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Filotéia Introdução à Vida Devota

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Prefácio de São Francisco de Sales

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Prefácio de São Francisco de Sales Peço-te, caro leitor, que leias este prefácio, tanto para a tua como para a minha satisfação. Uma mulher por nome Glic ria sa!ia distri!uir as flores e formar um ramalhete com tanta ha!ilidade que todos os seus ramalhetes pareciam diferentes uns dos outros. "onta-se que o c le!re pintor Pausias, tendo procurado imitar com o seu pincel tamanha #ariedade, não o p$de conse%uir e declarou-se #encido. &e modo semelhante o 'spirito Santo disp(e e arran)a com uma admirá#el #ariedade as liç(es de #irtude que nos dá pela !oca e pela pena de seus ser#os. * sempre a mesma doutrina, apresentada de mil modos diferentes. +a presente o!ra outro fim não temos em mira senão repetir o que )á tantas #e,es se tem dito e escrito so!re esta mat ria. São as mesmas flores, !en #olo leitor, que te #enho ofertar aqui- a .nica diferença que há que o ramalhete está disposto di#ersamente. / maior parte dos autores que trataram so!re a de#oção diri%iram-se e0clusi#amente a pessoas retiradas do mundo ou ao menos se esforçaram por lhes ensinar o caminho deste retiro. 1 meu intento, por m, ser .til 2queles que se #eem o!ri%ados a #i#er no meio do mundo e que não podem le#ar uma #ida di#ersa da dos outros. /contece muitas #e,es que estas pessoas, so! o prete0to duma impossi!ilidade pretensa, nem sequer pensam em aspirar 2 de#oção. 3ma%inam que, assim como animal al%um ousa tocar naquela er#a chamada Palma Christi, do mesmo modo pessoa al%uma que #i#e no meio de ne%4cios temporais pode fomentar pretens(es 2 palma da piedade cristã. 5as #ou mostrar-lhes que muito se en%anam e que a %raça em suas operaç(es ainda muito mais fecunda que a nature,a. /s madrep rolas são !anhadas pelas á%uas do mar e contudo não são penetradas delas- perto das ilhas de "elid$nia e0istem fontes de á%ua doce no meio do mar- os piranetas #oam por entre as chamas sem se queimar- as almas

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%enerosas #i#em no mundo sem impre%nar-se do seu esp7rito, acham a doce fonte da de#oção no meio das á%uas amar%as das corrupç(es mundanas sem queimar as asas de santos dese)os duma #ida #irtuosa. +ão i%noro as dificuldades do %rande tra!alho que empreendo e !em dese)ara que outros mais doutos e santos o tomassem a si- toda#ia, apesar da minha impot8ncia, farei o que poss7#el for de minha parte, para au0iliar esses coraç(es %enerosos que aspiram 2 de#oção. +ão era meu dese)o nem minha intenção pu!licar esta o!rauma alma de esmerada #irtude, tendo rece!ido de &eus, há tempo, a %raça de aspirar 2 #ida de#ota, pediu-me lhe a)udasse a conse%uir este des7%nio. 5uito de#ia eu a essa pessoa, que aliás eu )ul%a#a plenamente disposta para esse árduo tra!alho. "onsiderei, pois, como um de#er, instru7-la, o melhor poss7#el, dei0ando-lhe uma direção por escrito, que lhe poderia ser .til no futuro. /conteceu que essa o!ra caiu nas mãos de um santo e sá!io reli%ioso que, tendo em #ista o pro#eito que muitas almas da7 poderiam haurir, me aconselhou pu!licá-la. &e !om %rado anui ao seu conselho, porque esse santo homem tinha %rande influ8ncia e autoridade so!re mim. / fim de aumentar um pouco a utilidade desta o!ra, eu a re#i e pus em ordem, acrescentando di#ersos a#isos e conselhos, conforme me permitia o pouco tempo de que disponho. +in%u m procure aqui uma o!ra e0arada com esmero. * apenas uma s rie de a#isos que )ul%o necessários e a que procurei dar uma forma clara e precisa. 9uanto aos ornamentos de estilo, nem sequer pensei neles- tenho mais que fa,er. &iri)o minhas pala#ras a Filot ia, porque Filotéia si%nifica uma alma que ama a Deus e para essas almas que escre#o. :oda a o!ra se di#ide em cinco partes; na primeira esforçome, por meio de al%uns a#isos e e0erc7cios, a con#erter o simples dese)o de Filot ia numa resolução decidida, tomada depois da confissão %eral, por uma protestação firme e se%uida

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da sa%rada comunhão. 'sta comunhão, em que ela se entre%a inteiramente ao di#ino Sal#ador, enquanto o Sal#ador se dá a ela, fá-la entrar auspiciosamente no amor di#ino. Para a le#ar adiante, mostro-lhe dois %randes meios de se unir mais e mais com a 5a)estade di#ina; o uso dos sacramentos, pelos quais &eus #em a n4s, e a oração, pela qual n4s #amos a &eus. +isto consiste a mat ria da se%unda parte. / terceira cont m a prática de di#ersas #irtudes que muito contri!uem para o adiantamento espiritual- limito-me, por m, a certos a#isos particulares que não se podem achar de si mesmos ou raramente se encontram nos autores. +a quarta parte faço #er a Filot ia os em!ustes do inimi%o e lhe mostro como se li#rar deles e #enc8-los. Por fim, na quinta parte, eu le#o a alma 2 solidão, para que a7 se refri%ere um pouco, tome alento e recupere as forças, de modo que possa caminhar em se%uida, com mais ardor, nas #eredas da #ida de#ota. +osso s culo e0tremamente !i,arro e )á estou #endo di,erem-me que uma o!ra semelhante de#ia ser escrita por um reli%ioso ou ao menos por al%u m que professe a #ida de#ota e não por um !ispo encarre%ado duma diocese tão dif7cil como a minha, a qual requer para si toda a atenção do prelado. 5as, car7ssimo leitor, posso responder, com São &ion7sio, que são e0atamente os !ispo que antes de todos estão incum!idos de encaminhar as almas para a perfeição. 'les ocupam o primeiro lu%ar entre os homens, como os serafins entre os an)os, e o seu tempo não pode ser empre%ado duma forma melhor. 1s anti%os !ispos e padres da 3%re)a, que não se ocuparam menos de suas funç(es do que n4s, encarre%aram-se, entretanto, da direção de certas almas, que recorriam aos seus a#isos e 2 sua prud8ncia. * o que se #8 por suas cartas e fa,iam-no a e0emplo dos ap4stolos, que, por mais so!recarre%ados que esti#essem com a e#an%eli,ação do mundo, acharam tempo para escre#er as suas ep7stolas, cheias

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dum amor e afeto e0traordinários para com as di#ersas almas, suas filhas espirituais. 9uem não sa!e que :im4teo, :ito, Filemon, 1n simo, Santa :ecla, >pia eram filhos espirituais muito caros ao %rande São Paulo, como São 5arcos e Santa Petronilha o eram a São Pedro? ' ponho neste n.mero a Santa Petronilha, porque, como sa!iamente pro#am @ar$nio e Gal$nio, não foi filha carnal, mas espiritual de São Pedro. ' São Aoão não escre#eu uma das suas 'p7stolas "an$nicas 2 de#ota senhora 'lecta? * penoso, confesso-o a!ertamente, condu,ir as almas em particular, mas esse tra!alho não dei0a de ter as suas consolaç(es. 1s ceifadores nunca estão to satisfeitos como quando t8m muito que ceifar. * um tra!alho que ali#ia e fortifica o coração. &i,-se que, se a f8mea do ti%re acha um de seus filhotes que o caçador a!andona no meio do caminho para caçar outros, imediatamente o carre%a, por mais pesado que se)a, e, a)udada pelo amor de mãe, corre ainda mais depressa do que de costume. "omo, pois, um coração paterno não tomará a si uma alma que anseia por sua pr4pria perfeição, carre%ando-a como uma mãe a seu filho, sinta em!ora o seu peso? Sem d.#ida, esse coração de#e ser #erdadeiramente paternora,ão pela qual os ap4stolos e os homens apost4licos chama#am os seus disc7pulos de filhos e at de filhinhos. &e mais, caro leitor, - #erdade que escre#o so!re a #ida de#ota, sem que possua eu mesmo a de#oção, mas não sem que tenha um %rande dese)o de a ter- e este dese)o que me anima. Um douto di,ia; Um !om modo de aprender estudar; um melhor, escutar, mas o melhor de todos, ensinar. /contece muitas #e,es, di, Santo /%ostinho 2 piedosa Florentina, que, dando, se adquire um t7tulo para rece!er e que, ensinando, nos o!ri%amos a aprender. &i,-se que os pintores se ape%am não s4 aos quadros que pintam, mas tam! m 2s coisas que querem desenhar. 5andou

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/le0andre ao insuperá#el /peles que lhe pintasse, a formosa "ampaspe, sua amada. /peles, tendo que fi0ar demoradamente "ampaspe para ir copiando suas feiç(es na tela, aca!ou %ra#ando-a tam! m no coração. /pai0onou-se tanto por ela que /le0andre !ondosamente lha deu em casamento, pri#andose, por amor dele, da mulher que mais amou na terra. ' nisso, di, Pl7nio, re#elou a %rande,a de seu coração, tanto quanto poderia manifestá-la numa das suas maiores #it4rias. 5eu caro leitor, penso que, sendo eu !ispo, +osso Senhor quer que eu desenhe nos coraç(es não s4 as #irtudes comuns, como tam! m a de#oção que lhe tão cara- e eu o faço de !om %rado, cumprindo o meu de#er e esperando que, %ra#ando-a no esp7rito dos outros, o meu tam! m rece!erá al%uma coisa. ' a di#ina 5a)estade, #endo que me ape%o #i#amente 2 de#oção, se di%nará de infundi-la em meu coração. / !ela e casta Ce!eca, dando de !e!er aos camelos de 3saac, tornou-se sua esposa e rece!eu dele os !rincos e pulseiras de ouro. 'spero, pois, tam! m, da imensa !ondade de meu &eus, que, condu,indo as suas caras o#elhas 2s á%uas salutares da de#oção, ele escolherá minha alma para sua esposa, pondo em meus ou#idos as pala#ras de ouro de seu amor e em meus !raços a força de praticá-las. +isto consiste, pois, a ess8ncia da de#oção #erdadeira, que suplico 2 5a)estade di#ina de conceder a mim e a todos os mem!ros da 3%re)a, 2 qual quero su!meter para sempre meus escritos, minhas aç(es, minhas pala#ras, minha #ontade e meus pensamentos. /nnecD, no dia de Santa 5aria 5adalena, E=FG. Oração Dedicatória HI doce Aesus, meu Senhor, meu Sal#ador e meu &eus, aqui me tendes prostrado diante de #ossa 5a)estade, para oferecer e consa%rar este escrito 2 #ossa %l4ria. Ji#ificai com #ossa !8nção as pala#ras que cont m, a fim de que as almas, para quem as escre#i, possam delas retirar as inspiraç(es sa%radas

1ração &edicat4ria

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que lhes dese)o e particularmente a de implorar em meu fa#or a #ossa imensa miseric4rdia. +ão se d8 o caso de que, mostrando aos outros o caminho da piedade neste mundo, #enha eu a ser eternamente repro#ado e confundido no outro. /ntes pelo contrário, em companhia deles quero #ir a cantar por todo o sempre, como hino de triunfo, a e0-pressão que de todo o coração, em testemunho de fidelidade, no meio dos peri%os e #icissitudes desta #ida mortal; J3J/ A'SUSL J3J/ A'SUSL Sim, Senhor Aesus, #i#ei e reinai em nossos coraç(es pelos s culos dos s culos. /ssim se)aM.

Primeira Parte

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Primeira Parte Avisos e exercícios necessários para conduzir a alma que começa a sentir os primeiros desejos da vida devota, até possuir uma vontade resoluta e sincera de abraçá-la I – ! " nature#a da devoção /spiras 2 de#oção, Filot ia, porque a f te ensina ser esta uma #irtude sumamente a%radá#el 2 5a)estade di#ina. 5as como os pequenos erros em que se cai ao iniciar uma empresa #ão crescendo 2 medida que se pro%ride e ao fim )á se a#ultam de um modo quase irremediá#el, torna-se a!solutamente necessário que antes de tudo procuremos sa!er o que se)a a de#oção. '0iste, pois, uma s4 de#oção #erdadeira e e0istem muitas que são #ãs e falsas. * e0i%ido que sai!a discernir uma das outras, para que não te dei0es en%anar e não te d8s a e0erc7cios de uma de#oção tola e supersticiosa. Um pintor por nome /ur lio, ao es!oçar com seus pain is, costuma#a desenhar com eles aquelas mulheres a quem consa%ra#a estima e apreço. * este um em!lema de como cada um se afi%ura e traça a de#oção, empre%ando as cores que su%erem as suas pai0(es e inclinaç(es. 9uem dado ao )e)um tem-se na conta de um homem de#oto, quando ass7duo em )e)uar, em!ora fomente em seu coração um 4dio oculto- e, ao passo que não ousa umedecer a !oca com umas %otas de #inho ou mesmo com um pouco de á%ua, receoso de não o!ser#ar a virtude da tem$erança, não se fa, escr.pulos de sor#er em lar%os haustos N%oladasO tudo o que lhe insinuam a murmuração e a cal.nia, insaciável do san%ue do $ró&imo. Um que recita diariamente um acer#o de oraç(es se considera#a de#ota, por causa desses e0erc7cios, ainda que, fora deles, tanto em casa como em outros lu%ares, solta a l7n%ua com pala#ras col ricas, arro%antes e in)uriosas. 'ste a!re o !olso em consideração com

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os po!res, mas cerra o coração ao amor ao pr40imo, como quem não quer perdoar. /quele perdoa ao inimi%o, mas não pa%a as d7#idas e s4 o fa, depois de ser o!ri%ado pela força. :odas estas pessoas t8m-se por muito de#otas e são tal#e, tidas no mundo como tais, conquanto realmente de modo al%um o se)am. 3ndo os soldados de Saul 2 casa de &a#i, para, prend8-lo, entrete#e-os em con#ersa 5icol, sua esposa, para ocultar-lhes a sua fu%a- mandou meter num leito uma estátua co!erta com as roupas de &a#i e com a ca!eça en#olta em pelos. Feito isso, disse aos soldados que o esposo esta#a enfermo e que presentemente esta#a dormindo. * esse o erro que muitos que aparentam um e0terior muito de#oto e são tidos por homens realmente espirituais, mas que, na #erdade, não passam de uns fantasmas de de#oção. / #erdadeira de#oção, Filot ia, pressup(e o amor de &eus, ou, melhor, ela mesma o mais perfeito amor a &eus. 'sse amor se chama %raça, porque adorna a nossa alma e a torna !ela aos olhos de &eus. Se nos dá força e #i%or para praticar o !em, assume o nome de caridade. ', se nos fa, praticar o !em frequente, pronta e cuidadosamente, chama-se devoção e atin%e então ao maior %rau de perfeição. Jou esclarec8-lo com uma e0plicação tão simples quão natural. 1s a#estru,es t8m asas, mas nunca se ele#am acima da terra. /s %alinhas #oam, mas t8m um #oo pesado e o le#antam raras #e,es e a pouca altura. 1 #oo das á%uias, das pom!as, das andorinhas #elo, e alto e quase cont7nuo. &e modo semelhante, os pecadores são homens terrenos e #ão se arrastando cont7nuo so!re a terra. 1s )ustos são ainda imperfeitos, ele#am-se para o c u pelas o!ras, mas fa,em-no lenta e raramente, com uma esp cie de peso no coração. São s4 as almas possuidoras de uma de#oção s4lida que, 2 semelhança das á%uias e das pom!as, so!em a &eus por um #oo #i#o, su!lime e por assim di,er, incansá#el. +uma pala#ra,

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a de#oção não nada mais do que uma a%ilidade e #i#acidade espiritual, por meio da qual a caridade opera em n4s, ou n4s mesmos, le#ados pela caridade, operamos todo o !em de que somos capa,es. / caridade nos fa, o!ser#ar todos os mandamentos de &eus sem e0ceção, e a de#oção fa, com que os o!ser#emos com toda dili%8ncia e fer#or poss7#eis. :odo aquele, portanto, que não cumpre os mandamentos de &eus que não )usto e, muito menos, de#oto- para ser )usto, necessário que se tenha caridade e, para se ser de#oto, necessário ainda por cima que se pratique com um fer#or #i#o e pronto todo o !em que se pode. ' como a de#oção consiste essencialmente num amor purificado, ela nos impele e incita não somente a o!ser#ar os mandamentos da lei de &eus, pronta, ati#a e dili%entemente, mas tam! m a praticar as !oas o!ras, que são apenas conselhos ou inspiraç(es particulares. Um homem ainda con#alescente duma enfermidade anda com um passo lento e s4 por necessidade; assim um pecador rec m-con#ertido #ai caminhando na senda da sal#ação de#a%ar e ofe%ante, s4 mesmo pela necessidade de o!edecer aos mandamentos de &eus, at que se manifeste nele o esp7rito da piedade. 'ntão, sim- como um homem sadio e ro!usto, caminha, não s4 com ale%ria, como tam! m en#ereda cora)osamente pelos caminhos que parecem intransitá#eis aos outros homens, para onde quer que a #o, de &eus o chame, )á pelos conselhos e#an% licos, )á pelas inspiraç(es da %raça. Por fim a caridade e a de#oção não diferem mais entre si do que o fo%o da chama- a caridade o fo%o espiritual da alma, o qual, quando se le#anta em la!aredas, tem o nome de de#oção, de sorte que a de#oção nada acrescenta, por assim di,er, ao fo%o da caridade se mostra pronta, ati#a e dili%ente na o!ser#Qncia dos mandamentos de &eus e na prática dos conselhos e inspiraç(es celestes.

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I – '! Pro$riedades e e&cel(ncias da devoção /queles que tentaram desencora)ar os israelitas de ir at a :erra Prometida, disseram-lhes que era +m E3,32 Huma terra que devora os seus moradoresM- isto , que o clima era tão insalu!re que os ha!itantes não poderiam #i#er muito tempo, e que o seu po#o eram Hhomens de !rande estaturaM, os de#orariam como %afanhotos. * deste modo, car7ssima Filot ia, que o mundo trata a Santa &e#oção, pintando as pessoas de#otas com aspecto som!rio, melanc4lico, e afirmando que a reli%ião torna triste e desa%radá#el. 5as como )osué e *ale+ protestaram que não s4 era a terra prometida mas tam! m !oa e amena, mas seria uma posse a%radá#el e deleita# l, de modo que o 'sp7rito Santo nos fala atra# s de seus santos, e nossa Senhor nos disse com suas pr4prias pala#ras, que uma #ida de#ota muito doce, muito feli, e muito amá#el. 1 mundo #8 que os de#otos )e)uam, oram, sofrem as in).rias, cuidam dos enfermos, dominam sua cólera, refreiam e afo%am suas pai0(es, se pri#am dos pra,eres sensuais e praticam estas e outras classes de o!ras que de sua e em sua pr4pria su!stQncia e qualidade, são ásperas e ri%orosas. 5as o mundo não #8 a de#oção interior, que fa, que todas estas aç(es se)am a%radá#eis, sua#es e fáceis. "ontemplai as a!elhas so!re o tomilho; encontram nele um %osto muito amar%o, mas, ao chupá-lo, o con#ertem em mel, porque esta sua propriedade. 1h mundanosL /s almas de#otas encontram, certo, muita amar%ura em seus e0erc7cios de mortificação, mas, em s4 praticá-los, os con#ertem em doçura e sua#idade. 1 fo%o, as chamas, as rodas NtorturasO e as espadas pareciam flores e perfumes aos mártires, porque eram de#otos- e, se a de#oção pode adoçar os mais cru is tormentos e a mesma morte que não fará com os atos de #irtude? 1 aç.car adoça os frutos #erdes e fa, que não se)am desa%radá#eis nem danosos os e0cessi#amente maduros. Pois !em, a de#oção o #erdadeiro aç.car espiritual, que tira a aspere,a 2s

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mortificaç(es e o peri%o de danar as consolaç(es- tira a triste,a aos po!res e o cansaço aos ricos, a desolação ao oprimido e a insol8ncia ao afortunado, a melancolia aos solitários e a dissipação aos que #i#em acompanhados- ser#e de fo%o no in#erno e de or#alho no #erão- sa!e #i#er na a!undQncia e sofrer na po!re,a- fa, i%ualmente .teis a honra e o despre,o, aceita o pra,er e a dor com i%ualdade de Qnimo, e nos enche de uma sua#idade mara#ilhosa. "ontempla a escada de Aac4, que uma #i#a ima%em da #ida de#ota; os dois corrim(es por entre os quais se so!e e que sustentam os de%raus, representam a oração, que nos o!t m o amor de &eus e dos sacramentos que nos dão- os de%raus não são outra coisa que os di#ersos %raus de caridade, pelos quais se #ão de #irtude em #irtude, ou se)a descendo, pela ação, para socorrer e para sustentar o po!re, ou se)a su!indo, pela contemplação, 2 união amorosa com &eus. Co%o-te a%ora que contemples quem está na escada- são homens, com coração de an)os, ou an)os com corpo humanonão são )o#ens, mas parecem, porque estão cheios de #i%or e de a%ilidade espiritual- tem asas, para #oar, e se lançam at &eus, pela santa oração, mas tam! m tem p s, para andar entre os homens, em santa e ami%á#el con#ersação. Seus rostos aparecem !elos e ale%res, porque tudo rece!em com doçura e sua#idade- suas pernas, seus !raços e suas ca!eças estão inteiramente a desco!erto, porque seus pensamentos, seus afetos e seus atos não tendem a outra coisa que a compra,er. 1 restante de seu corpo está #estido, com ele%ante e li%eira roupa%em, porque certo que usam do mundo e de suas coisas, mas de uma maneira pura e sincera, tomando estritamente o que e0i%e sua condição. "r8-me, amada Filot ia, a devoção a doçura das doçuras e a rainha das #irtudes, porque é a $erfeição da caridade. Se a caridade o leite, a de#oção a nata- se uma planta, a

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de#oção a flor- se uma pedra preciosa, a de#oção o !rilhose um !álsamo precioso, a de#oção o aroma, o aroma de sua#idade que conforta os homens e re%o,i)a aos an)os. I – ,! " devoção é -til a todos os estados e circunst.ncia de Vida 1 Senhor, criando o uni#erso, ordenou 2s ár#ores que produ,issem frutos, cada uma se%undo a sua esp cie- e ordenou do mesmo modo a todos os fi is, que são as plantas #i#as de sua 3%re)a, que fi,essem di%nos frutos de piedade, cada um se%undo o seu estado e #ocação. &i#ersas são as re%ras que de#em se%uir as pessoas na sociedade, os operários e os ple!eus, a mulher casada, a solteira e a #i.#a. " $rática da devoção tem que atender à nossa sa-de/ às nossas ocu$aç0es e deveres $articulares. +a #erdade, Filot ia, seria por#entura lou#á#el se um !ispo fosse #i#er tão solitário como um cartu0o? Se pessoas casadas pensassem tão pouco em a)untar para si um pec.lio, como os capuchinhos? Se um operário frequentasse tanto a i%re)a como um reli%ioso o coro? Se um reli%ioso se entre%asse tanto as o!ras de caridade como um !ispo? +ão seria rid7cula uma tal de#oção, e0tra#a%ante e insuportá#el? 'ntretanto, o que se nota muitas #e,es- e o mundo, que não distin%ue nem quer distin%uir a de#oção #erdadeira da imprud8ncia daqueles que a praticam desse modo e0c8ntrico, censura e #itupera a de#oção, sem nenhuma ra,ão )usta e real. +ão, Filot ia, a #erdadeira de#oção nada destr4i- ao contrário, tudo aperfeiçoa. Por isso, caso uma de#oção impeça os le%7timos de#eres da #ocação, isso mesmo denota que não uma de#oção #erdadeira. / a!elha, di, /rist4teles, tira o mel das flores sem as murchar, e as dei0a intactas e frescas como as achou- a de#oção #erdadeira ainda fa, mais, porque não s4 em nada estor#a o cumprimento dos de#eres dos di#ersos estados e ocupaç(es da #ida, mas tam! m os torna mais meritosos e lhes

3 P 3. / de#oção .til a todos os estados e circunstQncia de Jida

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confere o mais lindo ornamento. &i,-se que, lançando-se uma pedra preciosa no mel, esta se torna mais !rilhante e #içosa, sem perder a sua cor natural- assim, na fam7lia em que reina a de#oção, tudo melhora e se torna mais a%radá#el; diminuem os cuidados pelo sustento da fam7lia, o amor con)u%al mais sincero, mais fiel o ser#iço do Pr7ncipe, e mais sua#es e efica,es os ne%4cios e ocupaç(es. * um erro e at uma heresia querer e0pulsar a de#oção da corte dos pr7ncipes, dos e0 rcitos, da tenda do operário e da #i#enda das pessoas casadas. * #erdade, Filot ia, que a de#oção meramente contemplati#a, monástica ou reli%iosa, não se pode e0ercer nesses estados- mas e0istem muitas outras de#oç(es adequadas a aperfeiçoar os que as se%uem. Aá no /nti%o :estamento deparam-se nos insi%nes e0emplos da #ida de#ota no lar dom stico- assim, /!raão, 3saac, Aac4, &a#i, A4, :o!ias, Sara, Ce!eca, Audite e, na nossa era, São Aos , R7dia e São "rispim le#aram uma #ida de#ota nos seus tra!alhos manuais, Santa /na, Santa 5arta, Santa 5$nica, >quila e Prisca, nos tra!alhos da casa, o centurião "orn lio, São Se!astião e São 5aur7cio, no e0 rcito, o %rande "onstantino, Santa Selena, São Ru7s, Santo /madeu e Santo 'duardo, em seus tronos. /conteceu, de fato, que muitos perderam a perfeição nas solid(es que são tão prop7cias 2 santidade e hou#e muitos tam! m que a conser#aram no meio do !ul7cio do mundo, por mais pre)udicial que lhe fosse. HR4 P di, São Gre%4rio P não %uardou na solidão aquela castidade admirá#el que tinha conser#ado no meio duma cidade corrompidaM. 'nfim, onde quer que esti#ermos, podemos e de#emos aspirar continuamente 2 perfeição. I – 1! 2ecessidade de um diretor es$iritual 9uerendo :o!ias mandar o filho a uma terra lon%7nqua e estranha, disse-lhe; cf. :! <,3 T "ai em busca de al!um

3 P 6. +ecessidade de um diretor espiritual

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homem que te seja #iel, que vá conti!o * o que te di%o tam! m a ti, Filot ia- se tens uma #ontade sincera de entrar nas #eredas da de#oção, procura um %uia sá!io e prático que te condu,a. 'sta a ad#ert8ncia mais necessária e importante. 'm tudo o que fa,emos P di, o de#oto >#ila P s4 temos certe,a de fa,er a #ontade de &eus, enquanto não nos apartamos daquela o!edi8ncia su!missa, que os santos tanto encomendaram e praticaram tão fielmente. 1u#indo Santa :eresa da austeridade e penit8ncias de "atarina de "ardona, conce!eu %rande dese)o de imitá-la e foi tentada a não se%uir o seu confessor, que lho proi!ia. 'ntretanto, como se su!metesse, +osso Senhor lhe disse; H5inha filha, o caminho que se%ues !om e se%uro- tu estima#as muito essas penit8ncias, mas eu estimo mais ainda tua o!edi8nciaM. &esde então ela de#otou-se tanto a esta #irtude que, al m da o!edi8ncia de#ida a seus superiores, ela se li%ou, por um #oto especial, a se%uir a direção de um homem prudente e de !em, o que sempre a edificou e consolou muito. &e modo semelhante, )á antes e depois dela, muitas almas santas, que queriam #i#er inteiramente so! a depend8ncia de &eus, su!meteram a sua pr4pria #ontade 2 de um de seus ministros. * essa a su)eição humilde que Santa "atarina de Sena tanto encomia em seus diálo%os. Foi tam! m a prática da santa princesa 3sa!el, que presta#a uma o!edi8ncia perfeita 2 direção do sá!io "onrado. +em outro foi o conselho que, ao morrer, deu a São Ru7s, seu filho. H"onfessa-te a mi.do e escolhe em confessor insi%ne por sua ci8ncia e sa!edoria, o qual te a)ude com suas lu,es em tudo o que for necessário para a tua direção espiritualM. &i, a Sa%rada 'scritura; 'clo =, E61 ami!o #iel é uma #orte proteç$o %uem o achou, achou um tesouro & ami!o #iel é um medicamento de vida e de imortalidade, e os que temem o 'enhor achar$o um tal ami!o :rata-se aqui principalmente da imortalidade da #ida futura-

3 P 6. +ecessidade de um diretor espiritual

EB

e, se a quisermos alcançar, con# m ter um ami%o fiel ao nosso lado, que diri)a as nossas aç(es com uma mão se%ura, atra# s das ciladas e em!ustes do inimi%o. 'le será para n4s um tesouro de sa!edoria para e#itar o mal e praticar o !em de uma maneira mais perfeita- ele nos dará conforto para ali#iar-nos em nossas quedas e nos dará o rem dio mais necessário para a cura perfeita de nossas enfermidades espirituais. 5as quem achará um tal ami%o? &i, o sá!io que aquele que teme a (eus, isto , o homem humilde que anseia com ardor o seu adiantamento espiritual. Se , pois, tão importante, Filot ia, ter um %uia e0perimentado nos caminhos da de#oção, pede com todo o fer#or a &eus que te mande um se%undo o seu "oração e não du#ides nem um instante que ele te en#iará um diretor sá!io e fiel, ainda que fosse um an)o do c u, como ao )o#em :o!ias. &e fato, esse ami%o de#e ser um an)o para ti, isto , uma #e, que o tenhas o!tido de &eus, )á não o de#es considerar como um simples homem. +ão deposites a tua confiança nele senão com respeito a &eus, que, por seu minist rio, te quer %uiar e instruir, suscitando no seu coração e nos seus lá!ios os sentimentos e as pala#ras necessárias para a tua direção. Por isso de#es ou#i-lo como a um an)o que #em do c u para te diri%ir. /)unta a esta confiança uma sinceridade a toda pro#a, tratando-o franca e a!ertamente e dei0ando-lhe #er em tua alma todo o !em e o mal que a7 se encontram; o !em será mais certo e o mal menos profundo- a tua alma será mais forte nas ad#ersidades e mais moderada nas consolaç(es. Um reli%ioso respeito tam! m de#es a)untar 2 confiança, de tal forma que o respeito não diminua a confiança, nem a confiança o respeito. "onfia nele como uma filha em seu pai e respeita-o como um filho sua mãe. +uma pala#ra; esta ami,ade, que de#e unir a força com a doçura, tem que ser toda espiritual, toda santa, toda sa%rada, toda di#ina.

3 P 6. +ecessidade de um diretor espiritual

EK

H'scolhe, pois, um entre mil P di, >#ilaMUaV P e eu te di%o; escolhe um entre de, mil, porque se acham muito menos do que se cuida, que se)am capa,es deste of7cio. &e#e ser cheio de caridade, ci8ncia e prud8ncia- se faltar uma destas tr8s qualidades, a escolha será arriscada. Cepito-te ainda uma #e,; suplica a &eus um diretor e, quando o achares, a%radece 2 di#ina 5a)estade- perse#era então em tua escolha, sem ir procurar outros- caminha para &eus com toda a simplicidade, humildade e confiança e tua #ia%em será certamente feli,. I – 3! 2ecessidade de começar $ela $urificação da alma &i, o 'sposo Sa%rado; "t 2,E2 Apareceram as #lores em nossa terra, che!ou o tempo da poda P 9ue flores são estas, para n4s, 4 Filot ia, senão, os !ons dese)os? Ro%o que eles desperta, em nossos coraç(es, preciso en#idar todo o esforço para purificá-los de todas as o!ras mortais e sup rfluas. Prescre#ia a lei de 5ois s que a don,ela, noi#a de um israelita, tirasse o #estido do seu cati#eiro, cortasse os ca!elos e aparasse as unhas. Ser#e isto de lição 2 alma que aspira 2 honra de ser esposa de Aesus "risto, a qual se de#e despo)ar do homem #elho e se re#estir do no#o, dei0ando o pecado e em se%uida ir cortando com os demais impedimentos acess4rios que podem ser um empecilho para o amor. / cura da alma, assim como a do corpo, s4 se conse%ue começando por com!ater os maus humores corrompidos, e é o que c4amo $urificar o coração. +um instante operou-se isto em São Paulo e o mesmo l8-se nas #idas de Santa 5adalena, Santa Pelá%ia, Santa "atarina de Sena e de al%uns outros santos e santas. 5as uma transformação tão repentina na ordem da %raça um mila%re tão %rande como na ordem da nature,a a ressurreição de um morto, e por isso não a de#emos pretender. / cura da alma, Filot ia, assemelha-se 2 do corpo- #a%arosa,
UaV cf. 'clo =,= Se)am numerosas as tuas relaç(es, mas os teus conselheiros, um em mil.

3 P <. +ecessidade de começar pela purificação da alma

EG

#ai pro%redindo %radualmente, aos poucos, com muito custo e inter#alos- mas neste seu passo lento ela tanto mais se%ura. "reio que não te desconhecido o anti%o pro# r!io P %ue as doenças v)m a cavalo e a !alope e se v$o a pé e muito deva!ar* outro tari#o podes dizer das en#ermidades espirituais. *, pois, necessário, Filot ia, que te armes de muita paci8ncia e cora%em. /hL 9ue pena me fa,em aquelas pessoas que, por se #erem cheias de imperfeiç(es, depois de al%uns meses de de#oção, começam a inquietar-se e pertur!ar-se, )á quase a sucum!ir 2 tentação de dei0ar tudo e tornar atrás. 5as um outro e0tremo, i%ualmente peri%oso, o de certas almas que, dei0ando-se sedu,ir por uma tentação contrária, desde os primeiros dias se t8m na conta de li#res de suas inclinaç(es más, que )á pensam ser perfeitas antes de fa,er al%um pro%resso e que, arro)ando-se a #oar sem asas, se ele#am ao que há de mais su!lime na de#oção. I Filot ia, muito de temer uma reca7da de quem se su!trai tão cedo das mãos do m dicoL Deveriam considerar os an5os da escada de )acó/ os quais/ tendo asas/ su+iam/ no entanto/ de de%rau em de%rau! &i, o profeta; 'm #ão #os le#antais antes de amanhecer. / alma que sur%e do pecado para uma #ida de#ota pode-se comparar ao despontar do dia, que não dissipa as tre#as num instante, mas pouco a pouco, quase impercepti#elmente. +in%u m se%uiu ainda tão !em o conselho de purificar o coração, como aquele santo penitente que, em!ora )á fosse la#ado de suas iniquidades, pedia sempre de no#o a &eus, durante a sua #ida, que o la#asse sempre mais desses pecados. Por isso não nos de#emos pertur!ar 2 #ista de nossas imperfeiç(es, porque a luta contra elas não pode nem de#e aca!ar antes de nossa morte. / nossa perfeição consiste em com!at8-las- mas não as podemos com!ater e #encer, sem que as sintamos e conheçamos- a pr4pria #it4ria que esperamos conse%uir so!re elas, de modo al%um consiste em não as sentir,

3 P <. +ecessidade de começar pela purificação da alma

2F

mas e0clusi#amente em não consentir nelas. &emais, sentir as suas impress(es não dar o pr4prio consentimento. +este com!ate espiritual con# m muitas #e,es que, para o e0erc7cio da humildade, lhes suportemos os ataques molestos- entretanto, s4 seremos #encidos se perdermos a #icia ou a cora%em. 1ra, as imperfeiç(es e faltas #eniais não nos podem tirar a #ida espiritual da %raça, de que s4 o pecado mortal nos pri#a- portanto, o que temos que temer a7 a perda da cora%em- mas di%amos, com &a#i, a +osso Senhor; 'alvaime, 'enhor, da pusilanimidade+a, e do des-nimo. *, pois, sumamente consoladora e feli, a nossa condição neta mil7cia espiritual; poderemos #encer sempre, uma #e, que queiramos com!ater. I – 6! 2ecessário da $urificação dos $ecados mortais Ri!ertar-se do pecado de#e ser o primeiro cuidado de quem quer purificar o coração, e o meio de fa,8-lo se depara no Sacramento da Penit8ncia NconfissãoO. Procura o confessor mais di%no que possas achar- toma um desses li#rinhos pr4prios para a)udar a consci8ncia no e0ame que se de#e efetuar so!re a #ida passada, Reia com atenção, notando, ponto por ponto, tudo em que ofendeste a &eus desde o uso da ra,ão e, se não confias na tua mem4ria, coloca por escrito o que notaste. &epois do e0ame, detesta e a!omina os pecados cometidos, pela contrição mais #i#a e perfeita que podes suscitar em ti, considerando esses moti#os #alios7ssimos que pelo pecado perdeste; P / Graça de &eusP /!andonaste os teus direitos do c uUaV Pusilanimidade: s.f. caracter7stica ou condição do que pusilQnime ' fraque,a de Qnimo, falta de ener%ia, de firme,a, de decisão ¤ etim lat. pusillanim.tas,átis Wid.W pusalamidade, E<KG pusillanimidade X¤ sinY#ar #er anton7mia de cora!em

3 P =. +ecessário da purificação dos pecados mortais

2E

P 5ereceste as penas eternas do infernoP Cenunciaste a todo o /mor de &eus. Aá #8s, Filot ia, que te estou falando da confissão %eral de toda a #ida- mas di%o francamente, ao mesmo tempo, que não a )ul%o sempre de uma necessidade a!soluta- contudo, considerando a sua utilidade e pro#eito para o começo, aconselho-te encarecidamente. /contece não raras #e,es que as confiss(es ordinárias de pessoas que le#am uma #ida ne%li%ente são defeituosas e malfeitas- não se preparam nada ou quase nada- não tem a contrição de#ida- confessam-se com uma #ontade secreta de continuar a pecar, ou porque não querem e#itar as ocasi(es de pecado ou porque não querem usar todos os meios necessários para uma emenda de #ida- e nesses casos uma confissão %eral torna-se necessária para asse%urar a Sal#ação 'terna. /l m disso a confissão %eral nos dá um conhecimento mais perfeito de n4s mesmos- nos enche duma salutar confusão em #ista de nossos pecados- li#ra o esp7rito de muitas inquietaç(estranquili,a a consci8ncia, e0cita-nos a !ons prop4sitos- fa,-nos admirar a 5iseric4rdia de &eus, que nos t8m esperado com tanta paci8ncia e lon%animidade- a!re o fundo de nossa alma aos olhos de nosso diretor espiritual, de forma que este nos possa dar a#isos mais salutares- facilita-nos a confessar futuramente os pecados com mais confiança. :ratando-se, pois, Filot ia, de uma mudança completa de tua #ida e duma con#ersão perfeita de tua alma a &eus, não sem ra,ão, a meu #er, que te aconselho a fa,eres uma confissão %eral. I – 7! 2ecessidade da $urificação da afeição ao $ecado :odos os israelitas sa7ram do '%ito, mas muitos dei0aram lá o seu coração preso- por isso que no deserto se lhes despertaram dese)os das ce!olas e #iandas Nrefeiç(esO do '%ito. /ssim tam! m há muitos penitentes que efeti#amente saem do

3 P B. +ecessidade da purificação da afeição ao pecado

22

pecado, por m não lhe perdem o afeto- quero di,er; eles se prop(em não recair no pecado, mas com uma certa relutQncia e pesar de a!ster-se de seus deleites. 1 coração os denuncia e afasta de si, mas sempre tende no#amente para eles, 2 semelhança da mulher de R4 que #irou a ca!eça para Sodoma. Pri#am-se do pecado, como os doentes dos mel(es#erdade que não os comem com medo da morte, de que o medico os ameaçara- mas a!orrecem-se da dieta, falam dela com a#ersão e não sa!em o que fa,er- ao menos, querem cheirá-los muitas #e,es e tem por ditosos os que os podem comer. 'is ai um retrato fiel dos penitentes fracos e t7!ios. Passam al%um tempo sem pecado, mas com pesar- muito estimariam poder pecar, se não fossem condenados por issofalam do pecado com um certo %osto que o #ão pra,er lhes proporciona e pensam sempre que os outros se satisfa,em e deleitam cometendo-o. Cen.ncia al%u m na confissão ao prop4sito de #in%ar-se, mas da7 a pouco #8-lo-ás numa roda de ami%os, con#ersando de !om %rado sa!re o moti#o de suas quei0as- di, que sem o temor de &eus faria isso ou aquilo- que a lei di#ina, quanto a esse ponto de perdoar os inimi%os, muito dif7cil de o!ser#ar- que prou#esse a &eus que fosse permitida a #in%ançaL /hL quão enredado está o coração deste m7sero homem pela afeição ainda que li#re do pecado, e quanto se assemelha aos israelitas de que falei acima. * isso e0atamente o que de#emos di,er tam! m daquelas pessoas que, detestando seus amores pecaminosos, conser#am ainda um resto de pra,er em familiaridades #ãs e em demonstraç(es demasiado #i#as de acatamento e ami,ade. 1hL que peri%o imenso está correndo a sal#ação destes penitentesL Portanto, Filot ia, uma #e, que aspiras sinceramente 2 de#oção, não s4 de#es dei0ar o pecado, mas tam! m necessário que teu coração se purifique de todos os afetos que lhe foram as causa e são presentemente as consequ8ncias- pois, al m de constitu7rem um cont7nuo peri%o de reca7das,

3 P B. +ecessidade da purificação da afeição ao pecado

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enfraqueceriam a tua alma e te a!ateriam o esp7rito P duas coisas que, como dei0ei dito P são irreconciliá#eis com a #ida de#ota. 'ssas almas, que, tendo dei0ado o pecado, são tão t7!ias e #a%arosas no ser#iço de &eus, assemelham-se a pessoas que t8m uma cor pálida; não que estão #erdadeiramente doentes, mas !em se pode di,er que seu aspecto, seus %estos e todas as suas aç(es estão doentes. "omem sem apetite, riem sem ale%ria, dormem sem repouso e mais se arrastam do que andam. &este modo aquelas almas, em seus e0erc7cios espirituais, que nem são numerosos nem de %rande m rito, praticam o !em com tanto dissa!or e constran%imento que perdem o !rilho e %raça que o fer#or dá 2s o!ras de piedade. I – 8! *omo alcançar este %rau de $ure#a Para isso necessário formar uma ideia #i#a e a mais perfeita poss7#el do mal imenso que tra, o pecado, a fim de que o coração se compun)a e desperte em si uma contrição #eemente e profunda. Uma contrição, por mais t8nue que se)a, mas #erdadeira, !astante para ali)ar Nali#iarO da alma o pecado, má0ime se for unida 2 #irtude dos sacramentos- mas, se penetrante e #eemente, então pode purificar o coração tam! m de todas as más inclinaç(es que pro#8m do pecado. "onsidera os se%uintes e0emplos; Se odiamos al%u m pouco profundamente, a!orrecemo-nos simplesmente de sua presença e o e#itamos- mas, se o nosso 4dio #iolento e de morte, não nos limitamos a esta repu%nQncia interior e a esta fu%ida; o rancor que lhe %uardamos se estende tam! m 2s pessoas de sua casa, a seus parentes e ami%os, cu)a con#i#8ncia nos insuportá#el. 1 seu retrato mesmo nos fere os olhos e o coração, e tudo o que lhe di, respeito nos desa%rada. /ssim, o penitente que odeia de le#e os seus pecados e tem uma contrição fraca, se !em que #erdadeira, fácil e sinceramente se determina e prop(e a não os cometer de no#o- mas, se seu 4dio #i#o e profunda a sua dor, não s4 detesta o pecado, mas

3 P K. "omo alcançar este %rau de pure,a

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a!omina tam! m os há!itos maus e tudo aquilo que o pode atrair e ser#ir-lhe de ocasião de pecar. *, pois, necessário, Filot ia, que d8s 2 dor de teus pecados a maior intensidade e e0tensão de que fores capa,, para que a!ran)as at as m7nimas circunstQncias do pecado. Foi assim que 5adalena, desde o primeiro instante de sua con#ersão, perdeu todo o %osto aos pra,eres, a ponto de não os conser#ar sequer no pensamento, e &a#i protesta#a que odia#a o pecado e os caminhos e #eredas do pecado. * nisso que consiste a reno#ação da alma, que o mesmo profeta compara#a ao remontar da á%uia. 5as, para persuadir este #i#amente da ruindade do pecado e conce!eres lhe uma dor #erdadeira, cumpre aplicar este a fa,er !em as meditaç(es se%uintes, cu)o e0erc7cio destruirá, com a %raça de &eus, em teu coração, todo o pecado at as ra7,es. "om este intento eu as escre#i para ti, se%undo o m todo que me pareceu melhor. Fa,e-as uma por uma, conforme a ordem que se%uem- toma apenas uma em cada dia e, se for poss7#el, eu te aconselho que se)a de manhã, porque este o tempo mais pr4prio para estes e0erc7cios de esp7rito- depois pensa durante o dia, conti%o mesmo, so!re aquilo de que ainda te lem!ras e, se ainda não tens prática em meditar, l8, para ta tornar mais fácil, a se%unda parte deste li#ro. I – 9! :editação so+re a criação do 4omem Pre$aração E. P(e-te na presença de &eus. 2. Pede a &eus que te inspires. *onsideração E. "onsidera que se passaram tantos e tantos anos que #iesses ao mundo, sendo teu ser um puro nada. 1nde está#amos n4s, minha alma, durante este tempo? 1 mundo )á e0istia desde uma lon%a s rie de s culos e nada ha#ia de tudo aquilo que n4s somos.

3 P G. 5editação so!re a criação do homem

2<

2 Pensa que &eus te tirou do nada para te fa,er o que s, sem que tu lhe fosses necessária, mas unicamente por sua !ondade. 3. Forma uma ideia ele#ada do ser que &eus te deu, porque o primeiro e o mais perfeito de todos os seres deste mundo #is7#el, criado para uma #ida e felicidade eternas e capa, de unir-se perfeitamente 2 5a)estade &i#ina. "fetos e ;esoluç0es E. Sumilha-te profundamente diante de &eus, di,endo com o salmista; 1hL 5inha alma, sa!e que o Senhor teu &eus e que foi 'le que te fe, e não tu que te fi,este a ti mesma. I &eus, sou uma o!ra de #ossas mãos. I Senhor, toda a minha su!stQncia um puro nada diante de #4s- e quem sou eu, para que me queirais fa,er este !em? P /hL 5inha alma, tu esta#as mer%ulhada no a!ismo do nada e a7 estarias ainda, se &eus não ti#esse tirado. 2. /%radece a &eus. I meu "riador, #4s, cu)a !ele,a i%uala 2 %rande,a infinita, quanto #os de#o, porque me tendes feito por #ossa miseric4rdia tudo isso que eu sou. 9ue farei eu para !endi,er condi%namente a #ossa infinita !ondade? 3. "onfunde-te. 5as, ahL 5eu "riador, em #e, de me unir con#osco pelo amor e por meus ser#iços, minhas pai0(es re#oltaram meu coração contra #4s, separaram e afastaram minha alma de #4s e ela entre%ou-se ao pecado e de#otou-se 2 in)ustiça. Cespeitei e amei tão pouco a #ossa !ondade, como se não ti# sseis sido meu "riador. 'is aqui, pois, as !oas resoluç(es que #ossa %raça me fa, tomarL Cenuncio a estas #ãs complac8ncias que, desde há tanto, t8m ocupado o meu esp7rito e o meu coração unicamente comi%o mesmo, que sou nada. &e que te %lorificas, p4 e cin,aL 1u melhor, que tens em ti, #erdadeiro e miserá#el nada, em que te possas compra,er? 9uero humilhar-me, e por isso farei isto ou aquilo, sofrerei este ou aquele despre,o- quero

3 P G. 5editação so!re a criação do homem

2=

a!solutamente mudar de #ida- se%uirei dora em diante o mo#imento desta inclinação que meu "riador me deu para elehonrarei em mim esta qualidade de criatura de &eus e como tal me considerarei unicamente; consa%rarei todo o ser que rece!i dele 2 o!edi8ncia que lhe de#o, com todos os meios que tenho e so!re os quais pedirei conselhos a meu pai espiritual. *onclusão E. /%radece a &eus. @endi,e, 4 minha alma, ao Senhor e todas as coisas que há dentro de mim !endi%am o seu santo nomeL 2. 1ferece-te a &eus. I meu &eus, eu #os ofereço o meu ser, que #4s me destes com todo o meu coração- eu #o-lo consa%ro. 3. 1ra humildemente a &eus. I meu &eus, eu #os suplico que me conser#eis, pelo #osso poder, nestas resoluç(es e sentimentos. I Jir%em Sant7ssima, eu #os peço que as recomendeis ao #osso Filho di#ino, com todos aqueles por quem tenho o!ri%ação de re,ar. Pai-nosso, /#e-5aria. &epois da meditação, colhe da7 o assim chamado fruto, isto , uma #erdade qualquer que te produ,iu maior impressão e como#eu mais o teu coração- durante o dia recorda-te dela de #e, em quando, para te conser#ares nas !oas resoluç(es. * o que costumo de chamar de ramal4ete es$iritual. "omparo esta prática ao costume daquelas pessoas que tomam consi%o pela manhã um ramalhete de flores e o cheiram muitas #e,es durante o dia, para em seu sua#e odor deleitar e fortificar o coração. 'ste a#iso que te dou aqui ser#irá tam! m para as meditaç(es se%uintes. I – <! :editação so+re o fim do 4omem Pre$aração

3 P EF. 5editação so!re o fim do homem

2B

E. P(e-te na presença de &eus. 2. Pede a &eus que te inspires. *onsideração E. +ão foi por nenhum moti#o de interesse que &eus nos criou, pois n4s lhe somos a!solutamente in.teis- foi unicamente para nos fa,er !em, em nos facultando, com sua %raça, participar de sua %l4ria- e foi por isso, Filot ia, que ele te deu tudo o que tens; o entendimento, para 1 conheceres e adorares- a mem4ria, para te lem!rares d'le- a #ontade, para 1 amares- a ima%inação, para te representares os seus !enef7ciosos olhos, para admirares as suas o!ras- a l7n%ua, para 1 lou#ares, e assim as demais pot8ncias e faculdades. 2. Sendo esta a intenção que &eus te#e, em te criando, com certe,a de#es a!ominar e e#itar todas 2s aç(es que são contrárias a este fim- e quanto 2quelas que não te condu,em a 'le, tu as de#es despre,ar, como #ãs e sup rfluas. 3. "onsidera quão %rande a infelicidade do mundo, que nunca pensa nestas coisas- a infelicidade, di%o, dos homens que #i#em por a7, como se esti#essem persuadidos de que seu fim neste mundo, edificar casas, construir )ardins deliciosos, acumular rique,as so!re rique,as e ocupar-se de di#ertimentos fr7#olos. "fetos e ;esoluç0es E. "onfunde-te considerando a mis ria de tua alma e o esquecimento destas #erdades. /hL &e que se tem ocupado o meu esp7rito, a meu &eus, quando não pensei em #4s? &e que me lem!ra#a, quando #os esqueci? 9ue ama#a eu, quando não #os ama#a? /hL 'u me de#ia alimentar da #erdade e fui saturar-me na #aidade. "omo escra#o que eu era do mundo, eu o ser#ia, a esse mundo, que foi feito para me ser#ir e me ensinar a #os

3 P EF. 5editação so!re o fim do homem

2K

conhecer e amar. 2. &etesta a #ida passada. 'u #os renuncio e a!orreço, má0imas falsas, #ãos pensamentos, refle0(es in.teis, recordaç(es detestá#eis. 'u #os a!omino, ami,ades infi is e criminosas, #ãos ape%os ao mundo, ser#iços perdidos, miserá#eis afa!ilidades, %enerosidade falsa que, para ser#ir aos homens, me le#astes a uma imensa in%ratidão para com &eus- eu #os detesto de toda a minha alma. 3. Jolta-te para &eus. ' #4s, 4 meu &eus, 4 meu Sal#ador, #4s sereis de a%ora em diante o .nico o!)eto de meus pensamentos- não darei atenção a nada que #os possa desa%radar- minha mem4ria se encherá todos os dias da %rande,a e doçura de #ossa !ondade para comi%o- #4s sereis as del7cias de meu coração e toda a sua#idade de meu interior. Sim, assim se)a- tais e tais di#ertimentos com que me entretinha, estes e aqueles e0erc7cios #ãos que ocuparam meu tempo, estas e aquelas afeiç(es que prendiam meu coração, tudo isso será um o!)eto de horror para mim- e, para conser#arme nestas disposiç(es, empre%arei tais e tais meios. *onclusão E. /%radece a &eus. 'u #os dou %raças, 4 meu &eus, porque me destinastes para um fim tão su!lime e .til, qual o de #os amar nesta #ida e %o,ar eternamente na outra da intensidade de #ossa %l4ria. "omo serei di%no dele? "omo #os !endirei quanto mereceis? 2. 1ferece-te a &eus. 'u #os ofereço, 4 meu ama!il7ssimo "riador, todos estes prop4sitos e afetos com todo o meu coração e com toda a minha alma. 3. 1ra humildemente a &eus. 'u #os suplico, 4 meu &eus, que #os a%radeis de meus

3 P EF. 5editação so!re o fim do homem

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dese)os e #otos, de dar 2 minha alma a #ossa santa !8nção, para que se)am le#ados a efeito, pelos merecimentos de #osso Filho, que por mim derramou todo o seu san%ue na cru,. Pai-nosso, Ave-/aria. I– ! :editação so+re os +enef=cios de Deus

Pre$aração E. P(e-te na presença de &eus. 2. Pede a &eus que te inspires. *onsideração E. "onsidera, como respeito ao corpo, todos os dotes que tens rece!ido do "riador- este corpo, duma conformação tão perfeita, esta sa.de, estas comodidades tão necessárias 2 manutenção da #ida, estes pra,eres se li%am naturalmente ao teu estado, esta cooperação e assist8ncia de teus inferiores, esta companhia sua#e e a%radá#el de teus ami%os. "ompara-te então com outras pessoas que tal#e, mereçam mais do que tu e que no entanto não as possuem- pois quantas pessoas t8m uma fi%ura rid7cula, um corpo disforme, uma sa.de d !ilL 9uantos não estão a %emer, a!andonados de seus ami%os e parentes, no despre,o, no opr4!rio, em enfermidades lon%as ou nas an%.stias da po!re,a. &eus assim quis uma sorte para ti e outra para eles. 2. "onsidera tudo aquilo que se pode chamar dotes do esp7rito. Pensa quantos homens idiotas, insensatos, furiosos, e0istem, e quantos educados %rosseiramente e na mais completa i%norQncia- por que não s tu deste n.mero? +ão foi &eus quem #elou duma maneira toda especial por ti, para te dar um natural feli, e uma !oa educação? 3. "onsidera ainda mais, Filot ia, as %raças so!renaturais, o teu nascimento no seio da 3%re)a, o conhecimento tão perfeito que tens tido de &eus desde a tua infQncia, a recepção dos sacramentos tão frequente e salutar. 9uantas inspiraç(es da

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%raça, quantas lu,es interiores, quantas repreens(es de tua consci8ncia, por causa de tua #ida desre%radaL 9uantas #e,es &eus te tem perdoado os pecados e #elado so!re ti, para li#rarte das ocasi(es, onde esta#as prestes a perder eternamente a tua almaL :odos estes anos de #ida que &eus te concedeu não te deram tempo !astante para pro%redir no aperfeiçoamento de tua alma? '0amina estas %raças minuciosamente e contempla quão !om e misericordioso &eus tem sido sempre para conti%o. "fetos e ;esoluç0es E. /dmira a !ondade de &eus. 1hL quão !om tem sido o meu &eus para mimL 1hL 'le !om de#erasL I Senhor, rico sois #4s em miseric4rdia e imenso em !ondadeL 1hL 5inha alma, com ).!ilo anuncia quantas mara#ilhas o teu &eus tem operado em tiL 2. /rrepende-te de tua in%ratidão. 5as quem sou eu, Senhor, para que #os lem!reis assim de mim? 1hL Grande a minha indi%nidadeL /hL "alquei aos p s as #ossas %raças, a!usando delas, afrontei a #ossa !ondade, despre,ando-a, opus um a!ismo de in%ratidão ao a!ismo de #ossa miseric4rdia. 3. '0cita em ti um reconhecimento profundo. I meu coração, )á não se)as um infiel, um in%rato, um re!elde para um !enfeitor tão %randeL ' como não será minha alma de a%ora em diante su)eita a meu &eus, que operou em mim e por mim tantas mara#ilhas e %raças? /hL Filot ia, começas, pois, a ne%ar a teu corpo estes e aqueles pra,eres, para acostumá-lo a le#ar o )u%o do ser#iço de &eus- e em se%uida aplica teu esp7rito a conhec8-lo mais e mais por meio de tais e tais e0erc7cios conducentes a este fim.

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'mpre%a afinal os meios de sal#ação que &eus te oferece por sua santa 3%re)a. P Sim, eu o farei- e0ercitar-me-ei na oração, frequentarei os sacramentos, ou#irei a pala#ra de &eus, o!edecerei 2 sua #o,, se%uindo 2 risca os conselhos do '#an%elho e as suas inspiraç(es. *onclusão E. /%radece a &eus, que te fe, conhecer tão claramente as suas %raças e os teus de#eres. 2. ,1ferece-lhe o teu coração com todas as tuas resoluç(es. 3. Pede-lhe que te conser#e nestes prop4sitos, dando-te a fidelidade necessária- pede-lhe isso pelos merecimentos da morte de Aesus "risto- implora a intercessão da Sant7ssima Jir%em e dos santos. Pai-nosso, Ave-/aria. I – '! :editação so+re os Pecados Pre$aração E.P(e-te na presença de &eus. 2.Pede a &eus que te inspire. *onsideração E.Jai em esp7rito aquele tempo em que começastes a pecarpondera quanto tens aumentado e multiplicado os teus pecados de dia a dia, contra &eus e contra o pr40imo, por tuas o!ras, por tuas pala#ras, por teus pensamentos e por teus dese)os. 2. "onsidera tuas más inclinaç(es e com que pai0ão tu as se%uiste- com estas duas consideraç(es, #erás que teus pecados so!repu)am o n.mero de teus ca!elos e mesmo as areias do mar. 3. Presta atenção especialmente a tua in%ratidão para com &eus, pois este um pecado %eral que se acha em todos os outros e lhes aumenta infinitamente a enormidade. "onta, se podes, todos os !enef7cios de &eus, dos quais a maldade de teu coração se ser#iu para desonrá-Ro- todas as inspiraç(es

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despre,adas, todas as moç(es da %raça inutili,adas e todos os diferentes a!usos dos sacramentos. 1nde estão, pelo menos, os frutos que &eus espera#a dai? 9ue o feito das rique,as com que o teu di#ino esposo e0ortou a tua alma? :udo foi deturpado por tuas iniquidades. Pensa que tua in%ratidão foi a ponto de fu%ires da esperança de &eus, para te perderes, enquanto 'le te se%uia, passo por passo, para te sal#ar. "fetos e ;esoluç0es E. Sir#a aqui a tua mis ria para confundir-te. I meu &eus, como ouso me apresentar diante de J4s? 1hL 'u me acho num deplorá#el estado de corrupção, impure,a, in%ratidão e iniquidade. * poss7#el que eu tenha le#ado a minha insensate, e in%ratidão a ponto de )á não ha#er um de meus sentidos que não este)a deturpado por minhas iniquidades, nenhuma das pot8ncias de minha alma que não este)a profanada e corrompida por meus pecados e que não se tenha passado um s4 dia de minha #ida que não fosse cheio de o!ras más? * este o fruto dos !enef7cios do meu "riador e o preço do san%ue de meu Cedentor? 2. Pede perdão dos teus pecados e lança-te aos p s do Senhor, como o filho pr4di%o aos p s de seu pai- como Santa 5adalena aos p s do seu amant7ssimo Sal#ador, como a mulher ad.ltera aos p s de Aesus, seu )ui,. I Senhor, miseric4rdia para essa alma pecadora. I di#ino coração de Aesus, fonte de compai0ão e de !ondade, tende piedade desta alma miserá#el. 3. Prop(e-te melhorar de #ida. +unca mais, Senhor, me entre%arei ao pecado, não, )amais, como o au07lio de Jossa %raça. 1hL /mei-o demais, mais a%ora o detesto de todo o meu coração. 'u Jos a%radeço, 4 Pai das miseric4rdiasL 'm J4s quero #i#er e morrer. /o acusar-me-ei a um sacerdote de Aesus "risto, com o

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coração humilde e sincero, de todos os meus pecados, sem esp cie al%uma de reser#a ou dissimulação. Farei todo o poss7#el para destru7-los em mim at a rai,, especialmente estes e aqueles que mais me pesam na consci8ncia. Para isso empre%arei com %enerosidade todos os meios que ele me aconselhar e nunca pensarei ter feito !astante para reparar minhas enormes faltas. *onclusão E. /%radece a &eus que at esta hora esperou por tua con#ersão e te deu estas !oas disposiç(es. 2. 1ferece-lhe a #ontade que tens de ser#i-lo o melhor poss7#el. 3. Pede-lhe que te d8 a sua %raça e a força. Pai-nosso, Ave/aria. I – ,! :editação so+re a morte Pre$aração E. P(e-te na presença de &eus. 2. Pede a &eus que te inspire. 3. 3ma%ina que te achas no inferno, no leito de morte, sem nenhuma esperança de #ida. *onsideração E. "onsidera, minha alma, a incerte,a do dia da morte. Um dia sairás do teu corpo. 9uando será? Será no in#erno ou no #erão ou em al%uma outra estação do ano? +o campo ou na cidade, de noite ou de dia? Será de um modo s.!ito ou com al%uma preparação? Será por al%um acidente #iolento ou por uma doença? :erás tempo e um sacerdote para te confessares? :udo isto desconhecido, de nada sa!emos, a não ser que ha#emos de morrer indu!ita#elmente e sempre mais cedo que pensamos. 2. Gra#a !em em teu esp7rito que então para ti )á não ha#erá

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mundo, #8-lo-ás perecer antes teus olhos- porque então os pra,eres, as #aidades, as horas, as rique,as, as ami,ades #ãs, tudo isso se te afi%urará como um fantasma que se dissipará ante tuas #istas. /hL 'ntão ha#erás de di,er; por umas !a%atelas, umas quimeras, ofendi a &eus, isto , perdi o meu tudo por um nada. /o contrário, %randes e doces parecer-te-ão então as !oas o!ras, a de#oção e as penit8ncias, e ha#erás de e0clamar; 1hL Porque não se%ui eu esta senda feli,? 'ntão, os teus pecados, que a%ora tens por uns átomos, parecer-te-ão montanhas e tudo o que cr8s possuir de %rande em de#oção será redu,ido a um quase nada. 3. 5edita esse adeus %rande e triste que tua ama dirá a este mundo, as rique,as e as #aidades, aos ami%os, a teus pais, a teus filhos, a um marido, a uma mulher, a teu pr4prio corpo, que a!andonarás im4#el, hediondo de #er e todo desfeito pela corrupção dos humores. 6. Prefi%ura #i#amente com que pressa le#arão em!ora este corpo miserá#el para lançá-lo na terra, e considera que, passadas essas cerim$nias l.%u!res, )á não se pensará mais de todo em ti, assim como tu não pensas nas pessoas que )á morreram. H&eus o tenha em pa,M P há de se di,er P e com isso terá tudo aca!ado para ti neste mundo. 1hL 5orte, sem piedade s tuL / nin%u m poupas neste mundo. <. /d#inhas, se podes, que rumo se%uirá tua alma, ao dei0ar o teu corpo. /hL Para que lado se há de #oltar? Por que caminho entrará na eternidade? P * e0atamente por aquele que encetou )á nesta #ida. "fetos e ;esoluç0es E. 1ra ao Pai das miseric4rdias e lança-:e em seus !raços. /hL :omai-me, Senhor, de!ai0o de #ossa proteção, neste dia terr7#el, empenhai a #ossa !ondade por mim, nesta hora suprema de minha #ida, para torná-la feli,, ainda que o resto de minha #ida se)a repleto de triste,as e afliç(es.

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2. &espre,a o mundo. Aá que não sei a hora em que hei de te dei0ar, 4 mundo- )á que hora tão incerta, não me quero ape%ar a ti. I meus queridos ami%os, permiti que #os ame unicamente com uma ami,ade santa e que dure eternamente- pois, para que nos unir de modo que se)a preciso em !re#e romper esses laços? 9uero preparar-me para essa .ltima hora- quero tranquili,ar minha consci8ncia- quero dispor isso e aquilo em ordem e predispor-me do necessário para o pensamento feli,. *onclusão /%radece a &eus por estas !oas resoluç(es que te fe, tomar, e oferece-as a di#ina ma)estade- suplica-lhe que pelos merecimentos da morte de seu Filho, te prepare uma !oa morte- implora a proteção da Sant7ssima Jir%em e dos santos. Pai-nosso, Ave-maria. I – 1! :editação so+re o )u=#o Final Pre$aração E. P(e-te na presença de &eus. 2. Pede a &eus que te inspire. *onsideração E. 'm fim, uma #e, terminado o pra,o prefi0ado pela sa!edoria de &eus, para a duração do mundo, aqueles in.meros e #ários prod7%ios e pressá%ios horr7#eis, que consumirão de temor e tremor os homens ainda #i#os, um dil.#io de fo%o se alastrará pela terra fora, destruindo tudo, sem que coisa al%uma escape as suas chamas de#oradoras. 2. &epois deste inc8ndio uni#ersal, todos os homens hão de ressuscitar, ao som da trom!eta do arcan)o, e comparecerão em )u7,o todos )untos, no #ale de Aosafá. 5as P ah P !em di#ersa será a sua situação; uns terão o corpo re#estido de %l4ria e esplendor e outros se horrori,arão

3 P E6. 5editação so!re o Au7,o Final

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de si pr4prios. 3. "onsidera a ma)estade com que o so!erano )ui, há de aparecer em seu tri!unal, cercado de an)os e santos e tendo diante de si, mais !rilhante que o sol, a cru,, como sinal de %raça para os !ons e de #in%ança para os maus. 6. Z #ista deste sinal e por determinação de Aesus "risto, separar-se-ão os homens em duas partes; uns se acharão a sua direita e serão os predestinados- outros 2 sua esquerda e serão os condenados. Separação eternaL Aamais se encontrarão de no#os )untos. <. 'ntão se a!rirão os li#ros misteriosos das consci8ncias; +ada ficará oculto. "lara e distintamente há de#er-se nos coraç(es de uns e de outros tudo o que fi,eram de !om e de mau P as afrontas a &eus e a fidelidade as suas %raças, os pecados e a penit8ncia. I &eus que confusão de uma parte e que consolação da outra. =. 'scuta atentamente a sentença formidá#el que o so!erano )ui, pronunciará contra os maus; ide, malditos para o #o!o eterno, que #oi preparado para o diabo e seus anjos. Pondera !em estas pala#ras, que os hão de esma%ar por completo; ide. 'ssa pala#ra )á nos está anunciando o a!andono completo em que &eus dei0ará a sua criatura, e0pulsando-a de sua presença e não a contando mais no n.mero daqueles que lhe pertencem. 0de, malditos. I minha alma, que maldição estaL 'la uni#ersal, pois encerra todos os males, e ela irre#o%á#el, porque se estende a todos os tempos, por toda a eternidade. 0de, malditos, para o #o!o eterno. "onsidera, 4 minha alma, essa eternidade tremenda. I eternidade de penas eternas, como horr7#el s tuL B. 'scuta tam! m a sentença que decidirá so!re a sorte feli, dos !ons; "inde, dirá o )ui,. /hL esta a doce pala#ra de sal#ação, pela qual o +osso &i#ino Sal#ador nos há de chamar a Si, para rece!ermos, !ondoso, entre seus !raços. "inde, benditos de meu Pai. I !enção preciosa e incompará#el, que

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encerra em si todas as !8nçãosL Possu7 o reino que #os está preparado desde a criação do mundo. I meu &eus, que %raçaL Possuir um reino que nunca terá fimL "fetos e ;esoluç0es E. "ompenetra-te, minha alma, de temor, com a lem!rança deste dia fatal. /hL "om que se%urança consta tu, quando as pr4prias colinas do c u tremerão de terror? 2. &etesta teus pecados. * s4 isso que te pode le#ar a perdição. /hL )ul%a-te a ti mesma a%ora para então não seres )ul%ada. Sim, eu quero fa,er !em o e0ame de consci8ncia, acusar-me, )ul%ar-me, condenar-me, corri%ir-me, para que o )ui, não me condene naquele dia tremendo; "onfessar-me-ei, pois, aceitarei os a#isos necessários, etc. *onclusão E. /%radece a &eus, que te deu tempo e meios de p$r-te em se%urança pelo e0erc7cio da penit8ncia. 2. 1ferece-lhe teu coração, para fa,er di%nos frutos de penit8ncia. 3. Pede-lhe a %raça necessária para isso. Pai-nosso, Ave/aria. I – 3! :editação so+re o Inferno Pre$aração E. P(e-te na presença de &eus. 2. Pede a &eus humildemente a sua %raça. 3. 3ma%ina uma cidade en#olta em tre#as, toda ardendo em chamas de en0ofre e pe, NpicheO, que le#antam uma fumaça horr7#el e toda cheia de ha!itantes desesperados, que dela não podem sair nem morrer. *onsideração E. 1s condenados estão no a!ismo do inferno, como

3 P E<. 5editação so!re o 3nferno

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des#enturados ha!itantes desta cidade de horrores. Padecem dores incalculá#eis em todos os seus sentidos e em todo o corpo- pois, assim como empre%aram todo o seu ser para pecar, sofreram tam! m em todo ele as penas de#idas ao pecado. &esde modo, sofreram os olhos por seus olhares pecaminosos, #endo perto de si os dem$nios em mil fi%uras hediondas Nhorr7#elO e contemplando com o inferno inteiro. /i s4 se ou#iram lamentos, desesperos, !lasf8mias, pala#ras dia!4licas, para punir por estes tormentos os pecados cometidos por meios dos ou#idos. ' de modo análo%o acontecerá aos demais sentidos. 2. /l m destes tormentos, e0istem ainda um outro muito maior. > a $rivação e a $erda da %lória de Deus/ que 5amais verão! Por mais ditosa que fosse a #ida de /!salão em Aerusal m, ele não dei0a#a de protestar que a infelicidade de não #er por dois anos o seu pai querido lhe era mais intolerá#el que o tinha sido as penas do e07lio. I meu &eus, que sofrimento será, pois, e que pesar imenso ser pri#ado eternamente de Jos #er e amar. 3. "onsidera so!retudo a eternidade a qual por si s4 fa, o inferno insuportá#el. /hL Se o calor de uma fe!re,inha torna uma !re#e noite corrompida e enfadonha que horrenda não será a noite no inferno, onde a eternidade se a)unta a a!undQncia dos tormentos? * desta eternidade que procede a desesperação eterna, as !lasf8mias e0ecrá#eisUaV e os rancores sem fim. "fetos e ;esoluç0es E. Procura incutir temor em tua alma, diri%indo-lhe as pala#ras do profeta 3sa7as; I minha alma, poderás ha!itar com o fo%o de#orante? Sa!itarás com os ardores sempiternos NeternosO? 9ueres dei0ar teu &eus para sempre? 2. "onfessa que tens merecidos esses horr7#eis casti%os- e
UaV ?&ecrável@ a!ominado, a!ominá#el, detestando, nefário, odioso, #itá#el- deplorável e detestável.

