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Capa Robson Xavier Diagramação Cláudio Braghini Jr. Coordenação de Produção Ivana Sette Paulo Sette Locução Lina Fernandes Wemmerson Seixas
Produção e Revisão Patrícia Lopes

Operação de Áudio
Danilo Lúcio

Vítor Borba

ISBN 978-85-99303-75-7

Sumário
Apresentação .......................................................5 CAPÍTULO 1 / Constituição: conceito e classificação .......................................................7 CAPÍTULO 2 / Poder constituinte ...................13 CAPÍTULO 3 / Eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais ................................20 CAPÍTULO 4 / Controle de constitucionalidade ...........................................24 CAPÍTULO 5 / Organização do Estado ............42 CAPÍTULO 6 / Poder legislativo ......................53 CAPÍTULO 7 / Poder executivo .......................69 CAPÍTULO 8 / Poder judiciário .......................77 CAPÍTULO 9 / Direitos e garantias fundamentais.....................................................88 Bibliografia ......................................................101 Questões de concursos.....................................103 Gabarito ..........................................................124

o realce está na forma como um conceito ou valor se alocam no ordenamento jurídico. em contraposição. bem como sua classificação de acordo com o que comumente é exigido nas provas dos mais recentes concursos públicos.NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL CAPÍTULO 1 / Constituição: conceito e classificação Neste capítulo analisaremos as várias concepções da palavra “Constituição”. ou melhor. Direito Constitucional /  . SENTIDO FORMAL: No sentido formal. em seu sentido material. é aquela que introduz os valores máximos de uma sociedade. a forma como foram introduzidos no ordenamento interno. Conceito SENTIDO MATERIAL: Constituição. pouco importando de que forma esses valores se solidificaram e se tornaram indispensáveis naquele determinado Estado.

Se uma norma é fundamental por traçar as bases do Estado. as normas constitucionais são aquelas introduzidas pelo poder soberano. De acordo com o conteúdo a Constituição pode ser material ou formal. e – à estabilidade A classificação das Constituições quanto ao conteúdo está relacionada às concepções material e formal há pouco estudadas. 1ª) Constituição material é o conjunto de valores que introduz as regras estruturais para o Estado. Classificação As Constituições são classificadas quanto: – ao conteúdo. por sua vez. No sentido material. – à forma. ela é constitucional. como as de  / Direito Constitucional . – à origem. através de um processo legislativo mais dificultoso. a forma como tenha sido introduzida no ordenamento jurídico não é relevante. o que importa é o conteúdo da norma constitucional. – ao modo de elaboração. diferenciado e mais solene do que o processo legislativo de formação das demais normas do ordenamento”.Pedro Lenza ao discorrer sobre o assunto pondera: “Nesse sentido.

de acordo com esse entendimento. sendo indiferente seu conteúdo. que existam normas constitucionais fora do texto constitucional. Para que uma norma seja constitucional. é necessário que ela esteja no corpo textual designado de Constituição. para isso. constitucional. bastaria. está expressa no § 2º.organização de seus órgãos e poderes. Aqui. ou não. políticos e garantias fundamentais. Direito Constitucional /  . localizado na cidade do Rio de Janeiro. 2ª) Constituição formal é o texto escrito e solene definidor das normas jurídicas hierarquicamente superiores. seja mantido na órbita federal. do art. Esta norma não traz em si nenhum conteúdo que explique sua presença na Constituição. concebidas por um poder soberano. também denominadas de não escritas ou consuetudinárias. Quanto à forma. no entanto. as Constituições podem ser classificadas em escritas ou instrumentais e costumeiras. 1ª) A Constituição escrita é aquela que teve suas normas reunidas em um único documento formal. constituída em um conjunto de regras sistematizadas e organizadas. direitos individuais. 242 da Constituição da República. veicular conteúdo constitucional. É possível. Exemplo de uma norma constitucionalmente formal presente em nossa Constituição Federal é a que determina que o Colégio Pedro II. é o conteúdo da norma que determina se ela será.

1ª) Constituição sintética é aquela que traz em seu texto apenas as regras fundamentais de organização do Estado. ser classificadas quanto à extensão em sintéticas e analíticas.2ª) A Constituição costumeira é formada por textos esparsos. consagrando seus princípios estruturais com os quais deve se harmonizar todo o sistema. São sempre escritas. 10 / Direito Constitucional . Quanto ao modo de elaboração. 1ª) A Constituição dogmática consagra certos dogmas da ciência política e do modelo jurídico dominante no momento. Geralmente também são classificadas como constituições costumeiras. bem como na jurisprudência e em convenções. dos fatos sócio–políticos que se cristalizam como normas fundamentais da organização de determinado Estado. 2ª) As constituições históricas são resultantes de lenta formação histórica. As constituições podem. podem ser dogmáticas e históricas. como é o caso da já citada norma constitucional que tratou do Colégio Pedro II. 2ª) Analíticas são as Constituições cujos textos não abordam somente as diretrizes estruturais do Estado. mas também trata de minúcias ao abordar matérias que poderiam facilmente ter sido objeto de legislação infraconstitucional. baseia–se nos usos e costumes sociais. ainda. do evoluir vagaroso das tradições.

também encontramos as seguintes expressões na doutrina: alterabilidade. em comparação ao processo utilizado para alteração de uma norma não constitucional. De acordo com o mencionado critério as constituições podem ser classificadas em: . eleitos para o fim de elaborá–las. as Constituições podem ser promulgadas e outorgadas.semi–rígidas.flexíveis. São votadas. 2ª) Outorgada é a constituição imposta por grupo ou governante que chega ao poder sem ter recebido do povo a legitimação para agir em nome dele. Originam–se de um órgão constituinte composto de representantes do povo. I) As constituições rígidas são aquelas que exigem um processo legislativo mais dificultoso para que possam ser alteradas. Além de estabilidade.Quanto a sua origem ou processo de positivação. e consistência. a classificação mais questionada em concursos é a pertinente à estabilidade das Constituições. Sem dúvida. . . democrática. 1ª) Promulgada. Direito Constitucional / 11 . Cuidado com os diferentes nomes que os doutrinadores utilizam para designá–la. votada ou popular é a Constituição em que o processo de positivação decorre de convenção.rígidas. mutabilidade.

quanto à extensão. é tanto rígida. é democrática. sendo exigido quorum de três quintos para aprovação das mesmas. III) A Constituição semi–rígida ou semi–flexível. como é flexível. são modificáveis de forma ordinária. é de natureza formal. é escrita. como o próprio nome diz. o processo legislativo mais dificultoso para eventual alteração é exigido apenas para determinadas matérias. é analítica. quanto à origem. 12 / Direito Constitucional . por fim. quanto ao conteúdo. é rígida. e. quanto ao modo de elaboração.II) A Constituição flexível ou plástica é aquela em que o processo legislativo previsto para alteração de suas normas é idêntico ao exigido para modificação da legislação infraconstitucional. no entanto. é dogmática. somente podendo ser modificada com a aprovação de emenda à Constituição a ser votada em dois turnos. ou seja. outras normas constitucionais. quanto à estabilidade. Classificação da Constituição da República Federativa do Brasil A Constituição brasileira de 1988 quanto à forma. nas duas casas do Congresso Nacional. Em decorrência deste aspecto é possível que uma norma constitucional venha a ser alterada ou revogada por uma norma de hierarquia inferior.

Segundo Pedro Lenza o poder constituinte pode ser conceituado como o poder de elaborar ou atualizar uma Constituição através da supressão. O poder constituído é aquele instituído pela Carta Magna. aquele que é introduzido e consagrado por ela num dado ordenamento jurídico. O poder constituinte. não devendo ser confundido com nenhum deles”. o Executivo e o Judiciário. estabelece uma nova ordem jurídica fundamental para o Estado. o Legislativo. No Brasil. o poder constituinte deu legitimidade a três poderes constituídos. Direito Constitucional / 13 . pois. de forma que se podem distinguir duas espécies de poder constituinte: o poder constituinte originário e o poder constituinte derivado. Não se deve confundir poder constituinte com poder constituído. modificação ou acréscimo de normas constitucionais. a saber. “o poder constituinte está acima dos poderes constituídos. Segundo Rodrigo Rebello Pinho. isso não significa que ela seja imutável ou intransponível. Foi mencionado que o poder constituinte é aquele responsável tanto pela elaboração como pela alteração de uma Constituição.CAPÍTULO 2 / Poder constituinte Já foi mencionado que a Constituição é concebida para ser uma ordem permanente de um modo geral.

Surge em virtude da vontade popular de reformular a ordem jurídica do Estado. por isso é chamado de inicial. ou seja. Podemos dizer. rompendo definitivamente com a ordem anterior. Características do poder constituinte originário 1ª) já foi apontado que o poder constituinte originário é um poder inicial. cria a nova ordem jurídica.Poder constituinte originário Seja através de um movimento revolucionário. uma nova ordem social e política. que é um poder de fato. conhecido também como de primeiro grau ou inicial. o poder que inaugura um novo Estado. 3ª) por não sofrer qualquer limite jurídico. inaugura o que se pode chamar de um novo Estado.Vale ressaltar que o Brasil adotou o positivismo. e sob a ótica dessa corrente o poder constituinte originário é um poder de fato que deve manifestar–se de acordo com os fatores reais de poder e com as forças políticas dominantes à época de sua concepção. seja pela deliberação dos representantes de um povo. pois não se vincula a qualquer outro e é executado pela vontade própria de quem exerce o poder constituinte originário. por poder ser exercido com total liberdade na abordagem 14 / Direito Constitucional . ou seja. não pode ser outro diferente do poder constituinte originário. 2ª) é também um poder autônomo. Essa espécie de poder constituinte não se vincula ou se legitima com base em nenhuma outra ordem jurídica. então.

das normas fundamentais do Estado, é também um poder incondicionado, ilimitado juridicamente. Titularidade do Poder Constituinte: Titular do poder constituinte é o povo. Na visão do Prof. Dalmo Dallari o fato do povo ser o titular do poder constituinte deriva da própria noção de Constituição. Porém, tecnicamente é impossível que o povo se reúna e discuta as normas de sua primeira Constituição ou de sua nova Constituição, assim a Doutrina começou a fazer a distinção entre titular e exercente do poder constituinte. Conforme fora afirmado, titular do poder constituinte é o povo e nesse sentido dispõe o início do parágrafo único, do art. 1º da Constituição Federal: “Todo poder emana do povo (...)”. Contudo, pela impossibilidade física de se concretizar essa ideologia, o povo deve eleger seus representantes, para que em nome dele, exerçam o poder. Revisitando o comando constitucional a pouco mencionado, seu teor completo é o seguinte: “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos, ou diretamente nos termos desta Constituição”.

Poder constituinte derivado
O poder constituinte derivado é também denominado instituído, secundário ou de segundo grau. É um poder que retira sua existência do poder constituinte originário, pois
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foi por ele instituído. Se acaso o poder constituinte originário não o houvesse previsto, equivaleria a dizer que o poder constituinte derivado não existiria. Dentro da concepção de poder constituinte derivado pode–se distinguir o poder constituinte derivado reformador e o poder constituinte derivado decorrente. Poder constituinte derivado reformador: O poder constituinte originário, prevendo a própria dinâmica da vida em sociedade, tratou de dar uma certa flexibilidade ao seu caráter absoluto. Instituiu duas formas através das quais o texto constitucional poderia ser modificado: pelo processo de emendas à Constituição e pela revisão constitucional. O poder constituinte derivado reformador deve obedecer aos limites de atuação determinados pelo poder constituinte originário sendo assim condicionado e subordinado. O constituinte abriu a possibilidade de modificação do texto constitucional, atribuindo essa responsabilidade ao Congresso Nacional. Este, ao criar emendas, tecnicamente, está no exercício do poder constituinte, e não praticando atividade legislativa. Para que se modifique o texto constitucional é necessário que eventual alteração passe por um procedimento especial. Assim, a tentativa de modificar a Constituição deve ser votada nas duas Casas do Congresso Nacional, ou seja, no Senado Federal e na Câmara dos Deputados, em dois turnos
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em cada uma delas. O quorum exigido para sua aprovação é de três quintos, portanto, quorum qualificado. A revisão constitucional foi prevista no art. 3º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e previu que passados cinco anos da promulgação da Constituição Federal de 1988, reunido o Congresso Nacional, poderia este proceder à revisões do texto constitucional pelo voto da maioria absoluta de seus membros em sessão unicameral. Na visão de Pedro Lenza “O que se percebeu foi o estabelecimento de uma competência de revisão para ‘atualizar’ e adequar a Constituição às realidades que a sociedade apontasse como necessárias”. O poder exercido na revisão constitucional foi o poder constituinte derivado, delimitado e subordinado às limitações impostas pelo poder constituinte originário. Limites do Poder Constituinte: Poder Constituinte limitado somente pode ser o poder constituinte derivado, uma vez que o poder constituinte originário é, pelo menos em tese, ilimitado. Pode–se classificar os limites em: limites explícitos e limites implícitos. 1º) Têm–se como limites explícitos os circunstanciais e os materiais. Os limites circunstanciais são os que impedem a modificação da Constituição em determinadas situações de instabilidade política. Assim, a Constituição Federal de 1988 não admite emendas quando instalada intervenção federal, ou na ocorrência do Estado de Defesa
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e do Estado de Sítio. Nesse sentido determina o caput do art. Os limites temporais estão ligados à previsão pelo constituinte de um determinado prazo em que seria impossível emendas à Constituição ou a determinação de que esta somente poderia ser emendada de tempos em tempos. elencadas no art. § 4º. sejam elas decorrentes do poder constituinte originário ou tendo sido modificadas pelo poder constituinte derivado. por sua vez. são aqueles traçados pelo constituinte para especializar a forma. 25 da Constituição Federal: “Os Estados organizam–se e regem–se pelas Constituições e leis que adotarem. 18 / Direito Constitucional . 60. Os limites materiais são relativos às matérias para as quais o constituinte originário determinou a proibição de qualquer modificação atinente a elas. Os limites procedimentais. inclusive proibindo que tais normas fossem sequer objeto de deliberação. observados os princípios desta Constituição”. da Constituição Federal. Poder constituinte derivado decorrente: Os Estados Federados receberam da Constituição Federal a atribuição de formularem suas próprias Constituições desde que obedeçam aos limites impostos pelo poder constituinte originário e estejam em consonância com as normas da Constituição Federal. Estamos falando das já mencionadas cláusulas pétreas. 2º) Os limites implícitos são os temporais ou formais e os procedimentais. o rito de modificação da Constituição.

Quanto aos Territórios. estes não são dotados de autonomia política uma vez que são apenas descentralização administrativo–territorial da União.ATENÇÃO: O poder constituinte decorrente não foi estendido nem aos Municípios. Os Municípios e o Distrito Federal regem–se pelas suas leis orgânicas. Direito Constitucional / 19 . nem ao Distrito Federal e nem aos Territórios.

optamos por expor a classificação apresentada por José Afonso da Silva.limitadas. O 20 / Direito Constitucional .plenas. imediata e integral. Para abordagem do presente tema. .CAPÍTULO 3 / Eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais Todas as normas constitucionais são eficazes. há uma diferença no grau de eficácia das mesmas bem como em sua aplicabilidade. sendo classificadas como de aplicabilidade direta. independentemente de norma integrativa infraconstitucional e por isso possuem eficácia plena. no entanto. Normas constitucionais de eficácia plena São aquelas normas da Constituição que já entram no ordenamento jurídico aptas a produzir todos os seus efeitos. . As normas constitucionais quanto a sua eficácia podem ser classificadas em: .contidas. em virtude de ser esta a mais cobrada nos concursos públicos.

