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INSTITUTO DE ENSINO SUPERIOR E PESQUISA – UNICESP

CURSO DE DIREITO

QUESTIONÁRIO
Direito Romano

Augusto Cezar Juliano Martins Marques
História do Direito
Prof. Gilmar

Brasília-DF
2008
QUESTIONÁRIO
DIREITO ROMANO

CAPITULO I – CONCEITO DE DIREITO

1. Qual o conceito de justiça para os Romanos?
Para os romanos, justiça era definida como a vontade constante de dar a cada um aquilo que é seu. É uma
disposição objetiva de adequar uma situação à ordem natural das coisas.
Esse conceito não difere do atual, pois de acordo com o Novo Dicionário Aurélio, a Justiça pode ser definida
como virtude que consiste em dar a cada um, em conformidade com o direito, o que por direito lhe pertence.
Já do ponto de vista filosófico, o sentimento de Justiça é intrínseco à consciência humana, isto é, no homem
normal dotado de discernimento do bem e do mal, do certo e do errado, do que é justo e injusto. A quebra
desses princípios, norteadores da vida humana, provocam o desequilíbrio, a discórdia, o conflito, a ausência
da paz social, trazendo como conseqüência, a indignação, o inconformismo, a busca da restauração através do
amparo jurisdicional, do bem jurídico lesado, a quem de direito

2. Qual o conceito de Direito?
Direito é a arte do bom e do justo. É o conjunto de normas reguladoras da vida em sociedade, traduzida pela
palavra jus ( o que é reto,o que é ordenado, consagrado) que estiveram em vigor em Roma e nos territórios
submissos à dominação romana, desde a fundação de Roma (754 a C) até a morte do imperador Justiniano
(565 d.C).

3. Nos primeiros tempos do Direito Romano, quem eram os encarregados de descobrir
a vontade dos deuses?
Eram os sacerdotes que, por meio da análise das entranhas dos animais, do vôo ou do pio das aves,
interpretavam os desejos dos deuses para a sociedade da época. Foram os primeiros interpretadores do direito,
conhecedores das coisas divinas, e humanas e a ciência do justo e do injusto.
Atualmente. O Direito e a justiça são desvinculados da Religião. Então, não é mais concebível esse tipo de
consulta.

4. O que é Direito Objetivo e Direito Subjetivo?
Direito Objetivo  conjunto de normas gerais e abstratas, impostas coercitivamente pelo Estado para
disciplinar a conduta dos homens na sociedade. Essas normas estão nos ordenamentos jurídicos vigentes.
Direito Subjetivo  era a possibilidade que a pessoa tinha de fazer tudo que o direito não lhe proibia e,
também, de exigir que seus direitos fossem respeitados.
5. Fale sobre a classificação do Direito Objetivo no Direito Romano.
O Direito Objetivo se classifica da seguinte maneira:
Quanto à forma  jus scriptum e jus non scriptum. O jus scriptum era o direito contido em normas. Já o jus
non scriptum era um direito não-escrito, originado dos costumes do povo e transmitido de geração em
geração.
Quanto aos interesses  direito público e privado. O Direito Público era relacionado aos interesses do
Estado. Por outro lado, o Direito Privado referia-se aos interesses particulares.

Atualmente, os estudiosos da teoria geral do direito, após longas exposições acerca da divisão do direito em
dois ramos, público e privado, são assentes em concluir que a divisão público-privado serviria mesmo como
um instrumento didático para o ensino da ciência do direito e uma melhor compreensão por parte dos seus
estudiosos. Entretanto alguns estudiosos colocam que essa divisão se justifica por existirem diferentes níveis
de relação jurídica entre os cidadãos entre si e entre esses e o Estado, a Administração Pública.

Assim, as relações jurídicas entre os cidadãos particulares ocorreriam dentro do direito privado. Já as relações
nas quais estaria presente o Poder Público, ou mesmo o interesse público, seriam pautadas pelo direito
público.
O direito privado se dividiria, fundamentalmente, em dois ramos, ou seja, o civil e o comercial. Já o direito
público é composto de vários sub-ramos, quais sejam, o direito constitucional, o administrativo, o penal, o
previdenciário, o eleitoral, internacional público e privado, processual civil e penal, do trabalho, tributário e
financeiro.

6. Qual a diferença entre “jus civile (direito civil) e o Direito Pretoriano?
Jus civile  era a mescla de direito divino e humano, constituído por regras altamente rígidas, formais e
solenes, originadas dos costumes dos povos.
Direito Pretoriano  veio para amenizar a rigidez e a formalidade do antigo jus civile. Os pretores eram os
ministros da justiça, espécie de magistrados romanos. O direito pretoriano era também conhecido como
direito honorário, aquele que veio complementar, suprir e corrigir o direito civil.

7. O que é direito Natural para os Romanos?
O Direito Natural é aquele que é inerente ao próprio homem, o que decorre da própria natureza das coisas. E
aquele que natureza ensinou a todos os animais e não só ao ser humano. É oriundo da razão e da providência
divina, é, imutável, continuo e universal.Justiniano traduzia o Direito Natural como aquilo que era justo e
bom e que, portanto, era uma espécie de providência divina.
O conceito de direito natural dos romanos, foi muito influenciado pela filosofia grega. Dizia que o direito
natural é o que a natureza ensinou a todos os animais. Direito que não é próprio do gênero humano, mas de
todos os animais, comum também às aves.
CAPITULO 2 – DIREITO DAS PESSOAS

1 – Fale sobre o conceito de pessoa física ou natural

O vocábulo pessoa originou-se de persona que significava máscara de teatro. Na antiguidade, para serem
ouvidos os atores passaram a usar personas (máscaras) – elas lhes ampliavam a voz e conferiam expressões de
alegria, tristeza e horror às personagens que encarnavam. Com o tempo, persona passou a significar o ser
humano, sujeito de direitos e obrigações.

