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ANTONIO JOSÉ DE ALMEIDA

LUMEN GENTIUM

A transi?áo necessária

Colefao TEOLOGIA HOJE
. . .

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.

Creio em Deus Pai, A. T. Queiruga Reencarnagáo ou ressurreigáo: Urna decisáo defé, R.). Blank Edepois... Vida ou nada?, ]ean-Mañe Aubert O que queremos dizer quando dizemos "inferno"?, A. T. Queiruga A Igreja comunidade de salvagao - urna eclesiologia ecuménica, George H.
,

Tavard
.

A heranga de Jesús e o poder na Igreja - reflexáo sobre o Novo Testamento, P.
Hoffmann

.

O nosso Deus: um Deus ecológico - por urna compreensáo Ético-Teológica da
Ecología, Tarcislo Pedro Vlelra Em busca de uma teología da belezo, John Navone Recuperar a Criagáo - por uma rellgiáo humanizadora, A. T. Queiruga Recuperar a Salvagáo - por uma interpretagño libertadora da experiencia crista, A T. Queiruga Fim do Mundo... Quando? - reflexóes teológico-bíblicas sobre a escatologia
.

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crista, Frei Mauro Strabeli
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As múltiplas faces da Virgem Maña, George H. Tavard Introdugáo á Trindade para estudantes universitarios, Lynne Faber Lorenzen Introdugáo á Teología, Thomas P. Rausch (org.) Encarnagáo: questáo de género?, Benedito Ferrare Lumen gentium: a transigao necessária, Antonio José de Almeida

PAULUS

Capítulo 5

TRANSigÁO
DE UMA IGREJA VOLTADA PARA SI A UMA IGREJA VOLTADA PARA CRISTO

I

Urna das "linhas fundamentáis da Lumen gentium é a

reintegra ao do mistério da Igreja no contexto geral da historia da salvagao. Longe de ser o termo final do designio salvífico, a Igreja é somente um sinal e instrumento a servi de Cristo. A Igreja é assim, como Maria, reconduzida á humilde condifáo
I
I

de "serva do Senhor". Ela nao é mais o centro para o qual

tudo converge. Este centro é Cristo na sua missáo redentora
e divinizadora.

Os Padres conciliares observaram, em diversas ocasioes,

que a Igreja, mais em sua conduta do que em suas palavras, coloca o centro em si mesma, concebendo sua a$ao muito mais para a maior gloria da Igreja do que "ad maiorem Dei gloriam". Segundo Schillebeeckx, a Igreja, multas vezes, equiparou-se a Cristo e ao Reino de Deus; deu muito pouca atengáo ao caráter aínda peregrino de sua existencia; agiu como se fosse uma grandeza estática, imutável, um bloco de granito, enquanto este mundo cambiante, móvel e os séculos agitados desfilavam diante déla; se possível, teria permanecido tranquilamente o que era, nao se deixando tocar nem de longe pelo movimento dos tempos; insistiu além dos limites razoáveis sobre sua autoridade, á qual os fiéis deviam simplesmente submeter-se, e nao Ihes fez sentir com a mesma intensidade que, na Igreja, todos devem obedecer a Cristo; a Igreja, também a diocese de Roma, tomou-se
"
"

57

muito o centro e muito pouco urna seta indicando o único
centro, o Cristo.126
-

Diante disso, a Relagáo geral - espécie de introdujo ao Capítulo I diz que nesta exposÍ9áo, com clareza e precisao, é celebrado o primado de Cristo Senhor 127 fundador e fundamento da Igreja. E Paulo VI, no Discurso de Abertura da segunda sessao, insistirá: "Tenha este Concilio plena advertencia desta múltipla e única, fixa e estimulante, misteriosa e claríssima... relajo entre nós e Jesús bendito, entre esta santa e viva Igreja, que somos nós, e Cristo, do qual provimos, pelo qual vivemos, e ao qual nos encaminhamos. Nenhuma outra
"

"

,

Cristo - e só Cristo - é sacramento fundamental; a Igreja é sacramento (cf. Ef 1,9) na medida em que está unida a ele por lachos indissolúveis e participa desta dignidade. Além disso o uso da palavra sacramento aplicada á Igreja em relagáo a Cristo, está a sublinhar o papel subalterno da realidade instrumental, ou seja, a Igreja é um instrumento a servido de Cristo; mesmo quando chamada "corpo de Cristo" - e ela o é - ela depende permanentemente e está a servigo do Cristo Cabera para o bem da humanidade. A Constituifáo, aliás, o
,
"

"

,

diz com toda a clareza no número 8: "a estrutura social da

luz paire sobre esta assembléia que nao seja Cristo".128 Mais
De onde parte o nosso caminho, irmáos? que estrada pretende percorrer...? e que meta... quer propor-se o nosso itinerário...? Estas tres perguntas simplicíssimas e capitais tém, bem o sabemos, urna única resposta que, neste momento mesmo, devemos a nós mesmos proclamar e ao mundo que
nos circunda anunciar: Cristo! Cristo, nosso principio, Cristo nosso caminho, e nosso guia! Cristo, nossa esperanza e nosso
termo".129
ainda:
"

Igreja serve ao Espirito de Cristo, que a vivifica, para fazer progredir o seu corpo místico (cf. Ef 4,16) O proemio, na verdade, articula tres diferentes perspectivas: cristológica, eclesiológica e antropológica. Vejamos: Cristo é a luz dos povos. Por isso, este sagrado Concilio, congregado no Espirito Santo, deseja ardentemente que a luz de Cristo, refletida na face da Igreja, ilumine todos os homens, anunciando o Evangelho a toda criatura (cf. Me 16,15) (perspectiva cristológica). E, porque a Igreja é em Cristo como que sacramento, isto é, sinal e instrumento, da
"
.

O proemio da Lumen gentium - como que antecipando o que se encontrará em seu interior - é de um cristocentrismo a toda a prova: A luz dos povos é Cristo... este Sacrossanto Sínodo... deseja, anunciando o Evangelho a toda criatura (cf.
"

uniáo íntima com Deus e da unidade de todo o género humano, retomando o ensino dos concilios anteriores, prop5e-se

Me 16,15), iluminar todos os homens com a claridade de

Cristo que resplandece na face da Igreja... a Igreja é em Cristo como que o sacramento ou o sinal e instrumento da íntima uniao com Deus... 130 Este em Cristo está a lembrar que
"
" "
.

explicar com maior clareza, aos fiéis e ao mundo inteiro, a sua natureza e a missáo universal (perspectiva eclesiológico-sacramental). As presentes condigóes do mundo tornam ainda mais urgente este dever da Igreja, a fim de que todos os homens, boje mais intimamente ligados por vínculos sociais, técnicos e culturáis, alcancem também unidade total

em Cristo (perspectiva antropológica)
E. SCHILLEBEECKX, UÉglise du Christ et l'homme d'aujourd'hui selon Vatican II, Éditions Xavier Mappus, Le Puy - Lyon - París, 1965, p. ¡25.
l26Cf
.

"

A que prevalece,

1 "G

.

ALBERIGO - F. MAGISTRETTI (ed.), Constitutionis dogmaticae "Lumen gen,

tium" Synopsis histórica, Istituto per le Scienze Religiose, Bologna, 1975, pp. 435-503. ' 28PAULO VI Discorso di Paoio VI in apertura del secondo periodo del Concilio. EV 1,145*. I29lbidem. EV 1. 236*-245*. n°C{ Lumen gentium, 1.
.

porém, sem sombra de dúvida, é a perspectiva cristológica. A Igreja, portanto, nao é o centro de referencia de toda a obra salvífica. Sua relevancia deriva de sua relagáo com Cristo:
'"
.

Cf. B. FORTE, Chiesa icona della Trínitá. Breve ecclesiologia, op. cit., pp.

14-15.

58

59

a Igreja é, em Cristo e por Cristo, humilde designio de Deus, que a supera".132
VICTIMAE PASCHALI

"

servidora do

Capítulo 4

TRANSigÁO
DE UMA ECLESIOLOGIA CRISTOMONISTA"
"

Á VÍTIMA PASCAL

Victimae paschali laudes
immolent christiani.

Á vítima pascal louvores
oferecem os cristáos.

A UMA ECLESIOLOGIA
"

Agnus redemit oves:
Christus innocens Patri

O Cordeiro redimiu as ovelhas: o Cristo inocente com o Pai

TRINITARIA"

reconciliavit peccatores.
Mors et vita duello
conflixere mirando:

reconciliou os pecadores.
A morte e a vida
enfrentaram-se em duelo:

dux vitae mortuus,

o rei da vida morto

regnat vivus.
Dic nobis, Maria,

quid vidisti in via? Sepulchrum Christi viventis, et gloriam vidi resurgentis: angélicos testes,
sudarium et vestes.

agora reina vivo. Diga-nos, Maria, o que viste pela via? O sepulcro do Cristo vivo, e a gloria vi do redivivo: as testemunhas angélicas,
o sudário e as vestes.

A eclesiologia da Lumen gentium nem por isso é cristomonista, crítica que os orientáis costumavam fazer á eclesiologia ocidental,133 mas cristocéntrica e trinitária. Na referencia trinitária, está nao só uma das mais importantes, mas a principal chave de leitura da Constituido, e de toda a obra eclesiológica do Concilio. Com efeito, na Trindade, a Igreja encentra a sua fonte (de onde vem?), a sua imagem (o que a Igreja é e como se deve estruturar?) e a sua meta

(para onde vai a Igreja no seu peregrinar?).134 Portante, "o
Mistério da Igreja só se explica á luz da Trindade... Todos os
ensinamentos do Concilio sobre o mistério da Igreja estao
marcados com o
'

Surrexit Christus, spes mea: praecedet suos in Galilaeam.
Scimus Christum surrexisse
a mortuis veré:

O Cristo, minha esperanza, ressuscitou, para a Galiléia
ante os seus avan ou.

selo da Trindade

'
.

A natureza íntima da

Sabemos que o Cristo
ressuscitou da morte verdadeiramente:

tu nobis, victor rex,
miserere.

Igreja acha no mistério trinitário as suas origens eternas, a sua forma exemplar e a suafinalidade... Todos os aspectos do mistério eclesial devem ser perscrutados na irradiado desse
mistério dos mistérios
"
.

135

conosco, rei vitorioso,
sé bondoso, sé clemente.

A Igreja, de fato, é, em primeiro lugar, colocada no horizonte do Pai: a Igreja na mente do Pai, ou, como queriam
l33Cf N. A. NISSIOTIS, "Pneumatologieou "Christomonisme" dans la tradition latine?", in: Ephemerides Theologicae Lovanienses 45 (1969), pp. 394-416. I34"0 Pai envia o Filho. E o Filho envia o Espirito Santo. Foi assim que Deus veio a nós. E é no sentido inverso que nós chegamos ao Pai. O Espirito nos conduz ao Filho. E o Filho, ao Pai (J. A. MOHLER, L'unitá nella Chiesa, op. cit., p. 4,
.

(VIPO DE BOLOGNA, Seqüéncia pascal, século XI)

"

DEJAIFVE, "L'ecclesiologia del Vaticano II", in: Facoltá Teológica Interregionale (ed.), L ecclesiologia dal Vaticano I al Vaticano II, La Scuola, Milano,
.

132G

Prefácio).
I35M
.

'

M. PHILIPON, "A Santíssima Trindade e a Igreja", in: G. BARAÚNA
61

1973, pp. 87-98. 60

(ed.), A Igreja do Vaticano II, op. cit., p. 361.

alguns Santos Padres, a Igreja antes da Igreja ; a Igreja antes de Cristo ñas várias etapas da historia; a realiza áo histórica da Igreja nestes tempos que sao os últimos e a sua destinagáo á plena realiza?ao escatológica. Contemplada no horizonte do Pai, a Igreja manifesta sua maior abertura e extensao uma vez que todos os justos, a comefar por Adao "desde o
,

"

"

do Senhor".139 Seu papel é táo importante que ele "nao vem apenas animar uma instituiíáo totalmente determinada ñas {W suas estruturas, mas é em sentido próprio co-instituinte A a ao vivificante do Espirito - em consonancia com Jo 4,14 e 7,38-39, citados pela ConstituÍ9áo - leva o fiel a amar a
"
.

"

,

Igreja, permanecendo na sua unidade e na sua caridade.141 Em
seu papel unificador, o Espirito guia, unifica, instruí, dirige, embeleza, renova.142 E para concluir esta inserfao formal do mistério da Igreja no mistério da Santa Trindade, Lumen gentium cita S. Cipriano em seu comentário ao Pai-nosso: Assim a Igreja toda aparece como o 'povo congregado na unidade do Pai e do Filho e do Espirito Santo 143 Nesses tres parágrafos, é claro, nao estamos diante de todo o ensinamento da Lumen gentium - ou muito menos
,
" '
.

justo Abel até o último eleito", serao congregados na Igreja
universal junto do Pai 136 Na seqüéncia, a Igreja é apresentada no horizonte do Filho, em sua existencia intratrinitária ("foi nele que o Pai nos escolheu e predestinou ) em sua existencia histórica ( veio, portanto o Filho enviado pelo Pai... inaugurou na térra o reino dos céus...") e em sua existencia gloriosa atua"
.

"

,

"

,

lizada sacramentalmente ("exerce-se o mistério de nossa redando sempre que o sacrificio da cruz pelo qual Cristo, nossa Páscoa, foi imolado (ICor 5 7), se celebra sobre o
, ,

do Concilio - sobre a Trindade, em suas múltiplas relafóes

altar... )

"

.

O papel de Cristo é central, quer na vida intra,

com a Igreja, mas táo-só de uma pequeña amostra, ainda que num afresco grandioso. Um dos primeiros a debrugarse sobre este tema no imediato pós-Concílio nos ensina que

trinitária (Trindade imánente) quer na sua manifesta ao

histórica (Trindade económica): "Ninguém pode conhecer
o Pai senáo por meio do Verbo de Deus nao o revela; nem o Filho senao pela benevolencia do Pai
,

isto é, se o Filho
.

O

Filho realiza o que é do agrado do Pai. O Pai envia
é enviado e vem".137

,

o Filho

jamáis, sobretudo num concilio ecuménico, o magistério da Igreja havia exposto com tal for9a e tal amplitude o lugar primordial da Trindade no mistério eclesial. Nao se trata de uma afirmagáo ocasional e marginal, senáo de uma declaragao
"

conciliar solene, querendo manifestar a todos as origens eternas e o fundamento último do mistério da Igreja, sua natureza

Por fim, a narra áo da presenga e atua ao do Espirito
-

distintas, mas, ao mesmo tempo unidas á missao de Cristo

profunda, sua finalidade última, a fim de apreender melhor
l39IRENEU Demonstratio, 41. I40Y M.-J. CONGAR, Credo nello
,
.
.

sao ricas de sugestóes. Suas idéias principáis sao: a ligagao entre o Espirito Santo e a Igreja; a 3930 vivificante do Espirito; a afáo unificante do Espirito. O papel eclesiológico desta outra mao de Deus138 nao pode ser menosprezado: "(Os Apóstolos) instituíram e fundaram a Igreja partilhando e distribuindo
-

Spirito Santo, II. Lo Spirito come vita, Que-

riniana, Brescia, 1982, pp. 14-15. M,Cf S. AGOSTINHO, In Joannem, 32,5-8.
'"

Cf. Lumen gentium, 4. Recuperando a pneumatologia primitiva, Mohler

aos crentes aquele mesmo Espirito que eles tinham recebido
'"

Lumen gentium, 2; cf. S. AGOSTINHO Sermo 341,9,11, in: PL 39,
,

1499ss.

IREHEM. Adversas haereses, IV, 6 3; cf. Mt ll,25-27;Lc 10,21-22.
,

dizia: "Comefou-se muito cedo a explicar os efeitos do Espirito em nós, afirmando que ele se comunica substancialmente [ououüócos] aos crentes. Encontramo-nos diante de uma mística que se fundamenta na própria esséncia do catolicismo, e que está em estreitíssima relajo com a concep?ao crista da santa ceia. Este Espirito, que penetra no íntimo dos crentes e a todos vivifica, com sua 3930 os funde numa única vida, faz deles uma sociedade espiritual e forma deles uma estrella unidade (J. A. MÓHLER, L'unitá nella Chiesa, op. cit., p. 9).
"

138Ibidem, V, 28,4.

14JCf

.

Ibidem; S. Cipriano, De orat. Dom. 23: PL 4, 553.
63

62

3). colocada antes da comunháo dos santos da remissáo dos pecados.[17] da introdugao (]. ao invés.pode-se fácilmente supor . A L'Orante. em liga áo orgánica com o mistério fundamental do cristianismo " Creio no Espirito Santo na santa Igreja para a ressurreigáo da carne*50 . NAUTIN. pela do Pai.. A. ressurreifáo . 146A .escatologia. é claro: a minha inten?ao foi comegar por aquilo que para o nosso caminho ao cristianismo está no inicio em ordem de tempo (J. . centro de toda a nossa fé: neste caso. de Cristo. Espirito Santo. . Trindade .. ao Pai. je crois á l'Esprit Saint dans la sainte Église pour la résur. Trindade . retomada por Gréa [1828-1917]. Santo Ambrosio. Koln . esta é "a contribui?áo mais importante a fé do Pai e do Filho nao mantém a vida e a salvafáo" CIPRIANO. .. 1956). R . 1885. nos prometeu o O mistério é já expresso no primeiro. e definitiva. " . Broutin147 e outros no século XX. Cipriano já o conheceu assim interpolado. Na edigao crítica alema. modo. e os fres estao na unidade" [em itálico do comma joanino]..todos conhecem.o sentido de sua missao divina e de sua a?ao sobrenatural no mundo " . Epist. discute-se esta questao entre aqui um testemunho do comma Joanino ísto é. Étude sur l histoire et la théologie du symbole Cerf. Como 4). 75. cit. .7-8. . PHILIPON. op. (S. l50Cf . Sem sombra de dúvida. Johann Adam Móhler. GRÉA. MÓHLER. Filho de Deus. A.. Nós chegamos a ele pelo caminho inverso: o Espirito Santo nos conduz ao Filho. . do mesmo . Logo em seguida é introduzida . Die Einheit in der Kirche oder das Prinzip des Katholizismus Dargestellt im Geiste der Kirchenváter der drei ersten Jahrhunderte . De Catholicae Ecclesiae unitaíe 6).hierarquia. París. M5"Come90 do Espirito Santo. Mysterium Ecclesiae. p. . Trindade . eclesiologia do Corpo Místico. rection de la chair. e ainda. CORTI. Hoje proclamamos a nossa fé na cria9áo do céu e da térra. cit. De l'Église et de sa divine constitution. o texto Tournai.146 Guerry . corrompidos.Herausgegeben. .povo de Deus.Maria etc. op. o Vaticano II reencontrou a na Igreja pela separado de vontades contrastantes? Quem nao mantém essa unidade nao mantém a lei de Deus. . Santo Atanásio. op. está escrito . A Saníissima Trindade e a Igreja. " a Igreja: a mencionam todas as antigás fórmulas e sempre mais ou menos no mesmo lugar sempre associada ao Espirito. . e este. . A Santíssima Trindade e a Igreja. que fixa as verdadeiras perspectivas do mistério eclesial. (Cf.. Depois da men9áo do Pai criador e do Filho redentor vem a do Espirito santificador.143 no século XIX.santidade.. cit. J. por tal caminho Deus veío até nós. de urna profissáo de fé nao de urna polémica" (G. 11). urna inserfáo que se . O autor analisa ainda as relafóes Trindade . Poderá parecer estranho que nao comece. cit. 1965]. lé-se: Pois sao trés os que testemunham no céu: o Pai o Verbo e o " . MOHLER. PHILIPON. na encarnagáo morte. mandado pelo Pai como nosso Salvador e Mestre. Preferí evitar partir daquilo que .Olten. . no mais elementar e popular dos nossos símbolos de fé: Credo. e manteve a promessa. Sao Cirilo de Alexandria. que deriva da divina potencia e é consolidada pelos sacramentos celestes possa ser rompida . M. eingeleitet und kommentiert von J. do cristianismo primitivo e dos Santos Padres: os Capadócios. Hegner. Diz o Senhor: 'Eu e o Pai somos um'. Trés ainda sao os que testemunham na térra: o Espirito. mas nao nos manuscritos mais antigos. da ressurreigáo da carne e da vida eterna.figuras bíblicas. 1947. nao mantém .. L'unitá nella Chiesa. 1947 [1945]. teria recordado como ele. 363. op. pp. Trata-se. París. na linha aberta por Mohler. Os tres sao urna coisa só! " 144 Com esta opera ao. L'unitá " " . Comenta o editor italiano: "Discutiu-se por muito tempo se A Unidade tenha surgido em oposí ao a tendencias excessivas que punham a esséncia da Igreja na autoridade (particularmente contra um famoso livro de De Maistre).. p. [Castermann. Portanto. 362. assim. portanto. do Filho e do Espirito Santo: '£ os tres sao um' m E alguém eré que esta unidade. encentra em muitos códices do Novo Testamento. Trindade . p. a água e o sangue. por obra de Deus Pai onipotente. 361-383].. Ocupa ai um lugar bem determinado que nao é absolutamente casual e que é instrutivo analisar A sua estrutura é ternaria porque é essencialmente um 'símbolo da Trindade' (Firmiliano de Cesaréia em: Cipriano. 147P BROUTIN. de certa maneira. figura hoje no símbolo como a primeira obra deste Espirito . Trindade . ' P. . e entrar logo nos argumentos mais estreitamente ligados ao assunto. p. em Jo 3. enquanto é ardentíssimo o entusiasmo.. as páginas [13] . geralmente se admite que nao foi assim: os motivos polémicos sao totalmente insignificantes. Trin- dade . Santo Agostinho. sanctam Eccíesiam catholicam. 64 65 . Ibidem.laicato. Geiselmann. professamos agora que a Igreja é formada pelo Espirito 149Temos nella Chiesa. 148 . Espirito Santo: e estes sao urna coisa só. inspira áo trinitária do Novo Testamento. O Pai manda o Filho e este manda o Espirito Santo. e ascensáo de jesús Cristo nosso Senhor. '" " M . Nos códices que hoje a crítica considera neste particular. Ela .. e. 148M M.

9. op. De Ecclesia. París. 1951. p 332ss. 41)! 67 66 .151 conseqüentemente. PUG. cit. A esséncia do catolicismo. Lethielleux. 77-102. primeiros capítulos). mas por TRANSITAD DE UMA IGREJA AUTOFINALIZADA Deus" (H. Le 8. 997. Roma.7). Rigaux (cf. tardia e um tanto apressada. cit. París. p.Cf . K. SCHULTES. boas energías discutindo sobre a identidade ou a diferenga entre Igreja e Reino. 19556.).II.. cap. L'Églisedu " Verbe Incarné. (seis vezes só nos dois . f)p. E existe nao por si mesma. pp. CH. posicionando-se . Roma. 41 e 136-138. Freiburg im Br.T.9). pp. ainda que a tratativa explícita da rela áo Igreja - Reino na Constitui áo (LG 5) seja breve. Aliás. 1979. DE LUBAC. De sacrificio missae... a. 19312 pp. 38-42. l53Cf . ACERBI. Historia e interpretagáo. A UMA IGREJA REINOCÉNTRICA O Reino constitui o centro da pregafáo e da missáo de Jesús (cf.152 Depois de séculos de mais ou menos generalizada identificagáo entre Igreja e Reino de Deus. Mt 10. enfim eremos que esta Igreja da ressurreifáo para a vida eterna. Alberto Magno.Santo.23 par.14-15. Jesús de Nazaré. Loyola. op. constitui o centro. Sao Paulo. cit. DE GUIBERT. Pars apologética. Zapelena é incisivo: " Integra ecclesiologia posset exhiben et ordinari sequenti quadrilatero: regnum Dei = ecclesia Christi = ecclesia romana catholica = Corpus Christi mysticum in tenis {De Ecclesia Christi. D1ECKMANN. De Christi Ecclesia. R.1). pp. p. Tractatus historico-dogmaticus. op. FABR1S. que nós participamos da comunháo dos santos. 41-49. )OURNET. p. l. que a Igreja é a sua obra própria (S. 15).. ZAPELENA. nota 1. da remissao dos pecados.. Due ecdesiologie. M. 1928. Praelectiones apologeticae. Jaca Book. 11. Se boje podemos dizer tremenda verdade com clareza e firmeza. no século XX. A. 1925. R. H. ADAM. Me 1.. o instrumento com o qual nos santifica. 1988. é porque fomos ajudados também pelo Vaticano II.153 os teólogos despenderam. Milano. I52É no textus emendatus que encentra lugar o novo número dedicado ao Reino de Deus. . De Ecclesia catholica. Herder. pela fé que nos ' ' Capítulo 5 comunica. DeEcdesia Christi. Meditazione sulla Chiesa. Afirmamos que é nela. o objeto e o objetivo da missáo da Igreja (cf. da lavra do exegeta B. Mt 4. 104ss. J. 5.

