P. 1
Manual Voluntariado Em Consumo Responsavel

Manual Voluntariado Em Consumo Responsavel

|Views: 2|Likes:
Published by Jeunet

More info:

Published by: Jeunet on Nov 17, 2013
Copyright:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

05/14/2014

pdf

text

original

Sections

  • Contextualização Histórica
  • 1.4. O Comércio Justo: um Modo de Consumo Responsável
  • 1.5. Comércio Justo: História, Princípios e Actores
  • 1.6. Um Quarto e Fundamental Actor: os Consumidores
  • Bibliografa
  • Alguns Sítios de Interesse na Internet
  • 2.1. O Conceito e a Evolução Histórica
  • 2.2. O Caso Português
  • 2.3. Integração de Voluntários Numa Organização
  • 2.4. As Motivações Para o Voluntariado
  • Sites Consultados
  • 3.1. Voluntariado Educativo
  • ANEXOS
  • Declaração Universal Sobre o Voluntariado[1]
  • Dez Dicas Sobre Voluntariado[1]
  • Legislação Sobre Voluntariado
  • Quadro de Necessidades
  • Como Organizar um Programa de Voluntariado
  • Caracterização do Coordenador de Voluntários
  • Ficha de Identifcação do Voluntário
  • Minuta do Contrato de Voluntariado
  • Casos Práticos de Voluntariado

