Lídia Jorge: territórios da paixão e da escrita

José Luís Giovanoni Fornos (Universidade Federal do Rio Grande – FURG)

RESUMO O presente trabalho aborda os romances da escritora portuguesa Lídia Jorge, enfatizando os aspectos simbólicos do espaço. Considera, sobretudo, a dimensão histórica e política dos diferentes territórios examinados pela autora. gualmente in!estiga a import"ncia da escrita na construção espacial e o predomínio da paixão # amorosa e ideológica $ nos conflitos identit%rios !i!idos pelas personagens. PALABRAS-CHAVE& romance portugu's contempor"neo( identidade( ideologia RESUMEN )l presente traba*o aborda las no!elas de la escritora portuguesa Lídia Jorge, enfatizando los aspectos simbólicos del espacio. Considera, principalmente, la dimensión histórica + política de los diferentes territorios examinados por la autora. ,ambi-n in!estiga la importancia de la escritura en la construcción espacial + el predominio de la pasión # amorosa e ideológica # en los conflictos de identidad !i!idos por los persona*es. PALABRAS CLAVE& no!ela portuguesa contempor%nea( identidad( ideología
ABRIL – .e!ista do /0cleo de )studos de Literatura 1ortuguesa e 2fricana da 344, 5ol. 6, n7 6, 2bril de 6889

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o conte0do narrati!o recai sobre grupos sociais distintos. bem como por h%bitos culturais específicos. 2o discursarem.explorado por Lídia Jorge com *0bilo e ironia. seguidas por alteraç. :iferentes geografias. segundo os militares$ militantes. 2 preocupação com a di!ersidade dos ambientes soma$se a outras características. o episódio . anunciam no!os rumos ao país.es ossificadas por longa tradição.e!ista do /0cleo de )studos de Literatura 1ortuguesa e 2fricana da 344. em O dia dos prodígios. escapando do isolamento e es<uecimento históricos. O con*unto ar<uitetDnico produz m0ltiplos significados. disseminadores de uma crise de pertencimento. o grupo obser!a na construção do Cotel 2lguergue oportunidade especial de mudança.uma das características dos romances de Lídia Jorge. . depois de <uase meio s-culo de ditadura. 6. o temor e a re*eição sum%ria. presas B produção agr%ria. estimulando gestos <ue p. são representadas personagens trabalhadoras <ue.ais escolhas são mediadas pela ironia.e!olução dos Cra!os <ue. informando um 1ortugal em mutação=.es artísticas e políticas. deixada como lembrança e ornamento6. física e culturalmente. transforma$se em sinal tr%gico. ao assistir mara!ilhado ao espet%culo. marcados pelas diferenças de classe e g'nero. o <uestionamento da identidade e a figura da paixão <ue desperta as emoç. promotora do riso crítico. 2 pedra alguergue alegoriza a agonia e o prazer da paisagem territorial e humana atingidas. rumam em direção ao litoral. 5ol. incenti!ando no!os h%bitos.em em xe<ue relaç. O momento político alimenta$se com no!as promessas. o Cotel 2lguergue altera a rotina da população local.es se!eras B liberdade.conduzido B democracia. n7 6. entre as <uais destacam$se as dimens. .E 2 conflu'ncia externa p. )m O dia dos prodígios. desencadear% importantes reformas. habituada a outros ritmos temporais. O empreendimento turístico influencia de maneira decisi!a os moradores da região. embriagando seus destinos. em especial. O grupo social local. destino histórico de pais e a!ós. ampliando perspecti!as <ue acabam pro!ocando conflitos.es sociais e políticas. afeta personagens.es alegórica e simbólica dos ob*etos.e em <uestão a razão da exist'ncia da comunidade. Aemelhante espaço promo!ido em O cais das merendas >=9?6@ e O vale da paixão >=99?@. )m O dia dos prodígios >=9?8@. )m O cais das merendas. eliminando in*ustiças. alterando$lhes sentimentos. 2 dimensão espacial. moti!adas por no!os e grandes empreendimentos. a chegada de turistas estrangeiros ao Cotel 2lguergue modifica o comportamento das personagens nati!as. ao chegarem ao !ilare*o de 5ilamaninhos. em tais exemplos. reflex. . 2bril de 6889 59 . )m O cais das merendas.oda!ia. impro!isados em cima de um caminhão. Aoluç. demarcados a partir de modelos de produção específicos. ao da transformação política de 1ortugal <ue. promotores do 6G de 2bril <ue. ensinando B comunidade as !antagens da .es econDmico$sociais ocorridas ao sul de 1ortugal. assinalam sua obra. a comunidade rural imagin%ria de 5ilamaninhos remete o leitor ao 2lgar!e portugu's. assumindo conotaç. 2 região do 2lgar!e.es sobre a escrita. acredita em reno!ação. en<uadrada histórica.es alegóricas das transformaç. O nome do Cotel deri!a de uma pedra local <ue. alterando$lhes o cotidiano. di!idida entre a acolhida simp%tica. 2 fim de escaparem da rotina do trabalho na terra. ainda <ue a região se repita. acolhe os soldados oriundos do Fo!imento das 4orças 2rmadas >F42@. transformando$o em palan<ue pedagógico e ideológico. os capitães de 2bril ABRIL – . de limitaç. )<uiparado metaforicamente aos con!entos de s-culos passados. O prodigioso dia refere$se.Lídia Jorge& territórios da paixão e da escrita 2 !ariedade do topos espacial .es <ue os afastem da estagnação econDmica e cultural são sonhadas pelos moradores a partir do e!ento.

