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O fundamento Fenomenológico-Existencial O surgimento da fenomenologia e do existencialismo se produz na primeira metade do século XX, tendo um efeito importante no pensamento psicológico

europeu. Fenomenologia – Encontra-se sua base, principalmente em Husserl, mas desde Santo Agostinho já se percebe um olhar fenomenológico, o qual influencia a psicologia. Existencialismo – encontra suas bases em Kierkegaard, no século XIX e, posteriormente, floresce como um movimento filosófico na Europa durante o período compreendido entre as duas guerras mundiais. A fenomenologia entrou na teoria de Rogers em 1951, com a introdução do conceito de campo fenomenal (campo de experiências pessoais), como uma primeira tentativa de elaborar teoricamente a relação terapeuta-cliente. O existencialismo entrou na teoria de Rogers em 1961, após o mesmo relatar o conflito entre sua educação no positivismo lógico e a abordagem existencial que orientou seu trabalho. Rogers sentiu-se atraído pela ênfase na experiência, tornando assim sua abordagem em experiencial. Não se pode considerar a teoria de Rogers como toda fenomenológica, uma vez que adotou esta denominação tardiamente e nunca tentou praticar uma abordagem fenomenológica intencionalmente (não tomou para sua teoria todos os conceitos da fenomenologia). Quanto ao existencialismo em Rogers, percebe-se a presença de um existencialismo norteamericano o qual não está permeado da melancolia de guerra que atinge o pensamento europeu. O vínculo da ACP com a Fenomenologia Existencial se manifesta pelos seguintes aspectos: Ênfase na experiência vivida no presente; Valorização dos sentimentos; Refutação das explicações causais e Visão holística do ser humano. Denominador comum das várias linhas teóricas e terapêuticas humanistas-existenciais: - O respeito à pessoa; - O reconhecimento da totalidade e unicidade do outro; - A intolerância frente a todas as manifestações de tendências deterministas; - A ênfase na relação humana como forma de crescimento.

A fundamentação na filosofia de Buber Enfatiza o contexto da relação terapêutica afirmando que existem duas atitudes básicas, duas formas de existir ou de ser no mundo que se alternam durante a existência humana: Relação Eu-Tu – o homem integra-se completamente com o mundo, numa totalidade caracterizada pela integração dos opostos, onde desaparecem as peculiaridades e contradições individuais. Aspectos essenciais referentes à relação Eu-Tu: 1. Reciprocidade - ato mútuo entre duas pessoas; 2. Presença - ou o momento da reciprocidade; a presença recíproca garante a alteridade; 3. Imediatismo - aqui e agora; 4. Responsabilidade – entendida como capacidade de resposta Relação Eu-Isso: É caracterizada pela separação e distanciamento entre o Eu (egóico) e o Tu (isso, ela, ele).

A relação Eu-Isso não deve ser encarada como algo negativo. esquecendo-se da alteridade como condição básica para qualquer relação. de crescer. já que traria em si mesmo esta tendência natural a desenvolver-se de uma maneira positiva e construtiva enquanto uma tendência direcional positiva. Aparta-se e recolhe-se. uma vez que é mais estável. permanecendo em estado latente. proporciona uma sensação de segurança. entre o atuar sobre o cliente e ser com ele. essencialmente.como um fluxo implícito de movimento para uma realização construtiva de suas possibilidades intrínsecas. . com primazia do vivido. A fundamentação da Filosofia de Nietzsche Advincula traça um paralelo entre os conceitos de tendência atualizante em Rogers e a vontade de potência em Nietzsche. A compreensão da realidade humana – se dará através do prisma do diálogo. A Psicoterapia Centrada na Pessoa (ACP) compreende o homem.A relação terapêutica – nela o psicoterapeuta atua numa alternância entre o conhecimento objetivo e a intuição categorial. como um organismo digno de confiança. de sujeito a sujeito. então. A relação psicoterápica deixaria. é rara e difícil. A relação Eu-Isso se tornaria negativa somente quando submetesse o homem. de vencer. onde o terapeuta estaria agindo sobre o paciente como se fora um objeto manipulável. como possibilidade. Rogers – defende a sabedoria do organismo e a importância das direções para as quais aponta o experienciar organísmico. tendendo a transformar-se em Isso. entre o raciocinar e o existir como totalidade. para transformar-se num encontro entre duas pessoas. uma vez que o homem não suporta manter um envolvimento tão intenso constantemente. Cria-se um pudor em relação ao saber científico como se este propiciasse relações mecânicas e pré-determinadas. As concepções de Buber sobre o encontro propiciam uma proposta de relação terapêutica sob o prisma do Eu-Tu. embora ela tenda a ser relegada a um segundo plano. É uma vontade de durar. propondo o conceito de tendência atualizante como um dos conceitos mais revolucionários de sua experiência clínica. de ser um mero vínculo Eu-Isso entre um cientista e seu objeto. É um símbolo de um impulso de vida (que move o homem) para alcançar sempre mais. Rogers descreve esta tendência atualizante . mais duradoura e. do vínculo entre a experiência vivida (ação) e a reflexão (pensamento). considerada como prejudicial e como um vínculo objetivante e frio. portanto. entre o passado e a presentificação. Vontade de potência em Nietzsche – é o mais forte de todos os instintos que dirige a evolução orgânica. Relação Eu-Tu – é uma experiência que não dura muito. de entender e intensificar a vida. entre o Eu-Isso e o Eu-Tu. uma tendência natural para o desenvolvimento completo e inclusive como uma tendência inerente para desenvolver todas as potencialidades das pessoas e para desenvolvê-las de maneira a favorecer sua conservação e seu enriquecimento.

