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íram, mas teve vida, cumpriu

cia, encontra-se

a sua função durante provavelmente

duas centenas de anos e, hoje, com pouco mais de 300 anos de existên-

tristemente

e paradoxalmente

à deriva, abandonado.

o seu passado e que o bem autêntico a preserHistória um na como patrimonial integrasse raridade exige essa distinção formal tão convareadivu]gar,poisasua
sequente paraasua memória.

Tentámos traçar-lhe um rumo que valorizasse

Todavia, essa não é uma memória singular, pertença de um só navio de pedra Há mais, ancorados

Guadiana, no concelho

de Beja

- os do concelho

ao longo da margem direita do rio

da Vidigueira,

as-

sim como os moinhos, ficaram submersos na barragem de Pedrógão.

Iconografia

pacense

Teria havido outros que não chegámos a identificar ou que "naufragaram" bem antes dos nossos olhos os sondarem. Eram cerca de oito
fortins, sendo maior o de Quintos, abobadado e com tronaras, todos

Um barco de pedra em Quintos
>

amurada, popa e proa, como os barcos. Constituíam a linha defensiva do rio durante a Guerra da Restauração de Portugal e
possuindo

também eram até há pouco menos de 20 anos totalmente desconhecidos do meio histórico e militar, para grande surpresa dos oficiais do
1

Regimento de Infantaria

n° 3.

k '*' ra uma estranha visão. Um barco de pedra estava ancorado

Esperemos que chegueodia em queaDireção Geral do Património Cultural classifique como monumento nacional após o pedido devi-

-

£*** na margem direita do rio, para lá de Quintos, entre os Vaus de f«t-*5 Cima e de Baixo. A proa apontada para montante cortava com referênsegurança a impetuosa corrente. Se não tivéssemos como
cia o resto da paisagem, aparentemente

damente elaborado pelo município bejense o que resta desta original linha defensiva seiscentista do Guadiana, à qual dedicou o nosso

-

imutável, terraços milenares

e um relevo pouco acentuado e quase despido de vegetação, diríamos estranha., sem gente, sem remos, sem que o barco avançava de

Adelino Matos Coelho, logo que dela teve coem 1998, uma atenção especial, definindo-a, mais tarde como "Fortificação do rio Guadiana", título e muito apropriadamente,
amigo major-general
nhecimento, de um opúsculo policopiado, divulgado, ilustrado e razoavelmente
peto Regimento

ima

documentado, de Infantaria n. 0

velas, sem feme, sem motor.

olhar iludindo-o

num movimento

Um barco de pedra que seduzia o nosso impossíveL Na sua investida cona água produzia

com a nossa colaboração,

3, sediado em Beja.

tra o aparelho incerto daquela estranha construção,
aquele estalar característico das embarcações

que a sulcam com rapidez deixando um rasto de espuma para lá da popa. A ilusão quase perfossilizado, vivida por breves segundos. feita, de um navbtotasma,

I

BORRELA, Leond

- "Fortins

do rio Guadiana" e "A linha defensiva do rio

Guadiana durante a Guerra da Restauração

de Portugal", in "Diário do Alentejo" "Adefesaabahiartadadadde 11 deourubrode

de 29 março de 19% e 17 de maio de 19%; ibklem, dadeeosfortinsdoGuadiana" in "Diáriodo Alentejo"

Um encanto interativo, difícil de repetir,
dade fantasiada:

subsistia,

contudo, numa ver-

19%.

a do navio fantasma que de navio tinha quase tudo e de fantasma quase nada. Nunca se deslocou do local onde o constru-

Leonel Borrela