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A UTILIZAÇÃO DE INDICADORES SOCIOAMBIENTAIS NO PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DA MICROBACIA DO RIO SAGRADO: RELEVÂNCIA DA INTERDISCIPLINARIDADE E TRANSDISCIPLINARIDADE

NAS ABORDAGENS SOCIOAMBIENTAIS Christian Henríquez1, Carlos Alberto Cioce Sampaio2, Ivan Dallabrida3, Oscar Dalfovo4
“Tudo que acontecer à terra acontecerá aos filhos da terra...a terra não é do homem; o homem apenas pertence à terra.” Carta do chefe índio Seattle ao presidente dos EUA (Franklin Pierce), 1854.

Resumo O objetivo deste artigo é propor a construção de indicadores socioambientais na microbacia hidrográfica do Rio Sagrado, localizada no Município de Morretes, Estado do Paraná, APA de Guaratuba, ReBIO de Floresta Atlântica. Estes indicadores são o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e o ecological footprint (Pegada Ecológica). O propósito de utilizar estes indicadores no médio prazo é tentar refletir e mensurar as inter-relações das distintas dimensões socioecossistêmicas, convertendo-se desta maneira, em ferramentas para o estabelecimento de estratégias e tomadas de decisões que visem o planejamento para o desenvolvimento sustentável da microbacia do Rio Sagrado. Palavras Chaves: Indicadores socioambientais; Índice de Desenvolvimento Humano; Pegada Ecológica; Socioecossistema; Transdisciplinaridade Resumen El objetivo de este artículo es proponer la construcción de indicadores socioambientales en la microbacía de Río Sagrado, situado en Municipio de Morretes, Estado de Paraná, APA de Guaratuba, ReBIO de Floresta Atlántica. Estos Indicadores son el Índice de Desarrollo Humano (IDH) y ecological footprint (Huella Ecológica). El propósito de usar estos indicadores en un mediano plazo, es intentar medir las inter-relaciones de las distintas dimensiones socioecossistemicas, convirtiéndose de esta manera, en herramientas para el establecimiento de estrategias y tomas de decisiones que busquen el planeamiento para el desarrollo sustentable de la microbacía de Río Sagrado. Palabras Llaves: Indicadores socioambientales; Indice de Desarrollo Humano; Huella Ecologica; Socioecossistema; Transdisciplinariedad.

1 Msdo. em Desenvolvimento Regional (FURB), Pesquisador do Instituto LaGOE e do Instituto de Turismo da Universidade Austral de Chile E-mail: christianhen@gmail.com 2 Pós-Doctor em Ecossocioeconomia, Professor da Universidade Regional de Blumenau (FURB) e Coordenador de Instituto LaGOE, E-mail: sampaio@furb.br ou sampaio@lagoe.org.br 3 Ms. em Desenvolvimento Regional, Universidade Regional de Blumenau (FURB), Pesquisador do Instituto LaGOE 4 Doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento, Professor da Universidade Regional de Blumenau (FURB) E-mail: dalfovo@furrb.br

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2005). ou pelo menos. 2008). de modo que possam ampliar as oportunidades de trabalho e renda de agrupações urbanas e rurais excluídas da economia de mercado (SAMPAIO 2008. com vistas à mensuração e análise das inter-relações das suas distintas dimensões socioecossistêmicas. caracterizado. Um desdobramiento do ecodesenvolvimento. In: KELLER ALVES. chamados de empreendimentos compartilhados. paralelamente ao aumento dos níveis de desigualdade entre o centro e a periferia. produto também da utilização exagerada dos recursos naturais não-renováveis. porém. Paradoxalmente. pelo alto grau de industrialização dos diferentes processos produtivos e pelo crescimento exponencial dos recursos tecnológicos utilizados naqueles processos. Existem.. Tem-se então o que Sampaio (2005) denomina “beco sem saída”. hoje amplamente difundido e aceito mundialmente pela comunidade internacional. de outro lado. O objetivo do presente artigo é propor a utilização de indicadores socioambientais na microbacia do Rio Sagrado.1. inversamente. de um lado. produziu como resultado uma sociedade alicerçada em uma racionalidade altamente economicista-utilitarista-consumista (SAMPAIO. inclusive dentro de entidades de grande influência como o Banco Mundial e a ONU. Pretende-se utilizar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e ecological footprint (Pegada Ecológica segundo a tradução brasileira) 20 . remete à sua autodestruição.Introdução O século XX foi testemunho de significativas transformações em todas as dimensões da existência humana (HOBSBAWM apud VAN BELLEN. Tais transformações são resultados do modelo de desenvolvimento hegemônico imposto pelos países do hemisfério norte chamados de desenvolvidos (países do centro). minimizar os efeitos perversos deste padrão: uma delas é a teoria conhecida como Ecodesenvolvimento (SACHS. é a ecossocioeconomia que se caracteriza por privilegiar os estudos que possibilitam a viabilidade macro (interorganizacional) e microeconômica (organizacional) de grupos organizados ou quase organizados articulados. denominados subdesenvolvidos ou em desenvolvimento (paises periféricos). em que reina uma grande disparidade dos padrões de vida e de consumo da população. no qual dá respostas aos problemas cotidianos. se presta a facilitar a vida das pessoas e aumentar a expectativa de vida das populações. Este modelo de desenvolvimento excludente. 1986). sobre os paises do hemisfério sul. no início. o uso abusivo da ciência e tecnologia (que são consideradas por muitos como únicas tábuas de salvação para as crises contemporâneas). e. 2006). considerada precursora do conceito do desenvolvimento sustentável. esforços na tentativa de reverter.