Podem. Quem vai vir a dizer se determinado fato ocorreu por motivo de ordem pública é o agente responsável pela execução da norma. Assim. o comando “licença à gestante. Exemplo de norma de eficácia contida é a intitulada no inciso XIII do artigo 5º da Constituição Federal. podem ter sua abrangência reduzida pela vontade do legislador ordinário ou em virtude de outro comando constitucional. ser restringidas em virtude de veicularem conceitos vagos. pois abrem a possibilidade ao Administrador Público de reduzir seu conceito quando de sua aplicação. como habeas corpus e mandado de segurança. têm aplicabilidade direta. Michel Temer denomina tais comandos de normas de eficácia redutível ou restringível. da expressão “bons costumes” ou ainda de “motivo de ordem pública”. por exemplo. com a duração de cento e vinte dias” foi aplicado de forma imediata sem a necessidade de edição de lei que o regulamentasse. Direito Constitucional / 21 . É o caso. ainda. mas geralmente não integral. Normas constitucionais de eficácia contida As normas de eficácia contida são aquelas que apesar de produzirem seus efeitos imediatamente. imediata. sem prejuízo do emprego e do salário.exemplo clássico de normas de eficácia plena são as que veiculam direitos e garantias fundamentais. Da mesma forma aconteceu com os remédios constitucionais. Portanto.

cabendo ao 22 / Direito Constitucional . a norma tem eficácia plena. 1ª) As normas de princípios institutivos são as que estabelecem o esquema geral de estruturação e atribuições de órgãos. de aplicabilidade diferida ou mediata e reduzida. desde que para isso atendam aos requisitos que o legislador infraconstitucional estabelecer para tal exercício. ofício ou profissão. todos são livres para exercer sua profissão. entidades ou institutos públicos. ou organizativos. Normas constitucionais de eficácia limitada São aquelas que não produzem efeitos imediatamente. São divididas em normas declaratórias de princípios institutivos.qual seja. pois necessariamente devem ser complementadas por normas infraconstitucionais quando só então produzirão todos os seus efeitos. para ser advogado é necessário ser formado em Direito e estar inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil. Diz–se que sua aplicabilidade é diferida ou adiada. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer”. Assim. portanto. e normas declaratórias de princípios programáticos. Por exemplo. ATENÇÃO: Enquanto não editado o comando de restrição. “é livre o exercício de qualquer trabalho.

ATENÇÃO: As normas de eficácia limitada. são aquelas que fixam princípios. impedir que o legislador infraconstitucional legisle contra os princípios que institui. declaratórias de princípios programáticos. estabelecer um dever público à edição de norma que lhe complemente e a torne eficaz plenamente. do artigo 18 da Constituição Federal: “Os Territórios Federais integram a União. produzem de forma imediata determinados efeitos jurídicos. por sua vez. o art. apesar de terem sua aplicabilidade diferida. 2ª) As normas de eficácia limitada. e. e sua criação. e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais”. 215 da Constituição Federal: “O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional. Direito Constitucional / 23 . Dessa forma. transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em lei complementar”.legislador ordinário a regulamentação dessas entidades e de suas atribuições. Ilustremos a afirmação com a seguinte norma expressa no § 2º. produzem os efeitos de: revogar a legislação infraconstitucional com ela incompatível. É exemplo de uma norma que veicula meta a ser cumprida pelos órgãos do Estado. ainda que minimamente. programas e metas a serem alcançadas pelo Estado.

portanto. a norma é considerada constitucional. deverá ser declarada a inconstitucionalidade dos mesmos. O constituinte prevendo a possibilidade de tais normas virem a surgir. não produzirão efeitos e deverão ser retiradas do ordenamento jurídico. Ocorrendo a adequação. Havendo contrariedade entre a lei ou ato normativo e o Texto Maior. Se tais normas infraconstitucionais forem contrárias às normas e princípios da Constituição. Controle de Constitucionalidade é.CAPÍTULO 4 / Controle de constitucionalidade Introdução Os comandos normativos infraconstitucionais retiram sua validade da Constituição Federal. a verificação da adequação vertical entre as normas infraconstitucionais e a Constituição. Formas de inconstitucionalidade As leis e atos normativos infraconstitucionais ao serem comparados às normas constitucionais podem padecer do 24 / Direito Constitucional . concebeu um sistema de controle dos atos normativos visando prevenir a entrada das mesmas ou sua retirada acaso sejam produzidas no ordenamento jurídico.

se o ato normativo contiver algum vício em seu processo legislativo de elaboração será considerado inconstitucional sob o ponto de vista formal. 1) Ocorre vício formal subjetivo quando não se obedece às regras de iniciativa do ato normativo. o vício formal objetivo é aquele que torna imprestável o ato normativo por não obedecer às demais regras atinentes ao processo de formação da lei. deverá ser considerada inconstitucional. se lei que verse sobre o Estatuto da Magistratura for aprovada apenas pela maioria simples. esse ato deve ser considerado inconstitucional em virtude de vício formal subjetivo. Desta forma. Vício Material: Vício material é aquele que diz respeito ao conteúdo do ato normativo. somente lei complementar poderá dispor sobre o Estatuto da Magistratura. mas não tenha legitimidade para tanto. pois de acordo com o art. Significa dizer que sempre que alguém deflagre o processo legislativo. se o ato normatiDireito Constitucional / 25 . Portanto.vício de inconstitucionalidade sob o ponto de vista formal ou sob o ponto de vista material. O vício formal pode ser subjetivo e objetivo. Assim. 93 da Constituição Federal. 2) Enquanto o vício formal subjetivo está ligado especificamente à questão da iniciativa das leis. Vício formal: O ato normativo infraconstitucional deve obedecer aos procedimentos previstos no texto constitucional para que seja criado no mundo jurídico.

Havendo apenas duas exceções a essa regra quando o controle repressivo será realizado pelo Poder Legislativo. adotou o sistema de controle jurisdicional. Essa classificação leva em conta a fase em que se encontra o ato normativo: se já está perfeito produzindo efeitos ou se ainda está sendo elaborado. Executivo e Judiciário – para procederem ao controle preventivo. Controle Posterior ou Repressivo: O Brasil. Momentos de controle O ordenamento jurídico brasileiro abriu a possibilidade de se realizar o controle da constitucionalidade de leis e atos normativos em dois momentos distintos. O constituinte de 1988 deu legitimidade aos órgãos dos três poderes constituídos – Legislativo. o controle de constitucionalidade pode ser preventivo ou repressivo. De acordo com esse critério. ou seja. portanto. para o controle repressivo de constitucionalidade. Controle Preventivo: É o controle de constitucionalidade feito no momento em que o ato ainda está sendo elaborado. As 26 / Direito Constitucional . o controle posterior dos atos normativos e leis é realizado pelo Poder Judiciário.vo não estiver em harmonia com o sistema constitucional poderá haver a declaração da inconstitucionalidade daquela lei ou ato em virtude de vício material.

Quando Direito Constitucional / 27 . ou por qualquer juiz ou Tribunal. o referido ato normativo pode ser retirado do ordenamento jurídico por determinação do Congresso Nacional. Então. o Congresso Nacional tem competência exclusiva para sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa. e 62 da Constituição Federal. inciso V. o controle de constitucionalidade posterior realizado pelo Poder Judiciário pode ser feito tanto por um único órgão. espécie normativa adotada pelo Presidente da República em casos de relevância e urgência. hipótese em que ocorre o controle concentrado.exceções estão expressas nos artigos 49. hipótese em que ocorre o controle difuso. 62 prevê as medidas provisórias. Nessa definição precisamos nos deter em alguns pontos. Já o art. se o Chefe do Executivo Federal edita medida provisória sem que haja obediência aos requisitos de relevância e urgência. Critérios de controle O Brasil adotou o sistema jurisdicional misto. inciso V. De acordo com o art. 49. prejudicialmente ao exame de mérito. aberto ou por via de exceção ou defesa é aquele realizado por qualquer juiz ou Tribunal de forma incidental. Controle difuso Controle difuso. ou seja.

Cláusula de Reserva de Plenário: Quando a análise da questão incidental acerca da inconstitucionalidade de lei ou ato normativo estiver para ser apreciada em um Tribunal. Essa é a denominada cláusula de reserva de plenário. remetendo a apreciação da questão ao pleno ou órgão especial daquele Tribunal. no entanto. significa dizer que a declaração da inconstitucionalidade não é o objeto do processo. ou ao 28 / Direito Constitucional . O pedido é a anulação do contrato. o juiz ou Tribunal precisa se posicionar acerca da constitucionalidade da lei em que se baseou o contrato. contida no artigo 97 da Constituição Federal que determina: “Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público”. Não se deve descuidar. Imagine uma ação anulatória onde se visa a anulação de um contrato por ter sido este baseado em uma lei considerada pela parte autora como inconstitucional. que afirma: “Os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário. para isso. mas. o órgão fracionário que dela tenha tomado conhecimento deve suscitar questão de ordem.falamos que é um controle feito “de forma incidental”. que tal regra foi atenuada pelo parágrafo único do artigo 481 do Código de Processo Civil. será o fundamento em que se baseia a parte para alcançar o que se efetivamente espera com o processo. A alegação da inconstitucionalidade será a causa de pedir do processo.

quando já houver pronunciamento destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão”.órgão especial. publicará uma Resolução nesse sentido. no entanto. se o Senado Federal entender que deve estender os efeitos da decisão a todas as pessoas. o que significa dizer que retroagem à data da publicação da lei ou do ato. atingirão. a argüição de inconstitucionalidade. inciso X. alcança apenas as partes envolvidas na relação jurídica. tornando–os nulos. inclusive. o STF deve comunicar sua decisão ao Senado Federal para os efeitos do art. e ex tunc. Dispõe o referido preceito: “Compete privativamente ao Senado Federal suspender a execução. não ocorrendo retroação. da Constituição Federal. Tal resolução. de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal”. como se nunca houvesse existido. Direito Constitucional / 29 . ou seja. Quando a questão da inconstitucionalidade de uma lei chega ao Supremo Tribunal Federal pela via de exceção e este declara a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. não produzirá efeitos ex tunc. Efeitos da decisão: A decisão que declara incidentalmente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo produz efeitos inter partes. 52. Apesar de termos mencionado que a declaração incidental de inconstitucionalidade produz efeitos inter partes existe um mecanismo por meio do qual esses efeitos serão estendidos erga omnes. ou seja. seus efeitos serão pro ativos. no todo ou em parte. Portanto. todas as pessoas alheias ao processo.

argüição de descumprimento de preceito fundamental. Em nosso sistema existem cinco formas através das quais se realiza o controle concentrado de constitucionalidade. são elas: I . faz parte do pedido da 30 / Direito Constitucional .ação direta de inconstitucionalidade interventiva. Controle concentrado Concentrado é o controle de constitucionalidade feito por um único órgão através de um processo objetivo que tem como finalidade declarar a inconstitucionalidade ou constitucionalidade de lei ou ato normativo.ATENÇÃO : Recebida a comunicação da decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal.ação declaratória de constitucionalidade. II . III . portanto. haveria violação do princípio da separação dos poderes.ação direta de inconstitucionalidade por omissão. e V . I) Ação direta de inconstitucionalidade genérica – ADIN genérica: É a ação hábil para a declaração de inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo federal ou estadual. caso contrário.ação direta de inconstitucionalidade genérica. IV . Tem por objeto principal a declaração de inconstitucionalidade. o Senado Federal não está obrigado a publicar a Resolução.

alguns autores recebem a legitimação para propor a ação somente quando o que estiver sendo discutido esteja relacionado à sua finalidade institucional. o Procurador–Geral da República. estes somente podem propor ADIN caso demonstrem sua pertinência temática com a situação. a Mesa da Câmara dos Deputados. a Mesa do Senado Federal. a Mesa da Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Governador de Estado ou do Distrito Federal e confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. partido político com representação no Congresso Nacional e confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional. o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. Direito Constitucional / 31 . No caso dos legitimados especiais.ação e não somente da causa de pedir como acontece no controle difuso de constitucionalidade. São legitimados especiais apenas: Mesa da Assembléia Legislativa ou da Câmara Legislativa. o Governador de Estado ou do Distrito Federal. Com relação à legitimidade é importante fixar que os legitimados apontados podem ser classificados em dois grupos: legitimados neutros ou universais e legitimados interessados ou especiais. A) Legitimidade: Para propor a ação direta de inconstitucionalidade genérica a Constituição Federal prevê em seu artigo 103 um rol taxativo de legitimados. Ou seja. podem propor a ação direta de inconstitucionalidade: o Presidente da República. O objetivo é excluir do mundo jurídico a lei ou ato normativo impugnado. Assim.

abstração e autonomia. revisão e cancelamento das súmulas 32 / Direito Constitucional . No conceito de lei enquadram–se as espécies normativas previstas no artigo 59 da Constituição Federal. Contudo. Não se pode deixar de citar também os tratados internacionais que são ratificados e aprovados por meio de decreto legislativo. 11.B) Objeto: O objeto da ação direta de inconstitucionalidade genérica é a lei ou ato normativo federal ou estadual. Assim. decretos legislativos e resoluções. atos específicos ou de efeitos concretos não podem estar sujeitos a esse tipo de controle. O § 2º deste mesmo artigo prevê a possibilidade de controle dessas súmulas através de um procedimento específico envolvendo os mesmos legitimados para a ADIN. não se pode deixar de frisar as modificações trazidas pela Emenda Constitucional n. lei complementar.417. ou seja. A referida emenda acrescentou o artigo 103–A no texto constitucional prevendo que o Supremo Tribunal Federal. Ato normativo que pode ser atingido pelo controle de constitucionalidade é aquele que possui as seguintes características: generalidade. que disciplina o procedimento de edição. lei ordinária. emenda constitucional. através de procedimento específico. publicada no final do ano de 2004. pois não possuem normatividade suficiente. de 19 de dezembro de 2006. poderá conferir às suas súmulas efeito vinculante. lei delegada. 45. C) Súmulas: As súmulas de jurisprudência não podem ser objeto de ADIN. A lei n. medida provisória.

Tribunais Regionais Federais. ampliou o rol de legitimados ao controle das súmulas. ou seja. Enquanto o Tribunal de Justiça local é o órgão competente quando se tratar de ação direta que tenha como objeto lei municipal ou estadual contestada em face da Constituição Estadual. ATENÇÃO: Não existe controle de constitucionalidade na hipótese de incompatibilidade da lei Municipal com a lei Orgânica do Município. Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. Segundo Pedro Lenza esse procedimento pode ser entendido como uma espécie de controle de constitucionalidade. eventual incompatibilidade somente poderá ser confrontada sob o aspecto da legalidade. Tribunais Regionais do Trabalho e Tribunais Militares.vinculantes. D) Competência: O Supremo Tribunal Federal é o órgão competente para processar e julgar ADIN ajuizada em virtude de lei ou ato normativo federal ou estadual contestados em face da Constituição Federal. Tribunais Regionais Eleitorais. a decisão proferida em sede de ação direta de inconstitucionalidade produz efeitos erga omnes. incluindo o Defensor Público-Geral da União e os Tribunais Superiores. no entanto. E) Efeitos da decisão: Em geral. atinge todas as pessoas relacioDireito Constitucional / 33 .

estadual. 9. A ação direta de inconstitucionalidade tem caráter dúplice. A ADPF é ação subsidiária uma vez que havendo 34 / Direito Constitucional . do art. da Lei n.nadas à relação jurídica. Não deixe de conferir a redação do § 2º do artigo 102 da Constituição Federal e do parágrafo único.882/99 que dispõe sobre o processo e julgamento da ADPF integrando a norma constitucional citada por ser esta de eficácia limitada. e ex tunc. O legislador ordinário publicou a lei número 9.868/99 dispõe sobre o processo e julgamento da ação direta de inconstitucionalidade. como declarou o STF. o efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e da Administração Pública federal. a improcedência da respectiva ação declaratória de constitucionalidade. 28. ou. prevê uma possibilidade de alteração dos efeitos da decisão proferida em sede de ADIN. municipal e distrital. 27. 102. atestará ao mesmo tempo. é uma ação declaratória de constitucionalidade com o sinal trocado. qual seja. II) Argüição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF): A Constituição Federal prevê a argüição de descumprimento de preceito fundamental no § 1º do seu art.868/99. Não podemos deixar de apontar um efeito bastante relevante. retroagindo à data da publicação da lei ou ato confrontado. prevendo que a mesma será apreciada pelo STF. Isso significa que sempre que o STF julgar procedente ação direta de inconstitucionalidade. A lei 9. Em seu art.

