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Tecnologias de Produção de Biocombustíveis: Transesterificação e Pirólise

¹Gláucia Eliza Gama Vieira ²Maria Alzira Garcia de Freitas ²Aymara Gracielly Nogueira Colen Fritz ²Glecymara Sousa Gomes ²Maristhela Ramos da Silveira Universidade Federal do Tocantins - UFT. Coordenação do Programa de Pós-Graduação Stricto sensu em Agroenergia; Av. NS 15, 109 Norte, Bloco IV, Palmas/TO, CEP 77020-120. Fone/Fax: (63) 3232 8205. ¹Professora do Programa de Pós-Graduação Stricto sensu em Agroenergia pela Universidade Federal do Tocantins; e-mail: glau.eliza@ig.com.br; 2 Mestrandas do Programa de Pós-Graduação Stricto sensu em Agroenergia pela Universidade Federal do Tocantins; e-mail’s: garciafreitasmariaalzira@yahoo.com.br; aymetal@gmail.com; glecygomes@yahoo.com.br; maristhelars@hotmail.com. Resumo: A energia é um dos principais pilares da sociedade moderna, seja ela, primária ou secundária, e com o avanço da industrialização e o consumo cada vez mais intenso tem-se uma preocupação com as reservas petrolíferas que são finitas. Diante o pressuposto, o estudo visa caracterizar duas rotas tecnológicas de produção de biocombustível - biodiesel e bio-óleo, em que as mesmas são de suma importância, pois são de fontes renováveis, e menos poluente ao meio ambiente, que as tornam uma alternativa atraente O biodiesel, por exemplo, está introduzido na matriz energética brasileira, fundamentado pela legislação brasileira. Todavia o bio-óleo ainda não possui esta estrutura específica e econômica. Apesar das duas serem amplamente conhecidas e aplicadas ainda existe entraves em ambas. Abstract: Energy is one of the main pillars of modern society, whether primary or secondary; the advance of industrialization and the increasing consumption has been of concern once oil reserves are finite. Given this assumption, the study aims at characterizing two technological routes of production of biofuel - biodiesel and bio-oil, which are of paramount importance because they are renewable and less polluting to the environment, turning out to be attractive alternatives. Biodiesel, for example, has benn introduced into the Brazilian energy matrix, following the country’s legislation. The bio-oil, however, does not have this particular and economical structure. Although the two are widely known and applied, barriers to their uses still exist in both cases. 1. Introdução A biomassa é o resultado da energia solar que é utilizada pelos vegetais para a realização da síntese dos compostos orgânicos a partir de substâncias simples, como o dióxido de carbono e a água e também diversos resíduos das atividades humanas e industriais (BRANDÃO, 1999 apud VIEIRA, 2004). Através desta matéria prima, produz-se biocombustíveis empregando rotas tecnológicas, como a transesterificação e a pirólise. A transesterificação de óleos vegetais é atualmente o método líder na produção de biodiesel, principalmente porque as características físicas dos ésteres de ácidos graxos são muito próximas daquelas do diesel. Além disso, este processo relativamente simples reduz a massa molecular para um terço em relação aos triacilglicerídeos, como também reduz a viscosidade e aumenta a volatilidade. Uma grande variedade de óleos vegetais, comestíveis e não comestíveis, pode ser utilizada para preparação do biodiesel. Óleos vegetais usados também são considerados como uma fonte promissora para obtenção do biocombustível, em função do baixo custo e por envolver reciclagem de resíduos. Esse produto é comparável com o biodiesel obtido a partir do óleo refinado.

