Conversando sobre Ciências em Alagoas

A Mata Atlântica
em Alagoas
Maceió/AL, 2006
F!ávia dc Ðarros Prado Moura
Crganizadora
UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
Reitora
Ana Dayse Rezende Dórea
Vice-reitor
Eurico de Barros Lôbo Filho
USINA CIÊNCIA / UFAL
Coordenadora
Profa. Dra. Tania Maria Piatti
MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL / UFAL
Diretora
Profa. Dra. Flávia de Barros Prado Moura
Edufal
Diretora
Sheila Diab Maluf
Conselho Editorial
Sheila Diab Maluf (Presidente)
Cícero Péricles de Oliveira Carvalho
Maria do Socorro Aguiar de Oliveira Cavalcante
Roberto Sarmento Lima
Iracilda Maria de Moura Lima
Lindemberg Medeiros de Araújo
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Eurico Pinto de Lemos
Antonio de Pádua Cavalcante
Cristiane Cyrino Estevão Oliveira
Supervisão gráfica:
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Capa / Diagramação:
Edmilson Vasconcelos
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central – Divisão de Tratamento Técnico
Direitos desta edição reservados à
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Tabuleiro do Martins - CEP: 57.072-970
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E-mail:edufal@edufal.ufal.br
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2
M425 A Mata Atlântica em Alagoas / Flavia de Barros Prado Moura, organizadora. -
Maceió : EDUFAL, 2006.
88p. : il. - (Conversando sobre ciências em Alagoas)
Bibliografia: p. 85-88
1. Mata Atlântica. I. Moura, Flávia de Barros Prado, org.
II. Série. (Conversando sobre ciências em Alagoas)
CDU: 502.62 (813.5)
ÍNDICE
3
1. Introdução: conceito, abrangência e principais ameaças à
Mata Atlântica brasileira
Flávia de Barros Prado Moura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 07
2. Conservação da Mata Atlântica: o que diz a lei ?
Fábio Henrique Ferreira de Menezes
Flávia de Barros Prado Moura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
3. Cobertura original, cobertura atual e unidades de
conservação da Mata Atlântica alagoana
Edilane Ribeiro Barbosa
Petrucio Alexandre Fonseca Rios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
4. A biodiversidade da Mata Atlântica Alagoana: espécies
endêmicas e ameaçadas de extinção
Adriana dos Santos Costa
Flávia de Barros Prado Moura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
5. A biodiversidade da Mata Atlântica alagoana: flora
Adriana dos Santos Costa
Ana Cláudia Martins da Silva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39
6. A biodiversidade da Mata Atlântica alagoana: mamíferos
Albérico José de Moura Saldanha Filho. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
7. A biodiversidade da Mata Atlântica alagoana: aves
Edelmo de Melo Gonçalves
Mário Tânio F. Toledo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
8. A biodiversidade da Mata Atlântica alagoana:
anfíbios e répteis
Selma Torquato da Silva
Ubiratan Gonçalves da Silva
George Araújo Barbosa de Sena
Filipe A. Cavalcanti do Nascimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
4
9. A biodiversidade da Mata Atlântica alagoana: moluscos
Mª. Ilza M. Lins Castelo Branco
Liriane Monte Freitas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
10. Glossário
Filipe A. Cavalcanti do Nascimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80
Atividades sugeridas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
Bibliografia consultada. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85
Bibliografia e sites sugeridos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88
Apresentação
- Ecossistemas Marinhos: recifes, praias e manguezais
Profª. Drª. Monica Dorigo Correia e Profª. Drª. Hilda Helena Sovierzoski
- AMata Atlântica em Alagoas
Profª. Drª. Flávia de B. Prado Moura e MSc. Selma Torquato da Silva
- Escorpiões, Aranhas e Serpentes: aspectos gerais e espécies de
interesse médico no Estado de Alagoas
MSc. Selma Torquato da Silva, IngridCarolline Soares Tiburcio,
Gabriela Quintela Cavalcante Correia e Rafael Costa Tavares de Aquino
- AQuímica dos Alimentos:
carboidratos, lipídeos, proteínas, vitaminas e minerais
Profª. Drª. Denise M. Pinheiro, MSc. Karla R. A. Porto e Maria Emília S. Menezes
- Plásticos: características, usos, produção e impactos ambientais
Profª. Drª. Tania Maria Piatti e Prof. Dr. Reinaldo A.F. Rodrigues
- A Energia: dos tempos antigos aos dias atuais
Prof. MSc. Antônio José Ornellas
Os autores
A série Conversando sobre Ciências en Alagoas é conposta de cadernos que abordan
seis tenas cientííicos relevantes e atuais, tratados de naneira a destacar aspectos relacionados à
realidade alagoana. Cs cadernos tenáticos íoran criados con o intuito de contribuir con os
proíessores e alunos de Ciências Iaturais do ensino íundanental e nédio, para a realizaçao de
un ensino contextualizado, interdisciplinar e notivador. A iniciativa surgiu da constataçao de
quao raras sao as bibliograíias disponíveis que tratan destes tenas, direcionadas para o ensino
básico e que aborden características e questões regionais. Esperanos que estes cadernos sejan
íonte de atualizaçao e aunenten o interesse de proíessores, alunos e do público en geral, en
conhecer nelhor onundoen que viven. Cs tenas abordados saoos seguintes:
Este projeto íoi una iniciativa da Lsina Ciência e do Museu de História Iatural da
LIAL, sendo íinanciado pela Secretaria de Ensino Superior do MEC. Teve cono ponto de
partida a realizaçao de un Ciclo de Palestras abordando todos os seis tenas, durante o qual íoi
possível dialogar conproíessores doensinobásico a íin de descobrir seus anseios e expectativas.
Costaríanos de agradecer a todos que colaboraran para sua realizaçao e esperanos que ele seja
apenas oinício de una parceria nais eíetiva entre Lniversidade e ensinobásico en Alagoas.
5
1. Introdução:
conceito, importância e
principais ameaças à
Mata Atlântica Brasileira
8
1. Introdução
Cquc ó a Mata At!antica? A resposta a essa pergunta, até pouco tenpo, nao era
consensual, havendo divergências entre os pesquisadores das diversas instituições
brasileiras. Cono consequência, a área de ocorrência da Mata Atlåntica tanbén nao era
ben deíinida. En 1988, con a pronulgaçao da Constituiçao Iederal, a Mata At!antica
recebeu s/:/as de ¨patrinônio nacional"; dessa íorna, a deíiniçao do que realnente seria a
Mata At!antica deixou de ser apenas una questao de interesse cientííico, tornando-se
una questao de interesse público. A sociedade brasileira necessitava de iníornações
precisas para a regulanentaçaodousoe para a conservaçaodesse conplexoílorestal.
Io início da década de 1990 diversas iniciativas surgiran no Brasil, nuna tentativa
de encontrar una deíiniçao consensual para o terno Mata At!antica. Instaurou-se un
processo de anpla discussao envolvendo o governo, a sociedade civil organizada e
pesquisadores. A partir de critérios botånicos e íisionônicos, cruzados con dados
geológicos, geográíicos e, considerando ainda as questões relativas à conservaçao
anbiental, chegou-se a una deíiniçao anpla de Mata Atlåntica que englobava diíerentes
tipos ílorestais. Essa deíiniçao íoi posteriornente aprinorada e subnetida ao Conselho
Iacional do Meio Anbiente (CCIAMA), que a aprovou, en 1992, estabelecendo o
conceito de Donínio Mata At!antica. Dessa íorna passou a ser considerada legalnente
Mata Atlåntica a área origina!ncntc ocupada pelas seguintes íornações ílorestais,
publicadas no Mapa da Vegetaçao Brasileira do Instituto Brasileiro de Ceograíia e
Estatística (IBCE) en 1993: Iloresta Cnbróíila Densa; Iloresta Cnbróíila Mista,
Iloresta Cnbróíila Aberta; Iloresta Estacional Senidecidual; Iloresta Estacional
Decidual; Manguezais; Restingas; Canpos de Altitudes; Brejos de Altitude e Encraves
Ilorestais do Iordeste. Esse conceito íoi incorporado à legislaçao brasileira através do
DecretoIederal n 750, de íevereirode 1993.
A exceçao dos brejos de altitude, ilhas de íloresta que recobren áreas serranas no
seni-árido nordestino, o conplexo vegetacional hoje reconhecido cono Mata Atlåntica
era contínuona época da chegada dos portugueses.
De acordo con a deíiniçao atualnente aceita, a Mata Atlåntica ocorre hoje sobre
áreas de 17 estados brasileiros, nas regiões Iordeste, Sudeste, Centro-Ceste e Sul.
A área total doDonínio Mata Atlåntica engloba una extensa íaixa latitudinal sobre áreas
de solos con íertilidade e estrutura variáveis; alén disso, pode-se encontrar variações clináticas
bastante pronunciadas ao longo de sua área. Enquanto no Iordeste as tenperaturas varianen
torno de 24` C, nas regiões Sul e Sudeste poden chegar a 6` C. Envirtude dessas diíerenças, a
Mata Atlåntica apresenta-se cono un conjunto bastante diversiíicado de ecossistenas
ílorestais, os quais tên cono íator conun nais relevante a unidade, condicionada
principalnente pela iníluência de nassas de ar provenientes doCceanoAtlåntico.
9
Veja, de uma forma simplificada, que áreas naturais são
consideradas comoda Mata Atlântica, segundooIBGE.
Floresta Ombrófila
Densa
vegetaçao alta e densa, com a vegetaçao dos estratos inferiores
em um ambiente sombrio e umido e dependente da vegetaçao
do estrato superior. Apresenta um grande numero de lianas
(cipós), epifitas e palmeiras.
Floresta Ombrófila
Mista
Clima ameno e solo rico e profundo. O estrato superior é
constituído por pinheiro (Araucaria angustifolia), sob o
qual surge umoutro estrato arbóreo.
Floresta Ombrófila
Aberta
Floresta de transiçao entre a ombrófila densa e a estacional.
Areas com maior variaçao de temperatura e mais dias secos
durante o ano.
Floresta Estacional
Semidecidual
vegetaçoes condicionadas por duas estaçoes climaticas no ano:
uma bastante chuvosa; outra seca (ou com frio intenso,
causando seca fisiológica).
Formações Pioneiras
{vegetação
condicionada
primariamente por
características do solo)
Manguezais
Restingas
Àreas alagadas
Localizados ao longo dos estuarios,
apresentam uma comunidade vegetal
bem adaptada, sujeita a influência das
aguas salobras.
vegetaçao que ocorre sobre solo
arenoso, em formaçao geológica de
mesmo nome, ou sobre outras areas
arenosas contiguas, ao longo das areas
costeiras.
varzeas, brejos, planicies fluviais,
lagoas, lagunas. Terrenos instaveis
ocupados predominantemente por
vegetaçao hidrófila.
Refúgios Brejos de
altitude
Nanchas de vegetaçao florestal
circundadas pela caatinga, situadas no
Agreste e no Sertao nordestino, em
altitudes superiores a S00m.
Encraves e zonas de
tensão ecológica
Encraves de cerrados, campos e campos de altitude
compreendidos no interior de areas de floresta.
10
1.1 Coberturaflorestal original e cobertura atual
Quando os portugueses chegaran ao Brasil, a Mata Atlåntica era parcialnente
contínua, abrangendo aproxinadanente 15° do território nacional. Seu nanto ílorestal
se estendia ao longo da costa e penetrava pelo interior, abarcando totalnente os atuais
estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, e parcialnente os estados do Piauí, Ceará,
Rio Crande do Iorte, Paraíba, Pernanbuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Cerais,
Coiás, MatoCrossodoSul, SaoPaulo, Paraná, Santa Catarina e RioCrande doSul.
2
Hoje restan cerca de 100 nil kn , o que corresponde sonente a 7,6° da área
original. A cobertura renanescente nao está distribuída uniíornenente, una vez que
grande parte se concentra nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, recobrindo áreas de diíícil
acesso cono a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira. Menos de 10° do que resta da Mata
Atlåntica está distribuída nos estados nordestinos. Considerando a grande abrangência de
tipos diíerentes de ecossistenas, os poucos íragnentos nesta regiao sao testenunhos de
un tipo diíerenciado de íloresta, sujeito a diíerentes condições clináticas e edáíicas. Há
nuitas espécies da Mata Atlåntica que sao endênicas de íragnentos nordestinos e estao
particularnente aneaçadas.
Veja conoestá distribuída a Mata Atlåntica nos diíerentes estados brasileiros:
Àrea
Unidade da original
Federação{U.F.) Km² Km² % sobre a área %sobre área
original da M.A. total da M.A.
na U.F. brasileira
AL 14.529 S77 6,04 3,14
BA 177.924 12.674 7,12 2,23
CE 4.S7S 2.743 56,23 1,S7
ES 46.1S4 3.S73 S,39 S,39
GO 10.6S7 65 0,61 0,02
MS 51.536 396 0,77 0,11
MG 2S1.311 11.251 4,00 1,91
PB 6.743 5S4 S,66 1,03
PE 17.S11 1.524 S,56 1,54
PI 22.907 24 0,10 0,01
PR 193.011 17.305 S,97 S,67
RJ 43.291 9.2S9 21,46 21,15
RN 3.29S S40 25,46 1,5S
RS 132.070 5.065 3,S3 1,S0
SC 95.265 16.662 17,49 17,46
SE 7.155 1.367 19,11 6,20
SP 197.S23 17.916 9,06 7,20
Total 1.306.423 99.466 7,61 2,90
FONTE: CAPOB!ANCO, 2001 (dossiê Nata Atlantica).
11
1.2 Importância da Mata Atlântica
A biodiversidade: um bem de grande valor
A Mata Atlåntica, cono toda íloresta tropical, abriga un elevado núnero de
espécies. Enbora as ílorestas tropicais ocupen apenas 7° da superíície do planeta, elas
abrigan aproxinadanente a netade das espécies existentes. Essa diversidade deve-se
principalnente à presença de una classe de aninais nuito diversiíicada: os insetos.
Muitos insetos viven nas copas das árvores das ílorestas tropicais, raranente chegando ao
solo. Devido às diíiculdades para seren encontradas, nuitas espécies de insetos
pernanecen desconhecidas para a ciência. En quase todos os grupos de organisnos a
diversidade aunenta en direçaoaos trópicos.
Esse aunento é particularnente grande no caso das
árvores. Para se ter una idéia dessa diversidade, un grupo
de pesquisadores conseguiu catalogar en un hectare de
Mata Atlåntica no estado da Bahia, 454 espécies de árvores,
superando un recorde registrado na Anazônia peruana,
con 300 espécies. Estes dados sugeren que a Mata
Atlåntica pode possuir a naior diversidade de árvores do
nundo. Iazendo-se una conparaçao, a estinativa de
espécies en áreas ílorestais de clina tenperado é iníerior a
30 espécies por hectare.
Estinativas apontan que o Brasil possui cerca de
23° de todas as angiospernas doplaneta e, talvez, en torno
de 1/3 das angiospernas brasileiras esteja representada na
Mata Atlåntica.
Alén da grande diversidade, a Mata Atlåntica possui
un alto grau de endenisno. C alto grau de endenisno
associado ao risco de desaparecinento íazen con que a
Mata Atlåntica seja incluída na lista dos 25 Ha/ Spa/s de
biodiversidade doplaneta.
A íauna da Mata Atlåntica exibe un gradiente de variaçao, abrigando diíerentes
centros de endenisno. Esta diíerença íaunística decorre do íato de os trópicos da Anérica
do Sul teren soírido una história de longa segregaçao geográíica durante o Terciário, e
súbita reintegraçao no íin deste período. Durante a história geológica, o soerguinento de
cadeias nontanhosas e nudanças clináticas conduziran à retraçao das ílorestas e
isolanento de suas íaunas por longos períodos, seguidos por expansões das ílorestas e
contato entre estes conjuntos íaunísticos. Iato que justiíica os padrões de divergência nas
Os Hot Spots são zonas de
perigo, ou seja, áreas de
elevada biodiversidade,
sujeitas a um altíssimo
risco de desaparecer. Para
ser considerado um Hot
Spot uma área deve
possuir pelo menos 1.500
espéci es de pl antas
endêmi cas e já ter
perdido mais de três
quartos da sua vegetação
original. No Brasil, dois
biomas são incluídos
entre os 25 Hot Spots do
planeta: a Mata Atlântica
e o Cerrado.
12
conposições íaunísticas do Iordeste e do Sudeste. A Mata Atlåntica é, portanto, un
enorne laboratóriode íenônenos evolutivos.
Entre os centros de endenisno localizados ao longo da íaixa atlåntica, a regiao
nordestina que se estende ao norte do rio Sao Irancisco, denoninada centro Pernanbuco,
é a nenos conhecida e una das nais aneaçadas. Das várias íornações nordestinas
originais, restan atualnente íragnentos que en sua naioria apresentan tananho nuito
reduzido, distribuídos pelos estados que constituen a regiao.
Mesno con a atual situaçao en que se encontra, a Mata Atlåntica do Iordeste
apresenta grande diversidade biológica explícita na riqueza de espécies, dentre as quais
nuitas sao endênicas. Recentenente, íoran descritas três espécies de anííbios e una
espécie de serpente no estado de Alagoas. Lna espécie de prinata ainda desconhecida
tanbén íoi descrita no estado de Sergipe. A descoberta de novas espécies de vertebrados
ainda nao conhecidas pela ciência reíorça a inportåncia da Mata Atlåntica nordestina e
aponta a necessidade urgente da intensiíicaçao dos estudos botånicos, zoológicos e
ecológicos nessas áreas.
A biodiversidade é un ben nuito valioso e, portanto, a Mata Atlåntica é
extrenanente valiosa cono recurso potencial. Muitos produtos naturais sao extraídos
dessas ílorestas para a subsistência de populações hunanas geograíicanente isoladas ou
socialnente excluídas (indígenas e canponesas), alguns de seus produtos sao usados pela
indústria. Plantas e aninais da Mata Atlåntica, que possuen propriedades nedicinais e
vên sendo usados tradicionalnente, estao neste nonento correndo o risco de
desaparecer antes nesnode teren suas subståncias bioativas estudadas.
Entre espécies de anplo uso conercial, originárias da Mata Atlåntica, poden-se
destacar: o palniteiro (Ea/·rp· ·Ja||s Mart.), o cajueiro (An:::rJ|am a::|J·n/:|· L.), a erva-
nate (I|·x p:r:¸a:r|·ns|s St. Hilaire), a araucária (Ar:a::r|: :n¸as/|/a||: (Bert.) Kuntze), a
piaçava (A//:|·: sp.), o naracujá (P:ss|/|ar: sp.), alén de un grande núnero de espécies
nedicinais, ornanentais ou usadas na arborizaçaourbana.
O seqüestro de carbono e a reduçao do efeito estufa
A Mata Atlåntica, cono outras áreas cobertas con vegetaçao perene, desenpenha
un papel inportante noclina doplaneta, por participar ativanente dociclodocarbono.
A quantidade de gás carbônico (CC ) na atnosíera iníluencia o clina, una vez que
2
o CC , assin cono outros gases íornados por três átonos, consegue absorver o calor
2
irradiado da Terra (radiaçao ternal), enquanto ela absorve a luz do Sol (radiaçao solar).
