SAÚDE EM PORTUGAL

É aqui que tem lugar jurídico as tão faladas e polémicas parcerias publico privadas que além de completar a oferta de cuidados de saúde servem também para ocultar os interesses financeiros de algumas elites assim como a má gestão pública destes recursos. dependentes do Ministério da Saúde. para tal deve informar os serviços do SNS do subsistema a que pertence. para prestação de cuidados de saúde aos seus trabalhadores ou associados (ADSE. com os quais tenham sido celebrados contratos ou convenções. no acto de inscrição no Centro de Saúde. quer com alguns dos subsistemas atrás referidos. Joaquim Ferraz Página 2 . Se for beneficiário de um subsistema de saúde pode utilizar também o SNS.). • São ainda beneficiários do SNS os cidadãos estrangeiros residentes em Portugal. toda a rede do SNS. SAMS. que garantam o direito de acesso dos utentes em moldes semelhantes aos oferecidos pelo SNS. caso o desejem. Diversas instituições de saúde privadas e profissionais em regime liberal completam a oferta de cuidados de saúde.Saúde 2010 SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é o conjunto de instituições e serviços. • São igualmente beneficiários do SNS os cidadãos nacionais de Estados membros da União Europeia. etc. e os apátridas residentes em Portugal. empresas bancárias. que têm como missão garantir o acesso de todos os cidadãos aos cuidados de saúde. nos termos das normas comunitárias aplicáveis. Quem pode ser utente do SNS • São beneficiários do SNS todos os cidadãos portugueses. O SNS abrange ainda os estabelecimentos privados e profissionais de saúde em regime liberal. seguradoras e outras instituições. criados no âmbito de vários ministérios. em condições de reciprocidade. prestando os seus serviços à população em regime privado ou através de acordos ou convenções quer com o SNS. ADME. Os beneficiários destes subsistemas podem utilizar também. ou sempre que lhe for solicitado. nos limites dos recursos humanos. existem diversos subsistemas de saúde. técnicos e financeiros disponíveis. Para além do SNS.

Joaquim Ferraz Página 3 . receber indemnização por prejuízos sofridos. os utentes têm direito a:  Escolher o serviço e os profissionais de saúde. • Colaborar com os profissionais de saúde em relação à sua própria situação. os utentes do SNS devem: • Respeitar os direitos dos outros utentes. Ser tratados pelos meios adequados. correcção técnica. Constituir entidades que os representem e defendam os seus interesses.Saúde 2010 Direitos dos utentes do SNS De acordo com a Lei de Bases da Saúde (Lei 48/90. Ter rigorosamente respeitada a confidencialidade dos dados pessoais. salvo disposição especial da lei. de 24 de Agosto). na medida dos recursos existentes e de acordo com as regras de organização. • Utilizar os serviços de acordo com as regras estabelecidas. Ser informados sobre a sua situação. • Observar as regras de organização e funcionamento dos serviços. Decidir receber ou recusar a prestação de cuidados que lhes é proposta. as alternativas possíveis de tratamento e a evolução provável do seu estado. Reclamar e fazer queixa sobre a forma como são tratados e. se for caso disso. nomeadamente sob a forma de associações para a promoção e defesa da saúde ou de grupos de amigos de estabelecimentos de saúde. Receber assistência religiosa. Constituir entidades que colaborem com o sistema de saúde. humanamente e com prontidão. privacidade e respeito.         Deveres dos utentes do SNS De acordo com a Lei de Bases da Saúde.

A prestação de cuidados de saúde era então de índole privada. e ainda a noção de planeamento central e de descentralização na execução. a instituições privadas e aos serviços médico-sociais da Previdência. através de uma política unitária de saúde da responsabilidade do Ministério da Saúde.º 413/71. através dos tempos. que promulga a organização do Ministério da Saúde e Assistência. em 2009. o 30. a organização entra em vigor em 1903.º aniversário do Serviço Nacional de Saúde (SNS). esta carta valoriza direitos e deveres já estabelecidos na Lei de Bases da Saúde. Foi recentemente divulgada pelo Ministério de Saúde uma Carta dos Direitos e Deveres dos Doentes. de 15 de Setembro. cabendo ao Estado apenas a assistência aos pobres. Pela Lei n. são explicitados princípios. Em 1971 – Com a reforma do sistema de saúde e assistência conhecida como “reforma de Gonçalves Ferreira”. nos termos previstos na lei. com vista a tirar melhor rendimento dos recursos utilizados. Ricardo Jorge inicia a organização dos serviços de saúde pública com o Decreto de 28 de Dezembro e o Regulamento Geral dos Serviços de Saúde e Beneficência Pública. políticos e sociais de cada época e foi-se concretizando para dar resposta ao aparecimento das doenças. cabendo ao Estado assegurar esse direito. a integração de todas as actividades de saúde e assistência. cabe aos seus representantes legais exercer estes direitos e deveres. a influência dos conceitos religiosos. foi instituída uma rede de órgãos e serviços prestadores de cuidados globais de saúde a toda a população. Até à criação do SNS. a assistência médica competia às famílias. Regulamentada em 1901. de 24 de Dezembro de 1901. de 27 de Setembro. dinamizando-se os serviços locais. através da qual o Estado salvaguarda o direito à protecção da saúde.Saúde 2010 • Pagar os encargos que derivem da prestação dos cuidados de saúde. Em alguns aspectos. A organização dos serviços de saúde sofreu. Celebrou-se. No Decreto-Lei n. Surgem os “centros de saúde de Joaquim Ferraz Página 4 . Nota: Relativamente aos menores e incapazes. Em 1899 – O Dr.º 56/79. como sejam o reconhecimento do direito à saúde de todos os portugueses. surge o primeiro esboço de um Serviço Nacional de Saúde. quando for caso disso.