Per una teologia del laicato. Constitutionis 1540 Esquema " " " " mas nao da relafao Igreja . SCHMIDT. L'Évangile et l'Église. STOLTZ. imutável e sempiterno : quibus ómnibus perpensis dubitari non potest.157 . neste sentido. e veio a Igreja" (A. L Église du Yerbe Incarné. p. ' pp. quin Ecclesia verum sil lesu Christi regnum in tenis (Schema constitutionis II de Ecclesia Christi. 58Cf . afirmava: Jesús anunciou o Reino. MAGISTRETTI.17) . IV/2. L'Evangelo J.9Cf 1964.pela alguns . STOLTZ. II. Theses de Ecclesia. 68 San Paolo. os seguintes nomes: R . CONGAR. 69 . Marietti. " " a mentalidade comum. M. De Ecclesia Christi. Hacia una teología de la acción . . pp. op. ouvindo com fé a palavra do Senhor e pertencendo ao . 24). preparava-se uma posiíáo mais respeitosa dos dados bíblicos e da complexa realidade tanto do Reino quan- Br. na qualidade de comunháo espiritual constituida por Deus "nestes tempos que sao os últimos" carrega consigo A tendencia predominante entre os católicos antes da crise modernista (fins do século XIX . Paris. Com . La Chiesa nel Nuovo Testamento. desde já. é o que os catecismos pergunte e responderemos ensinavam as crianzas: Quem fundou a Igreja?" "Jesús Cristo fundou a Igreja E como exp!ica?ao se lé (tendo como referencia )o 18. 1939. III/1. cit. CONGAR. DIECKMANN. SCHNACKENBURG.. 15. p. " " Dogmaticae Lumen gentium Synopsis histórica. Ela é formada por aqueles . PUG. . Freiburg im ' Com isso. Paris. n. Roma. especialmente 41-42... " LOISY. DeEcclesia Christi. Freiburg im Br. come- (jassem a distinguir abertamente entre as duas. . Christi. cit. Freiburg im Br. aínda que nao se tenha manifestado inteiramente a experiencia de tal dom e de tal juízo o que se dará na plena manifesta áo de Cristo (parusia final) 158 A mesma mudanza se deu na compreensáo da relagáo da Igreja com o "mundo" até entao ausente na reílexáo teológica. p. in: Capul IX. I55É conhecida por exemplo. 3-9. cit.. pp.mundo. pp. JOURNET. cit.-J. .. p. Gottes . outros pela total diferen?a. La Chiesa.cujo inicio está ligado á pregaíáo do Reino de Deus pelo Senhor Jesús (cf. J. p. pars apologética. M.é na térra o germe e o inicio deste Reino. 41 e 136-138. cit. mas também teólogos sistemáticos. COMBLIN. Katholischer Kathechismus für das Erzbistum Kóln. De Ecclesia Christi op. DeEcclesia catholica praelecliones apologeticae. A. " que. Lethielleux. a Igreja é um "regnum immobile". 588-595. Barcelona. .. B1LLOT. secondo Marco op. os católicos come?aram também a distingui-las. . a expressao de A. 1940 [1925]. 1. op. Sintomático. operada por liberáis e modernistas. Düsseldorf. O "mundo" entrou para a teologia em estreita relagáo com o caráter escatológico da Igreja. op. Loisy.inicios do século XX)1" era identificar pura e simplesmente Igreja e reino de Deus. pp.sem questionar os fundamentos de sua posiíáo 154 - guarda. santidade essencial deve ser exaltada).. cit. que. G. 1961. L Evangelo secando Marco. divino. . 72-106. porém.F. 1945. entre outros. Eine biblisch-theologische Studie.161 É o que faz Lumen gentium quando afirma . Herder. p. nestes primeiros tempos. cit. l56Cf IS7Cf . op. Paris. 109. para conhecer ' to da Igreja. SCHMIDT. pp. 67-74.. 1928. SCHULTES.Estado . J. Dommatica Cattolica. 109. pp. FRANZELIN. De Christi Ecclesia.T. L.. . 6IS W1EDENHOFER. Nao demorou. . .. ela Kleutgen do Vaticano I afirmava que a Igreja é o reino verdadeiro. 77-90.136 alguns bens escatológicos (o dom do Espirito e o julgamento do mundo). IV/2. Eine biblisch-theologische Studie op. 1902 [19033]. C. R. mas. Jalons pour une théologie du laicat. pp. cit. Herder. 588-595. Gottes Herrschaft und Reich. Morceiliana Brescia. A. " seu Reino " (cf. que a Igreja . 153). Em rea?ao á separa9áo total entre as duas grandezas. a afirmaijáo da diferen?a era muito tímida: esta seria mais de modo que de esséncia. 353).. Y M. Morcelliana. colocando em cipo- Herrschaft und Reich.-J. SCHNACKENBURG. Destacaram-se na afirmafao da distingáo entre Reino e Igreja. SCHMAUS. Idem. Cristo chama a sua Igreja de " " " . p. 1961. . quanto á sua própria natureza. cuja . completo. . l:. DeEcclesia M. si?ao total os dois termos. 160Como pensava A. 48-56. para que alguns estudiosos. estreitas re oes com o Reino. VONIER Lo Spirito e ¡a sposa Firenze. 1959. 41-49. sobretudo exegetas.159 Na verdade a recuperado do caráter escatológico da Igreja representava também urna rea?ao ao caráter celeste (para cujos assertores a posse do Espirito Santo pela Igreja eliminava qualquer tensao entre a situafáo terrestre e a situa9áo celeste e final)160 e imóvel da Igreja (para a tendencia juridicista. Herder. 997. Lineamenti fondamentali di ecclesiologia . ZAPELENA. Herder. ALBERIGO . J. 1963. B. pp. que estará presente só na comunháo final. homogénea identidade. pp. 38ss. efeito. 48-56 [exegetas]. . A teologia ocupava-se da rela?áo Igreja .36). Die Kirche im Neuen Testament. . H. Afirmavam com todas as letras: a Igreja nao é o Reino. Y. Brescia. Mt 4. 83-14. Torino. Me 1 15. 1II/1 op. . Cinisello Balsamo (MI) 1994. SCHMAUS Dogmática cattolica. M. pp. porém.

p. 40.pequeño rebanho de Cristo (cf. posiíao igualmente superada pela exegese. SCH1LLEBEECKX. redu- lingüístico a expressao 'Reino de Deus' é uma metáfora . e nao se restringir apenas a ele 163 A partir daí. falar da sua origem tem de olhar para além de Jesús. falando do Reino de Deus. inicio. Aliás.... ela tem o ónus e a missáo de anunciá-lo" m . outras palavras: "a volta á Biblia leva a superar toda identificagáo entre Igreja e Reino de Deus (seja sonhada seja tentada). o Povo de Deus e. " . op. cit. Tradu?ao e introdu?áo de Gladys Henriques de Lima. O Concilio chega mesmo a dizer . o Reino de Deus. que a Igreja. l65Cf . Le 12. Vozes. Paulo VI. Antes de tudo é necessário observar que do ponto de vista . Ecclesiologia. acolheram o próprio Reino de Deus. " " místico de Cristo " " lamento também que o Papa tenha colocado entre os apelativos da Igreja a expressao Reino dos céus".que a Igreja é o reino de Cristo já presente em mistério " " . Afirmar portanto.] para entender como a realidade da Igreja é vasta e complexa. ZIRKER. Na verda" . É o que faz o n. pp. . mas ainda nao plenamente) leva a ver como já realizada " " " dominio".32).. La Lumen Padova. a certa altura diz: "E bastará elencar estes nomes [figuras e . a Esposa de Cristo. vida sem fim A metáfora do Reino tem um poder de ruptura e de mobilizafáo: ela poe . porém. 71 . mas de servifo. é possível reler até a afirma áo polémica de Loisy e dizer que Jesús anunciou.. Trácela di studio Edizioni Messaggero di . . no dia 27 de abril de 1966. táo-só inicio e promessa). . O discurso sobre o Reino nao pode em nenhum caso . Petrópolis. 5. 63).. a Igreja. p. (palavras.. Nao tenho no momento con dÍ9oes de comprovar se o Papa realmente disse o redil de Cristo (nao teria dito "o rebanho de Cristo ?). O profeta ihe havia preanunciado sem meios-termos a .numa expressao talvez " Reino de Deus: metáfora da esperanza " arriscada . seton Vadean // op. que Deus . do Reino. finalmente. que a Igreja é diferente. portanto. submetido ao dominio de reis iníquos. pela teologia e pelo ensinamento conciliar. a Mae dos fiéis. como seu sinal.0 5: o Reino de Deus se dá realmente só em Cristo . que constituí o seu germe e inicio (nao a realidade perfeita . obras e pessoa [o texto conciliar diz 'presenta']). o Campo de Deus. o Corpo místico de - Cristo. a Casa de Deus. numa posi áo de posse mas de busca. a Vinha do Senhor. ." (PAULO VI. numa posi ao de "sossego mas de tensao. '"H . Este tipo de relafao nao coloca a Igreja numa posÍ9áo de " zir-se a um evento único e determinado uma vez por todas. " ainda nao concluiu sua peregrinafáo histórica 165 Em . .162 Jesús deu inicio á Igreja justamente fazendo urna coisa diferente de fundar a Igreja. veja-se o discurso com que Samuel procurou dissuadir o povo da intengáo de dar-se da injustÍ9a e da explora áo que . a falta ou a negligencia da tensao escatológica na Igreja (a perda da consciéncia de que o Reino já" está presente. Padova 1994. . germe. na medida em que permanece ligada a Cristo e o vive nutrindo-se dele instaura o seu Reino no mundo no sentido . 48. ele deu inicio á Igreja anunciando aquilo que há muito tempo tinha sido prometido. Além disso. . a Cidade de Deus. bem-estar. liberdade. estabeiecerá o seu poder sobre o mundo significa anunciar justi?a. acredito que o Papa tenha também usado a expressao Corpo " " o ser humano numa tensao nova e positiva diante da historia e do seu futuro desfecho pois quer dizer que o mundo nao . que um dia virá o Reino de Deus isto é. A Igreja é. lb*Lumen gentium 3. símbolos . Deus e Deus somente a reinar sobre a humanidade. que dura experiencia da violencia um reí. paz. . sim. E. 164 de. . terrestre. Justamente do interior desta experiencia táo impiedosamente descrita até com antecipafáo brota a esperaba de que um dia será . I66L SARTORI. 1967. cit.N.. abandonada pelo Vaticano II (que diz apenas corpo de Cristo " " ). falando sobre a Igreja-mistério. . a Jerusalém celeste. VÉglise de Jésus-Christ el ¡'homme d'aujourd'hui gentium. Alocugóes sobre a Igreja.. o Redil de Cristo. o Reino dos céus. Ela é chamada: o Israel de Deus. nasce e vive do vigor e da interpeIa(?áo do Reino. sobretudo porém. quer dizer.. Ela surge espontáneamente do terreno do sofrimento do povo proveniente da experiencia política dos povos submetidos ao dominio dos reis E uma metáfora que percorre toda a Biblia . sim. . 116-117. Um papa também tem o direito de cochilar! 70 . conectada á historia de Israel: quem quer " . a consuma?ao escatológica da Igreja na Igreja l62Cf Lumen gentium. nao a Igreja. p. do A. teria sofrido submetendo-se ao poder de um homem.

1301?.). A Igreja é no mundo testemunha de Deus e de seu dominio sobre o universo. Roma. De potestate regia et papali 1302. .S. Santo Tomás (com o complemento de Ptolomeu de Lucca).1. devem defender a autoridade. Ela é portadora. que a aventura humana nao tem um destino obscuro. Obsérvese que do sécuio XIII ao século XIX praticamente todas as trata?oes sobre a Igreja sao de índole apologética (se bem que a pesquisa histórica esteja descobrindo sempre novos documentos de atengao também ao aspecto mistérico da Igreja). De Regimine Principum ou De regno. De regimine christiano. Nuovo Dizionario di Teología. 1977. o papado.no contexto da luta entre poder papal e poder régio ou imperial . Summa de potestate ecclesiastica. 123). DIANICH-S. e discutir o problema das rela?oes entre papa e concilio. com tendencia hierocrática e papalista: Egídio Romano [1243-1316]. 91-93). 1320 ca. PUG. " " .. Alba. BARBAGLIO . De ecclesiastica potestate. institucional . 1280. Dante. Agostinho Trionfo. p. por sécalos. pp. com os decretistas medievais do que com os sumistas medievais (L.. particularmente. 278. 1301-1302.própria do segundo milenio cristáo privilegiou a categoría de "societas" (sociedade) para dizer a realidade Igreja. mas que Deus tem em suas maos o destino do mundo e o conduz a um final feliz.m Billot concebía o corpo da Igreja conceitualmente separado de sua alma de gra9a. a porta de entrada da eclesiologia: "de societate ecclesiastica reduplicative - in quantum societas est. por isso. Esse corpo existe como tal independente da l670s primeiros tratados separados de eclesiologia nascem . NOCETI. Tractalus de Ecclesla Christi sive continuatio Theologiae de Verbo íncarnato..está ñas maos dos maus. E isto demonstra como a eclesiologia se liga quase diretamente maís com o direíto do que com a teología. Giacomo Capocci da Viterbo [1255-1307/1308]. 1927. e de uma perspectiva aberta para um éxito positivo da historia" (S. apesar dos grandes males que afligem a vida humana. Se o rei que está por Capítulo 6 vir para exercitar o seu poder sobre o mundo é Deus. portante.167 O conceito de societas foi. Brescia.. Queriniana. in: G. encamacionista. 72 73 . A eclesiologia cristomonista e. De potestate papae. visibilista. de TRANSI ÁO DE UMA IGREJA SOCÍJETAS A UMA IGREJA MYTTHPION uma visáo positiva das coisas. Trattato sulla Chiesa. os que o esperam sao para a humanidade portadores de uma grande esperanza. SARTORI. 2002. entre poder eclesiástico e poder civil. ' 68L BILLOT. Chiesa. D1ANICH (ed. 1.. De ecclesiastica sive summi pontificis potestate.sob o signo da visibilidade " " e do poder. p. Edizioni Paoiine. De potestate Summi Pontificis. taivez 1267 etc. Henrique de Cremona. Joáode París. praesens currit tractatus".

créem e professam a doutrína de Cristo. PRZYWARA Corpus Chrislimysticum. M. op.Actapraep. 10). . cit. cit. dade dos verdadeiros cristaos.170 A incidencia desta defini?áo foi tac grande que. 15. op. Le Concile de Vadean 11. . Roma.cialis membrorum colligatio sub hierarchia instructa duplici potestate.. Ingolstadt. 29)-mas sugeriam um . 11. Basta a profissáo exterior da fé e da comunháo nos sacramentos. Billot. Ou seja. 72Cf Y. . A Igreja é. isto é. . Dopfner (pp..-). B. ensinara o cardeal do pós-Tridentino. biológica. pp." (E. .. dos que foram batizados. o influente Sao Roberto Bellarmino (1542-1621): "a Igreja é o agrupamento das pessoas {coetus hominum) reunidas pela profissáo da verdadeira fé. " . P. 105. nao faz outra coisa senáo desenvolver com maior fineza especulativa o que já presenta entre as tantas presentas da historia. / due primi capitoli della "Lumen gentium ". Yago .o que náo foi aceito pela Comissáo teológica (cf . do designio divino de salva áo que vai se realizando e revelando na história humana A idéia já tinha uma sua incipiente tradi áo antes do Vaticano II: "A Igreja é . 1035) .. F. Kónig (pp. limitando-se seja do "reducionismo espiritualista que de tal modo exalta a dimensáo invisível da Igreja que acaba por sacrificar sua concretude histórica a considerar sua eficácia histórica " . Pió X ainda a repetía quoad essentiam no seu Catecismo: A Igreja é a socie" Ainda na fase preparatoria dos trabalhos conciliares diversos participantes ou criticavam a visáo uniiateralmente jurídica do Esquema preparatorio ou sugeriam uma nova perspectiva ou ambas as coisas. . 137-138. 197-215) . . 1012-1013) D. Chegou-se mesmo a pedir que a consideragáo da Igreja partisse náo do aspecto pelo qual ela é uma "sociedade". . tum ordinis seu dispensationis sacramentorum x69 O cardeal do pós-Vaticano I. Na Comissáo Central alguns náo só .11: Prima Controversia generalis.. 29). nós nao pensamos que Ihe seja exigida nenhuma virtude interior. criticavam a identificagáo unívoca entre a Igreja católica e o Corpo místico como A. CONGAR. . Przywara: náo definir a Igreja em termos de corpo místico . 10. 277. 1. F (p.. de fato. . gra?a e das virtudes que se encontram em seus membros: "so- da Igreja. afirma-se que os carismas sao distribuidos in variis officiis et ministeriis e correspondem á índole social e á missáo divina da Igreja" articulando mais estreitamente as esfruturas institucionais da Igreja e sua anima?ao pneumática (cf Acta synodalia n. mas daquele pelo qual ela é uma comunháo de graga em Cristo. mística. A. Para que alguém possa ser declarado membro desta verdadeira Igreja. . participam dos seus sacramentos e obedecem aos Pastores por ele constituidos 171 " . a . com sua visáo extremadamente societária. pp. orgánica. Cooray (p. tenha iniciado a corregao dessa concepgao. de Pío XII. cit. e sob o govemo dos legítimos pastores e principalmente do único vigário de Cristo sobre a térra. Mystik" 15(1940). quibusdam membris da Igreja. VI. Hurley (pp. f. cit. Caput 11: De definitione Eccíesiae. . 1971. pois reintroduzia o aspecto de gra?a e carismas na própria realidade do corpo social Mas o fazia satisfazendo a uma . 170R BELLARMINO. . l69Ibidem p. No artigo ácima citado Przywara taxa a literatura teológica alemá anterior á Mystici corporis (29 6 1943) de antiintelectualista antijurídica. alargamento do discurso pedindo que o capítulo primeiro abrafasse todos os está- Se bem a Encíclica Mystici corporis.. coisas que os próprios sentidos podem constatar. E. 1002-1003). 6.. Nesta linha pronunciaram-se P. Eine Bilanz in "Zeitsch. CONGAR. . de sociedade.172 foi o Vaticano II que superou esta visáo societária " " dios da existencia da Igreja. '" . O pedido foi recusado . . E.173 O Concilio. Para o Concilio . Cenesi ed elaborazione . era um esclarecimento de Billot De controversiis Christianaefidei adversas nostri temporis haereticos. p. . seu modo. tum iurisdictionis sea imperii. op.. liber 111: De Eccleúa militante. " . op. M. . a concepgáo era ainda aquela da Mystici corporis que. pp. Liénart (d. GEREMIA. del testo conciüare Edizioni "Marianum". Bea (pp. Léger ( Acta praep. pela comunháo nos mesmos sacramentos. pela Comissáo teológica. . /primi due capitoli della "Lumen gentium ". " solicita9áo do Pe. op. Léger (pp. afirmando que o próprio da Igreja náo é constituido pela comunháo de gra?a.. na verdade tinha de distanciar-se seja do reducionismo secular que vé a Igreja como uma . quatro séculos depois. 997-998). p. p . mas a uniáo de graija com Cristo "in organismo heterogéneo jurídico sociali" (cf. l71PIO X Catechismo delta Domina cristiana. 1008). Em que sentido? Nao no sentido de desconhecido ou incognoscível mas no sentido bíblico-paulino presente também nos Padres pré-nicenos. . depois da revisao pela Comissao Central. J. . 1022) eTh. reintroduzindo o aspecto de gra a e de carismas na própria realidade do corpo social da Igreja.. . 1002-1003). . o reino a Igreja é juucmfpiov (mistério). 1004-1006). 1007" " . 75 .35-40 e l-4a). feminil etc. de que falam as Escrituras. GEREMIA. p. da Franca. mas o corpo místico em termos de Igreja isto é.. Vale lembrar que o texto proposto pela Comissao teológica dizia que os carismas sao difundidos 74 (Y. ou a república de Veneza". cit. o romano pontífice.-J. um agrupamento de pessoas tac visível e palpável como o agrupamento do povo romano. F. " " . 1018-1020). Aszese u. Le Concile de Vatican 11. 1601.

p. contró da iniciativa divina e da acolhida humana. 1978. Grillmeier. ao mesmo tempo. " Dizer que a Igreja é uma institui áo ou uma sociedade que .F. . sial supera-se o visibilismo da Contra-Reforma e.. O Concilio da Igreja restituí assim á eclesiologia católica ao mesmo tempo o frescor e a profundidade da rela áo com a Trindade. tem por finalidade a preservafáo e a difusao da fé crista é uma definifáo certamente unilateral A Igreja é criada por esta fé: é o efeito do amor que vive nos crentes por obra do . p. estreitando-os numa grande unidade social: isto é o amor. em que o elemento institucional recebe tratamento preferencia) Do ponto de vista - " a quibusdam Patribus et Peritis linguae Germanicae proposita in: Ibidem. 8 c. Adumbratio schemaüs constitutionis dogmaticae De Ecclesia " . 3. "De titulis el introdutione in: G. 1. . . que se revela e se manifesta de um modo visível 175 definigáo inspirada no documento Haec sacra 176 Synodus. I77B FORTE. os Padres conciliares preten- diam designar a Igreja como "uma realidade divina transcendente e salvífica. cit. O principio . tal como aqui o defino. 34). . recupera-se a dimensao histórica da Igreja 'entre os tempos'. " 8"0 institucionalismo. " ' " ' Espirito Santo.. n. ALBER1GO . Ep. Ratzinger. Cf. Semmelroth. p.. estrutura. cujo vínculo é justamente o amor: só une. La Chiesa icona della Trinitá.. cit. " " . Freiburg im Br. 15. De Ecclesia Christi. Capul . indicat aliquid ¡ncognoscibile aut abstrusum. 176"Voa: mysterium non simpliciter está presente. 435. . divino comunicado aos fiéis é uno em si e gera a unidade da .que aliás. Um cristao de fé pode se opor enérgicamente ao institucionalismo sem deixar de ser muito envolvido com a Igreja como instituigao" (A DUELES.nao tem nada de espiritualizante. A. MAGISTRETT!. . p.. atrai forma a Igreja una. nao é o mesmo que a aceitadlo do elemento institucional da Igreja.. . é o título do capítulo I da Lumen gentium . que ela é até mesmo algo diverso deles. de fato. No momento em que o . evasivo ou a-histórico: no mistério ecle. Com o termo "mistério". a Igreja se apresenta como o lugar do en" . Entre seus redatores estáo Rahner. de vista sua visibilidade e sua incidencia histórica e social.. "" Por exemplo. antes ela é mesmo exigida em virtude do conceito de misterio. e.primariamente urna realidade invisível. Wulf (Cf. La chiesa icona della trinitá. Se disséssemos que a Igreja é só aquele tipo de instituido seria como dizer que Cristo somente ordenou aos fiéis de unirem-se em grupo sem suscitar neles aquela necessidade interior de unidade que os entrelaza e os liga uns aos outros. sed. 15. op. p. li capitolo 111 della costituzione dommatica Lumen gentium. designat realitaíem divinam transcendentem et salvificam. op. Pontificio Ateneo Antoniano. julho de 1964. . La dottrina deii'episcopato del Concilio Vaticano 11". Schmaus. p. Seria como dizer que a Igreja precede os fiéis os quais somente nela se tornam tais. Sao Paulo.é claro ele excluí o amor egocéntrico atrai e funde aqueles nos quais . Apreciando crítica da Igreja sob todos os seus aspectos Edicoes Paulinas. sem perder " Sem a graga do Espirito nao podem ser membros do corpo de CWsío180 . IX par. irredutível a uma compreensáo meramente humana. A Igreja e seus modelos. fé naqueles nos quais se encontra. " do autor. Ad Rom. cit. 16. 70. U. Herder. " . STOLTZ. ou seja. quae aliquo modo visibili revelatur et manifesla' inAcla synodalia IIII. Com isso nao se nega absolutamente a visibilidade da Igreja. o institucionalismo é uma deforma ao da verdadeira natureza da Igreja deforma?áo essa que afetou desastrosamente a Igreja em certos períodos da sua história e permanece em todas as épocas como real perigo para a Igreja institucional . e a consciéncia de um ser na história que nao é um simples ser da história 179 " . . Breve ecclesiologia.. 170. BETTI. uti hodie iam apud plurimos agnoscitur. . 1984. op. p. A Igreja como vcrcripiov ou o "mistério da Igreja . em última análise algo estranho a eles. ao mesmo tempo . tur" (Relationes Commissionis doctrinalis ad textum constitutionis dogmaticae De Ecciesiae. I . l80"Sí desit eis gratia spiritus nec membra corporis Christi essepossunt" (ORÍGENES. 1215 B). que significa uma comunica áo da salvado envolta em formas visíveis " 174 . de ordinário conhecido como projeto alemao Nesta perspectiva. ' - 1939. Constitutionis Dogmaticae Lumen gentium Synopsis histórica. in: PG 14. 177 . . 67). 77 . I79B . colocada entre a sua origem ñas missoes divinas e a sua plena realizagiao na gloria de Deus tudo em todos. Hirschmann. p. todavía Igreja de homens e mulheres que vivem plenamente na história Supera-se assim o institucionalismo'78 e o juridismo da eclesiologia contra-reformista exatamente pela recupera áo da profundidade trinitária da realidade eclesial. Entendemos por institucionalismo um sistema 76 Forte. Roma. Schnackenburg. a presenga " da Trindade no tempo e do tempo na Trindade. 383.

55. a Igreja está centralizada no papa e na Curia. Nesta concepto. 343-345). pp. . MÓHLER. Austria contra levantes nos Estados Pontificios. Theologie und Philosophie. pp. e isto nao só no sentido de que. L'unitá nella Chiesa. Este papa (1831-1846) duas vezes empregou tropas da . GR1LLMEIER. (cf. p. como se todos os fiéis que déla fazem parte tivessem os mesmos direitos. Cittá Nuova. alguns sao clérigos. n. op. Os papas. e outros.. "ninguém pode ignorar que a Igreja é urna sociedade desigual na qual Deus destinou alguns para comandar. de Cl. os leigos e leigas sao mais objetos passivos da iniciativa concentrada no vértice do que sujeitos ativos da dinámica eclesial. Segundo o reacionário Gregorio XVI. Freiburg. Os pontífices de Sao Pedro a Joño Paulo ¡I. lutou contra a unidade da Itália 18lCf A. outros para obedecer. II principio del cattolicesimo nello spirito deipadri della Chiesa dei primi " Capítulo 7 tre secoli. leigos. mas é uma sociedade desigual (hierárquica). 1969. Roma. á separagao entre Igreja e Estado. aqueles. A. mas sobretudo porque há na Igreja um poder divinamente instituido que uns receberam para santificar. os clérigos 181 O Capítulo X do esquema Supremi Pastoris. 344.Espirito divino colocou no homem o amor. os bispos comportam-se mais como vigários do papa do que como pastores próprios e autónomos das Igrejas locáis. R. opós-se á liberdade de consciéncia. P. 78 79 . ensinar " . Schrader. dizia: "Mas a Igreja de Cristo nao é uma sociedade de membros iguais. á construgao de estradas-de-ferro nos Estados Pontificios (atual centro e centro-norte da Itália). á coloca?ao de postes de ilumina?ao pública etc. distribuido no Vaticano I. 213-215). a Igreja come?ou a existir (J. á liberdade de imprensa. entre os fiéis. MCBRIEN. estes sao os leigos. Herder. hierarchica (sociedade desigual). cit. 45 (1970). TRANSI ÁO DE UMA IGREJA SOCÍJETAS1NAEQUALÍS A UMA IGREJA "POVO DE DEUS" A Igreja era vista também como urna societas inaequalis.

Pió IX183 e Leao XIII184 . / primi due capitoli della Lumen gentium". e que clérigos e leigos constituem nela diversos estados. t. 15. op.-J. a doutrina transmitida pelos Padres confirma que a Igreja é o corpo místico de Cristo. Igreja até o fim do mundo". p.. pertencem todos. é a de deixarse governar e seguir obedientemente a condugáo dos que a dirigem". Esta revíravolta " . ela aparecerá melhor como instrumento para o bem comum.. in: ActaPii IX. numa verdadeira monarquía espiritual: A Igreja aparecía " como uma espécíe de dedu áo ou expansáo de sua cabera romana 189 num regime que. 153). 82MANSI 51 543 [539-636]. . pp. 19l(l) De Ecclesiae mysterio. 29 de abril de 1876 . novo capítulo para imediatamente depois do primeiro. e outros nao o tem 182 O controverso S.193 " " " . n0 5. MOELLER.. sociedade organizada. F.. . Tractatus de Ecclesia Christi. 535 [535-563].). in. 497. p. Brescia.'87 "Hierarcologia" era o nome que Congar dava a esta visao institucional. deve ser dito de plena e perfeita monarquía. e vai muito além. dizendo que ao povo " . jurídica. Esta sociedade é. (4) De laicis in specie: (5) De vocatione adsanctitatem in Ecclesia. O fato será saudado como uma revolu áo copemícana por suas conseqüéncias no conjunto da Constituifáo e para o futuro da eclesiologia. (2) De populo Deiin genere.188 A hierarquia. " 188Cf Y. . A nogáo de povo de Deus vai ocupar o lugar que. proveu mais do que o suficiente as necessidades da . "" Cf. p. VII. 17 de dezembro de 1888 . Le Concite de Vatican . A. Carta "Exortae in isla" aos bispos do Brasil. 80 p 159. o Vaticano II vai deíxar uma de suas marcas registradas. . administrado pela autoridade dos pastores e doutores. cit.é enfático: "A Escritura ensina e . MILLER (ed.190 Aquí.'85 Um eco dessa concepgáo encontrava-se ainda no esquema De Ecclesia" da Comissao teológica preparatoria do Vaticano II: "A Igreja pelo próprio fato de ser um corpo.. 192K Wojtyla argumentava em favor desta mudanza. op. 301. Carta ao Cardeal Guilbert 17 de junho de 1885. Pió X dando prosseguimento a semelhantes pronunciamentos de " . em rela áo a todos os quais o Cristo Cabera sobreleva-se quanto á posi?ao. 81 . por institui áo divina. . Ela é a forma ao de muitos membros de modo algum iguais uma vez que uns estao submetidos aos outros. La teología dopo il Vaticano ¡l. cit. Series Secunda. 1957. "De Ecclesia et de Beata Maña Virgine" . quando se falar primeiro do povo (cf. os bispos.. 1823. os sacerdotes. portante. 193 Cf C. '" Cf. op. " . Theologischer Quartalschñft. "Storia della struttura e delle idee della Lumen gentium ". de modo que hierarquia e laicato sejam tratados depois do que é comum a todo o povo de Deus. é perceptível aos olhos. M. e a constituiijao hierárquica supoe a constituidlo do povo. in Condlii sessionibus . p. cit. 213-214. constituindo-se pelo exercício dos poderes de que eram investidos o papa.. por sua forga e natureza desigual. pp. n. hierarchica Ecclesiae. uma sociedade de homens na qual alguns presidem os demais com plena e perfeita potestade de governar. será feita em dois movímentos: o primeiro será a criaíáo.Schemala Constitutionum el Decretorum dequibus disceptabitur . 8-9. a bem da verdade.. A eclesiologia consistía quase exclusivamente num tratado de direito público". op. estava como que concentrada e hipostasiada no Pontífice Romano. e que a fun?ao da multidáo porém. que será desmembrado do anterior capítulo de populo Dei et speciatim de laicis . 62ss. MOHLER. 89Ibidem . . grabas á insistencia de vários Padres (mais de 300). l86Vaticano U. isto é. Due ecclesiologie. era indevidamente ocupado pela no áo de "sociedade desigual". cit.- e governar. CONGAR. . consubsesquema Philips e acolhida pela Comissao de coordenafáo. Carta ao Arcebispo de Tours.m o segundo será o deslocamento do tancíada no " " " . de 11 de fevereiro de 1906 em: AAS 39 . . clerical. II. (3) De constitutione . p. in. (1906). I87J A. e a divisao da Igreja em estados ficará iluminada melhor... Typis Polyglotis Vaticanis 1962. pensava-se. e estas ordens sao de tal modo entre si distintas que só na hierarquia residem o direito e a autoridade de mover e de dirigir os socios ao fim proposto á sociedade. na eclesiologia anterior. . vertícalísta da Igreja: A Igreja era apresentada como uma .191 de um capítulo próprio sobre o povo de Deus. GEREMIA. 185PIO X Encíclica Vehementer Nos. ensinar e julgar. in: J. ACERBI. . LEÁO XIII. Morcelliana. perfeic ao e virtude 186 Nao á toa dizia a respeito Mohler com fina ironía que Deus criou a hierarquia e assim. PIO IX. M. 90L BILLOT. " " .

