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RPG - Ebook - Conto - Anátema 2

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Conto baseado em RPG.
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Anátema

Lord Maihelkash Parte 2 de 3 Durante a noite, o mundo dos homens assume um caráter ainda mais alucinado que antes do por do sol. Luzes vermelhas, amarelas, azuis, multicolores transformam as trevas novamente em uma espécie de dia, como se este fosse clareado por um imenso arco-íris, iluminando letreiros atraentes para as massas a procura de conforto para seus anseios. Discotecas, bares, restaurantes, bordéis e todo tipo de divertimento pode ser encontrado aqui ao cair da escuridão. Figuras trajando roupas e cabelos coloridos, de diversas tribos diferentes, caminham pelas ruas acreditando fielmente em seu majestoso mundo de coincidências. Em uma construção abandonada, figuras sombrias surgem valendo-se da distração propícia para permanecerem anônimos. Estes não parecem importar-se com o que ocorre na parte agitada da cidade. Um belo Trono, de cabelos encaracolados loiros, vestindo um blazer azul-escuro, calças negras, encosta-se na murada aparentemente prestes a ruir do decrépito casarão onde se encontrava o grupo. A esquerda está um Corpore, negro e calvo, casta conhecida por seu temperamento frio e desprovida de sentimentos. Sentado, observando o nada, outro Corpore de longos cabelos castanhos, vestindo uma capa clássica de seda, divide o espaço das escadarias da obra lúgubre com um vistoso Captare de capa branca, protegido por uma inconfundível loriga de escamas medieval, de pé em posição aparentemente inabalável, segura seu elmo e deixa que suas longas madeixas rubras possam ser vistas. Este tem um imenso prazer em não esconder suas longas asas alvas, ostentando-as com extremo orgulho. Um quarteto desse cacife não estaria estagnado em um local de aparência tão vil sem um ótimo motivo os prendendo lá. O silêncio da noite é cortado por um longo assobio, desencadeado pelo passar do zéfiro, velozmente chacoalhando as folhas das diversas árvores plantadas ao longo da rua onde a construção está fixada. Alguns labradores, Dobermanns, Pastor-alemães, Pit-Bulls e outros cães iniciam em coro seu ladrar alvoroçado. Inúmeros sons estão misturados aos latidos, pondo fim ao confortante silêncio noturno. Subitamente, o Trono levanta-se de onde estava e pergunta ao grupo, aparentemente enraivecido: – Onde meteu-se aquele Nimbus? Ele está atrasado em muitas horas. – Deixa de preocupar-te, Trono. Namael estará aqui – responde o Captare de maneira confiante, recolocando seu elmo. – Não deverias confiar tanto em um Nimbus Captare. Sabes que são imprevisíveis – retruca o Trono, observando as redondezas do local.

Encoberto pelas sombras, uma figura sorrateiramente emerge do interior do casarão, deixando que o objeto que ostenta sobre sua cabeça verta luz e ilumine seu caminho até aqueles que o esperavam. Interrompendo seus paços, a figura irradia ainda mais luz, cegando todos aqueles a sua frente. Com uma voz calma e serena, a figura iluminada diz: – Contento-me em perceber que ao menos um daqueles os quais fui incumbido de coordenar os passos crê em mim. E devo advertir-lhes que não fazes mais que vossa obrigação, pois minha obra na Terra é a obra do concílio e é dele à vontade de todos aqui estarem sob os meus comandos. A luminosidade do Nimbus se retrai apenas para ele, até que somente o círculo dourado flutuando acima de seus cabelos passa a emitir tal energia. Mas ainda é possível observar o anjo de feições delicadas, quase andróginas, loiro, com uma trança caída aos ombros de seu terno listrado cinza, relembrando aqueles usados pelos gangsters do passado, vestindo também sapatos da mesma época, brancos e pretos. Aproxima-se de seus subordinados a passos leves e calmos. Traz toda a atenção do grupo para si. Levando suas mãos aos bolsos, ele encara cada um, dizendo: – Compartilho de vossas opiniões sobre o solo Terreno, acho-a imunda, tétrica e digna de pena. Causa-me asco caminhar sobre a terra pisada por qualquer destas criaturas chamadas de humanos. Então, cumpramos com nosso dever rapidamente, para que logo possamos retornar para nossa tão amada e admirada morada. Acredito que todos os presentes possuem conhecimento sobre o real motivo de serem escolhidos para uma missão deveras digna como esta. – Encerra teu discurso decorativo, Nimbus, pois todos que aqui estão sabem o motivo de estarem aqui. Um artefato de interesse para o concílio de Paradísia deu novamente ares sobre a Terra – diz o Trono, interrompendo o discurso de seu álacre superior. O Nimbus se cala abruptamente. Dirige-se até o anjo que o havia interrompido, parando em sua frente, encarando seus olhos por um minuto. Depois o dá as costas e com muito desdém conversa com seu interruptor. – Será que sabes com certeza, reles peão? Repentinamente, um silvado metálico interrompe a conversa. Todos do grupo transtornam-se ao se verem banhados com o sangue rubro que flui do corpo retalhado do anjo Trono, transpassado pela lâmina afiada do Captare. Com incrível habilidade, o portador da espada a retira e com um outro magnífico ataque separa a cabeça de sua vítima convulsiva. A dupla de Corpores salta assumindo posições de combate. Um dos celestes traz a mão rapidamente ao interior de suas roupas visando encontrar algo. Mas quando este se dá por conta, está cercado por um círculo feito com o sangue de seu aliado tombado. Observando o encantamento sem transparecer reação alguma, o anjo retira um gládio decorado com inscrições em alto relevo do casaco negro, mas um lampejo escarlate cruza seus olhos e recobre todo o seu corpo com uma espessa camada de líquido férrico vermelho.