é facultado. 1ª . Contudo. não deverá ser admitida. distrital. O Procurador–Geral da República deve. o § 1º. estadual. mediante representação. analisar o seu cabimento. antes de ajuizar a ação. incluídos os anteriores à Constituição. Será preventiva quanto interposta para evitar lesão a preceito fundamental decorrente de ato ou omissão do Poder Público.qualquer outro meio eficaz de sanar a lesividade. do art. solicitar ao Procurador–Geral da República que instaure argüição de descumprimento de preceito fundamental. tem nítido caráter repressivo. municipal. A) Legitimidade: Para propor ADPF são legitimadas as mesmas pessoas e órgãos que podem ajuizar ação direta de inconstitucionalidade genérica.Na modalidade de ação autônoma pode ser ajuizada em caráter preventivo e em caráter repressivo. examinando os fundamentos jurídicos do pedido. Atenção para o que acabamos de afirmar!!! A Direito Constitucional / 35 . Já quando ajuizada para reparar lesão a preceito fundamental. 1º da lei 9.Na modalidade por equiparação a ADPF pode ser proposta quando for relevante o fundamento da controvérsia constitucional sobre lei ou ato normativo federal.882/99. prevê que aos demais interessados. 2ª . B) Modalidades: Pedro Lenza afirma que é cabível ADPF na modalidade de ação autônoma e na modalidade por equiparação ou equivalência.

Aprendemos que as normas constitucionais quando precisam ser integradas pela publicação de legislação infraconstitucional são denominadas de normas de eficácia limitada. o constituinte preocupado com a “síndrome de inefetividade das normas constitucionais” inovou ao prever a ação direta de inconstitucionalidade por omissão. Da mesma forma como foi observado para a ADIN. Caso o STF 36 / Direito Constitucional . o STF pode restringir os efeitos da decisão por razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social. pois permite que através de ação objetiva o STF possa analisar a constitucionalidade de lei ou ato normativo municipal e de leis e atos normativos anteriores à Constituição de 1988. C) Efeitos da decisão: A decisão proferida em sede de ADPF tem efeito erga omnes. Assim. você precisa recordar as lições acerca da eficácia das normas constitucionais. vinculante para os demais órgãos do Poder Público e retroativos ou ex tunc. III) Ação direta de inconstitucionalidade por omissão (ADIN por omissão): Para entender a presente ação.ADPF traz exceções às regras que vimos acerca do controle concentrado. A ADIN por omissão é uma ação objetiva que visa declaração do STF no sentido de reconhecer a inércia do Poder Público ou órgão administrativo competente por não haver regulamentado norma constitucional de eficácia limitada que tinha a incumbência de fazer.

Quando se tratar de órgão administrativo. modificando a lei n. as providências necessárias a serem adotadas pelo órgão poderão ser realizadas em prazo superior ao de trinta dias. entretanto. que o próprio Judiciário edite a lei integrativa de preceito fundamental em respeito ao princípio da separação dos poderes. Não é possível. de 27 de outubro de 2009. 9. FIQUE ATENTO! A lei n. Direito Constitucional / 37 . obedecida a regra da pertinência temática. constituindo em mora o poder competente para a edição da lei. 103 da Constituição Federal.868/99. ou seja.venha a reconhecer a mora do Poder público ou do órgão administrativo dará ciência ao poder competente para adoção das providências necessárias. este deve adotar as providências necessárias num prazo de trinta dias. tendo em vista as circunstâncias específicas do caso e o interesse público envolvido. B) Efeitos da decisão: A decisão tem caráter mandamental.063. passou a prever que. as mesmas pessoas e órgãos previstos para ajuizar ADIN genérica. em caso de omissão imputável a órgão administrativo. A) Legitimidade: Tem legitimidade para propor ADIN por omissão todo o rol do art. 12. A decretação da omissão produz efeitos erga omnes e ex tunc.

da Constituição Federal. A) Competência: A competência para processar e julgar ADIN interventiva federal é do Supremo Tribunal Federal. os entes da federação não podem intervir uns nos outros. Distrito Federal e Municípios localizados em seu Território. A ADIN interventiva estadual pode ser ajuizada sempre que a lei 38 / Direito Constitucional . inciso VII.IV) Ação direta de inconstitucionalidade interventiva (ADIN interventiva): Ação direta de inconstitucionalidade interventiva é ação que funciona como um dos pressupostos para que seja decretada a intervenção federal ou estadual. administrativa e financeira. bem como autorizam a intervenção dos Estados em seus Municípios pelos Chefes do Executivo. Em regra. a Constituição Federal prevê hipóteses excepcionais que autorizam a intervenção da União nos Estados. A Emenda Constitucional 45/2004 incluiu mais uma hipótese de ADIN interventiva federal. que prevê que a decretação da intervenção federal pode ser realizada através de provimento de representação do Procurador–Geral da República quando ocorrer recusa à execução de lei federal. Essa nova hipótese está prevista no artigo 36. A ADIN interventiva federal tem como objeto lei ou ato normativo estadual que desrespeitar os princípios sensíveis da Constituição Federal. Porém. pois são autônomos e responsáveis pela sua própria organização política. inciso III da Constituição Federal. 34. Princípios sensíveis são os elencados no art.

uma lei federal publicada e vigente presume–se constitucional. a guarda da Constituição. inciso I.municipal desrespeitar os princípios indicados na respectiva Constituição estadual ou para prover execução de lei. Em regra. Ou seja. Tem como objetivo declarar a constitucionalidade de lei ou ato normativo federal de forma a lhe emprestar presunção absoluta de sua constitucionalidade. alínea a: “Compete ao Supremo Tribunal Federal. as leis e atos normativos editados apenas se presumem constitucionais de forma relativa. A competência para julgamento da ADIN interventiva estadual é do Tribunal de Justiça local. 102. Com eventual declaDireito Constitucional / 39 . V) Ação declaratória de constitucionalidade (ADECON): A ação declaratória de constitucionalidade foi introduzida pelo poder constituinte derivado reformador com a publicação da emenda constitucional n. 3/1993. cabendo–lhe processar e julgar originariamente a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal”. B) Legitimidade: A legitimidade para propor a ADIN interventiva federal é do Procurador–Geral da República. precipuamente. de ordem ou de decisão judicial. porém essa presunção é juris tantum ou relativa. Dispõe o art. Para a propositura da ADIN interventiva estadual é legitimado o Procurador–Geral de Justiça.

tendo sido regulamentada pela lei n. A emenda constitucional 45/2004 revogou o § 4º do art. são legitimados a propor a ADECON os mesmos previstos para propor ADIN genérica. Com a nova redação do caput do art. a lei federal não poderá ser mais declarada inconstitucional por nenhum órgão do Poder Judiciário. A) Competência: A ação declaratória de constitucionalidade será processada e julgada pelo Supremo Tribunal Federal. nem poderá ser desobedecida pelos órgãos da Administração Pública. 103. Tendo presunção absoluta de constitucionalidade. Quando declarada a constitucionalidade de uma lei ou ato normativo federal. a Mesa da Câmara dos Deputados e o Procurador–Geral da República. 9. 40 / Direito Constitucional . A decisão tem caráter vinculante. B) Legitimidade: Muita atenção para os legitimados a propor ADECON. equivale a julgar a improcedência da ADIN respectiva. 103 que previa como legitimados a propositura da ação declaratória de constitucionalidade apenas o Presidente da República.ração da constitucionalidade dessa lei federal. a presunção da constitucionalidade da lei passará a ser jure et jure ou absoluta. a Mesa do Senado Federal.868/99. Com relação a ADECON também se aplica o que foi mencionado ao tratarmos da ADIN genérica no que tange a seu caráter dúplice: A ADECON é uma ADIN com sinal trocado.

apresentando também efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal. municipal e distrital. ­ Direito Constitucional / 41 . estadual.C) Efeitos da decisão: A decisão proferida em sede de ADECON produz efeitos contra todos. o STF pode restringir os efeitos da ADECON. Em virtude de excepcional interesse social ou por razões de segurança jurídica. de forma retroativa ou ex tunc.

apresenta algumas características peculiares desta forma de Estado. adota noção de descentralização. com isso. que um interfira no espaço e atribuições do outro. A Constituição da República ao afirmar que o Brasil é a união dos Estados. Municípios e Distrito Federal. O Brasil é regido por uma constituição rígida. Esta é uma característica dos estados unitários. A principal característica de um Estado Federativo é a descentralização política. por haver adotado a federação. pois cada um dos entes citados possui autonomia política. Você deve manter em mente que não existe hierarquia entre os entes federados. O Brasil. a União não pode interferir 42 / Direito Constitucional . Municípios e Distrito Federal. Assim.CAPÍTULO 5 / Organização do Estado Federação O Brasil é uma República Federativa formada pela união indissolúvel dos Estados. Significa que o Brasil não é um Estado que centraliza o comando das decisões políticas fundamentais em um único ente ou organismo. instrumento hábil a delimitar expressamente os limites da autonomia dos entes federados impedindo.

Estados–membros. manifestado no art. A União Federal é um dos entes da federação que. 34. Pedro Lenza afirma que a União possui dupla personalidade. É também característica da Federação a auto–organização dos Estados–membros. não é possível que os entes federados queiram separar–se formando estados menores. no Brasil. A Constituição brasileira adotou o princípio da indissolubilidade do vínculo federativo. da Constituição Federal. a possibilidade de intervenção federal no Estado que pretender se separar.nas decisões políticas tomadas pelo Município de Sorocaba. Municípios e Distrito Federal. representa a ordem central fruto do pacto federativo. Quando falamos em “soberania” devemos associar à República Federativa do Brasil. inciso I. bem como a dos Municípios regidos por suas próprias leis orgânicas. também chamado de secessão. inclusive. Os entes federados são autônomos entre si. os quais serão regidos por suas próprias Constituições Estaduais.Tendo sido estabelecido o pacto federativo. Já a República Federativa do Brasil é a reunião da União Federal. por exemplo. União Federal A União Federal não deve ser confundida com a República Federativa do Brasil. Direito Constitucional / 43 . Não se admite esse direito de separação. prevendo. pois somente esta tem soberania em relação ao plano internacional.

representado pela Assembléia Legislativa. São organizados e regidos pelas leis e Constituições que adotarem. os Estados–membros devem obedecer ao princípio da tripartição de poderes. Vigora para os Estados–membros as regras e princípios da Constituição Federal relativas ao autogoverno dos mesmos. No papel externo a União Federal representa a República Federativa do Brasil. desde que respeitados os limites impostos pelo poder constituinte tanto originário como decorrente reformador. possuindo capacidade de auto–organização. e também o Poder Judiciário. 44 / Direito Constitucional . autolegislação e auto–administração. existindo em seu âmbito tanto o Poder Executivo. Portanto. autogoverno. chefiado pelo Governador do Estado. Em seu papel interno a União é um dos entes federados. composto por juízes e Tribunais estaduais. Estados–membros Os Estados–membros são unidades federadas autônomas. como o Poder Legislativo. devendo obedecer ao modelo traçado para a União Federal em virtude do princípio da simetria. pessoa jurídica de direito público. auto–administração e autolegislação.assumindo um papel interno e outro externo. pessoas jurídicas de direito público interno que possuem capacidade de auto–organização. onde tomam assento os deputados estaduais.

determina que os Estados podem incorporar–se entre si. subdividir–se ou desmembrar–se para se anexarem a outros. São pessoas jurídicas de direito público que possuem capacidade de auto–organização. ou da mesma forma. podem formar novos Estados ou Territórios Federais. auto–administração. do art. do art. da Constituição Federal. e por seus vereadores. quanto à União Federal. e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal. mas para isso devem submeter sua intenção à aprovação da população diretamente interessada através de plebiscito. após aprovação em plebiscito. da Constituição Federal.Formação dos Estados–membros: O § 3º. deve votar uma lei complementar que versará sobre o objeto do mesmo. Organizam–se através de Lei Orgânica. 18. Municípios Os municípios são autônomos em relação tanto ao Estado–membro onde se localizam. votada em dois turnos. eleitos pelo voto direto. com intervalo mínimo de dez dias. autolegislação e autogoverno. a inDireito Constitucional / 45 . A lei Orgânica do Município tem como limites os ditames da respectiva Constituição Estadual e da Constituição da República. prevê que é possível a criação. componentes da Câmara Municipal. O Congresso Nacional. 18. Os Municípios são governados pelos Prefeitos. Formação dos Municípios: O § 4º.

É comandado. Distrito Federal O Distrito Federal é uma unidade federada autônoma. dentro do período determinado pela lei complementar federal. autogoverno. o Distrito Federal dispõe de autonomia. Por fim. Para isso a Constituição estabelece um procedimento que você deve tentar memorizar. incorporação. pois é muito questionado em concursos.corporação. Em primeiro lugar. apresentando capacidade de auto–organização. que analisam a possibilidade da criação. fusão ou desmembramento dos mesmos. Sendo positivo o resultado do plebiscito. Após a divulgação dos referidos estudos deve haver consulta às populações dos Municípios envolvidos através de plebiscito. O Distrito Federal rege–se por Lei Orgânica. auto–administração e autolegislação. deverá ser editada lei complementar federal que determinará o período em que deve ser realizada a criação. a fusão e o desmembramento de Municípios. Vamos a ele. deverá ser publicada lei ordinária estadual a qual efetivamente realizará o procedimento aprovado na consulta popular. os Municípios envolvidos devem apresentar e publicar Estudos de Viabilidade Municipal. Sem dúvidas. cujo procedimento é idêntico ao que tivemos oportunidade de estudar em relação aos Municípios. a incorporação. porém apresenta peculiaridades quando comparado aos demais Estados–membros. a fusão ou o desmembramento do Município. no 46 / Direito Constitucional .

a polícia civil. Competência das unidades federadas Caro concursando. inciso XVII. a Defensoria Pública. também conhecida como administrativa ou Direito Constitucional / 47 . A Constituição da República em diversos dispositivos suplanta parcialmente a autonomia do Distrito Federal. todos da Constituição Federal. a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal. Da leitura desses artigos podemos observar que compete à União organizar e manter o Poder Judiciário. Para ilustrar a presente afirmação tomemos como exemplo o que determina o art. 21. Competência não legislativa: A competência não legislativa. Optamos por expor conjuntamente as competências na tentativa de facilitar a memorização da matéria. bem como é da União a competência privativa para legislar sobre organização judiciária. delegando tal parcela à União. cara concursanda.entanto. por Governador eleito pelo voto direto e pelos Deputados Distritais que compõem a Câmara Distrital. você deve ter percebido que nada mencionamos ainda sobre as competências previstas pela Constituição Federal para cada ente da federação. incisos XIII e XIV e art. o Ministério Público. organização do Ministério Público e da Defensoria Pública do Distrito Federal. 22. Devemos fazer uma ressalva de grande relevância em relação à autonomia do Distrito Federal.