Em 1974 – Surgem as condições políticas e sociais que vão permitir a criação do Serviço Nacional de Saúde. equipamentos e recursos humanos. aos cuidados da medicina preventiva. Esse direito efectiva-se através da criação de um serviço nacional de saúde universal. que permitem ás organizações gerirem-se com alguma falta de rigor. sendo que. bem como uma racional e eficiente cobertura médica e hospitalar de todo o país. Pelo historial do SNS verifica-se uma notória melhoria ao longo dos anos assim como a preocupação de uma melhor distribuição geográfica de infraestruturas. nunca utilizei com assuídade o SNS. Em 1976 – É aprovada nova Constituição. São excluídos da reforma os serviços médico-sociais das Caixas de Previdência. No meu caso. às alterações dos estilos de vida e à globalização. reestrutura a organização dos serviços operativos de saúde pública a nível regional e local. Para assegurar o direito à protecção da saúde. geral e gratuito. acrescentado pela informação que circula nos diversos órgãos de informação. Joaquim Ferraz Página 5 . de 2 de Abril. Alem do tratamento á hepatite A quando tinha 6 anos (em 1986) e uma endoscopia onde me diagnosticaram uma hérnia no hiato aos 22 anos (em 2002) todas as outras visitas foram do foro preventivo e de rotina. Em 2009 . assim como as lacunas existentes na lei. No horizonte está a modificação do perfil de saúde e doença das populações verificada nas últimas décadas. nem sempre a racionalização do mesmo é conseguida. pelo que o meu conhecimento pessoal é superficial. o grande problema das organizações é não conseguir implementar no terreno os mecanismos necessárias ao bom funcionamento das instituições . incumbe prioritariamente ao Estado garantir o acesso de todos os cidadãos. a meu entender. devido à evolução das condições ambientais planetárias.Saúde 2010 primeira geração”.º dita que todos os cidadãos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover. cujo artigo 64. pela grande dimensão do serviço disponibilizado. independentemente da sua condição económica. articulando com a organização das administrações regionais de saúde e dos agrupamentos de centros de saúde.º 81/2009. e verifiquei que só poderia ser consultado passado 3 meses. o caso mais caricato que me aconteceu foi necessitar de uma consulta médica. curativa e de reabilitação.O Decreto-Lei n. entre outros.

até aqui nem parece tão mau quanto isso. Quando fui contratado pela empresa de construção civil onde trabalho actualmente. para ser consultado por volta das 15h00 tudo isto acontece em pleno sec. A partir deste dia decidi não mais voltar a fazer tal sacrifício. que ser o primeiro a chegar ao posto médico sem consulta marcada. pois além de terem o seu tecido humano de boa saúde para produzir bem. O meu seguro de saúde actual. sendo depois reembolsados pela companhia de seguros na percentagem acordada. não recorria ao medico de família mas sim a um médico particular. com qualidade e com motivação. Esta é sem dúvida uma boa aposta para as empresas. satisfazendo desta forma uma das necessidades básicas do homem. as poucas vezes que necessitei de ser consultado pelo medico. essa verba ser-me-ia descontada no meu ordenado ao final do mês ou do ano consoante melhor se adequasse á minha situação financeira. O meu seguro actual é comparticipado na totalidade pela minha entidade patronal. por falta de acompanhamento médico e medicina preventiva. não sofrem as consequências nefastas de ter partes dos seus recursos humanos de baixa médica. Podemos ainda optar por serviços fora da rede. sendo que nos serviços recebidos fora da rede a percentagem comparticipada pela seguradora é menor do que nos serviços recebidos dentro da rede da seguradora. podendo ainda ser alargada ao meu agregado familiar mediante o pagamento de uma verba previamente acordada entre a entidade patronal e a companhia de seguros.xx. que é reduzida. tendo para isso que efectuar o pagamento na totalidade da despesa. Joaquim Ferraz Página 6 . Este seguro está coberto por uma rede de serviços.Saúde 2010 assim aconselharam-me a procurar uma vaga para ser consultado. na qual. o contracto de trabalho incluía um seguro de saúde. Ora o que era uma vaga? Era nem mais nem menos. o que me permite usufruir dos cuidados de saúde básicos a preços muitos reduzidos. para pagamento. mediante apresentação do cartão pessoal do seguro apenas pagámos a nossa comparticipação. O pior é que para ser o primeiro sem consulta marcada tinha que se chegar por volta das 6h30min. o acesso a cuidados de saúde.

