Cap´ ıtulo 30 Elementos da Teoria da Integra¸ c˜ ao

Conte´ udo
30.1 30.2 Coment´ arios Preliminares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A Integra¸ c˜ ao no Sentido de Riemann . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30.2.1 A Integral de Riemann Impr´ opria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30.2.2 Diferencia¸ c˜ ao e Integra¸ c˜ ao em Espa¸ cos de Banach . . . . . . . . . . . . . . . A Integra¸ c˜ ao no Sentido de Lebesgue . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30.3.1 Fun¸ c˜ oes Mensur´ aveis e Fun¸ c˜ oes Simples . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30.3.2 A Integral de Lebesgue. Integra¸ c˜ ao em Espa¸ cos Mensur´ aveis . . . . . . . . . 30.3.3 A Integral de Lebesgue e sua Rela¸ c˜ ao com a de Riemann . . . . . . . . . . . 30.3.4 Teoremas B´ asicos sobre Integra¸ c˜ ao e Convergˆ encia . . . . . . . . . . . . . . . 30.3.5 Alguns Resultados de Interesse . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Os Espa¸ cos Lp e Lp . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30.4.1 As Desigualdades de H¨ older e de Minkowski . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30.4.2 O Teorema de Riesz-Fischer. Completeza . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ˆ APENDICES . . . . . . . . . . . . . . . Mais sobre a Integral de Darboux . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30.A.1 Equivalˆ encia das Defini¸ c˜ oes II e III da Integrabilidade de Riemann . . . . . Caracteriza¸ c˜ oes e Propriedades de Fun¸ c˜ oes Mensur´ aveis . . . . . . . . . . Prova do Lema 30.3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Demonstra¸ c˜ ao de (30.26) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . A Equivalˆ encia das Defini¸ c˜ oes (30.27) e (30.28) . . . . . . . . . . . . . . . . Prova do Teorema da Convergˆ encia Mon´ otona . . . . . . . . . . . . . . . . Prova do Lema de Fatou . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Prova do Teorema da Convergˆ encia Dominada . . . . . . . . . . . . . . . . Prova dos Teoremas 30.2 e 30.3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Prova das Desigualdades de H¨ older e Minkowski . . . . . . . . . . . . . . . Prova do Teorema de Riesz-Fischer . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1341 1343 . 1351 . 1353 1357 . 1357 . 1362 . 1369 . 1371 . 1374 1376 . 1378 . 1381 1382 1382 . 1383 1384 1389 1390 1390 1392 1393 1394 1395 1397 1399

30.3

30.4

30.A 30.B 30.C 30.D 30.E 30.F 30.G 30.H 30.I 30.J 30.K

presentaremos neste cap´ ıtulo ingredientes b´ asicos da chamada teoria da integra¸ ca ˜o, centrada na no¸ ca ˜o de integral de fun¸ co ˜es definidas em espa¸ cos mensur´ aveis, a integral de Lebesgue sendo uma de suas instˆ ancias de particular importˆ ancia. Iniciaremos com uma breve digress˜ ao sobre o desenvolvimento hist´ orico e recordaremos a no¸ ca ˜o de integrabilidade no sentido de Riemann, passando a seguir ` a no¸ ca ˜o mais geral de integra¸ ca ˜o em espa¸ cos de medida. Advertimos o leitor que os assuntos tratados neste cap´ ıtulo envolvem por vezes no¸ co ˜es e problemas matematicamente muito sutis, sendo dif´ ıcil apresent´ a-los de modo resumido ou simplificado. Por essa raz˜ ao, optamos por apresentar certas demonstra¸ co ˜es mais t´ ecnicas n˜ ao no texto principal, mas nos apˆ endices que se iniciam ` a p´ agina 1382. Nossa inten¸ ca ˜o ´ e, antes de tudo, guiar o leitor, apontando-lhe os ingredientes de maior importˆ ancia e de modo a eventualmente motivar seu interesse em um estudo mais aprofundado. Como referˆ encias gerais para a teoria da medida e da integra¸ ca ˜o, recomendamos [205] (fortemente), e tamb´ em [178], [138], [204], [73] ou ainda [159, 160]. Um texto cl´ assico ´ e [91]. Para estas Notas tamb´ em coletamos material de [101, 102], [100] e de [19].

30.1

Coment´ arios Preliminares

´ parte essencial da forma¸ E ca ˜o de todo f´ ısico ou matem´ atico aprender as no¸ co ˜es b´ asicas do C´ alculo, como os conceitos de limite, de derivada e de integral de fun¸ co ˜es. Nos passos iniciais dessa forma¸ ca ˜o ´ e importante dar ˆ enfase a m´ etodos de 1341

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c´ alculo de derivadas e integrais de fun¸ co ˜es e, conseq¨ uentemente, ´ e natural que assim seja, pouco se discute sobre certas sutilezas ocultas por tr´ as de tais conceitos. A no¸ ca ˜o de integral de uma fun¸ ca ˜o ´ e uma das id´ eias fundamentais de toda a Matem´ atica e originou-se no s´ eculo XVII com os trabalhos de Newton1 e Leibniz2 , ainda que tenha ra´ ızes muito mais antigas, remontando pelo menos a Arquimedes3 . Intuitivamente, a integral de uma fun¸ ca ˜o real em um intervalo compacto [a, b] ´ e entendida como a ´ area descrita sob o gr´ afico dessa fun¸ ca ˜o nesse intervalo. Essa no¸ ca ˜o simples ´ e suficiente para motivar e sustentar os primeiros passos de qualquer aluno iniciante e, mesmo em um plano hist´ orico, satisfez as mentes matem´ aticas at´ e cerca de meados do s´ eculo XIX, pois as aplica¸ co ˜es almejadas pela F´ ısica e pela Matem´ atica de ent˜ ao pouco requeriam al´ em dessa no¸ ca ˜o intuitiva. Mesmo hoje, pode ser dif´ ıcil a um estudante, acostumado com o c´ alculo de integrais de fun¸ co ˜es “elementares”, entender que a no¸ ca ˜o de integral envolve quest˜ oes sutis, principalmente pois essas sutilezas envolvem primordialmente a quest˜ ao de caracterizar para quais fun¸ co ˜es o conceito de integral se aplica. Considere-se, por exemplo, as seguintes fun¸ co ˜es:        1, se x for irracional,  sen (x), se x for transcendente, f (x) = ou f (x) = (30.1)      0, se x for racional,  x2 , se x for alg´ ebrico. Ter˜ ao essas fun¸ co ˜es uma integral em um dado intervalo compacto [a, b]? Como essas fun¸ co ˜es s˜ ao descont´ ınuas em todos os pontos, ´ e f´ acil reconhecer que a no¸ ca ˜o de integral como “´ area sob o gr´ afico” de uma fun¸ ca ˜o ´ e aqui muito problem´ atica (o leitor n˜ ao convencido deve tentar desenhar os gr´ aficos dessas fun¸ co ˜es e se perguntar qual a “´ area” sob os mesmos).

Na grande maioria das aplica¸ co ˜es com as quais nos acostumamos, fun¸ co ˜es como essas n˜ ao ocorrem, mas sim fun¸ co ˜es cont´ ınuas e suficientemente diferenci´ aveis, para as quais a no¸ ca ˜o intuitiva de integral dificilmente ´ e problem´ atica. No entanto, uma s´ erie de desenvolvimentos te´ oricos na Matem´ atica conduziram ` a necessidade de estender a no¸ ca ˜o de integral a classes mais abrangentes de fun¸ co ˜es, como as do exemplo acima. Seria precipitado enumerar neste ponto quais foram precisamente esses desenvolvimentos que pressionaram por um aprofundamento da no¸ ca ˜o de integral, pois para tal uma s´ erie de coment´ arios e defini¸ co ˜es teria que ser antecipada. Discutiremos isso no devido momento. Mencionamos, por´ em, que esse avan¸ co foi possibilitado pelo desenvolvimento concomitante da Teoria da Medida, que, como j´ a discutimos alhures, fundamentou e estendeu no¸ co ˜es como comprimento, ´ area, volume etc., de conjuntos. A ´ area da Matem´ atica que surgiu desse desenvolvimento ´ e usualmente conhecida como Teoria da Integra¸ c˜ ao. Um outro avan¸ co importante obtido atrav´ es da Teoria da Integra¸ ca ˜o foi o seguinte. As no¸ co ˜es de integra¸ ca ˜o que aprendemos nos cursos de C´ alculo aplicam-se a integrais de fun¸ c˜ oes definidas em conjuntos como R, Rn , C etc. Uma das conseq¨ uˆ encias mais importantes do desenvolvimento da teoria da integra¸ ca ˜o foi a possibilidade de definir a no¸ ca ˜o de integral mesmo para fun¸ co ˜es definidas em conjuntos mais “ex´ oticos” que os supra-citados, tais como conjuntos fractais, conjuntos de curvas, de fun¸ co ˜es, de distribui¸ co ˜es e outros. Esse desenvolvimento relevou-se de grande importˆ ancia para a F´ ısica tamb´ em. Na Mecˆ anica Quˆ antica, por exemplo, ocorrem as chamadas integrais funcionais, que s˜ ao integrais de fun¸ co ˜es definidas em conjuntos de curvas cont´ ınuas. Dados dois pontos x e y no espa¸ co, um m´ etodo importante desenvolvido por Feynman4 permite expressar certas fun¸ co ˜es de Green G(x, y ) de sistemas quˆ anticos em termos de integrais sobre o conjunto Cx, y de todas as curvas cont´ ınuas no espa¸ co que conectam x a y . Na Teoria Quˆ antica de Campos, o an´ alogo das integrais de Feynman ´ e ainda mais abstrato e envolve integrais sobre conjuntos de distribui¸ co ˜es5 . Como se percebe, tais aplica¸ co ˜es requerem muito mais que definir a no¸ ca ˜o de integral como “´ area” ou “volume sob um gr´ afico”. Tentativas informais de caracterizar a no¸ ca ˜o de integral s˜ ao t˜ ao antigas quanto o C´ alculo. Leibniz tentou definir integrais e derivadas a partir da no¸ ca ˜o de infinit´ esimos. A no¸ ca ˜o de infinit´ esimos carece de respaldo matem´ atico mas, como outras id´ eias filos´ ofico-especulativas infelizes do passado, estende sua perversa influˆ encia at´ e o presente, causando em alguns, especialmente em cursos de f´ ısica e engenharia, uma compreens˜ ao falsa da no¸ ca ˜o de integral que impede o entendimento de outros desenvolvimentos. A no¸ ca ˜o de limite, que acabou por expurgar os infinit´ esimos da linguagem
Newton (1643–1727). Wilhelm von Leibniz (1646–1716). 3 Arquimedes de Siracusa (ci. 287 A.C. – ci. 212 A.C.). 4 Richard Phillips Feynman (1918–1988). A formula¸ ca ˜o da Mecˆ anica Quˆ antica em termos das integrais funcionais de Feynman surgiu em cerca de 1942. 5 Para uma exposi¸ ca ˜o introdut´ oria sobre a integra¸ ca ˜o funcional de Feynman na Mecˆ anica Quˆ antica, vide, por exemplo, [187], ou bons livros de Mecˆ anica Quˆ antica. Para a integra¸ ca ˜o funcional de Feynman-Kac, definida no espa¸ co-tempo Euclidiano, vide e.g. [81] ou [195, 196, 197, 198].
2 Gottfried 1 Isaac

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matem´ atica, era praticamente desconhecida dos fundadores do C´ alculo, tendo sido usada pela primeira vez em 1754 por d’Alembert6 para definir a no¸ ca ˜o moderna de derivada. Um dos primeiros passos importantes no sentido de dotar a no¸ ca ˜o de integral definida de fundamentos mais s´ olidos foi dado por Riemann7 em 1854, em sua famosa tese de livre-docˆ encia8. A motiva¸ ca ˜o de Riemann foi o estudo das s´ eries de Fourier. Ao estudar condi¸ co ˜es que garantam um r´ apido decaimento dos coeficientes de Fourier de fun¸ co ˜es peri´ odicas, Riemann deparou-se com a necessidade de caracterizar mais precisamente a no¸ ca ˜o de integrabilidade de fun¸ co ˜es ou, melhor dizendo, de caracterizar quais fun¸ co ˜es podem ser dotadas de uma integral. Um dos problemas com que Riemann se debateu foi demonstrar o que hoje em dia ´ e conhecido como Lema de Riemann-Lebesgue: a afirma¸ ca ˜o que o limite
b λ→∞

lim

f (x) sen (λx)dx vale zero se f for cont´ ınua por partes. Esse fato ´ e importante para a teoria das s´ eries de Fourier
a

e sua demonstra¸ ca ˜o (que pode ser acompanhada, por exemplo, em [69]), requer compreender a integral como limite de somas de Riemann (a serem definidas abaixo). A no¸ ca ˜o de integrabilidade de Riemann, que ser´ a recordada abaixo, ´ e a primeira a ser ensinada em (bons) cursos de C´ alculo mas, como discutiremos mais adiante, tamb´ em n˜ ao ´ e plenamente satisfat´ oria. Para a grande maioria dos prop´ ositos modernos, a no¸ ca ˜o mais satisfat´ oria de integrabilidade ´ e a de Lebesgue, que tamb´ em apresentaremos adiante. ´ dessa no¸ E ca ˜o de integral que emergem os desenvolvimentos mais importantes, na teoria das s´ eries de Fourier, dos espa¸ cos de Banach e de Hilbert etc. Adiantamos que no caso de fun¸ co ˜es limitadas reais definidas em conjuntos compactos da reta real, as integrais de Riemann e de Lebesgue coincidem. Nesse sentido, a integra¸ ca ˜o de Lebesgue estende a de Riemann. Trataremos disso de modo mais preciso nos Teoremas 30.2 e 30.3, da Se¸ ca ˜o 30.3.3, p´ agina 1369. Nesse momento ´ e conveniente que encerremos esse palavreado preliminar e elevemos a discuss˜ ao a um n´ ıvel mais s´ olido.

30.2

A Integra¸ c˜ ao no Sentido de Riemann

Na presente se¸ ca ˜o recapitularemos um pouco, mas em um n´ ıvel talvez mais avan¸ cado, da teoria da integra¸ ca ˜o de Riemann no intuito de preparar a discuss˜ ao, que lhe seguir´ a, concernente ` a no¸ ca ˜o de integral de Lebesgue. Apresentaremos apenas as defini¸ co ˜es e os resultados estruturais mais relevantes. Tendo em vista outras aplica¸ co ˜es (vide, por exemplo, o tratamento do Teorema da Fun¸ ca ˜o Impl´ ıcita em espa¸ cos de Banach da Se¸ ca ˜o 25.5, p´ agina 1244), nosso intuito ´ e tamb´ em o de apresentar a no¸ ca ˜o de integral de Riemann de modo a permitir sua extens˜ ao para fun¸ co ˜es de uma vari´ avel real assumindo valores em um espa¸ co de Banach. Essa preocupa¸ ca ˜o, ainda que sem maior importˆ ancia para a abordagem da teoria de integra¸ ca ˜o de Lebesgue, sub-jaz boa parte dos tratamento da integra¸ ca ˜o de Riemann que se segue. Por simplicidade, restringiremos nossa discuss˜ ao aqui a fun¸ co ˜es de uma vari´ avel real. A defini¸ ca ˜o de integral de Riemann ´ e feita inicialmente em intervalos fechados [a, b] finitos, ou seja, com −∞ < a < b < ∞. Integrais de Riemann em intervalos n˜ ao-finitos s˜ ao definidas posteriormente (Se¸ ca ˜o 30.2.1, p´ agina 1351), tomando-se limites de integrais em intervalos finitos, caso esses limites existam. Seguiremos parcialmente a exposi¸ ca ˜o de [101], mas com uma organiza¸ ca ˜o distinta de id´ eias e com a adi¸ ca ˜o de alguns detalhes nas demonstra¸ co ˜es. Aquela referˆ encia tamb´ em apresenta diversas extens˜ oes da teoria aqui apresentada as quais omitiremos, por pertencerem mais propriamente a um texto sobre C´ alculo Diferencial e fora, portanto, das pretens˜ oes gerais no presente cap´ ıtulo. • Parti¸ co ˜es

Importante para a defini¸ ca ˜o da integral de Riemann ´ e a no¸ ca ˜o de parti¸ c˜ ao de um intervalo compacto [a, b], com a < b. Trata-se de um conjunto finito de pontos {x1 , . . . , xn } satisfazendo a = x1 < x2 < · · · < xn−1 < xn = b, o n´ umero n podendo ser arbitr´ ario, com n ≥ 2.

O conjunto de todas as parti¸ co ˜es poss´ ıveis (com n´ umero de pontos arbitr´ ario) de um intervalo compacto [a, b] ser´ a denotado por P([a, b]), ou simplesmente P, se [a, b] estiver sub-entendido. Uma parti¸ ca ˜o particular ser´ a denotada por P ∈ P([a, b]). A cada parti¸ ca ˜o P = {x1 , . . . , xn } ∈ P([a, b]), com n pontos, est˜ ao associados n − 1 intervalos fechados I1 , . . . , In−1 , sendo Ik = [xk , xk+1 ]. Denotaremos por |Ik | o comprimento do k -´ esimo intervalo: |Ik | := xk+1 − xk .
6 Jean

Le Rond d’Alembert (1717–1783). Friedrich Bernhard Riemann (1826–1866). 8 “Uber ¨ die Darstellbarkeit einer Function durch eine trigonometrische Reihe”. Publidada em 1867.
7 Georg

Assim. 11 O s´ ımbolo foi introduzido por Leibniz. Integrabilidade de Riemann Dada uma fun¸ ca ˜o real limitada f . Note-se que se particularmente P ⊂ P′ . χ). o conjunto X([a. xn } ∈ P([a. . b]) um conjunto dirigido9 . . definida em [a. conjunto dirigido. b]). xn } e χ = {χ1 . χ) → S (P. f ∈ R ´ e uma rede10 segundo o pr´ e-ordenamento ≺. k = 1. χ) ≺ (P′ . b]. χn−1 }. . b] dizemos que P′ ´ e um refinamento de P (ou que P′ ´ e mais fina que P) se P ≺ P′ . . denotamos esse fato em s´ ımbolos por χ ∝ P. . . com a ≤ χ1 ≤ · · · ≤ χn−1 ≤ b. b]) cole¸ ca ˜o formada por todas as parti¸ co ˜es indexadas de [a. χ). b]) ´ e um conjunto dirigido. . b]. b]) e que isso faz de X([a. denotada por |P|. ou seja. . . de “soma”. . Denotaremos por X([a. . b]) com n pontos. . pelo comentado acima. := k=1 f (χk )|Ik | . Note que X([a. . ent˜ ao |P| ≥ |P′ | e. χ) → S (P. 30. f . k = 1. . . n − 1. . Mostre que isso define uma rela¸ c˜ ao de pr´ e-ordenamento em X([a. b] ´ e mais freq¨ uentemente denotada11 10 A a defini¸ ca ˜o. Se P = {x1 . 30. E. Notemos que. . Se P e P′ s˜ ao duas parti¸ co ˜es de [a. ′ ′ Assim. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. o mesmo ´ eu ´nico (pela Proposi¸ ca ˜o 29. Assim. χ) com χ ∝ P ´ e dito ser uma parti¸ c˜ ao indexada de [a. χ) ∈ X([a. b]). b]. Podemos.1. Tal como P([a. como R ´ e do tipo Hausdorff. perguntar-nos se essa rede possui pontos de acumula¸ ca ˜o e pontos limite. b]) definimos |P| := max{|I1 |. p´ agina 1329). portanto. . . Cap´ ıtulo 30 1344/2069 Outra no¸ ca ˜o u ´til ´ e a de fineza de uma parti¸ c˜ ao P. b] → R ´ e dita ser uma fun¸ c˜ ao integr´ avel Defini¸ c˜ ao. como n−1 S (P. Se f : [a. χ) com P ∈ P([a. χ). f ∈ R possuir um ponto limite S (f ) ∈ R. Mostre que isso define uma rela¸ c˜ ao de pr´ e-ordenamento em P([a. . b]) ´ e tamb´ em um conjunto dirigido se definirmos a rela¸ ca ˜o de pr´ e-ordenamento (P. Um par (P. defini¸ ca ˜o de rede encontra-se ` a p´ agina 1327. b]) ∋ (P. . . . χ). f Vide Figura 30. b]) e χ ∝ P . escolhendo cada χk no k -´ esimo intervalo fechado da parti¸ ca ˜o P. Para f fixa. a aplica¸ ca ˜o X([a. ent˜ ao ´ e evidente que P1 ∪ P2 ´ e um refinamento de P1 e de P2 . Podemos fazer de P([a.1 Exerc´ ıcio. Se χ ´ e associado a P da forma descrita acima. sendo uma estiliza¸ ca ˜o da letra S. b]) e que isso faz de P([a. Dada uma parti¸ ca ˜o P = {x1 . ou seja. a integral de Riemann de f em [a. P ≺ P′ . . Essa quest˜ ao nos conduz ` a seguinte defini¸ ca ˜o: ca ˜o limitada f : [a. conjunto dirigido. b] se a rede X([a. b] o limite S (f ) ´ e denominado integral de Riemann de f em [a. .5. b]. dizemos que uma parti¸ ca ˜ o P′ ´ e mais fina que uma parti¸ ca ˜o P se o maior intervalo de P′ tiver comprimento menor que o maior intervalo de P. vide p´ agina 47. |P| ´ e o m´ aximo comprimento dos intervalos definidos por P em [a. |In−1 |}. xn } ∈ P([a. definimos a soma de Riemann de f associada ao par (P. .2 Exerc´ ıcio. escolhendo χk ∈ Ik . . χk ∈ Ik . χn−1 }. b]) ∋ (P. se essa rede possuir um ponto limite. . . P ´ e mais fina que P se o maior intervalo de P tiver comprimento menor que o maior intervalo de P. b]) um • Parti¸ co ˜es indexadas • Somas de Riemann. se |P| ≥ |P′ | (independentemente de χ e χ′ !). b]) um E. e dado um par (P. . b]) := (P. definindo a seguinte rela¸ ca ˜o de pr´ e-ordenamento: P ≺ P′ se ′ |P | ≥ | P |. χ). Integrabilidade de Riemann Ia. . os “´ ındices” sendo os pontos χk associados a cada intervalo Ik . podemos associar ` a mesma um conjunto χ de n − 1 pontos χ = {χ1 . Uma fun¸ por Riemann no intervalo compacto [a. denotada por S (P. Como ´ e bem conhecido. χ′ ) se P ≺ P′ . Se P1 e P2 s˜ ao duas parti¸ co ˜es de [a. . b]: X([a. n − 1. assim. com P = {x1 . b].JCABarata. b] → R for integr´ avel por Riemann no intervalo compacto [a. 9 Para .

f − S (f ) < ǫ para todo (P. se para todo ǫ > 0 existir um par (Pǫ . da qual tratamos ` a p´ agina 1349 e seguintes. vamos reformul´ a-la um pouco lembrando a defini¸ ca ˜o de ponto limite de uma rede da Se¸ ca ˜o 29. portanto. χ) ≻ (Pǫ . uma fun¸ ca ˜o f ´ e integr´ avel no sentido de Riemann se o processo de “refinamento” de parti¸ co ˜es.1. p´ agina 1383.A. χ). b]) ∋ (P. χ) ∈ X([a. X([a. Crit´ erios alternativos existir S (f ) ∈ R com a seguinte propriedade: para todo ǫ > 0 existe (Pǫ . b] → R ´ e dita ter uma integr´ avel por . Chegamos ` a seguinte defini¸ ca ˜o equivalente alternativa para a no¸ ca ˜o de integrabilidade de Riemann: ca ˜o limitada f : [a. Essa defini¸ ca ˜o pode ser tamb´ em utilizada e conduz a uma outra defini¸ ca ˜o equivalente ` a Ia acima (que denominamos defini¸ ca ˜o III). b]) (e. b S (f ) ≡ f (x) dx . Uma fun¸ • Integrabilidade de Riemann. χǫ ) ∈ X([a. A soma das ´ areas desses retˆ angulos fornece S (P. b] → R ´ e dita ser integr´ avel por Riemann se Defini¸ c˜ ao. A defini¸ ca ˜o Ib acima pode ainda ser refraseada de uma forma ligeiramente mais concreta: Defini¸ c˜ ao. χ). χ6 }. χ2 . χ4 . χ) → S (P. Cap´ ıtulo 30 1345/2069 f(x) f(χ 6) f(χ5 ) f(χ 1) a=x 1 x2 x3 x4 x5 x6 b=x 7 χ 1 χ 2 χ 3 χ 4 χ 5 χ 6 Figura 30. Integrabilidade de Riemann Ib. a (30. Uma fun¸ ca ˜o limitada f : [a. χǫ ). definido pela inclus˜ ao. f pertence ao intervalo aberto (S (f ) − ǫ.2) e-ordenamento. χ). O k -´ esimo retˆ angulo tem altura f (χk ) e largura |Ik | = xk+1 − xk . b] com a parti¸ ca ˜o P = {a = x1 .3. f . x2 . x7 = b}. x3 . χ5 . χ). Uma possibilidade alternativa seria prover P([a. b]) tal que S (P. b a por f (x) dx. χ) ≻ (Pǫ .1: Representa¸ ca ˜o da soma de Riemann de uma fun¸ ca ˜o f no intervalo [a. conduzir a um limite u ´ nico das somas de Riemann. ou seja.1. Vide tamb´ em Apˆ endice 30.JCABarata. x6 . b]) tal que S (P. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. x4 . Nota. com os pontos intermedi´ arios χ = {χ1 . A integral de Riemann de f ´ e ent˜ ao esse limite das somas das ´ areas dos retˆ angulos descritos na Figura 30. b])) de um outro pr´ definindo P ≺o P′ se P ⊂ P′ . S (f ) + ǫ) para todo par (P. p´ agina 1327. para quando as parti¸ co ˜es s˜ ao feitas cada vez mais finas. fazendoas incluir mais e mais pontos com espa¸ camentos cada vez menores. Dizemos que S (f ) ∈ R ´ e um ponto limite da rede X([a. Integrabilidade de Riemann Ic. χ3 . ♣ Para tornar a defini¸ ca ˜o Ia um pouco mais palp´ avel. x5 . χ) com (P. b]) tal que (P. f ∈ R. Em palavras. χǫ ). χǫ ) ∈ X([a.

o crit´ erio de Integrabilidade de Riemann Ia pode ser equivalentemente reformulado da seguinte forma: Defini¸ c˜ ao. . |I1 | = I1 = I1 ′ |Ia |e l l ′ f (χ′ a )|Ia | = a=1 ′ f (χ1 ) − f (χ′ a ) |Ia | . χ). xk+1 ]. χ) → S (P. y ∈Ik sup |f (x) − f (y )| .. . Enfatizamos que todas as defini¸ co ˜es acima. χ) → S (P. χ). χ). b]). o intervalo I1 ´ l ′ ∪ · · · ∪ Il′ . Se P′ ∈ P([a. . onde W(f. Vamos agora fechar parcialmente essa lacuna. • Fun¸ co ˜es cont´ ınuas s˜ ao integr´ aveis por Riemann At´ e o momento n˜ ao apresentamos exemplos de fun¸ co ˜es integr´ aveis por Riemann.6. P′ com |P| ≤ δǫ e |P′ | ≤ δǫ . . b]) uma parti¸ c˜ ao de [a. est˜ ′ ′ ′ ′ ′ e a uni˜ ao de. discutido brevemente a p´ ` agina 1350. f para quaisquer χ e χ′ . . .1 Seja f real cont´ ınua definida em um intervalo compacto [a.. a=1 f (χ1 )|I1 | − 12 Isso 13 Seguiremos a=1 ´ e sempre verdade se f assume valores em um espa¸ co m´ etrico completo. se para todo ǫ > 0 existir δǫ > 0 tal que S (P. P) := k=1. χ). de Ia a Ie. exibindo uma classe importante de fun¸ co ˜es que satisfazem o crit´ erio de integrabilidade de Riemann Id. f ∈ R possui um ponto limite se e somente se for uma rede de Cauchy12 . Pela Proposi¸ ca ˜o 29. f − S (P′ . f ∈ R for uma rede de Cauchy. P) |b − a| (30. b]) ∋ (P. digamos. < ǫ para todos P. Integrabilidade de Riemann Ie. f P′ ≻ Pǫ . Assim. ent˜ ao S (P. . f ∈ R for uma rede de Cauchy. . A ca ˜o P′ = {x′ ao associados m − 1 intervalos fechados 1 . χ). b]. f − S (P′ . Uma vis˜ ao completa de quais fun¸ co ˜es s˜ ao integr´ aveis por Riemann ´ e fornecida pelo crit´ erio de Lebesgue. f − S (f ) < ǫ para toda parti¸ ca ˜o P tal que |P| ≤ δǫ . Uma fun¸ Riemann no intervalo compacto [a. Como P ⊂ P′ . a rede X([a. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.1 Toda fun¸ c˜ ao real cont´ ınua definida em um intervalo compacto [a. χ′ ). . ou seja. Assim. sendo apenas refraseamentos umas das outras com respeito ` a no¸ ca ˜o de convergˆ encia de redes. b] ´ e integr´ avel por Riemann. b]) ∋ (P. . In−1 . Uma fun¸ ca ˜o limitada f : [a.JCABarata. xk+1 ]. xn } ∈ P([a. Im−1 . Seja P = {x1 . (30.3) max x. xm } ∈ P([a. χ′ ). . Para a demonstra¸ ca ˜o13. Integrabilidade de Riemann Id. necessitamos do seguinte lema: Lema 30. . b] → R ´ e dita ser fun¸ c˜ ao integr´ avel por Defini¸ c˜ ao. χ). ou seja. com Ik = [xk .. Proposi¸ c˜ ao 30. se para todo ǫ > 0 existir (Pǫ . . n−1 ≤ W(f. . b]) ´ e uma segunda parti¸ c˜ ao tal que P ⊂ P′ . . P′ com P ≻ Pǫ e Como as condi¸ co ˜es P ≻ Pǫ e P′ ≻ Pǫ equivalem a |P| < |Pǫ | e |P′ | < |Pǫ |. l intervalos de P′ : I1 . . χ) → S (P. podemos ainda apresentar a seguinte reformula¸ ca ˜o equivalente: ca ˜o limitada f : [a. b] → R ´ e dita ser uma fun¸ c˜ ao integr´ avel por Riemann no intervalo compacto [a. b] se a rede X([a. Cap´ ıtulo 30 1346/2069 Riemann se existir S (f ) ∈ R com a seguinte propriedade: para todo ǫ > 0 existe δǫ > 0 tal que S (P. f − S (P′ . s˜ ao equivalentes. . χǫ ) tal que S (P. χ). .4) ′ ` parti¸ Prova. basicamente [101]. b]) ∋ (P. f < ǫ para todos P. com m pontos. sendo Ik = [xk . b] se a rede X([a. b] com n pontos ` a qual est˜ ao associados n − 1 intervalos fechados I1 . p´ agina 1330. χ′ ).

sejam P1 e P2 duas parti¸ co ˜es tais que |P1 | < δ e |P2 | < δ . Pelo Lema 30. usamos os fatos que W(f. χ). Fixado um ǫ > 0. (30. adiante. y ∈I1 sup |f (x) − f (y )| |I1 | ≤ W(f. . χ). f ≤ ≤ W(f. Seja P′ = P1 ∪ P2 . Integrabilidade de Riemann At´ e o momento tratamos apenas de caracterizar a no¸ ca ˜o de integral de Riemann para fun¸ co ˜es definidas em conjuntos compactos [a.1 Toda fun¸ c˜ ao real cont´ ınua por partes14 e limitada definida em um intervalo compacto [a.5) a defini¸ ca ˜o geral de continuidade por partes. no entanto. P1 ) < ǫ e W(f. f + S (P2 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. para todo ǫ > 0 existe δ > 0 tal que |f (y ) − f (x)| < ǫ sempre que x e y encontrem-se ambos em algum sub-intervalo de [a. Cap´ ıtulo 30 1347/2069 o que evidentemente implica l l ′ f (χ′ a )|Ia | ≤ a=1 ′ f (χ1 ) − f (χ′ a ) |Ia | ≤ x. P1 ) |b − a| < ǫ |b − a| .12. f − S (P′ . χ1 ). f ≤ S (P1 . χ2 ). pois cada intervalo de P1 e de P2 tem largura menor que δ . y ∈I1 l f (χ1 )|I1 | − a=1 sup |f (x) − f (y )| = a=1 ′ |Ia | x. χ). que as constru¸ co ˜es acima (incluindo a Proposi¸ ca ˜o 30. O seguinte corol´ ario ´ e imediato e sua prova ´ e deixada como exerc´ ıcio. 30. Se B ´ e um espa¸ co de Banach e f : [a. se n˜ ao a totalidade. f − S (P′ . f − S (P′ . P2 ) < ǫ. exibimos um exemplo de uma fun¸ ca ˜o que n˜ ao ´ e cont´ ınua por partes mas ´ e integr´ avel por Riemann. f Temos. Esse fato ´ e importante.1. Logo. Como o mesmo racioc´ ınio aplica-se aos demais sub-intervalos de P. f − S (P′ . Acima. das fun¸ co ˜es encontradas na pr´ atica das ciˆ encias naturais e da engenharia ´ e formada por fun¸ co ˜es cont´ ınuas ou cont´ ınuas por partes. Na segunda desigualdade usamos simplesmente o fato que cada χa pertence a I1 . χ). Prova da Proposi¸ c˜ ao 30. b] assumindo valores reais.JCABarata. S (P1 . que ´ e o que quer´ ıamos demonstrar.1) permanecem inalteradas se as fun¸ co ˜es consideradas assumirem valores em espa¸ cos de Banach. ou seja. χ).3). Evidentemente valem ′ ′ P1 ⊂ P e P2 ⊂ P . χ) ´ e analogamente definida por n−1 S (P. p´ agina 1439). W(f. pois a grande parte. b] que tenha largura menor que δ . No Exerc´ ıcio E. p´ agina 1350. vide p´ agina 1336.6. Corol´ ario 30.1 teremos S (P1 . P2 ) |b − a| < ǫ |b − a| . f S (P2 . χ2 ). b] → B ´ e uma fun¸ ca ˜o assumindo valores em B. a soma de Riemann de f associada ao par (P. toda fun¸ ca ˜o cont´ ınua f definida em um intervalo compacto [a. χ2 ). Com isso vemos que o crit´ erio Id de integrabilidade de Riemann ´ e satisfeito. • Fun¸ co ˜es com valores em espa¸ cos de Banach. O estudante ´ e convidado a constatar. χ1 ). segue imediatamente a validade de (30. f − S (P2 . Por um resultado bem conhecido (Teorema 31. b] ´ e integr´ avel por Riemann. χ1 ). P) |I1 | . f < 2 ǫ |b − a | . b] ´ e uniformemente cont´ ınua. assim: 14 Para := k=1 f (χk )|Ik | ∈ B.

