KEOHANE, Robert O., NYE Jr., Joseph. “Power and Interdependence in the Information Age”. Foreign Affairs, v.

77, nº 5, set/out, Council of Foreign Relations, 1998. * Por Vivian Graça Barcellos Barreira

Joseph Nye Jr. e Robert Keohane se conhecem há mais de trinta anos, desde que começaram os estudos para o livro lançado pelos dois em conjunto, em 1977, Power and Interdependence, que se tornou um clássico sobre o mundo pós-guerra fria. Nye Jr. iniciou sua carreira pesquisando desenvolvimento econômico do Oeste da África. Tornou-se bacharel na Universidade de Princeton em 1958 e continuou seus estudos na Universidade de Oxford e na Universidade de Harvard, onde obteve seu doutorado em 1964. Ele popularizou o conceito de soft power, principalmente quando aplicado aos Estados Unidos. Robert Keohane nasceu em Chicago, Estados Unidos, em 1941. Tornou-se bacharel pela Shimer College em 1961 e doutorou-se em Harvard em 1966. Ele já lecionou nas universidades de Swarthmore, Stanford, Brandeis, Harvard e Duke. Nesse artigo, Keohane e Nye Jr. defendem a idéia de que só parcialmente a política mundial seria afetada pela revolução da informação. Eles não negam que o conhecimento é poder, entretanto, eles estão preocupados em estabelecer os limites dessa afirmativa. A começar por, se é verdade que muita gente, como nunca antes se viu, está conectada a um número gigantesco de informações através da internet – mais ou menos 100 milhões no momento em que eles escrevem, ou ainda mais 1 bilhão se considerarem as expectativas para 2005 – é também verdade que a internet não está disponível para toda a gente – 7 bilhões restantes. Mas não é só por essa razão que a revolução da informação não altera de todo o modo como estão organizados os estados e também a vida das pessoas. Novos acontecimentos e novos atores sociais, como as ONGs, alteraram o mundo, entretanto, os estados tornaram-se mais elásticos. A maioria das pessoas ainda é leal aos estados e eles ainda possuem as maiores fontes de recursos. Os profetas do cyberworld ignoram a continuidade de crenças e a permanência de instituições, assim como faziam os

modernistas durante a década de 1970, que são criticados por Keohane e Nye Jr. em Power and Interdependence. Power and Interdependence in the Information Age procura responder, afinal, se a comunicação e a disseminação do conhecimento, na escala que conhecemos agora, tem efeito sobre o poder. Os autores afirmam que sim, mas a tecnologia não favoreceu só quem já não tinha poder, ela também ajudou o já poderoso e grande. Por exemplo, tecnologia da informação no caso militar pode ajudar células terroristas, mas também ajuda os Estados Unidos, eles descobrem novos sensores de espaço etc. E se a era da informação beneficia os dois lados que lutam pelo poder, acaba não beneficiando ninguém. Na verdade, “contrary to the expectations of some theorists, the information revolution has not greatly decentralized or equalized power among states. If anything, it has had the opposite effect (contrariamente as expectativas de alguns teóricos, a revolução da informação não tem profundamente descentralizado ou igualado o poder entre estados, se ocorreu alguma coisa, teve o efeito oposto)”(p. 89). Além disso, os autores afirmam que a quantidade da informação disponível importa pouco, a qualidade é mais relevante. Há três tipos de informação: livre, comercial (posta à venda) e estratégica. A era da informação, postulam os autores, não alterou substancialmente o mundo que conhecemos por conta de duas condições da interdependência complexa. A primeira é que as informações não são emitidas no vácuo, mas sim num contexto dado e, em segundo lugar, só há interdependência complexa na zona de paz democrática, fora desse espaço não há:
“The information revolution alters patterns of complex interdependence by exponentially increasing the number of channels of communication in world politics-between individuals in networks, not just individuals within bureaucracies. But it exists in the context of an existing political structure, and its effects on the flows of different types of information vary vastly. Free information will flow faster without regulation. Strategic information will be protected as much as possible-for example, by encryption technologies. The flow of commercial information will depend on whether property rights are established in cyberspace. Politics will shape the information revolution as much as vice versa. (A revolução da informação altera padrões de interdependência complexa através do aumento exponencial do número de canais de comunicação na política mundial – entre indivíduos em rede, não apenas de indivíduos dentro de burocracias. Mas, isso ocorre no contexto de uma estrutura política que já existe, e seus efeitos sobre os fluxos de tipos diferentes de informação variam enormemente. Informação livre fluirá mais rapidamente sem regulação. Informação estratégica será protegida

tanto quanto possível – por exemplo, pela tecnologias de criptografia. O fluxo da informação comercial dependerá se os direitos de propriedade estiverem estabelecidos no cyberspace. A política moldará a revolução da informação tanto quanto vice-versa)” (p.85).

Os autores também aproveitaram para explicar os conceitos de hard power e soft power, em que o conceito de poder encontra-se dividido.
“Hard power is the ability to get others to do what they otherwise would not do through threats or rewards (…) Soft power, on the other hand, is the ability to get desired outcomes because others want what you want. It is the ability to achieve goals through attraction rather than coercion. It works by convincing others to follow or getting them to agree to norms and institutions that produce the desired behavior. (Hard power é a habilidade para fazer com que outros façam o que de outra maneira eles não fariam através de ameaças e recompensas (...) Soft power, pelo outro lado, é a habilidade de conseguir resultados desejados porque outros querem o que você quer. É a habilidade de ativar objetivos através da atração melhor do que a coerção. Soft power trabalha convencendo os outros a segui-los ou concordar com eles sobre normas e instituições que produzem o comportamento desejando” (p. 86)

Power and Interdependence tentou cobrir as falhas no pensamento realista das relações internacionais. Keohane e Nye Jr. argumentaram que o realismo oferecia uma estrutura incompleta para analisar as relações entre os estados e especialmente o futuro dessas relações.
Aos parâmetros básicos do realismo, Keohane e Nye opõem as linhas essenciais do modelo que designam 'interdependência complexa': a) as sociedades são ligadas por 'canais múltiplos'- formais, de governo a governo; informais, entre elites governamentais e nãogovernamentais, e entre organizações transnacionais; b) a agenda das relações interestatais não obedece a uma hierarquia clara e consistente - os temas de segurança nem sempre predominam; muitas questões têm origem no cenário nacional e dificultam a distinção entre interno e externo; matérias diferentes levam a coalizões também distintas (dentro, fora e entre os governos) e acarretam graus variados de conflito; c) quando a interdependência complexa prevalece numa dada região ou num determinado tema, os governos envolvidos não empregam a força uns contra os outros.1

1

GALVÃO.

Bibliografia: GALVÃO, Marcos B. A. O realismo de cada um: interdependência e relações políticas entre os estados no mundo pós-guerra fria. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, vol. 6, n. 12, 1993, p. 149-161. Disponível em www.cpdoc.fgv.br/revista/arq/120.pdf Acessado em 10/06/2009. KIM, Yumi. Biographical sketch: Joseph S. Nye, Jr. 1937 – , Future of European Foreign Policy Seminar, 2007. Disponível em www.jhubc.it/future_of_european_foreign_policy/bionye.pdf Acessado em 10/06/2009.

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