e 250 famílias não-residentes. pertencente à Área de Preservação Ambiental (APA) de Guaratuba. Trata-se de uma comunidade que busca mecanismos de adaptação na tentativa de superação de crises econômicas. cujo objetivo geral é propor a construção e a utilização de indicadores socioambientais para uma bacia hidrográfica. Segundo Keller Alves (2008) no local concentra-se uma povoação de 520 famílias. aqueles indicadores como ferramentas para o estabelecimento de estratégias e tomadas de decisões que visem o planejamento para o desenvolvimento sustentável da microbacia do Rio Sagrado. Sustentável. Interdisciplinaridade. Desenvolvimento hidrográficas. proprietários de chácaras ou sítios para o lazer. Canhembora. das quais aproximadamente 270 são consideradas residentes . de modo que os indicadores se convertam em ferramentas para o estabelecimento de estratégias e tomadas de decisões que visem o planejamento para o desenvolvimento sustentável da microbacia do Rio Sagrado. A intenção de utilizar estes indicadores no médio prazo é mensurar e analisar as interrelações das distintas dimensões socioecossistêmicas. Transdisciplinaridade e Bacias 21 . Brejamirim e Candonga (Município de Morretes.predominantemente pequenos proprietários rurais -.. para a construção dos indicadores socioambientais. Enfatiza-se.consolidando-se.Metodologia Este artigo é uma combinação entre estudo exploratório e pesquisa bibliográfica. isto é. desta maneira. PR). Reserva da Biosfera de Floresta Atlântida (ReBIO). composta pelas comunidades de Rio Sagrado do Alto. localizada no Município de Morretes no Estado do Paraná. A área de estudo está centrada no contexto de um projeto em andamento na Zona Laboratório de Educação para o Ecodesenvolvimento na bacia hidrográfica do Rio Sagrado. a necessidade e relevância de abordagens interdisciplinares e até transdisciplinares face à complexidade da problemática ambiental. O artigo inicia com uma pesquisa bibliográfica que aborda temas relacionados à Gestão do Conhecimento. baseando-se principalmente em atividades econômicas apoiadas na agricultura familiar e no artesanato com fibras naturais (bananeira e cipó imbé). 2. Indicadores Socioambientais. Processo de Tomada de Decisão.

