eze eus, r o. D e d açã vra a Pala viva de cor a ç da e h a Con s, ca la e u Deu mbro.

e com e m a le raças ões, s me "Dou g que de vó has oraç por in vez as m m alegria odas em t empre co ós". v s Fl 1 3-4 rezo todos

Com todo carinho para:

De:

Em:

Entre em

Oração

zade profunda e doadora de vida. Seu Filho Jesus nos incorpora à vida de Deus, como filhos seus, nos liberta do pecado, nos enche de amor, de alegria, de esperança e nos indica o caminho para o Pai. Seu Espírito nos guia, fortalece e ajuda a compartilhar com outros a grande dádiva do amor de Deus. Tudo isso acontece apenas com nossa aceitação livre e consciente.

D

eus nos ama infinitamente e nos fala por meio de sua palavra escrita, para nos oferecer uma ami-

Pai bondoso, que me criou à sua imagem e semelhança, às vezes me esqueço disso e minha vida perde o sentido. Permita-me sempre sentir-me como seu filho predileto e gozar de seu amor, de seu perdão, de sua justiça e de sua paz. Jesus, eu lhe agradeço porque você me convida a ser seu amigo. Insista em me dar o melhor e me ensine como consegui-lo. Quero responder ao convite que você me faz, permitindo que guie a minha vida, me livre do pecado e me ajude a viver o reino de Deus. Espírito Santo, abra meu coração ao amor e me impulsione a compartilhá-lo; dê-me a fortaleza e a sabedoria de que necessito para seguir Jesus. Encha-me de seu fogo motivador e dê-me a paz e a alegria que vêm de cumprir a vontade de Deus. Amém.

Que a Sagrada Família o acompanhe sempre em sua jornada de fé, em especial ao refletir e ao rezar com a Sagrada Escritura.

Bíblia católica do jovem EDITORA AVE-MARIA .

o Pa ardor. rida América o os im nt nd ss ta ra A a . para qu ove ét ju m s convidar mui da vo pa no II. a ser re a a m or. e qu Palavra seja ica Latin avilhas. da a dade e da vi sso tempo. oios pa todos os As introduçõ notícia para tários e os ap a en m bo co em s O ta . su que sacia a su Viva a aventu vivos e fecund va vi rá rte ua ve an ág da m a r e vel qu e o “reino encontra fonte inesgotá nstruir com el com ela e de a s co eu um a D é a de im ra o an itu in a Escr z”. que o es mpartilhe Maria. outubro de 20 Bogotá. de rezar todos os jove vra de Deus. nossa co a ém ço gu pe al a. çã cê la vo cruz. de da eu lhe escr m esta Bíblia un co of s pr eu fé D e de o er te lavra vivifican Com amor sinc u coração a Pa se em r be ce vida a re ns. er itura conv Sagrada Escr ção e você se em seu cora tre ne pe o vaçã r e rezar a Pa ra que. ou do la s to ho ós in m ap eprofeta e orrer os ca rc pe a e em nossa qu ns ve tos jo ntude. ao le pa o ria çã eg ra al à sua volta. faça outros jovens Em união com ra que Deus – para muitos esta Bíblia pa cê ar vo us de ao o e ei m nh acompa cê e – por eterna para vo fonte de vida o. da justiça. que gos o chamad apostolo da es Evangelho. a audá ra sua mente ente. a la e Pa cê a vo er a ec nada fraternidade conh rpreendente seu anseio de e su s e eu a a D os ilh de a sede ra marav os sua fé. conscientemen amor com eles se mãe. por um novo to João Paulo al “s ea da B ja ca se do ar m cê do . Querido jove iag bispo de Sant Cardeal Arce 04.CONSELHO TINO-AMERIC EPISCOPAL LA PRESIDÊNCIA ANO do CELAM al Presidente vem de ar C do ta Car católica do jo Para a Bíblia que o conme de Jesus. é a a. 30 de . a manusear jamos em no a conhecer e lo lása ud aj da que tanto dese o ticos irã oa-Nova arão que a B e apoios didá lit o ci es tã fa çõ es s ra ai e st or qu ilu st es. no em stirta ca evo esta do jovem. Receba Santo que ab e seus amim o a rit au íli pí e m Es fa ça a es ao Peça m Deus cr cute com su co Es o . co cia. esse re Deus que o pa de da a vr e de! A Sagrad la or Pa do am seu amor. co jo use esta Bíblia . a e seu o amor. su com ele su partilhar co m ar co eg rr er lavra do Senh ca qu a to lizar e assim ípulo seu. e sua spos da Amér ar bi m s ão cê vo irm s em meu . çoa de coraçã Cristo o aben Seu irmão em Ossa vier Errázunz Francisco Ja o do Chile m. têm sede . pe o es gelh tão es expressõ Jesus e só es a levar o Evan dos e novas libertador de undo” e poss m or do am z o r “lu ta e en da terra” de experim te. e Jesus Cris ípula ou disc e para evange el sc di m e o perdão qu r co se ra a s bo cola o de Jesu perança. esperança e ade e da graç id nt sa da . di vo ão e to para qu Evangelizaç Recorde o pe en a m ov ru N in st a in ou um como um nsciente realizemos vens que.

a rezar s in lo pe carinho. nv iz Pedi ria co am eg a se .o de 2004 12 de outubr o de sua Pavem. m o de Jesus. ra de braços rgem Maria. comentários es os e palavras at çõ us du se tro s. vi oa a ss su de Deus em pe de as o e. que os espe érica. que o aberto ãe da Igreja. . un fa ab cê vo em e da qu vi o o escu o guie em tudo será ssuscitado. pouco a ncia (cf. D. te em Cristo Afetuosamen evilla. Pedimos à Vi torn de toda a Am do e os jovens em angelização e o Ev lh a Fi ov N do a mãe. para que seu tar a Palavra dâ z. o com Deus. sua vida m as gem do Senh profunda. S ngton m. vê no seu diálog e nh pa om com ela e a vi ac s. al um e rará paz abertos a ais de perto nt m m s co ja te su en va es Je vi cê te s irá vo en eu m ão. Jo 10. Você segu vra de D clima de oraç da.10). Jesus. D Esta Bíblia se citar a Sagrad er ex e tir fle Que. Assa en m a a su pessoas com egria e faz vra de Deus entará uma al ra vos dar vida. Washi Bispo de Ya e Vida Instituto Fé do Presidente . ao long rança para fonte de espe óstolo entre seus amigos ap u se e ilustrações terá em . A rito Santo que e profunda com Cristo re rá e sua voz pí ce Es es cr ao fé os a m ersu ad .J. pouc a coração e su sim. fo s: Con rio Jesu m Cristo mpromisso co alizar o que disse o próp dará. nome do Pa deroso para po em e to ço en m en ru eus o ab rá um inst a Escritura.] rm [. seu co re se irá o. ao re Espírito Santo. S. B ia kton.D. Deus di quais convive. Carlos A.. Querido jove laire. or. Stephen E. ela reún i. Califórn Bispo de Stoc lesiástica Permissão Ec da Outorgador kima. Suas conhecer a Palavra de Deu to ui m m co ajudá-lo a i preparada Esta edição fo pensando em você. será Pala s a seu redor. irão s do vi ol Como foram desenv -la de coração. Por mei or com as jo do lia íb B ãos a u am cê tem em m que você compartilhe se saber que vo ja er se az de pr s de su Je an É um gr muito e que z que o ama ulavra. e medita a Pala renovará e você experim pa cê m vo vi e .

estabeleceu-se a Nova Aliança com Deus e toda a criação dará glória a Deus no final dos tempos. para ajudá-lo a saciar sua grande sede de Deus e para que lhe sirva como instrumento evangelizador. sobretudo com os mais pobres e vulneráveis. enfrentando com esperança os desafios do caminho e transformando suas angústias em paz. Em espírito de unidade.. Jesus o escolheu para que leve seu amor a outros jovens: Jesus ressuscitado caminha para outros jovens com seus pés.. os atende com suas mãos. os ama com seu coração. agora colocamos a versão em português nas mãos do povo jovem de língua portuguesa. em suas relações interpessoais e em suas instituições sociais. Mais tarde o Instituto Fe y Vida publicou uma versão dessa Bíblia em espanhol. de modo que ele lhe entregue seu amor e você possa assim dar sentido à sua vida. D Jesus o espera com os braços abertos para o acompanhar à medida que se familiariza com a Palavra de Deus. No ano 2000 publicou-se nos Estados Unidos The Catholic Youth Bible para a juventude de língua inglesa. Jesus é a revelação plena de Deus: nele se cumpriram as profecias do Antigo Testamento. Jesus viveu e morreu para lhe dar vida nova: ele dedicou toda a sua vida a fazer presente o reino de Deus nos corações das pessoas. promoveu o amor. lhes fala por sua boca. s jovens o r abra-se a t u o a e o lev or! nova vida e r libertad o m a u e s r anseiam po editorial Equipe 10 . Continua sua missão hoje em dia através de jovens que se deixam amar para transmitir seu amor aos outros. seus ensinamentos e suas ações misericordiosas. Você e a Bíblia do Jovem esde os fins do século XX. para anunciar a Boa-Nova da sua mensagem que se realiza plenamente em Jesus Cristo. a d a r g a S a eio d sus por m Ele lhe dê e u q a r a Conheça Je p que seu amor. o Papa João Paulo II insistentemente pediu que realizemos uma Nova Evangelização no Continente Americano. fazendo o mesmo que ele fez: proclamando o amor de Deus com o testemunho de sua vida inteira.Jesus. Com a leitura da Palavra de Deus você aprofundará o conhecimento a respeito do amor de Deus por você e por toda a humanidade e verificará que Deus conta com você. e que trabalhemos unidos nos países da América. a justiça e a paz. Escritura. Jesus formou uma comunidade de discípulos e apóstolos: recomendou-lhes que continuassem sua missão.

A BÍBLIA DO JOVEM ajuda você a: • experimentar a bondade e a misericórdia de Deus ao rezar com a Sagrada Escritura.Bíblia do jovem Seja BEM-VINDA A BÍBLIA DO JOVEM É DEDICADA ESPECIALMENTE A VOCÊ A Bíblia do jovem foi preparada com todo o carinho para que a Palavra de Deus chegue a seu coração e renove. • aplica a Boa-Nova à cultura juvenil. A Palavra de Deus é para todos: para os que têm pouca fé. 11 . para os que buscam como seguir fielmente a Jesus e para aqueles a quem Deus pediu ajuda para pastorear sua Igreja. • coloca a Palavra de Deus ao seu alcance. A BÍBLIA DO JOVEM oferece: • um critério de vida e um caminho para Deus. • um meio excepcional para compartilhar o Evangelho com seus amigos. • dirige sua vida com os valores do Evangelho. porque “a ignorância da Sagrada Escritura é ignorância de Cristo” (São Jerônimo). • um encontro com Jesus. • um guia de interpretação bíblica segundo o Magistério da Igreja Católica. sua vida desde o mais íntimo do seu ser. completa e profundamente. • fortificar sua identidade católica ao relacionar suas crenças e práticas religiosas com a Bíblia. • um instrumento para compreender a mensagem da Bíblia e relacioná-la com sua vida diária. • abre seu coração ao amor. à justiça e à paz de Deus. • adquirir os fundamentos para dar um sentido cristão à sua vida. A BÍBLIA DO JOVEM: • traz o amor salvador de Deus para sua vida. • escutar o chamado de Deus para colaborar na obra redentora de Jesus. para os que estão cheios de dúvidas. • obter uma resposta cristã à sua busca da verdade.

rezar e viver a Palavra de Deus Comentários para fortalecer a identidade católica Apoios didáticos e pastorais Índices 11 14 16 18 21 Guia para manusear a Bíblia Livros e abreviaturas bíblicas Por que uma Bíblia do jovem? Desenvolvimento e características da Bíblia do jovem Perguntas e respostas sobre a Bíblia Como estudar e compreender a Bíblia Como rezar com a Palavra de Deus 22 23 25 26 30 35 37 Antigo Testamento O mundo do Antigo Testamento 45 Pentateuco Introdução Gênesis Êxodo 61 63 121 Levítico Números Deuteronômio 171 203 243 Livros históricos Introdução Josué Juízes Rute 1Samuel 2Samuel 1Reis 2Reis 1Crônicas 283 285 311 339 345 379 407 439 469 2Crônicas Esdras Neemias Tobias Judite Ester 1Macabeus 2Macabeus 496 531 544 561 577 595 611 644 Livros proféticos Livros poéticos e sapienciais Introdução Jó Salmos Provérbios 670 673 711 811 Eclesiastes 845 Cântico dos Cânticos 859 Sabedoria 869 Eclesiástico 895 12 .Conteúdo Caderno inicial Símbolo e acolhida Comentários para conhecer.

Livros proféticos Livros poéticos / Sapienciais Introdução 964 Introdução Isaías 967 Salmos Jeremias 1041 Lamentações 1111 Baruc 1123 Livros sapienciais Ezequiel 1135 Introdução Daniel 1193 Jó Oseias 1219 JoelProvérbios 1233 Amós 1239 Abdias 1251 Cântico dos Cânticos Jonas 1255 Lamentações Miqueias 1261 Naum 1269 Habacuc 1275 Sofonias 1281 Eclesiastes Ageu 1287 Sabedoria Zacarias 1291 Malaquias 1305 Eclesiástico Novo Testamento O mundo do Novo Testamento 1313 Lucas 1425 João 1479 Atos dos Apóstolos 1527 Evangelhos e Atos dos Apóstolos Introdução Mateus Marcos 1331 1333 1387 Cartas e Apocalipse Introdução Romanos 1Coríntios 2Coríntios Gálatas Efésios Filipenses Colossenses 1Tessalonicenses 2Tessalonicenses 1Timóteo 2Timóteo 1585 1587 1613 1637 1655 1667 1679 1687 1695 1703 1709 1717 Tito Filêmon Hebreus Tiago 1Pedro 2Pedro 1João 2João 3João Judas Apocalipse 1721 1725 1729 1747 1755 1763 1769 1776 1777 1779 1783 Caderno final Índices Vocabulário bíblico 1811 1863 1866 1881 1883 1889 1897 1902 1904 Perspectiva católica 1885 Bases bíblicas dos sacramentos 1886 Símbolos bíblicos 1887 Mapas e esquemas 1888 Minha história pessoal e comunitária é uma história de salvação 1914 Livros e abreviaturas bíblicas 1920 Atos e ensinamentos principais Comentários para a fé e para a vida Orações bíblicas Personagens Notas bibliográficas Lecionário Planos temáticos de leitura Quadro cronológico 13 .

Responde a dez perguntas comuns sobre em que consiste a Bíblia. e viver a Deus Bíblia do jovem traz vários tipos de apoio que o ajudarão a ler. Outros mostram a tradição bíblica católica (ver p. 14 . Ver a seção intitulada “Apoios didáticos e pastorais” (p. A Como ler. Alguns se referem à mensagem da Bíblia e estão reunidos nesta seção. Oferece sete passagens ou aspectos que se deve considerar para interpretar de maneira correta um texto bíblico (p. 30). Sapienciais e Poéticos. Cartas e Apocalipse – tem uma introdução com dados-chave sobre a formação e características de seus livros. Os oito tipos de comentários têm uma finalidade particular. Como estudar e compreender a Bíblia. Apresenta dois métodos de oração com a Bíblia: o primeiro centraliza-se na oração individual. conhecer e tornar viva a Palavra de Deus Este capítulo oferece dados que ajudam a aproximar-se da Palavra de Deus de modo que seja possível compreender sua mensagem. Como rezar com a Palavra de Deus. interiorizá-la e aplicá-la à vida. Cada uma das seis seções em que está organizada esta Bíblia – Pentateuco. Essas introduções oferecem uma visão panorâmica de ambos os testamentos do ponto de vista histórico. Introduções às seções da Bíblia. e de entender a riqueza e as contribuições próprias de cada livro. literário e teológico (p. literárias e teológicas para facilitar a compreensão de cada livro em particular. INTRODUÇÕES As introduções desta Bíblia ocupam mais de cem páginas. O mundo do Antigo e do Novo Testamento.Comentários Palavra de rezar para conhecer. 45 e p. 1313). como se formou e como devemos interpretá-la (p. Apresenta três seções: Perguntas e respostas sobre a Bíblia. Cada um dos 73 livros da Bíblia tem uma apresentação que oferece as chaves históricas. Comentários bíblicos A Bíblia do jovem contém mais de 850 comentários inseridos ao longo do texto bíblico. 16). A leitura seguida de todas essas introduções equivale à leitura de um livro de introdução à Bíblia. 18). 35). 37). Apresentação dos livros. contida na Sagrada Escritura. A localização e o enfoque de cada comentário pretendem oferecer aos jovens a oportunidade de compreender e viver os aspectos essenciais da mensagem da salvação. e vários são de natureza pedagógica. Por meio delas é possível ter uma visão geral dos principais resultados da investigação bíblica em uma linguagem acessível aos jovens. Evangelhos e Atos. compreender e compartilhar a Palavra de Deus. o segundo ajuda a rezar e a refletir com a Palavra em comunidade (p. Proféticos. Históricos.

