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Como a crise do século XIX afetou o capitalismo: Para analisarmos a Depressão do século XIX faz-se necessário abordarmos de forma

sucinta a situação política e econômica de profundas mudanças que ocorriam principalmente na Europa durante o século XVIII, Revolução Industrial, precisamente na Grã-Bretanha. A primeira metade do século XVIII foi crucial para o desenvolvimento industrial e econômico Britânico, isso se deu devido às intensas modificações nos modos de produção, inovações tecnológicas, proporcionadas por políticas favoráveis a novos inventos(lei das patentes) e o espírito de relativo laissez-faire prevalecente no mercado, a acumulação de capital, bem como o crescimento exponencial da população. A Inglaterra gozava de uma posição estratégia tanto geográfica quanto no tocante de recursos naturais. Regiões ao norte como Northumberland eram abastadas de jazidas de carvão mineral que abasteciam os efervescentes centros industriais como Manchester e Londres com energia relativamente barata, diminuindo assim o custo de produção. Na segunda metade do século XVIII a integração da economia nacional se fez ainda mais pungente com o setor que impulsionaria o desenvolvimento econômico tanto do Reino Unido como na Europa Continental; a Indústria Ferroviária. Outras mudanças análogas de suma importância foram o relativo aumento dos padrões de vida, crescimento populacional, como já mencionado, técnicas de maximização da agricultura(fertilização)e a crescente demanda, de classes menos abastadas. por produtos não mais somente para sua subsistência. Refutando assim as teorias de Malthus. Porém não cabe ao nosso grupo analisá-las extensamente dado ao referido tema que nos foi encabido. Não foi tardiamente que a Europa Continental logo seguiu os passos da Inglaterra, no final do século XVIII e inicio do século XIX houve importações de tecnologias do outro lado do canal da mancha, impulsionados por capitalistas e mercadores principalmente nos países Baixos em grandes centros comerciais como Antuérpia. Outros países galgaram passos mais lentos como a França, resquício talvez de seu passado absolutista e protecionista com a vasta literatura planfetária aos monarcas com a visão ilusória de autossuficiência e nacionalismo exarcebado, bem como seu cenário político instável. Outros fatores que dificultavam a adoção de novas tecnologias e modos de produção foram o conservadorismo e preconceito popular ao novo, pressões sindicais e lideres lobistas, por assim dizer, de guildas „monopolizadoras‟ e companhias mercantis que faziam pressão aos governos vigentes. Embora esse distanciamento tecnológico abra espaço para uma maior modernização e escopo para o desenvolvimento econômico comparativo (convergência e alcance), isso de fato não ocorreu e acabou por se perfazer em um obstáculo. Com o investimento de capital externo, provindos essencialmente do Reino Unido e os novos meios de produzir aço como o aço Siemens-Martin a quantidade de construção de

Mas houve o período de recuperação desse surto econômico impulsionado principalmente pela indústria têxtil e pela crescente mudança nos modos técnicos de produção na indústria supracitada. ocorrendo uma deflação de preços que acarretou no maior numero de falências da historia até então. o que abriu espaço para o intervencionismo estatal e o retorno de barreiras protecionistas principalmente nos países continentais. A guerra também trouxe uma onda de papel-moeda. em 1830. houve a consequente falência de bancos e empresas. Em meados do século XIX e nas décadas seguintes é que percebemos verdadeiras instabilidades na economia global. antes protegidas pela distancia e a topografia”. com o advento do papel moeda em 1685 na colônia francesa Quebec tais procedimentos foram utilizadas para cobrir gastos governamentais. criados no apogeu absolutista do Rei Sol. o que viria a ser um dos vários ciclos de deflação e inflação do século XIX. A disponibilidade de metais. bem como aumento da taxa de juros para financiar o embate e a consequente inflação. instabilidade no mercado financeiro e de capitais transformou-se no colapso de 1846-47. Na primeira metade do século XIX houve a primeira crise econômica de varias que iriam constituir os ciclos inflacionários e deflacionários previstos pelo economista russo Nicolai Kondratiev em sua teoria de ciclos longos expostas a variáveis como aumento da taxa de juros. “ ela(a estrada de ferro) proporcionou o meio pelo qual foi possível exercer pressões competitivas e marginalizar as empresas ineficientes. O governo dependia de emissão de notas pelos bancos espalhados por todo o país. seguido pelas indústrias de bens de consumo e de manufaturados. na década de 1840 o setor agrícola foi o mais impactado na fase inicial. e pelo boom do pós-guerra que se seguiu. especificadamente na europeia. Os bancos nacionais franceses.linhas ferroviárias foi assombrosa interligando assim o continente europeu. que serão abordados mais à frente. Houve o aumento da demanda nos mercados que se ampliavam conjuntamente com o aumento populacional e de riqueza bem como o progresso tecnológico. M 1962). Uma das consequências desse processo foi o rompimento de barreiras alfandegárias abrindo espaço para mercadorias britânicas e aumentando a competitividade comercial e industrial. Isso conduziria inevitavelmente a suspensão de pagamentos em espécie. A guerra Anglo-Americana de 1812 necessitou de pesarosos empréstimos bancários pelos governos que participavam da guerra. Porém nesse momento de euforia algumas empresas expandiram-se excessivamente(excesso de oferta). Como o autor David Landes expressa magistralmente. E foi isso que aconteceu no pânico de 1819. inflação etc.(Rothbard. em algumas partes do país em 1814. Essas medidas inflacionárias já não eram novidade para a época. como o economista americano da escola austríaca Murray Rothbard aponta “O pânico de 1819 cresceu em grande parte das mudanças provocadas pela guerra de 1812. aumentaram suas taxas . com o governo emprestando pesadamente para financiar o conflito.

