AQUELE QUE DIZ SIM, DE BERTOLT BRECHT: UM BREVE RELATO

Edivaldo Batista da SILVA (1) Francimara Nogueira TEIXEIRA (2)
(1) Rua Jaime Benévolo, 654, Bairro Jose Bonifácio, Cep 60050-080, (85) 8612-0938 e-mail: divaldo_tista@yahoo.com.br (2) CEFETCE, Casa de Artes, Av. 13 de maio, 2081, CEP:60040531, (85)30870309, (85)99225705, e-mail: franteixeira@cefetce.br

RESUMO
A pesquisa desenvolvida parte do objetivo de investigar nas peças didáticas: A decisão, Aquele que diz sim, Aquele que diz não, A peça didática de Baden-Baden sobre o Acordo e O vôo sobre o oceano a noção da personagem seguindo a seguinte metodologia: 1. Análise da dramaturgia tendo como foco as personagens e suas possíveis formas de apresentação, ancorada em estudos sobre o tema estudados por KOUDELA, BORNHEIM, ROSENFELD, FILHO, ROCHA, BENJAMIN, TEIXEIRA, SEGOLIN, UBERSFELD, RYNGAERT. 2. O exame prático das personagens com o grupo de teatro profissional da cidade de Fortaleza, o TEATRO MÁQUINA, tendo como ponto de partida a peça didática “Aquele que diz sim”. O presente estudo visa não apenas experimentar uma peça didática com um grupo de atores, mas tentar compreender como esses mesmos atores poderiam compreender as personagens e apresentá-las de forma mais detalhada e concreta, atentando para sua existência ou não dentro de uma relação mais direta com a cena teatral. O exame das personagens, na parte prática da pesquisa, foi realizado através de exercícios e jogos teatrais que partiram para investigar de que forma as personagens poderiam ser apresentadas na cena. A investigação da personagem com um grupo de atores pôde esclarecer alguns pontos antes observados apenas na análise dramatúrgica. São eles: a postura das personagens segundo o discurso da obra e a apresentação das personagens por meio da ação direta dos encenadores. Tais pontos apresentam-se como aspectos conclusivos da pesquisa, em sua articulação teórica-prática. Palavras-chave: Personagem, peça didática, Brecht, prática teatral, construção de cena.

conflitos são gerados. “ o fundamental é que ela absorva a ação. que se torna o primeiro embrião da personagem. É por meio dos estudos de uma possível noção de personagem. O Corifeu ganha destaque. O projeto “A noção da personagem nas peças didáticas de Bertolt Brecht”. Sua origem está associada diretamente ao surgimento das manifestações teatrais que conhecemos. surge mediante as ações vividas pela personagem. INTRODUÇÃO Compreendendo que as peças didáticas de Bertolt Brecht (1898-1956) constituem uma discussão importante para formação de qualquer linha de pensamento artístico. É a personagem que expõe de forma concreta a camada ficcional que se estabelece na obra e atenua o bloco imaginário (ROSENFELD. “ O teatro se transmite através da ‘ação’ vivida pelas personagens.” ( FILHO. em algumas peças didáticas. que trata de desenvolver uma análise acerca da personagem encontrada nas peças didáticas e de como essa personagem pode ser entendida em dois momentos distintos: o primeiro a partir de um estudo teórico. como manifestação artística. as utilizações do conceito de personagem nas peças didáticas e de como essas mesmas possam ou não se constituir como um exercício dialético. nas peças didáticas escolhidas. as etapas e o processo analítico da peça didática “Aquele que diz sim” estudada por meio