. Oferecem uma breve introdução sobre a vida e as contribuições dos personagens bíblicos principais. ou a interpretação que a Igreja Católica dá a certas passagens. as tradições e a linguagem da época bíblica. APRESENTAMOS A VOCÊ. assinalando textos importantes que falam por si mesmos.VIVA A PALAVRA Ajudam a aplicar a mensagem bíblica à vida cotidiana.. de modo que a Palavra de Deus se encarne tanto nas situações vivenciadas no presente como nas que serão enfrentadas no futuro. servem de guia para a oração pessoal e comunitária e mostram as bases bíblicas da oração e da vida sacramental na Igreja Católica. 15 ... ENTRE EM ORAÇÃO Ensinam a rezar com a Palavra de Deus. SABIA QUE.? Apresentam o marco de referência que os especialistas bíblicos (exegetas) oferecem para compreender a cultura. TEXTOS EM REALCE Destacam a mensagem de vida que os diversos livros dão. REFLITA Provocam reflexões sobre passagens bíblicas que têm uma mensagem clara e desafiadora para a vida cristã de todo jovem.

Quando ventos fortes a fazem adernar ou ondas perigosas a açoitam. à perseguição. Jesus a guia e a sustenta. Ao sair da missa. suas amizades e seus companheiros. livre do pecado original desde antes de sua concepção. Deus prometeu no paraíso que uma mulher humilharia a serpente ao dar à luz seu Filho.. trate a todos com amor. enérgica.Comentários a identidade para fortalecer Católica PERSPECTIVA CATÓLICA Mostram as raízes bíblicas de muitas crenças e práticas importantes da Igreja Católica e assinalam o lugar da Sagrada Escritura na liturgia católica.. às doenças e à morte. COMPREENDA OS SÍMBOLOS Dão a conhecer os principais símbolos bíblicos de uso comum na arte e nos rituais católicos mediante a combinação da ilustração do símbolo e de uma breve explicação do mesmo. é ativa. constante e sólida.27 Gn 3 15 Compreenda os A Imaculada Símbolos A imagem da Imaculada é símbolo do triunfo de Deus sobre o mal. dê você a paz e a construa entre sua família. filho de Deus. que se constrói com seu esforço. que. desejamos mutuamente que o amor de Deus nos encha. nós cristãos podemos manter a equanimidade e a felicidade em meio à dor. bondade e de maneira justa. a nova Eva. ao compartilhar a paz de Jesus. feliz por compartilhar esse dom de Jesus. 16 . Jo 14. simboliza o ecumenismo das Igrejas que compartilham a fé em Jesus. ao ser fruto do maior amor possível. graças à obra redentora de seu Filho Jesus. Quando na missa chegar o momento de dar a paz. inclusive situações extremamente difíceis. à guerra. não uma tranquilidade passiva. depois da oração do Pai-Nosso. recorde que é uma paz ativa. É uma paz profunda e plena. Mt 8 26 Compreenda os A barca Símbolos A barca. e somos capazes de viver com dignidade e esperança. é símbolo da Igreja que nos une na fé e nos oferece segurança na travessia da vida. Na missa. receba-a com o coração aberto e entregue-a aos que o rodeiam. A barca. que nos liberta do mal e da morte eterna. Com essa paz de Jesus. Tradição católica PERSPECTIVA CATÓLICA A paz de Cristo na missa Jesus se despede de seus apóstolos deixando-lhes sua paz. com seu mastro como cruz. Maria é essa mulher.. para prosseguir na vida cristã sem nos inquietar nem ter medo. sem as chaves de Pedro.

‘energia que-nos-rodeia’”². Jt 16. expressa que seus antepassados acreditavam que Deus nos fez da terra e que. Nas comunidades de fé. maias e astecas. quando lhes perguntaram qual sua origem e de onde vinham. 17 . As finalidades destes comentários são: Valorizar diferentes perspectivas culturais sobre a Bíblia e enriquecer.11-18 O princípio de ujima = colaboração no trabalho Mulheres anônimas da América Latina Incas. levando-se em consideração a contribuição das mulheres ao desenvolvimento material e cultural do continente. seu entusiasmo e sua generosidade. mas saibam que todos. Hoje em dia necessitamos de jovens que trabalhem unidos para forjar uma nova sociedade.5). nos disse: “Estive no cimo da montanha e vi a terra prometida. trabalhou toda a sua vida unido a outros para alcançar este objetivo. As pirâmides são um exemplo do princípio ujima (ver “O sistema de valores Kwanzaa”.19-22). diferentes culturas em nosso continente americano viveram a mensagem da Bíblia de diversas maneiras. e todas foram lavradas e alinhadas sem cimento. chega a conclusões parecidas. interesses e tradições que dirigem sua vida. Os que as iniciaram sabiam que não as veriam terminadas. Gn 5. Es 6. Sem suas contribuições se perderiam riquezas que só o gênio da mulher pode oferecer à vida da Igreja e da sociedade.1-26 Como admiramos a arquitetura das pirâmides do Egito! Foram necessárias centenas de anos para construí-las e faz séculos que estão em pé. o Senhor todo-poderoso se serviu de uma mulher (Jt 16. Compreender como um povo encarna o Evangelho em sua cultura (inculturação) por meio de sua espiritualidade e tradições populares. marcado por migrações numerosas e um processo irreversível de globalização. declararam: “Nossa mãe primeira se chamou Ochomoco ‘sobre-a-qual-caminhamos’.Unidade na diversidade AFRO-AMERICANO LATINO-AMERICANO Muitas vezes na história. Os arquitetos. é vital abrir-se à maneira particular como diferentes culturas deram vida à Palavra de Deus. Observe a semelhança com os relatos do Gênesis: há luz e água. há um primeiro homem e uma primeira mulher. a Bíblia do jovem apresenta comentários escritos no âmbito de oito tradições culturais: 1) Incas. e 8) asiáticos na América. para ter vida. a vida é energia. matemáticos e engenheiros ainda não têm ideia de como foram feitas. Não reconhecê-lo seria uma injustiça histórica. promovem uma liderança compartilhada. Por isso. como também à transmissão e à conservação da fé. que documenta a história asteca ou nauhutl – uma cultura indígena muito antiga do México –. cientistas. está destinada ao mundo todo e depende de cada povo assumir os valores do Evangelho para que orientem os princípios. as mulheres contribuem com seu espírito crítico. entraremos na terra prometida”. Por isso. Oferecer testemunhos de santos de diferentes países da América como modelos de vida cristã ao alcance da juventude latino-americana. A maioria. e nosso primeiro pai teve como nome Cipactónal. A diferença está em que a Bíblia revela que Deus criou tudo e foi ele quem nos deu a vida e o poder para procriar e trabalhar. mais que reclamar seus direitos individuais e ambicionar o poder. trabalhou para que todas as pessoas pudessem se desenvolver segundo sua capacidade. milhares de mulheres latino-americanas foram protagonistas anônimas da transformação de seus povos. consideram todos os aspectos da vida e atendem aos detalhes da vida familiar e local. responderam: “Viemos de onde sai o sol. talvez não me toque entrar. O códice chimalpopoca. Junto com umas poucas mulheres célebres por suas ações em favor de sua pátria. sua disposição ao serviço. Deus cria a terra. desta forma. isto é. é poder. nossa espiritualidade católica. Algumas pedras pesam duas toneladas. O Deuteronômio recorda aos israelitas que para dar prosperidade à sua nação deviam trabalhar unidos e solidariamente. não obstante. porém continuaram trabalhando com empenho. Talvez se requeira o esforço de mais de uma geração. era preciso ter energia própria. E. Se seguirmos esta mensagem. sempre que pensa sobre suas origens.1-2 O sopro da vida Comentários culturais A Palavra de Deus é universal. 3) latino-americana. teremos sucesso como indivíduos e como povo. especialmente na América. 7) afro-americana. diante da pergunta sobre quem foram seus primeiros pais. Passamos por cima da água”. Neste século XXI. favorecem o espírito de grupo. Quando desempenham papel de líder. 6) latinos nos EUA. Martin Luther King Jr. como povo. 5) canadense. suas habilidades e seus interesses. Sabia que não veria sua gente libertada do preconceito e da discriminação. Dt 8. 2) indígenas. 4) estadunidense. Ao longo do tempo. maias e astecas O ser humano. que significa “colaboração e responsabilidade no trabalho”.

Planos temáticos de leitura bíblica Os planos temáticos de leitura bíblica têm por objetivo guiar o estudo ou a reflexão bíblica para que o leitor possa adquirir uma visão geral sobre temas importantes na Sagrada Escritura (p. 1901). no lecionário (p. Lecionário O lecionário é uma seleção de passagens bíblicas ordenada de maneira especial para nutrir e celebrar nossa fé ao longo do ano litúrgico. (p. Páscoa e Tempo Comum. O calendário litúrgico permite situar os ciclos segundo o ano e identificar os tempos litúrgicos e as festas móveis.Apoios didáticos e pastorais Passagens paralelas e relacionadas As passagens paralelas e referências a outros textos bíblicos com mensagens relacionadas estão indicadas imediatamente depois dos subtítulos temáticos da Bíblia. A Bíblia do jovem apresenta o lecionário dominical para todo o ano. Natal. 18 . 41). Esses planos temáticos podem servir para a leitura diária pessoal ou ser adotados por um grupo ou comunidade juvenil como base de suas reuniões semanais. com seus três ciclos litúrgicos. 1897) e no calendário litúrgico 2005-2025. 1902). Ver a explicação do lecionário na leitura litúrgica dominical (p. Quaresma. mas nem sempre de fácil compreensão. Vocabulário bíblico O vocabulário bíblico contém mais de 200 termos que ajudam a compreender a Bíblia e complementam ou sintetizam informações sobre alguns temas comuns ao catolicismo. O desenho a cores do lecionário ajuda a compreender o ciclo anual com os seus cinco tempos litúrgicos: Advento.

ilustrações. inclusive em uma sociedade patriarcal como a do povo de Israel. Predileção de Deus pelos pobres e vulneráveis: quatorze leituras para ver a vontade de Deus para a sociedade e revisar nossas atitudes e ações. O chamado de Deus: a missão de Jesus. a Bíblia do jovem traz uma série de apoios didáticos que facilitam o manuseio da Bíblia: quadro cronológico. eles As mulheres na Bíblia: quatorze leituras para ver que Deus trata as mulheres com a mesma dignidade que ao homem. quatorze leituras para ver a crescente consciência de que Deus nos acompanha em nossos sofrimentos e que. mapas. Apoios didáticos Além dos apoios diretos à pastoral bíblica.Os sete planos de leitura que se apresentam são: Um percurso pela Bíblia: trinta leituras para compreender o amor libertador de Deus e conhecer em grandes traços a história da salvação em ordem cronológica. Imagens de Deus: quatorze leituras para se relacionar melhor com Deus e saber como Ele vai se revelando ao longo da história. quatorze leituras para escutar o chamado de Deus a dife- rentes pessoas a fim de que reflitam sobre o próprio chamado a servi-lo e continuar O pecado e a justiça salvadora de Deus: quatorze leituras para refletir sobre o amor misericordioso de Deus que nos salva do pecado e nos dá uma vida nova. esquemas e índices. O sentido do sofrimento: têm valor redentor. unidos aos de Jesus. 19 .

A história da salvação continua aqui e agora. e chegará à sua plenitude no final dos tempos. Os dados sobre as grandes culturas da Ásia e do continente americano situam a história da salvação no processo evolutivo da humanidade. assinalam-se os acontecimentos sucedidos nos territórios bíblicos que tiveram um impacto especial na história da salvação.. Os mapas.Quadro cronológico O quadro cronológico que se encontra no final da Bíblia foi organizado com a finalidade de ajudar a visualização das principais etapas da história da salvação através dos séculos. Essa referência ajudará a compreender a revelação paulatina de Deus ao povo de Israel e o processo de reflexão teológica do povo sobre a criação do universo e sobre a origem e a natureza do ser humano. Ilustrações e esquemas As ilustrações de cada livro da Bíblia foram introduzidas para que o leitor possa captar por meio delas a mensagem central do livro em estudo. 20 . Ver “Índice de mapas” (p. Também indica em quais livros da Bíblia estão narrados os fatos mencionados e a atividade literária em cada época. ao vocabulário confuso (tribos de Israel) ou às tradições e fatos desconhecidos (templo de Jerusalém).. 1904). estão todas intituladas e têm a citação bíblica a que se referem. podem se facilmente consultados. Esse quadro cronológico está situado no contexto da formação do universo e do aparecimento dos avanços mais significativos da civilização humana. Os esquemas têm como finalidade ajudar a compreender aspectos da história da salvação difíceis de serem entendidos devido à sua complexidade (tábua dos reis e profetas). Além disso. dando assim uma visão completa do desenvolvimento da Bíblia (p. 1888). Mapas A Bíblia do jovem apresenta mapas e esquemas que ajudam a identificar os lugares onde aconteceram os fatos mais relevantes relatados na Sagrada Escritura. Por isso. A revelação de Deus sempre se mostra no acontecer da história. inseridos nos capítulos sobre o mundo do Antigo e do Novo Testamento e nas apresentações dos livros.

parábolas e milagres de Jesus (ver p. Apresentação de orações litúrgicas e outros para diversas ocasiões. 1885).índices A Bíblia do jovem tem oito índices que ajudam a penetrar na mensagem da Bíblia e a aproveitar ao máximo os comentários para a pastoral bíblica. 1863). Apresentação de histórias do Antigo e Novo Testamento. quadros sinóticos e esquemas incluídos nesta Bíblia (ver p. Mapas e esquemas. Comentários para a fé e a vida. Apresentação de passagens bíblicas que fundamentam a teologia e os rituais dos sete sacramentos na Igreja Católica (ver p. 21 . ilustrados e comentados (ver p. 1866). Aqui são apresentados personagens importantes na história da salvação (ver p. Bases bíblicas dos sacramentos. Atos e ensinamentos principais. Aqui. 1883). Orações bíblicas. Apresentação de mapas. Perspectiva católica. 1881). ensinamentos. surgem os símbolos bíblicos que nossa Igreja emprega para comunicar a Palavra de Deus de maneira visual. Este índice apresenta ensinamentos do Magistério sobre certos textos bíblicos e tradições próprias da Igreja Católica (ver p. Apresentação de aspectos importantes da fé que iluminam situações significativas da vida do jovem (ver p. 1888). 1886). além dos principais salmos segundo seu gênero literário (ver p. 1887). Símbolos bíblicos. Personagens.

escreve-se em itálico. 12-15).Guia a para manusear Bíblia o citar-se um texto da Bíblia. desde o versículo 19 do capítulo 6.16.12-18 = Mateus. Exemplo: O Senhor fez conhecer a sua salvação (Sl 97. Mt 6. assinala nossa atitude diante das obras de Deus (vv. Exemplo: 12 do capítulo 7. capítulo 7. versículos 43 ao 48. (Sl 18.2). Exemplo: A primeira parte do Salmo 18 louva a harmonia da natureza com as leis que Deus lhe deu.43-48. não se repete seu nome. 22 Quando a referência a uma passagem é feita de modo indireto. Quando a citação é do mesmo livro. coloca-se apenas a citação. separados por hífen) para indicar onde começa e termina a citação.1-4. Exemplo: Mt 5. 7. Depois menciona como a criação anima a vida das pessoas (vv. Exemplo: A Gn 12. indica-se de forma abreviada o nome do livro (ver lista de abreviaturas na página seguinte) e os números dos capítulos e dos versículos (estes.12 = Mateus.8-12 Quando são citados capítulos inteiros. não aparecem os versículos.1-7). Exemplo: Mt 5–7 = Mateus. não é preciso repetir o nome ou a abreviatura do livro. capítulo 6.24 = Mateus. O mesmo acontece com os versículos. e Mateus. até o versículo Quando se citam trechos de um mesmo capítulo.19–7. embora estejam em trechos separados.1-4. Quando a citação é longa e abrange dois ou mais capítulos de um mesmo livro. capítulo 6. versículos do 1 ao 4. coloca-se um travessão entre o capítulo e versículo iniciais e o capítulo e versículo finais. que não são seguidos. Finalmente. seguido de sua citação. versículos 12 ao 18. Quando se cita textualmente uma passagem. desde o versículo 1 até o 4 e desde o versículo 16 ao 18. Exemplos: Mt 6.16-18 = Mateus. que devem ser separados por ponto. caso a leitura seja separada. Mt 6. capítulo 5. capítulos do 5 ao 7. Quando se fazem várias citações de um mesmo livro e capítulo. versículos 16 e 24. os versículos de ambos os trechos devem ser separados por um ponto. . 8-11). Exemplo: Oseias profetiza contra a infidelidade do povo e dos sacerdotes (Os 4–9).