há tempos. esgotamento dos recursos naturais. Note-se que esta insustentabilidade não é atribuída somente ao modelo de desenvolvimento.. 1993). em detrimento de outras racionalidades”.3. assumindo a sociedade atual como insustentável a médio ou longo prazo reforça as preocupações com as dimensões socioambientais do desenvolvimento. são apontados como os grandes causadores do que hoje se entende por problemática ambiental.A problemática ambiental e a questão da ecossocioeconomia Após quase dez mil anos da aparição do homem na face da Terra. na criação incessante de necessidades visando à acumulação. apoiado na produção pela produção. p. questionando a racionalidade econômica e tecnológica dominante. o modelo hegemônico e sua tríade – mercado.produto do modelo de desenvolvimento já mencionado que não leva em conta a capacidade de carga do planeta. chegou-se a um mundo-sociedade que tem por paradigma de desenvolvimento. energéticos e de alimentos (SACHS. a finitude dos recursos não tem muita importância para o atual modelo de desenvolvimento. cujas externalidades são amplamente conhecidas pela sociedade: poluição e degradação do meio ambiente. A ascensão do ambientalismo como movimento histórico a partir da década de 60. Fato é que. no século XX. que é possível ser medida e mensurada. a problemática ambiental se converteu. Diante deste quadro de crises patológicas em nível mundial é inevitável e premente colocar em discussão novas teorias que vão além do papel de criticar o atual modelo de 22 . tecnologia e produção -. numa crise de civilização. 117). em que atores diversos e relativamente autônomos interagem de forma permanente gerando conflitos: conflitos de interesse entre os próprios atores e conflitos destes com o meio ambiente. Como ressalta Andri Stahel (2001. 2008). numa crítica ao atual modelo: “o capitalismo marcou a inversão dos meios econômicos em fins. Caracteriza-se por estar centrado na racionalidade econômica. Quando se aborda e tenta explicar a problemática ambiental há que se entender que ela surge do resultado da ação antrópica sobre o território . mas se estende às instituições e valores predominantes na sociedade. um modelo que parece ter esquecido que o planeta tem uma capacidade de carga finita. As preocupações com os “resultados negativos” do processo de desenvolvimento são recentes. que se caracteriza por não levar em conta os custos socioambientais decorrentes das diferentes atividades produtivas (SAMPAIO. Nesse sentido. Leff (1994) afirma que. Villaverde (1997) comenta que o estágio em que se encontra a humanidade é o de um mundo complexo.

A ecossocioeconomia1 está imbricada na discussão sobre a problemática ambiental. 2007). petróleo. grandes incêndios provocados por falta de umidade na atmosfera e temperaturas elevadas no Verão Californiano (2007) ou as mortes e o terrorismo com sua lógica própria compensatória a um sistema que lhe parecem injusto no atentado no World Trade Center (2001). não apenas sob a perspectiva da chamada ecoeficiência que tenta incorporar o discurso ambiental no management. Se ainda não bastasse a crise ambiental. Porém. que responde por 80% do total das emissões lançadas na atmosfera e produzido pela queima de combustíveis fósseis. mas que mostrem novos caminhos a seguir. gás natural e carvão). sobretudo baseadas na participação e no compartilhamento de responsabilidades no processo de tomada de decisão. mas fundamentalmente no repensar da racionalidade por trás do processo decisório quando se implementa um estilo de planejamento e de gestão organizacional conectado à perspectiva do desenvolvimento sustentável (ALIER. 2007). um construto teórico-empírico chamado de Ecossocioeconomia. dentre os quais se destaca o dióxido de carbono. assim. as inundações costeiras provocadas pelo furacão Katrina em New Orleans (2005).desenvolvimento. formulado pela World Meteorological Organization (WMO). Surge. O sistema 23 . no âmbito do United Nations Environmental Programme (UNEP) mesmo os mais céticos racionalistas economicistas não conseguem mais ficar indiferentes a tais prognósticos. divulgado em 2007. Baseando-se no último relatório do Intergovernmental Panel of Climate Change (IPCC). os Indicadores de Desenvolvimento Humano (IDH) apontam que vinte e seis por cento da população mundial concentra oitenta por cento de toda riqueza (PNUD. Quando se prospecta os próximos 50 ou 100 anos da economia mundial.Meca da sociedade urbana industrial -. Incorporar a complexidade socioambiental no mundo dos negócios é fundamental. Pergunta-se então se não seria o momento para iniciar uma reflexão? Que lógica ou racionalidade é esta que está por trás da ação social que conduz a tomadas de decisão que gera tamanhos impactos socioambientais? Algum dia esta riqueza concentrada será finalmente redistribuída? O que deverá acontecer para que ela finalmente se inicie? A exemplo dos Estados Unidos da América . emerge uma demanda por tecnologias sociais. Este quadro mundial de tamanha desigualdade social não difere proporcionalmente da realidade brasileira. exemplificado pelo princípio poluidor-pagador2. sobretudo após a Revolução Industrial (WMO-UNEP. Este relatório revela que a mudança climática em curso tem como principal causa a ação antrópica (representada pela emissão de gases de efeito estufa. 2007).