o princípio último da vida é a própria vida. a intensificação da potência. ainda que não possa ser considerado fenomenológico. que o divide em interioridade e exterioridade. em individual e social. o individual ou o social. uma vez que Rogers e Marx provêm de campos epistemológicos totalmente distintos.expansão dos instintos fundamentais. a história. Na medida em que o homem é sujeito e objeto. ao optar por um dos pólos. dos despotencializados. . Ambos se mantêm no âmbito do pensamento dualista ocidental. segundo Rogers. mistura-se na geléia geral que compõe o mundo. o princípio de uma evolução. e a atualização do ser (tendência atualizante) Na da filosofia Nietzscheana .Advincula relaciona o experienciar organísmico inconsciente. pensamentos e discursos. desenvolve seu pensamento em uma direção fenomenológica. teóricos tem buscado tem buscado a teoria de Merleau-Ponty como caminho mais viável para o desenvolvimento da psicoterapia humanista. doentes e destruidores são reveladores da tendência atualizante. e a intensificação das forças (vontade de potência). Nietzsche contrapõe o homem intuitivo. Mesmo os comportamentos estranhos. quando aponta o corpo como fio condutor para o conhecimento. Nietzsche também reconhece nas expressões dos fracos. com a sabedoria dos instintos proclamada por Nietzsche. presente na tendência atualizante. A crítica ética de base Marxista Ao necessitar fundamentar melhor a ACP. ao mesmo tempo em que se singulariza com suas ações. Para ambas teorias. abolindo uma visão de homem dicotomizada. considerando a vida como valor maior. pode-se elaborar uma prática psicoterapêutica na qual o homem seja mundo e o mundo seja homem. o homem. A fundamentação na filosofia de Merleau-Ponty Como tornar o humanismo cultural? A partir de Ponty. a manifestação da vontade de potência.a plenificação da vida. embora não consiga ir adiante exatamente por ter a pessoa como centro. Rogers prioriza o indivíduo e Marx prioriza a sociedade. O próprio Rogers. Nelas evidencia-se que o fim último da vida é a sua realização: Na ACP . Assinala que ao homem conceitual (racional).

Carne não é a síntese homem-mundo. como eu ensino. Não vontade de viver. A vida como fator essencial da "vontade de potência" Dentro das várias perspectivas da "vontade de potência". símbolo de um impulso de vida para alcançar sempre "mais".. Já na obra "Assim falava Zaratustra". Os fatores predeterminantes da "vontade de potência como vida" A "vontade de potência como vida" não se trata de uma vontade de viver.2. a "vontade de potência".)"[11]. Segundo a definição que Nicola Abbagnano apresenta em seu "Dicionário da Filosofia". o cliente e a sociedade. mas. onde a carne é aquilo que o meu corpo é. Não é matéria nem espírito. Carne – parte da idéia de intercorporeidade. mas está entre ambos. O homem então é concebido enquanto ser no mundo e.. ativopassivo. É o sentido do corpo em sua relação com os objetos.. O filósofo alemão reduz todas as funções orgânicas fundamentais à "vontade de potência". compreendida como "vontade de durar. no sentido empregado por Nietzsche. Esta perspectiva da "vontade de potência" deve ser. não é o centro do mundo (centrar na pessoa não tem mais sentido). como fenômeno em mútua constituição com o mundo. Ambos. que é a sua própria história e sua possibilidade de transformação: o mundo já não é considerado como objeto. de entender e intensificar a vida"[12]. A "vontade de potência" é determinada como o mais forte de todos os instintos que dirige a evolução orgânica. Este termo é. visível e vidente. define-se como: . Este homem que está sempre entrelaçado com o mundo. Nietzsche também a define como vida. já que para o filósofo o homem não tem uma consciência constituinte das coisas como propõe o idealismo. na concepção de Nietzsche. vontade de poder (. ele dizia: "(.) Só onde há vida há vontade. de crescer. pois a vida é apenas um caso particular desta vontade. de vencer. como tal. 2.Entende-se o homem como um ser intrinsecamente interligado ao mundo. assim como o cliente já não é visto como sujeito. assim.. que é um constante vir a ser. é uma forma de abordar o ser que escapa à representação. um símbolo no sentido da nomeação de uma vivência espontânea diante do devir da vida. fazem parte da mesma contextura carnal.

