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Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº.

Cyonil Borges – aula 01

AULA 01 - Direito Administrativo: Notas Iniciais

Oi Pessoal, Sejam benvindos! A banca foi definida. Será a ilustre organizadora Cespe. Vamos “quebrar” tudo. Contem comigo em mais uma empreitada, e que seja a última, não é verdade? Abraço forte e excelente semana, Cyonil Borges.

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Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. Cyonil Borges – aula 01 Parte 1 – Noções gerais 1.1. Estado: conceito, elementos, classificação Essa primeira aula é bastante conceitual, porém, não é suficiente para nos angustiar. Vamos “passear” um pouco nas linhas introdutórias do Direito Constitucional, para garantirmos a completa compreensão dos detalhes do nosso querido Direito Administrativo. De fato, o conceito de Estado não é fixo no tempo e sequer no espaço. O próprio signo “Estado” é recente, aparecendo, com o sentido que ora se utiliza, pela primeira vez na obra “O Príncipe”, de Maquiavel (séc. XVI). Apesar disso, alguns elementos – ditos constitutivos – costumam ser constantes: o humano, o geográfico, e o político-administrativo. Com outras palavras, e respeitadas as posições doutrinárias divergentes, a figura do Estado só se faz presente a partir da constituição, nessa ordem, por um povo, por um território, e por um governo soberano. Sinteticamente, cada um desses pode assim ser definido: POVO é elemento humano, a base DEMOGRÁFICA. TERRITÓRIO são os limites do Estado, sua base GEOGRÁFICA. GOVERNO SOBERANO diz respeito ao elemento condutor, responsável pela organização do Estado, afinal não há Estado real sem soberania! Ao lado desses, há bons autores que acrescentam o elemento finalidade como informador do Estado, verdadeiro elemento teleológico – leia-se: finalístico, como nosso José Afonso da Silva. Isso porque não se pode pensar a figura do Estado sem um projeto para o futuro. A leitura do art. 3º do texto constitucional esclarece bem esse sentido, ao ilustrar as normas constitucionais programáticas. Muitos autores fazem questão de destacar que os elementos acima são INDISSOCIÁVEIS, ou seja, precisam “andar juntos” para que se chegue à noção conceitual que se tem, atualmente, de Estado. Um breve exemplo permite-nos chegar a tal conclusão: imaginemos um Estado sem um governo soberano, ou cuja soberania não é reconhecida pelos demais Estados. Imaginou? Nessa hipótese, o que teremos não é um Estado, mas problemas, como no caso do “Estado” palestino frente a Israel. Como Israel não reconhece, de regra, a soberania do Estado palestino, há o entendimento de que tem legitimidade para, por exemplo, prender ministros e outras autoridades palestinas, se descumprirem leis
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Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. Cyonil Borges – aula 01 israelenses, dentro da “Faixa de Gaza”. Faixa essa entendida por Israel como parte de seu território, e, portanto, lugar de aplicação de suas leis. Se ainda não caiu a ficha, pensa rapidamente se existe o Estado da Atlântida! Se considerássemos a descoberta desta ilha perdida, mesmo assim não poderíamos encaixá-la na qualidade de Estado, pois, no lugar de POVO, encontraríamos POLVO, o qual não nos parece ser elemento constitutivo do Estado! Além disso, registre-se que a uniformidade linguística não é elemento de formação dos Estados, apesar de excelente para que se dê identidade a um povo e facilite a formação de um grande Estado. Nosso país, por exemplo, é de grande extensão territorial, sendo a integração bastante facilitada por conta da presença de um único idioma, o português. De outro lado, há países em que se fala mais de um idioma e nem por isso deixam de ser vistos como Estado. Exemplos disso, apenas para ilustrar, a Bélgica, Suíça e Canadá. Não precisa nem dizer que há países da África com variados dialetos, e, nem por isso, deixam de ser considerados Estados. Nesse instante, alguns dos leitores logo pensam: entendi! O Estado é formado pelos elementos POVO, TERRITÓRIO E GOVERNO SOBERANO. Mas por que aqui no Brasil existe União, Estados, Distrito Federal e Municípios? O que esse ‘pessoal’ todo é? E os Territórios, como se situam? Antes de responder a tal quesito, o concursando deve ter mente que diversas são as formas de Estado, a depender da época, do território, e de razões históricas. Entre as formas de organização do poder político, destacam-se: a Confederação, o Estado Unitário, e o Estado Federal. Na Confederação, há a reunião de Estados Soberanos. No Estado Unitário (puro e impuro) existe um único centro de poder, responsável por todas as atribuições políticas, por exemplo: a França. Já no Estado Federal, há diferentes polos de poder, os quais atuam de forma autônoma entre si, por exemplo: o Brasil. Retornemos ao quesito (mas por que aqui no Brasil existe União, Estados, Distrito Federal e Municípios?).

Vamos à resposta.
A União, os Estados-membros, o Distrito Federal e os Municípios são as pessoas integrantes da Federação, ou seja, são entes políticos/federados componentes da Federação Brasileira. São pessoas jurídicas de direito público INTERNO. A Federação é a FORMA DE ESTADO, portanto, adotada aqui no Brasil.
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E os Territórios?
Já os territórios não são, hoje, entes federados, detendo competência exclusivamente administrativa, e, bem por isso, não sendo considerados entes federados pela CF/1988. Os territórios são definidos doutrinariamente como autarquias da União (as ditas autarquias territoriais), afinal a capacidade de autogoverno é inexistente, isso porque o Presidente da República é responsável pela nomeação do Governador do Território depois da sabatina pelo Senado Federal. Sobre o tema, vejamos o art. 84, inc. XIV, da CF/1988 (competência exclusiva do Presidente da República): nomear, após aprovação pelo Senado Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores, os Governadores de Territórios, o Procurador-Geral da República, o presidente e os diretores do banco central e outros servidores, quando determinado em lei. Dizem as boas línguas que nossa forma Federativa é espelho do sistema norte-americano. Essa afirmação é só metade verdadeira. Não é bem um espelho, isso porque a Federação Brasileira foi formada por desagregação (movimento centrífugo, segregador), diferentemente do sistema norte-americano (centrípeto ou agregador). Trocando em miúdos, nos EUA, havia Estados Soberanos, reunidos em Confederação (desde 1776), os quais largaram a soberania para aglutinarem-se em torno da Federação (isso em 1787). Note: movimento da periferia para o centro - agregação. Já no Brasil, tínhamos um Estado Unitário, e por desagregação (efeito segregador) foi criada a Federação (CF/1891), atribuindo-se aos Estados-membros mera autonomia, sendo a República Federativa a guardiã do atributo da soberania. O Federalismo está ligado, essencialmente, à distribuição interna de poder por diferentes centros políticos. Todos os entes federativos são autônomos, ou seja, podem criar suas próprias normas (legislar), mas não são soberanos ou independentes. Como sobredito, a soberania é atributo da República Federativa do Estado Democrático de Direito Brasil, atributo que significa, em breves palavras, o reconhecimento que o Estado Brasileiro tem frente aos demais Estados Soberanos. Vejamos o art. 18 da Constituição Federal: A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição.

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Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. Cyonil Borges – aula 01 Os destaques não constam do texto original. Todos aqueles que integram a Federação são entes políticos ou federados, com capacidade de tríplice autonomia (legislar, administrar e se autogovernar). Para José dos Santos, autonomia, no sentido técnico-político, significa ter a entidade integrante da federação capacidade de auto-organização, autogoverno e autoadministração. No primeiro caso, a entidade pode criar seu diploma constitutivo; no segundo, pode organizar seu governo e eleger seus dirigentes; no terceiro, pode ela organizar seus próprios serviços. Esses traços, por exemplo, diferenciam as pessoas políticas das entidades da Administração Indireta (autarquias, fundações públicas, sociedades de economia mista e empresas públicas), pois essas são pessoas jurídicas exclusivamente administrativas. Por exemplo: o Banco Central – como autarquia – não edita leis – autolegislação; a Caixa Econômica – como empresa pública – não elege governador, prefeito, ou Presidente – autogoverno. Pois bem. Autônomo deriva de AUTOS (próprio), mais NOMOS (regras donde deriva, também, o termo “normas”). Assim, dizer que os entes federativos são autônomos significa dizer que podem estabelecer as próprias regras, ou seja, legislam, produzindo normas próprias. Linhas acima, houve a citação de que o Estado Brasileiro é República Federativa e Estado Democrático de Direito. Dois novos conceitos para agruparmos ao rol já existente: o que é República? O que é ser de Direito e Democrático? O que é República? Na visão do autor José Afonso, a República (a coisa do povo para o povo) é forma de governo, ao lado da Monarquia, mas desta distinta, referindo-se à maneira como se dá a instituição do poder na sociedade e como se dá a relação entre governantes e governados. Responde à questão de quem deve exercer o poder e como este se exerce. Obviamente, o exercício de tal poder não é vitalício. No vigente ordenamento republicano e democrático brasileiro, por exemplo, os cargos políticos de chefia do Poder Executivo, além de eletivos, não são exercidos nem ocupados em caráter permanente, por serem os mandatos temporários e seus ocupantes, transitórios. Em síntese, podem ser apresentadas as seguintes características da forma de governo - República:  Legitimidade popular dos (Presidente, Governadores, e Legislativas; Chefes dos Prefeitos) e Executivos das Casas

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formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. 151. foi recepcionada pela CR de 1988. o que diz art. Sobre o tema. constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: (. No direito internacional apenas a República Federativa do Brasil tem competência para firmar tratados (art.estrategiaconcursos. Rel. 98 do CTN.. (. pode ser assim traduzida: O Estado cria as leis (em sentido amplo – a norma) para que a todos sejam impostas. Art. (RE 229. Cyonil Borges www. Art. dado que. Antes de tratarmos de Estado de Direito.  Prestação de contas pelos gestores públicos.br Página 6 de 55 . apenas a República Federativa do Brasil tem competência para a formalização de tratados. Não caracterização de isenção heterônoma.. julgamento em 16-8-2007. Do trecho. com eficácia para a União. Prof. Isenção de tributo estadual prevista em tratado internacional firmado pela República Federativa do Brasil. os Estados-membros ou os Municípios. os Estados e os Municípios’ (voto do eminente Min.. inclusive a si mesmo.) O que é Estado de Direito? Para respondermos ao quesito. 151.). mas como chefe de Estado. os Estados-membros ou os Municípios. o Presidente da República não subscreve os tratados como Chefe de Governo.) A isenção de tributos estaduais prevista no Acordo Geral de Tarifas e Comércio para as mercadorias importadas dos países signatários. 52. que. DJE de 11-4-2008. vejamos. quando o similar nacional tiver o mesmo benefício. O art. Plenário. Cármen Lúcia. Min. O presidente da República não subscreve tratados como chefe de Governo. Nesse particular. Ilmar Galvão).096. O Estado não se afasta de cumprir a norma que cria. no direito internacional. Cyonil Borges – aula 01  Temporariedade dos mandatos eletivos (contraponto da vitaliciedade monárquica). III. mas como Chefe de Estado. vejamos precedente do STF: Recepção pela CR de 1988 do acordo geral de tarifas e comércio. § 2º. pode ser destacado “Estado de Direito”. 98 do CTN possui caráter nacional. III. da CR). dela não dispondo a União. cabe registrar que. abreviadamente. o que descaracteriza a existência de uma isenção heterônoma. 1º da Constituição Federal de 1988: A República Federativa do Brasil. p/ o ac.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. como diria um educador famoso: educar é dar exemplo.com.. inicialmente. da Constituição. vedada pelo art. da CF. dela não dispondo a União.

se o Estado é de Direito e. de acordo com a ordem jurídica. se não fosse o Estado o primeiro cumpridor? A ideia de Estado de Direito baseia-se na imposição de “freios” à atividade do próprio Estado. portanto.“todo poder emana do povo. e não o inverso (parágrafo único do art. Logo. presumidamente. Aplica-se a fórmula ocidentalizada do “rule of law” (o Estado é que cria as regras. a contenção do Estado pelo povo. Por exemplo. que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. é composto por seres humanos. mas a estas deve se sujeitar). possuem a característica da presunção de legitimidade? Resposta: SIM! Mas. ou seja. o servidor do órgão “X” é o Estado quando atua. com a necessidade de produção de provas invertida em desfavor dos administrados. Isso ocorre porque o Estado. podem ser questionados por terceiros. para aqueles que gostam de latim). é legítimo. significa a vontade do povo. assim como boa parte dos amigos leitores também o serão. não só os administrativos. Cyonil Borges – aula 01 De que valeria o Estado criar a norma para vê-la cumprida por todos. os atos falhos dos agentes públicos. Sabemos que servidores são seres falíveis. A Lei diz respeito à vontade geral. logo depois dos respectivos concursos e do derradeiro ato de posse.br Página 7 de 55 . o Estado de Direito surgiu. Como sinaliza Dirley Prof. assim. De fato. a qual. pressupõe-se que cumpra a lei. E você se pergunta: em que o conceito de Estado de Direito importa para o Direito Administrativo? A resposta é: em tudo! Isso porque o Direito Administrativo nasceu com o Estado de Direito. por serem presumidos legítimos. obviamente. todo e qualquer ato proveniente do Estado é produzido. ao fim. Com efeito. Nesse instante alguns amigos devem estar pensando: então todos os atos do Estado. No Estado de Direito a contenção do poder é feita pela lei. De se destacar que esse “primado da lei” no Estado de Direito gera uma presunção para todo e qualquer ato que provenha do Estado: a presunção de legitimidade dos atos estatais. nos termos desta Constituição”). uma vez que tais atos contam com presunção relativa de legitimidade.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. tornam-se inquestionáveis? Resposta: NÃO! A presunção de legitimidade é uma presunção relativa (ou juris tantum. 1º . essencialmente. príncipe). então.com. Cyonil Borges www. cujo poder – de base divina e contratualista por vezes – centrava-se na figura do soberano (rei. pode ser questionada. para fazer frente ao Estado Absolutista.estrategiaconcursos. porventura produzidos nessa qualidade.

de vez. sendo a democracia mais abrangente do que o direito. com textos bastante difundidos no campo da filosofia jurídica. independentes e harmônicos entre si. Aristóteles. o que vem a ser Estado Democrático? A Constituição. objeto. distinguir as três principais funções do Estado: legislar. assumindo o compromisso formal de evolução para a ideia de Constituição Dirigente (leia-se: preocupada com os direitos sociais – de 2ª geração – e não tão-somente os de 1ª geração – civis e políticos).1. é o Direito. Contudo. dão origem aos “Poderes” constituídos. têm alcances diferenciados. muito provavelmente. CharlesLouis de Secondat. o problema é saber como são feitas tais leis. modernos e clássicos. o Barão de Montesquieu. 2º): “São Poderes da União. inclusive. ao mencionar Estado Democrático de Direito. Apenas para citar alguns mais conhecidos. modernamente.br Página 8 de 55 . assegurando a correta e legítima gestão do interesse público e garantindo os direitos dos administrados. o autor mais influente e discutido a respeito da repartição das atividades de Estado é. 2. ocuparam-se da abordagem de quais e quantas seriam as principais funções a serem desempenhadas pelo Estado. e administrar. Parte II – Origens históricas do Direito Administrativo. conceito. Por exemplo: o Estado da Venezuela é de Direito? Acredito que sim. Hobbes. portanto. Por fim. para afastar. o Executivo e o Judiciário”. Diversos pensadores. Cyonil Borges www. aprendemos que o Estado Brasileiro tem FOrma de GOverno a REPÚBLICA e Forma de Estado a FEderação. Considerações gerais No tópico anterior. deixa evidente que não se trata de reunião meramente formal de elementos. que regula as relações entre a Administração Pública e os administrados. as quais. será que com a real participação dos cidadãos ou meramente semântica ou formal.estrategiaconcursos. e que os termos Democrático e Direito. Exatamente por isso que nosso texto constitucional se preocupou em inserir expressamente o termo Democrático. e fontes do Direito Administrativo. como é o caso da Norte-americana). Vamos agora. Karl Lowenstein. julgar. Prof.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. tal qual escrito na Constituição (art. o Legislativo. ao qual o Estado passou a se submeter.com. Cyonil Borges – aula 01 Cunha. certa vez. Locke e Rosseau. como ensinou. a ideia de que a Constituição é meramente garantia (negativa ou liberdade.