de um momento prático desenvolvido com um grupo de atores. as interferências do Corifeu acabam gerando uma presença cada vez maior como elemento próprio dos rituais. que nos propomos a questionar a própria finalidade dos recursos narrativos usados nas peças didáticas para se conseguir um efeito pedagógico. as narrações começam a dar lugar as ações.1. enquanto elemento central da obra dramatúrgica.. É por meio de sua análise. A primeira idéia de personagem está vinculada às primeiras expressões teatrais surgidas em decorrências dos cultos ao deus Dionísio. então. Diante das inúmeras análises feitas a respeito da obra de Bertolt Brecht e de como esses estudos vem propiciando uma tentativa de se formar um pensamento sobre as questões que cercam os textos do dramaturgo. que identificamos o enredo. as possíveis tramas que possui a obra. por meio de estudos teóricos e práticos. Apresentamos. A compreensão da personagem parte também de um entendimento geral de sua origem. tomando para si as palavras e as intenções do autor. agora isolado dos outros membros. apenas um elemento distinto da sua dramaturgia: a noção de personagem. propomo-nos a investigar. sua relação com os elementos formadores de uma possível dramaturgia que não revela personagens. temas são discutidos. Aos poucos esse processo pelo qual passa. o coro vai se transmudando em personagem” (ROCHA FILHO: 1986: 23).. A NOÇÃO DE PERSONAGEM A personagem ocupa lugar de destaque na criação de uma dramaturgia. da mitologia grega.” . é um projeto de iniciação cientifica com bolsa PBICT-IFCE. mas os torna apresentadores de uma situação. Na verdade uma tentativa de averiguar. Nesse processo de transformação pelo qual passa o coro e as manifestações ritualísticas. acaba por gerar uma tendência dramática que se estabelece agora por ações. isoladamente. As ações mostram como são. É a partir dessas ações que as relações são estabelecidas. a seguir. a . 2. 1976). Ela. Rubem Rocha Filho fortalece a idéia de que o teatro. vinculado à pesquisa da professora Francimara Nogueira Teixeira. ROCHA 1986: 13). isto é. acompanharemos. o ditirambo (ou o como na comédia) se transforma em diálogo. Esse coro. Esse princípio de diálogo surgido entre coro e corifeu através das perguntas e das respostas. do qual esse artigo descreve o relato de uma prática com uma das peças. as razões que levam a ser o centro de uma discussão mais complexa chegaram. a conduza. por meio do estudo da dramaturgia e segundo a partir de um estudo prático desenvolvido com atores e não atores. Quando buscamos definir claramente o seu sentido. dá origem ao corifeu. “Pode-se dizer que na medida em que a narração se torna ação. A tentativa de se chegar a uma compreensão mais clara a respeito da personagem nas peças didáticas proporcionou desenvolver um estudo prático de um dos textos didáticos e dessa forma discorrer sobre esse processo no presente artigo. os fatos. ao exame categórico de sua procedência. A grande questão está em tentar compreender as peças didáticas a partir do isolamento de um elemento constitutivo da dramaturgia: a personagem. Por meio do ato de agir a figura da personagem se torna condutora das relações que se estabelecem no texto. a personagem surge. as relações. propicia o surgimento de um principio de diálogo. por que são e como agem as personagens.