) os ricos e os vivos querem a vitória."um impulso fundamental que nada tem de causação racional: 'A vida. querer crescer.[13] Isso se confirma.. o domínio de si mesmo ou o esforço de sempre alcançar mais potência. E a "vontade de potência" é justamente o que caracteriza este desejo.Resumindo numa palavra: é o querer. a vitória sobre si mesma... O sentimento de prazer reside precisamente na não-satisfação da vontade. Na verdade. isto é.. mas tem o potencial de sempre "ir além". aumento. no sentido de finalidade..webartigos. devem transparecer a sua presença incessante e atuante. Deve-se compreender que ela não é estática. Contudo. nota-se que Nietzsche tem razão quando diz que todas as funções sadias do ser humano têm a necessidade de um crescimento dos sentimentos de potência: "(. na incapacidade da vontade em se satisfazer quando sem adversário e sem resistência[19]. os adversários suplantados. E isso só é possível dentro de um movimento de constante busca de mais potência..[15] Nietzsche atesta esta busca quando diz: "(. mas o fato de que a vontade quer ir avante e quer ainda assenhorear-se do que encontra em seu caminho.. o qual equivale a querer tornar-se mais forte. todos os aspectos que se encontram em volta da vontade de potência como.html#ixzz1GsjOBRtw . o fraco quer ser forte. . o transbordar do sentimento de potência sobre domínios novos (. como caso particular. Neste sentido denota-se extravasão. a "vontade de potência" é vista como um movimento de auto-superação da própria vida e sua dinâmica corriqueira.absurda moeda falsa psicológica das coisas próximas -). o humilde quer ser estimado.)'". dilatação[17]. Aspirar a outra coisa não é senão aspirar à potência..)"[14]. o prazer de uma conquista. Ela é o impulso interior da força que gera o movimento.)"[18].com/articles/15728/1/A-Vontade-de-Potencia-comoVida/pagina1. Percebe que o homem quer sempre algo mais. Dessa forma. O prazer não deve ser uma espécie de fim para ela.. Mas na própria apreciação fala a vontade de poder (.quero combater particularmente essa doutrina superficialissima.. O objetivo geral.. pôr tudo em movimento. quando Nietzsche diz no Zaratustra: "(. ou seja. a tendência de subir. Nietzsche também acredita que a "vontade de potência" é uma expressão que possibilita concretizar em palavras um impulso vital. da "vontade de potência" é continuar a "tecer a tela da vida".) Um pequeno obstáculo é suplantado. mas imediatamente segue-se outro que também é suplantado – esse jogo de resistências e vitórias estima ao máximo o sentimento geral de potência (..)"[16]. principalmente. aspira ao máximo sentimento de potência possível. mas que sempre está em movimento. visto que só tem um fim. então. Sendo assim. assim. de maneira que o "fio" se torne cada vez mais potente.. Ela é.) Há muitas coisas que o vivo aprecia mais que a própria vida. por exemplo. Essa vontade é sempre o que há de mais íntimo e profundo (. Para Nietzsche o homem possui um insaciável desejo de mostrar potência.. nota-se que a vida vai ganhando mais dinamismo. Não é a satisfação da vontade que é a causa do prazer (. Um outro aspecto importante e expressivo da "vontade de potência como vida" é a sua insaciabilidade. visto que esta é uma das funções da "vontade potência". que parte do interior para o exterior. Contudo não é um "ir além" que tem um fim. http://www. aquilo que é saciável e que não compreende a dinâmica dela.

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