<uer o esclarecimento do episódio da Kcobra !oadoraJ !i!ido no !erão. o recalcamento da história pela memória faz com <ue não ha*a maior Ibusca das origens para desen!ol!er as potencialidades do de!irJ. elaborada na descontinuidade m0ltipla do fragmento. a proposição dirige$se especialmente Bs mulheres. en!ol!endo as demais personagens. repetida no decorrer da narrati!a. 2bril de 6889 60 . ob*etamos a afirmação de :osse de <ue Iesses lugares da memória não são re!isitados com a perspecti!a de reconstruçãoJ.e!ista do /0cleo de )studos de Literatura 1ortuguesa e 2fricana da 344. 2 aus'ncia de respostas sugere. dificuldades da razão re!olucion%ria em explicar crenças seculares <ue cercam a<uela comunidade rural. p.es com os homens. em O vale da paixão.a chegada dos militares <ue sintetiza os sinais miraculosos. )mbora !i!a a alegria contagiante da ocasião. momento em <ue a memória escrita assume papel importante na rea!aliação historiogr%fica e ideológica.em em risco a coesão da família :ias. estilhaça as sínteses históricas. funcionando como imperati!o pedagógico$libertador nas relaç. modelando <uest. 2 rememoração. Ia !oga das rememoraç. assentada no comando irredutí!el do latifundi%rio 4rancisco. entre outros aspectos. B espera de forças miraculosas. Muestionamento histórico e consci'ncia crítica atra!essam o romance costa dos murm!rios >=9??@ <ue pro*eta outro espaço físico e social. pressup. figura alegórica do período salazarista. interrogando. 6. 5ol. tornando essa 0ltima obsoleta. capazes de sal!ar o país dos infort0nios( e!oca a ressurreição do mito sebastianista em uma aldeia distante da capital portuguesa. O romance O vale da paixão abarca os 0ltimos G8 anos da !ida nacional portuguesa. o autoritarismo.es de opressão. *untamente com a comunidade. sendo considerados apenas como Irestos de um passado recalcado. outros e!entos m%gicos. 1ara o autor. assentando$se em solo africano. o conser!adorismo do regime salazarista e sua lenta agonia.somente Ia simples in!ocação do uni!erso dos signos do passado <ue sobre!i!e no presente imut%!el.Jos. O tema da condição feminina atra!essa a obra de Lídia Jorge. após a tra!essia histórica efetuada atra!-s dos romances *orgeanos. ao mesmo tempo.es <ue p.es ilustra uma no!a relação com a historicidadeJ. . )ntusiasmados pela causa <ue defendem. desaparecidoJ. não traduz integralmente os sonhos dos moradores. o po!o de 5ilamaninhos decepciona$se <uando o grupo de soldados não possui respostas B indagação da personagem Jesuína 1alha <ue. mas . afastando$se do território portugu's. O fenDmeno m%gico. pronunciado como milagre religioso. atra!-s da !i!'ncia indi!idual. )ncerra$se na d-cada de =9?8. 6?=@ constata <ue.Luís Hio!anoni 4ornos entram em descompasso com as expectati!as locais.e a necessidade de uma dupla ruptura frente Bs m0ltiplas situaç. )mbora se estenda a todas personagens. mas. embora traga alento e esperança. depois de longa aus'ncia. por-m . Ae em O dia dos prodígios e em O cais das merendas a região do 2lgar!e exposta atra!-s do contato das comunidades locais com su*eitos ad!indos de outros espaços. proporcionam a homens e mulheres introspecção reflexi!a. )m O dia dos prodígios. ocorrem. n7 6. 2 frase Iningu-m se liberta de nada se não <uiser libertar$seJ.a chegada da personagem Lalter Hlória :ias Bs terras do pai. sinalizado pela cobra !oadora. período em <ue os efeitos da fragmentação ideológica e identit%ria causam perplexidade e desalento. 2 re!olução. 2 presença de Lalter traz recordaç. 4rançois :osse >=999.es políticas e históricas sob a perspecti!a da mulher. <ue produz estranhamento no grupo familiar. os Ire!olucion%riosJ esperam <ue os moradores apreendam com rapidez o receitu%rio da re!olução.J /o entanto. refere$se tamb-m B imagem de um 1ortugal mítico. 2 guerra na Nfrica e seus ABRIL – .

Lídia Jorge& territórios da paixão e da escrita efeitos nas relaç. buscando subtrair lacunas e sil'ncios encobertos pelo contexto político e pela condição identit%ria das personagens. B beira do . O espaço rural e litor"neo d% lugar B paisagem urbana <ue traz consigo no!as conotaç.um dos temas do li!ro. presentes na primeira parte. O fingimento e a força física como emblemas de sedução são postos em causa. recolhidos pelo ser!iço de limpeza urbana em uma praia próxima ao Cotel. concomitante B re!elação dos bastidores das relaç. são destronadas. 2s tra*etórias das personagens são capitalizadas pela cidade de Lisboa. Os romances "otícia da cidade silvestre >=9?P@ e O #ardim sem limites >=99G@ estão circunscritos B outra geografia. conduzidas pelo ponto de !ista de )!a Lopo. )m "otícia da cidade silvestre. O <uestionamento das mortes.es amorosas.es da alegria sentida em seu casamento com o soldado Luís 2lex. !inte anos depois. baldes de tinta na cara dos ícones uns dos outros. refer'ncia ideológica B política colonial salazarista. O recalcamento da guerra colonial pelo poder oficial estimula a narradora )!a Lopo.es entre homens e mulheres . simultaneamente. guerras brandas de dizeres !iolentos. <uestionando conte0dos e estrat-gias utilizados. 6. diagnosticado. bairros e bares da cidade. sustentadas sistematicamente na !iol'ncia e mentira. :esconhecimento e descaso. menciona a festa matrimonial de )!a Lopo e as alegrias da<uele momento. )ra Outubro e !i!ia$se a imagem duma cidade atapetada de pap-is soltos. intitulado IOs HafanhotosJ. p. 2 multiplicidade de experi'ncias # políticas.es afeti!as.es ideológicas <ue afetam profundamente as relaç. 2 opressão e o ressentimento são desblo<ueados pela memória e escrita.=GP@ ABRIL – . o medo e a perplexidade alternam$se em !ista das transformaç.es do país. redimensionam a segunda parte do li!ro. secundarizando as mortes de in0meros negros. F0ltiplas infer'ncias. comemorado no terraço do Cotel Atella Faris.e em <uestão os escamoteamentos afeti!os e ideológicos do poder. n7 6. fa!orecido pela maturidade e pelo distanciamento temporal. os relacionamentos amorosos !i!idos por J0lia Hrei refletem identidades em crise. momento imediatamente posterior B . na cidade da Oeira.e!olução dos Cra!os. encarnação simbólica do pai. 2bril de 6889 61 .e!ista do /0cleo de )studos de Literatura 1ortuguesa e 2fricana da 344. Fensagens ondulantes feitas antes do amanhecer e es<uecidas depois do almoço. mostrando uma cidade diferente do seu enraizamento pro!incial e tran<uilo. elementos <ue estimulam )!a Lopo a um retorno crítico ao passado. Onde encontraria 2rtur Aalema um sítio tão propício ao desespero e B ternura como ali. atra!-s de relatos e fotografias. protetor e opressor. 5ol. O li!ro uma acusação contra a prepot'ncia e beliger"ncia do discurso falo$logoc'ntricoG.e*o. =9?P. a rememorar. magens da coragem e da pot'ncia física masculinas. sendo agora descortinada sob os efeitos da mis-ria e da agitação política. são sobrepostos por um olhar atento na segunda. B medida <ue são desmascarados por uma !isão <ue p. episódios tr%gicos moti!ados pelo conflito em meio Bs recordaç. re!isitadas nas ruas. O romance di!ide$se em duas partes& a primeira. tudo a desaguar para armaz-ns e docasR >Jorge. Outra história marcada pela polifonia e contradição emerge. composta por um conto narrado na terceira pessoa. período em <ue a alegria. 2 narrati!a transcorre no período de =9QG a =9Q9. afeti!as e artísticas # emana por Lisboa. em Foçambi<ueP.