o cará. as várias culturas e as peculiaridades dos povos.que aqui é entendido como o "totum complexum omnium. " '94 Deus . Ecclesiae. considerando-o no plano da dignidade da existencia crista Concretamente. 19-43. entre a Igreja universal e as Igrejas particulares com suas legítimas diferengas. na continuidade histórica. da missao.. . 82-83 ii l96Garrone insiste nao só que "populas Dei" nao se refere apenas aos leigos e leigas (" 'populas Deis' hoc non intelligitur de grege fidelium prout ab Hierarchia . . mistério {"expositio 'de consideratum respicii ) " . colocando em evidencia. pp. Segundo Carroñe a exposifao sobre o povo de . . tendendo todos a um só fim. C. como ministerial dos pastores (que devem proporcionar aos fiéis os meios de salva áo) seja a voca ao e missao dos fiéis (que . assume o esquema dos "círculos concéntricos para'} i . nn. SCANZILLO. 9-17). " contradistinguitur sed de tota complexa omnium sive Pasíorum sive fidelium qui i Ecclesiam pertinent" ) mas sobretudo na íntima rela?ao entre "povo de Deus" . dentro da (cf.Congar observa que o Concilio. Napoli. . (O. o capítulo aborda os seguintes temas: a) a descriijao dos elementos que fundam a dignidade do . a novidade de Cristo. una reconhece e defende. depois de ter apresentado as origens divinas da Igreja ñas missóes do Filho e do Espirito. religiosos " in sua catholica varietate" (em sua "católica variedade") . se estende a diversas categorias de pessoas que estáo em atitude diversa urnas das outras diante da plenitude Nao podendo estender-nos sobre tanta riqueza apepor sua importáncia hermenéutica. ministérios . c) a unidade da Igreja " a unidade deste povo.-J. enfim. alargando a questáo de membñs. entre as tradi oes orientáis e ocidentais da Igreja una. . 441). antes de qualquer distingo ral com a qual Carroñe á época Arcebispo de Toulouse apresentou o capítulo II da Lumen gentium á assembléia conciliar. "La Chíesa come popólo di Dio in: Concilium 1 (1965).195 lamos humanidade. ... M.F. b) cristáos nao católicos. constitui na historia humana. que esta Igreja se " descrever os vários graus de comunháo: a) fiéis católicos.. b) a Igreja "inter témpora" ("entre os tempos ) da ascensao do Senhor á sua parusia enquanto . que ela. qui ad Ecclesiam pertinent" anterior a qualquer distingo de carismas fun óes. Deriva daí justamente a unidade da Igreja "na variedade católica : a) entre clérigos. . que nao se confunde com uniformidade. (segundo). MAGISTRETTI Constitutionis pp. Edizioni Dehoniane. e Igrejas particulares com suas legítimas diferencias. " Populo Dei' revera ad ipsum mysterium Ecclesiae . inerente ao povo de Deus. . ter missionário da Igreja na espera do seu termo escatológico . cit. b) entre Igreja universal as tradi oes ocidentais e orientáis da mesma Igreja. c) a dignidade profética do mesmo povo pela unfáo do Espirito. que tem lugar na Cabera e nos membros e se manifesta por meio do sensus fidei e dos carismas. de fun ao e de estado particular. 83 . povo de Deus no Antigo Testamento e no Novo Testamento: os valores da elei áo. c) náo-cristáos Aborda. á Rela9áo Ge. La Chiesa sacramento di comunione . determinados aspectos: a) a Igreja "in sua totalitaie" ("em sua totalidade ) para que daí fique mais claro seja a fungao " .diz respeito ao . . in . Além disso. Commento teolo. enfim. da Alianza. CONGAR. e sua universalidade. . d) a perspectiva mais adequada para tratar dos 195Cf . caminha rumo ao fim bem-aventurado. devem colaborar com os pastores na ulterior difusao e santi " - ficagáo de toda a Igreja). . d) b) a dignidade sacerdotal. o Concilio. 1987. se quis mostrar o que é comum a todos os membros do povo de Deus. participaijao no único sacerdocio de Cristo sacramentalmente celebrado. de vida presente em Cristo e de que a Igreja por Ele fundada é o sacramento. " . " 94 Y . ALBER1GO . 82 igmaticae Lumen gentium Synopsis histórica op. do qual todos os homens e mulheres sao chamados a fazer parte. . entre as várias culturas e particularidades dos povos. . entre os clérigos religiosos e leigos que tendem ao mesmo e leigos. mostra tres coisas: primeiro. mesmo mistério da Igreja 196 mas presta-se a ressaltar melhor . p. c) entre d) entre que a Igreja : fim. " g¡co alia Lumen geníium.

ibi me consolatur quod vobiscum sum. Caput II. com suas responsabilidades de louvor. Constitutionis dogmaticae Lumen gentium Synopsis histórica. .. que era o retomo á Biblia. Witte.. cit.". Le Concile de Vatican II. como dizem alguns autores. Nao se trata de volta ao Antigo Testa- mento. cit.3). convosco sou cristao. Dearden e Griffiths. . [9s"Ubi me terret quod vobis sum. de expor o que é comum a todos os membros da Igreja no nivel da dignidade da existencia crista anteriormente a toda distingo de oficio ou de estado de vida. ALBERIGO . explícita ou implícitamente está construido sobre o tema do particularmente. vos que outrora nao éreís seu povo mas agora sois o povo de . de servicio e de testemunho.F. agindo entre o povo novo Israel que correa com os discípulos. 29). 199 O Povo de Deus no Vaticano II Ao propor de novo o conceito de povo de Deus no centro da eclesiologia. o que é bom método. vobiscum sum christianus. CONGAR. . 'Eles seráo o seu povo e ele será o Deus ' ' ..6). 1483). povo de Deus. Sao Paulo. hoc salutis" (Sermo 340. op. '" Y . La théologie de l'Église suivanl saint Paúl Cerf. 2002 p..uma de suas pérolas mais preciosas . a doutrina conciliar está em continuidade evidente com a Biblia. 'Vos. . p. 1965). . Tomando o tema do povo " de Deus como eixo. O Novo Testamento inteiro l97Cf Relationes Commissionisdoctrinalis ad textum constitutionis dogmaticae . nante e prenhe de conseqüéncias: Nao se tratava apenas. com efeito. sendo que os tres primeiros a redigiram. o tema das " missoes " 197 . o Vaticano II é fie! a uma das suas orientaijoes básicas. sacerdotes para Deus seu Pai (Ap 1.católicos. O povo de Deus Paulus. pp. porém. o espirito e o sentido da eclesiologia conciliar do Povo de Deus. Sauras. . op. a Relatio foi preparada pelos peritos Congar. 85 84 . daquele que das trevas vos chamou para sua luz maravílhosa. " . que de origem apostólica e divina " . bem se vé. Vobis enim sum episcopus. O número se concluí com a conhecida cita áo de Santo Agostinho: Cerfaux. a humanidade em geral e. París. recolhendo. 1: PL 38. Os outros livros do Novo Testamento elaboram a teología do novo povo de Deus A teología de sao Paulo tomou o conceito de povo de Deus como o seu conceito básico (cf . cristáos nao católicos. tratava-se de dar prioridade e primazia ao que decorre do ser cristao. Mas os outros livros bíblicos também seguem L . em confronto com o que é organizado. de Ecclesia. M. a comunídade sacerdotal do reí a na9áo santa o povo que . 110. hocgraíiae. revelou-se determi" esse caminho: Fez de nós um reino. Kerrigan. que está com eles* (Ap 21. 440-441.abre a tratativa da dignidade e da missáo dos leigos e leigas. Relatio generaüs. Naud e Reuter. Para vos sou bispo. in: G. que se abre para a pluralidade e tudo recolhe na unidade. com excepcional felicidade. COMBLIN.198 A proposta de Suenens. sois a ra9a eleita. Os evangelhos mostram Jesús no meio do povo de Deus.-). Deus' (IPd 2 9-10) (J. Illud est nomen officii. MAGISTRETTI. illud periculi est. ainda " Deus conquistou para sí para que proclaméis os altos feitos . Os membros da II Subcomissao foram Garrone. O número 32 da Lumen gentium .

. S. mas nao á Igreja.Cf. Dicíionnaire de Théologie Catholique. lib. ecclesiasíica debel esse perfecta et sibi sufficiens in ordinem ad suum finem (Controversiae I. op. de 17 de dezembro de 1860. Multis gravibusque. "II compito apologético del lus PubUcum Ecclesiaslicum". de 9 de dezembro de 1865. VACANT E MANGENOT (ed. Alocugoes consistoriais Singulari quadam. de 29 de junho de 1881. Cavagnis. 203Cf C. verbete "Constitution civile du Clergé". in. in: Salesianum 5 (1945). por direito divino. FOGL1ANO. col. autónoma. 6 (1946). 67-135. 1562. 90 a. 1909ss.3 ad 3. e tem em si mesma. . Máxima quidem laetitia. ¡mmor87 .3. de 7 de mar90 de 1874. in: A. Letouzey .204 200ARISTÓTELES Política 111/9. LEÁO XIII. Encíclica Vixdum a Nobis.Syllabus.203 Papas (desde Gregorio XVI) e juristas romanos (Tarquini. Idem. 45-80. Th. 7). París. II. Zigliara) desenvolveráo e apelaráo a este conceito na luta contra as pretensoes estatistas de limitar a liberdade de aijáo da Igreja: a Igreja é uma sociedade original. V c. cit. DS 2919). proposito 19 (cf. Ia llac q.201 Reaparecerá. 202Cf S. de 9 dejunhode l862. é discretamente aplicada á Igreja por Bellarmino. Diutumum illud. 204CÍ . CONSTANTIN. 20í"RespubUca " . 9 a. todos os poderes necessários á obtenfáo de seu fim sobrenatural. e Santo Tomás a aplica á civítas.). pp. diante das teorías de direito público que atribuíam á administra áo civil toda a organizado externa da Igreja. pp. La tesi fondamentale dello lus PubUcum Ecclesiaslicum. q.1 . no século XVIII.Capítulo 8 TRANSigÁO DE UMA IGREJA SOCJETAS PERFECTA A UMA IGREJA SACRAMENTUM UNITATIS A expressao societas perfecta possui urna longa historia: remonta á Política de Aristóteles. Ibidem.202 Bispos franceses usavam tal conceito para criticar a Constitution du Clergé Frangais de \790. PIO IX.. - . De Summo Pontífice. &Ané. t.200 Implícita ñas afirmafoes de Gregorio VII.

IX). cinemas. CD 8 e 16) e reivindica a libertas 1962) e termina por uma constituifao pastoral sobre a Igreja no mundo de boje (7 de dezembro de 1965) seguida de seta mensagens a diversas categorías dentro da humanidade (8 de dezembro de 1965). hospitais. num nivel oficial e de modo 205Societas " os usos comuns.0 Referindo-se ao Concilio o ainda . p. da civilizagao" (Mgr. mas formula um programa de uma Igreja no mundo atual que nao é mais o da Cristandade:208 cometa com uma mensagem ao mundo (20 de outubro de . trinitária. aínda mais agora que esta se distanciou do regime de Cristandade e do regime de uniáo entre Igreja e Estado (cf.para nao dizer arrogancia .2. . antes do Vaticano II e de Paulo VI. VEUILLOT. Encíclica DiviniiUiusmagistri. numa certa medida as formas de vida da- queles aos quais se pretende levar a mensagem do Cristo. " . 381). 20).206 Apesar de ela ter-se insinuado nos debates. 1905. X. 2. tinha constituido como que uma reprodugao católica das estruturas e quadros de toda a vida: escolas. nao funda mais a sua liberdade em algum direito divino ou num acordó jurítaleDei. p. LG 5 e 8. . c. perfecta nunca significou que a Igreja seria sem defeito. LG 27.. promulgando o Código de Direito Canónico de 1917. Paris. Cardeal de Miláo dizia: "No Concilio a Igreja procurase a si 208 Cf Y. e da historicidade desta Igreja (Y. técnica onde vive e palpita o mundo moderno. a restaura ao católica do século XIX e até o pleno desenvolvimento da A ao Católica " dico com os Estados. futuro Arcebispo de Paris sobre o ministério: "Cabe . Está dito. é preciso como o Verbo de Deus que se fez homem. 1960 [Paris. . op. . nunca se tinha dito. 119. AAS. 1950. Libertaspraestantissimum. 5). assimilar. nao ao povo.. de 1° de novembro de 1885 (DS 5167). BENTO XV. DH 13. sindicatos católicos. ao padre deslocar-se. mas na dignidade do ser humano e na liberdade de consciéncia e cren a que ela compartilha com todos os seres humanos e todos os grupos religiosos (cf DH 2). Documents pontificaux de Pie X á nos jours. PHILIPON. que a vida crista tem suas exigencias próprias e irrenunciáveis. . Isto num clima obsidional de defesa contra uma verdadeira conspira?áo e. que. mas. de fechamento a tudo o que vinha de fora.0Logo após a supressao dos padres-operários Montini escrevia. porém. Assumiu. Ecclesiae. .209 Para ele . sociedades esportivas. " 206"A Igreja 209Cf Presbyterorum ordinis. universidades. junho de 1894. Toca a ele fazer-se de novo missionário. 22 (1930). de 20 de separado do mundo (ES 52ss). parte I. Feu la chrétienté. . desde que sejam humanos e honestos espe. O Concilio sabe que a Igreja é diferente do mundo e tem uma missáo ..207 o Concilio nao utilizou a categoría "sociedade perfeita". MOUNIER. E preciso que ele escute as sirenes que vém das fábricas estes templos da . na Carta-Prefácio de um Iivro de Veuiiiot. temos o tocante pronunciamento do primaz da Polonia." (ES.. 89 88 . DS 3687.a expressao societas perfecta assumirá também conota?5es moráis e ideológicas veiculando urna imagem de Igreja sem erros nem pecados de qualquer forma . Discretamente. A Igreja. seu espirito: distingo do mundo nao significa " . p. 90). Constituido Providenlissima Mater Ecclesia. que a Igreja está em perpetua necessidade de reforma. 19).. É preciso fazer-se irmáos dos homens. 207Ainda " . GS 42. além de voltar as páginas de Ecclesiam suam (ES) é oportuno conhecer sua trajetória sua . Editions Fleurus. na verdade.. 53. nao se salva o mundo de fora. porém. Isto supunha uma melhor consciéncia da distancia que separa a Igreja do Reino. UR 4 e 6. CONGAR. cialmente os dos mais pequeños. DE MONTCHEUIL. in. mentalidade . sociedade perfeita significava .da Igreja célebre mundo católico " singular no mundo. Compendio deila dottrina cristiana per la provincia di Roma. op. p. PIO X. S Wyszynski. Nesse contexto de lutas nao necessitada de conversáo e reforma 205 Também durante . . Tome I. seu significado positivo. e encaminhado (cf. 3. PIO XI. Notre sacerdoce.. cit. que menciona várias vezes a expressao "sociedade perfeita (cf. como vida conjunta dos católicos e como mundo cultural (o " . A Igreja e o mundo actual. E. É inútil que o padre toque o seu sino. numa luta entre os poderes religioso e civil. . de 31 dedezembrode 1929. p. Quanto a Paulo VI. A Santíssima Trindade e a Igreja. Seuil Paris. da Igreja. (Ibidem. Ecclesiam suam). 1945]. era uma espécie de reduplicado "batizada" do mundo civil definitivamente perdido ñas garras do laicismo). agora. Le Concite de Vatican II. " uma auto-suficiencia . sem reivindicar privilégios que distanciam sem manter a barreira de uma linguagem incompreensível é preciso compartilhar . cit. uma literatura católica. tao público. par. se quer que o cristianismo continué e se torne novamente um fermento vivo M . . portante. afirma que a Igreja tem em si e por si o que é necessário para realizar sua missáo (cf. p. 1.. . jomáis. ninguém o escuta. M. que para relativizá-la diante do primado absoluto da constituifáo interior. Livraria Moráis Editora. . M-). P.

Uma Igreja que vive toda inteira para os seres humanos. "sacramento. nem ser ela mesma. as necessidades. Caudium et spes. isto é. a Igreja reconhece que multo aproveitou e pode aproveitar da própria oposi?áo daqueles que a hostilizam e perseguem" (GS 44.212 é uma Igreja sacramento de salva áo.. com pe- Do seu ventre nascemos. da uniáo íntima com Deus e da unidade de todo o género humano". Milano. desde os comeaos da sua história a formular a mensagem de Cristo por meio dos conceitos e línguas dos diversos povos e procurou ilustrá-la com o saber filosófico. CONGAR. com seu leiie somos nutridos . E como realizar este contato? pria mensagem grabas ao outro (cf. isto é.. Ela trava o diálogo com o mundo. 5. Ao mesmo tempo em que procura assim se qualificar e se definir. por sua vez. 1.. 26 e 34). autocompreendendo-se como sacramentum salutis nao se dissolve na história. compreender o que ela mesma é. em nossa carne. Ela aprendeu . em Cristo. lendo as necessidades da sociedade onde opera. 2. Brescia. 5. . 1976. por seu Espirito somos animados2 Assim também a Igreja. 5). ela tenta com uma grande confianza e com um grande esforzó defmir-se melhor. M. . como que ausente do mundo atual. pelos seres humanos. mas o mundo concreto que os seres humanos tecem aqui e " . " NO. 90 91 . Numa leitura teológica de seu próprio passado afirma-o também Gaudium et spes: a Igreja. La salvezza e liberazione. ela estende exuberante os seus ramos por toda a face da térra. cf. Após vinte séculos de historia. a fonte é única. De Catholicae Ecclesiae unitate. 9. cf.213Trata-se de uma no áo dinámica. mas essencial pois fontalmente referida as divinas missoes do Filho e do Espirito em nosso mundo.. mas única é a luz que se propaga por toda parte.mesma. o diálogo comporta um dar e um receber. Y. por Cristo. .. mas tem uma responsabilidade histórica. 42 e 45. . e o repetem. a Igreja parece submersa pela civiIiza?ao profana. no itinerário dos homens! agora com o corazáo e com as máos. 142*ss. ES. Ad gentes. nao pode compreender a si mesma. do seu espirito recebemos a vida (S. senáo em diálogo com o mundo. 2nG B. nao um mundo qualquer ou abstrato. " história e da evolu áo do género humano. Queriniana. MONTINI. NA 2). para poder retomar com mais energía seu próprio caminho. nao ignora quanto recebeu da . tenta entrar em contato com esta sociedade. A Igreja. 1963.. em nossa história: uma Igreja . AG 11. Discorsial Clero 1957-1965. 2l4ClPRIANO De Catholicae Ecclesiae unitate.3Cf Lumen gentium. Por sua própria natureza. entre os seres humanos. 48. outras passagens do Vaticano II. . as aspira oes. . A missáo aqui é entendida como um ser com como "diálogo (cf. EV. nao menos que para Cristo. e faz escorrer bem longe os seus rios ricos de água: mas único é o ponto de partida. . 78-80. sinal e instrumento. La Chiesa. que nao Ihe é acidental. na verdade. espaiha por todo o mundo os seus raios. em favor dos seres humanos. CIPRIA" " quenas variazóes.-J. como diz o prólogo da Lumen gentium. que carrega em si uma destinagáo para além da Igreja. os sofrimentos. observando as carencias. pp. sem que a unidade do seu corpo seja comprometida. 1. Un popólo messianico. um aprofundamento da pró" " . sacramento di salvezza. UR). envolvida pela luz do Senhor. as esperanzas que estao no cora áo do homem 211 A Igreja. de se refazer. única a mae rica de muitos filhos: déla somos paridos. de se purificar. a Igreja procura o mundo. 312PAULO VI Discorso in apertura al secando periodo del Concilio. Ela senté entao a necessidade de se recolher... do seu leite somos nutridos. Sacrosanclum Concilium.

pretensiosa e apática. nao foi dar corajoso " inicio á reforma da Curia Romana. JDp. as vezes. na hierarquia. H. só juridicista e ritualista. um jogo de subdolosas ambújoes e de surdos anta- gonismos. : o legítimo exercício das prerrogativas episcopais. cit. WERNZ. no papa. como outros a acusam . Wernz. 93 . "uma burocracia. seja coletivamente. 151. 19I55.bastante objetividade a opiniao mais ou menos generalizada ' . " lus Decretalium. nao espelhava com i.. ' p.-X.Capítulo 9 TRANSigÁO DE UMA IGREJA CENTRALIZADORA A UMA IGREJA DE CO-RESPONSABILIDADE A Igreja anterior ao Vaticano II é reconhecidamente uma Igreja centralizada (e centralizadora): na Igreja romana. A interpretacjao que dava do Vaticano I o Despacho Circular da Chancelaria de Bismarck.6Cf. cui soli universas orbis terrarum datus esí in dioecesim (F. 501)... seja indivi" dualmente. de maio de 1872.2'5 Um dos primeiros atos de Paulo VI. t. Prato. X. É conhecida a infeliz expressáo de F. como erradamente a julgam. antes da abertura da segunda sessáo do Concilio. Tutío il Concilio giorno per giorno. o canonista que mais inspirou a obra de codifica ao do Código de 1917. por séculos. pars 2: lus Constitutionis Ecclesiae Catholicae. " ?216 Mais de uma vez e. a compreensao das re oes entre o papa e os bispos mortificou a natureza do episcopado e prejudicou . Diario del Concilio. | 2. p. teóricamente errónea. ex-superior geral da Companhia de Jesús: ao papa foi dado o munco inteiro como uma imensa diocese". II. FESQUET.

1110 A). "sie sind den Regierrungen gegenüber Beamte eines fremden Souverains geworden". CONGAR. La Lumen gentium". MAGISTRETTI Constitutionis Dogmaticae Lumen gentium Synopsh histórica op. 1109 C e Mansi 52. eadem ratione (um excessivo similiratione (um insuficiente "semelhan- hanget nur vom ihm ab sich auch in der Praxis in jedem einzeinen Augenblicke an die Stelle desselben gegenüber den Regierungen zu setzen" Die Bischofe sind nur noch seine Werkzeuge seie Beamten ohne eigene Verantwortlichkeit". cit. que a Igreja local é tal nao por suas dimensóes físicas ou por sua posi?áo económico-social mas pela celebra?áo eucarís. curial. que fica alguém constituido membro do corpo episcopal 2. que é. . p. o leigo tem tres presente o bispo ñas assembléias por ele presididas. juntar. b) a permanencia do oficio confiado por Cristo aos apóstolos na sagrada ordem dos bispos. como cabera do colégio episcopal. Vat. de um encargo. tica é em virtude da consagra?áo sacramental [ vi sacramentalis consecrationis ] e na comunhao hierárquica [et hierarchica communione: simples ablativo = ' ' na ou 'com a'] com a ca- be9a e os membros do colégio. cit. reunir).. que os bispos governam suas Igrejas como verdadeiros vigários de Cristo e nao como vigários do papa (LG 27). na Igreja.. M.a respeito?217 Nao retrata bem a realidade dos leigos antes do Vaticano II a piada daquele arcebispo francés que no . . tólica Igreja e que délas [ex] se forma a Igreja universal (LG 23). " " zwar eines Souverains der vermóge seiner Unfehlbarkeit ein vollkommen absoluter . por vontade de Cristo. 2l8Cf . assumem juntas! lugar os alunos de uma escola. Y. mas um grupo de pessoas solidarias no exerdcio 220Fixando o grau de analogia entre os apóstolos e os bispos quanto á colegiali" " " " palavra colégio vem do latim col-ligare.ao tornar inicio do século XX . 22 (onde sao integradas algumas das ciarificai. mehr ais irgend ein absoluter Monarch der Welt" (cf Collektive-Erklarung des . foi colocado por Cristo como cabera do colégio apostólico. nao indica em primeiro . prolonga também a estrutura colegial. no Conc. mas nao levavam sempre suficientemente em conta a posi?ao própria dos bispos na 95 94 . mas que nao encontraram eco no texto final) (Cf. que. que. Rela?ao oficial de Zinelli. da mesma forma o bispo de Roma. p. Trácela di studio. as quais efetivamente sao muito ligadas com a posi?ao do papa na Igreja. é posto. . . Estamos ainda bem longe do tempo em que Mazzolari dirá que a posÍ9áo do leigo é a pósito de pé". nao visa a mudar as prerrogativas do primado do papa. católica. 221 21 '"Durch diese Beschlüsse ist der Papst in die Lage gekommen in jeder einzeinen . presidida pelo bispo (LG 26). "er ist im Prinzip an die Stelle jedes einzeinen Bischofs getreten" . firmando-se em quatro argumentos: a) o chamamento e o envió dos doze por Jesús Cristo na " . segundo outros. . Diozese die bischóflichen Rechte in die Hand zu nehmen und die pápstliche Gewalt de uma atividade. sucessor de Pedro.que abre o n0 22 de Lumen gentium . portanto. p. dizia que. ist. 22. "und . juntar (ou. . ou grupo estável. 357). 7. unir. a Lumen gentium recuperou a colegialidade episcopal. .-J. 66). pari ratione que obriga.oes propostas " deutschen Episkopates betreffend die Circular-Despeche des deutschen Reichskanzlers hinsichtlich der künftigen Papstwahl" in: G. apos. d) " " " . e outros propunham " . Além disso. bispo de Treviso. SARTORI. com ajnáo no bolso para tiraLdaLo dinheiro que sustenta a hjerarquia?218 - visível naquele lugar a Igreja universal (LG 28). der jandesbischoflichen zu substituiren" stclichen aufgegangen " . em que o texto anterior dizia " und es idénticamente"). na dire áo do episcopado mundial. durante os debates do Vaticano I por Zinelli. na plena consciéncia de sua dignidade humana crista e eclesiall " . a Lumen gentium restaurará a dignidade das Igrejas locáis nao só mostrando que as particularidades . do poder central. ) o texto final . justamente. de colligere recolher.Lumen gentium. forma de um _ _ Em face disto. op. wie bisher. de joelho. sucedendo o grupo apostólico colégio 219 " enriquecem o todo da catolicidade (LG 13) mas que ñas Igrejas locáis [in] está presente a una santa.220 c) assim como Pedro escolhido dentre os Doze. . tendo como cabera Pedro._para-rec&ber das maos da hierarquia a hésíiaxonsagrada CLpela hierarquia. temente " " " . Reseryatrechte aus . portanto um corpas ou communio ecclesíarum. ALBERIGO. embora rompa com as formas históricas deste primado. de um dever. op cit. "Der dade (na autoridade). Schillebeeckx comenta que esta descentralizado . ]alons pour une théologie du laical. " ..recorreu a uma expressao média. a levar em conta os aspectos de unicidade "nao transmissíveis" na dignidade dos apóstolos (L. ligar junto amarrar. Papst übt nicht mehr. de um poder.9A " " " " " . que o presbítero . I: Mansi 52. " "toma ¿7 posi oes: sentado para ivir nhedientemeiit£_a-palayra de Deus explicada pela hierarquia. no magistério e no pastoreio. einzelne bestimmte sondern die ganze Fülle der bischoílichen Rechte ruht in seiner . "Die bischoñiche luridiction ist in der pap" Hand".cujo ministério tem uma substancia fundamentalmente comum com o ministério do bispo .F. que também os religiosos devem prestar obediencia e reverencia aos bispos por sua autoridade apostólica e em vista da unidade da a?áo pastoral (LG 45).

