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Alccsic
Eurí¡idcs (c. 485 A.C.-406 A.C.}

Traduçao c noias
J. D. dc Mcllo c Souza¯

Vcrsao ¡ara cDool
cDoolsDrasil

Fonic Digiial
Digiializaçao do livro cn ¡a¡cl
Classicos Jaclson, Vol. XXII
Diagranaçao ada¡iada aos fornaios dc cDool
dis¡onívcis

© 2006 ÷ Eurí¡idcs
3

Alceste
TEM csia lcla iragcdia dc Eurí¡cdcs, ¡or
¡rinci¡al oljciivo, a c×aliaçao do anor conjugal
quc aiingc o nais sullinc Icroísno.
Alccsic, Laodania c Pcnclo¡c, cs¡osas dc
Adncio, Proicsilau c Ulisscs, rcs¡cciivancnic,
consiiiucn o irí¡iico das nais nolrcs figuras
fcnininas quc a lcnda grcga nos a¡rcscnia. Das
ircs, ¡orcn, coulc à incon¡aravcl rainIa dc
Fcrcs ¡raiicar o rasgo dc alncgaçao quc lIc
asscgura a ¡rinazia cnirc as cs¡osas nodclarcs.
Enuncrando, no canio II da Iíìudu, os
coniingcnics Iclcnicos aliados na luia conira a
¡odcrosa Troia, Honcro ncnciona os gucrrciros
dc Fcrcs, Clafira c Iolcos, sol o conando dc
Eunclio, filIo qucrido dc Adncio c dc Alccsic, a
qucn o grandc acdo considcra ºa gloria das
nulIcrcs", c ºa nais nolrc dcsccndcnic dc
Pclias". Plaiao vai alcn, quando asscvcra quc os
¡ro¡rios dcuscs considcraran iao lclo o auio-
sacrifício dc Alccsic, quc lIc conccdcran o
¡rivilcgio c×cc¡cional dc rciornar da sc¡uliura à
vida. ºOs nuncs Ionraran ncla a viriudc na×ina
do anor", ÷ conclui o filosofo. E c dc crcr quc a
lcnlrança dc Alccsic Iouvcssc ins¡irado a
SIalcs¡carc csia afirnaçao, quc clc airilui ao
infcliz rci Lcar.
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ºU¡on sucI sacrificcs, ny Cordclia,
TIc Cods iIcnsclvcs iIrow inccnsc!"
A iragcdia dc Eurí¡cdcs, quc sc inicia ¡or un
nonologo do dcus A¡olo ao dci×ar o ¡alacio dc
Adncio, c ¡cla acrinoniosa discussao quc cssa
lcnfazcja divindadc susicnia con o c×ccuior
in¡lacavcl da Moric, ÷ nao nos ¡ro¡orciona
sur¡rcsa alguna dccorrcnic dc iniriga ou
ariifício. A açao iranscorrc naiural c logicancnic
aic o dcsfccIo. O ¡ocia nanicn scn¡rc
alcandorado o csiilo, scn quc as falas das
¡crsonagcns c as odcs corais ¡crcan o alio icor
do scniincnio c da nclancolia. Por isso ncsno,
alguns iraduiorcs c cscoliasias csiranIan as
duas unicas ¡assagcns cn quc a aicnçao sc
dcsvia, ¡or alguns noncnios, do c¡isodio ca¡iial.
iais sao a fala do scrvo quc dcscrcvc os c×ccssos
dc ¡luionaria c a inicn¡crança dc Hcrculcs, ÷
quc caniava aos lcrros no rcccsso dc un lar
fcrido ¡clo luio, ÷ c a ccna cn quc Adncio
dcllaicra con o ¡ai valciudinario, agrcdindo-sc
anlos con anargas diairilcs, quando naos
¡icdosas ja irans¡orian ao jazigo o aiaudc quc
conicn o cor¡o inaninado dc Alccsic.
Trasladando, ¡ara o vcrnaculo, a iragcdia dc
Eurí¡cdcs, rcsolvcnos adoiar, ¡ara ccrios noncs,
a forna ou a grafia quc nais convcnicnic nos
¡arcccu, ou a quc nclIor condiz con a índolc dc
nosso idiona. Assin, ¡rcfcrinos conscrvar o
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nonc grcgo Tunutos ¡ara rc¡rcscniar a Mo¡tc, c o
dc Hudcs ¡ara o sonlrio ¡aís dc Pluiao. É
cvidcnic quc a ¡alavra ín¡c¡no, ncsno no ¡lural,
quc lIc asscguraria o scniido niiologico, causa
rcvolia ao lciior, quando sc iraia dc una alna
loníssina, cono a da dcsdiiosa Alccsic. Dcsign
ando o nunc Iorrcndo ¡or Tanaios, cviianos o
nonc dc Orco, o qual, scgundo auiorizados
niiologisias, sc a¡lica ao ¡ro¡rio dcus Pluiao,
cono sc vc ncsia ¡assagcn, cn quc Horacio
advcric quc a noric aiingc, inc×oravclncnic, a
ricos c ¡olrcs.
º... si nciii Orcus
Crandia cun ¡arvis, non c×oralilis auro?"
(E¡ìstoíus, II, 179}
con¡arada aos vcrsos dc Virgílio, conccrncnics à
noric da ºniscrrina Dido".
ºNondun illi flavun Proscr¡ina vcriicc crincn
Alsiulcrai, siygioquc ca¡ui dannavcrai Orco".
(E¡ìstoíus, IV, 699}
Eviianos, dcsiaric, o cn¡rcgo dos vocalulos
Moric c Infcrno, inadcquados, cn nuncrosos
¡assos da iragcdia, cn conscqucncia do scniido
quc con¡orian na língua ¡oriugucsa, cono nos
idionas afins.
Idcniica ¡rcocu¡açao nos aconsclIou a
sulsiiiuir ºscnIora" ¡cla ¡alavra ºrainIa", scn
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¡rcjuízo ¡ara o scniido, coarciando anliguidadcs
dccorrcnics do cn¡rcgo daquclc vocalulo cono
sinónino dc cs¡osa, ou quando ¡rcccdido do
¡osscssivo ºNossa", caso cn quc a lcla ¡alavra
assunc significaçao cs¡ccial c qucrida ¡ara os
crisiaos.
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ALCESTE

Eurípides
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ALCESTE
PERSONAGENS
APOLO
TÃNATOS (A Mo¡tc}
ADMETO, ¡cí dc Fc¡cs
ALCESTE, suu cs¡osu
EUMÉLIO, scu ¡ííIo
HÉFCULES
FEFES, ¡uí dc Adncto
COFO (dc uncíuos dc Fc¡cs}
UM SEFVO
UMA SEFVA
A ccnu sc ¡ussu díuntc do ¡uíucío dc ADMETO,
nu cídudc dc Fc¡cs, nu Tcssuííu
APOLO
Ó ¡alacio dc Adncio, ondc nc vi coagido a
iralalIar cono scrvo Iunildc, scndo cnlora un
dcus, cono sou! Ju¡iicr assin o quis, ¡orquc
icndo fulninado ¡clo raio ncu filIo Escula¡io,
cu, jusiancnic irriiado, naici os Ciclo¡cs,
ariíficcs do fogo cclcsic. E ncu ¡ai, ¡ara nc
¡unir, in¡ós-nc a olrigaçao dc scrvir a un
Ioncn, a un sin¡lcs norial! Eis ¡or quc vin icr
a csic ¡aís; aqui a¡asccnici os rclanIos dc ncu
¡airao, c nc fiz ¡roicior dcsic solar aic Iojc.
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Scndo cu ¡ro¡rio londoso, c scrvindo a un
Ioncn londoso, ÷ o filIo dc Fcrcs ÷ cu o livrci
da noric, iludindo as Parcas. Esias dcusas
¡roncicran-nc quc Adncio scria ¡rcscrvado da
noric, quc ja o ancaçava, sc ofcrcccssc algucn,
quc quiscssc norrcr ¡or clc, c scr conduzido ao
Hadcs.
Tcndo ¡osio a ¡rova iodos os scus anigos,
scu ¡ai, c sua vclIa nac, quc o criou, clc nao
acIou qucn conscniissc cn a dar vida ¡or clc, c
nunca nais vcr a luz do sol! Ningucn, scnao
Alccsic, sua dcdicada cs¡osa; c agora, no ¡alacio,
conduzida a scus a¡oscnios nos lraços dc scu
narido, vai dcs¡rcndcr-sc sua alna, ¡orquc c
Iojc quc o Dcsiino c×igc quc cla dci×c a vida. Eis
¡or quc, ¡ara nc nao nacular, cu alandono
csics icios qucridos. Vcjo quc ja sc a¡ro×ina
Tanaios, o odioso nunc da Moric, ¡ara lcvar
consigo Alccsic à ncrcncoria nansao do Hadcs. E
vcn no noncnio ¡rcciso, ¡ois aguardava a¡cnas
o dia faial cn quc a níscra Alccsic dcvc ¡crdcr a
vida.
Ent¡u TÃNATOS
TÃNATOS
AI! Quc ¡rocuras iu junio dcsic ¡alacio? Quc
fazcs aqui, A¡olo? Qucrcs ainda ¡rivar os dcuscs
infcrnais das Ionras quc lIcs sao dcvidas? Ja
nao ic lasia Iavcr dcsviado o dcsiino dc Adncio,
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iludindo as Parcas ¡or ncio dc iuas ariinanIas?
E agora, con icu arco cn naos, zclas, ialvcz, ¡cla
filIa dc Pclias, quc ¡roncicu ao cs¡oso norrcr
cn scu lugar?
APOLO
Tranquiliza-ic! Nada ¡rcicndo, scnao o quc
for jusio, c razoavcl.
TÃNATOS
Para quc, cniao, cssc arco, sc a icu favor icns
a jusiiça?
APOLO
É ncu cosiunc ic-lo conigo scn¡rc.
TÃNATOS
E ¡roicgcr csic ¡alacio, dcs¡rczando as
jusias dcicrninaçõcs do Dcsiino...
APOLO
Afligcn-nc, con cfciio, as infclicidadcs
daquclcs a qucn ano.
TÃNATOS
E ¡rcicndcs roular-nc csia scgunda noric?
APOLO
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Nao foi ¡cla violcncia quc agi ¡ara coniigo.
TÃNATOS
Cono sc cסlica, cniao, quc Adncio csicja
solrc a icrra, c nao sc¡uliado ncla?
APOLO
Porquc dcu, ¡or si, a cs¡osa, a qucn vicsic
luscar agora.
TÃNATOS
Sin! E Ici-dc conduzi-la ao Hadcs
sulicrranco!
APOLO
Tona-a, ¡ois, coniigo, c vai-ic! Nao sci sc
conscguiria convcnccr-ic!
TÃNATOS
Dc quc? Dc quc dcvo naiar aquclcs quc
dcvcn norrcr? Pois sc c csic o ncu ofício!
APOLO
Nao! nas dc ¡rcfcrir aquclcs quc ianio
iardan cn norrcr!|1|
TÃNATOS
Con¡rccndo iuas razõcs; icu zclo c naiural.
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APOLO
Ainda lcn! Dizc, ¡ois. Iavcra, ¡or acaso, un
ncio ¡clo qual a ¡olrc Alccsic consiga cIcgar à
vclIicc?
TÃNATOS
AI! Nao!... Faço cn¡cnIo cn dcfcndcr
ninIas ¡rcrrogaiivas!
APOLO
Ao ncnos csiou ccrio dc quc nao arrclaiaras
daqui scnao una unica alna!
TÃNATOS
Quando norrc qucn csia na flor da idadc,
lcn naior c ninIa gloria!
APOLO
Mas, sc cla norrcssc quando idosa, icria un
funcral nais sun¡iuoso!...
TÃNATOS
O quc ¡ro¡õcs, A¡olo, favorccc aos ricos, iao
soncnic.
APOLO
Quc dizcs? Por acaso a¡rcndcsic a raciocinar
con iania suliilcza, scn quc o soulcsscnos?
13
TÃNATOS
Sin! Os alasiados con¡rarian o dirciio dc
norrcr cn ancianidadc.
APOLO
Tu nc rccusas, ¡ois, a graça quc soliciio?
TÃNATOS
Fccuso-a, sin. Dcn conIcccs ncu rcginc.
APOLO
Quc c funcsio aos noriais, c odioso aos
¡ro¡rios dcuscs!
TÃNATOS
Nada conscguiras daquilo quc nao dcvcs
conscguir.
APOLO
Tu nodcrar-ic-as, ¡or nuiio crucl quc scjas,
Eis quc sc a¡ro×ina un Ioncn do ¡alacio dc
Fcrcs. É un Icroi, quc Eurisicu cnvia às
longínquas rcgiõcs da Tracia, ¡ara a¡odcrar-sc
dos cavalos dc Dioncdcs; nui lrcvc scra
rccclido, cono Ios¡cdc, no ¡alacio dc Adncio, c
¡cla força, Ia-dc ic arrclaiar a cs¡osa|2|. Assin,
ncnIuna graiidao ic dcvcrci; iu nao faras o quc
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cu nao qucro quc faças, c nao ncnos c×ccrado
scras ¡or isso.