Outra técnica para a produção de biocombustíveis é a pirólise. Que pode estar utilizando tanto a biomassa primária como resíduos agrícolas (palha, caroços de azeitona e cascas de frutíferas), resíduos sólidos tais como lodo de esgoto e resíduos de couro. É uma rota promissora para produção de sólidos (carvão), líquidos (alcatrão e outros orgânicos, como ácido acético, acetona e metanol, bio-óleo) e produtos gasosos (H2, CO2, CO). Porém, o uso desses combustíveis, resultado da pirólise, carece de adaptações para viabilizar sua utilização nas máquinas e equipamentos térmicos que atualmente operam com combustíveis fósseis. Por outro lado, a otimização econômica dos processos e tecnologias de transformação da biomassa em combustíveis e insumos evidenciam gargalos que necessitam de serem aperfeiçoados. Assim, este estudo teve como objetivo caracterizar duas rotas tecnológicas empregadas para a produção de biodiesel e bio-óleo respectivamente, expondo as definições, aplicabilidade e seus produtos. 2. Metodologia A metodologia utilizada neste estudo foi do tipo qualitativo, exploratório, descritivo e uma vasta revisão de literatura, com bibliografias especializadas em temas referentes às rotas tecnológicas de transesterificação e pirólise (craqueamento térmico). A primeira é a mais utilizada para a produção do biodiesel, enquanto que a segunda possui maior emprego na produção de bio-óleo. 3. Resultados e Discussões 3.1Transesterificação, uma rota para produção de Biodiesel A crescente preocupação mundial com o meio ambiente, juntamente com a busca por fontes de energia renováveis, coloca o biodiesel no centro das atenções e interesses. Diversos países, dentre eles o Brasil, procuram o caminho do domínio tecnológico desse biocombustível tanto em nível agronômico como industrial, o que deverá provocar fortes impactos na economia brasileira e na política de inclusão social do país. (ABDALLA, et al 2008). Através da lei n° 11.097 de 13 de janeiro de 2005, estabeleceu a obrigatoriedade da adição de um percentual mínimo de biodiesel ao óleo diesel comercializado em qualquer parte do território Nacional. Esse percentual obrigatório seria de 5%, tendo como prazo de adequação oito anos após a publicação da referida Lei, havendo ainda um percentual obrigatório intermediário de 2% com o prazo de adequação de três anos após a publicação da mesma (BIODIESEL, 2009). Mas, em 2009, o Conselho de Política Energética aprovou a mistura de 4% - Resolução n° 07 de 19 de março de 2009 - de biodiesel no diesel, chamado B4. E neste mesmo ano o atual presidente anunciou a adição de 5% - Resolução n° 06 de 06 de setembro de 2009 -, previsto para acontecer a partir de janeiro de 2010. E atualmente já é obrigatório a adição de 5% de biodiesel (B5) em todo o diesel consumido no Brasil, com exceção do óleo diesel marítimo (ECONOMIA NOTÍCIAS, 2009). Com a antecipação do B5 tem-se a necessidade de aprimorar mais as técnicas de obtenção deste biocombustível. Das várias metodologias descritas na literatura para obtenção do biodiesel, a transesterificação de óleos vegetais é atualmente o método mais utilizado, porque as características físicas dos ésteres de ácidos graxos são muito próximas daquelas do diesel (MA e HANNA, 1999; FUKUDA, et al 2001, DEMIRBAS, 2003. GERIS, et al 2007). A transesterificação é um processo químico que consiste na reação de óleos vegetais com um produto intermediário ativo (metóxido ou etóxido), oriundo da reação entre álcoois (metanol ou etanol) e uma base. Os produtos dessa reação química são a glicerina e uma mistura de ésteres etílicos ou metílicos (biodiesel), na equação 1 está descrito o processo dessa reação. Onde: R1, R2, R3 são hidrocarbonetos de cadeia longa, por vezes chamada cadeias de ácidos graxos. Normalmente, existem cinco tipos principais de cadeias de óleos vegetais e óleos animais: palmítico, esteárico, oléico, linoléico e linolênico. Quando os triglicerídeos são convertidos para diglicerídeos, monoglicerídeo e, finalmente, glicerol, 1 mol de éster graxo é liberado a cada passo (MA e HANNA, 1999).