o problema . apaixona$ se por uma *o!em. publica !ltima dona.e!ista do /0cleo de )studos de Literatura 1ortuguesa e 2fricana da 344. embora sinais de desencanto se*am !isí!eis( em O #ardim sem limites *% não h% fundamento teórico e ideológico <ue inspire e sustente um ideal a ser alcançado. pessoas passam r%pidas. um executi!o importante de uma empresa hidrel-trica. n7 6. ex$militante re!olucion%rio& /ão sabemos mais com <ue sonhar. fraterno e solid%rio.es de classes. <ue o arrebata. Os *uízos de !alor do engenheiro Heraldes re!elam a condição de classe e g'nero. em <ue o espaço físico alia$se ao campo histórico e social em dimens. local sugerido de!ido ao tratamento sigiloso e reser!ado. elas estão presentes atra!-s da posição e comportamento da personagem central. 2li%s. 1lane*amento e lucidez marcam sua tra*etória profissional e familiar. :istante. uma !ez <ue idade e experi'ncia !ão. . 5ol. somando$se ainda o papel da idade na a!aliação dos fatos. . igualit%rio. .ais identidades não somente limitam seu entendimento. con!encido de <ue tal sentimento. Heraldes se atrasa ao encontro combinado com a *o!em em !irtude dos acontecimentos <ue en!ol!em a empresa. Ientretidas com as suas contas. alegoria territorial do su*eito apaixonado. O ambiente . 2os indi!íduos cabe escolher o conte0do$mercadoria <ue melhor se adapte ao seu Iestado da almaJ a fim de alcançar a felicidade pessoal. sobrecarregado pelas exig'ncias crescentes de uma sociedade do espet%culoS. 2 cidade acolhe agora um grupo *o!em <ue. em =996.em. >Jorge. /a Oaixa lisboeta.enfocada na perspecti!a da personagem )duardo Lanuit.es de cr-ditoJ.<ue pertencíamos a um mundo em <ue dois pesadelos se ameniza!am um ao outro. em 0ltima inst"ncia.oda!ia.udo faz parte do mesmo pesadelo. =99G. )x$prostituta atua como cantora no restaurante do amante 4austo Faia. O engenheiro executi!o con!ida a garota para passar cinco dias na Casa do Leborão. 2 imaginação anda!a sempre a !ia*ar.es uni!ersais pelo pragmatismo artístico e econDmico.transitório. 2gora. Heraldes. p. o <ue para ele tamb-m potencializa e garante segurança e esperteza nos *ogos afeti!os extraoficiais. não tens para onde espairecer a imaginação nem a re!olta. Os sonhos coleti!os de mudança social transformam$se em fragmentos pri!ados <ue se re!ezam em import"ncia conforme o !alor de uso e de troca. ABRIL – . 2 *o!em personagem chama$se 2na 1alma. reduzindo a diegese B Casa do Leborão. permuta o amor por causas abstratas e bandeiras ideológicas de dimens. 2bril de 6889 62 . e !ice$!ersa.Jos.refer'ncia obrigatória. portanto. Lisboa *% não estampa em suas a!enidas e bairros os conflitos políticos <ue cercam as personagens de "otícia da cidade silvestre. Ae em "otícia da cidade silvestre as personagens acreditam em pro*etos utópicos de grande alcance coleti!o. dominar o descontrole proporcionado por tal afeto. olhando para os seus che<ues e os seus cart. 6P9@ Contrariando romances anteriores. assediados por corporaç.es significati!as e iguais.es financeiras e midi%ticas. 2 crise das ideologias e da utopia .Luís Hio!anoni 4ornos )m O Jardim sem limites. Casado. de um imagin%rio ideológico em <ue a utopia de mundo li!re. preconceitos no tratamento com o outro. 1elo menos tinhas uma estrada a percorrer. . Lídia Jorge. com filhos e netos.!isto Inuma perspecti!a mais cínica do <ue fan%ticaJ. declara uma personagem. primo de Heraldes. perseguido por meio de alteração radical das relaç. reconhecida igualmente por 2nita Acarlet. por !ezes.al fato atordoa Heraldes. . narrati!a em <ue enfatiza os *ogos do amor. . 6. )mbora refer'ncias políticas se*am mínimas. mas igualmente exp.

abandonando família e profissão. duas características suas& comportamento inseguro diante do impre!isto e incapacidade ideológica de compreensão do uni!erso local. isto -. inicialmente promessa de espaço idílico do amor. deixando Heraldes B deri!a. :iferentes 1ortugais. campa a campa para um no!o campo santo. 6. mergulham nas %guas da represa a fim de reencontrar o território original # leia$se tradição # . transforma$se em território de in<uietação. aceitos durante anos.e!ista do /0cleo de )studos de Literatura 1ortuguesa e 2fricana da 344. 1ara o engenheiro. :% se<u'ncia Bs preocupaç.Lídia Jorge& territórios da paixão e da escrita antecipando. simultaneamente. Com todo o cuidado tinham conseguido transplantar a igre*a pedra a pedra.es para o acontecimento fatal. =996. representados em etapas históricas específicas. ancorado em distintas concepç. os cinco dias na Casa com 2na 1alma superam sua exist'ncia anterior.es. O desenlace tr%gico impede$o de seguir seus pro*etos. an*o a an*o. <uestionamento e dissolução. con!encido pela estada na Casa. podem ser obser!ados na ICasa do LeborãoJ. tumultuando os pensamentos da personagem. ==S$ ==Q@ 2 incompreensão do fato social estender$se$% para o campo das relaç.uma situação inexplic%!el B personagemQ. sinalizam uma característica significati!a da natureza da escrita *orgeana& o estímulo B compreensão da realidade social atra!-s da alegoria e do símbolo. passando pelo arrependimento e indiferença. desestabilizando os planos do engenheiro. modificando$a em seus !alores e opç. Os cinco dias na Casa de Leborão. uma !ez <ue a Iempresa ha!ia construído um bairro com !ista para o rioJ. esses homens de chap-u passa!am as tardes de :omingo a imaginar as !elhas casas !erdes entre limos. e ainda tinham pago <uinhentos contos por cada agregado familiar.es da autora com o sentido do espaço <ue acaba por acionar e disseminar !alores. 2 Casa do Leborão. 2 ação inusitada dos camponeses escapa ao entendimento do executi!o.enfatizada em !ltima dona. o executi!o não entende os fre<uentes suicídios de camponeses nas barragens da empresa. le!ando$a para m0ltiplas e obscuras zonas sentimentais. 2 crise do discurso masculino .es materiais a eles ao erguer& casas brancas e modernas em substituição das suas <ue eram !elhas e descon*untadas. n7 6.es ideológico$artísticas. 5ol. )ra uma resist'ncia incontrolada. rememorados por Heraldes. <uase pretas. abalando suas con!icç. e mesmo assim. oferecendo melhores condiç. 2 !ariedade e extensão territoriais concorrem com a presença de espaços menores <ue. reduzida B rotina e monotonia. alegorizadas na composição espacial labiríntica da habitação. :e <uando em <uando faziam esperas na barragem e mata!am$se. na ICasa da 2raraJ e na ICasa de ABRIL – .es ideológicas de Heraldes. os mesmos bancos. Heraldes est% con!icto de <ue de!e mudar sua situação.es afeti!as. >Jorge. p. desamparados da terra. O romance !ltima dona destaca um aspecto <ue se repete em outras narrati!as de Lídia Jorge& a casa como constituição alegórica e simbólica da identidade nacional?. Ca!iam reproduzido um largo com o mesmo !olume. Ca!iam mesmo transferido os mortos. embriagam a personagem. 2bril de 6889 63 . :a submissão B !iol'ncia. O esfarelamento identit%rio dos camponeses <ue. osso a osso. circulando ininterruptamente em torno do ambiente em busca das raz. <ualificados por ob*etos m0ltiplos. con!encionadas a partir da administração de conhecimentos científicos aplicados com rigor e plane*amento. Os saltos interferem nas concepç.es.

