos -locos pode ser identificado nas célebres palavras de P. 5hurchill, no discurso de ,ulton JI de mar!o de %OMKL, que inauguram o clima de ]guerra fria]B ]desde $tettin, no mar -(ltico, até +rieste, no mar 2dri(tico, caiu sobre o continente europeu uma cortina de ferro]. 2 conclusão da guerra fa" surgir uma situa!ão em que a Europa, centro tradicional da política mundial, praticamente se encontra submetida a uma divisão em que poderiam ser definidas duas esferas de influência, sem considerar que foi justamente a necessidade de defesa contra os temidos objetivos e pansionistas dos Estados da esfera advers(ria a determinar definitivamente um movimento de agrega!ão que deu origem aos blocos. 2 dos blocos é uma estrutura de fato. Ela se desenvolve com o objetivo de criar uma rede de integra!ão entre os diversos Estados aderentes, uma política de alian!as, coletivas ou bilaterais. T o caso, no bloco ocidental, da organi"a!ão que d( vida ao plano 1arshall e ao .acto 2tlWntico JO+26LY e, no bloco oriental, do 5ominform bem como dos acordos bilaterais de alian!a entre a >nião $oviética e os diversos Estados da Europa oriental. Em %OII, a cria!ão do .acto de <ars#via apro imar( a estrutura do bloco oriental [ do bloco ocidental. .ela an(lise da pr#pria nature"a dos pactos citados, é possível perceber que as duas pilastras que mantêm de pé a integra!ão do interior dos blocos sãoB a colabora!ão econ*mica e a prote!ão militar. 88. E$+/>+>/2 7O$ -3O5O$. \ Embora carente de uma constituição 0or al) não seria correto afirmar que o bloco de Estados não possui um seu princípio de ordem, que o apro ima, sob certos aspectos, do sistema nacional. 2 estrutura do bloco Jque pode ser chamado também de ]subsis-tema], no caso de se fa"er referência ao conte to mais amplo do sistema internacional geralL se fundamenta unicamente em fatos e não no direitoY porém, sua estabilidade e a rigide" dos papéis dos v(rios membros acabam por criar um conjunto de e pectativas que não são, a não ser muito raramente, frustradas. O bloco se sustenta numa estrutura de rela!)es, entre os membros, praticamente hier(rquicas, onde o líder se reveste de uma fun!ão an(loga [ da autoridade nos sistemas políticos pr#prios de cada membro, com rela!ão aos membros em posi!ão de inferioridade. O que possibilita assumir o papel de autoridade é a superioridade Jsob todos os aspectosL do líder em rela!ão aos outrosY além disso, o líder) como um soberano no 5stado policial assume o cuidado e a prote!ão dos interesses dos ]s9ditos]. 2 integra!ão econ*mica, a prote!ão militar, a homogeneidade política, a comunica!ão cultural fa"em com que,

2. gra!as [ presen!a ]moderadora] das armas termonucleares. que representa um dos temas fundamentais da ciência da política internacional. e a subida do gaulismo na . uma ve" que esta estrutura parece ser fundamentalmente fruto de imposi!ão Jou superposi!ãoL a uma realidade comple a de Estados com tradi!)es e culturas muitas ve"es diferentes. 2 política da qual tais blocos são uma e pressão est( intimamente ligada ao clima dos anos em que é originadaB a época da ]guerra fria] é caracteri"ada por enorme tensão entre os blocos Jo que acaba favorecendo integra!ão crescente no interior de cada blocoL. uma ve" que. com rela!ão ao conceito de sistema. >m autêntico compromisso constitucional sacramentava a estrutura bipolar do sistema internacionalY todavia. em suma. 2o contr(rio. 6este caso.%%M -3O5O$. a um est(gio de institucionali"a!ão mais rígida. .ran!a.orém. Austamente no momento em que se d( a crise.orém.O3C+852 7O$ para quem observa de fora. o líder intervém para impor Je garantirL o respeito das regras fundamentais do subsistema. pois. as rela!)es e istentes entre os membros de cada bloco. afirmar que tenham desaparecido as.arecia. portanto. nos anos K'. mesmo parcial. que mostram como. com a morte de $talin e a deses-talini"a!ão. que o choque final estava apenas sendo adiado. 2 falta de uma codifica!ão formal daquilo que é permitido a cada Estado.conseq_ências estruturais que caracteri"aram a forma!ão dos blocos. o conjunto dos Estados com esta organi"a!ão se configure como um bloco. ir( depender da maneira como é distribuído o poder internacionalB poder(. 1. por outro lado. esta estrutura se tornava prec(ria pela consciência da e istência de uma vontade monopoli"adora em ambas as partes. de acordo com a concei-tua!ão que a este tema se atribui. de política dos -locos têm como origem. a supera!ão dos blocos deveria acontecer mediante a forma!ão de uma 9nica comunidade planet(ria. T o caso de acontecimentos tais como o h9ngaro J%OIKL e o tche-coslovaco J%OKFL. a mudan!a ideol#gica ocorrida nas rela!)es entre os blocos. mais claramente é perceptível o car(ter autorit(rio da estrutura. 888. Gaplan chegou a codificar seis tipos específicos de estrutura!ão do sistema internacional. \ O estudo da política dos -locos é englobado pelo problema bem mais abrangente da 0or a do sistema internacional.O3C+852 7O$ -3O5O$. . não conheceu nem est( conhecendo inova!)es significativas. O equilíbrio. sem data marcada para terminar. é possível que a ordem hier(rquica venha a ser perturbada por tentativas subversivas levadas adiante por algum dos membros. a guerra fria perde intensidade. mais interessante o modelo que interpretar( sistemas caracteri"ados pelo surgimento de pelo menos duas potências hegem*nicas. uma ve" que a estrutura hier(rquica não foi minimamente atingida pelas transforma!)es ocorridas nas rela!)es entre os blocos.orém. além Jou em lugarL do surgimento de e igências integracionistas mundiais. Embora ao nível das rela!)es entre os subsiste-mas a política dos -locos se manifeste realmente em declínio. de um lado. +odavia. O objetivo de toda e qualquer estrutura!ão do sistema internacional s# pode ser o da conserva!ão Jou alcanceL da pa". dei a-lhes a liberdade aparente para manifestar posi!)es aut*nomas. eles sãoB os sistemas do balance o0 poHer) o sistema bipolar . dando a impressão que a l#gica dos blocos contrapostos teria se tornado obsoleta. 5ada um. ainda mais considerando que o passar do tempo contribuiu para apro imar. dando a impressão de que ocorreria. conforme os ideais manifestados por organi"a!)es do tipo da O6>. no fim dos anos I'. . 2lém dos dois j( citados. a curto pra"o. estar em condi!)es de equilíbrio tanto uma situa!ão de monop#lio Jo império mundial ou sistema hier(rquicoL quanto uma situa!ão de pulveri"a!ão dos centros de poder Ja anarquia internacional ou sistema de unit vetoL7 . mesmo usando t(ticas diferentes. que pode ser comparada.arecia que a guerra entre os dois blocos. provocada por a!)es contr(rias aos valores do bloco. incompatíveis. +EO/82$ 25E/52 72 . . a >nião $oviética Je junto com ela os Estados de seu blocoL rejeita a doutrina mar is-ta-leninista da inevitabilidade da guerra. 2 t(tica política aplicada pelo líder em tais casos é basicamente a da inti idação Jv. 78$$>2$ROL. [quele particular estado do sistema definido como e/uilíbrio$ o desaparecimento deste estado determinaria a crise e conseq_entemente o conflito. porém provis#ria. Esta evolu!ão tornarBseia possível. no seu Wmbito interno. uma terceira guerra mundial. todavia. não tinha eclodido ao término do conflito mundial unicamente porque os dois líderes teriam concordado em reali"ar uma trégua. temos importantes conseq_ências no plano da an(lise empírica. os ineg(veis sinais de supera!ão. no clima da distensão) pelo interrelacionamento crescente das rela!)es econ*micas e políticas entre os blocos e não mais apenas no interior dos pr#prios blocos. . Esta op!ão gerou a acusa!ão de ]socialimperialismo] dirigida [ >nião $oviética por uma parte do movimento comunista internacional. para aceitar a l#gica do condomínio internacional em parceria com os Estados >nidos. bem como no plano normativo. do outro. por sua ve". não é possível. nenhum destes dois modelos limites obteve uma verdadeira reali"a!ão no plano hist#ricoY ser(.

mediante uma nova valori"a!ão da soberania nacional. T no ano de %FOF que foi fundado no congresso de 1insg o partido social-democr(tico. onde a redu!ão dos protagonistas principais a apenas dois é fundamentalmente conseq_ência do aparecimento das armas termonucleares. tão genérico que não pode servir para caracteri"ar uma particular estrutura!ão do sistema. Embora a tipologia de Gaplan represente.6+02>. segundo o qual. /ost5/26ch. . mas a conquista de maior poder. o atual sistema internacional se veria destinado a tomar uma forma polic-ntrica) que se distingue do balance o0 poHer pela permanência. até aqui. A/. The anarchical society7 + study o0 order in Horld polities7 1acmillan. 6ea Uorg %OE&. 0O. T evidente. pelo menos por enquanto./. não pode ser considerado como algo superado. Ora. 7e acordo com 0. International relations) a general theory7 5ambndge >niversit4 . que possibilitam. ->/+O6. . agrupando v(rios clubes e n9cleos oper(rios que se formaram nos anos anteriores. pelo qual o objetivo dos Estados não é o equilíbrio. embora a estrutura seja fundamentalmente a bipolar-re-volucion(ria-inst(vel. .7. mesmo esta estrutura!ão. 2ntes da grande onda de industriali"a!ão do final do século passado. juntamente com o sistema bipolar indefinido. mesmo estando em declínio. sob pena de não ser possível. 1O/=.3/265E. cumpre lembrar a posi!ão assumida por A.ulliverFs troubles7 or the selting o0 the a erican [oreign policy7 1c=raa-0ill.L no congresso de %O'&. também a mesma trajet#ria política. a forma do sistema. que embora o princípio constitutivo dos blocos tenha sido submetido a diversas revis)es críticas e esteja sofrendo modifica!)es também no plano factual. o mais sofisticado resultado te#rico. com aspectos inovadores. o proletariado de f(brica. P. dos perigos da luta para o poder na era nuclear. /. dar-se-ia uma descentralização regional) que possibilitaria autonomia na a!ão dos diversos subsistemas. . uma ve" que. /O$. apesar da reformula!ão conceituai.. +clion and reaction in Horld polities7 3itlle.artido Oper(rio $ocial-7emocr(tico da /9ssia J. pela relativa paralisa!ão recíproca deles decorrente. -oston %OK&Y /. 2ngeli. O termo Jdo russo bolscinstv') maioriaL indica a linha política e organi"ativa imposta por 3enin ao . 5ambridge %OKEY A. A. 3ondon %OEEY A.. como o 9nico. de uma estrutura!ão multi-hier(rquíca. -urton. portanto. P.. Enfim. pela atenua!ão da tensão ideol#gica entre os dois blocos tradicionais. 6ea Uorg %OIEY 0. 1orgenthau. G2..-O350E<8$1O %%I estreito e inde0inido c o siste a universal7 Gaplan d( uma ênfase toda especial ao balance o0 poHer) do qual indicou também seis regras de funcionamento. é ineg(vel que nela se infiltraram elementos de modera!ão. $omente nos 9ltimos decênios do século `8` apareceu na /9ssia c"arista \ país de industriali"a!ão tardia em rela!ão [ Europa ocidental \ a for!a social capa" de dar vida a um partido revolucion(rio de orienta!ão mar ista. o princípio de nacionalidade tenderia a voltar [ tona novamente. ap#s mais de vinte anos de funcionamento. principalmente gra!as [ fun!ão paralisadora das armas termonucleares. não ideol#gicos. International relations$ peaee or Har2) 1c=raa-0ill. -roan and 5o. que j( teve reali"a!ão hist#rica. 6ea Uorg %OKFY 1. +odavia.326. não é possível não salientar que justamente seus tipos mais importantes nada mais são além de variantes daquele princípio de equilíbrio internacional. uma ve" que os Estados-guia seriam esmagados e paralisados pelo seu e cessivo poder JtermonuclearL. prevenir e limitar as guerrasL e sistemas revolucion#rios Jcaracteri"ados pela infle ibilidade das alian!as.23+S=/2. Era a época em que a oposi!ão do c"aris-mo tra"ia especialmente as marcas do movimento populista e se visava.$. ap#s inspirar-se longamente no balance o0 poHer) encontra-se num estado de bipolaridade. na qual. 6ea Uorg %OKE]Y /. ao contr(rio. não supera a consagra!ão da estrutura hier(rquica típica do bloco tradicional. 1ilano %OEOY $.rocurando interpretar a realidade do atual sistema internacional com base nesta distin!ão. E 7O>=0E/+U. . descreve a estrutura!ão dos sistemas internacionais com base na distin!ão entre sistemas oderados Jcaracteri"ados pelo balance o0 poHer e pela multipolaridadc. Relazioni internazionali$ teorie a con0ronto J%OE%L. (yste and process in international polities7 Pile4. a classe oper(ria não somente era e ígua numericamente mas conservava um forte ligame com a terra e os h(bitos da vida rural... 3.O. mediante a supera!ão pelo menos parcial da política dos -locos.ress. mesmo permanecendo a figura do Estado-guia.1266. em geral. e sim regionais.. c3>8=8 -O6262+Ed #olc4e8i&(o. $. portanto pela bipolaridade e por um alto grau de instabilidadeL. 0offmann.0. 2. a 9nica alternativa vi(vel estaria no sistema de não-alinhamento. Polities a ong nations) Gnopf. #I#LIO)RAFIA. pois.. 0offmann conclui que. ->33. que possibilitaria sair. a negar que a /9ssia tivesse que percorrer as mesmas fases de desenvolvimento do Ocidente e. definir ou vislumbrar os pressupostos de uma nova sistemati"a!ão nas rela!)es de poder entre os Estados.

dentro das limita!)es impostas por um regime autocr(tico que não permitia nem as organi"a!)es oper(rias \ os sindicatos foram legalmente reconhecidos somente em %O'K \ e nem os partidos políticos. . as divergências sobre um problema aparentemente secund(rio. o -olchevismo pode ser efetivamente considerado aquilo que foi definido na historiografia oficial e. limitada de n9mero mas compacta e disciplinadaY ou um partido com ligames mais el(sticos e fle íveis. a importWncia priorit(ria por ele atribuída desde o início ao problema organi-"ativo \ a forma!ão de um partido homogêneo.or outro lado.oi nesta vota!ão que surgiram os termos que. +odavia. quando os bolcheviques conquistaram so"inhos o poder. 7uas posi!)es se defrontaramB uma. a ]colabora!ão pessoal regular]. apoiada por 1artov. que queria reservar o título de membro do partido e clusivamente a quem dava uma ]participa!ão pessoal a uma de suas organi"a!)es]Y a outra. por sua ve" a maioria. alternadaf com tentativas de apro ima!ão. uma característica específica do -olchevismoY característica que se tornou. capa" de proporcionar programas. é claro. quando se tratava de definir seus programas de a!ão.%%K -O350E<8$1O 2s agita!)es oper(rias. portanto. economicismo. mar ismo legal \ a quem censuravam o fato de subestimar a amplitude atingida pelo capitalismo industrial na /9ssia e. coe istiram num quadro de polêmicas mais ou menos (speras. 5ontribuiu. forneceram a uma parte dos intelectuais revolucion(rios o suporte necess(rio para aplicar na /9ssia a teoria e an(lise mar ista. a revolu!ão de %O'I. hagiogr(fica da >nião $oviéticaB uma aplica!ão criativa do mar ismo [s condi!)es específicas de um país atrasado. a proposta de 1artov passou com DF votos contra DD e uma absten!ão. aquela profunda liga!ão entre a organi"a!ão e o movimento espontWneo das massas que se reali"ou quando este e plodiu quase inesperadamente. os primeiros n9cleos de social-democratas procuravam diferenciarse. t(ticas e instrufnentos organi"ativos a um proletariado destinado so"inho a gastar suas energias em a!)es reivindicativas ou em revoltas sem resultados políticos. um país em que ao proletariado cabia o papel que alhures tinha sido desempenhado pela burguesiaY e em que precisava omitir algumas fases intermedi(rias que no Ocidente tinham sido marcadas pela revolu!ão liberal. que viu surgir no cen(rio político russo . como provam os fatos. colocando-se num campo estranho [ teoria política do mar ismo. bolchevi/ues e enchevi/ues) isto é. desde de"embro de %O''. para atenuar as divergências. centrali"ado e altamente disciplinado \ se tornou. a organi"a!ão do partido. a partir daquele momento.lechanov. Em %O'& 3enin não tinha certamente elaborado a estratégia política que devia concreti"ar-se na /evolu!ão de Outubro. as duas partes. duas concep!)es muito diferentes sobre aquela que devia ser a estrutura do partido revolucion(rioB uma organi"a!ão formada por militantes de profissão em tempo integral e. +er-se-ia. se delineou uma profunda cisão. o ]8sgra]. mas também para equipar-se de instrumentos de a!ão. >ma divergência nominal que escondia. 8sto. Estes como aqueles eram destinados a condicionar as futuras rela!)es entre mencheviques e bolcheviques durante todo o período que vai até o ano crucial de %O%E. 2p#s o congresso de %O'&. dessa forma. l( no seman(rio que eles. 6o congresso. 1artov. publicavam na 2lemanha ou na $uí!a. portanto. reali"ado o plano que 3enin tinha tra!ado no início do séculoB um partido deposit(rio da consciência de classe. o -olchevismo aparece como a corrente socialdemocr(tica que mais diretamente se relaciona com a tradi!ão russa do populismo utopista e do jacobinismo conspirador. bolchevique e menchevique. apoiada por 3enin. 6o segundo congresso que se reali"ou em 3ondres no ano de %O'&. resultaram inconcili(veis. 2s cr*nicas do congresso referem não somente diferen!as políticas e debates te#ricos mas também contrastes pessoais e choques verbais violentos. interven!ão e mobili"a!ão oper(ria \ o partido por muito tempo foi formado especialmente por intelectuais e pequenos-burgue-ses \ e para permitir. enfim. 6a vota!ão sucessiva sobre as elei!)es para o comitê de reda!ão do ]8sgra] e para o comitê central. maioria e minoria. 2 saber. isto é. Enquanto o programa político geral e as grandes finalidades do partido \ a revolu!ão e a conquista do poder por parte do proletariado \ obtiveram o voto quase unWnime dos IE delegados. os leninistas obtiveram. derrubando o c"arismo. . em grandes linhas. que se intensificaram a partir de %FO'-OD. >nidos na confuta!ão das demais correntes revolucion(rias \ populismo. em grande parte. a consistência e o papel político do proletariado de f(brica. <era Sasulic. em fevereiro de %O%E. o primeiro verdadeiro congresso depois do constitutivo. deviam definir as duas correntes da social-democracia russa. essencial não somente para sobreviver nas condi!)es da clandestinidade. surgiram as primeiras divergências entre os redatores \ . 3enin. 2 elrod. na realidade. estratégias. desde aquele momento. em parte. que propunha uma f#rmula menos rígida. aberto também a simpati"antes e colaboradores. $ob certo ponto de vista.

os dois grupos corrigiram em parte suas posi!)es iniciais. teria com freq_ência levantado obst(culos insuper(veis perante a constru!ão do novo Estado. por um certo período hist#rico. socialistas revolucion(rias e mencheviques e que tentavam dirigir um país dominado pelas insurrei!)es oper(rias. as hip#teses.-O350E<8$1O %%E uma nova organi"a!ão. o soviete recolocava em discussão quer as teses bolchevistas sobre a incapacidade do proletariado de organi"ar-se autonoma-mente sem a ajuda de uma for!a e terna. de algum modo. por e emplo. que queriam orientar-se sobre os modelos da social-democracia européia. 2 amplitude. depois de poucos anos. num quadro democr(tico-bur-guês. onde chegavam atenuadas também pelas dificuldades de comunica!ão. O atraso da /9ssia. indicativo. foram proibidas as divis)es partid(rias ou fra!)es. . aqueles que conseguiram captar e e primir tal tendência. que teria assumido. apesar de muitas dificuldades causadas pela repressão. guiados por grupos dirigentes que viviam. 7aqui. 7e fato estava em curso um processo de progressiva radicali"a!ão das agita!)es sociais. a incapacidade e a total ineficiência do regimeB um v(cuo de poder onde se alastrou o movimento revolucion(rio. em %O'K. 2 guerra foi um ulterior fator de acelera!ão dos eventos e especialmente p*s a nu a fraque"a. em %OD%. a tal ponto que foi possível a convoca!ão. 2s for!as políticas mostravam-se bem longe de estar prontas para enfrentar o improviso precipitar dos eventos. o -olchevismo não era um corpo monolítico mas teve uma vida articulada em diversas correntes. E foram mais uma ve" os sovie-tes a dominar o cen(rio político. os confrontos entre as linhas estratégicas e t(ticas tinham freq_entemente poucas liga!)es com o cen(rio social e político russo. consumou-se na /9ssia a tímida e fr(gil e periência constitucional. eles continuassem não raramente a atuar juntos. decorrentes da diversa interpreta!ão daqueles eventos e cone os com a procura de uma linha de a!ão no momento em que. então. 2s discuss)es ideol#gicas e metodol#gicas. as teorias e linhas de a!ão. 2 partir de %O%' se delineou uma retomada das agita!)es oper(rias e estudantis e os bolcheviques decidiram. os bolcheviques concentraram seus esfor!os principais na organi"a!ão clandestina. liberais. em particular os bolcheviques. na realidade. segundo a f#rmula de 3enin. instaurando aquele ]duplo poder] que caracteri"ou o período entre fevereiro e outubro. a obstina!ão com que eles. atuali"avam e aperfei!oavam constantemente a sua an(lise. pela dispersão do movimento e pelas (speras polêmicas e lutas internas que não poupavam nem a pr#pria parte. se abriam alguns espa!os legais para a atividade política. pelas revoltas camponesas e pelos motins militaresY do . de um congresso de reunifica!ão. na emigra!ão. [s velhas divergências se acrescentaram novos motivos de polêmica. 6ão obstante as teori"a!)es sobre a necess(ria homogeneidade do partido revolucion(rio. especialmente nos centros oper(rios. o movimento revolucion(rio de massa.oram especialmente os bolcheviques que receberam com quase total desconfian!a as reformas c"aristas. 7esapareceram. embora sob o impulso das lutas oper(rias ou sob a dire!ão do proletariado e dos camponeses pobres. estes grupos de dirigentes. dessa forma. negado ou subestimado na fase da a!ão revolucion(ria. 1as além da fraca consistência numérica. iniciada em outubro de %O'IB ela não conseguira derrubar a aristocracia c"arista e chegar [ cria!ão de institui!)es representativas. através das elei!)es para a 7uma e a legali"a!ão dos sindicatos. com f#rmulas diversas. efetuar uma mudan!a político-organi"ativa.raga em janeiro de %O%D transformaram o grupo em partido. dessa forma. 7e um lado. 6os anos que imediatamente precederam a e plosão da guerra mundial. tinham o pressentimento dos eventos que estavam amadurecendo. que também ap#s a separa!ão definitiva entre bolcheviques e mencheviques. polemi"avam fero"mente uns contra os outros. 1as ap#s o fracasso da revolu!ão e o reflu o do movimento. 6a conferência que foi convocada em . quer as teses menchevistas sobre a impossibilidade de acelerar a luta política por causa do atraso da /9ssia.. $omente ap#s a funda!ão do Estado soviético muitas daquelas an(lises e teori"a!)es se teriam demonstrado apro imativas e pouco adequadas [ realidade. 7iversamente dos mencheviques. longe do palco dos acontecimentos e sem a suficiente possibilidade de testar as teorias na realidade. grupos e publica!)es. sancionando. alimentadas também pelos bolcheviques. segundo os quais o processo revolucion(rio deveria basear-se. quadros de partido e militantes tinham a consciência da profundidade das contradi!)es e dos conflitos latentes em seu país e. tanto que muitas ve"es reapareceu a hip#tese de uma reunifica!ão. de poucos milhares de militantes. . perseguiam seu plano revolucion(rio. pelo menos até quando. o soviete7 E pressão direta das lutas oper(rias. em grande parte. especialmente nas fases altas do movimento. a velha e j( consolidada cisão da social-democracia russa. tem levado freq_entemente a superestimar a for!a e a capacidade da influência que tinham naquele período as forma!)es social-democr(ticas e os bolcheviques em particular. +ratava-se. . uma série de =overnos provis#rios que agrupavam.or conseq_ência.

+orino %OE%Y 1.etrogrado..etrogrado e em 1oscou. 5omo as outras for!as políticas. Einaudi. 726. Einaudi. $+/272 Einaudi. [ fraque"a das for!as sociais e políticas que propunham alternativas diversas e. os bolcheviques estavam equipados para dirigir e canali"ar a revolta das massas. #I#LIO)RAFIA. [ alta concentra!ão do poder em ..al(cio. uma miríade de conselhos oper(rios. (toria del partito co unista dellF%R(( J%OK&L. !olscevis o ondiale J%O%OL. porém. (toria del bolscevis o J%O&DL.8126. /. /oma %OMI.O2d rela!ão ao outro. (toria della social-de ocrazia russa J%OD%L. -/Oué.7<E7. -E/782E<.686. >ma solu!ão tipicamente militar da grande crise de %O%E. 8a rivoluzione dVllobre era ineluitabile B E. E especialmente se prepararam militarmen-te criando as milícias oper(rias e organi"ando os soldados. 8a rivoluzione russa dal Q_ *ebbraio al QT ottobre J%OKEL. +orino %OE'Y <. /iuniti. nenhum dos dois significados deve ser entendido como e cludente em . que ficou na hist#ria do movimento oper(rio como modelo por e celência de revolu!ão socialistaB revolu!ão que. 8arivoluzionebolscevica7 %O%E-%OD& J%OI'L. . soldados e camponeses chefiados pelo $oviete de . c38$2 . se conseguiu reali"ar com sucesso. . . numa noite. Illusione e reall= della rivoluzione russa J%OKOL.<.aris %OI%Y . 3eonardo. entre outras. +orino %OKMY 8d.eltrinelli. /O$E1-E/=. interpretando suas aspira!)es mais radicaisB controle oper(rio.2/+8$1O outro lado. Eles. especialmente ap#s a volta de 3enin em abril. -ari %OKOY 2. 1ilano %OE&Y /.. CheEareB J%O'DL. Austamente por isso. +orino %OF'Y A. Co prendre la r9volu-Ion russe) $euil. %.. 1ilano %OKKY E. 12/+O<. 3ater"a.aris %OF'Y A. fim da guerra. #ona3arti&(o. no inverno. na /9ssia da época. 3. con introdu"ione di <. distribui!ão das terras. Esta e pressão tem na linguagem hist#rico-política um significado diverso. %O%E. +udo estava pronto para o assalto ao . 8es saurces et le sens du co unis e russe7 5allimard. se alinharam inteiramente ao lado do movimento popular. 2 sua estratégia e cluía j( decididamente uma solu!ão democr(tico-parlamentar e colocava na pauta do dia a revolu!ão prolet(ria socialista.. 12/+O< \ . se se refere [ política interna ou [ e terna. 1. 52//. \ 6. Einaudi.%%F -O62. devido ao estado de dissolu!ão em que tinham chegado os aparelhos políticos e militares do regime. /oma %OEKY 1.. 12382.. 0. $ugar.

dirigido por um grande personagem carism(tico. Em segundo lugar. para 1ar e Engels. se vê obrigada a ceder seu poder político a um ditador que. como garante da ordem p9blica e como (rbitro imparcial diante dos interesses contrastantes das classes. e em que se efetua a subordina!ão de todo o poder ao e ecutivo. com seu ]carisma] e com os instrumentos de um despotismo não mais tradicional. por outro lado. as castas ou os grupos corporativos em que se articula a sociedade civil. a ditadura bonapartista pode sustentar-se. . cujas características fundamentais são duas. o -onapartismo é a forma de =overno em que é desautori"ado o poder legislativo. 6a realidade. porém. 7esta defini!ão de -onapartismo muitos autores.L. e que. antag*nicos com rela!ão aos da classe dominante. foi a classe dos pequenos propriet(rios rurais. porém..arlamento. constitui normalmente o poder prim(rio. real a nível da superestrutura política. de D de de"embro de %FI%L e a alguns trechos dos escritos de Engels Jparticularmente. criado pela burguesia. . o . a defini!ão de -o- . não fundado na sucessão legítima. a autonomia do poder bona-partista com rela!ão [ classe burguesa dominante é.elo que se refere ao primeiro significado.ara os mar istas ortodo os. cujos interesses não eram. isto é. nem com o proletariado.arlamento.ara os fundadores do materialismo hist#rico. uma política que coincide com os interesses econ*micos fundamentais da classe dominante. ou seja. que criticam mais ou menos fortemente a tese mar ista do Estado como instrumento da classe dominante. temos de remontar ao escrito de 1ar 4 LM de !ru #rio de 8uís !onaparte Jque analisa o golpe de Estado de 3uís 6apoleão. + orige da 0a ília) da propriedade privada e do 5stadoL7 . Esta forma de =overno tem. Esta autonomia é. no caso específico de 6apoleão 888. pura aparência. desde que conte com o apoio direto de uma classe que não coincide nem com a burguesia dominante. afim ao de 5E$2/8$1O Jv. para garantir a sobrevivência da ordem burguesa. onde foi efetivamente desautori"ado o #rgão. através do qual se e prime o poder político da classe dominante. o conflito de classe com o proletariado tornou-se de tal modo agudo que a classe dominante. as raí"es numa situa!ão crítica da sociedade civil. que no Estado democr(tico representativo. tomaram e desenvolveram sobretudo o conceito de que a ditadura bonapartista Jou cesaristaL constitui o desaguamento inevit(vel de situa!)es de anarquia e desordem devidas a um e asperado conflito entre as classes. se se atender ao conte9do concreto da política por ele levada a efeito. seja capa" de recondu"ir [ disciplina a classe dominada. 2ntes de mais nada. que se apresenta como representante direto da na!ão.

e um comple o de atributos. no conjunto. \ O termo -urguesia não tem sentido afirma!ão tem origens bem mais comple as e unívoco. pois. mentalidade burguesa.868^RO. em ve" disso. . que acompanharam econ*mica. mas também é constat(vel como no conceito se entrela!am características diferenciadas. 2 -urguesia. imediatamente caracteri"ada.. a e pressão -onapartismo tem sido usada em especial por grandes historiadores alemães contemporWneos. [s tradi!)es burguesas. pequena -urguesiaL que vivem e atuam em condi!)es diferentes.8$+O6Ed finalmente [ ]hist#ria] burguesa ou da -urguesia. fa"endo com que as suas reivindica!)es sejam interpretadas como fatores de debi-litamento da capacidade defensiva e ofensiva do Estado no plano internacional Jv. porque um sistema desp#tico produ" inevitavelmente fortes tens)es internas. por nature"a. O conceito de -urguesia é. e . englobando em si. T evidente. psicol#gicas. possíveis unicamente na dinWmica do defini!)es Jse não maisL alternativas. Entre o -onapartismo assim entendido e o -onapartismo da primeira acep!ão e iste um ne o j( emergente em 1ar e Engels. como algo que lhe é peculiar. e sim sociais. portanto. $eu oponente seria o proletariado que. não apenas objetivas e sim também subjetivas. como . inseridos todavia num conte to e numa dinWmica bem mais amplos. portanto. é ineg(vel que. é ineg(vel que. entre os anos D' e &' do nosso século. arte burguesa e assim por diante. não somente econ*micas. 5om efeito. T possível. positivos e negativos. o principal fundamento te#rico da interpreta!ão mar ista do 0ascis o7 2lém de haver sido relacionada com uma certa forma de =overno. composto de assalariados ou mais genericamente de trabalhadores manuais Jas gramscianas ]classes subalternas]L. 6um sentido mais fecundo e mais atual. visa conscientemente o objetivo da consolida!ão de um certo regime Je. média -urguesia. na sociedade capitalista pertencem sociologicamente [ -urguesia. 3. 2ssim entendida. como é] também levado. entre a aristocracia e a de todas as implica!)es psicol#gicas. dos interesses dos grupos nele dominantesL. entende-se por -urguesia a econ*mica no mundo atual.. compreendida como v(lvula de va"amento para fora das tens)es internas de um Estado. . uma categoria econ*mica. O despotismo que caracteri"a o poder bonapartista não s# torna mais f(cil uma política de tipo e pansionista. porém. sido individuada na simbiose entre classe social e categoria espiritual. 6um primeiro desenvolvimento do capitalismo na 8dade 1oderna. sentido. para descobrir sua posi!ão referido [ atual sociedade. podendo-se dar do conceito pelo menos duas articuladas. possui unicamente sua for!a de trabalho. pois. esta política visa tanto a robustecer os grupos dominantes com o prestígio oriundo de sucessos no plano internacional. para além dos objetivos específicos do e -pansionismo. que esta 8. ao mesmo tempo. por via das quais se tende a buscar uma v(lvula de escape no e terior. a e pressão -onapartismo é usada também Jhoje de forma predominanteL para designar uma política e terna e pansionista. mesmo sendo difícil individuar este significado entre limites restritos. que contribuem para esclarecer uma ou mais partes desta totalidade. 7E. religiosas e nobre"a. Ou seja.orém. /E32^pE$ 86+E/6258O628$L.->/=>E$82 %%O napartismo apresentada por 1ar e Engels tornou-se. o proletariado. não apenas a classe pode ser subdividida em v(rias subclasses. . os meios de produ!ão e que. e para atender e clusivamente a interesses egoístas.ischer. da revolu!ão política de %EFO e da revolu!ão social ainda em curso. da /evolu!ão 8ndustrial. 7ehio. desprovido destes meios. o predomínio econ*mico. seria a classe que detém. -urguesia intelectual. detentoras heredit(rias do poder e da rique"a culturais. mediante a atividade pessoal de cada indivíduo. até se chegar ao ]modo de vida] burguês.'e&ia. 5onseq_entemente os limites que definem o termo resultam fle íveis e não rigidamente determinados. omnicompreensivo e totali"ante. formando verdadeiros grupos aut*nomos Jgrande -urguesia. para e plicar a política e terna da 2lemanha guilhermina e na"istaY se tornou de uso geral para designar todo o fen*meno de política e terna e pansionista. é portadora do poder econ*mico e político. >ma tal defini!ão d( origem a in9meras distin!)es. que. que perdeu muito de sua validade quando +odavia. por não ser contido pelos mecanismos internos de controle liberal e democr(tico. pode-se dar uma segunda defini!ão que mais corresponde [ atual realidade. religiosas. conseq_entemente. 1einecge. [ lu" dos acontecimentos hist#ricos contemporWneos. 2 principal causa da afirma!ão da -urguesia tem #'r. e ercido diretamente. não é possível prescindir camada social intermedi(ria. ou intelec-tual-profissional. falar em espírito burguês. como a enfraquecer os advers(rios internos. numa política de prestígio e de aventuras militares. a uma política desse gênero. contra as contesta!)es radicais de que é objeto dentro do respectivo Estado. [ democracia burguesa e c$T/=8O .

modificando radicalmente o conceito de usura. pela ]racionalidade] e finalmente pela ]objetividade]. 5ro-ce e 5habod na 8t(lia. possibilitar(. nos países mais avan!ados da Europa ocidental. isto é. 2 hip#tese levantada e debatida por $ombart em seus estudos Jcf.rancesa. Embora este interesse tome formas diferentes. de acordo com um regime que ap#s a /evolu!ão ser( logo definido como +ncien) é bastante profundo e se fundamenta na economia. foi principalmente a ]ética protestante] que proporcionou os elementos e as condi!)es para o salto [ frente. 6a passagem da 8dade 1édia para a 8dade 1oderna.ranglin desde a primeira metade do século `<888. E istem. como representante da lei e. ]lembra que o crédito é dinheiro]. enfim. Os pressupostos desta ética são encontrados pelo autor alemão Jcf. + 9tica protestante e o espírito do capitalis oL nas afirma!)es emitidas por -enjamin . que no passado ou nos países de religião cat#lica permaneciam imobili"ados na agricultura. entram em circula!ão e crescem cada ve" mais. 2 primeira industriali"a!ão nasce de um ato de vontade. tais como a parcim*nia. 7e acordo com as proposi!)es de Peber. ou mais genericamente reavaliando normas de comportamento cristão. da cidade. segundo Peber. ]lembra que quem paga com pontualidade é dono da bolsa de todos]. T o mesmo . emitido com o objetivo de alcan!ar lucros cada ve" maiores.ranglin que percebe no ac9mulo de dinheiro o sinal de benevolência divina quando cita um versículo da -íbliaB ]se tu vês um homem h(bil e bem sucedido na sua profissão.ran!a. como comerciante. 6o rastro desta concep!ão. se referem [ teori"a-!ão mar ista. pois. aspirando a se tornar um empres(rio capitalista. como categoria espiritual. 5roce refutou amplamente aquelas que ele considerava defini!)es espirituais da -urguesia. a decolagem da /evolu!ão 8ndustrial. a nova ética obriga os homens a ]ganhar dinheiro]. e sim fruto de um determinado tipo de mentalidade religiosa. O burguês. \ Originariamente o termo -urguesia. constituindo-se no resultado de uma sele!ão ocorrida no conte to do artesanato urbano. todas as antigas normas cat#licas de comportamento econ*mico-social.%D' ->/=>E$82 esta evolu!ão. vêm todos ]de bai o] e ascendem [ condi!ão de ]empres(rios capitalistas] justamente gra!as a ]seu espírito burguês]. deriva!)es nas diferentes línguasB !Irger na 2lemanha e posteriormente. de fé em alguns ]valores] típicos. 2 ->/=>E$82 5O1O ]52+E=O/82 E$. in9meras tentativas para caracteri"ar a protagonista deste processo. porém com menor ênfase para o elemento religioso. T mediante o burguês e a classe a que ele pertence. T prova do que foi dito o interesse demonstrado pela defini!ão do conceito por estudiosos como $ombart e Peber na 2lemanha. ]lembra que o dinheiro é fecundo e produtivo pela sua pr#pria nature"a] e. o espírito de grupo mesmo na defesa de um s#lido individualismo. ou criticamente ou mediante aceita!ão parcial. assim. 6o período em que o capitalismo burguês estava na fase inicial de sua forma!ão e afirma!ão. enfim. mais especificamenteB ]lembra que o tempo é dinheiro]. cresceram as cidades.8/8+>23]. é sinal que ele pode se apresentar diante do /ei]. a -urguesia. o rígido puritanismo e o estrito cumprimento de normas éticas e comerciais. não aceitando que -urguesia fosse uma concep!ão da . desenvolveu-se a rique"a. não tanto por estarem escritas e sim por terem entrado nas conven!)es. todavia. todos eles. no decorrer do século `<888. Os empres(rios burgueses. caracteri"ado pela nova organi"a!ão racional do trabalho. por ser o meio de produ!ão da rique"a material Jisto é o ]sinal] do sucesso humanoL e da rique"a moral de cada cidadão Jisto é a pacifica!ão interiorL. acompanhado pela sensibilidade inventiva pr#pria de todos os precursores. como pequeno e médio propriet(rio rural ou imobili(rio. O autor evidencia como o espírito do capitalismo se espalhou gra!as [ racionalidade da -urguesia e [ sua vontade de acumular rique"as cada ve" maiores. o habitante da cidade adquire uma sua configura!ão típica de classeB afirma-se como artesão. espalharam-se os comércios. Os moventes de sua a!ão não seriam de ordem econ*mica. O processo pelo qual o mundo burguês se contrap)e com violenta determina!ão [s antigas estruturas de origem feudal predominantes na Europa. cuja rai" se encontra no voc(bulo latino medieval burgensis) caracteri"a os habitantes do burgo. a -urguesia. segundo $ombart. que se d( a acumula!ão inicial de capital que. mais tarde amplamente esclarecidos a nível te#rico nas doutrinas liberais. bourgeois na . apresenta principalmente duas virtudes fundamentaisB %L a fidelidade aos contratosY DL a parcim*nia acompanhada pelo bom senso. +emos. para o triunfo de uma nova classe que iria entrar no lugar daquelas que até então tinham dominado. 88. 2 característica te#rica desta ]marca burguesa] é dada pelo ]método]. que se tornar( apelido de uso comum ap#s a /evolu!ão . 4 burgu-s e o capitalis o odernoL é an(loga [ de Peber. /eavaliando. este é e altado como o fundamento da e istência social e da vida religiosa. ]subindo] da terra até o céu para gl#ria da divindade e para o bem-estar do homem aben!oado por 7eus. como ]capitalista]. nasceu uma nova ind9stria artesanalB os capitais.

Em outras palavras. fica no campo econ*mico. pelo sufr(gio que. também na 8dade 5ontemporWnea é legítimo o conceito econ*mico de burguês. uma ]personalidade espiritual completa] e. correlacionada com esta. permanece do mesmo jeito. quer seja considerado ]justo ou injusto] Jpara usar a terminologia proposta no Dictionnaire politi/ue por . cuja for!a se fundamenta no poder econ*mico.rancesa. isto é. dela habilmente subtraídos pela permanência das superestruturas feudais numa sociedade que j( tinha eliminado o feudalismo na sua essência. uma not(vel capacidade empreéarial acompanhada por conhecimentos técnicos e profissionais. ou seja. este fato. uma boa disponibilidade de capitais acumulados anteriormente. sua capacidade de generali"a!ão econ*mica e política no presente. tende a se tornar universal./E+2^RO 12/`8$+2. em contraposi!ão ao prolet(rio ou assalariado]. afirmando-se lentamente no decorrer de séculos. ]em sentido econ*mico]. ->/=>E$82 E E5O6O182. mesmo mediante formas que evoluem e se transformam com o tempo. sem d9vida sedutora. não pertence a indivíduos. identificar-se com ela na sua totalidade. obtém sua confirma!ão política em %EFO. ap#s a /evolu!ão . encontramos a an(lise mar ista. 8<. 5ondi!)es ambientais favor(veis. gra!as a sua entrada em cena. muitas até fascinantes pelas conclus)es alcan!adas. apesar dos v(rios empecilhos que foram colocados.ara comprovar a validade deste absoluto não é necess(rio procurar as origens espirituais de sua afirma!ão. bem como na avalia!ão das possibilidades objetivas de sua supera!ão. que porém vai bem além na percep!ão da importWncia revolucion(ria da pr#pria -urguesia. embora sirva para justificar um poder e ercido durante quase dois séculos e que pretende se prolongar indefinidamente. da classe revolucion(ria que.assando do campo econ*mico para o político. 2 não ser assim. . O predomínio da -urguesia. 888. T preciso pois. uma maneira de ser religiosa ou filos#fica. p*de demonstrar que. \ Em posi!ão contr(ria a esta an(lise. com suas raí"es unicamente no mundo da economia. nas palavras do fil#sofo. quando conquista justamente aqueles direitos de ordem política. e sim a uma classe. 5omo classe. é verdadeY porém. por si mesmo atingida a perfei!ão interna. a afirma!ão da -urguesia se amplia e atinge todos os outros campos da vida social. a respeito. pela primeira ve" na hist#ria. . . é difícil não perceber que. apresentar-se como algo de ]absoluto] que. na medida em que corresponde [s necessidades de uma época hist#rica. uma ]época hist#rica na qual esta forma!ão espiritual tem o domínio e o predomínio]. ou membro de um ]estado] da estrutura!ão política. se era legítimo na 8dade 1édia o conceito ]jurídico] de burguês como cidadão do burgo. segundo 5roce. a fim de poder individuar na sua verdadeira realidade as raí"es sociais de classe do fen*meno. a aceita!ão da livre concorrência como fator determinante da produ!ão e portanto da afirma!ão do homem.aguerre desde %FMFL. \ 2pesar de todas as tentativas de elabora!ão.->/=>E$82 %D% vida. se o regime parlamentar é caracteri"ado pelo domínio da -urguesia. 2 -urguesia recebe assim sua maior e alta!ão sendo considerada ]o produto de um longo processo de desenvolvimento. assim como segundo os mais modernos analistas. corre-se o risco de desvirtuar sua real fun!ão revolucion(ria com rela!ão ao conte to em que o fen*meno ocorreu. a -urguesia se demonstra capa" para assumir a responsabilidade do poder político. ]designa quem possui os meios de produ!ão. dele retirando a aristocracia antiquada e declarando da maneira mais clara possível ser sua inten!ão a vontade de geri-lo. O elemento base da avalia!ão mar ista é a luta de classe. é preciso também afirmar que sua relevWncia política e iste até o momento em que a -urguesia. tornaram a -urguesia a classe dominante da . 2 86+E/. a manifesta!ão. T suficiente analisar o comportamento da -urguesia. o capital. no século `8`. .oi e aminando a evolu!ão hist#rica da -urguesia que 1ar e Engels Je em geral toda a interpreta!ão que neles se inspiraL evidenciaram sua afirma!ão de tipo revolucion(rio e destruidor de todo o passado. na medida em que este conceito. A( 5roce. sob determinados aspectos an(loga. no tempo e no espa!o. 1ediante os acontecimentos revolucion(rios. como classe. é evidenciado e ]consagrado] justamente nas institui!)es políticas.or esta ra"ão. de uma cadeia de mudan!as radicais nos mecanismos da produ!ão e do comércio]. Eis. e a fim de poder analisar suas condi!)es atuais. seu predomínio que. ou seja a an(lise do processo hist#rico levado adiante [ lu" da evolu!ão do processo produtivo. a -urguesia busca resumir em si as necessidades e as tendências da sociedade inteira. sem modifica!)es. e finalmente pela cone ão e interdependência contínua entre interesses materiais e poder político. sua for!a e sua hegemonia. pelo menos no que di" respeito [ 8dade 5ontemporWnea. nos seus limites estruturais e institucionais. pelo regime parlamentar. o conceito de -urguesia precisa ser compreendido como categoria social. Estas se caracteri"am. pois. voltar a avaliar a -urguesia como categoria social. permanece como componente social de primeira grande"a.