“em forma de pizza”: Prof. como dito. não administraria. dar atendimento às demandas concretas da coletividade) deveriam ser exercidas por órgãos diferentes. solucionando-os em definitivo) e de administrar (função administrativa ou executiva: usar a norma jurídica criada. quem administrasse. independentes. como não poderia deixar de ser. aplicando-a. enfim. Esta ideia rodeia quase todo o direito ocidental moderno. exercentes do Poder. indivisível. Decorre daí o entendimento de que o Poder é UNO. tecnicamente. para. a abordagem inicial de Montesquieu não falava de “Poderes”. é exercido em diversas frentes. mas sim de órgãos distintos.com. havendo apenas uma distribuição funcional – aquilo que os constitucionalistas chamam de princípio da especialização. para os mais chegados à língua inglesa).br Página 9 de 55 . Montesquieu registrou que as missões fundamentais do Estado. Cyonil Borges – aula 01 No seu clássico “O Espírito das Leis”. Desse modo. 2º da CF/1988. a seguir. constituindo o que se reconhece na doutrina constitucionalista como sistema de “Freios e Contrapesos” (ou checks and balances. de legislar (função legislativa: criar o Direito novo). não há exclusividade. de julgar (função judicial ou jurisdicional: aplicar o Direito aos casos conflituosos. quem julgasse. a representação gráfica da tripartição brasileira. diferentemente da tripartição de Montesquieu (considerada rígida). que é um só. tal como no Brasil.estrategiaconcursos. que. Vejamos. não legislaria. e assim sucessivamente. o exercício dos Poderes no Brasil dá-se por precipuidade (preponderância. o Poder do Estado.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. Todavia. Tome-se como exemplo a ordem jurídica brasileira. consagra essa “tripartição” de poderes no art. especialização) de função. A divisão do Poder entre órgãos diferentes possibilita aos órgãos constitucionalmente estabelecidos controlar-se entre si. Acontece que. Cyonil Borges www. De fato.

por exemplo. quando edita medidas provisórias (art. e de FUNÇÃO ADMINISTRATIVA. DIOGO DE FIGUEIREDO MOREIRA NETO ("Contencioso Administrativo". "a". normas gerais e abstratas através de seu poder regulamentar (art. "b" etc. sem definitividade. a única que produz a res iudicata (por José dos Santos Carvalho Filho). e 52. nunca chegou a ser aplicado com efetividade. ao contrário da anterior. "b". Cyonil Borges www. CF). contudo. desempenha também FUNÇÃO ATÍPICA NORMATIVA. que sintetiza a referida distribuição de funções: “Os Poderes estatais. por exemplo. I. Ousamos discordar do ilustre professor. CF). II. Quanto à FUNÇÃO JURISDICIONAL. Exerce também a FUNÇÃO ADMINISTRATIVA quando organiza seus serviços internos (arts.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. Enfatizo. CF) ou os Ministros do Supremo Tribunal Federal pelos mesmos crimes (art. p. 96. sequer alude àquela expressão. XIII. CF) ou leis delegadas (art. "c". 23) admite que o Executivo exerça jurisdição. O Judiciário. esta sim. quando organiza os seus serviços (art. na verdade. CF). através do sistema do contencioso administrativo. foi superada pelo advento da nova Constituição. 62. 52. quando produz. 96. II. CF). ainda. é óbvio. Para nós. o fato de existirem contendas na via administrativa suscetíveis de decisão não implica o exercício da função jurisdicional típica. ainda. A nova. o Poder Executivo. pratica atos no exercício de FUNÇÃO NORMATIVA. A Carta anterior ainda abria certa fenda para essa possibilidade no art. I. IV. embora tenham suas funções normais (funções típicas). todavia. que a Constituição o autorize. 84. IV. 52.br Página 10 de 55 . "a". o sistema constitucional pátrio vigente não deu margem a que pudesse ser exercida pelo Executivo. art. ou. que nossa afirmação é feita à luz do ordenamento jurídico pátrio. além da função normativa. Por fim.”* *Referência doutrinária A discussão sobre a possibilidade de ser exercida função jurisdicional pelo Executivo. como na elaboração dos regimentos internos dos Tribunais (art. desempenham também funções que materialmente deveriam pertencer a Poder diverso (funções atípicas). 96. CF). O Legislativo. Prof. 68. I. 205. Cyonil Borges – aula 01 Veja os ensinamentos do autor Carvalho Filho. "a". sempre.com.estrategiaconcursos. exerce a FUNÇÃO JURISDISCIONAL quando o Senado processa e julga o Presidente da República nos CRIMES DE RESPONSABILIDADE (art. ao qual incumbe precipuamente a função administrativa.). que. afora sua função típica (função jurisdicional). 51.

também exerce. o Judiciário faz licitações (administração de compras. Contudo. ou seja. ao Poder Executivo não é dado o exercício da atividade jurisdicional (em seu sentido estrito). Da mesma forma. no caso federal. como bem informado por José dos Santos. no que o Judiciário está. O melhor exemplo disso é a possibilidade de edição por parte de seu chefe de medidas provisórias. por exemplo. medidas estas que possuem força de lei desde sua edição (art. I do art. 52 da Constituição Federal). cuja missão típica é a atividade administrativa. tanto os Governadores como os Prefeitos ficam autorizados a editarem medidas provisórias. XXXV do art. a missão legislativa. em sentido estrito. Vejamos. Contudo. Obviamente. não há como se negar que a mesma função é desempenhada por todos os demais Poderes. o Senado processa e julga o Presidente da República nos crimes de responsabilidade (inc. Cyonil Borges – aula 01 Portanto. de maneira atípica.br Página 11 de 55 . Ainda que o Executivo adote decisões em processos administrativos de sua competência. Prof. como a decisão proveniente do Judiciário. Em havendo previsão na Constituição dos Estados e nas Leis Orgânicas. 62 da CF/1988). Cyonil Borges www. essencialmente.com. Essa mesma função – administrativa – pode ser percebida com relação ao Poder Legislativo. pelo Poder Executivo. quando abre procedimentos administrativos e realiza concursos públicos para acesso aos cargos públicos. o qual também exerce atipicamente funções administrativas. Por isso.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. é o Presidente da República. A questão seria identificar a quem é outorgada a função de forma típica ou atipicamente. com o sentido que esta deve ser vista. conforme se verá no devido momento. que. serviços) e concursos públicos para seleção de servidores (administração de pessoas). A missão típica do Poder Judiciário é aplicar o direito aos casos litigiosos que lhes sejam submetidos. atipicamente. podem seus atos ser levados à apreciação do órgão judiciário competente. quando encaminha normas para apreciação do Poder Legislativo. essa apreciação judicial não é ilimitada. contido no inc. O Legislativo também desempenha a atividade jurisdicional quando. com força de definitividade. em razão do princípio da inafastabilidade de jurisdição. atipicamente.estrategiaconcursos. Transcreva-se: a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. O Poder Executivo. o mesmo Poder pode deflagrar o processo legislativo. no Brasil. 5º da Constituição Federal. estas não constituirão coisa julgada material ou definitiva. obras. a função administrativa de Estado é exercida. Contudo. exercendo funções administrativas.

de concursos públicos.com. No mundo dos concursos. tratando-se. e vice-versa. que era processado pelo juiz. como é o caso do autor Diogo Figueiredo. Por exemplo: com a Lei 11. a organizadora Cespe já formulou diversos itens sobre a atividade judicante a ser levada a efeito pelo Poder Executivo. passou a ser realizado por escritura pública em Ofício de Notas (função administrativa típica). o divórcio consensual – função jurisdicional atípica (jurisdição voluntária) –. porque. Essa é a posição da doutrina majoritária e que devemos levar para a prova . nesse ponto. que. Quanto à tripartição de Poderes. o Poder Executivo não julga?! Não há duvida que a questão é tormentosa. E. Para parte da doutrina. como o “mérito” da decisão administrativa. a função de estabelecer normas gerais e abstratas (a função legislativa). que não pode ser “invadido” pelos órgãos judiciais. como típica e o direito positivo venha a convertê-la como atípica. porém sem definitividade (sem o colorido jurisdicional). Mas. de 2007. Carvalho Filho informa que pode suceder que determinada função se enquadre. o Executivo não exerce atividade jurisdicional em sentido formal.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº.estrategiaconcursos. em certo momento. no entanto. de modo que as bancas não deveriam formular quesitos dessa natureza. para agregar na carga mental de vocês novos conceitos. há forte divergência doutrinária. fundamentado pela resolução das lides (conflitos) e não o conceito formal de jurisdição. não há verdades absolutas. valem os ensinamentos de Alexandre Santos Aragão. nesses casos. Cyonil Borges – aula 01 Mas. adiante-se: há limites para apreciação de atos administrativos pelo Poder Judiciário. atipicamente os Poderes Legislativo e Judiciário exercem competências administrativas em duas situações básicas: Prof. de antemão. Normalmente. Analisemos. como sobredito. a aplicação da lei (abstrata e geral) aos casos concretos (funções judicante e administrativa). especialmente tratando-se de concursos públicos. Entretanto.br Página 12 de 55 . tem sido voz vencida. Por fim. estes itens se referem às funções exercidas pelas Comissões de Processo Administrativo Disciplinar. Há quem defenda que o Poder Executivo exerce atividade jurisdicional. Professor. A banca considera. de um lado. é claro. A Jurisdição é quase que monopolizada pelo Poder Judiciário e apenas em casos excepcionais pode ser exercida pelo Legislativo. não há distinção entre atividade administrativa e jurisdicional. Para o autor. Há. ressalta-se que não há verdades absolutas. de outro. o conceito material de jurisdição.441. Em relação à tipicidade ou atipicidade das funções. em que se exige a formação da coisa julgada material (traço da definitividade). Cyonil Borges www.

Cyonil Borges www. O Direito comparece. estar certo.estrategiaconcursos. logicamente. em princípio. o direito foi dividido em ramos. em parte. Por exemplo. interesses públicos. desde que. antes de morrer. quando o Judiciário. bens e serviços. De modo distinto. Salvo disposição em sentido contrário na CF. conduta irrepreensível. para facilitar que o ser humano cresça. Aprendemos que o Direito é uma ciência UNA. Prof. realizando concursos públicos. por exemplo.com. Direito: ramos e sub-ramos Se lhe perguntassem: com que pé acordou hoje? Provavelmente. responderia: com o pé direito. e. portanto. do Poder Executivo. Se lhe perguntassem: você entregaria a mão de sua filha para um traficante de drogas? Obviamente não. as atividades-fim são. cujo atendimento não é um problema pessoal de quem os esteja a curar. exemplo da criação de autarquias). logo.br Página 13 de 55 . sendo encontrados os ramos: público. obviamente. tais finalidades ou meios não esbarrem no Direito. maciça. as partes elegem as finalidades que desejam alcançar. quando o Legislativo aprova a nomeação de autoridades indicadas pelo Executivo e edita leis de efeitos concretos (leis-medida.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. expede precatórios. reproduza. coercitivamente – pelo Estado. Fácil verificar. licitações e concedendo férias. O autor Celso Antônio ensina que o Direito Privado é governado pela autonomia de vontade. >> Atividades administrativas-fim: algumas atividades-fim dos Poderes Legislativo e Judiciário têm natureza administrativa. Salvo disposição expressa na CF. 2. Em nosso mundo jurídico não é diferente. o que seria da vida dos Professores de Direito se tivessem que conhecer toda a ciência jurídica? Simplesmente não seria! A ciência jurídica é bastante complexa e difusa. monolítica.2. Porém. de dever de atendimento do interesse público. que o conceito da palavra direito tem estreita ligação com retidão. cada Poder é competente para editar seus próprios atos administrativos. como conjunto de normas norteadoras da conduta humana. Assim não há espaço para a autonomia da vontade. por questão meramente didática. Cyonil Borges – aula 01 >> Atividades administrativas-meio: administração interna do seu pessoal. o Direito Público se ocupa de interesses da sociedade como um todo. Leiase: impostas obrigatoriamente – coativamente. mas um dever/encargo/múnus público inescusável. privado e social. servindo-se para tanto dos meios que elejam. isto é. em matéria de administração orçamentária. por ser indivisível. que é substituída pela ideia de função. afinal não é um homem direito.

a atividade financeira (arrecadatória) do Estado (por exemplo: o Direito Tributário). isso porque. Por exemplo: há normas do direito privado que defendem interesses públicos (por exemplo: direito de família). por outro lado. percebemos. que o Direito Administrativo é sub-ramo do direito público interno. A citação ao referido ramo é apenas demonstrativa. constitui tema raro em concursos públicos. em posição de verticalidade. Por fim.estrategiaconcursos. que se refere ao conceito. É um ramo responsável pelos Direitos concernentes aos hipossuficientes. há o Direito Civil e o Comercial. afinal é citado por literatura especializada. o chamado dirigismo estatal. ao objeto e às fontes do direito administrativo. Cyonil Borges – aula 01 O ramo da ordem social é sui generis. os agentes e as pessoas jurídicas administrativas que integram a administração pública. Comentários: Prof. de supremacia. o direito administrativo é o ramo do direito privado que tem por objeto os órgãos. uma vez que regula as relações em que predominam os interesses do Estado. Nessa passagem. parcialmente. como são as normas de segurança e os direitos fundamentais. cabe alertar que essa dicotomia (público e privado) é meramente didática. de natureza pública.com. Como sub-ramos do Direito Privado. até hoje. a disciplina da hierarquia entre seus órgãos. competindo-lhe a organização do Estado (por exemplo: o Direito Constitucional). sendo este. Fixação 2011/Cespe Julgue o próximo item. existem normas de direito administrativo para a defesa de interesses dos particulares (leiase: dos administrados). como é o caso do Direito Acidentário e Assistencial. Segundo a doutrina administrativista. tendo em vista o interesse particular dos indivíduos. positivado no próprio Código Civil. do interesse público e social. Já o Direito Público se encarrega da disciplina dos interesses coletividade. e porque em pelo menos um dos polos da relação disciplinada por ele está a Administração Pública. o Direito Privado pode ser entendido como aquele que regula as relações entre os homens. ou a ordem privada (Direito Civil e Comercial). claramente. a atividade jurídica não contenciosa que esta exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins. Resgatando Orlando Gomes. Cyonil Borges www.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. das relações com seus servidores (como é o caso do Direito Administrativo). São subramos em que o predomínio é o interesse individual.br Página 14 de 55 .