A demonstra¸ ca ˜o repete os mesmos passos da demonstra¸ ca ˜o da Proposi¸ ca ˜o 30. no caso de fun¸ co ˜es reais. f ] ≥ E. h´ a uma outra caracteriza¸ ca ˜o da no¸ ca ˜o de integrabilidade de Riemann. podemos aplic´ a-los para definir a no¸ ca ˜o de integral (de Riemann) mesmo para fun¸ co ˜es definidas em intervalos compactos [a. Trataremos disso agora.JCABarata. f ].2. χ). Vide Figura 30. xn }. Felizmente. Dada uma fun¸ ca ˜o real limitada f . se para todo ǫ > 0 existir Pǫ tal que S (P.1 se substituirmos os m´ odulos das fun¸ co ˜es e das somas de Riemann por normas em espa¸ cos de Banach. f B < ǫ para todo P com Pǫ ≺ P.6) respectivamente. f ] e Ds [P. Fora isso. f ]. 30. b] e dada uma parti¸ ca ˜o P ∈ P([a. . Da maneira como os formulamos. p´ agina 1353. b]) com P ⊂ P′ tem-se Di [P. f ] := k=1 inf f (y ) |Ik | e Ds [P. com P = {x1 . b]. b] se a rede X([a. f ] ≤ Di [P′ . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. b]). f ] e a soma das ´ areas dos retˆ angulos ` a direita fornece Ds [P. b] ⊂ R mas que assumam valores em espa¸ cos de Banach.2. χ) → S (P. Uma desvantagem dos crit´ erios de integrabilidade acima ´ e a de fazerem o uso da no¸ c˜ ao de rede e pontos limite de redes. Uma fun¸ ca ˜o limitada f : [a. devida a Darboux15 . que ´ e mais transparente e prescinde dessas no¸ co ˜es. (30. 30. f − S (Pǫ . f(x) sup f(y) yε Ι 6 f(x) inf f(y) y ε Ι6 sup f(y) inf f(y) yε Ι 1 y ε Ι1 a=x 1 x2 x3 x4 x5 x6 b=x 7 a=x 1 x2 x3 x4 x5 x6 b=x 7 Figura 30. . χ). χ′ ). Tem-se. . Alguns desenvolvimentos sobre a integra¸ ca ˜o e diferencia¸ ca ˜o de fun¸ co ˜es assumindo valores em espa¸ cos de Banach ser˜ ao apresentados na Se¸ ca ˜o 30. f ] := k=1 sup f (y ) y ∈Ik |Ik | . A soma das areas dos retˆ ´ angulos ` a esquerda fornece Di [P. • Somas de Darboux Os crit´ erios de integrabilidade que apresentamos acima s˜ ao essencialmente aqueles apresentados por Riemann em 1854. Cap´ ıtulo 30 1348/2069 cos de Banach. analogamente. . associadas ` a P por n−1 n−1 y ∈Ik Di [P. ou seja.1. f ] para qualquer parti¸ ca ˜o P.2 Toda fun¸ c˜ ao cont´ ınua definida em um intervalo compacto [a. Sugere-se provar isso por indu¸ c˜ ao no n´ umero de pontos da parti¸ c˜ ao. Mostre que para parti¸ ′ Ds [P . b]) ∋ (P. que talvez n˜ ao sejam intuitivas para todos. definida em [a. b] → B ´ e dita ser uma fun¸ c˜ ao integr´ avel por Riemann no intervalo compacto [a. O trabalho de Darboux sobre a integral de Riemann data de 1875. f ∈ B for uma rede de Cauchy. a importante Proposi¸ c˜ ao 30. f ] ≤ Ds [P. Seja B um espa¸ co de Banach com norma Defini¸ c˜ ao. b] e assumindo valores em um espa¸ co de Banach ´ e integr´ avel por Riemann. ´ evidente pela defini¸ E ca ˜o que Di [P. definimos as somas de Darboux (inferior e superior) de f no intervalo [a. Integrabilidade de Riemann para espa¸ · B .3 Exerc´ ıcio.2: Representa¸ ca ˜o das somas de Darboux da mesma fun¸ ca ˜o e da mesma parti¸ ca ˜o da Fig. 15 Jean Gaston Darboux (1842–1917). tem-se tamb´ em os fatos compreendidos nos seguintes exerc´ ıcios: co ˜es P e P′ ∈ P([a.2. .

A demonstra¸ ca ˜o da Proposi¸ ca ˜o 30. b] ´ e definida por b D(f ) := a f (x) dx = a f (x) dx . b]) s˜ ao tamb´ em conjuntos dirigidos e a aplica¸ ca ˜o X([a. Integrabilidade de Riemann II. definida em um intervalo compacto [a.4).5 Exerc´ ıcio. Defini¸ c˜ ao. f ] para quaisquer parti¸ co ˜es P e P′ ∈ P([a.3 ´ e apresentada na Se¸ c˜ ao 30. dita por alguns autores ser uma rede de Riemann-Darboux.4 Exerc´ ıcio.7) Tudo isso sugere a seguinte defini¸ ca ˜o. Ent˜ ao. b]) tal que Ds [P. f ] . b] → R ´ e dita ser uma fun¸ c˜ ao integr´ avel por Riemann no intervalo compacto [a.8) ´ e por vezes denominada integral de Darboux. • Rede de Riemann-Darboux Na defini¸ co ˜es Ia–Ie da integrabilidade de Riemann provemos a cole¸ ca ˜o de parti¸ co ˜es P([a. Com rela¸ ca ˜o a esse pr´ e-ordenamento ≺o as cole¸ co ˜es P([a. b] por b b f (x) dx := a sup P∈P([a. definindo P ≺ P′ se |P| ≥ |P′ |. b] se a rede (em rela¸ ca ˜o ao pr´ e-ordemento ≺o ) X([a. f ]. D(f ) ser´ a tamb´ em denotada por a f (x) dx. definindo P ≺o P′ se P ⊂ P. Definimos as integrais de Darboux (inferior e superior) de f no intervalo [a.A. a b Nesse caso a integral de f no intervalo [a. f ]. f ] − Di [P. Em ambos os casos as integrais definidas por (30. f ∈ R ´ e tamb´ em uma rede. ´ e integr´ avel no sentido das defini¸ c˜ oes I se e somente se o for no sentido da defini¸ c˜ ao II. Com a mesma podemos estabelecer mais um crit´ erio de integrabilidade. 30. f ] − Di [P. χ). Na mesma se¸ ca ˜o demonstramos tamb´ em a seguinte proposi¸ ca ˜o importante.3 e E. p´ agina 1383. 30. 30. Defini¸ c˜ ao. Sugest˜ ao: use E. Por isso. b]) D i [P . f ∈ R possuir um ponto limite S (f ) ∈ R. portanto.3 e os fatos que P ⊂ P ∪ P′ e P′ ⊂ P ∪ P′ . f ] e a f (x) dx := P∈P([a. O exerc´ ıcio E. f ] − Di [P′ .8) coincidem. b]) ∋ (P. b]) ∋ (P. Mostre que para quaisquer parti¸ as afirma¸ co ˜es do Exerc´ ıcio E. f ] ≤ Ds [P′ . Por ser bastante t´ ecnica e sem relevˆ ancia especial para o que segue. b]) com um pr´ e-ordenamento. Uma outra possibilidade ´ e considerar em P([a. Mostre que para parti¸ co ˜es P e P′ ∈ P([a. 30. mas no Apˆ endice 30. essa integral b coincide com a integral S (f ) anteriormente definida.3 Seja f uma fun¸ c˜ ao real limitada no intervalo compacto [a.4 acima que Di [P. O fato estabelecido no exerc´ ıcio E. Uma fun¸ ca ˜o limitada f : [a. b]. f ] ≤ Ds [P′ . A defini¸ ca ˜o acima equivale ` a defini¸ ca ˜o II (e. p´ agina 1382. ` as defini¸ co ˜es I) da no¸ ca ˜o de integrabilidade de Riemann. f ] < ǫ.8) A integral definida em (30.2) e por (30. b]) inf D s [P .4 Uma fun¸ c˜ ao real limitada f . b]) com P ⊂ P′ tem-se Ds [P′ . f ] ≤ Ds [P. b]) implica (por que?) b b a f (x) dx ≤ f (x) dx . Sugest˜ ao: isso segue facilmente dos Exerc´ ıcios E.4.JCABarata.3 sugere a seguinte defini¸ ca ˜o. Integrabilidade de Riemann III. b]) tem-se Di [P. Uma fun¸ ca ˜o limitada f ´ e dita ser uma fun¸ c˜ ao integr´ avel por Riemann no intervalo compacto [a. (30. . A seguinte proposi¸ ca ˜o ´ e relevante no contexto dessa defini¸ c˜ ao: Proposi¸ c˜ ao 30. 30. 30. Como veremos (Proposi¸ ca ˜o 30.1. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Cap´ ıtulo 30 1349/2069 co ˜es P e P′ ∈ P([a. b] se b f (x) dx a = b f (x) dx. a (30. que estabelece a equivalˆ encia das defini¸ co ˜es I e da defini¸ ca ˜o II. χ). E. b]. acima: Proposi¸ c˜ ao 30. f ´ e integr´ avel no sentido da defini¸ c˜ ao II se e somente se para todo ǫ > 0 existir uma parti¸ c˜ ao P ∈ P([a. respectivamente. b]) e X([a.A. χ) → S (P. 30. χ) → S (P. apresentamos a demonstra¸ ca ˜o dessa afirma¸ ca ˜o n˜ ao aqui. b]) o pr´ e-ordenamento definido pela inclus˜ ao.

ilustra um outro problema de conseq¨ uˆ encias piores. Cap´ ıtulo 30 1350/2069 • Crit´ erio de Lebesgue para integrabilidade de Riemann H´ a uma caracteriza¸ ca ˜o da integrabilidade de Riemann. Prove b f (x) dx a diretamente da defini¸ c˜ ao que = evidente. D(x) =    1. se a cole¸ ca ˜o de pontos onde f ´ e descont´ ınua tiver medida de Lebesgue nula. 30. se x for racional. da qual falaremos posteriormente.9) Ser´ a essa fun¸ ca ˜o integr´ avel em [a. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Assim. xk+1 ] de qualquer parti¸ ca ˜o de [a. ´ curioso e relevante observar tamb´ E em que n˜ ao s˜ ao apenas as fun¸ co ˜es cont´ ınuas por partes que s˜ ao integr´ aveis no sentido de Riemann. a < b. pois como facilmente se constata. possui algumas deficiˆ encias que ilustraremos abaixo. E. Como os racionais tˆ em medida de Lebesgue zero. que permite precisar quais fun¸ co ˜es s˜ ao integr´ aveis no sentido de Riemann: Crit´ erio de Lebesgue para integrabilidade de Riemann. se x for irracional. Uma conseq¨ uˆ encia desse crit´ erio (que tamb´ em pode ser obtida por meios mais diretos. se x for irracional Mostre que f ´ e cont´ ınua em x se x for irracional mas que f ´ e descont´ ınua em x se x for racional. b] sentido de Riemann? A resposta ´ e n˜ ao. Uma fun¸ ca ˜o limitada f : [a. . A integral de Riemann. y ∈Ik pois Ik sempre conter´ a n´ umeros racionais e irracionais. [159]-[160]. 16 Lembremos: uma fun¸ ca ˜o ´ e dita ser uma fun¸ c˜ ao cont´ ınua por partes se for descont´ ınua apenas em um n´ umero finito de pontos. b] → R:     0. b] → R ´ e integr´ avel no sentido de Riemann se e somente se for cont´ ınua quase em toda parte (em rela¸ ca ˜o ` a medida de Lebesgue). Para uma ampla exposi¸ ca ˜o. por´ em. Seja a seguinte fun¸ c˜ ao:   p 1   1 + . D(x) dx = 0 a mas a D(x) dx = b − a. para qualquer sub-intervalo Ik = [xk . o teorema fundamental do c´ alculo. se x = for racional q q f (x) = . Aqui vamos designar n´ umeros racionais r na forma r = p/q . O seguinte exerc´ ıcio ilustra isso. segue pelo crit´ erio de Lebesgue que f ´ e integr´ avel de Riemann. Esse exemplo.JCABarata. devida a Lebesgue. como vimos acima) ´ e que toda fun¸ ca ˜o limitada e cont´ ınua por partes16 ´ e integr´ avel no sentido de Riemann. Seja [a. um intervalo compacto e considere-se a seguinte fun¸ ca ˜o D : [a.6 Exerc´ ıcio-desafio. aprendemos que h´ a fun¸ co ˜es limitadas que n˜ ao s˜ ao integr´ aveis no sentido de Riemann. ent˜ ao para toda seq¨ uˆ encia pn /qn de racionais que aproxima x tem-se que qn → ∞ para n → ∞. por´ em. b] teremos y ∈Ik inf D(y ) = 0 mas sup D(y ) = 1 . Note que o fato que b f (x) dx a = b−a ´ e As no¸ co ˜es de fun¸ ca ˜o integr´ avel no sentido de Riemann e de integral de Riemann que apresentamos acima s˜ ao a base de todo o C´ alculo elementar e delas se extrai uma s´ erie de conseq¨ uˆ encias bem conhecidas e que n˜ ao repetiremos aqui. tais como a linearidade da integral. Essas deficiˆ encias conduziram ` a procura de uma no¸ ca ˜o mais forte de integrabilidade. b b • Deficiˆ encias da integral de Riemann (30. Sugest˜ ao: lembre que se x ´ e irracional. ou seja. a dificuldade est´ a em provar que b f (x) dx = b − a a b a f (x) dx = b − a. b]. vide e. N˜ ao apresentaremos a demonstra¸ ca ˜o desse fato aqui (vide [101]).    1. j´ a que.g. supondo p e q primos entre si. para todos a < b. m´ etodos de integra¸ ca ˜o (como a integra¸ ca ˜o por partes) etc.

faz-se necess´ ario aumentar o conjunto de fun¸ co ˜es integr´ aveis para obter essa propriedade. . . −A A2 (30. o conjunto de fun¸ co ˜es integr´ aveis no sentido de Lebesgue ´ e completo e esse fato ´ e importante na teoria dos espa¸ cos de Hilbert e de Banach. . essa integral deve ser definida como o limite de integrais b indo a ∞ de diversas formas. o limite lim −A A A2 A→∞ f (x) dx. . por´ em. mas n˜ ao.} = {rk . mostre que D n˜ ao ´ e cont´ ınua em nenhum ponto. pode ocorrer que o limite lim A→∞ f (x) dx exista. lim n→∞ a Dn (x) dx = b − a.1 A Integral de Riemann Impr´ opria ∞ Vamos aqui tratar de definir a integral de Riemann impr´ opria −∞ f (x) dx de uma fun¸ ca ˜o f definida em toda a reta real b a R. Cada fun¸ ca ˜ o Dn ´ e n→∞ integr´ avel no sentido de Riemann. Esse conjunto. . . . E acil ver que b b a b Seja o conjunto Q = Q ∩ [a. Como esse conjunto ´ e cont´ avel.JCABarata. por exemplo. sem afetar o resultado. rn } . Como a propriedade de completeza ´ e muito importante. r3 . um problema que requer alguns coment´ arios. De fato. −A troca de ordem de integrais de Riemann e limites de seq¨ uˆ encias de fun¸ co ˜es ´ e permitida. Em A certos casos. se o limite for uniforme. mas com lim D(xn ) = D(x). . de outra natureza. De maneira intuitiva. f (x) dx tomando a indo a −∞ e Uma possibilidade provis´ oria seria a seguinte defini¸ ca ˜o.9). A defini¸ ca ˜o provis´ oria (30. E. b]. pois ´ e cont´ ınua por partes. diz respeito ` a propriedade de completeza da cole¸ ca ˜o das fun¸ co ˜es integr´ aveis b por Riemann. pois a fun¸ ca ˜o D(x) = lim Dn (x) n˜ ao ´ e integr´ avel no sentido A li¸ ca ˜o que se aprende disso ´ e que a integra¸ ca ˜o de Riemann n˜ ao pode ser sempre cambiada com o limite pontual de fun¸ co ˜es17 . trocar a n→∞ integral pelo limite de Riemann. a n→∞ lim Dn (x) dx n˜ ao faz sentido.2. b] de todos os racionais do intervalo [a. de outra forma. onde N ∋ k → rk ∈ Q ´ e uma contagem de Q. . Tem-se aqui que lim 17 A A→∞ x dx = 0 mas lim −A A→∞ x dx diverge. g ) = a |f (x) − g (x)|dx. k ∈ N}. se x ∈ {r1 . b]. poder´ ıamos definir a integral de Riemann impr´ opria de f por ∞ A f (x) dx := −∞ A→∞ lim f (x) dx . Seja definida agora a seguinte seq¨ uˆ encia de fun¸ co ˜es:     0. acaba sendo pequeno demais para dar liberdade a certas manipula¸ co ˜es de interesse.10) caso o limite exista. como veremos. r4 . rn }. podemos represent´ a-lo como Q = {r1 . ou −A outros. 30. Por que D n˜ ao ´ e cont´ ınua quase em toda parte? Para responder isso. 30.10) apresenta. Dn (x) dx = b − a e assim. Entretanto. . o conjunto das fun¸ co ˜es integr´ aveis no sentido de Riemann n˜ ao ´ e grande o suficiente. . sendo descont´ ınua apenas nos pontos do conjunto finito ´ muito f´ {r1 . onde D est´ a definida em (30. por´ em. Sugest˜ ao: recorde que todo x irracional pode ser aproximado por uma seq¨ uˆ encia de racionais e que todo x racional pode ser aproximado por uma seq¨ uˆ encia de irracionais. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Tais conjuntos n˜ ao formam espa¸ cos m´ etricos completos em rela¸ ca ˜o ` a m´ etricas como d1 (f. . Esse ´ e um fato desagrad´ avel. Tal ´ e o caso da fun¸ ca ˜o f (x) = x. O problema reside no fato de o crit´ erio de integra¸ ca ˜o de Riemann n˜ ao ser suficientemente flex´ ıvel de modo a permitir integrar um conjunto suficientemente grande de fun¸ co ˜es ou. s´ o s˜ ao integr´ aveis no sentido de Riemann as fun¸ co ˜es que s˜ ao cont´ ınuas quase em toda parte. b] tem-se D(x) = lim Dn (x). Cap´ ıtulo 30 1351/2069 ´ f´ E acil ver que para todo x ∈ [a. Dn (x) =    1. Mostre ent˜ ao que para qualquer x existem seq¨ uˆ encias xn com lim xn = x. n→∞ n→∞ Um outro problema. melhor dizendo. Se f : R → R ´ e uma fun¸ ca ˜o integr´ avel por Riemann em cada intervalo [a. que impede manipula¸ co ˜es onde gostar´ ıamos de poder trocar de ordem integrais e limites. Como vimos no crit´ erio de Lebesgue.7 Exerc´ ıcio. que exclui fun¸ co ˜es como D. r2 .

caso existam. se para todo ǫ > 0 existir um intervalo [A. ∞ 4 que n˜ ao ´ e limitada mas a x cos(x )dx < ∞ para qualquer a finito. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.2. Um outro exemplo do mesmo tipo ´ e a fun¸ ca ˜o x cos(x4 ). a Para tornar essa defini¸ ca ˜o um pouco mais palp´ avel. finito. definimos a integral de Riemann impr´ opria de f por ∞ b f (x) dx := −∞ [a. Cap´ ıtulo 30 1352/2069 ´ prudente Por causa disso ´ e insatisfat´ orio tomar (30. possui uma integral de Riemann impr´ opria se a rede F[a. p´ agina 1329). Assim. Como facilmente se vˆ e com a mudan¸ ca de vari´ aveis u = ex . * . ∞ −∞ 3 x2 sen ex 3 dx = 1 3 ∞ 0 π sen (u) du = . b] ∈ (F − ǫ. Denotemos por C a cole¸ ca ˜o de todos os intervalos finitos [a. Se f tiver essa propriedade. Isso ´ e feito da seguinte forma. integr´ avel por Riemann em cada intervalo [a. b] ⊂ R. B ] ∈ C tal que b a f (x) dx − F < ǫ ∞ −∞ para todo [a. como os limites lim A→∞ f (x) dx e lim a A→∞ f (x) dx. b]∈C lim F[a. b] . e f pode divergir em ±∞. b] := a f (x) dx (30. b] . desde que o limite da integral exista! Um exemplo ´ −∞ 3 . Assim. E elaborar uma defini¸ ca ˜o mais conservadora e que leve em conta o que pode acontecer em todas as integrais em intervalos [a. limites de redes e suas propriedades foram estudadas na Se¸ ca ˜o 29. integr´ avel por Riemann em cada intervalo finito. O n´ umero F ´ e denotado por A a f (x)dx. pois R ´ e um espa¸ co Hausdorff na topologia usual. b] ⊃ [A. b] = [a.5. [a. b] ∈ C possuir um ponto limite (o qual ser´ au ´nico. independentemente. percebemos facilmente que C ´ e um conjunto dirigido (vide defini¸ ca ˜o ` a p´ agina 47). Vide Proposi¸ ca ˜o 29. p´ agina 1327. p´ agina 1343. f possui uma integral de Riemann impr´ opria se b [a. com os intervalos ordenados por inclus˜ ao.10) como defini¸ ca ˜o das integrais de Riemann impr´ oprias. −A f (x) = x2 sen ex Notemos en passant. que uma fun¸ ca ˜o f : R → R. B ]. O conceito de limite em rela¸ ca ˜o a uma rede ´ e bem definido (a no¸ ca ˜o de rede. Dizemos. Isso nos permite estabelecer a defini¸ ca ˜o precisa de integral de Riemann impr´ opria. Notando que os intervalos [a. b] podem ser ordenados por inclus˜ ao. b]. respectivamente. b] quando a → −∞ e b → ∞. b] ∈ C. f : R → R. o limite acima sendo o da rede. que n˜ ao ´ e limitada para x → +∞. para a ∈ R. ∞ a De maneira an´ aloga definem-se as integrais de Riemann impr´ oprias a f (x) dx e −∞ f (x) dx. faz-se necess´ ario supor que a fun¸ ca ˜o f seja limitada. B ].JCABarata.3. b]∈C lim f (x) dx . que apresentamos na Se¸ ca ˜o 30. ´ e dita ter uma integral de Riemann impr´ opria F ∈ R se para todo ǫ > 0 existir um intervalo [A. F + ǫ) para todo [a. vamos reformul´ a-la um pouco lembrando a defini¸ ca ˜o de ponto limite de uma rede da Se¸ ca ˜o 29. Dizemos que F ∈ R ´ e um ponto limite da rede F[a. que na defini¸ ca ˜o da integral de Riemann em intervalos finitos [a. Para a defini¸ ca ˜o da integral de Riemann impr´ opria ∞ e a fun¸ ca ˜o f (x) dx isso n˜ ao ´ e necess´ ario. b]. A aplica¸ ca ˜o C → R dada por Seja f : R → R uma fun¸ ca ˜o fixa. u 6 Au ´ltima igualdade pode ser obtida pelo m´ etodo dos res´ ıduos. [a. [a. b] = [a. p´ agina 1327).11) forma uma rede. b] ⊃ [A.3. b] ∈ C. B ] tal que F[a. b]∈C lim F[a. integr´ b F[a. avel por Riemann em cada intervalo [a. b]. b]∈C lim f (x) dx a existir.

obviamente. se um tal Gx existir. Ent˜ ao. Seja v ∈ M com v M = 1 e seja y ∈ M tal que lim N y = v . A no¸ ca ˜o de integral de Riemann para fun¸ co ˜es de uma vari´ avel real com valores em um espa¸ co de Banach foi apresentada na Se¸ ca ˜o 30. em especial ` a p´ agina 1347. o limite de b a Para iniciarmos a discuss˜ ao precisamos de defini¸ co ˜es adequadas das no¸ co ˜es de deriva¸ ca ˜o e integra¸ ca ˜o (de Riemann) de fun¸ co ˜es entre espa¸ cos de Banach. O estudante pode facilmente convencer-se que a defini¸ ca ˜o acima corresponde ` a no¸ ca ˜o bem-conhecida de diferenciabilidade de fun¸ co ˜es de Rn → Rm . Se g ´ e diferenci´ avel em x. No sentido da defini¸ ca ˜o acima.2.2 Diferencia¸ c˜ ao e Integra¸ c˜ ao em Espa¸ cos de Banach Vamos na presente se¸ ca ˜o (cuja leitura ´ e dispens´ avel para o desenvolvimento da teoria de integra¸ ca ˜o de Lebesgue que se lhe segue) aprofundar um pouco mais a teoria da integra¸ ca ˜o de fun¸ co ˜es com valores em espa¸ cos de Banach no sentido de reproduzir. ou seja. Para fun¸ co ˜es que possuem uma integral de Riemann impr´ opria −A bem definida vale. H − Gx anula-se em todo vetor norma 1 e. ou seja. y M N (H − Gx )v = y →0 lim (H − Gx )y y M = y →0 lim [g (x + y ) − g (x) − Gx y − [g (x + y ) − g (x) − Hy y [g (x + y ) − g (x) − Gx y y M N M N ≤ y →0 lim + lim y →0 [g (x + y ) − g (x) − Hy y M N = 0. limites como lim A→∞ x dx divergem. a fun¸ ca ˜o f (x) = x n˜ ao possui uma integral de Riemann impr´ A2 como observamos. O primeiro passo ´ e apresentar a no¸ ca ˜o geral de diferencia¸ ca ˜o de fun¸ co ˜es entre espa¸ cos de Banach. f (x) dx pode ser tomado com a indo a −∞ e b indo a ∞ de diversas formas. Dizemos que g ´ e diferenci´ avel em um ponto x ∈ M se existir uma aplica¸ ca ˜o linear limitada Gx : M → N tal que y →0 lim g (x + y ) − g (x) − Gx y = 0. tratado na Se¸ ca ˜o 25. O operador linear limitado Gx pode ser interpretado como a “melhor aproxima¸ ca ˜o linear” ` a fun¸ ca ˜o g na vizinhan¸ ca de x. anula-se em todo M. sem afetar o resultado. Logo. Nosso principal prop´ osito agora ´ e demonstrar o Teorema do Valor M´ edio e obter outros resultados preparat´ orios para a demonstra¸ ca ˜o do Teorema da Fun¸ ca ˜o Impl´ ıcita. • Aplica¸ co ˜es diferenci´ aveis em espa¸ cos de Banach. Seja M um aberto em M e g : M → N uma aplica¸ ca ˜o (n˜ ao-necessariamente linear). nesse contexto geral. y →0 lim g (x + y ) − g (x) − Gx y y M N = 0. suponhamos que exista H : M → N linear e limitado tal que y →0 lim g (x + y ) − g (x) − Hy y M y →0 N = 0. De fato.JCABarata. alguns dos resultados b´ asicos do C´ alculo Diferencial e Integral18 . A derivada de Fr´ echet Sejam M e N dois espa¸ cos de Banach.5. a express˜ ao (30. . Cap´ ıtulo 30 1353/2069 opria bem definida pois.2. 18 Seguiremos proximamente a exposi¸ ca ˜o de [102]. portanto. ent˜ ao ´ e unicamente definido. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. 30. y M ou seja. p´ agina 1244.10) e para elas vale tamb´ em ∞ A A2 f (x) dx = −∞ A→∞ lim f (x) dx = −A A→∞ lim f (x) dx −A etc.