CONSUMO RESPONSÁVEL EM REDE

MANUAL PARA
O VOLUNTARIADO
EM CONSUMO
RESPONSÁVEL
Rede Nacional de Consumo Responsável
Manual Para O Voluntariado
Em Consumo Responsável
CONSUMO RESPONSÁVEL EM REDE
5
Título
Manual Para o Voluntariado
em Consumo Responsável
Edição
Rede Nacional de Consumo Responsável
ISU - Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária
Travessa do Possolo nº 11-3º Dto
1350-252 Lisboa
T: 21 395 78 31
F: 21 390 72 06
M: cfv@isu.pt
URL: www.isu.pt
Associação Reviravolta
R. de Cedofeita, 282
4050-174 Porto
T: 22 201 23 48
M: sensibilizacao@reviravolta.comercio-justo.org
URL: www.reviravolta.comercio-justo.org
Desenho Gráfco
Paulo Patrício
[visual@vianw.pt]
Impressão
Litogaia AG
Data
2008
Tiragem
1000 Exemplares
As reproduções são permitidas, desde que citada a fonte.
Esta edição faz parte da produção de materiais no âmbito do projecto “Rede Nacional de
Consumo Responsável” promovido pelo ISU - Instituto de Solidariedade e Cooperação
Universitária e pela Associação Reviravolta - ONGD promotora de Comércio Justo.
Projecto co-fnanciado pelo IPAD - Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento.
5
CONTEÚDOS
Introdução Geral ....................................................................... 7
1. Educação Para O Desenvolvimento
1.1. A Educação Para o Desenvolvimento:
Contextualização Histórica ................................................... 11
1.2. A Educação Para o Desenvolvimento Hoje:
Conceitos, Actores e Práticas ................................................ 13
1.3. O Consumo: Centralidade Global
e Tema de Educação Para o Desenvolvimento ....................... 18
1.4. O Comércio Justo: Um Modo de Consumo Responsável ...... 20
1.5. Comércio Justo: História, Princípios e Actores ...................... 21
1.6. Um Quarto e Fundamental Actor: os Consumidores ............ 30
Bibliografa .................................................................................. 32
Alguns Sítios de Interesse na Internet ........................................... 33
2. Voluntariado
2.1. O Conceito e a Evolução Histórica ....................................... 35
2.2. O Caso Português ................................................................ 43
2.3. Integração de Voluntários Numa Organização ...................... 45
2.4. As Motivações Para o Voluntariado ....................................... 48
Bibliografa .................................................................................. 50
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
6 7
Sites Consultados ........................................................................ 52
3. Gestão De Programas De Voluntariado ................................ 53
3.1. Voluntariado Educativo ........................................................ 61
Bibliografa .................................................................................. 67
Alguns Sítios de Interesse na Internet ........................................... 67
4. Formação De Voluntários Para O Consumo Responsável .... 69
Bibliografa .................................................................................. 76
Anexos ........................................................................................ 77
Anexos - Capítulo 2
I. Declaração Universal Sobre o Voluntariado ................... 78
II. Dez Dicas Sobre Voluntariado ...................................... 83
III. Legislação Sobre Voluntariado ....................................... 86
Anexos - Capítulo 3
I. Pressupostos Para a Elaboração de um
Programa de Voluntariado ............................................ 96
II. Quadro de Necessidades ............................................... 97
III. Como Organizar um Programa de Voluntariado ........... 98
IV. Caracterização do Coordenador de Voluntários ............. 99
V. Ficha de Identifcação do Voluntário ............................. 101
VI. Minuta do Contrato de Voluntariado ........................... 104
Anexos - Capítulo 4
I. Referencial de Formação de Voluntários
Para o Consumo Responsável ........................................ 106
II. Plano Geral – Módulo 1 ............................................... 114
III. Plano Geral – Módulo 2 ............................................... 125
IV. Plano Geral – Módulo 3 ............................................... 137
V. Jogo dos Quadrados ..................................................... 147
VI. Grelha de Avaliação das Simulações ............................... 150
VII. Casos Práticos de Voluntariado ..................................... 152
VIII. Estudo de Caso ............................................................. 157
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
6 7
INTRODUÇÃO GERAL
Para formar e capacitar jovens voluntários de diferentes
organizações que poderão vir a ser futuros animadores, edu-
cadores e formadores. Para dotar estes futuros formadores de
competências e conhecimentos em áreas temáticas como a
Educação para o Desenvolvimento (ED); o Desenvolvimen-
to; a Solidariedade; o Voluntariado; o Consumo Responsável;
o Comércio Justo. Para conhecer os conceitos de Educação
para o Desenvolvimento actuais. Para identifcar os valores
comuns que estão na base de actuação do voluntariado e
da ED e as diferentes práticas existentes no âmbito da ED
(Comércio Justo, Banca Ética, Consumo Responsável, entre
outros). Para defnir o voluntariado como um processo de in-
tervenção continuado e dinâmico de tomada de consciência
das diferenças e desigualdades que se fazem sentir, e entendê-
-lo como um dos instrumentos possíveis de ED.
Para captar, compreender e conhecer as principais causas
dos desequilíbrios, assimetrias e desigualdades existentes no
mundo actual. Para tomar consciência do papel de cada
indivíduo perante esta realidade. E ainda, para refectir so-
bre o processo de desenvolvimento como enquadrador das
acções de solidariedade e de voluntariado. Para compreender
a complexidade do conceito de Solidariedade. Para defnir
e compreender o conceito de consumo responsável e, por
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
8
Introdução Geral
9
último, para aplicar uma metodologia activa de formação nas
actividades a desenvolver sobre estas áreas temáticas.
Este Manual de Formação de Voluntários apresenta-se
como uma ferramenta que fornece um enquadramento teóri-
co dos temas abordados e metodologias dinâmicas que valori-
zam a aprendizagem através da análise de vivências pessoais e
da experimentação, e onde o formador é encarado como um
dinamizador do debate em torno de um determinado tema.
É um manual que começa por contextualizar a ED em
termos históricos e na actualidade, para depois mostrar o
consumo como centralidade global e tema de ED, dando um
exemplo de Consumo Responsável – o Comércio Justo (CJ).
Explica então o que é o CJ: a sua história, os seus princípios,
os seus actores e salienta o actor fundamental que são os
consumidores. Aborda também a questão do voluntariado,
tanto em termos de conceito como de história e mais no
que se refere a motivações, dá o exemplo do voluntariado
em Portugal, explana como se integra o voluntariado numa
organização e remata abordando a gestão de programas de vo-
luntariado (exemplo do voluntariado educativo). Trata ainda
da questão da formação no âmbito do consumo responsável.
Aqui apresenta planos possíveis para formação das áreas
temáticas visadas no intuito de gerar capacidade de inter-
venção da sociedade civil, espírito crítico e transformação de
comportamentos, sabendo que para mudar comportamentos
é fundamental educar no sentido de construir uma cidadania
mais participada e despertar consciências para a realidade
da interdependência, e para a responsabilidade colectiva na
resolução dos problemas mundiais actuais.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
8
Introdução Geral
9
O acesso a mais informação permite-nos desenvolver um
espírito mais crítico enquanto consumidores, contribuindo
diariamente para a mudança de hábitos de consumo. Neste
âmbito, a Rede Nacional de Consumo Responsável é um
Projecto que visa a mudança dos hábitos de consumo dos
jovens portugueses e não só.
Este manual foi concebido como material de apoio para
formar consumidores conscientes e críticos, foi estruturado
para contextualizar e documentar temáticas e actividades,
destina-se a Organizações, Educadores e Formadores com in-
teresse na Educação para o Desenvolvimento, Comércio Jus-
to, Consumo Responsável e Voluntariado, e a quem pretenda
desenvolver estes conteúdos nas suas acções de formação,
recorrendo a uma metodologia activa, como análises de casos,
refexão e discussão de conceitos, entre outros, e que queira
apelar a uma participação efectiva dos destinatários da acção.
As organizações promotoras deste projecto há muito que
trabalham a Educação para o Desenvolvimento a vários níveis.
A Reviravolta possui já uma larga experiência de trabalho
(foi fundada em 2000) com iniciativas e campanhas de
sensibilização com o público das escolas (alunos e professores)
e relacionamento institucional contínuo com escolas do
Grande Porto, sobretudo nas temáticas relacionadas com o
Comércio Justo e o Consumo Responsável. Possui também
uma boa experiência de parceria em projectos nacionais
e europeus com outras organizações de Comércio Justo
tanto no que respeita à produção de materiais didáctico-
pedagógicos, como no que respeita ao desenvolvimento de
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
10 11
actividades de ED em rede.
Desde 1989 que o ISU tem vindo a desenvolver projectos
com voluntários nas mais diversas áreas: da educação às mi-
norias étnicas e à cooperação para o desenvolvimento, tanto
em projectos a nível nacional como nos PALOPs (nomeada-
mente Guiné Bissau, Cabo Verde, Angola e Moçambique).
Fruto de toda esta experiência foi criado em 1999 o Centro
de Formação para o Voluntariado desenvolvendo actividades
como a Formação, Informação e Divulgação, assessoria a
outras entidades e organizações e o centro de documentação.
A experiência do ISU na área da formação de voluntários
nas temáticas do desenvolvimento, exclusão social, participa-
ção e cidadania tem possibilitado um crescimento no número
de voluntários, pessoas que se questionam sobre o seu papel
na sociedade enriquecido pela experiência do Sul e da tomada
de consciência da importância da mudança de alguns hábitos
de consumo e de mentalidade face ao Sul por parte dos seus
pares. Assim, este projecto contribuirá não só para permitir
o envolvimento destes jovens em temáticas do seu interesse
como para capitalizar as suas experiências em prol da Educa-
ção para o Desenvolvimento, numa perspectiva de garantir os
efeitos multiplicadores das experiências adquiridas.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
10 11
1.
EDUCAÇÃO PARA
O DESENVOLVIMENTO
1.1. A Educação Para o Desenvolvimento:
Contextualização Histórica
Quando se pensa em Educação para o Desenvolvimento
surgem algumas interrogações derivadas dos diversos enten-
dimentos e conceptualizações que se podem fazer de cada
um dos termos utilizados, mas também da relação entre eles.
O que signifca Educação? O que signifca Desenvolvimento?
E, face à multiplicidade de respostas a que cada uma destas
perguntas conduz, o que pode signifcar Educação para o
Desenvolvimento?
Esta é uma das razões que faz com que a defnição de Edu-
cação para o Desenvolvimento não seja única e que leva alguns
autores a afrmar que é mais fácil explicitar o modo como a
Educação para o Desenvolvimento nasceu, contar a sua histó-
ria, do que defni-la de forma completa, consensual e una.
De acordo com Teotónio Pereira (2002) o surgimento
da Educação para o Desenvolvimento pode ser antevisto «no
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
12
Educação Para o Desenvolvimento
13
contexto dos processos de descolonização do pós-guerra e
das campanhas humanitárias que se lhe seguem. (…) Entre
os países industrializados e os países ditos subdesenvolvidos
cria-se o elo da Ajuda ao Desenvolvimento. Na Europa
– antes devastada pela guerra e agora em fase de reconstrução
e enriquecimento – a lembrança do sofrimento, a culpabili-
dade pela colonização e os sentimentos religiosos de piedade
pelos mais desprotegidos propiciam o lançamento de acções
junto das populações “ricas” com o objectivo de prestar
auxílio aos “países pobres”». Esta é então a primeira forma
de relação identifcada entre os “países desenvolvidos” e os
“países subdesenvolvidos” assente na concepção de desenvol-
vimento da época que, segundo Roque Amaro (2003), tinha
uma interdependência e quase justaposição ao conceito de
“crescimento económico” dado que o “desenvolvimento”
visava, sobretudo, a evolução dos países “subdesenvolvidos”
para níveis de desenvolvimento económico construídos a
partir do modelo ocidental.
No entanto, vários acontecimentos sociais fazem inverter
o conceito e práticas de Educação para o Desenvolvimento: «As
lutas de libertação nacional e contra as ditaduras em várias
partes do mundo, os novos movimentos sociais nos países
industrializados, a crise petrolífera e a contribuição dos cien-
tistas sociais, mudaram o conceito e as práticas da Educação
para o Desenvolvimento. O acento passou a ser colocado nas
relações de dependência entre “centro” e “periferia”, exigin-
do-se uma nova ordem económica internacional mais justa.
As meras descrições da miséria nos países do então chamado
“Terceiro Mundo” foram sendo substituídas por análises so-
bre as causas e as consequências do “desenvolvimento” e do
“subdesenvolvimento”». (Teotónio Pereira, 2002).
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
12
Educação Para o Desenvolvimento
13
1.2. A Educação Para o Desenvolvimento Hoje:
Conceitos, Actores e Práticas
Uma das assumpções básicas da Educação para o Desen-
volvimento, tal como actualmente é concebida e praticada,
é a constatação da existência de uma dicotomia política e
económica à escala global referida como “Norte” e “Sul”,
apesar do reconhecimento de que existe também “Sul no
Norte” e “Norte no Sul”. Neste sentido, e segundo Artur
Araújo (2005), a Educação para o Desenvolvimento tem espe-
cifcidades que implicam e movem diferentes tipos de acções
e de actores como as relações “Norte-Sul” e alternativas ao
actual modelo de desenvolvimento onde se tem em conta
diversas formas de cooperação (bilateral, multilateral), ou de
transferência de vários tipos de recursos (humanos, técnicos,
fnanceiros) ao nível das relações económicas (produção) e
políticas (geoestratégicas) internacionais que se verifcam
entre os países do “Norte” e os países do “Sul”, procurando
alternativas ao actual modelo de desenvolvimento – o qual,
além de não permitir melhorar as condições de vida da popu-
lação mundial, acentua e agrava as desigualdades.
A erradicação da pobreza é o maior desafo que se coloca
às estratégias e opções de desenvolvimento feitas por governos
e organizações da sociedade civil, traduzindo-se no aumento
de fnanciamentos a projectos relacionados com a luta contra
a pobreza que se faz sentir sobretudo nos países do Sul (mas
também e cada vez mais criando “ilhas de pobreza nos países
do Norte”). A verdade é que este fenómeno não pode ser ana-
lisado senão por relação às opções feitas ao nível do desenvol-
vimento, sendo também inquestionável a interdependência
global, signifcando isto que as opções feitas no Norte têm
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
14
Educação Para o Desenvolvimento
15
repercussões no Sul e vice-versa (veja-se o exemplo que mais
se tem feito sentir relativamente aos sucessivos aumentos no
preço da gasolina derivado das sucessivas guerras dos últimos
anos e também o aumento do número de deslocados e refu-
giados de guerra que vivem, muitas vezes, em situações muito
precárias), repercussões com graves consequências não só ao
nível social, mas também ao nível ambiental e cultural.
Estas mesmas opções têm sido cada vez mais questionadas,
tanto por organizações da sociedade civil (por exemplo, orga-
nizações não governamentais para desenvolvimento - ONGD,
organizações não governamentais de ambiente - ONGA,
organizações de defesa do património) como por académi-
cos dedicados ao estudo destas questões e por movimentos
partidários, apelando-se cada vez mais à sociedade civil e à
opinião pública em geral um maior envolvimento e partici-
pação na promoção da mudança deste cenário mundial. E
é exactamente aqui que a Educação para o Desenvolvimento
desempenha um papel, ao constituir-se como um modo de
intervenção que visa a mudança social.
Podemos assim, destacar alguns conceitos e resoluções
sobre Educação para o Desenvolvimento (ED), construídas
tanto a nível internacional como nacional:
• A“(…) dada a interdependência global da
nossa sociedade, a sensibilização através da
educação para o desenvolvimento e a infor-
mação contribuem para reforçar o sentimento
de solidariedade internacional e para criar um
clima propício à emergência de uma socieda-
de intercultural na Europa; que essa mesma
sensibilização contribui também para alterar
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
14
Educação Para o Desenvolvimento
15
o modo de vida, privilegiando um modelo
de desenvolvimento sustentável para todos”
(Resolução do Conselho de Ministros da União
Europeia, de Novembro de 2001, disponível
em http://www.forumdc.net/forumdc/artigo.
asp?cod_artigo=129791)
• “A ED é um processo de aprendizagem
activa, fundado nos valores de solidariedade,
igualdade, inclusão e cooperação. Permite que
as pessoas passem de um estado de sensibi-
lização das prioridades de desenvolvimento
internacional e de desenvolvimento humano
sustentável para a compreensão das causas e
efeitos das questões globais apelando a um
envolvimento pessoal e acção informada.
A ED promove a plena participação dos
cidadãos de todo o mundo na erradicação da
pobreza e na luta contra a exclusão. Procura
exercer infuência sobre as políticas nacionais
e internacionais de modo a torná-las mais
justas e sustentáveis do ponto de vista eco-
nómico, social, ambiental ou em assuntos de
direitos humanos.” (defnição aprovada pelo
Fórum ED no seu encontro anual de 2004
e aprovada pela CONCORD na Assembleia
Geral de Novembro de 2004, disponível em
http://www.deeep.org/english/what_is_de/
defnitions/index.php)
• “A Educação para o Desenvolvimento visa
consciencializar a opinião pública para as
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
16
Educação Para o Desenvolvimento
17
questões da solidariedade e da interdepen-
dência das regiões do mundo e, em particular,
para a realidade económica, política, social e
cultural dos países do Sul geopolítico. Neste
sentido, a ED visa capacitar vários segmentos
da opinião pública para uma melhor análise
da informação e das políticas locais, nacionais
e internacionais, ligadas aos desequilíbrios
mundiais, com vista a permitir mudanças
dos comportamentos socais individuais e/ou
grupais e elaborar propostas de acção, nortea-
das por preocupações de sustentabilidade dos
processos de desenvolvimento. A Educação
para o Desenvolvimento promove o direito
de todas as pessoas, e de todos os povos, a
participar e contribuir para o desenvolvimen-
to económico, social, político e cultural.” (de-
fnição apresentada pelo CIDAC, em 2001,
cf. Teotónio Pereira: 2002)
• “A Educação para o Desenvolvimento (ED) é
um processo dinâmico, interactivo e partici-
pativo que visa:
- a formação integral das pessoas;
- a consciencialização e compreensão
das causas dos problemas de de-
senvolvimento e das desigualdades
locais e globais num contexto de
interdependência;
- a vivência da interculturalidade;
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
16
Educação Para o Desenvolvimento
17
- o compromisso para a acção trans-
formadora alicerçada na justiça,
equidade e solidariedade;
- a promoção do direito e do dever
de todas as pessoas, e de todos os
povos, participarem e contribuírem
para um desenvolvimento integral
e sustentável.” (defnição aprovada
na II Escola de Outono de ED, cf.
Teotónio Pereira: 2002)
O que podemos salientar de comum nestas quatro indica-
ções sobre Educação para o Desenvolvimento é:
• a importância atribuída às práticas de Educa-
ção para o Desenvolvimento, pelo potencial
que encerram e que contribui para a defnir;
• a constatação da interdependência à escala
global;
• a promoção de uma sociedade intercultural;
• a formação de cidadãos críticos e interventivos
com vista a uma maior participação;
• a assumpção de uma noção de desenvolvi-
mento sustentável, que englobe a dimensão
económica mas também humana, social e
ambiental;
• o combate às desigualdades sociais, à exclusão
e à pobreza.
Mas, tal como afrma Teotónio Pereira (2002), «Não há
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
18
Educação Para o Desenvolvimento
19
receitas de “como fazer” – o conhecimento das pessoas, das
situações, dos desafos que se colocam em cada espaço e em
cada momento, as opções quanto aos objectivos que se que-
rem alcançar, constituem os pontos de partida essenciais».
A Educação para o Desenvolvimento visa a mudança, a
transformação do mundo em que vivemos. O seu horizonte
inscreve-se na ideia de «educação ao longo da vida», porque
para mudar é preciso conhecer, compreender, escolher, tomar
decisões, assumir compromissos, criar alianças, arriscar, re-
fectir, avaliar, recomeçar sempre, reforçando-se aqui a ideia
de alianças e parcerias para o desenvolvimento entre os vários
agentes e sectores da sociedade civil.
1.3. O Consumo: Centralidade Global e Tema
de Educação Para o Desenvolvimento
As preocupações com o consumo no quadro da Educação
para o Desenvolvimento aparecem, pois, como evidentes por
diversas ordens de factores:
• consumir é, hoje, um dos actos sociais mais
abrangentes à escala global;
• o consumo é um acto que, sendo exercido de
forma individual, tem consequências sociais;
• as consequências do acto de consumir são de
ordem económica, social e ambiental.
Deste modo, e face às preocupações que a Educação para o
Desenvolvimento elege, nomeadamente, aquelas que acabamos
de apontar como sendo comuns às defnições e práticas de
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
18
Educação Para o Desenvolvimento
19
Educação para o Desenvolvimento, o consumo pode ser identif-
cado como um dos temas mais interessantes a ser trabalhado.
Segundo Braudrillard (2005) um dos fenómenos mais
característicos das sociedades “desenvolvidas”, a partir da
segunda metade do século XX, é o consumo: “À nossa volta,
existe hoje uma espécie de evidência fantástica do consumo
e da abundância, criada pela multiplicação dos objectos, dos
serviços, dos bens materiais, originando como que uma cate-
goria de mutação fundamental na ecologia da espécie huma-
na. Para falar com propriedade, os homens da opulência não
se encontram rodeados, como sempre acontecera, por outros
homens, mas mais por objectos.” (2005:15).
É nesta linha que a formação de consumidores cons-
cientes e críticos, que compreendam o seu papel e poder
enquanto consumidores, que questionem os modelos de
desenvolvimento de uma sociedade consumista e que pesem
e equacionem as suas práticas de consumo, se revela um desa-
fo, não só interessante, mas também importante.
A consciencialização dos impactos que o acto de con-
sumir, individualmente considerado, tem na “sociedade de
consumo” (Braudrillard, 2005) torna-se então um propósito
indispensável na formação de consumidores responsáveis, de
consumidores que antes de comprar refectem sobre as con-
sequências que daí advêm, não se focalizando exclusivamente
no preço, na imagem de marca de um produto ou motivados
por uma embalagem mais atractiva.
Ser um consumidor responsável é contribuir, através
do consumo, para a protecção dos direitos das pessoas que
produzem determinado produto, para um uso criterioso
dos recursos naturais, para a preservação do meio ambiente,
tornando-se assim co-responsáveis pela sustentabilidade do
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
20
Educação Para o Desenvolvimento
21
planeta. Assim, torna-se necessário que o acto de consumir
não seja um acto irrefectido, mas sim um acto consciente
em, pelo menos, quatro momentos chave:
• antes de comprar
• no momento da compra
• enquanto se usa ou consume um bem ou serviço
• quando se acaba de consumir um bem ou serviço.
Esta consciência crítica face ao acto de consumir é o que
pode permitir a passagem de consumidor a consumerista,
perceber que consumir envolve sempre um acto de escolha e
que os critérios que são usados nessa mesma escolha podem
fazer toda a diferença e tornar o consumo um acto responsá-
vel através de algumas práticas, como, por exemplo, reduzir o
consumo, fomentar os mercados locais, dar preferência a bens
mais duráveis e reciclados, procurar informação sobre os pro-
dutos e os produtores, optar por produtos de Comércio Justo.
1.4. O Comércio Justo: um Modo de
Consumo Responsável
Numa resolução do Conselho de Ministros da União Eu-
ropeia sobre Educação para o Desenvolvimento, aprovada em
8 de Novembro de 2001, é dito, explicitamente que o Conse-
lho de Ministros “Salienta a importância do factor «comércio
equitativo», que constitui um método efcaz de educação
para o desenvolvimento. Considera que seria útil analisar, em
concertação com os meios interessados, as possibilidades de
promover ainda mais o conceito de «comércio equitativo»”.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
20
Educação Para o Desenvolvimento
21
(Resolução do Conselho de Ministros da UE).
Este reconhecimento político e institucional do papel que
o Comércio Justo tem em termos de desenvolvimento e, mais
especifcamente, de Educação para o Desenvolvimento, reforça
o papel e a importância que o Comércio Justo, enquanto
forma de consumo responsável, tem.
O Comércio Justo tem por fnalidade permitir o acesso
dos pequenos produtores dos países do Sul ao mercado inter-
nacional, pagando-se ao produtor o designado “preço justo”
que cobre as despesas de produção, de protecção ambiental
e de segurança económica, garantindo-lhe um rendimento
digno. Para o efeito, por um lado, são criadas, nos países do
“Norte”, lojas de venda desses produtos (as denominadas
Lojas do Mundo), bem como cooperativas de importação e
distribuição que permitem a colocação de produtos nessas
lojas; por outro lado, são desenvolvidas campanhas de infor-
mação ao consumidor sobre os objectivos do Comércio Justo
e a origem dos produtos e produtores, bem como sensibiliza-
ção e formação sobre as regras do comércio mundial e o papel
do comércio nos modelos de desenvolvimento. O Comércio
Justo é, assim, um movimento que integra, de modo articu-
lado, duas faces (comercialização e educação) que permitem
uma abordagem global às questões do desenvolvimento.
1.5. Comércio Justo: História, Princípios e Actores
Em 1964, na Conferência das Nações Unidas sobre
Comércio e Desenvolvimento, os produtores do “Sul” do
mundo faziam um apelo e reivindicação: “Comércio e não
ajuda!”. Não é, então, por acaso que um grupo de católicos
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
22
Educação Para o Desenvolvimento
23
holandeses criou, em 1967, um núcleo de Comércio Justo.
Na base desta ideia, lançada há 40 anos, estava a intenção,
não de salvar o mundo ou realizar uma grande ideia a todos
os custos, mas colocar uma questão simples e sempre actual:
“Que posso eu fazer, no meu quotidiano, para tornar menos
injusto este sistema económico?” Outras questões surgiram e
deram forma ao movimento: “Que posso eu fazer enquanto
consumidor para modifcar as injustas relações de troca a
nível internacional?”; “Posso dar um sentido ético às mi-
nhas escolhas enquanto consumidor fugindo às imposições
dos óptimos económicos de Paretto?”. Quando um grupo
de jovens da geração de 68 inaugurou na Primavera de
1969, em Brekelen, sempre na Holanda, a primeira Loja
do Mundo (Worldshop) não podia imaginar o desenvolvi-
mento que o movimento do Comércio Justo teria. Dois
anos depois contavam-se 120 em toda a Holanda. (Cf. http:
//www.reviravolta.comercio-justo.org/?p=37. Para saber mais
sobre o Comércio Justo visite a página através do link).
“Todos os dias passam pelas nossas mãos produtos pro-
venientes de todos os cantos do planeta. Os objectos mais
comuns percorrem, com frequência, milhares de quilómetros
antes de chegar até nós. Aparentemente, fazemos todos parte
de um grande mercado. Mas os benefícios da expansão do co-
mércio mundial, não atingem toda a gente da mesma forma
(CIDAC & Afonso, 2007:3).” A expansão do mercado livre à
escala global tem signifcado o aumento das assimetrias entre
países “ricos” e “pobres”, o empobrecimento das populações,
o aumento da insegurança económica e o agravamento da
dependência e endividamento dos países pobres.
É então neste contexto de grande adversidade para as
economias mais frágeis que se afrma o Comércio Justo,
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
22
Educação Para o Desenvolvimento
23
enquanto modelo alternativo de relacionamento comercial
entre os países dos dois hemisférios. É um movimento global,
mas que tem como base, não a concorrência mas a coopera-
ção entre os povos.
Em Portugal, embora ainda pouco conhecido, o Comér-
cio Justo já existe há cerca de uma década. Implementou-se
e continua a implantar-se e a ser reconhecido noutros países
europeus. Mas as mudanças só acontecem com a participa-
ção activa de todos. Enquanto cidadãos e consumidores,
podemos contribuir decisivamente para a diminuição das
injustiças no comércio internacional, tendo em consideração
que comprar não é simplesmente uma opção baseada em
critérios monetários, mas que apresenta implicações sociais e
ambientais, o consumidor pode interrogar-se sobre o “custo
humano” associado à comercialização de produtos a preços
baixos, os quais podem dissimular práticas de desrespeito
pelos direitos laborais.
“O Comércio Justo é uma alternativa ao comércio con-
vencional porque se rege não só por critérios económicos,
mas também por valores éticos que incluem aspectos sociais
e ecológicos. (CIDAC & Afonso, 2007:4).» Contribui para
que os pequenos produtores das zonas mais pobres do mun-
do tenham condições para viver dignamente do seu trabalho,
para que se reforcem e desenvolvam métodos de produção
agrícola e artesanal que valorizem as culturas e saberes locais
e que respeitem o meio ambiente, para que os consumidores
obtenham produtos de qualidade, com a garantia de terem