: LG 21) coroa a doutrina " sobre sua identidade e missáo . a prioridade comunitária.23. Epistula CXLVI.-J. mas nao sao do mundo (cf. profético e real de Cristo. além de um capítulo na Lumen gentium. mas verdadeiro sacramento. (L. mas ofereceu-lhe uma descri ao tipológica carregada de positividade (LG 31). . pelo qual se incorpora do ponto de vista lógico -. o que se explicitará nos nn. tendo a missáo de transformá-lo a partir de dentro e de lutar contra a malicia do mundo É " " . 5. mesmo justificadas. . o Concilio afirma que os leigos participam modo suo e pro parte sua da missáo de Cristo e da Igreja na Igreja e no mundo. As discussoes margináis que podem existir a esse respeito. cujo fundamento nao é.a contribuÍ9áo do Concilio nao foi menos significativa.15. comcQhristifideles\rra$as ao batismo. como corolário imediato. pessoal. tarefas dos fiéis . como se acreditou por muitos séculos por causa da opinio Hieronymi 222 um mero acréscimo de jurisdigáo conferido pelo papa ou imediatamente por Deus. A co-responsabilidade na Igreja L 15. como dizem erróneamente algumas traduces). para além da distingao orgánica e funcional da hierarquia e do laicato. ainda que elas nao a possuam de outra maneira senao por sua harmonía com as outras Igrejas locáis e com o papa como sucessor de Pedro. p . op.19. nao podem fazer perder de vista a significafáo de todo o capítulo Essa prioridade batismal atrai. Petrópolis.. determinada entretanto pelo próprio Cristo. Se me perguntassem qual o 'germe de vida' mais rico em conseqüéncias pastorais que devemos ao Concilio respondería . " " tudo o que devia ser dito em relagao á missáo. Jo 8. L'Église du Christ el l homme d'aujourd'hui selon Vadean II. É verdade que o Concilio nao deu uma defini?ao ontológica de leigo . Cada qual deve viver sua responsabilidade - . elabora a tipología do leigo no mundo. conseqüentemente a co-responsabilidade . a Evangelus. o ntílio-apresenta os leigos indistinta e positivamente . Vozes. . e em uniáo com eles " " . SUENENS.. SCHILLEBEECKX. 35 e 36 da Constituigáo.A afirma9ao solene da sacramentalidade do episcopado {"Docet autem Sacra Synodus " e leigas receberam um decreto o Apostolicam actuositaíem . in: PL XXVI. 1969. 22-23). Ao apresentar a Igreja como Povo de Deus o Concilio se situou de uma vez. uma vez que o centro de Roma se desloca para as comunidades de fé locáis: ñas Igrejas locáis.no sentido de 'universal' a Cristo ea-I l r-ese participa do múnus sacerdotal...impossível sem hesitar: a redescoberta do Povo de Deus como um todo como globalidade e. sabido que.11. pelo que a índole secular" resulta-lhes própria e peculiar mas nao exclusiva (ou "específica". " ' . ápice sacramental da comunica9áo do ministerio " . conciliar sobre o episcopado.16). 34. os leigos Igreja. 17. no nivel comum a todos: o batismo ' . a Igreja universal toma sua plena forma. cit. } de hoje. JERÓNIMO. " Na outra vertente . . Por último.a vertente laical . 1194 etc. 96 97 . que daí decorre para cada um de seus membros.14. e mostrando que os leigos estao no mundo. comparando-a com os clérigos e com os religiosos. (E. inserindo-a na de todos os outros fiéis. pp. idéia-mestra do Vaticano II ordenado. Commentarium in Epistulam ad Titum I. as funfoes ás dos balizados. É por isso que podemos falar de uma descentraliza?ao do papado.. A co-responsabilidade. A decisáo de inte- grar á constitui ao Lumen gentium um capítulo II consagrado ao Povo de Deus' sancionou o desejo do Concilio de basear sobre a condigao crista 'comum' . 127). . p. in: PL XXII. Em segundo lugar. Em primeiro lugar. 222Cf S. 562-563.

ACERB1. De Smedt. como servido ao mundo.223 A solicitagáo de Joáo XXIII nao ficou sem eco. de modo que a Igreja pudesse aparecer e ser procurada . que se esforgasse - " . Due ecdesioiogie. do juridismo. pastoral. " .Capítulo 10 DE UMA IGREJA IN STATU GLORIAE A UMA IGREJA ÍNITINERE HISTORICO Joáo XXIII. A sua razao de ser era a retomada da resposta ao mandato missionário de Jesús. um espirito novo. na radiomensagem a que já nos referimos. A A. externamente. " " . do triunfalismo 223Cf . a Igreja deveria ser apresentada como mistério da vida de Deus entre os fiéis.como verdadeiramente é. no estilo. o mistério da vida e da agao de Deus entre os seres humanos. a finalidade do Concilio nao devia ser a mera repeíigáo das doutrinas tradicionais ("para isso nao seria necessário um concilio ) mas uma formulagáo nova da doutrina. levantava a voz para chamar a atengao da Igreja para seus deveres para com toda a humanidade. No dia 3 de dezembro de 1962. ñas formas e propor95es de um magistério de cunho prevalentemente pastoral Internamente.ad in" " tra" e "ad extra" . para apresentar a Igreja de modo compreensivel e amável. Conseqüentemente dizia o Papa no Discurso de Abertura do Concilio -. op. 99 . cit.. dizia que o Concilio devia assumir o compromisso de apresentar a Igreja como lumen gentiwn". o bispo de Bruges. especialmente o de proclamar a liberdade de consciéncia de todo ser humano e o de combater " a trilogía do clericalismo. 151-152. pp.

Montini. 126-127. assuma o tema da Igreja lumen gentium" nao só como cen" tral. P. 222-227. ram justamente o caráter unilateral. numerosos Padres critica- Igreja pobre e serva. Marty. respondendo á pergunta do mundo: Igreja. o que dizes de ti mesma? . Hengsbach.. pp. insiste exageradamente na visibilidade do corpo místico. // diario del Concilio. mas como organizador de toda a sua ampia agenda. F. . coordenado por Philips. todas as questoes do Concilio poderiam organizar-se em tomo de dois pontos: o que é a Igreja. Lercaro. Logos Lisboa. 100 101 . 2!0Assim. Por isso é desejável que "a doutrina da Igreja. Máximos IV Saigh G. II.-J. 195-196. ela afasta as pessoas 4 . Acta synodalia IIV. ACERBI.. . Segundo o futuro papa. Barrachina Estevam A. procurando os caminhos para a realizagao da missáo da Igreja no mundo contemporáneo. pp. mostré a Igreja embebida de espirito evangélico isto é espirito aberto e realmente católico. cit. . 994-995). p. Lercaro (cf. 1964. Ibidem. Ghattas. Koenig. op. G. identifica a Igreja com os membros sujeitos á Igreja. pequeña gloria e usa exageradamente adjetivos superlativos preocupada mais com o prestigio do que com a verdade. CONGAR . pp. atendo-se á radiomensagem de Joao XXIII. Acia synodalia IIV) 23lCf . Ritler L. J. Anee!. III. ao anuncio do Evangelho e á comunháo de vida em Cristo 230 .229 O aparato institucional deve estar subordinado . " " dele. A Igreja é hostilizada por muitos por causa do modo como se apresenta. em vez de conduzir a Cristo . G. arcaico. in: Acta synodalia 1 IV. Ecclesia". pp. FESQUET. a partir daí. A. cit. espirito de humilde dedica áo e servido" 228 O Concilio devia ressaltar mais o aspecto místico do que o lado institucional da Igreja. Y. Frings. pp. F . B. Acerbi observa que. nao pastoral Cí. Liénart. ]. Acta synodalia IIV). cf. o Cardeal Ottaviani . por exemplo. No caráter abstrato e na unilateralidade da visáo jurídica e no seu caráter triunfalístico e clerical eles . . M. certamente influenciou em sua discussáo. op. ufana-se de qualquer da exposi ao. de la constitution dogmatíque sur l'Église". Kozlowiecski (cf .. 291-294. ).224 No dia " " As vezes. . . durante a discussáo do esquema. com seu estilo pomposo e viam um obstáculo para ser compreendidos e aceitos pelos homens de boje e pelos irmáos separados e para promover na Igreja urna renovafáo da fé profunda e eficaz" 227 Muitos.223 No dia 5 o Cardeal Montini assumiu a proposta de Suenens e a fez avanzar.Igreja apresenta-se muitas vezes de maneira pouco evangélica. ' ' J. espirito missionário. F. Igreja" e que "nao há nenhuma distintió real entre a Igreja católica romana visível e o corpo místico de Cristo que é a Igreja" (. com um otimismo desproporcional. propoe que o Concilio.226 Em aten áo a estas propostas e a pedido de muitos Padres Conciliares. 154. redigiu o documento: Ce que nous attendons et espérons " A apresentagao da Igreja como corpo místico é por demais bellarminiana. . 376-377.Acta praep. escolástico. e o que faz a Igreja. numa palavra. um grupo de teólogos. in: Acta synodalia IIV. . jurídico. 225Cf 226Cf . HUYGHE. pp. abrir o diálogo com o mundo sobre seus problemas graves e urgentes. identifica o corpo místico com a Igreja visível. 131-133. distribuido antes do inicio da discussáo do esquema preparatorio " " De 227A 228G . . o resultado é que náo se trata senáo da Igreja católica romana. A. apologético. O primeiro passo seria sobre a consciéncia que a Igreja tem de seu mistério. 229Assim. . na verdade ignoram ou combatem a Igreja. . F. que. O bispo de Bruges exemplificava com L'Osservatore Romano e certos documentos romanos. seria necessário abrir espaíjo para a idéia de "povo de Deus" que exerce como um todo a sua . que durou do dia Io ao dia 7 de dezembro. Na relaijao á Comissao Central.. . pp. Suenens. náo ecuménico..231 a concepfáo de Igreja presente no esquema diz respeito quase só á hierarquia. . . Due ecclesiologie. o Cardeal Suenens. intolerável num mundo que nao é mais o dos reis cristianíssimos há muito engolidos pela historia. .apelando-se á Mystici corporis e á Vehementernos-declarou que os critérios da Comissao teológica para a redaijáo dos dois primeiros capítulos tinham sido que "Cristo quis a nossa salvado por meio da uniao de cada ser humano á sua pessoa teándrica mas Cristo quis também que sobre esta térra aquela uniáo nao se desse senao num organismo social que chamou de sua .

Mas a Lumen gentium nao ficou ai. "Mistério" é o designio salvífico do Pai escondido pelos séculos em Deus e agora manifestado no Filho (ICor 2. como suspiraram os místicos e as místicas. mas de tres "situa óes" de uma mesma e única Igreja). do ministério. á medida que pode contribuir para . ainda que de modo escondido). Na pequenez dos nossos sinais. 232Assim. op.. . .10. Dopfner. como fizeram os Padres. a melhor organizagáo da socledade humana interessa multo ao Reino de Deus" [Gaudium el spes. Diz mais a igualdade de todos os batizados que a superioridade de uns sobre outros por causa do carisma.uma restaurado (At 3 21: cmoKaxaoraoig) mais ainda uma recapitula?ao de todas as coisas em Cristo . que comegava justamente apresentando a Igreja como mistério e mais tarde.0 48 em que se sublinham o valor central da esperaba.234 a partir de um texto autónomo sobre a devo áo aos santos. ' . Mas se deixa aproximar por imagens várias e acu" " . nem só da Igreja nem mesmo apenas da humanidade mas e aquí temos um ensinamento conciliar inédito . 49-5!. a esperanza de "novos céus e nova térra" nao dispensa antes estimula o compromisso (estamos envolvidos na preparado do Futuro contribuindo a prefigurálo e a antecipá-lo seja sinalizando a diferenga [monges]. Será . que já consegue apresentar certa prefigurafao do mundo futuro Por conseguinte. Hb 11. in: Acta synodalia IIV. embora o progresso terreno se deva cuidadosamente distinguir do crescimento do Reino de Cristo todavía. Povo de Deus diz a iniciativa de Deus mais que a prerrogativa humana. Diz a Igreja entre a Ascensáo do Senhor e sua gloriosa Parusia ("inter témpora"). os sacramentos como promessas que antecipam a realidade esperada. mas antes ati. . O mistério nao cabe em conceitos claros e distintos. Além de acenos pontuais á escatologia. cit. a relagao fecunda entre o aspecto individual e o aspecto social e cósmico dos eoxotra (o destino dos individuos está dentro do destino do universo.maternidade e em cujo seio e a cujo servido se encentra a hierarquia. encarnando sinais do Reino na história) 236 . ao abracar o Esquema Philips. análogamente nao se deveria falar de tres "Igrejas" . ). Koenig. A Igreja faz parte deste designio e. 2Pd 3.19). - . P. peregrina com os peregrinos. seja . os Padres introduziram um capítulo.pelo ser humano . o VII.10-13: avaKEcpaXmcooig). longe da Pátria. assim. Ritter. da história como "sementé do Futuro" (o "ainda nao" nao é uma Igreja histórica". Diz mais a missao no mundo [da térra. 235"De consummatione sanctitatis in gloria sanctorum (Card. índole escatológica da Igreja peregrinante". e a Igreja como sinal e dom global da realidade que se espera. Larraona). . Schoiswohl. como faz a Escritura. 39). sobre a A Igreja nao terá seu cumprimento senáo na glória celeste.de todo . totalmente distante e totalmente diverso " no .235 " var a solicitude em ordem a desenvolver esta térra onde cresce o Corpo da nova . Seper. que recebeu uma nova ótica. 32. {pars pro toto) que a auto-satisfa áo (eleigáo como fim em si mesma). . Richaud. dada pelo n. 233L SARTOR!. La Lumen gentium. . intimamente unido ao ser humano . Dizer mistério é dizer impossibilidade de definir a Igreja. . muladas. F.20. p. enfraquecer. .232 O Concilio acolheu essas críticas abandonou o Esquema preparatorio e. " mas se faz presente já". Na fragilidade das nossas palavras. F. da Igreja: "nonnisi in gloria caelesti consummabitur" 102 103 . ao colocar o capítulo sobre o povo de Deus logo em seguida ao capítulo sobre o mistério da Igreja deu as guiñadas fundamentáis para a supera?áo de uma Igreja "gloriosa" por . (Ef 1. I. " A dupla expressao negativa enfatiza o caráter precárlo da realidade presente . Traccia di studio. da fungáo. 234Cf Lumen gentium. Diga-se algo semelhante de "povo de Deus". Cl 1.7). a fé como seu fundamento (cf. o cosmos. A acolhida da escatologia pela Lumen gentium ressalta conseqüentemente alguns aspectos importantes: a valoriza9áo . . do purgatório]. . J. familia humana. a caminho. do céu. deste progressivo revelar-se e dar-se de Deus 233 Na limita?áo da nossa natureza.237 Esse cumprimento nao é só de individuos isolados . Princí2j'6"A expectativa da nova térra nao deve porém. .

que tem a sua origem no amor do eterno Pai fundada. pois já foi inaugurada em Cristo e por Cristo. Capítulo 11 A TRANSITAD DE UMA IGREJA DOMINA. por Cristo Redentor. Omnes enim Deus in suos eiegit. enim graece. ser renovada em Cristo e transformada em familia de Deus " {Gaudium et spes. Fruto do Cristo glorioso nao é só a Igreja. a qual deve . cit. ela traz em si a figura deste mundo que passa mes. seu corpo e sacramento. . et dedilum contempiationi et orationi. Imersa na historia. ela geme e sofre como que dores de parto esperando a gloriosa manifestado dos filhos de Deus (Rm 8. cessare convenit. cuja santidade é verdadeira. Mas ela existe já atualmente na térra. e reunida no Espirito Santo tem um fim salvador e escatológico. SARTORI. His licet temporalia 105 104 . Gregorio VII o faz com a reuniáo .238 A Igreja caminha com toda a humanidade para o shalom A Igreja. participa da mesma sorte terrena do mundo e é como que o fermento e a alma da sociedade humana. composta de homens que sao membros da cidade terrena e chamados a formar já na historia humana a familia dos filhos de Deus.11): a renovado final já come ou e está irrevogavelmente dada na Igreja. no tempo. La Lumen gentium. Seus pródromos sao Ivo de Chartres e Graciano de Bolonha. id est sorte eieeli. o Direito Canónico.. a qual deve crescer continuamente até a vinda do Senhor. O historiador da eclesiologia percebe uma nítida diferen a entre a Igreja dos Padres {grosso modo. o qual só se poderá atingir plenamente no cutre mundo. quod mancipatum divino officio. MATER ET MAGJSTRA A UMA IGREJA SERVA mo nos seus sacramentos e ñas suas institui óes. o Ressuscitado age também no mundo para encaminhar a humanidade á meta da restaurado universal. latine sors. Pedro Damiao e a outros canonistas .pió dinámico do cumprimento é o Ressuscitado.. Embora os grandes escolásticos (alta Idade Média) sejam ainda fiéis á visáo antiga. Et hoc designa! corona in capite. surge e desenvolve-se uma disciplina universitária nova. KAripoi. do século II ao século VIH) e a Igreja Moderna (final do século XVI. um elemento novo entra em " .. Traccia di studio. Inde hujusmodi homines vocantur clerici. ainda que permanega em esperaba para o conjunto das criaturas. na última fase dos tempos (ICor 10.19-22). id est se et aiios regentes virtutibus. que age com e no Espirito Santo. sim. 40). Mas só no mundo novo a Igreja será perfeita. Aliud vero est genus christianorum ut sunt laici. op. ado desde o fim do século XI: os papas da Reforma gregoriana nao viram outra possibilidade de libertar os padres do nicolaismo e da simonía. 238Cf 103-107. Esta eclesiologia nao era outra coisa senáo um tratado de direito público eclesiástico em versáo apologética. ut sunt clerici.grayas a S. et Deo devoti. ao lado da teología. Aaog enim est populus. embora imperfeita. Esta restaurado nao é vazia no presente.. É desta maneira que.de todos os textos que pudessem reforjar a autoridade papal. enquanto vive no tempo. pp. e de libertar a Igreja das máos dos poderes seculares senáo reforjando o papado. videlicet conversi. LG 48. Hi namque sunt reges. com todas as criaturas. senáo mesmo final do século XIV). Est autem genus unum.239 Nao tardará para que o Direito 239"Duo sunt genera christianorum. caminha juntamente com toda a humanidade. Estamos. et ita in Deo regnum habent. L. ab omni strepilu temporalium.

cit. Cittá Nuova. os bispos de Cesaréia e de Jerusalém o convidaram a pregar ñas igrejas. 107 106 . In Mathaeum 16. VII. particularmente para os senhores temporais. p. sedpraelatam ut dominam ) 244Cf ORÍGENES. p. experimentou em sua própria carne o que significa ser leigo: O célebre mestre alexandrino nao era " incomensuráveis: "favoreceu um velho instinto coisista e muito pouco espiritual. pela materialidade da prestado pedida obrigatória. a ética. mas. e os bispos recorreram a Aureliano. por volta de 216. . presbítero. de modo geral. estar em regra com a leí. temos de considerar as insignias e os títulos. de Orígenes. canonistas. justamente por ísso. 127-129. Mestra . - Se é pelo exterior que as pessoas conhecem o interior da Igreja. de qualidade interior e de compromisso da " . . a liturgia. provocando estragos seu nome . nao permitem que os demaís cristáos e cristas Ihes dirijam a palavra em pé de igualdade. todos os papas foram . C . Este juridismo penetrou a teología.678]. os dois poderes sao como que os dois bra?os . Nihil enim miserius est quam propter nummum Deum conlemnere.C. Esta escalada do Direito serviu aos papas nos seus embates com os poderes seculares Nesses séculos da . avanfa para dentro da própria teología pondo a questao . . GASPAR. . . decimas reddere et ita salvari poterunt. . .. fez construir . 241 Y M. oblationes super altana poneré. . Petrópolis. das condi des estritas em que urna coisa ainda pode conservar o ser válida. op. satisfazer a uma obriga ao. por sua vez. ou seja. . 81. . a eclesiologia parece nao ter outra preocupagao senao a defesa de seus . 127. 243A FAIVRE. pela atitude pessoal profunda de quem. por conseguinte. " direitos" perante o poder secular freqüentemente invasor ou rebelde. " cristandade" . Paulo de Samósata.-). O cristianismo primitivo tem pessoas insignes.243 Orígenes relata que os líderes da Igreja. His concessum est uxorem ducere terram colare. Os leigos ñas origens da Igreja. virum judicare causas agere. q. 298 ("Non ultra putet sanctam Ecdesiam sibi subjectam " . á imagem da Igreja-Esposa lida num sentido muito particular: em sua qualidade de Esposa do Senhor a Igreja [leia-se a hierarquia] é para os fiéis mas. IV 3. para si um trono elevado. achando indecente que um leigo fizesse homilía diante de bispos " . Ao Imperador Henrique IV Gregorio VII dispara seu famoso: "Ecclesia non est ancilla. . . 240Carta aos bispos. Igreja serva epobre. 242Ibidem. chamam maís a ateneo. sed non nisi ad usum. inter virum et . 7. Alexandre de Jerusalém e Teoctisto possidere. E. . para remové-lo da sede de Antioquia. Mas há excegoes que. Máe e . ut ancillam.2W neste contexto. de um mesmo corpo dois "ministérios" de urna mesma societas christiana O sacerdocio . nao pelo sentido das coisas 241 O espiritual sofre uma degrada áo. p. sed domina" . o jurídico nao tinha autonomía em relajo á espíritualidade. . O Direito Canónico nao se contenta com desenvolver-se ao lado da teología mas. Ele protestou e mandou Orígenes regressar a Alexandrina. ele aprendeu á própria custa os inconvenientes desta situado. 1992. pelo menos com a sua letra e com a autoridade. Recorre-se em relajo á antropología. bíspo de Alexandría e. nao .244 Aliás o genial Orígenes. na passagem do século XIII para o século XIV. Embora honrado e consultado de todas as partes. A rea9áo de Demétrío. pp. em virtude do qual o homem se interessa pelo rito. 2001.quer dizer o papado . como óióagfcaAog leigo. 1) [Friedberg.25. 1. . durante uma viagem á Palestina. entre tantas outras coisas. Vozes. pessoa. CONGAR. imperador pagao. XII. em coisa de alguma forma tangível e manípulável 242 . duques e condes da Alemanha (3 de setembrode 1076): Reg 243EUSÉBIO DE CESARÉIA Storia ecclesiastica. sobretudo ñas grandes cidades. nao se fez esperar. si vitia tamen benefaciendo evitaverint" (Decreto de Graciano . Roma. entre os aspectos senhoriais de sua fisionomía. O prestigio eminente dos líderes dispensava mostras e meios exteriores de prestigio. para além da satisfaijao de uma divida compromete também o seu 'corado': interessase pelas condiijóes legáis mínimas de valídade necessárias para . 245 contra o que se levantaram. quando. principio de indiscutível autoridade .Canónico suba ao trono pontificio: a partir de Alexandre III (1159-1181) por dois séculos. 30. ed.

GAUDEMET L'Église dans l'Empire romain . o Arcebispo de Mainz chegou com um séquito de 452 pessoas e o de Saizburg. Império para conduzir á obediencia os donatistas obstinados os bispos sao assimilados aos Ilustres e tornam-se funcionários do Estado Até há pouco e desordeiros. a média de acompanhantes por prelado é de nove (cf. imperatoribus fieri solebat (?L 165. em rela ao ao papa imitam-se de Bizáncio a prosterna áo (KpoaKiveoig) e o beijo dos pés.249 Do período feudal (que se sustenta sobre o binomio térra e desigualdade) vém os títulos "Senhor". ut puto. 59 (n. X. (p. desde Gregorio VII. Étude sur les insignes da Pontife dans le rite romain Histoire et Liturgie. PEDRO DAMIÁO. a stola e os direilo de usar as insignias imperiais" (quod solus [papa] possil uíi imperialibus insigniis). Roma. curiam Romanorum c . VI. introduzem-se a genuflexáo e as incensa oes. XI): "Summus autem Pontifex propter haec et regnum portal (sic enim vocatur) ut purpura utitur non pro significatione. LECLERCQ. quae sedes esí Apostolorum antiquam debet imitare . a que se acrescenta a liara com trés aros {corona ou regnum) que se distingue da mitra comum. honras prestadas. "aprenda pois. in: PL 145. Vita Constantini III. adotam-se as insignias imperiais: a mitra redonda e branca (phrygium) o manto umeral. Em seu arrazoado . Bernardo lembra que: "aquilo que agora se . escrevendo ao 246EUSÉBIO DE CESARÉIA Storia ecclesiastica. de uma apropriafáo e imita?áo de objetos de decoro dos altos funcionários imperiais: o palium que . Gregorio VII faz questao de afirmar que "só o papa tem aparece no Oriente e no Ocidente no século V. op. heráldica. sed quia Constantinus imperator olim beato Silvestro omnia Romani imperii insignia íradidit unde in magnisprocessionibus omnis Ule apparatus Pontifici exhibetur qui quondam. ). os cacados pontificáis. . por exemplo justifica o recurso á for9a do . EUSEBIO DE CESARÉIA. insignias. Contra philaegyrium. 230Ao Lateranense III. nao conferido jm poder" (p. 108 109 . incontestavelmente o maior dos seus [de Cristo] servidores " 248Th KLAUSER. o chamado triregnum. além das vestes. . o Cardeal Gonzaga levou consigo . . P. "Conego". "Bispo-Conde" dos quais restam apenas vestigios de indumentária e certo ar de prestigio. 19) . nome dado ao antigo phrygium a partir do século . seu ex-aluno.de Cesaréia. pois "a autoridade te foi dada para que partilhes e nao para que mandes" (p. 20). (.250 Bonifácio VIII (1294-1303) introduziu a tiara de tres coroas. o famoso De consideratione. calcados vermelhos. . 1108). Sinal de prestigio. a túnica vermelha todos os ornamentos imperiais. 1955. provavelmente da mesma época 248 Na época merovíngea e carolíngea quando a influencia germánica levava a traduzir em gestos (entrega ou contato de um objeto significativo) a intenso do que se pretendía fazer sao introduzidos o báculo (ou férula").. 1958. ou seja. . 1942. Opuse. cit. Paris. . Papa Eugenio III [ 1145-1153]. S. 160 pessoas. O bispo Optato de Milevo. os bispos véem-se de repente sentados á mesa com o Imperador: Tem-se a impressáo de que se foi transportado ao Reino de Deus 247 As insignias mais antigás provém nao há porque nao " . S. Herfsttij der Middeleeuwen. ao Concilio de Trento. guia-o numa exigente meditafao sobre o servido por este assumido: todo homem te considere o maior. o anel (cujo uso se espalha no século XII) e a cruz (Espanha Franca. . " 7. Paris. nao só se alteraram as condi oes de vida da Igreja mas es. incluindo o cetro . foram inegavelmente os séquitos. perseguidos. Comenta Bruno de Segon (séc. enquanto o Cardeal Fornece veio acompanhado de 350 servidores. Der ürsprung der bischóflichen ¡nsignien u. 17). 1-9. Idem. Bernardo [+1153]. . 19. 1948. . 17-18. simbolizando a unidade da Igreja estendida á unidade do mundo: verdadeiro imperador ecuménico é o papa. desmitificar. " . [ean de Paris et l'ecclésiologie du XIII siécle. 540). . "' . D. nao queira sujeitar outros homens. "deves ocupar este primeiro lugar para servir". . 21.252 A respeito. os prelados vinham com 20-30 cávalos em média. argumentando que "onde se encontram homens capazes de fazer bem aos irmáos eles sao convidados pelos santos bispos a dirigir a palavra ao povo 246 Mas o mal-estar . Na outra margem. com 260. " o senado e os legados papáis. . " . . (S.. " Romana Ecclesia. 1924]). 21). Roma). estava criado! outorgada por Constantino. 25lCf [.. SALMON. foinos imposto um servido. t:Monsenhor".251 Do Renascimento herdou-se grande número das formas do cerimonial e do decoro da corte pontificia e dos servidos papáis. que. do " " . HUIZING. . Storia ecclesiastica. a quem compete reger a unidade do universo. chama-se Curia. 5) e seguintes. (IV-Vsiécles). Ehrenrechíe Bonn. " . . cf. \9\9 [The waning of the Middle Ages. aquelas introduzidas no século VIH: o manto vermelho. "aja como servidor. 31. pp. " XI. ' No Dictatus papae. Com a "libertas Ecclesiae" pecialmente os privilégios e as honras da hierarquia. te sujeitarias a mil iniqüidades (p. ao de Constancia.