daí a incorreção do quesito. de certa forma. teve início. não apenas nas relações entre particulares.Responsabilidade civil objetiva do Estado: existente. porque podemos aprimorá-lo e não simplesmente partir do zero. . a partir do momento em que começou a desenvolver-se – já na fase do Estado Moderno – o conceito de Estado de Direito.com.3. portanto. 37 da CF/1988. 2.Presença de cláusulas exorbitantes nos contratos administrativos: cláusulas que garantem a posição de supremacia do Estado sobre os particulares. . foi do francês (de base romanística). pois.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. como. entre nós. que tem por objetivo assegurar a proteção dos direitos individuais. em especial à lei fundamental que é a Constituição) e sobre o princípio da separação de poderes. tendo as contribuições dos diversos direitos nacionais (francês. A unilateralidade é marca do Direito Público. É encontrada. inglês. por exemplo. Não há. Cyonil Borges – aula 01 O Direito Administrativo é exteriorizado. Gabarito: ERRADO. italiano. que o nosso sistema se fartou.br Página 15 de 55 . a formação do Direito Administrativo como ramo autônomo. é de verticalidade. Cyonil Borges www. berço do direito administrativo. dotado de princípios e objeto próprios. estruturado sobre o princípio da legalidade (em decorrência do qual até mesmo os governantes se submetem à lei. traduzida na ideia de que o Estado será responsável pelos atos lícitos ou ilícitos dos agentes. do Italiano. O que é mais fácil: criticar um livro de um grande autor ou fazer um livro de igual quilate? Criticar.Inserção do princípio da moralidade administrativa de forma Prof. nesse caso. pelo Poder de Polícia do Estado. alemão. obviamente. A relação entre a Administração e o Administrado. São exemplos de contribuições francesas: . provavelmente. Com o Direito Administrativo Brasileiro não foi diferente. juntamente com o direito constitucional e outros ramos do direito público. do Germânico. Dos direitos nacionais. Origem do Direito Administrativo Como ilustre a autora Maria Sylvia Zanella Di Pietro aponta. mas também entre estes e o Estado. consensualidade. desde a Constituição de 1946. atualmente.estrategiaconcursos. o que. no §6º do art. O Direito Administrativo Brasileiro certamente não “brotou” antes do Direito Romano. o Estado ficar sem pagar pelos serviços e o contratado ter a obrigação de executá-los. por exemplo. do Francês. o nosso Direito pode captar os traços positivos e reproduzi-los de acordo com a nossa realidade histórica. e outros). é para ser visto com bons olhos.

Portanto. e o tal contencioso administrativo? Não existe no Brasil. A partir da leitura do texto.a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. todo o corpo de servidores era despojado para a colocação de novos agraciados. penso ser suficiente essa apresentação. afinal já ouvi Professor de Direito Tributário mencionando. assim.com. Na França. . em que a definitividade é traço formal do Judiciário (sistema de jurisdição UNA ou ÚNICA). não temos apenas uma jurisdição.br Página 16 de 55 . as decisões adotadas pelas instâncias administrativas (ressalvado o mérito administrativo) podem ser sindicadas (princípio da sindicabilidade) pelo Poder Judiciário. à liberdade. mas sim duas: a administrativa e a judiciária. à segurança e à propriedade. houve para a formação do nosso sistema de jurisdição a contribuição do sistema inglês. à igualdade. XXXV. 5º Todos são iguais perante a lei. Cyonil Borges www. não sindicáveis pelo Poder Judiciário Então responda: no Brasil. todavia.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. Nesse contexto. ou seja. na esfera federal): com a finalidade de se evitar o sistema de despojos (“spoil system”). as ilustres bancas organizadoras insistem em cobrar a contribuição advinda de fora da França! Vejamos. Professor. Em conclusão. da CF/1988: Art. Mas. será que existe a separação das autoridades administrativa e judiciária? Será que as decisões adotadas por um Ministério ou por Tribunais de Contas não poderão ser sindicáveis/controláveis pelo Poder Judiciário? A resposta é simples. Prof. É o que a doutrina denomina contencioso administrativo.Regime legal dos servidores (Lei 8. primeiro passemos à leitura do art.estrategiaconcursos. que. sem distinção de qualquer natureza.112/1990. na França. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. E mais: nas provas. as decisões geradas pelo Estado-administrador são definitivas e. tendo em conta o objetivo deste curso (concursos públicos). 5º. com a entrada de novo Governante. No entanto. não cabe a reapreciação pelo Poder Judiciário. nos termos seguintes: XXXV . desvendamos que não vigora entre nós a existência de duas jurisdições (como na França) – o sistema contencioso. Cyonil Borges – aula 01 expressa no texto da Constituição. É bem verdade que existem outras contribuições. as decisões administrativas são definitivas.

de forma parcial. fazendo coisa julgada administrativa. ensina Maria Sylvia. e de outro a própria Administração. Daí não ser criticável a formação de coisa julgada. A expressão coisa julgada. o processo administrativo tributário. por exemplo. de regra. É porque o instituto é típico da função jurisdicional. sem qualquer flexibilidade – são. Cyonil Borges www. Também existe litígio (contenda. em que a Fazenda forma contencioso com o particular. A razão é lógica. nas aulas de Direito Processual.br Página 17 de 55 . mais enfaticamente. afinal ninguém pode ser juiz e parte ao mesmo tempo. contencioso) na esfera administrativo. nas lides (demandas. apesar de deterem pontos em comum. em Direito Constitucional. não tem o mesmo sentido que no Direito Judiciário. Para compreendermos melhor a existência do contencioso no Direito Administrativo Brasileiro (inconfundível. Cite-se. não sendo parte no processo. Por exemplo: os atos vinculados – os praticados dentro dos limites da lei. Portanto. a doutrina registra que a decisão administrativa não pode ser definitiva. Legal. a possibilidade de o prejudicado “bater às portas” do Poder Judiciário para suscitar a revisão da decisão. reforço. e será mais a “batida” em nossas aulas. pela pacificação social.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. mas não existe coisa julgada? Existe sim! Com um pequeno detalhe. E. a relação estabelecida nos contenciosos judiciais costuma ser trilateral (de um lado as partes – autor e réu. Cyonil Borges – aula 01 expressamente. irrevogáveis. quando muito. os institutos da coisa julgada e preclusão. por conseguinte. litígios). e. é imperioso que tracemos algumas considerações sobre os institutos da preclusão e coisa julgada administrativa. Vejamos. os litígios que surgem no interior do Estadoadministrador (da Administração Pública) têm de um lado o administrado (particulares ou servidores. sobre contencioso administrativo Abaixo explico detalhadamente. por isso. conforme o caso). em outro. são os atos irrevogáveis. naturalmente a responsável por dar definitividade às decisões. na qualidade de contribuinte ou responsável. Dois exemplos podem ser citados de coisa julgada administrativa. A primeira situação é a de exaurimento (esgotamento) da via administrativa. atua de forma imparcial. Prof. Tributário? Essa tal coisa julgada é estudada. e. não se identificam de modo perfeito. Por outro lado. Ela significa apenas que a decisão se tomou irretratável pela própria Administração. Abrese. A segunda. agindo. Curioso. O juiz. com o contencioso do modelo Francês). em si. o juiz).com. não é verdade? A Administração é parte na relação.estrategiaconcursos. Como registra Marçal Justen Filho. dessa forma. no Direito Administrativo. quando não há mais recursos cabíveis.

adota posição incompatível com outra dentro do procedimento.com. a coisa julgada formal administrativa é o efeito jurídico acarretado pelo encerramento de um procedimento administrativo. a definitividade da decisão administrativa é relativa. A coisa julgada formal. tão-somente para a Administração Pública. em outros processos em que haja identidade de partes. Exatamente por isso. por exemplo.br Página 18 de 55 . bem assim. o que significa dizer que a coisa julgada administrativa não é oponível ao Judiciário. Como registra Carvalho Filho. E é nesse contexto que podemos concluir pela existência de coisa julgada administrativa. a formação de coisa julgada administrativa em sua acepção material. se dá apenas nas instâncias da Administração. por exemplo. A coisa julgada material acarreta a impossibilidade (imutabilidade) de as decisões serem revistas no próprio processo objeto da decisão. A consumativa. Para Dirley Cunha. consumativa e lógica. por sua vez. mas apenas internamente. como o nome já denuncia. Cyonil Borges – aula 01 A preclusão administrativa consiste na restrição a uma faculdade processual originariamente assegurada ao sujeito. afinal as decisões administrativas podem ser sindicáveis pelo Poder Judiciário. dá-se pela exaustão da prerrogativa uma vez exercida. a coisa julgada administrativa torna os atos ou decisões da Administração Pública definitivos e imutáveis. a coisa julgada administrativa é a situação jurídica pela qual determinada decisão firmada pela Administração não mais pode ser modificada na via administrativa. como regra. impedindo-a de alterar suas próprias decisões. conclui-se que não há. a preclusão lógica dá-se quando o administrado. como. Antes de avançarmos.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. por exemplo. por ato omissivo ou comissivo. A irretrabilidade. E. no Brasil. a impossibilidade de o administrativo rever o conteúdo da proposta apresentada em procedimento de licitação. em virtude dos eventos verificados ao longo do processo administrativo. deixar de interpor o recurso no prazo legal. bem por isso. Cyonil Borges www. é a impossibilidade de a sentença ser alterada dentro do próprio processo. em virtude do qual se torna vedado rever a decisão nele adotada sem a instauração de um procedimento específico e distinto. Por fim. A temporal. como. é oportuna a distinção entre a coisa julgada material e formal. é a perda da faculdade em face do decurso do prazo. não há impedimento de as decisões serem revistas pelo Poder Judiciário. causa de pedir e pedido. isso porque o administrado poderá Prof. por sua vez. Para o autor. como.estrategiaconcursos. o prazo decadencial para impugnar o Edital de Licitação. ou seja. ou seja. Há três formas de preclusão: temporal. pois.

ora porque a decisão tornou-se irrecorrível (a Lei de Processo Administrativo Federal . 54. Sobre o tema. contados da data em que foram praticados.É uma preclusão de efeitos internos. porque o ato jurisdicional da Administração deixa de ser um simples ato administrativo decisório. o prazo de decadência contar-se-á da percepção do primeiro pagamento. E a Administração também deve rever o ato. (B) Apenas I e II são verdadeiras. Ficamos assim: a coisa julgada administrativa ocorre apenas dentro da Administração Pública. no máximo.Não se limita ao caso apreciado e nem se extingue com o encerramento deste. pela permanência de seus efeitos.Lei 9. § 2o Considera-se exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato. vejamos o disposto no art.784. (A) Apenas I é verdadeira. permanece o Poder Judiciário livre para a apreciação do ato. de 1999. e tem o alcance da coisa julgada judicial. à vista do princípio da inafastabilidade da tutela jurisdicional (sistema de jurisdição uma). fala em. Cyonil Borges – aula 01 socorrer-se do Poder Judiciário. três instâncias). § 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos. analise as assertivas abaixo: I . com o detalhe de que só pode fazer isso enquanto não houver a prescrição/decadência.estrategiaconcursos. Entendeu essa história de coisa julgada? Então “mata” a s questões abaixo. E se a decisão da Administração for ilegal? Isso vai ficar de graça? Opa. Agora mudou de figura! Em casos de ilegalidade. com aplicação do princípio da autotutela administrativa.br Página 19 de 55 . Prof. 54 da Lei 9.784. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos. e este poderá decidir em sentido contrário ao decidido pela Administração. II . Cyonil Borges www.TO – TCI) Quanto à Coisa Julgada Administrativa. III . ora porque se está diante de atos irrevogáveis.O que ocorre nas decisões administrativas finais atinge e afeta direitos de terceiros. QUESTÃO 44 Fixação (2005/FUNIVERSA/PREF. de 1999: Art.com. Perfeito Professor. salvo comprovada má-fé.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº.

(CERTO/ERRADO)4 (2010/FCC – TCM/PA – Técnico) A expressão coisa julgada administrativa significa que a decisão tornou-se irretratável pela própria Administração. 5 O item está CERTO. 2 ERRADO. inciso XXXV). Prof. mas.3 (2009/CESPE – TCE-ES – Procurador) A decisão do TCU faz coisa julgada administrativa. como vimos. por vezes. 1 Item I – FALSO (a decisão não tem o mesmo alcance. Em caso de ilegalidade. no Brasil. em parte. como não vigora o contencioso no modelo francês entre nós.com. 5º. não se admite a existência da chamada coisa julgada administrativa.2 (2009/CESPE/TCE-AC) A Em face do princípio da indeclinabilidade da jurisdição (CF. como sobredito. uma vez que sempre é dado ao jurisdicionado recorrer ao Poder Judiciário contra ato da administração. primeiramente. (D) Apenas I e III são verdadeiras. se provocado. enquanto não houver a decadência do direito. sem que estenda seus efeitos fora do processo). a coisa julgada administrativa. Item III – FALSO (limita-se ao caso concreto. (E) Todas são falsas. podendo o particular socorrer-se ao Judiciário). 3 ERRADO. existe. Item II – FALSO (os efeitos da decisão são internos. as decisões do Tribunal de Contas são sim sindicáveis (controláveis). É o que a doutrina chama de instância administrativa de curso forçado. logo suas decisões são administrativas. O TCU é órgão administrativo. 4 ERRADO. perante o Poder Judiciário.1 (2007/CESPE/TJ-PI/Juiz) A jurisprudência e a doutrina majoritária admitem a coisa julgada administrativa. não tem o mesmo colorido da coisa julgada na atividade jurisdicional. o que impede a reapreciação administrativa da matéria decidida. é oportuno salientar que.estrategiaconcursos. E. Cyonil Borges www.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. Ao menos para parte da doutrina. não cabendo ao Poder Judiciário examiná-la e julgá-la. sobre a instância administrativa de curso forçado? Apesar de “as portas” do Poder Judiciário permanecerem abertas à tutela das ameaças e lesões a direito. agora. deve a Administração também suscitar a nulidade do ato. o Poder Judiciário. (CERTO/ERRADO). mesmo na hipótese de ilegalidade (CERTO/ERRADO). logo não afetarão a terceiros). poderá rever os atos. Que tal passarmos. Cyonil Borges – aula 01 (C) Apenas III é verdadeira. vencer a esfera administrativa. E. art. o particular deve. isso porque só geram efeitos internos. não impedindo que seja apreciada pelo Poder Judiciário se causar lesão ou ameaça de lesão (Certo/Errado)5.br Página 20 de 55 .