. Logo. b). Seja G definida em (30. Seja G : [a.8 Exerc´ ıcio. χ). o que implica (30. Cap´ ıtulo 30 1354/2069 Se g ´ e diferenci´ avel em todo ponto x do aberto M e se a aplica¸ ca ˜o M ∋ x → Gx ∈ B(M. Aqui. tamb´ em denominada derivada de Fr´ echet19 de g em x. E em f´ acil ver que b b g (t) dt a N ≤ g (t) a n−1 N dt (30.12). b) com x + y ∈ (a. Isso provou que G ´ e diferenci´ avel em todo x ∈ (a. max g (t) − g (x) . b] g (t) N (30. x ∈ [a.13) que G(x + y ) − G(x) = x. Pela defini¸ ca ˜o da integral de Riemann ´ e evidente que t2 t3 t3 g (t) dt + t1 t2 g (t) dt = t1 g (t) dt (30. x+y ] N y →0 ≤ y →0 t∈[x. (30. assim. De (30. b] → N uma fun¸ c˜ ao cont´ ınua. por (30. b) ⊂ R. tem-se o seguinte: Proposi¸ c˜ ao 30.5 Seja N um espa¸ co de Banach e seja g : [a. t2 .5) tem-se S (P. Mostre que se g ´ e diferenci´ avel no ponto x de acordo com a defini¸ c˜ ao acima ent˜ ao ´ e tamb´ em cont´ ınua em x.14). ≤ |y | t∈[x. tomando-se g (t) dt a N ≤ |b − a| max t∈[a. um intervalo aberto finito da reta real. N) for cont´ ınua em norma.12) Ent˜ ao G ´ e diferenci´ avel em todo intervalo (a. 30. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. x +y g (t)dt para todo x G(x + y ) − G(x) − g (x)y = Assim. b] . • Diferencia¸ c˜ ao e integra¸ c˜ ao de fun¸ co ˜es de uma vari´ avel real De particular interesse ´ e o caso em que M = R e M = (a. O operador linear limitado (Dg )(x) representa. b) com (DG)(x) ≡ G′ (x) = g (x). a derivada de g no ponto x. Prova. y ∈ (a. denotaremos os operadores lineares limitados Gx definidos acima por (Dg )(x) ou mesmo por g ′ (x).14) pois para as somas de Riemann (30.13) ´ tamb´ para todos t1 . g os limites. G(x + y ) − G(x) − g (x)y donde segue que lim G(x + y ) − G(x) − g (x)y |y | N N x g (t) − g (x) dt .JCABarata. b) e (DG)(x) ≡ G′ (x) = g (x). dizemos que g ´ e uma aplica¸ c˜ ao de classe C 1 .14) obtem-se trivialmente a estimativa b N ≤ g (χk ) k=1 N |Ik | . 19 Maurice Ren´ e Fr´ echet (1878–1973). b]. x+y ] lim max g (t) − g (x) continuidade N = 0. b] → N definida por x G(x) := a g (t)dt .15) x +y que usaremos logo abaixo. Para manter uma familiaridade notacional. Tem-se por (30. E. t3 ∈ [a.15).

obtivemos f (sn ) − f (tn ) ≤ ǫ 2 − n |t − s | . tn ) como sendo a metade na ´ claro por essa escolha que qual a varia¸ ca ˜o de f em norma foi maior. completando a prova. 2 f (sn ) − f (tn ) Pela constru¸ ca ˜o. tem-se para todo n ∈ N. Lema 30. O estudante deve cuidadosamente observar que. (30. tn ) ∈ (s. |tn − sn | = 2−n |t − s|. Cap´ ıtulo 30 1355/2069 Na demonstra¸ ca ˜o do Teorema do Valor M´ edio faremos uso do lema a seguir (cujo enunciado e demonstra¸ ca ˜o foram extra´ ıdos de [102]). Com esse lema e com a Proposi¸ ca ˜o 30. tn ] para todo n. sn−1 +  2 2 2    (sn . segue que |sn − ξ | + |ξ − tn | = |tn − sn | = 2−n |t − s|. ambas convergem a pontos no intervalo [s. f (sn ) − f (tn ) ≤ f (sn ) − f (ξ ) + f (ξ ) − f (tn ) ≤ ǫ |s n − ξ | + |ξ − t n | . Como ǫ > 0 ´ e arbitr´ ario. Teremos. Desejamos mostrar que f (s) = f (t). ao contr´ ario do que uma primeira impress˜ ao pode sugerir. Como sn e tn convergem a ξ . enquanto que tn ´ e uma seq¨ uˆ encia n˜ ao-crescente e limitada inferiormente por s. portanto. esse lema n˜ ao ´ e conseq¨ uˆ encia da Proposi¸ ca ˜o 30. t0 ) = (s. b]. b). . para tais n’s.5. t]. Como s e t s˜ ao arbitr´ arios e f´ e cont´ ınua. Assim. caso f sn−1 +tn−1 − f (tn−1 ) ≥ f (sn−1 ) − f sn−1 +tn−1 2 2 2 . n ∈ N. tn ) ⊂ (sn−1 . • O Teorema do Valor M´ edio 20 De O teorema seguinte generaliza um resultado bem conhecido de C´ alculo: [102]. Prova. b). b) mas de modo que f ′ (x) = 0 para todo x ∈ (a.16) f (sn−1 ) − f sn−1 + tn−1 2 + f sn−1 + tn−1 2 − f (tn−1 ) dados da seguinte forma: (s0 . arbitr´ arios. satisfazendo (sn . E f (sn−1 ) − f (tn−1 ) ≤ ≤ e. . Voltando a (30. segue disso que f (s) − f (t) = 0. quebramos a cada passo o intervalo (sn−1 .20 Sejam s e t ∈ (a.5 a prova do Teorema do Valor M´ edio torna-se elementar. Ent˜ ao. por´ em. vale f ′ (ξ ) = 0. t]. isso significa que para todo ǫ > 0 existe δ > 0 tal que f (x) − f (ξ ) /|x − ξ | < ǫ sempre que |x − ξ | ≤ δ . f ´ e constante. ´ e tamb´ em claro que ξ ∈ [sn . caso f (sn−1 ) − f sn−1 + − f (tn−1 ) ≥ f sn−1 + sn−1 . f (s) − f (t) ≤ 2n f (sn ) − f (tn ) . Logo. tn−1 ) e |t n − s n | = 2 − n |t − s | Em palavras. sn ´ e uma seq¨ uˆ encia n˜ ao-decrescente e limitada superiormente por t.JCABarata. b] → N cont´ ınua e diferenci´ avel em todo (a. Como. assim.16) isso implica f (s) − f (t) ≤ 2n f (sn ) − f (tn ) ≤ ǫ|t − s|. com s < t. Pela defini¸ ca ˜o de f ′ . t) e para n ≥ 1. tn ] para todo n. Como ξ ∈ [sn . isso implica que f ´ e constante em todo intervalo fechado [a. t). Pela hip´ otese. tn ) :=        sn−1 +tn−1 . Vamos definir uma seq¨ uˆ encia de intervalos (sn . segue que ambas as seq¨ uˆ encias sn e tn convergem e a um mesmo ponto ξ ∈ [s. podemos escolher n grande o suficiente de modo que |sn − ξ | ≤ δ e |tn − ξ | ≤ δ .2 Seja N um espa¸ co de Banach e f : [a.   tn−1 tn−1 tn−1   . tn−1 ) ao meio e escolhemos (sn . tn−1 . Fora isso. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.

Defina-se tamb´ em t H (t) := 0 g ′ τ x + (1 − τ )y (x − y ) dτ . y ∈ M vale 1 g (x) − g (y ) = assim como a estimativa onde Kx. denotaremos os vetores (x. e definamos ΛX : X → X × Y e ΛY : Y → X × Y por ΛX x := x 0 . Mais que isso. y ∈ M fixos. 1]. Seja g : M → N cont´ ınua e diferenci´ avel. Assim. segue disso que g (x) − g (y ) N 0 g ′ τ x + (1 − τ )y (x − y ) dτ . 1] g ′ tx + (1 − t)y (x − y ) N ≤ t∈[0. ´ e f´ acil constatar que X × Y tamb´ em o ´ e em rela¸ ca ˜o a norma (x.5. H ′ (t) = h′ (t). y ) X×Y . . Cap´ ıtulo 30 1356/2069 Teorema 30. · Y e · X×Y . 1] → N definida por h(t) := g tx + (1 − t)y . Pela regra da cadeia. Para x. Ent˜ ao. Pela Proposi¸ ca ˜o 30. H ´ e diferenci´ avel e H ′ (t) = g ′ tx + (1 − t)y ) x − y ). se X e Y forem espa¸ cos de Banach em rela¸ ca ˜o ` as suas respectivas normas.1 (Teorema do Valor M´ edio) Sejam M e N espa¸ cos de Banach e M ⊂ M um conjunto aberto e conexo de M. ΠY . y ) ∈ X × Y como vetores-coluna: x . ´ um exerc´ respectivamente. (30. ΛY y := 0 y . 1]. 30. • Derivadas parciais Sejam X e Y dois espa¸ cos normados com normas · X e · Y . y ) X×Y := x X + y Y. y := max g tx + (1 − t)y ′ 0 g ′ τ x + (1 − τ )y dτ N (x − y ) .9 Exerc´ ıcio. Prove que · X×Y ´ e de fato uma norma e que X × Y ´ e um espa¸ co de Banach em rela¸ c˜ ao ` a mesma se X e Y o forem em rela¸ c˜ ao ` as suas respectivas normas. pelo Lema 30.15). ΠY x y := y . t∈[0. y x − y M Prova. Para distinguirmos a estrutura de espa¸ co vetorial de X × Y definida acima. 1] . seja h : [0. ≤ max t∈[0. o que implica. respectivamente. .2. y ∈ Y} um espa¸ co vetorial normado declarando as opera¸ co ˜es de soma e produto por escalares por α1 (x1 . y1 ) + α2 (x2 . h′ (t) = g ′ tx + (1 − t)y (x − y ). y2 ) := (α1 x1 + α2 x2 .17) ΠX ΛX = ½X . que a diferen¸ ca H (t) − h(t) ´ e constante para todo t ∈ [0. y Definamos as proje¸ co ˜es ΠX : X × Y → X e ΠY : X × Y → Y por ΠX x y := x .JCABarata. E ıcio elementar (mas importante) mostrar que ΠX . E constatar que ΠY ΛY = ½Y e ΛX ΠX + ΛY ΠY = ½X×Y . α1 y1 + α2 y2 ) e definindo a norma (x. 1] max g ′ tx + (1 − t)y x−y M . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. y ). o que completa a demonstra¸ ca ˜o. para todos x. Podemos fazer do produto Cartesiano X × Y = {(x. Para t = 1 essa igualdade fica H (1) − h(1) = −g (y ) e como h(1) = g (x) conclu´ ımos que 1 g (x) − g (y ) = Usando (30. respectivamente. t ∈ [0. E. g (x) − g (y ) ≤ Kx. respectivamente. Y e X × Y das topologias das normas · X . ΛX e ΛY s˜ ao lineares e cont´ ınuas se ´ igualmente elementar dotarmos X. segue que H (t) − h(t) = −h(0) = −g (y ) para todo t ∈ [0. x ∈ X. 1] . Como H (0) = 0.

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Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.

Cap´ ıtulo 30

1357/2069

Seja Z um terceiro espa¸ co de Banach com norma · Z . Para A ⊂ X e B ⊂ B dois abertos convexos, seja F : A × B → Z uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua e diferenci´ avel, sendo F ′ : A × B → Z sua derivada. Para cada (x, y ) ∈ A × B a express˜ ao F ′ (x, y ) define um operador linear e cont´ ınuo X × Y → Z. Para y fixo em B podemos considerar tamb´ em a fun¸ ca ˜o A ∋ x → F (x, y ), assim como para x fixo em A podemos considerar a fun¸ ca ˜o B ∋ y → F (x, y ). Se essas fun¸ co ˜es forem diferenci´ aveis denotaremos suas derivadas por D1 F e D2 F , respectivamente. Note-se que D1 F ´ e uma aplica¸ ca ˜o linear X → Z e D2 F ´ e uma aplica¸ ca ˜o linear Y → Z.

Vamos mostrar que se F ′ existe ent˜ ao essas duas fun¸ co ˜es s˜ ao tamb´ em diferenci´ aveis e vamos estabelecer rela¸ co ˜es entre D1 F , D2 F e F ′ . De fato, da existˆ encia de F ′ sabemos que F (x + a, y + b) − F (x, y ) = F ′ (x, y ) a + R(a, b) , b com lim R(a, b) Z = 0. (a, b) X×Y

(a, b)→0

para todos (a, b) ∈ X × Y. Em particular, para b = 0 teremos F (x + a, y ) − F (x, y ) = F ′ (x, y ) a + R(a, 0) , b
X ×Y

com = a
X,

a→0

lim

R(a, 0) Z = 0, (a, 0) X×Y

ou seja, escrevendo R(a, 0) ≡ R(a) e lembrando que (a, 0)

tem-se lim R(a) Z = 0, a X

F (x + a, y ) − F (x, y ) = F ′ (x, y ) ΛX a + R(a) , o que nos permite concluir que Analogamente, podemos concluir que D1 F (x, y ) = F ′ (x, y )ΛX . D2 F (x, y ) = F ′ (x, y )ΛY .

com

a→0

Dessas express˜ oes extrai-se facilmente a continuidade de D1 F (x, y ) e D2 F (x, y ) como fun¸ co ˜es de (x, y ) ∈ A × B . Da u ´ltima das rela¸ co ˜es em (30.17) obtemos F ′ (x, y ) = D1 F (x, y ) ΠX + D2 F (x, y ) ΠY . As u ´ltimas trˆ es express˜ oes valem para todo (x, y ) ∈ A × B . (30.18)

D1 F e D2 F definem as derivadas parciais de F em rela¸ ca ˜o a seu primeiro e segundo argumentos, respectivamente.

30.3

A Integra¸ c˜ ao no Sentido de Lebesgue

A presente se¸ ca ˜o ´ e dedicada ` a teoria da integra¸ ca ˜o de fun¸ co ˜es definidas em espa¸ cos mensur´ aveis. A no¸ ca ˜o de integra¸ ca ˜o da qual trataremos foi introduzida por Lebesgue entre 1901 e 190221 e redescoberta independentemente por Young22 dois anos mais tarde. A teoria de integra¸ ca ˜o introduzida por Lebesgue representa uma importante extens˜ ao da teoria de integra¸ ca ˜o de Riemann e desde cedo encontrou aplica¸ co ˜es em diversas ´ areas da Matem´ atica (como, para ficar em um u ´nico exemplo, na teoria das s´ eries de Fourier), com reflexos tamb´ em na F´ ısica. A teoria da integra¸ ca ˜o de Lebesgue faz amplo uso de no¸ co ˜es da teoria da medida e necessita, em particular, da no¸ ca ˜o de fun¸ ca ˜o mensur´ avel, que iremos discutir antes de passarmos ` a defini¸ ca ˜o geral da integral de Lebesgue propriamente dita.

30.3.1

Fun¸ c˜ oes Mensur´ aveis e Fun¸ c˜ oes Simples

Comecemos com uma defini¸ ca ˜o que ser´ a amplamente empregada no que segue, a de fun¸ ca ˜o caracter´ ıstica de um conjunto.
21 O trabalho de Lebesgue sobre a teoria da integra¸ ca ˜o, intitulado “Int´ egrale, longueur, aire” foi apresentado como disserta¸ ca ˜o ` a Universidade de Nancy em 1902. 22 William Henry Young (1863–1942).

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Cap´ ıtulo 30

1358/2069

• A fun¸ c˜ ao caracter´ ıstica de um conjunto

´ e denominada fun¸ c˜ ao caracter´ ıstica do conjunto A, ou fun¸ c˜ ao indicatriz do conjunto A. E. 30.10 Exerc´ ıcio. Seja M um conjunto n˜ ao-vazio e A, B ⊂ M . Mostre que χA (x)χB (x) = χA∩B (x) , ∀x ∈ M . (30.19)

Seja M um conjunto n˜ ao-vazio e A ⊂ M . A fun¸ ca ˜o χA : M → R definida por     1, se x ∈ A χA (x) :=    0, se x ∈ A

Uma fun¸ ca ˜o f : M → N ´ e dita ser uma fun¸ c˜ ao mensur´ avel em rela¸ ca ˜o ` as σ -´ algebras M e N, ou [M, N]-mensur´ avel, se f −1 (A) ∈ M para todo A ∈ N, ou seja, se a pr´ e-imagem de todo conjunto mensur´ avel segundo N for um conjunto mensur´ avel segundo M. O estudante deve comparar essa defini¸ ca ˜o com a defini¸ ca ˜o de fun¸ ca ˜o cont´ ınua DC 1, p´ agina 1334. Devido ao seu seu papel preponderante na teoria da integra¸ ca ˜o (de Lebesgue), vamos primeiro estudar algumas das propriedades b´ asicas das fun¸ co ˜es mensur´ aveis, especialmente das fun¸ co ˜es num´ ericas, ou seja, aquelas cuja imagem est´ a em R ou em C.

Apresentemos uma importante defini¸ ca ˜o, a de fun¸ ca ˜o mensur´ avel. Sejam (M, M) e (N, N) dois espa¸ cos mensur´ aveis, sendo M e N dois conjuntos n˜ ao-vazios e M ⊂ È(M ) e N ⊂ È(N ) σ -´ algebras em M e N , respectivamente.

• Fun¸ co ˜es mensur´ aveis. Defini¸ c˜ ao e coment´ arios

A primeira propriedade elementar ´ e bastante geral: se (M1 , M1 ), (M2 , M2 ) e (M3 , M3 ) s˜ ao trˆ es espa¸ cos mensur´ aveis e se f : M1 → M2 e g : M2 → M3 s˜ ao duas fun¸ co ˜es mensur´ aveis (f sendo [M1 , M2 ]-mensur´ avel e g sendo [M2 , M3 ]mensur´ avel) ent˜ ao g ◦ f : M1 → M3 ´ e mensur´ avel em rela¸ ca ˜o a M1 e M3 (ou seja, [M1 , M3 ]-mensur´ avel). A prova ´ e imediata pela defini¸ ca ˜o. Dado um espa¸ co mensur´ avel (M, M) estaremos, como dissemos, primordialmente interessados em fun¸ co ˜es f : M → R. Qual σ -´ algebra adotar em R? As duas possibilidades mais importantes s˜ ao a σ -´ algebra de Lebesgue23 MµL , dos conjuntos mensur´ aveis pela medida de Lebesgue µL , e a σ -´ algebra de Borel24 M[τR ] que, por defini¸ ca ˜o, ´ e a menor σ -´ algebra que cont´ em a topologia usual da reta τR . A σ -´ algebra de Borel foi estudada no Cap´ ıtulo 26 (vide especialmente a p´ agina 1259). Vimos na Se¸ ca ˜o 28.1.1, p´ agina 1302, que M[τR ] ⊂ MµL . Para a grande maioria dos prop´ ositos da teoria da integra¸ ca ˜o ´ e suficiente considerar em R a σ -´ algebra de Borel M[τR ]. Assim, dado um espa¸ co mensur´ avel (M, M) estaremos interessados em fun¸ co ˜es f : M → R, dotando R da σ -´ algebra de Borel M[τR ].

Os conjuntos que comp˜ oe M[τR ] s˜ ao denominados conjuntos Borelianos. Que conjuntos s˜ ao estes? Recordando o que aprendemos nos cap´ ıtulos supra-citados, todos os conjuntos abertos ou fechados de R (na topologia usual τR ) s˜ ao Borelianos. S˜ ao tamb´ em Borelianos intervalos semi-abertos como [a, b) ou (a, b], assim como uni˜ oes cont´ aveis dos mesmos e seus complementos. H´ a em R, al´ em dos intervalos semi-abertos, outros conjuntos Borelianos que n˜ ao s˜ ao nem abertos nem fechados. O ao cont´ avel de conjuntos Borelianos {r} (que contˆ conjunto dos racionais, Q, ´ e Boreliano, pois Q = r∈Q {r}, uma uni˜ em apenas um ponto e s˜ ao Borelianos por serem fechados). O conjunto dos irracionais ´ e Boreliano por ser o complemento de Q, que ´ e Boreliano. Analogamente o conjunto dos n´ umeros reais alg´ ebricos ´ e Boreliano, assim como o conjunto dos n´ umeros reais transcendentes. Generalizando o racioc´ ınio, todo conjunto finito ou cont´ avel de R ´ e Boreliano e seu complemento tamb´ em. Se f : M → R ´ e mensur´ avel em rela¸ ca ˜o ` as σ -´ algebras M e M[τR ], f dita ser uma fun¸ c˜ ao Boreliana. Se f : M → R c˜ ao mensur´ avel de Lebesgue. Como M[τR ] ⊂ MµL , ´ e mensur´ avel em rela¸ ca ˜o ` as σ -´ algebras M e MµL , f dita ser uma fun¸ ´ dif´ toda fun¸ ca ˜o mensur´ avel de Lebesgue ´ e Boreliana. Que fun¸ co ˜es s˜ ao Borelianas? E ıcil dar uma descri¸ ca ˜o geral, mas no
23 Henri 24 F´ elix

L´ eon Lebesgue (1875–1941). ´ ´ Edouard Justin Emile Borel (1871–1956).

JCABarata. Curso de F´ ısica-Matem´ atica

Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.

Cap´ ıtulo 30

1359/2069

caso importante de fun¸ co ˜es f : R → R onde adotamos M[τR ] como a σ -´ algebra tanto do dom´ ınio quando da imagem, ´ e relativamente f´ acil provar que toda fun¸ ca ˜o cont´ ınua ´ e Boreliana. A prova ´ e apresentada no Apˆ endice 30.B, p´ agina 1384, quando tratarmos de fun¸ co ˜es mensur´ aveis entre espa¸ cos topol´ ogicos. S˜ ao tamb´ em Borelianas as fun¸ co ˜es cont´ ınuas por partes, ou seja, aquelas que possuem um n´ umero finito de descontinuidades. H´ a ainda outras fun¸ co ˜es que s˜ ao Borelianas mas que n˜ ao s˜ ao nem cont´ ınuas nem cont´ ınuas por parte. Exemplos s˜ ao as fun¸ co ˜es de (30.1). E. 30.11 Exerc´ ıcio. Justifique! Um exemplo de uma fun¸ ca ˜o n˜ ao-mensur´ avel, mais especificamente, de uma fun¸ ca ˜o f : R → R que n˜ ao ´ e Boreliana, ´ e a fun¸ ca ˜o caracter´ ıstica de um conjunto n˜ ao-mensur´ avel (ou n˜ ao Boreliano), como a fun¸ ca ˜o caracter´ ıstica χV (x) do conjunto de Vitali V que introduzimos no Cap´ ıtulo 27 (vide especialmente a p´ agina 1275). Fun¸ co ˜es n˜ ao-mensur´ aveis s˜ ao praticamente desconsideradas na teoria da integra¸ ca ˜o. No Apˆ endice 30.B, p´ agina 1384, estuda-se com mais profundidade a no¸ ca ˜o de fun¸ ca ˜o mensur´ avel. Para os nossos prop´ ositos, o principal resultado que l´ a obtemos ´ e o seguinte: Proposi¸ c˜ ao 30.6 Se (M, M) ´ e um espa¸ co de medida, ent˜ ao o conjunto de todas as fun¸ c˜ oes f : M → R que sejam [M, M[τR ]]-mensur´ aveis forma uma ´ algebra real. Mais precisamente, se f : M → R e g : M → R s˜ ao ambas [M, M[τR ]]mensur´ aveis, ent˜ ao 1. Para todos α, β ∈ R vale que αf + βg ´ e [M, M[τR ]]-mensur´ avel. 2. O produto f · g ´ e [M, M[τR ]]-mensur´ avel. • Fun¸ co ˜es mensur´ aveis complexas

Uma fun¸ ca ˜o f : M → C ´ e [M, M[τC ]]-mensur´ avel se e somente se suas partes real e imagin´ aria forem [M, M[τR ]]mensur´ aveis. Isso ´ e demonstrado nas Proposi¸ co ˜es 30.15 e 30.16, das p´ aginas 1388 e seguintes. Usando a Proposi¸ ca ˜o 30.6 ´ e f´ acil ver que o conjunto de todas as fun¸ co ˜es complexas mensur´ aveis ´ e tamb´ em uma ´ algebra complexa. Vide Proposi¸ ca ˜o 30.17, p´ agina 1389. • Fun¸ co ˜es definidas por sup’s e inf ’s
n

e lim inf fn s˜ ao definidas para cada x ∈ M por

Se {fn } ´ e uma seq¨ uˆ encia de fun¸ co ˜es definidas em M assumindo valores em R, ent˜ ao as fun¸ co ˜es sup fn , inf fn , lim sup fn
n n n

sup fn (x)
n

:=

sup (fn (x)) ,
n

inf fn (x)
n

:=

inf (fn (x)) ,
n

lim sup fn (x)
n

:= :=

lim sup (fn (x)) ,
n

lim inf fn (x)
n

lim inf (fn (x)) .
n

Se (M, M) for um espa¸ co de medida e as fun¸ co ˜es fn forem todas [M, M[τR ]]-mensur´ aveis, ent˜ ao todas as fun¸ co ˜es definidas acima s˜ ao tamb´ em [M, M[τR ]]-mensur´ aveis. Por exemplo, para provar que a fun¸ ca ˜o f := sup fn ´ e mensur´ avel, notamos que para qualquer a ∈ R
n ∞

f −1 ((a, ∞)) =

n=1

−1 fn ((a, ∞)) .

(30. se f (x) ≥ 0 . isso implica que f ´ e [M.11. como |f | = f + + f − . ∞) e (−∞. por serem as pr´ e-imagens por f dos Borelianos [0. + f (x) :=    0. . . o caso da fun¸ ca ˜o lim inf fn ´ e an´ alogo. Pelo argumentado acima.JCABarata. . Al´ em disso. ∞)) ∈ M para todo a ∈ R e. 0]. . dizemos que uma fun¸ ca ˜o real ou complexa f : M → R. Da´ ı. M[τR ]]-mensur´ avel. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. notamos que lim sup fn = inf sup fn . e e |f | = f + + f − . se f possui uma representa¸ ca ˜o normal esta n˜ ao ´ e necessariamente u ´ nica: podemos dividir alguns dos conjuntos Bk em subconjuntos disjuntos menores e obter uma nova representa¸ ca ˜o normal. novamente pela Proposi¸ ca ˜o 30. n • Partes positiva e negativa de uma fun¸ c˜ ao ´ claro que f + (x) ≥ 0 e que f − (x) ≥ 0 f+ ´ e denominada parte positiva de f e f − ´ e denominada parte negativa de f . conclu´ ımos de (30. Como o produto de duas fun¸ co ˜es mensur´ aveis ´ e mensur´ avel (Proposi¸ ca ˜o 30. ou f : M → C possui uma representa¸ ca ˜o normal se para algum m ∈ N existirem n´ umeros α1 . f − (x) = −f (x)χF − (x) F − = {x ∈ M | f (x) ≤ 0} . p´ agina 1386.21) A soma do lado direito de (30.11. ent˜ ao f assume um n´ umero finito de valores (certo?). Assim.21) ´ e dita ser uma representa¸ c˜ ao normal de f . ´ igualmente f´ E acil ver que sendo que F + = {x ∈ M | f (x) ≥ 0} e f (x) + |f (x)| 2 f = f+ − f− f + (x) = f (x)χF + (x) e f − (x) = −f (x) + |f (x)| 2 Para f : M → R. . M[τR ]]-mensur´ avel. Ou podemos tomar a uni˜ ao de conjuntos Bk com valores iguais de αk e obter uma nova representa¸ ca ˜o normal.20) que f + e f − s˜ ao fun¸ co ˜es mensur´ aveis. que M = B1 ∪ · · · ∪ Bm e que m f (x) = k=1 αk χBk (x) (30. Bm tais que Bi ∩ Bj = ∅ para i = j . cada conjunto fn ((a. Para o caso de f = lim sup fn . αm . Analogamente. ´ importante notar que se f admite uma representa¸ E ca ˜o normal. e f − (x) :=     −f (x). Finalmente. a)) . as fun¸ co ˜es caracter´ ısticas χF ± s˜ ao mensur´ aveis. e conjuntos B1 . . n˜ ao necessariamente distintos. pois ´ e a soma de duas fun¸ co ˜es mensur´ aveis (novamente. prova-se que f := inf fn ´ e [M. f ((a. E. Veremos que essa ´ e uma condi¸ ca ˜o necess´ aria e suficiente para que uma fun¸ ca ˜o f possua uma representa¸ ca ˜o normal. Logo.20) Se f ´ e mensur´ avel. portanto. • A representa¸ c˜ ao normal Se M ´ e um conjunto n˜ ao-vazio. Note que nem toda fun¸ ca ˜o f possui uma representa¸ ca ˜o normal.1. pois nesse caso n ∞ f −1 ((−∞. conseq¨ uentemente. Proposi¸ ca ˜o 30. 30.    0. Cap´ ıtulo 30 1360/2069 ao: Se¸ c˜ ao 1.6). a uni˜ ao acima tamb´ em. pois −1 ´ e uma uni˜ ao cont´ avel. segue tamb´ em que |f | ´ e mensur´ avel.12 Exerc´ ıcio.6). definimos     f (x). . . M[τR ]]-mensur´ avel e assim o ´ e seu ´ ınfimo para todo m. se f (x) > 0 . E f´ acil ver que f + (x) = e. respectivamente. E ´ para todo x. . cada sup fn ´ e n n m≥1 n≥m n≥m [M. . se f (x) < 0 . se f (x) ≤ 0 . p´ agina 55. F + e F − s˜ ao conjuntos mensur´ aveis. Certo? Sugest˜ −1 Pela Proposi¸ ca ˜o 30. a)) = n=1 −1 fn ((−∞. ∞)) pertence a M.3.

sendo que cada sk ´ e um elemento de R ou de C. A prova ´ e evidente e dispens´ avel. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. ´ e dita ser uma representa¸ c˜ ao normal curta da fun¸ ca ˜o simples s. . (30. defina-se os conjuntos Ak ⊂ M por Ak = s−1 (sk ). ou seja. segue facilmente. . conforme o caso. O pr´ oximo exerc´ ıcio ´ e mais detalhado quanto ` as propriedades alg´ ebricas das fun¸ co ˜es simples. vocˆ e dever´ a usar os fatos que A1 ∪ · · · ∪ An = M e que B1 ∪ · · · ∪ Bm = M . n αs(x) = k=1 αsk χAk (x) . . mostre que r(x) + s(x) = n m (sk + rl ) χAk ∩Bl (x) . ou seja. com si = sj para i = j . Uma representa¸ ca ˜o normal como a de (30.JCABarata. A prova dessas afirma¸ co ˜es ´ e bem simples e deixada ao leitor. Cap´ ıtulo 30 1361/2069 • Fun¸ co ˜es simples Se M ´ e um conjunto n˜ ao-vazio. O leitor poder´ a facilmente convencer-se que a representa¸ ca ˜o normal curta de uma fun¸ ca ˜o simples ´ eu ´nica. 30. k=1 l=1 (30. que M = A1 ∪ · · · ∪ An e que E n s(x) = k=1 sk χAk (x) .22). Para qualquer n´ umero α tem-se. k=1 l=1 Isso segue facilmente da identidade χA χB = χA∩B . ´ bastante evidente que Ai ∩ Aj = ∅ para i = j . segue facilmente (30. para mostrar que n m 1 = k=1 χAk (x) e 1 = l=1 χBl (x) . na qual as constantes sk s˜ ao todas distintas. ´ e dita ser elementar ou simples se assumir apenas um n´ umero finito de valores. e disso. para algum n ∈ N. obviamente.23). . ou s : M → C. Ak ´ e a pr´ e-imagem de sk por s: Ak = {x ∈ M | s(x) = sk }. sn }. sendo ambas uni˜ oes de conjuntos disjuntos. E. Por fim. . . que m n χAk (x) = l=1 χAk ∩Bl (x) e χBl (x) = k=1 χBl ∩Al (x) . . . •A´ algebra das fun¸ co ˜es simples As fun¸ co ˜es simples formam uma ´ algebra. Se s ´ e simples e ℑ(s) = {s1 . Disso. se sua imagem for ℑ(s) = {s1 . sn }.23) Para provar isso. As fun¸ co ˜es simples e mensur´ aveis tamb´ em formam uma ´ algebra. Se s e r s˜ ao fun¸ co ˜es simples definidas em M com representa¸ co ˜es normais n m s(x) = k=1 sk χAk (x) e r(x) = l=1 rl χBl (x) mostre que r(x)s(x) = n m sk rl χAk ∩Bl (x) . usando a identidade χA χB = χA∩B . uma fun¸ ca ˜o s : M → R. Um ponto importante ´ e a seguinte observa¸ ca ˜o: uma fun¸ ca ˜o simples ´ e mensur´ avel (em rela¸ ca ˜o a uma σ -´ algebra M definida em M ) se e somente se cada Ak acima for um conjunto mensur´ avel (ou seja Ak ⊂ M).22) Vemos com isso que toda fun¸ ca ˜o simples possui pelo menos uma representa¸ ca ˜o normal.13 Exerc´ ıcio (f´ acil). .