Vale a pena recordar que se trataram de comunidades que tinham como característica de produção e de distribuição o princípio da domesticidade. Mau por fundar suas políticas em uma moral utilitarista individualista. tal como proposta pelo liberalismo de Stuart Mill3 e. não se deve presumir que a domesticidade baseia-se num ethos isento de utilitarismo. Quando se tenta abordar os problemas socioambientais atuais. dentre as quais um homem de conteúdo vazio. anterior a isto. 2000). Por extensão. de certa maneira. ou. isto é. Nesta época. deve valer também da lógica instrumental de maneira que haja interlocução com o paradigma economicista que sob tais argumentos apresentados. que não se confundam a racionalidade instrumental individualista com a coletiva. 1983). sem necessariamente estar vinculado a cálculos utilitaristas entre meios e fins que presidem à criação e aplicação de técnicas baseadas nos vetores de eficiência e eficácia econômica (WEBER. 2003). 2004). deve-se destacar o fato de que o conhecimento deve considerar tanto o conjunto de certezas que se têm sobre a 24 . não as abstratas leis da oferta e da procura (FINLEY. 2003. 4. uma re-interpretação do conceito de razão hobbesiano. em todas as áreas do conhecimento. para uso próprio (POLANY. uma espécie de resgate de valores relacionados ao que os gregos chamavam de oeconomia. contudo era visto como somente um meio para alcançar outros fins e não um fim em si mesmo. por sua vez. Leff (2002) sugere que para pensar uma racionalidade ambiental. não seria difícil de redenominá-lo como mau desenvolvimento (SACHS. Entretanto. os bens e serviços circulavam através de mecanismos de reciprocidade e redistribuição mais do que de mercados impessoais (como na economia moderna). está se consolidando um novo ponto de vista que propõe que toda ação científica tende a se organizar como uma prática que transcende o conhecimento de uma disciplina isolada. Para Max-Neef (2007) a grande dificuldade na gestão do conhecimento é que os problemas contemporâneos são enfrentados e resolvidos sob uma visão disciplinar. Este modo de produção perdurou a partir da sociabilidade de seus membros e não para salvaguardar interesses individuais na posse de bens materiais. incluindo as ciências sociais. e as relações sociais eram as que fixavam os preços. esta útltima associada a valores perenes.Da Interdiciplinaridade até a Transdisciplinaridade na Abordagem socioecossistêmica de uma Microbacia Atualmente. ao bom desenvolvimento estaria associada.ainda parece ser capaz de contabilizar tragédias tornando tudo um resíduo aceitável do processo racional produtivo de mercadorias. econômicas e ambientais. a racionalidade coletiva com a substantiva. Contudo.

2002). Neste artigo. definir sinteticamente o conceito de bacia hidrográfica. 2002) Na perspectiva dos pesquisadores e planejadores.” (SCHULTZ et al. Do ponto de vista do planejamento e da gestão do desenvolvimento regional... cada vez mais é visto como uma unidade de planejamento e gestão para o desenvolvimento sustentável do território que abrange. porém. 2000). o conceito de bacia hidrográfica tem sido ampliado para além dos aspectos meramente hidrológicos. quanto fatores de incerteza. (2002) uma bacia hidrográfica pode ser definida como o conjunto de terras drenadas por um corpo principal de água e seus afluentes. em determinada escala espaço-temporal entre componentes físicos e inanimados e os componentes vivos. segundo sua localização. as bacias hidrográficas se apresentam como objetos de estudo com uma visão integradora e unificada do planejamento. denominados afluentes e subafluentes (REDE DAS ÁGUAS. Mas para se entender porque uma microbacia é considerada um ecossistema complexo. 2002). Um ecossistema pode ser definido como uma unidade espacialmente explícita que inclui todos os componentes bióticos e abióticos dentro das suas fronteiras de influências. como litorâneas ou interiores (idem).natureza. preocupados com a conservação dos recursos naturais. das mudanças nos padrões do uso da terra e as implicações ambientais (PIRES et al. 25 . possibilitando abordagens e estudos sob as mais diversas perspectivas (SCHULTZ et al. entendendo-a como um ecossistema complexo que. 2007). um certo consenso entre os pesquisadores e gestores do conhecimento que desenvolvem estudos sobre as microbacias. que já não dependem somente de causas naturais.. principais e secundários. o objeto de estudo é uma microbacia hidrográfica. Reforçando essa afirmação. A idéia de bacia hidrográfica está associada à noção da existência de nascentes. mas também da intervenção ativa do homem sobre o mundo e das interações deste para com a natureza (HENRÍQUEZ. pode-se ressaltar o fato de que a bacia hidrográfica é a unidade territorial adotada para a implementação da Política Nacional de Recursos Hídiricos pelo Ministério do Meio Ambiente e Agência Nacional da Águas. em considerá-las verdadeiros ecossistemas. divisores de águas e características dos cursos de água. Existe. faz-se necessário. Segundo Pires et al. considerando também conhecimentos do tipo biofísicos. As bacias podem ser classificadas de acordo com sua importância como principais (as que abrigam os rios de maior porte). Alguns autores consideram o ecossistema como sendo “Uma interação. secundárias e terciárias.