Pode tanto ser – exclusiva. Municípios e Distrito Federal. como o próprio nome faz supor. e – residual. Refere–se ao exercício de todas as matérias que não tenham sido vedadas ou atribuídas aos 48 / Direito Constitucional . conhecida ainda como cumulativa ou paralela. como pelos Estados. ou seja. A competência não legislativa regulamenta o campo do exercício das funções governamentais. não pode ser exercida por nenhum outro ente mesmo quando autorizado pelo titular. A) Na competência exclusiva. da Constituição da República. 23. C) A competência residual foi reservada pela Constituição Federal aos Estados. somente um ente será o competente para desenvolver determinada atividade específica. A competência exclusiva tem como característica a indelegabilidade. A competência não legislativa comum vem prevista no art. os quatro entes federados possuem a atribuição de desenvolver as mesmas atividades. B) Na competência cumulativa.material. – comum . sendo exercida paralelamente tanto pela União. denominada também de remanescente ou reservada. refere–se às atribuições de cada ente da federação no sentido de desenvolvimento de determinada atividade ou programa ligados à sua atuação político–administrativa.

da Constituição Federal. incisos II a IX. candidata. bem como. não estejam previstas como competência comum. A seguir vamos detalhar a competência legislativa da União. Direito Constitucional / 49 . 30. dos Estados–membros e dos Municípios. já a competência privativa. prevista no art.demais entes federativos. Cuidado para não confundir competência exclusiva. Competência legislativa da União: A competência legislativa da União pode ser: privativa e concorrente. A competência exclusiva é indelegável. ATENÇÃO: Com relação à União. competência legislativa é aquela atribuída pela Constituição aos entes da Federação no que concerne à elaboração das leis. ATENÇÃO: Os Municípios possuem competência privativa a qual está expressa no art. 22. Competência Legislativa: Como o próprio nome indica. A) A competência privativa da União vem prevista no art. Candidato. 22 da Constituição Federal. sua competência não legislativa exclusiva está prevista no art. com competência privativa. 21 da Constituição Federal. recomendamos a você a leitura atenta da referida norma constitucional. pode ser delegada aos Estados.

Caso sobrevenha a lei federal versando acerca das normas gerais. No âmbito deste tipo de competência a União tem o poder de estabelecer normas gerais sobre as matérias. 22: “Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo”. eventual lei estadual que tenha abordado a matéria ficará com a sua eficácia suspensa. ATENÇÃO: No caso da União permanecer inerte e não editar lei definindo as normas gerais.Fique atento e atenta ao que determina o parágrafo único do art. esta última volta a produzir seus efeitos. onde legislem também sobre normas gerais. 24 da Carta Magna. Estados e Distrito Federal. cabendo aos Estados e ao Distrito Federal a edição de normas específicas moldadas à realidade de cada região. Preste bastante atenção à informação que lhe foi passada: A norma ficará com a eficácia suspensa!!! Assim. As matérias definidas neste artigo são concorrentes à União. e não revogada. B) A competência concorrente vem prevista no art. caso a lei federal venha ser revogada e a lei revogadora não contrarie a norma geral estadual. 50 / Direito Constitucional . os Estados e o Distrito Federal poderão elaborar leis exercendo competência legislativa plena. pois estava com sua eficácia suspensa.

será exercida pelos Estados–membros. – suplementar A) A competência expressa vem prevista no art. em virtude da inércia da União sobre matéria enunciada Direito Constitucional / 51 . – concorrente. toda competência que não for vedada e que não estiver prevista para os demais entes da federação. – delegada pela União. lançadas pela União sobre matéria enunciada no art. C) A competência delegada é aquela introduzida no parágrafo único do art. 25 da Constituição Federal e determina que os Estados serão regidos pelas Constituições e leis que adotarem. ou seja.Competência legislativa dos Estados–membros: A competência legislativa dos Estados–membros pode ser: – expressa. 24. 22 da Constituição Federal. está no exercício de sua competência legislativa concorrente. B) A competência residual é similar à estudada na competência não legislativa. D) Quando o Estado publica normas específicas completando as normas gerais. quando lei complementar autorizar que o Estado legisle sobre matéria de competência privativa da União. – residual. E) Caso o Estado tenha publicado lei dispondo tanto sobre as normas específicas. da Constituição Federal. como sobre as normas gerais.

52 / Direito Constitucional . obedecendo aos ditames das Constituições Federal e Estadual correspondente. competência para publicarem suas Leis Orgânicas. O art. em seus incisos I e II. inclusive suplementando a legislação federal e estadual no que couber. Competência legislativa dos Municípios: A competência legislativa dos Municípios pode ser resumida na competência para tratar de assuntos de interesse local. prevêem que os Municípios legislem sobre matéria de interesse local. 30 da Constituição da República. ainda.no art. de forma expressa. 24 da Constituição Federal. A Carta Magna concedeu aos Municípios. estará no gozo de sua competência suplementar.

que o Senado Federal desenvolva a função de julgar o Presidente da República nos crimes de responsabilidade. 52. da Constituição Federal é a separação de poderes. inciso I. Cada poder exerce sua função típica. 60. Acontece que os poderes também exercem funções atípicas. do art. Poder Executivo. ou seja.CAPÍTULO 6 / Poder Legislativo TRIPARTIÇÃO DE PODERES: O Estado exerce três funções distintas executadas por organismos independentes e autônomos entre si. um poder não pode delegar suas funções a outro poder. Direito Constitucional / 53 . Por exemplo: a função típica do Poder Legislativo é editar leis. Exceções somente serão permitidas nas hipóteses em que o constituinte as houver expressamente previsto. Perceba que uma das cláusulas pétreas prevista no § 4º. a saber. pois foram previstas pela Constituição Federal. Vigora no nosso sistema o princípio da indelegabilidade de atribuições. Tais exceções não afrontam o princípio da separação dos poderes. Tais funções são exercidas pelos poderes constituídos. o Poder Executivo pratica atos de administração e direção do Estado e o Poder Judiciário aplica o direito ao caso concreto. Poder Legislativo e Poder Judiciário. Nesses moldes. ou seja. funções que são de natureza típica de órgãos de outro poder. porém a Constituição Federal prevê em seu art. o Poder Legislativo legisla e fiscaliza.

57 da Constituição Federal dada pela Emenda Constitucional n. alternadamente.Poder Legislativo O Poder Legislativo no âmbito federal é bicameral. 54 / Direito Constitucional . Uma é a Câmara dos Deputados. no primeiro ano da legislatura. A legislatura corresponde ao período de quatro anos de exercício do mandato eleitoral. A outra é o Senado Federal. vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subseqüente. para a posse de seus membros e eleição das respectivas mesas. de 14 de fevereiro de 2006. onde se concentram os representantes do povo. ou seja. para mandato de 2 (dois) anos. e os demais cargos serão exercidos. pelos ocupantes de cargos equivalentes na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Cada uma das Casas deverá se reunir em sessões preparatórias. A mesa do Congresso Nacional será presidida pelo Presidente do Senado Federal. As duas casas do Poder Legislativo federal compõem o Congresso Nacional. na Capital Federal. de 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de agosto a 22 de dezembro. Os congressistas são eleitos para exerceram a legislatura. a partir de 1º de fevereiro. Esse período anual corresponde a uma sessão legislativa. anualmente. 50. Congresso Nacional: O Congresso Nacional se reúne. de acordo com a nova redação do art. composto por representantes dos Estados–membros e do Distrito Federal. é composto por duas casas.

em razão da convocação. ATENÇÃO: Recomendamos ao candidato e à candidata atentos. o Congresso Nacional somente deliberará sobre a matéria para a qual foi convocado. De acordo com a já citada emenda constitucional n. em caso de urgência ou interesse público relevante. em todas as hipóteses mencionadas. na sessão legislativa extraordinária. a leitura dos arts. são unicamerais. de pedido de autorização para a decretação de estado de sítio e para o compromisso e a posse do Presidente e do Vicepresidente da República.Convocação extraordinária: A convocação extraordinária do Congresso Nacional será feita: I . II . ressalvada a hipótese de apreciação de medidas provisórias. assim como o distrital e o municipal. pelos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal ou a requerimento da maioria dos membros de ambas as casas. compostos por uma única casa: Direito Constitucional / 55 . vedado o pagamento de parcela indenizatória. 50/2006. O Poder Legislativo estadual. com a aprovação da maioria absoluta de cada uma das casas do Congresso Nacional. em caso de decretação de estado de defesa ou de intervenção federal.pelo Presidente do Senado Federal.pelo Presidente da República. 48 e 49 da Constituição Federal sobre as atribuições do Congresso Nacional.

Garantem o 56 / Direito Constitucional . – no Distrito Federal. alternadamente. Na eleição nacional seguinte. A representação de cada Estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos. Nesse sentido. mas em um candidato ao Senado Federal. Ela objetiva assim fazer do Parlamento um espelho tão fiel quanto possível do colorido partidário nacional”. Senado Federal: Os Senadores são eleitos pelo sistema majoritário na proporção de três senadores para cada Estado e para o Distrito Federal. Câmara Municipal. votamos não em dois. Assembléia Legislativa. esclarece Pinto Ferreira: “A representação proporcional é um sistema através do qual se assegura aos diferentes partidos políticos no Parlamento uma representação correspondente à força numérica de cada um. oito anos. Imunidades parlamentares Imunidades parlamentares são prerrogativas próprias àqueles que exercem função parlamentar. Câmara Legislativa. Câmara dos Deputados: Os Deputados Estaduais são eleitos pelo sistema proporcional. ou seja. por um e dois terços. Vamos explicar! Na eleição nacional de 2002 todos votamos em dois candidatos para Senador da República. e – nos Municípios.– nos Estados. São eleitos para duas legislaturas. realizada em 2006.

os parlamentares não poderão ser acionados judicialmente em virtude do que venham a manifestar no exercício de seu respectivo mandato. As imunidades parlamentares podem ser de dois tipos: – imunidade material ou substantiva. sua imunidade ficará resguardada caso esteja no exercício de sua função parlamentar. os deputados e senadores são invioláveis. no âmbito civil. que mesmo estando o congressista fora do Congresso Nacional. opiniões e votos forem proferidos no exercício da atividade parlamentar. civil e penalmente. É um tipo de irresponsabilidade penal ou “uma causa de incapacidade penal por razões políticas” como afirma José Frederico Marques. 53 da Constituição Federal. Significa dizer que. Você deve lembrar que a irresponsabilidade apontada somente pode ser mantida se as palavras. palavras e votos. palavras e votos. uma vez que tais prerrogativas foram previstas para os parlamentares não como privilégios. Direito Constitucional / 57 . mas sim como garantia da instituição. – imunidade processual ou formal. No âmbito penal. os parlamentares não poderão ser condenados por eventual crime que tenham cometido ao proferir opiniões. da mesma forma. por quaisquer de suas opiniões. Vale lembrar.exercício do mandato legislativo com plena liberdade. também intitulada de inviolabilidade. desde que se encontre em qualquer parte do território nacional. 1ª) Imunidade material ou inviolabilidade: De acordo com o art.e. também.

A prisão somente será mantida se a casa parlamentar respectiva. Podemos perceber que a imunidade formal para a prisão do parlamentar começa com a expedição do diploma. 53. os autos serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Casa respectiva. para que. aprovar a medida pelo voto da maioria absoluta de seus membros.II) Imunidade formal ou processual: A imunidade formal está relacionada à prisão e a instauração de processo contra o parlamentar. pelo voto da maioria de seus membros. diz o art. resolva sobre a prisão”. em seu § 2º: “Desde a expedição do diploma. que. por sua vez. o Supremo Tribunal Federal dará ciência à Casa respectiva. salvo em flagrante de crime inafiançável. Observe a redação do § 3°. por iniciativa de partido político nela representado e pelo 58 / Direito Constitucional . da Constituição Federal. por crime ocorrido após a diplomação. art. Nesse caso. relaciona–se com a possibilidade do parlamentar poder ser processado por crime cometido após a diplomação e enquanto durar o mandato eletivo. os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos. do Texto Magno: “Recebida a denúncia contra o Senador ou Deputado. poderá ser preso desde que tenha havido flagrante. 53. A imunidade formal para o processo. Se um deputado ou senador cometer crime inafiançável. após ter sido comunicada nas vinte e quatro horas seguintes. Diploma é uma espécie de certificado que atesta ter sido o candidato eleito e que a eleição foi regular. Com relação à prisão.

impedimentos e incorporação às Forças Armadas”. Processo legislativo A Constituição Federal prevê a existência das seguintes espécies normativas: – emendas à Constituição. poderá até a decisão final. Direito Constitucional / 59 . Fique atento e atenta para a redação do § 1º. porém. Os vereadores gozam apenas das imunidades materiais. III) Imunidades de deputados estaduais e vereadores: Aos deputados estaduais são asseguradas todas as imunidades aplicáveis aos parlamentares federais. art. Os vereadores são invioláveis por suas opiniões. – leis complementares.voto da maioria absoluta de seus membros. 27. imunidades. – leis ordinárias. aplicando–sê–lhes as regras desta Constituição sobre sistema eleitoral. somente na circunscrição do Município. sustar o andamento da ação”. inviolabilidade. licença. – medidas provisórias. – leis delegadas. da Constituição Federal: “Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais. porém de forma mais restrita do que a assegurada aos parlamentares federais e estaduais. perda de mandato. remuneração. palavras e votos no exercício do mandato.

A Constituição Federal prevê os legitimados para propositura dos projetos de lei. porém não atribui a todos competência ampla. – fase constitutiva. vamos analisar as regras constitucionais que regem o processo de formação das espécies normativas. Nesta parte de nosso estudo. – fase complementar. Não se esqueça que qualquer defeito. – privativa. pode ocasionar a inconstitucionalidade da norma que se principia. – resoluções. subjetivo ou objetivo. Com base nisso. I) Leis ordinárias e leis complementares As fases que compõem o processo de formação das leis são as seguintes: – fase de iniciativa. irrestrita. as hipóteses de iniciativa podem ser classificadas em: – geral. que ocorra nas fases do processo de elaboração da lei. – concorrente. 60 / Direito Constitucional .– decretos legislativos. Começaremos a estudar de forma conjunta o processo de formação das leis ordinárias e complementares em virtude de suas semelhanças. A) Fase de iniciativa: Esta é a fase que deflagra ou inicia o procedimento de criação das leis.

Deliberação parlamentar : No processo legislativo federal a deliberação parlamentar ocorre nas duas casas legislativas. Se for lei ordinária. Na Casa iniciadora o projeto passará pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e depois para as comissões temáticas. as quais emitem pareceres. Os projetos são enviados a Plenário para discussão e votação. Para saber qual casa será a iniciadora tenha em mente o que determina o art. bem como envolve a deliberação do Poder Executivo. caput. – conjunta. que tem o papel de sancionar ou vetar o mesmo. sendo uma a casa iniciadora e a outra a casa revisora. assim que aprovado pelo Poder Legislativo.– popular. que discute e vota o projeto. da Constituição Federal: “A discussão e votação dos projetos de lei de iniciativa do Presidente da República. Será aprovado se obtiver o quorum de votação previsto para a espécie normativa. B) Fase Constitutiva: A fase constitutiva do processo de elaboração das leis compreende a deliberação do Poder Legislativo. Lembre que a Câmara dos Deputados é a casa que representa o povo e. do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores terão início na Câmara dos Deputados”. o projeto de iniciativa popular será iniciado nesta casa. sendo assim. 64. o quorum é o de maioria Direito Constitucional / 61 .