sido respeitados os direitos dos trabalhadores e o meio am-
biente, para que seja recuperada a ligação entre o produtor
e o consumidor. Rege-se por um conjunto de princípios, re-
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
24
Educação Para o Desenvolvimento
25
conhecidos de forma geral por todas as entidades envolvidas
no movimento.
Os princípios orientadores desta “parceria comercial
baseada no diálogo, transparência e respeito [que] contribui
para o desenvolvimento sustentável oferecendo melhores
condições de comércio tendo em conta os direitos dos pro-
dutores e trabalhadores marginalizados especialmente no Sul
do mundo
[1]
” são:
1. O respeito e a preocupação pelas pessoas e
ambiente, colocando as pessoas acima do
lucro (People before proft é a frase emblema
do Comércio Justo);
2. O estabelecimento de boas condições de
trabalho e o pagamento de um preço jus-
to
[2]
aos produtores (um preço que cubra os
custos de um rendimento digno, da protec-
ção ambiental e da segurança económica);
3. A disponibilização de pré-fnanciamento ou
acesso a outras formas de crédito;
4. A transparência quanto à estrutura das orga-
nizações e todos os aspectos da sua actividade
e a informação mútua entre todos os inter-
venientes na cadeia comercial sobre os seus
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
[1]
Defnição da FINE (organização informal onde têm assento produtores,
importadoras e lojas de Comércio Justo.
[2]
«Aqui, reside uma das principais diferenças entre o Comércio Justo e o
comércio convencional: o pagamento de um preço, que não é defnido com
base no mercado, mas sim com base nos produtores (CIDAC & Afonso,
2007:8) dado que é negociado com estes tendo em conta os custos associados
à produção e a obtenção de uma margem de lucro justa».
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
24
Educação Para o Desenvolvimento
25
produtos e métodos de comercialização;
5. A disponibilização de informação ao con-
sumidor sobre os objectivos do Comércio
Justo, a origem dos produtos, os produtores
e a estrutura do preço;
6. A promoção de actividades de sensibilização
e campanhas, quer junto dos consumidores
(para realçar o impacto das suas decisões
de compra), como das organizações (para
provocar mudanças nas regras e práticas do
comércio internacional);
7. O reforço das capacidades organizativas,
produtivas e comerciais dos produtores, atra-
vés da formação, aconselhamento técnico,
pesquisas de mercado e desenvolvimento de
novos produtos;
8. A participação de todas as pessoas (produto-
res, voluntários e empregados) nas tomadas
de decisão que as afectam;
9. A protecção e a promoção dos direitos huma-
nos, nomeadamente os das mulheres, crian-
ças e povos indígenas, bem como a igualdade
de oportunidade entre os sexos;
10. A protecção do ambiente e a promoção de
um desenvolvimento sustentável, subjacen-
te a todas as actividades;
11. O estabelecimento de relações comerciais
estáveis e de longo prazo;
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
26
Educação Para o Desenvolvimento
27
12. A produção tão completa quanto possível dos
produtos comercializados no país de origem.
O Comércio Justo não se baseia apenas no pagamento
de um preço justo aos produtores do Sul do mundo, mas
também nas novas relações sociais entre produtores do Sul e
consumidores do Norte, na criação de redes internacionais
que abordam a problemática Norte/Sul duma forma global,
na denúncia e consciencialização através da participação em
campanhas em defesa dos direitos dos trabalhadores do Sul.
Tanto os produtores como as organizações importadoras e
as Lojas do Mundo (designação comum das lojas do Comér-
cio Justo) têm de respeitar e cumprir princípios que regulam
o movimento do Comércio Justo.
Os principais actores do Comércio Justo são os produto-
res, as organizações importadoras e as Lojas do Mundo.
São importados para os países do Norte os artigos do
Comércio Justo de mais de 800 cooperativas das zonas mais
pobres de 60 países do Sul do mundo. Estas cooperativas re-
presentam cerca de 1 milhão e 500 mil produtores e estima-se
que 5 milhões de pessoas benefciem de forma indirecta da
justiça que este movimento promove. “Importa lembrar que
um dos objectivos do Comércio Justo é provocar mudanças
ao nível das regras do comércio internacional, de tal forma
que este se vá transformando numa forma de comércio mais
justa, que consiga contribuir para uma real melhoria das
condições de vida dos pequenos agricultores e artesãos.”
(CIDAC & Afonso, 2007:14)
Uma das principais preocupações do Comércio Justo con-
siste em reduzir o número de intermediários no circuito entre
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
26
Educação Para o Desenvolvimento
27
o produtor e o consumidor. A proximidade entre os produto-
res e importadoras permite-lhes acompanhar todo o processo
de adesão dos produtores ao movimento do Comércio Justo
e a sua respectiva evolução, sendo que uma das principais
funções das importadoras é assegurar o cumprimento dos
princípios do Comércio Justo por parte dos produtores.
Existem cerca de 50 organizações importadoras, normal-
mente ONGD ou cooperativas, espalhadas pela maioria dos
países da União Europeia, e também no Japão, Canadá, EUA
e Austrália. Além de estabelecerem relações comerciais de
longo prazo e de pré-fnanciarem os produtores, estas organi-
zações também dão aconselhamento aos produtores sobre os
produtos que melhor se vendem nos países do Norte, os re-
quisitos que os produtos devem ter para dar resposta aos inte-
resses dos compradores e respeitar a legislação dos diferentes
países e formas de administração e gestão para melhorar a sua
capacidade organizativa.
As Lojas do Comércio Justo não são apenas pontos de
venda: disponibilizam informação sobre a origem e o fabrico
dos produtos, aproximando assim o consumidor do produtor,
desenvolvem actividades de sensibilização, divulgação e cam-
panhas de pressão política para contribuir para a erradicação
das situações de exploração na produção e no comércio.
Na Europa existem mais de 2800 Lojas do Comércio
Justo. A Alemanha surge destacada com 800 lojas, a Itália
com 500 e a Holanda com 412 lojas
[3]
. Em Portugal existe
cerca de uma dezena de Lojas do Comércio Justo geridas
por organizações sem fns lucrativos que associam a venda
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
[3]
«Facts and Figures on Fair Trade in 25 European Countries – 2005», FINE,
disponível em http//:www.ifat.org/downloads/marketing/FairTradeinEurope
2005.pdf
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
28
Educação Para o Desenvolvimento
29
de produtos a campanhas de sensibilização e projectos de
educação. “Uma Loja do Mundo é uma loja especializada,
sem fns lucrativos que comercializa produtos do Comércio
Justo. Muitas lojas são geridas por cooperativas de consumo,
associações e ONGD, algumas das quais também desenvol-
vem projectos de Cooperação para o Desenvolvimento. (…)
sendo o Comércio Justo (…) uma actividade comercial, deve
cobrir todos os custos envolvidos. As Lojas do Mundo têm
o mesmo tipo de despesas que qualquer outra loja, isto é,
aluguer e manutenção do espaço, administração, impostos,
entre outros.
Embora seja frequente recorrerem a voluntários, existe
normalmente pelo menos uma pessoa contratada para a sua
gestão e coordenação. Os voluntários, para além de ajudarem
muitas vezes na gestão das vendas, têm um papel essencial en-
quanto dinamizadores das acções de Educação para o Desen-
volvimento. Na Europa são cerca de 100 000 os voluntários
que contribuem para o reforço do movimento.” (CIDAC &
Afonso, 2007:16).
Para além destes actores existem também organizações in-
ternacionais que “coordenam” o movimento e que agrupam
as diversas organizações de Comércio Justo:
IFAT
Federação Internacional de Comércio Alterna-
tivo, criada em 1989, que agrupa importadores
do Norte e produtores do Sul, assim como
outras organizações cuja missão principal é
apoiar o Comércio Justo. Do total aproximado
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
28
Educação Para o Desenvolvimento
29
de 300 organizações em 60 países, cerca de
65% dos seus membros estão sedeados no Sul;
EFTA
Associação Europeia de Comércio Justo, criada
em 1987, que agrupa os 11 maiores importa-
dores europeus;
NEWS!
Rede Europeia de Lojas do Comércio Justo,
criada em 1994, que engloba mais de 2400
Lojas do Comércio Justo em diversos países
europeus;
FLO
Organização Internacional de Certifcação
do Comércio Justo, fundada em 1997, junta
em rede iniciativas nacionais e certifcação
(atribuição de selos). A FLO coordena o
trabalho das organizações certifcadoras,
supervisionando, em particular, a harmoni-
zação e o acompanhamento dos critérios. A
partir de 2001, representantes dos produtores
começaram a fazer parte do seu Conselho de
Administração.
Estas quatro organizações coordenam a sua actividade no
seio da mesa-redonda FINE, formada pela primeira letra da
sigla de cada uma delas (FLO, IFAT, NEWS e EFTA).
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
30
Educação Para o Desenvolvimento
31
1.6. Um Quarto e Fundamental Actor:
os Consumidores
A nível político, o Comércio Justo começa agora a ganhar
alguma visibilidade: pela primeira vez, em Portugal, o Co-
mércio Justo foi referido no documento “Uma Visão Estraté-
gica para a Cooperação Portuguesa” aprovado pelo Conselho
de Ministros em Novembro de 2005
[4]
. Este documento
identifca as organizações de Comércio Justo como actores
da sociedade civil, que desenvolvem e contribuem para a
Cooperação para o Desenvolvimento.(…) e o Parlamento
Europeu aprovou no dia 6 de Julho de 2006 uma “Resolução
sobre Comércio Justo e Desenvolvimento”
[5]
que reconhece
o movimento como um meio efcaz na redução da pobreza,
na promoção do desenvolvimento sustentável e na criação de
oportunidades mais justas para os pequenos produtores do
Sul sendo igualmente valorizadas as campanhas de sensibili-
zação dos consumidores desenvolvidas pelas organizações de
Comércio Justo.
Mas é sobretudo ao nível do cidadão que o movimento
tem ganho importância e tem conseguido afrmar-se. É ao
perceber o consumo como um acto que, sendo individual,
tem consequências sociais que se exerce cidadania e se pro-
move o desenvolvimento através do consumo. Para tal é
indispensável associar a um acto banal e diário um exercício
de refexividade crítica, ou seja, enquanto consumidores fazer
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
[4]
Documento disponível em www.ipad.mne.gov.pt/imagens/stories/Publicac
oes/Visao_Estrategica_editado.pdf
[5]
Versão portuguesa da «Resolução sobre Comércio Justo e Desenvolvimento”
do Parlamento Europeu em www.europa.eu/registre/recherche/NoticeDetail
lee.cfm?docid=195530&doclang=PT
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
30
Educação Para o Desenvolvimento
31
uma opção consciente e responsável, com base em informação
acerca das condições laborais, ecológicas e sociais inerentes à
produção do que consumimos. Um consumo responsável
implica critérios tais como reduzir o consumo, reutilizar e
restaurar os produtos sempre que possível, preferir produtos
biológicos e procurar alternativas mais justas, nomeadamente
preferindo os produtos do Comércio Justo.
Estas opções de compra podem também, no seu con-
junto, dar claras indicações às empresas sobre que tipo de
actuação será premiada pelos consumidores: “Vivendo num
«consumo-mundo» com expansão das necessidades e o apare-
cimento incessante de novos serviços, tudo comandado pela
emoção, a aceleração das tomadas de decisão e a multiplicação
das experiências, resta perguntar se somos turbo-consumido-
res, egoístas e predadores, sempre prontos ao «bom, bonito e
barato» ou se queremos procurar reduzir as assimetrias e os
modos de consumo insustentáveis.” (Santos, 2007: 22).
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
32
Educação Para o Desenvolvimento
33
Bibliografa
ARAÚJO, Artur (2005) «ED? O que é isso?» in abcED –
Introdução à Educação para o Desenvolvimento. Revista
FORUM DC, 2005.
ARAÚJO, Artur (2005) «Educação para o Desenvolvimento» In
Revista FORUM DC.
BARBALET, Jack (1989) A Cidadania. Lisboa: Editorial Estampa.
BRAUDRILLARD, Jean (2005) A Sociedade de Consumo. Lisboa:
Edições 70.
CANÁRIO, Rui (1998) Desenvolvimento Local e Educação não
Formal in Educação e Ensino, 11 (pp.31-34). Setúbal:
AMDS.
CIDAC; AFONSO, Lina (2007) Comércio Justo: uma Alternati-
va. Lisboa: IMVF.
Council of Europe (2002) Manual on Human Rights Education
with Young People. Compass.
ESTEVA, Gustavo (2000) «Desenvolvimento» In W., SACHS
(ed.), Dicionário do Desenvolvimento 2000 - Guia para o
Conhecimento como Poder. Petrópolis: Editora Vozes.
FEFFER, John (2004) «Desafo à Globalização: Uma Introdução»
In Construir a Esperança – Pessoas e Povos que Desafam a
Globalização. Águas Santas: Edições Sempre-em-Pé.
MAX-NEEF, M. (1992) Chamar Desenvolvimento a um
Suicídio Colectivo in A Rede para o Desenvolvimento
Local, n.º 7 (pp. 18-27). Faro: IN LOCO.
MILANDO, João (2005) «Cooperação sem Desenvolvimento» In
ICS, Colecção Estudos e Investigação, n.º 39.
NOGUEIRA, Conceição; SILVA, Isabel (2001) Cidadania.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
32
Educação Para o Desenvolvimento
33
Construção de Novas Práticas em Contexto Educativo.
Porto: Edições ASA.
PIMENTA, Carlos (2007) Globalização e Desenvolvimento:
Realidade. Possibilidade ou Miragem?. CEAUP: Porto.
TEOTÓNIO PEREIRA, Luísa (2002) “O Que É A Educação
Para O Desenvolvimento?” In Forum DC – Desen-
volvimento e Cooperação, 2, Julho – Outubro 2002
(disponível em http://cidac.pt/ED%20Evolu%E7%E3
o%20do%20conceito.html).
ROQUE AMARO, Rogério (2003) “Desenvolvimento – um
Conceito Ultrapassado ou em Renovação? Da Teoria
à Prática e da Prática à Teoria”, In Cadernos de Estudos
Africanos, 4, Janeiro/Julho, 2003 (pp.35-70).
SANTOS, Beja (2007) “É-se Consumidor para Toda a Vida”
In Aprender ao Longo da Vida, 7, Setembro 2007 (pp.
20-22).
VIEGAS, José; COSTA, António F. (org.) (1998) Portugal, que
Modernidade?. Oeiras: Celta Editora.
VIEGAS, José; DIAS, Eduardo (2000) (org.) Cidadania, Integra-
ção, Globalização. Lisboa: Celta Editora.
Alguns Sítios de Interesse na Internet
ä
www.altromercato.it/it/
ä
www.equacao.comercio-justo.org/
ä
www.european-fair-trade-association.org/Efta/index.php
ä
www.fairtrade.net/
ä
www.ifat.org/
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
34 35
ä
www.maxhavelaarfrance.org//
ä
www.reviravolta.comercio-justo.org/
ä
www.worldshops.org/
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
34 35
2.
VOLUNTARIADO
2.1. O Conceito e a Evolução Histórica
A solidariedade, como aspecto mobilizador, constitui o
princípio fundamental do voluntariado, cujo fm último pode
ser genericamente defnido como uma contribuição – sem a
presença do lucro ou benefício – prestada por indivíduos,
através de organizações, para o benefício da comunidade ou
da sociedade em geral.
A análise e compreensão do conceito de voluntariado é
um processo complexo, não existindo uma defnição unâni-
me do mesmo, embora este se encontre legislado. De acordo
com o Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária
(2006), o voluntariado pode ser defnido como:
«um compromisso, não remunerado,
através de uma acção concreta, continuada
e enquadrada, com base na tomada de cons-
ciência das desigualdades e diferenças que,
enriquecendo e aprofundando as referências
e valores de cada um, conduz a uma partici-
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
36
Voluntariado
37
pação activa com os indivíduos e a socieda-
de, tornando-se uma forma de estar.»
Contudo, existem várias organizações que apresentam
uma defnição diferente, de acordo com as suas experiências,
as suas áreas de actuação (voluntariado empresarial, educati-
vo, cultural, social, etc.) e o seu papel enquanto organizações
de acolhimento, encaminhamento ou acompanhamento.
De acordo com a ONU – Organização das Nações
Unidas (1999), o voluntariado pode assumir várias formas
e signifcados, em diferentes contextos. Porém, existem três
características comuns ao conceito de voluntariado: o traba-
lho voluntário não deve ser pensado, primeiramente, como
uma actividade fnanceira, embora o reembolso das despesas
e algum pagamento deva ser permitido; a actividade deve cor-
responder à vontade própria do indivíduo; e o voluntariado
deve benefciar alguém ou a sociedade em geral.
A 20 de Novembro de 1997, na Assembleia-Geral das
Nações Unidas, com o apoio de 123 países, deu-se o reco-
nhecimento do voluntariado, pelo que o ano de 2001 foi
designado como o Ano Internacional do Voluntariado. Com
os objectivos gerais de dar um maior reconhecimento a esta
actividade, permitir o intercâmbio de ideias e de voluntários
e, acima de tudo, promover a acção voluntária a nível local,
nacional e internacional.
O voluntariado é interpretado na lei portuguesa como
«(...) o conjunto de acções de interesse social e comunitárias
realizadas de forma desinteressada por pessoas, no âmbito de
projectos, programas e outras formas de intervenção ao servi-
ço dos indivíduos, das famílias e da comunidade desenvolvi-
dos sem fns lucrativos por entidades públicas ou privadas» e
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
36
Voluntariado
37
«o voluntário é o indivíduo que de forma livre, desinteressada
e responsável se compromete, de acordo com as suas aptidões
próprias e no seu tempo livre, a realizar acções de volunta-
riado no âmbito de uma organização promotora» (Diário da
República, 1998).
A acção do voluntário é enquadrada na lei portuguesa
pelos seguintes princípios:
1. «O princípio da solidariedade traduz-se na
responsabilidade de todos os cidadãos pela
realização dos fns do voluntariado.
2. O princípio da participação implica a inter-
venção das organizações representativas do
voluntariado em matérias respeitantes aos
domínios em que os voluntários desenvol-
vem o seu trabalho.
3. O princípio da cooperação envolve a possibi-
lidade de as organizações promotoras e de as
organizações representativas do voluntariado
estabelecerem relações e programas de acção
concertada.
4. O princípio da complementaridade pressu-
põe que o voluntário não deve substituir os
recursos humanos considerados necessários à
prossecução das actividades das organizações
promotoras, estatutariamente defnidas.
5. O princípio da gratuitidade pressupõe que
o voluntário não é remunerado, nem pode
receber subvenções ou donativos, pelo exer-
cício do seu trabalho voluntário.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
38
Voluntariado
39
6. O princípio da responsabilidade reconhece
que o voluntário é responsável pelo exercício
da actividade que se comprometeu realizar,
dadas as expectativas criadas aos destinatá-
rios do trabalho voluntário.
7. O princípio da convergência determina a
harmonização da acção do voluntário com
a cultura e objectivos institucionais da entida-
de promotora.» (Diário da República, 1998).
Na sociedade actual reconhece-se que o voluntariado tem
um espaço próprio de actuação, cujo trabalho se situa numa
linha de complementaridade do trabalho profssional e da ac-
tuação das instituições. Dada a importância que é atribuída,
hoje em dia, à acção voluntária, é relevante fazer uma refexão
à volta deste conceito.
O voluntariado fez parte de praticamente todas as civili-
zações e sociedades. A História conta-nos que as pessoas mais
necessitadas sempre foram acolhidas e ajudadas quer por par-
ticulares quer através de organizações que tentavam de algum
modo minorar-lhes as carências e desigualdades que tinham
em relação aos demais. Esta solidariedade, que mobilizou e
mobiliza tanta gente, constitui o princípio fundamental do
voluntariado. A adesão ao voluntariado tem variado ao longo
dos tempos, existindo períodos históricos que foram mais
propícios à participação:
• Após a transição para a democracia;
• Fases de acentuada crise económica ou de luta
laboral (crescendo a participação de partidos
políticos e sindicatos);
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
38
Voluntariado
39
• Quando algum problema social recebe uma
atenção particular dos meios de comunicação
social (por exemplo o surgimento do SIDA
nos anos 1980, questões ambientais nos anos
1990 e a globalização...)
O conceito moderno de voluntariado como o conhece-
mos actualmente, não é reconhecido nas sociedades anterio-
res à Revolução Industrial, pois não existiam as relações de
trabalho assalariado antes da era do capitalismo. Na época
da Idade Média, o voluntariado caracterizou-se pela vertente
assistencialista e religiosa da sua intervenção. A importância
do voluntariado neste período pode ser explicada (Dionísio,
2000) pela difusão do cristianismo e através dos seus prin-
cípios (como o princípio da igualdade e da fraternidade).
O ideal cristão da caridade, a ausência de direitos e de insti-
tuições de resposta aos problemas sociais da época, impeliram
a Igreja a criar instituições de protecção social.
No século XIX verifcou-se uma alteração no movimento,
tal como o aparecimento do voluntariado: sindical, mutua-
lista, político e associativo no geral. As diferenças em relação
à Idade Média são, essencialmente, através do seu carácter
laico, de base democrática e na própria contestação do regime
anterior (Catarino, 2003).
No princípio da era industrial, os modos de vida e traba-
lho da época reforçaram de forma relevante a solidariedade
organizada e a entreajuda. O carácter gratuito do mesmo tor-
nou-se a sua mais proeminente característica (Amaro, 2002),
mas tal, por um lado, não foi interpretado da melhor maneira
na época, porque se apresentava para alguns como forma de
substituição de trabalho pago (o que para os trabalhadores
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
40
Voluntariado
41
signifcava perder a sua moeda de troca). A especialização dos
postos de trabalho era também contrária à ideia do volunta-
riado, visto não ser especializado e, por isso, desvalorizado
naquela época.
De acordo com Gillette (1999), o voluntariado ressurgiu
como uma alternativa à calamidade da I Guerra Mundial.
No Verão de 1920 surge o primeiro campo internacional de
voluntariado, que juntou jovens da Áustria, Inglaterra, Fran-
ça, Alemanha e Suíça, para reconstruir uma aldeia perto de
Verdun (França). Este acontecimento proporcionou e disse-
minou o primeiro movimento de serviço voluntário contem-
porâneo, através da emergência da organização Service Civil
International, que foi a primeira a ir além da caridade e tratar
os benefciários como seres humanos, trabalhando com eles e
não por eles (Gillette, 1968, cit. por Chaffey, 1993). Naquela
altura (década de 1920 e 1930), o serviço de voluntariado
internacional intensifcou-se, proporcionando o surgimento
de amizades entre jovens de vários países europeus.
Após a II Guerra Mundial surge o Estado-Providência
nos países desenvolvidos, sendo denominada da época da
Sociedade do Bem-Estar. Após o reconhecimento da 2.ª
geração dos direitos universais, ou seja, dos direitos sociais
(nos quais se inclui a saúde, a educação e o emprego), o es-
tado responsabilizou-se pelo “cumprimento” destes direitos.
Segundo Amaro (2002), o voluntariado foi então remetido
para a sociedade civil, como complementaridade da interven-
ção estatal; os voluntários ocupavam-se dos marginais e de
situações mais complexas, enquanto o estado se ocupava dos
marginalizados e dos excluídos socialmente.
Nos anos 1940 e 1950, os jovens voluntários tiveram um
importante papel na reconstrução da Europa — em projectos
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
40
Voluntariado
41
da Service Civil International tão variados como a reconstru-
ção de aldeias na Europa de Leste ou a construção da auto-
-estrada na Jugoslávia — ao mesmo tempo que estabeleciam
amizades além-fronteiras.
Nos anos 1960, surgiram os Peace Corps da ONU, “para
garantir que os voluntários não seriam como soldados na
Guerra Fria” (Gillette, 1999). Esta é uma década de desenvol-
vimento para a ONU, uma década de idealismo, difundida
pelo presidente americano John F. Kennedy. Também nesta
década começaram a surgir projectos de voluntariado de lon-
go termo para assistir países em desenvolvimento e surgiram
movimentos voluntários na Ásia, África e América Latina,
devido à emancipação das colónias.
Em 1970, surge o Programa de Voluntários da ONU, que
desempenha actualmente um papel muito importante na área
do voluntariado. Os anos 1980 são caracterizados pela crise
do Estado-Providência, provocada principalmente pela crise
petrolífera, é o fnal do pleno emprego, o aumento extenso do
desemprego, a crise fscal do Estado e o declínio dos fnancia-
mentos sociais (Dionísio, 2000).
O voluntariado actualmente caracteriza-se por ser “social-
mente necessário” (Roca, cit. por Amaro, 2002:19), o que
até antes não acontecia. Tornam-se cada vez mais visíveis as
assimetrias entre países desenvolvidos (Norte) e países em
vias de desenvolvimento (Sul), acentuadas com o processo
da globalização, “criando um fosso enorme entre os que
estão socialmente garantidos (mais do que nunca) e os que
estão nas margens desses processos, cada vez mais excluídos”
(Amaro, 2002:21). O voluntariado, até aí de cariz profunda-
mente assistencialista, transforma-se em voluntariado de de-
senvolvimento ou cidadania, o que começa a suscitar críticas
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
42
Voluntariado
43
e desacordos com a anterior flosofa do assistencialismo, que
Amaro considera ser a perpetuação das desigualdades sociais
no objecto de intervenção.
A renovada preocupação com o ambiente torna-se
também mais pertinente aquando do aparecimento da 3.ª
geração de direitos (os direitos ambientais), lançando um
novo campo de actuação para os voluntários. A promoção da
interculturalidade, combate cultural ao racismo, xenofobia,
a defesa dos direitos dos homossexuais, das mulheres, a pro-
tecção de animais e a educação cívica, são novas necessidades
sociais a que os voluntários respondem. Surgem portanto
novas formas de voluntariado, tais como: ambiental, cultural,
cívico, desportivo, empresarial e político, devido à transfor-
mação da identidade e da natureza do voluntariado contem-
porâneo, denominado de voluntariado de desenvolvimento
ou cidadania, pois Amaro (2002:24) considera que “já não é
só a sobrevivência económica que está em causa, mas também
a qualidade de vida, não é já e apenas o ser humano mas todo
o planeta, não é apenas o presente que é o centro de atenção
mas o futuro e a sustentabilidade da existência humana.”
A redefnição do papel do voluntariado surge também em
resposta à falência do Estado-Providência, o que levou a que
as organizações não-governamentais – ONG (com a ajuda
do voluntariado) substituíssem o papel do Estado. A partici-
pação cívica tem, portanto, um papel muito importante na
relação com o voluntariado, permitindo inclusive mudanças
na sociedade. É neste sentido, que o voluntariado surge
como uma estratégia para promover a mudança dos hábitos
de consumo dos jovens portugueses. A consciencialização do
acto de consumo como um acto colectivo que interfere com
o mundo global e a importância do exercício da cidadania
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
42
Voluntariado
43
na redução das assimetrias e desigualdades mundiais são um
ponto de partida para o envolvimento de voluntários, com
a devida formação em relação ao tema do consumo respon-
sável, na sensibilização da sociedade portuguesa para esta
necessidade.
2.2. O Caso Português
Em Portugal existe, actualmente, um crescente número
de mulheres e de homens que consideram ser sua responsa-
bilidade intervir em prol de uma sociedade mais justa e mais
solidária, sendo vasto o leque de motivações que os congre-
gam na participação cívica e na acção voluntária. Trata-se de
um enorme potencial de energia a que é preciso dar maior
expressão e visibilidade, tanto mais quanto é certo que o
pluralismo de tais motivações constitui uma fonte adicional
de vitalidade e de interesse para os que juntam a preocupação
com as questões sociais concretas, a uma concepção activa da
cidadania.
A Assembleia da República aprovou, a 24 de Setembro,
a Lei n.º 71/78 que «visa promover e garantir a todos os
cidadãos a participação solidária em acções de voluntariado
e defnir as bases do seu enquadramento jurídico». Foi um
importante passo no reconhecimento do valor social deste
verdadeiro “exército do bem” no desenvolvimento sustentado
da sociedade portuguesa. E nenhuma organização ou grupo
credível poderá fcar desprotegido por este diploma legal,
independentemente da sua natureza e dos fns que prossegue.
Embora no nosso país ainda não se verifquem demasiadas
mobilizações para o voluntariado, assiste-se, contudo, a um
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
44
Voluntariado
45
emergir de uma cultura de solidariedade, nem sempre vivida
da melhor maneira.
Existem factores, no entanto, que contribuem para uma
baixa taxa de voluntariado no nosso país:
1.º lugar – Democracia muito tardia – após 48 anos de
regime autoritário – onde a participação associativa fora do
controlo do Estado era proibida;
2.º lugar – Uma cultura cívica muito incipiente – baixa
pertença associativa como nos crescentes níveis de abstenção
eleitoral, na indiferença declarada pela política e na escassa
taxa de participação em acções de activismo político não con-
vencional (por exemplo assinar uma petição, greves ilegais);
3.º lugar – O que se verifca em termos internacionais
e em diversos estudos é que as classes que praticam mais
voluntariado são as classes média-alta e alta; ora em Portugal
estas camadas correspondem a uma fracção minoritária da
população;
4.º lugar – O mercado laboral – em termos das horas de
trabalho excessivas, escassez de empregos a tempo parcial,
frequência do pluriemprego;
5.º lugar – As entidades empregadoras não demonstram
qualquer disponibilidade de ceder tempo aos empregados;
6.º lugar – O próprio Estado não promove um grande
envolvimento;
Em 1999, Portugal ocupa a última posição na seriação das
taxas de voluntariado – apenas 16% da população envolvida
em trabalho voluntário.
O voluntariado, sempre presente na tradição portuguesa,
encontra-se a atravessar um processo profundo de transfor-
mação e revalorização. Historicamente circunscrito ao am-
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
44
Voluntariado
45
biente religioso, motivado que era pelos valores da caridade,
compaixão e amor ao próximo, o conceito hoje alarga-se com
