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Samba do Approach
Zeca Baleiro
Venha provar meu brunch
saiba que eu tenho approach
na hora do lunch
eu ando de ferryboat
Eu tenho savoir-faire
meu temperamento é light
minha casa é hi-tec
toda hora rola um insight
Já fui fã do Jethro Tull
hoje eu me amarro no Slash
minha vida agora é cool
meu passado é que foi trash
Venha provar meu brunch
saiba que eu tenho approach
na hora do lunch
eu ando de ferryboat
Fica ligado no link
que eu vou confessar my love
depois do décimo drink
só um bom e velho engov
Eu tirei o meu green card
e fui pra Miami Beach
posso não ser pop star
mas já sou um noveau riche
Venha provar meu brunch
saiba que eu tenho approach
na hora do lunch
eu ando de ferryboat
Eu tenho sex-appeal
saca só meu background
veloz como Damon Hill
tenaz como Fittipaldi
Não dispenso um happy end
quero jogar no dream team
de dia um macho man
e de noite um drag queen
Venha provar meu brunch
saiba que eu tenho approach
na hora do lunch
eu ando de ferryboat
“"Approach" significa literalmente aproximação,
abordagem. Mas é usado corriqueiramente no
showbiz como "pegada", "apelo popular", algo
assim. Fiz essa canção depois de uma reunião com
a gravadora, em que várias pessoas falaram essa
palavra e outras em inglês. Achei aquilo muito
curioso e mandei ver”. Zeca Baleiro

 Segundo o Novo Dicionário Aurélio, approach


quer dizer elo, ligação, enfoque.
A língua portuguesa já não basta para
descrever ou compreender o cotidiano.
Anúncios de TV em inglês, músicas em
inglês no rádio, novelas, cartazes
(outdoors) em inglês nas ruas, pratos em
inglês nos cardápios, o brasileiro é
quase um estrangeiro em sua própria
terra.
Segunda a revista veja de abril de 1997, no
Dicionário Aurélio, existem 1116
estrangeirismos, 373 são palavras
importadas da língua inglesa (esse número
dá conta apenas das palavras importadas
da língua inglesa que entram em sua forma
original, como know-how, por exemplo,
mas não inclui palavras aportuguesadas
como leiaute, de layout).
Essa expansão da língua inglesa é um fenômeno
conhecido: quanto maior o poder econômico de um
país, maior a sua expansão lingüística.
Em algumas áreas, o domínio do inglês é
ferramenta de trabalho. Nos negócios,
por exemplo, um executivo não é
ninguém se não domina o jargão, que é
todo em inglês.
João da Silva teve um dia estressante.
Enfrentou um rush danado e chegou atrasado
ao meeting com o sales manager da empresa
onde trabalha.
Antes do workshop com o expert em top
marketing, foi servido um brunch, mas a comida
era muito light para sua fome.
À tarde, plugou-se na rede e conseguiu dar um
download em alguns softwares que precisava
para preparar o seu paper do dia seguinte.
Deletou uns tantos arquivos, pegou sua pick-up e
seguiu para o point onde estava marcada uma
happy hour.

(Texto retirado de matéria publicada na revista veja, 9


de abril de 1997)
No Brasil, as palavras que vem da
tecnologia, da ciência ou da medicina,
como Aids, em geral são assimiladas
antes de ganhar tradução. Por exemplo,
software (programa), upgrade
(expansão), e-mail (correio electrônico),
download, upload, site etc.
Os produtos, até os nacionais abusam
em seus rótulos de qualificativos como
plus, light, vip, master, diet, clean, dando
a entender que também são para um
público de maior poder aquisitivo. Em
determinados lugares, sem
conhecimento básico do inglês ficou
difícil fazer compras
DOVE = POMBA
HAPPY = FELIZ
POCKET = BOLSO

TA
RU
F
=
I T
R U
F

L Ã O
= ME
N
E LO
M
WHITE = BRANCO
BRAZILIAN = BRASILEIRO

A F É
E =C
FE
COF

Observe a ordem do adjetivo “brazilian”


que em inglês vem antes do substantivo
PERSONAL = PESSOAL
KITCHEN = COZINHA
CREAM = CREME
E
H ET
= B IL
E T
K
TIC

