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Beca Produções Culturais Ltda. Rua Capote Valente 779 inheiros ~-

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Jonathan Culler

Teoria Literária
Uma Introdução

DEDALUS - Acervo - FFLCH-LE

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7
<"~l

II

nirodução
Em tom de conversa o tempo rama tura todo no texto deste das principais ao longo informal -, Jonathan e amigável Culler com o leitor críticos um roteiro, - o você que aparece panoda literae e teóricos nos oferece um surpreendente questões século. Culler que têm Preferindo acaba preocupado organizar propondo que sua abordagem de informações o próprio que servirá por tópicos mais detafundamento principal-

li

não por escolas to, que permite

críticas, ao leitor

ou um mapeamen-

interessado

sair em busca

lhadas, a partir dos aspectos essenciais da criação e do desfrute da literatura. Trata-se, mente síveis evidentemente, prazerosos. rumos, para abrir caminhos e, sobretudo, e sugerir e para tudo mostrar

constituem

de um livro de iniciação, que eles podem Isto, porém,

ser leves, compreende apresentar de leituras resumo das

não lhe tira o mérito por indicações faz um pequeno ousadas

as questões

complementado

suplementares e por um Apêndice, em que Culler principais escolas críticas do século XX. Com a coragem de fazer escolhas e de assumir Culler acaba por fornecer, ao longo da exposição, entar o leitor pelos meandros da teoria literária. Como se trata primeiro lugar, que de um livro de iniciação, não há teoria ou crítica

posições

teóricas,

um guia valioso, fazer duas

que pode oriEm e a

é justo neutra.

advertências. o caminho

Portanto,

,I

posição teórica adotados por Culler são apenas uma das opções à disposição de quem se aventura pelo território da teoria. Há outras, evidentemente, como se procura modos apontar em algumas das notas apensas modos ao texto. esses às quais nem As teorias críticos, refletem marcados nem teórieditorial com de as de ler o mundo e a literatura, profundamente

pelas injunções históricas, políticas e sociais cos, nem autores, nem leitores estão imunes. A segunda incluir manual referências cer, sempre zação, grande notas advertência ou comentários literárias que e críticas diz respeito que feitas haja ao longo

exatamente Como leitores

à decisão se trata

do texto. por Culler.

de um pequeno por fornea locali-

de iniciação,

admitiu-se algumas colocar em suas bem

não familiarizados portanto, para facilitar

Optou-se, mínimas do leitor

possível, com isso,

informações à disposição incursões o espírito

no tempo utilidade

e no espaço, e valia e para

dos autores

referidos. brasileiro um livro de literária. linha seu em cada pelo terreno da teoria

Espera-se, Finalmente,

registrar

que transparece

e em cada capítulo prefácio:

do livro, vale ressaltar

a sugestão

com que Culler encerra

DIVIRTA-SE!
OS EDITORES

7

/

Muitas introduções entresi, turalismo,

à teoria literária

descrevem uma série de "escolas" que competem Mas os teóricos.

críticas. A teoria é tratada como uma série de "abordagens" cada uma com suas posições e compromissos teóricos que as introduções o feminismo, identificam a desconstrução, movimentos

- tais como o estru-

a psicanálise, o marxismo e o noa teo-

vo historicismo sobre "teoria" panorama

- têm muito em comum. Esta é a razão por que falamos e não apenas sobre teorias específicas. Para introduzir questões e asserções partilhadás
É

ria, é melhor discutir

do que fazer um

das escolas teóricas.

preferível discutir

debates importantes como

que não opõem uma "escola" a outra mas que podem marcar divisões evidentes no interior um conjunto dos movimentos. Tratar a teoria contemporânea de abordagens ou métodos de interpretação que competem a respeito de Preferi

entre si deixa escapar muito de seu interesse e de sua força, que vêm de seu desafio amplo ao senso comum e de suas investigações como se cria sentido dedicar-me e se configuram as identidades humanas.

a uma série de tópicos, enfocando questões e debates impor-

tantes sobre eles e sobre o que penso que deles foi aprendido. Todavia, qualquer pessoa que leia um livro introdutório sobre teoria literária tem o direito de esperar uma explicação de termos tais como estruturalismo movimentos e desconstrução. críticos importantes Ofereço breves esboços de escolas ou no Apêndice, que pode ser lido em Divi rta-se!

pri meiro Iugar ou consu Itado constantemente.

li

s

/

umarlO
1. O que é Teoria? 11 72 95 127 84 48 59 107 118 26 136

~

.

1

que é Teoria?

Nos estudos literários

e culturais,

nos dias de hoje, fala-se

muito

sobre teoria - não teoria da literatur~, veja bem; apenas "teoria" pura e simples. Para qualquer um fora do campo, esse uso deve parecer muito estranho. "Teoria do quê?" você gostaria mente difícil uma teoria abrangente de perguntar.
É

surpreendentenem parece

dizer. Não é a teoria de qualquer

coisa em particular,

de coisas em geral. Às vezes, a teoria de alguma coisa do que uma atividade

menos uma explicação

- algo que

você faz ou não faz. Você pode se envolver com a teoria; pode ensinar ou estudar teoria; pode odiar a teoria ou temê-Ia. muito a entender o que é teoria. A "teoria", literários, explicação nos dizem, mudou radicalmente da natureza da literatura Nada disso, contudo, ajuda a natureza dos estudos

mas aqueles que dizem isso não se referem à teoria literária, à sistemática e dos seus métodos de

análise. Quando as pessoas se queixam de que há teoria demais nos estudos literários sistemática nos dias de hoje, elas não se referem à demasiada reflexão sobre a natureza da literatura literária, ou ao debate sobre as qualipor exemplo. Longe disso. Elas

dades distintivas da linguagem têm outra coisa em vista.

O que têm em mente pode ser exatamente

que há discussão demais

sobre questões não-literárias, debate demais sobre questões gerais cuja relação com a literatura quase não é evidente, leitura demais de textos psicanalíticos, políticos e filosóficos estrangeiros); difíceis. A teoria é um punhado de ela significa Jacques Derrida, Michcl 11 nomes (principalmente 10

Foucau[t,

Luce Irigaray,

Jacques

Lacan, Judith

But[er,

Louis A[thusser,

mente difíceis de definir. O filósofo

Richard Rorty fa[ade

um gênero novo,

Gayatri Spivak, por exemplo. Então o que é teoria? Parte do problema reside no próprio termo teoria, que faz gestos em duas direções. Por um lado, falamos de "teoria da re[atividade", por exemplo, um conjunto estabelecido de proposições. Por outro lado, há o uso mais comum da palavra teoria. "Por que Laura e Michae[ romperam?" "Bom, minha teoria é que ... " O que significa

misto, que começou no século XIX: "Tendo começado na época de Goethe, Macaulay, Car[yle e Emerson, desenvolveu-se história inte[ectual, nem filosofia é simplesmente um novo tipo de escrita que nem desse social, mas tudo não é nem a avaliação dos méritos relativos das produções literárias, moral, nem profecia isso combinado gênero misturado num novo gênero". A designação e reoriefitar mais conveniente

o apelido teoria, que passou a designar a reflexão em campos outros pertencem. Essa é a explicação

obras que conseguem contestar

teoria aqui? Em primeiro lugar, teoria sinaliza "espenão é o mesmo que uma suposição. "Minha

que não aqueles aos quais aparentemente sideradas como teoria Essa explicação realmente

culação". Mas uma teoria

mais simples daquilo que faz com que algo conte como teoria. Obras con-

suposição é que ... " sugeriria que há uma resposta correta, que por acaso eu não sei: "Minha suposição ~ que Laura se cansou das críticas de Michael, mas descobriremos com certeza quando Mary, a amiga deles, chegar aqui". Uma teoria, por contraste, afetada poderia ser difícil de demonstrar. "Minha teoria é ~ue ..." também pretende dar uma explicação que não é óbvia. Não esperamos que o falante continue: "Minha teoria é que é porque Michae[ estava tendo um ca'so com Samantha". Isso não contaria como unia teoria. Dificilmente alguma relação com a atitude é que, se o falante caso com Samantha", questão de conjectura, é preciso perspicácia teórica para concluir de Laura para com Michael. O interessante teoria é que Michael estátendo um uma' desse caso torna-se que, se Michael e Samantha estavam tendo um caso, isso poderia ter tido dissesse: "Minha é especulação que poderia não ser cuja verdade ou falsidade

têm efeitos que vão além de seu campo original.
é uma definição literários foram insatisfatória adotados mas parece desde o decênio de 1960: textos de por pessoas dos ou da mente, ou da

simples

captar o que aconteceu

fora do campo dos estudos estudos literários

pelo que Mary diz, uma explicação

porque suas análises da linguagem,

história, ou da cultura, 9ferecem explicações npvas e persuasivas acerca de questões textuais e culturais. Teoriá, nesse sentido, não é um conjunto de métodos para o e;:;tudo literário mas um grupo il,imitado de textos sobre tudo o que existesobo sol, dos problemas mais técnicos de filosofia acadêmica cinema, até os modos mutáveis nos quais se fala e se pensa sobre o história da arte, política, psiAs e sociologia. filosofia, teoria corpo. O gênero da "teoria" estud,os de gênero, inclui obras de antropologia, lingüistica,

caná[ise, estudos .de ciência, história social e inte[ectual obras em questão são ligadas a argumentos "teoria" porque suas visões ou argumentos tivos para pessoas que não estão estudando que se tornam "teoria" experiência experiência pública individual. sentido, natureza e cultura, o funcionamento e entre forças

de repente a existência

nessas áreas, mas tornam-se foram sugestivos aquelas disciplinas. ou produAs obras

não mais certa, e portanto

uma possível teoria.

Mas geralmente, para contar como uma teoria, uma explicação não apenas não deve ser óbvia; ela deveria envolver uma certa complexidade: "Minha teoria é que Laura sempre esteve secreta mente apaixonada não pode ser óbvia; pelo

oferecem explicações que outros podem usar sobre.) da psique, as relações entre históricas mais amplas e e privada

pai e que Michae[ jamais conseguiria

se tornar a pessoa certa': Uma teoenvolve

ria deve ser mais do que uma hipótese:

relações complexas de tipo sistemático entre inúmeros fatores; e não é fa'Ci[mente confirmada ou refutada. Se tivermos esses fatores em mente, ~ torna-se mais fácil compreender o que se entende por "teoria': Téoria, nos estudos literários, não é uma explicação sobre a natureza da literatura 2,5 e 6). ou sobre os métodos para seu estudo (embora essas questões aqui, principalmente nos capítulos um conjunto de reflexão e escrita cujos limites são excessiva12 sejam parte da teoria e serão tratadas
É

Se a teoria é definida

por seus efeitos práticos, como aquilo que muda diferent~: a • visões

os pontos de vistas das pessoas, as faz pensar de maneira

respeito de seus objetos de estudo e de suas atividades de estudá:-Ios, que tipo de efeitos são esses? O principal efeito da teoria é a discussão do "senso comum": de senso comum sobre sentido, escrita, literatura, plo, a teoria questiona experiência.

Por exem-

1;~

• a concepção de que o sentido de uma fala ou texto é o que o falante "tinha em mente", • ou a idéia de que a escrita é uma expressão éuja verdade reside em outra parte, numa experiência ou num estado de coisas que ela expressa, num momento • ou a noção de que a realidade é o que está "presente" dado.

dade foram de fato modos de fazer existir essa coisa que chamamos "sexo'~ Foucault escreve: "A noção de sexo tornou possível agrupar, numa unidade artificial, elementos anatômicos, funções biológicas, condutas, sensações, prazeres; e nos possibilitou usar essa unidade fictícia como um princípio causal, um sentido onipresente, um segredo a ser descoberto em toda parte': Foucault não está negando que haja atos físicos de relação sexual, ou que os humanos tenham um sexo biológico e órgãos sexuais. Está afirmando que o século XIX encon'trou novas maneiras de agrupar sob uma basúnica categoria ("sexo") uma gama de coisas que são potencialmente

A teoria é muitas vezes uma crítica belicosa de noções de senso comum; mais ainda, uma tentativa cussão como "senso comum" de mostrar que o que aceitamos sem disé, de fato, uma construção histórica, uma

teoria específica que passou a nos parecer tão natural que nem ao menos a vemos como uma teoria. Como crítiéa do senso comum e investigação de concepções alternativas, a teoria envolve um questionamento
O

tante diferentes: certos atos, que chamamos sexuais, distinções biológicas, partes de corpos, reações psicológicas e, sobretudo, sentidos sociais. As maneiras como as pessoas falam sobre e lidam com essas condutas, sensações e funções biológicas criaram algo diferente, tidade do indivíduo. Daí, através uma unidade artificial, para a idenessa coisa crucial, chamada "sexo", que passou a ser tratada como fundamental de uma inversão

das prede

missas ou pressupostos mais básicos do estudo literário,

a perturbação

qualquer coisa que pudesse ter sido aceita sem discussão: lê, ou age? Como os textos se relacionam são produzidos?
O que é um exemplo

que é sentiem que

do? O que é um autor? O que é ler? O que é o "eu" ou sujeito que escreve, com as circunstâncias

chamada "sexo" foi vista como a causa da variedade de fenômenos que haviam sido agrupados para criar a idéia'. Esse processo conferiu à sexualidade uma nova importância e um novo papel, tornando a sexualidade do "impulso o o segredo da natureza do indivíduo. Falando da importância

de uma "teoria"?