Livros e abreviaturas Bíblicas .

vo ti a ente inform de comentários realm com segurança e proveito a Escriusear lhos da Igreja man e seu espírito. que o Evangelho se converta em um tesouro bastante no estudo atento ap e na acolhida ge nerosa da Palavra reciado: vocês encontrarã do Sen o alim razões de um com ento e força para a vida de cada hor. fazer trate a m o d a id cu m co cura.. 22-2 5 Mensagem de J oão Paulo II à juventude do sé culo XXI: Meus queridos jo vens. Cora tu ri sc E a d ra g a S cil acesso à Os fiéis devem ter fá nível a todas as o p is d r ta es e d m te eus mo a Palavra de D rno. s. promisso sem lim dia e as ites na construçã ção do amor. 4. providas a idades. a Igreja pro u g n lí s sa er iv d ra a ptadas p erão os fid o p duções exatas e ada im ss a s. de.s Mensagem dos Bispo II: no Concílio Vaticano .. X V Jornada Mu ndial da Juventu 2000. tura e penetrar-se d Dei Verbum n. n. . o da civilizaJoão Paulo II.

da catequese e da liturgia. Por estas razões. a Bíblia vem sendo difundida nas comunidades cristãs. assim como aos agentes de pastoral e pais de família que querem fazer chegar a palavra de Deus à juventude. salientaram a urgência da formação bíblica dos catequistas e agentes de pastoral.Por que uma Bíblia do jovem? 25 mensagem da Sagrada Escritura tem sido vital na Igreja da América Latina desde a primeira evangelização. Em Medellín. que buscam na Sagrada Escritura seus esforços pastorais. Em Santo Domingo. e um legado para as gerações jovens no começo do Terceiro Milênio. Instituto Fé e Vida Editorial Verbo Divino A 25 . espanhol e inglês proporciona uma oportunidade única para o encontro da Igreja jovem em toda a América. Em Puebla. segundo o que ficou expresso em Ecclesia in America e na Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a América4. A partir do Concílio Vaticano II. oferecemos a Bíblia do jovem aos jovens de todo o continente americano. os bispos motivaram com esmero a leitura contínua da Bíblia e animaram a que todas as pessoas tornem vida a Palavra de Deus em suas circunstâncias e situações concretas. os bispos pediram que se expresse o Evangelho de modo que todos os grupos na Igreja o compreendam e o façam vida em sua própria realidade1. Também existe uma grande sede da Palavra de Deus nos jovens e um zelo apostólico em grupos e movimentos juvenis. destacaram que a Sagrada Escritura deve ser a alma da evangelização. ofereça o encontro com a Bíblia em nossa Igreja e responda às deficiências de uma interpretação fundamentalista3. e muitos jovens procuram nela luz e orientação para sua vida. desde o Canadá até a Terra do Fogo e todo o Caribe. para responder à ansiedade crescente da Palavra de Deus2. Graças a este impulso e ao trabalho de muitos agentes de pastoral. A Bíblia do jovem é um presente que dá vida para todos os jovens latino-americanos. A existência de uma mesma Bíblia em português. e de uma pastoral bíblica que sustente a Nova Evangelização.

O TEXTO BÍBLICO DA BÍBLIA AVE-MARIA O texto bíblico utilizado na Bíblia do jovem é o mesmo da Bíblia Ave-Maria. Na época. Atendemos assim as três línguas mais faladas no continente americano. comunitária e missionária em harmonia com as linhas estabelecidas pelo Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM) para a pastoral juvenil. conhecida no Brasil há mais de cinquenta anos. 26 . poucos anos antes da realização do Concílio Vaticano II (1962-1965). As que existiam eram importadas e caras. • Fomentar uma pastoral bíblica evangelizadora. Ela foi inspirada na The Catholic Youth Bible (CYB). As seções sobre o mundo do Antigo e do Novo Testamento são uma versão abreviada de seu original na Bíblia da América. Foi criada pelo Instituto Fe y Vida. que fundamentem a fé cristã e a formação bíblica do jovem. A MATERIAL DE APOIO PARA CONHECER.Desenvolvimento e características da bíblia do jovem 26 Bíblia do jovem foi organizada a partir da Biblia católica para jóvenes. cuja missão principal é capacitar lideranças para a pastoral juvenil entre latinos nos Estados Unidos. REZAR E TORNAR VIVA A PALAVRA DE DEUS O material de apoio desta Bíblia foi preparado pelo Instituto Fe y Vida e por uma equipe adjunta. • Oferecer introduções e comentários com uma exegese bíblica sólida. Bíblia em inglês para adolescentes e jovens. • Mostrar os fundamentos bíblicos da tradição católica. A semente da Bíblia Ave-Maria foi plantada em 1957. A decisão da Editora Ave-Maria de traduzir e publicar no Brasil a Bíblia em português foi uma iniciativa inovadora. tanto em sua dimensão oficial (Tradição e Magistério) como em aspectos relevantes da religiosidade popular latino-americana (tradição). uma edição para jovens de língua espanhola em toda a América. não havia em nosso país edições acessíveis dos textos bíblicos. para os jovens de língua portuguesa. Agora também temos esta edição. A elaboração do material de apoio visou: • Responder às necessidades espirituais e à realidade pastoral da juventude latino-americana em todo o nosso continente.

frei Paulo Avelino de Assis. foi reservada uma atenção particular ao anúncio da Palavra divina feita às novas gerações: Os jovens já são membros ativos da Igreja e representam o seu futuro. na idade da juventude. O pioneirismo de publicar uma Bíblia de grande difusão se alinhava ao direcionamento da Igreja. com as melhores palavras. A Bíblia Ave-Maria primou pela harmonia das frases. soube da intenção da Editora Ave-Maria e se juntou ao projeto. A tradução para o português foi feita a partir do texto francês dos monges de Maredsous – religiosos que vivem em um mosteiro beneditino fundado no século XIX. Os salmos foram preparados por um músico. A Bíblia Ave-Maria foi conquistando espaço e tem hoje presença forte nas comunidades de base. que caminhem com eles e os orientem para amarem e por sua vez comunicarem o Evangelho sobretudo aos da sua idade. devemos ajudar os jovens a ganharem confidência e familiaridade com a Sagrada Escritura. Esta solicitude pelo mundo juvenil implica a coragem de um anúncio claro. nos grupos de oração. Tamanho foi o cuidado e o capricho. para que seja como uma bússola que indica a estrada a seguir. tendo sempre como referência os originais hebraico. Com o passar dos anos. foram surgindo grupos de estudo bíblico nas dioceses. que teve preocupação esmerada com a sonoridade dos versos. aramaico e grego. Para isso. nas reuniões domiciliares etc. (Verbum Domini. nas capelas. tornando-se eles mesmos arautos autênticos e credíveis. realizada no Vaticano de 5 a 26 de outubro de 2008. se apresenta de modo particular aos jovens nesta edição. surgem de modo irreprimível e sincero as questões sobre o sentido da própria vida e sobre a direção que se deve dar à própria existência. O ANÚNCIO DA PALAVRA DE DEUS E OS JOVENS Na XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. precisam de testemunhas e mestres.27 Um conhecido orientador de cursos sobre Sagradas Escrituras. e agora. cada vez mais. diretor do Centro Bíblico Católico de São Paulo e vice-diretor da Liga dos Estudos Bíblicos (LEB). nas paróquias e nas comunidades. em uma linguagem simples e transparente. 94) 27 . frei João José Pedreira de Castro. Muitas vezes encontramos neles uma abertura espontânea à escuta da Palavra de Deus e um desejo sincero de conhecer Jesus. Ao longo do tempo. ela se mantém como importante instrumento de aprendizado e de oração entre os fiéis católicos. que os editores escolheram um artista para transcrever. o lirismo desses textos sagrados. que começava a incentivar. o estudo das Sagradas Escrituras. na Bélgica –. A estas questões só Deus sabe dar verdadeira resposta. De fato.

Mena. Rafael). Rosa María Padilla Lamadrid. María Victoria César. Graciela Ortiz-Matty. María Luisa Curiel Monteagudo.Equipe de 28 colaboradores da edição em Espanhol Direção e edição geral: Carmen María Cervantes Coordenação: Maria Pilar Cervantes Gutiérrez Escritores: Javier Algara Cossío María Elena Cardeña Carmen María Cervantes María Pilar Cervantes Gutiérrez Rudolf Finke Leticia Medina Armando Noguez Alcántara Ángel Manuel Del Río Rubio Emerenciano Rodríguez Jobrail Artigos culturais: Mayela Margarita Campos Castro Guillermo Campuzano Adela Rosa Castro Reyes Antonio Medina Rivera Nohemy Montaño Ted Schimdt Clodomiro L. consulta e apoio: Michäel Boudey. Isabel. María de los Ángeles. Siller A. Sevilla Ilustração dos Símbolos bíblicos e Sagrada Família: Gabriel Chávez de la Mora Índices e planos de leitura: Ken Johnson-Mondragón Pesquisa. Julián Fernández Gaceo. Manuel Corral Martín. Adriana Visoso-Valverde 28 . Walter F. Reynaldo Luna Velasco. Vilma Reyna Steve Roe Moderador episcopal: Carlos A. família de la Parra (Alfonso. Mariluz. Patricia Olvera.

Deus se relaciona amorosamente com cada pessoa. Deus nos busca em todas as circunstâncias da vida e. pode-se dizer que a Bíblia contém três tipos de inspiração: “inspiração para agir” segundo o plano de Deus.?” e “Perspectiva católica” .Perguntas e respostas 30 sobre a bíblia A Bíblia.. 30 . também conhecida como Sagrada Escritura. nos ensina as verdades importantes de nossa fé cristã e nos questiona sobre como vivemos e nos relacionamos com os outros. e “inspiração para escrever” a mensagem que Deus quis nos comunicar para nossa salvação. Por isso usamos a expressão “Palavra do Senhor” ao terminar as leituras dos livros bíblicos na liturgia. O que tem a ver com minha vida um texto escrito há tanto tempo? Na Bíblia. “inspiração para falar” em nome de Deus. Por isso. nos ajuda a responder a seu chamado. “para deixar por escrito tudo e só o que Deus queria”1. que viveram e transmitiram sua mensagem para o bem de toda a humanidade. Deus se serviu de homens escolhidos que. Na composição dos livros sagrados. nos apresenta o amor de Deus à humanidade. você encontrará respostas para as perguntas mais frequentes. O Concílio Vaticano II reafirmou que a Bíblia “é Palavra de Deus” porque está escrita por inspiração do Espírito Santo. Em que consiste a inspiração divina na Bíblia? Deus comunicou à humanidade seu plano de salvação por meio de pessoas concretas. Esse processo de ler a Bíblia na perspectiva de nossa vida se chama atualização. Para muitas pessoas. usando todas as suas faculdades e talentos. membros de um povo e uma cultura determinados. ao nos aproximarmos com fé de sua Palavra. Será significativa agora se a interpretarmos em seu próprio contexto e buscarmos como aplicar a mensagem de Deus à nossa vida. sua mensagem é para todas as culturas e todos os tempos históricos. Nesta introdução e nos artigos “Sabia que. o estudo da Bíblia desperta perguntas cheias de significado. agiram movidos por ele.. A Bíblia não se desgasta com o tempo. descobrimos o que nos diz no momento atual.

A Bíblia nos diz a verdade? Existem “erros” na Bíblia? A Igreja Católica crê “que os livros sagrados ensinam solidamente. inclusive nos dados científicos e históricos. Se encontrarmos “erros”. 3. Considerar a cultura. Por isso. p. Nós cristãos cremos todos que o Espírito Santo guiou todas as pessoas que participaram desse processo. Isso não quer dizer que lhes ditou sua mensagem ao pé da letra. falar e narrar do tempo em que se escreveu o texto. Alguns livros contêm relatos orais provenientes de diferentes tradições. Descobrir o que queriam comunicar os autores sagrados e o sentido do texto. 31 . mas que cada um escreveu segundo o contexto histórico-cultural em que viveu. fielmente e sem erros a verdade que Deus fez consignar nesses livros para a nossa salvação”2. Ver se o “erro” se deve a diferenças culturais e científicas entre o autor e nós. os gêneros literários e as formas de sentir. O Magistério de nossa Igreja nos dá orientações que nos ajudam a interpretar corretamente os diferentes sentidos da Bíblia (ver “Basta a Bíblia para fundamentar a fé?”. Alguns grupos cristãos creem que a Bíblia é infalível em todos os aspectos. Em ambos os casos. 33). também existem livros escritos por vários autores ao longo de diferentes décadas. é importante estudar a Sagrada Escritura apoiados por pessoas capacitadas e livros cuidadosamente escritos. outro escritor sagrado realizou a redação final combinando tradições e escritos anteriores. recomenda-se fazer o seguinte: 1 .31 Falou Deus diretamente aos escritores da Bíblia? O Espírito Santo inspirou a cada autor para que comunicasse a revelação de Deus através da história da salvação. de transmissão ou de tradução de um texto. 2. motivo por que existem relatos repetidos com variações entre si. usou sua criatividade e empregou os gêneros literários comuns e apropriados para expressar a mensagem em sua época. O que podemos fazer se encontramos um “erro” na Bíblia? Os “erros” que encontramos na Bíblia podem ser devidos a problemas de interpretação. A Igreja Católica e outras Igrejas cristãs creem que essas questões não estão incluídas na infalibilidade da Bíblia.

Por isso. Primeiro é preciso buscar o sentido literal para poder descobrir o espiritual. Estes são: 1. Sentido literal. e pode se referir a uma realidade concreta ou a diferentes níveis de realidade. deve-se perguntar se além disso existe algum sentido pleno-espiritual. pode-se dizer que um texto tem basicamente dois sentidos: o literal e o espiritual ou pleno. é muito importante não cair no literalismo (interpretar todos os textos ao pé da letra) ou no subjetivismo (interpretar um texto segundo o que o leitor capta ou deseja ler nele)3.32 O que são os gêneros literários? Os gêneros literários são diversas formas de expressão escrita que têm suas próprias regras. Sentido pleno. Depois. É o sentido profundo do texto. 2. 32 . Na realidade. conforme o sentido que o autor deu às suas palavras. Esse sentido sempre se baseia no sentido literal. consiste na interpretação de um texto antigo à luz de uma nova experiência de fé e é um exemplo do sentido espiritual4. Pode ser próprio ou metafórico. e só podem dá-lo a Sagrada Escritura. interpretar textos que dão uma mensagem religiosa como se fossem reportagens históricas ou científicas. Correspondem à época e à cultura em que foram usados. a Tradição ou o Magistério da Igreja5. O que são os sentidos da Bíblia? Conhecem-se como “sentidos da Bíblia” os diferentes níveis de interpretação que podem ser dados aos textos bíblicos. Descobre-se à luz de outros textos bíblicos ou em sua relação com o desenvolvimento interno da revelação. considerar ensinamentos-chave de Jesus como se não fossem importantes ou ver as parábolas que comunicam um ensinamento moral como se fossem histórias reais. ler as exortações e motivações como se fossem leis. Sentido espiritual. mas não claramente expresso pelo autor humano. Por exemplo. seria já o sentido espiritual do texto em questão. Quando não se considera o gênero literário de um texto bíblico. querido por Deus. é indispensável e base para os outros sentidos. é fácil cometer erros. Portanto. 3. O sentido literal é o expresso diretamente pelos autores humanos inspirados por Deus. que manuseiam muitos escritores sagrados. se é que o teria. O sentido espiritual é o expresso por um texto bíblico quando lido à luz do Espírito Santo no contexto do mistério pascal de Cristo e da vida nova que provém dele. O sentido tipológico. o sentido pleno.

pois por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo o escuta devotamente. para ensinar o transmitido. e correríamos o perigo de cair em algum erro. a quem deu a Lei. Jesus era judeu e reafirmou as crenças centrais do Antigo Testamento. Com suas palavras e obras nos comunicou que Deus é nosso Pai. expressada no Antigo Testamento. O Magistério não está acima da Palavra de Deus. Cristãos católicos. Deus se revela em plenitude dando-nos seu Filho: Jesus. o Salvador do mundo. o Filho de Deus. a Tradição e o Magistério da Igreja. Alguns cristãos identificam o Antigo Testamento como “Escrituras Hebraicas”.. A Tradição se origina na Palavra de Deus confiada aos apóstolos e transmitida a seus sucessores para que. No Novo Testamento. No Antigo Testamento. O Antigo Testamento apresenta a história religiosa do povo de Deus (chamado hebreu. os dois são verdadeira Palavra de Deus”9. Deus escolhe Abraão e seus descendentes para formar o povo de Deus. o guarda zelosamente e o explica fielmente8. Nossa fé cristã tem estreita relação com a fé judaica. O Magistério da Igreja consiste na responsabilidade de cuidar da integridade dos ensinamentos da Bíblia e é exercido pelos bispos em união com o Papa. “O Antigo Testamento prepara o Novo. enquanto este dá cumprimento ao Antigo.33 Basta a Bíblia para fundamentar a fé? Nós católicos fundamentamos nossa fé em três fontes: a Bíblia. exposta e difundida entre todos os membros da Igreja7. A Bíblia é a Palavra de Deus porquanto escrita por inspiração do Espírito Santo6 com a finalidade de se dar a conhecer à humanidade e comunicar-lhe seu plano de salvação. em nome de Jesus Cristo. com seu mistério pascal realizou a aliança nova e 33 . seja preservada. A etapa de preparação para a chegada de Jesus. segundo a época). mas sim a seu serviço. conservamos. os quais se relacionam e se exigem mutuamente. os dois se esclarecem mutuamente. como a Eucaristia.. É o ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus. oral ou escrita. praticamente. e professamos a fé recebida através da Sagrada Escritura e da Tradição. Cremos que aceitar só a Bíblia como fonte da fé a tornaria incompleta. para que a humanidade pudesse acolher sua revelação plena em Jesus. se originam em acontecimentos centrais judaicos como a Páscoa. Por que tem a Bíblia dois Testamentos? Deus quis comunicar-se pouco a pouco na história. e realiza uma aliança com Moisés. israelita ou judeu. se reconhece como Antigo Testamento. e alguns atos litúrgicos-chave em nossa Igreja. guiados pelo Espírito da verdade. e a etapa que vai do nascimento de Jesus à vida das primeiras comunidades cristãs chama-se Novo Testamento.