descrita entre a dissolução do modo de !ida rural. 2 digestão incDmoda de sua figura precisa ser realizada. o filho Lalter Hlória :ias e sua filha. agrega em seu espaço ABRIL – .Jos. pro!ocando temores <ue.e!ista do /0cleo de )studos de Literatura 1ortuguesa e 2fricana da 344. em O dia dos prodígios. negada como filha. alegorizadas pelas personagens 4rancisco :ias. a saída da<uele espaço oportuniza. B in<uietação de Lalter. e a igualmente problem%tica aus'ncia de refer'ncias. em seguida. 2 reescrita da presença de Lalter :ias na casa . 2crescente$se ainda. 2o mesmo tempo. detentora da !oz narrati!a <ue rea!alia o passado B luz de ob*etos e depoimentos deixados pelo pai e familiares. reflexo do estado social portugu's. em "otícia da cidade silvestre. . 2 falta de uma filiação segura emerge repetidamente B medida <ue a personagem principal recusa a unidade familiar dos :ias.es do passado. )m O vale da paixão. 2 casa. 2 filha de Lalter realiza a desconstrução imag-tica da casa. de!em ser eliminadas. exceto Custódio. encarnada por 4rancisco. local de partida para a reconstrução da identidade da *o!em. emigram #. produzida pela dispersão pós$ re!olucion%ria. )m O #ardim sem Limites. des!encilhando$se dos ob*etos do passado <ue. regido pelo medo. uma unidade de produção B semelhança do estadoJ . desconstrói a identidade paterna.ais fisionomias ar<uitetDnicas de!em ser re!istas para <ue não se*am outra !ez cercadas pela loucura da guerra e do arbítrio. em muitos planos.feita pela filha <ue recomp. respecti!amente presentes em !ltima dona. 2 purificação do espaço. sil'ncio e opressão. O passado e a aus'ncia de Lalter tamb-m assombram a casa. passando pela busca incDmoda e necess%ria da construção de identidade de sua filha.re!ista com amargura e ironia pela filha de Lalter. submetidos ao es<uecimento por um secreto conluio familiar. traduz precariedade material e emocional( portanto. pertencente B família Lanuit.exposta na ICasa da 2raraJ. afetado por uma no!a ordem econDmica mundial. . a casa onde residem as personagens Carminha e sua mãe. o ateli' onde reside a personagem J0lia Hrei. procurando no manto militar do pai ausente a origem identit%ria. n7 6. em O dia dos prodígios e o ateli' onde !i!e J0lia Hrei. 2 su*eira e as nódoas. em 5almares # cu*os filhos.e episódios. pelas diferenças e o tempo. atra!-s da limpeza di%ria da casa por Carmem. embora significati!os. inscriç. tradicional e pr-$re!olucion%rio alegorizado pela casa dos :ias. defendida por 4rancisco :ias como Iuma empresa sólida. inicialmente. O declínio econDmico e político do salazarismo.Luís Hio!anoni 4ornos 5almaresJ. para. necessita ser Ila!adaJ a fim de alcançar acolhimento9. )m "otícia da cidade silvestre. 6. O #ardim sem Limites e O vale da paixão. a Casa !ai mostrando lentamente as fissuras causadas pelo preconceito. est% representado na Casa de 5almares. mesmo calados B força. B da nação portuguesa. rumo no!o B identidade da personagem. reinaugurando$a sob outras perspecti!as. 2bril de 6889 64 .ais IcasasJ informam m0ltiplos sinais para a compreensão das sub*eti!idades e identidades em *ogo. impossibilitam independ'ncia e maturidade. 5ol. possibilitando a abertura para no!os e promissores encontros sonhados. :a absoluta ade<uação ao período. território emblem%tico em <ue se entrecruzam tr's distintas refer'ncias ideológicas. gualmente são registros fotogr%ficos exemplares da historiografia social e política do 1aís. 2 casa. embora não receba nomeação própria. Os sintomas do autoritarismo refletem$se nas tr's personagens. a tra*etória das personagens e<ui!ale. maculada. buscar a sua. uma no!a -tica artística e social . alegoriza uma identidade <ue. aparecem somatizados no corpo familiar.

acabam abastecidos regularmente pelas famílias a fim de <ue possam realizar seus pro*etos. refer'ncia simbólica ao imagin%rio social da *u!entude em outro período. embriagados pela competição e lucro desenfreados.es paradigm%ticas do descr-dito político e desalento coleti!o.recusado. o protocineasta 4alcão. 2 recusa do pr'mio le!ada a cabo por Leonardo acontece após seu contato com a personagem . 2bril de 6889 65 .icardo 2sse. m-todos e ideias. 1aulina e 4alcão. por-m sonhando com a independ'ncia financeira. sonhando em consumir no!os produtos oferecidos pelo mercado. 1aulina encora*a o amigo a %rduas dietas e prolongadas gin%sticas.es econDmicas e indi!iduais=8. :istantes do con!í!io familiar. os *o!ens in<uilinos procuram. cedendo espaço a um comportamento !oltado para aç. sugere <ue $tatic %an atue num filme. 2 resposta simbólica B natureza ideológica de Lanuit . )x$re!olucion%rio de es<uerda nos anos S8TQ8. <ue pretende transform%$lo num artista de fama internacional. Os in<uilinos são representaç.es ao modelo econDmico por parte dos ex$companheiros de luta.es dos *o!ens in<uilinos. poeta <ue interpreta os exercícios do garoto como alegorias da ati!idade po-tica. pondo em <uestão as estrat-gias. 6.Lídia Jorge& territórios da paixão e da escrita *o!ens personagens em busca da fama. culminando na dissolução do casamento e na aplicação inade<uada do legado ideológico da personagem. reafirmando sua confiança num trabalho executado em segredo. atra!-s de ati!idades inusitadas. transformando$o em su*eito marginal. perde expressão.es empresariais e financeiras. são desta<ues. 2o tomar conhecimento do fato.contraposto pela esposa Julieta <ue. 2 reaproximação de 1aulina com Leonardo ocorre <uando outro *o!em in<uilino da Casa da 2rara. O trabalho .es do escritor com Leonardo aceleram o rompimento com 1aulina. Aeu esforço em não pactuar com o sistema a fim de perpetuar suas crenças políticas torna$se pat-tico e como!ente. 5ol. compensadas ao proporcionar ao *o!em o recorde mundial em Iimobilidade !olunt%riaJ==. deixando ao espectador registros com a mínima manipulação narrati!a. filhos da pe<uena burguesia <ue. inserir$se socialmente.e!ista do /0cleo de )studos de Literatura 1ortuguesa e 2fricana da 344. assessorado pela *o!em 1aulina. O isolamento espacial # !i!e num casebre agregado ao casarão $ e ideológico de )duardo . )duardo re!olta$se. Localizada na Oaixa lisboeta.a ati!idade desen!ol!ida pelo *o!em Leonardo <ue incorpora a personagem $tatic %an cu*a tarefa consta em permanecer !oluntariamente imó!el maior tempo possí!el. 2 personagem segue um ritual sistem%tico de exercícios. O enga*amento em ati!idades político$partid%rias. obser!ando similaridades metodológicas entre as duas pr%ticas. !'$se !encido por outro contexto <ue o le!a ao isolamento. 2 realidade de!e ultrapassar a construção imag-tica. 2s relaç. 2o empreender secretamente a busca de emprego regular para o esposo. esp-cie de empres%ria do garoto. )m contrapartida Bs opç. a personagem )duardo traduz o sentimento da possibilidade in<uestion%!el de uma sociedade *usta e igualit%ria. donos da ICasa da 2raraJ e os *o!ens in<uilinos Leonardo. recorre aos ex$companheiros de Lanuit para <ue esses consigam uma colocação profissional para o marido. a personagem exp.e$se ao ass-dio dos conhecidos <ue atuam em cargos direti!os de grandes corporaç. !alores disseminados pelo contexto político presente. entre outros. )duardo Lanuit rabisca nas paredes da casa um <uadro estatístico sint-tico em <ue a!alia e *ulga o comportamento dos companheiros de outrora. <ualificando$os de traidores. 2s personagens )duardo Lanuit e sua esposa Julieta. a ICasa da 2raraJ hospeda. :esencantado com as ades. O desenlace tr%gico transforma$se ABRIL – . sem recursos. n7 6.