Os impactos da crise chegaram brevemente no continente americano causando a falência do banco Jay Cooke Company e a companhia ferroviária Nothern Pacific Railway ficando conhecida como a “terça-feira negra” de 1873. na América o fim da guerra civil abriu espaço para um „boom‟ de investimentos(principalmente investimento externo) que impulsionados pelas novas tecnologias da segunda revolução industrial geraram uma prospera época de recuperação. o pânico de 1857. influenciando nas revoluções de 1848. Na década de 1850 houve transformações tecnológicas que mudariam o mudo geopolítico. A causa principal da depressão de preços nos EUA se dá devida a rígida política monetária instaurada pelo Padrão-Ouro. Em 1954 foi assinada a lei internacional do padrão-ouro. paralisando a construção das mesmas que acarretaram impactos óbvios em outros setores que dependiam das linhas ferroviárias. Nesse período a economia norte-americana já havia superado a britânica. expansão do mercado interno por bens duráveis e a transição para uma sociedade consumista cada vez mais parecida com os dias atuais. Bem como na Europa uma crise especulativa no setor ferroviário entre varias companhias americanas se seguiu ao pânico. As décadas seguintes foram de intenso movimento militar e crescimento econômico. o governo americano bem como o europeu fixaram taxas de juros em suas moedas. um conjunto de queda de ações que culminaram na quebra da bolsa de Viena. Os efeitos no continente Europeu foram similares. elétrica. por assim dizer. provocando um verdadeiro efeito em cascata. petrolífera e automotiva. motivada por uma crise especulativa na companhia bancaria de seguros de Ohio(EUA). criando “bolhas” nas mais importantes companhias ferroviárias americanas. novas indústrias como a do aço. Esse período de „boom‟ econômico fez crescer a inflação de credito bancário e a baixa de juros de empréstimos. A Segunda Revolução Industrial. regime monetário que facilitava a transição de metais e o investimento externo. fase em que houve a nacionalização do comercio. O setor ferroviário não foi exceção. . o fim da guerra Franco-Prussiana unificando politicamente a Alemanha e gerando investimentos inflacionários por todo leste europeu.de juros somadas ao intervencionismo governamental culminaram na crescente insatisfação populacional. mineração e siderurgia. houve uma crise especulativa nos títulos de companhias ferroviárias continentais bem como britânicas em 1846. Devido a crise. Porem um episódio isolado se destaca na década de 1850. A crise com maior impacto do século XIX e de âmbito realmente internacional foi a de 1873. provocando um crescimento generalizado por todo o mundo.

. um crescimento anual de 6. e um aumento fenomenal de 4.5% ao ano no produto per capita real. afetou vários países em diferentes épocas. sendo um período de certo crescimento econômico impulsionado pela Segunda Revolução Industrial como Friedman e Schwartz admitem. porem no âmbito global esse período caracterizou-se por queda nos preços e um crescimento econômico abaixo de períodos passados.8% no produto nacional real. o período de 1869 a 1879 viu um crescimento anual de 3% no produto nacional nominal.A longa depressão como ficou conhecida o pânico de 1873-93.