e por isso outras igrejas cristãs não os tomam em consideração. e parte dos livros de Daniel e de Ester. Lutero preferiu a opinião dos judeus tradicionais ao traduzir a Bíblia. 34 . Baruc. No século XVI. Tais livros são: Tobias. pelos judeus. na diáspora. Proféticos e Outros Escritos. e lhes dá o nome de deuterocanônicos. O Novo Testamento cita parte desses livros. Os judeus tradicionais desconfiavam dos livros que haviam sido escritos em grego. enquanto estes últimos os consideravam revelados. Os livros do Novo Testamento conservam os principais ensinamentos de Jesus e as crenças da comunidade cristã sobre ele. os apóstolos e os Padres da Igreja os reconheciam como revelação divina. Por que a Bíblia católica tem mais livros do que outras Bíblias? O povo judeu determinou os escritos inspirados por Deus e os considerou suas Escrituras Sagradas. 1 e 2 Macabeus. A Igreja Católica os aceita e os emprega na liturgia. que quer dizer “aprovados na segunda vez”.34 eterna e nos deu o Espírito Santo para que sejamos seus discípulos e proclamemos seus ensinamentos. constituídas por quatro seções: Pentateuco. Judite. Eclesiástico. Históricos. Sabedoria.

sua mensagem é que Deus recusa a hipocrisia e a injustiça. É humana porque foi escrita por autores humanos que refletem sua personalidade. A Bíblia é divina porque vem de Deus. Escute Deus que fala. seus conhecimentos e sua cultura. De outra maneira. é possível deduzir mensagens equivocadas e inclusive contrárias ao que Deus quis dizer pela Sagrada Escritura. Deus diz a seu povo: Odeio. Esta parábola nos faz ver Deus como um Pai que espera nossa conversão para nos perdoar e nos abraçar.. Tudo chega à sua plenitude em Jesus. 35 A . Portanto. em Amós 5. Identifique o tema central do texto. 2. nos conhecemos melhor: quem sou eu? Que faço com minha liberdade. 3. Por exemplo. ler os dois primeiros versículos do capítulo 15 de Lucas. para saber o que queria Jesus ensinar na parábola do filho pródigo. nosso discernimento é iluminado por seu Espírito. 4. Jesus respondia com esta história aos que o criticavam por acolher os pecadores. e ele se revela através dela. Com palavras humanas. A Bíblia nos permite um encontro com Deus que afeta toda a nossa pessoa. A introdução a Amós diz que Deus enviou esse profeta para converter os ricos que exploravam os pobres e ao mesmo tempo participavam de festas religiosas. desprezo vossas festas. não quero mais ouvir a música de vossas harpas. Situe historicamente o autor e os destinatários do livro. meus valores e limitações? A Bíblia nos chama a ser irmãos uns dos outros e a construir comunidade. e que se alegra ao saber que um pecador se arrepende (Lc 15. Afastai de mim o ruído de vossos cânticos. Para compreender o sentido de um texto é preciso ler a introdução e então todo o livro. e nela nos faz ver nossa vocação pessoal.. A introdução de cada livro ajudará a conhecê-la. desgostam-me vossas celebrações. Por exemplo. Lembre-se de que a Bíblia é divina e humana ao mesmo tempo.Como 35 Estudar e compreender a bíblia o estudar a Bíblia. Existem passagens na Bíblia que só têm sentido na situação histórica do autor. deve-se ter em consideração os seguintes sete aspectos. Por acaso a Deus não apraz que o louvem? Examinar o contexto antes de chegar a conclusões.11-32). 1. a Bíblia nos revela a natureza de Deus. seu plano para a humanidade e sua obra salvadora no mundo. Também nos une à sociedade e nos compromete a construir a Civilização do Amor. relaciona-nos com a Igreja local e universal. Quando refletimos iluminados com a Palavra de Deus. Os autores bíblicos escreviam com um tema central. salvador de todos. a “história da salvação”. quando experimentamos sua presença.21-23.

16). que para interpretar a Bíblia é preciso seguir os ensinamentos do Magistério da Igreja. que diz: As mulheres guardem silêncio nas assembleias. Um sábio refrão diz: “Use a Bíblia para interpretar a Bíblia”. 7. Ignoram que em outras cartas Paulo louva as mulheres que exerciam o diaconato e eram líderes em sua comunidade (1Tm 3. Eles contam com a colaboração de especialistas bíblicos. Busque os “lugares paralelos” ou “passagens semelhantes” de outros livros e recorde que a revelação plena é Jesus. Consideramos. apoiando-se em 1Coríntios 14. Considere a mensagem de toda a Bíblia. Os artigos intitulados “Perspectiva católica” salientam os principais ensinamentos da Igreja sobre passagens importantes.36 5. É ao viver nossa missão que aumenta nossa comunhão com Deus e se prolonga nosso encontro com Deus ao projetá-lo nos outros. sacerdotes e leigos capacitados. A própria Bíblia pode ajudar você a entender as diferentes passagens. nos enche de fé. algumas comunidades proíbem que as mulheres exerçam postos de liderança. Rm 16. Interprete a mensagem em perspectiva cristã. ignoram o resto e chegam a conclusões absurdas. Por exemplo. Há os que se concentram em uma linha bíblica. amor e vida para proclamar a Palavra.34. nós católicos. O Espírito Santo. Como diz Paulo: Ai de mim se não anunciar o Evangelho (1Cor 9. 36 . Encontrar Deus em sua Palavra nos faz dirigir o olhar a nossos irmãos. que transformou e enviou os apóstolos em Pentecostes. Atenda aos ensinamentos da Igreja. visto que nem todos os textos têm o mesmo peso. Conhecer a Boa-Nova de Jesus nos leva a transmiti-la com amor aos que nos rodeiam.8-13. Os bispos têm a responsabilidade de interpretar e ensinar adequadamente a revelação da Bíblia.1). 6.

desde o amanhecer te desejo. a disposição que você tiver e a atitude que assumir são fundamentais. tu és meu Deus. Dedique tempo suficiente para ficar em companhia de Deus e sua Palavra. estreitar nossa relação com Jesus e gozar com a ação do Espírito Santo em nós. sem pensar em outros compromissos ou tarefas que você tenha de fazer. Afaste-se um pouco da agitação cotidiana da vida. precisamos rezar tanto individualmente quanto em comunidade. mas se estende à nossa vida inteira. cumpre-nos pensar seriamente em nossa atitude no momento de embarcarmos na grande aventura do diálogo com Deus por meio da Sagrada Escritura. Entrará neste grande quadro em que muitos traçaram sua própria obra de arte ao terem se encontrado com Deus. Teu amor vale mais que a vida. desejoso. A oração comunitária reforça nossa fé. nos ajuda a deixar-nos guiar pela Palavra de Deus. É escutando-o que recebemos seu amor misericordioso. Sua Palavra nos deixa conhecer seus desígnios maravilhosos para nós e nos ajuda a descobrir o sentido de nossas vidas. louvar-te-ão meus lábios (Sl 62. um Deus vivo que ama. Para viver em união com Deus. As recomendações a seguir irão ajudá-lo em sua peregrinação pelas páginas da Bíblia. nossas atividades diárias se transformam também em oração. e que as compartilhe com seus companheiros. une-nos com a comunidade eclesial em todo o mundo e com a Igreja triunfante que já goza a eternidade de Deus. AME DEUS Ó Deus. a qual não acontece só nos momentos em que oramos. Deus nos fala de maneira especial através de sua Palavra. A outra parte da oração é nossa resposta a Deus. mas para conversar com ele precisamos escutá-lo. Tenha um espírito aberto. A oração pessoal nos permite dialogar intimamente com nosso Criador. Dessa maneira. ressequida. Aqui. seu chamado a viver próximos dele e seu convite a colaborar na missão de Jesus. por ti anseio como terra sedenta. sem água. profetas da esperança. estou sedento de ti. sem pressa nem distrações. busque uma área tranquila da casa.Como rezar com a palavra de deus 37 Rezar é dialogar com Deus. um lugar quieto onde você se sinta bem e no qual ninguém o incomode. faminto de uma palavra de esperança e vida. Convidamos você a descobrir novas maneiras de se preparar para ler e rezar com o texto. você compartilhará a experiência de muitos homens e mulheres através dos tempos. Conserve uma posição externa e uma atitude interna que sejam coerentes com o que você está fazendo. Ao rezar com a Bíblia. Por isso. que opta por cada um de nós e que nos chama a ser construtores de seu Reino. PREPARAÇÃO PARA REZAR COM A PALAVRA DE DEUS Ler a Bíblia não é como ler outro livro qualquer. 37 .2-4). exige de nós autenticidade diante de nossos irmãos.

1). mesmo que pareça que não tem nada. escreva-as ou. Então você tem de aguentar firme. Enviou-me a dar a boa-nova aos pobres. momentos de secura espiritual. a libertação incessante de situações sem saída. a curar os de coração despedaçado. e anunciará o direito às nações (Mt 12. detenha-se nela para que a luz não se desvaneça e não se extinga. como nos dias de festas (Sf 3. Se alguém ama a Deus. Caminhe pelo deserto. Dará pulos de alegria por ti. Você se admirará ao descobrir em sua vida que. essas palavras poderão acompanhá-lo ao longo da sua vida.26). Comece com uma oração ao Espírito Santo. a proclamar a libertação aos cativos e aos prisioneiros a liberdade (Is 61. medite com calma as palavras. memorize-as. é porque foi conhecido amorosamente por Deus (1Cor 8. de aridez emocional e palavras vazias. derramarei meu espírito sobre ele. ele é um guerreiro que salva. Haverá trechos de caminho em que você sentirá sede.38 ABRA SEU CORAÇÃO AO ESPÍRITO SANTO Este é meu servo a quem escolhi. Assim. por tua causa dançará e se alegrará.18). Dê graças a Deus pela amizade e por esse momento tão especial. experimenta também a ação libertadora e orientadora de Deus.3). Quem descobre o agir de Deus entre os homens e mulheres na história. tal qual em muitos relatos bíblicos. e peça-lhe que abra seu espírito e seu coração à mensagem que Deus lhe comunicará. Faça viva a libertadora história de Deus com a humanidade. para que derrame paz e sossego sobre você durante os minutos que dedicar à oração com as leituras bíblicas.17). FAÇA DA SUA VIDA UMA HISTÓRIA DA SALVAÇÃO O Espírito do Senhor está sobre mim. inclusive. Quando surge uma luz na meditação de alguma passagem bíblica. seu amor te renovará. 38 . CELEBRE A GRANDEZA DE SEU SER O Senhor teu Deus está no meio de ti. o deserto é precisamente o lugar onde você terá um encontro com Deus. ENTRE NO DESERTO O anjo do Senhor disse a Filipe: – Põe-te a caminho para o sul pela estrada que desce de Jerusalém para Gaza através do deserto (At 8. meu amado em quem me comprazo. porque o Senhor me ungiu.

que renunciemos às coisas que nos amarram. Escute o chamado à conversão. Observe a situação histórica. o autor e os gêneros literários para compreender sua mensagem e não fazer uma interpretação apressada do texto. Que a Palavra una você a Deus. A Palavra de Deus nos compromete sempre.. Recorde que estes são só lembretes para ajudá-lo a ter um bom diálogo com Deus. Existem muitas maneiras de rezar com a Palavra de Deus. cada vez com mais alegria e entusiasmo. a angústia. A atualização da Palavra leva à identificação entre você e a mensagem de Deus. um roteiro meditativo que o ajudará a rezar com a Sagrada Escritura: Propicie um ambiente de recolhimento. mas sim que ponha em prática sua Palavra (Tg 1. não é estudar uma matéria a mais. FINALMENTE. quando nos fala. participe dos sentimentos e pensamentos dos personagens. Identifique o que Deus quer lhe dizer.. A Palavra de Deus frutificará ao ajudar você em seu processo de conversão e crescimento espiritual. 39 . a espada? (Rm 8. a fome.35).22). Dialogue com Deus ao responder à sua Palavra. Descreva-lhe suas reações. a perseguição. veja a ação amorosa de Deus neles. Desta maneira você poderá fazer o que a Palavra lhe exigir. seus temores e suas esperanças. exige que nossa vida mude. Vibre com a mensagem. o perigo. que levou muitas pessoas à santidade. Uma delas é a Lectio Divina (Leitura Divina).39 DEIXE-SE TRANSFORMAR POR SEU AMOR! Quem nos separará do amor de Cristo? O sofrimento. Aplique a oração à sua vida.35). Deus. A seguir. Pelo amor que tiverdes uns aos outros reconhecerão todos que sois meus discípulos (Jo 13. e ao conduzi-lo no compromisso de continuar com a missão de Jesus. Examine o texto. ofereça-lhe respostas concretas. O mais importante é que você continue sua aventura do encontro com o Senhor. que lancemos longe de nós as cargas excessivas. a nudez. Rezar com a Bíblia é estabelecer uma relação com Deus. a fim de que possa chegar a libertação. Peça ao Espírito Santo que prepare seu coração para escutar a Deus. Imagine-se nessa situação. Deus não quer gente que se limite a ouvir. ORAÇÃO INDIVIDUAL Leia diariamente a Bíblia com a finalidade de crescer em sua relação com Deus e em sua vida cristã.

Rezar com o texto e saboreá-lo. é preciso avaliar o processo de reflexão e oração para melhorá-lo. 6. guiará o processo e cuidará que todos participem. Uma pessoa lê em voz alta a passagem. 5. em pequenas comunidades e em grupos de oração. Periodicamente. As outras a escutam ou seguem em silêncio a leitura do texto em sua própria Bíblia. descobre-se a mensagem para a comunidade. o capítulo em que se encontra e sua relação com as passagens anteriores e posteriores. Todos refletem para ver sua realidade pela perspectiva de Deus: que acontece em nosso ambiente? Como Deus o vê? 40 . 4. Recomenda-se seguir os seguintes passos para a reflexão e a oração em comunidade: 1. é conveniente seguir um plano determinado. Iluminar com a mensagem a vida da comunidade. Podem voltar a ler individualmente o texto em sua Bíblia. Se há uma mensagem importante para si mesmo. ou de dois em dois. Analisar o texto. 3.40 REFLEXÃO E ORAÇÃO EM COMUNIDADE Ler e crer em comunidade com a Bíblia é responder a Deus que fala a seu povo. Esta oração permite que a Palavra penetre no interior de cada um. Para que a reflexão e a oração em comunidade deem fruto. Na reunião. Situar o texto no livro bíblico. os encha de alegria e de paz. para assegurar sua sadia interpretação. buscam o que Deus quer comunicar à comunidade e compartilham o que Deus lhes inspirou. os destinatários. conserva-se para a oração pessoal. Em espírito de consenso. Isso se pode fazer em reuniões de grupos juvenis. para que todos aprofundem a Palavra e identifiquem as ideias mais importantes. identificar o contexto histórico da leitura. em retiros. Proclamar o texto. a intenção do autor e o gênero literário. ter uma mínima organização comunitária e preparar-se bem. Descobrir o coração da mensagem. Faz-se um momento de oração para que todos levem a seu coração a mensagem de Deus. Aos pares. O animador deve estudar e rezar com o texto selecionado previamente. Refletir pessoalmente. 2. Dá-se um tempo de silêncio. os console e os desafie à conversão. Todos oram em silêncio.

Natal. Leitura litúrgica dominical A Igreja Católica segue um plano de leitura e oração com a Bíblia na Liturgia Eucarística e na Liturgia das Horas. Os Atos dos Apóstolos suprem o Antigo Testamento.41 7. A segunda leitura se toma geralmente das cartas e às vezes do Apocalipse. e se entoa algum cântico apropriado. para que a Palavra de Deus nos acompanhe na jornada da vida. de forma espontânea: expressar ação de graças. Em cada reunião se escolhe o mais apropriado. como primeira leitura. convém oferecer de forma simbólica o compromisso assumido: pedir a Deus a graça de viver sua Palavra e convidar Maria para que nos ajude a ser fiéis seguidores de seu Filho. 41 . que são Advento. O evangelho de João se lê nos “tempos litúrgicos fortes”. 1897): O lecionário contém passagens do Antigo e do Novo Testamento. salientando o mais importante de cada livro. Deus se comunicou com a comunidade mediante sua Palavra para nos fazer fiéis seguidores de Jesus. A Igreja recomenda aos fiéis que nos preparemos para celebrar a missa dominical refletindo previamente sobre suas leituras.. durante o tempo pascal. devido à grande importância das primeiras comunidades cristãs. A celebração é o ponto culminante da reflexão comunitária. oferecer a vida. Celebrar a palavra de vida. sendo o Evangelho o que orienta todas as leituras.. Os evangelhos leem-se ao longo de três ciclos – conhecidos como “A”. A Bíblia do jovem apresenta o “lecionário dominical” e das festas importantes (ver p. Quaresma e Páscoa. O lecionário conduz a comunidade eclesial por um percurso através da Sagrada Escritura. A primeira leitura depende da mensagem que se enfatiza no Evangelho. pedir perdão. “B” e “C” – que correspondem a Mateus. 8. Além disso. Marcos e Lucas. Esse costume é bastante usado na pastoral do catecumenato e dos grupos juvenis de oração. o salmo responde em oração à primeira leitura e prepara para receber a mensagem do Evangelho. A comunidade dialoga sobre o chamado de Deus nesse texto: que atitudes Deus nos pede que mudemos ou que adquiramos? Que ações devemos realizar? Sugere-se encontrar um símbolo ou escrever um lema para recordar e viver o compromisso dessa reunião. Identificar as ações solicitadas por Deus . chamado “lecionário”.