)m tal ordenamento. serial &illers portugueses. 2 paixão e a escrita afetam as relaç. tornando outros obsoletos ou ainda hibridizando$os. Aua cinematografia pretende a !alorização de imagens cruas. Os dois eixos. da ostentação B decad'ncia. sob o comando hegemDnico norte$americano. Ae UOrsonVLelles esti!esse na<uele instante a nascer. saberia <ue a grande mudança estaria na colheita bruta da realidade. PG@. de forma contraditória. marcado por dilemas locais. suicídios. sem representação. pensaria como ele.>Jorge. manifestaç. multiplicam$se espaços de contato # real ou não #. .rag-dia e euforia assinalam a presença da<uele monumento. <ueria antes de mais e em primeiro lugar. das acti!idades produti!as de proximidade. ABRIL – . 2s marcas da desterritorialização são apreendidas contraditoriamente. preconizando a discussão dos limites -ticos da intencionalidade artística. transformar$se num !erdadeiro repórter. 2 paisagem urbana acolhe no!as personagens <ue.es refletem um no!o tempo portugu's. numa estrutura polifDnica artificial uni!ersal. tais manifestaç. Iuma economia e uma cultura cada !ez mais desterritorializadas só podem ter como resposta a reterritorialização. representantes do modo como acolhido o hotel na comunidade. O Cotel 2lguergue alegoriza um tempo social em mutação <ue afeta. sob os efeitos do desordenamento moral e econDmico. um no!o cinema directo capaz de colher a arte da bruteza real da !ida. . ocupam import"ncia o Cotel Atella Faris e o Cotel 2lguergue.es de produção operadas por no!os ní!eis de hierar<uia e su*eição. p.Jos.es <ue informam uma Lisboa !iolenta.es de arte de 4alcão. sobressaindo$se outras características do discurso ficcional de Lídia Jorge. O domínio e o declínio colonial portugu's na Nfrica são representados pelo primeiro <ue.J 2inda sob balizamento histórico$espacial. n7 6.oda!ia. respecti!amente presentes em costa dos murm!rios e em O cais das merendas. sem o artificialismo artístico& acredita!a no filme ao !i!o. 4alcão procura capturar cenas de assassinatos. artísticas e políticas. 2bril de 6889 66 . 5ol. p. instigando materialidades e dese*os no!os. abriga ri<ueza e alegria. regionais e nacional em !ista da crescente aceleração e dominação política empreendida pela globalização econDmica capitalista. 2s ideias em torno de um cinema$reportagem norteiam as noç.Luís Hio!anoni 4ornos em espet%culo. uma comunidade rural do 2lgar!e. ainda <ue !istos com ironia. contraditadas pela !iol'ncia política e a mis-ria <ue cercam a !ida do empreendimento ar<uitetDnico=6.es amorosas. )m O #ardim sem limites. as fronteiras dissipadas moti!am. induzido por relaç. acentuando possibilidades de reflorescimento identit%rio. a in!enção de no!as produti!idades coleti!as locais. sem scriptum. trazendo esperança e desgraça. são as personagens Aebastianito Huerreiro e sua filha . sem id-ia pr-!ia. O desconforto pro!ocado pela desterritorialização ilimitada est% sinalizado a partir do título do romance. psicopatas criminosos. 2 compreensão e solução de tais sentimentos são buscadas na figura da paixão e da escrita. a redescoberta do sentido do lugar e da comunidade. in<uietação e ousadia. insegurança e medo. su*eitas B incerteza. S=@ 2uxiliado por outros *o!ens da casa. 6. refugiam$se numa -tica artística e comportamental du!idosas. =99G.e!ista do /0cleo de )studos de Literatura 1ortuguesa e 2fricana da 344. paradoxalmente. Como salienta Ooa!entura de Aouza Aantos >6886.os%ria. moti!ando medo.

atra!-s de pe<uenas aç. hibridizadas.J. a paixão con!erte$se em frustração. ineditamente estruturado.es. potencializam transformaç. B decepção. embriagando$a por completo. para <ue os mesmos não se*am engolidos num excessi!o ufanismo. pela cultura local.e!ista do /0cleo de )studos de Literatura 1ortuguesa e 2fricana da 344. le!ando$o a abandonar o país. O mapeamento nacional perseguido atra!-s do corpo feminino. o surpreendente era o corpo unir$se por Icinturinhas estreitas como se fosse miss Laura <uebrar por aí. contagia. re!elam igualmente a import"ncia desse poderoso sentimento. 6.es. procura reaprender o amor apaixonado. ao experimentarem a paixão. casado por longos anos. mas igualmente experimentam o arrefecimento do entusiasmo. 2 paixão por 2rtur Aalema moti!a J0lia Hrei a romper com o passado. ainda <ue esta possa ser admitida na ele!ação da escrita e na representação da pr%tica artística. então. em meio B embriaguez.mas em ponto grande. )m <ue pese a altura e o !olume disforme da amante. sobretudo. 5ol. a transformação do comportamento humano e da realidade.J 2 idealização de um outro espaço identit%rio . dificultando o distanciamento dieg-tico. 2 trag-dia sabota o sonho alme*ado. criando desalento B J0lia. hóspede do Cotel 2lguergue. contudo.es amorosas da personagem se*am e!identes. ou ainda pelas formas Iprensadas e lisasJ das mane<uins de re!ista. C% cumplicidade do leitor com os amores !i!idos. o engenheiro Heraldes. a paixão amorosa e política. O encantamento da turista estrangeira entorpece Aebastianito. silenciosamente ruminado pelo ex$campon's. O romantismo e o ceticismo absolutos são desacreditados por sua narrati!a. muitas !ezes. 2 paixão amorosa contamina as principais personagens. 2s recusas dos pro*etos de Aalema tornam o *o!em c-tico. semeando a possibilidade amorosa.es nacionais e culturais. h% a e!ocação m%gica da imagem de miss Laura. formalizarem uma síntese definiti!a. encarnação ao !i!o das coisas f-rteis e abastadas e do e<uilíbrio inst%!el e sutil das opulentas e diferentes partes do corpo. 5i!ida em bre!es instantes da !ida. re!istas dinamicamente.ais espaços são !i!idos com intensidade dial-tica. n7 6. )m O cais das merendas. dando marcha. ainda <ue as ilus. 2bril de 6889 67 .oda!ia. )m !ltima dona. como garrafinhas de mateus ros.es históricas. de !ltima dona. a paixão triunfa sobre a con!enção. 2 autora remete$nos a uma escrita <ue se alterna entre a emoção e a reflexão. :iante das personagens apaixonadas. o romance paródico$irDnico de Lídia Jorge narra os sentimentos com distanciamento crítico ao entrelaç%$los Bs condiç. em "otícia da cidade silvestre. incendiando pensamento e memória das personagens apaixonadas. sem. estampada na alegoria de um Ic"ntaro roliçoJ. J0lia . . alegorizada na Icamp"nula de !idroJ. nas ancas <ue Imenea!am como uma !erdadeira falaJ. . O discurso irDnico encobre.construída pela mistura da narrati!a corporal B das relaç. no entanto. met%fora da identidade enfeitiçada pelas formas de ser e estar estranhas. )m contrapartida B simplicidade das formas nacionais. O despo*amento e o !oluntarismo de Aalema atraem a moça. 2 embriaguez se encerra. e o engenheiro Heraldes.Lídia Jorge& territórios da paixão e da escrita 2s personagens de Lídia Jorge. dando !erossimilhança Bs ABRIL – . 2 personagem J0lia Hrei. buscando. o embriagamento amoroso de Aebastianito Huerreiro pela inglesa Fiss Laura. a sacudir$se Iligeiras e abauladas no fundo dos <uadris em arco em !olta. ao en!ol!erem$se plenamente em tais esferas. libertando$se dos sentidos ditados pelo trabalho regular e pela família.seduzida pelo romantismo político de Aalema <ue encora*a a *o!em a obser!ar a sociedade sob outro "ngulo. rememorado por Aebastianito na figura da esposa.