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Os ésteres mais comumente empregados são os ésteres metílicos, principalmente porque o metanol é geralmente o álcool mais barato, embora existam exceções em alguns países. No Brasil, por exemplo, onde o etanol é mais barato, éster etílico são utilizados como combustível (KNOTHE, et al 2006). Geralmente, a transesterificação pode ser realizada por catálise ácida ou básica, ou seja, refere ao tipo de catalisador usado, sendo que na primeira geralmente é empregado ácido sulfônico, ácido clorídrico, e o ácido sulfúrico, enquanto que a catálise básica utiliza normalmente os hidróxidos, carbonatos e alcóxidos. Na tabela 1 tem-se uma comparação entre a catálise básica e ácida, que deve ser considerada na escolha no processo desejado.
Tabela 1: Catálise Básica versus Catálise Ácida Catálise Básica Catálise Ácida Reação é mais rápida Matérias primas mais baratas Condições reacionais mais brandas Óleos vegetais não refinados Menor custo energético Facilidade de matérias primas (no Brasil) Possibilidade de saponificação Reação simultânea de transesterificação Dificuldade a utilização de óleos e gorduras de alta Altas temperaturas acidez Utilização de álcool anidro Plantas industriais mais sofisticadas Fonte: Marcinuik 2007 (modificado)

De acordo com Canakci e Gerpen (1999) apud Silva (2005), a catálise ácida possui o inconveniente de exigir altas temperaturas, de requerer uma alta razão molar álcool/óleo, e de ser lenta, demandando longos períodos de síntese. O mesmo autor ainda salienta que a catálise básica também apresenta como desvantagem a necessidade de um meio reacional muito mais anidro que a catálise ácida para evitar a formação de emulsões nas transesterificações de óleos vegetais. Mas apesar disso as reações utilizando-se catalisadores básicos são cientificamente favorecidas em relação aos que usam catalisadores ácidos, requerendo uma menor razão molar álcool/óleo podendo ser efetuadas a temperatura ambiente. A reação de transesterificação pode ser conduzida tanto com catalisadores homogêneos quanto heterogêneos. No entanto, em catálise homogênea, catalisadores alcalinos proporcionam processos muito mais rápidos que catalisadores ácidos (FREEDDMAN, et al 1982; CANAKCI e GERPEN, 1999). De acordo com Kutkoski, et al (2008) o emprego da catálise básica homogênea é preferível em processos industriais, pois a reação apresenta rendimentos elevados em tempos reduzidos. As bases mais utilizadas como catalisadores são os hidróxidos de sódio ou de potássio. Na catálise homogênea existe o inconveniente de produzir sabões (Equação 2), devido à presença de água e, ácidos graxos livres no meio reacional. (2)

Esta reação é indesejável porque o sabão reduz o rendimento do biodiesel e inibe a separação dos ésteres do glicerol. Além disso, se liga com o catalisador que significa que mais catalisador será necessário e, portanto, o processo vai envolver um maior custo (GERPEN, et al 2004 apud DENNIS, et al 2010). 3.1.1 Tipos de Catalisadores na Transesterificação