Você pode ler as introduções aos três evangelhos e escolher o que mais lhe chamar a atenção. poderá ler os outros evangelhos ou seguir lendo qualquer dos planos temáticos apresentados em sua Bíblia. leia tudo sobre os sacramentos. Depois é recomendável ler um dos três evangelhos sinóticos: Mateus. crie seu próprio plano de leitura utilizando os índices que se apresentam no final (p. “Um percurso pela Bíblia”. 1863-1888). Preferindo. pois oferece uma vista panorâmica da Bíblia na perspectiva da história da salvação.42 Planos de leitura bíblica A Bíblia do jovem apresenta sete planos temáticos para penetrar na leitura da Sagrada Escritura (p. ou sobre o que você tiver dúvidas. Por exemplo. Na sequência. Convém começar pelo primeiro. ou sobre a riqueza das diferentes vivências culturais da Palavra de Deus. Marcos ou Lucas. 42 . para aprofundar seu conhecimento sobre Jesus. O evangelho mais curto e mais fácil de ler é o de Marcos. ou sobre os símbolos. 1902).

43 ANTIGO TESTAMENTO .

Essas palavras de Deus foram expressadas em distintos momentos e circunstâncias históricas. Povos e pessoas. somos todos filhos de nosso tempo e nosso espaço. isso não invalida nem suprime as palavras com que Deus se revelou ao povo de Israel no Antigo Testamento (Mt 5. Assim poderemos receber a riqueza da mensagem que Deus nos dá através desses textos e participar ativamente do sublime diálogo de amor que Deus estabelece com as pessoas. Nesta grande região. os filisteus ou “pelistin”.O mundo do antigo testamento 45 Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente a nossos antepassados por meio dos profetas. Comunicavam-se com a Índia através do Irã. Embora seja certo que Deus se revelou plenamente em Jesus.17). com a África através do Egito e da Núbia. Em seus extremos estão o delta do rio Nilo e a desembocadura dos rios Tigre e Eufrates. e em linguagens humanas variadas e diversas. com menos de cem quilômetros de largura. em contínuos conflitos armados. o Litani e o Jordão. Esta introdução. Essa região é parte de um conjunto geográfico mais amplo chamado Crescente Fértil. cultura e religião. Palestina. nos falou por meio do Filho. que a história daquela época faça parte de nossa própria história e que as linguagens diferentes e variadas possam traduzir-se sem traição ao nosso idioma. A terra do Antigo Testamento A maior parte da história bíblica se desenvolve em um território estreito e longo. A parte Sul foi chamada país de Canaã por seus antigos moradores. Agora. por meio das pessoas às quais se foi revelando. Para compreender os escritos nos quais o antigo povo de Israel compartilha sua história e suas vivências religiosas. a leitura e a compreensão do Antigo Testamento nos ajudam a conhecer e valorizar melhor Jesus e sua mensagem. os quais comercia- MARCO HISTÓRICO DO ANTIGO TESTAMENTO 45 . viveram povos importantes. Essa franja de terra foi berço de várias civilizações e é ponto de encontro de três continentes: Ásia. sobretudo entre o Tigre e o Eufrates e no vale e delta do Nilo. Ao contrário. devido ao cognome do patriarca Jacó. no acontecer histórico e no contexto sociocultural nos quais surgiram. Hb 1 1-5 O texto anterior expressa de um modo conciso e claro a fé cristã na revelação divina contida na Bíblia. por um de seus povos ocupantes. devido à sua forma de meia lua e à fertilidade de suas terras. unidos por grandes vias de comunicação. entre o mar Mediterrâneo e os grandes desertos da Síria e da Arábia. zonas intransponíveis na Antiguidade. O Antigo Testamento tem muitas e variadas “palavras antigas” que Deus dirigiu a “nossos antepassados”. com suas três partes – o marco histórico. e com a Europa por meio dos fenícios. que nos transmitiu as palavras definitivas de Deus. e seu centro se situa na altura dos desertos da Síria e da Arábia. Tinham um intercâmbio comercial intenso e frequentemente compartilhavam ideias. os livros e os temas teológicos do Antigo Testamento – tem como finalidade ajudar a que essas “palavras antigas” se convertam em vivas e atuais. A região está irrigada também por outros rios menores. e Israel. África e Europa. neste momento final. ou “nossos pais”. os profetas e os autores bíblicos entre eles. que a geografia distante seja um terreno familiar. é preciso situá-los no marco geográfico. a despeito disso. como o Orontes. entrando.

vence Babilônia (539-331 a. Mesopotâmia deixa de ser . Mas alguns fatos significativos.C. desempenharam papéis definitivos na vida dos israelitas.C. e vários impérios dominaram a região sucessivamente. os quais deram origem aos grandes impérios da Assíria e da Babilônia (séc. XVI e X a. conquista o antigo território assírio. aniquila Judá e deporta grande parte de seus habitantes (587 a.) até que ressurgiu o império assírio (séc. hurritas.). O império persa .).). Os cuchitas. sob a liderança do rei Ciro. as grandes potências. com a Grécia continental e com a Espanha.). Nínive (612-605 a.46 Mar Morto Rio Eufrates Mar Cáspio Rio Tigre Mar Mediterrâneo Palestina Lago da Galileia Rio Jordão Mesopotâmia EGITO Sinai Golfo Pérsico Mar Vermelho Rio Nilo O Crescente Fértil O CRESCENTE FÉRTIL vam com as ilhas gregas de Chipre. Muitos povos e etnias viveram ali. de origem semita (2370-2230 a.C.C. Creta e Jônia. que desde os dois extremos do Crescente Fértil procuravam estender sua influência e seu domínio. Os povos do Antigo Testamento A situação geográfica e os povos vizinhos de Israel influíram profundamente em sua história. XX-XVI a. como a opressão egípcia e o exílio babilônico.) e transformou Judá em reino vassalo (701 a. por estar entre o Tigre e o Eufrates – foi o primeiro grande foco de civilizações e culturas. Mesopotâmia e Egito. A maior parte da história de Israel se desenvolveu no centro desta região. A seguir vieram os acádios. Ao decair o império assírio. que acabou com os reinos de Damasco e de Israel (735-721 a.C. com sua dinastia de Ur (2060 a. Babilônia toma sua capital.C. os sumérios criaram a primeira grande civilização.C.). ocorreram em seus extremos: no delta do Nilo e na baixa Mesopotâmia.C. procedente da Grécia. Mesopotâmia 46 Em 3000 a.). que terminou com a chegada dos amorreus. e.).C. Mesopotâmia – cujo nome significa “entre rios”. IX a. mais tarde. hititas e arameus dominaram a região (séc. O novo império babilônico..C. estende seu domínio até o Egito. mas sucumbe diante do avanço de Alexandre Magno. dirigido pelo seu rei Nabucodonosor. Depois houve um breve renascer sumério.).C.

com o império romano como protagonistas. sua administração e sua religião foram integrados à vida e às instituições do povo israelita.o centro do poder político-cultural. começou uma etapa de forte pressão sobre a Palestina e uma situação séria de opressão para os israelitas no Egito (1304-1184 a. primeiro com o império greco-macedônico e. sobretudo ao convertê-la em uma espécie de protetorado ou província egípcia (1900-1500 a. a influência egípcia continuou durante a monarquia unida e o reino de Judá.).C.).) e os reinos helenistas que o sucederam.C. Essa influência se manteve inclusive sob o domínio dos romanos. Com a invasão dos povos do mar – filisteus procedentes das ilhas do mar Egeu –.C. Mesmo assim.C.C. O helenismo – fenômeno sociocultural caracterizado pela expansão da língua e da civilização gregas – causou impacto definitivamente na comunidade israelita da Palestina e da “diáspora” (dispersão pelo mundo). em especial os filisteus. Durante um século e meio. o Egito foi talvez o povo que mais influenciou a Palestina. cultura e religião com seus habitantes. os hicsos.C. que se desloca para o mundo mediterrâneo. As culturas dos povos do mar Egeu. Esta influência se acentuou na época persa e chegou a seu cume durante o grande império greco-macedônico fundado por Alexandre Magno (333-323 a. posteriormente. inicia-se a decadência do Egito. governaram o Egito e estabeleceram laços de sangue. até o fim da nação judaica. Egito secundário na política internacional. Quando os hicsos foram expulsos.-135 d. sua história milenar e seu desenvolvimento. que passa a exercer um papel Mundo greco-romano Mar Morto Hititas Hurritas Mar Cáspio Rio Tigre Amorreus Povos do Mar Arameus Mar Mediterrâneo Cananeus Egípcios Rio Nilo Mar Vermelho POVOS DO ANTIGO TESTAMENTO Sinai Acádios Cuchitas Sumérios Assírios Medos Persas Rio Eufrates Árabes Golfo Pérsico 47 .). Por sua proximidade. semitas originários da Palestina. Muitos elementos de sua cultura. influíram sobre Canaã desde 2000 a. no tempo do imperador Adriano (63 a.

Esses grupos estão vinculados com o “deus do pai”.C. Os filisteus. no segundo milênio a. de Esaú e de Labão.C. na franja semidesértica do Crescente Fértil. cotejadas com fontes históricas do Antigo Oriente Próximo e com descobertas arqueológicas.36-38). sobrinhos de Abraão (Gn 19. A frase Meu pai era um arameu errante (Dt 26. que deram nomes às doze tribos e que se consideram seus antepassados mais diretos. Os patriarcas ou antepassados de Israel eram pastores seminômades de ovelhas e cabras. Povos vizinhos Fenícios Harã Basã Lago da Galileia Mar Mediterrâneo Canaã Rio Jordão Amon Filisteus Mar Morto Moab Edom POVOS VIZINHOS DE ISRAEL As grandes etapas da história de Israel A fé de Israel é essencialmente histórica. ao sul da costa. entre a época dos hicsos e o enfraquecimento do poder egípcio sob Amenófis IV (1720-1347 a. salvo as recordações de acontecimentos e personagens transmitidos por tradição oral. Seu único Deus. fazendo da história o lugar e o meio privilegiado de sua relação com o povo e o ambiente vital no qual se desenrolam suas escrituras sagradas. A formação de Israel como povo abrange oito ou nove séculos.Os povos vizinhos influenciaram mais diretamente Israel. que escapam quase por completo ao historiador. com suas grandes cidades de Biblos. mas tinham conflitos contínuos com eles. Os cananeus – conjunto de tribos organizadas em cidades-Estado que tinham uma mesma língua e certa unidade cultural e religiosa – habitaram o mesmo território antes e durante a ocupação israelita. e os idumeus e arameus. tornaram-se sedentários e chegaram a dominar regiões ocupadas por outros grupos. . A história dos patriarcas. Jacó/Israel e seus filhos. que lhes faz importantes promessas para sua descendência. foram os estrangeiros por excelência e os inimigos mais incômodos de Israel até o reinado de Davi. Segundo dados históricos e arqueológicos provinham da Mesopotâmia (Abraão de Ur e Jacó de Harã) e perambularam pelo centro e pelo sul da Palestina entre os séculos XVIII e XVI a. Havia pequenos reinos com os quais os israelitas estavam aparentados.5) As origens 48 resume as tradições patriarcais registradas na história das origens de Israel (Gn 12–50). Isaac.). nos quais se destacam três grandes etapas: 1. oferecem dados importantes sobre suas origens. como as grandes potências. Os fenícios – marinheiros e comerciantes. Os amonitas e os moabitas descendiam de Amon e Moab. o Senhor. Parte deles vivem no Egito durante cerca de quatro séculos.C. As tradições bíblicas situam nesse amplo período Abraão. Com o tempo. se revelou mediante sucessivas intervenções através dos séculos. tio e sogro de Jacó. porém sem ameaçar sua existência. Essas memórias. Tiro e Sidon a noroeste – mantiveram relações amistosas com Israel e tiveram uma influência religiosa forte no reino do Norte.

e se alia a tribos vizinhas para enfrentar diversas ameaças. anais reais e arquivos. Eleito rei pelas tribos do Sul. Davi. com instituições que lhe permitem começar a escrever sua história: escribas. 2. com sua sucessão de reis e os profetas que aparecem em diferentes momentos e lugares. Israel adota e adapta elementos religiosos e culturais cananeus. a opressão e. Saul. entre as quais se destaca o templo de Jerusalém. e b) o êxodo-fuga. O rei Salomão. são vistos como resultado de intervenções divinas.2. filho de Davi. Não obstante. A monarquia ou reino unido A monarquia nasceu diante da insuficiência do sistema tribal para resistir aos saqueadores nômades e às ameaças de outros povos. Davi fortalece a nova nação ao vencer e dominar os reinos vizinhos até o norte da Síria e conquistar Jerusalém. Seus três primeiros reis estabelecem e desenvolvem o reino. quando os hicsos foram expulsos. Estes fatos. Cria um sistema administrativo. sem dúvida. começa a tomar impulso a atividade literária em Israel.). centro religioso de reunião das tribos e sinal da presença permanente de Deus no meio de seu povo.). A Bíblia apresenta duas versões: Josué 1–12 relata a conquista graças a três rápidas e vitoriosas campanhas de “todo Israel” dirigidas por Josué. Estabelece as bases de uma organização interna com um exército de mercenários e um corpo de funcionários especializados. submetidos a trabalhos forçados. quando vários grupos semitas. narradas no livro do Êxodo. impulsiona o comércio e promove obras de construção. talvez porque fosse muito semelhante à estrutura tribal. Com a monarquia.C. A primeira experiência monárquica com Saul fracassou. em particular com Salomão. A permanência no Egito. instituições muito fortes na história de Israel.. Salomão. o reinado de Salomão terminou com graves problemas internos e externos que levaram o reino à sua divisão. XI-X a. puderam fugir guiados por Moisés. foi aceito pouco depois pelas tribos do Norte. O quadro da p. exército regular nem o apoio e a legitimação suficientes. sobretudo os filisteus (séc. pois está escrito como uma grande epopeia com traços lendários e litúrgicos. 49 . O relato do êxodo funde duas tradições distintas: a) o êxodo-expulsão. O processo que permitiu a libertação do Egito foi. o que parece estar mais próximo da realidade. na quarta geração. Pode ter começado por volta de 1250 a. Embora já existissem poemas e relatos. que passa a ser a capital política e religiosa de todas as tribos. 57 apresenta uma visão de conjunto do reino unido e a divisão deste. e o encontro com Deus no Sinai. O próprio Saul teve traços de juiz e foi aceito só por algumas tribos (1030-1010 a. de caráter local. a libertação. constituem o coração do credo de Israel e o ponto de partida de sua história como povo. se divide. como os anteriores. a passagem pelo Mar Vermelho (14–15). dirigido por Moisés. Também se consolidam o profetismo e o sacerdócio. Um membro da tribo de Judá foi quem conseguiu consolidar e institucionalizar em poucos anos o modelo monárquico (1010-970 a. 3.). e continua sendo difícil comprová-lo.C. com a monarquia. Três fatos ressaltam no relato: a saída do Egito graças à intervenção de Deus (Ex 7–12). 1. o qual ficou como a tradição predominante.C. mas este. 3.C. e não tinha capital permanente. sobretudo.C. Juízes 1 a narra como um processo lento e progressivo que não afetou os enclaves cananeus mais bem fortificados. Israel se constitui plenamente como nação. complexo.). aperfeiçoa a organização do Estado (970-931 a. onde os israelitas celebram uma aliança com ele (19–24). conseguindo a unidade nacional pela primeira vez. A época dos juízes está envolvida entre brumas e recordações épicas e lendárias. Permanência no Egito. Conquista e assentamento em Canaã. sob Ramsés II.

Alexandre Magno derrotou os persas e instaurou o império greco-macedônico. aprofundam-se as diferenças entre os judeus helenistas e os que permanecem fiéis às suas tradições. Com o tempo. guiaram a comunidade na reconstrução. Também floresceram ali profetas importantes como Isaías. foi mais estável graças à “teologia da sucessão davídica” e por ter sofrido menos pressões inimigas. converteu Israel em província assíria (722 a. A partir de então. Em 539 a. No ano 333 a. os habitantes locais e povos vizinhos eram hostis. os primeiros “profetas escritores”. os quais os sustentaram e impulsionaram a obra da restauração.C.. os judeus ficaram pobres. em sua tradição. desorganizados. Teve momentos brilhantes com os reis Asa. por sua proximidade geográfica. onde formaram colônias que deram origem à diáspora ou dispersão judaica. A comunidade judaica pós-exílica Em menos de cinquenta anos a situação internacional mudou por completo. As quedas sucessivas da Samaria e de Jerusalém foram um duro golpe para a fé de Israel.).). evidente nas nove dinastias que reinaram em duzentos anos. do mais seleto de Judá. rei dos persas.C.1. Miqueias. Zacarias e o Terceiro Isaías. Com isso. Primeiro exigiu tributos. dando origem ao judaísmo. Conheceu períodos de esplendor sob Amri. fazendo parte da diáspora. montaram as bases de uma nova identidade mais religiosa que política. Impacto do helenismo. 2. novas perspectivas de esperança e continuidade. que fundou sua capital. V a. Sofonias e Jeremias. depois tomou Samaria e deportou seus habitantes e. o qual deixou profundas marcas nos âmbitos religioso e literário. e se misturaram com os colonos estrangeiros. Este reino. que foram exiladas para a Babilônia se estabeleceram por famílias em aldeias e cidades. Samaria. 2. pois a maior parte do Antigo Testamento recebeu sua forma definitiva nesse período. e com Josias. Os israelitas conseguiram sobreviver à grande crise política e religiosa do exílio graças aos sacerdotes e profetas. que reuniu os restos do reino do Norte. e com Acab e Jeroboão II. como deportados. O reino do Sul (Judá). Recebeu uma forte influência da política egípcia. mas sofreu mais pressões internas e externas. Reconstrução e nova esperança. a comunidade judaica teve de sofrer as lutas entre seus sucessores. Mas seu trabalho de reconstrução não foi fácil. Ao morrer Alexandre. Ao refletir sobre o passado. Sua grande instabilidade interna. que se sentia seguro devido às promessas divinas.). Assim. Ciro. As milhares de pessoas. es- O exílio 50 .C. Zorobabel e Josué. em cujo reinado surgem Amós e Oseias. e estavam submetidos ao império persa. junto com os profetas Ageu. por fim.C. O reino do Norte (Israel). Josafá e Azarias/Ozias. a observância da Lei e a inquebrantável afirmação de Javé como único Deus. e encontraram. Esdras e Neemias reorganizaram o povo e lhe deram uma estrutura teocrática (séc. Com a queda de Jerusalém.). inicia-se o “helenismo” ao difundir-se a língua e a civilização gregas. Em dez anos o rei Nabucodonosor atacou duas vezes Jerusalém (598 e 587 a. o templo e o sacerdócio foram os pilares da identidade do povo. Um século depois de se libertar da ameaça assíria (701 a.C. sem atenção religiosa.C. com Ezequias. que realizou uma reforma religiosa. Judá sucumbiu diante da invasão babilônica. seus dirigentes e um núcleo importante de sua população. pois faltavam meios econômicos. Tinha os territórios mais ricos e populosos. menor e com menos recursos. o sábado. entre eles Ezequiel e o Segundo Isaías. explicaram a catástrofe em termos de responsabilidade nacional. fizeram-no fácil presa do império assírio. a Lei. 1. destruiu a cidade e levou para Babilônia. na qual tomaram importância a circuncisão. conquistou Babilônia e permitiu aos exilados regressar a sua terra e reconstruir o templo.. Muitos fugiram para a Transjordânia ou para o Egito.