seja direta ou indiretamente. destitui-lhe. na verdade. as peças didáticas não só determinam um ponto importante na dramaturgia de Brecht como possibilitam releituras no processo de entendimento do teatro e da cena que esse teatro propõe. . seria um possível caminho para realizar tal proeza” (BORNHEIM. peças. pelo qual o aluno aprende por si próprio e verifica até onde caminhou com o conteúdo. o que poderia dessa forma garantir um a realização de um ato artístico coletivo. A teoria das peças didáticas está ligada diretamente a uma idéia de ensino e aprendizagem. em lugar de se ver confrontado de inicio com uma determinação do objetivo da aprendizagem” (KOUDELA. mas a viagem tem como objetivo a busca pelo conhecimento junto aos grandes mestres. contra-peça ou resposta à primeira. existe por que assume para si a ação e através dela se projeta. um jogo de aprendizagem” fala da relação das peças didáticas com o ensino: “À medida que o termo didático na acepção tradicional. As peças didáticas são apresentadas até então como um teatro que está a serviço de um propósito pedagógico. Para ser mais claro o que Brecht propõe de forma direta é que esse espaço não separe espectadores e encenadores. capaz de indicar como poderíamos não anular qualquer relação de atuação entre o teatro já feito. não compactua. Brecht intervém propondo certa racionalidade na cena. “Toda a questão se concentra. A peça didática de Brecht propõe o exercício de uma ‘didática não depositária’. 2003:51). as peças didáticas. está a serviço de um determinado aprendizado porque estabelece uma comunicação. com objetivos principais propostos pelas peças didáticas. 2. 1992: 182). no entanto. de uma forma direta. ou seja. aquele com o qual os espectadores são submetidos a uma boa dose de fantasia e são embarcados em uma ou mais horas de diversão sem que se estabeleça aí uma possível mudança no processo de assimilação das problemáticas da sociedade. 1991: 99-100). do caráter de espectador e da passividade normalmente a ele atribuída. Portanto. Ingrid KOUDELA. O teatro didático. as chamadas peças épicas de espetáculo. implica ‘doar’ conteúdos através de uma relação autoritária entre aquele que ‘detém’ o conhecimento e aquele que é ‘ignorante’. Uma extensa produção desde poemas. fazem parte da obra de Bertolt Brecht. Brecht observa que um dos meios de se pensar a transformação desse modelo de atuação estaria ligado ao próprio espaço físico do teatro. Pontua ainda a esse respeito a autora Francimara TEIXEIRA: “essa participação do espectador no jogo. elas pretendem ensinar certos conteúdos” (BORNHEIM. musicadas. transportando ao longo de toda a história as variações que essas ações promovem. permitindo que ela exista. por exemplo.2 “Aquele que diz sim” Brecht escreveu a peça didática “Aquele que diz sim” a partir de uma fábula japonesa do teatro Nô. O grupo então faz valer o costume que diz que aquele que não consegue continuar a viagem deve ser deixado para trás. BORNHEIM fala claramente do principal objetivo das peças didáticas: “Evidentemente as peças didáticas de Brecht são pedagogias. O teatro chamado burguês. Escritas no período de 1930 a 1956.1 As peças didáticas Ao longo de sua vida Brecht desenvolveu uma dramaturgia própria que ressaltava suas idéias e servia de base para seu teatro. Na versão de “Aquele Que Diz Não”. A peça descreve a seguinte história: uma epidemia ataca uma cidade e um grupo de estudantes acompanhados de seu professor decide ir á procura dos grandes médicos que moram além das montanhas. se partimos para a idéia geral de ensino veremos que o próprio teatro. como principal função a de ensinar. 2. portanto. portanto. O espaço é o do jogo e dele devem participar jogadores” (TEIXEIRA. tendo. com o público. na possibilidade de furar essa fortaleza que é o aparelho. em seu livro “Brecht. chamada “Taniko”. mas como estabelecer uma nova cena a partir do que já existe. como forma artística. as peças didáticas se apresentam como uma possível ferramenta de modificação do teatro de mera diversão para um teatro de aprendizagem proposto por Brecht. dois pontos são diferentes: primeiro o motivo da expedição não está em buscar remédios. a fim de trazerem a cura. O garoto pede que não seja deixado ali e solicita ao grupo que o joguem no penhasco. porque também a relação palco-platéia desaparece. No caminho um garoto que havia acompanhado o grupo adoece. Para Steinweg a regra básica para as peças didáticas seria “uma atuação sem espectadores”. 1992: 191).personagem. Ele é então arremessado penhasco abaixo depois de concordar com o costume.

