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Direito das Obrigações

Paulo Pichel 2009

Direito das Obrigações – 4º Sem. | Paulo Pichel

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Direito das Obrigações – 4º Sem. | Paulo Pichel

I – PARTE INTRODUTÓRIA............................................................................................................................... ......................8 SECÇÃO I – PRELIMINARES ....................................................................................................................................................8 1. Objecto, significado teórico-prático e características dominantes do Direito das Obrigações. Fixação da terminologia (Bibliografia: ANTUNES VARELA, Das Obrigações em Geral, Vol.I, 10ª ed,, Almedina, pps. 15 a 27; BRANDÃO PROENÇA, Direito das Obrigações – relatório sobre o programa, o conteúdo e os métodos de ensino da disciplina, Publicações Universidade Católica, 2007, pps. 123 a 127). .......................................................................8 A. Objecto do Direito das Obrigações........................................................................................................................8 B. Fim do Direito das Obrigações, enquanto ramo da doutrina ..............................................................................8 C. Importância prática das obrigações ......................................................................................................................9 D. importância doutrinária da Teoria das Obrigações ............................................................................................10 E. Características dominantes do Direito das Obrigações .....................................................................................10 2. As fontes do Direito das Obrigações: o Código Civil de 1966 (sobretudo o Livro II) com as alterações introduzidas por diplomas posteriores, a legislação avulsa (incluindo a resultante da transposição de Directivas), os regulamentos comunitário e as Convenções internacionais ratificadas. A sistematização adoptada pelo legislador no Livro II. (Bibliografia: ANTUNES VARELA, Das Obrigações em Geral, Vol.I, 10ª ed,, Almedina, pps. 42 a 47) ......................................................................................................................................................... ...........................12 A. Plano da sistematização do Código Civil, quanto ao Direito das Obrigações (critérios de sistematização).12 SECÇÃO II – N OÇÃO, ESTRUTURA, E FUNÇÃO DA OBRIGAÇÃO (RELAÇÃO OBRIGACIONAL).......................................................12 3. Noção de obrigação em sentido amplo (dever jurídico, estado de sujeição, ónus jurídico e poder-dever) e em sentido restrito ou técnico. Reservas à noção perfilhada pelo legislador no art. 397º do Código Civil. (Bibliografia: BRANDÃO PROENÇA, Direito das Obrigações – relatório sobre o programa, o conteúdo e os métodos de ensino da disciplina, Publicações Universidade Católica, 2007, pps. 127 a 140; ANTUNES VARELA, Das Obrigações em Geral, Vol.I, 10ª ed,, Almedina, pps.51 a 72 ) .....................................................................................12 A. Acepções do termo obrigação. Conceitos afins.................................................................................................12 A.1. Dever jurídico .................................................................................................................................................13 A.2. Estado de sujeição ........................................................................................................................................13 A.3. Ónus jurídico ..................................................................................................................................................14 A.4. Direitos-deveres (poderes funcionais)..........................................................................................................14 B. Obrigação em sentido técnico. Confronto com noções próximas

............17 B.. As normas especiais condicionantes dos requisitos......................... fontes e efeitos do incumprimento dos deveres laterais.............. Relações obrigacionais sem deveres primários de prestação.. A dispensa legal e doutrinal dos requisitos da patrimonialidade e da autonomia.... Determinação do sujeito passivo e possível indeterminação (mas determinabilidade) do sujeito activo............. ............................................ infungível e relativamente fungível................................17 4.. As variantes da prestação: prestação de facto e de coisa........23 B......16 C........................ O facto jurídico como elemento meramente causal da obrigação – reenvio para os Factos constitutivos de obrigações (III)... O objecto: a prestação do devedor como objecto imediato da obrigação......24 C...................... O objecto mediato............. prestação instantânea e duradoura... As obrigações não autónomas .. divisível e indivisível)........................ O possível conteúdo da prestação.......... licitude............................................... ..................... .... .17 A............. Noção de obrigação do art.............................. Elementos constitutivos da obrigação: sujeitos......................... ...................................................... Os Sujeitos: o sujeito activo (credor/lesado) e o sujeito passivo (devedor/lesante)... O conteúdo negativo da prestação........15 B.... Sujeitos da obrigação e legitimados para cumprir ou receber......... 397º.......................... objecto e vínculo jurídico garantido coercivamente.................2...... Alusão sucinta à sucessão e à transmissão nas obrigações (remissão para IV)................... Tipologia.... Breve alusão a outras prestações (determinada e indeterminada....... conformidade à ordem pública e aos bons costumes)..25 3/96 ..................................19 B.... Os sujeitos enquanto elemento da obrigação. A singularidade e pluralidade subjectivas (ideias breves)........ ................................... Ausência de vínculo jurídico nas relações de cortesia e nos acordos de cavalheiros e “vinculação específica” nas obrigações naturais................. deveres secundários de prestação e deveres laterais (de conduta) – a compreensão da relação obrigacional complexa............................. fungível...1.........................................1.............................. Conexão deste conteúdo com os chamados requisitos da prestação (possibilidade............... determinabilidade............................. Deveres principais de prestação.............................................15 B...................................... Relações obrigacionais simples e complexas.2........... O vínculo jurídico (o nexo direito à prestação-dever de prestar) como elemento verdadeiramente marcante da obrigação e com uma natureza essencialmente intersubjectiva............. ................19 B..................................................................................17 A.... Outros conteúdos..3...............1........

. Confronto com a boa fé subjectiva ou psicológica............26 II – PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES....26 B... A projecção maior do princípio aos contratos de consumo............... A projecção principal do abuso do direito e dos seus tipos mais importantes: proibição do venire contra factum proprium............... neutralização do direito.. sobretudo ao ............... Responsabilidade pré-contratual – remissão............................ O Princípio da autonomia privada...................... Os atributos (pacíficos?) da eficácia erga omnes dos direitos reais (prevalência e sequela) e a sua normal ausência nas obrigações... .................................28 C.................Direito das Obrigações – 4º Sem......................... O princípio da tutela do contraente mais débil........... Publicações Universidade Católica....................27 7....................... A parte Geral do Código Civil Português......... o conteúdo e os métodos de ensino da disciplina.......... ........30 8... Os contratos negociados livremente e a magna questão dos contratos com cláusulas contratuais gerais ou pré-formuladas (sobretudo nas relações entre o profissional e o consumidor).......................... Secundarização dos interesses do devedor e âmbito legal do chamado favor debitoris............................ A boa fé como princípio normativo ou objectivo...................2......26 5.........................................................27 Os problemas específicos das cláusulas contratuais gerais: ........................... Boa fé e responsabilidade précontratual............. Ed.. pps............... 52 a 54)... A falsa “crise do contrato” e a alusão aos novos contratos....................................................... 140 a 142...26 A.................... Almedina.......... HEINRICH EWALD HORSTER ................1............................................. A dupla direcção desta liberdade justificada com a genérica supletividade das normas do Direito das Obrigações e as limitações decorrentes da publicização do direito privado ou da necessidade de uma justiça contratual.............................................................. .........................26 C.................................. por diversos meios de tutela pública................................ A relatividade obrigacional face à natureza absoluta (e solitária) dos direitos reais e outras diferenças menores.................... | Paulo Pichel C............. pp.... A função da obrigação e a satisfação prioritária do credor..............28 B........ O papel da jurisprudência na aplicação do princípio.......... Enunciação do problema da chamada “eficácia externa” dos direitos de crédito............................ O abuso do Direito ...................... Distinção entre boa-fé objectiva e subjectiva ................. ..... O valor patrimonial da obrigação e as faculdades dispositivas do credor........................ O princípios da autonomia privada na sua ligação com a liberdade contratual..... 2007......................................... O ideário do princípio e a sua transversalidade...................................... (Bibliografia: BRANDÃO PROENÇA......................................................................................28 A............. complementar e necessitada) e por certas consequências legais.. ............................ Desvios à relatividade obrigacional............ de tutela privada (preventiva e compulsiva. O princípio da boa fé......... ... aquisição do direito e a conduta anterior indevida............. Visão global da activação da garantia do vínculo jurídico pela responsabilidade patrimonial do devedor.............................. Limites à autonomia privada – publicização do direito privado e necessidade de justiça contratual ............ Direito das Obrigações – relatório sobre o programa..............26 6.................................................26 As vantagens do recurso à contratação “standardizada” (cláusulas gerais) ........

.................... a progressiva extensão do círculo da responsabilidade sem culpa e o menor relevo da responsabilidade por factos lícitos...................33 13....................................31 9......................... Exemplificações..... O critério geral da responsabilidade civil subjectiva.. aos exercício ponderado e escalonado dos direitos......................................... O património do devedor como garantia do cumprimento das obrigações.................. ... O princípio da auto-responsabilidade........33 13...............consumidor de bens e serviços e ao que recorre a instrumentos de crédito....................32 12....................33 SECÇÃO II – F ACTOS VOLUNTÁRIOS GERADORES DE OBRIGAÇÕES ....................... A proporcionalidade concebida como reacção (legal) adequada à gravidade da culpa e ao tipo de dano causado............................................................................. ......................33 SECÇÃO I – NOÇÃO E EVOLUÇÃO DOS FACTOS CONSTITUTIVOS ..... .. A noção de factos constitutivos de obrigações ............................ ........ O princípio da heterorresponsabilidade................................................. O princípio da proporcionalidade............................. O contrato ..................................................... as condutas voluntárias com o risco de dano e as predisposições para o dano ou para o maior dano................... a assunção do risco..... A proporcionalidade como princípio que rege a actuação dos sujeitos obrigacionais na ligação à manutenção do equilíbrio das prestações..........34 14............................................1 A classificação dos factos constitutivos de obrigações antes da entrada em vigor do Código Civil .................... Os principais direitos dos consumidores (entre eles o direito de livre resolução) e a sua natureza injuntiva............................................................................ O princípio da responsabilidade patrimonial.. ........................................................................32 11............... A prioridade da tutela por execução específica (real) e residualidade da execução por equivalente indemnizatório...........................................33 III – OS FACTOS CONSTITUTIVOS DE OBRIGAÇÕES.......................................... A responsabilidade perante os outros ou a imputação danosa por facto livre responsabilizante.......... .............. ao cumprimento dos deveres e à moderação da regulação convencional..................34 4/96 ....... A “responsabilidade” perante si mesmo na sua articulação coma culpa do lesado....................................32 10...

.....36 Contratos mistos ........38 14........................................ | Paulo Pichel 14... ................................................................................ por vezes................1 Noção................................. Princípio da equiparação .......................40 Forma do contratopromessa............... Contratação negociada e contratação não negociada........... modalidades e interesses subjacentes..............................................39 Modalidades ...... acordo base......... ........................................................................................... penitencial) e cláusula de tradição do bem prometido-transmitir............................................................ Equiparação entre o contrato-promessa e contrato-prometido e as excepções formais (maxime as do art................................................... .......... ..................................................................................................................................................................................................................................................3 Contratos típicos (tipicidade legal e tipicidade social).... de 4 de Julho............................................................ Noção.......................................... de 28 de Junho de 1994 e de 1 de Fevereiro de 1995 – e substanciais............ acordos pré-contratuais (cartas de intenção.........................................................36 Novas figuras contratuais ......... 410º e 413º pelo DL 116/08............................37 14......................................................................... 410º............... Préformação do contrato e responsabilidade pré-contratual: fundamento........... A cláusula de reserva de propriedade: âmbito típico.......2 Conclusão imediata ou definitiva do contrato.................... acordo-quadro) e contratos preliminares (remissão).................................................................................. características e funções......................................34 14..........41 Transmissão dos direitos e obrigações emergentes do contrato-promessa ...............................39 Interesses subjacentes (razões e finalidades) ........... ......... O subcontrato como exemplo principal de contrato derivado.... acordos de negociação............................................34 14............ A onerosidade e as vantagens do contrato-promessa dotado de características reais....................................43 A execução específica ..... objecto e conteúdo do contrato............... confirmatório e.........35 Contratos atípicos ........35 Tipicidade legal e tipicidade social ..........5 O contrato-promessa (estudo da primeira parte do seu regime).. âmbito e conteúdo indemnizatório................................3) – a importância dos Assentos de 29 de Novembro de 1989... O clausulado típico do contrato-promessa: cláusula de sinal (em regra................37 Contratos coligados ........................ Transmissão dos direitos e das obrigações dos promitentes................................ ..................... . mistos..................................................Direito das Obrigações – 4º Sem................................. O âmbito do clausulado convencionado................................................................................................................... As modificações formais feitas nos arts..... A conformação legal como resultado da conjugação das normas originais do Código Civil com as alterações introduzidas em 1980 e 1986................. Os contratos com eficácia real diferida e provisória................ coligados e derivados.......... atípicos................................4 A eficácia do contrato inter partes: eficácia obrigacional (unilateral ou bilateral) e eficácia real (consensus parit proprietatem – sistema do título)....39 Noção ...........................40 Regime aplicável.

... a relação promissário-terceiro (relação de valuta) e a relação promitente-terceiro (relação de cumprimento)...................................................... dos contratos com prestação de facto de terceiro e dos contratos autorizativos de prestação a terceiro.......................................9 A extinção do contrato activada ou não por vontade das partes: resolução.................................................................................8 O contrato para pessoa a nomear............ modalidades e requisitos formais.......... .......... quantia a depositar e simulação do preço........ dos contratos com prestação de facto de terceiro e dos contratos autorizativos de prestação a terceiro ....................... Os problemas colocados por esta acção: legitimidade passiva............................58 A extinção do contrato ....... Noção...... a rejeição e a consolidação do direito do terceiro e o conjunto dos meios de defesa do promitente.............................................7 O contrato a favor de terceiro: noção...43 Articulação com o regime de sinal ............... A amplitude das obrigações do promitente......................... denúncia......................................................57 14.................56 Distinção dos contratos com eficácia de protecção para terceiro............................................................. ........... o âmbito e os efeitos desses instrumentos de cessação contratual......45 14..55 O regime normal dos contratos a favor de terceiros ..................................................... Distinção do contrato-promessa e do pacto de opção............. Venda da coisa por um preço global e pluralidade de preferentes (exercício conjunto e disjunto)....... Os direitos legais de preferência: razão de ser e casos mais importantes..................... As diferentes “respostas” do preferente e a questão da validade da renúncia (prévia ou posterior) ao exercício do direito.. A natureza pessoal do direito e da obrigação de preferência......... O direito de livre resolução próprio dos contratos de consumo...........57 14....................... A responsabilidade pós-contratual (posterior à execução contratual). Efeitos de preferência pactícia (com e sem eficácia real)...........................51 14........55 Noção e estrutura ......................................... O exercício do direito de preferência: comunicação do “projecto de venda e das cláusulas do respectiva contrato”.................. .............................................................................................58 O direito de livre resolução próprio dos contratos de consumo .................................................................................. Noção........... época de surgimento...58 5/96 ............................ Consequências da violação do direito de preferência: indemnização e acção de preferência..... admissão tardia e distinção dos contratos com eficácia de protecção para terceiro.... funções e regime........................................6 O pacto de preferência.... O fundamento... revogação e caducidade............. A tripla relação do contrato a favor de terceiro: a relação promitente-promissário (relação de cobertura ou de provisão).....

....... função e requisitos ........................... Gestão de negócios........................................1 Repetição do indevido............ Enriquecimento real e enriquecimento patrimonial........................................ O enriquecimento sem causa....................... ....59 16........69 17....1 Noção e pressupostos ... Agravamento do objecto da restituição e prescrição do direito à restituição.......................................................59 16...............................................2 Requisitos negativos...............3 Enriquecimento por falta do resultado previsto ........................................62 16.................... A questão do objecto da restituição nos casos de enriquecimento por intervenção – alusão à chamada doutrina da afectação dos bens.....................................................................1 Noção.... Explicitações da natureza subsidiária do enriquecimento sem causa.........................69 17............................................................................................2 Direitos e deveres do dono do negócio perante o gestor (actio negotiorum gestorum contraria) ..............................58 15.........63 16...................71 17................2.........2...............2 Requisitos do enriquecimento sem causa (positivos e negativos) .......2............................................1 Requisitos positivos. Noção.........................................................................................................2 Enriquecimento por virtude de uma causa que deixou de existir..................................................... As promessas e os concursos públicos............. Gestão de negócios mista........2...59 16.................4 Obrigação derivada do enriquecimento sem causa .................................3......................................... Avaliação da culpa do gestor e efeitos da aprovação ou não aprovação da gestão... 482º e 309º ............. A gestão de negócios................2..........................................3 Efeitos quanto a terceiros ...63 16... A posição do legislador quanto ao reconhecimento dos negócios unilaterais como fonte de obrigações....................................................................... imprópria e com desconhecimento da alienidade do negócio............. Gestão de negócios e direito de preferência..................3 O problema da capacidade do enriquecido e do que suporta o enriquecimento......................................................... ....................................................... A interpretação do artigo 458º no tocante ao valor da promessa de cumprimento e do reconhecimento de dívida..................................Direito das Obrigações – 4º Sem......... A prática de actos jurídicos negociais por parte do gestor: gestão representativa e não representativa............. dever geral de auxílio e actuação em estado de necessidade......59 16........................... As obrigações do gestor de negócio........................63 16..2.................64 16............................... regular.......3 Hipóteses especiais de enriquecimento injustificado...................67 17.........................................66 17...................................3......................................3... requisitos e tipos de enriquecimento (exemplificação)..................................1 Deveres do gestor para com o dono do negócio (actio negotiorum gestorum directa) ...2 Relações entre o gestor e o dono do negócio ............................................................67 17........ Os negócio unilaterais.................59 16.................64 16.59 SECÇÃO III – F ACTOS NÃO VOLUNTÁRIOS GERADORES DE OBRIGAÇÕES ...........65 16............... Noção............................................................5 Prescrição – arts................ função e requisitos.... | Paulo Pichel A responsabilidade pós-contratual ......... Os diversos actos unilaterais e os negócios unilaterais instrumentais....

..........74 18...................................................................................................................................................81 18...................5............ ........................................74 18................ A opção pelo critério da causalidade adequada: caracterização.2 A tríade clássica da responsabilidade extracontratual: objectiva (em especial............ ...........76 18...............................................................88 18......................... 79 18................. pelo risco) e responsabilidade por factos lícitos (ou pelo sacrifício)..81 18.........88 18......... Alusão aos novos tipos de responsabilidade objectiva........... ....1 Noção e modalidades principais: responsabilidade extracontratual (delitual) e contratual (obrigacional)...2 A ilicitude ...................... ausência de um quadro sistemático e heterogeneidade (quanto ao âmbito e aos critérios de indemnização).............................. Referências às teorias da equivalência das condições....5 A responsabilidade civil subjectiva ou por factos ilícitos e os pressupostos previstos na Grundnorm do art................................................................... Tendência para a diluição da sua excepcionalidade e relatividade...74 18..............................5.......5................................8 O direito à indemnização como efeito da responsabilidade civil .. A responsabilidade civil ................1 O facto voluntário (activo ou omissivo do lesante) .........72 18... variantes principais e resolução dos casos de causalidade mediata...............................................................................................................................................................................5 o nexo de causalidade entre o facto e o dano...........................................7 A responsabilidade civil por factos lícitos: fundamento...................................................................2 Os casos codificados da responsabilidade objectiva.................................................................................... potenciação...........4 O dano ............................5...........3 Análise de algumas hipóteses não codificadas de responsabilidade objectiva...................74 18......................73 18..........82 18..1 Fundamentação e aspectos comuns da responsabilidade objectiva................ 483º...................... da causalidade adequada e do escopo de protecção da norma...................................6...........................................................3 A evolução........................ modernização e socialização (directa e indirecta) da responsabilidade civil.......6...................................................................................... Diluição de diferenças entre as suas modalidades e referência ao concurso de responsabilidades............................73 18........................88 6/96 ................................ .......6......................................4 A função primária e a função secundária da responsabilidade civil.72 18..................................6 A responsabilidade objectiva (em especial pelo risco)......81 18........... ........................... A crescente obrigatoriedade do seguro de responsabilidade e o papel dos Fundos de Garantia..........3 o nexo de imputação do facto ao lesante: imputabilidade e culpa .. ........5..................72 18..

.89 18.... .............1 Modificações subjectivas: por transmissão e por sucessão mortis causa ..........................2 Modificações objectivas: voluntárias (do título...........................1............... ....................................................3 Transmissão por parte dos contraentes: cessão da posição contratual............................................................ do objecto ou conteúdo) e não voluntárias... indemnização definitiva.............................88 18..........................................................................................92 20......... cedentecontraente cedido e cessionário-contraente cedido) ................ confronto com o subcontrato e a sub-rogação legal no contrato e efeitos (nas relações cedente-cessionário............... A titularidade activa não individual ou difusa..95 20..92 20....................3 e 806º............. ..............................89 19............................ Factos transmissivos das obrigações ....2 Transmissão pelo devedor: transmissão singular de dívidas.8.................3 – o acórdão uniformizador nº 4/2002....................................8....92 19................. .................. Factos modificativos das obrigações.......1.............. O princípio da compensação do dano com o lucro ou a da compensação das vantagens........... formas de transmissão......................1...............2 A prescrição do direito à indemnização e articulação com as normas gerais da prescrição.... indemnização em capital e indemnização sob a forma de renda...................... assunção liberatória e assunção cumulativa e efeitos............Direito das Obrigações – 4º Sem.... .93 20. Indemnização provisória.....................................92 19....................................... Noção. | Paulo Pichel 18...............................................................1 Transmissão pelo credor: cessão de créditos e sub-rogação.. ............................................................... ........................ Cálculo da indemnização em dinheiro e “teoria da diferença”........... A primazia da reconstituição natural e os seus limites – o caso particular da destruição ou danificação de coisas usadas e os critérios jurisprudenciais relativos à excessiva onerosidade........................1 Visão geral das modificações subjectivas com indicações históricas.8.........1 A titularidade activa e passiva do direito à indemnização.............................. requisitos (a estrutura triangular da cessão). consagração legal....................... Noção.........92 20............95 7/96 ................ 805º........ A importância do preceituado nos arts..............3 As formas da indemnização: reconstituição natural e indemnização em dinheiro.......................

Objecto do Direito das Obrigações • Conjunto de normas jurídicas reguladoras das relações de crédito (relações jurídicas em que ao direito subjectivo atribuído a um dos sujeitos corresponde um dever de prestar especificamente imposto a determinada pessoa). que representa o meio normal de satisfação do interesse do titular activo da relação. o o Determinando a função do dever de prestar e a influência que ela exerce na vida da obrigação. conhecer as fontes da obrigação e as modalidades da obrigação. • Apuramento do conceito de obrigação: o o Mediante o confronto com as figuras mais próximas. que lhe confere existência real. de todas as soluções facultadas pelas normas reguladoras das relações de crédito. importa a rigorosa delimitação das relações creditórias (apurando-se o conceito de obrigação). Vol. que distingue a relação obrigacional de outros tipos próximos de relação (direitos reais. é o cumprimento. sendo certo que os contratos e a responsabilidade civil constituem. no interesse de outra. significado teórico-prático e características dominantes do Direito das Obrigações. 123 a 127). o É no capítulo das fontes das obrigações que têm assento. | Paulo Pichel I – PARTE INTRODUTÓRIA SECÇÃO I – Preliminares 1. 15 a 27. Das Obrigações em Geral. mas para assinalar também a influência que o facto gerador da obrigação pode exercer na sua disciplina. quer a teoria dos pressupostos da responsabilidade civil. Almedina. é um elemento estranho à obrigação. os dois grandes caudais das relações de crédito. seja qual for a modalidade que a prestação revista. Estabelecendo os pontos de contacto e as diferenças existentes entre as obrigações e as outras espécies de relações pertencentes ao foro do direito privado. No entanto. Analisando os elementos em que a relação creditória se decompõe e a forma como estes se articulam entre si. • As fontes da obrigação: o É o facto onde nasce o vínculo. direitos de personalidade).Direito das Obrigações – 4º Sem. pps. BRANDÃO PROENÇA. B. direitos de autor. • O fim natural da obrigação. na fenomenologia da vida social. 10ª ed. pps. A. Fim do Direito das Obrigações. Fixação da terminologia (Bibliografia: ANTUNES VARELA. 8/96 . o conteúdo e os métodos de ensino da disciplina.. enquanto ramo da doutrina • Elaboração sistemática. pelo que se pode dizer (tomando a parte pelo todo) que o objecto fundamental do direito das obrigações consiste nos deveres de prestação. Direito das Obrigações – relatório sobre o programa. convém que o estudo do regime jurídico das obrigações seja precedido do conhecimento das suas fontes.I. Publicações Universidade Católica. Objecto. não só por ser esta a sede própria da matéria. 2007. • É o dever de prestar a que uma pessoa fica adstrita. Para tal. feita com espírito científico. quer os princípios gerais privativos dos contratos.

quer como consequência da violação dos contratos. o instrumento básico da vida económica consistia na permuta de bens]. pode revestir múltiplos aspectos: o A circulação dos bens – através dos negócios de alienação ou de oneração de coisas móveis. que envolve certos contratos de sociedade. renda perpétua. imóveis ou imateriais [nota: a circulação dos bens constituía a principal função prática das relações de crédito durante o longo período em que. o complexo mais importante das relações submetidas ao império do direito privado. A profunda revolução tecnológica operada em vários ramos da actividade económica trouxe. mas também imposta pelo Estado. nas sociedades tecnicamente evoluídas (acidentes de viação e de trabalho). passando pelo vínculo intermédio do contrato de trabalho. quer por virtude do exercício de certas actividades que envolvem riscos. É através delas que se desenvolve e opera na vida real o importantíssimo fenómeno da colaboração económica entre os homens. o A prevenção dos riscos individuais. tanto antes como depois da revolução industrial. nos contratos de trabalho ou empreitada ou na prestação de serviços. sob vários aspectos. por seu turno. na organização e funcionamento das sociedades. no que respeita à mão-de-obra e ao volume das relações contratuais]. A reparação patrimonial dos danos sofrido. [nota: a cooperação entre os sujeitos da relação creditória pode ir desde a ténue coordenação em que assenta a empreitada ou a prestação de serviços no exercício de profissão liberal até ao empenho profundo de personalidade dos associados. . em regra assente na autonomia privada. Importância prática das obrigações • São as obrigações que constituem o conjunto mais numeroso e. | Paulo Pichel C. capazes de afectarem a economia pessoal. o A colaboração dos Homens e das empresas. cada vez mais graves. Esta cooperação.Direito das Obrigações – 4º Sem. que pressupõe a subordinação do trabalhador a autoridade e direcção da entidade patronal. familiar ou da empresa (contrato de seguro. renda vitalícia). uma deslocação cada vez maior dos sectores primário e secundário (indústria) para o sector terciário (dos serviços). dos direitos absolutos ou das normas destinadas a proteger interesses de outrem.

ou porque os regularam em termos obscuros. as relações de crédito constituem um domínio particularmente dinâmico da realidade jurídica (enquanto os direitos reais.o • Pelo seu lado funcional. a função das normas legais limita-se. com o fim de proporcionar uma vantagem à outra parte. essencialmente. Analisando qualquer relação obrigacional isolada. Tendo por base o princípio da autonomia privada. verifica-se que a obrigação se traduz. mediante a cominação de providências coercitivas adequadas. pelo seu resultado prático. São. sob a cominação de sanções próprias da disciplina jurídica. equívocos ou contraditórios (lacuna de colisão) – neste caso. as normas procuram estabelecer a equilibrada conciliação dos 9/96 . por conseguinte. de acordo com a vontade presuntiva das partes. a um duplo objectivo: o Fixar. fruição ou eventual aquisição das coisas têm uma função essencialmente estática). o regime aplicável aos numerosos aspectos em que falha constantemente a declaração negocial. estabelecem uma relação de subordinação entre os interesses dos titulares da relação. no sacrifício imposto a uma das partes. ou porque os interessados o não previram (lacuna de omissão). as normas jurídicas (reguladoras das obrigações) que. tendentes a garantir situações duradouras de uso.

um puro direito de autonomia privada. da complexidade dos deveres secundário que guarnecem os diversos deveres de prestar. o Não é. as instituições de cada comunidade. como sucede em múltiplos aspectos dos contratos de locação e de trabalho. as obrigações tornaram-se um campo de fácil convergência e de mais fecunda cooperação entre os juristas dos diversos países.Direito das Obrigações – 4º Sem. garantia. Direito dos Valores Mobiliários. Características dominantes do Direito das Obrigações • Ramo do Direito privado civil de natureza tendencialmente patrimonial e com um largo espectro de convivência normativa (Direitos reais. E. bastando pensar na publicização dos últimos decénios (protecção de determinados contraentes) de normas protectoras dos consumidores e dos que contratam por adesão seguros obrigatórios. em determinadas épocas. Direito do Ambiente. • É um direito da dinâmica negocial . etc. respectivas declarações de vontade. Influencia com os seus quadros lógico-categoriais outros sectores do direito civil e do comercial e sectores do direito público como o direito fiscal e o direito administrativo.. mais ou menos forte. ou de um deles. mas sem esquecer a . e da multiplicidade de fenómenos que pode inserir-se no processo de formação e desenvolvimento da relação obrigacional (modificação. tem de subordinar-se a certos interesses (públicos) de nível superior – a missão da lei consiste em definir a mais criteriosa coordenação entre o interesse particular dos sujeitos da relação. no entanto. recebido do direito romano e do direito canónico. importância doutrinária da Teoria das Obrigações • Por não estarem tão expostas à influência dos factores políticos. extinção. e as exigências ditadas por fins de plano mais elevado ou pela defesa de legítimos interesses de terceiros. o Estabelecer através da interpretação ou da integração das preceitos basilares que devem ser observados nas relações onde não pontifica a vontade das partes. ou nos pontos em que a estipulação dos particulares. na sistematização metódica das matérias e. • A riqueza da teoria geral das obrigações provém. na fixação e na fundamentação das soluções. da extrema variedade dos deveres de prestação. Direito do Consumo. | Paulo Pichel interesses opostos do devedor e do credor.. tal prende-se não só pelo influxo comum. etc). • O direito das obrigações constitui deste modo o capítulo do direito civil de técnica mais apurada.). D. transmissão. nacional ou territorial. mas também por uma série de componentes tiradas da evolução paralela de muitos institutos e da identidade da natureza humana que facilitam o diálogo universal num domínio da vida social em que são mais lassos os factores de inspiração local. principalmente.dá suporte jurídico à vida económica (funcionalizando para a circulação de bens e a prestação de serviços. Direito Comercial. por seu turno. do trabalhador. na transposição dos elementos facultados pela interpretação e integração das leis para o plano dogmático da aparelhagem. do arrendatário. morais e religiosos que caracterizam.

prevenção de riscos e a reparação dos danos). o Esta característica permite-lhe demarcar-se dos direitos reais. conjunto normativo ao serviço da estática patrimonial. 10/96 .

danos das colisões em cadeia. o enriquecimento sem causa e a responsabilidade civil. | Paulo Pichel o “é possível comparar as obrigações (enquanto relações jurídicas) “ao sangue e ao tecido muscular e nervoso. e mesmo extracontratual. a obediência ao puro texto das convenções. com o objectivo de surgimento de um Código Europeu dos Contratos. . o Relativamente à aludida potenciação da unidade espacial. no entanto de ser afectada pelas constantes mutações sociais. uma expressão bastante significativa: • • Alargamento do domínio da responsabilidade civil fundada no risco. tut da técnica – engenharia genética e a criação de bens de perigosidade desconhecida (discussão olectiva do dano – danos ambientais. Visível empolamento do ius cogens na disciplina daqueles contratos onde a igualdade económico-jurídica dos contraentes é mais precária ou há interesses públicos a salvaguardar (arrendamento. Domínio relativamente estável – é um direito menos receptivo às mudanças sócio-económicas. por maioria de razão. geradoras de tensões e de segurança dos consumidores. sendo susceptível de codificação supranacional (como foi tentado entre 1925 e 1930) [ANTUNES VARELA refere a relativa uniformidade nas diferentes áreas do globo e a notória estabilidade ou a mais lenta evolução no tempo]. • (Em Portugal verificou-se uma reacção aos chamados arrendamentos vinculísticos como modo de reabilitar o mercado de arrendamento. e a consequente limitação da autonomia privada assumiram durante algum tempo nas legislações modernas. • Sector normativo heterogéneo – estuda realidades tão diferentes como o contrato. o Esta estabilidade não deixa. mas sem receio de responder aos novos desafios. contratos de seguro. contrato de trabalho e os contratos bancários). sacrificando aos ditames da justiça comutativa as puras conveniências da segurança do comercio jurídico e. ficando os direitos reais (os direitos de família) reduzidos ao papel de esqueleto”. para lá da natural importância do direito privado comunitário. danos de fármacos defeituosos (ex. refira-se todo o trabalho que tem sido levado a cabo no sentido da harmonização europeia do direito contratual. • Sente-se tanto na doutrina como na jurisprudência dos vários países uma forte corrente no sentido de moralizar o regime da relação obrigacional. de construção e para garantir a renda justa – relativa liberalização do regime). Desenvolvimento da sociedade de informação – comercio electrónico.Direito das Obrigações – 4º Sem.