TÃNATOS
Dizc o quc quiscrcs; nada nais icras dc nin.
Esia nulIcr dcsccra à nansao sonlria dc
Pluiao. Vou ja ¡rcludiar, ¡cla cs¡ada, o sacrifício;
¡orquc c incdiaiancnic consagrado aos dcuscs
infcrnais aquclc dc cuja calcça csia lanina
coriar un so fio dc calclo!|3|
(Sucn}
O COFO, cn doís g¡u¡os con¡ostos dc uncíuos dc
Fc¡cs
1° CFUPO
Por quc iao ¡rofundo silcncio no vcsiílulo
dcsic ¡alacio? Por quc iao calno csia o solar do
rci Adncio?
2° CFUPO
Nao sc vc un so anigo quc nos ¡ossa dizcr sc
ja c icn¡o dc ¡ranicar a rainIa noria, ou sc,
ainda cn vida, Alccsic, a filIa dc Pclias, vc a luz
do sol, cla, quc sc icn rcvclado a nclIor cs¡osa,
a nais dcdicada a scu narido!
1° CFUPO
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Ouvc algucn, la dc dcniro, gcnidos, ¡ranios
ou o angusiioso airiio das naos|4| lancniando o
gol¡c da faialidadc? Ncn un so dos scrvos sc vc
junio ao ¡oriico. Praza aos dcuscs quc Pa nos
a¡arcça, ¡ara dar un fin a iania dcsvcniura!
2° CFUPO
Elcs nao conscrvarian ianio silcncio, sc cla
csiivcssc noria. Nao crcio quc o cor¡o ja icnIa
sido rciirado do ¡alacio!
1° CFUPO
Por quc ¡cnsais assin? Nos nada
¡crcclcnos! Cono csiais assin scguros do quc
dizcis?
2° CFUPO
Cono icria Adncio ¡odido rcalizar, cn
scgrcdo, os funcrais dc una cs¡osa iao digna?
1° CFUPO
Nao sc vc, junio à ¡oria, o vaso dc agua
lusiral, cono c dc cosiunc colocar-sc à cnirada
da casa ondc Ia un norio; no vcsiílulo nao
csiao sus¡cnsos os calclos, quc os anigos,
¡ossuídos dc dor, corian dc suas fronics, ncn sc
ouvc a irisic lancniaçao das car¡idciras.
2° CFUPO
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No cnianio, cIcgou o dia faial...
1° CFUPO
Quc dizcis?
2° CFUPO
O dia cn quc cla dcvc dcsccr à sc¡uliura!
1° CFUPO
Conovcsic-nc o coraçao, c o íniino dc ninIa
alna. Quando criaiuras londosas csiao incrsas
na dor, qucn qucr quc icnIa lons scniincnios
dcvc dcla con¡ariir.
O COFO
Para ondc qucr quc sc cnvic una galcra|5|
ningucn ¡odcra salvar a alna dcssa infcliz; qucr
na Lícia, qucr nas ardcnics rcgiõcs dc Ánon.
¡orquc o Dcsiino c inc×oravcl, c nao iarda! Nao
salcnos a quc dcuscs dcvcnos rccorrcr, ncn a
quc saccrdoic ¡cdir au×ílio ncsic iransc!
AI! Sc vivcssc ainda o filIo dc A¡olo, ¡odcria
Alccsic rciornar ainda da sonlria csirada quc
conduz à ¡oria do Hadcs. So clc rcssusciiava os
norios, cnquanio nao foi fulninado ¡clo raio dc
Ju¡iicr! Agora, ¡orcn, quc cs¡cranças dc
salvaçao ¡odcrcnos concclcr? Todos os riios ja
foran cun¡ridos ¡or nosso rci; solrc as aras dc
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iodos os dcuscs rcalizan-sc sangrcnios
sacrifícios; c nao Ia rcncdio ¡ara a dcsgraça quc
o fcrc.
Eis, ¡orcn, quc una das scrvas dc Alccsic
vai sair do ¡alacio, lacrinosa. Quc nos dira cla? É
naiural sua afliçao, visio quc scus scnIorcs
csiao, ianlcn, sol o ¡cso do inforiunio. Vivcra,
ainda, Alccsic, ou nao? Eis o quc ansiosancnic
dcscjanos salcr.
Ent¡u A SEFVA
A SEFVA
Dcn ¡odcis afirnar quc cla csia, ao ncsno
icn¡o, noria, c viva!
O COFO
Mas cono ¡odc algucn csiar na noric, c cn
vida ainda?
A SEFVA
Porquc, ja con a calcça ¡cndida, cla vai
cnircgar a alna...
O COFO
Ó infcliz rci! Quc loa cs¡osa ¡crdcs iu, quc
cs iao digno dcla!
A SEFVA
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O rci nao o salcra, scnao dc¡ois dc a icr
¡crdido.
O COFO
E nao Ia nais cs¡crança alguna dc lIc
salvar a vida?
A SEFVA
Infclizncnic, o dia faiídico cIcgou.
O COFO
E ja csiao ¡rc¡arando as solcnidadcs?
A SEFVA
As vcsics con quc o cs¡oso a inunara ja
csiao ¡ronias.
O COFO
Quc cla saila, ¡ois, quc icn noric gloriosa,
scndo a nclIor dc iodas as nulIcrcs quc icn
c×isiido sol o sol!
A SEFVA
E cono nao scria a nclIor das cs¡osas?
Qucn o ncgara? Quc ouira nulIcr sc lIc ¡odcra
avaniajar? Quc ouira cs¡osa faria nais ¡or scu
narido, do quc ofcrcccr-sc ¡ara norrcr ¡or clc?
Toda a cidadc disso csia cicnic; nas vos icrcis
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vossa adniraçao auncniada ao salcrdcs o quc
cla fcz no inicrior do lar. Quando scniiu quc cra
cIcgado o dia faial, lavou o scu cor¡o alvíssino
na agua do rio, c, rciirando dos cscrínios os scus
nais lclos ornaios, vcsiiu-sc ricancnic; dc¡ois,
dianic do aliar doncsiico, fcz csia ¡rccc. ºÓ
Dcusa! Vou ¡ara a rcgiao das sonlras, nas
qucro vcncrar-ic, ¡cla uliina vcz cn ninIa vida,
rogando-ic quc icnIas ¡cna dc ncus filIos
orfaos! Conccdc-nc quc un dclcs icnIa una loa
cs¡osa, c a ouira, un digno narido. E quc clcs
nao norran, cono sua infcliz nac, anics do
icn¡o fi×ado ¡clo dcsiino, nas quc vivan, fclizcs
c ¡ros¡cros, na icrra da Pairia!" En scguida,
visiiando iodos os aliarcs quc Ia no ¡alacio dc
Adncio, cla dc¡osiiou solrc clcs coroas dc florcs,
cs¡arzindo ao rcdor folIas dc nuria, c orou, scn
un so gcnido ou lancniaçao, ¡orquc a inincncia
do ircs¡assc cn nada alicrou sua fisiononia
¡lacida c lcla. Dc¡ois, voliando à canara
nu¡cial, dci×ou-sc cair solrc o lciio; so cniao,
con os olIos lacrinosos, dissc. ºÓ ncu lciio,
ondc ¡crdi ninIa virgindadc ¡clo anor dcsic
Ioncn, ¡or qucn Iojc vou norrcr! Nao ic
lancnio, ¡orquc soncnic a nin vais ¡crdcr; c cu
norro ¡ara scr ficl a ncu cs¡oso. Una ouira Ia-
dc ic ¡ossuir, ÷ qucn salc? ÷ nunca nais casia
do quc cu, nas ialvcz nais fcliz!..." E, agarrando-
sc ao lciio, lcijava-o, nolIando-o con suas
co¡iosas lagrinas. Assin aliviada ¡clo ¡ranio,
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crguc-sc, rciira-sc do a¡oscnio, con a calcça
lai×a, ¡ara voliar varias vczcs, c dc novo aiirar-sc
solrc o lciio. CIoravan os filIos, agarrados às
vcsics dc sua nac; c cla, ionando nos lraços ora
un, ora ouiro, lcijava-os naicrnalncnic, cono
qucn salc quc vai norrcr. Todos nos, scrvos,
cIoravanos, ianlcn, cn nossos a¡oscnios,
condoídos da soric da nossa rainIa. Ela csicndia-
nos a nao, cn dcs¡cdida, icndo una ¡alavra
carinIosa ¡ara cada qual, ¡or nais Iunildc quc
fossc. Tais sao os nalcs quc afligcn a casa dc
Adncio; sc clc iivcssc dc ¡crcccr, ja csiaria
norio; nas, icndo cviiado a noric, sofrc una dor
iananIa, quc nunca nais a ¡odcra csqucccr!
O COFO
E Adncio dc¡lora, ccriancnic, a ¡crda dc
una cs¡osa iao londosa!
A SEFVA
Sin, clc cIora, icndo nos lraços a
con¡anIcira qucrida, c ¡cdc-lIc quc nao o
alandonc, dcscjo in¡ossívcl agora! Sin, ¡orquc
cla ja sc vai consunindo ¡clo nal, c ¡csa nos
irisics lraços do narido. Enlora ¡ossa a¡cnas
rcs¡irar ainda, qucr conicn¡lar a luz do sol, quc
nunca nais lIc scra dado rcvcr, ¡ois c a uliina
vcz cn quc os raios do asiro do dia virao aic scus
olIos. Vou anunciar, ¡orcn, vossa cIcgada; ¡ois
ncn iodos sc nosiran iao dcdicados ao scu
21
cIcfc, ¡ara quc o visiicn na Iora do inforiunio.
Vos sois, ¡orcn, vclIos c lcais anigos dc nosso
rci!
1° CFUPO
Ó Ju¡iicr! Cono fugir a iananIa dcsgraça?
Quc rcncdio Iavcra, ¡ara o gol¡c quc ancaça os
nossos solcranos? Vira algucn dar-nos noiícia
do quc sc ¡assa? Dcvcrcnos coriar nosso calclo,
c vcsiir irajo dc luio? É ccrio quc o farcnos,
anigos! No cnianio coniinucnos a invocar os
dcuscs! Incnso c o ¡odcr dos nuncs inoriais!
2° CFUPO
Ó Fci Paian!|6| inagina un ncio ¡ara lilcriar
Adncio dc iananIa dcsgraça! Vcn cn scu
socorro! Tu ja o salvasic una vcz; salva, agora,
ianlcn, a Alccsic! Livra-a do ¡odcr Ionicida dc
Pluiao!
1° CFUPO
OI! OI! FilIo dc Fcrcs, cono ic lancnias,
¡rivado dc iua nulIcr! Nao scria ncnor
sofrincnio a noric ¡clo gunc da cs¡ada, ou ¡or
un laço faial? Sin, ¡orquc vcras Iojc norrcr
una con¡anIcira iao anada, a nais digna
cs¡osa quc ¡odcra c×isiir no nundo!
2° CFUPO
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Ei-la quc sai do ¡alacio, con scu cs¡oso.
Tcrra dc Fcrcs, cIora, lancnia a ¡crda dcsia
c×cclcnic nairona, quc, consunida ¡clo nal, vai
dcsccr à nansao soiurna do Hadcs!
Nao! Nunca dirci quc o Iincncu dc nais
vcniuras do quc dorcs; a julgar ¡clos dranas ja
¡assados c ¡clo dcsiino dcsic rci, quc icndo
¡crdido a nclIor das cs¡osas, arrasiara
doravanic un vivcr quc ja nao c nais vida!
Ent¡un ADMETO c ALCESTE
ALCESTE
Ó sol, naravilIosa luz do dia! Ó nuvcns quc
os vcnios do ccu vclozcs arrasian!
ADMETO
O sol ic vc, c a nin ianlcn... Dois infclizcs
quc nada fizcran conira os dcuscs, ¡ara quc iu
norras!
ALCESTE
Ó ninIa icrra, o ncu diioso lar, o ncu
quario dc Iolcos, ondc ncu ¡ai foi rci!
ADMETO
Fcanina-ic, infcliz! Nao ic alandoncs, assin,
ao dcscs¡cro! Foga aos dcuscs ¡odcrosos, ¡ara
quc sc con¡adcçan dc ii!
23
ALCESTE
Eu vcjo... cu ja csiou vcndo... o sinisiro larco
dc dois rcnos. O guia dos norios, Caronic, ja nc
cIana. ºPor quc dcnoras iu? CaninIa, ¡ois, quc
nc rciardas!"|7| E assin nc força a a¡rcssar-nc.
ADMETO
Ai dc ii, quc falas ncssa dolorosa iravcssia!