3 P E<. 5editação so!re o 3nferno

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quantas #e,es? /hL &esde este instante melhorarei de #ida, se%uirei um caminho diferente do que tenho se%uido at a%ora. Para que eu precipitar deste a!ismo de mis rias? *onclusão /%radeceT ofereceT ora, etc. Pai-1osso, Ave-/aria. I – 6! :editação so+re o Para=so Pre$aração E. P(e-te na presença de &eus. 2. Pede a &eus que te inspire. *onsideração E. Cepresenta-te uma noite serena e tranquila e pondera como a%radá#el para a alma contemplar o c u todo resplandecente ao !rilho de tantas estrelas. /)unta a estes encantos inefá#eis as del7cias de um claro dia, em que os raios mais !rilhantes do sol, entretanto, não enco!rissem a #ista das estrelas e da lua- e, feito isso, di,e a ti mesma que tudo isso não a!solutamente nada, em comparação com a !ele,a e a %l4ria do para7so. 1hL @em merece os nossos dese)os esta mansão encantadora. I cidade santa de &eus, quão %loriosa, quão deliciosa s tu? 2. "onsidera a no!re,a, a formosura, as rique,as e todas as e0cel8ncias da companhia santa daqueles que #i#em ai- esses milh(es de /n)os, e Serafins e 9ueru!ins- esses e0 rcitos inumerá#eis de /p4stolos, de 5ártires, de "onfessores, de Jir%ens e de tantos outros santos e santas. 1hL 9ue união !ema#enturada a dos santos da %l4ria de &eus. 1 menor de todos mil #e,es mais !elo que o mundo inteiro- que dita será então #8-los todos )untosL 5eu &eus, que feli,es são elesL Sem cessar e sem fim le#am a cantar os doces cQnticos do eterno amor- re%o,i)am-se num )u!ilo perene- dão-se mutuamente mil moti#os de %o,o e #i#em cercados das consolaç(es indi#is7#eis

3 P E=. 5editação so!re o Para7so

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de uma companhia feli, e indissol.#el. 3. "onsidera muito mais ainda o au%e de sua !ema#enturança, o qual consiste na felicidade de #er a &eus, que os honra e inunda de %o,os pela #isão !eat7fica, fonte de !ens inumerá#eis, pela qual ele emite todas as lu,es da sa!edoria em suas mentes e todas as del7cias do amor em seus coraç(es. 9ue felicidade #er-se li%ado tão estreitamente e para sempre a &eus com laços tão preciososL "ercados e compenetrados de di#indade, como os passarinhos no ar, ocupam-se dia e noite unicamente de seu criador, adorando-1 continuamente, amando-1 e lou#ando-1 sem cansaço e com uma ale%ria inefá#el; P !endito se)ais para sempre, so!erano Senhor e criador +osso amant7ssimo, que com toda a !ondade manifestais em n4s a #ossa %l4ria, pela participação que nos concedeis. ' ao mesmo tempo &eus os fa, ou#ir aquelas pala#ras ditosas; /!ençoado se)ais, criaturas minhas, com a !enção eterna, que me ser#istes com fidelidade- #4s lou#areis perpetuamente o Josso Senhor na união mais perfeita do seu amor. "fetos e ;esoluç0es E. 'ntre%a-te 2 admiração de tua pátria celeste. 1hL quão formosa, rica e ma%n7fica s tu, minha Aerusal m querida, e quão ditosos teus ha!itantesL 2. Cepreende a tua frou0idão em pro%redir o caminho do " u. Porque fu%i assim de minha felicidade suprema? /hL 5iserá#el que souL mil #e,es renunciei a estas del7cias infinitas e eternas, para ir atrás de pra,eres superficiais, passa%eiros e misturados de muita amar%ura. 1nde tinha a ca!eça, quando despre,ei assim os !ens está#eis e di%nos de alme)ar, por causa dos pra,eres #ãos e despre,7#eis? 3. Ceanima, entretanto, tua esperança e aspira com todas as tuas forças a esta estQncia de del7cias, 4 amant7ssimo e so!erano Senhor, )á que Jos aprou#e me recondu,ir ao

3 P E=. 5editação so!re o Para7so

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caminho do " u, nunca mais me des#iarei dai, nem reterei meus passos, nem #oltarei atrás. Jamos, minha alma querida, em!ora custe al%um cansaço- #amos a esta estQncia de repousocaminharemos sempre a#ante para esta terra a!ençoada, que nos foi prometida- que estamos n4s a fa,er no '%ito? Pri#ar-me-ei, pois, disto e daquilo, destas coisas que me apartam do meu caminho ou me fa,em parar. Farei isto e aquilo, tudo que pode ser#ir a me condu,ir e a adiantar no caminho do " u. *onclusão /%radeceT ofereceT ora, etc. Pai-1osso, Ave-/aria. I – 7! :editação so+re a escol4a entre o *éu e o Inferno Pre$aração E. P(e-te na presença de &eus. 2. Pede a &eus humildemente que te inspire. *onsideração E. 1 começo desta meditação ima%ina que estas numa #asta re%ião com o seu an)o da %uarda, mais ou menos como :o!ias, o )o#em que #ia)a#a em companhia do /rcan)o Cafael e que ele a!rindo o " u ante teus olhos, te mostre a !ele,a e %l4ria dessa mansão, ao mesmo tempo que fa, aparecer o inferno de!ai0o de teus p s. 2. Feita esta suposição, de )oelhos, como em presença de teu !om an)o, considera que na realidade te achas neste caminho entre o " u e o 3nferno e que um e outro estão a!ertos para te rece!er, conforme a escolha que fi,eres. 5as pondera atentamente que a escolha que pode se fa,er a%ora, nesta #ida, perdura eternamente na outra. 3. "om a escolha que fi,eres conformar-se-á a pro#id8ncia de &eus ou usando de miseric4rdia para te rece!er no " u ou de Austiça para te precipitar no 3nferno- entretanto, mais que

3 P EB. 5editação so!re a escolha entre o " u e o 3nferno

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certo que &eus, por sua !ondade, quer sinceramente que escolhas a eternidade de del7cias e que teu !om an)o quer te condu,ir para lá com todas as suas forças, mostrando-te da parte de &eus os meios a!solutamente necessários para merec8-la. 6. 'scuta atentamente as #o,es interiores que #em do c u con#idar-te a ir para lá. Jem, alma querida P di, Aesus "risto P que amei mais do que meu san%ue- estendo-te os meus !raços, para te rece!er no lu%ar das imortais del7cias do meu amor #inde P di,-nos a Sant7ssima Jir%em P não despre,eis a #4s e o san%ue de meu Filho e os dese)os que tenho de #ossa sal#ação, e os pedidos que lhe faço para #os o!ter as %raças necessárias. J8m P di,em-te os santos, que s4 dese)o a união do teu coração com o deles. P para lou#ar eternamente a &eus- #em, o caminho do " u não tão dif7cil como o mundo pensa. +4s os #encemos e eis nos tempos enceta-o, mais com cora%em e #erás que, por um caminho incompara#elmente mais sua#e e feli, do que o do mundo, che%ará o au%e da %l4ria e da felicidade. ?scol4a I detestá#el inferno, eu te a!orreço com todos os teus tormentos e com tua tremenda eternidade. &etesto em especial essas !lasf8mias horr7#eis e maldiç(es dia!4licas que #omitas eternamente contra o meu &eus. 5inha alma foi criada para o " u e para ai que me le#a o anelo de meu coração- sim, para7so de del7cias, mansão di#ina da felicidade e da %l4ria eterna, entre os teus ta!ernáculos santos e ditosos que escolho ho)e para sempre e irre#o%a#elmente a minha morada. 'u #os !endi%o, meu &eus, aceitando esta dádi#a que #os aprou#e me fa,er. I Aesus meu Sal#ador, aceito com todo o reconhecimento de que sou capa, a honra e %raça que me fa,eis, de querer amar-me ternamente- reconheço que Sois J4s que me adquiristes estes direitos so!re o " u- sim, fostes J4s

3 P EB. 5editação so!re a escolha entre o " u e o 3nferno

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que me preparastes um lu%ar na Aerusal m "eleste e nenhuma das felicidades desta pátria de %o,os reputo i%ual aquela de Jos amar %lorificar eternamente. "oloca-te de!ai0o da proteção da Sant7ssima Jir%em e dos Santos- promete-lhes de os ser#ir fielmente, para que te a)udem a conse%uir esse " u, onde te esperam- estende as mãos a teu !om an)o, suplicando-lhe que te condu,a para lá- anima a tua alma a perse#erar constantemente nesta escolha. I – 8! :editação – ?scol4a da vida mundana ou devota E P P(e-te na presença de &eus 2 P 3mplora com humildade o seu au07lio *onsideração E. 3ma%ina ainda uma #e, que estás numa #asta re%ião, que #8s 2 tua esquerda o pr7ncipe das tre#as, assentado num trono muito alto e rodeado de uma multidão de dem$nios, e que desco!res ao redor desta corte infernal muitos pecadores e pecadoras que, dominados do esp7rito do mundo, lhe rendem as suas homena%ens. 1!ser#a com atenção todos os des#enturados #assalos Nser#osO desse rei a!ominá#elconsidera como uns estão fora de si, le#ados pelo esp7rito da ira, da rai#a e da #in%ança, que os torna furiosos, e como outros, dominados do esp7rito da pre%uiça, s4 se ocupam de fri#olidades e #aidades- aqueles, em!e!idos no esp7rito da intemperança, i%ualam-se a loucos e a !rutos, estes, empa#esados no esp7rito do or%ulho, tornam-se homens #iolentos e insuportá#eis- al%uns, possu7dos do esp7rito de in#e)a, consomem-se pesarosos e tristes, muitos são corrompidos at a podridão, pelo esp7rito da impure,a, e muitos outros, irrequietos pelo esp7rito da a#are,a, pertur!amse pela co!iça de rique,as. "onsidera como estão a7 sem repouso e sem ordem, olha at que ponto se despre,am mutuamente, quanto se odeiam, se perse%uem, se dilaceram, se

3 P EK. 5editação P 'scolha da #ida mundana ou de#ota

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destroem, se matam. 'is a7 enfim, a rep.!lica do mundo, tirani,ada por este rei maldito; quão infeli, e di%na de compai0ãoL 2. "onsidera 2 tua direita Aesus "risto crucificado que, com uma ternura ine0prim7#el de compai0ão e amor apresenta a seu Pai as suas oraç(es e o seu san%ue para o!ter a li!erdade destes infeli,es escra#os, e que os con#ida a romper seus laços e a #ir para o seu lado. 5as, principalmente, para, ao contemplar estes numerosos %rupos de de#otos e de#otas que com os an)os estão em torno dele. "ontempla a !ele,a do reino da de#oção- admira tantas e tantas pessoas de am!os os se0os, cu)as almas são puras e cQndidas como l7rios, tantas e tantas outras a quem a morte dum marido ou duma mulher tornou de no#o li#res em seu amor e que se consa%ram a &eus pela mortificação, caridade e humildade, e outras tantas, por fim, que %o#ernam a sua fam7lia no culto do #erdadeiro &eus, unindo a posse dos !ens com o desprendimento do coração, os cuidados da #ida com os da alma, o amor que reciprocamente se prometem com o amor a &eus, e o respeito de#ido com uma doce familiaridade. Presta atenção, nesta feli, companhia dos ser#os e ser#as de &eus, 2 felicidade do seu estado, a esta perfeita tranquilidade da alma, a esta sua#idade de esp7rito, a esta #i#acidade de sentimentosamam-se com um amor puro e santo- ale%ram-se de uma ale%ria inalterá#el, mas, ao mesmo tempo, caritati#a e re%rada. 5esmo aqueles ou aquelas que sentem al%uma aflição não se inquietam de todo com isso ou apenas de le#e e não perdem a pa, do coração. :odos eles t8m assim os olhos presos em Aesus "risto, que anseiam por ter no coração, e 'le mesmo desce, por assim di,er, com os seus pr4prios olhos e o seu "oração, at ao fundo de suas almas, para as iluminar, fortificar e consolar. 3. Pois !em, alma querida e filha de &eus NFilot iaO, )á há tempo que, le#ada pela %raça, a!andonaste a Satanás com os seus sequa,es Nse%uidoresO pelas tuas !oas resoluç(es- mas

3 P EK. 5editação P 'scolha da #ida mundana ou de#ota

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ainda não ti#este Qnimo de te lançar aos p s de Aesus e te alistar no n.mero de seus ser#os fi is. /t aqui esti#este como que no meio de dois partidos- ho)e, por fim, te de#es decidir. 6. / Sant7ssima Jir%em, São Aos , São Ru7s, Santa 5$nica e tantos mil outros que, no meio do mundo, formaram o reino de Aesus "risto, te con#idam a se%ui-los. &á ou#idos, principalmente a Aesus, que te chamou pelo teu pr4prio nome e te di,; Jem minha alma querida, #em, e eu te coroarei de %l4ria. ?scol4a E. I mundo en%anador, eu te a!orreço a ti e a teus se%uidores. Aamais me hão de en0er%ar de!ai0o do teu )u%opara sempre reconheço a tua insensate, e di%o adeus 2s tuas #aidades e a ti, Satanás, esp7rito infernal, a!ominá#el rei do or%ulho e da infelicidade Ne da in#e)aO, eu te renuncio para sempre, com todas as tuas pompas f.teis, e detesto tuas o!ras. 2. * para #4s, doce e amant7ssimo Aesus, Cei da !ema#enturança e da %l4ria imortal, a quem ho)e me #olto. 'u me lanço a #ossos p s e os a!raço com toda a minha alma, eu #os adoro de todo o meu coração, eu #os escolho para meu Cei e me su!meto inteiramente a #ossas santas leis. :udo aquilo que eu tenho #os ofereço em sacrif7cio uni#ersal e irre#o%á#el, que pretendo, mediante a #ossa %raça, manter toda a minha #ida com uma fidelidade in#iolá#el. 3. I Sant7ssima Jir%em, permiti que #os escolha ho)e por %uia, ponho-me so! #ossa proteção, de#otando-#os um sin%ular respeito e uma de#oção toda especial. I meu santo an)o, apresentai-me aos santos e 2s santas- não me a!andoneis antes de me fa,erdes entrar em #ossa feli, companhia. S4 então, reno#ando e confirmando de dia em dia esta escolha, que a%ora faço, e0clamarei eternamente, a e0emplo #osso- Ji#a AesusL Ji#a AesusL

3 P EG. +ecessidade de uma !oa confissão %eral

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I – 9! 2ecessidade de uma +oa confissão %eral /7 temos, Filot ia, as meditaç(es de maior necessidade para alcançar o teu fim. &epois que as ti#eres reali,ado, determinate então a fa,er com cora%em e humildade a tua confissão %eral, mas toma sentido no meu conselho; não dei0es tua alma pertur!ar-se por al%uma #ã apreensão. @em sa!es que o 4leo do escorpião o melhor rem dio contra o seu #eneno- assim tam! m a confissão do pecado o rem dio mais salutar contra o mesmo pecado- ela destr4i-lhe tanto a confusão como a mal7cia. Sim, tantos encantos tem a confissão e tantos perfumes e0ala para o c u e a terra, que tira e sara toda a fealdade e podridão do pecado. Simão, o leproso, di,ia que 5adalena era uma pecadora- mas +osso Senhor di,ia que não, e )á s4 fala#a do perfume que ela tinha espalhado por toda a sala do fariseu, e de seu imenso amor. Se somos #erdadeiramente humildes, Filot ia, nossos pecados forçosamente nos desa%radarão muit7ssimo, porque são ofensas a &eus- ao contrário, a confissão de nossos pecados se tornará sua#e e consoladora, pela honra que com isso damos a &eus. * um consolo semelhante ao do doente que re#ela ao m dico tudo o que sente. 'stando a)oelhada aos p s do teu pai espiritual, pensa que estás no "al#ário, aos p s de Aesus crucificado, e que seu san%ue precioso se derrama de suas feridas e, caindo em tua alma, a la#a de tuas iniquidades- porque , na #erdade, a aplicação dos merecimentos do seu san%ue derramado na cru, que santifica os penitentes na confissão. 5anifesta, pois, inteiramente o teu coração ao confessor, para que o ali#ie de teus pecados, e o encherás ao mesmo tempo de !8nçãos pelos merecimentos da pai0ão de Aesus "risto. /cusa-te, com a maior simplicidade e sinceridade e tranquili,a duma #e, para sempre a tua consci8ncia, de sorte que nunca mais tenhas moti#os para inquietação. Feito isso, ou#e com atenção e docilidade os conselhos salutares do ministro de &eus, e a penit8ncia que ele achar por !em importe. Sim, sem d.#ida a &eus que estás

3 P EG. +ecessidade de uma !oa confissão %eral

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então a ou#ir, porque ele disse e0pressamente de seus ministros; /quele que #os ou#e me ou#e a mim. &epois de teres ou#ido atentamente tudo o que ele te disser, toma 2 mão a se%uinte protestação que, depois de a teres lido e meditado antes da confissão, ser#irá de remate a este e0erc7cio de penit8ncia. Cecita-a com a maior atenção e compunção poss7#el. I – '<! Firme $ro$ósito $ara concluir os e&erc=cios 'u, a!ai0o assinado, muito indi%na criatura de &eus, faço a protestação se%uinte na presença de sua di#ina ma)estade e de toda a c$rte celeste; &epois de ter considerado !em a imensa !ondade de &eus, que me criou, que me conser#a e sustentaque me li#rou de tantos males e concedeu tantos !enef7ciosdepois de ter meditado a sua infinita miseric4rdia, que com tanta !randura tolerou meus pecados, que me chamou a si tantas #e,es, por inspiraç(es tão doces e frequente, que com tanta lon%animidade esperou a minha con#ersão at este +[. \\\\ ano de minha #ida, apesar das muitas oposiç(es que tenho feito, por minha in%ratidão, infidelidade, retardação da penit8ncia e despre,o de suas %raças- depois de ter considerado !em a profanação, que fi, tão repetidas #e,es de minha alma e das %raças que, rece!i no santo !atismo, onde me de#otei e consa%rei a &eus, pelas promessas que então fi,eram por mimenfim, entrando em mim mesmo e com o esp7rito e coração consternados, perante &eus, eu me reconheço e confesso culpado e inteiramente con#encido do crime que cometi, de lesa-5a)estade di#ina e da morte de Aesus, que s4 suspirou na cru, por causa de meus pecados- deste modo eu confesso que )ustamente mereci as penas eternas. 5as, depois de ter detestado os meus pecados de todo o meu coração, eu me #olto ho)e para o trono do Pai das miseric4rdias, di,endo; Perdão, meu &eus, perdão. 'u #os suplico a remissão inteira dos meus pecados, em nome de Aesus "risto, #osso Filho, que

3 P 2F. Firme prop4sito para concluir os e0erc7cios

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morreu na cru, para me sal#ar. Pondo nele toda a minha esperança, eu reno#o ho)e, 4 meu &eus, a profissão de fidelidade que #os prometi no !atismo. /%ora, como então, eu renuncio ao dem$nio, ao mundo e 2 carne, e detesto para o resto de meus dias todas as suas o!ras, com suas pompas e concupisc8ncias, comprometendo-me a #os ser#ir e amar durante a minha #ida, a meu &eus, infinitamente !om e misericordioso. Sim, meu &eus, com esta intenção eu #os consa%ro a minha alma com todas as suas pot8ncias, o meu coração com todos os seus afetos, o meu corpo com todos os seus sentidos, protestando firmemente que não me quero ser#ir de nada daquilo que tenho, contra a #ontade de #ossa di#ina ma)estade, e entre%ando-me com toda a su!missão que #os de#e uma criatura fiel. 5as ahL P se por mal7cia humana eu for al%um dia infiel 2s #ossas %raças e 2s minhas !oas resoluç(es, eu protesto que nada ne%li%enciarei, com a %raça do 'sp7rito Santo, para le#antar-me imediatamente de minha queda. 'is a7 a minha resolução ina!alá#el e a minha intenção para sempre irre#o%á#el, sem reser#as ou e0ceç(es de qualidade al%uma. Faço esta protestação na di#ina presença de meu &eus, em #ista da 3%re)a triunfante e em face da 3%re)a militante, minha mãe, e que a rece!e a%ora na pessoa do seu ministro, deputado para este fim. &i%nai-#os, 4 &eus eterno de !ondade e miseric4rdia infinita, Pai, Filho e 'sp7rito Santo, rece!er em odor de sua#idade este sacrif7cio, que #os faço, de tudo o que sou- e, como me destes a %raça de #o-lo oferecer, dai-me tam! m as %raças necessárias para cumprir fielmente as suas o!ri%aç(es. I meu &eus, #4s sois meu &eus, o &eus de meu coração, o &eus de meu esp7rito, o &eus de toda a minha almaeu #os adoro e #os amo e por toda a eternidade #os quero adorar e amar. Ji#a AesusL I – ' ! *onclusão! Do $rimeiro %rau de $ure#a :erminada esta protestação, escuta em esp7rito e

3 P 2E. "onclusão. &o primeiro %rau de pure,a

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atentamente a sentença que no c u Aesus "risto há de pronunciar do seu trono de miseric4rdia, na presença dos an)os e dos santos, no mesmo instante em que o sacerdote, aqui na terra, te a!sol#er de teus pecados. Sá de cumprir-se então P no c u o que Aesus "risto nos predisse, porque ha#erá a7 ).!ilo ao #erem o teu coração, de no#o cheio de amor de &eus, reentrar na companhia dos an)os e dos santos, que se reunirão com tua alma no esp7rito de amor e pa, e que entoarão na presença de &eus os cQnticos sa%rados repassados de ale%ria espiritual. I meu &eusL Filot ia, que pacto mais admirá#el e feli, este, pelo qual tu te dás a &eus e &eus te dá a si mesmo e te reentre%a a ti pr4pria, para #i#eres eternamente. +ada mais te resta a fa,er do que tomar a pena e assinar este ato de protestação e depois te ache%ar ao altar, onde Aesus "risto ratificará a promessa que fe,, de dar-te o para7so, pondo-se a si mesmo em seu Sacramento, como um selo sa%rado so!re o coração reno#ado deste modo em seu amor. 'is a7, pois, a tua alma neste primeiro %rau de pure,a, que consiste na isenção do pecado mortal e dos afetos que te podem le#ar a comet8-lo. 'ntretanto, como estes afetos costumam renascer em n4s muitas #e,es facilmente, de#ido 2 nossa fra%ilidade ou concupisc8ncia, a qual podemos moderar e re%rar, mas nunca podemos e0tin%uir, torna-se necessário que eu te pre#ina contra este peri%o e des%raça, dando-te os a#isos que me parecem mais salutares. 5as, porque estes mesmos a#isos te podem condu,ir a um se%undo %rau de pure,a de alma muito mais e0celente ainda que o primeiro, necessário que, antes de os dar, eu fale desta pure,a de alma mais preferida, a que te dese)o condu,ir. I – ''! Purificação de todos os afetos aos $ecados veniais / medida que o dia se #ai clareando, n4s #amos #endo melhor num espelho as n4doas do nosso rosto- de modo semelhante, 2 proporção que o 'sp7rito Santo nos comunica

3 P 22. Purificação de todos os afetos aos pecados #eniais

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maiores lu,es interiores, n4s #amos desco!rindo mais distinta e e#identemente os pecadosUaV, as imperfeiç(es, as inclinaç(es que se podem opor de qualquer modo 2 de#oção- e muito de notar que essas lu,es que esclarecem o nosso esp7rito acerca de nossas faltas e0citam tam! m no nosso coração um dese)o ardente de corri%i-las. &este modo, Filot ia, em tua alma, em!ora )á purificada dos pecados mortais e das afeiç(es que le#am a comet8-los, encontrarás ainda um %rande n.mero de disposiç(es más, que a inclinam ao pecado #enial- não di%o que desco!rirás a7 muitos pecados #eniais, mas, sim, que a encontrarás cheia de afeiç(es más, que são as fontes dos pecados #eniais. 1ra, isso são coisas !em di#ersas; mentir, por e0emplo, ha!itualmente e com %osto muito diferente do que mentir uma ou duas #e,es por !rincadeira. +ão podemos nos preser#ar completamente de todo pecado #enial de tal sorte que nos conser#emos por muito tempo nesta perfeita pure,a da alma- o que com a %raça de &eus podemos destruir o afeto ao pecado #enial, e para isso , que nos de#emos esforçar. 'sta!elecidas estas pressuposiç(es, di%o que necessário aspirar a este se%undo %rau de pure,a da alma, que consiste em não fomentar #oluntariamente em n4s nenhuma afeição má ao
UaV ]EK6G / definição do pecado P 1 pecado uma falta contra a ra,ão, a #erdade, a consci8ncia reta- uma falta ao amor #erdadeiro para com &eus e para com o pr40imo, por causa de um ape%o per#erso a certos !ens. Fere a nature,a do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como Huma pala#ra, um ato ou um dese)o contrários 2 lei eternaM. ]EK<F 1 pecado ofensa a &eus; HPequei contra ti, contra ti somentepratiquei o que mau aos teus olhosM NSl <E, =O. 1 pecado er%ue-se contra o amor de &eus por n4s e des#ia dele os nossos coraç(es. "omo o primeiro pecado, uma deso!edi8ncia, uma re#olta contra &eus, por #ontade de tornar-se Hcomo deusesM, conhecendo e determinando o !em e o mal NGn 3,<O. 1 pecado , portanto, Hamor de si mesmo at o despre,o de &eusM. Por essa e0altação or%ulhosa de si, o pecado diametralmente contrário 2 o!edi8ncia de Aesus, que reali,a a sal#ação.

3 P 22. Purificação de todos os afetos aos pecados #eniais

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pecado #enial, qualquer que se)a- seria, pois, uma %rande infidelidade e mui culpá#el indol8ncia conser#ar em n4s consciente e ha!itualmente uma disposição tão má como a de desa%radar a &eus. "om efeito, todo pecado #enial, por menor que se)a, desa%rada a &eus, conquanto não lhe desa%rade a ponto de lançar so!re quem o comete a sua maldição eterna- se, pois, o pecado #enial lhe desa%rada, certamente a afeição ha!itual que se tem ao pecado #enial #em a ser uma disposição ha!itual do nosso esp7rito e coração de desa%radar 2 5a)estade di#ina. ' seria poss7#el que uma alma que se reconciliou com &eus queira não s4 lhe desa%radar, mas at ter %osto nesse desa%rado? :odos os afetos desre%rados, Filot ia, são tão diretamente opostos 2 de#oção como a afeição ao pecado mortal o 2 caridade; eles enfraquecem o esp7rito, impedem as consolaç(es di#inas, a!rem caminho 2s tentaç(es e, mesmo que não tra%am a morte 2 alma, causam-lhe toda#ia %ra#es enfermidades. As moscas que caem mortas num bálsamo precioso P di, o sá!io P deitam a perder toda a suavidade de seu odor e toda a sua intensidade. 9uer ele di,er que as moscas que a7 pousam s4 de le#e, e su%am apenas um pouco da superf7cie, não estra%am todo o !álsamo- mas que aquelas que a7 morrem o corrompem inteiramente. &o mesmo modo, os pecados #eniais que se cometem de tempos em tempos pouco danificam a de#oção- ao contrário, destroem-na por completo, se formam na alma um há!ito #icioso. /s aranhas não matam as a!elhas, mas estra%am-lhes o mel e, se acham uma colmeia, de tal modo a em!araçam com os fios da sua teia que tornam imposs7#el 2s a!elhas a continuação de seu tra!alho. /ssim, os pecados #eniais não matam a nossa alma, mas estor#am a de#oção e, a quem os comete com uma inclinação ha!itual, em!araçam a alma com uma esp cie de há!ito #icioso e de disposiç(es más, que a impedem de a%ir

3 P 22. Purificação de todos os afetos aos pecados #eniais

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com aquela caridade ardente em que consiste a de#oção #erdadeira. +ão uma coisa %ra#e, Filot ia, pre%ar uma mentirinha, trans%redir um pouco a ordem Nquer por pala#ras, quer por aç(esO, não res%uardar os olhos, quanto a #istas puramente naturais e curiosas, compra,er-se uma #e, em #estidos de #aidade, #isitar um dia uma sala de dança ou de )o%os, donde o coração sairá um tanto ferido P tudo isso, di%o eu, não será uma coisa %ra#e, nem de maior reparo, uma #e, que se preste atenção a que o coração não se dei0e dominar por certos pendores e ape%os que podia tomar para estas coisas, 2 semelhança das a!elhas, que se esforçam por e0pulsar as aranhas que lhes querem estra%ar o mel. 5as isso acontece muitas #e,es e se, como de costume, o coração se inclina e ape%a a estas coisas, !em depressa há de se perder a sua#idade da de#oção e toda a de#oção mesmo. /inda uma #e, torno a di,er; será ditado pelo !om-senso que uma alma %enerosa tenha %osto em desa%radar a &eus e se afeiçoe a querer sempre aquilo que sa!e lhe ser tão desa%radá#el? I – ',! Purificação das coisas in-teis e $eri%osas 1s )o%os, os !ailes, os festins, os teatros e tudo aquilo, enfim, que se pode chamar pompa do s culo, de si mesmos e de sua nature,a não são de modo al%um coisas más, mas sim indiferentes, que podem ser usadas tanto !em como mal. "ontudo, sempre são coisas peri%osas e mais ainda o afeiçoar-se a elas. * por esta ra,ão que te di%o, Filot ia, que, em!ora não se)a pecado um )o%o comedido, uma dança modesta, #estir-se rica e ele%antemente, sem ares de sensualidade, um teatro honesto tanto quanto 2 composição como quanto 2 representação, um !om )antar, sem intemperança, contudo, a afeição que se poderia adquirir a estas coisas seria inteiramente contrária 2 de#oção, muito noci#a 2 alma e de %rande peri%o para a sal#ação. /hL 9ue

3 P 23. Purificação das coisas in.teis e peri%osas

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%rande perda encher o coração de tantas inclinaç(es #ãs e loucas, que o tornam insens7#el para as impress(es da %raça e de tal modo tomam posse dele que não lhe dei0am nem ener%ia nem %osto para as coisas s rias e santasL '0atamente por isso no /nti%o :estamento os na,arenos se a!stinham não s4 de tudo o que podia em!ria%ar, mas at das u#as e do a%raço Nu#as #erdesO- não que pensassem que uma u#a ou outra os pudesse em!ria%ar, mas assim fa,iam porque tinham medo de que, se comessem o a%raço, sentissem o dese)o das u#as e, se chupassem as u#as, fossem tentados a !e!er o #inho. +ão di%o, pois, que em ocasião al%uma possamos usar de coisas peri%osas, mas di%o somente que nunca poderemos ape%ar nessas coisas o coração sem danos da de#oção. 1s #eados, se en%ordam muito, retiram-se para as suas moitas, porque sentem que sua %ordura lhes faria perder a a%ilidade, que sua defesa, quando são perse%uidos pelos caçadoresdeste modo o homem, so!recarre%ando o seu coração com estes afetos in.teis, sup rfluos e peri%osos, perde as !oas disposiç(es, necessárias para correr com ardor e facilidade pelas #eredas da de#oção. 1s meninos correm todos os dias, at não poderem mais, atrás das !or!oletas, e nin%u m acha nisso al%uma coisa de incon#eniente, porque são meninos- mas não uma coisa rid7cula e ao mesmo tempo deplorá#el #er homens racionais se darem afoitamente a !a%atelas tão in.teis como aquelas de que falamos e que, al m disso, os fa,em correr peri%o de pecar e se perder? Por isso, Filot ia, e porque a tua sal#ação me tão cara, eu te declaro a necessidade de li!ertares o teu coração de todas estas inclinaç(es- pois, ainda que os teus atos particulares não se)am sempre contrários 2 de#oção, contudo, o afeiçoar-se e ape%ar-se a estas coisas lhe causam mui %randes danos. I – '1! Purificação das im$erfeiç0es naturais Possu7mos ainda, Filot ia, al%umas imperfeiç(es naturais,

3 P 26. Purificação das imperfeiç(es naturais

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que, em!ora se ori%inem dos pr4prios pecados, não são pecados mortais nem #eniais; chamam-se imperfeiç(es, e os atos resultantes da7 t8m o nome de defeitos ou faltas. Santa Paula- por e0emplo, como nos conta São Aer$nimo, era de nature,a tão dada 2 melancolia, que, 2 morte de seu marido e seus filhos, pensa#a morrer de triste,a. 'ra isso uma %rande imperfeição, mas não um pecado, porque era contra a sua #ontade. '0istem al%umas pessoas que são de um esp7rito le#iano e outras de um caráter r7spidomuitas há de um Qnimo ind4cil e dif7cil de aceder aos conselhos e 2s pala#ras de ami%os- outras que t8m a !7lis fácil de inflamar-se, e muitas outras que possuem um coração por demais terno e suscet7#el a ami,ades humanas. +uma pala#raquase que não e0iste pessoa al%uma em que não se note uma imperfeição semelhante. 1ra, em!ora essas imperfeiç(es se)am naturais, podem, entretanto, ser corri%idas e moderadas, procurando-se adquirir as perfeiç(es contrárias- podemos mesmo aca!ar inteiramente com elas- e di%o-te, Filot ia, que de#es che%ar a este ponto. /chou-se meio de con#erter as amendoeiras a,edas em doces, simplesmente furando-as )unto ao p , para que saia o suco amar%o. Por que, portanto, não podemos n4s nos li#rar de nossas más inclinaç(es, retendo unicamente o que t8m de !om para as tornar disposiç(es fa#orá#eis 2 prática das #irtudes? /ssim como não há uma nature,a tão !oa que não possa ser corrompida por há!itos #iciosos, assim tam! m não e0iste um caráter tão mau que não se possa domar e at mudar inteiramente, mediante um esforço constante e pela %raça de &eus. Jou te dar, pois, os a#isos e te propor os e0erc7cios que )ul%o mais necessários para li#rar a tua alma de todas as más inclinaç(es ao pecado #enial, de todos os ape%os a coisas in.teis e peri%osas e de todas as imperfeiç(es naturais. "om

3 P 26. Purificação das imperfeiç(es naturais

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isso a tua alma estará tam! m mais defendida contra o pecado mortal. 9ue &eus te d8 a sua %raça para os pores em práticaL

Se%unda Parte

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Se%unda Parte (iversos avisos para elevar a alma a (eus por meio da oraç$o e da recepç$o dos sacramentos II – ! " necessidade da oração E. / oração, fa,endo o nosso esp7rito penetrar na plena lu, da di#indade e e0pondo a nossa #ontade a!ertamente aos ardores do amor di#ino, o meio mais efica, de dissipar as tre#as de erros e i%norQncia que o!scurecem a nossa mente e de purificar o nosso coração de todos os seus afetos desordenados. * ela a á%ua da %raça, que la#a a nossa alma de suas iniquidades, ali#ia os nossos coraç(es, opressos pela sede das pai0(es, e nutre as primeiras ra7,es que a #irtude #ai lançando, que são os !ons dese)os. 2. 5as o que muito em particular te aconselho a oração de esp7rito e de coração e, so!retudo, a que se ocupa da #ida e pai0ão de +osso Senhor; contemplando-o, sempre de no#o, pela meditação ass7dua, tua alma há de por fim encher-se dele e tu conformarás a tua #ida interior e e0terior com a sua. 'le a lu, do mundo; nele, por ele e para ele que de#emos ser iluminados. 'le a árvore misteriosa do desejo de que fala a 'sposa dos "antares. * a seus p s que temos que ir respirar este ar sua#7ssimo, quando o nosso coração se #ai afrou0ando pelo esp7rito do s culo. 'le a cisterna de Aac4, essa nascente de á%ua #i#a e pura- a ela cumpre che%armo-nos muitas #e,es, para la#ar nossa alma de suas manchas. 1s meninos, como sa!ido, ou#em continuamente as suas mães falarem e, esforçando-se por !al!uciar com elas, aprendem a falar a mesma l7n%ua- deste modo n4s, unindo-nos com +osso Senhor, pela meditação, e notando as suas pala#ras e aç(es, os seus sentimentos e inclinaç(es, aprenderemos por fim, com a sua %raça, a falar com ele, a a%ir com ele, a )ul%ar como ele e amar como ele. / 'le preciso prendermo-nos, Filot ia, e cr8-me

33 P E. / necessidade da oração

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que não podemos ir a &eus, o Pai, senão por esta porta que Aesus "risto, como ele mesmo nos disse. 1 #idro dum espelho não pode deter a nossa #ista, se não for aplicado a um corpo s4lido, como o chum!o e o estanho- de modo análo%o, )amais nos seria poss7#el contemplar a di#indade nesta #ida mortal, se não se unisse 2 nossa humanidade em Aesus "risto, cu)a #ida, pai0ão e morte constituem para as meditaç(es o o!)eto mais proporcionado a nossas lu,es, mais a%radá#el ao nosso coração e mais .til ao melhoramento de nossos costumes. 1 di#ino Sal#ador chamou-se a si mesmo o pão descido do c u, por muitas ra,(es, entre as quais podemos adu,ir a se%uinte; assim como se come o pão com toda sorte de alimento, assim de#emos tomar o esp7rito de Aesus "risto na meditação, e ele, nutrindo-nos, influirá em todas as nossas aç(es. Por isso, muitos autores repartiram em di#ersos pontos de meditação o que sa!emos de sua #ida e pai0ão. 'ntre esses autores te aconselho especialmente São @oa#entura, @ellintani, @runo, "api%lia, Granada e Ra Puente. 3. 'mpre%a neste e0erc7cio uma hora por dia, antes do )antar, ou de manhã, se for poss7#el, antes que percas as !oas disposiç(es e tranquilidade de esp7rito que dá o repouso da noite. 5as não prolon%ues mais este tempo, a não ser que o teu pai espiritual o tenha fi0ado e0pressamente. 6. Se te for poss7#el fa,er este e0erc7cio com maior tranquilidade numa i%re)a, parece-me ainda melhor, porque, a meu #er, nem pai, nem mãe, nem marido, nem mulher, nem pessoa al%uma terá direito de disputar-te esta hora de de#oçãoao contrário, em casa não podes contar com toda ela nem com tanta li!erdade, em ra,ão da depend8ncia em que a7 te achas. <. "omeça a tua oração, se)a mental, se)a #ocal, sempre te pondo na presença de &eus- nunca ne%licencies esta prática e #erás em pouco tempo os seus resultados. =. Se em mim confias, hás de recitar o Pai-1osso, Ave/aria e o Credo em latim- não omitirás, no entanto, de

33 P E. / necessidade da oração

<K

aprender estas oraç(es tam! m em tua l7n%ua materna, para que lhe entendas o sentido. &este modo, conformando-te ao uso da 3%re)a pela l7n%ua da reli%ião, compreenderás outrossim o sentido admirá#el destas oraç(es e lhes sa!orearás a sua#idade. "on# m recitá-las com a má0ima atenção ao seu sentido e e0citando os afetos correspondentes. +ão te dei0es le#ar pela pressa infundada de fa,er muitas oraç(es, mas cuida de re,ar com de#oção- um s4 Pai-nosso, re,ado com piedade e recolhimento, #ale mais que muitos recitados precipitadamente. B. 1 Cosário um modo util7ssimo de re,ar, supondo que se sai!a recitá-lo !em. Para que tu o sai!as, l8 um desses li#rinhos de oração que cont m o m todo de re,á-lo. 5uito recomendá#el tam! m recitar as ladainhas de +ossa Senhora e dos santos, como outras oraç(es que se acham em manuais apro#ados de#idamente- mas tudo isso fica dito so! a condição de que, se tens o dom da oração mental, lhe d8s o tempo principal e o melhor. &e#es notar que, se depois de o fa,eres, por causa de muitas ocupaç(es ou por outro moti#o, não te so!re tempo dispon7#el para as tuas oraç(es #ocais, a!solutamente não te de#es inquietar- !astante re,ares antes ou depois da meditação simplesmente a oração dominical NPainossoO, a saudação an% lica N/#e-5ariaO e o S7m!olo dos /p4stolos N"redoO. K. Se, ao recitares uma oração #ocal, te sentires atra7da 2 oração mental, muito lon%e de reprimires esta inclinação, de#es dei0ar-te le#ar sua#emente e não te pertur!es por não aca!ar todas as oraç(es que te tens proposto. / oração do esp7rito e do coração muito mais a%radá#el a &eus e salutar 2 alma do que a oração dos lá!ios. 'stá !em de #er que a esta re%ra hás de e0cetuar o of7cio di#ino NRitur%ia das SorasO e aquelas oraç(es que estás o!ri%ada a recitar Npelo diretor espiritualO. G. &e#es repelir tudo que te poderia impedir este santo e0erc7cio pela manhã- mas, se tuas m.ltiplas ocupaç(es ou outras ra,(es le%7timas te rou!am este tempo, procura fa,er a

33 P E. / necessidade da oração

<G

meditação de tarde, 2 hora mais distante poss7#el da refeição, quer para e#itar a sonol8ncia, quer para não fa,er mal 2 sa.de. ', se pre#8s que em todo o dia não acharás tempo para a oração, cumpre reparares esta perda, suprindo-a por essas ele#aç(es frequentes de esp7rito e coração a &eus, 2s quais chamamos )aculat4rias, por uma leitura espiritual, por al%um ato de penit8ncia, que impede as consequ8ncias daquela perda, e prop(e-lhe firmemente fa,er a tua oração no dia se%uinte. II – '! Pre$aração@ $ArBse na $resença de Deus Poderá ser, Filot ia, que não sai!as como se fa, a oração mental- pois, infeli,mente, poucos o sa!em nos nossos tempos. Por isso se torna necessário que resuma aqui em al%umas re%ras um m todo pro#eitoso, dei0ando para os !ons li#ros dedicados a esta mat ria e principalmente para a prática a tua instrução mais completa. / primeira re!ra tem em #ista a preparação, que consiste nestes tr8s pontos; p$r-se na presença de &eus, pedir-lhe o au07lio de suas lu,es e inspiraç(es, propor-se o mist rio que se quer meditar. 9uanto ao primeiro ponto, ofereço-te quatro meios principais^ que poderão a)udar teu nascente ardor. 1 primeiro consiste em atender #i#amente 2 imensidade de &eus, que perfeita e essencialmente está presente em todas as coisas e lu%ares, de maneira que, como os passarinhos, para qualquer re%ião que #oem, estão sempre en#oltos no ar, assim tam! m n4s, em toda parte a que nos diri%imos ou em que estamos, sempre encontramos a &eus presente em n4s mesmos e em todas as ca!eis. 'sta #erdade conhecida de todos, mas !em poucos lhe consa%ram a de#ida atenção. 1s ce%os que sa!em se achar na presença de um pr7ncipe, em!ora não o #e)am, conser#am-se numa posição respeitosa- mas- porque não o #eem, facilmente esquecem a sua presença e, uma #e, esquecida, ainda com maior facilidade perdem o respeito que

33 P 2. Preparação; p$r-se na presença de &eus

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lhe de#ido. /hL Filot ia, não podemos #er a &eus, que está presente em n4s- e em!ora a f e a ra,ão nos di%am que ele está presente, !em depressa nos esquecemos disso e então a%imos como se ele esti#esse lon%e de n4s; pois, conquanto sai!amos que ele está presente em todas as coisas, a falta de atenção produ, em n4s os mesmos efeitos que se o i%norássemos de todo. 'is ai a ra,ão por que no começo de nossas oraç(es de#emos refletir intensamente so!re a presença de &eus. Profundamente compenetrado desta #erdade esta#a &a#i, quando di,ia; 'e subir ao céu, tu ali te achas* se descer ao in#erno, presente nele estás. 3%ualmente, sir#amo-nos das pala#ras de Aac4, que, depois de ter #isto a misteriosa escada a que )á me referi, e0clamou; %u$o terrível é este lu!ar* em verdade (eus está aqui e eu n$o o sabia. 9ueria di,er que não tinha refletido !astante, porque não podia i%norar que &eus esti#esse presente em toda parte. 'ia, pois, Filot iaL /o te preparares para a oração, di,e de todo o coração a ti mesma; 1hL 5inha alma, &eus está #erdadeiramente aqui presente. 1 se!undo meio de te pores na presença de &eus pensar que &eus não somente está no lu%ar onde te achas, mas tam! m que ele está presente em ti mesma, no Qma%o de tua alma; que ele a #i#ifica, anima e sustenta por sua di#ina presença- pois como a alma, estando presente em todo o corpo, reside contudo dum modo especial no coração, assim &eus, estando presente em todas as coisas, o está muito mais em nossa alma, podendo-se at di,er, em certo sentido, que &eus mesmo a alma. Por isso &a#i chama#a a &eus o (eus do seu coraç$o. ' São Paulo, neste mesmo sentido, nos di, que em (eus vivemos, nos movemos e somos. ' deste modo tam! m este pensamento incitará no teu coração um respeito profundo por &eus, que está em ti tão intimamente presente. 1 terceiro meio, que te poderá a)udar, considerar que o

33 P 2. Preparação; p$r-se na presença de &eus

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Filho de &eus, como homem, no c u olha para todas as pessoas do mundo, mas mui particularmente para os cristãos, que são seus filhos e ainda mais para os que estão atualmente em oração, notando se re,am !em ou mal. +em isso uma pura ima%inação, mas um fato muit7ssimo real- pois, conquanto não o possamos #er, como Santo 'st8#ão em seu mart7rio, +osso Senhor tem, entretanto, os seus olhos em n4s, como os tinha nele, e podemos di,er-lhe al%uma coisa semelhante ao que a 'sposa dos "antares disse a seu 'sposo; 2le está lá, ei-lo, é ele mesmo* ele está escondido e n$o o posso ver, mas ele me v), ele me está olhando. 1 quarto meio consiste em nos representarmos Aesus "risto neste mesmo lu%ar onde estamos, mais ou menos como costumamos nos representar os nossos ami%os, e di,er; estou ima%inando #8-lo fa,endo isso ou aquilo- parece-me #8-lo, ou#i-lo. 'stando, por m, na i%re)a, ante o altar do Sant7ssimo Sacramento, esta presença de Aesus "risto, Filot ia, não será meramente ima%inária, mas muit7ssimo real- as esp cies ou apar8ncias do pão são como um # u que o esconde a nossos olhos- 'le nos #8 e considera realmente, em!ora a n4s o não #e)amos em sua pr4pria forma. &um destes quatro meios, pois, te poderás ser#ir para te pores na presença de &eus e não dos quatro duma #e,, e isso mesmo de#es fa,er !re#emente e com simplicidade. II – ,! Pre$aração@ " invocação / in#ocação se fa, do modo se%uinte; tua alma, sentindo a &eus presente, de#e compenetrar-se de um profundo respeito e reputar-se a!solutamente indi%na de sua presença- toda#ia, sa!endo que ele te #8, de#es pedir-lhe a %raça de o %lorificar nesta meditação. Se quiseres, poderás ser#ir-te de al%umas pala#ras, !re#es mas ardentes, como estas, que são do profetarei; Sl <EN<FO,E3n$o me rejeites para lon!e de tua #ace, n$o retires de mim teu santo espírito. Sl EEG NEEKO,E3<0lumina tua

33 P 3. Preparação; / in#ocação

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#ace para o teu servo, e ensina-me teus estatutos 363aze-me entender e !uardar tua lei, para observá-la de todo o coraç$o 5uito .til in#ocares tam! m o teu an)o da %uarda e os santos que participaram do mist rio que meditas- como, por e0emplo, na meditação so!re a morte de +osso Senhor, a Sant7ssima Jir%em, São Aoão, Santa 5adalena e os outros santos e santas e o @om Radrão, implorando-lhes que te emprestem os sentimentos que tinham ou, então, na meditação so!re a tua pr4pria morte, a teu an)o da %uarda, que estará lá presente. 1 mesmo de#e di,er-se de todos os outros mist rios ou #erdades que meditas. II – 1! Pre$aração@ Pro$orBse um mistério '0iste ainda um terceiro prel.dio da oração mental, o qual, no entanto, não comum a toda esp cie de meditaç(es e se chama %eralmente HcomposiçãoM ou representação do lu%ar. "onsiste numa certa ati#idade da fantasia, pela qual nos representamos o mist rio ou fato que queremos meditar, como se os acontecimentos se esti#essem sucedendo realmente ante os nossos olhos. Por e0emplo, se queres meditar so!re a morte de Aesus crucificado no "al#ário, farás uma ideia de todas as circunstQncias, como os e#an%elistas no-las descre#em, quanto aos lu%ares, pessoas, aç(es e pala#ras- o mesmo te proporei acerca dos outros o!)etos que os sentidos perce!em, como a morte e o inferno, como )á #imos- tratando-se, por m, de o!)etos inteiramente espirituais, como a %rande,a de &eus, a e0cel8ncia das #irtudes, o fim da nossa criação, essa prática não tão con#eniente, ' #erdade que mesmo aqui se poderia usar de al%uma analo%ia ou comparação, como #emos nas !elas pará!olas do Filho de &eus- mas isso tem sua dificuldade e eu quisera que te ocupasses com e0erc7cios simples e não cansasses o teu esp7rito procurando semelhantes pensamentos. / utilidade deste e0erc7cio de ima%inação consiste em ater a nossa fantasia ao o!)eto que meditamos, receando que, tão

33 P 6. Preparação; Propor-se um mist rio

=3

irrequieta como , nos escape para ir ocupar-se doutros o!)etosesta#a quase a te di,er que de#es proceder com ela, como com um passarinho que se fecha na %aiola ou com um falcão que se acorrenta ao poleiro- para que fique a7. &irão al%uns que na representação dos mist rios melhor usar simplesmente de pensamentos da f e dos olhos do esp7rito ou, então, considerá-los como se sucedessem em nossa mente; mas tudo isso por demais sutil para o começo, e, considerando tudo aquilo que pertence a uma perfeição mais adiantada, aconselho-te, Filot ia, a conser#ar-te humildemente no sop da montanha, at que &eus se di%ne de ele#ar-te mais alto. II – 3! :editação@ "s consideraç0es / esta ati#idade da fantasia de#e se%uir-se a do entendimento, que se chama meditação e que consiste em aplicá-lo 2s consideraç(es capa,es de ele#ar a nossa #ontade a &eus e de afeiçoá-la a coisas santas e di#inas. 'sta a %rande diferença entre a meditação e o estudo, porque o fim do estudo a ci8ncia, e o da meditação o amor a &eus e a prática das #irtudes. /ssim, tendo prendido a tua fantasia ao o!)eto da meditação, procura aplicar o entendimento 2s consideraç(es que lhe são como que a su!stQncia e a e0posição- e, se achares %osto, lu,es e utilidade numa das consideraç(es, demora-te nela, imitando as a!elhas, que não lar%am a flor em que pousaram, enquanto acham a7 mel que a)untar. 5as, se uma consideração causa dificuldades 2 tua mente e não tem atrati#os para o teu coração, depois de lhe ter aplicado por al%um tempo o teu coração e a tua mente, podes passar adiante, a outra consideração, preca#endo-te somente para que não te dei0es le#ar por curiosidade ou precipitação. II – 6! :editação@ Os afetos e as resoluç0es Por esta #i#a atenção de sua mente, a meditação e0cita na

33 P =. 5editação; 1s afetos e as resoluç(es

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#ontade in.meras moç(es NinspiraçãoO !oas e santas, como o amor de &eus e ao pr40imo, o dese)o da %l4ria celeste, o ,elo pela sal#ação das almas, o ardor para imitar a #ida de Aesus "risto, a compai0ão, a admiração, a ale%ria e o temor de desa%radar a &eus, o 4dio ao pecado, o temor do )u7,o ou do inferno, a confusão dos pecados, o amor 2 penit8ncia, a confiança na miseric4rdia de &eus e tantas outras em que te de#es e0ercer e como#er, quanto puderes, a tua alma. Se quiseres usar de al%um li#ro, para te instru7res mais so!re este ponto, aconselho-te o primeiro tomo das H5editaç(esM, de &. /ndr "api%lia, em cu)o prefácio ele e0p(e a arte de e0ercitarse nesta prática, ou então o Pe. /rias, que o fa, ainda mais difusamente no seu H:ratado de 1raçãoM. 'ntretanto, Filot ia, não te de#es restrin%ir a estes afetos %erais, sem que faças resoluç(es especiais e particulari,adas para o aperfeiçoamento de tuas aç(es. / primeira pala#ra de +osso Senhor na cru,, por e0emplo, produ,irá em tua alma o dese)o de imitá-lo em perdoando e amando os inimi%os- mas isto muito pouco, se não fi,eres a resolução se%uinte; Pois !em, )á não me ofenderei mais com tais pala#ras in)uriosas da parte destas e daquelas pessoas, nem com o despre,o com que estes e aqueles me costumam tratar- pelo contrário, direi ou farei isto ou aquilo, para acalmar o %8nio de um e atrair o coração de outro. /7 tens, Filot ia, o #erdadeiro meio de corri%ir depressa as tuas faltas, ao passo que s4 com afetos %erais o conse%uirás com dificuldade, muito tarde e tal#e, nunca. II – 7! " conclusão e o ramal4ete es$iritual /final, de#e-se terminar a meditação por tr8s atos que requerem uma profunda humildade. 1 primeiro a%radecer a &eus por nos ter dado profundo conhecimento de sua miseric4rdia ou de outra de suas perfeiç(es, assim como pelos santos afetos e prop4sitos que sua %raça incutiu em n4s.

33 P B. / conclusão e o ramalhete espiritual

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1 se%undo consiste em oferecer 2 sua di#ina ma)estade toda a %l4ria que pode pro#ir de sua miseric4rdia ou duma de suas perfeiç(es, ofertando-lhe tam! m todos os nossos afetos e resoluç(es, em união com as #irtudes de Aesus "risto, seu Filho, e dos merecimentos de sua morte. 1 terceiro de#e ser uma oração humilde, pela qual pedimos a &eus a %raça de participar dos merecimentos de seu Filho, a ess8ncia de suas #irtudes, e principalmente a fidelidade a nossas resoluç(es, que s4 podemos conse%uir com a %raça di#ina. Ce,a ao mesmo tempo pela 3%re)a, pelos superiores eclesiásticos, por teus pais e ami%os e outras pessoas, implorando a intercessão de +ossa Senhora, dos an)os e dos santos, e aca!a recitando o Pai-nosso e a Ave-/aria, que são as oraç(es mais comuns e necessárias aos fi is. 9uanto ao restante, ainda te lem!ras do que disse acerca do ramalhete espiritual da meditação- #ou repetir quase em poucas pala#ras o que penso so!re isso; quem passeia pela manhã num a%radá#el )ardim não sai satisfeito sem colher al%umas flores, pelo pra,er de lhes sentir o perfume pelo dia inteiro- assim tam! m de#es colher o fruto dá tua meditação, %ra#ando no pensamento duas ou tr8s coisas que mais te impressionaram e como#eram, para as considerar de no#o de #e, em quando, durante o dia, e para te conser#ares em teus !ons prop4sitos. Fa,e isso no mesmo lu%ar onde meditas, passeando um pouco ou dum outro modo, com sosse%o e atenção. II – 8! "visos acerca da meditação "umpre, Filot ia, que no correr do dia tenhas tão presente no esp7rito e no coração as tuas resoluç(es, que, so!re#indo a ocasião, as ponhas efeti#amente em prática. 'ste o fruto da meditação, sem o qual ela, al m de não ser#ir para nada, pode ser at pre)udicial. * certo que a meditação ass7dua so!re as #irtudes, sem que as pratiquemos, enso!er!ece o esp7rito e o coração e nos fa, pensar insensi#elmente que somos de fato

33 P K. /#isos acerca da meditação

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aquilo que resol#emos ser. &e certo que assim o seria, se nos prop4sitos ti# ssemos força e solide,- mas, porque lhes faltam essas qualidades, permanecem #ãos e, porque não produ,em efeito al%um, são at peri%osos. "on# m ser#ir-se de todos os meios para os p$r em prática- de#e-se mesmo ir em !usca de ocasi(es, tanto pequenas como %randes. Por e0emplo; resol#i atrair pela !randura certas pessoas que costumam me ofenderhei de as procurar ho)e, para as saudar com ares de estima e ami,ade- e, se não as posso achar, ao menos falarei !em delas e re,arei a &eus em sua intenção. 5as, terminando a oração, cuida !em de e#itar as a%itaç(es #iolentas, porque essas emoç(es lhe neutrali,am o !álsamo celeste que rece!eu na meditação; quero di,er que, se te for poss7#el, permaneças al%um tempo em sil8ncio e, conser#ando sempre os pensamentos e o %osto de teus afetos, #ás passando assim sua#emente da oração ao tra!alho. 3ma%ina um homem que rece!eu num precioso #aso de porcelana um licor de %rande #alor, a fim de o le#ar para sua casa. 'i-lo caminhando passo a passo, sem olhar para trás nem para os lados, mas sempre para frente, com receio de p$r o p em falso ou tropeçar numa pedra- e, se para al%umas #e,es, s4 para #er se, com o mo#imento, não se derramou al%uma parte do precioso licor. Fa,e tam! m assim com a meditação- não te distraias e dissipes imediatamente, mas considera com uma atenção simples e tranquila o caminho que tens que andar. Se encontras al%u m com quem de#es falar, preciso que te conformes a isso, mas toma sentido ao teu coração, para que nada se perca daquela sua#idade precios7ssima de que o 'sp7rito Santo o encheu na oração. * necessário que te acostumes a passar da oração 2s outras ocupaç(es de tua profissão, por mais contrárias que te pareçam aos sentimentos e resoluç(es da meditação. /ssim, um ad#o%ado de#e sa!er passar da meditação ao escrit4rio, um ne%ociante ao com rcio, uma dona de casa aos cuidados do lar

33 P K. /#isos acerca da meditação

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dom stico, com tanta sua#idade e calma, que seu esp7rito em nada se pertur!e- pois, querendo &eus i%ualmente uma e outra coisa, necessário passar duma a outra com uma de#oção inteiramente i%ual e com uma su!missão completa 2 #ontade de &eus. Sá de acontecer al%umas #e,es que, mal aca!aste a preparação para a meditação, )á tua alma se sente tão como#ida que de repente se ele#a a &eus. 'ntão, Filot ia, a!andona todo o m todo que at aqui te e0pus, porque, em!ora o e0erc7cio do entendimento de#a preceder o da #ontade, se o 'sp7rito Santo opera em ti por estas santas impress(es de tua #ontade, não #ás procurar e0citar no esp7rito, pelas consideraç(es da meditação, aqueles santos afetos que )á possuis no coração. 'nfim, uma re%ra que se de#e dar lar%a e0pansão aos afetos que nascem no coração e nunca os reprimir e deter cati#os em tempo al%um que se façam sentir, se)a antes, se)a depois das refle0(es. / mesma re%ra hás de se%uir a respeito daqueles outros atos de piedade que fa,em parte da meditação, como a ação de %raças, a o!lação de si mesmo e a oração, uma #e, que a conser#es em seu lu%ar determinado no fim da meditação. 9uanto 2s resoluç(es, que se conformam aos afetos, naturalmente s4 de#em ser tomadas depois dos afetos, ao terminar a meditação, porque, tendo que nos representar muitos o!)etos particulares e familiares, podia isso produ,ir distraç(es, se as a)untássemos aos afetos. 5uito .til , enfim, usar de al%uns col4quios neste e0erc7cio da #ontade, diri%indo-nos ora a +osso Senhor, ora aos an)os e aos santos, má0ime 2queles que tomam parte no mist rio que se medita, a si mesmo, ao seu coração, aos pecadores e at as criaturas irracionais, como fe, &a#i nos salmos e outros santos em suas meditaç(es e oraç(es.

33 P G. / aride, espiritual na meditação

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II – 9! " aride# es$iritual na meditação Se acontecer que não aches pra,er na meditação, nem sintas a7 consolo al%um para a tua alma, eu te con)uro, Filot ia, a não te $ertur+ares com isso/ mas $rocura remediar o mal com os alvitres NconselhosO se%uintes; Cecita al%umas das oraç(es #ocais em que teu coração se compra, de prefer8ncia- quei0a-te amorosamente a Aesus "risto- chama-o em teu socorro- !ei)a respeitosamente a sua ima%em, se a tens 2 mão, confessa-lhe a tua indi%nidade- di,e-lhe com Aac4; (e modo al!um, 'enhor, me a#astarei, se n$o me abençoardes ou então como a mulher cananeia4 Assim é, 'enhor, mas também os cachorrinhos comem das mi!alhas que caem da mesa de seus donos /s #e,es podes tomar um li#ro e ler de#otamente, at que teu esp7rito este)a mais concentrado e disposto. '0cita o coração o mais #i#amente poss7#el, por al%um ato e0terior de de#oção, prostrando-te por terra, cru,ando os !raços ao peito, conser#ando um crucifi0o entre as mãos; tudo isso, naturalmente, s4 se esti#eres so,inha. Se, ap4s tudo isso, a tua secura espiritual não se atenuar, ainda não desanimes, Filot ia, mas conser#ate sempre na presença de &eus com todo o respeito. @em sa!es quantos cortesãos há que cem #e,es por ano #ão 2 c$rte sem esperança al%uma de falar com o pr7ncipe, mas somente para serem #istos dele, lhe prestarem homena%em ou, como se costuma di,er, lhe fa,erem c$rte. /ssim, Filot ia, entremos em oração com simplicidade, tendo unicamente em #ista o nosso de#er. Se a di#ina 5a)estade se di%nar de nos falar por suas inspiraç(es ou de dar-nos a %raça de lhe falar, será certamente uma honra imensa e um pra,er delicioso. 5as se nos recusa esta %raça e nos dei0a so,inhos, sem corresponder-nos, como se não nos #isse de todo ou não esti# ssemos em sua presença, não saiamos lo%o dali- ao contrário, ai de#emos permanecer com resi%nação, com profundo respeito e com o esp7rito tranquilo. 5ais cedo ou mais tarde a nossa paci8ncia e perse#eran-

33 P G. / aride, espiritual na meditação

=G

ça nos fará achar %raça diante de seus olhos e, 2 primeira #e, que #oltarmos 2 sua presença, ele nos rece!erá com olhares fa#orá#eis e falará conosco no santo com rcio da meditação e em suas consolaç(es nos fará sa!orear a sua#idade inefá#el do seu esp7rito. 5as, mesmo que at isso nos falte, contentemo-nos, Filot ia, com a honra de estar a seu lado, presentes aos olhos de sua adorá#el ma)estade. II – <! " oração da man4ã /l m da oração mental e #ocal, há ainda outros tempos e modos de re,ar- e o primeiro e0erc7cio de todos a oração da manhã, que de#e ser uma preparação %eral para as aç(es de todo o dia. /7 tens um m todo de fa,8-la !em. E. /dora a &eus com uma #eneração profunda e a%radecelhe de te ter conser#ado durante a noite- e, se a tua consci8ncia te acusa de al%uma coisa desde o .ltimo e0ame, pede-lhe perdão. 2. "onsidera que o dia presente te dado para mereceres a !em-a#enturança eterna e prop(e-te firmemente empre%á-lo todo nesta intenção. 3. 5uito .til pre#eres as ocupaç(es deste dia, as tuas ocasi(es pro#á#eis de %lorificar a &eus, as tentaç(es que te proporcionará a c4lera, a #aidade ou uma outra pai0ão. Feito isto, prepara-te por uma santa resolução a apro#eitar !em de todos os meios que terás para ser#ir melhor a &eus e pro%redir na perfeição- ao contrário, arma-te com toda a firme,a de esp7rito para e#itar ou para com!ater e #encer tudo o que lhe ser#ir de o!stáculo. 'sta simples resolução, por m, não !astante- preciso firmá-la em pre#endo os meios que te serão dispon7#eis para p$-las em prática. Por e0emplo; se pre#e)o que tratarei com uma pessoa facilmente irasc7#el, so!re um ne%4cio, não s4 me hei de preca#er dos meios que me estarão 2 disposição, para não ofend8-la, mas tam! m, para que não se ire, #erei como lhe falar !randa e %entilmente ou, se for

33 P EF. / oração da manhã

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necessário para cont8-la, pedirei a outras pessoas que o façam )unto comi%o. Se pre#e)o que tenho de #isitar al%uns doentes, disporei tudo 2 hora, todas as circunstQncias, as maneiras mais pr4prias de consolá-los e os socorros que lhes poderei le#ar. 6. Ceconhece diante de &eus, com humildade, a tua completa impot8ncia de fa,er qualquer coisa dessas, tanto praticar o !em como e#itar o mal, e, fa,endo assim como se ti#esses o coração entre as mãos, oferece-o com as tuas !oas resoluç(es 2 di#ina 5a)estade, suplicando-lhe que o tome de!ai0o de sua proteção e o fortifique era seu ser#iço. &i,elhe; HI Senhor, eis aqui este po!re e miserá#el coração, a quem por #ossa !ondade infinita dais ho)e estas !oas resoluç(esmas, ahL 'le fraco e inconstante demais para fa,er o !em que dese)a, sem que lhe deis a #ossa santa !8nção. +esta intenção #os in#oco, 4 Pai de miseric4rdia, pelos merecimentos da pai0ão de #osso Filho, a cu)a %l4ria eu o consa%ro neste dia e para o resto da minha #idaM. / esta !re#e oração acrescenta a in#ocação da Sant7ssima Jir%em, do /n)o da Guarda e dos Santos, a fim de que com sua proteção te a)udem. &emais, esta oração que farás pela manhã e, se puder ser, antes de sa7res do quarto, de#e ser fer#orosa e ardente, para que a !8nção de &eus que a7 o!ti#eres se estenda so!re todo o dia- peço-te encarecidamente, Filot ia, que nunca a omitas. II – ! " oração da noite e o e&ame de consci(ncia

"omo antes da refeição corporal, ti#este o alimento espiritual pela meditação, será de %rande pro#eito tomares tam! m deste alimento espiritual antes do chá 2 noite. 'scolhe al%uns minutos antes desta refeição e prostra-te diante de teu &eus aos p s do crucifi0o, lem!rando-te conti%o mesmo da dissipação do dia. Ceacende em teu coração o fo%o da meditação da manhã por atos de profunda humilhação, por suspiros de ardente amor a &eus, e aprofunda-te, a!rasada deste amor, nas cha%as do amant7ssimo Sal#ador, ou então #ai

33 P EE. / oração da noite e o e0ame de consci8ncia

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repassando em teu esp7rito e no fundo do teu coração tudo quanto sa!oreaste na oração, a não ser que prefiras te ocupar de um no#o o!)eto. 9uanto ao e0ame de consci8ncia, que de#emos fa,er antes de nos deitarmos, não há nin%u m que i%nore. E. &e#emos a%radecer a &eus de nos ter conser#ado durante o dia. 2. '0aminam-se todas as aç(es, uma a uma, e as suas circunstQncias. 3. /chando-se al%uma coisa de !om, feita nesse dia, dá-se %raças a &eus- se, ao contrário, se lhe tem ofendido por pala#ras, por pensamentos e por o!ras, pede-se lhe perdão por um ato de contrição, que de#e a!ran%er a dor dos pecados cometidos, o !om prop4sito de corri%i-los e !oa #ontade de confessá-los na primeira ocasião. 6. &epois disso, recomenda-se 2 di#ina Pro#id8ncia seu corpo e sua alma, a 3%re)a, seus parentes e ami%os, in#oca-se a Sant7ssima Jir%em, os Santos e os /n)os da Guarda, pedindolhes de #elar so!re n4s. Feito isso, com a !8nção de &eus, #amos tornar o repouso que ele quer que tomemos. +unca se de#e omitir esta oração da noite, assim como a da manhã- pois como, pela oração da manhã se a!rem as )anelas da alma para o Sol da )ustiça, assim pela oração da noite elas se fecham para as tre#as do inferno. II – '! Do recol4imento +este ponto, Filot ia, dese)o que se)as mais d4cil ainda em se%uir os meus conselhos- porque penso que da7 muito depende para o teu adiantamento. Rem!ra-te, as mais #e,es que puderdes durante o dia, da presença de &eus, ser#indo-te de um dos quatro meios de que tenho falado. "onsidera o que &eus fe, e o que tu fa,es, e #erás que &eus tem continuamente os olhos pre%ados em ti com um amor inefá#el. I meu &eus, hás de e0clamar, por que

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não empre%o sempre os meus olhos para contemplar-#os, assim como #4s estais sempre olhando para mim com tanta !ondade? Por que pensais tanto em mim, Senhor? ' por que eu penso tão raras #e,es em #4s? 1nde que estamos n4s, minha alma? / nossa #erdadeira ha!itação em &eus, e onde que nos achamos? 1s passarinhos t8m seus ninhos, onde se refu%iamos #eados t8m os matos e moitas para se esconderem ao a!ri%o dos caçadores e dos raios ardentes do sol- nosso coração de#e escolher para si tam! m, todos os dias, um lu%ar ou no "al#ário ou nas cha%as de Aesus "risto ou em al%um outro lu%ar perto dele, para se retirar, de tempos em tempos, para repousar do !ul7cio Na%itaçãoO e calor dos ne%4cios e0teriores e para se defender dos ataques do inimi%o. Sim, tr8s #e,es feli, a alma que em #erdade pode di,er a +osso Senhor; J4s sois o meu lu%ar de ref.%io, a minha fortale,a contra os inimi%os, 2 som!ra de #ossas asas respiro um ar dulc7ssimo e estou se%uro, ao a!ri%o das intemp ries do tempo. Rem!ra-te, Filot ia, de retirar-te muitas #e,es 2 solidão do teu coração, ao passo que as tuas tarefas e con#ersas o ocupam e0teriormente, para estares a s4s com teu &eus. :udo o que te cerca não lhe pode fechar a entrada, porque tudo isso está fora de si mesma. 'ste era o e0erc7cio ordinário de &a#i no meio de suas m.ltiplas e importantes ocupaç(es, como #emos muitas #e,es nos salmos; 5 'enhor, estou sempre convosco* sempre vos estou vendo, meu (eus, diante de mim* levantarei os meus olhos para v6s, 6 meu (eus, que habitais no céu* meus olhos estará sempre em (eus. "om efeito, tão s rias não são de ordinário as nossas con#ersas, nem e0i%em tanta aplicação as nossas ocupaç(es, que não possamos lhe su!trair um pouco de atenção para nos retirarmos 2 querida solidão. "omo os pais de Santa "atarina de Sena não lhe dei0assem tempo nem lu%ar al%um para suas oraç(es e meditaç(es, +osso Senhor inspirou-lhe o pensamento de eri%ir NconstruirO um

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orat4rio no fundo do coração, onde pudesse refu%iar-se em esp7rito, no meio das ocupaç(es penosas que seus pais lhe impunham. 'la assim fe, e com facilidade p$de suportar todas as contrariedades do mundo, porque, como costuma#a di,er, se encerra#a neste aposento interior, onde se consola#a com seu 'sposo celeste. :ornou-se esta a sua prática ordinária e desde então muito a recomenda#a aos outros. Cecolhe-te, 2s #e,es, 2 solidão interior do teu coração, e a7, num completo desape%o das criaturas, trata dos ne%4cios de sal#ação e perfeição com &eus, como dois ami%os que cuidam familiarmente de seus ne%4cios- di,e-lhe como &a#i; 7erneime semelhante ao pelicano do deserto, che!uei a ser como a coruja no seu alber!ue "i!iei e estou como pássaro solitário no telhado :omando estas pala#ras no sentido literal, elas querem di,er que este %rande rei acostumara seu coração 2 solidão e passa#a cada dia al%umas horas entre%ue 2 contemplação das coisas espirituais- interpretando-as, por m, num sentido m7stico, elas nos descerram tr8s !el7ssimas solid(es, para onde nos podemos retirar com o nosso amant7ssimo Aesus. / comparação da coru)a escondida nas ru7nas mostra-nos o estado !rilhante do di#ino Sal#ador, deitado so!re as palhas da man)edoura, num está!ulo, escondido e desconhecido de todo o mundo, de que deplora#a os pecados. / comparação do pelicano, que tira o san%ue de suas #eias para alimentar os seus filhotes, ou, melhor, para lhes dar a #ida, nos lem!ra o estado do Sal#ador no "al#ário, onde o seu amor o le#ou a derramar todo o seu san%ue para nossa sal#ação. / terceira comparação nos aponta o estado do Sal#ador em sua %loriosa ascensão, quando, tendo aparecido no mundo tão pequenino e despre,7#el, se ele#ou ao c u dum modo tão !rilhante. Cetiremo-nos muitas #e,es para perto de Aesus, num destes tr8s estados. 'stando o !em-a#enturado 'l,eário, conde de /riano, na Pro#ença, ausente desde muito, a sua esposa, a piedosa e casta

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&elfina, en#iou-lhe um mensa%eiro e0pressamente para informar-se do estado de sua sa.de e ele respondeu do modo se%uinte; HJou indo !em, minha querida esposa, e, se me queres #er, procura-me na cha%a do lado do nosso amant7ssimo Aesus- lá que eu moro e a7 me acharás- querer procurar-me noutra parte um tra!alho perdidoM. 3sso , na #erdade, ser um ca#alheiro cristão 2s direitas. II – ,! "s oraç0es 5aculatórios e os +ons $ensamentos Cecolhemo-nos em &eus, porque o dese)amos e o dese)amos para recolhermo-nos nele. &este modo, o recolhimento espiritual e o dese)o ou aspiração por &eus dãose as mãos um ao outro e am!os pro#8m dos !ons pensamentos. 'le#a muitas #e,es o teu esp7rito e coração a &eus, Filot ia, por )aculat4rios !re#es e ardentes. /dmira a e0cel8ncia infinita de suas perfeiç(es, implora o au07lio de seu poder, adora a sua di#ina ma)estade, oferece-lhe tua alma mil #e,es por dia, lou#a sua infinita !ondade, lança-te em esp7rito aos p s de Aesus crucificado, interro%a-o muitas #e,es so!re tudo aquilo que concerne 2 tua sal#ação, sa!oreia interiormente a doçura do seu esp7rito, estende-lhe a mão, como uma criancinha a seu pai, pedindo-lhe que te %uie e condu,a- p(e a sua cru, no teu peito, como um delicioso ramalhete, p(e-na em teu coração, como uma !andeira de!ai0o da qual tens que com!ater o inimi%onuma pala#ra, #ol#e teu coração para todos os lados e dá-lhe todos os mo#imentos que puderes, para e0citá-lo a um amor terno e ardoroso ao teu 'sposo di#ino. 5uito aconselha#a Santo /%ostinho 2 #irtuosa senhora, por nome Pro!a, a recitação das oraç(es )aculat4rias, porque, se nossa alma se acostuma a tratar tão familiarmente com &eus, aos poucos copiará em si as perfeiç(es di#inas. ' de notar !em que este e0erc7cio nada tem de dif7cil e não incompat7#el com tuas ocupaç(es- s4 o que necessário são al%uns

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momentos de atenção, o que, lon%e de pertur!ar ou diminuir a atenção do esp7rito aos ne%4cios, a torna mais efica, e sua#e. 1 #ia)ante que toma um pouco de #inho, para refrescar a !oca e ale%rar o coração, não perde o seu tempo, porque reno#a as forças e se det m apenas para depois andar mais depressa e percorrer um caminho maior. "om este intento se compuseram di#ersas coleç(es de oraç(es )aculat4rias, que tenho por muito .teis- entretanto, não aconselho que te cin)as a isso- contenta-te em di,er com o coração ou com os lá!ios tudo quanto o amor te inspira no momento, pois ele te inspirará tudo o que podes dese)ar. * #erdade que e0istem certas pala#ras que nos dão uma ale%ria toda particular, como as dos salmos, que são tão ardentes, ou antes certas in#ocaç(es do santo nome de Aesus ou, então, aquelas setas inflamadas no amor di#ino, que se nos deparam no li#ro dos "antares. "oncedo mesmo que os cantos espirituais possam ser#ir a este fim, quando são cantados com atenção e seriedade. "a!e aqui o e0emplo de pessoas que se amam com um amor humano e natural- tudo nelas se ocupa desse amor P o esp7rito, a mem4ria, o coração e a l7n%ua. 9uantas lem!ranças e recordaç(esL 9uantas refle0(esL 9uantos enle#osL 9uantos lou#ores e protestosL 9uantas con#ersas e cartasL 'stá-se sempre querendo pensar e falar disso e at nas cascas das ár#ores, nos passeios, há de se inscre#er uma qualquer coisa. /ssim, aqueles que estão possu7dos do amor a &eus s4 respiram por ele e s4 aspiram ao pra,er de amá-lonunca dei0am de falar e pensar nele e, se fossem senhores dos coraç(es de todos os homens, quereriam %ra#ar neles o nome sacrossanto de Aesus. +ada há neste mundo que não lhes fale dos atrati#os do di#ino amor e não lhes anuncie os lou#ores do seu &ileto. Sim P di, Santo /%ostinho, depois de Santo /ntão P tudo o que e0iste neste mundo lhes fala de &eus na eloqu8ncia duma lin%ua%em muda, mas muito compreens7#el 2 inteli%8ncia deles, e seu coração transforma estas pala#ras e

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pensamentos em aspiraç(es amorosas e em doces impulsos, que os ele#am at a &eus. 'is aqui al%uns e0emplos; São Gre%4rio, !ispo de +a,ian,o, passeando um dia na praia, como ele contou a seu po#o, considera#a atentamente as in.meras e #ariadas conchas que as ondas arremessa#am 2 praia e depois restitu7am ao mar, e ao mesmo tempo contempla#a, admirado, a solide, dos rochedos #i,inhos, contra os quais o mar se arro)a#a impetuosamente. &iante desta #ista ele pensa#a que isto representava exatamente o caráter das almas #racas e super#iciais, que se deixam levar já 8 ale!ria, já 8 tristeza, cedendo indi#erentemente a todas as vicissitudes da vida, e o caráter das almas !enerosas e constantes, que nada pode abalar. ' então o seu coração, apro#eitando-se deste pensamento, ele#ara-se a &eus, di,endolhe com o profeta-rei; 'alva-me, 'enhor, porque as á!uas t)m entrado até a minha alma4 livra-me, 'enhor, deste abismo* porque che!uei ao alto mar e a tempestade me submer!iu. ' de notar que estas pala#ras se quadra#am muito com a situação em que se acha#a, sofrendo com admirá#el mansidão a usurpação que 5á0imo queria fa,er de seu !ispado. São Ful%8ncio, !ispo de Cuspe, achando-se em Coma, por ocasião do triunfo de :eodorico, rei dos Godos, que presidiu em pessoa a uma assem!leia %eral da no!re,a romana, encantado com a #ista de um espetáculo tão ma%n7fico, e0clamou; Ah9 'e a :oma terrestre é t$o rica e t$o brilhante, qu$o bela há de ser ent$o a ;erusalém celeste9 2, se o 'enhor de todos os bens deu tanta ma!ni#ic)ncia aos amantes da vaidade, que n$o reservará ent$o aos que contemplam eternamente as suas verdades< &i,-se que Santo /nselmo, que nossos montes se ufanam de ter #isto nascer, e que foi !ispo de "antuária, era muito há!il nesta arte de espirituali,ar os pensamentos mais comuns. 'stando um dia em #ia%em, aconteceu que uma le!re, perse%uida pelos caçadores, #eio refu%iar-se de!ai0o de seu

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ca#alo, e os cães, latindo em redor, não ousaram #iolar a imunidade do seu asilo. 5uita %raça acharam os caçadores num espetáculo tão raromas o santo prelado, tocado inteiramente do esp7rito de &eus, disse-lhes, entre soluços e lá%rimas; Ah9 "6s estais rindo, mas o pobre animal n$o tem vontade de rir Pensai bem que in#elicidade é a de uma alma que até a hora da morte é arrastada pelo dem=nio, de erro em erro e de pecado em pecado 2nt$o, cheia de terror, ela procura um asilo* e, se n$o o encontra, os seus inimi!os se escarnecem dela e eternamente a conservar$o como sua presa. Cece!endo Santo /ntão uma carta muito honrosa do imperador "onstantino 5a%noUaV, e causando isso muita admiração aos reli%iosos, seus companheiros, o santo lhes disse; Por que vos admirais que um rei escreva a um homem< Admirai antes a bondade in#inita do (eus eterno pelos homens mortais, tendo-lhes escrito ele mesmo a sua lei e #alado a eles pela boca de seu pr6prio 3ilho. São Francisco, notando num re!anho de !odes e ca!ras uma .nica o#elha, ponderou a seu companheiro; &lha como ela é mansa e bela9 assim era também a brandura e mansid$o do humilde ;esus no meio dos escribas e #ariseus. ' outra #e,, #endo um cordeirinho comido por um porco, e0clamou, chorando; Ah9 %ue representaç$o viva da morte de meu 'alvador9 São Francisco de @or)a, duque de "andia, este #arão ilustre de nossos tempos, ser#ia-se de todos os acontecimentos da caça para fa,er pias refle0(es. Admirava-me, dizia ele um dia, depois da caça, a docilidade dos #alc>es, que tornam 8 m$o dos caçadores, se deixam velar os olhos e prender 8 percha
UaV "onstantino 3, tam! m conhecido como "onstantino 5a%no ou "onstantino, o Grande Nem latim Fla#ius Jalerius "onstantinus- +aisso, 2B2 _ 22 de maio de 33BO, foi um imperador romano, proclamado /u%usto pelas suas tropas em 2< de )ulho de 3F=, que %o#ernou uma porção crescente do 3mp rio Comano at a sua morte.