Integra¸ c˜ ao em Espa¸ cos Mensur´ aveis Passamos agora ` a empreitada de definir o conceito de integral de Lebesgue em espa¸ cos mensur´ aveis.3 ´ e que f n˜ ao ´ e necessariamente n˜ ao-negativa. Pelo que observamos. O processo segue v´ arias etapas sucessivas. (30. Para tais valores de k pode eventualmente valer µ(Ak ) = ∞. toda fun¸ c˜ ao f : M → R que seja Boreliana ´ eo limite de uma seq¨ uˆ encia de fun¸ c˜ oes simples mensur´ aveis. mensur´ avel por Lebesgue ou Boreliana. A validade de (30.D.24) Observa¸ c˜ oes. f = f + − f − . sejam p q s(x) = k=1 βk χBk (x) e s(x) = l=1 γl χCl (x) (30. na qual est´ a definida uma medida µ. o que encerra a prova. • Fun¸ co ˜es mensur´ aveis e fun¸ co ˜es simples A prova encontra-se no Apˆ endice 30. podemos reescrever a defini¸ ca ˜o acima de forma mais simplificada como n s dµ ≡ M M s(x) dµ(x) := k=1 sk µ(Ak ) . pode ser aproximada por fun¸ co ˜es simples. iniciando com a defini¸ ca ˜o de integral de fun¸ co ˜es simples mensur´ aveis. aplica-se o Lema 30. Para simplificar a nota¸ ca ˜o. a integral de s em M com respeito ` a medida µ ´ e definida por n M s dµ ≡ s(x) dµ(x) := M k=1 sk =0 sk µ(Ak ) .3.26) A prova de (30. p q βk µ(Bk ) = k=1 l=1 γl µ(Cl ) . p´ agina 1390. com Bi ∩ Bj = ∅ para i = j . Na defini¸ ca ˜o (30. A diferen¸ ca com rela¸ ca ˜o ao Lema 30.3. A elas. De fato. a convergˆ encia ´ e at´ e mesmo uniforme. 30. embora um tanto t´ ecnico. Se f for tamb´ em limitada.26) ´ e apresentada no Apˆ endice 30. Lema 30.3 tem o seguinte Corol´ ario 30. Se convencionarmos que 0 × ∞ = 0. caso µ(Ak ) = ∞ para algum k com sk > 0.2 Se M ´ e um espa¸ co de medida com uma σ -´ algebra M. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.3 Se M ´ e um espa¸ co de medida com uma σ -´ algebra M. Ent˜ ao.26) mostra que a defini¸ ca ˜o de integral de uma fun¸ ca ˜o simples dada acima ´ e intr´ ınseca e n˜ ao depende da particular representa¸ ca ˜o normal adotada. essa conven¸ ca ˜o 0 × ∞ = 0 ´ e adotada por muitos autores e nos juntaremos a eles nestas Notas. 1. portanto. se s(x) ≥ 0 para todo x). • Integra¸ c˜ ao de fun¸ co ˜es simples Seja agora M um espa¸ co mensur´ avel com uma σ -´ algebra M. com M = C1 ∪ · · · ∪ Cq . M-mensur´ avel e com representa¸ ca ˜o n normal curta s(x) = k=1 sk χAk (x). Note-se que na soma ` a direita na express˜ ao (30. Se s ´ e uma fun¸ ca ˜o simples e n˜ ao-negativa (ou seja.25) duas representa¸ co ˜es normais de s. com M = B1 ∪ · · · ∪ Bp e igualmente Ci ∩ Cj = ∅ para i = j .2 A Integral de Lebesgue. que ser˜ ao usadas para definir a integral de fun¸ co ˜es positivas mensur´ aveis e assim por diante.C. toda fun¸ c˜ ao f : M → R n˜ ao-negativa e Boreliana (ou mensur´ avel por Lebesgue) ´ e o limite de uma seq¨ uˆ encia mon´ otona n˜ ao-decrescente de fun¸ c˜ oes simples mensur´ aveis e n˜ ao-negativas.JCABarata. Cap´ ıtulo 30 1362/2069 Toda fun¸ ca ˜o real n˜ ao-negativa. revela uma rela¸ ca ˜o subjacente entre fun¸ co ˜es mensur´ aveis em geral e fun¸ co ˜es simples mensur´ aveis.24) usamos a representa¸ ca ˜o normal curta da fun¸ ca ˜o s. sendo ambas f ± n˜ ao-negativas e Borelianas.24) exclui-se os valores de k para os quais sk = 0. p´ agina 1389. por´ em. mas isso n˜ ao ´ e necess´ ario pois qualquer representa¸ ca ˜o normal de s pode ser usada com idˆ entico resultado. O Lema 30. Mais precisamente temos o seguinte lema (de [100]) que. Prova. . 2. Observemos tamb´ em que a soma do lado esquerdo pode valer ∞. (30.

∞)) + (0)µL ((−∞.19) sk µ(Ak ∩ E ) . M A defini¸ ca ˜o de integral de fun¸ co ˜es simples que empreendemos acima ´ e o primeiro passo da defini¸ ca ˜o mais geral de integral de fun¸ co ˜es em espa¸ cos mensur´ aveis. n n M s dµ ≡ s(x) dµ(x) := M k=1 sk =0 sk µ(Ak ) = k=1 sk µ(Ak ) . k=1 sk µ(Ak ∩ E ) . 1] .JCABarata. ∞)) + (−1)µL ((−∞. • Integrais indefinidas de fun¸ co ˜es simples Se s ´ e simples mensur´ avel n˜ ao-negativa ou s ´ e simples mensur´ avel e integr´ avel e se E ⊂ M com E ∈ M. s(x) =    −1. para a medida de Lebesgue µL . Para as fun¸ problemas n˜ ao ocorrem j´ a que os termos sk µ(Ak ) s˜ ao finitos (positivos ou negativos). 4)) = 2 × 3 + 0 × ∞ = 2 × 3 = 6. 4) s(x) =    0. 1] Essa fun¸ ca ˜o ´ e mensur´ avel de Lebesgue. s dµ < ∞. s(x) =    0. 4)) + (0)µL (R \ (1. 1]) = +2µL ((1. ∞) . se x ∈ (1. Note que para s integr´ avel. Por´ em. Antes de prosseguirmos. com uma representa¸ ca ˜o normal s(x) = ´ e dita ser uma fun¸ c˜ ao µ-integr´ avel se µ(Ak ) < ∞ para todo k com sk = 0. ´ e mensur´ avel e integr´ avel e co ˜es simples integr´ aveis tais teremos R s dµL = +2µL ((1. se x ∈ (−∞. ∞)) = ∞ e µL ((−∞. de onde extrai-se que k=1 M sχE dµ = s. a condi¸ ca ˜o de s ser n˜ ao-negativa ´ e importante para evitar o aparecimento de somas to tipo ∞ − ∞. definimos n s dµ := E n M s χE dµ = k=1 (30. a integral dessa fun¸ ca ˜o R s dµL = +2µL ((1. Ao definirmos a integral de fun¸ co ˜es simples n˜ aonegativas permitimos ter µ(Ak ) = ∞ para algum k com sk > 0. De fato. 1]) = ∞ e n˜ ao temos como definir a diferen¸ ca +2µL ((1. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. J´ a para a fun¸ ca ˜o simples e mensur´ avel     +2. O seguinte exemplo ilustra isso: com rela¸ ca ˜o ` a medida de Lebesgue a fun¸ ca ˜o simples     +2. se x ∈ (1. pois µL ((1. como desejamos. n Au ´ltima igualdade segue de s(x)χE (x) = n k=1 sk χAk (x)χE (x) = sk χAk ∩E (x). ∞)) + (−1)µL ((−∞. Observe-se que para os valores de k para os quais sk = 0 n˜ ao estamos impedidos de ter µ(Ak ) = ∞. Para uma tal fun¸ ca ˜o definimos igualmente n k=1 sk χAk (x). 4) M s dµL = +2µL ((1. Na u ´ltima igualdade usamos a conven¸ ca ˜o 0 × ∞ = 0. Aqui. se x ∈ (1. Isso seria o caso de uma fun¸ ca ˜o simples como     +2. ∞) . se x ∈ (−∞. Cap´ ıtulo 30 1363/2069 ♣ Uma fun¸ ca ˜o simples (n˜ ao necessariamente positiva) e M-mensur´ avel s. para fun¸ co ˜es simples integr´ aveis s´ o se ter´ a µ(Ak ) = ∞ se sk = 0 e nesse caso convenciona-se sk µ(Ak ) = 0. • Alguns esclarecimentos O estudante deve reparar nos cuidados tomados nas defini¸ co ˜es acima: s´ o definimos a no¸ ca ˜o de integral para fun¸ co ˜es simples e mensur´ aveis que sejam ou n˜ ao-negativas ou integr´ aveis. que n˜ ao est˜ ao definidas. As integrais s dµ s˜ ao por vezes denominadas integrais definidas da fun¸ ca ˜o simples E . ∞)) = ∞. se x ∈ (1. 1]). fa¸ camos alguns coment´ arios de esclarecimento sobre as defini¸ co ˜es acima. 1]) n˜ ao est´ a definida.

ϕs (E ) = n s µ ( A ∩ E ). portanto. (sa + sb ) dµ E = E sa dµ + E sb dµ . Logo. por exemplo quando demonstrarmos o Teorema da Convergˆ encia Mon´ otona. s1 dµ E ≤ s2 dµ E se s1 (x) ≤ s2 (x). seja M n˜ ao-vazio. s1 e s2 s˜ ao fun¸ co ˜es simples. Teremos para ∞ cada E ∈ M. Em primeiro lugar. Prova. A integral de Lebesgue Como acima. O que justifica a troca de ordem das somas feita na demonstra¸ c˜ ao acima? • Integra¸ c˜ ao de fun¸ co ˜es mensur´ aveis.4 Seja M n˜ ao-vazio. ´ e uma medida. Seja s uma fun¸ c˜ ao simples. que tem interesse por si s´ o. pois χ∅ ´ e identicamente nula. ∞ n ∞ ∞ n ϕs m=1 Em = k=1 ∞ sk µ Ak ∩ Em m=1 = k=1 m=1 sk µ (Ak ∩ Em ) = m=1 k=1 sk µ (Ak ∩ Em ) = m=1 ϕs (Em ) . 30. vale que ∞ ∞ ∞ µ(Ak ∩ E ) = µ Ak ∩ Assim. M uma σ -´ algebra de M na qual definimos uma medida µ. s. ∞ n Em m=1 = µ m=1 (Ak ∩ Em ) = m=1 µ(Ak ∩ Em ) . • Medidas definidas pela integral de fun¸ co ˜es simples n˜ ao-negativas O seguinte resultado (de [205]). ∀x ∈ E . E. Cap´ ıtulo 30 1364/2069 • Propriedades elementares da integra¸ c˜ ao de fun¸ co ˜es simples As seguintes propriedades das integrais de fun¸ co ˜es simples s˜ ao v´ alidas e podem ser facilmente verificadas: (αs) dµ E = α E s dµ . vale que Ak ∩ E = m=1 (Ak ∩ Em ). Ent˜ ao ϕs ´ e uma medida em M. Se E = E ´ e uma uni˜ a o disjunta e cont´ a vel com Em ∈ M para todo k k=1 k m=1 m ∞ m. n Seja uma representa¸ ca ˜o normal de s = k=1 sk χAk (com Ak ∈ M para todo k . pois s ´ e mensur´ avel). Teorema 30. note-se que ϕs (φ) = 0. integr´ aveis e complexas quaisquer e α ∈ C. Como s ´ e n˜ ao-negativa. constante. n˜ ao-negativa e [M. integr´ aveis e reais quaisquer.14 Exerc´ ıcio. Isso provou que ϕs ´ e σ -aditiva e. Para E ∈ M defina-se ϕs (E ) := E s dµ = M s χE dµ . ser´ a usado mais adiante. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. . como µ ´ e uma medida. ϕs (E ) ≥ 0 para todo E ∈ M. M[τR ]]-mensur´ avel e integr´ avel.4. tamb´ em uma uni˜ ao disjunta e cont´ avel de elementos de M.JCABarata. M uma σ -´ algebra de M na qual definimos uma medida µ. sa e sb s˜ ao fun¸ co ˜es simples. Lema 30. p´ agina 1371. Acima.

e como f = f + − f − . sendo ambas f ± n˜ ao-negativas. M) um espa¸ co de medida e seja f : M → R+ uma fun¸ c˜ ao [M.p. tem-se 1 1 ´ claro pela defini¸ En ∈ M. f dµ := sup s dµ .t. segue que 0 = E f dµ ≥ E 1 1 χEn dµ = µ(En ) . M M Como |f | = f + + f − . p´ agina 1390. de fato. M As integrais do lado direito s˜ ao finitas e. Ent˜ a o f = 0 µ -q. Se fn ´ e uma seq¨ uˆ encia mon´ otona n˜ ao-decrescente de fun¸ co ˜es simples mensur´ aveis de S (f ) que converge a f (que tal existe. Note-se agora que {x ∈ E | f (x) > 0} = ∞ n=1 µ(En ) = 0.E. A defini¸ ca ˜o acima foi introduzida por Lebesgue como substituto ` a defini¸ ca ˜o de integral devida a Riemann.3) ´ e poss´ ıvel mostrar que f dµ = E n→∞ lim fn dµ . µ(En ) = 0 para todo n ∈ N. Discutiremos suas virtudes mais adiante. . mensur´ avel e 0 ≤ s(x) ≤ f (x) para todo x ∈ M } . µ({x ∈ E | f (x) > 0}) ≤ Como acima. Pela Proposi¸ ca ˜o 30. a defini¸ ca ˜o acima limita-se a fun¸ co ˜es n˜ ao-negativas f . n˜ ao-negativas e menores ou iguais a f : S (f ) := {s : M → R| s ´ e simples. f ´ e dita ser integr´ avel em M se |f | dµ < ∞ .27) da integral de Lebesgue. mensur´ aveis. Seu estudo ´ e dispens´ avel em uma primeira leitura. ´ e natural definir f dµ := M M f + dµ < ∞ e M f − dµ < ∞. no sentido de n˜ ao ser especificado o que ´ e o conjunto M nem a medida µ. alguns autores assim o fazem. Proposi¸ c˜ ao 30. E ca ˜o de En que f ≥ n ca ˜o simples n e um elemento de S (f ) e.t.7 Seja (M. Portanto.p em E .11 da p´ agina 1386. • A integra¸ c˜ ao de Lebesgue e conjuntos de medida zero Dentre as propriedades da integral definida acima. sua diferen¸ ca est´ a bem definida. M[τR ]]-mensur´ avel tal que f dµ = 0 para algum E ∈ M . E (30.28) pode ser tomada como defini¸ ca ˜o alternativa equivalente de E f dµ e. Por ora. Cap´ ıtulo 30 1365/2069 Seja f : M → R+ uma fun¸ ca ˜o n˜ ao-negativa e mensur´ avel. em E .28) A express˜ ao (30. Logo mostraremos como essa defini¸ ca ˜o pode ser estendida para fun¸ co ˜es que podem ser negativas ou complexas. A equivalˆ encia das duas defini¸ co ˜es ´ e demonstrada no Apˆ endice 30. a fun¸ χE n ´ defini¸ ca ˜o (30. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Denotaremos por S (f ) a cole¸ ca ˜o de todas as fun¸ co ˜es simples.3 nos ensinou que S (f ) ´ e n˜ ao-vazio e que h´ a at´ e mesmo seq¨ uˆ encias em S (f ) que convergem a f . M uma σ -´ algebra de M na qual definimos uma medida µ. n n ∞ n=1 ou seja. E s∈S (f ) E (30. Definimos ent˜ ao para E ⊂ M com E ∈ M. a seguinte observa¸ ca ˜o ter´ a um papel importante a desempenhar. sendo ambas f ± n˜ ao-negativas e mensur´ aveis. Logo. E Prova. Com f + dµ − f − dµ . pela χEn . Note que a defini¸ ca ˜o acima ´ e bastante geral. provando que f = 0 µ-q. seja M n˜ ao-vazio. segue que isso. portanto. Seja f : M → R uma fun¸ ca ˜o mensur´ avel. Seja En = {x ∈ M | f (x) > 1/n} ∩ E = {x ∈ E | f (x) > 1/n}. • Fun¸ co ˜es integr´ aveis En . garante-nos o Lema 30. O Lema 30.27) Essa express˜ ao define a integral de Lebesgue da fun¸ c˜ ao f sobre o conjunto E em respeito ` a medida µ.JCABarata.

tanto Re(f ) quanto Im(f ) s˜ ao fun¸ co ˜es reais e integr´ aveis e podemos aplicar a defini¸ ca ˜o acima e escrever Re(f ) dµ M = M (Re(f ))+ dµ − (Im(f ))+ dµ − (Re(f ))− dµ . ´ e claro que |Re(f )| ≤ |f |.33) Com isso. M Com isso.32) Isso segue das seguintes linhas: f dµ E = E f + dµ − f + dµ + E f − dµ ≤ f − dµ = f + dµ + E E f − dµ = E (f + + f − ) dµ E E = E |f | dµ .JCABarata.31). f : M → C.15 Exerc´ ıcio (recomendado a quem deseja testar se est´ a realmente acompanhando a exposi¸ c˜ ao). M • Fun¸ co ˜es complexas integr´ aveis e mensur´ avel pela Denotemos por Re(f ) e Im(f ) as partes real e imagin´ aria de f .15. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. constante. f ´ e dita ser integr´ avel em M se |f | dµ < ∞ . (30. f1 e f2 s˜ ao fun¸ co ˜es integr´ aveis reais quaisquer e α ∈ R. propriedades elementares acima. M Im(f ) dµ M = M (Im(f ))− dµ . (30. M (30. p´ agina 1388. segue que M |Re(f )| dµ ≤ M |f | dµ < ∞ e M |Im(f )| dµ ≤ M |f | dµ < ∞ . |Im(f )| ≤ |f | e. Como antes. fa .31) Acima. (30. Uma outra propriedade relevante de demonstra¸ ca ˜o simples ´ e a seguinte se f : M → R for integr´ avel.30) f1 dµ E ≤ f2 dµ E se f1 (x) ≤ f2 (x). de (30. E. (30. Cap´ ıtulo 30 1366/2069 • Propriedades elementares da integra¸ c˜ ao (αf ) dµ E As seguintes propriedades das integrais de fun¸ co ˜es integr´ aveis s˜ ao v´ alidas e podem ser facilmente verificadas: = α E f dµ . ∀x ∈ E . procede-se de forma semelhante. ´ e natural definir a integral de f por f dµ := M M Re(f ) dµ + i M Im(f ) dµ = M (Re(f ))+ dµ − (Re(f ))− dµ + i M M (Im(f ))+ dµ − (Im(f ))− dµ .34) .29) (fa + fb ) dµ E = E fa dµ + E fb dµ . (30. f . Como |f | = |Re(f )|2 + |Im(f )|2 ´ Proposi¸ ca ˜o 30. Caso f seja uma fun¸ ca ˜o complexa. 30. E Demonstre as f dµ ≤ E |f | dµ . fb .

bem definida. . f . portanto. segue que f dµ = E E Im(g ) dµ = 0 e que (30.35) (fa + fb ) dµ = E E fa dµ + E fb dµ .15. • Propriedades elementares da integra¸ c˜ ao de fun¸ co ˜es complexas As seguintes propriedades das integrais de fun¸ co ˜es integr´ aveis s˜ ao v´ alidas e podem ser facilmente verificadas: (αf ) dµ = E α E f dµ . nossos passos foram 1) definir a integral de fun¸ co ˜es simples n˜ ao-negativas e integr´ aveis. Fora isso. 2) definir a integral de fun¸ co ˜es reais.37) e [M. Muito importantes s˜ ao tamb´ em os espa¸ cos Lp (M. • Os conjuntos Lp (M.35) = e−iϕ E f dµ = E f dµ ≥ 0 . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. p´ agina 1388. Demonstre as A desigualdade (30. mensur´ aveis e n˜ ao-negativas . notemos que.36) Acima. denotaremos o conjunto das fun¸ co ˜es integr´ aveis em M em rela¸ ca ˜o ` a medida µ por L1 (M.32) se deixa generalizar para fun¸ co ˜es integr´ aveis complexas. Cap´ ıtulo 30 1367/2069 Todos os quatro termos acima s˜ ao finitos e a soma dos mesmos ´ e. (30. fa e fb s˜ ao fun¸ co ˜es integr´ aveis e complexas quaisquer e α ∈ C. dµ).37). 30.28). reais ou complexas. M[τR ]]-mensur´ avel Para provar isso. ent˜ ao E f dµ ≤ E |f | dµ . dµ) Antes de passarmos a exemplos. Temos que Re(g ) dµ + i E E Im(g ) dµ = E g dµ = E E e−iϕ f dµ (30. mensur´ aveis e n˜ ao-negativas a partir da integral de fun¸ co ˜es simples. (30. Logo. |f | = (Re(f ))2 + (Im(f ))2 ´ e se Re(f ) e Im(f ) o forem. (30.JCABarata. Se (M. como facilmente se vˆ e. 4) definir a integral de fun¸ co ˜es complexas e integr´ aveis a partir da integral de suas partes real e imagin´ aria. dµ): L1 (M. A integral E f dµ ´ um n´ umero complexo e. (30.33) Re(g ) dµ = E Re(g ) dµ ≤ E |Re(g )| dµ ≤ E |g | dµ = E |f | dµ .16 Exerc´ ıcio (recomendado a quem deseja testar se est´ a realmente acompanhando a exposi¸ c˜ ao). constante. pela Proposi¸ ca ˜o 30. Sugest˜ ao: use a defini¸ c˜ ao (30. dµ) := f :M →C f ´ e [M. M[τC ]]-mensur´ avel e M |f |p dµ < ∞ . mas a prova ´ e mas engenhosa: se f : M → C for integr´ avel.32) E Re(g ) dµ ≥ 0. completando a prova de (30. j´ a vimos acima que Re(f ) e Im(f ) s˜ ao integr´ aveis se f o for. dµ) := f :M →C f ´ e [M. portanto. Como E f dµ ´ e um n´ umero real. definidos por Lp (M. M) ´ e um espa¸ co mensur´ avel e µ ´ e uma medida em M . pode ser escrito na forma polar f dµ = eiϕ E E f dµ . Recapitulando. 3) definir a integral de fun¸ co ˜es reais e integr´ aveis a partir da integral de fun¸ co ˜es reais. M[τC ]]-mensur´ avel e M |f | dµ < ∞ . A fun¸ ca ˜o g := e−iϕ f ´ e mensur´ avel e integr´ avel. Chegamos dessa forma ao prop´ osito de definir a no¸ ca ˜o de integral para fun¸ co ˜es mensur´ aveis e integr´ aveis. vamos rapidamente introduzir uma nota¸ ca ˜o importante. propriedades elementares acima. E.

R (30. um funcional linear cont´ ınuo em um certo espa¸ co de Fr´ echet de fun¸ co ˜es infinitamente diferenci´ aveis (e que decaem r´ apido o suficiente no infinito). M = È(N) e seja µc a medida de contagem em N. E em pela defini¸ ca ˜o (27. Se f : N → R ´ ∞ f dµc = M k=1 f (k ) . o segundo ´ e uma distribui¸ ca ˜o.38). Com a distribui¸ ca ˜o delta de Dirac podemos integrar fun¸ co ˜es infinitamente diferenci´ aveis (e que decaem r´ apido o suficiente no infinito). R fn dδx0 = fn (x0 ). mas n˜ ao da medida delta de Dirac. em princ´ ıpio. Com a medida delta de Dirac podemos integrar qualquer fun¸ ca ˜o. Tem-se que n • Exemplos. ♣ Seja M = {m1 . que foi introduzida ` a p´ agina 1278.3). por (30. Seja µc a medida de contagem em M . Toda fun¸ ca ˜o f : M → R ´ e simples e mensur´ avel em rela¸ ca ˜o a M e M[τR ] (por que?). Ainda que muito semelhantes. k=1 ∞ k=1 Observe que o fato de k=1 |f (k )| < ∞ implica que a s´ erie som´ avel. a medida delta de Dirac definida no item 2 da p´ agina 1278. ∞ e sua integral ´ e f dµc = M f (k ) . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Uma fun¸ ca ˜o f : N → C ´ e µc -integr´ avel se ∞ M |f | dµc = k=1 |f (k )| < ∞ . como em (30. e fn ´ e uma seq¨ uˆ encia de fun¸ co ˜es simples que converge a f . segue que f dδx0 = f (x0 ) .38) Se f : R → R ´ e mensur´ avel. Considere M = R. esses objetos s˜ ao distintos matematicamente: o primeiro ´ e uma medida. e uma fun¸ ca ˜o simples ent˜ ao Seja M = N.39). ∞ f (k ) ´ e convergente (por ser uma s´ erie absolutamente . por (30. (30. Vamos supor que x0 ∈ Ak0 . M = È(R) e µ = δx0 para x0 ∈ R. • Exemplos. Integra¸ c˜ ao com a medida de contagem. Vide os bons livros de C´ alculo). p´ agina 1278. Os espa¸ cos Lp (M.39) O estudante deve constatar que essa express˜ ao corresponde precisamente ` a bem conhecida propriedade ∞ −∞ f (x)δ (x − x0 )dx = f (x0 ) que comummente se associa em textos de F´ ısica ` a “fun¸ ca ˜o” delta de Dirac. Assim. mn } um conjunto finito e seja M = È(M ). Integra¸ c˜ ao com a medida delta de Dirac Vamos a alguns exemplos ilustrativos. Al´ em da medida delta de Dirac existe tamb´ em a distribui¸ c˜ ao delta de Dirac (vide p´ agina 1742). Cap´ ıtulo 30 1368/2069 onde p. teremos obviamente que fn (x0 ) → f (x0 ) e. dµ) com p ≥ 1 ser˜ ao discutidos com mais detalhe adiante. Essa aparente limita¸ ca ˜o ´ e compensada pelo fato de se poder falar em derivadas da distribui¸ ca ˜o delta de Dirac. . Nota para os estudantes mais avan¸ cados. Rela¸ c˜ ao com os espa¸ cos ℓp f dµc = M k=1 f (mk ) . n Seja s(x) uma fun¸ ca ˜o simples definida em R com forma normal s(x) = k=1 ´ sk χAk (x). claro que s(x0 ) = sk0 .28). . .JCABarata. Teremos tamb´ n s dδx0 = R k=1 sk δx0 (Ak ) = sk0 = s(x0 ) . . ´ e um n´ umero real positivo p > 0. ou seja.