a inclusão de todos aqueles para quem voluntariado é expres-
são da participação do cidadão.
2.3. Integração de Voluntários Numa Organização
O voluntariado, enquanto forma de intervenção social,
introduz claramente mudanças nas estruturas da sociedade, e,
consequentemente, contribui para a protecção dos mais fragi-
lizados. O terceiro sector e as organizações voluntárias existem,
de acordo com Dionísio (2000) para colmatar as necessidades
humanas que não são respondidas no mercado e no Estado,
ou seja, a sociedade civil e o poder local devem funcionar
como estruturas mediadoras entre o indivíduo e o estado.
A mobilização da sociedade civil é a melhor maneira de
denunciar abusos e ilegitimidades de regimes autoritários, ou
seja, esta funciona como a base para a limitação do poder do
estado (Moniz, 1998).
O recurso ao trabalho voluntário é uma prática comum de
muitas associações e organizações da sociedade civil, que de
outro modo provavelmente não resistiriam. Desta forma, as
organizações procuram corresponder às expectativas dos vo-
luntários, de forma a atrair, motivar e reter os voluntários nos
seus projectos. (Santos & Moacho, 2002, in Amaro, 2002)
Os serviços sociais prestados pelo Estado ou sector lucra-
tivo estão sujeitos à maximização de recursos, o que se pode
considerar um paradoxo, porque estes serviços são dirigidos
a indivíduos que estão em situação de fragilidade fnanceira,
pessoal e social. Contrariamente, o terceiro sector, é compos-
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
46
Voluntariado
47
to por organizações voluntárias e sociais, caracterizadas pela
sua fexibilidade de estrutura, e de natureza não orientada
para o lucro, ou seja, são sem fns lucrativos (Dionísio, 2000).
Estas podem também assumir um papel de mediador entre
as pessoas e os serviços governamentais, tendo sucesso em
meios onde serviços institucionalizados podem ser rejeitados
categoricamente, além de que podem também assumir uma
posição crítica em relação ao papel do Estado.
Acreditando que o voluntariado é um compromisso entre
duas entidades - o voluntário e a instituição - assumido livre-
mente e com base na motivação de cada um, é importante
que se reficta sobre o conjunto de direitos e deveres que
essa relação pressupõe, procurando consolidar, assim, a im-
portância de uma intervenção responsável e participativa na
sociedade através de uma acção voluntária continuada.
Conscientes de que os voluntários constituem um recurso
valioso para os países, quer como complemento da acção
das instituições, quer como instrumento de educação para
a cidadania, os governos de cada país foram elaborando uma
legislação que enquadrasse a acção voluntária. É justamente
neste contexto de reconhecimento da mais valia do volunta-
riado que se enquadra a Lei do Voluntariado e que, tal como
se encontra expresso na lei, procurou um espaço de liberdade
e espontaneidade que caracteriza e defne o voluntariado.
Para além dos Direitos e Deveres, que estão contemplados
na Legislação Portuguesa (Lei 71/98 de 3 de Novembro e
389/99 de 30 de Setembro) e na Declaração Universal sobre
o Voluntariado das Nações Unidas, deve procurar-se aprofun-
dar esses princípios de compromisso à luz da especifcidade
que a própria instituição faz do conceito de voluntariado, das
suas bases orientadoras e dos próprios regulamentos internos
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
46
Voluntariado
47
que, apesar de aqui referidos, serão objecto de análise no
tema seguinte.
No entanto, as responsabilidades dos voluntários e das
instituições não se esgotam aqui, na relação entre a entidade
e o voluntário, já que em todo este processo estão implicados,
directa ou indirectamente, outros intervenientes que devem
também ser tidos em conta – os destinatários da acção vo-
luntária, sejam crianças em risco, doentes, idosos, sem abrigo
ou jovens desfavorecidos. Assim, para além dos direitos dos
voluntários e dos seus deveres para com a instituição, devem
ser analisados os deveres dos voluntários para com os destina-
tários da sua acção, os profssionais e técnicos com quem vão
colaborar, os outros voluntários com quem vão trabalhar em
equipa e, principalmente, para com a sociedade em que estão
inseridos e perante a qual dão um testemunho de participa-
ção e exercício de cidadania.
A legislação referente ao voluntariado não pode, con-
tudo, prever as expectativas e receios dos voluntários face
à sua integração na instituição, ao seu relacionamento com
o público-alvo, aos profssionais e à equipa de voluntários.
Importa, perceber as diferenças e a relação que existe entre
os voluntários, os estagiários, os profssionais e a direcção das
instituições, contribuindo assim para uma maior dignifcação
e valorização de cada um destes papéis. Deste modo, a equipa
de coordenadores de voluntários deve conhecer e analisar em
conjunto as principais difculdades que se podem encontrar
no voluntariado e na sua instituição, e apostar em algumas
estratégias para as ultrapassar.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
48
Voluntariado
49
2.4. As Motivações Para o Voluntariado
Algumas das motivações que mobilizam o ser humano,
de acordo com a Plataforma para la Promoción del Volunta-
riado en España (1998), acarretam: a riqueza da humanidade
na sua forma individual e colectiva; a força de vontade para
lutar contra os obstáculos e manter os seus ideais; a força
da ética para clarifcar a diferença entre o que é correcto e
incorrecto, e defender as suas próprias convicções; a força
da iniciativa que está inerente à acção voluntária, aberta a
processos de inovação e experimentação, e constantemente
criativa; a força da comunicação que permite integrar pessoas
para trabalharem em conjunto que não possuam característi-
cas comuns entre si, além do objectivo do trabalho em si; a
força social que impulsiona os indivíduos a desenvolver a sua
capacidade de se associarem e defender os valores prioritários
para o bem comum.
O que mobiliza o ser humano para a prática do volunta-
riado prende-se com questões muito pessoais que diferem de
indivíduo para indivíduo e que se alteram ao longo de todo
o percurso do voluntariado. Assim, quando se lança o desafo
de abordar, neste contexto, a questão das motivações poderá
ser fácil, e até tentador, categorizar as razões que movem
as pessoas para a prática de uma acção em prol dos outros.
No entanto, não deve ser essa a preocupação de coordenado-
res e animadores de programas de voluntariado.
O primeiro passo para evitar o julgamento das motivações
de cada um, é partir da premissa de que todas as motivações
são válidas, desde que sejam consciente e responsavelmente
assumidas. É, portanto, necessário que cada um conheça
aquilo que o leva a agir, porque caso contrário a comunicação
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
48
Voluntariado
49
e a tarefa que a organização estabelece com o voluntário esta-
rá grandemente difcultada. Ao acreditar-se que o voluntário
se encontra motivado somente por razões “nobres” e não por
outras mais concretas (ocupação do tempo livre, conhecer
novas pessoas, aquisição de competências, desemprego), cor-
re-se o risco de não aceitar a realidade, nem em nós, nem nos
outros e com isso reduzir as possibilidades de descoberta e de
transformação que a prática do voluntariado traz consigo. Já
que na vida diária do indivíduo, a competitividade e a falta de
ajuda estão a converter-se na tónica dominante, parece neces-
sário “dedicarmo-nos” à solidariedade e aos outros para que
seja permitido ao indivíduo sentir-se melhor consigo próprio,
com os outros e com o mundo que o rodeia.
É neste sentido que é necessário orientar o auto-conhe-
cimento das motivações de cada um, reforçando a noção de
que essas motivações irão condicionar não só as expectativas
e satisfação dos voluntários, como também o desempenho
e sucesso das suas intervenções junto do público-alvo e da
instituição. Por outro lado, uma vez que as motivações não
são um fenómeno estático e imutável é possível e, até mesmo,
desejável que se aprofundem as razões que levam a ir ao en-
contro do outro, de forma a que se consolidem na nossa vida,
legitimando a ideia de que o voluntariado não é uma forma de
fazer, é uma forma de viver!
ANEXOS
I. Declaração Universal Sobre Voluntariado
II. Dez Dicas Sobre Voluntariado
III. Legislação Sobre Voluntariado
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
50
Voluntariado
51
Bibliografa
CATARINO, A. (2001) Do Voluntariado Assistencial Transfor-
mação Voluntarista. Lisboa: Além-Mar.
AMARO, R. (2002) O Voluntariado nos Projectos de Luta contra
a Pobreza. Lisboa: Comissão Nacional para o Ano
Internacional dos Voluntários.
ANTUNES, M. (2002) Caracterização de Voluntários – Voluntá-
rios Idosos. Lisboa: Comissão do Ano Internacional dos
Voluntários.
Caritas Española (2002) “Acogida y Acompanamiento en los
Processos Educativos del Voluntariado”. Escuela de
Verano de Caritas Española.
CHAFFEY, P. (1993) The Role of Volunteering. Dissertation in
Master of Arts in Rural Social Development. Reading
University & Agricultural Extension and Rural
Development Department.
Conselho da Europa (2000) “Convention Européene sur la Pro-
motion d’un Service Volontaire Transnational à long
Terme pour les Jeunes”. Strasbourg.
Conselho da Europa (2001) “Améliorer le Statut et le Rôle
des Volontaires dans la Société: Contribution de
l’Assemblée Parlementaire à l’ Année Internationale des
Volontaires-2001”
Conselho Nacional de Promoção do Voluntariado (2001)
“Voluntariado, uma Escolha, um Desafo – Actas do
Encontro”. Lisboa.
Conselho Nacional de Promoção do Voluntariado (2002) “Guia do
Voluntário”. Lisboa, Novembro 2002.
Diário da República, Decreto-Lei 389/99, de 30 de Setembro
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
50
Voluntariado
51
– Regulamento da Lei de Bases do Enquadramento
Jurídico do Voluntariado.
Diário da República, Lei 71/98, de 3 de Novembro – Bases do
Enquadramento Jurídico do Voluntariado.
DIONÍSIO, C. (2000) Voluntariado Social – Contributo para a
Caracterização do Voluntário Social (Relatório de Estágio
da Licenciatura em Política Social). Lisboa: Universidade
Técnica de Lisboa.
Equipa Social do Campo Grande (2000) Voluntariado 2001.
Lisboa: Editora Paulo’s.
FRITZEN, S. (1982) Treinamento de Líderes Voluntários. Petró-
polis: Editora Vozes.
GARCIA, A. (2002) “Manual de Formación Básica del
Voluntariado - Médicos do Mundo”, Madrid.
GILLETTE, A. (1999). A (Very) Short Story of Volunteering.
World Volunteer Web, consultado a 4 de Janeiro de
2007, disponível em http://www.worldvolunteerwe
b.org/browse/countries/azerbaijan/doc/a-very-short-
history.html
GONZALO, L. (2000) Cartografa del Voluntariado. Madrid:
Promoción Popular Cristiana.
Institut Catalá del Volujtariat (s/d) “Orientacions per a l’elaboració
d’un Pla de Formación de Voluntariat a les Entitats“.
Junta de Castilla y Léon (2001) “Manual de Formácion de
Voluntarios - Código Etico del Voluntario”
MONIZ, V. (1998) Sociedade Civil e Participação Comunitária
in ORNELAS, J. (ed.) (2000) Actas do II Congresso
Europeu de Psicologia Comunitária (pp. 137-142).
Lisboa: Instituto Superior de Psicologia Aplicada.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
52 53
ONU – Organização das Nações Unidas (1999). On Volunteering
& Social Development. Expert Working Group Meeting.
New York (29-30 Novembro de 1999).
PILÓ, M. (2002) Ser Voluntário – Abordagem a pontos Críticos do
Voluntariado. Lisboa: Comissão do Ano Internacional
dos Voluntários.
Plataforma para la Promócion del Voluntariado en Espana (1998)
“Manual de Formación de Formadores de Voluntariado”,
Madrid.
SANTOS, L. (2002) O Voluntariado Jovem em Portugal. Lisboa:
Comissão do Ano Internacional do Voluntariado.
Sites Consultados
ä
www.anic.pt
ä
www.juventude.gov.pt/portal/
ä
www.voluntários-mg.org.br/
ä
www.volunteer.ca/volcan/eng/iwork/vol-managment.php
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
52 53
3.
GESTÃO DE
PROGRAMAS DE
VOLUNTARIADO
Seguindo a lógica anteriormente descrita compreende-
se que a acção voluntária não poderá estar desenquadrada
da flosofa e metologia das organizações que desenvolvem,
ou pretendem vir a desenvolver, o voluntariado. A maioria
das organizações que apresentam um enquadramento a este
nível são aquelas que, ao longo da história, surgiram ligadas
à intervenção social (muitas vezes de cariz religioso), às acções
humanitárias ou à ajuda de emergência e que sustentaram
todo o seu trabalho partindo da integração de pessoas que
voluntariamente contribuíam no apoio em inúmeras verten-
tes, áreas de intervenção e assumindo diversas funções, desde
a coordenação à execução.
Actualmente, estas organizações, como a Santa Casa da Mi-
sericórdia, a Cruz Vermelha, a AMI, entre outras, apresentam
um programa de voluntariado consistente e estruturado que
valoriza, enquadra e reconhece as mais-valias do voluntário.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
54
Gestão de Programas de Voluntariado
55
Qualquer organização que pretenda integrar o voluntariado
como estratégia de intervenção deverá conhecer e ter acesso
a instrumentos que estruturem o seu enquadramento. Este
ponto procura facilitar esses instrumentos, a qualquer tipo de
organização, que actue em qualquer área, em qualquer região
geográfca. Independentemente das organizações pretende-
rem ou não desenvolver um programa de voluntariado para
o consumo responsável, os aspectos evidenciados serão um
recurso indispensável no âmbito da gestão destes programas.
A acção de voluntariado é uma acção humana, que pressu-
põe uma relação pessoal entre o voluntário e o benefciário da
sua acção, e que visa o apoio a seres humanos através de um
trabalho de integração social coerente, com qualidade e com
um grau de implicação que grande parte do trabalho executa-
do pelos técnicos não consegue obter. O voluntário não tra-
balha simplesmente com necessidades, carências ou exclusões
devidamente identifcadas, mas procura na sua intervenção
relacionar-se com pessoas que têm necessidades, com pessoas
que padecem de certas carências, com pessoas que sentem ou
vivem uma exclusão, mas sempre com pessoas.
O voluntariado permite, no fundo, alargar os horizontes
e as oportunidades de mudança, criando expectativas dife-
rentes em todos os envolvidos (organizações que promovem
o voluntariado, voluntários e benefciários da acção), que não
poderão ser defraudadas. É neste sentido que as organizações
deverão responsabilizar-se pela preparação, acompanhamen-
to e avaliação do trabalho do voluntário, procurando dar o
devido enquadramento nas suas actividades, nos meios e
técnicas a empregar em cada momento da acção, no impacto
que esta pode provocar.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
54
Gestão de Programas de Voluntariado
55
Poderemos então colocar algumas questões que neste
momento parecem ser essenciais. De que forma poderão as
organizações compreender se têm estrutura organizacional e
necessidade de implementar um programa de voluntariado?
Como poderão enquadrar efcientemente e efcazmente uma
acção de voluntariado? Quais são os passos que estas deverão
preconizar para implementar uma estratégia de integração
coerente?
Este capítulo pretende, precisamente, dar resposta a estas
questões evidenciando os principais aspectos na construção
de um programa de voluntariado através da facilitação de
instrumentos que permitam uma apropriação simples dos
princípios de Gestão de um Programa de Voluntariado.
Existem, assim, três passos fundamentais por parte das
organizações:
1. Elaboração de um diagnóstico de necessidades;
2. Análise dos pressupostos de um programa
de voluntariado;
3. Elaboração de uma estratégia de implemen-
tação de um programa de voluntariado;
O primeiro passo que todas as organizações devem dar
(aquelas que ainda não trabalhem com voluntários de uma
forma espontânea), para compreender se faz sentido a inte-
gração de uma acção de voluntariado na sua lógica organi-
zacional, é a elaboração de um diagnóstico de necessidades,
isto é, um levantamento real do porquê, quando e como se
poderá enquadrar o voluntariado, da área de intervenção
em que se enquadra a acção, das tarefas a ela associadas, das
“oportunidades” de voluntariado, etc., (através de workshops
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
56
Gestão de Programas de Voluntariado
57
de avaliação diagnóstica, entrevistas, inquéritos, etc.). Outras
organizações que já desenvolvam programas de voluntariado
sem uma planifcação do mesmo, mas que o pretendam vir a
fazer de uma forma mais organizada deverão aproveitar para
avaliar os programas que se encontram a decorrer.
O passo seguinte é a análise dos pressupostos para a elabo-
ração de um programa de voluntariado, nomeadamente que:
• analise o contexto actual no qual a acção será
desenvolvida;
• defna o foco de actuação e estabeleça os
objectivos do trabalho que se pretende desen-
volver;
• defna os serviços a serem prestados;
• verifque os recursos físicos, humanos e fnan-
ceiros necessários;
• crie um sistema de monitorização e avaliação
das acções a serem realizadas;
• viabilize a execução do plano.
O terceiro e último ponto deverá assentar na elaboração
de uma estratégia de implementação de um programa de
voluntariado. Antes de integrar voluntários é desejável que a
organização defna uma estratégia de integração. O ponto de
partida para que essa estratégia tenha sucesso é a assumpção
de um compromisso. Esse compromisso deverá permitir à
organização e ao voluntário compreender as expectativas,
os desejos e as ambições de ambas as partes. A formação e o
acompanhamento surgem, assim, como uma responsabilida-
de da organização promotora, pois garantem também uma
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
56
Gestão de Programas de Voluntariado
57
obrigação de cumprimento, no compromisso assumido vo-
luntariamente pelo voluntário. Nesta obrigação está implícita
a responsabilidade de correctamente se cumprir o prometido
respondendo adequadamente perante a pessoa com quem se
comprometeu.
A formação é simultaneamente:
1. Um direito do voluntário – de ser informado,
apoiado, enriquecido;
2. Um caminho para a participação – o voluntá-
rio aplicar-se-á mais quanto mais consciência
tiver da importância da sua contribuição;
3. Instrumento de luta contra a pobreza e mar-
ginalização – permite ao voluntário descobrir
causas e possibilidades e potencia a capacida-
de de iniciativa e criatividade.
O acompanhamento do voluntário deve ser realizado de
acordo com:
1. as suas necessidades pessoais;
2. as suas necessidades relacionadas com a tarefa
a que se propõe;
3. a necessidade de alertar o voluntário para
que esteja consciente a cada momento de
que proceda às suas próprias conclusões
(observação que se coaduna com a sua escala
de valores e motivação);
4. o dia-a-dia da participação do voluntário,
do momento consciente, da vivência do pre-
sente. É uma sessão contínua de formação
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
58
Gestão de Programas de Voluntariado
59
muito completa para o voluntário e de apro-
veitamento de vivências para a nossa comuni-
cação interpessoal.
Existem vários itens cuja consideração é importante na
estratégia que a organização defnir:
Descrição Clara do Trabalho a Realizar
- Porquê a integração de um voluntário?
- Que tipo de actividades se pretende que
desenvolva?
- O que pretendemos com as actividades a
desenvolver?
Recrutamento de Voluntários Bem Planeado
- Determinar o tipo de aptidões específcas,
sexo, idade e formação desejados;
- Realizar uma entrevista individual e uma visita
guiada à Instituição;
- Defnir desde o início as actividades e tarefas
do voluntário;
- Elaborar um termo de compromisso entre
voluntário e instituição: Direitos e deveres de
ambos os intervenientes;
- Estabelecer um calendário de actuação do
voluntário;
- Defnir um orientador/coordenador.
Período de Adaptação e Formação Adequada
O voluntário precisará de:
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
58
Gestão de Programas de Voluntariado
59
- Informações detalhadas das actividades;
- Orientação e formação;
- Experiências práticas de voluntários antigos;
- Tempo para absorver a cultura local, os seus
espaços e tempos;
- (Determinadas instituições estabelecem um
tempo para esta adaptação...1/2 meses).
Supervisão do Trabalho
- Estar sempre disponível para responder a
dúvidas;
- Orientação e directrizes muito claras e
defnidas;
- Mostrar apreço e reconhecimento.
Registo das Acções
- Arquivo das entrevistas, termos de adesão;
- Registo de horas trabalhadas;
- Avaliações do desempenho.
Reconhecimento e Valorização dos Voluntários
- Agradecer sempre;
- Reconhecer méritos;
- Eventos especiais;
- Promover a identifcação do voluntário com
a instituição;
Avaliação Sistemática…
- Do desempenho do voluntário;
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
60
Gestão de Programas de Voluntariado
61
- Das relações interpessoais (Voluntário/
Instituição; Voluntário/População);
- Dos resultados alcançados através das actividades;
- Das expectativas e receios.
Outras considerações
[1]
Na gestão de actividades desenvolvidas por voluntários é
importante equilibrar factores de organização, de informali-
dade e de adequação, considerando que o voluntário estará
mais motivado a desenvolver o seu trabalho quanto mais…
… souber o que se espera dele e que ele pode
corresponder à expectativa;
… sentir que pertence à instituição;
… puder participar do trabalho com autonomia,
em clima de participação efectiva;
… souber que o que faz é também feito por
outros pelos mesmos propósitos e pelas
mesmas razões;
… acompanhar os resultados do seu trabalho,
isoladamente ou no conjunto do trabalho de
toda a instituição;
… for considerado capaz e responsável no limite
das suas habilidades, possibilidades dentro
da instituição;
… dimensionar adequadamente o tempo e as
condições de prestação do serviço voluntário,
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
[4]
Elaborado partir de texto in http://www.voluntarios-mg.org.br/gestao_
social.php3
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
60
Gestão de Programas de Voluntariado
61
sem sacrifício e sem heroísmo.
3.1. Voluntariado Educativo
O objectivo deste ponto é incrementar o tema da pedago-
gia social e reforçar esta proposta contando com a colaboração
de educadores que se preocupam com a formação do aluno e
com a melhoria da qualidade de vida da população.
É, neste sentido, que o voluntariado educativo procura
incentivar novas possibilidades de actuação educativa, um
modelo de educação global, uma maior proximidade entre a
escola e a comunidade, e dar resposta à diversidade e plurali-
dade de situações de carências/necessidades de cada aluno.
O voluntariado educativo apresenta características dis-
tintas do voluntariado com adultos, pois revela um carácter
formativo e de desenvolvimento pessoal dos jovens que o
praticam, pretendendo aproveitar o momento de formação e
de construção em que estes se encontram, associando a inten-
ção pedagógica de educação dos jovens à solidária. É dentro
dessa dinâmica que se entende que o voluntariado educativo
como uma proposta de formação que propicia o amadureci-
mento dos jovens através de experiências de solidariedade e
compromisso.
O jovem que se encontra a atravessar uma fase particular
de desenvolvimento biopsicossocial necessita de uma
proposta que propicie tanto o amadurecimento da sua
personalidade quanto a sua inserção social. O voluntariado,
realizado por meio de um envolvimento numa associação e
na prestação de um serviço gratuito e solidário, pode dar
resposta a esta necessidade, constituindo-se como um agente
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
62
Gestão de Programas de Voluntariado
63
efcaz na construção na identidade do jovem.
O voluntariado educativo é uma ferramenta pedagógica,
uma tecnologia social em que os planeamentos são integrados
no currículo escolar, com o objectivo de melhorar a qualidade
da aprendizagem.
Um dos aspectos primordiais do voluntariado jovem é
a presença do educador, o qual, por características pessoais,
competências profssionais e vocação, assume um papel
insubstituível no acompanhamento formativo do jovem
voluntário.
O educador pode ser um adulto, uma pessoa que já passou
pela etapa da juventude e viveu um processo de amadureci-
mento no qual defniu o seu projecto de vida. Assim, ele pode
orientar o caminho dos jovens a partir de princípios educa-
cionais, e oferecer-lhes, ao mesmo tempo, a possibilidade de
terem um modelo de referência que os auxilie a discernir os
seus próprios projectos.
O educador pode auxiliá-los a compreender que ser
voluntário é algo enriquecedor, estimulante e activo. O pri-
meiro passo de orientação do educador deverá ser o apoio na
discussão das necessidades prementes da cidade, do bairro, da
rua ou da escola ou na procura de uma organização que possa
integrar os jovens nesse diagnóstico. Observando e analisan-
do a realidade em que vivem, usando a criatividade e o bom
senso, os jovens vão perceber os desafos mais urgentes, vão
conversar, procurar ajuda e descobrir como cada um pode dar
a sua parcela de contribuição. Não importa se a acção vai ser
pequena: aos poucos as sementes lançadas vão contribuir para
fazer frutifcar no nosso país a cultura do voluntariado.
Além disso, o adulto-educador que actua no voluntariado
jovem desempenha uma função de mediador entre a teoria e
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
62
Gestão de Programas de Voluntariado
63
a prática, privilegiando o caminho formativo que se desen-
volve, estando presente durante as actividades concretas do
voluntariado e estando atento para facilitar a vivência comu-
nitária e o trabalho em grupo daí decorrente.
A proposta base de voluntariado educativo deve estar ali-
nhada com o projecto pedagógico da escola em que se insere,
concretizando-se em três vectores (escola – comunidade;
comunidade – escola; escola – escola), e pressupondo sempre
a elaboração de uma plano de acção enquadrado no Plano
Anual de Actividades Escolares:
1. Escola - Comunidade
Envolve o corpo dirigente e de coordenação;
funcionários, professores e alunos na elabo-
ração de um diagnóstico e identifcação de
problemas/necessidades que dizem respeito ao
meio no qual esta se encontra inserida. Daqui
poderão resultar projectos de voluntariado
educativo, inseridos nos planos curriculares,
que visem a atenuação dos problemas iden-
tifcados;
2. Comunidade - Escola
Engloba uma participação activa de elemen-
tos da comunidade, externos à escola, que
procurem através da sua acção uma melhoria
da educação. Cabe à escola nesta interacção
avaliar as suas necessidades, e elaborar um
programa de voluntariado coerente e inte-
grado, cuja acção esteja vinculada à proposta
político-pedagógica da escola.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
64
Gestão de Programas de Voluntariado
65
3. Escola - Escola
Projectos que decorrem de duas formas: intra-
escolar (elaborados por elementos da comuni-
dade escolar dentro da própria) e inter-escola
(entre diferentes instituições de ensino, que
criem parcerias em projectos similares ou em
redes escolares).
As características da acção social de voluntariado nos
centros educativos nem sempre surge de uma forma apelativa
para a Escola (instituição e professores) pois consideram as
actividades propostas uma sobrecarga perante o que o sis-
tema educativo exige actualmente. Numa fase inicial, a im-
plementação de um programa de voluntariado em qualquer
organização é um processo que exige disponibilidade mas que
a longo prazo traz vantagens muito signifcativas para todos
os envolvidos. Desta forma, uma vez integrada no Plano de
Actividades da Acção Educativa, trabalhando os diversos
temas transversais propostos pelo Ministério da Educação e
outros, permite um maior enquadramento na política social
da escola e uma rentabilização dos diversos recursos da escola,
direccionando as actividades de voluntariado para benefício
da comunidade educativa.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
64
Gestão de Programas de Voluntariado
65
Exemplos de Voluntariado Que Pode
Ser Realizado Nas Escolas
• pesquisa no bairro ou na cidade para averiguar
o número de crianças que não se encontram
a estudar e fazer campanhas de sensibilização
para a importância da educação;
• monitor nas diversas disciplinas para apoiar os
colegas com mais difculdades;
• reforço escolar;
• visita aos lares de idosos com uma escolinha de:
instrumentos musicais, canto, danças, teatro etc.;
• preservação do meio ambiente: separação do
lixo para reciclagem, cuidar das plantas, horta
comunitária;
• actividades de informação: rádio escolar, jornal;
• organização de bibliotecas escolares;
• formação de grupos para discussão da cidadania;
• divulgação de ONG que actuam na cidade;
• actividades em creches ou instituições que
acolhem crianças carentes;
• leitura para cegos – doador da voz;
• contadores de histórias;
• monitor em museus e conservação dos bens
culturais;
• palhaços que actuem nos sectores infantis dos
hospitais.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
66
Gestão de Programas de Voluntariado
67
Anexos
I. Pressupostos para a Elaboração de um
Programa de Voluntariado
II. Quadro de Necessidades
III. Como Organizar um Programa de
Voluntariado
IV. Caracterização do Coordenador de
Voluntários
V. Ficha de Identifcação do Voluntário
VI. Minuta do Contrato de Voluntariado
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
66
Gestão de Programas de Voluntariado
67
Bibliografa
Faça Parte (ed.) Voluntariado Educativo – Uma Tecnologia Social.
Instituto Faça Parte - Brasil Voluntário.
GONZALO, L. (1999) Voluntariado y Escuela, Cuadernos de la
Plataforma – La Accion Voluntaria. Madrid: Plataforma
para la Promocion del Voluntariado en España.
MENDONÇA, M. (2001) A Educação e o Voluntariado – O
Voluntariado no Currículo do Ensino Secundário. Lisboa:
Comissão Nacional para o Ano Internacional dos
Voluntários / Ligarte, Lda.
Alguns Sítios de Interesse na Internet
ä
www.cp.ufmg.br/Escola_Secundaria/Voluntariado_
Educativo.doc
ä
www.gosv.state.md.us/pubs/bestprac/sec01.htm
ä
www.portaldovoluntario.org.br
ä
www.servicom.es
ä
www.voluntarios-mg.org.br/gestao_social.php3
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
68 69
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
68 69
4.
FORMAÇÃO PARA
O CONSUMO
RESPONSÁVEL
