EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO CORREGEDOR DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA

WANDINELMA SANTOS, brasileira, divorciada, magistrada, portadora de RG N. 1370137 SSP MT, E CPF N 494443369-72 , residente e domiciliada na Av .Oceânica, 235, Ed.Bahia Flat, Barra- Salvador-Bahia – CEP 40140130, vem perante Vossa Excelência,vem, por seu advogado assinado digitalmente, com escritório profissional na Rua Major Gama, 675 - Porto, Cuiabá - MT propor, com base no art.103-B, §4º, III, da Constituição Federal, e arts. 72 e seguintes do Regimento Interno do Conselho Nacional de Justiça, apresentar a presente

RECLAMAÇÃO DISCIPLINAR

Contra o Exmo. Desembargador Márcio Vidal, membro do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, pelos fatos e fundamentos que passa a expor :

I - DOS FATOS

A Correição Ordinária, realizada na 1ª Vara Criminal da Comarca de Tangará da Serra no período de 11.09.2006 a 22.09.2006, gerou relatório onde foram apontadas irregularidades, tendo sido imputada a esta magistrada a infração de seus deveres funcionais ,dando origem a abertura de Sindicância .

A despeito da apresentação de robusta defesa e exuberância de provas, o feito culminou em Procedimento Administrativo Disciplinar -03-2009, cuja relatoria coube ao Exmo.Desembargador Rubens de Oliveira Filho , então Presidente em exercício .

E aí começou o calvário da Reclamante , que passou a responder por um processo acusatório que se iniciou com uma Portaria nula, passou por uma instrução atabalhoada – permeada de falhas processuais – desembocou

num relatório tendencioso , e culminou na aplicação de penalidade que violou vários preceitos constitucionais .

Quanto ao resultado, aReclamante recorreu ao, E. Conselho Nacional de Justiça, que, em 12-12-2012 ,no REVIDIS 000392866.2012.2.00.0000, declarou, por unanimidade, a NULIDADE da sessão respectiva, e determinou que seja realizado novo julgamento, desta feita, com observância das normas constitucionais e do Regimento Interno do próprio Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso . É quanto à postura funcional do Exmo.Des.MARCIO VIDAL–ora Reclamado, a forma de se conduzir nos autos -que aReclamante se insurge, e torna a bater às portas deste E.Colegiado, diante da injustiça , da perseguição e da violência sofrida . Com efeito, a referida Correição Ordinária também gerou um Relatório, de irregularidades detectadas na 2ª.Vara Criminal, presidida pela Dra.Tatiane Colombo . Na sessão em que reeferida magistrada fora absolvida, o RECLAMADO TECEU AS SEGUINTES CONSIDERAÇÕES :

FATO I
"Vejo que os pontos retro-citados (fatos imputados à Dra Tatiane Colombo Bombarda ) refletem a excessiva carga de trabalho que lhe foi conferida em razão da acumulação das funções na 2a.Vara Criminal . da qual é titular e da 1a.Vara Criminal , onde judicou como substituta, nas prolongadas e reiteradas ausências da Juíza titular ." (fl5305 TJMT) . ‘"Com efeito, as faltas imputadas à Sindicada guardam estreita relação com a excessiva carga de trabalho imposta, haja vista ter respondido por duas varas criminais durante noventa e nove dias , no ano de 2005, e quarenta e dois dias , no ano de 2006 , até a realização da correição , o que ocorreu em setembro de 2006 ."

AQUI, CABEM DOIS REPAROS, PARA ACLARAR E CORRIGIR A GRAVE INJUSTIÇA COMETIDA PELO EXMO DES.MÁRCIO VIDAL , ORA RECLAMADO .

1- No ano de 2005 , a Dra.Tatiane Colombo Bombarda NÂO substituiu Wandinelma Santos po 99 dias - e SIM por 69 dias - como comprova o

relatório fornecido pela E.Corregedoria Geral da Justiça do Estado de Mato Grosso. Ao mesmo tempo, certidão fornecida pelo mesmo órgão, revela que, em 2005 Wandinelma Santos substituiu Dra. Tatiane Colombo Bombarda por 80 dias . Então, quem é mesmo que ficou com a "sobrecarga?????"