No Direito Romano, o conceito de pessoa é diferente do conceito de homem. Em Roma, não bastava ser
humano para ser pessoa. Tal como nos demais sistemas da antiguidade, não havia igualdade jurídica entre
todos os seres humanos. O estrangeiro, por exemplo, inicialmente, é homem, mas não é considerado pessoa
para os romanos, ou seja, não é sujeito de direitos. Só algum tempo depois, com a formulação do ‘ius
gentium’, o estrangeiro ganhou este reconhecimento. Já o escravo, este nem homem era considerado. O
escravo é ‘res’, é coisa, é um bem econômico em forma humana, mas não é sujeito de direitos, ou seja, não é
pessoa. Para ser pessoa, é preciso ser homem, ter forma humana e não estar na condição de escravo. Pessoa é
o ser humano acompanhado de outros atributos, chamados 'status' ou 'caput': liberdade, cidade e família.
(Cretella Jr)

3 – Fale sobre os pressupostos de existência da pessoa natural

O ser humano deveria preencher alguns requisitos para ser considerado pessoa natural:
Ter nascido com vida – Para os sabinianos (escola mais conservadora de Roma), bastava a criança ter
respirado. Os proculeianos (escola de direito mais inovadora) entendiam que além de respirar, o recém-
nascido deveria também ter soltado um vagido. Esse impasse durou alguns séculos, mas foi solucionado por
Justiniano, que decidiu que bastava somente a respiração;
Nesta época surge uma divisão em duas escolas distintas de direito entre os romanos, a primeira eram os
proculianos que era tida como uma escola de inovadores. A segunda eram os sabinianos ou cassianos que era
a escola conservadora.
Ter vida intra-uterina – consistia na separação total do feto do organismo materno, com o rompimento do
cordão umbilical. Enquanto o bebê estivesse ligado à mãe, por meio do cordão, não teria vida própria, mas era
tão-somente parte da mãe; e
Ter a forma humana – era necessário que o bebê nascesse perfeito, sem qualquer anomalia física, pois caso
fosse portador de qualquer malformação, não seria considerado um ser humano, mas um monstro, o que
permitia, inclusive, que o pai o matasse.

4 – Fale sobre o direito do nascituro
Assim como no nosso Código Civil vigente, o nascituro era aquele que, embora concebido, ainda não
houvesse nascido. A legislação romana lhe protegia os direitos, especialmente para fins de abertura do direito
sucessório. Ex: Caso o pai falecesse, seus bens deveriam ser repartidos igualmente entre o nascituro e os
demais filhos porventura existentes.
Os romanos reconheciam os direitos do nascituro apenas como reserva de vantagens. Por ficção de direito, o
nascituro era considerado como já nascido, porém, era uma condição a ser observada após o nascimento.
Havia discussões entre os jurisconsultos sobre o que devia ser considerado como sinal de vida ao nascer: o
choro ou os movimentos corporais. Não apresentando, porém, um ou outro, era um natimorto e, portanto, não
considerado pessoa. Assemelhava-se ao aborto.

5 – Fale sobre a extinção da pessoa física
Com a morte se extingue a pessoa física. Porém, para os romanos a personalidade do falecido permanecia em
seus bens até que sua herança tivesse sido repartida entre os herdeiros. A herança jacente, existente até que se
findasse a repartição de todos os seus bens entre os herdeiros, conservava a personalidade do defunto.

Quanto à comoriência, morte simultânea de duas ou mais pessoas, ficou estabelecido pelos romanos (direito
Justinianeu) que se tivesse morrido ao mesmo tempo o pai e um filho impúbere, presumia-se que o filho
impúbere teria morrido primeiro, pois seria o mais fraco dos dois. Se, ao contrário, tivessem morrido um pai e
um filho adulto, presumir-se-ia que o pai teria morrido primeiro, por ser o mais velho e, consequentemente o
mais fraco. Essa regra se fazia necessária para fins de abertura do direito sucessório.

6 – Fale sobre a capacidade jurídica e capacidade de fato

A capacidade jurídica ou de direito é a aptidão jurídica ou legal de uma pessoa para ser titular de direitos e
obrigações. O ser humano já nasce com essa capacidade que permanecerá com ele enquanto existir.

Já a capacidade de fato é a aptidão que a pessoa tem para praticar diretamente os atos da vida civil, sem a
necessidade de autorização ou interferência de outra pessoa. Essa capacidade pode sofrer modificações ao
longo da existência do ser humano.

Todas as pessoas são dotadas de capacidade jurídica ou legal, mas o mesmo não ocorre quando o assunto é a
capacidade de fato. Algumas pessoas são tratadas pelo ordenamento jurídico como relativamente ou
absolutamente incapazes, a depender da restrição apresentada para o exercício de seus direitos.

7 – Fale sobre as causas restritivas da capacidade de fato

Para o Direito Romano, diversas são as causas restritivas da capacidade de fato: idade, sexo, enfermidades
físicas e mentais, a prodigalidade, a infâmia, a turpitude, e até mesmo a religião.
A idade: Os menores eram considerados incapazes para os atos da vida civil e necessitavam de um tutor (ou
curador) para representar seus interesses na sociedade.
Eram classificados em infantes e impúberes
- Infantes: os que ainda não podiam falar, razão pela qual não tinham consciência de seus atos. Portanto,
eram considerados absolutamente incapazes. Para os romanos, a infância ia até os 7 anos de idade. Dos 7 anos
até a puberdade, os menores eram considerados relativamente incapazes, sendo necessário um tutor para
administrar seus bens.
Hoje, conforme o art. 2º. da Lei 8.069/90, consideram-se crianças as que têm até 12 anos incompletos. Dos 12
aos 18 anos são adolescentes.

- Impúberes: os que ainda não apresentavam o desenvolvimento físico necessário para o casamento.
No Direito romano, os menores do sexo masculino eram submetidos uma “inspeção” corporal, a fim de se
comprovar a sua puberdade. No entanto, essa prática era degradante para os rapazes que eram submetidos à
“inspeção”, e constrangedor para os fiscais que realizavam a inspeção. Dessa forma, fixou-se a idade para o
início da puberdade de 14 anos para os homens e 12 para as mulheres.
Finalmente, no ano 190 a.C., a Lei Plaetoria fixou a maioridade dos homens aos 25 anos, idade em que
adquiriam também a plena capacidade para agir.

Sexo: As mulheres eram consideradas incapazes para a prática dos atos da vida civil. Precisavam sempre ser
representadas por um tutor para representá-las. Também não podiam ocupar cargo público. As solteiras
deveriam estar sujeitas ao pai e as casadas se submetiam à autoridade do marido. Caso o marido fosse também
o chefe de família, a mulher era considerada sua filha e era tratada em igualdade de condições com os
próprios filhos. Se o chefe da nova família fosse o sogro, ela passava a ser considerada sua neta.
Quando a mulher não estivesse sob o poder paterno nem marital, apenas por ser mulher, era submetida a uma
tutela perpétua e considerada relativamente incapaz.

Enfermidades físicas e mentais: essas enfermidades influíam na capacidade jurídica das pessoas.
I) Físicas: os que eram castrados o esterilizados não podiam se casar nem adotar filhos. Os cegos
somente poderiam fazer testamentos válidos se observassem um procedimento especial. Os surdos-mudos não
podiam testemunhar nem fazer testamentos orais.
II) Mentais: As enfermidades mentais eram classificadas em furiosus e mentecaptus. Os furiosus eram
os alienados que alternavam momentos de lucidez e de fúria. Nos momentos de lucidez, eram plenamente
capazes, mas, sobrevindo o furor, ele era considerado absolutamente incapaz e somente um curador poderia
gerir seu patrimônio. Já o mentecaptos e os dementes eram loucos irrecuperáveis, e por isso absolutamente
incapazes, necessitando sempre de um curador permanente.