Com o aumento da tendência para a profssionalização
do voluntariado, a formação dos mesmos torna-se pertinente
e necessária. A Lei do Voluntariado de 1998 suporta essa
afrmação, sendo o primeiro direito do voluntário de: “ter
acesso a programas de formação inicial e contínua, tendo em
vista o aperfeiçoamento do seu trabalho voluntário” (Diário
da República, 1998, Anexo A).
Esta questão foi abordada no “Encontro Voluntariado:
uma Escolha, um Desafo” (Instituto para o Desenvolvimento
Social, 2001), sob o pretexto de que um voluntariado
responsável só é possível com voluntários qualifcados.
As sugestões que surgiram deste encontro visavam a
elaboração de modelos de formação diversifcados, tendo em
conta que seria uma formação dirigida a problemáticas espe-
cífcas, abordando também as competências de trabalho em
equipa, atitudes, condutas e comportamentos, enquadrados
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
70
Formação de Voluntários Para o Consumo Responsável
71
nos princípios da ética e deontologia do trabalho voluntário.
Numa formação inicial para voluntários, ideias como: a
democracia não ser uma entidade fxa, mas sim um processo
em movimento para integrar os cidadãos, e ser criada e recria-
da de acordo com as necessidades ou diferentes situações; e a
sociedade não ser também uma unidade fxa e rígida, mas sim
fexível ao longo dos tempos, devem ser abordadas, de acordo
com Bax e Moens (1997). Deve também referir-se informa-
ção acerca dos aspectos sociológicos e culturais do voluntaria-
do, e a diferença entre voluntariado, solidariedade e caridade.
O processo de aprendizagem deve ser, segundo Bax e Moens
(1997), dinâmico, assumindo a lógica do “aprender a fazer”
(representação de papéis, jogos, estudos de caso, exercícios);
a partilha de informação num modo informal; o ambiente
deve ser de confança e troca de experiências, com igualdade
e respeito; e todos os participantes devem estar envolvidos no
processo de aprendizagem.
A formação, é defnida como “a maneira de garantir a
melhoria da acção voluntária e, por conseguinte, a melhoria
da qualidade de vida da população carenciada e marginaliza-
da que benefcia do trabalho dos voluntários.” (Pinto, 2002:
158). Existem três tipos de formação, ainda de acordo com
o autor anterior:
• Formação básica – deve permitir que o volun-
tário reficta sobre a concepção de voluntaria-
do, o apoie a adquirir o sentido de associação
e o estimule a assumir um compromisso com
a instituição;
• Formação específca – proporciona uma visão
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
70
Formação de Voluntários Para o Consumo Responsável
71
global do projecto em que o voluntário está
integrado e facilita o conhecimento da situa-
ção, dos recursos necessários e dos instrumen-
tos para executar uma função específca;
• Formação permanente - implica um processo
de análise sobre o desempenho do projecto
e das suas diversas fases, contribuindo para
melhorar a tarefa que se realiza e valoriza as
pessoas implicadas.
Segundo a Plataforma para la Promoción del Voluntariado
en España (1998:35), a formação pode ainda caracterizar-se
pelas seguintes componentes:
- Formação Pessoal: fortalecer as suas motiva-
ções, melhorar e desenvolver as suas atitudes,
aperfeiçoar a comunicação, obtendo proveito
da experiência e melhorando o seu sentido de
responsabilidade.
- Formação de Grupo: aprender a trabalhar em
equipa, dinâmica de grupos, papéis dentro
do grupo, resolução de confitos e tomada de
decisões.
- Formação Institucional: conhecer os objecti-
vos da associação, a sua história e os estatutos,
os seus direitos e deveres, os campos de acção
- Formação Social: analisar o contexto/ a reali-
dade em que actua, os problemas sociais, os
serviços sociais de base, a legislação social, a
sensibilização e educação da comunidade, o
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
72
Formação de Voluntários Para o Consumo Responsável
73
diálogo com a administração.
- Formação Prática: a planifcação, a continui-
dade, a evolução e a avaliação dos projectos;
tudo aquilo que torne a sua intervenção mais
efcaz.
De acordo com Pinto (2002:159), a formação deve estar
orientada para:
1. o crescimento pessoal dos voluntários;
2. a coesão dos membros da associação ou insti-
tuição a fm de conseguir uma boa dinâmica
interna […];
3. o conhecimento e a compreensão da realida-
de sobre a qual se vai intervir;
4. a execução efcaz das tarefas de intervenção […]
5. a organização, a gestão e o funcionamento da
associação ou instituição;
6. a sensibilização social do voluntário para
que adopte atitudes críticas face às injustiças
sociais.
Alfaro (s/d, cit. por Pinto, 2002) refere que a formação
deve ser concebida como: um direito do voluntário, um
caminho para a participação do mesmo, um instrumento
de luta contra a pobreza e a marginalização e também como
um lugar de encontro de valores para actuar de forma co-
ordenada. Ainda segundo este autor (s/d:161), a “formação
dos voluntários é necessária e imprescindível: para garantir
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
72
Formação de Voluntários Para o Consumo Responsável
73
a qualidade de actuação; para incrementar a motivação; para
aumentar o tempo de colaboração dentro da organização;
para melhorar as condições de trabalho em que se executa
uma tarefa concreta.”
Partindo desta constatação, da experiência de Voluntaria-
do do ISU e da Reviravolta, e da pertinência de enquadrar vo-
luntários no âmbito do projecto Rede Nacional de Consumo
Responsável, surgiu um Programa de Formação de Voluntá-
rios para o Consumo Responsável. Este é um programa que
pode ser levado a cabo por qualquer instituição que pretenda
desenvolver um projecto de voluntariado dentro desta área. A
formação permite aos voluntários consciencializarem-se para
a mudança dos seus hábitos de consumo e simultaneamente
adquirirem competências para realizarem acções de sensibili-
zação junto de outros jovens e crianças (e a sociedade portu-
guesa no geral) em qualquer contexto social (em escolas, com
associações juvenis, nos meios de comunicação social, junto
de outras organizações, etc.).
O modelo apresentado neste manual foi desenvolvido
pela equipa técnica do projecto Rede Nacional de Consumo
Responsável e realizado em dois locais do país, em Lisboa e
no Porto, com o objectivo de envolver voluntários na sensi-
bilização às escolas abrangidas no projecto. Com um total de
24 horas de formação, a formação revelou-se indispensável na
sua capacitação e promovendo a coesão do grupo de voluntá-
rios e um grande trabalho em equipa.
Os temas que serão abordados nesta formação são: Desi-
gualdades, diferenças e assimetrias que existem no mundo;
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
74
Formação de Voluntários Para o Consumo Responsável
75
desenvolvimento; participação e cidadania activa; volunta-
riado e a Educação para o Desenvolvimento; e o Consumo
responsável. Esta acção de formação/ capacitação assenta no
princípio da Formação-Acção, centrando-se em metodo-
logias dinâmicas que valorizam a aprendizagem através da
análise de vivências pessoais e da experimentação.
O papel do formador será o de dinamizador do debate
em torno de um determinado tema, utilizando, para isto,
técnicas do método activo, como são o caso dos exercícios
de análises de casos, da refexão e discussão de conceitos em
subgrupos e apresentação de resultados em grande grupo,
etc.. Os conhecimentos sobre os temas são construídos atra-
vés de um trabalho conjunto em sala. O método expositivo é
utilizado, com o apoio de meios audiovisuais, essencialmente
quando se pretende iniciar ou concluir a discussão de um
determinado tema. O relato de experiências vividas pelos
formadores deverá também ser utilizado para exemplifcar
e argumentar ideias apresentadas. Para além destes temas, a
formação engloba uma componente pedagógica relacionada
com a didáctica de trabalho dos temas e com as metodologias
participativas (como aplicar, como desenvolver,...). Todos os
materiais didáctico-pedagógicos utilizados para esta forma-
ção encontram-se disponíveis no site www.consumorespons
avel.com, constituindo a ferramenta de trabalho futuro com
o público-alvo com que se pretende desenvolver actividades
(ver Referencial de Formação em anexo).
O programa de formação apresentado deverá ser pensado
à luz de um Programa de Voluntariado estruturado e coerente,
conforme descrito nos capítulos anteriores, e deverá ter como
base de trabalho as fchas didático-pedagógicas elaboradas
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
74
Formação de Voluntários Para o Consumo Responsável
75
com o propósito de fornecer isntrumentos de formação em
escolas a diferentes educadores.
ANEXOS
I. Referencial de Formação de Voluntários
Para o Consumo Responsável
II. Plano Geral – Módulo 1
III. Plano Geral – Módulo 2
IV. Plano Geral – Módulo 3
V. Jogo dos Quadrados
VI. Grelha de Avaliação das Simulações
VII. Casos Práticos de Voluntariado
VIII. Estudo de Caso
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
76 77
Bibliografa
BAX, W.; MOENS, J. (1997) Training of Volunteers. Project
Report. Netherlands: VTA Groep.
Instituto para o Desenvolvimento Social (2001) “Voluntariado,
uma Escolha, um Desafo – Actas do Encontro”. Lisboa:
Instituto para o Desenvolvimento Social.
PINTO, S. (2002) A Formação dos Voluntários para uma In-
tervenção de Qualidade: Algumas Refexões. Intervenção
Social. Dossier Voluntariado Social: Perspectivas e Prá-
ticas. n.º 25/26 (pp.157-170). Lisboa/Beja: Instituto
Superior de Serviço Social.
Plataforma para la Promoción del Voluntariado en España (1998).
“Manual de Formación de Formadores de Voluntariado.
Madrid: Ministerio de Trabajo y Assuntos Sociales”.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
76 77
ANEXOS
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
78
Anexos - Capítulo 2
79
CAPÍTULO 2
Anexo I
Declaração Universal Sobre o Voluntariado
[1]
Preâmbulo
Os voluntários, inspirados na Declaração Universal dos
Direitos do Homem de 1948 e na Convenção sobre os
Direitos da Criança de 1989, consideram o seu compromisso
como um instrumento de desenvolvimento social, cultural,
económico e do ambiente, num mundo em constantes trans-
formações. Fazem seu o princípio de que «Todas as pessoas têm
direito à liberdade de reunião e associação política».
O Voluntariado...
É... uma decisão voluntária, apoiada em moti-
vações e opções pessoais; forma de participação
activa do cidadão na vida das comunidades.
Contribui para... melhoria da qualidade de vida,
realização pessoal e uma maior solidariedade; dar
resposta aos principais desafos da sociedade, com
vista a um mundo mais justo e mais pacífco;
um desenvolvimento económico e social mais
equilibrado, para a criação de empregos e novas
profssões.
Traduz-se, regra geral, numa acção ou um movi-
mento organizado, no âmbito de uma associação.
[1]
in www.ccsh.unl.pt.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
78
Anexos - Capítulo 2
79
Princípios Fundamentais do Voluntariado
Os voluntários põem em prática os seguintes Princípios
Fundamentais:
• Reconhecem a todo o homem, mulher e
criança o direito de se associarem, independen-
temente da sua raça, religião, condição física,
social ou material;
• Respeitam a dignidade de todo o ser humano
e a sua cultura;
• Oferecem, individualmente ou no âmbito de
uma associação, ajuda mútua e serviços, de
uma forma desinteressada e com o espírito de
partenariado e fraternidade;
• Estão atentos às necessidades das pessoas
e comunidade e desencadeiam, com a sua
colaboração, a resposta adequada;
• Têm em vista, igualmente, fazer do voluntariado
em factor de realização pessoal, aquisição de
conhecimentos e novas competências, desen-
volvimento das capacidades, favorecendo a
iniciativa e a criatividade, permitindo a cada
um ser mais membro activo do que benefciário
da acção voluntária;
• Estimulam o espírito de responsabilidade
social e encorajam a solidariedade familiar,
comunitária e internacional.
Tendo em conta estes Princípios Fundamentais, devem
os voluntários:
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
80
Anexos - Capítulo 2
81
• Encorajar a transformação do compromisso
individual em movimento colectivo;
• Apoiar, de maneira activa, a sua associação,
aderindo conscientemente aos seus
objectivos, informando-se das suas políticas e
funcionamento;
• Comprometer-se a cumprir correctamente
as tarefas defnidas em conjunto, de acordo
com as suas capacidades, tempo disponível e
responsabilidades assumidas;
• Cooperar, com espírito de compreensão mútua
e estima recíproca, com todos os membros da
sua associação;
• Aceitar receber formação;
• Trabalhar, com ética, no desempenho das
suas funções.
Tendo em conta a Declaração Universal dos Direitos
Humanos e os Princípios Fundamentais do Voluntariado,
devem as associações:
• Elaborar estatutos adequados ao exercício do
trabalho voluntário;
• Defnir os critérios de participação dos volun-
tários, no respeito das funções claramente
defnidas para cada um;
• Confar, a cada um, as actividades que lhe
são adequadas, assegurando a formação e
acompanhamento necessários;
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
80
Anexos - Capítulo 2
81
• Prever e dar a conhecer a avaliação periódica
dos resultados;
• Prever, de forma efcaz, a coberturas dos riscos
que os voluntários estão sujeitos no exercício
das suas funções e os prejuízos que estes,
involuntariamente, possam provocar em
terceiros, no decurso da sua actividade;
• Facilitar a participação de todos os voluntários,
reembolsando-os, se necessário, das despesas
com o seu trabalho;
• Estabelecer a forma de rescisão do vínculo, quer
por parte da associação quer do voluntário.
Proclamação
Os voluntários, reunidos por iniciativa da International
Association for Volunteer Effort (IAVE), em Congresso Mun-
dial, declaram a sua fé na acção voluntária, como uma força
criadora e mediadora para:
• Respeitar a dignidade de toda a pessoa,
reconhecer a sua capacidade de exercer os seus
direitos de cidadão e ser agente do seu próprio
desenvolvimento;
• Contribuir para a resolução dos problemas
sociais e do ambiente;
• A construção de uma sociedade mais humana
e mais justa, favorecendo igualmente uma
cooperação mundial;
Assim, convidam os Estados, as Instituições Internacionais
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
82
Anexos - Capítulo 2
83
as empresas e os meios de comunicação social a unirem-se a
eles, como parceiros, para construir um ambiente internacio-
nal favorável à promoção e apoio de um voluntariado efcaz,
acessível a todos, símbolo de solidariedade entre os homens
e as Nações.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
82
Anexos - Capítulo 2
83
Anexo II
Dez Dicas Sobre Voluntariado
[1]
1. Todos Podem Ser Voluntários
Não só quem é especialista em alguma coisa pode ser
voluntário. Todas as pessoas têm capacidades, habilidades,
competências e dons. O que cada um faz bem, pode fazer bem
a alguém. As energias, recursos e competências de crianças,
jovens, pessoas portadoras de defciência, idosas e reformados
podem e devem ser mobilizadas.
2. Voluntariado é Uma Relação Humana, Rica e Solidária
Não é uma actividade fria, racional e impessoal. É uma
relação que se estabelece entre as pessoas e para as pessoas. É
uma oportunidade de se viver novas experiências, conhecer
outras realidades e crescer.
3. Trabalho Voluntário é Duplamente Enriquecedor
Enquanto expressão de uma ética de solidariedade e par-
ticipação e também enquanto factor de crescimento pessoal
para quem o executa.
4. Voluntariado é Uma Acção Positiva
O trabalho voluntário deve ser utilizado menos para ame-
nizar situações de carência e mais no sentido de aprofundar e
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
[1]
Adaptado de “A Força do Voluntariado” in www.voluntários-mg.org.br
[sempre em fm de página].
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
84
Anexos - Capítulo 2
85
avançar com mudanças positivas em direcção a algo melhor.
5. Voluntariado é Escolha e Energia
As formas de acção voluntária são tão variadas quanto as
necessidades da comunidade e a criatividade do voluntário.
“Ele é como um beija-fôr que vem, poliniza, energiza, en-
canta e vai”.
6. Voluntariado Não é Mão-de-Obra Gratuita
O trabalho voluntário será tanto mais valorizado, quanto
mais se caracterizar pela espontaneidade da participação, pela
relevância dos benefícios gerados e pela oportunidade da
acção, nunca podendo ser confundido como estratégia para
reduzir custos, ou como forma de recrutamento de mão-de-
obra gratuita.
7. Voluntariado é Compromisso
Cada um contribui na medida de suas possibilidades
e capacidades mas cada compromisso assumido, apesar de
livre, é para ser cumprido. Uns têm mais tempo livre, outros
só dispõem de algumas horas por semana ou mês.
Alguns sabem exactamente onde ou com quem querem
trabalhar, outros estão prontos a ajudar no que for preciso,
onde a necessidade é mais urgente.
8. Voluntariado é Uma Acção Movida Por Uma
Expressão Genuína
O trabalho voluntário não deve nunca, substituir acções de
políticas públicas ou desresponsabilizar instituições governa-
mentais, devendo ser entendido como uma expressão genuína
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
84
Anexos - Capítulo 2
85
da criatividade e generosidade do voluntário, motivada pelos
valores éticos de solidariedade e de participação espontânea.
9. Voluntariado é Uma Ferramenta de Inclusão
Através deste é possível transformar não só as organiza-
ções, mas também a comunidade em geral, contribuindo
para o combate das injustiças e desigualdades. Traduz-se
no encontro entre solidariedade e cidadania, exprimindo a
capacidade da sociedade civil assumir responsabilidades e agir
por si mesma.
10. Voluntariado é Um Hábito do Coração e
Uma Virtude Cívica
Será sempre bom relembrar que a emoção move e a razão
organiza. O voluntário, como actor social e agente de trans-
formação, é aquele que presta serviços não remunerados em
benefício da comunidade e que, ao participar com tempo e
conhecimentos, realiza um trabalho gerado pelo seu impulso
solidário e pela sua consciência cívica.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
86
Anexos - Capítulo 2
87
Anexo III
Legislação Sobre Voluntariado
A Assembleia da República decreta, nos termos do artigo
161.º, alínea c), do artigo 166.º, n.º 3, e do artigo 112.º, n.º
5, da Constituição, para valer como lei geral da República, o
seguinte:
CAPÍTULO I
Disposições Gerais
Artigo 1.º
Objecto
A presente lei visa promover e garantir a todos os cidadãos
a participação solidária em acções de voluntariado e defnir as
bases do seu enquadramento jurídico.
Artigo 2.º
Voluntariado
1 - Voluntariado é o conjunto de acções de interesse
social e comunitário realizadas de forma desinteressada por
pessoas, no âmbito de projectos, programas e outras formas
de intervenção ao serviço dos indivíduos, das famílias e da
comunidade desenvolvidos sem fns lucrativos por entidades
públicas ou privadas.
2 - Não são abrangidas pela presente lei as actuações
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
86
Anexos - Capítulo 2
87
que, embora desinteressadas, tenham um carácter isolado e
esporádico ou sejam determinadas por razões familiares, de
amizade e de boa vizinhança.
Artigo 3.º
Voluntário
1 - O voluntário é o indivíduo que de forma livre, desin-
teressada e responsável se compromete, de acordo com as suas
aptidões próprias e no seu tempo livre, a realizar acções de
voluntariado no âmbito de uma organização promotora.
2 - A qualidade de voluntário não pode, de qualquer
forma, decorrer de relação de trabalho subordinado ou autó-
nomo ou de qualquer relação de conteúdo patrimonial com
a organização promotora, sem prejuízo de regimes especiais
constantes da lei.
Artigo 4.º
Organizações Promotoras
1 - Para efeitos da presente lei, consideram-se organiza-
ções promotoras as entidades públicas da administração cen-
tral, regional ou local ou outras pessoas colectivas de direito
público ou privado, legalmente constituídas, que reúnam
condições para integrar voluntários e coordenar o exercício
da sua actividade, que devem ser defnidas nos termos do
artigo 11.º
2 - Poderão igualmente aderir ao regime estabelecido no
presente diploma, como organizações promotoras, outras orga-
nizações socialmente reconhecidas que reúnam condições para
integrar voluntários e coordenar o exercício da sua actividade.
3 - A actividade referida nos números anteriores tem de
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
88
Anexos - Capítulo 2
89
revestir interesse social e comunitário e pode ser desenvolvida
nos domínios cívico, da acção social, da saúde, da educação,
da ciência e cultura, da defesa do património e do ambiente,
da defesa do consumidor, da cooperação para o desenvolvi-
mento, do emprego e da formação profssional, da reinserção
social, da protecção civil, do desenvolvimento da vida asso-
ciativa e da economia social, da promoção do voluntariado e
da solidariedade social, ou em outros de natureza análoga.
CAPÍTULO II
Princípios
Artigo 5.º
Princípio Geral
O Estado reconhece o valor social do voluntariado como
expressão do exercício livre de uma cidadania activa e solidá-
ria e promove e garante a sua autonomia e pluralismo.
Artigo 6.º
Princípios Enquadradores do Voluntariado
1 - O voluntariado obedece aos princípios da solidarieda-
de, da participação, da cooperação, da complementaridade,
da gratuitidade, da responsabilidade e da convergência.
2 - O princípio da solidariedade traduz-se na respon-
sabilidade de todos os cidadãos pela realização dos fns do
voluntariado.
3 - O princípio da participação implica a intervenção das
organizações representativas do voluntariado em matérias
respeitantes aos domínios em que os voluntários desenvolvem
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
88
Anexos - Capítulo 2
89
o seu trabalho.
4 - O princípio da cooperação envolve a possibilidade de
as organizações promotoras e as organizações representativas
do voluntariado estabelecerem relações e programas de acção
concertada.
5 - O princípio da complementaridade pressupõe que o
voluntário não deve substituir os recursos humanos conside-
rados necessários à prossecução das actividades das organiza-
ções promotoras, estatutariamente defnidas.
6 - O princípio da gratuitidade pressupõe que o volun-
tário não é remunerado, nem pode receber subvenções ou
donativos, pelo exercício do seu trabalho voluntário.
7 - O princípio da responsabilidade reconhece que o
voluntário é responsável pelo exercício da actividade que
se comprometeu realizar, dadas as expectativas criadas aos
destinatários do trabalho voluntário.
8 - O princípio da convergência determina a harmo-
nização da acção do voluntário com a cultura e objectivos
institucionais da entidade promotora.
CAPÍTULO III
Direitos e Deveres do Voluntário
Artigo 7.º
Direitos do Voluntário
1 - São direitos do voluntário:
a) Ter acesso a programas de formação inicial e
contínua, tendo em vista o aperfeiçoamento do
seu trabalho voluntário;
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
90
Anexos - Capítulo 2
91
b) Dispor de um cartão de identifcação de volun-
tário;
c) Enquadrar-se no regime do seguro social volun-
tário, no caso de não estar abrangido por um
regime obrigatório de segurança social;
d) Exercer o seu trabalho voluntário em condições
de higiene e segurança;
e) Faltar justifcadamente, se empregado, quando
convocado pela organização promotora, nome-
adamente por motivo do cumprimento de
missões urgentes, em situações de emergência,
calamidade pública ou equiparadas;
f ) Receber as indemnizações, subsídios e pensões,
bem como outras regalias legalmente defnidas,
em caso de acidente ou doença contraída no
exercício do trabalho voluntário;
g) Estabelecer com a entidade que colabora um
programa de voluntariado que regule as suas
relações mútuas e o conteúdo, natureza e dura-
ção do trabalho voluntário que vai realizar;
h) Ser ouvido na preparação das decisões da orga-
nização promotora que afectem o desenvolvi-
mento do trabalho voluntário;
i) Benefciar, na qualidade de voluntário, de um
regime especial de utilização de transportes
públicos, nas condições estabelecidas na legis-
lação aplicável;
j) Ser reembolsado das importâncias despendidas
no exercício de uma actividade programada
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
90
Anexos - Capítulo 2
91
pela organização promotora, desde que inadi-
áveis e devidamente justifcadas, dentro dos
limites eventualmente estabelecidos pela mes-
ma entidade.
2 - As faltas justifcadas previstas na alínea e) contam, para
todos os efeitos, como tempo de serviço efectivo e não podem
implicar perda de quaisquer direitos ou regalias.
3 - A qualidade de voluntário é compatível com a de asso-
ciado, de membro dos corpos sociais e de benefciário da or-
ganização promotora através da qual exerce o voluntariado.
Artigo 8.º
Deveres do Voluntário
São deveres do voluntário:
a) Observar os princípios deontológicos por que se
rege a actividade que realiza, designadamente
o respeito pela vida privada de todos quantos
dela benefciam;
b) Observar as normas que regulam o funciona-
mento da entidade a que presta colaboração e
dos respectivos programas ou projectos;
c) Actuar de forma diligente, isenta e solidária;
d) Participar nos programas de formação destina-
dos ao correcto desenvolvimento do trabalho
voluntário;
e) Zelar pela boa utilização dos recursos materiais
e dos bens, equipamentos e utensílios postos
ao seu dispor;
f ) Colaborar com os profssionais da organização
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
92
Anexos - Capítulo 2
93
promotora, respeitando as suas opções e seguin-
do as suas orientações técnicas;
g) Não assumir o papel de representante da organi-
zação promotora sem o conhecimento e prévia
autorização desta;
h) Garantir a regularidade do exercício do traba-
lho voluntário de acordo com o programa acor-
dado com a organização promotora;
i) Utilizar devidamente a identifcação como
voluntário no exercício da sua actividade.
CAPÍTULO IV
Relações Entre o Voluntário e
a Organização Promotora
Artigo 9.º
Programa de Voluntariado
a) Com respeito pelas normas legais e estatutárias
aplicáveis, deve ser acordado entre a organiza-
ção promotora e o voluntário um programa de
voluntariado do qual possam constar, designa-
damente: a) A defnição do âmbito do trabalho
voluntário em função do perfl do voluntário
e dos domínios da actividade previamente
defnidos pela organização promotora;
b) Os critérios de participação nas actividades pro-
movidas pela organização promotora, a defni-
ção das funções dela decorrentes, a sua duração
e as formas de desvinculação;
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
92
Anexos - Capítulo 2
93
c) As condições de acesso aos locais onde deva ser
desenvolvido o trabalho voluntário, nomea-
damente lares, estabelecimentos hospitalares e
estabelecimentos prisionais;
d) Os sistemas internos de informação e de orien-
tação para a realização das tarefas destinadas
aos voluntários;
e) A avaliação periódica dos resultados do trabalho
voluntário desenvolvido;
f ) A realização das acções de formação destinadas ao
bom desenvolvimento do trabalho voluntário;
g) A cobertura dos riscos a que o voluntário está
sujeito e dos prejuízos que pode provocar a ter-
ceiros no exercício da sua actividade, tendo em
consideração as normas aplicáveis em matéria
de responsabilidade civil;
h) A identifcação como participante no programa a
desenvolver e a certifcação da sua participação;
i) O modo de resolução de confitos entre a orga-
nização promotora e o voluntário.
Artigo 10.º
Suspensão e Cessação
do Trabalho Voluntário
1 - O voluntário que pretenda interromper ou cessar o
trabalho voluntário deve informar a entidade promotora com
a maior antecedência possível.
2 - A organização promotora pode dispensar a colabora-
ção do voluntário a título temporário ou defnitivo sempre
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
94
Anexos - Capítulo 2
95
que a alteração dos objectivos ou das práticas institucionais
o justifque.
3 - A organização promotora pode determinar a suspensão
ou a cessação da colaboração do voluntário em todos ou em al-
guns domínios de actividade no caso de incumprimento grave e
reiterado do programa de voluntariado por parte do voluntário.
CAPÍTULO V
Disposições Finais e Transitórias
Artigo 11.º
Regulamentação
1 - O Governo deve proceder à regulamentação da
presente lei no prazo máximo de 90 dias, estabelecendo
as condições necessárias à sua integral e efectiva aplicação,
nomeadamente as condições da efectivação dos direitos con-
signados nas alíneas f ), g) e j) do n.º 1 do artigo 7.º
2 - A regulamentação deve ter ainda em conta a especif-
cidade de cada sector da actividade em que se exerce o volun-
tariado. 3 - Até à sua regulamentação mantém-se em vigor a
legislação que não contrarie o preceituado na presente lei.
Artigo 12.º
Entrada em Vigor
A presente lei entra em vigor 30 dias após a sua publicação.
Aprovada em 24 de Setembro de 1998.
O Presidente da Assembleia da República,
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
94
Anexos - Capítulo 2
95
António de Almeida Santos.
Promulgada em 21 de Outubro de 1998.
Publique-se.
O Presidente da República,
JORGE SAMPAIO.
Referendada em 23 de Outubro de 1998.
O Primeiro-Ministro,
António Manuel de Oliveira Guterres.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
96
Anexos - Capítulo 3
97
CAPÍTULO 3
Anexo I
Pressupostos Para a Elaboração de um Programa
de Voluntariado
• analisar o contexto actual no qual a acção
será desenvolvida;
• defnir o foco de actuação e estabelecer
os objectivos do trabalho que se pretende
desenvolver;
• defnir os serviços a serem prestados;
• verifcar os recursos físicos, humanos e
fnanceiros necessários;
• criar um sistema de monitorização e
avaliação das acções a serem realizadas;
• viabilizar a execução do plano;
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
96
Anexos - Capítulo 3
97
Anexo II
Quadro de Necessidades
Nome da Instituição:
Telefone:
Email:
Tipo de Trabalho
a Ser Desenvolvido
Características
do Voluntário
Formação
Idade
Sexo
Local Onde
Será Realizado
o Trabalho
Horário Previsto
Para As Actividades
Horas
por Semana
Período:
M/T/N/FS*
* M = manhã; T = tarde; N = noite; FS = fns-de-semana
In Centros de Voluntários: Transformando Necessidades em Oportunidades de Acção.