Se o Chefe do Executivo sanciona projeto de lei. O Chefe do Executivo passará a analisar o projeto de lei. Se a lei for complementar o quorum para aprovação será de maioria absoluta. e apenas o que fora alterado. aprová–lo ou emendá–lo. voltará para a casa iniciadora para ser votado. passará para a casa revisora que poderá rejeitá–lo. ATENÇÃO: O Presidente da República pode solicitar urgência na apreciação de projetos de sua iniciativa. 3º – Caso ocorra emenda. dando início ao chamado processo legislativo sumário. da Constituição Federal. 2º – Tendo sido aprovado. Não deixe de conferir os parágrafos do art. 1º – Ocorrendo rejeição o projeto será arquivado. sendo proibido emenda à emenda. concordando que o mesmo venha a 62 / Direito Constitucional . Deliberação Executiva: Se o projeto de lei chegou a essa fase. Caso o projeto de lei seja aprovado na casa iniciadora. manifestando–se através do veto ou sanção.relativa. 64. o texto alterado. somente podendo ser votado novamente na mesma sessão legislativa mediante proposta da maioria absoluta dos membros de qualquer das Casas do Congresso Nacional. significa que foi aprovado pelo Poder Legislativo na etapa anterior. significa que aprova o projeto. o projeto de lei será encaminhado ao Chefe do Executivo para sanção ou veto.

C) Fase Complementar: A fase complementar compreende: Direito Constitucional / 63 . que o fundamentam. tal atitude equivalerá à sanção tácita. O Congresso Nacional tornará sem efeito o veto presidencial através da aprovação da maioria absoluta de seus membros. inciso ou alínea. ao presidente do Senado no prazo de 48 horas. ATENÇÃO: Caso o Presidente da República encaminhe o veto sem apresentar seus motivos no prazo de 48 horas. Sendo proibido ao Presidente da República discordar apenas de expressões ou palavras. pode ser total ou parcial. Vetando o projeto. parágrafo.se tornar eficaz no ordenamento jurídico. A sanção tácita decorre da inércia do Executivo em não apreciar o projeto de lei nos quinze dias úteis posteriores ao recebimento do mesmo. ou seja. O veto do Presidente da República pode ser derrubado pelo Congresso Nacional que o apreciará dentro de 30 dias a contar de seu recebimento. O veto. A sanção do Presidente da República pode ser expressa ou tácita. Parcial será o veto que recai sobre artigo. o Presidente da República deve comunicar os motivos. a discordância do Presidente da República com o projeto de lei que lhe fora submetido.

a lei deve entrar em vigor 45 dias após a sua publicação. Diz o art. em 48 horas. Promulgação: Para José Afonso da Silva o ato de promulgação equivale à presunção de que a lei promulgada é válida. não o fizer. no entanto. A iniciativa para propor emenda constitucional é bastante reduzida. Salvo disposição expressa em contrário. executória e potencialmente obrigatória.– promulgação. Esse período entre a publicação e a produção de efeitos da lei nova denomina–se vacatio legis. – publicação. Emendas à Constituição O processo legislativo de criação das emendas constitucionais é distinto deste que acabamos de explanar aplicável às leis ordinárias e complementares. 60. da Constituição Federal que apenas possuem iniciativa para propor emendas: – o Presidente da República. 64 / Direito Constitucional . o Presidente do Senado Federal terá igual prazo para a promulgar. A regra geral é que o Presidente da República promulgue a lei. Publicação: A publicação da lei tem o condão de levar ao conhecimento de todos o conteúdo do comando legal que ingressa no ordenamento jurídico. Se.

cada uma delas. em hipótese alguma. onde o projeto pode ser votado novamente na mesma sessão legislativa se houver proposta da maioria absoluta dos membros das Casas do Congresso. no mínimo. ou seja. O quorum para aprovação de emenda à Constituição é qualificado. a Constituição Federal consagra tal atribuição às Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A emenda constitucional votada e não aprovada. Lei delegada A lei em destaque é fruto de delegação do Poder Legislativo ao Poder Executivo. pela maioria relativa de seus membros.– um terço. Com relação à fase constitutiva a emenda constitucional também é votada em ambas as casas do Congresso. Diferentemente do que ocorre com o procedimento legislativo ordinário. há para as emendas constitucionais proibição taxativa. Ressalta–se que sua existência é Direito Constitucional / 65 . porém em dois turnos em cada uma delas. – mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação. somente será considerada aprovada caso obtenha três quintos dos votos dos respectivos membros de cada Casa. dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal. poderá ser reapreciada na mesma sessão legislativa. Não é o Presidente da República quem deve promulgar emenda constitucional. manifestando–se.

no entanto. processo legislativo para sua formação. propriamente. uma vez que todo procedimento de criação caminha sem interferência do Poder Legislativo. Inexiste. possui força de lei. Este apenas vem participar em momento posterior. prorrogáveis por igual período na hipótese de não ter sido encerrada a votação nas duas Casas do Congresso Nacio66 / Direito Constitucional . Caso os parlamentares aprovem a solicitação. A medida provisória produzirá efeitos por sessenta dias. devendo submetê–las de imediato ao Congresso Nacional”. publicarão Resolução especificando o conteúdo da delegação e os termos de seu exercício. A lei delegada deve ser elaborada pelo Presidente da República após solicitar ao Congresso Nacional permissão para legislar sobre determinado assunto de competência do próprio Congresso. A iniciativa para esta espécie normativa é exclusiva do Chefe do Executivo. 62 da Constituição Federal. A medida provisória está prevista no art. Medida provisória (mp) A medida provisória é ato privativo do Chefe do Poder Executivo que. o presidente da República poderá adotar medidas provisórias com força de lei. Fique atento e atenta à leitura do caput do art.verdadeira exceção ao princípio da indelegabilidade de atribuições. 62: “Em caso de relevância e urgência. Os pressupostos constitucionais para que o Chefe do Executivo adote medida provisória são: relevância e urgência.

Isso porque. Passado o prazo máximo de vigência. para converter a MP em lei. Tramitação no Congresso Nacional: Já mencionamos que quando o Chefe do Executivo edita uma MP. deverá esta perder sua eficácia desde a edição. 62 da Constituição Federal. O Congresso Nacional quando da apreciação de medida provisória pode: Direito Constitucional / 67 . deve submetê–la de imediato ao Congresso Nacional. entrará em regime de urgência. ainda. Quando a medida provisória for rejeitada pelo Congresso Nacional. sem que a MP tenha sido convertida em lei. do art. ficando suspensas todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando. deve avaliar se a mesma apresenta os pressupostos de relevância e urgência. tendo o Senado Federal como casa revisora. operando efeitos ex tunc. O Congresso. Confira as matérias que não podem ser objeto de MP consultando o § 1º e seus incisos.nal. quando editada. A votação da MP deve iniciar–se na Câmara. mesmo que tacitamente. se havia adequação financeira e orçamentária e se a matéria abordada poderia ter sido objeto de medida provisória. ou seja. fica proibida a reedição na mesma sessão legislativa de medida provisória idêntica. Caso a medida provisória não tenha sido apreciada em até 45 dias contados da data da sua publicação. esta espécie normativa é submetida aos parlamentares para que a convertam em lei ou a rejeitem. deve considerar. 120 dias.

– rejeitá–la tacitamente.– aprová–la sem alteração. ­ 68 / Direito Constitucional . – aprová–la com alteração. – rejeitá–la expressamente.

exerce também funções atípicas. ou seja. Os atos de administração praticados no exercício das atribuições de chefia de estado e de governo indicam a função típica do poder executivo. permitida a reeleição para um único período subseqüente. Os chefes do poder executivo das unidades da federação são escolhidos diretamente pelo voto popular através do critério majoritário. que assim como os demais poderes. Direito Constitucional / 69 . a opção pelo sistema presidencialista de governo. mesmo que tenham sido sucedidos ou substituídos no curso do mandato. O mandato dos chefes do executivo será de quatro anos. O clássico exemplo de função atípica exercida pelo poder executivo é a competência para adotar medidas provisórias. O presidencialismo é caracterizado pelo acúmulo das funções de chefe de estado e chefe de governo a serem exercidas por uma única pessoa: o Presidente da República. em 1993. aquele que tiver recebido o maior número de votos será considerado eleito. Como chefe de estado o Presidente da República representa a República Federativa do Brasil nas relações exteriores.CAPÍTULO 7 / Poder Executivo REGRAS GERAIS: Tivemos a oportunidade de mencionar que o eleitorado nacional ratificou. como chefe de governo comanda a União através de atos de administração.

Governador e Prefeito de município com mais de duzentos mil habitantes. parágrafo único. caso seja necessário. mesmo que o candidato não obtenha a maioria absoluta dos votos válidos.As eleições para Presidente e Vice–Presidente da República. se. Poder Executivo Federal O Poder Executivo no âmbito federal é exercido pelo Presidente da República. do ano anterior ao do término do mandato vigente. será eleito o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos. 70 / Direito Constitucional . Preste atenção para as regras que se seguem: – não haverá segundo turno nas eleições para Presidente da República. auxiliado pelos Ministros de Estado. em primeiro turno. – nas eleições para Prefeito em municípios com menos de duzentos mil habitantes. em segundo turno. não haverá segundo turno. em primeiro turno. sobre as atribuições do Presidente da República e dos Ministros de Estado. respectivamente. Governador e Vice–Governador de Estado e do Distrito Federal. ambos da Constituição Federal. Recomendamos aos candidatos e candidatas a leitura atenta dos artigos 84 e 87. Prefeito e Vice–Prefeito serão realizadas no primeiro domingo de outubro. o candidato eleito tiver obtido a maioria absoluta de votos. – quando houver necessidade de segundo turno. e no último domingo de outubro.

permitindo que o decreto autônomo seja objeto de controle de constitucionalidade. promulgar e fazer publicar as leis. As matérias previstas para serem veiculadas através dos decretos autônomos são as seguintes: Direito Constitucional / 71 . A compatibilização vertical ocorre no confronto com a própria lei que o decreto pretende regulamentar. do comentado art. Por meio desse poder são editados decretos regulamentares que disciplinam e regulam as leis não auto–executáveis. A segunda parte trata do poder regulamentar. O Congresso Nacional tem a atribuição de sustar os atos do poder executivo que exorbitam do poder regulamentar. A Constituição Federal conferiu ao Presidente da República a prerrogativa de expedir decretos os quais retiram sua validade diretamente da própria constituição. do referido art. e não diretamente com a Constituição Federal. promulgar e fazer publicar leis”. Afirma o inciso IV: “Compete privativamente ao Presidente da República sancionar. por sua vez.Dentre as atribuições do Presidente da República merecem destaque as enunciadas nos incisos IV e VI. O inciso VI. 84. Tais decretos regulamentares não são passíveis de controle de constitucionalidade. A primeira parte deste comando legal enuncia os atos de natureza política exercidos pelo Chefe do Executivo federal quando afirma a competência do Chefe do Executivo para “sancionar. privativo do Presidente da República. bem como expedir decretos e regulamentos para seu fiel cumprimento”. 84. prevê o que ficou conhecido por “decreto autônomo”. da Carta Magna.

O Impedimento importa na impossibilidade temporária para o exercício do cargo. por motivo de doença. pois apresentam comandos excepcionais. Quando estiver vago o cargo de Presidente da República. serão sucessivamente chamados ao exercício da presidência: – o Presidente da Câmara dos Deputados. 72 / Direito Constitucional . 2ª) extinção de funções ou cargos públicos. o presidente será substituído pelo Vice–Presidente. – o Presidente do Supremo Tribunal Federal. ou vacância dos respectivos cargos. fiquem atentos para as regras que iremos enunciar. A) Duplo impedimento e dupla vacância: Em caso de impedimento do Presidente e do Vice–presidente. ocorrerá a sucessão pelo Vice–Presidente. Regras para impedimento e vacância: Ocorre vacância quando um cargo é considerado vago sem que haja a possibilidade de seu titular voltar a exercê–lo. – o Presidente do Senado Federal. quando não implicar aumento de despesa. ATENÇÃO: Caro candidato e candidata. nem criação ou extinção de órgãos públicos. quando vagos. No caso de impedimento.1ª) organização e funcionamento da administração federal. por exemplo. que pode se dar.

B) Nova eleição: Vagando os cargos de Presidente e Vice–Presidente da República, será realizada eleição noventa dias depois de aberta a última vaga. ATENÇÃO: Caso a dupla vacância ocorra nos dois anos iniciais do mandato, as eleições serão diretas e os eleitos apenas completarão o mandato de seus antecessores. Porém, se a dupla vacância ocorrer nos últimos dois anos do período presidencial, a eleição para ambos os casos será feita trinta dias depois da última vaga, pelo Congresso Nacional. Muita atenção para o que acabamos de afirmar!!! As eleições serão feitas pelo Congresso Nacional, ou seja, serão eleições indiretas, melhor ainda, os parlamentares elegerão o Presidente e o Vice–presidente os quais completarão o período dos antecessores. Foro privilegiado: O Presidente da República, durante a vigência do mandato, não poderá ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções. No entanto, essa irresponsabilidade relativa apenas se aplica no âmbito penal. Eventual crime cometido ficará com o prazo prescricional suspenso até que se opere o fim do mandato eleitoral. O Presidente, no entanto, responderá por infrações de natureza civil e política, bem
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como por crimes que estejam relacionados ao exercício de suas funções. Nos crimes comuns relacionados com o exercício da função presidencial, o Presidente da República deverá ser julgado pelo STF, após juízo de admissibilidade realizado pela Câmara dos Deputados. A Câmara autorizará, ou não, o recebimento da denúncia ou queixa–crime através do voto de dois terços de seus membros. Procedimento semelhante deverá ser adotado na hipótese do Presidente da República vir a ser processado por crime de responsabilidade, nesse caso, o julgamento do processo será realizado pelo Senado Federal.

Poder Executivo nos Estados e Distrito Federal
Nos Estados e no Distrito Federal o Poder Executivo é exercido pelo Governador de Estado, auxiliado pelos Secretários de Estado. Em casos de vacância e impedimento, o Governador será sucedido ou substituído, conforme o caso, pelo Vice–governador. Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na Administração Direta ou Indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público. Caso o Governador cometa crime comum, será julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme determina o art. 105, inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal. Se a infração cometida pelo Governador de Estado caracte74 / Direito Constitucional

rizar crime de responsabilidade, o órgão competente para julgá–lo deverá ser aquele determinado pela Constituição do Estado. ATENÇÃO: O Vice–governador do Estado não será julgado pelo STJ, tanto na hipótese de cometimento de crime comum, como na hipótese de cometimento de crime de responsabilidade, será julgado pelo órgão que a Constituição Estadual determinar.

Poder Executivo nos municípios
O Poder Executivo nos Municípios é exercido pelos Prefeitos, auxiliados por Secretários Municipais. O vice– prefeito deve suceder ou substituir o Prefeito nos casos de vacância e impedimento, respectivamente. Perderá o mandato o Prefeito que assumir outro cargo ou função na Administração Pública Direta ou Indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público. Como regra geral, os prefeitos ao cometerem crime comum são julgados pelo Tribunal de Justiça local. Fique alerta para a redação da súmula 280 do STJ: “Compete à Justiça Federal processar e julgar Prefeito Municipal por desvio de verba sujeita a prestação de contas perante órgão federal”. O que se garante
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portanto. Assim. pelo órgão judiciário de segundo grau competente para conhecer do crime.aos prefeitos. 76 / Direito Constitucional . é que sejam julgados. sempre. se o prefeito cometer crime eleitoral. será julgado pelo TRE.

na organização dos órgãos judiciários. solucionando o conflito. livre de pressões econômicas ou políticas. A doutrina lembra a função executivo–administrativa exercida. – funcionais. o Poder Judiciário desenvolve funções atípicas. e a função legislativa. através da elaboração de regimentos internos. As garantias constitucionalmente previstas são de duas ordens: – institucionais. Da mesma forma como acontece com os poderes Legislativo e Executivo. Através da jurisdição o Estado se substitui às partes que conflitam e. Direito Constitucional / 77 . por exemplo.CAPÍTULO 8 / Poder Judiciário Introdução O Poder Judiciário exerce a jurisdição como sua função típica. Garantias e vedações aplicadas no âmbito do Poder Judiciário A Constituição Federal prevê garantias aos órgãos do Poder Judiciário para que os mesmos possam aplicar o Direito de forma independente. de forma imparcial. busca a pacificação da lide.