sevem acumulando sobre o trono de Pedro" (H. " " " . .. aspirando livre e ordenadamente ao mesmo fim. 5. lugar" (JOAO XXIII. " . p.. Desde . Vicenza. desde Constantino. BERNARDO Consigh q un papa. 13. 255Cf M. " . . Livraria Duas . imperial.. 54-55. in: Calholicisme. ' Gaudium et spes. coberto de ouro. cit. 132).. aproximando-se da janela e fazendo a menfáo de abri-la. . 9-10.262 Diferentemente da Igreja de épocas passadas. 254Ibidem. Há que sacudir a poeira imperial . o que exigem as necessidades dos tempos" (p 22). se vos amardes uns aos outros (Jo " . o meu ingresso no sacerdocio. Em todas estas coisas tu pareces ter sucedido nao a Pedro. de amor e de servido 260 O Vaticano II consagrou a Igreja do servido. "de forma alguma pretende a Igreja imiscuirse no govemo do Estado. op. mas um dever" (p 25).. 259 Para os homens e as mulheres de boje. "os cristaos nada podem desejar mais ardentemente do que servir sempre com maior generosidade e eficacia os homens do mundo de hoje". " Cidades. montado num cávalo branco . " exemplo do profeta a estar em primeiro lugar nao tanto para dominar. p. NOIROT. 263/ld gentes. Igreja serva e pobre. cit. 22. p. CONGAR. esses símbolos todos preciosas. com aten ao. 25) (S. nao é de um maravilhoso hagiográfico nem do brilho de um cerimonial que virá o atrativo para a Igreja. cit. para servir e nao para ser servido 26' Lembrados das palavras de Jesús "nisto reconheceráo todos que sois meus discípulos. 29 e 43. .. de .35). 258Y . 152. que. p. mas muito mais do fato de encontrar nela a verdade da relajo espiritual de " . FESQUET. antes se chamava igreja Romana 253 e que ninguém refere que [Pedro] andasse ornado de pedras " " nao deviam ser neutras. 1985). " . 31 de dezembro de 1930: Acta Appstolicae Saedis (1931) p. . mas um deles. Ele estava interessado em "sacudir a poeira imperial que foi caindo desde Constantino sobre o trono de Sao Pedro". Espero que traga um pouco de ar puro. que o ditador dava aos seus prefeitos 256 Joao XXIII. Com efeito. Vao é ir procurar noutro .. um rumoroso séquito de criados. V. XXIII do Concilio? Sobre este complexo assunto explicou-se ele profusamente Mas um dia teve este gesto e estas palavras tao eloqüentes na sua simplicidade franciscana: O Concilio? disse. 93. tém o valor geral de um sinal que exprime outra coisa que o servido evangélico ao qual sao votados. irmáo dos que amam a Deus e companheiro dos que o temem 254 Em tempos recentes depois de " . 2"SÁO BERNARDO Tractatus de ecclesiasticis negotiis. ajudada por Deus 263 Os ministros da Igreja. Fioretti do bom Papa ¡oáo. col. . Nela. 110 111 . . . Nao reclama para si nenhuma outra autoridade que a de servir aos homens caridosa e fielmente. p. 2""É na simplicidade que se encentra o natural o divino está no natura!. e apenas nela está tudo. p. Com efeito. 188. Ela se coloca a servido do homem: nenhuma ambi?ao terrestre move a Igreja. . 12. 13). guiada pelo Espirito Santo. in: PL 194. FESQUET Fioreíti do bom Papa Joño. para salvar e nao para condenar. 256Cf Decreto da Sagrada Congrega?ao dos Ritos. terrestre. col. che" .. . mas a Constantino E mais adiante: Lembra-te que a Igreja romana é a mae nao a dona de todas as outras Igrejas. " " . "o título de bispo exprime nao urna autoridade. 259Y J. que veio ao mundo para dar testemunho da verdade. . quanto para fazer. "nada é mais claro: o dominio é interdito aos apostólos" (p. servem seus irmáos para que todos os que formam o Povo de Deus e portante gozam da verdadeira dignidade crista. 1964. Excelencia". na base de uma auténtica e exigente atitude evangélica de fé viva. Catholicisme. .. Lisboa. M. em sua santa e pacífica simplicidade. revestidos do sacro poder. comunháo com os outros. continuam a transmitir uma significa ao de prestigio de tipo exterior. 267Gaudium et spes. .. .chama cúria Romana. op. senhorial. verdadeira.257 nao sentía a necessidade de competir com Mussolini. ¡greja serva epobre. op. 260Ibidem . vestido de seda. 155. !V. "trono" . 156. Daí resulta que nao és senhor dos bispos. " San Bernardo" di Thomas Meríon La Locusta.258 As palavras escolhidas "poeira imperial" Constantino".-M. de obediencia interior. "Que esperava Joáo . ela pretende somente uma coisa: continuar a obra do próprio Cristo. in: H. me pus á disposifao da santa Igreja Servi-a sem ansiedade nem ambifoes. de ora?áo ter adotado o título bizantino de "Eminencia" 255 o cerimonial eclesiástico foi buscar no vocabulário de Mussolini o título de .-J. rodeado de soldados ou acompanhado por . CONGAR.

Ao lado dos títulos permitidos de 'irmáo' e 'servo'. com generosidade maior e mais eficaz 275 A respeito de honrarías e similares. " . 'Dom'. recomendado de Mt 20. 'gentil senhor' (euerghétes) da mesma ' ' maneira contra Le 22. e o que manda como quem serve (cf. como puro servidor pode deixar perceber através de si o Senhor que está ácima dele. . e no meio deles se comportem a exemplo do Mestre que entre . . " 264 Os " . 20. " " . MLumen gentium 18. cf. A maior parte desses títulos contradizem uma expressa proibi?ao do Senhor: Padre'. 272Perfectae 14. 270 Devem presidir de tal forma ..13. ñas Sagradas Escrituras. "' Presbyterorum ordinis caritatis . . que ele. münitatis redintegratio 7. "lembrados da palavra do Senhor: 'Nisto todos conhecerao que sois meus discípulos.. é um verdadeiro serviío. ' " 274 . Le 22. " . "no exercício de seu oficio de pai e pastor estejam no meio dos seus como quem serve 269 Os presbíteros.25.271 Os superiores religiosos. servir-se uns aos outros e aos demais fiéis. 24. cessidade da conversáo: " 11.. .. ' . . . Enfim. 'magister' contra " . 112 113 . 'pater'. duma humildade e mansidao no servir. 26iLumen gentium 32.35). Há quanto tempo. em espirito de servido exer9am a autoridade em . Jesús Cristo . os homens nao veio para ser servido mas para servir e dar a vida em redengao por muitos (Mt 20 28)". 'doutor' (em sentido eclesiástico) contra Mt 23 10. 2tlLumen gentium. o Senhor confiou aos Pastores do seu povo. e uma atitude de fraterna generosidade para com os outros 275 Os bispos conhecem a matéria-prima a ser trabaIhada e as metas de abnegado a atingir: "Conveníjam-se os estudantes uma vez por todas que nao é ao poder e as honras que eles se destinam. ITm 1.. . continua-se ainda . estilos próprios do contexto em que vivemos Por isso.nao procurando o que é seu mas o que é de " .19. mas que se abandonem totalmente ao " . " . Idem 28 e 29. ' ' ' ' .267 Devem lembrar-se de que "quem é o maior deve portar-se como o menor. 21. ' ' nhor ' ) contra Le 22. 9. 'meu senhor' ('monse. 210Lumen gentium 28. .12)". que. depois do fim do feudalismo em que havia bispos imperiais e bispos-príncipes. Rm " " implorar ao Espirito Santo a gra a duma sincera abnegado.9. 21iGaudium et spes. " . 9.25.que conjuguem seus esfor os com os fiéis leigos.26-27) 268 Os bispos especialmente devem saber que. 2MChristus dominus 16.8. se vos amardes uns aos outros (Jo 13.26s. seguindo o exemplo do Senhor.. . . 93.265 Bispos. 'mestre'. a missáo que . em todo caso entraría em questáo 'prelado'. . .guem á salvado pastores da Igreja sao convidados a. significativamente se chama diaconia" ou "ministério" (cf. de forma a exprirairem a caridade pela qual Deus os ama. 'abbas' papa abbé estáo contra Mt 23. os cristáos nada podem desejar mais ardentemente do que prestar servido aos homens e mulheres do mundo de boje.25. At 1. 26aLumen gentium 27. pois que exprime objetivamente o oficio da presidencia desde que qualquer vigário ou capeláo também tenha direito a ele. Quanto mais se atribuem títulos de dignidade tanto mais se toma opaco. servido de Deus e ao ministério pastoral.17. mOptatam totius. 'don'). senhor {'dominus'. o Concilio lembra a ne" . Lumen gentium. . que formam com o hispo um único presbitério sao chamados para servir o Povo de Deus. . excelencia e 'eminencia' contra a . Hans Urs von Balthasar tem palavras de fogo: A dignidade está nisto: Cristo cria no sacerdote tal transparencia. favor dos irmáos. Mt 23. . Dirijam os súditos como filhos de Deus e com respeito á pessoa humana 272 Nao se nasce com o espirito de servicio É necessário contrariar tendencias egoístas enraizadas em nossa natureza e condicionadas por estruturas idéias. . presbíteros e diáconos "receberam o encargo de servir a comunidade 266 Com efeito.

A "conversao" de Constantino . Se nao se pode exagerar. que ele nao desdenhe ser o servidor de todos. Seja como for. Morcelliana. para saber quem era o maíor (Le 22. de modo algum desejada.quer dizer um novo na fé . AGOSTINHO ' . Por isso. URS VON BALTHASAR. o cometo e a origem de todos os pecados. Paoline. nao tinha escondido que esta distinfio edesial. o Apostólo. com os sucessivos " editos de liberdade . entre as outras virtudes episcopais recomenda a humildade. Seria ele o santo imperador retratado por Eusébio de Cesaréia ou o hábil político que percebeu que o poder absoluto nao subsiste sem a sustentado da religiáo dominante? Entre os dois " " " " 276H " . - Sermo 32. também nós devemos falar. A. Aquele que está á frente do povo deve antes de tudo compreender que ele é o servidor de todos. em 313 . Multas vezes se pensa que "a partir deste momento é que os bispos fariam papel de príncipes. pois o Senhor dos senhores nao desdenhou coiocar-se ao nosso servido. 363).. GUERRIERO. médico.24). estava lá e reprimiu sua inflamagao. pelo dom da misericórdia divina.. no texto cuja leitura acabamos de ouvir. segundo o seu biógrafo. seja para vos instruir. Aos amigos. é certo que a chamada era constantiniana abriu perspectivas novas para a vida da Igreja e para as institui oes eclesiais. " " extremos do espectro cabem multas nuan as. que precedentemente já havia recusado a nomea?ao desta vez julgou que devia obedecer ao convite do papa. nao. e escrava. e ele acrescenta: Nao um neófito . " - O reconhecimento do cristianismo [como religio licita] talvez 115 114 . urna espécie de desejo de grandeza. Sponsa Verbi. grabas ao provimento de privilégios que recebeu e que foi acumulando ao longo dos séculos. 385ss. o primeiro mal. Ele mostrou-lhes numa crian9a o exemplo da humildade.que. fenómenos de poderes se imiscuiriam ñas comunidades cristas. Hans Urs von Balthasar.. entre os apostólos. Balthasar.luta com o Império Romano em busca da libertas Ecclesiae". seja para nos exortar a nós mesmos. " A UMA IGREJA SOLIDÁRIA COM OS POBRES O comprometimento com o poder tem sua origem naquela primeira .a arrastar esses títulos envelhecidos e cristamente incom- Capítulo 12 preensíveis? " .. pesa tanto sobre a minha velhice e me faz esperar por uma morte próxima (E. seja para formá-lo. Cinisello Balsamo.ela saiu vitoriosa.e necessária . 1985. só se deixou batizar "in articulo mortis" por um presbítero ariano tem levantado inúmeros problemas aos historiadores..para que nao se encha de orgulho e nao caia sob o julgamento do diabo (ITm 3. A impureza da carne havia insinuado entre os discípulos do Senhor Jesús Cristo. um bispo é ordenado para vos.6)" (S. nao se deve também diminuir o impacto dessas mudabas para a Igreja. e a furria do orgulho subía aos seus olhos. pp. . Porque é um grande mal o orgulho.. ' .mas nao menos realmente todos esses 'males' existiam muito antes de Constantino. Brescia. teria morrido para nao se tornar cardeal: O teólogo. ' . porém. Mas o Senhor. " .. 276 A TRANSigÁO DE UMA IGREJA COMPROMETIDA COM O PODER é servidor de todos Agüele que está á frente do povo Hoje. a idéia de hierarquia e de curso clerical entraría ñas mentalidades Infelizmente . M. 563-573). 1985. Nós lemos com efeito no Evangelho: 'Urna disputa se elevou entre eles. na verdade. E que ele nao desdenhe este servido.. p.mais famoso de todo o de Milao. da qual.

leitos vizinhos. ao convocá-los para resolver "questoes fúteis" (sic) como a da Santissima Trindade. tornou-se por sua vez perseguidora e intolerante desde que se tornou oficialmente reconhecida " . . 28. narrando . 280Ibidem. julgava-se que era mais um sonho do que uma realidade" 280 O Imperador usará e . comecei a expulsar e a dissipar o terror que . . numa religiáo tolerada. convocará os concilios promulgará seus atos. mas náo abandonará a teología . eu também estava entre eles como FAIVRE. cit. 278LACTÁNCIO De mortibus persecutorum. e o Oriente.1. de males: e qual foi o remédio que a Divindade inventou? Deus convocou o meu servido e jurou que ele era apto a executar sua decisáo. 2-3. escreve Lactáncio. os deis trabalham Pouco a pouco o imperador deixará de ser o Pontifex Maximus (título que também pouco a pouco passará para o bispo de Roma o papa). . vemos o cristianismo se tornar.com todas as suas modulagóes . outrora abatida. p. .entre poder religioso e poder civil.. sobre o mesmo leito que o Imperador outros repousando em . instruida . abusará de suas prerrogativas "divinas": promulgará editos empregando a fórmula "a providencia de Deus agindo em . Eusébio de Cesaréiaii deslumbrado com a nova posi áo da Igreja na estrutura do Império. a Igreja. . mais glorioso do que nunca. op. religiao ilícita que era. pois eu nao quería negar o que tanto me alegra: tenho um lugar entre 117 116 . um dentre vós . em Trivírium: "Eís que todos os nossos adversários estáo esmagados. será considerado o décimo terceiro Apostólo. trilhará os caminhos abertos por Lactáncio: "lima grande impiedade (sáo palavras colocadas na boca de Cons tantino) pesava enormemente sobre os homens. Crispo. 15. á mésela dos dois. voltasse ao servicio da lei santissima e. garantirá a execufáo de suas decisóes. depois. Fácilmente se podaría ver tudo aquilo como uma ímagem do reino de Cristo. numa religiáo privilegiada. o templo de Deus que os ímpios tínham destruido. se espalhasse a fé . eu. 7). E foi assim que partindo do mar dos bretoes.só tenha conseguido sistematizá-los Mas o caminho estava aberto para urna situado de privilégio e de poder: Depois da " . Em seu Sobre as martes dos perseguidores {De mortibus persecutorum). a recep9áo dada por Constantino aos bispos vindos para o Concilio de Nicéia (325) deslumbra-se com a cena: "Nenhum bispo estava ausente da mesa do Soberano: uns estirados . " . III. sob a poderosa dire ao do Altissimo. está de novo em pé: a misericórdia do Senhor levanta. I dissipando por assim dizer a nuvem dessa sinistra época é? concedendo a todos os cora?5es a alegría e a mansidáo de: uma paz serena 278 Anos mais tarde. . com uma visáo providencial da história. colocar-se-á como se fosse um dos bispos . " conversao de Constantino.281 aliás será o "bispo dos negocios "' peste. a paz foi devolvida ao universo. que aboliram o império criminoso e sanguinário dos tiranos. no fundo. . da qual a teología da vitóría é um capítulo sempre importante. e do país onde o sol se poe. Picamos perplexos diante da facilidade com que essa religiáo de Estado. . Deus suscitou príncipes . p. I. delegado por um poder superior. EUSÉBIO DE CESARÉIA Vita Constanlini II. o teólogo encarregado de educar o filho de Constantino. esquecendo a época aínda próxima em que apelava para a tolerancia dos imperadores para que cessassem as persegui óes. vos que sois os servos de Deus" (Ibidem II. era urgente encontrar um remédio eficaz para essésl 277A .279 277 Náo obstante o Ocidente tender á distingáo . Os leigos ñas origens da Igreja. correspondente: exercerá um sacerdocio que o colocará ácima da distingo clérigo-leigo. . rápidamente. . 78. 281 "Por isso numerosos bispos se reuniram. in: SC 39. harmonía comigo". 151. lá em cima reinava por toda parte para que a ra?a humana. bendita". por meu intermédio. o Estadó| estava amea ado de ruina total como por uma epidemia de. As relances entre os bispos e o Imperador é táo próxima que Eusébio.

Com sua ordem e com sua autorizado os súditos podem . " A . invasSes bárbaras e da transferencia da sede do Império para Constantinopla. I. jamáis poderá errar. op. Conhece-se o tristemente famoso Dicíatus Papae de Gregorio VII (1073-1085): "1. foi bem administrada. assim que sargia urna disputa num país qualquer. Quanto a mim. um clérigo de qualquer igreja. O papa pode depor os ausentes. 44. Como observa com perspicácia Faivre. Aquele que foi ordenado por ele pode governar outra igreja. 5. como atesta a Escritura . se. 25. Sao Paulo. Ele nao pode ser julgado por ninguém. 11. O papa pode desligar os súditos do juramento de fidelidade feita aos injustos" 285 Esta cessáo ao poder nao vinha desligada da cessáo ao . específicamente na questáo da nomeagáo dos hispos . 12. . e isto de acordó com muitos Padres como . A Igreja romana foi fundada únicamente pelo Senhor. A Igreja romana nunca errou e . sozinho. Somente ele pode usar insignias imperiais 9. citado por J. fui designado visivelmente para ser o bispo dos negocios exteriores (Ibidem.para ficarmos numa só situado 285PL 148 407-408 Reg. dadas as circunstancias em que a Igreja se encontrava. . 13. dirigía particularmente á Igreja de Deus. mas nao combater. 4. 21. transferir um bispo de uma sede para outra. 283 no mundo.. É-lhe permitido depor os imperadores . seja de categoría inferior e. mesmo que ele Sé apostólica. TILLARD O Bispo de Roma. " 282"Deus possuir. Quem nao está com a Igreja romana nao é considerado como católico 27. "a uniao do espiritual e do temporal é uma tentarlo para a Igreja como para os imperadores 284 As vezes. . . II. 6 Nao se pode permanecer soh o mesmo teto que aqueles que foram excomungados por ele. e absolver os bispos. Ninguém pode condenar uma decisáo da .exteriores 282 Nao " . . 163. IV. R. 3. pode pronunciar uma senten a de deposigáo. As causas importantes de toda a Igreja devem ser levadas a ele 22. o grande historiador confirma o " episcopado universal de Constantino: "Sua solicitude se " povos. 2. É o único cujo nome deve ser pronunciado em todas as igrejas É-lhe . 15. . FAIVRE. Em conseqüéncia disso. O papa é o único homem cujos . que se viu obrigado a envolver-se com a mesma profundidade com questoes temperáis e políticas e com assuntos espirituais e eclesiásticos. Ele pode. 14 Onde quiser pode ordenar . acusar. Loyola. o tivesse designado para ser o hispo de todos " " . fora de uma assembléia sinodal depor . se pode ver no decreto do bem-aventurado papa Símaco 24. reunir novos do Imperador . romano. existe nenhum texto canónico fora de sua autoridade 18. 1985. 58. 10. 24). cit. ele convocava uma assembléia dos servos de Deus. se for canónicamente ordenado toma-se sem dúvida santo pelos méritos de Sao Pedro na fé de Santo Enódio bispo de Pavía. Somente o pontífice romano merece ser chamado de universal. Seu nome é único . Chegou-se mesmo . nao deve receber de outro hispo um grau superior 16. Outras vezes. 23. M. transformar uma colegiada em abadia. 55. Nenhum sínodo pode ser chamado geral sem sua ordem 17. estabelecer novas leis. se dando conta talvez da estratégia política gundo as circunstancias. . vos instituiu bispos para tudo o que decorre dos negocios internos da Igreja. Seu legado. 7. Somente ele pode. devido ao colapso da ordem civil na época em conseqüéncia das .será deplorável e deprimente. Somente ele pode depor ou absolver os hispos. . 26. Os leigos ñas origens da Igreja. como se Deus pés todos os príncipes beijam. 20. como por um Gregorio Magno (590-604). . . manda em todos os hispos.que visava antes de tudo á manutenfao da unidade do imenso Império -. essa gestáo . num concilio. Sua . 283Ibidem. . 118 119 . Nao .embora necessária. p. senten?a nao deve ser reformada por ninguém e somente ele pode reformar as de todos 19. permitido quando a necessidade o exige. dividir um bispado rico ou unir bispados pobres 8. p. O pontífice .

cit. assim. o imperial paléelo de Latráo. tanto menor é a luz de que ela mesma está adornada. " . " . Da mesma forma o poder real tira sua dignidade da autoridade pontificia.2&7 por sua vez. a eminencia. Transpoe para a " . e o "poder de Sao Pedro": a Donado Constantini e as Decretáis atribuidas falsamente a Isidoro A Donaíio Constantini. Vigários de Cristo: os pobres na ritualidade cristas. a mitra. e todas as vestes imperiais. universais sínodos e sempre respeitados por toda a Igreja . 114 e 116). 1996. 134-135.J Portento. o manto de púrpura e a túnica escaríate. afirmara que a primeira Sé nao deve ser julgada por nenhuma " foram simplesmente proclamados e mantidos em venerado por eles.290 Recusa como insuficiente o título de representante de Pedro {vicarius Petri).. a menor para exercer o governo sobre os corpos (sendo estes na realidade noites). 139-143. 1967. // primato del papa. aos pobres. 289Ibidem. a supremacía sobre os patriarcados e sobre todas as Igrejas em todo o mundo. distin ao. " " envergadura para fundamentar ao mesmo tempo o patrimonio de Sao Pedro de Sevilha. a lúa tira a sua luz do sol. aos bispos. . a for9a e a honra do Império. teología e espi121 120 . e quanto mais déla se afasia. juntamente com outras auténticas. a maior para exercer o governo sobre as " .. H.- a falsificar durante a Idade Média.. 290Cf J. " almas (sendo estas na realidade dias). e ao clero das diferentes ordens que servem á Igreja romana. nao foram concedidos pelos sínodos mas . op. Essas dignidades sao a autoridade pontificia e o poder real. a dignidade. 1996.. esses privilégios foram concedidos por Cristo á essa santa Igreja. 288 O Papa Inocencio III (1198-1216) . . . tanto em tamanho e qualidade como em posigao e efeito. nem inicialmente teve o escopo de reforjar a autoridade romana A sua origem . visto que nenhum esforzó humano tem o poder de remover um fundamento que Deus mesmo colocou. Ele apontou duas grandes dignidades. em tomo do ano 850 precisamente na provincia eclesiástica de Reims com o objetivo de "quebrar a multo mais próxima e perigosa autoridade do metropolita (K. BETTENSON. Da mesma forma para o firmamento da Igreja universal. Sao Paulo. Paulus. I. poder e precedencia próprios do senado. 156. aos cristaos em geral. proclamados pelos santos . . e o menor para governar a noite. Além disso. antes atribuível também aos reis.o mais poderoso e um dos mais truculentos papas medievais . nao podem de modo algum ser diminuidos infringidos ou alterados.286 As Decretáis pseudo-isidorianas. ASTE. os privilégios da Igreja romana. da qual se fala como sendo o céu. pp.. ordenadas na própria Igreja observados desde a Antigüidade.. patricios e cónsules. aplicado respectivamente a Cristo e á Igreja. um documento forjado entre o século VIII e o século X. Ela contém certo número de cartas papáis falsificadas. Sao Paulo. confirmados em Sao Pedro pelas palavras de Cristo.. documentos de enorme . 286Cf . i . La sua storia dalle origini ai nostri giorni. " pp. GONZÁLEZ-FAUS. 288H BETTENSON. o diadema. Esta coletánea nao nasceu em Roma. pp. para aplicá-lo ao papa e ao imperador: O Criador do universo colocou dois grandes luminares no firmamento do céu. 287As Decretáis pseudo-isidorianas sao urna colegao de direito canónico que rior ao sol.chega ao cúmulo de promover uma releitura do simbolismo patrístico do sol e da lúa. SCHATZ. e quanto mais estreitamente se aproxima da esfera dessa autoridade. deve antes se situar na Fran?a. Documentos da Igreja Crista. Documentos da Igreja Crista. a estola. e é na realidade infe- outra. atribuí á Igreja romana o poder. o luminar malor para governar o dia. e aquilo que Deus estabeleceu permanece firme e InabaláveL. O papa agora se reserva o título de único "representante de Cristo" (vicarius Christi) na térra. " " teria sido constituida por certo Isidoro Mercador. tomando-se. Queriniana Brescia. tanto mais aumenta seu próprio esplendor 289 Sabe-se também que Inocencio III foi quem incorporou visivelmente a pretensáo de dominio universal do papa: tudo deve ser submetido ao papa no campo espiritual-religioso ou em casos de conflito entre Igreja e Estado. pp.

na qual afirma que há uma única Igreja e que "nesta Igreja existe um só corpo e urna só cabe9a . o papa]. quem nega que a espada temporal está sob o poder de Pedro entende 291Cf 292H .291 " " de sua mal as palavras do Senhor. .. que pagar ou prometer.. K. da mesma forma do papa procedem toda autoridade e todo poder. . mostra até que ponto a Igreja pode chegar na defesa de seus "direitos": Nós. Essas duas espadas estáo sob o poder da Igreja. eles sao todos e cada um filhes e filhas da Igre. transformado num "sinepapa nulla salus Se aqui nao estamos diante de um caso evidente de heresia do papa quando é entae que estamos? Por que a Igreja medieval que sempre reteve o direito do Concilio de deper um papa herético impedinde.. decretamos com autoridade apostólica e seguindo o conselho de nossos irmáos. paroxismo societárie-visibilista. . se. ou concordar em pagar a pessoas leigas coletas ou taxas. Além disse declaramos. Delahaye Ecclesia Mater chez les Peres des trois premiers siécles pour un renouvellement de la Pastorale aujourd'hui que. pp. esta autoridade. cf... . nesta unitas cuje principie é a caridade e o Espirito Santo entáo eles exercem na e per esta mesma unidade uma ma. BETTENSON.e.. Mas a última deve ser usada em favor da Igreja. . cit.como representante de Cristo ... nesta Igreja e em seu . . isoladamente " . p. SCHATZ. da Inglaterra. um sistema papal totalmente fechado nao depós Bonifácio VIII? Pensavam os hispes igual a ele? Temiam-ne mais do que a Deus? No que respeita á questao da Igreja máe Cengar observa no Prefácio á obra de K. a primeira pelo sacerdote [i. op. . . Bonifácio VIII ofendeu nao só a Eduardo mas também a Filipe IV (Filipe. a espiritual e a temporal. de qualquer ordem.. portante.. Para Agostinho se se consideram os cristáos " . Finalmente. religiosa ou secular. resiste a este peder ordenado per Deus resiste á ordenaijao . dada por Deus a Pedro e estabelecida numa rocha para ele e seus sucessores Quem. 157-158. para impedir que o clero fosse obrigado a pagar impostes para cobrir as despesas de guerra entre Eduardo I. e o vigário de Cristo é Pedro.. o Belo). op.. . DS 870-875 . .. pp. " . [seguem-se dezessete linhas de especifica oes] ipsofacto incorrerao na senten?a de excomunháo.relagao teológica e política entre o papa e a Igreja a relajo que intercorre entre Cristo e sua Igreja: conseqüentemente. 117. // primato del papa. A virulencia da Bula Clericis laicos. sao considerados na unidade que eles formara. a primeira por ela. Por conseguinte uma espada deve estar sujeita á outra. assim. nao só nestes Padres. condi áo ou estado.isto é Cristo. como num monstro .. ja. ele é . mas segundo a vontade e a permissáo do sacerdote. de Bonifácio VIII autoridade temporal deve estar sujeita á espiritual. pronunciamos que é absolutamente necessário para a salva áo de toda criatura humana que ela esteja sujeita ao pontífice " remano . assim como de Cristo promana toda a vida para o corpo eclesial. (1295-1303). a segunda pelos reis e capitáes.o cabera da Igreja (caput Ecclesiae).. cortando assim o íluxo das contribui óes francesas para Roma. que proibiu a saída de divisas da Franca. O Papa respondeu com a famigerada Bula Unam sanctam.nao duas cabegas.16). . da Fran?a. . 293 O "extra Ecclesiam nulla salas fei levado ae seu " estas determina95es]. perém. 159-160. de Deus. 293Ibidem. [seguem-se outros detalhamentos] e se alguém presumir tentar [infringir ou contradizer " mas divina. portante. saiba que incorrerá na indignado do " Onipotente Deus e de seus santos apóstelos Pedro e Paulo I . embora dada ao homem e exercida pelo homem nao . que qualquer prelado ou pessoa eclesiástica. da Fran9a. 292 Com esta bula. definimos e . desejosos de coibir tais abusos. e a . afirmamos.. tanto a espiritual como a temporal. e Filipe IV. mas também nos da época clássica (Joáe Crisóstomo Ambrósie. Agostinho) a expressao Ecclesia mater referia-se aes cristáos come um todo. poder há duas espadas. é humana . Os documentos da Igreja crista.. . 122 123 . cit.. . de modo que plenitude todos nós recebemos (Jo 1.