Conselho da Comunidade Solidária. Brasil.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
98
Anexos - Capítulo 3
99
Anexo III
Como Organizar um Programa de Voluntariado
Etapas Actividades Notas
1
Diagnóstico da
Realidade Local e
Institucional
-
2
Elaboração do
Perfl do Voluntário
-
3 Recrutamento
4 Acolhimento
5
Período de
Adaptação e
Formação Inicial
6
Seguimento
Valorização e
Avaliação
-
ISU- Centro de Formação para o Voluntariado
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
98
Anexos - Capítulo 3
99
Anexo IV
Caracterização do Coordenador de Voluntários
Funções do Coordenador/Responsável de Voluntários
• Diagnosticar necessidades;
• Recrutar e seleccionar voluntários;
• Orientar e formar voluntários;
• Monitorizar, supervisionar e avaliar
voluntários;
• Valorizar e reconhecer os voluntários;
• Monitorizar e avaliar o programa de
voluntariado;
Perfl Coordenador de Voluntários
• Capacidade para se relacionar com as pessoas;
• Capacidade para ouvir e envolver o Outro;
• Disponibilidade para se integrar no grupo de
voluntários e de trabalhar em equipa;
• Capacidade para planifcar, organizar, delegar
tarefas e supervisionar projectos;
• Capacidade para refectir sobre as suas práticas
e para as criticar;
•Capacidade para gerar e motivar mudanças;
• Capacidade para sensibilizar, recrutar e motivar
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
100
Anexos - Capítulo 3
101
os futuros voluntários;
• Capacidade para coordenar grupos, assumir a
liderança do grupo e facilitar o desempenho
das tarefas;
• Capacidade de negociação e de resolução de
confitos;
• Capacidade de decisão;
• Disponibilidade de tempo;
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
100
Anexos - Capítulo 3
101
Anexo V
Ficha de Identifcação do Voluntário
Dados de Identifcação:
Nome Completo:
Data de Nascimento: / /
Local:
Sexo: c F c M Estado Civil:
Morada: Código Postal:
Telefone: Telemóvel:
Fax: E-mail:
Tem carta de condução:
c Sim c Não Viatura Própria: c Sim c Não
Escolaridade:
c Ensino Básico c Ensino Secundário c Ensino Superior
Curso: Especialização:
Actividade Profssional:
c Func. Público c Aposentado c Profssional Liberal
c Desempregado c Empresário c Func. de ONG
c Funcionário de Empresa Privada
c Funcionário em Empresa Pública/Estatal
c Dona de Casa c Estudante
c Outros:
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
102
Anexos - Capítulo 3
103
Onde Trabalha:
Cargo/Função:
Morada do Local de Trabalho:
Código Postal: Telefone: Fax:
Preferência para contacto:
c Residência c Trabalho c Telemóvel
Tem experiência de voluntariado: c Sim c Não
Em caso afrmativo:
Instituições: Tarefas desenvolvidas:
Por quanto tempo:
Em caso de necessidade, indique pelo menos uma pessoa
e/ou instituição que possa dar referências suas:
Telefone:
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
102
Anexos - Capítulo 3
103
Conhecimentos de Idiomas Estrangeiros
Idiomas
Lê Fala Escreve Traduz
Inglês c c c c
Francês c c c c
Espanhol c c c c
Outras: c c c c
Preferências:
Em que área gostaria de trabalhar?
c Assistência Social c Educação Saúde c Cultura
c Meio Ambiente c Desporto e Lazer c Informática
c Apoio Administrativo c Outras:
Com que público gostaria de trabalhar?
2 Adolescentes 2 Idosos
c Crianças c Homens c Mulheres c Toxicodependentes
c Sem-abrigo c Portadores de HIV/SIDA
c Portadores de Defciência c Outros:
Que tipo de actividades gostaria de realizar?
NIVERSITÁRIA
Qual o seu tempo disponível?
Dia da Semana 2.ª 3.ª 4ª 5ª 6ª Sáb. Dom.
Manhã hs hs hs hs hs hs hs
Tarde hs hs hs hs hs hs hs
Noite hs hs hs hs hs hs hs
Observações:
Assinatura: Data:
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
104
Anexos - Capítulo 3
105
Anexo VI
Minuta do Contrato de Voluntariado
A Associação/Fundação , pessoa colectiva
n.º , com sede no(a) ,
aqui representado por , residente no (a)
, em portadora do B.I. n.º ,
emitido em / / , pelos Serviços de Identifcação Civil
de , e (nome do(a) voluntário(a),
residente no (a) , portador (a) do B.I. nº,
emitido em / / , pelos Serviços de Iden-
tifcação Civil de , é celebrado o presente contrato
defnidor dos direitos e deveres recíprocos das partes.
Actividades:
(nome), como voluntário/a do (a)
, propõe-se a colaborar com a entidade,
integrado/a na área/ departamento , e nas
seguintes actividades:
.
Local:
As actividades de voluntariado serão levadas a cabo no(a)
(denominação do espaço), situado no(a)
(morada), num total de (horas),
repartidas por (dias p/ semana), podendo o local e o ho-
rário serem alterados em face das necessidades especifcas de
um projecto/actividade.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
104
Anexos - Capítulo 3
105
O(A) voluntário(a) compromete-se a:
- Cumprir com os compromissos acordados com a organiza-
ção, respeitando os seus objectivos, benefciários e normas,
actuando de forma consciente e solidária;
- Guardar com confdencialidade a informação recebida no
desenvolvimento da sua actividade.
A entidade compromete-se a:
- Fornecer ao(à) voluntário(a) a informação, formação, apoio
e, se for o caso, os meios materiais necessários para o exercí-
cio das funções que lhe foram atribuídas;
- Promover a participação activa do voluntário na organização,
no planeamento e avaliação das actividades que realiza;
- Fazer um seguro para o voluntário contra os riscos de
acidente e responsabilidade civil derivados do exercício da
actividade;
- Compensar economicamente o voluntário pelos gastos
derivados da sua actividade.
Duração:
O presente compromisso tem uma duração de meses/ anos.
Qualquer uma das partes pode deixar sem efeito este acordo,
notifcando a outra parte com uma antecedência de 30 dias.
, de de 2005
P’lo Voluntário P’la Entidade
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
106
Anexos - Capítulo 4
107
CAPÍTULO 4
Anexo I
Referencial de Formação Para o Consumo
Responsável
Proposta de Formação
(1.ª fase)
Formação e capacitação dos jovens voluntários que serão
os futuros formadores
Destinatários: 10 a 20 Voluntários de diferentes organizações
(que serão os futuros formadores no âmbito do projecto)
Duração: 24 horas
Local: Lisboa e Porto
Perfl Voluntários
O perfl dos voluntários não deve ser fechado, de modo
a permitir que qualquer tipo de pessoa, de áreas académicas
e de interesse diversifcados, possam integrar o projecto pelo
reconhecimento da sua mais-valia como voluntário mas aci-
ma de tudo pelo reconhecimento da importância deste tema
e da sua abordagem.
• jovens estudantes (preferencial);
• com ou sem experiência de voluntariado;
• com ou sem experiência de formação;
• interesse e motivação para integrar o projecto;
• disponibilidade para o período de formação e
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
106
Anexos - Capítulo 4
107
formação nas escolas;
• qualquer área académica;
Objectivo Global
• Dotar os futuros formadores de competências
e conhecimentos nas áreas temáticas que se
pretendem abordar no projecto e na área da
pedagogia e métodos activos e participativos
de formação;
Objectivos Específcos
• Conhecer os conceitos de Educação para o
Desenvolvimento (ED) actuais;
• Identifcar os valores comuns que estão na
base de actuação do voluntariado e da ED;
• Identifcar as diferentes práticas existentes no
âmbito da ED (comércio justo, banca ética,
consume responsável, entre outros);
• Defnir o voluntariado como um processo
de intervenção continuado e dinâmico de
tomada de consciência das diferenças e
desigualdades que se fazem sentir
• Entender o voluntariado como um dos
instrumentos possíveis de ED;
• Tomar consciência do papel de cada
indivíduo perante o contexto de
desequilíbrios, assimetrias e desigualdades
existentes no mundo actual;
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
108
Anexos - Capítulo 4
109
• Refectir sobre o processo de desenvolvimento
como enquadrador das acções de solidariedade
e voluntariado;
• Suscitar uma refexão crítica sobre a Cidadania
enquanto construção social/ histórica relacio-
nada com o “viver juntos” e enquanto realidade
que implica o envolvimento de todos ao nível
da “refexão e prática” (construção).
• Entender a sua acção individual como uma
acção duradoura no tempo e que compromete
as gerações do futuro;
• Conhecer o projecto de comércio responsável
(CR), entendendo a sua acção voluntária como
parte integrante deste;
• Aplicar a metodologia activa de formação
nas actividades que serão posteriormente
desenvolvidas;
• Defnir o conceito de consumo responsável;
• Identifcar nos diversos sectores de consumo
(alimentação, vestuário, energia) de que
forma poderão realizar mudanças orientadas
para um consumo mais responsável e justo;
• Aplicar a metodologia activa de formação
nas actividades que serão posteriormente
desenvolvidas;
• Identifcar e aplicar outras metodologias
activas de formação que poderão ser usadas
no trabalho com as escolas;
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
108
Anexos - Capítulo 4
109
• Elaborar os planos de sessões e de todas as
actividades formativas (pacote de formação);
• Questionar as suas motivações, dando espaço
para um processo de auto-avaliação relativo ao
grau de preparação para participar no projecto;
• Facilitar todos os materiais de apoio e instru-
mentos do projecto;
• Apropriar-se do processo de execução do
projecto;
• Avaliar a qualidade da formação.
Áreas Temáticas
Módulo Temas Objectivos Horas
Módulo I Educação para o
Desenvolvimento
(ED)
• Conhecer os
conceitos de
Educação para o
Desenvolvimento
(ED) actuais;
• Identifcar os
valores comuns
que estão na base
de actuação do
voluntariado e da
ED;
• Identifcar as dife-
rentes práticas
existentes no âmbito
da ED (comércio
justo, banca ética,
consumo responsá-
vel, entre outros);
2h30min
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
110
Anexos - Capítulo 4
111
Módulo Temas Objectivos Horas
Módulo I
(Continuação)
• Tomar consciência
do papel de cada
indivíduo perante o
contexto de desequi-
líbrios, assimetrias e
desigualdades exis-
tentes no mundo
actual;
• Conhecer o projecto
de CR, entendo a
sua acção voluntária
como parte
integrante deste;
2h30min
Módulo II Consumo
Responsável:
mudança de
hábitos
• Dimensão ética
do Consumo
• Sociedade de
Consumo
• O poder do
consumidor
• Mudanças
de hábitos de
consumo
• Energia
• Vestuário/
calçado
• Alimentação
• Higiene Domés-
tica e Pessoal
• Defnir o conceito
de consumo
responsável;
• Identifcar nos
diversos sectores
de consumo
(alimentação,
vestuário,
energia) de que
forma poderão
realizar mudanças
orientadas para
um consumo mais
responsável e justo;
• Aplicar a
metodologia
activa de formação
nas actividades
que serão
posteriormente
desenvolvidas;
8h
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
110
Anexos - Capítulo 4
111
Módulo Temas Objectivos Horas
Módulo II
(Continuação)
• Saúde
• Resíduos
(Práticas de
Consumo
Responsável
Aplicação da
metodologia
das fchas
pedagógicas)
• Identifcar e aplicar
outras metodologias
activas de formação
que poderão ser
usadas no trabalho
com as escolas;
8h
Módulo III Voluntariado
Questões práticas:
disponibilização
dos instrumentos
de controlo das
actividades de
formação
• Aplicar a
metodologia
activa de formação
nas actividades
que serão
posteriormente
desenvolvidas;
• Identifcar os valores
comuns que estão
na base de actuação
do voluntariado e
da ED;
• Entender o
voluntariado
como um dos
instrumentos
possíveis de ED;
• Refectir sobre
o processo de
desenvolvimento
como enquadrador
das acções de
solidariedade e
voluntariado;
8h
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
112
Anexos - Capítulo 4
113
Módulo Temas Objectivos Horas
Módulo III
(Continuação)
• Entender a sua ac-
ção individual como
uma acção dura-
doura no tempo e
que compromete as
gerações do futuro;
• Questionar as suas
motivações, dando
espaço para um
processo de auto-
avaliação relativo ao
grau de preparação
para participar no
projecto;
• Facilitar todos os
materiais de apoio
e instrumentos do
projecto;
• Apropriar-se
do processo de
execução do
projecto;
• Avaliar a qualidade
da formação.
8h
Metodologia
Esta acção de formação centrar-se-á em metodologias
dinâmicas que valorizam a aprendizagem através da análise
de vivências pessoais e da experimentação. O formador é
um dinamizador do debate em torno de um determinado
tema, utilizando, para isto, técnicas do método activo, como
são o caso dos exercícios de análises de casos, da refexão
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
112
Anexos - Capítulo 4
113
e discussão de conceitos em subgrupos e apresentação de
resultados em grande grupo, etc. Os conhecimentos sobre os
temas são construídos através de um trabalho conjunto em
sala. O método expositivo é utilizado, com o apoio de meios
audiovisuais, essencialmente quando se pretende iniciar ou
rematar a discussão de um determinado tema. O relato de
experiências vividas pelos formadores é frequentemente
utilizado para exemplifcar e argumentar ideias apresentadas.
Será entregue aos voluntários materiais de apoio que serão
por eles utilizados durante a formação nas escolas e também
em alguns artigos de apoio aos temas abordados.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
114
Anexos - Capítulo 4
115
Anexo II
Curso de Formação de Voluntários
(In)formar para Mudar
Módulo 1
Educação Para O Desenvolvimento
É difícil defnir o conceito de Educação para o Desen-
volvimento (ED) na medida em que o seu entendimento
depende, antes de mais, do entendimento que se tem de
cada um dos conceitos “Educação” e “Desenvolvimento”. No
entanto, são vários os aspectos relacionados com este conceito
que são consensuais por toda a Europa, nomeadamente o de
se considerar a ED como um processo activo de aprendiza-
gem, assente nos valores de solidariedade, equidade, inclusão
social e cooperação, que permite à sociedade civil a tomada
de consciência em relação às desigualdades e assimetrias que
se fazem sentir no mundo e que põem em causa a ideia de
desenvolvimento sustentável, equitativo e harmonioso.
No ano de 2001, o Conselho de Desenvolvimento da
União Europeia aprovou uma resolução sobre ED, susten-
tando que: “Considerando que, dada a interdependência global
da nossa sociedade, a sensibilidade através da Educação para
o Desenvolvimento e da informação contribui para reforçar o
sentimento de solidariedade internacional e para criar um clima
propício à emergência de uma sociedade intercultural na Europa;
que essa mesma sensibilização contribui também para alterar os
modos de vida, privilegiando um modelo de desenvolvimento
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
114
Anexos - Capítulo 4
115
sustentável para todos e, por último, para aumentar o apoio dos
cidadãos à realização de esforços suplementares de fnanciamento
público à cooperação para o desenvolvimento”.
A erradicação da pobreza é, sem dúvida, o maior desafo
que se coloca às estratégias e opções de desenvolvimento
feitas por governos e organizações da sociedade civil tra-
duzindo-se (este desafo) no aumento de fnanciamentos a
projectos relacionados com a luta contra a pobreza, que se
faz sentir sobretudo nos países do Sul (mas também e cada
vez mais criando “ilhas de pobreza nos países do Norte”). A
verdade é que este fenómeno não pode ser analisado senão
por relação às já referidas opções feitas ao nível do desenvol-
vimento, sendo também inquestionável a interdependência
global (globalização), signifcando isto que as opções feitas no
Norte têm repercussões no Sul e vice-versa (veja-se o exemplo
que mais se tem feito sentir relativamente aos sucessivos au-
mentos no preço da gasolina derivado das sucessivas guerras
que se têm feito sentir nos últimos anos e também o aumento
do número de deslocados e refugiados de guerra que vivem,
muitas vezes, em situações muito precárias), repercussões
com consequências gravíssimas não só ao nível social (rela-
cionado com a qualidade de vida das pessoas) como ao nível
ambiental e cultural.
É também verdade que estas mesmas opções têm sido
cada vez mais questionadas, tanto por organizações da socie-
dade civil (veja-se o exemplo das ONGD, ONG ligadas ao
ambiente ou à defesa do património) como por académicos
dedicados ao estudo destas questões e por movimentos parti-
dários, apelando-se cada vez mais à sociedade civil e à opinião
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
116
Anexos - Capítulo 4
117
pública em geral um maior envolvimento e participação na
promoção da mudança deste cenário mundial.
A mudança é exactamente o que se pretende no âmbito
da ED. A Educação para o Desenvolvimento visa a mudan-
ça, a transformação do mundo em que vivemos, que hoje é
o planeta e todo o espaço que o envolve. O seu horizonte
inscreve-se na ideia de “educação ao longo da vida”, porque
para mudar é preciso conhecer, compreender, escolher, tomar
decisões, assumir compromissos, criar alianças, arriscar, re-
fectir, avaliar, recomeçar sempre, reforçando-se aqui a ideia
de alianças e parcerias para o desenvolvimento entre os vários
agentes e sectores da sociedade civil.
A Educação para o Desenvolvimento (ED) é um processo
dinâmico, interactivo e participativo que visa:
• a formação integral das pessoas
• a consciencialização e compreensão das
causas dos problemas de desenvolvimento
e das desigualdades locais e globais num
contexto de interdependência
• a vivência da interculturalidade
• o compromisso para a acção transformadora
alicerçada na justiça, equidade e solidariedade
• a promoção do direito e do dever de todas
as pessoas, e de todos os povos, participarem
e contribuírem para um desenvolvimento
integral e sustentável.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
116
Anexos - Capítulo 4
117
Desenvolver consciência desta interdependência, das suas
implicações e do nosso papel para a transformar num instru-
mento de cooperação, desenvolvimento e educação para o
desenvolvimento é um desafo.
Objectivo Geral
• Conhecer os objectivos, a estrutura e
funcionamento do projecto;
Objectivos Específcos
• Conhecer os conceitos de Educação para o
Desenvolvimento (ED) actuais;
• Identifcar as diferentes práticas existentes no
âmbito da ED (comércio justo, banca ética,
consumo responsável, entre outros);
• Tomar consciência do papel de cada
indivíduo perante o contexto de
desequilíbrios, assimetrias e desigualdades
existentes no mundo actual;
• Refectir sobre o processo de
desenvolvimento como enquadrador das
acções de solidariedade e voluntariado;
• Conhecer o projecto de CR, entendo a sua
acção voluntária como parte integrante deste;
Metodologia
• Plenários
• Jogos pedagógicos
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
118
Anexos - Capítulo 4
119
• Energizer
• Exposição
Recursos Didácticos
• Quadro
• Apresentação em Powerpoint ISU/
REVIRAVOLTA/RNCR
• Portátil e Data show
• Post-it
• Desenho da árvore das expectativas
Referências Bibliográfcas
[1]
AMARO, R. (1993) As Novas Oportunidades de Desenvol-
vimento Local. In A Rede para o Desenvolvimento
Local (pp. 16-22).
AMIN, S. (2000) Os Desafos da Mundialização. Lisboa:
Dinossauro.
BARBALET, J. (1989) A Cidadania. Lisboa: Editorial
Estampa.
CABRAL, M. (1997) Cidadania Política e Equidade Social em
Portugal. Lisboa: Celta Editora
CABRAL, M. (2000) O Exercício da Cidadania Política em
Portugal. In Análise Social, vol. XXXV (pp. 154-155)
CANÁRIO, R. (1998) Desenvolvimento Local e Educação
não Formal. In Educação e Ensino, 11 (pp. 31-34).
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
[1]
Todas as referências bibliográfcas encontram-se disponíveis nas fchas
didáctico pedagógicas, que serão entregues no fnal da formação.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
118
Anexos - Capítulo 4
119
Council of Europe (2002) Manual on Human Rights Educa-
tion with Young People. Compass.
ESTEVA, G. (2000) Desenvolvimento. In W., SACHS (ed),
Dicionário do Desenvolvimento (2000 — Guia para o
Conhecimento como Poder). Petrópolis: Editora Vozes.
FIGUEIREDO, I. (2001) Educar para a Cidadania. Porto:
Edições ASA.
FRIEDMANN, J. (1996) Empowerment — Uma Política de
Desenvolvimento Alternativo. Oeiras: Celta Editora.
FREIRE, P. (1975) Pedagogia do Oprimido. Porto: Edições
Afrontamento.
FREIRE, P. (1977) Acção Cultural para a Liberdade e outros
Escritos. Lisboa: Moraes Editores.
GIDDENS, A. (1998) As Consequências da Modernidade.
Oeiras: Celta Editora.
GIDDENS, A. (2005) O Mundo na Era da Globalização.
Lisboa: Editorial Presença
LANDES, D. (2002) A Riqueza e a Pobreza das Nações. Por-
que são algumas tão Ricas e outras tão Pobres. Lisboa:
Gradiva.
LETRIA J.(2000) A Cidadania Explicada aos Jovens... e aos
Outros. Lisboa: Terramar.
MILANDO, J. (2005) Cooperação sem Desenvolvimento.
In ICS, Colecção Estudos e Investigação, n.º 39.
MAX-NEEF, M. (1992) Chamar Desenvolvimento a um
Suicídio Colectivo. In A Rede para o Desenvolvimento
Local (pp. 18-27).
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
120
Anexos - Capítulo 4
121
MOZZICAFREDO, J. et al (2001) Administração e Política.
Oeiras: Celta Editora.
NOGUEIRA, C.; SILVA, I. (2001) Cidadania. Construção de
Novas Práticas em Contexto Educativo. Porto: Edições
ASA.
PIMENTA, C. (2007) Globalização e Desenvolvimento: Reali-
dade. Possibilidade ou Miragem?. Porto: CEAUP.
VIEGAS, J.; COSTA, A. (org.) (1998) Portugal, que Moder-
nidade?. Oeiras: Celta Editora.
VIEGAS, J.; DIAS, E. (2000) (orgs.) Cidadania, Integração,
Globalização. Lisboa: Celta Editora.
Plano dos Formadores
Desenvolvimento da Sessão
Técnica/Método Tempo Horário Descrição
Dinâmica de
Apresentação
15min 20h30 Teia de Relações:
objectivo desta dinâmica
é proporcionar a
apresentação como uma
situação de troca em que
cada formando contribuirá
para a criação de uma teia
de relações.
Os participantes formam
um círculo. É dado a
um dos participantes um
novelo de lã e é-lhe pedido
que diga o seu nome,
a sua associação e algo
de que goste.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
120
Anexos - Capítulo 4
121
Técnica/Método Tempo Horário Descrição
Dinâmica de
Apresentação
(Continuação)
Quando este termina deve
segurar na ponta do cordão
e atirar o novelo a outro
participante, o qual terá
que se apresentar e passar
novamente o novelo a
outro participante.
Este procedimento
continua até que todos
os participantes tenham
tecido uma teia de aranha.
Quando a última pessoa
receber o novelo e se
apresentar deverá devolvê-
lo à pessoa que o passou
apresentando-a. Nessa
devolução descreverá o tipo
de relacionamento que tem
com essa pessoa.
Por exemplo:
• Eu sou a Mariana.
Trabalho numa
associação desportiva
há sete anos e gosto de
manga.
• Ela é a Mariana.
Trabalha numa associação
desportiva há sete anos
e gosta de manga.
Conheço-a há 10 anos e
já trabalhámos juntos em
vários projectos.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
122
Anexos - Capítulo 4
123
Técnica/Método Tempo Horário Descrição
Dinâmica de
Apresentação
(Continuação)
A discussão fnal aberta
ao plenário deverá ser
conduzida de forma a
realçar a ansiedade de
entrar em cena ou de fcar
para o fm e o desejo ou o
medo de se apresentarem.
Colocação dos
Distintivos
(nome e símbolo)
5min 20h45 Cada formando deverá
escrever num autocolante
o seu nome e um símbolo
que o identifque,
explicando o porquê.
Deverá permanecer
durante o primeiro dia
com o autocolante. (o
formador poderá sugerir
que escrevam apenas o
seu nome numa folha A4
dobrada em três.
Apresentação
do Programa
5min 20h50 O formador deverá
apresentar o programa
da formação e dar
informações diversas:
- recibos alimentação
- alertar cumprimento de
horários
- avaliação fnal
- assinatura da declaração
de participação na rede
- certifcados (serão
entregues os certifcados
mediante 75% de
presenças)
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
122
Anexos - Capítulo 4
123
Técnica/Método Tempo Horário Descrição
Apresentação
do Programa
(Continuação)
- Fumar fora da sala
- Google group
- Abrir espaço para
questões
Apresentação da
RNCR, ISU e
REVIRAVOLTA
20min 20h55 Deverão ser apresentadas
ambas as organizações
que promovem o
projecto, o projecto em
si, e actividades as quais
os voluntários poderão
integrar.
Coffee-break 15min 21h15
ED –
Chuva de ideias
20min 21h30 Aquecimento (opcional
mas recomendável):
pequeno brainstrorming
sobre algo ridículo,
completamente desligado
do tema. Ex.: para que
servem as passadeiras?
O que é um caracol? O
que é um arco-íris?...
Este pequeno exercício
introduz os formandos na
lógica de raciocínio que
é pretendido. Estimula-
os para o exercício que
realizarão depois. (3min)
Chuva de ideias sobre o
conceito.
Pistas de orientação:
Porquê educação?
Desenvolvimento? ED?
Apresentação do conceito.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
124
Anexos - Capítulo 4
125
Técnica/Método Tempo Horário Descrição
Introdução
às Fichas
60min 21h50 Jogo das Cadeiras
Avaliação 15min 22h50 Os participantes deverão
fazer uma avaliação
individual: responder às
questões
O que aprendi ou
aprofundei hoje ao longo
do dia?
Quais foram as
difculdades?
Deverão escrever num
post-it e afxar no placar
colocado para esse efeito.
Final 23h05
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
124
Anexos - Capítulo 4
125
Anexo III
Curso de Formação de Voluntários
(In)formar para Mudar
Módulo 2
Consumo Responsável
Fichas Didáctico-Pedagógicas
A sociedade de consumo actual promove a desigualdade
económica e social e coloca em perigo o ambiente. Esta
constatação, bastante consensual entre os diferentes sectores
da sociedade civil (educação, cultura, ambiente,…) traduz-se
no reconhecimento da necessidade de sensibilizar, educar e
mobilizar as gerações mais jovens para a necessidade de um
consumo mais responsável com vista a um desenvolvimento
global sustentável na certeza de que se não se promover mu-
danças nos hábitos de consumo, estaremos a contribuir para
um cenário de desigualdades sociais e económicas cada vez
mais profundas, destruição de recursos naturais, da biodiver-
sidade e do meio ambiente, do qual todos, mesmo os que
vivem no mundo desenvolvido sairão perdedores.
A construção de uma globalização alternativa, que poten-
cialize os recursos, a diversidade, a confuência de esforços e o
desenvolvimento de um mundo melhor para todos depende
da capacidade de intervenção da sociedade civil (da qual todos
fazemos parte), espírito crítico e transformação de comporta-
mentos. Para mudar comportamentos é fundamental educar
no sentido de construir uma cidadania mais participada e
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
126
Anexos - Capítulo 4
127
despertar consciências para a realidade da interdependência e
para a responsabilidade colectiva na resolução dos problemas
mundiais actuais.
Cada um de nós pode contribuir para a mudança através
dos seus gestos quotidianos mas juntos, organizados e através
da construção de redes de intervenção poderemos fazer muito
mais. Juntos, enquanto consumidores e cidadãos participati-
vos e conscientes podemos também mudar as políticas que
colocam em perigo a sustentabilidade do mundo actual. Nas
sociedades democráticas, os políticos são cidadãos que repre-
sentam a vontade colectiva e são como tal refexo dela.
Quando abrimos a despensa para ir buscar um qualquer
produto para o jantar, quando vestimos a nossa t-shirt
preferida ou quando deitamos ao lixo um electrodoméstico
avariado, estamos quase sempre certos de se tratar de gestos
pessoais que só a nós dizem respeito. No entanto, se formos
um pouco mais longe e tentarmos saber de onde vêm os
produtos, quem os fez e em que condições, qual o impacto
ambiental do nosso desperdício ou o impacto social do
mercado do algodão de que é feita a nossa t-shirt preferida,
rapidamente percebemos, que temos o mundo inteiro em
casa e que todos os nossos gestos afectam a vida de outras
pessoas e a sustentabilidade do planeta pois somos todos
interdependentes.
É fundamental que cada um de nós tome consciência do
seu papel na sociedade actual, uma sociedade assente no consu-
mismo e em modelos de desenvolvimento que criam um fosso
cada vez maior entre o Norte e o Sul, que promove a exclusão
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
126
Anexos - Capítulo 4
127
social, o desrespeito pelo ambiente e pelos direitos humanos.
Consumir menos e estar melhor informado são fun-
damentais para que possamos adoptar novos critérios de
selecção de produtos e serviços baseados em escolhas mais
justas, solidárias e ecológicas.
“(…)Falar de consumo é falar de consu-
mo responsável e desenvolvimento susten-
tável…ao decidir o consumo deveríamos
considerar não apenas o aspecto económico,
mas também a maneira como foi elaborado
o produto, quais foram os efeitos desta pro-
dução sobre o meio ambiente, se as pessoas
envolvidas na produção foram tratadas jus-
tamente pelos seus empresários, se o produ-
to foi rotulado ou anunciado sem afrmações
falsas sobre as suas características(…)”
[1]
A forma como foi produzido qualquer produto (se os
trabalhadores foram justamente remunerados, se houve ou
não aproveitamento de matérias-primas recicladas, o que vai
gerar em termos de resíduos), bem como a respectiva conduta
empresarial no seu fabrico, passam a ser um binómio sempre
presente na nossa decisão por este ou aquele produto.
Também o nosso papel individual exige que todos os
intervenientes se pautem pela mesma responsabilidade ética,
tanto no sector público como no privado, nas empresas pro-
dutoras, nos fornecedores, nos importadores, nos distribui-
dores e nos comerciantes.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
128
Anexos - Capítulo 4
129
Para passarmos a consumir de forma ética, podemos
também recorrer a alternativas de modelos produtivos e
económicos, e colaborar para o bem-estar colectivo e para o
desenvolvimento integral de todos os povos.
Objectivo Geral
• Utilizar as fchas didáctico-pedagógicas como
recurso às acções de sensibilização;
Objectivos Específcos
• Defnir o conceito de consumo responsável;
• Identifcar nos diversos sectores de consumo
(alimentação, vestuário, energia, etc.) de que
forma poderão realizar mudanças orientadas
para um consumo mais responsável e justo;
• Aplicar a metodologia activa de formação
nas actividades que serão posteriormente
desenvolvidas;
Metodologia
• Chuva de ideias
• Plenário
• Jogos pedagógicos
• Energizer
• Exposição
• Planeamento de Sessões
• Simulações
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
128
Anexos - Capítulo 4
129
Recursos Didácticos
• Quadro
• Apresentação powerpoint Metodologias
Activas de Formação
• portátil e data show
• Post-it
• Rótulos
• cartazes
• cartões do Jogo da Cadeia do Café
Referências Bibliográfcas
[1]