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?madeira@, e espanta-me a indocilidade ce!a dos homens, sempre rebeldes 8 voz de (eus. São @as7lio di, que a rosa cercada de espinhos dá aos homens esta instruti#a lição; 7udo o que há de mais a!radável neste mundo, 6 homens mortais, é permeado de tristeza 1enhum bem vos é completamente puro* por toda parte o mal se mescla com o bem, o arrependimento com o prazer, a viuvez com o casamento, o trabalho e o cuidado com a #ertilidade, o temor da queda com a elevaç$o da !l6ria, muitas despesas com as honras, o des!osto com as delícias, e as doenças com a saAde B verdade, acrescenta este santo padre, a rosa é uma #lor encantadora* mas enquanto a sua vista me re!ozija, ela me atormenta, em me lembrando meus pecados, pelos quais a terra #oi condenada a produzir espinhos. Uma pessoa piedosa, considerando com indi,7#el pra,er, ao luar, um re%ato em que o c u salpicado de estreias se refletia como num espelho, e0clamou, cheia de ale%ria; 5 meu (eus, na realidade todas estas estreias estar$o debaixo de meus pés, quando me receberdes nos vossos santos tabernáculos. ', como as estrelas se representam na terra, assim os homens da terra hão de ser representados em &eus, que a fonte #i#a do amor di#ino. Uma outra pessoa, contemplando a #elocidade com que um rio corria para lançar-se ao mar, disse; Assim será minha alma em seus movimentos, nem terá descanso até se abismar na divindade, donde tirou a sua ori!em. Santa Francisca, olhando para um ameno ri!eiro, em cu)as mar%ens esta#a de )oelhos, fa,endo a sua oração, ele#ada em 80tase, repetia muitas #e,es estas pala#ras; Assim, com esta suavidade corre a !raça de (eus para a minha alma Uma pessoa, que não posso nomear, #endo um )ardim todo em flor, e0clamou; Ah9 Cei de ser eu o Anico arbusto sem #lores, no jardim delicioso da 0!reja< Uma outra, ao #er os pintainhos de!ai0o das asas da %alinha,

33 P E3. /s oraç(es )aculat4rios e os !ons pensamentos

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di,; 5 'enhor, conservai-me 8 sombra de vossas asas. Uma terceira, contemplando um %irassol, e0clamou; %uando será, meu (eus, que minha alma se!uirá sempre os atrativos de vossa bondade< ', olhando para essas flore,inhas formosas, mas sem perfume, que se chamam amores-perfeitos Npens es, em franc8sO; Ah9 'emelhantes s$o os meus pensamentos, belos de pro#erir-se, mas inAteis para tudo. 'is a7, Filot ia, como de tudo que acontece nesta #ida mortal se podem dedu,ir pensamentos salutares e santas aspiraç(es. 1hL 3nfeli,es daqueles que usam das criaturas dum modo contrário 2 intenção do "riador. @em-a#enturados aqueles que procuram em tudo a %l4ria do "riador e que usam da #aidade das criaturas para %lorificar a #erdade incriada. %uanto a mim, di, São Gre%4rio +a,ian,eno, estou acostumado a aproveitar de todas as coisas para o pro!resso espiritual de minha alma . /conselho-te tam! m a ler o epitáfio de Santa Paula, escrito por São Aer$nimo- com pra,er hás de encontrar a7 as muitas aspiraç(es que lhe eram ha!ituais em todos os acontecimentos da #ida. Gra#a !em profundamente em tua mente que a de#oção consiste principalmente neste e0erc7cio de recolhimento espiritual e de oraç(es )aculat4rias, / sua utilidade tão %rande que pode suprir a falta de todos os modos de re,ar- e, ao contrário, se se ne%li%ente neste ponto, dificilmente se encontra um meio de ressarcir a perda. Sem este e0erc7cio não se podem cumprir os de#eres da #ida contemplati#a e, quanto aos da #ida ati#a, s4 com muita dificuldade. 1 descanso seria sem ele um meio 4cio e o tra!alho não passaria dum estor#o e dissipação. Por estas ra,(es eu te e0orto e con)uro a adquirir com todo o teu coração esta prática e a )amais a a!andonar. II – 1! " :issa como devemos $artici$ar E. /t aqui ainda não falei do Sant7ssimo Sacrif7cio e Sacramento do /ltar, que para os e0erc7cios de piedade o que

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o sol para os outros astros. / 'ucaristiaUaV , na #erdade, a alma da piedade e o centro da reli%ião cristã, 2 qual se referem todos os seus mist rios e leis. * o mist rio da caridade, pelo qual Aesus "risto, dando-se a n4s, nos enche de %raças dum modo tão amoroso quão su!lime. 2. / oração feita em união com este sacrif7cio di#ino rece!e uma força mara#ilhosa, de sorte que a alma, Filot ia, cheia das %raças de &eus, da sua#idade de seu esp7rito e da influ8ncia de Aesus "risto, se acha naquele estado de que fala a 'scritura quando di, que a 'sposa dos "antares esta#a reclinada so!re o seu &ileto, inundada de del7cias e semelhante a uma nu#em de fumaça que o incenso mais precioso le#anta para o c u, aromati,ando o ar. 3. Fa,e o poss7#el para arran)ar o tempo necessário de ou#ir todos os dias a santa 5issa, a fim de oferecer )untamente com o sacerdote o sacrif7cio do teu di#ino Cedentor a &eus, seu Pai, por ti mesma e por toda a 3%re)a. São Aoão "ris4stomo nos afirma que os an)os a ele assistem em %rande n.mero, para honrar com sua presença este mist rio adorá#el. +ão de#emos du#idar que, unindo-nos com 'le num mesmo esp7rito, tornemos o c u prop7cio a n4s, enquanto a 3%re)a triunfante Nsantos do " uO e militante Nn4s na terraO se a)unta com Aesus neste ato di#ino, para %anhar-nos n'le e por 'le o "oração de &eus, seu Pai, e merecer-nos todas as suas miseric4rdias. 9ue dita para uma alma poder concorrer para isso al%um tanto, por uma de#oção sincera e afetuosaL 6. Se a!solutamente não podes ir 2 i%re)a, necessário então
UaV 'ucaristia; E. mesmo que ação de %raças - 2. sacramento central da 3%re)a, consoante o qual, atra# s das pala#ras pronunciadas pelo padre, pão e #inho transu!stanciam-se, respecti#amente, no corpo e san%ue de "risto - 3. ponto culminante do culto, em que se dá a cele!ração desse sacramento com a fração da h4stia sa%rada- !anquete sa%rado, pão da alma, pão dos an)os - 6. a h4stia sa%rada - <. oração lit.r%ica mais solene de um culto.

33 P E6. / 5issa como de#emos participar

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suprires a falta da presença corporal pela espiritual- nunca omitas, numa hora da manhã, ir em esp7rito aos p s do altar, identificar a tua intenção com a do padre e dos fi is e ocupar-te com este santo sacrif7cio, em qualquer parte que esti#eres, como o farias, se esti#esses na i%re)a. Proponho-te em se%uida um m todo de ou#ir a 5issa de#otamente. aO &esde o começo da 5issa at o padre su!ir ao altar, fa,e com ele a preparação, que consiste em te apresentares a &eus, em confessares a tua indi%nidade e em pedires perdão de teus pecados. !O &epois de su!ir o padre ao altar, at ao '#an%elho, considera a #inda e a #ida de +osso Senhor neste mundo, lem!rando-te delas com uma representação simples e %eral. cO &o '#an%elho at depois do "redo considera a pre%ação de +osso Senhor- protesta-lhe sinceramente que queres #i#er e morrer na f , na prática de sua pala#ra di#ina e na união da santa 3%re)a "at4lica. dO &o "redo ao Pai-nosso aplica, teu esp7rito 2 meditação da pai0ão e morte de Aesus "risto, as quais se representam atual e essencialmente neste santo sacrif7cio, que oferecerás em união com o padre e com todo o po#o a &eus, o Pai de miseric4rdia, para sua %l4ria e nossa sal#ação. eO &o Pai-nosso 2 comunhão, e0cita teu coração, por todos os modos poss7#eis, a querer ardentemente, unir-se a Aesus "risto pelos laços mais fortes do eterno amor. fO &a comunhão ao fim, a%radece 2 sua di#ina ma)estade, por sua encarnação, #ida, pai0ão e morte e tam! m pelo amor que nos testemunhou neste santo sacrif7cio, con)urando-o por tudo isso a ser prop7cio a ti, a teus parentes e ami%os e a toda a 3%re)a e, a)oelhando-te em se%uida com profunda humildade, rece!e de#otamente a !8nção que +osso Senhor te dá na pessoa de seu ministro. 9uerendo, no entanto, fa,er no tempo da santa 5issa a tua meditação ha!itual, escusa-te se%uir este m todo. Será

33 P E6. / 5issa como de#emos participar

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suficiente fa,er no começo a P intenção de assistir a este santo sacrif7cio, tanto mais que quase todas as práticas deste m todo se acham sinteti,adas numa meditação !em feita. II – 3! Outros e&erc=cios de devoção +os domin%os e dias de festa, que são dias consa%rados a &eus N3[ mandamentoO por um culto mais particular e mais amplo, pensas muito !em, Filot ia, que te de#es ocupar mais que de ordinário dos de#eres de reli%ião, e que, fora os outros e0erc7cios, de#es assistir ao of7cio de manhã e 2 tarde UaV, se o podes comodamente. Sentirás com muita doçura a piedade e podes crer a Santo /%ostinho, que afirma em suas H"onfiss(esM que, quando, no começo de sua con#ersão, assistia ao of7cio di#inoU!V, o seu coração se inunda#a de sua#idade e seus olhos se arrasa#am de lá%rimas. &emais Ndirei uma #e, por todasO, tudo o que se fa, na 3%re)a, pu!licamente, tem sempre maior #alor e consolaç(es do que o que se fa, pri#adamente- porque &eus quer que no tocante a seu culto demos sempre a prima,ia 2 comunhão dos fi is, de prefer8ncia a todas as de#oç(es particulares. 'ntra de !om %rado nas confrarias do lu%ar onde moras e principalmente naquelas cu)os e0erc7cios te prometem maior utilidade e edificação- tens ai uma esp cie de o!edi8ncia muito a%radá#el a &eus- pois, conquanto não e0ista um preceito so!re este ponto, , contudo, fácil de #er que a 3%re)a no-los recomenda muito, manifestando suas intenç(es com as indul%8ncias e outros pri#il %ios que concede a estas pias associaç(es. /l m disso, uma o!ra de caridade cristã aceder 2s !oas intenç(es dos outros e contri!uir para os seus !ons prop4sitos e, conquanto em particular pudesses fa,er al%uma coisa tão !oa e com maior %osto do que nas confrarias se fa,,
UaV 1f7cio ` Ritur%ia das Soras ou 1ração das Soras. 1!s. '0iste um li#ro pr4prio. U!V Ritur%ia das Soras.

33 P E<. 1utros e0erc7cios de de#oção

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&eus rece!eria, no entanto, maior %l4ria aqui, pela união de tantos coraç(es e ofertas. 1 mesmo di%o de todas as oraç(es e de#oç(es p.!licas, 2s quais de#emos concorrer, quanto está em nossas forças, com nosso !om e0emplo, para a %l4ria de &eus, a edificação do pr40imo e o fim especial que a7 se tem em mira. II – 6! Devemos 4onrar e invocar os santos Sendo pelo minist rio dos an)os que muitas #e,es rece!emos as inspiraç(es de &eus, tam! m por meio deles que lhe de#emos apresentar as nossas aspiraç(es, não menos que por meio de santos e santas, que, como +osso Senhor disse, sendo a%ora semelhantes aos an)os na %l4ria de &eus, lhe apresentam de cont7nuo as suas oraç(es e dese)os em nosso fa#or. /liemos os nossos coraç(es, Filot ia, a estes esp7ritos celestes, a estas almas !em-a#enturadas- assim como os filhotes dos rou0in4is aprendem a cantar com os %randes, n4s aprenderemos tam! m, por esta união, a honrar a &eus e a re,ar condi%namente. 2u cantarei, 'enhor, os vossos louvores, di,ia &a#i, na presença de vossos anjos. Sonra, #enera e respeita dum modo especial7ssimo a Sant7ssima e '0celsa Jir%em 5aria, que, como 5ãe de Aesus "risto, nosso irmão, tam! m indu!ita#elmente a nossa 5ãe. Cecorramos a ela e, como seus filhinhos, lancemo-nos a seus p s e aos seus !raços com uma perfeita confiança, em todos os momentos e em todos os acontecimentos. 3n#oquemos a esta 5ãe tão santa e !oa- imploremos o seu amor maternotenhamos para com essa 5ãe um coração de filho e esforcemonos por imitar as suas #irtudes. Procura uma familiar con#i#8ncia de tua alma com os an)os, lem!rando-te muitas #e,es de sua presença- ama e #enera, so!retudo, o an)o da diocese onde estás, os das pessoas com

33 P E=. &e#emos honrar e in#ocar os santos

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quem #i#es e em especial o teu pr4prio Nan)oO. Ce,a a eles de #e, em quando, !endi,e a &eus por eles, implora-lhes a proteção em todos os ne%4cios espirituais e temporais, para que au0iliem as tuas intenç(es. 1 %rande Pedro Fa!er, primeiro padre, primeiro pre%ador, primeiro professor de teolo%ia da "ompanhia de Aesus e primeiro companheiro de Santo 3nácio, seu fundador, re%ressando um dia da /lemanha, onde tinha tra!alhado muito para a %l4ria de &eus, e passando por esta diocese, onde nascera, conta#a que a sua de#oção de saudar os an)os das par4quias de seu itinerário lhe tinha #alido muitas consolaç(es interiores de sua alma e uma especial proteção em suas #ia%ens- asse%ura#a ele que sensi#elmente conhecera quanto lhe tinha sido prop7cio, ou sal#a%uardando-o das ciladas dos here%es, ou preparando numerosas almas para rece!erem mais docilmente a doutrina da sal#ação. ' com tal dese)o de espalhar esta de#oção di,ia isto, que uma senhora, estando a7 presente nos anos de sua )u#entude, o conta#a ainda, há quatro anos passados, isto , mais de sessenta anos depois, com sentimentos de muita piedade. 9uanto a mim, %rande consolação ti#e no ano passado, quando consa%rei um altar na aldeia de Jillaret, entre as nossas montanhas mais inacess7#eis, no mesmo lu%ar onde #ira a lu, o !em-a#enturado ser#o de &eus. 'scolhe um santo em cu)a intercessão deponhas especial confiança e cu)a #ida possas ler com maior %osto para lhe imitar as #irtudes. Sem d.#ida, o santo cu)o nome rece!este no !atismo de#e ter entre todos o primeiro lu%ar. II – 7! *omo ouvir e ler a $alavra de Deus &e#es ter um %osto especial em ou#ir a pala#ra de &eus, mas ou#e-a sempre com atenção e respeito, quer no sermão, quer em con#ersas edificantes dos teus ami%os que %ostam de falar em &eus. * a !oa semente, que não se de#e dei0ar cair em

33 P EB. "omo ou#ir e ler a pala#ra de &eus

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terra Nnão preparada ou a!eira do caminhoO UaV. /pro#eita-te !em dela- rece!e-a no teu coração como um !álsamo precioso, 2 imitação da Sant7ssima Jir%em, que conser#a#a no seu coração, cuidadosamente, tudo o que ou#ia di,er de seu di#ino Filho, e lem!ra-te sempre que &eus não ou#irá fa#ora#elmente as nossas pala#ras na oração, se não tirarmos pro#eito das suas nos serm(es. :em sempre conti%o um !om li#ro de de#oção, como os de São @oa#entura, de Gerson, de &ion7sio "artusiano, de Ru7s de @lois, de Granada, de 'stella, de /rias, de Pinelli, de Ra Puente, de >#ila, o H"om!ate espiritualM, as H"onfiss(esM de Santo /%ostinho, as H'p7stolasM de São Aer$nimo e outros semelhantes. R8-o por al%um tempo todos os dias, mas com tanta atenção como se um santo to en#iasse e0pressamente para te ensinar o caminho do c u e encora)ar-te a trilhá-lo. R8 tam! m as #idas dos santos, onde #erás, como em um espelho, o #erdadeiro retrato da #ida de#ota, acomodando os seus e0emplos aos de#eres do teu estado. Pois, em!ora muitas aç(es dos santos não possam ser imitadas por pessoas que #i#em no s culo, contudo, de perto ou de lon%e, todas elas podem ser se%uidas. 3mita a %rande solidão de São Paulo, o primeiro eremita, pela solidão espiritual do teu coração e pelo recolhimento ass7duo, se%undo as tuas forças- ou, então, a po!re,a e0trema de São Francisco, por certas práticas de po!re,a de que ainda hei de falar. 'ntre as #idas dos santos e santas há al%umas que espalham lu, em nossa mente para a direção de nossa #ida, como a da !em-a#enturada madre :eresa N&á#ilaO, o que torna a sua leitura admirá#el, as dos primeiros Aesu7tas, a do cardeal São "arlos @orromeu, de São Ru7s, de São @ernardo, as H"r$nicasM de São Francisco e outros li#ros semelhantes. 1utras há que nos são propostas mais para a
UaV 5t E3,231 que foi semeado em terra !oa aquele que ou#e a Pala#ra e a entende. 'sse dá fruto, produ,indo 2 ra,ão de cem, de sessenta e de trintaM.

33 P EB. "omo ou#ir e ler a pala#ra de &eus

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admiração, do que para a imitação, como as de Santa 5aria '%ipc7aca, de São Simão 'stilita, de Santa "atarina de Sena, de Santa "atarina de G8no#a, de Santa an%ela, as quais, em todo caso, muito nos afer#oram em %eral no santo amor de &eus. II – 8! *omo rece+er as ins$iraç0es Por inspiraç(es compreendemos todos os atrati#os da %raça, os !ons mo#imentos do coração, os remorsos de consci8ncia, as lu,es so!renaturais e em %eral todas as !8nçãos com que &eus #isita o nosso coração, por sua miseric4rdia amorosa e paternal, para acordar-nos da nossa sonol8ncia ou para nos incitar 2 prática das #irtudes ou para aumentar em n4s o amor a ele- numa pala#ra; para nos fa,er procurar o que de nosso interesse eterno. * e0atamente isso que o 'sposo dos "antares chama em termos m7sticos procurar a 'sposa, !ater-lhe 2 porta, falar-lhe ao "oração, acordá-la, fa,8-la chamar por ele em sua aus8ncia, con#idá-la a comer o seu mel, a colher frutos e flores e a lhe falar. Sir#o-me tam! m desta comparação para maior clare,a. :r8s coisas são necessárias para contrair-se um despons4rio; primeiro há de ser proposto 2 pessoa de que se dese)a o coração e a fidelidade- se%undo, esta há de anuir 2 proposta- e, terceiro, há de dar o consentimento. /ssim, &eus, quando quer operar em n4s, por n4s e conosco al%uma coisa para sua %l4ria, primeiro no-la prop(e por suas inspiraç(es- n4s a rece!emos com uma sua#e complac8ncia e damos o consentimento. Pois, como há tr8s de%raus pelos quais se cai no pecado P a tentação, o deleite e o consentimento P assim tam! m há tr8s de%raus pelos quais nos ele#amos 2 prática das #irtudes; a inspiração, que contrária 2 tentação- a complac8ncia na inspiração, que oposta ao deleite da tentação, e o consentimento 2 inspiração, que se op(e ao que se dá 2 tentação. "aso a inspiração durasse todo o tempo de nossa #ida, nem

33 P EK. "omo rece!er as inspiraç(es

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por isso ser7amos mais a%radá#eis a &eus, se não a rece!8ssemos com a%rado. /o contrário, ofender7amos a &eus, como os israelitas, que, como ele mesmo disse, a!usaram por quarenta anos da %raça que lhes deu para e con#erterem, aos quais, por isso, foi proi!ido por um )uramento de entrarem na terra do seu repouso. 'stá complac8ncia 2s inspiraç(es muito adianta a o!ra de &eus em n4s e nos atrai a complac8ncia de seus olhos. Pois, conquanto ainda não se)a um consentimento perfeito, em todo caso lhe uma disposição muito fa#orá#el- e, se )á o %osto que se tem de ou#ir a pala#ra de &eus, que quase uma disposição e0terna, muito a%radá#el a &eus e um sinal de sal#ação, muito mais o será, sem d.#ida, a complac8ncia 2s inspiraç(es. * desta deleitação que nos fala a 'sposa dos "antares, di,endo; A minha alma se des#ez em ale!ria quando meu (ileto me #alou. 5as, enfim, do consentimento que tudo depende- pois, tendo rece!ido uma inspiração com complac8ncia, mas sem dar o nosso apra,imentoUaV, tornamo-nos r us duma e0trema in%ratidão para com a di#ina 5a)estade e quase a tratamos com maior despre,o do que se a ti# ssemos re)eitado imediatamente. Foi esta a falta e a des%raça da 'sposa dos "antares, que, sensi!ili,ada com muita ale%ria, ao ou#ir a #o, do seu &ileto, contudo não lhe a!riu a porta e se escusou duma maneira fr7#ola, de sorte que o 'sposo se foi em!ora, dei0ando-a com indi%nação. "umpre, Filot ia, resol#er este a rece!er dora em diante todas as inspiraç(es do c u, como ha#erias de rece!er a an)os que &eus te en#iasse para tratar conti%o dum ne%4cio importante. 'scuta com calma o que a inspiração te prop(epresta atenção ao amor de quem a dá, rece!e-a com ale%ria e dá o teu consentimento dum modo terno e amoroso- e &eus, que
UaV /pra,imento; sensação ou emoção a%radá#el- contentamento, deleite, pra,er - apro#ação de al%u m ou al%o- aceitação, consentimento.

33 P EK. "omo rece!er as inspiraç(es

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nunca nos poderá de#er al%uma o!ri%ação, não dei0ará de ter %osto em tua docilidade e fidelidade. 5as, se a inspiração e0i%e de ti al%uma coisa de maior e e0traordinário, de#es suspender o consentimento at consultar o teu diretor espiritual, que a e0aminará para #er se #em de &eus ou não- porque acontece muitas #e,es que o inimi%o, #endo uma alma d4cil em se%uir as inspiraç(es, lhe insinua falsas, para a en%anar, mas de!alde, se ela o!edecer com humildade ao seu diretor. Uma #e, dado o consentimento 2 inspiração, cumpre e0ecutar cuidadosamente o que ela e0i%iu de n4s, o que completa a o!ra da %raça, porque reter o consentimento no interior, sem le#á-lo a efeito, seria imitar a um homem que, tendo plantando uma #inha, não a quer culti#ar, com medo de que não produ,a frutos. "onsidera de quanta utilidade será a tudo isso a de#oção da manhã e o referido recolhimento do coração, conquanto nos disponhamos a fa,8-los !em, com uma preparação não s4 %eral, mas tam! m particular. II – 9! O Sacramento da *onfissão +osso Senhor instituiu na sua 3%re)a o sacramento da penit8ncia ou confissão para purificar as nossas almas das suas culpas, todas as #e,es que se acharem manchadas. +unca permitas, Filot ia, que teu coração permaneça muito tempo contaminado do pecado, tendo um rem dio tão efica, e simples contra a sua corrupção. Uma alma su!)u%ada por um pecado de#ia ter horror de si mesma- e o respeito de#ido aos olhos da di#ina 5a)estade a o!ri%a a purificar-se dele o mais cedo poss7#el. /hL Por que ha#emos de morrer desta morte espiritual, tendo nas mãos um rem dio tão efica, para nos curar? "onfessa-te com humildade e de#oção todos os oito dias e, se for poss7#el, sempre que comun%ares, conquanto tua

33 P EG. 1 Sacramento da "onfissão

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consci8ncia não te acuse de al%um pecado mortalUaV. /i rece!erás não s4 a remissão dos pecados #eniais que confessares, mas tam+ém muitas lu#es $ara os discernir mel4or, muita força para os e#itar e uma mara#ilhosa a!undQncia de %raças para reparar as perdas que te tenham causado. ' al m disso praticarás nesse ato a humildade, a o!edi8ncia, a simplicidade e o amor a &eus P numa pala#ra, mais #irtudes que em nenhum outro ato de reli%ião. "onser#a sempre uma #erdadeira dor dos pecados confessados, por menores que se)am, e uma firme resolução de te corri%ires. Pessoas há que se confessam dos pecados #eniais s4 por um certo há!ito que lhes a%rada e sem pensar em corri%ir-se e por isso não se li#ram deles e se pri#am de muitas %raças necessárias para o seu pro%resso espiritual. Se te acusas duma li%eira mentira, duma pala#ra um pouco desre%rada, de al%uma circunstQncia menos !oa do )o%o, tem um #erdadeiro arrependimento e uma firme #ontade de prestar atenção a isso, porque um a!uso do sacramento te confessares dum pecado mortal ou #enial, sem quereres purificar dele a alma, sendo este o fim pelo qual a confissão foi institu7da. 1mite aquelas acusaç(es sup rfluas, que muitos di,em por
UaV Jer a nota depois do "ap. 2F. Pecado 5ortal; "at.3.". ]EK<K / mat ria %ra#e precisada pelos &e, mandamentos, se%undo a resposta de Aesus ao )o#em rico; H+ão mates, não come-tas adult rio, não rou!es, não le#antes falso testemunho, não d4 fraudes nin%u m, honra teu pai e tua mãeM N5c EF, EGO. / %ra#idade dos pecados maior ou menor; um assassinato mais %ra#e que um rou!o. / qualidade das pessoas lesadas le#ada tam! m em consideração. / Jiol8ncia e0ercida contra os pais em mais %ra#e que contra um estranho. ]EK<G 1 pecado mortal requer pleno conhecimento e pleno consentimento. Pressup(e o conhecimento do caráter pecaminoso do ato, de sua oposição 2 lei de &eus. 'n#ol#e tam! m um consentimento suficientemente deli!erado para ser uma escolha pessoal. / i%norQncia afetada e o endurecimento do coração não diminuem, antes aumentam, o caráter #oluntário do pecado

33 P EG. 1 Sacramento da "onfissão

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rotina. +ão amei tanto a &eus, como de#ia, não re,ei com tanta de#oção, como de#ia, não rece!i os sacramentos com tanto respeito, como de#ia, e outras coisas semelhantes. / ra,ão está !em de se #er- di,endo isso, de nada te acusas, em particular, que possa manifestar ao confessor o estado da tua consci8ncia e di,er o mesmo que os homens mais perfeitos deste mundo poderiam di,er e at mesmo os santos do c u, se ainda se pudessem confessar. Procura a ra,ão particular por que te tens acusado dum modo tão %eral e, assim que a achares, e0p(e teus pecados dum modo simples e natural. Por e0emplo; acusas-te de não ter amado o pr40imo como de#ias- foi tal#e, porque, sa!endo da indi%8ncia de um po!re que facilmente podias socorrer e consolar, omitiste este de#er de caridade- pois !em, acusa-te desta particularidade e di,e que não o socorreste, como podias, ou por ne%li%8ncia ou por dure,a de coração ou por despre,o. &o mesmo modo não te de#es acusar de não ter re,ado com toda a de#oção que de#ias ter- mas, pondo de parte esta acusação %eral, que de nada ser#e para a confissão, declara simplesmente que tens tido distraç(es #oluntárias e que tens pre#aricado quanto ao lu%ar, tempo, a posição e0terior do corpo e outras circunstQncias necessárias para fa,er !em a oração. +a e0posição dos pecados #eniais não te d8s por satisfeita em referir o fato- acusa-te tam! m do moti#o por que te dei0aste le#ar. /ssim, di,er que pre%aste uma mentira que não pre)udica a nin%u m ainda não !astante- de#es acrescentar se o fi,este por #an%l4ria, para te lou#ar ou te escusar ou por %race)o ou por pertinácia NteimosiaO. Se cometeste uma falta no )o%o, dá e0plicaç(es so!re isso, di,endo se foi pelo dese)o de %anhar ou pelo pra,er de con#ersa- e assim por diante, quanto aos outros pecados. +ão dei0es de determinar o tempo que durou o pecado, porque, de ordinário, o tempo lhe aumenta nota#elmente a mal7cia. &e fato, muita diferença passa entre uma #aidade

33 P EG. 1 Sacramento da "onfissão

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passa%eira, que se demorou em nossa alma a7 por um quarto de hora, e uma #ã complac8ncia que o or%ulho secreto do coração fomentou por um ou mais dias. +a acusação dum pecado tornase necessário determinar o fato/ o motivo e a duração . * #erdade que, quanto aos pecados #eniais, em %eral não se está o!ri%ado a uma e0atidão escrupulosa e que a pr4pria acusação não de necessidade a!soluta- contudo, quem quer purificar a sua alma, para atin%ir a perfeição da de#oção, de#e ter um %rande cuidado de p$r o médico es$iritual !em ao fato de todos aqueles males dos quais se dese5a a cura, por menores que pareçam. Por fim, não cales nada que necessário para fa,er compreender todo o teu pecado e nota ainda este e0emplo; um homem, que naturalmente me desa%rada, di,-me por a7 uma pala#rinha 2 toa e s4 por %race)o- mas eu a interpreto mal e me encoleri,o- ao contrário, se uma pessoa de quem %osto me disser uma pala#ra muito mais #iolenta, eu a le#o a !em. 9ue de#o fa,er, pois, na confissão? &irei que me desmandei com pala#ras de enfado por ter le#ado a mal o que certa pessoa me disse, não em ra,ão da qualidade das pala#ras, mas unicamente em ra,ão da a#ersão que tenho a essa pessoa. Aul%o at muito .til particulari,ar estas pala#ras de enfado. 5anifestando assim, ao confessor, não s4 os pecados cometidos, mas tam! m as más inclinaç(es, os há!itos e outras ra7,es do pecado, ele conhecerá mais a fundo o coração e os rem dios necessários a suas enfermidades. * preciso, no entanto, enco!rir, quanto poss7#el for, as pessoas que concorreram para o teu pecado. Presta atenção a muitos pecados que su!stituem e dominam 2s #e,es por muito tempo no coração, sem que este o note, para os confessares e purificares deste modo o teu. Para este fim, podes ler atentamente os cap7tulos B, 2B, 2K, 3< e 3= da terceira parte e o cap7tulo B da quarta. +ão mudes facilmente de confessor e dá-lhe conta de tua

33 P EG. 1 Sacramento da "onfissão

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consci8ncia nos dias marcados, di,endo-lhe sin%ela e francamente todas as tuas faltas e, de tempos em tempos, se)a mensalmente, ou se)a, cada dois meses, manifesta-lhe o estado de tuas inclinaç(es, em!ora não te tenham le#ado ao pecado; se o esp7rito de triste,a ou pesar te aca!runha, se teu coração pende muito 2 ale%ria ou se sentiste um #i#o dese)o de possuir maiores !ens. ' assim por diante. II – '<! " comun4ão frequente * conhecido o que se di, de 5itridates, rei do Ponto, na >sia, o qual in#entou um alimento preser#ati#o de todo #eneno. +utrindo-se dele, este rei tornou o seu temperamento tão ro!usto que, estando a ponto de ser preso pelos romanos e querendo e#itar o cati#eiro, por mais que fi,esse, não conse%uiu se en#enenar. +ão foi isso mesmo que fe, nosso di#ino Sal#ador dum modo #erdadeiro e real, no au%ust7ssimo Sacramento do altar, onde ele nos dá o seu corpo e san%ue, como um alimento, que confere a imortalidade? * por isso que quem se apro0ima muitas #e,es e com de#oção desta sa%rada mesa rece!e tanta força e #i%or, que quase imposs7#el que o #eneno mort7fero das más inclinaç(es faça al%uma impressão em sua alma. +ão, não se pode #i#er desta carne de #ida e morrer da morte do pecado. Se os homens no para7so terrestre podiam preser#ar-se da morte corporal, comendo do fruto da ár#ore da #ida, por que não poderão a%ora se preser#ar da morte espiritual, pela #irtude deste sacramento da #ida? +a #erdade, se os frutos mais tenros e e0postos 2 corrupção, como as cere)as, moran%os e damascos, se conser#am facilmente misturados com aç.car ou mel, não há que se admirar que nossas almas, por mais fracas que se)am, se preser#em da corrupção do pecado, se se dei0am penetrar da força e sua#idade do san%ue incorrupt7#el de Aesus "risto.

33 P 2F. / comunhão frequente

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I Filot ia, os cristãos que se condenam estarão ante o Aui, )usto, sem sa!er o que lhe responder, quando ele lhes fi,er #er que sem ra,ão al%uma e por pr4pria culpa morreram espiritualmente, podendo tão facilmente preser#ar-se da morte, em se alimentando do seu corpo. 5iserá#eis, ele há de di,er-lhes, por que estais mortos, se t7nheis entre as mãos o fruto da #ida? "omun%ar todos os dias uma coisa que não lou#o nem censuro- mas comun%ar todos os domin%os uma prática que aconselho e e0orto a todos os fi is, contanto que não tenham nenhuma #ontade de pecar. 'stas são as pr4prias pala#ras de Santo /%ostinho, de acordo com o qual eu não lou#o nem censuro a comunhão cotidiana, remetendo os fi is 2 decisão do seu diretor espiritual, porque isto e0i%e uma disposição tão e0traordinária, que não a podemos recomendar a todos indiscriminadamente, e, porque esta disposição se pode achar em muitas almas piedosas, não a podemos proi!ir a todos em %eral. Um )u7,o so!re este ponto pertence 2 discrição do confessor, que conhece o estado ha!itual e atual do penitente. Grande imprud8ncia seria tanto aconselhar indiferentemente a todas as pessoas a prática da comunhão frequente, como #ituperar al%u m que, por conselho dum sá!io diretor, comun%a assiduamente. * porque muito apro#o a resposta )udiciosa e delicada que Santa "atarina de Sena deu a certa pessoa que, não apro#ando que ela comun%asse diariamente, lhe disse que Santo /%ostinho não o lou#a#a nem censura#a. Pois !em P respondeu ela com esp7rito se Santo /%ostinho não o censura, não o façais #4s tão pouco e me contentarei do #osso sil8ncio. 'stás #endo, por m, Filot ia, que Santo /%ostinho encarecidamente recomenda aos fi is, por seus conselhos e e0ortaç(es, comun%arem em todos os domin%os. Fa,e-o, pois, quanto está em tuas forças, desde que, tendo purificado teu coração, como presumo, de todos os afetos ao pecado mortal e

33 P 2F. / comunhão frequente

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#enial, tens a alma mais !em disposta do que Santo /%ostinho e0i%e, porque, al m de não teres #ontade de pecar, nem mesmo tens afeto ao pecado. Poderás at comun%ar mais #e,es que s4 aos domin%os, se alcançares licença de teu diretor espiritual. @em sei que podes estar le%itimamente impedida por moti#os que podem pro#ir tanto de tua parte como da parte daqueles com quem #i#es. Se al%uma depend8ncia, pois, te o!ri%a a o!edecer-lhes e respeitá-los e eles entendam tão pouco de sua reli%ião ou tenham um caráter tão !i,arro que se inquietem e pertur!em por #er-te comun%ar todos os domin%os, será tal#e, melhor, considerando todas as circunstQncias, condescender 2s suas fraque,as e comun%ar todos os quin,e dias, uma #e, que não podes superar este o!stáculo. "omo não se pode formular uma re%ra so!re este ponto, estamos constran%idos a dei0ar a decisão ao confessor- contudo, podemos di,er com toda a #erdade que as pessoas que querem le#ar uma #ida de#ota de#em comun%ar ao menos uma #e, por m8s. Se sou!eres proceder com prud8ncia, nem pai, nem mãe, nem marido, nem mulher impedirão tua comunhão frequentepois, se a comunhão em ponto al%um te fará descuidar dos de#eres do teu estado e se, nos dias em que comun%ares, ti#eres mais !randura e complac8ncia com os outros, não #eross7mil que te queiram demo#er dura e0erc7cio, que a!solutamente não os incomoda, a não ser que se)am de tão mau humor ou tão desarra,oados que assim mesmo o façam. +este caso, cumpre se%uir a re%ra de condescend8ncia que aca!o de dar e o conselho do teu diretor. +o tocante 2s doenças, nenhuma delas pode ser um impedimento le%7timo de comun%ar, a não ser aquelas que pro#ocam #$mitos frequentes. /qui tens as re%ras que te posso dar so!re a comunhão frequente. Para comun%ar todas as semanas necessário não ter nenhum pecado mortal e nenhum afeto ao pecado #enial e

33 P 2F. / comunhão frequente

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sentir um %rande dese)o da comunhão. 5as, para comun%ar todos os dias, necessário, al m disso, purificar a alma de todas as más inclinaç(es e se%uir o conselho do diretor espiritual.UaV II – ' ! *omo comun%ar +em "omeça )á na # spera do dia da comunhão a te preparar com repetidas aspiraç(es do amor di#ino e deita-te mais cedo que de costume, para te le#antares tam! m mais cedo. Se acordas durante a noite, santifica esses momentos por al%umas pala#ras de#otas ou por um sentimento que impre%ne tua alma da felicidade de rece!er o di#ino 'sposo- enquanto dormes, ele está #elando so!re o teu coração e preparando as %raças que te quer dar em a!undQncia, se te achar de#idamente preparada. Re#anta-te de manhã com este fer#or e ale%ria que uma tal esperança te de#e inspirar, e depois da confissão te apro0ima com uma %rande confiança e profunda humildade da mesa sa%rada, para rece!er este alimento celeste, que te comunicará a imortalidade. &epois de pronunciares as pala#ras; 'enhor, eu n$o sou di!no, que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra eu serei salvo Aá não de#es mo#er a ca!eça ou os lá!ios para re,ar ou suspirar- mas, a!rindo um pouco a !oca e ele#ando a ca!eça de modo que o padre possa #er o que fa,, estende um pouco a
UaV +ota do tradutor; Para poder-se a#aliar condi%namente o cap7tulo acima, con# m notar que no tempo em que São Francisco de Sales escre#eu este li#ro não se costuma#a comun%ar tão frequentemente como a%ora. / pra0e atualmente #i%ente na 3%re)a a este respeito !em di#ersa da de então, principalmente quanto 2s disposiç(es requeridas. 1 decreto do Papa Pio b, Sacra tridentina sDnodus N2F de de,. EGF<O, confirmado pelo no#o &ireito 'clesiástico NcQn. K=3O, e0orta efusi#amente a todos os fi is que se ache%uem muitas #e,es e mesmo todos os dias da sa%rada mesa, e0i%indo para isso unicamente; E[ que se achem atualmente em estado de %raça2[ que comun%uem com uma intenção reta, para a%radar a &eus e unir-se sempre mais intimamente com Aesus "risto.

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l7n%ua e rece!e com f , esperança e caridade aquele que de tudo isso ao mesmo tempo o princ7pio, o o!)eto, o moti#o e o fim. I Filot ia, considera, se te a%radar, este doce pensamento; a a!elha, recolhendo o or#alho do c u e o suco das flores, que o mais precioso da terra, fa, disso o seu mel e o le#a para a colmeia, a fim de se alimentar- o padre toma do altar o Sal#ador do mundo, que o #erdadeiro Filho de &eus, descido do c u, e o #erdadeiro Filho da Jir%em, sa7do da terra, como todos os homens, e te entre%a para a alimentação de tua alma. '0cita então o teu coração a render o culto de#ido a este Cei e Sal#ador di#ino- fa,e-lhe o melhor acolhimento que puderes. "ontempla a sua presença em ti, que ao mesmo tempo a tua felicidade- trata confidentemente com ele, so!re os teus ne%4cios interiores e por todo o resto do dia manifesta por tuas aç(es que &eus está conti%o. Se não puderes comun%ar realmente na santa 5issa, fa,e-o ao menos em esp7rito e com o coração, unindo-te pela f 2 carne #i#ificante do Senhor. / principal intenção que de#es ter na comunhão de adiantar, purificar e consolar a tua alma no amor de &eusde#es, pois, rece!er com esp7rito de amor o que s4 o amor te pode dar. +ão, não podemos achar um outro ato mais amoroso e mais terno da !ondade de +osso Senhor do que este em que ele se aniquila, por assim di,er, e se dá a n4s, como alimento, para penetrar a nossa alma de si mesmo e para estender esta união tam! m ao corpo, ao coração dos seus fi is. Se o mundo te per%untar por que comun%as tão frequentemente, de#es responder-lhe que para aprender a amar a &eus, $urificarBte de tuas im$erfeiç0es, li#rar-te de tuas mis rias, procurar consolo em tuas afliç(es e fortificar-te em tuas fraque,as. &i,e ao mundo que duas esp cies de homens de#em comun%ar muitas #e,es; os perfeitos, porque, estando !em preparados, fariam muito mal de não se che%arem

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muitas #e,es a esta fonte de perfeição, e os im$erfeitos/ a fim de as$irarem à $erfeição- os fortes, para não se enfraquecerem, e os fracos, para se fortificarem- os sadios, para se preser#arem de todo o contá%io, e os doentes, para se curarem. ' acrescenta que, quanto a ti, que s do n.mero das almas imperfeitas, fracas e doentes, precisas rece!er muitas #e,es o /utor da perfeição, o &eus da força e o 5 dico das almas. &i,e ao mundo que os que não se ocupam muito de ne%4cios de#em comun%ar muitas #e,es, porque t8m tempo, e os que t8m muito que fa,er, porque, carre%ados de muitos tra!alhos e penas, t8m necessidade do alimento dos fortes. &i,e, enfim, que comun%as frequentemente para aprender a comun%ar !em- porque nunca se fe, !em uma coisa em que raramente se e0ercita. "omun%a muitas #e,es, Filot ia, e tantas quantas puderes, de!ai0o da direção de teu pai espiritual, e cr8-me que, se o corpo toma as qualidades do alimento de que se nutre ha!itualmente, como #emos nas le!res de nossas montanhas, que no in#erno se tornam !rancas, porque s4 #eem ne#e, e s4 comem ne#e, cr8-me, di%o, que, alimentando muitas #e,es tua alma do /utor da !ele,a e da !ondade, da santidade e da pure,a, ela se tornará a seus olhos toda !ela e !oa, toda pura e santa.

:erceira Parte

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Cerceira Parte Avisos necessários para a prática das virtudes III – ! " escol4a das virtudes / rainha das a!elhas nunca sai da colmeia, sem ser rodeada de todo o en0ame de seu po#inho, e a caridade nunca entra num coração senão como rainha, se%uida de todas as outras #irtudes, que a7 introdu,, disp(e em ordem, se%undo a sua di%nidade, e fá-las a%ir, re%ulando-lhes as funç(es mais ou menos como um capitão diri%e e ordena os seus soldados- mas tido as fa, a%ir todas ao mesmo tempo nem do mesmo modo, nem a todo momento, nem em todos os lu%ares. &i, &a#i; Sl E,3 & justo será como uma árvore plantada junto as correntes das á!uas, que a seu tempo dará a seu #ruto , porque a caridade, animando o coração, o le#a 2 pratica de muitas !oas o!ras, que são os frutos das #irtudes, mas cada uma a seu tempo e em seu lu%ar. 'sforça-te por compreender e0atamente o pro# r!io da 'scritura; cf 'clo 22, =A mAsica, sendo em si t$o a!radável, e importuna no pronto. / e#idencia nos fa, #er este pro# r!io quanto defeituoso e fora de tempo o procedimento de muitas pessoas que, entre%ando-se / prática duma #irtude particular, querem opinadamente praticá-la em todas as ocasi(es- são semelhantes 2queles fil4sofos dos quais um queria rir e outro chorar continuamente e são ainda mais desarra,oados que eles, porque se quei0am de quem não fa, o mesmo e o censuram. 5uito errado compreendem o ap4stolo São Paulo, que di, que nos de#emos ale%rar com os que se ale%ram e chorar com os que choram e acrescenta que a caridade paciente, !eni%na, li!eral, prudente, condescendente. Sá, no entanto, #irtudes que se de#em e0ercer por quase toda parte, e que, não se limitando aos pr4prios atos particulares, de#em compenetrar de seu esp7rito todas as outras #irtudes. +ão se oferecem muitas #e,es ocasi(es de praticar a

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fortale,a, a ma%nanimidade, a paci8ncia- mas a !randura, a temperança, a mod stia, a honestidade e a humildade são #irtudes cu)o esp7rito e caráter se de#em manifestar em todas as nossas aç(es. /s primeiras são mais e0celentes e su!limes, mas as .ltimas são mais praticadas- dá-se aqui o que #emos com o sal e o aç.car- sendo este mais e0celente, não contudo usado tantas #e,es e tão %eralmente. Por isso nunca nos de#e faltar uma !oa pro#isão destas .ltimas #irtudes, tão %erais e comuns. +a prática das #irtudes con# m preferir as que são mais conformes aos nossos de#eres 2s que são mais conformes ao nosso %osto. 5uito se inclina#a Santa Paula 2s austeridades corporais, nas quais pretendia achar a!undantes consolaç(es espirituais- mas a o!edi8ncia correspondia mais aos seus de#eres e São Aer$nimo di, a!ertamente que, quanto a esse ponto, ela era repreens7#el, )e)uando at ao e0cesso, contra a #ontade d seu !ispo. /o contrário, os ap4stolos, a quem Aesus "risto tinha incum!ido da pre%ação do seu '#an%elho e da distri!uição do pão celeste 2s almas, )ul%aram mui sa!iamente que não de#iam dei0ar este minist rio para se dedicar a o!ras de caridade para com os po!res, por mais e0celente que se)a esta #irtude. :odos os estados da #ida t8m suas #irtudes pr4prias- assim, as #irtudes dum prelado são diferentes daquelas dum pr7ncipe, dum soldado, duma senhora casada ou duma #i.#a. 'm!ora todos n4s de#amos possuir todas as #irtudes, não as de#emos, no entanto, praticar a todas i%ualmente e cada um de#e aplacar-se principalmente 2quelas que são essenciais aos de#eres de sua #ocação. 'ntre as #irtudes que não se referem a nossos de#eres particulares, de#emos preferir as mais e0celentes 2s mais aparatosas, que muitas #e,es nos podem iludir, 1s cometas nos parecem em %eral maiores que as estrelas, conquanto não lhes se)am compará#eis nem em %rande,a nem em qualidade- assim os en0er%amos, porque estão mais perto de n4s que as estrelas. Sá #irtudes que as almas simples parecem maiores que

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outras e portanto são mais estimadas- a .nica ra,ão disto que estas #irtudes, estando mais pr40imas de seus olhos, lhes dão mais na #ista e se adaptam mais a suas ideias, que são muito materiais. Por isso o mundo prefere comumente a esmola corporal 2 espiritual, os cil7cios e disciplinas, os )e)uns e andar descalço, as #i%7lias, e toda sorte de mortificação do corpo, 2 !randura, 2 !eni%nidade, 2 mod stia e a todas as mortificaç(es do esp7rito e do coração, que são, contudo, muito mais e0celentes e merit4rias. 'scolhe, Filot ia, as #irtudes que são melhores e não as mais apreciadas, as mais e0celentes e não as mais aparatosas, as mais s4lidas e não as que fa,em muito alarde e t8m muito !rilho e0terior. &e %rande #anta%em aplicar-se a uma #irtude especial, sem ne%li%enciar as demais, para dar maior re%ularidade 2s aspiraç(es do coração, mais intensa atenção ao esp7rito e maior uniformidade 2s nossas aç(es. Uma don,ela de rara formosura, !rilhante como o sol, ornada dum modo ma%n7fico e coroada de ramos de oli#eira, apareceu um dia a São Aoão !ispo de /le0andria, e lhe disse; 'u sou a filha primo%8nita do Cei- se queres %ran)ear o meu amor, condu,ir-te-ei a seu trono e acharás %raça em sua presença. "onheceu o santo que por esta #isão &eus lhe recomenda#a a miseric4rdia e desde então se entre%ou tanto 2s o!ras de ,elo e li!eralidade que mereceu o nome de São Aoão esmoler. Um homem de /le0andria, por nome 'ul4%io, querendo fa,er al%uma coisa de %rande por amor de &eus e não tendo Qnimo !astante para a!raçar a #ida solitária ou #i#er em comunidade, so! a o!edi8ncia dum superior, rece!eu em sua casa um po!re co!erto de lepra, para praticar ao mesmo tempo a caridade e a mortificação- e, para praticar estas #irtudes dum modo mais di%no de &eus, ele fe, o #oto de respeitar, tratar e ser#ir ao seu doente em tudo, como um ser#o ao seu senhor. 1ra no decorrer do tempo, tanto o leproso como 'ul4%io

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foram tentados de se separarem um do outro e contaram am!os a tentação ao %rande Santo /ntão, que lhes respondeu; Guardai-#os, meus filhos, de separar-#os um do outro- porque )á estais pr40imos do #osso fim e, se o an)o não #os achar )untos, correis %rande peri%o de perder as #ossas coroas. 1 rei São Ru7s #isita#a os hospitais e cuida#a dos doentes com tanto des#elo como se fosse sua o!ri%ação. São Francisco ama#a, so!retudo, a po!re,a, a que chama#a a sua senhora- e São &omin%os, a pre%ação, o que deu o nome 2 sua 1rdem. São Gre%4rio 5a%no muito fol%a#a de dar a%asalho aos pere%rinos, a e0emplo do patriarca /!raão, e, como ele, rece!eu um dia o Cei da %l4ria na forma de um pere%rino. :o!ias e0ercia a caridade, sepultando os mortos. Santa 3sa!el, sendo uma au%usta princesa, acha#a a sua ale%ria em humilharse a si mesma. Santa "atarina de G8no#a, tendo perdido seu marido, dedicou-se ao ser#iço dum hospital. "assiano refere que uma )o#em #irtuosa, que muito dese)a#a se e0ercer na paci8ncia, recorreu a Santo /tanásio, que a encarre%ou de uma po!re #i.#a melanc4lica, col rica, enfadonha e mesmo insuportá#el, de sorte que, como a #i.#a esti#esse constantemente ralhando, a )o#em tinha ocasião !astante de praticar a !randura e a condescend8ncia. /ssim, entre os ser#os de &eus, uns se dedicam a ser#ir os doentes- outros a consolar os po!res, outros a ensinar a doutrina cristã 2s crianças, outros #ão atrás das almas des%arradas e perdidas, outros empre%am seu tempo a ornamentar os altares e as i%re)as, e outros, por fim, le#am a #ida a resta!elecer a pa, e a conc4rdia entre os fi is. 3mitem os !ordadores que, e0ercendo sua arte, !ordam so!re um fundo a seda, a ouro e a prata, toda a sorte de flores, sem que a !ela #ariedade transtorne, um pouco que se)a, 1 plano e a ordem do todo. 'ssas almas piedosas, tendo-se entre%ado 2 prática duma #irtude especial, ser#em-se dela como dum fundo pr4prio, so!re o qual, por assim di,er, #ão !ordando todas as

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outras #irtudes, de sorte que t8m mais unidade e ordem em suas aç(es, referindo-as todas a um mesmo fim, que a prática dessa #irtude especial. &estarte todos eles se fa,em aos olhos de &eus como um #estido de ouro, que de mil cores a a%ulha enfeita, recamando flores NSl 66,EFO. Se nos sentimos inclinados e tentados fortemente para um #7cio, preciso que en#idemos todos os nossos esforços para praticar a #irtude que lhe contrária e a este fim referir a prática das outras #irtudes. &este modo, asse%uramo-nos a #it4ria so!re o inimi%o, adquirimos uma #irtude que não t7nhamos e aperfeiçoamos muito as outras. Se o or%ulho e a ira me atacam, preciso que eu faças o meu coração pender, quanto poss7#el for, para a humildade e a !randura e que con#ir)am para este mesmo fim os meus e0erc7cios espirituais, a recepção dos sacramentos e as outras #irtudes, como a prud8ncia, a constQncia e a so!riedade- pois, assim como os )a#alis, para a%uçar as presas, as roçam e limam com os dentes, os quais com isso tam! m se afiam e limam, o homem que culti#a uma #irtude que tem por mais necessária 2 defesa de seu coração, de#e esforçar-se para se aperfeiçoar neste particular por meio das outras #irtudes, que por este modo tam! m #ão crescendo em santidade. +ão foi isso o que aconteceu a A4, que, #encendo as tentaç(es do dem$nio por sua e07mia paci8ncia, se tornou um homem perfeito em todas as #irtudes? /inda mais P di, São Gre%4rio +a,ian,eno P um .nico ato de #irtude praticado com toda perfeição e com um alto %rau de caridade, )á ele#ou mais de uma #e, uma pessoa ao au%e da perfeição- e ele dá como e0emplo a caritati#a e fiel Caa!, que adquiriu um ele#ado %rau de santidade, s4 porque concedeu uma #e, afá#el hospitalidade a al%uns israelitas. III – '! *ontinuação – " escol4a das virtudes &i, muito opinadamente Santo /%ostinho que muitos

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principiantes da de#oção fa,em coisas que, )ul%ando-se estritamente se%undo as re%ras da perfeição, seriam censurá#eis e que s4 se lou#am neles como pressá%ios e disposiç(es, que são duma %rande #irtude. /quele temor !ai0o e e0cessi#o que produ, escr.pulos f.teis na alma dos que saem do caminho do pecado, considerado como uma #irtude e pressá%io certo duma perfeita pure,a de consci8ncia no futuro- mas esse mesmo temor seria repreens7#el nos mais adiantados na perfeição, que se de#em %uiar pela caridade, a qual #ai e0pulsando aos poucos o temor ser#il. São @ernardo trata#a primeiramente os que se su!metiam 2 sua direção com uma aspere,a e ri%or e0tremos, declarandolhes antes de tudo que era necessário dei0arem o corpo e #irem at ele s4 com o esp7rito- ou#indo-lhes as confiss(es, da#a-lhes a entender a!ertamente o horror que lhe causa#am as suas faltas, por mais le#es que fossem. +uma pala#ra, de tal maneira ele pertur!a#a e afli%ia as almas dos po!res iniciados na perfeição que, em #e, de fa,erem pro%ressos, retrocediam e perdiam todo o Qnimo e cora%em, #endo-se impelidos tão !ruscamente, como homens coa%idos a su!ir a toda a pressa uma montanha escarpada. Aá #8s, Filot ia, que era um ardente ,elo duma pure,a perfeita que le#a#a esse %rande santo a se%uir esse m todo, e que, em!ora fosse nele uma #irtude, não dei0a#a de ter al%uma coisa de repreens7#el. /ssim &eus se di%nou corri%i-lo por si mesmo numa #isão mara#ilhosa, dando 2 sua alma um esp7rito tão doce e misericordioso, caridoso e terno, que o santo, condenando a sua se#eridade, e0ercia dora#ante uma e0traordinária !randura e condescend8ncia para com os que diri%ia, fa,endo-se com sua#e afa!ilidade tudo a todos, para %anhá-los todos para Aesus "risto. São Aer$nimo, que escre#eu a #ida de Santa Paula, uma de suas filhas espirituais, que muito estima#a, repreende-lhe tr8s e0cessos; um era uma austeridade imoderada- outro, uma

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pertinácia nesta prática, mesmo contra o parecer de Santo 'pifQnio, seu !ispo- e o terceiro, uma melancolia descomedida, que quase a le#a#a 2 morte por ocasião do falecimento de seus filhos e seu marido. ' então e0clama#a este %rande padre da 3%re)a; &ir-se-á que, em #e, de escre#er os lou#ores desta santa, estou a censurar-lhe as imperfeiç(es e defeitos- mas, não, tomo como testemunha a Aesus "risto, a quem ela ser#iu, como eu quero ser#ir, que de modo al%um me aparto da #erdade, em narrando, como cristão, o que ela foi como cristã, isto , que lhe escre#o a #ida e não o elo%io, podendo afirmar, al m disso, que seus defeitos seriam #irtudes em outras pessoas. 'stá claro que ele fala aqui de almas menos perfeitas que Santa Paula, e, de fato, Filot ia, há aç(es que se censuram, como imperfeiç(es, em almas perfeitas, as quais em almas imperfeitas seriam consideradas como %randes #irtudes. +ão se di, que um !om sinal, quando as pernas incham na con#alescença duma doença, porque isto indica que a nature,a se ro!usteceu tanto at re)eitar os humores sup rfluos? 5as isso mesmo seria um muito mau sintoma num homem que não ti#esse estado doente, porque denotaria a falta de #i%or da nature,a para resol#er e dissipar os maus humores. Fa,e sempre, Filot ia, uma !oa ideia das pessoas que misturam imperfeiç(es com as suas #irtudes, porque mesmo os santos não as praticaram sem esta mistura. 5as, quanto a ti mesma, esforça-te por te aperfeiçoar, unindo a prud8ncia 2 fidelidadee, para isso, o!ser#a e0atamente o conselho do sá!io, que nos ad#erte a não confiarmos em nossa pr4pria prud8ncia, mas a su!metermo-nos 2 direção daqueles que &eus nos en#ia. Sá coisas que se tomam por #irtudes e que não o são de modo al%um, so!re as quais necessário que te di%a al%umas pala#ras. São estas os 80tases ou raptos, as insensi!ilidades, as uni(es deificas, as ele#aç(es e transformaç(es e outras coisas semelhantes, de que tratam li#ros que prometem ele#ar a alma a uma contemplação toda especial, a uma aplicação essencial

333 P 2. "ontinuação P / escolha das #irtudes

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da mente a uma #ida supereminente. 'stas perfeiç(es, Filot ia, não são #irtudes, mas as suas recompensas, ou, melhor, comunicaç(es antecipadas da felicidade eterna, da qual &eus dá a certas almas um ante%osto, para as fa,er dese)ar mais ardentemente a sua posse. 5as não de#emos ter pretens(es a esses fa#ores, porque não são necessários ao ser#iço de &eus, nem a seu amor, que de#e ser a nossa .nica inspiração- tanto mais que ordinariamente não as podemos adquirir por nossos esforços, sendo antes impress(es do esp7rito de &eus que nossas pr4prias operaç(es. /crescento ainda que, tendo-nos proposto aqui unicamente o intuito de ser homens de uma de#oção s4lida, mulheres duma piedade #erdadeira, somente a este fim que de#emos tender- e se &eus nos quiser ele#ar a estas perfeiç(es an% licas, seremos tam! m !ons an)os aqui mesmo, neste mundo. 'nquanto isso, apliquemo-nos com simplicidade e humildade 2s pequenas #irtudes que +osso Senhor, dando-nos a sua %raça, quer que nos esforcemos por conquistar, tais como a paci8ncia, a !eni%nidade, a mortificação do coração, a humildade, a o!edi8ncia, a po!re,a, a castidade, a afa!ilidade para com o pr40imo, a paci8ncia com nossas imperfeiç(es e o santo fer#or. &ei0emos de !om %rado essas #irtudes e0traordinárias 2s almas %randes e muito superiores a n4s. +ão merecemos um lu%ar tão alto na casa de &eus e demonos por muito feli,es em nos achar no n.mero de seus ser#os mais humildes, como os oficiais e lacaios inferiores no palácio dum pr7ncipe, os quais consideram como uma honra o seu car%o, por mais #il e a!)eto que se)a. :oca ao Cei da %l4ria, se lhe parecer, chamar-nos a contemplar os arcanos misteriosos do seu amor e sa!edoria. / nossa consolação em tudo isso, Filot ia, que &eus não mede a recompensa eterna de seus ser#os pela di%nidade de seus of7cios, mas pela humildade e amor com que os e0ercem. Saul, procurando as mulas de seu pai, encontrou o reino de

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&eus- Ce!eca, dando de !e!er aos camelos de /!raão, torna-se esposa de seu filho- Cute apanhando as espi%as ap4s os se%adores de @oo, e lançando-se a seus p s, #em a ser sua esposa. /s altas pretens(es a estes estados e0traordinários da perfeição são, sem d.#ida, su)eitas a muitos erros e ilus(es; acontece que pessoas que podiam ser an)os não são nem homens sequer, aos olhos de &eus, porque há nelas mais afetação e pala#ras aparatosas que solide, de pensamento e afeto. +ão de#emos, no entanto, despre,ar e censurar temerariamente coisa al%uma- mas, !endi,endo a &eus pelo estado ele#ado dos outros, caminhemos com humildade pelo nosso caminho, menos su!lime, mas mais proporcionado 2 nossa fraque,a, mais !ai0o, mas mais se%uro, persuadidos de que, se formos fi is e humildes, &eus nos ele#ará as %rande,as muito superiores a nossas esperanças. III – ,! " Paci(ncia A paci)ncia, di, o /p4stolo, vos é necessária para que, #azendo a vontade de (eus, alcanceis o que 2le vos tem prometido. 'im, nos di, Aesus "risto, possuireis vossas almas pela paci)ncia 1 maior !em do homem consiste, Filot ia, em possuir seu coração e tanto mais o possu7mos quanto mais perfeita nossa paci8ncia- cumpre, portanto, aperfeiçoarmo-nos nesta #irtude. Rem!ra-te tam! m que, tendo +osso Senhor nos alcançado todas as %raças da sal#ação pela paci8ncia de Sua #ida e de Sua morte, n4s tam! m no-las de#emos aplicar por uma paci8ncia constante e inalterá#el nas afliç(es, nas mis rias e nas contradiç(es da #ida. 2ão limites a tua $aci(ncia a al%uns sofrimentos/ mas estendeBa universalmente a tudo o que Deus te mandar ou $ermitir que ven4a so+re ti . 5uitas pessoas há que de !oa mente querem suportar os sofrimentos que t8m um certo cunho

333 P 3. / Paci8ncia

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de honroso; ter sido ferido numa !atalha, ter sido prisioneiro ao cumprir seu de#er, ser maltratado pela reli%ião, perder todos os seus !ens numa contenda de honra, da qual sa7ram #encedores, tudo isso lhes sua#e- mas a %l4ria e não o sofrimento o que amam. 1 homem #erdadeiramente paciente tolera com a mesma i%ualdade de esp7rito os sofrimentos i%nominiosos como os que tra,em honra. 1 despre,o, a censura e a deseducação dum homem #icioso e li!ertino um pra,er para uma alma %rande- mas sofrer esses maus tratos de %ente de +em/ de seus ami%os e $arentes/ é uma $aci(ncia 4eroica . Por isso aprecio e admiro mais o "ardeal São "arlos @orromeu, por ter sofrido em sil8ncio, com !randura e por muito tempo, as in#ecti#as p.!licas que c le!re pre%ador duma ordem reformada fa,ia contra ele do p.lpito, do que ter suportado a!ertamente os insultos de muitos li!ertinos- pois, como as ferroadas das a!elhas doem muito mais que as das moscas, assim as contradiç(es procedentes de %ente de !em ma%oam muito mais do que as que pro#8m de homens #iciosos. /contece, no entanto, muitas #e,es que dois homens de !em, am!os !em-intencionados, pela di#ersidade de opini(es, se afli%em mutuamente não pouco. :em paci8ncia não s4 com o mal que sofres, mas tam! m com as suas circunstQncias e consequ8ncias. 5uitos se en%anam neste ponto e parecem dese)ar afliç(es, recusando, entretanto, sofrer suas incomodidades insepará#eis. +ão me afli%iria, di, al%u m, de ficar po!re, contanto que a po!re,a não me impedisse de a)udar a meus ami%os, de educar meus filhos, e de le#ar #ida honrosa. ' eu, declara#a um outro, pouco me inquietaria disso, se o mundo não atri!u7sse esta des%raça 2 minha imprud8ncia. ' eu, di,ia ainda um terceiro, nada me importaria esta cal.nia, contanto que não achasse cr dito em outras pessoas. 5uitos há que estão prontos a sofrer uma parte das incomodidades con)untas aos seus males, mas não todas, di,endo que não se impacientam de estar doentes,

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mas do tra!alho que causam aos outros e da falta de dinheiro para se tratar. Di%o/ $ois, Filot ia, que a $aci(ncia nos o+ri%a a querer estar doentes/ como Deus quiser/ da enfermidade que ?le quiser/ no lu%ar onde ?le quiser/ com as $essoas e com todos os incAmodos que ?le quiserD e eis a= a re%ra da $aci(nciaE Se ca7res numa enfermidade, empre%a todos os rem dios que &eus te concede- pois esperar al7#io sem empre%ar os meios seria tentar a &eus- mas, feito isso, resi%nate a tudo e, se os rem dios fa,em !em, a%radece a &eus com humildade e, se a doença resiste aos rem dios, !endi,e-o com paci8ncia. Sou do parecer de São Gre%4rio, que di,; Se te acusarem de uma falta #erdadeira, humilha-te e confessa que mereces muito mais que esta confusão. Se a acusação falsa, )ustifica-te com toda a calma, porque o e0i%em o amor 2 #erdade e a edificação do pr40imo. 5as, se tua escusa não for aceita, não te pertur!es, nem te esforces de!alde NinutilmenteO para pro#ar a tua inoc8ncia, porque, al m dos de#eres da #erdade, de#es cumprir tam! m os da humildade. /ssim, não ne%li%enciarás a tua reputação e não faltarás ao afeto que de#es ter 2 mansidão e humildade do coração. 9uei0a-te o menos poss7#el do mal que te fi,eram- $ois quei&arBse sem $ecar é uma coisa rar=ssima- nosso amorpr4prio sempre e0a%era aos nossos olhos e ao nosso coração as in).rias que rece!emos. Se hou#er necessidade de te quei0ares ou para a!randar o teu esp7rito ou para pedir conselhos, não o faças a pessoas fáceis de e0altar-se e de pensar e falar mal dos outros. 5as quei0a-te a pessoas comedidas e tementes a &eus, porque, ao contrário, lon%e de tranquili,ar a tua alma, a pertur!arias ainda mais e, em lu%ar de arrancares o espinho do coração, o cra#arias ainda mais fundo. 5uitos numa doença ou numa outra tri!ulação qualquer se %uardam de se quei0ar e mostrar a sua pouca #irtude, sa!endo !em Ne isto #erdadeO que seria fraque,a e falta de

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%enerosidade- mas procuram que outros se compadeçam deles, se quei0em de seus sofrimentos e ainda por cima os lou#em por sua paci8ncia. +a #erdade temos aqui um ato de paci8ncia, mas certamente duma paci8ncia falsa, que na realidade não passa dum or%ulho muito sutil e duma #aidade refinada. 'im, di, o /p4stolo, tem de que se !loriar, mas n$o diante de (eus. 1s cristãos #erdadeiramente pacientes não se quei0am de seus sofrimentos nem dese)am que os outros os lamentem- se falam neles com muita simplicidade e in%enuidade, sem os fa,er maiores do que são- se outros os lamentam, ou#em-nos com paci8ncia, a não ser que tenham em #ista um sofrimento que não e0iste, porque, então, lhes declaram modestamente a #erdade- conser#am assim a tranquilidade da alma entre a #erdade e a paci8ncia, manifestando in%enuamente os seus sofrimentos, sem se quei0arem. +as contrariedades que te so!re#ierem no caminho da de#oção Npois que delas não hás de ter faltaO, lem!ra-te que nada de %rande podemos conse%uir neste mundo sem primeiro passarmos por muitas dificuldades, mas que, uma #e, superadas, !em depressa nos esquecemos de tudo, pelo 7ntimo %o,o que então temos de #er reali,adas as nossas aspiraç(es. Pois !em, Filot ia, queres a!solutamente tra!alhar para formar a Aesus "risto, como di, o /p4stolo, em teu coração, como em tuas o!ras, pelo amor sincero de Sua doutrina e pela imitação perfeita de Sua #ida. Sá de custar-te al%umas dores, sem d.#ida- mas hão de passar e Aesus "risto, que #i#erá em ti, há de encher tua alma duma ale%ria inefá#el, que nin%u m te poderá furtar. Se ca7res numa doença, oferece as tuas dores, a tua prostração e todos os teus sofrimentos a Aesus "risto, suplicando-Rhe de os aceitar em união com os merecimentos de Sua pai0ão. Rem!ra-te do fel que 'le !e!eu por teu amor e o+edece ao médico/ tomando os remédios e fa#endo tudo o

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que determinar $or amor de Deus . &ese)a a sa.de para 1 ser#ir, mas não recuses ficar muito tempo doente para o!edecer-Rhe e mesmo disp(e-te a morrer, se for a Sua #ontade, para ir %o,ar eternamente de Sua %loriosa presença. Rem!ra-te, Filot ia, que as a!elhas, enquanto fa,em o mel, #i#em dum alimento muito amar%o e que nunca n4s outros poderemos encher mais facilmente o coração desta santa sua#idade, que fruto da paci8ncia, do que comendo com paci8ncia o pão amar%o das tri!ulaç(es que &eus nos en#ia- e quanto mais humilhantes forem, tanto mais preciosa e a%radá#el se tornará a #irtude ao nosso coração. Pensa muitas #e,es em Aesus crucificado- considera-1 co!erto de feridas, saturado de opr4!rios e dores, penetrado de triste,a at ao fundo de Sua alma, num desamparo e a!andono completo, carre%ado de cal.nias e maldiç(es- #erás então que tuas dores não se podem comparar 2s Suas, nem em quantidade, nem em qualidade, e que )amais sofrerás por 'le al%uma coisa de semelhante ao que 'le sofreu por ti. "ompara-te aos mártires, ou, sem ires tão lon%e, 2s pessoas que sofrem atualmente mais do que tu e e0clama, lou#ando a &eus; /hL 5eus espinhos me parecem rosas e minhas dores, consolaç(es, se me comparo 2queles que #i#em sem socorros, sem assist8ncia e sem al7#io, numa morte cont7nua, opressos de dores e de triste,as. III – 1! " 4umildade e&terior 1 profeta 'liseu mandou uma po!re #i.#a pedir emprestados aos #i,inhos todos os #asos que pudesse e lhe disse que o pouco a,eite ainda restante ha#ia de correr tanto at ench8-los todos. 3sto nos mostra que &eus quer coraç(es que este)am !em #a,ios, para os encher de sua %raça pela unção do seu 'sp7rito- e de nossa pr4pria %l4ria, Filot ia, que os de#emos es#a,iar. &i,-se que um certo passarinho, por nome tataranho, tem

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uma #irtude secreta, no seu %rito e nos seus olhos, de afu%entar as a#es de rapina e cr8-se ser esta a ra,ão da simpatia que as pom!as lhe dedicam. /ssim n4s tam! m podemos di,er que a humildade o terror de Satanás, o rei do or%ulho, que ela conser#a em nos a presença do 'spirito Santo e de seus dons e que por isso foi tão apreciada dos santos e santas e tão querida dos "oraç(es de Aesus e de sua 5ãe. "hamamos #an%l4ria aquela que nos atri!u7mos ou por coisas que não estão em n4s, de todo, ou por coisas que estão em n4s, mas não são nossas, nem procedem de n4s, ou por muitas outras que estão em n4s, são nossas, mas não merecem que delas nos %loriemos. / no!re,a do nascimento, o fa#or dos %randes, o aplauso do po#o são coisas que estão fora de n4s em nossos antepassados ou na estima de outros homens- por que nos %loriarmos disso? Sá pessoas que se sentem %randes por causa de suas rique,as, de seus #estidos pomposos, do !rilho da sua ele%ante equipa%em, da !ele,a dos seus m4#eis, de seus ca#alos- quem não #8 nisso a loucura incr7#el dos homens? 5uitos se compra,em duma maneira #ã em si pr4prios, por ter !elos ca!elos, !elos dentes ou !elas mãos, ou certa ha!ilidade no )o%o, uma !oa #o, para cantar, uma certa ele%Qncia para dançar. 5as que !ai0e,a de esp7rito e coração ir procurar a sua honra em coisas tão fr7#olasL 5uitos outros se encantam com sua pretensa !ele,a- outros, cheios de si por um- pouco de ci8ncia, unida a muita #aidade, tanto se ridiculari,am, aos olhos daqueles por quem se querem fa,er respeitar, que o nome de pedante todo o lou#or que rece!em. +a #erdade, tudo isso #ão, !ai0o e arro%ante. 'ntretanto, Filot ia, é destas coisas que $rocede a van%lória. 1 #erdadeiro !em se conhece pela mesma pro#a que o #erdadeiro !álsamo. &este fa,-se a pro#a no destilando em á%ua- se #ai ao fundo, )ul%a-se que puro, fin7ssimo e dum %rande #alor- se fica 2 tona da á%ua, conclui-se que alterado e falsificado. 9ueres, pois, sa!er se certa pessoa sá!ia,

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prudente, no!re e %enerosa? '0amina se estas qualidades são acompanhadas da humildade, da mod stia e da su!missão para com os seus superiores- se assim for, são #erdadeiros !ensmas, se desco!rires nela afetação de fa,er aparecer o que tem por !em, )ul%a que essa pessoa superficial e que esses !ens são tanto mais f.teis quanto mais os quer ostentar. /s p rolas formadas numa estação de #entos tempestuosos e tro#(es s4 t8m de p rola uma casca sem a su!stQncia- assim, todas as #irtudes e as mais e0celentes qualidades de umNaO homem NmulherO, que delas se enso!er!ece, s4 t8m uma apar8ncia do !em, sem nenhuma solide,. "om ra,ão compara-se a honra ao açafrão, que se torna mais forte e mais a!undante quando calcado aos p s. Uma pessoa que tem #aidade de sua !ele,a perde-lhe a %l4ria- e outra que pouco se dá disso aumenta-lhe o !rilho. / ci8ncia que nos enche de n4s mesmos desonra e de%enera numa rid7cula pedanteria. 9uando o pa#ão quer ter o pra,er de contemplar a sua !ela pluma%em, eriça todo o corpo, mostrando o que tem de mais disforme e feio Nos p sO. Se dese)amos sempre o primeiro lu%ar, a preced8ncia e t7tulos, al m de e0pormos as nossas qualidades ao e0ame e ao pesar de #8-las contestados, fa,emo-nos #is e despre,7#eispois, assim como nada há de mais !elo que o lou#or espontQneo, tam! m nada mais feio que o que se e0i%e, como um direito- como uma linda flor, que não de#emos tocar nem apanhar, se não queremos que murche. &i,-se que a mandrá%ora de lon%e e0ala um odor a%rada!il7ssimo- mas quem a cheira de perto e por muito tempo respira uma ess8ncia mali%na, que causa modorraUaV muito peri%osa. &este modo a honra fa, uma %ra#e impressão em quem a rece!e, como se
UaV modorra Grande #ontade m4r!ida de dormir. ' &oença que ataca o %ado lan7%ero, ocasionada pela e0cessi#a a!undQncia de san%ue. , Prostração m4r!ida. 1 Sonol8ncia. 3 /patia, indol8ncia, insensi!ilidade. 6 1 mesmo que mal de modorra. Mal de modorra: doença que se sup(e se)a ho)e a encefalite letár%ica. Var: madorna e modorna.

