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Professor da Católica é um dos autores de fanzine

sobre ícones do Mangue Beat
Por Tiago Cisneiros

O ‘livrinho’ Mundo Lama Livre Caos será lançado nesta quarta-feira (19), às 18h, no
Memorial Chico Science, localizado na casa 21 do Pátio de São Pedro, Bairro de São José, no
Recife. Entre os autores da publicação, está o webdesigner da Agência de Relações Públicas
(Agerp) e professor dos cursos de Comunicação Social da Católica Breno Carvalho, que
assina duas ilustrações, um anúncio e uma entrevista do fanzine.

Mundo Lama Livre Caos é o resultado da oficina “Zine, publicação barata!”, organizada pelo
Memorial Chico Science e ministrada pelo artista plástico Todë, da Livrinho de Papel Finíssimo
Editora, entre os dias 10 e 14 de agosto. Nas aulas, foram abordadas as técnicas manuais e
de impressão em copiadora laser para a produção de publicações artísticas e literais.
Também houve espaço para o desenvolvimento de novos modelos de ilustração, grafismo e
composição de textos, tendo, como foco, o universo do movimento Mangue Beat. A obra,
aliás, é uma homenagem aos 25 anos de existência da banda Mundo Livre S/A e aos 15 anos
de lançamento do álbum “Da Lama ao Caos”, de Chico Science.

Afora as duas ilustrações, Breno Carvalho se envolveu em uma grande brincadeira na
produção do anúncio e da entrevista. “A propaganda faz uma alusão aos espaços em branco
da revista (calhaus), divulgando um show que Chico Science apresentaria durante o
lançamento do livrinho. Já a reportagem simula uma entrevista com o cantor, que não teria
morrido, mas, na verdade, viajado para Dubai”, explica.

Esta não é a primeira vez que Breno tem contato com fanzines. Na época de estudante de
Relações Públicas, chegou a realizar alguns trabalhos em congressos da área. Além disso,
com a ajuda de um amigo, uniu comunicação e entretenimento – um dos pilares do gênero.
“Nós fizemos um informativo nesse estilo, com reportagens sobre o que acontecia durante
cada dia do carnaval. Essa experiência foi interessante porque, além da parte visual,
desenvolvemos a parte jornalística, relativa às pautas, posições de primeira página e páginas
ímpares...”, conta.

O interesse pelo formato deve-se às possibilidades de criação artística (literária e visual) que
não têm espaço nos meios de mídia tradicionais. A participação na oficina “Zine, publicação
barata!” agradou bastante ao professor, graças ao relacionamento com pessoas com muito
talento e pouco dinheiro e à recuperação de algumas técnicas de produção. “Foi uma
experiência espetacular, porque a base dos alunos veio de escolas públicas e não tem muita
oportunidade na vida. A falta de incentivos da sociedade e da própria família, inclusive, é o
tema de alguns poemas do livrinho.”

Além do orientador da oficina (Todë), Breno era o único participante com formação
acadêmica. Todas as outras 13 pessoas jamais haviam produzido um fanzine, tendo se
limitado, sempre, a poemas, desenhos e ilustrações isoladas e não publicadas. Apesar da
inexperiência, os jovens estudantes prometem. “Muitos deles têm talento para a área de
grafitagem e poderiam estar em uma universidade. Há, inclusive, uma artista plástica que
constrói estruturas de casas palafitas com materiais recicláveis. Duas imagens dessas
montagens estão no livrinho”, avalia o professor – uma pessoa acostumada a trabalhar com
os diversos formatos e representações gráficas e visuais.

O fanzine, de acordo com Breno Carvalho, tem uma grande capacidade informativa. “A partir
do livrinho, as pessoas que não viveram o Movimento Mangue Beat, na década de 1990, vão
poder conhecer mais e, talvez, se aprofundar no tema. Nas 32 páginas que fizemos durante
três dias, estão reunidos poemas, biografias e dados específicos sobre o assunto”, afirma.

Fonte: http://www.unicap.br/assecom2/boletim/2009/Agosto/boletim_18.08.2009.html

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