Quantonaior a concentraçaode CC na atnosíera, portanto, naior a tenperatura.
2
C carbono é un elenento essencial à vida, reciclado através dos ciclos
biogeoquínicos, que envolven os seres vivos (bio), a terra (geo) e os processos quínicos.
C ciclo sinples nais inportante do carbono é denoninado íotossíntese-respiraçao, o qual
13
depende da presença de plantas, aninais e bactérias. Cs vegetais, seja no continente ou nos
oceanos, absorven o gás carbônico (CC ) e, usando água e energia do sol, converten o
2
CC en tecido vivo(CH C),írequentenente chanado de bionassa ou natéria orgånica.
2 2
C oxigênioé liberadodurante esse processo, conhecidoconoíotossíntese.
Iun processo inverso, no interior dos seres vivos, parte da natéria orgånica
proveniente do processo de íotossíntese reage con o oxigênio liberando gás carbônico e
energia, nun processo conhecido cono respiraçao. Lna parte da bionassa, nao usada na
respiraçao, torna-se tecido vivo de aninais e plantas. Atualnente ten se tornado conun
dizer que este carbono, íixado na bionassa vegetal e aninal, está ¨sequestrado". En geral o
carbono ¨sequestrado" vai denorar algun tenpo para voltar à atnosíera e, portanto, o
clina do planeta tanbén vai depender diretanente da quantidade de carbono
¨sequestrado".
Lna grande quantidade de carbono está ¨sequestrada" na natéria orgånica (de
aninais e plantas nortas) que íoi, ao longo de nilhões de anos, depositada no solo e se
transíornou en conbustíveis íósseis (carvao nineral, petróleo ou gás natural). Quando
esses conbustíveis saoutilizados ocarbonovolta para a atnosíera.
Cutra grande quantidade de carbono está ¨sequestrada" nos tecidos dos
organisnos vivos. Todas as ílorestas, incluindo a Mata Atlåntica, sao áreas inportantes de
retençao de carbono, e, portanto, atuan atenuando o eíeito estuía. Se essas ílorestas sao
queinadas, ocarbonovolta inediatanente para a atnosíera acentuandooeíeitoestuía.
A proteçao do solo e dos mananciais aqüiferos
A renoçao da íloresta en áreas tropicais provoca o rápido enpobrecinento do
solo. A grande quantidade de chuvas que precipita sobre essas áreas provoca a erosao dos
solos e o assoreanento dos nananciais aquííeros. Lna boa parte da Mata Atlåntica está
situada sobre solos pobres. A presença de una cobertura ílorestal tao exuberante deve-se a
un processo de ciclagen de nutriente extrenanente eíicaz, que ocorre nas canadas
superiores dosolo.
A presença da íloresta protege o solo contra a erosao. Cono consequência, protege
tanbén os nananciais aquííeros contra o assoreanento. Alén disso, a cobertura ílorestal
pernite a naior iníiltraçao da água da chuva, possibilitando a renovaçao do estoque de
águas subterråneas.
A legislaçao brasileira, através do Código Ilorestal, deternina que as áreas de
vegetaçao situadas às nargens de cursos de água, lagos, lagoas e nascentes deven ser
protegidas. Essas áreas sao classiíicadas cono Arcas dc Prcscrvaçao Pcrnancntc, nao
podendoser renovidas.
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As areas verdes e recreativas
As áreas naturais tên sido cada vez nais apreciadas cono íorna de aproxinaçao do
honen con a natureza. Seja cono espaços atenuantes da paisagen urbana, cono no caso
de áreas verdes de loteanentos e condonínios, seja cono destino para atividades de lazer
ou ecoturisno, nos parques e outras áreas con ecossistenas naturais relativanente ben
conservados.
Considerando que as principais cidades brasileiras estao situadas próxinas à zona
costeira, pode-se constatar que as áreas de Mata Atlåntica estao geralnente próxinas a
grandes centros urbanos e, dessa íorna, havendo planejanento adequado, algunas dessas
áreas poden se constituir en espaços de grande interesse para o lazer de populações
urbanas.
Fragmentaçao da floresta e efeito de borda
Devido à ocupaçao urbana e agrícola, as áreas de nata estao isoladas unas das
outras íornando pequenas ¨ilhas" de vegetaçao nativa. Desta íorna, a naioria das espécies
que viven nesses íragnentos conpõen populações isoladas de populações que habitan
outros íragnentos. Para nuitas espécies, a área agrícola ou urbana, circundante de un
íragnento, pode signiíicar una barreira intransponível. Desta íorna, nuitos aninais
íican coníinados dentro de áreas de pequeno tananho e algunas vezes nao tên recursos
suíicientes para a sua sobrevivência a longo prazo. Esse é o caso dos íelídeos, cono o gato-
do-nato, a jaguatirica e a suçuarana. Alén dessas espécies de predadores, que poden ter
suas populações localnente extintas por íalta de alinentos e abrigos, todas as populações
isoladas estao sujeitas ao íenôneno denoninado erosao genética. A erosao genética é a
perda da variabilidade genética entre os indivíduos. Quando nenbros de una populaçao
reduzida acasalan entre si durante algunas gerações sucessivas, tanbén íican nais
sujeitos às doenças genéticas causadas por genes recessivos, que se naniíestaraoen casode
honozigose.
Lna grande preocupaçao dos cientistas que trabalhan na área de conservaçao ten
sido o tananho reduzido dos íragnentos de nata. Essa preocupaçao deve-se ao íato de que
existe un núnero nínino de indivíduos necessário para una populaçao nínina viável.
Lna populaçao nínina viável é aquela que pode sobreviver a longo prazo nuna área
natural sen a intervençao hunana. C tananho dessa populaçao varia de espécie para
espécie e, portanto, a diversidade biológica tende a ser naior en áreas de naior tananho, e
as espécies que para sua sobrevivência exigen áreas naiores sao geralnente as nais
aneaçadas.
1.3 Principais ameaças à Mata Atlântica
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A íragnentaçao de una nata tanbén aunenta consideravelnente sua área de
borda. A borda de una íloresta é senpre narcada por condições bastante diíerentes de seu
interior devido a íatores cono a naior incidência de luz, variações de tenperatura,
unidade e vento. Cs eíeitos da proxinidade de una borda sao bastante evidentes nos 35
prineiros netros, nas poden causar nudanças sutis até cerca de 500n. Cono
consequência, nuitas espécies adaptadas à sonbra (helióíobas) poden dar lugar a espécies
de áreas abertas, adaptadas à naior incidência de luz (helióíilas). As bordas tanbén sao
áreas nuito nais sujeitas a espécies invasoras, provenientes de áreas cultivadas no entorno
das natas.
Poluiçao e degradaçao do habitat
Muitas populações de plantas e aninais poden ser aíetadas por atividades hunanas
que nao alteran a estrutura doninante da conunidade. Dessa íorna, nesno nao tendo
habitats destruídos e nao vivendo en áreas íragnentadas, poden ser extintas. Quando
áreas de ílorestas abertas sao utilizadas para atividades de pecuária extensiva, nuitas
espécies de ervas e aninais a elas associadas poden ter suas populações dizinadas. Da
nesna íorna, plåntulas de espécies arbóreas poden ser predadas, nao chegando ao estágio
adulto. Dessa íorna, nesno observando indivíduos de grande porte na conunidade, a
continuidade da área ílorestal íica serianente aneaçada.
Cutro íator que pode, a longo prazo, alterar de naneira signiíicativa a
sobrevivência de nuitas populações é a poluiçao, incluindo o uso de pesticidas
organoclorados. Estes pesticidas usados para conbater insetos nocivos à agricultura
poden causar danos a insetos essenciais para a polinizaçao de plantas nativas e outros
insetos herbívoros, e tanbén a predadores prinários en nuitas cadeias alinentares.
Quando aninais expostos a pesticidas sao ingeridos por outros aninais ao longo da cadeia
alinentar, as consequências acaban sendo sentidas en aninais que estao no topo da cadeia
tróíica, cono íalcões e águias. C acúnulo de organoclorados pode íazer, por exenplo,
con que a casca de seus ovos íique íina denais e quebre durante a incubaçao.
!ntroduçao de especies exóticas
As espécies que conpõen un deterninado ecossistena tên una longa história de
coevoluçao e suas distribuições sao condicionadas por barreiras clináticas e anbientais.
En un ecossistena, as espécies conponentes sao constituintes básicos de un todo
íuncional, íazendo parte de teias alinentares conplexas e exercendo seu papel na
conunidade (seu nicho). Ao longo dos nilhares de anos de dispersao do honen pelos
continentes do planeta, entretanto, nuitas espécies de aninais e plantas cruzaran
barreiras geográíicas naturalnente intransponíveis, trazidas pelo honen prinitivo ou
16
noderno. Sao espécies de inportåncia alinentar, nedicinal, ornanental, religiosa ou
aíetiva. Muitas espécies exóticas introduzidas en outros anbientes nao se estabelecen
devido à diíiculdade de adaptaçao, nas quando sao espécies originárias de anbientes con
características senelhantes, nesno localizados en áreas geograíicanente distantes,
algunas espécies poden íacilnente se adaptar. Iestes casos elas poden causar sérios
danos às espécies nativas. Espécies de predadores vorazes poden dizinar populações de
presas nativas que nao estavan adaptadas a escapar das estratégias de predaçao utilizadas.
Poden conpetir con populações locais dininuindo as chances de sobrevivência dos
indivíduos nativos.
Muitas vezes a ausência de predadores das espécies exóticas en novos anbientes
íaz con que sua populaçao cresça de íorna exponencial, sen o nenor controle,
iníestando, nuitas vezes, áreas urbanas, agrícolas, ou nesno ecossistenas naturais. Cutro
problena pode ser gerado pela chegada de parasitas, associados às espécies introduzidas.
Eles poden ser responsáveis por doenças que venhan a dizinar ou conproneter a
estabilidade de populações nativas. Iníeliznente, as consequências da introduçao de
espécies exóticas só passaran a ser avaliadas no íinal do século XX, quando o honen já
havia pronovido un intenso intercånbio de espécies entre os diversos continentes.
Durante todooprocessohistóriconuitas espécies poden ter sidodizinadas devidoa essas
ações hunanas, entretanto nao tenos sequer o registro dessas extinções. Atualnente,
considerando os inúneros exenplos de desastres ecológicos e econônicos causados por
espécies exóticas, é preciso que se adoten nedidas de controle para linitar a entrada de
espécies exóticas en ecossistenas naturais, pois os danos anbientais dessas espécies nunca
poden ser conpletanente previstos e controlados.
Superexploraçao
Cs recursos naturais senpre íoran utilizados pelas populações hunanas através da
caça, pesca, coleta e, posteriornente, através da agricultura. Io início, quando as
populações hunanas eran pequenas e nao doninavan técnicas soíisticadas, o uso de
recursos, na naioria das vezes, nao chegava a aneaçar a sobrevivência de populações de
aninais e plantas. A nedida que as populações crescian e aperíeiçoavan seus nétodos de
coleta/captura e estabelecian novos padrões de consuno, a exploraçao dos recursos
naturais passou a ser una grande aneaça à sobrevivência das populações exploradas.
Algunas espécies de aninais sao caçadas para conplenentar o suprinento de proteínas de
populações excluídas socialnente. Há tanbén pessoas que pratican caça en áreas
aneaçadas apenas con íinalidade de lazer. Essas atividades poden extinguir localnente
una espécie, seja pela predaçao de todos os seus indivíduos, seja pela reduçao de suas
populações a níveis inviáveis.
En grande parte do planeta, particularnente nos países en desenvolvinento, os
recursos sao explorados de íorna descontrolada, atendendo apenas as exigências do
nercado de consuno. A superexploraçao geralnente ocorre rapidanente quando surgen
17
novos nercados para produtos que nao eran explorados en un deterninado local, ou
eran usados de íorna tradicional e rapidanente passaran a ter grande valor de nercado,
sendo vendidos e exportados. Ln exenplo ilustrativo de espécie da Mata Atlåntica que
teve sua populaçao quase conpletanente dizinada pela superexploraçao devido a sua
grande utilidade e preço no nercado íoi o pau-brasil (C:·s:|p|n|: ·:||n:/:). Ieliznente,
nedidas governanentais para a produçao de nudas desta espécie íizeran con que ela nao
esteja nais aneaçada. E possível que outras espécies que vên sendo exploradas de íorna
insustentável naotenhan a nesna sorte.
2. Conservação da Mata
Atlântica: o que diz a lei?
20
2. Conservação da Mata Atlântica:
o que diz a lei?
2.1 Aspectos históricos
A preocupaçao con a conservaçao das nossas natas existe desde o século XVII, pois
datan desse período reginentos e deterninações da Coroa Portuguesa enviados aos
governadores das capitanias brasileiras, na tentativa de regular a extraçao ílorestal e,
principalnente, garantir o suprinento de nadeiras nobres para os usos do Estado,
originando daí a expressao ¨Madeira de Lei". Tais deterninações tinhan cono alvo
principal a visível e desordenada expansao agrícola praticada de íorna rudinentar e
extrenanente predatória, que se utilizava da íertilidade provisória das terras recén-
desnatadas. C caráter nônade da agricultura praticada nessa época íorçava a un novo
avanço sobre a íloresta, nao nuito raro, a cada dois ou três anos, deixando para trás una
terra devastada e inprodutiva, o que é conpreensível, pois na época - e cono pensan
alguns ainda hoje - a natureza tinha un caráter iníinitoe inesgotável.
Io íinal do século XVIII, a Coroa Portuguesa, através de cartas régias enviadas ao
Brasil, instituía nornas para ousodas ílorestas litoråneas. Ioi a partir destas deterninações
que íicou estabelecida a propriedade da Coroa sobre todas as natas e arvoredos que
nargeavan a costa narítina e oleitodos rios navegáveis que desenbocavan nonar. Essas
deterninações tanbén previan severas penas aos 'incendiários e destruidores' que
descunprissen tais ordenanentos. Contudo, essa preocupaçao con as natas era
notivada apenas por ideais políticos e/ou econônicos, apesar de na Europa já estaren
sendodiíundidas teorias sobre a inportåncia dos bosques para a saúde biológica e clinática
dos territórios, que associavan a devastaçao da vegetaçao nativa à reduçao da unidade, das
chuvas e dos nananciais de água.
Ia prineira netade do século XIX, o Brasil torna-se independente de Portugal. As
discussões acerca da conservaçao das natas brasileiras se expanden, recebendo novos
elenentos cientííicos ao seu íavor, e tanbén denúncias de que os 'cortadores de ílorestas'
lucran con o desnatanento ilegal, e acusações aos proprietários locais que continuavan
con as nesnas práticas de desnatanento das terras para íins de cultivo, atitudes ainda
hoje nuito conuns. Iovas vozes surgen no cenário nacional destacando as idéias
propostas por José Boniíácio e Baltasar da Silva, que sugeren ao inperador e ao corpo
legislativo, cuidado e atençao naiores para con as regulanentações, a íin de conservar e
proteger as natas brasileiras.
Cs legisladores brasileiros, porén, só atentaran realnente para os problenas
decorrentes da exploraçao desordenada dos recursos naturais, após da Revoluçao de 1930.
En 1934, depois de 14 anos sendo rascunhado pelos deputados, íoi pronulgado o nosso
21
prineiro Código Ilorestal. Cabe salientar que, apesar de o país ter ganhado una lei
ílorestal nais abrangente, con certeza ainda naoexistia una consciência ecológica.
Passaran-se décadas e só nos anos 1960, o Brasil, notivado pelos ideais paciíistas e
ecológicos que explodian en todo o nundo, acirra as discussões en torno dos problenas
anbientais e, en 1965, institui, pela Lei Iederal n`. 4.771, un novo Código Ilorestal,
ainda hoje en vigor (alterado pela Medida Provisória n`. 2.166, de 24 de agosto de 2001).
Ia época de sua ediçao, esse código linitava-se à proteçao do solo, das encostas, dos cursos
d'água e da nanutençao de un estoque de nadeira. Contudo, o Código Ilorestal nao
oíerece necanisnos suíicientes para a conservaçao da biodiversidade, nos noldes
existentes hoje.
A década de 1970 caracterizou-se cono de expansao desenvolvinentista e, na
prática, relegou o neio anbiente a un segundo plano, subjugando-o aos interesses
econônicos. Ieste período nao tivenos en nossa legislaçao avanços signiíicativos en
relaçao à conservaçao do neio anbiente, apesar de as discussões teren se acalorado, nao só
no Brasil, nas en todo o nundo, indicando a urgência na criaçao de dispositivos legais no
que tange à problenática anbiental.
En 1981, através da Lei n`. 6.938, é estabelecida a Política Iacional do Meio
Anbiente que deíine o SISIAMA - Sistena Iacional do Meio Anbiente, e cria o
CCIAMA - ConselhoIacional doMeioAnbiente.
Iote-se que até entao nao tratanos de legislaçao especííica para a proteçao e
conservaçaoda Mata Atlåntica, ou a regulaçaodousodos seus recursos naturais.
Sendo ela o prineiro conjunto de ecossistenas brasileiros a soírer o inpacto da
exploraçao irracional, desde a época que se convencionou deíinir cono 'Descobrinento
do Brasil', até a atualidade, e sendo tanbén a principal provedora da populaçao brasileira,
pois, cono sabenos, as naiores cidades do país localizan-se geograíicanente na área de
donínio da Mata Atlåntica, abrigando hoje cerca de 120 nilhões de pessoas, necessário se
íaz que esse ecossistena receba un tratanentodiíerenciadoe inediato.
A Constituiçao Iederal de 1988 dedicou un capítulo exclusivo ao neio anbiente e,
íinalnente, a Mata Atlåntica recebeu atençao do Estado, depois de várias reivindicações
sociais e anplas discussões nacionais. C reconhecinento de sua inportåncia anbiental e
social veioatravés do¸4` doartigo225, onde se lê:
ºA I|ar·s/: Am::an|:: |r:s||·|r:, : M:/: A/|1n/|::, : S·rr: Ja M:r, a P:n/:n:| M:/a-
Crass·ns· · : Zan: Cas/·|r: s1a P:/r|man|a ^::|an:|, · sa: a/|||::¸1a /:r-s·-!, n: /arm: J: |·|, J·n/ra
J· :anJ|¸a·s ¸a· :ss·¸ar·m : pr·s·rr:¸1a Ja m·|a :m||·n/·, |n:|as|r· ¸a:n/a :a asa Jas r·:arsas
n:/ar:|s¨.
2.2 Legislação da Mata Atlântica
22
Alén de una atençao naior às questões anbientais, a Constituiçao de 1988,
pronulgada nun nonento histórico de avanço das íorças denocráticas e populares,
deíiniu atribuições nuito nais anplas ao Ministério Público, dispondo de un bon
núnerode instrunentos legais para una naior participaçaopopular na gestaopública, tais
cono: a Açao Popular, que pode ser novida por qualquer cidadao brasileiro contra ato
adninistrativo lesivo ao neio anbiente; o Mandado de Segurança contra ato de
autoridade pública que coníigure una ilegalidade; a AçaoCivil Pública; oProjeto de Lei de
Iniciativa Popular; o Direito à Iníornaçao, que pode ser requerido en qualquer órgao
público; e oCódigode Deíesa doConsunidor.