Infcliz Alccsic, cono sofrcnos!
ALCESTE
Esiao nc arrasiando... Eu o sinio! Algucn
nc o¡rinc... iu nao vcs? Arrasian-nc ¡ara a
nansao dos norios... É Pluiao!... clc ncsno!...
Con suas asas... c scus olIos Iorrcndos,
ccrcados dc ncgras solrancclIas... OI! Quc
fazcs? Dci×a-nc! ¡olrc dc nin! Quc caninIo
sonlrio c csic, ¡or ondc nc conduzcn?
ADMETO
... Un caninIo doloroso ¡ara icus anigos, c
nais ainda ¡ara nin, c ¡ara icus filIos, quc
¡ariilIan dc ncu dcscs¡cro!
ALCESTE
Dci×a-nc! Dci×a-nc! Qucro dciiar-nc... os
¡cs ja nao nc susicnian nais! O Hadcs csia
¡ro×ino... una noiic cscura cai solrc ncus
24
olIos. Ó ncus ¡olrcs filIinIos, ja nao icndcs
nac!... Adcus, ncus filIos... gozai a luz... a luz
radiosa do dia!
ADMETO
Ai dc nin! Ouço irisics ¡alavras... nais
dolorosas quc a noric! Eu ic ¡cço, Alccsic! ¡clos
dcuscs! Nao nc alandoncs! Pclos filIos quc vais
dci×ar na orfandadc! Lcvania-ic! Tcn cs¡crança
ainda! Sc iu norrcrcs, ianlcn cu nao vivcrci
nais! Esicjas iu viva, ou nao, cu dc¡cndo dc ii
¡or iudo, c scn¡rc; o anor quc icnIo ¡or ii c
sagrado!
ALCESTE
Adncio, lcn vcs a quc c×ircnidadc cIcguci;
dcscjo, anics dc norrcr, quc ouças o quc ic qucro
rcvclar. Anando-ic sinccrancnic, c dando ninIa
vida ¡ara quc coniinucs a vcr a luz, norrcrci ¡or
ii quando ¡odcria vivcr ¡or longo icn¡o ainda,
rccclcr ¡or cs¡oso aquclc, dos icssalios, quc cu
¡rcfcrissc, c Ialiiar un ¡alacio rcal. Mas rccusci-
nc a vivcr ¡rivada dc iua con¡anIia, c a vcr
ncus filIos scn ¡ai; nao nc ¡ou¡ci, dis¡ondo
cnlora dos dons da nocidadc c dos ncios dc os
usufruir. Trairan-ic icu ¡ai c iua nac, sin! ¡ois
sua avançada idadc lIcs ¡crniiiria una noric
gloriosa, salvando o filIo ¡or un rasgo ncriiorio.
És, con cfciio, o filIo unico quc ¡ossucn; a¡os
iua noric, ncnIuna cs¡crança lIcs scria
25
¡ossívcl, dc icr ainda ¡rolc no fuiuro. E cu
coniinuaria a vivcr, iu nao sofrcrias, ¡or ioda a
vida, a falia dc una cs¡osa, c nao scrias forçado
a cducar filIos orfaos dc nac... Mas un dcus
quis quc as coisas ionasscn csic runo... Scja!
Dc iua ¡aric, c ¡orquc scn¡rc ic Ias-dc lcnlrar
disio, conccdc-nc una graça, cn iroca; nao igual
à quc ic faço, ¡ois nao Ia lcn nais ¡rccioso quc
a vida; nas jusia, cono iu ncsno rcconIcccras.
Tu anas a nossos filIos ianio quanio cu, sc icu
coraçao c sinccro c Ioncsio. Quc scjan clcs os
donos dc nosso lar! Nao os sulncias, nunca, à
auioridadc dc una nadrasia, quc scria
ccriancnic infcrior a nin, c quc, in¡clida ¡clo
ciunc, naliraiaria cssas ¡olrcs crianças quc sao
icus filIos, nas ianlcn sao ncus! Eu ic
conjuro. nao faças ial coisa! A nadrasia quc
succdc à cs¡osa c ininiga dos filIos do ¡rinciro
nairinónio, c cn nada infcrior a una vílora!
O filIo varao icn, no ¡ai, un ¡roicior; corrc
¡ara clc, c o ¡ai o ¡roicgc. Mas quanio a ninIa
filIa, cono ¡odcra scr Ioncsiancnic cducada
duranic sua virgindadc? Ó ninIa filIa! Quc
scgunda cs¡osa dc icu ¡ai nandara solrc ii?
Fcccio lcn quc, lançando solrc iua rc¡uiaçao
una nodoa infananic, ¡ossa cla anargurar iua
juvcniudc, c in¡cdir quc rcalizcs un diioso
casancnio. Tua nac nada ¡odcra fazcr ¡clo icu
consorcio; ncn csiara a icu lado quando vicrcn
ao nundo icus filIos, quando nao Ia con¡anIia
26
nais qucrida quc a dc una loa nac. Dcvo
norrcr; c csic crucl ircs¡assc nao scra ananIa,
ncn no icrcciro dia do ncs; nas dcniro dc alguns
noncnios ja csiarci incluída cnirc os norios.
Mcu cs¡oso, sc fcliz... Tu lcn ic ¡odcs gloriar dc
icr ¡ossuído a nais anorosa das cs¡osas, c vos,
qucridos filIos, dc icrdcs iido a nais carinIosa
das nacs!
O COFO
Tranquiliza-ic, Alccsic; nao icncnos falar ¡or
clc; clc cun¡rira icu dcscjo, a ncnos quc Iaja
¡crdido a razao!
ADMETO
Sin! Tudo farci cono ¡cdcs; nao icnIas
rcccio! Tcndo-ic ¡ossuído cn vida, coniinuarci a
considcrar-ic ninIa cs¡osa dc¡ois da noric.
NcnIuna ouira nulIcr icssalia nc cIanara scu
narido; ncnIuna, ¡or nais nolrc quc scja sua
jcrarquia, c naior sua lclcza! So ¡cço aos dcuscs
quc nc ¡crniian zclar ¡or nossos filIos, visio
quc nao nc dcran a vcniura dc conscrvar a ii
ianlcn. Mcu luio nao durara un ano, nas ioda
a vida, o ninIa cs¡osa! E doravanic dcicsiarci
ninIa nac c ncu ¡ai, visio quc sc nosiran
ncus anigos so no nonc, nas nao dc coraçao.
Tu, sin! iu nc salvasic, ofcrcccndo o quc icns dc
nais caro, ÷ a vida! ÷ ¡ara ¡ou¡ar a ninIa! E
nao dcvo cu cIorar a ¡crda dc una cs¡osa cono
27
iu? Doravanic nao qucro nais lanqucics, ncn
fcsias aninadas ¡cla ¡rcscnça dc anigos, ncn
coroas floridas, ncn os canios dc alcgria quc
guarnccian ncu ¡alacio. Nunca nais iocarao
ncus dcdos as cordas da lira, ncn ninIa voz sc
ouvira ao son da flauia lília; iu lcvaras coniigo
iodo o cncanio dc ninIa vida. Mas iua inagcn,
quc farci rc¡roduzir ¡or un ariisia, Ia-dc
¡crnancccr cn ninIa canara nu¡cial; c cu
csiarci a scus ¡cs, cu a alraçarci, invocando icu
nonc, na ilusao dc alraçar ainda ninIa qucrida
cs¡osa, cnlora salcndo quc nao a vcrci nais!
Trisic consolaçao, ¡cnso cu; nas assin aliviarci
ninIa alna; c, visiiando-nc cn sonIos, iu daras
algun conforio à ninIa viuvcz. É graio, con
cfciio, rcvcr aquclcs a qucn ananos, cn
quaisqucr circunsiancias, inclusivc cn sonIo.
AI! Sc cu dis¡uscssc da voz c da ins¡iraçao dc
Orfcu, a fin dc acalnar a filIa dc Ccrcs, ou scu
narido, c rciirar-ic do Hadcs, cu la iria icr, c ncn
o cao dc Pluiao, ncn Caronic, o iinonciro das
alnas, con scu rcno, ¡odcrian in¡cdir quc cu ic
irou×cssc dc novo à rcgiao da luz! Ao ncnos,
cs¡cra-nc la, ¡ara quc, quando cu norrcr, faça
ninIa alna con¡anIia à iua. Ordcnarci, con
cfciio, quc nc sc¡ulicn coniigo, no ncsno
csquifc dc ccdro, ondc rc¡ousarcnos, lado a lado!
Ncn a noric nc sc¡arara dc ii, quc nc fosic iao
ficl!
O COFO
28
E nos, cono anigos quc sonos,
¡ariilIarcnos da saudadc quc cla ic Ia-dc
ins¡irar, cla quc c iao digna!
Ent¡un os ¡ííIos dc ADMETO
ALCESTE
Mcus filIos, ouvisics vosso ¡ai, quc assunc o
con¡ronisso dc nao vos dar una scgunda nac, c
dc nao dcsonrar nosso lciio conjugal!
ADMETO
Eu o juro; c Ici-dc cun¡rir ninIa ¡alavra!
ALCESTE
Con cssa condiçao, rccclc csics nossos
filIos, dc ninIa nao!
ADMETO
Fccclo una dadiva ¡rcciosa, dc naos
qucridas!
ALCESTE
E doravanic, sc ianlcn, cn ncu lugar, a
nac dcsias crianças!
ADMETO
Assin farci, visio quc scrao dcsiiiuídos do
carinIo naicrnal!
29
ALCESTE
FilIos ncus, quando cu nais ¡rccisava vivcr,
sou arrasiada ¡ara a noric!
ADMETO
Ai dc nin! Quc farci scn ii!
ALCESTE
O icn¡o nodcrara iua dor; os norios nada
nais sao...
ADMETO
Lcva-nc coniigo, ¡clos dcuscs inoriais!
ALCESTE
Nao; lasia quc cu nc sacrifiquc ¡or ii!
ADMETO
Crucl dcsiino! Dc quc cs¡osa iu nc ¡rivas!
ALCESTE
Sinio quc ncus olIos sc vclan dc una
nuvcn cscura...
ADMETO
Eu norrcrci, Alccsic, sc nc alandonarcs!
ALCESTE
30
Fogc-nc a vida... ja nada nais sou...
ADMETO
OlIa! Fccrguc-ic! Nao alandoncs icus filIos!
ALCESTE
É lcn a ncu ¡csar quc os dci×o... adcus,
ncus filIos!
ADMETO
Un uliino olIar ¡ara clcs! Ai dc nos!
ALCESTE
Tudo sc acalou ¡ara nin!
ADMETO
Quc dizcs? Tu nos vais dci×ar?
ALCESTE
Adcus!
(Mo¡¡c ALCESTE}
ADMETO
Esiou ¡crdido!
O COFO
Ela ja nao vivc! Adncio nao icn nais cs¡osa!
31
EUMÉLIO
Cono sou dcsgraçado, ncu ¡ai! MinIa nac
foi ¡ara o Hadcs! Nunca nais vcra a luz do sol!
Infcliz, cla alandonou a vida, c dci×ou-nc orfao!
Vc, ncu ¡ai, cono suas ¡al¡clras csiao inovcis,
c suas naos dcsfalccidas! Ó ninIa nac! MinIa
nac! Ouvc-nc! Ouvc-nc, cu ic ¡cço! Sou cu,
ninIa nac! Sou cu, icu filIo! Fala! Tcu filIo c
qucn ic cIana, lcn ¡crio dc icus lalios!
ADMETO
Tu cIanas, cn vao, ¡or qucn nao ic vc, ncn
ic ouvc nais. Fonos anlos víiinas dc una
dolorosa dcsgraça!
EUMÉLIO
Tao jovcn ainda, ncu ¡ai, cis-nc
alandonado ¡or ninIa nac qucrida! Cono nc
sinio infcliz! E iu, ninIa irnazinIa, quc ¡ariilIas
dc ninIa irisic soric! AI! ncu ¡ai! En vao, cn
vao cscolIcsic una cs¡osa! Nao aiingisic, con
cla, a vclIicc!... Ela ic ¡rcccdcu na sc¡uliura!
Coniigo, ninIa ¡olrc nac, ¡crccc ioda a nossa
casa!
O COFO
Adncio, c nisicr quc ic conforncs con a
dcsgraça! Tu nao cs o ¡rinciro dos noriais a
32
¡crdcr una cs¡osa viriuosa! Dcn salcs quc a
noric c una dívida quc iodos nos dcvcnos ¡agar!