11/96 • .

do lugar do contrato na génese da obrigação. 405º a 456º deve ser complementada. SECÇÃO II – Noção. 405º e ss). 42 a 47) A. na falta ou insuficiência destas. • Fixação noutros capítulos do título que trata das obrigações em geral. estado de sujeição. • A disciplina privativa dos contratos constante nos arts. Almedina. a legislação avulsa (incluindo a resultante da transposição de Directivas). (Bibliografia: ANTUNES VARELA. com rigor. garantias especiais das obrigações. Só não encontrando resposta na consulta sucessiva aos vários lugares da lei. Sempre que surja qualquer problema de regime de contratos. pps. 217º e ss). da responsabilidade précontratual e pós-contratual. fazendo dos contratos o objecto de uma das quatro secções em que se subdivide o capítulo que trata das fontes das obrigações (arts. A sistematização adoptada pelo legislador no Livro II. cumprimento e não cumprimento das obrigações. Das Obrigações em Geral. 397º do Código Civil. | Paulo Pichel • Forte ideologia ética – tal é patente nas figuras do abuso de direito. Na falta de disposição directa ou indirectamente aplicável. 10ª ed. e nas emanações da pedra angular que é o princípio da boa fé. garantia geral das obrigações. aos princípios válidos para os negócios jurídicos em geral. e em seguida. cujo o preenchimento há-de ser tentado de acordo com o disposto no art. Noção de obrigação em sentido amplo (dever jurídico. e função da obrigação (relação obrigacional) 3. quanto ao Direito das Obrigações (critérios de sistematização) • Definição. com as regras fixadas na Parte Geral para o negócio jurídico (arts. estrutura. Reservas à noção perfilhada pelo legislador no art. Vol. (Bibliografia: . com as necessárias adaptações.Direito das Obrigações – 4º Sem. em primeiro lugar. se porventura se tratar de contrato típico ou nominado. • Para se não ser vítima dos critérios de ordenação sistemática adoptados pelo novo Código. a sua solução deve ser procurada nas disposições reguladoras do contrato nominado a que a convenção corresponde. uma disciplina comum das obrigações (independentemente da fonte destas) – modalidades das obrigações. 2. os regulamentos comunitário e as Convenções internacionais ratificadas. ónus jurídico e poder-dever) e em sentido restrito ou técnico. 10º.. etc. Plano da sistematização do Código Civil. às regras gerais privativas dos contratos. As fontes do Direito das Obrigações: o Código Civil de 1966 (sobretudo o Livro II) com as alterações introduzidas por diplomas posteriores. haverá que recorrer.I. se poderá concluir pela existência de uma lacuna. convém precisar devidamente a regra prática da consulta da lei.

Nas frases de uso quotidiano o termo obrigação é usado indistintamente. Vol. o conteúdo e os métodos de ensino da disciplina.BRANDÃO PROENÇA. Das Obrigações em Geral. Conceitos afins. Almedina. Acepções do termo obrigação.. Mas só quando se transpõe o limiar da consciência individual norteada pela moral para se entrar na área da conduta externa exigida pela convivência social se pisa o terreno específico das obrigações e dos deveres jurídicos. pps. Publicações Universidade Católica.51 a 72 ) A.I. o bom nome de outrem. ANTUNES VARELA. etc. O termo obrigação é usado tanto na linguagem corrente como na própria literatura jurídica em sentidos diversos. Direito das Obrigações – relatório sobre o programa. pps. A maior parte das obrigações arranca na sua origem de conceitos ou sentimentos éticos (o dever de respeitar a vida e a fazenda alheia. o dever de cumprir o contratos livremente celebrados. 10ª ed. 2007. 127 a 140.). 12/96 . confundindo-se diversas figuras.

• O dever tutelado pela sanção pode ser ditado no interesse da colectividade ou do Estado. O titular do direito subjectivo é o arbitro ou o juiz da vantagem do funcionamento. diz-se que o dever corresponde a um DIREITO SUBJECTIVO (poder conferido pela ordem jurídica a certa pessoa de exigir determinado comportamento de outrem. portanto. o que nele há de típico é o vínculo externo que o prende ao acto de liberalidade. modificar ou extinguir uma relação jurídica com outra pessoa). (IV) direitos de personalidade. um comando. • Ao dever jurídico podem contrapor-se no lado activo da relação: (I) os direitos públicos. O dever jurídico abrange não só as situações de vinculação de uma pessoa a uma conduta específica (como sucede nas obrigações). como meio de satisfação de um interesse próprio ou alheio. da tutela jurídica do dever. • Não há necessidade do consentimento ou da autorização da pessoa colocada em .2. (III) direitos reais. o O direito potestativo tem-se caracterizado por uma dupla nota: (I) é inerente a uma relação jurídica pré-constituída entre sujeitos determinados e (II) esgota-se com o acto do seu exercício.Direito das Obrigações – 4º Sem.] A. Estado de sujeição • Consiste exactamente nesta situação inelutável de uma pessoa ter de suportar na sua própria esfera jurídica a modificação de a que tende o exercício do poder conferido a uma outra pessoa. criar. • Quando o funcionamento da tutela do interesse depende da vontade do titular deste. que só no domínio dos factos podem cumprir ou deixar de o fazer. • A exigência da conduta imposta é normalmente acompanhada da cominação de algum ou alguns dos meios coercitivos (sanções) próprios da disciplina jurídica. mais ou menos fortes consoante o grau de exigibilidade social da conduta prescrita. Dever jurídico • É a necessidade imposta pelo direito objectivo a uma pessoa de observar determinado comportamento. mesmo quando dela não possa dispor livremente). uma injunção dirigida à inteligência e à vontade dos indivíduos. Constitui o contrapolo dos direitos potestativos (=poder conferido a uma pessoa. (V) direitos conjugais e (VI) os direitos de pais e filhos. • [Nota: O modo (enquanto prestação acessória enxertada ao negócio jurídico a título gratuito) é um verdadeiro dever jurídico. de uma generalidade de pessoas. mas também as situações de vinculação de uma pessoa a um comportamento genérico (como sucede com os deveres gerais de abstenção. | Paulo Pichel A. correspondentes aos direitos reais). (II) direitos de crédito. O modo funciona como uma limitação ou restrição da liberalidade. em cada caso concreto. • Trata-se. É uma ordem. mediante um acto unilateral (isolado ou apoiado em outro acto de uma entidade pública).1. e não como um correspectivo ou contraprestação da atribuição patrimonial proveniente da outra parte. de uma categoria mais ampla do que os deveres de prestação correspondentes às obrigações. ou de pessoas determinadas. proveniente da função que a cláusula modal exerce junto da doação ou da disposição testamentária.

quer queira. por isso mesmo. por simples vontade de outra pessoa. quer não.estado de sujeição. para que na sua esfera jurídica se produza o efeito pretendido (a revogação ou a denúncia do contrato) e. outras mediante recurso forçoso a órgãos judiciários. não há qualquer comando dirigido a tal fim. • A contraparte está apenas sujeita. a que determinados efeitos se produzam na sua esfera jurídica. actuando estas umas vezes por si só. 13/96 .

impostas no interesse de uma das partes e não em nome da segurança do comercio jurídico (628º. Extinção de um direito – Direito de anulação. • Consiste na necessidade de observância de certo comportamento.2). não por imposição da lei. em certo aspecto. 1370º e ss). 484º CPC). da figura do ónus certas limitações ou restrições ao princípio da liberdade da forma. etc. 1550º). de presa (1559º). de aqueduto (1561º). a constituição do devedor em mora. o o A. mas como meio de obtenção ou de manutenção de uma vantagem para o próprio onerado. é um meio de alcançar uma vantagem ou evitar uma desvantagem. mas sem que haja nessa desvantagem qualquer ideia de sanção-censura (como parece suceder igualmente com a figura da culpa do lesado ou com a mora do credor)… a função primária do ónus é tutelar o interesse do sujeito titular dessa situação passiva (podendo um terceiro ser atingido reflexamente). sofrendo este naturalmente os efeitos de um comportamento desconforme com os seus interesses – daí a . o direito de divisão da coisa comum. ónus de impugnação especificada… • Aproximam-se. 268º. Modificação de um direito – direito de escolha nas obrigações genéricas ou alternativas. obrigação potestativa. gerando a sua “inobservância” a “violação” dos interesses do onerado. redução das hipotecas ou das doações. Este interesse defendido pelo poder de disposição do onerado. ratificação do negocio celebrado sem poderes de representação (art.3. | Paulo Pichel o Constituição de um direito – direito de aquisição de comunhão em paredes ou muros divisórios (art. etc. sendo estabelecido. • Definição de BRANDÃO PROENÇA – “ónus (ou encargos) são “deveres” necessários para adquirir ou conservar uma determinada vantagem jurídica.2). a servidão legal de passagem (art. • São duas as notas típicas do ónus jurídico: o O acto a que o ónus se refere não é imposto como um dever (dever livre. de resolução ou de revogação do negócio. renúncia à herança. • Os exemplos mais típicos de ónus encontram-se no direito adjectivo: ónus de contestar (art. sendo este um requisito indispensável para a obtenção daquela.1 ou 947º. direito de dissolução da sociedade. de escoamento (art. incumbência ou encargo ).Direito das Obrigações – 4º Sem. pelo contrario. mas deixando à inteira discrição do interessado a opção pela conduta que mais lhe convenha. Ónus jurídico • Situação em que a ordem jurídica se limita a atribuir à prática de uma acto. direito de denúncia de certas relações duradouras. no interesse exclusivo ou também no interesse do próprio onerado. 1563º). o O acto não visa satisfazer o interesse de outrem. uma certa vantagem.

considerando que ónus satisfaz apenas o interesse dos onerados. 14/96 . estabelece uma diferença entre ónus e encargos ou incumbências.afirmação de uma ideia de autoresponsabilidade (sibi imputet). Direitos-deveres (poderes funcionais) 1 1 MENEZES CORDEIRO. A.4.

Direito das Obrigações – 4º Sem. | Paulo Pichel

São direitos conferidos no interesse, não do titular ou não apenas do titular, mas também de outra ou outras pessoas e que só são legitimamente exercido quando se mantenham fieis à função a que se encontram adstritos. Distinguem-se dos direitos subjectivos patrimoniais porque o titular não é livre no seu exercício, tendo obrigatoriamente que exercê-los, por um lado, e tendo de fazê-lo, por outro, em obediência à função social a que o direito se encontra adstrito. Exemplos: deveres recíprocos dos cônjuges, poder paternal, tutela, curatela e outros institutos análogos.

B. Obrigação em sentido técnico. Confronto com noções próximas • Diz-se obrigação a relação jurídica por virtude da qual uma (ou mais) pessoa pode exigir de outra (ou outras) a realização de uma prestação. • Trata-se de relações em que ao direito subjectivo de um dos sujeitos corresponde o dever jurídico de prestar, imposto ao outro: o o Distingue-se de direitos potestativos ou com ónus jurídicos pois nestes não existe um dever jurídico. Distingue-se de direitos reais na medida em que o dever jurídico correspondente a estes (dever jurídico genérico) se traduz numa omissão generalizadamente imposta a quem quer que não seja o titular do direito. o O dever jurídico correspondente às obrigações tem de característico o facto de ser imposto no interesse de determinada pessoa e de o seu objecto consistir numa prestação. • O termo obrigação abrange a relação no seu conjunto e não apenas, como sucede na linguagem comum, o seu lado passivo, compreende: o o o O dever de prestar que recai sobre uma das partes (débito ou dívida) – devedor. Poder de exigir a prestação conferida à outra (crédito ou direito de crédito) – credor. (A prestação consiste numa acção ou em certa actividade do devedor, sendo mais correcto afirmar que se traduz em certo comportamento ou conduta (activa ou omissiva) do obrigado). B.1. Relações obrigacionais simples e complexas • Relação obrigacional simples/una: o Relação jurídica que compreende o direito subjectivo atribuído a uma pessoa e o dever jurídico ou estado de sujeição correspondente, que recai sobre a outra. o Extinguem-se pelo cumprimento ou por qualquer outras das causas que põem termo às obrigações em geral. o A doutrina tem chamado à atenção para a complexidade das próprias obrigações unas ou simples. A complexidade, reflecte-se no vínculo obrigacional em geral e traduz-se na série de deveres, secundários e de deveres acessórios de conduta que

gravitam as mais das vezes em torno do dever principal de prestar e até do direito à prestação (principal). o • 2

2

Exemplos: estudante que empresta o livro, pessoa que é atropelada e tem direito a indemnização...

Relação obrigacional complexa/ múltipla:

Em contraposição com o dever jurídico específico, das obrigações, que recai sobre determinadas pessoas e pesa sobre o seu património. 15/96

Direito das Obrigações – 4º Sem. | Paulo Pichel

o

Relação jurídica que abrange o conjunto de direitos e de deveres ou estados de sujeição nascidos do mesmo facto jurídico. Pode cessar não só pelo cumprimento ou por qualquer outra causa que põe termo às obrigações em geral como por qualquer causa que extingue directamente o facto jurídico de onde a obrigação emerge (ex. Declaração de nulidade, anulação, resolução, denúncia, caducidade do contrato). Exemplos: contrato de compra e venda, locação, sociedade, contrato de trabalho, empreitada, mandato remunerado…

o

o

A propósito da correlação existente entre obrigações simples e relação obrigacional complexa, escreve DIEZPICAZO “deve… observar-se que os créditos e as dívidas, isoladamente considerados, não passam de entidades ideais e abstractas, que na realidade social aparecem sempre como parte apenas de relações jurídicas mais amplas, através das quais se trata de tornar possíveis determinadas funções ou finalidades de natureza económica ou económicosocial e de realizar interesses individuais que se consideram dignos de tutela jurídica (ex. Compra e venda, empréstimo, seguro, etc.). Chama-se então “obrigação” ou, talvez melhor “relação obrigacional”, não tanto à simples correlação restrita e ideal entre um crédito e uma dívida, como toda a relação jurídica existente entre as partes e criada para preencher aquela função ou finalidade e dar satisfação àqueles interesses”. As considerações do autor são pertinentes relativamente às relações contratuais sinalagmáticas 3

e

onerosas ;

relativamente aos negócios unilaterais. As obrigações não autónomas • São obrigações que não assentam num vínculo jurídico preexistente (como as que nascem de um contrato não precedido de contrato-promessa) ou que pressupõem. de condomínio.4 já não tanto. na sua constituição. considerando que: o O regime geral das obrigações fixado pelo Código prescinde deliberadamente do nexo que as prende ao facto jurídico donde provieram. B. • A obrigação carece de autonomia quando pressupõe a existência prévia entre as partes de um vínculo especial de outra natureza (relação de compropriedade. A ideia de que a obrigação. responsabilidade civil e enriquecimento sem causa… • Às duas ou mais obrigações que se criam entre as partes no momento da perfeição do contrato acrescem ainda as que se vão constituindo entre elas à medida que a relação contratual se desenvolve no tempo. de sucessão hereditária ou de ocupação de coisa). compreende todos os poderes e deveres que se vão constituindo no seio da relação permitiu a concepção de obrigação como uma estrutura ou processo. • Coloca-se a questão de saber se a obrigação autónoma deve ser incluída no conceito estrito de obrigação. um simples vínculo de carácter genérico (como a que recai sobre quem danificou coisa alheia ou usurpou o nome de outrem). de posse de parentesco. na sua acepção mais ampla. . A obrigação será não só complexa mas essencialmente mutável no tempo e orientada para determinado fim.2. A resposta será afirmativa.

Cit. A prestação de uma parte é realizada em virtude e por causa da prestação de outra.” Cit. Coimbra. Almedina. A parte geral do Código Civil Português. Ed. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER.3 Sinalagmáticos/ bilaterais perfeitos – aqueles (negócios jurídicos) em que existe uma reciprocidade entre as obrigações das partes. H EINRICH HÖRSTER. Ed. Almedina. pp. pp. Coimbra.428. 16/96 .428. 4 Onerosos – “cada uma das partes envolvidas faz uma atribuição patrimonial à outra como contrapartida ou contraprestação.

4. Elementos constitutivos da obrigação: sujeitos. onde é dada a noção de vínculo obrigacional. C. Indisponibilidade e impenhorabilidade do direito a alimentos (art.1). não captando a singeleza da definição a maior complexidade das relações contratuais. Noção de obrigação do art. 5 • Fora dos casos previstos na lei.3. Separação de patrimónios ligada à satisfação dos encargos da herança (art. 1428º. em vários aspectos. com as obrigações derivadas dos contratos em especial. 1 e 2). renunciando ao seu direito a favor dos credores (art. • As disposições reguladoras das obrigações devem. 1411º. nem a possível existência da pluralidade subjectiva.Direito das Obrigações – 4º Sem. aliás. 2070º e 2071º). Alguns desses desvios encontram-se expressamente consagrados na lei: o Possibilidade do comproprietário se eximir à obrigação de participar nas despesas da coisa comum. a seguinte reserva: o regime geral das obrigações não pode deixar de considerar-se sujeito aos desvios impostos pela natureza especial dos vínculos que precedem as obrigações não autónomas. 397º. em princípio. mediante renúncia unilateral ao seu direito em benefício do credor (abandono liberatório ou renúncia liberatória) – art. . 2008º. o o o Variabilidade da obrigação alimentícia (art. no entanto. sempre que se demonstre que a origem da obrigação não autónoma ou fim a que ela se encontra adstrita não se coadunam com a solução prescrita para o comum das obrigações. à semelhança do que sucede. 397º • “Obrigação é o vínculo jurídico por virtude do qual uma pessoa fica adstrita para com outra à realização de uma prestação” • É demasiado simples. 2012º). Faça-se. o regime geral das obrigações poderá ainda sofrer outras derrogações. considerar-se aplicáveis às obrigações não autónomas . | Paulo Pichel o A questão da autonomia foi suscitada nos trabalhos preparatórios. mas o Código não faz qualquer alusão a esse requisito no art. o Possibilidade de o dono da coisa se liberar da obrigação que sobre ele recai na qualidade de titular de um direito real.

1. Os Sujeitos: o sujeito activo (credor/lesado) e o sujeito passivo (devedor/lesante). composta por credor (pessoa a quem se proporciona a vantagem resultante da prestação. o titular do interesse patrimonial. A. aos meios de conservação da garantia patrimonial… 17/96 . A singularidade e pluralidade subjectivas (ideias breves). Os sujeitos enquanto elemento da obrigação • São os titulares activos da relação. 5 A título de exemplo: disposições relativas ao momento e ao lugar do cumprimento. Sujeitos da obrigação e legitimados para cumprir ou receber. O facto jurídico como elemento meramente causal da obrigação – reenvio para os Factos constitutivos de obrigações (III). Determinação do sujeito passivo e possível indeterminação (mas determinabilidade) do sujeito activo. aos efeitos do não cumprimento.objecto e vínculo jurídico garantido coercivamente. Alusão sucinta à sucessão e à transmissão nas obrigações (remissão para IV). A. espiritual ou moral que o dever de prestar visa satisfazer) e devedor (pessoa sobre a qual recai o dever específico de efectuar a prestação).

as relações entre os sujeitos da obrigação variam de acordo com o regime da contitularidade ou da responsabilidade que a lei ou os próprios interessados estabeleçam. Mas tem que ser determinável sob pena de nulidade. Embora se admita que a pessoa de um dos sujeitos da relação (o credor) não esteja determinada no momento em que a obrigação se . Nestes casos. o essencial à obrigação enquanto relação intersubjectiva. constituir com ele uma garantia. convencionar com o devedor a sua modificação. Características do devedor enquanto sujeito passivo da relação: o o o Ocupa uma posição de subordinação jurídica.. dá-lo em usufruto. o Pode ingular – de cada lado da relação obrigacional há apenas uma pessoa. 459º e ss). Se não cumprir pontualmente. remitir a dívida em todo ou em parte.. 452 e ss). 511º). O credor é titular de um direito subjectivo. pois vincula apenas determinadas pessoas (ao contrário dos direitos reais e direitos de personalidade que são absolutos). Haver uma apetência ou desejo de obter estes bens para o suprimento da necessidade ou satisfação da carência. dando-o em penhor. como sucede nas promessas públicas (arts. fazer dele objecto de doação a terceiro. quando a obrigação não seja voluntária ou judicialmente cumprida (art. nos títulos ao portador e na herança deixada a nascituro (art. o O credor é amo e senhor da tutela do seu interesse – a tutela do seu interesse depende da sua vontade. estando o seu funcionamento subordinado à iniciativa do titular activo da relação. das mais variadas formas. 817º CCiv). | Paulo Pichel • Características do credor enquanto titular do interesse protegido (sujeito activo na relação de crédito): o o o Portador de uma carência ou de uma necessidade. dos meios coercitivos predispostos pela ordem jurídica para o governo da relação (exigir o cumprimento voluntário ou judicial da obrigação ou não o exigir. nos contratos para pessoa a nomear (arts. ceder o crédito. É sobre o património do devedor que recai a execução destinada a indemnizar o dano causado ao credor. Haver bens (coisas. 2033º). sem que de tal facto lhe advenha uma sanção. no momento em que a obrigação se constitui (art. é sobre o devedor que recaem as sanções estabelecidas na lei. • • Características das obrigação o Tem carácter relativo. Plural – quer do lado activo quer do lado passivo poderá haver mais que uma pessoa. serviços) capazes de preencherem tal necessidade.) o A pessoa do credor pode não ser determinada.Direito das Obrigações – 4º Sem. podendo dispor.

não é condição essencial à persistência da obrigação. sob pena de nulidade do negocio do dos sujeitos originários do vínculo. 18/96 . 511º) exige que ela seja determinável. Esta pode persistir com todos os atributos fundamentais. a lei (art.constitui. apesar de mudar um dos sujeitos da relação ou mudarem os dois.

que lhe proporciona a vantagem a que ele tem direito. cláusulas penais. prestação instantânea e duradoura. O objecto: a prestação do devedor como objecto imediato da obrigação. Prestação de facto e prestação de coisa • Prestações de facto – o seu objecto esgota-se num facto.1. da sub-rogação e da assunção da dívida (art. em si mesma considerada. a obrigação persiste. que materialmente se desloca do património de uma para outra pessoa [nota: diferente do que sucede na novação (arts. • A prestação consiste em regra numa acção do devedor. É o fulcro da obrigação. O possível conteúdo da prestação. • Distinção entre objecto mediato e objecto imediato: o o Objecto mediato – consiste na própria coisa. permissão ou omissão. É o meio que satisfaz o interesse do credor. trabalhador). garantias. | Paulo Pichel A lei fala em transmissão das obrigações. a propósito da cessão de créditos. a despeito da mudança operada nos seus sujeitos. Aqui. sendo o herdeiro quem vai ocupar a posição obrigação mudar de sujeitos. É a própria obrigação. em fenómenos como a cessão e a sub-rogação. B. no processo executivo à execução para a prestação de facto. não obstante a natureza espiritual do vínculo. Breve alusão a outras prestações (determinada e indeterminada. B.. • Neste . mas pode também consistir na abstenção. fungível. 577º e ss). o o Corresponde. permanecendo idêntica a si própria. 877º e ss) que implica a constituição de uma nova obrigação em substituição da antiga]. o seu alvo prático.Direito das Obrigações – 4º Sem. divisível e indivisível). Mandatário. A ideia de que. etc. Objecto imediato – consiste na actividade devida. privilégios. distinguindo-se do dever geral de abstenção próprio dos direitos reais porque o dever jurídico de prestar é um dever específico ao contrário daqueloutro que é um dever genérico. a relação nem sequer se desloca.) mas também da circunstância de a lei considerar oponíveis ao cessionário todos os meios de defesa que o devedor pudesse substituição de sujeitos determinada pela morte de um deles.. sem perda da sua identidade como ambulatoriedade da obrigação. • O objecto da obrigação é a prestação devida ao credor. O objecto mediato. As variantes da prestação: prestação de facto e de coisa. infungível e relativamente fungível. provém não só do facto de se mater o objecto da obrigação e os seus atributos fundamentais (data e lugar do cumprimento. Pode ser positiva Positiva – quando se traduz numa acção (ex.

410º e ss e 414º e ss. respectivamente) onde a prestação debitória consiste na emissão de uma declaração negocial. 19/96 .campo. assumem especial configuração obrigações que resultam de duas figuras negociais típicas: contratos-promessa e pactos de preferência (ver arts.

| Paulo Pichel Negativa – quando se traduz numa omissão. B. no interesse do mandante). não teria direito. Realização de certa obra ou um mandato. Obrigação de meios e obrigação de -se. digno de protecção legal (art quem ela se refere (art. • Obrigação de resultado – é garantida a verificação do facto. prometendo que a mulher dará o consentimento necessário à validade da venda. Mas pode o facto devido reportarse a factos de terceiro (exemplos: A. não quiser ou não puder praticá-lo. o promitente obriga-se a indemnizar a outra parte. • Nestas. D promete que os seu herdeiros renovarão a contestará desde que a prestação do promitente corresponda a um interesse do promissário. casado. Não abrir estabelecimentos de determinado ramo de comércio). reduzindo-se a promessa de facto de terceiro a uma promessa e obrigação de resultado: • Obrigação de meios – o promitente obriga-se apenas a despender os esforços razoavelmente necessários para que o terceiro pratique o facto.Direito das Obrigações – 4º Sem. a um facto do devedor (é o depositário que se obriga a guardar e restituir a coisa ou o mandatário que se compromete a realizar determinados actos jurídicos. podem ainda distinguir-se: o Dever de non facere – o devedor compromete-se a não praticar certo tipo de actos (ex. se o terceiro. 406º. de contrário. respectivamente). o Pode ser um facto material ou um facto jurídico (ex. Prestação de facto de terceiro. por qualquer razão. abstenção ou mera tolerância.2). sem assumir qualquer responsabilidade na hipótese de este não querer ou não poder cumprir. dono de um posto de venda de combustíveis promete que os futuros adquirentes do posto manterão o direito de exclusivo concedido à companhia fornecedora. obriga-se a vender certo prédio a C. o Dever de consentir ou tolerar que outrem pratique alguns actos a que. o • . em regra.

corresponde no processo executivo. a)). o Se não tiverem por objecto uma quantia em dinheiro. 20/96 . Pode integrar. à execução para entrega de coisa certa. al.Prestação de coisa – o seu objecto refere-se a uma coisa. 1031º. no direito vigente. uma de três ação visa constituir ou transferir um direito visa apenas transferir a posse ou detenção dela. o o Corresponde à prestação de dare. para permitir o seu uso. guarda ou fruição (art.

o Prestações duradoura – a prestação protela-se no tempo. . | Paulo Pichel Obrigação de restituir. sempre que a lei não a proíba”. surgem a cada passo obrigações de prestação instantânea. abrangendo não só as coisas que ainda carecem de existência como as próprias coisas já existentes.Direito das Obrigações – 4º Sem. a que o disponente ainda não tem direito ao tempo da decla objectivo é sujeitar os actos de disposição relativos a coisas não pertencentes ao disponente mas que este conta vir a adquirir em momento posterior ao regime de negócios sobre bens futuros e n sei tratada no nº2 do artigo. o . 307º e 310º]. 1038º. em lugar de uma simples emptio rei speratae]. que tem influência decisiva na fixação do objecto [nota: dentro das obrigações duradouras. 1142º. i). etc). tendo a duração temporal da relação creditória influência decisiva na conformação global da prestação. quando através dela o credor recupera a posse ou detenção da coisa ou o domínio sobre coisa equivalente do mesmo género e qualidade (arts. al. 1185º. 1129º. A prestação devida tem influência no factor tempo.“é admitida a prestação de coisa futura. ao lado daquelas obrigações de prestação continuada ou periódica que imprimem carácter à relação global – ver arts. É usada numa acepção ampla. • Prestações instantâneas e prestações duradouras o Prestações instantâneas – prestações em que o comportamento exigível do devedor se esgota num só momento ou num período de tempo de duração praticamente irrelevante.

A falta de cumprimento de uma das prestações não pode provocar o vencimento imediato das restantes dada a estreita conexão entre a prestação e o decurso do tempo (exemplo: a falta de pagamento da renda no mês de Janeiro poderá dar ao senhorio o direito à 21/96 . Ela opera somente quanto às futuras prestações ou quanto à duração futura da prestação em curso. 434º. gozando assim as prestações já efectuadas e as que devem ser realizadas no futuro de certa independência entre si. electricidade.1). gás. não abrange as prestações já efectuadas (arts. consumidor de água.Prestações de execução continuada – são aquelas cujo cumprimento se prolonga ininterruptamente no tempo (ex. e. Prestações reiteradas. em regra ao fim de períodos consecutivos (exemplos: locatário. prestações negativas). pois este tipo de prestação encontra-se idealmente ligada ou adstrita às diversas fracções de tempo em que já é possível dividir a sua duração. depositário..) Neste tipo de contratos. embora gozando de eficácia retroactiva. comodante. electricidade. periódicas ou com trato sucessivo – são a que se renovam em prestações singulares sucessivas. a resolução. Locador. dados informáticos.2 e 277º. fornecedor de gás.. de um modo geral.