Mesmo realizando incrível esforço, ele parece ser em vão frente ao poder de tal efeito místico. O segundo anjo saca rapidamente duas espadas médias de lâminas prateadas e detalhes em ouro. – Sabes que não devo entregar-me sem luta, não, Namael? – diz o Corpore de cabelos dourados em posição combativa. – Estejas à vontade, Turiel – responde o Nimbus. Dando as costas para seu exconsorte e adentrando novamente ao casarão. O Captare toma posição frente ao jovem angélico, seu semblante torna-se mais inexpressivo que o do próprio anjo sem emoções. Os dois observam-se por um longo tempo, andando em círculos pela área frente ao mausoléu. O Captare avança desferindo dois simétricos golpes visando derrubar as duas armas portadas pelo inimigo. O Corpore esquiva-se de ambos tentando em vão acertar o pescoço do experiente guerreiro com suas duas espadas médias, perfeitamente equilibradas para serem utilizadas em conjunto. Turiel sabe que seu adversário esta apenas testando suas capacidades de luta, e não combate com toda a sua capacidade. Turiel já ouviu histórias sobre o valente Jedidaiah, honrado inúmeras vezes pelos senhores da cidade de prata por bravura. O que tão nobre criatura estaria fazendo ao lado de um Nimbus corrupto, pergunta-se. Jedidaiah abaixa sua guarda e embainha sua espada, jogando sua pomposa capa de seda branca sobre os ombros. Turiel sabe que não pode subestima-lo. Rapidamente, sentindo um terrível cheiro de enxofre se esgueirando por traz de suas costas, vira-se e desfere um preciso e potente golpe contra o pescoço de uma criatura sáuria, munida de garras e uma cauda navalhada, agitando-se de maneira ameaçadora contra ele. – Achaste que não poderia sentir o odor fétido de teu comparsa atacando-me covardemente? – grita Turiel de maneira confiante para o Captare. Devido ao golpe violento, o pescoço do demônio dilacera-se e o loiro Turiel banha-se com o líquido negro que sai da ferida de seu atroz atacante. Ele vira-se novamente para Jedidaiah. Com um movimento rápido, retira o sangue de suas espadas que, ao tocar o solo, inicia uma reação borbulhante que faz Turiel perceber o erro cometido. Todo o corpo do anjo começa a ferver violentamente. Em pouco tempo seus tecidos tornamse uma massa viscosa, revelando seus ossos. Sua boca rasga-se, uma parte do couro cabeludo deixa de existir, dando lugar ao crânio, em seguida a massa encefálica. De seus braços, pernas e tronco seu sangue escapa por chagas abertas pelo líquido corrosivo. O Captare assiste ao espetáculo macabro atentamente. – Tu não eras digno de minha lâmina – diz Jedidaiha, enquanto observa o corpo desfigurado de Turiel tombar pesadamente sob o asfalto.