PAVÉ In: VIEIRA E WEBER. uma mesma bacia hidrográfica pode se expandir entre diversos territórios produtivos. isto é. uma abordagem satisfatória e de credibilidade. pesquisar um ecossistema que interage com a realidade. especialmente no caso de um ecossistema natural já alterado pelos impactos da ação antrópica. significa estudar.Assim. requer um olhar transdisciplinar. O mesmo autor enfatiza que existem múltiplos aspectos e maneiras de abordar os ecossistemas. 1994). a partir da colaboração de diversas disciplinas e não somente como o tratamento comum de uma temática4 (LEFF. repensar as atuais metodologias utilizadas no estudo das bacias hidrográficas (entendidas como unidades de planejamento ecossistêmico para o desenvolvimento). sociais. de uma correlação metodológica. Não são mais tão raros os estudos que utilizam equipes interdisciplinares teóricas. dependendo sempre dos objetivos perseguidos em cada processo de pesquisa. Um dos fatores que se deve levar em consideração na análise de um ecossistema é a ampliação de sua complexidade. uma vez que. Outra característica que deve ser levada em conta na pesquisa e planejamento com ênfase regional de uma bacia hidrográfica. porém. e cujo pano de fundo seja o planejamento e gestão regionais. de um planejamento que permite trabalhar de maneira articulada e orientar os processos para um conhecimento integrado entre diferentes disciplinas. 1994). tecnológicos e educativos (VILLAVERDE. Assim. 1998). segundo Garcia (1994) um elemento da realidade que envolve aspectos físicos. A interdisciplinaridade teórica pode ser entendida como a construção de um novo objeto científico. econômicos e políticos. requer. é a dificuldade na delimitação do espaço de abrangência desta. políticos e administrativos. de uma problemática comum (JOLLIVET. Neste contexto. como as urbanizações (GARCIA. ou de assentamentos humanos de diversos tipos. sem dúvida alguma.que cada vez mais afeta os modelos éticos. produto da exploração dos recursos renováveis ou nãorenováveis. capaz de explicar a natureza sistêmica e complexa do problema a ser abordado/pesquisado. biológicos. superando-se as abordagens tradicionalmente pautadas na visão de uma única perspectiva do conhecimento. que intente abranger toda a diversidade dos problemas encontrados em um ecossistema complexo. o que se pretende com este artigo é enfatizar que essa nova abordagem na geração e gestão do conhecimento . Nas palavras do mesmo autor 26 . Segundo Villaverde (1997) o enfoque ecossistêmico parte de um modelo mental. A verdadeira interdisciplinaridade pressupõe uma cooperação intensa e coordenada sobre uma finalidade. científicos. 1997) -.

