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ALGUMAS LINHAS SOBRE O CASO SEAN GOLDMAN À LUZ DO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO Tailan Tomiello Costa O caso Sean

Goldman refere-se ao menino nascido nos Estados Unidos, de pai americano e mãe brasileira (cidadão americano, portanto), que, aos quatro anos de idade, com autorização do pai, foi trazido ao Brasil pela mãe. Aqui chegando, ela informou ao pai de Sean que o casamento estava terminado e que não mais voltaria aos Estados Unidos com o garoto. Configurou-se então sequestro parental, nos termos da Convenção de Haia, além de ela ter sido condenada por contumácia pela suprema corte de Nova Jersey. No Rio de Janeiro, Bruna adquiriu a guarda definitiva de Sean e divorciou-se unilateralmente do Pai dele, ambos os atos concedidos por juiz brasileiro. Posteriormente, casou-se com o advogado João Paulo Lins e Silva. Em 2008, Bruna falece ao dar a luz a uma menina, e o seu esposo adquire a guarda de Sean, requerendo, dentre outros atos, a supressão do nome do pai biológico de sua certidão. A concessão da paternidade ocorreu no mesmo dia do seu requerimento. O casamento realizado nos Estados Unidos é perfeitamente válido no Brasil, eis que observou as formalidades impostas pelo Tio Sam e seu reconhecimento não ofende a ordem jurídica de Banânia – casamento monogâmico heterossexual entre duas pessoas civilmente capazes de acordo com a lei brasileira. Com relação ao segundo casamento de Bruna, nada há que se lhe possa opor. O casamento anterior com o pai de Sean foi extinto por ato jurisdicional que lhe concedeu o divórcio (o ato foi correto? O ato foi devido? Não importa. Foi realizado sem impugnações, portanto tem efeitos). Desta forma, inexistia qualquer impedimento ao ato, nos conformes do código civil, que rege este segundo matrimônio. Portanto, ambos os casamentos ocorreram em situações inimpugnáveis. No que concerne à existência de coisa julgada ou litispendência internacional, não se visualiza ações idênticas sendo propostas em ambos os países. Bruna requereu a guarda da criança, enquanto que o pai requereu seu retorno aos Estados Unidos.

é perfeitamente possível a existência de ações idênticas em países distintos. Destarte. se a ação proposta em Pindorama fosse idêntica à americana. apenas seria óbice ao seu sucesso a homologação da sentença proferida pelo judiciário norte-americano. este ato jurisdicional não é dotado de efeito em território brasileiro. . Senão. A decisão transitada em julgado no território brasileiro obsta a homologação de sentença estrangeira posterior. isto é. não fosse esse caso. Da mesma forma. a homologação de sentença produzida no estrangeiro impedirá que se discuta a matéria no Brasil.Entretanto.