E mais: em 2005 - como afirma o Exmo Des. Márcio Vidal - a Dra.Tatiane Colombo Bombarda, até setembro de 2007 substituiu Wandinelma Santos por 42 dias. Contudo, omitiu que até julho de 2007, Wandinelma Santos já havia substituído a Dra.Tatiane Colombo Bombarda 29 dias. Não informou ao E.Tribunal Pleno que : - no cômputo geral das substituições, no período avaliado pela equipe de correição, a Dra.Tatiane Colombo Bombarda substituiu Wandinelma Santos 111 dias e - Wandinelma Santos substituiu Dra.. Tatiane Colombo Bombarda 109 dias , OU SEJA , Dra.Tatiane Colombo Bombarda substituiu Wandinelma Santos apenas DOIS DIAS A MAIS .

E vale lembrar... a Dra.Tatiane Colombo Bombarda gozava de plena saúde.... Wandinelma Santos padecia de quatro patologias, detectadas e documentadas pela Junta Médica do próprio Tribunal de Justiça . A Dra.Tatiane Colombo Bombarda substituia PARCIALMENTEa 1a.Vara Criminal, pois os feitos afetos ao Tribunal do Juri eram presididos pelo Dr,Marco Antonio Canavarros. A Dra.Tatiane Colombo Bombarda respondia apenas pelo processamento dos feitos da 2a. Vara Criminal, enquanto A RECLAMANTE, na 1a. Vara Criminal, respondia pelos próprios feitos e executava a pena de seus reeducandos e também os da 2a.Vara Criminal.

É de se esclarecer que a magistrada em questão ingressou na magistratura em 03.03.1999, desfrutando de perfeita saúde, conforme atestou a Junta Médica do Eg. TJ/MT.

No curso dos anos, quando presidia audiências longas ou em grande número, esporadicamente era acometida de afonia, de tal forma que as suas atividades profissionais não eram prejudicadas, mas em detrimento de sua própria saúde.

Mesmo com os problemas de saúde já diagnosticados, em 05.03.2003, a requerente foi designada para jurisdicionar na Comarca de Peixoto de Azevedo, onde respondia por feitos gerais, Juizado Especial, Justiça Eleitoral, Direção do Foro, Infância e Juventude e etc., respondendo, a maior parte do tempo, por mais de 11 000 (onze mil feitos).

Não é necessário dizer das constantes audiências e intervenções que desencadearam problemas na saúde vocal da requerente, levando-a a se afastar por períodos pequenos, para tratamento de saúde.

Em 22.08.2003, estando completamente afônica, procurou assistência médica na cidade de Matupá e, em 25.08.2003, foi encaminhada para médico especialista em otorrinolaringologia: “Atesto para os devidos fins que a Dra. Wandinelma Santos apresenta alterações na laringe e faringe ocasionando dificuldade e perda de voz, por lesar as cordas vocais, devendo realizar tratamento mental 1 vez por mês (mais ou menos 1 semana) com especialista em Cuiabá e manter acompanhamento durante as outras 3 semanas mensais aqui na clínica em Matupá, devendo também diminuir a voz durante o dia no trabalho mesmo assim não descarta no final de 1 ano ter que fazer uma cirurgia”(processo de perícia médica, fl. 03). “Solicito avaliação e conduta urgente do otorrinolaringologista para a Dra Wandinelma Santos pois durante 1 semana de tratamento não teve melhora e sim até piora de quadro infeccioso, não respondendo à antibioticoterapia”(processo de perícia médica, fl. 04)

Assim, em 25.08.2003, a signatária comunicou à Egrégia Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de mato Grosso que iria iniciar tratamento de saúde por tempo indeterminado, uma vez que não sabia o lapso exato a ser fixado pelos peritos e pelo médico especialista que viria a examiná-la em Cuibá-MT (processo de perícia médica, fl. 02).

Em 05.07.2003 foi nomeada Junta Médica e em 05.06.2003, a signatária foi intimada para apresentar-se para avaliação pericial.

Em 05.11.2003, o perito médico otorrinolaringologista atestou que “a paciente Wandinelma Santos é portadora de doença cujos cids encontram-se abaixo e a mesma necessita de repouso vocal absoluto e terapia fonoaudiológica”(processo de perícia médica, fl. 34).

Em 10.11.2003 novo atestado do perito (processo de perícia médica, fl. 54).

Em 10.11.2003 perito a encaminha para a fonoaudióloga (processo de perícia médica, fl. 55).