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apresenta, sem co!iça ou afeição- mas quem a procura e se afeiçoa a ela e0ala um cheiro mali%no, que so!e 2 ca!eça e torna insensato e despre,7#el. 1 amor e o dese)o da #irtude começam a nos fa,er #irtuosos- mas a pai0ão e a co!iça da %l4ria começam a nos fa,er despre,ados. /s almas %randes não se entret8m com essas !a%atelas de prima,ia, distinç(es e cumprimentos- disto s4 se ocupam os esp7ritos mesquinhos e ociosos- aquelas empre%am o seu tempo em coisas mais no!res. 9uem pode fa,er um rico com rcio de p rolas não fa, caso das conchinhas- assim quem se entre%a 2 prática das #irtudes não tem dese)os destas manifestaç(es de apreço. * #erdade que todos podem conser#ar o seu posto honroso sem ofender a humildade, contanto que o façam sem afetação e contenda- pois como os que tra,em do Peru na#ios carre%ados de ouro e prata tra,em tam! m macacos e papa%aios, porque o frete, tão insi%nificante como a car%a, assim os que culti#am a #irtude podem rece!er as honras que lhes são de#idas, contanto que não e0i)am muita atenção e cuidado e que as inquietaç(es ordinariamente ane0as não encham a alma de seu peso. * de notar, no entanto, que não falo aqui das di%nidades p.!licas e direitos particulares, cu)a conser#ação ou perda podem ter consequ8ncias importantes. +uma pala#ra; cada um de#e conser#ar o que lhe compete- mas com discrição entre o interesse e a caridade, entre as re%ras da prud8ncia e as medidas da honestidade. III – 3! " 4umildade interior &ese)arás, Filot ia, que te introdu,a ainda mais na prática da humildade- este dese)o merece o meu aplauso e eu o quero satisfa,er- pois, no que tenho dito at a%ora, há mais prud8ncia que humildade. 'ncontram-se pessoas que nunca querem prestar atenção 2s %raças particulares que &eus lhes fa,, temerosas que seu

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coração, enchendo-se duma #ã complac8ncia, não d8 toda a %l4ria a &eus. * um falso temor e um #erdadeiro erro. Pois, desde que a consideração dos !enef7cios de &eus um meio eficac7ssimo de amá-lo, assim, di, o doutor an% lico, quanto mais o conhecemos, tanto mais o amamos. 5as, sendo nosso coração mais sens7#el 2s %raças particulares que aos !enef7cios %erais, e0atamente so!re aquelas %raças que de#emos refletir. +ada tão pr4prio para nos humilhar ante a miseric4rdia de &eus que a multidão de suas %raças e a multidão dos nossos pecados ante a sua )ustiça. "onsideremos, com muita atenção, o que &eus fe, por n4s e o que n4s fi,emos contra ele. /o passo que e0aminamos os nossos pecados um por um, e0aminamos tam! m as %raças que &eus nos concedeu, e )á não há que temer que este conhecimento nos enso!er!eça, se refletimos que não temos nada de !om em n4s. Por#entura as !estas de car%a não permanecem animais %rosseiros e !rutos, em!ora caminhem carre%ados de trastes preciosos e perfumados dum pr7ncipe? %ue temos n6s de bom, que n$o tenhamos recebido< 2, se o temos recebido, por que nos !loriamos disso<UaV /o contrário, a #i#a consideração das %raças de &eus nos torna humildes, porque o conhecimento dum !enef7cio produ, naturalmente o seu reconhecimento- e, se esta consideração e0citar em n4s al%uma complac8ncia de #aidade, temos um rem dio infal7#el, contra este mal, na lem!rança de nossas in%ratid(es, imperfeiç(es e mis rias. Sim, se considerarmos o que fi,emos, quando &eus não esta#a conosco, ha#emos de conhecer que o que fa,emos, quando ele está conosco, não pro# m de nossa ind.stria e dili%8ncia. +a #erdade, re%o,i)ar-nos-emos do !em que 'le depositou
UaV cf. E"or 6,BPois quem que te distin%ue? 9ue que possuis que não tenhas rece!ido? ', se rece!este, por que ha#erias de te enso!er!ecer como se não o ti#esses rece!ido?

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em n4s e n4s mesmos nos re%o,i)aremos- porque somos n4s que o possu7mos- mas toda a %l4ria de#ida unicamente a &eus, que o seu autor. /ssim a Sant7ssima Jir%em confessou pu!licamente que &eus tinha operado nela %randes coisas e fe, isso ao mesmo tempo para se humilhar e para dar %l4ria a &eus. /inha alma, diz ela, !lori#ica o 'enhor* porque tem operado em mim !randes coisas. 5uitas #e,es di,emos que nada somos, que somos a mesma mis ria e, como di, São Paulo, o li0o do mundo- mas muito nos melindrar7amos se nos compreendessem #er!almente e nos tratassem quais di,emos ser. Pelo contrário, outras #e,es fu%imos para que nos #enham atrás, escondemo-nos para que nos procurem, damos mostras de querer o .ltimo lu%ar, para que nos le#em com muita manifestação de honra ao primeiro. 1 #erdadeiro humilde não quer parecer que o e nunca fala de si mesmo- a humildade, pois, não s4 procura esconder as outras #irtudes, mas ainda mais a si mesma , se a dissimulação, a mentira, o mau e0emplo fossem coisas l7citas, ela cometeria atos de so!er!a e am!ição, para esconder-se mesmo de!ai0o das capas do or%ulho e su!trair-se mais se%uramente ao conhecimento dos homens. Fica aqui o meu conselho, Filot ia, ou nunca falemos de n4s com termos de humildade, ou conformemos com eles os nossos pensamentos, pelo sentimento interior duma #erdadeira humildade. +unca a!ai0emos os olhos, sem humilharmos o coração- nunca procuremos o .ltimo lu%ar, sem que de !om %rado e sinceramente o queiramos tomar. 'sta re%ra tão %eral que não se pode a!rir e0ceção al%uma. Unicamente acrescento que a ci#ilidade requer 2s #e,es que ofereçamos certas honras a pessoas que certamente não as hão de aceitar, e que isso não do!re, nem humildade falsa, porque esta defer8ncia um simples modo de os honrar- e, conquanto

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não se lhes possa ceder toda a honra, não tem nada de mal que se lhe ofereça. &i%o o mesmo de certas e0press(es de acatamento que não são inteiramente se%undo as re%ras ri%orosas das #erdades, mas tam! m não lhes são contrárias, contanto que se tenha um dese)o sincero de honrar as pessoas com quem se fala- pois, ainda que ha)a um certo e0cesso nessas e0press(es, no andamos mal se as empre%amos se%undo o uso %eral, como as rece!em e entendem. &ese)aria, contudo, que se conformassem o mais poss7#el as pala#ras com as intenç(es, para que em nada se afastem da simplicidade do coração e e0atidão da sinceridade. 1 homem #erdadeiramente humilde %ostará mais que os outros di%am dele que um miserá#el, que nada e nada #ale, do que de o di,er por si mesmo- ao menos, se sa!e que falam assim dele, sofre com paci8ncia e, como está persuadido que #erdade o que di,em, facilmente se conforma com esses )u7,os, aliás i%uais aos seus. &i,em muitos que dei0am a oração mental para os perfeitos e que se acham indi%nos de fa,8-la- outros protestam que não comun%am muitas #e,es, porque não se sentem com a pure,a da alma requerida- outros ainda di,em que temem profanar a de#oção, ha!ituando-se a ela, por causa de suas mis rias e fra%ilidades- muitos outros, por fim, recusam empre%ar os seus talentos no ser#iço de &eus e sal#ação do pr40imo, porque, conhecendo a sua fraque,a, di,em eles, temem que o or%ulho se apro#eite do !em de que seriam os instrumentos e assim, enquanto iluminam a outros, #enham eles mesmos 2 perder-se. :udo isso não passa dum artif7cio de humildade não s4 falsa, mas at mali%na, porque se ser#em dela para despre,ar de um modo sutil e oculto as coisas de &eus ou esconder melhor so! prete0tos de humildade o seu amor-pr4prio, a sua pr4pria #ontade, o seu mau humor e pre%uiça. Pede ao Senhor, teu &eus, para ti al%um sinal que che%ue ao profundo do inferno ou ao mais alto do c u, disse o profeta

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3sa7as ao 7mpio /ca, e este respondeu; 1$o pedirei tal, nem tentarei ao 'enhor. P I per#ersidadeL Fin%e %rande re#er8ncia para com &eus e so! esse prete0to de humildade re)eita uma %raça que a @ondade di#ina lhe queira dar. ' não sa!ia ele que, quando &eus nos quer conceder uma %raça, um ato de or%ulho recusá-la, que esses dons por sua pr4pria nature,a nos o!ri%am a aceitá-los e que a humildade consiste em conformar-se o mais poss7#el com á #ontade di#ina? 1ra, &eus dese)a sumamente que se)amos perfeitos, para nos unir a 'le pela imitação mais e0ata poss7#el de sua santidade. 1 so!er!o que se fia em si mesmo muita ra,ão tem para não se atre#er a intentar coisa al%uma- mas o humilde tanto mais animoso quanto mais impotente se #8, e se torna tanto mais resoluto quanto mais o despre,o de si mesmo o fa, parecer pequeno a seus olhos, porque ele deposita toda a sua confiança em &eus, que se compra, em ma%nificar a sua onipot8ncia em nossa fraque,a e a sua miseric4rdia em nossa mis ria. *, pois, necessário empreender com uma humildade cora)osa tudo quanto os que nos %uiam )ul%am .til ao nosso adiantamento. Pensar que se sa!e o que se i%nora uma loucura manifestafa,er-se de sá!io em mat ria i%norada uma #aidade insuportá#el. 'u para mim nem queria me fa,er de sá!io nem; de i%norante. Se a caridade o e0i%e, cumpre a)udar o pr40imo com !ondade e doçura em tudo o que necessário para a sua instrução e consolação- pois a humildade, que esconde as #irtudes, para as conser#ar, tam! m as dei0a aparecer, se a caridade o e0i%e, para as e0ercer e aperfeiçoar. +este ponto, pode-se comparar a humildade 2s ár#ores das ilhas de :ilos, que de noite conser#am fechadas as suas flores, dum encarnado muito #i#o, e s4 as a!rem ao nascer do sol- o que fa, os ha!itantes da ilha di,erem que estas flores dormem de noite. "om efeito, a humildade esconde as #irtudes e as !oas qualidades e s4 as mostra pela caridade, que, não sendo uma

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#irtude humana e mortal, mas celeste e di#ina e o sol das #irtudes, de#e sempre dominar so!re todas- de sorte que, se a humildade pre)udica a caridade em al%uma coisa, , sem d.#ida, uma humildade falsa. 9uanto a mim, não quisera me fa,er de louco, nem de prudente, porque, se a humildade me impede de fa,er-me prudente, a sinceridade e a simplicidade me de#em impedir de fa,er-me de louco- se a #aidade contrária 2 humildade, o fin%imento e o ardil são contrários 2 simplicidade e 2 candura da alma. Se al%uns ser#os de &eus se fin%iram loucos, para serem despre,ados, preciso admirá-los e não imitá-los, porque os moti#os que os le#aram a esses e0cessos foram neles tão e0traordinários e adaptados 2s suas disposiç(es particulares, que nin%u m pode tirar da7 uma consequ8ncia para a sua #ida. +o tocante 2 ação de &a#i, dançando e saltando ante a /rca da /liança um pouco mais do que era decente, sua intenção não foi se fa,er de louco- a!andonou-se simplesmente e sem fin%imento ao instinto e impetuosidade de sua ale%ria, de que o esp7rito de &eus lhe inunda#a o coração. * #erdade que, quando 5icol, sua mulher, o repreendeu, como tendo feito uma loucura, ele não se alterou e asse%ura#a, ainda tomado dessa ale%ria espiritual, que de !oa #ontade rece!ia este despre,o, para a %l4ria de &eus. /ssim, se, por aç(es que t8m um cunho in%8nuo de #erdadeira de#oção, todo o mundo te ti#er na conta de #il, a!)eto ou e0tra#a%ante, a humildade te fará achar ale%ria neste opr4!rio precioso, cu)o princ7pio e causa não s tu que o sofrerás, mas aquele donde ele #ier. III – 6! " 4umildade@ "mar a nossa a+5eção Passando adiante, Filot ia, di%o-te que de#es amar em tudo e sempre a tua pr4pria a!)eção. Per%untar-me-ás tal#e, o que chamo amar a sua pr4pria a!)eção e isso que começo a te e0plicar. 'stes dois termos, a!)eção e humildade, na l7n%ua latina t8m

333 P =. / humildade; /mar a nossa a!)eção

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a mesma si%nificação- assim, a Sant7ssima Jir%em, e0clamando em seu sa%rado cQntico que todas as %eraç(es proclamarão a sua !em-a#enturança, porque o Senhor olhou para a sua humildade, quer di,er-#os que &eus se di%nou lançar os olhos so!re a sua pequene, e a!)eção, para a cumular de suas %raças e %l4rias. '0iste, contudo, uma notá#el diferença entre a #irtude da humildade e a a!)eção- pois a a!)eção não nada mais que a !ai0e,a, mesquinhe, e fraque,a que temos em n4s mesmos e independentemente de nossas refle0(es- mas a humildade o #erdadeiro conhecimento que temos de nossa a!)eção, o qual nos indu, a reconhec8-la em n4s de !oa #ontade. / perfeição da humildade, por m, consiste não s4 em reconhecermos a nossa a!)eção, mas tam! m em amá-la e compra,er-nos nela, não por uma pouca po!re,a de Qnimo e pusilanimidade, mas em #ista da %l4ria que de#emos dedicar ao nosso pr40imo, preferindo-o a n4s mesmos. ' esta humildade que te recomendo encarecidamente e, para melhor a entenderes na prática, !om que consideres que, entre os males que temos que sofrer, uns são a!)etos e humilhantes e outros honrosos, e que muitas pessoas se dão por satisfeitas com os honrosos, mas poucas se conformam com os que desonram. 3ma%ina um eremita !om e de#oto, mas todo esfarrapado e tremendo de frio- todos re#erenciam seu há!ito e lamentam-lhe os sofrimentos- mas, se um po!re tra!alhador ou oficial ou uma po!re moça aparecem neste estado, despre,am-nos e caçoam deles, considerando a po!re,a em suas pessoas uma coisa despre,7#el. Um reli%ioso rece!e em sil8ncio uma correção áspera de seu superior P ou então uma criança, de seu paichamam a isso mortificação, o!edi8ncia, sa!edoria- mas, se um ca#alheiro ou uma senhora sofresse outro tanto por amor de &eus, )ul%ariam isso falta de no!re,a de caráter e pusilanimidade. Um outro mal ane0o 2 a!)eção o se%uinte; uma pessoa tem um cancro no !aço P e outra, no rosto- aquela tem s4 a doença, mas esta, al m da doença, sofre-lhe o

333 P =. / humildade; /mar a nossa a!)eção

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despre,o e a a!)eção. &i%o, portanto, que cumpre não s4 amar o sofrimento, que o e0erc7cio da paci8ncia, mas que cumpre tam! m amar a a!)eção, que o perfeito e0erc7cio da humildade. /cresce que tanto há #irtudes a!)etas como honrosas. / paci8ncia, a !randura, a simplicidade e a humildade são #irtudes que o mundo encara como #is e a!)etas- ao contrário, muito estimadas são a7 a prud8ncia, a %enerosidade e a li!eralidade. +a prática duma mesma #irtude acham-se aç(es que são em parte despre,7#eis e em parte honrosas. &ar esmolas e perdoar a seus inimi%os são dois atos de caridadenão há nin%u m que não lou#e o primeiro, ao passo que o se%undo muito frequentemente despre,ado. Se um moço ou uma moça da sociedade fu%ir 2 companhia de pessoas apai0onadas pelo )o%o, pelo lu0o dos #estidos, pelas con#ersas más ou desonestas e pela intemperança, e0por-se-á 2 cr7tica, ao despre,o, 2s risadas, e sua mod stia será tida por hipocrisia e mesquinhe, de Qnimo- amar a estas coisas amar a sua a!)eção. 'is aqui mais um e0emplo; #amos #isitar os doentes- se a mim me toca o mais miserá#el, seria isso uma a!)eção para mim, a )ul%ar conforme o esp7rito do mundo- por isso mesmo eu o amarei. Se me ca!e uma pessoa altamente colocada, serme-ia isso uma a!)eção se%undo o esp7rito de &eus, porque a7 não há tanta #irtude nem merecimento- hei de amar tam! m esta a!)eção. "ai-se no meio da rua ou acontece uma coisa semelhante, necessário que amemos todas estas a!)eç(es. Sá mesmo faltas cu)o .nico mal a a!)eção. / humildade não e0i%e que as cometamos de prop4sito, mas que não nos inquietemos depois de cometidas- tais faltas são certas inci#ilidades, inad#ert8ncias e outras semelhantes. "ertamente quer a prud8ncia ou a ci#ilidade que as e#itemos quanto está em nossas forças- mas, quando nos escaparam, quer a humildade que as aceitemos em toda a sua a!)eção. /inda di%o

333 P =. / humildade; /mar a nossa a!)eção

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mais; se me dei0ei le#ar, pela c4lera ou por sensi!ilidade, a proferir pala#ras picantes ou indecentes, imediatamente me hei de repreender e procurar ter delas um #i#o arrependimento e repará-las quanto poss7#el- mas ao mesmo tempo hei de aceitar resi%nadamente a a!)eção que da7 me poderá pro#ir- e, se eu pudesse separar uma coisa da outra, re)eitaria o pecado com indi%nação e conser#aria a a!)eção com humilde paci8ncia no coração. 5as, ainda que amemos a a!)eção que se%ue ao mal, nem por isso se há de dei0ar de remediar o mal que a causou, por todos os meios naturais e le%7timos a nosso alcance, má0ime se o mal ti#er consequ8ncias. Se tenho no rosto al%uma mol stia #er%onhosa e humilhante, hei d8 procurar-lhe a cura, mas sem esquecer a a!)eção que da7 me pro#eio. Se cometi uma falta que não ofende a nin%u m, não me hei de escusar, porque, em!ora se)a um defeito, não tem outras consequ8ncias afora o despre,o, a que deu ense)o- lo%o, se eu me escusasse, seria s4 para afastar de mim a a!)eção, o que a humildade de modo al%um pode permitir. 5as, se por inad#ert8ncia ou mau humor ofendi ou escandali,ei al%u m, reparei a minha falta, escusando-me com toda a sinceridade, porque o mal cometido ainda su!siste e a caridade me o!ri%a a destru7-lo quanto puder. &emais, acontece al%umas #e,es que nossa reputação toca tam! m ao pr40imo- neste caso a caridade e0i%e que nos esforcemos, quanto poss7#el for, por afastar a a!)eção- mas, destruindo-a aos olhos do mundo, de#emos conser#á-la cuidadosamente no coração, para que se edifique nela. Se queres sa!er a%ora, Filot ia, quais são as a!)eç(es melhores, dir-te-ei que as mais salutares 2 alma e a%radá#eis a &eus são as que nos #8m espontaneamente ou pela condição de nossa #ida, porque não são de nossa escolha, mas da de &eus, que sa!e melhor do que n4s o que nos mais necessário. Se hou# ssemos de escolher al%umas, as maiores seriam as melhores- e as maiores são aquelas que mais contrariam a

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nossa inclinação, contanto que se)am conformes 2 nossa #ocação, pois, para di,er uma #e, por todas, a nossa escolha, isto , a pr4pria #ontade, muito altera as nossas #irtudes e lhes diminui a merecimento. /hL 9uem nos dera a %raça de poder e0clamar com o profeta; 2scolhi estar abatido na casa de meu (eus, antes que morar nas tendas dos pecadoresL +in%u m o pode, Filot ia, com e0ceção daquele que, para nos dar a sua %l4ria, se tornou na #ida e na morte o opr4!rio dos homens e a a!)eção dos po#os. 5uitas coisas te disse que, as considerando, hão de te parecer duras- mas cr8-me que, praticando-as, acha-las-ás mais doces que o mel. III – 7! *onservar a re$utação concomitante a 4umildade 1 lou#or, a honra e a %l4ria não são o preço duma #irtude ordinária, mas duma #irtude rara e e0celente. Rou#ando uma pessoa, queremos que outros a estimem, e, honrando-a n4s mesmos, manifestamos a estima que lhe de#otamos- e a %l4ria um certo resplendor da reputação que pro# m dos lou#ores que se lhe dão e das honras que se lhe tri!utam, semelhante ao !rilho e esmalte de di#ersas pedras preciosas que, todas )untas, formam uma .nica coroa. 1ra, a humildade, impedindo-nos todo o amor e estima de nossa pr4pria e0cel8ncia, tam! m não pode consentir que !usquemos lou#ores, honras e %l4rias, que s4 são de#idas ao merecimento da e0cel8ncia e da distinção. 'ntretanto, aconselha o sá!io que cuidemos de nosso !om nome. Porque a reputação não se funda na e0cel8ncia duma #irtude ou perfeição, mas nos !ons costumes e na inte%ridade da #ida- e, como a humildade não pro7!e crer que temos este merecimento comum e ordinário, tam! m não nos pro7!e que amemos e cuidemos da reputação. * #erdade que a humildade despre,aria a fama, se não fosse necessária 2 caridade- mas, sendo a reputação um dos

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principais fundamentos da sociedade humana e sendo n4s sem ela não s4 in.teis, mas at perniciosos ao !em p.!lico, pela ra,ão do escQndalo que damos, a caridade nos o!ri%a a dese)ála e conser#á-la, e a humildade conforma-se com esses dese)os e cuidados. +ão se pode di,er que o !om nome para o homem o que o #erde duma !ela folha%em para uma ár#ore? "om efeito, não são muito apreciadas as folhas duma ár#ore, mas ser#em para em!ele,á-la e conser#ar-lhe os frutos ainda #erdes e no#osassim a reputação não um !em dese)á#el em si, mas ser#e de ornamento 2 nossa #ida e muito nos a)uda a conser#ar as #irtudes, má0ime as que ainda são tenras e frá%eis- pois a o!ri%ação de manter a reputação e ser em #erdade aquilo que nos )ul%am tem %rande influ8ncia e fa, uma sua#e reação numa alma %enerosa. "onser#emos as #irtudes, Filot ia, porque são a%radá#eis a &eus, o %rande e supremo fim de todas as nossas aç(es. 5as, como quem quer %uardar por muito tempo al%uns frutos intactos, não se contenta de os p$r em conser#a, mas os deita em #asos pr4prios para este fim, assim, ainda que o amor de &eus se)a o principal conser#ador de nossas #irtudes, utilmente poderemos empre%ar em conser#á-las o amor 2 nossa reputação. "ontudo, não se há de fa,er isso com um demasiado ardor e e0atidão. 9uem , pois, tão sens7#el e delicado acerca de seu !om nome assemelha-se a certos homens que lo%o tomam rem dio por qualquer inc$modo insi%nificante, estra%ando assim a sande em #e, de conser#á-la. ' mesmo a delicade,a e0a%erada em conser#ar a fama a p(e inteiramente a perder, porque essa sensi!ilidade e0trema nos torna insuportá#eis, a!orrecidos e !i,arros e pro#oca contra n4s as l7n%uas maldi,entes. / dissimulação e o despre,o da detração ou cal.nia de ordinário um rem dio mais salutar que o ressentimento, a

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contenda ou a #in%ança. 1 despre,o dissipa tudo, ao passo que a c4lera dá um ar de #erossimilhança ao que se di,. "onta-se que os crocodilos s4 mordem a quem tem medo deles- assim tam! m, di%o, a detração ou maledic8ncia s4 pre)udica a quem fa, caso dela. Um temor e0cessi#o de perder a fama dá ense)o a outros de pensar que aquela pessoa não se fia muito de seus merecimentos ou da #irtude que lhe ser#e de !ase. +uma cidade que s4 tem pontes de madeira so!re os %randes rios, cr8se que qualquer inundação as deite a!ai0o- mas onde as pontes são de pedra s4 há peri%o de ru7na numa inundação e0traordinária, /s almas #erdadeiramente cristãs despre,am essa torrente de pala#ras de que a detração enche o mundo- os fracos que se inquietam de tudo o que di,em so!re eles. Sem d.#ida, Filot ia, todo aquele que quer #er a sua !oa fama espalhada por toda parte, a perde completamente- e quem quer rece!er honras de homens desonrados pelo #icio !em merece perd8-las totalmente. / reputação não como uma placa que dá a conhecer onde mora a #irtude- a #irtude lhe de#e ser preferida sempre e em toda parte. Portanto, se disserem que s uma hip4crita, porque #i#es cristãmente, ou uma co!arde, porque perdoaste a in).ria que o pr40imo te fe,, despre,a semelhantes )u7,os- pois, al m de #irem de %ente n scia e por muitas ra,(es despre,7#el, seria necessário a!andonar a #irtude para conser#ar a reputação. 1s frutos das ár#ores #alem mais do que as folhas- n4s de#emos preferir os !ens interiores aos !ens e0teriores. Sim, pode-se ser cioso de sua honra, mas nunca id4latra, e como nada se de#e fa,er que ofenda os olhos da %ente de !em, tão pouco se de#e a%radar aos olhos dos maus. 1 salmista di, que a l7n%ua maldi,ente semelhante a uma na#alha afiada e n4s podemos comparar a !oa fama a uma ca!eleira que, sendo cortada ou raspada completamente, cresce ainda mais densa e !ela- mas,

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se os ca!elos forem arrancados at a rai,, )á não crescem quase nunca. /ssim tam! m uma #ida desre%rada e escandalosa nos destr4i a reputação e será dific7limo resta!elec8-la, porque está destru7do o seu fundamento ou a pro!idade dos costumes, que, enquanto e0iste, sempre nos pode restituir a honra que a detração nos ti#er rou!ado. "umpre, portanto, dei0ar uma con#ersa #ã, uma companhia in.til, uma ami,ade fr7#ola, um di#ertimento, um pra,er, se a reputação sofre com isso, posto que #alha muito mais que estas satisfaç(es humanas. 5as, se, por causa de e0erc7cios de piedade, do pro%resso na #ida espiritual, de aplicação para merecer os !ens eternos, o mundo murmurar, rosnar e prorromper em detraç(es e cal.nias, dei0emos, como se di,, os cães latirem contra a lua- a na#alha ser#irá 2 nossa honra, como a faca de podar 2 #inha, que a corta e fa, a!undar em u#as. :enhamos sempre os olhos fi0os em Aesus crucificado; caminhemos por suas sendas com confiança e simplicidade, mas tam! m com prud8ncia e discrição- ele será o protetor de nossa reputação- e, se ele permitir que se manche ou perca inteiramente, será para nos enaltecer mesmo aos olhos dos homens ou para nos fa,er pro%redir na humildade, da qual te di%o, em lin%ua%em familiar, que uma onçaUaV Nde humildadeO #ale mais que mil li!ras de fama. Se nos repreendem in)ustamente, oponhamos a #erdade 2 cal.nia, com muita pa, e sosse%o- e, se a cal.nia continua, permaneçamos n4s em nossa humildade, depositando nossa honra e nossa alma nas mãos de &eus, com o que a conser#aremos com muito maior se%urança. 3mitemos o di#ino 5estre na !oa e má fama, como di,ia São Paulo, para que possamos di,er como &a#i;
UaV 1 sistema a#oirdupois um sistema de medidas que define termos tais como a li+ra e a onça. * o sistema de uso diário nos 'stados Unidos da /m rica. * usado ainda e0tensamente por muitas pessoas no Ceino Unido apesar de adotarem oficialmente o Sistema 5 trico 3nternacional. Fi+ra ` 6 onças

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Por tua causa, meu (eus, tenho so#rido a#ronta, #oi coberto de con#us$o o meu rosto &uas e0ceç(es, no entanto, necessário fa,er; a primeira concerne a certos crimes tão %ra#es e infames de que nin%u m de#e sofrer a censura, se se pode )ustificar- a se%unda referente a certas pessoas, cu)a reputação necessária ao !em p.!lico. +estes dois casos, se%undo a sentença dos te4lo%os, necessário defender-se tranquilamente a reputação dos a%ra#os rece!idos. III – 8! " mansidão e os remédios contra a ira 1 santo crisma, que a 3%re)a, se%uindo a tradição dos ap4stolos, usa no sacramento da confirmação e em di#ersas outras !8nçãos, comp(e-se de 4leo de oli#eira e de !álsamo, que nos representam, entre outras coisas, a mansidão e a humildade, duas #irtudes tão caras ao di#ino "oração de Aesus e que ele nos recomendou e0pressamente, di,endo-nos; Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coraç$o - como se unicamente por amor destas duas #irtudes quisesse consa%rar o nosso coração ao seu ser#iço e aplicá-lo 2 imitação de sua #ida. / humildade aperfeiçoa o homem em seus de#eres para com &eus- e a mansidão, em seus de#eres para com a sociedade humana. 1 !álsamo, que, misturado com outro l7quido, se afunda, nos representa a humildade- e o 4leo de oli#eira- que fica nadando em cima, nos fa, lem!rar a mansidão, que fa, o homem passar por cima de todo o sofrimento e que e0cede a todas as #irtudes, porque a flor da caridade, que como di, São @ernardo, s4 possui o au%e da sua perfeição quando a)unta a #irtude 2 paci8ncia. 5as hás de compreender !em, Filot ia, o qu8 di, Aesus "risto; que de#emos aprender dele a ser mansos e humildes de coração e que este crisma m7stico de#e estar em nosso coração, pois, um peri%oso ardil do inimi%o deter as almas no e0terior destas duas #irtudes.

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"om efeito, muitos s4 possuem sua lin%ua%em, seu ar e suas maneiras e0teriores e, não e0aminando !em as suas aç(es interiores, pensam ser mansos e humildes e não o são de modo al%um- o que lo%o se #8 quando, apesar desta humildade e0terior e mansidão cerimoniosa, se e0asperam com um ardor e or%ulho incr7#eis a mais le#e in).ria que lhes façam e 2 menor pala#ra com que os ma%oem de passa%em. / humildade #erdadeira e a mansidão sincera são espl8ndidos preser#ati#os contra o or%ulho e a ira que as in).rias costumam e0citar em n4s, como esse preser#ati#o que o po#o denomina H%raça de São PauloM, que fa, quem o tomou nada sofra, se for mordido ou picado por uma #7!ora. 5as, se formos picados pela l7n%ua de serpente que tem a detração, se o nosso esp7rito se impre%nar então de or%ulho e o nosso coração se inflamar, não du#idemos que isto se)a um ind7cio e#idente que a nossa humildade e mansidão não são #erdadeiras nem sinceras, mas artificiosas e aparentes. 1 santo e ilustre patriarca Aos , mandando os seus irmãos de #olta do '%ito para a casa de seu pai, ad#ertiu-os assim; n$o bri!ueis no caminho. &i%o-te tam! m, Filot ia, que esta #ida uma #ia%em que temos que fa,er para atin%ir o c u- não nos ,an%uemos no caminho uns contra os outros- andemos em companhia com os nossos irmãos, em esp7rito de pa, e ami,ade. Generali,ando, aconselho-te; nunca por nada te e0altes, se for poss7#el, e nunca, por prete0to al%um, a!ras teu coração 2 ira- pois São :ia%o di, e0pressamente; cf. :% E, 2F T a ira do homem n$o opera a justiça de (eus. &e#e-se resistir ao mal e corri%ir os maus costumes dos seus su!alternos com santo Qnimo e muita firme,a, mas sempre com uma inalterá#el mansidão e tranquilidade- nada pode aplacar tão facilmente um elefante irritado como a #ista dum cordeirinho, e o que mais diminui o 7mpeto duma !ala de canhão a lã. / correção feita s4 com a ra,ão rece!e-se sempre melhor do

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que aquela que encerra tam! m a pai0ão, porque o homem se dei0a le#ar com facilidade pela ra,ão, a que naturalmente su)eito, ao passo que não pode suportar que o dominem pela pai0ão. Por isso, quando a ra,ão quer se fortificar pela pai0ão, fa,-se odiosa e perde ou ao menos atenua a sua autoridade, por chamar em seu apoio a tirania e a pai0ão. 9uando os pr7ncipes #isitam com suas fam7lias os seus 'stados em tempo de pa,, os po#os )ul%am-se muito honrados com a sua presença e dão lar%as 2 sua ale%ria- mas, quando passam 2 frente de seus e0 rcitos, esta marcha muito lhes desa%rada, porque, em!ora lhes se)a de interesse, sempre acontece, por mais disciplina que reine, que um ou outro soldado mais licencioso cause danos a muitos particulares. &o mesmo modo, se a ra,ão procura com mansidão seus direitos de autoridade por meio de al%umas correç(es e casti%os, todos apro#arão e a estimarão, ainda que se)a com e0atidão e ri%or- mas, se a ra,ão mostra indi%nação, despeito e c4lera, que Santo /%ostinho chama os seus soldados, ela mais se fa, temer que amar e pertur!a e oprime a si mesma. * melhor, di, Santo /%ostinho, escre#endo a Profuturo, fechar inteiramente a entrada do coração 2 ira, por mais )usta que se)a, porque ela lança ra7,es tão profundas que muito dif7cil arrancá-las- assemelha-se a uma plantinha que se transforma em uma ár#ore enorme. +ão sem ra,ão que o ap4stolo pro7!e N"f. 'f 6,2= que deixemos se p=r o sol sobre a nossa ira , porque durante a noite ela se con#erterá em 4dio, torna-se quase implacá#el e se nutre, no coração, de mil ale%aç(es falsas- pois nin%u m te#e )amais a sua ira por in)usta. / ci8ncia de #i#er sem c4lera muito melhor do que a de se ser#ir dela com sa!edoria e moderação- e, se, por qualquer imperfeição ou fraque,a, esta pai0ão surpreender o nosso coração, melhor reprimi-la imediatamente que procurar re%rála, torna-se senhora da %raça e fa, como a serpente que, por qualquer !uraco por onde mete a ca!eça, passa facilmente com

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todo o corpo. 5as como P hás de per%untar, de certo P qual o melhor meio de reprimi-la? * preciso, Filot ia, que, lo%o ao sentires o seu primeiro ataque, concentres todas as forças de tua alma contra ela, não dum modo !rusco e impetuoso, mas doce e efica,menteporque, como se #8, muitas #e,es nas audi8ncias dos escritores, etc., que os empre%ados fa,em mais !arulho que aqueles a quem pedem sil8ncio, acontece tam! m frequentemente que, querendo reprimir a ira corri impetuosidade, ainda nos pertur!amos mais, e o coração, estando assim pertur!ado, não pode ser senhor de si mesmo. &epois deste sua#e esforço, se%ue o conselho que Santo /%ostinho da#a em sua #elhice ao )o#em !ispo /u0ilio; 3aze, costuma#a di,er-lhe, o que um homem deve #azer- e, se em al%uma circunstQncia da #ida ti#eres ra,ão de e0clamar com &a#i; Conturbado com !rande pesar está meu olho, recorre imediatamente a &eus, di,endo com o mesmo profeta; 7ende miseric6rdia de mim, 'enhor, para que ele, estendendo a sua mão direita so!re o teu coração, lhe reprima a c4lera. Si%nifica que de#emos in#ocar o au0ilio de &eus lo%o que nos sentimos e0citados, imitando os ap4stolos no meio da tempestade- e ele mandará de certo 2s nossas pai0(es que se acalmem e a tranquilidade #oltará 2 nossa alma. /d#irto-te ainda que faças esta oração com uma sua#e atenção e não com um esforço #iolento do esp7rito- esta a re%ra que se de#e o!ser#ar em todos os rem dios contra a ira. Ro%o que mostrares que, le#ada pela ira, cometeste al%uma falta, repara-a sem delon%as, por um ato de mansidão e !randura para com aquela pessoa contra quem te irritaste- pois, se uma precaução salutar contra a mentira retratá-la mal a hou#ermos pronunciado, tam! m, contra a ira, um rem dio eficac7ssimo repará-la imediatamente por um ato de !randura; as feridas recentes são, como se afirma sempre, mais fáceis de curar do que as anti%as.

333 P K. / mansidão e os rem dios contra a ira

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&emais, quando estás com o Qnimo calmo e sem moti#o al%um de te irritar, fa,e um %rande pro#imento de !randura e !eni%nidade, acostumando-te a falar e a a%ir sempre com este esp7rito, tanto em coisas %randes como pequenas- lem!ra-te que a 'sposa dos "antares não s4 tem o mel nos lá!ios e na l7n%ua, mas o tem tam! m de!ai0o da l7n%ua, isto , no peito, onde com o mel possui tam! m o leite. 3sto nos mostra que a !randura com o pr40imo de#e residir no coração e não s4 nos lá!ios, e que não !astante ter a doçura do mel, que e0ala um cheiro a%radá#el, isto , a sua#idade duma con#ersa honesta com pessoas estranhas, mas de#emos ter tam! m a doçura do leite no lar dom stico, para com os parentes e #i,inhos. * o que falta a muitas pessoas, que fora de casa parecem an)os e em casa #i#em como #erdadeiros dem$nios. III – 9! " mansidão $ara conosco Um modo de fa,er um !om uso desta #irtude aplicá-la a n4s mesmos, não nos irritando contra n4s e nossas imperfeiç(es- o moti#o, pois, que nos le#a a sentir um #erdadeiro arrependimento de nossas faltas não e0i%e que tenhamos uma dor repassada de a!orrecimento e indi%nação. * quanto a esse ponto que erram muitos continuamente, a%astando-se por estarem a%astados e amofinando-se por estarem amofinados, porque assim conser#am aceso no coração o fo%o da c4lera e, !em lon%e de a!randar deste modo a pai0ão, estão sempre prestes a se e0asperar 2 primeira ocasião. /l m de que esta ira, pesar e a!orrecimento contra si mesmo encaminham ao or%ulho, procedem do amor-pr4prio que se pertur!a e inquieta por nos #er tão imperfeitos. 1 arrependimento de nossas faltas de#e ter duas qualidades; a tranquilidade e a firme,a. +ão #erdade que a sentença que um )ui, pronuncia contra um criminoso, com calma, mais conforme a )ustiça do que aquelas que são influ7das pela pai0ão

333 P G. / mansidão para conosco

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e por um esp7rito irrequieto, determinando o casti%o não tanto pela qualidade do crime como por sua disposição? &i%o tam! m que mais efica,mente nos punimos de nossas faltas por uma dor calma e constante do que por um arrependimento passa%eiro e cheio de amofinaç(es Ndes%ostosO e indi%nação, porque nesta e0citação nos )ul%amos se%undo a nossa inclinação e não conforme a nature,a do erro cometido. Por e0emplo; quem tem %rande afeto 2 castidade sentirá amar%amente qualquer %olpe desferido contra esta #irtude, rindo-se tal#e, duma %ra#e detração em que ti#er incorrido- ao contrário, quem odeia a detração há de se afli%ir e0cessi#amente duma le#e pala#ra contra a caridade, fa,endo tal#e, pouco caso duma falta considerá#el contra a castidade. &onde #em isso senão de que se )ul%a a consci8ncia não se%undo a ra,ão, mas se%undo a pai0ão? "r8-me, Filot ia, uma admoestação dum pai a seu filho, feita com uma doçura toda paternal, há de corri%i-lo mais facilmente que um casti%o se#ero infli%ido num estado de irritação. &e modo semelhante, se nosso coração cometer uma falta e n4s o chamamos 2 ordem, !randa e tranquilamente, com mais compai0ão de sua fraque,a do que ira contra sua falta, e0ortando-o com sua#idade a proceder melhor, este modo de a%ir o tocará e encherá mais de dor do que as repreens(es ásperas que a indi%nação apai0onada lhe poderia fa,er. 9uanto a mim, se me propusesse e#itar todo pecado de #aidade e ca7sse num, !em considerá#el, não ha#ia de repreender o meu coração desse modo; :u s #erdadeiramente miserá#el e a!ominá#el, porque te dei0aste sedu,ir pela #aidade depois de tantas resoluç(esL 9ue #er%onhaL +ão le#antes mais os olhos ao c u, ce%o, imprudente e infiel a &eusL P quisera corri%i-lo com modos compassi#os; Pois !em, meu po!re coração, eis-nos de no#o ca7dos na cilada que t7nhamos resol#ido e#itarL /hL le#antemo-nos de no#o e li#remo-nos dela para sempreimploremos a miseric4rdia de &eus- esperemos que ele nos

333 P G. / mansidão para conosco

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sustenha para o futuro e reentremos nos caminhos da humildadeL "ora%emL &eus nos há de a)udar e ainda faremos al%uma coisa de !em. So!re a sua#idade desta !randa correção queria eu fundar solidamente a resolução de não mais reincidir no mesmo pecado, procurando os meios conducentes a esse fim e principalmente o conselho do meu diretor. Se, entretanto, o coração não for !astante sens7#el a estas doces repreens(es, con# m empre%ar meios mais en r%icos, uma repreensão mais forte e áspera para ench8-lo duma profunda confusão de si mesmo, contanto que, depois de tratálo com esta se#eridade, se procure consolá-lo com uma santa e sua#e confiança em &eus, 2 imitação d8-se %rande penitente que, sentindo sua alma aflita, a consola#a, di,endo; Por que estás tu triste, minha alma< 2 por que me perturbas< 2spera em (eus, porque ainda hei de louvá-lo4 salvaç$o de meu rosto e (eus meu9 Re#anta-te de tuas faltas com uma %rande placide, de coração, humilhando-te profundamente diante de &eus e confessando-lhe a tua 5is ria, mas sem te admirares disso. 9ue há, pois, de. e0traordinário que a enfermidade se)a enfermo, a fraque,a, fraca, e a mis ria, miserá#el? &etesta, contudo, com todas as forças, a afronta feita 2 di#ina 5a)estade, e depois, com uma confiança inteira e animosa em sua miseric4rdia, #olta ao caminho da #irtude, que tinhas a!andonado. III – <! *uidado dos ne%ócios sem inquietação Grande diferença há entre os cuidados dos ne%4cios e a inquietação, entre a dili%8ncia e a ansiedade. 1s an)os procuram a nossa sal#ação com o maior cuidado que podem, porque isto se%undo a sua caridade e não incompat7#el com a sua tranquilidade e pa, celestial- mas, como a ansiedade e a inquietação são inteiramente contrárias 2 sua !em-a#enturança, nunca as t8m por nossa sal#ação, por maior que se)a o seu ,elo.

333 P EF. "uidado dos ne%4cios sem inquietação

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&edica-te, Filot ia, aos ne%4cios que estão ao teu encar%o, pois &eus, que os confiou a ti, quer que cuides neles com a dili%8ncia necessária- mas, se poss7#el, nunca te entre%ues ao ardor e0cessi#o e ansiedade- toda inquietação pertur!a a ra,ão e nos impede de fa,er !em aquilo mesmo por que nos inquietamos. Cepreendendo +osso Senhor a Santa 5arta, lhe disse; /arta, /arta, tu andas muito inquieta e te embaraças com o cuidar em muitas coisas. :oma sentido nestas pala#ras, Filot ia. Se ela ti#esse tido um cuidado ra,oá#el, não se teria pertur!ado- mas ela muito se inquieta#a e pertur!a#a e foi esta a ra,ão por que +osso Senhor a repreendeu. 1s rios que coleiam sua#e e tranquilamente atra# s dos campos le#am %randes !otes com ricas mercadorias, e as chu#as !randas e moderadas dão fecundidade 2 terra- ao passo que os rios e torrentes, que se precipitam em !or!ulh(es, arru7nam e desolam tudo, sendo in.teis ao com rcio, e as chu#as tempestuosas assolam os campos e os prados. +a #erdade, o!ra al%uma feita com precipitação saiu )amais !em feita. "umpre apressar-se de #a%ar, conforme di, o anti%o pro# r!io. ' Salomão escre#eu; 9uem corre depressa se arrisca a cair a cada passo- e sempre fa,emos a tempo o que t7nhamos que fa,er, se o fi,ermos !em. 1s ,an%(es fa,em muito !arulho e são mais apressados que as a!elhas, mas s4 fa!ricam a cera e não o mel- assim, quem em seus tra!alhos fa, muito ru7do e se inquieta demasiado pouco conse%ue e isso mesmo mal feito. /s moscas nos importunam por sua multidão e não por sua força- e os %randes tra!alhos não nos pertur!am tanto como os pequenos em %rande n.mero. 'nceta, pois, os tra!alhos com o esp7rito tranquilo, como #ão #indo, e despacha-os se%undo a ordem em que se apresentam- se quiseres fa,er, pois, tudo ao mesmo tempo e em confusão, farás demasiados esforços, que te consumirão, e de ordinário nenhum outro efeito o!terás que um a!atimento completo, em que sucum!irás.

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'm todos os teus ne%4cios, confia unicamente na Pro#id8ncia di#ina, que s4 lhes pode dar um !om 80ito- a%e, no entanto, de teu lado, com uma aplicação ra,oá#el e prud8ncia, para tra!alhares so! a sua direção. &epois disso, cr8-me que, se confias em &eus, o resultado será sempre fa#orá#el a ti, se)a que o pareça ou não ao )u7,o de tua prud8ncia. +a conser#ação e aquisição dos !ens terrestres, imita as crianças que, se%urando-se com uma mão na mão de seu pai, com a outra se di#ertem em colher frutos e flores- quero di,er que te de#es conser#ar continuamente de!ai0o da depend8ncia e proteção de teu Pai celeste, considerando que ele te se%ura pela mão, como di, a Sa%rada 'scritura, para te condu,ir feli,mente ao termo de tua #ida e #ol#endo de tempos em tempos os olhos para ele, a #er se tuas ocupaç(es lhe são a%radá#eis- toma principalmente cuidado que a co!iça de a)untar maiores !ens não te faça lar%ar a sua mão e ne%li%enciar a sua proteção, porque, se ele te a!andonar, não poderás mais dar um passo sequer que não caias com o nari, no chão. /ssim, Filot ia, nas ocupaç(es ordinárias que e0i%em muita atenção, pensa mais em &eus que em teus ne%4cios e, se forem de tal importQncia que ocupem toda a tua atenção, nunca dei0es de le#antar de #e, em quando os olhos para &eus, como os na#e%antes que, para diri%irem o na#io, mais olham para o c u que para o mar. Fa,endo assim, &eus tra!alhará conti%o, em ti e por ti e teu tra!alho te trará toda a consolação que dele esperas. III – ! " o+edi(ncia

/ caridade so,inha nos fa, realmente perfeitos, mas a o!edi8ncia, a castidade e a po!re,a são as principais #irtudes que nos a)udam a adquirir a perfeição. / o!edi8ncia, pois, dedica o nosso esp7rito 2 castidade, o nosso corpo 2 po!re,a os nossos !ens ao amor e ser#iço de &eus. São como que tr8s !raços da cru, espiritual, em que estamos crucificados com

333 P EE. / o!edi8ncia

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Aesus "risto e fundam-se ao mesmo tempo numa quarta #irtude, que a santa humildade. +ão pretendo te falar destas tr8s #irtudes com respeito aos #otos solenes da reli%ião ou aos #otos simples que mesmo no mundo se emitem por %ra#es ra,(es, porque, em!ora os #otos tra%am consi%o muitas %raças e merecimentos, a simples prática destas #irtudes a!solutamente !astante para condu,ir 2 perfeição. * #erdade que esses #otos, principalmente os solenes- ele#am uma pessoa ao estado da perfeição, mas há uma %rande diferença entre o estado da perfeição e a perfeição mesma, pois que todos os reli%iosos e !ispos estão no estado da perfeição- mas nem todos são perfeitos, como e#idente. 'sforcemo-nos, Filot ia, por praticar essas #irtudes, cada um se%undo a sua #ocação, porque, ainda que não nos ponham no estado da perfeição, elas nos darão toda#ia a perfeiçãodemais, somos todos o!ri%ados 2 prática destas #irtudes, conquanto não o se)amos todos do mesmo modo. &uas esp cies há de o!edi8ncia, uma necessária e outra #oluntária. Se%undo as leis da o!edi8ncia necessária, de#es o!edecer a teus superiores eclesiásticos, ao Papa, ao !ispo, ao #i%ário e aos seus representantes- al m disso, de#es o!edecer 2s autoridades ci#is, isto , ao pr7ncipe e aos ma%istrados que esta!eleceu no seu 'stado- por fim, de#es o!edecer aos superiores dom sticos; ao pai, 2 mãe, ao dono e 2 dona da casa. "hama-se necessária esta o!edi8ncia porque nin%u m se pode e0imir da o!ri%ação de o!edecer a estes superiores, tendo-lhes &eus dado a autoridade para %o#ernar com preceitos e ordens os que estão confiados 2 sua direção. 1!edece, pois, 2s suas ordens- nisto consiste a o!edi8ncia a que estás o!ri%ada incondicionalmente- mas, para torná-la mais perfeita, se%ue tam! m os seus conselhos e at os seus dese)os e inclinaç(es, tanto quanto a caridade e a prud8ncia o permitirem. 1!edece-lhes nas coisas a%radá#eis, como comer, di#ertirse- pois, conquanto não pareça ser %rande #irtude o!edecer em

333 P EE. / o!edi8ncia

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semelhantes coisas, contudo %rande falta seria faltar aqui com a de#ida su!missão. 1!edece-lhes nas coisas indiferentes, como #estir uma ou outra roupa, passar por um caminho ou por outro, falar ou se calar, e )á a o!edi8ncia terá um merecimento muito %rande. 1!edece-lhes em coisas dificultosas, ásperas e desa%radá#eis, e a o!edi8ncia será perfeita. 1!edece sem r plica, mas com mansidão- sem demora, mas com fer#or- sem constran%imento, mas com ale%ria. So!retudo o!edece com amor e por amor daquele que por nosso amor se tornou o!ediente at a morte da cru, e preferiu, como di, São @ernardo, perder a #ida a deso!edecer. Para aprender a o!edecer com facilidade aos superiores, acostuma a te acomodares de !om %rado com a #ontade dos teus i%uais, conformando-te aos seus sentimentos sem esp7rito de contestação, se não hou#er a7 al%uma coisa de mal- e mesmo 2s inclinaç(es ra,oá#eis dos teus inferiores te de#es acomodar de !oa #ontade e não e0erças a tua autoridade dum modo imperioso, enquanto se mant8m em ordem. * um en%ano di,er que se esti#esse na reli%ião, o!edecer-se-ia facilmente, quando se sente dificuldade e repu%nQncia em o!edecer 2s pessoas que &eus constituiu acima de n4s. Por o!edi8ncia #oluntária entendemos aquela que não nos foi imposta por um preceito, mas a que nos o!ri%amos por li#re escolha. +in%u m pode escolher para si o pai e a mãe- de ordinário, não se escolhe o seu pr7ncipe, o seu !ispo e at muitas #e,es nem o seu consorte- mas escolhe-se li#remente o seu confessor e diretor espiritual. Se)a que nesta escolha se faça um #oto de o!edecer-lhe P como Santa :eresa, que, al m do #oto solene da 1rdem, de o!edecer aos superiores, se li%ou por um #oto especial e simples de o!edecer ao padre Graciano P ou se)a, que sem #oto al%um se proponha humildemente o!edecer ao confessor, e esta o!edi8ncia se chama #oluntária, porque em seu princ7pio depende de nossa #ontade e eleição. &e#emos o!edecer a todos os superiores, mas a cada um nas

333 P EE. / o!edi8ncia

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coisas de sua compet8ncia- aos pr7ncipes, em tudo que di, respeito 2 pol7cia e 2 ordem p.!lica- aos prelados, em tudo que concerne 2 disciplina eclesiástica- a um pai, a um senhor, a um marido nas coisas dom sticas- ao confessor e ao diretor, em tudo o que tem relação com a direção particular da alma. 1ede ao teu diretor espiritual que te desi%ne as aç(es de piedade que de#es praticar- deste modo se tornarão melhores, porque, al m da sua pr4pria !ondade e merecimento, terão ainda o m rito da o!edi8ncia que as preceitou e animou de seu esp7rito. @em-a#enturado são os o!edientes, porque &eus nunca permitirá que se percam. III – '! 2ecessidade da castidade / castidade o l7rio entre as #irtudes e )á nesta #ida nos torna semelhantes aos an)os. +ada há de mais !elo que a pure,a e a pure,a dos homens a castidade. "hama-se a esta #irtude honestidade- e 2 sua prática honra. &enomina-se tam! m inte%ridade- e o #7cio contrário, corrupção. +uma pala#ra, entre as #irtudes t8m esta a %l4ria de ser o ornamento da alma e do corpo ao mesmo tempo. +unca l7cito usar dos sentidos para um pra,er impuro, de qualquer maneira que se)a, a não ser num le%7timo matrim$nio, cu)a santidade possa por uma )usta compensação reparar o desaire que a deleitação importa. ' no pr4prio casamento ainda se há de %uardar a honestidade da intenção, para que, se hou#er al%uma imperfeição no pra,er, não ha)a senão honestidade na #ontade que o reali,a. 1 coração puro como a madrep rola, que não rece!e uma %ota de á%ua que não #enha do c u, pois ele não consente em nenhum pra,er afora o do matrim$nio que ordenado pelo " u. Sal#o isso, nem sequer nele pensa #oluptuosa, #oluntária e demoradamente. 9uanto ao primeiro %rau desta #irtude, Filot ia, não admitas a menor coisa de tudo aquilo que proi!ido como desonesto,

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isto , %eralmente falando, todas as coisas semelhantes que se fa,em fora do estado matrimonial ou no matrim$nio contra as re%ras deste estado. 9uanto ao se%undo %rau, restrin%e, quanto poss7#el for, as deleitaç(es sup rfluas e in.teis, posto que honestas e permitidas. 9uanto ao terceiro %rau, não te afeiç(es aos deleites necessários e de preceito- pois, em!ora se)a necessário conformar-se aos que o são se%undo a instituição e fim do matrim$nio, não se de#e ape%ar a eles o esp7rito e o coração. &emais, esta #irtude, sumamente necessária a todos os estados. +o da #iu#e, a castidade de#e ser de uma %enerosidade e0trema, para preca#er-se dos pra,eres sensuais, não s4 quanto ao presente e ao futuro, mas tam! m quanto ao passado- lem!rando pra,eres )á ha#idos, a ima%inação e0cita más impress(es. * por isso que Santo /%ostinho tanto se admira#a da pure,a de seu amado /l7pio, que )á não conser#a#a nem o sentimento nem a lem!rança de sua #ida desre%rada anterior. ', com efeito, sa!ido que os frutos ainda inteiros se conser#am facilmente por muito tempo- mas, se foram cortados ou machucados, o .nico meio de conser#á-los p$-los em conser#a com aç.car ou mel. &o mesmo modo eu di%o que, enquanto a castidade esti#er intacta, se t8m muitos meios de conser#á-la- mas, uma #e, perdida, s4 pode ser conser#ada pela de#oção que, pelas suas doçuras, muitas #e,es tenho comparado ao mel. +o estado #ir%inal a castidade e0i%em uma muito %rande simplicidade de alma e uma consci8ncia muito delicada, para afastar toda sorte de pensamentos curiosos e ele#ar-se acima de todos os pra,eres sensuais, por um despre,o a!soluto e completo de tudo o que o homem tem de comum com os animais o que mais con# m aos !rutos que a eles. +em por pensamento du#idem essas almas que a castidade muito

333 P E2. +ecessidade da castidade

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superior a tudo o que incompat7#el com a sua perfeição- pois o dem$nio como di, São Aer$nimo, não podendo suportar esta salutar i%norQncia do pra,er sensual, procura e0citar nestas almas ao menos o dese)o de conhec8-los e su%ere-lhes ideias tão atraentes, em!ora inteiramente falsas, que muito as pertur!am, le#ando-as, como acrescenta este santo padre, a dar imprudentemente %rande estima ao que não conhecem. * assim que muitos )o#ens, sedu,idos pela ilus4ria e tola estima dos pra,eres #oluptuosos e por uma curiosidade sensual e inquieta, se entre%am a uma #ida desre%rada, com perda completa dos seus interesses temporais e eternos- assemelham-se a !or!oletas que, pensando que o fo%o tão doce quão !elo, se atiram a ele e se queimam nas chamas. H9uanto aos casados, certo que a castidade lhes necessária, muito mais do que se pensa, pois a castidade deles não uma a!stenção a!soluta dos pra,eres carnais, mas refrear-se neles. 1ra, como aquele preceito P c3rai-#os e não pequeisd P no meu entender mais dif7cil que o outro P cnão #os ireis nuncad P por ser !em mais fácil e#itar a rai#a do que re%rá-la, assim tam! m mais fácil a a!stenção total dos pra,eres carnais do que a moderação neles. * certo que a santa licença que o matrim$nio confere tem uma força e #irtude particular para apa%ar a concupisc8ncia, mas a fraque,a dos que usam dela passa facilmente da permissão 2 dissolução, do uso ao a!uso. ' como #emos muitos ricos rou!arem, não por indi%8ncia, mas por a#are,a, tam! m se #eem muitos casados se e0cederem por intemperança e lu0.ria- porque a sua concupisc8ncia como um fo%o cheio de #eleidades, ardendo aqui e ali, sem se fi0ar em parte al%uma. * sempre peri%oso tomar rem dios #iolentos. :omando-se demais, ou se não forem !em dosados, pre)udicam imensamente. 1 matrim$nio, entre outros fins, e0iste para rem dio da concupisc8ncia e sem d.#ida 4timo rem dio, mas #iolento e por isso peri%oso, se não for usado com discrição.

333 P E2. +ecessidade da castidade

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+oto ainda que, al m das lon%as doenças, os #ários ne%4cios separam muita #e, os maridos de suas mulheres. ' por isso que os casados precisam de duas esp cies de castidade; uma para a contin8ncia a!soluta, naqueles casos de separação forçada, a outra, para a moderação quando estão )untos, na #ida normal. Jiu Santa "atarina de Sena muito condenados no inferno sofrendo atro,mente pelas faltas contra a santidade matrimonial. ' isso, di,ia ela, não tanto pela enormidade do pecado, porque assass7nios e !lasf8mias são pecados muito maiores, mas porque os que caem naqueles não t8m escr.pulos e continuam assim a comet8-los por muito tempo. Aá #8s pois queTM / castidade necessária para todos os estados. 'e!ui a paz com todos P di, o /p4stolo P e a santidade sem a qual nin!uém verá a (eus. 1ra, de notar que por santidade ele entende aqui a castidade, como o!ser#am São Aer$nimo e São "ris4stomo. +ão, Filot ia, nin%u m #erá a &eus sem a castidade- em seus santos ta!ernáculos não ha!itará nin%u m que não tenha o coração puro e, como di, +osso Senhor mesmo, os cães e os desonestos serão desterrados da7- e; H Demaventurados os limpos de coraç$o, por que eles ver$o a (eusM. III – ,! *omo conservar a castidade 'ste)as sempre de so!rea#iso para afastar lo%o de ti tudo o que te possa inclinar 2 sensualidade- pois este mal se #ai alastrando insensi#elmente e de pequenos princ7pios fa, rápidos pro%ressos. +uma pala#ra, mais fácil lhe fu%ir que curá-lo. Parecem-se os corpos humanos com os #idros, que não se pode le#ar )untos, tocando-se, sem correr peri%o de se que!rarem, e com as frutas, que, em!ora inteiras e !em maduras, rece!em manchas, chocando umas com as outras. / á%ua mais fresca que se quer conser#ar num #aso perde lo%o a sua frescura mal um animal a toca.

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+unca permitas, Filot ia, nem a outros nem a ti mesma, todos esse tocar e0terior das mãos i%ualmente contra a mod stia cristã e contra o respeito que se de#e 2 qualidade e 2 #irtude duma pessoa- pois, ainda que não se)a de todo imposs7#el conser#ar o coração puro entre essas aç(es mais le#ianas que maliciosas, toda#ia sempre se rece!e da7 al%um dano- nem falo aqui desses tactos desonestos que arru7nam por completo a castidade. / castidade depende do coração, quanto 2 sua ori%em, mas sua prática e0terior consiste em moderar e purificar os sentidos- por isso podemos perd8-la tanto pelos sentidos e0teriores como por pensamentos e dese)os do coração. * impudic7cia olhar, ou#ir, falar, cheirar, palpar coisas desonestas, quando nisso o coração se demora e toma %osto. São Paulo che%a a di,er; /eus irm$os, a #ornicaç$o nem se nomeie entre v6s. /s a!elhas não s4 não pousam num cadá#er corrompido, mas at fo%em do mau cheiro que e0ala. 1!ser#e o que a Sa%rada 'scritura nos di, da 'sposa dos "antares; tudo a7 m7stico; suas m$os destilam mirra e este l7quido, como sa!es, preser#a da corrupção- seus lábios s$o #itas de rubim vermelho, o que nos indica o seu pudor at a pala#ra menos desonestas- seus olhos são comparados aos olhos da pomba, por causa da sua inoc8ncia- suas orelhas t)m brincos de ouro, desse metal precioso que si%nifica a pure,aseu nariz comparado ao cedro do Eíbano, cu)o odor sua#7ssimo e que tem uma madeira incorrupt7#el. 9ue quer di,er tudo isso? / alma de#ota de#e ser casta, inocente, pura e honesta em todos os sentidos e0teriores. +unca trates com pessoa de indu!itá#eis costumes corrompidos, so!retudo se forem tam! m imprudentes, como quase sempre o são. &i,-se que os ca!ritos, tocando com a l7n%ua nas amendoeiras doces, tornam os seus frutos amar%os- e essas

333 P E3. "omo conser#ar a castidade

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almas !rutais e infectas, falando a pessoas do mesmo se0o ou de se0o diferente, causam %rande dano ao pudor, assemelhando-se tam! m aos !asiliscos, que t8m o #eneno nos lá!ios e no hálito. /o contrário, procura a companhia de pessoas castas e #irtuosas- ocupa-te muitas #e,es com a leitura da Sa%rada 'scritura- porque a pala#ra de &eus casta e torna castos os que a amam. &a7 #em que &a#i a compara a esta pedra preciosa que se chama topá,io e que tem a propriedade especial de miti%ar o ardor da concupisc8ncia. "onser#a-te ao lado de Aesus "risto crucificado, quer espiritualmente P pela meditação, quer real e corporalmente P na santa comunhão. Sa!es de certo que os que se deitam so!re aquela er#a a!nus castus #ão tomando insensi#elmente disposiç(es fa#orá#eis 2 castidade- este)as certa que, se teu coração descansar em +osso Senhor, que realmente o "ordeiro 3maculado, !em depressa purificarás tua alma, teu coração e teus sentidos, inteiramente, de todos os pra,eres sensuais. III – 1! " $o+re#a unida à $osse de rique#as Dem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus. 5alditos, pois, são os ricos em esp7rito, porque deles a mis ria do inferno. Cico em esp7rito todo aquele que tem o esp7rito em suas rique,as ou a ideia das rique,as em seu esp7rito- po!re de esp7rito todo aquele que nenhuma rique,a tem em seu esp7rito nem tem o seu esp7rito nas rique,as. 1s alci(es fa!ricam seus ninhos dum modo admirá#el- a sua forma semelhante a uma maçã, apenas com uma pequena a!ertura em cima- colocam-nos 2 !eira do mar e tão firmes e impenetrá#eis são que, su!indo as #a%as 2 praia, nenhuma %ota de á%ua pode entrar, porque se conser#am !oiando e flutuando com as ondas- permanecem no meio do mar, so!re o mar e senhores do mar. 'is ai a ima%em do teu coração, Filot ia, que

333 P E6. / po!re,a unida 2 posse de rique,as

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de#e estar sempre a!erto para o c u e ser impenetrá#el ao amor dos !ens deste mundo. Se s rica, conser#a teu coração desape%ado de tuas rique,as, ele#ando-te sempre acima delas, de sorte que, no meio das rique,as, este)as nas rique,as e se)as senhora das rique,as. +ão, não permitas que esse esp7rito celeste se encha dos !ens terrestres- mas esforça-te por estar superior a todos os seus atrati#os e a te ele#ares sempre mais para o c u. Grande diferença há entre ter o #eneno e ser en#enenado. 9uase todos os farmac8uticos possuem muitos #enenos para di#ersos usos de seu of7cio, mas não se pode di,er que este)am en#enenados porque t8m o #eneno em suas farmácias. /ssim tam! m podes possuir rique,as sem que o seu #eneno natural penetre at tua alma, contanto que as tenhas s4 em tua casa ou em tua !olsa, e não no coração. Ser rico de fato e po!re no afeto a %rande #entura dos cristãos, porque ao mesmo tempo t8m as comodidades das rique,as para esta #ida e os merecimentos da po!re,a para a outra. /hL Filot ia, nin%u m confessa que a#arento, todos a!orrecem esta #ile,a do coração. 'scusam-se pelo n.mero crescido dos filhos, ale%ando re%ras de prud8ncia, que e0i%em um fundo firme e suficiente. +unca se t8m !ens demais e sempre se acham no#as necessidades para a)untar ainda mais. 1 mais a#arento nunca cr8 em sua consci8ncia que o . / a#are,a uma fe!re esquisita, que tanto mais se mostra impercept7#el quanto mais #iolenta e ardente se torna. 5ois s #iu uma sarça ardendo em um fo%o do c u, sem se consumir- o fo%o da a#are,a, ao contrário, de#ora e consome o a#arento, sem o queimar- ao menos, ele não lhe sente os ardores e a alteração #iolenta que lhe causa lhe parece uma sede natural e sua#e. Se dese)as com ardor e inquietação e por muito tempo os !ens que não possuis, cr8-me que s a#arenta, em!ora di%as que o não queres possuir in)ustamente- do mesmo modo que um doente que dese)a !e!er um pouco dWá%ua com ardor,

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inquietação e por muito tempo, está mostrando com isso que tem fe!re, em!ora s4 queira !e!er á%ua. +ão sei, Filot ia, se um dese)o )usto o de adquirir )ustamente o que outros )ustamente possuem- parece-me que, a%indo deste modo, procuramos a nossa comodidade 2 custa do inc$modo de outrem. 9uem possui um !em com pleno direito, não terá mais ra,ão de o conser#ar )ustamente do que n4s de o dese)ar )ustamente? Por que moti#o, pois, estendemos n4s o nosso dese)o so!re a sua comodidade, para o pri#ar dela? 5esmo que este dese)o fosse )usto, caridoso não seria de modo al%um, nem n4s querer7amos que outros o ti#essem a nosso respeito. 'ste foi o pecado de /ca!, que quis o!ter por meios )ustos a #inha de +a!ot, o qual a queria conser#ar com maior direito este rei a dese)ou por muito tempo e com muito ardor e inquietação e com isso ofendeu a &eus. 9uando o pr40imo começar a dese)ar desfa,er-se de um !em, então tempo, Filot ia, de começar a dese)ar o!t8-lo- o seu dese)o fará o teu )usto e caridoso. Sim, nada tenho que di,er em contrário, se te esforças por alimentar os teus !ens com uma tal caridade e )ustiça. Se amas os !ens que possuis, se eles ocupam teu pensamento com ansiedade, se teu esp7rito anda sempre a7 de en#olta, se teu coração se ape%a a eles, se sentes um medo muito #i#o e inquieto de perd8-los, cr8-me que ainda estás com fe!re e o fo%o da a#are,a ainda não está e0tinto em ti- pois as pessoas que estão com fe!re !e!em com uma certa a#ide,, pressa e sofre%uidão a á%ua que se lhes dá, o que não natural nem ordinário nas pessoas sãs- e não poss7#el se a%radar muito de uma coisa sem se ape%ar a ela. Se na perda dum !em sentes o coração aflito e desolado, cr8-me, Filot ia, que lhe tens um afeto demasiado, pois nada patenteia tão claramente o ape%o que se tinha a uma coisa perdida, como se entristecer pela perda. +unca fomentes um dese)o completo e #oluntário por uma

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coisa que não possuis- não prendas o coração em hem al%um teu- não te entristeças nunca das perdas que so!re#ierementão, sim, terás um moti#o ra,oá#el de pensar que, sendo rica, de fato s, entretanto, po!re de esp7rito e, por conse%uinte, do n.mero dos escolhidos, porque o reino dos c us te pertence. III – 3! Praticar a $o+re#a/ $ermanecendo nas rique#as 1 c le!re pintor Parrásio desenhou um retrato do po#o ateniense, que foi tido em conta de muito en%enhoso- porque, para pintá-lo com todos os traços do seu caráter le#iano, #ariá#el e inconstante, ele representou em di#ersas fi%uras do mesmo quadro os caracteres opostos da #irtude e do #7cio, da ira e da !randura, da dem8ncia e da se#eridade, do or%ulho e da humildade, da cora%em e da co#ardia, da ci#ilidade e da rusticidade. &um modo semelhante, Filot ia, eu queria que teu coração unisse a rique,a com a po!re,a, um %rande cuidado com um %rande despre,o dos !ens temporais. 'sforça-te ainda mais que os filhos do mundo por conser#ar e aumentar os teus !ens- pois, não #erdade que aqueles a quem um pr7ncipe incum!iu de cuidar de seus parques, os culti#arão e procurarão tudo o que os possa em!ele,ar, com muito maior dili%8ncia do que se fossem seus pr4prios? ' por que isso? * porque os consideram como propriedade de seu pr7ncipe, de seu rei, a quem querem a%radar. Filot ia, os !ens que temos não nos pertencem e &eus, que os confiou 2 nossa administração, quer que os façamos frutuosos- , portanto, prestar um ser#iço a%radá#el a &eus cuidar deles com dili%8ncia- mas este cuidado há de ser muito mais acurado e maior que o das pessoas do mundo, porque elas tra!alham por amor delas mesmas e n4s de#emos tra!alhar por amor de &eus. 1ra, como o amor de si mesmo um amor inquieto, tur!ulento e #iolento, o cuidado que dele procede cheio de pertur!ação, pesar e inquietação- mas o cuidado que procede do amor de &eus, que enche o coração de doçura, tranquilidade e pa,,

333 P E<. Praticar a po!re,a, permanecendo nas rique,as

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necessariamente sua#e, tranquilo e pac7fico, mesmo quanto aos !ens temporais. :enhamos sempre um esp7rito calmo e uma tranquilidade de #ida inalterá#el, em conser#ando e aumentando os !ens deste mundo se%undo as #erdadeiras necessidades e ocasi(es )ustas que nos ocorrem- porque, enfim, &eus quer que nos sir#amos destas coisas por seu amor. 5as presta muita atenção que o amor-pr4prio não te en%aneele imita 2s #e,es tão !em o amor de &eus que se diria, ser este- e, para e#itar o en%ano e o peri%o ane0o de transformar o cuidado le%7timo numa #erdadeira a#are,a, preciso que, al m do que dei0ei dito no cap7tulo precedente, pratiques muitas #e,es a po!re,a de um modo real e efeti#o no meio de todas as rique,asL Ceser#a frequentemente uma parte de teus !ens para empre%á-la era fa#or dos po!res. &ar um tanto do que se possui. empo!recer um outro tanto, e quanto mais se dá tanto mais se empo!rece. * #erdade que &eus te recompensará li!eralmente nesta e na outra #ida- pois nada fa, prosperar tanto os !ens temporais como a esmola cristã- mas, enquanto esperas a recompensa, participarás sem d.#ida dos merecimentos da po!re,a. /hL 9ue santa e rica po!re,a a que nos %ran)eia a escola cristãL /ma os po!res e a po!re,a, que este amor te fará #erdadeiramente po!re, porque, como di, a 'scritura; 16s nos tornamos semelhantes aos que amamos. 1 amor i%uala as pessoas que se ama tu. %uem adoece, di, São Paulo, com quem eu n$o en#erme< ' !em podia ele di,er; quem po!re, que eu não o se)a com ele? 1 amor o fa,ia semelhante ao que ama#a. Se, pois, amas aos po!res, participarás de sua po!re,a e lhes serás semelhante. 5as, se amas os po!res, de#es ter %osto de te achares entre eles, de os #er em tua casa, de os #isitar em suas casas, de falar com eles, de os ter perto de ti, na i%re)a, nas ruas e em outras partes. S8 po!re ao falar com eles, conformando-te 2 sua

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lin%ua%em, como um i%ual com o seu i%ual; mas s8 rica em lhes estender a mão, fa,endo-os participar do que &eus te concedeu mais do que a eles. 9ueres fa,er ainda mais, Filot ia? +ão te contentes, então, em ser po!re com os po!res, mas s8 ainda mais po!re do que eles. ' como assim? Sás de per%untar-me. Aá me #ou e0plicar; não du#idas de certo que o ser#o inferior a seu dono- entre%ate, pois, ao ser#iço dos po!res- assiste-os )unto ao leito e com tuas pr4prias mãos, se estão doentes- prepara-lhes a comida 2 tua pr4pria custa- s8 a sua roupeira e en%omadeira. I Filot ia, ser#ir assim aos po!res reinar mais %loriosamente que os reis. 9uanto a este ponto, nunca me sacio de admirar o ,elo de São Ru7s, um dos maiores reis que o sol )amais #iu- e um %rande rei, di%o, em todo o %8nero de %rande,as. Ser#ia frequentemente 2 mesa dos po!res que alimenta#a e quase todos os dias manda#a assentarem-se dois ou tr8s 2 sua pr4priamuitas #e,es comia o que os po!res dei0a#am, com um amor incr7#el por eles e por sua condição. Jisita#a a mi.do os hospitais e ser#ia de prefer8ncia aos enfermos que tinham uma doença mais asquerosa, como os leprosos, os ulcerosos e os que eram comidos de um cancro- e era de )oelhos e com a fronte desco!erta que lhes presta#a estes ser#iços, respeitando neles a pessoa de +osso Senhor e amando-os com um amor tão terno como uma mãe a seus filhos. Santa 3sa!el, filha do rei da Sun%ria, mistura#a-se muitas #e,es entre os po!res e, para di#ertir-se com as damas do seu palácio, #estia-se, 2s #e,es, como uma po!re mendi%a, di,endo-lhes; Se eu fosse po!re, #estir-me-ia assim. I meu &eus, Filot ia, este pr7ncipe e esta princesa eram, na #erdade, po!res em suas rique,as e ricos em sua po!re,aL @em-a#enturados aqueles que são assim po!res, porque o reino dos c us lhes pertence. 7ive #ome e me destes de comer, dir-lhes-á o Cei dos po!res e dos reis no dia tremendo do )u7,o final. 2stava nu e me vestistes* possui o reino que vos está preparado desde o começo do mundo.