Todos esses dispositivos legais ainda sao pouco utilizados, encontrando-se no
canpo da teoria pela sinples íalta de iníornaçao e capacitaçao do povo brasileiro en
dispor deles para exigir de íato, oque íora conseguidode direito.
A Constituiçao de 1988 ainda deíiniu en seu artigo 225, ¸ 2`, o princípio do
poluidor-pagador, e inovou no ¸ 3` do nesno artigo, quando indica que nao só pessoas
íísicas, nas tanbén pessoas jurídicas, sao passíveis de punições penais e adninistrativas ao
praticaren crine contra o neio anbiente, observando-se que a íorna clássica do Direito
Penal naoprescreve puniçaopara pessoas jurídicas.
Ia tentativa de regulanentar a Constituiçao Iederal, deíinindo instrunentos
legais especííicos para a Mata Atlåntica, o Coverno Iederal editou, en 1990, o Decreto n`.
99.547, que dispunha sobre º: r·J:¸1a Ja :ar/·, · J: r·sp·:/|r: ·xp|ar:¸1a J: r·¸·/:¸1a n:/|r: J:
M:/: A/|1n/|:: (...)¨. C Decreto estabeleceu, entre outras restrições, que a Mata Atlåntica
era intocável. Apesar de ben intencionado, tinha sua constitucionalidade questionável,
pois no artigo 225, ¸ 4` da Constituiçao Iederal, está expressa a utilizaçao da Mata
Atlåntica. Cono íora elaborado sen eíetiva participaçao dos governos dos Estados que
possuen Mata Atlåntica, e tanbén de entidades nao-governanentais, nao houve respaldo
da sociedade ou dos órgaos responsáveis pela sua aplicaçao, o que praticanente
inviabilizou sua contribuiçaonosentidode conservar a Mata Atlåntica.
Io ano seguinte, 1991, o Conselho Iacional do Meio Anbiente (CCIAMA)
passou a receber propostas de textos alternativos aoDecreto99.547/90.
Após neses de negociações, en abril de 1992 o CCIAMA aprovou a ninuta de
decreto cono alternativa ao Decreto 99.547/90. A nova proposta trazia inúneras
inovações, entre as quais se destacan a delinitaçao precisa da área de abrangência da Mata
Atlåntica e a proteçao dos estágios sucessionais (vegetaçao secundária nos estágios inicial,
nédioe avançadode regeneraçao) das íornas vegetais doBiona.
As diretrizes aprovadas pelo CCIAMA constituíran a base para o Decreto Iederal
n`. 750, assinado en 10 de íevereiro de 1993, que estabelece necanisnos para enírentar o
conílito entre conservaçao e uso dos recursos. C Decreto 750/93 estende a proteçao a todas
as íornações ílorestais subtropicais e tropicais das regiões Sul, Sudeste, Centro-Ceste e
Iordeste, incluindo os ecossistenas associados cono nanguezais e restingas. Estabelece
tanbén diretrizes para a exploraçao de recursos vegetais, tais cono o diånetro e a idade do
naterial explorado. Alén de nao pernitir a supressao da vegetaçao prinária, nornatiza os
23
casos en que pode haver retirada da vegetaçao secundária. Esses avanços, entre nuitos,
tornou o Decreto 750/93 un inportante instrunento legal para a conservaçao da Mata
Atlåntica. Vale salientar, entretanto, que a legislaçao é apenas un instrunento, e só poderá
ser realnente posto en íuncionanento con a eíetiva participaçao da sociedade
organizada.
Ainda noanode 1992, nocontextoda realizaçaoda Coníerência das Iações Lnidas
sobre Meio Anbiente e Desenvolvinento, a Rio-92, íoi lançado un projeto de lei
especííico para a proteçao e conservaçao da Mata Atlåntica, con una expectativa de rápida
tranitaçao, nas que íicou enperrado no Congresso Iacional por nais de onze anos,
consequência da atuaçao dos deputados ligados aos interesses dos grandes proprietários
rurais, até que, íinalnente, en dezenbro de 2003, una versao nenos rígida íoi aprovada
na Cånara dos Deputados, dependendo agora da aprovaçao do Senado e da sançao
presidencial.
Alén desses docunentos, ainda existen as resoluções editadas pelo CCIAMA
que tratan especiíicanente de assuntos reíerentes à Mata Atlåntica cono, por exenplo: a
Resoluçao 10/93, que restabelece os parånetros básicos para análise dos estágios de
sucessao da Mata Atlåntica (regulanentaçao dos artigos 3`, 6` e 7` do Decreto 750/93); a
Resoluçao 12/94, que aprova o Clossário de Ternos Técnicos, elaborado pela Cånara
Técnica Tenporária para Assuntos de Mata Atlåntica; a Resoluçao 3/96, que deíine
vegetaçao renanescente da Mata Atlåntica, expressa no artigo 4` do Decreto 750/93; a
Resoluçao 9/96, que deíine corredores entre renanescentes de vegetaçao prinária e en
estágio nédio e avançado de regeneraçao; a Resoluçao 249/99, que aprova as Diretrizes
para a Política de Conservaçao e Desenvolvinento Sustentável da Mata Atlåntica; a
Resoluçao 278/01, que deternina a suspensao das autorizações concedidas para corte e
exploraçao de espécies aneaçadas de extinçao, constantes da lista oíicial daquele órgao, en
populações naturais no biona Mata Atlåntica; a Resoluçao 28/94, que deíine vegetaçao
prinária e secundária nos estágios inicial, nédio e avançado de regeneraçao da Mata
Atlåntica no Estado de Alagoas (regulanentaçao do artigo 6` do Decreto n`. 750/93); entre
outras.
Até o nonento íoi dado êníase à Legislaçao Iederal. E certo que o Direito
Anbiental ten na Constituiçao Iederal sua base jurídica, nas essa nao é a sua única íonte.
De acordo con o artigo 24 da Constituiçao: ºCamp·/· : Ln|1a, :as Es/:Jas · :a D|s/r|/a I·J·r:|
|·¸|s|:r :an:arr·n/·m·n/· sa|r·. (...) II /|ar·s/:s, ::¸:, p·s::, /:an:, :ans·rr:¸1a J: n:/ar·::, J·/·s: Ja
sa|a · Jas r·:arsas n:/ar:|s, pra/·¸1a :a m·|a :m||·n/· · :an/ra|· J: pa|a|¸1a, III pra/·¸1a :a
p:/r|man|a ||s/ár|:a, :a|/ar:|, :r/|s/|:a, /ar|s/|:a · p:|s:¸|s/|:a¨.
A Constituiçao ainda deíine, en seu artigo 23, que: ºE :amp·/´n:|: :amamJ: Ln|1a,
Jas Es/:Jas, Ja D|s/r|/a I·J·r:| · Jas Man|:|p|as....II pra/·¸·r a m·|a :m||·n/· · :am|:/·r : pa|a|¸1a
·m ¸a:|¸a·r J· sa:s /arm:s, III pr·s·rr:r :s /|ar·s/:s, : /:an: · : /|ar:¨, dando aos nunicípios
conpetência de íiscalizaçaosobre otena.
Desta íorna os Estados íican incunbidos de legislar sobre o anbiente
conpreendido por suas jurisdições. Atendendo ao que prescreve a Constituiçao Iederal de
24
1988, o Estado de Alagoas reserva un capítulo de sua Constituiçao Estadual ao Meio
Anbiente. Iora a Constituiçao Estadual, ainda podenos citar as seguintes leis: Lei 3.859/78,
que institui o Conselho Estadual de Meio Anbiente CEPRAM; Lei 3.989/78, que deíine a
estrutura e as atribuições do CEPRAM; Lei 4.090/79, que dispõe sobre a Proteçao do Meio
Anbiente; Lei 4.682/85, que protege as áreas convegetaçao de nangue; Lei 4.986/88, que
cria o Instituto doMeio Anbiente de Alagoas - IMA; Lei 5.310/91, que institui o replantio e
a nanutençao de áreas verdes e ílorestais; Lei 5.854/96, que dispõe sobre a política ílorestal
noEstado de Alagoas; entre outras, alénde vários decretos e resoluções.
Vale ainda reíerenciar outros instrunentos legais, editados pelo Coverno Iederal,
que, apesar de abrangeren nao só o Biona da Mata Atlåntica, disciplinan sobre a sua
proteçaoe conservaçao:
Lei n`. 9.605/98 (Lei de Crines Anbientais), que procura conpilar todas as
disposições penais brasileiras acerca de crines anbientais. Esta lei contén una íalha,
cono se pode constatar en seu artigo 76, ao aíirnar que nulta inposta por outro ente da
Iederaçao substitui a nulta íederal, dando nargen a una atuaçao nenos severa por parte
de autoridades locais que, nuitas vezes, nao tên o eníoque claro de punir os crininosos
anbientais;
Lei n`. 7.661/88 (Plano Iacional de Cerencianento Costeiro) que indica en seu
artigo 3` a prioridade de conservaçao e proteçao de ecossistenas associados à Mata
Atlåntica (conorestingas e nanguezais);
Lei n`. 8.974/95 (Lei dos CCM Crganisnos Ceneticanente Modiíicados),
principalnente en seu artigo 13, iten V, que trata de liberaçao ou descarte no neio
anbiente de CCM, inclusive indicando a penalidade coníorne o grau de gravidade do
crine;
Lei n`. 5.197/67 alterada pela Lei n`. 7.653/89 (Lei de Proteçao à Iauna) que, entre
outras coisas: protege a íauna silvestre; proíbe a caça proíissional; regula o conércio de
espécines da íauna silvestre, ben cono produtos e objetos que inpliquen na sua caça,
perseguiçao, destruiçaoou apanha; e inibe a introduçaode espécies exóticas;
Decreto-lei n`. 221/67 (Código de Pesca Brasileiro), que versa sobre espécies
aquáticas ocorrentes nos vários rios da Mata Atlåntica, quando, en seu artigo 4`, alínea ¨a",
deíine as águas interiores do Brasil cono área de abrangência, tanto deste Código, quanto
dos regulanentos, decretos e portarias dele decorrentes;
Existen ainda iníluências exteriores à nossa legislaçao anbiental cono, por
exenplo:
as nornas publicadas pela ISC (International Standardisation Crganization -
entidade nao-governanental de caráter supranacional), nais precisanente a série ISC
14.000, que é relativa ao Meio Anbiente - essas nornas sao condicionadas en território
nacional à aprovaçao da ABIT (Associaçao Brasileira de Iornas Técnicas). Estao nuito
ligadas à iniciativa privada, que busca cada vez nais abrir nercado, garantindo a qualidade
de seus produtos sen agredir oneioanbiente;

-

25
a ACEIDA 21, docunento elaborado pela CIL e posteriornente assunido
por vários países, que ten cono objetivo preparar o nundo para os desaíios anbientais
que se apresentan, na tentativa de nudar a íorna de o honen se relacionar con a
natureza, servindo cono cartilha básica para políticas de desenvolvinento sustentável. A
partir do docunento básico, cabe aos países signatários aprovaren una ACEIDA 21
local. C Brasil ven adotando este docunento de íorna satisíatória nos diíerentes níveis de
poder. Apesar de ter una característica nais institucional, nada inpede de as enpresas
tonaren-na conobase e adaptaren suas reconendações aoseu planejanento.
Cono vinos, a história nos nostra que durante nuito tenpo as questões
reíerentes nao só ao biona Mata Atlåntica, nas a todos os bionas, íoran tratadas con un
certo descaso pelo governo brasileiro, que despendia pouco ou nenhun investinento à
proteçao e à conservaçao anbiental. Cs recursos naturais senpre íoran e ainda sao
tratados sob a ótica dos interesses econônicos. Mas vinos tanbén que, atualnente, o país
é provido de una vasta gana de dispositivos legais capazes de garantir a conservaçao e a
preservaçao da Mata Atlåntica. C que se evidencia, no entanto, é que as leis anbientais tên
sido nais avançadas e incisivas do que o processo político que as criou e que lhes dá
suporte. A açao das autoridades brasileiras en deíesa das nossas ílorestas nao pode ser
considerada ágil e deterninada. Esta, provavelnente, é a origen de alguns entraves que
tên sidoobservados nodecorrer da nossa história.
En área de Donínio da Mata Atlåntica viven hoje cerca de 120 nilhões de pessoas.
Há grandes centros urbanos e tanbén nuitas áreas agrícolas e industriais. A necessidade
de una política nais anpla de conservaçao levou anbientalistas e pesquisadores a
trabalhar na elaboraçao de una política nais anpla, visando sua conservaçao e uso
sustentável. C docunento ¨Diretrizes para Política de Conservaçao e Desenvolvinento
Sustentável", tanbén chanado de Po!ítica da Mata At!antica, íoi aprovado pelo
CCIAMA en 1998, após un anplo processo de discussao con nais de un ano de
debates, divulgaçao de versões prelininares via Internet, e discussao en sessao plenária no
CCIAMA, resultandonoseguinte docunento:
2.3 As diretrizes para a conservação da Mata Atlântica (Política
da Mata Atlântica)
26
D!RETR!ZES PARA A POLÍT!CA DE CONSERvAÇÁO E DESENvOLv!NENTO
SUSTENTAvEL DA NATA ATLANT!CA
FONTE: CAPOB!ANCO, 2001 {dossiê MATA ATLÄNTICA)
O documento ¨Diretrizes para a Politica de Conservaçao e Desenvolvimento Sustentavel da Nata
Atlantica", tambem chamado de Política da Mata Atlântica, aprovado pelo CONANA, em dezembro de
1998, resultou de processo de discussao entre setores da sociedade interessados na conservaçao e uso
sustentavel do Bioma.
Princípios:
1. Utilizaçao da Nata Atlantica em condiçoes que assegurem a preservaçao do meio ambiente e o uso
multiplo de seus recursos naturais;
2. Proteçao da diversidade biológica com base na conservaçao e no manejo sustentavel;
3. Recuperaçao das areas degradadas e recomposiçao das formaçoes florestais;
+. valorizaçao das iniciativas que promovam o desenvolvimento social em bases sustentaveis,
recuperando a importancia das populaçoes tradicionais;
S. Açao governamental integrada de modo a promover a gestao descentralizada e participativa dos
recursos naturais;
6. Definiçao e fortalecimento de instrumentos para a conservaçao e desenvolvimento sustentavel dos
recursos naturais.
Diretrizes:
1. Proteçao da diversidade biológica associada aos ecossistemas da Nata Atlantica;
2. Desenvolvimento sustentavel dos recursos naturais da Nata Atlantica;
3. Recuperaçao de areas degradadas na Nata Atlantica (RAD);
+. Compatibilizaçao das politicas setoriais com vistas a conservaçao e ao desenvolvimento sustentavel
da Nata Atlantica.
ObjetivoGeral:
Delinear açoes integradas que promovam a conservaçao e o desenvolvimento sustentavel da Nata
Atlantica.
Objetivos Específicos:
1. Proteger todos os remanescentes e a diversidade biológica atraves da ampliaçao do sistema de UCs;
integraçao dos instrumentos de gestao; criaçao de novas UCs publicas e privadas; reforço das UCs ja
existentes; promoçao da regularizaçao fundiaria e de novas possibilidades para o estabelecimento
dos corredores ecológicos;
2. Adequar o uso dos recursos naturais ao objetivo de obter a conservaçao dos remanescentes. O
conjunto de instrumentos de implementaçao deve considerar a necessidade de recuperar o papel da
floresta para as populaçoes tradicionais, reformular o conceito de uso da terra, estabelecer o
manejo sustentavel e proteger a fauna e mananciais da Nata Atlantica;
3. Recuperar a estrutura fitogeografica, contribuindo para a proteçao da diversidade biológica,
conservaçao dos solos e garantia da integridade dos ecossistemas naturais;
+. Compatibilizar as politicas ambientais e as politicas setoriais para assegurar a conservaçao dos
recursos naturais e seu uso em bases ecologicamente sustentaveis.
27
2.4 Aproteção dentro de unidades de conservação
Alén do Decreto Iederal n`. 750/93, que cria regras
para a proteçao e uso de áreas de íloresta, nuitas áreas de
Mata Atlåntica estao protegidas por estaren inseridas
dentro de Lnidades de Conservaçao da Iatureza (LCI).
Cs instrunentos legais que deíinen, en regras gerais, os
objetivos de cada unidade de conservaçao sao: a Lei n`.
9.985, que cria o Sistena Iacional de Lnidades de
Conservaçao - SILC, e o Decreto n`. 4.340/2002, que
regulanenta artigos dessa Lei e dá outras providências. C
SILCíoi aprovado en 18 de julho de 2000 e padronizou a
denoninaçao das Lnidades de Conservaçao no Brasil. De
acordo con o SILC, há duas categorias principais de
Lnidades de Conservaçao: as Lnidades de Proteçao
Integral e as Lnidades de LsoSustentável.
C objetivo das Lnidadcs dc Protcçao Intcgra! é
preservar a natureza, sendo adnitido apenas o uso indireto
dos seus recursos naturais. C objetivo das Lnidadcs dc
Lso Sustcntávc! é conpatibilizar a conservaçao da
natureza con o uso sustentável de parcela dos seus recursos
naturais.
O grupo das Unidades de
Proteção Integral é composto
pelas seguintes categorias de
Unidade de Conservação:
I - Estação Ecológica;
II - Reserva Biológica;
III - Parque Nacional;
IV - Monumento Natural;
V - Refúgio de Vida Silvestre.
D e n t r e a s u n i d a d e s
denominadas de proteção
integral, as mais restritivas, ou
seja, aquelas que só permitem
no seu interior atividades de
cunho científico ou educacional
compatíveis com os objetivos
explicitados no plano de manejo
são: a Reserva Biológica
(REBIO), e a Estação
Ecológica (ESEC).
Constituem o Grupo das
Unidades de Uso Sustentável as
segui nt es cat egori as de
Unidade de Conservação:
I - Área de Proteção Ambiental;
II - Área de Relevante Interesse
Ecológico;
III - Floresta Nacional;
IV - Reserva Extrativista;
V - Reserva de Fauna;
VI - Reserva de
Desenvolvimento Sustentável;
e
VII - Reserva Particular do
Patrimônio Natural.
29
3. Cobertura original,
cobertura atual e
Unidades de
Conservação na Mata
Atlântica alagoana
30
3.1 Cobertura original e cobertura atual da Mata Atlântica
alagoana
Iao se sabe exatanente qual a área original da Mata Atlåntica alagoana porque,
assin cono en outros estados brasileiros, as prineiras avaliações da cobertura vegetal só
ocorreran no início do século XX, quando boa parte das natas já havia sido destruída. Cs
dados, estinados a partir de entao, sao de que o estado de Alagoas possuía una área de
2
14.529 kn de nata, ou 52° de seu território, abrangendototal ou parcialnente áreas de 61
nunicípios. Pelo nenos três destes nunicípios, Mata Crande, Agua Branca e Canapi,
estao situados no sertao, en áreas de donínio das caatingas, nas por possuíren áreas con
altitude suíiciente para interceptar o íluxo de ventos únidos provenientes do Cceano
Atlåntico possuen natas nais únidas, principalnente sobre áreas de naior altitude e nas
encostas voltadas para o leste e para o sudeste. Essas áreas sao denoninadas de natas
serranas ou brejos de altitude.