Em 27.11.2003, encerrados os trabalhos, a Junta Médica concluiu que “a magistrada deverá fazer tratamento com acompanhamento do serviço de otorrinolaringologia junto a de fonoaudiologia por um período não inferior a 06 (seis) meses...”(processo de perícia médica, fl. 27/28).

Em 12.12.2003 – Parecer da fonoaudióloga: “Necessita de terapia fonoaudiológica, com sessões de duas a três vezes por semana inicialmente por um período inicial de dois a três meses para adequação do padrão vocal o que possibilitará melhoras relacionadas ao uso da voz profissionalmente. Serão realizadas reavaliações a cada dois meses para acompanhamento de evolução”(processo de perícia médica, fl. 76)

Em 17.11.2003, a signatária retorna à Comarca de Peixoto de Azevedo e comunica à Presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso que

não tem condições de uso da voz e que não poderá realizar audiência nem Júris, externando sua preocupação com os jurisdicionados e advogados.

Saliente-se que, mesmo estando em Cuiabá, por determinação da Presidência para realização de perícia, ainda assim solicitou autorização para retornar a Peixoto de Azevedo para presidir a campanha “Adotar é Legal”. 20

Em 05.03.2004, já na Comarca de Pontes e Lacerda, e sem condições de exercer qualquer atividade que exigisse o uso da voz, e decorridos, até então quatro meses desde a data em que deveria ter iniciado as recomendações terapêuticas do perito, oficiou à Presidência noticiando sua preocupação com a pauta de Júris e audiências a serem realizadas e sua IMPOSSIBILIDADE TEMPORÁRIA.

Em 09.03.2004 – licença médica por 05 dias, pelos mesmos motivos (processo de perícia médica, fl. 83-A) (deferida pela E. Presidência).

Em 26.03.2004 – licença médica recomendada pelo médico perito, por 07 dias e prescrição de medicamentos (processo de perícia médica, fl. 84/85) e deferida pela E. Presidência.

Ressalte-se que nenhum afastamento da signatária foi indeferido pela Presidência do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, sendo legais e necessárias as licenças requeridas, tanto que homologadas .

Em 29.03.2004 – NOVO LAUDO DO MÉDICO PERITO (processo de perícia médica, fl. 86): “a paciente WANDINELMA SANTOS, é portadora de alergia de VAS, desvio septal e laringite crônica, necessita de repouso vocal e fonoterapia para melhor

modulação vocal evitando desta forma as frequentes reagudizações que lhe incapacita de exercer plenamente suas funções”.

Em 30.03.2004 – novo laudo da perita fonoaudióloga (processo de perícia médica, fl. 87). “A paciente Wandinelma Santos portadora de disfonia, fenda laríngea posterior e hipertrofia de bandas ventriculares segundo laudo de exame otorrinolaringológico apresentado, necessita de terapia fonoaudiológica para adequação de seu padrão vocal.

O uso da voz profissionalmente implica em abuso constante o que se não tratado implica em prognóstico desfavorável com possibilidade de incapacidade para realizar suas funções profissionais decorrente de provável afonia e agravo do quadro apresentado”. 21

Em 18.10.2004, a requerente já tinha tomado posse na 1º Vara Criminal de Tangará da Serra com início do exercício para o mês de novembro.

Pois bem, mesmo estando hospitalizada na cidade de Campo Grande/MS, para tratamento de hipertensão (documento arquivado na Presidência), a signatária oficiou à Presidência informando da impossibilidade em realizar as sessões do Tribunal do Júri, sob pena de ser agravada seriamente sua saúde vocal, uma vez que até aquela data ainda não havia lhe sido oportunizado afastamento para o tratamento recomendado (processo de perícia médica, fl. 97).

Em 20.12.2004 (processo de perícia médica, fl. 108) a Egrégia Presidência editou Portaria designando a Dra. Ângela Regina Gama da Silva Gutierrez Gimenez para presidir às sessões do Tribunal do Júri “durante período que perdurar o tratamento médico recomendado à magistrada (repouso/terapia vocal)”.

Assim, dispensou a requerente de presidir Júris, mas não de realizar audiências!!!

Em 12.01.2005, a Exma. Dra. Ângela informa a impossibilidade real de cumular tais funções (processo de perícia médica, fl. 112/113).

Em 17.01.2005 foi editada nova Portaria, designando o Dr. Marco Antonio Canavarros dos Santos para “presidir as sessões do Tribunal do Júri da referida Comarca, enquanto perdurar o afastamento da Exma. Dra. Wandinelma Santos” (processo de perícia médica, fl. 117).