de 1988). a CF não autorizou a instância administrativa de curso forçado. em razão da unicidade (ou inafastabilidade) da jurisdição do Poder Judiciário.. Os casos “clássicos” para fins de concurso público são: I) Processos administrativos referentes à Justiça Desportiva. para controle judicial de atos jurídicos. entenda: a matéria tornase irrecorrível para a própria Administração. Cyonil Borges www. a formação de coisa julgada é administrativa (formal. Cyonil Borges – aula 01 Então. porém. No entanto. Gabarito: ERRADO.417/2006: Prof.com. própria do Poder Judiciário. Por exceção. não o Judiciário. Pergunta instigante diz respeito ao momento em que um eventual interessado pode socorrer-se do Judiciário. 7º da Lei 11. a adoção da jurisdição una não impede que a Administração Pública instaure processos administrativos visando tomar as decisões dessa natureza. II) Reclamação a ser interposta perante o STF em razão do descumprimento do teor da Súmula Vinculante. Vejamos o §1º do art. já tendo sido instaurado um processo administrativo. Com o detalhe de que tais decisões não serão dotadas da definitividade típica das decisões judiciais. que fica proibida de rever o ato administrativo. Fixação 2012/TRT 10R – Cespe Estará em conformidade com a CF lei que condicione o acesso ao Poder Judiciário ao esgotamento das vias administrativas. pois a CF autorizou a existência da jurisdição condicionada ou instância administrativa de cunho forçado.. há apenas uma exceção. como pré-falado. e diz respeito à Justiça Desportiva. No máximo. A regra é que a qualquer instante uma matéria pode ser levada à apreciação judicial. há situações em que só depois de esgotada a instância administrativa. 217 da CF. ainda que já instaurado ou já decidido o processo administrativo. Isso se dá em razão da unicidade de jurisdição. Mas a questão merece temperamentos. Na atual CF. o Judiciário só aceitará ações judiciais referentes a competições desportivas depois de se esgotarem as instâncias desportivas (§1º do art. não definitiva).br Página 21 de 55 .estrategiaconcursos.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. Com relação a essa. de jurisdição una. um assunto poderia ser levado à apreciação de um juiz. há ou não necessidade de exaurimento das vias administrativas para “batermos às portas” do Judiciário? Será a instância administrativa de curso forçado regra ou exceção? Vejamos. O Brasil adota o sistema inglês. Comentários: Como sobredito.

a organizadora FCC. 7o Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula vinculante.com. independentemente de caução. o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas. de forma metódica. O argumento é bastante razoável. em havendo a presença de cláusula compromissória (leia-se: acordo prévio entre as partes de que futuros conflitos seriam resolvidos nas câmaras de arbitragem).estrategiaconcursos. IV) Súmula Vinculante 24 .Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº.016. Cyonil Borges www. portanto.4. sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. incisos I a IV. DF e União. responsável por dizer o direito entre as partes ( leia-se: de forma extrajudicial). 5º. Talvez devido ao teor da Súmula 2 do STJ. previsto no art. considerou o instrumento como instância administrativa de curso forçado. em prova de Direito Constitucional. Código com 200 mil folhas. 26 Estados. de 2009 (nova Lei do Mandado de Segurança). sendo forçoso reconhecê-lo. antes do lançamento definitivo do tributo . Penso que a CESPE possa trilhar idêntica linha de raciocínio. como condição de acesso ao Poder Judiciário. III) Art. V) Por reforço.br Página 22 de 55 . § 1o Contra omissão ou ato da administração pública. do tipo livro esquematizado. A atividade de lançamento é privativa da autoridade tributária. Há a necessidade de exaurimento da via administrativa. atribuição administrativa.137/90. Prof. De olho. da Lei 12. Cyonil Borges – aula 01 Art. dispôs-se que o MS não é cabível se houver recurso administrativo com efeito suspensivo. negar-lhe vigência ou aplicá-lo indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal. para a tipificação de crime material contra a ordem tributária. isso porque. portanto. sistematizando. acrescente-se que há doutrinadores que defendem ser o juízo arbitral (a arbitragem) e o habeas data formas de esgotamento prévio ou de condição de acesso ao Judiciário. em que se exige a negativa da via administrativa. sendo. . para APO-SP. 2. Codificação Acaba de ser lançado o primeiro Código Administrativo no Brasil! Os amigos foram ao lançamento? Aconteceu no salão nobre da livraria Cultura. toda a legislação de mais de cinco mil Municípios. da Lei nº 8. as partes devem levar a resolução dos conflitos surgidos primeiro para o árbitro. 1º. Quanto ao habeas data.Não se tipifica crime material contra a ordem tributária. I.

o Direito Administrativo teve por objeto a interpretação das normas jurídicas administrativas e atos complementares (leiaProf. isso porque. ao vasculharmos os manuais de Direito Administrativo. 2ª – O Direito Administrativo deve ser codificado totalmente: segundo seus defensores. Nessa época.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº.estrategiaconcursos. XIX é igual ao do início do séc. para a definição do Direito Administrativo: 1º – Legalista. Conceito e Objeto do Direito Administrativo A definição de Direito Administrativo não é das tarefas a mais fácil. codificar. Se lhe perguntam. 3ª – O Direito Administrativo é passível de codificação parcial: das correntes. assim distribuídas: 1ª – O Direito Administrativo não pode ser codificado: em sendo o Direito Administrativo bastante dinâmico.br Página 23 de 55 . 2. temos um leque considerável de opções. de detalhá-lo. Lei 9. os critérios utilizados em distintos países e datas podem ser aplicados indistintamente nos dias atuais? Em razão do próprio dinamismo e evolução do Direito Administrativo. garantindo-se aos administrados maior segurança jurídica. houve grande preocupação de se consolidar. às transformações do mundo. Cyonil Borges www. tornando-o inerte às evoluções. exegético. como ocorrido com o Código Civil de 1916 alterado. haveria facilitação na compreensão e aplicação das normas. o que demonstra certa imprecisão em torno do conceito e objeto do Direito Administrativo. hoje: o critério para a definição do Direito Administrativo do início do séc. a cada livro consultado. sobretudo. Código Florestal. vários foram os critérios utilizados na tentativa de esmiuçá-lo.784/1999 (Lei de Processo Federal).745/1995 (Lei de Concessões de Serviços Públicos). com a finalidade. empírico.5. Lei 8.com. Cyonil Borges – aula 01 Brincadeirinha! O Direito Administrativo ressente-se de codificação legal. e império da burguesia. essa parece ser a menos extremada. São exemplos de codificações parciais: Código de Águas. entre outras. propriedades. ou francês Com a revolução francesa. em 2002. percebemos três correntes a favor ou contra a reunião de forma harmônica das normas administrativas. Ao longo da história do Direito Administrativo. de se garantir aos cidadãos maior segurança em suas liberdades e. XXI? Com outras palavras. De todo modo. Lei 8. seus defensores apontam para o perigo de petrificar o direito. vamos juntos estudar alguns dos critérios existentes. o direito que andava espalhado pela natureza em papel (leia-se: positivação do direito natural em normas). a resposta é um sonoro não. caótico. No entanto. tão-somente. XX ou do séc. não defende a inexistência de qualquer código ou a existência de um código totalizante.112/1990.

proporcionada pelos Tribunais Administrativos. julgue o item a seguir. ao lado das quais o intérprete deve levar em consideração a carga normativa dos princípios. a fim de socorrer pessoas dentro do Parque. CESPE . Muito mais que leis. (Certo/Errado) Comentários: Segundo o critério exegético ou Francês. à época. Pensemos juntos: há um cartaz na entrada do metrô que diz – “proibido entrada com cães”. E. estruturou-se a partir da interpretação de textos legais. induvidosamente. nos dias atuais. alicerçando-nas). Gabarito: ERRADO. por exemplo.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. os princípios contam com função normogenética (servem para construir e balizar as leis. 2º – Do Poder Executivo ou Italiano Prof. em dado momento. o Direito Administrativo resume-se a um amontoado de leis. a qual também defendia o postulado da carga normativa dos princípios aplicáveis à atividade da Administração Pública. por exemplo. mas não são cães) e a de não autorizar a entrada da ambulância. na verdade. mais grave do que o descumprimento das leis.estrategiaconcursos. (CERTO/ERRADO) Comentários: O Direito Administrativo não se resume a um amontoado de leis. Segundo a Escola Legalista.br Página 24 de 55 . costumeiramente. veremos que a ofensa a princípios é. que tinha por objeto a interpretação das leis administrativas. isso não seria possível. o Direito Administrativo deve levar em consideração a carga valorativa dos princípios. da jurisprudência. e dos costumes. o princípio da razoabilidade. Fixação (2007/ESAF – Procurador do DF) Na evolução histórica do Direito Administrativo. o direito administrativo pode ser conceituado como o conjunto de leis administrativas vigentes em determinado país. desprezou a carga normativa dos princípios. Crítica: a palavra direito não pode (não deve) se resumir a um amontoado de leis. a solução seria de se admitir a entrada com cobras (são répteis) e baleias (são mamíferos. tendo. encontramos a Escola Exegética. outro na entrada de um Parque que diz – “proibido entrada com veículos automotores”. Cyonil Borges www.PMP (INSS)/2010 Acerca do direito administrativo. sem falar da doutrina. Gabarito: CERTO. A interpretação.com. Assim. Porém. porque. O direito não deve se resumir à interpretação de leis e de regulamentos administrativos. De acordo com o critério exegético (legalista). Cyonil Borges – aula 01 se: direito positivo).

Tal critério leva em conta. a manter relação com os administrados. regidas que são pelo Direito Constitucional. nem tudo é objeto do Direito Administrativo. entre os ramos. (Certo/Errado) Comentários: Prof. todos os Poderes administram. A crítica é bem simples. não é o Direito Administrativo o único. Penal. isso constitua missão atípica.estrategiaconcursos. permitindo-se que. O que fazer com o Direito Tributário. O critério do Poder Executivo não é totalmente aplicável porque. O Direito Administrativo não se resume à disciplina do Poder Executivo. para a melhor doutrina. o Direito Administrativo é responsável pelo relacionamento da Administração Pública com os administrados. o caráter residual ou negativo do Direito Administrativo. a separação de poderes é moderada. Eleitoral. no Brasil. por exemplo). todos os Poderes estruturais do Estado administram. Processual. como são as funções de governo.br Página 25 de 55 .com. O critério é válido. afinal. E mais: no Poder Executivo. Desses. Fixação (2006/Cespe – TCE-AC – Analista) O direito administrativo pode ser conceituado de acordo com vários critérios. (Certo/Errado) Comentários: O critério que prepondera é o da Administração Pública. porém. para alguns. Cyonil Borges www.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. ao lado de uma função típica. 3º – Relações jurídicas Para seus defensores. que mantêm relação com os administrados? Enfim. necessariamente. haja ou possa haver o exercício de uma atípica. No caso. segundo o qual o direito administrativo é o conjunto de regras e princípios jurídicos que disciplina a organização e a atividade desse poder. é o critério do Poder Executivo. e outros. Cyonil Borges – aula 01 Segundo seus defensores o Direito Administrativo é conjunto de princípios regentes da organização e das atividades do Poder Executivo. Fixação (2009/Cespe – AGU) Pelo critério teleológico. incluídas as entidades da Administração Indireta (autarquias e fundações. Gabarito: ERRADO. não é imune de críticas. embora. o Direito Administrativo é considerado como o conjunto de normas que regem as relações entre a administração e os administrados. o que prepondera.

Fixação (2007/ESAF – Procurador do DF) Na evolução do conceito de Direito Administrativo. todas as atividades do Estado se resumem a serviços públicos.br Página 26 de 55 . ao lado dos serviços públicos. os serviços administrativos (internos) e os serviços industriais e comerciais (predominantemente privados). o Estado realizava. Por sua vez. Na concepção de Leon Duguit. essa escola encontra severas críticas. de distinguir a atividade jurídica do Estado e a atividade material.com. tendo tal critério contado com fortes defensores. Já Jèze considerou serviço público tão-somente a atividade material do Estado (leia-se: aquela de dentro para fora. Cyonil Borges www. No entanto. abrangendo toda a atividade material. isso porque. o direito administrativo enquanto atividade distinta da judicante e legiferante é o critério negativista ou residual. que se desenvolveu em torno de duas concepções. excluindo. o Direito Administrativo regula a instituição. tais autores diferiram quanto ao alcance do serviço público. submetida a regime Prof. a ser prestada aos cidadãos. Para seus defensores. Enfim. O que estabelece as normas entre o administração e a Administração é o critério das relações jurídicas. como é de conhecimento. mais precisamente quando do julgamento da responsabilidade civil do Estado (atropelamento de menina – Agnès Blanco – por prestadora de serviços públicos).estrategiaconcursos. a organização. serviços públicos incluem todas as atividades Estatais. Gabarito: ERRADO. daí inconfundível com os serviços públicos (atividade positiva do Estado). é uma atividade eminentemente negativa. o Serviço Público deveria ser entendido em sentido estrito. bem como a prestação aos administrados. e o funcionamento dos serviços públicos.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. por exemplo. basicamente. No entanto. Poder de Polícia. de direito constitucional a atividade econômica (sentido amplo). A definição do que é serviço público encontrou terreno fértil. na jurisprudência do conselho de Estado francês. cercada de prerrogativas de direito público. deixando. 4º – Do serviço público Essa escola de pensamento inspirou-se. XIX. o qual. Cyonil Borges – aula 01 A banca misturou três critérios. portanto. como objeto do Direito Administrativo: Duguit (sentido amplo) e Jèze (sentido estrito). com a finalidade de satisfação das necessidades coletivas) (sentido estrito). Para Duguit. portanto. especialmente na França do séc. entre eles: Leon Duguit e Gaston Jèze. surge a Escola do Serviço Público.

assim como o das relações jurídicas. O critério é válido. Gabarito: ERRADO. que as desempenham. o Direito Administração não se destina propriamente aos fins do Estado. não é o Direito Administrativo que estabelece os fins do Estado.br Página 27 de 55 . O que são os fins do Estado? Não há uma resposta precisa. enquanto o Direito Constitucional estuda os órgãos superiores. O critério é parcialmente válido. 5º – Teleológico Também chamado de finalista.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. Cumpre tão-somente ao Direito Administrativo realizá-los. programas e diretrizes vinculantes e obrigatórias para o Estado. mas. não é isento de críticas. que regem o exercício das funções administrativas estatais e a) os órgãos inferiores.7 6 Prof. porque. metas.estrategiaconcursos. É a Constituição que fixa esses fins. recebe críticas. Na visão de Dirley Cunha. segundo o qual o Direito Administrativo é um conjunto harmônico de princípios que disciplinam a atividade do Estado para o alcance de seus fins. 6º – Da hierarquia orgânica Bem curtinho: o Direito Administrativo rege os órgãos inferiores do Estado. notadamente quando o texto constitucional apresenta-se como Constituição dirigente. matemática. c) os poderes dos órgãos públicos. igualmente. Cyonil Borges – aula 01 exorbitante do direito comum. vejamos: a Presidência da Republica é objeto de estudo do Direito Administrativo e não é órgão inferior. (Certo/Errado). mas sim ao atendimento dos interesses da coletividade.6 Comentários: A concepção restrita é de Gaston Jèze e não Duguit. Na verdade. d) as competências dos órgãos públicos. Pura maldade da banca. e) as garantias individuais.com. b) os órgãos dos Poderes Públicos. com as características de ser concreta. composta por normas que estabelecem fins. desenvolvida pelo Estado para a satisfação de necessidades da coletividade. direta e imediata a sua atuação. para o que sejam finalidades do Estado. (2006/Esaf – AFC/CGU) O Direito Administrativo é considerado como sendo o conjunto harmonioso de normas e princípios. Cyonil Borges www. mas sim independente e indispensável à estrutura do Estado (leia-se: órgão superior).

enfim. hoje. só pode ser (por sobra.estrategiaconcursos. regula. A expressão Administração Pública pode assumir sentidos diversos. define suas pessoas administrativas. 8º – Da Administração Pública De acordo com esse critério. não é legislativo. Nesse contexto. conforme o contexto em que esteja inserida. umas com as outras e com os particulares. o que não é judicial. organização e agentes. a mais compreensiva (abrangente). e administrativa. A primeira é que as definições servem para dizer o que as coisas são e não o que não são. Cyonil Borges – aula 01 7º – Residual Também denominado de negativista. o critério residual ou negativista é relevante para encontrarmos o objeto do Direito Administrativo. entre as funções estatais. o Direito Administrativo é ramo do direito público que disciplina todas as atividades estatais que não sejam judiciais ou legislativas. utilizado por autores de peso para traçar a definição de Direito Administrativo. é o mais aceito pela doutrina. Ainda que se possa criticar o conceito. A segunda é que dentro do Poder Executivo nem tudo é regulamentado pelo Direito Administrativo.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. Para a doutrina.com. por ocasião do desempenho da atividade administrativa. mas um Estado sem Administração é anarquia. Com outras palavras. disciplinada essencialmente pelo Direito Constitucional. As funções do Estado são em número de três: judicial. exemplo disso é a atividade política. Prof. o Direito Administrativo constitui o ramo do direito que rege a Administração Pública como forma de atividade. Assim. conforme o contexto em que esteja inserida. Vejamos: Administração Pública Sentido AMPLO Subjetivo. pode-se afirmar que no direito brasileiro. a Administração é. Não é um critério isento de críticas. A expressão Administração Pública pode assumir sentidos diversos. Orgânico e Formal Órgãos Governamentais e RESTRITO Apenas órgãos administrativos 7 Letra A. os seus direitos e obrigações. residualmente) administrativo.br Página 28 de 55 . O Estado sobrevive sem leis e sem juízes. Cyonil Borges www. Apesar da crítica. legislativa.