$uperando dialeticamente as velhas classes sociais. isto é o proletariadoB ]6a mesma medida em que se desenvolve a -urguesia. num certo sentido. que se manifestaram principalmente nos países dos chamados +erceiro 1undo e ?uarto 1undo. 6asceram ind9strias possantes nos mais diversos setores da produ!ão. que constituem e representam uma verdadeira ruptura revolucion(ria com rela!ão ao passado e ao presente ]burgueses]. e ercido em nome e no interesse da -urguesia. +ornou-se a classe capitalista por e celência. o padre. embora as caracteri"a!)es de classe tenham sempre uma ra"o(vel . a -urguesia reali"ou um enorme salto revolucion(rio. obtendo. o poeta. todo o conjunto das rela!)es sociais]. isto é ]as rela!)es materiais dominantes assumidas como idéias]. isto é. se desenvolve também o proletariado. isto é modificando os instrumentos de produ!ão. vida social e.ara sobreviver. 2 -urguesia. foi possível reali"ar este fato. e sim a concreti"a!ão de um resultado que acaba negando tanto o passado como o presente. conseguindo ainda estender sua influência a países e povos ]novos]. ap#s ter mantido firmemente o poder durante todo o século `8`. não apenas mediante a transforma!ão e o processo decis#rio no mundo da economia.%DD ->/=>E$82 nossa época. hoje. porém. in9meros intérpretes e louva-dores. junto aos quais tem se afirmado Jcomo j( tinha acontecido no passadoL como for!a nacional dominante e em condi!)es para absorver em si os choques do desenvolvimento. com efeito. novas formas de vida e de cultura. [s ve"es mediante a violência e a for!a. na maioria dos casos. em suma. não pode acabar nunca. iniciado com o iluminismo. O proletariado na sua condi!ão de classe política prop*s. que administra as rique"as da sociedade evoluída unicamente a nível de finan!as ou de empreendimentos. estendeu-se a todos os campos da sociedade e a todos os momentos da vida humana. o capital. modificada. e suas ]idéias dominantes] nada mais são do que a e pressão ideal ]das rela!)es materiais dominantes]. 2 interpreta!ão mar ista. . O absoluto político representado pelo liberalismo burguês. que porém não conseguiu encarnar estas liberdades num conte to social que garantisse seu e ercício efetivo. de forma original. reagindo [s ve"es mediante uma autorenova!ão interna. . \ Em época mais recente. mas também derrubando toda a estrutura ética e cultural. . a -urguesia como classe e em todas as suas in9meras componentes procurou reagir. as ]rela!)es de produ!ão. em geral. sem levar em considera!ão a contradi!ão pr#pria da -urguesia como categoria social e a teori"a!ão liberal de sua e istência política. a classe dos modernos oper(rios]. Este processo. e sim em geral da pr#pria política. não se apresenta certamente como um n9cleo compacto. hoje. pr#pria de longos períodos hist#ricos. encontrou confirma!ão no decorrer do século `8`. est( na base das avalia!)es da -urguesia. 8sto tudo nasceu da revolu!ão burguesa que foi a primeira a provocar a concessão formal. 2 -urguesia se afirmou economicamente tornandose classe empresarial e industrial. como conseq_ência. 8sto ocorreu mesmo no meio de fortes contradi!)es internas e e ternas. 5ultura. porém. ou seja de concep!ão das rela!)es sociais.ossuidora dos meios de produ!ão material. <. toda manifesta!ão intelectual tiveram como ponto de referência a maneira de vida burguesa. 2 ->/=>E$82 62 $O58E727E 2+>23. como foi ressaltado por 1ar . +ransformou o médico. principalmente ap#s o terremoto provocado pela afirma!ão do socialismo e do movimento oper(rio em escala mundial. manteve suas posi!)es hegem*nicas Jde cunho progressista ou conservadorL em grande parte do hemisfério ocidental. atuali"ada e transformada. a -urguesia se ofereceu como sínteseY porém. que porém significam novas concep!)es não apenas do Estado. o cientista em seus oper(rios assalariados]. 1uitas ve"es tem passado de posi!)es meramente defensivas para posi!)es ofensivas. +udo isto ocorreu. de que j( falamos. a -urguesia se imp*s também espiritualmente. e sim na realidade das rela!)es de classe e das condi!)es sociais da pr#pria -urguesia. política. 1ar e Engels escreveramB ]2 -urguesia despiu de sua auréola todas aquelas atividades que até então eram consideradas dignas de venera!ão e respeito. 6em sempre se trata de an(lises alternativas ou substitutivasY [s ve"es seu objetivo foi o de encontrar pontos de concilia!ão e não pontos de ruptura ou de contrasteY porém se trata com certe"a de avalia!)es que têm sua fundamenta!ão não em sínteses abstratas. Este processo. a -urguesia precisa continuar revolucionando-se a si mesma. o jurista. das liberdades políticas. 1ediante este fato. contra os ataques que lhe eram endere!ados pelo proletariado e pelas suas manifesta!)es organi"adas. ou da passagem de uma situa!ão de atraso total para uma situa!ão de atraso relativo. o resultado final não foi uma nova forma de produ!ão. gerou alternativas aut*nomas internas de gestão a partir de bai o que podem ter fracassado ou apresentado momentos de graves deficiências na sua concreti"a!ão hist#rica.orém. e a -urguesia conseguiu caracteri"ar o mundo contemporWno mediante sua atividade contínua. O pr#prio poder político no Estado representativo. a todos os homens. O fato é que.

seja homogênea não apenas com o desenvolvimento econ*mico e sim também com o desenvolvimento social. -O/8O. !orghesia7 in ]Enciclopédia italiana]. 7ecorre desta atitude a aceita!ão. de um lado. num mundo dominado pelo progresso científico e tecnol#gico e. 1ilano %OMKY 2. quando não a proposta. rela!)es j( definidas hist#rica e teoricamente por 1ar e Engels. nos países mais desenvolvidos. 7t />==8E/O. %F. mesmo se proletari"ando cada ve" mais econ*mica e socialmente. artesãos. O que se tem em primeiro lugar é uma inversão de tendência na rela!ão e istente entre economia e política. diante das for!as que pretendem descentrali"ar e modificar radicalmente este mesmo poder. ```<888. 502-O7. -ari %OMIY 2. seja ela percebida como algo positivo ou como algo negativo. %n e/uivoco conceito storico$ la >borghesia>) in ]3a 5ritica]. a ]mentalidade] e a ]cultura] burguesas.elas considera!)es aqui apresentadas. com efeito. O que não se modificou é o fato que esta classe gere. mudan!as fundamentais a pr#pria composi!ão sociol#gica da classe que leva a denomina!ão genérica de ]-urguesia]. que conseq_entemente encontra sua seguran!a e sua maneira de se impor na subversão de direitaO daí. T evidente que. por causa de uma série comple a de motiva!)es psicossociol#gicas e devido a uma espécie de rea!ão diante de uma sociedade em que ela tinha e vem tendo cada ve" menos poder \ este. na sua globa-lidade e generalidade. -E/7A2A. /ecuperando a fun!ão revolucion(ria e ercida nos primeiros tempos de sua e istência política. -ologna %OEOY . e que conseq_entemente subsistem ainda as mesmas rela!)es Je as mesmas ]lutas]L de classe dentro da mesma sociedade. possibilitando zjue dela se fale como ]progressista]. 6euchWtel %OMOY 2. em quase todos os países evoluídos do Ocidente. . assumindo assim uma posi!ão an(loga [ do sub-proletariado com rela!ão ao proletariado. como uma autêntica ]manipula!ão das massas] por obra dos que detêm a gestão efetiva do poder. ali(s. . principalmente no que se refere [ segunda alternativa. a adesão de muitas camadas de comerciantes. [s ve"es também. a nova -urguesia Jpode ser chamada assimL apresenta uma fle ibilidade bem maior do que outras camadas sociais \ p. Estas ainda se identificam com a camada dirigente do capitalismo. !orghesia e proletariato7 in ]5ritica $ociale]. por uma crescente concentra!ão e especiali"a!ão do poder. ``<8. 8sto fa" com que a a!ão de =overno levada adiante pela nova -urguesia. e que se concreti"am justamente no conflito permanente entre a -urguesia. 6a realidade é possível perceber que estes aspectos não são contradit#rios entre siY eles respondem [ realidade multiforme das atitudes de uma classe que busca se afirmar cada ve" mais. de introspec!ão crítica.26- . 8et= della borghesia e delie rivo-luzioni7 DVLIL-DLD secolo7 8l 1ulino. o poder na sociedade capita-listaindustrial. que mantém em suas mãos todo o ambiente cultural e a pr#pria base. de anticonformismo e. . (toria del liberalis o europeo7 3ater"a.<. 5/O5E. de aquisi!ão dialética da realidade do movimento oper(rio. e y do que a pequena -urguesia \. encontram-se hoje atitudes irracionais e e tremistas. pequenos funcion(rios p9blicos e particulares a movimentos fascistas ou similares..or outro lado. e que também mudou radicalmente aquela forma específica de ser que -enedetto 5roce definiu como ]mediocridade] burguesa J]aquilo que não é nem alto demais nem bai o demais] no ]sentir. da estrutura econ*mica da sociedade ocidental. 52/2558O3O. a média e grande -urguesia guiam também a política. para cuja afirma!ão ela muito contribuiu. o proletariado de um lado e o grande capital do outro \ adquiriu características sociais cada ve" mais aut*nomas e originais. que fa"em com que o conceito mantenha íntegra sua carga ideal. diretamente ou mediante classes dirigentes que delas são a e pressão direta. desta forma. Estas atitudes evidenciam sua rea!ão diante da sociedade de massa que nada mais concede ao indivíduo ]pequeno-burguês]. #I#LIO)RAFIA. 6a base de seu comportamento político.->/=>E$82 %D& unidade. é preciso observar que mudou profundamente a maneira de perceber o ]espírito]. repartido entre concorrentes bem mais fortes e atuali"ados. financeira e social. demonstrando sua maior capacidade de adequa!ão aos esquemas dinWmicos do neocapitalismo. da ind9stria capitalista. de acordo com alguns autores. $ofreu. em primeira pessoa ou servindo-se de mediadores. que não vislumbra uma sua saída nesta sociedade altamente industriali"ada. de uma política moderadamente reformista.. /oma %O&'Y -. 2 média e grande -urguesia podem ser avaliadas de acordo com critérios mais tradicionais. 7etentoras firmes. De lespril bourgeois) 7elachau et 6iestlé. portanto. 2o mesmo tempo esta política pode ser interpretada como uma forma atuali"ada e camuflada de repressão. ou pelo menos condicion(-lo de bai o. isto é. e o proletariado do outro. \ 6. trata-se de uma -urguesia fundamentalmente intelectual. também h( ]pequenos-burgueses] que pensam em se emancipar de sua condi!ão de aliena!ão aceitando o espírito revolucion(rio abstrato da subversão de es/uerda) onde o e tremismo é percebido como ]remédio] contra a ]velhice] das rela!)es sociais no mundo moderno. 2 pequena -urguesia. <il. -an %ODFY =. no costume e no pensar]L.

aos critérios de assun!ão e de carreira.rance. pp. foram obrigados a dedicar maior aten!ão aos problemas organi"acionais.rbres. entãoY os conceitos de -urocracia.aris %FKMY 2. =2/O$58. Embora 1ar se tivesse ocupado s# marginalmente da questão. $ansoni. \ O termo -urocracia foi empregado. . 4rigini dellospiritoborghesein*rancia J%ODEL. em suma. a falta de iniciativa. para designar o poder do corpo de funcion(rios e empregados da administra!ão estatal. por um economista fi-siocr(tico. 8Fetica protestante e o spirito del capitalis o J%O'IL. +83-=0E/. =/OE+0>U-$E6.errara %O&DY P. por alguns dicion(rios.. uma outra concep!ão de -urocracia que emprega o termo no sentido técnico e não polêmico. . 8++E+. $O1-2At+. organi"ado monocr(tica e hierarquicamente. pela primeira ve".%DM ->/O5/2582 . no início do século `8`. A.. . é aquela que foi desenvolvida pelo pensamento mar ista. 3ater"a. a altive" e o espírito corporativo da administra!ão p9blica nos regimes autorit(rios e especialmente na 2lemanha.aris %OIEY /.. Einaudi. (ul conceito di borghesia7 Veri0ica storica di un saggio crociano7 in 2>+. %%I-M&L e perante esta ambig_idade do termo alguns estudiosos se questionaram se não seria mais oportuno considerar o voc(bulo -urocracia como um e emplo das incertas formula!)es das ciências sociais primitivas e elimin(-lo do lé ico científico .. acusando-o de sufocar a espontaneidade revolucion(ria da classe oper(ria com uma férrea organi"a!ão burocr(tica do partido. 2.>/$+. +rata-se daquele conjunto de estudos jurídicos e da ciência da administra!ão alemães que versam sobre !ureausyste ) o novo aparelho administrativo prussiano. sendo utili"ado polemicamente por liberais e radicais para atacar o formalismo. <:/. ?uiuci. Il capitalis o oderno J%ODDL. técnica da administra!ão p9blica \ confluíram no vocabul(rio das ciências sociais modernas. igualmente negativa.resses >niversitaires de . Estas três acep!)es do termo \ disfuncionali-dade organi"ativa. baseando-se no caso do partido social democr(tico alemão.s du tiers 9tal) =arnier . antidemocraticidade dos aparelhos dos partidos e dos Estados. burocratismo e burocrati"a!ão são especialmente usados para indicar a progressiva rigide" do aparelho do partido e do Estado em prejuí"o das e igências da democracia de base Jv. 3onganesi. 2 ênfase destas obras é normativa e se refere especialmente [ precisa especifica!ão das fun!)es. %OE'. Il trionEo della borghesia) %FMF-%FEI. 1ichels. +orino %OKKY -. +orino %OMOY E. ao cuidado de 2. 1O/2-"a. os seus seguidores. c=826 12/8O -/2<Od #'rocracia.2/E30OY ->/O5/2+8S2^ROL. +08E//U. +rotsgi criticou o aparato do partido comunista bolchevique afirmando que ele amea!ava transformarse num estrato privilegiado dentro da sociedade socialista. 52<2338. o ritualismo. substitui os velhos corpos administrativos colegiais. &arGis o) socialis o) borghesia) 1assimiliano -om Ed. 6a tradi!ão mar ista. . -asta lembrar a polêmica fisiocr(-tica contra a centrali"a!ão administrativa e o absolutismo para entender que o termo surgiu com uma forte conota!ão negativa. Este uso do termo é também aquele que mormente se institucionali"ou na linguagem comum e chegou aos nossos dias para indicar criticamente a prolifera!ão de normas e regulamentos. ao cuidado de 0. /. que. [ atribui!ão de esferas de competência bem delimitadas. . PE-E/. Estes mesmos temas podem ser hoje relevados na polêmica da nova esquerda que identifica no burocratismo e no dirigismo centrali"ado o verdadeiro inimigo do socialismo. colocados perante a tarefa de construir o partido e o Estado socialista.268. incumbido de fun!)es especiali"adas sob a monarquia absoluta e dependente do soberano. 8e rivoluzioni borghesi) %EFO-%FMF J%OKDL. 8l $aggiatore.or esta tradi!ão técnico-jurídica. e é usado por romancistas como -al"ac e logo se difunde em muitos países europeus. -ologna %OEFY 1. . <incent de =ourna4. 0O-$-2P1.E/6O>7. do termo. Especialmente aqueles que provinham de uma matri" sindicalista tiveram uma clara percep!ão dos perigos ínsitos [ e istência de um aparelho forte e centrali"adoB por isso /. o conceito de -urocracia designa uma teoria e uma pra e da p9blica administra!ão que é considerada a mais eficiente possível. 5ssai sur ihistoire de la0or ation et des progr. /ecentemente um autor identificou até sete conceitos modernos de -urocracia J2broa. 1ilano %OE%Y 8d. 8. 3u emburg entrou em polêmica com 3enin. -ari %OEKY 50. sustentou que toda organi"a!ão implica numa oligarquiaB apro imadamente nos mesmos anos J%O'ML. 6este sentido é citado. 1ilano %OEFY 8d. 5olin. +orino %OKEY 2. >ma segunda acep!ão. &iscellanea @alter &aturi) =iappichclh. 21-8=u8727E 7O +E/1O. na metade do século `<888.iren"e %OE'. 4rigine) svolgi ento e insu00icienza della borghesia italiana) . originando uma e traordin(ria prolifera!ão conceituai. 1ais tarde. 8es origines de la borgeoisie7 . todavia. a ineficiência das grandes organi"a!)es p9blicas e privadas. 4rigini deito spiriio capitalistico It#lia7 1ilano %O&&Y 2. 8es bourgeois con/u9rants7 DID> si9cle) 2.aris %OKOY 6. Il borghtst J%O%&L. . o desperdício de recursos. no início do século `8`. 6o decorrer do século `8` se delineia.

6este 9ltimo. para Peber. define a -urocracia como a estrutura administrativa. o aparelho administrativo e os dominados. 2L + !urocracia co o conceito7 \ T bastante parado al que a defini!ão do conceito de -urocracia. são recompensados com benefícios em nature"a ou em dinheiroY as fun!)es administrativas não são atribuídas com base em critérios relativos a esferas de competência impessoais e a hierarquias racionais. pela e istência de normas legais formais e abstratas c. tradicional e legalburocr(tico. dos quais devem prestar contas. é assumido contratualmente e. 2 5O65E8+>2^RO PE-E/8262. é recompensado através de um sal(rio estipulado em dinheiro. 88. a defini!ão de -urocracia adquire seu pleno significado somente quando esta é comparada com outros tipos de administra!ão numa ampla perspectiva hist#rica. as fun!)es administrativas são e ercidas de modo continuado e com base em documentos escritos. julga que ]todo o poder procura suscitar e cultivar a fé na pr#pria legitimidade] e que ]todo o poder se manifesta e funciona como administra!ão] JPeber. do ponto de vista do aparelho. uma organi"a!ão burocr(tica é caracteri"ada por rela!)es de autoridade entre posi!)es ordenadas sistematicamente de modo hier(rquico. Peber. que se tornou em seguida o objetivo de longas discuss)es por parte dos polit#logos e soci#logos. vol. de fato. por esferas de competências claramente definidas. DI'L. %OK%. a partir desses modelos. representa o aspecto menos original dos estudos aeberianos.->/O5/2582 %DI moderno. 52/8$12L. a título pessoal. de que se serve o tipo mais puro do domínio legal. T 9til seguir esta tríplice perspectiva para e por a concep!ão aeberiana da -urocracia. Peber contrap)e repetidas ve"es o sistema burocr(tico. na específica e plica!ão. D'F. enquanto o aparelho pode assumir quer formas patrimoniais quer feudais. %OE'LB o primeiro consiste na formula!ão de conceitos claramente definidosY o segundo na constru!ão de modelos dedu"idos de fen*menos hist#ricos empiricamente semelhantesY o terceiro. simetricamente. p. p. ao invés de uma retribui!ão fi a. ao patrimonial. portanto. entre domínio carism(tico. +odavia esta simplifica!ão e e a-gera!ão são necess(rias no interesse de uma clara conceitua!ão. $inteticamente. pela e istência de um slaEl administrativo burocr(tico. 8. vol. todavia. J%ODDL. 2lém disso. evitada se tomamos como ponto de referência a conceitua!ão dada por 1a Peber que considera a -urocracia como uma especí0ica variante moderna das solu!)es dadas ao problema geral da administra!ão. por uma elevada divisão do trabalho e por uma precisa separa!ão entre pessoa e cargo no sentido de que os funcion(rios e os empregados não possuem. que ele considera pr#prio do Estado moderno. mas são tipicamente escravos ou clientes de quem detém o poder e. de casos hist#ricos particulares. tradicionais e imut(veis. as características da -urocracia são. 5onseq_entemente ele fa" uma distin!ão entre domínio legítimo e não legítimo e. O domínio legal é caracteri"ado. Essa pessimística conclusão pode ser. O estudo aeberiano dos ]tipos ideais] de domínio inclui três diversos níveis de an(lise J/oth. 2 legitimidade do domínio tradicional é constituída pela cren!a nas regras e nos poderes antigos. Peber est( plenamente consciente de que este conjunto de características não é possível encontr(-lo se não com menor ou maior apro ima!ão em casos hist#ricos concretos e que ele não representa fielmente mas simplifica e e agera a realidade empírica. \ 2 5onceitua!ão aeberiana de -urocracia se enquadra na sua an(lise dos tipos de domínio JAerrscha0tL7 Os dois elementos essenciais desta tipologia são a legitimidade e o aparelho administrativoB Peber. &L O pessoal empregado por uma estrutura administrativa burocr(tica é tipicamente livre. e não podem apoderar-se do cargo. DL 6a base deste princípio geral da legitimidade. enquanto todos os meios de administra!ão são considerados partes do patrim*nio . os recursos administrativos. que a obediência é devida somente nos limites fi ados por essa ordem jurídica. as seguintesB %L O pré-requisito de uma organi"a!ão burocr(tica é constituído pela e istência de regras abstratas [s quais estão vinculados o detentor Jou os detentoresL do poder. . $egue-se daí que as ordens são legítimas somente na medida em que quem as emite não ultrapasse a ordem jurídica impessoal da qual ele recebe o seu poder de comando e. 7este ponto de vista. dentro do primeiro. os funcion(rios nao são assumidos em base contratual. mas são distribuídas quer seguindo a tradi!ão quer de acordo com o arbítrio do soberanoY a distin!ão entre pessoa e cargo não e iste. do ponto de vista da legitimidade. tem uma carreira regulamentada e considera o pr#prio trabalho como uma ocupa!ão em tempo integral. O domínio carism(tico é legitimado pelo reconhecimento dos poderes e das qualidades e cepcionais do chefe e o seu aparelho consiste tipicamente no grupo dos ]discípulos].or e emplo. enquanto todos os seus elementos podem ser encontrados na ciência da administra!ão alemã da época. dos indivíduos escolhidos pelo chefe entre os membros da comunidade carism(tica Jv. 88. isto é. em virtude de suas específicas qualifica!)es técnicas.

segundo a qual a administra!ão burocr(tica é. no e ército. uma linha de evolu!ão do sistema burocr(tico diversa da linha da -urocracia moderna.-urocracia que.or e emplo. se concreti"a na comple a rela!ão entre -urocracia e democracia de massa. embora propondo-se seguir o método eletivo também com prejuí"o do requisito da prepara!ão científica. da 5hina p#sfeudal e dos impérios romano e bi"antino.or sua ve". e a introdu!ão de critérios substanciais na administra!ão da justi!a. mas identifica. Esse fen*meno se verifica em todas as organi"a!)es de grandes dimens)esB na empresa capitalista. quer para estabelecer um ponto indispens(vel de partida para an(lises empíricas de casos concretos. Enquanto o ideal educacional de uma administra!ão composta de not(veis é o do ]homem culto] formado com os estudos de tipo cl(ssico. considera alguns pressupostos historicamente importantes para o surgimento e a forma!ão dos aparelhos burocr(ticos. . O primeiro consiste na concentra!ão dos meios de administra!ão e de gestão nas mãos dos detentores do poder. mas constr#i também um modelo dinWmico desse tipo. num . +odavia. Peber afirmou que a -urocracia é um inevit(vel fen*meno colateral da -urocracia de massa. por motivos materiais e ideais. 6o que concerne [ igualdade dos cidadãos perante a lei e ao recrutamento do pessoal burocr(tico com critérios uni-versalistas no lugar de adscritivos. Esta tendência leva a uma descentrali"a!ão do aparelho burocr(tico e. 2 an(lise mar ista da separa!ão do trabalhador dos meios de produ!ão não é para Peber senão um e emplo deste processo geral de concentra!ão. organi"a!)es burocr(ticas evoluíram também na ausência de uma economia monet(ria. . $egundo Peber a tensão entre justi!a formal e substancial é um dilema que não pode ser eliminado num sistema de domínio legalY caso este difícil equilíbrio venha a ser modificado.%DK ->/O5/2582 pessoal do detentor do poderY enfim. mais do que tudo. T [ lu" de semelhantes distin!)es que o conceito de -urocracia revela sua utilidadeB como os outros tipos ideais dos aparatos de domínio. 6este sentido. Peber considera os potenciais conflitos inerentes a um sistema de domínio legalburocr(tico. nos partidos. as fun!)es administrativas tendem a não ser e ercidas de forma continuada. enfim. Esta tendência niveladora est( ligada a uma importante mudan!a no sistema escolar. Eles se redu"em substancialmente a trêsB a e istência de um sistema de racionalidade legal. portanto. T possível. a igualdade de todo cidadão perante a lei implica na irrelevWn-cia de critérios substanciais de eq_idade. Em terceiro lugar. vale somente na medida em que a -urocracia é comparada com os típicos aparelhos do domínio tradicional e carism(tico. estas e igências tenderão a ser rejeitadas pela. que as for!as sociais que se inspiram em ideais democr(ticos e ijam a amplia!ão do acesso aos cargos. o ideal educacional da -urocracia é o ]e perto] formado mediante um tirocínio técnico-científico e cuja competência é certificada pela aprova!ão em e ames especiali"ados. na medida em que os funcion(rios são remunerados em nature"a e não em dinheiro. [ sua transforma!ão em estrutura patrimonial. 2 falta de uma destas condi!)es não significa que não se possa mais falar de -urocracia. Eles são relacionados quer com o princípio de legitimidade quer com a rela!ão entre aparelho e detentor do poder. estes critérios de igualdade formal podem produ"ir resultados ambíguos do ponto de vista da igualdade substancial. O princípio de legitimidade de um sistema de autoridade legal contém uma tensão interna entre justi!a formal e justi!a substancial que. no Estado. est( ligada aos standards da justi!a formal. ele serve quer para identificar de forma muito genérica as características administrativas de um amplo período hist#rico. 7e fato. como demonstram os casos do antigo Egito. +rata-se todavia de sistemas burocr(ticos intrinsecamente inst(veisB de fato. Em segundo lugar. O segundo efeito da -urocracia moderna é o nivelamento das diferen!as sociais que resulta do e ercício da autoridade segundo regras abstratas e iguais para todos e da e clusão de considera!)es pessoais no recrutamento dos funcion(rios. o desenvolvimento de uma economia monet(ria e a e pansão qualitativa e quantitativa das fun!)es administrativas. e iste uma afinidade entre -urocracia e valores democr(ticos. em nível de estrutura social. coeteris paribus) tecnicamente superior [s demais. na universidade. Peber sublinha os principais efeitos da -urocracia moderna. 6a constru!ão do modelo burocr(tico Peber adota o seguinte procedimento. Esse modelo especifica que casos empíricos semelhantes que recaem no tipo ideal de -urocracia funcionam sob determinadas condi!)es e e plicita uma gama de varia!)es que incluem as tendências quer para uma maior estabilidade quer para a transforma!ão ou o declínio. 6este sentido também a tão citada afirma!ão aeberia-na. a regularidade de sua retribui!ão torna-se problem(tica e eles tentam apropriar-se das fontes de tributa!ão e de renda do sistema. a sele!ão dos funcion(rios mediante critérios objetivos pode fa"er surgir uma casta privilegiada em bases meritocr(ticasY de outro lado. -L + !urocracia co o odelo hist'rico7 \ Peber não se limita a enunciar de modo est(tico as características do tipo de domínio legal burocr(tico. Em primeiro lugar.

não pode prescindir da -urocraciaB a 9nica alternativa correspondente na administra!ão p9blica seria o diletantismo.olemi"ando com os socialistas e os an(rquicos. Peber acha que o Estado moderno. independentemente do seu regime político. que deve mostrar capacidades criativas e assumir responsabilidades pessoais pelas pr#prias iniciativas políticas. embora elaborado cerca de sessenta anos atr(s e. p. eles têm também a desvantagem de refletir a desigual distribui!ão social das oportunidades favorecendo os grupos social e culturalmente mais favorecidos./O-3E12$ 72$ ->/O5/2582$ . O controle da -urocracia torna-se particularmente difícil pelo fato de que o detentor do poder se encontra na posi!ão de um diletante em rela!ão aos funcion(rios que podem usufruir da pr#pria competência técnica e se utili"ar do segredo do ofício para rejeitar inspe!)es e controles. portanto. o Wmbito deste verbete. [s suas rela!)es com os grupos de interesse e. Estas específicas e plica!)es hist#ricas. %OEML ou algumas universidades privadas nos países anglo-sa )es. embora ilegítima. A( salientamos que os critérios meritocr(ticos de recrutamento têm a vantagem de e cluir qualidades adscritivas e interesses políticos do processo de sele!ão do pessoal administrativo. +odavia. que mencionamos. [ situa!ão s#ciopolítica dos primeiros anos do século. Este é respons(vel somente pela efica" e ecu!ão das ordens e deve subordinar suas opini)es políticas [ sua consciência do dever de ofícioY aquele é um homem de partido que luta pelo poder. Peber afirmou que a -urocracia é compatível com o sistema da autoridade legal somente quando a formula!ão das leis e a supervisão de sua aplica!ão ficam sendo mais prerrogativas dos políticosB se o aparelho burocr(tico consegue usurpar o processo político e legislativo. mas deve também ser controlada a atua!ão da -urocracia em cujas mãos est( o e ercício di(rio da autoridade. ao diferente desenvolvimento da administra!ão estatal na 8nglaterra. por e emplo.ara Peber. os temas abordados com mais freq_ência pela mais recente bibliografia se referem [ composi!ão social da -urocracia. as tens)es e o potencial conflitual ao nível da legitimidade e ao nível do aparelho tornam o equilíbrio de um sistema legal-burocr(tico intrinsecamente inst(vel e e posto a tendências carism(ticas e neopatrimoniais.->/O5/2582 %DE sentido ou noutro. 5oncluindo. enfim. de fato. [ conclusão unWnime de que a quase totalidade dos altos funcion(rios é proveniente de famílias da classe média-superior. 5L Teorias seculares da !urocracia7 \ 2 e istência de pré-condi!)es hist#ricas que podem . %O%FL. o controle do líder político sobre a -urocracia estatal e de partido torna-se possível principalmente pela sua capacidade ]carism(tica] em obter um sucesso eleitoral em condi!)es de sufr(gio universal. Esta homogeneidade social das elites administrativas. [ -urocracia patrimonial chinesa.randes 5coles na . 2 este respeito. as características típicas do líder político são diametralmente opostas [s do burocrata. tende a fortalecer a consciência de casta entre os altos funcion(rios. e pansão do poder burocr(tico. objeto de numerosas an(lises. [s quais pela sua amplitude foi dado o nome de ]teorias seculares] J/oth. 6um sistema de domínio legalburocr(tico para o líder político não é suficiente derrotar os outros líderes no conte to eleitoral. [s causas que influenciam a nature"a e a e tensão do seu poder. 23=>6$ . a vari(vel-chave parece ser constituída pela estrutura do sistema escolarB onde ele 1O7E/62$.ran!a J$u-leiman. são numerosas nas obras de PeberB elas se referem. 888. sob certos aspectos. . totalit(rio. enfim. pode resultar numa modifica!ão do sistema de domínio legal-burocr(ticoB o carisma do líder pode transformar uma democracia plebiscitaria num regime cesa-rista e. precisa sempre observar em que dire!ão específica a burocrati"a!ão procede em cada caso hist#rico] JPeber. se levada até o e tremo. fa"em com que o processo de burocrati"a!ão não seja ním unili-near nem irreversívelB ]isto é. depois. o sistema de domínio legal est( sujeito a transforma!)es. 6o campo das -urocracias p9blicas. consolidada pelos vínculos culturais e de ami"ade pessoal produ"idos pelas institui!)es especiali"adas na prepara!ão dos funcion(rios como as . . %OE'L.V-3852$ \ O estudo aeberiano da -urocracia. 1as também esta tendência. 8l vol-. &'&L. . e que logicamente têm origem no modelo anteriormente delineado. . . todavia. %OK%. ser( preciso falar de um processo de burocrati"a!ão que ultrapassou os limites do sistema de domínio legal e lhe transformou a estrutura JPeber. identificou alguns problemas cruciais que se tornaram.revendo a possível. 7iversos estudos da composi!ão social da -urocracia nos países anglo-sa )es e na Europa continental chegaram.undamentalmente. O segundo conflito se refere [ rela!ão entre lideran!a política e aparelho administrativo. ao surgimento e [ consolida!ão do aparelho burocr(tico estatal na Europa continental.ou não ser satisfeitas e o entrela!ar-se de conflitos e de tens)es. 2 e posi!ão e a avalia!ão crítica de tais an(lises ultrapassa. ligado. numa democracia de massa. 8sto acarreta implica!)es relevantes para o e ercício do poder. [ sua efic(cia administrativa.

do cabinet inist9riel) isto é. os quais foram paulatinamente aumentando de n9mero como resultado da e pansão do processo de democrati"a!ão e da mais efica" organi"a!ão política dos cidadãos JEhrmann. Estes 9ltimos. venha efetivamente interiori"ado pelos funcion(riosY a segunda di" respeito ao grau de legitimidade e de estabilidade do sistema político. a neutralidade política do civil service e o forte grau de legitimidade do sistema político garantiu as boas rela!)es entre -urocracia e =overno também. Onde o c#digo de ética é genuinamente aceito pela -urocracia e a estabilidade da ordem p9blica é alta. 5om o decorrer do tempo. porém esta tem implica!)es significativas sobre o controle político da -urocracia. se o aflu o dos diplomatas no mercado de trabalho foi superior [ demanda da economia. como observou . 6a . %OMML. .ran!a mostram estas duas posi!)es opostas. é aberto é tende a modificar o sistema pree istente de estratifica!Wo. 2lém disso. afirmou-se que o bom funcionamento do sistema administrativo britWnico depende do fato de que membros do =overno e altos funcion(rios são provenientes da mesma classe social e têm.. estas rela!)es podem dar lugar a fen*menos de tipo clientelar que se esquivam do controle do poder político central. duas outras vari(veis parecem influenciar o grau de autonomia do controle político dos aparelhos administrativos modernos. de comunicar e interagir mormente com os grupos relevantes de interesse. a administra!ão estatal torna-se a saída mais freq_ente desta surplus intelectual. precisaram. 6um regime político pluralista isto implica uma maior fle ibilidade da a!ão administrativa e uma mais larga disponibilidade da -urocracia para a contrata!ão e o compromisso com os diversos grupos sociais. e istente .O$ 7E . de outra parte. . a prop#sito da 8t(lia J$4los-3abini. mas na sua receptividade dos fins sociais e políticos do sistema. O aumento da interven!ão do Estado na ]sociedade civil] importou uma descentrali"a!ão administrativa juntamente com delega!ão de atividades propriamente políticas aos administradores. ela resulta menos clara no Estado contemporWneo em que a prolifera!ão paralela das fun!)es administrativas e dos grupos de interesse deslocou a sede de numerosas decis)es políticas cada ve" mais para fora do =overno propriamente dito. 8mplícita ou e plicitamente. =/>. %OK%Y -endi . com o advento ao poder do partido labo-rista logo ap#s a guerra. que sublinha a neutralidade política da -urocracia. o controle do aparelho administrativo não apresenta particulares problemasY caso contr(rio. de estabelecer rela!)es de coopera!ão e de legitimar a pr#pria a!ão. %OKFL. %OEKL e de outros países.or e emplo. é possível encontrar uma certa mobilidade social no vértice do pessoal administrativo Jeste parece ser o caso dos países escandinavosLY ali(s ele pode tornar-se um corpo fechado que se autoreprodu". a insistência sobre a lealdade da -urocracia ao partido dominante Jao =overnoL estimulou a forma!ão de claras atitudes políticas entre os altos funcion(rios e a tradicional instabilidade do regime os levou a assumir um papel político independente. que enquanto essa distin!ão tinha sentido numa estrutura social em que a atividade política era uma prerrogativa de uma roda restrita de not(veis. os fins progra-m(ticos para os quais tais estruturas tinham sido originariamente criadas. O sistema escolar tem também uma certa influência sobre as dimens)es do aparelho burocr(ticoB de fato. Os casos da 8nglaterra e da ./E$$ROL. 2 an(lise das rela!)es entre -urocracia e grupos de interesses levou também muitos estudiosos a reformular o problema da eficiência administrativa. a -urocracia tende a estender seu poder e a posicionar-se como um corpo independente perante a autoridade p9blica. portanto. +odavia. mais do que a classe de origem dos funcion(rios. de um sla00 de tipo ]patrimonial] formado por estreitos colaboradores pessoais do ministro que age como intermedi(rio entre estes e os funcion(rios de carreira e controla a fiel aplica!ão das diretri"es políticas. embora numa forma latente. a tendência das estruturas administrativas para se assegurarem o consenso e a coopera!ão dos grupos sociais mais fortes nas pr#prias (reas de atua!ão corre o risco de transformar radicalmente. Embora não seja metodologicamente correto inferir conclus)es autom(ticas relativas [ a!ão dos funcion(rios de sua origem social. a fim de adquirir as necess(rias informa!)es. 5omo se observou.ran!a. isto provoca uma e pansão ]patol#gica] da -urocracia especialmente nos níveis médio-bai os. Esta j( não consistiria na aplica!ão rígida e imparcial das ordens por parte do burocrata. 2 primeira di" respeito [ medida pela qual um c#digo de ética profissional. afirma!)es como estas são consideradas críticas para a clara distin!ão aeberiana entre política e administra!ãoB afirma-se. pelo contr(rio. opini)es semelhantes sobre importantes problemas políticos JGingsle4.%DF ->/O5/2582 também em outros países com tradi!)es políticas semelhantes. a desconfian!a do poder político francês na neutralidade da burguesia é mostrada bem claramente pelo instituto. /elacionado com o problema do controle político est( o das rela!)es entre -urocracia e grupos de interesse Jv. porém. de fato. 6a 8nglaterra. $el"nicg J%OMOL.or conseq_ência. contrariamente a algumas e pectativas.

Em segundo lugar. 6ea Uorg %OKFY . +ambém esta corrente parece conforme ao interesse aeberiano para os efeitos culturais e sociais dos aparelhos de domínio. Em oposi!ão a esta afirmativa foi sustentado que a adesão dos funcion(rios [s normas burocr(ticas se transforma facilmente em ritualismoY que a hierarquia. Peber ignorou os aspectos informais das organi"a!)es e. 6a realidade.ree . enfim.E//OP. !ureaucracy) m International 5ncyclopedia o0 the (ocial (ciences) 1ac 1illan and . por e emplo. 2ngeli. Etas. um certo n9mero de trabalhos teoricamente orientados numa perspectiva funcionalista e metddologica-mente estruturados no estudo do caso dirigiu severas críticas contra a conceitua!ão aeberiana Jveja. apesar das repetidas advertências metodol#gicas de Peber a este prop#sito. %OEDL. [s estruturas formais e [s normas organi"acionais como elementos que delimitam o campo em que se desenrola a luta pelo poder dos grupos internos [ organi"a!ãoB esta perspectiva apresenta afinidades substanciais com a an(lise aeberiana dos conflitos internos ao sistema legal-burocr(tico. Esta confusão entre -urocracia e profissionalismo e istiria também dentro{ do conceito aeberiano de autoridade que se fundamenta ao mesmo tempo na hierarquia J-urocraciaL e na competência JprofissionalismoL. estas críticas podem ser redu"idas a dois pontos fundamentais. não cuidou de tratar sistematicamente deste problema porque não estava interessado em construir uma teoria geral dos fen*menos organi"acionais. 8es groups d1int9r9t et la bureaucralie dans les d9 ocraties occidentales7 in ]/evue fran!aise de science politique]. 6estes 9ltimos anos. a presen!a de um amplo sta00 administrativo e a continuidade de opera!)es identificariam a espécie das administra!)es propriamente burocr(ticas enquanto opostas [ espécie das administra!)es profissionais. Em terceiro lugar. todavia. de fato. O segundo grupo de críticas dirigidas a Peber sustenta que o seu tipo ideal é uma indevida mistura de um esquema conceituai \ as características-que definem a -urocracia \ e de uma série de hip#teses \ a afirma!ão de que a -urocracia ma imi"a a eficiência organi"a-tiva.->/O5/2582 %DO 8<. Uelloa $prings.er-roa. -ologna %OE&Y /. eles visam reificar o tipo ideal de -urocracia. . . estivesse perfeitamente a par dos processos informais em ato nas organi"a!)es. $inteticamente.. setembro de %OK%Y 2. Representative !ureaucracy) 2ntioch . 1ilano %OE'Y A. 8e organizzazioni co plesse J%OEDL. E0/1266. não soube prever as disfun-!)es burocr(ticas. seu poder analítico diminui na an(lise microssocial das organi"a!)es. atribuem ao soci#logo alemão uma posi!ão de car(ter normativo que ele não tinha. `8. %OIEY $el"nicg. 2ngeli. 8a din3 ica della burocrazia J%OIEL. 1ilano %OEEY =. 23-/OP. Il 0enK eno burocr#tico J%OK&L. além disso. \ Embora a conceptuali"a!ão aeberiana da -urocracia fique sendo muito 9til quando é aplicada numa perspectiva hist#rico-comparada a sistemas políticos de not(veis dimens)es. o div#rcio entre a an(lise macrossocial da -urocracia e a teoria das organi"a!)es est( se tornando menos claro e isto com vantagens recíprocas das duas linhas de estudo. #I#LIO)RAFIA. 2 primeira consiste em voltar a dar aten!ão. portanto. Ohio %OMMY 5. negligenciam o fato de que. O debate científico sobre o conceito aeberiano de -urocracia. =O>376E/. 1ilano %OEFY 1. /O+0. portanto.ress. 1ilano %OKOY 0. estes argumentos parecem mais 9teis por tudo aquilo que nos ensinam sobre o comportamento organi"acional do que pela an(li- se da teoria aeberiana. %OK&Y $tinchcombe %OIOL. como o sistema hier(rquico. \ 1. -E678`. 8a burocrazia J%OE'L. como o uso de pessoal especiali"ado. Em primeiro lugar. 7e fato. 7. que a sua afirma!ão relativa [ superioridade técnica da -urocracia se referia aos aparelhos tradicionais e carism(ticos. Etas. resultou menos fecundo do que se podia esperar. os elementos de tipo ideal se situariam em diferentes níveis de generalidadeB alguns. a tornar mais difícil a correta tomada de decis)es JPilensg4. os pagamentos em dinheiro e a defini!ão contratual dos cargos seriam pr#prios do genus das administra!)es racionaisY outros. O 1O7E3O ->/O5/:+85O E 2 26:38$E 72$ O/=268S2^pE$. &odelli di burocrazia aziendale J%OIML. esquecendo. 5/OS8E/. a especiali"a!ão e a centrali"a!ão tendem a distorcer as informa!)es e. O primeiro é que a an(lise aeberiana não oferece uma descri!ão empiricamente atenta das estruturas organi"acionais. 2 segunda tendência consiste em conceptuali"ar a rela!ão entre organi"a!ão e ambiente não mais prevalentemente do ponto de vista da organi"a!ão. Gl6=$3EU. . %OKELY que a determina!ão unilateral de conduta administrativa por parte dos superiores limita a capacidade de iniciativa dos outros membros da organi"a!ãoY que o modelo aeberiano é muito mecanicista para ser eficiente em situa!)es que e igem uma elevada capacidade de fle ibilidade e de adapta!ãoY que. -lau. -32>. embora Peber. ap#s um certo período de desinteresse. 8sto é conseq_ência de duas novas tendências da sociologia da organi"a!ão Jcf. %OMOY =ouldner. saga" observador político que foi. mas também e especialmente do ponto de vista das conseq_ências da a!ão organi"acional na sociedade. %OIMY 5ro"ier. 8l 1ulino.ress. focali"ando numa #tica funcionalista os mecanismos de sobrevivência e de adapta!ão. portanto. Em particular.