ADMETO
Eu sci, cu lcn sci! Esic gol¡c nao nc fcriu dc
sur¡rcsa! Dc Ia nuiio cu o cs¡crava, c ja sofria
¡or isso! Mas... urgc cclclrar os funcrais da
noria. Au×iliai-nc, c caniai un canio funclrc ao
dcus sulicrranco, a qucn nao sc ofcrcccn
lilaçõcs! Quc iodos os icssalios quc vivcn no
ncu rcino ioncn ¡aric no luio ¡or csia nulIcr,
coriando os calclos da fronic, c irajando dc
ncgro. Quc ianlcn sc coricn as crinas dos
cavalos das quadrigas, lcn cono dos quc
cavalgan sos. Quc nao sc ouça, ¡or ioda a
cidadc, o son das flauias c das cíiaras, duranic
dozc luas iniciras! Janais lcvarci à sc¡uliura
¡cssoa quc nc icnIa sido iao qucrida, c quc nais
Iaja ncrccido dc nin! Ela c lcn digna dc quc cu
lIc ¡rcsic iodas as Ionras, visio quc norrcu,
voluniariancnic, cn ncu lugar!...
Sucn ADMETO (conduzíndo o co¡¡o dc Aíccstc} c
os ¡ííIos.
O COFO
Ó filIa dc Pclias, dcscansa cn ¡az na
nansao do Hadcs, quc a luz do sol nao aiingc!
Quc o dcus dc ncgros calclos, c o vclIo Caronic,
rcnador c guia, sailan quc cla c a nais nolrc dc
33
iodas as nulIcrcs quc icn irans¡osio o ¡aul do
Aqucronic, no larco dc dois rcnos!
Hao-dc ic cclclrar os acdos ¡or scus
caniarcs, ao son do Ic¡iacordio, c ¡or vilranics
Iinos nao acon¡anIados ¡cla lira, cn Es¡aria,
quando a ronda do icn¡o irou×cr a lua cIcia do
ncs Caincano|8|, c na fcriil c o¡ulcnia Aicnas;
¡orquc iua noric dara co¡iosa c conovcnic
naicria ao csiro dos ¡ocias!
Por quc, ¡or quc nao ¡odcrcnos nos
rcsiiiuir-ic à luz, arrancar-ic do sonlrio rcino dc
Pluiao, c irazcr-ic, rc¡assando o Cociio, na larca
faiídica? Por quc, o nulIcr inigualavcl c cs¡osa
qucrida, so iu, so iu iivcsic coragcn dc dar iua
vida ¡rcciosa, ¡ara rcsgaiar a dc icu cs¡oso? A
icrra ic scja lcvc! Sc algun dia icu narido
convolar scgundas nu¡cias, clc iornar-sc-a
odioso, a nos, c a icus filIos! Ncn a nac dc
Adncio, ncn scu vclIo ¡ai quiscran dar a vida
¡cla do filIo; dci×aran nas naos dc Pluiao
aquclc a qucn ¡uscran no nundo; rccusaran-sc
a salva-lo, clcs, infclizcs, cujos calclos ja
lranqucaran! No cnianio, na flor da idadc, iu
norrcs ¡or icu jovcn cs¡oso. Possan os dcuscs
conccdcr-nos cs¡osas assin, ¡ara nossas
con¡anIciras! Prcciosidadc iananIa, nui
rarancnic sc cnconira na vida. Elas scrian
fclizcs conosco; c nossa vida iranscorrcria scrcna,
scn una nuvcn!
34
Ent¡u HÉFCULES
HÉFCULES
Ó Ialiianics dc Fcrcs, cnconirarci cu Adncio
ncsic ¡alacio?
O COFO
Sin, Hcrculcs! ÷ O filIo dc Fcrcs csia cn
sua casa. Dizc-nc, ¡orcn. quc c quc ic conduz ao
¡aís dos Tcssalios, c a nossa cidadc?
HÉFCULES
TcnIo a cun¡rir un dcvcr in¡osio ¡or
Eurisicu, dc Tirinio.
O COFO
Qual c o icu runo? Quc viagcn vais rcalizar?
HÉFCULES
Vou a¡odcrar-nc dos corccis dc Dioncdcs, o
iracio.
O COFO
Cono, ¡orcn, conscguiras ial coisa? Por
acaso ignoras qucn c cssc csirangciro?
HÉFCULES
35
Nao o conIcço; nunca csiivc na icrra dos
Disiónios.
O COFO
Nao ic a¡odcraras, scn scria luia, dcsscs
icrrívcis aninais!
HÉFCULES
Mas nao c líciio fugir ao cun¡rincnio dcssa
olrigaçao.
O COFO
Tcras quc naia-lo, c voliar; ou ¡or la cairas
norio.
HÉFCULES
Nao scra o ¡rinciro conlaic quc cu dcva
iravar.
O COFO
E quc ganIaras iu, dc¡ois dc vcnccr a
Dioncdcs?
HÉFCULES
Lcvarci os cavalos ao rci dc Tirinio.
O COFO
Nao scra facil in¡or-lIcs o frcio!
36
HÉFCULES
So sc clcs cסclircn fogo ¡clas narinas!
O COFO
Elcs dcs¡cdaçan criaiuras Iunanas con
scus dcnics vorazcs!
HÉFCULES
A carnc Iunana scra alincnio dc fcras, nas
nao dc cavalos.
O COFO
Pois iu Ias-dc vcr as cavalariças inundadas
dc sanguc!
HÉFCULES
E, qucn assin os susicnia, dc quc ¡ai c
filIo?
O COFO
Dc Maric! Elc c rci da Tracia; rico, ¡oicnic c
lclicoso,
HÉFCULES
Eis aí una cn¡rcsa digna dc ncu dcsiino! É
¡crigosa, nas visa un fin ncriiorio. Tcrci dc
conlaicr conira os filIos dc Maric! Licaonic
¡rinciro; dc¡ois Cicno; c agora, Dioncdcs con
37
scus fcrozcs cavalos. Mas ningucn vcra janais, o
filIo dc Alcncna ircncr dianic dc ininigos!
O COFO
Eis aí o rci dcsia cidadc, Adncio, quc sai dc
scu ¡alacio.
Ent¡u ADMETO
ADMETO
Salvc, o filIo dc Ju¡iicr, c dcsccndcnic dc
Pcrscu!
HÉFCULES
Eu ic saudo, Adncio, rci dos icssalios! Sc
fcliz!
ADMETO
AI! cu lcn o quiscra! Sci o quanio cs
lcncvolcnic ¡ara conigo!
HÉFCULES
Por quc icns os calclos coriados, c as vcsics
dc luio?
ADMETO
É ¡orquc dcvo, ainda Iojc, sc¡uliar un
cadavcr.
38
HÉFCULES
Quc os dcuscs afasicn a dcsgraça dc icus
filIos!
ADMETO
Mcus filIos csiao vivos, cn scus a¡oscnios.
HÉFCULES
Sc foi icu ¡ai quc norrcu, ja cra lcn idoso
¡ara isso!
ADMETO
Mas vivc ainda ncu ¡ai, c ianlcn ninIa
nac.
HÉFCULES
Ccriancnic nao c Alccsic, iua cs¡osa, a
noria?
ADMETO
Dcvo dar-ic una rcs¡osia dulia...
HÉFCULES
Quc dizcs? Esia cla viva, ou noria?
ADMETO
39
Ela c... c nao c nais... c isso nc cncIc dc
dor!
HÉFCULES
Nao con¡rccndo o quc dizcs; iuas ¡alavras
sao olscuras ¡ara nin!
ADMETO
Nao salcs do dcsiino quc cla icra dc sofrcr?
HÉFCULES
Sin; sci quc cla rcsolvcu ccdcr a vida cn icu
lugar.
ADMETO
Cono dirci, ¡ois, quc cla c×isia, sc conscniiu
ial coisa?
HÉFCULES
OI! Nao csicjas a lancniar ¡rcnaiurancnic
a noric dc iua cs¡osa; cs¡cra o noncnio!
ADMETO
Qucn dcvc norrcr, ja csia norio; c qucn
csia norio, ja nao c×isic...
HÉFCULES
40
No cnianio, scr c nao scr sao coisas nuiio
difcrcnics.|9|
ADMETO
Tu ¡cnsas assin, Hcrculcs; nas cu dc nodo
nuiio difcrcnic!
HÉFCULES
Afinal, ¡or qucn cIoras, iu, cniao? Qual dc
icus anigos norrcu?
ADMETO
Una nulIcr. É nuna nulIcr quc ¡cnso!
HÉFCULES
Una csiranIa, ou ¡cricncc a iua fanília?
ADMETO
Una csiranIa... nas nuiio ligada a nin, c a
ninIa casa.
HÉFCULES
Mas cono aconicccu quc cla icnIa vindo
norrcr cn iua casa?
ADMETO
Scu ¡ai norrcu, c cla vcio vivcr aqui, ja orfa.
41
HÉFCULES
OI! Cono cu gosiaria dc nao ic cnconirar
assin lacrinoso!
ADMETO
Por quc dizcs isso, Hcrculcs?
HÉFCULES
Porquc sou olrigado a ¡rocurar Ios¡iialidadc
cn ouira casa.
ADMETO
Isio nao c ¡crniiido, Hcrculcs! Quc nunca nc
aconicça scnclIanic dcsgraça!
HÉFCULES
Un Ios¡cdc quc cIcga incs¡cradancnic c
scn¡rc una solrccarga ¡ara qucn sofrc una
afliçao.
ADMETO
Os norios, norios csiao. Enira cn ninIa
casa!
HÉFCULES
Scra una vcrgonIa quc ¡cssoas
anarguradas ¡or un dcsgosio ofcrcçan un
lanqucic a anigos.
42
ADMETO
Os a¡oscnios dos Ios¡cdcs, ¡ara ondc ic
conduzirci, fican afasiados.
HÉFCULES
Dci×a-nc scguir adianic; cu ic ficarci graio.
ADMETO
Nao! Tu nao ¡odcs ¡rocurar alrigo cn casa
dc ouiro. Ola, scrvo! CaninIa na frcnic; alrc os
a¡oscnios dos Ios¡cdcs, c avisa aos quc sao
cncarrcgados disso, quc ¡rc¡arcn alundanic
rcfciçao. Vos ouiros. fccIai as ¡orias inicrnas.
nao convcn quc os convivas ouçan nossos
gcnidos, c quc nossos Ios¡cdcs sc cnirisicçan
con as nossas dorcs.
(Sucn HÉFCULES c os sc¡uos}
O COFO
Quc fizcsic, Adncio? Cono ic aninas a
rccclcr Ios¡cdcs, quando ic acalrunIa iananIa
dcsgraça? Nao icra sido una inscnsaicz dc iua
¡aric?
ADMETO
E sc cu o rc¡clissc dc ncu lar, c da cidadc,
¡or acaso a¡rovarícis cssc ncu aio? Nao,
ccriancnic! MinIa dor nao scria ncnor, c cu
43
icria faliado ao cun¡rincnio das lcis da
Ios¡iialidadc. Ao dcsgosio quc ja sofro, cu vcria
juniar-sc ouiro, qual fossc o dc vcr ninIa casa
considcrada inos¡iia. TcnIo iido nclc un anigo
dcdicado c acolIcdor, scn¡rc quc visiio o arido
¡aís da Argolida.
O COFO
E ¡or quc razao nao lIc rcvclasic a inicira
vcrdadc accrca dc icus nalcs, visio quc, cono
dizcs, c un anigo sinccro quc sc acIa sol icu
icio?
ADMETO
Elc nao conscniiria cn acciiar a
Ios¡iialidadc quc lIc ofcrcço, sc soulcssc dc
ninIa dcsvcniura. Sci quc a nuiios causara
csiranIcza c rc¡rovaçao o ncu ¡roccdcr; nas
nunca sc dira quc ninIa casa nao sc alriu ¡ara
rccclcr un anigo forasiciro.
(Suí ADMETO}
O COFO
Ó casa Ios¡iialcira dc Adncio, casa
acolIcdora c gcncrosa, o dcus A¡olo, dc
Iarnoniosa lira, dignou-sc vivcr sol icu alrigo, c
nao sc cnvcrgonIou dc ¡assar ¡or un nodcsio
¡asior, c assin a¡asccniar, ¡or csias colinas dc
44
ondulaçao suavc, os scus rclanIos, nodulando
doccs arias ao son da avcna can¡csirc.
Scduzidos ¡or csias nclodias, ali vinIa icr o
iínido lincc, dc ¡clc narcIciada; das groias do
Óiris saían, cn gru¡os, os sanguinarios lcõcs; c
o vcadinIo dc lisirado dorso ousava sair dos
cscuros da florcsia ¡ara ouvir, dc ¡crio da lira, os
dcliciosos acordcs|10|.
Craças a ii, o A¡olo, Adncio ¡ossui
nuncrosos rclanIos quc vivcn ao longo das
nargcns do lago dc Dclci, dc aguas crisialinas;
scus can¡os culiivados, c scus losqucs
vcrdcjanics sc csicndcn aic longc no ocidcnic, c
sua auioridadc aiingc do nar Egcu, às ¡lagas
inaiingívcis do Pclios. Eis quc clc sc vc forçado a
rccclcr un Ios¡cdc cnquanio cIora ainda,
dclulIado cn lagrinas, a noric da cs¡osa nuiio
anada, quc acala dc c×alar o uliino sus¡iro
ncsic ¡alacio... E isso lIc aconiccc, ¡orquc clc
¡ossui un coraçao nolrc, c salc ¡rczar a
anizadc sagrada. Sao assin gcncrosos iodos
quanios sc oricnian ¡cla vcrdadcira salcdoria.