1 mas não lhe confere o direito de exigir imediatamente o pagamento das rendas correspondentes aos meses futuros). mas em que o objecto da prestação está previamente fixado. em regra. 767º.2. a falta de cumprimento de uma das fracções da prestação dividida ou fraccionada.1. em princípio. todas as parcelas da prestação. fornecimento de certa quantidade de mercadorias ou de géneros a efectuar em várias partidas). 213º. 198º.Direito das Obrigações – 4º Sem. a destreza. provoca. Aqui.1. o tempo não influi no objecto. o Prestação não fungível – o devedor não pode ser substituído no cumprimento por terceiro. ao contrário do que acontece numa prestação duradoura. Sanção pecuniária compulsória. o vencimento imediato das restantes (arts. A distinção entre prestação fungível ou não fungível reflecteSe a prestação tem por objecto um facto fungível – o credor pode requerer no processo de execução. | Paulo Pichel indemnização especial prescrita no art. ao cumprimento (é meio compulsório de cumprimento. 791º).4. Por outro lado. São obrigações em que a habilidade. ou outras circunstância de a prestação não ser fungível não impede que o devedor possa ser coadjuvado no cumprimento por auxiliares (arts. 165º. pois a formação Prestações fungíveis e não fungíveis. a força. Visa forçar o devedor. 817º) e. o Ver art. o Prestação fungível – pode ser realizada por pessoas diferentes do devedor. 781º e 934º). • Sanção pecuniária compulsória o o Limita-se às prestações de facto não fungíveis. 829º-A.2). o bom nome. 1041º. o Prestações fraccionadas ou repartidas – obrigações cujo cumprimento se protela no tempo. sem dependência da duração da relação contratual (exemplos: preço pago a prestações. através de sucessivas prestações instantâneas. se o devedor não se puder fazer substituir por terceiro no cumprimento da obrigação. que o facto seja prestado por outrem à prestação tem por objecto um facto não fungível – o credor apenas poderá exigir o cumprimento do devedor (art. levando à extinção da obrigação (art. terá de contentar-se com a indemnização do prejuízo resultante do não cumprimento e a garantia eventualmente impossibilidade relativa à pessoa do devedor só é equiparada à impossibilidade objectiva. mas não uma forma de execução). o o Ver art. sem prejuízo do interesse do credor. na hipótese de este não cumprir. 264º. relacionando-se apenas com resolução atinge. incluindo as já efectuadas. o saber. 22/96 .

o • Deveres compreendidos nas operações de liquidação das relações obrigacionais duradouras. • Deveres principais/típicos – são as prestações que integram as relações obrigacionais derivadas de contratos típicos (ou nominados). Mas interessa ao regular desenvolvimento da relação obrigacional. o Deveres relativos às prestações substitutivas ou complementares da prestação principal – exemplo: dever de indemnizar os danos moratórios ou o prejuízo resultante do cumprimento defeituoso da obrigação. a quem incumbe evitar que a prestação se torne desnecessariamente mais onerosa para o obrigado .Direito das Obrigações – 4º Sem. nem à preparação. Tipologia. própria dos deveres de prestação. assim como no exercício do direito correspondente. | Paulo Pichel B. nem à perfeita realização da prestação debitória (principal). Deveres principais de prestação. que definem o tipo ou o módulo da prestação (exemplo: na compra-e-venda. são deveres principais o dever de entrega da coisa e o dever da pagar o preço).2. Outros conteúdos. De um modo geral. 76º lugar à acção judicial de cumprimento. 762º CCiv – “no cumprimento da obrigação. Mas a sua violação pode obrigar à indemnização dos danos causados à outra parte ou mesmo origem à resolução como afectam o credor. devem as partes proceder de boa fé”. fontes e efeitos do incumprimento dos deveres laterais. entre contraentes que agem honestamente e de boa fé nas suas relações recíprocas. Art. Relações obrigacionais sem deveres primários de prestação. nas relações obrigacionais bilaterais (onde os deveres acessórios de conduta mais avultam). pode dizer-se que. cada um dos contraentes tem o dever de tomar todas as providências necessárias (razoavelmente exigíveis) para que a obrigação a seu cargo satisfaça o interesse do credor na prestação. Distinção entre deveres primários de prestação e deveres a surgirem antes de se ter constituído a relação obrigacional de onde decorre (ou viria a decorrer) o dever de titular activo pessoas estranhas à relação donde nasce o dever de prestação (exemplo: art. deveres secundários de prestação e deveres laterais (de conduta) – a compreensão da relação obrigacional complexa. Trata-se de um dever que não respeita directamente. 6 Deveres acessórios de conduta o São deveres essenciais ao correcto processamento da relação obrigacional em que a prestação se integra. • Deveres secundários/ acidentais: o Deveres acessórios da prestação principal – destinados a preparar o cumprimento ou a assegurar a perfeita execução das prestação.

considera que esta fórmula “tem o inconveniente de abranger os deveres de prestação que se enxertam na relação obrigacional ao lado da prestação principal” cfr. 23/96 . mas o A.124.o o o 6 Estes deveres têm também a designação de “deveres laterais”. pp.

licitude. deve obedecer aos seguintes requisitos: o o o o • Possibilidade originária – material e legal. segundo as normas legalmente estabelecidas. 280º. médica. O conteúdo negativo da prestação. A prestação. Conexão deste conteúdo com os chamados requisitos da prestação (possibilidade. 4º da Lei nº 24/96 – “Direito à qualidade dos bens e serviços – os bens e serviços destinados ao consumo devem ser aptos a satisfazer os fins a que se destinam e a produzir os efeitos que se lhes atribuem. Conformidade à ordem pública e aos bons costumes. em face da comunicação – o cliente deverá avisar o banco do extravio do cheque. 24/96 A dispensa dos requisitos da patrimonialidade o . ou. A dispensa legal e doutrinal dos requisitos da patrimonialidade e da autonomia.3..Direito das Obrigações – 4º Sem. 5º e ss DL 446/85 – comunicação e dever de informação sobre as cláusulas contratuais gerais. na falta delas. o Poderá resolver os contratos de que decorre uma relação particularmente estreita de confiança mútua e de leal colaboração se houver um comportamento que afecte gravemente a relação. a)). 990º e 1003º. Licitude. sob pena de nulidade das mesmas (art. 400º e 401º. Deveres de cooperação – a agência organizadora da – evitar a lealdade – dever de não concorrência. o Art.. Deveres de informação – informação técnica. jurídica. 8º). de modo adequado às legítimas expectativas do consumidor. sigilo. Determinabilidade. determinabilidade. discrição do gestor bancário (ver arts. • Conteúdo negativo da prestação – o conteúdo da obrigação é delimitado negativamente pela necessidade de observância dos requisitos que condicionam a própria validade do objecto obrigacional. conformidade à ordem pública e aos bons costumes). As normas especiais condicionantes dos requisitos. al. susceptível de avaliação económica ou pecuniária para que haja verdadeira obrigação jurídica. B. tendo em consideração os arts. mesmo que o dever de lealdade/ fidelidade não seja considerado o dever principal. | Paulo Pichel e proporcionar ao devedor a cooperação de que ele razoavelmente necessite. • Efeitos do incumprimento de deveres laterais o Art. A questão da patrimonialidade tem suscitado do credor seja de carácter patrimonial.

nem é forçoso que se trate daqueles actos ou omissões que têm no comercio jurídico um preço. mas deve corresponder a um é necessário que a prestação enriqueça o património do credor ou evite o seu empobrecimento. C. 398º. Não é sequer indispensável que os interessados. O vínculo jurídico (o nexo direito à prestação-dever de prestar) como elemento verdadeiramente marcante da obrigação e com uma natureza essencialmente intersubjectiva. mediante a estipulação de uma cláusula penal ou a fixação de um contraprestação. • O vínculo jurídico é o núcleo central da . Art. Ausência de vínculo jurídico nas relações de cortesia e nos acordos de cavalheiros e “vinculação específica” nas obrigações naturais.2265º. b) que interesse do credor seja digno de protecção legal (necessidade séria e razoável do credor).1424º. que não se confina aos valores de pura expressão económica.2 – “a prestação não necessita de ter valor pecuniário. | Paulo Pichel Outros afirmam que o interesse do credor pode não revestir natureza económica ou patrimonial.2009º. o A mais qualificada doutrina responde hoje em sentido afirmativo à questão da validade das obrigações de prestação não patrimonial. necessitando a prestação de possuir valor económico susceptível de avaliação pecuniária. independentemente da natureza dos benefícios ou vantagens que proporcionam. hajam atribuído valor pecuniário à prestação ou ao interesse que o credor -se duas exigência: a) que a prestação corresponda a um interesse real do credo. 1411º. o • A dispensa de autonomia o Exemplos: art.Direito das Obrigações – 4º Sem. baseando-se na protecção que merecem alguns deveres de conteúdo não patrimonial estipulados entre as partes e na função disciplinadora da vida social atribuída ao direito.

397º CCiv – Obrigação é o vínculo jurídico por virtude do qual uma pessoa fica adstrita para com outra à realização de uma prestação. • A estrutura dogmática da obrigação corresponde: a) direito à prestação [credor tem direito de exigir a prestação]. sob cominação das sanções aplicáveis à inadimplência+ e c) garantia. uma cláusula penal. Nele reside o cerne do direito de crédito. sendo acordos colocados fora do direito. como uma contrapartida pecuniária. não estão afastados de toda a intervenção jurídica. • As existência ou não de uma relação obrigacional nas relações de cortesia estará dependente da intenção ou da presença e interpretação de certos sinais de juridicidade. constituído pelo enlace dos poderes conferidos ao credor com os correlativos deveres impostos ao titular passivo da ralação. ser aplicado ao normativo relativo os requisitos do objecto negocial e o regime das obrigações cum potuerit. b) dever de prestar [necessidade imposta ao devedor de realizar a prestação. 25/96 . • Art... assentes na palavra ou na honra. podendo. por exemplo.relação obrigacional. • Os acordos de cavalheiros.

140 a 142. então. pps. B. A função da obrigação e a satisfação prioritária do credor. A. A dupla direcção desta liberdade justificada com a genérica supletividade das normas do Direito das Obrigações e as limitações decorrentes da publicização do direito privado ou da necessidade de uma justiça contratual. A falsa “crise do contrato” e a alusão aos novos contratos. Publicações Universidade Católica. 5. no interesse colectivo.Direito das Obrigações – 4º Sem. mas era a distorção entre a teoria e a realidade. em proveito do mais forte. Os atributos (pacíficos?) da eficácia erga omnes dos direitos reais (prevalência e sequela) e a sua normal ausência nas obrigações. Direito das Obrigações – relatório sobre o programa. seguiu-se a constatação de que o contrato não assentava numa igualdade jurídico-económica. não podia permitir que a liberdade contratual se traduzisse num jogo desleal em proveito exclusivo do mais forte. O valor patrimonial da obrigação e as faculdades dispositivas do credor. assim. A parte Geral do Código Civil Português. complementar e necessitada) e por certas consequências legais. a faculdade de estabelecer livremente as suas relações jurídicas como ele o entender por bem. A relatividade obrigacional face à natureza absoluta (e solitária) dos direitos reais e outras diferenças menores. O contrato deixou. O Princípio da autonomia privada • É o princípio da conformação autónoma das relações jurídicas por parte do indivíduo segundo a sua vontade geral. Almedina. 52 a 54). Limites à autonomia privada – publicização do direito privado e necessidade de justiça contratual • Após as revoluções liberais e um certo “endeusamento” da autonomia privada. de tutela privada (preventiva e compulsiva. O direito privado corresponde ao princípio da organização individualista da nossa sociedade. C. 2007. Enunciação do problema da chamada “eficácia externa” dos direitos de crédito. a verificar-se a intervenção do Estado na contenção da liberdade contratual.2. de traduzir um jogo desleal. Desvios à relatividade obrigacional. HEINRICH EWALD HORSTER. passando os poderes públicos. dentro dos limites por ela traçados. num movimento de “socialização” do . (Bibliografia: BRANDÃO PROENÇA. Chegou-se à conclusão de que o Estado. decorrendo do princípio geral da autodeterminação do homem. por diversos meios de tutela pública. • O direito privado respeita os interesses individuais e as desigualdades naturais entre os homens e garante a capacidade de agir ordinária do indivíduo.1. O princípios da autonomia privada na sua ligação com a liberdade contratual. o conteúdo e os métodos de ensino da disciplina. • A ordem jurídica reconhece que cada homem possui. Secundarização dos interesses do devedor e âmbito legal do chamado favor debitoris. II – Princípios Fundamentais do Direito das Obrigações 6. Os contratos negociados livremente e a magna questão dos contratos com cláusulas contratuais gerais ou pré-formuladas (sobretudo nas relações entre o profissional e o consumidor). • Passou. Por isso. não integrado em estruturas de dominação e obediência. pp. | Paulo Pichel C. Ed. Visão global da activação da garantia do vínculo jurídico pela responsabilidade patrimonial do devedor.

C. As cláusulas contratuais gerais 26/96 . a intervir na esfera contratual em nome da chamada “ordem pública económica do protecção”.direito privado.

à vida económica de hoje”. 217º. sem mais.9 “Apenas o modo de travar negociações é diferente e racionalizado”. Permite reduzir custos. Conveniência prática de préformular as respectivas cláusulas para determinados negócios de massa ou que têm grande complexidade técnica ou são muito sofisticados. As vantagens do recurso à contratação “standardizada” (cláusulas gerais) • • Por um lado. pela outra”8 (existe uma limitação da possibilidade de negociação de uma das partes). também as declarações feitas por meio de cláusulas contratuais gerais … são declarações negociais nos termos dos arts.219º e ss. elaboradas de antemão por uma das partes e destinadas a serem aceites. 228º e ss”.7 “Assim.Direito das Obrigações – 4º Sem. “Em todo o caso. | Paulo Pichel • “A negociação de um contrato nem sempre é feita de uma maneira individual.10 Os problemas específicos das cláusulas contratuais gerais: • •• • • . as regras legais do código civil nem sempre contemplas os interesses e os condicionalismos específicos das diversas áreas contratuais. no tráfico jurídico actual desempenha uma função cada vez mais importante as chamadas cláusulas contratuais gerais. com cláusulas ponderadas e acordadas uma por uma … este modo de contratar não é adequado em inúmeras situações. 224º e ss.

469. Ed. Almedina. pp. (Não se deverá permitir cláusulas disfarçadas ou que não se conseguem ver bem). Coimbra. pp. Ed. HEINRICH HÖRSTER. pp. HEINRICH HÖRSTER. Coimbra. que proponentes ou destinatários indeterminados se limitem. HEINRICH HÖRSTER. Sempre que uma cláusula seja considerada nula é necessário conseguir ampliar os efeitos do caso julgado. Cit. e muitas vezes assim sucede.O conhecimento objectivo – é necessário que aqueles que assinam os “contratos de adesão” percebam aquilo que estão a assinar. A parte geral do Código Civil Português. HEINRICH HÖRSTER. Almedina. que as formulou. • • “O efeito de racionalização pretendido com recurso a cláusulas gerais pode ser desvirtuado. 10 Cit. HEINRICH HÖRSTER. pp. sem hipótese de alteração por parte do aderente que ficou sujeito a elas”. A parte geral do Código Civil Português. 27/96 . 11 Cit. regem-se pelo presente diploma” *note-se que tanto vale para o proponente como para o destinatário. a subscrever ou aceitar. A parte geral do Código Civil Português. o DL 446/85 de 25 de Outubro. porém. Ed.1 (âmbito de aplicação) – “as cláusulas contratuais gerais sem prévia negociação individual. respectivamente.468. Coimbra. A parte geral do Código Civil Português. estabelece o regime a que estas estão sujeitas: Artigo 1º.468. pp. Cláusulas abusivas – poderá acontecer que quem utiliza as cláusulas contratuais gerais abuse do seu poder negocial.11 Para evitar os efeitos indesejados das CCG. Ed. Tal deve-se ao facto de muitas vezes se assinar “propostas de adesão” em que é a entidade que recebe a proposta que a préelabora]. Ed. Almedina. Almedina. 789 Cit. A parte geral do Código Civil Português.469. Almedina. Coimbra. Coimbra. na medida exacta em que aparecem cláusulas concebidas unilateralmente no interesse do contratante determinado. para afastar a liberdade contratual. Cit.469.

B. mas leva apenas à não aplicação da respectiva cláusula (art. | Paulo Pichel Artigo 4º .1 – as cláusulas devem ser comunicadas na íntegra aos aderentes sob pena de não serem incluídas no contrato e o ónus da prova da comunicação adequada e efectiva cabe ao contraente que submeta a outrem as cláusulas contratuais gerais (art.as cláusulas não comunicadas ficam excluídas dos contratos individuais. estava convencido da conformidade ao direito de certo acto ou posição jurídica. Tem em vista. Artigo 16º a 19º . A projecção principal do abuso do direito e dos seus tipos mais importantes: proibição do venire contra factum proprium. 21 e 22 podem ser proibidas por decisão judicial. O papel da jurisprudência na aplicação do princípio. as vinculações imanentes aos direitos subjectivos (limitações internas). Artigo 15º . 5º.proibição de cláusulas que possam prejudicar consumidores finais. • Boa-fé objectiva – norma de conduta ou de comportamento. que exige que as partes tenham um comportamento leal. 15. se necessário às regras de integração dos negócios jurídicos (art. Artigo 6º dever de informação por parte do contraente que usa CCG (ónus).3). correcto. com recurso. 28/96 . independentemente da sua inclusão efectiva em contratos singulares. Confronto com a boa fé subjectiva ou psicológica.são proibidas as cláusulas contratuais gerais contrárias à boa fé (novidade face ao CCiv. Artigo 8º/9º . de natureza ética. A boa fé como princípio normativo ou objectivo.legitimidade de acção inibitória. a exclusão ou nulidade de uma CCG não arrasta consigo todo o negócio. 19. 280º).as cláusulas contratuais inseridas em propostas contratuais ficam incluídas nos contratos pela aceitação. Artigo 7º . Em princípio. A. elaboradas para utilização futura. 7. Artigo 5º. 239º). Artigo 25º (acção inibitória) – as cláusulas contratuais gerais. 13º. 18.concretização do art.caso haja cláusulas especificamente acordadas elas prevalecem sobre as CCG. 16. neutralização do direito. Boa fé e responsabilidade précontratual. art. 14º). 9º. aquisição do direito e a conduta anterior indevida. Artigo 26º . O princípio da boa fé. mas apenas desde que sejam observados determinadas disposições legais.Direito das Obrigações – 4º Sem. Artigo 20º a 22º . 334º. sendo essa convicção desconforme com a realidade. Distinção entre boa-fé objectiva e subjectiva • Boa-fé subjectiva – traduz-se num estado de espírito (desculpável) de alguém que. Em vez de cláusulas contratuais gerais aplicam-se as normas dispositivas comuns. em certo momento. 15º. tendencialmente. honesto. quando contrariem o disposto nos arts. cooperante (solidariedade negocial) sendo um critério de controlo sobre o clausulado contratual (no sentido expansivo ou de compressão). O abuso do Direito • • Vem regulado no art. O ideário do princípio e a sua transversalidade.

O excesso tem que ser manifesto: ofensa da justiça ou uma afronta ao sentimento jurídico dominante. Não se exigindo a quem abusa do direito a consciência de que o fez (“manifestamente”). No caso em que se vai para alem do “fim social ou económico do direito” estamos perante critérios puramente objectivos. “Venire contra factum próprio”. Exemplos: Abuso • •• • • 1. O direito subjectivo é invocado para fins que estão fora dos objectivos ou funções para os quais ele foi atribuído Contraria a ordem pública ou contradiz os princípios fundamentais da ordem jurídica.Direito das Obrigações – 4º Sem. em princípio. No caso concreto. 334º não ignora considerações de ordem subjectiva: limites impostos pela boa fé e pelos bons costumes. o art. [Também pode ser considerado um abuso institucional+. quando é adoptado . | Paulo Pichel • A lei considera que a moderação voluntária no exercício de poderes é uma virtude na qual não se pode confiar em demasia. dificulta a defesa do lesado por abuso de direito. 334º parte nas 3 hipóteses de uma concepção objectiva. Quem age em abuso de direito invoca um poder que formal ou aparentemente lhe pertence. o art. uma característica do abuso de direito é a aparência que este de facto não existe. A falta de interesse protegido que justifique o exercício do direito (ex. art. de ser apreciado oficiosamente pelo tribunal. Aliás. Neste caso. o exercício do direito estaria. a coberto da norma. 1380º. A aparente concordância com a lei.1 ⇒ direito de preferência de um proprietário que tem o terreno ao abandono). 2. No entanto. Como tal. O abuso de direito poderá aparecer refere quando se fala do “fim social ou económico” do direito. existem circunstâncias ou relações especiais Refere-se aos limites impostos pela boa fé ou pelos bons costumes.

esse mesmo direito. 4. Exigência injustificada – dá-se quando um titular invoca o direito a uma prestação apesar de uma obrigação sua de devolver imediatamente esta mesma prestação (ver art. dada a sua conduta. devido à estabilidade da conduta da outra parte durante um certo período. 29/96 . criando esta atitude como consequência a correspondente disposição da outra parte (aumento da renda sem respeitar a forma legal e o inquilino paga durante o tempo e só depois alega a nulidade do aumento). perdendo assim.um comportamento positivo por parte do titular do direito subjectivo. comportamento este que vai no sentido de não querer exercer o seu direito. 3. Chega-se a uma situação de confiança em que a outra parte faz fé. este perde a legitimidade para o fazer. A perda de direito – o titular do direito não invoca o direito durante bastante tempo no decorrer do prazo e observar-se simultaneamente. 764º). que o titular não fará uso do seu direito. Mesmo que o titular do direito o venha exercer dentro do prazo. um comportamento através do qual o devedor podia legitimamente pensar que o direito já não seria exercido.

sob pena de responder pelos danos que culposamente causar à outra parte”. | Paulo Pichel 5. Este abuso pode assumir três formas: o Neutralização do direito (Verwirkung) – uma determinada pessoa que não exerce o direito durante um período de tempo considerável e. ⇒ A lei estipula. o direito é exercido. 227º visa proteger o próprio processo de formação do contrato em todas as suas fases). ela própria adquiria por dolo ou abuso de direito. • Trata-se de um comportamento anti-jurídico capaz de determinar a obrigação de indemnizar. Trata-se de uma situação em que alguém acredita numa atitude que posteriormente é alterada. o Conduta anterior indevida – começa por haver uma conduta que já em si é reprovável. de repente. Esta solução favorece a parte que prevaricou. portanto. Responsabilidade pré-contratual – remissão. é visto na forma de venire contra factum proprium tendo a característica de ser um comportamento abusivo por ser contraditório. não podendo ser alegados os vícios formais (inalegabilidade formal). uma obrigação de indemnizar por culpa in contrahendo. C. • 1ª solução – declaração de nulidade + responsabilidade pré-contratual. devendo poder adquirir aquilo que lhe é permitido. então deverá aplicar-se a figura do direito. num segundo momento. a mesma pessoa vir tentar retirar vantagens outra de que não é necessária a observância de forma para a celebração de um determinado negócio e depois vem alegar a sua nulidade (art. 30/96 . • Nesta disciplina o abuso de direito. proceder segundo as regras da boa fé. deste modo. para depois. Trata-se. tanto nos preliminares como na formação dele.Direito das Obrigações – 4º Sem.2). Existência de um comportamento desleal que resulta do aproveitamento de uma posição jurídica. de uma situação em que normas de conduta vêm interferir com normas de validade por questões de ordem pública. o Aquisição (Erwirkung) – alguém faz querer a outra que lhe vai transmitir um bem e esta pessoa começa a criar uma expectativa legítima. 762º. ⇒ “Quem negoceia com outrem para conclusão de um contrato deve. 220º CCiv). c) a contraparte teve culpa na não adopção da forma ou o contrato foi executado e a situação manteve-se por largo período de tempo sem hajam surgido quaisquer dificuldades. contradizendo uma expectativa que foi criada. ⇒ A obrigação de indemnizar existe independentemente da formação posterior do contrato ou não (o art. b) adoptou disposições que agora são irreversíveis. 6. • 2ª solução – verificando-se as seguintes condições: a) uma das partes confiou em que adquiriu pelo negócio uma posição jurídica. enquanto violador do princípio da boa-fé. A celebração do contrato ou a sua posterior anulação ou declaração de nulidade não afectam a aplicação do preceito em causa. se daí provir um prejuízo que doutra maneira não seria verificado (exemplo de alguém que tem uma conduta enganadora de modo a obstar que o titular do direito intentasse a tempo a acção indicada para evitar o decurso do prazo. Inobservância dos princípios gerais do cumprimento das obrigações (art.

• • • Dever de não abandonar arbitrariamente as negociações.. 227º e art. O comportamento adoptado deve coincidir com: • O dever de cada um dos contraentes se exprimir claramente. ⇒ O art. etc. pode observar-se que as negociações se destinam precisamente a dar às partes oportunidades de apreciarem se o contrato deve ser feito e em que termos. ⇒ A responsabilidade prescreve nos termos do art. Dever de comunicar à outra parte algum motivo da nulidade do negócio. enquanto o contrato não é celebrado. impedir a conclusão do contrato (direito potestativo – outra parte está num estado de sujeição). o que poderia pôr em causa o princípio da igualdade jurídica (que é assim temperado por um princípio material) ou da autonomia privada. Comparação entre art. a abster-se de outros negócios. • Trata-se de um regime imperativo. 227º deve ser enquadrado no âmbito da responsabilidade civil extracontratual (obrigação resultante da lei e não da autonomia privada). ⇒ Ao calculo da indemnização serão aplicáveis os arts. 227º não exclui a aplicação do art. 489º e 494. • Dever de não começar negociações que se saiba de antemão condenadas ao malogro ou à celebração de um negócio inválido. Os principais direitos dos consumidores (entre eles o direito de livre resolução) e a sua natureza injuntiva. | Paulo Pichel ⇒ A aplicação do art. 4º . 31/96 .art. O art. aplicando-se independentemente. unilateralmente. portanto. 227º pressupõe culpa (não basta a simples rotura de negociações). Necessidade de sigilo quando se justifica. 229º. A projecção maior do princípio aos contratos de consumo. assim. pois não é lícito a uma das partes romper arbitrariamente as negociações depois destas terem alcançado um tal desenvolvimento que a outra parte podia julgar-se autorizada a confiar na realização do contrato e. por outro lado. 229º.. estabelece uma obrigação de avisar como contrapartida de atribuir ao proponente a possibilidade de. devem elas ter a liberdade de romper as negociações. 8. limitativo da autonomia privada mas que tem como finalidade a protecção dos mais fracos. ou . na falta delas. O princípio da tutela do contraente mais débil. • Lei 24/ 96 . ⇒ Mas. segundo as normas legalmente estabelecidas. 1 (2ª parte) não exige a culpa. • Proibição de cláusulas abusivas no domínio dos contratos de consumo e no sector da prestação de serviços públicos essenciais. a fim de evitar falsas interpretações do seu comportamento. sobretudo ao consumidor de bens e serviços e ao que recorre a instrumentos de crédito. 498º. 229º.Direito das Obrigações – 4º Sem. de modo adequado às legítimas expectativas do consumidor.1 (2ª parte): • • O art. a fazer despesas.1 (2ª parte).os bens e serviços destinados ao consumo devem ser aptos a satisfazer os fins a que se destinam e a produzir os efeitos que se lhes atribuem. • Tenta criar equilíbrio em situações em que uma das partes é muito mais forte do que a outra.

é necessário que a obrigação afecta à parte lesada viole gravemente os princípios da boa fé contratual e não esteja coberta pelos riscos do negócio. com o princípio contratual da equivalência objectiva. logo. o Secundarização da tutela por mero equivalente indemnizatório. ao cumprimento dos deveres e à moderação da regulação convencional. Exemplificações. 11. Exemplos: o A escassa importância do interesse afectado. O critério geral da responsabilidade civil subjectiva. Por outro lado. a perda subjectiva de interesse por parte do credor ou a simples contrariedade. o Art. em primeira linha. 437º . O princípio da responsabilidade patrimonial. O princípio da proporcionalidade. da lesão de direitos ou do dano e como reacção adequado à intensidade do ilícito culposo cometido. A proporcionalidade concebida como reacção (legal) adequada à gravidade da culpa e ao tipo de dano causado. O património do devedor como garantia do cumprimento das obrigações.Direito das Obrigações – 4º Sem. A prioridade da tutela por execução específica (real) e residualidade da execução por equivalente indemnizatório. | Paulo Pichel 9.condições de admissibilidade da resolução ou modificação do contrato é admitida em termos propositadamente genéricos para que em cada caso o tribunal possa conceder ou não a resolução ou modificação tendo por base o princípio das circunstâncias existentes à data do contrato tanto relativamente à base negocial objectiva como subjectiva e (b) é necessário que essa alteração seja anormal. A proporcionalidade como princípio que rege a actuação dos sujeitos obrigacionais na ligação à manutenção do equilíbrio das prestações.limitação de indemnização no se pela equidade (= proporcionalidade) e tendo em consideração o grau de culpabilidade. aos exercício ponderado e escalonado dos direitos. Pode ainda ser perspectivada em ligação com o “mínimo de gravidade” da violação contratual. O princípio da heterorresponsabilidade. 494º . Exemplos: o Art. • Traduz-se fundamentalmente na prioridade do conjunto acção de cumprimento: o Execução específica – o devedor responde. o • Inclui também disposições relativas à regulação convencional ou por adesão. A responsabilidade perante os outros ou a imputação danosa por facto livre responsabilizante. estando os credores comuns num plano de igualdade. a progressiva extensão do círculo da responsabilidade sem culpa e o menor relevo da responsabilidade por factos lícitos. 10. pelo cumprimento das obrigações. 32/96 . e demais circunstâncias do caso. • Começa por ter a ver com a existência e a manutenção do equilíbrio das prestações. a situação económica do agente e do lesado. a adequação social visível.

a assunção do risco. mas que criavam obrigações para o respectivo autor ou para terceiro. Na categoria dos quase-contratos incluiu a doutrina. Trata-se da realidade sub specie iuris que dá vida à relação creditória. como figuras residuais.Direito das Obrigações – 4º Sem. se deverá adoptar uma postura preventiva que poderá levar no limite à omissão de actividades potencialmente lesivas (exemplo: alimentos geneticamente modificados). por mera exclusão de partes. 13. A “responsabilidade” perante si mesmo na sua articulação coma culpa do lesado. era quadripartida: o Contratos – eram a fonte mais importante das obrigações. no domínio da responsabilidade extracontratual. embora deles possam nascer também relações jurídicas de outro tipo. muitas das quais pouco ou quase nada têm em comum com os contratos. | Paulo Pichel • O lesante pode responder por uma conduta ilícita e culposa. pelo menos mediata. as condutas voluntárias com o risco de dano e as predisposições para o dano ou para o maior dano. • A fonte tem uma importância especial na vida da obrigação. uma série heterogénea de situações. tendo hoje muito maior interesse. 33/96 . O princípio da auto-responsabilidade. o Quase-contratos – compreendia os factos voluntários lícitos. • Culpa do lesado – art. por virtude da atipicidade da relação creditória. durante todo o período medieval e ainda nas primeiras codificações do séc. de todas as obrigações. Hoje há quem defenda um princípio da precaução que determina que. de carácter intencional.XIX. pois o conteúdo é variável consoante a fonte donde procede. Quase-delitos – factos ilícitos praticados com mera culpa ou negligência. por uma actuação lícita mas geradora de riscos ou ainda por actos danosos legalmente justificados. o Distinção entre delitos e quase-delitos pouco interesse oferece no campo normativo da tutela dos valores jurídicos.1 A classificação dos factos constitutivos de obrigações antes da entrada em vigor do Código Civil • A sistematização que preponderou na doutrina. III – Os factos constitutivos de obrigações Secção I – Noção e evolução dos factos constitutivos 13. o o • Delitos – constituídos por factos ilícitos extracontratuais. o O aditamento de um novo elemento – a lei – parece esquecer que a lei é a causa. A noção de factos constitutivos de obrigações • Fonte da obrigação – facto jurídico de onde nasce o vínculo obrigacional. que não eram contratos por lhes faltar um elemento essencial (a vontade de constituir uma obrigação). • 12. 570º e 505º: o Condutas descuidadas ou negligentes daqueles que sofreram ou agravaram o dano. em situações de incerteza. a distinção entre responsabilidade por factos ilícitos e responsabilidade pelo risco.

Criticas: o .

Civ. 2033 e seguenti. objecto e conteúdo do contrato. Responsabilidade pré-contratual. Contratação negociada e contratação não negociada. da fatto illecito (Cod. assente sobre duas ou mais declarações de vontade. Contratação negociada e contratação não negociada • O desenvolvimento das relações de massa de das tecnologias da informação e comunicação tem conduzido a formas de contratação por adesão. contratos sem intervenção humana e outros). gestão de negócios. acordo base e acordo-quadro) – acordos intermédios. O contrato 14. 14. 651.Fonti delle obbligazioni -Le obbligazioni derivano da contratto (Cod. vendas à distancia. Pré-formação do contrato e responsabilidade pré-contratual: fundamento. vendas automáticas.2 O elenco dos factos no actual sistema codificado 12 • Faz uma distinção dos factos constitutivos de obrigações entre factos constitutivos voluntários e factos constitutivos não voluntários: o Factos constitutivos voluntários – onde tem especial importância o contrato. por meios electrónicos ou por comportamento fáctico (exemplo: modelos concebidos unilateralmente. enriquecimento sem causa. contrapostos mas perfeitamente harmonizáveis entre si.Direito das Obrigações – 4º Sem. âmbito e conteúdo indemnizatório. familiares e sucessórios. Civ. 1173 do código civil italiano . 227º CCiv – Quem negoceia com outrem para a conclusão de um contrato deve. o da ogni altro atto o fatto idoneo a produrle (Cod. 34/96 . acordos de negociação. 2041 e seguenti) in conformità dell'ordinamento giuridico. 2043 e seguenti).1 Noção. | Paulo Pichel 13. ofertas ao público. para este efeito. acordos de negociação. com a sua possível eficácia jurídica ou vinculativa. o Factos constitutivos não voluntários – responsabilidade civil (binómio: culpa-risco). tanto nos preliminares com na formação dele. 1321 e seguenti). 433 e seguenti.. de natureza precária. Civ. Contrato – acordo vinculativo. Objecto e conteúdo do contrato – são delimitados em função daquilo é o objecto da relação obrigacional. 2028 e seguenti. Secção II – Factos voluntários geradores de obrigações 14.. que visam estabelecer uma composição unitária de interesses. relativos às próprias negociações e ao desejo de uma possível contratação. culpa in contahendo e o princípio da boa-fé • Art. Os juristas têm-se ocupado do relevo jurídiconegocial. proceder segundo as regras de boa-fé. É. ser possível extrair tal “sentido” da interpretação da vontade manifestado no instrumento utilizado. • É importante perceber se estamos perante um contrato negociado. um contrato de adesão ou contrato de consumo para sabermos qual o regime legal aplicável. mas contempla ainda negócios unilaterais. sob pena de responder pelos danos que culposamente causar à outra parte. Pode ser fonte de obrigações mas também de direitos reais. 12 Art. acordo-quadro) e contratos preliminares (remissão). • Mecanismos pré-contratuais (cartas de intenção.2 Conclusão imediata ou definitiva do contrato. acordo base. acordos pré-contratuais (cartas de intenção. O âmbito do clausulado convencionado.

esclarecimento e lealdade em que se desdobra a boa fé. VAZ SERRA em anotação ao acórdão do STJ. A responsabilidade pré-contratual abrange os danos provenientes da violação de todos os deveres de informação. coligados e derivados. ressarcir será o interesse contratual negativo – a perda patrimonial que não teria tido se não fosse a expectativa na conclusão do contrato frustado ou a vantagem que não alcançou por causa da mesma expectativa gorada.3 Contratos típicos (tipicidade legal e tipicidade social). Pode. ou seja. atípicos. a lei portuguesa aponta concretamente para a sanção aplicável à parte que. cobrindo-a de igual modo contra outros danos que ela sofra no iter negotii. o artigo 227º não aponta deliberadamente para a execução específica do contrato.Direito das Obrigações – 4º Sem. • A responsabilidade das partes não se circunscreve à cobertura dos danos culposamente causados à contraparte pela invalidade do negócio. Tipicidade legal e tipicidade social • A tipicidade. • Apesar de ainda não haver nenhum vínculo contratual entre as pessoas que iniciam negociações para a realização do contrato. no caso de a conduta ilícita da parte ter consistido na frustração inesperada da conclusão do contrato (a menos que haja contrato-promessa – art. se a conduta culposa da parte consistir na violação do dever de conclusão do negócio. radica na causa do contrato. a verdade é que a relação criada entre essas pessoas determinadas está muito mais próxima da relação contratual do que da existente entre o titular do direito absoluto e o autor da violação ilícita dele. em especial. C – Consequências jurídicas. de informação e de esclarecimento. abrangendo por conseguinte a fase crucial da redacção final das cláusulas do contrato celebrado por escrito. excepcionalmente.a lei respeita o valor fundamental e transcendente da liberdade contratual). 830º . a sua responsabilidade tender para a cobertura do interesse positivo (ou de cumprimento) [vd. para lá de traduzir a adequação entre o contrato em concreto e aquilo a que alguns chamam “contrato hipotético normativo”. à partida. o conteúdo indemnizatório • Além de indicar o critério pelo qual se dever pautar a conduta das partes. de 7 de Outubro de 1976]. O subcontrato como exemplo principal de contrato derivado. mistos. sob qualquer forma. B – Âmbito da responsabilidade pré-contratual • A lei consagra a tese da responsabilidade civil pré-contratual pelos danos culposamente causados à contraparte tanto no período das negociações como no momento decisivo da conclusão do contrato. 14. • Embora uma das vertentes da boa fé abranja a cobertura das legítimas expectativas criadas no espírito da outra parte. • A lei não se limita a proteger a parte contra o malogro da expectativa da conclusão do negocio. • O interesse que o faltoso terá que. | Paulo Pichel A – Fundamento da responsabilidade pré-contratual • Baseia-se na ideia de que o simples início das negociações cria entre as partes deveres de lealdade. se afasta da conduta exigível: a reparação dos danos causados à contraparte. na função que desempenha ou no fim que as partes procuram. dignos de tutela do direito. 35/96 .