Contudo, a Egrégia Presidência do Tribunal de Justiça não autorizou o afastamento de seis meses homologado pelo E. Conselho Superior de Magistratura, e nem a dispensou de realizar audiências.

Em 27.01.2005, a Secretária Municipal de Saúde de Tangará da Serra informa a existência de profissionais médicos na área de otorrinoloringologia na cidade (processo de perícia médica, fl. 122).

Em 21.02.2005 a signatária é intimada do r. Despacho: “I – O tratamento recomendado pode e deve ser realizado na própria sede da Comarca, onde existem profissionais habilitados”. 22

A PARTIR DESTES EQUÍVOCOS, começou todo o calvário da requerente, DESENCADEANDO OUTROS TANTOS EQUÍVOCOS, como os relatados pela Equipe Correicional.

De fato, a Portaria nº 451/2004 (processo de perícia médica, fl. 108) designou a Dra. Ângela para presidir as sessões do Tribunal do Júri da Comarca de Tangará da Serra enquanto perdurar o afastamento da signatária (repouso/terapia de voz).

Posteriormente, da mesma forma, a Portaria 003/2005/CM designou o Exmo. Dr. Marco Antonio Canavarros dos Santos para presidir as sessões do Tribunal do Júri enquanto perdurar o afastamento da Exma. Dra. Wandinelma Santos (processo de perícia médica, fl. 117)

PORÉM, O DEFERIDO!!

AFASTAMENTO

NÃO

FOI

AUTORIZADO,

APESAR

DE

Em 26.09.2005, a Subcordenadoria de Cadastro de Magistrados informa à Egrégia Presidência que: “Em cumprimento ao despacho exarado às fls. 129/TJ, informamos a Vossa Excelência que a Dra. WANDINELMA SANTOS – Juíza de Direito da 1º Vara Criminal da Comarca de Tangará da Serra, requer a continuidade da designação do Dr. MARCO ANTONIO CANAVARROS DOS SANTOS – para presidir os julgamentos do Tribunal do Júri, tendo em vista o exposto no documento de fls. 128/TJ e que:

1) em 25.08.2003, a magistrada formulou pedido de licença para tratamento de saúde, por tempo indeterminado, a partir de 26.08.2003, conforme documentos de fls. 02 a 04/TJ, tendo sido designada junta médica, composta pelos médicos do quadro deste Egrégio Tribunal, por determinação do Exmo. Sr. Des. JOSÉ FERREIRA LEITE – Presidente desta Corte (à época) – documento de fls. 05 a 07/TJ.

3) após todo o procedimento pericial acompanhado pelos Drs. CARLOS FEGURI, CRISTINA M. MIQUILINI MENDES E ÉZIO ROBERTO S. OJEDA – CRMs nºs 1616, 1388 e 3309, respectivamente, ficou concluído em 27.11.2003, que a MM Juíza deveria fazer o tratamento com acompanhamento do serviço de 23

otorrinolaringologia junto a de fonoaudiologia, por um período não inferior a 06 (seis) meses a fim de reeducar suas cordas vocais, evitando assim o possível aparecimento de calos nas referidas cordas – documentos de fls. 27/28-TJ.

4) em 18.10.2004, a postulante comunica a impossibilidade de presidir a pauta de Júri daquela Comarca, solicitando assim providências (fls. 97/98-TJ), e conforme Portaria nº 451/2004/CM de 20.12.2004, a Exma. Dra. ANGELA REGINA GAMA DA SILVEIRA GUTIERREZ GIMENEZ – Juíza de Direito da 2º Vara Cível da citada Comarca, foi designada, para cumulativamente, presidir as sessões do Tribunal do Júri daquela Comarca, enquanto perdurasse o tratamento médico recomendado à magistrada – repouso/terapia vocal (documento de fls. 108/TJ).

5) Conforme Portaria nº 003/2005/CM de 17.01.2005, o Dr. MARCO ANTONIO CANAVARROS DOS SANTOS – Juiz Substituto jurisdicionando a 2º Vara Criminal da referida Comarca (à época), foi designado, cumulativamente, para a partir da mesma data, presidir as sessões do Tribunal do Júri enquanto perdurasse o afastamento da requerente, revogando, assim, a Portaria nº 451/2004/CM de 20.12.2004.