Prodigalidade: Os pródigos eram relativamente incapazes. Essa incapacidade restringia-se à administração
do seu patrimônio, por serem esbanjadores compulsivos. Precisavam de um curador para administrar os seus
bens.
Outras causas restritivas da capacidade de fato:

- Infâmia – Por ser a honra um atributo extremamente valorizado, quem praticasse qualquer ato ofensivo à
dignidade pública e fosse considerado infame teria sua capacidade jurídica diminuída. Considerava-se ter
praticado a infâmia os que se enquadrassem dentro de uma das situações seguintes: bigamia, proferir calúnias
e injúrias, furto ou roubo; comerciantes falidos; viúvas que se casassem antes de terminar o prazo de luto (1
ano); os que exercessem determinadas profissões consideradas imorais e desonestas (ator, usuário ou
proprietário de casas de prostituição); as mulheres surpreendidas em flagrante adultério; e o tutor infiel.

A infâmia era declarada por lei ou por um édito do pretor e somente poderia ser retirada pelo imperador ou
pelo senado romano. Os que fossem declarados infames não poderiam mais ser procuradores, servir como
testemunhas, ocupar cargos públicos ou mesmo servir no exército romano.
- Turpitude: comportamento indecoroso, em desacordo com a moralidade pública.
- Religião: os não-cristãos tiveram diminuída a sua capacidade para a prática de certos atos da vida civil. Os
ateus, os apóstatas, os hereges e os judeus na puderam mais ser testemunhas ou herdeiros, sendo que esses
últimos sequer poderiam exercer qualquer cargo público, possuir escravos cristãos nem casar-se com cristãos.

CAPÍTULO 3 – O STATUS LIBERTATIS

1. Fale sobre o “status” no Direito Romano.
No Direito Romano, status significava um conjunto de qualidades jurídicas que um indivíduo deveria ter para
ser considerado plenamente capaz de exercer todos os seus direitos, quer na vida pública, quer na vida
privada.

2. O que é “status libertatis”?
Status libertatis era a situação de ser livre. Quem perdesse este status era considerado absolutamente incapaz
para exercer qualquer ato na vida civil, equivalia a própria morte da pessoa.

3. Fale sobre a escravidão no Direito Romano.
Os escravos eram como simples instrumentos capazes de falar. A pessoa se tornava escrava pelo nascimento
(filhos de mãe escrava), pelo cativeiro (aqueles que eram aprisionados em guerra), pela condenação à pena
por inadimplência, os ladrões, os desertores das legiões romanas, aqueles que se recusavam a inscrever seu
nome no censo (incensus), as mulheres que mantivessem relações sexuais com um escravo.

4. Fale sobre a alforria no Direito Romano e suas espécies.
A alforria significou a liberdade concedida ao escravo concedida pelo seu senhor, podia ser efetuada das
seguintes formas:
 Per vindicta: o proprietário do escravo, mais um amigo e o próprio escravo compareciam perante o
magistrado. Lá, o amigo tocava o escravo com uma espécie de “varinha” e dizia: “Declaro este
homem livre.”
 Pelo censo: a cada cinco anos o dominus recebia uma visita do censor que, se pretendesse libertar
um escravo, inscrevia seu nome como um dos membros de sua família, considerando o escravo como
um homem livre.
 Por testamento: o dominus podia, por meio de testamento, expressar sua vontade em libertar tal
escravo, escrevendo em uma das cláusulas: “Quero que meu escravo fulano seja livre.”

CAPÍTULO 4 - A CIDADANIA ROMANA

1. Fale sobre o “Status Civitatis”, como adquiria e como se perdia o status civitatis.
O Status Civitatis era a qualidade de cidadania, concedendo ao titular o direito de votar, de candidatar-se a
cargos públicos, de adquirir e alienar propriedades em Roma, celebrar contratos, casar-se, etc.
A cidadania romana era adquirida:
 Pelo nascimento, independente do local onde a criança nascia. O critério adotado pelo Direito
Romano era o jus sanguinis, em que prevalecia a nacionalidade da mãe.
 Por benefício da lei, onde os cidadãos reuniam-se, discutiam e votavam a proposta de cidadania de
determinada pessoa.
 Pela naturalização, cidadania concedida tanto a uma só pessoa, como a todos habitantes de uma
região de forma coletiva.
 Pela manumissão, quando o proprietário concedia ao seu escravo a liberdade. Assim, adquiria-se o
status civitatis, porém com restrições.
Perderia o status civitatis o cidadão que fosse levado a condição de escravo, que se naturalizasse de outro
Estado e, também, quando sofresse a pena de deportação.

CAPÍTULO 5 e 6 – STATUS FAMILIAE – CAPITIS DEMINUTIO

1. Fale sobre o “status familiae” na sociedade romana.
Status familiae era a condição que a pessoa tinha na própria família, ou era sui júris ou alien júris. A
palavra família, no Direito Romano, significava o conjunto de pessoas e bens sob a dependência de um chefe,
chamado pater famílias.

2. Fale sobre “sui júris” e “alien júris”.
Sui júris  pessoa que não era subordinada a ninguém, livre para atuar diretamente na vida civil. Geralmente
eram os cidadãos que não tinham ascendentes do sexo masculino ou os emancipados.
Alien júris  pessoa que era submetida a qualquer espécie de autoridade familiar, necessitando de seu
consentimento para qualquer ato na sociedade. Um exemplo seria o casamento, essas pessoas não podiam
instituir matrimônio sem o consentimento do pater famílias e seus bens eram incorporados ao patrimônio da
família.

3. Fale sobre Parentesco, agnatos e cognatos.
Para os romanos existiam dois tipos de relações de parentesco: os agnatos e os cognatos. Os agnatos eram os
parentes que não tinham laços sanguíneos, mas estavam submetidos ao mesmo pater famílias. Ex: padrasto e
madrasta, sogros, genro e nora, cunhados. Já os parentes cognatos eram aqueles ligados pelo sangue. Ex: pais,
filhos, avós, netos, bisavós, bisnetos, tios e primos.

CAPÍTULO 7 – O CASAMENTO NO DIREITO ROMANO

1. Fale sobre o casamento no Direito Romano.
Os romanos sempre foram monogâmicos, o casamento para eles constituía a comunidade absoluta de vida,
instituída legalmente pela coabitação de dois sexos distintos, com a intenção de procriar e educar filhos.