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+ão há nin%u m que em certas ocasi(es não sinta falta de al%umas comodidades da #ida. Sucede, 2s #e,es, que fora das cidades falte o necessário para rece!er a #isita impre#ista dum ami%o- não se tem a tempo os #estidos necessários para aparecer com honra, se%undo as re%ras da sociedade, numa reunião, as melhores pro#is(es de #inho e tri%o )á são %astas e s4 resta o que ha#ia de pior, sem que se possa suprir. +uma #ia%em tudo há de faltar; quarto, cama, alimentos, ser#iços. +uma pala#ra, por mais rico que se se)a, sempre acontece que se sinta necessidade de al%uma coisa e nesses momentos se #erdadeiramente po!re. /ceita, pois, Filot ia, de !om %rado, essas ocasi(es e suporta os seus, inc$modos com ale%ria. Se te so!re#ier al%um desses infort.nios e acidentes %randes ou pequenos de que a #ida está cheia, como se)a uma tempestade, um inc8ndio, uma inundação, al%uma seca, um ladrão, uma demanda, então o tempo a,ado NoportunoO de praticares a po!re,a, rece!endo com calma esta perda de !ens e conformando-te a ela com toda a firme,a da $aci(ncia cristã. 'sa. apresentou-se a seu pai com os !raços ca!eludos e Aac4 fe, o mesmo. 5as, porque os ca!elos que co!riam os !raços de Aac4 não esta#am presos na sua pele, mas somente nas suas lu#as, podiam-se arrancar sem o machucar e ferir- mas os ca!elos dos !raços de 'sa., como tinham crescido ai naturalmente e esta#am presos, não se podiam arrancar sem uma %rande dor e resist8ncia. 'is a7 um quadro fiel do ape%o de al%uns 2s rique,as e do desape%o de outros. 9uando nosso coração se prende aos !ens, se a tempestade ou o ladrão ou o demandista nos arranca al%uma parte deles, que de prantos, que de afliç(es, quanta impaci8nciaL 5as, quando lhes damos o cuidado que &eus quer que tenhamos e não o coração, se os perdemos, por acaso, de modo al%um perderemos a ra,ão e a tranquilidade. 1s ser#os fi is de &eus não se ape%am mais a seus !ens que

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as suas roupas, que podem #estir e despir, quando quiseremmas os maus cristãos conser#am-nos presos a si como os animais o seu pelo. III – 6! "s rique#as em es$=rito na $o+re#a Se s de fato po!re, Filot ia, esforça-te, então, por s8-lo tam! m em esp7rito- fa,e da necessidade uma #irtude e ne%ocia com esta pedra preciosa da po!re,a se%undo o seu alto #alor. 1 mundo não o conhece e não sa!e estimar o seu #alorentretanto, tem um !rilho admirá#el e dum %rande preço. :em um pouco de paci8ncia- em tua po!re,a estás em muito !oa companhia. +osso Senhor, a Sant7ssima Jir%em, sua 5ãe, os ap4stolos, tantos santos e santas foram po!res e, podendo ter rique,as, as despre,aram, 9uantas pessoas que podiam ocupar no mundo um lu%ar saliente, apesar de todas as contradiç(es dos homens, foram procurar com a#ide, nos con#entos ou nos hospitais a santa po!re,aL 5uito se esforçaram por achá-la e !em sa!es quanto o custou a Santo /lei0o, a Santa Paula, a São Paulino, a Santa an%ela e tantos outros. ' a ti, Filot ia, ela se apresenta espontaneamente- nem preciso que a procures e te esforces por achá-la- a!raçá-la- a!raça-a, pois, como a querida ami%a de Aesus "risto, que nasceu, #i#eu e morreu na maior po!re,a. :ua po!re,a, Filot ia, tem duas %randes #anta%ens, que te %ran)earão uma quantidade imensa de merecimentos. / primeira que, não pro#indo de tua escolha, foi unicamente a #ontade de &eus que assim determinou, sem que tua #ontade tenha tido in%er8ncia al%uma. 1ra, tudo o que nos #em unicamente por disposição da di#ina Pro#id8ncia nos torna sempre muito mais a%radá#eis a &eus, contanto que o rece!amos de !oa mente e com um #erdadeiro amor 2 sua santa #ontade. 'm %eral, em toda parte onde há menos da nossa #ontade, há mais da de &eus. / conformação pura e simples com a sua #ontade dá a paci8ncia uma %rande pure,a.

333 P E=. /s rique,as em esp7rito na po!re,a

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/ se%unda #anta%em que esta po!re,a #erdadeira e realmente po!re. 9uero di,er com isso que uma po!re,a estimada, lou#ada, pre,ada, socorrida e assistida s4 fa, as #e,es da rique,a ou ao menos não torna al%u m tão po!re como poderia ser- mas uma po!re,a despre,ada, re)eitada, censurada e a!andonada uma po!re,a #erdadeira e real. :al em %eral a po!re,a das pessoas que #i#em no mundo- como não são po!res por pr4pria escolha, mas por necessidade, não se fa, caso delas e por isso a sua po!re,a mais po!re que a dos reli%iosos, conquanto esta tenha uma e0cel8ncia e merecimentos particulares, em #ista da escolha feita e do #oto pelo qual se adstrin%em NunemO a ela. +ão te quei0es, pois, Filot ia, de tua po!re,a, porque s4 nos quei0amos do que nos desa%rada. ', se a po!re,a te desa%rada, não s po!re, mas rica de esp7rito e de afeto. +ão te preocupes que te faltem os socorros necessários- e0atamente nisso que consiste a perfeição da po!re,a. 9uerer ser po!re e não querer suportar os inc$modos da po!re,a uma %rande am!ição- sim, é querer as 4onras da $o+re#a e a comodidade da rique#a. +ão te en#er%onhes de ser po!re nem de pedir esmolas por amor de &eus- rece!e com humildade o que te derem e sofre com mansidão o que te recusarem. Rem!ra-te muitas #e,es da #ia%em de +ossa Senhora ao '%ito, le#ando o 5enino Aesus, e de tudo o que sofreu, tantos despre,os e mis rias. Se #i#eres assim, serás riqu7ssima em tua po!re,a. III – 7! " ami#ade em %eral e suas es$écies más 1 amor ocupa o primeiro lu%ar entre as pai0(es- ele reina no coração e diri%e todos os seus mo#imentos- apodera-se de todos eles, comunicando-lhes a sua nature,a e as suas impress(es- torna-nos semelhantes aquilo que amamos. "onser#a, Filot ia, o teu coração li#re de todo o amor mau, porque se tornaria imediatamente um coração mau. 1 mais peri%oso de todos os amores a ami,ade, porque os outros

333 P EB. / ami,ade em %eral e suas esp cies más

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amores podem afinal e0istir sem se comunicar- mas a ami,ade fundada essencialmente nesta relação entre duas pessoas, sendo quase imposs7#el que as suas !oas e as suas más qualidades não passem de uma para a outra. +em todo o amor ami,ade, pois que podemos amar sem ser amados- neste caso s4 há amor, mas não há ami,adeporque a ami,ade um amor m.tuo, e se o amor não m.tuo, não pode ser chamado ami,ade. ' ainda não !astante que o amor se)a m.tuo, necessário tam! m que as pessoas que se amam conheçam esta afeição rec7proca, de modo que, se a i%norarem, t8m amor, mas não t8m ami,ade. 'm terceiro lu%ar requer-se que ha)a al%uma comunicação entre as pessoas que se amam, a qual ao mesmo tempo o fundamento e o sustentáculo da ami,ade. / di#ersidade das comunicaç(es forma a di#ersidade das ami,ades e estas comunicaç(es di#ersas diferem se%undo os !ens que se podem comunicar mutuamente. Se estes !ens são falsos e #ãos, a ami,ade será tam! m falsa e #ã, e se são #erdadeiros, a ami,ade será #erdadeira. &estarte NconsequentementeO a sua e0cel8ncia cresce 2 proporção daquela dos !ens que se comunicam, como o melhor mel o que as a!elhas su%am das flores mais raras e esquisitas. 'm Seracleia, cidade do Ponto, e0iste uma esp cie de mel tão #enenoso que quem se alimenta dele fica maluco, porque as a!elhas o #ão colher no ac$nito, de que rica aquela re%ião, e uma ima%em da ami,ade falsa e má, que se funda na ac=nito comunicação de !ens falsos e fa#orá#eis ao #7cio. / comunicação dos pra,eres carnais uma propensão mutua e isca !rutal, que entre os homens não merece o nome de

333 P EB. / ami,ade em %eral e suas esp cies más

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ami,ade mais do que a dos )umentos e ca#alos, pela semelhança dos efeitos- e se no matrim$nio não hou#esse mais nenhum efeito, tam! m nele não ha#eria ami,ade. 5as porque, al m desta, há nele a comunicação da #ida, da ati#idade, dos !ens, das afeiç(es e uma indissol.#el fidelidade, por isso a ami,ade do matrim$nio #erdadeira e santa ami,ade. / ami,ade fundada so!re os pra,eres sensuais ou so!re certas perfeiç(es #ás e fr7#olas tão %rosseira que nem merece o nome de ami,ade. "hamo pra,eres sensuais aqueles que pro#8m imediatamente e principalmente dos sentidos e0teriores, como o pra,er natural de #er uma !ela pessoa, de ou#ir uma #o, melodiosa, de apalpar e outros pra,eres semelhantes. "hamo perfeiç(es #ás e fr7#olas certas ha!ilidades ou qualidades, quer naturais, quer adquiridas, que os esp7ritos fracos t8m em conta de %randes perfeiç(es. "om efeito, quantas moças, mulheres e )o#ens di,em com toda a seriedade; +a #erdade aquele senhor tem um %rande merecimento, porque dança esplendidamente, sa!e a fundo todos os )o%os, canta que uma delicia, tem um %osto todo especial para a ele%Qncia de #estir-se, mostra sempre um ar a%radá#el, tem uma con#ersa interessante e ale%reL 9ue )u7,os, Filot iaL &este modo )ul%am os charlatães entre eles que os maiores tolos são os homens mais perfeitos. "omo tudo isso di, respeito aos sentidos, as ami,ades dai ori%inárias se chamam sensuais e mais merecem o nome dum di#ertimento #ão que de ami,ade. &este teor são em %eral as ami,ades dos )o#ens que se prendem com !i%odes, com ca!elos, com olhares, com roupas, com %estos, com a loquacidade- ami,ades di%nas da idade de ami%os que ainda não t8m #irtude senão na casca, nem )u7,o al%um senão em !otão. Por isso tais ami,ades passam e se desfa,em lo%o como a ne#e so! a ação do sol.

333 P EK. /s mais peri%osas ami,ades

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III – 8! "s mais $eri%osas ami#ades "ertas ami,ades loucas entre pessoas de am!os se0o, e sem intenção de casamento, não podem merecer o nome de ami,ade nem de amor, pela sua incompará#el le#iandade e imperfeição. São a!ortos ou, melhor ainda, fantasmas da ami,ade. Prendem e comprometem os coraç(es dos homens e das mulheres, entrelaçando-os em #ãs e loucas afeiç(es, fundadas nessas fr7#olas comunicaç(es de miserá#eis a%rados de que aca!o de falar. ' ainda que estes loucos afeiç(es por #ia de re%ra #ão parar e despenhar-se em carnalidades e lasc7#ias muito !ai0as e torpes, contudo não este o primeiro des7%nio dos que andam nestas con#ersas, aliás não seriam )á ami,ades, senão desonestidades manifestas. /l%umas #e,es passarão at muitos anos sem que entre os que estão conta%iados desta loucura ha)a al%o diretamente contrário 2 castidade do corpo, porque se contentam unicamente com, desafo%ar os coraç(es em anseios, dese)os, suspiros, %alanteios e outras ninharias e le#iandades deste teor, le#ados por di#ersos fins. Uns não t8m senão o des7%nio de saciar o seu coração, dando e rece!endo pro#as de amor, se%uindo nisto a sua inclinação amorosa, e estes tais escolhem os amores, consultando apenas o seu %osto e propensão, de sorte que, apenas se lhes depara al%um su)eito a%radá#el, sem e0aminar o seu interior nem o seu procedimento, começam esta comunicação de namorados, e metem-se dentro das miserá#eis redes, de que depois muito lhes custará sair. 1utros se dei0am le#ar a isso por #aidade, parecendo-lhes que não pequena %l4ria a%arrar e prender os coraç(es com o amor. ' estes, fa,endo a sua escolha por ostentação, deitam os seus an,4is, e estendem as suas redes em lu%ares de !ela apar8ncia, ele#ados, famosos e ilustres. 1utros são le#ados pela sua inclinação amorosa e ao mesmo tempo pela #aidade- porque, em!ora tenham o coração atreito NacostumadoO e inclinado ao amor, não querem por m se meter a ele senão com al%uma #anta%em

333 P EK. /s mais peri%osas ami,ades

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de %l4ria. 'stas ami,ades são todas más, loucas e #ãs; más, porque #ão dar e rematam alfim NafinalO no pecado da carne, e porque rou!am o amor, e por conse%uinte o coração a &eus, 2 mulher e ao marido, a quem ele pertencia- loucas, porque não t8m nem fundamento nem ra,ão- #ãs, porque não dão pro#eito al%um, nem honra, nem contentamento. Pelo contrário, fa,em perder tempo, lesam a honra sem dar nenhum pra,er, afora o de uma ansiedade de pretender e esperar, sem sa!er o que se quer nem o que se pretende, porque sempre se lhes afi%ura, a estes esp7ritos fracos e miserá#eis, que t8m não sei qu8 de apetec7#el as pro#as que lhes dão de amor rec7proco, e que não são capa,es de e0plicar; donde resulta que o seu dese)o não pode terminar, mas #ai sempre apoquentando o seu coração com perp tuas desconfianças, ci.mes e inquietaç(es. São Gre%4rio +a,ian,eno, escre#endo contra as mulheres #ãs, di, mara#ilhas a este respeito- aqui tens um pequeno trecho que ele na realidade diri%e 2s mulheres, mas !om tam! m para os homens; / tua natural formosura !asta para teu marido- porque se para muitos homens, como uma rede estendida para um !ando de pássaros, que irá dai suceder? Sá de a%radar-te aquele a quem tua formosura a%radar- pa%arás um relance de olhos com outro relance, olhares com olhares- #irão lo%o a se%uir os sorrisos, e pequenas pala#ras de amor, dei0ando-as como que cair com dissimulação, no princ7pio- mas !em depressa se lhes tomará %osto, e se passará aos des!ra%amentos Ntornar li!ertinoO manifestos. I minha l7n%ua palradeira Nta%arelaO, fo%e a todo o transe de di,er o que sucederá depois- eu contudo direi esta #erdade; nada de tudo o que os moços e as mulheres di,em ou fa,em )untos nestas loucas con#ersas isento de %randes est7mulos e peri%os. :odas as patranhas NmentirasO de namorados se prendem umas com as outras e se se%uem todas umas ás outras, nem mais nem menos do que um ferro atra7do

333 P EK. /s mais peri%osas ami,ades

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pelo 7mã atrai consecuti#amente muitos outros. 1hL "omo di, !em este %rande @ispo; que pensas tu fa,er? 9ueres amar? +ão queres? 5as olha que nin%u m dá #oluntariamente, que não rece!a forçosamente- neste )o%o, quem apanha apanhado. / er#a apro0is acende-se, apenas #8 o fo%o- os nossos coraç(es são na mesma; apenas #eem uma alma a!rasada em amor por eles, ficam sem demora a!rasados de amor por ela. 'u !em quisera me enamorar, me dirá al%u m, mas não com muito empenho. /iL "omo te en%anasL 'ste fo%o do amor mais ati#o e penetrante do que te parece; )ul%as que s4 rece!es uma centelha dele e ficarás assom!rada ao #er que num momento se terá apossado de todo o teu coração, e terá redu,ido a cin,as todas as tuas resoluç(es, e a fumo a tua reputação. 1 sá!io e0clama; 9uem terá compai0ão de um encantador mordido da serpente? ' eu e0clamo na sua esteira; 4 loucos e insensatos, cuidais que enfeitiçais o amor para o mane)ar e usar como #os aprou#er? 9uereis !rincar com ele, e ele #os picará e morderá peri%osamente, e sa!eis o que se dirá? :odas mofarão de #4s, e se rirão por terdes querido enfeitiçar e prender o amor e, com uma falsa se%urança, terdes metido no #osso seio uma peri%osa #7!ora, que #os corrompeu e perdeu a alma e a honra. I &eus, que ce%ueira esta, a de )o%ar assim a cr dito so!re penhores tão fr7#olos a principal )oia da nossa alma? Sim, Filot iaL Porque &eus não quer o homem senão pela alma, nem a alma senão pela #ontade, nem a #ontade senão pelo amor. /iL +4s não ternos todo aquele amor de que precisamos. 9uero eu di,er, s4 sendo o amor infinito, ter7amos o !astante para amar a &eus; e contudo, como se nos so!e)asse, mal!aratamo-lo Ndesperdiçá-loO e empre%amo-lo em coisas loucas, #ãs e fr7#olas. /hL 'ste %rande &eus, que para si reser#a apenas o amor das nossas almas, em pa%a e reconhecimento da sua criação, conser#ação e Cedenção, e0i%irá uma conta muito apertada e ri%orosa destes loucos de#aneios a que nos damos. ' se há de fa,er-se um e0ame tão

333 P EK. /s mais peri%osas ami,ades

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e0ato das pala#ras ociosas, como será o que há de se fa,er das ami,ades ociosas, impertinentes, loucas e pre)udiciais? / no%ueira pre)udica imensamente as #inhas e os campos, onde está plantada, porque, sendo tamanha, chama a si toda a sei#a da terra, que depois não tem força para sustentar o resto das plantas- as suas folhas são tão densas que produ,em uma som!ra %rande e cerrada, e por .ltimo atrai os #iandantes, que para deitar a!ai0o o seu fruto estra%am e calcam tudo em #olta dela. 'stes namoros causam os mesmos estra%os na alma, porque a ocupam de tal modo, e empu0am tão poderosamente os seus mo#imentos, que ela fica inepta e iná!il para qualquer o!ra !oa; as folhas, isto , as con#ersas, di#ertimentos e %alanteios são tão frequentes, que fa,em perder todo o tempo. ' finalmente atraem tantas tentaç(es, distraç(es, suspeitas e outras consequ8ncias, que o coração fica todo pisado e corrompido. +uma pala#ra, estes namoros não s4 desterram o amor celestial, mas tam! m o temor de &eus, ener#am o esp7rito, fa,em des#anecer a reputação; e, por di,er tudo de uma s4 #e,, são o entretimento e a di#ersão das cortes, mas a peste dos coraç(es. III – 9! "s verdadeiras ami#ades I Filot ia, ama a todos os homens com um %rande amor de caridade cristã, mas não tra#es ami,ade senão com aquelas pessoas cu)o con#7#io te pode ser pro#eitoso- e quanto mais perfeitas forem estas relaç(es, tanto mais perfeita será a tua ami,ade. Se a relação de ci8ncias NconhecimentoO, a ami,ade será honesta e lou#á#el e o será muito mais ainda se a relação for de #irtudes morais, como prud8ncia, )ustiça, fortale,a- mas se for a reli%ião, a de#oção e o amor de &eus e o dese)o da perfeição o o!)eto duma comunicação m.tua e doce entre ti e as pessoas que amas, ahL 'ntão tua ami,ade precios7ssima. * e0celente, porque #em de &eus- e0celente, porque &eus o laço que a

333 PEG. /s #erdadeiras ami,ades

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une, e0celente, enfim, porque durará eternamente em &eus. /hL 9uanto !om amar )á na terra o que se amará no c u e aprender a amar aqui estas coisas como as amaremos eternamente na #ida futura. +ão falo, pois, aqui simplesmente do amor cristão que de#emos a nosso pr40imo, todo e qualquer que se)a, mas aludo 2 ami,ade espiritual, pela qual duas, tr8s ou mais pessoas se comunicam mutuamente as suas de#oç(es, !ons dese)os e resoluç(es por amor de &eus, tornando-se um s4 coração e uma s4 alma. "om toda a ra,ão podem cantar então as pala#ras de &a#i; &h9 %u$o bom e a!radável é habitarem juntamente os irm$os9 Sim, Filot ia, porque o !álsamo precioso da de#oção está sempre passando dum coração ao outro por uma cont7nua e m.tua participação- tanto assim que se pode di,er que &eus lançou so!re esta ami,ade a sua !8nção por todos os s culos dos s culos. :odas as outras ami,ades são como as som!ras desta e os seus laços são frá%eis como o #idro, ao passo que estes coraç(es ditosos, unidos em esp7rito de de#oção, estão presos por uma corrente toda de ouro. Filot ia, todas as tuas ami,ades se)am desta nature,a, isto , todas aquelas que dependem de tua li#re, escolha, porque não de#es romper nem ne%li%enciar as que a nature,a e outros de#eres te o!ri%am a manter, como em relação a teus pais- parentes, !enfeitores e #i,inhos. Sás de ou#ir tal#e, que não se de#e consa%rar afeto particular ou ami,ade a nin%u m, porque isto ocupa por demais o coração, distrai o esp7rito e causa ci.mes- mas um mau conselho, porque, se muitos autores sá!ios e santos ensinam que, as ami,ades particulares são muito noci#as aos reli%iosos, não podemos, no entanto, aplicar o mesmo princ7pio a pessoas que #i#em no s culo P e há aqui uma %rande diferença. +um mosteiro onde há fer#or, todos #isam o mesmo fim, que a perfeição do seu estado, e por isso a manutenção das ami,ades particulares não pode ser tolerada ai, para preca#er

333 PEG. /s #erdadeiras ami,ades

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que, procurando al%uns em particular o que comum a todos, passem das particularidades aos partidos. 5as no mundo necessário que aqueles que se entre%am 2 prática da #irtude se unam por uma santa ami,ade, para mutuamente se animarem e conser#arem nesses santos e0erc7cios. +a reli%ião os caminhos de &eus são fáceis e planos e os que ai #i#em se assemelham a #ia)antes que caminham numa !ela plan7cie, sem necessitar de pedir a mão em au07lio. 5as os que #i#em no s culo, onde há tantas dificuldades a #encer para ir a &eus, se parecem com os #ia)antes que andam por caminhos dif7ceis, esca!rosos e escorre%adiços, precisando sustentar-se uns nos outros para caminhar com mais se%urança. +ão, no mundo nem todos t8m o mesmo fim e o mesmo espirito e dai #em a necessidade desses laços particulares que o 'spirito Santo forma e conser#a nos coraç(es que lhe querem ser fi is. "oncedo que esta particularidade forme um partido, mas um partido santo, que somente separa o !em do mal; as o#elhas das ca!ras, as a!elhas dos ,an%(es, Nas tre#as da Ru,O separação esta que a!solutamente necessária. 'm #erdade não se pode ne%ar que +osso Senhor ama#a com um amor mais terno e especial a São Aoão, a 5arta, a 5adalena e a Rá,aro, seu irmão, pois que o '#an%elho o dá a entender claramente. Sa!e-se que São Pedro ama#a ternamente a São 5arcos e a Santa Petronila, como São Paulo ao seu querido :im4teo e a Santa :ecla. São Gre%4rio +a,ian,eno, ami%o de São @as7lio, fala com muito pra,er e ufania de sua intima ami,ade, descre#endo-a do modo se%uinte; parecia que em n4s ha#ia uma s4 alma, para animar os nossos corpos, e que não se de#ia mais crer nos que di,em que uma coisa em si mesma tudo quanto e não numa outra- está#amos, pois, am!os em um de n4s e um no outro. Uma .nica e a mesma #ontade nos unia em nossos prop4sitos de culti#ar a #irtude, de conformar toda nossa #ida com a esperança do c u, tra!alhando am!os unidos como uma s4

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pessoa, para sair, )á antes de morrer, desta terra perecedora. Santo /%ostinho testemunha que Santo /m!r4sio ama#a a Santa 5$nica unicamente de#ido 2s raras #irtudes que #ia nela e que ela mesma estima#a este santo prelado como um an)o de &eus. 5as para que te deter tanto tempo numa coisa tão clara? São Aer$nimo, Santo /%ostinho, São Gre%4rio, São @ernardo e todos os %randes ser#os de &eus ti#eram ami,ades particulares, sem dano al%um para a sua santidade. São Paulo, repreendendo os pa%ãos pela corrupção de suas #idas, acusa-os de %ente sem afeto, isto , sem ami,ade de qualidade al%uma. Santo :omás reconhecia, com todos os !ons fil4sofos, que a ami,ade uma #irtude e entende a ami,ade particular, porque di, e0pressamente que a verdadeira ami#ade não $ode se estender a muitas $essoas. / perfeição, portanto, não consiste em não ter nenhuma ami,ade, mas em não ter nenhuma que não se)a !oa e santa. III – '<! Diferença entre ami#ades vãs e verdadeiras Jou te dar a%ora, um a#iso important7ssimo e uma re%ra. 1 mel de SeracleiaUaV, de que )á falei, e que um #eneno muito destruti#o, assemelha-se muito ao mel ordinário, que tão saudá#el, e há %rande peri%o de tomar um pelo outro ou de tomar uma mistura de am!os, porque a utilidade de um não impede a mali%nidade do outro. :am! m quanto 2s ami,ades preciso muito cuidado, para não nos en%anarmos, principalmente tratando-se de uma pessoa de se0o diferente Nao nossoO, por melhores que se)am os princ7pios que nos unam a
UaV Seracleia P$ntica Nem %re%o; efghijkl mnopkhq- transl.; Srrasleia Pontisr- em latim; atual taradeni, 'reuli, na pro#7ncia de von%uldas, na costa do mar +e%ro, na :urquiaO foi uma anti%a cidade na @it7nia, então >sia 5enor, na fo, do rio Rico. 'la foi fundada pela cidade'stado %re%a de 5e%araE por #olta de <=F-<<K a.". e foi !ati,ada em homena%em a Serácles, que os %re%os acredita#am que teria entrado no 5undo inferior numa ca#erna nas redonde,as Natual ca!o @a!aO.

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ela- pois o dem$nio tapa os olhos aos que se amam. "omeça-se por um amor #irtuoso- mas, se não se tomarem precauç(es prudentes, o amor fr7#olo se #ai misturando e depois #em o amor sensual e por fim o amor carnal. Sim, mesmo no amor espiritual não se está li#re do peri%o, se não se sa!e se premunir de desconfiança e #i%ilQncia, conquanto o en%ano aqui não se)a tão fácil, porque a inoc8ncia perfeita do coração desco!re imediatamente tudo o que se pode a)untar a7 de impuro, assim como as manchas aparecem muito mais so!re o !ranco. 'is a7 a ra,ão porque, quando dem$nio quer corromper um amor todo espiritual, o fa, com mais ast.cia, tentando #er se pode su%erir primeiro al%umas disposiç(es menos fa#orá#eis 2 pure,a. Para discernires !em entre a ami,ade santa e a ami,ade mundana, %ra#a na mem4ria as re%ras se%uintes; 1 mel de Seracleia mais doce 2 l7n%ua que o mel #ul%ar, porque as a!elhas o #ão colher no ac$nito, que lhe dá esta doçura e0traordinária, e a ami,ade mundana tra, uma influ8ncia de pala#ras doces, lan%orosas, apai0onadas e cheias de adulação pela !ele,a, %raça, e #ã qualidades f7sicas. 5as a ami,ade santa tem uma lin%ua%em simples, sin%ela e sincera e s4 lou#a as #irtudes e dons de &eus, .nico fundamento em que se apoia. 9uem comeu do mel mali%no sente umas tonteiras de ca!eça e muitas #erti%ens e a ami,ade falsa causa um des#io e des#airamento de esp7rito que fa, titu!ear a pessoa na castidade e na de#oção, le#ando a olhares afetados, lQn%uidos e imoderados, as car7cias sensuais, a suspiros desordenados, as pequenas quei0as de não ser correspondida, a certas mei%uices le#ianas, afetadas e repetidas, as %alantarias e !ei)os e a outras particularidades e fer#ores incon#enientes, pressá%ios certos e infal7#eis de iminente ru7na da honestidade. 5as a ami,ade santa s4 tem olhos para o pudor, demonstraç(es para a pure,a e sinceridade, suspiros para o c u, li!erdade para o espiritual e

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quei0as pelos interesses de &eus, que não amado; sinais infal7#eis de uma honestidade perfeita. 1 mel de Seracleia ofusca a #ista e a ami,ade #ã ofusca tão fortemente, que )á não se pode distin%uir entre o !em e o mal, aceitando-se como #erdadeiras ra,(es os prete0tos menos fundamentados, teme-se a lu, e amam-se as tre#as. 5as a ami,ade santa tem olhos clari#identes, não se esconde e %osta mesmo de mostrar-se 2s pessoas de !em. Por .ltimo, o mel en#enenado dei0a um %rande amar%or na !oca. &a mesma sorte, as falsas ami,ades con#ertem-se e rematam em pala#ras e pedidos carnais e torpes- ou no caso da ne%ati#a, em in).rias, cal.nias, imposturas, triste,as, confus(es e ci.mes, que !em depressa #ão parar em !rutalidades e des#arios. 5as a ami,ade casta sempre i%ualmente honesta, cort8s e ami%á#el. +unca se con#erte senão numa união de esp7ritos mais perfeita e mais pura, ima%em #i#a da ami,ade !em-a#enturada que se pratica no c u. São Gre%4rio +a,ian,eno di, que o pa#ão, %ritando quando fa, sua roda, e0cita so!remaneira as f8meas que o escutam. 9uando #emos um homem pa#onear-se, enfeitar-se, e #ir assim di,er chocarrices N%race)osO, chistes Npilh riasO e pala#ras doces aos ou#idos duma mulher ou duma moça sem intenção de )usto matrim$nio, ahL Sem d.#ida que não senão para a arrastar a al%uma desonestidade. / mulher s ria e honrada tapará os ou#idos para não ou#ir os %ritos desse pa#ão e a #o, do encantador, que a quer enfeitiçar e prender com fine,as. ' se ela der ou#idos, 4 meu &eus, que mau pren.ncio da futura perda de sua almaL 1s )o#ens que fa,em %estos, car7cias e di,em pala#ras em que não %ostariam de ser surpreendidos por seus pais, mães, maridos, esposas ou confessores, mostram com isso que tratam de coisa alheia 2 honra e 2 consci8ncia. +ossa Senhora pertur!ou-se #endo um an)o em forma humana, porque esta#a s4 e ele lhe tecia elo%ios su!limados, em!ora celestiais. I Sal#ador do mundo, a pure,a teme a um an)o em

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forma humana, e porque não há de a impure,a temer um homem, ainda que lhe apareça em fi%ura de an)o, quando a lou#a com lou#ores sensuais e humanos? ' se )á estás presa nas redes destes amores loucos, ohL &eus, como te será dif7cil soltares-teL P(e-te diante da sua di#ina 5a)estade, reconhece na sua presença a enormidade da tua mis ria, a tua fraque,a e #aidade- depois, com o maior esforço de coração que te for poss7#el, detesta estes amores começados, a!)ura a #ã profissão que deles fi,este, renuncia a todas as promessas rece!idas e, com um %rande e mui decidida #ontade, p(e pra,o ao teu coração, e resol#e nunca mais entrar nestes )o%os e di#ers(es de amor. Se te podes afastar do o!)eto deles, sem restriç(es o apro#oporque, como os que foram mordidos pelas serpentes não podem facilmente sarar na presença dos que noutra ocasião foram feridos pela mesma mordedura- assim tam! m a pessoa que está picada do amor dificilmente sarará desta pai0ão, enquanto esti#er perto da outra que ti#er sido atin%ida pela mesma picadura. / mudança de lu%ar ser#e so!remaneira para a!randar os ardores e inquietaç(es, quer da dor, quer do amor. 1 mance!o de quem fala Santo /m!r4sio no se%undo li#ro da Penit8ncia, tendo feito uma lon%a #ia%em, tornou-se em a!soluto li!erto dos loucos amores a que se entre%a#a, e ficou de tal sorte mudado, que a louca namorada, encontando-o, e di,endo-lhe; não me conheces? 'u sou a mesma, P ele respondeu; sim, mas eu não sou o mesmo. / aus8ncia tinha operado nele esta feli, mudança. ' Santo /%ostinho testifica que, para miti%ar a dor que te#e com a morte do seu ami%o, se retirou de :a%aste, onde ele morrera, e foi para "arta%o. 5as quem não pode se afastar, que de#e fa,er? * preciso a todo custo cortar por toda a con#ersa particular, por todo entretimento secreto, por toda mei%uice e reque!ro no olhar, por todos os sorrisos, e em %eral por toda a esp cie de comunicaç(es e incenti#os, que podem alimentar este fo%o que

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tão mau cheiro e0ala e tanto fumo despende. 1 quando muito, se forçoso falar ao c.mplice, que se)a apenas para declarar, por uma audaciosa, curta e se#era protestação, o eterno di#4rcio que se )urou. 'u %rito !em alto a todos os que ca7ram nestes laços dos namoros; cortai, despedaçai, que!rai- preciso não perder tempo e descoser estas ami,ades loucas, preciso ras%á-las e despedaçá-las- não se há de desatar os n4s, preciso parti-los ou cortá-los, pois afinal de contas esses cord(es e li%aduras para nada ser#em. +ão há ra,ão para fa,er caso de um amor que tão contrário ao amor de &eus. P 5as depois de eu ter assim que!rado os %rilh(es desta infame escra#idão, ainda me ficará dela al%um sentimento e saudade, e as marcas e os sinais dos ferros ainda ficarão %ra#ados em meus p s, isto , nas minhas afeiç(es. P +ão o farão, se conce!eres tamanho 4dio e a#ersão pelo mal, como ele merece; porque, se isto for assim, nunca mais serás a%itada por nenhum mo#imento, afora o de um e0tremo horror por este amor infame e por tudo o que dele depende- e ficarás li#re de toda afeição pelo o!)eto a!andonado, e s4 com uma caridade pur7ssima para com &eus- mas, se pela imperfeição do teu arrependimento te ficam ainda al%umas inclinaç(es más, procura para a tua alma uma solidão mental, conforme mais acima te indiquei, e acolhe-te a ela o mais que possas, e por meio de repetidas aspiraç(es renuncia a todas as tuas inclinaç(es; detesta-as com todas as tuas forças- l8, com mais frequ8ncia do que costumas, li#ros de de#oção, confessa-te mais ami.de do que teu costume, e comun%a- trata humilde e francamente de todas as su%est(es e tentaç(es, que neste ponto te saltearem, com teu &iretor, e senão, ao menos com al%uma alma fiel e prudente, e não du#ides de que &eus te li#rará de todas as pai0(es, contanto que perse#eres fielmente nestes e0erc7cios. /hL 5e dirás tu, mas não será in%ratidão romper tão desapiedadamente com uma ami,ade? 1hL 9ue ditosa a

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in%ratidão que nos torna a%radá#eis a &eusL +ão, podes crerme, não será in%ratidão, será at um %rande !enef7cio que farás ao amante- porque, que!rando as tuas cadeias, que!rarás as suas, pois #os eram comuns e, em!ora ele por enquanto não fique ciente e inteirado da sua felicidade, há de reconhec8-la sem muita tardança e con#osco cantará em ação de %raças; I SenhorL #4s que!rastes as minhas cadeias, eu #os sacrificarei a h4stia de lou#or, e in#ocarei o #osso santo nome. III – ' ! "visos e remédios contra as más ami#ades &esde a primeira tentação que teu coração sentir, por mais le#e que se)a, #ira-o imediata e completamente para o outro lado e com uma detestação oculta, mas firme, destas #aidades sensuais, ele#a-te em esp7rito 2 cru, do di#ino Sal#ador e toma a sua coroa de espinhos, para fa,er uma cerca, como di, a 'scritura, em redor do teu coração, a fim de que, como ela mesma acrescenta, as pequenas raposas não se apro0imem. Guarda-te cuidadosamente de entrar em al%uma com!inação com o inimi%o- nem di%as; eu o escutarei, mas não farei nada do que me disser- dar-lhe-ei atenção, mas recusarei tudo de coração. I Filot ia, arma-te nessas ocasi(es com a firme,a mais s4lida. 5uito estreitamente li%ados. estão o coração e os ou#idos para se crer que aquele não se)a influ7do pelo que estes rece!em- e, como imposs7#el deter uma torrente que se lança pelo decli#e de uma montanha, tam! m não se pode impedir que aquilo que o amor fe, che%ar aos ou#idos não caia no coração. Uma pessoa de honra nunca dará atenção 2 #o, do encantador. Se acaso o escuta P 4 &eusL P que funestos au%.rios de per#ersão completa do coraçãoL / Sant7ssima Jir%em pertur!ou-se 2 #ista do an)o, porque esta#a s4 e muito %randes eram os lou#ores que lhe tra,ia, em!ora #iesse do c u. I Sal#ador do mundoL /quela que a mesma pure,a teme um

333 P 2E. /#isos e rem dios contra as más ami,ades

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an)o em forma humana- e n4s, que somos tão impuros, não de#er7amos temer um homem, em!ora pareça um an)o, se nos dá lou#ores cheios de adulaç(es #ãs e sensuais? Semelhantes complac8ncias )amais serão permitidas nem )ustificadas por ra,ão al%uma de !oa educação ou respeitonem mesmo se, procedendo de outra forma, te mostrares descort8s e inci#ili,ada. Rem!ra-te sempre que, tendo a &eus consa%rado o coração e imolado o teu amor, seria uma esp cie de sacril %io tirar da7 a m7nima parte que fosse- reno#a no momento da tentação o teu sacrif7cio, por toda sorte de !oas resoluç(es e protestos, e, conser#ando o coração fechado, como o #eado no seu esconderi)o, suplica a assist8ncia de &eus- e &eus #irá em teu au07lio e o seu amor tomará o teu so! a sua proteção, a fim de que permaneça intacto para ele. III – ''! Outros avisos sare as ami#ades Sem uma 7ntima e %rande cordialidade não se pode contrair nem manter uma ami,ade- e, como esta cordialidade cont7nua, !em depressa se começam a confiar os se%redos do coração. :odas as inclinaç(es naturais passam in#isi#elmente de um para o outro, pelas m.tuas impress(es que um fa, no outro e por uma troca rec7proca de sentimentos e afetos. * o que acontece principalmente quando a ami,ade se funda numa %rande estima, porque a ami,ade a!re o coração e a estima dá entrada a tudo o que se apresenta, se)a !om ou mau. /s a!elhas #ão colher o seu mel nas flores e, se estas são #enenosas, chupam-lhe tam! m o #eneno; ima%em perfeita da ami,ade que, sem o notar, #ai rece!endo tanto o mal como o !em. P(e, pois, cuidadosamente em prática, Filot ia, estas pala#ras que, se%undo a tradição, o Filho de &eus sempre repetia; 'ede bons cambiadores e bons conhecedores de moedas, isto , não rece!ais a moeda falsa com a #erdadeira,

333 P 22. 1utros a#isos sare as ami,ades

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nem o ouro aquilatado com o falso- separai o que precioso do que #il e despre,7#el. "om efeito, nin%u m e0iste que não tenha certas im$erfeiç0es e por que ra,ão ha#emos de participar, na ami,ade, dos defeitos do ami%o? &e#emos amálo, em!ora imperfeito- mas não de#emos nos apropriar de suas imperfeiç(es nem amá-las, porque, sendo a ami,ade uma associação do !em e não do mal; de#emos distin%uir as !oas das más qualidades do ami%o, como os tra!alhadores do :e)o separam o ouro da areia. São Gre%4rio +a,ian,eno conta que di#ersos ami%os de São @as7lio tanto o estima#am e #enera#am que at che%aram a imitar seus defeitos naturais e e0teriores, como, por e0emplo, seu modo #a%aroso de falar, seu modo de andar, seu ar se#ero e pensati#o e at o aspecto da !ar!a, e n4s #emos na realidade os maridos, as mulheres, os ami%os tomarem insensi#elmente as imperfeiç(es uns dos outros e os filhos dos pais, por uma certa imitação inconsciente a que a estima ou #eneração os indu, e condu,. 5as cada um )á tem #7cios de so!ra e não precisa os dos outros- e a ami,ade não s4 não e0i%e nada disso, mas at quer que nos au0iliemos mutuamente a corri%ir os nossos defeitos. Sá de suportar-se com !randura as imperfeiç(es do ami%o, sem o reforçar ainda mais nelas, pelas adulaç(es, e sem permitir que nossa alma fique conta%iada por complac8ncia. 'stou falando somente das imperfeiç(es, porque, quanto aos pecados, nem mesmo aturar os de#emos no ami%o- uma ami,ade muito fraca ou má #er o ami%o perecer e não o socorrer ou não ousar admoestá-lo um pouco sensi#elmente, para o sal#ar. / #erdadeira ami,ade não se pode conciliar com o pecado, porque este a arru7na inteiramente, como a salamandra, que se di, que e0tin%ue o fo%o- se um pecado passa%eiro, a ami,ade o e0pele imediatamente por um !om conselho- mas, se se trata dum pecado ha!itual, ele destr4i toda a ami,ade, que s4 pode

333 P 22. 1utros a#isos sare as ami,ades

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e0istir com a #erdadeira #irtude. 5uito menos, portanto, se há de pecar por causa do ami%o, o qual se tornaria nosso inimi%o, se nos quisesse le#ar ao pecado, e !em mereceria perder a nossa ami,ade, se ti#esse em mira perder a nossa alma. /inda mais, um sinal certo duma ami,ade falsa o ape%o a uma pessoa #iciosa- e, se)a qual for o #7cio, nossa ami,ade sempre #iciosa- pois, não sendo fundada na #irtude s4lida, outro fundamento não pode ter senão o pra,er sensual ou al%umas daquelas imperfeiç(es #ãs e fr7#olas de que )á tenho falado. /s sociedades e companhias de ne%ociantes s4 t8m a apar8ncia de ami,ade que se firma, não no amor das pessoas, mas no amor %anho. 'nfim, eis aqui duas má0imas di#inas, que chamo as duas colunas da #ida cristã uma do sá!io; %uem tiver temor de (eus terá também uma amizade honesta . / outra de São :ia%o; A amizade deste mundo é inimi!a de (eus. III – ',! ?&erc=cio de mortificação e&terior /firmam os naturalistas que, escre#endo-se uma pala#ra numa am8ndoa ainda intacta e fechando-a de no#o, cuidadosamente, em sua casca, uma #e, lançada em terra, todos os frutos que da7 nascem tra,em escrita essa mesma pala#ra. 9uanto a mim, Filot ia, nunca apro#ei o m todo de certas pessoas que, para reformarem o homem, começam pelo e0terior; pelo sem!lante, pelos #estidos e pelos ca!elos. Parece-me, ao contrário, que se de#a começar pelo interior. Convertei-vos a mim, di, +osso Senhor, de todo o vosso coraç$o /eu #ilho, dá-me o teu coraç$o. ', de fato, o coração a fonte das aç(es e são estas e0atamente qual o coração. 1 di#ino 'sposo, con#idando a alma para uma perfeita união, lhe di,; P>e-me como um selo sobre o teu coraç$o e sobre o teu braço. +em sem muita ra,ão que assim fala- pois quem a!ri%a Aesus "risto no coração, t8-lo-á tam! m em suas aç(es

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e0teriores, que são representadas pelos !raços. Por isso, Filot ia, antes de tudo quisera %ra#ar em teu coração estas pala#ras sacrossantas; "iva ;esusL P certo de que, se o nome dulc7ssimo de Aesus esti#er em teu coração, em !re#e passará para as aç(es e0teriores, aos lá!ios, aos olhos, 2s mãos, tanto que poderás di,er com o ap4stolo São Paulo; 2u vivo, mas n$o sou eu já o que vive, pois Cristo é que vive em mim . 'nfim, quem %anhou o coração dum homem %anhou todo o homemmas esse coração mesmo, pelo qual temos que começar a reformar o homem, precisa de instruç(es so!re o modo de comportar-se quanto ao e0terior P e isso o que #ou fa,er em poucas pala#ras. Se podes a%uentar o )e)um, fa,es muito !em em )e)uar um pouco mais do que a 3%re)a o!ri%a, porque o )e)um, al m de ele#ar o esp7rito a &eus, reprime a sensualidade, facilita as #irtudes e aumenta os merecimentos. Grande pro#eito nos tra, em nos mantendo no estado de mortificar a %ula e de su)eitar o apetite sensual e o corpo 2s leis do esp7rito- e, mesmo que não se )e)ue muito, o inimi%o tem %rande medo daqueles que conhece que sa!em )e)uar. /s quartas-feiras, as se0tas-feiras e os sá!ados foram sempre dias que os cristãos anti%os tinham como dias de a!stin8ncia- imita-os de al%um modo, se%undo a tua de#oção e o sá!io conselho do teu diretor. &e !oa mente te diria o que São Aer$nimo disse a Reta, uma senhora de pro#ada #irtude; &s jejuns lon!os e imoderados muito me desa!radam, principalmente quando os observam jovens de tenra idade. Sei de e0peri8ncia que os )umentos, quando estão cansados de uma lon%a )ornada, procuram apartar-se do caminho; quero di,er que os )o#ens que de!ilitaram suas forças peio e0cesso do )e)um se dei0am le#ar facilmente a uma #ida c$moda e delicada. 'm dois tempos os #eados não podem correr !em; quando estão muito %ordos e quando estão muito ma%ros- e em duas ocasi(es os homens estão e0postos a %ra#es tentaç(es; quando o corpo está muito

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!em nutrido e quando está mal alimentado. +o primeiro caso torna-se re!elde e no se%undo cr8-se incapa, de tudo, de modo que não podemos carre%á-lo, quando está muito pesado, nem ele nos pode le#ar, quando está caindo de fraque,a. / prática e0cessi#a de )e)uns, disciplinas, cil7cios e outras austeridades inutili,a os Qnimos mais #i%orosos de certas pessoas para as o!ras de caridade, como aconteceu com São @ernardo, que mais tarde muito se arrependeu de sua #ida por demais austerae o!ser#a-se muitas #e,es que, por ter maltratado demasiado a sua carne no princ7pio, fica-se constran%ido a poupá-la mais tarde. +ão teria sido melhor que se ti#essem tratado com moderação e uniformidade e considerando os sofrimentos e tra!alhos do seu estado? 1 )e)um e o tra!alho a!atem e enfraquecem a carne- se, pois, o teu tra!alho necessário e .til para a %l4ria de &eus, prefiro, que sofras o peso do tra!alho do que o do )e)um, e este o parecer da 3%re)a, a qual dispensa dos )e)uns prescritos as pessoas que se ocupam muito com tra!alhos .teis ao ser#iço de &eus e do pr40imo. Se custa )e)uar, tam! m não custa menos tratar dos doentes, #isitar os prisioneiros, confessar, pre%ar, consolar os aflitos, re,ar e outros e0erc7cios semelhantes. ' estas .ltimas modificaç(es são melhores que a primeira, porque, al m de com!aterem a carne, produ,em frutos maiores e mais preciosos. /ssim, %eralmente falando, prefer7#el conser#ar mais forças corporais do que se precisa, a e0tenuá-las mais do que necessário, porque sempre as podemos enfraquecer, quando queremos, mas nem sempre as podemos restaurar 2 #ontade. Parece-me que o que de#emos fa,er o!ser#ar aquelas pala#ras de +osso Senhor a seus disc7pulos; comei de tudo o que vos #or servido. Penso que uma #irtude muito maior comer, sem escolha, de tudo que nos apresentam e conforme a ordem em que nos apresentam, se)a ou não a%radá#el ao nosso

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%osto, do que em escolher sempre o pior que esti#er na mesa. +este .ltimo e0erc7cio, #erdade, parece ha#er mais austeridade, mas no primeiro e0iste menos #ontade pr4pria, renunciando-se não s4 ao seu %osto, como tam! m 2 sua escolha. 'm se%uida, não pequena mortificação su!meter em tudo o seu %osto e su)eitá-lo a todos os pratos, e, enfim, esta maneira de mortificação não ostensi#a, não incomoda a nin%u m e inteiramente conforme 2s re%ras da ci#ilidade. Ce)eitar uma i%uaria, para comer outra, e0aminar e estar a escolher dentre todos os pratos, não achar nada !em preparado e limpo !astante e outras coisas semelhantes P tudo isso denota uma pessoa mole, %ulosa e pouco mortificada. /precio mais a São @ernardo por ter !e!ido certo dia a,eite em #e, de á%ua ou #inho, do que se ti#esse !e!ido de prop4sito á%ua de a!sinto, porque este fato está mostrando que ele não da#a atenção ao que !e!ia e e0atamente nesta indiferença do que se !e!e e come que consiste a perfeição daquelas pala#ras de +osso Senhor; Comei do que vos #or servido. &e#em-se e0cetuar, contudo, os pratos que fa,em mal 2 sa.de ou 2s funç(es do esp7rito, como para certas pessoas as comidas muito quentes ou temperadas, fumosas e flatulentas, e as pessoas que por seus muitos tra!alhos para a %l4ria de &eus precisam de al%um alimento e0traordinário. +uma pala#ra, so!riedade moderada e constante muito melhor que uma a!stin8ncia austera, mas repassada de inter#alos de %rande rela0amento. 1 e0erc7cio moderado da disciplina muito pr4prio para reanimar o fer#or da de#oção. 1 cilicio mortifica muito o corpo, mas o seu a!uso não con# m nem ao estado matrimonial nem 2s compleiç(es delicadas nem a outros estados de muita so!recar%a de tra!alhos pesados- poder-se-á tra,8-lo, com a licença e conselho dum confessor discreto, nos dias principalmente destinados 2 penit8ncia.

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1 sono há de determinar-se se%undo a necessidade de cada um, de#ido 2 sua compleição, para que se possa tra!alhar utilmente durante o dia- e, porque a Sa%rada 'scritura, os e0emplos dos santos, a ra,ão e a e0peri8ncia nos di,em que as primeiras horas do dia são as melhores e as mais pro#eitosas e mesmo porque +osso Senhor chamado o Sol +ascente e sua Sant7ssima 5ãe a /urora, encarecidamente aconselha que se #á deitar mais cedo, para que tam! m se possa madru%ar. 'sse tempo , sem d.#ida, o mais sosse%ado para o esp7rito, o mais li#re e fa#orá#el aos e0erc7cios de piedade e tam! m 2 sa.de. +ão nos con#idam os passarinhos a le#antar-nos !em cedo e a cantar os lou#ores de &eus? @alaão, montado numa )umenta, esta#a de caminho para ir falar com o rei @alac- mas, como não ti#esse uma intenção reta, espera#a-o o an)o do Senhor com uma espada, para o matar. / )umenta, que #iu o an)o, parou tr8s #e,es, por mais que o profeta a tan%esse com uma #ara- at que pela terceira #e,, dei0ando-se cair de!ai0o de @alaão, lhe per%untou; H9ue #os fi, eu? ' por que me !ateis assim pela terceira #e,?M 'm se%uida, a!riu o Senhor os olhos ao profeta, a quem tam! m o an)o apareceu e disse; HPor que feriste a tua )umenta? Se ela não se ti#esse des#iado de diante de mim, eu te teria matado a ti e poupado a elaM. &isse então @alaão ao an)o; HPequei porque não sa!ia que #os opor7eis 2 minha #ia%emM. /qui estás #endo, Filot ia, que @alaão, sendo a causa de todo o mal, açoita#a, contudo, a sua )umenta. que não tinha culpa nenhuma- e assim sucede frequentemente conosco. Uma mulher, ao #er o seu marido e o seu filho doentes, p(e-se a7 a )e)uar, a tra,er cil7cios, a disciplinar-se como &a#i fe, numa ocasião semelhante. /hL 5inha filha, estás a fa,er como @alaão, que !atia em sua )umenta- afli%es o teu corpo, que inocente de &eus le#antar a mão em c4lera contra ti. So!e 2 fonte do mal- corri%e esse coração id4latra do marido ou do filho que dei0aste se tornar escra#o de suas más inclinaç(es e

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que teu or%ulho educou para toda sorte de #aidades. Um homem costuma recair sempre de no#o num pecado de impure,a e lo%o os remorsos lhe so!re#8m e o fa,em temer, como setas da c4lera de &eus. Joltando a si, e0clama; /hL "arne re!elde, corpo desleal, tu me tra7steL ' descarre%a so!re a sua carne a sua indi%nação, afli%indo-a com ri%or e0a%erado. I po!re alma, se a carne te pudesse falar como a )umenta de @alaão, ela te diria; Por que me estás ferindo, miserá#el? * contra ti que &eus se encoleri,ou- tu s o criminoso. Por que me le#as a estas más con#ersas? Por que empre%as meus olhos e os outros sentidos em coisas desonestas? Por que me ce%as com ima%inaç(es peri%osas? :em !ons pensamentos, que não terei más sensaç(es- con#i#e corri pessoas de pudor e a pai0ão não mais refer#erá em mim. /hL :u me lanças ao fo%o e não #8s que me queimo- enches meus olhos de fumaça e não #8s que se inflamam. /hL Filot ia, nestas ocasi(es &eus certamente te di,; Parte teu coração de dor, mortifica-o, penitencia-o como merece- contra ele principalmente que me irritei. Sem d.#ida, para curar a !rotoe)a não necessário um !anho, mas sim purificar o san%ue- e, no tocante a nossos #7cios, em!ora se)a !om mortificar a carne, o principal sempre purificar o coração. 'm suma, a re%ra que te dou de nunca começar austeras $uniç0es cor$orais sem o consel4o do teu diretor es$iritual. III – '1! " sociedade e a solidão :anto procurar como fu%ir 2 con#i#8ncia com os homens são dois e0tremos censurá#eis na de#oção, que de#e re%rar os de#eres da #ida social. 1 fu%ir um sinal de or%ulho e despre,o do pr40imo e o procurar fonte de muitas coisas ociosas e in.teis. "umpre amar ao pr40imo como a n4s mesmos. Para demonstrar-lhe esse amor, não de#emos fu%ir 2 sua companhia, e para patentear o amor que temos a n4s mesmos de#emos estar contentes, quando estamos so,inhos.

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Pensai em v6s mesmos, di, São @ernardo, e depois nos outros. Se nada te o!ri%a a fa,er ou rece!er #isitas, fica conti%o mesma e entret m-te com teu coração- mas, se al%um moti#o te imp(e esses de#eres, cumpre-os em nome de &eus, tratando o pr40imo com toda a ama!ilidade e caridade. "hama-se con#i#8ncia má a que procede de más intenç(es ou se uma relação má entre pessoas indiscretas, licenciosas ou dissolutas- preciso e#itá-la, como as a!elhas o en0ame de ,an%(es e #espas- porque, se o hálito e a sali#a das pessoas mordidas por um cão danado são muito peri%osos, má0ime para os meninos e pessoas duma compleição delicada, tam! m a relação com pessoas #iciosas não menos de temer, principalmente para aquelas cu)a #irtude ainda tenra, t7!ia e delicada. Sá con#ersas que s4 t8m a utilidade de refri%erar o esp7rito cansado de muitas ocupaç(es s rias e, não se fa,endo disso um di#ertimento ocioso, pode-se empre%ar nelas o tempo necessário para uma honesta recreação. Sá outras con#ersas que são e0i%idas pela !oa educação, como as #isitas rec7procas ou reuni(es em homena%em a al%uma pessoa. 9uanto a estes de#eres, nem os de#emos cumprir com escr.pulos de faltar nas m7nimas re%ras, nem ne%li%enciá-los ou p$-los de lado, por inci#ilidade- de#em ser satisfeitos com um cuidado ra,oá#el, li#re de falta de educação e de e0a%eros. Cesta-me a%ora falar das con#ersas .teis, isto , as das pessoas de#otas e #irtuosas. I Filot ia, %rande dita achar sempre semelhantes pessoas. Uma #inha plantada entre oli#eiras dá cachos oleosos, do sa!or da a,eitona- assim tam! m uma alma que con#i#e com pessoas de !em, #ai adquirindo infali#elmente as suas !oas qualidades e sua con#ersa lhe sempre um meio muito .til para pro%redir na #ida espiritual. 1s ,an%(es so,inhos não podem fa,er o mel, mas a)udam as a!elhas a fa,8-lo.

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1s modos naturais e simples, modestos e sua#es são os mais recomendá#eis no trato do pr40imo, pessoas há que nada fa,em ou di,em senão com uma afetação tal que todos se des%ostam naturalmente. 9uem s4 quisesse, por e0emplo, passear contando os passos, falar cantando, seria um homem muito fastidioso para os outros- tam! m aqueles que falam e procedem sempre dum modo estudado e como que em cad8ncia estra%am completamente uma con#ersa aliás a%radá#el e mostram em toda parte um certo esp7rito de presunção. Uma ale%ria sua#e e moderada de#e ser a alma da con#ersaassim muito se lou#a a Santo /ntão e São Comualdo, porque em toda a sua conhecida austeridade não perderam um ar de ci#ilidade, e ale%ria que orna#a as suas pessoas e as suas pala#ras; :e!ozijai-vos com os que se re!ozijam e eu te di%o coro o ap4stolo; Ale!rai-vos incessantemente no 'enhor e de novo vos di!o4 Ale!rai-vos A vossa modéstia seja conhecida de todos os homens Para que te ale%res em +osso Senhor, não !astante que o moti#o de tua ale%ria se)a l7cito, mas de#e ser tam! m honesto. 1!ser#a, portanto, e0atamente as re%ras da mod stia- nunca permitas a ti mesma esses tratos que se dão aos outros por !rincadeiras, mas que são sempre repreens7#eis. Ao%ar um no chão, !eliscar outro, pintar um terceiro de preto, en%anar a um tolo, tudo isso denota uma ale%ria desenfreada e mali%na. /l m da solidão interior, de que )á tenho falado e que de#es conser#ar no meio de todas as con#ersas, de#es amar a solidão e0terior, não ao ponto de ir procurá-la no deserto, como Santa 5aria '%ipc7aca, São Paulo, Santo /ntão, Santo /rs8nio e tantos outros eremitas, mas para que tenhas tempo de estar conti%o mesma, quer no teu quarto, quer no )ardim ou em al%um outro lu%ar com mais li!erdade, entretendo o coração com !oas refle0(es ou leituras. /ssim fa,ia o %rande !ispo de

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+a,ian,o. Passeava P di,ia ele P comi!o mesmo pela praia do mar, mais ou menos ao p=r do sol, e ai passava tranquilamente um espaço de tempo* era este o meu costume, para por meio deste pequeno divertimento aliviar o espírito dos trabalhos constantes da vida. ' Santo /%ostinho conta o mesmo de Santo /m!r4sio. /uitas vezes P di, ele P procurei-o em sua casa, sempre aberta a todos, e contemplava-o com !osto, todo absorto na leitura de um livro* e depois de esperar muito tempo em pro#undo sil)ncio, retirava-me sem lhe #alar, pensando que era melhor n$o lhe #urtar esses minutos que lhe sobravam de suas muitas ocupaç>es para descansar o espírito . * o e0emplo que o Filho de &eus nos deu- referindo-lhe, pois, um dia os ap4stolos tudo o que tinham aca!ado de fa,er em suas miss(es, disse-lhes Aesus; :etiremo-nos para a solid$o e descansemos um pouco. III – '3! " dec(ncia dos vestidos São Paulo quer que as mulheres cristãs No que há de se entender tam! m dos homensO se #istam se%undo as re%ras da dec8ncia, dei0ando de todo e0cesso e imod stia em seus ornatos. 1ra, a dec8ncia dos #estidos e ornatos depende da mat ria, da forma e do asseio. 1 asseio de#e ser %eral e cont7nuo, de sorte que e#itemos toda mancha ou coisa semelhante que possa ofender os olhosesta limpe,a e0terior se considera como um ind7cio da pure,a da alma, a ponto de o mesmo &eus e0i%ir dos seus ministros dos altares uma pure,a e honestidade perfeita quanto ao corpo. +o tocante 2 mat ria e 2 forma dos #estidos, a dec8ncia s4 se pode determinar com relação 2s circunstQncias do tempo, da poca, dos estados ou #ocaç(es, da sociedade em que se #i#e e das ocasi(es. * uso %eral #estir-se melhor nos dias de festa, 2 proporção de sua solenidade, ao passo que no tempo da penit8ncia, como na 9uaresma, se escusa muita coisa. 1s dias de casamento e os de luto t8m i%ualmente %rande diferença e

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re%ras peculiares. /chando-se na corte de um pr7ncipe, o #estuário terá mais di%nidade e esplendor do que quando se está em casa. Uma mulher pode e de#e se enfeitar melhor quando está com seu marido, sa!endo que ele o dese)a- mas, se o fi,esse em sua aus8ncia, ha#eria de per%untar-se a quem quererá a%radar com isso. Zs moças se concedem mais adornos, porque podem dese)ar a%radar a muitos, contanto que suas intenç(es se)am de %anhar um s4 coração para o casamento le%7timo. 1 mesmo se há de di,er das #i.#as que estão pensando em no#as n.pcias, contanto que não queiram imitar em tudo as )o#ens, porque, depois de ter passado pelo estado matrimonial e pelos des%ostos da #iu#e,, pensa-se que de#em ser mais s4!rias e moderadas. Para aquelas que são #erdadeiras #i.#as, como di, o ap4stolo, isto , aquelas que possuem no coração as #irtudes da #iu#e,, nenhum adorno con# m al m de um ou outro, conforme a humildade, mod stia ou de#oção- se querem, pois, dar amor aos homens, não #erdadeiras #i.#as e/ se não o querem dar/ $or que atrair a si os ol4aresG 9uem não quer rece!er h4spedes tem de tirar de sua casa a ta!uleta. Ci-se sempre dos #elhos que se querem fa,er de !onitos; esta uma fraque,a que mesmo o mundo s4 perdoa na mocidade. "onser#a um asseio esmerado, Filot ia, e nada permitas em ti ras%ado ou desarran)ado. * um despre,o das pessoas com quem se con#i#e andar no meio delas com roupas que as podem des%ostar- mas %uarda-te cuidadosamente das #aidades e afetaç(es, das curiosidades e das modas le#ianas. 1!ser#a as re%ras da simplicidade e mod stia, que são indu!ita#elmente o mais precioso ornato da !ele,a e a melhor escusa da fealdade. São Pedro ad#erte principalmente as moças que não usem penteados e0tra#a%antes. 1s homens de tão pouco caráter, que se di#ertem com essas coisas de sensualidade e #aidade, são tidos por toda parte na conta de esp7ritos efeminados. &i,-se que não se tem má intenção nessas coisas, mas eu replico,

333 P 2<. / dec8ncia dos #estidos

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como fi, outras #e,es, que o dem$nio sempre tem. Para mim eu dese)a#a que uma pessoa de#ota fosse sempre a mais !em#estida duma reunião, mas a menos pomposa e afetada, e que fosse ornada, como se #8 nos Pro# r!ios de %raça, de dec8ncia e di%nidade. São Ru7s resume tudo isso numa pala#ra, di,endo que cada um deve vestirBse se%undo o seu estado - de modo que as pessoas prudentes e a %ente de !em não possam achar e0a%ero al%um e os )o#ens nenhuma falta de ornato e dec8nciae no caso em que os )o#ens não se deem por contentes, preciso se%uir o conselho das pessoas prudentes. III – '6! "s conversas e como falar de Deus Um dos meios mais tri#iais que t8m os m dicos para conhecer o estado de sa.de de uma pessoa a inspeção da l7n%ua- e eu posso afirmar que as nossas pala#ras são o ind7cio mais certo do !om ou do mau estado da alma. +osso Senhor disse; Por vossas palavras sereis justi#icados e por vossas palavras sereis condenados. 5uitas #e,es e espontaneamente mo#emos a mão para o lu%ar em que sentimos uma dor e mo#emos a l7n%ua, a todo o amor que sentimos no coração. Se amas a &eus, Filot ia, falarás frequentemente de &eus nas tuas con#ersas 7ntimas com as pessoas de casa, com teus ami%os e #i,inhos; A boca do justo, di, a 'scritura, meditará sabedoria e a sua lín!ua #alará prud)ncia . Fala, pois, muitas #e,es de &eus e e0perimentarás o que se di, de São Francisco P que, quando pronuncia#a o nome do Senhor, sentia a alma inundada de consolaç(es tão a!undantes que at sua l7n%ua e seus lá!ios se enchiam de doçura. 5as fala de &eus como de &eus, isto , com um #erdadeiro sentimento de respeito e de piedade e nunca fales dW'le manifestando uma ci8ncia #ã ou num tom de pre%ador, mas com esp7rito de caridade, mansidão e humildade. 3mita, quanto a isto, a 'sposa dos "antares, derramando o mel delicioso da de#oção e das coisas di#inas no coração do pr40imo, e pede a

333 P 2=. /s con#ersas e como falar de &eus

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&eus em esp7rito que se di%ne dei0ar cair este or#alho santo nas almas das pessoas que te ou#em. So!retudo, não lhes fales com um tom de correção, mas de um modo de inspiração e como os an)os, isto , com uma doçura an% lica, porque admirá#el quanto pode alcançar nos coraç(es uma !oa pala#ra que procedo esp7rito de amor e mansidão. Aamais fales de &eus ou da de#oção como assunto de di#ersão ou passatempo, mas sempre atenta e de#otamentedi%o isso para te pre#enir contra uma esp cie de #aidade muito peri%osa em que costumam incorrer muitas pessoas que fa,em profissão de piedade, isto , di,er a toda hora muitas pala#ras santas, como uma simples con#ersa e sem nenhuma atenção, e depois disso se pensa que se realmente tal como se dei0ou transparecer aos outros, o que infeli,mente não se de modo al%um. III – '7! "s $alavras e o res$eito $ara com $ró&imo 'e al!uém n$o peca por palavras, é um homem per#eito +a,, di, São :ia%oU!V. :em todo o cuidado em não dei0ar sair de seus lá!ios
UaV 5t E<,EE+ão o que entra pela !oca que torna o homem impuro, mas o que sai da !oca, isto sim o torna impuro. 5t E2,36Caça de #7!oras, como podeis falar coisas !oas, se sois maus? Porque a +oca fala daquilo de que o coração está c4eio . 3<1 homem !om, do seu !om tesouro tira coisas !oas, mas o homem mau, do seu mau tesouro tira coisas más. 3='u #os di%o que de toda pala#ra in.til, que os homens disserem, darão contas no &ia do Aul%amento. 3BPois por tuas pala#ras serás )ustificado e por tuas pala#ras serás condenado. U!V 'f 6,2G+ão saia dos #ossos lá!ios nenhuma $alavra inconveniente, mas, na hora oportuna, a que for !oa para edificação, que comunique %raça aos que a ou#irem. 3F' não entristeçais o 'sp7rito Santo de &eus, pelo qual fostes selados para o dia da redenção. 3E:oda amar%ura e e0altação e c4lera, e toda $alavra $esada e in5uriosa, assim como toda mal=cia, se)am afastadas de entre #4s. 32Sede !ondosos e compassi#os uns com os outros, perdoando-#os mutuamente, como &eus em "risto #os perdoou.

333 P 2B. /s pala#ras e o respeito para com pr40imo

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al%uma pala#ra desonesta, porque, em!ora não proceda duma má intenção, os que a escutam a podem interpretar de outra forma. Uma pala#ra desonesta que penetra num coração frá%il estende-se como uma %ota de a,eite e 2s #e,es toma posse de tal modo dele que o enche de mil pensamentos e tentaç(es sensuais. * ela um #eneno do coração, que entra pelo ou#ido- e a l7n%ua que ser#e de instrumento a esse fim culpada de todo o mal que o coração pode #ir a sofrer, porque, ainda que neste se achem disposiç(es tão !oas que frustrem os efeitos do #eneno, a l7n%ua desonesta, quanto dela dependia, procurou le#ar esta alma 2 perdição. +em se di%a que não seu prestou atenção, porque +osso Senhor disse que a !oca fala da a!undQncia do coração. ', mesmo que não se pensasse nada de mal, o esp7rito mali%no o pensa e por meio dessas pala#ras suscita o sentimento mau nos coraç(es das pessoas que as ou#em. &i,-se que quem comeu a rai, denominada an% lica UcV fica um hálito doce e a%radá#el e os que possuem no coração o amor 2 castidade, que torna os homens em an)os na terra, s4 t8m pala#ras castas e respeitosas. 9uanto 2s coisas indecentes e desonestas, o ap4stolo nem quer que se nomeiem nas con#ersas, afirmando que nada corrompe tanto os !ons costumes como as más con#ersas. Se se fala dissimuladamente e em torneios sutis e artificiosos de coisas desonestas, o #eneno encerrado nessas pala#ras ainda mais sutil, danoso e penetrante, assemelhandose aos dardos, que são tanto mais para temer quanto mais finos
UcV "n%elica arc4an%elica, popularmente conhecida por an% lica, uma planta com propriedades medicinais pertencente 2 fam7lia das /piaceae NUm!el7ferasO. Planta her!ácea que mede de E a 2 m de altura. Seu caule %rosso e canelado. +as e0tremidades se encontram as flores dispostas numa infloresc8ncia em forma de um!ela. 5uito parecida com a cicuta que pertence 2 mesma fam7lia, por m com uma diferença si%nificati#a - a an% lica e0ala um aroma a%radá#el entre picante e adocicado, enquanto a cicuta tem odor desa%radá#el.

333 P 2B. /s pala#ras e o respeito para com pr40imo

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são e mais a%udas t8m as pontas. 9uem quer %ran)ear deste modo o nome e a estima de homem espirituoso i%nora completamente o fim da con#ersa- a con#ersa de#e parecer-se com o tra!alho comum de um en0ame de a!elhas para fa,er um mel precioso, e o modo de a%ir dessas pessoas pode-se comparar a um montão de #espas em torno duma podridão. /ssim, se um louco te disser pala#ras indecentes, testemunha-lhe lo%o a tua indi%nação, #oltando-te para falar com uma outra pessoa ou de al%um outro modo que te su%erir a prud8ncia. 5uito má qualidade ter um esp7rito mote)ador N,om!adorO. &eus odeia e0tremamente este #7cio e o puniu, como se l8 no /nti%o :estamento, com muita se#eridade. +ada mais contrário 2 caridade e má0ime 2 de#oção que o despre,o do pr40imo- mas a irrisão NescárnioO e mofa tra,em forçosamente consi%o este despre,o- , pois, um pecado muito %ra#e e di,em os moralistas que, entre todos os modos de ofender o pr40imo por pala#ras, este o pior, porque tem sempre unido o despre,o, ao passo que nos outros a estima ainda pode su!sistir. 5as, quanto a esses )o%os de pala#ras espirituosas com que pessoas honestas costumam di#ertir-se, com uma certa animação, sem pecar contra a caridade ou a mod stia, são at uma #irtude, que os %re%os chamam eutrapelia ou arte de sustentar uma con#ersa a%radá#el- ser#em-se para recrear o esp7rito das ocasi(es insi%nificantes que as imperfeiç(es humanas %erais fornecem ao di#ertimento. Somente de#e-se tomar o cuidado que essa ale%ria inocente não se #á tornando em mofa, porque esta pro#oca a rir-se do pr40imo por despre,o, ao passo que esses %race)os delicados s4 fa,em rir por pra,er e pelo esp7rito de certas pala#ras, ditas por li!erdade, confiança e familiaridade, com toda a franque,a, e rece!idas de !oa mente, tendo-se completa certe,a que nin%u m as le#ará a mal. 9uando os reli%iosos da corte de São Ru7s queriam

333 P 2B. /s pala#ras e o respeito para com pr40imo

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enta!ular uma con#ersa s ria e ele#ada depois do )antar, di,ialhes o santo rei; /%ora não tempo de arra,oar muito, mas de di#ertir-se com uma con#ersação animada- di%a, pois, cada um, li#re e honestamente, o que lhe #em ao pensamento. 9ueria com isso dar um pra,er 2 no!re,a de que se rodea#a, condescendendo nestas pro#as familiares da !ondade de sua real ma)estade. 'nfim, Filot ia, passemos o pouco tempo que nos dado para uma con#ersa recreati#a e a%radá#el, de modo que a de#oção a7 praticada nos asse%ure uma eternidade feli,. III – '8! Os 5u=#os temerários 1$o jul!ueis, di, nosso Sal#ador, e n$o sereis jul!ados. 1$o condeneis, e n$o sereis condenados. 1$o jul!ueis antes do tempo, di, o ap4stolo, até que venha o 'enhor, o qual descobrirá o que há de mais secreto nos coraç>es. 1hL 9uanto os )u7,os temerários desa%radam a &eusL São temerários os )u7,os dos filhos dos homens, porque não são )u7,es uns dos outros, e, )ul%ando, se arro%am o direito e o of7cio de +osso Senhor. São temerários, ainda, porque a principal mal7cia do pecado depende da mal7cia e do conselho do coração, que para n4s um se%redo tene!roso. São, enfim, temerários, porque cada um tem !astante que fa,er em )ul%ar a si mesmo, sem se meter a )ul%ar o seu pr40imo. Para não ser )ul%ado, tão necessário não )ul%ar os outros como )ul%ar a si mesmo, porque +osso Senhor nos pro7!e o primeiro e o ap4stolo nos preceitua o se%undo, di,endo; 'e nos jul!armos a n6s mesmos, n$o seremos jul!ados. 5as P 4 meu &eusL Fa,emos e0atamente o contráriofa,emos o que nos proi!ido, )ul%ando o nosso pr40imo a cada passo, e não fa,emos o que nos foi preceituado, isto , )ul%ar n4s mesmos. "omo os )u7,os temerários t8m di#erso princ7pio, de#emos curá-los tam! m com rem dios di#ersos. Sá coraç(es de sua

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nature,a tão a%rosUaV, se#eros e ásperos, que espalham indiscriminadamente a sua a%ruraU!V e se#eridade so!re todas as coisas e con#ertem em a!sinto os )u7,os, como di, o profeta /mos, )ul%ando o pr40imo sempre com todo o ri%or e aspere,a. Precisam estes dum rem dio muito há!il, tanto mais que seu inc$modo, sendo natural, muito mais dif7cil de #encer. ?sta as$eridade de coração/ ainda que não se5a em si $ecado/ mas sim$lesmente uma im$erfeição, predisp(e, no entanto, ha!itual e diretamente ao )u7,o temerário e 2 detração. 1utros )ul%am temerariamente, não por aspere,a natural, mas por or%ulho, pensando insensatamente que quanto mais re!ai0am os outros, tanto mais ele#am os seus pr4prios m ritos- esp7ritos arro%antes e presunçosos admiram incessantemente a si pr4prios e colocam-se tão alto em sua pr4pria estima que, encaram tudo o mais como al%uma coisa de ordinário e mesquinho. +ão, di,ia o fariseu, eu n$o sou semelhante aos outros homens. Sá outras pessoas, cu)o or%ulho não tão declarado e que consideram o mal do pr40imo com complac8ncia porque, contrapondo-o ao !em que pensam e0istir em si, o sa!oreiam com mais doçura e se creem mais apreciadas- e essa complac8ncia anda tão escondida que preciso ter !ons olhos para desco!ri-la P e tanto assim que aqueles mesmos que a nutrem, de ordinário a i%noram e s4 a notam se lha mostram. 5uitos querem se escusar dos seus remorsos, )ul%ando com %osto que os outros t8m o mesmo defeito ou maior ainda e persuadindo-se ao mesmo tempo que o n.mero dos criminosos diminui a %rande,a do crime. 5uitos outros se ocupam com %rande pra,er em filosofar por #ás con)eturas so!re o caráter, os costumes e as inclinaç(es dos outros, de modo que, se por des%raça acertam uma #e, em
UaV "%ro; ad). >cido, a,edo, acre. wn%reme, esca!roso.- Fi%. >rduo, dif7cil; a%ro sofrer. Ci%oroso, e0cessi#amente penoso; a%ro casti%o. U!V "%rura; s.f. /spere,a, esca!rosidade. Fi%. /mar%ura, des%osto, dissa!or; as a%ruras da #ida. 5á%oa.