Tipicidade social – refere os contratos que. há que atender ao estatuído pelos contraentes sendo ainda de aplicar os princípios gerais que regem toda e qualquer contratação e as normas dos contratos típicos que mais se aproximem do contrato em causa. internamento em clínica médica. distribuição de filmes. recolha de automóveis. No que toca aos seu regime. 405º. Exemplo 2: recolha de veículos – há que procurar o elemento preponderante (guarda/ vigilância de veículos) e fazê-la corresponder com o elemento essencial do contrato típico. mediação imobiliária ou agência). Novas figuras contratuais • . aluguer de longa duração. • • Exemplos: armazenagem.1 CCiv – admite que as partes celebrem contratos diferentes dos previstos no código.Direito das Obrigações – 4º Sem. locação financeira. embora desprovidos de disciplina legal. instalação do lojista em centro comercial). o o Exemplo: art. instalação em parque de campismo. | Paulo Pichel • Tipicidade legal – refere os contratos que têm uma qualificação técnico-legislativa (compra e venda. 1156º CCiv. são de tal formas frequentes que foram autonomizados pela doutrina (exemplo: contrato de instalação de lojistas em centros comerciais). Contratos atípicos • • Art. fugindo aos rígidos tipos legais.

mediante o pagamento de um preço determinado ou determinável. Factoring – contrato em que uma entidade parabancária que adquire os créditos corre o risco de os não receber. Join Venture – é uma espécie de associação de duas ou mais empresas. em troca. contra retribuição. por tempo limitado. nos termos do próprio contrato. comissão que. os processos de fabrico ou outros conhecimentos especiais que só ela possui. em troca do pagamento de certa comissão por parte do cedente. determinada remuneração. para a consecução de um fim lucrativo comum. 36/96 . recebendo. perante uma outra empresa • • • • • interessada em instalar um novo projecto industrial. logo que o expedido prove a expedição da mercadoria. total ou parcialmente. em que as associadas não querem imolar a sua personalidade jurídica na ara do objectivo comunitário. Franchising – operação pela qual o empresário concede a outro o direito de usar a marca de produto seu com assistência técnica para a sua comercialização. Engineering – contrato em que uma empresa de engenharia se obriga. parcialmente se destina a remunerar a sua actividade de cobrança e risco que corre da tentativa infrutífera de realização do crédito. a conceder a outra o gozo temporário de uma coisa adquirida ou constituída por indicação desta e que a mesma pode comprar. a estudar e a implantar no local todo o equipamento dele e a acompanhar o início do seu funcionamento. • Garantia autónoma – promessa feita por um terceiro de que pagará a contraprestação devida pelo destinatário de certa mercadoria. Know-how – acordo pelo qual uma pessoa se obriga a transmitir a outra.Leasing/ contrato de locação financeira – DL 149/95 – contrato pelo qual uma das partes se obriga. para que esta os aproveite.

no regime do arrendamento urbano com parte urbana e rústica. 37/96 . | Paulo Pichel Contratos mistos • • Contratos que congregam elementos de contratos típicos. Contrato complementar . • Exemplo – contrato de hospedagem ou albergaria (arrendamento de quarto + aluguer de mobília + prestação de serviços e encargo de quantia única). de tal modo que uma das partes se obriga à prestação típica de outro contrato. o Parece mais correcta uma atitude de compromisso no sentido da aplicação da doutrina que melhor satisfaça os interesses dos contraentes. arrendamento de casa mobilada.composto por uma prestação principal e por prestações secundárias próprias de outro tipo contratual. Contratos coligados • Demarca-se da contratação mista pela circunstância de os diferentes contratos observarem a sua autonomia apesar da existência de um nexo intercorrente. 1028º). que só assume verdadeiro significado quando a “ligação” é interna – A coligação intrínseca objectiva ou subjectiva pode traduzir uma dependência: o Unilateral – um dos contratos está subordinado ao outro. • Regime dos contratos mistos: o Critério da absorção [Lotmar] – a aplicação do regime do tipo contratual que corresponda aos elementos predominantes do contrato pode marginalizar elementos contratuais que correspondam a um interesse económico relevante – a doutrina nacional tende a aplicar este critério aos contratos complementares e indirectos. • Exemplo – o senhorio vincula-se a fornecer serviços de portaria ou o vendedor obriga-se a dar assistência periódica. • Há situações em que o legislador manifestou preferência por este critério – arrendamento com pluralidade de fins (art. • o Exemplo – doação mista – venda com preço de favor. o que significa que as vicissitudes de um são repercutidas no outro. • Estamos perante uma dualidade ou pluralidade contratual. • Exemplo – contrato de portaria – concede-se a fruição de uma habitação com o encarfo de uma prestação de serviços ou de trabalho a cargo do contratado.Direito das Obrigações – 4º Sem. Tipos de contratos mistos: o Combinado/múltiplo – vinculação de uma das partes a várias prestações essenciais correspondentes a tipos contratuais diferentes e vinculação de outra a uma contraprestação unitária. o Critério da combinação [Rumelin e Hoeniger] – aplicação das normas correspondentes aos diferentes tipos contratuais desagrega o que é essencialmente uno – a doutrina nacional tende a aplicar este critério aos contratos combinados e de tipo duplo. o Contrato de tipo duplo/geminado – os tipos contratuais apresentam-se em termos contrastantes. o Contrato misto em sentido estrito/indirecto – o tipo contratual adoptado pelas partes destina-se precipuamente a um objectivo correspondente a um outro contrato.

continuando adstrito para com o dono da obra principal em todas as obrigações emergentes do contrato de empreitada e vinculando-se o subempreiteiro a uma obrigação relacionada com a obra principal. Um dos contraentes. 14. Aluguer de longa duração (conexão entre o contrato de aluguer. Contratos com eficácia real (sistema de título) • Para além da eficácia obrigacional (possibilidade de constituição. • • Art. O subcontrato como exemplo principal do contrato derivado • Caracteriza-se pela existência de um contrato principal apto a reproduzir e a gera um outro contrato semelhante (contratofilho/ derivado). com base no direito que resulta do contrato inicial. a compra-e-venda. a validade e a eficácia do contrato-filho dependem da vida do contrato-mãe. e sem perder essa posição. Exemplos: o o o Contrato-promessa e o contrato prometido. • A. • Art. características e funções. 408º . • Sistema de translação imediata: o O risco de perecimento da coisa passa a correr . e um contratopromessa de compra e venda do bem alugado). A cláusula de reserva de propriedade: âmbito típico. sendo ambos causa e efeito de possíveis eventos. Crédito ao consumo conectado com uma aquisição de bens. do contrato podem emergir direitos reais. daquela posição originária. Subcontrato.Direito das Obrigações – 4º Sem. 1060º sublocação. o o o Contrato de depósito acoplado a um contrato de emissão de cheques.princípio da consensualidade/causalidade segundo o qual a transferência do direito real se faz por mero efeito do contrato de alienação ou de oneração da coisa. | Paulo Pichel o Bilateral – os contratos dependem reciprocamente um do outro. Contrato de trabalho e o contrato de arrendamento. celebra um outro contrato (do mesmo teor) de forma a dispor total ou parcialmente.4 A eficácia do contrato inter partes: eficácia obrigacional (unilateral ou bilateral) e eficácia real (consensus parit proprietatem – sistema do título). A coexistência de dois contratos desencadeia um fenómeno de acessoriedade. • Pode revelar uma união genética (um dos contrato determina a formação do outro) ou funcional (um dos contratos influi no desenvolvimento da relação jurídica que deriva do outro). • Subempreitada – o empreiteiro passa a ser o dono da obra. já que a existência. Os contratos com eficácia real diferida e provisória. modificação ou extinção de relações de obrigação).

291º). da entrega do bem como elemento formal (doação de móveis) ou constitutivo de certos contratos e garantias (comodato. antes mesmo de o alienante efectuar a entrega (art. mútuo.por conta do adquirente. • Há que distinguir a eficácia real do contrato da exigência do registo na hipoteca. 38/96 . o A nulidade ou anulação do contrato tem como consequência a restauração do domínio da titularidade do alienante (ver art. 796º.2 + 408º CCiv).

quanto às próprias coisas móveis. Transmissão dos direitos e das obrigações dos promitentes. penitencial) e cláusula de tradição do bem prometido-transmitir. 410º. 14. A onerosidade e as vantagens do contrato-promessa dotado de características reais. 410º. para a compra e venda. Estamos perante um contrato que se caracteriza especificamente pelo seu objecto: uma obrigação de contratar. As modificações formais feitas nos arts. 801º. a respeito da resolução do contrato (art. quando incida sobre coisas imóveis ou sobre coisas móveis sujeitas a registo. sem necessidade de qualquer formalidade especial. por vezes. tendo-se em vista que. uma vez que não vigora. enquanto promessa particularmente protegida.5 O contrato-promessa (estudo da primeira parte do seu regime). a forte restrição do art. o pacto vale em relação a terceiros. • A reserva. É um contrato que vincula ambos os contraentes ou apenas um deles à celebração posterior do contrato individualizado nesse acordo. 886º. 411º). penhor financeiro) e da tradição do título (ao portador) como requisito do exercício de certos direitos. Ver CRPred. • • Art. Equiparação entre o contrato-promessa e contrato-prometido e as excepções formais (maxime as do art. • Tratando-se de uma coisa móvel não sujeita a registo. A conformação legal como resultado da conjugação das normas originais do Código Civil com as alterações introduzidas em 1980 e 1986. | Paulo Pichel depósito.1 CCiv – no caso previsto neste artigo. penhor de coisas. de 4 de Julho.3) – a importância dos Assentos de 29 de Novembro de 1989. nas vendas a prestações e nas vendas com espera de preço. 413º). 409º.1 CCiv – convenção pela qual alguém se obriga a celebrar certo contrato. mas também pode ter eficácia real (art. frequentemente. modalidades e interesses subjacentes. confirmatório e. Modalidades • O contrato-promessa pode ter uma natureza obrigacional.Direito das Obrigações – 4º Sem. surgindo para os promitentes (ou para um deles) o direito de exigir esse comportamento declarativo. Noção. sem o que não produz efeitos em relação a terceiros. a qual pode ser relativa a qualquer outro contrato. 410º e 413º pelo DL 116/08. Os contraentes auto-vinculam-se a um facere pessoal e jurídico.2) existe. sendo um contrato cujos efeitos não se produzem em globo mas de forma progressiva. Esta cláusula representa uma valiosa defesa do vendedor contra o incumprimento e a insolvência do comprador. quanto à transferência da propriedade. carece de ser registada. 39/96 . 409º) • Art. Contratos de eficácia real diferida – a cláusula de reserva de propriedade (art. Noção • Trata-se de um contrato que integra a categoria ampla dos contratos preliminares. de 28 de Junho de 1994 e de 1 de Fevereiro de 1995 – e substanciais. • A reserva da propriedade é estabelecida. o princípio segundo o qual a posse vale título. o negocio é realizado sob condição suspensiva. O clausulado típico do contrato-promessa: cláusula de sinal (em regra. • Pode ser unilateral ou bilateral se apenas um dos contraentes assumir a obrigações de estipular ou contrato prometido ou se os dois o fizerem (art.

em princípio. O mesmo acontece relativamente à proibição de um critério supletivo para a determinação do preço na compra e venda (Art. o Assim. Regime aplicável. se a lei proíbe a venda de filhos e netos. sociedade. por exemplo. está sujeito ao mesmo regime do contrato prometido (ver art. está a ser construído ou foi apenas projectado. de trabalho. o promitente-comprador não tem disponível todo o – a escritura pública não pode ser outorgada por ausência de certos documentos. Princípio da equiparação • • Princípio da equiparação – o contrato-promessa... o Esta vontade definitiva é – o andar. atribuição de eficácia real à promessa dotam o contrato de um sentido não provisório que o afasta da zona de “reserva desvinculativa”. O princípio da equiparação é objecto de duas . 410º. 877º). de transmissão de direitos reais de habitação periódica ou de direitos de habitação turística.as razões para a celebração de um contrato-promessa estão essencialmente ligadas à existência de uma vontade séria de vinculação e um conjunto de obstáculos materiais e jurídicos impeditivos de uma imediata contratação definitiva.1). Pode ser estipulado. No entanto note-se que a existência de cláusulas de sinal com papel penitencial através da sua perda/devolução em dolo e cláusulas de tradição e de execução específica. tendo por base razões discricionárias. 883º) 13. | Paulo Pichel • Exemplos: contrato-promessa de compra-e-venda.Direito das Obrigações – 4º Sem. locação.) Interesses subjacentes (razões e finalidades) • Finalidade típica . por razões de ordem sucessórias. Art. pela não constituição da propriedade horizontal ou pelo facto do bem prometido-vender estar ainda no património de – abrange o grupo de hipóteses em que os promitentes conservam a possibilidade legítima de um arrependimento posterior. um exercício de resolução não fundamentado em qualquer facto concreto ou qualquer “causa justa”. em certas promessas. o objecto mediato do contrato. também tem de proibir o contratopromessa nos mesmos termos (cfr.

I. o que permite que ao contratopromessa seja atribuída uma forma menos solene do que a que seria exigida para o contrato definitivo. o Disposições que pela sua razão de ser não devam considerar-se extensivas ao contrato879º se aplica ao contrato-promessa. Vol. Daí que. MENEZES LEITÃO. 217 40/96 . pp. Editora Almedina. o • 13 Cfr. 892º). embora a venda de bens alheios seja nula sempre que o vendedor careça de legitimidade para a realizar (art. o regime das perturbações da prestação no contrato não se estende ao contrato-promessa. 5ª ed. Direito das Obrigações.importantes excepções: o Disposições relativas à forma – a forma do contrato-promessa não tem necessariamente a mesma do contrato definitivo. • Também na compra e venda.

293º. Assim. o contratopromessa segue o regime geral da liberdade de forma (art. 1690º. que não reveste essa natureza. • O art. 410º. permitindo a subsistência da obrigação por parte de quem assinou o documento. nº1 al. mas que este deve ser realizado através do mecanismo da conversão e não da redução. Os seus argumentos (I) partem do pressuposto de que se apresentaria como iníquo não permitir o aproveitamento do negocio . • Art. 604º. se o contrato é bilateral ou de um deles se é unilateral. a) não impede que um dos cônjuges celebre contratospromessa relativos aos mesmos imóveis. Apenas se exigem. as assinaturas dos dois outorgantes. perante um aproveitamento parcial do negocio. quando o correcto seria antes que este ónus recaísse sobre a parte interessada no aproveitamento do negócio.1). é suficiente para a existência da promessa um documento escrito. a invalidade de uma das obrigações tem que afectar igualmente a outra.2 – mesmo que o contrato-prometido deva ser celebrado por escritura pública. o A tese da nulidade total do contrato – a partir de 1977 o STJ passou a defender que a falta de assinatura de uma das partes é um elemento essencial para a forma do contrato-promessa bilateral e que atenta a natureza sinalagmática deste contrato. situação sujeita ao art. não se exige em relação ao promitente-vendedor qualquer requisito de legitimidade. que seja assinado apenas por um dos promitentes pode ser válido como promessa unilateral. o A tese da conversão – esta tese foi defendida por Antunes Varela e por Galvão Telles. estando em causa uma mera obrigação de contratar. neste caso. 41/96 . 219º). Podem referir-se as seguintes posições: o A tese da transmutação automática desse contrato em promessa unilateral – esta tese foi defendida inicialmente pelo STJ sendo exemplo disso os acórdãos 25/4/1972 e 3/1/1975. 410º.1). mas perante a sua transformação num negócio de tipo ou conteúdo diferente. assim. 1628º-A.Direito das Obrigações – 4º Sem. por falta da forma exigida por lei. • Ver art. Forma do contrato-promessa • A forma do contrato-promessa é precisamente um dos campos não abrangidos pelo princípio da equiparação de regime com o contrato definitivo (art. (II) Por outro lado. • Uma questão que divide a doutrina é a de saber se um contratopromessa bilateral. já que a redução pressupõe uma invalidade parcial (ver 292º) e o contrato-promessa bilateral a que falte uma das assinaturas e se apresenta como totalmente nulo. a natureza bilateral torná-lo-ia radicalmente diferente do contratopromessa unilateral. | Paulo Pichel contrato-promessa de venda de bens alheios é válido já que. Não se estaria.1. uma vez que o sinalagma genético não pode ser válido apenas em metade. uma vez que estes se limitam a constituir obrigações e cada um dos cônjuges não está impedido de contrair dívidas sem consentimento do outro (art. (III) Em face do regime da redução. relativamente à forma. cabe à parte interessada na invalidade total do negocio alegar e provar que este não teria sido concluído sem a parte viciada.

apenas a afastando quando se demonstre que a vontade hipotética das partes iria em sentido contrário. manifestamente infeliz. só permitiu afastar a tese da convolação automática. uma vez que. 442º.“o contrato-promessa bilateral de compra e venda de imóvel. 292º). desde que essa tivesse sido a vontade das partes. parece correcto configurar esta situação como de invalidade parcial. A tese defendida pela maioria da doutrina ideia de que se deve procurar aproveitar como contrato-promessa unilateral um contratopromessa bilateral a que falta uma das assinaturas. entendendo que no contrato-promessa a lei só exige a assinatura para a declaração negocial do contraente que se vincule à promessa. Ribeiro de Faria e Calvão da Silva. [nota: A tese da conversão tem muitas dificuldades na articulação com o regime de sinal – esta tese não salvaguarda a manutenção do sinal.Direito das Obrigações – 4º Sem. uma vez que estabelece em princípio essa solução. o que está em concordância com o art. esta é cindível em relação às duas partes. Saber se essa invalidade parcial se deve comunicar ou não a todo o contrato . o Supremo emite um assento onde estabelece a propósito do nº2 do art. Em 1989. então essa conversão não poderia abranger a convenção de sinal bilateral. o que justifica a aplicação do regime da redução (art.” – a formulação. então deve adoptar-se a solução que ofereça mais possibilidades – nesta é ao interessado na nulidade total do negocio que caberá Permite a manutenção da sanção do sinal em relação à parte que permanecesse vinculada à celebração do contrato definitivo. apesar de se tratar de uma invalidade formal. considerando-se totalmente nulo o contratopromessa bilateral. o o Do ponto de vista conceptual. 410º . caso este tenha sido constituído já que. Para além disso. considerada nula]. | Paulo Pichel o A tese da redução – defendida por Almeida Costa. exarado em documento assinado apenas por um dos contraentes é nulo. esse regime é o que melhor tutela os interesses da parte que pretende o aproveitamento do negocio. a nulidade por falta de forma no contrato-promessa bilateral será parcial se apenas um dos contraente não assinar o contrato. mas pode considerarse válido como contrato-promessa unilateral.

da existência de licença de utilização ou construção. • Art. 410º.3: o Não se está perante uma exigência de forma. no interesse do promitente adquirente. só poderá ser invocada 42/96 . no entanto.dependerá da aplicação do art. o A exigência destas formalidades prendeu-se com a intenção de estabelecer um controle notarial dos contratos-promessa relativos a edifícios ou suas fracções autónomas. impondose por isso. exigidas para a validade plena do negocio. o reconhecimento presencial das assinaturas e a certificação pelo notário. por forma a evitar a sua celebração em casos de construção clandestina. tratando-se antes de formalidades. no próprio documento. Caso estes requisitos não sejam cumpridos. ocorrerá a invalidade do contrato-promessa que. 292º e não de uma posição conceptualista sobre a natureza sinalagmática do contrato. uma vez que não se revela por esta via qualquer vontade negocial.

caso em que não pode ser invocada por terceiros nem conhecida oficiosamente pelo tribunal – assento formalidades não constitui uma verdadeira nulidade. mas antes se opera mediante uma acção declarativa constitutiva. neste caso. 412º. mesmo que registado 16+. Caso. que não adquire prevalência sobre os direitos reais. o que não é admissível. sujeita ao regime do art. obtendo o credor a satisfação do seu direito por via judicial. Ao contrário das outras hipóteses de execução específica previstas nos arts. Assim. no entanto. 16 Esta . nesse caso. admitindo-se. • Existência de convenção em contrário o A possibilidade de execução específica da obrigação de contratar não se apresenta como um regime imperativo. a própria natureza da relação impedirá a transmissão por morte. 220º. 830º CCiv – o não cumprimento da promessa atribui à outra parte o direito de recorrer à execução específicica. 14 15 Considerando-se nulo o contrato nos termos do art. 286º. o promitenteadquirente pode invocar a invalidade a todo o tempo. o cumprimento da obrigação respectiva seja exigido dos herdeiros ou seja requerido pelos herdeiros do defunto. a sentença judicial não poderia produzir os efeitos de um contrato definitivo válido. Em princípio a lei não reconhece ao contrato-promessa um cariz intuitu personae. | Paulo Pichel pelo promitente adquirente. • Art.Direito das Obrigações – 4º Sem. a menos que seja provocada por sua culpa exclusiva. A execução específica • Consiste em o devedor ser substituído no cumprimento. a execução específica da obrigação de contratar não resulta de um processo executivo. [Essa solução é aplicável mesmo que o registo da venda somente ocorra após o registo da acção de execução específica. Situações em que é excluída a execução específica do contratopromessa: • Impossibilidade definitiva do cumprimento – exemplo do caso em que o bem que se prometeu vender já foi alienado a um terceiro. na medida em que realiza o interesse do credor à prestação prometida. mas antes os efeitos de uma venda de bens alheios nula. uma vez que até à decisão da acção de execução específica continua a haver apenas um direito de crédito. pelo que as partes podem derrogá-lo através de convenção. a execução específica consistirá em o tribunal emitir uma sentença que produza os mesmos efeitos jurídicos da declaração negocial que não foi realizada. operando-se assim a constituição do contrato definitivo 15. mas antes uma situação de invalidade mista. 2025º. A. porém que essa invocação possa ser restringida com base no abuso do direito 14. ao abrigo do art. pelo que nada impede que. as partes tenham celebrado o contrato-promessa tomando em consideração especificamente a pessoa do outro contraente. Efectivamente. Esta acção reveste. estabelecida no interesse do promitente adquirente em evitar a aquisição de um imóvel clandestino. porém. 827º e ss. poder-se-á considerar a existência de responsabilidade civil pré-contratual. Transmissão dos direitos e obrigações emergentes do contrato-promessa • • Art. em caso de morte de uma das partes. funcionalmente uma natureza simultaneamente executiva.

413º. derrogando expressamente o regime do art.solução não é defendida por GALVÃO T ELLES cuja solução proposta levaria a atribuir a todos os contratos-promessa sujeitos a execução específica em que a acção fosse registada. 43/96 .

pelo que nunca será atribuído esse efeito à convenção de sinal ou cláusula penal. • Execução específica ser incompatível com a natureza da obrigação assumida o Existem casos em que a execução específica se apresenta como incompatível com a obrigação assumida por a índole específica do processo de formação do contrato prometido ou a sua natureza pessoal não se apresentar como compatível com a su constituição por sentença judicial. não podem as partes estipular convenções contrárias à execução específica. uma vez que o tribunal não pode substituir-se ao promitente na tradição da coisa. não é possível decretar-se a execução específica. em construção ou a construir não pode ser afastado pelas partes. assim se conseguindo a sua extinção sem prejuízo para o beneficiário da hipoteca (art. a execução específica não protegeria adequadamente os interesses do adquirente. 830º.3 CT). assumindo carácter imperativo. Nestas promessas. cabendo nesse caso ao credor aquele que considerar mais conveniente (art. mútuo. não se admitindo a produção dos seus efeitos através de sentença judicial. acto cuja espontaneidade a lei pressupõe17. já construído. comodato e depósito) – são contratos em que se exige a tradição da coisa para se poder operar a constituição do contrato definitivo. o Contratospromessa relativos a contratos reais quod constitutionem (penhor de coisas. nada impedindo que as partes convencionem a aplicação dos dois regimes.4). no caso de estipulação de um sinal ou de uma penalização para o incumprimento de que as partes pretendem em caso de incumprimento é unicamente a obtenção da ilídivel mediante prova em contrário. que ficaria sujeito a ver o bem -se que na execução específica seja simultaneamente pedida a condenação do promitente faltoso na quantia necessária para expurgar a hipoteca. – o regime que permite a execução específica relativas à constituição ou transmissão de direito real sobre o edifício ou fracção autónoma dele. o O contrato-promessa de contrato de trabalho é insusceptível de execução específica. Nestes casos. caso em que acção improcede se . mas se encontrar presentemente hipotecado – nesta caso. A lei procura ainda resolver dois problemas que a execução específica pode desencadear: o Hipótese de o bem ter sido prometido vender livre de ónus ou encargos. | Paulo Pichel o Presunção. atento o carácter pessoal da prestação de trabalho (art. o Hipótese de o promitente faltoso poder invocar a excepção de não cumprimento do contrato. o incumprimento do contrato-promessa apenas poderá gerar indemnização por responsabilidade contratual.Direito das Obrigações – 4º Sem. 90º.

ele não consignar em depósito a sua prestação no prazo que lhe for fixado pelo tribunal (art. 926 e ss. 44/96 . pp. 830º. • 17 Contra esta posição ver ANA PRATA.5). o contrato-promessa.

desta se distinguindo apenas pelo facto de pressupor a entrega prévia de uma coisa fungível (art.Direito das Obrigações – 4º Sem. a coisa entregue será imputada na prestação devida – princípio do pagamento – ou restituída. 428º . A simples entrega de uma parte da prestação no momento da celebração do contrato. • O sinal funciona como fixação das consequências do incumprimento. e. | Paulo Pichel Pretende-se. o A doutrina deste artigo é inaplicável aos contratos-promessa. caso a acção de execução específica seja julgada procedente. ou posteriormente só é considerada como sinal se houver a intenção de lhe atribuir esse carácter. é expresso o artigo em exigir que a coisa seja entregue no momento da celebração do contrato.como acontece quando as partes convencionam que o pagamento do preço ocorra previamente ou simultaneamente com a celebração do contrato definitivo – viesse o tribunal a emitir a sentença de execução específica – a qual determina a transmissão da propriedade da coisa a que se refere o contrato-prometido – sem assegurar que o promitente faltoso viesse a receber a prestação a que tem direito. 440º (antecipação do cumprimento): o Distingue-se.2 primeira parte). . uma coisa fungível. que pode ter natureza diversa da obrigação contraída ou a contrair. Se o não cumprimento partiu de quem recebeu o sinal. o que pode fazer-se é um cumprimento antecipado. portanto. A obrigação emergente do contrato-promessa tem por objecto a realização dum negocio jurídico e não pode haver nele entrega de coisa que coincida com a prestação a que se fica adstrito. uma vez que se a parte que constituiu o sinal deixou de cumprir a sua obrigação. no caso do contratopromessa. visto o contrato prometido só se celebrar depois. Articulação com o regime de sinal A – Sinal e antecipação do cumprimento • O sinal consiste numa cláusula acessória dos contratos onerosos.1). 810º. ou posteriormente. com esta norma. • Caso se verifique o cumprimento do contrato. neste artigo e nos seguintes. O que se pode ter em vista é o cumprimento de um contrato futuro – o prometido – mas não o cumprimento do contrato-promessa. tem este que o devolver em dobro (art. Em princípio. caso essa imputação não seja possível (art. o sinal aproxima-se da cláusula penal. • Art. 442º.1). pois este só se cumpre pela celebração do negócio jurídico. • Uma vez que envolve uma estipulação da indemnização em caso de incumprimento. A consignação em depósito da prestação assegura que o promitente faltoso continua a beneficiar da protecção conferida pelo sinalgma funcional. pois não pode supor-se um começo de cumprimento na entrega de qualquer coisa por um dos promitentes ao outro. 442º. evitar que quando o promitente faltoso beneficie da excepção de não cumprimento do contrato – art. De resto. aquilo que é havido como antecipação do cumprimento do que é considerado como sinal. por ocasião da celebração do contrato. a outra parte tem o direito de fazer sua a coisa entregue. mediante a qual uma das partes entrega à outra. a entrega de uma parte da prestação funciona apenas como começo do cumprimento.

45/96 .

Direito das Obrigações – 4º Sem. | Paulo Pichel

o

A distinção entre os casos de constituição de sinal e os de mera antecipação do cumprimento envolve, pois, um problema de pura interpretação da vontade dos contraentes. Problema que nem sempre será de fácil solução, antes se prevendo que ele levante a cada passo as maiores dúvidas e hesitações, tanto mais que o sinal não deixa de ser tratado também como uma antecipação do cumprimento (art. 442º,1). Entre os elementos de que o julgador pode socorrer-se para qualificar os desvendar a intenção das partes, assume especial relevo o que se tiver convencionado acerca das consequências da falta de cumprimento por parte de alguma delas, dado do disposto no art. 442º, 2 e 3.

Art. 441º (contrato-promessa de compra e venda) o o Presume-se nos contratos-promessa de compra e venda que há intenção de constituir um sinal. Trata-se de uma simples presunção (ilídivel – art. 350º,2), já que nada impede que as partes convencionem o cumprimento antecipado de uma obrigação futura – a que emerge não do contratopromessa, mas do contrato prometido. Simplesmente, a mera declaração da antecipação não tira à quantia -se, porém, de uma prova difícil de efectuar, uma vez que a não estipulação de sinal constitui um facto negativo, de demonstração complicada, e a indicação de um título distinto para a prestação não é suficiente para afastar a presunção. Caso, porém, as partes venham a efectuar essa demonstração, a quantia entregue valerá como antecipação do cumprimento de uma obrigação futura, devendo a quantia entregue ser imputada na prestação devida, após a constituição dessa obrigação ou restituída em singelo quando a obrigação não se venha a constituir18. o Note-se ainda, que a venda definitiva, quando nula, pode converter-se numa promessa, nos termos do art. 293º. Esta conversão não tira, porém, ao cumprimento antecipado a sua especial natureza, transformando-o num sinal.

B – Funcionamento do sinal. O regime do art. 442º • Art. 442º,1 o Refere-se ao regime do sinal em geral, indicando o seu funcionamento em caso de cumprimento da obrigação. Em caso de cumprimento o sinal é imputado na prestação devida, quando coincida com esta. Se for impossível a imputação, por a coisa entregue não coincidir com a prestação devida, deve o sinal ser restituído em singelo. o A restituição em singelo ocorrerá igualmente nos casos em que se verifique a impossibilidade da prestação por facto não imputável a qualquer das partes. Efectivamente, em ambas as situações, a parte deixa de ter causa justificativa para a

funcionamento do regime do sinal em geral, quando se verifica o incumprimento.