Paris.ternidade espiritual: sao eles. Pe o á sua amada santidade nao fazer mais isso. Y. Joao de Salzburg etc. Santo Anselmo de . 1964. eu nao ordenei. Porque eu Ihe disse que nem o senhor. atentaría contra a honra de meus irmaos. dada ao homem e exercida pelo homem . espiritualmente muito longe do sentimento que tinha de si e da compreensáo que tinha do exercício do papado um homem da grandeza de um Gregorio Magno" I. Gregorio VII.. . cit. acabou prevalecendo na época moderna pelo menos no ensinamento dos clérigos 296 " . 30. pois sei o que sou e o que vós sois. 933 C. num momento que nao é possível precisar. 9-10). cit. .mesmo em Santo Tomás . nem alguém a outra pessoa deveria escrever desta forma. sois meus país. 125 124 . 9. 298Cf .-J. DELAHAYE. . in: PL 77. 295Cf Falsas Decretáis. Pode-se encontrar esta teologia ainda em Sao Gregorio Magno. que remete os pecados e exerce o poder das chaves. " como Gregório VII para o qual "esta autoridade. in: K. p.mas. os reis e os senhores dominaram abusivamente os organismos eclesiásticos. autores gregorianos. pois assim se Ihe tiraría o que vossa Beatitude atribuí exageradamente a outro. Portanto. (cf. bem o sei. Documentos da Igreja Crista op. Pe?o-lhe nao utilizar estas palavras falando de mim.. M. Segundo Congar. . op. os momentos de rivalidade entre os dois poderes". como evidenciou Móhler. é o fato mais importante da historia das doutrinas eclesiológicas: marca a linha divisoria entre uma eclesiologia de estilo e de espirito patrísticos e uma eclesiologia de tipo jurídico que. 296Ibidem. embora . para salvar sua liberdade e para reivindicar sua superioridade sobre a ordem temporal. estribou-se em sua dignidade de Esposa de Cristo e de Máe dos fiéis. GREGÓRIO VII. " " . Carta ao bispo de Metz. Estamos. Explica Congar que "freqüentemente. dá-se uma importante mudaba. na verdade. dizendo 'como prescrevestes'. é a sua unitas que julga diretamente. . porque esta unidade é o espafo onde habita e age o Espirito Santo".. .GREGÓRIO I Epist. pelos costumes. p. na situa9áo de simbiose das " duas sociedades.. .. O clima espiritual é o da Idade Média. " .. Ecdesia Mater chez les Peres des trois premiers siécles pour . Nao é pelas palavras que quero encontrar a minha grandeza.295 Esta passagem do plano do homem cristao ou da existencia crista a um plano jurídico de reivindicagáo de autoridade aparece em muitos lugares e poderia ser ilustrado de várias maneiras. pp. BETTENSON .294 O bispo de Hipona trabalha com uma teologia da unitas ou. Ecdesia mater.) fala-me. p. 10. mas simplesmente esforceime por indicar o que me parece útil. CONGAR Préface. Domina". E nao considero uma honra aquilo que. característica da Cristandade. Mas entáo. 29. . Pela posi ao. DELAHAYE. un renouvellement de la Pastorale aujourd'hui Cerf. E contudo nao tenho a impressao de que Vossa Beatitude tenha tido o cuidado de guardar perfeitamente na memoria o que nela quis inscrever. . mas por meus costumes. ou.. em 1081. mais exatamente. me honra é que nao se recuse a cada um a honra que Ihe é devida. in: H. Aosta. do Espirito Santo. 294K . E eis que no cabe9alho de sua carta descubro este título 'soberbo' de papa universal que recusei. vós sois meus irmáos. Mas se sua santidade me trata de papa universal está recusando a si mesmo aquilo em que me atribuí o universal Que desapare am as palavras que inflam a vaidade e ferem a caridade 297 Este nao se chamou por primeiro servo dos servos de Deus só por chamar-se298 nem concebía o papado . 147. que responde ao patriarca de Alexandria que o saudou com o título de bispo universal" nestes termos tac humanos e táo evangélicos: "Vossa Beatitude (. em outras palavras. VIII. este título de matemidade nao se referia mais diretamente á geragáo e á forma áo espiritual de verdadeiros cristáos: ele era sobretudo e em primeiro lugar um título de autoridade: Mater eí Magistra. de fato. Minha honra é a honra da Igreja universal Minha honra é o sólido vigor dos meus irmáos O que realmente " " . em Sao Beda e outros autores da alta Idade Média . nao é humana mas . A Igreja.

torna-se o modelo da atitude dos discípulos e discípulas ou seja. . . 127 126 . primaciais. a Igreja que " " " " . . porém. Spirito. reconhece nos pobres e nos que sofrem. Modéles historiques de la papauté" . 1984. pp. . pobreza e perseguiíjao . X. pp. esforfa-se por aliviar-lhes a indigencia. CONGAR. MOHLER. . Os "poderes" eclesiásticos nao estáo concentrados em nenhuma monarquía. 108 . ele era o servo de todos " . H. Esse Reino - que se manifesta antes de tudo na pessoa ou na presenfa .divina". mas tornam-se. a Igreja. Paris.6-7) e por causa de nós 'ele. e mais. . A melhor síntese deste ensinamento por sua profundi. . L'Église et la pauvreté. ANCEL. op. Helder de D. L . reino de justi a de amor e de paz" (LG . 2Cor 5. precise de recursos humanos para cumprir a sua missao. Vrin. com o fim de apascentar o povo de Deus e aumentá-lo 305"Por tudo isso. sempre necessitada de purificagáo. J.-J. 301J M. Cristo Jesús. 1962. . TILLARD. Lyon. . Per la forza dello Giacomo Lercaro EDB. inocente. nao identifica a Igreja com Cristo. imaculado' (Hb 7 26). nao foi constituida para buscar glórias terrenas. Bologna. fez-se pobre (2Cor 8. p. A. Paris. in: W..300 "respeita as autonomías legítimas recusa-se a impor um ritual romano . que é um reino de verdade e de vida reino de santidade e de grafa. " . Loyoia. Golland Trindade no capítulo primeiro da Lumen gentium: . e neles quer ' ' servirá Cristo (LG 8). " Esse texto essencial nao só. " cila BRIAN TIERNEY . .301 O Vaticano II . E. ministérios:305 "Cristo nosso Senhor. Le Puy 1959. 1964. 159-161. abnegafao. (1975). S02Lumen gentium 5. Discorsi conciliari del card P. Essai sur la conception du . ARQU1LLIÉRE. pois Jesús nao velo para ser servido mas para servir e dar sua vida pela salva?áo de muitos" (Me 10 45). reúne em seu seio os pecadores é ao mesmo tempo santa e. pouvoir pontifical. 36). em fidelidade á linguagem do Novo Testamento. universal. também com seu exemplo.especialmente Lumen gentium - rico. in: Ibidem p. .particularmente em suas modalidades de humildade esvaziamento. 231).17). " dade e fundamentalidade encontra-se. que . exige que se assumam as culturas próprias dos povos evangelizados. 65-79.de Jesús. Y. mas faz questáo de indicar a diferen?a e de tirar as conseqüéncias espirituais e éticas em termos de penitencia e de conversao pois a Igreja sempre necessita de reforma: Mas enquanto Cristo 'santo. cit. (J. 'a procurar e salvar o que estava perdido (Le 19. Un colloque anglo-frangais Cerf. Ancel 304 de D.9): assim. como seu homónimo Gregorio VII. a imagem do seu Fundador. Hb 2. e o seu oficio era chamado servijo. Do mesmo modo que Jesús Cristo consumou a sua obra 299GREGÓRIO Vil Bula Vnam sanctam. p. que era ' fraterno". O bispo de Roma.AA. sem descanso dedica-se á penitencia e á renovagao (LG 8). G HOCQUARD. se bem que ' está mais perto de Gregorio I do que de Gregorio VIL O valor supremo é constituido pelo Reino de Deus (a " . assim também. . . nao se dizia naqueles lempos [nos tres primeiros séculos] que o bispo tem este ou aquele direito. . " 300Cf . 67. . L'unitá nella Chiesa. mas para dar a conhecer. Cristo foi enviado pelo Pai para evangelizar os ' expressao ocorre 38 vezes na Lumen gentium) anunciado por Jesús. esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condi ao de servo (Fl 2. . pobres e a proclamar a remissao aos presos (Le 4.18). 1302. "Le développement historique de l'autonté dans l'Eglise". Saint Grégoire Vil.10): de modo semelhante a Igreja envolve em seus cuidados amorosos todos os angustiados pela fraqueza humana. in: Concilium. 1934. grabas aos esforejos do Cardeal Lercaro 303 de D. . R. " fundamental de amor-servido de Jesús ao longo de seu ministério público e de seu misterio pascal . e veio expiar únicamente os pecados do povo (cf. LERCARO. mostra-se na atitude de servifo .299 Gregorio I ao invés de apelar as suas prerrogativas .21). Sao Paulo 1985. 303Cf G. da Igreja toda. a Igreja é chamada a seguir o mesmo caminho para poder comunicar aos homens os frutos da salva áo.302 A atitude . 304Cf A. a humildade e a abnegagáo. nao conheceu o pecado (cf. mas que ihe cabem o cuidado e a responsabilidade por toda a comunidade. "L'idéal du pastear des ames selon Grégoire le Grand" in: La tradilion sacerdotale. M. Problémes de l'autorilé. de rédenlo na pobreza e na perseguidáo. 160. pobre e sofredor. Sua linguagem é a do respeito e do amor tendo 'condigáo divina. .

no máximo. cuide nao só dos súditos dialética agostiniana. e a realeza dos leigos e leigas há de manifestarse na auténtica liberdade. os minis. que se fez obediente até a morte. o bispo tenha sempre diante dos olhos o exemplo do Bom Pastor que veio nao para .27-28). 1483. na humildade e na paciencia: Cristo. . " coisas se harmonizem na unidade e cresgam para a gloria de Deus (cf. . presbíteros e diáconos. para com todos. .17). e por isso mesmo foi exaltado pelo Pai (cf. . com a oraijao a pregagao e todas as obras de caridade . na abnega áo de si mesmos. de tal modo a apascentam que todos cumpram o preceito novo da caridade (LG 32). a fim de que Deus seja " a si no Senhor.11). Nao se recuse a ouvir os seus súditos amando-os como a verdadeiros filhos e .é o Cristo quenótico (Fl 2. eles sao irmaos de seus irmaos e irmás na mesma Igreja. tudo em todos (cf. ser servido.8-9). . Semelhantemente.306 o ser irmáo em Cristo é mais fundamental que o ser ministro para a Igreja. exortando-os a colaborarem prontamente consigo Consciente de que tem de dar contas a Deus pelas almas deles (cf Hb . portanto. do culto sagrado e ministros do govemo da Igreja" (LG 20) . mas para servir (cf. entrou na glória do seu reino. atividades apostólicas e missionárias Os fiéis. devem conservar-se unidos ao bispo como a Igreja está unida a Jesús Cristo. diz respeito antes de tudo ao bispo: "Os bispos receberam o encargo de servir a comunidade com os seus colaboradores . servindo a Cristo também nos outros.este pode. 13. e presidem em nome de Deus á grei. mesmo sendo o Senhor de todas as coisas. da verdadeira dignidade crista. Na de familia a governar a sua familia.12). pastoral profundamente humano: "Enviado pelo Pai .8-9). o sercom é mais importante do que o ser-para. constituidos no sagrado minis:ério e ensinando. santificando e governando por autoridade de Cristo a familia de Deus. mas o Cristo irmáo. Rm 1 14-15). iCor 15. por seu lado . . Semo 340. conduzissem pela humildade e a paciencia os seus irmaos áquele Rei a quem servir é reinar (LG 36). até que submeta ao Pai a si mesmo e consigo toda a cria9áo. . presbíteros e diáconos para a Igreja. tém a Cristo como irmáo. de que sao pastores . como por designado divina. 2Cor 4 15)" (LG 27). motivo pelo qual tém como irmaos" os membros da Igreja constituidos no sagrado ministério: "Os leigos. instituiu na sua Igreja vários ministérios que se destinam ao bem de todo o corpo Na verdade. de Deus e gozam portanto. Escolhido de entre . para que todos os que pertencem ao povo . vencessem em si próprios o reino do pecado (cf. . como mestres da doutrina sacerdotes . pela abnegado de si mesmos e por uma vida santa. mas para servir (cf Mt 20. 128 129 . . Fl 2. Me 10 45) e dar a vida pelas suas ovelhas (cf Jo 10. de seus irmaos .sempre mais. }06a S. Rm 6.28).1-2).28. AGOSTINHO. a fun áo régia dos leigos e leigas é lida em termos de servido. " " O perfil espiritual ideal do bispo do Vaticano II de acordó com a Lumen gentium é ao mesmo tempo missionário familiar. Mt 20. esteja pronto a anunciar o Evangelho a todos (cf. e como Jesús Cristo ao Pai para que todas as . veio nao para ser servido. ainda para que. assim também tém como irmaos aqueles que. e. Sendo ele como o apostólo Paulo devedor . Na verdade. e estimule os seus fiéis a darem-se a . o modelo dos leigos e leigas nao é o tros que sao revestidos do poder sagrado estao a servifo . antes de serem bispos.1: PL 38. na santidade de vida. . . ser um estímulo . Nesta mesma lógica. O modelo náo é o Cristo glorioso . a que a Constituifao se refere. o qual. os homens e sujeito a fraquezas pode compadecer-se dos . justamente em sua atitude de servido. a ele estáo submetidas todas as coisas. Ele comunicou este poder aos discípulos para que também eles fossem constituidos na liberdade própria de reis. mas também daqueles que nao sao ainda do único redil e que deve considerar como confiados . todos juntos tendam livre e ordenadamente para o mesmo fim e cheguem á salvafao" (LG 18 ou 20) A servi?alidade . Cristo rei. ignorantes e dos extraviados (cf Hb 5.

Resistencia e submissáo. subdesenvolvidos. para curar os cora oes contritos. para procurar e salvar o que estava perdido (Le 4. "Justicia". R. SOBRI- dade. dos. AGUIRRE . na abertura da segunda . de todos os males. fidelidade persistencia. Ela terá de falar de sobriedade autentici. a um mes do inicio dos trabalhos conciliares. GS 1). Rio de Janeiro. A esséncia da Igreja repousa em sua missáo de servi?o ao mundo. por ocasiao da entrega do título de ' ' . Como primeira idéia embora aínda muito geral desejo . ' ' . p. ELLACURIA . Mysterium Liberationis II. mas pelo modelo a palavra ganha énfase e for a (D. moderafao e modéstia Nao pederá subestimar a importancia do modelo humano (que tem sua origem na humildade de Jesús e que para Paulo.p. " " . " quer profissao profana. Os ministros devem viver exclusivamente dos donativos voluntários da comunidade talvez tenham de exercer quai- Urna Igreja a servigo do mundo Devemos esclarecer. mas como quem ajuda e serve. 563. precisamente no dia 11 de setembro de 1962 colocava o tema da Igreja dos pobres: Diante dos países .. Discurso na Universidade de Lovaina. particularmente terá de opor-se aos vicios da hybris da idoiatria. . paciencia.J . e de salvá-lo dentro da historia. o que significa existir para os outros A Igreja.18. 186).1980). 309lbidem. e quer ser a Igreja de todos e. influencia no esquema sociopolítico do mundo em que viveram. A. " . NO. 5. ' Doutor honoris causa. nao " " . mas nao pelos conceitos. Madrid.O Concilio. da for9a. é táo importante). confianfa. in: I. . 308PAULO VI Discorso di Paoio VI in apertura del secondo periodo del Concilio. aínda que enerado pelas sumas chaves entregues a Pedro por Cristo Senhor 308 enfatizava a necessídade de o Concilio lanzar urna ponte na dire áo do mundo contemporáneo 309 movido pelo amor. . sessáo. " Urna Igreja a servigo dos seres humanos " . 185*. a Igreja apresenta-se tal como é. A Igreja deve participar das tarefas profanas da vida na coletividade humana. que. . . p. ROMERO. mas de valorizá-lo. 190*. deve entregar todo o seu patrimonio aos necessita. que. 3"Ibidem. Trolla.. da inveja e do ilusionismo como raízes . BONHOEFFER. ' homens e mulheres de todas as profissoes o que representa uma vida em Cristo. 1968 p.2. humildade. mais urna vez. . 19.10)" (O. nota 9. nao como quem govema. ' ' " . sintonizava com Joáo XXIII. Ela deve dizer aos políticas. disciplina. Por comissao ou omissao.F. 135*. para verificar se está ou nao de acordó com a fé. aquí e agora. ' propor a intuigáo do Vaticano II que está na raiz de todo o 3í"Cf . Como Jesús a Igreja foi enviada para 'levar a Boa-Nova aos pobres. in: EV. particularmente a Igreja dos pobres". J. O problema reside no agora desta influencia no mundo sociopolítico. com as angustias e as tristezas dos homens e das mulheres (cf. pelo amor que pensa nos outros bem antes que a si 310 podendo o mundo estar certo de que a Igreja olha para ele com profunda compreensao com sincera admira?áo e com o puro propósito nao de conquistá-lo. de condená-lo.0Ib¡dem. o servo dos servos de Deus. 183*. 2. além de saudar os Padres conciliares como " o mais pequeño dentre vós. 131 130 . em sua missáo de salvar o mundo em sua totalidade. VITORIA. desde o principio que a fé crista e a atividade da Igreja sempre tiveram repercussóes socio. Para fazer um inicio. A Igreja existe para agir em solidariedade com as esperanzas e as alegrías. o papa de transi§ao. associando-se a um ou outro grupo social os cristaos e as cristas sempre exerceram . . mas de confortá-lo e salvá-lo" 3" . " movimento eclesial boje. A Igreja só é Igreja quando existe para os outros. Editora Paz e Térra.307 E sintonizava com Paulo VI.

logo enriquecida pelo simbolismo da cruz. venha á casa daquela [Raab] queja foi prostituta. isto é. necessário para quem quisesse encontrar resposta para sua procura de salva?áo. Ainda que pertenga áquele povo [hebraico] e queira salvar-se. na Igreja. Sources " publicae confessionis et sanguinis proficere ad salulem potest. indica que só estando na arca. se alguém sai fora. si in latebra et in latronem speiunca adulterae acquae contagione tinctus. porque aqui existe a purifica?ao que se obtém com o sangue (OR GENES.312 Formulado quase " contemporáneamente por Orígenes313 com forte sabor cristológico. op. fora da Igreja. Venha a esta casa. cit. Lecclesiologia dei Padri. pp. está o sinal do sangue [o batismo]. quia salus extra Ecdesiam non est. non tantum Chrétiennes.no contexto da polémica sobre o batismo conferido pelos heréticos314 este axioma - ser salvo. 313"Se alguém quiser .portanto.Capítulo 13 A TRANSigÁO DE UMA IGREJA ARCA DE SALVA ÁCT " A UMA IGREJA " SACRAMENTO DE SALVAgÁO" - Desde seus albores. isto é. exemplar da comunidade dos salvos sobre a "frágil embarcafao [de madeira] (Sb 10. pois. é responsável por sua própria morte. Aqui. depois da - Escritura e da encarnado. quanfo magis ei nihil proderit. cujo corpo é a Igreja . RAHNER. Homilia 2 sobre Josué.. 3l4"Quod si haeretico nec baptisma peccata antiqua non exposuerit.4).e Cipriano . Esta pretensáo foi traduzida num principio teológico lapidar: "extra Ecdesiam nulla salus". venha a esta casa de modo que possa obter a salvaijao. 1960).. para o Alexandrino. o cristianismo manifestou a pretensáo de ser o lugar definitivo e normativo . 895-938. Cerf. com efeito. sed adhuc potius nova et majora cumulaverit? " 133 . ninguém se salva.. capítulo 4. na qual está o sangue de Cristo como sinal de redengáo. é possível encontrar salvaijáo. a terceira manifesta ao do Verbo. París. 3l2Cf H. a Igreja é. Precedido pela imagem da arca. Ninguém se iluda: fora desla casa.

quem se afasta da Igreja se afasta de Cristo. da sua paz e da concordia .3'5 Tratando-se de textos polémicos e exortativos . 320G CANOBBIO. Ad lubaianum. Sobretudo para Cipriano . . Neste sentido. Assim. com algumas cerreijoes a posifáe de Cipriano. portante. assume. ele diz que. embera os hereges e cismáticos (ela precede e ultrapassa a Igreja como fei constituida em Jesús Cristo) e estruturais (a salvado sempre vai depender des meios estabeiecidos per Deus. sem dúvida se salvaram por meie dele 319 Ainda que Deus queira salvar a todos (cf. Idem. 21). a disputa sobre a gra?a leva-o a reformular a deutrina de urna Igreja que vai além des atuais confins institucionais No ..4). em qual" . quer tempe e lugar tenham vivido. capitulo 10. a Igreja é e lugar dos salvos (societas sanctorum)". A concordia que nos liga nao deve ser quebrada em nenhuma hipótese. Deus prodigaliza a quem ele elege em Cristo. Epist. 185. coerentemente quem se recusa a entrar na Igreja. 60: Ad Cornelium. muito menos Ihe servirá fazer-se banhar por uma água infecta ñas trevas e na espelunca dos bandidos: nao só nao será libertado dos pecados precedentes mas antes acrescentará outros mais graves".esta é a única arca na qual se pode encontrar os meios de salvado pelo que. Epist ad¡ubaianum.] . a chantas. por meie de Jesús Cristo. enquanto Verbo de Deus." (CIPRIANO. está estreitamente ligado á antropología agestiniana. que é contemporáneo da humanidade enquanto Verbo de Deus. em última análise a chantas que une o Pai . 11. . ou seja. a Igreja como societas sanctorum (que é resultado da eleÍ9áo divina) vai além da communio sacramentorum em termos cronológicos primeire case. em todo caso cf. um herege nao tira proveito para a saiva?ao nem mesmo do batismo de pública confissao e de sangue. . em . " 319Epist. 86. mas sempre e sementé salva?áo. 317G CANOBBIO. .. mas ao retomo e á permanencia na Igreja daqueles que déla se afastaram por heresia ou cisma 516 No conjunto porém. portanto. . que é una e única.318 O problema da salva?áe daqueles que viveram antes de Cristo . 74. Cinisello Balsamo (MI) 1994. de Deus.que insiste constantemente na unidade e unicidade da Igreja . com acentua oes distintas: a crise donatista e a disputa sobre a gra?a e a predestinagáo. que é a Igreja Católica. 3l6Cf . Chiesa . e o Filho. c. siale. e conduziram uma vida piedesa e justa conforme os seus preceitos. . porque/ora da Igreja nao há salvagáo. 89. vi- sariam. vista do juízo de Deus é preciso entrar nela. Na crise donatista Agostine . todos os eleitos e salvos desde o inicio constituem a Ecclesia ab Abel. que variam de acorde com as possuam alguns bens da Igreja e. 318"Por isso somente a Igreja católica é o corpo de Cristo Fora deste corpo ninguém é vivificado pelo Espirito Santo (Epist.. Epist. 4: Ad Pomponium.320 As duas perspectivas de Agostinho . 7). (CIPRIANO. 73. p. Ad Demetrianum. " 315"Náo penséis que sois defensores do Evangelho de Cristo e vos separáis de . de Cristo. Epist. . Tanto uns quanto outros podem salvar-se. 3-4. CIPRIANO. perché. que é falta-lhes. cujes limites só Deus conhece. Numa palavra: "a salvafáo é puro dem de Deus. 135 134 . p. 22-23. e Espirito Santo. . segundo alguns nao tanto á exclusáo da salvagáo dos que se acham fora. Chiesa perché.. Salvezza dell'umanitá e mediazione eccle- . . desde es primórdios do género humane. ITm 2. 50).atravessará os séculos. Cristo. é contemporáneo a teda a história humana: Por isse. Salvezza dell'umanitá e mediazione ecclesiale . Nicostratum et alios confessores 2. Ad Donatum. De catholicae Ecclesiae unitate 6. todos aqueles que creram nele e de algum modo o conheceram. San Paolo. parece que Orígenes e Cipriano "concordam em afirmar que a Igreja é o lugar da salvagáo e portante. cf. op. Ad Máximum. nem todos se salvam: a salva?ao é um dom que . 102. porém. 46. Epist. acontece só mediante Jesús Cristo. que nao é sementé a unidade exterior da Igreja mas sua respectiva . que age sementé no cerpo de Cristo. .. " . a fonte de seu valer épocas e as circunstáncias). nao pode estar certe de chegar ao porte desejado" 317 Agostine aborda e tema em deis contextos distintos . Epist. ["Se.ou nao conheceram a Igreja . neste sentido.abordado no contexto da polémica antipelagiana.nao restringir a eleifáo divina aes que pertencem corporalmente á Igreja (insuficiéncia da communio sacramentorum) e instrumen" unidade interior. par. da . seu rebanho. cit. fruto da eleigáo divina.

alguns nao se salvam. pelo que Deus pode comunicar sua gra a (a ) também sem o "sacramento 326 além do principio da fatualidade da intenso em relagáo a Deus { voluntas prefacio reputatur ). qual Deus. ao lado desta rígida ínter- todos. de modo que cada um possa escolher se adere ou nao a ele. Uma soluíjáo de tipo a . . Libñ quattuor Sententiarum. . iráo para o fogo eterno. 1374-1375. dist. 16. A solu áo nao pode nao se fundamentar diverso pretaijao da fórmula. mas porque. cf. . X. TOMÁS {Summa Theologiae II/II. " " " . 3. havería uma revelado extraordinária que Deus faria chegar a " sacramentum " " .321 A perspectiva agostiniana da "Ecclesia ab Abel" é abandonada Conseqüentemente o principio extra Ecclesiam nulla salas" interpretado rígidamente torna-se exclusivo e como tal será assumído nao só pela teología mas também pelo magisterio como . p. cit. p. para nos redimir dos nossos males). 19. porém. 5250 Concilio de Quiercy (853) retomando a fórmula de Próspero de Aquitánia ensina que: Se alguns se salvam é por dom daquele que salva. insinua-se gradualmente a idéia da lí- berdade de Deus323 em relafáo aos instrumentos predíspostos por ele mesmo e considerados necessários para a salvagáo dos seres humanos criando-se assim uma tensáo entre o princi. Summa Theologiae I. 7. op. 757. " .cf. em plena Crístandade. jamáis de que nao só todos os pagaos. 325AMBRÓSIO Deobitu Vaientiniani. Salvezza dell'umanitá e mediazione eccle137 siale. . LOMBARDO. Uma elei áo que excluí a priori alguns da salva áo mostrar-se-ía em contraste com a fé crista. - ta aos valdenses (1209) reza: Com o coragáo eremos e com cia de um Deus criador e Senhor e a bondade deste Deus 324Cf "' .talidade da Igreja para a salvado na economía presente (necessídade da communio sacramentorum) permanecerao nos séculos seguintes O que sofrerá urna ínterpreta9áo . mas também todos os judeus os heréticos e os cismáticos que terminam a vida . q. capítulo 29. CCL 91a. se alguns se perdem é por culpa deles" (DS 623) Joáo Damasceno (675-749) distingue em Deus uma . a. Libri quattuor Sententiarum. salva em fundió do mérito) (De fide orthodoxa 1. " " todos os seres humanos em circunstancias extremas da vida.. Summa . exatamente por isso o . . Sententiarum. geralmente em contextos polémicos. 25. a. Tomás. nao pode condenar nínguém se este nao decide por si mesmo contra Deus. . problema nao é em prímeiro lugar o de como Deus salva na liberdade do ser humano. . 4.324 b) o batismo de desejo. dada a sua vontade salvífica universal. III. segundo a qual Cristo morreu por todos". que é salvador de todos. carta Apostolicam Sedem ao bispo de Cremona. II. 326Cf . A ímagem de Deus dominante é a do Salvador. 94. Summa Theologiae III. caminhos: a) o estabelecimento do mínimo de verdade a salus " assume uma feifáo categórica. capítulo 7. preparado para o diabo e os seus anjos". . Tomás. I. I. . .325 que se apóía sobre a tese de que Deus nao restringíu " seu poder aos sacramentos e sobre a distingo entre " " " res e rígida é o principio extra Ecclesiam nulla salas" devido ao estreitamento da vísao eclesiológica Abriu estrada para isso Fulgencio de Ruspe (467-532) na regra 35 de seu De fide ad Petrum: "Retenha com absoluta certeza e nao duvide " . 68. . S. no decreto do Concilio de Fírenze contra os jacobítas (4 de fevereiro de 1442) 322 Compensatoriamente . sobre um presbítero que teria sido ordenado sem o batismo (DS 741). 136 . o principio extra Ecclesiam nulla " pio da necessídade e o principio da "liberdade" Sobre a questáo dos meios a teología escolástica elaborou tres " . " FULGENCIO DE RUSPE De fide adPelrum 81. 1. a. c) afora a revelagáo ordinária (a judeu-crísta). A Profissáo defé prescri" crer necessariamente para obten áo da salvagáo (a existen . " " res . 6 ad 1). Por detrás dessas tres vías está o principio segundo o " . q. vontade antecedente (Deus quer a saiva ao de todos) e uma vontade conseqüente (por sua justifa. tr. PEDRO LOMBARDO. 5. 2. dist. 1. . CANOBBIO. presente fora da Igreja. IV. in: PL. PEDRO 322D714. HUGO DE SAO VÍTOR (De Sacramentis. part. q. Chiesa perché. 327 G . 7-8). D712. 51.327 Durante a Idade Média. negaría a vontade salvífica universal de Deus e portanto a sua justicia.