2. Quais as espécies de casamento? “cum manu” e “sine manu”.
O casamento dos romanos tinha duas espécies:
Cum manu  espécie de casamento onde a mulher saía da esfera do seu pater família, para passar ao do seu
marido, integrando todos os seus bens ao patrimônio da sua nova família. Caso o pater do grupo familiar
fosse o seu próprio marido, a mulher seria considerada sua filha e irmã dos seus próprios filhos. Por outro
lado, se o marido ainda fosse dependente de um pater, a mulher seria considerada neta do seu sogro e “filha”
do seu marido.
Sine manu  neste, a mulher não era subordinada a qualquer membro da nova família, mas continuava a
manter sua subordinação a família de sangue. Em caso que a mulher fosse sui júris, podia ela administrar, por
meio de tutor, os bens adquiridos antes do casamento. No século III d.C, o casamento sine manu substituiu
definitivamente o cum manu.

3. Quais os tipos de casamento “cum manu”? Fale sobre eles.
Existem três tipos de casamento cum manu:
 Confarreatio: tipo de casamento mais antigo, exclusivo da classe patrícia, feito em grande
solenidade. Os noivos desfilavam pelas ruas da cidade e se dirigiam até o templo de Jupter, onde na
presença do sacerdote e de dez testemunhas, era celebrado o casamento. Após a cerimônia começava
a festa, onde comiam uma espécie de bolo de cereais, o precursor do bolo de noiva.
 Coemptio: casamento exclusivo dos plebeus, onde a mulher era “vendida” simbolicamente ao
marido. Um funcionário público, o libripens, celebrava o casamento perante cinco testemunhas.
 Usus: não era um casamento propriamente dito, mas uma preparação para ele. A mulher saía de casa
de seu pai para coabitar com o homem na residência deste, após um ano, o casamento era
automaticamente legalizado.

4. O que são esponsálias?
As esponsálias eram uma espécie de pacto antenupcial celebrado pelos noivos, ou pelos respectivos pater
famílias, a partir dos 7 anos de idade, nos casos de crianças, e as viúvas no período de luto obrigatório de 10
anos. Era considerada uma promessa oficial de casamento.

5. Quais os requisitos para o casamento romano?
Para se casarem, os noivos deveriam preencher os seguintes requisitos:
 Jus connubium: era a aptidão legal para se casar. Ate os meados da República, só possuíam essa
aptidão os cidadãos romanos e aqueles a quem era concedida legalmente tal cidadania.
 Puberdade: era a aptidão física sexual para a procriação. 14 anos de idade para os homens e 12 anos
de idade para as mulheres.
 Consentimento: o Direito Romano não admitia que alguém se casasse coagido, sem o
consentimento dos noivos e dos pais. Nos casos em que os pais negassem o consentimento sem junto
motivo, cabia recurso pelos noivos.

6. Como era a dissolução do casamento?
O casamento era dissolvido pela morte ou cativeiro de um dos cônjuges, pelo divórcio ou por qualquer outra
servidão que sobrevenha a qualquer dos cônjuges.

CAPÍTULO 8 - TUTELA

1. O que é tutela?
Tutela é uma palavra originada do latim (tueris) que significa proteger, guardar...
Assim, era designado um tutor para proteção dos interesses patrimoniais das pessoas consideradas incapazes.

2. Quais as espécies de tutela?
Tutela legítima  aquela que decorria da lei, em razão de parentesco com o tutelado. Eram chamados como
tutores os parentes mais próximos do tutelado, sendo este do sexo masculino.
Tutela testamentária  tutela diretamente designada pelo pai do menor, em testamento, para que valesse
após a sua morte.
Tutela dativa ou honorária  quando o menor ficava sem tutor, porque não existiam testamento deixado
pelos pais. O magistrado que era o juiz determinava a tutela, nomeando um tutor que não podia se escusar
desse encargo, a não ser alegando motivos relevantes, tais como a idade avançada, enfermidade, residência
distante, pobreza, ignorância ou existência de outra tutela.

3. Quais os poderes e deveres do tutor?
O tutor fazia por vezes o papel de pai de seu tutelado. Ele devia administrar e proteger os seus bens,
acompanhar o tutelado na prática de atos jurídicos, de forma honesta e desinteressada.
O tutor devia fazer um inventário dos bens do tutelado para prestar contas quando este alcançasse sua
maioridade.
Quando houvesse algum dano sobre o patrimônio do tutelado, os magistrados podiam exigir o depósito de
uma quantia em dinheiro como garantia de ressarcimento.
A função do tutor sempre foi exclusiva dos homens, só na época do Imperador Constantino, por influência do
cristianismo, passou a ser também uma atribuição das mulheres.

CAPÍTULO 9 - CURATELA

1. O que é curatela?
Instituto de Direito Romano que dava assistência e proteção àquelas pessoas que se tornavam incapazes por
conta de enfermidades físicas, mentais ou, ainda, no caso de prodigalidade, evitando prejuízos a seus
herdeiros.

2. Quais as causas da curatela?
A curatela era concedida aos:
 Loucos de todo gênero: os furiosus e mentecaptus, eram aqueles que intercalavam momentos de
loucura com momentos de lucidez e aqueles que sofriam de loucura permanente, considerados
absolutamente incapazes, precisando de um curador permanente.
 Pródigos: aqueles que esbanjavam excessivamente o seu patrimônio em flagrante prejuízo de suas
famílias.
3. Quais os Poderes e deveres do Curador?
O curador administrava os bens do curatelado. O magistrado poderia exigir uma caução antecipada para
resguardar os interesses do curatelado, quando se extinguisse a tutela. O curatelado poderia hipotecar os bens
do curador. Se o curador fosse infiel no cumprimento de seus deveres poderia ser destituído do cargo e
responder civil e penalmente.

CAPÍTULO 10 – PESSOAS JURÍDICAS

1. Qual o conceito de pessoas jurídicas?
Pessoa jurídica era definida como uma coletividade de pessoas ou de coisas devidamente organizadas que
passou a ter vida autônoma, adquirindo direitos e contraindo obrigações em seu próprio nome, independente
dos indivíduos que a compunham.

2. O que Universitas personarum?
Universitas personarum era o conjunto ou agrupamento de pessoas devidamente organizado, capaz de
adquirir direitos e contrair obrigações.

3. O que é Universitas Rerum?
Universitas rerum eram entidades jurídicas formadas não por pessoas físicas e sim por coisas, criadas pelo
Estado ou por particulares, visando o alcance de determinados objetivos comuns. Ex.: orfanatos, hospitais,
hospícios e asilos para velhos.