Ao invés de falar sobre a teoProponho dois

ria em geral, vamOs mergulhar casos relacionados

direto em dois textos difíceis de dois dos que envolvem críticas de idéias do francês de história

mais celebrados teóricos para ver se podemos entendê-Ios. mas contrastantes, senso comum sobre "sexo", "escrita" e "experiência". Em seu livro A História da Sexualidade, o historiador intelectual Michel Foucault' considera

sexual" e de nossa "natureza ponto

sexual", Foucault observa que atingimos

o que ele chama de "a hipótese e que os modernos lutaram sugere Foucault, discursivas" assis-

repressiva": a idéia comum de que o sexo é algo que períodos mais antigos, particularmente o século XIX, reprimiram para liberar. Longe de ser algo natural que foi reprimido, "sexo" é uma idéia complexa produzida investigações, conversas e escrita - "discursos"

em que esperamos que nossa inteligibilidade venha daquilo que, por muitos séculos, foi pensado como loucura ... nossa identidade, daquilo que foi percebido como um impulso inominado. Daí a importância que lhe conferimos, o temor reverencial com o qual o cercamos, o cuidado que tomamos para conhecÊ-lo. Daí o fato de que, ao longo dos séculos, ele tornou-se mais importante para nós do que nossa alma.
Um caso ilustrativo do indivíduo, século do modo como o sexo tornou-se da identidade como do indivíduo, quase um tipo, o segredo do ser é a criação, no uma "espécie".

por uma gama de práticas sociais, ou "práticas uma fonte-chave

em resumo - que se juntaram

no século XIX. Todos os tipos de conversa psicólogos, moralistas,

por parte dos médicos, clero, romancistas,

XIX, do "homossexual"

tentes sociais, políticos - que ligamos com a idéia da repressão da sexuali-

Períodos anteriores indivíduos

haviam estigmatizado

os atos de relação sexual entre mas agora isso se tor-

do mesmo sexo (tais como a sodomial,

1 Michd Foucault (I ()2(1-1 (}X·O. Filósofo estruturalista francês, conhecido

pelo seu exame dos conceitos e códigos

pelos quais as 'sociedades operam. Estudioso da história da loucura e das origens do moderno sistema penal, FOllcault também examina a histtÍria das atitudes ocidentais em relação à s-:xualidade desde os gregos em A História da Sexualidade, publicado em três volullles entre 1976 e 1984. (N.T.)

nava uma questão não de atos mas de identidade, não se alguém havia realizado atos proibidos mas se ele "era" um homossexual. A sodomia era um ato, escreve Foucault, mas "o homossexual
1.5

era agora uma espécie".

14

Anteriormente,

havia atos homossexuais

nos quais as pessoas poderiam se de um cerne ou essência Ele é

Foucault dá é que isso mascara o caráter difuso do poder: pensamos que estamos resistindo mos trabalhando ao poder defendendo inteiramente o sexo, quando, de fato, estaque o poder estabeleceu . "sexo" ! nos termos

envolver; agora era uma questão, ao contrário, .sexual pensada como determinante um homossexual? Na explicação

para o próprio ser do indivíduo:

Dizendo de outra forma, pelos discursos ligavariadas: o modo como os médicos, o sociais, e até mesmo os como sexuais. Mas aos próprios disque identificam em vão controlar

na medida em que essa coisa chamada absolutamente

de Foucault, o "sexo" é construído públicos, os assistentes

parece residir fora do poder - como algo que as forças sociais tentam - o poder parece limitado, não muito poderoso (ele não pode domar o sexo), Na realidade, está em toda pa rte. O poder, para Foucault, não é al90 que alguém exerce mas "poder/conhecimento": poder sob a forma de conhecimento ou conhecimento como denpoder. O que pensamos saber sobre o mundo - o referencial conceitual O poder/conhecimento produziu, por exemplo, a situação o poder é difuso;

dos a práticas sociais e instituições clero, os funcionários romancistas, tratam os fenômenos

esses discursos representam

o sexo como algo anterior

cursos. Os modernos, de modo geral, aceitaram estão de fato construindo. sos que tentam humanos. analisar, Invertendo descrever

esse quadro e acusaram e reprimir o sexo que

esses discursos e práticas sociais de tentar controlar

esse processo, a análise de Foucault e regular as Jtividades dos seres

tro do qual somos levados a pensar sobre o mundo - exerce grande poder. em que somos definidos pelo nosso sexo. Produziu asituação que define uma mulher como

trata o sexo como um efeito e não uma causa, como o produto de discur-

alguém cuja realização como pessoa deve residir numa relação sexual com um homem. A idéia de que o sexo está fora do e em oposição ao poder oculta o alcance do poder/conhecimento. Há diversas coisas importantes é também inerentemente a observar sobre esse exemplo de teo- a análise de um conceito - mas no sentido de que não há evidênplausível ria. A teoria aqui em Foucault é analitica especulativa "teoria" porque inspirou e foi Jdotado por pessoas de um

A análise de Foucault é um exemplo de um JrCjumento do campo da história que se tornou em outros conjunto campos. Não é uma teoria da sexualidade de axiomas que passam por universJis, mais amplas. Encoraja-nos no sentido

Lia prcLcnde ser uma

análise de um desenvolvimento implicações

hístórico específico, m:lS c1ar<Jmente tem J suspeiL:lr do qUI' (' identificado conlr:'Hio, ter sido proa disde N:l explicação PCI:1Spr:'i1ic:ls vinculJdJs l!l'sl'r('vi"lo7

cia que se poderia citar para mostrar que essa é a hipótese correta sobre a sexualidade. (Há muitas evidências que tornam sua explicação mas nenhum teste decisivo.) Foucault chama essa espécie de investigação de uma crítica "genealó9ica": Essa critica uma exposição de como categorias supostapor práticas discursivas. é mas procura tenha provado literatura. a idéia de mente básicas, como o "sexo", são produzidas

como natural, como um dado. Isso não podni:l,:lO duzido pelos discursos de especialistas, cursos do conhecimento Foucault, é a tentativa Uma característica oferece "lances" outros tópicos. a suposta ("poder") que afirmJm

de conhecer J verd:Hk soiln' li'. q'rt's humanos que 11l1l1l;1II:L il'ori:] é que ele de que de que do pensanll'nlo que :lS Ill",so:l', qUI' "(' iorn;l (":1 '.IIIjI",lilll

produziu o "sexo" como o segredo da n:lIUIl'/;1 notáveis

não tenta nos dizer o que o sexo "realmente" de literatura, para embora sua teoria que

mostrar como a noção foi criada. Observe-se também não fala absolutamente ser de grande Primeiramente, interesse a literatura as pessoas

que Foucault aqui

POdl'Ill 11',:11 :10 pensar sobre (k roucault n:i1ll1:i1 (' dS forças sociais urna relação ("sexo") posterior :1 coisa

Um<Jdessa plovidi'n('i:I', podcli;l

estudam

oposição

entre um:l ',('xll:i1iti:l(k

é sobre sexo; a literatura

é um dos lugares

que a rcprinH'lll trabalham

',1'1, :1lI ('Ollil:'llio,

onde essa idéia de sexo é construída, que as identidades importante mais profundas

onde achamos promovida

cumplicidade: aparentemente

;15 fOr\;:15 '-,o(-i;li', 1:1/('nl l'xi',li, P:H:l conlrO!;II. I'nll(' (', 1)('llJlIlll:lI

das pessoas estão ligadas ao tipo de de Foucault foi o romance assim como para de novos

IJln:1 p,ovidi:ncia
(I

desejo que sentem por um outro ser humano, A explicação para as pessoas que estudam aqueles que trabalham

um bônus, se Cl5sim o quisell'nl

que se ganha com o

ocultamento
uma oposição

dessCl cumplicid:Hk e não como

Ii

potil'l

('

Ii

sexo que se diz qúe é vista como A resposta que

na área dos "gay and lesbian studies" e do gênero influente como oinventor e "loucura", que não ha-

ele reprime. O que se 9Clnha qU:lIlliu e55:l illil'lti('pl'lIdi'ncia um;] intcrlicpendi'n('i:l7
til

I

em geral. Foucault foi especialmente objetos históricos:

coisas como "sexo", "punição"

17

víamos

pensado

anteriormente

como tendo

uma história.

Suas obras

que é um suplemento? completa

"O Webster

define suplemento

como "algo que

tratam dessas coisas como construções rajam a examinar inclusive a literatura, discussão.

históricas e desse modo nos encode um período, sem coisas que aceitamos

ou faz um acréscimo". A escrita "completa"

a fala suprindo algo

o modo como as práticas discursivas podem ter conformado

essencial que estava faltando

ou acresce algo que a fala podia muito bem

passar sem? Repetidas vezes Rousseau caracteriza a escrita como mero acréscimo, um extra desnecessário, até mesmo uma "doença da fala": a escrita consiste em signos que introduzem a possibilidade de mal-entendido já que são lidos na ausência do falante, que não está ali para explicar ou corrigir. Mas, embora ele chame a escrita de um extra desnecessário, suas obras na realidade tratam-na como aquilo que completa ou compara a pensa algo que falta à fala: repetidas vezes a escrita é introduzida compensar as falhas da fala, tal como a possibilidade Por exemplo, noção do ser .como uma realidade "interior"

Para um segundo exemplo de "teoria" algumas diferenças análise do filósofo
RousseauJ•

- tão influente - poderíamos

comOa revisão examinar uma

feita por Foucault da história da sexualidade no interior da "teoria" francês contemporâneo

mas com traços que ilustram Jacques Derrida' a respeito de

uma discussão sobre escrita e experiência vezes se credita Mas, primeiro, filosofia ocidental ter trazido distinguiu

nas Confissões de Jean-Jacques do eu individual. a as próprias

de mal-entendido. da sociedade, mas completa-

Rousseau é um escritor do século XVIII francês a quem muitas à luz a noção moderna a "realidade" um pouco de pano de fundo. e o pensamento Tradicionalmente,

Rousseau escreve em suas Confissões, que inauguram desconhecida

que escolheu escrever suas Confissões e esconder-se da sociedade porque na sociedade se mostraria mente diferente "não apenas em desvantagem do que sou ... Se estivesse presente, as pessoas nunca

da "aparência",

coisas de suas representações chegar à realidade,

dos signos que o expresser tão transpaa fala pareceu a

sam. Os signos ou representações,

nessa visão, são apenas um modo de afetar ou infectar o penao passo que a escrienganador de um

à verdade ou às idéias, e deveriam Nesse referencial,

conheceriam meu valor" ..Para R~usseau, seu "verdadeiro" eu interior é diferente do eu que aparece nas conversas com os outros e ele precisa escrever para suplementar os signos enganadores de sua fala. A escrita previamente pretendido atribuídas prova ser essencial porque a fala tem qualidades tes, não expressam automaticamente mas estão abertos à interpretação. A escrita é um suplemento crianças, suplementar movimentar da fala mas a fala já é um suplemento: rapidamente as escreve Rousseau, aprendem a usar a fala "para o sentido

rentes quanto possível; não deveriam atrapalhar, samento ou verdade que representam. manifestação artificial signo.

ou presença imediata do pensamento,

à escrita: como a escrita, ela consiste em signos que não são transparenpelo falante,

ta, que opera na ausência do falante, foi tratada como uma representação e derivada da fala, um signo potencialmente

Rousseau segue essa tradição, que passou para o'senso comum, quando escreve: "As línguas são feitas para serem faladas; a escrita serve apenas como um suplemento da fala". Aqui Derrida intervém, perguntando "o

suas próprias fraquezas ... pois não é preciso muita experio mundo caracteristica simplesmente da teoria, movimentando Derrida trata a língua". Numa

ência para perceber quão agradável é agir através das mãos de outrem e providência esse caso específico

2 lacgues Derrida (1930-). Filósofo nascido na Argélia e educado na França, um dos mais proeminentes pensadores
do movimento trução, sentido mulações, pós-estruturalista. teórica Sua crítica ao conceito de "estrutura" e ao estruturalismo o pressuposto estilo na base da desconsde que as estruturas de uma posição cOITespondem declaradamente padrão "pós-estruturalista", enraizado que questioúa

como um exemplo de uma estrutura ca da suplementaridade" lógica é uma estrutura de suplementação

comum ou de uma lógica: uma "lógi(fala) passa a precisar (escrita). Tentarei De

a algum

mental

que determina as oposições

os limites bin,írias

da inteligibiJidadc. entre

Em suas forrazão/desrazão: ocideixa

que ele descobre nas obras de Rousseau. Essa onde a coisa suplementada

a desconstrução

propõe

que se desmontem fala/escrita)

(por exemplo, caracterizam essa posição

natureza/cultura; homernlmulher; dental (ver apêndice). Como não existe outros neutralidade modos

que, segundo

os desconslfucionislas.

o pensamento teórica, Culler

porque prova ter as mesmas qualidades originalmente apenas do suplemento

na teoria

ou na crítica,

fica claro que, ao privilegiar e linguagem prática (N.T.) social, e entre

de discutir

de ler as relações

.entre mundo

literatura

e mundo.