O “concreto” é ponto distintivo da função legislativa. São realizadas de forma. do qual se extrai que o Poder Judiciário tem. o planejamento. Já as funções do Governo são as realizadas pela alta cúpula da Administração. nos Poderes Executivo e Legislativo. a seguir: (. O “direto” tem como contrapo nto a função judicante. puder resultar nulificação ou. no Brasil.estrategiaconcursos. Referência doutrinária (Hely Lopes Meirelles): Prof. São os núcleos do Estado. por exemplo. não poderá ser invocada.br Página 29 de 55 . fiquem de olho no voto do Ministro Celso de Mello na ADPF 45/DF (reserva do possível). a direção. o ato de declaração de Guerra pelo chefe do Executivo Federal. São chamadas também de funções políticas. em favor da pessoa e dos cidadãos. mediante indevida manipulação de sua atividade financeira e/ou políticoadministrativa. igualmente. pode contribuir para a implementação de políticas públicas. vinculada. Material ou Funcional Funções políticas e administrativas Apenas funções administrativas Perceba que o termo “Administração Pública” envolve. ao Poder Público.. Que tal separarmos.) a cláusula da reserva do possível. marcados pela maior discricionariedade. Cyonil Borges www. Afinal. arbitrário e censurável propósito de fraudar. Cyonil Borges – aula 01 Administrativos Objetivo. ressalvada a ocorrência de justo motivo.com. pelo Estado. Breve trecho do voto. até mesmo. aniquilação de direitos constitucionais impregnados de um sentido de essencial fundamentalidade. notadamente quando. Isso mesmo. de frustrar e de inviabilizar o estabelecimento e a preservação. em que o exercício dá-se por provocação do particular (princípio da inércia ou demanda). em sentido amplo. desde logo. primariamente. com a finalidade de exonerar-se do cumprimento de suas obrigações constitucionais. visando o atendimento concreto e direto do interesse da coletividade. basicamente.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. definidores das políticas públicas. missão política. Acrescente-se que as funções políticas ou de governo concentram-se. “Primariamente”.) não se mostrará lícito.. tipicamente abstrata. o Judiciário. além dos órgãos e funções administrativas. em que os traços marcantes são: a coordenação.. conquanto indireta. São de extração constitucional.. ainda que indiretamente. segundo o STF. criar obstáculo artificial que revele o ilegítimo. Sobre o tema. no entanto. como. as funções políticas (de Governo) das funções administrativas? As funções administrativas são complementares às leis. os órgãos e funções políticas. dessa conduta governamental negativa. de condições mínimas de existência (.

através de comandos infralegais ou infraconstitucionais. Os órgãos políticos traçam as diretrizes. os conflitos de interesse. compõe. No exercício da função administrativa não existe o caráter de substitutividade. a decretação de intervenção federal. como um terceiro desinteressado e substituindo-se às partes. exceto: a) comando b) coordenação c) execução d) direção e) planejamento Comentários: A função de execução é realizada pelas camadas mais técnicas da Administração Pública. a expressão diz respeito aos sujeitos. o veto. é correto afirmar que estão relacionadas(os) à função política. Para Prof. buscando a unidade da soberania estatal. Gabarito: alternativa C. Finalmente.com. pois havendo controvérsia em seu âmbito. As funções administrativas são aquelas predispostas à gestão dos interesses da coletividade. São funções que implicam uma atividade de ordem superior referida à direção suprema e geral do Estado em seu conjunto e em sua unidade. para distingui-la da atividade indireta do Estado. a assinalar as diretrizes para as outras funções. perceba que a Administração Pública pode assumir o sentido subjetivo e o objetivo. direta. dirigida a determinar os fins da ação do Estado.estrategiaconcursos.br Página 30 de 55 . desempenhada pelo Poder Judiciário. subjetivo. Referência doutrinária (Dirley Cunha): As funções de governo são aquelas que se relacionam com a superior gestão da vida política do Estado e indispensáveis à sua própria existência. que. para diferenciá-la da atividade abstrata do Estado. é a própria Administração que torna a decisão para dirimi-la. ademais. nos casos concretos. Cyonil Borges – aula 01 A atividade administrativa é concreta. São exemplos: a iniciativa de leis pelo chefe do Executivo. que é elaborar leis. Em um primeiro sentido. exercida pelo Poder Legislativo. É. aos entes que exercem a atividade administrativa (pessoas jurídicas. órgãos e agentes públicos). Cyonil Borges www.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. mas a execução fica por conta dos órgãos administrativos. a sanção. que são executadas pela Administração Pública no desempenho da função administrativa. Fixação (2010/ESAF – CVM – Analista – outras áreas) Partindo-se do pressuposto de que a função política ou de governo difere da função administrativa. Retomando o nosso quadro-resumo. bem assim as decisões políticas que fixam diretrizes ou planos governamentais. orgânico ou formal. é imediata para separá-la da atividade social do Estado. que é mediata.

material ou funcional designa a natureza da atividade. levando-se em conta o conteúdo do ato. encontram-se no desempenho de atribuições atípicas. mesmo. no sentido subjetivo (ou formal ou orgânico. ao exercerem atividades administrativas. na corrente que defende que apenas o Executivo é quem administrativa. caracterizando. basta perguntar: quem exerce a função? Já para o sentido material. portanto. a expressão Administração Pública abrange órgãos. supera-se o aspecto meramente formal. do Legislativo ou do Judiciário. que o Poder Executivo exerce. que são vocábulos sinônimos). entidades ou agentes. portanto. Cyonil Borges www. Cyonil Borges – aula 01 identificar o aspecto orgânico. por exemplo. ao passo que os outros Poderes.estrategiaconcursos. efetuam aquisição de bens. suficiente a seguinte pergunta: quem exerce a atividade? Já o sentido objetivo. A diferença básica é que compete tipicamente ao Poder Executivo administrar. Isso porque o ato administrativo não se desnatura pelo só fato de ser aplicado no âmbito do Legislativo ou do Judiciário. os atos praticados por particulares que façam as vezes do Estado. para identificação do sentido: qual a atividade (função) exercida? No Brasil. nomeiam um funcionário ou. concedem férias. ou de seu pessoal.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. desde que seus órgãos estejam atuando como administradores de seus serviços. O Direito Administrativo. ou seja. de tal sorte a abranger.com. de seus bens. como. Assim.br Página 31 de 55 . Com o critério objetivo ou funcional. Em reforço: para encontrarmos o sentido subjetivo de Administração Pública. rege toda e qualquer atividade de administração. vale a pergunta: quais são as atividades exercidas? Fixação ESAF – AFRFB/2005 Prof. que não constituem objeto de estudo do Direito Administrativo. por exemplo. ainda. provenha esta do Executivo. a própria função administrativa. incidiríamos no critério do Poder Executivo ou Italiano. que tenham por papel desempenhar tarefas administrativas do Estado. Todos os Poderes editam atos administrativos quando. exercida predominantemente pelo Poder Executivo. as funções de governo. Apesar de ser óbvio para os(as) amigos(as). Pergunta chave. abrem sindicância. Registre-se. as concessionárias de serviços públicos. vale reforçar: não é tão-só o Poder Executivo que edita atos administrativos. inclusive. além da sua típica função administrativa. se levássemos em consideração apenas o critério subjetivo. as funções exercidas pelos entes.

do ponto de vista objetivo. 11 O item está CERTO.11 INSTITUTO CIDADES – DP AM/2011 8 A resposta é letra C. por meio de seus agentes e órgãos. 9 O item está CERTO. englobando. e) a intervenção do Estado nas atividades privadas. c) as entidades e órgãos que exercem as funções administrativas. O direito administrativo tem como objeto atividades de administração pública em sentido formal e material. Cyonil Borges – aula 01 Em seu sentido subjetivo. julgue o item a seguir. que se refere ao conceito. governo e administração pública. Prof. atividades exercidas por particulares. pode ser compreendida como o conjunto das funções que constituem os serviços públicos. No caso. agentes e as pessoas administrativas. Cyonil Borges www. pela própria atividade administrativa exercida pelo Estado.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. A administração pública é caracterizada. não integrantes da administração pública. 10 O item está CERTO. Sujeito é aquele que pratica. julgue o item a seguir. no exercício de delegação de serviços públicos. b) o poder de polícia administrativa. ao objeto e às fontes do direito administrativo.8 CESPE – OTI (ABIN)/2010 No que concerne à administração pública.estrategiaconcursos.9 CESPE – AUFC/2011 Julgue o próximo item. os órgãos.br Página 32 de 55 .com. a expressão administração pública pode ser entendida como o conjunto dos órgãos e entidades voltados à realização dos objetivos governamentais: de um ponto de vista material. o estudo da Administração Pública abrange: a) a atividade administrativa. Em um sentido formal. Subjetivo é sujeito. inclusive.10 CESPE – PPF/1997 Considerando as noções de Estado. d) o serviço público.

compõem a Administração Pública. as desapropriações que beneficiem entidades privadas desprovidas do intuito do lucro e que executem atividades úteis à coletividade. a qual. que. intervenção e fomento. A seguir. órgãos e agentes. breves explicações: I – fomento: refere-se à atividade administrativa de incentivo à iniciativa privada de utilidade ou interesse público. Na visão objetiva. você deve se perguntar: quem edita? E. Cyonil Borges – aula 01 De acordo com a doutrina nacional. Sob o ponto de vista material. Vejamos o sentido assumido pela expressão Administração Pública. Gabarito: alternativa A.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. das polícias civil. Não se trata. federal e militar. por consequência. por se tratar efetivamente da atividade administrativa. segundo a concepção majoritária. III – serviço público: diz respeito às atividades executadas direta ou indiretamente pela Administração Pública e em regime Prof. aqui. Cyonil Borges www. e. o aspecto objetivo: o que foi editado? Quem edita são as pessoas. serviço público e intervenção.estrategiaconcursos. que são órgãos da Administração Pública.com. ao lado da legislativa e da judiciária. tais como o financiamento em condições especiais. mas no sentido subjetivo (ainda que exerçam atividades de polícia administrativa). distribui-se em quatro centro de atuação: serviços públicos. forma uma das funções tripartite do Estado. administração pública consiste nas atividades levadas a efeito pelos órgãos e agentes incumbidos de atender as necessidades da coletividade. O que é edita é a matéria. a expressão deve ser grafada mesmo com iniciais minúsculas.br Página 33 de 55 . II – polícia administrativa: abrange as atividades administrativas restritivas ao exercício de direitos individuais. poder de polícia. São os sujeitos da ação. os órgãos e agentes públicos estão compreendidos no sentido de Administração Publica: a) subjetivo b) objetivo c) de atividade administrativa d) de atividade política e) de atividade política e administrativa Comentários: Para identificar o sentido subjetivo. Nesse contexto. polícia administrativa. tendo em vista o interesse de toda coletividade ou do Estado. a administração pública abarca as seguintes atividades finalísticas: fomento. o conteúdo do Direito Administrativo. quando vista de maneira objetiva (ou material ou funcional).

do ponto de vista subjetivo. Como regra. em atendimento às necessidades coletivas. As atividades. no entanto. regidas.com. já que há também outras atividades. a intervenção pode ser indireta ou direta. bem assim a atuação do Estado diretamente na ordem econômica (art. acima listadas. O estudo da administração pública. pelo Banco Central (pessoa jurídica de Direito Público). marcada predominantemente por normas de Direito Público. ocorrem no interior do Estado. aprovado em virtude de concurso público. e. como as atividades meio (Administração Introversa ou instrumental). CESPE – AJ – TRE RJ/2012 Julgue o item que se segue. Como sobredito. Gabarito: ERRADO. bem por isso. que. No entanto não podemos esquecer que nem todo o Direito Administrativo é o que enxergamos ou sentimos. A forma indireta de intervenção é a realizada. Prof. a atividade que o Estado exerce a título de intervenção direta na ordem econômica não é assumida pelo Estado como atividade pública.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº.br Página 34 de 55 . IV – intervenção: é entendida como sendo a regulamentação e fiscalização da atividade econômica de natureza privada (art. por exemplo. meio. predominantemente por normas de Direito Privado.Administração Extroversa). há crítica doutrinária acerca do alcance da função administrativa.estrategiaconcursos. sobremaneira importantes. portanto. não deveria ser considerada função administrativa. de 1988 (atividades de regulamentação e fiscalização do setor econômico. A direta. efetua-se por entidades empresariais do Estado. 173 da CF/1988). são atividades finalísticas (vistas de dentro para fora . tendente ao combate da formação de cartéis e trustes). 174 da CF. Cyonil Borges www. são as finanças públicas e a nomeação de um servidor público. instituídas e mantidas pelo Estado. abrange a maneira como o Estado participa das atividades econômicas privadas. essa atuação dá-se por intermédio de empresas públicas e de sociedades de economia mista. por sua vez. Para Maria Sylvia. 174 da CF/1988). Comentários: A intervenção no domínio econômico é atividade. interna à Administração. em concorrência com outras empresas do setor. É o que prevê o art. Exemplos de função instrumental. em atividade tipicamente regulatória. por exemplo. relativo ao direito administrativo. Quanto à intervenção. Atividade é critério objetivo e não subjetivo. Cyonil Borges – aula 01 predominantemente de direito público. como. por exemplo.