op.ao invés de "toda criatura . para o qual elaborou nada menos que 900 teses {Conclusiones philosophicae. Istituto per severas contra o Islam {Cribratio Alchorani. mas significativa varia?ao . é a de precisar qual é a verdadeira Igreja na qual somente se pode obter a salva?áo 330 Portanto. sob o modelo da relagáo entre o uno e o múltiplo. na qual . Bologna.328 Nossa conhecida. CONGAR. fun ao única da Igreja verdadeira . p.a boca confessamos urna só Igreja que nao é a dos heréticos mas a santa romana católica apostólica fora da qual eremos que ninguém se pode salvar (DS 792). pp. Salvezza deU'umanitá e mediazione eccle- . os teólogos católicos sublinharao que a verdadeira Igreja querida por Cristo é a governada pelo papa. a unicidade e a necessidade da Igreja confessa e anuncia que ninguém que viva fora da Igreja católica nao só os pagaos'. que nao se cansará de advogar a verdade.ou a transcendéncia . O renascer do platonismo descortinava a possibilidade de um encontró entre as diversas culturas e religioes. Conciliorum oecumenicorum decreta. Firenze (4 de fevereiro de 1442). ao indiferentismo. 71 (1987) pp.em relagao á salvado escatológica.a Bula foi retomada pelo Lateranense V le Scienze Religiose. valorizarao as religióes dos povos antigos. enquanto a teología mantém aberta a possibilidade de uma salva áo universal. . cit. 328Cf .. . " a Bula Unam sanctam de Bonifácio VIII (18 de novembro de 1302) termina de forma peremptória: "Declaramos afirma. 329Com 1486). 138 na XI sessao (19 de dezembro de 1516) (cf. Y.329 Da mesma linha é o há pouco citado Decreto para os jacobitas (comunidade de tendencia monofisita surgida no século VI como rea áo ao Concilio de Calcedonia considerado pró-nestoriano) do Concilio de . passarao por viradas epocais do pensamento e chegaráo. portante a doutrina que se fora gradualmente formando a partir da convicio de que a salvagao só se obtém através do Evangelho que a Igreja anuncia mas a restringe [a doutrina] dentro da perspectiva eclesiológica particular que os tratados sobre a Igreja. . Na Bula Cántate Domino o Florentino afirma: firmemente eré " ' . 1453) e invectivas uma pequeña.-J. elaborados em contexto polémico tinham introduzido. diz "todo fiel" . 100. mas também os hebreus os hereges e os cismáticos. 33'Marsilio Ficino.331 Pico della Mirándola (t 14 94). 161-190. com seu De christiana religione (1474). É neste ampio contexto que os humanistas. Nela se conserva a verdadeira fé e por isso é nela e só nela que estáo os meios colocados por Cristo para a obtengáo da salva áo. mas irá ao fogo eterno preparado para o diabo e os seus anjos se antes do fim de suavida nao vier a fazer parte [da Igreja católica]" (DS 1351) O redator da Bula é o dominicano Torquemada (1388-1468) autor de uma Summa de Ecclesia (Colonia 1480). . humana". trata o principio "extra Ecclesiam milla salus" servindo-se do Defide ad Petrum do bispo Fulgéncio de Ruspe que ele . mos. "Romanité et catholicité". . 1461). a preocupagáo agora . CANOBBIO. siale. o magistério insiste noutra coisa: chamar a aten áo para a " . ' ' . . . . Essas perspectivas amadureceráo gradualmente. 332Convicto da concordia de todas as religioes e filosofías. . no século XIX. speciatim 167. para se obter a saiva áo. O magistério retoma. .332 Nicolau de Cusa (1401-1464).. M. a partir do pressuposto de que é impossível encerrar Deus . cabalisticae et theologicae. pretende fundar e difundir uma nova apologética.em formas históricas. 3330 bispo de Bressanone aliava uma avaliaíao positiva de todas as religioes a afirmagoes sobre a fungáo única de Cristo e sobre o cristianismo como guia das outras religioes no caminho da unidade e da paz (De pace fidei..a Católica romana . definimos que para toda criatura humana para alcafar a salva áo é absolutamente necessário submeter-se ao Romano Pontífice " (DS 8 7 5). 139 . como Marsilio Ficino (1433-1499). Pico della Mirándola pensou em organizar em Roma um congresso de sábios. 1973. Nos séculos seguintes á Reforma protestante. " .333 procurando uma nova base para a unidade do género humano. duramente combatido pelo magistério. pode tornar-se participante da vida eterna. . 643-644). A unidade nao se 330G pensa ser de Agostinho de Hipona. Chiesa perché. in: RSPT.

Antoine Arnauld (1612-1694) que negavam a visibilidade da Igreja e a autoridade na Igreja. a Igreja Católica. . da maneira de compreender a responsabilidade dos No primeiro caiu o jansenismo. como Francisco de Vitória (1483-1546) 334 Do mingos Soto (1524-1560) e Andrés de Vega (1498-1549) 335 servindo-se dos principios da teología medieval (ignorancia invencível. 340 Segundo De Vitória. a leitura do "requerimiento" como ato de evangeliza ao e de "submissáo"). 338Cf DS 2304 ("os pagaos. 9. 695). diante da controvérsia com os Reformados . .339 chegando a afirmar que é evidente que nao se deve tentar salvar estes pagaos e estes filó- " sofos mediante urna fé toda paga. sect. escandalosa e. Veneza 1548. BAC. mediante urna fé deísta "' " . in: Obras. pelagianos et massilienses. o hispo de Ypres. I. a dispensabilidade da fé na existencia de Deus em caso de ignorancia invencí" " " - " . 1912. sobre o destino eterno dos que nao haviam podido conhecer o Evangelho) misturavam-se problemas políticos (a violencia do ato do descobrimento". os judeus. afirmavam a possibilidade de salvado desses povos 336 . o de dissolver a Igreja. p. os indios nao estao "obrigados" a crer ao primeiro anuncio. p. 14. 1 701. A reagáo oficial veio por meio do Papa Inocencio XI. damnabuntur propter peccata mortalia au idolatriam sed non propter peccatum infidelitatis" (Relectiones theologicae relect. pois este nao foi feito de modo crívei: "Unde non videtur quod religio christiana satis commode et pie sit illis praedicata. in: Obras. possibilidade de se chegar ao mínimo de conteúdo da fé necessário á salva ao. blasfema. contrária á piedade divina e herética " (DS 2007). O dilema apresentava-se cada vez mais cerrado: como conciliar a vontade salvífica universal de Deus e sua "'' retoma as teses jansenistas. Be141 de Vega (1498-1549). Augustinus. Depois da pregaijao do Evangelho. As grandes descobertas nao só revelavam um Novo Mundo.. 324. contra-argumentando que é "falsa. impía. aegritudine. portanto. 1 demonstra que todos os infléis estao destinados á perdido. os indios nao tinham . ut illi teneantur acquiscere (Ibidem. antes do anuncio do Evangelho " . Enquanto alguns teólogos. a violencia do processo de coloniza áo. somente pela salvafáo dos predestinados. Domingos Soto (1524-1560) e Andrés L. sans avoir la foy en /ésus-Christ. Cornélio Jansénio (1585-1638). entendida no sentido que Cristo teria morrido . sentia-se na obriga ao de repisar a sua necessidade para a salvagáo. o magistério ínterveio novamente por meio de um decreto do Santo Oficio. de urna doutrina que negava vel). entre as quais aquela que diz que é semipelagiano dizer que ' seres humanos em rela áo á salva?áo. 2305 ("o infiel peca necessariamente em cada uma de suas obras : 2308). Algumas décadas depois. identificando-a com a gra a e destituindo-a de visibilidade. que. Essai historique. sobre o " atraso " dos descobrimentos.encontra num movimento centrípeto rumo ao cristianismo (Idade Média). condenando trinta e oito teses de teólogos jansenistas atuando em Louvain338 e afastando-se. necessária rela ao com a única e verdadeira Igreja? Era necessário evitar dois riscos: o de restringir a gra a exclusivamente á Igreja. para ser rejeitada. temerária. os hereges e os outros deste género nao . De la vertu des payens. a possibilidade de urna presenta da gra a fora dos limites do cristianismo. escrito contra La Mothe le Vayer. cujo fundador. mas inauguravam o fim do horizonte eurocéntrico e. medicina adv. Augustini de húmame naturae sanitate. recebem nenhum influxo da parte de Cristo. p. 1643. 1640. 340Cf . París. condenou urna série de proposÍ9oes sobre a gra a da obra de Jansénio. 140 . Cristo morreu ou derramou seu sangue por todos os homens" (DS 2005). 339Cf De la nécessité de la foi en Jésus-Christ pour . CAPÉRÁN. Ás perguntas teológicas (sobre o destino eterno dos povos "descobertos". culpa: Barban ad quos non pervenit annuntiatio fidei aut religionis christianae . mas numa recondugao do múltiplo ao uno transcendente (Renascimento). mTridentini decreti de justificatione expositio et defensio. " " éíre sauvé. Mesmo assim. 2311. seu Doctrina s. oü ion examine si les payens et les philosophes qui onl eu la connaissance de Dieu et qui moralement ont bien vécu ont pu étre sauvés. Le probléme du salut des infideles. " .. '" Francisco de Vitoria (1483-1546). a fé implícita. auchesne. Madrid 1960. devido a que cada urna de suas a óes está contaminada pelo pecado. na terceira parte de seu Augustinus. 691). sobre seu conhecimento e observancia da lei natural. em 31 de malo de 1653. II. assim.

. cujos elementos fundamentáis devem ser individuados pela razáo. religioso. A cultura emergente propunha o abandono de qualquer preíensáo de religiao revelada para assumir uma religiao natural. será preciso situá-lo no interior do homem ou no além transcendente. QUESNEL. A apologética católica construía-se em trés degraus: no primeiro. (ed). única que vale para todos. 1668. 342G RUGGIER1. o cristianismo náo pode arrogar-se uma pretensáo universal. A religiao deixa de ser conteúdo a ser aprendido para tornar-se sentimento interior. Genova 1987. 142 vigor como a Igreja verdadeira e necessária para a salva áo eterna. sur chaqué verset. "L'apologia cattolica in época moderna". definitiva. seria possível . a Igreja era acusada de desumanidade e criticada pelos Voltaires e Rousseaus do racionalismo: Como podia Deus ter deixado fora da salva áo a maior parte do género humano? Que culpa tinha um chinés por ter nascido fora das muralhas do cristianismo? Positivamente. O desafio é fundar antropológicamente a religiao. Enciclopedia di teología fondamentale. . . Neste contexto. p. que. Como toda realidade particular. . individualizando-a e interiorizando-a. A historicizagáo do mundo leva á deshistoriciza áo e á espiritualiza9áo do religioso. por outro. assim. no caso. conse- qüentemente. a originalidade do cristianismo ficava na sombra.leva por um lado.ser. Sem nenhuma novidade.w de cuja obra o Papa Clemente XI condenará nada menos que cento e uma proposigoes por meio . " A reflexáo moderna sobre o fenómeno religioso colocava em discussáo os dados tidos por seguros no ámbito católico. a abertura ao infinito se dá a partir da consciéncia humana da própria finitude. demonstrava-se que o homem é naturalmente 143 . que era pensada ou como uma esséncia abstrata além de toda religiáo histórica (tendencia iluminista) ou como esséncia concreta em toda religiáo histórica (tendencia romántica). além da história. entre elas a que diz que "fora da Igreja nao se concede nenhuma grafa (DS 2429). 305. mas somente a razáo pode ligar o fato religioso ao património comum do género humano" 342 Estava. O contexto era uma virada cultural sem precedentes na história do cristianismo: a razáo distancia-se da fé e . a da Bula Unigénitas. Marietti. a colocar a verdade última. a religiao também distancia-se da fé. é apanágio da religiao. Distinguem-se quatro tendencias principáis estreitamente relacionadas entre si: a historiciza9áo a generalizafáo a racionaliza9áo e o antropocentrismo A historicizagáo . vindo-se do modelo histórico-evolutivo . tende a tornar-se o parámetro de avalia áo de todos os ámbitos da vida humana e critério único de verdade. a atengáo desloca-se do objeto para o sujeito em sua rela áo com Deus. Os contrastes com a Reforma náo só complicavam este quadro. já que a fé tende a dividir. mas levavam a Igreja Católica a afirmar-se com sempre maior .já que somente um pelagiano poderia duvidar de que todos os habitantes da América antes da chegada do Evangelho nao tenham sido condenados ao fogo eterno. o pensamento de Amauld será retomado por Pascal Quesnel (1634-17\9). No centro do pensamento está a capacidade do homem de autodeterminar-se. I. RUGGIERI . fundada exclusivamente sobre a razáo Desta forma. desenvolvida no ámbito das ciencias naturais. Os limites dessa relagáo náo passavam despercebidos ás autoridades eclesiásticas: o cristianismo era desligado da Igreja. . O cristianismo era visto como superior as demais religioes por realizar de forma paradigmática a idéia de religiáo. Le Nouveau Testament en frangais avec des réflexions morales . Se se quiser atribuir um valor definitivo ao j41P . in: G. a rela áo entre o cristianismo e as religioes era mediada pela religiáo. colocado o problema da relafáo entre as religioes e a religiao e teológicamente o problema da relacjao entre a religiao crista e as religioes (náo simplesmente os náo-crentes considerados . A racionalidade. . a valorizar cada acontecimento em sua singularidade e irrepetibilidade. reencontrar um principio de unidade: "nao é mais a fé que garante a estabilidade da religiao. individualmente).

1993. Porto. Joseph de Maistre e F. " nao tivesse sido anunciado ainda o cristianismo completo . ñas encíclicas Mirari " " fundamental. As na9oes. antes de Jesús Cristo. de Lamennais (1782-1854).Caieiras . A evolu áo histórica nao destruiu esta unidade " " isso estava longe do modo comum de pensar . Breve Dizionario Teológico. todos os seres humanos já possuem os elementos necessários. A reagao do magistério diante do indiferentismo pode se resumir ñas seguintes afirma oes: a) a unicidade e a sobrenaturalidade da religiáo crista. Essai sur l'indifférence en matiére de religión. que ele se encentra na verdadeira Igreja.343 Indiferentismo religioso e indife" religioso " . 345F R. neste estádío ímperfeito e transitório. A insistencia sobre este ponto provém do fato de o indiferentismo ser sustentado nao só pelos filósofos racionalistas. " volvimentos f " . nao teriam também outros deveres. boa parte de seu magistério á nossa questáo. nao eram necessários á sua salvafáo. in: Oeuvres completes. Jesús Cristo e os filósofos. . EDB. 366). Sao Paulo . além de serem criagoes naturais humanas nao sao senáo expressao dos desvíos humanos. inalmente. Nao é necessário conhecer todos esses desen- vos arbitramur (15 de agosto de 1832) e Singulari vos (25 de junho de 1834). 1820 . que nao existe uma religiáo natural. I Bruxelles. que vé os erros do século XIX concentrados no racionalismo e no indiferentismo 348 . 348Cf Alocu9ao consistorial Singulari quadam (9 dedezembrode .em seguida. nao deixa. porém. Pió IX. " . os tradicionalistas consideravam como única fonte de verdade a tradÍ9áo originária da humanidade.344 representados por Louis de Bonald. Melhoramentos. Edifóes A. mas que todas possuem traaos da revela áo de Deus e que. BOUYER. c) a falsidade das demais religioes. 285. A. a diferentja entre o cristianismo e as religióes seria apenas de grau Assim. por outro lado. CANTERA. reserva 343Cf . Bologna. para se obter a salva ao. b) a incompletude de urna religiáo puramente natural. todo verdadeiro culto é uma parte do culto crístáo. 145 144 . se é que existam. tenham podido conhecer certos dogmas. Manual de apologética. as quais . p. Encí- e 1823. nem antes nem depois de Cristo: Toda verdadeira fé é uma parte da fé crista. 1854). detectávei através de todas as crengas comuns reconhecíveis por detrás do conjunto dos mitos "" e das institui?oes político-religiosas (Cf. . 1934. L. e eles acreditaram o quanto basta crer ñas verdades que conheciam 346 Nao havendo outra ilumina<jáo. mas também por seus opositores. DE LAMENNAIS. distantes nao só da verdade revelada. Contra Lamennais pronunciou-se o Papa Gregório XVI. Portanto. . que é a Igreja Católica. 1939. . os tradicionalistas. os papas consideram o indiferentismo (no sentido de liberdade dada por Deus a cada um de escolher a "seita" á qual pensa poder aderir) como uma opiniáo a ser rejeitada da forma mais absoluta. clica Singulari quidem (17 de margo de 1856). mas também eivadas de distor oes das verdades racionáis. Seguíndo a opiniáo tradicional. pois o que é necessário para a salva áo está ao alcance de todos. que o cristianismo é a verdadeira religiáo. de ser auténticamente crista 347 Tudo " . rentismo confessional eram ligados e vistos como aspectos de um único sistema de pensamento. de fato se nao os puderam conhecer. 339. com o entusiasmo de um missionário. afirma que a salva áo só pode ser obtida na Igreja Católica. introduz no magistério 346Idem. encontrar-se-iam na situa9áo do género humano anterior a Cristo. dentro da Igreja Católica para a qual as tradigoes religiosas dos povos. . P. ele dizia: "que os impíos nao perguntem mais como estes ou aqueles homens.345 Lamennais procura mostrar. Enquanto os racionalistas reduzem tudo á razáo. mediante o estudo das religioes. Nao há mais que uma religiáo. p. d) a identifica áo entre religiáo crista e Igreja Católica. e se os [deveres] cumprissem com fidelidade seriam verdadeíramente cristas: como a crianza simples e dócil á qual ainda nao foram ensinados todos os dogmas. BOULENGER. De Leao XII a Pió IX.Rio de Janeiro. O. e portanto ainda nao pode participar de todos os mistérios.. 1938. 347Ibidem p.

c) conduzir urna vida reta e honesta. b) a declarafáo do cristianismo como "religiao absoluta" " " VI) . 1865. 1901]. Igreja. Mas. Para entendé-la. cap. Morano. Ou seja o tema da ignoráncia inven. seja confessional. Percebe-se. " mas para sublinhar que a ignoráncia culpável nao permite a salvado.3-6. Salvezza deU'umanitá e mediazione eccle- siale. cap. dado que o cristianismo é um fenómeno histórico. e esse horizonte leva a concluir que só na verdadeira Igreja é possível ter acesso ao único verdadeiro Deus.p. a unidade e a vi- sibilidade da Igreja. c) a conclusáo de que. por realizar de modo supremo o conceito de religiao. " 352 . cit. Por isso a Encíclica Quanto conficiamur nao titubeia em chamar o principio extra Ecclesiam nulla salus de "dogma católico"! O esquema De Ecclesia preparado para o Vaticano 1 .o tema (levantado por alguns teólogos) da ignorancia invencível. insistía em que a necessidade de se pertencer á Igreja Católica.3:11 " acolhia essas idéias: descrevia a unicidade. os vários tipos de indiferentismo na nota 12 do Esquema . estatuto da ignoráncia invencível possa obter a saiva áo: a) observar assiduamente a . Em ouiro texto. para a qual o cristianismo mostra 35IG . no qual se podem distinguir tres fases: a) relagáo entre as religióes e o cristianismo definida por meio do conceito de religiao . aqueles que estejam em estado de ignoráncia culpável a entrar na Igreja verdadeira. pp. realizada na Igreja Católica (cf. cap. destacando-se entre tantos o teólogo e filósofo Ernst Troeltsch (1865-1923). corpo de Cristo. CANOBBIO. condenava o indiferentismo confessional 350 isto é. acentua-se aínda mais a necessidade da Igreja. que o intento do texto nao é outro senáo combater o indiferentismo e convidar conseqüentemente.129-130 [Tübingen. se faz deslizar a afirmagáo da necessidade da Igreja do ámbito mais propriamente dogmático ao ámbito ético: quem conhece a verdadeira Igreja deve nela entrar". " . . D. afirmava que a salvaijao é possível para aqueles que se encontram numa situaQao de ignoráncia invencível (cap VII). p. 125. Concilios provinciais de Colonia (1862) e de Utrecht (1865). Estava em jogo a questáo da esséncia do cristianismo. nao é só de preceito mas também de meio (cf. op. . é a religiao de mais alta vitalidade para nós já que se mostra como a manifesta áo mais vigorosa e intensa da religiosidade " " . pois. exigía justificativas históricas sobre a verdade do cristianismo (em rela?áo as outras doutrina que considera toda forma ou sociedade da religiao crista igualmente boa e salutar (cf. o cristianismo. 1968. defen. cap. 549Cf . o pontífice explica as condigoes para que alguém enquadrado no .. cuja abordagem pode ser resumida numa fórmula: do caráter absoluto ao caráter normativo do cristianismo. 125. ocorrera urna mudanza profunda no pensamento teológico. contra os erros entáo difundidos (cf. . cf. " personalística /lrtflS. seja religioso.S. afirmava que para a salva áo é necessária . religióes) e sobre a verdade da Igreja Católica (em relajo as demais confissóes cristas). A teología e o magistério . 147 146 . sobretudo protestante. e nenhum fenómeno histórico pode ser absoluto. Napoli. contra o agnosticismo a possibilidade de se conhecer a verdade religiosa. d) através do caminho (indisponível) da "potencia operante da divina luz e da graga" (Encíclica Quanto conficiamur moerore de 10 de agosto de 1863) (DS 2866). evolu9áo da filosofía da religiao alema do sécalo XIX. diante do indiferentismo. Entrementes. lei natura! e seus preceitos. cátedra de Pedro) inspirado em Ef 4. VI nota 9). V) . entregue agora á pesquisa históricocrítica. aquela única determinada e precisa comunháo que é a Igreja visível instituida por Cristo com urna dimensao social (cf . aquela . Chiesa perché. 352E TROELTSCH. .acostumados a uma apologética sobrenaturalista. é necessário situá-la dentro da dia. can. 1). A entrada da história na pesquisa teológica.N. Deste modo. 2). ao mesmo tempo. do ponto de vista da pesquisa histórica. Pii ¡X ex quibus excerptus estSyllabus Roma.349 O horizonte é o da unidade (Deus. cível nao é introduzido para mostrar a visáo positiva que o Esquema teria em rela áo aqueles que estáo fora da Igreja . b) estar pronto a obedecer a Deus. 124. . "" Cf. L'assolutezza del cristianesimo e la storia delle religioni.

