Preâmbulo

O Homem é o fundamento, o sujeito e o fim de todas as instituições em que se expressa a vida social. O homem é o princípio e o fim da ética, de toda a vida social e política, de toda a economia e de todas as estruturas existentes. O termo deontologia surge das palavras gregas “ Deon, Deontos” que significa dever e “lógos” que se traduz por discurso ou tratado. Sendo assim, a deontologia seria o tratado do dever ou conjunto de deveres, princípios e normas adoptadas por um determinado grupo profissional. Deontologia é uma disciplina da ética especial adaptada ao exercício de uma profissão. A deontologia em Kant fundamenta-se em dois conceitos que lhe dão sustentação: a razão prática e a liberdade. Agir por dever é o modo de conferir à acção o valor moral. Os Códigos de Deontologia profissional enunciam os princípios ou valores fundamentais vinculativos da profissão – exprimindo o seu sentido humano e social – e os correspondentes deveres para com os seus destinatários, os colegas, a profissão e seu órgão profissional, a entidade patronal e outros legítimos interessados. Devem ser concretos, exequíveis e ter força obrigatória, quanto possível. A sua obrigatoriedade ganha força jurídica quando a Deontologia é transformada em Direito positivo, por via de Decreto. O Técnico/a de apoio à Gestão (TAG) é o profissional que, no respeito pelas normas do ambiente, higiene e segurança, recolhe, organiza e trata a informação, preparando-a para aprovação pelos órgãos de gestão das empresas ou serviços públicos, executando as decisões daí decorrentes, estando habilitado com Carteira Profissional de Técnico de Apoio à Gestão ou Certificação Profissional.

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A profissão de TAG é uma actividade indispensável e socialmente relevante. Com a evolução dos meios tecnológicos e a constante mutação da sociedade e da economia assiste-se a uma maior necessidade de técnicos devidamente especializados e credenciados para que o desempenho da profissão seja cumprido sem erros e com o devido rigor. O TAG deve ter em consideração os aspectos deontológicos da conduta profissional e do exercício da profissão de acordo com este Código, que deverá ser revisto no prazo máximo de três anos após a sua aprovação.

Princípios gerais

O princípio da integridade - Integridade vem do latim “integritate”,
significa a qualidade de alguém íntegro, de conduta recta, pessoa de honra, ética, educada, imparcial. Um profissional íntegro não se vende por situações momentâneas, infringindo as normas e leis, prejudicando alguém por um motivo fútil e incoerente. A moral de uma pessoa não tem preço e é indiscutível. Implica que o exercício da profissão se paute por padrões de honestidade e boa fé;

O princípio da idoneidade - implica que o profissional aceite apenas os
trabalhos para os quais se sinta apto a desempenhar;

O princípio da independência - implica que o profissional se mantenha
equidistante de qualquer pressão resultante dos seus próprios interesses ou de influências exteriores de forma a não comprometer a sua independência técnica.

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O princípio da responsabilidade - Responsabilidade é a obrigação de
responder pelas próprias acções pressupondo que as mesmas se baseiem em razões ou motivos válidos. Um profissional responsável deve ter plena consciência dos seus actos e o motivo das suas acções deve fazer sentido, assumindo a responsabilidade pelos actos praticados no exercício das suas funções. Ser responsável é obrigação de qualquer cidadão para uma vida saudável em sociedade.

O princípio da competência - O termo “competência” é bastante amplo e
está associado a capacidade, aptidão, resolução e conhecimento. A definição de “competência” pressupõe a aquisição de um conjunto de conhecimentos e de processos que conduzem à compreensão, interpretação e resolução de problemas, desenvolvendo a capacidade de pensamento e de atitudes favoráveis a um bom desempenho profissional. Este princípio implica que o profissional exerça as suas funções de forma diligente e responsável, utilizando os conhecimentos e técnicas divulgadas, respeitando a lei e os critérios éticos.

O princípio da confidencialidade - implica que o profissional guarde
sigilo sobre os factos e os documentos de que tome conhecimento no exercício das suas funções.

O princípio da equidade - implica que o profissional garanta igualdade de
tratamento e de atenção a todas as entidades ou pessoas, não estabelecendo distinções que não se justifiquem, salvo o disposto em normas contratuais acordadas.

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O princípio da lealdade - implica que o profissional, nas suas relações
recíprocas, proceda com correcção e civilidade, abstendo-se de qualquer ataque pessoal ou alusão depreciativa, pautando a sua conduta no respeito

pelas regras da concorrência leal e normas legais vigentes de forma a dignificar a profissão.

O princípio da empatia - implica que todo o profissional comunique e
transmita com a maior clareza e objectividade em todos os sentidos: ascendente, descendente e horizontal, a fim de promover boas relações de trabalho e actuar de forma a minimizar os mal-entendidos.