Ao caminhar até as pesadas portas da construção, o Captare vê um horrendo ser gargalhando atrás de si. Sentado no chão, ao lado do Corpore envolto pelo sangue de seu irmão de Paradísia, que agora já não mais demonstra nenhuma movimentação. Jedidaiah pouco se importa com o que acontece. Continua seu percurso até parar ao lado de seu aliado no interior da mansão. O estranho pálido, com uma cadeia de pequenos chifres no alto de sua cabeça, postados horizontalmente até o começo da nuca, acompanhados por uma tatuagem tribal na lateral esquerda da mesma, toca o casulo sanguíneo que envolve o Corpore de raça afro e, este se desfaz imediatamente, revelando o corpo semidecomposto do anjo. A criatura coloca-se de pé e gargalha alucinadamente, fechando as mãos sobre uma trança de cabelos escuros que brota da parte traseira de sua cabeça. Com um salto pousa nas escadarias do casarão, fazendo tilintar as inúmeras argolas de metal que compõem sua roupa, confeccionada de tiras de couro curtido escuro que se enrolam em seu corpo. O demônio entra escancarando as portas de madeira. Aproxima-se do político celestial com um sorriso sádico nos lábios negros, dançando algo improvisado para a ocasião. – Diga-me, Nimbus, o que o faz tão sádico a ponto de patrocinar esse festim de sangue, com o próprio sangue de seus aliados? Conte-me, por favor! – diz a criatura ironicamente. – Não existe sadismo no acontecido a pouco, demônio. Eras o encarregado deste grupo de investigação. Agora posso agir livremente reportando o que bem entender sobre o artefato que aqui vim procurar. Estes não eram nada mais que peças descartáveis em meu xadrez – diz Namael, sentado-se em uma velha poltrona. – Deves dedicar tua atenção na procura da relíquia, meu caro Jummif – diz o Nimbus observando os olhos negros de órbitas vermelhas do demônio. – Já lhe disse que ela está em poder de Vakats, nem mesmo você ou qualquer angélico poderia tomá-lo dele, ele é muito poderoso – diz Jummif colocando-se atrás da poltrona do anjo e segurando seu encosto. – Não subestimes os poderes celestes, demônio. Se quiséssemos, incendiaríamos toda a Terra, juntamente com seu precioso Inferno – diz o Nimbus com desdém. Com um movimento habilíssimo, Jummif lança-se em uma manobra acrobática sobre a poltrona pousando seus pés em cada um dos braços da mesma, trazendo seu rosto até que esse se encoste ao rosto de Namael, sendo seguido pela espada do preciso Jedidaiah, quase invisível na cena, rapidamente colocada em seu pescoço. Não demonstrando qualquer reação, o anjo Nimbus encara a assustadora criatura dizendo: – Detenha tua espada Jedidaiah! A afiadíssima arma do Captare faz um pequeno corte no queixo de Jummif. O ferimento verte sangue negro, gota a gota nas roupas de Namael. Bafejando sob a face do anjo, o demônio lança um desafio:

– Ai está algo que eu adoraria vê-los tentar! – Contenhas teu gênio, criatura. Com o disco em nossas mãos e o poder de cruzar livremente as barreiras dimensionais entre o tempo e espaço... – Eu terei um lugar de destaque em minha morada – interrompe o demônio. Jummif recua com um salto colocando-se arqueado sobre o brilho do luar que penetra no casarão por uma janela acima deste. – Não acredito que seus tolos amigos Paradísianos não conheciam o verdadeiro poder do disco – diz o demônio. O Nimbus cruza suas pernas, volta seu olhar, que antes fitava a lua pela janela no alto, a sua frente, para o demônio. – Nem mesmo tu deverias ter conhecimento disto, criatura – diz o anjo de maneira irônica. – Utiliza-te de teus contatos, como ex-Alastor, para reaver o papiro com os segredos do disco, já que tu perdeste-o para os Chacais de Anúbis – diz Namael de forma inquisidora. O demônio albino inicia um salto perfeito em direção a janela acima, antes de atingi-la, diz: – Ele estará sob nosso controle antes que você possa fazer mais acusações! – Atravessa a janela ao término de sua fala. Após um dos integrantes do terceto abandonar o casarão, a figura do Captare encoberta pelas sombras noturnas faz uma pergunta a seu protegido. – Posso segui-lo se assim o desejar. – Não serás preciso, Jedidaiah. Existem muito mais peças em meu tabuleiro que o demônio Jummif possas imaginar – diz Namael deixando brotar um sorriso sarcástico no canto de seus lábios. Do lado de fora, o demônio Jummif lança-se em uma desenfreada corrida, hora saltando hora correndo, até atingir um beco situado entre uma loja de armas de fogo e um cabeleireiro. Jummif fareja o ar, ergue sua mão e esfrega seu indicador em uma das paredes construída com tijolos alaranjados, abrindo um caminho por onde este passa, como se seu dedo vertesse ácido. – O que me diz do trato com os seres de Paradísia, Jummif? – diz uma voz sussurrante vindo de dentro do beco escuro. Pesados passos agora podem ser ouvidos aproximando-se do demônio albino. Uma forma gigantesca começa a formar-se na escuridão. Ao atingir uma certa distância, apoia os dois

