A Noite Escura (Martha Kiev

)

Corre sobre o muro, silencioso e ancestral, Meu eu antigo que entende os hieróglifos, Que corrompe a razão dos poetas, Que olha a lua e reconhece seu par.

Corre sobre o muro o meu eu que suspira a névoa Que se consente à ilusão para sentir de novo o calor do vinho, Que faz da noite seu altar, E que faz-se reconhecer aos corações afins.

Corre sobre o muro o meu eu de olhos negros, Que é o mestre absoluto do sim e do não, Que o que faz nenhum deus desfaz, Cujo nome impronunciável é a própria noite escura.

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