é o conceito que evoluiu a partir da interdisciplinaridade e que convencionou-se chamar de transdisciplinaridade. conceitos. além de reunir em seu bojo elementos biológicos e sociais. funcionando como ferramentas de apoio aos tomadores de decisões e àqueles responsáveis pela elaboração de políticas em todos os níveis. então. por exemplo. GUERRERO. Por esse motivo. termos e inclusive corpos teóricos inteiros para outros. 41). 2006). 5. ainda muito discutida. Pode-se concluir. têm relevada importância. encerra uma série de processos produtivos.Traduzir esta idéia ao plano da ação supõe buscar aproximações metodológicas coerentes. nos quais uns transferem métodos. que fazem parte de um movimento que ganha força e. como são os sistemas ambientais (VILLAVERDE. 1997. os quais são incorporados e assimilados pela disciplina importadora. os indicadores podem servir de alerta no sentido de prevenir e/ou amenizar os 27 . A transdisciplinaridade segundo Villaverde (1997) se traduz no processo de intercâmbio entre diversos campos e ramos do conhecimento científico. a metodologia interdisciplinar apresenta-se como a formula mais apropriada para se associar diversos enfoques na interpretação de realidades complexas. se faz necessário a incorporação daqueles custos permitindo-se balizar os processos de tomada de decisão na elaboração de políticas públicas. embora ainda pouco utilizados5. Uma das maneiras de calcular estes custos é por meio dos indicadores socioambientais. que o contexto transdisciplinar adapta-se e pode ser capaz de melhor responder às dúvidas suscitadas pelo conceito de socioecossistema. resultando num conjunto de relações ainda mais complexas..característico do desenvolvimento das ciências. Outra metodologia. mas que pode prestar auxílio aos atores que interagem no processo de planejamento e gestão para desenvolvimento das bacias hidrográficas. além de serem norteadores para que se mantenha o foco em direção ao desenvolvimento sustentável (GARCIA. induzindo a um processo dialético de avanço e retrocesso do conhecimento . Ao fazê-lo. p. Esta metodologia é útil a partir do momento que se concebe que o espaço territorial ocupado por uma bacia hidrográfica. Além disso.A importância dos Indicadores Socioambientais: IDH e Pegada Ecológica na bacia hidrográfica de Rio Sagrado Uma das características marcantes do modelo de desenvolvimento econômico hegemônico é não levar em conta os custos socioambientais decorrentes das atividades produtivas industriais. que. Os indicadores são necessários para monitorar o progresso nas distintas dimensões.

notando-se uma grande disparidade entre os países do hemisfério sul e do norte. desta maneira. o aumento do volume dos recursos destinados à expansão e melhoria dos serviços públicos. O objetivo dos indicadores socioambientais para um desenvolvimento mais sustentável é o de promover uma maior consciência acerca das implicações da problemática ambiental e do desenvolvimento. Também podem ser úteis como ferramentas para disseminar idéias. longevidade (esperança de vida ao nascer) e renda (PIB per capita). isto é. Faz-se necessário 28 . O segundo pilar relaciona-se com os recursos que cada País deveria investir para proporcionar um desenvolvimento humano. com vistas à mensuração e análise das inter-relações das suas distintas dimensões socioecossistêmicas. para medir o nível de desenvolvimento humano dos países a partir de indicadores de educação (alfabetização e taxa de matrícula). sociais e ambientais decorrentes de uma determinada atividade. mas são adaptados para avaliar as condições de núcleos sociais menores. Variações do IDH como o IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) medem os mesmos fenômenos. desenvolvimento das pessoas e desenvolvimento pelas pessoas. centro-periferia. desenvolvimento para as pessoas. pensamentos e valores. O objetivo deste artigo é propor a utilização de indicadores socioambientais na microbacia do Rio Sagrado. localizada no Município de Morretes no Estado do Paraná.impactos econômicos. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi criado pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq com a colaboração do Prêmio Nobel de Economia de 1998. sobretudo saúde e educação. aqueles indicadores como ferramentas para o estabelecimento de estratégias e tomadas de decisões que visem o planejamento para o desenvolvimento sustentável da microbacia do Rio Sagrado. isto é. sendo crucial o estabelecimento de uma nova forma de compartilhamento dos frutos do crescimento econômico pela população. O primeiro pilar relaciona-se ao fato de que o modelo de desenvolvimento de caráter meramente economicista relegou o ser humano ao segundo plano. Como não é de se estranhar. isto é. Pretende-se utilizar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e ecological footprint (Pegada Ecológica segundo a tradução brasileira) consolidando-se. geralmente entre os países com IDH mais elevado estão os países desenvolvidos. A essência do desenvolvimento humano centra-se em três pilares fundamentais que buscam explicar e entender o processo de desenvolvimento como conceito mais amplo e complexo. o indiano Amartya Sen. isto é. com a criação de um ambiente propício para que os seres humanos possam explorar as suas potencialidades e se tornarem melhores durante o processo.