A desconstrução de signififoi, de

pensadas como característica explicar.

descol1sidera, por exemplo, a noção de literatura como cação no contexto das condições reais de sua produção. 3 Jean-Jacques muitas maneiras, Rousseau

não levando acad2mico

em conta dos filósofos

as formas

(1712-1779). Embora
Seu pensamento

tenha

sido o menos o nascimento

modernos.

Rousseau precisa da escrita

porque a fala é mal interpretada.

o mais influente.

marcou

do Romantismo.

(N.T.)

modo mais geral, ele precisa de signos porque as coisas elas próprias

12

19

não satisfazem.

Nas Confissões, Rousseau descreve seu amor de adoles-

adiam: a impressão da coisa ela mesma, de presença imediata, cepção originária. própria presença, A imediatez é derivada. Tudo começa

ou perda

cente por Madame de Warens, em cuja casa morava e a quem chamava de "Mamãe".

com o inter-

mediário". Quanto mais esses textos querem nos falar daimportância mais eles mostram a necessidade Esses signos ou suplementos

de' intermediários. a

Nunca acabaria se fosse descrever em detalhe todas as loucuras que a recordação de minha querida Mamãe me fez cometer quando não estava mais em sua presença. Quão freqüentemente beijei minha cama, recordando que ela dormira nela, minhas cortinas e toda a mobília do quarto, já que pertenciam a ela e sua lindamão as tocara, até mesmo o chão, sobre o qual me prostrei, pensando que ela andara sobre ele.
Esses diferentes tos ou substitutos objetos funcionam na sua ausência como suplemenque, mesmo em sua per-

são na realidade responsáveis pela percepção é criada pelas cópias e queo

de que há algo lá (como Mamãe) para apreender. O que aprendemos partir desses textos é que a idéia do original

I

original

é sempre adiado - para nunca ser apreendido. A conclusão é qu'e

nossa noção de senso comum a respeito da realidade como algo presente, e do original como algo que esteve uma vez presente, prova ser insustentável: a experiência é sempre mediada pelos signos e o "original" é produzido como um efeito de signos, de suplementos. Para Derrida, os textos de Rousseau, como muitos tos para representá-Ia, de signos, tornada escritos podem afirmar realidade demonstram hors-texte"

de sua presença. Mas acontece

outros, propõem

presença, a mesma estrutura, siste. Rousseau continua:

a mesma necessidade de suplementos,

que, ao invés de pensar a vida como algo a que se acre?cem signos e texdeveríamos conceber a própria vida como coberta de significação.
à

o que é por processos

Os textos mas na

Às vezes, mesmo em sua presença, cometi extravagâncias que apenas o amor mais violento parecia capaz de inspirar. Um dia, à mesa, assim que ela pusera um pedaço de comida em sua boca, exclamei que vi um cabelo nele. Ela colocou o bocado de volta no prato; ansiosamente o agarrei e o engoli.
Sua ausência, quando ele tem que se virar com substitutos que a lembram, so imediato dela também é primeiramente contrastada acontece que a presença dela não é um momento de satisfação,
à

que a realidade é anterior

significaçao

que, numa frase famosa de Derrida, "11n'y a pas de quando você pensa que está realidade", o que encontra é Escreve Derrida,

- "Não há nada fora do texto":

saindo dos signos e do texto para a "própria

mais texto, mais signos, cadeias de suplementos.

ou signos Mas de aces-

com sua presença.

o que tentamos mostrar ao seguir o fio de ligação do "suplemento perigoso" é que, no que chamamos de a vida real dessas criaturas "de carne e osso", ... nunca houve nada exceto a escrita, nunca houve nada exceto
suplementos e significações substitutas que poderiam somente surgir numa cadeia de relações diferenciais ... E assim por diante indefinidamente, pois lemos no texto que o presente absoluto, u Natureza, o que é nomeado por palavras como "mãe real", etc. sempre já fugiram, nunca existiram; aquilo que inaugura o sentido e a linguagem é a escrita como desaparecimento da presença natural.
Isso não significa que não há nenhuma diferença entre a presença de "Mamãe" ou sua ausência ou entre um acontecimento "real" e um ficcional.
É

coisa ela mesma, sem suplementos ou signos; na presença a estrutura, a necessidade de suplementos, é a mesma. Daí

o incidente grotesco de engolir o alimento que ela pusera na boca. E a cadeia de substituições pode ser continuada. Mesmo se Rousseau viesse a "possuí-Ia", como dizemos, ele ainda sentiria que ela lhe escapava e podia E a própria "Mamãe" é apenas ser esperada com ansiedade e lembrada.

uma substituta da mãe que Rousseau jamais conheceu - uma mãe que não teria sido suficiente mas que teria, como todas as mães, fracassado em satisfazer e teria exigido suplementos. escreve Derrida, "surge uma lei: inelutavelmente as infinita, que multiplica "Através dessa série de suplementos", a de uma série encadeada mediações suplementares

a presença dela que mostra ser um tipo específico de ausência, e Derrida são muitas vezes agrupados juntos 21 como "pós-

que ainda exige mediações e suplemenJos. Foucault

que produzem o senso da própria coisa que elas :w

estruturalistas"

(ver Apêndice), mas esses dois exemplos de "teoria" aprenotáveis. A de Derrida oferece uma leitura ou interpreuma lógica em ação num texto. A asserção

mente natural ou dada é um papel cultural, interior da cultura: ela não é uma "mulher

um efeito que foi produzido no natural" mas fizeram com que

sentam diferenças

tação de textos, identificando

de Foucault não se baseia em textos - na realidade ele cita surpreendentemente poucos documentos ou discursos reais - mas oferece um referencial geral para pensar os textos e discursos em geral. A interpretação de Derrida mostra o grau em que as próprias obras literárias, tais como as Confissões de Rousseau, são teóricas: elas oferecem argumentos lativos explicitos Foucault, sobre escrita, desejo e substituição especue ou suplementação,

ela se sentisse como uma mulher natural. A mulher natural é um produto cultural. A teoria produz outros argumentos que arranjos ou instituições hábitos de pensamento econômicas subjacentes da vida consciente o que chamamos de linguagem ou o "original" análogos a esse, quer mantendo naturais, e também os de relaçães ou que são o produto

sociais aparentemente

de uma sociedade,

e. lutas de poder correntes, ou que os fenômenos em e através de sistemas '.

podem ser produzidos por forças inconscientes, de eu ou sujeito é produzido

guiam a reflexão sobre esses tópicos de maneiras que deixam implícitas. por outro lado, se propõe a nos mostrar e outros criam as coisas que afirmam não quão perspicazes apenas analisar. Derrida ou sábios são os textos, mas quanto os discursos de médicos, cientistas, romancistas mostra quão teóricas são as obras literárias; Foucault, quão criativamente produtivos são os discursos do conhecimento. Também parece haver uma diferença no que estão afirmando to às questões que surgem. Derrida está pretendendo e quan-

e cultura,

ou que o que chamamos de "presença", "origem"

é

criado por cópias, por um efeito de repetição.

Então, o que é teoria? Quatro pontos pri,ncipais surgiram ..
1.

A teoria é interdisciplinar ciplina original. está envolvido

- um discurso com ef~itos fora de uma dis- uma tentativa de entender o que ou escri-

2. A teoria é analítica

e especulativa

nos contar o que os

naquilo que chamamos de sexo ou linguagem do senso comum, de conceitos

textos de Rousseau dizem ou mostram, assim a questão que surge é se o que os textos de Rousseau dizem é verdadeiro. Foucault pretende analisar um momento grandes histórico específico, valem então a questão que surge é se suas tempos e lugares. Levantar generalizações para outros

ta ou sentido ou o sujeito. 3. A teoria é uma crítica como natu rais. 4. A teoria é reflexiva, considerados das catee em

é reflexão sobre reflexão, investigação

questões subseqüentes como essas é, por sua vez, nossa maneira de intervir na "teoria" e praticá-Ia. que a teoria envolve a prática Ambos os exemplos de teoria ilustram

gorias que utilizamos ao fazer sentido outras práticas discursivas. Conseqüentemente, desanimadores da teoria a teoria

das coisas, na literatura

especulativa:explicações do desejo, da linguagem e assim por diante, que contestam idéias tradicionais (de que há algo natural chamado "sexo"; de que os signos representam incitam sobre a literatura. demonstração realidades anteriores). Fazendo isso, elas o ímpeto da teoria como natural, natural a é na realia repensar as categorias com as quais você pode estar refletindo exibem o principal

é intimidadora.

Um dos traços

mais

hoje é que ela é infinita.

Não é algo que você de textos e

poderia algum dia dominar, nem um grupo específico de textos que poderia aprender de modo a "saber teoria". escritos inquietos, promovem em críticas
É

um corpus ilimitado

Esses exemplos

que está sempre sendo aumentado as contribuições

à medida que os jovens de seus antepassados, A teoria é, portanto,

recente, que é a crítica

do que quer que seja tomado

das concepções condutoras

de que o que foi pensado ou declarado

à teoria de novos pensadores e redescobrem um recurso para constantes roubos de cena: "O da Ou "como pode escrever acerca do que Foucault dá sobre o desendos corpos femininos e

dade um produto histórico, cultural. O que ocorre pode ser compreendido através de um exemplo diferente: quando Aretha Franklin canta "Você faz com que eu me sinta como uma mulher natural", confirmada tratamento numa identidade sexual "natural", ela parece feliz em ser anterior à cultura, pelo "você faz com que suposta-

a obra de pensadores mais velhos e neglicenciados. uma fonte de intimidação, constituição volvimento especular

quê? Você não leu Lacan! Como pode falar sobre a lírica sem tratar do sujeito?" romance vitoriano sem usar a explicação

que um homem lhe dá. Mas sua formulação,

eu me sinta como uma mulher natural", sugere que a identidade

da sexualidade

e sobre a histerização
2:3

22

a demonstração trução do sujeito

que Gayatri Spivak faz do papel do colonialismo metropolitano?"

na cons-

diferentes

a fazer e uma percepção melhor das implicações não o transformará significativas,

das questões

Às vezes, a teoria se apresenta como

que coloca às obras que lê. Essa brevíssima introdução samento e áreas de debate num mestre da teoria, aquelas que e e não apenas porque ela é muito breve, mas porque esboça linhas de penespecialmente dizem respeito à literatura. aproveitem Ela apresenta exemplos de investigação os prazeres da reflexão. teóri-

uma sentença diabólica que condena você a leituras árduas em campos desconhecidos, onde mesmo a conclusão de uma tarefa trará não uma pausa mas mais deveres difíceis. ("Spivak? Sim, mas você leu a crítica que Benita Parry faz de Spivak e a resposta dela?")

ca na esperança de que os leitores achem a teoria valiosa e cativante para experimentar

\

~~

I~&,A
A impossibilidade de dominar Bakhtin, Walter naturalmente, Benjamin,

Você é um terrorista? Graças a Deus. Entendi Meg dizer que você era umteorista.

1

a teoria é uma causa importante

de

resistência a ela. Não importa quão bem versado você possa pensar ser, não pode jamais ter certeza se "tem de ler" ou não Jean Baudrillard, Mikhail Hélene Cixous, C.L.R. James, Melanie Klein ou Julia Kristeva, ou se pode ou não esquecê-Ios com segurança. (Dependerá, de quem "você" é e quem quer ser). Grande parte da hostila importância da aberto, deixar a si mesmo numa posição que você não sabe. Mas essa é uma idade à teoria, sem dúvida, vem do fato de que admitir teoria é assumir um compromisso condição da própria vida. A teoria faz você desejar o domínio: você espera que a leitura teórica lhe dê os conceitos para organizar e entender os fenômenos que o preocupam. Mas a teoria torna o domínio impossível, não apenas porque há e mais dolorosamente, dos resultados presumiem que há sempre coisas importantes

sempre mais para saber, mas, mais especificamente porque a teoria é ela própria o questionamentb ria é desfazer, através de uma contestação

dos e dos pressupostos sobre os quais eles se baseiam. A natureza d8 teode premissas e postulados, está onde estaaquilo que você pensou que sabia, de modo que os efeitos da teoria não são previsíveis. Você não se tornou senhor, mas tampouco va antes. Refle,te sobre sua leitura de maneiras 24 novas. Tem perguntas
25

como sendo literárias compreensão compreensão histórica

demonstram tornaram

ser cruciais também para os discursos como modelo o que está envolvido os historiadores proféticas na não acon-

e práticas não-literários.

