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Gottfried de Purucker e a autoconfiança

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Gottfried de Purucker e a autoconfiança

Gottfried de Purucker (abreviadamente GdeP) foi um dos grandes líderes de uma das Sociedades Teosóficas, no caso, a Sociedade Teosófica de Point Loma (que em 1951 haveria de se dividir numa guerra de sucessão entre James Long e William Hartley, ficando o primeiro a liderar a atual Sociedade Teosófica de Pasadena enquanto alguns elementos que haviam sido expulsos ou que saíram voluntariamente constituíram a chamada tradição de Point Loma, da qual a principal representante é neste momento a Blavatsky HouseST Point Loma). De Purucker esteve à frente da referida organização entre 1929 e 1942, sucedendo à controversa Katherine Tingley, que por sua vez tinha herdado a sua posição de William Quan Judge, um dos fundadores da Sociedade Teosófica original. O principal contributo de GdeP terá sido o de ter procurado tornar mais acessível a literatura deixada por Helena Blavatsky, tentando inclusive desenvolver alguns pontos (o que lhe granjeou algumas críticas de desvirtuação dos conceitos da chamada Teosofia original). No entanto, na generalidade, o trabalho de GdeP é olhado com respeito, independentemente do quadrante do movimento teosófico que se lhe refere.

Katherine Tingley (1847-1929)

Um de sete irmãos, Hobart Lorenz Gottfried von Purucker nasceu em Suffern, Nova Iorque a 15 de janeiro de 1874. Pouco depois dos seus sete anos, e enquanto vivia no Texas, GdeP foi acometido de febre tifóide, tendo sido declarado morto pelo médico. Em 1997, o High Country

Theosophist republicou um texto onde GdeP confessava que, tal como tinha acontecido com William Judge, também no caso dele, tinha havido uma ocupação de um corpo moribundo por um chela tibetano. Em 1888, a família instalou-se na Suíça, onde GdeP recebeu educação do seu pai, de vários tutores e também no Colégio de Genebra. A intenção do pai de GdeP era prepará-lo para uma vida eclesiástica, tendo-lhe ensinado Hebraico, Grego e outras línguas, como o Italiano e o Espanhol. Vivendo na Suíça, aprendeu francês e falava também Alemão (língua paterna) e Inglês (língua materna). Ainda adolescente, já fazia traduções de textos religiosos em Grego e Hebraico. Com o passar dos anos, GdeP começou a se interessar por textos de proveniência oriental, tendo começado a estudar Sânscrito ainda antes dos 18 anos.

Gottfried de Purucker em 1892

É nessa altura também que descobre a Teosofia, algo que o ”sobressalta”. O efeito foi profundo: “O meu coração despertou, tal como a minha mente tinha despertado antes. Mas agora, fruto do estudo da literatura teosófica, o meu coração despertando, eu comecei a perceber o que existia, não só em mim, mas nos meus companheiros; e eu disse a mim mesmo: De agora em diante a minha vida será consagrada àquilo que eu sei ser a Verdade.” (Questions we all ask, 2:514)”. Em 1892, GdeP viajaria até San Diego, Califórnia, onde um dia assistiu a uma palestra de Teosofia. No dia seguinte visitou uma biblioteca teosófica e a partir desse dia passou a estudar Teosofia diariamente. No ano seguinte filiou-

se na Sociedade Teosófica (na altura ainda não se tinha registado divisões) e em 1894 conheceu Judge. Na Loja de San Diego organizaria um curso sobre a Doutrina Secreta, “moderando e guiando os estudos dos seus membros, a maior parte dos quais eram consideravelmente mais velhos do que ele”. É a GdeP que se atribuiu a primeira ideia da construção de uma grande instituição teosófica em Point Loma, que viria ser a sede durante mais de 40 anos, da Sociedade Teosófica criada por William Judge. Até ao final do século, GdeP viajaria pela Europa onde conheceu Katherine Tingley, a sucessora de Judge. Em 1903 junta-se a Tingley em Point Loma, onde trabalharia incansavelmente não só dando palestras, mas também ocupando-se da gestão e trabalho burocrático da Sociedade. Entre 1924 e 1927 ministrou um conjunto de sessões a estudantes do grupo esotérico de Tingley sobre a “Doutrina Secreta” que viriam a ser compiladas em Fundamentals of the Esoteric Philosophy (1932), uma das obras mais conhecidas de GdeP.

A imponente sede da Sociedade Teosófica e Fraternidade Universal em Point Loma

Em meados de julho de 1929, Tingley morre na Suécia na sequência de complicações derivadas de um acidente de viação ocorrido um mês e meio antes na Alemanha. Quinze dias depois do falecimento de Tingley, GdeP assume a líderança da Sociedade Teosófica e Fraternidade Universal (o nome então da Sociedade Teosófica, hoje conhecida como “de Pasadena”) passando a atuar também como líder externo da Secção Esotérica. Um das primeiras medidas tomadas por GdeP foi o de encurtar o nome da organização para Sociedade Teosófica. Ele tinha também o objetivo de dinamizar a Sociedade, aumentar o número de membros e torná-los mais participativos, não só na divulgação da Teosofia, mas também na realização de atividades. O secretário Geral Joseph H. Fussell, resumiu a administração de GdeP da seguinte forma: “O amor é o cimento do Universo. Aprende a perdoar. Aprende a amar.

Cada um de vós é um Deus encarnado. Que assim seja!”