ou seja. tal como o próprio ecossistema que tenta medir: em alguns casos específicos é impossível se chegar a um índice satisfatório. embora os níveis atuais de consumo médio por pessoa chega a 2.. de maneira democrática. E o terceiro pilar refere-se ao empoderamento da sociedade civil. 1997). Contudo. 2005). e 5) hectares de floresta necessária para absorver o CO2 provocado pelo consumo energético da humanidade. Segundo Hans Michael Van Bellen (2006) foi um trabalho pioneiro acerca do tema. O fundamento teórico da pegada ecológica relaciona-se com a capacidade de carga que é definida como a capacidade máxima de população que um sistema pode suportar de maneira indefinida no mesmo sistema (VAN BELLEN. desde a escala global (WACKERNAGEL et al. lembrando-se que as gerações futuras devem ter as mesmas possibilidades de satisfazer suas necessidades. 4) hectares marinhos necessários para a produção de peixes..7 hectares a capacidade biofísica do planeta por habitante. seu grau de sustentabilidade. Esta é mais uma comprovação do resultado modelo de desenvolvimento pautado numa racionalidade economicista-utilitarista-consumista (SAMPAIO. A análise da pegada ecológica tem sido aplicada em diferentes níveis escalares. 2007). 2) hectares necessários para proporcionar o alimento vegetal. 2007). se tem estimado em 1. gerar infra-estrutura e centros de trabalho. 29 . que marca o início da pegada ecológica como ferramenta para medir e difundir o desenvolvimento sustentável. existem muitos métodos para estimá-lo a partir da análise dos recursos que uma pessoa consome e dos resíduos que ela produz7. porém. O objetivo fundamental consiste em avaliar os impactos sobre o planeta de um determinado modo de vida e. que o cálculo da pegada ecológica é complexo. 1997) até o nível da moradia. saúde e educação. 2006). ao fato de que as próprias pessoas. é um indicador que surgiu com o lançamento da obra “Our ecological footprint” de autoria de Wackernagel e Ress (2001). Do ponto de vista global. A pegada ecológica pode ser definida como “a área de território ecologicamente produtivo necessária para produzir os recursos utilizados e para assimilar os resíduos produzidos por uma população da com um modo de vida especifico de forma indefinida” (WACKERNAGEL et al. Deve-se ressaltar. devam estabelecer o nível de desenvolvimento que desejam6 (PNUD. O estudo da pegada ecológica observa cinco aspectos que auxiliam na composição do índice: 1) quantidade de hectares utilizados para urbanizar.investir em nutrição.8 hectares8 (MAX-NEEF. 3) hectares necessários para pastagens que alimentam o gado. O ecological footprint ou Pegada Ecológica (segundo a tradução brasileira). conseqüentemente. o que se revela como uma de suas dificuldades.

regiões. Para tanto. incerto e instável de hoje (e a problemática socioambiental.Considerações Finais Como medir o desenvolvimento? Há muito tempo organismos internacionais. Fato é. na tentativa de obter respostas convincentes aos novos desafios. sociais e ambientais e. APA de Guaratuba. por exemplo) exige abordagens sistêmicas e integradas. governos. propôs-se neste artigo a construção de indicadores de indicadores socioambientais na microbacia do Rio Sagrado. capazes de indicar caminhos alternativos para os novos e antigos desafios que se apresentam.. Neste sentido. aqueles 30 . Resumindo-se: o ambiente complexo. que. a construção de indicadores requer abordagens que abandonem a perspectiva unidisciplinar e o raciocínio cartesiano e rumem para perspectivas inter e até mesmo transdisciplinares. locais e comunidades. embora muitas vezes se obtenha apenas índices de crescimento. acompanhando as discussões emergentes em torno da sustentabilidade. desta maneira. diante deste cenário e. Tal preocupação ganha força num contexto em que se cristaliza a problemática ambiental. localizada no Município de Morretes. a construção de indicadores tem sido a ferramenta mais utilizada por aqueles que objetivam mensurar o estágio de desenvolvimento de países. capazes de contemplar as variáveis econômicas. utilizando-se o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e ecological footprint (Pegada Ecológica segundo a tradução brasileira) na tentativa de se consolidar. ReBIO de Floresta Atlântica. quanto nacional. instituições acadêmicas e pesquisadores tentam responder a essa questão. regional e até mesmo local. ao mesmo tempo. serem aceitos cientificamente no que se refere à credibilidade dos resultados. a possibilidade da criação de indicadores mais abrangentes. o Produto Interno Bruto (PIB) permaneceu por um longo período sendo utilizado para medir a riqueza das nações. tanto em nível global.6. questiona-se hoje. acabando por ser alvo de críticas devido à sua abrangência restrita em não responder às necessidades contemporâneas e sendo substituído pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Seguindo essa afirmação. Num processo evolutivo. Estado do Paraná. por meio de variáveis econômicas. aceito amplamente em nível internacional por ser considerado o indicador mais completo – apesar de suas limitações – ao incorporar dimensões socioeconômicas. O objetivo é poder mensurar e analisar as inter-relações das distintas dimensões socioecossistêmicas.