2pesar de que nos Estados capitalistas o processo de -urocrati"a!ão tenha aumentado. suas organi"a!)es Jpartidos. longe de diminuir.rinceton >niversit4 . o poder da burocracia foi por muitos séculos limitado. %OE'Y . %OEMY . etc. `8. -ari %O%OY 8d. o processo de -urocrati"a!ão atingiu também o movimento oper(rio.8E/ . . 4rganizational Intelligence7 -asic -oogs. c. especialmente com o prevalecer do capitalismo monopolistaY nos países subdesenvolvidos. a burocracia assume dimens)es not(veis e constitui a base para a afirma!ão da burguesia nacional. 2té mais.nnceton. 3ater"a. acentua!ão dos aspectos formais e processuais sobre os aspectos substanciais com a conseq_ente morosidade das atividades e redu!ão das tarefas desempenhadas. 6ea Uorg %OKE.. (aggio sulle classi sociali) 3aier"a. Piani0icazione rtgionale e parlecipazione de ocr#tica J%OMOL. Parla ento e governo nel nuovo ordina ento della Cer ania J%O%FL. $>3E8126. se observa que o subdesenvolvimento quer dos elementos feudais quer dos capitalistas tinha tornado e tremamente forte o poder burocr(tico. 8. >ma atividade deste tipo não pode evidentemente ser separada da vontade de conservar os privilégios obtidosB até mais. dessa forma. 2 ->/O5/2+8S2^jO 5O1O .E6w1E6O 08$+h/85O =3O-23 E 2$ O/8=E6$ 72 $>2 E<O3>^RO. como releva 7euts-cher. mesmo aqueles que tinham conhecido uma -urocrati"a!ão muito limitada Jcomo os Estados >nidos e a 8nglaterraL.ress. finalmente. se se considera o caso da /9ssia pré-revo-lucion(ria. +ambém neste caso. de fragmenta!ão da autoridade e da ]despersonali"a-!ão] dos comandos. esta vontade gera a tendência por parte dos funcion(rios das organi"a!)es oper(rias de se integrarem numa forma cada ve" mais orgWnica na sociedade e istente e a considerarem seu novo slatus social como perfeitamente natural. come!a com a divisão social do trabalho. 6. aquele poder. o estrato burocr(tico serve aos interesses da classe dominante e promove o desenvolvimento do capitalismo a cujo destino est( ligada sua pr#pria e istência. como refle o da tradi!ão entre dois sistemas s#cio-econ*micos diferentes e como conseq_ência da prostra!ão física e política de todas as classes sociais em luta. !ureaucratic and Cra0t +d inistration o0 Production) in ]2dministrative $cience ?uarterl4]. mas como fins em si mesmos. 8<. A. que. estando o estrato social detentor das fun!)es administrativas subordinado . 2ngeli. todavia não se deve pensar numa liga!ão mecWnica entre desenvolvimento capitalista e aumento do peso da burocraciaB os e emplos opostos da 8nglaterra e da 2lemanha do século passado demonstram isso amplamente. se fortificou. a tendência a considerar a atividade desempenhada e a pr#pria organi"a!ão não mais como meios para atingir um objetivo. 8sto fa" com que o processo de -urocrati"a!ão. triunfo da organi"a!ão \ a burocracia \ sobre suas finalidades. 5omu-nít[. 3. 5cono ia e societ= J%ODDL. +odavia. $E3S685G. P83E6$GU. podemos di"er que a -urocrati"a!ão implica o advento de elementos de não-racionalidade. onde a burguesia é numericamente fraca e não tem um forte peso social. O domínio burocr(tico. Embora o fen*meno da -urocrati"a!ão seja visto como um mal tipicamente moderno. sindicatos.. a causa das crescentes tendências neste sentido em todas as sociedades contemporWneas. sobrevivência e elefantíase de organismos que não desempenham mais alguma fun!ão efetiva e. $U3O$32-868. -ari %OEMY 1. 6a origem deste fen*meno est( o problema do aparelho e dos funcion(rios que o comp)em. sofreram um pesado processo involutivo. a centrali"a!ão da autoridade e a impessoalidade dos comandos Jisto é. -urocrati"a!ão significa prolifera!ão de organismos sem cone ão com as e igências gerais da funcionalidade. 1ilano %OK%Y 0. Politics7 PoHer and !ureaucracy in *rance) . a adesão a precisas normas e regulamentosL.2O3O =8/=38O38d #'rocrati:a*+o. ->/O5/2582L.L e os mesmos Estados que o proletariado construiu em defesa de seus interesses. quer do ponto de vista da organi"a!ão quer do ponto de vista psico- 8a prospetliva storico-co parata in &aG @eber) in ]/as-segna italiana di sociologia].. podemos todavia consider(-lo um problema que sempre e istiu. Enfim. 5om a derrota do capitalismo. 1ilano %OEMY 2. M. ]come!a com o processo produtivo junto ao qual se manifesta a primeira hierarquia de fun!)es|. \ O termo indica uma degenera!ão da estrutura e das fun!)es dos aparelhos burocr(ticos. $e consideramos como características distintivas indiscutíveis de uma burocracia típicoideal a racionalidade. degenera!ão que. 6o momento atual constata-se que o domínio da burocracia atingiu toda a forma!ão social e todos os sistemas políticosB os Estados capitalistas desenvolvidos. segundo alguns autores. PE-E/. ?uer o primeiro quer os outros são indispens(veisY todavia a atitude destes 9ltimos se ressente inevitavelmente do ambiente social em que se encontram em atua!ãoB cria-se. era implicitamente identificada na elabora!ão conceptual do fen*meno burocr(tico feito por Peber Jv. $+86505O1-E. %OIOY E. de fato.%&' ->/O5/2+8S2^jO [s classes dominantes.

além de analisar o fen*meno. . \ 6o fim do século passado. e que acentua a separa!ão entre os dirigentes e as massas. fa"endo remontar tais atitudes ao terreno hist#rico de onde haviam surgidoB o período de crescimento pacífico do capitalismo europeu em fins do século `8`. tornando aqueles aut*nomos em rela!ão a estas. /osa 3u emburg captou os elementos essenciais de uma teoria da degenera!ão reformista do movimento oper(rio. afirmava 3enin. Os autores mar istas. em tempos mais recentes. /oberto 1ichels tinha captado estas tendências mas concluíra que a -urocrati"a!ão não encontra obst(culosY analogamente.E6$21E6+O 7O$ +Eh/85O$ 12/`8$+2$. -. 2presentou os conceitos de conservantismo de aparelho e de feiticismo de organi"a!ão.ara e plicar a evolu!ão oportunista e burocr(tica da social democracia. Gautsg4 concluía o seu livro +s origens do cristianis o com uma inquietante perguntaB o movimento oper(rio não correr( o risco de e perimentar um processo de -urocrati"a!ão an(logo ao sofrido pela 8greja cat#lica depois da sua chegada ao poderf 2 resposta de Gautsg4 foi a de que o paralelo seria correto. 2 ->/O5/2+8S2^RO 7O 1O<81E6+O O. como aconteceu com a 8greja. 2 revolucion(ria polonesa formulou uma teoria do oportunismo que se baseava na contradi!ão dialética entre lutas parciais e objetivo final. como então se pensava comumente que a revolu!ão socialista havia de triunfar em países capitalistas desenvolvidos. Em sua an(lise.E/:/8O 6O . .emburg a primeira a quem coube afrontar um processo de -urocrati"a!ão triunfanteB o do sindicato e da social democracia alemães.->/O5/2+8S2^RO %&% l#gico. por buscar os meios através dos quais tal fen*meno pode ser combatido. se a classe oper(ria chegasse ao poder numa fase de declínio das for!as produtivas. estendendo-a a todos os países capitalistas avan!adosY neles. tida como fruto da prosperidade econ*mica do /eino >nido. anulando ou neutrali"ando os fins e as inten!)es iniciais. Os superlucros dão [ burguesia os meios para integrar politicamente o proletariado. se firme cada ve" mais. mediante diversas concess)es . a e pansão imperialista substituiu o monop#lio industrial como fonte de superlucro e de acumula!ão de rique"as.oi /osa 3u. por sua ve". 1as. inerente a todo o partido socialista na sociedade burguesa. esse perigo não se concreti"aria. /essalta também a perigosa união que e iste entre tais atitudes e a -urocrati"a!ão do movimento oper(rio. 88. /i""i defendeu que a tendência para a -urocrati"a!ão é inevit(vel. esfor!aram-se. 3enin se baseou numa an(lise de Engels sobre a integra!ão da classe oper(ria inglesa.

socialmente. $egundo 3enin. o crescimento pacífico do movimento oper(rio dentro das condi!)es de e pansão imperialista gera uma burocracia oper(ria conservadora. 2 respeito deste 9ltimo ponto se deve observar que a burocracia nos Estados coletivistas. deveria ter destruído o domínio burocr(tico e substituído pelo =overno das pessoas a administra!ão das coisas. a elimina!ão do e ército profissional e a supressão de um estrato de funcion(rios encarregados e clusivamente de tarefas administrativas teriam eliminado de uma ve" por todas a burocracia. de que o aparelho permanente do partido socialista e do movimento sindical constitui o n9cleo. é ela mesma. portanto. O problema é. com o fim de paralisar o movimento oper(rio. o Estado se tornou enormemente mais forte e a burocracia assumiu um poder absoluto. pelo contr(rio. porém. sob muitos aspectos. pela involu!ão sofrida pelos Estados coletivistas. . . ou se. no primeiro país onde o socialismo coletivista derrubou o capitalismo não somente não se verificou nada daquilo que tinha sido previsto. pelos objetivos que se prop)e. +al burocracia. sendo.E/:/8O$. distorce e impede o desenvolvimento das for!as produtivasY além disso. sem d9vida. perfeitamente compatíveis com a e pansão do sistema. 2s observa!)es de 1ar . Estas concess)es têm a fun!ão de satisfa"er setores bastante amplos da classe. contrariamente a quanto acontece nos países capitalistas. de saber se e iste verdadeiramente algo que possa obstacular a -urocrati"a!ão. como acha também =iles. o desaparecimento da economia monet(ria e de mercado. embora dependa das novas bases econ*micas e sociais da sociedade. atingiu uma autonomia tal que a tornou . uma revolu!ão socialista. 2 e tin!ão do Estado. 2$ /2CSE$ 72 ->/O5/2+8S2^RO 6O$ E$+27O$ O. cuidadosamente dosadas. \ 6o período hist#rico atual a manifesta!ão mais macrosc#pica e. possibilidades para deter o alastrar-se do fen*meno.or outros termos. mas. ela. mais desconcertante das tendências [ -urocrati"a!ão é dada. e istem. +odavia. $e os fatores que favoreceram o poder da burocracia estão ligados ao sistema capitalista. uma fra!ão da aristocracia oper(ria.econ*micas.ara este fim é necess(rio identificar os fatores que tornaram possível este processo involutivo e evidenciar as características que diferenciam a burocracia dos Estados coletivistas da de outros sistemas s#cio-econ*mí-cos. até mais. Engels e 3enin a este respeito são numerosas e não podem ser acusados de ter dado pouca aten!ão ao problema. a burocracia oper(ria é o porta-vo" político da aristocracia oper(ria e não da grande massa do proletariado. 888.

contrariamente a quanto sustentavam os cl(ssicos do mar ismo. como tal. mas não cri(-las do nada. inevit(veis na fase de transi!ão. a guerra civil tinha destruído fisicamente grande. mas de um problema político fundamental.5O6$E?uv6582$ 72 ->/O5/2+8S2^RO 2 ->/O5/2582 >12 52$+2 O> >12 532$$E $O5823f \ 7entro da perspectiva aqui adotada. de conciliar as e igências da planifica!ão e do m( imo desenvolvimento econ*mico com os interesses materiais específicos da burocracia. o capitalismo. E não s# issoB teríamos sempre. pela primeira ve" na hist#ria. possível eliminar aquelas diferen!as e desigualdades que constituem a base das tendências [ -urocrati"a!ão. o que contribui para criar desWnimo e desilusão. estaríamos em face de uma classe dominante que não é capa" de se reprodu"ir mediante o funcionamento do sistema s#cio-econ*mico. uma ]classe dominante] que não e istiria como classe antes de chegar ao poder. não tem a propriedade dos meios de produ!ão. quer subjetivos quer objetivos. até agora. 2 intera!ão entre todos estes fatores e as lutas entre fac!)es internas ao partido bolchevique e plica por que o processo degenerativo não encontrou grandes obst(culos. isto é. 8<. parte da vanguarda revolucion(riaY de outro lado. não a sua estrutura econ*mica. como a forma específica de apropria!ão da superprodu!ão social. isto se e plica pelo fato de que o sistema de produ!ão socialista precisa. 5om efeito. /esta. O aparelho do partido tinha-se integrado cada ve" mais com o Estado Jcuja burocracia havia sido notavelmente refor!adaL. de fato. 2 revolu!ão antiburocr(tica é definida como revolu!ão política. porque a estrutura econ*mica continuaria fundamentalmente inalteradaY permaneceriam. nos Estados .%&D ->/O5/2+8S2^jO livre do controle da classe que fe" a revolu!ão. 2crescente-se a isto que a revolu!ão em outros países tinha fracassado. a crescente passividade política do proletariado devido a v(rias ra")es hist#ricasB de um lado. 8sto o demonstra a impossibilidade. que como é sabido. o proletariado. até identificar-se amplamente com ele. podemos entender os obst(culos relativos a este problema encontrados pelos países que derrubaram. a amea!a de interven!)es militares e ternas fe" com que uma parte importante da renda nacional fosse destinada Jquer na >/$$ quer em outros Estados de economia coletivistaL aos armamentos e [ manuten!ão de um e ército permanente. o fato de que as convuls)es sociais podem modificar as rela!)es de produ!ão. com a conseq_ência de que uma luta contra a involu-!ão em curso teria atuado contra seus pr#prios interesses. 6o caso da >nião $oviética tiveram também um papel fundamental muitos outros fatores. as condi!)es de pobre"a e trema em que o povo russo veio a se encontrar fi"eram com que esse povo se preocupasse. . diante de um comportamento geral e de uma busca dos interesses privados por parte da classe dominante que contrastariam com as tendências e com a l#gica interna do sistema s#cioecon*mico e istente. tanto a supressão da propriedade privada. observ(vel na >nião $oviética. para a sua plena reali"a!ão. e isto impediu que as lutas sociais se atenuassemB antes. sem d9vida. 5om base na doutrina mar ista. 2té o nível de desenvolvimento atingido atualmente pelas for!as produtivas nos países capitalistas mais avan!ados seria insuficiente para permitir a supera!ão imediata de toda disparidade socialY com maior ra"ão. 2lém disso. se julgar que a burocracia é uma nova ]classe dominante]. esta seria e pressão de um modo de produ!ão cuja ]transforma!ão] dei aria intacta a estrutura econ*mica de base. não foi logo seguida por revolu!)es vitoriosas em outros países. $e. que constitui um importante fator de -urocrati"a!ão.or conseguinte. a primeira revolu!ão socialista ficou por muito tempo isolada. a tese da burocracia como classe dominante leva a outros dois parado osB encontrar-nos-íamos. com efeito. O que mudaria radicalmente seria o 0unciona ento do sistema. portanto. >m elemento decisivo foi. países. estudiosos que se ocupam do mar ismo como $aee"4 pensam que a ]nova classe desfrutadora] nasce das condi!)es criadas pela pr#pria revolu!ão. porém. 6a realidade. é preciso lembrar as sobrevivências capitalistas e o insuficiente nível de desenvolvimento das for!as produtivasB logo ap#s a vit#ria da revolu!ão socialista. coisa jamais verificada antes. a planifica!ão central e o monop#lio do comércio e terno. a an(lise de 1ilovan 7jilas sobre a forma!ão nos Estados oper(rios de uma verdadeira e autêntica ]nova classe] h( de ser corrigida e entendida no sentido do aparecimento de uma ]casta] que. tal qual ele é. de um grande desenvolvimento das for!as produtivasY somente gra!as [ abundWncia ser(. têm todos uma base econ*mica pouco desenvolvida. para resolver os problemas de cada dia. 2lém disso. ?uanto aos fatores de -urocrati"a!ão. a substitui!ão deste estrato social ou a sua derrocada serão a conseq_ência de uma revolução política) não de uma revolução social7 6ão se trata evidentemente de uma questão terminol#gica. 2lém disso. antes de tudo e quase e clusivamente. ao invés. o novo modo de produ!ão se encontra em contraste com o sistema de distribui!ão que continua sendo burguês. fato também até hoje nunca visto.

de tornar livre toda a humanidade. nesse caso. 5omo é #bvio. e tendem a analisar o fen*meno burocr(tico sob uma #ptica predominantemente nacional. a fun!ão e as incumbências da classe oper(riaf T claro que até a pr#pria idéia de revolu!ão socialista e de conquista do poder pela classe oper(ria haveria de ser totalmente revistaY se deveria admitir que ao capitalismo se seguir( historicamente. ou seja. a acumula!ão socialista primitiva não podia ser reali"ada. $e se considera. 5ontamos. por consider(-la fatalista. 6ão obstante. os mar istas cl(ssicos rejeitam esta e plica!ão objetivista. ser coerentemente sustentada. e.or outros termos. por outro lado. a burocracia da >/$$ como uma nova classe dominante. por caminhos diversos. mas uma sociedade ainda dividida em classes. burocraticamente degeneradas ou deformadas. por outro. isso significa que desempenhou. te#ricos de tendências muito diferentes entre si. 1as quais seriam. todavia. por um lado. Em abstrato. em 9ltima an(lise. isto é. havendo nascido de uma contra-revolução política vitoriosa) como a do +ermidor no tempo da /evolu!ão . Guron e G. evitando a tomada do poder pela burocracia. sua defini!ão de burocracia como classe se insere no quadro de uma an(lise mar ista. 7este modo. não de um papel específico no processo social de produ!ão. pensam que uma rea!ão. antes da ]revolu!ão]. . mas a antiga classe capitalista. as classes. limitada pelo modo de produ!ão. pelo menos no que se refere a uma parte da sua e istência hist#rica. Estes 9ltimos introdu-"em em sua an(lise uma diferen!a qualitativa entre burocracia política central e tecnocracia. pelo menos temporariamente. a prop#sito. . fundada na propriedade privada dos meios de produ!ão.or outros termos. acentuando a relativa autonomia destes. isto é. teriam de encontrar-se com obst(culos de modo algum indiferentes. progressista se comparada com a burguesia. as posi!)es de poder e de privilégio estão essencialmente ligadas a fun!)es particulares e dependera de decis)es políticas. se bem que progressista era rela!ão ao capitalismo. são instrumentos indispens(veis da organi"a!ão social. que impunha [s massas a coer!ão do trabalho para a industriali"a!ão do país. mesmo as dominantes.rancesa. ?uer di"er. 2s implica!)es l#gicas e dialéticas deste raciocínio são evidentes. um papel indispens(vel e inovador na sociedade soviética. E istem indubitavelmente elementos que impelem no sentido do surgimento potencial de uma classe dominanteY mas. ter com a burguesia uma rela!ão semelhante [ que. segundo o autor. pois. tais elementos não são na realidade senão tendências que. -urnham. do qual provém e no qual . a ]nova classe] poderia ser certamente progressista em compara!ão com a classe capitalista. com os e emplos opostos de 1.or seu lado. [ burocracia um fim de classe. $e adotarmos o quadro con-ceptual do mar ismo cl(ssico. nada menos que a revisão completa de um certo modo de ver toda a hist#ria do nosso século. . Em outras palavras. dei ando em segundo plano o papel internacional da burocracia. 2 teoria da burocracia como nova classe desfrutadora s# pode. em prol da verdade. uma hip#tese deste tipo implica inevitavelmente a modifica!ão radical da an(lise hist#rica até hoje adotada. mas não socialista. a burocracia é considerada inevit(vel e) conse/Iente ente) progressista7 $# se torna reacion(ria. não o socialismo. senão gra!as [ burocracia. se se confirmar que alguns segmentos da classe oper(ria Ja burocracia e a aristocracia oper(riasL e da inteligentzia Ja pequena burguesia e os funcion(rios estatais de grau mais elevadoL eram potencial ente uma nova classe dominante mesmo antes de tomar o poder. por isso. ela foi ]historicamente necess(ria]. no seu livro + alternativa7 6ele. por um lado. -ahro. mas afirma que ]a tomada do poder pelos bolcheviques na /9ssia não podia levar a qualquer outra estrutura social determinada senão [quela hoje e istente]. -ahro rejeita a tese da ]nova classe]. serão inevit(veis. esta teve em outros tempos com a aristocracia ]semifeudal durante a revolu!ão burguesa. mas ]revolu!)es burocr(ticas]. se foi progressivamente consolidando como estrato social aut*nomo. para operar um salto de qualidade. o papel. essa classe dominante não seria uma ]nova classe].or outras palavras. 2 tal conclusão chegaram. uma sociedade sem classes. e de A. 2lgo semelhante se pode di"er da an(lise levada a termo recentemente pelo estudioso alemão oriental /.->/O5/2+8S2^jO %&& coletivistas. 2s revolu!)es historicamente verificadas até hoje não seriam mais revolu!)es prolet(rias. 1od"eleasgi. consideradas como classes distintasY atribuem. e entendem que o fen*meno deve ser e plicado com base na dialética dos fatores objetivos e subjetivos. . no caso da >nião $oviética. Esta autonomia é. além disso. a ]produ!ão pela produ!ão]. Esta. tudo isso significaria que uma sociedade p#s-capitalista. $chachtman e de A. politicamente corrigida. o que torna as diferen!as em rela!ão aos estudiosos mar istas ]cl(ssicos] mais terminol#gicas que substanciais. quando a necessidade de uma ]industriali"a!ão intensiva] substitui a possibilidade da industriali"a!ão ]e tensiva]. da vanguarda do proletariado poderia ter determinado uma mudan!a no quadro tanto internacional como nacional das for!as sociais e políticas. teria possibilidades de fa"er com que as for!as produtivas levassem a efeito um desenvolvimento prodigioso e.

8sto vem demonstrar a não acidentalidade das tendências que os estudiosos mar istas descobriram no fen*meno burocr(tico. com efeito. mas. e clusivamente determinado pelos seus interesses de estrato social privilegiado. E. mas também até que se impuseram novos regimes burocr(ticos em diversos países. a sofrer uma profunda deforma!ão burocr(tica. embora em medida /ualitativa ente diversa. depois que a presen!a do E ército <ermelho. o revolucion(rio russo p*s em evidência o car(ter historicamente e cepcional do fen*meno de dege-nera!ão burocr(tica do Estado oper(rio soviético. 7ito por outras palavras. +ais processos assumiram formas diferentes das que caracteri"aram a >/$$. salvo. ela é obrigada a comportar-se de maneira contradit#ria.or isso. mas [s tendências fundamentais de} desenvolvimento do mundo contemporWneo. mas medidas concretas que têm de ser inevitavelmente aplicadas. mesmo que as suas previs)es temporais se tenham revelado erradas. os problemas apresentados por +rotsgi nos seus escritos não concernem a um ]período temporal]. se daria a restaura!ão do capitalismo ou se restabeleceria a democracia socialista por meio de uma revolu!ão política das massas oper(rias e rurais. . 1uitas tomadas de posi!ão lhe são. a passar até de um e tremo ao outro./O-3E12$ 6RO $O3>58O627O$. este fen*meno se generali"ou indubitavelmente. Esfor!ou-se por definir a tipologia de uma sociedade de transi!ão burocrati"ada. com um peso específico da classe oper(ria muito limitado e um nível técnico-cultural totalmente insuficienteY do outro. por um lado. fi"era praticamente possível a destrui!ão das antigas classes dominantes. o processo de -urocrati"a!ão foi resultado de uma combina!ão de elementos an(logos aos e istentes na >/$$ dos anos D' com os condicionamentos sofridos pelo grupo dirigente no período stalinlsta e nos primeiros anos de vida do novo Estado. 6a 8ugosl(via. os novos regimes estavam destinados. os países onde o capitalismo foi derrubado. surgiram em conseq_ência de um fen*meno de assimila!ão estrutural. processos de -urocrati"a!ão em todos os países que derrubaram o capitalismo. na realidade. em parte. 6ão e istindo grandes movimentos de massa. 6a verdade. desde o princípio. se se introdu"irem medidas como as indicadas no par(grafo precedente. dentro dos acordos de Ualta. 7aí a busca de um odus vivendi com o sistema capitalista e a vontade de manter a todo o custo o status /uo7 5ontudo. /esta. constatamos não s# que a burocracia p*de manter seu poder por um período muito mais longo do que o imaginado por +rotsgi. desde início. 0( acontecimentos que parecem contradi"er na aparência as an(lises dos te#ricos mar istas sobre a -urocrati"a!ão. seria errado considerar o comportamento da burocracia como algo unívoco. mas insistindo na precariedade da domina!ão da casta burocr(ticaB num pra"o relativamente breve. 23=>6$ ./O5E$$O 7E ->/O5/2+8S2^jO 62$ 2+>28$ $O58E727E$ 7E +/26$8^RO. embora os novos Estados oper(rios não se achassem isolados dentro de um mundo . por e emplo. a burocracia tem interesse em manter o sistema de produ!ão que torna possíveis os seus privilégios e a sua pr#pria e istência e. ditadas pelas condi!)es hist#ricas objetivasY é necess(rio entender que. por outro. se se quiser combater efica"mente a -urocrati"a!ão. 6os seus escritos da década de &'. 1as vejamos agora o fen*meno da -urocrati"a!ão tal como o analisou +rotsgi h( mais de quarenta anos e tal como se manifesta hoje. todavia. não obstante a especificidade das condi!)es em que se desenvolveu o processo revolucion(rio e a sua ampla autonomia. $# assim se compreendem as reviravoltas da política de $talin e dos seus sucessores. atualmente. mecWnico. o problema das tendências fundamentais do nosso século é e continuar( sendo o mesmo que esse autor apresentou h( quarenta anos. tais acontecimentos s# podem ser compreendidos e e plicados com a metodologia de interpreta!ão mar ista da realidade hist#rica e social. deu-se igualmente. Os Estados oper(rios do 3este europeu. em virtude do predomínio de uma dire!ão imposta desde fora e escassamente independente da dire!ão da >/$$. partiram de condi!)es de atraso an(logas [s da >/$$ Jou até mais gravesL. \ 7a e periência hist#rica recente é f(cil dedu"ir que as indica!)es acima apresentadas não são meras peti!)es de princípio. 2 8ugosl(via e a 5hina constituem variantes significativasB em ambos os países se instaurou um Estado oper(rio por via revolucion(ria. devido [ sua nature"a social. <. a e periência demonstra que a falta de uma real democracia socialista é causa e efeito da -urocrati"a!ão e que a esta s# se pode p*r remédio. O . ocorreram. 0( quase meio séíulo de distWncia. o fato de que. uma deforma!ão burocr(tica que trou e como conseq_ência a e propria!ão política das massas e a cristali"a!ão de um estrato socialmente privilegiado.%&M ->/O5/2+8S2^jO se insere a burocracia. na realidade atual dos Estados oper(rios contemporWneos. fa"endo ressaltar os fatores que o determinaram. 2 e plica!ão é duplaB de um lado. a +checoslov(quia e a 2lemanha Oriental. para manter seu poder. 6a 5hina. 5omo ficou indicado. ela deve impedir a politi"a!ão do proletariado e a e pansão da revolu!ão internacional.

de um lado. tanto interno como internacional. sua domina!ão. se juntaram e se juntam contradi!)es típicas das sociedades em transi!ão entre o capitalismo e o socialismo. quando uma realidade se cristali"a a todos os níveis. e istisse no partido uma vida democr(tica efetiva. as diferen!as e contradi!)es da sociedade acabariam por manifestarse em seu seio como um perigo para a domina!ão burocr(tica. contudo. por sua ve". que no seio das castas burocr(ticas no poder se manifestem diferen!as e conflitos mesmo profundos. estimuladas pela presen!a de resíduos da velha sociedade. 7aí resulta uma grave aliena!ão política das massas e o aprofundamento da contradi!ão entre estas e aqueles que dirigem efetivamente o Estado e a economia. é o partido. subordinada. em 9ltima an(lise. +omemos o e emplo do partido 9nico. as castas dominantes de cada um dos países se viram obrigadas a agir sobre as segundas. vital para a normali"a!ão de um sistema burocrati"ado. 8mpossibilitadas de modificar as primeiras. do outro. T justamente por isso que a casta dominante não pode aceitar uma dialética democr(tica. 6um Estado oper(rio e iste. com oscila!)es entre a afirma!ão ou reafirma!ão do centralismo e o reconhecimento da necessidade de uma descentrali"a!ão mais ou menos marcanteY desta maneira. constituído pela dire!ão consciente ou autodire!ão. é impens(vel que um estrato social dominante. 6a realidade. $e tudo isto é conseq_ência da falta de uma real democracia socialista. $upunham. numa sociedade burocrati"ada esse fator é lacerado. de cimento das estruturas tanto econ*micas como políticas. incluído 7eutscher. como é natural. ali(s totalmente integrado no aparelho estatal.->/O5/2+8S2^2O %&I capitalista. individualmente ou por setores. a burocracia surgiu e pode e ercer a sua hegemonia no quadro de uma economia coletivista. que o fen*meno burocr(tico pudesse ser superado em virtude de uma l#gica interna de deteriora!ão. $e. a burocracia não desapareceu totalmente. uma ve" que é. por eventuais press)es internacionais e pelas pr#prias contradi!)es típicas de uma sociedade de transi!ão. adquire uma autonomia pr#pria. e plode em conflitos abertos pela distribui!ão da renda e pelo poder de decisão econ*mica e política. inerente a toda a forma de democracia socialista. subordinando a si quaisquer outras instWncias. num conte to político. Objetivamente isto foi favor(vel [ casta burocr(tica da >/$$. tendem a . atua como fator essencial de supera!ão das contradi!)es herdadas da velha sociedade e das que são pr#prias da nova. havia saído vitoriosa num país industrialmente avan!ado. 2 tendência ser( antes a de defender por todos os meios suas posi!)es de hegemonia política e de privilégio econ*mico e social. do fato de que. e pressão de toda a sociedadeL. aspectos de e trema gravidade. que p*de continuar a e ercer. cujo coroamento est( nos #rgãos centrais de uma democracia socialista institucionali"ada Jenquanto que é ao partido de vanguarda que cabe a fun!ão da iniciativa política e da tomada de consciência te#rica. econ*mico e cultural novo. em todo caso. com efeito. por assim di"er. nem mesmo no partido. com efeito. enquanto numa sociedade de transi!ão não burocrati"ada o fator subjetivo. os apelos ao controle do mercado contra os e cessos de uma gestão hipercen-trali"ada se alternam com novos e rigorosos controles administrativos para contrastar as tendências centrífugas que quase inevitavelmente se desenvolvem. e contradi!)es causadas pela -urocrati"a!ão. foram desmentidos pelos fatos. nos Estados oper(rios até hoje surgidos. 8sto pode ajudar a compreender por que é que. . os burocratas. 8sso depende. buscando solu!)es parciais ou paliativos em revis)es setoriais e provis#rias. na pr#pria >nião $oviética. reconhe!a j( não ter qualquer fun!ão hist#rica Jsuposto que alguma ve" a haja tidoL e se-retire. tais autores. [ soberania das institui!)es democr(ticorevolucion(rias. logo que dei assem de agir os fatores que o originaram. tal contradi!ão se tradu" em manifesta!)es de apatia. h( de ser o resultado de uma dialética m9ltipla e articulada. por contradi!)es e atua contraditoriamente. em geral. uma ve" mudado o conte to social em que lograra impor-se. se bem que de formas diversas. Esta alternWncia pode continuar indefinidamente. 6os períodos de normalidade. possuíam uma concep!ão mecanicista do problema.altando tais estruturas e mecanismos. . não obstante haverem perdido valor os fatores que foram a origem da -urocrati"a!ão. Esta unidade. fen*menos que estariam também presentes numa sociedade não buro-crati"ada assumem. no quadro de um processo involutivo.elo contr(rio. em ampla escala e ao longo de uma curva tempor(ria completa. Os que haviam aventado a hip#tese de uma possível reforma ou auto-reforma da burocracia. como esterili"a!ão do potencial criativo dos produtoresY nos momentos de crise. a necessidade de assegurar uma unidade política capa" de contrariar as inevit(veis tendências centrífugas. $e. O car(ter monolítico do partido é uma imposi!ão da pr#pria l#gica. nenhuma revolu!ão. 8sto não impede. pela permanência por longo período de duas classes diversas Joper(rios e camponesesL e de estratos sociais menores.or isso. +emos assim acentua!)es vari(veis das op!)es econ*micas e político-administrativas. num processo ]normal]. . Em outros termos. que deve fa"er de elemento unificador.

6ea Uorg %OKOY G. ->/6021. Editori /iuniti. Critica al progra a di . +/O+$G8A. !urocrazia e classe operaia J%OKFL. Editori /iuniti. PE-E/. /oma %OKOY 1. Edi"ioni di 5omunit[. \ /. Editori /iuniti. /oma %OEIY Contra il burocratis o una battaglia decisiva J%OKEL. /oma %OE'Y *i0ty years o0 @ord revolution7 ao cuidado de E. 8a sociologia del partito político J%O%DL. 1ilano %OEFY P.. c. 1ilano %OKFY 8.ublishers. -ologna %OKKY .. porém. 1ondadori. 8mola %OKEY 3. 6ea Uorg %OKFY E. (ciopero generale7 par rito e sindacati J%O'KL. $chaar". principalmente em períodos de crise. E. 62<833E. /oma %OKIY /. Editori /iuniti. Il collettivis o burocr#tico J%O&OL. 8l 1ulino. #I#LIO)RAFIA. Il arGis o polacco allopposizione J%OKIL..1->/=.. G>/O6. /oma %OKEY -. 3ater"a.eltrinelli. marcando-lhe o destino. /oma %OKEY <. 8l 1ulino. -ologna %OIEY E. -ari %OE'Y A. =. . !urocrazia e Rivoluzione J%OEDL. não poder( ser determinado senão por uma a!ão consciente do conjunto dos produtores e não certamente por fen*menos de progressiva deteriora!ão ou até de auto-elimina!ão.ublishers. 1267E3. Aaca -oog. 1O7SE3EP$G8. 3>`.athfinder . 8. 508+2/86. /8SS8. (ulla transizione7 -ul"oni. 3E686. 3ater"a. 6ea Uorg %OKOY 8a !urocrazia7 ao cuidado de E. $amon[ e $avelli. =aleati. /oma %OE'Y 8d. %n passo avanti7 due indietro J%O'ML. 1850E3$. 8a rivoluzione del tecnici J%OM'L. J%OKOL. 1ilano %OE&Y 5.. -ari %OE'Y . $amon[ e $avelli. $ugar 5o. >m destino que. 5cono ia e societ= J%ODDL. I pericoli pro0essionali del poiere J%ODFL. $amon[ e $avelli. 1267E3. assim como tem de combater eventuais tendências que levem algum dos seus setores a declarar-se favor(vel [s massas. /oma %OKIY 8d. . 1erit . =l32$. (tato e Rivoluzione J%O%EL. pois isso poria em risco a sua hegemonia política. Editon /iu-nm. 12/`. Estas contradi!)es produ"em lacera!)es profundas na casta dominante. /oma %OKOY A. 7E>+$50E/. debilitando-a diante dos advers(rios e. 1267E3. =E/-1286. 1ilano %OMKY 2. The arGist theory o0 the state7 1erit . 8a nuova classe J%OIEL. 8enin7 0ra ento di una vila J%OE'L. G.otha J%FEIL. 6O<25G. Editori /iuniti. -20/O. 1ilano %OIKY 1. -8E6GOP$G8. sobretudo. 7. in -Opere $celte]./26G. combater toda a tendência restau-racionista por minar as bases estruturais da sua domina!ão. 8a rivoluzione tradita J%O&KL. /2GO<$G8A.%&K ->/O5/2+8S2^2O consolidar e a aumentar os seus privilégios em formas que envolvem em sua dinWmica uma restaura!ão do capitalismo. no entanto. !urocrazia e poiere socialista J%OKFL. G2/7E>. 8a guerra civile in *rancia J%FE%L. 1ilano %OKF. $amon[ e $avelli. /oma %OKIY 8d. Per un co unis o de ocr#tico7 8F+lternativa J%OEEL. Sey proble s o0 the transition 0ro capitalis to socialis 7 . /oma %OKIY /.ress. (lalo e Rivoluzione J%O%EL. 2 burocracia como tal deve.2-/8S8O -E65868d .

elaboradas assa" freq_entemente com prop#sitos imediatamente efetivos e sempre em resposta aos problemas reais que a nova ordem constitucional e social estava gerando. por ser demasiado compreensiva. 8sto permite atribuir ao 5ameralismo um significado técnico. E$+27O 7E . .O3C582L. a certas formas de especula!ão política. 8. 2 rela!ão do pensamento cameralista com premissas e condi!)es constitucionais bem definidas obriga. que convém precisar mediante correta defini!ão do debate historiogr(fico que até o presente se tem desenrolado. Ca(erali&(o. a restringir a investiga!ão a uma curva cronol#gica delimitada e a contornos territoriais igualmente determinados Jaqueles e atamente em que tais condi!)es ocorreram de fatoL. acabasse por priv(-lo das suas verdadeiras peculiaridades e do seu valor como instrumento de compreensão hist#rica. sem diluí-lo numa acep!ão. mas aut*nomo. de fato. entre os fins do século `<8 e os do século `<888. em rela!ão aos demais países da EuropaL. 5 V. ambos justificados em si.O3C+85O-5O6$+8+>58O623 7O +E/1O. tem sido alternativamente estudada sob dois pontos de vista diversos. e.8527O . que. Essa acep!ão mais ampla em que o 5ameralismo tem sido ami9de tomada se poideria definir sinteticamente como ]concep!ão administrativa] do Estado. v(lido e definitivo. relativos ao período central da forma!ão do moderno Estado alemão Jv. de igual modo. Esta.oria&. "ociedade 3or Cate. 7essa premissa deriva uma conseq_ência imediata.alar de 5ameralismo é enfrentar diretamente um aspecto importante da realidade política germWnica do século `<888. \ . 5om esse termo nos referimos aqui geralmente a um intrincado conjunto de intera!)es entre determinados comportamentos político-institucionais. $8=68.Ca(ada&6 &ociedade 3or. por sua ve". desenvolvida na 2lemanha Jde modo correspondente.

7O 521E/238$1O. tais perspectivas são. dos quaís se tenta uma reconstru!ão te#rica unit(ria. +rata-se. da técnica agr(ria ou manufatureíra concorrem juntamente. em primeiro lugar. Elementos da ciência da administra!ão. em segundo lugar. da qual dependem todas as outrasY globalidade na abordagem dos diversos temas da e periência política. quer se ocupassem da imposi!ão de tributos. 7E 72+2$ E 7E 5O6+EV7O. quer da hist#ria do pensamento econ*mico. no qual não são simples soma ou achega.porém unilaterais e. 2s características típicas do 5ameralismo podem substancialmente resumir-se numa s#. no entanto. feitas aos príncipes territoriais da 2lemanha por e pertos na arte de governar. por isso. incapa"es de oferecer uma e plica!ão cabal do fen*meno que estudamos. bem como da economia. +rata-se. . \ j e igência desta compreensão te#rica . uteis no Wmbito. da tentativa de encontrar os fundadores do moderno pensamento econ*mico entre os autores políticos que. mas fusão articulada que lhe apoia a pretensão a transformar-se em nova ciência do Estado. da ciência das finan!as. para constituir o n9cleo do pensamento cameralista. encararam os problemas do Estado em termos financeiros e.ara isso é indispens(vel que ele ache a justifica!ão em si mesmo e não na mera referência [ hist#ria sucessiva de outras disciplinas. em sua unidade. a tese do desenvolvimento das rela!)es comerciais. desen-caminhadoras para quem queira considerar o 5ameralismo como fen*meno hist#rico completo. conseq_entemente. políticoecon*micos. j( em fins do século `<8 e. no decorrer dos séculos `<88 e `<888. 5O6$E?uE6+E global \ que não 7E3818+2^RO. ao contr(rio. quer revelassem. depois. da tendência de descobrir as origens da ciência da administra!ão nas primeiras recomenda!)es referentes aos dispositivos burocr(ticos. por primeira ve". em consonWncia não casual com a coerência e unidade da forma de Estado que se imp*s em alguns territ#rios da 2lemanhaB o Estado de polícia. quer na do pensamento administrativo. mais pr(ticos do que te#ricos. 88.

mas ainda não ajustada internamente como Estado territorial e. não cientemente concorde com um critério de e plica!ão unit(ria dos fatos concernentes ao Estado e [ política. interna e e ternamenteL.r9ssia. mas não puderam ou souberam transformar as suas teorias em especula!ão ]política]. não sistem(tica e. 1elchior von Osse. no auge entre os séculos `<88 e `<888. na . -echer. e [ incipiente organi"a!ão de uma burocracia profissional e centrali"ada Joriunda precisamente de dois setores diretamente dependentes do príncipe. como a defendida por esses autores. no conte9do como no título. e.ara estes não e iste o problema do espa!o cronol#gicoY nessa . o segundo grande Aohenzolle ) o rei . /einging. de liga!ão com a pra e constitucional do Estado centrali"ado e global. eles se situam [ margem do 5ameralismo. estava em andamento um r(pido processo de racionali"a!ão do Estado. mas como avisos. isto é. mais mercantilistas do que cameralistas. ficaram na mem#ria como seus m( imos e poentesB os grandes economistas austríacos. por sua ve" ainda não inteiramente ajustada como Estado territorial. se bem que centrali"ados predominantemente em temas econ*micos. acompanharam a a!ão do príncipe em sua tentativa de tornar-se o fulcro da nova ordem política do Estado territorial unit(rio e centrali"ado. eles não podem. mas a sua posi!ão é bastante ambíguaB não é casualmente que eles falam em geral ao príncipe. e não a realidade integrada. sobretudo. [ globalidade da e periência constitucional do Estado de polícia \ não respondem decerto as obras de todos os autores que. em corresponde fortuitamente.oram. j( totalmente despida de toda a competência ou mesmo pretensão imperial. como refle o da fase políticoconstitucional do Estado de polícia alemão. 5onring e o pr#prio $ecgendorff revelam-se como l9cidos precursores de uma realidade em movimento. . ./81E8/2 1E+27E 7O $T5>3O `<888. estes autores estivessem freq_entemente a servi!o de príncipes seriamente empenhados na constru!ão do Estado moderno. 0)rnigg e $chr#der. refletem. como dos restantes Jo Politisches Testa ent de 1elchior von Osse e o *Irsten-(taat de <eit 3udaig von $ecgendorffL. nem a sabedoria e capacidade de os tratar unit(ria e sistematicamente.esa tstaat) sob a guia do =rande Eleitor e de . $eu ponto de referência é a :ustria. foram mercantilistas ]imperiais]. ainda. porque antecedem o espa!o cronol#gico em que este p*de subsistir. e gra!as [ cria!ão de um e ército est(vel.r9ssia precisamente que constitui ami9de o alvo de algumas das suas críticas mais agudas. O 521E/238$1O E O =E$21+$+22+ . ser considerados propriamente como} cameralistas. 2p#s a luta vitoriosa do =rande Eleitor contra as castas territoriais. o da fusão das diversas atividades do Estado numa estrutura unit(ria encabe!ada por um #rgão central Jo . não diversa da que ser( peculiar ao pensamento came-ralista. [ gestão direta de uma parte consider(vel dos tributos. mais a ]arte do =overno] que a ]ciência do Estado]. acima de tudo. mas num conte to que evoca. incapa"es como foram de as aplicar a uma realidade política adequada. 5arecem. salvo talve" a 8t(lia. dei aram-se prender mais pelo aspecto econ*mico-financeiro do fen*meno político do que pela sua globalidadeY mas./>$$826O 72 . os princípios da doutrina econ*mica vulgari"ados naquele tempo. no entanto. então num dos momentos de maior debilitamento da sua hist#ria moderna. Embora.r9ssia se organi"a como . contudo. do fim do século `<8 até o fim do século `<888. portanto. 0( outros autores ligados [ origem do 5ameralismo que. revelando a fase de forma!ão do Estado territorial. não como resultado de um estudo e de uma reconstru!ão sistem(tica da realidade política. Eles concentram a sua aten!ão na figura do príncipe. \ Entretanto. é bom repeti-lo. e seus interesses e interven!)es tendessem a estimular e a apoiar a centrali"a!ão estatal. numa época em que o 8mpério j( não e istia ou. apresen-tando-lhe propostas inovadoras no campo financeiro e administrativo. estava prestes a dar outro passo. o e ército e os impostos indiretosL. raramente igualada pela produ!ão mercantilista de outros países.rederico =uilhermeY é a . do Estado total J.rederico =uilherme 8.eneral-DireRtoriu ) instituído em %ED&L. não estava em condi!)es de desenvolver as convenientes tarefas de propulsão e controle da política econ*mica da :ustria. incapa" de oferecer o indispens(vel apoio a uma política econ*mica de qualquer tipo e muito menos a uma do tipo mercantilista Jde interven!ão constante. esmiu!ada. 2 realidade política que vivem e consideram é ainda a realidade fragment(ria do Estado de castas ou patrimonial. modernoY a reconstru!ão que fa"em dessa realidade é ainda ocasional. principalmente indiretos. ao invés. o velho prop#sito dos ]espelhos dos príncipes] da tardia 8dade 1édia e do come!o da 8dade 1oderna. de quem são ou aspiram a ser eminentes conselheirosY a eles se dirigem para o persuadir. por isso. compacta. por isso.%&F 521E/238$1O época a . Eles teori"aram de forma admir(vel. no mínimo. 888. 2s obras do primeiro e do 9ltimo desses autores.esa tstaatL) absolutista. $egundo o r(pido esquema acima esbo!ado. 6em mesmo falta neles uma clara distin!ão dos interesses modernos.