4. O que é herança jacente?
Herança jacente consistia no espólio do cujus até a sua repartição definitiva entre os herdeiros. A herança
jacente representava a pessoa do defundo.

CAPÍTULO 11 – DIREITO DAS COISAS

1. Qual o conceito de “res”?
A palavra res (coisa) pode ser definida em dois sentidos. Em sentido amplo, coisa é tudo aquilo que existe na
natureza e que pode ser conhecido pelo homem. Juridicamente falando, coisa é tudo aquilo que é susceptível
de apropriação pelo homem e que se torna objeto de direito porque tem valor econômico; conhecido como
“bens”.

2. Como poderia ser classificado a “res” no Direito Romano?
No Direito Romano, res era classificada de duas formas:
Res extra patrimonium  eram coisas que estavam fora do comércio e que não podiam pertencer ao
patrimônio do particular: coisas consagradas ou santificadas aos deuses, rios, portos, mar, água, ar, etc.
Res patrimônio  eram bens que integravam o patrimônio particular e podiam ser negociados por seus
proprietários.

CAPÍTULO 12 - DIREITO DE PROPRIEDADE

1. Fale sobre o conceito de propriedade no Direito Romano.
Os romanos não tinham um conceito claro sobre propriedade. Pode-se dizer que é tudo aquilo originado da
palavra latina proprium, ou seja, o que pertence a alguém, o que é próprio da pessoa.

2. Quais as espécies de propriedade na época da República?
O Direito Romano, na época da República, tinha as seguintes espécies de propriedade:
 Propriedade quiritária: propriedade regulada pelas normas rígidas e formais do jus civile ou direito
quiritário. O titular dessa propriedade deveria ser obrigatoriamente um cidadão romano.
 Propriedade pretoriana ou bonitária: veio para amenizar a propriedade do jus civile. Poderia ser
adquirida pelos cidadãos romanos, mas também pelos estrangeiros.
 Propriedade provincial: os bens situados na províncias eram de propriedade exclusiva do Estado
romano ou do imperador, mas podiam ser usados pelos particulares, desde que estes pagassem ao
Estado um tributo anual para o uso dessas terras.
 Propriedade peregrina: quando os peregrinos adquiriam qualquer bem, móvel ou imóvel, não tinham
sobre eles um direito de propriedade, mas somente a posse. Acreditando ser este ato injusto, os
pretores passaram a proteger os interesses dos peregrinos, considerando-os legítimos proprietários de
suas terras quando situadas nas províncias, fora de Roma.

3. Fale sobre o direito de propriedade no Direito Justiniano.
O Imperador Justiniano fez cessar a distinção existente entre as diversas espécies de propriedades (quiritária,
pretoriana e provincial) e unificou o conceito de dominium ou proprietas. O direito de propriedade passou a
ser então considerado como “pleno poder sobre a coisa”.

4. Fale sobre as limitações ao direito de propriedade no direito romano.
O direito de propriedade sempre sofreu limitações tanto de caráter público quanto privado.
Limitações de interesse público 
 Quando a via pública estivesse em reparos, os proprietários de terrenos deveriam permitir o trânsito
de pessoas e de carros pelas suas terras.
 Os proprietários às margens de rios tinham obrigação de permitir o uso de suas margens.
 A altura máxima das edificações.
 Ninguém podia cremar cadáveres em sua propriedade.
Limitações de interesse privado 
 O proprietário de um prédio devia suportar que os galhos da árvore de seu vizinho pendessem sobre
o seu terreno.
 O proprietário deveria permitir que seus vizinhos entrassem em seu terreno, um dia sim e um dia não
para recolher os frutos caídos das suas árvores.
 O proprietário de um terreno devia deixar seu vizinho transitar pela sua propriedade, se este não
tivesse outro acesso à via pública.
 Na época do Dominato não era permitido que alguém construísse seu edifício de forma a obscurecer
o prédio do vizinho.

CAPÍTULO 13 – MODOS DE AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE

1. Fale sobre os modos convencionais de aquisição da propriedade no Direito
Romano.
Em Roma, no período da Monarquia, os acordos entre o comprador e o vendedor eram feitos de forma solene
através da mancipação, cessação em juízo ou abandono de coisa perante o juiz, e pela tradição.

Mancipação (mancipatio)  forma mais antiga de transmissão de propriedade, onde esta era transferida ao
comprador numa cerimônia altamente formal e solene, onde devia haver oito pessoas para a sua concretização
(comprador, vendedor, o portador da balança e mais cinco testemunhas).

Cessação em juízo ou abandono de coisa perante o juiz ( in jure cessio)  era um outro modo convencional e
solene de transferência de propriedade que se caracterizava pelo abandono da coisa perante o magistrado.

Tradição (traditio)  modo de aquisição de propriedade sem qualquer formalidade. A coisa passava a ser
propriedade do adquirente pela simples “trocas de mãos”. O vocábulo tradição vem do verbo latino tradere
(entregar).
2. Fale sobre os modos não convencionais de aquisição da propriedade.
Era a maneira de se adquirir a propriedade de uma coisa por meios naturais ou artificiais, sem um precedente
acordo de vontades entre as partes. Eram os seguintes modos:

Ocupação  quando uma pessoa se tornava proprietária de uma coisa sem dono ou de coisa abandonada.
Bastava quem a encontrasse para que se apossasse dela.

Acessão  ocorria quando uma coisa aderia a outra, de tal modo que passava a dela fazer parte integrante,
constituindo um todo. Os romanos tinham uma regra básica para explicar a acessão: o acessório sempre segue
o principal.

Especificação  a solução foi dada por Justiniano fundamentado em parecer de Paulo, que dizia:
 Se a espécie nova pudesse retornar ao estado primitivo, pertenceria ao proprietário da matéria prima.
 No entanto, se a espécie nova não pudesse retomar a forma primitiva anterior, pertenceria ao
especificador, que, deveria indenizar o proprietário da matéria-prima.

Adjudicação  quando alguém se tornava proprietário de alguma coisa por decisão judicial. Isso ocorre
geralmente nas ações divisórias de bens.

Usucapião  toma posse pacificamente, durante de um determinado lapso tempo: um ano para móveis e dois
anos para imóveis.

CAPÍTULO 14 – POSSE

1. Qual o conceito de posse no Direito Romano?
Para os romanos significava a apreensão de uma coisa por uma pessoa que dela podia dispor segundo sua
vontade, como se dela fosse o proprietário.

2. Quais os elementos da posse?
Para a posse fosse completa, precisaria de dois elementos essenciais:
 Corpus: era o elemento objetivo, o corpo, a matéria, o objeto físico.
 Animus: era o elemento subjetivo, a intenção, a vontade, a ânimo de possuir a coisa.