Por exemplo, as discussões sobre a natureza da Caracteristicamente,

de uma história.

2

que é Literatura e telll ela importância?

produzem explicações tecerá. O que fazem,

que são como as explicações ao contrário,

da ciência:

não podem mostrar que quando X e Y ocorrem, Z necessariamente

é

mostrar

como uma coisa levou a é, desse modo, a lógie o resultado de

outra, como a Primeira Guerra Mundial de acontecer. O modelo para a explicação ca das histórias: acontecer, ligando a situação um modo que faz sentido.
~'LJO

veio a eclodir, não por que tinha
histórica mostra como algo veio a

a maneira como urna história

inicial, o desenvolvimento histórica,

modelo para a inteligibilidade

em resumo, é a narrativa

literária.

Nós que ouvimos e lemos histórias

somos bons em dizer se um

enredo faz sentido, é coerente, ou se a história fica inacabada. Se os mesmos modelos do que faz sentido e do que conta como urna história caracterizam tanto as narrativas literárias quanto as históricas, então distinguir urgente. Igualmente, não-literários os na importância, nos' textos entre elas não parece ser uma questão teórica teóricos passaram a insistir

o que

é literatura?

Você pode pensar que essa seria uma questão cenmas na realidade ela não parece ter muita como a própria se os textos que

tral para a teoria importância.

literária,

Por que isso seria assim? Primeiramente, lingüística, história, teoria políti-

quer sejam os relatos de Freud de seus casos psicanalíticos argumento filosófico -, de recursos retóricos tais corno

ou obras de

Parece haver duas razões principais. teoria mescla idéias vindas da filosofia, ca e psicanálise, por que os teóricos

?/m:~t~f~r'3l, que

se preocupariam

foram ,S.Q!12.ill.~ad9s.s~.~~i.ai~ ..p§Cª~ª J)~e.r<Jt~ramas, freqüentemente, pu ramente ornamentais em outros tipos de discursos. Ao mostrar corno as fi-

estão lendo são literários ou não? Para os estudantes e professores de literatura hoje, há uma gama inteira de projetos críticos, tópicos para ler e no início do quansobre os quais escrever - tais como "imagens to com as não-literárias. ou as histórias metodologicamente de mulheres

)

guras retóricas conformam teóricos demonstram supostamente não-literários, o literário e o não-literário.

o pensamento também em outros discursos, os poderosa em ação em textos entre da complicando dessa forma a distinção falando

uma literariedade

século XX" - em que você pode lidar tanto com as obras literárias de caso de Freud ou ambos, e a distinção crucial. Isso não significa

Você pode estudar os romances de Virginia Woolf não parece que todos os textos são de mais ricos, mais vigopodem ser mais centrais, por uma razão

Mas o fato de eu descrever essa situação literariedade tura continua dos fenômenos a desempenhar não-literários

da descoberta

indica que a noção de litera"O que é literatura?", que você

um papel e precisa ser abordada.

algum modo iguClis: alguns textos são considerados rosos, mais exemplares, mais contestadores, estudadas juntas e de modos semelhantes. Em segundo lugar, a distinção teoria descobriram riedade" dos fenômenos

Encontramo-nos tando é uma criança co literário,

de volta à questão-chave,

não irá embora. Mas que tipo de questão é essa? Se quem está pergunde cinco anos de idade, é fácil. "Literatura", saber como enfrentar a indagação. literatura, responde, "são histórias, poemas e peças". Mas se o indagador é um teóri-

ou outra. Mas tanto as obras literárias quanto as n50-literárias não parece central

porque as obras de de a "Iitera __

é mais difícil

Poderia ser que vocês

o que é mais simplesmente não-literários.

chamado

uma questão sobre a natureza geral desse objeto,

Qualidades muitas vezes pensadas

dois já conhecem bem. Que tipo de objeto ou atividade 27

é? O que faz? A

~6

que propósitos serve? Assim compreendida, uma definição

"O que é literatura?"

pede não

goria mais ampla de práticas exemplares para interpretá-Ias,

de escrita e pensamento, as obras literárias, são. Ao contrário, identificavam

que

mas uma análise, até mesmo uma discussão sobre por que poderia também ser uma pergunta sobre as o que as de outras O que diferencia a literatura

incluía discursos, sermões, história e filosofia. como agora interpretamos rando explicar sobre o que elas "realmente" dantes as memorizavam, guras retóricas e suas estruturas

Aos estudantes não se pedia procuos estusuas fiUma era

alguém poderia, afinal, se preocupar com a literatura. Mas "O que é literatura?" características distingue atividades distintivas das obras conhecidas como literatura:

estudavam sua gramática, ou procedimentos

das obras não-literárias? porque estariam

de argumento.

ou passatempos humanos? Agora, as pessoas poderiam colocar perguntando a si mesmas como decidir e queiram saber outra partie quais não são, mas é mais provável que já tecomo literatura que as obras literárias lutaram

essa questão

obra como a Eneida de Virgílio, que hoje é estudada como literatura, tratada de modo muito diferente nas escolas antes de 1850. O sentido ocidental moderno de literatura como~?çütaLmaginatil[..a

quais livros são literatura

nham uma idéia do que conta

pode ser rastreado até os teóricos românticos

alemães do final do século

coisa: há algum traço essencial, distintivo, lham? Essa é uma pergunta teratura difícil. Os teóricos

XVIII e, se quisermos uma fonte específica, a um livro publicado por uma baronesa francesa, Madame de StaelG, Sobre a Literatura Considerada em

com ela, mas sem as obras de li-

suas Relações com as Instituições Sociais. Mas mesmo se nos restringirmos aos últimos dois séculos, a categoria da literatura se torna escorrepoemas que gadia: obras que hdje contam parecem fragmentos - se qualificariam como literatura c1.~~é teratura como literatura para Madame - digamos,

sucesso notável. As razões não estão longe de se encontrar: vêm em todos os formatos ter mais em comum com obras que não são geralmente ratura do que com algumas outras obras reconhecidas com uma autobiografia
Burns5
-

e tamanhos e a maioria delas parece chamadas de litecomo literatura.

de conversas comuns, sem rima ou metro discernível como literatura de Stael? E assim que a questão do que conta desistir e con-

Jane Eyre, de Charlotte Bronte', por exemplo, se parece mais estritamente
do que com um soneto, e um poema de Robert - se parece do que com "Meu amor é como uma rosa vermelha, vermelha"

começamos a pensar nas culturas não-européias,

se torna cada vez mais difícil. Í.tentador

mais com uma canção folclórica qualidades partilhadas

o Hamlet

de Shakespeare. Há

u~~.d.a..~~.~o:ied.ade !r~~~. o q~~3~~L.9.~.~ - um conJu'nto-éTe textos qu"eos árbitros c'úlfuráTs reconhecem
à

.s~,

por poemas, peças e romances que os distinguem de conversas e autobiografias? histórica torna essa questão mais

como pertencentes Essa conclusão é literatura?",

literatura. insatisfatória, é claro. Ela simples"o que outras

de, digamos, canções, transcrições

é completamente perguntar

Mesmo um pouco de perspectiva hoje chamamos de literatura,

mente desloca ao invés de resolver a questão: em vez de perguntar precisamos outra sociedade) tratemos categorias que funcionam algo como literatura?" Há, no entanto,

complexa. Durante vinte e cinco séculos as pessoas escreveram obras que mas o sentido moderno de literatura mal tem "textos escritos" ou "conhecimento que diz "a literatura sobre evolução de é dois séculos de idade. Antes de 1800, literatura e termos análogos em outras línguas européias significavam livros". Mesmo hoje, um cientista

"o que faz com que nós (ou alguma não a propriedades das

dessa maneira, referindo-se

específicas mas apenas a critérios mutáveis de grupos sociais. Tomemos a questão "O que é uma erva daninha?" Há uma essência de "daninheza tilham e que as distingue das ervas não-daninhas? uma erva daninha ervas" - um algo especial, um je ne sais quoi, que as ervas daninhas parQualquer pessoa que de uma erva não-danijá tenha se oferecido para ajudar a limpar as ervas daninhas de um jardim

imensa" quer dizer não que muitos poemas e romances tratam do assunto mas que se escreveu muito sobre ele. E obras que hoje são estudadas como literatura nas aulas de inglês ou latim nas escolas e universidades foram uma vez tratadas não como um tipo especial de escrita mas como belos e da retórica. Eram exemplos de uma cate-

sabe quão árduo é diferenciar

exemplos do uso da linguagem

6 Gcrmaillc sua época. 4 Charlotte .5 Robcrt Bronte Burns (1815-]855), romancista Poeta nacional inglesa.

de Stael (1766-1817). fazendo a ponte entre c intelectuais. (N.T.)

!v1ulher de letras franco-suíça, as idéias do Neoclassicismo romances, de peças. ensaios

ela foi um exemplo e do Romantismo. morais e políticos,

perfeito crítica

da cultura um salão, literária,

européia onde e

de

i\bntinha

se reu111t:-

jone Eyre foi publicado
escre"eu

em 1847. (N.T.) líricas. (N.T.)

niam escritores mórias

Autora

história

(1759-1796).

da Escócia,

p.oemas e canç-ões

autobiográficas.

23

2Y

nha e pode se perguntar uma erva daninha?

se há um segredo. Qual seria? Como se reconhece as plantas que os jardineiros da "daninheza não querem que

Entretanto, ter importância

há um quebra-cabeças de literatura,

aqui: o fato de essa sentença não a possibilidade conseguir o mas não poderíamos

Bem, o segredo é que não há um segredo. As ervas sobre as ervas danidas ervas", seria uma procurar quali-

prática óbvia é que cria, principalmente, outras sentenças dos contextos

daninhas são simplesmente

de que poderia se tratar mesmo efeito tirando

cresçam em seus jardins. Se você tivesse curiosidade nhas, sobre a procura da natureza perda de tempo tentar investigar dades formais ou físicas distintivas plantas que são julgadas Iuga res.

que deixam claro o numa pági-

que fazem? Suponha que tiremos uma sentença de um libreto de instruções, de uma receita, um anúncio, um jornal, e a coloquemos na isoladamente:

sua natureza botânica,

que tornam as plantas ervas daninhas. a respeito dos tipos de por díferentes grupos em diferentes

Em lugar disso, você teria de realizar investigações indesejáveis

Stir vigorously and allow to sit five minutes.9
Isso é literatura? Transformei-a em literatura ao extraí-Ia do contex-

Talvez a literatura seja como a erva daninha. Mas essa resposta não elimina que você encontre a pergunta. Muda-a para "o que está Suponha envolvido em tratar as coisas como literatura a seguinte sentença: em nossa cultura?"

to prático de uma receita? Talvez, mas dificilmente feito. Algo parece estar faltando: com os quais trabalhar. talvez, imaginar um título a sentença Para transformá-Ia

fica claro que o tenha você precisa, um proble-

parece não ter os recursos em literatura,

cuja relação com o verso colocaria

We dance round in a ring and suppose, But the Secret sits in the middle and knows.7

ma e exercitaria a imaginação: da Misericórdia". Algo assim ajudaria,

por exemplo, "O Segredo" ou "A Qualidade de sentença como "Um con-

mas um fragmento

o

que é isso e como você sabe? muito

feito sobre o travesseiro literatura da sorte chinês, você pode enig-

de manhã" parece ter mais chances de tornar-se O mesmo ocorre com

Bem, importa impressa muito

onde você a encontra. Se essa sentença estiver
como uma predição extraordinariamente buscando
É

porque seu malogro em ser qualquer coisa que não uma imagem

numa tira de papel num biscoito

convida um certo tipo de atenção, exige reflexão. potencial bivelmente

bem considerá-Ia

sentenças em que a relação entre a forma e o conteúdo fornece matéria para reflexão. Desse modo, a sentença de abertura de um livro de filosofia,

mática, mas quando ela é oferecida plo, você olha em torno guagem familiares a você.

(como é o caso aqui) como um exempossibilidades entre os usos de linque adivinhe o seshould"8 - e um público práti-

From a Logical PointofView,
ser um poema:

de W. O. Quine'°, poderia conce-

um enigma, pedindo-nos

gredo? Poderia ser um anúncio de algo chamado "Segredo"? Os anúncios muitas vezes rimam - "Winston ficam cada vez mais enigmáticos imaginável, tastes good, like a cigarette na tentativa de estimular

cansado. Mas essa sentença parece destacada de qualquer contexto co prontamente

A curious thing about the ontological prob/em is its simp/icity."
Registrada dessa maneira numa página, cercada pormªrgensintLmidadoras de silêncio; essa sentença pode atrair que poderíamos chamar de literária: um certo tipo de atenção pelas palavras, suas um interesse

inclusive o da venda de um produto. Isso, e o ("róund in a ríng and sup-

fato de que ela rima e, depois das primeiras duas palavras, segue um ritmo regular de sílabas fortes e fracas alternadas póse") cria a possibilidade literatura. de que isso poderia ser poesia, um exemplo de

9 "Agite 7 "D;:mçan,!-os em círculo poeta norte-americano e supomosJ:-vbs o Segredo senta no meio e sabe". familiares Poema de Robert FroSl (1874-1963). (N.T.) que encontrou a poesia nos objetos c no caráter da Nova Inglatcna.

vigorosamente Van Orman

e deixe Quine

descansar (1908-).

por cinco minutos." Filósofo e lógico

(N.T.) defensor da análise construtivista sis-

10 Williard

norte-americano.

temática da filosofia. (N.T.)
11

8 "\Vinston é saboroso, como um cigalTo deve ser." (N.E.)