TcnIanos confiança! O norial ¡icdoso Ia-dc icr,
scn¡rc, o jusio ¡rcnio dc sua viriudc.
Ent¡u ADMETO (Os sc¡uos t¡uns¡o¡tun o utuúdc}
ADMETO
45
Cidadaos dc Fcrcs! Vos, quc aqui vicsics ¡ara
icsicnunIar-nc vossa afciçao, salci quc ncus
scrvidorcs ja ¡rc¡araran o cadavcr confornc
¡rcscrcvc o riio, c agora o irans¡orian aic a ¡ira
funcraria c ao ¡cr¡ciuo jazigo. Saudai ianlcn
vos, confornc o cosiunc, aqucla quc ora rcaliza
sua dcrradcira viagcn.
O COFO
Vcjo icu ¡ai, quc caninIa con o vagaroso
¡asso da vclIicc, c os scrvos quc irazcn nas
naos os funclrcs ornancnios con quc Ionranos
os norios.
Ent¡u FEFES
FEFES
Aqui csiou cu, ncu filIo, ¡ara ¡ariilIar dc
iua dor. Pcrdcsic una cs¡osa viriuosa; ningucn
o ncgara! Mas c ¡rcciso quc ic rcsigncs a csic
gol¡c, cnlora scja ¡cnoso su¡oria-lo. Fccclc
csics ornaios, c dc¡osiia-os na sc¡uliura. É dcvcr
quc ic incunlc, vcncrar a qucn norrcu ¡ara ic
salvar a vida, ¡ara quc cu conscrvassc ncu filIo,
c nao consunissc a uliina fasc da ninIa vida, ao
alandono, c cn luio. Con csic rasgo dc
gcncrosidadc, cla dci×ou, ¡ara o sc×o, una gloria
inorial. Ó iu, quc salvasic ncu filIo c ¡ou¡asic
ninIa vclIicc, adcus! Possas iu, ncsno no irisic
donínio dc Pluiao, gozar dc algun conforio. So as
46
cs¡osas cono iu asscguran aos Ioncns a
vcniura na vida; scn clas, o nairinónio scria
una inuiilidadc!...
ADMETO
Tu nao fosic convidado ¡or nin a csic
funcral! Eu nao ic considcro nais ncu anigo,
cnirc ianios quc aqui csiao ¡rcscnics! Alccsic
nao usara, nunca! ÷ os ornaios quc lIc
irou×csic; cla dc ii nada ¡rccisa ¡ara dcsccr à
sc¡uliura. Tu dcvias cIorar, quando cu csiava
¡rcsics a norrcr; nas ficasic dc longc, dci×ando
quc sc sacrificassc ouira nais jovcn, vclIo cono
cs! E agora vcns car¡ir junio ao csquifc! Nao! Tu
nao cs ncu ¡ai! E aqucla quc sc diz ninIa nac c
quc usa ncu nonc, nao nc concclcu! Talvcz,
filIo dc un vcnirc cscravo, cu icnIa sido
furiivancnic ¡osio no rcgaço dc iua nulIcr. Tu
¡rovasic scr qucn rcalncnic cs! Crcio,
firncncnic, quc nao sou icu filIo! Tu solrc¡ujas
a iodos os Ioncns ¡cla covardia, visio quc, cn
idadc iao avançada, ja no c×ircno dc iua vida,
nao iivcsic a coragcn dc norrcr ¡or icu filIo,
nas dci×asic cssa Ionra a una nulIcr, a una
csirangcira, a qucn cu considcro ninIa nac c
ncu ¡ai! No cnianio, a noric quc icrias, cn lugar
dc icu filIo, cquivalcria a un iriunfo, scndo curio
o icn¡o quc ainda ic rcsia a vivcr! Alccsic c cu
vivcríanos fclizcs o rcsio dc nossos dias, c cu nao
lancniaria ninIa viuvcz. No cnianio, iudo o quc
47
un norial ¡odcria anlicionar, cono fclicidadc,
iu conscguisic. iua nocidadc, iu a gozasic no
irono; iinIas cn nin un filIo c Icrdciro dc icus
csiados, nao rcccando ¡ois, quc ¡or falia dc un
succssor, vicsscn a cair cn ¡odcr dc csiranIos.
Nunca diras, ¡ois, quc icndo dcs¡rczado a
vclIicc, iu nc alandonasic à noric; a nin, quc
scn¡rc dcnonsirci iananIo rcs¡ciio ¡or ii!|11| E
cis a ¡rova dc graiidao quc nc dcsics, iu, c
ninIa nac! Traia, ¡ois, dc dcscolrir ouiros filIos
quc alincnicn iua vclIicc, c quc ic ¡rcsicn
Ionras funclrcs, ¡orquc, quanio a nin, dirci quc
ncus lraços nunca ic lcvarao à sc¡uliura; no
quc dc¡cndia dc ii, csiou norio; sc cnconirci
una ¡cssoa quc nc salvou, a cla c quc dcvo
icrnura filial. Mcnicn os vclIos quc a cada
noncnio invocan a noric, quci×ando-sc da
vclIicc, c da longa duraçao da vida; ¡ois sc a
noric sc a¡ro×ina, ningucn qucr norrcr, c a
vclIicc dci×a dc scr un doloroso fardo!
O COFO
Ccssa! Ccssa! Ja nao c lasianic a dcsgraça
¡rcscnic? Nao anargurcs ainda nais, Adncio, o
coraçao dc icu ¡ai.
FEFES
FilIo ncu, a qucn injurias assin? Scra ¡or
acaso a algun lídio, ou frígio, con¡rado ¡or
dinIciro? Nao salcs quc sou icssalio, filIo dc ¡ai
48
icssalio, c livrc dc nasccnça? Tu nc ofcndcs cn
dcnasia! Mas, dc¡ois dc nc icrcs lançado iao
violcnias ccnsuras, nao ficaras in¡unc! Dci-ic a
vida, c ic cduquci, ¡ara quc fosscs, dc¡ois dc
nin, o cIcfc dc ncu ¡airinónio; nas nunca nc
olriguci a norrcr cn icu lugar! Nao Ia iradiçao
dos anic¡assados, ncn lcis da Hcladc,
dcicrninando quc norran os ¡ais ¡clos filIos.
Fcliz, ou nao, quc cada qual icnIa o scu dcsiino!
Tudo o quc nc cun¡ria dar-ic, iu rccclcsic dc
nin. rcinas solrc nuncrosos suldiios, c cu ic
dci×arci an¡los donínios, quc Icrdci dc ncu ¡ai.
Quc ofcnsa ic fiz cu, ¡orianio? Dc quc lcn ic
¡rivci? Nao qucro quc norras ¡or nin, nas
ianlcn nao qucro norrcr sc c iua a vcz. Sc ic
a¡raz conicn¡lar a luz, ¡cnsas quc o ncsno nao
sc dc conigo? Dcn sci quc longo icn¡o, nuiio
longo icn¡o ncsno, cu ¡crnancccrci sol a icrra;
o quc nc rcsia da vida icrrcna c ¡ouco, nas c
docc! Tu, quc ic dclaicsic vcrgonIosancnic
conira a noric, iu vivcs, sin; irans¡uscsic o
¡asso faial, nas a cusia dc iua cs¡osa! E agora
ccnsuras ninIa covardia, iu, infanc, su¡laniado
cn coragcn ¡or una nulIcr, quc sc dci×ou
norrcr ¡or ii, lclo ra¡az! Dcscolrisic un ncio dc
cviiar a noric; caso ¡ossas ¡crsuadir a iodas as
nulIcrcs quc coniigo sc cascn, dc quc
consinian cn norrcr, succssivancnic, cn icu
lugar! E insulias os anigos quc a isso sc
cscusan, quando iu ncsno cvidcncias iua falia
49
dc coragcn! Cala-ic, ¡ois! E salc quc, sc icns
anor à vida, os ouiros o icn, igualncnic! E sc
coniinuas a nc ofcndcr, ouviras dc nin icrrívcis
c vcrdadciros insulios!
O COFO
Dasia dc rccí¡rocas afronias! Ccssa, o vclIo,
a rc¡rccnsao quc iao ruidosancnic lanças solrc
icu filIo.
ADMETO
Podcs falar, visio quc ianlcn cu falci; nas
sc nao qucrcs ouvir a vcrdadc, nao dcvias icr
¡roccdido nal ¡ara conigo.
FEFES
Maior nal cu faria, sc vicssc a norrcr ¡or ii.
ADMETO
Acrcdiias, cniao, quc vcn a scr o ncsno,
norrcr na nocidadc, ou na vclIicc?
FEFES
Cada un dc nos icn una vida soncnic; c
nao duas.
ADMETO
Prcicndcs, cniao, vivcr nais do quc Ju¡iicr?
50
FEFES
E iu naldizcs dc icus ¡ais, quc ncnIun nal
ic fizcran?
ADMETO
Con¡rccndo quc anlicionas una longa vida.
FEFES
E nao csias conduzindo à sc¡uliura un
cadavcr quc ocu¡a o icu lugar?
ADMETO
Ela ¡rova, Ioncn covardc, cla ¡rova a iua
covardia.
FEFES
Ao ncnos nao ic aircvcs a dizcr quc cla
norrcu ¡ara nc ¡ou¡ar.
ADMETO
AI! Tonara quc un dia vcnIas a ¡rccisar dc
nin!
FEFES
Casa-ic con una nuliidao dc cs¡osas, ¡ara
quc Iaja nais gcnic dis¡osia a norrcr ¡or ii!
ADMETO
51
Scria ainda naior a iua vcrgonIa, visio quc
nao qucrcs norrcr.
FEFES
OI! Esia luz divina nc c qucrida, nuiio
qucrida!
ADMETO
Sao scniincnios vis, indignos dc un Ioncn!
FEFES
Nao gozaras o ¡razcr dc conduzir o ncu vclIo
cor¡o à sc¡uliura!
ADMETO
Mas iu Ias-dc norrcr un dia, c norrcras
dcsonrado!
FEFES
Dc¡ois dc norio, ¡ouco nc in¡oria quc
falcn nal dc nin!
ADMETO
OI! Mas cono a vclIicc c dcslriada!
FEFES
Esia nulIcr nao foi dcslriada, nao; nas
inscnsaia!
52
ADMETO
Fciira-ic! Dci×a-nc anorialIar csic cor¡o!
FEFES
Eu nc rciiro! AnorialIa iua cs¡osa, dc qucn
fosic o naiador. Tcras, ¡orcn, quc ¡rcsiar conias
aos ¡arcnics dc iua nulIcr; Acasio, scn duvida,
nao scra un Ioncn sc nao vingar cn ii a noric
dc sua irna.
ADMETO
Quc iu vivas, o vclIo, iu c aqucla quc Ialiia
coniigo! Vivcrcis, cono ncrcccis, scn filIos,
cnlora cu viva ainda. Sin, ¡orquc nao nais
¡crnancccrcnos sol o ncsno icio. AI! Sc cu
¡udcssc anunciar, ¡or arauios, quc rcnuncici ao
lar ¡aicrno, cu o faria! Vanos nos, ¡orcn, lcvar
csic cor¡o à ¡ira funcraria!
O COFO
Ai dc ii! Ó víiina dc iua coragcn! Ó iu, a
nclIor, c a nais gcncrosa das cs¡osas, adcus!
Quc os dcuscs sulicrrancos ic rccclan con
lcncvolcncia! E sc la, no Hadcs, sc conccdcn
rccon¡cnsas aos jusios, ¡ossas iu ¡ariici¡ar
dclas, ao lado da cs¡osa dc Pluiao!
(Sucn ADMETO c FEFES}
53
Ent¡u O SEFVO
O SEFVO
TcnIo visio ja, na vcrdadc, nuiios Ios¡cdcs
vindos dc divcrsos ¡aíscs, na casa dc Adncio, c a
iodos icnIo scrvido as rcfciçõcs; nas ¡alavra quc
nunca rcccli Ios¡cdc nais lruial do quc csic!