nas duas universidades de 0alle e . entre os neg#cios ]camar(rios] e os ]tribut(rios]. mas também. dele dependente. pelo pr#prio príncipe que guiava e orientava e ternamente as decis)es do DireRtoriu Jsistema de =overno denominado Regierung aus de SabinettL7 2 situa!ão constitucional permitia pois que. se fosse cristali"ando uma estrutura institucional unit(ria e centrali"ada. O termo 5ameralismo est( ligado evidentemente a uma institui!ão característica do Estado patrimonial e do período de luta do príncipe centra as for!as intermedi(rias e locais na fase principal do Estado de castasB a ]5Wmara]. contradit#ria. estes não são senão os termos basilares do conflito constitucional ocorrido nos principais Estados territoriais alemães entre os séculos `<88 e `<888. se redu"ia inevitavelmente a mero fiscalismo Jda Euristische (teuerliteratur e da +Rzisenstreit do século `<88LY j( não bastava o interesse relevante pela administra!ão e a genérica procura de bons funcion(rios e de boas pr(ticas burocr(ticas Jcomo em $ecgendorffLY j( não bastava a simples aceita!ão das teorias mercanti-listas. mesmo no meio da a!ão centrali"adora e racionali"ante da m(quina do Estado prussiano. aquele em que a e pansão das atribui!)es e dos poderes do príncipe. tira as inevit(veis incerte"as e contradi!)es Jentre velho e novoL que a caracteri"am. 1ais diretamente. em face do Estado. ele h( de ser chamado com propriedade ]5ameralismo acadêmico]. 7este modo. administrava os pr#prios neg#cios. ]echten Gameralisten]. O 5ameralismo foi a respostaB uma resposta que se deu dentro de certos limites cronol#gicos e com as necess(rias aplica!)es pr(ticas. econ*micas e de polícia] era. mas numa visão unit(ria em que se buscava ligar entre si as diversas pe!as do mosaico.r9ssia tal conflito se tenha resolvido a favor da solu!ão cameralista nos moldes acima sucintamente descritos constitui a e plica!ão mais simples de que o 5ameralismo tenha tido. mas também mais necessitado de justifica!ão objetiva e sistem(ticaB o do aparelho institucional do Estado. T assim que. visto como instrumento indispens(vel [ forma!ão de funcion(rios competentes.r9ssia revelam mais uma ve" a real importWncia ]institucional] do 5ameralismo desde a sua origem. sobretudo. Estes indicavam a preeminência \ mormente no campo financeiro. j( não bastava o estudo setorial do problema financeiro que. que correspondes- . propriamente sua origem. adquiria cada ve" maior valor. e a prevalência da antiga sociedade de castas sobre o Estado centrali"ado e institucional moderno. desvinculadas de uma clara op!ão no campo político Jcomo nos mercantilistas austrc-impe-riaisL. porém. mas potencialmente dotada de dinamismo e justifica!ão pr#prios. as diversas atividades do =overno. tornando-as reciprocamente funcionais dentro do plano unit(rio da vida do Estado em que se inspirava a pr(tica constitucional do momento. 8sto permite descobrir uma das características peculiares do fen*meno que estudamos. de que era e pressão hist#rica. Os pr#prios motivos da iniciativa do rei da . daquele que governaL se vinha contrapondo e substituindo um interesse mais amplo. funcional. da pr(tica. a um plano sistem(tico e previsível da vida do Estado. #rgão privado do =overno. ao interesse privado do príncipe Jtambém entendido em seu aspecto p9blico. ligado [ pessoa do príncipe. a e periência came-ralista que. mais representativa da participa!ão comum. de monarca. levada a cabo por . mas autêntica e. político-religioso. mais articulada e unit(ria. 0( de resto uma data que deve ser considerada como a data do nascimento do 5ameralismo propriamente ditoB %EDE. as primeiras c(tedras de ]ciências cameralísticas]. a sua oficialidade. na 2lemanha. tendiam agora a uma coerência mais e plícita e direta. que se revela na rela!ão de dependência institucional Jatravés do ensino universit(rio específicoL. mais indiscriminado. O fato de que na .esa tstaatO aqueles acentuavam a persistência de uma estrutura descentrali"ada e articulada do poder. em parte.r9ssia instituiu. coadjuvado por homens e perientes que lhe eram subordinados e fiéis. Em realidade. a nível do pensamento.rederico =uilherme 8. ali. 2lém disso. baseada na participa!ão das castas territoriais nos principais neg#cios do =overno. pelo qual o príncipe.521E/238$1O %&O 9ltima instWncia. ap#s a defini!ão e ata de 5ameralismo e sua distin!ão dos movimentos que o precederam Jprepara!ãoL ou o seguiram Jdissolu!ãoL. mais ainda. +udo isso continuava a ser importante. modernos e preparados. [ volta da figura do príncipe. o 5ameralismo reflete um momento subseq_ente. dentro da atividade do Estado. >ma resposta que facilitou. ano em que o rei da . condu" [ oposi!ão. 2 esta transforma!ão da realidade política e social corresponde.rangfurt junto ao Oder. da pr#pria ambig_idade das situa!)es em que se origina. mas também mais genérico. que apoiavam tradicionalmente sua unidade na pessoa do príncipe autocr(tico. com efeito. pouco a pouco vencedor da resistência das castas. 7esta maneira. a transi!ão da arte de governar [s modernas ciências do Estado. >ma resposta decerto insuficiente sob muitos aspectos. O ensino específico das ciências ]cameralísticas. mas também no administrativo \ da posi!ão do príncipe em ordem [ constru!ão do .

tecnologia produtiva. O motivo condutor de tal processo não foi tanto a introdu!ão de novas tem(ticas. 2dequan-do-se ao novo curso das coisas e [s novas e igências. foi o da ciência de polícia JPolizeiHissenschaEtL que assumiu o papelchave como fulcro de todo o sistema. 5omo se vê.r9ssia. 7a obra dos primeiros professores de 0alle e . nem no das aplica!)es pr(ticas e da hist#ria constitucional. conquanto perdure sua etiqueta nos livros e nas c(tedras universit(rias.rederico. Sincge. centrali"ado e unit(rio. não porque fossem eliminadas as c(tedras de cameralística das universidades alemãs Jaumentaram até em n9mero e perduraram até meados do século `8`L. j tentativa e altada e ingênua de aprontar uma ciência unit(ria do Estado. nem no plano das justifica!)es te#ricas e da hist#ria do pensamento. 2poiada nesta ciência e mantendo um delicado equilíbrio entre a ciência das finan!as e a da economia Jem sua dimensão tanto privada como p9blicaL. cada ve" mais institucionali"ado e superior [ figura do soberano. Esta mudan!a consistiu no ulterior fortalecimento do aparelho estatal. cada uma das quais se limitou a aprofundar um dos aspectos da antiga disciplina unit(ria. substituindo os j( superados juristas. etc. portanto. que são sempre unit(rios. . a hist#ria do 5ameralismo é um refle o desta grande transforma!ão. verificada na . é uma confirma!ão disso. mas uma e plica!ão das for!as concretas empiricamente observ(veis e teoricamente mensur(veisB uma e plica!ão ]científica]. concreta. a cameralística tornou-se. de fato.rangfurt. na mesma época. na primeira metade do século `<888. Em seus limites. mas diversificados. 5om isso se pretendia dar uma e plica!ão ]mecWnica]. na obra de Sincge. como síntese da comple a transforma!ão que o nascimento do Estado moderno havia provocado. mas condu"idas por canais diferentes. não no sentido de uma centrali"a!ão das fun!)es e atividades por via da necessidade política de reprimir as resistências locais. Austi. [ do 9ltimo e poente do ]5ameralismo acadêmico]. isto corresponde. baseada na atividade de polícia. com o advento de . 1as em que é que se concreti"ou de fato a e periência cameralistaf $ubstancialmente na resposta te#rica.r9ssia durante a segunda metade do século `<888. Ela não p*de resistir ao esfor!o de especiali"a!ão a que foram sujeitas igualmente e em primeiro lugar as diversas ramifica!)es técnicas que abrangia em seu WmbitoY cada uma delas se foi desenvolvendo de forma aut*noma até se transformar em ciência. quer nos termos mais recentes do direito natural racionalistaL. . 2 necessidade de dar uma e plica!ão unit(ria e integrada do Estado global. 2o Estado de polícia sucede o Estado de direito. tal qual se efetivou na . 2 hist#ria do ]5ameralismo acadêmico] é assa" breve. a pr#pria doutrina do Estado de polícia prussiano daquela época. ciência financeira.L num corpo integrado e dotado de uma significa!ão pr#pria. como não podia dei ar de ser. apenas trinta anos mais tarde. de fundo político. depois de separada a justi!a da administra!ão. e. coroar( a obra de . bem depressa se subdividiu o Ceneral-direRtoriu em v(rios departamentos. sempre movidas do vértice. a proposta de solu!)es originais. mas no sentido de uma descentrali"a!ão dos #rgãos. =asser e 7ithmar. vai decaindo. que se aproveitaram da e periência até então adquirida pelo Estado prussiano.%Mu 521E/238$1O sem dignamente [s e igências do novo Estado. a liga!ão estabelecida desde o início entre o 5ameralismo e a forma hist#rica do Estado de polícia da . ciência da administra!ão. a um rapidíssimo processo de sistemati"a!ão e organi"a!ão conceituai da comple a e retalhada matéria cameralista. dos diversos ramos que constituíam as ciências cameralistas. a partir de dentro. ap#s as reformas de 1aria +eresa. 7este Estado ele nos dei ou. o =rande. em virtude da necessidade de tornar cada ve" mais eficiente a administra!ão de um Estado cuja estrutura e dimensão unit(ria fundamental j( não eram questionadas. do funcionamento da coisa p9blica. 2ssim. o verdadeiro suporte de toda a estrutura do Estado alemão em determinada fase da sua hist#ria. ap#s a sua morte. seguiu-se a prolifera!ão de numerosas e diferentes ciências do Estado. se assiste. na :ustria.or outro lado. [s instWncias concretas que a mesma e periência havia formulado. que. j( não a teori"a!ão abstrata e metafísica Jquer esta se desenvolvesse em termos teocr(tico-escol(sticos. sucede a necessidade de tornar cada ve" mais e eq_íveis e funcionais as diversas atividades de um Estado que encontrou agora noutro lugar a sua legitima!ão. em conjunto.r9ssia não carece de ra")es. tomada esta na sua dimensão hist#rica. cada um deles competente num tipo de assunto respeitante [s diversas atividades do Estado. de Estado de polícia. 2 grande codifica!ão ]iluminada]. mas porque esmoreceu o significado peculiar da cameralística como ciência global do Estado. capa" de abarcar e e plicar todas as suas variadíssimas atividades. nem precisavam por isso ser defendidas. a verdadeira. a uma certa mudan!a na ordem constitucional.rederico. quanto a ado!ão de uma perspectiva até então ainda não e ploradaB a que visava [ unifica!ão das diversas ramifica!)es ]técnicas] do pensamento político moderno Jeconomia. a abertura de novos campos de pesquisa. o =rande. e das atividades. 6ão foi por acaso que.

Eles sãoB aL propriedade privada dos meios de produ!ão. . mas de uma questão de identifica!ão do mundo moderno e contemporWneo. 8. 2o lado da racionali"a!ão técnico-produtiva. e atamente. que podem gerar modelos interpreta-tivos divergentes.ischer. 5oncentram-se ainda de preferência na ciência de polícia que j( não é vista. para designar o que não se considera significativo ou oportuno recorrer ao termo 5apitalismo. O ]5ameralismo acadêmico] como pretensão e austiva de engenharia social acabouB podia JpoderiaL e istir apenas como referência a uma forma de organi"a!ão da vida p9blica mecWnica.. P. O . 6ão se trata de uma controvérsia nominalista. 1ilano %OIKY . aut*nomo.aturrecht7 5in !eitrag zur . est( em a!ão uma racionali"a!ão na inteira ]conduta de vida] individual e coletiva.refere-se usar defini!)es dedu"idas do processo hist#rico da industriali"a!ão e da. mesmo prescindindo dos seus demais aspectosY quer ela seja estudada como ]política econ*mica]. de agir econ*mico.8+238$1O %Mo considerado o mais eminente cameralista alemão. que envolveu e envolve a identidade e a ideologia de vastos grupos sociais. (taatHissenscha0ten7 Sa eralis us und . cultural e sociol#gica. distribui!ão e consumo dos bens./O-3E12 72 7E.ational`Rono ie und zu Proble des &erRantilis us) . 2 distin!ão entre acep!ão restrita e e tensa de 5apitalismo é aqui introdu"ida somente como ponto de partida. moderni"a!ão político-social.eschichie der . Estes constituem uma constela!ão de fatores l#gica e geneticamente relacionados entre eles. %OKFY G. como síntese de toda a e periência cameralista Jjuntamente com a economia e cZm a ciência financeiraL. Embora esta peculiaridade tenha sido e continue sendo cbjeto de controvérsia hist#rica. designa portanto. ao termo 5apitalismo se atribuem conota!)es e conte9dos freq_entemente muito diferentes. j( não são cameralistas em sentido estritoB neles assumiu relevo determinante o interesse monodis-ciplinar. >ma segunda acep!ão de 5apitalismo. integrada. 6ão é possível estabelecer uma ordem de prioridade entre estes elementos que caracteri"am o 5apitalismo. liberal-democr(tica. compacta. e iodos aqueles que lhes sucederam.eschichte der politischen @issenscha0t in Deutschland des spJten LZ7 und 0rIhen LM7 [ahrhundens7 -ecg.ara come!ar. que serão guiadas por uma #tica sociol#gica e politol#gica. quer como verdadeiro e específico ]direito policial] em sentido moderno. \ 6a cultura corrente. c. como momento digno de estudo. ou subsistema econ*mico. sol9vel através de um acordo entre os estudiosos. recondu"íveis todavia a duas grandes acep!)es. uma ]rela!ão social] geral. quer como ]ciência da administra!ão]. atinentes [ produ!ão. baseado na iniciativa e na empresa privada. ao invés. de sociedade industrial. pelo seu modo de produ!ão. $C08E/2. ou um modo de produ!ão em sentido estrito. reed. =iuffrb. que historicamente coe iste com o 5apitalismo. embora sem perder de vista a economia. precisamos determinar melhor a peculiaridade do 5apitalismo como conjunto de comportamentos individuais e coletivos. ou de sociedade comple a. podemos elencar algumas características que distinguem o 5apitalismo dos outros modos hist#ricos de produ!ão. Die alten deutschen Sa eralisien7 5in !eilrag zur .ranglin. a via onde se entrou é agora totalmente outra. atinge a sociedade no seu todo como forma!ão social. The ca eralisrs The dioneers o0 ger an social poliiy7 .ala-se. nesta acep!ão. >ma primeira acep!ão restrita de 5apitalismo designa uma forma particular.52. 2 pr#pria hist#ria do conceito de 5apitalismo oscila entre estas duas acep!)es. de forma determinante. historicamente qualificada. 5apitalismo. 18=38O. destinado a relativi"ar-se no decorrer das argumenta!)es. Aena %O%&. . Esta racionali"a!ão ou moderni"a!ão política culmina na forma!ão do sistema político liberal. administrativa e científica promovida diretamenie pelo capital. S8E3E6S8=E/. enquanto designa o subsistema econ*mico.868^RO.8E/26=E3O $508E/2d Ca3itali&(o. historicamente específica. . $1233. de acordo com a ordem de peso e valor com que são estruturados. 1_nchen %OEEY =. Esse subsistema é considerado uma parte de um mais amplo e comple o sistema social e político. $onnenfels. . #I#LIO)RAFIA. DallFane di governo alle scienze dello (tato7 Il ea eralis o e iassolu-lis o tedeseo7 ibid %OKFB 2. não necessariamente pessoalY cL processos de racionali"a!ão dos meios e métodos diretos e indiretos para a valori"a!ão do capital e a e plora!ão das oportunidades de mercado para efeito de lucro. A7 -/u5G6E/. 5hicago %O'O. da comple a vida do Estado. no entanto. para cuja ativa!ão é necess(ria a presen!a do trabalho assalariado formalmente livreY bL sistema de mercado. 8e origini della scienza dellFa inistrazione7 in ]2lti del 8 5onvegno di siudi di scien"a dell~amministra"ione]. mas como momento privilegiado. >m modelo . como o Estado de polícia. da qual o 5apitalismo é s# um elemento.

/udolf 0ilferding. Este hiato entre for!a da an(lise crítica e incapacidade preditiva desempenhar( um papel paralisante sobre a instWncia política que guia os movimentos políticos inspirados no mar ismo. mais e atamente na valori"a!ão do capital através da mais-valia e torquida ao trabalhador. considerado como sistema global ou sociedade. o malentendido do significado e da dire!ão das transforma!)es internas ao pr#prio 5apitalismo. não sobre escravos. 2 primeira fase est( idealmente compreendida entre a an(lise crítica de Garl 1ar e os trabalhos hist#rico-sociol#gicos da escola alemã. um ponto é certoB os elementos acima elencados não podem ser circunscritos dentro de um simples subsistema econ*mico. a mais efica". $em presumir compreender todos os temas do debate sobre o 5apitalismo dos 9ltimos cem anos Jaté e cluindo e pressamente a literatura econ*mica especiali"adaL. E é com a emergência das limita!)es do ge4nesianismo que se abre uma nova fase. O 5apitalismo consiste. Ela tem um valor e emplar pela perspic(cia com que são enunciados os elementos constitutivos e. de Perner $ombart. Em particular. 7e outro lado. est( a demonstrar. cuja produ!ão nos introdu" no momento crucial de refle ão crítica em coincidência com a =rande 5rise dos anos &'. que é parte integrante do mar ismo hist#rico. mas certamente foi. a e atidão de algumas an(lises mar istas. +odavia essa perspic(cia crítica não se tradu" imediatamente em prognose da efetiva dinWmica da evolu!ão do 5apitalismo. 7e qualquer forma. mas. o trabalho perde o seu valor logo que entra no mercado das mercadorias capitalistas. sobre . . do outro. o oper(rio assalariado] Jassim escreve 1ar no primeiro livro de 4 capitalL7 6esta passagem est( enunciado com clare"a o ne o necess(rio entre as regras do mercado econ*mico e a estrutura da sociedade capitalista. \ 2 an(lise crítica do comunismo reali"ada por Garl 1ar não é a primeira em ordem de tempo. do ponto de vista hist#rico.articularmente problem(tica se revelou a categoria ]contradi!ão] \ verdadeira pedra angular da constru!ão conceituai mar ista \ pela qual o ê ito mortal do 5apitalismo é logicamente antecipado como uma ]necessidade natural]. num modo de produ!ão baseado na e torsão da mais-valia através do mais-trabalho do trabalhador.8+238$1O 62 26:38$E 12/`8$+2. como processo de reprodu!ão. do outro. 6enhum deles Jnem o sistema de mercadoL pode e istir sem fatores conte tuais e tra-econ*-micos. a dimensão política da rela!ão capitalista est( j( compreendida na constri!ão específica e na necessidade que caracteri"a a venda da for!a-trabalho por parte do trabalhador. 2 irresoluta questão da chamada ]crise do 5apitalismo].erdinand +onnies. portanto. mantendo a distin!ão analítica entre os v(rios subsistemas e a recomposi!ão destes na unidade funcional do sistcma-sociedade.8+238$1O que d( valor fundamental [ rela!ão trabalho assalariado-capital Jsegundo a tradi!ão mar istaL leva a leituras e a prognoses da dinWmica capitalista muito diferentes dos modelos construídos sobre a prioridade dos processos de racionali"a!ão do agir Jsegundo a tradi!ão aeberianaL. 3embre-se. do outro. Ou melhor. [ lu" das mudan!as sofridas pelo 5apitalismo entre o fim do século `8` e o primeiro vintênio do século ``. +rata-se de uma pressão e ercida. não produ" somente mercadoria e mais-valia. mas produ" e reprodu" a pr#pria rela!ão capitalistaB de um lado. publicit(ria e política de Aohn 1a4nard Ge4nes e suas conseq_ências pr(ticas absorvem a aten!ão científica por alguns decênios ap#s a $egunda =uerra 1undial. 2 segunda fase é a prossecu!ão e a revisão quer da an(lise mar ista quer das doutrinas liberais cl(ssicas. ]o processo de produ!ão capitalista. podemos distinguir algumas grandes fases importantes para a defini!ão e redefini!ão do 5apitalismo. político e hist#rico. sejam estes imput(veis a puras rela!)es de for!a de poder ou a pressupostos culturais mais profundos. se não se determinam ulteriormente a nature"a e os termos dessa rela!ão. considerado no seu ne o comple ivo. O 52. isto é. ]O trabalho é a substWncia e a medida imanente dos valores. tornando-se ele mesmo mercadoria. é insuficiente limitar-se a declarar o 5apitalismo uma ]rela!ão social]. 6esta #tica deve ser entendida a prima"ia do agir econ*mico a respeito das formas e da institucionali"a!ão do agir social. mas sobre homens juridicamente livres. o capitalista e. . articulada em torno da forma ]corporativista] do 5apitalismo. . j( considerada cl(ssica.ara 1ar . 8solar no processo capitalista um conjunto de fatos puramente econ*micos é certamente legítimo no plano da abstra!ão científica e da opera-cionali"a!ão da a!ão econ*mica. 88.%MD 52. se se considera o 5apitalismo como fen*meno social. que é ]e plorado] porque obrigado a vender ]livremente] a sua for!atrabalho a quem possui o dinheiro e os meios de produ!ão Jo propriet(rioL. por e emplo. o 5apitalismo se baseia na rela!ão entre trabalho assalariado e capital. 2lém disso. 1as é uma opera!ão redutiva. de um lado. ao mesmo tempo. Ernest +roeltsch e especialmente 1a Peber. 2 atividade te#rica. e Aoseph $chumpeter. de um lado. mas ele mesmo não tem valor]. contradit#rios do 5apitalismo.

a uma rela!ão de dependência econ*mica. 888. O sistema capitalista é legitimado em tdrmos de fun!ão. lu o. ou seja. atribuíveis ao processo hist#rico da racionali"a!ão de todos os setores da vida. dinami"ar( os mecanismos da economia capitalista.rotestante. 1ar tinha identificado as antinomias que estão na base da dinWmica do 5apitalismoY mas atribuiu [ conceptuali"a!ão deles um estrangulamento l#gico Jespecialmente pela forma da contradi!ãoL. ultimamente encarnada no Estado liberal. $em d9vida. não de domínio direto. é vista como o fator decisivo para a difusão de uma conduta de vida ascético-racional. que e plode. para Peber. os requisitos culturais que permitem o surgimento e o desenvolvimento do 5apitalismo e a questão da especificidade do 5apitalismo ocidental moderno na sua rela!ão com outros modos de produ!ão hist#ricos e e tra-ocidentais. O n9cleo central desta união é dado pela reavalia!ão do trabalho e da profissão. Em ambos.ulsinnung) a orienta!ão ético-intelectual identificada no individualismo. que caracteri"a o Ocidente. que não lhes permite captar o andamento efetivo e hist#rico do 5apitalismo como sistema comple o e como ]civili"a!ão].8+238$1O 62 26:38$E PE-E/8262. conduta moral de vida e comportamento econ*mico. nas ciências hist#rico-sociais do início do século ``. gra!as [ idéia de !eru0 Jprofissão como voca!ãoL. nas (reas geogr(ficas visadas pela /eforma . no princípio aquisitivo e.52. O 52. que pode ser definido como ]racional] em sentido capitalista. T assim que. vem do desafio do mar ismo. Em outras palavras. isto depende da sua hip#tese segundo a qual o modo burguês de produ!ão é absoluto. com a conseq_ente redu!ão dos consumos e poupan!a de dinheiro e de bens. portanto. Era uma aquisi!ão científica e crítica de seus mestres burguesesB $mith e /icardo.8+238$1O %M& cidadãos. 1as estes ignoraram o car(ter hist#rico e. 2 for!a hist#rica do 5apitalismo moderno consiste em proporcionar uma base de legitima!ão universal. 2 contribui!ão de 1a Peber para a defini!ão de 5apitalismo se coloca no conte to de duas quest)esB as origens do 5apitalismo moderno. a lei do valor que est( na base da valori"a!ão do capitalL é o princípio revolucion(rio do 5apitalismo. que se tornou doutrina oficial do movimento oper(rio e da ]questão social]. O domínio através da economia assume a forma de dependência funcional. a longo pra"o. 6aturalmente \ observa Peber \ o 5apitalismo nesse tempo se esva"iou de qualquer motiva!ão religiosaB a autodisciplina ascética foi substituída pela disciplina e terna do trabalho ou do escrit#rio e a ganWncia dos bens materiais volta a ser o movente do comportamento econ*mico. Em + 9tica protestante e o espírito do capitalis o) de Peber. a partir do século `<8. a instWncia científica da defini!ão mar ista de 5apitalismo subsiste ou cai pela identifica!ão de uma ]lei econ*mica do movimento da sociedade moderna]. portanto. 2 conduta de vida e a coerência nas pr#prias convic!)es e cren!as são. O 5apitalismo para Peber \ e para a vasta orienta!ão científica por ele determinada \ é a dimensão econ*mica de um mais profundo e peculiar comportamento econ*mico chamado racio-nalista. 1as é aqui que se aninha \ para 1ar \ a contradi!ão do 5apitalismo. \ O estímulo para acertar o conceito de 5apitalismo. 2 rela!ão tra balho assalariado-capital Jou seja. que são chave de voca!ão e sinal da elei!ão divina. 2 historicidade do 5apitalismo é um outro componente essencial da concep!ão mar ista. um modo de produ!ão sem determina!ão específica mais precisa]. a centralidade mar ista da rela!ão capitaltrabalho é substituída pela procura de esquemas de comportamento individuais e coletivos. portanto. Os autores que se distinguem no estudo sistem(tico do 5apitalismo são Perner $ombart e 1a Peber. a ética calvinista. transit#rio desse sistema de produ!ão. para designar a soma de atitudes psicol#gicas e culturais que estão na origem do 5apitalismo moderno \ a . 2 inten!ão do materialismo hist#rico est( na determina!ão do ]desenvolvimento da forma!ão econ*mica da sociedade como processo de hist#ria natural]. 2 asccse intramundana atua com energia contra qualquer forma de pra"er. instaura um ne o preciso entre credo religioso. 2 nature"a da mercadoria do trabalho e do 5apitalismo como produ!ão de mercadoria não é uma descoberta de 1ar . >ma rique"a considerada como prêmio para uma prudente administra!ão dos bens recebidos de 7eus é a mentalidade que. mas também o seu destino mortal. que é pressuposto para o espírito capitalista moderno. T de $ombart a feli" e pressão de ]espírito do 5apitalismo]. 1ar escreveB ]se /icardo acha que a forma de mercadoria é indiferente. disponíveis para uma acumula!ão e um reinvestimento de tipo capitalista. esbanjamento ou e ibi!ão de rique"a. no racio-nalismo econ*mico. pondo em dificuldade o mundo ideol#gico e político liberal. motivo de agir aut*nomo na sua rela!ão com o simples c(lculo econ*mico e com a pressão do puro poder. de que fa"em parte os difundidos . se. $em as liberdades burguesas não e iste 5apitalismo moderno.

da generali"abilidade e da previsibilidade. portanto. caracteri"ada pelos seus limites fluidos. $em subestimar a contribui!ão determinante dada pelo protecionismo estatal direto e indireto. 7e fato. Peber não auspicia a aboli!ão do mercado. +aane4 [s mais recentes contribui!)es coletadas. a essência do 5apitalismo. . na Europa do século `<8. 6o seu cl(ssico Proble as de hist'ria do Capitalis o J%OMKL. por e emplo. O agir capitalista é um e ercício pacífico de um poder de disposi!ão. não é possível nenhum c(lculo]. mas não ainda totalmente transformada \ para a fase em que o 5apitalismo. mas na virtual e tin!ão de sua dinWmica por obra de um poder burocr(tico. atingiu a reali"a!ão de seu específico processo produtivo. o protestantismo aparece simplesmente como a religião das (reas impulsoras e centrais deste sistema. sem aquela luta \. Ela inicia primeiramente na 8nglaterra na segunda metade do século `<888. prescindindo das cores nacionais. que para ele é garantia de c(lculo racional e de autonomia dos sujeitosB [ e tin!ão do mercado sucederia somente o despotismo puro e simples do poder burocr(tico. 2quela. no sentido de um sistema econ*mico que progride enquanto não fica preso num sistema político homogêneo a nível europeu e internacional Jhomogeneidade nacional na heterogeneidade internacionalL. 2 economia racional é orientada pelos pre!os monet(rios. enquanto a religião cat#lica aparece periférica e semi-periférica. espoliada de sua independência como fen*meno econ*mico. ele reprodu" em si as pr#prias características da ratio$ controle e domínio dos meios em rela!ão ao fim. $e quisermos falar de ]essência do 5apitalismo]. O mercado é a transposi!ão econ*mica da incessante luta entre os homens. especialmente na época mercantilista. 2 rela!ão de trabalho assalariado e os tra!os coercitivos ínsitos na organi"a!ão capitalista do trabalho Jdisciplina de f(brica. PallersteinL. não h( c(lculo racional. como tais. 2 l#gica do c(lculo formal capitalista é. a coer!ão inerente [ venda da for!a-trabalho é um aspecto da ]vontade de trabalho].8+238$1O E 7O $E> 7E53C68O. 2 organi"a!ão capitalista coloca em a!ão seus recursos econ*micos num campo mais vasto do que o campo control(vel por cada institui!ão política. que por sua ve" se formam no mercado pela luta entre os interesses. 6O^pE$ $O-/E 2 ?>E$+RO 72$ O/8=E6$ 7O 52. $e o 5apitalismo é o momento econ*mico do racionalismo. e somente na segunda metade do mesmo século na 2lemanha. Esta consiste mais do que tudo na e plora!ão racional das regras de troca em geral \ de cujas regras a troca de for!a-trabalho contra sal(rio é s# um aspecto.ara Peber. O potencial de crise interna ao 5apitalismo não consiste em uma presumida contraditoriedade de seus elementos. permite rever a problem(tica de tal forma que rejeita qualquer simplifica!ão. ]$em uma avalia!ão em pre!os monet(rios \ isto é. com base na transforma!ão técnica. que para 1ar era uma cadeia de elementos em contradi!ão Jtrabalho \ mercadoria \ dinheiroL.%MM 52. através da calculabilidade. -raudelL. e se estabelece . a inderrog(vel necessidade de vender a for!a-trabalhoL não constituem. se não falsifica as teses aeberianas. 1. 1aurice 7obb assim sinteti"a esta faseB ]2 /evolu!ão 8ndustrial representa um momento de transi!ão de uma fase primitiva e ainda imatura do 5apitalismo \ na qual a pequena produ!ão pré-capitalista estava permeada da influência do capital. torna-se em Peber a dinWmica vital da economia racional capitalista. na . é certo que a decolagem definitiva do 5apitalismo acontece em concomitWncia com a chamada /evolu!ão 8ndustrial. com uma documenta!ão sistem(tica e inovadora que abriu novos hori"ontes Jlembrem-se os estudos sobre 5apitalismo e civili"a!ão material de ..ran!a e nos Estados >nidos da 2mérica a partir dos primeiros decênios do século `8`. posto em ato racionalmente para conseguir lucro através da e plora!ão inteligente das conjunturas de mercado. cria-se uma @orld econo y) que compreende no seu seio% mais sistemas políticos e concentra em medida crescente empresa e rique"a em mãos privadas. fundado na f(brica como unidade coletiva de produ!ão de massaY com isso se efetua a separa!ão definitiva do produtor da propriedade dos meios de produ!ão Jou daquilo que dela tinha ficadoL. ligada \ através do livre mercado \ [ l#gica da luta entre os interesses. -esnardL oferece um quadro muito diversificado que. que d( lugar [ l#gica da troca.8+238$1O processos de racionali"a!ão burocr(tico-administrativa e jurídica culminantes no Estado moderno ocidental. 6esta #tica.. 8<. \ 2 pesquisa historiogr(fica contemporWnea sobre as origens do 5apitalismo progrediu muito em rela !ão [s indica!)es dos cl(ssicos. por $. O imponente debate sobre a rela!ão hist#rica entre protestantismo e origens do 5apitalismo Jdesde os velhos estudos de /. ela consiste nos processos de racionali"a!ão e otimi"a!ão das oportunidades do mercado \ inclusive o mercado do trabalho livre. Onde não h( livre luta. Eisenstadt e . O 5apitalismo do século `<8 é reproposto com base na @orld econo y J8. subordinada a este.

não tanto com a cria!ão de setores econ*micos diretamente controlados por ele. entendidos no sentido liberalY bL o deslocamento. Ela é tão forte e efica" que fa" acreditar na idéia de que o 5apitalismo seja uma coisa s# com a igualdade dos cidadãos. não são mais fen*menos an*malos ou típicos de economias atrasadas em rela!ão aos modelos do 5apitalismo avan!ado. fora do quadro político institucional.8+238$1O O/=268S27O]. e retomadas na década de setenta. \ Entre as defini!)es elaboradas no primeiro vin-tênio do século.52. como doutrina econ*mica e pr(tica política. sob o signo da recep!ão das teorias ge4nesianas. quer em forma repressiva. cuja a!ão de pressão se torna efica" nos momentos críticos de decisão políticaY cL o processo de concentra!ão econ*mica é acompanhado por uma paralela organi"a!ão de massa dos trabalhadores dependentes. a política estatal conjuntural p*de desenvolver-se de tal forma que se tornou o meio cl(ssico para a luta econ*mica. +endo presente a e periência americana. PinglerL. ]$omente nos anos &'. vencidas suas batalhas contra os setores atrasados précapitalistas. <. 2qui tem pouca importWncia indagar por que. convencionalmente considerada hostil a qualquer estatalismo. por /udolf 0ilferding e por outros estudiosos. Estas indica!)es gerais são suficientes para delinear uma tendência que se fa" evidente em todos os sistemas capitalistas no período entre as duas guerras. 7e fato. 1as é somente na década de &'. caracteri"ados pela presen!a estatal direta Jatravés da empresa p9blicaL e indireta Jatravés de institutos de co-parti-cipa!ão e controle estatalL. Estamos também no período cl(ssico do liberalismo. forma!ão do proletariado oper(rio urbano. especialmente em forma de poder de influência. 2 primeira industriali"a!ão se verificou em coincidência com uma série de fen*menos que é difícil subestimarB aumento da popula!ão. crescente interven!ão do aparelho estatal. O sistema capitalista. 7esde o final do século `8`. conseq_ência da concentra!ão. no conte to da =rande 5rise de DO. quanto com a e pansão da despesa p9blica e o peso determinante para a inteira economia da política creditícia e fiscal e em geral das estratégias conjunturaisY eL o Estado assume o papel de garante no processo de institucionali"a!ão dos conflitos de trabalho.8+238$1O %MI uma rela!ão simples e direta entre capitalistas e assalariados]. tem que enfrentar e racionali"ar sua primeira transforma!ão. cartéis. primeiros fen*menos de urbani"a!ão com a r(pida transforma!ão da tradicional estratifica!ão social. do poder real. podemos encontrar sinteti"ados nela os seguintes fen*menosB aL os processos de concentra!ão econ*mica em monop#lios. a liberdade e a fun!ão puramente administrativa do Estado. com a virtual e tin!ão da concorrência e do mercado. ê odo mais ou menos for!ado de massas camponesas para os centros urbanos. oligop#lios. em favor das for!as econ*micas e sociais. segundo os padr)es liberais cl(ssicos. 2. surgem e se fortalecem as grandes organi"a!)es prolet(rias para as quais ]5apitalismo] soa como sin*nimo de sociedade desumana e injusta. O processo de concentra!ão das grandes empresas e a organi"a!ão cada ve" mais rígida dos mercados de bens. +E12$ 7O ]52. $omente ap#s a afirma!ão da política conjuntural anticíclica foi possível falar de 5apitalismo organi"ado desenvolvido] J0. de capitais e de trabalho acompanham a sistem(tica interven!ão do Estado na economia. temos a de ]5apitalismo organi"ado]. em diversas ocasi)es. 0ilferdingL tenha erroneamente dedu"ido uma antecipa!ão do princípio socialista de plano. 2 ideologia liberal e liberalista oculta completamente o momento de coer!ão. estabili"ado em suas estruturas econ*micas de fundo. que fa" da fun!ão arbitrai estatal Jseja qual for sua figura institucionalL um dos elementos decisivos do 5apitalismo organi"ado. muitas das características acima mencionadas aparecem durante o primeiro conflito mundial e são testadas nos anos sucessivos. chegando a uma espécie de intervencionismo social. 2s fronteiras entre setor privado e setor p9blico se tornam cada ve" mais caducas. em particular sobre a rela!ão entre sindicatos e partidosY dL o Estado é co-responsabili"ado de forma crescente na gestão econ*mica. em crescentes camadas da popula!ão trabalhadora urbana. quer protecionista e garantidora. o movimento socialista J/. Os sistemas econ*micos ]mistos]. implícito no mercado do trabalho livre e na concep!ão individualista do Estado. tende-se a generali"ar um esquema interpretativo para três setoresB um privado de . 2lém dos significados atribuídos a esta defini!ão. que elas gradualmente se configuram como soma de medidas para restabelecer uma nova fase capitalista. com relevantes conseq_ências sobre o sistema das representa!)es. +ecnicamente. em particular do conflito industrial entre as grandes organi"a!)es sindicais e patronais. nasce progressivamente uma sensa!ão de ]estranhamento] perante um Estado cesse tipo. na base destes processos de auto-organi-"a!ão capitalista. para assinalar as mudan!as de estrutura e de funcionamento do 5apitalismo.

4 0uturo do capitalis o7 *racasso ou evoluçãoBL7 1as a idéia da crise do 5apitalismo como crise de toda a civili"a!ão burguesa não é e clusiva dos movimentos de oposi!ão social e política.8+238$1O]. políticas fiscais efica"es e justas. tais como os armamentosL. etcL. 6apoleoni. E iste. que atinge seu cume nas décadas de D' e &'. asim como o apoio contra a concorrência internacional Jpara não falar do papel das despesas improdutivas. com imediatos refle os produtivos. 5olletti e 5. que marcam as fronteiras dentro das quais se movimenta o sistema capitalista de regime democr(ticoB necessidade de crescimento econ*mico. também de cunho fascista. 6o primeiro setor. +E12$ 72 ]5/8$E 7O 52. em seguida. 6o AandHPrterbuch der (oziologie de %O&% Jelaborada por 2lfred <iergandt. Estas fun!)es se encontram enormemente ampliadas e aperfei!oadas na a!ão do Estado contemporWneo. a importWncia das infraestruturas materiais e imateriais Jpesquisa científicaL se tornou decisiva. \ 7esde quando o 5apitalismo foi identificado como o fator que caracteri"a a nossa civili"a!ão. +orna-se um motivo autocrítico da cultura liberal-burguesa. etcL. como no setor regulado pelos oligop#lios. também na fase liberal do 5apitalismo. filos#ficos ou publicistas. um setor de produ!ão de e clusivo domínio estatal e com altíssimo investimento financeiro e tecnol#gico Jsetor espacial. 6a realidade. balan!a de pagamentos. cria!ão de infra-estruturas para a reprodu!ão da for!a-trabalho Jtransporte. irracionais e reacion(rias. os progressos tecnol#gicos são relativamente r(pidos. Estas observa!)es têm aqui somente valor indicativo da progressiva perda da fun!ão central reguladora do mercado no 5apitalismo contemporWneo. 2lém disso. embora o tema hoje seja desenvolvido em termos muito diferentes dos do mar ismo hist#rico. o Estado tem a oportunidade de fa"er sentir sua presen!a direta em segmentos econ*micos vitais e a possibilidade de dirigir investimentos e facilita!)es de investimentos para (reas negligenciadas pelo 5apitalismo privado. +oda a questão da crise do 5apitalismo do ponto de vista mar ista aparece bastante controvertida Jcf. urbani"a!ão. dos armamentos não convencionais. etc. o ]estilo de vida] capitalista é apresentado como um modelo negativo. defesa das classes desfavorecidas. enquanto no setor concorrencial agem empresas e ind9strias de alta intensidade de trabalho. no qual as empresas \ não importa se privadas ou p9blicas \ agem sem nenhuma autonomia. se revela a ]crise] do 5apitalismo contemporWneo. de quando em ve".8+238$1O bens de consumo aberto [ concorrência em sentido tradicional. durante o desenvolvimento econ*micoY defesa da for!a-trabalho contra a l#gica da indiscriminada e plora!ão capitalista Jlegisla!ão socialL e. substitui!ão da qualidade pela quantidade. 6ão se trata s# de humores liter(rios. contemporaneamente. consumismo desenfreado. <8. etc. estabilidade monet(ria. que toleram apenas ligeiros movimentos de competi!ão. enquanto são mais lentos e mediatos no setor concorrencial tradicional. obsessão do sucesso. a estes imperativos. fun!ão integrada se não substituída pela a!ão estatal. mas substancialmente marginal e dependente quanto aos recursos materiais e energéticos prim(rios. j parte a latente vontade de um mundo pré-capitalista. >ma diagnose crítica desse tipo pode estar a servi!o indiferentemente quer de posi!)es políticas pragm(tico-progressistas quer de posi!)es niilistas. 6a incapacidade de fa"er frente. 6este setor monopolístico eXou estati"ado. interven!ão e preven!ão das crises conjunturais. os te tos selecionados por 3. quer do ponto de vista analítico. mantendo as condi!)es da sua reprodu!ão. mas também a necessidade de plenoamprego. 2 doutrina mar ista fa" dessa crise um de seus fundamentos. Ele é sin*nimo de destrui!ão de todo valor autêntico. de um mercado governado por oligop#lios. quer do ponto de vista valora-tivo. O Estado contemporWneo se limita freq_entemente a substituir as regras tradicionais do mercado. que coletou as contribui!)es dos cientistas sociais alemães mais eminentes da épocaL. estratégias de redu!ão das desigualdades sociais. predominam empresas e ind9strias de alta intensidade de capital. culto da violência \ uma soma de contravalores em oposi!ão a um ideali"ado mundo pré-capitalista. se fala de sua crise. esco-lari"a!ão. 8sto não significa que [ redu"ida fun!ão do mercado corresponda por parte do Estado uma a!ão de plano programada. Wnsia de fortes sensa!)es epidérmicas. presumidamente harmoni"ado num universo de valores divididos. juntamente com outros gêneros de mercadorias de largo consumo. e istem fen*menos .%MK 52. +udo isto se tradu" em imperativos contrastantes. Estes 9ltimos fa"em parte. 0oje. 7e resto. dentro da tem(tica da crise do 5apitalismo como crise cultural e de civili"a!ão convivem elementos disparatados. o Estado tinha garantido a reprodu!ão e o funcionamento do sistema econ*mico desempenhando fun!)es precisasB defesa dos direitos privados da empresa e adequa!ão do aparelho legislativo [s necessidades surgidas. mais em geral.

tanto que se encontram também em sistemas declaradamente anticapitalistas. crise permanente das finan!as estatais. também em situa!)es de corporativismo rastejante. seculari"a!ão e volta ao sagrado. que é mais do que tudo carência ou déficit de legitima!ão. . Em termos minimais. o 5apitalismo avan!ado remove a crise do sistema. d( lugar a patologias sociais cada ve" mais novas e nunca resolvidas. mas simplesmente instaura uma ]troca política]. e pectativas. \ >ma outra #tica para recompor alguns indicadores centrais e críticos do 5apitalismo contemporWneo é dada pelos modelos ]corporativis-tas]. e posto a sempre novas formas de crise econ*mica cíclica. através da e pressão do aparelho adminstrativo. 6esse intercWmbio são tratados ]bens] que não eram formalmente negoci(veis na l#gica do mercado capitalista tradicional \ isto é. mas são inventari(veis somente no interior de uma profunda mudan!a da estratifi-ca!ão tradicional. Em termos ma imais. autores de inspira!ão liberal e de inspira!ão mar ista abordam estes temas situados entre acumula!ão e legitima!ão. Encontra-se. Os modelos do ]5apitalismo corporativista] identificam o ruído desta troca numa particular rela!ão instituída entre os grandes protagonistas do processo capitalistaB empres(rios. 6esta escala entre m( imo e mínimo de corpora!ão. 2 mesma luta de classe é levada cada ve" mais para a (rea da balan!a do Estado e do emprego de recursos p9blicos para fa"er frente [s demandas sociais. privati"a!ão dos interesses contra os bens p9blicosB estes e outros indicadores dificilmente se dei am compor Jtanto menos qualificarL em esquemas unívocos de comportamento. [ seculari"a!ão. que di"em respeito ao consenso com o sistema político. 2 9nica base de legitima!ão do sistema fica sendo o ressarcimento a classes e grupos em troca da passividade nos processos de forma!ão da vontade política. perda do sentido.en*menos disfuncionais ou patologias sociais ligadas ao desenvolvimento técnico-industrial não são dedu"í-veis da estrutura capitalista como tal.O/2+8<8$-+2]. de crise de motiva!ão e de legitima!ão. frustra!)es individuais e coletivas. da solu!ão quase-política dos conflitos salariais. tais comportamentos não são dedu"íveis da contradi!ão de princípio entre capital e trabalho. 5om linguagens e op!)es políticas diferentes.8+238$1O 5O/. é necess(rio do ponto de vista analítico manter atribui!)es causais distintas. dos compromissos que imuni"am o centro contra o conflito de classe. +E12$ 7O ]52. ou quando surgem no seu interior e pectativas impossíveis de serem satisfeitas com ressarcimentos conformes ao sistema]. 2 crise do 5apitalismo se e pressa para uns em forma de ]contradi!)es culturais de 5apitalismo] J7aniel -ellL. [s tentativas de pacto social inglês. [ moderni"a!ão social e política. as variantes são muitas \ da ]a!ão centrali"ada] alemã. 2 crise de legitima!ão.52. em particular. incompatibilidade e ecletismo de ideologias e valores. Embora não esteja errado chamar sinteticamente 5apitalismo a todos estes fen*menos Je. Em todo caso.8+238$1O %ME que são imputados distinta e separadamente ao industrialismo. +ambém estes têm seu início na presen!a multiforme do Estado e do setor p9blico nos processos econ*micos. com a conseq_ente revolu!ão das e pectativas. os chamados ]bens de autoridade]. sindicatos e Estado. 6o 5apitalismo corporativista se instaura uma rela!ão especial entre política e economia. não introdu" elementos de uma racionalidade diferente J]de plano]L. [ rejei!ão formal de qualquer acordo. 1uitas an(lises da crise do 5apitalismo contemporWneo deslocam o ei o da estrutura econ*mica para a s#cio-cultural. entre os grandes protagonistas organi"ados do sistema. sistem(ticos desequilíbrios salariais em prejuí"o dos grupos sociais mais fracosL. descarregando seus custos sobre a periferia ou difundindo-os de forma an*nima sobre o sistema Jinfla!ão. que reprodu" uma l#gica de mercado sui generis7 Os . todavia. amea!aria a estabilidade comple iva do sistema. 7esfeita a identidade das classes e fragmentada sua consciência. $egundo este 9ltimo autor. assim. Esta crise. atribuindo ao Estado o papel de garante p9blico. ferindo uma das duas partes. ]crise do 5apitalismo] sua patologiaL. etc. 1otiva!)es. Enquanto isso. centrando a aten!ão sobre os problemas da integra!ão social e do consenso. Essa presen!a. que altera os tradicionais equi-líbrios entre a a!ão econ*mica e a a!ão política. mas não destr#i suas origens b(sicas. portanto. de crise de racionalidade administrativa. <88. estes três atores sociais se declaram positivamente interessados por uma gestão quase colegial do desenvolvimento. reali"a-se programaticamente uma difusa despoliti"a!ão sob o signo da democracia de massa. [ autodisciplina do trabalho. o 5apitalismo contemporWneo se subtrai do ê ito fatal de uma verdadeira crise de sistema gra!as ao papel determinante do Estado. se produ" ]logo que as pretens)es de ressarcimento em rela!ão ao sistema aumentam mais rapidamente do que a massa dos valores disponíveis. os três atores admitem a necessidade negativa de não fa"er op!)es unilaterais que. para outros numa cadeia de patologias de que a ]crise de legitima!ão] é a figura mais forte JA_rgen 0aber-masL.