Informamos ainda, que a conclusão da perícia (fls. 27/28) no item 3.1., ponderou que a Magistrada necessitava de repouso vocal absoluto, período em que deveria estar afastada das suas funções jurisdicionais, e ainda no item 3.4, indicou que tal procedimento seria por um período não inferior a 06 (seis) meses; esclarecendo que nada consta anotado nesta Subcoordenadoria até a presente data, quanto ao afastamento da requerente.

Visando economia processual, anexamos às fls. 133/TJ, de 26.9.2005, relatório concernente aos afastamentos da Magistrada postulante desde o início deste procedimento até a presente data.

Diante do exposto, sugerimos a Vossa Excelência, que determine, s.j.m., a alteração na Portaria 003/2005/CM, 24 para que a designação nela constante, seja “até ulterior deliberação e não enquanto perdurar o afastamento da Dra. Wandinelma Santos”. (processo de perícia médica, fl. 131/132).

Em 10.05.2005, a requerente comunica à Egrégia Presidência que AINDA NÃO LHE FORA OPORTUNIZADO AFASTAMENTO POR SEIS MESES PARA O TRATAMENTO DETERMINADO PELA PERÍCIA.

Em 04.10.2005 a Egrégia Presidência mantém a designação do Dr. Marco Antonio Canavarros dos Santos para presidir as sessões do Tribunal do Júri (processo de perícia médic, fl. 134).

Em 19.10.2005, a Signatária é cientificada da decisão que manteve o Dr. Marco Antônio à frente das sessões do Júri.

Contudo, a r. Decisão, mais uma vez, omitiu-se sobre a presidência das audiências e sobre o afastamento da requerente para o tratamento médico necessário.

Posteriormente, a Egrégia Presidência determinou que a Signatária realizasse os Júris pendentes na Comarca.

Neste ponto, é oportuno e necessário registrar que desde o início da gestão 2005/2007 até o mês de julho de 2006, a requerente tentou INÚMERAS VEZES FALAR AO TELEFONE COMO O EXMO DES. PRESIDENTE, sem êxito; tentou ser recebida inúmeras vezes, sem êxito, mesmo com audiência pré-agendada e confirmada.

Por sua vez, em 12.09.2006, após novo exame, a perícia médica conclui que: “De acordo com novo laudo e exame videolaringoscópio realizado pelo médico otorrinolaringologista Dr. Mário Espósito, ficou constatada que a Magistrada permanece com os mesmos sinais e sintomas descritos no laudo pericial de 27 de novembro de 2003, sendo recomendado repouso vocal e fonoterapia por seis meses, a fim de evitar-se as ferquentes reagudizações que a tem incapacitado de exercer suas funções. 25

Concluímos, portanto, que o tratamento é necessário e inadiável no sentido de que as patologias apresentadas pela Magistrada não a incapacite em definitivo” (processo de perícia médica, fl. 155/156).

Observe-se que o laudo de fl. é firmado pelo médico nomeado pelo próprio Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso para realizar a perícia.

Constudo, é desacreditado, sob argumento de que o laudo “é dúbio, por ter sido emitido pelo médico da ilustre magistrada”(processo de perícia médica, fl. 161).

Em 20.09.2006, a requerente é encaminhada a fonoaudióloga nomeada pela Tribunal de Justiça do Mato Grosso, que concluiu:

“A paciente Wandinelma Santos, foi submetida a avaliação otorrinolaringológica e exame de vídeo laringospia, que mostrou “hipetrofia de bandas ventriculares”e “discreta fenda posterior”, no exame clínico “disfonia moderada”.

A síndrome de abuso vocal compreende uma função inapropriada, como anormalidades na respiração, fonação, ressonância, altura, intensidade, fadiga vocal e redução da extensão dinâmica da voz. Se não tratada implica em um preognóstico desfavorável, acarretando incapacidade para realizar suas funções profissionais e provável evolução para uma afonia crônica.

A paciente apresenta necessidade de terapia fonoaudiológica e repouso vocal por um período de 3 meses, podendo este ser prorrogado após reavaliação médica e fonoaudiológica”(processo de perícia médica, fl. 165).