∞ f (x) = n=1 n χ[n. µL ) tamb´ em cont´ em fun¸ co ˜es n˜ ao-limitadas. A integral de Lebesgue em R Essa fun¸ ca ˜o. |f | dµL = 1 < ∞ 2 n n=1 ∞ R e. apesar de divergir para x → 0. 30. x = 0 ou |x| > 1 ou seja.20 Exerc´ ıcio. a medida de Lebesgue. O conjunto L1 (R . Cap´ ıtulo 30 1369/2069 co ˜es feitas acima. n f (x) =    0.17 Exerc´ ıcio. que n˜ ao s˜ ao fun¸ co ˜es limitadas. Demonstre todas as afirma¸ O estudante pode convencer-se com o apresentado acima que o conjunto L1 (N. E. O conjunto L1 (R . de outra forma . (1 + x2 )−1 etc.19 Exerc´ ıcio. µL ) inclui fun¸ co ˜es que n˜ ao s˜ ao limitadas. Construa exemplos an´ 30. E. voltemo-nos brevemente ` a quest˜ ao de estabelecer sua rela¸ ca ˜o com a integra¸ ca ˜o de Riemann. mas ´ e limitada em qualquer regi˜ ao finita. E. dµc ) coincidem com os conjuntos de seq¨ uˆ encias ℓp . Vale a seguinte afirma¸ ca ˜o: . p ≥ 1. por´ em. M = M[τR ]. 30. mas que s˜ ao limitadas em qualquer regi˜ ao finita. dµc ) das fun¸ co ˜es f : N → C integr´ aveis em rela¸ ca ˜o ` a medida de contagem µc coincide com o conjunto de seq¨ uˆ encias ℓ1 que introduzimos na Se¸ ca ˜o 24.3. µL ). Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. • Exemplos. n+ 1 n3 ) (x) . • As integrais de Riemann e Lebesgue em intervalos compactos Tratemos primeiramente de fun¸ co ˜es definidas em conjuntos compactos da reta real. f ∈ L1 (R .5. ´ e um elemento de L1 (R . Um exemplo interessante ´ e o da fun¸ ca ˜o  1    n. p´ agina 1190. Os conjuntos Lp (N. 30. ´ claro que f n˜ E ao ´ e limitada em todo R. Mostre isso! alogos de elementos de Lp (R . µL ) de fun¸ co ˜es integr´ aveis inclui fun¸ co ˜es cont´ ınuas que decaem 2 rapidamente no infinito. 0 < |x| ≤ 1 |x | f (x) =    0. portanto.18 Exerc´ ıcio. n + 3 . µL ). pois a singularidade 1/ |x| ´ e integr´ avel em 0. 30.3 A Integral de Lebesgue e sua Rela¸ c˜ ao com a de Riemann Uma vez desenvolvidos os ingredientes b´ asicos da teoria de integra¸ ca ˜o de Lebesgue. a σ -´ algebra dos conjuntos Borelianos de R e µ = µL . Tem-se. tamb´ em l´ a introduzidos. para x em cada intervalo n.JCABarata. L1 (R .1. µL ). Um exemplo a se ter em mente ´ e o da fun¸ ca ˜o     √1 . Um tanto surpreendentemente. Mostre isso! Um outro importante exemplo ´ e aquele no qual tomamos M = R. E. tais como e−x . n ≥ 1 .

3 estabeleceu a rela¸ ca ˜o entre a integral de Riemann impr´ opria e a integral de Lebesgue em R.3. ao introduzirmos a no¸ ca ˜o de integral de Riemann impr´ opria. p´ agina 1395. como mostra o exemplo do qual trataremos a seguir. Nesse contexto.2 Seja f : [a. nπ ]. p´ agina 1395.10) tamb´ em podemos estabelecer uma rela¸ ca ˜o entre as integral de Riemann impr´ opria e de Lebesgue.. ou seja. b] a integral de Lebesgue coincide com a de Riemann. vale fazer o seguinte coment´ ario. Ent˜ ao. a qual pode ser ilustrada pelo exemplo a seguir (encontrado em v´ arios livros-textos). 3. Aplicando o Teorema 30. A demonstra¸ ca ˜o do Teorema 30. nπ] (x) nπ n=1 1 nπ n=1 N N |f |(x) ≥ e R+ |f | dµL ≥ 1 nπ n=1 N R+ | sen x| χ[(n−1)π.3 Seja f : R → R+ uma fun¸ c˜ ao positiva e Boreliana e tal que f ´ e integr´ avel no sentido de Riemann em todo intervalo finito [a. b]. 2. • Limita¸ co ˜es da integral de Lebesgue ´ importante chamar a aten¸ E ca ˜o do leitor para uma limita¸ ca ˜o da integra¸ ca ˜o de Lebesgue em R. −∞ f (x) dx coincide com a integral de Lebesgue R f dµL . nesse caso. .1. Ent˜ ao. apenas para fun¸ co ˜es limitadas em intervalos finitos. As condi¸ co ˜es dos Teoremas 30. pode ser negativa em alguns casos. p´ agina 1351. E claro que f ´ e suficiente estudar f para x ≥ 0. • A integral de Riemann impr´ opria e sua rela¸ c˜ ao com a de Lebesgue em R No caso de f ser tamb´ em positiva (o que n˜ ao ´ e necess´ ario para a defini¸ ca ˜o 30. . Esse resultado ´ e satisfat´ orio pois diz-nos que a teoria da integra¸ ca ˜o de Lebesgue estende a de Riemann. logo adiante. vale | sen x| | sen x| ≥ . Seja a fun¸ ca ˜o f (x) = sen x . ´ [(n − 1)π. pelo menos para fun¸ co ˜es integr´ aveis por Riemann e limitadas. a primeira quest˜ ao a resolver ´ e defin´ ı-la em intervalos n˜ ao-finitos.I. se f for integr´ avel no sentido de Riemann. A demonstra¸ ca ˜o desse teorema tamb´ em encontra-se no Apˆ endice 30. tem-se nπ [(n−1)π. b]) e as duas integrais s˜ ao idˆ enticas.2 e 30. Valer´ a uma rela¸ ca ˜o assim para fun¸ co ˜es mais gerais? A resposta. f ´ e tamb´ em integr´ avel no sentido de Lebesgue (para a integral de Lebesgue em [a. Isso ´ e expresso no seguinte Teorema 30. Cap´ ıtulo 30 1370/2069 Teorema 30. nπ ] | sen x| dµL . e faz uso do Lema de Fatou e do Teorema da Convergˆ encia Dominada. Esse teorema afirma que em intervalos finitos como [a.JCABarata. Em cada intervalo ser´ a R |f | dµL < ∞? Como f satisfaz f (x) = f (−x) para todo x. . ´ claro que a fun¸ E ca ˜o | sen x| ´ e Boreliana (pois ´ e cont´ ınua) e limitada. O que se pode dizer para intervalos n˜ ao-finitos? Como a integral de Riemann foi definida na Se¸ ca ˜o 30. infelizmente. que introduziremos na Se¸ ca ˜o 30. com n = 1. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Ser´ a f integr´ avel em R. p´ agina 1343. nπ ] | sen x| dµL = (n−1)π | sen x| dx . mas n˜ ao trataremos de generaliza¸ co ˜es aqui e remetemos o leitor interessado aos bons livros. como R. para todo N ∈ N e x ∈ R+ .4.2.2 estabeleceu uma rela¸ ca ˜o entre as integrais de Riemann e de Lebesgue no caso de intervalos finitos da reta real.2 ´ e apresentada no Apˆ endice 30. pelo menos nesse sentido. |x| nπ Assim.I. nπ] (x) dµL = [(n−1)π. x ´ e Boreliana (pois ´ e cont´ ınua) e limitada.2. O Teorema 30. . b] → R uma fun¸ c˜ ao Boreliana e limitada. O Teorema 30. mas somente para fun¸ co ˜es n˜ ao-negativas. Isso foi discutido na Se¸ ca ˜o 30. f ´ e integr´ avel no sentido de Lebesgue em R se e somente se a integral de Riemann ∞ impr´ opria existir e.2.3 n˜ ao s˜ ao ainda as mais gerais poss´ ıveis para garantir a igualdade entre a integral de Riemann (normal ou impr´ opria) e a de Lebesgue. 1 | sen x| χ[(n−1)π.

conseq¨ uentemente. e vale π . por exemplo. integral de Riemann impr´ opria (vide defini¸ ca ˜o (30.g. π ]. 0 ≤ f1 (x) ≤ f2 (x) ≤ f3 (x) ≤ · · · ≤ ∞. ou bons livros de Mecˆ anica Quˆ antica. [187]. Assim. • O Teorema da Convergˆ encia Mon´ otona Teorema 30. 26 Beppo Levi (1875–1961). para todo N ∈ N. mas n˜ ao uma integral de Lebesgue em R. 0 pois sen x ´ e n˜ ao-negativa em [0. (30. vide. 198]). . por´ em. pode ser bem definida. ´ e cega a essas trocas de sinal. Esse exemplo ensina-nos que h´ a fun¸ co ˜es que possuem uma integral de Riemann impr´ opria. devido a ` presen¸ c a do m´ o dulo. 25 Aos estudantes mais avan¸ cados notamos que esse ´ e um dos problemas que tˆ em impedido a defini¸ ca ˜o matematicamente precisa da integra¸ ca ˜o funcional de Feynman da Mecˆ anica Quˆ antica e da Teoria Quˆ antica de Campos (quando formuladas no espa¸ co-tempo de Minkowski). dµL ) e. Seja {fn } uma seq¨ uˆ encia n˜ ao-decrescente de fun¸ c˜ oes n˜ ao-negativas fn : M → R.40) |f | dµL = ∞. como ´ e bem sabido. A fun¸ ca ˜o sen . Historicamente os teoremas de convergˆ encia abaixo emergiram de trabalhos de Lebesgue. definida no espa¸ co-tempo Euclidiano. por n˜ ao sofrer desses problemas (vide e. Por que o limite A sen x x −A dx existe mas R sen x x dµL n˜ ao? A resposta reside na observa¸ ca ˜o que a fun¸ ca ˜o A sen x x −A sen x x troca de sinal infinitas vezes e isso produz cancelamentos nas integrais dx que permitem a convergˆ encia do x limite A → ∞. 197.3. 30. por´ e m. Levi26 e Fatou27 . M[τR ]]-mensur´ aveis. Logo. De um ponto de vista t´ ecnico esses teoremas tˆ em uma importˆ ancia central e pode-se mesmo dizer que sua validade ´ e uma das principais raz˜ oes do interesse na integral de Lebesgue. sendo todas [M. Cap´ ıtulo 30 1371/2069 a integral ` a direita sendo a familiar integral de Riemann. ao concentrarmo-nos na integrabilidade do m´ odulo de uma fun¸ ca ˜o f . 27 Pierre Joseph Louis Fatou (1878–1929). perdemos informa¸ ca ˜o sobre oscila¸ co ˜es e trocas de sinal da mesma que podem ser relevantes para certos prop´ ositos25. em compara¸ ca ˜o a outras integrais. Note que nem mesmo R f + . Sucede. [81] ou [195. ou seja. Esse fato pode ser interpretado como uma deficiˆ encia da integra¸ ca ˜o de Lebesgue. n R+ Agora.4 Teoremas B´ asicos sobre Integra¸ c˜ ao e Convergˆ encia Nesta se¸ ca ˜o apresentaremos alguns teoremas importantes sobre a integral de Lebesgue e que descrevem o comportamento da mesma relativamente a opera¸ co ˜es de tomada de limites. que a sen x dx := lim A→∞ x A −A sen x dx x existe. como a de Riemann.10)). escrevemos nπ (n−1)π π | sen x| dx = 0 |(−1)n−1 sen x| dx = π sen x dx = 2 . 196. J´ a a chamada integral funcional de Feynman-Kac. portanto. Suponhamos tamb´ em que f : M → R seja tal que para cada x ∈ M a seq¨ uˆ encia fn (x) convirja a f (x). Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.JCABarata. ∞ −∞ f dµL n˜ ao est´ a definida. |f | dµL ≥ 2 π N n=1 R+ 1 . Fazendo a mudan¸ ca de vari´ aveis x → x − (n − 1)π . R |f | dµL = ∞ e. a soma do lado direito diverge quando N → ∞. R A express˜ ao (30. como a de acima.4 (Teorema da Convergˆ encia Mon´ otona) Seja (M. M) um espa¸ co mensur´ avel onde encontra-se definida uma medida µ.40) significa que f ∈ L1 (R. x Na integra¸ ca ˜o de Lebesgue. dµL ou R f − dµL s˜ ao finitas (justifique!). Para uma exposi¸ ca ˜o introdut´ oria sobre a integra¸ ca ˜o funcional de Feynman na Mecˆ anica Quˆ antica.

Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. M[τR ]]-mensur´ avel e n→∞ lim fn dµ = M M f dµ . .41) A demonstra¸ ca ˜o ´ e apresentada no Apˆ endice 30. que tratou da rela¸ ca ˜o entre as integrais de Riemann e Lebesgue em intervalos finitos da reta real. Essa igualdade. Essas fun¸ co ˜es fn s˜ ao √ 2 ∞ ´ tamb´ integr´ aveis por Riemann (pois s˜ ao cont´ ınuas por partes). M lim inf fn dµ ≤ lim inf n→∞ n→∞ fn dµ . onde N ∋ k → rk ∈ Q ´ e uma contagem de Q. e como garante o Teorema da Convergˆ encia Mon´ otona. M[τR ]]-mensur´ aveis fn : M → R. convergˆ encia uniforme dessa seq¨ uˆ encia. ao contr´ ario das fun¸ co ˜es fn . (30. Cap´ ıtulo 30 1372/2069 Ent˜ ao. a fun¸ c˜ ao f ´ e tamb´ em [M.4. possui v´ arias aplica¸ co ˜es.F. E em f´ acil ver que R fn dµL = −∞ e−x dx = π . n˜ ao ´ e integr´ avel por Riemann. M (30. M[τR ]]-mensur´ avel (fa¸ ca-o!) e que fn ≤ fn+1 para todo n. . . de outra forma Agora. da p´ agina 1370. Para apreciarmos a relevˆ ancia do Teorema da Convergˆ encia Mon´ otona. f dµL .41)? A resposta.42) .41). r2 . mas ainda assim. por exemplo. acima. Tem-se tamb´ em que R fn dµL =    e −x 2 . por´ em. em geral. Defina-se    2. Podemos nos perguntar. ´ e n˜ ao. rn } fn (x) = . Seja ∞ Q = {r1 . . se x ∈ Q se x ∈ Q e´ e tamb´ em mensur´ avel. Condi¸ co ˜es suficientes para se poder comutar uma integral de Riemann com um limite de uma seq¨ uˆ encia de fun¸ co ˜es s˜ ao geralmente muito mais restringentes que o exigido no Teorema da Convergˆ encia Mon´ otona e requerem. M) um espa¸ co mensur´ avel onde encontra-se definida uma medida µ. r4 . assim como na demonstra¸ ca ˜o do Teorema 30. Ent˜ ao. . p´ agina 1392.2. n˜ ao faria sentido para a integral de Riemann. denominado Lema de Fatou. r3 . O Teorema da Convergˆ encia Mon´ otona. Seja {fn } uma seq¨ uˆ encia de fun¸ c˜ oes n˜ ao-negativas e [M. Assim. tratava de seq¨ uˆ encias mon´ otonas n˜ ao-decrescentes de fun¸ co ˜es positivas e mensur´ aveis da reta real e estabelecia a possibilidade de troca de limites com a integra¸ ca ˜o expressa em (30. do qual trataremos logo adiante. f (x) =     2. • O Lema de Fatou O seguinte lema. . .JCABarata.  se x ∈ {r1 . √ π . vale o seguinte: Teorema 30. pois f .5 (Lema de Fatou) Seja (M. consideremos o seguinte exemplo. Teorema 30. e se tivermos uma seq¨ uˆ encia de fun¸ c˜ oes positivas e mensur´ aveis mas que n˜ ao seja mon´ otona n˜ ao-decrescente? Valer´ a a invers˜ ao de limites com a integral em (30.} = n=1 {rk }. R n→∞ lim fn dµL = R como se vˆ e.    e−x2 . f (x) = lim fn (x) ´ e dada por n→∞ ´ f´ E acil ver que cada fun¸ ca ˜o fn ´ e [M[τR ]. sendo tamb´ em importante na demonstra¸ ca ˜o do Teorema da Convergˆ encia Dominada.

Seja {fn } uma seq¨ uˆ encia de fun¸ c˜ oes [M. lim inf n→∞ R fn dµL = 2 .JCABarata. Em alguns casos pode-se ter uma igualdade em (30. n fn (x) =    0.42). Mostre que lim inf fn = 0 e. dµ) n→∞ tal que |fn (x)| ≤ F (x) para todo n ∈ N e todo x ∈ M . n]. n→∞ para n ∈ N. o Teorema da Convergˆ encia Dominada.6 (Teorema da Convergˆ encia Dominada) Seja (M. Mostre que lim inf fn = 0 e. E. portanto. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. lim inf fn dµL = 0 . Isso ´ e mostrado nos dois exerc´ ıcios seguintes. Ent˜ ao: . R n→∞ Por outro lado. E. O Lema de Fatou ser´ a usado logo abaixo para demonstrar um outro resultado ainda mais relevante. Seja a seguinte seq¨ uˆ encia de fun¸ co ˜es Borelianas da reta real     12 . lim inf fn dµ < lim inf R n→∞ n→∞ R fn dµ . R n→∞ Por´ em. M) um espa¸ co mensur´ avel onde encontra-se definida uma medida µ. se x ∈ [−n. n→∞ para n ∈ N. Cap´ ıtulo 30 1373/2069 A demonstra¸ ca ˜o encontra-se no Apˆ endice 30. se x ∈ [−n. tais que o limite f (x) = lim fn (x) existe para todo x ∈ M . n]. Assim. se x ∈ [−n. portanto. 30. portanto. n ∈ N. lim inf fn dµL = 0 . R fn = 2/n para todo n e. lim inf fn dµ = lim inf R n→∞ n→∞ R fn dµ . n].42). Suponha ainda que exista uma fun¸ c˜ ao n˜ ao-negativa F ∈ L1 (M. Nem sempre vale a igualdade em (30.22 Exerc´ ıcio. n]. • O Teorema da Convergˆ encia Dominada Teorema 30. n fn (x) =    0.G. 30. lim inf n→∞ R fn dµL = 0 . M[τC ]]-mensur´ aveis fn : M → C. R fn = 2 para todo n e. Assim.21 Exerc´ ıcio. p´ agina 1393. se x ∈ [−n. Seja a seguinte seq¨ uˆ encia de fun¸ co ˜es Borelianas da reta real     1 . portanto.

30. n fn (x) =    0. p´ agina 1394. dµ). n]. M[τR ]]-mensur´ avel g tem-se g dϕf = M M g f dµ . Verifique explicitamente que a igualdade lim n→∞ fn dµL = R R n→∞ ( lim fn ) dµL n˜ ao ´ e verdadeira. com base nesse fato. lim fn dµ = M 3.5 Alguns Resultados de Interesse Os teoremas de convergˆ encia que vimos acima tˆ em v´ arias conseq¨ uˆ encias importantes. Ent˜ ao ϕf ´ e uma medida em M. a saber. dµ) tal que |fn (x)| ≤ F (x) para todo n ∈ N e todo x ∈ M . 2.23 Exerc´ ıcio. fa¸ ca o seguinte exerc´ ıcio. 30. Teorema 30. fn dµL = R n→∞ ( lim fn ) dµL ´ e poss´ ıvel.6. se x ∈ [−n. Seja a seguinte seq¨     1 . M[τR ]]-mensur´ avel. ´ e uma generaliza¸ ca ˜o (de [205]) do Lema 30. n].JCABarata. Cap´ ıtulo 30 1374/2069 1. M uma σ -´ algebra de M na qual definimos uma medida µ. se a invers˜ ao da integral pelo limite lim explicitamente que a igualdade ´ e verdadeira. R para n ∈ N. Verifique Para constatar a relevˆ ancia da condi¸ ca ˜o b´ asica do Teorema da Convergˆ encia Dominada.H. se x ∈ [−n. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. a existˆ encia de uma fun¸ ca ˜o n˜ ao-negativa F ∈ L1 (M. se x ∈ [−n. Justifique ent˜ ao. Teorema 30. n fn (x) =    0. f ∈ L1 (M.6. se x ∈ [−n. se aplica. e muito interessante. Para estudar uma situa¸ ca ˜o na qual o do Teorema da Convergˆ encia Dominada. (30.4. p´ agina 1364. E.8 Seja M n˜ ao-vazio. n→∞ lim fn dµ = M M n→∞ f dµ . Mostre que h´ a uma fun¸ c˜ ao F ∈ L1 (R dµL ) tal que |fn (x)| ≤ F (x) para todo n ∈ N e todo x ∈ R. n].43) . Mostre que n˜ ao h´ a nenhuma fun¸ c˜ ao F ∈ L1 (R. n→∞ R onde n ∈ N. Al´ em disso. n]. n→∞ lim M |f − fn | dµ = 0 . Seja f uma fun¸ c˜ ao n˜ ao-negativa e [M. dµL ) tal que |fn (x)| ≤ F (x) para todo n ∈ N e todo x ∈ R. Seja a seguinte seq¨ uˆ encia de fun¸ co ˜es Borelianas da reta real     12 . para qualquer fun¸ c˜ ao n˜ ao-negativa e [M.3. 30. Trataremos de algumas aqui.24 Exerc´ ıcio. uˆ encia de fun¸ co ˜es Borelianas da reta real E. A demonstra¸ ca ˜o encontra-se na Apˆ endice 30. Sugest˜ ao: construa a menor fun¸ c˜ ao F que satisfaz |fn (x)| ≤ F (x) para todo n ∈ N e todo x ∈ R e mostre que |F | dµL = ∞. fa¸ ca o seguinte exerc´ ıcio. A primeira. Proposi¸ c˜ ao 30. Para E ∈ M defina-se ϕf (E ) := E f dµ = M f χE dµ .

(30.28) g dϕf = E n→∞ lim gn dϕf = E n→∞ lim gn f dµ . Se gn for uma seq¨ uˆ encia n˜ ao-decrescente de fun¸ co ˜es simples e n˜ ao-negativas de S (g ) que converge a g (que tal existe. pois χ∅ ´ Prova da Proposi¸ c˜ ao 30. vale tamb´ em no caso em que g ´ e uma fun¸ ca ˜o simples. a σ -´ algebra de Borel. k ∈ N. Para entendermos melhor o significado de (30. . Essa rela¸ ca ˜o tem apenas sentido simb´ olico.4 = n→∞ lim fk M k=1 dµ n linearidade da integral = n→∞ lim fk dµ k=1 n M = n→∞ lim f χEk dµ k=1 n M = provando que ϕf ´ e uma medida. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Para E = [a. Seja por fim uma fun¸ ca ˜o g n˜ ao-negativa e mensur´ avel geral. p´ agina 1362).43) diz-nos algo como dϕf = f dµ. M = M[τR ]. uma cole¸ ca ˜o cont´ avel e disjunta de elementos de M e seja E := ∞ E . completando a demonstra¸ ca ˜o. 30.4.JCABarata. A fun¸ Aplica-se. b] f dµL = a f (x) dx . Logo. Para E ∈ M tem-se pela pr´ opria defini¸ ca ˜o de ϕf . k=1 Para provar (30. Ainda assim. p´ agina 1371.2. (30. Aplicando mais uma vez o Teorema da Convergˆ encia Mon´ otona. µ = µL . a medida de Lebesgue e f : R → R. Como para todo x ∈ M k=1 k n n χE (x) = lim n→∞ χEk (x) k=1 n (por que?). p´ agina 1370.43) vale pelo menos no caso espacial em que g = χE . E Agora.3. e tem-se ∞ n n ϕf k=1 Ek = M n→∞ lim fk k=1 dµ Teor.43). E e identicamente nula. um intervalo finito. co ˜es Fn := k=1 fk s˜ onde fk := f χEk . b]) = [a. Cap´ ıtulo 30 1375/2069 A rela¸ ca ˜o.4. pois n˜ ao atribu´ ımos significado aos s´ ımbolos dϕf e dµ. Assim. uma fun¸ ca ˜o Boreliana e limitada em todos os intervalos finitos. ao lado direito da u ´ltima express˜ ao. Teorema 30. ao n˜ ao-negativas. b ϕf ([a. segue que (f χE )(x) = lim n→∞ k=1 fk (x). p´ agina 1371. ent˜ ao o Teorema da Convergˆ encia Mon´ otona. gn f ´ e uma seq¨ uˆ encia n˜ ao-decrescente (por que?) de fun¸ co ˜es positivas e mensur´ aveis e que converge a g f (por que?). M[τR ]]-mensur´ aveis e Fn ≤ Fn+1 para todo n ∈ N. teremos pelo Teorema 30. ∀x ∈ M . Teorema 30. Seja Ek . n→∞ lim ϕf (Ek ) .8.43). garante-nos o Lema 30. χE dϕf = ϕf (E ) = M M χE f dµ . segue que g dϕf = E E n→∞ lim gn f dµ = E (g f ) dµ . tem-se pela defini¸ ca ˜o (30. procedemos da seguinte forma. [M. podemos interpretar dϕf = f dµ como estabelecendo uma rela¸ ca ˜o entre as medidas ϕf e µ por uma esp´ ecie de mudan¸ ca de vari´ aveis. ´ claro que ϕf (∅) = 0. b]. tomemos o caso em que M = R.

4 Os Espa¸ cos Lp e Lp Daqui por diante M ser´ a um conjunto n˜ ao-vazio com uma σ -´ algebra M. dµ) ´ e um espa¸ co vetorial complexo. Definimos ` a p´ agina 1367 os conjuntos Lp (M.t. como sendo o conjunto de todas as fun¸ co ˜es complexas definidas em M tais que sua p-´ esima potˆ encia ´ e integr´ avel. o Teorema Fundamental do C´ alculo diz-nos que ϕf ([a. para a qual encontra-se definida uma medida µ. E Como tamb´ em. Nosso objetivo na presente se¸ ca ˜o ´ e estudar esses fatos de forma precisa e geral. o fato de ter-se M |f − g | dµ = 0 n˜ f (x) = g (x) para todo x ∈ M . dµ) e α. ı que a fun¸ ca ˜o obtida pela combina¸ ca ˜o linear αf + βg ´ e Como. dµ). para qualquer h ∈ L1 (M. f ). como espa¸ cos L1 (M. β s˜ ao n´ umeros complexos quaisquer. p´ agina 1183. dµ). os conjuntos L2 (R. dµ). Esse simples fato tem a seguinte conseq¨ uˆ encia: M |αf + βg | dµ ≤ |α| M |f | dµ + |β | M |g | dµ . Esse fato em geral29 28 Espa¸ cos 29 Exceto de Banach e de Hilbert foram definidos na Se¸ ca ˜o 24.5. ao implica que Por que d1 n˜ ao ´ e uma m´ etrica? Pois no conjunto L1 (M. p´ agina 1365). portanto F ´ e crescente. O estudo das propriedades desses conjuntos ´ e de grande importˆ ancia em v´ arias ´ areas da Matem´ atica e da F´ ısica.3. nos casos especiais em que M e µ s˜ ao tais que ∅ ´ eou ´nico conjunto de medida µ nula. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. dµ). (Proposi¸ ca ˜o 30. β ∈ C. Para a defini¸ ca ˜o geral de pseudo-m´ etrica. Por essa raz˜ ao passaremos a nos referir aos conjuntos L1 (M. para p ≥ 1. Cap´ ıtulo 30 1376/2069 Se f for tal que existe uma F : R → R com F ′ (x) = f (x). s˜ ao – a menos dessa tecnicalidade – espa¸ cos de Hilbert28 . Note que F ′ (x) = f (x) ≥ 0 e. ´ evidente que d1 (f. dµ) e α.9. Por raz˜ oes pedag´ ogicas come¸ caremos estudando os espa¸ cos L1 (M. Como (f − g ) ∈ L1 (M. Os conjuntos Lp (M. dµ) Para f : M → C e g : M → C. consideremos a express˜ ao d1 (f.p. • L1 (M. Na F´ ısica Quˆ antica um papel muito especial ´ e reservado aos conjuntos L2 (R. dµL ) (mais precisamente. portanto. g ) = d1 (g. veremos que os mesmos s˜ ao tamb´ em. vale que f − g = (f − h) + (h − g ). dµ). dµ) com p ≥ 0 tamb´ em s˜ ao espa¸ cos vetoriais complexos e isso ser´ a mostrado na Proposi¸ ca ˜o 30.JCABarata. dois elementos quaisquer de L1 (M.7. todos eles s˜ ao – menos de uma tecnicalidade que discutiremos abaixo – espa¸ cos de Banach. b]) = F (b) − F (a) . g ) ≤ d1 (f. segue da´ tamb´ em um elemento de L1 (M. tem-se |f − g | ≤ |f − h| + |h − g | e. f ) = 0 e que d1 (f. em particular. mas implica apenas que f = g µ-q. • Uma pseudo-m´ etrica em L1 (M. dµL ). dµ). dµ). ´ e uma referˆ encia ao fato de serem espa¸ cos vetoriais. g ) . Os espa¸ cos L2 (M. dµ) e depois passaremos ao caso p > 1. Com isso. A raz˜ ao de os conjuntos Lp (M. p > 0. dµ) serem importantes reside no fato que. a chamada desigualdade triangular. que ser˜ ao definidos abaixo). dµ). aqui. dµL ) e L2 (Rn . . aos seus parentes pr´ oximos. ´ e claro que |αf + βg | ≤ |α||f | + |β ||g |. dµ). O uso da palavra “espa¸ co”. dµ). M |f | dµ < ∞ e M |g | dµ < ∞. Como essa afirma¸ ca ˜o ´ e v´ alida para todos f. d1 (f. conclu´ ımos que L1 (M. 30. g ) < ∞. pois os mesmos descrevem os estados puros de sistemas quˆ anticos com um n´ umero finito de graus de liberdade. Isso fornece uma no¸ ca ˜o do que representa a medida ϕf desses intervalos. vide Se¸ ca ˜o 24. espa¸ cos m´ etricos. dµL ) e L2 (Rn . estabelecemos que d1 ´ e uma pseudo-m´ etrica em L1 (M. a menos de uma tecnicalidade. ´ e claro que 0 ≤ d1 (f. p´ agina 1188. dµ) ´ e um espa¸ co vetorial complexo Se f : M → C e g : M → C s˜ ao dois elementos quaisquer de L1 (M. por hip´ otese. logo adiante. g ) := M |f − g | dµ . h) + d1 (h. g ∈ L1 (M. Logo abaixo.