A¡cnas cIcgou, cnlora vissc ncu scnIor cn
¡ranio, clc irans¡ós a solcira da casa! En
scguida, salcndo quc nos afligc un grandc
dcsgosio, rccclcu, scn nodcraçao, as aicnçõcs
Ios¡iialciras; c o quc nos dcnoranos cn irazcr,
clc c×igc quc lIc scja irazido, cn voz as¡cra dc
conando. Dc¡ois, ionando nas naos una
cnornc iaça, cIcia, guarnccida dc Icra, lclcu,
cn largos sorvos, do vinIo nais ¡uro, aic quc os
va¡orcs do alcool lIc sulisscn à calcça; isso
fciio, ¡ós una coroa dc ranos dc nuria c aos
lcrros cnioou un canio grossciro. Ouviu-sc
cniao, una du¡la aria; ¡orquc clc caniava scn
dar ncnIuna aicnçao ao dcsgosio dc Adncio, c
nos, os scrvos, cnioavanos una clcgia à ncnoria
dc nossa rainIa, oculiando, ¡orcn, nossas
lagrinas ao rudc visiianic, ¡orquc assin
cסrcssancnic nos ordcnou Adncio. E assin
csiou cu scrvindo un lanqucic a un csiranIo,
quc nais ¡arccc un salicador, ou landido, ao
¡asso quc nossa rainIa vai sair ¡ara scn¡rc do
¡alacio scn quc cu ¡ossa acon¡anIa-la, ncn
csicndcr-lIc a nao, cIorando a ¡crda dc qucn
54
cra una loa nac ¡ara iodos nos, os scus
scrvidorcs, ¡orquc cla nos ¡ou¡ou nuiios nalcs,
acalnando a colcra dc scu narido. Nao icnIo,
¡ois, o dirciio dc dcicsiar cssc Ios¡cdc, quc
surgc agora, ¡rccisancnic quando sofrcnos
iananIa afliçao?
Ent¡u HÉFCULES
HÉFCULES
Ola! Por quc cssc ar iao gravc c scrio? Un
scrvo nunca dcvc nosirar aos Ios¡cdcs una cara
dc coniraricdadc. dcvc, sin, rccclc-los scn¡rc dc
nancira afavcl. Tu, ¡orcn, vcndo ncsic rccinio
un sinccro anigo dc icu scnIor, iu o rccclcs
con fisiononia irisic, c solrancclIas carrcgadas,
¡rcocu¡ado ¡or algun noiivo csiranIo. Vcn ca.
qucro cnsinar-ic a scr nais dclicado. Salcs iu,
¡or acaso, dc quc naiurcza sao os scrcs
Iunanos? Crcio quc ignoras; con cfciio, cono
¡odcrias salcr ial coisa? Ouvc, ¡ois. iodos os
Ioncns sao condcnados a norrcr, c nao Ia un
so quc ¡ossa asscgurar un dia quc ainda csiara
vivo no dia incdiaio. O quc dc¡cndc da soric nos
c oculio; nada a ial rcs¡ciio nos ¡odc insiruir, c
ncnIuna cicncia janais rcvclara. Porianio,
convcncido dcssas vcrdadcs, quc acalas dc ouvir
dc nin, iraia dc gozar a alcgria, dc lclcr à
voniadc, dc a¡rovciiar a vida quc ¡assa; quc fiquc
o nais a cargo do Dcsiino! Prcsia Ioncnagcn a
55
Vcnus, a dcusa quc naiorcs dclícias conccdc aos
noriais. Quc dcusa gcncrosa cla c! Nao curcs do
rcsio; scguc ncus consclIos, ¡orquc cu sci quc
sao lons. Dci×a cssa nclancolia, Ioncn, c vcn
lclcr conigo! Trans¡õc csia ¡oria, c coroa-ic dc
florcs! Esiou ccrio dc quc o iiliniar das iaças
afugcniando-ic a irisicza, Ia-dc conduzir a un
diioso ¡orio. Visio quc sonos noriais, convcn
quc nos conforncnos à condiçao das coisas
noriais. Con cfciio, a vida ¡ara os Ioncns
ausicros c irisics, nao c a vcrdadcira vida, nas
un su¡lício, c nada nais!
O SEFVO
Eu sci! Mas o ¡csar quc sinio nao nc anina
a rir, ncn a ionar ¡aric cn fcsiins.
HÉFCULES
Ouvi dizcr quc norrcu una nulIcr
csirangcira; nao ic aflijas cn dcnasia, visio quc a
gcnic da casa csia viva, c con saudc!
O SEFVO
Viva, cono? Por acaso nao salcs quc
dcsgraça caiu solrc csia fanília?
HÉFCULES
Eniao o icu scnIor icr-nc-ia iludido!
56
O SEFVO
É quc clc rcs¡ciia nuiio, ÷ nuiio ncsno! ÷
os dcvcrcs dc coricsia ¡ara con scus Ios¡cdcs.
HÉFCULES
Por acaso dcvia clc rccclcr-nc nal, ¡or
causa da noric dc una csiranIa?
O SEFVO
AI! Sc cla ¡cricncia, ÷ c dcnais! ÷ à fanília!
HÉFCULES
Houvc, cniao, una dcsgraça quc Adncio nao
nc quis rcvclar?
O SEFVO
Sc fcliz... A nos, os da casa, c quc calc
acon¡anIar o nosso cIcfc cn sua dor.
HÉFCULES
Pclo quc dizcs, nao sc iraia dc un luio dc
gcnic csiranIa...
O SEFVO
AI! Nao! Sc ial aconicccssc, cu nao csiaria
irisic quando iu ic cnircgavas aos ¡razcrcs do
fcsiin.
57
HÉFCULES
OI! Con quc cniao nc icrian assin
nagoado os quc nc rccclcran?
O SEFVO
Con cfciio, iua visiia nao foi o¡oriuna; iodos
nos csianos dc luio. vc csics calclos coriados, c
csias rou¡as cscuras.
HÉFCULES
Mas... qucn norrcu? Un dc scus filIos? Ou
ialvcz scu ¡ai?
O SEFVO
Foi a cs¡osa dc Adncio quc norrcu, o
csirangciro.
HÉFCULES
Quc dizcs iu? E a¡csar disso franqucaran-
nc a Ios¡iialidadc?
O SEFVO
Adncio nao quis vcdar-ic, con cssa noiícia, o
ingrcsso cn sua casa.
HÉFCULES
Polrc Adncio! Quc cs¡osa iu ¡crdcsic!
58
O SEFVO
Con cla, c cono sc iodos nos norrcsscnos!
HÉFCULES
Eu lcn sus¡ciici disso, ao vc-lo con os olIos
cIcios dc lagrinas c a fronic ¡rivada dc calclos;
nas clc dcsiruiu ninIa sus¡ciia dcclarando quc
ia dar sc¡uliura a una csirangcira. Dcn a ncu
¡csar, ¡ois, cnirci ncsia casa, coni c lcli à ncsa
dc un Ioncn gcncroso a qucn anargurava una
dor ¡rofunda. Disiraí-nc nun fcsiin, c ¡us solrc
a calcça una coroa dc florcs. Por quc nao nc
disscsic quc un gol¡c iao doloroso caiu solrc
csia casa? Ondc c a sc¡uliura? Por ondc dcvo ir,
a fin dc cnconira-la?
O SEFVO
À nargcn da csirada quc nos conduz a
Larissa vcras un iunulo dc narnorc, fora da
cidadc.
(Suí O SEFVO}
HÉFCULES
Ó ncu coraçao, quc ianio ja icns luiado! Ó
ninIa alna! Mosircnos Iojc quc filIo a
iiriniiana Alcncna, filIa dc Elccirion, dcu a
Ju¡iicr! Sin! Eu dcvo salvar da noric csia
nulIcr quc acala dc norrcr! Urgc rcsiiiuir
59
Alccsic a csia fanília, c ¡rovar assin ninIa
graiidao ¡ara con Adncio. Irci icr con Tanaios,
o ncgro solcrano das sonlras! Es¡crarci quc clc
sc a¡ro×inc da sc¡uliura, ondc vai sugar o
sanguc dos finados! E sc, ¡rc¡arando-lIc una
cilada, ¡udcr aiirar-nc solrc clc c agarra-lo con
a cadcia dc ncus lraços, nao Ia ningucn quc
dali o arranquc, ncsno naliraiado cono csiivcr,
cnquanio clc nao nc rcsiiiuir csia nulIcr! Mas,
sc a ¡rcsa nc fugir, sc clc nao vicr saciar-sc dc
sanguc, aI! ÷ cniao irci cu ¡ro¡rio aos Infcrnos,
à sonlria nansao dc Proscr¡ina c dc Pluiao,
c×igirci Alccsic, c csiou ccrio dc quc a irarci dc
volia à icrra, c a cnircgarci ao anigo acolIcdor
quc iao londosancnic nc rccclcu cn sua casa,
nao nc rc¡clindo, cnlora csnagado ao ¡cso dc
iananIa dcsgraça, c oculiando conscicnicncnic
o scu luio, cn considcraçao ¡ara conigo. Havcra
na Tcssalia, Iavcra cn ioda a Crccia un norial
nais Ios¡iialciro? Nunca clc dira quc foi anigo
dc un ingraio, clc quc sc nosira iao gcncroso!
(Suí HÉFCULES}
Ent¡u ADMETO
ADMETO
Ai dc nin! Quc irisic rcgrcsso a ncu lar!
Cono ¡arccc dcscrio csic ¡alacio! Ai dc nin!
Para ondc irci? Quc farci? Quc Ici-dc dizcr? Quc
dcvo calar? OI! Sc cu ¡udcssc norrcr ianlcn!
60
Sin! MinIa nac irou×c-nc ao nundo ¡ara sofrcr!
Cono invcjo a fclicidadc dos norios; cu gosiaria
dc Ialiiar a sua irisic rcgiao. A luz do sol nao
nais nc cncania a visia, ncn nc agrada ¡isar na
icrra, dc¡ois quc o crucl Tanaios nc arrclaiou
un cnic iao qucrido, ¡ara da-lo ao Hadcs!
O COFO
Adianic! Adianic! Enira cn iua casa!
ADMETO
Ai dc nin!
O COFO
Digna dc lasiina c iua irisic soric!
ADMETO
Ai dc nin!
O COFO
Dcn salcnos quao ¡ungcnic c iua dor!
ADMETO
Polrc dc nin!
O COFO
Tcu ¡ranio dc nada valc, ¡ara aqucla quc nao
nais vivc!
61
ADMETO
Polrc dc nin!
O COFO
Dcsgraça airoz, quc nunca nais vcras o rosio
dc iua cs¡osa csircnccida!
ADMETO
Tu rccordas ¡rccisancnic o quc nais nc
dilaccra. nao Ia naior dcsgraça ¡ara un Ioncn,
do quc ¡crdcr una cs¡osa ficl! Prouvcra aos ccus
quc nunca cu iivcssc irazido cono cs¡osa, a csic
¡alacio, a níscra Alccsic! Invcjo a soric dos quc
nao icn nulIcr, ncn filIos... Possucn una
unica alna, c sofrcr ¡or cla scra un fardo
su¡oriavcl. Mas vcr o sofrincnio dos filIos, c vcr
dcvasiado ¡cla noric o lciio nu¡cial, cis un
cs¡ciaculo iniolcravcl, quando sc ¡odcria icr
vivido scn ¡rolc, c scn o nairinónio!
O COFO
Fcriu-ic o dcsiino, crucl c inc×oravcl!
ADMETO
Polrc dc nin!
O COFO
E iua dor scra cicrna...
62
ADMETO
Ai dc nin!
O COFO
Scja, cnlora, un fardo lcn difícil...
ADMETO
Ai dc nin!
O COFO
Dcvcs rcsignar-ic; nao cs iu o ¡rinciro....
ADMETO
Ai dc nin!
O COFO
Nao fosic o ¡rinciro a ¡crdcr una cs¡osa.
ADMETO
Polrc dc nin!
O COFO
Varias sao as dcsgraças quc fcrcn os
noriais!
ADMETO
63
Ó luio ¡crcnc! Saudadc crucl dc un scr
qucrido, quc ja nao vivc! Por quc nc in¡cdiran
quc nc dci×assc cair no iunulo c dcscansar, dc
una vcz, ao lado dc ninIa cs¡osa iao qucrida?
Pluiao icria iido nao una so alna, ¡orcn duas,
airavcssando o rio infcrnal.
O COFO
Vivcu ouirora cn ninIa fanília un Ioncn,
cujo filIo unico, digno dc vcncraçao ¡or suas
viriudcs, norrcu. No cnianio, clc su¡oriou con
rcsignaçao cssa dcsgraça, quc o dci×ava scn o
filIo, cnlora fossc clc ja idoso, icndo a calcça
lranca ¡cndida, cono qucn lusca a
sc¡uliura|12|.
ADMETO
Ó nuralIas dc ncu ¡alacio! Cono ¡odcrci cu
voliar a icu rccinio? Cono Ici-dc vivcr, dc¡ois dc
iao rudc nudança na ninIa vida? OI! Quc
difcrcnça! Ouirora cu cnirava ncsia casa,
iluninada ¡or arcIoics vindos do Pclion, c ao
son dc Iinos nu¡ciais, conduzindo ¡cla nao
ninIa cs¡osa qucrida. Junio a nos caninIava
un jovial coricjo dc anigos, cclclrando a fcliz
uniao dc dois cónjugcs dc nolrc csiir¡c. Agora,
ao invcs dc alcgria, ouvcn-sc lugulrcs
lancniaçõcs; cn lugar dos vcus dc alvíssino
iccido, c o luio, con suas vcsics ncgras, quc nc
conduz à ninIa canara nu¡cial dcscria!...