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Este último caso representará uma situação de enriquecimento sem causa, nos termos do art. 473º,2. Caso contrário, estaríamos numa situação de enriquecimento sem causa. 46/96

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Incumprimento de quem constitui o sinal – este será perdido a favor da contraparte. Incumprimento de quem recebe o sinal – obrigação de restituição em dobro. A lei não refere a hipótese de o incumprimento ser imputável a ambas as partes, mas parece que neste caso a solução deverá ser a da restituição do sinal em singelo. Efectivamente, ambas as partes teriam nessa situação direito à indemnização da contraparte, pelo que essas obrigações se extinguiriam por compensação (art. 847º), ficando apenas subsistente a restituição do sinal em singelo. A perda do sinal ou a sua restituição em dobro pressupõe o incumprimento definitivo. Aqui fala-se em concreto do funcionamento do sinal no contrato-promessa. A lei prevê duas hipóteses no caso de haver tradição da coisa a que se refere o contratoprometido: • • O promitente adquirente pode pedir a restituição do sinal em dobro. O promitente adquirente pode receber o valor actual da coisa, ao tempo do incumprimento, com dedução do preço convencionado, acrescido do sinal (em singelo) e da parte do preço que tenha sido paga20/21. o O princípio que serve de fundamento a este regime não é o do ressarcimento de danos, mas antes o da restituição do enriquecimento injustificado. Efectivamente, perante uma situação em que o promitentevendedor, tendo antecipadamente realizado a tradição da coisa, se enriqueceria à custa do promitente comprador através da restituição do sinal em dobro, atenta a valorização entretanto verificada na coisa entregue, a lei vem determinar que essa valorização possa ser atribuída ao promitentecomprador, em alternativa à indemnização convencionada. Uma questão que tem sido controvertida em face desta norma é saber se a exigência do aumento do valor da coisa ou do direito, a que se refere o contrato-prometido, pressupõe que tenha sido constituído sinal ou basta-se apenas com a tradição da coisa:

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Esta norma tem uma explicação histórica: na década de 1980 verificou-se um período de forte inflação e especulação imobiliária, com inerente desvalorização das quantias em dinheiro e

000 EUR. o que torna desvantajosa a opção pelo incumprimento. a preços de mercado. funcionando esta como uma mera formalização de uma situação já consolidada no plano dos factos.000 EUR como sinal. que já tinha recebido. seriam sempre muito superiores à indemnização por incumprimento da promessa. os promitentes vendedores sentiam –se tentados a incumprir os contratos-promessa. Neste caso. e sendo efectuada a tradição da coisa. 47/96 . pagando B logo 25. se visse posteriormente frustrada a aquisição de um bem. a demora na execução dos contratos-promessa levava naturalmente a que deixasse de haver correspondência económica entre o preço estipulado para o contrato definitivo e a coisa prometida vender. sem conseguir receber uma indemnização adequada. o promitente vendedor obteria um autêntico enriquecimento injustificado beneficiando com um facto ilícito seu.000 EUR) e restituir-lhe o sinal em singelo (25. 21 A aplicação deste regime poderá ser esclarecida através de um exemplo.000 EUR. e iria ganhar 150. quando o promitente vendedor procede à entrega ao promitente comprador da coisa que será objecto do contrato definitivo.000 – 50. Efectivamente. no entanto. Se A apenas tivesse que restituir o sinal em dobro entregaria a B 50. e que por vezes pagara integralmente. uma casa pelo preço de 50. O promitente adquirente sofreria por isso graves danos. Posteriormente.000 EUR através da alienação da casa a terceiro. Por todos esses motivos. em virtude da desvalorização do sinal.000 = 150. Por outro lado. o incumprimento do contrato-promessa. já que os ganhos obtidos com uma venda do imóvel. Havendo a possibilidade de B optar pela valorização da coisa. o valor real da casa sobe para 200. Neste caso. o que tornaria o incumprimento do contrato mais vantajoso do que o cumprimento.000 EUR). Imagine-se que A promete vender a B.valorização dos bens imóveis. com a dedução do preço convencionado (200.000 EUR. a desvalorização pecuniária acabava por tornar platónica a sanção da restituição do sinal em dobro. este contrato já estará total ou pelo menos parcialmente executado antes da sua celebração efectiva. A teria que pagar-lhe o seu valor actual. e B promete compra-lhe. uma vez que geralmente a valorização da coisa compensava o pagamento dessa indemnização à contraparte. Esta solução era particularmente injusta no caso de já se ter verificado a tradição da coisa a que se refere o contrato prometido.

não havendo razão para que seja prejudicado por esse acto – esta parece ser a opção correcta uma vez que se trata de uma disposição excepcional. 830º1) e b) uma indemnização por todos os prejuízos causados com o incumprimento (art. | Paulo Pichel • MENEZES CORDEIRO – deve ser exigida a constituição de sinal. Não se vê. como se sabe. Esta opção não parece tão correcta.Direito das Obrigações – 4º Sem. não se vê. por que razão lhe deveria ser atribuída ainda em alternativa o direito ao aumento do valor da coisa. o Neste caso. a tradição da coisa. os dados da questão alteramse totalmente: o O promitente comprador não dica limitado a uma indemnização préconvencionada. uma vez que. já que não haveria motivo para só se aplicar este regime quando o sinal exista. que um acto desta natureza constitua justificação para atribuir esse direito ao promitente comprador. pode ocorrer em caso de simples mora (aliás. que não pode ser aplicada fora deste campo. caso não haja estipulação de um sinal. a tradição da coisa para o promitente comprador apresentase como um acto de mera tolerância do promitente vendedor. GALVÃO TELLES e JANUÁRIO GOMES – o aumento do valor da coisa ou do direito tem lugar mesmo que não tenha sido estipulado sinal. não se apresentou como contrapartida da constituição do sinal pelo promitente comprador.3 onde também se prevê a execução específica. 442º. destinada a corrigir um funcionamento desvirtuado do sinal. portanto. na medida em que admita ainda um posterior cumprimento. pois. • -se de uma disposição igualmente exclusiva dos contratospromessa. Pela redacção do artigo parece resultar que o contraente não faltoso teria sempre a . 798º). • A opção pelo aumento do valor da coisa. de favor ou de mera tolerância. por isso. a mora e não o incumprimento definitivo. esta opção vem referida no art. quando este não é estipulado. tendo antes a natureza de um acto gratuito. em alternativa a este. podendo exigir: a) execução específica do contrato (art. cujo pressuposto é. por parte do promitente vendedor.

pois. admitirse que o cumprimento. 830º. tal não é assim. ou se trate da hipótese prevista no art.3. em virtude do facto ilícito que í o incumprimento da obrigação a contratar. caso as partes ilidam esta presunção. presume-se que as partes efectuam uma estipulação contrária à execução específica (art. porém. ainda 48/96 .2). 830º. No entanto. onde a execução destina-se a evitar que o promitente faltoso venha obter um enriquecimento injustificado. Deve. havendo sinal.possibilidade de optar pela execução específica em alternativa ao sinal. só podendo esta funcionar em alternativa.

mesmo no caso de exercer essa opção.Cláusula de tradição • Cláusula de cedência imediata do uso do bem prometido vender. que não impedirá a parte lesada de reclamar uma quantia superior se demonstrar que sofreu danos mais elevados.3 a contrario) permitindo a existência de uma cláusula de arrependimento. uma vez que então já não se justifica atribuir-lhe essa sanção e o direito do promitente comprador nunca deixou de ser o direito à celebração do contrato-prometido. O direito de retenção aqui consagrado deve ser interpretado de forma restrita. Assim. • Função penitencial – possibilita que os promitentes voltem atrás embora sujeitando-se um deles à sanção limitada que o sinal constitua. não devem ficar garantidos pelo direito de retenção os créditos relativos à restituição do sinal e do preço pago. 755º. se credor optar por essa alternativa. al. uma vez que em relação a estes falta também a conexão directa com a coisa. • É discutível se o promitente é considerado mero detentor ou um possuidor. o Só será admitida a qualidade de possuidor esporadicamente. 4: o Desta norma resulta que o sinal funciona como fixação antecipada da indemnização devida. que é o único crédito resultante do não cumprimento que tem uma relação directa com a coisa a reter. C – Funções do sinal • Função confirmatória – situação em que o sinal traduz uma inequívoca vontade de vinculação. o Note-se que esta norma apenas exclui outras indemnizações resultantes do não cumprimento do contrato-promessa e não a aplicação genérica à obrigação emergente do sinal do regime do não cumprimento das obrigações. • 442º. para além das previstas nesta disposição. f). mesmo quando a parte não faltosa o faça valer no pedido de indemnização abstracta é sempre como efeito de um incumprimento culposo da outra parte. da sua obrigação possa paralisar esse direito. Aqui. | Paulo Pichel que tardio. quando seja feita a entrega da totalidade do preço. a aplicação deste instituto só se justifica com o direito ao aumento do valor da coisa ou do direito. 830º. o Por outro lado. uma desvinculação legítima que a lei admite (art. estipulação em contrário. a convenção de sinal funcionará como limite mínimo da indemnização. Temos. pelo que a parte não poderá reclamar outras indemnizações. além da tradição da coisa a estipulação de sinal. D. portanto. A melhor opção parece ser aquela que se baseia na presença ou ausência do animus possidendi aferida pela acutação do promitente como dono do bem ou como simples usuário precário. porém. Neste caso. • Atribuição do direito de retenção ao promitente que obteve a tradição da coisa o o Ver art. E. a retenção não dever poder ser exercida em relação ao aumento do valor da coisa. Esta cláusula é de contornos duvidosos quer no que se refere à sua fonte quer no que se refere à sua eficácia e tempo de vigência. Só assim é possível 49/96 . pressupondo. por exemplo. em caso de não cumprimento. a faculdade de “desdizer” não existe. o Admite-se.Direito das Obrigações – 4º Sem.

Critica – suscita a dificuldade de a reivindicação ser uma acção destinada a reconhecer um direito real e reclamar a restituição da coisa que é o seu objecto (art. 1311º. em caso de ocorrer efectivamente a venda do prédio a terceiros: o ANTUNES VARELA. enquanto o exercício da eficácia real teria que revestir essa natureza. não tendo assim natureza constitutiva. após o que o bem poderá continuar a ser executado pelo credor hipotecário em relação ao valor remanescente. Neste caso.1). Critica . o DIAS M ARQUES e OLIVEIRA ASCENSÃO – deverá interpor-se uma acção de execução específica contra o terceiro. a instaura em litisconsórcio necessário contra o promitente e o terceiro adquirente. Mais tarde. o que permitiria exigir imediatamente dele a restituição com base na nulidade da venda. este pode exercer a retenção para obter. • Quando o contratopromessa adquire eficácia real. o MENEZES LEITÃO – O exercício da eficácia real não corresponde a uma acção judicial típica. • A lei não esclarece de que forma se deve obter o cumprimento da promessa com eficácia real.coloca o problema dele não se ter obrigado a celebrar qualquer contrato com o beneficiário da promessa. | Paulo Pichel harmonizar os direitos do credor hipotecário que obteve a sua garantia quando o bem tinha determinado valor. em primeiro lugar o pagamento do aumento desse valor. Crítica – a execução específica contra o obrigado faz pouco sentido quando ele já não é o dono do bem. 50/96 . parece que o direito à celebração do contrato definitivo pode ser sempre exercido. 892º). o direito à celebração do contrato definitivo prevalecerá sobre todos os direitos reais que não tenham registo anterior ao registo da promessa com eficácia real. expressamente a atribuição de eficácia real e procederem ao seu registo. Tendo este obtido uma valorização enquanto se encontrava na posse do promitente comprador. devendo considerar-se como uma acção declarativa constitutiva. E – A eficácia real do contrato-promessa • Art. uma vez que através dela se procede a uma aquisição potestativa do direito real.Direito das Obrigações – 4º Sem. faltando por isso o pressuposto essencial da sua aplicação. mesmo que as partes decidam constituir sinal ou estabelecer penalizações para o incumprimento ou inclusivamente celebrar convenção contrária à execução específica. A LMEIDA COSTA e RIBEIRO DE F ARIA – deverá estabelecer-se da mesma forma a execução específica contra o obrigado. 413º o A lei permite a atribuição de eficácia real ao contrato-promessa no caso de a promessa respeitar a bens imóveis ou móveis sujeitos a registo. a qual é plenamente válida e só posta em causa se a eficácia real for exercida. sendo também de rejeitar a qualificação da alienação como venda de bens alheios. e as partes declararem. aplicando-se em relação ao terceiro o regime da venda de bens alheios (art. 1315º). o MENEZES C ORDEIRO – propõe uma acção de reivindicação adaptada contra o terceiro (art. já que ele era proprietário no momento da venda. OLIVEIRA ASCENSÃO veio propor que se instaura-se a acção de execução específica simultaneamente contra o obrigado e contra o terceiro adquirente. eventualmente cumulável com um pedido de restituição.

• Pacto de opção – neste há já a declaração contratual de uma das partes num contrato em formação. o Exemplos: arrendamento.6 O pacto de preferência. modalidades e requisitos formais.. 51/96 .contratos pelos quais alguém assume a obrigação de. contrato de fornecimento. escolher determinada pessoa (a outra parte ou terceiro) como seu contraente. quantia a depositar e simulação do preço. As diferentes “respostas” do preferente e a questão da validade da renúncia (prévia ou posterior) ao exercício do direito. enquanto no pacto de preferência a obrigação é diferente: o vinculado não se obriga a contratar. em igualdade de condições. enquanto no pacto de preferência só um dos contraentes se vincula. o promitente compromete-se a contratar.Direito das Obrigações – 4º Sem.. Os problemas colocados por esta acção: legitimidade passiva. sobre o qual se exerce então o direito conferido ao titular da preferência. comproprietário. distinção com figuras próximas e requisitos formais • Pactos de preferência . co-herdeiro. há direitos legais de preferência (a preferência resultante da lei). sociedade. Venda da coisa por um preço global e pluralidade de preferentes (exercício conjunto e disjunto). proprietário do prédio serviente no caso de alienação do prédio encravado. Distinção do contrato-promessa e do pacto de opção. 927º e ss) – assenta sobre uma cláusula resolutiva. destinados em regra a facilitar a extinção de situações jurídicas que não são as mais consentâneas com a boa exploração económica dos bens ou proporcionar o aceso à propriedade a quem está usando ou fruindo os bens no exercício de um direito pessoal de gozo tendencialmente duradouro. no caso de se decidir a celebrar determinado negócio. em relação a quem não seja proprietário confinante. o Exemplos de contratos que podem ser objecto de um pacto de preferência: compra e venda (pactos de prelacção). A natureza pessoal do direito e da obrigação de preferência. promete apenas. Consequências da violação do direito de preferência: indemnização e acção de preferência. obrigando por isso à entrega do preço primitivo e determinado. se contratar. Noção. • Ao lado da preferência fundada na estipulação das partes (convenção negocial ou disposição testamentária). • Venda a retro (arts. Efeitos de preferência pactícia (com e sem eficácia real). preferir certa pessoa a qualquer outro interessado. O exercício do direito de preferência: comunicação do “projecto de venda e das cláusulas do respectiva contrato”. Conceito. Na promessa unilateral. proprietários de prédios confinantes. de área inferior à unidade de cultura. proprietário do solo no caso de alienação do direito de superfície. A venda a retro implica a faculdade de resolução da venda anterior por simples declaração de vontade do vendedor. A – Distinção com outras figuras • Contratopromessa – na promessa bilateral há uma obrigação recíproca de contratar. a caducidade dos direito entretanto constituídos sobre a coisa. parceria pecuária. tendo este de pagar o preço que o terceiro deu ou estaria disposto a dar. | Paulo Pichel destinada a fazer prevalecer o direito de aquisição do promitente comprador sobre a aquisição desse terceiro. O pacto de preferência prevê a realização eventual de um futuro contrato de venda. Os direitos legais de preferência: razão de ser e casos mais importantes. 14.

415º CCiv). Uma vez que o pacto de preferência consiste num contrato unilateral. 410º. mas a falta de assinatura de um. 422º.2. quando não seja exigida essa forma para o contrato prometido. não afectará a constituição da obrigação do outro. 410º. A lei esclarece este problema no art. Não se aplica ao pacto de preferência o regime do art. 1535º. estabelecendo que o direito convencional de preferência não prevalece contra os direitos legais de preferência. ao contrário do que parece resultar do art.Direito das Obrigações – 4º Sem. 413º. em princípio não pode ser oposto a terceiros. na sede própria. ambos devem assinar o documento. Exigir-se-á antes uma negociação com terceiro. o que significa que regra geral a sua validade não depende de forma especial. celebrem o pacto de preferência por escritura pública ou. entre as quais se inclui a relatividade. são efectuadas para essas disposições (cfr. as partes explicitamente o estipulem. e for exigida forma especial para o contrato preferível.2). apenas terá que ser assinado pelo obrigado à preferência. se para a celebração do contrato preferível for exigido documento autêntico ou particular (art. | Paulo Pichel B – Requisitos formais • Em matéria de forma. 1409º. referindo a entidade emitente.1. Arts. 1091º. É de notar que esse regime é também aplicável em relação aos direito legais de preferência. Ora. pelo que teremos dois pactos de preferência. desde que. Se estes constarem do mesmo documento. atentas as sucessivas remissões que.2). o A atribuição de eficácia real ao pacto de preferência coloca o problema do seu eventual conflito com os direitos legais de preferência. por documento particular com assinatura do obrigado. A – forma do cumprimento da questão de segurança e facilidade de prova deve ser usada a forma escrita (ex. 52/96 .2). pelo que. com o qual sejam acordadas as cláusulas a comunicar designadamente o preço e condições de pagamento. esse direito está sujeito às características comuns dos direitos de crédito. Carta gado se encontre na situação de “querer vender”. pelo que esse documento não estará em caso algum sujeito a mais formalidades. apenas se exigindo que o pacto de preferência conste de documento particular. C – direitos de preferência com eficácia real • Normalmente.4. o pacto de preferência encontra-se sujeito aos mesmo regime que o contratopromessa (art. 421º o A lei admite que ao direito de preferência seja atribuída eficácia real. A obrigação de preferência • A lei regula genericamente o regime da obrigação de preferência nos arts. data e número do seu documento de identificação e respectiva inscrição no registo (ver art. a estipulação do pacto de preferência atribui apenas ao seu beneficiário um direito de crédito contra a outra parte. o Na hipótese de preferências recíprocas. 416º. estas recaem necessariamente sobre objectos diferentes. 416º a 418º.3. respeitando a bens imóveis ou móveis sujeitos a registo. • Art.

desde que esteja determinado. então haverá responsabilidade civil nos termos do art. por termo no processo. sob pena de perda do seu direito. Situação do comproprietário e do arrendatário). devendo sê-lo nas situações em que o não exercício da preferência implique que fiquem a subsistir relações jurídicas entre o terceiro e o titular da preferência (ex. • Quando tal não suceda. | Paulo Pichel Terá que ser efectuada antes da celebração de um contrato definitivo com o referido terceiro. o PIRES DE LIMA/ ANTUNES VARELA – o nome de terceiro não tem genericamente que ser indicado na comunicação para preferência.Direito das Obrigações – 4º Sem. subsistindo a obrigação de preferência que só é definitivamente incumprida com a celebração de contrato incompatível CPC. 830º. que se designe dia e hora para a parte contrária receber o preço. o titular tem que exercer o seu direito no prazo de 8 dias (menos caso assim tenha convencionado ou mais se obrigado lhe assinalar um prazo e exercício de preferência. havendo que mencionar a situação de indeterminação no caso contrário. podendo o 53/96 . pois no caso contrário já teria ocorrido o incumprimento da obrigação de preferência. tem que ser sempre indicado na comunicação de preferência. 2. • Se tal não acontecer. deve o preferente. requerer. GALVÃO TELLES E M ENEZES CORDEIRO – o princípio da boa fé impõe que o nome de terceiro tenha que ser obrigatoriamente indicado na comunicação para preferência. tendo que ser comunicadas todas as estipulações particulares acordadas. • A lei não esclarece se a comunicação deve conter o nome do terceiro com o qual foram negociadas as condições comunicadas: o o OLIVEIRA ASCENSÃO – não é necessária a comunicação do nome do terceiro. • Se mesmo esta promessa não obedecer a forma. a solução é mais simples: • A lei exige que o contrato seja celebrado no prazo de 20 dias após o exercício da preferência. nos 10 dias subsequentes. o MENEZES LEITÃO – o nome do terceiro adquirente. sob pena de ele ser depositado. que em princípio deveria implicar sem mais a celebração do contrato definitivo. desde que preenchidos os requisitos de forma. Efectuada a comunicação de preferência. ambas as partes formulam uma proposta de contrato e respectiva aceitação. 227º. Conteúdo da comunicação de preferência: • Não basta indicar os elementos gerais do negócio. que sejam relevantes para a decisão de exercício de preferência. essas declarações podem ainda valer como promessas de contratar susceptíveis de execução específica nos termos do art.

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preferente depositá-lo no dia seguinte, se a parte contrária, devidamente notificada, não comparecer ou se recusar a receber o preço. • Efectuado o pagamento ou depositado o preço, os bens são adjudicados pelo tribunal ao preferente, com eficácia retroactiva à data do pagamento ou depósito. B – Venda de coisa juntamente com outras e prestação acessória (arts. 417º e 418º) • O direito de preferência só surge caso o obrigado tome a decisão de celebrar o contrato em relação ao qual tenha concedido a preferência, não havendo naturalmente incumprimento da obrigação de preferência se o obrigado celebrar um contrato de natureza diferente do contrato preferível, mesmo que esse contrato implique a não celebração em definitivo do contrato preferível. Há, no entanto duas hipóteses que a lei considerou poderem ainda justificar a manutenção de preferência, que são os casos da união de contratos e contratos mistos. • União de contrato (art. 417º) o o Hipótese da venda da coisa juntamente com outras por um preço global. Deve ter-se em consideração se se trata de – existe dependência entre os diversos contratos, pelo que o exercício da preferência pelo titular afectaria toda a união de contratos, o que justifica que se permita ao obrigado exigir que a preferência se faça em relação a todas as coisas vendidas. Exige-se, porém, que a quebra da união interna acarrete prejuízos objec – há apenas uma estipulação comum do preço, sem qualquer dependência entre os vários contratos, pelo que nada impede o titular de exercer a preferência pelo preço que for atribuído proporcionalmente à coisa. • Contrato misto (art. 418º) o Contratos complementares em que ao contrato típico se acrescenta uma prestação típica de outra contrato (Ex. Compra e venda com obrigação acessória de prestação de serviços pelo comprador) – o art. 418º permite o exercício de preferência, determinado que essa prestação acessória deva ser compensada em dinheiro. Caso, porém, essa prestação acessória não seja avaliável em dinheiro, é excluída a preferência, a menos que seja lícito presumir que, mesmo sem a prestação estipulada, o contrato não deixasse de ser celebrado. C – a violação da obrigação de preferência C.1. A indemnização por incumprimento em caso de simples eficácia obrigacional • Uma vez definitivamente incumprida a obrigação de preferência, a celebração do contrato com terceiro implica que o titular da preferência adquira o direito a um indemnização por incumprimento (art.798º). Em virtude de os direito de crédito não prevalecerem contra direitos reais, estará vedado ao obrigado reclamar a coisa do terceiro adquirente. C.2. A acção de preferência em caso de haver eficácia real • Há eficácia real quando estamos perante um direito legal de preferência ou quando as partes atribuem esta característica ao pacto de preferência. 54/96

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Nestes casos, o titular da preferência não possui apenas um direito de crédito à preferência, mas também um direito real de aquisição, que pode opor erga omnes, mesmo a posteriores adquirentes da propriedade. Nestes casos, o processo adequado para o exercício do direito de preferência é a acção de preferência: o Art. 1410º - vem prevista em relação ao comproprietário mas é extensível a qualquer titular de direitos reais de preferência (cfr. arts. 421º,2; 1091º,4; 1535º,2). o Esta acção deve ser intentada no prazo de 6 meses a contar da data em que o titular da preferência teve conhecimento dos elementos essenciais da alienação, tendo como condição de procedência que ocorra o depósito do preço devido nos quinze dias posteriores à propos maioritária – a parte legítima para a acção de preferência é o terceiro e não o obrigado à preferência, a menos que se decida, simultaneamente, exigir uma indemnização. • ANTUNES VARELA – pronunciou-se no sentido de que o obrigado à preferência tinha necessariamente que ser demandado para a acção de preferência, existindo assim um litisconsórcio necessário obrigado à preferência como o terceiro adquirente. Qual o valor do depósito? • Apenas é exigido o depósito do preço propriamente dito (não outras despesas que por lei ficam a cargo do comprador como IMT e emolumentos notariais). • Em caso de simulação do preço, deverá ser depositado o preço real22.

D – A caducidade e a validade da renúncia ao direito de preferência • • Caducidade – o direito de preferência pode caducar por falta de resposta ou por resposta negativa. Renúncia antecipada – será permitida se for formulada de tal modo que o preferente, além de declarar que não pretende comprar o imóvel, acrescente que não quer preferir na venda que o dono venha a fazer, seja qual for o preço, seja quem for o comprador e quaisquer que sejam as condições de pagamento. 14.7 O contrato a favor de terceiro: noção, admissão tardia e distinção dos contratos com eficácia de protecção para terceiro, dos contratos com prestação de facto de terceiro e dos contratos autorizativos de prestação a terceiro. A tripla relação do contrato a favor de terceiro: a relação promitente-promissário (relação de cobertura ou de provisão), a relação promissário-terceiro (relação de valuta) e a relação promitente-terceiro (relação de cumprimento). A amplitude das obrigações do promitente, a rejeição e a consolidação do direito do terceiro e o conjunto dos meios de defesa do promitente. Noção e estrutura • Previsto nos arts. 443º e ss, o contrato a favor de terceiro pode ser definido como o contrato em que uma das partes (o promitente) se compromete perante outra (o

promissário) a efectuar uma atribuição patrimonial em benefício de outrem, estranho ao negócio (o terceiro). Essa atribuição patrimonial consiste normalmente 22

Esta posição não é isenta de crítica, note-se por exemplo, havendo simulação, como é que o preferente pode depositar o preço devido dentro do prazo legal? 55/96

tendo por base um interesse do promissário nessa a vista como uma atribuição patrimonial indirecta do promissário em relação ao terceiro. 448º.2). 406º. embora adquira um direito contra o promitente. o A lei prevê ainda a possibilidade de o terceiro aderir à promessa (art.1). O regime normal dos contratos a favor de terceiros • O contrato a favor de terceiro faz nascer automaticamente um direito para o terceiro. 443º. caso em que se extinguirá o direito por si adquirido. 448º. bem como na constituição.1).2).1). no entanto. em virtude do compromisso deste para com o promissário. uma vez que.1). • O terceiro pode rejeitar a promessa. A função é antes impedir a revogação da promessa. a adesão não se destina a permitir ao terceiro a aquisição do direito.1). sendo os meios de defesa dela resultantes oponíveis ao terceiro (art. 447º. mediante declaração ao promitente.2) – teoria do incremento – a aquisição do terceiro verifica-se imediatamente em virtude do contrato celebrado entre promitente e promissário. no âmbito da qual se estabelecem direitos e obrigações entre as partes. a qual pode ser efectuada enquanto a adesão não for manifestada (art. o O terceiro não é interveniente no contrato. mas pode igualmente consistir na liberação de uma obrigação. que a deve comunicar ao comissário (art. uma vez que é em face dela que se definem os direitos e deveres do promitente em face do promissário. 56/96 . dispensando-se qualquer outra declaração negocial para esse efeito. que pode ser analiticamente decomposta em 3 relações: o Uma relação de cobertura (relação de provisão) – consiste numa relação contratual entre o promitente e o promissário. podendo inclusivamente relação é fundamental para a definição da posição jurídica do promitente. Neste caso. 447º. Em princípio essa revogação compete ao promissário. 443º. que tem que ter em relação a ela um interesse digno de protecção (art. de natureza triangular.1). 449º). | Paulo Pichel na realização de uma prestação (art. 444º.Direito das Obrigações – 4º Sem. transmissão ou extinção de um direito real (art. o Essa atribuição patrimonial é. no âmbito da qual ele vem a executar a determinação do promissário. o Uma relação de execução – consiste na relação entre o promitente e o terceiro. ou na cessão de um crédito. • O contrato a facto de terceiro institui uma situação jurídica complexa. quando a promessa tenha sido efectuada no interesse de ambos (art. o Uma relação de atribuição (relação de valuta) – é aquela que se estabelece entre o promissário e o terceiro e justifica a outorga desse direito ao terceiro. o qual se constitui independentemente da aceitação deste (art. realizada pelo promissário. sendo uma excepção ao regime da ineficácia dos contratos em relação a terceiros (art. conforme se referiu. mas necessita de acordo do promitente. este é adquirido logo com a celebração do contrato. modificação. 443º.

possuindo face ao promitente um direito de crédito a essa mesma prestação. podendo recorrer às normas da responsabilidade contratual. em que o devedor cumpre junto de um terceiro (ex.Direito das Obrigações – 4º Sem. No entanto. • Nos termos do art. 448º.2 e 970º). Contratos com prestação de facto de terceiro – contrato em que há uma prestação de facto de terceiro. o terceiro não se limita a ser apenas o receptor material da prestação. em se tratando de liberalidade se se verificarem os pressupostos da revogação por ingratidão do donatário (art. Contratos autorizativos de prestação a terceiro – acordo entre credor e devedor. ou.1 in fine). 444º. dos contratos com prestação de facto de terceiro e dos contratos autorizativos de prestação a terceiro • Contrato com eficácia de protecção para terceiro – permite que aqueles terceiros ligados a um dos contraentes sejam protegidos se forem lesados. 450º. • • . Banco do credor). | Paulo Pichel Mesmo quando o terceiro manifesta a sua adesão a promessa poderá ainda ser revogada no caso de só dever ser cumprida após a morte do promissário (art. em que alguém se obriga a “conseguir” ou “tentar” uma prestação de terceiro. Distinção dos contratos com eficácia de protecção para terceiro. normalmente também o promissário pode exigir do promitente a sua obrigação. o que se explica em virtude de ter sido ele a acordar com o promitente a realização da prestação a terceiro e possuir interesse jurídico no seu cumprimento.