8a societ= opulenta J%OIFL. P86G3E/. pelo menos. P233E/$+E86. que engloba também fatores ]não-capitalistas] Jespecialmente de nature"a culturalL. 1ilano %OEIY A. Il capitalis o e gli storici J%OIML. 1uitas an(lises tradicionais. . Etas 3ibri. Il siste a ondiale deliecono ia oderna J%OEML. nem para produ"ir no plano analítico uma defini!ão inequívoca. 1ilano %OK%B 1. Em perspectiva hist#rica. que é uma coisa s# com o modo de funcionar das sociedades contemporWneas. Proble i di storia del capitalis o J%OMKL. de sua concreta articula!ão. 02-E/12$. nem para propor no plano pr(tico-político solu!)es seguras para a otimi"a!ão das virtudes do 5apitalismo.E+E/. e austiva e conclusiva do 5apitalismo. O 5apitalismo. 1ilano %OKEY A.eltrinelli. 0. Einaudi. Il capitalis o conte por3neo J%OIKL. 83 capitale 0 anziario J%O%'L. o 5apitalismo é caracteri"ado por constantes identific(veis. 1aierL. Einaudi. então. Ele se aplica a alguns sistemas e não a outros. -E33 e /. 5omunit[. +orino %OEOY Dove va il capitalis oB) editado por $. 5omunit[. -ologna %OEFY 1. um dos possíveis modelos de reali"a!ão e.. de interpreta!ão da rela!ão entre mercado e política do 5apitalismo. 6este caso. constata especialmente a posi!ão privilegiada do ]sistema das empresas] na sua rela!ão com o sistema democr(tico de controle.aris %OE'Y . . O corporativismo é. Elas Gompass. 3ondon %OEOY 1. portanto. <. . $ansom. =23-/28+0. Etas 3ibri. 84 (tato nel capitalis o aturo J%OEDL. %FFI. >+E+. 2. 8a crisi della razionalit= nel capitalis o aturo J%OE&L. Etas Gompass. +$>/> J%OK%L. 7e fato. PE-E/. -/2>7E3. e atamente porque é ]rela!ão social] em contínuo dinamismo. Il capitalis o oderno J%O'DL. 5ertamente. 5room 0elm. subtraindo importantes decis)es ao controle democr(tico. in Dizionario di (ociologia) >+E+. Esta centralidade em si.O3$G8. Il capitalis o oderno J%OKIL. 3ater"a. -/8E. =Zttingen %OEM.O326U3. 3ater"a.. 6ea Uorg %OKFY A. 8l 1ulino. 6.8E37. 1ilano %OKEY P. investimentos. <8E/G267+. 1as no seu concreto funcionamento. por ele chamado de ]poli(rquico]. 52<2338. 128E/. . E6GE $+>++=2/+ %O&%Y. 8 9tica protestante e lo spirito del capitalis o J%O'M%O'IL. I8 capitale onopolistico J%OKKL. ele é fator portante daquela ]arquitetura de estabilidade] que est( presente \ não obstante todos os sintomas de crise \ nos sistemas capitalistas contemporWneos e foi antecipada na década de vinte. Einaudi. 1ilano %OEEB G. não parece ser decisiva.eltrinelli. 02UEG. $. /uprecht.. 1ilano %OIEY /. $PEESU. G. 3indblom. %OE'Y 5. -ari %OE'Y (tate and econo y in conte porary capilalis ) por 5. +orino %OKEY /. 7este modo. solicita uma constante redefini!ão de seus elementos. produtividade.%MF 52. . 3oescher. 1. 62.$.O>326+S2$. $.ara definir corretamente a rela!ão entre mercado capitalista e política democr(tica. Etas Gompass.E. 1ilano. 1ilano %OKFY 3. 8a ri0ondazione deli 5uropa borghese J%OEIL. as regras de troca política são claramente a favor das empresas capitalistas. o qual seria entendida ou mudada radicalmente a estrutura do sistema. Einaudi. Einaudi. %OKI. . +orino %OEMY 6. +orino %OEFY Protestantis e et capitalis e7 ao cuidado de . e aminando o 5apitalismo americano.O3EO68. de fato. +orino %OEEY 8e origini del Capitalis o) por 2. +orino %OEFY A. Sapitalis us) 2. o corporativismo pode funcionar como canal de legitima!ão de um sistema capitalista modificado. %FOML. etc. +2P6EU. em alguns de seus mecanismos decisionais. +orino %OEIY 5. -ari %OEIY . -O>7O6. insubstituíveis para a estabilidade do pr#prio sistema. Capitalis o) (ocialis o e de ocrazia J%OMDL. contra os demais grupos sociais. 8l capitale J%FKE. Etas 3ibri. 8a nascita del capitalis o in 5uropa J%OKIL.egenHart) 8 e 88. 5olin. 2. $+/250EU.eltrinelli. 3867-3O1.. P. 1ilano %OIMY 2. #I#LIO)RAFIA . E8$E6$+27+. 5h. é necess(rio.. $0O6. +O. =23386O. G23E5G8. mas também formas de lealdade e de consenso político. Os mesmos empres(rios se tornam. todavia. Editori /iuniti.iren"e %OKOY Id77 5cono ia e societ= J%ODDL. in AandHPrterbuch der (oziologie) por 2. 1ilano %OKEY %. 8a grande trans0or azione J%OMML. -ari %OEOY G. têm cultivado a pretensão ou a ilusão de identificar ]a essência] Jdas @esenL do 5apitalismo \ quase um ponto de 2rquimedes. O. +urim %OKFY 7. no cam-do mar ista e no campo liberal burguês. +orino %OE&Y Il 0uturo del capitalis o Crollo o sviluppoB7 por 3. Classi sociali e capitalis o oggi J%OEML. 1ar . 5/O>5>. 7e 7onato. . 8a religione e la genesi del capitalis o J%ODKL. +orino %OKEY A. 7O--. Política e ercato J%OEEL.. Editai /iuniti. quando se falou até de ]refunda!ão da Europa burguesa] J5. . ]5apitalismo]. $O1-2/+. Einaudi. /oma %OE%Y The protesta ethic and odernizaiion7 por $. -asic -oogs. %OK%Y 4rganisierter Sapitalis us) por 0. ou. <andenhoecg u. entendido ou removido. ou para a corre!ão de suas distor!)es \ sem falar das perspectivas de seu supera-mento. 8e contraddizioni culturali del capitalis o7 -iblioteca della 3iberta.8+238$1O bens que são negociados não são somente sal(rios. de fato. ocupa!ão. essas constantes dão origem a um conjunto comple o e mut(vel de combina!)es. 083.E/786=. 5O33E++8 e 5. Capitalis o e cililtã aleriale J%OKEL. (ulla din3 ica deli econo ia capitalistica J%OE%L. Esta constata!ão não tra" nada contra o fato de que a rela!ão trabalho-capital permane!a a rela!ão central do 5apitalismo. evidentemente. 1ilano %OEOY 5. 0. c=826 E6/85O />$5O68d . $50>1. manter abertas v(rias estratégias conceituais. uma espécie de funcion(rios p9blicos. -E$62/7. . <8E/G267+ e =.. $O1-2/+. /oma %OKM. . -2/26 e .

Este primeiro conceito analisa a e istência dos líderes) cuja autoridade se baseia. 2s transforma!)es são tanto mais radicais. com maior ou menor amplitude. 5O678^pE$ 7O 2. de uma minoria religiosa ou étnica a estados de total inseguran!a e de ang9stia generali"ada. ao mesmo tempo. -aseíuido-nos na conceitua!ão aeberiana. dos sequa"es e sucessores. a influência do 5arisma nasce e perdura. a gênese do fen*meno tem sido vinculada ao pavor coletivo de um povo. o sistema de valoresnorma b(sicos que inspiram e regulam os comportamentos da coletividade. militares. bélico. na qual os modelos essenciais do sistema se desenvolvem por meio de regras e técnicas mais especiali"adas.2/E581E6+O 7O$ . as provas que demonstram a legitimidade do 5arisma e da missão se colocam. de morte física. mas num do ) isto é. Estes dons e cepcionais se imp)em como tais no an9ncio e reali"a!ão de uma missão de car(ter religioso. 6asserL. 5O65E8+O 53:$$85O 7E 52/8$12. condi!)es em si recorrentes nas sociedades. dos fen*menos de co porta ento coletivo) observ(veis no Wmago e origem das pr#prias muta!)es. todavia. capa"es de robustecer a fé dos sequa"es. aplicadas a setores sociais mais limitados. e nas suas qualidades e reali"a!)es JAesus 5risto. etc. a quem obedecem segundo as regras que ele dita. bem articuladas e comple as. 2 primeira se reali"a através de progressiva diferencia!ão das fun!)es. que os fen*menos carism(ticos se manifestam mais freq_entemente através de grupos e movimentos. 52/8$1:+85O$. de =aulle. da esperan!a. os estudos têm-se concentrado na an(lise de v(rios tipos desse processo. 8. podendo ser consideradas como pr#prias das fases normais de desenvolvimento das contradi!)es sociais. isto é. menos gritantes. que op)em resistência [ difusão e dura!ão dos estímulos carism(ticos. 5hurchill. de insatisfa!ão. podemos distinguir dois tipos fundamentais de desenvolvimentoB a racionali"a!ão e a conversão. do fim do sofrimento. se oferece provas efica"es e 9teis. não no car(ter. convir(. em virtude da pr#pria credibilidade do 5arisma e não em virtude de press)es ou de c(lculo. muito mais do que se sup*s nas primeiras teori"a!)es. de modo revolucion(rio em rela!ão [ situa!ão institucionali"ada. de destrui!ão em termos sociais. 1>726^2 $O5823B /258O6238S2^RO E 5O6<E/$RO. 2queles que reconhecem este do ) reconhecem igualmente o dever de seguir o chefe carism(tico. como do pr#prio chefe. com inova!)es formais e instrumentais. $eus limites se vão configurando [ medida que surge a conveniência de dar uma estrutura permanente. =andhi. na capacidade e traordin(ria que eles possuem. T daí que eles emergem para indicar carismaticamente alternativas radicais. nacionalistas.52/8$12 %MO Cari&(a. 2ssim esbo!ada. se a missão é deveras cumprida. ditatorial. . formalmente organi"ada. partindo da e istência de particulares condi!)es de desigualdade. e istem tendências sistem(ticas [ dessagra!ão e ao ]consumo]. líderes religiosos. estão. Ele é acolhido como portador da seguran!a fundamental. \ O conceito sociol#gico cl(ssico de 5arisma foi apresentado por 1. mediante uma e periência social que e ige conversão Jme-tan#iaL nas atitudes e comportamento dos sequa"es. institui!)es reguladoras de determinados setores da sociedade. 2tat_rg. as sobreditas precondi!)es. porém.ara delimitar esta tese. diante dos quais o carism(tico é visto como um salvador. Peber para caracteri"ar uma forma peculiar de poder. embora este. a for!a. filantr#pico. forte e l(bil. +oda a e pressão do processo carism(tico. surgindo de Wmbitos produtivos e reprodutivos deli itados) subculturas.E6w1E6O$ \ 6a tentativa de distinguir as condi!)es típicas do aparecimento dos fen*menos carism(ticos. a situa!ão carism(tica é. 1ais. \ . na ética pr(tica do bem-estar das sociedades neocapitalistas. 88. ao cabo. as novas regras. 6os casos em que aparece em evidência o líder e o plano de salva!ão por ele proposto. possa ter uma e pressão de dimens)es apocalípticas. 2. 6grumah. Estes fen*menos estão associados a condi!)es de falta de moderni"a!ão política e econ*mica e a ê itos de car(ter totalit(rio. se verificou. observar que.ondo como centro dos fen*menos carism(ticos um certo tipo de rela!ão de autoridade baseada fundamentalmente no líder) a an(lise hist#rica usou seus conceitos principalmente no estudo de homens de Estado. 3enin. 6as sociedades moderni"adas. Esta perspectiva foi notavelmente ampliada por estudos recentes sobre os processos de mudan!a social e sobre a importWncia dos movimentos sociais. 888. político. presentes. em numerosos e diversos pontos das estrutras. não circunscritas ao pr#prio Wmbito ou institui!ão. o modo de distribui!ão do poder. sagrado de uma tradi!ão nem da legalidade ou racionalidade de uma fun!ão. Embora o fato carism(tico seja em si imprevisível. . ao papel do chefe. quanto mais questionados forem o tipo de legitima!ão. sob esta perspectiva. de sofrimento.

O contato com o carism(tico é outra modalidade típica da transmissão. partindo antes do grupo que vive a e periência coletiva de uma fé e de uma conversão tipicamente carism(ticas. . quanto o papel ativo de todos os membros do grupo no processo de criação coletiva de valores) verificados na pr(tica comum. originando um novo sistema social. \ +ornamos a encontrar nesta perspectiva a figura do chefe carism(tico. [s recompensas. voca!ão essencialmente diversa do comportamento conformista. mormente no confronto das imagens cl(ssicas. na reestrutura!ão dos valores fundamentais e.%I' 52/8$12 2 conversão. na an(lise destes fen*menos. a defesa social e uma seguran!a psíquica profunda. Os processos coletivos de origem política. de oposi!ão cultural. ao contrarie.O. contudo. O 3C7E/ 52/8$1:+85O 7E6+/O 7O =/>. na condi!ão de grupo. Estas afirma!)es são metodologicamente v(lidas. e não tanto a sua teadership interna Jque também pode ser carism(tica no sentido pessoal do termoL. que na 9ltima década se multiplicaram e difundiram. por uma fé vivida como dom e como dever. etc. sobretudo no estudo de movimentos ligados a um líder carism(tico. conseq_entemente. 6ão obstante a oposi!ão te#rica entre o car(ter pessoal do 5arisma e o car(ter formal da institui!ão. passividade em face do dever. o que pode ocorrer a partir de uma e periência das contradi!)es particulares do sistema de produ!ão e de poder. /E32^RO 52/8$12-86$+8+>8^RO. de todos os comportamentos derivados. . de famosos chefes carism(ticos. mesmo fora do grupo dos sequa"es. necess(rias para a reconstru!ão e desenvolvimento da identidade dos indivíduos. O ligame do parentesco) particularmente o da descendência com direito [ a/uisição heredit#ria) tem sido uma forma bastante comum de perpetua!ão do 5arisma. particularmente nas sociedades neocapitalistas ocidentais. $e o movimento se difunde e consegue alcan!ar o poder legítimo.or isso. \ 2tendendo [ l#gica da conversão.ara garantir a continuidade da e periência carism(tica. interiormente. 8<./:+852 E +Eh/852 7O$ . T a fisionomia deste tipo particular de comportamento coletivo que caracteri"a movimentos sociais e até e periências de grupo mais limitadas. religiosa. 52/8$1:+85O$ <. esta forma de transmissão fa" coincidir os dois termos. que se apresentam como formas de uma nova sociedade em estado nascente. das fases em que nasceu e se foi afirmando. O poder que o grupo reivindica se baseia em valores que ele pr#prio cria e prop)e. o 5arisma se consolida com novos apoios.O. aqueles resultados capa"es de o impor como líder) dotado de dons e traordin(rios na encarna!ão da missão pr#pria do movimento. se baseia na mudan!a interior. 3( dentro pode fa"er crescer as contradi!)es até o ponto de provocar fendas no movimento origin(rio. <8. fundamentalmente estereotípicas. e cuja efic(cia se quer demonstrar ativamente. a cada um dos membros. que são corretamente demi-ti"ados para an(lise dos seus ligames concriativos com o grupo que reconheceu sua autoridade. do que dos líderes reconhecidamente dotados de 5arisma. somando a for!a dos dois diversos tipos de autoridade que aí se re9nemB a autoridade legal. vividas como algo radicalmente diverso em rela!ão aos ]demais]. 6este sentido. +êm sido especificados. ele oferecer(. 81. numa fé e atividade pr(tica novas. +ende por si a difundir uma consciência de valores e uma pr(tica alternativa em rela!ão aos fins. é um membro entre outros e s# gradualmente desenvolve aquela capacidade. [s normas. O grupo carism(tico apresenta-se a si mesmo. não o reconhecem de nenhum modo. 2 forma mais importante e passível de ser formali"ada é. vendo nele a garantia de uma verdade e efic(cia superiores. se oferecem. no plano psicol#gico. Este muitas ve"es não se acha de fato na origem do movimentoY em primeiro lugar. \ . resultando daí um novo grupo formado por aqueles que reconhecem seu 5arisma. e ercido até sobre aqueles que. como quadro de referência e coletividade de agremia!ão inteiramente novos. artística. é indispens(vel legitimar alguns mecanismos de transmissão do 5arisma e a organi"a!ão da autoridade e das atribui!)es da nova institui!ão que se pretende consolidar. a da outorga do Caris a por o0ício7 O e emplo hist#rico da 8greja cat#lica é apresentado como um caso cl(ssico deste tipo de institucionali"a!ão. aqui não se sublinha tanto a rela!ão de autoridade entre os sequa"es-fiéis e o chefe-profeta.E6w1E6O$ 7E =/>.O/+Q6582 . é possível considerar ainda os fen*menos carism(ticos. numa na!ão ou numa vasta coletividade. aquela for!a persuasiva. [s oportunidades oferecidas pelas cren!as dominantes. baseados no poder direto e condicionante. negada na sua condi!ão pree istente e substituída na conversão. quando menos num sentido simb#lico de ruptura e de reconstru!ão b(sica. como alternativa institucional. convém distinguir normalmente as situa!)es em que o 5arisma coincide j( com o poder formal. ética e instrumental. .or isso. alguns dos modos pelos quais o 5arisma é transmitido a outros para sobreviver. da qual se passa [ contesta!ão radical dos valores e contradi!)es fundamentais.

os segredos da arte médica. isto é. e o vulgo. e iste uma divisão dicot*mica e conflitante da sociedade entre a 5asta nobre Jsacerdotes. enquanto possível. $enegWmbia. se observa que esta adota uma rigide" diversa nas regras relativas aos tipos de conflito e ternos e internos que o grupo tem de enfrentar. como o budismo e o islamismo. agora em marcha. identific(veis como 5astas.. 2qui parece indubit(vel. 2 institui!ão assim legitimada possuir( um poder interno de controle social e um poder de continuidade elevadíssimos. end#gamo. 23-E/O68. 8. que elas tiveram uma origem racial. JOrigin(ria do espanhol e do português. 6o antigo Egito.L =rupo social fechado que se reprodu" de forma end#gama e cujos membros levam vida social diversa e. os guerreiros. encontraram-se noutras partes do globoB na :frica oriental J$om(lia. 5. $083$. 6a an(lise da sua estrutura!ão funcional em ordem a um fim. foi mantido pela nobre"a. por e emplo. . . de um grupo tenden-cialmente fechado. constituíam uma 5asta sacerdotal que ia transmitindo. geralmente entregue a trabalhos artesanais. não as puderam erradicar. política porque. é o crescimento de acentuadas diferen!as sociais no seio de comunidades etnicamente homogêneas. os comerciantes e os artesãosY entre os hebreus. esse car(ter de 5asta. $istemas de 5astas. O n9mero de 5astas se multiplicou desmedidamente com o decorrer dos séculos. &ovi ento e istituziont) 8l 1ulino. 1ilano %OKF. havia grupos sociais. %OKIY /. havendo constituído a estrutura de toda a sociedade indiana. +u5GE/. guerreiros. #I#LIO)RAFIA. o poder político e os privilégios sociais são distribuídos levando-se em conta se os indivíduos pertencem ou não a uma 5asta. ]linhagem]. também chamada por ve"es de 5asta aristocr(tica ou no-bili(rquica Jv. +em importWncia. T assa" freq_ente as 5astas se caracteri"arem pela fun!ão social que os seus membros e ercem de forma heredit(ria ou e clusiva. Charis a7 order and slatus) in ]2merican $ociological /eviea]. O país onde o sistema social de 5astas teve maior desenvolvimento foi certamente a Cndia. não é possível especificar um conjunto de proposi!)es ideol#gicas e te#ricas que constituam um corpo orgWnico e que se possam atribuir especificamente a . na sua ]doutrina] ou produ!ão te#rica. 6a hist#ria da Europa medieval e moderna. numa sociedade onde e iste uma ou mais 5astas. deriva do adjetivo latino castus) ]puro]. c=8O/=8O -826508d Ca&tri&(o. 52$+/8$1O E 12/`8$1O-3E6868$1O. 5omunit[. . em /uanda. normalmente. 1adagascar. 5asta. e a autoridade por d(diva e cepcional. 2 divisão em 5astas teria sido imposta pelos povos (rias. conquistadores da índiaY assim eles se manteriam distantes das popula!)es pree istentes subjugadas Jdravídicas e pré-dravídicasL. que ligavam sua origem ao deus Escul(pio. a julgar até pelo pr#prio nome dado [s 5astas Jvarna) corL. tradicionalmente tidos como impuros Jferreiros. oleiros. PE-E/. $# o processo de moderni"a!ão.olinésia e na 2mérica précolombiana. pastoresL. cC+23O 7E $267/Ed Ca&ta. a fun!ão sacerdotal estava reservada e clusivamente aos membros da tribo de 3eviY na antiga =récia. os asclepíadas. veio abalar sua solide".52$+2 %I% burocr(tica. 5cono ia e sociei= J%ODDL. carpinteirosL. que se distinguiam por sua específica fun!ão socialB os sacerdotes. com fun!)es específicas heredit(rias Ja atividade militar ou a fun!ão p9blicaL. 2 distin!ão destas formas é 9til para se poder decompor corretamente o processo de legitima!ão e de organi"a!ão do fato carism(tico concreto que. 6a origem das 5astas o que vale muitas ve"es são as diferen!as raciaisY outras ve"es. racialmente caracteri"ada. \ 5om o termo 5astrismo. no entanto. como é sabido. aparecem quatro 5astas num tardio hino do Rigveda$ brah ana) os sacerdotesY Rsatria) os guerreirosY vaisia) os agricultores e comerciantesY sudra) os lavradores mais humildes e os servos. dentro dos termos habituais da psicossociologia da organi"a!ão. embora menos comple os. The theory o0 charis atic leadership7 in ]7aedalus]. -ologna %OF%Y E. 1assaiL. separada do resto da sociedade. /eligi)es universalistas. 8gnoradas nos antigos hinos védicos.. verão de %OKFY 1. 6estes 9ltimos casos. tecel)es.idel 5astroY os aspectos mais relevantes da personalidade e obra do líder cubano não h( que busc(-los. se fundamenta sempre na constWncia da fé e da e periência habitual do grupo. de gera!ão em gera!ão. 6O-/ES2L. O fen*meno das 5astas e istiu e subsiste ainda em numerosas sociedades pré-mo-dernas. ```. =alla.

o que caracteri"a o pensamento de 5astro é a sua progressiva e constante evolu!ão das posi!)es iniciais. como também ]contr(rios]. \ =ra!as justamente [ e periência cubana. guerras anticoloniais. 7ebra4. particularmente efica" contra um advers(rio munido de meios e for!as mais poderosas. fundamentalmenteB o pragmatismo. buscar-se noutros aspectos. T bom realmente salientar que as op!)es socialistas de 5uba se aprofundam e consolidam precisamente nos anos em que entram em profunda crise o conceito do 5stado-guia e as rela!)es tradicionais entre os partidos comunistas Ja ruptura definitiva entre a 5hina e a /9ssia. condu"ida de acordo com uma t(tica guerrilheira. com o termo 5astrismo se sinteti"am determinados aspectos peculiares do processo revolucion(rio cubano. dernocr(tico-radicais. ?uis-se [s ve"es fa"er de 5uba um modelo capa" de servir de apoio a teses polêmicas nos confrontos da ]ortodo ia] revolucion(ria dos partidos comunistas oficiais. jacobinismo. em sua marcha. 2p#s estas premissas. 1as. historicamente. etcL. [ qual se hão de subordinar as pr#prias e igências militares. não é possível a revolu!ãoB ]. a guerra de guerrilha. tem sido possívíl distinguir nele claros elementos de populismo. 2o mesmo tempo. guerras de liberta!ão. para as quais a luta não pode ser senão armada. caudilhismo. de admirar que os modelos em que se inspirava a evolu!ão da situa!ão cubana parecessem a alguns. transforma!ão das estruturas. na inten!ão dos chefes cubanos. como di" /. no debate mais geral a que nos referimos. 1ais. cujas peculiaridades são. quando se fala em guerra de guerrilha) ninguém se refere mais a uma simples técnica militar. por e emplo. contrariando toda a tradi!ão revolucion(ria. no sentido de que [ a!ão militar devia constantemente seguir-se o incitamento insurrecional nas cidades. o fato de que. $ob o ponto de vista da teoria mar ista-leninista e revolucion(ria. Em suma. mas a uma forma de luta JarmadaL revolucion(ria. a do partido Jmar ista-leninistaL. é mister precisar que o 5astrismo. o que fa"ia com que pudessem ser usados. não s# ]alheios] [ ortodo ia. . ao invés.orém. 2 verdadeira novidade do modelo cubano deve. um retorno [s tem(ticas revolucion(rias e ]terceiromundistas]. 7e acordo com essa e periência. fen*menos de banditismo. para as quais o sucesso da revolu!ão cubana constituiu claro ponto de referência. como sin*nimo de via cubana para o socialismo. é necess(rio um partido revolucion(rio] J1ao +sé-tungL.ara fa"er a revolu!ão. se verifica no Ocidente. é então que ocorre o alinhamento da esquerda em geral. para um mar ismoleninismo declarado. cujo objetivo é a conquista do poder político. talve" até com violência polêmica. especialmente Jmas não s#L como modelo aplic(vel aos países subdesenvolvidos e coloniais. deuse em %OK&LY num conte to mais geral. era ponto basilar da teoria revolucion(ria moderna Ja mar ista-leninista ou a ela assimiladaL que. constru!ão de um novo sistema político. evoluía progressivamente para a guerra do povo. na realidade. conforme for a fase do processo revolucion(rio a que se refereB conquista do poder. 6a realidade. T por isso que trataremos separadamente do 5astrismoB aL como 0or a de luta revolucion#riaO bL como odelo de construção do socialis oO cL como regi e político7 88. o processo revolucion(rio teve sempre uma dire!ão política. a novidade do 5astrismo é outra. . nesta primeira acep!ão. O que autori"ou /égis 7ebra4 a falar de revolução na revolução) foi. o 5astrismo é. se encontrou com o mar ismo]. a guerra de guerrilha foi sempre adotada como t(tica defensiva. ao privilegiar resolutamente o fator militar.%ID 52$+/8$1O mas na sua capacidade política. enquanto a guerra de guerrilha. sin*nimo de guerra revolucion(ria pelo poder. nas e periências hist#ricas precedentes. fosse ele um invasor estrangeiro. refor!ada. $ão fundamentalmente as circunstWncias reais Jmormente a rapide" dos acontecimentosL que e plicam por que é que isso não se reali"ou cabalmente. portanto. fosse o pr#prio poder central Jrevoltas endêmicas de camponeses. $e ele se apresenta historicamente como tipo intermédio em rela!ão aos outros dois modelos revolucion(rios vencedores Jo bolchevique da insurreição) e o chinês da guerra do povoL) também se situa objetivamente dentro das concep!)es revolucion(rias cl(ssicas. O 52$+/8$1O 5O1O . pois. de ve" em quando. mediante um trabalho de an(lise e abstra!ão a posteriori que. o que se chama 5astrismo é uma a!ão revolucion(ria empírica e conseq_ente que. a estratégia escolhida levava em conta ambos os modelos. guia e vanguarda do movimento total. ]historicamente. geralmente em polêmica com os partidos comunistas. . parece não e igir Jrejeitando-a até. 6ão é.O/12 7E 3>+2 /E<O3>58O6:/82. como também as pr#prias inten!)es e interpreta!)es dos seus protagonistas. etcL. assume significados particulares. sem a dire!ão política do partido.ortanto. o empirismo e o ecletismo Jtanto que. [s ve"es. O car(ter de profunda ruptura que diferencia o 5astrismo residiria então no fato de que. e cedeu não s# os reais acontecimentos de 5uba.

se converter( em verdadeiro guia do movimento total. ou seja. teoricamente. como da. com muita ra"ão. a cria!ão de um 0oco guerrilheiro por um pequeno grupo armado. desmentida pelos fatos Jpor e emplo. que é propriamente castrista. ou seja. na realidade.polêmica contra as agremia!)es políticas tradicionais. O sucesso do 5astrismo no Ocidente. ap#s o malogro da aventura boliviana de =uevaraL.. são ditadas pela fome do povo. contudo. O 52$+/8$1O 5O1O 1O7E3O 7E 5O6$+/>^RO 7O $O58238$1O. em boa medida. são muito semelhantes as posi!)es sustentadas pelos atuais grupos terroristas. 7e resto. de teori"a!)es a posteriori) de racionali"a!)es da e periência concreta. se elevar( a consciência das massas. Em outras palavras. a discordWncia que marcou toda a fase guerrilheira da revolu!ão cubana. como é #bvio. que se ressentem tanto do esfor!o voluntarista reali"ado pelos castristas ao iniciar a guerrilha. Austamente por isso. tem. 2 revolu!ão cubana coincide com a volta. entre sierra Jguerrilheiros da montanhaL e llano Jorgani"a!)es políticas da cidadeL. o problema mais geral de . devido [s suas condi!)es de miséria e opressão. o da auto-suficiência econ*micas cujo pressuposto é e atamente a industriali"a!ão. na realidade. conquanto as matri"es culturais sejam diversas. mas antes sobre a pr#pria hegemonia da revolu!ão. 2 conseq_ência mais imediata de uma estratégia deste gênero é que. T de acentuar também que essa op!ão parece tanto mais ins#lita em rela!ão aos modelos passados. pelo mero fato de haver empunhado as armas. por um lado. \ O socialismo cubano. quanto mais se pensa que a domina!ão colonial e imperialista havia for!ado rigidamente a ilha a uma economia agrícola de monocultura Jcana-de-a!9carL. a influência do 5astrismo foi muito mais profunda do que habitualmente se pensaB as teorias da ação eGe plar e do detonador social) sustentadas por grande parte dos movimentos juvenis e traparlamentares. é f(cil. 2s massas estão. 6ão podendo acompanhar as diversas implica!)es de um debate que. objetivamente prontas para a revolu!ão. aumentar( suas possibilidades políticas. entender sua repercussão e efeito político entre os revolucion(rios daquele continente e do +erceiro 1undo. a vanguarda se consolidar( politicamente. seja devido [s reformas econ*micas e sociais reali"adas nas zonas libertadas7 +rata-se. a vanguarda do processo revolucion(rio não é mais o partido. . pelo menos em sua primeira fase. as condi!)es de miséria e opressão das massas populares Jem 9ltima an(lise. um longo processo em que o trabalho paciente e a organi"a!ão e educa!ão política a longo pra"o desembocam na subleva!ão armadaY suas condi!)es.artido 5omunista.aralelamente. na 5hina e nos outros países socialistas industrialmente atrasados. praticamente a boa parte dos países subdesenvolvidos e certamente a quase todos os países latinoamericanos. a organi"a!ão e a dire!ão política. sem d9vida. camponesasL sejam idênticas [s dos cubanos nas vésperas da revolu!ão. até em situa!)es nacionais. O que é necess(rio não é. foram. mas a pr#pria guerrilha. pois. afora as particularidades contingentes. co ou se partido> Jo grifo é nossoL. T quanto basta para que o incêndio se ateie como mancha de #leo. sua manuten!ão. onde uma revolu!ão guerrilheira é naturalmente impens(vel. não versava sobre aspectos t(ticos ou militares. pelo terror desencadeado para conter as rea!)es populares e pelas ondas de #dio criadas pela repressão] J5he =uevaraL. destinada a dirigir os quadros militares. transcende. no Ocidente. a tem(ticas revolucion(rias fortemente ligadas. mas um e emplo concreto. $er( indispens(vel a condi!ão subjetiva do partido revolucion(riof 6ãoB ]6ão é sempre necess(rio esperar que se dêem todas as condi!)es para a revolu!ãoY o foco insurrecional poder( cri(-las] J5he =uevaraL. foi orientado para o desenvolvimento da agricultura e não para a ind9stria. tanto quando se referem [s e igências do Partido co unista co batente) como quando invocam a pr(tica da viol-ncia di0usa7 888. portanto. um fundamento diferente. e cria!ão de outros focos em outras partes do país. pelo contr(rio. e. como aconteceu na /9ssia. ao crescimento de movimentos que se colocam ][ esquerda] dos partidos comunistas. ela parece aplic(vel a todas as situa!)es nacionais em que. o correlativo bem claro da teoria dos 0ocos7 E. pela sua comple idade.52$+/8$1O %I& em certa maneiraL uma organi"a!ão política [ parte. especialmente o . assentando precisamente mais em seu valor de ruptura dos esquemas consolidados que em sua aplicabilidade. por outro. portanto. bem vistas as coisas. >ma discrepWncia que se prolongou até bem depois da conquista do poder. a uma visão internacionalista e antiimperialista. seja por meio da propaganda ar ada) obra das forma!)es guerrilheiras. 6o curso do processo militar. 6este conte to. os revolucion(rios.. ]. +ornou-se famosa esta frase de 5astro que bem sinteti"a tal concep!ãoB ]?uem far( a revolu!ão na 2mérica 3atinaf ?uemf O povo. o primeiro objetivo deveria ter sido. o caso isolado de 5uba Jatinge. pela rea!ão provocada pelo confronto dessa mesma fome. $e a mecWnica ]e portabi-lidade] do 5astrismo foi. 2 revolu!ão não é.

ou disporão. isto é assa" manifesto a partir do malogro do projeto que visava a garantir a auto-suficiência financeira com o progressivo aumento das e porta!)es de a!9car. é indubit(vel que cada ve" se foi delineando mais uma situa!ão de clara dependência da >/$$. tudo. O 52$+/8$1O 5O1O /E=81E . se sup)em menos moderni"adas que a classe oper(ria e as camadas urbanas.%IM 52$+/8$1O todos os países ]subdesenvolvidos] que se disp)em. 2 planta!ão de a!9car. o campo dos Estados socialistas Je o seu potencial industrialL j( est( em condi!)es de transferir. etcL.idel 5astro e o proeminente papel por ele e ercido no primeiro decênio da revolu!ão cubana Jo decênio propriamente dito do 5astrismoL. normalmente. nunca suficientemente sublinhados. Em segundo lugar. porquanto. a acolher com reserva todo o esquema interpretativo e cessivamente rígido Jde resto. não disp)e de recursos naturais que possam justificar uma industriali"a!ão for!ada segundo os modelos do passado. s# se pode p*r a longo pra"o. ser( todavia oportuno esclarecer alguns aspectos do problema. mas de um regime comunista. necessariamente. etcL. conforme acentuou a crítica. a ren9ncia [ auto-suficiência econ*mica tem como conseq_ência lan!ar 5uba numa esfera de influência. a za0ra não é o simples corte da cana. dentro de um quadro geral de esfor!o maci!o visando ao estabelecimento da necess(ria infraestrutura social Jescolas. o apoio ao regime socialista continua confiado [s massas camponesas que. a hist#ria de 5uba j( não é mais a hist#ria do 5astrismo. 6o plano econ*mico. 8<. os pr#prios modelos soviético e chinês apresentam peculiaridades bem marcantesL. 7esta maneira. ane o [ planta!ão. uma grande empresa agrícola e. ind9stria média de transforma!ão. sem os quais passam despercebidos. a percorrer os caminhos da independência nacionalL. além do mais. O embargo sobre o a!9car cubano criou. para todos os efeitos. no sentido tradicional do termoB latif9ndio de um lado e. quer quanto [ venda do a!9car. O problema de 5uba era o da gestão socialista da rede de grandes empresas agrícolas e da cria!ão paralela de uma estrutura industrial de apoio [ atividade econ*mica de maior relevWncia. 2s conseq_ências destas op!)es econ*micas são. de fato. Em segundo lugar. O perdurar das dificuldades econ*micas e a impossibilidade de dar uma satisfa!ão [s demandas sociais. para e trair depois do campo os e cedentes necess(rios [ industriali"a!ão. certamente. na realidade. $e estas são as op!)es estruturalmente determinantes. que acima recordamos.O3C+85O. frutas. por defini!ão. essencialmente duas. dentro do plano da coopera!ão internacio-nalista. uma situa!ão de monop#lio da demanda por parte dos países do 3este. Em primeiro lugar. Então. hospitais. quer quanto aos produtos industriais. obstinando-se em fa"ê-los entrar plenamente no processo revolucion(rio e no da gestão socialista das estruturas econ*micas Ja za0ra) neste sentido. teve sempre mais um car(ter de mobili"a!ão social de massa que de atividade econ*mica sa"onalL. os termos reais da discussão. 5uba é um pequeno país que. uma ind9stria aut*noma de base é um objetivo que. bem como de "onas agrícolas de culturas diversificadas e intensivas destinadas aos produtos de primeira necessidade Jhortali!as. embora ela tenha estado isolada por longo tempo na 2mérica 3atina. é. se encontra o ingenio ou refinariaY por outro lado. tornando-a tribut(ria do campo socialista. mas toda a série de atividades que culminam no refino. j( mostramos como a estratifica!ão de classe se caracteri"ava em 5uba pelo predomínio dos oper(rios agrícolas e como o 5astrismo contou com eles. acabaram por incidir irremediavelmente sobre a autonomia política do regime. O pr#prio fracasso das guerrilhas e de e periências democr(ticas como a chilena ajudaram também a perpetuar o férreo isolamento a que a ilha tinha sido constrangida. do outro. o da terra para os ca poneses) aliados assim [ classe oper(ria e inseridos n# processo de mobili"a!ão revolucion(ria. tradu"ida na acentua!ão dos incentivos orais sobre os ateriais e na perpetua!ão artificiosa de um clima de permanente mobili"a!ão revolucion(ria. leite. portanto. ?uanto ao segundo ponto. no que toca [s rela!)es de classe. no que respeita [s rela!)es internacionais. não obstante. massas camponesas em condi!)es feudais. a solu!ão de muitos problemas que a >/$$ e a 5hina tiveram de resolver por si s#s. \ O fascínio pessoal de . O problema real da economia cubana não era. ao mesmo tempo. é #bvio. juntamente com a precariedade das estruturas políticas e de =overno do pais. ?uanto ao primeiro ponto. é preciso acentuar que as condi!)es da ilha antes da revolu!ão não eram as condi!)es do subdesenvolvimento agrícola. o papel aut*nomo reivindicado pelo grupo dirigente durante os primeiros de" anos e a aspira!ão de vir a ser Estado-guia dos países não alinhados foram sendo pouco a pouco redimensionados. particularmente para o observador ocidental. 2lém destas circunstWncias reais. que levam. Em primeiro lugar. estrutura basilar da economia cubana. fe" pensar que nos ach(vamos diante de um .

c3>5826O -O6E+d Catolici&(o Li%eral. embora o de ]cat#lico liberal] possa talve" ter sido usado Jnão pelos contemporWneos. em ve" disso. sempre rigorosamente di-dasc(lico e pedag#gico. chefiando seus paroquia-nos. para designar um catolicismo que não s# aceita mas propugna as formas de =overno liberais.eltrinelli.I&5) apesar dos contrastes freq_entes entre $anta $é e Estados Jquando não chegavam ao cismaL. O termo 5atolicismo liberal é um termo do século `8`. 7E-/2U. sindicatos. para 1. podíamos. ao mesmo tempo. a alian!a entre o trono e o altar. (critti) discorsi e diari di guerriglia7 %OIO%OKE. muito baseada no em-pirismo e na mobili"a!ão ideol#gica. na 8t(lia e na -élgica mas com ramifica!)es na Espanha e na 2mérica 3atina. por isso. 8e radiei storiche della rivoluzione cubana) in ]8deologie].CI5. o contrabandista. co it-s de deEensa revolucionaria) etcL. sem referências com períodos anteriores. é. o esquema de argumenta!ão do chefe carism(tico é pro09tico) isto é. Einaudi. O 5atolicismo liberal se delineia na . pelo qual são usurpadores aqueles que se proclamam soberanos. O rebelde. 6um plano mais geral. era um pecador.ran!a. embora sempre tenso e apai onado. por outras palavras. 2p#s a primeira fase de consolida!ão do regime. qualquer que fosse sua importWncia. não sem problemas. +0O12$. 52$+/O.rocurava assim criar. totalmente negativa. #I#LIO)RAFIA . em seu íntimo. especialmente entre o clero se torna patente uma divisão entre aqueles que se conservam fiéis [ idéia do direito divino dos reis e ao princípio da legitimidade. neste sentido. mesmo sem ter chegado a a!)es contra o soberano Jque é dependente somente ao juí"o de 7eusL. aplic(vel [ realidade contemporWnea.] I-K. $em querermos discutir se e em que medida a categoria do poder carism(tico é. se institucionali"ar. Peber. e julga não ser oportuna. mas pelos narradores de nosso tempoL para indicar sacerdotes ou leigos de ]manga larga] Jde consciência liberal e abertaL. R?. misturando-se com o povo e mantendo com ele di(logos imprevisíveis e e temporWneos Jpense-se. e seus c9mplices. sem mais. níveis de autonomia e de rela!ão dialética em face do poder central. perguntar se o regime cubano não ter( favorecido uma rela!ão de tipo carism(tico na gestão do poder. 6a verdade. p)e toda a sua efic(cia numa argumenta!ão racionalmente apresentada. sempre citada como e emplo de aptidão carism(tica.idel 5astro.. ocorreu também em 5uba o que Peber j( havia definido como tendência intrínseca da autoridade carism(ticaB a de e aurir e. na realidade.].52+O3858$1O 38-E/23 %II regime político típico de poder Jlegíti oL caris #tico7 . posto de parte seu h(bito de percorrer a ilha de cabo a cabo. e emplar.rancesa. tem por fim persuadir7 + famosa ]2utocrítica] de DK de julho de %OE' é. é. 8Fottobre cubano) Einaudi. 8a rivoluzione cubana7 Editori /iuniti. 2lém disso. /oma %OK%Y /. antítese dos escrupulo-sos. visa [ revelação) segundo aquela f#rmulaB ]Est( escrito. Enquanto a rela!ão carism(tica se define por seu car(ter i ediato e pela sua direção Jde alto para bai oL. em qualquer circunstWncia. sempre com medo de estar em pecado e que pusessem no mesmo plano qualquer infra!ão a preceitos religiosos. ap#s a /evolu!ão . aos s#lidos esquemas das democracias populares.. o grupo dirigente cubano p*s sempre o maior empenho em criar estruturas de igrega!ão e organi"a!ão da sociedade civil Jparido. Rivoluzione nella rivoluzione B . (toria di Cuba J%OE%L. 7e resto. grande parte do clero lutou com armas. ou seja. se não ter( sido favorecido em 5uba o culto da personalidade) entendido como e alta!ão de elementos carism(ticos na rela!ão com os governantes. embora não descure nenhum dos ardis do h(bil homem de comícios. +orino %OKOY 0.elo que concerne diretamente [ pessoa de . níveis intermédios entre a sociedade e o Estado e. 6o +.2>+. . contrastando o direito que caberia ao membro da família ou [ pessoa que recebeu do alto a investidura Jna Espanha. sua pr#pria orat#ria.idel 5astro foi pouco a pouco adquirindo novas dimens)es diante do constante robustecimento da gestão coletiva do poder e do tecido político que interliga a sociedade civil. 6a época da /estaura!ão. em favor do pretendente dom 5arlos contra . quem cunhava moedas falsas estava em pecadoY em pecado estava também quem criticava em seus discursos o monarcaY o confessor tinha que negar a absolvi!ão ao penitente que recusasse denunciar maquina!)es contra o soberano. a obediência aos preceitos do soberano constituía um dever também religiosoB o sonegador de impostos. com eles. mas eu vos digo. de qualquer modo. 50E =>E<2/2. O estilo orat#rio de 5astro. seu oposto.%OKFY . +>+86O. <:/. contudo. +orino %OE&Y $. o negador da potes-tade do príncipe. no estilo de $talin ou 1aoL. a pr#pria figura de .. ou. n. a resposta [ interroga!ão é.. +orino %OKF. 1ilano %OKEY E. durante a primeira guerra carlista. porém. Einaudi. o sistema político se ajustou.