Luís Hio!anoni 4ornos aç. at. filosófico.es e pensamentos de suas personagens. nunca ningu-m me !eio bater B porta pelo barulho da m%<uina.es ideológicas. 9G@ interroga& Ia neutralidade -tica do artista não suprimiria uma das mais antigas funç.emingtonJ pelos demais moradores # refer'ncia B m%<uina de escre!er pertencente B personagem #. 6. experimentados pelas personagens da autora. 2 pala!ra como fiadora exclusi!a da !erdade histórica global comprometida pelo drama da contradição.Jos.. Concepç. )m O #ardim sem limites. 2s personagens descobrem em tal recurso não somente uma forma de distensão emocional e afirmação identit%ria. ao comentar <ue I<ual<uer <ue se*a a resposta. denominado de I<uarto da . uma experimentação com !aloresRJ 2 experi'ncia com !alores. 8G@ 2 met%fora da escrita relacionada ao trotar rude do ca!alo e B solit%ria embriaguez alcoólica estende$se a outros fenDmenos discursi!os e artísticos. e caminha!a na escrita com o passo bruto do ca!alo. 2bril de 6889 68 .es dos *o!ens. por interm-dio da ficção. p. )mbora o plano da história # enunciado # se*a destacado.emington. >Jorge.es ideológico$artísticas !ari%!eis e em conflito são representadas. artístico. /essa altura eu tinha um pro*eto mais amplo do <ue o meu próprio alcance. etc. percorre a obra de Lídia Jorge. funciona como alternati!a aos desconcertos do mundo indi!idual e coleti!o.es entre -tica e produção artística. ao mesmo tempo. com aparente distanciamento e e!asão. 2o comentar sobre as relaç. Mueria tudo # a!ança!a estudando a estrada e le!antando a poeira. disseminada contraditoriamente. tem razão o filósofo. informando o papel da escrita e seus di!ersos meios na elaboração. n7 6. deri!ando$a. a representação da realidade.traçada a partir de duas direç. Ou se !ieram. Os romances polifDnicos de Lídia Jorge preconizam o discurso artístico como ati!idade enga*ada. a de constituir um laboratório em <ue o artista le!a adiante.es complementares <ue se entrecruzam de forma intermitente e problem%tica& a natureza e função da arte e o compromisso -tico do artista.es da arte. transforma!am as pala!ras <ue escre!ia num ruído poderoso e triunfal. p. 1aul . =99G.icoeur >=99P. a po-tica não cessa de tomar empr-stimos da -tica. refugiada num dos <uartos da Casa. religioso. a paixão pela escrita& as teclas da . 2 in<uilina. 2 linguagem artística # do texto escrito B imagem fotogr%fica e cinematogr%fica # . /esse sentido. repercutindo$se em duplo. 2 escrita polifDnica *orgeana pro!oca tens. /ão h% sobreposição da representação do ob*eto escrita sobre os e!entos narrados. não senti. anunciando. mediada pelas circunst"ncias históricas.mesmo <uando ABRIL – .es 0nicas e definiti!as acerca do car%ter das personagens e suas representaç. atra!-s do recurso irDnico e metaficcional. problematizado pela escrita li!re <ue. /ão. no entanto. O conhecimento científico. a Casa da 2rara acolhe importante personagem <ue. mas igualmente conferem Bs pala!ras um tratamento ideológico exemplar <ue <uestiona a neutralidade -tica do artista. acompanha as filiaç.e!ista do /0cleo de )studos de Literatura 1ortuguesa e 2fricana da 344. de uma perspecti!a paródica <ue multiplica. Lídia Jorge tamb-m preocupa$se com a representação do discurso # enunciação #. da memória m0ltipla e din"mica <ue problematiza e desconstrói afirmaç. 5ol. gozando ao mesmo tempo da solidão do percurso como se fosse um %lcool.es e tra*etórias artístico$ideológicas dos membros da<uele lugar.es contínuas <ue conduzem ao posicionamento -tico$político em permanente contradição. desmascara as m0ltiplas intenç.