A transesterificação pode ser conduzida na presença de catalisadores ácidos, básicos, homogêneos, heterogêneos e enzimáticos, simples ou complexos. O emprego de catalisadores ácidos, dentre os quais o ácido sulfúrico é o mais empregado, leva a cinética muita lenta de reação quando comparada ao uso de catalisadores básicos. A metodologia comercial de obtenção utiliza frequentemente meios alcalinos para a transesterificação, é um processo de custo efetivo, e altamente eficiente. Porém de acordo com Rodrigues (2009) surgem problemas nas operações downstream incluindo a separação do catalisador e o álcool não reagido do biodiesel. A remoção do catalisador envolve muitas complicações e o biodiesel requer repetitivas lavagens para atingir a pureza necessária. De acordo com Dennis et al (2010) as enzimas catalisadoras tornaram-se recentemente mais atrativas, já que podem evitar a formação de sabão e o processo de purificação é simples de realizar. Rodrigues (2009) relata que com o uso de biocatalisadores elimina as desvantagens do processo alcalino através da síntese de um produto com alto grau de pureza com pouca ou nenhuma operação de downstream. E ainda segundo o mesmo autor, entre as vantagens do uso de biocatalisadores estão: a inexistência de rejeitos aquosos alcalino; menor produção de outros contaminantes; maior seletividade e bons rendimentos. No entanto, são frequentemente menos utilizadas por causa do tempo de reação por ser maior e também de custo mais elevado. Para reduzir os custos, alguns pesquisadores desenvolveram novos biocatalisadores nos últimos anos, a exemplo dos chamados biocatalisadores de células inteiras que são imobilizadas dentro de partículas de suporte da biomassa (DENNIS, et al 2010). Na tabela 2 tem-se os três tipos de catalisadores: básicos, ácidos e enzimático, sendo que tanto os básicos como os ácidos podem ser divididos em homogêneos e heterogêneos, a mesma mostra ainda algumas vantagens e desvantagens quanto a escolha de cada um desses catalisadores.
Tabela 2: Tipos de Catalisadores Usados no Processo de Transesterificação Tipos de Alguns Exemplos Vantagens Desvantagens Catalisadores Alta atividade catalítica; baixo Baixa exigência de AGL; Básicos NaOH, KOH custo; cinética favorável saponificação; formação de Homogêneos emulsão CaO, CaTio3, CaZrO3 Não corrosivo; fácil separação; Baixa exigência de AGL; Básicos CaMnO3, Ca2F2O5 reciclável ambientalmente Razão molar com elevadas Heterogêneos benigno exigência de óleo Catalisa a transesterificação Resíduos nos equipamentos, Ácido sulfúrico simultaneamente, evitando a maior corrosão, dificuldade Ácidos concentrado formação de sabão de reciclagem Homogêneos Catalisa a transesterificação Baixa microporosidade, Ácidos ZnO/l2, ZrO2 simultaneamente difusão limitada e alto custo Heterogêneos Candida Antarctica Evita a formação de sabão; Enzimas fração beta e mais fácil de purificação e não Custo elevado Rhizomucor lípase poluente mieher Fonte: Dennis et al 2010 (modificado).

Como ainda pode ser observado, não existe nenhum catalisador ”ótimo”, tanto no âmbito ambiental, econômico e também com alta atividade catalítica e altos rendimentos. Observa-se ainda que o fator econômico é um dos fatores mais preponderante quanto a escolha do tipo de catalisador, logo que, a nível industrial, apenas o processo alcalino (básico) é utilizado, possuindo ainda elevados rendimentos. Embora a transesterificação por catálise alcalina possua uma alta conversão, existem algumas desvantagens: altos gastos energéticos, a recuperação do glicerol é difícil e demorada, e o tratamento da água alcalina residual é requerido. Assim tem-se a necessidades de aprimoramento das técnicas utilizadas e também o incentivo de novas pesquisas nesta área de estudo. 3.2 Pirólise ou craqueamento