A Mata Atlåntica original abrangia toda a área costeira e penetrava bastante para o
interior, chegando, provavelnente, a nunicípios hoje inseridos no agreste, tais cono
Palneira dos Indios e Igaci. C desnatanento acentuado pode ter sido o principal íator
responsável pelo avanço da vegetaçao de caatinga sobre algunas áreas que poderian
originalnente ter sidocobertas por ílorestas nais únidas. A renoçaodestas ílorestas pode,
portanto, ter acentuadoa seni-aridez doagreste.
De acordo con una classiíicaçao íisionônico-ecológica, nossas ílorestas sao do
tipo onbrófi!a dcnsa, onbrófi!a abcrta c cstaciona! scnidccidua!. Há ainda una
vasta área, dentro do Donínio Mata Atlåntica, coberta por íornações pioneiras, tais cono:
nanguezais, alagados e restingas.
A Mata Atlåntica alagoana, assin cono en outros estados brasileiros, é nuito
heterogênea. As natas de planícies, por exenplo, sao nuito diíerentes das natas de
tabuleiros, tanto en íisiononia quanto en conposiçao de espécies. Esse íato inplica a
necessidade de se preservar os diíerentes tipos de nata existentes, sob pena de se perder
espécies de ocorrência exclusiva en un ou outrohabitat. Iníeliznente, hoje, oque resta da
nata alagoana é encontrado principalnente sobre norros e encostas. Isso ocorre porque
essas áreas de diíícil acesso, devido à diíiculdade para ocupaçao agrícola, íoran nantidas
con vegetaçao natural. Há pouquíssinos íragnentos de nata situados en planícies,
várzeas ou tabuleiros. Cono consequência, nuitas espécies que poderian ocorrer
exclusivanente ou predoninantenente nestes habitats poden ter desaparecido, antes
nesnode teren sidoregistradas.
Ia tentativa de se proteger o que ainda resta de Mata Atlåntica, calculado en torno
de 6,04° da área original, algunas Lnidades de Conservaçao íoran criadas pelos
governos Iederal, Estadual e Municipal. Alguns proprietários de terra, que possuían
áreas cobertas con ílorestas, transíornaran essas áreas en Rcscrvas Particu!arcs do
Patrinònio Þatura!, ou RPPIs. As RPPIs sao áreas pernanentenente protegidas por
31
lei, nas quais nao será nais pernitida a renoçao da íloresta. As outras unidades de
conservaçao, criadas por açaodogoverno, poden ter diíerentes restrições para seu uso.
En Alagoas existen 24 áreas legalnente protegidas, que estao inseridas dentro do
Donínio Mata Atlåntica. Destas áreas, 17 íoran criadas pelo poder público íederal,
estadual ou nunicipal. As outras 7 áreas íoran criadas pela iniciativa privada en terras
particulares, constituindo RPPIs. Algunas dessas áreas estao abertas à visitaçao pública
con íinalidades educativas e de lazer.
Nunicipios que possuem pelo menos uma parte de seu território em areas consideradas dentro do
Dominio Nata Atlantica (Caderno nº. 29 da RBNA, adaptado). !ncluindo municipios do Sertao com mata
serrana(*)
1. Anadia 2. Atalaia
3. Barra de Santo Antönio +. Barra de Sao Niguel
S. Boca da Nata 6. Branquinha
7. Cajueiro 8. Campestre
9. Campo Alegre 10. Campo Grande
11. Capela 12. Cha Preta
13. Colönia Seco
1S. Coruripe 16. Feliz Deserto
17. Flexeiras 18. !bateguara
19. !greja Nova 20. Jacuipe
21. Japaratinga 22. Jequia da Praia
23. Joaquim Gomes 2+. Jundia
2S. Junqueiro 26. Limoeiro de Anadia
27. Naceió 28. Nar vermelho
29. Naragogi 30. Narechal Deodoro
31. Naribondo 32. Natriz de Camaragibe
33. Nessias 3+. Nurici
3S. Novo Lino 36. Olho d´AguaGrande
37. Paripueira 38. Passo de Camaragibe
39. Paulo Jacinto +0. Penedo
+1. Piaçabaçu +2. Pilar
+3. Pindoba ++. Porto Calvo
+S. Porto de Pedras +6. Quebrangulo
+7. Rio Largo +8. Roteiro
+9. Santa Luzia do Norte S0. Santana do Nundau
S1. Sao Jose da Laje S2. Sao Niguel dos Campos
S3. Sao Luiz do Quitunde S+. Sao Niguel dos Nilagres
SS. Sao Sebastiao S6. Satuba
S7. Teotönio vilela S8. Uniao dos Palmares
S9. viçosa 60. Nata Grande*
61. Canapi* 62. Agua Branca*
Leopoldina 1+. Coqueiro
Mata Atlântica em Alagoas.
Fonte: dossiê MATA ATLÂNTICA
ÁREAS
PRIORITÁRIAS PARA
CONSERVAÇÃO:
Importância
biológica
extremamente alta
Importância
biológica muito
alta
Importância
biológica alta
Região
insuficientemente
conhecida, mas de
provável
importância
biológica.
Áreas consideradas prioritárias para conservação no estado de Alagoas
Floresta ombrófila
densa


Floresta
ombrófila aberta
Floresta estacional
semidecidual
Formação pioneira
Área de domínio da Mata Atlântica em Alagoas (neste mapa, em função da escala original,
não são mostrados os brejos de altitude nemsão destacados manguezais e restingas)
33
3.2 Unidades de conservação dentro do domínio Mata Atlântica no
estadode Alagoas
Unidade Município Área em
hectares
RPPN da Fazenda Vera Cruz Chã Preta 115
RPPN da Fazenda Rosa do Sol Barra de São Miguel 15
RPPN Lula Lobo Coruripe 68,6
RPPN Francisco Ferreira Coruripe 290
RPPN da Fazenda Santa Tereza Atalaia 100
RPPN Reserva do Gulandim Teotônio Vilela 41
RPPN Fazenda São Pedro Pilar 50
ReBio Pedra Talhada Quebrangulo/AL,
Lagoa do Ouro/ PE. 4.469
APA Piaçabuçu Piaçabuçu 18.800
Estação Ecológica da Praia do Peba Foz do Rio São Francisco 278
APA Costa dos Corais Litoral AL/PE 413.563
Estação Ecológica de Murici Murici / Messias 6.116
RESEX de Jequiá da Praia Jequiá da Praia 10.203
APA de Santa Rita Maceió / Marechal Deodoro 10.230
APA da Marituba do Peixe Penedo / Piaçabuçu 8.600
APA do Catolé e Fernão Velho Maceió / Satuba 5.415
APA Municipal do Poxim Coruripe 400
APA de Murici Murici / União dos Palmares /
São José da Lage / Ibateguara 116.100
APA de Pratagy Messias / Rio Largo 13.369
Reserva Ecológica do Saco da Pedra* Marechal Deodoro 5
Reserva Ecológica Lagoa do Roteiro* Roteiro / Barra do São Miguel 742
Parque Municipal de Maceió Maceió 82
Parque Municipal Marinho de Paripueira Paripueira 3.200
APP do IBAMA* Maceió 55
* Áreas protegidas criada antes do SNUC, que não estão enquadradas dentro das categorias de UCN
previstas na legislação atual.
4. A biodiversidade da
Mata Atlântica alagoana:
espécies endêmicas e
ameaçadas de extinção
36
4. A biodiversidade da Mata Atlântica alagoana:
espécies endêmicas e ameaçadas de extinção
C Estado de Alagoas possui íragnentos de Mata Atlåntica extrenanente
inportantes, que nerecen estudos nais detalhados e políticas nais eíicientes de
conservaçao. A intensiíicaçao das pesquisas na Mata Atlåntica alagoana ten levado à
descoberta de novas espécies desconhecidas pela ciência. Do ano 2000 até 2004 já íoran
descobertas três novas espécies de répteis e duas de anííbios. Estas espécies até o nonento
sao consideradas endênicas, una vez que íoran registradas exclusivanente no estado de
Alagoas. A ílora alagoana tanbén ten sua singularidade, con recentes descobertas de
bronélias de ocorrência exclusiva para Alagoas e Pernanbuco. C íato de alguns
íragnentos de Mata Atlåntica abrigaren espécies endênicas signiíica que a renoçao da
íloresta nessas áreas poderá inplicar a extinçaodessas espécies.
As pesquisas na nata Atlåntica alagoana tên se intensiíicado nos últinos anos,
nesno assin, nuitos grupos de aninais e plantas ainda pernanecen pouco conhecidos,
cono é o caso dos peixes de riachos e diversos artrópodes, incluindo aranhas, escorpiões e
insetos. Para alguns grupos íoran realizados levantanentos parciais, os quais sao
apresentados nos capítulos a seguir produzidos por autores convidados que íazen parte da
equipe de pesquisa doMuseu de História Iatural da Lniversidade Iederal de Alagoas.
Fauna e Flora Endêmica
Estas espécies permaneceram desconhecidas para a ciência até o final do século XX e algumas delas
só foram descobertas no século XXI (2001 a 2005). Todas elas, até o momento, só têm a ocorrência
registrada para o estado de Alagoas (A, B, C, D), ou para o sub-centro Pernambuco (E, F).
(A) Bothrops muriciensis Ferrarezzi & Freire, 2001; (B) Phyllodytes edelmoi Peixoto, Caramaschi &
Freire, 2003; (C) Coleodactylus sp. nova; (D) Chiasmocleis alagoanus Cruz, Caramaschi & Freire, 1999
(E) CanistrumalagoanumLeme &Siqueira; (F) Aechmea muricata (Arruda) L.B. Smith.



38
FAUNA DA MATA ATLÄNTICA ALAGOANA AMEAÇADA DE EXTINÇÀO
Algumas especies de vertebrados que ocorrem na Nata Atlantica alagoana,
ameaçadas de extinçao, segundo a lista oficial do !BANA, de 1998.
Aves Nome popular
Mitu mitu (Linnaeus, 1766) Mutum-de-Alagoas
Iodopleura pipra leucopygia (Salvin, 1885) Anambezinho, anambé-de-crista
Procnias averano averano (Hermann, 1783) Araponga-de-barbela
Tangara fastuosa (Lesson, 1831) Pintor-verdadeiro
Mamíferos
Leopardus pardalis (Linnaeus, 1758) Jaguatirica
Leopardus tigrinus (Schreber, 1775) Gato-do-mato
Platyrrhinus recifinus (Thomas, 1901) Morcego
Répteis
Caiman latirostris (Daudin, 1802) Jacaré-de-papo-amarelo
Lachesis muta rhombeata (Wied, 1825) Surucucu-pico-de-jaca
Alem das especies citadas acima, que constam na lista oficial do !BANA,
muitas especies endêmicas, inclusive algumas que foram descobertas após a
publicaçao da lista oficial em 1998, podem ser consideradas ameaçadas uma
vez que possuem area de ocorrência muito restrita. Algumas especies foram
encontradas em apenas um unico fragmento florestal em Alagoas e podem
desaparecer caso seu habitat seja destruido ou profundamente degradado.
5. A biodiversidade da
Mata Atlântica alagoana:
flora
40
5. Flora da Mata Atlântica alagoana
A ílora da Mata Atlåntica destaca-se pelo elevado núnero de espécies, con o
predoníniodas angiospernas. Esse grupode vegetais caracteriza-se por apresentar ílores e
írutos, alén da diversidade en relaçaoaotananho, hábitoe ocupaçaodos habitats.
As árvores e arbustos sao responsáveis pela exuberåncia íisionônica da Mata
Atlåntica, nas nesse anbiente destacan-se tanbén as plantas epííitas, cono bronélias,
aráceas e orquídeas, que encontran condições adequadas para sobrevivência, alén de
nunerosas trepadeiras e lianas (cipós).
A Mata Atlåntica ocupava toda a regiao costeira do litoral alagoano, alén da área
atualnente conhecida cono Zona da Mata. Penetrava para o agreste en diversos trechos.
Ccupava tanbén algunas regiões serranas do sertao. Quase a netade do Estado de
Alagoas era coberta pela Mata Atlåntica. C nanto ílorestal cobria solos con íertilidade e
proíundidade nuito variáveis. Esses íatores, associados à variaçao da precipitaçao
pluvionétrica, condicionavan una grande diversidade íisionônica e ílorística. Hoje,
con a íragnentaçao dessa íloresta, cada área isolada pode conter espécies únicas,
endênicas de pequenos íragnentos e particularnente aneaçadas.
Cono agravante, alén do atual quadro de íragnentaçao, pouco se conhece sobre
as espécies da nossa nata devido ao pouco núnero de estudos realizados. C
desconhecinento diíiculta a deíiniçao de áreas prioritárias para a conservaçao.
Conpilando dados de nonograíias, relatórios técnicos e dissertações de nestrado
realizadas nos últinos anos, íoi possível a produçao de una lista contendo 205 espécies de
árvores e arbustos. Esse núnero ainda é nuito pequeno e tenderá a crescer à nedida que
novas áreas íoren estudadas. Entre as espécies de árvores da nossa nata nais conhecidas
estao a enbiriba (Es:|u·||·r: ar:/: (Canbess) Mart.), o nurici (B¡rsan|m: s·r|:·: DC), o
pau-de-jangada (Ap·||: /||aar|aa Aubl.), a naçaranduba (M:n|||:r: ra/a|: (Miq.) H. J.
Lan), a sapucaia (L·:¡/||s p|san|s CAMB) e ovisgueiro(P:r||: p·nJa|: Benth.).
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS ASSOCIADOS
FLORA
Nome Vulgar Nome Científico
Amarelo Plathymenia foliolosa Benth.
Amescla-de-cheiro Protium heptaphyllum (Aubl.) March.
Açoita-cavalo Luehea ochrophylla Mart
Amescla Protium heptaphyllum (Aubl.) March.
Amora Helicostylis tomentosa (Poepp. & Endl.) Rusby
41
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS ASSOCIADOS
FLORA
Nome Vulgar Nome Científico
Angelim Andira inermis H.B.K.
Angelim-doce Andira aff. paniculata Benth.
Apaga-brasa Miconia prasina (Sw.) DC.
Araçá-boi Eugenia pyriformis Cambess.
Arapiraca Pithecellobium sp. (Benth.) Record
Araticum-cagão Duguetia gardneriana Mart.
Araticum-vermelho Annona salzmannii A.DC
Aticum/ticum-de-fuso Bactris ferruginea Burret
Banha-de-galinha Tabernaemontana flavicans Willd. Ex. R & S
Batinga Eugenia beaurepaireana (Kerbs.) D. Legrand.
Bom-nome-vermelho Maytenus impressa Reissek
Bucho-de-veado Pouteria cf. grandiflora (A. D. C.) Baehni
Buquê-de-viúva Faramea multiflora v. salicifolia (C. Presl.) Steym.
Cabaçu Coccoloba mollis Casar
Cabelo-de-anjo Clematis dioica L.
Caboatã Cupania polycarpa Radlk.
Cabotã-de-rego Matayba cf. guianensis Aubl
Angélica Guettarda viburnoides Cham & Schlecht.
Angelim-coco Andira legalis (Vell.) Toledo
Angelim-pedra Andira anthelmia (Vell.)J.F.Macbr.
Araçá Myrcia platycladum DC.
Araçá-de-birro Myrcia moritibensis (Berg.) G. M. Barroso
Araruta Maranta bicolor Ker Gawl
Araticum-meium Xylopia laevigata (Mart.) R.E.Fr.
Asa-de-morcego Alseis pickelii Pilg. & Schmale
Banana-de-papagaio Himatanthus phaegedaenicus (Mart.)Woodson
Barbatimão Abarema cochliocarpum (Gómez) Barneby & Gomez
Bom-nome-branco Coccoloba declinata (Vell.) Mart. sp
Bordão-de-velho Samanea tubulosa (Benth.) Barneby & J. W. Grimes
Bulandi Symphonia globulifera Linn.
Burra-leiteira Sapium glandulatum Pax
Cabaçu-de-ramo Coccoloba rosea Meisner
Cabelo-de-cotia Miconia hypoleuca Triana
Caboatã-de-leite Thyrsodium spruceanum Benth
42
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS ASSOCIADOS
FLORA
Nome Vulgar Nome Científico
Caiuia Henriettea succosa DC.
Cajueirinho Galipea trifoliata Aubl.
Chapéu-de-sol Cordia sellowiana Cham.
Canafístula Cassia grandis L.
Canudeiro-de-leite Mabea occidentalis Benth.
Cará-pitanga Lacistema cf. robustum Schnizl
Carpuna-branca Miconia ligustroides Naud.
Carne-de-vaca Myrsine guianensis (Aubl.) Kuntze
Carrapatinho-de-nambu Sloanea garckeana K. Schum.
Carrasco-branco Miconia minutiflora DC.
Casca-d'anta Roupala brasiliensis Klotzsch
Caubim Ocotea gardneri Mez
Cedro Cedrela cf. odorata L.
Congonha-vermelha Roupala cf. rhombifolia Mart. ex. Meisn.
Conduru Brosimum rubescens Tauber
Cruiri Myrcia bergiana Berg.
Cupiúba Tapirira guianensis Aublet.
Caçador Paypayrola blanchetiana Tull
Caiuia-preta Miconia cf. dodecandra Cogn.
Cajueiro-bravo Curatella americana Linn.
Camarão Trema micrantha Blume
Canudeiro Peschiera fuchsiaefolia Myers.
Carpuna Myrcia sylvatica Barb. Rodr. Ex. Chod. & Hassler
Caroba Dilodendron bipinnatum Radlk
Carpuna-roxa Myrcia alagoensis Berg.
Caramundé Miconia calvescens Schrank et Mart. Ex. DC.
Carrapeta Licania canescens R. Bem.
Carrasco-preto Henriettea succosa (Aubl.) A. DC.
Casca-doce Couepia impressa Prance
Catingueira-de-paca Siparuna guianensis Aubl.
Cocão Pogonophora schomburgkiana Myers ex Benth
Conduru, quiri-de-leite Brosimum potabili Duck
Coração-de-negro Chamaecrista ensiformis(Velloso) H. S. Irwin & Barnebey
Cumixá Allophylus edulis Mart.
43
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS ASSOCIADOS
FLORA
Nome Vulgar Nome Científico
Embaúba Cecropia pachystachya Trec.
Embiriba Eschweilera ovata Barb. Rodr.
Enxúndia Swartzia flaemingii Raddi var. cognata Cowan
Frei-Jorge Cordia toques Aubl.
Gameleira Ficus gomelleira Kunth & C. D. Bouché
Gerimum Hyeronima alchorneoides Fr. Allem.
Goiti-coró Vantanea parvifolia Lam.
Grão-de-guariba Posoqueria latifolia (Rudge) & Schult.
Grão-de-macaco Diospyros gaultheriaefolia Mart.
Guabiraba Campomanesia dichotoma Choisy.
Guapeba-preta Pouteria aff. grandiflora (A. DC.) Baehni
Ingá-açu Trichilia silvatica DC.
Ingá Inga capitata Desv. V. tenuior Benth
Ingá-peludo Inga dysantha Benth.