Joaquim Ferraz Página 7 .Saúde 2010 Panfleto de publicidade do seguro de saúde que possuo Doenças que me levaram a recorrer ao SNS  Hepatite A Infecção provocada pelo vírus da Hepatite A (VHA) que entra no organismo através do aparelho digestivo e multiplica-se no fígado. causando neste órgão a inflamação denominada hepatite A. A descoberta do vírus ocorreu em 1975.

daí que seja mais frequente em países menos desenvolvidos. o vírus desaparece do organismo e surgem anticorpos protectores que impedem uma nova infecção. mas que se cura rapidamente na maioria dos casos (ao fim de cerca de três semanas) sem necessitar de internamento hospitalar ou de um tratamento específico e sem deixar vestígios: após a cura. na altura chamada «icterícia infecciosa». devido à precariedade do saneamento básico.  Hérnia do hiato A hérnia do hiato é a protuberância duma parte do estômago através do diafragma. Pode tratar-se duma deficiência congénita ou ser consequência duma lesão. Numa hérnia do hiato paraesofágica. em crianças e adolescentes (50 por cento dos casos acontece antes dos 30 anos). principalmente. Numa hérnia do hiato por deslizamento. a partir da sua posição normal no abdómen. Joaquim Ferraz Página 8 . somos expostos cada vez mais tarde a esta doença considerada aguda. de outro modo. Raramente esta doença é fatal. que normalmente estão por baixo do diafragma. com a melhoria das condições de higiene. a ligação entre o esófago e o estômago e também uma porção deste. e eram frequentes as epidemias em períodos de guerra e de cataclismos. conhecida por hepatite fulminante. não existem portadores crónicos. o risco é muito baixo. mas uma porção do estômago é empurrada para cima até atravessar o diafragma e situar-se ao lado do esófago.a infecção pelo VHA possa provocar a falência hepática. A causa da hérnia do hiato é normalmente desconhecida. A hepatite A transmite-se de pessoa para pessoa quando os alimentos ou a água estão contaminados por dejectos contendo o vírus. por isso. na Antiguidade. da ordem de um para mil ou mesmo para dez mil. já se registavam surtos da doença.originada por outro vírus ou pelo consumo excessivo de álcool .Saúde 2010 todavia. Nos países ocidentais. protraem para cima dele. e incida. embora em adultos afectados por uma doença hepática crónica . a ligação entre o esófago e o estômago está na sua posição normal por baixo do diafragma.

chamado estrangulamento. Uma hérnia paraesofágica pode ser corrigida cirurgicamente para prevenir a estrangulação. que requer cirurgia imediata. Joaquim Ferraz Página 9 . Uma hérnia do hiato normalmente não requer nenhum tratamento específico.  Sintomas Mais de 40 % das pessoas tem uma hérnia do hiato por deslizamento. Trata-se então dum problema grave e doloroso. pode ficar presa ou comprimida pelo diafragma e não lhe chegar sangue suficiente. mas deve tratar-se qualquer refluxo de ácido inerente. No entanto. Uma hérnia do hiato paraesofágica normalmente não causa sintomas. mas a maioria não tem sintomas e quando estes existem costumam ser de pouca importância. os raios X revelam com clareza a presença duma hérnia do hiato.  Diagnóstico e tratamento Geralmente. em ambos os tipos de hérnia do hiato pode ocorrer uma hemorragia microscópica ou maciça do revestimento da hérnia. embora por vezes o médico tenha de pressionar o abdómen com força para que uma hérnia do hiato por deslizamento se torne bem evidente. Em casos excepcionais.Saúde 2010 O que é uma hérnia do hiato? A hérnia do hiato é um protraimento anormal duma porção do estômago para o interior do tórax através do diafragma.