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Texto geral-espa%C3%A7o simples

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O ser humano, como espécie, ganhou horizontes vastos do planeta desde alguns milhões
de anos atrás. De uma dezena de milhares de anos para cá, passou a influir decisivamente no
ambiente em que habita, alterando-o segundo seu próprio interesse e suas necessidades. Tais
alterações passaram a ter significância relevante a partir da primeira revolução industrial, por
volta de 1.750, quando se transformaram em processos agressivos e danosos6

. Presenteado
com o privilégio de um entendimento mais amplo e de um cérebro melhor elaborado, pôde
adaptar-se a condições naturais que se lhe demonstravam adversas. Conseguiu se estabelecer
em regiões específicas e deitar raízes no solo, através de um processo de agricultura rotativa e
de exploração pecuária, abandonando o modelo de coletor-caçador até então observado.
Estabelecido, pôde criar estratégias de conquistas e de avanços na área tecnológica.

Filho de estrela colapsada7

, ocupou e dominou todo o planeta.

Por um lado, processos refinados de elaboração cerebral o protegeram dos perigos do
ambiente: aprendeu a dominar o fogo, a construir moradas seguras contra intempéries e a se
resguardar dos predadores. Por outro, ampliou cada vez mais suas habilidades na confecção
de ferramentas e de uma infinidade de parafernálias tecnológicas que permitiram condições de
existência mais saudável e com melhor qualidade.

Como resultado, a duração da vida dos membros da espécie passou a ter uma média cada
vez maior, enquanto os índices de morte pré-natal e das gestações frustradas foram se
reduzindo cada vez mais. A fórmula traduz um enunciado óbvio: mais proteção, menos

6

SIRVINSKAS, Luís Paulo. Tutela Penal do Meio Ambiente. 3.ª ed. São Paulo: Saraiva, 2.004. P. 4-7.

7

VAUCLAIR, Sylvie. Sinfonia das Estrelas – A humanidade diante do Cosmos. São Paulo: Globo, 1.997.
Trad.: MONTOIA, Ana. P. 131-3.

16

predadores, melhores condições de vida, longevidade, tudo isso é igual a crescimento
demográfico.

Vale a pena, nesse instante, lembrar-se que o planeta Terra é um sistema praticamente

fechado8

que criou e manteve condições adequadas ao desenvolvimento da soma de processos
calcada na cadeia orgânica a que se chama vida, adotando mecanismos extremamente
complexos para preservá-la, como, por exemplo, um cinturão magnético que nos guarda de
perigosa e letal radiação solar9

. E sustenta esse intrincado processo – que, profusamente
estudado e cada vez menos conhecido, desafia e maravilha a ciência – através de um método
equilibrado de perfeição inigualável.

A lógica do método sempre se calcou no equilíbrio e, portanto, aparentemente não
comporta a hipótese de sobrecarga numérica quanto aos indivíduos de uma determinada
espécie que a compõem. Existem, claro, mecanismos de auto-regulação que, como válvulas
de segurança, são acionados sempre que a harmonia do sistema é posta sob risco de
desequilíbrio, afetando a rede global de processos de produção e de transformação naturais10
.
A inteligência do sistema – se assim pode ser chamada a pressão de retorno ao equilíbrio
original – está limitada, no entanto, por complexo processo de cálculos e ações que
demandam tempo pois não previram em seus termos essenciais o fator racionalidade,
substância incorpórea e inexplicável, e seu potencial de alterar o ambiente de forma
demasiadamente acelerada. Essa força extra, que provavelmente foi o fator decisivo para o
domínio da espécie humana no planeta, fez pesar a balança do equilíbrio natural em um de
seus pratos, já que, como se disse, é dotada de aceleração e velocidade muito mais rápidas que
a reação dos métodos de recuperação natural11
.

O resultado conseqüente nada mais poderia ser do que uma dilapidação brusca dos
recursos disponíveis no planeta, usados como habitação e conforto, bens de consumo ou
riquezas acumuláveis, e acima dos padrões permitidos pelo processo de equilíbrio a que
anteriormente se referiu.

Hoje em dia já se tem certeza científica de que a pressão extrativista sobre as riquezas
naturais para utilização humana é insuportável aos mecanismos de recuperação. O ser humano
esboça, timidamente, um arremedo de despertar de um sono de ignorância que o mantém
inerte há milhares de anos, e, recentemente, passou a vislumbrar acanhada contabilidade que
engloba, dentre o que comumente contabiliza como riquezas, o valor inestimável da prestação
de utilidades oferecida pelo sistema natural, os chamados serviços ambientais.

Não há contabilidade macroeconômica que se possa sustentar, em nenhuma fórmula
matemática, como definitiva se não considerar o valor da utilidade dos préstimos que à
humanidade são concedidos – e na maioria das vezes por ela usurpados – do ambiente
natural12
.

8

VAUCLAIR, Sylvie. Op. cit, p. 31-2.

9

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Sol e energia no terceiro milênio. São Paulo: Scipione, 2.002. P. 35.

10

CAPRA, Fritjof. A Teia da Vida – Uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. São Paulo:

Cultrix, 1.997. P. 172-3.

11

BRANCO, Samuel Murgel. Meio Ambiente & Biologia. São Paulo: SENAC, 2.001. P. 146-7.

12

ALMEIDA, Fernando. O Mundo dos negócios e o Meio Ambiente no Século 21. In: TRIGUEIRO, André
(Coord.) Meio Ambiente no Século 21. 2.ª ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2.003. P. 135.

17

O interesse pelo equilíbrio da balança ambiental planetária, que passou a compor a
preocupação dos estudiosos a partir de meados do século passado, toma hoje em dia novas
forças em face de estudos recentes que apontam o imenso déficit do sistema natural em face
de sua exploração pela espécie humana. Um dos estudos mais ruidosos nesse campo é aquele
apresentado há pouco, preliminarmente, no proto-relatório conhecido como “Relatório de
Avaliação Ecossistêmica do Milênio
”13

, uma avaliação prévia que, elaborada por técnicos de
quase cem países, concentrada em um documento de mais de dez mil folhas, desmascara
definitivamente o exacerbado imperialismo humano sobre a natureza.

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