MELO NETO, João Cabral de. Pedra do sono (1940-1). In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1999, p.51.

JARDIM

Como o inferno que se esquece boliu o lírio nu à valsa que o gramo fone espalhou no jardim aos gestos que o enforcado estendeu para mim. Podia-se ver o sopro que apagou o gramofone e afagou a triste cabeça pendurada no jardim.

69. Nuvens nos seus olhos? Nuvens sobre seus cabelos. Tranqüila na sala. a notícia. Mulher e pombos. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. João Cabral de.A MULHER SENTADA Mulher. 1999. Mulher entre sonhos. no-telefone. MELO NETO. p. a primavera. (A visita espera na sala. In: Obra completa. O engenheiro (1942-5). a morte cresce na hora. além da janela. .) Mulher sentada. como se voasse.

a sombra fresca dessas lonas: eu os reencontrei. João Cabral de. coado o sol cru. p. e encontra a atmosfera de pátio. 1999. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. de olivais. todo o aconchego e acolhimento das praças fêmeas e recônditas. nos lençóis que hoje nos enfronham. e nele possa o.sevilhano. para que a aguda luz sevilha seja mais amável nas pontas. Sevilha andando (1987-93). ter a sombra onde conversar de flamenco. o fresco interior de concha.637. MELO NETO. . de touros. donas.VERÃO DE SEVILHA Verão. Comigo tenho agora o abrigo. In: Obra completa. o centro de Sevilha se cobre de toldos de lona. esses toldos.

GAIOLA DE CHUVA Não tem Sevilha a chuva triste: mesmo se a chuva cai em cordas. vivo-amarela. Sevilha guarda dentro o sol como um canário na gaiola. MELO NETO. mas trás as rejas das janelas. há flor da alma. . dentro do que por fora é cárcere. p. In: Obra completa. A chuva é fora e apaga a cal. Andando Sevilha (1987-9)”. João Cabral de. 1999.668. Rio de Janeiro: Nova Aguilar.