Normas específicas


De acordo com o princípio da integridade o TAG deve avaliar a sua competência e limitações profissionais, consoante as tarefas a desenvolver. Comportar-se e pronunciar-se com veracidade e sensatez, não se envolvendo em actos que possam afectar a sua imagem; reger-se por princípios de honestidade e verdade, ser rigoroso na selecção das fontes de informação relevantes para o seu trabalho e expressar as suas opiniões profissionais de forma devidamente fundamentada. As relações entre os colegas devem basear-se nos princípios de respeito recíproco, lealdade e solidariedade; apoiá-los sempre que lhe seja solicitada ajuda para situações relacionadas com a prática profissional.

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Quando tem conhecimento de uma conduta deontologicamente incorrecta por parte de um colega deve, de forma fundamentada, apresentar-lhe a sua crítica e tentar estabelecer formas para a corrigir.


De acordo com o princípio da idoneidade o TAG não deve aceitar cargo ou tarefa que sinta não poder conscientemente assumir ou desempenhar nem aceitar funções que possam prejudicar a dignidade da profissão.


De acordo com o princípio da independência o TAG deve poder levar a cabo a prática da sua profissão sem interferências nem ameaças à sua liberdade, independência profissional e integridade física e moral, mantendo o seu profissionalismo não se deixando influenciar por interesses próprios ou exteriores. O TAG é livre, em qualquer circunstância, de recusar um trabalho ou encargo que seja contrário aos princípios deste Código Deontológico. Deve igualmente coibir-se de aceitar e de oferecer, quer para si próprio quer para colegas, condições de trabalho contrárias às constantes deste Código.


De acordo com o princípio da responsabilidade o TAG tem de assumir integralmente a responsabilidade das suas decisões e acções, de modo a inspirar completa confiança a todos os membros da equipa em que se integra,

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prestando contas dos seus actos em bases pré-estabelecidas e aceitando as suas consequências. O TAG não realizará acções que tenham um efeito duvidoso para a integridade da Empresa, sendo igualmente responsável por reportar ao órgão competente as políticas, práticas ou regulamentos que ignorem ou sejam contrárias a qualquer um dos princípios deste Código Deontológico.


De acordo com o princípio da competência o TAG deve ter uma reflexão crítica e contínua sobre a sua conduta; ser conduzido a activar recursos (conhecimentos, capacidades, estratégias) em diversos tipos de situações, nomeadamente situações problemáticas; ser assíduo, pontual e aproveitar

todas as oportunidades para melhorar as suas capacidades profissionais, competências e comportamento, estando em constante actualização e aperfeiçoamento profissional através de acções de formação. Deve igualmente, no decorrer das suas legítimas ambições profissionais, considerar os interesses dos outros, da Empresa ou Organismo e os da Sociedade em geral.


De acordo com o princípio da confidencialidade o TAG deve, "erga omnes", manter o sigilo profissional em relação a todos os domínios considerados reservados ou confidenciais, nomeadamente estratégias utilizadas na Empresa, informação bancária, reuniões privadas e demais informações e actividades referentes à sua profissão. O TAG coibir-se-á de colher qualquer proveito pessoal de qualquer informação confidencial a que o exercício das suas funções lhe possa ter dado acesso.


De acordo com o princípio da equidade o TAG deve proporcionar igualdade de tratamento e de oportunidades, e rejeitar qualquer envolvimento pessoal em

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medidas ou actuações que possam afectar o princípio da livre concorrência. Promover a igualdade de direitos e não fomentar a discriminação, em função da cor, sexo, credo, ideologia política, estrato social, idade ou qualquer tipo de incapacidade.


De acordo com o princípio da lealdade o TAG deve privilegiar a organização, o sigilo profissional, a assiduidade, a disciplina e a produtividade, como valores fundamentais para o estabelecimento e a manutenção de fortes relações no trabalho. O TAG coibir-se-á de qualquer conduta atentatória do bom nome da profissão. Obriga-se, para com os seus colegas a respeitar os deveres de

assistência moral e confraternidade. Evitará igualmente quaisquer actos ou declarações que possam prejudicar os interesses da Empresa ou dos seus membros. Qualquer queixa quanto ao comportamento de outro colega ou qualquer discórdia quanto às decisões da Empresa, serão formuladas e discutidas no seio da mesma.


De acordo com o princípio da empatia o TAG deve contribuir para que todos os colegas de trabalho estejam conscientes dos seus direitos, deveres e funções, em relação a si próprios, aos outros e à Empresa ou Organismo, promovendo o respeito pela dignidade da pessoa humana em todas as circunstâncias em que o possa fazer.

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Este Código Deontológico é subscrito por:

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