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seus )u7,os com a #erdade, tanto cresce neles a audácia e a facilidade de )ul%ar que não sem %rande dificuldade que se podem corri%ir. ' quantos )ul%am so! a influ8ncia da pai0ão, $ensando sem$re mal dos que odeiam e +em dos que amamE '0iste s4 uma e0ceção muito curiosa, mas tam! m muito #erdadeira; o e0cesso do amor fa, muitas #e,es pensar mal das pessoas que se amam, o que um efeito monstruoso dum amor impuro, e imperfeito, inquieto e anormal. 5alditos ci.mes que, como se sa!e, apodamUcV uma pessoa de p rfida e ad.ltera por causa de um simples olhar, duma pala#ra um pouco le#iana, do sorriso mais puroL 'nfim, o temor, a am!ição e outras fraque,as humanas muito contri!uem frequentemente para produ,ir essas #ãs suspeitas e )u7,os temerários. 9ue rem dio ha#erá para todos esses males? &i,-se que quem !e!eu do suco duma er#a da 'ti4pia, chamada ofi.sa, ima%ina #er por toda parte serpentes e mil outras coisas pa#orosas e, para curá-los, preciso lhes dar a !e!er um pouco de #inho de palma. Se)a como for, mas quanto aos que se dei0aram corromper pela in#e)a, am!ição ou 4dio, achem mal e repreens7#el tudo o que #eem- para estas pessoas s4 o esp7rito de caridade que a palma representa pode #encer esta má inclinação de formar )u7,os temerários e in7quos. / caridade, muito lon%e de ir o!ser#ar o mal, teme at encontrá-lo, e, se o encontra, procura e#itá-lo, fa,endo como se não o #isse. Se ou#e por alto falar de al%uma coisa má, mais que depressa fecha os olhos e por sua santa simplicidade pensa que foi s4 uma som!ra ou apar8ncia do mal. ' se, coa%ida, tem que reconhecer a realidade dum mal, ela #ira lo%o que pode os olhos para o outro lado e procura
UcV /podam; /podam; alcunham- escarnecem- qualificam- tim!ramtroçam. `x /podar; #.t. &i,er apodos a- ,om!ar de- escarnecer de. /lcunhar, qualificar. "omparar depreciati#amente, em tom de ,om!aria.

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esquec8-lo. / caridade , pois, um meio eficac7ssimo para todos os males, mas particularmente para este. :odas as coisas aparecem amarelas aos olhos dos achacados da iter7cia e di,-se que para os curar necessário aplicar um certo emplastro na planta dos p s. / mal7cia do )u7,o temerário, dum modo semelhante a esta doença, fa, aparecer tudo mau aos olhos dos que a apanharam. 9uem se quer curar tem que aplicar al%um rem dio, não ao esp7rito, mas aos afetos do coração, que se podem chamar fi%uradamente os p s da alma, porque por eles ela se mo#e para onde quer. Se o teu coração , pois, !ondoso e cheio de amor, os teus )u7,os serão delicados e caridosos. So!re este ponto #ou te referir tr8s e0emplos ma%n7ficos; 3saac dissera que Ce!eca era sua irmã, mas /!imelec, notando entre eles certas demonstraç(es de amor muito ternas e familiares, presumiu que ela era sua mulher. Um olho mali%no teria formado lo%o um mau )u7,o dos dois. /!imelec, entanto, opinou do modo mais caridoso poss7#el num caso como este. 'is a7 como de#emos )ul%ar do pr40imo; o melhor poss7#el- e, se uma ação ti#esse cem aspectos diferentes, de#er7amos encará-la unicamente pelo lado mais !elo. São Aos não podia du#idar que +ossa Senhora esta#a para dar 2 lu,- mas, porque conhecia a santidade eminente e a sua #ida toda pura e an% lica, não te#e a mais le#e suspeita contra ela, por maiores que fossem as pro#as em contrário- dei0ando a &eus )ul%ar so!re o caso, tomou simplesmente a resolução de a!andoná-la. ' o 'sp7rito Santo di, no '#an%elho que assim procedeu porque era um homem )usto. 1 homem )usto, quando não pode escusar um fato nem a intenção daquele que aliás conhece por homem de !em, não s4 não o quer )ul%ar, mas lança de si tal pensamento e dei0a o )u7,o Unicamente a &eus. 1 Sal#ador, na cru,, não podendo desculpar inteiramente o pecado dos que o tinham crucificado,

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quis ao menos lhe diminuir a mal7cia em ra,ão da i%norQncia. /ssim se 2s #e,es não podemos desculpar o pecado do pr40imo, tornemo-lo ao menos di%no de compai0ão, atri!uindo a falta 2 causa mais sofr7#el que possa ter, como a i%norQncia ou a fraque,a. 'ntão nunca podemos )ul%ar o pr40imo? 2unca. Filot ia- mesmo nas sentenças do tri!unal humano &eus quem )ul%a. * #erdade que são os )u7,es que a7 aparecem e fulminam a sentença, mas eles são apenas os ministros e int rpretes de &eus e nunca de#em pronunciar um )u7,o que não se)a se%undo a sua lei, e suas sentenças são os seus pr4prios oráculos. Se se afastam desta re%ra, se%uindo suas pai0(es, então são na #erdade eles que )ul%am e que por conse%uinte serão )ul%ados- aos homens, como homens, a!solutamente #edado )ul%ar os seus semelhantes. Jer ou conhecer uma coisa não o mesmo que )ul%á-la, porque para )ul%ar sempre se pressup(e, como e0plica a Sa%rada 'scritura, al%uma esp cie de ra,ão %rande ou pequena, #erdadeira ou aparente, que se de#e e0aminar com muita prud8ncia- por isso di, o 'sp7rito Santo que quem não tem f )á está )ul%ado, porque nenhuma d.#ida há que serão um dia condenados. +ão será então uma falta du#idar do pr40imo? +ão, porque o que il7cito o )ul%ar e não o du#idar. 5as tam! m não nos permitido du#idar ou suspeitar mais do que as ra,(es nos o!ri%am- de outra forma seriam d.#idas ou suspeitas temerárias. Se al%uns olhos mali%nos #issem a Aac4, quando !ei)ou Caquel, )unto ao poço, saudando-a cortesmente se%undo os usos do tempo, ou, então, se #issem Ce!eca rece!er das mãos de 'lie,er, um homem desconhecido naquela terra, as pulseiras e !rincos que lhe tra,ia, teria certamente pensado e )ul%ado mal, sem ra,ão nem fundamento al%um, destas duas pessoas que eram modelos de castidade. Se uma ação , pois, d.!ia em si, uma suspeita temerária inferir da7 uma consequ8ncia má, a não ser que muitas circunstQncias )untas

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formem uma ra,ão con#incente. 'nfim, as pessoas ,elosas da retidão de sua consci8ncia nunca acham ense)o de )ul%ar temerariamente- e, em #e, de perderem tempo perscrutando as aç(es e intenç(es do pr40imo, cu)o procedimento parece enleadoUdV e ine0plicá#el, entram em si mesmas e en#idam todos os esforços para melhorar e aperfeiçoar a sua pr4pria #ida- assemelham-se 2s a!elhas, que, quando o tempo está nu!lado, se retiram para as suas colmeias e se ocupam com os pequenos tra!alhos da preparação do mel. S4 uma alma que não sa!e o que fa,er de !om e .til que se di#erte a e0aminar a #ida alheia. '0cetuam-se, entretanto, os que t8m esse of7cio o!ri%at4rio, quer numa fam7lia, quer num estado, e para os quais essa atenção e #i%ilQncia so!re as aç(es do pr40imo constitui um de seus de#eres mais sa%rados. "umpram, pois, estes o seu de#er com #erdadeiro amor e, uma #e, preenchido, #oltem a cuidar em si pr4prios. III – '9! " maledic(ncia / inquietação, o despre,o do pr40imo e o or%ulho são insepará#eis do )u7,o temerário e, entre os muitos efeitos perniciosos que deles se ori%inam, ocupa o primeiro lu%ar a maledic8nciaUaV, que a peste das con#ersas e palestras. 1hL
UdV 'nleado; ad). 'm!araçado, entrelaçado, emaranhado. Fi%. :7mido, indeciso, pertur!ado, assustado. UaV Direito do 4omem à 4onra ]26BG :aledic(ncia e cal.nia destroem a reputação e a honra do pr40imo. 1ra, a honra o testemunho social prestado 2 di%nidade humana. :odos %o,am de um direito natural 2 honra do pr4prio nome, 2 sua reputação e ao seu respeito. &essa forma, a maledic8ncia e a cal.nia ferem as #irtudes da )ustiça e da caridade. ]2<3G / in#e)a um #7cio capital. &esi%na a triste,a sentida diante do !em do outro e do dese)o imoderado de sua apropriação, mesmo inde#ida. 9uando dese)a um %ra#e mal ao pr40imo, um pecado mortal; Santo /%ostinho #ia na in#e)a Ho pecado dia!4lico por e0cel8nciaM. H&a in#e)a nascem o 4dio, a maledic8ncia, a cal.nia, a ale%ria causada pela des%raça do pr40imo e o despra,er causado por sua prosperidade.M

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9uisera ter uma daquelas !rasas do altar sa%rado para purificar os homens de suas iniquidades 2 imitação do Serafim que purificou o profeta 3sa7as das suas, para que assim pudesse torná-lo di%no de pre%ar a Pala#ra de &eus. "ertamente, se fosse poss7#el tirar a maledic8ncia do mundo, e&terminarBseBia a maior $arte dos $ecados. 9uem tira in)ustamente a !oa fama ao seu pr40imo, al m do pecado que comete, está o!ri%ado 2 restituição inteira e proporcionada 2 nature,a, qualidade e circunstQncias da detração ou fofoca, porque nin%u m pode entrar no " u com os !ens alheios e, entre os +ens e&teriores/ a fama e a 4onra são os mais $reciosos e os mais caros . :r8s #idas diferentes temos n4s; a vida es$iritual, que a %raça di#ina nos confere- a vida cor$oral, de que a alma o princ7pio- e a vida social, que repousa os seus fundamentos na !oa reputação. 1 pecado nos fa, perder a primeira, a morte nos tira a se%unda e a maledic(ncia nos leva a terceira. / maledic8ncia uma esp cie de assassinato e o maldi,ente torna-se r u de um tr7plice homic7dio espiritual; o primeiro e o se%undo di, respeito a sua alma e 2 alma da pessoa com quem se fala- e o terceiro com respeito 2 pessoa de quem se deturpa o !om nome. São @ernardo di,, por isso, que os que cometem a maledic(ncia e os que a escutam tem o demAnio no cor$o aqueles na l7n%ua e estes no ou#ido, e &a#i, falando dos maldi,entes, di,; Sl E6F NE3GO,6A!uçaram a sua lín!ua como a das serpentes, querendo si%nificar que, 2 semelhança da l7n%ua da serpente, que, como o!ser#a /rist4teles, tem duas pontas, sendo fendida no meio, tam! m a l7n%ua do maldi,ente fere e en#enena o coração daquele com quem está falando e a reputação daquele so!re quem se con#ersa. Peço-te encarecidamente que nunca fales mal de nin%u m, nem direta nem indiretamente. Guarda-te conscientemente de imputar falsos crimes ao pr40imo, de desco!rir os ocultos U!V, de
U!V "atecismo Comano, Parte 333; &os 5andamentos, "/Pw:UR1 +1+1,

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aumentar os conhecidos, de interpretar mal as !oas o!ras, de ne%ar o !em que sa!es que al%u m possui na #erdade ou de atenuá-lo por tuas pala#ras- tudo isso ofende muito a &eus, de modo particular o que encerra al%uma mentira, contendo então sempre dois pecados; o de mentir e o de pre)udicar o pr40imo. /queles que, para maldi,er começam elo%iando o pr40imo são ainda mais maliciosos e peri%osos. "onfirmo, di,em eles, que estimo muito a fulano, que, aliás, um homem de !em, mas para di,er a #erdade na te#e ra,ão em fa,er isso e aquilo. /quela moça muito !oa e #irtuosa, mas dei0ou-se en%anar. +ão está #endo a ast.cia? 9uem quer disparar um arco pu0a-o primeiro para si o quanto pode, mas s4 para arremessá-lo com mais força, assim parece que o maldi,ente primeiro retira uma fofoca que )á tinha na l7n%ua, mas fa, isso somente para que lançando-a depois como uma flecha, com maior mal7cia, penetre mais profundamente nos coraç(es. / maledic8ncia, afinal, proferida a %uisa de %race)o, e a mais cruel de todas, tanto assim que se pode comparar a sua crueldade com a da cicutaUcV, que, não sendo em si um #eneno muito forte e at fácil de ser preser#ado, se torna irremediá#el, se se mistura com o #inho. &este modo uma maledic8ncia que por si não conse%uiria outra coisa senão entrar por um ou#ido e sair pelo outro, muito impressiona o esp7rito apresentando-se dum modo sutil e )ocoso. * isso que &a#i nos quer di,er naquelas pala#ras; Sl E6FNE3GO,62les t)m o veneno de víbora em seus lábios. "om
&o 1ita#o 5andamento, +H detração T +o caso de cometer al%u m uma falta a!solutamente oculta, cu)a di#ul%ação lhe pre)udica e destr4i o !om nome, com ra,ão considerado detrator e maldi,ente aquele que a re#ela, em circunstQncia não necessária de lu%ar, tempo e pessoas. *atecismo ;omano. Petr4polis, Jo,es, EG=2, pp. 6E< a 626. UcV "icuta R. * um %8nero de plantas apiáceas que compreende quatro esp cies muito #enenosas, nati#as das re%i(es temperadas do Semisf rio +orte. São plantas her!áceas perenes, que crescem at E-2 metros.

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efeito, a #7!ora fa, a sua mordedura quase impercept7#el e causa uma sensação a%radá#el, a qual, por m, dilatando o coração e as entranhas, fa, o #eneno penetrar tão profundamente que não há mais cura. +unca di%as; P Fulano um !8!ado, em!ora o tenhas #isto em!ria%ado. +em o chames ad.ltero, por t8-lo #isto neste pecado. +em di%as que incestuoso, por t8-lo encontrado nesta des%raça. Porque uma s4 ação não dá nome 2 coisa. 1 sol parou uma #e, em fa#or de Aosu e o!scureceu-se tam! m na morte #itoriosa de +osso Senhor. 5as nin%u m #ai di,er que o sol im4#el ou escuro. +o em!ria%ou-se uma #e, e R4 outra, e este al m disso cometeu %rande incesto. ' contudo não foram !rios, nem o .ltimo foi incestuoso. ' São Pedro não foi san%uinário por ter derramado san%ue uma #e,, nem !lasfemo por ter uma #e, !lasfemado. Para tomar o nome de uma #irtude ou de um #7cio, preciso ter pro%resso e há!ito neles. Falsidade, pois, di,er que um homem col rico ou ladrão, por t8-lo #isto irar-se ou rou!ar uma #e,. /inda que um homem tenha sido #iciado muito tempo, corremos risco de mentir, se o chamarmos de #iciado. Simão, o Reproso, ta0a#a a 5adalena de HpecadoraM, porque ela o tinha sido antes. 5as de mentia, pois ela )á não o era. Penitente e contrita, o pr4prio +osso Senhor tomou sua defesa. 1 louco do fariseu tinha o pu!licano na conta de %rande pecador, por#entura na conta de in)usto, ad.ltero e ladrão. 'n%ana#a-se, por m, redondamente, porque naquele mesmo instante o pu!licano tinha sido )ustificado. /hL Se, pois, a !ondade de &eus tão %rande que um s4 momento !asta para o!ter e rece!er a %raça, que certe,a podemos ter que um homem, ontem pecador, ainda o se)a ho)e? 1 dia passado não de#e )ul%ar o dia presente- s4 o .ltimo dia que )ul%a todos os demais. +unca podemos, pois, di,er que um homem mau, sem peri%o de mentir- o má0imo que podemos di,er, se for necessário, que cometeu tal ou tal ação má ou

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que tem le#ado uma #ida má no passado ou que procede mal no presente- mas não se pode tirar al%uma consequ8ncia de ontem para ho)e nem de ho)e para ontem e muito menos para amanhã. 'sta delicade,a de consci8ncia de#emos unir 2 prud8ncia, que necessária para preca#ermo-nos de outro e0tremo em que caem aqueles que, para e#itar a maledic8ncia, se p(em a lou#ar o #7cio. Se uma pessoa tem o costume de falar mal do pr40imo, não di%as lo%o, para e0culpá-la, que leal, franca e sincera. Se uma outra manifestamente #aidosa, não #ás di,er que tem um coração no!re e maneiras delicadas. +ão chames 2s familiaridades peri%osas de simplicidade e naturalidade duma alma inocente. +ão denomines a deso!edi8ncia ,elo- a arro%Qncia, %enerosidade- a sensualidade, ami,ade. +ão, Filot ia, para fu%ir 2 maledic8ncia não de#emos fa#orecer os outros #7cios, nem os lison)ear nem os estimular- mas de#e-se di,er franca e li#remente que um #7cio um #7cio e repreender o que repreens7#el. Fa,endo isto, sem d.#ida daremos %l4ria a &eus, contanto que o!ser#emos as condiç(es se%uintes; 'm primeiro lu%ar s4 se de#em repreender os. #7cios do pr40imo, se disso pro#ier al%uma utilidade para aquele de quem se fala ou para aqueles com quem se fala. Cefere-se, por e0emplo, em presença de )o#ens que tais e tais pessoas #i#em numa familiaridade peri%osa e indiscreta, que certo )o#em muito dissoluto em pala#ras ou em outros modos contrários ao pudor. Pois !emL Se não repreendo francamente este modo de #ida, se o quero desculpar, aquelas almas frá%eis dos meus ou#intes tomarão ense)o para fa,er o mesmo. *, pois, muito .til que repreenda imediatamente o que se disse, a não ser que o dei0e para fa,er numa outra ocasião mais prop7cia, em que sofra menos a reputação das pessoas mencionadas. 'm se%undo lu%ar, necessário que eu tenha o!ri%ação de falar, como se eu fosse um dos principais daquela reunião de pessoas, de forma que o meu sil8ncio passasse por uma

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apro#ação. Se eu ocupo um dos .ltimos lu%ares, nem de#o nem posso repreender a nin%u m e minhas pala#ras de#em ser !em pensadas e e0atas, para não di,er mais do que preciso. Por e0emplo, tratando de uma certa familiaridade entre dois )o#ens, por tudo quanto há, Filot ia, de#o ter a !alança !em )usta e nada acrescentar que diminua ou a%ra#e o fato. Se não há, pois, mais do que uma certa apar8ncia ou uma simples imprud8ncia, tam! m não de#o di,er mais do que isto- e, se não há nem apar8ncia nem imprud8ncia nem coisa al%uma al m dum ou outro prete0to para um esp7rito malicioso murmurar, calar-meei de todo ou então direi s4 isso que sei. / Sa%rada 'scritura compara muitas #e,es e com muita ra,ão a l7n%ua maldi,ente a uma na#alha, porque, ao )ul%ar o pr40imo, se de#e prestar tanta atenção, como um há!il cirur%ião que corta entre os ner#os e os tend(es. * preciso que o %olpe que eu der se)a tão certeiro e )usto, que não di%a nem mais nem menos do que . 'nfim, censurando al%um defeito, de#emos poupar a pessoa tanto quanto podemos. * #erdade que se pode falar a!ertamente dos pecadores p.!licos reconhecidos como tais, mas de#e ser em esp7rito de caridade e compai0ão e não com arro%Qncia ou presunção por um certo pra,er que se ache nissoeste .ltimo sentimento denotaria um coração !ai0o e #il. ?&cetuo somente os inimi%os de Deus e da I%re5a , porque a estes de#emos com!ater quanto pudermos, como são os chefes de heresias, cismas, etc. > uma caridade desco+rir o lo+o que se esconde entre as ovel4as/ em qualquer $arte onde o encontramos. /l%uns tomam a li!erdade de criticar os pr7ncipes e falar mal de naç(es inteiras, conforme o afeto particular que lhes consa%ram. +ão incidas nesta falta, Filot ia, que, al m de ser uma ofensa a &eus, poderia causar mil %8neros de des%ostos. 1u#indo falar mal do pr40imo, procura p$r lo%o em d.#ida o que se di,, se o podes fa,er )ustamente- ao menos desculpa a

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sua intenção ou, se isto mesmo não for poss7#el, manifesta a tua compai0ão. 5uda de assunto, lem!rando-te a ti mesma e 2s outras pessoas que quem não comete muitas faltas s4 o de#e 2 %raça di#ina. Procura por al%um modo delicado que o maldi,ente reconsidere e, se sa!es, di,e francamente al%um !em da pessoa ofendida. H9uem #i%ia sua !oca e sua l7n%ua, preser#a sua alma de %randes apertos.M NPr 2E,23O HPonde, Senhor, uma %uarda em minha !oca, uma sentinela 2 porta de meus lá!ios.M NSl E6F,3O III – ,<! *omo falar Se)a sincera tua lin%ua%em, a%radá#el, natural e fiel. Guarda-te de do!re,, artif7cios e toda sorte de dissimulaç(es, porque, em!ora não se)a prudente di,er sempre a #erdade, entretanto sempre il7cito faltar 2 #erdade. /costuma-te a nunca mentir, nem de prop4sito nem por desculpa nem doutra forma qualquer, lem!rando-te que &eus o &eus da #erdade. ', se al%uma mentira te escapar, por descuido e a podes reparar por uma e0plicação ou de al%um outro modo, fa,e-o prontamente. Uma escusa #erdadeira tem muito maior %raça e eficácia, para )ustificar, que uma mentira meditada. "onquanto se possa 2s #e,es disfarçar e enco!rir a #erdade por al%um artif7cio de pala#ras, s4 o de#emos fa,er nas coisas importantes, quando a %l4ria e o ser#iço de &eus o e0i%em manifestamente- fora disso são estes artif7cios muito peri%osos, tanto assim que di, a Sa%rada 'scritura que o 2spirito 'anto n$o habita num espírito dissimulado e duplo. +unca e0istiu sutile,a melhor e mais estimá#el que a simplicidade. / prud8ncia mundana com todos os seus artif7cios o sinal dos filhos do s culo- os filhos de &eus andam por um caminho reto e t8m o coração sem do!ras. %uem caminha com simplicidade, diz o sábio- caminha com con#iança. / mentira, a do!re,, a dissimulação serão sempre

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tend8ncias naturais dum esp7rito #il e fraco. Santo /%ostinho tinha dito no quarto li#ro de suas Con#iss>es que sua alma e a de seu ami%o eram unidas numa s4 alma, que esta #ida lhe era insuportá#el depois do seu falecimento, porque não queria #i#er assim s4 pela metade, mas que por esta mesma ra,ão não queria, morrer, com medo que seu ami%o morresse completamente. 5ais tarde estas pala#ras lhe pareceram demasiado afetadas e artificiosas e no seu li#ro das Cetrataç(es ele censurou, chamando-as de in pcia. 'is a7, Filot ia, que delicade,a desta alma santa e !ela, quanto 2 afetação nas pala#rasL / fidelidade, sinceridade e naturalidade da lin%ua%em certamente um lindo ornato da #ida cristã. &isse e o farei, protesta#a &a#i, !uardarei os meus caminhos para n$o pecar com minha lín!ua P>e, 'enhor, !uardas 8 minha boca e aos meus lábios uma porta que os #eche. /conselha#a o rei São Ru7s nunca contradi,er a nin%u m senão em caso de pecado ou de al%um %ra#e dano, para e#itar as contendas. ', quando for necessário contradi,er aos outros e opor a pr4pria opinião 2 sua, isto de#e ser feito com muita doçura e )eito, para não parecer que se lhes quer fa,er #iol8ncia- tanto mais que com aspere,a pouco ou nada se conse%ue. / re%ra de falar pouco, que os anti%os sá!ios tanto recomenda#am, não se toma no sentido de di,er poucas pala#ras, mas no de não di,er muitas in.teis, não quanto 2 quantidade, mas quanto 2 qualidade. &ois e0tremos me parece que de#em ser e#itados cuidadosamente. 1 primeiro consiste em assumir, nas con#ersas de que se participa, um ar or%ulhoso e austero, dum sil8ncio afetado, manifestando desconfiança ou despre,o. 1 se%undo consiste em falar demais, sem dei0ar ao interlocutor nem tempo nem ocasião de di,er al%umas pala#ras,

333 P 3F. "omo falar

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o que dei0a transparecer um esp7rito presunçoso e le#iano. São Rui, não tinha por !em se falar numa reunião em se%redo ou, como então se di,ia, Hem conselhoM, particularmente 2 mesa, com receio de que os outros pensassem que se esta#a falando mal deles. Sim P di,ia ele P se 2 mesa ou numa reunião se tem al%uma coisa !oa ou interessante para di,er, di%a-se alto e para todos- tratando-se, por m, duma coisa s ria e importante, não se fale so!re isso com nin%u m. III – , ! Os divertimentosD os 4onestos e l=citos / necessidade dum di#ertimento honesto, para dar uma certa e0pansão ao esp7rito e al7#io ao corpo, uni#ersalmente reconhecida. "onta o !eato "assiano que um caçador, encontrando São Aoão '#an%elista a !rincar com uma perdi, que se%ura#a em suas mãos, lhe per%untou como um homem como ele podia perder tempo com um di#ertimento semelhante- o santo por sua #e, per%untou ao caçador por que ele não tinha sempre o seu arco esticado, ao que este respondeu que, se fi,esse assim, o arco perderia toda a força. Cetorquiu então o santo ap4stolo; +ão há, pois, que admirar que d8 a%ora um pouco de descanso ao, meu esp7rito, para o tornar capa, de prosse%uir em suas contemplaç(es. +ão há du#idar; muito defeituosa aquela se#eridade de al%uns esp7ritos rudes, que nunca querem permitir um pouco de repouso nem para si nem para os outros. Passear, para espairecer um pouco, di#ertir-se numa con#ersação animada e a%radá#el, tocar piano ou um outro instrumento, cantar com acompanhamento, ir 2 caça- todos esses são di#ertimentos tão honestos que para tornar parte neles !asta a prud8ncia #ul%ar, que re%ra todas as coisas se%undo a ordem, o lu%ar e a medida con#eniente. 1s )o%os em que o %anho ser#e de pa%a ou recompensa 2s ind.strias e 2s ha!ilidades do corpo e do esp7rito, como os )o%os de !olas, de !al(es, de malhas, de ar%olinhas, o 0adre, e

333 P 3E. 1s di#ertimentos- os honestos e l7citos

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as damas, todas essas recreaç(es são em si honestas- s4 o que se de#e e#itar perder muito tempo e apostar uma quantia muito alta. Se dás muito tempo ao )o%o, ele )á não um di#ertimento, mas fica sendo uma ocupação, de modo que, em #e, de ali#iar o esp7rito e o corpo, sai-se do )o%o cansado e estafado, como acontece aos que )o%aram 0adre, por cinco ou seis horas sem parar, ou, então, tendo %asto muitas forcas e ener%ias, como quem )o%a as !olas por muito tempo, continuamente. Se a quantia apostada tam! m muito %rande, as inclinaç(es aliás honestas dos )o%adores se e0citam e se tornam pai0(es e, al m disso, in)usto e irra,oá#el arriscar e fi0ar um preço tão alto nessas ha!ilidades do )o%o, que em si são tão insi%nificantes e in.teis. So!retudo, toma todo o cuidado, Filot ia, que teu coração não se ape%ue a estas coisas, porque, por melhor que se)a um di#ertimento, não de#emos atar a ele o coração e o afeto. +ão di%o que não se ache %osto no )o%o, quando se está )o%ando, porque senão não seria um di#ertimento- di%o somente que não se de#e ir a ponto de dese)á-lo ansiosamente, como tinha coisa de %rande importQncia III – ,'! Os 5o%os $roi+idos 1s )o%os de dados, de cartas e outros semelhantes, em que a #it4ria depende principalmente do acaso, não s4 são di#ertimentos peri%osos, como a dança, mas são mesmo por sua nature,a a!solutamente maus e repreens7#eis- por esta ra,ão os pro7!em as leis eclesiásticas e as leis ci#is de muitos pa7ses. &irás tal#e,; mas que mal há nisso? 'u respondo que, sendo a sorte e não a ha!ilidade do )o%ador que decide, %anhando muitas #e,es o menos industrioso, este procedimento contrário 2 ra,ão- nem podes di,er que foi este o a)uste, porque isto s4 ser#e para )ustificar que o #encedor não in)uria os outros, mas não tira a desonestidade da con#enção e do pr4prio )o%o- o %anho, que de#e ser um pr8mio da ha!ilidade,

333 P 32. 1s )o%os proi!idos

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torna-se um pr8mio da sorte, que não depende de n4s e nada merece. &emais, os )o%os são feitos para di#ertimento nosso- mas esses )o%os de acaso N/,arO não são #erdadeiras di#ers(es e sim ocupaç(es fati%antes. "omo não há de cansar ter o Qnimo continuamente inquieto e a%itado por temores e surpresas? 9ue ocupação mais triste, sem %raça e melanc4lica que a dos )o%adores que se melindram uns aos outros, e se a%astam, se se di, uma pala#ra, se se ri e at porque al%u m tosseL 'nfim, esses )o%os s4 dão ale%ria, quando al%u m %anha- e não será in)usta uma ale%ria semelhante, que acarreta a perda e o des%osto do pr40imo? +a #erdade, uma tal ale%ria indi%na de um homem de !em. Foi por estas tr8s ra,(es que esses )o%os foram proi!idos. São Rui,, estando a !ordo e ou#indo que seu irmão, o conde de /n)ou, se di#ertia )o%ando com o senhor Gautier +emours, le#antou-se, em!ora esti#esse muito doente, diri%iu-se com muito custo ao quarto onde esta#am, tomou os )o%os e uma parte do dinheiro e atirou-os ao mar, demonstrando #i#amente a sua indi%nação. / )o#em Sara, falando a &eus de sua inoc8ncia na !ela oração que lhe diri%iu, protestou que nunca tinha lidado com qualquer, esp cie de )o%adores. III – ,,! Os cuidados com +ailes e outros divertimentos /s danças e os !ailes são coisas por si inofensi#as- mas os costumes de nossos dias tão afeitos estão ao mal, por di#ersas circunstQncias, que a alma corre %randes peri%os nestes di#ertimentos. &ança-se 2 noite e nas tre#as, que as melhores iluminaç(es não conse%uem dissipar de todo, e quão fácil que de!ai0o do manto da escuridão se façam tantas coisas peri%osas num di#ertimento como este, que tão prop7cio ao mal. Fica-se a7 alta hora da noite, perdendo-se a manha se%uinte e conse%uintemente o ser#iço de &eus Noração, 5issaO.

333 P 33. 1s cuidados com !ailes e outros di#ertimentos

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+uma pala#ra, uma loucura fa,er da noite dia e do dia noite, e trocar os e0erc7cios de piedade por #ãos pra,eres. :odo !aile está cheio de #aidade e emulação e a #aidade uma disposição muito fa#orá#el 2s pai0(es desre%radas e aos amores peri%osos e desonestos, que são as consequ8ncias ordinárias dessas reuni(es. Ceferindo-me aos !ailes, Filot ia, di%o-te o mesmo que os m dicos di,em dos co%umelos, afirmando que os melhores não prestam para nada. Se tens que comer co%umelos, #e)as que este)am !em preparados e não comas muito, por que, por melhor preparados que este)am, tornam-se, toda#ia, um #erdadeiro #eneno, se são in%eridos em %rande quantidade. Se em al%uma ocasião, não podendo te escusar, fores coa%ida a ir ao !aile, presta ao menos atenção que a dança se)a honesta e re%rada em todas as circunstQncias pela !oa intenção, pela mod stia, pela di%nidade e dec8ncia, e dança o menos poss7#el, para que teu coração não se ape%ue a essas coisas. 1s co%umelos, se%undo Pl7nio, como são porosos e espon)osos, se impre%nam facilmente de tudo quanto lhes está ao redor, at mesmo do #eneno de uma serpente que por perto deles se arraste. &o mesmo modo, essas reuni(es 2 noite arrastam para seu meio ordinariamente todos os #7cios e pecados que #ão alastrando pela cidade, os ci.mes, as pedanterias, as !ri%as, os amores loucos- e, como o aparato, a influ8ncia e a li!erdade, que reinam nestas festas, a%itam a ima%inação, e0citam os sentidos e a!rem o coração a toda sorte de pra,eres, caso a serpente murmure aos ou#idos uma pala#ra indecente ou aduladora, caso se se)a surpreendido por al%um olhar dum !asilisco, os coraç(es estarão inteiramente a!ertos e predispostos a rece!er o #eneno. I Filot ia, esses di#ertimentos rid7culos são de ordinário peri%osos. &issipam o esp7rito de de#oção, enfraquecem as forças da #ontade, esfriam os ardores da caridade e suscitam na alma milhares de más disposiç(es. Por estas ra,(es nunca se

333 P 33. 1s cuidados com !ailes e outros di#ertimentos

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de#e frequentá-los, e, no caso de necessidade, s4 com %randes precauç(es. &i,-se que, depois de comer co%umelos, preciso !e!er um %ole do melhor #inho e0istente- e eu di%o que, depois de assistir a estas reuni(es, con# m muito refletir so!re certas #erdades santas e compenetrantes para preca#er e dissipar as tentadoras impress(es que o #ão pra,er possa ter dei0ado no esp7rito. 'is aqui al%umas que muito te aconselho; E. +aquelas mesmas horas que passaste no !aile, muitas almas se queima#am no inferno por pecados cometidos na dança ou por suas más consequ8ncias. 2. 5uitos reli%iosos e pessoas piedosas, nessa mesma hora esta#am diante de &eus, cantando seus lou#ores e contemplando a sua !ondade- na #erdade, o seu tempo foi muito mais empre%ado que o teuL 3. 'nquanto dança#as, muitas pessoas se de!atiam em cruel a%onia, milhares de homens e mulheres sofriam dores atroc7ssimas em suas casas ou nos hospitais. /hL 'les não ti#eram um instante de repouso e tu não ti#este a menor compai0ão deles- não pensas tu a%ora que um dia hás de %emer como eles, enquanto outros dançarão?L 6. +osso Senhor, a Sant7ssima Jir%em, os santos e os an)os te esta#am #endo no !aile. /hL 9uanto os des%ostaste nessas horas, estando o teu coração todo ocupado com um di#ertimento f.til e tão rid7culoL <. /hL 'nquanto lá esta#as, o tempo se foi passando e a morte se foi apro0imando de ti- considera que ela te chame para a terr7#el passa%em do tempo para a eternidade e para uma eternidade de %o,os ou de sofrimentos. 'is a7 as consideraç(es que te queria su%erir- &eus te inspirará outras mais fortes e salutares, se ti#eres santo temor a 'le.

333 P 36. 9uando se pode )o%ar ou dançar

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III – ,1! Iuando se $ode 5o%ar ou dançar Para que um )o%o ou uma dança se)am l7citos, necessário que n4s nos sir#amos desses di#ertimentos por deleite, e não por inclinação- por pouco tempo e não at nos estafarmosraramente e não como uma ocupação diária. 5as em que ocasião l7cito )o%ar-se e dançar-se? /s ocasi(es pr4prias dum )o%o ou duma dança in4cua não são raras. 5enos frequentes, por m, são as dos )o%os proi!idos, censurá#eis e mais peri%osos. +uma pala#ra; )o%a e dança, o!ser#ando as condiç(es que te indiquei, todas as #e,es que a prud8ncia e a discrição te aconselharem a ter esta condescend8ncia para com a sociedade em que esti#eres- porque a condescend8ncia, sendo um ato de caridade, torna as coisas indiferentes !oas e at pode permitir certas peri%osas, che%a mesmo a tirar a mal7cia de al%umas que de al%um modo são más, como nos )o%os de a,ar, que, sendo em si repreens7#eis, tornam-se 2s #e,es l7citos, se partilhados por uma )usta complac8ncia para com o pr40imo. Foi um consolo para eu ler na #ida de São "arlos @orromeu que tinha muita condescend8ncia para com os su7ços, em coisas em que aliás era muito mais se#ero noutras ocasi(es, e ou#ir que Santo 3nácio de Roiola, con#idado uma #e, a )o%ar, aceitou o con#ite. Santa 3sa!el da Sun%ria )o%a#a 2s #e,es e acha#a-se presente nas reuni(es de di#ertimentos, sem que coro isso perdesse a sua de#oção. 1s rochedos circun#i,inhos do la%o de Cieti crescem á proporção que as ondas neles se em!atemassim, a piedade tão arrai%ada esta#a na alma desta santa que ia crescendo sempre mais no meio das pompas e #aidades a que esta#a e0posta. /s %randes fo%ueiras inflamam-se com o #entomas os fo%uinhos fracos se apa%am, se não estão !em co!ertos. III – ,3! " fidelidade devida a Deus em todas as coisas 1 'sposo di#ino di, no "Qntico dos "Qnticos que sua 'sposa lhe arre!atou o coração por um de seus olhos e por um de seus ca!elos. "omo de#em se entender estas pala#ras?

333 P 3<. / fidelidade de#ida a &eus em todas as coisas

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* #erdade que o olho a parte mais admirá#el do corpo, tanto por sua estrutura e forma como por suas funç(es- mas que há de mais #il e despre,7#el que o ca!elo? Filot ia, &eus nos quis ensinar por esta comparação que as nossas m7nimas e mais insi%nificantes aç(es dão lhe são menos a%radá#eis que as maiores e as de maior !rilho e que para lhe a%radar do mesmo modo necessário ser#ir-lhe numas e noutras, podendo n4s em am!as indistintamente merecer o seu amor. * )usto e !om, Filot ia, que te prepares para suportar %randes cru,es por +osso Senhor, que le#es o teu amor at ao mart7rio, que lhe ofereças tudo o que tens de mais caro, se ele o quiser aceitar; pai e mãe, irmão e irmã, marido e mulher, filhos e ami%os, teus olhos e at tua #ida, coisas todas essas que )á lhe de#es, porque tais de#em ser as disposiç(es cont7nuas do teu esp7rito e coração. 5as, enquanto a di#ina Pro#id8ncia não e0i%e de ti %randes coisas, enquanto não te pede os olhos por seu amor, oferece-lhe ao menos os teus ca!elos. 9uero di,er que necessário suportar com !randura os pequenos inc$modos- essas perdas pouco #aliosas e essas contrariedades in.meras de cada dia e essas pequenas ocasi(es, sendo suportadas por um #erdadeiro amor a &eus, %ran)ear-te-ão inteiramente o seu "oração. Sim, esses pequenos atos de caridade que fa,es todos os dias, essas dores de ca!eça e de dentes, essas constipaç(es, esse mau %8nio dum marido ou duma mulher, o que!rar-se um #idro, o desd m ou mau humor, a perda das lu#as, do lenço ou do anel, esses pequenos inc$modos de deitar-se cedo e de madru%ar pela manhã, para re,ar ou comun%ar, essa #er%onha passa%eira que se tem ao fa,er al%um ato p.!lico de piedade- numa pala#ra P todas essas aç(es e sofrimentos, sendo animados do amor de &eus, a%radam muit7ssimo 2 sua di#ina !ondade, que prometeu o reino dos c us a quem der um copo dWá%ua por amor a ele, isto , infinitamente mais do que todo o mar em comparação duma

333 P 3<. / fidelidade de#ida a &eus em todas as coisas

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%ota dWá%ua P e, como essas ocasi(es se oferecem a cada instante, podes amontoar rique,as espirituais incalculá#eis, se as apro#eitares !em. Rendo na #ida de Santa "atarina de Sena tantos raptos do esp7rito em &eus, tantas pala#ras duma sa!edoria su!lime e mesmo serm(es inteiros, não du#idei que com este HolhoM de contemplação ela tenha arre!atado o "oração do 'sposo celeste- mas muito me consolou #8-la noutras ocasi(es ocupada, por ordem de seu pai, na co,inha, com a assadeira, atiçando o fo%o, preparando a comida, amassando pão e fa,endo enfim os of7cios mais humildes da casa, cheia de uma cora%em oriunda do amor de &eus. ' não aprecio menos a simples meditação que ela fa,ia no meio destes ser#iços #is e a!)etos do que os 80tases e os raptos que lhe foram tão ha!ituais e que constitu7ram tal#e, uma recompensa por sua humildade e despre,o. Sua meditação consistia em pensar que, preparando a comida para seu pai, ela esta#a tra!alhando para +osso Senhor, como Santa 5arta, que sua mãe ocupa#a o lu%ar de +ossa Senhora, assim como seus irmãos os dos ap4stolos- de sorte que e0cita#a quanto podia o seu fer#or, para ser#ir assim em esp7rito a toda a corte celeste, e a sua con#icção de fa,er em tudo a #ontade de &eus compenetra#a sua alma duma sua#idade admirá#el. /du,i-te este e0emplo, Filot ia, para #eres a importQncia de fa,er todas as tuas aç(es, por mais pequenas e !ai0as que pareçam, com os olhos em &eus, para ser#i-lo e a%radar a ele. Por isto te aconselho encarecidamente a imitar a mulher forte, que Salomão tanto lou#ou, porque, ocupada muitas #e,es com aç(es %randes e importantes, nunca dei0a#a entretanto de fiar 2 sua roca. Fa,e o mesmo; aplica-te frequentemente 2 oração e 2 meditação, 2 recepção dos sacramentos, a instruir-te e a consolar os aflitos, a inspirar o amor a &eus no pr40imo, a

333 P 3<. / fidelidade de#ida a &eus em todas as coisas

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fa,er todas as o!ras de maior importQncia e e0cel8ncia que tua #ocação a!raça- mas não te esqueças do fuso e da roca, isto , desen#ol#e tam! m essas #irtudes pequenas e humildes que nascem como flore,inhas ao p da cru,; o ser#iço dos po!res, as #isitas aos doentes, os pequenos cuidados de fam7lia e as !oas o!ras que lhe são ane0as, a util7ssima dili%8ncia de te %uardares da ociosidade em tua casa e a)unta a tudo isso al%uma consideração semelhante 2s que fa,ia Santa "atarina de Sena. Caras são as ocasi(es de fa,er %randes coisas no ser#iço de &eus, mas as ocasi(es de pequenas o!ras são muito frequentes. %uem me servir no pequeno, diz o 'enhor, receberá o pr)mio que dele me servirei para coisas !randes Fa,e tudo em nome de &eus e tudo será !em feito. "omendo, !e!endo, dormindo, di#ertindo-te ou te ocupando com al%um tra!alho humilde e #il, em toda parte hás de merecer muito diante de &eus, se santificas !em a tua intenção de fa,er tudo Porque &eus quer que o faças. III – ,6! Devemos ser 5usto e ra#oável Caro achar homens #erdadeiramente ra,oá#eis, porque s4 somos homens pela ra,ão e o amorB$ró$rio a pertur!a muitas #e,es e insensi#elmente nos leva a $raticar in5ustiças que, por menores que se)am, não dei0am de ser muito peri%osas. /ssemelham-se 2s raposinhas de que se fala nos "Qnticos, das quais não se fa, caso por serem muito pequenas, e, por isso, elas causam %rande dano 2 #inha, em #ista de sua quantidade. Ceflete um pouco e )ul%a se os pontos que #ou mencionar não são #erdadeiras in)ustiças. +4s costumamos acusar o pr40imo pelas menores faltas por ele cometidas e a n4s mesmos nos escusamos de outras muito %randes. 9ueremos #ender muito caro e comprar o mais !arato poss7#el. 9ueremos que se faça in)ustiça a outros e que se façam %raças a n4s. 9ueremos que interpretem as nossas

333 P 3=. &e#emos ser )usto e ra,oá#el

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pala#ras !ene#olamente e com o que nos di,em somos suscet7#eis em e0cesso. 9ueremos que o #i,inho nos ceda a sua propriedade e não mais )usto que a conser#e, se o quiser? /%astamo-nos com ele se não no-la quer #ender, e não tem ele muito mais ra,ão de se ,an%ar conosco, por o estarmos incomodando? Se %ostamos de um e0erc7cio, ne%li%enciamos todos os demais e censuramos tudo o que não está se%undo o nosso %osto. Se al%uns dos nossos inferiores não t8m !oa apar8ncia, ou caiu em nossas más %raças, le#amos a mal todos os seus atos e nunca cessamos de o contristar. Se, ao contrário, um ou outro, nos a%radar pelo seu aspecto, desculpamos-lhe tudo o que fa,, por pior que se)a. Sá filhos #irtuosos e a)ui,ados a quem os pais e as mães quase nem podem #er, por causa de al%um defeito natural, e há outros, muito #iciosos, cu)o ar e0terior os torna a%radá#eis. 'm toda parte preferimos os ricos aos po!res, em!ora não se)am de melhor condição, nem possuam tantas #irtudes- che%amos mesmo a preferir aqueles que se destacam por uma #ã apar8ncia de seus #estidos. &efendemos com acurada e0atidão os nossos direitos e queremos que os outros, quanto aos seus, se)am muito condescendentes. 5antemos os nossos lu%ares caprichosamente e queremos que os outros cedam os seus humildemente. 9uei0amo-nos facilmente de tudo e não queremos que nin%u m se quei0e de n4s. 1s !enef7cios ao pr40imo sempre nos parecem muitos, mas os que os outros nos fa,em reputamos em nada. +uma pala#ra; nós temos dois coraç0es, como as perdi,esUaV da Pafla%$niaU!V- um, doce,
UaV Perdi, o nome comum de al%umas esp cies de a#es %aliformes pertencentes 2 fam7lia Phasianidae, que tam! m inclui o faisão. U!V Pafla%Ania Nem %re%o; mlyilzno{lO era o nome da anti%a re%ião da costa do 5ar +e%ro no norte da /nat4lia central, entre as tam! m anti%as re%i(es da @it7nia, a oeste, e do Ponto, a leste, e separada da Fr7%ia Nna porção que seria no futuro a GaláciaO por um prolon%amento para o leste do monte 1limpo !it7nio. &e acordo com 'stra!ão, o rio

333 P 3=. &e#emos ser )usto e ra,oá#el

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caridoso e complacente para tudo que nos diz respeito , e outro P duro, severo e ri!oroso para com o pr6ximo . :emos duas medidas, uma para medir as nossas comodidades em nosso pro#eito e outra para medir as do pr40imo, i%ualmente em nosso pro#eito. 1ra, como di, a 'scritura, Sl E2NEEO,3os que t)m lábios dolosos #alam com o coraç$o dobrado, in corde et corde. 2 ter duas medidasUcV, P uma !rande, para receber, e outra pequena, para pa!ar o que se deve UdV P di, ela ainda P é uma coisa abominável diante de (eus. Filot ia, s8 i%ual e )usta em todas as tuas aç(es. :oma o lu%ar do pr40imo e p(e-no no teu, e sempre )ul%arás com equidade. /o comprares, p(e-te no lu%ar do #endedor, e, em #endendo, no lu%ar do comprador, e teu ne%4cio será sempre )usto. :odas estas in)ustiças aqui enumeradas não são muito %randes nem nos o!ri%am 2 restituição, caso nos contenhamos ai somente entre os limites do ri%or, no que nos fa#orá#elmas estamos o!ri%ados a nos corri%ir destas faltas, que são contra a ra,ão e a caridade e se assemelham a uma esp cie de trapaça contra a equidade natural. &emais, nada se perde com uma #ida %enerosa, no!re e ci#il e com um coração )usto e ra,oá#el e, como se di,, leal. Rem!ra-te, pois, Filot ia, de e0aminar muitas #e,es o teu coração, para #er se ele tal para o pr40imo como querias que o seu fosse para ti; esta a norma da ra,ão #erdadeira e reta. 1s confidentes de :ra)ano disseramlhe um dia que dar audi8ncia a todos não fica#a !em 2 ma)estade imperial. 1 imperador respondeu-lhes simplesmente; H' por qu8? +ão de#erei eu ser para os meus s.ditos um homem tal como eu dese)aria que fosse o imperador, se eu fosse um mero cidadão?M
Part8nio era a fronteira oriental da Pafla%$nia, papel feito pelo rio Sális no leste UcV Pr 2F,EF:er dois pesos e duas medidas o!)eto de a!ominação para o Senhor. UdV 'clo 6,3=9ue tua mão não se)a a!erta para rece!er, e fechada para dar.

333 P 3B. 1s dese)os

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III – ,7! Os dese5os :odos sa!em que não se de#e dese)ar nada de mal, porque o dese)o de uma coisa il7cita torna o coração mau. 5as eu acrescento que não se de#e dese)ar nada que peri%oso para a alma, como !ailes, )o%os e outros di#ertimentos, honras e car%os importantes, #is(es e 80tases- tudo isso tra, muita #aidade consi%o e su)eito a muitos peri%os e ilus(es. +ão dese)es tam! m as coisas que ainda estão para #ir num futuro remoto, como fa,em muitos, dissipando e cansando inutilmente o coração e e0pondo-o continuamente a muitas inquietaç(es. Se um )o#em am!iciona ardentemente ocupar um car%o precocemente, de que lhe poderá ser#ir este dese)o? Se uma mulher casada dese)a entrar no con#ento; a que prop4sito? Se pretendo comprar a propriedade de outrem antes que ele queira me ceder, não isto perder o meu tempo? Se, estando doente, dese)o pre%ar, cele!rar 5issa ou #isitar enfermos ou fa,er e0erc7cios dos que tem sa.de, não são estes dese)os #ãos, posto que nada disso está em meu poder? 'ntretanto estes dese)os in.teis ocupam o lu%ar doutros que de#eria ter e que &eus manda que se efetuem, como os de ser $aciente, mortificando, o+ediente e manso em meus sofrimentos. 5as em %eral os nossos dese)os se parecem com os das mulheres doentes, que no outono dese)am cere)as frescas e u#as no#as na prima#era. +ão apro#o a!solutamente que uma pessoa ande a aspirar a um %8nero de #ida incompat7#el com os seus de#eres, ou e0erc7cios incon#enientes ao seu estado, porque as pretens(es #ãs dissipam o coração, atenuando-lhe as forças para os e0erc7cios necessários. 'u perderia meu tempo, se me pusesse a dese)ar a solidão dos "artuchos e esta aspiração tomaria o lu%ar da que eu de#eria ter, de preencher !em os meus de#eres atuais. :ão pouco quisera que dese)asses ter maior en%enho, porque são dese)os fr7#olos e estariam em lu%ar daquele que todos de#em ter, de culti#ar o seu assim como - ou, enfim, que

333 P 3B. 1s dese)os

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dese)asses meios que se não possuem de ser#ir a &eus, em #e, de empre%ar fielmente os que se t8m 2 mão. :udo isso há de se entender dos dese)os que se apossam do coração, porque os simples e passa%eiros não pre)udicam muito, #isto não serem permanentes. 9uanto 2s cru,es, !om dese)á-las somente na proporção e so! a condição de que sai!as suportar !em aquelas que tens. * um a!surdo dese)ar o mart7rio e não poder suportar uma pequenina in).ria. 1 inimi%o nos en%ana muitas #e,es, inspirando-nos dese)os para coisas %randes que estão ainda lon%e ou mesmo nunca se hão de reali,ar, a fim de afastar o nosso coração das presentes, que, por menores que se)am, seriam para n4s uma fonte a!undante de #irtudes e merecimentos. "om!atemos na mente os monstros da >frica e nos dei0amos matar pelas pequeninas serpentes que raste)am no caminho, por não lhes prestar a atenção necessária. +ão dese)es tam! m ter tentaç(es, que isto seria temeridademas prepara-te para resistir-lhes #i%orosamente, quando #ierem. / #ariedade e a quantidade das i%uarias so!recarre%am o est$ma%o e, se fraco, o arru7nam- do mesmo modo a quantidade de dese)os para coisas espirituais em!araçam sempre o coração e, se são de coisas mundanas, o corrompem inteiramente. +ossa alma, uma #e, purificada de suas más inclinaç(es, sente um %rande anelo de coisas espirituais- anseia por mil esp cies de e0erc7cios de piedade, de mortificação, de penit8ncia, de caridade, de humildade, de oração. 'sta fome espiritual um sinal muito !om- mas na con#alescença de uma doença preciso e0aminar-se se se pode di%erir tudo o que se apetece. &iscerne, pois, e escolhe os teus dese)os, se%undo o conselho de teu diretor espiritual, e procura aqueles que ele apro#ar- fa,endo assim, &eus te en#iará outros oportunamente, quando forem .teis para o teu adiantamento espiritual. +ão di%o que se perca al%uma esp cie de dese)os !ons, mas que

333 P 3B. 1s dese)os

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se)am re%ulados e que se dei0e amadurecer no coração os que ainda estão de #e,, aplicando a p$r em prática os que )á estão maduros. Sá de se entender isto mesmo dos dese)os de coisas mundanas, porque não há outro meio de se li#rar do desassosse%o e inquietação. III – ,8! Instruç0es $ara os casados 1 casamento um %rande sacramento, eu di%o em Aesus "risto e na sua 3%re)aUaV honroso para todos, em todos, e em tudo, isto , em todas as suas partes. Para todos; porque as pr4prias #ir%ens o de#em honrar com humildadeU!V. 'm todos;
UaV J 6< H/ aliança matrimonial, pela qual o homem e a mulher constituem entre si uma comunhão da #ida toda, ordenada por sua 7ndole natural ao !em dos c$n)u%es e 2 %eração e educação da prole, e foi ele#ada, entre os !ati,ados, 2 di%nidade de sacramento por "risto Senhor.M U!V / J3CG3+&/&' P1C "/US/ &1 C'3+1 J 6 8 "risto U]63V o centro de toda a #ida cristã. 1 #7nculo com 'le está em primeiro lu%ar, na frente de todos os outros #7nculos, familiares ou sociais. &esde o começo da 3%re)a, hou#e homens e mulheres que renunciaram ao %rande !em do 5atrim$nio para se%uir o "ordeiro onde quer que fosse, para ocupar-se com as coisas do Senhor, para procurar a%radar-lhe, para ir ao encontro do 'sposo que #em. 1 pr4prio "risto con#idou al%uns para se%ui-lo neste modo de #ida, cu)o modelo continua sendo ele mesmo; Cá eunucos que nasceram assim do ventre materno 2 há eunucos que #oram #eitos eunucos pelos homens 2 há eunucos que se #izeram eunucos por causa do :eino dos Céus %uem tiver capacidade para compreender compreenda9 N5t EG,E2O. J 6 9 U]6KV / #ir%indade pelo Ceino dos " us um desdo!ramento da %raça !atismal, um poderoso sinal da preemin8ncia do #7nculo com "risto, da ardente e0pectati#a de seu re%resso, um sinal que tam! m lem!ra que o 5atrim$nio uma realidade da fi%ura deste mundo que passa. J 6'< /m!osU]<FV, o sacramento do :atrimAnio e a vir%indade $elo ;eino de Deus/ $rov(m do $ró$rio Sen4or. * 'le que lhes dá sentido e concede a %raça indispensá#el para #i#8-los em conformidade com sua #ontade. / estima da #ir%indade por causa do Ceino e o sentido cristão do casamento são insepará#eis e se a)udam mutuamente;

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porque tão santo entre os po!res como entre os ricos. 'm tudo; porque a sua ori%em, o seu fim, as suas #anta%ens, a sua forma e mat ria são santas. * o #i#eiro do "ristianismo, que enche a terra de fi is, para tornar completo no c u o n.mero dos eleitos; de sorte que a conser#ação do !em do casamento so!remaneira .til para a rep.!lica- porque a rai, e o manancial de todos os seus arroios NriachosO. Prou#era a &eus que o seu Filho muito amado fosse chamado para todas as !odas como o foi para a de "aná- nunca faltaria lá o #inho das consolaç(es e das !ençãos- porque se não as há senão um pouco ao princ7pio, porque, em #e, de +osso Senhor, se fe, #ir a elas Nas !odasO /d$nisUcV e, em lu%ar de +ossa Senhora, se fa, #ir a J8nusUdV. 9uem quer ter cordeirinhos !onitos e malhados, como Aac4, precisa como ele de apresentar 2s o#elhas quando se )untam para conce!er umas lindas #arinhas de di#ersas cores- e quem quer ser !em-sucedido no casamento, de#eria em suas !odas representar a si mesmo a santidade e di%nidade deste SacramentoUeV- mas em lu%ar disso dão-se a7 mil a!usos e e0cessos em passatempos, festins e pala#ras N!e!edeiras, futilidades e apar8nciasO. +ão pois de admirar que os efeitos se)am desordenados. '0orto so!retudo aos casados ao amor rec7proco que o
&ene%rir o 5atrim$nio ao mesmo tempo minorar a %l4ria da #ir%indade- elo%iá-lo realçar a admiração que se de#e 2 #ir%indade... Porque, afinal, o que não parece um !em senão em comparação com um mal não pode ser #erdadeiramente um !em, mas o que ainda melhor que !ens incontestá#eis o !em por e0cel8ncia. UcV "dAnis nas mitolo%ias fen7cia e %re%a, era um )o#em de %rande !ele,a que nasceu das relaç(es incestuosas que o rei "7niras de "hipre mante#e com a sua filha 5irra. UdV V(nus a deusa do panteão romano, equi#alente a "frodite no panteão %re%o, cu)o nome #em acompanhado, por #e,es, de ep7tetos como H"itereiaM )á que, quando do nascimento, teria passado por "itera, onde era adorada so! este nome. * a deusa do se0o e da !ele,a. UeV /tra# s dos Sacramentos da "onfissão e Sant7ssima 'ucaristia, em preparação ao Sacramento do 5atrimonio.

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'sp7rito Santo tanto lhes recomenda na Sa%rada 'scritura; 4 casados não se de#e di,er; amai-#os um ao outro com o amor natural, porque os casais de rolas fa,em isto muito !em- nem se de#e di,er; amai-#os com amor humano, porque tam! m os pa%ãos praticaram esse amor- mas di%o-#os encostado ao %rande /p4stolo; cf. 'f <,2</aridos, amai as vossas mulheres, como ;esus Cristo ama a 0!reja- cf. 'f <,266 mulheres, amai vossos maridos, como a 0!reja ama o seu 'alvador. Foi &eus quem le#ou '#a a nosso primeiro pai /dão, e lha deu por mulher- foi tam! m &eus, meus ami%os, que com sua mão in#is7#el fe, o n4 do sa%rado laço do #osso matrim$nio, e que #os deu uns aos outros; por que não ha#eis então de amar-#os com amor todo santo, todo sa%rado, todo di#ino? 1 primeiro efeito deste amor a união indissol-vel dos vossos coraç0es! Se se %rudam duas peças de pinho, uma #e, que a cola se)a fina, a união fica tão forte, que será mais fácil que!rar as peças noutros locais do que no local da )unção- mas &eus )unta o marido e a mulher em seu pr4prio San%ue; e por isso que esta união tão forte que antes se de#e separar a alma do corpo de um e de outro do que se separar o marido da mulher. 1ra esta união não se entende principalmente do corpo, mas sim do coração, do afeto e do amor. 1 se%undo efeito deste amor de#e ser a fidelidade in#iolá#el de um ao outro; anti%amente %ra#a#am-se os selos nos an is que se tra,iam nos dedos, como a pr4pria santa 'scritura testifica. /qui está o se%redo da cerim$nia que se fa, nas !odas; a 3%re)a pela mão do sacerdote !en,e um anel, e dandoo primeiramente ao homem, dá a entender que sela e cerra seu coração por este Sacramento, para que nunca mais nem o nome, nem o amor de qualquer outra mulher possa nesse coração entrar, enquanto #i#er aquela que lhe foi dada; depois o esposo mete o anel na mão da pr4pria esposa, para que ela reciprocamente sai!a que nunca o seu coração de#e conce!er afeto por qualquer outro homem, enquanto #i#er so!re a terra

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aquele, que +osso Senhor aca!a de lhe dar. 1 terceiro fruto do casamento a %eração e a le%7tima criação e educação dos filhos. Grande honra esta para #4s, 4 casados, que &eus, querendo multiplicar as almas que possam !endi,8-lo e lou#á-lo por toda a eternidade, #os torna cooperadores de o!ra tão di%na, por meio da produção dos corpos, em que 'le reparte, como %otas celestes, as almas, criando-as e infundindo-as nos corpos. "onser#ai pois, 4 maridos, um terno, constante e cordial amor a #ossas mulheres; por isto foi a mulher tirada do lado mais che%ado ao coração do primeiro homem, para que fosse amada por ele cordial e ternamente. /s fraque,as e enfermidades de #ossas mulheres, quer do corpo, quer do esp7rito, não de#em pro#ocar-#os a nenhuma esp cie de desd m, mas antes a uma doce e amorosa compai0ão, pois &eus criou-as assim para que dependendo de #4s, #os honrem e #os respeitem mais, e de tal modo as tenhais por companheiras que contudo se)ais os chefes e superiores. ' #4s, 4 mulheres, amai ternamente, cordialmente, mas com um amor respeitoso e cheio de re#er8ncia, os maridos que &eus #os deu; porque realmente por isso os criou &eus de um se0o mais #i%oroso e predominante, e quis que a mulher fosse uma depend8ncia do homem, e osso dos seus ossos, e carne da sua carne, e que ela fosse produ,ida por uma costela deste, tirada de!ai0o dos seus !raços, para mostrar que ela de#e estar de!ai0o da mão e %o#erno do marido- e toda a 'scritura Santa #os recomenda se#eramente esta su)eição, que aliás a mesma 'scritura #os fa, doce e sua#e, não somente querendo que #os acomodeis a ela com amor, mas ordenando a #ossos maridos que a e0erçam com %rande afeto, ternura e sua#idade. /aridos, di, São Pedro, portai-vos discretamente com vossas mulheres como com um vaso mais #rá!il, honrando-as . 5as assim como #os e0orto a afer#orar cada #e, mais este rec7proco amor que #os de#eis, estai alerta para que não se con#erta em nenhuma

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esp cie de ci.me; porque acontece muitas #e,es que, como o #erme se cria na maçã mais delicada e madura, tam! m o ci.me nasce no amor mais ardente e afetuoso dos casados, cu)a su!stQncia aliás estra%a e corrompe- porque pouco a pouco acarreta os des%ostos, desa#enças e di#4rcios. Por certo que o ci.me nunca che%a aonde a ami,ade está de parte a parte fundada na #erdadeira #irtude; e eis a ra,ão por que ela um sinal indu!itá#el de um amor sensual, %rosseiro, e que se diri%iu a o!)eto em que encontrou uma #irtude defeituosa, inconstante e e0posta a desconfianças. *, pois, uma pretensão tola querer dar a entender com os ,elos a %rande,a ami,ade; porque o sinal na #erdade um sinal da ma%nitude e corpul8ncia da ami,ade, mas não da sua !ondade, pure,a e perfeição- pois que a perfeição da ami,ade pressup(e a firme,a da #irtude da coisa que se ama, e o ci.me pressup(e a incerte,a. Se quereis, maridos, que as #ossas mulheres #os se)am fi is, ensinai-lhes a lição com o #osso e0emplo; di, São Gre%4rio +a,ian,eno H"om que cara, quereis e0i%ir honestidade de #ossas mulheres, se #4s pr4prios #i#eis na desonestidade? "omo lhes pedis o que não lhes dais? 9uereis que elas se)am castas? Ji#ei castamente com elasM, e, como di, São Paulo, sai!a cada um possuir o seu #aso em santificação. 5as, se pelo contrário #4s mesmos lhes ensinais as dissoluç(es, não de admirar que sofrais a desonra da sua perda. 5as #4s, 4 mulheres, cu)a honra está insepara#elmente aliada com a pure,a e honestidade, conser#ai ,elosamente a #ossa %l4ria, e não permitais que nenhuma esp cie de dissolução empane a !rancura da #ossa reputação. :emei toda a sorte de ataques, por pequenos que se)am; nunca permitais que andem em #olta de #4s os %alanteios. :odo aquele que #em elo%iar a #ossa formosura e a #ossa %raça de#e ser-#os suspeito. Porque quem %a!a uma mercadoria que não pode comprar, ordinariamente muito tentado a rou!á-la. 5as se ao

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#osso enc$mio Nelo%ioO al%u m adicionar o despre,o de #osso marido, ofende-#os so!remaneira, porque a coisa clara, que não somente quer perder-#os, mas )á #os tem na conta de meio perdida, pois que metade do contrato feito com o se%undo comprador, quando se está des%ostoso do primeiro. /s senhoras, tanto anti%as como modernas, acostumaram-se a le#ar pendentes das orelhas muitas p rolas, pelo pra,er, di, Pl7nio, que t8m em as ou#ir tilintar e chocalhar, tocando umas nas outras. 5as quanto a mim, que sei que o %rande ami%o de &eus, 3saac, en#iou 2 casta Ce!eca pendentes de orelhas como os primeiros penhores do seu amor; eu creio que este ornamento m7stico si%nifica que a primeira coisa que um marido de#e ter de uma mulher, e que a mulher lhe de#e fielmente %uardar, a orelha, para que nenhuma lin%ua%em ou ru7do possa a7 entrar, senão o doce e ami%á#el %or)eio das pala#ras castas e pudicas, que são as p rolas orientais do '#an%elho. Porque preciso se lem!rar sempre de que as almas se en#enenam pelo ou#ido, como o corpo pela !oca. 1 amor e a fidelidade )untos tra,em sempre consi%o a familiaridade e confiança- por isso que os Santos e as Santas usaram de muitas car7cias rec7procas em seu matrim$nio, car7cias #erdadeiramente amorosas, mas castas- ternas, mas sinceras. /ssim 3saac e Ce!eca, o casal mais casto dos casados do tempo anti%o, foram #istos 2 )anela a acariciar-se de tal sorte que, em!ora nada nisso hou#esse de desonesto, /!imelec conheceu !em que eles não podiam ser senão marido e mulherUfV. 1 %rande São Ru7s, tão ri%oroso com a sua carne, como terno amor a sua mulher, foi quase censurado de ser pr4di%o em tais car7cias; em!ora na #erdade antes merecesse enc$mio Nelo%ioO por sa!er despo)ar-se do seu esp7rito marcial e cora)oso para praticar estas li%eiras o!ri%aç(es necessárias
UfV Gn 2=, K ', como sua estada ali se prolon%asse, aconteceu que um dia, olhando /!imelec pela )anela, #iu 3saac que acaricia#a Ce!eca, sua mulher.

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para a conser#ação do amor con)u%al- porque ainda que estas pequenas mortificaç(es de pura e franca ami,ade não prendam os coraç(es, contudo apro0imam-nos, e ser#em de a%radá#el isca para a m.tua con#ersação. Santa 5$nica, estando %rá#ida do %rande Santo /%ostinho, consa%rou-o com repetidos oferecimentos 2 Celi%ião cristã, e ao ser#iço da %l4ria de &eus, como ele pr4prio testifica, di,endo; que )á no #entre de sua mãe tinha pro#ado o sal N%ostoO de &eus. * um %rande ensinamento para as mulheres cristãs oferecer 2 di#ina 5a)estade o fruto de seus #entres, mesmo antes que deles tenham sa7do; porque &eus, que aceita as o!laç(es de um coração humilde e !em formado, ordinariamente fa#orece os !ons dese)os das mães nessa circunstQncia; se)am disso testemunhas Samuel, Santo :omás de /quino, São /ndr de Fiesole, e muitos outros. / mãe de São @ernardo, di%na mãe dum tal filho, tomando seus filhos e filhas nos !raços apenas nasciam, oferecia-os a Aesus "risto- e desde lo%o os ama#a com respeito como coisa sa%rada, e que &eus lhe tinha confiado; o que lhe deu tão feli, resultado, que todos os seus sete filhos foram muito santos. 5as uma #e, #indos os filhos ao mundo, e começando a ter uso da ra,ão, de#em os pais e mães ter um %rande cuidado de lhes imprimir o temor de &eus no coração. / !oa rainha @ranca desempenhou fer#orosamente este encar%o com o rei São Ru7s, seu filho, porque lhe di,ia a cada passo; /ntes quero, meu caro filho, #er-te cair morto na minha presença do que te #er cometer um s4 pecado mortal. 1 que ficou de tal modo %ra#ado na alma deste santo filho, que, como ele pr4prio conta#a, não hou#e dia da sua #ida em que disso se não lem!rasse, esforçando-se o quanto lhe era poss7#el por o!ser#ar 2 risca esta santa doutrina. +a nossa lin%ua%em chamamos casas 2s linha%ens e %eraç(es- e os pr4prios he!reus chamam a %eração dos filhos edificação de casa. Porque foi neste sentido que se

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disse que &eus edificou casas para as parteiras do '%itoU%V. 1ra para mostrar que não fa,er uma !oa casa pro#8-la de muitos !ens mundanos; mas educar !em os filhos no temor de &eus e na #irtude. +isto não de#emos nos esqui#ar a penas nem tra!alhos, pois os filhos são a coroa do pai e da mãe. /ssim, Santa 5$nica com!ateu com tanto fer#or e constQncia as más inclinaç(es de Santo /%ostinho que, tendo-o se%uido por mar e por terra, o tornou mais feli,mente filho de suas lá%rimas, pela con#ersão da sua alma, do que o tinha sido do san%ue pela %eração do seu corpo. São Paulo dei0a como incum!8ncia 2s mulheres o %o#erno da casa- e por isso muitos se%uem esta #erdadeira opinião que a sua de#oção mais frutuosa para a fam7lia que a dos maridos, que, não tendo uma resid8ncia tão continuada entre os dom sticos, não pode, por conse%uinte encaminhá-los tão facilmente para a #irtude. Se%undo esta consideração Salomão nos seus pro# r!ios fa, depender a felicidade de toda a sua casa do cuidado e esmero da mulher forte que descre#e. &i,-se no G8nesis que 3saac, #endo a esterilidade de sua esposa Ce!eca, ro%ou ao Senhor por ela; ou se%undo o te0to he!raico, ro%ou ao Senhor em frente dela, porque um ora#a de um lado do orat4rio e outro do outro lado- e a oração do marido feita deste modo foi ou#ida. / maior e mais frutuosa união do marido e da mulher a que se fa, na de#oção, 2 qual se de#em e0citar 2 perse#erança um ao outro. Frutos há, como o marmeloUhV, que, pela aspere,a do seu suco, não são a%radá#eis senão postos em conser#a. Sá outros que, pela sua !randura e
U%V '0 E,2F&eus !eneficiou as parteiras; o po#o continuou a multiplicar-se e a espalhar-se. UhV :armelo s.m. Fruto de um ar!usto #istoso da mesma fam7lia que a maçã e a pera, o marmeleiro. 1s %alhos do marmeleiro em %eral são retorcidos. Produ, %rande quantidade de flores !ranco-rosadas. 1 marmeleiro-do-)apão, mais ornamental que o marmeleiro comum, produ, #istosas flores #ermelhas, muitos %alhos e um fruto !astante ácido.

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delicade,a, não se podem conser#ar senão tam! m postos em doce, como as cere)as e os damascos; assim as mulheres hão de dese)ar que os seus maridos este)am em conser#a no aç.car da de#oção. Porque o 4omem sem devoção é um animal severo, ás$ero e duro- e os maridos de#em dese)ar que as suas mulheres se)am de#otas- porque sem a de#oção, a mul4er é em e&tremo frá%il e su5eita a cair ou em+aciar a sua virtude. São Paulo disse que o homem infiel santificado pela mulher fiel e a mulher infiel pelo homem fiel, porque nesta estreita aliança do casamento um pode facilmente pu0ar o outro 2 #irtudeUiV. 5as que %rande !enção há quando o homem e a mulher fi is se santificam um ao outro num #erdadeiro temor de &eusL /l m disso, hão de ter tanta condescend8ncia um com o outro, que nunca se a!orreçam e irritem am!os ao mesmo tempo e de repente, para que entre eles não se note dissensão nem disputa. /s a!elhas não podem estar em lu%ar onde se ou#em ecos e estrondos, e onde soa a #o, repetida; nem o 'sp7rito Santo pode demorar numa casa onde há disputas, r plicas e repetição de #o,es e altercaç(es. São Gre%4rio +a,ian,eno di, que no seu tempo os casados fa,iam festa no ani#ersário dos seus casamentos. ' eu por certo apro#aria que se introdu,isse este costume, contanto que não fosse com aparatos de di#ers(es mundanas e sensuais, mas que os maridos e mulheres, tendo-se confessado e comun%ado nesse dia, recomendassem a &eus, mais fer#orosamente que de costume, o pro%resso do seu matrim$nio, reno#ando os !ons prop4sitos de o santificar cada #e, mais por uma rec7proca ami,ade e fidelidade, e co!rando alento em +osso Senhor, para arcar com os encar%os da sua #ocação.

UiV E"or B,E6Porque o marido que não tem a f santificado por sua mulher- assim como a mulher que não tem a f santificada pelo marido que rece!eu a f . &o contrário, os #ossos filhos seriam impuros quando, na realidade, são santos.

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III – ,9! Da 4onestidade do leito con5u%al 1 leito con)u%al de#e ser imaculado, como o chama o /p4stolo, isto , isento de desonestidades e outras torpe,as profanas. Porque o santo matrim$nio foi primariamente institu7do no Para7so terreal, onde at então nunca tinha ha#ido nenhum desconcerto da concupisc8ncia, nem coisa desonesta. Sá al%uma semelhança entre os deleites #er%onhosos e os do comer; porque am!os di,em respeito 2 carne, em!ora os primeiros, em ra,ão da sua #eem8ncia !rutal, se chamem simplesmente carnais. '0plicarei, pois, o que não posso di,er de uns pelo que direi dos outros. E. 1 comer destinado a conser#ar as pessoas. 1ra como o comer simplesmente, para alimentar e conser#ar a pessoa, uma coisa !oa, santa e prescrita; assim o que se requer no matrim$nio para a %eração dos filhos, e multiplicação das pessoas, uma coisa !oa e muito santa, porque o fim principal do casamento. 2. "omer, não para conser#ar a #ida, mas para conser#ar a rec7proca con#ersação e condescend8ncia que de#emos uns aos outros, coisa so!remaneira )usta e honesta; e da mesma sorte a rec7proca e le%itima satisfação dos c$n)u%es no santo matrim$nio chamada por São Paulo d7#ida- mas d7#ida tão %rande que ele não quer que uma das partes se possa dela isentar sem o li#re e #oluntário consentimento da outra- e isso nem mesmo para as práticas da de#oção, que o que me le#ou a di,er as pala#ras que a este respeito dei0ei no cap7tulo da Santa "omunhãoUaV quanto menos pois se poderão e0imir por caprichosas afetaç(es de #irtude, ou pelas ri0as e arrufosU!V. 3. "omo os que comem pela o!ri%ação do m.tuo trato de#em comer li#remente, e não como por força, e ademais hão
UaV Parte 33, cap. 2F. U!V "rrufo; s.m. /ção ou efeito de arrifar NirritarO ou arrifar-se- ,an%ar-se. &espro#ido de !om humor- p ssimo %8nio- amuo. 5á%oa ou ,an%a passa%eira entre pessoas que se %ostam, %eralmente, entre namorados.