E coerente. contribuem para a edifica9ao da Cidade de Deus. percebe-se. " " " 354Cf 355Cf . Lumen gentium diz: Em qualquer tempo e nado. assim. com a tradido teológica. grabas á introdufao do famoso subsistit em substituido ao exclusivista e arrogante est (LG 8). c) o reconhecimento das religióes nao-cristas (NA 2). diretor do Centro St. a comefar por Adáo. o melhor termómetro do sentir geral de teólogos e bispos na segunda metade do século XX. " " Abrindo a apresentado da Igreja como Povo de Deus. em seus ensinamentos.355 Deixemos os textos falar. e o Pe.353 Contemporáneamente. embora nao tendo conhecido Cristo. c) a ignorancia invencível toma possível a salva9ao. Estes novos ensinamentos sao: 353A polémica entre o Cardeal R. a urna considerafáo mais positiva das outras Igrejas e religióes. ñas segundas. ou. Brescia. vel etiam post eius adventum in gentilitate " 148 149 . o significado do voto (cf. a ConstituÍ9áo diz: Entáo. " le nos Santos Padres. A relado da Comissao doutrinal es' " - " " clarece que o texto citado { Ecclesia ab Abel") é funcional á afirmado de que a salvado se dá mediante Cristo e sua " Estas novas idéias confluiráo no Vaticano II. leva em . P. 357 L/m padre conciliar manifestara o desejo de que se falasse de illis innumeris hominibus qui ante adventum Christi. Eresela. a teología católica abria-se. d) a afirmado que. todos os justos. tendo Cristo morrido por todos. de Cambridge. e pratica a justi9a (cf. uma nova orientado. Embora o texto nao fale da necessidade da Igreja para a salvaíao. mas simplesmente como ámbito" da salvado. que interpretava de modo rígido o principio extra Ecclesiam nulia salus provoca uma tomada de posi áo por parte do Santo Oficio. o Espirito Santo dá a todos a possibilidade de entrar em contato com o mistério pascal (GS 22). seráo congregados na Igreja universal junto do Pai (LG 2). O Concilio mantém a afirmafao da necessidade da Igreja para a salvado (LG 14). Nessun altro nome? Un esame critico degli atteggiamenti cristiani verso le religioni mondiali. qui non sine Christo Eiusque Ecclesia ad salutem pemeniunt" (Acta synodalia. que ocupa o segundo capítulo. desde que haja o desejo inconsciente (fé sobrenatural animada pela caridade.que todos os redimidos pertencem á Igreja. 1968 [1963]. " " " " (UR 3). SCHLETTE. como se " seriam o caminho " ordinário " . passando do antigo eclesiocentrismo ao novo cristocentrismo. no qual a Igreja nao aparece como "meio". Le religioni come tema della teología. sem dúvida. . obedecem á voz de sua consciéncia e. Com efeito. Cushing. O texto refere-se á situa9áo daqueles que. em outras palavras. é aceito por Deus todo aquele que o teme " . segundo a qual a Igreja de " gentium é. b) a admissáo que também as Igrejas e as comunidades eclesiais nao católicas sao instrumentos de salvado para seus membros . O Vaticano II significou para muitos uma virada epocal nesta questao. de modo tanto naquelas como nestas seria possível alcanzar a salva ao. KNITTER. Morcelliana. 356"//i fine paragraphi perspectiva extenditur ad omnes electos.35) (LG 9). e a Lumen Igreja. esclarece qual o sentido do dogma e repropoe. H. as religióes de salvado. a disponibilidade de fazer o que se sabe como disposto por Deus para se obter a salvado) de se aderir á Igreja.354 " a) a superado da rígida identifica ao entre Igreja católica e mistério da Igreja. desde o justo Abel até o último eleito'. Contemplando a Igreja no horizonte do designio salvífico universal do Pal.356 Como se vé. p. b) somente na Igreja Católica se tém á disposÍ9áo os meios para se obter a salva?ao. III/l. Mas. porém. fala numa perspectiva escatológica . a explicado da Comissao val além do teor do texto. DS 3866-3872). R. Leonard Feeney. precisando seus termos.insistiráo em tres idéias: a) o cristianismo é a única religiao verdadeira. que. ]. 1991.a sua verdade por intermédio dos milagres . At 10. escrevendo ao Cardeal. o caminho extraordinário pois a história "geral" da salvagáo é muito mais ampia que a história "particular" da salva ao atuada no cristianismo e na Igreja.357 O texto portanto. ainda que tímidamente. Benedict. a partir de uma considerado numérica. reconhece-se que existem sementes do Verbo. ñas primeiras véemse elementos de eclesialidade. Cristo estende o seu iníluxo á totalidade do género humano. Queriniana. e a Igreja. 172). Chega-se a defender a idéia de que. de Bostón. 122.

porém. dá a entender que. Rursus. no Concilio. afirma-se a fun9áo instrumental da Igreja em rela?ao á salva?ao da humanidade: "Assim o povo messiánico. synodalia. Nao afirma a necessidade . a fim de que ela seja. claramente dogmática. para todos e cada um. desta comunhao de vida de caridade e de verdade . qualificada como salvadora. Lumen gentium nao entra na clássica distindo de necessidade " de meio" ou "de preceito". sua fundo universal e. da Igreja. o sacramento visível questáo da funfáo da Igreja: Deus convocou a assembléia dos " desta unidade salvadora" (LG 9). Note-se ainda que as duas afirma óes estao . sabendo 151 150 . Dei aedificandam suo modo contulerunt" (Acta synodalia IIII. . " 358Propondo que se mudasse o nome do capítulo II de "De populo Dei" para .5). ou seja. que. a unidade. o n0 14 é o mais enfático: " De populo christiano" ou "De novo populo Dei" Frei A. se nao fosse a Igreja. nao poderáo salvar-se aqueles que. se ela attamen Deo secundum conscientiae dictamen oboedientes ad civitatem . com fé. . peregrina na térra. Mas a Igreja é vista como predisde unidade de toda a familia humana. . A perspectiva conciliar Na verdade o texto . tem-se a impressao de que os demais seres humanos nao perten am a Deus) e de outro. ainda que nao abranja de fato todos os . para a realizado do designio é diferente da perspectiva pré-conciliar. [o Concilio] quae tendentia variis modis suggeritur in textu Capitis eméndate. ao Apoiado na Sagrada Escritura e na Tradido. secernimus populum chistianum immo catholicum .358 vixerunt . ou por Cristo. . e com eles constituiu a Igreja. Constituido por Cristo numa . é enviado ao mundo . inculcar expressamente a necessidade da fé e do batismo (cf.justapostas . ao Povo de Deus. a perspectiva era ética.Só Cristo é mediador e caminho de salvado: ora. 689). Nessa linha. Mt 5 13-16). A inten ao parece ser a de manter a dialética entre a convic?ao de que Deus reconhece e salva em todas as na?oes. unus credebatur populus electus a vero Deo ceieri autem erant populi reprobati sequenies déos alíenos. val se realizando na historia. quia simplex formula populi Dei non plañe exit limites particularismi V Testamenti ubi . Nesse número. Me 16. Na teologia pré-conciliar. o autor da salvafao e o principio da unidade e da paz. inteiro" (LG 9). pessoas que o agradam e a afirma ao da fun áo . Fernández.conta a possibilidade de salvado daqueles que nao pertencem porém. . ele torna-se-nos presente no seu corpo que é a Igreja.apresentando também a fungiáo instrumental do povo de Deus em vista da reconcilia áo de toda a humanidade . no horizonte do designio salvífico universal de Deus. ao mesmo tempo corroborou a necessidade da Igreja. a humanidade nao conheceria e nao poderla atingir a sua meta: a unidade. . (uma vez que todos pertencem a Deus). O horizonte aqui nao é apenas escatológico. facimuspopulum diaboli. no Concilio. Por conseguinte. . No mesmo número Quase na imediata seqüéncia. que em Jesús véem. mundo e sal da térra (cf. a Igreja é necessária pelo fato de que. a Constituido retoma a homens e muitas vezes se pare?a com um pequeño rebanho é para toda a humanidade um germe validíssimo de unidade de esperaba e de salvafao. posta por Deus. maneira. escrevia: "Etenim simpliciter populus Dei esl humanitas quae per creationem pertinet ad Deum. superior geral do dominicanos. é assumido por ele para ser instrumento da redengáo universal e como luz do . mas a meta para a qual a humanidade se vé encaminhada. nao haveria na historia aquele sinal e instrumento da unidade. Sublinha. ut solum populum Dei a Iota parte humanitatis. lure enim quidam conqueruntur quod si . . portanto. á preocupado em nao identificar a Igreja com a humanidade . Jo 3. 193). saltem non populum Dei. Antes do Concilio. Vel alias facimus toíam humanitatem actu populum christianum. gradualmente. é necessária para a salvado. nao é tratado explícitamente. ensina que esta Igreja. iam hanc ceterampartem. conciliar .16. Ela vai mais fundo: nao para ela. e.intencionalmente? . na qual os homens entram pela porta do batismo. o tema era tratado sob o aspecto da pertenfa á Igreja {"de membris " ). IIII.parece responder de um lado á preocupado de que a salva áo nao seja para todos os homens (quando se diz que a Igreja é Povo de Deus. o tema da necessidade da Igreja instrumental da Igreja. ¡deo populus christianus quasi opponeretur ceteris" (Acta . existisse.

aquí na térra. A. de preceito ou ontológica . ligada á institui?ao da Igreja e ao sentido déla . no exilio. 202. retomando o ensino dos concilios anteriores.-|. op. Explica-se também o termo sacramento: sinal (signum) e instrumento salvatáo. jurídica ou histórica mas interna ontológica. GS 42 e 45 sao apenas citafóes de LG 1 e 48. busca e antegoza já agora. nenhuma contribuigáo relevante para a elucida áo do tema. Com efeito. . sinal e instrumen- 152 . ele torna-se-nos presente no seu corpo que é a Igreja ) Lumen gentium 6.6). uma analogía.361 Ou seja: o que funda a necessidade " Este parágrafo é o mais explícito da Lumen gentium . p. . teológica na "rela áo" ao número 14 em 3 de julho de 1964 359Exprime 36lCf . é apto a exprimir o sacramento eclesial de salvafao visívei a modo de um instituto sobre a térra A Igreja ou o corpo místico de Cristo sao o mesmo sujeito mas a Igreja o designa diretamente sob o aspecto de corpo social visívei e jurídicamente organizado. M. CONGAR 69. . 14 e 48. A primeira e fundamental men áo encontra-se no proe" . no éschaton. . . . . justamente naquela frase em que o Concilio pretende esclarecer a natureza e a missao da Igreja: " . entre Igreja e sacramento: tudo é precedido por um veluti (como que) indicando. . . Igreja é em Cristo como que sacramento. S Tomás. a Comissáo . cit. nao como signum e instrumentum da salvagáo O motivo da necessidade da Igreja é na verdade a presenta de Cristo mediador e caminho de salvagáo e aquilo que ele dispós em relagáo á fé e ao batismo que sao elementos constitutivos fundamentáis da Igreja Na verdade nao se trata só de um preceito de Cristo mas de uma ligafáo entre Cristo e a sua Igreja uma liga?áo que nao é meramente externa. . (instrumentum). . . . porque a . recusam-se a entrar ou a perseverar na Igreja católica". A referencia - ao batismo . isto é. sinal da unidade dos homens com Deus e entre si [sinal manifestante do plano de Deus] e meio pelo é . . " " 14 ( Só Cristo é mediador e . Summa Theologiae III q. cf. . " Acta synodaüa. 7. estabeleceu indicar a necessidade de meio em virtude do único salvador. . sinal e ins" . quais a Igreja é apresentada como sacramento nao oferecem " . a.. a sua natureza e a missao universal" (Lumen gentium. Nossa análise concentrar-se-á em LG 1. . sob o aspecto da sua vida interna dependente de Cristo Senhor" (Y . até aparecer refulgente de gloria com de Cristo . gentium como sacramento de salva?áo. é de caráter cristológico 360 Instada a definir se se trata de uma ao mesmo tempo. . mio. nao se . Os demais textos conciliares nos coloca mais o problema dos meios de salva áo nem a Igreja poderla cumprir esta fun áo.. Cristo". Due ecclesiologie. táo . corpo . p. o seu Esposo (cf. 9. caro á teología de Lutero: Mas enquanto. . muito bem esta distin?áo Congar: "O termo 'corpo de Cristo' . A questao da culpa evidentemente depende do conhecimento no caso um conhecimento devidamente qualificado conhecimento nao só da Igreja mas da Igreja como "necessária" á 359 . O texto conciliar em que esta consistencia cristológica da saiva?ao aparece com maior clareza é paradoxalmente Lumen gentium " . E indica-se de que a Igreja é sacramento: da unidade dos homens com Deus e entre si. . E . propoe-se explicar com maior clareza aos fiéis e ao mundo inteiro. onde Cristo está sentado á direita de Deus. . trumento. portanto. ACERBI. . . . se caminho de salvagao: ora. 1). 153 porque a Igreja é em Cristo como que sacramento. "in fine retoma o tema do escondimento {Verborgenheit). a identidade . Decretum pro Armenis (D 696). onde a vida da Igreja se encontró escondida com Cristo em Deus. SC 5 e 26 tomam o termo sacramento no sentido muito ampio de mistério enquanto AG 1. 8). 362 Nao se afirma porém. . da uniáo íntima com Deus e da unidade de todo o género humano. da uniáo íntima com Deus e da unidade de todo o género humano. 498ss. Cita da Igreja para a salvagáo é sua rela áo com Cristo. A Igreja.14) 362"E . . Por esta mesma razáo a Igreja é apresentada na Lumen duas passagens da Escritura e nenhuma da TradÍ9áo apesar da solene aíirma9ao inicial Pala de Igreja "peregrina" a bem da verdade urna desnecessidade pois. isto é. III I.. to. a Igreja prossegue na sua peregrinafáo longe do Senhor (cf ¿Cor 5. o termo 'Igreja' ao invés. " . A necessidade da Igreja como meio de salvafáo foi estabelecida por Cristo Trata-se de uma disposi?áo positiva . presta a exprimir in recto a grafa de salvafáo recebida de Cristo ou a realidade escatológica da salvagao e da vida eterna. Quomodo exponi exprimique possit nexus ínter homines extra Ecclesiam visibilem exstantes et Corpus Mysticum P II 24.porta por meio da qual se entra na Igreja necessidade de meio . "'" Cf. as coisas do alto.que Deus a fundou por Jesús Cristo como necessária á salva530. Cl 3. pois existirá simplesmente como res. perene. portanto.

Seria no sentido em que a Igreja é germe validíssimo de unidade. 16. G. PHILIPS. sobre o aquém. . a fé introduz uma dimensao cognitiva sobre o sentido da vida presente. 4. Uma tal afirmafao nao é exata nem do ponto de salutífera unidade (tradufáo: Vozes). humanidade. " da paz .. é possível detalhar nos limites deste estudo. Daqui deriva a missáo universal da Igreja: fazer com que os seres humanos possam viver em comunháo com Deus e entre si. CANOBBIO. diga sobre como a Igreja pode exercer esta fungáo Muito menos interessado em tal precisáo é a última passagem em que a Constituifao apresenta a Igreja como sacramento: Quando foi levantado da térra Cristo atraiu a si todos os homens (cf Jo 12. o autor da salva?áo e o . Nestes termos. sentado á direita do Pai atua continuamente no mundo para conduzir . . e para. é necessário conferir: LG 13. Rm 6 9). introduzindo-a no Deus. como sacramento universal de salvado. 142-156. AG 7. Igreja. op. La Chiesa e ¡l suo mistero. . que náo . . de espe" " ranza e de salvafáo (LG 9)? Ou no sentido da ajuda que " a Igreja oferece á humanidade.).365 Alias.a fim de que ela seja para todos e para cada um o sacramento visível desta 154 que. . cit. . op. sobretudo se levarmos em conta o ensinamento conciliar a respeito dos que náo pertencem á Igreja Católica (LG 15-16) e sobre a relagáo com os náo-cristáos e náo-crentes. vai-se além da questáo da ligado que os individuos devem ter com ela em vista da salvagáo. porém. 11. crendo. A questáo toma-se mais profunda: sem temente a sacramentalidade da Igreja ("sacramento visível") e que a fun9ao salvífica da Igreja nao diz respeito apenas á humanidade em geral mas a cada ser humano . liga estreitamente a necessida- principio da unidade e da paz.2.comunidade congregada daqueles para contradizer. mas para situar num contexto mais ampio a afirmagao do principal redator da Lumen gentium. ductilidade e as conseqüéncias da no áo de sacramento aplica- . os A visáo aqui parece claramente eclesiocéntrica: embora situada no mundo ( atua continuamente no mundo") a a?áo de Cristo . é cristológica: na da á Igreja. colocando-a num novo contexto eclesioló- os homens á Igreja e por ela os unir mais estreitamente a si gico. portanto. Segundo Acerbi. Mas o Concilio náo diz como . nem do ponto de vista histórico. 14. NA 2. Enfim. Nao " conduzir os homens á salva?ao. ressuscitado de entre os . "a virada impressa á Constitui áo 364"Alguns pensam que a Igreja Romana. pp. 365Cf . a Igreja apresenta-se como o lugar de urna experiencia que nao se dá fora déla: ai se experimenta a restauragáo da 565"Deus vista teológico. Salvezza deü'umanitá e mediaziona 155 ecdesiale. 169). em síntese.32 gr. a fim de que ela seja para todos e cada um. A motivagao do sentido da Igreja porém. UR 3.364 mas é certo que a abriu consideravelmente. Pode-se até concordar com Philips que o Concilio náo abandonou a doutrina tradicional. de da Igreja e sua fun9áo em relagáo á humanidade. . . 13)? mortos (cf.. É em virtude de sua fungáo de sinal e instrumento que a Igreja O Concilio. que continua a considerar-se como a única verdadeira Igreja.qual Deus realiza o seu plano [instrumento]. constituiu o seu corpo que é a . Nesse sentido. Chiesa perché. e com eles constituiu a Igreja . enviou sobre os apostólos o seu Espirito vivificador e por meio dele. a Igreja faltarla no mundo o sinal da salvafáo. nunca se avaliaráo suficientemente a riqueza. alimentando-os com o próprio corpo e sangue tornar participantes de sua vida gloriosa" (LG 48) " . a Igreja náo é apenas o sinal. autor da salva?áo e principio da unidade e convocou e constituiu a Igreja . A análise do artigo K da Lumen gentium é a prova (G. a está voltada para a Igreja ("conduzir os homens á Igreja") . embora nada . do qual a Igreja de novo é dita " " Reino de germe (LG 5. cit. voltam seu olhar a Jesús. Da mesma linha é aquela frase de Lumen gentium 9 que já analisamos sob outro aspecto: "Deus convocou a assembléia dos que em Jesús véem com fé. e o mundo nao teria possibilidade de conhecé-la e de experimentá-la. a Igreja pode desempenhar essa fun áo. 15. praticamente abandonou o seu pretenso monopolio de Igreja a vida de Cristo é acessível de modo original Além disso. DH 1. o sacramento visível desta unidade salvadora" 363 O texto ensina redundan- pode ser dita necessária. mas também o instrumento da salva?áo. p.

devem-se distinguir a res salutis e eficaz. na sua forma histórica nao se identifica com tal comunháo senáo pelo aspecto pelo qual é a uniáo dos fiéis com Deus em Cristo. . é o sacramento da unidade que Deus vai realizando na humanidade mas. c) a Igreja é funcional ao Reino de Deus. . Synodus. entre a necessidade da Igreja para a saiva?áo e a salvafao que ACERBI. tem eficácia salvífica somente para quem de fato se une a ela mediante os nexos de pertenfa societária [fé. procedem segundo as normas da honestidade e da justifa. ser o éschaton.(pelo que. com efeito. ao menos tendencialmente de . 500. assim como os que voluntariamente se separam da unidade da Igreja e do Pontífice Romano. e nao podem obter a salva?ao aqueles que. trouxe os seus frutos também neste ponto . a quem o Salvador confiou a guarda da sua vinha . isto é.. c) a Igreja é o lugar da germinal. O axioma "extra ecclesiam nulla salas" desenvolve-se aqui . mas b) na Igreja sacramento. pelo que nao é possível pertencer a Ele sem pertencer á . . Mas também é conhecida esta verdade católica.. com o auxilio da luz divina e da gra a. Era o horizonte do Esquema preparatório De Ecclesia: "Docet s. 157 . Pode-se alcanzar a vida eterna. que só pode mas. Ad gentes 7. . batismo. p. a que conduz a visáo " . seriam apenas ordenados a ela por um elemento intencional. o 'voto Desta maneira se enfraquece a necessidade da Igreja para a salvafáo (tratar-se-ia. porque Deus. conduzia ao fato de que ' relagao com a igreja Mas se a graga entra como constitutivo Igreja nao se identifica com o Reino a cuja unidade inal todos os seres humanos sao chamados ela nao é destinada necessariamente a recolhé-los todos na sua forma atual de unidade visível A Igreja. sucessor de S. do essencial do sacramento eclesial entáo a sua posse é o título fundamental de perten a a ela De outro lado dado que a . dor de uma gra$a que nao tem nada a ver com a sua constituÍ9ao .na Encíclica Quando conficiamur aos Bispos da Itália: Os que vivem em ignorancia invencível a respeito (Acta synodalia I IV. com pleno conhecimento. nele porque ele acontece mediante a acolhida daquela procla156 portanto. sinal e instrumento do designio de Deus. todavía. em outro. ecclesiam esse necessariam ad salutem. II. fit. que o de Pie IX . dado que ele se oferece a nós na Igreja. é a visao de Igreja que permite superar as aporias. A Consti- mas a sitúa num contexto eclesiológico novo: a) a Igreja é sacramento. . só " de uma necessidade de preceito) e nao se dá conta da universalidade da mediafáo salvífica confiada á Igreja (Ibidem. a Igreja nao é mais vista em primeiro lugar como urna sociedade na qual os vínculos interiores nao sao nem suficientes nem necessários para a pertenfa.. podem. T).nao querendo absolutamente canonizá-lo . 8-9). no fim. cit. modo visível (considerando que a gra9a tende a manifestar-se também socialmente)" O que se justifica tanto pelo fato de a Igreja ser sacramento quanto por sua relagáo com o Reino: De um lado se a igreja fosse somente um órgáo distribui" lógica em toda essa questao.. de que a Igreja é agora sinal e instrumento na térra " 366 . e os que. hierarquia] (N. tada. p. Pedro. . Unas enim Christus est Mediator ac via salutis qui in Corpore suo. nerao salutem obtinere valet. nao permitirá que seja condenado as penas eternas aquele que nao for culpável de falta alguma voluntária. 18.. de nossa santa religiáo e observam com solicitude a leí natural e os preceitos gravados . aparentemente Deus realiza fora da Igreja Católica: "A concep?áo identificando estreitamente corpo místico e Igreja visível. O que conta é pertencer por gra a a Cristo. na sua soberana bondade e clemencia.. nao é a meta dessas tensoes. pertence também a esta (de necessidade de meio) invisivelmente . de fato. " sociefária de Igreja. nos seus coraijoes. op. mas como comunháo de gra a com Cristo sacramentalmente manifesIgreja) que ela é portadora. 498). depois de repetir '" A como sacramentum salutis . . dizer que todo processo de salva áo nao se realiza fora de uma relafáo com a Igreja: ela está presente . quod est Ecclesia praesens nobis fit". sacramentum salutis. . "extra Christum . O Vaticano II insiste. na necessidade da Igreja. nisi membrum ecclesiae exsistat vel voto ad eam ordinetur " f " . que podem obter a salva?áo embora nao pertencendo á Igreja. parece mais fechado . íntima institucional. embora aberta a todos. possuir a gra9a nao comportaría por si uma . pela grafa se Se Lumen gentium 14 provoca uma reviravolta cristo- mas também. qui nobis in Ecclesia praesens nao só . segundo a qual " ma9áo de salva áo ligada á própria existencia da Igreja e de ninguém se pode salvar fora da Igreja Católica. prontos a obedecer á voz de Deus. esta. na verdade. Due ecclesiologie. e) a Igreja. p.. d) a Igreja é o lugar de convergencia das tensoes rumo á unidade presentes na humanidade. e se realiza mediante a insergáo do ser humano naquela comunháo de vida divina. Os nao-católicos. nulla salus". Na verdade. sao rebeldes á autoridade e ás decisoes da Igreja. tui áo diz: "Ecclesiam hanc peregrinantem necessariam esse ad salutem. experiencia da unidade do género humano. sim. Esse texto.

O Vaticano II. recursos que o próprio Concilio abandonou 367 . Trata-se. (Hb 11. origina de Deus e a Deus tende. LG 16)" (P.11. Problemi eprospettive di teología fondamentale Queriniana. . vável urna resposta unívoca seja positiva seja negativa á questáo que foi colocada .° do número 2 da Declara?ao Nostra aetate. 158 . na verdade. indispensabilidade da fé em Deus: "Deus pode por caminhos só dele conhecidos levar os homens que sem culpa própria ignoram o Evangelho Pois sem a fé é impossível agradar-lhe .para usar a linguagem de Lumen gentium 10 . Emi. 370G . Lumen gentium. O'COLLINS (ed. LATOURELLE . . Nao sendo o desejo explícito nao sendo o desejo implícito. construida de madeiras que nao apodrecem. O Concilio superou o eclesiocentrismo típico da dou- trina precedente? Nao.). mas para " . op. explícitamente admitido pelo Concilio o significado da mediafáo da decisáo de cons ciéncia individual mediante a dimensao social das religioes Neste sentido restrito. Segundo _ próprio alcance salvífico sobrenatural (. " " novembro de 1964. de um 'teocentrismo' no sentido em que tudo se " . segundo o Concilio. como muitos o fizeram após o Concilio. 175. haer... p.G.. seria necessário reter como alguns intérpretes o Concilio atribuí as religioes um verdadeiro e " . há um único e idéntico Deus Pai com o seu Verbo: ele está sempre presente ao género humano com várias economías e operou de diversas maneiras a salva?ao daqueles que desde o inicio se salvaram" (IRENEU. 28. cf. 1976 pp. 369 Sabe se que os Padres conciliares rejeitaram a proposi?ao [a Igreja] ensinada sobre as várias economías {dispositionibus) imediatamente antes da expressao " e religioni: un problema contemporáneo" in. Gesú Cristo incontro alie religioni Cittadella. na medida em que objetivam e . refietem aquela luz do Verbo que ilumina todo ser humano De fato. R. que "velo nao para destruir a criatura. Adv. De fato. o caminho.368 Estariam entre os caminhos só de Deus conhecidos e de que Ele se serve para conduzir á fé sem a qual é impossível agradá- Dizer cristocentrismo talvez seja dizer pouco. ROSSANO Teología . inteiros sistemas religiosos podem ser meios providenciáis e vias de salva?ao. 374. .2). assumida e superada (no sentido daAufhebung). Articular a necessidade de Cristo com a indispensabilidade da fé será tarefa da teología nos anos sucessivos ao Concilio. (AG 7)1 Estes raios que procedem do Verbo poderiam ser caminhos de salvado?369 O Concilio nao o diz em nenhum lugar. e. Poder-se-á dízer com cautela que elementos concretos das religioes ou também nos melhores casos. 14). Apresentada pelo Cardeal Bea na rela?áo de 20 de " " .. Chiesa perché. um O Concilio nao indica as modalidades pelas quais a Igreja exerce seu influxo sobre aqueles e aquelas que ainda nao a conhecem. se com isso se entende que a Igreja é considerada um dos meios para se chegar á salvatjáo. CANOBBIO. a verdade e a vida. Esta madeira que nao apodrece " - " . total e definitiva do O embasamento buscava-se em S. Sim.NA2. EVERS. nao meramente quantitativa. IRENEU: " . esta arca é a Igreja. baseava-se no fato de que Cristo é a revela ao assumi-la e reconciliá-la com o Pal " Pal. - A arca flutuou durante quarenta dias e quarenta noites sobre as águas do diluvio.a doutrina tradicional termina insistindo na centralidade e . p. A diferenfa. . Sobre esta questáo das religioes como vias de salvagao diz o saudoso Rossano: "É impro. os homens que ignoram o Evangelho sem culpa própria única exce áo. considera com sincero respeito que inicia atualmente o parágrafo 2.pp. Storia e salvezza. é claro para o cristao que a única via de salvafao é Cristo As religioes podem sé-lo na medida em que acolhem e expressam o seu influxo e ilumina ao Nesta direfáo se colocam as indicafoes do Concilio (cf AG 3. e a Igreja tem valor370 somente enquanto é sinal e instrumento do plano de Deus Esta arca é a Igreja " " .6)".179).). Assi5i. meio que se diferenciarla . totalmente compreensível é o caso dos catecúmenos (cf . . DUPUIS. 190ss. é qualitativa. 156.só em grau em relajo aos outros. cit. . Bologna. mas sua avalia ao positiva das religioes certamente nao o impediría de aproximar as duas afirmagoes. onde podem existir raios de Verdade que véem do Verbo sejam caminhos de salvado para seus adeptos. (se as religioes sao vías de salvado). mesmo assim ao menos direta e explícitamente parece nao chegar a afirmar que as religióes como tais . Salvezza dell'umanitá e mediazione eccle159 siale. se com esta supera?áo se entende que a Igreja é poderia ser o encontró dos seres humanos com o mistério pascal por meio do Espirito (GS 22). as religioes podem ser indicadas sem dúvida como caminhos de saivaíáo para os seus adeptos (G. portanto. J. . . . Brescia. - pensada em relagao ao designio universal de salvagáo em ato em toda a extensao do universo ou ao Reino de Deus que é sempre gratuitamente oferecido a todos. Aiém disso. IV. 1980. lo.

de um Concilio que se quis pastoral (que peso teria um concilio que nao fosse por natureza dogmático e canónico. mas complegientaridade. a arca está no diluvio. 292. in: Acta synodalia I IV. . eminentemente caducos?). permanecendo com seus discípulos durante quarenta dias. 160 1962.sao as almas dos santos e dos justos. mas o tempo presente. 3"G B. que naturalmente existe entre as duas. como os anteriores?) e sobretudo de urna Constituido que se auto- define como pastoral (seus ensinamentos nao sao meramente circunstanciáis. purificam a Igreja há fogosamente bons e maus.. de perspectiva. ao qual se opoem o século futuro. se há dentro da arca animáis puros e impuros. Entre Lumen gentium e Gaudium eí spes nao há oposi- encamado do Cristo (S. Capítulo 14 animáis puros e impuros. O que nos convida a entender que. Sermo 264. na arca havia animáis puros e impuros. Ela contém. Deus nao aceita depois do diluvio senáo os que foram purificados. para todos é necessária a fé na . AGOSTINHO. é atormentada pelas águas. . 4 de dezembro de . A palavra século (saeculum).é clara a 372L "' . em: PL38. também nao deveria " . Mas. ainda Cardeal Montini: "O que é a Igreja? O que a Igreja faz? Estes sao os ' " . Na Lumen gentium . As duas Constitui óes sao justamente aquele elemento estrutural que alguns Padres Conciliares sugeriram como portante de toda a obra conciliar. O Senhor.a Congrega?áo gerai. É o tempo em que os cristaos sao balizados e lavados pela água. Enquanto ela vive neste século. transitorios. SUENENS. como o diluvio. MONTINI. p. a eternidade e a vida eterna. apesar da diferen a de conteúdo e. nao significa cem anos. na Dei Verbum .. " Qáo. Interven?áo na 33.de Ecclesia ad extra 512 ou. NECESSÁRIO NEXO ENTRE A CONSTITUI ÁO DOGMÁTICA LUMEN GENTWM . 161 . depois que Noé saiu da arca ele nao ofereceu em sacrificio a Deus senáo animáis puros (Gn 6 8). e outra. aqui. 223. " ser causa de maiores problemas. organizada em torno de dois eixos: "O Concilio seja um Concilio de Ecclesia e se articule em duas partes: de Ecclesia ad intra .também. na expressáo do Papa Paulo VI. 5. in: Acta synodalia I IV. "pastoral". 1216). apesar das interpreta oes apressadas e reducionistas. aliás. p. entretanto. dignou-se significar que durante todos estes tempos. J. para nao dizer esvaziadoras. assim como. Durante todo o tempo em . E A CONSTITUI ÁO PASTORAL GAUDWMET SPES que estamos aqui embaixo. sob alguns aspectos. pontos principáis em redor dos quais se devem dispor todas as quest5es deste Concilio 373 O fato de urna constitui áo ser dogmática". A arca parece navegar sobre as águas durante esses quarenta dias.371 e as águas do batismo.