Em 24.10.2006, não havendo ainda decisão quanto ao deferimento da licença médica, a requerente, novamente, procurou orientação da E. Corregedoria-

Geral da Justiça do Estado de Mato Grosso e foi orientada a dar início imediato ao tratamento médico, comunicando-se à E. Presidência, o que de fato foi feito. 26 “Excelentíssimo Desembargador Presidente,

Wandinelma Santos, brasileira, magistrada, em exercício na Comarca de Tangará da Serra-MT, onde responde pela 1º Vara Criminal, atualmente em licença médica, vem respeitosamente informar a Vossa Excelência que já compareceu a todas as convocações da Junta Médica nomeada por este Egrégio Tribunal de Justiça para realização de perícia na signatária, bem como se submeteu a todos os exames médicos determinados pelos experts.

Assim sendo, seguindo orientação do próprio médico perito, Dr. Mário Espósito, especialista em otorrinolaringologia – que ressaltou a urgência no tratamento recomendado – comunica a signatária que nesta data dará início ao tratamento fonoaudiológico, registrando que encaminhará, espontaneamente, à Junta Médica, relatório mensal respectivo”(processo de perícia médica, fl. 239).

Em 23.11.2006 foi comunicada do deferimento de sua licença médica por 6 meses, findando-se em 22.01.2007. Em 10.01.2007, cientificada para se apresentar à Junta Médica para reavaliação. Diante disso, oficiou à Presidência informando que “permaneço em Cuiabá à disposição da Junta Médica nomeada, para reavaliação, até a completa conclusão dos trabalhos”(Ofício GAB 1a Vara Criminal nº 01/2006, datado de 22.01.2007).

Em 19.03.2007 retornou às atividades na Comarca de Tangará da Serra. Portanto, a negligência não foi da requerente e sim do TJ/MT que tratou o seu estado debilitado com um tremendo descaso, em total mácula da própria saúde da magistrada em questão.

A partir do momento em que é justificada documentalmente, por médicos oficiais e particulares o estado de saúde da requerente, não há que se falar em negligência na não realização das audiências, já que o Tribunal já houvera

reconhecido essa limitação temporária , tanto na comarca de Peixoto de Azevedo (dispensa de presidir sessões do Júri Popular ) , na comarca de Pontes e Lacerda (dispensa de presidir sessões do Júri Popular e audiências- e nomeação de substitutos ) , como na própria comarca de Tangará da Serra (dispensa de presidir sessões do Júri – e nomeação de substituto ) 27

Absurdo!!!! É uma verdadeira inversão de valores!! Nessa moldura, resta evidente que não há que se falar em negligência da requerente e sim do E.Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, em não deferir, em tempo hábil, tempestivamente, o tratamento de saúde da magistrada .

Finalizando este item, conclui-se que o Reclamado não se conduziu de forma imparcial e tampouco buscou a verdade real, como lhe competia como Magistrado Ao contrario, preferiu denegrir a imagem da Reclamante, para poder aliviar a pesada carga de acusações comprovadas e confessadas- e admitidas como verdade, pelo próprio Reclamado. Para isso, criou fatos e versões que levassem ao raciocínio de que todas as faltas gravíssimas cometidas pela Dra.Tatiane Colombo se deviam a imputação falsa de má conduta da Reclamante .

Pergunta-se novamente: se todos são iguais perante a lei, porque para o Exmo.Des.Márcio Vidal, ora Reclamado, uns são mais iguais que os outros?

FATO 2
No mesmo voto, o Exmo: Des.Márcio Vidal – ora Reclamado, afirma que

" Após detido exame dos fatos demonstrados, é possível inferir que as irregularidades apuradas contra a sindicada (Dra Tatiane Colombo Bombarda) tiveram como causa a conduta TEMERÁRIA IMPUTADA À MAGISTRADA TITULAR DA 1A.VARA CRIMINAL , ACARRETANDO EXCESSIVOS ENCARGOS Á SINDICADA." (FL 5308 ) .
Assim, segundo Sua Excelência, os afastamentos Santos configuravam CONDUTA TEMERÁRIA . No entanto, o Certidão expedida pelo E.Conselho Superior da de Wandinelma

Magistratura revela a natureza dos afastamentos; Férias: Férias Compensatórias; Licença médica recomendada pela Junta Médica do E.Tribunal de Justiça e HOMOLOGADA pela E.Presidência Licença médica para tratamento de pessoa da família; Afastamento previsto no COJE (art.252, 'b', parágrafo 1o.)

Ora, isso é conduta temerária? Tirar férias? Adoecer?

Para se aquilatar a violência do palavreado utilizado pelo Reclamado, é bom lembrar o significado da palavra TEMERÁRIA.