1905). retomam o título de reis e mantêm a situação por mais de setenta anos. 2) livros históricos. Quando o selêucida Antíoco IV proibiu as práticas religiosas judaicas em Jerusalém e em toda a Palestina (167 a. Simão Macabeu é reconhecido como sumo sacerdote e obtém a independência política para Judá (141 a. 4) livros poéticos e sapienciais. essas expressões foram transmitidas oralmente. listas e recenseamentos. organizaram uma rebelião armada que conseguiu triunfar.pecialmente os lágidas ou ptolomeus. relatos épicos e sagas de tipo histórico. tal semelhança não obscurece a originalidade temática e formal da literatura bíblica. Literaturas do antigo Oriente Próximo Muito tempo antes que as tribos israelitas transmitissem oralmente suas tradições. A população judaica no estrangeiro. que podem se conhecer melhor nas introduções de cada livro e no quadro cronológico (p. pleitos.C. poemas e cartas. apoiados por grupos de judeus piedosos (assideus). se agrupa em torno de suas sinagogas e. insuportável depois das rebeliões dos anos 70 e 135 d.C. hinos e orações religiosos. O império romano.C. guerras. Inicia-se a configuração das primeiras tradições orais enquanto povo. mais numerosa que na Palestina. dominadores da Síria e da Mesopotâmia. anseios. e tratam dos grandes temas da vida: trabalho.C. e se desenrola nos centros. temores e expectativas de pessoas e povos. e b) a consolidação da diáspora. 3. convicções. mantendo-se a mesma forma ao serem escritas: sagas e recordações patriarcais. hinos e relatos épicos em torno do êxodo e da conquista. apesar da distância. Essa divisão coincide em grandes traços com a tríplice denominação judaica: Lei. A maioria das formas e dos gêneros literários no Antigo Testamento – mitos e lendas sobre a criação do mundo e das pessoas. Profetas e Outros Escritos. OS LIVROS DO ANTIGO TESTAMENTO O Antigo Testamento é uma grande coleção de 46 livros escritos em diversas épocas e por diversos autores. culto. A rebelião dos Macabeus. ambientes e circunstâncias em que vivem. até que o exército romano toma Jerusalém. e os selêucidas. Formação dos escritos do Antigo Testamento A formação do Antigo Testamento foi um processo complexo e lento que corre. corpos legais e tradições cúlticas. 1. mantém sua vinculação com Jerusalém e o templo. os asmoneus. pessoas e costumes. códigos legais e administrativos. festas. e a Judeia se transforma em província romana (63 a. pois compartilharam com eles uma vasta herança cultural. a Suméria e a Assíria tinham uma literatura 51 . 3) livros proféticos. A diáspora confere ao judaísmo um caráter novo e o prepara para superar a grande provação que implicou seu desaparecimento enquanto nação.. Divide-se em três grandes etapas. Não obstante. os irmãos Macabeus. promovida pela expansão helenista. Seus descendentes. a Babilônia antiga. como na maioria dos povos. cantos de gesta sobre heróis locais. ditos ou provérbios de origem familiar e popular. escritos de caráter sapiencial – parecem-se com os textos do antigo Oriente Próximo. rica sobre diversos temas. A literatura nasce como reflexo da vida e expressão dos sentimentos. reunidos por afinidade literária ou temática em quatro grandes grupos: 1) Pentateuco.). provocou o fim da nação judaica. em meio a lutas fratricidas. Nas origens de Israel.). que reúnem certas tradições das antigas tribos do Centro e do Norte e rompem com Jerusalém e o judaísmo oficial. antes de serem escritas. senhores do Egito. Das origens até a monarquia. relatos sobre a origem de lugares. Dois fatos evidenciam-se nesse período: a) a separação progressiva dos samaritanos.). Em Canaã se fundiram as recordações de diferentes tribos e se incorporaram elementos da língua e da literatura cananeias (séc.).C. o Egito. paralelo à vida e à história do povo de Israel. XII-XI a. em certa medida. luto.

Ao mesmo tempo se intensifica a atividade profética com Ezequiel e o Segundo Isaías. Zacarias e o Terceiro Isaías – leva a seu cume o Pentateuco ou Torá (Lei). possivelmente. Habacuc e Jeremias completam as contribuições literárias do reino de Judá. Também se iniciam as coleções de salmos e provérbios. Eliseu.27).8). da religião e da literatura mesopotâmicas. O período pós-exílico A partir da pouca informação sobre a comunidade pós-exílica nas épocas persa e helenista. deixaram especial marca de atividade literária. Secretários e escribas cortesãos começam a escrever uma história oficial a partir de listas. Mais importante é o estímulo que deram esses grupos aos exilados. que reescreve a história do povo desde as origens até Moisés. 3. O tempo do exílio foi muito fecundo literariamente. aos quais se atribui a recopilação de antigas coleções de provérbios (Pr 25.1–29. Com a queda de Samaria. Em Jerusalém se escrevem as Lamentações e se conclui a história deuteronomista. A reforma de Esdras – animada pelos profetas Ageu. da história javista e eloísta. com a finalidade de legitimar a monarquia davídica diante dos israelitas e das outras nações. Aías e Miqueias. Em Babilônia.C é mais significativo que estes. filho de Jembla. Ver tábua “Escritura do Pentateuco”. Os escritos proféticos de Sofonias. p. estimulou fortemente a atividade literária. Salomão. e se colocam por escrito alguns cantos épicos. isto é. que se converte no corpo literário normativo da comunidade teocrática (fins do século V). Esse Livro da Lei inspirou a escola deuteronomista e iniciou uma grande obra histórica. que compreende desde a conquista da terra até a queda de Jerusalém. Josias impulsionou uma ambiciosa reforma a partir do descobrimento do Livro da Lei. eles mesmos ou seus discípulos começaram a escrever alguns de seus oráculos. porque. aparecem os primeiros escritos históricos reconhecidos como a história javista: as histórias da sucessão de Davi e de Salomão e. relativamente prósperos e pacíficos. anais reais e outros dados de arquivo. e teve a sua última edição durante o exílio. o movimento profético é mais tardio. 56 Depois da divisão do reino. No exílio. e as bases para o desenvolvimento religioso da comunidade pós-exílica. primeiro escrito bíblico de caráter normativo ou canônico (2Rs 22. Nessa época. este período é decisivo na configuração do Antigo Testamento. embora seu ministério tenha sido oral. onde os deportados integram alguns elementos da cultura. Mas o aparecimento dos “profetas escritores” no século VII a. servindo-se das versões anteriores. seus primeiros expoentes são o Primeiro Isaías e Miqueias. Criam-se também escolas para a formação dos funcionários da corte. No reino de Judá. que influi decisivamente na formação dos escritos bíblicos. Ezequias acolheu fugitivos do Norte e criou algo parecido com uma escola de escribas. para enfrentar a reconstrução nacional. Da monarquia ao exílio. do êxodo e da conquista. Naum. histórias de heróis libertadores e códigos legais. as tradições do Norte chegam ao reino do Sul e com o tempo se fundem com as de Judá. e provavelmente dão origem à versão eloísta da antiga história patriarcal e mosaica. que foi impulsionada também pelo comércio e pelo intercâmbio cultural com outros povos. Amós e Oseias dão forma literária a tradições proféticas orais em torno de Elias. . Os reinados de Ezequias e Josias.52 2. No reino do Norte. que serão importantes focos sapienciais. A monarquia introduz em Israel um modelo cortesão de influência egípcia e cananeia. desenvolvem-se duas vertentes históricas paralelas: os Anais dos reis de Israel e os Anais dos reis de Judá. nasce a escola cronista ou sacerdotal. identificado com o núcleo do Deuteronômio. a quem se atribuem muitos provérbios e poemas. o primeiro agrupamento de tradições patriarcais.

Nos dois séculos seguintes (IV-III a.C.) completa-se a coleção dos Profetas (anteriores: Josué, Juízes, 1o e 2o Samuel, 1o e 2o Reis; e posteriores: Isaías, Jeremias, Ezequiel e “os Doze”). E boa parte dos Outros Escritos, Salmos, Provérbios, Jó e os “cinco rolos” (Rute, Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, Lamentações e Ester). A estes se acrescenta a obra do Cronista (1o e 2o Crônicas, Esdras e Neemias). A expansão do helenismo obriga o judaísmo a um novo esforço de abertura e confronto com a cultura grega tanto na Palestina como fora dela. Fruto desse diálogo é a tradução da Torá para o grego, realizada em Alexandria nos tempos de Ptolomeu II (285-246 a.C.). Segundo uma tradição judaica, a tradução foi entregue aos cuidados de 72 sábios judeus, daí o nome de Versão dos Setenta. Nos séculos posteriores se traduziram os Profetas e os restos dos livros hebraicos do Antigo Testamento (séc. II-I a.C.). A versão grega acrescenta 1 e 2 Macabeus, Tobias, Judite, Baruc, Eclesiástico e Sabedoria, aparecidos nos dois últimos séculos. A Igreja Católica aceita esses livros como deuterocanônicos, ao passo que as igrejas protestantes e o judaísmo os consideram apócrifos. Esta versão grega é muito importante por duas razões: a) os primeiros cristãos serviram-se dela, com seus termos e conceitos, ao articular a nova fé cristã; b) constitui o verdadeiro ponto de união entre os dois testamentos. Nos fins da época veterotestamentária e inícios da era cristã fica praticamente constituído o Antigo Testamento judaico, embora não se tenham aceitado os Outros Escritos como livros sagrados. De fato, diversos grupos judaicos adotaram posições diferentes em relação ao cânon dos livros sagrados. Os samaritanos só aceitavam a Torá (o Pentateuco); os saduceus davam importância secundária aos Profetas e aos Outros Escritos, sem incluir Daniel; os essênios não reconheciam Ester, mas empregavam o Eclesiástico e alguns livros apócrifos; inclusive no final do século I d.C. havia dúvidas sobre o caráter inspirado do Cântico dos Cânticos. Disso se conclui

que os limites da terceira coleção do cânon judaico, isto é, dos Outros Escritos, não estavam totalmente definidos.

Temas teológicos do Antigo Testamento

Os livros do Antigo Testamento, além de refletir a vida e a história do povo eleito, são Palavra de Deus e falam sobre Deus. Assim a receberam e reconheceram os judeus que leram nela a privilegiada relação de Deus com Israel. Assim a consideraram Jesus e a primeira Igreja, que viram essa Palavra como antecipação e promessa da Palavra definitiva pronunciada em Jesus de Nazaré, e usaram o Antigo Testamento como ponto de referência ao anunciar Jesus Cristo. Esta seção aponta para as constantes temáticas que dão uma perspectiva global e unitária do Antigo Testamento, que, à primeira vista, aparece como heterogêneo e fragmentário.

Pluralidade de teologias Durante muitos séculos, a religião de Israel teve pluralidade de enfoques teológicos porque Deus se revelou pouco a pouco, em momentos históricos e culturais muito diversos. Na redação final dos escritos e coleções do Antigo Testamento se percebe uma forte tendência a acentuar os elementos unitários da fé e da religião de Israel. Só no final da época veterotestamentária existe um corpo de crenças e vivências amplo e consistente, com uma unidade clara. Portanto, não é de estranhar que o Antigo Testamento reflita uma diversidade teológica. No Pentateuco podem se identificar as tradições javista, eloísta, sacerdotal e deuteronomista. Nos livros históricos coexistem os diferentes enfoques da história deuteronomista e cronista, e suas diversas visões sobre temas-chave como a monarquia, o templo, os santuários locais e inclusive o próprio Deus (Gn 1–2). Profetas da mesma época, como o Primeiro Isaías e Oseias, Jeremias, Ezequiel e o Segundo Isaías, também têm enfoques teológicos distintos.

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Esta diversidade exige que nos acostumemos a contemplar cada livro ou cada enfoque teológico como perspectivas distintas que nos permitem apreciar a riqueza da revelação. A imagem de diversos instrumentos musicais interpretando a mesma sinfonia, dando cada um sua contribuição e entretecendo-se todos para fazer a obra musical, é muito adequada ao enfrentar a leitura dos diversos livros e coleções do Antigo Testamento. Unidade de fé A pluralidade de teologias provenientes de diferentes tradições e do ambiente politeísta do antigo Oriente Próximo fez ressaltar o valor e a originalidade da convicção monoteísta de Israel que ressoa em todo o Antigo Testamento. Esta fé em um só Deus se perfilou progressivamente ao longo da história e entrou muitas vezes em conflito com as crenças e o culto politeísta do contexto cultural em que os israelitas viviam. A mensagem de Oseias, do Primeiro Isaías e de Jeremias contribui decisivamente para definir as exigências do monoteísmo. Mas só depois da reforma de Josias, e sobretudo a partir do exílio, a unidade da fé fica claramente formulada. Ao relatar sua história, os israelitas identificam momentos-chave nos quais Deus se manifestou como único e fomentou a unidade do povo. Veem a época patriarcal sob essa luz; descobrem a revelação de um só Deus a partir da aliança do Sinai e notam como essa crença tem momentos-chave, como a assembleia de Siquém (Js 24), a promessa dinástica a Davi (2Sm 7) e a dedicação do templo (1Rs 8), que são especialmente unificadores. Todos os escritos do Antigo Testamento coincidem em um sólido teocentrismo e relatam a revelação de um único Deus através dos acontecimentos (história) e da palavra (lei e profecia). Uma fé histórica A fé monoteísta e teocêntrica de Israel é uma fé histórica. Os chamados “credos históricos” de Israel expressam sua profunda convicção de que Deus

se fez conhecido nos atos concretos e doadores de vida como a libertação do Egito, a aliança do Sinai, o dom da terra, a escolha de Davi e a promessa messiânica. Por isso a história bíblica é, antes de tudo, história de salvação. Os credos históricos aparecem em textos variados. Encontramo-los em confissões de fé (Dt 26,5-10), resumos (Js 24,2-13), catequeses (Dt 6,20-23), salmos (Sl 78; 105; 136), orações (Ne 9,5-37) e discursos (Jt 5,6-19). Esses credos apresentam distintas sequências e articulações. À primeira sequência, “eleição patriarcal – libertação do Egito – aliança sinaítica – entrada na terra”, da tradição nortista Moisés – Sinai, acrescenta-se a segunda sequência, “eleição de Davi – Jerusalém/templo”, da tradição sulista Davi – Jerusalém. Depois do exílio se incorpora o tema da criação como o primeiro ato de Deus. Finalmente, a cadeia de intervenções divinas, ao longo dos séculos, se converte no tema articulador das grandes sínteses históricas: deuteronomista, sacerdotal e cronista. Dimensão comunitária da fé: a aliança A pluralidade de teologias, provenientes de diferentes tradições, e a unidade da fé e sua natureza histórica ressaltam a dimensão comunitária da fé bíblica. Todas as intervenções de Deus estão dirigidas para o povo de Israel, prefigurado nos patriarcas, representado em seus líderes institucionais (Moisés, Samuel, Davi...), desafiado e animado pelos profetas e concretizado na comunidade teocrática pós-exílica. O objeto privilegiado da escolha de Deus é sempre o povo a quem fez suas promessas, com quem entrou em diálogo, contraiu uma aliança e a quem apoia e guia com bênçãos, desafios e castigos. Nessa perspectiva comunitária, as figuras individuais só têm realce na medida em que fazem parte do povo, servem-no ou representam-no. Ao escolher Abraão, Deus escolhe sua descendência; ao revelar-se a Moisés e aos profetas, se manifesta e guia o povo que re-

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presentam; ao fazer a promessa dinástica a Davi, compromete-se com o povo através de seus reis e da instituição monárquica. A melhor expressão da dimensão comunitária da religião é a fé de Israel na aliança que marca a natureza das relações entre Deus e o povo, visto que esta aliança é um dos principais temas do Antigo Testamento. Deus firmou com seu povo um pacto do qual derivam direitos e obrigações mútuas, expressados na Lei, sinal ritual da aliança. O cumprimento ou o não cumprimento de suas condições acarretará bênçãos ou maldições sobre o povo inteiro. Os diferentes códigos legais e culturais e a mensagem dos profetas ocorrem no marco da aliança, com sua dupla exigência indissolúvel: fidelidade a Deus e solidariedade com o povo. A aliança do Sinai é o centro e modelo de todas as alianças no Antigo Testamento: as anteriores, com Noé e Abraão, a prefiguram e antecipam; as posteriores, com Josué, Davi e Josias, a renovam e enriquecem. A infidelidade e a incapacidade contínuas do povo para ser leal a Deus foram gerando a ideia de uma “nova aliança”, mais espiritual e definitiva do que a anterior. A partir de Jeremias e Ezequiel, esta esperança reforçou e deu novo significado às suas expectativas messiânicas. Responsabilidade e destino do indivíduo A dimensão comunitária da relação com Deus não anula sua relação com o indivíduo nem a dissolve no anonimato do coletivismo. No decorrer da história, a vida e o destino das pessoas foram fonte de uma reflexão teológica que amadureceu com o tempo: No marco da aliança, o destino do indivíduo está indissoluvelmente unido ao de sua comunidade: o indivíduo é solidário, para o bem e para o mal, com a sorte do povo.