3. Quais as modalidades de posse?
No Direito Romano a posse poderia ser realizada de forma natural, civil ou por interditos.
Posse Natural  era a mera apreensão da coisa sem a intenção de possuí-la como própria.
Posse Civil  era posse que se fundamentava em atos jurídicos.
Posse pelos interditos  o possuidor mantinha a posse da coisa (animus possidendi), mas sem a intenção de
torna-se dele.

4. Quais as formas de aquisição da posse?
Podia adquirir a posse de uma coisa pessoalmente pela apreensão direta e material do objeto. Também
existiam as seguintes formas:
 Tradição simbólica: era a transferência da posse simbolizada por qualquer ato visível, tal como a
entrega de uma chave.
 Tradição longa manu: quando a coisa a ser possuída fosse uma área de grandes proporções.

5. Fale sobre a perda da posse.
A perda da posse poderia ser caracterizada pelo abandono da coisa, quando o possuidor não desejasse mais
possuí-la, quando o possuidor transferia a posse para outra pessoa e quando o possuidor perdia a coisa
possuída.

6. Fale sobre a proteção à posse.
Quando a posse era ameaçada ou violada, o possuidor procurava protegê-la ou reavê-la por meio de ações
específicas, denominadas “interditos possessórios”. Os interditos tinham força dos mandados judiciais de hoje
em dia e continham uma obrigação de fazer ou de não fazer. Eram divididos em:
 Interditos de manutenção da posse - (Interdito Uti possidetis): era a posse de bens imóveis; e
Interdito utrubi: era o interdito para a defesa de bens móveis..
 Interditos de recuperação da posse - Interdito unde vi: sido despojado de forma violenta; De vi
cottidiana: despojado sem o uso da arma; De vi armata: despojado com o uso da arma; e Interdito
de clandestina possessione: a ordem da posse era emitida contra aquele que havia se apossado da
posse de alguém, aproveitando-se da ausência do possuidor.
 Interdito de precário - era concedido ao possuidor que havia cedido a posse a um terceiro, por
determinado tempo, sem que este lha devolvesse no prazo combinado.

CAPÍTULO 15 – DIREITOS REAIS SOBRE COISA ALHEIA

1. Fale sobre os direitos reais sobre coisa alheia.
Caia em benefício de uma pessoa. Assim o usufruto, o uso, a habitação e o trabalho escravo e dos animais
(operae servorum e animalium). Podendo dividir em servidões prediais e servidões pessoais.

2. Fale sobre servidões prediais.
São ônus e impostos sobre um imóvel (prédio serviente) em benéfico de outro imóvel (prédio dominante). As
servidões prediais podiam ser urbanas (cidades) ou rústicas (campos).
Características das servidões prediais:
 Tornam-se parte integrante do imóvel serviente, acompanhando-o mesmo quando alienado;
 O prédio serviente e dominante deve ser vizinho.
 As servidões prediais têm a característica da perpetuidade.

3. Fale sobre servidões pessoais.
Eram ônus que recaíam sobre um bem móvel ou imóvel em benefício de uma pessoa. As servidões pessoais
eram instituídas em benefício de pessoas e não de prédios. E era classificado em: usufruto, uso, habitação e
serviços de animais e de escravos(operae servorum et animalium).
Usufruto  era o direito real que recaía sobre uma coisa em benefício de uma pessoa (usufrutuário).
Uso  uso (usus) era o direito real que transferia a alguém (usuário) somente o uso (jus utendi) de coisa
alheia, e não os seus frutos (jus fruendi), que continuavam a ser do proprietário.
Habitação  era o direito que uma pessoa tinha de habitar ou mesmo alugar casa de propriedade alheia,
durante determinado lapso de tempo.
Serviço de escravos e de animais  consistia no direito de utilização do trabalho dos escravos e dos animais
pertencentes à outra pessoa.

4. Fale sobre o direito de superfície.
Era o direito real, transmissível e alienável que atribuía a alguém (o superficiário) o direito de gozo de um
edifício construído em terreno alheio. O superficiário, quando convencionado, pagava ao proprietário do solo
uma espécie de aluguel (pensio ou solarium).

5. Fale sobre a enfiteuse.
A origem da enfiteuse é remota. O Estado romano sempre foi proprietário de imensas porções de
terras(coloniae, municípia) e passou a arrendá-las a particulares(enfiteutas).
A enfiteuse era um direito real, alienável e transmissível a herdeiros, pelo qual o proprietário a outra pessoa
(enfiteuta, foreiro, caseiro), tinha o direito de cultivar um imóvel de sua propriedade, durante um largo
período de tempo, mediante o pagamento de uma pensão anual.
CAPÍTULO 16 – DIREITOS REAIS DE GARANTIA SOBRE COISA ALHEIA

1. O que são direitos reais de garantia?
Eram aqueles que o credor passava a ter sobre uma coisa de propriedade de outrem, com o objetivo de
assegurar do recebimento de seu crédito. Há três tipos desses direitos de garganta; a alienação fiduciária, o
penhor e a hipoteca.

2. Fale sobre alienação fiduciária.
É a mais antiga de garantia. O devedor, como garantia de seu débito, transferia a propriedade de um bem de
sua propriedade ao credor, e este se comprometia a devolvê-la quando o devedor saldasse seu débito.

3. Fale sobre penhor.
Penhor (pignus datum) era a modalidade de garantia real que consistia num contrato celebrado entre o credor
e o devedor pelo qual este entregava àquele somente a posse (jus utendi). O penhor surgiu em Roma no início
do século II antes de Cristo.

4. Fale sobre a hipoteca.
Hipoteca (pignus obligatum) era a modalidade de direito real de garantia que consistia numa convenção
celebrada entre credor e devedor. O credor obtinha do devedor o direito de entrar na posse de um bem de sua
propriedade dado em garantia da dívida.

CAPÍTULO 17 - DIREITO DAS OBRIGAÇÕES

1. Fale sobre o conceito de obrigações.
A palavra obrigação deriva do latim obligare, que significa ligar, unir, obrigar a um compromisso.
Genericamente, obrigação pode ser entendida como um dever jurídico em geral. No entanto, quando diz às
pessoas, significa um dever jurídico de caráter eminentemente econômico, uma vez que envolve
essencialmente dois sujeitos, sendo um deles o credor, que exige do devedor o cumprimento de uma prestação
de conteúdo econômico (o pagamento de uma dívida).

2. Fale sobre os elementos essenciais das obrigações.
Nas obrigações existem três elementos essenciais:
 Sujeito ativo - o credor (creditor) – é a pessoa que tem o direito de exigir o cumprimento do objeto
do compromisso assumido.
 Sujeito passivo - o devedor (debitor) – a ele compete satisfazer o compromisso assumido com o
credor.
 Vínculo (vinculum júris) – prende o devedor ao credor, obrigando-o a saldar o compromisso
assumido.
 Objeto (debitum) – é a dívida, a obrigação propriamente dita.