Mostre que D1 ´ e de fato uma m´ etrica. dµ) foi constru´ ıdo tomando-se encia de L1 (M. g ) = 0. dµ) tamb´ em ´ e um espa¸ co vetorial complexo. Ora. dµ). vale que se f. Notemos que se x ∈ M ´ e tal que f (x) = h(x). mas h´ a uma maneira simples de remediar isso: identificando entre si as fun¸ co ˜es que diferem apenas em um conjunto de medida µ nula. g e h. se f ∼ g e g ∼ h. Resumindo L1 (M. Seja [f ] a classe a qual pertence um elemento f ∈ L1 (M. tendo como vetor nulo a classe [0]. dµ) := L1 (M. Mostre que {x ∈ M | f (x) = g (x)} ∈ M.25 Exerc´ ıcio. n˜ ao apenas uma pseudo-m´ etrica. L1 (M. Defina-se para α e β ∈ C e para duas classes [f ] e [g ] a opera¸ ca ˜o linear α[f ] + β [g ] := [αf + βg ]. dµ). dµ). Logo. portanto. e n˜ ao apenas uma pseudo-m´ etrica. de fato. Com essa opera¸ ca ˜o de combina¸ ca ˜o linear. dµ). d1 est´ a definido em L1 (M. dµ). dµ) ´ e consider´ a-lo como o conjunto obtido tomando um e apenas um representante arbitr´ ario de cada classe. f ∼ g . dµ) tem a vantagem de permitir constatar de modo imediato que L1 (M. Mostre que a combina¸ sentido de serem independentes dos representantes f e g tomados em cada classe. Cap´ ıtulo 30 1377/2069 impede-nos de fazer de L1 (M. a cole¸ ca ˜o de classes L1 (M. dµ) como fun¸ co ˜es integr´ aveis de M em C e n˜ ao como classes abstratas de fun¸ co ˜es. dµ) como o conjunto obtido tomando um e apenas um representante arbitr´ ario de cada classe de equivalˆ encia de L1 (M. dµ) um espa¸ co m´ etrico. dµ) quebra-se em classes de equivalˆ encia pela rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia acima. se µ({x ∈ M | f (x) = g (x)}) = 0. se f = g µ-q. Que f ∼ f ´ e evidente.. consideremos trˆ es fun¸ co ˜es f . A vis˜ ao concreta tem a vantagem de permitir prosseguir encarando os elementos de L1 (M. satisfaz todos os postulados da defini¸ c˜ ao de uma m´ etrica. Constatamos. pois L1 (M. g ). ent˜ ao ou f (x) = g (x) ou g (x) = h(x) ou ambas. Uma exce¸ ca ˜o se dar´ a quando discutirmos o problema da completeza dos espa¸ cos L1 (M. a diferen¸ ca entre L1 (M. no E. assim como a m´ etrica D1 . defina-se D1 ([f ]. dµ). dµ) como uma cole¸ ca ˜o de classes. O conjunto L1 (M.t. dµ) adquire a estrutura de um espa¸ co vetorial complexo. que d1 ´ e agora uma um e apenas um elemento de cada classe de equivalˆ m´ etrica em L1 (M.t. Duas fun¸ co ˜es de uma mesma classe diferem apenas em um conjunto de medida µ igual a zero. nessa maneira de ver. s˜ ao equivalentes. portanto. ou seja. Agora. dµ) . da p´ agina 1386. [g ]) := d1 (f. Logo.12. Optaremos tacitamente daqui por diante pela vis˜ ao mais concreta de L1 (M. dµ)/ ∼ . Para introduzir uma m´ etrica na cole¸ ca ˜o de classes L1 (M. • A estrutura linear dos espa¸ cos Lp (M. dµ) e L1 (M. dµ) como sendo o conjunto dessas classes de equivalˆ encia: em s´ ımbolos L1 (M.JCABarata. Constatemos que. Uma outra forma mais concreta de encarar L1 (M. por´ em. poder´ a proceder da seguinte forma para constatar as afirma¸ co ˜es do u ´ltimo par´ agrafo. dµ). g ∈ L1 (M. est˜ ao bem definidas.26 Exerc´ ıcio. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. • Os espa¸ cos L1 (M. que cont´ em a fun¸ ca ˜o identicamente nula. ou seja. assim. dµ) e d1 (f. µ {x ∈ M | f (x) = h(x)} ≤ µ {x ∈ M | f (x) = g (x)} + µ {x ∈ M | g (x) = h(x)} . 30. 30. dµ) identificamos fun¸ co ˜es que diferem apenas em um conjunto de medida µ nula como se fossem a mesma fun¸ ca ˜o. Assim. {x ∈ M | f (x) = h(x)} = {x ∈ M | f (x) = g (x)} ∪ {x ∈ M | g (x) = h(x)} .p. o lado direito vale zero e. Sugest˜ ao: prove e use o fato que {x ∈ M | f (x) = g (x)} = {x ∈ M | f (x) > g (x)} ∪ {x ∈ M | f (x) < g (x)} e use a Proposi¸ c˜ ao 30. Para provar a transitividade. dµ) ´ e um subconjunto de L1 (M. M[τC ]]-mensur´ aveis estabelecemos uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia dizendo que fun¸ co ˜es f e g . dµ) No conjunto das fun¸ co ˜es [M. sendo que a uni˜ ao acima n˜ ao ´ e necessariamente disjunta. Definimos o conjunto L1 (M. Esse ´ e o nosso pr´ oximo passo. Al´ em disso. N˜ ao h´ a grandes diferen¸ cas t´ ecnicas entre as duas vis˜ oes e raramente ´ e necess´ ario recorrer ` a defini¸ ca ˜o precisa em termos de classes de equivalˆ encia. O leitor que deseja permanecer em um n´ ıvel mais abstrato e continuar encarando L1 (M. dµ) e. dµ). segue que f ∼ h. c˜ ao linear definida acima. provando a transitividade. E. Informalmente. isso define uma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia.p. assim como que f ∼ g equivale a g ∼ f . ´ e um espa¸ co vetorial complexo e tamb´ em um espa¸ co m´ etrico em rela¸ ca ˜o ` a m´ etrica d1 . isso s´ o ´ e poss´ ıvel se f = g . Essa forma de ver L1 (M. dµ) ´ e que em L1 (M. ent˜ ao f = g µ-q.

|αf + βg |p dµ ≤ |α|p M |f |p dµ + |β |p M |g |p dµ < ∞ para quaisquer α. dµ)/ ∼ . e usando a mesma rela¸ ca ˜o de equivalˆ encia ∼ definida acima. o conjunto de classes Lp (M. Tamb´ em iremos encarar Lp (M. a express˜ ao 1/p dp (f. sobre os conjuntos de seq¨ uˆ encias ℓp e faz uso da Proposi¸ ca ˜o 5. naquele caso. g ∈ Lp (M. portanto. para p ≥ 1 o conjunto Lp (M. ´ e um espa¸ co vetorial complexo e tamb´ em um espa¸ co m´ etrico com a m´ etrica induzida por dp . Cap´ ıtulo 30 1378/2069 Proposi¸ c˜ ao 30. dµ). a segunda desigualdade em (5. Isso provou que αf + βg ∈ Lp (M. s˜ ao espa¸ cos vetoriais complexos. dµ) o produto f g pertence a L1 (M.9 Os conjuntos Lp (M. Minkowski (1864–1909). Caso 0 < p < 1. dµ). M Prova da Proposi¸ c˜ ao 30. Como |f (x) + g (x)| ≤ |f (x)| + |g (x)|. a segunda desigualdade em (5.7 (As desigualdades de H¨ older e de Minkowski) Seja M um conjunto n˜ ao-vazio. da Se¸ ca ˜o 5.44) Ludwig H¨ older (1859–1937). β ∈ C. arbitr´ arios. p´ agina 252. dµ) ´ e um espa¸ co vetorial complexo. implica |f + g |p ≤ (|f | + |g |)p ≤ 2p−1 (|f |p + |g |p ) . dµ).3. Caso p ≥ 1.10. dµ) e. g ) := M |f − g |p dµ define uma pseudo-m´ etrica. β ∈ C.9. dµ) como o conjunto obtido tomando um e apenas um representante arbitr´ ario de cada classe de equivalˆ encia de Lp (M.36). arbitr´ arios. Assim. dµ). portanto.JCABarata.2. Assim. para p ≥ 1. dµ).4 da p´ agina 1194. A prova ´ e essencialmente idˆ entica ` a da Proposi¸ ca ˜o 24. H´ a dois casos a considerar em separado: 0 < p < 1 e p ≥ 1. 30. g ∈ Lp (M. implica |f + g |p ≤ (|f | + |g |)p ≤ |f |p + |g |p . Isso provou que αf + βg ∈ Lp (M. Teorema 30.12. M uma σ -´ algebra em M e seja µ uma medida em M. as desigualdades de H¨ older30 e de Minkowski31 .37). Sejam f.4. dµ) e vale 1/p M 30 Otto 31 Hermann 1/q M |f | |g | dµ ≤ M |f |p dµ |g |q dµ . De forma an´ aloga ao que fizemos acima. dµ) e. dµ) e g ∈ Lq (M. dµ) ´ e um espa¸ co vetorial complexo. para 0 < p < 1 o conjunto Lp (M. Como |f (x) + g (x)| ≤ |f (x)| + |g (x)|. Isso ´ e o que quer´ ıamos provar. dµ). Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. com p > 0. Mais adiante. . mostraremos que em Lp (M. q > 1 e satisfazem 1/p + 1/q = 1. p´ agina 252. p´ agina 1192. p´ agina 250. delas tratamos no Teorema 24. J´ a as encontramos no caso particular de espa¸ cos de seq¨ uˆ encias e. p´ agina 251. dµ). A desigualdade de H¨ older ´ e a afirma¸ c˜ ao que se p e q s˜ ao tais que p > 1.1 As Desigualdades de H¨ older e de Minkowski Vamos agora tratar de duas desigualdades de importˆ ancia primordial no estudo dos espa¸ cos Lp (M. definido por Lp (M. M |αf + βg |p dµ ≤ 2p−1 |α|p M |f |p dµ + 2p−1 |β |p M |g |p dµ < ∞ para quaisquer α. dµ) := Lp (M. Sejam f. (30. ent˜ ao para quaisquer f ∈ Lp (M.

J. o produto f g pertence a Lr (M. mas apenas f = 0 µ-q. Ent˜ ao. dµ) 1/p |αf + βg |p dµ ≤ |α| M |f |p dµ + |β | M |g |p dµ .45) assumem com a nota¸ ca ˜o de (30. Em [204] uma interessante demonstra¸ ca ˜o alternativa da desigualdade de Minkowski. f Por que · p ´ e uma pseudo-norma e n˜ ao uma norma em Lp (M. p (30.3 tamb´ em encontra-se no Apˆ endice 30.t. considerarmos o espa¸ co Lp (M. Se. no entanto. ´ e apresentada (vide Se¸ ca ˜o 5. dµ)? Pois. dµ). pois a mesma nos garante que 1/p M 1/p para todos f.1. (30. dµ).3.2. As desigualdades de H¨ older e Minkowski tˆ em uma s´ erie de conseq¨ uˆ encias. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.48) a forma fg e f −g respectivamente. dµ) e vale r p q 1/r M 1/p 1/q M |f |r |g |r dµ ≤ M |f |p dµ |g |q dµ .p.48) + |β | g p A propriedade b´ asica de uma pseudo-norma. dµ) tem-se 1/p M 1/p 1/p |f − g |p dµ ≤ M |f |p dµ + M |g |p dµ . Defina-se r > 0 por 1 1 1 = + . • Lp (M. p´ agina 1397. Aquela demonstra¸ ca ˜o fornece tamb´ em a vers˜ ao da desigualdade de Minkowski para o caso 0 < p < 1: 1/p M 1/p 1/p |f + g |p dµ ≥ M |f |p dµ + M |g |p dµ .JCABarata. s˜ ao espa¸ cos vetoriais complexos e normados J´ a observamos acima (Proposi¸ ca ˜o 30. A prop´ osito. . usando a convexidade da fun¸ ca ˜o xp . a saber αf + βg p ≤ |α| f segue da desigualdade de Minkowski.44) e (30. dµ) onde p e q s˜ ao tais que p > 0 e q > 0.46) Essa express˜ ao. p´ agina 253 destas Notas). a rela¸ ca ˜o ao implica f = 0. (30. no entanto. dµ) s˜ ao espa¸ cos vetoriais complexos.45) A demonstra¸ ca ˜o ´ e apresentada no Apˆ endice 30. Corol´ ario 30. Cap´ ıtulo 30 1379/2069 A desigualdade de Minkowski ´ e a afirma¸ c˜ ao que se p ≥ 1. em particular sobre a estrutura dos espa¸ cos Lp (M. s´ o vale para f e g n˜ ao-negativas. No caso p ≥ 1 os mesmos possuem uma pseudo-norma definida por 1/p f p := M |f |p dµ .47) A prova do Corol´ ario 30.9) que os conjuntos Lp (M. p ≥ 1. dµ) e g ∈ Lq (M. definido p = 0 n˜ p 1 ≤ ≤ f f p g q p + g p . (30. as desigualdades de H¨ older e Minkowski (30. g ∈ Lp (M. g ∈ Lp (M. Vamos explorar algumas. dµ) e Lp (M.3 Sejam f ∈ Lp (M. dµ). A desigualdade de H¨ older acima pode ser generalizada. como discutimos no caso p = 1. p´ agina 1397.J. ent˜ ao para quaisquer f.

Lp (M. por exemplo. Mostre que a fun¸ c˜ ao     1. (30. dµ) quando µ(M ) < ∞ Se o conjunto M e a medida µ s˜ ao tais que µ(M ) < ∞. dµ) ´ e completo em rela¸ ca ˜o ` a m´ etrica d2 que essa norma induz. 30. Como q ´ e arbitr´ ario. quando p = q = 2: para f.JCABarata.28 Exerc´ ıcio. dµ) a express˜ ao f. extraem-se algumas conseq¨ uˆ encias sobre rela¸ co ˜es de inclus˜ ao entre os v´ arios espa¸ cos Lp (M. 1] f (x) = 1 |x | . Como tamb´ em M f g dµ ≤ M |f | |g | dµ.    x ∈ [−1. · p ser´ a uma norma! Conclu´ ımos disso que para p ≥ 1. A segunda est´ a nos dizendo que para f. dµ) ⊂ L3 (M. Por serem normados. dµ). • Rela¸ co ˜es de inclus˜ ao entre os conjuntos Lp (M. Vide pr´ oximo exerc´ ıcio. dµ) para todo 0 < r ≤ p. L2 (M. E. dµ) ⊂ Lr (M. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. 30. dµ) ´ e um espa¸ co de Hilbert. ent˜ ao a fun¸ ca ˜o g (x) = 1 (identicamente igual a 1 para todo x ∈ M ) pertence a todo Lq (M. dµ) ent˜ ao f ∈ Lr (M. dµ) sempre que r ≤ p com r > 0 e p > 0. dµ) ⊂ L1 (M. dµ) ⊂ L 1 (M. (M. As duas desigualdades acima s˜ ao denominadas desigualdades de Cauchy-Schwarz. dµ) e g = 1. a desigualdade (30.47). Como veremos logo adiante. tomando-se f ∈ Lp (M. 0 < q < ∞. Disso e da desigualdades de H¨ older (30. g ∈ L2 (M. Para p > 0 e q > 0 arbitr´ arios.49) diz que se f ∈ Lp (M. dµ). dµ) · · · . Conseq¨ uentemente. segue que r < p. Demonstre as afirma¸ ´ tamb´ E em elementar constatar que a norma associada a esse produto escalar ´ e a norma · 2 . 1] x ∈ [−1. · · · ⊂ L4 (M. ou seja. os conjuntos Lp (M. define um produto escalar em L2 (M. Como veremos logo abaixo. • A desigualdade de Cauchy-Schwarz. dµ) ⊂ L 1 2 4 Essas rela¸ co ˜es de inclus˜ ao n˜ ao s˜ ao geralmente v´ alidas caso µ(M ) = ∞. pois M 1q dµ = µ(M ) < ∞. tem-se. a saber. L2 (M. E. g ∈ L2 (M.47) que 1/r M 1/p |f |r dµ ≤ M |f |p dµ [µ(M )] 1/q < ∞. g := f g dµ M ´ e um n´ umero complexo finito e.44) tem um caso particular muito importante.27 Exerc´ ıcio. s˜ ao tamb´ em espa¸ cos m´ etricos com as m´ etricas induzidas pelas normas · p : 1/p dp (f. Como q > 0.49) para 1/r = 1/p +1/q . . dµ) vale M |f | |g | dµ ≤ M |f |2 dµ M |g |2 dµ < ∞. co ˜es acima. Um produto escalar em L2 (M. dµ). g ) := f −g p = M |f − g |p dµ . Assim. os espa¸ cos Lp (M. dµ) s˜ ao espa¸ cos vetoriais complexos e normados. Cap´ ıtulo 30 1380/2069 acima. dµ) 1/2 1/2 A desigualdade de H¨ older (30. por serem completos em rela¸ ca ˜o ` a m´ etrica dp acima. obtem-se de (30. dµ) ⊂ L2 (M. segue que 1/2 M 1/2 M f g dµ ≤ M |f |2 dµ |g |2 dµ < ∞. dµ) com p ≥ 1 s˜ ao espa¸ cos de Banach. como facilmente se verifica. Isso ´ e evidente.

dµL ). x ∈ [−1. x ∈ [−1. dµ) e vice-versa. dµL ) mas n˜ ao a L2 (R. dµL ). Conclu´ ımos disso que se 1 < p < ∞. Completeza Vamos agora formular um importante teorema que ´ e uma das principais justificativas do interesse na integral de Lebesgue e. a aplica¸ ca ˜o g → f g dµ M ´ e um funcional linear em Lq (M. Do Teorema de Riesz-Fischer e das considera¸ co ˜es acima conclu´ ımos que os espa¸ cos Lp (M. ent˜ ao para quaisquer f ∈ Lp (M. Mostre que a fun¸ c˜ ao     1.29 Exerc´ ıcio. 30.8 (Teorema de Riesz-Fischer) Para p ≥ 1 os espa¸ cos Lp (M.44) implica que 1/p M 1/q M f g dµ ≤ M |f |p dµ |g |q dµ < ∞. p´ agina 1399. co ˜es acima E. 32 As no¸ co ˜es de funcional linear e funcional linear cont´ ınuo foram introduzidas na Se¸ ca ˜o 2. Justifique as afirma¸ 30.K. dµ) a desigualdade de H¨ older (30.3. 34 Ernst Sigismund Fischer (1875–1954). coroa nossos esfor¸ cos neste Cap´ ıtulo. dµ) com p ≥ 1 s˜ ao espa¸ cos de Banach e o espa¸ co L2 (M.2 O Teorema de Riesz-Fischer. x = 0 ou |x| > 1 pertence a L1 (R. o qual data de 1907. (30. dµL ) mas n˜ ao a L1 (R. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.4. dµ). Mais que isso. 1] |x | pertence a L2 (R. 1 < q < ∞ e satisfazem 1/p + 1/q = 1. (30. dµL ). 0 < |x| ≤ 1 |x | f (x) =    0. Cap´ ıtulo 30 1381/2069 pertence a L2 (R. dµ)).50) diz-nos que se trata de um funcional linear cont´ ınuo32 (na topologia de Lq (M. Mostre que a fun¸ c˜ ao     √1 .50) Como facilmente se verifica. 1] f (x) =    1 2 . Trata-se do Teorema de Riesz33 -Fischer34 .2. 1 < q < ∞ e satisfazem 1/p + 1/q = 1. dµ) e g ∈ Lq (M. dµ) ´ e um espa¸ co de Hilbert. em um certo sentido. dµ) ´ e um subconjunto do dual topol´ ogico de Lq (M. p´ agina 137. dµL ) ∩ L1 (R. dµ) s˜ ao espa¸ cos m´ etricos completos na m´ etrica dp definida acima. ent˜ ao Lp (M.JCABarata. Teorema 30. A prova do Teorema de Riesz-Fischer encontra-se no Apˆ endice 30. 33 Frigyes . • Revisitando a desigualdade de H¨ older Se p e q s˜ ao tais que 1 < p < ∞. Riesz (1880–1956).

A rela¸ ca ˜o (30. f ] − Di [P1 . . Assim. χǫ ) ∈ X([a. Pela Proposi¸ ca ˜o 30. xp+1 }. f ]. f ] + ǫ . Pela defini¸ ca ˜o do que s˜ ao b f (x) dx a e b f (x) dx.3. f χ∝P ≤ S (f ) + ǫ .2) nos mostra tamb´ em (tomando-se ǫ → 0) que S (f ) = D(f ). 2 2 estabelecendo que Ds [P. S (f ) − ǫ ≤ inf S (P. f ] = inf χ∝P S (P.3. f ] ≤ Ds [P. .2) Vamos agora provar a rec´ ıproca e supor f integr´ avel segundo a defini¸ ca ˜o II.1). a existem para cada ǫ > 0 parti¸ co ˜es P1 . . f ] − Di [P. f e Ds [P. Come¸ camos com a demonstra¸ ca ˜o da Proposi¸ ca ˜o 30. f ] − Di [P. ou seja. f χ∝P ≤ sup S (P. χ) ≻ (Pǫ . Por defini¸ ca ˜o. f ] ≤ Di [P. D(f ) := b a f (x) dx = b a f (x) dx. f ] − D(f ) < ǫ . b]) com (P. Agora. χ). χǫ ). p´ agina 1349. Vamos supor que f seja limitada e satisfa¸ ca a defini¸ ca ˜o de integrabilidade Ib. ou seja. Denotemos sua integral de Darboux D(f ). Vamos agora assumir que para todo ǫ exista P ∈ P([a. ≤ D s [P . f ] − D i [P . D(f ) := b f (x) dx a Logo. f ] ≤ Ds [P2 . b]) com P = {x1 . f .A. Logo. χ ´ e arbitr´ ario e S (f ) ± ǫ independem de χ. f ] + ǫ ≤ D i [P . p´ agina 1349: Prova da Proposi¸ c˜ ao 30. Como ǫ > 0 ´ e arbitr´ ario Passemos agora ` a prova da equivalˆ encia das defini¸ co ˜es I e II. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. tal que Ds [P1 . χ). Por´ em. Pelas afirma¸ co ˜es do Exerc´ ıcio E. seja ∆f := supy∈[a. (30. f ]. f ≤ S (f ) + ǫ (30. existe P1 ∈ P([a. f ] ≤ ǫ.JCABarata. b]) tais que e Ds [P2 .7)).A. temos b b b b f (x) ≥ Di [P. f ] ≤ 2ǫ e a Proposi¸ ca ˜o 30. f ] < ǫ e provar que f ´ e integr´ avel no sentido da defini¸ ca ˜o II. χ).A. b] f (y ) e defina-se δǫ := ǫ p∆f .4.4. Ds [P. a = Seja ǫ > 0. Notemos que podemos supor f n˜ aoconstante. 30. Seja p o n´ umero de intervalos em que P1 decomp˜ oe [a. b f (x) dx. b]) tal que Ds [P. Cap´ ıtulo 30 1382/2069 Apˆ endices Nos v´ arios apˆ endices que seguem apresentamos as demonstra¸ co ˜es mais t´ ecnicas de alguns dos teoremas e proposi¸ co ˜es da nossa exposi¸ ca ˜o. b].3.A Mais sobre a Integral de Darboux Nesta se¸ ca ˜o completaremos a discuss˜ ao sobre a Integral de Darboux e sua rela¸ ca ˜o com a de Riemann. Logo. como desej´ avamos. segue que a f (x) dx = a f (x). P2 ∈ P([a. f ] ≥ Ds [P. . Prova da Proposi¸ c˜ ao 30.1) para todo (P. Vamos primeiro supor que F satisfa¸ ca a defini¸ ca ˜o II e denotemos sua integral de Darboux por D(f ). Di [P. para todo ǫ > 0 existe (Pǫ . f ] − Di [P. temos Di [P1 . tal que |P| ≤ |Pǫ |.A. χ). χ) ∈ X([a. Logo. f ] e a f (x) dx ≤ Ds [P. f ] e Ds [P2 . χ). expressa na Proposi¸ ca ˜o 30. f ] = supχ∝P S (P. f ] < ǫ . b] f (y ) − inf y∈[a. f ] < ǫ 2 Seja P = P1 ∪ P2 . b]) tal que S (f ) − ǫ ≤ S (P. ǫ ǫ Ds [P. p´ agina 1348. Ent˜ ao. 2 D(f ) − Di [P1 . em (30. ou seja. a f (x) dx − a f (x) a b b b b e a f (x) dx ≥ a f (x) (por (30. f ] < ǫ. 30. S (f ) − ǫ ≤ Di [P. pois se f for constante as afirma¸ co ˜es a serem demonstradas s˜ ao evidentes. f ] < D(f ) + = D(f ) − + ǫ < D i [P 1 . f ] ≤ S (f ) + ǫ .3.3 garante-nos que f ´ e integr´ avel segundo a defini¸ ca ˜o II.

f ] − D s [P 2 . completando a prova. f ] ∈ R ´ e decrescente. f ] = a f (x) dx . as quais usaremos abaixo.A. f ] − D i [P . f ] ≤ D s [P 1 . Consideremos em P([a. f ≤ Ds [P. f − D(f ) ≤ 3ǫ. aximo q ≤ p − 1 intervalos Primeiro termo entre parˆ enteses: Como P2 := P1 ∪ P e P1 possui p + 1 elementos.3). . temos pelo Exerc´ ıcio E. f ] − D i [P . k = 1. Assim. Seja P ∈ P([a. ou seja. 30. p´ agina 1330. definindo P ≺o P′ se P ⊂ P. . 30. . . f ] − D s [P 2 . Iq e cada subparti¸ ca ˜o ´ de Ik em P2 ser´ a denotada por Ikl . s˜ ao introduzidas na Se¸ ca ˜o 29. f ] e Di [P. .3. b]) ∋ P → Ds [P. χ). χ) → S (P. a rede P([a. Isso prova que f satisfaz a defini¸ ca ˜o Ic de integrabilidade e que S (f ) = D(f ). . Tudo o que temos ainda a fazer. teremos provado que S (P. k = 1. (30. b]) D i [P .3 da p´ agina 1348. b]) s˜ ao tamb´ em conjuntos dirigidos e a aplica¸ ca ˜o X([a. dita por alguns autores ser uma rede de Riemann-Darboux. 30. b]) tal que |P| < δǫ teremos S (P. Recordamos que as no¸ co ˜es de lim inf e lim sup de conjuntos dirigidos. f ] + D i [P 2 .A.3) Como Di [P. enquanto que a rede P([a. . p´ agina 1348. b]) ∋ P → Di [P. E em claro que q jk y ∈Ik D s [P . b]) P∈P([a. b]) inf D s [P . E claro que |Ik | = |Ik1 | + · · · + |Ikjk | sendo que ´ tamb´ |Ik | ≤ |P| ≤ δǫ . f ] − Di [P2 . χ). b]) lim inf Di [P. f ] + D s [P 2 . f ] = P∈P([a. p´ agina 1349. . f ] = a b f (x) dx e lim sup Ds [P. Segundo termo entre parˆ enteses: Como P1 ⊂ P2 . b]) e X([a. f ] ≤ D(f ) ≤ Ds [P. f ]. .JCABarata. Pelo exerc´ ıcio E. b]) o pr´ e-ordenamento definido pela inclus˜ ao. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. b]) tal que |P| < δǫ vale D s [P . Denotemos esses intervalos por I1 . cada um dos trˆ es termos entre parˆ enteses ao lado direito ´ e positivo (para o segundo termo entre parˆ enteses isso segue da defini¸ ca ˜o de Di e Ds ). f ] ≤ S (P. Com rela¸ ca ˜o a esse pr´ e-ordenamento ≺o as cole¸ co ˜es P([a. que Ds [P2 . f ] − D i [P 1 .A. q . b]) ∋ (P. f ] = D s [P . portanto. f ] = sup P∈P([a. apenas no m´ de P ser˜ ao sub-particionados para compor a parti¸ ca ˜o P2 . χ). f − D(f ) ≤ 3ǫ. jk . f ] ∈ R ´ e crescente.5. teremos provado que para todo ǫ > 0 existe δǫ tal que para todo P ∈ P([a. f ] − D i [P . 30. f ∈ R ´ e tamb´ em uma rede.4. Tomemos P2 := P1 ∪ P e escrevamos D s [P . Afirmamos que cada um dos trˆ es termos entre parˆ enteses ao lado direito ´ e majorado por ǫ. χ). b]) tal que |P| < δǫ (que uma tal parti¸ ca ˜o sempre existe ´ e claro. Terceiro termo entre parenteses: an´ alogo ao primeiro termo entre parˆ enteses. . Pelo Exerc´ ıcio E. f ] . ´ e provar (30. f ] = q k=1 jk sup f (y ) |Ik | − l=1 y ∈Ikl sup f (y ) |Ikl | q jk q = k=1 l=1 y ∈Ik sup f (y ) − sup f (y ) y ∈Ikl |Ikl | ≤ ∆f k=1 l=1 |Ikl | = ∆f k=1 |Ik | = ∆f q |P| ≤ ∆f p|P| < ∆f pδǫ = ǫ . basta tomar uma cujo maior intervalo tenha largura menor ou igual a δǫ ). . f ] < 3 ǫ . b P∈P([a. . f ] − D i [P 2 . Afirmamos que para toda parti¸ ca ˜o P ∈ P([a.1 Equivalˆ encia das Defini¸ c˜ oes II e III da Integrabilidade de Riemann Demonstraremos aqui equivalˆ encia das defini¸ co ˜es II e III da no¸ ca ˜o de integrabilidade de Riemann. Cap´ ıtulo 30 1383/2069 (notar que ∆f > 0 pois f foi suposta n˜ ao-constante). No que segue consideraremos essa rede em rela¸ ca ˜o a esse pr´ e-ordenamento. . f ] ≤ ǫ .