Com o tempo, profetas como Jeremias e Ezequiel, assim como alguns textos deuteronomistas, apelam para a responsabilidade individual. • Os salmos e a literatura sapiencial, depois do exílio, assinalam o indivíduo como o último responsável por sua conduta e seu destino, como o proclama a doutrina da retribuição. • Quando os fatos históricos desmentem a doutrina da retribuição, começa um profundo debate expressado em Isaías 53, no Salmo 73, no Eclesiástico e em Jó. As contribuições de Daniel 12,3, 2Macabeus e Sabedoria 1–5, com a afirmação da ressurreição e a retribuição depois desta vida, abrem novas perspectivas sobre esse aspecto tão importante. Messianismo: esperança e utopia Dois dos temas mais constantes e presentes em todo o Antigo Testamento expressam-se nas fórmulas “promessa-realização” e “profecia-cumprimento”. Pode-se dizer que todo o Pentateuco, as grandes obras históricas, deuteronomista e cronista, e a maioria dos escritos proféticos foram estruturados a partir desses temas e constituem seus conteúdos fundamentais. As promessas feitas a Abraão foram enriquecendo-se até culminar na posse da terra. A promessa dinástica feita a Davi contribuiu para a estabilidade da monarquia e para a confiança na proteção de Deus sobre Jerusalém e seu ungido. Os profetas assinalaram os limites e a caducidade das antigas promessas, purificaram-nas e ampliaram seu significado. Diante da dura e decepcionante experiência do exílio, que parecia desmentir as promessas e profecias anteriores, os profetas proclamam a esperança em uma futura e decisiva intervenção de Deus, que culminará no triunfo sobre todos os inimigos e na instauração de seu reino. Nesse contexto, antigos conceitos como “dia do Senhor” e “ungido” (messias) adquirem um novo significado es-

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PENTATEUCO ABRAÃO E OS PATRIARCAS Tradições orais pré-mosaicas: sagas patriarcais. As escatologias proféticas dão passagem à apocalíptica.C.. Tradições “J” escrita (950 a. promessa e profecia da intervenção decisiva de Deus mediante a vida.piritual e se convertem em símbolo e expressão de novas esperanças.C.) Deuteronomista (D) Sacerdotal (P) 1250 a. legislação primitiva e histórias antigas da Mesopotâmia Moisés Sul (javista = J) Norte (eloísta = E) (Mantiveram-se as tradições orais) “E” escrita (750 a. Queda de Samaria 625 a. e o messianismo. convertendo o Antigo Testamento em antecipação.C. cujo cumprimento fica nas mãos do ungido ou messias esperado. Jesus e a primeira Igreja relerão toda a Escritura nesta chave.C..) “D” escrita (700 a. lendas tribais. as promessas apontam para uma nova aliança. uma nova Jerusalém.C. a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. um novo reino.C.C. Assim.. ESCRITURA DO Datas históricas aproximadas 1800 a. catalisa esperanças e utopias.C. em sua tríplice versão (dinástico-régia. profética e sacerdotal).C.) 56 .) As quatro tradições compiladas e escritas como as conhecemos agora (400 a. A partir de então. um novo Davi.) “P” escrita (500 a.C.) 722 a. Reforma sob Josias Tradições “J” e “E” combinadas (700 a. a nova aliança em Jesus cumpre plenamente e supera definitivamente a antiga aliança. uma nova criação. novos céu e terra.

Iasael.C. 1o Isaías*. Jeremias* Habacuc* 538-500 500-450 450-400 400-350 350-300 300-250 250-200 200-150 150-100 100-50 50-0 0-50 Novo Testamento Restauração de Jerusalém e desenvolvimento do judaísmo Defesa dos Macabeus diante da invasão helenista Jeremias* Abdias* Ezequiel* Jonas*. profeta e sacerdote SAUL (1030-1010) DAVI (1010-971) unificação das tribos em um reino SALOMÃO (971-931) 931: divisão do reino Sul: JUDÁ Norte: ISRAEL ROBOÃO (931-914) JEROBOÃO (931-910) Abdias (913-911) Asa (914-870) Nadab (910-909) Basa (908-886) Ela (885-884) Zamri (884) Omri (884-874) Acab (874-853) Josafá (870-848) OCOZIAS (853-852) Jorão (852-841) JEÚ (841-814) Joacaz (813-797) Joaz (797-782) JEROBOÃO II (782-753) Zacarias (743) Salum (743) Menaem (743-738) Pecaias (738-737) Pecá (737-732) Oseias (732-724) 722-Queda sob o poder da Assíria Eliseu Zacarias Profetas Natã Aías 900-850 Semeías Aías Aías Azarias Jeú Miqueias. REI DOS REIS E PROFETA DO REINO DE DEUS * Profetas escritores 57 . Malaquias* Joel* 2o Zacarias* Baruc* Daniel* João Batista CRISTO. Eliezer. Institui-se o judaísmo 2o Isaías* Sofonias* Profetisa Hulda. Naum* Oseias* Obed Miqueias* 700-650 600-538 EZEQUIAS (716-687) reforma Manassés (687-642) Amon (642-640) JOSIAS (640-609) reforma Joacaz (609) JOAQUIM (609-598) Jeconias (598) Sedecias (598-587) EXÍLIO NA BABILÔNIA Regresso do exílio. Elias Jeú. Eliseu.Ano a. 3o Isaías* 1o Zacarias*. Miqueias Elias Elias 850-800 Jorão (848-841) Ocosias (841) Atalia (841-835) Joaz (835-796) Amasias (796-767) Azarias / Ozias (781-740) 800-750 750-700 Joatão (740-736) Acaz (734-727) Amós*. Ageu*. 1050-1000 950-900 Reis SAMUEL (1040-1030) último juiz.

pentateuco .

1 2 3 4 5 Gn Ex Lv Nm Dt .

no Pentateuco. e teuchos. A cada tradição oral ou fonte do conhecimento de Deus se deu um nome. • Levítico: livro dos levitas. poemas que apresentam o sentimento do povo. Inicia-se nos séculos IX e VIII a. sacerdotes da tribo de Levi. do grego penta. “rolos”. • Números: livro dos recenseamentos do povo de Israel. leis que regem o povo. O Pentateuco é a chave para entender toda a Bíblia. “cinco”. Nos primeiros cinco livros bíblicos. Essa história é relatada de muitas maneiras e com variedade de gêneros literários: reflexões sobre a experiência de Deus e a natureza humana. • A tradição javista chama Deus de Javé ao longo do manuscrito e é representada por “J”. A última redação do Pentateuco apoiou-se nas tradições de quatro grupos de pessoas. que se relacionavam com Deus de diferentes maneiras.C. ou seja. Deus nos mostra seu plano para a humanidade: quer nos salvar do pecado e unir-se a nós em amizade sincera. até que essas experiências foram recolhidas por escrito. Deus e homem. É formado pelos cinco primeiros livros do Antigo Testamento: • Gênesis: livro das origens. Ao ler a Bíblia. Como cada tradição mostra aspectos muito belos de Deus. A relação de Deus com seu povo se conservou na memória das pessoas com respeito e amor. salvador único de toda a humanidade. p. 32). pois apresenta o início da revelação de Deus ao povo escolhido. vemos como se comunica Deus com seu povo e a resposta desse povo. Só ao conhecer o Pentateuco pode-se compreender a riqueza da revelação de Deus e o extraordinário da história da salvação ao longo da Bíblia até chegar à sua plenitude em Jesus. recordações de família significativas.Pentateuco V ocê já se perguntou como é que sabemos tantas coisas a respeito de Deus? A Bíblia contém tudo o que Deus nos revelou de si mesmo mediante sua relação com o povo de Israel e os primeiros cristãos. Introdução ao Introdução Pentateuco significa “cinco rolos”. Pertence ao sul da Palestina e se con- . e foi transmitida de pais a filhos oralmente durante cerca de seiscentos anos. ritos que regulam atos de culto (ver “O que são os gêneros literários?”. • Êxodo: livro da saída do Egito. pois todas eram consideradas inspiradas por Deus. e nele encontramos as primeiras vivências e reflexões sobre o plano de amor de Deus com a humanidade. • Deuteronômio: livro da segunda lei. os redatores finais decidiram unir as quatro. orações do povo a Deus. como se tivesse um só autor. como dois protagonistas de uma história que se conhecem cada vez melhor ao conversar e agir juntos.

isto é. Foi escrita no século VII a. apresenta Deus atuando e reagindo como pessoa humana. você compreenderá por que há temas duplicados. Dá grande importância aos ritos do culto e às funções dos sacerdotes. e o povo parecia esquecer sua fidelidade à aliança do Sinai. o Êxodo e Números contêm tanto narrações como leis. Notas complementares • • Os judeus reconhecem o Pentateuco como a Torá. José e seus irmãos. Baseia-se nas tradições anteriores. o Levítico e o Deuteronômio contêm muitas leis. Antigamente se pensava que Moisés era o autor do Pentateuco.C. Insiste na ação de Deus e na necessidade de uma resposta pessoal e comunitária. Escreve-se ao regressar do exílio. e o consideram a Lei. O Êxodo fala de Moisés e da sarça ardente. do grego anthropos. da passagem do Mar Vermelho e dos dez mandamentos. O Pentateuco apresenta narrações e leis: o Gênesis contém histórias. começa no final do reino. • • Pouco depois de surgir a tradição sacerdotal. na qual foi integrada nas proximidades de 715 a. do faraó do Egito. Na realidade. A tradição sacerdotal se representa com um “P” e mostra Deus distante e majestoso. Israel já não era uma nação independente e concentrava sua identidade no templo. Mostra Deus que fala em sonhos e com símbolos como a sarça. Noé e o dilúvio. “forma”. quando o reino do Norte caiu em poder da Assíria. Abraão e Sara. Sabendo isso. fortalecem nossa fé nele e nos revelam seu amor salvador. da força da moral e do perigo da idolatria. A tradição deuteronomista tem um estilo insistente e se representa com um “D”. pois foi um líder legislador e juiz grandioso. Surge no reino do Norte ou reino de Israel e fala do profetismo.C. fez-se a redação definitiva dos cinco livros. no século VI a. “homem”.C. os cinco livros foram escritos centenas de anos depois de sua morte. Talvez você se pergunte: para que juntaram tudo e por que não optaram por uma só fonte? Porque cada tradição nos leva a conhecer diversos aspectos de Deus e todos são valiosos. que significa “ensinamento” ou “instrução”. • A tradição eloísta dá a Deus o nome de Elohim e se representa com um “E”. escritos de diferentes maneiras.centra no reino de Judá. • • . Inicia-se ao mesmo tempo que a javista. e morphé. Salienta a proximidade de Deus com a humanidade e o descreve em termos antropomórficos. O Gênesis e o Êxodo apresentam as histórias e os nomes que melhor conhecemos do Antigo Testamento. O Gênesis relata as histórias de Adão e Eva. e por que alguns eventos estão defasados no tempo.

História de Jacó e seus filhos Dados Período descrito Os primeiros 11 capítulos pertencem à pré-história. que desdobram a beleza da natureza.. O universo se inaugura criado por Deus. Divide-se em cinco grandes partes. dor e inclusive a morte (cap. Pareceria que fosse o último sucesso do cinema. Rebeca e suas famílias. O pecado rompe o equilíbrio. Patriarcas 12.1–2. 1 e 2). Não é um livro de história. Apresenta dois relatos distintos da criação.C. pois através destes é que podemos nos aproximar do mistério de Deus. a bondade na obra de Deus e a criação do homem e da mulher à imagem e semelhança de Deus (caps.19–36. o livro das “origens” onde se relata que Deus cria o mundo com amor e harmonia.. O pecado destrói a família. . Aniquilação da humanidade.4a. Mais tarde. Por isso é importante descobrir seu significado profundo.C. consigo mesmos e com toda a criação. Deus decide não abandonar seu projeto de amor.). mostra Deus criador e Senhor de tudo. neto de Isaac. Temas A criação é boa. capítulos 12–50. História de Isaac e seus filhos 37. Apresentação GÊNESIS I magine o grande poder do cosmos.. A primeira parte. 6–9). Ao pecarem. Contém as tradições mais antigas da humanidade e as mais memoráveis da Bíblia. tudo muda. representada por Caim e Abel (cap. 3).C. seguidas por traições e crimes. O mau uso da liberdade causa o pecado. narra a origem do povo de Israel. histórias ricas em ternura de amor e reuniões familiares. Os capítulos 12 e seguintes descrevem o tempo dos patriarcas e das matriarcas de Israel (1900-1500 a. História de Adão e seus filhos 6. Adão e Eva sentem separação. A segunda parte. Seu propósito é demonstrar que o plano de Deus é mais forte que o pecado e a fragilidade humana. representada por Noé e o dilúvio (cap. Estamos diante do Gênesis.18.1–50. História do céu e da terra 2. Adão e Eva vivem em harmonia com Deus. Assim não é.Esquema • 1–11. Geram-se conflitos entre as nações como na Torre de Babel (cap. escolhe um povo e toma a peito sua obra. O Gênesis conclui-se com a história de José.1–25. Explica a fé de Abraão. Pactos iniciais de Deus com diversos personagens. O ser humano é livre e responsável. nem reinterpretá-las ao pé da letra. O Gênesis reúne relatos que revelam a natureza de Deus e os inícios de sua relação com a humanidade. sem desprezar as imagens simbólicas como se fossem infantilidades. Autor Vários autores. Data de redação • Tradições orais 950-700 a. 4). em um fascinante jardim.. Origens 1. Depois. História de Abraão e seu filho 25.26.32. Os israelitas descrevem sua experiência de Deus com imagens e símbolos. Sara e Isaac e de Jacó.C. escolhe caminhos assombrosos para restaurar tudo.4b–5.. • Recopilação e escrita: 700 a.1–11. adapta-se a nós. uma destruição universal.43.32. 11). • Edição final: 400 a. História de Noé e seus filhos • 12–50. capítulos 1–11. mas uma confissão de fé articulada com relatos das cinco tradições orais.

ervas que contêm semente segundo a sua espécie. e separou a luz das trevas.64 G N Gênesis 1 1 GÊNESIS 64 As origens Gn 1. contendo o fruto a sua semente.1-31 Sacrifício de Isaac Gn 22. Que sirvam eles de sinais e marquem o tempo. Deus chamou ao firmamento céu. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o primeiro dia. 12 A terra pro­duziu plantas. 5 Deus chamou à luz dia. os dias e os anos. 10 Deus chamou ao elemento árido terra. 16 Deus fez os dois grandes luzeiros: o maior para . E assim se fez. e apareça o elemento árido”. Deus criou o céu e a terra. 14 Deus disse: “Façam-se luzeiros no firmamento do céu para separar o dia da noite. 11 Deus disse: “Produza a terra plan­­ tas. E Deus viu que isso era bom. 9 Deus disse: “Que as águas que estão debaixo do céu se juntem num mesmo lugar. 4 Deus viu que a luz era boa. ervas que contenham semente e á­ r­ vores frutíferas que deem fruto segundo a sua espécie e o fruto contenha a sua semente”. 8 E assim se fez. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o segundo dia. 3 Deus disse: “Faça-se a luz!”. 13 Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o terceiro dia. e árvores que produzem fruto segundo a sua espécie. E a luz foi feita. 15 e resplande­çam no firmamento do céu para iluminar a terra”. Sara e sua descendência Gn 12–36 1 A Criação 1 No princípio.1-19 Abraão. as trevas cobriam­o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. 2 A terra estava sem forma e vazia. e ao ajuntamento das águas mar. E assim 1 se fez. E assim foi feito. e separe ele umas das ou­ tras”. e às trevas noite. 6 Deus disse: “Faça-se um firmamento entre as águas. E Deus viu que isso era bom. 7 Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam debaixo do firmamento daquelas que estavam por cima.