2. Para a realização dessa peça didática Brecht sugere que seja feita uma divisão de espaço determinando onde as personagens devem ficar. tentando pensar a cena a partir do conceito de estranhamento. ele os chama de plano 1 e plano 2. estudando a dramaturgia através de seus pesquisadores e comentadores. O encontro prático foi de 4 horas realizado em um único momento. 3.segundo. a partir da peça didática “Aquele que diz sim”. jogo e repetição. desenvolvendo processos criativos em grupo. 3. “Nenhuma moral pode decidir entre dois valores positivos” (BORNHEIM. . porque não é suscetível à reflexão sobre sua própria conduta enquanto modo de proceder nas relações do homem com o próprio homem. um encontro prático com os membros do grupo a partir do texto didático “Aquele Que Diz Sim”. O grupo tem como linha de investigação o teatro épico de Bertolt Brecht. Adiante a segunda parte se deteve em experimentar uma das peças didáticas colocando em prática as reflexões já encontradas ao longo das análises feitas. 187). mas em por a prova o próprio costume e com isso a moral. podemos dizer um sim sem estar plenamente de acordo. nesse caso especificamente. A) Momento de preparação: exercícios de alongamento e aquecimentos físico. 4. ou seja. tanto no que se refere às questões de ordem teórica. Na tentativa de fomentar uma análise mais apurada sobre a personagem nas peças didáticas. bem como as primeiras impressões. A questão toda está em primeiro entender como diante de determinada circunstâncias. Duas palavras se fazem presente nesse texto e delas podemos fazer uma análise mais detalhada sobre o que é como são abordadas: “sim” e “acordo”. a pesquisa se propôs a caminhar em dois momentos distintos que possibilitassem ampliar o campo de visão. RELATO DA PRÁTICA COM O TEATRO MÁQUINA O grupo TEATRO MAQUINA atua na cidade de Fortaleza desde de 2003. Escolha e planejamento dos exercícios a serem realizados com o grupo. 1992. a atitude do garoto em dizer não e determinar que o grupo retorne a cidade. Execução dos exercícios com o grupo. como de ordem prática. MATERIAIS E MÉTODOS Para que as questões referentes à personagem nas peças didáticas pesquisadas fossem tratadas de forma mais clara. A segunda parte de dividiu em três momentos: 1. São elas que norteiam a peça e designam posturas a respeito das personagens. nem dizer que não está de acordo com o costume. Como e por que essa relação de valores sociais pode ser discutida partindo da idéia de que a própria moral nesse caso está fadada a falhar. Para o primeiro momento a pesquisa de detinha em entrar em contato com a dramaturgia e estudiosos que se detiveram sobre o estudo da obra de Bertolt Brecht. catalogando as personagens. o que implica dizer que nessa versão o sentido não está em escolher. “Aquele que diz sim” traz como ponto de leitura o discurso enquanto elemento principal e apresenta a personagem de forma diluída. experimentado com um grupo de atores exercícios que ajudassem a revelar a personagem. é no discurso da moral proposto pela peça que a personagem se apresenta. B) Momento de sensibilização: exercícios de aproximação e familiarização com o texto. O garoto não poderia dizer que está de acordo com o costume. foi realizado. Registro e análise das impressões dos atores e do pesquisador. A peça nos leva a uma problemática que diz respeito justamente à própria conservação do costume e que esse costume vem atrelado à moral.