"Uma coisa curiosa

sobre

o problema

ontológico

é sua simplicidade."

(N.T.)

:\0

:31

relações umas com as outras, e suas implicações, Isto é, registrada dessa maneira,
à

e particularmente

um

nome proibitivo

de "princípio

cooperativo

hiper-protegido"

mas é real-

interesse em como o que é dito se relaciona com a maneira como é dito. essa sentença parece conseguir literatura. corresponder a uma certa idéia moderna atenção que, hoje, é associada tença a você, você perguntaria, mesma: não o que o falante nifica? Como funciona Isoladas na primeira de poema e responder a um tipo de Se alguém dissesse essa sennão é exatamente a

mente bastante simples. A comunicação que os participantes gunto estão cooperando

depende da convenção básica de uns com os outros e que, portanrelevante. Se eu perele é está

to, o que uma pessoa diz a outra é provavelmente pontual", cooperando respondeu entendo sua resposta dando por

a você se Jorge é bom aluno e você responde, "geralmente assente que você

"o que você quer dizer?", mas se você con-

siderar essa sentença como um poema, a pergunta essa linguagem?

e dizendo algo relevante à minha pergunta. Ao invés de reclaposso concluir que você a a ser dito a de implicitamente e indicou que há poucá de positivo do contrário.' de demonstração narrativa", um você está ou

ou autor quer dizer mas o que o poema sigO que essa sentença faz? podem

mar, "Você não respondeu à minha pergunta", sobre Jorge enquanto

linha, as palavras "Uma coisa curiosa"

aluno, Isto é, presumo que você está cooperando, literárias podem ser vistas como membros

levantar a questão de o que é uma coisa e o que é uma coisa ser curiosa. "O que é uma coisa?" é um dos problemas da ontologia, a ciência do ser ou o estudo do que existe. Mas "coisa" na expressão "uma coisa curiosa" não é um objeto físico mas algo como uma relação ou aspecto que não parece existir da mesma maneira que uma pedra ou uma casa. A sentença prega a simplicidade ambigüidades mas parece não praticar o que prega, ilustrando, proibitivas nas da coisa, algo das complexidades da ontologia.

menos que haja evidência convincente Agora, as narrativas elocuções cuja relevância

uma classe mais ampla de histórias, "textos para os ouvintes que comunicam está fazendo tentando ouvintes, mas em sua "narratividade".

não reside na informação Quer esteja contando para a posteridade, no tribunal: divertirá

caso a um amigo ou escrevendo algo diferente, produzir uma história

um romance que parecerá

digamos, de testemunhar

Mas talvez a simplicidade depois de "simplicidade", alguma credibilidade

mesma do poema - o fato de ele se interromper como se nada mais precisasse ser dito - confira implausível de simplicidade. Em todo que pode dar origem ao tipo de ativi- o tipo de atividade

"valer a pena" para seus

que terá algum tipo de finalidade

ou importância,

à afirmação

caso, isolada dessa forma, a sentença

dará prazer.l~ ..~. diferen~as Ob!~Jj"t~Látias_ººs_ outros te~tos de demonstração narrati'{-ª_Lg-':-l_~_~~[Lx?r u~. processo de seleção: foram publicados, resenhados e reimpressos:para que -;;S-Teítores se aproximassem deles com a certeza de que outros os haviam considerado bem construidos e "de valo( Assim, no caso das obras literárias, o princípio:cooperativo obscuridades nenhum sentido. é "hiper-protegido". aparentes, presumem Podemos agüentar muitas e irrelevâncias Os leitores sem presumir que isso não faz as complicomunicati-

dade de interpretação associada com a literatura venho realizando aqui. O que esses experimentos literatura? Eles sugerem, removida de outros contextos, ser interpretada que a tornam ela própria, como literatura cortada de pensamento primeiramente,

podem nos dizer sobre a a linguagem é propósitos, ela pode

que, quando

destacada de outros

(embora deva possuir algumas qualidades Se a literatura ou susc:iL.l tipos é linguagem é também, especiais de

que, na literatura, ou escritor

sensível a tal interpretação), um contexto, que protlloV('
"('Jn

cações da linguagem cooperativo, eficiente

têm, em última análise, um propósito que d falante

descontextualizada,

de outras fIJn\'Ül'S l' propósitos,

vo e, ao invés de imaginar para interpretar elementos

não está sendo de comunicação A "Lite-

como poderiam ser em outros contextos que zombam dos princípios outra de alguma

de fala, eles lutam

atenção. Por exemplo, os lcilotTS ;Jl('nI;Hll p,lra potcnciais e procuram sentidos implícilos, junto de suposições e opcraçiks colocar em ação em tais textos, Uma convenção histórias ou disposição ordenando que façam <lIgo. Dcsl't('V('t ,I "lil('t,liur,l" inlcrprcl<ltivas relevante

complexidades

',upor, i1iq,HllOS, quc a elocução está seri<l dnalisar um conque os leitores podem

no interesse

meta comunicativa.

ratura" é umaetiqueta instlJJJ~["lª1 que nos dá motivo para esperar que os resultadoscJê noss';;7 esforç~s-de leitura "valham a pena". E muitos dos traços da literatura advêm da disposição e não perguntar dos leitores de imediato de prestar "o que você atenção, de explorar incertezas quer dizer com isso?"
:3:3

que surgiu da análise das inteiros) atende pelo

(que vão de casos pessoais <l romances

:t~

((~~4
f~ ...

produzir uma síntese. Podemos pensar as obras literárias como linguagem com propriedades duas perspectivas
"Ele leu durante duas horas inteiras

ou traços incorpora

específicos

e podemos pensar a literatura

Jl~ :~i~ t I(r:! ~~~J
~((

como o produto de convenções e um certo tipo de atenção. Nenhuma das com sucesso a outra e devemos nos movida literatura: com cada um, mentar para lá e para cá entre uma e outra. Examino cinco pontos que os teóricos levantaram a respeito da natureza você parte de uma perspectiva
treinamento."

~/~~ c'

\

t' ......

mas deve, no final, levar em conta a outra.

sem qualquer

A literatura,

poderíamos concluir, é um ato de fala ou evento textual com outros tipos de atos fazer perguntas ou fazer promessas. Na

1.

que suscita certos tipos de atenção. Contrasta de fala, tais como dar informação, ra é que eles a encontram

A LITERATURA COMO A "COLOCAÇÃO PLANO" DA LINGUAGEM
Muitas vezes se diz que a "Iiterariedade" que torna a literatura é linguagem estranha, torna-a

EM PRIMEIRO

maior parte do tempo, o que leva os leitores a tratar algo como literatunum contexto que a identifica como literatuou ra: num livro de poemas ou numa seção de uma revista, biblioteca livraria. Mas temos um outro quebra-cabeças ais de organizar atenção a linguagem fato de sabermos que algo é literatura

reside, sobretudo, distinguível atira-a

na orga-

nização da linguagem

da linguagem

usada para outros fins. Literatura plano" a própria linguagem: Sou a linguagem!" do com a linguagem temos de ajustar

que "coloca em primeiro em você - "Veja! Em particular, a

aqui. Não há maneiras especiOu o nos leva a dar-lhe um tipo de a encontrar

- assim você não pode se esquecer de que está lidanconfigurada de modos estranhos. para torná-Io algo com que

que nos digam que algo é literatura? e, conseqüentemente,

poesia organiza o plano sonoro da linguagem contas. Aqui está o início Manley Hopkins12 chamado "Inversnaid": This darksome burn, horseback brown, His rollrock highroad roaring down,

que não damos aos jornais

de um poema de Gerard

nela tipos especiais de organização certamente to tem traços que o tornam que nos faz tratá-Io mente padronizado literatura de literatura: romance. da não necessariamente simplesmente literário

e sentidos implícitos?

A resposta deve literário organizaem como

estar no fato de que ambos os casos ocorrem: às vezes o objemas às vezes é o contexto Mas linguagem altamente algo em literatura: fragmento como literatura. transforma qualquer

nada é mais altachamando-o e lHo

que a lista telefônica.

E não podemos transformar de linguagem

In coop and in coomb the fleece of his foam Flutes and low to the lake fal/s home.13

não posso pegar meu velho livro de química não é apenas uma moldura literária

A colocação em primeiro plano do desenho lingüístico - a repetição rítmica de sons em "burn ... brown ... rollrock ... road roaring" - assim como as combinações que estamos lidando verbais incomuns tais como "rollrock" com linguagem organizada deixam claro a atenção

Por um lado, a "literatura" camos a linguagem:

na qual colose registrada não é só um sua de maneiras

nem toda sentença se tornará

para atrair

na página como um poema. Mas, por outro lado, a literatura tipo especial de linguagem, pois muitas obras literárias diferença em relação a outros tipos de linguagem: funcionam especiais devido à atenção especial que recebem. Temos uma estrutura perspectivas diferentes complicada aqui. Estamos lidando

não ostentam

para as próprias estruturas lingüísticas. Mas também é verdade que, em muitos casos, os leitores não perce-

J

1 Gerard

r'vlanley Hopkins poemas foram

(1844-1889). publicados marrom

Poeta

inglês

do final do século vez apenas

XIX, eSludiosoda anos depois em capoeira

ciência

da linguagem (N,T.) o vejo de

com duas

poética,

cujas

pela primeira eqüinoJ

em 1918,29 ribomba!

de sua mortc. e em ravina

13 "Esse queimado sua espuma/ pregueia

sombrio,

seu caminho (N.T.)

ondulante

que se sobrepõem, se cruzam, mas não parecem

e cai embaixo

no lago."

:H

:3;'5

bem o desenho lingüístico

a menos que algo seja identificado

como literaO ritmo dessa o ritmo faz

Ike.15

Aqui, através de um jogo de palavras, o objeto de que se gosta (lke) no ato (like): como podeem like?

tura. Você não escuta quando está lendo prosa padronizada. sentença, você descobrirá, dificilmente do do leitor; mas, se uma rima aparece

e o sujeito que gosta (I) estão ambos envolvidos Através dessa propaganda, na estrutura diferentes

é um ritmo que surpreende o ouvide repente, ela transforma da literariedade,

ria eu não gostar de Ike, quando I e Ike estamos ambos contidos mesma da linguagem. é mais provável

a necessidade de gostar de Ike parece inscrita Assim, não é que as relações entre mas as que procuremos e exploremos sejam relevantes apenas na literatura e, tentando

em algo que você ouve. A rima, marca convencional texto é enquadrado geral, ignoramos. como literatura,

com que você repare no ritmo que estava ali desde o começo. Quando um ficamos dispostos a atentar lingüística para o que, em desenho sonoro ou para outros tipos de organização

níveis de linguagem

que, na literatura, a contribuição integração,

relações entre forma e sentido ou tema e gramática harmonia, tensão ou dissonância.

entender

que cada elemento traz para o efeito do todo, encontremos sobre a literariedade que enfocam a colocação em

As explicações

-

2. LITERATURA

COMO INTEGRAÇÃO

DA LINGUAGEM

primeiro plano ou a integração da linguagem

não fornecem testes através como a maioria das

dos quais, digamos, os marcianos pudessem separar as obras de literatura ,de outros tipos de escrita". Essas explicações funcionam, asserções sobre a natureza da literatura, aspectos da literatura para dirigir a atenção para certos

~ratura é linguagem na qual os diversos elementos e c~~s do texto entram numa relaçãà complexa. Quando recebo uma carta pedindo uma contribuição para uma causa nobre, é improvável que eu

que elas afirmam ser centrais. Estudar algo como a li-

ache que o som ecoa o sentido, mas em literatura há relações - de reforço ou contraste e djsson~_QJ::i,L - entre as estruturas de diferentes níveis lingüísticos: temáticos. entre som e sentido, entre organização Uma rima, ao juntar os seus sentidos duas palavras gramatical e padrões [suppose (supõe)jknows

teratura, essa explicação nos diz, é olhar sobretudo a organização de sua linguagem, não lê-Ia como a expressão da psique de seuã~ flexoaasociédade --~_ ....
-

_._-------~
que a produiiü:---

-

(sabe)], relaciona de literatura. em primeiro literatura,

("saber" é o oposto de "supor"?). Mas

fica claro que nem (1) nem (2) nem ambos juntos fornecem uma definição Nem toda literatura coloca a linguagem literatura. em primeiro plano como sugere (1) (muitos romances não o fazem), e a linguagem plano não é necessariamente que os trava-línguas colocada

3. LITERATURA

COMO FICÇÃO
atentam para a literatura A obra literária que inclui (um público de modo

Uma razão por que os leitores diferente lingüístico uma relação que chamamos que projeta acontecimentos

Raramente se pensa linguagem são muitas podem Roman da linda
Ilike
I"

é que suas elocuções têm uma relação especial com o mundo de "ficcional': implícito é um evento atores, forma um mundo ficcional falante, que toma

(Peter Piper picked a peck of pickled peppers14) são os expedientes lingüísticos

embora chamem atenção para si próprios enquanto em primeiro mais

e enganem você. Nas propagandas, vezes colocados ser integrados guagem campanha

e um público

plano de modo até mesmo mais espalhaníveis estruturais teórico, poética" Um eminente

através das decisões da obra sobre o que deve ser explicado supõe que o público imaginários cionalidade cionam
15 "Eu

e o que se

fatoso que nas letras das canções e diferentes imperiosamente. Jakobson, cita como seu principal presidencial americana

saiba). As obras literárias

se referem a indivíduos Finn), mas a fic- '-',
,

e não históricos não se limita

(Emma Bovary, Huckleberry

,,~,

exemplo da "função

a personagens e acontecimentos. da linguagem de elocução, tais como pronomes
Lingüista russo. autor de LinRüísrica

OsCóéíficos>\ que se rela(eu, você) ou

não um verso de um poema lírico mas um slogan político de Dwight D. ("lkeH) Eisenhower:

como são chamados,

traços de orientação

com a situação
de Ike",
J

gosto

Roman

Jakobson. 6 funções

e COlnu!1ica(,'üo por um dos fatores envolvidos

14 "Peter

Piper pegou

uma porção

de picles

de pimenta." tigres",

Um exemplo

de trava-línguas

em portUgll~S seria

"O rato

CultrixlEDUSP, na comunicação

969]. que propõe (N,T.)

da linguagem.

cada uma determinada

roeu a roupa

do rei de Roma",

ou "três tristes

(N.T.)

verbal.