Observe-se que nem o clero nem o laicado puderam compreender todos os cat#licos.apa renunciasse ao poder temporal. em sua grande maioria. e ao mesmo tempo cat#lico fervoroso. com sua organi"a!ão paramilitar. oriundos. e retribuído com a adesão incondicional dos seus homens Je respectivas mulheresL. de %F%' em diante. o 5atolicismo liberal se afirmou. no período que vai dos primeiros anos da consolida!ão definitiva da 8ndependência. pelo contr(rio. <aliam-se do seu magnetismo pessoal na condu!ão das tropas. em referência a esse fen*meno. O 5audilhismo é caracteri"ado pela divisão do poder entre chefes de tendência localB os caudilhos7 Estes líderes. desde que não contrastasse com a liberdade da 8greja e com o poder do magistério destaY afirmam outrossim que seria impossível ou. cat#licos liberais foram todos aqueles que aceitaram de bom grado uma 5onstitui!ão que importava na separa!ão da 8greja do Estado. manter o matrim*nio indissol9vel e dei ar [ 8greja o direito de regulament(-lo e de celebr(-loY punir o adultério. de estratos sociais inferiores ou de grupos étnicos discriminados Jmesti!os. que sustentou a proclama!ão do dogma da 8maculada 5oncep!ão. em a!)es guerreiras. não possuía uma linha . e aqueles que. mais do que tudo. onde entre a minoria do clero antifascista e istem integralistas cat#licos e elementos dispostos a colaborar com os socialistasB e dom $tur"o estar( sempre na antítese da política liberal. e poente do liberalismo e da atua!ão do programa cavouriano. dei ando uma livre competi!ão entre cat#licos e seus contr(rios Jquase como símbolo. ao invés. O termo foi usado até o fim do século `8`.assaglia.ara não confundir as diversas épocas. Esse poder carism(tico. constituiu um canal de mobilidade vertical.ara grande parte deles. O termo. 6a -élgica. seja contra o ainda mal consolidado poder central. o dos saudosistas dos velhos regimes e dos fautores das institui!)es liberaisY mas houve também muitos que se preocuparam somente da pr(tica religiosa e dos destinos da 8greja. em contraposi!ão com os integralistas intransigentes. de fato. as universidades de 3ovaina e de -ru elasL. considerando-se cat#licos liberais todos aqueles que queriam que o . a blasfêmia. mulatos. e ercido ao mesmo tempo de forma autorit(ria e paternalista. divididos em dois grupos. e enquanto compreensivo dos movimentos nacionais. mas deve conservar uma característica cristã na sua legisla!ãoB dessa forma. 5onsidera-se e poente do 5atolicismo liberal italiano 2le andre 1an"o-ni. prejudicial voltar aos velhos regimes. 5om o termo 5audilhismo nos referimos ao regime imperante na maior parte dos países da 2mérica espanhola. em certos casos. mas não aceita as diretri"es emanadas pelas hierarquias eclesi(sticas no sentido de votar por um determinado partido que garanta os interesses da 8greja.%IK 52>78308$1O os constitucionalistas. cat#lico liberal 1arco 1inghetti. nem a tomada de /oma constituíram verdadeiros traumas. na realidade. ao invés. mas num sentido impr#prio. não pode ser aplicado aos modernistas Jos seguidores de 1urri não são. 6a . em torno de %FD'. ministro de <ittorio Emanuele 8l e admirador de 5avour. negrosL. veemente opositor do matrim*nio civil. sustentavam ser aceit(vel pelo cat#lico qualquer forma política. O termo de cat#lico liberal ressurgiu ap#s o advento da /ep9blica. desejosos de uma coopera!ão entre 8greja e Estado. c2/+>/O 52/3O AE1O3Od Ca'dil4i&(o. como também aos incrédulos. que haviam recrutado geralmente nas (reas rurais e mantinham como reses requisitadas. e h( quem considere também 5ésar 5ant9. religiosamente ortodo o. garantir( igualdade de direitos aos membros de outras confiss)es religiosas. a rainha 8sabel e a regente 5ristinaL. 6ão é considerado. são muitas. quando se concreti"aram as aspira!)es de unifica!ão nacional. com o apoio dos senhores locais. desin-teressando-se dos acontecimentos políticos. mas nas discuss)es do . especialmente. é preciso acrescentar que para o cat#lico liberal do século `8` o Estado não somente não deve usurpar os direitos da 8greja. . para indicar o cat#lico que como tal se comporta na sua vida religiosa. de padres patriotas e padres moderados. índios. de origem espanhola. 6a 8t(lia. de qualquer forma. isto é. até %FK'. geralmente de origem militar. na questão do poder temporal. etcY o Estado. . é o adotado no uso corrente e científico. e $tefano Aacini. seja contra os seus iguais.ran!a se considerou tal o padre 3a-cordaire. tanto que nem os fatos de %OK'-%OK% Jredu!ão do Estado .arlamento de %FE% contr(rio [ transferência da capital para /oma. o 5audilhismo. da des-mobili"a!ão dos e ércitos que combateram nas guerras de independência.ontifício somente ao 3(cioL. quando se falava. para se poder constituir a unidade nacionalY a figura eminente foi o padre 5ario . 2s grada!)es. provinham. O termo. liberaisL nem ser usado para o regime fascista. porém.

tendo em vista sobretudo a imposi!ão de tributos. Este sistema estendeu-se a todos os países da esfera de influência européia durante o século `8`. passando a significar uma contribui!ão in natura ou em dinheiro. como se diria hoje. por isso. >m sistema eleitoral censit(rio continua geralmente a alargar seus limites. c12-E3 O38<8E/8d Cen&o. pelas conota!)es naturais e inorgWnicas que implica na região. conquistado pela maior parte dos países ocidentais no início do século ``. agora corrigido. O 5audilhismo representou em certos casos a defesa das estruturas s#cio-econ*micas tradicionais. empenhadas na constru!ão de Estados nacionais de acordo com o modelo liberal de inspira!ão européia Jconflito centro-periferiaL. a pr#pria palavra census acabou por perder o seu significado primitivo durante a época feudal. as divis)es sociais não se baseavam mais na origem nobre. 2 san!ão política de tal sistema surgiu com a forma!ão de um sistema parlamentar representativo. em &' de junho de %O%D. e cluindo-os. era concedido o sufr(gio a toda a popula!ão masculina maior de trinta anos JF. se estabeleceram. 6a 2mérica 3atina. como também o artesanato e a ind9stria incipiente. 2p#s a queda do +. que e cluía das elei!)es todos aqueles que não atingissem um certo 5enso. -astar( recordar que. para designar chefes de partido local ou de aldeia. >. 6a especifica!ão de census capitis continuava a designar a numera!ão das pessoas por interesses fiscaisY mas tais 5ensos eram irregularmente mantidos pelos Estados feudais Ja censa del sale) por e emploL. foi restabelecido o sistema proporcional. de acordo com o aumento da consciência política das categorias e classes sociais. o 5audilhismo foi um obst(culo [ reali"a!ão das aspira!)es das elites urbanas do comércio. 7urante os chamados ]anos negros da anarquia]. o termo caudilho ainda continua a ser usado. com características demag#gicas. R?. e não representa senão uma etapa rumo ao sufr(gio universal. mais facilmente adapt(veis [s necessidades do desenvolvimento econ*mico. burguesa ou r9stica. de conte9do ideol#gico. não sem luta. sendo instituídos &% colégios eleitorais e conce-dendo-se o direito a voto a toda a popula!ão maior de idade. %O. o direito a voto era reconhecido a todo o varão maior de idade.''' eleitoresL e que. 6a 8t(lia. como o de cacique. 2 nova sociedade burguesa se ia constituindo sobre bases estritamente censit(rias. mas ao lema das for!as antirepublicanas durante a =uerra 5ivil J%O&K-%O&OLB >una 0e) una p#tria) un caudillo>7 . 5ontudo.I&5 e a constitui!ão de regimes burgueses. a %K de de"embro de %O%F.F'Y os eleitores aumentaram para D milh)es. que incumbia ao senhor feudal pela concessão de uma terra em feudo. contrariamente ao que acontecia na Espanha. quer por meio de pactos entre caudilhos.5E6$O %IE política definida e carecia. O 5enso eleitoral era o custo da contribui!ão necess(ria para ser considerado eleitor. quer por obra e for!a individual de caudilhos de grande influência. de %I de fevereiro de %OMF. em alguns casos. da possibilidade de se fa"er representar politicamente. mas no fato de pertencer a uma classe com determinado tipo de renda. constituindo a típica burguesia ]compradora]. parte dos estudiosos da ciência política crêem que o 5audilhismo é particularmente significativo para a compreensão da gênese do militarismo na 2mérica 3atina. mantendo-se inalterado mesmo com a forma!ão do /einoY os eleitores eram cerca de KD'.'''. aos =overnos centrais de inspira!ão liberal. 2p#s as restri!)es fascistas do +. E igia-se a instru!ão elementar obrigat#ria e um 5enso anual de 3. c12>/O 21-/O$O38d . $istemas visando ao conhecimento da quantidade de bens possuídos pelos cidadãos estavam em uso j( no antigo Egito e nos reinos do OrienteB um meio destinado a mostrar bastante apro imadamente quais os recursos do Estado.E''. O 5audilhismo se e aure quando tais regimes cederam o lugar. tanto masculina como feminina. $eria longo acompanhar todas as vicissitudes da legisla!ão nesta matéria. finalmente. durante o período do 5audilhismo. O duplo significado da palavra latina census tradu" bastante bem a dualidade das alternativas censit(-riasB controle dos bens possuídos e posi!ão social em rela!ão a esses bens. ditaduras pessoais unificadoras. O epíteto foi e pressamente rejeitado pelos ditadores militares do nosso século.CI5. onde os partid(rios do franquismo chamavam oficialmente o seu chefe de Caudillo7 1as não se aludia neste caso [ tradi!ão latino-americana. Este n9mero foi depois ampliado em DD de janeiro de %FFD.resentemente. contra as elites burguesas que atuavam na e porta!ão de matérias-primas. 0avendo esta pr(tica caído cada ve" mais era desuso a partir da época das guerras civis. devido [s novas formas sociais que estavam surgindo. o sistema censit(rio teve uma primeira versão duradoura no (tatuío +lbertino) %FMF.

Ie dos sufr(gios e.. segundo a visão geométrica tradicional da política. 888. ou porque se considera que ambos os contendores estão erradosY então. onde ela alcan!ou MF. nos encontramos assa" freq_entemente com uma s#lida voca!ão centrista. ou porque se crê que ambas as posi!)es opostas apresentam elementos positivos tais que justifiquem uma síntese ou media!ão. lembrados da e periência dos anos I'. 5E6+/8$1O 8. nem revolu!ão] ao mais recente ]progresso sem aventuras]. ao longo de um século da nossa vida política. que se baseia na dicotomia ]mudan!a-con-serva!ão].%IF Centrí&(o. ligados por um pacto de unidade de a!ão. além disso.>658O621E6+O 7E >1 $8$+E12 7E . o 5entrismo. desde o sentido giolittiano ]nem rea!ão.$. e . se entende aquela forma particular de coali"ão quadripartida entre a 7emocracia 5ristã. O 5E6+/8$1O 5O1O 1O7O 7E .O3C+85OL. queremos lembrar que hoje. acima das fac!)es. 2lém disso. 7e =asperi preferiu aliar-se aos outros partidos menores do centro. podemos muito bem afirmar que. o . comunistas e socialistas. os partidos de centro. as tendências de opinião. a via justa est( em situar-se ao centro. podem ser assim esquemati"a-dasB escolhe-se o 5entrismo. \ 2percebemo-nos até aqui de dois usos correntes. o .artido 3iberal. com o fim de assegurar a sobrevivência do sistema democr(ticoparlamen-tar. . mas também em restabelecer a autoridade tradicional do Estado e em isolar a esquerda e a direita. daquelas for!as populares que a 8t(lia liberal e a 8t(lia fascista. O 5E6+/C$1O E1 =E/23. 2s motiva!)es que determinam o 5entrismo pressup)em todas elas a dificuldade da escolhaY todavia. Em linhas gerais. surgidas do seio do seu pr#prio partido.arlamento. como também eventuais veleidades autorit(rias. a maioria absoluta das cadeiras no . preponderantemente jornalísticos. 6a tentativa de p*r termo a tal impasse. como também de boa parte dos descendentes daquilo que se poderia justamente chamar ]partido dos not(veis] liberais. chegou-se ao ocaso do 5entrismo como f#rmula de =overno. era o partido não s# de grupos de origem cat#lica. através dos partidos que mais diretamente as representavam. a acusam com bastante freq_ência de ]neocen-trismo]. de imobilismo. acabou por não ser senão uma limitada amplia!ão das fontes de legitima!ão do =overno. não cabe a menor d9vida de que o 5entrismo corresponde ao moderan-tismo.artido $ocialista 7emocr(tico e o . a vit#ria de qualquer das duas e tremas. de oportunismo. enquanto para os centristas in 9dio est virtus) para os opositores. ?uando o grau de polari"a!ão das partes que se defrontam se eleva a ponto de p*r em grave perigo a m9tua e istência física. para e cluir do =overno os e tremistas da esquerda.artido /epublicano. 6ão obstante a possibilidade de organi"ar um =overno monocolor majorit(rio. época em que se formou o centro-esquerda. que constituiu a maioria sob a qual se mantiveram quase todos os =overnos do ap#sguerra até o início dos anos K'. ocupava o lugar do componente liberal.. 2 tarefa dos =overnos centristas da primeira legislatura republicana consistiu em iniciar a reconstru!ão do ap#s-guerra. 1as. livre do compromisso com os comunistas. esta nova coali"ão.h/1>32 7E =O<E/6O. $ob o aspecto valorativo. na opinião dos moderados. é então que nascem os agrupamentos.2/+87O$. 5ontudo. 5omo partido-coali"ão. integralistas e clericais. onde o . O 5E6+/8$1O 5O1O . O 5entrismo foi e cogitado por 7e =asperi. etc. acusando-a os opositores de imobilismo. 7epois dos =overnos do Co iialo di 8iberazione . as coali")es.8. E$. como solu!ão moderada.5. para a qual seria perniciosa. 1as o uso do termo 5entrismo pode ser também . dando lugar ao centro-esquerda. a fim de contrabalan!ar. devido ao moderantismo intrínseco que viciava a 7emocracia 5ristã. repetindo a e clusão. 88. e os e tremistas da direita. as atitudes e políticas cen-tristas. embora com sistemas totalmente diversos. 5entrismo é sin*nimo de indecisão. do termo de que estamos tratandoB é sin*nimo de moderantismo e designa uma f#rmula política que desempenhou um papel decisivo na hist#ria recente da 8t(lia.. de ser o fim de todo o prop#sito reformador e de toda a participa!ão popular. permitiu que a 7emocracia 5ristã assumisse o papel de partido hegem*nico dentro do sistema. \ 1as o uso do termo 5entrismo não se limita apenas a isto. neofascistas e mon(rquicos. o centro. Entre outros casos. \ 5entrismo deriva claramente de centro. 2tendendo finalmente ao caso da 8t(lia.artido $ocialista.2^O . isto é. não s# as alas e tremas da composi!ão parlamentar. O resultado de tal hegemonia não podia ser senão o da estabili"a!ão do sistema sobre bases moderadas. O ciclo do 5entrismo iniciou-se com a vit#ria eleitoral da 7emocracia 5ristã na consulta popular de %F de abril de %OMF. tanto que hoje muitos escritores políticos. e é a posi!ão intermédia por e celência Jv. sob esse nome.8.azionale) os =overnos centristas levaram a cabo o que alguns denominaram ]restaura!ão]. sempre tinham procurado manter cuidadosamente [ margem da vida política nacional.

isto é.ara 7uverger. 7istingue. >. . PE86E/. c23. um pluralismo moderado. 7iret#rio. =ar"anti. nova ed. vol. um pluralismo simples. vol.iren"e %OI'. ?uarta e ?uinta /ep9blica. 6este campo. o critério numérico se emparceira com o analítico Jv. e nos sistemas de multipartidarismo moderado se estabelecem coali")es alternativas. Enquanto for possível. tomadas separadamente. +/26.. a desempenhar o papel de comparsas. se uma das alas e tremas vier a governar. 3a 6uova 8t(lia. ser dominados e eliminados. . reali"ada por =iovanni $artori J%OKKL. &e orie della ia vila J%ODDL.olitique]. . ou bipartidarismo. . fa"endo referência e plícita [ . $2/+O/8. com a ajuda dos demais componentes da coali"ão. 5lezioni) in Il ondo conte por3neo) (toria dlialia) ao cuidado de 6. ao sistema dos partidos.ascita e avvento del 0ascis o) 3a 6uova 8t(lia. de alcance mundial. o partido de centro de maior peso procurar( tomar conta da cena. a nível de =overno. /esta acrescentar que. isto é. 8F9ternel orais7 5ssai sur le centris e 0rançais7 em ]/evue . Ce&ari&(o.ran!a da ?uarta /ep9blica. 12$+/O. tentando. 1as não se pode negar a 1aurice 7uverger o ter falado antes J%OKML deste 5entrismo.aris %OKKY =. 2 idéia de um poder forte. . `8<. por via da sua atitude de recusa e de oposi!ão radical. $egundo 8mpério.elo que se refere a este 9ltimo. . em seus escritos mais recentes. . 2 descri!ão mais adequada é a que resulta de uma amplíssima pesquisa dedicada aos sistemas partid(rios. 5E$2/8$1O. que soubesse desvincular-se dos interesses dos grupos e dos indivíduos e aliar-se estreitamente ao e ército com o fim de articular uma política equilibrada que correspondesse mais aos interesses .iren"e %OEF. =8O38++8. aqueles sistemas que apresentam multiplicidade de partidos. 1as voltemos a $artori que não fala tanto de 5entrismo quanto de sistemas de partidos cujo funcionamento se baseia no centro. [ 2lemanha de Peimar e [ 8t(lia contemporWnea. 5entrismo é usado para indicar a predominWncia dos moderados no interior de. . a luta política não se desenvolve baseada nessa contraposi!ão. incluídos aqueles que define ao mesmo tempo como dualísticosB neste caso. 8. 5 V.cada uma das duas forma!)es antag*nicas. 2 fisionomia do 5entrismo francês est(.23O1-2/2 e 1.2O3O.8O 12$+/O.ran!aise de $cience . 32 . dada a aspere"a dos antagonismos políticos.2=382. no multipartidarismo e tremo a mudan!a se limita a um rotativismo marginal entre os partidos menores. Enquanto os sistemas bipartid(rios apresentam um completo rotativismo entre os dois partidos principais.rimeiro 8mpério.. pelo partido maior. . a política francesa é determinada pelos grupos de centro. $8$+E12$ 7E .rinceton >niversit4 . +erceira. redu"ir ao mínimo o espa!o dos partidos de e trema que. T neste Wmbito que se desenvolvem todas as formas de substitui!ão do =overno. 8Y =. 6essa tipologia.2/+87OL. 7uverger acabou por estender o 5entrismo a todos os sistemas.. o 5entrismo refere-se a um conte to bastante específico. os de centro. #I#LIO)RAFIA . entre os sistemas de partidos europeus e anglo-sa )es. hip#teses que se podem agrupar fundamentalmente em duas teses essenciaisB para uma. nem sequer aparece o termo 5entrismo.. Entre as características negativas dos sistemas em questão. entre os quais prevalecem.ress %OKKY 8d.2O3Od Centro. se bem que referindo-se e clusivamente ao conte to francês.5E$2/8$1O %IO encontrado nos escritos de sociologia e ciência políticas. pois. fevereiro de %OKMY 8d. também chamado pluralismo polari"ado.ran!a. 1ilano %OKEY 2. ser( 9til lembrar que ele come!a por não aceitar as interpreta!)es anteriores sobre o sistema de partidos na . são definidos por $artori como anti-sistemas. e sendo e cluída toda possibilidade de alian!a entre elas. 1onarquia de Aulho.2$581O E -8$12/5G8$1O. mas sempre de somenos importWncia. de preferência.1. não obstante a aparente relevWncia do discriminador direita-esquerda.ress %OEKY 2. (ociologie polili/ue) . chamados de ve" em quando. marcada pela preponderWncia dos moderados da direita e da esquerda que receiam. por uma vasta (rea onde confluem os moderados das duas forma!)es tradicionais e em cujo Wmbito se podem dar oscila!)es. \ O termo 5esarismo tem sua origem hist#rica no regime instaurado na /oma antiga por 5aio A9lio 5ésar. 7><E/=E/. 2qui nos interessa somente o pluralismo e tremo. e um pluralismo e tremo. . isto é.. Parties and party syste s7 + 0ra eHorR 0or analysis) 5ambridge >niversit4 . o sistema francês est( organi"ado segundo um esquema dualísticoY a outra julga-o caracteri"ado por uma confusa multiplicidade. +2$52. Em sua e posi!ão. típico dos países escandinavos e das pequenas democracias continentais. 6a grande maioria dos regimes. são de mencionar sobretudo duasB a ineficiência e a instabilidade. 5urope=npoliticalpariiesO the case o0 polarized pluralis 7 in políticaC parties and political develop ent) ao cuidado de A. E&3a*o Político.

6este sentido. mais ou menos progressivo. O pr#prio =ramsci distingue o 5esarismo de 6apoleão 8. parece ter sido a de =ramsci. de uma situa!ão hist#rico-política caracteri"ada por um equilíbrio de for!as de perspectivas catastr#ficas]. de quando em quando. no jogo político que se desenrola num Estado cesarista. quando certas for!as sociais não atingiram ainda seu pleno crescimento. ao passar uma sociedade da dominWncia de um modo de produ!ão para a de um outro. ree aminado e reformulado de modo interessante. regressivo) porquanto não representa ruptura em rela!ão ao passado. que levaria a uma sociedade industrial moderna. j primeira vista. . acelerando o desenvolvimento do país.or isso. embora as condi!)es hist#ricas diferissem profundamente das condi!)es típicas do antigo 5esarismo. o 5esarismo designa a ]solu!ão arbitrai. uma forma de 5esarismo. se equilibram de tal forma que a continua!ão da luta não pode findar senão com a destrui!ão recíproca] J=ramsci. isto é. >sando uma terminologia de tipo mar ista. cria!ão. na antiga /oma. pode-se afirmar que ele corresponde a uma fase de transição em que. confiada a um grande personagem. Esta tenderia. o regime de -ismarcg seria típico de uma sociedade em transi!ão do feudalismo para o . como a burguesia e o proletariado J. . com o desenvolver-se da moderna sociedade industrial. enquanto.ara $aitta. ao contr(rio. tendentes a subtrair ao Estado um n9mero cada ve" maior de fun!)es. que. O fascismo estaria então unido [ presen!a de organi"a!)es de massa. a luta de classes se desenrolava no Wmbito de uma minoria privilegiada Jos cidadãos livresL. +rata-se. ali(s. Os acontecimentos do. contudo. de um certo equilíbrio entre as for!as políticas e sociais em campo. nestes 9ltimos tempos. inaugurando assim o regime democr(tico-representativo de tipo cl(ssico. relativamente aos chamados países ]subdesenvolvidos]. . assume um determinado significado político. fim do século `8` e da primeira metade do século `` introdu"iram outros dois conceitos que muitos relacionam não raro com o de 5esarismoB bismarcgismo e fascismo. se tornaria mais f(cil a forma!ão e desenvolvimento de uma burguesia nacional. p. todavia. mas é antes uma evolu!ão do tipo antigo. %OE%. o campo da luta de classes se alargou. se poderia ainda afirmar que o fascismo não é senão o 5esarismo da sociedade capitalista desenvolvida. o teimo 5esarismo alcan!ou not(vel sucesso.ara Aaguaribe. T indubit(vel que o bismarcgismo também se caracteri"a por uma relativa autonomia do Estado em face das for!as sociais. 6este modelo.ote sul &achiavelli) é chamada cesarista ]uma situa!ão em que as for!as em luta se equilibram de maneira catastr#fica. referindo-o especialmente a situa!)es sociais caracteri"adas pela. mais apropriado falar de -O62. pode-se falar. 1as talve" fosse particularmente 9til conservar certa especificidade do termo 5esarismo. de fen*menos notavelmente diversos entre si. 2pesar disso. Então. trata-se de uma ]analogia hist#rica superficial]. opinião que.L. o termo tem sido usado para designar os regimes instaurados na . D'OL. . a assumir como pr#pria a gestão do poder político.oulant"as. de modo que proteja o mercado nacional da penetra!ão de empresas estrangeiras e e er!a uma fun!ão de media!ão entre os diversos antagonismos. portanto. p. se bem que por motivos variados. $egundo 1ar . havendo merecido a aten!ão de =ramsci. do de 6apoleão 888.%K' 5E$2/8$1O globais da comunidade. $egundo isso. 6uma rubrica de suas . o papel do Estado é fortalecido. segundo condi!)es hist#rias. vindo a compreender praticamente toda a sociedade. 6o caso dos dois regimes napole*nicos. de um modelo de desenvolvimento de tipo neobismarcgiano. na qual. 6este sentido. diferentemente do que ocorre nos regimes fascistas. 1as convém observar que. segundo =ramsci. IFL. seria. não se achavam ainda bastante desenvolvidas for!as sociais fundamentais. 5om um sentido moderno.ran!a pelos dois -onapartes. o que distingue o fascismo do regime dos -onaparte é que aquele ]surge e se reali"a tão-s# onde e istem condi!)es efetivas para a passagem do antigo regime de base individualista para o novo regime de massa]. 5om isto.oder-se-ia então di"er que o fen*meno bismarcgiano pode mais e atamente referir-se aos momentos iniciais do desenvolvimento de uma sociedade. visto não se levar devidamente em conta que.2/+8$1O Jv. portanto. que possui um car(ter progressivo como conso-lidador de um novo tipo de Estado. pelo soci#logo brasileiro 0élio Jaguaribe. o regime de -ismarcg atuou numa situa!ão de transi!ão. que é. nenhuma dessas for!as. neste sentido. coe istem em tal situa!ão classes e grupos sociais característicos de épocas diferentes. todo =overno fruto de coali"ão entre v(rias for!as possui um certo grau inicial de 5esarismo. que poder( desenvolver-se até atingir formas mais plenas. se apresenta repetidas ve"es na literatura medieval e moderna. %OKK. se acha nunca completamente vencida. O conceito foi. caracteri"adas pela figura her#ica do chefe carism(tico. historicamente. em seguida. 1ais interessante ainda é a rela!ão com o bismarcgismo. os dois fen*menos parecem bastante semelhantes entre si. constituindo.

uma situa!ão de equilíbrio também pode ser favorecida pelas rela!)es que intermedeiam dentro do bloco do poder dominanteB entre os grupos principais das classes que dominam e as chamadas for!as de apoio que estão sujeitas [ sua influência hegem*nica. a 9nica solu!ão est( na presen!a de um líder \ um presidente eleito pelo povo ou um chefe parlamentar vencedor nas elei!)es \. ]homem de confian!a das massas] e por isso capa" de e ercer domínio sobre os funcion(rios burocr(ticos e de lhes limitar o poder. por ve"es. o 5esarismo \ que. 52>$2$ 7O 5E$2/8$1O. . . dividida em fac!)es discordes entre si. é o pr#prio desenvolvimento da sociedade ocidental que envolve em si um processo de atomi"a!ão e de crescente influência do Estado na vida dos cidadãos. 6a realidade. que o antagonismo entre os grupos não possui regularmente um car(ter absoluto tal que não permita. o 5esarismo surge como uma e igência que tende a manifestar-se até nas democracias parlamentares.ou .e. a situa!ão de equilíbrio pode ser devida a causas momentWneas. 6uma outra #ptica. 6ota-se. 2 situa!ão favor(vel ao 5esarismo é assim globalmente definida por =ramsciB ]quando a for!a progressiva 2 luta com a for!a regressiva -. T também nas tendências gerais de democrati"a!ão e burocrati"a!ão da sociedade moderna que Peber descobre as causas do 5esarismo. embora seja predominante num determinado conte to. desempenham a indispens(vel fun!ão de controlar o poder crescente da burocracia. IFL. continuidade a uma articula!ão de classes sociais que podemos definir. anulando-se ambas reciprocamente. quer ao socialismo. 6este caso. de menor relevo mas mais compacta. isto é. conquanto vari(vel. as tendências cesarístas. em certos momentos. como moderna. 2 causa geral pode encontrar-se co-mumente numa situa!ão de equilíbrio entre classes e grupos sociais que se op)em entre si. não s# que 2 ven!a .ortanto. aos países que têm de afrontar um processo de transi!ão de uma situa!ão de dependência colonial ou neo-colonial para uma situa!ão de maior autonomia e independência. a nível político. mas também que nem ven!a 2 nem . parece antes característico de sociedades que j( desenvolveram suficientemente suas potencialidades e dão. Em segundo lugar. Esta situa!ão pode ser naturalmente provocada por causas de nature"a muito diversa. pode estar. ser( 9til adotar o conceito gramsciano de crise org3nica7 Esta se verifica quando. como fator do 5esarismo. O 5esarismo propriamente dito. 7e fato. $endo assim. Enfim. ?uando ocorrem estas crises de representa!ão. os grupos sociais se desligam dos seus partidos tradicionais. \ ?uanto [ identifica!ão das causas que podem levar a um regime cesarista. est(. Eliminada como inadequada a hip#tese da elei!ão direta dos burocratas e dado por suposto o inevit(vel aumento da importWncia da burocracia. pode ocorrer.5E$2/8$1O %K% capitalismo. quer [ democracia plebiscitaria. não mais reconhecidos desde então como e pressão da sua classe ou grupo social. 5. pela luta da burguesia e da aristocracia na fase de transi!ão para o capitalismo. é preciso ter presente que uma mudan!a de posi!ão das for!as de apoio pode modificar a rela!ão das for!as principais em campo. 88. segundo +ocqueville. superando assim a contradi!ão anterior. >ma for!a. segundo as indica!)es de =ramsci. a predominWncia cada ve" maior da sociedade sobre o indivíduo e a conseq_ente afirma!ão do que se chama democracia totalit(ria. na terminologia gramsciana. 1as.ran!a do século `8` \ torna-se uma característica permanente. desafie o poder tradicional. T aqui que se h( de buscar a gênese do fen*meno cesarista moderno que. em certos momentos. justamente por isso. fruto de um processo mais geral de racionali"a!ão iniciado pelo capitalismo moderno. Este tipo de crise é. em ve" disso. para ele. antes de tudo. a situa!ão fica imediatamente aberta a v(rios canais. antes antag*nicas. freq_entemente representados por chefes carism(ticos. Em suma. >m e emplo cl(ssico desta situa!ão nos é oferecido. 5rises deste gênero são ami9de resolvidas com uma . numa organi"a!ão. foi identificada por +ocqueville. ao passo que o modelo neobismarcgiano de Aaguaribe se referiria. sobretudo quando ocorrem em estruturas institucionais de tipo liberal-democr(tico. se harmoni"em até certo ponto. remontava sobretudo [ estrutura social da .elo que respeita aos aceleradores que permitem ao processo encontrar um canal concreto. é 9til recordar ainda as considera!)es de =ramsci. se geram. em linhas gerais. intervenha de fora uma terceira for!a. para 1ar . permite que uma outra for!a.ven!a 2. com o inevit(vel aumento do poder estatal. desde este ponto de vista. de um tipo de organi"a!ão política em que perde progressivamente a importWncia uma série significativa de poderes intermédios. que as duas for!as. em grandes tra!os. sobretudo uma crise de hege onia da classe dirigente. situados entre o Estado e o indivíduo. por isso. como equivalência. %OKK. a diversos níveis. do papel do empres(rio capitalista. estreitamente ligado. graves contrastes entre representantes e representados. p. da sociedade moderna. e domine o que resta de 2 e de -] J=ramsci. mais propriamente política.

oie sul &achiavelli) sulla politica e sullo (tato oderno7 Einaudi. /oma %OE%Y 2. +orino %OKD.ress. =/21$58. seu golpe de Estado de D de de"embro de %FI%. em certo modo. Einaudi. unificando Jpelo menos em via tendencialL na pr#pria pessoa as fun!)es de i perator e de ponti0eG7 7ecorre daí um tra!o característico do sistema cesaropapistaB a subordina!ão da 8greja ao Estado. 6este sentido. pelo contr(rio. 2ssim.apol9on III = de . pensemos no Egito de 6asser e na 2rgélia de -oumedienne. é o forte poder estatal que promove. julgando caber-lhe a competência de regular a doutrina. por e emplo. (erial %ODO-%O&K. 1as esta solu!ão pode não bastar. que parece pr#pria de todas as esfumaturas do 5esarismo.iren"e %OE&Y 3.8$1O reestrutura!ão das for!as políticas.8. 126=O68. quando o regime se estabeleceu. %OED. #I#LIO)RAFIA. Potere político e classi sociali J%OKFL. /oma %OKMY 6.%KD 5E$2/O. e que conseguiu go"ar de consider(vel autonomia em confronto com as for!as sociais. a DF de setembro de %OIF] J7uelosL. assim também 7e =aulle fe" com que o aprovassem em plebiscito.er#n na 2rgentina. . 2o segundo tipo se assemelham muitos dos regimes modernos do ]+erceiro 1undo]. a disciplina e a organi"a!ão da (ocietas 0ideliu ) e erce poderes tradicionalmente reservados [ suprema autoridade religiosa. religião e política aparecem como duas entidades indissol9veis. 888. \ 2gora j( podemos compreender o 5esarismo como um regime político que se caracteri"a por forte aparato estatal \ ao menos em rela!ão ao resto da sociedade \. . que atingiu formas [s ve"es tão acentuadas de levar a considerar a primeira como um #rgão do segundo. %OEK. se bem que em sua fei!ão neobismarcgiana. 7>53O$.en*meno evidente deste processo é comumente a forma!ão de novos partidos ou coali")es de partidos. $+2P2/. tanto que o Eus sacru é considerado parte integrante do Eus publicu ) e o chefe do Estado é também chefe da 8greja. podendo ser efetuada com ê ito por um regime cesarista. &&E-O%Y 2. 3a 6uova 8t(lia. Il diciolto bru aio di 8uigi !onaparte J%FIDL. o poder cesarista pode-se fa"er de mediador entre os interesses contrastantes das for!as sociaisY embora não ataque nunca completamente os interesses dos grupos que go"am de uma posi!ão dominante na estrutura social.O>326+S2$.aulle) Editions $ociales. . A2=>2/8-. 84%8( . +/O$+$G>. . 5omo e emplos concretos. +orino %OKKY 0. 6este conte to. o regime peronista não contribuiu de forma determinante para a forma!ão de uma estrutura de classes relativamente moderna. o desenvolvimento de uma sociedade moderna e a forma!ão dos correspondentes grupos e classes. salva a nação com uma ditadura burocr(tico-militar]. 6o regime do general . . Ed9ori /iuniti. a época contemporWnea apresenta também alguns e emplos de 5esarismo..ara +rotsgi. 2o primeiro tipo pertence o gaullismo. pela simples ra"ão de que ela. predominante no mundo romano.apol9on = la con/u9te du pouvoir7 0achette. M%-K%Y G.L %OKF. . sem contudo se identificar nunca completamente com nenhum deles em particular.n &. `. O termo 5esaropapismo indica um sistema de rela!)es entre Estado e 8greja em que o chefe do Estado. 3.Cesaris o> e >Cavouris o>7 + prop'sito di Aeinrich von (ybel7 +leGis de Toc-/ueville e &aG @eber) in ]3a 5ultura]. o peronismo se limitou [ cl(ssica fun!ão da ]arbitragem]. por meio de plebiscito. 8iberi saggi arGisti J%OK%L. quando conseguiu legitimar. $28++2. . em primeiro lugar.aris %OK%Y 2. ]desde o alto]. a reestrutura!ão das for!as políticas deve ser ainda mais radical. 5E/<E>A. O 5E$2/8$1O 0OAE. . j( e istia ou estava em forma!ão. 12/`. embora situado num conte to tido ainda como não inteiramente ]desenvolvido]. quando inserida na j( conhecida situa!ão de e/uilíbrio est#tico7 6este caso. os aspectos neobismarcgianos parecem mais redu"idos. a essência do bonapartismo ]consiste nistoB apoiando-se na luta de duas fac!)es. 5ambridge J1ass.iren"e %OK%Y 2.2. Dal [ascis o alia resistenza7 3a 6uova 8t(lia. n. `<88. Esta concep!ão não obstante seja diretamente contr(ria ao princípio judaico-cristão que atribui [ religião uma importWncia. que se inseriu num conte to hist#rico rico de tradi!)es cesaristas como o francêsB ]2ssim como 3uís -onaparte contou com a adesão do povo francês. Cesaris o7 bonapartis o e 0ascis o) in ]$tudi $torici]. 6a base do 5esaropapismo est( a idéia. com seus pr#prios instrumentos. 5cono ic and politicat develop ent) 0arvard >mversit4 . pp. . 7e fato. . e o desmoronamento e dissolu!ão de outros. jamais lhes consolida o poder. pp. Editori /iuniti. De . de que a religião interessa antes de tudo [ coletividade e secundariamente ao indivíduoB nesta perspectiva.aris %OK%Y A. c52/3O =>2/68E/8d Ce&aro3a3i&(o. 726$E++E. . +alve" por esse motivo. que restabele!a efica"mente a rela!ão entre representados e representantes.