Admite-se. 453º e 454º. após a nomeação. 455º. O facto de o contrato estar sujeito a registo não é obstáculo à introdução de uma cláusula para pessoa a nomear. o contrato virá a produzir efeitos em relação ao contraente originário. em nome do contraente originário. pelo facto de o contrato para pessoa a nomear ser celebrado em nome próprio e não em nome alheio. 57/96 . 452º. registando-se por averbamento a posterior nomeação do terceiro ou ausência dela.1). época de surgimento.14. pelo que as partes podem acordar que. os efeitos do contrato vão repercutir-se directamente na esfera do nomeado. o contraente nomeado adquiro os direitos e assume as obrigações provenientes do contrato a partir do momento da celebração dele (art. podendo nesse caso o registo ser realizado provisoriamente. dela se distinguindo. estipulação em contrário. 23 Esta situação é idêntica à da representação sem poderes (art. no entanto. 455º.2). 268º). • • Ver art. Nessa hipótese. Noção. A nomeação tem assim eficácia retroactiva. • Efectuada a designação. com indicação da cláusula para pessoa a nomear.8 O contrato para pessoa a nomear. Dá-se um fenómeno de substituição de substituição de contraentes. porém. a reserva de nomeação do terceiro é colocada em alternativa com a subsistência do contraente originário no contrato. se não for efectuada a nomeação nos termos legais. uma vez que. Daí que a lei preveja que. • Na sua modalidade mais comum. tudo de passando como se o nomeado fosse parte no contrato desde o seu início. a não verificação da nomeação acarretará a ineficácia do contrato 23. o contrato irá produzir os seus efeitos em relação ao contraente originário (art. em caso algum. • Verifica-se quando um dos intervenientes no contrato se reserva a faculdade de designar outrem para adquirir os direitos ou assumir as obrigações resultantes desse contrato (art. funções e regime.1).

em princípio. o âmbito e os efeitos desses instrumentos de cessação contratual.1 (pacta sunt servanda) e exceptuando os casos de mútuo acordo e da existência de uma cláusula resolutiva expressa. com as cláusulas absolutamente proibidas do art. | Paulo Pichel 14. 19º f) e 21º a). de extinguir para futuro e dentro de certos prazos um contrato duradouro (ver art.b). 406º. operando com base num normal funcionamento discricionário. com eficácia retroactiva. fidelidade e cooperação) que. denúncia. apresentando-se a violação da obrigação de segredo do agente (art.19º e 49º DL 275/93. A extinção do contrato • Tendo em conta o estatuído no art. 1170º). 239º tem sido apontado como fundamento legal para a sua concreto invocação. não tendo força indemnizatória nem sendo.9 A extinção do contrato activada ou não por vontade das partes: resolução. 1054º). fundamentalmente. em regra. O fundamento. Mandato nos termos do art. • Resolução – e o poder unilateral de extinguir. um contrato válido por circunstâncias. • Caducidade – opera automaticamente por estar tendencialmente ligada ao decurso de um prazo ou outro evento objectivo (impossibilidade superveniente). • Não se pode esquecer o conjunto de limitações colocadas à cessação dos contratos de adesão e que tem a ver.Direito das Obrigações – 4º Sem. 18º f) e j) e com as cláusulas relativamente proibidas dos arts. impedindo o surgir de uma eficácia definitiva. em geral. retroactiva. • Revogação – tem por objecto principal declarações negociais de eficácia contida (revogação de um proposta contratual) e certos contratos (ex. livre ou vinculado. A responsabilidade pós-contratual (posterior à execução contratual). sem eficácia retroactiva. 6º e 18º DL 143/2001 e 16º. O direito de livre resolução próprio dos contratos de consumo • • Ver arts. exercido por normal declaração unilateral receptícia. qualquer obrigação de indemnização. • O art.i) do DL 446/85. e sem provocar. revogação e caducidade.h). é preciso encontrar na lei o fundamento que permita a cessação dessa fonte obrigacional. frustrantes do interesse de execução contratual. legais ou convencionais. A responsabilidade pós-contratual • A extinção do contrato não afasta a possibilidade de uma das partes poder ser responsabilizada pela violação de deveres laterais (lealdade. O direito de livre resolução próprio dos contratos de consumo. • Denúncia – é o poder.f). Dá a faculdade ao consumidor de desistir do contrato sem invocar um motivo perante uma melhor reflexão. 58/96 . em nome da boa-fé devem permanecer para satisfação plena dos interesses envolvidos na relação contratual. 8º DL 178/86). posteriores à sua conclusão e. o A hipótese típica resolutiva é a que se prendo com o incumprimento de obrigações integradas em contratos bilaterais.

enriquecer à custa de outrem é obrigado a restituir aquilo com que injustamente se locupletou. A posição do legislador quanto ao reconhecimento dos negócios unilaterais como fonte de obrigações.a promessa unilateral de prestação só obriga nos casos previstos na lei. com eficácia constitutiva (interpelação do devedor.Direito das Obrigações – 4º Sem. Demonstra a intenção do legislador consagrar eficácia obrigacional a determinados negócios jurídicos unilateais. • Distingue-se de um conjunto amplo de manifestações unilaterais de vontade. que se apura segundo as circunstâncias. requisitos e tipos de enriquecimento (exemplificação). Não se trata de um negócio abstracto mas de um “simples acto jurídico”. • A promessa de cumprimento e o reconhecimento da dívida são condutas declarativas que não geram obrigações. Os diversos actos unilaterais e os negócios unilaterais instrumentais.2. reconhecimento da culpa no atropelamento).Art. Secção III – Factos não voluntários geradores de obrigações 16. 473º. renúncia. mas criam apenas a presunção da existência de uma fonte causal – relação fundamental subjacente de natureza contratual ou extracontratual (mútuo. 59/96 . | Paulo Pichel 15. Noção. Enriquecimento real e enriquecimento patrimonial. Enriquecimento obtido à custa de outrem.1 CCiv – aquele que. • Para que haja uma pretensão de enriquecimento. compensação). A questão do objecto da restituição nos casos de enriquecimento por intervenção – alusão à chamada doutrina da afectação dos bens. uma obrigação em que é devedor o enriquecido e credor aquele que suporta o enriquecimento. mostra-se necessária a verificação cumulativa de três requisitos: o o o Existência de um enriquecimento. 457º . Explicitações da natureza subsidiária do enriquecimento sem causa. invalidade. Há-de traduzir-se numa melhoria da sua situação patrimonial.1 Requisitos positivos A – Enriquecimento • É necessário que se produza um enriquecimento da pessoa obrigada à restituição. O enriquecimento sem causa. A existência presumida de uma causa debendi dispensa o credor de a provar – abstracção processual da causa. extinção ou a carência de fundamento da relação fundamental (ex.1 Noção e pressupostos • Art. Os negócio unilaterais. Agravamento do objecto da restituição e prescrição do direito à restituição. cabendo sempre ao devedor (ou seus herdeiros) o ónus de provar a inexistência. A interpretação do artigo 458º no tocante ao valor da promessa de cumprimento e do reconhecimento de dívida. O devedor prova o cumprimento da dívida ou o lesante prova a culpa exclusiva do lesado). As promessas e os concursos públicos.2 Requisitos do enriquecimento sem causa (positivos e negativos) 16. quer dizer. • São constituídos pelas promessas públicas e pelos concursos públicos. 16. 16. • Princípio do contrato ou invito non datur beneficium . sem causa justificativa. Falta de causa justificativa. ratificação do contrato de gestão) ou extintiva (resolução.

poderia ter dificuldade em satisfazer o empobrecido na quantia conduziria a excessos. Pode até não se verificar qualquer efectivo empobrecimento. sofrida por outra pessoa: um enriquecimento à custa de um empobrecimento. quer dizer. destituídas de valor económico. via de regra. uma perda. o Não é sustentável a aplicação das regras do enriquecimento sem causa à hipótese de uma pura e simples vantagem moral ou ideal económico beneficiou. o (nota: o art. Na verdade. A vantagem em que o enriquecimento consiste é susceptível de ser encarada por dois ângulos: o o Enriquecimento real – corresponde ao valor objectivo e autónomo da vantagem adquirida. que a obrigação de restituir se pauta pelo efectivo alcance das vantagens do património do enriquecido) 24. o instituto abrange situações em que a vantagem adquirida por uma pessoa não resulta de um correspondente sacrifício económico sofrido por outra – diminuição patrimonial ou privação de aumento. Enriquecimento patrimonial – reflecte a diferença produzida na esfera económica do enriquecido e que resulta da comparação entre a sua situação efectiva (real) e aquela em que se encontraria se a deslocação se não houvesse verificado. sempre que a vantagem obtida produza consequências apreciáveis em dinheiro. Mas deve entender-se. sendo realizado não só através do aumento do activo como da diminuição do passivo.Direito das Obrigações – 4º Sem. também avaliável em dinheiro.25 . • • B – Suporte do enriquecimento por outrem • À vantagem patrimonial obtida por uma pessoa corresponde. 479º.1 declara apenas a obrigação de restituir o “obtido”. | Paulo Pichel • Tanto pode derivar da aquisição de um novo direito como do acréscimo de valor de um direito que já lhe pertencia. • Este requisito não significa necessariamente que a diminuição suportada pelo empobrecido tenha de ser igual à vantagem conseguida pelo enriquecido. O enriquecimento poderá consistir em vantagens não patrimoniais. quando se converta numa vantagem patrimonial indirecta. Daí que não imponha forçosamente qualquer das soluções. dado que os faltaria motivo para não se admitir uma paralela pretensão de enriquecimento quando o empobrecido tivesse apenas um empobrecimento não patrimonial.

ou seja. se a intervenção é culposa e preenche os demais requisitos da responsabilidade civil. designadamente o da responsabilidade civil e o da gestão imprópria de negócio. Exemplo: A instala à beira da estrada. Vem a propósito o problema do lucro por intervenção. JÚLIO GOMES). uma tenda para venda de fruta e com isso aufere um lucro de 1500. quaisquer direitos que o titular tenha advêm-lhe necessariamente de responsabilidade civil ou enriquecimento sem causa (art. sem consentimento deste. ou com um dano menor do que o lucro. partem do enriquecimento real só cabendo atender ao enriquecimento patrimonial quando o enriquecido esteja de boa fé. Duas hipóteses se podem considerar: a de a intervenção causa ao titular do bem ou direito um dano que excede o mencionado lucro. do mesmo modo não suscitará dúvidas a aplicação ao caso do princípio do enriquecimento sem causa. Na primeira hipótese. ou até não lhe causar dano algum. não constitui o interventor em obrigação de indemnizar o titular do direito. 473º CCiv). Todavia. o problema do lucro por intervenção levanta-se também na segunda das hipóteses consideradas. se a intervenção não é culposa e. certos casos de uso de coisa alheia sem prejuízo para algum proprietário. que a má fé pode deslocar o problema para o âmbito de outros institutos. 25 Por exemplo. ou a de a intervenção causar ao mesmo titular um dano inferior a esse lucro. Afigura-se. Os termos intervenção. ingerência ou intromissão significam aqui o uso ilícito de bens ou direitos alheios. o interventor será obrigado a indemnizar o titular no termos gerais .24 Alguns autores (MENEZES LEITÃO. porém. quando o interventor usa ilicitamente bens ou outros direitos sem dano algum para o respectivo titular. Aplicando a doutrina de Pereira Coelho. portanto. A (fora o aspecto criminal do caso) deve apenas satisfazer a B o valor objectivo do uso ou fruição do prédio. não havendo prejuízo para B ou cifrando-se ao prejuízo na perda de plantas silvestres no valor de 7. Neste caso. numa parte inculta de um prédio de B. de 60/96 .

| Paulo Pichel Decorre do exposto que só numa visão restrita se torna possível aludir ao empobrecimento ou sacrifício económico. o lucro por intervenção enquanto tal. com bens jurídicos pertencentes a pessoa diversa. expresso nas vantagens provenientes do seu uso. e face ao conteúdo ou teor de destinação do respectivo direito. 61/96 . em vez disso. edita obra literária ou explora patente ou modelo de outrem. 473º (nessa medida o lucro foi conseguido à custa de B).Direito das Obrigações – 4º Sem. etc. só terá assim que restituir. invento. A solução parece certa. sendo a ilicitude Ada intromissão de terceiro que gera a obrigação de restituir. • P. como seu requisito indispensável. o Doutrina da destinação ou da afectação . o Nem sempre a obtenção de uma vantagem de alguém à custa de outrem se exprime no empobrecimento correlativo do património lesado (exemplo: instalação em casa alheia ou uso de coisa alheia). a obra. consumo ou alienação. em ao conteúdo ou teor da destinação dos direitos reais e da propriedade intelectual: • JAKOBS – entende que ao proprietário cabe. e os 7 euros a título de responsabilidade civil. Tudo quanto estes bens sejam capazes de render ou produzir pertence. • LARENZ – limita o montante da restituição a cargo do intrometido nos mesmo termos. quem utiliza o nome ou imagem de alguém para fins de publicidade. ou seja. Mais do que isso. • VON CAEMMERER – sustenta a tese oposta. o valor objectivo do respectivo bem – o preço por que normalmente pagaria os direitos de autor. os direito reais e direito absolutos afins reservam para o respectivo titular o aproveitamento económico dos bens correspondentes. escorado na ideia de que a essência dos direitos absolutos consiste em destinarem certos bens ao seu titular. a considera apenas. a necessidade de que haja um suporte de enriquecimento por outrem. só é ressarcível como enriquecimento sem causa. A inteira compreensão do instituto leva. da imagem ou da parede da casa do titular do direito -. não o valor objectivo do uso da coisa. patente. como objecto do património. quem para os mesmos fins afixa ou coloca em prédio alheio um cartaz ou anúncio.os direitos reais bem como a propriedade intelectual. dentro dos limites do seu enriquecimento. embora subscreva a ideia de que a aquisição do obrigado a restituir não necessita de ter sido obtida à custa do património do credor. COELHO – “quem sem autorização do titular do respectivo direito. não constituem simples direitos de exclusão. mas a utilização dela como acção. que se produza um locupletamento à custa alheia. os rendimentos ou proventos dela. repudiando o requisito da ilicitude e limitando o objecto da restituição ao valor obtido. a utilização do modelo ou patente. bastando que o tenha sido em detrimento da protecção absoluta da sua esfera jurídica. fruição. acordo com o art. então. assentes sobre o dever geral de não ingerência (de terceiros) na ligação do titular com a coisa. Mas.

• Embora a doutrina exija que o carácter imediato do enriquecimento pareça ser. de acordo com os princípios do . Reputa-se que o enriquecimento carece de causa. 481º restringindo o dever de restituição aos casos em que o terceiro tenha adquirido gratuitamente. por conseguinte. conduzindo a soluções que choquem o comum sentimento de justiça. Vaz Serra agrupa-as em três categorias: o o o O enriquecido conseguiu o obtido pela vontade do empobrecido (prestação deste).2. apresentando-se mais seguida a corrente que exige o carácter directo ou imediato da deslocação patrimonial. mostra que. porque não existe uma relação ou um facto que. 289º. em princípio de aceitar. colocando o proprietário do cavalo em que é quase forçado a alugar o animal. o Caso do empreiteiro que tenta fazer uso do instituto do enriquecimento sem causa. não valendo. • O problema consiste em distinguir. para que lhe seja restituído o valor das obras contratadas com o arrendatário que entretanto entra em processo – não é procedente o pedido pois não está preenchido o – rejeita a necessidade de enriquecimento imediato. todavia. | Paulo Pichel O ponto tem uma importância prática decisiva na fixação do objecto da restituição. C – correlação entre o enriquecimento e o suporte deste • Não se exige uma correspondência objectiva. visto não se encontrarem dotadas de justificação suficiente em face do direito. Conseguiu-o sem a vontade do empobrecido e sem o acto de outra pessoa.2 e 616º. • A interposição de um terceiro património pode levantar dificuldades. Vd. apenas em virtude de uma disposição legal. Obrigá-lo a pagar apenas 20 parece extremamente injusto. no sentido já mencionado de os dois elementos se apresentarem de igual valor ou se produzirem através de algo da mesma espécie. 16. a jurisprudência terá os movimentos livres para atender a uma ou outra situação em que essa exigência da deslocação patrimonial directa se mostre porventura excessiva.3. O enriquecido conseguiu o obtido sem a vontade do empobrecido e sem o acto de uma pessoa. para os casos de duas aquisições sucessivas. quer dizer. uma obrigação de restituição.Direito das Obrigações – 4º Sem. pois há que definir as relações entre o seu titular. O art. E não parece que a solução exposta seja inteiramente satisfatória para todos os casos. em princípio. aquelas que determinam. quando o direito o não aprova ou consente.2 Requisitos negativos A – ausência de causa legítima • É necessário que não haja uma causa jurídica justificativa da deslocação patrimonial. Exemplo do cavalo abusivamente utilizado por terceiro cujo o aluguer era de 20 e que o prémio por ele obtido é 20 000. empobrecido e o enriquecido. entre as vantagens patrimoniais que uma pessoa pode obter na vida de relação. A doutrina e a jurisprudência estrangeiras não mostram unanimidade quanto à solução do problema. a pretensão de enriquecimento só vale contra os casos de enriquecimento imediato.

sistema jurídico. justifique a deslocação patrimonial. Sempre que aproveita. em suma. a pessoa 62/96 .

etc. e não formalmente antijurídico. sob o instituto do enriquecimento injustificado. então.1. muitos casos práticos que o legislador não poderia prever de modo expresso. 473º. 474º CCiv – não há lugar à restituição por enriquecimento. Sempre que exista uma acção normal (de declaração de nulidade ou anulação. no sentido de substancialmente ilegítima ou injusto.3 Hipóteses especiais de enriquecimento injustificado 16. A lei contentase com o facto objectivo do enriquecimento. 476º) • É necessário o preenchimento de 3 pressupostos: 63/96 . que essas normas directamente predispostas não esgotam a tutela jurídica da situação é que se justifica o recurso complementar ao instituto do enriquecimento sem causa (exemplo: hipóteses de responsabilidade civil). de reivindicação. • O art. E. logo que a acção de indemnização prescreva. a pretensão do enriquecimento constitui uma acção subsidiária ou que apresenta carácter residual. enuncia um simples princípio geral que.2. 1273º.Direito das Obrigações – 4º Sem. C – ausência do preceito legal que negue o direito à restituição ou atribua outros efeitos ao enriquecimento • Estamos perante situações em que não existe contrariedade ou fraude ao modo como a lei ordena as atribuições patrimoniais (vd. 16. 300º e ss ou 1287º e ss). 2003º e ss. questão de averiguar se há locupletamento injustificado. se o enriquecimento resultar de um facto ilícito praticado pelo enriquecido.1. 1323º.1 Repetição do indevido A – Casos em que se cumpre uma obrigação objectivamente inexistente (art.2). segundo a lei. 1270º. pela amplitude e elasticidade dos seus termos. • O enriquecimento pode também encontrar uma causa de justificação na lei (exemplo: art. pois. 437º. 300º.) e possa ser exercida.1. de cumprimento. 2007º. B – ausência de um meio jurídico (subsidiariedade) • Art. • Note-se que a falta de outro meio jurídico pode ser originária ou superveniente. Note-se que o enriquecimento pode produzir-se independentemente da vontade. | Paulo Pichel diversa daquela a quem. quando a lei facultar ao empobrecido outro meio de ser indemnizado ou restituído. só apurando-se por interpretação da lei.3. 474º ao exercício da acção de enriquecimento sem causa.3 O problema da capacidade do enriquecido e do que suporta o enriquecimento Não constitui requisito ou pressuposto do instituto a capacidade do enriquecido ou do empobrecido. deveria beneficiar. desaparecerá o obstáculo da primeira parte do art. Mas. Assim. • “sempre que a lei atribua outros efeitos ao enriquecimento” – trata-se dos casos em que a ordem jurídica normal regula as consequências económicas de uma atribuição patrimonial impondo ao beneficiado uma obrigação com objecto diverso da fundada no enriquecimento sem causa (Arts. Mas ele é apenas ajurídico. 1337º). o empobrecido deve basear-se nesse facto ilícito para obter a reparação dos prejuízos sofridos. o empobrecido deve dar-lhe preferência: não se levantará. Por exemplo. arts. 1287º.1 CCiv. 16. permite à jurisprudência contemplar adequadamente. de resolução. • O empobrecido não pode ser restituído pelas regras do enriquecimento sem causa quando a lei lhe faculte outro meio para cobrir os prejuízos.

ou de que se trata de dívida própria. 1 e 2.3. | Paulo Pichel o Que se efectue uma prestação com a finalidade de cumprir uma obrigação – obrigação surge no sentido de todo o vínculo jurídico.2 Enriquecimento por virtude de uma causa que deixou de existir • Pode suceder que. após a extinção da sociedade conjugal. se aquelas não assumirem natureza de doação. o o Que a prestação efectuada nem mesmo se relacione com um dos deveres de ordem moral ou social.3. • É o que ocorre com a antecipação da prestação devida por efeito de uma relação contratual duradoura. 478º). • Hipótese de restituição de atribuições patrimoniais excessivas. uma prestação efectuada em vista de um resultado futuro que não se verificou pode fundar uma pretensão de enriquecimento. • Implica o preenchimento de 3 requisitos: o Que se haja realizado uma prestação para obter. um . 16. impostos pela justiça. 2 e 3. que originam obrigações naturais. O credo estava de boa fé – é necessário recorrer ao enriquecimento sem causa (art. 477º. Ver 476º. pelo qual uma pessoa fica adstrita a outra ao cumprimento de uma prestação. mas na convicção errónea.3 Enriquecimento por falta do resultado previsto • Art. 473º. ou de que se está vinculado para com o devedor a esse cumprimento B. embora no momento da realização de uma prestação exista a causa jurídica que a fundamenta. autónomo ou não autónomo.2.2 Convicção errónea de que se está vinculado para com o devedor ao cumprimento o Dever-se-á considerar duas – existe direito de repetição. de harmonia com o conteúdo do respectivo negócio jurídico.Direito das Obrigações – 4º Sem. realizadas durante o casamento por um dos cônjuges ao outro. 16. esta venha posteriormente a desaparecer.1 Convicção errónea de que se trata de dívida própria – art. Que essa obrigação não exista na data da -se que a obrigação existe mas com conteúdo inferior ao da prestação efectuada. B – Casos de cumprimento de obrigação alheia. B. extinguindo-se o contrato antes da data fixada para o cumprimento dessa prestação ou relativamente à recuperação de uma coisa cujo desaparecimento levou à indemnização relativa do seu titular.

64/96 . • O autor impediu de má fé a verificação do resultado. quando realizou a prestação já sabia que o previsto era impossível (notese que é necessário que tenha a certeza). o o Que se depreenda do conteúdo do negócio jurídico a fixação do sos em que a acção de enriquecimento não procedente: • Se o autor.especial resultado futuro.

A lei manda restituir tudo quanto tenha sido obtido à custa de outrem (proventos ou produtos do uso da coisa 65/96 . para certa corrente. levaria a isentar desta o enriquecido. • Determinar o enriquecimento actual – os bens podem ter diminuído o valor. o Restituir tudo quanto adquiriu sem causa: além da coisa ou direito obtido. isto é. pode a vantagem trazida para o beneficiário não ter enriquecido o seu património e é ainda necessário ter em consideração as despesas que o enriquecido porventura tenha suportado por causa da aquisição que fez ou seja forçado a realizar para cumprir a sua obrigação de restituir. destruição ou deterioração da coisa.Direito das Obrigações – 4º Sem.1). deverá descontar o que resultou de factores diferentes e pessoais do beneficiado. que fala em restituir “tudo quanto se tenha obtido à custa do empobrecido” e “a obrigação de restituir não pode exceder a medida do locupletamento”. entregarse-á o valor correspondente (art. os frutos da coisa ou outras vantagens alcançadas com ela. deve proceder-se a uma restituição em espécie. mas. Assim: por um lado. como o seu trabalho. no caso de intromissão em bens alheios ou direitos alheios. o que se tiver adquirido como indemnização ou compensação pela perda. 479º. o A solução a dar a estas situações não pode desconhecer que o art. nem essa é a solução que melhor corresponde ao pensamento específico do instituto do enriquecimento sem causa. 479º. a restituição abrangerá tudo o que se conseguiu a expensas do titular que pode não coincidir com o valor objectivo. perícia. experiência. a aplicação pura do critério do duplo limite para definir o montante da restituição. • Critério do dano real: o Note-se no entanto que é possível verificar-se um enriquecimento sem que se verifique um empobrecimento. • O objecto da obrigação de restituição encontra-se submetido a um duplo limite: o O beneficiado deve entregar. o Antunes Varela – não é este. mas resulta da própria letra do art. porém. | Paulo Pichel 16. não sendo esta possível. ao valor objectivo do uso ou dos bens consumidos ou alienados. Acrescente-se que a obrigação de restituir não pode exceder a medida do locupletamento (art. corresponde. 479º. o Nunca mais do que o quantitativo do empobrecimento do lesado.2). que. atendendo-se ao seu Momento da deslocação patrimonial operada – é necessário determinar o montante efectivo de enriquecimento que proporciona ao beneficiário. É necessário fazer intervir a ideia do dano real do lesado. 470º. aquilo que se adquiriu por virtude do direito obtido. caso este se mostre inferior àquele – este entendimento não está expresso na lei. em princípio.1 se refere à restituição de quanto tenha sido obtido à custa de outrem. mas por outro lado. o limite que a lei fixa. Aqui. espírito de iniciativa. na medida do locupletamento.4 Obrigação derivada do enriquecimento sem causa • Sobre a pessoa que se locupletou injustamente recai a obrigação de restituir ao empobrecido tudo quanto haja obtido à sua custa.

Direito das Obrigações – 4º Sem. ao que se apura à data de algum dos factos supra descritos. da falta de causa do seu enriquecimento ou da falta do efeito que se pretendia conseguir com a prestação. | Paulo Pichel alheia). portanto. o O agravamento imposto no art. não uma nota essencial do instituto do enriquecimento sem causa. em termo agravados. atender-se ao enriquecimento actual. art.desde o momento em que o enriquecido conheça o carácter injustificado do respectivo locupletamento. • Agravamento da obrigação de indemnizar o O tratamento favorável do indemnizado – expresso no duplo limite – cessa logo que o enriquecido seja citado para a restituição ou a partir do momento em que reconheça a falta de causa do enriquecimento ou a falta do efeito que se pretendia obter com a prestação (art. 480º). 481º 16. abrangendo ainda as diminuições e os não aumentos posteriores devidos a sua culpa. pelos frutos percipiendos que por sua culpa deixarem de ser produzidos e pelos juros legais das quantias a que o lesado tiver direito. o objecto da restituição deixa de se restringir àquilo com que se enriqueceu sem causa. 480º mostra que também no direito português a limitação do objecto da restituição ao enriquecimento actual do beneficiário constitui. 480º . • Momento a que se deve reportar a avaliação do enriquecimento à custa de outrem – art. A solução apresenta-se ainda menos razoável quando o autor da intromissão tenha agido de má fé. responderá pela restituição do valor da coisa alienada. 482º e 309º 66/96 .2 o o Citação judicial do enriquecido para a restituição. 479º. tudo se passaria como se ao intrometido fosse lícito expropriar os bens alheios. estando o adquirente de má fé. o Vd. De contrário. Se alienar a coisa gratuitamente depois da verificação de qualquer dos factos que determinam ex vi legis a cessação da sua boa fé. alugá-los ou arrendá-los por mera força e iniciativa. o lesado poderá exigir também dele a restituição da coisa ou valor devido nos mesmo termos. o O devedor passa a responder pelo perecimento ou deterioração culposa da coisa. mas o tratamento excepcional de que é merecedor o enriquecido de boa fé. o Art.5 Prescrição – arts. Conhecimento pelo enriquecido. embora pagando o seu preço justo ou a sua justa renda ou aluguer. o Deve. ou seja.

Não é requisito da gestão (de acordo com M ENEZES 67/96 . imprópria e com desconhecimento da alienidade do negócio. Nasce de um facto em princípio ilícito. Noção. quase sempre numa atitude de altruísmo moralmente louvável. As obrigações do gestor de negócio.Direito das Obrigações – 4º Sem. Gestão de negócios. por estas razões. podendo consistir na realização de um negócio jurídico como na prática de actos jurídicos não negociais ou até simples factos materiais (serão. Gestão de negócios mista. a falta de autorização do dono do negócio. Gestão de negócios e direito de preferência. o Distingue– pressupõe. em regras. constituindo uma intromissão não autorizada na esfera jurídica alheia. actos de mera = interesse alheio – tanto pode ser um interesse material como de ordem moral ou espiritual. nem sempre será do agrado deste. O dono do negócio não receberá então de bom grado a ideia de saldar despesas que não autorizou. Alienidade (objectiva) – implica que a gestão de negócios se traduza em efectiva invasão da esfera alheia. das pessoas na direcção de negócio alheio. ao assumir a gestão. A gestão de negócios. baseado na intenção com que agiu. Cabem não só os actos relativos a bens pertencentes a outrem como a actos que a ele vontade de dirigir negócio alheio. regular.1 Noção. função e requisitos. enquanto o gestor. não autorizada. 17. feita no interesse e por conta do respectivo dono. de ratificar actos que não praticaria. de indemnizar danos que não causou. Contrato a favor de terceiro – a gestão cria direitos para o gestor em relação ao beneficiário e o benefício deste obtém-se de forma diferente • Deve ser encarada no duplo aspecto que a reveste: o o Intervenção de um gestor. • técnico-jurídica. desde logo. • A principal dificuldade da disciplina jurídica da actividade do gestor reside no tratamento dos casos em que a gestão não é frutuosa. A prática de actos jurídicos negociais por parte do gestor: gestão representativa e não representativa. que além de constituir um abuso. reclamará por certo a ratificação dos actos que praticou. dever geral de auxílio e actuação em estado de necessidade. Avaliação da culpa do gestor e efeitos da aprovação ou não aprovação da gestão. fá-lo com o conhecimento de estar a gerir negócio alheio. a aprovação da sua intervenção e a indemnização dos prejuízos que porventura haja sofrido. pode causar prejuízo sério ao dono do negócio e que. • Alienidade subjectiva – o gestor. | Paulo Pichel 17. função e requisitos • Gestão de negócios – intervenção.

Gestor actua em nome do dono do negócio – gestão representativa. ou seja. falta um requisito essencial ao espírito do instituto. Estar autorizado por acto unilateral. • A actividade da gestão deve iniciar-se por forma objectivamente útil ao dominus: é apr Caso a actividade surja como manifestamente inútil. estado de necessidade ou legítima defesa. imputando-lhe os meios de que se serviu ou. na intenção de transferir (imediata ou posteriormente) para a esfera jurídica de outrem os proveitos e encargos da sua intervenção. decisão directa. É necessário que haja por conta de outrem. tão só. os resultados obtidos. 26 Pode ainda distinguir-se: • Gestão material e gestão jurídica. • Gestão simples (quando vise uma utilidade exclusiva para o gestor) e conexa (quando prossiga um utilidade . de outra forma ocorreria. ao contrário do que afirma ANTUNES VARELA. e que explica a contradição com o que supra é referido como intervenção tem de decorrer intencionalmente em proveito alheio e não em exclusivo proveito próprio. consoante a actividade desenvolvida pelo gestor se traduza em meros actos materiais ou em actos jurídicos. que confira a este o direito ou lhe imponha o dever legal de se introme gestão (exemplo: não pode haver mandato 27). evitar-lhe um prejuízo que. Quando assim for. Se agir no seu exclusivo interesse. o qualquer relação jurídica entre o dono do negócio e o agente. | Paulo Pichel CORDEIRO. que é o de estimular a intervenção útil nos negócios alheios carecidos de – gestão não representativa. pelo menos.Direito das Obrigações – 4º Sem. • Gestão de lucro capiendo ou de damno evitando conforme vise obter um lucro suplementar para o dominus ou. aplica-se o regime próprio destes institutos. a dirigir o negócio (exemplo: não deve (exemplo: não deve ter a administração legal dos bens do dominus nem estar. por lei. do ponto de vista objectivo ou até nociva. não há gestão de negócios.

incindivelmente comum ao dominus e ao gestor). 27 À falta de mandato deve equiparar-se a declaração da sua nulidade ou a anulação dele. e bem assim o excesso dos poderes do mandatário. 1162º). quando a actuação deste não seja coberta pela vontade presumível do mandante (vd. art. 68/96 . a sua revogação ou caducidade.

antes ou durante o impedimento do dominus. claro que. | Paulo Pichel o Quanto ao dominus negotii. mas responsabiliza-o pelos dano que resultarem da injustificada interrupção dela (art. precipitadas em assuntos alheios.Direito das Obrigações – 4º Sem. qualquer acto de gestão releva não da gestão de negócios mas dos actos ilícitos.2.1). • Critério subjectivo – inspirado no grau de capacidade e diligência revelado pelo gestor na administração dos seus interesses (art. o que pressupõe.fixação da culpa in concreto). de modo directo e indiscriminado. em certos termos. no exercício da gestão e a sua actuação considera-se culposa sempre que agir em desconformidade com o interesse ou a vontade. Dever de fidelidade ao interesse e à vontade (real ou presumível) do dono do negócio o 28 .2 Relações entre o gestor e o dono do negócio 17.o gestor responde pelos danos que causar. o • Tem ainda a vantagem de afastar as intromissões fáceis. 466º . real ou presumível do dono do negócio. do dono de negócio e. o dever de prosseguir na gestão iniciada. 466º. ainda que ligeiro do dominus a sua vontade de nada fazer deve ser respei da gestão é um requisito negativo: se ela tiver ocorrido. 466º . escolher aquele que melhor concordar com a da diligência do bom pai de família – adoptado pelos códigos francês e italiano. 466º . havendo vários modos de gerir favoravelmente esses interesses. 17. por culpa sua.fixação da culpa in abstracto). • Critério objectivo – baseado em considerações de normalidade. verifica-se que este deve estar impedido de actuar e não tenha condições de cada caso concreto. inspirado na diligência exigível quanto à administração de bens alheio (art. Art. Ter como referência a actuação do dono do negócio. o dever de a continuar até que o negócio chegue a bom termo ou o dono possa prover por si mesmo. uma vez iniciada o A lei vigente não impõe ao gestor. o Fundamentado em deveres acessórios de conduta nomeadamente os deveres de protecção. não havendo qualquer impedimento. o O interesse28 consiste na aptidão objectiva do acto levado a cabo pelo gestor para satisfazer qualquer necessidade real do dono do negócio. e não aquilo que provavelmente faria um proprietário diligente. É. O gestor deve gerir de modo que convenha aos interesses.1 Deveres do gestor para com o dono do negócio (actio negotiorum gestorum directa) • Continuação da gestão. contudo.

É de acordo com o critério do interesse que se faz a distinção entre gestão de negócio regular e irregular. 69/96 .

não seria necessário o recurso aos tribunais: bastava iniciar uma “gestão correctiva”. se ele omitir acto ilícito que o dono praticaria e optar pelo acto lícito que mais conhecimento de causa. assim. mas conforme ao interesse deste. o Conflito entre o interesse e a vontade do dominus . mas deve abster-se de actuar quando assim respeite uma qualquer vontade do dominus. bons costumes ou ordem pública. por mais favoráveis que sejam aos seus interesses. o dono do negócio não praticaria. *nota: são rejeitados os exemplos de ANTUNES VARELA relativos ao não pagamento do imposto. Quando a lei diz “o gestor deve conformar-se”. | Paulo Pichel o Fundamentado na gratuitidade e no espírito altruísta que está na base do instituto e que pode resultar em soluções injustas. c)) o Entrega do produto de todas as prestações devidas e todos os lucros que o gestor tenha arrecadado ao dono do . ou ofensiva dos bons costumes. M ENEZES C ORDEIRO considera que o gestor não deve actuar respeitando a vontade contrária à lei. desde que a conduta (omissão) desejada pelo dominus seja contrária à lei ou à ordem pública. Propõe. o que só é possível mediante uma actuação positiva. às hipóteses de actuação positiva. que este já o é. ordem pública ou bons costumes. mas que sejam condenados por uma judiciosa ponderação dos seus interesses. Se o gestor pura e simplesmente nada fizer não pode conformar-se ou deixar de se conformar com qualquer vontade. naturalmente. • Contra esta posição. Doutra forma. 2) abstenção por actos que o dono praticari. quando esta for contrária à lei.Direito das Obrigações – 4º Sem.como deve o gestor agir no caso do A actuação do gestor será regular (isenta de culpa). al. chegar-se-ia a situações insólitas: sempre que alguém entendesse violar normas jurídicas. 3) prática dos actos favoráveis que o dominus só não queria realizar por ignorância de certos factos conhecidos do gestor. por omissão. uma limitação da isenção de respeitar a vontade do dominus. • Entrega dos valores detidos e prestação de contas (art. entende. salvar a vida do regular. 465º. se ele praticar um acto contrário à vontade do dono do negócio.

podendo a prestação ser feita coactiva ou espontaneamente. mas com os juros legais do momento em que a entrega haja de ser efectuada.negócio. o As contas devem ser prestadas. prevendo que haja somas pagas e recebidas. manda-se entregar o saldo das respectivas contas. quer através dos actos celebrados em nome daquele. 70/96 . ou quando o dono as exigir. quer mediante os actos realizados em nome próprio. para assim se estimular o cumprimento pontual do dever de entregar. o Quanto às quantias em dinheiro. logo que a gestão finda ou é interrompida.