Não se podia negar a importância do discurso com a qual as personagens estavam atreladas no texto. Os atores entraram em um processo de compreensão do texto onde o que se percebia era que as frases escolhidas e em seguida repetidas de forma redirecionadas. primeiro numa idéia voltada para a dramaturgia e em seguida para a cena prática. No primeiro exercício. se atendo apenas para o comando de realizar os movimentos de luta. 1986: 223). em dupla. As trocas poderiam ser por um sinônimo. o menino. ou seja. A ação elaborada pelos atores estava a favor de uma ilustração de figuras e não das personagens que existiam no texto. Tornava-se mais delicado entender a personagem por meio de um processo onde a dramaturgia estava sendo o foco.C) Momento de cena: preparação de uma cena curta do texto em grupo (a ser escolhida pelo grupo). Parecia que criavam uma personagem a partir apenas da informação pré-estabelecida pelo nome: samurai. mudando posturas de pés. onde foi pedido para que apresentassem uma das personagens trabalhadas nas frases por meio de uma ação. as personagens contidas nas orações se tornavam discurso e não figuras concretas. se baseavam pelo discurso da obra como um todo. Era preciso investigar ainda mais profundamente como esses atores poderiam atuar com essas . não as personagens do texto. Era preciso entender o que a personagem representava enquanto idéia para se processar um esboço mais concreto. Desse exercício o que se percebeu foi que os atores envolvidos determinaram uma postura que revelava a figura física do samurai. A tentativa dos atores de separar a personagem do discurso. um antônimo e um sentido oposto ao que a frase revelava. Isso porque o foco estava nas ações e não na personagem. Um dos atores diz: “eu preciso estudar a palavra. porque vocês decidiram continuar” ( BRECHT. dentro desse exercício. “samurai” que consistia. era que ela não poderia existir se não fosse vista como uma ferramenta a favor de propagar um discurso maior e não a favor de revelar um possível drama pessoal. mesmo que inconscientemente. mesmo que se atentando para a cena. Para que ela. e chegamos à idéia de que ao realizar as ações se atentando apenas para a figura das personagens o que se tinha era apenas uma ilustração de uma determinada figura geral de um professor ou menino e não necessariamente essa mesma figura poderia ser a personagem do texto trabalhado. Foi realizada uma seqüência de quatro exercícios teatrais práticos com o grupo a partir do texto didático “Aquele que diz sim” na tentativa de averiguar a personagem na cena. denominado. não parem. mãos e quadril. Para que essas ações pudessem apresentar a personagem era preciso se atentar a um detalhe: o discurso. com bastões. na peça didática “Aquele que diz sim” exista é preciso que se entenda primeiro o discurso e depois a personagem. mas com o sentido” (ator 2). Na repetição do exercício essa mesma figura começou a ser diluída nos movimentos dos atores deixando entender que o que estava presente não era o samurai. traçar uma linha na diagonal e no ponto de encontro travar uma seqüência de luta. o que estava apresentando não era a personagem do “ professor” mas o discurso ao qual a figura do professor representava. Quando um dos atores diz a seguinte frase: “Agora continuem. E em seguida criar mais duas outras ações que antecedesse e continuasse a primeira. Formando dessa forma uma seqüência de apresentação dessas personagens. E ao fazer isso o ator tornava consciente que a personagem existia por meio do discurso e não o discurso existia por meio da personagem. De que elas falavam e porque elas falavam. revelou que o entendimento de sua existência ou não na obra se dá pelo caminho do discurso. Para esclarecer melhor essa relação entre como representar as personagens. Na proposta de revelar as personagens sob um olhar mais dramatúrgico o que se verificava. mas uma representação da sua figura. partimos para o segundo exercício que consistia em escolher determinadas frases e estabelecer trocas da última palavra. por isso passou para a personagem de forma um pouco mais prática. Passamos para a repetição dessas ações na tentativa de compreender melhor essa questão. o professor. Os atores apresentavam as figuras de um modo geral. ou seja. Numa primeira observação o que parecia era que não a personagem do texto apresentada por meio de ações não estava presente. entende-la para que a troca seja coerente não com a personagem. Para esclarecer ainda mais esse ponto passamos agora para a montagem de uma das cenas escolhidas pelos atores.