P.ilipe.. que figura como interjei!ão numa can!ão popular de cunho nacionalista. Esta comédia teve grande sucesso na . prove a nomea!ão dos titulares dos ofícios eclesi(sticos Jentre os quais os bisposL. a muito pouco. que proclama o cristianismo religião do Estado. c=8O/=8O -826508d Cidade2E&tado. /206E/. -.E//2/8d C4a'8ini&(o. para o pontífice.elipe. AE786. controla a correta administra!ão dos bens da 8greja e. 8& Chiesa ira 4riente e 4ccidente) ín (toria della Chiesa7 Aaca -oog. \ V. s# a tarefa de orar pelas vit#rias do 8mperador. por sua ve". A.. o -elo. mesmo durante o período da /estaura!ão.ensiero. mas não pode avan!ar nenhuma pretensão em rela!ão [ 8greja universal. cuja figura é sempre mencionada como e emplo de fanatismo patri#tico. especialmente durante o reinado de 3uís . /econstituída a unidade religiosa do] Ocidente. demonstrou o sistema do 5esaropapismo na Europa oriental. dei ando.868. vol. >m pressuposto essencial do modelo do 5esaropapismo desaparece com a dissolu!ão do 8mpério e a forma!ão dos Estados nacionaisB cada soberano de fato visa controlar a atividade das 8grejas nacionais. famoso por sua fidelidade ao 8mperador. Ele. e.apa 3eão 888. 1aior resistência. ligada a (alus ani aru de cada indivíduo e sobrevive ao edito de +eod#sio. e o termo ganhou fama também em outros países para indicar toda a forma de e tremo nacionalismo 6a 8nglaterra. dando vida a um diferente sistema de rela!)es entre os dois poderes Jv. valoroso combatente das guerras napole*nicas. G. usa-se o termo gingoís o JEingois L) que deriva do nome da deusa japonesa fingo. #I#LIO)RAFIA. 5O3E126 6O/+O6. T ainda possível encontrar tendências de 5esaropapismo na a!ão de algum imperador J. em muitos casos. 2 palavra tem origem no nome do soldado 6icolas 5hauvin. mas também a de ]fortific(-la no seu interior através do maior conhecimento da fé cat#lica] Jcarta ao . A>/8$7858O6238$1OL.. os c"ares mantiveram sempre uma posi!ão proeminente na orienta!ão da 8greja ortodo a.. . onde mais forte se fe" sentir a e periência da 8greja bi"antinaB na /9ssia. 888Y 0.ran!a. S. o -(varoL ou nas constru!)es te#ricas de algum escritor Jem particular. determina o modelo de rela!)es entre Estado e 8greja em vigor até o desaparecimento do 8mpério romano do Ocidente JMEKL e do Oriente J%MI&L. . enfim. o 8mperador contínua fa"endo valer para com o cristianismo os poderes que precedentemente e ercia em rela!ão aos cultos pagãos. emana normas e sanciona os decretos dos concílios ecumênicosY convoca os tribunais eclesi(sticos e determina-lhes a competênciaY cuida da e ata aplica!ão das leis can*nicas. o De0ensor Pacis de 1arcílio de . /. o sistema de rela!)es entre Estado e 8greja na =rã--retanhaB mas os poderes do soberano \ que conserva ainda hoje o título de supre e governor da 8greja da 8nglaterra \ foram progressivamente limitados. />. Ro an (tate and Christian Church7 + collection o0 legal docu ents Io +7 D7 T_T7 8. 6este sistema \ que representa a mais completa e pressão hist#rica do 5esaropapismo \. 5om este termo indica-se uma atitude de e asperado e cego patriotismo. -ologna %OEM. portanto. de autoria dos irmãos =ogniard. inicialmente em favor do .. EOKL. can!)es e anedotas.li&.. 1ilano %OIFY 0. Em um modelo de 5esaropapismo se inspiram também os imperadores do $acro /omano 8mpério. 5aracterísticas de 5esaropapismo adquire.arlamento e mais recentemente em favor de organismos eclesi(sticos. E03E/.(duaLY mas j( as tentativas da autoridade estatal de interferir nos interna corporis da 8greja assumem uma nova configura!ão. imediatamente ap#s a reforma anglicana. redu"indo-se. porém. 1O//23. 3ondon %OKKY $. 1ilano %OEOY . embora submetida a (speras críticas por parte dos pontífices e dos padres da 8greja. Chiesa e (tato attraverso i secoli) <ita e . ao contr(rio. 5arlos 1agno reivindica para si a fun!ão não somente de ]defender com as armas] a 8greja de seus inimigos e ternos. . especialmente ap#s a representa!ão da comédia 8a cocarde tricolore) 9pisode de la guerre d1+lger J%F&%L. através de caricaturas.502><868$1O %K& pessoal. jurídico e administrativo. em voga no tempo da guerra russo-turca de %FEF. c$83<8O . Relazioni tra (tato e Chiesa7 8l 1ulino. 6esta base volta a reviver um sistema de rela!)es entre Estado e 8greja em que os imperadores francos se reapoderam dos poderes j( e ercidos pelos imperadores romanos no campo legislativo. que leva sempre a seguidas polêmicas negadoras dos direitos de outros povos e na!)es. 5. 1ilano %OEF. Chiesa e struttura política nel cristianesi o pri itivo) Aaca -oog. e 3udovico.

e na sua inspira!ão fundamental. tradu!ão da teoria em pr(tica]. enquanto a ciência ]é a teoria que reenvia [ pesquisa. enquanto diferente da 5iência política. pesquisa esta [ qual convém mais propriamente dar o nome de ]filosofia política]. advertir que voltam a fa"er parte da no!ão de filosofia política como estudo orientado deontologicamente. tratada com base na metodologia das ciências empíricas mais desenvolvidas. 1aquiavel. 58v6582 . intitulada !iblioteca di scienze poli-tiche) dirigida por 2ttilio -runialti. na medida em que a matéria o permite. mas sempre com maior rigor. no estudo da hist#ria. a metodologia das ciências empíricas Jsobretudo na elabora!ão e na codifica!ão derivada da filosofia neopositivistaL. desenvolveu-se uma importante tradi!ão de ciência do Estado. em sentido estrito e técnico. como mostra a célebre cole!ão de obras italianas e estrangeiras. Em sentido mais limitado e mais técnico. tanto as constru!)es racionais da #tima rep9blica. nos limites do possível. características das obras dos cl(ssicos do pensamento político moderno Jcomo 0obbes. de teorias gerais. . cujo subtítulo é (cienza dello stato J(taatsHissencha0tL in co p-ndio7 6a 2lemanha. ]ocupar-se cientificamente de política] significa não se abandonar a opini)es e cren!as do vulgo.O3C+852 E1 $E6+87O 21. o termo ]ciência] é utili"ado dentro do significado tradicional como oposto a ]opinião].%KM Ci<ncia Política. que deram vida ao filão das ]utopias]. relativas aos fen*menos políticos. ou seja. podem ser consideradas obras de 5iência política. a 5iência política vem cada ve" mais se distinguindo da pesquisa. 88. algumas obras cl(ssicas. 8. que a 5iência política. 6este sentido. ao menos em parte. com cultores ligados entre si que se identificam como ]cientistas políticos]. a e pressão não é nova. . \ 2 e pressão 5iência política pode ser usada em sentido amplo e não técnico para indicar qualquer estudo dos fen*menos e das estruturas políticas. afinal um ]projetar para intervir] J8a scienza política) p. obras nas quais mal se distingue aquilo que pertence [ filosofia. pp. /ousseau. mas usada largamente no século passado. apoiado num amplo e cuidadoso e ame dos fatos e postos com argumentos racionais. mas apoiar-se nas provas dos fatos. isto é. 1ontesquieu. \ Embora a constitui!ão da 5iência política em ciência empírica como empreendimento coletivo e cumulativo seja relativamente recente.O3C+852 6este sentido mais específico de ]ciência]. quanto as ideali"a!)es ou racionali"a!)es de um tipo de regime possível ou j( e istente. abrangendo uma (rea muito bem delimitada de estudos especiali"ados e em parte institucionali"ados. não formular juí"os com base em dados imprecisos. a e pressão 5iência política indica uma orienta!ão de estudos que se prop)e aplicar [ an(lise do fen*meno político. através de cientistas dedicados aos estudos da organi"a!ão estatal Jda administra!ão p9blicaL. mas tendo em vista uma gradual acumula!ão de resultados e a promo!ão do estudo da política como ciência empírica rigorosamente compreendida. 6a . é conveniente. de generali"a!)es. todavia. Embora não seja o caso de deter-se sobre o conceito de ]filosofia política]. 58v6582 . . como a física. ?uando hoje se fala do desenvolvimento da 5iência política nos referimos [s tentativas que vêm sendo feitas com maior ou menor sucesso. enquanto elas tendem [ formula!ão de tipologias. também no sentido limitado e técnico da palavra. +ocqueville. 5iência política. u pensar para aplicar) um pensar em fun!ão da possibilidade de tradu"ir a idéia no fato]. voltada não mais para a descri!ão daquilo ]que deve ser]. 6esta acep!ão. na primeira metade do século passado. etc. condu"ido sistematicamente e com rigor. T verdade. nasceu na metade do século passadoY ela representa um 8. especialmente na 2lemanhaY não é supérfluo recordar que os célebres 8inea enli di 0iloso0ia del dirilto de 0egel J%FD%L. na falta de operatividade ou aplicabilidade da primeira. KO%L. 2ceitan-do-se esta distin!ão.3O E $E6+87O E$+/8+O. $artori individuali"a a diferen!a entre filosofia política e 5iência política. como disciplina e como institui!ão. em rela!ão [ operatividade. %FFM. 52/25+E/C$+852$ 72 58v6582 . fundamentadas. pelo menos. 0egelL. porém. não significa que os ideais tenham sido na hist#ria das mudan!as políticas menos ]operativos] do que os conselhos dos ]engenheiros] sociais.O/Q6E2. apoiando-se na an(lise dos fatos. corresponde [ ]ciência empírica da política] ou [ ]ciência da política]. usado comumente. como /oberto von 1ohl e 3oren" von $tein. como as de 2rist#teles. em sua maior parte. 2ssim. 1ais do que distinguindo entre proje!ão ut#pica ou ideali"ante e an(lise empírica. a biologia. as obras dos cl(ssicos do pensamento político são. O-EML. para acentuar aquilo que as distingue da filosofia. Em resumo. enquanto os ]cientistas políticos] contemporWneos tendem a caracteri"ar as pr#prias obras como ]científicas].O3C+852 5O6+E1. 3ocge.ran!a e na 8t(lia teve maior aceita!ão a e pressão 5iência política. de leis. Gant. que antep*s um ensaio de sua autoria sobre 8e scienze politiche nello stato oderno Jvol. pois ]a filosofia não é.oderia objetar-se que..

não mais do que uma parte. do emprego sempre mais freq_ente da observa!ão direta ou da pesquisa de campo. e. além dos tradicionais limites da ciência européia atual. da qual se valeram estudiosos políticos do passado. o nascimento da 5iência política moderna se processa através do distanciamento dos estudos políticos da matri" tradicional do direito Jparticularmente do direito p9blicoL. a forma!ão do processo de decisão nos mais diversos níveis. 6o nosso século.ara ter-se idéia da real importWncia dos novos dados dos quais pode dispor hoje o cien . destacou a pouca credibilidade da an(lise de 1aquiavel. o maior desenvolvimento. foi justamente aquele no qual as ciências sociais tiveram. a meu ver. 2 aplica!ão cada ve" mais e tensiva dos métodos quantitativos nas ciências sociais. o estado presente da 5iência política caracteri"a-se pela disponibilidade de um n9mero de dados incomparavelmente maior do que aquele de que poderiam dispor os estudiosos do passado. 1erriam. a partir de 0obbes até Gant. dados secund(rios. porém. ou que chegue a ser e clusiva e e austiva. dados hist#ricos. de 1ontesquieu até 1osca. seja no espa!o Jreferentes [s chamadas na!)es do +erceiro 1undoL. 2lém da mudan!a da apro ima!ão e da introdu!ão de novas técnicas de inven!ão. do desenvolvimento do direito natural.O3C+852 %KI momento e uma determina!ão específica do desenvolvimento das ciências sociais.que surgiu com particular intensidade nos 9ltimos vinte anos Jembora o seu início remonte ao artigo de 5harles E. seja no tempo Jcivili"a!ão primitiva. 2 amplia!ão dos hori"ontes culturais dos cientistas políticos de hoje. dominado ainda pela matri" jurídica tradicional dos estudos políticos. cuja obra Die soziologische (taatsidee 9 de %FOD e =aetano 1osca. a busca de uma clientela eleitoral. poderia permitir dirigir a 1osca a mesma crítica que ele fe" a 1aquiavel. 888. através de técnicas tiradas da sociologia. que deve iniciar o estudo político com pretens)es ao uso. segundo o qual o elemento simples. é o comportamento do indivíduo e dos grupos que têm a!ão política. mundo oriental. como iniciadores da 5iência política modernaB 3udaig =umploaic". o desenvolvimento da 5iência política acompanha de perto a sorte das ciências sociais e sofre influência. comportamento de voto dos eleitores e dos membros do . os Estados >nidos. o crescente n9mero de dados depende também da gradual e tensão dos interesses políticos fora da (rea das na!)es européias ou de influência européia. O país no qual a 5iência política como ciência empírica foi mais cultivada. embora por ve"es depreciada e na pr(tica nem sempre proveitosa. aconteceu uma mudan!a igualmente decisiva a partir do uso e clusivo baseado na coleta de dados da documenta!ão hist#rica. da índia e da 5hina. que mais do que quaisquer outros. dados fornecidos por outras ciências sociais sobre as condi!)es e os efeitos da comunica!ão. l( 1osca. podem ser considerados. repercutindo-se na 5iência política. Este distanciamento da matri" jurídica é evidente e declarado nos dois autores.ara e emplific(-lo.58v6582 . não significa que seja. $>2$ 5O678^pE$ 7E 7E$E6<O3<81E6+O. para a sua padroni"a!ão. bastar( lembrar o voto. uma ve" instituído de direito Jo direito positivoL. e criador ele mesmo. Enquanto momento e determina!ão específica do desenvolvimento das ciências sociais. que tirou seus dados unicamente da hist#ria romana e de algumas na!)es de seu tempo. 5om referência [s técnicas de pesquisa.arlamento. que publicou a primeira edi!ão dos 5le enti di scienza política) em %FOK. seja no que se refere ao modo de apro imar-se da an(lise do fen*meno político JapproachL) seja no que se refere ao uso de certas técnicas de pesquisa. . o uso sempre crescente de métodos quantitativos. que e igiu por sua ve". opini)es de massa. para o ponto de vista ]comportamental]. a participa!ão na vida de um partido. que constituem o fundamento de sua legitimidadeL. The present state o0 the study o0 politics) de %OD%L. Garl 7eutsch enumera nove espécies de dados desenvolvidos nos 9ltimos anos pelos cientistas políticos. apresenta-se como parte. que caracteri"ou justamente o progresso científico do século `8` e teve suas e press)es mais relevantes e influentes no positivismo de $aint-$imon e 5omte. derivados de novos processos analíticos. para uma utili"a!ão mais profícua. legítimo e fecundo. no mar ismo e no darainismo social. \ Em compara!ão aos estudos políticos do passado. 8sto foi possível em conseq_ência da apro ima!ão comportamental. civili"a!)es précolombianasL. ou postos [ sua disposi!ãoB elites. criada através de um ato jurídico Jcomo o contrato ou os contratos. a passagem do ponto de vista institucional. nos 9ltimos cinq_enta anos. aparece inevitavelmente pela transforma!ão acontecida no objeto da pesquisaY isto. desde 2rist#teles até 1aquiavel. 5om referência ao approach) . da metodologia das ciências empíricas. 6ão devemos esquecer que a filosofia política moderna. da investiga!ão por sondagem ou por entrevista. portanto. Esta transforma!ão teve como resultado um enorme aumento de dados [ disposi!ão do pesquisador. analisando as institui!)es do 1é ico. matem(ticos e estatísticos e de programa de co puters7 . os chamados dados agregados colhidos nas estatísticas e relevantes para o estudo dos fen*menos políticos. no qual o Estado aparece como uma entidade jurídica.

o método hist#rico e o método estatístico.28$ O. mas fa" largo uso também dos métodos hist#rico e estatístico. aquilo que é novo é a quantidade de dados [ disposi!ão. se este não vem acompanhado de uma correspondente acelera!ão do desenvolvimento econ*mico. que ainda hoje é usada.or outro lado. aquele que presidiu [ recente prolifera!ão dos estudos sobre ]desenvolvimento político]B a hip#tese é que a uma dada fase de desenvolvimento econ*mico-social corresponde sempre uma determinada fase do desenvolvimento político. seja qual for sua ]f#rmula política]. 2$ . 5omo di"íamos. de regularidade ou uniformidade. 7e fato. de leis de tendência. um pressuposto ]método comparativo]. Esta regularidade foi considerada por /oberto 1ichels. O uso ling_ístico de denominar política comparada o estudo que compara institui!)es de diversos países não invalida o fato do procedimento usado ser idêntico [quele que vem sendo empregado por quem se prop)e a notar as semelhan!as e as diferen!as entre duas institui!)es do mesmo país numa dimensão hist#rica. métodos dos quais se serviria a 5iência política. formula!ão de generali"a!)es e conseq_ente forma!ão de conceitos gerais. é sempre uma minoria organi"ada ou um n9mero muito restrito de minorias. como o conceito unificador de todos os fen*menos que caem no Wmbito da política Jno sentido de considerar-se como fen*meno político aquele no qual se encontra um elemento recon-du"ível ao conceito de poderL. O r(pido aumento e tensivo de dados tornou possível uma amplia!ão cada ve" maior da compara!ão entre os regimes dos diversos países. segundo a qual em cada regime. que tem origem em 2rist#teles. >ma das regularidades ou uni-formidades [s quais a 5iência política. 6a realidade. 1esmo quem estuda o sistema político italiano servese habitualmente da compara!ão para analisar as diferen!as. . T prov(vel que o particular relevo dado [ política comparada por alguns dos mais prestigiados cientistas políticos dos 9ltimos anos dependa também de terem erroneamente isolado. focali"ando a gradual e tin!ão do Estado no assim chamado ]Estedo de transi!ão]. legal e carism(ticoL. na diferen!a que a distingue das disciplinas afins e dos estudos políticos do passado com a política comparada. mesmo que bem longe de ser verificado. tais como o método e perimental.O3C+852. 5omo e emplo de classifica!ão. entre o . de onde deriva a conseq_ência JprescritivaL sobre a impossibilidade ou a inoportunidade de acelerar o desenvolvimento político. parece disposta a dar maior crédito é aquela que deu origem [ teoria da classe política ou das elites. 8<. . pouco a pouco. Em outras palavras. \ 2 crescente acumula!ão de dados permite [ 5iência política contemporWnea proceder com maior rigor na e ecu!ão das opera!)es e na obten!ão dos resultados que são pr#prios da ciência empíricaB classifica!ão. Este fa" compara!ão.E/2^pE$ 72 58v6582 . mesmo se suscetível de ser muito mais articulada. estimulando os estudos de política comparada. um método comparativo não e isteB a compara!ão é um dos procedimentos elementares e necess(rios a toda a pesquisa que pretenda tornar-se científica. até hoje. mas trata-se de uma diferen!a quantitativa e não qualitativa. retomadas depois por 3enin.arlamento de hoje e aquele de ontem. mesmo quando aquilo que fa" não se pode chamar Jpor causa de um certo uso ling_ístico consolidadoL e atamente política comparada. acessível a um n9mero cada ve" maior de países. podemos citar as v(rias tentativas recentes de aperfei!oar a tipologia dos regimes políticos que por séculos ficou presa g classifica!ão aristotélica das três formas puras e das três correspondentes formas impuras de =overno.ormularam-se leis de tendência por 1ar e Engels. a ponto de indu"ir alguns a identificar sic et si pliciter a 5iência política contemporWnea na especifica!ão.rocedimento típico de generali"a!ão é aquele que condu"iu a formula!ão do conceito de poder. Em outras palavras. . teve início com a compara!ão entre diversas constitui!)es gregas. entre outros. %esprit des lois) de 1ontesquieu. digamos. freq_entemente considerado. do qual teria o monop#lio e atamente a política comparada. pelo menos de leis estatísticas e prov(veis.O3C+852 tista político. elabora!ão Jou propostaL de teorias. partindo da . . >m e emplo j( aceito de classifica!ão é a triparti!ão aeberiana das formas de poder legítimo Jtradicional. como verdadeira lei Jchamada ]lei férrea da oligarquia]L./8658. a política comparada não tem apenas a e clusividade da compara!ão Jno sentido que os polit#logos comparatistas fa!am so ente compara!ãoL.%KK 58v6582 . ocorre acrescentar que cada uma das nove espécies de dados torna-se. determina!ão de leis. a política comparada não é uma novidadeB o estudo dos fatos do fen*meno político. nasceu de uma grandiosa tentativa de ]comparar] entre si o maior n9mero possível de regimes de todas as partes do mundo. no se_ estudo a respeito dos partidos. ou seja. que governam o país. o estudioso de política comparada não se limita somente a utili"ar o processo de compara!ão com a finalidade de comparar regimes dos diferentes países. em luta entre elas.ode-se considerar um e emplo bastante fecundo de hip#teses. a e pansão intensiva dos dados caminha tanto quanto a e pansão e tensiva dos mesmos.

+êm sido recusadas as e plica!)es tradicionais consideradas simplistas. no m( imo. pelo menos até agora. incentivou os pesquisadores a considerarem uma not(vel pluralidade de vari(veis significativas. um conjunto de proposi!)es com rela!ão entre si Jmas não tendo necessariamente o status de proposi!)es empíricasL. mesmo quando seja possível uma e plica!ão. com referência [ e plica!ão. retroagem sobre o ambiente circunstante provocando. a 5iência política persegue a finalidade. $empre que aumenta o n9mero de correla!)es. mas não representa ainda o tão esperado momento construtivo e inovador. \ 2través desta série de opera!)es. mas que de fato se reali"aL. 8nfeli"mente. h( alguns anos. é a ]sistêmica] ageneral sysie theoryL) proposta por 7avid Easton. enquanto não reconhecem a multiplicidade dos fatores que agem entre si. conseguidas por etapas. mesmo de modesto alcance. um programa de pesquisas sobre os chamados ]futuríveis]. assim. a sua interpreta!ão. ou pelo menos bastante discutidas entre os cientistas políticos. verifica-se o conhecido duplo fen*meno da previsão. sempre novas perguntas.58v6582 . o processo de e plica!ão torna-se sempre mais comple o e seus resultados aparecem. sempre mais difíceis \. num dos seus muitos significados. de modo a formar uma rede coerente de conceitos que sirvam de orienta!ão para a e plica!ão Je a previsãoL num campo bastante vasto. <. 8sto. que. ou seja./h. cada ve" mais incertos. de profecia. hoje uma das teorias mais aceitas. etc. por sua ve". fica cada ve" mais comple a. est( bem longe de poder formular previs)es científicas. segundo a qual a vida política no seu conjunto é considerada como um processo de inputs JperguntasL que nos chegam do ambiente e terno Jecon*mico. natural. da qual depende a validade de uma e plica!ão. mas também a sua cada ve" mais r(pida utili"a!ão. ao mesmo tempo. não impede que não haja estudiosos de coisas políticas que não procurem emitir alguma previsão. e./82$ 72 58v6582 .85>3727E$ . cuja an(lise de suas interrela!)es é sempre confiada ao c(lculo estatístico. enquanto a utopia é o produto típico d( imagina!ão filos#fica. que é pr#pria de cada pesquisa que ambicione ao reconhecimento do status de ciência JempíricaL. 2o processo de e plica!ão est( estritamente cone o o de previsão. juntamente com o uso de métodos quantitativos que permitem. não apenas sua padroni"a!ão. de conjetura ou. $e por ]teoria] se entende. ou então que se auto-reali"a Jprofecia falsa. baseados nas conclus)es. que. mas e atamente em conseq_ência desta constatada multiplicidade. 2lém disso. em rela!ão ao objetivo principal de cada pesquisa que se queira apresentar como ciência. da sua maior ou menor possibilidade de reali"a!ão. especialmente ao mundo hist#rico. e não apenas limitar-se a sua descri!ão. 2 tendência de fa"er previs)es é tão irresistível que um grupo de estudiosos de política. re-construtivo. O ]futurível] é o produto típico da atitude científica em rela!ão ao mundo. \ +udo quanto j( se disse até agora a respeito das tentativas que se vêm desenvolvendo para apro imar os estudos políticos do modelo das ciências empíricas não deve esconder . de uniformidade. O est(gio presente da 5iência política. prevaleceu nas ciências sociais tradicionais e arte-sanais. <8. 78. ao mesmo tempo. de leis de tendência e de teorias \ opera!)es estas que o ac9mulo crescente de dados torna sempre mais fecundas. porém. que vai da classifica!ão [ formula!ão de generali"a!)es. não se pode falar de previsão científica. mas. que seriam as decis)es políticas em todos os níveis. caracteri"ado pela difusão da técnica da an(lise de muitas vari(veis a ultivariate analysisL) representa.L e que se transformam em outpuls JrespostasL. se auto-destr#i Jprofecia verdadeira que não se reali"aL. 2 previsão é a principal finalidade pr(tica da ciência assim como a e plica!ão é a principal finalidade te#ricaL. religioso. ou seja. no m( imo. de e plicar os fen*menos objeto de seu interesse. que não permita uma previsão. est( elaborando. p*s eu crise o tipo de e plica!ão que. por sua ve". nas ciências sociais que têm como objetivo comportamentos humanos. mas é o futuro possível. O enorme n9mero de dados dos quais o estudioso de fatos políticos pode dispor. enquanto o chamado ]futurível] representa o conjunto daquilo que pode acontecer sempre que se reali"em determinadas condi!)esY não é o futuro impossível Je tampouco o futuro necess(rioL./E<8$RO. E`. porque geralmente e plica-se para prever. mas. na atual fase de seu desenvolvimento. de um ser que é capa" de rea!)es emotivas e de escolhas racionais. 2 5iência política.O3C+852 %KE hip#tese que o aparelho estatal seja necess(rio até que dure a divisão da sociedade em classes antag*nicas. até aqui. portanto. sob a dire!ão de -ertrand de Aouvenel. quando o processo de e plica!ão se apresenta incompleto. de preferência um momento crítico ou. 2 diferen!a entre a utopia de ontem o ]futurível] de hoje é que o projeto ut#pico é construído de maneira totalmente independente das linhas de tendência do desenvolvimento social e. e plica!ão esta fundada na pesquisa apenas de um ou de poucos ]fatores].O3C+852.3852^RO E . e uma previsão não baseada numa e plica!ão. na pior das hip#teses.

que se interp)em ao alcance do objetivo desejado. de fato. com todas as outras ciências huma-nísticas dificuldades específicas que derivam de algumas características da maneira de agir do homem. com base na sua crescente comple idade. . assim. com o fim de refor!ar ou enfraquecer um determinado programa político Je nisto consiste a fun!ão crítica e prescritiva [ qual a 5iência política não pode renunciarL. por e emplo. nem [s avalia!)es que presidem a escolha do assunto em estudo Jescolha esta que pode depender também de uma preferência políticaL. portanto. quanto mais consegue eliminar a intrusão de juí"os de valores. é uma disciplina hist#rica. não pode prescindir da presen!a da psicologia. T deplor(vel a confusão. conforme os resultados da pesquisa. <88. e. enquanto ciência do homem e do comportamento humano. que é garantia de objetividade Jsomente o car(ter da objetividade assegura [ ciência a sua característica fun!ão socialL. cuja significa!ão é quase sempre incerta. e apenas passível de ser reconstruída por conjeturas Jlínguas mortas ou primitivasL.odemos designar um significado [ a!ão humana somente quando se consegue conhecer os fins desta a!ãoY por isso. assim como a an(lise e a crítica das ideologias. [s ve"es desconhecida. bL O homem é um animal si b'lico) que se comunica com seus semelhantes através de símbolos Jdos quais o mais importante c a linguagemLB o conhecimento da a!ão humana e ige a deci-fra!ão e a interpreta!ão destes símbolos. 2 5iência política. a fim de racionali"ar seu comportamento. . 2 5iência política não pode prescindir da ciência econ*mica. do problema dos ]intelectuais] e das ideologias para o estudo da políticaL. não é menos grave do perigo inverso. que a uma pesquisa perfeitamente objetiva falte porém relevWncia Jcomo poderia ser. a 5iência política. a importWncia que tem no estudo da a!ão humana o conhecimento das motiva!)es. além disso. isto é. também a 5iência política. aquela que uma revolta reprodu"ida não seria mais uma revolta Jnote-se a rela!ão entre uma a!ão cênica. uma pesquisa sobre a cor das meias dos deputados italianos da terceira legislaturaL. a importWncia que assume na pesquisa social e política a revela!ão daquilo que est( escondido. muitas ve"es . nem sempre declarados e. que -se pode repetir indefinidamente e a realidade representada pelos acontecimentosB o 0amlet. ou seja. \ >ma forma de saber se apro ima do ideal limite do científico. nem [s avalia!)es [s quais o pesquisador pode chegar. a 5iência política pressup)e a ciência geral da sociedade Jum partido político antes de ser uma associa!ão política é uma associa!ãoLY enquanto o subsistema político tem a fun!ão primordial de permitir a estabili"a!ão e o desenvolvimento de um determinado subsistema econ*mico e a coe istência ou a integra!ão do subsistema econ*mico com determinados subsistemas culturais Jdos quais o principal é a 8greja ou as 8grejasL. 6ão se pode reprodu"ir uma revolta de camponeses em laborat#rio por #bvias ra")es. que garante a relevWncia do empreendimento científico. que poderia ser influenciada.O3C+852 as enormes dificuldades. alegando motiva!)es diferentes das reais. um dos procedimentos fundamentais que permite aos físicos e aos bi#logos a verifica!ão ou a falsifica!ão das pr#prias hip#teses. tem em comum. três são particularmente relevantesB aL O homem é um animal teleol'gico) que cumpre a!)es e se serve de coisas 9teis para obter seus objetivos. que como tal é assumida e utili"ada para finalidades sociais. a 5iência política ocupa um dos 9ltimos lugaresY enquanto o sistema político é um subsistema em rela!ão ao sistema social geral. o que torna impossível. é perfeitamente compatível com o compromisso ético e político em rela!ão ao argumento escolhido ou aos resultados da pesquisa. enquanto a ciência econ*mica pode dispensar a 5iência política Jseria a mesma rela!ão que ocorre entre a física e a biologiaLY a 5iência política não pode prescindir também do estudo dos subsistemas culturais Jconsiderando a importWncia. entre as quais ocupa um lugar importante a absten!ão dos juí"os de valor. sua objetividade. muito peculiares. 2qui nos referimos [ suspensão dos pr#prios juí"os de valor durante a pesquisa. 7estas. em rela!ão [ classifica!ão tradicional das ciências. cL O homem é um animal ideol'gico) que utili"a valores vigentes no sistema cultural no qual est( inserido. a chamada avalia!ão. Ocorre atentar para a distin!ão entre a ciência como opera!ão humana e social. entre as outras ciências./O-3E12 72 2<2382^RO. aquela na qual a avalia!ão é mais dificilmente alcan!(vel. 2 avalia!ão. não é o príncipe da 7inamarca que realmente viveuL.%KF 58v6582 . ou seja. porque o pesquisador esteja nela demasiadamente envolvido. porque cada ciência social. sofrendo contínua transforma!ão. com o fim de justificar-se ou de obter o consenso dos demaisY por isso. O perigo de que numa pesquisa falte objetividade. muitas ve"es. entre outras. por e emplo. a e perimenta!ão. 2 5iência política é certamente. e os procedimentos prescritos para o melhor remate dessa opera!ão. de $hagespeare. O . ?uando se fala de avalia!ão não nos referimos. inconscientes. ou seja. 2gora. perdendo.inalmente. uma forma de saber cujo objeto se desenvolve no tempo.

vol. <. 7><E/=E/. ->/7E2>. 5itamos aqui a fun!ão pr(tica que foi paulatinamente assumindo.ran!aB 8a science politi/ue7 in ]/evue de l. $ciences. .532$$E %KO verificada. a 5iência política. Introduction = la science politi/ue7 5olin. 5O6$87E/2^pE$ 86+/O7>+8<2$ E 7E. $2/+O/8. encontrar uma defini!ão de 5lasse social que conte com o consenso dos estudiosos ligados a diversas tradi!)es políticas e intelectuais. P8$8126. de colocar em questão a mesma ideologia da política científica. <E7E3. com artigos de A. <26 7UGE. $O18+ e A. tanto mais cumpre sua fun!ão pr(tica. -ologna %OE%Y =. 8a política \ 8'gica e 9todo in scienze sociali) $ugares. . 2cadem4 of . 5/85G. entre objetividade e indiferen!aB a objetividade é um requisito essencial da ciência.resses >niversitaires de . 1ilano %OEO. >/-268Y 6. Goln e Opladen %OK'. 8sso não impede. The theory and ethod o0 political analysis7 +he 7orse4 .ara os Estados >nidosB 2. ao mesmo tempo. %OKF e 8a scienze política) in (toria delle idee politiche econo iche e sociali) dirigida por 3. <{/. %OKIY + designEor political science$ scope) obEectives) and ethods7 2m. 1.iladélfia %OKK Jcom relatos e interven!)es de <. +lia rieerca della sociologia política) in ]/assegna italiana di sociologia]. h( mais de um século. . como dissemos. 7><E/=E/. e em particular &etodi aproeci e teorie7 com introdu!ão de =. sobre o método e sobre os objetivos da 5iência política durante os 9ltimos quin"e anosB 1.aris %OIOY A. . assim como indicando suas eventuais linhas de desenvolvimento. etc. >+E+.ara a . -ologna %OE%Y =. quanto mais ela é objetivaB o desenvolvimento das ciências sociais em geral Ja come!ar pela economia e terminando na 5iência políticaL é estritamente cone o com a certe"a de que o conhecimento científico do sistema social geral e dos subsistemas que o comp)em. salientando seus limites e suas condi!)es de atualidade.aris %OIOY <. . $2/+O/8. tanto quanto possível rigoroso. 0omeaood. 3ondon %OKMY E. uma política sem interferência de ideologias. na sua geral concep!ão ]realística] da a!ão humana. -ologna %OE'. a 5iência política nasce. +ntologia di sociologia política7 editada por =. $. +26E602>$. . A. $+211E/. onde vai abrindo caminho o ideal da política co o ci-ncia) ou seja. etcLY A. %OKI. 3ondon %OKOY 2>+.elo contr(rio. .rance. >. mais ou menos conscientemente. The a erican science o0 politics7 lis origins and conditions7 >niversit4 of 5alif#rnia . #I#LIO)RAFIA. Teorie e elodi in scienze política J%OKEL. 8sto j( permite uma rigorosa delimita!ão dos fen*menos que entram nos limites da aplica!ão do conceito de 5lasse. 8l 1ulino. =. Em sentido críticoB -. das leis objetivas do desenvolvimento da sociedade.ara a 8t(liaB 6. A. The develop ent o0 political science) 2ll4n and -acon. 32<2>. 8. -O--8O. G. presta um servi!o utilíssimo [ a!ão política e contribui para a reali"a!ão de uma sociedade ]mais justa].8/. $obre a situa!ão da 5iência política nos principais paísesY Politische *orschung) ao cuidado de O. \ Embora seja difícil. 12++E>58. ela mesma. e aminando seus significados hist#rico e atual. -ergele4 e 3os 2ngeles %OIO.aul. . -oston %OKE. The 0uture o0 political science7 +avistocg. n.. num conte to social e ideol#gico bem individuali"ado. . 2 avalia!ão. and $oe. (tudi politici e scienze política in It#lia) in +nnuario político italiano) 1ilano %OEM.O. de uma a!ão política fundada no conhecimento. 1EU62>7. <26 7UGE. uma ve" queB %L torna possível e cluir tudo o que entra na categoria das desigualdades naturaisY DL fa" referência apenas [s desigualdades que não são casuais e se revelam de modo sistem(tico e estruturado. assim como das suas rela!)es. Politics7 The aster science) routledge and Gegan .or conseq_ência. O desenvolvimento real da 5iência política é guiado. <8. Polilical science$ + philosophical analysis) $tanford >niversit4 . 6a luta contra qualquer contrafac!ão ideol#gica das reais motiva!)es da a!ão humana.85O. &9lhodes de la science politi/ue7 .ress %OK'Y 0. o socialismo científico e a cone ão entre a sua fun!ão pr(tica e o seu proclamado car(ter científico. que haja desigualdades naturais que adquirem relevWncia . 8l 1ulino. c6O/-. A. a fun!ão pr(tica Jou prescritivaL da pr#pria pesquisa. -ari %OKO e Teoria e rieerca política in It#lia) in ]88 político]. não e clui. 1EE026.$obre o objeto. mais incisiva que cabe nesta fase da 5iência política é a de submeter [s an(lises e. e que não fica portanto abandonada ao acaso ou [ intui!ão dos operadores políticos. 888. como cWnone Jum dos cWnonesL da pesquisa que pretenda ser objetiva.ress. se não impossível. +orino %OEDY 0. porém. enquanto a indiferen!a é uma atitude não benéfica [ boa pesquisa científica \ do pesquisador.ol.ress. 5. recensão integrada por 2. . a tarefa mais urgente e./E2./+O -O--8Od Cla&&e. 502/GE$PO/+0. (aggi sulla scienze política in It#lia7 3ater"a. 8`. todos estão de acordo em pensar que as classes sociais são uma conseq_ência das desigualdades e istentes na sociedade. 0. pelo ideal de uma política cientí0ica) ou seja. $2/-+O/8. 1O/=E6+02>.. =. 7E>+$50. Pestdeutscher. =O=>E3.n M. =. através da utili"a!ão dos resultados conseguidos. 7. 50E<238E/. 8a scienze política) in 8e (cienze u ane in It#lia7 8l 1ulino. ``<.enseignement supéneur]. eventualmente.868^RO 7O 5O65E8+O. e atamente porque objetiva. . 32$$PE33. %OK%.

O uso do adjetivo ]natural] se apresenta em tais casos como pura fun!ão ideol#gica. a passagem est( vinculada ao cumprimento de um requisito formal. em desigualdades sociais. T claro que uma sociedade deste tipo. é e cluída a passagem de uma casta a outraY quando ocorre. isto é. porquanto se podem conceber. se. tipos de sociedade para os quais as diferen!as de se o. s# se atingiu com isso uma primeira delimita!ão do conceito. critérios de destina!ão dos indivíduos aos papéis sociais. >ma ulterior especifica!ão do conceito mostrar( que s# originam a forma!ão de 5lasses aquelas desigualdades sociais que se reprodu"em ao passar de uma gera!ão a outra. teremos de di"er que todas as sociedades hist#ricas que conhecemos foram sociedades de 5lasse. camponês. de %'' filhos de propriet(rios e dirigentes. T neste sentido que o conceito de 5lasse se diferencia. ou que certos direitos são concedidos a todos independentemente do se o. se todo filho de oper(rio.odemos. por isso. 1uitos autores.%E' 532$$E na sociedade e se convertem. da religião. quer do conceito de casta) quer do conceito de orde ou estado7 O pertencer a uma casta depende e clusivamente do nascimento e. e suponhamos que tal distribui!ão não se modifique substancialmente ao longo da curva de uma gera!ão. independentemente da condi!ão social da família de origem. não seria. freq_ente. porquanto. constituindo o nascimento o critério principal de integra!ão e o mecanismo fundamental de recrutamentoY mas não e iste nenhuma norma formal que sancione tal critério ou estabele!a os requisitos necess(rios para a passagem de uma 5lasse a outra. nada obsta formalmente a que se efetue essa passagem. desapareceram realmente as desigualdades sociais. com isso. não se quer certamente afirmar que. dado que uma sociedade deste tipo não se haja nunca reali"ado historicamente. embora a passagem de uma ordem a outra não esteja e cluída e seja até. e até freq_entemente encontrar. entre indivíduos de ra!as diversas tornam-se diferen!as sociais. de ra!a e de gera!ão não são. por isso. de per si.odemos. ou não são do mesmo modo. mas apenas que elas não go"am de qualquer reconhecimento formal no sistema de normas de uma determinada sociedade. pois visa a considerar como ]naturais]. da ra!a e das condi!)es econ*micas ou sociais. ao contr(rio. mas somente de fato. portanto. isto é. s# %' tiverem possibilidades de vir a ocupar uma posi!ão social equivalente [ do pai. que a aplica!ão do conceito de 5lasse se circunscreve ao Wmbito restrito das desigualdades sociais. +ornado claro. de fato. e que o nascimento não é critério suficiente para fa"er parte de uma 5lasse social. 6uma sociedade de 5lasses. como é. ?uando se di" que todos os cidadãos são iguais em face da lei. o acesso aos v(rios papéis seria igual para todos e esta sociedade teria alcan!ado o que freq_entemente se chama igualdade de pontos de partida. ao invés. contudo. em geral. por e emplo. se todo filho de propriet(rio ou dirigente tiver E' probabilidades entre %'' de vir a ser oper(rio ou camponêsY em outras palavras. por princípio. 8sso significa que não se pode pertencer a uma 5lasse por direito. 8maginemos. em certo sentido. 2 uma ordem ou estado. cuja e istência não s# não é reconhecida. inevit(veis e imodific(veis. M'e oper(rios. . quando uma sociedade escolhe tais diferen!as como critérios para a atribui!ão dos v(rios papéis sociaisY tornam-se desigualdades sociais. imaginar uma sociedade acentuadamente não igualit(ria e não classista. poderiam teoricamente ser associadas recompensas diferenciais até muito elevadasY contudo. a uma sociedade que se apro ima muito do modelo da mobilidade perfeita. entre jovens e velhos. porém. aos diversos papéis. uma sociedade em que cada indivíduo tenha as mesmas possibilidades que os outros ]têm de ocupar qualquer posi!ão social. também se pertence sobretudo pelo nascimento. a investidura por parte do monarca ou a aquisi!ão de um título ou concessão de nobre"a. características que dependem. por e emplo. não e istirão 5lasses. tais como. ?uando falamos de sociedade meritocr(tica. onde houvesse uma mobilidade perfeita. 6este caso. por e emplo. na hist#ria. justamente porque as 5lasses são agrupamentos de fato. refe-rimo-nos. os da época feudal. se perpetuam de gera!ão em gera!ão. como vimos. e. +odavia. porém. 6uma sociedade assim. numa . da estrutura da sociedade. 0( aqui desigualdade social no pleno significado do termo. empregado ou dirigente tiver %' probabilidades entre %'' de se tornar dirigente ou propriet(rio e. +ambém as 5lasses. uma sociedade em que &'e da popula!ão sejam camponeses. quando os papéis são distribuídos por diversos níveis da escala social. ou sociedades classistasf T certamente possívelY na pr#pria literatura sociol#gica encontra-se amplamente difundido o uso do conceito de 5lasse neste sentido. 2s diferen!as entre se os. uma sociedade igualit(ria. afirmar que as 5lasses são agrupamentos que emergem da estrutura de desigualdades sociais. ela representa uma viola!ão da lei tradicional. . pois nem todas as desigualdades sociais dão lugar [ forma!ão de 5lasses. e plicitamente negada pelo ordenamento jurídico da sociedade. D'e empregados e %'e propriet(rios e dirigentes. são concordes em limitar a aplica!ão do conceito apenas [s sociedades em que as desigualdades sociais não são sancionadas pela lei. por ve"es.

grande parte do gênero humanoY trata-se fundamentalmente do processo pelo qual a rela!ão do homem com a terra. dando. 6enhuma sociedade hist#rica apresentar(. em estado puro. de elementos do modo de produ!ão historicamente preponderante. \ Esse 9ltimo aspecto aparece de modo particularmente claro na teoria das 5lasses de 1ar . s# se pode falar de 5lasses sociais depois das revolu!)es demo-cr(ticoburguesas do século `8` e do advento da sociedade capitalista. conseq_entemente. ou de outrasY não pode haver burguesia sem proletariado. o conceito de forma!ão social se coloca ao nível da an(lise hist#rica. camponeses independentes e braceiros agrícolas.ara 1ar . são formalmente iguais perante a lei. os servos da gleba na 5lasse dos camponeses. em sentido estrito. em determinado momento hist#rico. 2 +EO/82 72$ 532$$E$ E1 12/`. no entanto. 2s 5lasses constituem por isso um sistema de rela!)es em que cada 5lasse pressup)e a e istência de outra. a burguesia e o proletariadoY no segundo caso. di"er que o aparecimento da sociedade de 5lasses coincide com o declínio das sociedades fundadas na agricultura.L e o antagonismo dominante se articular( em v(rios antagonismos particulares. comercial. a aristocracia fundi(ria na 5lasse dos propriet(rios rurais. 2inda que em muitos países a revolu!ão democr(tico-burguesa não coincida com o advento do capitalismo. enquanto a e istência das 5lasses se baseia nas posi!)es diversas que os homens ocupam no processo produtivo. e o proletariado. composto por aqueles que. rigorosamente falando. as 5lasses se redu"irão fundamentalmente a duasB a burguesia. dependendo tais rela!)es das diversas posi!)es que as 5lasses ocupam no processo produtivo. um proletariado e um subproletariado. ou seja. o conceito de 5lasse foi introdu"ido. pelos estudiosos que analisavam tal fen*meno com o fim de interpretarem as transforma!)es sociais que levaram [ forma!ão do proletariado industrial. entendida como instrumento de produ!ão. têm de vender ao mercado sua for!a de trabalho. 2 presen!a contemporWnea de v(rios modos de produ!ão numa mesma sociedade. se bem que com grande variabilidade de formas e de tempo. o conceito de 5lasse serve para identificar os agrupamentos que emergem da estrutura das desigualdades sociaisY de um ponto de vista hist#rico. a quem devemos o primeiro tratado e plícito sobre o fen*meno e a primeira elabora!ão te#rica do conceito. transformou a terra em capital e. composta pelos propriet(rios dos meios de produ!ão. industrial. 6o primeiro caso. ou melhor. 2 diferente posi!ão em rela!ão aos instrumentos produtivos fa" . de pluralidade de 5lasses se e plica. as coletividades que se apresentam como artífices do devir da sociedade no tempo. toda 5lasse ser( definida pelas rela!)es que a ligam [s outras 5lasses. levados em conta os diversos níveis em que a an(lise das 5lasses pode ser colocadaY em qualquer caso.ortanto. sem contrastes. que se trata de dois aspectos do mesmo processo de mudan!a social que atingiu. finalmente. todos os cidadãos. por isso. baseada na nature"a universalista.odemos. 7aqui se conclui que. teremos pluralidade de 5lasses ou de agrupamentos no seio das 5lasses Jpor e emplo. mas freq_entemente acentuados de modo muito diverso pelos v(rios autoresB de um ponto de vista te#rico. . etc. como instrumento analítico.532$$E %E% sociedade que reconhece que todos os homens. as 5lasses são e pressão do modo de produ"ir da sociedade no sentido de que o pr#prio modo de produ!ão se define pelas rela!)es que intermedeiam entre as 5lasses sociais. infringiu a ordem fundada nos ]Estados].ortanto. a primeira 5lasse que surgiu no hori"onte da hist#ria foi a 5lasse burguesa. abrindo campo [ forma!ão de alian!as entre 5lasses diversas e entre uma 5lasse c fra!)es dissidentes da 5lasse antagonista. em momento algum. abstrata e fungível do dinheiro. é chamada por 1ar de 0or ação social7 Enquanto o conceito do modo de produ!ão se situa ao nível da an(lise te#rica das grandes transforma!)es sociais. 6a realidade. O conceito de 5lasse envolve dois aspectos compatíveis entre si. é evidente. como j( observamos. não dispondo dos meios de produ!ão. ou de elementos que antecipam as transforma!)es dos modos de produ"ir ainda não operadas. para 1ar . 6uma sociedade em que o modo de produ!ão capitalista domine. 2firmando os valores igualit(rios e reivindicando os direitos de cidadania. uma burguesia financeira. . mas não coincidem. uma combina!ão de elementos remanescentes dos modos de produ!ão anteriores. serve para identificar os que se constituem em sujeitos do curso da hist#ria. outras. . dei ou de ser o critério essencial da atribui!ão dos papéis sociais. o antagonismo que e iste entre elas se situa ao nível políticoY estes dois níveis estão estreitamente ligados entre si. 88. O fato de que 1ar fale [s ve"es de duas 5lasses antagonistas e. . e vice-versa. e tais rela!)es dependem da rela!ão das 5lasses com os instrumentos de produ!ão. contudo. a an(lise das 5lasses na sociedade capitalista tender( para um modelo dicot*mico que considera a e istência de duas 5lasses antag*nicas. origem [ 5lasse oper(ria como conseq_ência direta da consolida!ão da /evolu!ão 8ndustrial. o domínio incontestado de um modo de produ!ão em sua forma puraY apresentar(. sim.