A pirólise é um dos processos mais antigos da civilização humana, os quais, egípcios, gregos e romanos utilizavam esta rota tecnológica para carbonizar biomassa agrícola, em que o principal objetivo era a obtenção de carvão. Nesta época a fração gasosa era condensada e coletada para embalsamar múmias (GOLDSTEIN, 1980). O processo da pirólise surgiu conceitualmente, por volta de 1897, quando Max Plank demonstrou que há uma conexão fechada entre a Segunda Lei da Termodinâmica e o conceito de Irreversibilidade (NATALI, 2001). O estudo da pirólise tem ganhado crescente importância, pois não é apenas um processo independente, mas é também o primeiro passo no processo de gaseificação ou combustão. Pirólise ou craqueamento térmico é um processo de refino de óleos e gorduras que consiste na quebra (crack) que ocorre em altas temperaturas (acima de 350ºC), provocando a quebra das moléculas dos triglicerídeos, na presença ou ausência de catalisador, formando uma mistura de hidrocarbonetos e compostos oxigenados, tais como alcanos, alcenos, ácidos carboxílicos, cetonas e aldeídos (MA e HANNA, 1999; DEMIRBAS, 2003; SUAREZ, et al 2007).   O processo de pirólise é termoquímico, ou seja, as transformações ocorrem em conseqüência da influência da temperatura e de reações químicas em fase gasosa. Até a década de 70 os processos de pirólise ocorriam em modo batelada preferencialmente. Neste tipo de processo o material a ser pirolisado é introduzido no reator e retirado após o término do mesmo. Os materiais utilizados para os tubos usados no processo são borosilicato e quartzo, que são resistentes a temperaturas que oscilam entre 400º C e 1100º C respectivamente. A temperatura pode ser obtida utilizando-se aquecimento elétrico (VIEIRA, 2000). A pirólise é um processo em que a matéria-prima da biomassa é termicamente degradada na ausência de oxigênio/ar. De acordo com Babu (2008), os fenômenos básicos que ocorrem durante o processo de pirólise são: • Transferência de calor, levando ao aumento da temperatura no interior do combustível; • Iniciação das reações da pirólise durante esse aumento de temperatura, levando a liberação de compostos voláteis e à formação de carvão; • Escoamento dos compostos voláteis, resultando em transferência de calor entre os voláteis quentes e os combustíveis frios não pirolisados; • Condensação de alguns voláteis na parte fria do combustível para produzir alcatrão; • Reação de pirólise secundária auto-catalítica devido a essas interações. De acordo com a temperatura de conversão a pirólise pode ser dividida em: pirólise rápida e pirólise lenta. A pirólise rápida é um processo a alta temperatura em que a biomassa é aquecida rapidamente em ausência de oxigênio, como resultado, decompõe-se principalmente em vapores, gases e carvão. Após o resfriamento e condensação, um fluido marrom escuro é formado, que tem metade do valor do poder calorífico do óleo combustível convencional. A pirólise rápida é um processo avançado, cujos parâmetros são cuidadosamente controlados para alcançar altos rendimentos em líquidos. As características essenciais de um processo de pirólise rápida para a produção de líquidos são (CZERNICK e BRIDGWATER, 2004): • Aquecimento muito elevado e taxas de transferência de calor na interface de reação, que normalmente requer uma alimentação de biomassa finamente moída; • Temperatura da reação de pirólise cuidadosamente controlada em torno de 500ºC e temperatura da fase de vapor de 400-450ºC • Curtos tempos de residência de vapor • Rápido resfriamento dos vapores da pirólise para gerar o bio-óleo. Já a pirólise lenta refere-se a condições de processo com taxa de aquecimento baixa (geralmente 5-100°C/min), aliada a baixas temperaturas (tipicamente 300-700°C), que maximizam a produtividade de carvão (YANG, 2006). De acordo com Pütün (2001), baixas temperaturas de pirólise são recomendadas para a produção de carvão, no entanto, as temperaturas em torno de 500-550°C, com aquecimento rápido maximizam o bio-óleo. Quando o produto é gás de grande interesse, altas temperaturas e rápido aquecimento são usados.