S =
IC E
V
S ER VI Ç O S
SER
CORN = MILHO

FLAKES = FLOCOS
SKY = CÉU
AIR BAG = BOLSA DE AR
MEN = HOMENS

INTENSIVE = INTENSO

CITRUS = CITROS

MAXIMUS = MÁXIMO
CLASSIC = CLÁSSICO

COMFORT = CONFORTO

COLOR PLUS = MAIS COR


BRANQUEAMENTO

S S O
E
O GR
R
=P
R ESS
R OG
P
TRIPLE = TRIPLO

R TO
PE
P =
U I TO
E -U M
O S D E
CL A
M AD fia)
a
TO togr
(fo
Em 2002 foi realizado o Seminário Agronegócio de
Exportação. O Itamaraty, patrocinador do evento,
exigiu o uso de agronegócio em vez de agrobusiness,
que era o termo preferido pelos empresários do setor.
É lógico que existem alguns estrangeirismos
inevitáveis. Software e marketing, por exemplo, são
palavras consagradas entre nós. Já tentamos traduzi-la
e depois aportuguesá-las. Luta em vão. São palavras
que todos nós usamos e até podemos, hoje, escrevê-las
sem aspas.
No caso do impeachment ocorre algo curioso. Na
Constituição Brasileira, a palavra é impedimento. No
impeachment do Collor, nós bem que tentamos usar o
impedimento.
Outro problema difícil é o aportuguesamento. Há
casos consagrados como futebol, abajur, espaguete,
grife e outros mais. Entretanto, há os problemáticos:
xampu ou shampoo?
Outro exemplo é stress. Eu prefiro estresse, por ser
facilmente aportuguesado e, principalmente, para ser
coerente com a forma derivada: estressado. Por outro
lado, creio que o aportuguesamento de show é do tipo
que “não pega”, porque ficou preso à Xuxa, a “rainha
dos baixinhos” e a “mãe do xou”.
Leiaute é outro aportuguesamento que dificilmente
será usado. A forma inglesa é mais “poderosa”.
Feedback é um exemplo curioso. O aportuguesamento
fidebeque ficou horroroso e traduzi-la por
“retroalimentação” é perigosíssimo na linguagem
falada: alimentação por onde? Realimentação ou
retorno são boas soluções.

Fonte: JB, jornalista Sérgio Nogueira


INSIDE = DENTRO
WINDOWS = JANELAS
OFFICE = ESCRITÓRIO
WORD = PALAVRA
LAN = LOCAL AREA NETWORK
HOUSE = CASA
O PODER DOS SONHOS
JUST DO IT = APENAS FAÇA
TH E CITI NE VER S LE EPS = A C ID ADE N UN CA
DORME
OB SE RV E O TR OC AD ILH O EN TR E AS PA LA VRAS
CITI (D E C ITI BA NK )
CITY (C ID ADE EM ING LÊS)
WORLD = MUNDO
A Academia Francesa se incumbe de criar
equivalentes nacionais para todos os
termos ingleses que vêm da informática,
da medicina ou de outras áreas
científicas. Assim, lá software virou
logiciel. Na França, há dois anos (texto
publicado em 1997), foram criadas leis
para barrar a invasão de palavras
inglesas. As leis francesas proíbem o uso
do inglês em documentos oficiais e
anúncios públicos.
Na França, quem escreve uma palavra
inglesa num anúncio é obrigado a retirá-lo
de cartaz, além de pagar multas que
começam em 2 000 dólares e podem
chegar a 20 000.
O estrangeirismo

O estrangeirismo é um fenômeno natural, que


revela a existência duma certa mentalidade
comum. Os povos que dependem econômica e
intelectualmente de outros não podem deixar de
adotar, com os produtos e idéias vindas de fora,
certas formas de linguagem que lhes não são
próprias. O ponto está em não permitir abusos e
limitar essa importação lingüística ao razoável e
necessário.
Contido nestes limites, o estrangeirismo tem
vantagens: aumenta o poder expressivo das
línguas, esbate a diferença dos idiomas, tornando-
os mais compreensivos, e facilita, por isso mesmo,
a comunicação das idéias gerais.

(M. Rodrigues Lapa. Estilística da Língua Portuguesa. 4ª ed.


Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1965.)
 A língua portuguesa está em perigo, em virtude
do uso indiscriminado de palavras estrangeiras? É
fenômeno passageiro, sem conseqüências?

 A invasão dos vocábulos se seguirá a do


próprio idioma estrangeiro, depois a de sua cultura
e depois ainda a desse próprio país?

 Deve-se regulamentar o uso de palavras e


expressões estrangeiras por meio de uma lei?

 Deve-se deixar que o relacionamento entre a


Língua Portuguesa e as demais línguas siga o
curso natural ditado pelo relacionamento entre os
povos?
Cristiano Gomes é professor de inglês e assessor
técnico pedagógico na cidade de Itapeva/SP.

Contato: atpcristiano@yahoo.com.br

Webpage: www.atpcristiano.blogspot.com

P.S. Querido colega, respeite o trabalho deste professor:


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