– garantias de imparcialidade. Para que o magistrado seja considerado vitalício em primeiro grau 78 / Direito Constitucional . afirma que as garantias funcionais dividem–se em dois grupos: – garantias de independência. do art. Garantias Funcionais: Pedro Lenza. do Texto Magno. O próprio Judiciário tem a prerrogativa de organizar sua estrutura administrativa. 99.Garantias Institucionais: As garantias institucionais estão voltadas para assegurar a autonomia orgânico–administrativa e financeira do Poder Judiciário. dentre outras atribuições. escolhendo seus órgãos diretivos. inamovibilidade e irredutibilidade de subsídios. apresentando classificação proposta por José Afonso da Silva. A) Vitaliciedade: Vitaliciedade é a garantia através da qual os magistrados apenas perderão o cargo em virtude de sentença judicial transitada em julgado. I) Garantias de Independência: As garantias de independência correspondem às garantias de vitaliciedade. O referido preceito normativo permite que os Tribunais elaborem suas propostas orçamentárias dentro dos limites estipulados conjuntamente com os demais Poderes na lei de diretrizes orçamentárias. organizando suas secretarias e serviços auxiliares. A autonomia financeira do Poder Judiciário é prevista no § 1º.

bem como de disponibilidade e aposentadoria. B) Inamovibilidade: É a garantia de que o magistrado não poderá ser removido de um local para o outro sem o próprio consentimento para a remoção. ATENÇÃO! NÃO CONFUNDA! Os demais servidores públicos adquirem a estabilidade após três anos de efetivo exercício no cargo público. por exemplo. C) Irredutibilidade de subsídio: Significa que o subsídio recebido pelos magistrados não poderá ser reduzido. sempre assegurada a ampla defesa. O referido comando prevê a possibilidade de remoção. Esse período é denominado de estágio probatório. da Constituição Federal. O que não impede a necessidade de serem respeitados certos limites. 93. como. o teto para a remuneração dos Direito Constitucional / 79 . adquirem a vitaliciedade após dois anos de exercício. Tais atos somente poderão ser adotados se estiverem fundados em decisão tomada pelo voto da maioria absoluta do respectivo Tribunal ou do Conselho Nacional de Justiça.de jurisdição é necessário que exerça o cargo pelo período inicial mínimo de dois anos. Fique alerta. no entanto. conforme fora mencionado. Já os magistrados. por motivo de interesse público. do magistrado. inciso VIII. Essa é a regra. para o que estabelece o art.

da Constituição Federal. salvo uma de magistério. ainda que em disponibilidade. do art. as garantias de imparcialidade são vedações a determinados direitos dos magistrados. – dedicar–se à atividade político–partidária. Organização do Poder Judiciário De acordo com o art.agentes públicos previsto no inciso XI. a qualquer título ou pretexto. outro cargo ou função. da Constituição da República. Aos juízes é vedado: – exercer.37. 95. antes de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou exoneração. art. entidades públicas ou privadas. custas ou participação em processo e auxílios ou contribuições de pessoas físicas. – receber. – exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou. são órgãos do Poder Judiciário: – o Supremo Tribunal Federal. 80 / Direito Constitucional . ATENÇÃO: Para conhecer as demais limitações à irredutibilidade do subsídio dos magistrados estude o inciso III. II) Garantias de Imparcialidade: Na verdade. 92 da Constituição Federal. ressalvadas as exceções previstas em lei.

– os Tribunais e Juízes do Trabalho. – os Tribunais e Juízes Militares. alternadamente. salvo se não houver com tais requisitos quem aceite o lugar vago. – os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais. à ordem de classificação.– o Conselho Nacional de Justiça. A promoção por merecimento pressupõe dois anos de exercício na respectiva entrância e integrar o juiz a primeira quinta parte da lista de antiguidade desta. por antiguidade e merecimento. nas nomeações. exigindo–se do bacharel em direito. três anos de atividade jurídica e obedecendo–se. A aferição do merecimento é realizada conforme o desempenho e pelos critérios objetivos de Direito Constitucional / 81 . 2ª) A promoção dos magistrados será feita de entrância para entrância. 93 da Constituição Federal: 1ª) O ingresso na carreira da magistratura é realizado através de aprovação em concurso público de provas e títulos no cargo de juiz substituto. É obrigatória a promoção do juiz que figure por três vezes consecutivas ou cinco alternadas em lista de merecimento. – o Superior Tribunal de Justiça. no mínimo. – os Tribunais e Juízes Eleitorais. – os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios. Vamos passar a estudar agora algumas das principais regras aplicáveis aos órgãos do Poder Judiciário previstas no art.

do Ministério Público. dos Tribunais dos Estados. com mais de dez anos de efetiva atividade profissional. 3ª) Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos. indicados em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das respectivas classes. e do Distrito Federal e Territórios será composto de membros. e fundamentadas todas as decisões. podendo a lei limitar a presença. 93 da Constituição Federal que traz importantes regras aplicáveis aos órgãos jurisdicionais. em determinados atos. nos casos em que a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação. ATENÇÃO: Você deve ler atentamente todos os incisos do art. às próprias partes e a seus advogados. Recebidas 82 / Direito Constitucional . 94 da Constituição Federal. e de advogados de notório saber jurídico e de reputação ilibada. Quinto constitucional A regra do quinto constitucional vem enunciada no art. com mais de dez anos de carreira. O artigo mencionado possui o seguinte teor: “Um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais Federais. ou somente aos procuradores.produtividade e presteza no exercício da jurisdição e pela freqüência e aproveitamento em cursos oficiais ou reconhecidos de aperfeiçoamento. sob pena de nulidade.

Acabaríamos por enveredar uma narração enfadonha e pouco efetiva. depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. a guarda da Constituição. Caros concursandos e concursandas. Não esqueça de verificar todas as atribuições do STF presentes no art. especialmente. que. Compete ao Supremo Tribunal Federal. nos vinte dias subseqüentes. o tribunal formará lista tríplice. O principal motivo é que o referido tema é estudado através da letra da lei. e a envia ao Poder Executivo. Preste atenção a algumas das competências previstas pela Constituição para o Supremo Tribunal Federal. o Superior Tribunal de Justiça e o Conselho Nacional de Justiça. quais sejam. no presente curso de Direito Constitucional optamos por não abordar detalhadamente as características de todos os órgãos judiciários. da Constituição Federal: Direito Constitucional / 83 . Vamos nos limitar a expor algumas regras dos principais órgãos jurisdicionais.as indicações. escolhidos dentre cidadãos com mais de 35 e menos de 65 anos de idade. ou seja. de notável saber jurídico e reputação ilibada. o Supremo Tribunal Federal. escolherá um de seus integrantes para nomeação”. 102. fica limitado à leitura e memorização dos artigos 101 a 126 da Constituição Federal. Os ministros do Supremo Tribunal Federal serão nomeados pelo Presidente da República. Supremo Tribunal Federal: O Supremo Tribunal Federal compõe–se de 11 ministros.

compete ao STF julgar o Presidente da República. os membros dos Tribunais Superiores. em recurso ordinário. o Vice–Presidente. se denegatória a decisão. originariamente a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei federal. o habeas data e o mandado de injunção decididos em única instância pelos tribunais superiores. 3) Julga nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade. mediante recurso extraordinário. 2) Nas infrações penais comuns. 4) Compete ao STF julgar. os membros do Congresso Nacional. do Exército e da Aeronáutica. 84 / Direito Constitucional .1) Cabe ao STF processar e julgar. as causas decididas em única ou última instância. os do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter permanente. seus próprios ministros e o Procurador–Geral da República. os ministros de Estado e os comandantes da Marinha. 5) O STF deve julgar. o habeas corpus. – declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal. quando a decisão recorrida: – contrariar dispositivo desta constituição. o mandado de segurança.

após reiteradas decisões sobre matéria constitucional. terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta. ainda. estadual e municipal. Conselho Nacional de Justiça: O Conselho Nacional de Justiça foi previsto como órgão do Poder Judiciário pela Emenda Constitucional nº 45/2004. Súmula Vinculante: A Emenda Constitucional nº 45/2004 acrescentou o art. segundo o § 1º do art.– julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face da Constituição Federal. O objetivo da súmula vinculante. Segundo o art. a interpretação e a eficácia de normas determinadas. pode o Supremo Tribunal Federal. é a validade. 103–A que institui a súmula vinculante. mecanismo há muito debatido e de utilidade controvertida. Poderá proceder. 103–A da Constituição Federal. aprovar súmula que. 103–A. nas esferas federal. de ofício ou por provocação. O Conselho Nacional de Justiça tem por principais finalidades o controle e admiDireito Constitucional / 85 . acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. à revisão ou cancelamento na forma que estabelecer a lei. a partir de sua publicação na imprensa oficial. – julgar válida lei local contestada em face de lei federal.

no entanto. de notável saber jurídico e reputação ilibada. 61 de 2009. tal limitação.103–B. 86 / Direito Constitucional . foi retirada pela Emenda Constitucional n. O Conselho Nacional de Justiça compõe–se de quinze membros com mandato de 2 anos. no mínimo. da Constituição da República. serventias e órgãos prestadores de serviços notariais e registro que atuem por delegação do poder público ou oficializados. – controle sobre o cumprimento dos deveres funcionais dos juízes. dentre brasileiros com mais de 35 e menos de 65 anos de idade. Os ministros do Superior Tribunal de Justiça serão nomeados pelo Presidente da República. Superior Tribunal de Justiça: O Superior Tribunal de Justiça compõe–se de. depois de aprovada a escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. 103-B em sua redação original previa uma limitação de idade para os membros componentes da CNJ.nistração do próprio Poder Judiciário. Dentre as principais funções do conselho pode–se elencar: – controle da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário. O art. – receber e conhecer das reclamações contra membros do Poder Judiciário. Verifique as regras da composição do presente órgão nos incisos do art. 33 ministros. admitida uma recondução. inclusive contra seus serviços auxiliares.

os desembargadores dos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal. 3) Cabe ao STJ julgar. os membros dos conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os do Ministério Público da União que oficiem perante tribunais. quando a decisão recorrida: – contrariar tratado ou lei federal. – der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. os dos Tribunais Regionais Federais.Preste atenção a algumas das competências previstas pela Constituição para o Superior Tribunal de Justiça. as causas decididas. do Distrito Federal e Territórios. os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal. em recurso especial. e. ou negar–lhes vigência. dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho. 105. os Governadores dos Estados e do Distrito Federal. da Constituição Federal: 1) Compete ao STJ processar e julgar. pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados. o STJ passa a ser competente para julgar a homologação de sentença estrangeira e a concessão de exequatur às cartas rogatórias. 2) Com a emenda constitucional n. Não esqueça de verificar todas as atribuições do STJ presentes no art. nestes e nos de responsabilidade. em única ou última instância. Direito Constitucional / 87 . originariamente nos crimes comuns. 45/2004. – julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal.

Em nosso Curso de Direito Constitucional iremos explanar os direitos individuais. – direitos de nacionalidade. Já os direitos políticos foram detalhados em nosso Curso de Direito Eleitoral. Diferença entre direitos e garantias Direitos são as disposições que declaram interesses e bens tutelados pelo Estado. demonstrando a relevância do tema e a importância concedida a ele pelo constituinte.CAPÍTULO 9 / Direitos e garantias fundamentais Introdução A Constituição Federal de 1988 apresenta os direitos e garantias fundamentais em seus primeiros artigos. – direitos coletivos. por sua vez. coletivos e de nacionalidade. – direitos sociais. Os direitos sociais serão abordados em nosso Curso de Direito do Trabalho. Garantias. são as disposi88 / Direito Constitucional . Os direitos e garantias fundamentais podem ser classificados em cinco espécies: – direitos individuais. e – direitos políticos.

da Constituição Federal. os quais ilustrarão os conceitos mencionados. são instrumentos através dos quais se preservam interesses e bens. Vamos demonstrar exemplos citados pelo Professor Cássio Juvenal Farias. 5º. ainda. fora dos parâmetros citados. citando Rui Barbosa. ou para prestar socorro. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. Vamos a ele: “a casa é asilo inviolável do indivíduo. no inciso XI. O direito declarado no referido inciso é o de que “a casa é asilo inviolável do indivíduo”. do art. ou. afirma. do mesmo artigo. deverá ser imediatamente relaxada. 5º do Texto Magno. que quando a garantia mostrar–se inoperante. previstos em dispositivos constitucionais diferentes. ou seja. Uma das garantias para esse direito vem prevista no inciso LXV. O inciso mencionado assegura que ninguém será preso salvo em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente. Um direito e sua respectiva garantia podem vir. durante o dia.ções que asseguram o exercício dos direitos. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. O professor nos ensina que os direitos e garantias podem vir expressos em um mesmo inciso. do art. o indiDireito Constitucional / 89 . A garantia de tal direito se baseia na proibição de que ninguém pode penetrar no domicílio de outrem sem o seu consentimento. por determinação judicial”. por exemplo. ainda. É o que ocorre com o direito previsto no inciso LXI. A garantia prevista é a de que a prisão ilegal. É o que ocorre. Cássio Juvenal.

)”. – ação popular. – mandado de segurança coletivo. 5º.. garantindo–se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. A atual Constituição Federal prevê os seguintes remédios constitucionais: – habeas corpus – mandado de segurança. à igualdade. – habeas data.. Antes. A redação do comando constitucional citado é a seguinte: “Todos são iguais perante a lei. à segurança e à propriedade (.víduo pode se valer de um “remédio” constitucional. – direito de petição. sem distinção de qualquer natureza. vamos analisar rapidamente o caput do art. Direitos individuais e coletivos A partir deste momento vamos abordar os direitos individuais e coletivos mais importantes previstos no art. – mandado de injunção. à liberdade. 90 / Direito Constitucional . Remédios constitucionais são uma espécie do gênero garantia. 5º da Constituição Federal. Podemos perceber que o direito à igualdade vem assegurado duplamente na redação do caput ao lado de outros direitos relevantes. instrumentos utilizados com o fim de restabelecer os direitos quando as demais garantias se mostrarem inoperantes.

do art. poderá ser paciente em um habeas corpus uma vez que o Brasil garante seu direito de locomoção dentro do território nacional. do art.É importante que você fique atento e atenta para uma informação em especial. da Constituição da República. Confira. nos termos desta Constituição”. 7º. A palavra “residentes” está colocada no sentido de permanência no território brasileiro e não no sentido de moradia. 5º e foi novamente previsto no inciso I com a seguinte redação: “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. Princípio da legalidade: O inciso II. Interpretando o referido comando. 5º. 5º afirma que os direitos individuais e coletivos são garantidos a “brasileiros e estrangeiros residentes no país”. o princípio da igualdade já tinha sido resguardado no caput do art. podemos perceber que a igualdade entre homens e mulheres não é absoluta. Assim. As liberdades e direitos individuais serão limitados apenas Direito Constitucional / 91 . por exemplo. da Constituição Federal afirma que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Você sabe dizer quem são os titulares desses direitos fundamentais? O caput do art. um turista alemão que seja preso ilegalmente. Princípio da igualdade: Como vimos. pode ser restringida pela vontade do constituinte que em outros dispositivos prevê tratamento diverso para homens e mulheres. o inciso XX.

pelo império das leis. Aos cidadãos é permitido fazer tudo aquilo que não for proibido por lei. ATENÇÃO! Não confunda o princípio da legalidade com o princípio da legalidade restrita aplicável principalmente para a Administração Pública. De acordo com o princípio da legalidade restrita o administrador público somente poderá fazer aquilo que a lei permita. Liberdade da manifestação de pensamento: É livre a manifestação do pensamento, vedado o anonimato. Se, por outro lado, no exercício desse direito ocorre dano material, moral ou à imagem de outrem, a Constituição assegura o direito de resposta que deverá ser proporcional ao agravo. Liberdade de consciência, crença e culto: É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. A Constituição garante ainda que ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar–se a cumprir prestação alternativa fixada em lei. As obrigações legais que freqüentemente são
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usadas como exemplos nas provas dos concursos são: a do serviço militar obrigatório e a de votar. Liberdade de atividade intelectual, artística, científica ou de comunicação: É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. Porém caso haja, no exercício dos direitos mencionados violação à intimidade, à vida privada, à honra e à imagem das pessoas, assegura–se o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. Inviolabilidade domiciliar: A casa é asilo inviolável do indivíduo. A regra é a de que ninguém poderá penetrar na casa de outrem sem que o morador tenha consentido. Poderá haver violação a esse direito nas seguintes hipóteses: – em caso de flagrante delito; – em caso de desastre; – para prestar socorro; e – por ordem judicial. Quando a violação ao domicílio ocorrer em virtude de ordem judicial, esta somente poderá ser cumprida durante o dia. ATENÇÃO: Lembre–se que a proteção da inviolabilidade da casa não é aplicável somente ao domicílio, mas também abrange escritórios, garagens, oficinas entre outros locais.