De acordo com o tipo de pirólise assim será a proporção de substâncias com maior (pirólise lenta) ou menor (pirólise rápida) peso molecular. As moléculas grandes provocam grande viscosidade do bio-óleo dificultando seu uso como combustível e como matéria prima para a formulação de resinas fenol-formaldeído embora essa característica possa ser útil para outros fins (BRIDGWATER, 1999). 3.2.1 Matéria prima para a produção de pirólise e seus produtos A pirólise é uma técnica de conversão térmica, em que vários são os materiais utilizados como matéria prima, tais como: dejetos urbanos, industriais e agropecuários, desta forma ela agrega um valor ambiental, evitando que os resíduos de consumo gerais sejam alocados inadequadamente nos compartimentos ambientais. Assim tais matérias são preparadas adequadamente para serem introduzidas nos reatores de pirólise. A transformação da energia química contida nesses materiais pode gerar produtos diversificados (fração aquosa, gasosa, orgânica e sólida), com potencial de aplicação. De acordo com Maher e Bressler (2007), relatam que as gorduras e óleos podem ser pirolisados para a produção de combustíveis líquidos ricos em hidrocarbonetos e com potencial para substituir os derivados de petróleo. Outro resíduo com séria problemática sócio-ambiental e sanitária se refere ao lodo residual (esgoto doméstico, industrial, petroquímico, agroindustrial, entre outros). Diversos pesquisadores estão estudando o lodo residual como uma alternativa promissora de produção de biocombustível. Segundo Dominguez et al (2004) na pirólise do lodo de esgoto sanitário os gases, os líquidos e os sólidos são gerados em diferentes proporções, dependendo dos parâmetros de operação, que podem ser otimizados para a maximização de um produto, por exemplo, a produção de gases (que é maior em temperaturas elevadas). Ortiz (2000) relata que os parâmetros importantes que irão determinar a qualidade e o rendimento do produto pirolisado são a taxa de aquecimento, a temperatura final e a natureza da matéria prima. Shen e Zhang (2004) realizaram a pirólise de uma mistura de lodo de esgoto (80%) com lixo urbano (20%) a 500ºC, e obtiveram 17% de óleo pirolítico com poder calorífico de 33 MJ/kg e propriedades similares às do óleo diesel. Um produto de destaque proveniente da pirólise rápida é o bio-óleo. Pode atingir valores de até 75% em peso da biomassa inicial seca (BRIDGWATER; PEACOCKE, 2000; CZERNICK; BRIDGWATER, 2004), o que desperta interesse, em razão de seu potencial para substituir combustíveis derivados do petróleo e produtos químicos empregados na agroindústria e na indústria química, incluindo caldeiras, fornos, motores e turbinas. Foi constatado que o Poder Calorífico Inferior do bio-óleo é aproximadamente a metade daquele que apresenta o diesel e o óleo combustível pesado. Por outro lado, o bio-óleo não apresenta enxofre, elemento responsável pelas chuvas ácidas quando se forma o SO2 (PELAEZ-SAMANIEGO et al 2006). As propriedades físico-químicas que são rotinamente usadas para definir a qualidade de um óleo combustível são: o poder calorífico, o ponto névoa, o ponto de fluidez, a densidade especifica, a viscosidade, a destilação, o ponto de fulgor, o calor de combustão, o teor de água e sedimento, o teor de cinzas, o carbono residual e o índice cetano (BAHADUR, et al 1995), descritos na tabela 3, em que mostra os valores dos parâmetros supracitados em analogia com os tipos de produto. A possibilidade de usar bio-óleo cru em motores diesel tem sido explorada amplamente (CZERNICK; BRIDGWATER, 2004). Os motores dieseis oferecem alta eficiência (mais de 45%) na geração de energia e podem ser facilmente adaptados em ciclos combinados para gerar calor e energia. Porém, o uso de bio-óleo nesses motores apresenta problemas, como a falta de ignição e a corrosão. Testes realizados em motores diesel de pequeno porte permitiram observar a necessidade do uso de aditivos para melhorar a capacidade de auto-ignição do bio-óleo, e a formação de coque durante a combustão do bio-óleo tem provocado entupimento dos injetores.

As emissões de CO, NOx e hidrocarbonetos do bio-óleo são comparáveis àquelas do diesel combustível (CZERNICK; BRIDGWATER, 2004). Como podem ser verificadas na tabela 03, as propriedades do bio-óleo não são compatíveis com as da gasolina usada em automotores.
Tabela 3: propriedades do bio-óleo de pirólise com as de outros combustíveis. Óleo comb. Gasolina Etanol Propriedades Unidades Bio-óleo Diesel pesado Tipo C (anidro) Kg/m³ a 15° 1220 854 963 740 790 Densidade C %C 55-58 86,3 86,1 76,6 52,0 %H 6,2 12,8 11,8 15,3 13,0 Composição típica %O 37.3 8,1 35,0 %S 0,9 2,1 Viscosidade cSt a 50C 13 2,5 3,51 Ponto de C 66 70 > 100 -45 Ignição Temp. de °C -27 -20 21 -40 -23 Fluidez Cinzas % Peso 0-0,2 < 0,01 0,03 Água % Peso 15-30 0,1 0,1 PCI Mj/Kg 16-19 42,9 40,7 40,1 26,8 Ácidez pH 2,5 Calor latente de Kj/Kg 498 904 vaporização Fontes: BRIDGWATER (1999); BRIDGWATER; CZERNICK; PISKORZ (2001); BRIDGWATER; CZERNICK; PISKORZ (2002); PENIDO (1981), ANP (2006); VLASSOV (2001); CETESB (2006).