GdeP, J.Fussell e Elsie Savage na Suécia (1931)

GdeP tentou também fomentar o diálogo entre as diferentes organizações que se formaram a partir da Sociedade Teosófica matriz. Vários foram os convidados para uma convenção realizada em 1931, para comemoração do centenário do nascimento de Helena Blavatsky. Nesse encontro, o discurso de GdeP era intitulado “Fraternidade no Movimento teosófico”. A iniciativa de GdeP não foi completamente coroada de sucesso, mas as tensões e rivalidade entre os vários grupos teosóficos baixaram de tom. Foi também durante a administração de GdeP que se desenhou o que viriam a ser os Collected Writings (Escritos Reunidos) de HPB, para os quais Boris de Zirkoff havia começado a reunir documentos em 1924. Quatro dos catorze volumes (existe ainda o volume XV que é um índice) dos Collected Writings foram publicados entre 1933 e 1936 (mais tarde esses quatro volumes seriam alvo de uma revisão, sendo publicados pela ST Adyar). Iniciaram-se também durante a liderança de GdeP os trabalhos de um novo e aumentado Glossário Teosófico que “passasse o teste académico e também o teste de fidelidade para com os ensinamentos de sabedoria universal reapresentados por H.P. Blavatsky”. Embora tivesse passado pela mão de diversos líderes daquela Sociedade o volume nunca foi publicado em papel, embora esteja disponível online.

A principal mais-valia dos escritos de GdeP é a apresentação panorâmica das ideias fundamentais da Teosofia moderna conforme foram transmitidas por HPB e os seus instrutores. Embora às vezes consideradas controversas no seu tempo, particularmente por teosofistas das outras organizações, as suas ideias e interpretações estão firmemente enraizadas nos escritos de Blavatsky. Na verdade tudo aquilo sobre que GdeP falou pode ser encontrado nos trabalhos dela, de forma mais ou menos desenvolvida. Frequentemente, ele apelava aos leitores para “saírem fora da caixa”, usarem a intuição e irem para lá dos hábitos limitativos do pensamento.

Foto de De Purucker já perto do final da sua vida

Além de Fundamentals of the Esoteric Philosophy (1932), Golden Precepts of Esotericism (1931) e The Esoteric Tradition (1935) são as principais obras de GdeP. Nesta última ele discorre sobre os conceitos de karma, reeencarnação, morte e renascimento, a relação da Teosofia com a ciência, religião e filosofia. Mas existem mais livros da sua autoria… Em termos de administração, o período que abarcou a liderança de De Purucker não foi fácil, seguindo-se à Grande Depressão. A sucessão de problemas financeiros levou-o a trocar Point Loma por instalações mais modestas em Covina, no ano de 1942. Poucos meses depois da mudança, mais exatamente a 27 de setembro de 1942, GdeP viria a falecer.

GdeP deixou um valioso legado através da sua exposição profunda da sabedoria perene, não apenas nos seus aspetos intelectuais mas mais particularmente na sua dimensão ética e intuitiva. Ele procurava inspirar os seus ouvintes e leitores no estabelecimento de um equilíbrio entre o intelecto, a compaixão e a intuição e instava-os a guiarem os seus aspetos limitados e auto-centrados pelo seu Eu espiritual universal. A união do ser humano com o deus interior é a grande tarefa de cada indivíduo. Trazer ao máximo número de pessoas possível a “Visão Sublime” das realidades espirituais por trás do universo material, do qual de cada de nós é parte inseparável, era o seu objetivo. Este resumo biográfico é uma adaptação do texto de Sarah Belle Dougherty publicada na extinta revista Sunrise (edição de abril/maio de 2000).

O motivo deste post foi uma mensagem colocada no Theosophy Forum pelo conhecido teosofista Nicholas Weeks com um diálogo entre um estudante e GdeP, retirado do 1º volume de Dialogues of G. de Purucker (p.149-150), que de seguida se traduz. "Estudante – Mas não deve o próprio aspirante fazer todos os esforços possíveis para atingir a vitória? G de P – Certamente, ele tem que dar todos os passos ao longo do caminho para a vitória. Ele não é conduzido lá. Cada passo tem de ser dado por ele. Como poderia ser de outra maneira? Os humanos adultos não são alimentados como bebés. Nós alimentamo-nos, mantemo-nos informados, ensinamo-nos, fazemos o nosso caminho no mundo, e se isso é uma necessidade na existência humana comum, posso dizer que é dez vezes a mesma necessidade na vida esotérica. Aí temos que vencer tudo. E porquê? Porque estamos simplesmente a trazer para fora aquilo que está dentro de nós, a nossa própria vontade, a nossa própria consciência tem de ser desperta, completamente desperta e através dos nossos próprios esforços. Não podemos ver a não ser que usemos a faculdade da visão. Não podemos compreender através da mente de outrem. Não é isso evidente? Temos de adquirir tudo o que viermos a ter no treino esotérico. E isto é porque, para aqueles que não entendem, existem aspetos do treino esotérico que podem parecer um pouco difíceis, porque as pessoas no Ocidente foram criadas na ideia de que elas devem ser conduzidas à vitória, salvas pelo “sangue do Cordeiro” e todo esse tipo de disparates. Isto recorda-me dos ensinamentos dos “Escurinhos”, os Irmãos da Sombra, com o intuito de por todos a dormir, tentando minimizar os impulsos espirituais individuais do nosso próprio ser! Não, o contrário é que é verdade! Não podemos viver através dos outros. Temos que despertar a chama sagrada na nossa própria alma. E o mesmo acontece com cada um dos outros passos no progresso espiritual e intelectual que fazemos. Como é possível experienciar a alegria inefável de ser Um com o Todo, apenas por ouvir que alguém atingiu esse estado? Nós próprios temos de ser o veículo de luz interior, devemos adquiri-la. Está acima e dentro de nós, dandonos força e inspirando-nos. Sejamos essa luz!
publicado a 28 de dezembro de 2012 em http://lua-em-escorpiao.blogspot.pt

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