Jacatiá Jacaratia spinosa var. Digitada A. DC.
Jaguarana Ballizia pedicellaris (A. DC.) Barneby & J. W. Grimes
Jaqueira-do-brejo Hyeronima alchorneoides Alemão
Dor-de-cabeça Posoqueria longiflora (Desf.) Muell. Arg.
Embaúba-da-mata Pourouma guianensis Aubl.
Embira-vermelha Xylopia frutescens Aublet.
Favinha Stryphnodendron pulcherrimum (Willd.) Hochr.
Fruta-preta Erythroxylum passerinum Mart.
Gararoba Aspidosperma parvifolium A. DC.
Gitó Guarea guidonia (L.) Sleumer
Grão-de-cachoro Eugenia hyemalis Cambess.
Grão-de-galo Swartzia apetala Raddi.
Gonçalo-Alves Astronium fraxinifolium Schott
Guapeba Poteria glomerata Radlk.
Guiné Polygala paniculata L.
Ingá-caixão Inga blanchetiana Benth
Ingaí Inga laurina Wild.
Ingá-da-mata Inga thibaudiana A. DC.
Jacarandá Swartzia macrostachya Benth.
Jaqueira Artocarpus heterophyllus Lam.
44
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS ASSOCIADOS
FLORA
Nome Vulgar Nome Científico
Japaranduba Gustavia augusta L.
Jenipapo Genipa americana L.
Jitaí Acosmium subelegans (Muhlenberg.) Yakovlev
Lacre, lacre-vermelho Vismia guianensis (Aubl) Choisy
Leiteiro-preto/leiteiro-roxo Pouteria cf. gardneri (Martius & Miquel)Baehni
Leiteiro Pouteria bangii (Rusby) T. D. Penn.
Lírio-do-brejo Hedychium coronarium Benth.
Louro-ferro Ocotea gardneri Mez
Louro-vermelho Emmotum nitens Miers.
Maçaranduba Manilkara rufula (Miq.) H.J.Lam.
Mama de cachorro Pradosia lactescens Radlk.
Mamajuda-preta Sloanea guianensis (Aubl.) Benth.
Mamajuda Sloanea garkeana K. Schum.
Mamote Jacaratia spinosa DC.
Mangue Tovomita mangle G. Mariz
Maracujá Passiflora foetida L.
Marfim Senefeldera multiflora Mart.
Jaqueira da mata Paypayrola blanchetiana Tul.
Jatobá Hymenaea martiana Hayne
Jequitibá Cariniana legalis (Mart.) Kuntze
Lacre Vismia guianensis DC.
Laranjinha Zanthoxylum rhoifolium Lam.
Leiteiro-branco Trichilia lepidota Mart.
Limãozinho Hortia arborea Engl.
Louro-branco, Louro roxo Ocotea glomerata Benth. & Hook.
Louro-morredor Vochysia oblongifolia Warm.
Macaxeira Ouratea cf. castaneifolia (DC.) Engler
Maçaranduba-branca Manilkara salzmannii (DC.) Baehni
Mama-de-cabra Pradosia glycyphloea (Casar) Liais
Mamajuda-branca Sloanea obtusifolia (Moric.) K. Schum.
Maçaranduba-preta Chrysophyllum splendens Spreng.
Mane-velho Croton sonderianus Mull. Arg.
Marmela, Bucho-de-veado Posoqueria longiflora Aubl
Maracujá-de-balaio Passiflora ovalis (Vell.) Killip.
45
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS ASSOCIADOS
FLORA
Nome Vulgar Nome Científico
Maria-preta Melanoxylom brauna Schott
Mau-vizinho Machaerium aculeatum Raddi.
Machaerium angustifolium Benth.
Miolo-preto Chamaecrista ensiformis (Vell.) Irwin & Barn.
Mororó Senna australis St. Hil.
Munguba Eriotheca gracilipes K. Schum
Eriotheca crenulaticalyx A.Robyns
Murici-boi Byrsonima stipulacea Juss.
Murici-de-tabuleiro Byrsonima verbascifolia (L.) HBK
Murta-folha-pequena Myrcia sylvatica (G. Mey.) A. DC.
Oiticica Clarisia tomentosa Ruiz & Pav.
Pau-d'arco-amarelo Tabebuia chrysotricha (Mart. ex. DC.) Standl.
Pau-de-teiú Chrysophyllum cainito L.
Sorocea bonplandii Cogn.
Pau-de-jangada Apeiba tibourbou Aublet.
Pau-falha-branco Aspidosperma discolor A. DC.
Pau-santo Zollernia paraensis Huber
Pindaiba Xylopia frutescens Aublet.
Marmeleiro Croton floribundus Spreng.
Marmela Tocoyena formosa Irwin & Barn
Meiú Annona glabra (Engler) F. Barkley & T. Meyer
Mirindiba Terminalia brasiliensis Camb.
Mulungu Erythrina velutina Willd.
Murici Byrsonima sericeae DC
Murici-boi-f-miúda Byrsonima crispa A. Juss.
Murta-roxa Myrcia falax (A.Rich.) DC.
Mutamba Guazuma ulmifolia Lam.
Pau-brasil Caesalpinia echinata Lam.
Pau-d'arco-roxo Tabebuia avellanedae Lorentz. Ex. Griseb.
Pau-tiú Sorocea hilarii Gaudichand
Pau lajeiro Allophylus edulis Mart.
Pau-sangue Pterocarpus violaceus Vog.
Pimenteira, peroba-rosa Sparatosperma leucanthum (Vell.) K. Schum.
Pininga Dialium divaricatum Vahl.
46
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS ASSOCIADOS
FLORA
Nome Vulgar Nome Científico
Piripitanga, quiri preto Casearia cf. arborea Baker
Piti-mijú Centrolobium microchaete (Mart. ex Benth.)
Lima ex G.P. Lewis
Pitomba-da-mata Talisia elephantipes Sandwith & Tutin
Pororoca Clusia nemorosa G.Mey
Praxim Anaxagorea dolichocarpa Sprague & Sandwith
Quina-quina Coutarea hexandra Micheli
Sambacuim Schefflera morototonii (Aubl.) Maguire, S & F
Sapucaia, Sapucaia-de-coco Lecythis pisonis Camb.
Sapucaia verdadeira Lecythis lanceolata St. Hill
Sucupira Bowdichia virgilioides Benth.
Sucupira-preta Diplotropis purpurea (Rich.) Amshoff
Tuturubá Pouteria grandiflora St. Hil.
Urucuba Virola gardneri (A. DC.) Warb
Visgueiro Parkia pendula Benth. ex. Walpers
Piranha Guapira opposita (Vell.) Reitz
Pitiá Tabernaemontana flavicas Muell. Arg.
Pitomba Talisia esculenta Radlk
Pitombinha Guarea guidonia (L.)
Praíba Simarouba amara Aubl
Prijuí Chrysophyllum aff. viride Mart. & Eichl.
Quiri Brosimum cf. guianense (Aubl.) Sandwith
Salgueiro Aegiphila pernambucencis Moldenke
Sapucaia, Imbiruçu Lecythis lurida (Miers.) Mori
Simbaúba Pourouma guianensis Aubl.
Sucupira-baraquim Ormosia bahiensis Monachino
Tambor Enterolobium contortisiliquum Morong
Uva-de-caboclo Cordia nodosa Lam.
Vagalume Margaritaria nobilis L.

Bromélias e Orquídeas da Mata Atlântica alagoana
(A) Aechmea cf. stelligera L.B. Smith.; (B) Aechmea fulgens (Arruda) L.B. Smith; (C) Aechmea
lingulata (L.) Baker (D) Cyrtopodium sp. (E) Epidendrum rigidum Jacq.; (F) Sobralia augusta Hoehne.
Fotografias: Flávia Moura.



Brongn
6. A biodiversidade da
Mata Atlântica alagoana:
mamíferos
50
6. Mamíferos da Mata Atlântica alagoana
Cs nanííeros pertencen à classe Mannalia, que é íornada por 28 ordens, 146
íanílias, 1.192 gêneros e 4.809 espécies descritas. C Brasil possui 524 espécies conhecidas.
Esse total representa cerca de 13° de todas as espécies de nanííeros donundo.
Cs nanííeros sao de inportåncia íundanental na nanutençao dos ecossistenas
naturais. As espécies de narsupiais exercen un inportante papel controlando populações
de insetos e pequenos vertebrados. Agen tanbén cono dispersores de várias espécies
vegetais de cujos írutos se alinentan, podendo ainda polinizar ílores de algunas plantas.
Já os norcegos possuen una inportåncia nuito grande nos ecossistenas onde ocorren,
visto que eles sao responsáveis pela polinizaçao e dispersao das senentes de nuitas
espécies de plantas.
Io estado de Alagoas, até o início do século XX, boa parte da regiao costeira era
coberta por extensas ílorestas, que íoran destruídas principalnente para a expansao dos
canaviais. C íato de a cobertura vegetal original do estado ter sido desnatada en nais de
90° teve un eíeito devastador sobre a ílora e a íauna; provavelnente nuitas espécies
íoran extintas antes nesno de teren sido conhecidas pela ciência, e inúneras outras
encontran-se serianente aneaçadas de extinçaonoestado.
En consequência da destruiçao da Mata Atlåntica no estado de Alagoas, populações
de espécies típicas de ílorestas, tais cono o guariba (A|aa://: |·|:·|a|), a jaguatirica
(L·ap:rJas p:rJ:||s) e o tananduá-i (C¡:|ap·s J|J::/¡|as), encontran-se serianente
aneaçadas de extinçaonoestado.
Das 524 espécies de nanííeros registradas para o Brasil, 69 tên ocorrência
coníirnada para a Mata Atlåntica de Alagoas. Destas, quatro constan (con o s/:/as de
vulneráveis) na Lista Iacional das Espécies da Iauna Brasileira Aneaçadas de Extinçao,
publicada en 2003. Sao elas: L·ap:rJas p:rJ:||s (Cuvier, 1820), L·ap:rJas /|¸r|nas (Schreber,
1775), Pam: :an:a|ar (Ielson & Coldnan, 1931) e P|:/¡rr||nas r·:|/|nas (Thonas, 1901).
A destruiçao e a íragnentaçao da Mata Atlåntica en Alagoas, a caça e a captura
notivadas pela predaçao de aves donésticas, ben cono os atropelanentos en rodovias,
sao as principais aneaças às espécies ílorestais de carnívoros. A irracional destruiçao da
Mata Atlåntica en Alagoas deve ter retraído signiíicativanente no nível local a área de
ocorrência das espécies ílorestais de carnívoros doestado.
51
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA
MAMÍFEROS
Cassaco-de-orelha-branca Didelphis albiventris (Lund, 1840).
Preguiça Bradypus variegatus (Schinz, 1825).
Tamanduá-mirim Tamandua tetradactyla (Linnaeus, 1758).
Morcego-vampiro Desmodus rotundus (E. Geoffroy, 1810).
Raposa Cerdocyon thous (Linnaeus, 1766).
Jupará Potos flavus (Schreber, 1774).
Guaxinim Procyon cancrivorus (G. Cuvier, 1798).
Esquilo Sciurus aestuans (Linnaeus, 1766).
Paca Agouti paca (Linnaeus, 1766).
Coelho-do-mato Sylvilagus brasiliensis (Linnaeus, 1758).
Morcego Platyrrhinus recifinus (Thomas, 1901)
Suçuarana Puma concolor(Nelson & Goldman, 1931)
Cuíca Caluromys philander (Linnaeus, 1758).
Cassaco-de-orelha-escura Didelphis aurita (Wied-Neuwied, 1826).
Tatu-galinha, tatu-verdadeiro Dasypus novemcinctus (Linnaeus, 1758).
Morcego-pescador Noctilio leporinus (Linnaeus, 1758).
Sagüi Callithrix jacchus (Linnaeus, 1758).
Papa-mel Eira Barbara(Linnaeus, 1758).
Quati Nasua nasua (Linnaeus, 1766).
Porco-do-mato Pecari tajacu (Linnaeus, 1758).
Porco-espinho Coendou prehensilis (Linnaeus, 1758).
Cutia Dasyprocta prymnolopha (Wagler, 1831).
Jaguatirica Leopardus pardalis (Cuvier, 1820).
Gato-do-mato Leopardus tigrinus (Schreber, 1775),
7. A biodiversidade da
Mata Atlântica alagoana:
aves
54
7. Aves da Mata Atlântica alagoana
As aves constituen un dos grupos aninais nais peculiares e íacilnente
reconhecidos. Sua principal característica sao as penas, estruturas exclusivas das aves. Seus
nenbros anteriores sao geralnente transíornados en asas adaptadas para o vôo. C
esqueleto delicado e a presença de ossos pneunáticos (cheios de ar) tanbén constituen
adaptações ao vôo. Sao aninais honeotérnicos, ou seja, aninais que nantên a
tenperatura do corpo constante, nao obstante às variações na tenperatura do anbiente.
Todas as aves saoovíparas.
Dentre os vertebrados, as aves constituen o segundo grupo en núnero de
espécies, cerca de nove nil , íicando atrás apenas dos peixes. C Brasil abriga cerca de 1.677
espécies de aves. Deste total, 850 espécies poden ser encontradas na Mata Atlåntica, o que
signiíica 47° da riqueza de espécies de aves doBrasil.
Io Estado de Alagoas, a Mata Atlåntica encontra-se reduzida a apenas 6,04° de sua
extensao original. A íloresta, antes contínua, íoi sendo reduzida a pequenas nanchas de
nata pelo desnatanento pronovido durante séculos con o intuito de instaurar novas
áreas para agricultura e pecuária. C nais triste é que a naior parte da Mata Atlåntica do
Estadodesapareceu sen aonenos ter sidoadequadanente investigada pela ciência.
Cs renanescentes de Mata Atlåntica de Alagoas, apesar de tudo, ainda abrigan un
bon núnerode espécies de aves. Algunas dessas espécies saobastante relevantes doponto
de vista da conservaçao da biodiversidade, pois sao típicas de Alagoas e dos Estados de
Pernanbuco e Paraíba, nao ocorrendo en nenhun outro lugar do nundo. Tais espécies
exclusivas de una regiaosaodenoninadas pela ciência de espécies endênicas.
C Estado de Alagoas está inserido nun centro de endenisno de Mata Atlåntica
denoninado Centro Pernanbuco, o qual abrange os Estados situados ao norte do rio Sao
Irancisco, nais exatanente os Estados de Alagoas, Pernanbuco e Paraíba. A aviíauna do
Centro Pernanbuco é bastante rica, con 452 espécies de aves, o que corresponde a nais da
netade donúnerode espécies de aves de toda a Mata Atlåntica.
As espécies de aves endênicas doCentroPernanbucoencontradas en Alagoas sao:
a Choquinha-de-Alagoas (M|rma/|·ra|: snau|), o Zidedê-do-Iordeste (7·r·nar: s|:|), o
Linpa-Iolha-do-Iordeste (P|||¡Jar nar:·s|), o Tatac (S¡n:||:x|s |n/as::/:), o Cara-Pintada
(P|¡||as::r/·s :·:|||:·) e oSete-Cores ou Pintor-Verdadeiro (7:n¸:r: /:s/aas:).
Cutra ave endênica do Centro Pernanbuco, o Mutun-do-Iordeste (M|/a m|/a),
encontra-se extinta na natureza, con apenas alguns exenplares sobrevivendo en
cativeiro. Esta ave, de cor negra e con o porte de un peru, vivia nas natas do litoral sul do
Estado de Alagoas, nas acabou sendo extinta quando da derrubada das últinas grandes
55
natas do nunicípio de Sao Miguel dos Canpos- AL, seu derradeiro local de residência na
natureza.
Dentre as espécies endênicas citadas, o Linpa-Iolhas-do-Iordeste (P|||¡Jar
nar:·s|) e a Choquinha-de-Alagoas (M¡rma/|·ra|: snau|) só íoran registradas na Estaçao
Ecológica de Murici, sendo, portanto, espécies bastante aneaçadas de extinçao.
As aves sao nenbros inportantes da conunidade de espécies das ílorestas
tropicais. As aves írugívoras, por exenplo, constituen-se en inportantes dispersores de
senentes; já as aves que consonen néctar sao inportantes na polinizaçao das ílores.
Algunas senentes, inclusive, só conseguen gerninar se passaren pelo trato digestivo de
una ave.
Devido às constantes agressões que soíreu e ven soírendo, a situaçao da Mata
Atlåntica en Alagoas é bastante precária. Ia lista nais recente de aninais aneaçados de
extinçao do IBAMA, cerca de 43 espécies de aves que ocorren en Alagoas estao incluídas,
sendoa grande naioria de aves que poden ocorrer na Mata Atlåntica.
A criaçao e a nanutençao adequada de unidades de conservaçao e a inplantaçao de
corredores ecológicos interligando essas unidades contribuiria signiíicativanente para a
conservaçao da aviíauna de Alagoas. Cutros íatores que poderian contribuir de íorna
positiva serian: a realizaçao de íiscalizaçao nais eíiciente; o correto cunprinento da
legislaçao anbiental; un naior investinento na área de educaçao anbiental; e a
conscientizaçao da populaçao con o envolvinento do poder público e da iniciativa
privada. Tais nedidas poden reíletir en nudanças positivas no preocupante panorana
atual.
