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A alimentação pode ser considerada um fato social, por quê?

Sim, o “fato social alimentar” engloba as ações e representações sociais, reveladoras de questões particulares e subjetivas de cada indivíduo/grupo social. Isto posto, padrões alimentícios e questões de acesso e distribuição de alimentos relacionam-se diretamente com fatores sociais pungentes e característicos. Contrastes importantes, no que se refere ao acesso aos alimentos, por parte das populações, têm sido observados nas últimas décadas, fato que coloca a alimentação na pauta do debate público. Enquanto algumas populações experimentam novos produtos, sabores, excessos, prazeres, outras sentem, diariamente, o amargo gosto da fome, a dor do esquecimento e da humilhação. A falta de alimentos para muitos povos é a principal expressão da desigualdade social e tem sido conceituada como uma condição de insegurança alimentar. O alimento é importante para a reprodução biológica e social do homem, sendo, portanto, no modo de produção capitalista, considerado uma mercadoria. Em função da inserção diferenciada, no processo produtivo, encontra-se, nessas sociedades, uma grande heterogeneidade sociocultural que permeia, entre outros, os hábitos alimentares, seja no aspecto da produção, seja no da preparação, do consumo ou da comensalidade, o que faz da alimentação uma variável importante na diferenciação entre ricos e pobres. Os conceitos de pobreza e riqueza, do ponto de vista dos mais pobres, podem significar escassez e abundância de alimentos, respectivamente. Já para os mais ricos, possivelmente, na atualidade, outros bens de consumo signifiquem riqueza e abundância e não mais a mesa farta. Esses aspectos sugerem que a alimentação obedece não só a um código econômico ou utilitário, mas, principalmente, simbólico, cujo significado se dá na teia das relações sociais.