469º). ou não. | Paulo Pichel • Aviso e informação do dono do negócio o Impõe-se ao gestor o dever de avisar o dono do negócio. ou não. com culpa. os actos praticados em nome dele o Declaração de vontade pela qual alguém faz seu ou chama a si o acto jurídico realizado por outrem em seu nome. para que o interessado possa acompanhar a evolução desta e tomar oportunamente as providências que o caso requeira. • Responder. o • Refere-se somente a actos jurídicos praticados em nome do dono do negócio. o Se a aprovar. genérico. para com o gestor. 469º e 468º) • • Reembolsar o gestor das despesas por ele fundadamente julgadas indispensáveis. • Aprovar. danos (vd. nos termos do artigo 469º. automaticamente. o O direito a indemnização requer a culpa do gestor e. renuncia.art 466º. • Ratificar. É um acto equivalente. pelo actos praticados em nome deste. o gestor deve ser remunerado quando a gestão corresponda ao exercício da actividade profissional deste. B. B – Deveres do dominus B. Generalidade dos actos praticados pelo gestor. a gestão. nos termos das regras do enriquecimento sem causa.Direito das Obrigações – 4º Sem. 468º. Exigir a transferência dos direitos adquiridos pelo gestor.1. caso o gestor tenha prevaricado – art. naturalmente.Direitos do dominus • Ser indemnizado por todos os danos causados pelo gestor. 468º.2 onde é considerado culpado o gestor que não tenha actuado de acordo com os interesses objectivo e subjectivo do dominus).2. B. o Obrigação de lhe prestar todas as informações relativas à gestão. com juros legais. ao direito a quaisquer indemnizações. 17. Acatar as adstrições atrás referidas. para que ele possa prover como melhor entender. 470º. 268º)29. de que assumiu a gestão.1 – Caso tenha aprovado a gestão (art. Indemnizá-lo por prejuízos que haja sofrido.3 – nos termos do art. o A aprovação consiste no juízo global.2 – caso a gestão não seja aprovada • 29 . ou pela injustificada interrupção da gestão.2. se o gestor tiver actuado de acordo com os seus interesses objectivo e subjectivo – art. nos seus efeitos práticos. indiscriminado de concordância com a actuação do gestor emitido pelo dono do negócio. à declaração de vontade (art. logo que tenha possibilidade de fazê-lo.2 Direitos e deveres do dono do negócio perante o gestor (actio negotiorum gestorum contraria) A. mas sem poderes de representação (art.

pode haver ratificação sem aprovação. 71/96 . inversamente. mas não se dispuser a chamar a si alguns negócios que este celebrou em seu nome. se o dono quiser chamar a si os negócios que o gestor realizou em seu nome.Pode haver aprovação sem existir ratificação. caso o dono não queira contestar os direitos atribuídos por lei ao gestor. mas entender que este não respeitou a sua vontade ou não agiu em conformidade com os seus interesses. tal como.

ou de o rejeitar.3 Efeitos quanto a terceiros • Consideram-se terceiros todas as pessoas com que o gestor tenha contratado. 17. não obstante. No entanto. o O terceiro tem a faculdade de revogar. | Paulo Pichel • A remuneração só se justifica quando tenha havido aprovação da gestão ou quando o gestor tenha actuado de acordo com os interesses objectivo e subjectivo do dono do negócio (quando a gestão for regular). o terceiro tem sempre o direito a ser indemnizado por qualquer prejuízo que culposamente lhe tenha sido causado com a gestão. Se o gestor actuar em nome próprio. aplicam-se as disposições relativas ao mandato sem representação (art.2. Deve transferi-los para o dominus. na forma devida. até à ratificação. tivesse contratado. O gestor adquire os direitos e assume as obrigações dos actos que pratique. o acto do terceiro. B – Gestão não representativa • •• C – Em qualquer das situações. desde que isso se não prejudique a posição de terceiro. durante a gestão. esta tem eficácia retroactiva. A – Gestão representativa • • Havendo ratificação. se ele não o ratificar. 268º): o O contrato é ineficaz em relação ao dominus. excepto se conhecesse a situação e. no prazo fixado pelo terceiro ou se negar a ratificação.Direito das Obrigações – 4º Sem. Aplica-se o regime da representação sem poderes (art. a fonte . 1180º e ss).

o ónus de prova da culpa. 18. embora lícitos. • Elas podem nascer do mesmo facto e transitar-se facilmente do domínio de uma delas para a esfera normativa própria de outra. A indemnização pode ser reduzida (art. • • Presunção de culpa do lesante (art. de negócio unilaterais ou da lei. às formas de indemnização e ao cálculo do montante desta. As duas variantes são comuns no que respeita à determinação dos danos indemnizáveis (nexo de causalidade entre facto e dano).1 Noção e modalidades principais: responsabilidade extracontratual (delitual) e contratual (obrigacional). cabe ao lesado (ver. A – Responsabilidade contratual • Responsabilidade proveniente da falta de cumprimento das obrigações emergentes dos contratos. 494º). causam prejuízo a outrem. Diluição de diferenças entre as suas modalidades e referência ao concurso de responsabilidades. 483º). Prazo de prescrição ordinário: 2 anos. Prazo de prescrição ordinário: 20 anos. À partida. Art.799º). A responsabilidade civil 18. B – Responsabilidade extracontratual • • • • C – Diluição das diferenças entre as duas modalidades • 72/96 . Violação de direitos absolutos ou da prática de certos actos que.deste direito é o delito e não a gestão.

805º.Direito das Obrigações – 4º Sem. Antunes Varela.3 e 806º. a responsabilidade extracontratual é fundamentada numa relação contratual entre comissário e comitente. 18. na falta de norma legal em contrário. embora com outras limitações (quando a responsabilidade contratual for atenuada pela lei ou quando do contrato se concluir terem querido as partes excluir a responsabilidade extracontratual. Actualmente. salvo se esta convenção for nula). • Perda de centralidade do código civil no tocante a uma responsabilidade objectiva cada vez menos excepcional e cada vez mais protectora (em função da obrigatoriedade da contratação do seguro). Acção híbrida – o lesado poderá escolher. • A expansão das responsabilidades profissionais e da necessidade de tutela de bens e direitos ligados ao ambiente. as normas mais vantajosas.. permitindo-se.3 A evolução. potenciação. • Consiste basicamente na opção entre o sistema de cúmulo ou do não cúmulo: o o Almeida Costa – prevalência do regime da responsabilidade contratual (adesão na jurisprudência). responsabilidade contratual (por violar obrigação) e responsabilidade extracontratual (por infringir ao mesmo tempo um dever geral de abstenção ou direito absoluto correspondente). 500º. da revolução industrial. – aplicação do sistema de cúmulo. • Novas responsabilidades: o Responsabilidade do Estado por omissão do exercício da função legislativa e por morosidade nas decisões judiciárias – lei 89/2001 que prevê uma . • Progressiva perda de protagonismo da responsabilidade assente na liberdade individual (não há responsabilidade sem culpa). O art. 18. também. assim. contribuíram. modernização e socialização (directa e indirecta) da responsabilidade civil. A crescente obrigatoriedade do seguro de responsabilidade e o papel dos Fundos de Garantia. a doutrina e a jurisprudência admitem a aplicação do art.2 A tríade clássica da responsabilidade extracontratual: objectiva (em especial. em grande medida. – escolha de um dos sistemas. 496º às duas modalidades. que tem.3 podem ser aplicados à responsabilidade extracontratual. pelo risco) e responsabilidade por factos lícitos (ou pelo sacrifício). à sociedade de informação e à perigosidade de certos maquinismos. • •• D – o problema do concurso de responsabilidades • O lesante responde perante o mesmo lesado com base num duplo fundamento conexionado com um mesmo evento 30. Menezes Cordeiro. | Paulo Pichel • É possível que o mesmo acto envolva para o agente. compensação por danos não patrimoniais. à saúde. fruto. para este fenómeno. Pinto Monteiro. simultaneamente. Art.

73/96 . em que o mesmo evento gera duas responsabilidades perante lesados diferentes. 30 Diferente de concurso real.reparação equitativa em caso de violação do prazo razoável de duração do processo e pela não transposição de Directivas.

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o

O Estado assume, com fundamento legal, a reparação dos danos em algumas situações (lesões corporais graves resultantes de actos intencionais de violência – DL 423/91.

Possibilidade da precaução poder funcionar como fundamento responsabilizantes apesar de não haver lesado, nem dano efectivo (perante actividades eventualmente danosas, não será possível uma responsabilização caso não sejam eliminados os factores condicionantes dessa potenciação?)

18.4 A função primária e a função secundária da responsabilidade civil. • • Função principal: reparar danos. Função secundário: papel preventivo/repressivo/ sancionatório que será tanto mais conseguida quanto mais facilitada estiver a prova da culpa e o nexo de causalidade (vd. art. 494º). 18.5 A responsabilidade civil subjectiva ou por factos ilícitos e os pressupostos previstos na Grundnorm do art. 483º. 18.5.1 O facto voluntário (activo ou omissivo do lesante) • Facto objectivamente controlável ou dominável pela vontade, basta a possibilidade de controlar o acto ou omissão; não é necessária uma conduta predeterminada, uma acção ou omissão orientada para certo fim. • Fora dos domínios da responsabilidade civil ficam apenas os danos provocados por causas de força maior, ou pela actuação irresistível de circunstâncias fortuitas (pessoa impedida pela força do vento, efeito da vaga do mar, explosão, descarga eléctrica e outras forças naturais invencíveis). 18.5.2 A ilicitude A – Noção e variantes principais: lesão de bens ou de interesses particulares protegidos. • Traduz a reprovação da conduta do agente, embora no plano geral e abstracto em que a lei se coloca, numa primeira aproximação da realidade. • Lesão de bens/ violação de um direito de outrem – os direitos subjectivos aqui abrangidos são, principalmente, os direitos absolutos, nomeadamente os direitos sobre as coisas, os direitos reais, os direitos de personalidade, os direitos familiares e a propriedade intelectual. • Violação da lei que protege interesses alheios – trata-se da infracção de leis que, embora protejam interesses particulares, não conferem aos respectivos titulares um direito subjectivo a essa tutela; e de leis que, tendo também ou até principalmente em vista a protecção de interesses colectivos, não deixam de atender aos interesses particulares subjacentes. A previsão da lei abrange ainda a violação das normas que visam prevenir o simples perigo de dano, em abstracto. Apresenta 3 requisitos31: o o A lesão dos interesses particulares tem de corresponder à violação de uma norma legal. A tutela dos interesses -se na generalidade das

leis que tutelam valores ligados à personalidade física ou moral dos indivíduos. o Que o dano se tenha registado no círculo de interesses privados que a lei visa tutelar.

31

Exemplos: art. 1391º em que a norma violada protege interesses particulares, mas sem conceder ao respectivo titular um direito subjectivo, só um outro interesse particular mais forte se lhe sobrepõe; casos em que o dano resulta não da prática de um crime, mas de uma simples contravenção ou de um transgressão de carácter administrativo, sempre que a norma violada vise proteger interesses dos particulares, sem lhes conferir um verdadeiro direito subjectivo (violação das regras da concorrência, infracção de regras de saúde pública, delitos anti-económicos...) 74/96

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B – Os factos antijurídicos previstos. O caso particular das omissões e análise do art. 486º em articulação com o dever geral de auxílio, previsto no Código Penal, e os chamados “deveres de prevenção perigo” • Factos antijurídicos especialmente previstos na lei: o Factos ofensivo do crédito ou bom nome das pessoas (art.484º) – considera-se expressamente antijurídica a conduta que ameace lesar o crédito ou bom nome de uma pessoa, independentemente do facto afirmado ou divulgado ser ou não verdadeiro – contanto que seja susceptível, ponderadas as circunstâncias do caso, de diminuir a confiança na capacidade e na vontade da pessoa para cumpri as suas obrigações ou de abalar o prestígio de que a pessoa goze ou o bom conceito em que ela seja tida no meio social em que vive ou exerce a sua actividade. o Conselhos, recomendações ou informações geradoras de danos geradoras de responsabilidade dar e tenha agido com culpa. O procedimento do agente seja criminalmente punível - são, excepcionalmente,

Omissões – constituem formas de comportamento antijurídico apenas quando haja o dever (imposto por lei ou decorrente de negócio jurídico) de praticar o acto omitido e este pudesse n – norma preceptiva que impõe uma certa acção. Comissão por omissão – em que se imputa um resultado ao agente pela sua não actuação. O art. 200º do Código Penal prevê os crimes de omissão pura, em que -se a um dever jurídico de garante, que resulta de uma especial relação entre o agente e o lesado (contrato, ingerência, lei, relação de autoridade...) que lhe impunha uma determinada acção (comissão por omissão).

C – As causas de exclusão de ilicitude: gerais (exercício de um direito e cumprimento de um dever) e especiais (acção directa, legítima defesa, estado de necessidade e consentimento do lesado). C.1 – Causas gerais • O facto, embora prejudicial aos interesses de outrem ou violando o direito alheio, considera-se justificado e, por conseguinte, lícito, sempre que é praticado no exercício regular de um direito (exemplo: actos dos funcionários da justiça que, em cumprimento de uma ordem legítima, sacrificam certos direitos do ré ou do presuntivo delinquente) ou no cumprimento de um dever (exemplo: caçador, munido da respectiva licença, entra a caçar em terreno alheio, dono da água que priva o proprietário do prédio inderior ao aproveitamento que dela vinha fazendo). C.2 – Causas especiais C.2.1 Acção directa (art. 336º) • É necessária a verificação dos seguintes requisitos: o Fundamento real – é necessário que o agente seja titular dum direito, que procura realizar ou assegurar. 75/96

339º) • Consiste na situação de constrangimento em que age quem sacrifica coisa alheia.5. transitória e culposa. 18.Direito das Obrigações – 4º Sem. • Há obrigação de indemnizar sempre que a situação de perigo foi provocada por culpa exclusiva do autor da destruição. Adequação – o agente não pode exceder o estritamente necessário para evitar o prejuízo. a lesão tende a ficar sem reparação. • Implica a posse de certo discernimento (capacidade intelectual e emocional) e certa liberdade de determinação (capacidade volitiva). Proporcionalidade – os interesses sacrificados não podem ser superiores aos que se visam realizar ou salvaguardar. para evitar a inutilização prática do direito do agente. • Nos casos em que não há imputabilidade do autor material do facto. Vd art. 489º. Agressão: ofensa da pessoa ou dos bens de alguém (legítima defesa alheia).2. C. danificação ou uso da coisa alheia. Não manifesta desproporcionalidade.1. Caso essa pessoa não exista ou se verifique alguma das circunstâncias previstas no art. 337º) • É necessária a verificação dos seguintes requisitos: o o o Que os bens lesados por quem se defende pertençam ao agressor. A inimputabilidade presumida.2 Legítima defesa (art. pela impossibilidade de recorrer em tempo útil aos meios coercivos normais. à custa da pessoa obrigada à vigilância do agente.3 Estado de necessidade (art. • Diz-se imputável a pessoa com capacidade natural para prever os efeitos e medir o valor dos actos que pratica e para se determinar de harmonia com o juízo que faça acerca deles. 488º. para haver . VER. A responsabilidade subsidiária dos inimputáveis – ratio e âmbito de aplicação do art. C. Actualidade e ilicitude da agressão: tem de ser presente ou eminente.3 o nexo de imputação do facto ao lesante: imputabilidade e culpa A – Questão da imputabilidade civil.4 Consentimento do lesado (art. 340º) • Consiste na aquiescência do titular do direito à prática do acto que. oo C. o o Necessidade da reacção: não seja viável nem eficaz o recurso a outros meios normais. por falta de quem responda por ela. Tem de ser contrária à lei mas não é necessário que haja culpa do agressor. o lesado poderá ressarcir-se. 489º. constituiria uma violação desse direito ou uma ofensa da norma tuteladora do respectivo interesse.2. 491º. mas não forçosamente efectiva.2. | Paulo Pichel o Necessidade – o recurso à força tem de ser indispensável. sem ela. sendo perfeitamente cabida a legítima defesa contra a agressão do demente ou contra o condutor o condutor que por desfalecimento repentino. no entanto. Assim. ameaça atropelar uma pessoa ou destruir uma coisa. no entanto. com o fim de afstar o perigo actual de um prejuízo manifestamente superior. art.

responsabilidade da pessoa inimputável é necessária a verificação dos seguintes requisitos: o o Que haja um facto ilícito. Que esse facto tenha causado danos a alguém. 76/96 .

Que haja entre o facto e o dano o necessário nexo de causalidade. • Indirecto – o agente não quer directamente o facto ilícito mas. é a que. Culpa em concreto (subjectiva) – a culpa é medida pelo figurino real do próprio figurante.1 Modalidades da culpa • Negligência/ mera culpa: o o Omissão da diligência exigível do agente. se nas mesmas condições tivesse sido praticado por pessoa imputável. Dolo o Tipos de dolo: • Directo – o agente quis directamente realizar o facto ilícito. leve e mera culpa). | Paulo Pichel o Que o facto tenha sido praticado em condições de ser considerado culposo. dando à diligência exigível do homem o conteúdo mais amplo. representa no seu espírito determinado efeito da sua conduta e quer esse efeito como fim da sua actuação.2). • É necessária a existência de um nexo psicológico entre o facto praticado e a vontade do lesante. previu-o como uma consequência necessária e segura da sua conduta. todavia. define a mera culpa como uma conduta deficiente e a não restringe à condição de uma simples deficiência do factor vontade no acto. • Inconsciente – o agente não concebe a possibilidade de o facto se verificar. Que a equidade justifique a responsabilidade total ou parcial do autor. . ooo B – A culpa: noção. Critérios de apreciação da culpa (concreto e abstracto) e culpa como deficiência da vontade e como conduta deficiente.Direito das Obrigações – 4º Sem. B. B. modalidades (dolo e negligência) e graus da culpa (culpa grave. o Elemento volitivo do dolo: • • Nexo estabelecido entre o facto ilícito e a vontade do lesante. • Eventual – o agente prevê a possibilidade de ocorrência do facto ilícito e conforma-se com essa possibilidade. Que a reparação do dano não possa ser obtida por vigilantes do inimputável. 487º. o Parece mais justo que suporte o dano aquele que actua ilicitamente e não o lesado. A melhor orientação de iure constituendo a que mais fielmente se coaduna com opção da lei pelo critério da culpa em abstracto. Tipos de negligência: • Consciente – o agente prevê a possibilidade de ocorrência do resultado ilícito mas confia na sua não realização. o Elemento intelectual do dolo: • Para que haja dolo é essencial o conhecimento das circunstâncias de facto que integram a violação do direito ou da norma tuteladora de interesses alheios e a consciência da ilicitude do facto.2 Critérios de apreciação da culpa • • Culpa em abstracto (objectiva) – a culpa é medida pelo padrão do homem médio (art.

77/96 B.3 Culpa como deficiência da vontade e como conduta deficiente • .

Esta presunção baseia-se: o Num dado da experiência – grande parte dos actos ilícitos praticados pelos incapazes procede de uma falta de vigilância adequada. professores. preceptores.Direito das Obrigações – 4º Sem. mestres de oficinas. visto a lei presumir que houve falta de vigilância adequada. 492º. mas por facto próprio. 1348º. • Vd. sobre esta recairá. D. • Como a incapacidade natural nem sempre corresponde a inimputabilidade. | Paulo Pichel o Trata-se de uma solução mais educativa e pedagógica. 491º. do ponto de vista individual e a que mais favorece as exigências de segurança social. 342º. erro de facto essencial. responderão solidariamente nos termos do art. 491º) • No caso de danos causados por incapazes a terceiros. exclusivamente. Art. o C – Causas que excluem ou diminuem a culpa • Inimputabilidade. enfermeiros. medo invencível e a desculpabilidade. guardas…) • As pessoas atingidas pela obrigação de indemnizar não respondem por facto de outrem.3 e 493º. a presunção legal de culpa. • O legislador cometeu ao lesado o ónus da prova da culpa por influência do disposto na norma geral do art.1. É necessário respeitar o princípio da confiança. nem os produtos naturais ligados ao solo. D. • A responsabilidade abrange o proprietário ou o possuidor. O lesante só poderá exonerar-se de responsabilidade. tutores. provando que empregou todas as providências exigidas pelas circunstâncias para os evitar. Mas se o dano provier apenas de defeitos de conservação e esta competir a outra pessoa.2 Danos causados por edifícios ou outras obras (art. 78/96 . 492º) • • A derrocada ou queda do edifício tem que dever-se a um vicio da construção ou defeito de conservação. mas não coisas moveis sem tal ligação. 497º. Devem considerar-se obras todas as construções ligadas ao solo ou unidas ao prédio. desde que não haja ao mesmo tempo culpa do proprietário ou do possuidor (caso em que respondem solidariamente). • Casos de responsabilidade subjectiva agravada em que o legislador presume a culpa (retira de factos conhecidos um facto desconhecido) de modo a favorecer o lesado contra o risco de não provar ou de não conseguir provar plenamente os factos que levou à causa de pedir. o Conveniência de estimular o cumprimento dos deveres que recaiem sobre aqueles a cuja guarda o incapaz esteja entregue. Pessoas obrigadas à vigilância de outras (art. presume-se que houve culpa das pessoas obrigadas a vigiá-los (pais. Explicitação das hipóteses descritas nos arts. pode cumular-se a responsabilidade do incapaz e da pessoa obrigada a vigiá-lo: nesse caso.2. o Necessidade de acautelar o direito de indemnização do lesado contra o risco da irresponsabilidade ou de insolvabilidade do autor directo da lesão. D – O ónus da prova da culpa e situações de presunção legal de culpa.1.

3 Danos causados por coisas ou animais ou por actividades perigosas (art. 493º) • .D.

6 Danos directos e danos indirectos • • Danos directos – prejuízos que decorrem directamente do ilícito. juridicamente tutelados. porque atingem bens que não integram o património do lesado. B.4 Danos corporais e danos materiais B. art. senão fosse o facto lesivo. podendo apenas ser compensados com uma obrigação pecuniária imposta ao agente.5 Danos presentes e danos futuros B. • Danos morais (não patrimoniais) – não são susceptíveis de avaliação pecuniária.1 Danos individuais e colectivos B. 5º. | Paulo Pichel • Não tem aplicação em matéria de acidentes de circulação terrestre.4 Danos provocados pelo condutor de veiculo por conta de outrem (art.3)-. D. patrimoniais ou não patrimoniais. Avaliação concreta do dano – avaliação do dano tendo em consideração o valor da coisa no património do lesado. Dano patrimonial – é o reflexo do dano real sobre a situação patrimonial do lesado. art. 79/96 . Noção de dano • • Noção corrente – alteração desfavorável que a pessoa sofre em virtude de um certo evento. mas a que ainda não tinha direito à data da lesão. • Modos de avaliação do dano: o o Dano de cálculo – diminuição patrimonial causada pela lesão.1 DL 384/99. (vd. Este dano é medido tendo a diferença entre a situação real actual do lesado e a situação (hipotética) em que ele se encontraria. B.7 Danos positivos e danos negativos – importa na responsabilidade contratual.5 Ver ainda art.3 Danos patrimoniais e não patrimoniais • Danos patrimoniais – prejuízos que podem ser reparados ou indemnizados directamente (restauração natural ou reconstituição específica da situação anterior à lesão) ou indirectamente (meio equivalente ou indemnização pecuniária). D. 503º. o Lucro cessante/ frustrado – benefícios que o lesado deixou de obter por causa do facto ilícito. B. Danos indirectos (prejuízos reflexamente sofridos) – danos que decorrem dos efeitos do dano directo. Inclui os danos sofridos pelos familiares do lesado. Considera: o Dano emergente/ perda patrimonial – prejuízo causado nos bens ou nos direitos já existentes na titularidade do lesado à data da lesão.Direito das Obrigações – 4º Sem. B.2 Dano real e dano patrimonial • • Dano real – é a lesão causada no interesse juridicamente tutelado. Categorias principais do dano B.. pelos seus credores..4 O dano A. Noção normativa – lesão de bens ou interesses. 495º e 496º). 149º do Código dos Valores Mobiliários. 18.5. pela sua entidade patronal. o Avaliação abstracta do dano – valor objectivo da coisa atingida.

dano da perda da alegria de viver. O problema do dano da privação da vida (dano não patrimonial central). o o Herdeiros/ Familiares – tese de Leite de Campos – tendo por base o art. A reparação obedecerá a juízos de equidade. advogado que não interpõe recurso. à sua situação económica e às do lesado e do titular da indemnização. 496º. reprovar ou castigar. por outro lado. 80/96 . critérios de fixação da compensação pecuniária e alusão a certos danos mais importantes (dano à saúde ou biológico. Cônjuge e parentes mais próximos – tese de Antunes Varela. 496º. D.2. | Paulo Pichel C. caso se demonstre que havia a possibilidade de um evento vantajoso. a conduta do agente. etc. no caso de danos não patrimoniais. aos padrões de indemnização geralmente adoptados. impedindo a possibilidade da cura).000 e 70.3. D. às flutuações do valor da moeda. no plano civilístico.2 e não patrimoniais sofridos pela vítima e pelos parentes mais chegados no período que antecedeu a morte no art. Note-se que não se faz valer o dano da não obtenção do resultado final mas só a perda de uma determinada probabilidade (mais de 50%) de conseguir o resultado vantajoso ou de evitar a desvantagem. Os danos mais modernos da privação de uso e da perda de chance • • Dano da privação de uso. • Danos não patrimoniais graves – são desdobramentos de uma mesma realidade. fruto da exaltação do ego e da tutela crescente dos direitos de personalidade.000 €) coloca questões importantes: o o É um dano superior ao dano da vida vegetativa ou do tetraplégico? Valorado por igual. cuja perda constitui um dano. 496º. dano da privação sexual e outros). A ressarcibilidade dos danos não patrimoniais: escopo. Dano suficientemente grave que justifique a tutela do direito. dano estético.Direito das Obrigações – 4º Sem. Dano de perda de chance – perda actual de uma melhoria patrimonial/futura e possível (pessoa que é impedida de participar num concurso ou de fazer um exame. • Escopo – a indemnização reveste. uma natureza acentuadamente mista: visa reparar os danos sofridos pela pessoa lesada e. tendo em conta as circunstâncias -se ao grau de culpabilidade do lesado. A chance é um valor patrimonial autónomo.1 O dano da privação da vida • O dano da perda da vida (compensada com um quantitativo que se situa entre os 40. médico que faz um diagnóstico errado. independentemente do valor da vida que se perdeu? Ou tem em consideração a função excepcional ou a função específica? • Titular do dano: o Próprio lesado – tese de Menezes Leitão e da doutrina e jurisprudência dominantes – sendo que o -se os danos patrimoniais no art. • Critérios de fixação da compensação pecuniária: o o o A gravidade do dano tem que ser medida à luz de parâmetros objectivos.

de terceiros ou de circunstâncias fortuitas. A opção pelo critério da causalidade adequada: caracterização. deverá ter-se em consideração: o o o o o Causalidade exclusiva. apenas por circunstâncias extraordinárias. o que significa.5. afastar o critério objectivo da probabilidade e ver se a lesão resultou ou não do desenvolvimento do perigo específico que 81/96 . Numa perspectiva fáctica. Alusão aos novos tipos de responsabilidade objectiva • Estamos perante um tipo de responsabilidade que visa reforçar a tutela dos lesados. Causalidade cumulativa .1 Fundamentação e aspectos comuns da responsabilidade objectiva. 18. Nexo de causalidade entre o facto e o dano • • Relação de “connexidade”. mesmo numa perspectiva de conexão causal. B. Causalidade concorrente. Causalidade indirecta – uma causa anterior favorece ou eleva o risco do surgimento de uma causa posterior. variantes principais e resolução dos casos de causalidade mediata. Causalidade alternativa – o dano X é provocado por uma causa de autoria incerta. se tornou tal facto uma condição dos mesmo danos”. A. 496º.5 o nexo de causalidade entre o facto e o dano. O responsável pela causa indirecta terá de suportar os danos secundários provocados pela causa directa tenha ela a ver com actos do lesado. incapacidade para o trabalho).6. de sorte que.o dano X é resultante de várias causas. fundamentando-se no domínio da fonte de fontes de risco ou na utilização interessada de pessoas. indiferente para que surgissem danos da espécie dos produzidos.6 A responsabilidade objectiva (em especial pelo risco) 18. E. da causalidade adequada e do escopo de protecção da norma • Teoria da equivalência das condições – considera como causa todo e qualquer antecedente humano sem a verificação do qual o dano não teria ocorrido. • Características: o As normas que regulam este tipo de responsabilidade têm por missão delimitar a esfera de risco ou protecção. • Teoria do escopo de protecção da norma (causalidade teleológica ou normativa) – responsabiliza o lesante ou autoresponsabiliza o lesado pelos danos que o fim da norma procurava afastar.Direito das Obrigações – 4º Sem. prescindindo da ilicitude e da culpa.3 referência aos danos não patrimoniais sofridos pela vítima antes de morrer e os danos não patrimoniais especiais sofridos pelas pessoas referidas no nº2 (depressão psíquica. o Formulação negativa (Vaz Serra) – a obrigação de indemnização não existe quando o facto que a determinaria era. Referências às teorias da equivalência das condições. segundo a sua natureza geral e as regras da vida corrente. Teorias da equivalência das condições. • Teoria da causalidade adequada – juízo de prognose póstuma tendo por base um critério de razoabilidade objectiva e de normalidade do acontecer. A prova do dano 18. Tendência para a diluição da sua excepcionalidade e relatividade. | Paulo Pichel Art. da causalidade adequada e do escopo de protecção da norma.

um aumento significativo de actos legislativos criadores de novas responsabilidades objectivas.. que o acidente tenha sido causado por facto de autoria de um ou outro.Responsabilidade puramente objectiva.2). nem pelos danos sofridos pelo transeunte que vá contra um automóvel estacionado.2 Os casos codificados da responsabilidade objectiva A – A responsabilidade do comitente pelos actos dos seus comissários: fundamento e pressupostos. posto que – defeito mecânico. o Responsabilidade relativa – na lesados ou de terceiros – para que o acidente deva considerar-se imputável ao próprio lesado ou a terceiro. não é necessário que o facto por estes praticado seja censurável ou reprovável. derrapagem por virtude de via defeituosa. tem-se verificado.Direito das Obrigações – 4º Sem. pois só essa possibilidade de direcção é capaz de justificar a responsabilidade do primeiro pelos actos do segundo. | Paulo Pichel constitui a razão de ser normativa (por exemplo. mas sim como uma consequência do facto praticado pela vítima ou por terceiro. nem a CP pode ser responsabilizada pelos roubos que ocorram numa das carruagens). não como um efeito do risco próprio do veículo. um condutor não pode ser responsabilizado pela poluição do seu veículo. • • Art. atendendo à possibilidade das indemnizações a pagar serem muito elevadas (maxime nos danos colectivos). 18. noutros termos. podendo essa actividade traduzir-se tanto num acto isolado como numa função duradoura.6.. 500º . A lei quer abranger todos os casos em que o acidente é devido a facto do lesado ou de terceiro. a lei quis afastar da responsabilidade do comitente os actos que apenas têm um nexo temporal ou local com a comissão. 483º. desde a década de 80. As dificuldades de certos pressupostos e o direito de regresso. o Responsabilidade ancorada no seguro de responsabilidade. ter carácter gratuito ou oneroso. o Responsabilidade tipificada – está sujeita a um numerus clausus (ver art. o Prática do facto ilícito no exercício da função – com a fórmula restritiva adoptada. ainda que qualquer deles seja inimputável ou tenha agido sem culpa. Qualquer das ocorrências cabe na esfera dos riscos normais que a lei lança sobre -se que o que está aqui em causa não é um problema de culpa mas um problema de causalidade: trata-se de saber se os danos verificados nos acidentes devem ser juridicamente considerados. No entanto. que autorize aquele a dar ordens ou instruções a este. manual ou e uma relação de dependência entre o comitente e o comissário. Pressupostos: o Vínculo entre comitente e comissário – actividade realizada por conta e sob direcção de outrem. 82/96 . basta.