membros superiores ao chão e, mesmo assim, supera a altura de Jummif em alguns metros, expondo o que trazia até o encontro do demônio que acabara de chegar. Algo estava sentado sobre o ombro esquerdo do monólito negro, algo que se deixou notar-se quando seus dois olhos flamejantes fizeram-se ver em meio a total escuridão. A gigantesca criatura leva sua mão direita até o ser de olhos ardentes, espera que este se mova até ela, levando-o em seguida cuidadosamente ao chão. – O bom e velho Adramalon! – diz Jummif. O imenso ser ergue-se rosnando, caminhando até a luminosidade. Quando as trevas deixam de camufla-lo, o que se vê é uma criatura com duas presas inferiores saltadas para fora, chifres negros nascendo de traz de suas orelhas pontiagudas. Uma juba de pelos secos e grossos envolvendo toda sua cabeça até o término do pescoço, deixando apenas sua face horrenda visível. – Não viemos aqui para brincadeiras, Alastor – diz a fera gigante. – Cale-se, Sefro! Manifeste-se apenas quando lhe for ordenado! – ordena a figura ainda oculta pelas sombras. A grande besta arqueia-se novamente prostrando-se ao lado de seu mestre, de maneira totalmente submissa. – Tudo o que precisamos é reaver o pergaminho dos Chacais de Anúbis. Os celestes também iniciaram uma busca por ele, mas eles suspeitam bem menos de minhas palavras que antes. Acreditam que estou iludido por seu ridículo trato – responde Jummif. – O anjo tem conhecimento do real poder do artefato? – pergunta o imponente ser. – Ele ainda não me disse nada sobre isso, Adramalon. Eu não o questionei para não faze-lo pensar – responde Jummif de maneira duvidosa. – Se o que diz for verdade, finalmente os humanos terão o Hades que merecem na Terra – diz Adramalon, dando as costas para Jummif e mergulhando novamente, com seu comparsa Sefro, na profunda escuridão do beco. Jummif observa as duas criaturas até que estas desapareçam nas trevas. Farejando o ar novamente para certificar-se que se foram, não contem sua gargalhada inconfundível quando sua dúvida transforma-se em certeza. Longe de todos esses acontecimentos, em uma parte da cidade localizada um pouco afastada do centro, dentro de um verdejante parque arbóreo, ao extremo, milhares de pessoas caminham despreocupadas. Algumas estão sentadas em bancos de madeira colocados ao longo do caminho asfaltado que corta todo o parque, outras praticando esportes. Mas todas em comum deixam de perceber um objeto voador que passa sobre suas cabeças como um relâmpago.