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de procurar mostrar ter !om apetite- assim tam! m o d !ito con)u%al de#e ser satisfeito fielmente, francamente, e0atamente como se fosse com esperança de sucessão, ainda que por al%uma circunstQncia mão ha)a semelhante esperança. 6. "omer não pelas duas primeiras ra,(es, mas simplesmente para contentar o apetite, coisa tolerá#el, mas não lou#á#el. Porque o simples pra,er do apetite sensual não pode ser causa suficiente para tornar uma ação lou#á#el. @asta por m para que se)a tolerá#el. <. "omer, não por simples apetite, mas por e0cesso e desordem, coisa mais ou menos censurá#el, conforme o %rande ou pequeno e0cesso. =. 1ra o e0cesso no comer não consiste somente na %rand7ssima quantidade, mas tam! m no modo e maneira como se come. * caso para notar, cara Filot ia, que o mel, tão pr4prio e salutar para as a!elhas, lhes pode contudo ser tão noci#o que 2s #e,es as p(e doentes, como quando comem em demasia na prima#era; porque isto lhe tra, flu0o do #entre, e al%umas #e,es fá-las morrer ine#ita#elmente, como quando estão co!ertas de mel no focinho e nas asas. +a realidade o com rcio con)u%al, que tão santo, tão )usto, tão recomendá#el, tão .til 2 rep.!lica, contudo em certos casos peri%osos para os que o praticam; porque 2s #e,es fa, adoecer as suas almas %ra#emente com o pecado #enial, como sucede com os simples e0cessos, e al%umas #e,es dá-lhes a morte pelo pecado mortal, como sucede quando a ordem esta+elecida $ara a %eração dos fil4os é violada e $ervertida- nesse caso, consoante o des#io dessa ordem maior ou menor, os pecados são mais ou menos a!ominá#eis, mas sem$re mortais. Porque, como a %eração dos filhos o primeiro e principal fim do matrim$nio, nunca se pode licitamente a!errar da ordem que ela requer; em!ora por qualquer acidente, não possa por então le#ar-se a efeito- como sucede, quando a esterilidade, ou a %ra#ide, atual estor#am a

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produção e a %eração- porque nestes casos o com rcio corporal não dei0a de ser )usto e santo, contanto que se o!ser#em as re%ras de %eração; não podendo )amais qualquer acidente pre)udicar a lei que o fim principal do matrim$nio imp$s. +a #erdade, a infame e e0ecrá#el ação que 1nã fa,ia no Hseu matrim$nio era detestá#el aos olhos de &eus, como di, o sa%rado :e0to no citado cap7tulo tri% simo oita#o do G8nesis- e em!ora al%uns her ticos do nosso tempo, mil #e,es mais censurá#eis que os c7nicos Nde que fala São Aer$nimo so!re a 'p7stola aos 'f siosO tenham querido di,er que era a per#ersa intenção deste mal#ado que desa%rada#a a &eus, toda#ia a 'scritura fala de outro modo, e asse%ura em particular que a mesma coisa que ele fa,ia era detestá#el e a!ominá#el aos olhos de &eus. B. * uma #erdadeira pro#a dum esp7rito truanesco NpalhaçoO, #il, a!)eto, e infame, pensar nas i%uarias e nos man)ares antes do tempo da refeição, e ainda mais, quando depois dela se sa!oreia o pra,er que se te#e, comendo, tomando-o por assunto de con#ersas e pensamentos, e refocilando o esp7rito na lem!rança do pra,er que se sentiu ao tra%ar os !ocados, como fa,em aqueles que antes do )antar estão com o esp7rito preocupado no assador, e depois de )antar nos pratos; pessoas di%nas de serem moços de co,inha, que fa,em, como di, São Paulo, do seu #entre um &eus- as pessoas honradas e di%nas não pensam na mesa senão quando se sentam a ela, e depois da refeição la#am as mãos e a !oca para não ficar com o %osto, nem com o cheiro do que comeram. 1 elefante não passa de um %rande animal, mas o mais di%no que #i#e so!re a terra, e que tem mais instinto- eu quero di,er-te aqui um ras%o da sua honestidade; nunca muda de f8mea e ama ternamente a que escolheu, com a qual não tem coito senão de tr8s em tr8s anos, e isto apenas por cinco dias, e tão secretamente, que nunca #isto neste ato- por m !em #isto ao se0to dia, no qual, antes de tudo, #ai direito a al%um rio, onde la#a todo o corpo, sem

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querer de modo al%um #oltar ao re!anho antes de se ter purificado. +ão são !elas e honestas as qualidades deste animal pelas quais con#ida os casados a não ficarem presos de afeição 2s sensualidades e pra,eres, que se%undo o seu estado ti#erammas, passadas estas, a la#ar delas o coração e o afeto, e a purificar-se o mais cedo poss7#el, para poder depois praticar com toda a li!erdade de esp7rito as outras aç(es mais puras e ele#adas? +este a#iso consiste a perfeita prática da e0celente doutrina que São Paulo ensina aos "or7ntios; & tempo é breve, lhes diz, o que resta é que os que t)m mulheres sejam mais como se n$o as tivessem. Porque, se%undo São Gre%ário, tem uma mulher como se não a ti#esse aquele que toma as consolaç(es corporais com ela de tal maneira que por isso não des#iado das solicitudes espirituais. 1ra, o que se disse do marido entende-se reciprocamente da mulher. 1s que usam deste mundo, di, o mesmo /p4stolo, hão de ser como se não usassem- que todos pois usem do mundo, cada um conforme o seu estado; mas de tal sorte que, não lhe %anhando afeição, se fique li#re e pronto para ser#ir a &eus, como se dele não usasse. * o %rande mal do homem, di, São /%ostinho, querer %o,ar das coisas de que s4 de#e usar, e querer usar daquelas de que s4 de#e %o,ar; de#emos %o,ar dás coisas espirituais, e das corporais somente usar- e quando o uso destas se con#erte em %o,o, a nossa alma racional con#erte-se outrossim em alma !rutal e !estial. "reio ter dito tudo o que queria di,er, e dado a entender, sem o di,er, o que não queria di,er. III – 1<! Instruç0es $ara as vi-vas São Paulo instrui a todos os Prelados na pessoa do seu :im4teo, di,endo; Sonra as #i.#as que são de#eras #i.#as. 1ra, para ser #erdadeiramente #i.#a requerem-se estas coisas; E.[ 9ue não somente a #i.#a se)a #i.#a de corpo, mas

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tam! m de coração, isto , que se)a decidida, com in#iolá#el resolução, a conser#ar-se no estado duma casta #iu#e,. Porque as #i.#as, que não o são senão enquanto esperam a ocasião de se tornar a casar, não estão separadas dos homens senão se%undo o deleite do corpo, mas )á estão )untas com eles se%undo a #ontade do coração. ' se a #erdadeira #i.#a, para se confirmar no estado de #iu#e,, quer oferecer a &eus em #oto o seu corpo e a sua castidade, acrescentará um %rande ornamento e ata#io 2 sua #iu#e,, e porá em %rande se%urança a sua resolução; porque, #endo que depois do #oto )á não está na sua mão o poder dei0ar a sua castidade, sem dei0ar o Para7so, será tão ,elosa e des#elada pelo seu intento, que não consentirá nem por um s4 instante em seu coração os mais simples pensamentos de casamento; de sorte que este sa%rado #oto porá uma forte !arreira entre a sua alma e toda a sorte de pro)etos contrários 2 sua resolução. São /%ostinho aconselha encarecidamente este #oto 2 #i.#a cristã; e o anti%o e douto 1r7%enes passa muito mais adiante, porque aconselha 2s mulheres casadas a que façam #oto e se consa%rem 2 castidade na #iu#e,, no caso em que os seus maridos #enham a falecer antes delas, para que contra os pra,eres sensuais, que poderão ter no casamento, possam contudo %o,ar do m rito de uma casta #iu#e, por meio desta promessa antecipada. 1 #oto torna as o!ras feitas em se%uida a ele mais a%radá#eis a &eus, corro!ora a cora%em para as fa,er, e não dá somente a &eus as o!ras, que são como que os frutos da nossa !oa #ontade, mas dedica-lhe at a pr4pria #ontade, que como que a ár#ore das nossas aç(es; pela simples castidade n4s entre%amos o nosso corpo a &eus, reser#ando contudo a li!erdade de o su!meter de no#o aos pra,eres sensuais, mas pelo #oto de castidade fa,emos-lhe dele a!soluta e irre#o%á#el doação, sem reser#armos nenhum poder de nos desdi,ermos, tornando-os assim feli,mente escra#os d/quele, cu)o ser#iço melhor que toda a reale,a. 1ra como eu apro#o

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sem restriç(es os pareceres destes dois %randes homens; tam! m quisera que as almas, que forem tão ditosas e que dese)em e0ecutá-los, o façam prudentemente, santamente, e com solide,, depois de e0aminar !em as suas forças, de in#ocar a inspiração celeste, e de tomar o conselho de al%um sá!io e de#oto diretor, porque assim tudo se fará com mais fruto. 2.| /l m disso preciso que esta ren.ncia a se%undas n.pcias se faça pura e simplesmente, para com maior pure,a #oltar para &eus todos seus afetos, e em tudo unir o seu coração com o da sua di#ina 5a)estade- porque, se o dese)o dei0ar os filhos ricos, ou qualquer outra esp cie de pretensão mundana conser#a a #i.#a na #iu#e,, ela tal#e, disso rece!a lou#or, mas não por certo aos olhos de &eus, pois que diante de &eus não pode merecer #erdadeiro lou#or senão o que feito por amor de &eus. 3.[ /demais, preciso que a #i.#a, para ser #erdadeiramente #i.#a, este)a separada e #oluntariamente desprendida dos deleites profanos. / #i.#a que #i#e em del7cias, di, São Paulo, está morta em #ida. 9uerer ser #i.#a e sem em!ar%o %ostar de ser feste)ada, acariciada, %alanteada- querer achar-se nos !ailes, danças e festins- querer andar perfumada, enfeitada e %alante, ser uma #i.#a #i#a quanto ao corpo- mas morta quanto 2 alma. 9ue importa, peço-te que me di%as, que a ta!uleta da pousada de /d$nis e do amor profano se)a feita de pluma%ens !rancas colocadas 2 laia de penachos, ou de um # u ne%ro estendido 2 maneira de rede so!re o rosto- e at muitas #e,es o preto costuma por #aidade ser preferido ao !ranco, para mais realce 2 cor- a #i.#a, sa!endo por e0peri8ncia de que modo as mulheres podem a%radar aos homens, lança em seus esp7ritos incenti#os e iscas mais peri%osas. Por isso a #i.#a, que #i#e nestas loucas delicias, está morta em #ida, e a !endi,er não senão um 7dolo e apar8ncia de #iu#e,. "he%ou o tempo da poda, a #o, da rola )á foi ou#ida na nossa terra, di, o "Qntico dos "Qnticos; a poda das

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superfluidades mundanas necessária, para quem quer que dese)e #i#er piedosamente- mas so!retudo necessária para a #erdadeira #i.#a, que, como casta rola, aca!a recentemente de chorar, %emer e lamentar-se da perda do seu marido. 9uando +oemi #oltou de 5oa! para @el m, as mulheres da cidade, que a tinham conhecido no princ7pio do seu casamento, per%unta#am umas 2s outras; +ão esta +oemi? 5as ela respondeu; +ão me chames, peço #o-lo, +oemi, porque +oemi quer di,er %raciosa e !ela, chamai-me antes 5arei, pois o Senhor encheu a minha alma de amar%ura. 1 que di,ia, porque o seu marido lhe tinha morrido. /ssim a #i.#a de#ota nunca de#e querer ser chamada nem tida como !ela, nem como %raciosa, contentando-se com ser o que &eus quer que ela se)a, isto , humilde e a!)eta a seus olhos. /s lQmpadas, cu)o a,eite aromático, quando apa%am as suas chamas, deitam um cheiro mais sua#e- assim as #i.#as cu)o amor foi puro em seu matrim$nio, derramam um maior perfume de #irtude de castidade, quando a sua lu,, isto , o seu marido, apa%ada pela morte; amar o marido, enquanto ele #i#e, coisa !astante comum entre as mulheres; mas amá-lo tanto, que depois da morte dele não se queira outro, um %rau de amor, que não pertence senão 2 #erdadeira #i.#a. 'sperar em &eus, enquanto o marido ser#e de arrimo, não coisa muito rara; mas esperar em &eus quando se fica pri#ada deste apoio, coisa di%na de %rande lou#or. * por isso que se conhece mais facilmente na #iu#e, a perfeição das #irtudes que se praticaram no matrim$nio. / #i.#a que tem filhos, que precisam da sua direção e %o#erno, principalmente no que toca 2 sua alma e 2 ordenação da sua #ida, não pode, nem de#e de maneira al%uma a!andonálos; porque o /p4stolo São Paulo di, claramente que elas são o!ri%adas a esse cuidado para pa%ar o que por elas fi,eram seus pais e mães- e muito mais ainda, porque, se al%u m não olha pelos seus, e principalmente pelos da sua fam7lia, pior que

333 P 6F. 3nstruç(es para as #i.#as

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um infiel; mas se os filhos estão em condiç(es de não precisar de ser %o#ernados, a #i.#a então de#e empre%ar todos os seus afetos e pensamentos para os aplicar mais puramente no seu apro#eitamento e pro%resso no amor de &eus. Se al%uma #iolenta força não o!ri%a a consci8ncia da #erdadeira #i.#a aos desairesUaV e contratempos de fora, como são os processos e demandas; aconselho-lhe que se a!stenha de tudo- e que si%a o m todo de orientar os seus ne%4cios, que para ela se)a mais sua#e e tranquilo, em!ora se lhe afi%ure que não o mais prático e frutuoso. Porque preciso que os frutos de tais desarmonias se)am de#eras %randes, para se poderem p$r em confronto com o !em de uma santa tranquilidade, sem deitar conta a que o processo e su!sequentes desa#enças dissipam o coração, e muitas #e,es a!rem as portas aos inimi%os da castidade, #isto que por compra,er com aqueles, de cu)o fa#or e proteção se carece, se che%am a adotar atitudes inde#otas e desa%radá#eis a &eus. Se)a a oração o cont7nuo e0erc7cio da #i.#a; porque, não de#endo )á ter amor senão por &eus, nunca mais de#e falar senão com &eus- e como o ferro, que sendo impedido de se%uir a atração do 7mã por causa da presença do diamante, se arremessa para o mesmo 7mã, apenas o diamante le#ado para lon%e; assim o coração da #i.#a, que não podia com facilidade a!ismar-se inteiramente em &eus, nem se%uir os atrati#os do seu di#ino amor, durante a #ida do seu marido, de#e lo%o depois do falecimento deste ir ardentemente 2 cata dos perfumes celestiais, di,endo 2 imitação da 'sposa sa%rada; 4 Senhor, a%ora que sou toda minha, rece!ei-me como toda #ossa, le#ai-me atrás de J4s, n4s corremos ao odor dos #ossos perfumes. / prática das #irtudes pr4prias da #i.#a santa são a perfeita
UaV &esaire; s.m. /us8ncia de ele%Qncia- que não se #este ele%antementedesele%Qncia. "omportamento escandaloso- sem decoro- #er%onha ou #e0ame. "aracter7stica ou condição de quem desa)eitado- aus8ncia de %raciosidade. "ircunstQncia que se op(e 2 sorte- des%raça.

333 P 6F. 3nstruç(es para as #i.#as

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mod stia, a ren.ncia 2s honras, 2s reuni(es, 2s assem!leias, aos t7tulos, e todas as classes de #aidades semelhantes- a assist8ncia dos po!res e dos doentes, a consolação dos tristes e aflitos, a iniciação das don,elas na #ida de#ota, e o empenho em se tornar perfeito modelo de todas as #irtudes para as mulheres no#as- a limpe,a e a simplicidade são os dois enfeites e %uarniç(es dos seus #estidos- a humildade e a caridade, os dois enfeites e ornamentos. das suas aç(es- a honestidade e a mansidão, os dois asseios da sua lin%ua%em- a. mod stia e o pudor, as duas lu,es de seus olhos- e Aesus crucificado, o .nico amor de seu coração. Para a!re#iar, a #erdadeira #i.#a na 3%re)a uma pequena #ioleta de março, que derrama uma sua#idade sem par, pelo odor de sua de#oção, e se conser#a quase sempre escondida so! as lar%as folhas da sua humildade, e pela sua cor menos deslum!rante dá pro#as da sua mortificação- ela nasce nos lu%ares frescos e não culti#ados, não querendo ser apoquentada pelo com rcio dos mundanos, para melhor conser#ar a frescura de seu coração contra todos os calores que o dese)o dos !ens, das honras ou at dos amores lhe poderia tra,er. 'la será !ema#enturada, di, o Santo /p4stolo, se perse#erar desta maneira. :eria muitas outras coisas a di,er so!re este assunto, mas teria dito tudo quando dissesse que a #i.#a, ,elosa da honra da sua condição, lesse atentamente as !elas ep7stolas que o %rande São Aer$nimo escre#eu a F.ria e a Sál#ia, e a todas as outras matronas que ti#eram a sin%ular #entura de ser filhas espirituais de tão %rande Pai- porque nada se pode acrescentar ao que ele lhes disse, senão esta ad#ert8ncia; que a #erdadeira #i.#a nunca de#e criticar, nem censurar aquelas que passam a se%undas, ou at a terceiras e quartas n.pcias- porque, em certos casos, &eus assim o disp(e para a sua maior %l4ria. ' preciso ter sempre presente a doutrina dos anti%os, que nem a #iu#e,, nem a #ir%indade t8m no " u outro lu%ar que não se)a o que lhes marcado pela humildade.

333 P 6E. So!re a #ir%indade

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III – 1 ! So+re a vir%indade I #ir%ens, se pretendeis casar-#os, conser#ai então cuidadosamente o #osso primeiro amor para a pessoa que o c u #os destinar. * uma fraude apresentar-lhe um coração que )á foi possu7do, usando e %asto pelo amor, em #e, de um coração inteiro e sincero. 5as se, por #ossa felicidade, #os sentis chamadas para as n.pcias castas e #ir%inais do "ordeiro imaculado, ahL 'ntão conser#ai com toda a delicade,a de consci8ncia todo o #osso amor para este di#ino 'sposo, que, sendo a pr4pria pure,a, nada ama mais do que a pure,a e a quem são de#idas todas as prim7cias, má0imeUaV as do amor. /s cartas de São Aer$nimo cont8m todos os outros conselhos que #os são necessários- e, como o #osso estado #os o!ri%a 2 o!edi8ncia, escolhei um confessor so! cu)a direção #os podeis consa%rar 2 di#indade mais santamente e com maior se%urança.

UaV 5á0ime; ad# r!io; principalmente, especialmente. ad#. lat. ma0}me ce0tremamente, e0cessi#amented, por #ia erudita- #er ma%-

9uarta Parte

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Iuarta Parte Avisos necessários contra as tentaç>es mais comuns IV – ! 2ão se deve fa#er caso do que di#em os mundanos /ssim que a tua de#oção se for tornando conhecida no mundo, maledic8ncias e adulaç(es te causarão s rias dificuldades de praticá-la. 1s li!ertinos UaV tomarão a tua mudança por um artif7cio de hipocrisia e dirão que al%uma desilusão sofrida no mundo te le#ou por pirraça a recorrer a &eus. 1s teus ami%os, por sua #e,, se apressarão a te dar a#isos que sup(em ser caridosos e prudentes so!re a melancolia da de#oção, so!re a perda do teu !om nome no mundo, so!re o estado de tua sa.de, so!re a necessidade de #i#er no mundo conformando-se aos outros e, so!retudo, so!re os meios que temos para nos sal#ar sem tantos mist rios. Filot ia, tudo isso são loucas e #ãs pala#ras do mundo e, na #erdade, essas pessoas não t8m um cuidado #erdadeiro de teus ne%4cios e de tua sa.de; 'e v6s #=sseis do mundo, di, +osso Senhor, amaria o mundo o que era seu* mas, como n$o sois do mundo, por isso ele vos aborrece. Jeem-se homens e mulheres passarem noites inteiras no )o%o- e ha#erá uma ocupação mais triste e ins7pida do que esta? 'ntretanto, seus ami%os se calam- mas, se destinamos uma hora 2 meditação ou se nos le#antamos mais cedo, para nos prepararmos para a santa comunhão, mandam lo%o chamar o m dico, para que nos cure desta melancolia e triste,a. Podemse passar trinta noites a dançar, que nin%u m se quei0a- mas por le#antar-se na noite de +atal para a 5issa do Galo,
UaV Ri!ertino; que ou aquele que le#a uma #ida dissoluta, que se entre%a imoderadamente aos pra,eres do se0o. 9ue ou aquele que re#ela irre#er8ncia a re%ras e do%mas esta!elecidos, esp. 2 reli%ião e 2 prática desta. 9ue não tem disciplina, que ne%li%8ncia de#eres e o!ri%aç(es.

3J P E. +ão se de#e fa,er caso do que di,em os mundanos

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começa-se lo%o a tossir e a quei0ar de dor de ca!eça no dia se%uinte. 9uem não #8 que o mundo um )ui, in7quo, fa#orá#el aos seus filhos, mas intransi%ente e se#ero para os filhos de &eus? S4 nos per#ertendo com o mundo, poder7amos #i#er em pa, com ele, e imposs7#el contentar os seus caprichos P "eio ;o$o Datista, diz o divino 'alvador, o qual n$o comia p$o nem bebia vinho, e dizeis4 2le está possesso do dem=nio "eio o 3ilho do Comem, come e bebe, e dizeis que é um samaritanoU!V * #erdade, Filot ia, se condescenderes com o mundo e )o%ares e dançares, ele se escandali,ará de ti- e, se não o fi,eres, serás acusada de hipocrisia e melancolia. Se te #estires !em, ele te le#ará isso a mal, e, se te ne%li%enciares, ele chamará isso !ai0e,a de coração. / tua ale%ria terá ele por dissolução e a tua mortificação por Qnimo carrancudo- e, olhando-te sempre com maus olhos, )amais lhe poderás a%radar. "s nossas im$erfeiç0es ele considera $ecados , os nossos pecados #eniais ele )ul%a mortais, e mal7cias, as nossas enfermidades- de sorte que, assim como a caridade, na e0pressão de São Paulo, é beni!na, o mundo mali%no. / caridade nunca pensa mal de nin%u m e o mundo o pensa sempre de toda sorte de pessoas- e, não podendo acusar as nossas aç(es, condena ao menos nossas intenç(es. 'nfim, tenham os carneiros chifres ou não, se)am pretos ou !rancos, o lo!o sempre os há de tra%ar, se puder. Procedamos como quisermos, o mundo sempre nos fará %uerra. Se nos demorarmos um pouco mais no confessionário, per%untará o que temos tanto que di,er- e, se sa7mos depressa, comentará que não contamos tudo. 'spreitará todas as nossas aç(es e, por uma pala#ra um pouco menos !randa, dirá que
U!V 5t EE,EK"om efeito, #eio Aoão, que não come nem !e!e, e di,em; cum dem$nio está neled. EGJeio o Filho do Somem, que come e !e!e, e di,em; ceis a7 um %lutão e !e!errão, ami%o de pu!licanos e pecadoresd. 5as a Sa!edoria foi )ustificada pelas suas o!rasM.

3J P E. +ão se de#e fa,er caso do que di,em os mundanos

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somos insuportá#eis. "hamará a#are,a o cuidado por nossos ne%4cios, e idiotismo a nossa mansidão. 5as, quanto aos filhos do s culo, sua c4lera %enerosidade- sua a#are,a, sá!ia economia- e suas maneiras li#res, honesto passatempo. * !em #erdade que as aranhas sempre estra%am o tra!alho das a!elhasL /!andonemos este mundo ce%o, Filot ia- %rite ele quanto quiser, como uma coru)a para inquietar os passarinhos do dia. Se)amos firmes em nossos prop4sitos, in#ariá#eis em nossas resoluç(es e a constQncia mostrará que a nossa de#oção s ria e sincera. 1s cometas e os planetas parecem ter o mesmo !rilho- mas os cometas, que são corpos passa%eiros, desaparecem em !re#e, ao passo que os planetas !rilham continuamente. &o mesmo modo muito se parece a hipocrisia com a #irtude s4lida e s4 se distin%ue porque aquela não tem constQncia e se dissipa como a fumaça, ao passo que esta firme e constante. &emais, para asse%urar os começos de nossa de#oção, muito !om sofrer despre,os e censuras in)ustas por sua causadeste modo n4s nos premunimos contra a #aidade e o or%ulho, que são como as parteiras do '%ito, 2s quais o infernal Fara4 mandou matar os filhos #ar(es dos )udeus no mesmo dia de seu nascimento. 'nfim, n4s estamos crucificados para o mundo e o mundo de#e ser crucificado para n4s. 'le nos toma por loucosconsideremo-lo como um insensato. IV – ' > $reciso dotarBnos de cora%em Por mais !ela e sua#e que se)a a lu,, ela nos deslum!ra os olhos, se esti#ermos muito tempo na escuridão- e, por mais honestos e amá#eis que se)am os ha!itantes dum lu%ar em que se estranho, não se dei0a de estar no começo um pouco em!araçado. Poderá, pois, acontecer, Filot ia, que esta %rande separação das loucas #aidades do mundo e esta mudança de #ida choquem o teu coração com um certo ressentimento de

3J P 2 * preciso dotar-nos de cora%em

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triste,a. 5as tem um pouco de paci8ncia, eu te peço- tudo isso não nada e passará com o tempo- foi a no#idade que causou um pouco de admiração- espera e !em depressa #oltarão as consolaç(es. :ens saudades tal#e, da %l4ria dos aplausos que os loucos mote)adores N,om!eteirosO do mundo da#am 2s tuas #aidades- mas, 4 meu &eus, queres perder a %l4ria com que o &eus da #erdade te coroará eternamente? 1s #ãos pra,eres dos anos passados #irão ainda adular o teu coração, para #oltares atrás- mas queres tu renunciar 2s del7cias da eternidade, por mesquinhe,as en%anadoras? "r8-me, se perse#erares, #erás em !re#e a tua perse#erança recompensada com tão deliciosas consolaç(es que hás de confessar que o mundo s4 tem fel, em comparação deste mel celeste, e que um s4 dia de de#oção #ale mais do que mil anos de uma #ida mundana. "onsideras a altura da montanha de perfeição cristã e di,es; como hei de Su!ir lá em cima? "ora%em, Filot ia- as ninfas das a!elhas, que estão começando ainda a tomar a sua forma, não t8m ainda asas para ir colher o mel nas flores das montanhas e das colinas- mas, nutrindo-se pouco a pouco do mel que suas mães lhes prepararam, as asas lhes #ão crescendo e tanto se fortificam que enfim tomam o #oo at aos lu%ares mais ele#ados. +a #erdade, n4s nos de#emos considerar como pequenas a!elhas nos caminhos da de#oção e não podemos adquirir a perfeição duma #e,, como querer7amos. 5as comecemos a tra!alhar para isso, por nossos dese)os e !oas resoluç(es- esperemos que um dia teremos força !astante para che%armos at lá- alimentemo-nos, nesse meio tempo, com o mel sua#7ssimo de tantas instruç(es que os santos e santas nos dei0aram e peçamos a &eus, com o profeta-rei, que nos d8 as asas da pom!a, a fim de que não somente nos ele#emos 2 perfeição da #ida presente, mas tam! m ao repouso da !ema#enturança eterna.

3J P 3. :entaç(es; diferença entre o sentir e o consentir

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IV – ,! Centaç0es@ diferença entre o sentir e o consentir 3ma%ina, Filot ia, uma )o#em princesa e0tremamente amada por seu esposo e que um )o#em li!ertino pretende corromper e sedu,ir 2 infidelidade, por meio de um infame confidente que lhe en#ia para tratar com ela so!re o seu des7%nio a!ominá#el. Primeiro, este confidente transmite 2 princesa esta proposta do seu amo- em se%uida, a proposta lhe a%rada ou desa%rada- por fim, ela consente e a aceita ou a re)eita. &este modo, o mundo, o dem$nio e a carne, #endo uma alma li%ada ao Filho de &eus, como sua esposa, lhe armam tentaç(es, nas quais primeiramente o pecado lhe proposto, depois ele lhe a%rada ou desa%rada e, por fim, ela lhes dá o seu consentimento ou as re)eita. 'is a7 os de%raus que condu,em 2 iniquidade; a tentação, o deleite, o consentimento- e, em!ora estas tr8s coisas não se distin%am e#identemente em todos os pecados, toda#ia aparecem sensi#elmente nos pecados maiores. Uma tentação, em!ora durasse toda a nossa #ida, não nos pode tornar desa%radá#eis 2 di#ina 5a)estade, se não nos a%rada e não consentimos nela, porque na tentação n4s não a%imos mas sofremos, e, como não nos deleitamos com ela, de nenhum modo incorremos em al%uma culpa. Por lon%o tempo sofreu São Paulo tentaç(es da carne e tão lon%e esta#a de se tornar com isso desa%radá#el a &eus que, pelo contrário, muito o %lorificou. / !em-a#enturada an%ela de Foli%no foi tam! m atormentada tão cruelmente que causa pena ou#ir contar. +em menores foram as tentaç(es de São Francisco e São @ento, quando aquele se lançou nos espinhos e este so!re a ne#e, para as com!ater, e, entretanto, lon%e de fa,8-lo perder a %raça de &eus, s4 ser#iram para a aumentar muito. * preciso, pois, Filot ia, ter %rande cora%em nas tentaç(es e nunca se crer #encido, enquanto elas são desa%radá#eis, distin%uindo !em entre o sentir e o consentir. Podemos sentilas, em!ora desa%radem- mas não podemos consentir sem ter %osto nelas, porque o pra,er de ordinário um %rau de

3J P 3. :entaç(es; diferença entre o sentir e o consentir

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consentimento. 1fereçam-nos, pois, os inimi%os de nossa sal#ação tantos en%$dos e atrati#os quantos quiseremconser#em-se sempre 2 porta do nosso coração, prontos para entrarem- façam-nos tantas propostas quantas quiseremenquanto nos conser#armos na disposição de não nos deleitarmos com estas coisas, imposs7#el que ofendamos a &eus- do mesmo modo que o esposo da princesa mencionada acima não poderia de modo al%um lhe e0pro!rar a proposta que lhe fi,eram, se ela a a!omina e detesta. '0iste contudo esta diferença entre a princesa e a alma; aquela pode mandar em!ora o intermediário, se o quer, sem lhe dar ou#idos, e a alma muitas #e,es não se pode li#rar de sentir as tentaç(es, conquanto este)a sempre em seu poder não consentir. ' esta a ra,ão por que uma tentação, por mais impertinente que se)a, não nos pode causar nenhuma esp cie de dano, enquanto nos desa%rada. 9uanto ao deleite que pode se%uir 2 tentação, muito de notar que o homem tem em si como que duas partes, uma inferior e outra superior, e que a inferior nem sempre se conforma 2 superior e atua muitas #e,es separadamente desta. &isto decorre tão frequentemente que a parte inferior se deleita numa tentação sem o consentimento da parte superior e mesmo mau %rado seu. 'ste )ustamente o com!ate que São Paulo descre#e, di,endo que a carne deseja contra o espírito e que há uma lei dos membros e outra do espírito, etc. Aá #iste, Filot ia, um %rande !raseiro de fo%o co!erto de cin,as? Jindo-se ai umas de, ou do,e horas depois !uscar fo%o, s4 a muito custo que se encontra al%uma !rasa restantecontudo, ainda há fo%o a7 e essa !rasa pode ser#ir para acender os outros car#(es apa%ados. 'is a7 com a caridade, que tua #ida espiritual, su!siste em ti, apesar de todas as tentaç(es; a tentação, pois, deleitando a parte inferior, so!recarre%a e co!re, por assim di,er, uma po!re alma com tantas disposiç(es que lhe redu, o amor a &eus a !em pouca coisa. * s4 lá no fundo

3J P 3. :entaç(es; diferença entre o sentir e o consentir

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do coração que ele ainda su!siste e mesmo ai, 2s #e,es, s4 a custo que se encontra. 'ntretanto, ele ai está dum modo todo real, porque, apesar da pertur!ação %eral da alma e do corpo, sempre se conser#a a firme resolução de não consentir nem no pecado nem na tentação; o deleite que apra, ao homem e0terior desa%rada ao homem interior, e ainda que cerque, por assim di,er, a nossa #ontade, o deleite não entra nela e isso nos fa, )ul%ar que in#oluntário e que, enquanto permanece assim, não pode ser pecado. IV – 1! *om+ate ?s$iritual – na +usca da $ure#a * tão importante, Filot ia que compreendas !em este ponto, que de !om %rado #ou e0plicá-lo um pouco mais. 1 mance!o citado por São Aer$nimo acha#a-se deitado num leito muito macio, preso por cord(es de seda e foi tentado por todos os modos ima%iná#eis por uma mulher impudica NsensualO, da qual se ser#iram para a!alar a sua constQncia- quanto de#em ter sofrido os seus sentidos e a sua ima%inaçãoL 'ntretanto, no meio de tantas e tão horr7#eis tentaç(es, ele testemunha#a que seu coração não esta#a #encido e sua #ontade não consentia de modo al%um- pois sua alma, #endo tudo re#oltado contra ela e at de seu corpo não tendo nenhuma parte 2 sua disposição, e0ceto a l7n%ua, ele a cortou com os dentes e a lançou no rosto daquela mulher #il, que lhe era mais cruel que os mais furiosos carrascos- inutilmente pensara o tirano #encer pelos pra,eres esta alma no!re, que não p$de #encer pelos tormentos. / hist4ria das tentaç(es interiores e e0teriores que &eus permitiu ao esp7rito mali%no causar a Santa "atarina de Sena, contra o pudor, simplesmente surpreendente e nada se pode ima%inar de mais horr7#el do que o que ela sofreu neste com!ate espiritual, se)a por su%est(es do inimi%o em sua ima%inação e esp7rito, se)a 2 #ista das mais infames representaç(es, que os dem$nios lhe fa,iam, de fi%uras humanas, se)a ainda pelas mais a!ominá#eis pala#ras

3J P 6. "om!ate 'spiritual P na !usca da pure,a

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desonestas. 1ra, conquanto todo este espetáculo detestá#el s4 lhe ofendesse os sentidos, toda#ia tanto o seu coração se a%ita#a que ela mesma confessa que esta#a todo cheio e que nada mais lhe resta#a que não esti#esse 2 merc8 desta tempestade, e0ceto a parte racional de sua #ontade. 'stas pro#as duraram por muito tempo, at que afinal, aparecendo-lhe um dia o Senhor, ela lhe per%untou; H1nde está#eis. Senhor, quando meu coração se acha#a cheio de tre#as e impure,as?M Cespondeu-lhe o Senhor; H'u esta#a, minha filha, ai no teu coração mesmoM. H' como P replicou ela P como pod7eis ha!itar num tal coração?M 'ntão +osso Senhor lhe per%untou se aquelas tentaç(es tinham produ,ido em sua alma al%um sentimento de pra,er ou de triste,a, e amar%ura ou des%osto- e, como-a santa lhe respondesse Hde triste,a e amar%uraM, +osso Senhor lhe disse; H9uem produ,ia essa triste,a e amar%ura em tua alma senão eu, que ai esta#a escondido no fundo do teu coração? Sa!e, minha filha, que se eu não esti#esse presente, estas tentaç(es que cerca#am tua #ontade sem a poder #encer teriam sido rece!idas com pra,er e com pleno consentimento de teu li#re ar!7trio, causando a morte 2 tua alma. 5as, estando eu presente, eu te da#a esta força irresist7#el, com a qual te preser#a#as de cair em tentação- e, não podendo resistir tanto quanto querias, isso te causa#a um des%osto e 4dio muito maiores contra a tentação e contra ti pr4pria. &este modo estes sofrimentos t8m sido para ti uma fonte de aumento de #irtudes, forcas e merecimentosM. 'is a7, Filot ia, como este fo%o esta#a co!erto de cin,as e como a tentação com os seus atrati#os tinham entrado neste coração e sitiado a #ontade, a qual, so,inha, por au07lio da %raça di#ina, resistia com amar%ura, des%ostos e detestação de todo o pecado, recusando sempre o seu consentimento. /hL 9ue desolação para uma alma que ama a &eus, nem sequer sa!er se ele está ou não nela e se o amor di#ino, pelo

3J P 6. "om!ate 'spiritual P na !usca da pure,a

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qual ela com!ate, está ou não inteiramente e0tinto nelaL 5as nisto consiste a su!limidade do amor celeste; de fa,er com!ater o amante pelo amor, sem sa!er se tem o amor pelo qual com!ate. IV – 3! *onsolação $ara $essoas tentadas Filot ia, &eus s4 permite estas tentaç(es #iolentas a almas que ele quer ele#ar a uma %rande perfeição de seu amor- mas não há para elas uma certe,a que, tendo passado por estas pro#as, adquiram afinal esta perfeição, porque tem acontecido muitas #e,es que al%uns, não correspondendo em se%uida fielmente 2 %raça que os tinha feito com!ater com constQncia, sucum!iram tristemente a tentaç(es muito mais le#es. 9uero di,er-te, a fim de que, se te achares al%um dia em pro#as tão penosas, te consoles com o des7%nio que &eus tem em #ista e, portanto, humilde em sua presença, nunca te creias em se%urança contra as pequenas tentaç(es, depois de ter superado muito maiores, para que se)as sempre fiel 2 sua %raça e, se te so!re#ier al%uma tentação e sentires al%um pra,er nela, não te pertur!es a!solutamente enquanto a tua #ontade recusar o seu consentimento a uma coisa e outra, porque de modo al%um ofendeste a &eus. 9uando um homem cai sem sentidos e não dá nenhum sinal de #ida, p(e-se-lhe a mão so!re o coração e, se al%um mo#imento se sente, por mais insi%nificante que se)a, concluise dai que ainda está #i#o e que se pode com al%um rem dio forte e efica, restituir-lhe as forças. Aul%uemos tam! m assim da alma na #iol8ncia das tentaç(es que parecem 2s #e,es consumir todas as suas forças. '0aminemos se o coração e a #ontade t8m ainda al%um mo#imento de #ida espiritual, isto , se a #ontade recusa o seu consentimento 2 tentação e ao deleite- porque, enquanto notamos este mo#imento em nossa #ontade, podemos estar certos de que a #ida da caridade não está e0tinta e que Aesus

3J P <. "onsolação para pessoas tentadas

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"risto, em!ora oculto, está presente em nossa alma- de modo que, pelo e0erc7cio cont7nuo da oração e recepção dos sacramentos e pela confiança em &eus, podemos recuperar todas as forças perdidas e #i#er para sempre em &eus, numa #ida doce e perfeita. IV – 6! *omo a tentação e a deleitação $odem ser $ecados / princesa de que #os tenho falado não pode ser censurada em #ista do requesto N!ri%a, ri0aO que lhe fi,eram, pois, como supusemos, foi inteiramente contra as suas intenç(es- mas ela teria culpa se, de qualquer modo que fosse, ti#esse dado moti#o para #irem a este pensamento- eis a7 como a tentação pode ser 2s #e,es pecado, em ra,ão de ser pro#ocada. Por e0emplo, um homem sa!e que o )o%o lhe e0cita facilmente a c4lera e a c4lera o fa, !lasfemar- lo%o, o )o%o para ele uma #erdadeira tentação. /firmo que esse homem peca todas as #e,es que )o%ar e que o tornam culpá#el as tentaç(es que dai pro#8m. 1utro sa!e que a con#ersa com uma certa pessoa lhe ocasião de quedas- lo%o, se a procura deli!eradamente, tem culpa da tentação que pode se se%uir. Podendo-se e#itar a deli!eração que a tentação produ,, sempre um pecado não o fa,er, e mais ou menos considerá#el, conforme o pra,er e o consentimento são maiores ou menores, demorados ou !re#es. Se a princesa supracitada não s4 escutasse a proposta desonesta que lhe en#iaram, mas ainda sentisse pra,er nisso, ocupando com ela a sua mente, tornar-seia, em consequ8ncia disso, muito repreens7#el, porque, em!ora não quisesse de modo al%um que se reali,asse, consentia que seu coração se ocupasse com estas coisas desonestas, tendo nisso pra,er. 1ra, )á nos preocupar com a desonestidade pecado, como se fosse por meio dos sentidos, e tanto assim que nisso consiste e0atamente a desonestidade- de modo que não há pecado, se

3J P =. "omo a tentação e a deleitação podem ser pecados

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aplicamos s4 os sentidos in#oluntariamente. Ro%o que sentires uma tentação, e0amina se foste tu que a ocasionaste #oluntariamente, porque )á um pecado p$r-se em risco de pecar- sup(e isso que tenhas podido e#itar ra,oa#elmente a ocasião e que tenhas pre#isto ou de#ido pre#er a tentação que se se%uiria- mas, se não deste moti#o al%um 2 tentação, a!solutamente não te poderá ser imputada em pecado. 9uando, podendo, não se e#ita a deleitação causada pela tentação, há a7 sempre al%uma sorte de pecado, proporcional ao tempo em que se dete#e com ela e se%undo a causa que a ocasionou. Uma mulher que, não tendo dado ense)o a ser %alanteada, sente contudo pra,er em o ser, não dei0a de ser repreens7#el, se este pra,er pro# m unicamente do %alanteio. /o contrário, se al%u m que a quer sedu,ir tocar primorosamente o #iolino, de forma que o seu pra,er não pro# m das adulaç(es, mas da harmonia e sua#idade dos sons, ai não ha#eria pecado nenhum para ela, conquanto não de#a se deleitar por muito tempo com este pra,er, pelo peri%o que corre em senti-lo por ser %alanteada. &o mesmo modo, se me fa,em uma proposta muito ardilosa de me #in%ar de meus inimi%os, sem que eu consinta ou me deleite com a #in%ança, mas sinta %osto no ardil e sutile,a do artif7cio, sem d.#ida eu não peco. 5as peri%oso que me detenha por muito tempo com este pra,er, porque ele pouco apouco me le#aria a deleitar-me com a pr4pria #in%ança. Surpreendem-nos 2s #e,es certas impress(es de deleites que se%uem imediatamente a tentação, quase antes que se note. "laro está que isso não passaria no má0imo de um pecado #enial- s4 no caso em que por ne%li%8ncia, uma #e, conhecido distintamente o mal, ainda se esti#esse ai demorando com uma decisão de consentimento ou recusa ou, pior ainda, se não se sentisse #ontade al%uma de re)eitá-lo, que o pecado se poderia tornar mais %ra#e- pois, se #oluntariamente e com deli!eração se está resol#ido a deleitar-se com al%um o!)eto

3J P =. "omo a tentação e a deleitação podem ser pecados

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nota#elmente mau, este mesmo dese)o e prop4sito )á constituem em si um %ra#e pecado. /ssim %ra#emente culpá#el uma mulher que anda sempre a entreter amores pecaminosos, conquanto não queira se entre%ar a eles. IV – 7! :eios contra as %randes tentaç0es Ro%o que notes uma tentação, imita as criancinhas que, #endo um lo!o ou um urso, se lançam ao seio do pai e da mãe ou ao menos os chamam em seu socorro. Cecorre assim a &eus e implora o socorro de sua miseric4rdia; este o meio que +osso Senhor mesmo nos indica nas pala#ras; &rai, para n$o cairdes em tentaç$o. Se a tentação cont7nua e se torna mais forte, a!raça em esp7rito a santa cru,, como se esti#esses #endo Aesus "risto diante de ti- protesta-lhe que não hás de consentir- suplica-lhe que te defenda do inimi%o e continua reno#ando esses protestos e s.plicas at que passe a tentação. Fa,endo esses protestos, não penses tanto na tentação mesma, mas olha unicamente para Aesus "risto- porque, detendo com ele o teu esp7rito, poderia facilmente, se forte, arre!atar o teu coração. &á, pois, uma outra direção aos teus pensamentos, ocupando-te com al%uma refle0ão !oa e lou#á#el, que poderá tam! m e0tin%uir todo o deleite da tentação, pela posse que tomará de teu coração. 1 %rande meio de #encer todas as tentaç(es, %randes e pequenas, a!rir o coração a um diretor espiritual, pondo-o a par das su%est(es do inimi%o e das impress(es que dei0am. 1 sil8ncio , pois, a primeira condição que o inimi%o imp(e 2quele que quer sedu,ir, 2 semelhança do li!ertino que, querendo sedu,ir uma mulher ou uma moça, antes de tudo lhe su%ere ocultar tudo a seu marido ou a seu pai- conduta do dem$nio, inteiramente oposta 2 de &eus, que quer que at as suas inspiraç(es se)am e0aminadas pelo confessor e pelos superiores. Se a tentação ainda continua, importuna, a nos

3J P B. 5eios contra as %randes tentaç(es

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perse%uir e a!orrecer, nada mais temos que fa,er senão recusar com %enerosa constQncia o nosso consentimento. Uma pessoa nunca se poderá casar, enquanto di,, que não- e tam! m uma alma nunca poderá ser #encida por uma tentação, enquanto recuse o seu consentimento. +ão disputes com o inimi%o e a todas as suas su%est(es não lhe respondas senão com as pala#ras com que o Sal#ador o confundiu; :etira-te, 'atanás, adorarás ao 'enhor teu (eus e s6 a ele servirás. Uma mulher honesta a!andona honrosamente um homem desonesto, sem o olhar e sem lhe responder, #oltando para o esposo o seu coração e reno#ando secretamente os sentimentos de fidelidade que lhe prometeu- a alma de#ota, atacada pelo inimi%o, não de#e estar ai e lhe dar respostas ou disputar com, as tentaç(es- !asta-lhe #oltar-se simplesmente para Aesus "risto, seu esposo, e lhe protestar que lhe quer pertencer sempre e e0clusi#amente e com a mais perfeita fidelidade. IV – 8! > necessário resistir às $equenas tentaç0es /inda que tenhamos que com!ater contra as %randes tentaç(es com Qnimo inque!rantá#el e a #it4ria nos se)a de suma utilidade, toda#ia ainda mais .til com!ater as pequenas, cu)a #it4ria por causa de seu n.mero pode tra,er tanta #anta%em como a daqueles que #enceram feli,mente %randes tentaç(es. 1s lo!os e os ursos são certamente mais para temer do que as moscas- as moscas, por m, são mais importunas e, e0perimentam mais a nossa paci8ncia. * fácil não cometer um homic7dio- mas dif7cil repelir continuamente os pequenos 7mpetos da ira, que se oferecem em todas as ocasi(es. * fácil a um homem ou a uma mulher não cometer adult rio- mas não há i%ual facilidade em assim conservar a $ure#a dos ol4os, não di,er ou ou#ir com pra,er nada daquilo que se chama adulaç(es, %alanteios, não dar nem rece!er amor ou pequeninas pro#as de ami,ade.

3J P K. * necessário resistir 2s pequenas tentaç(es

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* !em fácil não dar ri#al ao marido, nem ri#al 2 mulher, quanto ao corpo. 5as não assim fácil não o dar quanto ao coração. * !em fácil não manchar o tálamo NleitoO nupcial, mas !em dif7cil manter ileso o amor con)u%al. * fácil não furtar os !ens do pr40imo- mas dificultoso não os dese)ar e co!içar. * fácil não le#antar falsos testemunhos em )u7,o- mas dif7cil não mentir em con#ersa- fácil é não se em+ria%ar, dif=cil ser sem$re só+rio- !em fácil não dese)ar a morte ao pr40imo, dif7cil contudo não dese)ar a sua incomodidade- fácil não difamar al%u m, mas dif7cil não despre,ar. 'nfim, essas pequenas tentaç(es de c4lera, de suspeitas, de ci.mes, de in#e)as, de ami,ades tolas e #ãs, de duplicidades, de #aidade, de afetação, de artif7cios, de pensamentos maus, tudo isso, di%o, forma o e0erc7cio cotidiano, mesmo das almas mais de#otas e resol#idas a #i#er santamente. Por isso, Filot ia, ao passo que nos de#emos mostrar %enerosos em com!ater as %randes tentaç(es, quando aparecem, muito necessário que nos preparemos cuidadosamente para as pequenas tentaç(es, con#ictos de que as #it4rias que o!ti#ermos assim de nossos inimi%os a)untarão outras tantas pedras preciosas 2 coroa que &eus nos prepara no para7so. IV – 9! :eios contra as $equenas tentaç0es 9uanto a essas tentaç(es mi.das de #aidade, de suspeitas, de des%osto, de ci.mes, de in#e)a, de ami,ades sensuais e outras semelhantes tolices que, como moscas e mosquitos, #8m passar por diante de nossa #ista, e a%ora nos picam a face, lo%o mais o nari,, a melhor maneira de lhes resistir, )á que de todo imposs7#el ficar li#re dessa importunação, não nos apoquentarmos NincomodarmosO com elas. +ada disso nos pode pre)udicar, em!ora nos a!orreça, uma #e, que este)amos firmes na #ontade de ser#ir a &eus. &espre,a, pois, Filot ia, esses li%eiros ataques do inimi%o e não penses mais neles, assim como nas moscas que dei0as #oar

3J P G. 5eios contra as pequenas tentaç(es

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e #olte)ar ao redor de ti. ', quando os sentires, contenta-te simplesmente de repeli-los ocupando-te interior ou e0teriormente com al%uma coisa !oa e especialmente com o amor de &eus. Se me dás f , não hás de com!ater essas tentaç(es, senão indiretamente e não dum modo direto, como se)a praticando as #irtudes contrárias, porque seria demais estar a7 a disputar contra o inimi%o e não lhe responder. :endo, por m, o tempo para #er a qualidade da tentação e tendo-lhe oposto a #irtude contrária, #ol#e então o teu coração para Aesus "risto crucificado, !ei)a-lhe em esp7rito os p s, com todo o amor- este o melhor modo de #encer o inimi%o, tanto nas %randes como nas pequenas tentaç(es- porque o amor de &eus, contendo em si todas as perfeiç(es de todas as #irtudes num %rau muito ele#ado, tam! m o rem dio mais salutar contra todos os #7cios- e teu esp7rito, acostumando-se a recorrer nas tentaç(es a esse rem dio uni#ersal, não precisará e0aminar a qualidade das tentaç(es e se acalmará creste modo simples, mas terr7#el para o esp7rito mali%no, que se retira, quando #8 que suas su%est(es s4 ser#em para n4s nos e0ercermos no amor de &eus. 'is a7, pois, o que temos que fa,er contra estas tentaç(es pequenas, mas frequentes, em #e, de e0aminá-las e com!at8las cada uma de per si- doutra forma ter-se-ia muito tra!alho, nada conse%uindo. IV – <! :odo de fortificar o coração contra as tentaç0es "onsidera de tempos em tempos que as pai0(es costumam mostrar-se principalmente em teu coração e, tendo-as conhecido, trata de esta!elecer para ti normas de #ida que lhes se)am inteiramente contrárias em pensamentos, pala#ras e o!ras. Por e0emplo, se a #aidade, pensa muitas #e,es quantas mis rias t8m a #ida humana, quanto sofrerá a tua consci8ncia na hora da morte, por causa dessas #aidades, quanto são

3J P EF. 5odo de fortificar o coração contra as tentaç(es

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indi%nas dum coração %eneroso, de#endo ser consideradas como !rinquedos de criança. Fala muitas #e,es contra a #aidade e, em!ora te pareça que o fa,es constran%ida, não dei0es de falar dela com despre,o, porque, 2 força de falar contra uma coisa, aca!amos por odiála, em!ora a estimássemos muito a princ7pio- deste modo te o!ri%arás, mesmo em ra,ão de tua honra, a tomar um partido contrário 2 #aidade. Fa,e o!ras de a!)eção e humildade tantas quantas puderes, em!ora te pareça que as praticas forçada- assim te e0ercitarás na humildade e recalcarás NoporásO a #aidade- de modo que, so!re#indo a tentação, a tua inclinação )á não será fa#orá#el e acharás em ti mesma mais força para a com!ater. Se teu coração propenso 2 a#are,aUaV, pensa muitas #e,es na insensate, desta pai0ão, que nos torna escra#os daquilo mesmo que s4 foi feito para nos ser#ir- pensa que na hora da morte hás de dei0ar tudo e quem sa!e se em mãos de al%u m que o há de dissipar e condenar-se ainda por cima. Fala muitas #e,es contra a a#are,a e lou#a o despre,o do mundo. Cea%e 2s #e,es para dar esmolas ou dei0ar passar al%uma ocasião propicia de a)untar maiores !ens. Se te sentes inclinada a com rcios amorosos Nrelaç(es afeti#asO, reflete frequentemente quanto peri%o #ai nisso para ti e para os outros, quão indi%no profanar essa mais no!re inspiração de tua alma, quanto manchará a tua fama esse modo le#iano de #ida. Fala muitas #e,es em lou#or da pure,a e simplicidade do coração. Fa,e, quanto está ao teu alcance, aç(es conforme esta #irtude, e#itando todas as maneiras afetadas e os %alanteios. 'm tempo de pa,, isto , enquanto o inimi%o não te tenta relati#amente 2 tua má tend8ncia, reali,a continuadamente atos
UaV /#are,a; um dos B pecados capitais; qualidade ou caracter7stica de quem a#arento, de quem tem ape%o e0cessi#o ao dinheiro, 2s rique,as falta de ma%nanimidade, de %enerosidade- mesquinharia, mesquinhe,, so#inice

3J P EF. 5odo de fortificar o coração contra as tentaç(es

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da #irtude contrária- #ai mesmo em !usca de ocasi(es, se que elas não se apresentem por si. * deste modo que te premunirás Npreca#erásO contra as tentaç(es futuras. IV – ! " Inquietação

/ inquietação não simplesmente uma tentação, mas uma fonte de muitas tentaç(es- por isso necessário que di%a al%umas pala#ras so!re este assunto. / triste,a não mais do que o pesar que sentimos de al%um mal de que somos #7tima, P se)a ele e0terior, como a po!re,a, doenças, o despre,o- ou então interior, como a i%norQncia, securas espirituais, repu%nQncias ao !em, tentaç(es. / alma, pois, ao sentir-se em #ista de al%um mal, sente des%osto nisso e eis a7 a triste,a. 1 dese)o de li#rar-se desse mal e de ter os meios necessários para isso a se%ue imediatamente- at aqui ra,oá#el o nosso procedimento, porque todos fo%em, por nature,a, do mal e dese)am o !em. Se pelo amor de &eus que a alma procura os meios de li#rar-se de seus males, os procurará de certo com paci8ncia e doçura, com humildade e tranquilidade, esperando este fa#or muito mais da ama!il7ssima pro#id8ncia de &eus do que de sua ind.stria, meios e tra!alhos. /o contrário, se o amor-pr4prio que le#a a procurar al7#io, ele se re#elará numa %rande inquietação e desassosse%o, como se este !em dependesse mais dele do que de &eus. +ão di%o que o amor-pr4prio pense assim- mas a%e como se pensasse assim. "aso não se encontre imediatamente o que se dese)a, tornase irrequieto e impaciente- e, como essas inquietaç(es, lon%e de ali#iar o mal, o aumentam ainda por cima, a alma dominada por uma %rande triste,a, que, perdendo ao mesmo tempo a cora%em e a força, fa, com que os males cresçam sem rem dio. 'stás #endo, pois, que a triste,a, por mais )usta que se)a ao princ7pio, produ, inquietaç(es e estas, por sua #e,, tanto podem aumentar a triste,a que ela se torne e0tremamente

3J P EE. / 3nquietação

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peri%osa. / inquietação o maior mal da alma, com e0ceção do pecado- assim, pois, como as sediç(es e as re#oluç(es ci#is dum 'stado o desolam inteiramente e o impedem de resistir aos inimi%os e0teriores, tam! m o esp7rito inquieto e pertur!ado não tem força !astante nem para conser#ar as #irtudes adquiridas nem para resistir 2s tentaç(es do inimi%o, que en#ida então todos os seus esforços para pescar, como se di,, em á%uas tur#as. Pro# m o desassosse%o dum dese)o desre%rado de se li#rar de um mal que se sente ou de adquirir um !em que se não possui- e no entanto nada há que mais aumente o mal e dificulte a aquisição do !em que e0atamente a inquietação e a precipitação- assim como acontece aos passarinhos que, caindo numa armadilha, tanto mais se emaranham quanto mais se me0em. /o sentires, portanto, o dese)o de te su!tra7res a al%um mal ou de alcançar al%um !em, antes de tudo procura te acalmar, tranquili,a teu esp7rito e teu coração e s4 então se%ue o mo#imento do teu dese)o, empre%ando calmamente e com ordem os meios conducentes ao teu intento. &i,endo, por m, calmamente, não entendo com isso ne%li%entemente, mas sem precipitação e desassosse%o- doutra forma, lon%e de adquirir os tens intentos, perderias o tempo, s4 conse%uindo te em!araçar mais e mais. /inha alma, 'enhor, está sempre em minhas m$os e n$o tenho esquecido vossa lei, di,ia &a#i. '0amina, Filot ia, mais de uma #e, ao dia, principalmente pela manhã e 2 noite, se tens, como ele, a alma entre as mãos ou se al%uma pai0ão ou desassosse%o ta arre!atou. "onsidera se o teu coração ainda se su!mete sempre ao teu dom7nio ou se ele se tem escapulido de tuas mãos para se entre%ar a amores desre%rados, 2 rai#a, 2 in#e)a, 2 a#are,a, ao temor, 2 triste,a, 2 ale%ria- e se ele tem escapado, #ai lo%o em sua procura e recondu,e-o !randamente

3J P EE. / 3nquietação

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2 presença de &eus, su!metendo todos os teus afetos e todos os teus dese)os 2 o!edi8ncia e !eneplácito de sua di#ina #ontade. Z semelhança daqueles que, temendo perder al%uma coisa que lhes muito preciosa, a %uardam sempre em suas mãos, tam! m n4s, imitando o profeta-rei, de#emos di,er continuamente; 5 meu (eus, minha alma está em peri!o de perder-se* por isso eu a tra!o sempre em minhas m$os e isso me impede de esquecer-me de vossa santa lei . Aamais te dei0es inquietar por teus dese)os, por poucos e insi%nificantes que se)am- porque aos pequenos se%uirão os %randes, que acharão o teu coração !em disposto 2 triste,a e ao desre%ramento. Sentindo-te, pois, inquieta, recomenda-te a &eus e toma a resolução de nada fa,er daquilo que o dese)o pede, se que se possa adiar, enquanto não passar todo o desassosse%o- se a demora, por m, for pre)udicial, então esforça-te sua#emente para reprimir ou moderar o teu dese)o e fa,e então o que pensas que a ra,ão e não o que o dese)o e0i%e de ti. Se te poss7#el desco!rir o teu desassosse%o ao teu confessor ou ao menos a um ami%o confidente ou de#oto, acharás imediatamente a calma, porque esta e0pansão de um coração a%itado e inflamado o ali#ia tanto como uma san%ria atenua a #iol8ncia da fe!re de um doente- este o melhor rem dio para o coração. Sim, di, o rei São Rui, a seu filho, tendo al%uma coisa que te pese no coração, confia-a imediatamente ao teu confessor ou a al%uma pessoa de#ota, porque a consolação que rece!eres te a)udará a suportar mais sua#emente os teus tra!alhos. IV – '! " triste#a / tristeza que é se!undo (eus, di, São Paulo N2"or B,EFO, produz para a salvaç$o uma penit)ncia estável, mas a tristeza do século produz a morte. / triste,a pode, pois, ser !oa ou má, conforme os di#ersos efeitos que em n4s opera- mas em %eral, ela opera mais maus

3J P E2. / triste,a

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do que !ons porque os !ons são s4 dois; a miseric4rdia e a penit8nciae os maus são seis; o medo, a indi%nação, o ci.me, a in#e)a, a impaci8ncia e a morte- pelo que di, o sá!io; 'clo 3F,23 a tristeza mata a muitos e a nin!uém aproveitaUaV. 1 inimi%o ser#e-se da triste,a para tentar os !ons at em suas !oas o!ras, como se esforça para le#ar os maus a se ale%rarem de suas más aç(es- e como ela não pode nos sedu,ir ao mal senão fa,endo-o parecer a%radá#el, assim tam! m não nos pode apartar do !em senão fa,endo-o parecer inc$modo. Pode-se di,er que, sendo ele mesmo aca!runhado duma triste,a desesperadora por toda a eternidade, quer que todos os homens se)am tristes como ele. / má triste,a pertur!a a alma, inquieta-a, inspira temores desre%rados, tira o %osto da oração, tra, ao esp7rito uma sonol8ncia de morte, impede-a de tirar pro#eito dos !ons conselhos, de tomar resoluç(es e de ter o Qnimo e a força de fa,er qualquer coisa. +uma pala#ra ela produ, nas almas as mesmas impress(es que o frio e0cessi#o nos corpos, que se tornam hirtos Nduros, infle07#elO e incapa,es de se mo#er. Se fores al%um dia, Filot ia, aca!runhada por essa má triste,a, lem!ra-te destas re%ras; 'e al!uém de v6s está triste, di, São :ia%o N"F. :% <,E3OU!V, pois que ele reze. ', com efeito, a oração um rem dio salutar contra a triste,a, porque ele#a nosso esp7rito a &eus, que nossa ale%ria e consolação. 'mpre%a em tuas oraç(es estas pala#ras e afetos que inspiram maior confiança em &eus e seu amor; I &eus de miseric4rdiaL I &eus infinitamente !omL 5eu !eni%n7ssimo Sal#adorL I &eus do meu coração, minha ale%ria e minha
UaV 'clo 3F,2E+ão te dei0es dominar pela triste,a e nem te afli)as com teus pensamentos. T 233lude tuas inquietaç(es, consola teu coração, afasta para lon%e a triste,a; porque a triste,a matou a muitos e nela não há utilidade al%uma. 'clo 3K,EKPorque a triste,a le#a 2 morte, e a triste,a a!ate as forças. U!V :% <,E3Sofre al%u m dentre #4s um contratempo? Cecorra 2 oração.

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esperançaL I caro esposo de minha almaL I &ileto do meu coraçãoL "om!ate animosamente qualquer inclinação que tenhas para a triste,a e, em!ora te pareça que com!ates fria e ne%li%entemente, não o dei0es de fa,er- porque o inimi%o, que nos quer dar essa indiferença e ti!ie,a para as !oas o!ras, cessará de nos afli%ir, #endo que, sendo elas feitas com repu%nQncia, tem tanto mais #alorL "onsola-te com al%um canto espiritual- muitas #e,es t8m eles ser#ido para interromper o curso das operaç(es do esp7rito mali%no- si%a de e0emplo Saul, a quem &a#i, com sua#es acordes de sua harpa, li#rou o dem$nio que o assedia#a e possu7a. Será !om ocupar-se com al%uma ocupação e0terior e #ariar de ocupaç(es, se)a para su!trair a alma aos o!)etos que a entristecem, se)a para purificar e aquecer o san%ue e os humores- porque a triste,a uma pai0ão de nature,a fria e seca.UcV Faça al%umas aç(es de fer#or, mesmo sem %osto al%um, tomando nas mãos o crucifi0o, apertando-o ao peito, !ei)ando as mãos e os p s do Sal#ador, levantando os ol4os e as mãos ao céu, ele#ando a #o, a &eus, com pala#ras de amor e confiança, como as se%uintes; 5eu amado meu e eu sou &ele. /eu amado é um ramalhete de mirra em meu coraç$o /eus olhos des#alecem de atentos a tua palavra, 6 meu (eus dizendo4 %uando me consolarás< I Aesus, sede meu, AesusL Ji#a Aesus e minha alma #i#eráL %uem me separará do amor do meu (eus< 1 uso moderado da disciplina um !om meio contra a
UcV IlumineBse; 9uando o seu corpo a!sor#e lu, do sol, amplia o efeito de su!stQncias qu7micas esta!ili,adoras do humor como a serotonina. ?&erciteBse; 2F minutos ati#a um processo de li!eração de endorfinas e o mo#imento repetiti#o o torna rela0ado e focado. :-sica; 'scolha qualquer m.sica que lem!re al%uma ima%em positi#a. ;ia; o riso diminui os n7#eis de cortisol, o horm$nio do estresse.

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triste,a, porque este sofrimento e0terior tra, ordinariamente a consolação interior, e a lama sentindo al%uma dor e0terna, presta menos atenção nas internas. 5as o melhor de tudo a comunhão frequente, porque este pão celeste fortifica e ale%ra o esp7rito. +arra a teu diretor com humilde sinceridade a tua triste,a e todos teu afetos e mais su%est(es que da7 pro#enham e procura falar tanto quanto puderes com pessoas espirituais. 'nfim, resi%na-te a #ontade de &eus, preparando-te a sofrer com paci8ncia essa triste,a enfadonha como um )usto casti%o de tuas #ãs ale%rias e não du#ides que &eus, depois de ter pro#ado seu coração, te #enha em au07lioL IV – ,! "s consolaç0es como viv(Blas &eus s4 conser#a a e0ist8ncia deste %rande mundo por uma continua alternati#a de dias e noites, de estaç(es que se #ão sucedendo umas 2s outras de diferentes tempos de chu#as e de secas, dum ir tranquilo e serem e de #enda#ais e tempestades, de modo que quase não há um dia i%ual ao outro; admirá#el #ariedade, que tanto contri!ui para a !ele,a do uni#ersoL 1 mesmo se passa no homem, que, na e0pressão dos anti%os, um mundo a!re#iado. +unca ele está no mesmo estado e sua #ida passa so!re a terra como as á%uas de um rio, numa cont7nua #ariação de momentos, que ora o le#antam a %randes esperanças, ora o a!atem ao temor, )á o inclinam 2 direita com a consolação, )á 2 esquerda com a triste,a, de sorte que nunca um de nossos dias, nem mesmo uma hora sequer inteiramente i%ual 2 outra. "umpre-nos, pois, conser#ar, no meio de tamanha desi%ualdade de acontecimentos e acidentes, uma i%ualdade cont7nua e inalterá#el do coração e, de qualquer modo que as coisas #ariem e se mo#am ao redor de n4s, n4s permaneceremos sempre im4#eis e fi0os nesse .nico ponto de nossa felicidade, que ter somente a &eus em #ista, ir a ele e

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aceitar s4 de suas mãos todas as coisas. 1 na#io pode tomar qualquer rumo que se lhe der, pode na#e%ar para o oriente ou para o ocidente, para o sul ou para o norte, com qualquer #ento que se)a, mas a !.ssola, que de#e diri%ir a sua rota, estará sempre apontando para a estrela polar. Ce#olucione-se tudo em #olta de n4s mesmos, isto , este)a nossa alma triste ou ale%re, em amar%ura ou em consolação, em pa, ou tri!ulaç(es, em tre#as ou em lu,es, em tentaç(es ou calma, nas delicias da de#oção ou em securas espirituais- se)a ela como uma terra ressecada pelo sol ou refri%erada pelo or#alho; ahL Sempre necessário que nosso coração, esp7rito e #ontade tendam in#ariá#el e continuamente para o amor a &eus, seu "riador, seu Sal#ador, seu .nico e so!erano !em. &u vivamos ou morramos, somos de (eus* e quem nos separará de seu amor< +ão, nada nos poderá separar )amais; nem as tri!ulaç(es, nem an%.stias, nem a morte, nem a #ida, nem as dores presentes, nem o temor das futuras, nem as ciladas do esp7rito mali%no, nem as mais altas consolaç(es, nem a confusão das humilhaç(es, nem a ternura da de#oção, nem as securas do esp7rito, nada de tudo isso nos de#e separar )amais da caridade santa, que fundada em Aesus "risto. 'ssa resolução a!soluta de nunca a!andonar a &eus e a seu amor ser#e de contrapeso para nossa alma, a fim de dar-lhe uma santa in#aria!ilidade no meio de tanta #ariedade de acidentes ane0os 2 nossa #ida- assim como as a!elhas a%itadas pelo #ento apanham pedrinhas para se poderem li!rar melhor nos ares e lhe resistir mais facilmente, a nossa alma, tendo-se consa%rado a &eus por uma #i#a resolução de o amar, permanece sempre a mesma no meio das #icissitudes das consolaç(es e tri!ulaç(es espirituais e temporais, interiores e e0teriores. 5as, al m desta instrução %eral, necessário dar al%umas re%ras particulares;

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E. / de#oção não consiste nessa sua#idade nem nas consolaç(es sens7#eis e nesse doce enternecimento do coração, que o e0citam 2s lá%rimas e aos suspiros e que tornam nossos e0erc7cios espirituais uma ocupação a%radá#el. +ão, Filot ia, a de#oção e as doçuras não são a mesma coisa, porque muitas almas há que, sentindo essas doçuras, não renunciam a seus #7cios e, portanto, não possuem um #erdadeiro amor a &eus e muito menos uma #erdadeira de#oção. Saul, perse%uindo a &a#i at ao deserto, para o matar, entrou so,inho numa ca#erna em que &a#i esta#a escondido com os seus- facilmente poderia este se desfa,er de seu inimi%o, mas não quis nem sequer lhe causar medo, contentando-se em o chamar depois que sa7ra da %ruta, para fa,er #er o que lhe poderia ter feito e para lhe dar ainda esta pro#a de sua inoc8ncia. Pois !em, o que não fe, Saul para mostrar a &a#i quanto seu coração esta#a enternecidoL "hamou-o seu filho, chorou copiosamente, lou#ou a sua !eni%nidade, re,ou a &eus por ele, pu!licou altamente que ele reinaria depois de sua morte e lhe recomendou a sua fam7lia. Poderia ele manifestar maior doçura e ternura de coração? "ontudo o seu coração não esta#a mudado e ele não dei0ou de perse%uir cruelmente a &a#i. &o mesmo modo, pessoas há que, considerando a !ondade de &eus e a pai0ão de +osso Senhor, sentem-se com o coração enternecido a ponto de #erterem muitas lá%rimas e soltarem suspiros nas oraç(es e aç(es de %raça muito sens7#eis, dando a apar8ncia duma %rande de#oção. 5as, se as pomos a pro#as, !em depressa se #erá que são as chu#as de #erão, que, passa%eiras, caem em torrente so!re a terra, mas não a penetram e s4 ser#em para produ,ir co%umelos- #er-se-á, di%o, que essas lá%rimas tão ternas caem num coração #iciado e não o penetram, lhe são inteiramente in.teis, porque essas pessoas não lar%ariam nem um ceitilUaV de todos os !ens in)ustos que
UaV *eitil; moeda portu%uesa do tempo de &. Aoão 3 NE3K<-E633O- quantia

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possuem, não renunciariam 2 menor de suas más inclinaç(es e não sofreriam o mais le#e inc$modo pelo ser#iço de Aesus "risto, pelo qual tanto chora#am- todos esses !ons mo#imentos do coração não passaram de falsos sentimentos de de#oção, semelhantes aos co%umelos, que são um produto falso da terra. 1ra, o que mais deplorá#el que uma alma en%anada por esses artif7cios do inimi%o se entretenha com essas consolaç(es mesquinhas e #i#a por a7 satisfeita, sem aspirar a uma de#oção s4lida e #erdadeira, que consiste numa #ontade constante, pronta e ati#a de fa,er o que se sa!e que a%rada a &eus. Uma criança entra em choro desfeito, #endo tirar san%ue de sua mãemas, se ao mesmo tempo a mãe lhe pede uma !a%atela qualquer que tem nas mãos, não lha quer dar. Semelhantes são a maior parte de nossas ternas de#oç(es, quando, #endo o "oração de Aesus crucificado e traspassado duma lança, #ertemos muitas lá%rimas. /hL Filot ia, !om chorar a morte e pai0ão dolorosas de nosso Pai e Sal#ador- mas por que então não lhe dar o nosso coração e amor, que esse querido Cedentor está pedindo? Por que não lhe sacrificamos essas inclinaç(es, satisfaç(es e complac8ncias, que ele nos quer arrancar do coração e com as quais preferimos nos deliciar do que com a sua %raça di#ina? /hL +ão passam de ami,ades de crianças ternas, mas fracas, fantásticas e sem efeito, que procedem doma compleição d !il e suscet7#el a mo#imentos que se quer ter, ou 2s #e,es a impress(es artificiosas do inimi%o so!re a nossa ima%inação. 2. 'sses afetos ternos e doces são 2s #e,es, toda#ia, muito .teis- dão, 2 alma o %osto pela piedade, confortam o esp7rito e a)untam 2 prontidão da de#oção uma santa ale%ria, que torna nossas aç(es, mesmo e0teriormente, mais !elas e a%radá#eiso %osto que se tem pelas coisas di#inas, do qual fala &a#i; "ertamente a menor consolação que a de#oção nos dá #ale
insi%nificante, o que tem pouco #alor ou importQncia- ninharia, !o!a%em, futilidade.