Comentários: Perceba que a banca foi expressa: não é atividade finalística! São finalísticas: serviço público (como a prestação de serviços por concessionárias). fomento (como a desapropriação de terreno para fins de utilidade pública). Cyonil Borges – aula 01 Entendeu essa história de sentido objetivo interno. como vimos. se os atos são praticados no interior da estrutura administrativa. atividademeio? Administração Pública Introversa? Vamos detalhar um pouco mais. obedecendo a uma partilha constitucional de competências. Se as relações administrativas são firmadas entre o Estado e os particulares. c) Interdição de um estabelecimento comercial em razão de violação a normas de posturas municipais. a Administração Pública é o desempenho perene e sistemático. Prof. a) Concessão para exploração de serviço público de transporte coletivo urbano. Para Diogo de Figueiredo. a Administração é Extroversa.com. a criação de novos órgãos ou pessoas jurídicas. para que possam atingir aqueles objetivos. como. e intervenção. Cyonil Borges www. ao lado dos critérios subjetivo (conjunto de órgãos) e material (conjunto de funções) de Administração Pública. Por fim. Gabarito: alternativa D. Agora. em seu sentido material. d) Nomeação de um servidor público. a Administração é Instrumental. visto que é atribuída genericamente a todos os entes. em sentido operacional.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. legal e técnico. a Administração Pública Introversa é instrumental. Para o autor. aprovado em virtude de concurso público. Fixação (2003/Esaf – Procurador da Fazenda Nacional) Assinale. entre os atos abaixo. dado que ela é atribuída especificamente a cada ente político. poder de polícia (exemplo da interdição de estabelecimento). do Poder de Polícia. Hely Lopes destaca o sentido operacional. enquanto a Administração Pública Extroversa é finalística.estrategiaconcursos. exemplo.br Página 35 de 55 . b) Desapropriação para a construção de uma unidade escolar. por exemplo. aquele que não pode ser considerado como de manifestação da atividade finalística da Administração Pública. dos serviços próprios do Estado ou por ele assumidos em benefício da coletividade. e) Concessão de benefício fiscal para a implantação de uma nova indústria em determinado Estado-federado. é Introversa.

agentes e pessoas jurídicas administrativas que integram a Administração Pública. Fixação CESPE – AL (CAM DEP)/2012 Julgue o item abaixo. em que há uma dualidade de jurisdição (judicial e administrativa). Cyonil Borges – aula 01 Fixação CESPE – PJ (MPE PI)/2012 Em sentido objetivo. Gabarito: ERRADO. a atividade jurídica não contenciosa que exerce e os bens de que se utiliza para a consecução de seus fins. legal e técnico. Prof. bem como a constituição de seus órgãos e meios de atuação. (Certo/Errado)12 Sob o aspecto material.com. afastouse o contencioso administrativo no modelo Francês. Cyonil Borges www. define-se administração pública como o desempenho perene e sistemático.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. 12 13 14 O item está ERRADO. por vigorar o modelo inglês de jurisdição. de natureza pública. relativo ao conceito de direito administrativo. De acordo com o critério da administração pública. direito administrativo é definido como o conjunto de normas jurídicas que regulam os órgãos da administração. o direito administrativo é o ramo do direito público que regula a atividade jurídica contenciosa e não contenciosa do Estado.14 Comentários: A atividade é não contenciosa.br Página 36 de 55 . dos serviços próprios do Estado ou por ele assumidos em benefício da coletividade. O item está ERRADO.estrategiaconcursos. vejamos o conceito de Direito Administrativo apresentado por Maria Sylvia: Ramo do direito público que tem por objeto os órgãos. Trata-se de sentido operacional. (Certo/Errado)13 Por fim. No Brasil.

Penal. sem falar da doutrina. Outros ramos também regem a relação entre o Estado e os administrados (Direitos Tributário. da jurisprudência.: Constitucional). Outras atividades levadas a efeito pelo Executivo são regidas por outros ramos do direito (ex. mas não exclusivamente. Eleitoral) Sentido Amplo: Direito Administrativo abrangeria assuntos abordados por outros ramos do Direito (ex.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº.br Página 37 de 55 . realizadas pelo Executivo. e dos costumes Atividades estatais de Administração Pública são principalmente. exegético. caótico. Cyonil Borges – aula 01 Critério Definição de Direito Administrativo Direito Administrativo teve por objeto a interpretação das normas jurídicas administrativas e atos complementares Críticas Direito Administrativo não deve se resumir à interpretação de leis e de regulamentos administrativos. Empresarial). devendo considerar a carga valorativa dos princípios. ou francês Do Poder Executivo ou Italiano Objeto de estudo é a atividade desempenhada pelo Poder Executivo Relações Jurídicas Regem as relações entre a Administração e os administrados Serviço Público Direito Administrativo estudaria as atividades entendidas como serviço público Teleológico Regulam a atividade do Estado para o cumprimento de seus fins Prof. empírico. fugindo ao objeto do estudo do Direito Administrativo Imprecisão acerca das finalidades do Estado. Cyonil Borges www. Sentido Restrito: Abrangeria atividades industriais e comerciais prestadas pelo Estado. abrangendo a atividade legislativa do Estado Legalista.estrategiaconcursos. Civil.: Constitucional.com.

Vamos com calma ver isso. Se levado ao pé-da-letra. os seus direitos e obrigações. define suas pessoas administrativas.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. tais como os delegatários de serviço público (concessionários e permissionários). quando ganha relevo o critério objetivo ou Prof. formalmente. é oportuno esclarecer que o critério da Administração Pública. regula. organização e agentes.: Presidência da Republica é objeto de estudo do Direito Administrativo e não é órgão inferior. Aprendemos que o aspecto subjetivo ou orgânico refere-se aos sujeitos que exercem a função administrativa. enquanto o Direito Constitucional estuda os órgãos superiores Negativista ou residual Exclui as atividades do Estado de legislação e de jurisdição Da Administração Pública Ramo do direito que rege a Administração Pública como forma de atividade. em sentido objetivo.br Página 38 de 55 . é o Executivo que administrativa. Dentro do Poder Executivo nem tudo é regido pelo Direito Administrativo (Ex. enfim. por ocasião do desempenho da atividade administrativa Critério mais aceito pela Doutrina Antes de apresentarmos um conceito para a função administrativa.: Atividade Política – Direito Constitucional) Hierarquia Orgânica Direito Administrativo rege os órgãos inferiores do Estado. Cyonil Borges – aula 01 Critério é parcialmente válido Ex. divide-se em objetivo-material e objetivo-formal. Não define o Direito Administrativo. Cyonil Borges www. Acontece que mesmo agentes não pertencentes aos quadros da Administração Pública podem desempenhar atividades administrativas. no sentido de que. umas com as outras e com os particulares. cairíamos no critério do Poder Executivo (ou Italiano). mas sim independente e indispensável à estrutura do Estado (leia-se: órgão superior).com.estrategiaconcursos.

Legislativo: as leis são originárias. ou aquele que lhe faça às vezes. . nessa ordem: . pacificando-os (elemento intrínseco – resolução dos litígios). se caracteriza pelo fato de ser desempenhada mediante comportamentos infralegais ou.Legislativo: responsável pela edição de leis. e. segundo o objetivo-formal.estrategiaconcursos.Executivo: cabe-lhe a satisfação dos interesses coletivos. . . Cyonil Borges www. De acordo com o objetivo-material. pelo tratamento normativo que lhe corresponda. pode-se afirmar que um conceito válido para a função administrativa é o que a define como a função que o Estado. Agora. são levados em consideração os elementos intrínsecos das funções dos Poderes. devido ao conteúdo do ato. . em objetivo-material e objetivo-formal.Executivo: a atividade administrativa caracterizar-se-ia por se desenvolver em razão de comandos infralegais. exerce na intimidade de uma estrutura e regimes hierárquicos e que.br Página 39 de 55 . O critério objetivo que leva em consideração o conteúdo do ato praticado divide-se. no sistema constitucional brasileiro.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. em alguns excepcionais. contam com o atributo da novidade. submissos ao controle de legalidade pelo Poder Judiciário. como dito. infraconstitucionais. Critério Objetivo Poderes da República Poder Executivo Material (Conteúdo em si) Formal (regime jurídico) Produção de atos Produção de atos com efeitos complementares concretos às leis Produção de atos gerais e abstratos Resolução de litígios NOVIDADE Poder Legislativo Poder Judiciário DEFINITIVIDADE Dessa maneira. excepcionalmente.com. nessa ordem: . infraconstitucionais vinculados. para enquadrá-los na disciplina administrativa. típicas.Judiciário: definição de litígios. essas dotadas de generalidade e de abstração (elementos intrínsecos).Judiciário: a resolução dos litígios é dotada de definitividade. as funções do Estado são determinadas pelas características essenciais. Cyonil Borges – aula 01 funcional. Prof.

a conduta a ser adotada pela Administração. realizadas pelo Estado. Todavia. só há hierarquia. Se tivéssemos que posicionar a atividade administrativa dentro da clássica “Pirâmide de Kelsen”.br Página 40 de 55 . tão-somente complementares à lei. permissionários e autorizatários. pois serão tratadas das condutas administrativas. editados com base no inc. que não há hierarquia (no sentido de subordinação) no exercício de atividades tipicamente legislativas (produzir as leis) ou judiciais (julgar).com. quando diz que. EM REGRA. o comando das normas primárias. temos a LEIS. 84 da Constituição Federal. a própria Constituição estabelece. em sentido estrito.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. a Administração Pública dá cumprimento direto à Constituição. Se a ficha ainda não caiu. III) A atividade administrativa pública é infralegal/infraconstitucional (excepcionalmente. Tem razão o examinador. desde logo. seria incumbência do Poder Público a prestação de tais serviços. a atividade de administração pública é infralegal. Daí os amigos devem estar pensando: como isso pode acontecer? Então a Administração simplesmente desconsidera a Constituição? Respondemos que não! É que. Na visão da doutrina majoritária. Nem todas as atividades de administração pública serão. no desempenho de atividades tipicamente administrativas. Por exceção. Cyonil Borges – aula 01 Esse conceito – de Celso Antônio Bandeira de Mello – descreve bem a função administrativa do Estado. abaixo e conforme a lei. no sentido de que não criam direitos e obrigações. com alguns destaques: I) A função administrativa é levada a efeito pelo Estado ou por aquele que lhe faça às vezes. em nossa ordem normativa. por vezes. há chefes e subordinados responsáveis pelo desempenho da atividade administrativa. Com efeito. em razão do disposto no art. mas apenas destrincham. esmiúçam.. ao fim. 175 da CF/88. ou seja. a Administração Pública deve dar cumprimento à intenção contida na lei (mens legis).estrategiaconcursos. Antecipe-se. a qual é o instrumento estabelecedor do interesse público. muitas vezes desempenhados por particulares (concessionários. não teríamos administração. sugere-se um pouco de paciência. De fato. II) Há toda uma hierarquia posta no desempenho da atividade administrativa. que “materializam” a vontade contida na Constituição. as Prof.. no último caso). como é o caso dos chamados Decretos Autônomos. Cyonil Borges www. Exemplo disso é a prestação de serviços públicos. Sem hierarquia. dos atos secundários. pode ocorrer. seria no terceiro patamar. detalham. Embora seja fato raro. necessariamente. mas desorganização. A presença da hierarquia é traço inerente à Administração. vinculadas ou discricionárias. de forma expressa. VI do art. uma vez que. por exemplo). ou seja. que fazem às vezes do Estado.

dado que a atuação pode ocorrer de ofício. Nesse último caso. só fez inverter os conceitos.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº.estrategiaconcursos. para o Judiciário pronunciar-se. de direitos. para um tribunal ou juiz apreciar e pronunciar-se sobre alguma questão. o órgão judicial deverá ser demandado. é desnecessária a provocação. sendo a própria função administrativa. no sentido material.AUFC/Apoio Técnico e Administrativo/Clínica Médica/2009 No tocante ao conceito e ao objeto do direito administrativo. e. logo se refere a quem realiza as funções. na realidade. IV) Os atos da Administração Pública estão sujeitos a controle judicial. Isso é o que se conhece no processo civil por “inércia processual” (princípio da inércia ou da demanda): para que o judiciário se “movimente”. órgãos e agentes públicos incumbidos de exercer uma das funções em que se triparte a atividade estatal: a função administrativa.com. a própria Administração pode fazer controle de seus atos. o que. é sentido OBJETIVO da Administração Pública. compreendendo pessoas jurídicas. portanto. Cyonil Borges www. É claro que. designa os entes que exercem a atividade administrativa. como ramo autônomo. tem como finalidade disciplinar as relações entre as diversas pessoas e órgãos do Estado. haverá de ser cumprido o rito necessário. julgue o próximo item. efetiva ou potencial. Prof. Isso é decorrência do princípio da inafastabilidade de jurisdição ou da jurisdição única.16 15 ERRADO. haverá de ocorrer a necessária provocação. O direito administrativo. ou seja. é necessário que alguém provoque sua atuação. Todavia. Sentido formal é sinônimo para orgânico ou subjetivo. (Certo/Errado)15 CESPE . chamando de subjetivo. em razão do princípio da autotutela. bem como entre este e os administrados. XXXV do art.br Página 41 de 55 . Explique-se: em regra. 16 O item está CERTO. Não é por que um ato provém da Administração que será excluído da apreciação do Judiciário. Notem que nem mesmo sequer a lei exclui da apreciação judicial atos que importem lesão. Perceba que a banca. designa a natureza da atividade exercida pelos referidos entes. 5º da CF/1988: a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. em sentido formal. Cyonil Borges – aula 01 quais devem estar sempre conforme a lei. com maior ou menor grau de liberdade. contido no inc. Fixação (2007/Esaf – PGFN-adaptada) A expressão Administração Pública.

no lugar de fontes. III) doutrina. Fontes ou formas de expressão Ainda que óbvio. Incluem-se. Prof. finalidades e valores. os regulamentos. e os aplicadores (Judiciário e Executivo). vamos “passear” pelas fontes do Direito Administrativo. é necessário registrar que a expressão “primária” é aplicável para os veículos normativos aptos a criar e extinguir direitos e obrigações. sobretudo. quanto à ação estatal. as leis obrigam.com. Para parte da literatura. a lei tem um sentido amplo (lato sensu). o Direito Administrativo. as resoluções. impondo-se tanto à conduta dos particulares. II) jurisprudência. à atividade administrativa. comumente. 59 da CF. leis complementares e ordinárias (art. o mais técnico é. na condição de ciência. A lei costuma ser corretamente indicada como fonte escrita e primária para o Direito Administrativo. encontramos. nasce de algum lugar. ordinárias. a Constituição Federal e as leis em sentido estrito. Cyonil Borges www. Para Aragão. a lei abrange desde a maior de todas . as seguintes formas de expressão: I) lei. de alguma maneira. na espécie. devem ser considerados. Enquanto fonte. V) princípios. grande parte das leis atuais de Direito Administrativo são “leis-quadro” ou “leismoldura”.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. como.estrategiaconcursos. Cyonil Borges – aula 01 2. passando por leis complementares. também. pois. I) Leis A lei é considerada a primordial entre as fontes do Direito Administrativo Brasileiro. Com efeito.6. Porém. abrangendo todas as normas produzidas pelo Estado que digam respeito. delegadas. incorporam menções a princípios. Nesse contexto. Por convivermos em Estado de Direito. Abaixo. o próprio Legislador. geradora e extintiva de direitos e obrigações. por exemplo. de 1988). deixando amplo campo de decisão a cargos dos administradores. no estudo do Direito Administrativo. No conceito amplo.a Constituição Federal -. IV) costumes. medidas provisórias e outras normas com força de lei.br Página 42 de 55 . os regimentos e as instruções. no lugar de pormenorizar o tema. as quais funcionam como o “ponto de partida” do Direito. É exatamente esse o sentido da palavra “fontes”. como tratados internacionais. denominarmos as manifestações do Direito Administrativo como “formas de expressão”.

com. qualquer comando jurídico impondo comportamentos forçados há de provir de uma das espécies normativas devidamente elaboradas consoante as regras de processo legislativo constitucional. vamos nos socorrer dos ensinamentos do constitucionalista Alexandre de Moraes. O segundo 17 18 Letra A. mas concreto. se todos os comportamentos humanos estão sujeitos ao princípio da legalidade. O princípio da legalidade é de abrangência mais ampla do que o princípio da reserva legal. portanto. d) os costumes. Conforme a legalidade. as leis complementares e ordinárias. há outras normas infralegais. Apesar de não ser um curso de Direito Constitucional. mas de maior densidade ou conteúdo. Para tanto. e) o vade-mécum. O primeiro significa a submissão e o respeito à lei.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. b) a doutrina. somente alguns estão submetidos ao da reserva da lei. é oportuno separarmos os conceitos inconfundíveis de princípio da legalidade e reserva legal. contudo. o princípio da reserva legal opera de maneira mais restrita e diversa. Cyonil Borges www. Incide tão somente sobre os campos materiais especificados pela Constituição. secundárias. Por outro lado. o autor José Afonso da Silva registra que a doutrina não raro confunde ou não distingue suficientemente o princípio da legalidade e o da reserva legal. os tratados internacionais e os regulamentos são exemplos de fontes do direito administrativo18.br Página 43 de 55 . A CF. Gabarito: CERTO. Fixação (2006/Esaf – TRF) A primordial fonte formal do Direito Administrativo no Brasil é: a) a lei. Prof.17 (2009/CESPE/AUFC-TCU/Medicina) No tocante ao conceito e ao objeto do direito administrativo. visto exigir o tratamento de matéria exclusivamente pelo Legislativo. Sobre o tema.estrategiaconcursos. ou a atuação dentro da esfera estabelecida pelo legislador. julgue o próximo item. de menor abrangência. Assim. como é o caso dos Regulamentos e Instruções Normativas. c) a jurisprudência. sem participação normativa do Executivo. também fontes escritas do Direito Administrativo. Ele não é genérico e abstrato. Este é. Cyonil Borges – aula 01 Ao lado das normas primárias.