3. Fale sobre as modalidades de obrigações.
Os romanos conheciam as seguintes espécies ou modalidades de obrigação: obrigação de dar, de fazer, de não
fazer e de prestar.
Obrigação de dar (dare)  era transferir a propriedade de uma coisa ao credor, ao término do contrato.
Obrigação de fazer (facere)  era uma obrigação positiva de fazer aquilo que havia sido convencionado.
Obrigação de não fazer (non facere)  obrigação negativa de abster-se de fazer alguma coisa ou de praticar
algum ato.
Obrigação de prestar (praestare)  compreendia as duas anteriores- a obrigação de fazer e a de não fazer.

4. Fale sobre as fontes de obrigações.
As fontes das obrigações são as causas e os fatos jurídicos que dão origem à relação obrigacional. No período
clássico do Direito Romano, os contratos e os delitos constituem as fontes das obrigações. Com a
complexidade da vida, surgiram outras obrigações.

CAPÍTULO 18 – OS CONTRATOS NO DIREITO ROMANO

1. Fale sobre a classificação dos contratos.
O vocábulo contractus, significa uma convenção entre duas ou mais pessoas que origina direitos e obrigações
recíprocas. Só apareceu nos primeiros séculos depois de Cristo e eram classificados em verbais, literais, reais,
consensuais e inominados.
Contrato verbal (forma verbal)  constituído pelo Stipulatio: era o contrato verbal por excelência; pelo Dotis
dictio: considerado uma promessa solene e formal que a mulher ou seu pai, avô paterno, fazia ao futuro
marido, prometendo-lhe um dote; Promissio jurata liberti: era uma promessa unilateral, solene e formal, pela
qual o escravo liberto prometia prestar determinados serviços ao seu ex-senhor.
Contrato liberal (forma escrita)  Nomina transcripticia: era uma espécie de borrador nos quais os antigos
romanos registravam todas as suas contas e negócios, ou codex; Chirographum: era o contrato quirografário,
que ficava em poder do credor e que comprovava a existência da dívida; Syngraphum: em duas cópias, uma
cópia ficava na mão do credor e a outra na mão do devedor.
Contrato Real  além da vontade das partes contratantes, da entrega efetiva de uma coisa, objeto do acordo.
Contrato Inominado  não se enquadravam nas demais espécies de contratos até então conhecidos.

2. Fale sobre os elementos de validade dos contratos.
Para que os contratos tivessem valor legal, deveriam conter os seguintes elementos:
 Um objeto – que deveria ser lícito e possível
 O consentimento – que era a manifestação de vontade dos contratantes.
 Capacidade dos contraentes.

CAPÍTULO 19 - CONTRATOS REAIS

1. Fale sobre o conceito de contratos reais.
Eram aqueles que para se concretizarem, necessitavam, além da vontade das partes contratantes, da entrega
efetiva de uma coisa, objeto do acordo. Deveria haver a tradição, isto é, “troca de mãos”, ao final do contrato,
o bem dado em garantia deveria ser devolvido por uma parte à outra. As Institutas de Justiniano incluem entre
os contratos reais o mútuo, o comodato, o depósito, o penhor e a fidúcia.

2. Fale sobre o contrato de mútuo.
Era um contrato que envolvia coisas fungíveis, ou seja, aquelas que podiam ser contadas, pesadas, medidas e
substituídas por outras da mesma espécie. Desta forma podiam ser objeto de mútuo os gêneros alimentícios,
os animais, determinadas quantias em dinheiro etc.

3. Fale sobre o comodato.
Era um empréstimo de uso, o contrato pelo qual uma pessoa, chamada comodante, entregava gratuitamente a
outra, denominada comodatária, uma coisa móvel ou imóvel para que a usasse e a devolvesse ao final do
contrato. Ao final do contrato, o comodatário deveria devolver a mesma coisa dada em comodato, com todas
as benfeitorias nela existentes.

4. Fale sobre o contrato de depósito.
Depósito era um contrato pelo qual uma pessoa (depositante) entregava uma coisa móvel à outra (depositário)
para que a aguardasse por um determinado tempo, devendo restituí-la nas mesmas condições, quando assim
fosse solicitado.

5. Fale sobre o penhor.
Era um contrato pelo qual uma pessoa (devedor) entregava a posse de uma coisa ao credor, como garantia da
dívida.

6. Fale sobre a fidúcia.
Era o contrato pelo qual uma pessoa (fiduciante) fazia a transferência da propriedade de uma coisa à outra
pessoa (fiduciário), como forma de garantir um crédito.
CAPÍTULO 20 - CONTRATOS CONSENSUAIS

1. Qual o conceito de contrato consensual?
Eram aqueles que se fundamentavam exclusivamente no consentimento dos contratantes (solo
consensu). Era necessária somente a vontade dos contratantes.

2. Quais os tipos de contratos consensuais conhecidos pelos Romanos?
Os romanos conheciam as seguintes espécies de contratos consensuais: o contrato de compra e venda (emptio
venditio), o contrato de locação (locatio conductio), o contrato de sociedade (societas) e o contrato de
mandato (mandatum).

3. Fale sobre o contrato de compra e venda.
Era o contrato pelo qual o vendedor se obrigava a transmitir ao comprador a propriedade de uma coisa,
mediante o pagamento de uma quantia certa em dinheiro. A compra e venda se realizavam, geralmente,
através da forma solene do mancipatio na era romana.
Para que o contrato tivesse eficácia legal era necessária a observância de determinados requisitos, tais como: a
existência da coisa a ser vendida ou comprada, o preço e o acordo entre as partes.

4. O que são arras?
Arras ou sinal era uma quantia em dinheiro, ou objeto, que o comprador entregava ao vendedor como prova
de seu consentimento na realização do negócio. Existiam, também, as arras penitenciais, que eram espécies de
multas para aquele que desistisse do negócio.

5. O que é um pacto comissório?
Era aquele que desfazia o contrato original determinando, no entanto, que a coisa que havia sido contratada
deveria ser devolvida pelo devedor com todas as suas benfeitorias, se porventura o preço combinado deixasse
de ser pago no prazo ajustado.

