SOCIEDADE DOS AMIGOS DA JUREMA

O MESTRE DOS MESTRES: MALUNGUINHO – 01

No culto da Jurema, Malunguinho é uma entidade de grande poder, que se manifesta de três formas bastante distintas: Exu, Caboclo e Mestre. O primeiro representa o mensageiro, fazendo o elo de ligação da linha da Jurema com as pessoas. O segundo é a figura do guia, o principal protetor dos iniciados no culto. O terceiro representa alguém que teve existência real na terra. A Jurema, segundo o pesquisador Hildo Leal da Rosa, é um culto religioso de origem indígena (existe no Brasil desde o século 16), mas que também carrega elementos afros (negros) e cristãos (brancos). “Malunguinho é uma entidade que fala pouco e não demora muito quando incorpora. Suas palavras são meio truncadas, como uma criança falando, e a língua mistura português com outro idioma”, diz Hildo Leal.

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diz o pesquisador. Várias cantigas usadas no culto da Jurema citam a figura de Malunguinho. destaca Marcus Carvalho na publicação O Quilombo de Malunguinho. líder dos negros e o coloca no olimpo das divindades”. editado pela Companhia das Letras). “Isso é uma história muito bonita. as mensagens trazidas pela entidade são repassadas a um médium. “Subir ao panteão das divindades é talvez a maior homenagem que um povo pode prestar aos seus heróis”. Vem daí a expressão ‘se estrepar’”. o grupo sempre pede proteção a Malunguinho. Antes de começar as cerimônias. os estrepes. em armadilhas ou expostos. observa. “O Malunguinho da Jurema. acrescenta o historiador Marcus Carvalho. o rei das matas de Pernambuco (Liberdade por um fio/História dos quilombos no Brasil. portanto.Durante o culto. escreve o historiador na mesma publicação 2 . Traduzido como um Exu muito forte. O povo pega um herói popular que existiu de verdade. a recriação simbólica do próprio Malunguinho do Catucá: o verdadeiro rei das matas de Pernambuco”. é. para impedir os ataques dos soldados aos quilombos. que tem o poder de tirar os estrepes do caminho. uma das primeiras entidades chamadas para ajudar é Malunguinho”. Marcus Carvalho explica que estrepes eram paus pontudos fincados no chão. guerreiro. a unidade entre a divindade e o guerreiro da floresta do Catucá é evidenciada em uma cantiga que cita um antigo aparato militar usados pelos quilombolas. “Quando a pessoa está com um problema sério e precisa de uma proteção grande. Malunguinho também é invocado nas cerimônias para levar embora os outros exus. “Muitos soldados caíam nas armadilhas ao perseguir os negros. Para Marcus Carvalho.

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