Plano dos Formadores
Desenvolvimento da Sessão
Técnica/Método Tempo
Hora
(início)
Descrição
Energizer 10min 9:30 Cada pessoa selecciona
secretamente uma “pessoa
A” e uma “pessoa B”.
Ninguém mais deverá
saber qual foi a sua escolha.
Então toda a gente deverá
tentar aproximar-se o mais
possível da sua “pessoa A”.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
[1]
Todas as referências bibliográfcas encontram-se disponíveis nas fchas
didáctico-pedagógicas, respeitantes a todo o capítulo D.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
130
Anexos - Capítulo 4
131
Técnica/Método Tempo
Hora
(início)
Descrição
Energizer
(Continuação)
Assim que isso acontecer
e assim que as pessoas
pararem de se mover, o
formador diz-lhes para se
afastarem o mais possível
da sua “pessoa B”. O grupo
fará então movimentos
opostos: contraindo-se
e expandindo-se. Este
é um exercício rápido
e com bastante humor.
Preferencialmente o
orientador não deverá
pedir aos participantes para
revelarem as suas escolhas,
pois alguém poderá
sentir-se excluído.
Chuva de Ideias
“O que é?”
40min 10:10 O que é o consumo?
(5min)
O que é o consumismo?
(5min)
O que é o consumo
responsável?
(5min)
• Os formandos deverão
dizer em plenário todas
as ideias que surgem
quando pensam no con-
ceito de consumo respon-
sável. O formador deverá
ir escrevendo as ideias no
quadro.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
130
Anexos - Capítulo 4
131
Técnica/Método Tempo
Hora
(início)
Descrição
Chuva de Ideias
“O que é?”
(Continuação)
• O formador divide o
grupo em 4 sub-grupos
(utilizando para isso uma
dinâmica de divisão de
grupos, como a atribui-
ção de números a cada
um dos elementos) e os
grupos deverão iden-
tifcar 5 ideias-chave e
construir uma defnição
de consumo responsável.
(15min)
• Retornando ao plenário,
cada grupo deverá apre-
sentar os resultados do
seu trabalho, debatendo-
-se no fnal da apresenta-
ção: (10min)
• Toda a gente se identifca
com o resultado?
• Há alguma palavra que
vos surpreenda?
• Há alguma que não per-
cebam? Refectir sobre
isso em conjunto.
• O formador deverá
explicar aos formandos
que o conceito e as
diferentes abordagens
irão sendo discutidas ao
longo dos restantes dias
de formação
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
132
Anexos - Capítulo 4
133
Técnica/Método Tempo
Hora
(início)
Descrição
Pontos Quentes
do Consumo
20min 10:50 • O formador deverá
lançar a questão:
Quando se compra uma
peça de vestuário o que
têm em conta?
• Síntese do formador
com os quatro pontos
quentes. (refectir, reduzir
o consumo, reutilizar e
separar os resíduos)
Antes de comprar
O que é que preciso
ou quero exactamente?
Que opções tenho para
satisfazer essa necessidade
ou desejo? De certeza que
tenho que comprar para
conseguir o que quero?
Como posso necessitar,
comprar e gastar menos
quantidade desse produto?
Na momento da compra
Quais são os meios de pro-
dução e materiais mais eco-
lógicos para o fabrico deste
produto? Quem são os
fabricantes das diferentes
marcas do produto? Quem
o vende? Que outros ne-
gócios tem? No que é que
investe e a quem fnancia?
A que classe de sociedade
faz tender o seu modelo
empresarial?
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
132
Anexos - Capítulo 4
133
Técnica/Método Tempo
Hora
(início)
Descrição
Pontos Quentes
do Consumo
(Continuação)
Enquanto o uso ou
consumo: como tenho que
cuidar o produto enquanto
o uso para que dure o
máximo tempo possível e
assim consumir menos e
gerar menos resíduos?
Quando acabei de con-
sumir: o que posso fazer
para que cause o menor
impacto possível quando se
converta em resíduo?
Coffee-break 15min 11:10
Introdução às Práticas de Consumo Responsável
“Metodologias
Activas de
Formação”
1ª fase
10min 11:25 O formador deverá pedir
aos formandos para
rapidamente fazerem uma
chuva de ideias sobre a
atitude de um formador.
(pontos positivos, pontos
negativos e sugestões).
Apresentação
“Metodologias
Activas de
Formação”
2.ª fase
30min 11:35 Depois da exposição o
formador deverá apresentar
o Powerpoint “Como
sensibilizar / formar?”,
procurando estabelecer
uma ponte entre aquilo
que os formandos
disseram.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
134
Anexos - Capítulo 4
135
Técnica/Método Tempo
Hora
(início)
Descrição
Planeamento
de Sessões
65min 12:05 O formador divide o grupo
pelos 6 temas relativos
ao ponto D.5 das fchas
didáctico-pedagógicas (usar
uma técnica de divisão de
grupos), entregando aos
diferentes grupos a fcha
respectiva e modelo do
plano de sessão que os
formandos deverão tentar
preencher com criatividade
procurando sair das
próprias fchas.
Deverão ser entregues
outros documentos de
apoio (técnicas VIPP,
Manual REFLECT,
outros).
Entregar fotocópias
com a apresentação do
Powerpoint. Os planos não
poderão demorar mais do
que 50min cada.
Pede-se aos grupos que
apontem alguns pontos
importantes na forma
como se organizaram.
• Divisão de tarefas
• Tempos
• Participações
• Formas de moderação /
exploração do tema
• Síntese
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
134
Anexos - Capítulo 4
135
Técnica/Método Tempo
Hora
(início)
Descrição
Planeamento de
Sessões
(Continuação)
Cabe aos formadores faze-
rem o acompanhamento
dos grupos procurando ir
rodando de 10 em 10min
por cada grupo.
Depois de todos terem
preenchido o plano de
sessão, o formador deverá
chamar todos os formando
para o plenário, discutindo
os seguintes pontos
(15min):
• Em que sentiram mais
difculdades nesta cons-
trução?
• Qual a vantagem do pla-
no e da fase de prepara-
ção de uma sessão? Quais
as suas desvantagens?
• Que género de situações
conseguiram antever na
sua aplicação?
• Consideram o plano
aplicável?
Almoço 90min 13:10
Simulação 100min 14:30 Os formandos deverão
simular o plano de sessão,
num período máximo
de 40min. Poderão saltar
alguns pontos desde que os
expliquem sucintamente.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
136
Anexos - Capítulo 4
137
Técnica/Método Tempo
Hora
(início)
Descrição
Simulação
(Continuação)
O grupo do plenário
deverá simular que são
estudantes. A discussão
das simulações deverá ser
feita por todos, sendo que
o formador deverá orientar
o grupo focando os pontos
que se encontram no últi-
mo slide do Powerpoint.
No fnal deverão ser colo-
cadas as seguintes questões:
(10min cada simulação)
• Como se sentiram no
papel de sensibilizadores?
• Sentiram que as situações
desempenhadas pelo gru-
po eram reais.
• O que perceberam do
tema?
Coffee-break 15min 16:10
Simulação 50min 16:25 (continuação)
Avaliação do
módulo
15min 17:45 Os participantes deverão
fazer uma avaliação indivi-
dual: responder às questões
O que aprendi ou aprofun-
dei hoje ao longo do dia?
Quais foram as difculda-
des?
Deverão escrever num
post-it e afxar no placar
colocado para esse efeito.
Final 18:00
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
136
Anexos - Capítulo 4
137
Anexo IV
Curso de Formação de Voluntários
(In)formar para Mudar
Módulo 3
Consumo Responsável
Introdução às Fichas Didáctico-Pedagógicas
Falar de consumo responsável implica o envolvimento de
diversos actores numa actuação promotora e respeitadora do
mundo em que vivemos, pessoas, recursos e ambiente para
garantir colectivamente um planeta sustentável.
A Escola representada por toda a comunidade educativa
(professores, alunos, auxiliares e encarregados de educação)
tem um papel fulcral no Consumo Responsável, não só como
meio operador de consumo, mas igualmente por ser um meio
privilegiado de Educação, onde desde cedo se pode e deve
intervir para sensibilizar, formar e agir no exemplo diário de
um consumo mais consciente e crítico em termos de práticas
desenvolvidas.
Em Portugal, na aplicação da Agenda 21 Local, foi imple-
mentada a Agenda 21E, dirigida às escolas, tomando como
base o modelo da Agenda 21 Escolar de Barcelona (adaptado
de “Guia Per Fer L´Ágenda 21 Escolar”, Ajuntament de Bar-
celona)
[1]
, em que se propõem diversas fases para que a Escola
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
[1]
Portugal Agenda 21 Local (2007) . Acedido em 23 de Julho de 2007, em:
http://www.agenda21local.info.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
138
Anexos - Capítulo 4
139
defna o seu programa:
[2]
A Solidariedade, como aspecto mo-
bilizador, constitui o princípio fundamental do voluntariado,
cujo fm último pode ser genericamente defnido como uma
contribuição – sem a presença do lucro ou benefício - presta-
da por indivíduos, através de organizações, para o benefício
da comunidade ou da sociedade em geral.
Na sociedade actual reconhece-se que o voluntariado tem
um espaço próprio de actuação, cujo trabalho se sita numa
linha de complementaridade do trabalho profssional e da
actuação das instituições. Dada a importância que é atribuí-
da, hoje em dia, à acção voluntária, pretende-se nesta sessão,
juntamente com os presentes e futuros voluntários, fazer uma
refexão à volta deste conceito.
O voluntariado fez parte de praticamente todas as civi-
lizações e sociedades. A História conta-nos que as pessoas
mais necessitadas sempre foram acolhidas e ajudadas quer
por particulares, quer através de organizações, que tentavam
de algum modo minorar-lhes as carências e desigualdades
que tinham em relação aos demais. Esta solidariedade, que
mobilizou e mobiliza tanta gente, constitui o princípio fun-
damental do voluntariado.
Objectivo Geral
• Delinear um projecto de intervenção para o
consumo responsável nas escolas;
• Entender o voluntariado como um dos
instrumentos possíveis de ED;
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
[2]
GA21E - A Agenda 21 Escolar em pequenos passos ). Acedido em 23 de
Julho de 2007, em: http://www.agenda21local.info/index.php?option=com_
content&task=view&id=67.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
138
Anexos - Capítulo 4
139
Objectivos Específcos
• Defnir o voluntariado como um processo
de intervenção continuado e dinâmico de
tomada de consciência das diferenças e
desigualdades que se fazem sentir
• Identifcar os valores comuns que estão na
base de actuação do voluntariado e da ED;
• Questionar as suas motivações, dando espaço
para um processo de auto-avaliação relativo
ao grau de preparação para participar no
projecto;
• Facilitar todos os materiais de apoio e instru-
mentos do projecto;
• Apropriar-se do processo de execução do
projecto;
• Avaliar a qualidade da formação.
Metodologia
• Simulações
• Estudo de Caso
• Dinâmicas
• Energizers
• Exposição
• Planeamento
Recursos Didácticos
• Acetatos
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
140
Anexos - Capítulo 4
141
• Cópias de Estudo de Caso
• Quadro
Referências Bibliográfcas
ACÁCIO, C. (2001) Do Voluntariado Assistencial à Transfor-
mação Voluntarista. In Além-Mar, Março.
Conselho Nacional para a Promoção do Voluntariado (2002)
Guia do Voluntário. Lisboa.
Plataforma para la Promoción del Voluntariado en Espana
(1998) “Manual de Formación de Formadores de
Voluntariado”. Madrid.
Plano dos Formadores
Desenvolvimento da Sessão
Técnica/Método Tempo Horário Descrição
Energizer 15min 9h30 ...
Continuação das
Simulação
10min 9h45 Os formandos deverão
simular o plano de sessão,
num período máximo
de 40min. Poderão saltar
alguns pontos desde que os
expliquem sucintamente.
O grupo do plenário
deverá simular que são
estudantes.
A discussão das simulações
deverá ser feita por todos
obedecendo à Grelha de
Avaliação, sendo que...
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
140
Anexos - Capítulo 4
141
Técnica/Método Tempo Hora Descrição
Continuação
das Simulação
(Continuação)
... o formador deverá
orientar o grupo focando
os pontos que se
encontram no último slide
do Powerpoint.(10min)
No fnal deverão ser
colocadas as seguintes
questões:
1. Como se sentiram no
papel de formadores?
2. Sentiram que as
situações desempenhas
pelo grupo eram reais.
3. O que perceberam do
tema?
Coffee-break 15min 11h25
Continuação das
simulações
50min 11h40 ...
Estudo de caso
“A minha escola”
20min 12h50 Entrega estudo de caso por
três grupos e discussão dos
primeiros 2 pontos.
Almoço 13h15
Construção
do Plano
90min 14h45 O formador deverá dividir
o grupo em 3 sub-grupos,
entregando o respectivo
estudo de caso. O
objectivo é que produzam
um plano de intervenção
para o caso apresentado e
que tenham consciência
do tipo de propostas que
poderão surgir às escolas.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
142
Anexos - Capítulo 4
143
Técnica/Método Tempo Hora Descrição
Construção
do Plano
(Continuação)
4. Fase de motivação
Suscitar o compromisso
e a participação da
comunidade educativa;
Orientar o grupo de
trabalho coordenador da
Agenda 21 Escolar.
5. Fase de refexão
Repensar a flosofa
ambiental e social do
estabelecimento de ensino
e analisar o seu grau de
coerência com a acção
individual e colectiva dos
seus membros.
Reavaliar a sua coerência
básica com os princípios da
sustentabilidade.
6. Fase de diagnóstico
Identifcar os
problemas existentes no
estabelecimento de ensino
ou gerados por este.
Realizar um diagnóstico
dos diferentes aspectos da
vida escolar de forma a
identifcar os problemas,
a sua origem e onde se
localizam.
7. Fase de acção
Elaborar e desenvolver
um plano de acção,
hierarquizando os
problemas mais urgentes
e/ou que sejam mais
facilmente solucionados.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
142
Anexos - Capítulo 4
143
Técnica/Método Tempo Hora Descrição
Construção
do Plano
(Continuação)
Estabelecer objectivos para
a resolução dos problemas.
Estudar alternativas para
solucionar os problemas.
Formalizar um plano de
acção, fruto de discussão
e consenso com os
vários constituintes da
comunidade escolar.
8. Fase de avaliação
Estabelecer instrumentos
para realizar o seguimento
e avaliação das acções com
o propósito de as ajustar
em função dos objectivos.
A fase de diagnóstico, serve
para responder a uma série
de questões com diversos
aspectos ambientais do
dia-a-dia da biodiversidade
e política de gestão
ambiental da escola.
Ao analisarmos, de uma
forma geral, a tipologia e
processos de consumo na
Escola, podemos apontar
para algumas pistas
de refexão e actuação
imediatas:
• o bar e a cantina
escolar, que tipo de
produtos vendem?
Comercializam-se muitos
produtos embalados?
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
144
Anexos - Capítulo 4
145
Técnica/Método Tempo Hora Descrição
Construção
do Plano
(Continuação)
• recorre-se a produtos
biológicos e de Comércio
Justo?
• em todas os espaços
(salas de aula, bar, sala
dos professores, espaços
escola, agrupadas por
temas — resíduos, água,
energia, transportes,
ruído, espaços exteriores,
exteriores) há condições
para se efectuar uma
correcta deposição dos
resíduos?
• o papel utilizado é
reciclado?
• os recursos são
reaproveitados e o lixo é
separado?
• são utilizados
bens reutilizáveis e
recarregáveis (pilhas,
canetas, detergentes)?
• a água da chuva é
reaproveitada?
• utilizam-se lâmpadas
económicas e desligam-
se as luzes quando os
espaços não estão a ser
utilizados?
• a cozinha reencaminha
alguns resíduos para
algum centro de
compostagem?
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
144
Anexos - Capítulo 4
145
Técnica/Método Tempo Hora Descrição
Construção
do Plano
(Continuação)
• desenvolvem-
se campanhas de
sensibilização para a
redução do consumo de
água e de energia?
Voluntariado
Concordo / Não
concordo
30min 16h15 • O formador deverá divi-
dir a sala em dois colo-
cando um traço visível no
chão e posicionando-se
no início de uma das
pontas do traço, no meio
da sala.
• Após leitura do caso em
voz alta pelo formador,
os formandos deverão
posicionar-se na sala,
de acordo com a sua
opinião junto de um dos
cartazes CONCORDO/
NÃO CONCORDO,
decidindo se aquele é
ou não um exemplo de
voluntariado.Não há lu-
gar para indecisos! Deve-
rão depois em grupo (em
poucos minutos) realçar
algumas das característi-
cas que fundamentaram a
sua decisão.
• Pistas para o Formador:
As respostas deverão ser
anotadas no quadro (ou
seja as características ...
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
146
Anexos - Capítulo 4
147
Técnica/Método Tempo Hora Descrição
Voluntariado
Concordo / Não
concordo
(Continuação)
... que fundamentam a
decisão do grupo, porque
é que aquela estória é
ou não um exemplo de
voluntariado). Nesta
altura, não interessa
fomentar a discussão,
devendo o formador ter
atenção aos seus próprios
comentários, de forma
a “viciar” , o menos
possível, a dinâmica que
se segue.
• Os critérios determinados
pelos formandos deverão
ser comparados (se se
achar útil e pertinente)
com os conceitos de
solidariedade.
Coffee Break 15min 16h45
Conclusão 15min 17h00 O que levo para casa?
O que deito fora?
O que vou fazer?
(voluntariado)
Avaliação 15min 17h15 Entrega da avaliação
escrita.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
146
Anexos - Capítulo 4
147
Anexo V
Curso de Formação de Voluntários
(In)formar para Mudar
Módulo 1
Jogo dos Quadrados
O jogo dos quadrados é um jogo pedagógico que tem o
objectivo de promover a atitude da inter-ajuda, confrontando
cada um com a sua postura individual dentro do grupo. É
também um exercício que permite trabalhar a gestão de con-
fitos, pois propícia um momento de grande tensão, pelo que
o animador deve ter um bom conhecimento do grupo que
lhe permita perceber se deve ou não aplicar esta dinâmica.
a) Selecciona-se um grupo de 5 pessoas
que serão os jogadores e outro que
será constituído por 5 observadores,
distribuindo por eles as seguintes tarefas:
Guião do
Observador
Quantas peças têm a pessoa observada:
• no início do jogo?
• no fm do jogo?
• A pessoa observada recebe ou entrega primeiro
as peças?
• A pessoa observada difculta ou favorece a reali-
zação do objectivo a atingir pela equipa?
• Em quê?
• Porquê?
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
148
Anexos - Capítulo 4
149
Regras
do Jogo
1. Não podem falar
2. Não podem fazer sinais
3. Não podem pedir peças
4. Só podem dar e receber peças dos outros
jogadores
5. Tem 20 minutos para realizar o trabalho
b) Em seguida apresenta-se a tarefa, entregando
as respectivas peças do puzzle que a equipa de
jogadores terá que resolver. Depois de entre-
gar as peças o formador deverá anunciar que
o objectivo do jogo é fazer cinco quadrados.
Compete ao animador a preparação prévia
do puzzle, recortando as peças necessárias e
seguindo exactamente o seguinte modelo:
c) Depois de terminado o tempo o formador deverá
dar mais um minuto para que os observadores façam os seus
últimos apontamentos e em seguida conduzir a discussão em
plenário colocando as seguintes questões:
• Como se sentiu durante o jogo?
• Qual foi a sua primeira reacção ao ver as peças?
• Que objectivos defniram?
• Que obstáculos se lhe depararam?
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
148
Anexos - Capítulo 4
149
• Que difculdades sentiu e que soluções
encontrou para ultrapassá-las?
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
150
Anexos - Capítulo 4
151
Anexo VI
Grelha de Avaliação de Simulações
Introdução
Sim.1 Sim. 2 Sim. 3 Sim. 4 Sim. 5 Sim. 6
Apresentar
o Tema
Comunicar
os Objectvos
Motivar
Controlar os
Pré-requisitos
Desenvolvimento
Estruturar
e Sequenciar
os Conteúdos
Utilizar os
Auxiliares
Pedagógicos
Apelar à
Participação
Efectuar
Sínteses
Parcelares
Avaliação
Formativa

Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
150
Anexos - Capítulo 4
151
Avaliação
Avaliar as
Aprendizagens
Comunicar
os Resultados
Síntese
Global
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
152
Anexos - Capítulo 4
153
Anexo VII
Curso de Formação de Voluntários
(In)formar para Mudar
Casos Práticos de Voluntariado
Caso Prático n.º 1
Somos um grupo de malta nova. Resolvemos juntar-nos
por acreditarmos todos que ser homem é também dar de
comer a quem tem fome e ajudar quem precisa.
A ideia surgiu quando soubemos que a Vanda estava
doentíssima. SIDA. Sendo nós jovens informados sabemos
que é uma doença com a qual é preciso ter certos cuidados
mas que a amizade e o afecto se podem dar sem nos conta-
giarmos.
A Vanda vive sozinha numa casa perto de um de nós.
Recebe uma pensão mínima. Está em fase terminal. Mal tem
dinheiro para os remédios. Não tem dinheiro para comer
nem forças para o fazer. Lembrámo-nos que na nossa escola
todos os dias sobra comida na cantina e que, normalmente, a
deitam fora por não terem a quem a dar.
Assim, o nosso grupo, todos os dias, recolhe essa comida
e distribui pela Vanda e outras pessoas que não podem ou
não têm dinheiro para fazer uma refeição. Nalgumas casas
fazemos pequenos arranjos, mudamos lâmpadas, arranjamos
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
152
Anexos - Capítulo 4
153
candeeiros, fazemos compras ou simplesmente conversamos
com as pessoas que sabemos estarem sozinhas.
Não pertencemos a nenhuma associação nem nenhum
grupo. Somos simplesmente amigos e jovens que ocupam 1
hora por dia a pensar nos outros e no mundo.
Caso Prático n.º 2
Conheço a Mameca desde que nasci...moramos no mes-
mo prédio. Somos vizinhos. Sempre usou aquele carrapito
muito bem feito e um casaco de malha por cima de uma bata
sempre limpa. Usa casaco de Verão e de Inverno... “quando
somos velhos já nem o sangue aquece, Zézinho...” Sempre me
tratou assim, tenho 16 anos mas é como se, para ela, eu não
tivesse crescido.
Há uns meses atrás encontrei-a na escada, como em tantas
outras vezes, carregada com as compras. Subia e descia não
sei quantas vezes para trazer o que precisava para ela, sozinha.
Por que não vais ao super, Mameca? Fazia-lhe confusão. Não
sabia comprar num supermercado nem podia trazer tudo de
uma vez para casa. É como a avó, pensei...
Lembrei-me então de combinar com ela irmos juntos às
compras um dia destes...e fomos... Mameca fcou surpreendi-
da e maravilhada com um grande supermercado. Cansou-se
muito...a coluna dela obriga-a a que a cabeça se incline quase
até aos joelhos. Os pés incham. Não podes fazer isto, não...
Combinámos que, uma vez por semana, a Mameca vai ao
jardim enquanto eu lhe faço as compras. Regressamos juntos
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
154
Anexos - Capítulo 4
155
a casa. Ela mais feliz por ter apanhado um pouco de sol, que
tão bem lhe faz aos ossos, eu feliz por me sentir útil e por ter
feito alguma coisa por aquela velhinha que conheço desde
que nasci...
Caso Prático n.º 3
Sempre que me cruzava com a Maria João ela pedia-me...
“anda, vem brincar comigo...” e invariavelmente a mãe res-
pondia: “vamos, agora tens que ir jantar e ir fazer ó-ó”...fazia-
me impressão ver aquela criança a pedir-me para brincar...eu
até achava graça poder brincar com ela. Adoro crianças. Ago-
ra que estou quase sem fazer nada, só a matemática que fcou
por fazer, passo horas a passear e nunca vejo crianças...
Um dia a mãe da Maria João não respondeu o mesmo. “Se
quiseres vem”...e eu fui até casa brincar com aquela criança...
Todos os dias ia buscá-la às cinco e fcava com ela a brincar
até às sete. Às vezes íamos passear ou tratar de alguma coisa.
Nunca deixei de fazer nada do que queria para estar com esta
menina. Algumas vezes a levei para minha casa, às compras,
ou ao café com os amigos.
Era uma forma de eu ocupar o meu tempo e tornar mais
agradável a vida da criança... “não posso pagar” - dizia a
mãe... Também não queria que me pagassem...queria apenas
passar algumas horas com aquela criança a relembrar a minha
própria infância.
Caso Prático n.º 4
Tenho 17 anos. Não sou uma jovem igual às outras. Aos
10 anos tive um cancro. Fui operada. Pensei estar curada. Aos
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
154
Anexos - Capítulo 4
155
12 anos uma nova manifestação cancerígena. Nova operação.
Novo tratamento. Deram-me como curada. Comecei então a
sofrer de bulimia e anorexia. Os meus pais viveram anos de
um enorme sofrimento por minha causa. Agora estão preco-
cemente velhos e doentes...eu estive insensível ao sofrimento
deles, pensava apenas em mim...Felizmente apanharam-me a
tempo...ou seja, deram-me a mão, um grupo de voluntários
de apoio psicológico a doentes...
Percebo agora que, durante estes anos, os meus próprios
pais deviam ter tido apoio psicológico, um apoio que os aju-
dasse a desculpabilizarem-se por tudo o que aconteceu...
Com o grupo de ajuda mútua compreendi que todos
precisam de ajuda e que ajudando os outros nos ajudamos a
nós próprios.
Pertenço agora a um grupo de apoio psicológico no IPO.
Sinto que posso fazer por outros o que não fzeram por mim e
pela minha família no momento certo. Quero dar aos outros
parte de mim. O facto de eu própria ter sofrido da mesma do-
ença dá-me uma visão diferente das coisas. Sei exactamente
quando os doentes e as famílias sofrem mais...
Caso Prático n.º 5
Sempre tive, desde que me lembro, uma consciência
cívica muito forte. Achava que a acção deve ser usada para o
bem comum e a melhor forma de o conseguir era através da
política.
Quando entrei para o ensino secundário liguei-me logo
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
156
Anexos - Capítulo 4
157
à associação de estudantes da minha escola, tendo sido até
eleito presidente. Desempenhava, com a minha equipa, inú-
meras actividades de todo o tipo, social, cultural.
Estava totalmente embrenhado no cargo que desem-
penhava, nas acções que desempenhava e no poder que
tinha...podia organizar campanhas contra certo tipo de
situações, liderar boicotes ou inventar tertúlias e debates
culturais...o meu entusiasmo foi tão grande que perdi o
ano escolar...os meus pais não acharam muita piada, mas
apoiaram-me...apenas me fzeram prometer que iria atenuar
a minha actividade na associação de estudantes.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
156
Anexos - Capítulo 4
157
Anexo VIII
Curso de Formação de Voluntários
(In)formar para Mudar
Estudo de Caso
A directora da escola Dr. João Freire, no concelho de
Aveiro, ouviu falar de um programa sobre consumo respon-
sável que algumas organizações estavam a tentar implementar
junto das escolas secundárias. Revelando-se muito interessa-
da entrou em contacto com as mesmas de forma a que a sua
escola fosse uma das contempladas pelo projecto.
Ao longo dos últimos anos, tendo consciência da
necessidade de poupar alguns recursos devido aos gastos que
a escola fazia, a directora decidiu implementar um sistema
de reciclagem e reaproveitamento de resíduos, com o apoio
de alguns professores. Inicialmente tudo parecia correr bem,
embora um pouco lentamente. Os professores procuravam
conduzir os alunos a elaborar trabalhos manuais com o lixo
que era depositado num contentor, (criado especifcamente
para esse efeito e colocado no polivalente central); elaborou-
se um plano de reciclagem por turmas; marcaram-se reuniões
com a associação de pais para os envolver, etc..
Aos poucos os alunos conseguiram entender a importância
da reciclagem e do reaproveitamento do lixo ... Mas não a sua
essência! Alguns professores tentaram ainda promover acções
paralelas como visitas de estudo a determinados locais (lixeiras
públicas, fábricas de reciclagem) mas acabaram por não as
concretizarem. Não havia tempo, nem dinheiro para isso.
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
158
Os primeiros tempos, talvez pela novidade das propostas
os alunos aderiram, obedecendo ao calendário, e procedendo
a uma separação de lixo para reciclagem correcta, mas a
motivação foi-se perdendo ao longo de um tempo. E ao fm
de um ano eram já as auxiliares educativas que despejavam o
gigante contentor.
A preocupação em mobilizar a sua própria escola e a con-
tenção de custos que eram cada vez mais urgentes levaram
a directora a encontrar a solução num determinado de con-
sumo que a escola poderia começar a assumir. Afnal havia
custos que não podia evitar mas talvez fosse possível conter
algumas despesas de uma forma equilibrada.
Mas como fazê-lo?? Os primeiros tempos de reciclagem
permitiram poupar algum material de desbaste, com o re-
aproveitamento que os alunos faziam. Mas estes pouco se
envolviam. O que faltavam, afnal?
Pontos de Discussão
• O que falhou nesta ideia?
• Pontos positivos e negativos.
• Caso pertencesses à organização que foi
contactada o que farias? (tenta delinear um
plano de intervenção – fases do plano).
Manual Para o Voluntariado em Consumo Responsável
158
Rede Nacional de Consumo Responsável
ISU - Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária
Travessa do Possolo nº 11-3º Dto
1350-252 Lisboa
T: 21 395 78 31
F: 21 390 72 06
M: cfv@isu.pt
URL: www.isu.pt
Associação Reviravolta
R. de Cedofeita, 282
4050-174 Porto
T: 22 201 23 48
M: sensibilizacao@reviravolta.comercio-justo.org
URL: www.reviravolta.comercio-justo.org
Projecto Co-financiado pelo IPAD
CONSUMO RESPONSÁVEL EM REDE
O acesso a mais informação
permite-nos desenvolver um
espírito mais crítico enquanto
consumidores, contribuindo
diariamente para a mudança
de hábitos de consumo.
Neste âmbito, a Rede Nacional de
Consumo Responsável é um
projecto que visa a mudança dos
hábitos de consumo dos jovens
portugueses e não só.
Este manual foi concebido como
material de apoio para formar
consumidores conscientes e
crítico, foi estruturado para
contextualizar e documentar
temáticas e actividades,
destina-se a Organizações,
Educadores e Formadores com
interesse na Educação para o
Desenvolvimento, Comércio Justo,
Consumo Responsável e
Voluntariado, e a quem pretenda
desenvolver estes conteúdos nas
suas acções de formação,
recorrendo a uma metodologia
activa, como análises de casos,
reflexão e discussão de conceitos,
entre outros, e que queira apelar
a uma participação efectiva dos
destinatários da acção.
sensibilizacao@reviravolta.comercio-justo.org
***************************
Organizações Promotoras
ISU - Instituto de Solidariedade
e Cooperação Universitária
Travessa do Possolo,11 - 3 D
1350-252 Lisboa
T: 21 395 78 31
F: 21 390 72 06
M: cfv@isu.pt
www.isu.pt
Associação Reviravolta
R. de Cedofeita, 282
4050-174 Porto
T: 22 201 23 48
M:
www.reviravolta.COMERCIO-JUSTO.ORG
***************************
Para mais informações sobre
a Rede Nacional de Consumo
Responsável consulte:
www.consumoresponsavel.com
***************************

You're Reading a Free Preview

Download
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->