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devendo ser ampliada em virtude do crescimento econômico de países emergentes e populosos como Índia e China. Tal fato é preocupante. Segundo ele. Ecological footprints of nation: how much nature do they use? How much nature do they have? Toronto: Earth Council for the Rio+5 Forum. M.. a emergência de novas áreas temáticas e da constituição de novas disciplinas ambientais (. 2 Entretanto. L. February. 2001. pois numa comparação com o estilo de vida e consumo norte-americano (considerado o extremo da insustentabilidade). William. b) A integração interdisciplinar de especialidades diversas e de um conjunto de saberes existentes em torno de um objeto de estudo e de uma problemática comuns (. quanto à evolução acelerada das agressões ao meio ambiente nas últimas décadas e sua maior divulgação. 2007). N. O primeiro prefixo “Eco” (Oikos = Casa) refere-se à ecologia e reforça o que o segundo prefixo “eco” já deveria fazê-lo. contudo. 1963)... 2000. Leff (2002. M.)”. da sociedade civil. sugerindo a participação do indivíduo (dimensão pessoal).UNEP.. se todos os habitantes do planeta seguissem aquele padrão. reconhece-se que recursos naturais e serviços ambientais como tendo funções e valores econômicos positivos (na perspectiva da Economia Ecológica). como se faz. 4 Ao enfocar a problemática ambiental. Paris.). muitas vezes. United Nations Environmental Programme. as deficiências superam em muito a oferta de informações. (orgs). propondo a reelaboração de seus conceitos. caso nada seja feito para sua contenção. e que tratá-los como preço zero. seriam necessários oito planetas Terra! 33 . das empresas e unidades políticas (dimensão da comunidade) como fator primordial para a definição dos rumos do desenvolvimento local. contra a sua vontade. 7 Para cálculo da pegada ecológica individual pode-se realizar um teste individual disponível no endereço http://www. este foi vulgarizado ao longo da história remetendo o seu significado ao que Aristóteles já denunciava como crematística. REES.VILLAVERDE. WACKERNAGEL. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. El analisis de los problemas ambientales: modelos metodológicos. 1997. 3 Segundo Mill (2000) o poder só pode ser exercido sobre um indivíduo. seria um risco sério de exauri-los ou manejá-los insustentavelmente (ALIER. M. World Meteorological Organization . regionais e globais: a produção de estatísticas e indicadores sobre a sustentabilidade do desenvolvimento é insuficiente e precária. Nottingham: Spokesman Books. Intergovernmental panel on climate change. Nuestra huella ecológica.org.. p. problematiza e reorienta o desenvolvimento do conhecimento em três níveis: a) A orientação da pesquisa e aplicação dos conhecimentos científicos e técnicos por meio das políticas científico-tecnológicas. In: NOVO. nesse sentido. Mathis et al. 6 Arruda (2000). tanto no que diz respeito ao despertar da consciência ecológica em escala global. Madrid: UNESCO. 5 Segundo Sérgio Besserman (2003) há uma grande lacuna de informações ambientais locais. WACKERNAGEL. 1997. c) A problematização dos paradigmas téoricos de diferentes ciências. quando este exercício tem como finalidade prevenir que sejam infligidos abusos sobre os outros membros da comunidade. WEBER. Brasília: UNB. 2007. 140) salienta que aquela ultrapassou o campo dos paradigmas científicos e do conhecimento disciplinar. WMO. enfatiza o que denomina de “autodesenvolvimento”: um desenvolvimento gerado e impulsionado de baixo para cima e de dentro para fora e cuja característica essencial é a de estar muito mais centrado no humano e no social. “o saber ambiental emerge. 21-59. LARA. Colección Ecologia & Médio Ambiente. Buenos Aires: LOM Ediciones. Mathis. 8 Estudos demonstram que a capacidade de carga do planeta já foi superada em mais que 50%.myfootprint. na perspectiva racionalista utilitarista economicista. El Analisis Interdisciplinar de la problemática ambiental. 1 O termo surge a partir da obra do economista ecológico Karl William Kapp (The social costs of business enterprise. p. Isso se deve à própria emergência da problemática ambiental.