ita. a !ida transfigura$se.metaforicamente rasurado. pessoais e coleti!as. 2 escrita artística realiza o trabalho de luto identit%rio. funcionando ambas positi!a ou negati!amente. 2 mediação simbólica . 2o interlocutor. conforme o acolhimento ideológico da recepção.o pó parece deixar de cair. ao seu modo. EGE$EGP@ /as obras de Lídia Jorge. 2ssim. J0lia confessa a sedução da escrita <ue parece suspender o real.ita. carregam consigo a tensão das relaç. com ironia e emoção. . humano e en!ol!ente como uma pele. duas maneiras de encarar a arte.es das narradoras mulheres *% mencionadas.a escrita <ue.es e os desafios a <ue est% submetida a ati!idade do artista. o entusiasmo conferido B escrita e B arte . O papel .tão física e tão real <ue at. as contradiç. procuram defender$se das d0!idas e dí!idas. profanado. submetido Bs relaç. mais !i!o e claro& Como sabe.Lídia Jorge& territórios da paixão e da escrita prega a suspensão de <ual<uer *uízo moral ou mesmo a sua in!ersão irDnica. Julia Hrei e as int-rpretes de O #ardim sem limites e O vale da paixão dedicam a escrita a exercícios de reflexão e compreensão. 4ernando . ocupando. desce e pousa. p. aparece como paradigma importante <uanto B função utópica do artista. tornando$o. fecha sua cortina. Q8@ )m <ue pese a mediação irDnica. deslizo pela folhas a ronceira da esferogr%fica. e assim <ue tudo sossega. Leonardo e 4alcão.es sócio$ afeti!as. B medida <ue elas assumem a profecia da re!isitação do corpo. torna$ se ferramenta essencial para as personagens femininas. )!a Lopo. no!as identidades narrati!as& din"micas. Muando isso acontece.es simbólicas e alegóricas de um 1ortugal em transformação. assaltado. particular e coleti!o. espaço específico no <uestionamento dos indi!íduos e sociedade.e a <ualidade -tica da ação. O *o!em escultor persegue a feitura do ob*eto com paci'ncia.e!ista do /0cleo de )studos de Literatura 1ortuguesa e 2fricana da 344. <ue. mediados pela escrita. praticando$a em cadernos.em parados. atendendo ao ensinamento do seu mestre João Fartinho& I2 arte sempre ser% uma pro!a de paci'nciaJ. )m "otícia da cidade silvestre.odos os seres em casa se p. cartas.es di!ergentes não in!alidam a crença da import"ncia do testemunho particular da arte como forma de <uestionamento simbólico e alegórico da história social e indi!idual. W tudo o <ue tenho feito. praticados em nome da Cistória oficial. aí <uieto. 2tra!-s da confissão escrita. correspondendo Bs declaraç. fundando. ense*ando encontros ou desencontros familiares e amorosos. Aó <uando me le!anto ele sobe.um tecido doce. grosso modo. simbolicamente mediada. a meio caminho entre as frinchas e as coisas. com seus m0ltiplos recursos. a autora ItrabalhaJ numa perspecti!a calculadamente crítica <ue absor!e. 2o representar o discurso artístico e sua função em suas narrati!as. 9G@ O pro*eto de neutralidade pressup. Os diferentes espaços # históricos. apontamentos. . di%rios. m0ltiplas. =9?P. p. as personagens 2rtur Aalema e 4ernando .es de poder. >i'idem. entre outros. ) essa paragem . dessa forma. empenhado em sua obra. paradoxalmente. Os romances de Lídia Jorge são manifestaç. 6.enorme. 2bril de 6889 69 .J >i'idem. Ob*etos ABRIL – . acentuam ImodelosJ em conflito <ue encarnam distintamente o fazer artístico. 5ol. sociais e geogr%ficos #. n7 6. o mundo abre. pro*etando !alores <ue desafiam os regimes de !erdade. desmaterializado para dessa excursão po-tico$terap'utica ressurgir li!re e respons%!el. suspenso no ar B espera. possuo um monte de papel B mão. dissonantes e situacionais. h%. >Jorge. =9?P. conspurcado. 2s concepç.

Os conflitos entre perman'ncia e mudança. a guerra colonial e a . /esse sentido. testadas na experi'ncia !i!a do cotidiano. . entre outros.>=9??. 3m dos espaços centrais .Jos. 6GG@ 2 romancista escre!e sob o signo das territorialidades identit%rias em transição. re!istos com ironia e emoção.es afeti!as dos su*eitos. B !isão da mulher os dramas da nacionalidade. p. mas como mat-ria real do nosso mais amplo e subtil sofrimentoJ. /a obra de Lídia Jorge. n7 6. p. . experimentou o declínio econDmico. cada coisa. )m costa dos murm!rios. cada relação pode significar outraJ.es afeti!as entre o psicanalista Orlando Campos e seus pacientes.ossiana n%cio e o angolano L%zaro Catembe. O romance (om'atermos a som'ra gira em torno das relaç. Aão estatutos do corpo narrati!o <ue potencializam o !er e o sentir.e!ista do /0cleo de )studos de Literatura 1ortuguesa e 2fricana da 344. lugar em <ue as m0ltiplas ABRIL – .ao mesmo tempo exaltado e des!alorizado. Os Leandros) antiga família tradicional e de prestígio durante um período importante da !ida nacional portuguesa no s-culo XX <ue.o edifico Holdini onde se localiza o consultório de Orlando. trazida B consci'ncia dos su*eitos atra!-s da memória e da pala!ra.ais elementos funcionam como extensão das express. Lídia Jorge apresenta$os sob olhares m0ltiplos. aromas e cores. em mais de uma ocasião. pressionados pelo entrecruzamento político$cultural. oferecendo um en<uadramento pleno da ambientação. !ítimas da !iol'ncia e da dominação colonial portuguesa.o espaço <ue d% início aos conflitos de classe e cultura <ue demarcarão a estrutura narrati!a. paulatinamente. encerram$se em torno de marcos históricos <ue balizam o romance portugu's contempor"neo& o salazarismo. descontrola$se. 5ol. 1ara a personagem. presentes na sua narrati!a. ampliando os significados da realidade imediata. Icada pessoa. Composta por imigrantes oriundos do ar<uip-lago de Cabo 5erde. acusando$o de sel!agem. nem sempre transparentes. delegando. =9S@.e!olução dos Cra!os. o mundo profano . )!a Lopo contraria os materiais utilizados pelo artista numa escultura em <ue pretende representar o massacre de negros africanos. I!itimandoJ duas personagens& a portuguesa branca Filene e o oper%rio negro 2ntonino da Fata. numa perspecti!a alegórica. 2bril de 6889 70 . conduzidos pelos tios. 2 ex$f%brica de conser!a Leandro . as personagens Faria London Loureiro. )ste 0ltimo busca a*uda ao m-dico de!ido a um IcuriosoJ trauma& não IreconheceJ os seus compatriotas <uando estes estão dirigindo os coleti!os p0blicos nas ruas de Lisboa. não como símbolo. a multiplicidade de sentidos espacio$temporais . O primeiro aborda o encontro de duas famílias <ue representam posiç. Como destaca Lalter Oen*amin >=9?P. :esses destacam$se. NOTAS =.Luís Hio!anoni 4ornos fant%sticos ou não auxiliam no redimensionamento metafórico das identidades pessoal e coleti!a.preenchida ainda pela recorr'ncia a sons.es culturais e políticas distintas em território portugu's. in!estido de poderes plurissignificati!os <ue o fazem aparecer incomensur%!el. 6. Lídia Jorge apresenta mais dois& O vento asso'iando nas gruas >6888@ e (om'ateremos a som'ra >688Q@. 2l-m dos romances examinados no presente estudo. 2o deparar$se com um deles. a família %ata !i!encia o impacto da sociedade de consumo e as alternati!as proporcionadas pela cultura de massa em 1ortugal. a Iescultura exacta de!eria ser uma amplo caldeirão de fezes. procura manter$se economicamente B custa de negócios. e!olando$se permanentemente.