Dominai sobre os peixes do mar. o amor e o poder absoluto de Deus foram a origem de tudo.1–2. e em que haja sopro de vida. e que as aves se multipliquem sobre a terra”. e todas as árvores frutíferas que contêm . 19 Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o quarto dia. E assim se fez. 26 Então Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. a todas as aves do céu. e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra”.? Você acredita que esse relato pode ser lido ao pé da letra. história que se desconhece. e enchei as águas do mar. como se junto a Deus houvesse um repórter? O objetivo do relato não é narrar cientificamente a história da criação do mundo. criou-o à imagem de Deus. pense que Deus fez você por amor. 30 E a todos os animais da terra. pois Deus é a origem tanto da razão quanto da fé. mesmo sem o propor. homem e mulher os criou. sobre as aves do céu. 23 Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o quinto dia. e da mesma forma todos os animais. E Deus viu que isso era bom. O autor emprega uma linguagem simbólica e poética para exprimir estas crenças provenientes da tradição sacerdotal. sobre os animais domésticos e sobre toda a terra. Deus coroou sua obra tão variada e bela criando os seres humanos e entregando-lhes a criação para seu domínio e seu controle. 18 presidissem o dia e a noite. sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra”. e separassem a luz das trevas... répteis e animais selvagens. mas afirmar que Deus é a origem de tudo. acompanha você na viagem de sua vida e espera você no final dela com os braços abertos. mas fala da origem e do sentido da vida. os animais domésticos igualmente. que se arrastam sobre a terra. 25 Deus fez os animais selvagens segundo a sua espécie. E Deus viu que isso era bom.. segundo a sua espécie”. Estas narrações respondem a perguntas comuns da humanidade: de onde venho? Para onde vou? Quando você ler a Bíblia. segundo a sua espécie. 27 Deus criou o homem à sua imagem. chegam à conclusão de que Deus criou todas as coisas.4 Deus não criou o mundo em sete dias cai – disse ele – e multiplicai-vos. eu dou toda a erva verde por alimento”. A Bíblia não proporciona dados arqueológicos nem científicos. 20 Deus disse: “Pululem as águas de uma multidão de seres vivos. Os investigadores que estudam com sinceridade as ciências. E assim se fez. para que vos sirvam de alimento. enchei a terra e submetei-a. e viu que tudo era muito bom. Senhor! Gn 1. inclusive do tempo que foi preciso na criação. 24 Deus disse: “Produza a terra seres vivos segundo a sua espécie: animais domésticos. 28 Deus os abençoou: “FrutifiE criou Deus os seres humanos à sua imagem. e voem aves sobre a terra. em si mesmas a sua semente. 21 Deus criou os monstros marinhos e toda a multidão de seres vivos que enchem as águas. A fé não pode se opor à razão humana. 31 Deus contemplou toda a sua obra. debaixo do firmamento do céu”. a tudo o que se arrasta sobre a terra. Que ele reine sobre os peixes do mar. criou o homem e a mulher. e fez também as estrelas. e todas as aves segundo a sua espécie. A sabedoria. Muito obrigado. G N SABIA QUE. 22 E Deus os abençoou: “Frutificai – disse ele – e multiplicai-vos.. E Deus viu que isso era bom. 17 Deus colocou-os no firmamento do céu para que iluminassem a terra. Sobreveio a tarde e depois a manhã: foi o sexto dia. 29 Deus disse: “Eis que eu vos dou toda a erva que dá semente sobre a terra.65 Gênesis 2 2 presidir o dia e o menor para presidir a noite.

am ia . nos faz o ponto culminante da criação.1). procurando cada vez ser mais semelhante a Deus. e a verdade que o faz agradecer mais a Deus a maravilha que você é. A todos nós criou com a mesma dignidade.26-28 Somos o ponto culminante da criação 1 Assim foram concluídos o céu. Reveja os parágrafos anteriores e: • Identifique duas verdades que mais afirmam sua autoestima. 7 O Senhor Deus formou. nem som ou o não foi criad átomos unidos ao acaso ân uma série de ão casual de circunst ex aç in o b m m co co u a io um . porque nesse dia descansou de toda a obra da Criação. 10 Um rio saía do Éden para regar o jardim.4 criaturas de . porque o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra. ninguém possui o modelo exclusivo de beleza nem a máxima inteligência. 11 O nome do primeiro é Fison. procriar e transformar. e uma pedindo para usar bem sua liberdade e desenvolver suas capacidades ao colocá-las em ação.. Tal semelhança com Deus. e nos fez pessoas à sua imagem e semelhança. 5 não existia ainda sobre a terra nenhum arbusto nos campos. e colocou nele o homem que havia criado. or. o Senhor Deus tinha plantado um jardim no Éden. de cores negra. terra.. conhecer. 6 mas subia da terra um vapor que regava toda a sua superfície. Gn 1. o. 4 Tal é a história da criação do céu e da terra. nem havia homem que a cultivasse.] (Gn tal em nossa fé. a verdade que mais desafia você a mudar de atitudes e de condutas. analisar. e a árvore da ciência do bem e do mal. a terra e todo o seu exército.. Deus o cr ora de seu as ic sm có iad cias a âmica e cr pressão din criou para que amemos o. Desde o princípio estabeleceu um diálogo conosco. Este p terra [. . os animais. 2 e dividia-se em seguida em quatro braços. e a árvore da vida no meio do jardim. do lado do oriente. e o fato de que só conosco compartilhou seus atributos. m a criaçã com ele e co vem do Amor e pede am s vé o ra çã at ia s cr A e Deu nte o amor d as Como você se ção? Quanto você ama ia cr a a d to de Deus? Gn 2.Gênesis 1 27 66 G N VIVA A PALAVRA Deus faz tudo benfeito. capacidade de amar. nem o amor por excelência. 8 Ora.. onde se en- O paraíso No tempo em que o Senhor Deus fez a terra e o céu. e também os mestiços e mulatos. d s tu re no b e so . amarela. 3 Ele abençoou o sétimo dia e o consagrou. e nenhuma erva havia ainda brotado nos campos. branca e vermelha. O univer os en lo é fundam por acidente. coisa que não fez com o resto da criação. or e. REFLITA r amor Criados po a r a m e para a cípio Deus criou o céu e ícurs ve no No prin ue eq so 1. homens e mulheres. pois. • Faça uma oração de louvor e agradecimento por você ser quem é. 9 O Senhor Deus fez brotar da terra toda a sorte de árvores de aspecto agradável. descansou do seu trabalho. e é aquele que contorna toda a região de Hévila. e inspirou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem se tornou um ser vivente. 2 Tendo Deus terminado no sétimo dia a obra que tinha feito. a água sim vivamos em harmon as e o povo. o homem do barro da terra. Todos refletimos a beleza e a grandeza de Deus. com a finalidade de que possamos viver e nos relacionar com ele. e de frutos bons para comer.. pois nenhum grupo humano pode monopolizar a semelhança com Deus. Deu-nos liberdade para escolher o caminho da vida.

Fizeste-nos para ti. que é responsável por elas. 20 O homem pôs nomes a todos os animais. Nós católicos celebramos em família a eucaristia dominical. encontra-se ali também o bdélio e a pedra de ônix. para cultivar o solo e o guardar. Gn 2.? Leia Gênesis 2. que corre ao oriente da Assíria. que chama dias. e todas as aves do céu. um corpo animado por uma alma imortal. 18 O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Como você honra o domingo? Gn 2. consagrar-lhe um dia durante a semana. o qual apresenta um segundo relato da criação do universo. para ver como ele os havia de chamar. morrerás indubitavelmente”. Vou dar-lhe uma auxiliar . tomou-lhe uma costela e fechou G N SABIA QUE. mas não se achava para ele uma auxiliar que lhe fosse adequada. O pó da terra e o sopro divino indicam que o ser humano é matéria e espírito. “o primeiro dia da semana” (Mt 28. 15 O Senhor Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden. se for possível. Domingo provém do latim dominica dies. Quando por razões de força maior necessitamos trabalhar no domingo. medite-o em seu coração e ore com suas ideias e palavras. e é aquele que contorna toda a região de Cuch. 16 Deu-lhe este preceito: “Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim. Deixe-se levar pela beleza e pela profundidade das imagens desse relato javista.. o Senhor Deus formado da terra todos os animais dos campos. 21 Então. sem distinção de sexo.31). Os judeus consagravam o sábado a Deus. idade.67 Gênesis 2 21 PERSPECTIVA CATÓLICA O Gênesis apresenta a criação em sete etapas. pelo que devemos usá-las com respeito e amor. • A criação da mulher da costela do homem simboliza que ambos temos igual dignidade.1-3 Um dia para o Senhor que lhe seja adequada”. é importante dedicar o dia do trabalho a Deus de maneira especial e. e todo o nome que o homem pôs aos animais vivos.4-5 Deus é meu criador: sou obra sua contra o ouro. Mostra que a unidade do casal é a comunhão mais íntima entre as pessoas. ou ciência que cuida do equilíbrio da criação. 17 mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal. que quer dizer “dia do Senhor”.) 13 O nome do segundo rio é Geon..1). Ao trabalhar colaboramos com Deus em sua criação. e enquanto ele dormia. pois dar nome era sinal de poder e de autoridade. Nessa verdade se apoia a ecologia. 14 O nome do terceiro rio é Tigre. com desejos de voltar para Deus. O quarto rio é o Eufrates. Nela proclamamos a alegria da criação e o descanso de Deus quando viu que tudo era muito bom (Gn 1.¹ diz Santo Agostinho. levou-os ao homem. raça ou grau de educação. O sétimo dia Deus descansou. O trabalho e o descanso são nossa vida e ambos nos unem a Deus. a todas as aves do céu e a todos os animais do campo. porque Jesus ressuscitou nesse dia. esse é o seu verdadeiro nome. • Deus faz desfilar os animais diante do ser humano para que lhes dê nome. 19 Tendo. porque no dia em que dele comeres. Os cristãos lhe consagramos o domingo. o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono. Todas as coisas foram criadas para o ser humano. pois. 12 (O ouro dessa região é puro. abençoou o dia e o consagrou com seu descanso. e nosso coração não encontra repouso até chegar a ti. A Igreja nos pede que dediquemos o domingo a honrar a Deus em um ato de confiança nele. Busque o Salmo 8. Ao descansar podemos dedicar-lhe tempo e recordarnos de que somos livres e não devemos ser escravos do trabalho.

de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência. não! – tornou a serpente – vós não morrereis! 5 Mas Deus bem sabe que. para que não morrais’. o que traz consequências de sofrimento e morte. 9 Mas o Senhor Deus chamou o homem e perguntou-lhe: “Onde estás?”. tomaram folhas de figueira. 10 E ele respondeu: “Ouvi o barulho dos vossos passos no jardim. Não se deixe abater pelo mal que existe ao seu redor. e eu comi”. e. 22 E da costela que tinha tomado do homem. O homem e sua mulher esconderam-se da face do Senhor Deus. porque estou nu. cometendo o pecado original. e não se envergonhavam.” 6 A mulher. 7 Então os seus olhos abriram-se.” 14 Então o Senhor Deus disse à serpente: “Porque fizeste isso. conhecedores do bem e do mal. vossos olhos se abrirão. 3 Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim. em detrimento dele. Gn 3. andarás de rastos sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua . o Gênesis narra como o pecado introduz o sofrimento e a morte na criação. 8 E eis que ouviram o barulho (dos passos) do Senhor Deus que passeava no jardim. no meio das árvores do jardim. comeu. por isso. 11 O Senhor Deus disse: “Quem te revelou que estavas nu? Terias tu porventura comido do fruto da 3 Com imagens vivas. Deus estabeleceu uma aliança de amor com a humanidade. volte sua mente e seu coração para Deus.” 4 “Oh. Mas o bem e o amor de Deus triunfam sobre o mal. e sereis como deuses. empregue bem sua liberdade. Ver símbolo: “A Imaculada”.Gênesis 2 22 68 G N com carne o seu lugar. próprias de um relato popular. e o apresentou também ao seu marido. e levou-a para junto do homem. O pecado nos afasta de Deus quando. à hora da brisa da tarde. quando Adão e Eva desobedecem a Deus. o primeiro pecado da história. tomou dele. ela se chamará mulher. preferimos a nós mesmos. que comeu igualmente. Ao criar o ser humano à sua imagem e semelhança. 2 A mulher respondeu-lhe: ‘‘Podemos comer do fruto das árvores do jardim. símbolo do mal. ideia representada na derrota sofrida pela serpente. 25 O homem e a mulher estavam nus. PERSPECTIVA CATÓLICA A culpa original 1 A serpente era o mais astuto de todos os animais do campo que o Senhor Deus tinha formado. e já não são mais que uma só carne.31). Dessa primeira separação de Deus deriva nossa tendência a usar mal a liberdade e a não responder positivamente a seu amor. Ela disse à mulher: “É verdade que Deus vos proibiu comer do fruto de toda árvore do jardim?”. o homem deixa o seu pai e a sua mãe para se unir à sua mulher. rompem sua relação de amor com ele. tive medo.15). e ocultei-me”. porque Deus enviou Jesus justamente para nos livrar do pecado e darnos a vida eterna. O amor nasce livremente do coração e não pode ser forçado. 23 “Eis agora aqui – disse o homem – o osso de meus ossos e a carne de minha carne. ligaram-nas e fizeram tangas para si. o Senhor Deus fez uma mulher. e sinta-se acolhido pelos braços amorosos do Criador. no dia em que dele comerdes. 13 O Senhor Deus disse à mulher: ‘‘Por que fizeste isso?”.1-24 O pecado original rompeu a relação com Deus árvore que eu te havia proibido de comer?”. Ao contrário. porque foi tomada do homem. 12 O homem respondeu: “A mulher que pusestes ao meu lado apresentou-me deste fruto. vendo que estavam nus. vendo que o fruto da árvore era bom para comer.” 24 Por isso. serás maldita entre todos os animais domésticos e feras do campo. nem o tocareis. Deus disse: ‘Vós não comereis dele. “A serpente enganou-me – respondeu ela – e eu comi. onde tudo era muito bom (Gn 1. por meio de uma mulher (Gn 3.

19 Comerás o teu pão com o suor do teu rosto.69 Gênesis 4 14 vida. que abriu sua boca para beber de tua mão o sangue do teu irmão. para que ele cultivasse a terra “de onde havia tirado”. e viva eternamente”. 3 Passado algum tempo. e o Senhor olhou com agrado para Abel e para sua oblação. espreitando-te. 22 E o Senhor Deus disse: “Eis que o homem se tornou como um de nós. 4 Abel. o pecado estará à tua porta. E tu serás peregrino e errante sobre a terra”. 18 Ela te produzirá espinhos e abrolhos. e ela concebeu e deu à luz Caim. Logo que chegaram ao campo. e eu devo ocultar-me longe de vossa face. lavrador. tornando-me um peregrino errante 4 . sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. livre do pecado original desde antes de sua concepção. Caim respondeu: “Não sei! Sou porventura eu o guarda de meu irmão?”. de seu lado. que nos liberta do mal e da morte eterna. cuidemos que ele não estenda a sua mão e tome também do fruto da árvore da vida. maldita seja a terra por tua causa. 24 E expulsou-o. tu deverás dominá-lo”. a nova Eva. entre a tua descendência e a dela. 12 Quando a cultivares. graças à obra redentora de seu Filho Jesus. ela te negará os seus frutos. serás maldito e expulso da terra. mas. sua mu lher. Caim e Abel 1 Adão conheceu Eva. Deus prometeu no paraíso que uma mulher humilharia a serpente ao dar à luz seu Filho. 13 Caim disse ao Senhor: “Meu castigo é grande demais para que eu o possa suportar. Caim atirou-se sobre seu irmão e o matou. 23 O Senhor Deus expulsou-o do jardim do Éden. 6 O Senhor disse-lhe: “Por que estás irado? E por que está abatido o teu semblante? 7 Se praticares o bem. e o seu semblante tornou-se abatido. teus desejos te impelirão para o teu marido e tu estarás sob o seu domínio”. e os vestiu. Agora. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida. nem para os seus dons. 8 Caim disse então a Abel. Mas se procederes mal. ofereceu dos primogênitos do seu rebanho e das gorduras dele. irmão de Caim. 5 mas não olhou para Caim. e pó te hás de tornar”. e tu comerás a erva da terra. 11 De ora em diante. 10 O Senhor disse-lhe: “Que fizeste! Eis que a voz do sangue do teu irmão clama por mim desde a terra. até que voltes à terra de que foste tirado. 20 Adão pôs à sua mulher o nome de Eva. porque ela era a mãe de todos os viventes. pois. e tu lhe ferirás o calcanhar”. darás à luz com dores. G N COMPREENDA OS A Imaculada SÍMBOLOS A imagem da Imaculada é símbolo do triunfo de Deus sobre o mal. e o coma. Abel tornou-se pastor de ovelhas e Caim. Esta te ferirá a cabeça. 21 O Senhor Deus fez para Adão e sua mulher umas vestes de peles. 9 O Senhor disse a Caim: “Onde está teu irmão Abel?”. 14 Eis que me expulsais agora deste lugar. e disse: “gerei um homem com a ajuda do Senhor”. conhecedor do bem e do mal. 15 Porei ódio entre ti e a mulher. 16 Disse também à mulher: ‘‘Multiplicarei os sofrimentos de teu parto. ofereceu Caim frutos da terra em oblação ao Senhor. porque és pó. Maria é essa mulher. para guardar o caminho da árvore da vida. 17 E disse em seguida ao homem: “Porque ouviste a voz de tua mulher e comeste do fruto da árvore que eu te havia proibido comer. Caim ficou extremamente irritado com isso. e colocou ao oriente do jardim do Éden querubins armados de uma espada flamejante. 2 E deu em seguida à luz Abel. seu irmão: “Vamos ao campo”.