Temos obviamente que Di [P. f ] ≤ S (P. • Uma condi¸ c˜ ao para mensurabilidade de fun¸ co ˜es O pr´ oximo teorema (de [100]) ´ e de importˆ ancia fundamental e ser´ a usado em v´ arios lugares mais abaixo. b]) lim inf S (P. Vamos provar a rec´ ıproca. pela defini¸ ca ˜o de fun¸ ca ˜o mensur´ avel.5). Teorema 30. b f (x) dx = a P∈P([a. b]) lim inf Di [P. M[A]]-mensur´ avel. b]) e todo χ ∝ P. b]) S (P. χ). b]) a f (x) dx . (P. portanto. b]) lim sup (P. f ≤ D s [P . mas inevitavelmente. infelizmente.4) valha para todo A ∈ A e mostrar que f mensur´ avel em rela¸ ca ˜o a M e N = M[A]. b]) S (P. Por´ em. uma fun¸ c˜ ao f : M → N ´ e [M. onde a u ´nica desigualdade que ocorre acima segue da propriedade (29. f ] = sup S (P. ou seja. b]) lim inf Di [P. Advertimos que a presente se¸ ca ˜o ´ e. p´ agina 1331. N) dois espa¸ cos mensur´ aveis e suponhamos que N seja a σ -´ algebra gerada por uma cole¸ c˜ ao A de subconjuntos de N : N = M[A]. f ] para todo P ∈ P([a. P∈P([a. χ). f χ∝P e Ds [P.JCABarata. A no¸ ca ˜o de σ -´ algebra gerada por uma cole¸ ca ˜o de conjuntos foi introduzida no Cap´ ıtulo 26.4)).6). χ). ou seja. χ)∈X([a. f χ∝P e. χ). f ] = (P. Dessa express˜ ao. f lim = lim sup (P. Logo.3)-(29. b]) lim inf S (P. χ). N]-mensur´ avel. um pouco t´ ecnica. ent˜ ao. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Logo. f .9 Sejam (M. f .B. χ). χ)∈X([a. [M. se e somente se existe da no¸ ca ˜o de integrabilidade de Riemann. f = lim sup Ds [P. . f ] = P∈P([a. b]) S (P. f e lim sup Ds [P. χ). Ent˜ ao. se f ´ e mensur´ avel em rela¸ ca ˜o a M e N = M[A]. se e somente se f −1 (A) ∈ M (30.1)-(29. χ). f e. f b ≤ lim sup (P. χ)∈X([a. vamos supor que (30. Sugerimos a um estudante iniciante dispensar a leitura das demonstra¸ co ˜es e concentrar-se apenas nas defini¸ co ˜es e enunciados. χ)∈X([a. Prova. Isso prova a equivalˆ encia das defini¸ co ˜es II e III 30. portanto. χ)∈X([a.B.4) para todo A ∈ A. χ). f ] = P∈P([a. f ] = inf S (P. χ)∈X([a.2) e (29. χ)∈X([a. b]) lim inf S (P. M) e (N. Se A ∈ A segue que A ∈ M[A]. b]) S (P. χ).B Caracteriza¸ co ˜es e Propriedades de Fun¸ co ˜es Mensur´ aveis Vamos aqui estudar com mais detalhe e profundidade caracteriza¸ co ˜es e propriedades elementares das fun¸ co ˜es mensur´ aveis. f −1 (A) ∈ M. vˆ e-se pelas defini¸ co ˜es de Di e Ds que Di [P. vˆ e-se que b f (x) dx a = b f (x) dx a se e somente se (P. Seja A′ := {A′ ⊂ N | f −1 (A′ ) ∈ M} . f ] = (P. por (29. Cap´ ıtulo 30 1384/2069 (Vide defini¸ co ˜es (29.

2–1. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Note que se em M adotarmos uma σ -´ algebra M que cont´ em a σ -´ algebra M[τM ]. como M ´ e uma −1 ′ c σ -´ algebra. p´ agina 1273. Logo. Agora. uma uni˜ ao cont´ avel de seus elementos tamb´ em ′ ′ ′ A ∈ A . portanto. Pelo que acabamos de comentar. vale que f −1 (A) ∈ τM se A ∈ τN . e sejam M[τM ] e M[τM ] as σ -´ algebras geradas por essas topologias. M[τZ ]]mensur´ avel por ser a composi¸ ca ˜o de uma fun¸ ca ˜o [MX . pelo Teorema 30. provar que f −1 ((a. As duas no¸ co ˜es combinam-se elegantemente nos resultados que seguem. Afirmamos que se f : M → N ´ e cont´ ınua com respeito ` as topologias τM e τN .4) ´ e claro que A ⊂ A′ . M[τZ ]]-mensur´ avel. Sabemos que (vide Proposi¸ co ˜es 1. b) = (−∞. k ∈ N. Conseq¨ uentemente. • Fun¸ co ˜es mensur´ aveis entre espa¸ cos topol´ ogicos pertence a M. M[τZ ]]-mensur´ avel. p´ agina 36). Y e Z trˆ es conjuntos n˜ ao-vazios. ´ e suficiente. sejam conjuntos ′ ∈ A . b). MµL ]-mensur´ A proposi¸ ca ˜o adiante ´ e um mero corol´ ario das observa¸ co ˜es acima. f −1 (A′ k) −1 Como. nesse caso. M[τZ ]]-mensur´ avel. A ∈ M . Que ∅ e N pertencem a A′ ´ e claro. Para isso.14). Isso significa precisamente que f ´ e mensur´ avel em rela¸ ca ˜o a M e N. isso diz que a pr´ e-imagem por f de qualquer elemento de N = M[A] ´ e um elemento de M. ou seja. sendo o conjunto X dotado de uma σ -´ algebra MX e os conjuntos Y e Z dotados de topologias τY e τZ . pela defini¸ ca ˜o de A . M[A] ´ e a menor σ -´ algebra contendo A e A′ tamb´ em ´ e uma σ -´ algebra contendo A. respectivamente. mais especificamente na express˜ ao (26. a mesma afirma¸ ca ˜o ´ e verdadeira: uma fun¸ ca ˜o f : M → N cont´ ınua com respeito ` as topologias τM e τN ´ e mensur´ avel em rela¸ ca ˜o ` as σ -´ algebras M[τM ] e M ⊃ M[τM ].9 basta provar que f −1 (A) ∈ M[τM ] para todo A ∈ τN . Disso segue que toda fun¸ ca ˜o f : R → R cont´ ınua em rela¸ ca ˜o ` a topologia τR ´ e [M[τR ]. Cap´ ıtulo 30 1385/2069 Por (30. Mostremos agora que A′ ´ e uma σ -´ algebra em N . g ´ e [M[τY ]. Assim. f −1 (A′ ) ∈ M. (Vide Proposi¸ co ˜es 1. ´ e [M[τM ]. g ◦ f : X → Z ´ e [MX . provamos no Cap´ ıtulo 26. Notemos que o Teorema 30. completando a prova.9. a afirma¸ ca ˜o est´ a provada. p´ agina 36) f −1 k ∈N A′ k = k ∈N f −1 (A′ k) . b)) ∈ M para todo intervalo aberto (a.9 tem uma aplica¸ ca ˜o imediata para fun¸ co ˜es cont´ ınuas definidas em espa¸ cos topol´ ogicos. ent˜ ao f −1 ((A′ )c ) = f −1 (N \ A′ ) = f −1 (N ) \ f −1 (A′ ) = M \ f −1 (A′ ) = (f −1 (A′ ))c . para provar que uma fun¸ ca ˜o f : M → R ´ e mensur´ avel em rela¸ ca ˜o a M e M[τR ]. respectivamente. M[τR ]]-mensur´ avel e tamb´ em avel. b).4.4. Por hip´ otese. Ora. Ent˜ ao. Nesse caso A = τR . M[τY ]]-mensur´ avel com uma fun¸ ca ˜o [M[τY ].JCABarata. com a e b racionais.B. segue que ′ ′ M[A] ⊂ A . que (a. Podemos. cada f pertence a M. Sejam M e N dois conjuntos n˜ ao-vazios dotados de topologias τM e τN . pelo Teorema 30.2–1. Observemos agora. De fato. Como obviamente τM ⊂ M[τM ]. b) ∩ n∈N • Aplica¸ c˜ ao para fun¸ co ˜es num´ ericas −∞. Sejam f : X → Y e g : Y → Z duas fun¸ c˜ oes tais que f ´ e [MX .9 ´ e aplic´ avel ao caso de fun¸ co ˜es f : M → R. A′ k Resta-nos provar que uma uni˜ ao cont´ avel de elementos de A′ ´ e tamb´ em elemento de A′ . M[τN ]]-mensur´ avel. O Teorema 30. M[τY ]]-mensur´ avel e g ´ e cont´ ınua em rela¸ c˜ ao ` as topologias τY e τZ . provando que k k k ∈N k ∈N J´ a observamos acima a semelhan¸ ca entre as defini¸ co ˜es de fun¸ co ˜es cont´ ınuas e fun¸ co ˜es mensur´ aveis. Se A ∈ A . . por defini¸ ca ˜o. g ◦ f ´ e uma fun¸ ca ˜o [MX . onde R ´ e a cole¸ ca ˜o de todos os intervalos abertos (a. Proposi¸ c˜ ao 30. onde M dotada de uma σ -´ algebra M e R da σ -´ algebra de Borel M[τR ]. Por hip´ otese. (f (A )) ∈ M. Como M ´ e uma σ -´ algebra.10 Sejam X . que M[τR ] = M[R]. por f ser cont´ ınua. com a e b racionais. [M[τR ]. a + 1 n c . Em verdade. tomar A = R. Prova. −1 ′ ′ pois f (N ) = M (isso segue de f (M ) ⊂ N ). ent˜ ao f ´ e mensur´ avel em rela¸ ca ˜o ` as σ -´ algebras M[τM ] e M[τN ]. Logo.

= f −1 ((a. (−∞.7).11) (30. a)) ∈ M . ∈ M. b) = (−∞.7) (30. a)))c .12 Se f : M → R e g : M → R s˜ ao ambas [M. pelos racioc´ ınios usuais sobre uni˜ oes cont´ aveis. ∞)) ∈ M . p´ agina 36). Uma condi¸ c˜ ao necess´ aria e suficiente para que f seja [M.12) Prova. a]) ∈ M . Os dois casos restantes s˜ ao conseq¨ uˆ encia desses dois se lembrarmos que f −1 ((−∞. segue que se f −1 ((−∞. (30.B.4. sendo M dotada de uma σ -´ algebra M e R da σ -´ algebra de Borel M[τR ].B.B. b) \ (−∞.B. a + 1 n c .5) por qualquer um dos seguintes trˆ es conjuntos: {x ∈ M | f (x) ≤ a} {x ∈ M | f (x) > a} {x ∈ M | f (x) ≥ a} = f −1 ((−∞. Um racioc´ ınio idˆ entico nos leva a concluir que se f −1 ((c. ent˜ ao f −1 ((a. Que as condi¸ co ˜es s˜ ao necess´ arias ´ e evidente. M[τR ]]-mensur´ avel ´ e que para todo a ∈ R valha {x ∈ M | f (x) < a} = f −1 ((−∞. a]) = (f −1 ((a. 30. b)) ∩ n∈N n∈N −∞. intersec¸ co ˜es finitas e complementos de elementos de uma σ -´ algebras. Prove isso! Sugest˜ Isso significa que f −1 ((a. M[τR ]]-mensur´ aveis.6) (30. ∞)))c e que f −1 ([a. ∞)) ∈ M .B. podemos substituir o conjunto de (30.B. que usaremos logo abaixo: Proposi¸ c˜ ao 30. c)) ∈ M para todo c ∈ R. Acima.9) (30. Nosso pr´ oximo resultado ´ e o seguinte: Proposi¸ c˜ ao 30. pois os quatro conjuntos (30. Resumimos essas considera¸ co ˜es na seguinte proposi¸ ca ˜o. Logo. b)) ∈ M para todos com a e b racionais. a].B. = f −1 ([a. ∞). (Vide Proposi¸ co ˜es 1. ∞)) = (f −1 ((−∞.8) Prova.B.11 Consideremos uma fun¸ c˜ ao num´ erica f : M → R. r ∈Q .30 Exerc´ ıcio. ent˜ ao {x ∈ M | f (x) < g (x)} {x ∈ M | f (x) ≤ g (x)} {x ∈ M | f (x) > g (x)} {x ∈ M | f (x) ≥ g (x)} ∈ M. ent˜ ao f ´ e mensur´ avel em rela¸ ca ˜o a M e M[τR ]. Para demonstrar a primeira linha. a + 1 n .8) s˜ ao a pr´ e-imagem por f dos conjuntos Borelianos (−∞.B.B. ∈ M. a] = E. b)) = f −1 ((−∞. a] e escreva (−∞.5) Equivalentemente.5) e (30.2–1. (30. j´ a provamos a rec´ ıproca para os conjuntos (30. ∞) e [a. f −1 −∞.5)-(30. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.B. ∈ M. a). (30.JCABarata.B. (a.B.10) (30. provando que f ´ e mensur´ avel em rela¸ ca ˜o a M e M[τR ]. Cap´ ıtulo 30 1386/2069 ao: use (a. notemos que {x ∈ M | f (x) < g (x)} = {x ∈ M | f (x) < r} ∩ {x ∈ M | g (x) > r} . ∞)) ∈ M para todo c ∈ R.

O mesmo tipo de argumento tem outra conseq¨ uˆ encia semelhante. Afirmamos que αf ´ e igualmente mensur´ avel. Se h : M → R ´ e mensur´ avel. conclu´ ımos da igualdade acima que b + h ´ e mensur´ avel. ou seja. Para simplificar a linguagem. •A´ algebra das fun¸ co ˜es mensur´ aveis Vamos aqui provar a seguinte afirmativa. Assim. Cap´ ıtulo 30 1387/2069 ao: lembre-se que f (x) < g (x) se e somente se existir pelo menos um racional r E. M[τR ]]mensur´ avel. Mostre isso! Sugest˜ tal que f (x) < r < g (x). O produto f · g ´ e [M. β ∈ R a fun¸ ca ˜o αf + βg ´ e mensur´ avel em rela¸ ca ˜o a M e M[τR ]. segue que {x ∈ M | f (x) + g (x) < a} ∈ M para todo a. a qual coroa os resultados obtidos at´ e aqui sobre fun¸ co ˜es num´ ericas mensur´ aveis: o conjunto das fun¸ co ˜es num´ ericas mensur´ aveis forma uma ´ algebra. f ´ e mensur´ avel. 30. {x ∈ M | f (x)2 < a} = A prova que f · g ´ e mensur´ avel segue da rela¸ ca ˜o f ·g = 1 (f + g )2 − (f − g )2 4 Definindo-se h(x) = a − g (x). a uni˜ ao acima tamb´ em o ´ e. f (x) < r e r < g (x). Para todos α.JCABarata. Como isso vale para todo a ∈ R. ent˜ ao que para todo b ∈ R vale {x ∈ M | b + h(x) < a} = {x ∈ M | h(x) < a − b} . sua intersec¸ ca ˜o tamb´ em o ´ e. Logo {x ∈ M | f (x)2 < a} ∈ M e como isso vale para todo a ∈ R.12. M[τR ]]-mensur´ avel. por hip´ otese. usaremos nesta prova a express˜ ao fun¸ c˜ ao mensur´ avel no sentido de [M. . segue do que j´ a foi provado que {x ∈ M | f (x) ≤ g (x)} ∈ M e {x ∈ M | f (x) ≥ g (x)} ∈ M. √ Como f ´ e mensur´ avel. ent˜ ao 1. Por fim. tem-se Proposi¸ c˜ ao 30. tanto {x ∈ M | f (x) < r} quanto {x ∈ M | g (x) > r} s˜ ao elementos de M. 2. Por fim. o que implica que f + g e mensur´ avel. segue que f 2 ´ e mensur´ avel. Como uma σ -´ algebra ´ e fechada pelo complemento. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. M[τR ]]-mensur´ aveis. Provemos primeiro que se f ´ e mensur´ avel ent˜ ao f 2 tamb´ em o ´ e.11 que αf ´ e igualmente mensur´ avel.13 Se f : M → R e g : M → R s˜ ao ambas [M. Seja α ∈ R. Pelas propriedades de σ -´ algebras. Prova. j´ a que.31 Exerc´ ıcio. pela Proposi¸ ca ˜o 30. notemos que para todo a ∈ R {x ∈ M | αf (x) < a} = {x ∈ M | f (x) < a/α} ∈ M por (30. Como h ´ e mensur´ avel. para a < 0 {x ∈ M | f (x)2 < a} = ∅ ∈ M √ √ x ∈ M | f (x) < a ∪ x ∈ M | f (x) < − a . M[τR ]]-mensur´ avel. Como observamos acima. Se α = 0 a afirmativa ´ e trivial. Resta-nos ainda mostrar que o produto f · g ´ e mensur´ avel. A prova que {x ∈ M | f (x) > g (x)} ∈ M ´ e an´ aloga: {x ∈ M | f (x) > g (x)} = r ∈Q {x ∈ M | f (x) > r} ∩ {x ∈ M | g (x) < r} e n˜ ao requer mais coment´ arios. Observe-se agora que {x ∈ M | f (x) + g (x) < a} = {x ∈ M | f (x) < a − g (x)} .B. Como isso vale para todo a ∈ R. constatamos pelas considera¸ co ˜es de acima que se trata de uma fun¸ ca ˜o mensur´ avel. β ∈ R vale que αf + βg ´ e [M. De fato. por ser uma uni˜ ao cont´ avel de elementos de M (essa ´ e uma das propriedades definidoras de uma σ -´ algebras). Mais precisamente. {x ∈ M | h(x) < a − b} ∈ M. segue que {x ∈ M | f (x) < ± a} ∈ M. Conclu´ ımos disso tudo que para todos α. mas para a ≥ 0. segue pela mesma Proposi¸ ca ˜o 30. notemos que {x ∈ M | f (x) ≤ g (x)} = {x ∈ M | f (x) > g (x)}c e que {x ∈ M | f (x) ≥ g (x)} = {x ∈ M | f (x) < g (x)}c .5). Se α = 0.

14. segue que Re(f ) : M → R ´ e [M. cont´ avel de tais retˆ angulos: A = n∈N Rn . e cont´ ınua. A essa topologia vem associada a σ -´ algebra Boreliana M[τC ]. √ f ´ e tamb´ em {x ∈ M | f (x) < a} = {x ∈ M | f (x) < a2 } ∈ M . |f | = (Re(f ))2 + (Im(f ))2 ´ e [M. √ pois f ´ e mensur´ avel. p´ f −1 (A) = f −1 n∈N Rn = n∈N f −1 (Rn ) . M[τC ]]-mensur´ avel definida em M .25).15 tem parcialmente uma rec´ ıproca: Proposi¸ c˜ ao 30.14 Se f : M → R ´ e [M. z. Prova. M[τR ]]mensur´ avel pela Proposi¸ ca ˜o 30. (Isso ´ e totalmente ´ obvio. A Proposi¸ ca ˜o 30. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Assim o mesmo argumento se aplica novamente. M[τC ]]-mensur´ avel. como a uni˜ ao acima ´ e cont´ avel. M[τR ]]-mensur´ avel e f (x) ≥ 0 para todo x ∈ M . podemos entender a fun¸ ca ˜o Re(f ) : M → R como a composi¸ ca ˜o Re ◦ f da fun¸ ca ˜o [M.9. M[τC ]]mensur´ avel. a topologia usual de C. M[τR ]]-mensur´ avel.JCABarata. Ent˜ ao Re(f ). M[τR ]]-mensur´ aveis. Ent˜ ao R = I1 × I2 ´ e um retˆ angulo aberto em C. M[τR ]]-mensur´ avel. M[τC ]]mensur´ avel f com a fun¸ ca ˜o Re que ´ e cont´ ınua em rela¸ ca ˜o ` as topologias τC e τR . Lembremos que todo aberto A de C pode ser ser escrito como uni˜ ao agina 36. Seja I1 um intervalo aberto do eixo real e I2 um intervalo aberto do eixo imagin´ ario. Pela Proposi¸ ca ˜o 30. ent˜ ao [M. Pelas hip´ oteses. M) um espa¸ co mensur´ avel e f : M → C uma fun¸ c˜ ao complexa [M. Agora. Logo. M[τR ]]mensur´ avel. O conjunto dos n´ umeros complexos C ´ e um espa¸ co topol´ ogico m´ etrico completo com a m´ etrica d(z. u−1 (I1 ) e v −1 (I2 ) pertencem ` a σ -´ algebra M.15 Seja (M. basta observar que para a < 0 vale {x ∈ M | f (x) < a} = ∅ ∈ M e para a ≥ 0. p´ agina 1385. portanto. (De [205]). Vamos demonstrar a seguinte proposi¸ ca ˜o: Proposi¸ c˜ ao 30. w ∈ C. segue que f −1 (A) ∈ M. isso prova que f ´ e [M. M[τR ]]-mensur´ avel. Prove isso! Com isso em mente. f −1 (R) tamb´ em. Isso provou que f ´ e [M. w) = |w − z |. por (1. Cap´ ıtulo 30 1388/2069 e reunindo tudo o que vimos.16 Se u : M → R e v : M → R s˜ ao [M. . pela Proposi¸ ca ˜o 30. Mas como vimos f −1 (Rn ) ∈ M para todo n e. Comecemos por observar que a fun¸ ca ˜o Re : C → R dada por Re(z ) = (z + z )/2 ´ Im : C → R dada por Im(z ) = (z − z )/(2i). pois a m´ etrica em C ´ e definida por essa fun¸ ca ˜o!). 30. assim como a fun¸ ca ˜o Prova. A prova para Im(f ) ´ e idˆ entica. Agora. E. Outra maneira de provar que | · | : C → R ´ e [M.10. Para f : M → R. • Fun¸ co ˜es complexas mensur´ aveis A fun¸ ca ˜o m´ odulo | · | : C → R ´ e tamb´ em uma fun¸ ca ˜o cont´ ınua entre C e R. Im(f ) e |f | s˜ ao fun¸ c˜ oes reais [M. M[τR ]]-mensur´ aveis ent˜ ao f : u + iv : M → C ´ e [M. M[τR ]]-mensur´ avel ´ e lembrar que (Re(f ))2 + (Im(f ))2 ´ e [M. A seguinte proposi¸ ca ˜o tamb´ em ´ e relevante: Proposi¸ c˜ ao 30. Assim. Prova. Denotaremos por τC a topologia que essa m´ etrica induz. pela Proposi¸ ca ˜o 30.32 Exerc´ ıcio simples.13 e. ´ e f´ acil ver que f −1 (R) = u−1 (I1 ) ∩ v −1 (I2 ).

k := f −1 e k−1 k . No primeiro fn+1 (x) k −2 k −1 2k−1 k −1 vale 2 2n+1 = 2n = fn (x) e no segundo fn+1 (x) = 2n+1 > 2n = fn (x). n) em n2n sub-intervalos semi-abertos menores de k −1 tamanho 21 com k variando entre 1 e n2n . 2n . portanto. A prova ´ e elementar com o que acumulamos at´ e aqui. ent˜ ao para todo n > f (x) tem-se obviamente que −1 k f (x) ∈ [0. Para isso. 30. 2. A divis˜ ao de [0. n 2n 2 = x∈M k−1 k ≤ f (x) < n n 2 2 . ´ e preciso entender melhor como a seq¨ uˆ encia fn est´ a definida. Como as novas subdivis˜ k −1 rela¸ ca ˜o ao de fn . 2n . ent˜ ao fn (x) n . a saber. Como por hip´ otese f ´ e Boreliana. para todo x. o que prova que fn (x) → f (x) quando n → ∞. portanto. fn (x) ´ e sempre menor o igual a f (x). ent˜ ao 1. o que mostra que a mesma fn (x) = 2n e |fn (x) − f (x)| ≤ 2n . Se A > 0 ´ e tal que 0 ≤ f (x) < A para todo x ∈ M . k a fun¸ ca ˜o fn vale 2n . n) e. A seq¨ uˆ encia ´ e n2n fn (x) := k=1 k−1 2n χFn. k s˜ ao as pr´ e-imagens por f ao os intervalos k2 n . . pela defini¸ ca ˜o.3 A prova (extra´ ıda com modifica¸ co ˜es de [100]) consiste em exibir uma seq¨ uˆ encia fn de fun¸ co ˜es simples mensur´ aveis e n˜ ao-negativas e verificar as propriedades. Ora. k e Gn s˜ ao mensur´ aveis (ou seja.15) que as partes reais e imagin´ arias de αf + βg e de f · g s˜ ao [M. Os conjuntos Fn. fn (x) = k2 n n . k passa a ser a uni˜ ao dos dois conjuntos disjuntos Fn+1.JCABarata. −1 k ent˜ ao ´ e certo que se n > A teremos que para cada x haver´ a um k entre 1 e n2n tal que f (x) ∈ k2 n . . fn (x) → ∞ quando n → ∞. ´ e imediato que Fn. Para ver que fn converge a f . cada intervalo passa a ter tamanho 2n1 e a metade do anterior. ´ e dividido em 2n intervalos semi-abertos de igual tamanho. Ap´ os a primeira subdivis˜ ao (ao passarmos de n a n + 1) o conjunto Fn. ∞ ] s˜ a o Borelianos. Para todos α. Resta apenas provar que se f ´ e finito a convergˆ encia ´ e uniforme. Se passarmos de n para n+1. . pela Proposi¸ ca ˜o 30. observe-se que se f (x) ´ e finito. onde Fn. M[τC ]-mensur´ aveis. Assim. com l = 0. tem-se Proposi¸ c˜ ao 30. O produto f · g ´ e [M. Mais precisamente. k (x) + nχGn (x) . j´ a que os k −1 e [ n. vale que f (x) ∈ k2 para algum k entre 1 e n2n . ∞]) = {x ∈ M | n ≤ f (x) ≤ ∞} . o lado direito dessa desigualdade n˜ ´ e uniforme em todo M . Mais precisamente. M[τC ]]-mensur´ avel. −1 k −1 Se x ´ e tal que f (x) cai em k2 ao fn (x) ´ e definido como sendo k2 e tal que f (x) ≥ n. p´ agina 1362. o valor de cada fn+1 (x) s´ o pode aumentar em 2n+1 . β ∈ C vale que αf + βg ´ e [M. M[τC ]]-mensur´ avel. Queremos provar que fn ´ e n˜ ao-decrescente e que converge a f . que n . Se x ´ ´ e definido como sendo n.C Prova do Lema 30. 2n+1 ∪ 2k 2k−1 oes est˜ ao contidas nas anteriores. . que s˜ n . Prova.17 Se f : M → C e g : M → C s˜ ao ambas [M. 2n desses sub-intervalos semi-abertos. completando a prova do Lema 30. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. portanto.13 e 30. que ´ −1 k −1 k k−2 2k−1 semi-aberto k2 passa a ser dividido em dois intervalos semi-abertos disjuntos: k2 = 2 n .16. . 2n+1 . M[τR ]]-mensur´ aveis. n) em n2n sub-intervalos semi-abertos de tamanho 21 n significa que cada intervalo semi-aberto [l. para x ∈ Fn. elementos de M). 2n n . 2k−1 e Fn+1. Se f (x) n˜ fn (x) = n para todo n. Assim. Assim cada intervalo +1 . . intervalos k2 n n 2n Gn := f −1 ([n. Da´ ı. αf + βg e f · g s˜ ao [M. Para cada n. divide-se o intervalo semi-aberto [0. pois ´ e f´ acil provar (usando as Proposi¸ co ˜es 30. l + 1). |fn (x) − f (x)| ≤ 21 ao ´ e finito. 2n 2n+1 . pela defini¸ ca ˜o e. Teremos ent˜ ao.3. ent˜ n . Cap´ ıtulo 30 1389/2069 Para as fun¸ co ˜es complexas mensur´ aveis vale a mesma afirma¸ c˜ ao feita sobre as fun¸ co ˜es reais: elas formam uma ´ algebra. n − 1. 2n −1 e. cada f ´ e uma fun¸ c a ˜ o simples e mensur´ a vel. 2k . o que prova o que afirmamos. M[τC ]]-mensur´ aveis. 21 n. Nesse caso 1 k −1 ao depende de x.

´ f´ E acil ver que Am ⊂ An para todos m ≤ n. No primeiro caso desejamos provar que M fn dµ diverge quando n → ∞. M H´ a dois casos a tratar. Se Bk ∩ Cl = ∅. An = M . para todo Bk vale sendo que a uni˜ ao do lado direito ´ e disjunta. Se x ∈ M ent˜ ao. para todo Cl vale l=1 µ(Bk ∩ Cl ) . segue que para algum n grande o suficiente teremos fn (x) + ǫ > s(x). ent˜ ao o fato de M s dµ = ∞ implica que existe um k0 com sk0 > 0 e µ(Sk0 ) = ∞. Vamos primeiramente mostrar que M s dµ ≤ lim n→∞ M fn dµ . Fa¸ n normal curta s(x) = k=1 sk χSk (x).27) e (30. Na segunda igualdade. 30.D. Se s tem representa¸ ca ˜o I. Isso se deve ao seguinte. Fixemos um ǫ tal que 0 < ǫ < sk0 e definamos os conjuntos An := { x ∈ M | fn (x) + ǫ > s(x) } .13) = k=1 l=1 βk µ(Bk ∩ Cl ) = l=1 k=1 γl µ(Bk ∩ Cl ) (30. q µ(Bk ) = µ ((Bk ∩ C1 ) ∪ · · · ∪ (Bk ∩ Cq )) = Analogamente.D. vale pelas representa¸ co ˜es normais de (30.26). Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.14) βk µ(Bk ) k=1 (30.JCABarata.D. l=1 o que prova (30. pois fn ´ e uma seq¨ uˆ encia crescente. pois se x ∈ Bk ∩ Cl . Cap´ ıtulo 30 1390/2069 30.D. I quando M camos isso.28) Vamos aqui mostrar a equivalˆ encia das duas defini¸ co ˜es (30. garante-nos o Lema 30.13) Cl = Cl ∩ M = Cl ∩ (B1 ∪ · · · ∪ Bp ) = (Cl ∩ B1 ) ∪ · · · ∪ (Cl ∩ Bp ) tamb´ em uma uni˜ ao disjunta e tamb´ em tem-se p µ(Cl ) = µ ((Cl ∩ B1 ) ∪ · · · ∪ (Cl ∩ Bp )) = Assim. com ligeiras adapta¸ co ˜es e melhorias. pois (Bk ∩ Ci ) ∩ (Bk ∩ Cj ) = (Ci ∩ Cj ) ∩ Bk = ∅ para i = j . ent˜ ao βk = γl . Temos. trocamos βk por γl e a raz˜ ao de podermos fazer isso ´ e a seguinte. Fora isso.26) Bk = Bk ∩ M = Bk ∩ (C1 ∪ · · · ∪ Cq ) = (Bk ∩ C1 ) ∪ · · · ∪ (Bk ∩ Cq ) Provemos a rela¸ ca ˜o (30. p p q q p k=1 µ(Cl ∩ Bk ) .D Demonstra¸ c˜ ao de (30. q (30. n∈N s dµ = ∞ e II quando s dµ < ∞. como fn (x) converge a f (x) ≤ s(x). o que autoriza a substitui¸ ca ˜o. Se Bk ∩ Cl = ∅ ent˜ ao µ(Bk ∩ Cl ) = 0.25) que s(x) = βk e que s(x) = γk .E A Equivalˆ encia das Defini¸ co ˜es (30. Assim.27) e (30.28) da integral de Lebesgue.14) = γl µ(Cl ) . que Sk0 = Sk0 ∩ M = Sk0 ∩ An = n∈N n∈N (An ∩ Sk0 ) . (30. Nosso tratamento segue [100].26). Vamos supor que s ∈ S (f ) e que fn ´ e uma seq¨ uˆ encia mon´ otona crescente de fun¸ co ˜es simples mensur´ aveis de S (f ) que converge a f (que tal existe. com isso. se µ ´ e uma medida. Temos que. acima. Com isso.3). todo x ∈ M pertence a algum An .

fn dµ > (sk0 − ǫ) lim µ(An ∩ Sk0 ) = ∞. A primeira igualdade ca ˜o s vale sk0 . podemos evocar a propriedade geral de medidas 3 da p´ escrever µ(Sk0 ) = limn→∞ µ(An ∩ Sk0 ). Na u ´ltima igualdade usamos que Agora. como quer´ n→∞ n ca ˜o normal curta de s. k k k k k=1 M ´ f´ Seja T := {x ∈ M | s(x) > 0}. Seja s(x) = k=1 sk χSk (x) a representa¸ n s dµ = s µ ( S ) < ∞ . segue que µ ( S ) < ∞ para todo k com s > 0. lim n→∞ M ıamos mostrar. se definirmos sm = supx∈M s(x) = max{s1 . Agora. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. M Acima. sn } ≥ 0. . n s k >0 Sk . fn dµ > M M fn χAn ∩Sk0 dµ > = M (s − ǫ) χAn ∩Sk0 dµ (sk0 − ǫ) χAn ∩Sk0 dµ χAn ∩Sk0 dµ M = (sk0 − ǫ) M = (sk0 − ǫ)µ(An ∩ Sk0 ) . .JCABarata. teremos M s χT dµ = M s dµ. Tem-se ent˜ ao µ(T ) = k s k >0 µ(Sk ) < ∞. Como II. . usamos em v´ arios lugares que χAn ∩T = χAn ∩T χT . Vamos escolher um ǫ fixo tal que 0 < ǫ < minsk >0 {sk }. s (χT − χAn ∩T ) dµ ≤ sm M (χT − χAn ∩T ) dµ = sm (µ(T ) − µ(An ∩ T )) . A segunda desigualdade (primeira linha) se deve a´ ı fato que em An tem-se fn (x) > s(x) − ǫ.. . Consideremos agora o caso M s dµ < ∞. Segue que fn dµ ≥ > M fn χAn ∩T dµ M M (s − ǫ) χAn ∩T dµ s χAn ∩T dµ − ǫ χAn ∩T dµ M = M = M s χAn ∩T dµ − ǫµ(An ∩ T ) s χAn ∩T dµ − ǫµ(T ) s χAn ∩T χT dµ − ǫµ(T ) s χT dµ − s dµ − s (1 − χAn ∩T ) χT dµ − ǫµ(T ) ≥ = M M = M M = M M s (χT − χAn ∩T ) dµ − ǫµ(T ) .. (segunda linha) se deve ao fato que em Sk0 a fun¸ Assim. Cap´ ıtulo 30 1391/2069 agina 1280 e Como Am ∩ Sk0 ⊂ An ∩ Sk0 para todos m ≤ n. o que nos diz que limn→∞ µ(An ∩ Sk0 ) = ∞. . E acil ver que T = k=1. ..