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mais, em todos os sentidos, do que os pra,eres mais raros do mundo. * o leite que nos lem!ra os fa#ores do di#ino 'sposo e que a 'scritura prefere ao #inho mais e0celente- quem a sa!oreou uma #e, s4 acha fel e a!sinto em todas as consolaç(es humanas. Sim, como aqueles que tra,em na !oca um pouco de er#a c7tica sentem tão %rande doçura que não t8m mais fome nem sede, do mesmo modo, aqueles a quem &eus tem dado o maná das consolaç(es celestes e interiores )á não podem dese)ar ou sa!orear as da terra e muito menos a7 ape%ar e ocupar o seu coração. São pequeninos ante %ostos dos %o,os eternos que &eus faculta 2s almas que o procuram, como uma mãe que atrai o seu filho com doces ou como o m dico que fortifica o coração de uma pessoa fraca por essas á%uas chamadas cordiais- e são tam! m 2s #e,es penhores da recompensa eterna do seu amor. "onta-se que /le0andre 5a%no, #ia)ando por mar, pressentiu que, )á não esta#a lon%e da /rá!ia Feli,, pelo odor sua#7ssimo que penetra#a nos ares, o que muito contri!uiu para animar a sua frota- eis ai como as sua#idades da %raça, entre todas as tempestades desta #ida mortal, nos fa,em pressentir as del7cias inefá#eis da pátria celeste, 2s quais aspiramos. 3. 5as, poderás di,er, se há consolaç(es sens7#eis e !oas, que #8m de &eus, e outras in.teis, peri%osas e mesmo pre)udiciais, que procedem de nossa compleição ou #8m do inimi%o, como que as poderemos distin%uir? * um princ7pio %eral, Filot ia, que podemos conhecer as nossas pai0(es por seus efeitos, assim como se conhecem as ár#ores por seus frutos. 1 coração que tem !oas inclinaç(es !om, e as inclinaç(es são !oas, se produ,em !oas o!ras. "onclui, pois, deste princ7pio que, se as consolaç(es nos tornam mais humildes, pacientes e caritati#os, mais sens7#eis ao sofrimento do pr40imo, mais tratá#eis, mais fer#orosos em mortificar as nossas pai0(es, mais ass7duos em nossos

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e0erc7cios, mais dispostos 2 o!edi8ncia, mais simples em todo o nosso procedimento- conclui, di%o, Filot ia, que indu!ita#elmente elas #8m de &eus- mas, se essas ternuras s4 t8m doçura para n4s e nos tornam curiosos, rancorosos, e0citados, impacientes, teimosos, #aidosos, presunçosos, se#eros para com o pr40imo, e se, )á pensando que somos santos, não nos queremos su)eitar 2 direção e 2 correção de outrem, podes concluir que são, sem d.#ida, consolaç(es falsas e perniciosas. Uma ár#ore !oa s4 produ, !ons frutos. 6. Sentindo essas sua#es consolaç(es, antes de tudo necessário; E. 9ue nos humilhemos muito diante de &eus. Ri#remo-nos de di,er por causa dessas doçuras; 1hL 9ue !om sou euL +ão, Filot ia, isso não nos torna melhores do que somos, porque, como disse, a de#oção não consiste nisso. &i%amos antes; 1hL "omo &eus !om para os que esperam nele, para a alma que o procuraL 9uem tem aç.car na !oca não pode di,er que sua !oca se)a doce- do mesmo modo, ainda que a consolação se)a muito !oa e que &eus, que 2 concede, se)a a mesma !ondade, dai não se dedu, que quem a rece!e se)a !om tam! m. 2. Ceconheçamos que somos ainda criancinhas que precisam de leite, como di, São Pedro EPd 2,2, porque, fracos e d !eis, não podemos a%uentar um alimento mais forte- e que são necessárias essas doçuras para nos atra7rem ao amor de &eus. 3. Sumilhando assim a n4s mesmos, tenhamos em %rande estima essas %raças, não pelo que #alem em si mesmas, mas porque #8m das mãos de &eus, que as opera em nosso coraçãouma criança, se ti#esse )u7,o, estimaria muito mais as car7cias de sua mãe, que lhe p(e !alas na !oca, do que essas !alas. /ssim, Filot ia. muito ter essas !oas consolaç(es- mas muito maior ainda que &eus queira aplicar sua mão amorosa so!re o nosso coração, so!re o nosso esp7rito, e so!re a nossa alma, para as produ,ir. 6. :endo-as rece!ido assim humildemente, empre%uemo-las

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cuidadosamente se%undo a intenção daquele que no-las dá. Pois essas doçuras não as dá &eus para nos fa,er sua#es com todos e mais amorosos para com 'le? / mãe dá uma !ala ao filhinho para que ele a !ei)e. @ei)emos pois este Sal#ador que nos dá tantas doçuras. ' !ei)ar o Sal#ador o!edecer-lhe, o!ser#ar os seus 5andamentos, fa,er a sua #ontade, se%uir os seus dese)os, numa pala#ra, a!raçá-lo ternamente com o!edi8ncia e fidelidade. Portanto quando rece!ermos al%uma consolação espiritual, preciso que nesse dia se)amos mais dili%entes em praticar o !em e em nos humilharmos. <. /l m disso, necessário renunciar de #e, em quando a essas disposiç(es doces e ternas, so!ressaindo nosso coração ao pra,er que dai procede e protestando que, em!ora as aceitemos com humildade e estimemos como dons de &eus e atrati#os de seu amor, não procuramos as consolaç(es, mas o "onsolador, não a doçura, mas o esp7rito sua#e de &eus, não as ternuras sens7#eis, mas aquele que fa, as delicias do c u e da terra- que s4 procuramos, numa pala#ra, unicamente a &eus e a seu santo amor, prontos a nos conser#armos no amor de &eus, mesmo que não tenhamos consolação al%uma por toda a nossa #ida- indiferentes a di,er assim no :a!or como no "al#ário; Dom é para mim, 'enhor, estar convosco em toda parte em que estiverdes, quer na cruz quer na vossa !l6ria. =. 'nfim, eu aconselho que, se essas consolaç(es, sensi!ilidades e lá%rimas de ale%ria forem muito a!undantes e te acontecer al%uma coisa de e0traordinário nesse estado, o manifestes fielmente a teu diretor, para aprenderes como te de#es ser#ir delas e moderá-las- porque está escrito; Achando o mel, come s6 o su#iciente. IV – 1! "ride# es$iritual 'sse tempo tão !elo e a%radá#el não durará muito, Filot iaperderás tanto, 2s #e,es, o %osto e o sentimento da de#oção, que tua alma se parecerá com uma terra deserta e est ril, onde

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não #erás nem um caminho, nem uma #ereda para ir a &eus e onde as á%uas salutares da %raça não correrão mais para a re%ar no tempo da seca, o que a tornará árida e desolará completamente. /hL @em di%na de compai0ão a alma neste estado, so!retudo se o mal #iolento- porque então ela se nutre de lá%rimas, como &a#i, dia e noite, enquanto o inimi%o lhe di, por escárnio, para a le#ar ao desespero; /hL 5iserá#el, onde está teu &eus? Por que caminho o poderás achar? 9uem te poderá dar )amais as ale%rias da %raça? 9ue farás, nesse tempo, Filot ia? Jai 2 fonte do mal. 5uitas #e,es essas esterilidades e securas se ori%inam de n4s mesmos. E. "omo uma mãe tira o aç.car a seu filho atacado de #ermes, tam! m &eus nos pri#a das consolaç(es de sua %raça lo%o que começam a dar ori%em a uma complac8ncia #ã e suntuosa, que o #erme da alma. B bom para mim, meu (eus, que me humilhaste* porque, antes de me humilhares, eu te o#endi, di,ia o profeta-rei. 2. 9uando omitimos, por ne%li%8ncia, de fa,er al%um !em ou não usamos prontamente das sua#idades e del7cias do amor de &eus, ele se retira e nossa ne%li%8ncia casti%ada, como os israelitas pre%uiçosos que, não indo recolher o maná lo%o cedo, )á o acha#am derretido aos primeiros raios de sol. 3. / 'sposa dos "antares, deitada indolentemente em seu leito, não quis se incomodar para ir a!rir a porta a seu 'sposo e perdeu a doçura de sua presença- eis a7 o que nos acontece tam! m. :ontos que estamos com as consolaç(es sensuais e passa%eiras, não queremos nos pri#ar delas para nos dar aos e0erc7cios espirituais. Aesus "risto, que pede entrada em nosso coração por suas inspiraç(es, retira-se e nos dei0a continuar a dormir, e depois, quando o formos procurar, muito tra!alho temos em o achar- tra!alho este que um )usto casti%o do despre,o infiel que temos dado a seu amor, para se%uir os atrati#os do amor mundano. /hL Po!re alma, tens feito pro#isão da farinha do '%ito, não rece!es o maná do c u. /s

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a!elhas odeiam todo o perfume artificial e as sua#idades do 'sp7rito Santo são incompat7#eis com as del7cias artificiais do mundo. 6. / do!re, NhipocrisiaO e fin%imentos nas confiss(es e confer8ncias espirituais com o diretor pro#ocam as securas e esterilidades, porque )usto que, tendo mentido ao 'spirito Santo, se se)a pri#ado de suas consolaç(es. +ão queres ir a teu Pai celeste com a sinceridade e simplicidade dum filho e não poderás rece!er as doçuras paternas. <. :eu coração está cheio e saciado dos pra,eres do mundoque admira, pois, que não sintas %osto para as ale%rias espirituais? +ão di, o anti%o pro# r!io que as pom!as saciadas acham as cere)as amar%as? (eus encheu de bens os que tinham #ome P di,ia a Sant7ssima Jir%em P e aos ricos despediu vazios, porque os que se re%o,i)am de pra,eres mundanos não são capa,es de sa!orear os espirituais. =. :ens conser#ado o fruto das primeiras consolaç(es? Se assim for, rece!erás ainda mais, porque se dará 8quele que já tem al!uma coisa* e a respeito daquele que n$o tem o que lhe #oi dado, porque perdeu, ser-lhe-á tirado mesmo o que n$o possui, isto , será pri#ado mesmo das %raças que esta#am preparadas para si. * muito #erdade que a chu#a #i#ifica as plantas ainda #iridentes N#ice)antesO, mas consome e destr4i inteiramente as que )á o não são. Por estas e outras ra,(es semelhantes perdemos as consolaç(es do ser#iço de &eus e ca7mos num estado de aride, e esterilidade de esp7rito e muito nos de#emos e0aminar so!re estas faltas, mas sem inquietação e curiosidade. Se, depois de um !om e0ame, achamos em n4s mesmos al%uma fonte deste mal, de#emos a%radecer a &eus, tanto mais que o mal )á está curado parcialmente, se lhe desco!rimos a causa. Se, ao contrário, não te parece teres dado ense)o al%um a essa secura, não te esforces mais em procurar a sua causa e o!ser#a com toda a simplicidade o que te #ou di,er aqui.

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E Sumilha-te profundamente na presença de &eus, reconhecendo o teu pr4prio nada e as tuas mis rias e di,endo; /hL 9ue sou eu quando si%o a mim mesma? +ada mais, Senhor, do que uma terra seca e escampada Ndesa!ri%adaO, que tanto necessita de chu#as e que o #ento redu, a areia. 2. 3n#oca o santo nome de &eus e pede-lhe a sua#idade da %raça; (ai-me, 'enhor, a ale%ria salutar de #osso esp7rito. /eu Pai, se é possível, a#astai de mim este cálice, #4s, 4 Aesus, que tendes imposto sil8ncio aos #entos e aos mares, contende este #ento infrutuoso, que resseca minha alma, e mandai-lhe a apra,7#el e #i#ificante !risa do meio-dia, que pede #ossa esposa para espalhar por toda parte os perfumes das plantas aromáticas do seu )ardim. 3. Jai ter com o teu confessor- e0pande-lhe teu coração, fa,e-lhe #er todas as do!ras de tua alma e se%ue seus conselhos com humilde simplicidade- porque &eus, que ama infinitamente a o!edi8ncia, a!ençoa muitas #e,es os conselhos que rece!emos do pr40imo e, so!retudo, daqueles a quem confiou a direção das almas, mesmo sem esperança dum 80ito feli,. Foi isso o que aconteceu a +aamã, que ficou limpo da lepra em se !anhando no Aordão, como o profeta 'liseu lhe tinha mandado, sem nenhuma ra,ão natural que parecesse aceitá#el. 6. 5as, depois de tudo, nada tão .til do que não dese)ar com inquietação e sofre%uidão o fim desse sofrimento e a!andonar-se inteiramente 2 Pro#id8ncia di#ina, para suportar enquanto for esta a #ontade de &eus. &i%amos, pois, no meio dos dese)os l7citos de sermos li!ertados e no meio dos espinhos que sentimos; 5 meu Pai, se é possível, #azei passar este cálice* mas ajuntemos animosamente4 2ntretanto, #aça-se a vossa vontade e n$o a minha- e aquietemo-nos com toda a tranquilidade poss7#el. &eus, #endo-nos nesta santa indiferença, nos consolará pelas %raças mais necessárias, do mesmo modo que, #endo /!raão disposto a sacrificar seu filho,

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contentou-se com esta resi%nação 2 sua #ontade e o consolou pela ale%re #isão e com a !8nção que lhe deu para toda a sua posteridade. &e#emos, pois, em qualquer aflição corporal ou espiritual, nas distraç(es e pri#aç(es da de#oção sens7#el, di,er de todo o coração e com profunda su!missão; A4 E, 2E& 'enhor me deu esta consolaç$o, o 'enhor ma tirou* bendito seja o seu santo nome. ', perse#erando n4s nesta humilde disposição, ele nos prodi%ali,ará suas %raças preciosas- foi o que aconteceu com A4, que assim fala#a em todas as suas desolaç(es. <. +ão percamos a cora%em, Filot ia, neste lastimoso estado- esperemos com paci8ncia a #olta das consolaç(es, si%amos direito o nosso caminho, não omitamos nenhum dos e0erc7cios de de#oção, multipliquemos at as nossas !oas o!ras. 1fereçamos a +osso Senhor o nosso coração, por mais árido que este)a- ser-lhe-á tão a%radá#el como se esti#esse se desfa,endo em sua#idade, uma #e, que tenha seriamente determinado amar a &eus. &i,-se que, quando a prima#era !ela, as a!elhas tra!alham muito para fa,er o mel e se multiplicam pouco- e que, quando ela triste e som!ria, se multiplicam mais e fa,em menos mel. /ssim acontece muitas #e,es, Filot ia, que a alma, #endo-se na !ela prima#era das consolaç(es celestes, tanto se ocupa em as sa!orear que, na a!undQncia das delicias celestiais, fa, muito menor n.mero de !oas o!ras- ao contrário, #endo-se ela pri#ada das doces disposiç(es da de#oção sens7#el, multiplica suas o!ras, enriquece-se, mais e mais em suas #erdadeiras #irtudes, como a paci8ncia, humildade, a!)eção de si mesma, resi%nação, a!ne%ação de seu amor-pr4prio. Grande , pois, o erro de muitas pessoas, principalmente mulheres, que creem que o ser#iço prestado a &eus sem %osto, sem ternura de coração, se)a menos a%radá#el a sua di#ina ma)estade- pois que, como as rosas que, estando mais frescas, parecem mais !elas, mas t8m menos perfume e força do que quando estão secas, assim tam! m a ternura torna as nossas

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aç(es mais a%radá#eis a n4s mesmos, )ul%ando-se pela deleitação que produ,em- t8m, entretanto, muito mais sua#e odor para o c u e são de muito maior merecimento diante de &eus, feitas num estado de secura espiritual. Sim, Filot ia, nossa #ontade entre%a-se então ao ser#iço de &eus, apesar de todas as repu%nQncias e, por conse%uinte, necessário que empre%ue mais força e constQncia do que no tempo duma de#oção sens7#el. +ão merece %rande lou#or ser#ir a um pr7ncipe nas del7cias da pa, e da corte- mas ser#i-lo em tempos tumultuosos e de %uerra um sinal de fidelidade e constQncia. / !em-a#enturada an%ela de Foli%no di, que a oração mais a%radá#el a &eus aquela que se re,a contrafeito NforçadoO, isto , aquela que fa,emos não por %osto e por inclinação, mas rea%indo para #encer a repu%nQncia que a7 achamos de#ido 2 nossa secura espiritual. 1 mesmo penso tam! m de Jidas as !oas o!ras- porque, quanto maiores empecilhos, se)am interiores, se)am e0teriores, encontramos, tanto mais merecem diante de &eus. 9uanto menor o nosso interesse particular na prática das #irtudes, tanto mais resplandece a pure,a do amor di#ino. / criança !ei)a facilmente a sua mãe, quando esta lhe dá aç.car- mas isto seria um sinal de uma %rande afeição, se o fi,esse depois que ela lhe ti#esse dado a!sinto ou sumo amar%o de alo s. IV – 3! ?&em$los $ara su$eração da aride# Para tornar mais e#idente o que dei0amos dito, #ou narrar aqui um !el7ssimo passo da #ida de São @ernardo assim como o li num autor tão sá!io quão )udicioso. H* coisa comum, di, ele, a todos aqueles que começam a ser#ir a &eus e que não t8m ainda e0peri8ncia das #icissitudes Nre#esesO da #ida espiritual, perderem lo%o todo o Qnimo e ca7rem numa %rande pusilanimidade NdesanimoO, porque lhes faltam o %osto da

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de#oção sens7#el e as iluminaç(es a%radá#eis pelas quais corriam nas #ias do SenhorM. ' eis aqui a ra,ão apresentada por aqueles que t8m %rande e0peri8ncia na direção das almas. 1 homem não pode #i#er por muito tempo sem al%um pra,er ou desta terra ou do c u. 1ra, como as almas que, pelo %osto dos pra,eres superiores 2 nature,a, se ele#aram acima de si mesmas renunciaram facilmente aos !ens sens7#eis e #is7#eis, acontece 2s #e,es que, pri#ando-as &eus das ale%rias salutares de seu esp7rito, despre#enidas, como estão, de todo o consolo temporal e não sendo ainda !astante fortes para esperar com paci8ncia a #olta do sol da )ustiça- parece-lhes que não estão nem no c u nem na terra e que #i#em cercados das tre#as duma noite perp tuaassemelham-se 2s crianças desmamadas, que choram, %emem e se tornam enfadonhas e insuportá#eis a todo o mundo e principalmente a si mesmas. Foi e0atamente isto o que aconteceu numa das #ia%ens de São @ernardo a um reli%ioso chamado Godofredo de P ronne, o qual se tinha consa%rado, ha#ia pouco, ao ser#iço de &eus. Pri#ado su!itamente de toda a consolação e en#olto em tre#as espirituais, começou ele a recordar-se de seus ami%os, do mundo, de seus pais e de seus !ens. Se%uiu-se uma tentação tão #iolenta que um dos seus mais 7ntimos confidentes a notou pelos seus %estos e, chamando-o 2 parte, disse-lhe em se%redo e com muita !randura; 9ue si%nifica isso, Godofredo? 9ual a causa por que te #e)o, contra o teu costume, tão pensati#o e triste? P "om um profundo suspiro respondeu ele; I meu irmão, )amais em minha #ida terei ale%ria. P 1 ami%o, tocado de compai0ão e dum #erdadeiro ,elo de caridade fraterna, foi imediatamente comunicar isso ao seu pai comum, São @ernardo. &iri%iu-se lo%o este santo 2 i%re)a #i,inha, para re,ar pelo po!re aflito, que de tão triste se deitara so!re uma pedra e adormecera. 9uando o santo, da7 a pouco, saiu da i%re)a, acordou o reli%ioso com o rosto tão risonho e um ar tão

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tranquilo que o ami%o, admirado de tamanha e tão rápida mudança, não p$de dei0ar de repreend8-lo um pouco por causa da resposta que pouco antes lhe tinha dado- ao que replicou Godofredo; 1hL Se eu disse que )amais em minha #ida eu teria ale%ria, asse%uro-te a%ora que nunca mais terei triste,a por toda a minha #ida. 'sta foi, pois, a tentação, 5as, Filot ia, será !om refletires um pouco so!re ela. E. &eus fa, sa!orear as delicias celestes de ordinário 2queles que entram em seu ser#iço, para desprend8-los dos pra,eres do s culo e para asse%urar o seu coração nos caminhos de seu amor, como uma mãe que se ser#e do mel para acostumar o seu filhinho a amamentar-se. 2. 'ntretanto, depois de al%um tempo, tira-lhes &eus o leite e o mel se%undo as sá!ias disposiç(es de sua miseric4rdia, para os acostumar a um alimento mais s4lido, isto , a fim de fortificar a de#oção por pro#a de des%ostos e tentaç(es. 3. Re#antam-se 2s #e,es %randes tentaç(es no meio das securas e esterilidades do esp7rito e aqui necessário distin%uir !em- porque as tentaç(es, posto que não podem #ir de &eus, de#emos com!at8-las continuamente- mas as securas espirituais que, se%undo os planos de &eus, nos de#em ser#ir de e0erc7cio, ca!e-nos sofrer com paci8ncia. 6. +ão nos de#emos dei0ar a!ater pelos des%ostos, nem di,er como o !om Godofredo; +unca mais terei ale%ria- porque durante a noite de#emos esperar pela lu,. ' i%ualmente não se de#e di,er nos dias pr4speros e feli,es da #ida espiritual; +unca mais terei triste,a- porque o sá!io nos aconselha; 1os dias #elizes lembra-te da des!raça N'clo EE,2BOUaV. +os tra!alhos e sofrimentos, portanto, preciso ter esperanças- nas prosperidades, temor- e num e noutro estado, uma %rande e continua 4umildade.
UaV 'clo EE,N2BO2<+o dia da felicidade, nin%u m se lem!ra dos males, e no dia da des%raça, nin%u m se lem!ra da felicidade.

3J P E<. '0emplos para superação da aride,

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<. Itimo meio, enfim, desco!rir todo o mal a um ami%o sá!io e espiritual, que possa a)udar. 'nfim, para concluir estes a#isos salutares, o!ser#o que neste ponto, como em todas as coisas, &eus e o inimi%o t8m pretens(es diametralmente opostas- &eus nos quer le#ar, por esses tra!alhos, a uma %rande pure,a de coração, a uma ren.ncia de todo o interesse pr4prio, com respeito ao seu ser#iço, a uma a!ne%ação inteira de n4s mesmos. 5as o esp7rito mali%no s4 intenta nos fa,er sensuais Nsens7#eisO e tornar-nos enfadonhos a n4s mesmos e aos outros, a fim de difamar e desonrar a santa de#oção. 5as, se p(es em prática os ensinamentos que tenho dado, as afliç(es muito contri!uirão para o teu aperfeiçoamento- por isso, antes de terminar, #ou di,er-te ainda duas pala#ras so!re elas. 1ri%inam-se 2s #e,es essas afliç(es da indisposição do corpo, que o e0cesso de #i%7lias, tra!alhos e )e)uns e0tenuaram e causaram um adormecimento e doenças semelhantes, que não dei0am de incomodar muito o esp7rito, em ra,ão de sim 7ntima união com o corpo. +estas ocasi(es preciso empre%ar, quanto poss7#el for, toda a força do esp7rito e da #ontade para fa,er muitos atos de #irtude- porque, em!ora pareça que a alma este)a oprimida de modorra N%rande desQnimoO e cansaço, nem por isso dei0a de ser a%radá#el a &eus o que ela fa,. ' podemos di,er então como a 'sposa dos "antares; 2u durmo, mas o meu coraç$o vi!ia- e, se nos custa tra!alhar assim, será muito maior, como tenho dito, o merecimento da #irtude. 1 melhor rem dio, entretanto, ali#iar o corpo e reparar as suas forças por uma honesta recreação. São Francisco ordenou a seus reli%iosos de moderarem tanto os tra!alhos que não ser#issem de impedimento ao fer#or do esp7rito. ' este %lorioso patriarca foi atacado e a%itado uma #e, por uma melancolia tão profunda que não a podia ocultar inteiramente. Se queria con#ersar com os reli%iosos, não o podia, e, se procura#a a solidão, acha#a-se pior ainda. /

3J P E<. '0emplos para superação da aride,

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a!stin8ncia e a maceração da carne o e0tenua#am e a oração não lhe tra,ia nenhum al7#io. &ois anos passou ele neste estado lastimoso, crendo-se a!andonado por &eus. 5as, depois desta atro, tempestade, que ele sustentou humildemente, +osso Senhor num momento lhe restituiu a tranquilidade. /prendemos da7 que nem os maiores ser#os de &eus foram li#res desas pro#aç(es e que os outros não se de#em admirar, se 2s #e,es lhes acontece al%uma coisa semelhante.

9uinta Parte

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Iuinta Parte Avisos e exercícios necessários para renovar e conservar a alma na devoç$o V – ! 2ecessidade de renovação anual dos +ons $ro$ósitos 1 primeiro ponto deste e0erc7cio consiste em reconhecer !em a sua importQncia. / fra%ilidade e as más inclinaç(es da carne, que a%ra#am a alma e arrastam para as coisas da terra, nos fa,em a!andonar facilmente as nossas !oas resoluç(es, a menos que, 2 força de as %uardar, nos esforcemos muitas #e,es para nos ele#ar aos !ens celestes, como os pássaros, que, para não cair por terra, precisam !ater continuamente com as asas no ar. 'is ai a ra,ão, Filot ia, por que de#es reno#ar assiduamente os !ons prop4sitos de ser#ir a &eus, com receio de que com o tempo recaias no primeiro estado ou, antes, noutro muito pior ainda, porque as quedas na #ida espiritual nos colocam sempre muito a!ai0o ainda do que está#amos antes nas #eredas da de#oção. +ão há rel4%io, por melhor que se)a, a que não se precise dar corda de #e, em quando e que não se)a necessário consertar e limpar periodicamente- e necessário 2s #e,es passar 4leo nas rodas, para que os mo#imentos se façam mais sua#emente e elas não criem tanta ferru%em. ' todo aquele que cuida !em do seu coração lhe de#e dar corda, por assim di,er, de manhã e 2 noite Npara o que ser#em os e0erc7cios indicadosO, e o!ser#ar-lhe sempre os mo#imentos, para o poder re%ular !em. * necessário que ao menos uma #e, ao ano ele e0amine minuciosa e cuidadosamente as suas disposiç(es, para reparar as faltas que se poderão ter intrometido, reno#á-las inteiramente e procurar premunir-se quanto poss7#el com a unção da %raça que rece!e na confissão e na comunhão. 'ste e0erc7cio, Filot ia, há de reparar as tuas forças de!ilitadas pelo tempo, há de reanimar o fer#or de tua alma, há de fa,er re#i#er as tuas !oas resoluç(es e

J P E. +ecessidade de reno#ação anual dos !ons prop4sitos

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reflorescer em ti todas as #irtudes. 'ra esta a prática dos anti%os cristãos, que, ao cele!rar a 3%re)a a mem4ria do !atismo de +osso Senhor, reno#a#am, como refere São Gre%4rio +a,ian,eno, as promessas do seu !atismo. :oma, pois, esta prática, Filot ia, com toda a !oa #ontade e aplicação- escolhe um tempo oportuno, se%undo o consel4o do teu diretor, $ara um retiro de al%uns dias- e, então, com todo o recolhimento, medita so!re os pontos se%uintes, se%undo o m todo e0pendido na se%unda parte. V – '! " +ondade de Deus em nos c4amar ao seu serviço E. "onsidera os pontos dessa protestação UaV. 1 primeiro ter detestado, dei0ado e renunciado para sempre todo o pecado mortal. 1 se%undo ter consa%rado tua alma, teu corpo, com todas as suas pot8ncias e faculdades, ao ser#iço de &eus. 1 terceiro que, se cometeres al%uma falta, te le#antes imediatamente. +ão são estas resoluç(es lou#á#eis, )ustas, %enerosas? Pensa, pois, quão ra,oá#el, santa e dese)á#el esta protestação. 2. "onsidera a quem fi,este esta protestação; a Deus. Se os compromissos tomados deli!eradamente com os homens nos o!ri%am tão estritamente, quanto mais os que assumimos com &eusL Ah9 'enhor, di,ia &a#i, a ti #oi que eu disse4 /eu coraç$o #ormou uma boa resoluç$o, da qual nunca me esquecerei. 3. "onsidera na presença de quem protestaste ser#ir a &eus; diante de toda a corte celeste. /hL / Sant7ssima Jir%em, São Aos , teu /n)o da Guarda, São Ru7s e todos os !em-a#enturados santos e santas te olharam com particular amor, quando, a)oelhada aos p s de +osso Senhor, lhe consa%raste o teu coração. Fi,eram então por ti uma festa de ale%ria na Aerusal m celeste e a%ora ela há de ser comemorada, se quiseres reno#ar a
UaV Protestação ~ protestar; no sentido de comprometer-se ou afirmar solenemente e pu!licamente, professar, testemunhar, )urar, pormeter.

J P 2. / !ondade de &eus em nos chamar ao seu ser#iço

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tua consa%ração. 6. "onsidera os meios que ti#este para fa,er esta protestação. /hL 9uão doce e misericordioso então foi &eus para conti%oL &i,e-o sinceramente; o 'spirito Santo não fe, o teu coração sentir todos os seus atrati#os? &eus não te atraiu a si pelos laços do seu amor, para te condu,ir, por entre as tempestades do mundo, para o porto de sal#ação? 1hL 9uantas del7cias de sua %raça te fa,ia ele sa!orear nos sacramentos, na leitura espiritual, na oraçãoL /hL Filot ia, esta#as dormindo e &eus #ela#a so!re ti, com pensamentos de pa, e de amor. <. "onsidera quando &eus te atraiu a si; na flor de teus anos. 1hL 9ue felicidade aprender tão cedo o que s4 podemos sa!er tão tarde. Santo /%ostinho, tendo-se con#ertido )á com trinta anos, e0clama#a; 5 anti!a beleza, qu$o tarde te tenho conhecido9 Ah9 2stavas diante de meus olhos e eu n$o te vi a. 1u poderás di,er; I delicia eterna, por que não te tenho sa!oreado mais cedo? /hL Filot ia, que então não o merecias ainda. Ceconhecendo, pois, a !ondade e a %raça de &eus, que te atra7ram a ele desde a )u#entude, e0clama com &a#i; 5 meu (eus, esclareceste meu espírito e tocaste meu coraç$o desde a minha mocidade* eternamente louvarei a tua miseric6rdia. "aso s4 tenhas tido essa felicidade em tua #elhice, 4 Filot ia, que %raça que, depois de teres usado tão mal os anos precedentes, &eus cortou o curso de tua mis ria antes da morte, que a tornaria eternal =. "onsidera os efeitos de tua #ocação- creio que acharás em ti mesma feli,es mudanças, comparando o que s com o que foste. +ão pensas que uma %rande coisa sa!er falar a &eus pela oração, ter inclinação para amá-lo, ter acalmado tantas pai0(es que te inquieta#am, ter e#itado tantos pecados e em!araços de consci8ncia, e ter unido tantas #e,es a tua alma, pela comunhão, 2 fonte ine0aur7#el dos !ens eternos? /hL 9ue %raças imensasL * preciso ponderá-las, Filot ia, aos p s do santuário- foi a destra de &eus que fe, tudo isso. A m$o de

J P 2. / !ondade de &eus em nos chamar ao seu ser#iço

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(eus, in#initamente boa, di,ia &a#i, operou este prodí!io* a sua destra levantou-me de minha queda. Ah9 ;á n$o morrerei, mas viverei e cantarei com os meus lábios, meu coraç$o e por tentas as minhas aç>es, as maravilhas de sua bondade. &epois destas consideraç(es, que são cheias dos melhores afetos, cumpre concluir simplesmente por uma ação de %raças e por uma fer#ente oração, para pedir a &eus %raças e forças de tirar pro#eito dai- e, retirando-te então com muita humildade e confiança, reser#arás as tuas resoluç(es para tornar depois do se%undo ponto deste e0erc7cio. V – ,! ?&ame – "diantamento na vida devota 1 se%undo ponto este e0erc7cio um tanto lon%o e por isso te aconselho que o tomes por partes, por e0emplo, utili,ando de uma #e, o que concerne com teu procedimento para com &euso que di, respeito a ti mesmo, para outra- depois o que toca ao pr40imo e enfim a consideração das pai0(es. +ão necessário estar de )oelhos senão ao princ7pio, para te apresentares a &eus, e no fim, para fa,er os afetos. /s outras partes deste e0ame, podes fa,8-las com utilidade, mesmo na cama, se puderes estar ai al%um tempo deitada sem adormecer- mas para isto necessário que as tenhas lido atentamente. "umpre que faças tudo o que concerne a este se%undo ponto em tr8s dias e duas noites no má0imo, reser#ando para isto al%umas horas cada dia e cada noite, conforme te for poss7#el- pois, fa,endo estes e0erc7cios em ocasi(es distantes uma da outra, eles )á não farão as impress(es que de#erão produ,ir. 'm cada uma das partes do e0ame hás de notar !em as tuas faltas, quer para as confessar, quer para pedir conselho, quer para formar so!re elas as tuas resoluç(es e fortificar o teu esp7rito. "onquanto não se)a necessário que nestes e noutros dias te a!stenhas de falar, como de costume, con# m entretanto que te retires um pouco mais cedo 2 noite, para que assim possas repousar o corpo e o esp7rito, como necessário 2 meditação. &urante o

J P 3. '0ame P /diantamento na #ida de#ota

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dia fa,e frequentes aspiraç(es a &eus, a +ossa Senhora, aos an)os, a toda a Aerusal m celeste- mas diri%e-as com um coração cheio de amor a &eus e de dese)os de tua pr4pria perfeição. Para começar, pois, este e0ame; E. P(e-te na presença de &eus. 2. Pede lu,es ao 'spirito Santo, como Santo /%ostinho, que e0clama#a diante de &eus, em esp7rito de humildade; 5 'enhor, conheça eu a v6s e conheça-me a mim mesmo9 &i,e com São Francisco; %uem sois v6s, meu (eus, e quem sou eu< &i, que não queres conhecer o teu adiantamento para te re%o,i)ares em ti mesma, mas unicamente para te ale%rares em &eus, %lorificá-lo e a%radecer-lhe. "lama tam! m que, se, como pensas, achares muito diminuto pro%resso ou at retrocesso, de nenhum modo te dei0arás a!ater ou desanimar, mas que, ao contrário, procurarás te animar e melhorar, reparando as tuas faltas com a %raça de &eus. &epois disso e0amina tranquilamente como tem sido a tua #ida para com &eus, para com o pr40imo e para conti%o mesma. V – 1! ?&ame do estado da alma $ara com Deus E. 9ue di, o teu coração com respeito ao pecado mortal? :ens a firme resolução de não comet8-lo por nada neste mundo? +isto consiste realmente o fundamento da #ida espiritual. 2. 9ue di, o teu coração relati#amente aos mandamentos de &eus? 'le Nteu coraçãoO os acha !ons, sua#es e a%radá#eis? /hL Filot ia, quem tem o paladar e o est$ma%o sadio %osta dos pratos !ons e re)eita os maus. 3. 9ue di, o teu coração acerca do pecado #enial? * imposs7#el #elarmos tanto so!re n4s mesmos que não cometamos nenhum. 5as não há al%um para o qual tenhas uma inclinação especial, ou, o que seria pior ainda, ao qual tenhas afeto?

J P 6. '0ame do estado da alma para com &eus

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6. 9ue di, o teu coração dos e0erc7cios espirituais? Gostas deles? :u os estimas? +ão te desa%radam? +ão sentes des%osto neles? / qual deles sentes mais ou menos afeto? 1u#ir a pala#ra de &eus, ler e falar dela, meditá-la, ser#ir-se dela em suas aspiraç(es, confessar-se, pedir conselhos espirituais, preparar-se para a santa comunhão, comun%ar, moderar as suas inclinaç(es- que há em tudo isso para o que sentes a#ersão? ', se achas al%uma coisa que tenha menos atrati#os para ti, e0amina donde #em isso. <. 9ue di, o teu coração de &eus mesmo? &esa%rada-te a lem!rança de &eus? 1u achas consolo nisso? Ah9 &i, &a#i, lembrei-me de (eus e lo!o #iquei consolado. Sentes em teu coração uma facilidade de amá-lo e um %osto particular para sa!orear este amor? Sentes ale%ria em pensar na imensidade de &eus, em sua !ondade e miseric4rdia? Se a lem+rança de Deus se apresenta ao teu coração no meio das ocupaç(es e #aidades do mundo, tens a7 lu%ar para ela? 'stá tua alma possu7da dela? Joltas-te para este lado e lhe #ais, por assim di,er, ao encontro? "ertamente que há destas almas. Uma mulher que sa!e que seu marido #olta depois de uma lon%a #ia%em ou ou#e a sua #o,, dei0a tudo o que está fa,endo, mesmo as ocupaç(es mais importantes, para ir rece!8-lo- nada mais lhe prende o coração e ela a!andona todos os outros pensamentos, para pensar s4 nele. 1 mesmo acontece com as almas que amam a &eus- por mais ocupadas que este)am com outras coisas, assim que a lem!rança de &eus se lhes apresenta, perdem lo%o quase toda a atenção para as outras coisas, pelo pra,er que sentem neste pensamento. * um 4timo sinal. =. 9ue di, o teu coração a respeito de Aesus "risto, o homem &eus? /chas nele o teu pra,er? /s a!elhas %ostam de estar ao redor de seu mel e as #espas NmoscasO em redor das imund7cies- as almas santas p(em a sua ale%ria em estar com

J P 6. '0ame do estado da alma para com &eus

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Aesus "risto e t8m um amor todo terno para com ele, mas as almas #ãs e loucas #ão procurá-lo nas #aidades do mundo. B. 9ue di, o teu coração de +ossa Senhora, dos santos e de teu an)o da %uarda? :ens amor para com eles? :ens amor especial e confiança em sua proteção? Gostas de suas ima%ens, de sua #ida, de seus lou#ores? K. 9uanto 2 tua lin%ua%em, como que falas de &eus? Falas com %osto, se%undo o teu estado e capacidade? Gostas de entoar os cQnticos espirituais cheios de amor de &eus? G. 9uanto a tuas o!ras, pensa se tens tido ,elo para a %l4ria e0terior de &eus e dese)o de fa,er al%uma coisa para sua honra. 1s que amam a &eus estimam tam! m o ornamento de sua casa. Podes di,er que tens renunciado a al%um afeto ou a al%uma coisa por &eus? * um sinal se%uro de amor pri#ar-se de al%um o!)eto de que se %osta, por amor do amado. 9ue tens, pois, dei0ado at a%ora por amor de &eus? V – 3! ?&ame do estado da alma $ara consi%o mesma E. 9ue amor tens para conti%o mesma? +ão te amas demasiadamente com amor mundano? Se assim, dese)arás ficar muito tempo no mundo e terás cuidado de esta!elecer-te ai- mas, se para o c u que te amas, terás %rande dese)o de dei0ar esta terra- ao menos te conformarás facilmente a dei0ála, quando for a #ontade de &eus. 2. * !em re%rado este amor para conti%o mesma? 1 amor desre%rado , pois, a nossa pr4pria ru7na. 1ra, o amor re%rado quer que amemos mais a alma que o corpo, que tenhamos mais cuidado de adquirir #irtudes do que tudo o mais e que estimemos mais a %l4ria eterna do que as honras mundanas e passa%eiras. Um coração re%rado di, muitas #e,es a si mesmo; 9ue dirão os an)os, se penso nisto ou naquilo? ' não dirá; 9ue dirão os homens? 3. 9ue amor tens 2 tua alma? +ão te a!orrece cuidar dela em suas enfermidades? /hL de#es-lhe este cuidado, quando as

J P <. '0ame do estado da alma para consi%o mesma

2BF

pai0(es a atormentam- preciso dei0ar tudo por isso e ainda por cima procurar a caridade de outros. 6. 9ue pensas de ti mesma perante &eus? 9ue s um nada, sem d.#ida- mas não %rande humildade que uma mosca se tenha por nada ao p de uma montanha, nem que uma %ota de á%ua se tenha por nada em comparação com o mar, nem que uma fa7sca ou centelha se )ul%ue nada 2 #ista do sol- a humildade consiste em não te preferires aos outros e em não quereres que os outros te deem essa prefer8ncia. "omo estás neste ponto? <. 9uanto 2 tua l7n%ua, não te #an%lorias duma maneira ou doutra? +ão te lison)eias falando de ti mesma? =. 9uanto a tuas aç(es, !uscas al%um di#ertimento contrário 2 tua sa.de, quero di,er, di#ertimentos e pra,eres #ãos, in.teis, at alta noite, etc.? V – 6! ?&ame do estado da alma $ara com o $ró&imo "umpre amar a teu marido ou a tua esposa com um amor sua#e e tranquilo, firme e continuo, e isso porque &eus assim o quer. 1 mesmo, di%o dos filhos, dos parentes pr40imos e ami%os, se%undo o %rau dos laços que nos unem. 5as, para falar em %eral, quais são as disposiç(es do teu coração para com o pr40imo? /mas sinceramente a todos por amor a &eus? Para o conheceres, relem!ra-te de al%umas pessoas desa%radá#eis, enfadonhas e mal asseadas- e0atamente aqui onde se mostra o amor ao pr40imo, por &eus, ainda mais quando se tratam !em aqueles que nos ofenderam por suas aç(es ou pala#ras. '0amina se teu coração não sente uma %rande repu%nQncia em amá-las. +ão s le#iana no falar em despro#eito do pr40imo, so!retudo das pessoas que não estimas? "ausas al%um dano ao pr40imo diretamente? "om um pouco de cuidado poderás a#eri%uá-lo facilmente.

J P B. '0ame so!re as pai0(es

2BE

V – 7! ?&ame so+re as $ai&0es &emorei-me mais nos pontos antecedentes, que ser#em para conhecer os pro%ressos feitos na #ida espiritual- porque o e0ame dos pecados tem em mira a confissão daqueles que não aspiram 2 perfeição. 'ntretanto, !om deter-se em cada um desses pontos, considerando o estado da alma e as faltas maiores que se poderão ter cometido. 5as, para resumir tudo, limitemos este e0erc7cio ao e0ame das pai0(es e consideremos unicamente o que temos sido e como nos temos comportado quanto aos pontos se%uintes; 'm nosso amor para com &eus, para com o pr40imo e para com n4s mesmos+o 4dio aos pecados, tanto aos nossos, como aos dos outrosporque tanto de#emos dese)ar a sua correção como a nossa'm nossas am!iç(es de rique,as, pra,eres e honras+o temor dos peri%os de pecar e de perder os !ens desta #ida, se tememos muito a uns e pouco aos outros+a esperança fundada, tal#e, muito, neste mundo e nas criaturas, e pouco em &eus e nas coisas eternas+a triste,a, se demasiada e por coisas que não a merecem+a ale%ria, se e0cessi#a e por coisas indi%nas. 'nfim, o!ser#emos que afetos em!araçam o nosso coração, que pai0(es o possuem e em que pontos principalmente ele se tem desre%rado. Pelas pai0(es se conhece o estado da almaporque, como o #iolinista toca todas as cordas para afinar as dissonantes, esticando mais umas e afrou0ando outras, assim tam! m se, depois de termos o!ser#ado todas as nossas pai0(es, as achamos pouco conformes ao nosso dese)o de %lorificar a &eus, as poderemos a)ustar com a %raça di#ina e o au07lio do diretor espiritual. V – 8! "fetos que se devem se%uir a este e&ame &epois de reconheceres o teu estado, e0cita em tua alma estes afetos;

J P K. /fetos que se de#em se%uir a este e0ame

2B2

Se fi,este al%um pro%resso, por pouco que se)a, a%radece a &eus e reconhece que o de#es unicamente a sua miseric4rdia. Sumilha-te diante de &eus, protestando NafirmandoO que por tua culpa que não tens adiantado mais, porque não correspondeste com fidelidade, Qnimo e constQncia 2s suas inspiraç(es, lu,es e moç(es, quer na oração quer fora dela. Promete-lhe lou#ar eternamente as %raças pelas quais ele operou em ti essas melhoras. Pede-lhe perdão por tua infidelidade, oferece-lhe teu coração, suplicando-lhe tomar posse dele e torná-lo fiel. 3n#oca a Sant7ssima Jir%em, teu an)o da %uarda, os santos e principalmente teu padroeiro, São Aos e os outros. V – 9! ;enovar os +ons $ro$ósitos &epois de teres conferenciado com o teu diretor espiritual so!re as tuas faltas e os meios de remediá-las, toma cada dia uma das consideraç(es se%uintes para torná-las o!)eto de tuas oraç(es, conforme o m todo de meditação e0pedido na primeira parte, quanto 2 preparação e afetos, pondo-te antes de tudo na presença de &eus e pedindo-lhe %raça para te firmares sempre mais no amor a ele e no seu ser#iço. V – <! " e&cel(ncia de nossa alma "onsidera a no!re,a e e0cel8ncia de tua alma em #ista do seu conhecimento deste mundo #is7#el, dos an)os, de &eus, o Senhor so!erano e infinitamente !om, da eternidade e em %eral de tudo o que necessário para #i#eres neste mundo, para te associares aos an)os no para7so e para %o,ares eternamente de &eus. :ua alma tem uma #ontade capa, de amar a &eus e incapa, de odiá-lo nele mesmo. J8 quão no!re teu coração, que, nada achando entre as criaturas que o possa saciar plenamente, s4 encontra o seu repouso em &eus. Rem!ra-te #i#amente dos pra,eres mais queridos e procurados que outrora ocuparam teu

J P EF. / e0cel8ncia de nossa alma

2B3

coração e )ul%a a%ora imparcialmente se não eram misturados de muita inquietação, pesar, a!orrecimento e amar%ura, de sorte que teu po!re coração s4 acha#a a7 mis rias. /hL "om demasiada Qnsia #ai o nosso coração atrás dos !ens criados, persuadido de achar neles a satisfação dos seus dese)os- mas assim que os sa!oreia, reconhece a impossi!ilidade. &eus não quer que ele ache repouso em parte al%uma, como a pom!a que saiu da arca de +o , para que #olte a seu &eus, de quem se tem afastado. 1hL 9uão %rande a e0cel8ncia do nosso coraçãoL ' por que o conser#amos n4s, contra a sua #ontade, na escra#idão das criaturas? I minha alma, de#es di,er, tu podes perfeitamente conhecer e amar a &eus- para que te entret ns com coisas tão !ai0as? Podes pretender a eternidade, e por que procuras !ens passa%eiros? Foi esta a infelicidade do filho pr4di%o- tendo podido #i#er 2 mesa deliciosa de seu pai, #iu-se forçado a comer o resto dados aos animais. I alma, tu s capa, de possuir a &eus- infeli, de ti, se te contentas com menos do que &eusL 'le#a, pois, e anima tua alma, que eterna, a contemplar e aspirar 2 eternidade de que ela di%na. V– ! ?&cel(ncia das virtudes

"onsidera que somente as #irtudes e a de#oção podem tornar o teu coração feli, neste mundo. /dmira as suas !ele,as e compara-as aos #7cios contrários. 9uanta sua#idade na paci8ncia, na humildade, em comparação com a #in%ança, a c4lera e a triste,a, a am!ição e a arro%Qncia- na caridade, na so!riedade, em comparação com a a#are,a, a in#e)a e as desordens da intemperançaL /s #irtudes encerram isso de admirá#el; que a sua prática dei0a na alma uma consolação inefá#el- ao passo que os #7cios a lançam num a!atimento e desolação deplorá#eis. Por que, pois, não nos esforçamos por

J P EE. '0cel8ncia das #irtudes

2B6

procurar toda aquela ale%ria? 9uem se dá a um #7cio não #i#e feli, P e quem se dá a muitos um homem infeli,- mas quem tem al%umas #irtudes )á participa de suas ale%rias e sua felicidade cresce 2 proporção que suas #irtudes a#ultam. I #ida de#ota, quão !ela s tu e quão sua#e e a%radá#elL Sua#i,as as afliç(es e aumentas a sua#idade das consolaç(es- sem ti o !em mal, os pra,eres s4 causam desassosse%o, pertur!ação e a!atimento. /hL 9uem te conhece !astante pode di,er com a samaritana. 'enhor, dai-me desta á!ua9 (omine, da mihi hanc a!uamL /spiração esta, mui frequente, de Santa :eresa e Santa "atarina de G8no#a, em!ora por moti#os diferentes. V – '! O e&em$lo dos santos "onsidera os e0emplos dos santos de todos os tempos, de am!os os se0os, de todos os estadosL 9ue não fi,eram eles para amar a &eus com um de#otamento completo? "onsidera os mártires inque!rantá#eis em suas resoluç(es- quantos tormentos preferiram eles sofrer a transi%ir num s4 pontoL 1lha para essas pessoas tão !elas e florentes, ornamentos do se0o de#oto, mais cQndidas que o l7rio, por sua pure,a, e mais ru!icundas Na#ermelhadasO que a rosa, por sua caridade. Umas na idade de do,e, tre,e e quin,e anos, outras com #inte e cinco anos, sofreram di#ersos mart7rios por não mudar de resolução, não s4 em mat ria de f , mas tam! m no tocante 2 de#oção, se)a quanto 2 #ir%indade ou ao ser#iço dos po!res desamparados, se)a quanto ao consolar os condenados ao supl7cio ou ao sepultar os mortosL K meu Deus/ que const.ncia mostrou esse se&o fraco em ocasi0es semel4antesL "onsidera os milhares de santos confessores; com que força de esp7rito despre,aram o mundoL 9ue in#enc7#el foi a sua firme,aL +ada conse%uiu que!rá-la. /!raçaram sem reser#a as suas resoluç(es e as manti#eram sem e0ceção. 5eu &eus, que

J P E2. 1 e0emplo dos santos

2B<

não disse Santo /%ostinho de sua mãeL "om que constQncia o!ser#ou ela seu prop4sito de ser#ir a &eus fielmente, no estado matrimonial e na #iu#e,. 9uantos impedimentos, o!stáculos e acidentes sustentou e com!ateu Santa Paula, a filha espiritual de São Aer$nimo, como ele nos refereL ' que de#emos n4s fa,er ante e0emplos tão ma%n7ficos? 1s santos eram o que n4s somos, fa,iam tudo pelo mesmo &eus e tra!alharam por adquirir as mesmas #irtudes. Por que, pois, não faremos outro tanto em nossa condição e se%undo a nossa #ocação para manter o nosso prop4sito e protesto de pertencer s4 a &eus? V – ,! O amor de )esus *risto $or nós "onsidera o amor com o qual Aesus "risto tanto sofreu neste mundo, principalmente no Aardim das 1li#eiras e no "al#ário. 'sse amor tinha a n4s em mira e nos impetra#a do Pai eterno, por tantos sofrimentos e tra!alhos, as !oas resoluç(es e protestos que fi,emos de coração e as %raças necessárias para as nutrir, fortificar e reali,ar. I santas resoluç(es, quão preciosas sois, sendo o fruto da pai0ão de +osso SenhorL 1hL 9uanto minha alma #os de#e apreciar, pois que tanto custastes a AesusL I Senhor de minha alma, J4s morrestes para me conceder a %raça de fa,8-las- dai-me, pois, a %raça de antes morrer do que perd8-lasL Pondera !em, Filot ia- certo que o coração de nosso Aesus pre%ado na cru, esta#a considerando o teu, que ele ama#a e para o qual impetra#a por este seu amor todos os !ens que tens rece!ido e rece!erás no futuro. Sim, Filot ia, !em podemos di,er com Aeremias; 'enhor, antes de eu ter nascido olhavas para mim e me chamavas pelo nome. +ão du#idemos- o !om Aesus, que nos re%enerou na cru,, nos le#a em seu "oração, como uma mãe ao filho em seu seio- a @ondade di#ina preparou-nos a7 todos os meios %erais e particulares de nossa sal#ação, todos os atrati#os e %raças de que ele se ser#e a%ora

J P E3. 1 amor de Aesus "risto por n4s

2B=

para condu,ir nossa alma 2 perfeição; como uma mãe que prepara para seu filho tudo que sa!e lhe poderá ser necessário depois do nascimento. /hL 5eu &eus, de#7amos %ra#ar isso profundamente em nossa mem4riaL * poss7#el que eu tenha sido amado e amado tão ternamente de meu Sal#ador, que ele tenha pensado em mim indi#idualmente e em todas as pequenas ocasi(es pelas quais ele me quis atrair a si? +a #erdade, quanto de#emos amar, apreciar e empre%ar utilmente tudo issoL &ulc7ssimo pensamento; o "oração tern7ssimo de Aesus pensa#a em Filot ia, ama#a-a e lhe procura#a mil meios de sal#ação, como se não hou#esse no mundo outras almas em que ele ti#esse que pensar- o sol, iluminando um .nico lu%ar na terra, não seria mais claro que a%ora, quando a ilumina toda inteira. 2le me amou, di, São Paulo, e se entre!ou por mim- como se ele nada ti#esse feito para os outros homens. 'is a7, Filot ia, o que de#es %ra#ar em tua alma, para apreciar de#idamente e nutrir a tua resolução, que foi tão estimada e preciosa ao "oração do Sal#ador. V – 1! O amor eterno de Deus $or nós "onsidera o amor eterno que &eus tem tido por n4s. /ntes da encarnação e da morte de Aesus "risto a 5a)estade di#ina te ama#a infinitamente e te predestina#a para o seu amor. 5as quando que ele começou a te amar? "omeçou a fa,8-lo quando começou a ser &eus. ' quando começou a ser &eus? +unca, porque sempre o foi sem começo nem fim- e seu amor por ti, que nunca te#e começo, preparou-te desde toda a eternidade as %raças e fa#ores que tens rece!ido. &i, ele a n4s todos pelo profeta Aeremias; com um amor perpétuo eu te tenho amado e te atrai a mim, tendo miseric6rdia de ti . 'le o di, a ti, como a todos os outros- de#es, pois, ao seu amor todas as !oas resoluç(es que tens tomado. I &eus, quão preciosas de#em ser essas resoluç(es que

J P E6. 1 amor eterno de &eus por n4s

2BB

desde toda a eternidade a di#ina Sa!edoria e @ondade tinha em #istaL 9uão cará e preciosas de#em elas ser para n4sL 9ue não de#er7amos sofrer antes que perd8-las, em!ora todo o mundo ti#esse que perecerL Porque todo o mundo )unto não #ale uma alma e uma alma não #ale nada sem estas resoluç(es. V – 3! Os afetos %erais/ $ara concluir este e&erc=cio I santas resoluç(es, contemplo-#os como a santa ár#ore de #ida que &eus plantou no meio de meu coração e que +osso Senhor #eio re%ar com o seu san%ue, para que produ,a frutos a!undantes. /ntes mil mortes do que permitir que a arranquem de meu coração. +ão, nem as #aidades, nem as delicias da #ida, nem, as rique,as, nem as afliç(es me o!ri%arão a mudar de intenç(es. /hL Senhor, a #ossa !ondade paternal que acolheu meu coração, por pior que se)a, para tra,er frutos di%nos de #4s, a quem eu de#o tudo isso. 9uantas almas não ti#eram esta felicidadeL 9uando, pois, poderei me humilhar !astante perante #ossa miseric4rdia? I resoluç(es deliciosas e santas, se eu #os conser#o, #os me conser#areis a mim- se #4s #i#eis em minha alma, minha alma #i#erá em #4s. Ficai, pois, para sempre em meu coração, 4 queridas. resoluç(es, eternas que sois na miseric4rdia de &eusL 'stai e #i#ei sempre em mim, que )amais #os a!andonarei. &epois destes afetos, será !om particulari,ar aqui os meios de conser#ar estes prop4sitos. São principalmente o uso frequente dos sacramentos, as !oas o!ras, o cuidado de corri%ir as faltas que reconhecemos ter cometido, a fu%a das ocasi(es más e a fidelidade em se%uir os conselhos que nos derem. 'nfim, protesta NafirmaO #i#amente milhares de #e,es que hás de perse#erar nestas resoluç(es- como se ti#esses o coração nas mãos, oferece-o a &eus, consa%rando e santificando-lhe inteiramente, di,endo que o p(es nas suas mãos, que )amais quererás retomá-lo, mas, sim, que queres fa,er sempre e em

J P E<. 1s afetos %erais, para concluir este e0erc7cio

2BK

toda parte a sua santa #ontade. Pede a &eus que te reno#e inteiramente e que te a!ençoe e conser#e assim pelo poder de seu esp7rito in#oca a Sant7ssima Jir%em, teu an)o da %uarda, santos, São Ru7s e outros. +estas santas disposiç(es, com o coração como#ido pela %raça, a)oelha-te aos p s de teu diretor espiritual- acusa-lhe numa confissão %eral as faltas principais que notaste e, tendo pronunciado diante dele e assinado a protestação que tens feito, rece!e a a!sol#ição com esses mesmos sentimentos. 'nfim, une o teu coração, assim reno#ado, a seu princ7pio e a seu Sal#ador pela recepção do sacramento da 'ucaristia. V – 6! Perseverança de$ois deste e&erc=cio +o dia em que fi,eres esta reno#ação e nos dias se%uintes de#es pronunciar muitas #e,es com o coração e com os lá!ios estas ardentes pala#ras de São Paulo, Santo /%ostinho e Santa catarina de G8no#a; +ão, eu não pertenço mais a mim- se)a #i#a, se)a morta, eu pertenço a meu Sal#ador. +ada tenho de mim, nada para mim. * Aesus que #i#e em mim e tudo o que posso chamar meu lhe pertence. I mundo, permaneces sempre o mesmoL ' eu tam! m at a%ora tenho sido sempre eu mesmamas de a%ora em diante não o serei mais. +ão, não seremos mais n4s mesmos, porque teremos o coração mudado- e o mundo, que nos en%anou, en%anar-se-á so!re n4s- porque, notando s4 aos poucos a nossa mudança, ele nos crerá semelhantes a 'sa. e por fim nos achará semelhantes a Aac4. +osso coração de#e conser#ar por muito tempo as impress(es deste e0erc7cio e passar sua#emente das meditaç(es aos ne%4cios e con#ersas com os homens, temendo que a unção das !oas resoluç(es não se perca de repente, porque necessário que nossa alma este)a compenetrada delas com todas as suas pot8ncias, mas sem que isso nos custe um esforço #iolento do esp7rito e do coração.

J P EB. Cesposta a o!)eç(es contra esta 3ntrodução

2BG

V – 7! ;es$osta a o+5eç0es contra esta Introdução &ir-te-á o mundo, Filot ia, que estes conselhos e e0erc7cios são tantos que quem os quisesse o!ser#ar não poderia dar atenção a outra coisa. /hL Filot ia, mesmo que não fi, ssemos mais nada, )á ter7amos feito !astante, pois que ter7amos feito o que de#emos fa,er neste mundo. 5as não estás #endo o ardil do inimi%o? * #erdade que, se nos dedicássemos todos os dias a estes e0erc7cios, eles nos ocupariam todo o tempo. 5as &eus não os e0i%e senão em certos tempos e em certas ocasi(es. 9uantas leis ci#is há no &i%esto e no "4di%o que se t8m que o!ser#ar, mas não todos os dias e sempreL &emais, &a#i, em!ora fosse rei e se ocupasse de ne%4cios de alta importQncia, da#a-se a muito mais e0erc7cios do que os indicados. São Ru7s, tão %rande monarca na %uerra e na pa, e tão empenhado em administrar a )ustiça e mane)ar os ne%4cios do reino, ou#ia todos os dias duas 5issas, recita#a as J speras e "ompletas com o seu capelão, fa,ia a sua meditação, #isita#a os hospitais, confessa#a-se todas as se0tas-feiras e tra,ia um cil7cio. 5uitas #e,es ele assistia aos serm(es, al m de mui frequentes confer8ncias espirituais- e com tudo isso nunca faltou ele com a necessária aplicação e e0atidão a um s4 ne%4cio do !em p.!lico e sua corte era muito mais !ela e florescente do que no tempo de seus antecessores. Pratica, pois, animosamente estes e0erc7cios assim como os dei0ei apontados e &eus te dará tempo e forças !astantes para os teus ne%4cios, mesmo que fosse necessário fa,er parar o sol, como aconteceu a Aosu . Sempre fa,emos muito, quando &eus tra!alha conosco. 1 mundo dirá que eu pressuponho aqui que Filot ia tenha o dom da oração mental e, como nem todos o possuem, esta introdução não poderá ser#ir para todos. "onfesso que o pressupus e que nem todos o t8m. 5as #erdade tam! m que quase todos o podem ter, mesmo os mais rudes, uma #e, que escolham !ons diretores espirituais e que, para o alcançar,

J P EB. Cesposta a o!)eç(es contra esta 3ntrodução

2KF

queiram tra!alhar tanto quanto a mat ria o merece- e se al%uns não o possu7rem nem no seu %rau mais 7nfimo No que, penso, será muito raroO, um sá!io diretor espiritual suprirá facilmente esta falta, mandando-lhes ler com atenção estas consideraç(es e meditaç(es. V – 8! "visos im$ortantes +os primeiros dias de cada m8s reno#a depois da meditação a protestação que se acha na primeira parte, repetindo, depois, no decurso do dia, como &a#i; 1$o, meu (eus, eu nunca me esquecerei de tua lei, porque nela #oi que vivi#icaste minha alma. ', quando sentires al%uma mudança maior em ti, toma nas mãos a f4rmula da protestação e, proferindo-a de todo o coração, com profunda humildade e a!ne%ação, nisso o!terás %rande al7#io. Fa,e profissão manifesta não de ser de#oto ou de#ota, mas de querer s8-lo, e não te en#er%onhes das aç(es comuns e necessárias que nos condu,em ao amor a &eus. "onfessa resolutamente que procuras fa,er a meditação, que preferes morrer antes do que cometer um pecado mortal, que queres frequentar os sacramentos e se%uir os conselhos do teu diretor espiritual, o qual, por m, por di#ersas ra,(es, melhor que não se nomeie. 'sta declaração sincera de querer ser#ir a &eus e consa%rarse de todo o coração ao seu amor muito aceita da di#ina 5a)estade, que não quer que se tenha #er%onha de seu ser#iço e da cru, de seu Filho- al m disso isto corta o caminho a muitos laços que o mundo nos quereria armar e nos o!ri%a mesmo por nossa honra a sermos perse#erantes. 1s fil4sofos declara#am-se fil4sofos para que os dei0assem #i#er filosoficamente e n4s declararemos o nosso dese)o de #ida de#ota, para que nos dei0em #i#er de#otamente. Se al%u m te disser que a de#oção não e0i%e a prática de todos esses

J P EK. /#isos importantes

2KE

conselhos e e0erc7cios, não o ne%ues- mas responde com !randura que tua fraque,a tão %rande que precisa de mais au07lios e socorros que outros. 'nfim, eu te con)uro, Filot ia, por tudo o que há de sa%rado no c u e na terra, pelo !atismo que rece!este, pelo coração com que Aesus te amou, pelas entranhas de sua miseric4rdia, em que dep(es a tua confiança, continua com perse#erança no teu feli, prop4sito de le#ar uma #ida de#ota. 1s dias #oam e a morte está a !ater 2 porta. A trombeta, di, São Gre%4rio +a,ian,eno, toca a retirada* cada um se prepare para o juízo, que está pr6ximo / mãe de São Sinforiano, #endo condu,irem seu filho ao mart7rio, e0clama#a-lhe; 5eu filho, meu filho, lem!ra-te da #ida eterna, olha para o c u e contempla quem ali reina. 'is-te a7 no t rmino desta #ida curta e miserá#el. 'u tam! m te di%o, Filot ia; olha para o c u e não o queiras trocar pela terra- olha para o inferno e não te lances a7 por um pra,er momentQneo- olha para Aesus "risto e não o renuncies pelo mundo- e, quando a prática das #irtudes te parecer árdua, canta com São Francisco; H* tão %rande o !em que espero, 9ue a dor com pra,er toleroLM Ji#a AesusL /o qual com o Pai e o 'spirito Santo se)am dadas honra e %l4ria, a%ora e sempre, por todos os s culos dos s culos. /ssim se)a.

Sumário

2K2

Sumário
Prefácio de São Francisco de Sales....................................................3 1ração &edicat4ria............................................................................B

Primeira Parte!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!9
3 P E. / nature,a da de#oção..............................................................G 3 P 2. Propriedades e e0cel8ncias da de#oção...................................E2 3 P 3. / de#oção .til a todos os estados e circunstQncia de Jida....E6 3 P 6. +ecessidade de um diretor espiritual......................................E< 3 P <. +ecessidade de começar pela purificação da alma..................EK 3 P =. +ecessário da purificação dos pecados mortais......................2F 3 P B. +ecessidade da purificação da afeição ao pecado...................2E 3 P K. "omo alcançar este %rau de pure,a.........................................23 3 P G. 5editação so!re a criação do homem.....................................26 3 P EF. 5editação so!re o fim do homem.........................................2= 3 P EE. 5editação so!re os !enef7cios de &eus.................................2G 3 P E2. 5editação so!re os Pecados.................................................3E 3 P E3. 5editação so!re a morte.......................................................33 3 P E6. 5editação so!re o Au7,o Final..............................................3< 3 P E<. 5editação so!re o 3nferno....................................................3B 3 P E=. 5editação so!re o Para7so....................................................3G 3 P EB. 5editação so!re a escolha entre o " u e o 3nferno...............6E 3 P EK. 5editação P 'scolha da #ida mundana ou de#ota.................63 3 P EG. +ecessidade de uma !oa confissão %eral..............................6= 3 P 2F. Firme prop4sito para concluir os e0erc7cios..........................6B 3 P 2E. "onclusão. &o primeiro %rau de pure,a................................6K 3 P 22. Purificação de todos os afetos aos pecados #eniais...............6G 3 P 23. Purificação das coisas in.teis e peri%osas.............................<2 3 P 26. Purificação das imperfeiç(es naturais...................................<3

Se%unda Parte!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!36
33 P E. / necessidade da oração........................................................<= 33 P 2. Preparação; p$r-se na presença de &eus................................<G 33 P 3. Preparação; / in#ocação........................................................=E 33 P 6. Preparação; Propor-se um mist rio........................................=2 33 P <. 5editação; /s consideraç(es.................................................=3

Sumário

2K3

33 P =. 5editação; 1s afetos e as resoluç(es....................................=3 33 P B. / conclusão e o ramalhete espiritual......................................=6 33 P K. /#isos acerca da meditação...................................................=< 33 P G. / aride, espiritual na meditação............................................=K 33 P EF. / oração da manhã..............................................................=G 33 P EE. / oração da noite e o e0ame de consci8ncia........................BF 33 P E2. &o recolhimento..................................................................BE 33 P E3. /s oraç(es )aculat4rios e os !ons pensamentos...................B6 33 P E6. / 5issa como de#emos participar.......................................BG 33 P E<. 1utros e0erc7cios de de#oção..............................................K2 33 P E=. &e#emos honrar e in#ocar os santos....................................K3 33 P EB. "omo ou#ir e ler a pala#ra de &eus.....................................K6 33 P EK. "omo rece!er as inspiraç(es...............................................K= 33 P EG. 1 Sacramento da "onfissão.................................................KK 33 P 2F. / comunhão frequente.........................................................G2 33 P 2E. "omo comun%ar !em..........................................................G<

Cerceira Parte!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!98
333 P E. / escolha das #irtudes..........................................................GK 333 P 2. "ontinuação P / escolha das #irtudes................................EF2 333 P 3. / Paci8ncia.........................................................................EF= 333 P 6. / humildade e0terior..........................................................EEF 333 P <. / humildade interior...........................................................EE3 333 P =. / humildade; /mar a nossa a!)eção...................................EEK 333 P B. "onser#ar a reputação concomitante a humildade..............E22 333 P K. / mansidão e os rem dios contra a ira...............................E2= 333 P G. / mansidão para conosco...................................................E3F 333 P EF. "uidado dos ne%4cios sem inquietação............................E32 333 P EE. / o!edi8ncia.....................................................................E36 333 P E2. +ecessidade da castidade.................................................E3B 333 P E3. "omo conser#ar a castidade.............................................E6F 333 P E6. / po!re,a unida 2 posse de rique,as................................E62 333 P E<. Praticar a po!re,a, permanecendo nas rique,as................E6< 333 P E=. /s rique,as em esp7rito na po!re,a..................................E6G 333 P EB. / ami,ade em %eral e suas esp cies más..........................E<F 333 P EK. /s mais peri%osas ami,ades.............................................E<3 333 PEG. /s #erdadeiras ami,ades...................................................E<=

Sumário

2K6

333 P 2F. &iferença entre ami,ades #ãs e #erdadeiras.....................E<G 333 P 2E. /#isos e rem dios contra as más ami,ades.......................E=6 333 P 22. 1utros a#isos sare as ami,ades.........................................E=< 333 P 23. '0erc7cio de mortificação e0terior...................................E=B 333 P 26. / sociedade e a solidão.....................................................EB2 333 P 2<. / dec8ncia dos #estidos....................................................EB< 333 P 2=. /s con#ersas e como falar de &eus..................................EBB 333 P 2B. /s pala#ras e o respeito para com pr40imo......................EBK 333 P 2K. 1s )u7,os temerários.........................................................EKE 333 P 2G. / maledic8ncia.................................................................EK= 333 P 3F. "omo falar.......................................................................EG2 333 P 3E. 1s di#ertimentos- os honestos e l7citos.............................EG6 333 P 32. 1s )o%os proi!idos............................................................EG< 333 P 33. 1s cuidados com !ailes e outros di#ertimentos................EG= 333 P 36. 9uando se pode )o%ar ou dançar......................................EGG 333 P 3<. / fidelidade de#ida a &eus em todas as coisas.................EGG 333 P 3=. &e#emos ser )usto e ra,oá#el...........................................2F2 333 P 3B. 1s dese)os........................................................................2F< 333 P 3K. 3nstruç(es para os casados................................................2FB 333 P 3G. &a honestidade do leito con)u%al.....................................2E= 333 P 6F. 3nstruç(es para as #i.#as..................................................2EG 333 P 6E. So!re a #ir%indade............................................................22<

Iuarta Parte!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!''6
3J P E. +ão se de#e fa,er caso do que di,em os mundanos...........22= 3J P 2 * preciso dotar-nos de cora%em..........................................22K 3J P 3. :entaç(es; diferença entre o sentir e o consentir................23F 3J P 6. "om!ate 'spiritual P na !usca da pure,a...........................232 3J P <. "onsolação para pessoas tentadas......................................236 3J P =. "omo a tentação e a deleitação podem ser pecados...........23< 3J P B. 5eios contra as %randes tentaç(es.....................................23B 3J P K. * necessário resistir 2s pequenas tentaç(es........................23K 3J P G. 5eios contra as pequenas tentaç(es...................................23G 3J P EF. 5odo de fortificar o coração contra as tentaç(es.............26F 3J P EE. / 3nquietação...................................................................262 3J P E2. / triste,a..........................................................................266 3J P E3. /s consolaç(es como #i#8-las..........................................26B

Sumário

2K<

3J P E6. /ride, espiritual...............................................................2<3 3J P E<. '0emplos para superação da aride,..................................2<K

Iuinta Parte!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!'6,
J P E. +ecessidade de reno#ação anual dos !ons prop4sitos.........2=3 J P 2. / !ondade de &eus em nos chamar ao seu ser#iço..............2=6 J P 3. '0ame P /diantamento na #ida de#ota................................2== J P 6. '0ame do estado da alma para com &eus............................2=B J P <. '0ame do estado da alma para consi%o mesma...................2=G J P =. '0ame do estado da alma para com o pr40imo...................2BF J P B. '0ame so!re as pai0(es.......................................................2BE J P K. /fetos que se de#em se%uir a este e0ame............................2BE J P G. Ceno#ar os !ons prop4sitos.................................................2B2 J P EF. / e0cel8ncia de nossa alma...............................................2B2 J P EE. '0cel8ncia das #irtudes.....................................................2B3 J P E2. 1 e0emplo dos santos........................................................2B6 J P E3. 1 amor de Aesus "risto por n4s.........................................2B< J P E6. 1 amor eterno de &eus por n4s.........................................2B= J P E<. 1s afetos %erais, para concluir este e0erc7cio....................2BB J P E=. Perse#erança depois deste e0erc7cio..................................2BK J P EB. Cesposta a o!)eç(es contra esta 3ntrodução.......................2BG J P EK. /#isos importantes............................................................2KF

Lndice "lfa+eto!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!'86

wndice /lfa!eto

2K=

Lndice "lfa+eto
/!)eção 333, =. /fetos, na meditação 33, =. /lma, seu #alor J, EF. /le%ria 333, 23. /mi,ade 3, 6- 333, EB a 22. /mor a &eus 3, E- J, 6. /mor de &eus por nos J, E3-E6. /mor ao pr40imo 333, E<-E=- J, =. Jide tam! m /mi,ade. /mor pr4prio EEE, E<, 3=- 3J, EEJ, <. /ride, espiritual 33, G- 3J, E6-E<. /#are,a 333, E6-E<- 3J, EF @ailes 333, 33-36 @enef7cios de &eus 3, 33- J, 2 @ens terrenos 333, EF, E<- J, EF @ispos P Prefácio. @ondade 333, 36, 3=. "al.nia 333, B, 2G. "ar%os, como desempenhá-los 333, EF. "aridade P #ide /mor. 333, E, 26, 2B, 2K, 3=. "asados, a#isos aos 333, 3G-3G. "astidade 333, E2, E3, 2B. " u 3, EB. "i.mes 333, 2K. "4lera 333, K. "omunhão 33, 2F, 333, E3. "onfissão 3, =, EG- 33, EG. "onformidade com a Jontade de &eus 333, E=. "onfrarias 33, E<. "onsci8ncia 333, 2G. "onsolaç(es espirituais 3J, E3, E<. "on#ersas 333, 26, 2=, 3F "oração de Aesus J, E3. "orreção 333, EK, 2G. "riação do homem 3, G. &ança 333, 33-36. &esQnimo 3J, 2. &esape%o 333, E<- E, 26. &esconsolaç(es 33, G- 3J, E6-E<. &ese)os 333, 3B- 3J, EE &etração P #ide 5aledic8ncia. &e#oção P #ide Jida 'spiritual. &ias santos 33, E< &iretor espiritual Prefácio; 3, 63J, E6 &i#ertimentos 3, 23- 333, 3E-36 &oenças 333, 3 &omin%o P #ide &ias santos 'ducação 333, K. 'scritura Sa%rada 33, EB- 333, E3. 'smola 333, E<. 'ucaristia 33, E6. Jide "omunhão 'utrap lia 333, 2B. '0ame de consci8ncia 33, EE- J, K. Fama 333, B. Fen$menos m7sticos 333, 2. Fidelidade a &eus 333, 3< Fim do homem 3, EF. Graça P Prefácio. Graças particulares 333, <. Sipocrisia 333, E. Sonra 333, 6. Sumildade 333, 6-B. 3%ualdade de alma 3J, E3. 3ma%inação 33, 6. 3mperfeiç(es 3, <, 26. 3nferno 3, E<, EB. 3nquietação 3J, EE. 3nspiraç(es da %raça 33, EK. 3rmandades P #ide "onfrarias. Aaculat4rias 33, E3.

wndice /lfa!eto Ae)um 333, 23. Ao%os P #ide &i#ertimentos. Au7,o final 3, E6. Au7,os temerários 333, 2K. Reitura espiritual 33, EB. 5aledic8ncia 333, B, 2G. 5andamentos 3, E- J, 6. 5ansidão 333, K-G 5atrim$nio 333, 3K-3G. Jide "asados. 5editação 33, E-K. 5entira 333, 3F. 5issa, Santa 33, E6. 5od stia 333, 26-2< 5orte 3, E3. 5ortificação 333, 23. 5undo 3J, E. 5urmuração P #ide 5aledic8ncia. +amoro 333, EK. +e%4cios 333, EF. +ossa Senhora 33, E=. 1!edi8ncia 3, 6- 333, EE. 1ração 33, E, EE, E6, E<- J, EB. 1ração lit.r%ica 33, E<. Paci8ncia 333, 3. Pai0(es J, K. Pala#ra de &eus 33, EB- 333, E3. Pecado 3, =-K, E2, 22. Penit8ncias 333, 23. Pensamentos !ons 33, E3. Perse#erança 3J, E- J, EB-EK. Piedade J, EE. Po!re,a 333, E6-E=. Pure,a 333, 23, 2=, 6E. Purificação da alma 3, <. Precipitação 333, EF- 3J, EE.

2KB Presença de &eus 33, 2, E2-E3. Pressa P #ide Precipitação. Prop4sitos J, E, G-E<. Cecolhimento 33, E2. Ceforma interior 333, 23. Jide Purificação Cepreensão P #ide "orreção. Ceputação P #ide Fama. Cesoluç(es 33, =, K. P Jide Prop4sitos. Cespeito humano 3J, E- J, EK. Cetiro J, E-B. Cique,a 333, E6. Cosário 33, E. Santificação 3J, 2. Santos 33, E=-EB- J, E2. Secura espiritual P #ide /ride,. Ser#iço de &eus 3, 2F-2E- J, 2. Serm(es 33, EB. Socia!ilidade 333, 26, 2B. Sofrimentos 333, 3, 3B. Solidão do coração P #ide Presença de &eus. :entação 333, 3B- 3J, 3-G. :i!ie,a 3, B. :riste,a 3J, E2. Jaidade 333, 6- 3J, EF. Jan%l4ria 333, 6. Jida espiritual 3, E-2, EK- 3J, E3. Jida social P #ide Socia!ilidade. Jir%indade 333, 6E. Jirtudes 333, E-2, 33- J, EE. Ji.#as 333, 6F Jocação J3, 2. Jontade de &eus 333, E=.