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Sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas: É inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. I) O sigilo da correspondência e das comunicações, somente pode sofrer restrição nas hipóteses de decretação do estado de defesa e do estado de sítio. Confira o art. 136, § 1º, inciso I, alíneas “b” e “c” e art. 139, inciso III, da Constituição Federal. II) As comunicações de dados que envolvem o sigilo bancário e fiscal podem ser violadas em razão de ordem judicial, determinação de Comissão Parlamentar de Inquérito e em hipóteses específicas previstas na legislação infraconstitucional. III) O sigilo das comunicações telefônicas apenas poderá ser violado por ordem judicial, nas hipóteses previstas em lei, e para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Liberdade de locomoção: O inciso XV, do art. 5º, da Carta Magna, assegura a livre locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com
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que tal direito poderá ser suprimido nos casos de flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente. ATENÇÃO: O que se exige é o prévio aviso à autoridade e não sua autorização. A criação de associações e. Ninguém poderá ser compelido a associar–se ou a permanecer associado. sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente. definidos em lei. As associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão Direito Constitucional / 95 . vedada a de caráter paramilitar. A Constituição tendo garantido a liberdade de ir e vir. a de cooperativas independem de autorização. desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local. na forma da lei. Direito de reunião e de associação: O inciso XVI afirma o direito de reunião. no entanto. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. Todas as pessoas podem se reunir pacificamente. sem armas em locais abertos ao público. independentemente de autorização. previu. É plena a liberdade de associação para fins lícitos. sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento.seus bens.

Princípio da inafastabilidade da jurisdição: Também conhecido como princípio do livre acesso ao Judiciário. ou por interesse social. Mesmo que a propriedade atenda a sua função social. Uma dessas ressalvas é a desapropriação–sanção aplicada pelo Município à propriedade que não atenda a função social. sendo paga com títulos da dívida pública ou. para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. nos seguintes termos: “a propriedade atenderá a sua função social”. e – a obtenção de certidões em repartições públicas. Direito de petição: A Constituição Federal assegura a todos. independentemente do pagamento de taxas: – o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder. o preceito 96 / Direito Constitucional . o constituinte previu uma limitação ao direito de propriedade. ressalvados casos previstos pelo constituinte.judicial. paga com títulos da dívida agrária pela União Federal. quando realizada para fins de reforma agrária. Para se proceder à dissolução compulsória a Constituição exige que haja o trânsito em julgado da decisão. logo no inciso XXIII. Direito de propriedade: O direito de propriedade é previsto tanto no caput do art. como em seu inciso XXII. Porém. 5º. poderá ser desapropriada por necessidade ou utilidade pública. mediante justa e prévia indenização em dinheiro.

o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. Direito adquirido. O conteúdo jurídico deste princípio revela que os litigantes ou acusados serão julgados sempre por órgãos que já eram investidos de jurisdição quando da época do fato objeto do processo. Nesse sentido foi estabelecida a regra de proibição de juízos e tribunais de exceção. ato jurídico perfeito e coisa julgada: A lei não prejudicará o direito adquirido. Atenção para importantes regras acerca dos direitos e garantias fundamentais: Direito Constitucional / 97 . ou seja. – Direito adquirido é aquele que pode ser exercido de plano. – Ato jurídico perfeito é o ato consumado segundo a lei vigente no período da efetivação do mesmo. É o direito que já pode ser exercido ou cujo exercício tenha termo prefixado. Princípio do juiz natural: Ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente. Isso significa que todos podem e devem recorrer ao Poder Judiciário quando um bem tutelado for ou estiver na iminência de ser agredido. é vedada a criação de tribunais para julgar casos específicos.contido no inciso XXXV determina: “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. – Coisa julgada é a decisão judicial da qual não caiba mais recurso.

– as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 3) os nascidos no estrangeiro. desde que sejam registrados em repartição brasilei98 / Direito Constitucional . ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”. 2) os nascidos no estrangeiro. ainda que de pais estrangeiros. fazendo com que este indivíduo passe a integrar o povo daquele Estado. A nacionalidade pode ser primária ou originária e secundária ou adquirida. 5º que “Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. serão sempre normas de eficácia plena ou de eficácia contida. Nacionalidade originária: São brasileiros natos: 1) os nascidos na República Federativa do Brasil. de pai brasileiro ou mãe brasileira. – o rol de direitos e garantias fundamentais contido no artigo 5º da Constituição Federal é meramente exemplificativo. Direitos de nacionalidade Pedro Lenza define nacionalidade como o vínculo jurídico–político que liga um indivíduo a um determinado Estado. Afirma o § 2º do referido art. ou seja. desde que estes não estejam a serviço de seu país. de pai brasileiro ou mãe brasileira. desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil.

Nacionalidade adquirida: São brasileiros naturalizados: 1) os que. enquanto a residência não ocorresse. modificado anteriormente pela Emenda Constitucional de Revisão n. no entanto. para isso. Direito Constitucional / 99 . Pela regra atual. 54/2007 e resgata regra contida na redação original do mesmo dispositivo. poderá adquirir a nacionalidade brasileira bastando. na forma da lei. pela nacionalidade brasileira. esta permaneceria apátrida. que tenham requerido a nacionalidade brasileira. 3/94. ser registrado em repartição brasileira competente. Esta última hipótese tem redação dada pela Emenda Constitucional n. o filho de pai brasileiro ou mãe brasileira que nascer no exterior. desde que residam na República Federativa do Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e que não tenham sido condenados penalmente. depois de atingida a maioridade. dependendo das regras para aquisição da nacionalidade do país no qual a criança nasceu. Para que pessoas originárias de países de língua portuguesa adquiram a nacionalidade brasileira exige–se apenas a residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral.ra competente ou venham a residir na República Federativa do Brasil e optem. 2) também serão considerados brasileiros naturalizados. em qualquer tempo. A regra anterior condicionava a aquisição da nacionalidade brasileira do filho de pai ou mãe brasileiro à futura residência no país. os estrangeiros de qualquer nacionalidade. adquiram a nacionalidade brasileira.

II – de Presidente da Câmara dos Deputados. – não haverá distinção entre brasileiros natos e naturalizados. da Constituição Federal: São privativos de brasileiro nato os cargos: I – de Presidente e Vice–Presidente da República. e VII – de Ministro de Estado da Defesa. do art. Um dos tratamentos diferenciados vem exposto no § 3º.Regras especiais: – aos portugueses com residência permanente no País. se houver reciprocidade em favor de brasileiros. 12. salvo as previstas na própria Constituição Federal. V – da carreira diplomática. serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro. IV – de Ministro do Supremo Tribunal Federal. III – de Presidente do Senado Federal. salvo nos casos previstos pelo constituinte. VI – de oficial das Forças Armadas. 100 / Direito Constitucional .

2004. 6. José Afonso da. Dalmo de Abreu. Pedro. rev. PINHO. 2 SILVA. Direito Constitucional. e atual. 23. São Paulo: Atlas. e ampl. 16. MORAES. Curso de Direito Constitucional Positivo. dos Poderes e Histórico das Constituições– Vol. ed. ed. Alexandre. Teoria Geral da Constitucional e Direitos Fundamentais. São Paulo: Malheiros. Curso de Direito Constitucional.. 2008. ed. FERREIRA. Elementos de Teoria Geral do Estado. São Paulo: Saraiva. Da Organização do Estado. e atual. 1 _________ . rev. 12. Luiz Pinto. ed. e ampl. Direito Constitucional Esquematizado. – Vol. 1999.Bibliografia DALLARI. 1999. LENZA. Direito Constitucional / 101 . São Paulo: Saraiva.. São Paulo: Saraiva. ampl. atual. 1991. Rodrigo César Rebello. atual. ver.

102 / Direito Constitucional . Cássio Juvenal Farias foram obtidos nas aulas de Direito Constitucional ministradas para os alunos do curso à distância do Complexo Jurídico Damásio de Jesus no ano de 2004.* Os apontamentos referentes às lições do Prof.

Questões de concursos 1. d) rígida. porque pode ser livremente modificada pelo legislador segundo o mesmo processo de elaboração das leis ordinárias. (VUNESP – EXECUTOR DE MANDADOS – TRF. diferentes e mais difíceis que os de formação das leis ordinárias. porque a sua reforma depende sempre de plebiscito. porque somente é alterável mediante processos. (FCC – ANALISTA JUDICIÁRIO – TRE/PE – 2004) Para os que dividem as normas constitucionais. que se cristalizam como normas fundamentais da organização do Estado. dos fatos sociopolíticos. e) pluralista. solenidades e exigências formais especiais. porque reparte competências entre a União. as deste último grupo são aquelas que Direito Constitucional / 103 . quanto à sua aplicabilidade. em normas de eficácia plena. contida e limitada. b) histórica. c) democrática.3ª – 2002) A Constituição brasileira é a) flexível. Estados e Municípios. 2. porque resulta da lenta formação histórica.

direta e normativamente. comportamentos e situações. sua atuação limitada pela atuação discricionária do poder público. mas deixam margem à atuação restritiva por parte da competência discricionária do poder público. d) produzem diretamente todos os seus efeitos essenciais regulados pelo legislador. c) regulam suficientemente os interesses relativos à determinada matéria. após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a aplicabilidade. quis regular. todos os efeitos essenciais. mas têm. para pacificar a questão que lhe parece de especial importância. conforme previsão do legislador. que o legislador. b) produzem. ou têm possibilidade de produzir.a) apresentam aplicabilidade imediata e geram todos os efeitos essenciais a partir da vontade do seu aplicador. mediata e reduzida. 3. cuja constitucionalidade lhe parece duvidosa. com a necessidade de aplicar uma lei. num certo processo. e) apresentam aplicabilidade indireta. relativamente aos interesses. único limitador de sua abrangência. Ele entende que o STF deveria apreciar o tema. ou podem ter. (ESAF – AUDITOR-FISCAL DO INSS – 2002) Suponha que um servidor público da Administração autárquica se depare. porque somente incidem totalmente sobre esses interesses. Assinale a única opção em que 104 / Direito Constitucional .

provoque o Supremo Tribunal Federal a realizar o controle de constitucionalidade em abstrato da lei. de modo abstrato. para que este. e) O servidor pode requerer ao Ministério Público Federal que proponha uma ação civil pública que tenha como pedido único a declaração da inconstitucionalidade da lei com efeitos para todas as pessoas. b) O servidor pode provocar o Supremo Tribunal Federal a se manifestar sobre a questão. ele mesmo. assinalar a alternativa correta.o servidor teria chance de ver o STF se manifestando sobre o mérito da questão que o preocupa. a) O servidor pode provocar o STF a analisar a constitucionalidade da lei. c) O servidor pode pleitear. 4. (TRF-4ª – XII CONCURSO DE JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO – 2005) Dadas as assertivas abaixo. mas o Procurador-Geral da República não estará obrigado a propor a demanda. ao ProcuradorGeral da República que ajuize uma ação direta de inconstitucionalidade contra a lei. por intermédio do Advogado-Geral da União. propondo uma argüição de descumprimento de preceito fundamental. d) O servidor deve dirigir-se ao Ministro de Estado a que a sua autarquia está subordinada. propondo ele próprio à Corte uma ação declaratória de constitucionalidade. Direito Constitucional / 105 . com efeitos para todas as pessoas.

IV. b) Está correta apenas a assertiva III. a representação de inconstitucionalidade deve ser julgada pelo a) Supremo Tribunal Federal b) Tribunal Regional Federal respectivo. (FCC – ANALISTA JUDICIÁRIO – TRE/PE – 2004) Uma parte legítima representa acerca da inconstitucionalidade de lei estadual em face da Constituição Estadual. Julgando procedente a ação direta de inconstitucionalidade. sob pena de decretação de intervenção. Reconhecida a inconstitucionalidade por omissão. d) Estão corretas apenas as assertivas II e IV. a Constituição Brasileira é classificada como semi-rígida. o Supremo Tribunal Federal comunicará ao Senado Federal para suspensão da lei ou ato normativo. A ação declaratória de constitucionalidade pode ser proposta pelas mesmas entidades que têm legitimidade para propor a ação direta de inconstitucionalidade. III. 106 / Direito Constitucional . deve o tribunal notificar o Poder competente para adotar as providências necessárias em 30 dias.I. c) Está correta apenas a assertiva IV. 5. Considerando a existência das chamadas cláusulas pétreas. II. a) Está correta apenas a assertiva I. Nesse caso.

7. a) A norma constitucional que prevê a liberdade de convicção religiosa tem maior hierarquia que a norma Direito Constitucional / 107 . b) A referida declaração teria efeitos erga omnes. (CESPE – ANALISTA JUDICIÁRIO – TRE/MT – 2005) Considere que o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/MT) tenha declarado incidentalmente a inconstitucionalidade de uma lei eleitoral. assinale a opção correta. assinale a opção correta. c) O TRE/MT teria efetuado controle de constitucionalidade por via de ação. d) O TRE/MT teria efetuado controle concentrado de constitucionalidade. (CESPE – ANALISTA JUDICIÁRIO – TRE/MT – 2005) Em relação ao direito constitucional. e) Juiz de primeiro grau a quem distribuída. e) O TRE/MT teria efetuado controle concreto de constitucionalidade. 6. A respeito dessa situação. a) A referida decisão somente poderia ter sido tomada mediante voto de dois terços dos membros do TRE/MT.c) Tribunal de Justiça respectivo. d) Superior Tribunal de Justiça.

e) É vedado ao Poder Judiciário interpretar ampliativamente normas definidoras de direitos fundamentais. ainda não previstos na legislação em vigor. b) Compete ao Poder Legislativo fiscalizar as atividades do Poder Executivo. d) Havendo colisão entre um princípio constitucional previsto no texto original da Constituição da República e um princípio introduzido por emenda constitucional. 108 / Direito Constitucional . 8. as emendas à Constituição da República e os decretos legislativos.constitucional que estabelece a imunidade tributária dos locais destinados a cultos religiosos. para fins de sanção ou veto. as leis ordinárias e complementares. importa em: a) veto total. no caso. c) promulgação expressa. O projeto de lei foi encaminhado ao Presidente da República para sanção e decorrem vinte dias sem solução. (CESGRANRIO – ANALISTA PREVIDENCIÁRIO – INSS – 2005) Um Deputado Federal conseguiu aprovar no Congresso Nacional projeto de sua iniciativa concedendo determinados benefícios aos idosos. b) sanção expressa. c) Compete ao presidente da República apreciar. deve prevalecer o primeiro. O silêncio do Presidente da República.