:16

:37

advérbios de tempo e lugar (aqui, ali, agora, então, ontem, amanhã), funcionam gathering publicação, de modos especiais swallows twitter na literatura. Agora, num poema ("now ... em in the skies"lG), se refere não ao instante

principalmente

as atitudes

de um falante

ficcional,

esboça um modo de

vida passado, ou sugere que a amizade e os prazeres simples são o que há de mais importante Interpretar para a felicidade humana. de Hamlet é, entre outras coisas, uma questão de decidir se ou dos dilemas de homens da Renascença que das mudanças as literárias) na concepção afetam do eu, ou das da com-

que o poeta escreveu a palavra pela primeira vez, ou ao momento de sua mas a um tempo no poema, no mundo ficcional de sua ação. E o "eu" que aparece num poema lírico, tal como o "I wandered lonely as a cloud ..."17, de Wordsworth18, também é ficcional; refere-se ao falante do poema, que pode ser bem diferente do indivíduo empírico, Wílliam ligações Wordsworth, que escreveu o poema. (Pode ser que haja fortes em algum momento

a peça deveria ser lida como uma discussão, digamos, dos problemas principes dinamarqueses, estão vivendo a experiência (inclusive

relações entre os homens e suas mães em geral, ou da questão de como as representações o problema preensão de nossa experiência. O fato de haver referências à Dinamarca

entre o que acontece com o falante teceu com Wordsworth notoriamente,

ou narrador do poema e o que aconde sua vida. Mas um poema E,

ao longo da peça não significa que você necessariamente

a lê como sendo

escrito por um homem velho pode ter um falante jovem e vice-versa. quando narram a história, podem ter experiências bastante diferentes daqueles de seus autores.) Na ficção, a relação entre o que os falantes autor é sempre uma questão relação entre os acontecimentos curso não-ficcional como considerá-Io: explicitamente referência geralmente de interpretação.

os narradores de romances, os personagens que dizem "eu" e emitir juízos que são dizem e o que pensa o O mesmo ocorre com a que diz a você

sobre a Dinamarca; essa é uma decisão interpretativa. Podemos relacionar Hamlet ao mundo de diferentes maneiras, em diversos níveis diferentes. A ficcionalidade da literatura separa a linguagem de outros contextos nos quais ela poderia ser usada e deixa a relação da obra com o mundo aberta à interpretação.

narrados e as situações no mundo. O disestá inserido num contexto

4. LITERATURA

COMO OBJETO ESTÉTICO
da literatura lingüística, discutidas até agora - os níveis suplepráticos de

um manual de instrução,

uma notícia de Jornal, uma da ficção, entretanto, a ficção. A Se eu disser e identificará da elocução oito da noite). um das obras literárias As características

carta de uma instituição ao mundo

de caridade. O contexto uma propriedade

deixa aberta a questão do que trata realmente não é tanto pela interpretação.

mentares de organização

a separação de contextos

elocução, a relação ficcional

com o mundo - podem ser Juntadas sob a Estética é historicamente

quanto uma função que Ihes é conferida a um amigo, "Encontre-me indicadores ("amanhã" espaciais significa amanhã", ele (ou ela) considerará e temporais 14 de janeiro

rubrica geral de função estética da linguagem.

para jantarmos a partir

no Hard Rock Café às oito do contexto

isso um convite concreto de 1998, "oito" significa

o nome dado à teoria da arte e envolve os debates a respeito de se a beleza é ou não uma propriedade objetiva das obras de arte ou uma resposta subjetiva Para Immanuel dos espectadores, e a respeito da relação do belo com
Kant20,

a verdade e o berr:l,_ o principal teórico da estética ocidental moderna, de transpor a distância entre o mundo a estética é o nome da tentativa

Mas, quando o poeta Ben Jonson19 escreve um poema "Convidando amigo para a ceia", a ficcionalidade mundo uma questão de interpretação: e temos de decidir se consideramos
"agora ... andorinhas em bando chilreiam nos céus. 17 "Eu vagava solit,írio como uma nuvem." (N.T.)
16 ] S \Villiam \Vordsworth (1770-1850). Poeta inglês, um dos fundadores do Romantismo com seu livro

dessa obra torna sua relação com o o contexto da mensagem é literário o poema como algo que caracteriza

material e espiritual, entre um mundocrefOrça~-e-;;g-;;jt~des e um mundo dêcOnceTtos. Objetos estéticos, tais como as pinturas'ü'u--ãs obras literárias, com sua combinação de forma sensorial (cores, sons) e conteúdo espiritual (idéias), ilustram a possibilidade de juntar o material e o espiritual. Uma obra

Lyrical
20
Il11l11anuel

Sal/ads. de 1798. (N.T.)
19 Ben Johnson (1572-1637). Poem. ator e dramaturgo inglês
FolJw!1e

Kant (1724-1804). ~tica e estética e idealismo.

Filósofo influenciou (N.T.)

c metafísico

alemão,

cuja obra abrangente posterior.

e sistemática

sobre

a teoria do escolas

contcmport1nco

de Sh3.kcspearc

c autor de uma das

conhecimento, alemãs

enormemente

a filosofia

particularmente

as várias

mais conhecidas comédias satíricas do teatro inglês.

(1606). (N.T.)

do kantismo

:~8

:w

she walks, treads on the ground"21. O poema tem significado cialmente postas em parênteses ou suspensas, exorta os leitores a considetradição que o torna possível. Agora, como ler um poema como literatura poemas, comparar e contrastar modos como os outros operações da imaginação reflexividade" fazem sentido,

em relação à a outros com os com as

rar a inter-relação forma e conteúdo. {literária é um objetoentre estético porque, com outras funções comunicativas iniOs objetos estéticos, para Kant e outros teóricos, têm "uma finalidade sem fim". Há uma finalidade em sua construção: são feitos de modo que pela obra, não de suas partes ou persuadir. reside em sua nas histórias suas partes operem conjuntamente algum propósito para algum fim. Mas o fim é a própria nifica que conside-

é relacioná-Io

o modo como ele faz sentido

é possível ler os poemas como poética. Aqui encon-

sendo, em algum nível, sobre a própria poesia. Eles se relacionam poética e da interpretação tramos uma outra noção que é importante da literatura.

obra de arte, o prazer na obra ou o prazer ocasionado externo. Em teLrll()~_práticos, isso mas não considerar rar um texto como literatura ~ para o efeitoerc;tõdo é indagar sobre a contribuição nos informar cuja relevância

na teoria recente: a da "autode representar e dar forma

Os romances são, em algum nível, sobre os

a obra cõmo-se~ri-aôprTn'éipaT~

romances, sobre os problemas e possibilidades e sentido à experiência.

menréCTéstlnadãããÚii'girarg-Um'fim,tal~()mo Quando digo que as histórias s'aõelócuções "narratividade", (qualidades ser facilmente não-literárias. estou observando vinculado a algum que podem torná-Ias a qualidade

Assim, Madame Bovary pode ser lido como uma que ela lê quanto o próprio romance

sondagem das relações entre a "vida real" de Emma Bovary e a maneira como tanto os romances românticos de Flaubert22 conseguem que a experiência faça sentido: Podemos sempre indagar, a respeito de um romance (ou poema), como o que ele diz implicitamente sobre fazer sentido se relaciona com o modo como ele próprio empreende a tarefa de fazer sentido. literatura é uma prática na gUcll os autores ~er rs:novar a literatura e, desse modo, é sempre implicitamente
________ ~ "'••• '_" ,M_~ __ ...,.,...,." •..••••....

que há uma finalidade boas histórias) propósito afetiva externo

mas que isso não pode e, dessa maneira, mesmo as das histórias,

estou registrando

estética,

Uma boa história

é narrável, atinge os leitores ou ouvintes ou incitar, pode em

como algo que "vale a pena". Ela pode divertir ou instruir

1:

ter uma gama de.,~feitos, mas você não pode definir as boas histórias geral como sendo aquelas que fazem qualquer uma dessas coisas.

avançar ou. uma reflexão
-.___..., ••• _

~?bre a própria literatura. Mas, mais uma vez, descobrimos que isso é algo que poderíamos dizer a respeito de outras formas: os adesivos de párachoques, como os poemas, podem depender, quanto a seu sentido, de adesivos anteriores: "Nuke a Whale for Jesus!" não faz nenhum sentido sem "No Nukes", "Save the Whales", e "Jesus Saves", e certamente ia dizer que "Nuke a Whale for Jesus!"23 é realmente pára-choques. são, finalmente, A intertextualidade um traço definidor e auto-reflexividade poder-senão que

5.

LITERATURA COMO AUTO-REFLEXIVA

CONSTRUÇÃO

INTERTEXTUAL

OU

sobre adesivos de da literatura

Teóricos recentes argunlentaram repetem, contestam, transformam.

que as obras são feitas a partir de que elas retomam, Essa noção às vezes

outras obras: tornadas possíveis pelas obras anteriores nome imaginoso de "intertextualidade': siderá-Io como um evento lingüístico

mas uma colocação em primeiro plano e de questões sobre representação a estrutura

é

conhecida

pelo

de aspectos do uso da linguagem

Uma obra existe em meio a outros é conque tem significado em relação a

podem também ser observados em outros lugares. Em cada um desses cinco casos, encontramos que men-

textos, através de suas relações com eles. Ler algó como literatura

outros discursos: por exemplo, como um poema que joga com as possibilidades criadas por poemas anteriores critica tradição a retórica política mistress' eyes are nothing ou como um romance que encena e usadas na de seu tempo. O soneto de Shakespeare, "My like the sun", retoma as metáforas

21 "Os olhos de minha amada não são como o sol! Mas nenhuma dessas rosas vejo em sua face/ quando ela caminha, pisa no chão." \Villiam Shakespeare (1564-1616). Além das tragédias, comédias e peças históricas, Shakespeare se notabilizou por UIl1l1 coleção de 154 sonetos em que o eu poético medita sobre o tempo, a beleza e a mudança e celebra o amor e a amizade, principalmente. (N.T.) 22 Gustave Flaubcrt (l82J - J 880). Romancista francês, um dos mais importantes da escola realista e mais conhecido por sua obra~prima Madame Bov<1ry,um retrato realista da vida burguesa, que lhe valeu um julgamento por imoralidade. (N.T.) 23 "Bombardeie uma baleia em nome de Jesus!"; "Não às bombas nucleares"; "Salve as baleias" e "Jesus salva". (N.T.)

da poesia amorosa e as nega ("But no such roses see I in her

cheeks") - nega":as como uma maneira de elogiar uma mulher que "when

40

41

cionei acima: estamos lidando com o que poderia ser descrito como pro-

deza nacional,

criar um sentimento

de camaradagem

entre as classes e,

priedades das obras literárias, traços que as marcam como literatura,
ticular de atenção, uma função que atribuímos Ia como literatura. Parece que nenhuma englobar qualidades razão-chave a outra de modo a tornar-se da literatura à linguagem

mas

em última análise, funcionar

como um substituto

da religião, que parecia

também com o que poderia ser visto como os resultados de um tipo parao consideráconsegue As objetiHá uma de pensaabrangente. das duas perspectivas uma perspectiva

não mais ser capaz de manter a sociedade unida. Qualquer conjunto de textos que pudesse realizar tudo isso seria realmente muito especial. O que é a literatura realizar tudo isso? Uma coisa que é crucial exemplaridade em açâo na literatura. exemplo - é caracteristicamente a leríamos?), mas simultaneamente a história que se pensava que pudesse é uma estrutura de um personagem especial de ficcional: - Hamlet, por

não podem ser reduzidas a propriedades de maneiras de enquadrar A linguagem a linguagem.