Com seu sobretudo esvoaçante, graças a incrível velocidade empregada em seu vôo, seu olhar penetrante, Vorayel dirige-se para o imenso arvoredo de pinheiros que existe não muito longe dali. Atravessa o gramado, a ponte que cruza um pequeno lago onde cisnes e diversas espécies de peixes nadam livremente, adentra na mata fechada até que uma trilha possa ser observada, sendo conduzido por esta até uma deserta e simples choupana de madeira com algumas ferramentas encostadas em sua parede lateral. Vorayel pousa sobre o telhado, ocultando suas asas e, rapidamente, executa um salto até o chão. Como se esperado, um homem de barba farta, cabelos longos e negras roupas apresentáveis sai da cabana fechando a porta atrás de si e colocando-se entre esta e o Corpore. Obriga-o a mostrar um desenho ritualístico, uma estrela de nove pontas dentro de uma runa, lembrando uma letra do antigo Enochiano, nas costas de sua mão direita. O homem de negro sorri e dá passagem a Vorayel. O interior da velha cabana é clareado com uma lâmpada de luz fraca, devido à instalação elétrica precária, variando sua intensidade vez por outra. Uma mesa colocada no centro da casa com duas cadeiras, nada mais está aqui. Apenas uma imagem sombria parada em um dos cantos da velha casa, vestida com um manto de cor escura, fitando o exterior por brechas existentes na única janela da habitação, lacrada com tábuas muito bem pregadas. – O que um Anjo caído de 1000 anos quer com uma mera mortal como eu? – pergunta uma voz feminina vindo da misteriosa imagem. – São 300 anos, Kyra, sabes disso – responde o caído sentando-se em uma das cadeiras de madeira. A imagem vira-se para o Corpore, retirando o capuz e deixando que sua bela face, enfeitada com maquiagem pesada de cor preta, e seus cabelos longos, escuros e repicados nas pontas, possam ser vistos. Aproximando-se da mesa, a bela mulher senta-se na cadeira vazia. Sorrindo de maneira agradável, ela diz ao anjo: – Eu sei disso, só tô te enchendo. – Como andas tua sociedade, o Clube do Inferno? – pergunta Vorayel. – Ora! Vamos com isso, Vorayel, você não me chamou aqui para perguntar como vai aquela espelunca. – retruca a mulher. – Tu és o único contato meu que restas, preciso saber o que sabes sobre o Disco de pedra Asteca – diz Vorayel rapidamente. Pensando por algum tempo, Kyra vira-se de lado na cadeira olhando para o teto da cabana, levando a mão de maneira a apoiar sua cabeça. – Os Chacais de Anúbis foram ao clube com o mesmo objetivo. O disco possui um pergaminho que desvenda as combinações para que ele possa ser utilizado.

– Conte-me algo que eu já não saibas – interrompe o anjo não demonstrando qualquer expressão. – O disco também pode abrir portais temporais, transportando seu portador através das eras, tanto retrocedendo como adiantando seu usuário no tempo. Isso você também já sabia, não é? – pergunta de forma irônica a enviada do Clube do Inferno. – Um artefato de estima para Mirrot não seria algo menos interessante. – diz Vorayel, pensando consigo mesmo em voz alta. – Você ainda está sobre o encanto daquele caído? – pergunta Kyra. – Por 167 dias ele detêm o poder sobre o meu querer, graças a um feitiço utilizado pelo maldito de maneira ludibriante. – responde o anjo fitando o nada de maneira pensativa. – Os pergaminhos de Malak Ta’Us, eu presumo? – indaga Kyra. – Exatamente, ratifiquei minha soltura das austeras masmorras da cidade de ferro com meu sangue, mas o astuto havia preparado o efeito místico sem que percebesse. Em Dite conheci os verdadeiros significados do sentimento cólera quando Mirrot sorriu observando minha reação ao saber à verdade do feito que acabara de realizar vindo à tona por intermédio de suas palavras venenosas. – diz Vorayel observando as reações que Kyra deixava transparecer ao ouvir sua história. – Há algo que você devia saber também, anjo. O mago Adramalon está de posse do disco, mas um de seus lacaios perdeu o papiro para os Chacais de Anúbis. Os chacais se encontrarão daqui a dois dias nas docas para relatarem a seu superior os progressos da missão. – diz Kyra advertindo o Corpore. – E quem seria esse tal lacaio servidor de Adramalon? – pergunta voltando-se para Kyra. – O ex-Alastor Jummif, e também está ao seu lado sua marionete Sefro – responde Kyra levantando-se da cadeira e recolocando o capuz sobre sua cabeça. – Preciso ir, Vorayel. Os encantos de não-localizam desta capa só durarão mais algum tempo, não posso ficar me arriscando demais caminhando de dia. – Kyra levanta sua mão e abre a porta. – Boa sorte em sua busca. Do lado de fora, o homem de cabelos negros aguardava sua protegida. Ele coloca-se perto de Kyra e juntos desaparecem na mata. O anjo caído no mesmo instante alça vôo, desaparecendo no horizonte rapidamente. Sobre o teto da choupana, uma pequena figura está sentada apenas observando os aliados tomarem caminhos distintos. Ele sorri, dizendo em voz alta para si: – Não sabia que Adramalon estava na Terra atrás de minha relíquia, nem mesmo eu posso com aquele ser. Isso torna esta caçada ainda mais emocionante e divertida – diz o

pequenino garoto de cabelos loiros e vestes alvas, sorrindo e observando o crepúsculo com seus olhos negros. Fim da parte dois

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