64
O COFO
Fosic fcrido, cn ¡lcna fclicidadc, ¡or csic
rudc gol¡c do dcsiino, quando ainda nao
conIccias o sofrincnio; nas iu conscrvas a vida,
ao ¡asso quc iua cs¡osa jaz, noria, ¡rivada dc
iua icrnura. En vcrdadc, nada dc novo sc vc cn
iudo isso... A noric ja icn a¡ariado nuiios
Ioncns dc suas cs¡osas...
ADMETO
Anigos, cn ncu ¡arcccr, lcn nclIor do quc
a ninIa foi a soric dc ninIa nulIcr, cnlora
ouiros ¡cnscn divcrsancnic. Doravanic, cla csia
iscnia dc iodo o sofrincnio; c lilcriou-sc,
gloriosancnic, dc nuiias ¡rovaçõcs! Eu, ¡orcn,
quc ja nao dcvia vivcr, irans¡us o icrno faial, c
arrasiarci una c×isicncia niscravcl. Eu lcn o
con¡rccndo agora! Cono icrci anino dc rccnirar
cn ninIa casa? A qucn vou falar? Qucn nc
falara? Ondc, c cono, olicr aquclas doccs
convcrsaçõcs? Para ondc dcvo ir? A solidao nc
afugcniara daqui, quando cu vir vazio o lciio da
cs¡osa, c o irono quc cla ocu¡ava, c a loa ordcn
do ¡alacio dcscurada... quando ncus filIos
vicrcn, a ncus ¡cs, lancniar a falia dc sua nac,
c os scrvos a dc sua scnIora. Eis o quc nc cs¡cra
no inicrior dc ninIa casa. la fora, a visia das
cs¡osas icssalianas, c das nuncrosas rcuniõcs
fcnininas, scra ¡ara nin un noiivo dc icrror,
65
¡ois nao icrci coragcn dc conicn¡lar una so das
con¡anIciras dc Alccsic. E ncus ininigos dirao.
ºVcdc csic Ioncn, quc arrasia una c×isicncia dc
ignonínia, ¡orquc nao icvc anino ¡ara norrcr!
En scu lugar dcu a cs¡osa, ¡ara livrar-sc,
covardcncnic, dc Pluiao! E clc sc diz ºun
Ioncn"... Dcicsia ¡ai c nac, nas rccusou-sc a
norrcr!" Tal scra a rc¡uiaçao quc Ia-dc agravar o
ncu o¡rolrio c ninIa dcsgraça. Quc valor icra,
¡ara nin, a vida, o ncus anigos, con una fana
iao ruin, c iao advcrsa foriuna?
O COFO
Alçou-nc un dia a Musa, cn suas asas, à
rcgiao cclcsic, c dc la, dc¡ois dc olscrvar iodas as
coisas quc c×isicn, nada vi nais ¡odcroso do quc
a Ncccssidadc! Ncn as fornulas sagradas dc
Orfcu, inscriias nos csiclios da Tracia, ncn os
violcnios rcncdios quc A¡olo cnsinou aos filIos
dc Escula¡io, ¡ara quc ninorasscn os
sofrincnios dos noriais!
So cla, cnirc as dcusas, nao icn aliarcs, ncn
inagcns, a quc ¡ossanos lcvar nossos iriluios.
ncn rccclc víiinas cn Iolocausio. Ó icncrosa
divindadc! Nao scjas nais crucl ¡ara conigo, do
quc ja icns sido aic Iojc! Tudo o quc Ju¡iicr
ordcna, cs iu quc c×ccuias scn dcnora; aic o
fcrro dos Calílios iu vcrgas c doninas; c nada
conscguira alrandar icu coraçao inflc×ívcl!
66
Tu, Adncio, a qucn cssa dcusa ¡oicnic
o¡rinc con sua força invcncívcl, icn coragcn!
Nao scra ¡clos ¡ranios c lagrinas quc lograras
irazcr à vida os norios quc ja la vao sol a icrra.
Tanlcn os filIos dos dcuscs irao icr, un dia, à
icnclrosa nansao da noric! Alccsic cra qucrida
¡or nos, quando vivia; c ainda a vcncranos,
dc¡ois dc noria; ¡orquc aqucla a qucn ionasics
¡or cs¡osa cra, ¡or ccrio, a nais nolrc das
nulIcrcs. Quc o iunulo dc iua cs¡osa nao sc
nosirc igual a ianios ouiros; nas sin, quc rcccla
Ionras scnclIanics às quc iriluianos aos
dcuscs, c ¡rciios dc jusia vcncraçao dos
viandanics. Quc o ¡crcgrino c×clanc, susiando o
scu caninIar. ºEsia, quc dcu a vida ¡clo cs¡oso,
nao dci×ara dc scr una divindadc lcnfazcja!" E
assin Alccsic scra saudada!
Parccc-nos, Adncio, quc aí vcn o filIo dc
Alcncna; c ja sc a¡ro×ina dc iua casa.
Ent¡u HÉFCULES, ucon¡unIudo ¡o¡ unu nuíIc¡
ucíudu ¡o¡ un nunto
HÉFCULES
A un anigo lcal, Adncio, dcvcnos scn¡rc
falar con franqucza, ncnIun rcsscniincnio
dci×ando oculio no coraçao. Eu, quc, ¡rcscnic, vi
quc csiavas dcsgosioso, su¡unIa quc, cn
qualqucr Ii¡oicsc, salcrias ¡ór a ¡rova ninIa
anizadc. No cnianio, nao nc quiscsic dizcr
67
clarancnic quc o cor¡o cסosio cra o dc iua
cs¡osa; c assin fui induzido a acciiar a
Ios¡iialidadc cn icu ¡alacio, crcnic dc quc sc
iraiava do ircs¡assc dc una csirangcira. Coroci-
nc dc florcs, c fiz lilaçõcs aos dcuscs, cn iua
casa, quando iodos sc acIavan sol o ¡cso da
nais ¡ungcnic dcsolaçao! Agora, sou cu quc nc
quci×o dc ii; cu, sin, quc ¡roicsio conira o nodo
¡clo qual agisic ¡ara conigo! Mas nao qucro
agravar icu dcsgosio; vou dizcr-ic a¡cnas o
noiivo quc nc fcz voliar aqui.
Tona sol iua ¡roicçao csia nulIcr; guarda-
a, cu ic ¡cço, aic quc cu volic con os fcrozcs
cavalos iracios, dc¡ois dc vcnccr o rci dos
Disiónios. Sc a soric nc for coniraria (o quc ¡raza
aos dcuscs quc nao nc aconicça, ¡ois nuiio lIcs
icnIo ¡cdido un fcliz rcgrcsso!} cla scra iua, c
Ialiiara iua casa. Foi ao calo dc ircncndo
conlaic quc cla caiu cn ncu ¡odcr. Con¡arcci a
¡crigosos jogos ¡ullicos, nos quais sc ofcrcccran
¡rcnios dc alio valor aos vcnccdorcs; c cu irou×c
csia nulIcr cono rccon¡cnsa ¡or ninIa viioria.
Para as ¡ugnas nais sin¡lcs, dcsiinavan-sc
cavalos aos ailcias viioriosos; ¡ara os conlaics
nais rudcs, ¡ara os ircncndos ¡ugilaios, davan
lois; c, cono ¡rcnio dc naior valia, csia nulIcr.
AcIando-nc ali, ¡or acaso, scria vcrgonIoso,
¡ara nin, csquivar-nc à luia, c dcs¡rczar una
laurca iao gloriosa! Mas, cono ic dissc, c nisicr
quc iraics con iodo o carinIo csia nulIcr,
68
¡orquc a oliivc, nao ¡or asiucia, nas ¡or un
csforço ingcnic. Talvcz un dia iu nc agradcças,
¡or iudo o quc fiz!
ADMETO
Nao foi ¡or dcs¡rczo ¡ara coniigo, ncn ¡or
qualqucr ouiro scniincnio inanisioso, quc ic
oculici a soric ingraia dc ninIa cs¡osa; nas
scria, ¡ara nin, un dcsgosio, auncniando a dor
sinccra quc cu ja sofria, sc iu fosscs coagido a
¡rocurar Ios¡iialidadc cn ouiro solar. Ja cra
lasianic a nagoa quc nos angusiia. Mas, sc
julgas ¡ossívcl isso, o Hcrculcs, cu ic ¡cço quc
confics csia nulIcr a un ouiro icssalio quc nao
icnIa ¡assado ¡clo gol¡c quc nc fcriu; icns
nuiios anigos cnirc os Ialiianics dcsia cidadc.
Nao rccordcs ninIa dcsgraça... Eu nao ¡odcria
conicr as lagrinas, vcndo csia nulIcr cn ninIa
casa... Nao quciras agravar, con un novo
dcsgosio, o quc ja sinio; ninIa dcsgraça ja lasia!
Ondc ¡odcria cu acolIcr csia criaiura? Ela ¡arccc
jovcn, a julgar ¡clas vcsics c ornaios quc usa.
Podcria cla vivcr cnirc os Ioncns scndo casia
cono ¡arccc? Nao c facil, Hcrculcs, doninar os
in¡ulsos da nocidadc. assin advirio, cn icu
inicrcssc. Dar-lIc-ci a¡oscnio na canara dc
Alccsic? AI! Nao! Eu ncrcccria una du¡la
ccnsura. a do ¡ovo, quc nc acusara dc irair
ninIa cs¡osa, ccdcndo-lIc o lciio a ouira
nulIcr, ÷ c a da noria, quc ncrccc ioda a
69
ninIa saudadc c ioda a ninIa vcncraçao. E iu, o
nulIcr, qucn qucr quc iu scjas, cono ic
asscnclIas a ninIa qucrida Alccsic ¡clo ¡oric,
¡clo as¡ccio! Hcrculcs, ¡clos dcuscs! Lcva-a ¡ara
longc dc nin! Nao quciras acalrunIar ainda
nais a qucn ja csia ioriurado ¡cla soric! Ao vc-
la, crcio vcr ninIa cs¡osa! Ela ¡criurla ncu
coraçao c faz con quc as lagrinas nc rclcnicn
dos olIos! OI! Quc infcliz sou cu! Vcjo agora
cono scra doloroso o ncu luio!
O COFO
Eu nao ¡odcrci congraiular-nc coniigo, o rci,
¡or icu dcsiino, nas, scja qucn for, dcvcs
rccclcr a dadiva quc os dcuscs ic cnvian.
HÉFCULES
Pudcssc cu, Adncio, irazcr-ic dc novo a
cs¡osa, arrancando-a da rcgiao do Hadcs ¡ara a
luz do dia!
ADMETO
Dcn sci quc o farias, sc ¡udcsscs; ncnIuna
duvida icnIo a ial rcs¡ciio; nas... cono
rcalizarias cssc inicnio? Nao c líciio aos norios
voliar à luz da vida...
HÉFCULES
70
Ja ic rcconcndci quc nao ic c×ccdas cn icus
quci×uncs. Su¡oria o nal con rcsignaçao!
ADMETO
É lcn nais facil c×oriar os ouiros a quc sc
rcsigncn, do quc cnfrcniar o nal quc nos afligc.
HÉFCULES
Quc ¡rovciio icras iu, sc ic ¡uscrcs a gcncr
¡cla vida a fora?
ADMETO
Sci quc nada lucrarci; nas o ¡ranio c un
alívio ¡ara o coraçao quc sc angusiia.
HÉFCULES
Anar a una noria c una fonic ¡crcnc dc
lagrinas.
ADMETO
Sua ¡crda nc naia, nuiio nais do quc scria
¡ossívcl.
HÉFCULES
Tu ¡crdcsic una cs¡osa c×cn¡lar; qucn o
ncgara?
ADMETO
71
Prccisancnic ¡or isso ja nao sinio alcgria no
vivcr.
HÉFCULES
O icn¡o alrandara icu dcsgosio, quc ¡or ora
ainda scnics iao violcnio!
ADMETO
AI! O icn¡o... iu dizcs lcn. o icn¡o significa
a a¡ro×inaçao da noric!
HÉFCULES
Una nulIcr, c o dcscjo dc novo Iincncu
Iao-dc consolar-ic un dia.
ADMETO
Cala-ic! Quc disscsic, anigo? Dc ii cu nao
cs¡crava ial coisa!
HÉFCULES
E ¡or quc nao? Con quc cniao nao conirairas
novas nu¡cias? Prcicndcs coniinuar na viuvcz?
ADMETO
MulIcr alguna ¡ariilIara dc ncu anor.
HÉFCULES
72
E acrcdiias quc assin agradas aos nancs dc
Alccsic?