Uma obra literária

vas ou a conseqüências

para isso quejá surgiu dos pequenos experimentos difícil transformar

ela se apresenta como, de alguma maneira, exemplar (por que outra razão se recusa a definir o arco ou escopo daquela exemplaridade - daí a facilidade com que leitores e críticos passam a falar sobre a "universalidade" da literatura. A estrutura das obras literárias "condição é tal que é mais fácil considerar humana" que elas nos contam que categorias sobre a mais res-

mento do início deste capítulo. que impomos. instigante.
É

resiste aos enquadramentos num poema procuramos em e as Mas da literatura

o dístico "We dance round a ring ..." quando

numa previsão de um biscoito da sorte ou "Stir vigourously", Quando tratamos algo como literatura, na linguagem; padrão e coerência, há resistência cima disso, trabalhar pode residir expectativas na tensão

temos que trabalhar lingüístico

em geral do que especificar

com isso. Finalmente, da interação

a "Iiterariedade"

tritas elas descrevem ou iluminam. morreram em circunstâncias cem insatisfatórias, implicitamente, particularidade,

Hamlet é apenas sobre príncipes, ou
ou pessoas cujos pais

entre o material

homens da Renascença, ou jovens introspectivos,

convencionais

do leitor a respeito do que é literatura. identificada

obscuras? Como todas essas respostas parede universalidade. Em sua

digo isso com cautela, pois a outra coisa que aprendemos cinco casos é que cada qualidade da literatura mostra não ser um traço definidor, observando

com os nossos

é mais fácil para os leitores não responder, aceitando

como um traço importante já que pode ser enconnas décadas entre obras

dessa forma, uma possibilidade

os romances, os poemas e as peças se recusam a explorar nas situações e pensamentos de seus narradores

trada em ação em outros usos da linguagem. Comecei este capítulo de que a teoria literária

aquilo de que são exemplares, ao mesmo tempo que convidam todos os leitores a se envolverem e personagens. Mas oferecer universalidade a linguagem, combinadamente, Benedict Anderson argumenta, tornou influente e se dirigir a todos aqueles que podem ler teve uma função nacional poderosa. em Imagined Communities: Reflections on - particularmente através de sua limitada mas

80

e

90

deste século não teve como foco a diferença histórica e ideológica,

literárias teratura

e não-literárias.

O que os teóricos fizeram foi refletir sobre a lisobre as funções "literatura" desemde

como uma categoria

sociais e políticas

que se pensou que algo chamado do século XIX, ~ literatura

penha. Na Inglaterra ~~ffi!eJ~.J2QE!arlts:., Império Britânico,

surgiu c()Ql9.ul1la idéia n()s colôriiásdo agradeciela vaque, pela nova

the Origin and Spread of Nationalism, uma obra de história política que se
como teoria, queas obras de literatura a criar comunidades os romances - ajudaram nacionais

..um .tif2Q especiãrde"'escrTtã-encarregada ~-~t~"ITi;ae"inslruçã()

-diyelsasJJJ-D.t;6es. Transformada-"em ela enc()rregou-sc da grandeza da Inglaterra dos num empreendimento podia se contrapor economia capitalista, lores alternativos materialmente,

de dar aos n()tivos um() apreciação como participantes fomentados histórico. No plano doméstico,

postulação de, e apelo a, uma comunidade

ampla deleitores,

e de envolvl'-Ios civilizador

em princípio aberta a todos que podiam ler a língua. "A ficção", escreve Anderson, "filtra-se silenciosa e continuamente na realidade, criando aquela confiança registrada notável da comunidade no anonimato que é a marca falantes, universais é à qual os súa aspirar. Na das nações modernas". Apresentar imaginada os personagens,

ao egoísmo oferecendo

e materialismo

às classes médias e aos aristocratas uma baliza na cultura

e dando aos trabalhadores

enredos e temas da literatura promover uma comunidade ditos nas colônias britânicas,

inglesa como potencialmente aberta mas limitada, por exemplo, são convidados
4:3

os relegava a uma posição subordinada. proporcionar

Ela iria ao mesmo um senso de gran-

tempo ensinar apreciação desinteressada,

4~

realidade, quanto mais se enfatiza pode ter uma função mundo oferecida importante, nacional:

a universalidade afirmar

da literatura,

mais ela

cação que busca distrair oferecendo-Ihes

os trabalhadores

da desgraça de sua condição aos trabalhaalgumas barrias asserções

a universalidade

da visão de e, mais

acesso a essa "região mais alta" - atirando quando exploramos

por Jane Austen torna a Inglaterra morais e circunstâncias

um lugar realmente sociais nas quais os são formadas.

dores alguns romances a fim de evitar que eles montem cadas, como diz Terry Eagleton2\Mas sobre o que faz a literatura, encontram'os argumentos
À literatura

muito especial, o espaço de padrões de gosto e comportamento dos cenários problemas éticos são resolvidos e as personalidades A literatura

como ela funciona

como uma prática social, difíceis de reconciliar. opostas. A litesociedade? Se as

que são extremamente ideológico:

é vista como um tipo especial de escrita que, argumenta-

foram atribuídas funções diametralmente

se, poderia civilizar não apenas as classes mais baixas mas também os aristocratas e as classes médias. Essa visão da literatura como um objeto estético que poderia nos tornar "pessoas melhores" se vincula a uma certa idéia do sujeito, o qual os teóricos passaram a chamar de "sujeito o indivíduo liberal", definido não por uma situação social e interesses mas por uma

ratura é um instrumento

um conjunto de histórias que seduzem

os leitores para que aceitem os arranjos hierárquicosda cidade, se é que vão encontrá-Ia,

histórias aceitam sem discussão que as mulheres devem encontrar sua felino casamento; se aceitam as divisões de pode para legitimar arranjos históricos classe como naturais e exploram a idéia de como a serviçal virtuosa casar com um lorde's, elas trabalham contingentes. Ou a literatura

subjetividade individual (racional idade e moralidade) concebida como essencialmente livre de determinantes sociais. O objeto estético, desligado de propósitos práticos e induzindo tipos particulares de reflexão e identificações, ajuda a nos tornarmos sujeitos liberais através do exercício livre e desinteressado de uma faculdade imaginativa que combina saber e julgamento gumento rida ao julgamento, na relação correta, A literatura a consideração envolvendo faz isso - afirma o arsem uma coros -, encorajando de complexidades

é o lugar onde a ideologia é exposta, revelarepresenta, por exemintensa e tocante, o arco estreito de isso sem discussão. Ambas as é o veículo de Aqui para sua anulação.

da como algo que pode ser questionado? A literatura plo, de uma maneira potencialmente opções historicamente vanta a possibilidade

oferecidas às mulheres e, ao tornar isso visível, lede não se aceitar plausíveis: que a literatura é um instrumento

asserções são completamente ideologia e que a literatura novamente encontramos potenciais da literatura Também encontramos ra e as reflexão forma, mudança. solitárias

a mente em questões éticas, induzindo

leitores a examinar a conduta [inclusive a sua própria) como o faria um forasteiro ou um leitor de romances, Promove o caráter desinteressado, ensina a sensibilidade o sentimento e as discriminações sutis, produz identificações dessa maneira sustentava que

uma complexa oscilação entre as "propriedades" e a atenção que realça essas propriedades. asserções contrárias sobre a relação da literaencoraja a leituproduzir ou a como que a literatura

com homens e mulheres de outras condições, promovendo de camaradagem. Em 1860, um educador

tura com a ação. Os teóricos sustentam se opõe às atividades

como modo de se ocupar do mundo e, dessa sociais e políticas que poderiam

através do diálogo com os pensamentos e elocuções daqueles que são líderes intelectuais da raça, nosso coração passa a bater de acordo com o sentimento de humanidade universal. Descobrimos que nenhuma diferença de classe, ou partido, ou crer/o, por/c r/estruir o poder do gênio de encantar e instruir e que, acima da fw))aça (' da agitaçôo, do alarido e tumulto da vida inferior de cuidado e ativir/ui/c c r/elwte do homem, há uma região serena e luminosa comum. da verdade
O/1C/C

Na melhor das hipóteses, ela encoraja o distanciamento lado, a literatura o questionamento foi vista historicamente da autoridade

apreciação da complexidade existe. Mas, por outro perigosa: ela promove

e, na pior, a passividade e a aceitação do que e dos arranjos

sociais. Platão baniu os poetas de sua república ideal porque eles só poderiam fazer mal, e há muito tempo se credita aos romances deixar as pessoas insatisfeitas com as vidas que herdam e ansiosas por algo novo quer seja a vida nas grandes cidades ou uma aventura amorosa ou a re-

todos podem se encontrar

e divagar em

Não surpreende essa concepção

que discussões teóricas c tcnham
-t-t

recentes

tenham

criticado a mistifi-

24 Crítico marxista inglês, 25 A referência pelo inglês

professor

da Universidade

de Oxford.

(N.T.)

aqui é ao rom;:lIlcc Richardson

Pwnela, ou virtude recompensada. texto fundador do romance inglês. publicado

de literatura

enfocado,

sobretudo,

Samuel

em 17.+0. (N.T.)

-t;,)

volução. Promovendo

identificação

através das divisões de classe, gênero, de cama-

assassinato de uma velha cometido DostoievskiJ(', Ela estimula calidades dos ganhos como sua informação.

por Raskolnikov no Crime e Castigo de aos valores capitalistas, às pratiassim é o ruído da cultura

raça, nação e idade, os livros podem promover um "sentimento agudo de injustiça que torna possíveis as lutas

a resistência

radagem" que desencoraja a luta; mas também podem produzir um senso progressistas. em Historicamente, A Cabana credíta-se às obras de literatura a produção da mudança: de sentimentos contra

e gastos. A literatura
É

uma força entrópica

assim como um capital cul-

do Pai Tomás, de Harriet

Beecher Stowe'G, um "best-seller"

tural. É uma escrita que exige uma leitura e envolve os leitores nos problemas de sentido, A literatura é uma instituição paradoxal porque criar literatura é es-

sua época, ajudou a criar uma mudança repentina a escravidão, que tornou papel desempenha diversidade

possível a Guerra Civil norte-americana. e seus efeitos: que a complexidade e com os personagens e narradores liteobservar sobretudo e prática social. O que temos de dizer a obra

crever de acordo com fórmulas

existentes - produzir algo que parece um é uma instituição que vive se

Volto, no Capítulo 7, ao problema da identificação a identificação deveríamos rários? Por enquanto,

soneto ou que segue as convenções do romance - mas é também zombar dessas convenções, ir além delas. A literatura de expor e criticar seus próprios limites, de testar o que acontecerá

da literatura

como instituição

aqui, afinal de contas, é uma instituição literária de
Sade27,

baseada na possibilidade qualquer ortodoxia,

escrevermos de modo diferente. Assim, a literatura é ao mesmo tempo o nome do absolutamente convencional - moon rima com June and swoon, as virgens sâo belas, os cavaleiros sentenças como esta, tirada within são ousados - e do absolutamente Wake de James "Eins não condemolidor, em que os leitores têm de lutar para captar o sentido, como em do Finnegans
Joyce3l:

o que quer que você imagine. Isso é central para o que é literatura: pode ridicularizar, que procuraram parodiar

crença, valor,

imaginar alguma ficção diferente e monstruosa. Dos romances do Marquês imaginar o que aconteceria num mundo em que a ação seguisse uma natureza concebida Versos Satânicos a literatura literatura maneira como apetite sem limites, a Os de sátira e paródia, o que foi pensado de uma

a space and a wearywide

space it was er wohned

a Mookse':

A questão "o que é literatura?" porque as pessoas estão preocupadas

surge, eu sugeri anteriormente, com o fato de que poderiam

de Salman Rushdie'B, que causou tanto escândalo devido

a seu uso de nomes e motivos sagrados num contexto é a possibilid<'lde de exceder ficcionalmente e escrito anteriormente. que levantasse cultural":

fundir um romance com a História ou a mensagem num biscoito da sorte com um poema, mas porque os críticos e teóricos esperam, ao dizer o que é literatura, promover o que consideram ser os métodos críticos mais peros aspectos mais básida literatura. No contexto da teoria recente, a questão "o é manter diante de leitura tinentes e descartar os métodos que negligenciam cos e distintivos que é literatura?" tem importância

Para qualquer coisa que parecesse fazer sentido, a a questão de sua legitimidade e adequação.

podia fazê-Ia sem sentido, ir além dela, transformá-Ia é a atividade de uma elite cultural

A literatura vezes de "capital

e é o que se chama às dá a você uma bali-

porque a teoria ressalta a literariedade práticas

aprender sobre literatura

dos textos de todos os tipos. Refletir sobre a literariedade de nós, como recursos imediata, a reflexão de análise desses discursos, trazidas à luz pela literatura:

,za na cultura que pode compensar de variadas maneiras, ajudando-o a se entrosar com pessoas de status social mais alto. Mas a literatura não pode ser reduzida fornecedora a essa função social conservadora: dificilmente ela é a ao
do

a suspensão da exigência de inteligibilidade dos meios de expressão e a

sobre as implicações

de "valores familiares"

mas torna sedutores todos os tipos de Deus no Paraíso Perdido de Milton'9
e filantropa popular norte-americana, a escravidão. ao termo autora (N,T.) (N,T.) religiosos (N.T.) "justificar iraniade A Cabana

atenção em como o sentido se faz e o prazer se produz.

crimes, da revolta de Satã contra
26 fbrriet Pai Tomás, (Elizabeth) Bccchcr Stmve (1811J

896). Romancista o sentinlento erótica

30 Fiador negros romance 31 Jamcs

Dostoievski

(1821-188 humano

1). Romancista. com

contista

c jornalista

russo, cuja sondagcm exerceram

psicológica uma profunda

dos cantos mais influência (N.T.) no

que contribuiu

bastante

para fomentar Autor

contra

do coração

juntamente

seus momentos

de iluminação

27 I'v1arquês de Sade (1740-1814). 28 Salman Rushdie (1947-).

de literatura anglo-indiano.

que deu origem

sadismo. líderes (1988).

do século XX. Autor de Joyce (1882J

Crime e Casrigo (1866) e de Os Innii.os KaI"Wnll?01' (1879-89),
e contista irlandês conhecido (1914), por sua experimentação Ufisse.\· (1922) sua traduçilo XX. Autor de DuhlinelJ.\·o

entre outros. formal.