Verbete: Lide temerária

Verbete: Lide temerária Significado: Diz-se da ação por meio da qual uma pessoa, sem justa causa ou interesse jurídico, por mera imprudência, negligência, erro grosseiro ou culpa grave, chama injustamente outra pessoa a juízo, ocasionando-lhe danos.

TemerárioDefiniçõesSinônimos
1. Temerário
Sinônimos: imprudente abarbarado destemido temerário valente arriscado arrojado audaz aventuroso difícil duvidoso perigoso preto tremido arrojadiço ousado abalançado atrevido decidido denodado disparado empreendedor impávido impetuoso intrépido precipitado veemente violento atirado chibante confiado desabusado desaforado desfaçado deslavado engraçado insolente intrometido meço metedico petulante procaz audacioso descarado enxerido lampeiro afoito aguerrido animoso ardido arrogante despachado despejado valoroso aventurar abalançar arriscar aventar impostor jogar malparar tentar vagabundo varriscaraventureiro doido alheado alienado encantado entusiasta exaltado extravagante furioso louco tresloucado varrido cínico desadvertido desajuizado desavisado despropositado doidivanas estouvado inadvertido incauto inconsiderado indiscreto insipiente leviano precipitoso espinoteado impensado incogitado irrefletido volúvel alucinado demente desassisado desatinado desvairado insensato mentecapto anhanguera corajoso desassombrado determinado esforçado furão guapo precipite venturoso imoderado aventurado aventureiro arrebatado impulsivo irresponsável malicioso imoral bravo .

temerário
Significado de temerário em Português
adj. Precipitado, imprudente. Arriscado. Audacioso; atrevido. Que mostra audácia: acto temerário. (Lat. temerarius) Em qualquer língua em que os Excelentíssimos Desembargadores (inglês: temerarius; Espanhol: Temerario; latim: Temerária; Francês: Témérité) venham a pesquisar seu significado, a palavra temerário significa excesso de coragem, ou em um português mais apropriado, INCONSEQUENTE.

Já demonstrado por todo este processo os erros crassos de julgamento e analise do Exmo Des. Xxx, este ainda tem a coragem de, não bastando por a reclamante numa posição de re- analise de sua vida privada devido a todo desgaste emocional e financeiro a que foi submetida, ainda ter o seu maior valor pessoal, a sua MORAL. A moral não tem preço. Nos idos tempos da Roma antiga, berço da nossa cultura ocidental, o valor da pena por dano moral era tão baixo que determinado soberano acredita-se – esbofeteava o povo na cara acompanhado de um escravo que pagava a indenização após a agressão. Isso é ser temerário. Brincar com a moral e honra alheia, sem analisar os prejuízos familiares, morais e espirituais de cada individuo, acreditando-se estar acima dos outros por obsequio Divino. Não estamos mais na Roma antiga, a civilização cresceu e culturalmente avançou muito desde então, no entanto continuamos a ter homens (e mulheres) primitivos, que insistem que ainda estão numa realidade colonialista e imperativista de tempos idos.

II- DO DIREITO

III – DO PEDIDO A leitura do arrazoado faz concluir que : 1. Com relação ao FATO I , o Reclamado sonegou informações e dados oficiais, ao induzir seus pares a erro, fazendo crer que a Dra.Tatiane Colombo tinha uma carga de trabalho maior do que a da Reclamante – o que , absolutamente, não era verdade – para convencê-los a relevar as faltas gravíssimas desta .

2. Com relaçao ao FATO II , o Reclamado faltou com decoro, usando linguagem incompatível com o cargo que ostenta. É indesculpável que um magistrado de segundo grau, no afã de livrar da penalidade outra magistrada – confessa quanto aos seus graves erros – ofenda, desnecessária e levianamente, a honra de uma outra magistrada , mormente quando se trata de uma Juíza “ficha limpa” , de conduta irretocável e que não tinha sequer UMA anotação negativa em sua ficha funcional .

Ante todo o exposto, requer a este Conselho Nacional de Justiça sejam apurados os fatos acima narrados, instaurando-se o competente processo legal administrativo disciplinar para aplicação da penalidade cabível e prevista em lei para a espécie.

Para demonstração do alegado, requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos.

Termos em que, pede e espera deferimento.

Cuiabá, 20 de maio de 2013.

Tassio Vinicius Gomes de Azevedo OAB/MT 13.948