AFETIVIDADE E EDUCAÇÃO

PEDAGOGIA – IDJ
NOVEMBRO 2013
Professor Marney Eduardo, mestre em psicologia da educação

Afetividade
 Afetividade: é a relação de carinho ou cuidado que se tem com alguém íntimo ou querido. Etm.: Latim affectus. Tocar, comover o espírito e, por extensão, unir, fixar (it. attaccare), também no sentido de "adoecer".  É o estado psicológico que permite ao ser humano demonstrar os seus sentimentos e emoções a outro ser ou objetos. Pode também ser considerado o laço criado entre humanos, que, mesmo sem características sexuais, continua a ter uma parte de "amizade" mais aprofundada  Em psicologia, o termo afetividade é utilizado para designar a suscetibilidade que o ser humano experimenta perante determinadas alterações que acontecem no mundo exterior ou em si próprio. Tem por constituinte fundamental um processo cambiante no âmbito das vivências do sujeito, em sua qualidade de experiências agradáveis ou desagradáveis.

 O termo emoção encontra-se relacionado ao componente biológico do comportamento humano - agitação - de ordem física.  Afetividade é utilizada com uma significação mais ampla, referindo-se às vivências dos indivíduos e às formas de expressão mais complexas e essencialmente humanas.

Henri Wallon
 Nasceu na França em 1879

 Morreu aos 87 anos em Paris lugar onde viveu toda sua vida.
 Com 23 anos se formou em filosofia  Vivenciou duas guerras mundiais (1914-18 e 1939-45  Em 1925 publica sua tese de doutorado “A Criança Turbulenta”  Lança seu ultimo livro em 1945 “Origens Do Pensamento da Criança”  Em 1948 cria a revista ‘Enfance’

“Jamais pude dissociar o biológico e o social, não porque o creia redutíveis entre si, mas porque, eles me parecem tão estreitamente complementares, desde o nascimento, que a vida psíquica só pode ser encarada tendo em vista suas relações recíprocas.”(Wallon 1951)

Afetividade para Wallon

 A inteligência não é o elemento mais importante do desenvolvimento humano, mas esse desenvolvimento dependia de três vertentes: a motora, a afetiva e a cognitiva.  A dimensão biológica e social são indissociáveis, porque se complementam mutuamente.

 A evolução de um indivíduo não depende somente da capacidade intelectual garantida pelo caráter biológico, mas também do meio ambiente que também vai condicionar a evolução, permitindo ou impedindo que determinadas potencialidades sejam desenvolvidas.  A afetividade surge no meio ambiente e tem uma grande importância na educação.

Afetividade em Wallon
 O termo se refere à capacidade do ser humano de ser afetado positiva ou negativamente tanto por sensações internas como externas.  A afetividade é um dos conjuntos funcionais da pessoa e atua, juntamente com a cognição e o ato motor, no processo de desenvolvimento e construção do conhecimento.  As relações entre ensino e aprendizagem são movidas pelo desejo e pela paixão e que, portanto, é possível identificar e prever condições afetivas favoráveis que facilitam a aprendizagem

 "O espaço não é primitivamente uma ordem

entre as coisas, é antes uma qualidade das coisas em relação a nós próprios, e nessa relação é grande o papel da afetividade, da pertença, do aproximar ou do evitar, da proximidade ou do afastamento."
Henri Wallon no livro Do Ato ao Pensamento

As três dimensões da afetividade
 Essas manifestações surgem durante toda a vida do indivíduo e apresentam uma evolução, segundo Wallon:  A emoção, é a primeira expressão da afetividade. Ela tem uma ativação orgânica, ou seja, não é controlada pela razão. Quando alguém é assaltado e fica com medo, por exemplo, pode sair correndo mesmo sabendo que não é a melhor forma de reagir.

 O sentimento, por sua vez, já tem um caráter mais cognitivo. Ele é a representação da sensação e surge nos momentos em que a pessoa já consegue falar sobre o que lhe afeta - ao comentar um momento de tristeza, por exemplo.
 Já a paixão tem como característica o autocontrole em função de um objetivo. Ela se manifesta quando o indivíduo domina o medo, por exemplo, para sair de uma situação de perigo.

Afetividade em Vygotsky

 Só é possível ter uma compreensão completa do pensamento humano quando se compreende sua base afetiva  As razões que impulsionam os pensamentos encontram suas origens nas emoções que as constroem.
Lev Vygotsky, (1896 – 1934) foi um cientista humano bielo-russo. Pensador importante em sua área, foi pioneiro na noção de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida.

 Romper a polarização entre afetividade e cognição na escola, implica numa prática que considere a criança como um ser encarnado de emoções, de sentimentos.

 Nesse contexto torna-se imperiosa a necessidade de valorizar a história pessoal e cultural da criança, pois assim a escola contribui na promoção de um ambiente favorável as experiências de aprendizagem.

 A competência afetiva, por parte dos professores, permite a criação de vínculos entre eles e seus alunos  Vínculos propícios a um clima de confiança, de respeito mútuo, de amizade, de compreensão das necessidades dos alunos e da abertura para a expressão sincera dos sentimentos.  Enfim, uma vida afetiva na escola aumenta o interesse dos alunos pelos estudos, melhora significativamente a aprendizagem cognitiva e, em conseqüência, reduz as taxas de abandono e de fracasso escolar.

 A vida moderna, a necessidade de sobrevivência, a mudança do papel da mulher na família, às inovações tecnológicas, a palperização da classe média, dentre outros fatores, trouxe para a escola, um outro homem que necessita:

Ter uma formação baseada nos valores do grupo social, sendo assim a estrutura atual e o funcionamento da escola não atende esse princípio, ela necessita ser repensada

Referências
 OLIVEIRA, M. K. (1992) O problema da afetividade em Vygotsky, em La Taille, Y., Dantas, H., Oliveira, M. K. Piaget, Vygotsky e Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus Editorial Ltda.  PINHEIRO, M. M. (1995) Emoção e afetividade no contexto da sala de aula: concepções de professores e direções para o ensino. Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica, São Paulo.  TASSONI, E. C. M. (2000) Afetividade e produção escrita: a mediação do professor em sala de aula. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Educação UNICAMP.  WALLON, H. (1968) A evolução psicológica da criança. Lisboa: Edições 70.  VYGOTSKY, L. S. (1993) Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes.  _____________ (1998) O desenvolvimento psicológico na infância. São Paulo: Martins Fontes.  Marli Mendes Dias, O lugar da afetividade no cotidiano escolar http://www.psicologia.pt/artigos/ver_opiniao.php?codigo=AOP0117&area=d6&subarea