Os processos aplicáveis ao melhoramento do bio-óleo podem obedecer a uma grande quantidade de opções atualmente em estudo, baseadas na possibilidade de fracionamento com métodos similares aos usados para a destilação ou fracionamento do petróleo. O tratamento do bio-óleo em sistemas conhecidos como biorefinarias tem sido objeto de vários estudos (PELAEZSAMANIEGO, et al 2006). Nas biorefinarias de bio-óleo espera-se a obtenção de outros produtos (bio-pitch e fenóis, adubos, derivados do carvão, insumos químicos, etc.), além de combustíveis líquidos. Nesse aspecto, as biorefinarias industriais têm sido consideradas o caminho mais promissor para a criação de novas indústrias baseadas na economia de biomassa. O carvão vegetal é outro produto importante da pirólise. Sua utilização apresenta grandes vantagens em comparação com o uso de carvão mineral, por não conter chumbo, enxofre e mercúrio, assim como por seu baixo conteúdo de cinzas. Essas características fazem do carvão vegetal a melhor opção no processamento do minério de ferro. Todavia, outros usos do carvão vegetal podem ser explorados — no refino de açúcar, como adsorvente, como adubo, etc., ou como matéria-prima para gaseificar e produzir gases de síntese com baixo conteúdo de alcatrão (PELAEZ-SAMANIEGO, et al 2006). O carvão vegetal obtido em reatores de pirólise rápida apresenta uma constituição muito fina (pó de carvão), o que exige o emprego de outros processos para sua preparação, como a briquetagem. 4. Conclusões O estudo das rotas tecnológicas é cada vez mais primordial. Transesterificação é a principal rota para a obtenção do biodiesel, basicamente ela é dividida em três: ácida, básica e enzimática, esta última apresenta vantagens ambientais melhores do que as outras. Porém o fator tempo de reação e o custo ainda são os principais entraves para alavancar tal tecnologia. No que diz respeito à pirólise, técnica que começou a ser usada desde a época dos egípcios, é hoje empregada para tratamentos de resíduos sólidos e ultimamente vem sendo utilizada para produção de biocombustíveis, como o bio-óleo e o carvão vegetal, além de outras possibilidades, tais como a formação de briquetes, biogás e até mesmo o biodiesel.

Mas apesar da relevância de tais técnicas, observa-se que ainda existem gargalos que devem ser superados, seja ele o fator ambiental ou econômico. Assim para obtenção de um produto seria conveniente que além de conhecer todo processo produtivo, as desvantagens que esse processo acarreta sejam minimizadas, e que novas pesquisas deverão ser feitas para aumentar o leque de possibilidades, informação e formação de tais produtos. Agradecimentos À Universidade Federal do Tocantins - UFT, pelo apoio e incentivo pela pesquisa, em especial ao Programa de Mestrado de Agroenergia. Palavra-Chave: Biocombustíveis, Transesterificação, Pirólise. 9. Referências ABDALLA, A. L. et al., Utilização de subprodutos da indústria de biodiesel na alimentação de ruminantes. Revista Brasileira de Zootecnia. v. 37, p. 258-260, 2008. CANAKCI, M., e J. VAN GERPEN. Biodiesel Production via Acid Catalysis. Trans. ASAE 42, 1203-1210 (1999). ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bio-combustíveis). Disponível em: <http://www.anp.gov.br>. Acesso em: 23 de abril de 2007. BAHADUR N. P., BOOCOCK D. G. B., KONAR S. R. K.; Liquid hydrocarbons from catalytic pyrolysis of sewage sludge lipid and canola oil: evaluation of fuel properties. Energy & fuels, 1995- 246-256p. BIODIESEL; O Programa: Principais Diretrizes do PNPB; Disponível http://www.biodiesel.gov.br/programa.html. Acessado em 21/12/2009 às 17h15min. em:

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