A personagem estudada sob aspectos dramatúrgicos e cênicos com o grupo TEATRO MAQUINA permitiu compreender essa personagem sob dois sentidos distintos: o da figura geral e o da personagem-discursiva. objetivas e mais justificadas dentro da cena. Isso acontecia porque os atores se atentaram não apenas para a personagem. Ao apresentar a cena onde tinha o professor. digamos “moral”. na verdade seria um conjunto de idéias associadas a um propósito: ensinar. No primeiro dos sentidos a clareza de que toda e qualquer personagem faz parte de um entendimento geral. Podia-se ver mais claramente a presença dessa personagem sem que fosse ilustrativa. Mais do que isso. teve um resultado importante para a pesquisa. Ele diz que sim e é jogado penhasco a baixo. se tornavam mais concretas. porque faz parte de uma tentativa de representar uma realidade. o menino e o coro. ASPECTOS CONCLUSIVOS Quando partimos para um estudo da obra. mas que não perdem sua forma artística ou poética. o que se notava era que não eram simplesmente figuras. como de se atentar para as formas que essas personagens podem ser apresentadas na obra e na cena. Ambos puderam ser vistas nos exercícios propostos na prática. Nenhuma movimentação foi realizada a não ser movimentos laterais e frontais. mas atores que apresentavam uma idéia através de personagens. mas para que essa personagem dizia. Tanto no sentido de entendê-la como uma ferramenta necessária e existente na obra. chegamos a possíveis conclusões que somente uma postura mais concreta poderia afirmar ou negar. Essas personagens tinham um sentido mais claro dentro do texto e conseqüentemente dentro da cena. e no segundo sentido o entendimento da personagem atrelada a um discurso. Em cena estavam o professor. o menino e os estudantes. proporcionou um campo de compreensão ainda maior sobre a personagem. os estudantes. As ações do exercício anterior foram aplicadas de forma que se pôde constatar dois pontos: primeiro o da apresentação das figuras gerais e em seguida essas mesmas figuras incumbidas de apresentar um discurso. Não se trata de dizer que as personagens na peça didática “Aquele que diz sim” se apresentam apenas sob a forma de discurso ou figuras gerais ou mesmo que a reconhecemos melhor sob um aspecto dramatúrgico. A idéia de propor um trabalho prático para a investigação das personagens das peças didáticas. . essas formas de compreender e falar das personagens nas peças didáticas gerou um sentido mais lógico para sua existência e então a possível conclusão de que elas existem a medida em que entendemos que não são tão necessárias.personagens sem que elas se tornassem apenas figuras ilustrativas e como associá-las a um discurso tornando-as personagens. primeiro. Para essa cena foram utilizados alguns objetos que pudesse ajudar a representar melhor a personagem escolhida. Os atores escolheram a cena onde é perguntado ao menino se ele está de acordo com o costume. Parece trabalhar com a idéia de que para existir dentro de um texto didático é preciso estar a favor. com foco nos estudiosos e pesquisadores da obra de BERTOLT BRECHT. da vontade de se estabelecer como uma ferramenta que revele a relação do homem versus o próprio homem. Essa postura aqui relatada nesse artigo por meio do experimento prático da peça didática “Aquele que diz sim”.

Introdução a análise do teatro. Walter. São Paulo: Editora Perspectiva. São Paulo. P. Ingrid Dormien. Tentativas sobre Brecht. Editora Perspectiva: 2001. Teatro completo em 12 volumes. Roland. Brecht: a estética do teatro. Editora Perspectiva: 2004. São Paulo: Editora Brasiliense. Iluminaciones 3. 1991. ____. BORNHEIM. São Paulo: Editora: Annablume. Madrid: Taurus Ediciones. O conceito de diversão no teatro de Bertolt Brecht. LEHMANN. 1986. RYANGAERT. 2005. arte e política. Estudos sobre teatro. São Paulo. Bertolt. TEIXEIRA. Teatro pós-dramático. A análise dos espetáculos. Rio de Janeiro: Editora Inacen. PAVIS. Um vôo brechtiano. Gerd. H-T. 1987. Jean-Pierre. KOUDELA. 2005. Rio de Janeiro: Editora Graal. Brecht: um jogo de aprendizagem. 1995. 1992. São Paulo: Martins Fontes. 2007. 2007 BENJAMIN. Editora Perspectiva: 1992. ____. São Paulo: Perspectiva. BRECHT. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira. São Paulo. 2003. Rio de Janeiro: Paz e Terra. ____. ____. Brecht na pós-modernidade. A personagem dramática. São Paulo: Cosac & Naify.REFERÊNCIAS BARTHES. 1986. 6ª ed. ____. 1992. Francimara. Escritos sobre teatro. ROCHA FILHO. Jogos teatrais. São Paulo: Martins Fontes. Magia e técnica. .