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS
ASSOCIADOS
AVES
Nome Vulgar Nome Científico
Sururina Crypturellus soui
Inhambu-relógio Crypturellus strigulosus
Inhambru-chintã Crypturellus tataupa
Codorna-do-Nordeste Nothura boraquira
Mergulhão-pequeno Tachybaptus dominicus
Garça-vaqueira Bubulcus ibis
Socó-boi Tigrisoma lineatum
Macuco Tinamus solitarius
Chororão Crypturellus variegatus
Inhambu-chororó Crypturellus parvirostris
Perdiz, Inhacupé, Inhambupé Rhynchotus rufescens
Codorna, Perdizinho, Codorniz Nothura maculosa
Garça-branca-grande Casmerodius albus
Socozinho Butorides striatus
56
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS
ASSOCIADOS
AVES
Nome Vulgar Nome Científico
Urubu-de-cabeça-vermelha Cathartes aura
Gavião-peneira Elanus leucurus
Gavião-de-cabeça-cinza Leptodon cayanensis
Gavião-bombachina-grande Accipter bicolor
Gavião-de-cauda-curta Buteo brachyurus
Gavião-carijó Rupornis magnirostris
Gavião-pega-macaco Spizaetus tyrannus
Acauã Herpetotheres cachinnans
Gavião-caburé Micrastur ruficollis
Carcará Polyborus plancus
Quiriquiri Falco sparverius
Jacupemba Penelope superciliaris alagoensis
Carão Aramus guarauna
Três-cocos Aramides cajanea
Pinto-d'água Laterallus exilis
Siricora-mirim Laterallus viridis
Frango-d'água-azul Porphyrula martinica
Quero-quero Vanellus chilensis
Maçarico-de-perna-amarela Tringa flavipes
Urubu-de-cabeça-preta Coragyps atratus
Urubu-de-cabeça-amarela Cathartes burrovianus
Gaviãozinho Gampsonyx swainsonii
Sovi Ictinia plumbea
Gavião-preto Buteo albonotatus
Gavião-pedrês Asturina nitida
Gavião-pombo-grande Leucopternis polionota
Gavião-pernilongo Geranospiza caerulescens
Gavião-relógio Micrastur semitorquatus
Gavião-carrapateiro Milvago chimachima
Falcão-peregrino Falco peregrinus
Aracuã Ortalis araucuan
Uru Odontophorus capueira plumbeicollis
Saracura-sanã Rallus nigricans
Sanã-carijó Porzana albicolis
Pinto-d'água-comum Laterallus melanophaius
Frango-d'água-comum Gallinula chloropus
Jaçanã Jacana jacana
Maçarico-solitário Tringa solitaria
57
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS
ASSOCIADOS
AVES
Nome Vulgar Nome Científico
Pomba-trocal Columba speciosa
Rolinha-capim Columbina minuta
Rolinha-branca Columbina picui
Juriti Leptotila verreuxi
Pariri Geotrygon Montana
Maracanã-do-buriti Propyrrhura maracana
Jandaia Aratinga solstitialis jandaya
Periquito-estrela Aratinga aurea
Periquito-tuim Forpus xantohpetrygius
Apuim-de-cauda-amarela Touit surda
Papa-lagarta Coccyzus melacoryphus
Anu-preto Crotophaga ani
Peitica; Saci Tapera naevia
Corujinha-do-mato Otus choliba
Caburé Glaucidium brasilianum
Mãe-da-lua Nyctibius griseus
Bacurau Nyctidromus albicollis
João-corta-pau Caprimulgus rufus
Andorinhão-de-sobre-cinzento Chaetura cinereiventris
Narceja Gallinago paraguaiae
Pomba-galega Columba cayannensis
Rolinha-caldo-de-feijão Columbina talpacoti
Rolinha-fogo-apagou Scardafella squammata
Juriti-gemedeira Leptotila rufaxilla
Juriti-vermelha Geotrygon violacea
Maracanã-nobre Diopsittaca nobilis
Periquitão-maracanã Aratinga leucophtalmus
Periquito-de-cara-suja Pyrrhura anaca
Periquito-rico Brotogeris tirica
Maitaca-de-cabeça-azul Pionus menstruus
Alma-de-gato Piaya cayana
Anu-branco Guira guira
Rasga-mortalha; Suindara Tyto Alba
Murucututu Pulsatrix perspicillata
Coruja-buraqueira Speotyto cunicularia
Tuju Lurocalis semitorquatus
Bacurau-ocelado Nyctiphrynus ocellatus
Bacurau-tesoura Hydropsalis torquata
58
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS
ASSOCIADOS
AVES
Nome Vulgar Nome Científico
Andorinhão-do-temporal Chaetura andrei meridionalis
Balança-rabo-de-bico-torto Glaucis hirsuta
Rabo-branco-de-sobre-amarelo Phaetornis pretrei
Tesourão Eupetomena macroura
Beija-flor-preto Anthracothorax nigicollis
Topetinho-vemelho Lophornis magnifica
Beija-flor-de-garganta-azul Chlorestes notatus
Beija-flor-de-costa-violeta Thalurania watertonii
Beija-flor-roxo Hylocharis cyanus
Beija-flor-de-banda-branca Amazilia versicolor
Beija-flor-cinza Aphantochroa cirrhochloris
Surucuá-grande-de-barriga-amarela Trogon viridis
Surucuá-de-barriga-amarela Trogon rufus
Martim-pescador-grande Ceryle torquata
Martim-pescador-verde Chloroceryle amazona
Ariramba Galbula ruficauda
Araçari-de-bico-branco Pteroglossus aracari
Tucano-de-bico-preto Ramphastos vitellinus
Pica-pau-anão-de-Pernambuco Picumnus fulvescens
Andorinhão-de-sobre-branco Chaetura spinicauda
Andorinhão-estofador Panyptila cayennensis
Rabo-branco Phaetornis ochraceiventris camargoi
Besourinho-da-mata Phaetornis ruber
Beija-flor-preto-e-branco Melanotrochilus fuscus
Beija-flor-vemelho Chrysolampis mosquitus
Bandeirinha Discosura longicauda
Besourinho-de-bico-vermelho Chlorostilbon aureoventris
Beija-flor-safira Hylocharis sapphirina
Beija-flor-de-bico-curvo Polytmus guainumbi
Beija-flor-de-garganta-verde Amazilia fimbriata
Beija-flor-de-bochecha-azul Heliothryx aurita
Surucuá-de-coleira Trogon collaris
Surucuá-de-barriga-vermelha Trogon curucui
Martim-pescador-pequeno Chloroceryle americana
Udu-de-coroa-azul Momotus momota marcgarviana
Rapazinho-dos-velhos Nystalus maculatus
Araçari-miudinho-de-bico-riscado Pteroglossus inscriptus
Pica-pau-anão-de-pintas-amarelas Picumnus exilis pernambucensis
59
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS
ASSOCIADOS
AVES
Nome Vulgar Nome Científico
Pica-pau-dourado-escuro Piculus chrysochloros
Pica-pau-de-banda-branca Dryocopus lineatus
Pica-pauzinho-avermelhado Veniliornis affinis
Corro Taraba major
Choca-listrada Thamnophilus palliatus
Choca-de-asa-vermelha Thamnophilus torquatus
Choquinha-lisa Dysithamnus mentalis
Choquinha-de-flanco-branco Myrmotherula axillaris
Chorozinho-de-asa-cinza Herpsilochmus rufimarginatus
Papa-formigas-pardo Formicivora grisea
Zidedê-do-Nordeste Terenura sick
Papa-taoca Pyriglena leuconota pernambucensis
Galinha-do-mato Formicarius colma
Chupa-dente Conopophaga lineata cearae
Tio-Antônio Synallaxis frontalis
Uipí Synallaxis albescens
João-de-cabeça-cinza Cranioleuca semicinerea
Limpa-folha-do-Nordeste Philydor novaesi
Bico-virado-miúdo Xenops minutus alagoanus
Pica-pau-bufador Piculus flavigula
Pica-pau-de-cabeça-amarela Celeus flavescens
Pica-pauzinho-anão Veniliornis passerinus
Chocão-carijó Hypoedaleus guttatus
Choca-barrada Thamnophilus doliatus
Choca-da-mata Thamnophilus caerulescens pernambucencis
Choca-lisa Thamnophilus aethiops distans
Ipecuá Thamnomanes caesius
Choquinha-de-Alagoas Myrmotherula snowi
Chorozinho-de-chapéu-preto Herpsilochmus atricapillus
Pintadinho Drymophila squamata
Chororó-didi Cercomacra laeta sabinoi
Formigueiro-de-cauda-ruiva Myrmeciza ruficauda soror
Cuspidor-de-máscara-preta Conopophaga melanops nigrifrons
Casaca-de-couro-da-lama Furnarius figulus
Tatac Synallaxis infuscata
Curutié Certhiaxis cinnamomea
Casaca-de-couro Phacellodomus rufifrons
Barranqueiro-de-olhos-brancos Automolus leucophthalmus lammi
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS
ASSOCIADOS
AVES
Nome Vulgar Nome Científico
Bentevi-do-gado Machetornis rixosus
Vissiá Rhytipterna simplex
Irrê Myiarchus swainsoni
Bentevizinho-do-brejo Philohydor lictor
Neinei, Bentevi-bico-de-gamela Megarynchus pitangua
Bentevi-rajado Myiodynastes maculatus
Bentevi-peitica Empidonomus varius
Caneleiro-verde Pachyramphus viridis
Caneleiro-bordado Pachyramphus marginatus
Anambé-branco-de-rabo-preto Tityra cayana
Tangará-falso Chiroxiphia pareola
Fruxu-do-cerradão Neopelma pallescens
Sabiá-pimenta Carpornis melanocephalus
Anambezinho Iodopleura pipra leucopygia
Ferreiro Procnias nudicollis
Araponga-do-horto Oxyruncus cristatus
Andorinha-de-sobre-branco Tachycineta leucorrhoa
Gibão-de-couro Hirundinea ferruginea
Capitão-de-saíra-amarelo Atilla spadiceus
Maria-cavaleira Myiarchus ferox
Maria-cavaleira-pequena Myiarchus tuberculifer
Bentevi Pitangus sulphuratus
Bentevizinho-penacho-vermelho Myiozetetes similis
Bentevi-pirata Legatus leucophaius
Suiriri Tyrannus melancholicus
Caneleiro-preto Pachyramphus polychopterus
Caneleiro-de-chapéu-negro Pachyramphus validus
Cabeça-encarnada Pipra rubrocapilla
Rendeira Manacus manacus
Flautim-marrom Schiffornis turdinus intermedius
Anambé-de-asa-branca Xipholena atropurpurea
Cricrió Lipaugus vociferans
Araponga-do-Nordeste Procnias averano averano
Andorinha-do-rio Tachycineta albiventer
Andorinha-doméstica-grande Progne chalybea

ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS
ASSOCIADOS
AVES
Nome Vulgar Nome Científico
Vira-folha-pardo Scleruruscaudacutus caligineus
Arapaçu-verde Sittasomus griseicapillus
Arapaçu-de-bico-branco Xiphorhynchus picus
Arapaçu-rajado Lepidocolaptes fuscus atlanticus
Poiaeiro-de-pata-fina Zimmerius gracilipes
Risadinha Camptostoma obsoletum
Maria-pechim Myiopagis gaimardii
Maria-cocurutada Elaenia flavogaster
Abre-asas Mionectes oleagineus
Cara-pintada Phylloscartes ceciliae
Estalador Corythopsis delalandi
Relógio Todirostrum cinereum
Ferreirinho-de-testa-parda Todirostrum fumifrons
Bico-chato-de-orelha-preta Tolmomyias sulphurescens
Bico-chato-de-cabeça-cinza Tolmomyias poliocephalus
Assanhadinho Myiobius barbatus
Papa-moscas-cinzento Contopus cinereus
Guaracavuçu Cnemotriccusfusc atus
Viuvinha Arundinicola leucocephala
Bico-virado-carijó Xenops rutilans
Arapaçu-pardo Dendrocincla fuliginosa Taunay
Arapaçu-barrado Dendrocolaptes certhia media
Arapaçu-de-garganta-amarela Xiphorhynchus guttatus
Piolhinho Phyllomyias fasciatus
Poiaeiro-de-sobrancelha Ornithion inerme
Guaracava-de-olheiras Myiopagis viridicata
Maria-da-copa Myiopagis caniceps
Guaracava-grande Elaenia spectabilis
Cabeçudo Leptopogon amaurocephalus
Marianinha-amarela Capsiempsis flaveola
Maria-de-olho-branco Hemitriccus zosterops naumburgae
Ferreirinho-de-cara-canela Todirostrum plumbeiceps
Bico-chato-grande Rhynchocyclus olivaceus
Bico-chato-amarelo Tolmomyias flaviventris
Patinho Platyrinchus mystaceus
Filipe Myiophobus fasciatus
Enferrujado Lathrotriccus euleri
Lavadeira-mascarada Fluvicola nengeta
61
62
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS
ASSOCIADOS
AVES
Nome Vulgar Nome Científico
Andorinha-serrador Stelgidopteryx ruficollis
Chorão Donacobius atricapillus
Garrincha Troglodytes aedon
Balança-rabo-de-chapéu-preto Polioptila plumbea
Sabiá-branca Turdus leucomelas
Sabiá-da-mata Turdus fumigatus
Sabiá-do-campo Mimus saturninus
Pitiguari Cyclarhis gujanensis
Mariquita Parula pitiayumi
Pula-pula Basileuterus culicivorus
Sanhaço-de-coleira Schistochlamys melanopis
Saíra-de-papo-preto Hemithraupis guira
Saíra-de-chapéu-preto Nemosia pileata
João-crioulo Tachyphonus rufus
Sanhaço-cinzento Thraupis sayaca
Vim-vim Euphonia chlorotica
Ferro-velho Euphonia pectoralis
Saíra-militar Tangara cyanocephala coralina
Saíra-diamante Tangara velia
Andorinha-pequena-de-casa Notiochelidon cyanoleuca
Garrinchão Campylorhynchus turdinus
Tia-vovó Thryothorus genibarbis
Bico-assovelado Ramphocaenus melanurus
Sabiá-laranjeira Turdus rufiventris
Sabiá-poca Turdus amaurochalinus
Sabiá-coleira Turdus albicollis
Peruzinho Anthus lutescens
Juruviara Vireo chivi
Canário-do-mato Basileuterus flaveolus
Sibite, cambacica Coereba flaveola
Canário-da-mata Thlypopsis sordida
Saíra-galega Hemithraupis flavicollis melanoxantha
Tiê-galo Tachyphonus cristatus
Sangue-de-boi Ramphocelus bresilius
Sanhaço-do-coqueiro Thraupis palmarum
Guriatã-verdadeira Euphonia violacea
Pintor-verdadeiro Tangara fastuosa
Saíra-amarela Tangara cayana
63
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS
ASSOCIADOS
AVES
Nome Vulgar Nome Científico
Saí-verde Chlorophanes spiza
Tico-tico Zonotrichia capensis
Canário-da-terra Sicalis flaveola
Tziu Volatinia jacarina
Patativa Sporophila leucoptera
Cigarra-do-coqueiro Tiaris fuliginosa
Galo-de-campina Paroaria dominicana
Azulão Passerina brisonii
Xexéu-de-bananeira Icterus cayanensis
Xexéu-do-brejo Cacicus solitarius
Pintassilgo Carduelis yarellii
Saí-azul Dacnis cayana
Saí-beija-flor Cyanerpes cyaneus
Tico-tico-do-campo-verdadeiro Ammodramus humeralis
Rabo-mole Emberizoides herbicola
Papa-capim Sporophila nigricolis
Caboclinho Sporophila bouvreil
Tico-tico-do-mato-de-bico-preto Arremon taciturnus
Furriel Caryothraustes canadensis frontalis
Tempera-viola Saltator maximus
Xexéu-verdadeiro Cacicus cela
Chopim Molthrus bonariensis
8. A biodiversidade da
Mata Atlântica alagoana:
anfíbios e répteis
66
8. Anfíbios e répteis da
Mata Atlântica alagoana
8.1 Aspectos gerais dos anfíbios e répteis
CLASSE AMPHIBIA
Cs anííbios constituen una linhagen de aninais vertebrados chanada de Classe
Anphibia (:mp||s + ||as), representada atualnente por cerca de 5.000 espécies
pertencentes às ordens Lrodela (tanbén conhecida cono Caudata), C,nnophiona e
Anura (ou Salientia). Cs urodelos conpreenden as salanandras e tritões, que possuen
nenbros pelvinos e peitorais de tananhos senelhantes e noven-se por ondulaçao
lateral. Cs C,nnophiona sao representados pelas cecílias ou ¨cobras-cegas", aninais
ápodes serpentiíornes que apresentan estrutura corporal caracterizada pela presença de
anéis articulados con os núsculos docorpo. A Crden nais conhecida, a dos Anura, inclui
os sapos, pererecas, jias e ras, que possuen nenbros pelvinos alongados, corpo curto e
poucoílexível.
Cs prineiros vertebrados tetrápodes (que possuen quatro patas) tên registros
íósseis de aproxinadanente 360 nilhões de anos (íinal do período Devoniano),
originando-se a partir de un grupo de peixes de nadadeiras carnosas. Cs anííbios
derivaran provavelnente de una linhagen conhecida do início do Carbonííero, há
nenos de 340 nilhões de anos. Desde entao, irradiaran-se pela terra, distribuindo-se nos
anbientes aquáticos e terrestres, desde a tundra ártica a alguns dos desertos nais secos; do
nível do nar até nais de 5.000n de altura, sobre nontanhas; e en nangues e outros
ecossistenas próxinos aonar.
A naior parte das espécies de anííbios é ovípara, sendo que nuitas delas, incluindo
as íornas terrestres, apresentan una íase larval aquática, quando sao chanados de girinos.
As nodiíicações neste nodo reprodutivo ancestral incluen ausência de íase larval,
viviparidade e cuidado parental con os ovos e íilhotes, evidenciadas en nuitos gêneros e
até en íanílias inteiras.
Todas as linhagens atuais possuen, en níveis diíerentes, tegunento perneável que
requer unidade considerável no neio, pois é na pele que ocorre grande parte das trocas
gasosas con o anbiente durante a respiraçao. A unidade é nantida a partir de una
conbinaçao de estruturas noríológicas, necanisnos conportanentais e adaptações
íisiológicas. Essas características, associadas à ectoternia (variaçao da tenperatura
corpórea de acordo con a tenperatura anbiente), íazen dos anííbios aninais nais
67
susceptíveis às nudanças anbientais, constituindo-se en excelentes indicadores de
alterações na qualidade da água, unidade doar e tenperatura.
Ias últinas décadas, tên-se percebido dininuições acentuadas de algunas
populações de anííbios anuros en diíerentes partes do nundo, principalnente en
decorrência da destruiçao das coberturas vegetais naturais. A poluiçao dos cursos d'água, o
aunento da radiaçao de alta energia (raios LV) pela reduçao da canada de ozônio, a
ocorrência de chuva ácida e a contaninaçao por deterninados íungos tanbén tên
contribuídopara esse declínio.
Cs anííbios adultos alinentan-se de artrópodes e outros pequenos invertebrados,
sendo que as espécies de porte naior incluen pequenos nanííeros, aves, répteis e outros
anííbios na sua dieta. Cs girinos apresentan aparelho bucal peculiar e alinentan-se,
dependendo da espécie, de algas verdes, nicrocrustáceos, nenatódeos, pólen, outros
girinos e ovos.
Cs Anphibia produzen subståncias irritantes e tóxicas nas glåndulas nucosas e de
veneno espalhadas pela epiderne, variando o tipo e a intensidade dos eíeitos, de acordo
con a espécie. Estas subståncias conpostas incluen aninas biogênicas, peptídeos,
proteínas e alcalóides, que apresentan potente açao neurotóxica e henolítica,
principalnente. C veneno de algunas espécies é capaz de natar rapidanente grandes
aninais, inclusive o honen. Populações indígenas da Anérica do Sul detinhan esse
conhecinento e usavan-no para abater suas caças. Atualnente, estudos bioquínicos tên
pernitido o isolanento e o reconhecinento de írações destas subståncias con diversas
propriedades íarnacológicas, dentre as quais antibiótica, sedativa e estinulante.
CLASSE REPTILIA
Io início do período Carbonííero, há cerca de 340 nilhões de anos, evoluiu outra
linhagen de vertebrados ectotérnicos terrestres - os répteis (Classe Reptilia), aninais
con características que pernitiran una grande diversiíicaçao en anbientes con baixa
unidade. A canada superíicial da pele é inperneável devido à presença de queratina e
lipídeos distribuídos nas escanas e placas dérnicas. A outra característica íundanental,
que aíeta a ecologia e a biologia reprodutiva, está no tipo de ovo, anniótico.
Diíerentenente dos ovos ananniotas dos anííbios, que sao revestidos por una gelatina e a
única nenbrana enbrionária é o saco vitelínico (que alinenta o enbriao durante seu
desenvolvinento), os ovos dos répteis apresentan una casca (rígida ou naleável) que
protege o enbriao contra abrasao, dá sustentaçao e pronove trocas gasosas con o neio, e
três nenbranas extra-enbrionárias: o ånnion, o córion e o alantóide. A prineira
nenbrana protege oenbriaoe as duas últinas perniten trocas gasosas e retên a unidade
noseu interior. Este tipode ovoocorre tanbén nas aves e nanííeros.