O “boom” é o processo pelo qual o mercado passa por um crescimento geral. (3) depressão. mas sempre há um boom antes de uma depressão. ¹ . Um aspecto importante para se ter em mente quando se estuda os contextos das recessões econômicas são as teorias de ciclos econômicos. (2) recessão. o foco para se estabelecer as causas e motivos das crises e depressões não acompanham uma unanimidade na academia. A recessão é por definição a desaceleração do crescimento e bonança da fase anterior. Ela é na verdade flutuações que acompanham picos e depressões. é preciso entender como funciona a economia de modo geral. mas sim uma análise de forma generalizada dos agentes econômicos em conjunto. no qual se há muito empreendimentos em andamento e crescente concessão de crédito e empréstimo. em 1939. com crescimento econômico mais moderado e sustentável. que. definiu os ciclos econômicos em 4 fases: (1) boom. variam em causas e motivos.Ciclos Econômicos Para se entender o contexto de crises. Definições gerais Joseph Schumpeter. Quanto maior o boom mais duradoura é a depressão. Portando. o estudo dos ciclos econômicos não é uma análise de um único setor de economia. uma fase em que o mercado se reajusta e os recursos são alocados de forma mais real. baixo crescimento e desemprego. e a depressão varia de acordo com a intensidade do boom. a escola que mais estudou e fundamentou uma teoria de ciclos econômicos é a Escola Austríaca (EA). Desse forma. de acordo com cada teoria ou corrente de pensamento. É a fase na qual o mercado é aquecido e extremamente rentável. A recuperação é o período em que a economia volta ao seu padrão normal. (4) recuperação. É registrado falências generalizadas de empresas. A depressão é a fase na qual é observado que muitos investimentos feitos anteriormente não terão lucros e que as expectativas do mercado não corresponderam com a realidade. Causas e a Teoria Austríaca de Ciclos Econômicos Dessa maneira. retenção de crédito. Contudo. É a fase pela qual se é repensado a lucratividade dos empreendimentos anteriores a essa fase. É a estabilização econômica. É um processo de reajuste e ponderação e estudos dos investimentos feitos. Não necessariamente uma fase de extremo crescimento (boom) se leva a uma depressão. onde se há muitos investimentos e alocação de recursos. pois varia de acordo com a escola e pensamento econômico. é preciso destacar que a economia não é uma linha reta de crescimento uniforme.

isso não quer dizer que não aconteceu crises deflagrados pela expansão de crédito e moeda. picos e depressões. Isso cria precedentes irreais e transformam um crescimento que a primeira vista parece extraordinário em uma grande bolha que estourará no futuro (depressão). Empresas erram e fecham o tempo todo. é preciso ter em mente que mesmo com recessão e baixo crescimento em certos períodos. deve-se estudar o que causa isso e esse é o papel da teoria de ciclos econômicos. que afetou o mundo de forma drástica e que a teoria dos ciclos econômico é muito mais precisa. o maior responsável e protagonista pela estrutura das crises é a moeda. Mas quando há um desequilíbrio em toda a economia. dando a possibilidade de lucros para investimentos que antes não seriam lucrativos. . contudo. outras. caracterizando as flutuações econômicas de uma economia saudável. podem simplesmente apresentar explicações que abordam crises relacionadas apenas às flutuações econômicas de determinados setores (deixando claro que flutuação econômica é diferente de ciclo geral da economia). Portanto. que não necessariamente afetam a economia como um todo. Contudo. Foi a verdadeira era do laissez-faire. A base monetária é o único fator que pode afetar a economia de forma generalizada e plantar as sementes que estabelecem os booms e as depressões. Crises do Século XIX As crises do século XIX talvez sejam as crises menos estudadas do nosso tempo. apenas acompanham seu processo natural de crescimento e baixa demanda. são as concessões de crédito e a expansão monetária as maiores causas das crises. Mudanças artificias dos juros básicos da economia dão informações que causam vultosas alocações de recursos. Para a EA. Numa economia sempre haverá setores que possuem seus altos e baixos. Políticas que afetam a base monetária são por isso as responsáveis pelo desequilíbrio no mercado. em que todos os setores são afetados. seja de forma negativa ou positiva. Outros argumentam que na verdade o que houve no período de 1800 a 1900 foi o maior crescimento econômico que o mundo já viu. Portando. Ainda há muito debate se realmente aconteceu crises generalizadas como as de 1929 no interim desse século. Muitas das crises desse tempo podem ser explicadas pela teoria dos ciclos econômicos.A EA argumenta que os ciclos gerais da economia e as flutuações econômicas são aspectos diferentes e não devem ser confundidos. o século XIX não apresentou nada comparável com a crise de 1929.

esse último publicando um dos seus mais importantes livros sobre as crises: America‟s Great Depression. 1963. contudo.¹A grande maioria dos economistas da Escola Austríaca se debruçaram sobre o tema dos ciclos econômicos. os mais proeminentes em fundamentar a teoria foram Ludwig von Mises e Murray Rothbard. .