ADMETO
Ondc qucr quc cla csicja, faz jus à ninIa
in¡crccívcl graiidao.
HÉFCULES
A¡rovo icus scniincnios, Adncio; nas
Iavcra qucn ic acusc dc loucura.
ADMETO
Janais, o nulIcr, icras cn nin un cs¡oso.
HÉFCULES
Eu ic adniro c louvo, ¡orquc ic nosiras
dcdicado à ncnoria dc iua cs¡osa.
ADMETO
Quc cu norra, sc algun dia a irair, ncsno
dc¡ois dc noria!
HÉFCULES
Esia lcn! Agora ¡odcs rccclcr cn icu lar
csia criaiura!
ADMETO
73
OI! Nao! Pclo dcus Ju¡iicr, a qucn dcvcs a
vida!
HÉFCULES
Concics gravc crro, sc a rc¡clircs.
ADMETO
Mas... sc a acciiar, o rcnorso fcrir-nc-a o
coraçao!
HÉFCULES
Ora, acciia-a; vanos! Afirno-ic quc csia
dadiva c o¡oriuna.
ADMETO
Prouvcra aos dcuscs quc nunca a Iouvcsscs
iu rccclido cono ¡rcnio dc icu valor!
HÉFCULES
No cnianio, iu ncrcccsic, ianlcn, a viioria
quc oliivc.
ADMETO
Dizcs lcn; nas convcn quc sc rciirc cssa
nulIcr.
HÉFCULES
74
Ela ira, sc convicr quc va; nas ¡rincirancnic
qucro quc nc digas sc cla dcvc ir.
ADMETO
Sin; assin c ¡rcciso; a ncnos quc isio ic
dcsagradc...
HÉFCULES
So cu, rcalncnic, sci a razao ¡or quc insisio
dcsia nancira!
ADMETO
En iais condiçõcs, cu ccdo; nas fica salcndo
quc o quc fazcs, nao nc agrada.
HÉFCULES
Un dia vira, cn quc Ias-dc lcndizcr a ninIa
rcsoluçao. Por agora, olcdccc, c vcras.
ADMETO
(Aos sc¡uos} Lcvai-a ao inicrior do ¡alacio;
visio quc nos c forçoso rccclc-la aqui.
HÉFCULES
Nao! Nao confiarci csia nulIcr a icus scrvos!
ADMETO
75
Ncssc caso, iu ncsno a conduziras, ja quc
assin o qucrcs.
HÉFCULES
So cn iuas naos qucro c dcvo cnircga-la!
ADMETO
Nao lIc iocarci no cor¡o; nas cla ¡odc
cnirar.
HÉFCULES
Ja dissc quc so a dci×arci cn iuas naos,
anigo!
ADMETO
Hcrculcs. iu nc olrigas a assin agir; vou
rccclc-la, conira a ninIa voniadc!
HÉFCULES
Eniao, csicndc a nao, c a¡cria a dcsia
dcsconIccida.
ADMETO
Eis aqui!... Esicndo-lIc a nao, cono sc
csiivcssc ¡rcsics a vcr a calcça da Mcdusa.
HÉFCULES
Ja a icns, coniigo, ¡ois?
76
ADMETO
Sin; icnIo-a conigo.
HÉFCULES
Pois cniao fica ccrio dc quc a guardaras
coniigo, c diras scn¡rc quc o filIo dc Ju¡iicr
salc scr un Ios¡cdc graio. (Hctí¡u o ucu quc
coI¡c u nuíIc¡} Conicn¡la-a, agora! Vc sc nao c,
rcalncnic, nuiio ¡arccida con Alccsic! Eis-ic
fcliz, dc novo, Adncio! Para longc, o luio c o
dcscs¡cro!
ADMETO
Dcuscs inoriais! Quc vcjo! Quc dirci? Ó
¡rodígio incs¡crado! Scra vcrdadcirancnic
Alccsic, a qucn cu vcjo, ou algun dcus zonla dc
nin conccdcndo-nc una alcgria ilusoria?
HÉFCULES
Nao! É Alccsic, iua cs¡osa, quc icns dianic
dc ii!
ADMETO
Cuidado, Hcrculcs! Nao scra un faniasna
cgrcsso das rcgiõcs infcrnais?
HÉFCULES
77
Adncio, icu Ios¡cdc nunca foi un invocador
dc alnas!|13|
ADMETO
Eniao c, ncsno, ninIa cs¡osa, aqucla a
qucn cu ja Iavia dado sc¡uliura?
HÉFCULES
Scn duvida! É cla ¡ro¡ria! E nao nc adnira
quc iu Icsiics cn acrcdiiar na iua foriuna!
ADMETO
Podcrci cniao falar-lIc, cono falava a ninIa
cs¡csa cn vida?
HÉFCULES
E ¡or quc nao? Fala-lIc, Ioncn! Tu
rcadquirisic, na vcrdadc, o icsouro ¡or quc ianio
sus¡iravas!
ADMETO
Ó docc olIar dc ninIa cs¡osa anada! Sin,
cs iu, na vcrdadc! Conira ioda a cסcciaiiva, cu
ic ¡ossuo dc novo, cu, quc su¡unIa nunca nais
ic vcr!
HÉFCULES
78
Sin; cla c iua! E faço voios ¡ara quc os
dcuscs nao invcjcn iananIa fclicidadc!
ADMETO
Nolrc filIo dc Ju¡iicr, quc a fclicidadc ic
acon¡anIc scn¡rc! Quc icu ¡ai vclc ¡or ii! So iu
¡udcsic rccrgucr a ninIa vida, quc a dcsgraça
dcrruíra! Mas... cono ¡udcsic irazc-la do Hadcs à
luz do dia?
HÉFCULES
Luiando conira a nalcfica divindadc quc sc
a¡odcrara dc sua soric.
ADMETO
OI! Ondc luiasic conira Tanaios, o nunc
icrrífico da noric?
HÉFCULES
Dcn ¡crio da sc¡uliura, ondc dcla nc
a¡odcrci, susicndo-a nos lraços.
ADMETO
E ¡or quc razao Alccsic, rcdiviva, ¡crnanccc
nuda c inovcl?
HÉFCULES
79
Nao ic scra ¡ossívcl ouvir sua voz cnquanio
cla nao for ¡urificada dc sua consagraçao às
divindadcs infcrnais, c so ao ron¡cr do icrcciro
dia. Mas, fazc cnirar Alccsic cn iua casa; c
conscrva scn¡rc, Adncio, o rcligioso rcs¡ciio quc
icns ¡clas lcis da Ios¡iialidadc. Adcus! Eu
¡rossigo ninIa viagcn, a fin dc c×ccuiar o
iralalIo quc nc foi in¡osio ¡clo filIo dc
Esicnclo!
ADMETO
Conscnic cn scr ncu Ios¡cdc ¡or nais
alguns dias!
HÉFCULES
Por agora c in¡ossívcl. Dcvo a¡rcssar-nc.
ADMETO
Sc fcliz, Hcrculcs! Possas iu rciornar nui
lrcvc a nosso lar! Quc os cidadaos dc Fcrcs c
iodos os Ialiianics da Tcssalia cclclrcn csic
diioso aconiccincnio ¡or fcsias, c danças; quc
cn iodos os aliarcs a cIana do Iolocausio sc
crga, cn ncio dc ¡rcccs dc graiidao! Porquc una
vida nclIor sc vai scguir a dias iao funcsios!
Adcus, Hcrculcsl Sc fcliz!
O COFO
80
Os aconiccincnios quc o ccu nos ¡ro¡orciona
nanifcsian-sc sol as nais divcrsas fornas; c
nuiia coisa aconiccc, ¡ara alcn dc nossos
icnorcs c su¡osiçõcs; nuiia vcz o quc sc cs¡cra,
nunca succdc; c o quc nos assonlra, rcaliza-sc
con a ajuda dos dcuscs. A volia fcliz dc Alccsic c
una ¡rova!
FIM
81

Notas
¯ ÷ O ¡rofcssor Joao Da¡iisia dc Mcllo c
Souza foi, ¡or anos, ¡rofcssor dc Iisioria no
Colcgio Mcllo c Souza c narcou gcraçõcs con
scus cnsinancnios. É dc Afonso Arinos, cn suas
Mcnò¡íus, csic icsicnunIo solrc a in¡oriancia
quc icvc cn sua fornaçao as aulas ¡or clc dadas.
ºA naicria quc nais nc cncaniava cra a Hisioria
do Drasil, dada ¡clo ncsno (J.D. Mcllo c Souza}.";
ºCrcio quc ioda a ninIa inclinaçao ¡osicrior
¡clos csiudos Iisioricos daia dcssc fccundo
a¡rcndizado inicial." (a¡. Allcrio Vcnancio FilIo,
A Hisioriografia Fc¡ullicana. A coniriluiçao dc
Afonso Arinos, in Esiudos Hisioricos, Fio dc
Janciro, vol. 3, n. 6, 1990, ¡.151-160.} |NE|
|1| ÷ Aludc A¡olo ao ¡ai, c à nac dc Adncio,
quc, cn avançada idadc, vivian ainda.
|2| Essc Icroi, cono sc salc, c Hcrculcs; c a
avcniura rcfcrida consiiiui o 2° dos dozc
ºiralalIos". Eurisicu, a qucn Hcrculcs scrvia,
nanda-o à Tracia a fin dc arrclaiar os fcrozcs
aninais, quc o crucl Dioncdcs alincniava con
carnc Iunana.
|3| Era cosiunc aniigo coriar, ¡ouco anics do
Iolocausio, alguns fios dc calclo da víiina, os
quais cran lançados ao fogo cono ¡rinícias do
82
sacrifício. Na Eícct¡u, anics dc fcrir o aninal,
Egisio coria-lIc alguns ¡clos.
|4| Alusao ao runor quc fazian os grcgos,
laicndo con as naos acina da calcça, o quc cra
sinal dc dor vccncnic, ou dcscs¡cro.
|5| Naiuralncnic ¡ara consuliar un oraculo
÷ ncdida c×ircna quc os grcgos adoiavan cn
casos iais.
|6| Un dos iíiulos ¡clos quais cra invocado o
dcus A¡olo.
|7| Facinc a¡rovciiou csia ¡assagcn na
I¡ígcníu, dando-lIc csia nagnífica vcrsao.
ºJc vois dcjà la ranc, ci la larquc faialc!
J'cnicnds lc vicu× nocIcr sur la rivc infcrnalc...
In¡aiicni, il cric. ºOn i'aiicnd ici-las!
Toui csi ¡rci! Dcsccnds! Vicns! Nc nc rciardc ¡as!"
|8| O ncs Caincano (ou o ºMounilion"}
corrcs¡ondc a alril, no calcndario ronano.
|9| Esia fala dc Hcrculcs icria sugcrido o
fanoso nonologo dc Hanlci.
|10| Horacio ins¡irou-sc ncsia ¡assagcn dc
Eurí¡cdcs ao cscrcvcr, cn sua odc II, XIII.
ºProncicu, c o ¡ai dc Pclo¡s acIan, ncsias doccs
Iarnonias, o csquccincnio icn¡orario dc scus
nalcs; c o ¡ro¡rio Orion ja nao ¡cnsa cn
¡crscguir o iínido lincc".
83
|11| Afigura-sc nuiio confusa csia afirnaçao
dc Adncio.
|12| Su¡unIa-sc quc csia ¡assagcn sc
rcfcrissc a Pcriclcs, nas os concniadorcs
ronanos ¡rovaran quc ial nao sc ¡odcria
adniiir, visio quc Pcriclcs icvc dois filIos,
Xanii¡o c Paralo. Cíccro faz vcr quc sc iraia dc
Ana×agoras quc, ja idoso, ao rccclcr a infausia
noiícia da noric dc scu filIo unico, rcs¡ondcu.
ºEu salia quc clc cra norial!..."
|13| Eis un dos ¡onios arduos na
inicr¡rciaçao dc Aíccstc. A ¡alavra grcga
qo×oyæyoç so sc ¡odcria iraduzir ¡or ¡siquagogo,
ºaquclc quc dirigc ou conduz as alnas", vocalulo
fornado ud ínstu¡ dc ¡cdugogo ou dcnugogo. A
fala dc Hcrculcs vcn con¡rovar a aniiguidadc
das ¡raiicas quc cn iodos os ¡ovos icn Iavido,
con o fin dc conscguir o rca¡arccincnio, cnirc
os vivos, das alnas quc ja dci×aran a c×isicncia
icrrcna.
84


Proilido iodo c qualqucr uso concrcial.
Sc vocc ¡agou ¡or cssc livro
VOCE FOI FOUDADO!
Vocc icn csic c nuiios ouiros iíiulos CFÁTIS
dircio na fonic.
www.cloolslrasil.org
© 2006 ÷ Eurí¡idcs

Vcrsao ¡ara cDool
cDoolsDrasil

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