9. integrando a Federação brasileira. (VUNESP – EXECUTOR DE MANDADOS – TRF.d) veto parcial. estando subordinado ao Estado-membro do ponto de vista legislativo e organizacional. 10. c) os Municípios. e) sanção tácita.3ª – 2002) Os Territórios Federais integram a) a União. já que a validade de sua Lei Orgânica depende de aprovação da Assembléia Legislativa do Estado-membro. autogoverno e de auto-administração. (FCC – ANALISTA JUDICIÁRIO – TRF-5ª – 2003) De acordo com a Constituição Federal. b) goza de capacidade de auto-organização e de autoadministração. ainda que a Constituição Federal assegurelhe autonomia administrativa. e) a Capital Federal. mas não de auto-organização. já que não tem Poder Judiciário. d) as Capitais dos Estados. d) não integra a Federação brasileira. o Município a) goza de capacidade de autogoverno e de autoadministração. b) os Estados. Direito Constitucional / 109 . c) goza de capacidade de auto-organização. mas não de autogoverno.

12. portanto. as águas naturalmente em depósito. na forma da lei. c) a Constituição Federal remete às constituições estaduais a previsão dos casos em que deva ocorrer. as ilhas flu110 / Direito Constitucional . 11. os lagos. é correto afirmar que a) a previsão dos respectivos casos feita na Constituição Federal é taxativa. I.e) deve seguir o regime jurídico dispensado aos territórios. sem exclusão dos demais. e. não podendo ser ampliada. d) ocorrerá nos casos expressamente previstos na Constituição Federal. os rios. decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. São bens da União os terrenos de marinha. assinalar a alternativa correta. e) não ocorrerá por previsão expressa da Constituição Federal. salvo no caso de não serem prestadas as contas devidas. (FCC – ANALISTA JUDICIÁRIO – TRE/PE – 2004) Quanto à intervenção estadual nos municípios. (TRF-4ª – XII CONCURSO DE JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO – 2005) Dadas as assertivas abaixo. pode ser ampliada pelo intérprete. b) a previsão dos respectivos casos feita na Constituição Federal é exemplificativa. ainda que goze de certa autonomia que lhe foi conferida pela Constituição Federal.

a) Estão corretas apenas as assertivas I e II. 13. II. os dos direitos da pessoa humana e de aplicação do mínimo de receita exigido em educação e saúde. (TJ/RS – OFICIAL DE JUSTIÇA – 2003) Conforme a Constituição da República Federativa do Brasil. Lei Complementar pode autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias de competência legislativa privativa da União. dentre os quais. b) Estão corretas apenas as assertivas I e IV. lacustres e oceânicas.viais. até seu adequado aproveitamento em outro cargo. o servidor público estável a) ficará em disponibilidade. A exploração de atividades nucleares é de competência privativa da União e depende. se realizada em território nacional. durante o exercício do cargo extinto. c) Estão corretas apenas as assertivas II e III. excluídas destas as que sejam sede de município. III e IV. A União pode intervir no Município para garantir a observância de princípios constitucionais. d) Estão corretas apenas as assertivas II. relacionadas na Constituição. periodica­mente. de aprovação do Congresso Nacional. com remuneração pro­ porcional ao desempenho avaliado. IV. sendo extinto o cargo que Ocupava. Direito Constitucional / 111 . III.

sem direito a remune­ração de qualquer espécie. aguardando a criação de um cargo equiva­lente ao que até então ocupava. d) ficará em disponibilidade.3ª – 2002) A Constituição Federal veda a percepção simultânea de proventos de aposentadoria com a remuneração de cargo. c) ficará em disponibilidade. com remuneração pro­ porcional ao tempo de serviço. emprego ou função pública. compulsoriamente.b) será aposentado. (FCC – ANALISTA JUDICIÁRIO – TRF-5ª – 2003) A Constituição Federal. b) de Ministro do Supremo Tribunal Federal. com proven­tos proporcionais ao tempo de serviço. (VUNESP – EXECUTOR DE MANDADOS – TRF. 14. até seu adequado aproveitamento em outro cargo. entre outros. ressalvados. e) de Juiz Federal. c) eletivos. ao disciplinar a investidura em cargo e emprego públicos. 15. e) ficará em disponibilidade. até seu adequado aproveitamento em outro cargo. d) de Ministro do Superior Tribunal de Justiça. determina que 112 / Direito Constitucional . os cargos a) de Delegado da Polícia Federal. com remuneração in­tegral.

a) depende sempre de concurso público de provas ou de provas e títulos. c) O presidente da República acumula as funções de chefe de Estado e de governo. mas não é responsável pela escolha dos ministros. de acordo com a complexidade do cargo ou emprego. 16. mesmo para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público. d) os estrangeiros não terão acesso aos cargos públicos. pois esta fica a cargo da Casa Civil da Presidência da República. mas somente aos empregos públicos. b) é vedada a contratação de servidor por tempo determinado. far-se-á eleição 120 dias após aberta a vaga. previamente aprovados em concurso público. c) os cargos em comissão serão sempre exercidos por servidores de carreira. a) Em caso de vacância do cargo de presidente da República. sem direito à estabilidade. b) O presidente da República e o vice-presidente são eleitos pelo voto direto e secreto para um período de cinco anos. assinale a opção correta. (CESPE – TÉCNICO JUDICIÁRIO – TRE/PA – 2005) A respeito do Poder Executivo e do presidente da República. Direito Constitucional / 113 . e) a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão.

assinale a que não se relaciona com as atribuições constitucionalmente previstas para essa instituição.d) Compete ao presidente da República editar as leis e começar o processo legislativo. (CESPE – TÉCNICO JUDICIÁRIO – TRE/PA – 2005) O Ministério Público é fruto do desenvolvimento do Estado brasileiro e da democracia. entre os integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). auxiliado pelos ministros de Estado. 17. e) No Brasil. o decreto dispôs sobre a estrutura e as atribuições do Ministério Público no âmbito federal. pelo presidente da República. 114 / Direito Constitucional . consumidor. a) Representar a União judicialmente. A Constituição Federal de 1988 deu nova configuração ao Ministério Público. Em um de seus capítulos. que tem início no Senado Federal. c) Atuar na tutela dos interesses difusos e coletivos (meio ambiente. o sistema de governo é presidencialista. atribuindo-lhe relevantes funções. que organizou a justiça federal. b) Defender a ordem jurídica e o regime democrático. Entre as opções abaixo. O Ministério Público passou a ser tratado como instituição no Decreto n. apenas fazendo referência à escolha do procurador-geral. e o Poder Executivo federal é exercido pelo presidente da República. A primeira Constituição republicana (1891) não tratava o Ministério Público como instituição. patrimônio histórico.º 848/1890.

compete ao Superior Tribunal de Justiça julgar a) os recursos especiais. pessoa portadora de deficiência. leis ordinárias. os direitos e interesses das populações indígenas. b) os recursos extraordinários. leis delegadas. d) Defender. a) emendas à constituição. leis complementares.turístico e paisagístico. (FCC – ANALISTA JUDICIÁRIO – TRF-5ª – 2003) De acordo com a Constituição Federal. enumeradas na Constituição de 1988. judicialmente. criança e adolescente). d) as ações diretas de inconstitucionalidade. Direito Constitucional / 115 . e) Controlar externamente a atividade policial. 18. decretos legislativos e portarias. e) as argüições de descumprimento de preceito fundamental. (FCC – TÉCNICO JUDICIÁRIO – TRT/MTS – 2006) Assinale a alternativa que contém TODAS as espécies normativas primárias que compreendem o processo legislativo. c) as apelações. medidas provisórias. 19.

leis delegadas. decretos legislativos e resoluções. leis ordinárias. (TRF-4ª – XII CONCURSO DE JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO – 2005) Dadas as assertivas abaixo. resoluções e portarias. assinalar a alternativa correta. (FCC – ANALISTA JUDICIÁRIO – TRE/PE – 2004) É permitida a emenda da Constituição Federal a) para abolir a forma Federativa de Estado. 21. leis delegadas. e) mediante proposta. leis ordinárias. leis complementares. c) para alterar o sistema eleitoral. leis complementares. dentre outros legitimados. d) durante a vigência de estado de defesa. c) emendas à constituição.b) emendas à constituição. inclusive suprimindo o voto universal e periódico. medidas provisórias. 20. decretos legislativos. b) durante a vigência de intervenção federal. leis delegadas. leis ordinárias. leis complementares. de um terço dos membros da Câmara dos Deputados. leis ordinárias. medidas provisórias. e) emendas à constituição. 116 / Direito Constitucional . medidas provisórias. d) emendas à constituição. resoluções e portarias. leis complementares. medidas provisórias e portarias.

Direito Constitucional / 117 . ter atribuído pelo Tribunal efeito ex tunc. efeito ex nunc. de ordinário. c) reduzir as desigualdades sociais e regionais. IV. b) garantir o desenvolvimento econômico. A Constituição pode ser emendada por proposta de iniciativa de no mínimo um terço dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal. II.I. 22. d) promover a defesa da paz. porém. a) Está correta apenas a assertiva I. pela maioria relativa de seus membros. podendo. c) Estão corretas apenas as assertivas I e II. III. d) Estão corretas apenas as assertivas I. b) Está correta apenas a assertiva III. constitui um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil a) construir uma sociedade igualitária. A Constituição Brasileira tem limites circunstanciais e materiais ao poder de Reforma constitucional. e) garantir a dignidade da pessoa humana. do Presidente da República e de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da Federação. A liminar na ação direta de inconstitucionalidade tem. (FCC – TÉCNICO JUDICIÁRIO – TRT/MTS – 2006) Nos termos da Constituição Federal de 1988. III e IV. Revisão e emenda constitucional são equivalentes.

por três quintos dos votos dos respectivos membros. em dois turnos. contra a criação do Conselho Nacional de Justiça. c) emendas constitucionais. (CESGRANRIO – ANALISTA PREVIDENCIÁRIO – INSS – 2005) O jornal “O Globo” de 10 de dezembro de 2004 noticiou que. em cada Casa do Congresso Nacional. (CESGRANRIO – ANALISTA PREVIDENCIÁRIO – INSS – 2005) Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados. e) liberdade do exercício de qualquer trabalho ou profissão. 24. serão equivalentes às (aos): a) leis complementares.23. A reação dos magistrados teria decorrido do ferimento do princípio constitucional da: a) não-intervenção. na véspera. por ser composto por integrantes de fora do Judiciário. b) leis ordinárias. d) livre manifestação do pensamento. a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) havia entrado com uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. 118 / Direito Constitucional . c) independência dos poderes. b) cidadania.

com os meios e re­cursos a ela inerentes. embora não tenham eles direito à identificação dos responsáveis por sua prisão. em processo judicial ou administra­tivo. assinale a assertiva correta sobre direitos e de­veres individuais e coletivos. 25. e) decretos-lei. é o direito Direito Constitucional / 119 . e) O direito de petição aos poderes públicos e a obten­ção de certidões em repartições públicas. (FCC – TÉCNICO JUDICIÁRIO – TRT/MTS – 2006) Um dos direitos individuais previstos no art. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. (TJ/RS – OFICIAL DE JUSTIÇA – 2003) Segundo a Constituição da República Federativa do Brasil. 5º. salvo em caso de ordem emanada do Poder Exe­cutivo. a) Aos estrangeiros residentes no Brasil não é ga­rantida a inviolabilidade do direito à igualdade. 26. c) O sigilo das comunicações telefônicas é invio­lável. b) Assegura-se aos presos o respeito à integridade física e moral. dependerão do pagamento de taxas.d) decretos legislativos. para de­fender direitos. da Constituição Federal de 1988. independentemente de autorização ju­dicial. d) Aos litigantes.

Nessa situação. Nessa situação. c) à educação. o filho do casal será considerado brasileiro nato. estavam passando férias no Rio de Janeiro desde setembro de 2004. cidadão italiano. 2. cidadã norte-americana. Manoel Antônio. a ser julgada à luz da Constituição Federal. com doutorado na Universidade do Texas – EUA. e ocupa atualmente o cargo de professor-visitante da Universidade de Brasília (UnB). 120 / Direito Constitucional . poderá ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). jurista de reputação internacional. que são casados há 8 anos e moram na Itália. em face das previsões constitucionais. b) à moradia. e) de propriedade. Carol estava grávida e o nascimento da criança estava previsto para novembro. 27. seguida de uma assertiva acerca de nacionalidade. Dois dias antes do vôo de volta à Itália. em nenhuma hipótese. Carol. e Luigi. (CESPE – TÉCNICO JUDICIÁRIO/STM – 2004) Cada um dos itens a seguir apresenta uma situação hipotética. 1. d) à saúde.a) à previdência social. Manoel Antônio. é brasileiro naturalizado. o filho de Carol nasceu no Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

como todo direito fundamental. tem caráter absoluto. 1. Os escritórios e consultórios profissionais estão abrangidos no conceito de “casa” para fins da garantia constitucional de inviolabilidade. 28. (TRF-4ª – XII CONCURSO DE JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO – 2005) Dadas as assertivas abaixo. Em razão de sua índole programática. trabalhando como auxiliar de enfermagem no Hospital Universitário. de normas regulamentadoras. 29. as normas definidoras de direitos e garantias fundamentais dependem. Em face de sua natureza política. (CESPE – TÉCNICO JUDICIÁRIO/STM – 2004) Considerando a garantia fundamental da inviolabilidade do sigilo de correspondência e de comunicações telegráficas. Direito Constitucional / 121 .3. O sigilo das comunicações telegráficas. Nessa situação. para que adquiram cogência e eficácia. II. Manoel é cidadão português e reside em Brasília há 13 anos ininterruptos. julgue o item que se segue. não há óbice constitucional para Manoel adquirir a nacionalidade brasileira. I. caso apresente idoneidade moral. as Comissões Parlamentares de Inquérito podem decretar imotivadamente a quebra de sigilo bancário e telefônico. III. assinalar a alternativa correta.

em virtude de os jurados não serem juízes togados. II e III. pode-se dizer que a) não é possível. representando sua existência uma flagrante insconstitucionalidade.IV. (FCC – EXECUTOR DE MANDADO – TRT/RN – 2003) A Constituição Federal estabeleceu que “não haverá juízo ou tribunal de exceção”. por se tratar. Analisando esse preceito. d) as Justiças Militares são uma excrescência. pelos Tribunais de Justiça. tribunais e órgãos jurisdicionais anteriormente previstos na Constituição têm o poder de julgar. d) Estão corretas apenas as assertivas II. de representação do Procurador-Geral da República nesse sentido. de um tribunal de exceção. para dirimir conflitos fundiários. a designação. segundo o qual somente os juízes. pelo Superior Tribunal de Justiça. 30. III e IV. a partir da atual Constituição. de juízes com competência exclusiva para questões agrárias. A União poderá intervir nos estados em caso de recusa à execução da lei federal somente após provimento. 122 / Direito Constitucional . c) Estão corretas apenas as assertivas I. b) Está correta apenas a assertiva IV. por excelência. a) Está correta apenas a assertiva II. b) o Tribunal do Júri. acha-se em situação de duvidosa constitucionalidade. c) aí está o princípio do juiz natural.

e) a Constituição Federal não aceita mais as justiças especializadas contempladas pelas leis de organização judiciária. Direito Constitucional / 123 . visto que elas se enquadram na proibição de juízos de exceção.

E 11.E 21.E 7.C 19.Gabarito 1.E 20.A 16.C 30.E 3.C 17.C 8.A 14.E 25.D 6.C 5.C 9.C 10.C 24.A 23.C 15.C-CC28.E 18.D 124 / Direito Constitucional .C 29.A 4.D 13.C 27.A 22.B 12.D 26.E 2.