um suplemento do mundo real.ad<uirida pela pedra. ?. personagem de O cais das merendas.:.o capital em tal grau de acumulação <ue se torna imagem. . /ão . substituído pelo incremento de no!as relaç. Ou menos do <ue isso # o <ue ha!ia era banditismo. O <ue ha!ia ao /orte Ude Foçambi<ueV era uma re!olta e a resposta <ue se da!a era uma contra$re!olta. mportante destacar o pro*eto de pes<uisa I2 casa portuguesa& uma forma de escre!er 1ortugalJ. adaptando$os em no!a modelagem. O termo refere$se igualmente ao período de descanso. realiza reflex. 2o deixar a pedra em seu lugar de origem. sociedade do espet*culo.o suicídio da adolescente . pela imigração.Lídia Jorge& territórios da paixão e da escrita histórias dos pacientes !ão sendo tecidas para o deleite dos leitores do romance.parodiada e ultra*ada em sua ess'ncia.acrescentada.al posição.um aspecto central do romance. P.e!ista do /0cleo de )studos de Literatura 1ortuguesa e 2fricana da 344. Como destaca uma das personagens do romance& Io tiro . 5ol.es transnacionais. modelando *uízo est-tico dos fre<Yentadores do local.os%ria. Aob todas as suas formas particulares # informação ou propaganda.a síntese da Cistória. 6. defendida por grupos econDmicos e grandes corporaç. 6.es locais. 2 substituição do termo merenda por IpartieJ denota uma transformação ideológica do perfil dos moradores. Como se destaca no decorrer do presente ensaio. Hu+ :ebord destaca& Iconsiderado em sua totalidade. Como salienta Jorge da Ail!eira. a crítica de Lídia Jorge Bs desigualdades econDmicas. gualmente emblem%tico . 2 personagem )!a Lopo recorda I<ue ningu-m fala!a em guerra com seriedade. O salto mortal dado do alto do Cotel 2lguergue em direção B pedra <ue d% nome B construção. uma decoração <ue lhe . inter!alo !i!ido após plantaç. do ensaísta.?8@ S. 2 natureza . =99Q.es produti!as e culturais. responde B crise identit%ria da garota. H. O espet%culo . 2 trag-dia . a pedra aparece como fenDmeno est-tico do <ue em elemento da tradição local.io de Janeiro& Contraponto.destronada por Lídia Jorge ao fazer emergir da pedra o desencanto de uma identidade conspurcada.ao mesmo tempo o resultado e o pro*eto do modo de produção existente.J >p. n7 6. 2 remoção e perman'ncia da pedra alguergue próxima ao local onde est% o hotel simula uma no!a ordem dada B natureza e B região. o espet%culo constitui o modelo atual da !ida dominante na sociedade.es dialetais locais . nestes dois romances. di!idida entre as formas tradicionais e modernas de ocupação do espaço 2 morte da *o!em sintetiza a <ueda de um modelo específico de país.es em torno da met%fora da construção da casa como uma forma de pensar 1ortugal por meio da escrita. predomina. publicidade ou consumo direto de di!ertimentos $. poesia e ensaio.J>p. o espet%culo . a id-ia . o não reconhecimento das diferenças culturais e B exacerbação do consumo cultural. W o "mago do irrealismo da sociedade real. QP@ G. a repressão do banditismo chama!a$se contra$sub!ersão. pelo exílio. /o!a estrat-gia narrati!a . /ão guerra. cu*o significado est% circunscrito Bs festi!idades rurais realizadas pelos camponeses da região ao comemorarem a produção do trabalho agr%rio. numa cultura marcada pela !iagem. E. .J>:)OO. os agentes produtores respeitam os !alores das populaç. 2bril de 6889 71 . 2ntropofagizada pelo olhar dos agentes de produção.@ Q. 2 personagem Zulmira Aantos preconiza o uso da pala!ra IpartieJ em !ez de ImerendaJ.perceber de <ue maneira o Iescritor portugu's representa nas casas de escrita a busca obsessi!a ABRIL – . atra!-s da leitura de textos de narrati!a.es e colheitas. . 2 utilização da língua inglesa em detrimento do portugu's e das deri!aç.a resposta irDnica ao enxerto da pedra promo!ido pelos construtores do hotel. pes<uisador e professor Jorge da Ail!eira em <ue.

Lisboa& :om Muixote.ail[a+s. encontrar os colonos brancos no mesmo passeio das ruas. 5. JO. %odernidade lí-uida. 2ntes de tomarem os pa<uetes e partirem a negociar em língua inglesa. Lalter. :OAA). =9??. =99P.Luís Hio!anoni 4ornos do espaço.@ +screver a casa portuguesa.J mas ha!ia outras raz.J >O23F2/. Aão 1aulo& Orasiliense. =8.@ 9. Oelo Corizonte& 34FH. . 5ol. pois Iteria bastado esse belo nome de e!ocação marítima. "otícia da cidade silvestre. signo exclusi!o de reconhecimento externo do 1aís. o Cotel Atella Faris era importante. 688=. \\\\.acto sem antes tornar$se cidadão. Z+gmunt. n7 6. Lisboa& :om Muixote. a presença de Ihomens abastados <ue desciam pelos . 2 parodização da identidade social e cultural de 1ortugal realizada atra!-s do feito con<uistado pelo garoto. (Recebido para publicação em 09/11/2008.PP@ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS O)/J2F /.. =99?. 1aul. Lisboa& :om Muixote. brilhando acima das palmeiras para <ue ti!esse a sua import"ncia. \\\\. estende$se ao fato. 2 liberdade conferida ao indi!íduo possui um destino pr-!io. =99Q.Jos. O cais das merendas. Lídia.=?. dando se<Y'ncia aos !alores disseminados pelo salazarismo& 1ortugal como figura 0nica e exemplar no contexto europeu e ocidental =6. pp. Como recorda a personagem )!a Lopo. Aprovado em 10/01/2009) ABRIL – . =9?6. =9?8. Jorge. =9?P. \\\\.uma fatalidade. Lisboa& :om Muixote. =996.e!ista do /0cleo de )studos de Literatura 1ortuguesa e 2fricana da 344. ainda os negros não podiam. !inham espalhar at. =999. O dia dos prodígios. 4rançois. >org.es. Campinas( A1& 1apirus. .a d-cada de cin<Yenta. .@ ==. 6. /ão h% indi!íduos autDnomos sem uma sociedade autDnoma. p.resultado sempre de uma arran*o social.J> n& A L5) . 1empo e narrativa. 1empo e narrativa. CO)3. > costa dos murm!rios. . as inumer%!eis malas. Origens do drama 'arroco alemão.H). estabelecido pelo modo de produção social. os longos dentes de elefante. . Lisboa& :om Muixote. \\\\. p. costa dos murm!rios. entre as <uais. \\\\. =9?P. O #ardim sem limites. Lisboa& :om Muixote. Z+gmunt Oauman alerta <ue a Iindi!idualidade . 1ara o sociólogo polon's. 2 argumentação refere$se Bs constantes e contínuas la!agens das !idraças para tirar os resíduos deixados pelas moscas # figuras identit%rias do 2lagar!e # impurezas <ue de!em ser extirpadas da<uele território.io de Janeiro& Jorge Zahar. =99G. Io indi!íduo não pode se tornar indi!íduo de . uma !ez <ue sua experi'ncia . O sussurro dum tempo colonial doirado !inha ali aportar. 2bril de 6889 72 . algo <ue só pode ser uma realidade compartilhada de seus membros. /essa altura.2. 5.ist/ria 0 prova do tempo& da história em migalhas ao resgate do sentido. não uma escolhaJ. e a autonomia da sociedade re<uer uma auto$ constituição deliberada e perp-tua. O vale da paixão. =999.rans$Zambeziam . ou não <ueriam. 6E$SE. \\\\. \\\\. Lisboa& :om Muixote. e por isso ainda se fala!a do modo como as banheiras primiti!as eram assentes no chão por p-s em forma de garra. !ltima dona. Aão 1aulo& 3nesp. Campinas( A1& 1apirus. 2 paródia ao exotismo <ue caracteriza muitos discursos acerca da identidade nacional.