Cs répteis viventes sao representados pelos Testudines (aninais con corpo
protegido por una concha óssea, conpreendendo os jabutis, as tartarugas-narinhas e os
68
cágados); Sphenodontida (os tuatara das ilhas aíastadas da costa neozelandesa); Squanata
(con órgaos copulatórios nasculinos en par, incluindo as cobras, os lagartos e as cobras-
de-duas-cabeças ou aníisbênias) e os Crocod,lia (aninais con corpo recoberto por
escanas e placas ósseas, quadrúpedes, seni-aquáticos, con íorte cauda propulsora,
representados pelos jacarés, gaviais e crocodilos).
Cs tananhos destes aninais sao nuito diversiíicados entre as espécies, sendo
encontrados indivíduos adultos de 2 centínetros (lagartos geconídeos do Brasil), até
indivíduos con nais de 10 netros (sucuris da Anérica do Sul e pítons da Asia). As dietas
tanbén varian, desde a herbivoria, predaçao de artrópodes e de outros invertebrados, até
a apreensaode vertebrados pequenos e grandes, incluindoindivíduos da própria espécie.
As estratégias reprodutivas incluen da oviparidade à viviparidade, existindo
cuidadoparental en nuitas espécies.
Cs lagartos sao os répteis nais conunente observados no anbiente, sendo por isso
nuitoutilizados cononodelos para estudos de ecologia de populações.
En algunas linhagens de serpentes e en una íanília de lagartos dos desertos
norte-anericanos íoran desenvolvidas glåndulas que produzen veneno. C núnero e a
gravidade de nuitos casos de enpeçonhanento exigen a atençao dos Serviços Públicos de
Saúde, que no Brasil produzen e distribuen gratuitanente soros para tratanento de tais
agravos, en unidades de atendinento de energência en várias cidades de todos os
Estados brasileiros.
Cs crocodilianos e quelônios sao nuito apreciados gastrononicanente, alén de
seren explorados cono íornecedores de natérias-prinas na íabricaçao de vestuários,
pentes e objetos de decoraçao. Estes e outros aspectos relacionados à exploraçao hunana
desordenada conduziran nuitas espécies destes grupos aos/:/as de aneaçadas de extinçao.
Dessa íorna, há algunas décadas a exploraçao dos recursos íaunísticos e ílorísticos nativos
passou a ser nais eíetivanente controlada pelos governos de vários países, que tanbén
vên contando con a considerável e crescente contribuiçao da sociedade civil e das
entidades conservacionistas.
Atualnente, a legislaçao é una inportante íerranenta para a proteçao e uso
sustentado das espécies, tendo restaurado os níveis populacionais de algunas espécies
aneaçadas de extinçao.
As iníornações sobre a íauna de anííbios e répteis da Mata Atlåntica de Alagoas
utilizadas neste capítulo íoran obtidas a partir dos estudos realizados desde 1993 por
pesquisadores da Seçao de Herpetologia do Museu de História Iatural, da Lniversidade
Iederal de Alagoas. Desses estudos resultaran a coleçao cientííica de anííbios e répteis
daquela Seçao, una tese de doutorado, nonograíias de especializaçao, trabalhos de
8.2 Diversidade da herpetofauna em alagoas
69
conclusao de curso, relatórios de trabalhos técnicos de projetos de pesquisa e artigos
cientííicos.
Ioran consideradas apenas espécies que possuen exenplares testenunhos na
reíerida coleçao, ou que íoran citadas en artigos cientííicos publicados anteriornente aos
nossos estudos.
Cs trabalhos reíerentes ao biona Mata Atlåntica abrangen renanescentes de
diíerentes íitoíisiononias: I- íloresta onbróíila (1 no nunicípio de Murici, a Mata da
Iazenda Bananeira; 1 en Ilexeiras; 2 en Rio Largo, as Matas da Salva e do Cedro; 3 en
Maceió, as Matas do Catolé, da Serra da Saudinha e da Iazenda Boa Vista); II- íloresta
estacional senidecidual (1 en Quebrangulo, a Reserva Biológica de Pedra Talhada; 5 en
Coruripe, 2 en Teotônio Vilela e 2 en Ieliz Deserto); e III- restinga (1 en Piaçabuçu e 1
en Coruripe). Espécies obtidas en un pequeno encrave de cerrado na íloresta onbróíila
da Mata doCatolé, Maceió, íoran incluídas na categoria II.
DIVERSIDADE DE ANFÍBIOS
Sao conhecidas 775 espécies de anííbios no Brasil. Destas, 55 ocorren na Mata
Atlåntica de Alagoas, sendo 54 de anuros e 1 de cecília, que estao distribuídas en 7 íanílias
(Quadro 1, Iigura 1). Isto representa 16,18° das 340 espécies conhecidas para a Mata
Atlåntica brasileira.
Dentre estas espécies, 6 sao endênicas do Estado de Alagoas (Ca|as/|·/|as :|:¸a:nas,
D·nJrapsap|as s/aJ·r:·, P|¡s:|:·mas ::·/·, P|¡||aJ¡/·s ·J·|ma|, P. ¸¡r|n:·/|·s e C||:sma:|·|s
:|:¸a:nas), 1 está na lista oíicial de espécies aneaçadas do IBAMA (a perereca H¡|am:n/|s
¸r:na|as:) e 13 espécies tiveran anpliado o conhecinento das suas áreas de distribuiçao
(D·nJrapsap|as ·|·¸:ns, H¡ps||a:s :/|:n/|:as, H¡ps||a:s sa:r·s|, S:|n:x ·ar¡J|:·, S:|n:x aíí. x-
s|¸n:/as, Sp|:·nar|¡n:|as gr. p|:n|:a|:, H¡|am:n/|s ¸r:na|as:, AJ·nam·r: aíí. |¡:·J::/¡|:,
L·p/aJ::/¡|as paJ|:|p|nas, M::ra¸·n|a¸|a//as :||p|a|, P|·araJ·m: J|p|a||s/r|s, Ps·aJap:|aJ|:a|:
/:|:|p·s e S/·r·a:¡:|aps |n:r:ss:/as).
Do conjunto de espécies aqui tratado, 48 ocorreran na íloresta onbróíila, 36 na
íloresta senidecidual e 13 na restinga. Iove espécies íoran conuns às três íornações
vegetacionais; 22 à íloresta onbróíila e à íloresta estacional senidecidual e 1 à íloresta
estacional senidecidual e restinga. C uso exclusivo de un tipo de íornaçao vegetacional
íoi observado para 16 espécies na íloresta onbróíila, 5 na íloresta estacional senidecidual e
apenas 1 esteve restrita à restinga.
DIVERSIDADE DE RÉPTEIS
Io nundo sao conhecidas aproxinadanente 7.100 espécies de répteis, sendo que
633 ocorren noBrasil, das quais 92, distribuídas en 20 íanílias, íoran identiíicadas para a
Mata Atlåntica do Estado de Alagoas: 2 quelônios; 1 crocodiliano; 5 cobras-de-duas-
cabeças; 31 lagartos; 53 serpentes (Quadro 1, Iigura 2). Este valor representou 46,70° das
espécies conhecidas para a Mata Atlåntica doBrasil (197).
Dentre as espécies listadas, 4 sao endênicas do Estado de Alagoas: Ba/|raps
mar|:|·ns|s, Ca|·aJ::/¡|as sp. nov., L¡a/¡p||aps sp. nov. e D·nJrap||J|an sp. nov.).
A íloresta onbróíila abrigou o naior núnero de espécies (80), seguida pela restinga
(32) e íloresta senidecidual (10).
Cinco espécies íoran conuns às três íornações vegetacionais; 4 à íloresta
onbróíila e à íloresta estacional senidecidual; e 15 à íloresta onbróíila e à restinga. C uso
exclusivo de un tipo de íornaçao vegetacional íoi observado para 52 espécies na íloresta
onbróíila, 1 na íloresta estacional senidecidual e apenas 9 estiveran restritas à restinga.
Considerando-se que existen nuitos renanescentes no Estado de Alagoas, onde a
herpetoíauna nunca íoi estudada, que o esíorço de anostragen íoi insuíiciente na naioria
dos renanescentes estudados, que várias espécies da Coleçao de Anííbios e Répteis do
MHI/LIAL, principalnente de anííbios, estao ainda en processo de identiíicaçao
especííica e que as coleções de outros nuseus e a literatura cientííica nao íoran
consultadas, nossos resultados representan una aproxinaçao da conposiçao da
herpetoíauna da Mata Atlåntica doEstadode Alagoas.
Ia Mata Atlåntica do Estado de Alagoas habitan espécies con níveis de
abrangência geográíica que varian desde o endenisno local (ocorren unicanente nun
renanescente ílorestal) à anpla distribuiçao en diíerentes bionas, incluindo íornações
ílorestais abertas (caatinga, cerrado e canpos) e íechadas (ílorestas únidas atlånticas e
anazônicas).
A íloresta onbróíila íoi a que apresentou o naior núnero de espécies, inclusive
con distribuiçao restrita a esta íitoíisiononia, entretanto, íoi o tipo de anbiente que
soíreu onaior esíorçode anostragen.
Espécies nuito conuns na íloresta onbróíila, cono o lagarto K·n/rap¡x ::|:::r:/: e
o habitante de bronélias Ba¸·r/|: |a/::· nao íoran observados nas restingas. Iesta
íitoíisiononia ocorreran M:|a¡: |·:/||, I:n:as:ar: ra|r|::aJ: e M|:r:||·p|:ras
m:x|m||||:n|, lagartos conhecidos das caatingas. Isto pode ser entendido pelo íato de a
8.2 Considerações finais sobre a diversidade da
herpetofauna em Alagoas
70
restinga ser uma mata mais aberta e baixa, sendo mais intensa a insolação no seu interior.
Por outro lado, foram registradas em alguns remanescentes da floresta ombrófila as
presenças de espécies que vivem comumente em habitats abertos, a exemplo de
Cnemidophorus ocellifer e Crotalus durissus, evidenciandoa alteraçãoambiental.
É provável, contudo, que várias das distribuições restritas a um tipo de
fitofisionomia - excetuando-se aquelas ocorrências endêmicas em um único
remanescente de floresta ombrófila - estejam relacionadas à insuficiência de amostragem.
Istopoderá ser melhor esclarecidoatravés da continuaçãodos estudos.
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS ASSOCIADOS
DISTRIBUÍDOS NAS DIFERENTES FITOFISIONOMIAS
ANFÍBIOS E RÉPTEIS
Floresta
Ombrófila Estacional
Semidecidual
LISSAMPHIBIA
ANURA
DENDROBATIDAE
Colosthetus alagoanus (Bokermann, 1967) X X
BUFONIDAE
Bufo crucifer Wied-Neuwied, 1821 X X
Bufo granulosus Spix, 1824 X X X
Bufo jimi Stevaux, 2002 X X X
Bufo margaritifer Laurenti, 1768 X
Frostius pernambucensis (Bokermann, 1962) X
HYLIDAE
Dendropsophus branneri (Cochran, 1948) X X
Dendropsophus decipiens (Lutz, 1925) X X
Dendropsophus elegans (Wied-Neuwied, 1824) X X
Dendropsophus minutus (Peters, 1872) X X
Dendropsophus nanus (Boulenger, 1889) X X
Dendropsophus soaresi (Caramaschi & Jim, 1983) X X
*Dendropsophus studerae Carvalho e Silva, X
Carvalho e Silva & Izecksohn, 2003
Gastrotheca fissipes (Boulenger, 1888) X
Hypsiboas albomarginatus (Spix, 1824) X X
Hypsiboas atlanticus (Caramaschi & Velosa, 1996) X
Hypsiboas crepitans (Wied-Neuwied, 1824) X X
Hypsiboas faber (Wied-Neuwied, 1821) X X
Hypsiboas pardalis (Spix, 1824) X
Hypsiboas raniceps (Cope, 1862) X X
Hypsiboas semilineatus (Spix, 1824) X X
Hylomantis granulosa (Cruz, 1989) X
Scinax auratus (Wied, 1821) X X
Scinax eurydice (Bokermann, 1968) X X
Scinax fuscomarginatus (A. Lutz, 1925) X
Scinax nebulosus (Spix, 1824) X X
Scinax pachychrus (Miranda-Ribeiro, 1937) X
Scinax ruber (Laurenti, 1768) X X X
Scinax aff. x-signatus (Spix, 1824) X X
Phyllodytes acuminatus Bokermann, 1966 X
Phyllodytes edelmoi Peixoto, X
Caramaschi & Freire, 2003
Phyllodytes gyrinaethes Peixoto, X
Caramaschi & Freire, 2003
Floresta Restinga
71
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS ASSOCIADOS
DISTRIBUÍDOS NAS DIFERENTES FITOFISIONOMIAS
ANFÍBIOS E RÉPTEIS
Floresta Floresta
Ombrófila Estacional
Semidecidual
Phyllomedusa cf. hypochondrialis (Daudin, 1800) X X
LEPTODACTYLIDAE
Adenomera aff. hylaedactyla (Cope, 1868) X X
Eleutherodactylus gr. ramagii (Boulenger, 1888) X X X
Leptodactylus fuscus (Schneider, 1799) X X
Leptodactylus aff. labyrinthicus (Spix, 1824) X X X
Leptodactylus natalensis Lutz, 1930 X X X
Leptodactylus ocellatus (Linnaeus, 1758) X X X
Leptodactylus podicipinus (Cope, 1862) X X
Leptodactylus spixi Heyer, 1983 X X
Leptodactylus troglodytes Lutz, 1926 X X
Leptodactylus wagneri (Peters, 1862) X X
Macrogenioglottus alipioi Carvalho, 1946 X
Physalaemus caete Pombal & Madureira, 1997 X
Physalaemus cuvieri, Fitzinger, 1826 X X
Pleurodema diplolistris (Peteres, 1870) X
Proceratophrys boiei (Wied-Neuwied, 1825) X
Pseudopaludicola falcipes (Hensel, 1867) X X X
MICROHYLIDAE
Chiasmocleis alagoanus Cruz, Caramaschi & Freire, 1999 X
Dermatonotus muelleri (Boettger, 1885) X
Stereocyclops cf. incrassatus Cope, 1870 X X X
RANIDAE
Rana palmipes Spix, 1824 X
GYMNOPHIONA
CAECILIDAE
Siphonops annulatus (Mikan, 1820) X
PARAREPTILIA
TESTUDOMORPHA
CHELIDAE
Batrachemys tuberculata (Lüderwaldt, 1926) X
KINOSTERNIDAE
Kinosternon scorpioides (Linnaeus, 1766) X
ARCHOSAUROMORPHA
CROCODYLIA
ALLIGATORIDAE
Caiman latirostris (Daudin, 1802) X
LEPIDOSAUROMORPHA
SQUAMATA
AMPHISBAENIDAE
Cobras-de-duas-cabeças
Amphisbaena alba Linnaeus, 1758 X
Amphisbaena carvalhoi Gans, 1965 X
Amphisbaena pretei Duméril & Bibron, 1839 X
Amphisbaena vermicularis Wagler, 1824 X
Leposternum polystegum (Duméril, 1851) X
Lagartos
IGUANIDAE
Iguana iguana (Linnaeus, 1758) X X
POLYCHROTIDAE
Anolis fuscoauratus Duméril & Bibron, 1837 X X X
Anolis ortonii Cope, 1869 X X
Anolis punctatus Daudin, 1802 X X
Restinga
72
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS ASSOCIADOS
DISTRIBUÍDOS NAS DIFERENTES FITOFISIONOMIAS
ANFÍBIOS E RÉPTEIS
Floresta Floresta Restinga
Ombrófila Estacional
Semidecidual
Polychrus acutirostris Spix, 1825 X
Polychrus marmoratus (Linnaeus, 1758) X
LEIOSAURIDAE
Enyalius catenatus (Wied, 1821) X X X
TROPIDURIDAE
Tropidurus hispidus (Spix, 1825) X X
Tropidurus semitaeniatus (Spix, 1825) X
Tropidurus strobilurus (Wiegmann, 1827) X
GEKKONIDAE
Bogertia lutzae Loveridge, 1941 X X
Coleodactylus meridionalis (Boulenger, 1888) X X
Coleodactylus sp. nov. X
Gymnodactylus darwinii (Gray, 1845) X X
Hemidactylus mabouia (Moreau de Jonnès, 1818) X X
Phyllopezus pollicaris (Spix, 1825) X
GYMNOPHTHALMIDAE
Dryadosaura nordestina Rodrigues, X X
Freire, Pellegrino & Sites Jr. 2005
Stenolepis ridleyi Boulenger, 1887 X
Colobosaura mentalis Amaral, 1933 X
Vanzosaura rubricauda (Boulenger, 1902) X
Micrablepharus maximiliani (Reinhardt & Luetken, 1862) X
TEIIDAE
Ameiva ameiva (Linnaeus, 1758) X X X
Cnemidophorus ocellifer (Spix, 1825) X X
Kentropyx cf. calcarata Spix, 1825 X
Tupinambis merianae (Duméril & Bibron, 1839) X X
SCINCIDAE
Mabuya bistriata (Spix, 1825) X
Mabuya heathi Schmidt & Inger, 1951 X
Mabuya cf. macrorhyncha (Hoge, 1946) X X
ANGUIDAE
Diploglossus cf. fasciatus Gray, 1831 X
Diploglossus lessonae Peracca, 1890 X
Ophiodes striatus (Spix, 1824) X
Serpentes
ANOMALEPIDIDAE
Liotyphlops sp. nov. X
LEPTOTYPHLOPIDAE X
Leptotyphlops sp.