B – A responsabilidade do Estado e de outras pessoas colectivas públicas pelos actos derivados da gestão privada. o Lesões que decorrem de forma imediata de uma conduta necessária a evitar ou fazer cessar os danos decorrentes do comportamento do animal. mas praticados com um fim estranho a ela. | Paulo Pichel Serão da responsabilidade do comitente os actos praticados pelo comissário com abuso de funções. usufrutuários. ou seja. Círculo de detentores: o proprietário do animal doméstico ou não doméstico. o ferrador. actos formalmente compreendidos no âmbito da comissão. o A aplicação analógica do art. o – o comitente só responde havendo culpa (mesmo presumida) do comissário. 506º relativamente à colisão entre um animal e um veículo de circulação terrestre é bastante discutível. comodatários. deficientes visuais. se pensarmos que o veículo pode ter um papel passivo na verificação dos danos. não parece que o comitente possa beneficiar de uma redução da indemnização. 493º. o A circunstância do cavalo puxar um veículo poderá não afastar a aplicação do art. o veterinário. lesado tropeçou num cão que dormia). • Factores que podem excluir a responsabilidade: o Comportamento negligente do lesado – conduta culposa daquele que ser lesado sem que o detentor possa beneficiar da presunção de culpa do art.Direito das Obrigações – 4º Sem. a pessoa que experimenta o animal antes de comprar ou o depositário]. • Ver lei 67/2007. o detentor terá de provar a culpa do vigilante. • Já o comportamento de terceiros não é suficiente para excluir a responsabilidade do detentor (Antunes Varela). o Não é possível imputar a este tipo de responsabilidade os casos em que o animal seja utilizado como instrumento material do dano ou esteja ausente uma relação etiológica relevante entre o comportamento do animal e o evento lesivo (por exemplo. [Já não recai sobre o vigilante. casos especiais e exclusão da responsabilidade • • Estamos perante uma responsabilidade (verdadeiramente) pelo risco. AC/MP/HH – a responsabilidade do comitente abarca também os insolvência do comissário.1. • A causa de força maior não constitui uma forma de exclusão da . articulação com o regime da presunção de culpa. Assim sendo. C – A responsabilidade por danos causados por animais: fundamento. no sentido de não responder ou só responder em parte. 502º. locatários.

responsabilidade. em alguma medida. 83/96 . pois a imprevisibilidade do animal. é precisamente o que aumenta a sua perigosidade (e. fundamenta a existência de uma responsabilidade pelo risco).

nos termos do art. 503º. se pagar. o Havendo culpa do condutor (art.1 CCiv). etc). responderão solidariamente. pluralidade de responsáveis. se este conduzir o veículo por conta de outrem. o Utilização no seu próprio interesse – visa afastar a responsabilidade objectiva daqueles que. 84/96 . utilizam o veículo. O condutor. afinar travões. 505º e conexão com o art. 503º CCiv. estabelece uma presunção de culpa do condutor do veículo por conta de outrem pelos danos que causar. não no seu deve ser entendido no sentido de que o detentor do veículo só responde se. • Pessoas responsáveis – aqueles que têm a direcção efectiva do veículo ou a utilização deste no próprio interesse (art. de facto. 508º com o seguro obrigatório) e acidente simultaneamente de viação e de trabalho.3). causas de exclusão da responsabilidade (análise crítica da norma do art. controlar a sua pressão. 503º. não responde. 503º. pela situação de facto em que se encontram investidas. tendo este. tomar as providências adequadas para que o veículo funcione sem causar danos a terceiros. limites de indemnização (o acórdão uniformizador nº 3/2004 e a actual articulação do art. porém. Delimitação do risco. Tem a direcção efectiva do veículo a pessoa que. como o comissário. 570º). pessoas responsáveis (análise especial do nº3 do art. não tendo sequer rio: • Assentos 14-04-1983/ 26-01-1994/ 2-03-1994 – ao lado da responsabilidade (objectiva) do detentor. por essa razão. e a quem. beneficiários da responsabilidade (a actual quase equiparação entre os transportados a título oneroso e a título gratuito). aplicável nas relações entre ele como lesante e o titular ou titulares do direito a indemnização” ondutor de veículo por conta de outrem verifica-se a existência de uma verdadeira presunção de culpa. colisão de veículos. 26 de Janeiro de 1994 e 2 de Março de 1994). perante o terceiro lesado. especialmente cabe controlar o seu funcionamento (vigiar a direcção e as luzes do carro. o condutor e o detentor do veículo. o “A primeira parte do nº3 do art. se provar que não houve culpa da sua parte. | Paulo Pichel D – A responsabilidade por danos causados por veículos de circulação terrestre: inaplicabilidade do regime respeitante às actividades perigosas (referência ao Assento de 21 de Novembro de 1979). verificar os pneus.3. no momento do facto interesse tanto pode ser material ou económico como moral ou espiritual.Direito das Obrigações – 4º Sem. o Pessoas que detêm a direcção efectiva do veículo (detentor) – trata-se das pessoas a quem incumbe especialmente. direito de regresso contra aquele. 503º em conexão com os Assentos de 14 de Abril de 1983. há que contar ainda coma responsabilidade do condutor. goza ou usufrui as vantagens dele.

nos termos do art. “A responsabilidade por culpa presumida do comissário. E quanto aos danos nas . o Pessoa transportada a título oneroso – limitação da responsabilidade aos danos que atinjam a própria pessoa e as coisas por ela transportadas. Não podendo fugir-se à contribuição efectiva do risco de ambos os veículos. 503º. quanto aos danos pessoais do passageiros transportado gratuitamente.1” (STJ). nos termos do art. 503º. é mais complexa a resposta no tocante ao tratamento dos danos materiais sofridos nas mesmas condições. 504º) o o Aproveita a terceiros bem como a pessoa transportada. o • Sendo o veículo conduzido por comissário. presume-se ser dele a culpa no acidente que cause dano a terceiro. requerente da indemnização. deve ser analisada tendo por base o critério do interesse do transportado. em que a prova da culpa incumbe ao lesado. ao invés do que sucede no caso de a viatura ser conduzida pelo próprio dono. “A responsabilidade por culpa presumida do comissário.se na colisão não culposa de veículos com danos pessoais para um transportado gratuito não pode deixar de ser afirmado um regime de solidariedade entre os detentores. ambos os condutores respondem objectivamente.3 CCiv não tem os limites fixados no art. parece mais adequada a solução de fazer responder parcialmente o detentor do veículo não transportador.1”. • Beneficiários da responsabilidade (art. 508º. é aplicável no caso de colisão de veículos prevista no art. o Pessoa transportada gratuitamente – limitação da responsabilidade aos danos que atinjam a própria pessoa 506º .3 CCiv. A dicotomia entre transportado a título oneroso – transportado a título gratuito. libertando-o do peso de suportar plenamente o privilégio concedido pelo legislador ao transportador. 506º.Direito das Obrigações – 4º Sem. Assim. | Paulo Pichel Aplica-se a presunção de culpa entre o lesado e o comissário.

nenhuma culpa havendo da parte dos dois condutores. cabe ao tribunal determinar com base na sua gravidade relativa e nas consequências que deles resultaram.coisas transportadas por ele. que consiste em saber quando é que os danos verificados no acidente não devem ser juridicamente considerados como um efeito do risco próprio do – se o acidente tiver simultaneamente como causa um facto culposo do condutor e um facto da vítima. reduzida ou excluída – art. • 85/96 . 570º. se a indemnização deve ser concedida. 505º): o Acidente imputável ao próprio lesado – é necessário que aquilo que aqui está em causa é um problema de causalidade. nenhuma responsabilidade haverá de qualquer deles. Exclusão da responsabilidade (art.

não admitindo a lei a concorrência do risco com a culpa do terceiro.) defendemos não só uma interpretação restritiva do art.1). | Paulo Pichel Tendo em conta certos dados do nosso sistema positivo mais recente. onde é afirmada a necessidade de uma culpa exclusiva do lesado para afastar a responsabilidade objectiva do transportador. em termo de responsabilizar quem o utiliza no seu interesse (art. o • Colisão de veículos (art veículos é causador de danos – só o detentor desse veículo é obrigado a indemnizar com base – repartição da responsabilidade na proporção em que o risco de cada um dos veículos houver contribuído para os danos. de forma a sintonizá-la com a redacção dada às normas equivalentes dos outros sectores específicos da responsabilidade pelo risco mas também entendemos ser necessário repensar a filosofia do preceito. o Acidente imputável a terceiro – a circunstância de o acidente ter como causa o facto de terceiro exclui a responsabilidade objectiva do detentor do veículo. 505.. o O preceito deve ser entendido em sentido amplo de modo a abranger todos os prejuízos que tenham tido como causas concorrentes os riscos próprios dos dois veículos. Causa de força maior estranha ao funcionamento do veículo – tem de estar conexionada com eventos externos e inevitáveis (exemplo: vento ciclónico. veículo explode devido a um raio que o atinge). 505º) ou quem assumiu o encargo da sua vigilância (art. é porque o terceiro não adoptou as medidas de cautela ou de -se entre a culpa do terceiro e a culpa do condutor. 493º.Direito das Obrigações – 4º Sem.. proprietário e explorador de aeronaves (. aplicandoacidente imputável a terceiro no caso de ele ter sido provocado por animal. Se o acidente for devido a facto de terceiro (e não houver culpa do condutor). .

• Pluralidade de responsáveis (art. de harmónica com o interesse da cada um na utilização do veículo (exemplo: compropriedade – repartição de acordo com a proporção de cada um dos consortes). 507º) o Há que ter em consideração as relações em relação a – a responsabilidade solidária mantém-se. 86/96 . mesmo que haja culpa de um ou alguns responsáveis. Temos concorrência entre Não havendo culpa de ninguém (apenas concorrência de risco) – a obrigação de indemnizar reparte-se entre todos.

para danos corporais e materiais. . o A diversidade de tratamento.2). 508º CCiv) o O segmento do artigo 508. é de 120 000 000$ por sinistro. mostra que a lei não coloca no mesmo plano os dois riscos com os quais o dano se relaciona. n. no todo ou em parte. a indemnização for paga. foi tacitamente revogado pelo artigo 6.o 1 —O capital mínimo obrigatoriamente seguro. Se.º. nenhum direito lhe competirá em relação à entidade patronal (a menos que haja culpa da entidade patronal). | Paulo Pichel • Há responsáveis culpados – só gozam de direito de regresso os responsáveis pelo risco em relação aos culpados (ver art. que acaba de ser apontada. 2 —O capital mínimo obrigatoriamente seguro nos seguros que se reportam a transportes colectivos e provas Capital seguro • Acidentes simultaneamente de viação e de trabalho: o No domínio das relações internas. na redacção dada pelo Decreto-Lei n. • Limites da indemnização (art.º 522/85. pela entidade patronal.º 1. do Código Civil. ficará esta. há uma assinalável diferença de plano entre as duas responsabilidades. pelo contrário. O risco próprio do veículo causador do acidente funciona como uma causa mais próxima do dano do que o perigo inerente à laboração da entidade patronal. de 25 de Janeiro «Artigo 6. em que se fixam os limites máximos da indemnização a pagar aos lesados em acidentes de viação causados por veículos sujeitos ao regime do seguro obrigatório automóvel. nos termos e para os efeitos das alíneas a) e c) do artigo anterior. paga a indemnização devida. seja qual for o número de vítimas ou a natureza dos danos. nos casos em que não haja culpa do responsável.º 3/96. 497º. de 31 de Dezembro.Direito das Obrigações – 4º Sem. espontaneamente ou a requerimento do lesado.º do Decreto-Lei n. sub-rogada nos direitos do sinistrado. Se é o detentor do veículo quem.

nos termos do disposto no capítulo II do título II do Decreto -Lei n. 87/96 . exige para a procedência do direito de regresso contra o condutor por ter agido sob influência do álcool o ónus da prova pela seguradora do nexo de causalidade adequada entre a condução sob o efeito do álcool e o acidente.º do Decreto-Lei n.º 291/2007. Uniformizador 6/2002 . 2 — As disposições constantes da presente portaria não afastam o direito à indemnização de outros danos. de proposta razoável para indemnização do dano corporal.A alínea c) do artigo 19. A Portaria nº 377/2008. de 31 de Dezembro. O papel do Fundo de Garantia Automóvel e direito de regresso das Seguradoras (alusão ao acórdão uniformizador nº 6/2002).Pela presente portaria fixam-se os critérios e valores orientadores para efeitos de apresentação aos lesados por acidente automóvel.D. de 21 de Agosto. • Ac. de 26 de Maio.1 – O seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel: análise do DL 291/2007 de 21 de Agosto.º 522/85. • Portaria 377/2008 . nem a fixação de valores superiores aos propostos. nos termos da lei.

não ser justo (no plano da justiça comutativa ou no da justiça distributiva) que ao interesse colectivo.1 A titularidade activa e passiva do direito à indemnização. B. A responsabilidade pelas estruturas de produção de electricidade a partir da energia das ondas (DL nº 5/2008 de 8 de Janeiro) – ver art. ausência de um quadro sistemático e heterogeneidade (quanto ao âmbito e aos critérios de indemnização) • O acto lesivo pode ser lícito. a lei preferiu deixar a disciplina de cada uma delas entregue ao seu condicionalismo específico. A. 88/96 . as aeronaves de voo livre e as embarcações de recreio. portanto. | Paulo Pichel E – A responsabilidade por danos causados por instalações de energia eléctrica e gás. A responsabilidade ligada à produção de energia no DL nº 172/2006.6. 18. 497º e 507º). o regime que mais lhes convém.8.7 A responsabilidade civil por factos lícitos: fundamento. de 23 de Agosto. sem nenhuma compensação. ao mesmo tempo. que sejam atingidos pela prática do acto. Lesados mediatos que sofreram com a morte do lesado imediato. Titularidade passiva • A indemnização nem sempre é paga pelo responsável civil (exemplos: seguro de responsabilidade ou casos de socialização directa).Visão sumária da responsabilidade civil relacionada com as aeronaves.3 Análise de algumas hipóteses não codificadas de responsabilidade objectiva. • Exclusão dos lesados reflexos ou que sofrem perdas puramente patrimoniais (exemplo: os prejuízos da entidade patronal em virtude do atropelamento de um medida em que prestaram auxílio ao lesado imediato. Titularidade activa • São titulares activos do direito de indemnização aqueles que tiverem sofrido danos jurídicos. Possibilidade do Estado ou outras entidades públicas serem indemnizadas pela violação de interesses protegidos insusceptíveis de apropriação individual. Elas terão. isto ém pessoas lesadas nos seus direitos absolutos ou em interesses legalmente tutelados. 18.8 O direito à indemnização como efeito da responsabilidade civil 18. 18. Mas pode. porque visa satisfazer um interesse colectivo ou interesse qualificado de uma pessoa de direito privado. os direito de um ou mais particulares. ou a interesse colectivo qualificado da pessoa colectiva ou singular. • • Exemplo: Estado de necessidade (art. ou os bens de um outra pessoa. se sacrifique. A titularidade activa não individual ou difusa. • • Poderão existir vários responsáveis solidários (arts. 339º).Direito das Obrigações – 4º Sem. de acordo com as normas aplicáveis a cada caso. 509º e 510º. B – A responsabilidade civil por produtos defeituosos e por certas actividades perigosas. A . Em lugar de estabelecer um regime comum aplicável à generalidade das situações deste tipo. os ultraleves. A titularidade pode caber a pessoas que respondem simultaneamente por factos próprios e factos alheios (Exemplo: vigilantes de inimputáveis).

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com acerto. isto é.3 – não se aplica aos responsáveis civis. | Paulo Pichel 18. Dano não patrimonial – exemplo: lesado pede para que se retire um fotográfica ofensiva da honra ou decoro. a nossa jurisprudência mais recente tem entendido. • • Ver arts. que deve ser outorgada ao lesado uma indemnização (mesmo que superior ao puro valor venal) que lhe 89/96 . material ou ambiental) – reparação. o Insuficiência da restauração natural – dáse quando a reconstituição não cobre todos os danos (a reparação da viatura não compensa o utente quanto à privação do seu uso durante o período de conserto) ou quando não abrange todos os aspectos em que o dano se desdobra (o tratamento clínico do atropelado ou agredido não compensa as dores físicas que teve). sendo aplicada apenas quando: o A reparação natural não seja possível . face à presença contingente de um contrato (que será um ano). substituição. apreensão de uma revista que pôs em causa o seu bom nome ou a retratação do autor da calúnia… • É o modo de indemnização preferido pelo legislador – este impôs como primeira via a restauração natural e só abriu a segunda via na presença de condicionalismos previstos no art. 498º e 323º e ss. Indemnização provisória. indemnização definitiva. se não se tivesse produzido o dano.2 A prescrição do direito à indemnização e articulação com as normas gerais da prescrição. A. o Excessiva onerosidade da restauração natural – quando houver manifesta desproporção entre o interesse do lesado.3 – o acórdão uniformizador nº 4/2002. 566º) • Tem carácter subsidiário. 805º.1.8. o o Dano real (pessoal. quando a restauração natural não cobrir – se a substituição do veículo acidentado não puder ser feita em veículo novo (por beneficiar excessivamente o lesado). a última das quais registou a aquisição a seu favor). A importância do preceituado nos arts.8. Reconstituição natural (art. Cálculo da indemnização em dinheiro e “teoria da diferença”. 566º.3 As formas da indemnização: reconstituição natural e indemnização em dinheiro. consumo.3 e 806º. 562º) • Princípio de reposição natural – dever de reconstituir a situação anterior à lesão.Direito das Obrigações – 4º Sem. Indemnização em dinheiro (art. o dever de reposição das coisas no estado em que estariam. sinal de que começa a diluir-se a separação marcada entre os prazos de prescrição. e o custo que a reparaçã onerosidade será naturalmente a requerimento do devedor que a obrigação de restauração natural se converterá em obrigação pecuniária. tratamento do bem lesado. Nota: art. O princípio da compensação do dano com o lucro ou a da compensação das vantagens. A primazia da reconstituição natural e os seus limites – o caso particular da destruição ou danificação de coisas usadas e os critérios jurisprudenciais relativos à excessiva onerosidade. 18. indemnização em capital e indemnização sob a forma de renda. 498º.a impossibilidade pode ser material (morte da pessoa atropelada. Tal como será a requerimento do credor ou por decisão do tribunal que a conversão se dará. B. que importa recompor. destruição ou perecimento da coisa) ou pode ser jurídica (alienação sucessiva de um imóvel a duas pessoas.

do Código de Processo Civil.º 1. nos termos do n. É pacífica a ideia de que a reparação do veículo deve ser efectuada pelo responsável.3. 442º. a partir da decisão actualizadora.3.2.2 Acórdãos STJ • 13/96 .º.566º.º.Direito das Obrigações – 4º Sem. 566º. Cálculo da indemnização do dano C.1 Teoria da diferença (critério geral) • • Arts. 805º.º. • A indemnização pode estar submetida a limites máximos (responsabilidade pelo risco).º do Código Civil. 90/96 . vindo este a aproveitarse do estrume aí deixado). proceder oficiosamente à sua actualização em montante superior ao valor do pedido do autor. vence juros de mora.º 1. quando condenar em dívida de valor. 568º que permite que o responsável tenha. com justiça. ou que tal imputação se mostre exigível ou correspondente a um sentimento de justiça.O tribunal não pode. e implica que na possibilidade do dano indemnizável resultar. | Paulo Pichel permita adquirir um veículo semelhante ao sinistrado e que lhe proporcione as mesmas excessiva onerosidade não tem o mesmo relevo. • • É possível que o lesado não aplique na restauração natural o dinheiro que receba para tal. embora haja que analisar cada situação à luz da boa ou má fé do lesado. n. que esses benefícios estejam numa relação directa e imediata com o ilícito danoso (exemplo: lavrador que leve os animais a pastar no terreno do vizinho. por efeito do disposto nos artigos 805.3 Princípio da compensação das vantagens • Princípio (?) já presente no art.º 3 (interpretado restritivamente). e 806. em determinados termos. 494º. 2 e 4. da valoração dos efeitos negativos e positivos (vantagens e benefícios) do facto lesivo (por exemplo: lesado poupa a despesa do hotel onde estava hospedado). também do Código Civil. art. C. com salvaguarda de reparação urgente ou agravamento do dano por conduta negligente. C. e não a partir da citação. o direito de exigir que ao montante dos danos causados pelo facto lesivo se deduza o valor das vantagens que este mesmo facto haja eventualmente proporcionado à pessoa lesada. • 4/2002 -Sempre que a indemnização pecuniária por facto ilícito ou pelo risco tiver sido objecto de cálculo actualizado. • A doutrina tem exigido que haja uma conexão substancial entre os danos e os lucros. 806º).806º.3. sujeita a certos máximos ou pré-fixada • A indemnização pode ser fixada de forma equitativa por imposição legal ou por impossibilidade de averiguação do valor exacto dos danos (art. D – Críticas à teoria da diferença e excepções-limitações à sua aplicação D.º 2 do artigo 566. n. nos termos do artigo 661. • Concretiza-se como corolário da teoria da diferença. O montante de indemnização pecuniária mede-se pela diferença entre a situação real em que lesado se encontra e a situação hipotética em que ele se encontraria se não tivesse ocorrido o facto gerador do dano. n.1 – Os casos de indemnização equitativa. C.

1. | Paulo Pichel D. a sua pessoa ou seus bens. • A culpa do lesante é uma culpa própria (tem por base um ilícito cometido). o o Pode a culpa do lesado revelar-se através de uma conduta activa ou passiva. Art. ponderação das culpas e prova da culpa do lesado. quando um facto culposo do lesado tiver concorrido para a produção ou agravamento dos danos. D. isto é.2 – O relevo das convenções limitativas e de exclusão da responsabilidade e os seus limites • Convenções disciplinadoras da responsabilidade civil extracontratual (art.permite às partes fixar por acordo. 493º. mas vem a falecer de uma doença entretanto surgida. 504º. o • exigível. 1136º.2. 807º. A começa a demolir um prédio e B incendeiarelativamente ao possível efeito parcial provocado. presunção de culpa e culpa do lesado. e não estejam em causa actuações dolosas ou gravemente culposas dos responsáveis. • Art. proprietário que acorda com outro a indemnização taxativa a pagar em caso de danos causados pelos seus animais.3 – A vigência do princípio geral da irrelevância negativa da causa virtual : ideias breves • • Implica o afastamento de resultados irrazoáveis ligados à aplicação do critério global da teoria da diferença. o Causalidade antecipada ou ultrapassante – um facto provoca um dano que seria provocado mais tarde em consequência de outro (A sua relevância só é aceite a título excepcional (arts. 492º. 91/96 Tocam sobretudo o domínio das relações de vizinhança. um segundo facto autónomo exclui ou impede essa relação (A é gravemente ferido. D. É possível distinguir: o Casualidade interrompida – embora o primeiro facto fosse adequado a produzir o dano. 570º . os bons costumes.4 – O concurso (para o dano ou para o seu agravamento) da conduta culposa do lesado: culpa do lesado e culpa do lesante.4) desde que não violem normas imperativas ou de ordem pública. sendo uma espécie de culpa contra si mesmo. providas de esferas diferentes e não do mesmo círculo de actuação como sucede com os responsáveis solidários. o Exemplos: jogador que não se responsabilize pelos vidros que partir. o montante da indemnização .permite a redução ou mesmo a exclusão da indemnização. uma censura dirigida à pessoa imputável. através de uma cláusula penal. imputação ao lesado da conduta alheia. o Pressupõe a existência de duas condutas necessárias. já a culpa do lesado é imprópria (por não violar direitos ou interesses alheios.2). já que por razões sancionatórias o autor da causa real não pode ver excluída a sua causa virtual é uma conduta hipotética do lesado. Nº2 – previsão de que a prova da culpa (exclusiva) do lesado exclui a responsabilidade do presumido culpado. por ter colocado em perigo. 810º . dolosa ou negligentemente.Direito das Obrigações – 4º Sem. 491º.

estipular novas garantias. com a mudança da titularidade do direito real (obrigação propter rem). • Os contraentes. Art. Art. prestação com faculdade alternativa. prestação impossibilitada após údo – trata-se sobretudo de alterar cláusulas acessórias do contrato. modificar o preço ou o objecto do contrato. 500º e 800º estão para a responsabilização do comitente e do devedor.1 Modificações subjectivas: por transmissão e por sucessão mortis causa • Não alteram o núcleo obrigacional e conexionam-se com a transmissão dos créditos. fixar um prazo e o lugar de cumprimento.redução da cláusula penal manifestamente excessiva. • 19.) Art.1 Visão geral das modificações subjectivas com indicações históricas.a culpa do lesado tem a ver com a actuação de pessoas ligadas ao próprio lesado. que tenha em consideração algumas debilidade de certos lesado (exemplo: cegueira... 812º . 437º. com a entrega do título ao portador e com a sucessão mortis causa. 20. também podem provocar danos em vens a ele pertencentes. mas de possibilitar ao credor transmitir o valor patrimonial do seu crédito – o que . pouca instrução. Pode dizer-se que esta norma está para a desprotecção do lesado assim como os arts. • Não se trata aqui de modificações que contendam com o conteúdo da obrigação. das dívidas e da posição contratual. | Paulo Pichel • A culpa do lesado é apreciada segundo um critério objectivo flexibilidade. dação em cumprimento e em função do pagamento. o o Transformação – invocação da prescrição.3 – papel interventor do julgador quando alguma das partes se demita de exercer certa faculdade.Direito das Obrigações – 4º Sem. 19º al. fixar uma moratória. 571º .1 al. Factos transmissivos das obrigações 20. Alteração do título obrigacional (por transacção o – prestação cumprida parcialmente. do objecto ou conteúdo) e não voluntárias • São modificações que conduzem a uma transformação da obrigação. mas sim as pessoa que trazendo benefícios para ele. ao abrigo da autonomia privada podem alterar um prazo. prestação não cumprida definitivamente. Factos modificativos das obrigações 19. que converte uma obrigação civil numa obrigação natural. • Relativamente aos contratos de adesão. sejam auxiliares ou representantes legais.2 Modificações objectivas: voluntárias (do título. idade. a uma alteração do título obrigacional da própria prestação ou do seu conteúdo. Quem concorre com a culpa não é o lesado. 777º. • • • Alteração anormal das circunstâncias (hardship clause) – art. é necessário ter em consideração os arts. estabelecer uma cláusula de tradição e de exclusividade ou agravar uma cláusula penal.h) e 22º.c) e e) DL 446/85. 19.

colocar perante este outro devedor e outro património ou possibilitar a qualquer dos contraentes a cedência global da posição contratual. 92/96 . em termos não prejudiciais ao credor.não envolve o prejuízo para o devedor – e permitir ao devedor.

pois então já é necessário o consentimento ou ratificação do devedorcredor. ver art. os montantes correspondentes cedente assegura ao cessionário. a cessão duma obrigação.Direito das Obrigações – 4º Sem. à partida.transmissão do direito de crédito. no momento da cessão. cessionário e devedor cedido o Se a cessão do crédito importar. uma doação. no todo ou em parte. 595º). conjuntamente. Cessão estar interdita por convenção das partes (podendo ser contemporânea da constituição do crédito ou posterior a ela). mediante o pagamento de uma comissão e o débito de uma taxa de juro pagos ao aderentes no vencimento ou por antecipação. mesmo que o contraente cedido não cumpra as obrigações a seu cargo. pela própria natureza da prestação. o regime aplicável já não é o deste artigo. • Procedimentos financeiros associados à cessão de créditos: o Factoring – processo financeiro. A. pertencia ao cedente e este podia dispor validamente dela). nem resolver o contrato de cessão. nos termos gerais. não é admissível que o devedor possa recusar-lhe o pagamento só porque esse pacto existia: o que o devedor poderá é. 32 Relações entre cedente. à pessoa do credor. negócio de garantia em benefício de outro crédito. todos os créditos de curto prazo.. ao cessionário não será lícito recusar com esse fundamento a contraprestação eventualmente devida ao cedente. Cessão de créditos: • • Art. que a posição contratual tenha sido validamente transmitida (dupla garantia legal: porque a posição contratual existia.1 Transmissão pelo credor: cessão de créditos e sub-rogação. • Mas pacto de non cedendo realizado no interesse exclusivo das partes. 93/96 .1. Se o cessionário adquire o crédito desconhecendo tal pacto. cessa. porque não possa ou não queria fazê-lo. quer pela aplicação das regras da cessão da posição contratual (art. o Há 3 casos em que a cessão – arts. feita pelo credor a um terceiro. o Pode ter por objecto créditos futuros (ver arts. Requisitos: o Negócio policausal/ causa variável – pode ter por base uma venda.1].. uma dação em cumprimento. | Paulo Pichel 20. exigir do cedente a encontrar ligado. 211º e 399º) [Quanto à doação. a responsabilidade do transmitente. 942º. quer pela disciplina própria da transmissão singular de dívidas (art. em princípio. 2008º. em que uma entidade (o aderente) cede a uma instituição especializada. consentimento do devedor. 424º). 579º e ss e art. o factor ou cessionário. não é razoável que possa afectar os do cessionário de boa fé. a existência da posição transmitida. não se exigindo. 577º .

no entanto. sem prejuízo 583º. B – Sub-rogação (art. Não se verifica em relação a prestações futuras. o Relação entre o contraente cedido e se com o princípio de que se transmite apenas a posição contratual. nem tenha tido conhecimento dela. não havendo interferência do credor. | Paulo Pichel O cedente da posição contratual pode. 589º e ss) • • • . passando o cessionário a titular do direito e perdendo os credores do cedente esse elemento -fé. do devedor que não tenha sido notificado ou aceita a cessão. responder pelo cumprimento das obrigações do contraente cedido. O direito de crédito transmite-se imediatamente com o negócio de alienação. feito por terceiro. portanto. São. 589º .tem na sua base o pagamento ou cumprimento da obrigação. Art.Direito das Obrigações – 4º Sem. o • Dupla alienação – ver art. que pague ao credor aparente. e não quaisquer outros direitos ou obrigações que não derivem do contrato. isto é. se tiver prestado essa garantia. Variantes da subrogação: o Sub-rogação voluntária – proveniente de um contrato realizado entre credor e terceiro. 584º. ou entre o devedor terceiro. apenas oponíveis ao cessionário os meios de defesa integrados na posição cedida ou resultantes dela. Acordo entre devedor e terceiro.

apesar de formalmente mais pesada. • Efeitos translativos da sub-rogação – o principal efeito da sub-rogação é a transmissão do crédito. que pertencia ao credor satisfeito. procurando uma diferença favorável entre o preço da cessão e o montante do crédito. Comparação entre cessão de crédito e sub-rogação • A cessão de crédito é mais vantajosa pois.Sub-rogação legal – resultante do pagamento feito por terceiro interessado na satisfação do crédito (art. porém. goza de uma dupla garantia e concorre. Como a aquisição do sub-rogado se funda substancialmente no acto de cumprimento. o sub-rogado efectua um mero pagamento que pretende ver satisfeito pelo devedor. 94/96 . só lhe será lícito. em igualdade de condições. C. exigir do devedor uma prestação igual ou equivalente àquela com que tiver sido satisfeito o interesse do credor. para o terceiro (sub-rogado) que cumpriu em lugar do devedor ou à custa de quem a obrigação foi cumprida. ao lado do cedente na hipótese de uma cessão parcial. • Enquanto o cessionário realiza uma operação especulativa. o cessionário tem direito a receber o montante nominal do crédito. 592º).

que a impõe. podendo o credor exigir o cumprimento de qualquer deles (responsabilidade solidária. da vontade dos contraentes. com o consentimento do outro contraente. requisitos (a estrutura triangular da cessão). • Assunção liberatória e assunção cumulativa: o Assunção liberatória – existe no caso de o antigo devedor ser exonerado e ficar apenas vinculado o novo devedor (exoneração expressa do credor). o A cessão da posição contratual implica a existência de dois contratos: o contrato-base e o contratoinstrumento da cessão. assunção liberatória e assunção cumulativa e efeitos. 424º e ss.2 Transmissão pelo devedor: transmissão singular de dívidas. cedente-contraente cedido e cessionáriocontraente cedido) A – Noção e estrutura trilateral • • Art. 595º . à custa daquela posição. entrando o cessionário para o lugar dele.1. confronto com o subcontrato e a sub-rogação legal no contrato e efeitos (nas relações cedente-cessionário. mas da determinação imperativa da lei. A contraparte do cedente no contrato originário que passa a contraparte do cessionário (contraente cedido) – a substituição não pode consumar-se sem o consentimento do contraente cedido. A cessão da posição contratual consiste no negócio pelo qual um dos outorgantes em qualquer contrato bilateral ou sinalagmático transmite a terceiro.1. o cedente desliga-se da sua posição de contraente. que é o realizado para a transmissão de uma das posições derivadas do contrato-base • São três os protagonistas da operação: o o o O contraente que transmite a sua posição (cedente).Estamos perante a possibilidade de um devedor transferir a sua obrigação: o o o Por contrato entre o antigo e o novo devedor. O terceiro que adquire a posição transmitida (cessionário). Noção. ratificado pelo credor. B – Distinção entre cessão da posição contratual com subcontrato e sub-rogação legal • Subcontrato – na cessão. • Art. tendo a característica de uma depender da outra e de existir um contraente em comum. que vive em paralelo com a primeira.3 Transmissão por parte dos contraentes: cessão da posição contratual. • Sub-rogação legal – a transmissão não procede neste caso. ao passo que o constituinte do subcontrato mantém a sua posição contratual anterior e limita-se a constituir uma outra relação contratual. Em qualquer dos casos. o complexo dos direitos e obrigações que lhe advierem desse contrato. Caso contrário. é necessária a ratificação do credor para que a transmissão exonere o antigo devedor. Por contrato entre o novo devedor e o credor. consagração legal. (Exemplo: relação entre o locatário e o novo adquirente do prédio – art. 20. o Assunção cumulativa – o antigo devedor não fica exonerado. O subcontrato envolve a criação de uma segunda relação contratual. 1057º CCiv). | Paulo Pichel 20. Noção.Direito das Obrigações – 4º Sem. o o Na cessão verifica-se uma operação de modificação subjectiva na relação contratual básica. os devedores (novo e antigo) respondem solidariamente. assemelhando-se à figura da fiança). 95/96 . com ou sem consentimento do antigo devedor. formas de transmissão.

| Paulo Pichel C. salvo se a identidade do terceiro constar do contrato incial. Regime restritivo dos contratos de adesão • Art. 96/96 .1 DL 446/85 – considera absolutamente proibidas as cláusulas contratuais gerais que consagrem a favor de quem as predisponha. 15º DL 270/2001. sem o acordo da contraparte. art.Direito das Obrigações – 4º Sem. • Ver ainda – art. 18º. 10º e 11º DL 149/95. art. a possibilidade de cessão da posição contratual. de transmissão de dívidas ou de subcontratar. 318º CT. 24º DL 209/97.