No entanto. A generalidade implica atingir todas as pessoas situadas em uma mesma situação jurídica. atinge todas as pessoas. não haverá necessidade de novo pagamento de imposto? É isso mesmo? NÃO! Como a Lei é abstrata.112/1990 . façamos uma breve pausa para a explicação dos conceitos de generalidade e abstração. a obrigação tributária correspondente. Vejamos. Cyonil Borges www. e. ou seja. por exemplo. Outro exemplo: em 2012. tem a forma de lei. como regra. não possui os atributos da generalidade e da abstração. Por exemplo: uma lei de concessão de pensão aos pais de determinado militar falecido.com. constituindo no que a doutrina reconhece como leis com efeitos concretos. com ele. não importando se Prof.os maiores de 18 anos). é possível concluir que o princípio da reserva legal dá-se quando a Constituição reserva conteúdo específico. Já as leis em sentido material são todas aquelas editadas pelo Estado. tenham ou não generalidade ou de abstração. pelo fato de se esgotar com uma única aplicação. a cada novo fato gerador. Diante disso. mas o conteúdo não é necessariamente de lei. TÍCIO pagou R$15. pergunta-se: o edital de concurso público é genérico e abstrato? Dotado de generalidade sim. à lei formal. Professor. são os atos editados pelas Casas Legislativas. pois. Com outras palavras. a norma não se exaure com uma única aplicação. ou seja. Já a abstração significa que a lei não se esgota com uma única aplicação. Cyonil Borges – aula 01 consiste em estatuir que a regulamentação de determinadas matérias há de fazer-se necessariamente por lei formal. Em síntese. com generalidade.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. As leis em sentido formal são os atos normativos editados de acordo com o devido processo legislativo constitucional. promover outro contrato da idêntica espécie.servidores públicos civis federais das Pessoas Jurídicas de Direito Público). logo. o fato de a pessoa celebrar um contrato de compra-e-venda não impede que possa. mas.000. como um grupo mais restrito (por exemplo: a Lei Federal 8.00 de Imposto de Renda. Para compreender o que quer significar “conteúdo de lei”.estrategiaconcursos. perfeito! Mas o que são as leis em sentido formal? E as leis em sentido material? É um assunto relativamente simples. haverá nova incidência. tanto em relação a um grupo amplo (por exemplo: Código Penal . não é dotado de abstração.br Página 44 de 55 . encontramos o princípio da legalidade quando a Constituição outorga poder amplo e geral sobre qualquer espécie de relação. abstração e obrigatoriedade (imperatividade). Por outro lado. relativo ao ano calendário 2011. caso a caso. no ano de 2013. futuramente. Por exemplo: o Código Civil é dotado de generalidade. contando com os atributos típicos das Leis.

Nesse caso.estrategiaconcursos. o referido ato normativo inovará no ordenamento jurídico. isto é. sem a participação do Congresso Nacional. Isso mesmo. Essa linha de raciocínio é válida para qualquer ato normativo produzido por qualquer órgão público de quaisquer dos Poderes do Estado.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. sem que. conforme o caso). passando a um exemplo. São classificados como atos materialmente legais. abstração. Com o advento da EC 32/2001. como. o controle concentrado de constitucionalidade pelos Tribunais do Judiciário (STF e TJs. no entanto. é lei em sentido material. Enquanto as leis formais são necessariamente editadas pelo Poder Legislativo dentro do processo próprio de elaboração legislativa. sem sequer ter passado pelo órgão legislativo. o ato será FORMAL. o que importa é o conteúdo (a matéria). as leis materiais necessariamente detêm os qualificativos de uma lei. que tenha generalidade e abstração e não esteja sujeito ao devido processo legislativo. Cyonil Borges www. por conter os atributos da generalidade. ato de competência do chefe do Executivo. Cyonil Borges – aula 01 editadas ou não pelo Poder Legislativo. Enquanto as leis formais possuem ou não conteúdo de lei. expedido pelo chefe do Executivo. tendo em vista não ter passado pelo crivo do Poder Legislativo. Vamos tornar o aprendizado um pouco mais prático. haja vista a presença dos atributos próprios das leis (generalidade. por exemplo. o Regimento Interno dos Tribunais e as Resoluções do CNJ (leis em sentido material. e com caráter inovador! Por advir unicamente do Executivo. como estabelece o inc. houve a reinserção no ordenamento jurídico do Decreto Autônomo (Reserva da Administração). Macetinho Se a competência para a edição do ato é típica do órgão. inclusive. Conforme doutrina majoritária.br Página 45 de 55 . oportunidade que também poderão acumular o sentido material (leis formais e materiais). Portanto. tenha percorrido o devido processo legislativo. contudo. porém não formais. pois tais atos não “nasceram” das Casas Legislativas (as Donas “da forma”). É Decreto. conclui-se que o Decreto Autônomo não é lei em sentido formal. as leis materiais podem prescindir desse processo. são atos com carga normativa suficiente para. Acrescente-se que os Regimentos dos Tribunais e as Resoluções do CNJ são atos normativos que extraem o fundamento de validade diretamente da Constituição Federal. no que diz respeito à hipótese constitucional de “organização da Administração Pública”. não em seu aspecto formal). se a competência for atípica. 84 da CF/1988. abstração e normatividade). teremos um ato Prof. VI do art. podendo ser exclusivamente materiais. normatividade. Porém.com.

Por exemplo. já as leis em sentido material (reconhecidas como atos SECUNDÁRIOS) não passam pelo crivo do órgão legislativo. apesar de contarem com os atributos da generalidade e da abstração.a sentença editada pelo Senado Federal. embora nem sempre sejam genéricas e abstratas (nesse caso. transforma-se em verdade absoluta. lei em sentido formal. estamos diante de uma sentença em sentido material.a lei ordinária é competência típica ou atípica do Poder Legislativo? Típica. . Tem generalidade e abstração. Exemplo: Decreto Regulamentar editado de acordo com competência privativa do Chefe do Executivo (inc. então. porém é apenas lei em sentido material (não passou pelo Legislativo). Prof.a medida provisória é competência típica ou atípica do Poder Executivo? Atípica. é função típica ou atípica? Atípica. e. logo. É o que a doutrina reconhece como leis em sentido exclusivamente material. Lei de Crimes Hediondos. A presente questão serve para fixação do entendimento da banca. a generalidade não é um traço de distinção. Fixação A distinção entre a lei formal e a lei material está na presença ou não do seguinte elemento: a) generalidade b) novidade c) imperatividade d) abstração e) normatividade Comentários: Item A – INCORRETO. Item B – CORRETO. ato administrativo em sentido material. ato administrativo formal. . deve-se levar em consideração a regra.br Página 46 de 55 . Cyonil Borges – aula 01 MATERIAL. logo. Por exemplo: . regra geral. Cyonil Borges www. são chamadas de leis em sentido exclusivamente formal). . competência típica ou atípica? Atípica. logo. dotada de generalidade e abstração. como nas materiais. Entretanto. É Lei editada pelo Legislativo.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. 84 da CF/1988). logo. A generalidade pode estar presente tanto nas leis formais.o ato administrativo editado pelo Poder Legislativo. porém. mas não quer dizer que sua formulação esteja impecável. Para se concluir que esta é a resposta correta. os decretos regulamentares são genéricos e abstratos. quer dizer. estamos diante de lei em sentido material. IV do art. . caiu assim no concurso. nos crimes de responsabilidade. NÃO INOVAM. leis em sentido formal têm o atributo da ORIGINARIEDADE (novidade).com. logo temos uma lei em sentido formal. são as NORMAS PRIMÁRIAS.o ato administrativo editado pelo Poder Executivo decorre de competência típica ou atípica? Típica. Portanto. enfim.estrategiaconcursos.

Nesse instante. Cyonil Borges www. nem sempre a abstração será um traço distintivo. e no art. um ‘alerta’. pelo Congresso Nacional.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº.estrategiaconcursos. Os efeitos internos surgem. instruções e outros veículos normativos. Item E – INCORRETO. devem ser trabalhados quando do estudo dos atos da Administração. isso porque muitos deles são atos administrativos. ao ordenamento jurídico brasileiro com o status de lei ordinária. reservando à aula específica o tratamento das demais fontes. Cyonil Borges – aula 01 Veja a problemática: os Decretos Autônomos (inc. Mas. por conseguinte. e. 9º. Por fim. Uma vez aprovado pela Casa Legislativa. As leis em sentido material detêm abstração. Os tratados ou acordos ou protocolos internacionais são incorporados. haverá o depósito do instrumento ou adesão a este. adotará as medidas necessárias para estabelecer sistemas apropriados de contratação pública.br Página 47 de 55 . concernentemente às leis. por isso. de regra. resoluções. na competência e em critérios objetivos de adoção de decisões. Cada Estado Parte. por fim. sejam primárias. que sejam eficazes. caberá a aprovação. Gabarito: item B. As leis formais e as materiais são dotadas de imperatividade. promulgou a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção. não há motivo para aprofundarmos os conceitos de todos os instrumentos normativos editáveis pelo Estado-legislador ou Estado-administrador. foi prevista a seguinte matéria Administrativa: Artigo 9 Contratação pública e gestão da fazenda pública 1. baseados na transparência. efetivamente. 84 da CF/1988) são leis em sentido exclusivamente material e são normas originárias (leia-se: primárias). a partir da publicação do referido Decreto. serão reproduzidos a seguir breves conceitos dos tratados internacionais. para não deixar lacuna no curso de vocês. Em todo caso. com exclusividade. As normas. promulgação por Decreto presidencial. Item D – INCORRETO. sinceramente. regulamentos. não temos aí um traço distintivo. Alguns editais estão fazendo referência expressa a tratados internacionais. e. IV do art. em conformidade com os princípios fundamentais de seu ordenamento jurídico. sejam secundárias gozam de normatividade.com. já as normas formais podem ou não ter a abstração . de 2006. Professor. entre outras Prof. tais acordos internacionais podem ser fontes do Direito Administrativo? Claro que sim! Por exemplo: o Decreto 5. no sentido de tranquilizar os amigos. Item C – INCORRETO.687. Se geradores de encargos ou compromissos. assim. As leis delegadas são leis em sentido exclusivamente materiais e são normas originárias. na qualidade de chefe de Estado. A competência para a celebração é exclusiva do presidente da República.

Fixação CESPE . a adoção de medidas corretivas em cumprimento dos requisitos estabelecidos no presente parágrafo. entre outras coisas: a) Procedimentos para a aprovação do pressuposto nacional. Cada Estado Parte. b) A apresentação oportuna de informação sobre gastos e ingressos. Cada Estado Parte. em cuja aplicação se poderá ter em conta valores mínimos apropriados. c) Um sistema de normas de contabilidade e auditoria.estrategiaconcursos. para garantir recursos e soluções legais no caso de não se respeitarem as regras ou os procedimentos estabelecidos conforme o presente parágrafo. procedimentos de pré-seleção e requisitos de capacitação. em particular declarações de interesse relativo de determinadas contratações públicas. para prevenir a corrupção. adotará medidas apropriadas para promover a transparência e a obrigação de render contas na gestão da fazenda pública. Essas medidas abarcarão. em conformidade com os princípios fundamentais de sua legislação interna. adotará as medidas que sejam necessárias nos âmbitos civil e administrativo para preservar a integridade dos livros e registros contábeis. a fim de que os licitadores potenciais disponham de tempo suficiente para preparar e apresentar suas ofertas. c) A aplicação de critérios objetivos e predeterminados para a adoção de decisões sobre a contratação pública a fim de facilitar a posterior verificação da aplicação correta das regras ou procedimentos. financeiros ou outros documentos relacionados com os gastos e ingressos públicos e para prevenir a falsificação desses documentos. assim como a supervisão correspondente.AUFC/Apoio Médica/2009 Técnico e Administrativo/Clínica Prof. Esses sistemas. d) Um mecanismo eficaz de exame interno.com. entre outras coisas: a) A difusão pública de informação relativa a procedimentos de contratação pública e contratos. e e) Quando proceda. e) Quando proceda. incluída informação sobre licitações e informação pertinente ou oportuna sobre a adjudicação de contratos. Cyonil Borges www.br Página 48 de 55 . incluindo um sistema eficaz de apelação. em conformidade com os princípios fundamentais de seu ordenamento jurídico. Cyonil Borges – aula 01 coisas. d) Sistemas eficazes e eficientes de gestão de riscos e controle interno. assim como sua publicação. 2. incluídos critérios de seleção e adjudicação e regras de licitação. a adoção de medidas para regulamentar as questões relativas ao pessoal encarregado da contratação pública. caso de não 3. b) A formulação prévia das condições de participação.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. deverão abordar.

os regulamentos. não são originárias. sem a pretensão de vincular as futuras decisões dos juízes ou Tribunais. portanto. Por exemplo: o inc. O Tribunal de Contas desempenha atividade jurisdicional administrativo.com. Importante detalhe para a prova é que a jurisprudência no Brasil não possui. que são criadoras do Direito. e as contas daqueles que derem causa à perda. e. as leis complementares e ordinárias. inclusive. Gabarito: CERTO. Cyonil Borges – aula 01 No tocante ao conceito e ao objeto do direito administrativo.estrategiaconcursos. como. forma jurisprudência.TCU julgar as contas dos administradores e demais responsáveis por dinheiros. Apesar da menção à jurisprudência como sendo resultante de decisões judiciais. dentro do número de vagas previsto no Edital. e a CF. Diferentemente do sistema norte-americano. Prof. indicativo de uma situação concreta submetida à apreciação de um juiz ou Tribunal. no Brasil.br Página 49 de 55 . inovam no ordenamento jurídico. força vinculante. de 1988. A CF. Dessa forma. a jurisprudência daquela Corte. por exemplo. bens e valores públicos. órgãos administrativos também podem produzir sua própria jurisprudência. II do art. Por exemplo: é reiterado o entendimento do STF de que o candidato aprovado. em que as decisões proferidas pelas instâncias superiores vinculam as inferiores. os tratados internacionais e os regulamentos são exemplos de fontes do direito administrativo. são regulamentadoras das leis preexistentes. a atividade jurisprudencial está apta a criação de normas para os casos concretos levados à sua apreciação. referencial. por sua vez. a qual. não se pode considerar “jurisprudência” uma decisão judicial isolada. embora fontes. de Súmulas. produz uma série de decisões. tem direito subjetivo à nomeação. extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário. (Certo/Errado) Comentários: As fontes podem ser primárias e secundárias. de regra. Cyonil Borges www.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. no máximo. enfim. para os casos idênticos (sistema do stare decisis). julgue o próximo item. mas apenas força moral. constitui um caso paradigmático. nesse contexto. É nesse sentido. II) Jurisprudência A jurisprudência é um conjunto de decisões judiciais reiteradas num mesmo sentido. As primeiras são as leis. a respeito de uma matéria. a despeito de sua natureza administrativa. Retomemos às demais fontes. 71 da CF/1988 garante ao Tribunal de Contas da União . As secundárias. com a emissão. em sentido estrito.