Como {fn } ´ e crescente.4. Se x ∈ M e f (x) = 0. pois nesse caso f1 (x) = s(x) = f (x) = 0. Agora. segue que lim II. p´ agina 1386. f ´ e mensur´ avel. [M. Como fn (x) < f (x) para todo x. Prova do Teorema 30. umero finito n˜ ao-negativo ou diverge. Tomando-se uma constante c fixa no intervalo (0. para todos os n’s grandes o suficiente. ou seja. segue que M fn dµ ≤ M f dµ.F Prova do Teorema da Convergˆ encia Mon´ otona Apresentamos aqui a demonstra¸ ca ˜o do Teorema 30. p´ do item 3. haver´ a algum n para o qual fn (x) ≥ cs(x) e. pois c foi escolhido menor que 1. p´ agina 1280.4. F ≤ f dµ . como fn ∈ S (f ). assim. Como fn (x) → f (x). completando a prova para o caso M Como essa desigualdade vale para ǫ arbitr´ ario. pertencem a M). por exemplo. fn dµ ≥ s dµ. Se x ∈ M e f (x) > 0. fn dµ > M M s dµ − ǫ − ǫµ(T ) . Isso mostra que se fn ´ e qualquer seq¨ uˆ encia mon´ otona crescente de fun¸ co ˜es simples mensur´ aveis de S (f ) que converge a f vale n→∞ lim fn dµ = sup M s∈S (f ) M s dµ .15) Seja agora s ∈ S (f ). a seq¨ uˆ encia M fn dµ ou converge a algum n´ F := limn→∞ M fn dµ com F ∈ R+ ∪ {∞}. ´ e M fn dµ ≤ sup s dµ. Pela Proposi¸ ca ˜o 30. Cap´ ıtulo 30 1392/2069 Pelo mesmo argumento usado na parte I. A desigualdade lim claro que lim n→∞ n→∞ M n→∞ M fn dµ ≥ s∈S (f ) M s dµ mostra que lim M n→∞ M fn dµ ≥ sup s∈S (f ) M s dµ. Assim. Isso provou que n∈N En = M .35 Pelas hip´ oteses f = supn∈N fn . M[τR ]]-mensur´ avel e 0 ≤ s ≤ f . teremos que sm (µ(T ) − µ(An ∩ T )) ≤ ǫ para todos os n’s grandes o suficiente. ent˜ ao cs(x) < f (x). Logo. Pelo Lema 30. demonstra¸ ca ˜o abaixo ´ e encontrada de forma quase idˆ entica em v´ arios textos. 1). Como fn ≥ fn χEn . provando a equivalˆ encia das duas defini¸ co ˜es (30.28). agina 1364. ´ e tamb´ em imediato que En ⊂ En+1 para todo n. e pela propriedade geral de medidas portanto. vale que M 35 A fn dµ ≥ fn χEn dµ = M En fn dµ ≥ c s dµ = c En En s dµ .F.27) e (30. vale limn→∞ µ(An ∩T ) = µ(T ).JCABarata. Logo. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. isso implica que n→∞ lim s dµ = En M s dµ .12. seja Pelas hip´ oteses. 30. O lado direito n˜ ao depende de n. em [205] . ent˜ ao x ∈ E1 . Com isso. o Teorema da Convergˆ encia Mon´ otona. s ´ e simples. n→∞ lim fn dµ > M M s dµ − ǫ − ǫµ(T ) . pela discuss˜ ao da p´ agina 1359 sobre fun¸ co ˜es definidas pelo supremo de seq¨ uˆ encias.4. M (30. os conjuntos En s˜ ao todos mensur´ aveis (ou seja. Assim. definamos para cada n ∈ N os conjuntos En := {x ∈ M | fn (x) ≥ cs(x)} . x ∈ En .

Como fn (x) ≥ gn (x) tem-se M fn dµ ≥ gn dµ M para todo n. segue que F ≥ M s dµ. Agora. M Agora. Como isso vale para todo c ımos que ca ˜o. M[τR ]]-mensur´ avel. n≥1 k≥n sup inf M fk dµ ≥ sup n≥1 gn dµ . al´ em disso. portanto. M pois M gn dµ ´ e crescente. assim.17) . Cap´ ıtulo 30 1393/2069 para todo n. Agora. tem-se que k ≥n inf gk dµ = M M gn dµ e.15). p´ agina 1371.G. pelos coment´ arios da p´ agina 1359.16) (A u ´ltima igualdade ´ e a defini¸ ca ˜o de lim inf). tamb´ em para todo n e para todo x ∈ M . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.F. (30. M Como gn satisfaz os requisitos do Teorema da Convergˆ encia Mon´ otona. lim inf n M fn dµ ≥ M n→∞ lim gn dµ . recordando que. provamos que lim inf n M fn dµ ≥ lim n→∞ gn dµ . n≥1 n≥1 k≥n n→∞ (30. segue que M f dµ = F = limn→∞ M fn dµ. E e n˜ ao-negativa e. pordefini¸ ca ˜o lim inf n M fn dµ = sup inf n≥1 k≥n fk dµ M e. conclu´ entre 0 e 1. Isso completa a demonstra¸ 30. e assim. sup n≥1 M gn dµ = lim n→∞ gn dµ . Sejam as fun¸ co ˜es gn : M → R definidas da seguinte forma: para cada x ∈ M tem-se ´ claro que cada gn ´ ´ gn (x) = inf fk (x). E tamb´ em claro que gn (x) ≤ gn+1 (x) para todo n e para todo x ∈ M e que fn (x) ≥ gn (x). pela defini¸ ca ˜o do Teorema F ≥ M f. dµ. M Conseq¨ uentemente. 30. M f dµ = sups∈S (f ) M s dµ. M Como gn (x) ≤ gn+1 (x) para todo n.JCABarata. [M. vale que n→∞ lim gn dµ = M M n→∞ lim gn dµ e. Teorema 30. k ≥n inf M fk dµ ≥ gn dµ . para cada x ∈ M n→∞ lim gn (x) = sup gn (x) = sup inf fk (x) = lim inf fn (x) . Tomando o limite n → ∞ em ambos os lados. Portanto.G.G k ≥n Prova do Lema de Fatou Prova do Lema de Fatou. conclu´ ımos que F ≥ c M s dµ.4. Por (30.4. k ≥n inf M fk dµ ≥ inf k ≥n gk dµ .

n→∞ n→∞ pois lim inf −|f − fn | = − lim sup |f − fn | = 0.6. segue que n→∞ lim M |f − fn | dµ = 0 . f ∈ L1 (M.G. Assim.H Prova do Teorema da Convergˆ encia Dominada n→∞ Seguiremos aqui [205]. notemos que |f − fn | ≤ |f | + |fn | ≤ 2F . Em segundo lugar. (Justifique!) Por outro lado.G. Isso provou o item 2 do Teorema 30. M ou seja. n→∞ n→∞ lim inf n→∞ M (2F − |f − fn |) dµ = 2F dµ + lim inf M n→∞ M −|f − fn | dµ . Por´ em.16) que lim gn = lim inf fn (x) e. assim. Isso provou o item 1 do Teorema 30.JCABarata.6. Por um lado. M n→∞ que ´ e o que quer´ ıamos provar. Cap´ ıtulo 30 1394/2069 Por fim. M Como M F dµ ≤ ∞ (pois F ∈ L1 (M. ent˜ ao |f (x)| ≤ F (x) para todo x ∈ M . (30.17) estabeleceu que n→∞ n→∞ lim inf n M fn dµ ≥ lim inf fn dµ . dµ). sabemos por (30. . f dµ = lim M n→∞ Isso provou o item 3 do Teorema 30. M[τC ]]-mensur´ avel (por ser o limite de fun¸ co ˜es mensur´ aveis). Como f ´ e tamb´ em [M.37) e concluir que n→∞ lim M (f − fn ) dµ = 0 . segue que (f − fn ) ∈ L1 (M. Como |f − fn | ≤ 2F . podemos subtrair o termo 2 e concluir que lim sup n→∞ M F dµ de ambos os lados da express˜ ao acima |f − fn | dµ ≤ 0 . dµ)).6. 30. as fun¸ co ˜es gn = 2F − |f − fn | s˜ ao n˜ ao-negativas e podemos aplicar o Lema de Fatou. fn dµ . ´ claro que se f (x) = lim f (x) e |fn (x)| ≤ F (x) para todo n ∈ N e todo Prova do Teorema da Convergˆ encia Dominada. ent˜ ao M |f | dµ < M F dµ < ∞ e. (Justifique!) Assim. vale que lim inf n→∞ M −|f − fn | dµ = − lim sup n→∞ M |f − fn | dµ . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. temos que lim inf (2F − |f − fn |) = 2F − lim sup |f − fn | = 2F . Como M |f − fn | dµ ≥ 0. Lema 30. que diz-nos que lim inf (2F − |f − fn |) dµ ≤ lim inf n→∞ n→∞ M M (2F − |f − fn |) dµ .5. E x ∈ M . provamos que 2 M F dµ ≤ 2 M F dµ − lim sup n→∞ M |f − fn | dµ . dµ) e podemos aplicar (30. portanto.

A prova que apresentamos requer o Lema de Fatou e o Teorema da Convergˆ encia Dominada. b]. segue que f = lim σn µL -q. b] n→∞ lim qn dµL = [a.p. existe M > 0 tal |σn | ≤ k=1 inf f (y ) χIk ≤ M χIk = M . E tamb´ em evidente que D i [P n . b] e n→∞ lim [a.18). Esse ρ ´ e. b] n→∞ a f (x) dx . . f ] → ρ e Ds [Pn . b] n→∞ σn dµL = lim Di [Pn . podemos aplicar o Teorema da Convergˆ encia Dominada. p´ agina 1372). [a. por (30.JCABarata. f ] = [a.4.2 e 30. . os quais tratam da rela¸ ca ˜o entre as integrais de Riemann e Lebesgue. p´ agina 1365. Dada uma fun¸ ca ˜o real limitada e integr´ avel por Riemann f . . b] (pois [a. Seguiremos essencialmente [100]. b] (Σn − σn ) dµL = 0 . f ] := k=1 sup f (y ) y ∈Ik |Ik | . (30. Para uma outra demonstra¸ ca ˜o ligeiramente diferente do Teorema 30. f ] = [a. que por sua vez segue [19]. . [73]. em [a.I Prova dos Teoremas 30. xn } de [a. b] n→∞ n→∞ Σn dµL = ρ . Assim. por exemplo.3 Aqui apresentamos a demonstra¸ ca ˜o dos Teoremas 30. Como qn = Σn − σn ≥ 0 (certo?).I. ρ = a f (x)dx. A seq¨ uˆ encia qn = Σn − σn ´ e n˜ ao-crescente. a fun¸ ca ˜o q = inf qn = lim qn ´ e Boreliana (vide discuss˜ ao ` a p´ agina 1359). tratados na Se¸ ca ˜o 30. e concluir do fato que f = limn→∞ σn que f ´ e integr´ avel e que. b] [a. . com Pn+1 mais fina que Pn para todo n e tais que Di [Pn . P2 . < xn = b. b] lim inf qn dµL ≤ lim inf n→∞ n→∞ qn dµL = lim [a. vale n−1 n−1 y ∈Ik Como σn ≤ f ≤ Σn para todo n. f ] = ρ = [a.I. Cap´ ıtulo 30 1395/2069 30. que q = 0 µL -q. por defini¸ ca ˜o. p´ agina 1371. b]. Definamos tamb´ em as fun¸ co ˜es simples n−1 n−1 y ∈Ik σn := k=1 inf f (y ) χIk e Σn := k=1 sup f (y ) y ∈Ik χIk . pois os intervalos Ik = [xk . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. b] n→∞ [a. b] σn dµL e D s [P n . n→∞ que |f | < M . Logo.3. segue pela Proposi¸ ca ˜o 30. Se f ´ e integr´ avel por Riemann ent˜ ao existe uma seq¨ uˆ encia de parti¸ co ˜es P1 . e dada uma parti¸ ca ˜o Pn = {x1 . Como f ´ e limitada. lim σn dµL = lim [a.p. Prova do Teorema 30. . f ] := k=1 inf f (y ) |Ik | e Ds [Pn . . .2. b].18) ´ bastante claro que σn e Σn s˜ ´ E ao fun¸ co ˜es mensur´ aveis Borelianas. em [a. onde Ik = [xk . xk+1 ) s˜ ao Borelianos. . b] com a = x1 < . Assim.3.2 e 30. b]. a integral de Riemann b de f em [a. sejam as somas de Darboux n−1 n−1 y ∈Ik Di [Pn .5. P3 . b] M dµL = M (b − a) < ∞).7. ou seja.6. Pelo Lema de Fatou (Lema 30. .t. Mas isso implica tamb´ em que |σn | < M pois. n n→∞ q dµL = [a. f ] → ρ para algum ρ ∈ R. b] (Σn − σn ) dµL = 0 . xk+1 ) e |Ik | = xk+1 − xk = µL (Ik ).t. b f dµL = lim [a. definida em [a. b] Σn dµL .2 vide. pois Σn ´ e n˜ ao-crescente e σn ´ e n˜ ao-decrescente (certo?). p´ agina 1373.. Teorema 30. k=1 A fun¸ ca ˜o constante igual a M ´ e integr´ avel em [a.

∞ Por outro lado.5. pela igualdade em (30.2. (De [100]. existe e ´ e finita e. ´ eu ´nico. ent˜ ao F := R f dµL < ∞ e. Isso implica [−n0 .2. (30. a qual existe para todo para n ∈ N. b a β f (x) dx − F < ǫ. Prova do Teorema 30. pois R ´ e um espa¸ co Hausdorff (vide Proposi¸ ca ˜o 29. n0 ] ≤ f χ[a. b] com [a.2. ou seja. com aperfei¸ coamentos). ´ e´ obvio isso conclu´ ımos que R f dµL ´ que f = |f |).2. b] ⊃ [−n0 . n f (x) dx = −n [−n. p´ agina 1327). se existe.21) Conseq¨ uentemente. j´ a que [−n. ent˜ ao o limite limn→∞ −n f (x) dx. Agora. n + 1]. n] s˜ ao Borelianas.3. as fun¸ co ˜es fn = f χ[−n. n0 ] f dµ ≤ [a.1. n] ⊂ [−(n + 1). p´ agina 1351. A prova que apresentamos requer o Teorema da Convergˆ encia Mon´ otona. (Para a defini¸ ca ˜o de “estar eventualmente”.3.I. com (definida na Se¸ ca ˜o 30. Teorema 30. F + ǫ). Podemos escrever f dµL = [−n. o qual.4. pois fn ≤ fn+1 para todo n ∈ N. p´ agina 1329). Esse fato diz-nos que a rede [α. p´ agina 1351). vide Se¸ ca ˜o 29.21). . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. ∞) quanto n → ∞.3. f possui uma integral de Riemann impr´ opria e essa ´ e igual a F := R f dµL .19) que se f possuir uma integral de Riemann impr´ opria −∞ f (x) dx ∞ n e igual a −∞ f (x) dx ∈ R e. (30.I. podemos aplicar o Teorema da Convergˆ encia Mon´ otona.I. e obter n n→∞ lim f (x) dx = lim −n n→∞ fn dµL = R R n→∞ lim fn dµL = R f dµL . p´ agina 1371. Assim. n0 ] vale f χ[−n0 . n e igual a F . n] → (−∞.I. p´ agina 1371.4. se f for integr´ avel no sentido de Lebesgue. Passemos agora ` a prova do Teorema 30. n] R f χ[−n. pela defini¸ ca ˜o da Se¸ ca ˜o 30. n] dµL . Cap´ ıtulo 30 1396/2069 provando a igualdade da integral de Riemann e a de Lebesgue no caso tratado. Acima. n Seja a integral de Riemann −n f (x) dx. Isso encerra a prova do Teorema 30. b] f dµ ≤ f dµ.I. tratado na Se¸ ca ˜o 30. por (30. Assim. n] f dµL . para qualquer ǫ > 0 existe n0 ≡ n0 (ǫ) ∈ N tal que o limite limn→∞ −n f (x) dx existe e ´ n0 −n0 f (x) dx − F < ǫ. f ´ e integr´ avel no sentido de Lebesgue (como f ´ e n˜ ao-negativa. β ] → α f (x) dx est´ a eventualmente em qualquer intervalo aberto (F − ǫ. s˜ ao n˜ ao-negativas e formam uma seq¨ uˆ encia n˜ ao-decrescente.19) Assim.I.3. Isso diz-nos que F ´ e um ponto limite dessa rede. conclu´ ımos da igualdade em (30.1.19).20) e (30. Pelo Teorema 30. portanto. o fato que limn→∞ fn (x) = f (x) para cada x ∈ R ´ e conseq¨ uˆ encia de que [−n. por hip´ otese. R n0 −n0 b f (x) dx ≤ a f (x) dx ≤ F . b] ≤ f pois f ´ e n˜ ao-negativa.20) Para todo intervalo finito [a.I.JCABarata. a integral ` a direita sendo a de Lebesgue. Portanto. (30.

2 1 ( | f |p + | g |p ) .35). e. (30. e automaticamente satisfeita. p´ agina 251.J. se d´ a caso M |g |q dµ = 0. que estabelece que a1/p b1/q ≤ a b + .44) segue os mesmos passos daquela do Teorema 24.J. segue que |f − g | 2 ≤ (30. extra´ ımos que se M |f − g |p dµ = ∞.p.t. p q M M o que demonstra a desigualdade de H¨ older (30. M Provemos agora a desigualdade de Minkowski (30.p. Lembremos. O mesmo em trivial. pois a´ ı o lado esquerdo de (30. Cap´ ıtulo 30 1397/2069 30. A prova da desigualdade de H¨ older (30. tomemos a = e b = |g (x)|q M |f |p dµ |g |q dµ |g (x)|q M A rela¸ ca ˜o (30. tem-se M |f ||g | dµ 1/p 1/q M M |f |p dµ |g |q dµ ≤ 1 p M |f |p dµ |f |p dµ 1 + q M |g |q dµ |g |q dµ = 1 1 + = 1. (30.J. |g |q dµ Tomando a integral M (· · · ) dµ da express˜ ao acima. em primeiro lugar a desigualdade de Young (5. ent˜ p e satisfeita. |f g | = 0 µ-q. Em (30.22). Logo.22) 1 1 + = 1.24) ao M |f |p dµ + M |g |p dµ = ∞ e a desigualdade de Tamb´ em de (30. Podemos ent˜ Comecemos observando que para p > 1 a fun¸ ca ˜o xp ´ e cont´ ınua e convexa para x > 0.44) ´ e nulo.45) Minkowski (30.J. No caso de termos M |f |p dµ = ∞ a desigualdade em (30. |f | + |g | 2 p ≤ p 1 (|f |p + |g |p ) .JCABarata. pois |f − g | ≤ |f | + |g | implica ao tomar p > 1.23) Disso conclu´ ımos que se f e g pertencem a Lp (M. ent˜ ao f − g ∈ Lp (M. O caso p = 1.44). |f − g | dµ ≤ M |f | dµ + M |g | dµ.J. p q (30.45) ´ ´ e nulo.t. Provaremos primeiro a desigualdade de H¨ older e dela extrairemos a de Minkowski.44) ´ pois valer´ a |f | = 0 µ-q. Tamb´ em no caso M |f − g | dµ = 0 (30.25) . a desigualdade (30.7. dµ). p´ agina 24. a igualdade se d´ a se e p q para a ≥ 0. Podemos ent˜ ao supor 0 < M |f − g |p dµ < ∞ .22) diz-nos que |f (x)| M 1/p M |g (x)| |g | dµ q 1/q |f | dµ p ≤ 1 p |f (x)|p M + |f |p dµ 1 q . b ≥ 0 e p e q ambos tais que 1 < p < ∞ e 1 < q < ∞.J Prova das Desigualdades de H¨ older e Minkowski Prova do Teorema 30. dµ) .45). Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.45) ´ e satisfeita.J. portanto.4. e que apenas se a = b. o que implica que o lado esquerdo de (30.44) e tamb´ podemos supor que 0 < M |f |p dµ < ∞ |f (x)|p M e 0 < M |g |q dµ < ∞ . 2 como |f − g | ≤ |f | + |g |. Para x ∈ M .J..4. ´ e evidente.23). Notemos primeiramente que no caso de termos M |f |p dµ = 0. Com isso. .

′ p q p q Definindo-se F = |f |r .47). 1/q (30. Por isso.24). G = |g |r .25). Isso diz-nos que M |f − g |p dµ ≤ M |f | |f − g |p−1 dµ + 1/p M |g | |f − g |p−1 dµ . |f − g |p dµ e. portanto.J. podemos dividir ambos os lados acima por 1/p.45). dµ).26). 1/r M 1/r |f |r |g |r dµ = M F G dµ 1/p′ 1/q′ 1/r (30. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.26) A desigualdade de H¨ older (30. Cap´ ıtulo 30 1398/2069 Escrevamos agora |f − g |p = |f − g | |f − g |p−1 ≤ (|f | + |g |) |f − g |p−1 = |f | |f − g |p−1 + |g | |f − g |p−1 . analogamente M M |f − g |p dµ . 1/p M 1/q M 1/p M |f | |f − g |p−1 dµ ≤ |g | |f − g |p−1 dµ ≤ M |f |p dµ |g |p dµ |f − g |p dµ 1/q . q = p/(p − 1). obtemos a desigualdade de Minkowski (30. segue que 1/p M 1/p 1/q M |f − g |p dµ ≤ M |f |p dµ + M |g |p dµ |f − g |p dµ M .44) ≤ F M p′ dµ M 1/p′ G dµ 1/q′ 1/r M 1/p q′ = M |f | dµ p |g | dµ 1/q q = M |f |p dµ M |g |q dµ que ´ e a desigualdade de H¨ older (30.JCABarata.J.47) ´ e conseq¨ uˆ encia do seu caso particular para r = 1. Definindo-se p′ = p/r e q ′ = q/r. que suporemos v´ alida. |f − g |(p−1)q = |f − g |p e a express˜ ao acima faz sentido por (30.J.J. M M M onde q ´ e tal que 1/q + 1/p = 1. tem-se 1 1 r r + ′ = + = 1.3. 1/q Como estamos sob a suposi¸ ca ˜o (30. . como 1 − 1/q = Prova do Corol´ ario 30. a desigualdade de H¨ older (30. Mostraremos que a desigualdade de H¨ older generalizada (30.44). valer´ a F p dµ = M M ′ |f |p dµ < ∞ e M Gq dµ = M ′ |g |q dµ < ∞ e. e. F ∈ Lp′ (M. dµ) e G ∈ Lq′ (M. Inserindo essas duas rela¸ co ˜es em (30. Assim. ou seja.44) diz-nos que |f | |f − g |p−1 dµ ≤ |f |p dµ |f − g |(p−1)q dµ . Assim.

Note-se agora que n−1 g1 (x) + l=1 gl+1 (x) − gl (x) = gn (x) . 2l k M (hk ) dµ ≤ p l=1 1 2l . dµ) e que seja de Cauchy na norma N (ǫ) tal que fn − fm p < ǫ para todos m e n maiores que N (ǫ). para x ∈ M \ G . p = l=1 |gl+1 − gl | p ≤ l=1 gl+1 − gl p p ≤ l=1 1 . provamos que a s´ erie n g1 (x) + l=1 gl+1 (x) − gl (x) converge absolutamente para µ-quase todo x (ou seja. gl+1 − gl < 1 . com Nk+1 > Nk . 2. {(hk )p . Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013.K. Disso ´ e imediato que (30. fm ´ e uma seq¨ uˆ encia de Cauchy em · p (basta tomar Nk := N (1/2k )). segue que k M lim inf (hk ) dµ ≤ lim inf k→∞ k→∞ p M (hk ) dµ ≤ lim inf k→∞ p l=1 1 2l p = 1. por hip´ otese.K. Agora. para todo ǫ > 0 existe Vamos primeiramente mostrar que {fn } possui uma sub-seq¨ uˆ encia {gn } com a propriedade que p (30. . Assim. pois nl e nl+1 s˜ ao maiores que Nl . como {hk .JCABarata. da seguinte forma: Nk ´ e tal que fm − fn p < 1/2k para todos m. . como quer´ ıamos mostrar..27) para todos l ∈ N. 2l ou seja. Vamos definir uma seq¨ uˆ encia crescente de n´ umeros inteiros e positivos Nk . p p lim inf (hk ) = h e conclu´ ımos que k→∞ M hp dµ ≤ 1. n ∈ N uma seq¨ uˆ encia em Lp (M.    0. Pelo Lema de Fatou. Logo. 3. Note que uma tal seq¨ uˆ encia Nk sempre pode ser encontrada pois. k ∈ N} ´ e uma seq¨ uˆ encia n˜ ao-decrescente. k ∈ N} tamb´ em o ´ e e converge a hp .p. .p. k = 1. .K. o que implica que h p ≤ 1. n→∞ Vamos denotar por G o conjunto dos x’s em M onde esse limite existe (como vimos µ(M \ G) = 0) e definamos uma fun¸ ca ˜o f : M → C da seguinte forma:     lim gn (x). A essa seq¨ uˆ encia est´ a associada a sub-seq¨ uˆ encia {fnk }k∈N . Pela desigualdade de Minkowski e por (30. s´ o n˜ ao converge absolutamente em um conjunto de medida µ nula).27). . . n > Nk . para x ∈ G n→∞ f (x) := . Assim. Defina-se hk = l=1 k ∞ |gl+1 − gl | e h = l=1 |gl+1 − gl | . conclu´ ımos que lim gn (x) existe µ-q. Seja {fn }. 2.K Prova do Teorema de Riesz-Fischer · p. vale para cada k que k k k hk Logo.27) vale. Para simplificar a nota¸ ca ˜o. k = 1.t. 3. Cap´ ıtulo 30 1399/2069 30.t. denotaremos gk ≡ fnk . Vamos agora escolher uma seq¨ uˆ encia crescente de ´ ındices n1 < n2 < · · · < nk−1 < nk < · · · tais que nk > Nk para todo k . Disso segue que h(x) < ∞ µ-q.

(30. dµ). (30. Ao mesmo tempo. . que a fun¸ ca ˜o f definida acima ´ e o limite em Lp (M. dµ). dµ) possui um limite na norma · p que ´ e tamb´ em elemento de Lp (M. Curso de F´ ısica-Matem´ atica Vers˜ ao de 29 de janeiro de 2013. Isso provou que Lp (M. dµ) ´ e um espa¸ co m´ etrico completo na norma de Lp (M.K. dµ).K.28) afirma que f − fm → 0 para m → ∞. dµ) tamb´ em (certo?). Logo.JCABarata. dµ) ´ e um espa¸ co vetorial. Assim. |f − fm |p dµ ≤ lim inf |gl − fm |p dµ ≤ lim inf l→∞ l→∞ M M M |gl − fm |p dµ = lim inf ( gl − fm l→∞ p p) ≤ ǫp . completando a demonstra¸ ca ˜o. Sem perda de generalidade. Como f = fm + (f − fm ). ou seja. Cap´ ıtulo 30 1400/2069 Queremos provar que f − fn p → 0 para n → ∞. mostramos que a seq¨ uˆ encia de Cauchy {fn } de Lp (M. sabemos que se m e n forem maiores que N (ǫ) valer´ a fn − fm p < ǫ. pois Lp (M. dµ) da seq¨ uˆ encia {fn }. Fixando ǫ > 0. isso implica que f ∈ Lp (M. o Lema de Fatou diz-nos que se m > N (ǫ). podemos tomar f ∈ Lp (M. dµ).28) Isso provou que f − fm ∈ Lp (M.

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