6. Fale sobre o contrato de locação. Conceito e espécie.
Contrato de locação era um contrato consensual pelo qual uma pessoa (locator) se obrigava a proporcionar ao
outro (conductor) o gozo de uma coisa (locatio rei), a prestação de um serviço (locatio operis faciendi), por
prazo determinado e mediante o pagamento de um preço certo em dinheiro (mercês=aluguel). Possui as
seguintes espécies:
 Locação de coisas (locatio rei) – poderia ser objetos de locação de todas as coisas corpóreas, móveis
e imóveis.
 Locação de serviços (locatio operarum) – contrato individual de trabalho que não exigia
especialização do empregado contratado.
 Locação de obra (locatio operis facienti) – o contratado se obrigava a realizar determinada obra ou
executar determinado trabalho, como, por exemplo, a construção de uma casa e uma pintura.

7. Fale sobre o contrato de sociedades.
O contrato de sociedades era o acordo celebrado por duas ou mais pessoas (socius) que conjugavam seus
recursos e esforços para a obtenção de um fim comum, qual seja o recebimento de lucros que eram
partilhados pelos participantes. O contrato de sociedade teve origem no consirtium das antigas famílias
romanas. A extinção de sociedade dava-se pela morte natural dos sócios, pela capitis deminutio de um deles,
pela insolvência, confisco de bens ou a consecução do fim proposto.

8. Fale sobre o contrato de mandato.
Contrato de mandato era o contrato mediante o qual uma pessoa, o mandante ( mandans,
mandator, dominis negtii) encarregava outra, o mandatário (procurator) de fazer gratuitamente qualquer coisa
em seu interesse, tal como vender ou comprar um imóvel, representação perante o juiz, etc. O mandatário
tinha a obrigação de cumprir fielmente sua missão, agir de boa fé, não exceder os limites pré-fixados pelo
mandante e, ao final, prestar contas de sua função.

CAPÍTULO 28 – EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES

1. Fale sobre os modos de extinção das obrigações, ipso jure.
Era o modo pelo qual a obrigação assumida pelo devedor se extinguia normalmente de pleno direito (ipso
jure), pelo seu efetivo cumprimento ao término da obrigação contratual. Podendo ser das seguintes formas:
 Solutio per aes et libram – a extinção de obrigação ocorria de forma solene e formal: devedor e
credor compareciam perante o libripens que, conforme visto anteriormente, portava uma balança de
bronze. O devedor, em alta voz, dizia então que, a partir daquele momento, estava liberado da
obrigação assumida e, assim dizendo, batia com um pedaço de bronze na balança. O silencio do
credor consolidava o ato.
 Acceptilatio – o devedor perguntava solenemente ao credor: Habesne acceptum? (você realmente
recebeu o pagamento?), ao que respondia o outro: Habeo! (Sim. Tenho-o por recebido).
 Pagamento (solutio) – era o modo normal de o devedor extinguir sua dívida, pagando a quantia
devida ao credor. Ficava desta forma, liberado de todas as obrigações anteriormente assumidas.
 Dação em pagamento (beneficium dationis in solutum) – se o devedor não pudesse pagar em
moeda corrente, era-lhe permitido saudar seu débito entregando coisa distinta ao credor, tal como um
bem ou imóvel, que era anteriormente avaliado. O pagamento era feito mediante um recibo ou pelo
testamento de cinco pessoas.

 Consignação em pagamento (obsignatio) – novação, conforme visto anteriormente, era a
substituição de uma obrigação antiga por outra nova, de modo que se extinga a primeira.

2. Fale sobre os modos de extinção das obrigações exceptionis ope.
O Direito Romano previa que, em alguns casos, o devedor devia requerer ao pretor que declarasse extinta a
sua relação obrigacional com seu credor. Era o modo de extinção denominado per exceptionis ope, que corria
das seguintes formas: compensação, transação e prescriptio longi temporis.

Compensação  era “a contribuição de um débito e um crédito entre si”, ou seja, ela ocorria quando o
devedor apresentava ao credor uma dívida de igual valor que este tinha para com ele.

Transação  era o acordo pelo qual ambas as partes, mediante concessões recíprocas (aliquo dato, aliquo
retento), renunciavam a um direito em litígio.

Praescriptio longis temporis  era um modo de extinção das obrigações exceptionis ore, ou seja, o devedor
apresentava-se perante o pretor, requerendo que sua obrigação fosse declarada legalmente extinta por
decorrência de tempo.

CAPÍTULO 29 e 30 – DIREITO DAS SUCESSÕES

1. Fale sobre a sucessão testamentária.
A sucessão testamentária foi a mais antiga forma de sucessão conhecida no Direito Romano. Mesmo antes da
Lei da XII Tábuas, todo o cidadão romano tinha o dever de fazer um testamento, pois era considerado
desonroso uma pessoa morrer sem ter indicado a destinação de seu patrimônio após a sua morte. O pater
familie tinha amplo poder de decidir para quem pretendia deixar seus bens e podia, inclusive, transferi-los
para pessoas estranhas. Podia deserdar seus filhos (exheredatio) se assim o desejasse, sem ter que dar
satisfações a ninguém.

2. Fale sobre os Legados no Direito Romano.
Era a disposição testamentária, de caráter gratuito, pela qual o testador destacava alguma coisa do conjunto de
seus bens, e com ela beneficiava outra pessoa que não o seu herdeiro.
3. O que é herança jacente?
É aquela que jaz sem dono, no período que intermedeia a morte do de cujus e a sua recepção pelo herdeiro.

4. O que é herança vacante?
Ocorria a figura da herança vacante quando a pessoa morria sem deixar herdeiros. O seu patrimônio passava,
a ser propriedade do fisco romano.

5. O que é espólio?
A universalidade dos bens deixados pelo de cujus, compreendendo tanto o ativo como o passivo.

6. Qual o conceito de sucessão legítima ou ab intestato?
Era aquela que destinava o patrimônio do de cujus aos seus herdeiros necessários. O Direito Romano arcaico,
contido nos jus civile, dividia os herdeiros em três categorias: os heredes sui, os agnados e os gentiles.

Os Heredes sui  “os que herdam aquilo que já lhes pertence”, pois, por serem filhos e netos do de cujus, já
se encontravam, durante a vida deste, na posse dos seus bens. Adquiriam a herança de pleno direito, desde a
abertura da sucessão, uma vez que, com a morte do de cujus, passavam da situação de alieni júris para a de
sui júris. A mulher casada (no casamento cum manu), os netos, as netas e também os filhos adotados.

Os Agnados  eram os irmãos e sobrinhos do falecido, ou seja, os parentes mais próximos. Eram chamados
à sucessão somente quando não existissem hereses sui.

Os Gentilis (gentis)  eram os parentes colaterais mais afastados, chamados à sucessão se não existissem os
heredes sui nem herdeiros agnados vivos. Esse tipo de sucessão desapareceu na época do Direito Clássico.

Fonte de Pesquisa: Direito Romano – Moreira Alves