com o patrão. pelo contr(rio. a comunidade dos seus inte-reses e do seu destino. produto do irreprimível processo de concentra!ão do capital. com base nesta identidade. a grande f(brica capitalista. findou seu papel revolucion(rio e ela tornou-se. quer nas ciências sociais. que não é mais a hist#ria de uma sociedade atomisticamente concebida como resultado de uma infinidade de a!)es individuais. uma sociedade onde as rela!)es sociais dei arão de ser rela!)es de e plora!ão e de domina!ão. portanto. uma ve" consolidado seu poder e desenvolvidas as potencialidades do modo capitalista de produ!ão. o conceito de 5lasse constitui um instrumento de an(lise que lhe permite entender as rela!)es entre os fen*menos econ*micos.ara 1ar . políticos e culturais. 8sto não s# porque os estudiosos que seguem 1ar foram mais longe na elabora!ão do conceito e da teoria social que nele se baseia Jbasta pensar nas obras de -ucharin e 3ug(cs. não garante a forma!ão da consciência de 5lasseY o momento subjetivo não é o simples refle o da situa!ão objetiva da 5lasse. as 5lasses são o sujeito do devir da hist#ria. entidades coletivas. lutando contra a ordem feudal e a 5lasse então dominante.%ED 532$$E com que os interesses de uma 5lasse sejam diversos e contrapostos aos interesses da outraY no caso genuíno do modo de produ!ão capitalista. a 5lasse dominadora do mundo da produ!ão é também a que domina no plano político e a que produ" as idéias culturalmente dominantes. o proletariado. e se tornam conscientes da diversidade fundamental e do antagonismo irredutível desses interesses. sendo as 5lasses algo que se situa no nível político da vida socialY é s# a este nível que os indivíduos que comp)em uma 5lasse reconhecem. sem d9vida um ponto de referência necess(rio na determina!ão do uso que vem sendo feito. senão quando o conflito ultrapassa a simples oposi!ão entre o oper(rio e o capitalista. porém. isto é. para 1ar . Este antagonismo. $empre que as 5lasses subalternas as apropriam. não assume um significado político. é que oferece as condi!)es mais favor(veis ao nascimento de uma consciência de 5lasse. contudo. 532$$E$ E 52+E=O/82$ 62 26:38$E 7E 12` PE-E/ \ 2 teoria de 1ar é. 7iremos. se pode afirmar que a consciência de 5lasse tende a desenvolver-se mais facilmente onde forem maiores os obst(culos [ penetra!ão das idéias da 5lasse dominante na 5lasse subordinada. de um problema de ideologias. Estas idéias. isto é. 2 mudan!a da Classe e si para Classe para si não é nem autom(tica nem necess(ria. o que redunda em vantagem da burguesia. e se converte num conflito generali"ado. é o momento verdadeiramente constitutivo da 5lasse. ]Os indivíduos \ escrevem 1ar e Engels em Deutsche Ideologie \ formam uma 5lasse s# quando estão comprometidos na luta comum contra uma outra 5lasse]. mas também porque os que . uma associa!ão ou uma organi"a!ão políticaY a não ser que se forme. tal consciência não e istir e se afirmar. isso significa que. mas. de fato. cuja situa!ão de 5lasse é analisada por 1ar em Der !IrgerRrieg in *ranRreich e Der LM !ru aire des 8ouis !onaparte) não conseguirão nunca adquirir consciência da identidade dos seus interesses e agir. dado que as condi!)es de produ!ão os isolam uns dos outros e os p)em em contato direto. . isto é. quer na linguagem política corrente. da realidade social. mas a de o sustarY trata-se. 2 identidade de interesses. tendem a apresentar um quadro harm*nico. um obst(culo real no caminho do progresso. 1as ela não pode dei ar de originar a 5lasse que est( destinada a abater seu domínio e a criar as bases de uma sociedade sem 5lasses. 2 identidade de interesses não é o bastante para fundamentar a e istência de uma 5lasse. h( mais de um século. do conceito de 5lasse. algo que falta no envelope de pagamento dos oper(rios. a identidade de coloca!ão no processo produtivo. que. 1as a luta entre duas 5lasses \ di" ainda 1ar \ é uma luta política. 2 burguesia e erceu sua fun!ão de 5lasse revolucion(ria. mediante a organi"a!ão política dos interesses de todos aqueles que foram colocados pelo processo produtivo na mesma posi!ão de domínio ou de subordina!ão. nas!a uma comunidade. ao contr(rio. a burguesia. em conseq_ência. T esta a base econ*mica do antagonismo dos interesses de 5lasse. O momento de agrega!ão. como 5lasse. a não ser que. redunda em desvantagem do proletariado. Em geral. 888. que o lucro não é senão uma parte de produto subtraída aos produtores diretos. a todos os trabalhadores. mas uma hist#ria onde os atores são precisamente as 5lasses. ou seja. ou entre os oper(rios de uma f(brica e o patrão. s# para citar dois e emplosL. elas produ"em uma ]falsa consciência] da situa!ão de 5lasse e sua fun!ão não é mais a de fa"er progredir o curso da hist#ria humana. Os camponeses franceses. concluindo. . di(rio e familiar. uma consci-ncia de Classe7 >ma 5lasse dotada dessa consciência é uma Classe para si J0Ir sichLO onde. no fundo. . em confronto com os da 5lasse oposta. que tende a contrapor todos os capitalistas.elo contr(rio.ara 1ar . a 5lasse continuar( sendo uma mera Classe e si Jan sichL) incapa" de e pressar reivindica!)es políticas coletivas. não contradit#rio. no quadro de um modelo dialético das transforma!)es da sociedade e de uma teoria do curso da hist#ria. digamos.

acontecendo até. o social e o cultural. como as que opuseram. mas num agir específico. é possível que os indivíduos se comportem todos de modo paralelo e idêntico. 2 distin!ão entre 5lasse e a!ão de comunidade. nos tempos modernos. 5om base na identidade de interesses. estes não bastam para fundamentar a unidade da 5lasse como grupo social.532$$E %E& se afastam do uso mar ista do conceito de 5lasse. agregados sociais que não determinam necessariamente a forma!ão de grupos sociais efetivos. 2s categorias tendem. pelo modo de comportamento. não obstante. os produtores de alimentos da (rea rural aos consumidores das cidades. de um simples agir de massa. na situa!ão de 5lasse. como tais. pertencem regularmente indivíduos cuja posi!ão. pela profissão que e ercem. quando se desenvolveu o sentimento de uma comunidade de interesses ou de uma comunidade de destino. sem que isto suponha uma a!ão ou uma organi"a!ão comunsY trata-se. pelos gostos. pelo tipo de rela!)es sociais que mantêm. para melhor ilustrar as características alternativas das suas elabora!)es conceituais. 2 primeira conseq_ência indica que as 5lasses não se baseiam na divisão social do trabalho. tal como 1ar . Enquanto 1ar não apresenta nunca uma defini!ão e plícita do conceito de 5lasse. sobretudo pela influência que e erceu sobre a sociologia contemporWnea. nestes e emplos. são da mais variada nature"a. 7o que fica dito se conclui que não faltam. com muita freq_ência. a diferenciar-se pela dificuldade de aquisi!ão das condi!)es características que as . e vice-versa. O custo do dinheiro. portanto. mas na e istência de uma situa!ão concorrencial de mercado. o político. os elementos que definem os termos da luta de 5lasses. por e emplo. 2 segunda conseq_ência mostra que. segundo a linguagem de Peber. enquanto para 1ar a 5lasse constitui o elemento central na an(lise das rela!)es entre o econ*mico. os grupos de status constituem sempre comunidades. etc. T importante observar que o pertencer a um grupo de status ou categoria depende da possibilidade de ter uma certa característica distintiva. ou de comunidade. e esse sentimento fomenta a a!ão comum em defesa de tais interesses. e o contorno das 5lasses vem a ser como que o corte por onde é possível e aminar a estrutura da sociedade e sua dinWmica. porém. não com base numa característica objetiva e formal Jsitua!ão de mercadoL. O grupo de status compreende todos os que go"am de particular honra ou prestígio social e se caracteri"am por um estilo peculiar de vida. com o conceito de 5lasse. 7as tentativas de utili"a!ão do conceito de 5lasse numa perspectiva diversa da de 1ar é a de 1a Peber a mais importante. os que oferecem trabalho aos trabalhadores.arte de uma defini!ão estritamente econ*mica do conceito de 5lasseY segundo tal defini!ão. pura e simplesmente. o fundamento da divisão da sociedade em 5lassesY é tão-s# uma fonte freq_ente de privilégios e de discrimina!ão no mercado. pela instru!ão recebida. 7aqui derivam duas conseq_ênciasB %L que não se pode falar de 5lasses senão nas sociedades em que se desenvolveram formas de economia de mercadoY DL que as 5lasses. e. apresenta claras diferen!as. de habita!ão. corresponde amplamente [ distin!ão que 1ar fe" entre 5lasse em si e 5lasse para si. not(veis pontos de convergência. de indument(ria. mas o que os caracteri"a é o fato de não coincidirem necessariamente. o pre!o do trigo e o sal(rio são. embora a identidade da situa!ão de mercado crie a identidade dos interesses de 5lasse. Os fatores que influem na situa!ão em rela!ão ao mercado e. pertencerem [ mesma categoria indivíduos de 5lasses diversas. os camponeses e artesãos devedores aos seus credores J9nica forma de mercado do mundo antigoL. seu alcance te#rico [ descri!ão de um campo muito restrito de fen*menos. a ele se referem. porquanto se definem. 2 5lasse s# pode ser base de uma a!ão coletiva. porém. +odavia. fa"em parte de uma 5lasse todos aqueles que possuem a es a situação e relação ao ercado) ou seja. pois. também Peber reconhece que a 5lasse dos propriet(rios go"a de vantagens particulares na porfia pelo acesso aos bens. Peber o define claramente. têm as mesmas possibilidades objetivas de acesso aos bens escassos que o mercado oferece. 2 categoria dos burocratas. pelo casamento que fa"em. 7iversamente das 5lasses. mesmo construindo sobre ele toda a sua teoria da sociedade e da hist#ria. na 8dade 1édia. O ponto fulcral da divergência das duas concep!)es é que. limitando. na 2ntig_idade. com base numa situa!ão de 5lasse. no modo de se entenderem a si mesmos e de serem entendidos pelos outros. . como di" Peber. T #bvio que o agrupamento por 5lasses e por categorias estão ligados entre si. T assim que podem surgir as lutas de 5lasse. nas concep!)es de Peber e de 1ar . em termos de poder aquisitivo e de autoridade. 2 propriedade não é. T esta a ra"ão por que. para Peber a 5lasse s# adquire relevo dentro da ordem econ*mica e suas divis)es não correspondem necessariamente [s que se verificam na ordem política e social. por determinados padr)es de consumo. standL e de partido. aparecem os de categoria ou status Jem alemão. cujo acesso tende a ser monopoli"ado e restringido pelos componentes da pr#pria categoria. são. em tal caso.

os estatutos das corpora!)esL. se sup)e s# possam ser adquiridos com longa prepara!ão. cujo fim é a conquista ou conserva!ão do poderY podem surgir como resultado dos interesses de 5lasse ou de categoria. têm sido elaboradas diversas metodologias para apreender esta dimensão subjetiva que. 6o Wmbito da pesquisa empírica. não como a preconcebera o pesquisador. pela sua posi!ão de 5lasse. ao contr(rio. Outros estudos. quando as diversas dimens)es se definem mediante a escolha de indicadores gradu(veis. desde os grupos e minorias étnicas ao clero. com demasiada freq_ência. média. ?uando. Ossoasgi distingue. ou de nature"a informal. visavam saber como é que os indivíduos se situam na estrutura de 5lasses. além destas características. todas aquelas situa!)es em que a posi!ão social de um indivíduo não se pode presumir e atamente pela soma de rique"a de que disp)e. oper(ria ou inferior. sobretudo quando se torna necess(rio identificar os indicadores empíricos da estrutura de 5lasse e. não basta isolar as características comuns aos membros dessa 5lasseY é necess(rio ainda observar se. 2lguns estudos se ocuparam particularmente da auto-iden-tifica!ão de 5lasse. mesmo [ lu" da teoria mar ista. não dependem uma das outras. e dispusermos de um procedimento estatístico capa" de combinar as diversas medidas obtidas num índice sintético. Estas dimens)es são. o ordenamento feudal. >+838S2^RO 7O 5O65E8+O 7E 532$$E 62 $O58O3O=82 \ 5om Peber. depois. Efetivamente. E claro que. Em suma. por e emplo. em termos aeberia-nos. mas não no sentido que o termo possui na tradi!ão sociol#gica.%EM 532$$E distinguemY quando adquiríveis s# pelo nascimento ou por heran!a. a prop#sito. mas. as 5lasses por eles identificadas correspondem a uma defini!ão puramente nominalista do conceitoY seria. se não mesmo no ambiente da família onde se nasceu. as 5lasses assim identificadas são tais s# no sentido l#gico do termo. de separar a imagem que os indivíduos fa"em da sociedade e de a relacionar com o lugar que a si mesmos se atribuem na estrutura de 5lasses assim reconhecida. por e emplo. >ma concep!ão dicot*mica reflete uma imagem da sociedade claramente dividida em duas 5lasses contrapostas ou . em geral. a teoria das 5lasses sociais se transforma na teoria das rela!)es entre essas três dimens)es da estratifica!ão social. aos militares e aos grandes grupos profissionais das sociedades modernasY abrange. havendo sido pedido aos indivíduos que se colocassem numa série de categorias fornecidas pelo pesquisador. Em %OMO. interdependentes. três categorias possíveis. neste caso. e a adesão a cWnones estabelecidos de gostos e de estilo que. se poder( falar de casta. é constitutiva do pr#prio conceito de 5lasse social. 0ollingshead e /edlich estudam a rela!ão e istente entre 5lasses sociais e doen!as mentais numa comunidade da costa atlWntica dos Estados >nidos. em parte. 5oncluindo. teremos uma categoria absolutamente fechada e. como o uso de uma certa linguagem ou de um acento particular. por isso. +ratava-se. a do prestígio e a do poder. 5lasse com estrato social. haver( sempre regras que fi em os critérios de participa!ão e de admissão. mais apropriado falar em tais casos de estratos sociais. dentro das quais se podem distribuir as v(rias imagens da estrutura de 5lassesB concep!)es dicot*micas. se se reconhecem como iguais e consideram os que não pertencem [ 5lasse como diversos. cujos membros não se identificam também com qualquer categoria particular. 8<. sancionadas pelo ordenamento jurídico Jpor e emplo. portanto. um quadro de fen*menos muito vasto. pois. entendida esta. quisermos dividir a 5O6+E1. esquemas de gradua!ão e concep!)es funcionais. ou quando 3lo4de Parner analisa o sistema de status num conjunto de comunidades americanas. evidentemente. Estes são associa!)es volunt(rias. Em geral. se confunde. mas não é raro o caso de partidos interclassistas. isto é. analisar a pr#pria estrutura com base nas suas dimens)es fundamentais. para identificar uma 5lasse social. os indivíduos revelam um sentimento de comunidade e solidariedade. diremos que Peber analisa a estrutura das desigualdades sociais numa tríplice dimensãoB a da rique"a. por e emplo. na sociologia contemporWnea. mas elas não poderão ser consideradas como coletividades concretas. em geral. desde as castas indianas [s ordens e corpora!)es medievais. porque tanto o seu n9mero como o modo como foram construídas dependerão da nossa escolha arbitr(ria. Aunto com a distin!ão de 5lasses e categorias Peber apresenta também a distin!ão dos partidos políticos. bem como na linguagem comum.O/Q6E2. isto é. neste caso. $e. muito mais ligada [ idéia que temos ou queremos dar da estrutura social que [ pr#pria estrutura. 5enters perguntava aos seus entrevistados se julgavam pertencer [ 5lasse superior. mas como era diretamente compreendida pelos pr#prios sujeitos. o nível de instru!ão ou qualquer outro indicador. compartilham um destino comum e uma comum concep!ão da sociedade. o prestígio associado [ condi!ão profissional do chefe de família. popula!ão italiana segundo a renda familiar. as quais poderão ser de nature"a formal. identificaremos decerto algumas 5lasses. O conceito de categoria abrange.

+orino %OKKY I agine della societ= e coscienza di classe) ao cuidado de 1. di" respeito não tanto [s rela!)es entre Estado e 8greja. embora de forma desigual. . `8`. como se depreende também de pesquisas levadas a cabo na 2lemanha J. -O++O1O/E. =2>A6O. mas também o fato de que as 5lasses constituem um sistema. não levou a descurar somente a importWncia da dimensão subjetiva da estrutura de 5lasses. +orino %OEMY 2. 1as as rela!)es que entrecorrem as 5lasses.53E/85238$1O %EI antag*nicasY o esquema de gradua!ão reflete. . típicos de quem se sente pertencente [ 5lasse médiaY as concep!)es funcionais tendem a refletir a ideologia das 5lasses dominantes. reflete uma imagem integrada da sociedade. . orientadas. -an %OK&Y 3. 12/$0233. +orino %OEKY G. por todos os cidadãos. difícil consider(-lo um recurso distribuído. por outras palavras. %OE'.8508E/8. Edi"ioni di 5omunit[. ao contr(rio. $U3O$-32-868.. -ologna %OEIY =. 8a lotta di classe J%OKML. 1arsilio.. Classi e con0litto di classe nella societ= industriale J%OIEL. 3oescher. Classe) potere) status J%OI&L.ran!a JPillenerL. tendem a predominar entre os que se colocam na 5lasse oper(riaY os esquemas de gradua!ão são. O poder é um valor particular. tornando-se. (aggio sulle classi sociali) 3ater"a. ao contr(rio..258. não s# porque determina a distribui!ão de todos os demais valores.258. Edi"ioni di 5omunit[. podemos di"er que as rela!)es de 5lasse são essencialmente rela!)es de poder e que. em ve" disso. $50>1. 5cono ia e societ= J%ODDL. -an %OEMY 1. n. Einaudi. =rã--retanha J-oothL e 8t(lia J.2=268. mas [s rela!)es entre 8greja e sociedade civilY é quase sempre conseq_ência da forma!ão.. 0. 2s concep!)es dicot*micas. Editori /iuniti. o primeiro puro e simples agregado estatístico. mas seria (rduo construir estratos segundo o grau de distribui!ão do poder numa sociedade. dessa forma. 2/O$./. O 5lericalismo. por isso.adova %OKF-%OE%.O>326+S2$. O$$OP$G8. etcL. PE-.n DY 2. finalmente. Polere político e classi sociali J%OKFL. . para determinar op!)es e diretri"es. onde as v(rias 5lasses s# se distinguem pelo modo diverso como contribuem para a vida da sociedade e para o seu progresso. 3ater"a.n DY .adova %OKOY 8d. 3>G25$. uma coletividade concreta.i""o/6o. /oma %OKDY $. . 1ilano %OKEY /. 720/E67O/. 1ilano %OF'D. 1arsilio. >+E+. -ologna %OEFY 2 . isto é. 1ilano %OKFY /. ./. T possível. construir estratos segundo a distribui!ão de certos valores sociais Jrique"a. 8Fi agine della struttura di classe nella populazione italiana) in ]?uaderni di $ociologia]. de modo sintético. 8l 1ulino. as definem e lhes determinam o sistema numa sociedade são essencialmente rela!)es de poderY e são justamente as rela!)es de poder que não é possível atingir mediante uma concep!ão nominalista da estrutura de 5lasse. 8l 1ulino. outros os que o suportam. por isso.Y +. -ologna %OF'Y 6. cada 5lasse s# ser definida em rela!ão [s outras. então. $e o que afirmamos c verdadeiro. prestígio.aganiL. 1as hoje é geralmente usado para indicar o comportamento de uma 8greja institucional que tenta intervir em Wmbitos da sociedade civil que não lhe pertencem. . para atividades que se afastam das finalidades para as quais foram criadas. de um valor cuja soma é igual a "ero.2/G86. Cittadinanza e classe sociale J%OK&L. 2. podendo. -ologna %OE&Y Capitalis o e classi sociali in It#lia) ao cuidado de 1. mas sobretudo porque. uma imagem onde as v(rias posi!)es sociais estão ordenadas segundo o grau de participa!ão na distribui!ão de elementos ou valores comunsY a concep!ão funcional. de uma classe dirigente que se considera deposit(ria e arbitra de todo o poder e autoridade e freq_entemente indica uma atitude que penetra também dentro das pr#prias 8grejas quando os . &ercalo del tavoro e classi sociali in Italia7 8l 1ulino. 8e luzione della strutiura di classe in It#lia) in ]?uaderni di $ociologia]. utili"ando como instrumento de interven!ão o clero e suas organi"a!)es laicais. 8a strutiura di classe nelle societ= avanzale J%OE&L.$E+. de fato. 1ilano %OE&Y +. c23E$$267/O 52<2338d Clericali&(o. o conceito de poder representa o aspecto unifica-dor capa" de identificar. Disuguaglianza di classe e ordina ento político J%OE%L. a estrutura!ão das desigualdades sociais. tendo em seguida sofrido modifica!)es e transforma!)es que riscam determinar uma certa ambig_idade e dificuldade de compreensão. 8e lotte di classe in *rancia dal LMNM al LMTW J%FI'L.. 1. . 8e classi nelta societ= oderna J%OMFL. uns são os que o detêm. `8`. M vols. que o poder é um valor cuja soma é igual a "ero e determina a distribui!ão dos outros valores sociais. 2 freq_ente confusão entre estrato social e 5lasse social.E+E/. (ociologia dellFi perialis o J%OI&L. (trullura di classe e coscienza sociale J%OKIL. /oma %OE%Y A. Editori /iuniti. %OE'. como entidades aut*nomas e independentes. 1ondadori. . n. Edi"ioni di 5omunit[. (toria e coscienza di classe J%OD&L. ao cuidado de 2. nas 8grejas. 38. portanto. a segunda. +rata-se de um daqueles termos cuja defini!ão est( estritamente ligada ao conte to hist#rico-político em que é usado. #I#LIO)RAFIA . +orino %OEKY 8e classi sociali in It#lia %FE'-%OE'. -E678` e $. +rata-se. I soggetti del pluralis o$ classi7 partiti7 sindacali7 8l 1ulino.opit"L. =877E6$. 12/`. 3ater"a %OEMDY . instru!ão. Einaudi. sendo e ercido sobre os homens.

o pr#prio poder. talve". em épocas mais recentes. do movimento oper(rio. esquecer que também. fautores do +. 8sto levar(. em seguida. presente quer nas rela!)es confli-tuais entre 8greja e sociedade civil.oucos anos depois foi também substantivado e o termo clerical ficou indicando uma categoria de pessoas bem identific(veisB na . O adjetivo ]clerical] é de origem intra-eclesi(s-ticaY durante séculos indicou simplesmente o que era pr#prio do clero. Os dois termos. logicamente sem o consentimento da 8greja hier(rquica e freq_entemente com a e plícita desaprova!ão desta. aqueles cat#licos particularmente preocupados em defender as prerrogativas da 8greja e os direitos do . o termo desclericalização) usado [s ve"es para indicar a tendência no interior da 8greja a dar espa!o e poder aos leigos. e entra no uso corrente junto com o seu termo antag*nico especulativo de anticlerical. para indicar o esfor!o para opor-se a qualquer forma de ingerência da 8greja na sociedade civilY outras ve"es. ele assumiu um significado polêmico Jo termo parece ter sido utili"ado com este sentido pela primeira ve" em %FMFL. do poder temporal. como 9nica deposit(ria da verdade. quer no interior da 8greja e em particular da 8greja cat#lica Jm( imo alvo do #dio anticlerical devido ao comportamento dela e também porque é a mais difundida nos países onde o termo nasceu e se desenvolveuL. que hoje se manifesta pela volta [ laicidade Jtermo talve" mais adequado do que laicismoL. 5lericalismo e anticlericalismo. embora ficando presentes em conte tos geogr(ficos e culturais sobre as quais anteriormente e erciam sua hegemoniaB essa situa!ão tinha produ"ido uma mentalidade difundida ainda hoje. porém. quer em grupos ou pessoas que atuam e pretendam ficar dentro da 8greja. R?. . [ forma!ão de neologismos que por sua ve" ficarão carregados de antig_idadeB considere-se. Entre os advers(rios da 8greja o uso do termo não é unívocoY para os liberais e os fautores da separa!ão entre Estado e 8greja. mas sociol#gico. 5ontemporaneamente. tiveram uma hist#ria e uma sorte comumY assim como o seu uso. na rela!ão entre as duas tendências se insere um outro termo que gradualmente vai mudando o conte9do destes termosB o termo leigo) também de origem eclesi(stica. freq_entemente confundidos entre siB 32icr727E E 32858$1O J<. +odas as 8grejas se tornam minorit(rias. propensa a sustentar que.L. ap#s %FE'. no seu significado não eclesi(stico. Este 9ltimo gerar(. diversos cat#licos limitantes.L. 6este 9ltimo caso. porém. a 8greja e a sua classe dirigente tivessem o direito de intervir em todos os problemas. $# gradualmente e com a passagem do termo para o vocabul(rio do radicalismo e. em certas ocasi)es. em Wmbito e tra-cat#lico. enfim. porém. 6ão se deve. e que se distinguiam dos cat#licos liberais Jv. o termo no significado polêmico tem uma valentia especialmente antiinstitucional mais do que antieclesi(stica e est( quase sempre ausente o aspecto antireligioso. no interior da 8greja. ligadas [s atitudes do mundo cat#licoB a forma!ão e a radicali"a!ão das atitudes de intransigência geram formas de anticlericalismo. é mais um fen*meno cultural no sentido mais amplo do termo. portanto.iemonte. que por sua ve" se carregam de valores diversos. o 5lericalismo se tornara fen*meno políticoY hoje. 7e fen*meno eclesi(stico.apa.I&5O na 8t(lia são.%EK 53E/85238$1O cl9rigos julgam ter direito de intervir em rela!ão a correligion(rios leigos ou subalternos s# pelo fato de serem detentores do poder. redu"indo o monop#lio do cleroY outras ve"es. Os diversos processos de .apa.rancesa. acabou-se por identificar os cle-ricais com todos os cat#licos. 2 evolu!ão mais recente da 8greja 5at#lica levou aquela classe dirigente a emanar documentos nos quais essa mentalidade parece superadaY não sempre.ran!a são aqueles cat#licos que se demonstram. embora fa"endo parte das mesmas fileiras do catolicismoY em seguida. que têm nas origens quer em grupos que não se consideram e plicitamente de matri" cat#lica. todos aqueles que se fa"iam paladinos da reconquista. inicialmente no . ainda a partir da metade do século `8`. que se manifesta pela volta a verdadeiras formas de anticlericalismo. por parte do . por sua ve". como quase sin*nimo de seculari"a!ão. é assim nos fatos.CI5. uma de intolerWncia e freq_entemente de preconceitos. outros dois voc(bulos. $# depois da /evolu!ão . Enquanto o termo assumia no movimento oper(rio valências anti-religiosas. 52+O3858$1O 38-E/23L. e precisamente na metade do século `8`. O encontro entre culturas diferentes tirou [s 8grejas o monop#lio do saber e. nas formas mais diferentes. termo que chamamos de especulativo em rela!ão ao 5lericalismo. o 26+853E-385238$1O Jv. por e emplo. nascem movimentos e tendências anticlericais. 2 volta de intromiss)es clericais provoca a volta de oposi!)es. assumir( também esse significado para indicar um movimento de luta não somente contra as ingerências de qualquer 8greja. Estas são heran!as de tradi!)es diversasB uma de tolerWncia. na pr(tica. recebe a heran!a positiva do anticlericalismo e é usado conseq_entemente dentro da 8greja e nas ideologias que a ele se op)em. se fa"em promotores e fautores de um catolicismo anticlerical. mas também contra o sentimento religioso. 2s vicissitudes do 5lericalismo estão.

a sobreviver e a adaptar-se. não ser( difícil descobrir o uso que deles se fa" na ciência política.ensiero. seja em face de uma administra!ão centrali"ada. 1>//8. #I#LIO)RAFIA. 0( apenas uma diferen!a fundamentalB enquanto na sociedade pré-moderna. a organi"a!ão política atende. apoiada num aparelho político-administrativo centrali"ado. . que adquirem assim uma relevWncia preponderanteY aos escravos libertos e aos estrangeiros recém-chegados [ cidade não se oferece solu!ão melhor que a de buscar a prote!ão dos not(veis de origem nobre. mas é indiscutivelmente seu e emplo mais conhecido.. parlamento. não s# mostrando submissão e deferência. Embora ficando uma tenta!ão latente e nem sempre afastada. não obstante a e pansão territorial e o desenvolvimento da economia mercantil. dicembrc %OEOY /.O32. 1ilano %OEEY /. continua a prevalecer. 88. fa"endo referência. tudo isso tende. governado e protegido pelo pater 0a ilias7 2 comunidade política estatal vem em segundo lugar e é praticamente constituída pela associa!ão de um grande n9mero de comunidades familiares Jres publicaLO como tal. no interior das 8grejas. 2s estruturas da clientela são um fen*meno igualmente comum nas outras sociedades tradicionaisY como tais. que. c12>/8>O =>2$5Od Clientelí&(o. problem(ticas e crises antes desconhecidas. que não deu apenas o nome ao fen*meno. nas pesquisas sobre moderni"a!ão política e sobre as realidades sociais em transforma!ão entre o tradicional e o moderno.ensiero. 1855O38. voltada mais para a produ!ão destinada ao consumo direto do que para a destinada ao mercado. embora o impacto com as estruturas do mundo moderno provoque rupturas na rede de vínculos da clientela. os sistemas de clientela formavam verdadeiros e autênticos microssistemas aut*nomos. [ comunidade doméstica que. +odavia. partidosL. entre um indivíduo de posi!ão mais elevada JpatronusL que protege seus clientes. 7e fato. 1:. quando as circunstWncias o e igem. 1as dei emos agora o mundo romano. contudo. Em /oma entendia-se como clientela uma rela!ão entre sujeitos de status diverso que se urdia [ margem.ara se compreender o uso que hoje se fa" do termo 5lientelísmo na ciência e na sociologia política. lambem. termos como clientela e 5lientelísmo não podem ser considerados como patrim*nio e clusivo da pesquisa antropol#gica. 8aicis o e anticlericalis o7 in ]5hiesa e religiosit[ in 8t(lia dopo l. 8a /uestione della laicit= nel processo storico oderno) in ]-o""e EO]. uma economia natural fechada. 6uma sociedade assim.82L. <:/. testemunhando a seu favor ante os tribunais e prestando-lhe. mas não conseguiram abalar completamente as rela!)es sociais tradicionais e o sistema político pree istente. como também obedecendo e au iliando de variadas maneiras o patronus) defendendo-o com as armas. [s clientelas e aos clientes das sociedades tradicionais) particularmente [ clientela romana. não s# nos tempos mais recuados da /ep9blica. talve" seja 9til partir dos tempos antigos. apresentando-se como alternativa do sistema político estadual Jv.. ela é incapa" de garantir \ como ocorre na maioria das sociedades tradicionais. Esse uso o encontraremos. mas ainda em épocas posteriores. que possuem terras e e ercem as fun!)es políticas mais importantesY prestarão seus servi!os em troca. tutela que recai então sobre as estruturas familiares. $ansoni. se bem que breve. sobrevivem como tais. os defende em juí"o. e cepcionalmente. se compenetram. além disso. sancionada pelo pr#prio foro religioso. em primeiro lugar. além de ser a estrutura econ*mica fundamental com o trabalho da terra. aprile %OK'Y e Clericalis o e anticlericalis o) in ]Enciclopédia . . é também um microcosmo político. 8a politica clericale e la De ocrazia7 (ociet= . onde o modo capitalista de produ!ão e a organi"a!ão política moderna.>nit[ J%FK%-%FEFL].ilos#fica]. no sistema .538E6+E38$1O %EE seculari"a!ão acabaram por introdu"ir. não seria difícil definir as rela!)es de clientela como fen*menos típicos de uma sociedade tradicional como era a romana onde. . . seja em face das estruturas da sociedade política Jelei!)es. numa sociedade que não somente não é mais sacral.2>+. organi"adas mais ou menos da mesma maneira \ uma tutela efica" aos pr#prios membros. testemunha a seu favor. o 5lericalismo parece hoje encaminhado a perder espa!o. embora sum(ria. 8aicit=) proble i e prospettive7 <ita e . os quais retribuem. ajuda financeira. mas na #rbita da comunidade familiarB rela!ão de dependência tanto econ*mica como política. e um ou mais clientes) indivíduos que go"am do status libertatis) geralmente escravos libertos ou estrangeiros imi-grados. em primeiro lugar. são essencialmente objeto do estudo dos antrop#logos.. 1ilano %OE&. lhes destina as pr#prias terras para cultivo e seus gados para criar. embora as rela!)es de dependência pessoal sejam formalmente e cluídas.iren"e %OKEY =. -E/62/78. 8`. 3evando em conta o que se disse até agora.artindo desta descri!ão. $5O. >Clericale> e >Clericalis o> negli ulti i cento anni) in ]8l 1ulino].azionale di Cultura) /oma %O'FY . mas é tendencialmente pluralista. <iu e .

a parte que é de origem p9blica Je cluídos os maiores grupos de poder da sociedade civil. pelas rela!)es das duas classes capitalistas dirigentes. neste caso. como tais. $# nos podemos referir ao tema em termos e tremamente esquem(ticosB onde as classes subalternas go"am de uma cidadania política incompleta e seus partidos são rotulados ou impelidos a tornar-se partidos. permitem o desenvolvimento de um sistema partid(rio bipo-lar. também aqui encontraremos um 5lientelismo coincidente em numerosos pontos com o que acabamos de mencionar. também apresenta. encorajados a tradu"ir a desagrega!ão de classe que os caracteri"a por uma fragmenta!ão política que seja diretamente proporcional i importWncia do seu consenso para a estabilidade do . toda a sorte de ajuda p9blica que têm ao seu alcance Jcargos e empregos p9blicos. tem. [ burocracia moderna. mas os senhores fundi(rios \ onde acabava. concorrentes entre si. que tem muito de comum com o 5lientelismo das "onas atrasadas antes descritas. atribuível [ fragmenta!ão da sociedade civil em numerosos grupos de interesse. dos recursos estatais. T importante observar como esta forma de 5lientelismo. porém. fen*menos de clientela. em grande parte. imi-grados. como ocoria com os ]senhores de casa] pré-mo-dernos. de direito e de fato. E cetuam-se as situa!)es em que tais estratos são praticamente constrangidos. j( que. típico das forma!)es sociais em vias de desenvolvimento. 1as o partido dos >not#veis>) apenas esbo!ado. mas o raciocínio poder( também ser aplicado. sobre as diferen!as entre partidos americanos e partidos europeusL. fen*menos de personali"a!ão do poder. baseando-se em vínculos hori"ontais de classe ou de interesses. Ele é um elo a ligar o 5lientelismo vinculado [ difusão da organi"a!ão política moderna. os estratos intermédios são. por analogia. mas uma rede de fidelidades pessoais que passa. eles tendera a coligar-se e a integrar-se numa posi!ão subordinada ao sistema político. por sua ve". não j( os not(veis de outros tempos. a quem continua a dispensar prote!ão e ajuda diante de um poder freq_entemente distante e hostil. P. especialmente dos partidos de assa7 6os referiremos e clusivamente a estes 9ltimos. ali(s e tremamente evidentes. tende a afirmarse um outro estilo de 5lientelismo que compromete. a que se associa um significado político. 1ills. como são os estratos intermédios. sem o suporte de um adequado processo de mobili"a!ão política. capa"es de impor as pr#prias decis)es [ classe políticaL é destinada na forma rigorosamente típica da clientela. segundo o modelo dos partidos europeus Jcf. em troca da legitima!ão e apoio Jconsenso eleitoralL. $e é verdade que o relacionamento destes partidos com a sociedade civil é. . 1as. financiamentos.]anti-sistemas] Jno que transparece um modelo bem diverso de hegemonia capitalistaL. mas os políticos de profissão. sobretudo nos mesmos conte tos em que havia prosperado o partido dos >not#veis>) onde o desenvolvimento determina processos de desagrega!ão social. em estruturas de acesso e contacto com o sistema político. quer. etc. Envolve formas de aquisi!ão do consenso através de permuta e. em lugar do 5lientelismo tradicional. justificando. por resultado. Colarinhos brancos) 6ea Uorg %OI%. autori"a!)es. se evidencia em certos setores J(reas suburbanas. j( que. também é claro que.assando [ Europa. embora com não poucas diferen!as. claramente oposto ao do 5lientelismo. não uma forma de consenso institucionali"ado. 5. mesmo a longo pra"o. pela apropria!ão de recursos ]civis] aut*nomos. est( reservado um trato privilegiado com o poder político. em princípio. partindo destes. quer pelo uso pessoal por parte da classe política. os quais oferecem. em troca do consenso eleitoral. ele atinge somente um setor mais restrito da estrutura social. por ve"es macrosc#picos. o not(vel. lhes permite a coe istência. por isso. os quais encontram parado almente na singular disponibilidade de recursos. 7e clientela e 5lientelismo se pode também falar tratando-se de realidades fora do Wmbito das forma!)es sociais atrasadas ou em transi!ão. $obretudo na época do sufr(gio restrito \ mas não faltam e emplos ap#s a introdu!ão do sufr(gio universal \. não esgota toda a gama de fen*menos a que se aplica o termo 5lientelismo. [ semelhan!a do 5lientelismo tradicional. por um lado. colocando-os acima dos cidadãos.%EF 538E6+E38$1O político moderno. serve de elemento de liga!ão do poder com a sociedade civil e com seus pr#prios clientes. a quem. uma rede de rela!)es de clientela que agora se transforma. por outro lado. um certo 5lientelismo. negros. 6os referimos aqui aos fen*menos apresentados pela an(lise do bossis o e da achine politics num conte to como o dos Estados >nidos que. em termos mais mediatos. etcL. a massa seguidora dos partidos de inspira!ão burguesaY tais rela!)es pressup)em a institucionali"a!ão do conflito entre ambas as classes e. E emplo cl(ssico disso é o partido dos >not#veis> \ não os not(veis em sentido genérico. difundido por toda a na!ão. e os partidos e estruturas políticas modernas foram introdu"idos ]do alto]. ?uanto aos recursos.L características de desagrega!ão social semelhantes [s das (reas em vias de desenvolvimento. não os constringe a uma recomposi!ão de classes. a tornar-se. como no caso britWnico.

nacionalismo. 2 participa!ão na gestão foi objeto de uma instWncia muito atuante na 8t(lia. . também se defende que seja atribuída ao trabalhador a possibilidade de participar na gestão da empresa. $cO++. os trabalhadores que participam nos resultados econ*micos da empresa se sentem movidos a reivindicar o controle e co-responsabilidade em sua gestão. etcL. capital e trabalho são considerados. =/E=O. 8. nos moldes e limites estatuídos pelas leis. que a aspira!ão do trabalhador ]a sen_r-se senhor do seu trabalho]. mas em grande parte baseado no apelo anticomunista de %OMF. a passagem do gaullismo da grandeur ao gaullismo dos ]bar)es]L.or isso. MK da 5onstitui!ão italiana \ a /ep9blica reconhece o direito dos trabalhadores a colaborar. a participa!ão dos trabalhadores. parcialmente dos not(veis no sentido tradicional. não prevendo qualquer associa!ão orgWnica dos interesses num quadro político. 2lém dissoB 2. como elementos comple-mentares cia vida empresarial.ran!a. P06=/O7. =/2S826O. de típica clientela. de um princípio aceito pelo =overno político dos povos modernos]. hoje por 8odos denunciada. na gestão das empresas.. o acordo recíproco ocorre também no momento das decis)es efetivas.5O-=E$+RO %EO sistema. senão também para o trabalhador como membro da comunidade econ*mica. 1ilano %OEM. pelo contr(rio. 88.rimeira =uerra 1undial e o advento do fascismo. entre o consenso eleitoral dos indivíduos ou dos grupos e os recursos que o Estado p)e ao dispor do pessoal dos partidos. a F de fevereiro de %OD% apresentava =iolitti na 5Wmara .8O 12$+/O. 1ilano %OEMB especialmente os te tos de =/2S826O. isto é. 6o pen9ltimo grau. . /. ]é a tradu!ão. assim como é garantida ao acionista a possibilidade de participar na administra!ão do capital. 3.8SSO/6O..Clientelis o e uta ento político) ao cuidado de 3. por formas de estímulo individualista e corporativista que. h(.arece que se poder( contrapor ao uso dos recursos simb#licos.2O3Od Co2. que é o da 5ogestão. 6a empresa. o uso de recursos bastante mais pr(ticos. 2 participa!ão do trabalhador na gestão da empresa pode efetuar-se de v(rias maneiras e a diversos níveisY a 5o-geslão no sentido e ato do termo constitui seu mais alto grau dentro dos moldes do sistema capitalista. +2//OP. liga!)es diretasY a 5o-gestão indu" facilmente os trabalhadores ao desejo de participar nos resultados econ*micos da empresa que ajudam a gerirY inversamente. e emplos de 5o-gestão abrangendo toda a atividade da empresa. que também podia ser chamado de cooperação) a consulta recíproca ocorre no momento das delibera!)es program(ticasY no 9ltimo. de %K de setembro de %OD'. através das países Jcf. portadores de dignidade e responsabilidade parit(rias.e&t+o.2^RO E 5O-=E$+RO. r &L. que passa de um partido parcialmente religioso. e. este artigo program(tico teve escassa aplica!ão. [ busca da recomposi!ão política mediante o au ílio de símbolos genericamente definíveis como ]defensivos] Janticomunismo. 6a abertura de um inquérito sobre o controle oper(rio nas ind9strias. 7epois do rompimento das negocia!)es sobre conselhos de gestão entre industriais e sindicatos. consulta que poder( ir da negociação e do controle até ao direito a vetoO eL co-decisão) quando as decis)es são tomadas de comum acordo entre as duas partes. reali"am uma permuta. 2mbos apresentam. \ 6as sociedades industriais regidas por ordenamento democr(tico. Em alguns países. qualunquismo. como na political achine Jvejam-se os casos da 7emocracia 5ristã. c23. dentro de uma concep!ão de-mocr(tico-participativa. 5omo respondem os partidos burgueses ]de voca!ão majorit(ria] a estas tendências centrífugasf . diante dos quais a falta de interesses homogêneos é substituída. [ situa!ão. na . se discute o problema da institui!ão de direitos de participa!ão. =/2>-2/7. na ind9stria.] +al como outras normas fi adas pela 5onstitui!ão no título das ]rela!)es econ*micas]. escrevia 3uigi Einaudi cm ]5orriere della $er(]. . +E67v6582$ j 5O-=E$+RO 62 8+:382.2/+858. I ceti edi nel eccanis i del consenso) in Il caso italiano) ao cuidado de . Os graus de participa!ão na gestão podem ser classificados segundo a seguinte escalaB aL in0or ação dos trabalhadores em rela!ão [s op!)es da dire!ão da empresaY bL informa!ão recíproca entre dire!ão e trabalhadores através da discussãoO cL processos de consulta preventiva não obrigat#riaY dL consulta obrigat#ria dos trabalhadores em rela!ão a determinadas decis)es da empresa. O problema da 5o-gestão é claramente diverso do problema mais amplo e diferenciado da participa!ão dos trabalhadores na propriedade eXou nos lucros da empresa. . D vols. 52<2SS2 e $. nos anos decorrentes entre o fim da . #I#LIO)RAFIA. não s# para o cidadão como membro da comunidade política. \ ]5om vistas [ eleva!ão econ*mica e social do trabalho e de acordo com as e igências da produ!ão \ estabelece o art. se bem que diversamente orientadas. porém.

certos limites.6. tal como acontece no caso da 2>+O=E$+RO J<.arece. . \ 2 5o-gestão. Ela revelou. 2 maior parte destas ind9strias est( concentrada na região do /uhr. 2s características principais da lei sãoB a paritaricdade do conselho de administra!ão. chamaram representantes oper(rios a participarem nas decis)es respeitantes a tais empresas. por isso. porém. tal como se definiu no r 8. pelo menos num sistema capitalista onde os sindicatos estejam dispostos a desempenhar um papel mais cooperativo que conflitante. composto por igual n9mero de representantes do capital e do pessoal. na dire!ão da empresa. de comum acordo. entre os quais o que parece evidenciar-se mais é a tendência dos representantes do pessoal a burocrati"arem-se e a rela arem os contatos com o ambiente donde provêm. Entretanto. com o decreto legislativo de %D de fevereiro de %OMM sobre a sociali"a!ão das empresas. Escolher a via da 5o-gestão significa optar previamente pela co-responsabilidade da integra!ão no sistema e contra a contesta!ão radical do mesmoY isto e plica . foi aprovada uma segunda lei que estendia a 5o-gestão a todas as outras empresas. acrescido de um membro e trínseco designado. empresariais fe" com que fosse apresentado um projeto de lei governativo J1orandi7. 2 ]18+-E$+811>6=] 23E1R. 2 5o-gestão parit(ria s# vigora nas ind9strias carbo-sider9rgicasY nos demais setores. 7ahrendorf p*de concluir que os conflitos industriais continuarão a subsistir até que se esboce a possibilidade de coordenar as empresas de outra forma que não a da autoridade. 7evido também [ influência e ercida por uma comissão consultiva. inadequado estender o termo a formas de coopera!ão que ocorrem a nível macroecon*mico. a a!ão política e sindical vem desenvolvendo seus esfor!os para que a 5o-gestão efetiva se estenda a todos os setores industriais. é uma forma de encontro entre capital e trabalho. 888. além disso. pelas duas partesY presen!a. a e periência alemã tem demonstrado que a 5o-gestão não é inconcili(vel com as e igências produtivas e com a economia de mercado. [s tendências do sindicalismo revolucion(rio apoiadas então pelos socialistas. 2s autoridades britWnicas de ocupa!ão. O fascismo enfrentou nos 9ltimos meses do regime o problema da 5o-gestão. mas segundo rumos e processos diversos dos da 5ogestão. no prop#sito de ]democrati"ar] as grandes ind9strias mineiras e metal9rgicas que sustentaram o na"ismo e rproveitaram com a produ!ão bélica. chegou-se em %OI% [ aprova!ão da lei federal sobre a &itbesti ung Jco-decisãoL dos trabalhadores nos conselhos de administra!ão das ind9strias do carvão. do ferro e do a!o. Em %OID. em /oma. os sindicatos acham-se divididos entre o prop#sito de se valerem das oportunidades oferecidas pela 5o-gestão e a considera!ão da incompatibilidade da 5o-gestão com a fun!ão conflituosa e contestadora do sindicalismo. ao lado dos diretores encarregados da dire!ão técnica e econ*mica.3. em parte. 2 amplia!ão das e periências da 5o-gestão é impugnada numa dupla frenteB enquanto a generalidade dos empres(rios a considera um perigoso debilitamento do pr#prio poder decis#rio. formado por representantes dos trabalhadores e encimado pela figura do ]chefe da empresa]. de um diretor do trabalho J+rbeitsdireRtorL indicado pelo pessoal. a