TYPHLOPIDAE
Typhlops brongersmianus Vanzolini, 1972 X X
Typhlops cf. paucisquamus Dixon & Hendricks, 1979 X X
BOIDAE
Boa constrictor Linnaeus, 1758 X ]
Corallus hortulanus (Linnaeus, 1758) X X
Epicrates cenchria Linnaeus, 1758 X
VIPERIDAE
Bothriopsis bilineata Wied, 1825 X
Bothrops cf. leucurus Wagler, 1824 X X
Bothrops muriciensis Ferrarezzi & Freire, 2001 X
Crotalus durissus Linnaeus, 1758 X
Lachesis muta Linnaeus, 1758 X
73
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS ASSOCIADOS
DISTRIBUÍDOS NAS DIFERENTES FITOFISIONOMIAS
ANFÍBIOS E RÉPTEIS
Floresta Floresta Restinga
Ombrófila Estacional
Semidecidual
ELAPIDAE
Micrurus ibiboboca (Merrem, 1820) X X X
Micrurus lemniscatus (Linnaeus, 1758) X
COLUBRIDAE
Apostolepis cf. longicaudata Amaral, 1921 X
Atractus maculatus (Günther, 1858) X
*Atractus serranus Amaral, 1930 X
Chironius exoletus (Linnaeus, 1758) X
Chironius flavolineatus Jan, 1863 X
Chironius multiventris Schmidt & Walker, 1943 X
Dendrophidion af. dendrophis (Schlegel, 1837) X
Dipsas neivai Amaral, 1926 X
Drymoluber dichrous (Peters, 1863) X
Echinanthera affinis (Günther, 1858) X
*Echinanthera cephalomaculata Di-Bernardo, 1994 X
Echinanthera occiptalis (Jan, 1863) X
Erythrolamprus aesculapii (Linnaeus, 1766) X
Helicops angulatus (Linnaeus, 1758) X X X
Helicops leopardinus (Schlegel, 1837) X
Imantodes cenchoa (Linnaeus, 1758) X
Leptodeira annulata (Linnaeus, 1758) X X
Leptophis ahaetulla (Linnaeus, 1758) X
Liophis cf. cobella (Linnaeus, 1758) X
Liophis miliaris (Linnaeus, 1758) X
Liophis poecilogyrus (Wied, 1824) X
Liophis reginae (Linnaeus, 1758) X
Liophis viridis Günther, 1862 X
Oxybelis aeneus (Wagler, 1824) X X
Oxyrhopus guibei Hoge & Romano, 1977 X
Oxyrhopus petola (Reuss, 1834) X
Oxyrhopus trigeminus Duméril, Bibron & Duméril, 1854 X X
Philodryas olfersii (Lichtenstein, 1823) X X
Pseudoboa nigra (Duméril, Bibron & Duméril, 1854) X
Phimophis guerini (Duméril, Bibron & Duméril, 1854) X
Sibon nebulata (Linnaeus, 1758) X
Sibynomorphus neuwiedii (Ihering, 1910) X
Spilotes pullatus (Linnaeus, 1758) X
Syphlophis compressus (Daudin, 1803) X
Thamnodynastes cf. almae Franco & Ferreira, 2003 X
Tantilla af. melanocephala Linnaeus, 1758 X
Waglerophis merremii (Wagler, 1824) X
Xenodon rabdocephalus (Wied, 1824) X
Xenopholis cf. scalaris (Wucherer, 1861) X
*Espécies que não têm testemunhos na Coleção de Anfíbios e Répteis do Museu de História Natural da
Universidade Federal de Alagoas.
74

(A) Hypsiboas crepitans (Wied-Neuwied, 1824) ; (B) Dermatonotus muelleri (Boettger, 1885); (c)
Diploglossus lessonae Peracca, 1890; (D) Corallus hortulanus (Linnaeus, 1758); (E) Oxyrhopus
trigeminus Duméril, Bibron &Duméril, 1854; (F) Waglerophis merremii (Wagler, 1824).



9. A biodiversidade da
Mata Atlântica alagoana:
moluscos
9. Moluscos terrestres ocorrentes no
estado de alagoas
C conhecinento da íauna das áreas continentais, tanto dos anbientes aquáticos
quanto terrestres, ten sido anplanente requerido devido à necessidade nao apenas de sua
preservaçao, nas tanbén da denanda noque concerne aousosustentável.
Da íauna, nos anbientes aquáticos e terrestres, os noluscos constituen un grupo
de extraordinária variabilidade de íornas, con nais de 100.000 espécies registradas, as
quais sao principalnente narinhas, nas incluen tanbén diversas espécies de água doce e
de anbientes terrestres. Criginados no nar, os noluscos conquistaran todos os
anbientes naturais, sendo encontradas espécies desde as nais proíundas depressões
oceånicas até as grandes altitudes nontanhosas, en regiões áridas e desérticas até planícies
geladas e atingidas pela longa duraçaodoinverno.
Entre os oito grupos (classes taxonônicas) de noluscos, os gastrópodos,
conhecidos geralnente cono caracóis, caranujos e lesnas, sao o grupo con naior
núnero de espécies, sendo tanbén o nais diversiíicado grupo entre os noluscos tanto
en relaçao a sua noríologia e íisiologia cono pela diversidade de habitats. Viven nos
nares, águas continentais e tanbén nos anbientes terrestres, abrangendo ainda os nais
diversos nodos e hábitos de vida.
C êxito na conquista anbiental legou aos gastrópodos colocaçao relevante entre os
nais ben adaptados invertebrados no que diz respeito à resistência às variações extrenas
de tenperatura; proíundidade no anbiente narinho; altitude no anbiente terrestre;
pressaode água ou ar; salinidade noneioaquáticoe unidade noneioterrestre.
A classe gastrópoda, none cientííico dado a esses noluscos, reúne representantes
que viven en sua naioria no anbiente narinho, nas sao encontrados tanbén en água
doce (rios, córregos, lagos, lagoas, açudes) e anbientes terrestres (natas, caatingas, jardins,
hortas, ponares).
Con habitat terrestre sao conhecidas aproxinadanente 20.000 espécies, incluídas
en dois inportantes grupos de caranujos e lesnas: o grupo dos prosobrånquios (4.000
espécies) e o grupo dos pulnonados (16.000 espécies), que viven, en geral, en anbiente
únido alinentando-se de natéria orgånica vegetal viva ou en deconposiçao, sendo
alguns carnívoros.
Cs noluscos prosobråquios terrestres se caracterizan principalnente por possuir
un opérculo e nao teren brånquias; a respiraçao é realizada através de una regiao
vascularizada de seu corpo (cavidade palial) con una chaníradura, ou tubo de respiraçao,
na abertura da concha de algunas espécies, o que pernite a entrada de ar quando o
78
opérculo se íecha. Já a naioria dos pulnonados realiza as trocas gasosas con o ar
atnosíérico graças ao desenvolvinento de un tecido altanente vascularizado, espécie de
un ¨pulnao", que se conunica con o exterior através de un oriíício con válvula
denoninado pneunóstono. Cs pulnonados terrestres, ao contrário dos prosobrånquios,
naopossuen opérculo.
Io Estado da Alagoas, até o nonento, íoran registradas 29 espécies de noluscos
terrestres (apêndices), provenientes de coletas realizadas en anbientes silvestres (natas,
capoeiras, caatingas, sítios naturais), en zonas rurais (íazendas e chácaras) e en áreas
urbanas (praças, canteiros centrais de avenidas, jardins residenciais), en vários nunicípios
de Alagoas, sendo esta a prineira conpilaçao dos espécines de noluscos coletados no
territórioalagoano.
ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA ALAGOANA E ECOSSISTEMAS ASSOCIADOS
MOLUSCOS
Classe: GASTROPODA
Subclasse: PROSOBRANCHIA
Ordem: ARCHAEOGASTROPODA
Subordem: NERITOIDEA
Família: Helicinidae Helicina sp.
Helicina sp.1
Ordem: MESOGASTROPODA
Subordem: ARCHITENOGLOSSA
Família: Neocyclotidae Neocyclotus inca blanchetianus (Moricand, 1836)
Subclasse: PULMONATA
Ordem: STYLOMMATOPHORA
Subordem: ACHATINOIDEA
Família: Subulinidae Subulina octona (Bruguière, 1792)
Leptinaria unilamellata (Orbigny, 1835)
Obeliscus obeliscus (Moricand, 1833)
Subordem: ACAVOIDEA
Família: Strophocheilidae Strophocheilus pudicus Muller, 1774
Strophocheilus gummatus (Hidalgo, 1870)
Psiloicus oblongus Muller, 1775
Psiloicus sp
Subordem: BULIMOIDEA
Família: Bulimidae Auris bilabiata melanostoma (Moricand, 1836)
Bulimulus durus (Spix, 1827)
Bulimulus tenuissimus (Orbigny, 1835)
Scutalus sp
Oxychona bifasciata (Burrow, 1815)
Drymaeus, papyraceus (Mawe, 1823)
Drymaeus bivittatus Sowerby, 1823
Drymaeus sp
Drymaeus sp1
Cochlorina sp
Família: Odontostomidae Anctus angiostomus (Wagner, 1827)
Cyclodontina inflatus (Wagner, 1827)
Cyclodontina sp
Tomigerus clausus Spix, 1827
Família: Orthalicidae Oxystila pulchella (Spix, 1827)
Família: Amphibulimidae Simpulopsis sulculosa Férrussac, 1819
Subordem: HELICOIDEA
Família: Pleurodontidae Solariopsis heliaca (Orbigny, 1837)
Família Streptaxidae Streptaxis contusus (Férrussac, 1821)
79
GLOSSÁRIO
Açao hcno!ítica Açao sobre os glóbulos vernelhos do sangue, levando a sua destruiçao
(através doronpinentoda nenbrana plasnática), ocorrendoliberaçaode henoglobina.
Açaoncurotóxica Açaosobre osistena nervoso. Ceralnente através da interíerência no
processode transnissaodoinpulsonervosonas sinapses neuronais.
Agua sa!obra Agua de salinidade nornalnente iníerior à das águas narinhas.
A!aca!óidcs Extenso grupo de subståncias (originalnente encontrado nos vegetais), en
geral nitrogenados, heterocíclicos, básicos e con pronunciada açaobiológica.
Aninas biogcnicas Classe de conpostos derivados da anônia, sintetizados no próprio
organisno do aninal, pela substituiçao de un ou nais de seus hidrogênios por radicais de
hidrocarbonetos.
Angiospcrnas grupo (divisao ou íilo) constituído de plantas que apresentan senentes
inseridas nointerior dos írutos.
Apodcs {aninais) Aninais desprovidos de nenbros loconotores.
Arca dcborda Toda área linítroíe entre un íragnentoílorestal e a área aberta.
Assorcancnto Deposiçao de naterial sedinentar, resultando no aterranento ou
entulhanento de áreas nais baixas. Inportante processo relacionado à degradaçao do
neio anbiente, reíere-se ao desnatanento de una regiao expondo-a à intensiíicaçao dos
processos erosivos con o consequente aterranento do canal íluvial, o que leva, durante as
épocas de enxurradas, à ocorrência de constantes enchentes.
Ðiodivcrsidadc Variabilidade de organisnos vivos de todas as origens, conpreendendo,
dentre outros, os ecossistenas terrestres, narinhos e outros ecossistenas aquáticos e os
conplexos ecológicos de que íazen parte; conpreendendo, ainda, a diversidade dentro de
espécies, entre espécies e de ecossistenas.
Ðiona denonina un grande sistena regional representado por un tipo principal de
vegetaçao.
Ðrcjos Terrenos planos, alagadiços ou pantanosos, que aparecen nas regiões de nascente,
ou en zonas de transbordanentode rios.
Ðrcjos dc a!titudc Areas únidas, cobertas con vegetaçao ílorestal, apresentando
geralnente áreas de nascentes, situadas en áreas de altitude elevada no seni-árido
nordestino.
Canpos dc a!titudc Tanbén denoninados canpos serranos. Situan-se a cerca de
900n de altitude (ver ::mpas).
80
Canpos Denoninaçao genérica dada a donínios de vegetaçao herbácea (vegetaçao
rasteira ou de pequenoporte).
Ccrrado Area onde predonina vegetaçao xeróíila, ou seja, árvores de nédio porte,
retorcidas, de íolhas ásperas e casca grossa e rugosa. Iornalnente nao íornan grupos
conpactos, e sin entreneados de vegetaçaobaixa, conograna e arbustos.
Cic!agcn dc nutricntcs Conjunto de processos integrados que envolven a
transíerência de energia e nutrientes entre as partes integrantes de un deterninado
ecossistena. Acredita-se que este íenôneno ten relaçao nuito estreita con a
sustentabilidade de ecossistenas ílorestais.
Condiçócs cdáficas Características relativas ao solo, cono teor de salinidade, pH,
unidade etc.
Corrcdorcs cco!ógicos Areas que unen os renanescentes ílorestais possibilitando o
livre trånsito de aninais e a dispersao de senentes das espécies vegetais. Isso pernite o
íluxo gênico entre as espécies da íauna e ílora e a conservaçao da biodiversidade. Tanbén
garante a conservaçao dos recursos hídricos e do solo, alén de contribuir para o equilíbrio
doclina e da paisagen.
Divcrsidadcbio!ógica Ver B|aJ|r·rs|J:J·.
Espócics cndcnicas Espécies vegetais ou aninais nativas e restritas a una deterninada
área geográíica.
Espócics cxóticas Espécies introduzidas en ecossistenas do qual nao íazen parte.
Muitas dessas espécies naoconseguen se adaptar e desaparecen (ver ·sp´:|·s |nr:sar:s).
Espócics invasoras Espécies que invaden un ecossistena do qual nao íazen parte, se
adaptan e se reproduzen, expulsando espécies nativas e alterando seu íuncionanento
(ver ·sp´:|·s ·xá/|::s).
Estrutura fitogcográfica Modo cono a vegetaçao está distribuída en una deterninada
área geográíica.
Estuário Desenbocadura ou íoz de rio alargada e extensa, cono una baía íechada e
estreita, onde se nisturan água doce e salgada, ao sabor da correnteza íluvial e dos íluxos
de narés.
Fauna si!vcstrc Iauna encontrada naturalnente en un respectivo território (nao
introduzida pelohonen).
Hábitat Local con característica e conponentes ecológicos especííicos, onde as espécies
estaoadaptadas e conpletan naturalnente seu ciclobiológico.
Hcctarc Medida agrária, equivalente a cen ares ou dez nil netros quadrados.
Mananciais aqüífcros Locais onde há descarga e concentraçao natural de água doce
originada de lençóis subterråneos e de águas superíiciais, que se nantên graças a un
sistena especial de proteçaoa vegetaçao.
81
Massas dc ar Crandes porções de ar que costunan se originar en áreas extensas e
honogêneas, cono planícies, oceanos e desertos. Ao se deslocaren, levan consigo as
características da regiao de origen, que vao iníluenciar as áreas sobre as quais estao se
deslocando.
CGM Sigla para ¨Crganisno Ceneticanente Modiíicado". Crganisno cujo naterial
genético (ADI/ARI) tenha sido nodiíicado por qualquer técnica de engenharia
genética.
Pcríodo tcrciário Período que vai de 60 nilhões a 2 nilhões de anos atrás, quando o
planeta passou por una sucessaode íases de resírianentoe aquecinento.
Pcsticidas organoc!orados Crupo de subståncias no qual se incluen os derivados
clorados do diíenil etano, cono o DDT. Pequenas quantidades destas subståncias se
acunulan nos corpos dos aninais e sao passadas adiante na cadeia alinentar até os
predadores de topo, cono aves de rapina. Cs organoclorados se concentran nos corpos
destes aninais, causando sua norte ou tornando-os incapazes de se reproduzir. Seu uso é
hoje proibido en nuitos países desenvolvidos, nas, devido ao seu baixo custo, estas
subståncias ainda estao sendo enpregadas en alguns lugares, principalnente nas regiões
nais pobres donundo.
P!anícics f!uviais Extensões de terreno nais ou nenos plano produzidas pelos
depósitos sedinentares deixados pelos rios.
P!antas cpífitas Plantas que viven sobre outras, no entanto sen parasitá-las, cono
ocorre en alguns representantes das íanílias Crchidaceae e Broneliaceae.
Popu!açócs tradicionais populações que possuen nodo de vida nao urbano/industrial
e se reconhecen conopertencentes a un gruposocial particular.
Qucratina Proteína insolúvel encontrada nas unhas, pele, cabelo, e outros tegunentos
aninais.
So!o arcnoso Solo en que a quantidade de graos de areia é naior que a de outros graos
(quandoanassadocon a nao, naose aglonera).
Substancias bioativas Iutrientes ou nao-nutrientes que possuen açao netabólica ou
íisiológica especííica.
!cguncnto Terno geral que designa todas as estruturas que recobren o corpo dos
aninais (pele, pêlos, penas, escanas, etc.)
Lso sustcntávc! Trata-se da capacidade de desenvolver atividades econônicas e, ao
nesno tenpo, nanter a vitalidade dos ecossistenas. Baseia-se na hipótese de que é
possível calcular a vida de un sistena natural, nedir o inpacto provocado pelas atividades
hunanas e inplenentar ações que nininizen esse inpacto.
Várzca Terrenos baixos e nais ou nenos planos que se encontran junto às nargens dos
rios. Ia linguagen geonoríológica, constituen oleitonaior dos rios.
82
Atividades propostas
Iiguras de revista contendo inagens de 20 aninais, incluindo espécies da nossa
íauna e da íauna de outros anbientes (Anazônia, Pantanal, Caatinga ou nesno de
outros paises).
Lápis Hidrocor
Cartolina
Cola
VisitandooParque Municipal
Para realizar essa atividade é preciso agendar previanente con a adninistraçao do
Parque Municipal, que íunciona noPróprio Parque, nobairrode Bebedouro, Maceió.
Tanbén será necessária autorizaçao prévia dos pais de alunos para o deslocanento
e contrataçao de transporte adequado. Cs alunos deven ser iníornados dos perigos e dos
cuidados que deven ter aoandar en trilhas.
ATEIÇAC: é nuito inportante orientar os alunos para evitar acidentes e tornar a
aula de canponais produtiva. Veja oquadrode orientações básicas.
1- Para alunos de primeira a quarta série:
Qual destes animais você poderia encontrar na Mata Atlântica
alagoana?
Pede-se que os alunos colen na cartolina apenas os aninais de ocorrência possível
na Mata Atlåntica alagoana.
Discuta a distribuiçaodos outros aninais.
Material
2- Para alunos de quinta a oitava série do ensino fundamental e
para alunos do ensino médio:
83
Visita passo a passo:
1. Contrate o transporte e agende a visita. Em caso de alunos do
segundo grau o encontro pode ser marcado na recepção do Parque, uma vez
que o bairro é servido por transporte coletivo. Dessa forma não haverá
necessidade de contratar um transporte específico;
2. Solicite autorização aos pais ou responsáveis;
3. Oriente os alunos (orientações abaixo).
O visitante deve vestir calça comprida e calçar tênis ou bota. Deve andar
sempre em grupo e não sair das trilhas. Esse último procedimento, além de
minimizar os riscos, evita a degradação da vegetação pelo pisoteio e a abertura de
novas trilhas.
O aluno deverá levar lanche, mas o lixo não pode ser deixado nas trilhas e
muito menos na mata ou nos corpos de água.
Ogrupo deve andar emsilêncio, para não afastar os animais nemprovocar o
estresse destes. Não se deve falar alto, cantar ou fazer brincadeiras.
A visita deve ter umpropósito. Esse propósito pode ser: a sensibilização dos
alunos para as questões ambientais, o reconhecimento de ecossistemas de mata,
entre outros. Peça aos alunos umrelatório da visita. Isso evitará que a aula perca os
objetivos e facilitará a condução dos trabalhos.
84
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Para saber mais: leitura adicional e sites sugeridos
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Renováveis.
Disponível emhttp://www.ibama.gov.br
Fundação SOS Mata Atlântica
Disponível emhttp://www.sosmatatlantica.org.br
Projeto: "Mata Atlântica: Avaliação dos esforços de Conservação, Recuperação
e Uso Sustentável dos Recursos Naturais".
Disponível em: http://www.mataatlantica.org.br
Rede de ONGs da Mata Atlântic
Disponível em: http://www.rma.org.br
Ministério do Meio Ambiente
Disponível em: http://www.mma.gov.br
Base de dados tropicais: Mata Atlântica
Disponível em: http://www.bdt.fat.org.br
Conservationinternational do Brasil
Disponível em: http://www.conservation.org.br
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