VII do art. uma vez que sempre estará diante de um determinado caso. E. há a exigência de motivação do ato administrativo que deixar de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres. na Lei 9. ADI. duas observações são feitas quanto à atividade jurisdicional. quanto a própria Administração Pública. Cyonil Borges – aula 01 De fato. em razão do que se chama no Brasil de princípio do livre convencimento por parte do magistrado. Segundo Hely Lopes. Algo do tipo: “quanto ao assunto em análise. Prof. CF. Abra-se um parêntese para esclarecer que nem toda decisão é formalizada por meio de Súmula. 50.LIDB: Na aplicação da lei. Cyonil Borges www. julgue o item seguinte. apesar de não ser objeto de estudo de nossa matéria: a) o livre convencimento do Juiz encontra limites.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. Contudo. a doutrina tende a globalizar-se e ver o mundo jurídico de forma generalizada (universalizar-se). de 1999 (Lei de Processo Administrativo Federal). às Súmulas Vinculantes. Fixação CESPE – DPF/2004 No que se refere a fontes e princípios do direito administrativo. constantes do sistema jurídico nacional a partir da Emenda Constitucional 45/2004. em verdade. Quanto ao caráter não vinculante. Nesse contexto. a liberdade de interpretar por parte do magistrado não se converte em arbítrio. por exemplo. assim determina a Lei de Introdução ao Direito Brasileiro . e a jurisprudência particulariza-se. é dever de o administrador público tornar público os motivos que o levaram a discordar de jurisprudência já pacificada. visto que deve se ater aos fins pretendidos pela norma. laudos. b) há algumas decisões advindas do Judiciário que vincularão tanto a atuação Poder Judiciário. os magistrados brasileiros podem interpretar as informações que constam dos processos judiciais que lhes são submetidos com maior amplitude que os americanos. ADC e ADPF. de 1988). pois encontra limites. inc. pela contínua adaptação da lei e dos princípios teóricos ao caso concreto. É muito comum o aluno perguntar ao Professor: essa decisão citada está em que Súmula? As Súmulas são. como. esclareça-se que a jurisprudência é fonte não escrita do Direito Administrativo. conhecida como a Reforma do Judiciário (ver art.784. Nesse sentido. dentre outras. o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. 103-A.br Página 50 de 55 . enquanto a doutrina tende a universalizar-se. uma síntese formalizada da jurisprudência já pacificada. o Tribunal não tem mais dúvida!” Por fim. Assim. impondo-se pela força moral que possui junto à sociedade. destacam-se.com. como esclarece a literatura. antecipe-se que. a jurisprudência tende a nacionalizar-se. Note-se que. e as ações abstratas a cargo do STF.estrategiaconcursos. apesar da ausência de caráter vinculante. propostas e relatórios oficiais.

ou seja. como fonte do direito administrativo. a jurisprudência tende a universalizar-se. Na letra B. (B) embora não influa na elaboração das leis. exemplo dos decretos regulamentares expedidos pelo chefe do Executivo. é correto afirmar que: (A) uma das características da jurisprudência é seu universalismo. Na letra A. Comentários: São primárias apenas a CF e as leis em sentido estrito. a doutrina exerce papel fundamental apenas nas decisões contenciosas. a jurisprudência e os regimentos internos dos órgãos administrativos. ela sempre obriga a Administração Pública. (E) o costume não é considerado fonte do Direito Administrativo. Cyonil Borges www. não obriga a administração pública federal. doutrina e regimentos são fontes secundárias. não vigora o stare decisis. ordenando. a doutrina é muito importante para a 19 O item está CERTO. d) A partir da Constituição de 1988. (C) tanto a Constituição Federal como a lei em sentido estrito constituem fontes primárias do Direito Administrativo. assim. Fixação (2011/FCC .Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. a banca inverteu os conceitos. c) A jurisprudência dos tribunais de justiça. é destituída de caráter vinculante. o próprio Direito Administrativo. enquanto a doutrina tende a nacionalizar-se.com. segundo o qual a decisão judicial superior vincula as instâncias inferiores para os casos idênticos. vigora no Brasil o princípio norte-americano do stare decisis. b) São fontes principais do direito administrativo a doutrina. mas não vincula as decisões administrativas.19 Fixação (2008/Cespe – TCE/AC – Cargo 1) Assinale a opção correta quanto às fontes do direito administrativo brasileiro a) Os regulamentos e regimentos dos órgãos da administração pública são fontes primárias do direito administrativo brasileiro. apesar de o direito administrativo se ressentir de codificação legal. Cyonil Borges – aula 01 A jurisprudência é fonte do direito administrativo. Na letra B.br Página 51 de 55 . Os demais atos são infralegais são fontes secundárias. Gabarito: alternativa C.TRE PE) No que concerne às fontes de Direito Administrativo. de regra. (D) tendo em vista a relevância jurídica da jurisprudência. Na letra D. O erro da letra A é que regulamentos são atos secundários. Prof.estrategiaconcursos. Comentários: A jurisprudência.

A doutrina. cabe um parêntese para registrar que. mas contribuindo para a formação do nosso ramo jurídico. à vista do princípio da legalidade.112. Cyonil Borges – aula 01 elaboração das leis. ainda que de somenos importância. A considerar a ausência de previsão legal (Lei Federal 8. indicando pontos falhos e formas de aperfeiçoamento do Direito Administrativo. no contexto da prova. não devem ser admitidas deve ser lida levando-se em consideração a existência de exceções. opiniões doutrinárias que sejam desconexas com as leis não podem ser consideradas como fontes para o Direito Administrativo.estrategiaconcursos. sentenças. demandará a análise do item. Para os nobres amigos concurseiros isso. os pareceres. não gerando direitos para os particulares. sendo responsável.com. Conforme Aragão. deixar de aplicar a lei porque inconstitucional. No entanto. pela unificação das interpretações.br Página 52 de 55 . Logo a afirmação de que opiniões doutrinárias. muitas vezes. sendo aplicado quando da deficiência da legislação. Na letra D. Tais trabalhos fornecem. Gabarito: alternativa C. bases para textos legais. a doutrina é fonte escrita e mediata (secundária) para o Direito Administrativo. sim. Cyonil Borges www. de 1990). para os amigos mais chegados ao latim) e para o preenchimento de vácuo legislativo (praeter legem . elaborados por estudiosos desse ramo jurídico. os artigos. acórdãos e interpretações. costumes são fontes secundárias. sempre segundo a lei (ou secundum legem. por não serem admitidos costumes contra legem. o costume constitui.“assunto não regulado pela lei”) e nunca contra a lei (ou contra legem). em dissonância com as leis. IV) Costumes Os costumes são os comportamentos reiterados e tidos por obrigatórios pela consciência popular. no estudo do Direito Constitucional. Mais uma vez. a jurisprudência costuma não ter efeito vinculante. com base no costume.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. III) Doutrina A doutrina significa o conjunto dos trabalhos dos estudiosos a respeito do Direito Administrativo. Entre as leis e a doutrina deve prevalecer o conteúdo das leis. o Tribunal de Contas da União (TCU) determinou o cancelamento do direito. Por exemplo: >> As Universidades Federais. a doutrina compõe uma massa crítica capaz de analisar a legislação e os institutos jurídicos. deparamo-nos com a possibilidade de o chefe do Executivo. no caso concreto. pode servir para clarear a ideia do legislador no caminho de aperfeiçoamento das leis. o costume é de pouca relevância. contrária às leis. Assim. fonte para o Direito Administrativo. ou seja. os livros. para concluir pela correção ou não da assertiva. claro. Na letra E. No entanto. concediam a seus Professores a licença sabática. Prof. de certa maneira. No que respeita ao Direito Administrativo.

ao passo que Prof. Por exemplo: em caso de revelia (não comparecimento do servidor indiciado). os particulares e os órgãos públicos. 10. Fixação (2006/Cespe – TCE-AC – Analista) O costume não se confunde com a chamada praxe administrativa. têm aceito outro critério. Diógenes Gasparini dispõe: “O Judiciário. Com outras palavras.760/46. mas. sim. pois são práticas reiteradas dentro da Administração. não como fontes formais. que exige sejam os trinta e três metros contados da linha da preamar média de 1831. não o torna legal. substanciais ou materiais. que os requisitos legais para a sua determinação são registrados no art. por relevante. e desconhece-se. escritas. em qualquer dos dispositivos. portanto. Em síntese: tanto as praxes como os costumes não podem ser reconhecidos como fontes formais do Direito Administrativo. diferente do previsto no Decreto-lei n. Aquele exige cumulativamente os requisitos objetivo (uso continuado) e subjetivo (convicção generalizada de sua obrigatoriedade). Para a doutrina. ressente-se de legalidade. a nosso ver.com. usadas pelos agentes públicos na resolução de casos concretos. Já as praxes não contam com o aspecto subjetivo. a “linha de jundu” (vegetação rasteira que marca o fim das praias).estrategiaconcursos. diferentemente dos costumes. banhados pelas águas do mar ou dos rios navegáveis. Cyonil Borges – aula 01 >> O Código de Águas define terrenos de marinha como aqueles que. 9. O critério. vão até a distância de 33 metros para a parte da terra. desconhecidas dos cidadãos em geral. A aceitação pelo Judiciário e pelo SPÙ. Sobre o tema. é necessária a presença de dois requisitos: o objetivo (hábito continuado) e subjetivo (deve gerar para os destinatários a convicção de ser obrigatório). contadas desde o ponto em que chega a preamar média de 1831. por costume. 2º do Decreto-lei n.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. sempre existente além das praias e para o interior das terras que com elas confinam. inclusive o SPU. caracterizada pelo início de uma vegetação (jundu). para a defesa. Cyonil Borges www. embora resolva na prática os problemas de demarcação da faixa dos trinta e três metros. é praxe a Administração nomear.112. por conseguinte. que os costumes não se confundem com as chamadas praxes administrativas. Por ele não se atende ao prescrito no art. servidor formado em Direito. a formação jurídica como requisito indispensável. espalhados na sociedade. não exija. embora a Lei Federal 8. Substituem os peritos a linha da preamar média de 1831 pela linha do jundu. de 1990. utilizou-se. os costumes e as praxes são fontes inorganizadas (leia-se: não escritas) do Direito Administrativo. Na ausência da demarcação da preamar média de 1831. Esses são os únicos válidos. Para a caracterização dos costumes.760/46 para determinar a linha que separa as marinhas das terras particulares. 9.br Página 53 de 55 .” Esclareça-se.

No entanto.com. Por exemplo: a moralidade administrativa está prevista no caput do art. São de natureza pré-normativa. ou seja.20 (2009/Cespe – MCT/FINEP – Cargo 1) O costume e a praxe administrativa são fontes inorganizadas do direito administrativo. inclusive. Excelente questão. Os costumes são fontes mediatas. de 1988. Os princípios são os vetores fundamentais que inspiram todo o modo de a Administração se conduzir. embora dotados de carga normativa. expressamente. preexistem. que só indiretamente influenciam na produção do direito positivo. sendo classificados como fonte direta. é a CF. Cyonil Borges www. ambos não são reconhecidos como fontes formais do direito administrativo. contam com a função normogenética. ao objeto e às fontes do direito administrativo. Cyonil Borges – aula 01 nesta ocorre apenas o requisito objetivo. No entanto. e o princípio está nela contido. que se refere ao conceito.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. portanto.br Página 54 de 55 . pois influenciam a produção legislativa ou a jurisprudência.estrategiaconcursos. 20 21 CERTO. os princípios. fontes do Direito Administrativo. não podem ser considerados. CERTO. por si próprios. 37 da CF. 22 O item está ERRADO. os princípios como fontes do Direito Administrativo. indiretas. (Certo/Errado)21 CESPE – AUFC/2011 Julgue o próximo item. Em razão da importância. bem por isso. Os costumes sociais também podem ser considerados fonte do direito administrativo. à produção das leis. conforme a doutrina majoritária. A fonte. Prof. (Certo/Errado)22 V) Princípios Alguns editais de concursos públicos mencionam. o tema “princípios” vai ser detalhado na aula de Regime Jurídico Administrativo. para Alexandre de Santos Aragão. e. secundárias do Direito Administrativo.

por exemplo. quando comparado. de fato. Prof. ainda.br Página 55 de 55 . >> Instrumentalidade: o Direito Administrativo é meio para um fim. Abraço forte a todos. incorporam.7. Cyonil Borges – aula 01 2.estrategiaconcursos. por exemplo. que dizer. em seu texto.com. O Direito administrativo está em constante evolução. Portanto. XVIII). Abaixo algumas especificidades metodológicas do Direito Administrativo (fonte: Alexandre Santos de Aragão): >> Juventude e Mutabilidade: as origens históricas do Direito Administrativo remontam à Revolução Francesa (séc. os princípios são de peculiar importância para dar unidade e coerência a um sistema tão difuso. conceitos jurídicos ou técnicos indeterminados. nada mais natural que este ramo seja marcadamente influenciado pelas decisões das cortes judiciais e dos precedentes dos órgãos e entidades administrativas. recente. Isso faz com que muitas das soluções encontradas ainda não se tenham consolidado por completo. Porém. >> Grande Importância dos Princípios: pela falta de um código e profusão de regras legislativas e administrativas. Essa evolução é reforçada porque. sendo o objeto do Direito Administrativo uma atividade do Estado.Curso Teórico de Direito Administrativo para MPU Profº. >> Grande influência jurisprudencial: a jurisprudência foi fundamental para o surgimento do Direito Administrativo e para a afirmação de sua autonomia em relação ao Direito Privado. reflete as mudanças políticas e ideológicas. possibilitando o exercício. dos Editais de concursos. Assim. com o milenar Direito Civil. Cyonil Borges www. >> Baixa Densidade Normativa: mais do que em outros ramos do Direito. a realização do interesse público tal como especificado pelo ordenamento jurídico. Especificidades Metodológicas do Direito Administrativo Esse tópico não consta. excelente semana e bons estudos! Cyonil Borges. as normas de Direito Administrativo são frequentemente abertas. é pertinente para a melhor compreensão do Direito Administrativo. o Direito Administrativo é. do poder discricionário.