Romancista internacional. Poeta

condenado de Midnight's

à morte por importantes Os Versos Children
(J

9.+ 1). Romancista do século

foi um dos \Vake
(19.39).

nos por ter alcgadamente foco de uma controvérsia 29 John i\·lilton os caminhos

blasfemado

contra Autor

o Islã em seu romance ainda

Satânicos

Seu caso tornou-se (1983). que busca

mais importantes entre poucos mentos outras obras.

escritores

e Fi!l!1egans

981) e de Shame épico

As invenç6es

lingüísticas

de Fhllll!gans Augusto

H'ake tornam e I-Iaroldo

um empreendimento e publicaram

que

(1608-1674). perante

inglês.

autor de (N.T.)

Paraíso Perdido (1667).

um poema

ousaram

enfrentar.

Os poetas

e tradutores
C/(;'

de Campos Perspectiva.

traduziram

II

frap.

de Deus

os homt:ns".

desse romance

em PWJolwntl

FilllwgalJs

H'tlke [São Paulo.

1986]. (N.T.)

!
46

47

não ser responsabilizado pelo corpus infinito e intimidador de teoria. O trabalho na área de estudos culturais, na realidade, depende profundamente dos debates teóricos agência de que trato sobre sentido, identidade, representação e Em

neste livro. e estudos culturais?

3

iteratura e Estudos Culturais

Mas qual é a relação entre estudos literários

sua concepção mais ampla, o projeto dos estudos culturais é compreender o funcionamento da cultura, particularmente no mundo moderno: como as produções culturais construídas comunidades e organizadas, operam e como as identidades para indivíduos e grupos, culturais são de da num mundo

diversas e misturadas,

de poder do Estado, indústrias Em princípio, examinando

mídia e corpo rações multinacionais. turais incluem e abrangem como uma prática cultural uma boa quantidade jeto amplo no interior

então, os estudos cula literatura são um pro-

os estudos literários,

específica. Mas que tipo de inclusão é essa? Há ganham novo poder e

de discussão aqui. Os estudos culturais do qual os estudos literários

Professores de francês que escrevem livros sobre cigarros ou sobre a obsessão dos norte-americanos analisam a bissexualidade; com a gordura; shakespearianos que com especialistas em realismo que trabalham

percepção? Ou os estudos culturais irão engolir os estudos literários e destruir a literatura? Para compreender o problema, precisamos de um pouco de conhecimento sobre o desenvolvimento dos estudos culturais. Os estudos culturais modernos têm uma genealogia dupla. Vêm primeiro do estruturalismo francês dos anos 60 (ver Apêndice), que tratava a cultura (inclusive a literatura) como uma série de práticas cujas regras ou convenções deveriam ser descritas. Uma das primeiras obras de estudos culturais do teórico literário francês Roland Barthes, Mitologias (1957), realiza breves "leituras" de uma gama de atividades culturais, de lutas livres profissionais e propagandas de carros e detergentes a objetos culturais míticos como o vinho francês e o cérebro de Einstein. Barthes está especialmente a parecer natural, venções subjacentes livre profissional atingidos, venções diferentes: enquanto interessado em desmistificar mostrando o que, em cultura, ele identifica passa continas cona luta quando

"serial killers". O que está havendo? O que está acontece.ndo aqui é "estudos culturais", uma importante atividade nas humanidades na década de 90 deste século. Alguns professores de literatura podem ter se voltado de Milton para Madonna, de Shakespeare para as novelas, abandonando completamente literatura. Como isso se relaciona com a teoria literária? A teoria literárias enriqueceu e revigorou enormemente mas, como observei no Capítulo de sentido", o estudo da

o estudo das obras é teoria de, a resposta e representação da - em resumo, algo que o campo dos interé Poder-se-ia

1, a teoria não é a teoria da lia produção humanos

teratura. Se você tivesse de dizer o que a "teoria"
seria algo como "práticas experiência, como cultura disciplinar a prática. e a constituição de sujeitos

que ela se baseia em construções sociais. Se você comparar estoicamente

gentes, históricas. Ao analisar as práticas culturais, e suas implicações os boxeadores

no sentido mais amplo. E é surpreendente t31 como se desenvolveu, de definir quanto "teoria" a própria

com o boxe, por exemplo, você pode ver que há conse comportam que os lutadores livres se contorcem de que designam em agonia e limites além o

estudos culturais,

seja tão confusamente "teoria".

e tão difícil

dizer que os dois and3m juntos:

é a teoria e estudos culturais

encenam bombasticamente

papéis estereotipados. no sentido

No boxe, as regras da

Estudos culturais é a prática de que o que chamamos resumidamente de "teoria" é a teoria. Alguns praticantes dos estudos culturais
mas isso indica um desejo compreensível
.fX

luta são externas ao certame, damentalmente

dos quais ele não pode ir, enquanto que, na luta livre, as regras estão fun-

se queixam da "alta teoria",

de

dentro do certame, como convenções que aumentam
.ft)

arco de sentido possa revelar-se público

que pode ser produzido: dramaticamente sobretudo,

as regras existem

para ser vioe o

crucial

para o desenvolvimento

dos estudos culturais,

primeiro

na Grã-

ladas, de maneira bastante flagrante, possa ser estimulado

de modo que o "cara mau" ou vilão e não-esportivo A luta livre, dessa moral, já as prátide Barthes

Bretanha e depois em outros lugares. Os estudos culturais voz à cultura nessa tradição são movidos pela tensão entre o e o estudo da cultura ideológica de massas com - em desejo de recuperar a cultura popular como a expressão do povo ou de dar de grupos marginalizados, ideológica, como uma imposição o que é importante uma formação opressora. Por

como malfazejo

a uma fúria vingativa.

forma, proporciona, cas culturais estimulou funcionamento A outra literária e Sociedade, marxista

as satisfações de inteligibilidade em oposição. Investigando das imagens culturais contemporâneos à moda e comida, o exemplo

que o bem e o mal estão claramente da alta literatura a leitura fonte das conotações dos estudos na Grã-Bretanha. Studies, Richard

um lado, a razão para estudar a cultura

popular é entrar em contato

e a análise do é a teoria (Cultura
1957)33

para as vidas das pessoas comuns - sua cultura ou manipuladas

social das estranhas construções da cultura.32 culturais A obra de Raymond Williams do Birmingham Hoggart (The Uses of Literacy, era identificada

oposição àquela dos estetas e professores. Por outro, há um forte ímpeto de mostrar como as pessoas são conformadas culturais. formas e práticas culturais, que as "interpelam" por forças Em que medida as pessoas são construídas como sujeitos pelas

1958) e do fundador

Centre for Contem-

ou se dirigem a elas como

porary Cultural

buscou recuperar e explorar uma cultura operária popular, que havia sido perdida de vista à medida que a cultura a partir de baixo, encontrou marxista "cultura européia popular") com alta lite- da teoria ratura. Esse projeto de recuperação de vozes perdidas, de fazer a História uma outra teorização ideológica da cultura - que analisava a cultura como uma formação e p.ara justificar para posicionar de massas (em oposição à opressora, como sigou espectadores do poder de cultura como os leitores

pessoas com desejos e valores específicos? O conceito de interpelação vem do teórico marxista francês Louis Althusser. Dirigem-se a você - as propagandas, por exemplo - como um tipo particular certas qualidades) fazem de sujeito (um cona você repetiessa somos como sumidor que valoriza e, ao se dirigirem

das vezes dessa maneira, posição. Os estudos culturais pelas formas culturais

com que você passe a ocupar ou de que maneiras exercendo a "agência",

indagam em que medida somos manipulados

e em que medida

nificadOs que funcionavam como consumidores Estado. A interação

capazes de usá-Ias para outros propósitos,

os funcionamentos como imposição

ela é chamada. (A questão da "agência", para usar a expressão abreviada da teoria atual, é a questão de em que medida podemos ser sujeitos responsáveis por nossas ações e em que medida nossas escolhas aparentes são limitadas por forças que não controlamos.) Os estudos culturais se detêm na tensão entre o desejo do analista de analisar a cultura como um conjunto de códigos e práticas que aliena as na cultura popular uma expessoas de seus interesses e cria os desejos que elas passam a ter e, por outro lado, o desejo do analista de encontrar pressão autêntica e suas indústrias recursos culturais luta, uma cultura tura de massas. O trabalho caráter capazes de usar os materiais tura popular é feita culturais de valor. Uma solução é mostrar que as pessoas são impingidos a elas pelo capitalismo popular é feita de de da culcom o pelas de mídia a fim de produzir uma cultura toda delas. A culda cultura de massas. A cultura que se opõem a ela e, desse modo, é uma cultura cuja criatividade consiste em usar os produtos se harmoniza particularmente maneiras

entre essas duas análises da cultura -a

uma expressão do povo e a cultura

sobre o povo - foi

32 Roland formal cotidiana francês, primeira

BJrthes francesa,

(1915-1980). e signos). contemporânea por Ulll lado,

Intelectual a Banhes, uma crúica

e crítico

francês

que deu grandes no campo

contribuições

à Semiótica visam, segundo

(o estudo o teórico Ullla como desde

de símbolos

O livro de que fala CuBer contém e. inscrevendo-se ideológica

uma série de textos

que refletem

sobre mitos da vida

da Semiologia, dita

"realizar,

da linguagem A nova ciência Mir%gius. da cultura

da cultura da Semiologia e crítico

de massa,

por outro,

desmontagern Williams Guerra

sCll1iológica (192l-19SR).

dessa linguagem". Ver Roland O mais importante

é proposta, literário

dessa forma, britânico

uma maneira 33 Raymoncl a Segunda
fOU

ele desmistiric,u' 1\1undial.

o mundo. Fez a nítica

Barthes.

Rio de Janeiro, ecollomicamente

DIFEL 1978. (N.T.)
marxista determinada como e es!rutuinseri-

teórico

da Il()(,;ão de cultura

como sendo todos

llm pensamento

que compreendia, c concretas.

de modo

sutil e complexo,

os eSLTitores

e tcxtos

estando

dos em rebç6es Como

específicas

se pode verificar, culturais
118.

Miro/agiw'

ap,1rl"L'Cll na i"rall(;a quasc () ohjeto
,j

quc simultancamcnte

COlll os dois textos

fundadores os das e

dos estudos estudos quais

Cjrti··Bl"l.'tanha. Lllquallto tinham constrói bastallte como foco

de Banhes
(lU

L"nllll os t"L.'nômcllos da cultura c práticas no interior teóricas

de massas, e através de Banhes

culturais a sociedade tomariam

britânicos moderna rumos

vida colidiana

as estruturas Entretanto.

c circula

si.\.!nificados

c \';dores.

as posições aqui.

\Villiams

difL'I\'lltCS. cujas complexidades

n:lo cabe detalhar

É preciso registrar
teórico, bibliografia sobre

ainda

que os estudos acadêmica assunto

culturais,

desde esse mOlllL'nto dl~ fUllda\':lo. mais contestados Cullcr da recente apenas

transformou-se, teoria adianta literária. algumas

além de campo Há uma proposições. \'asta

numa disciplina esse

e num

dos terrenos

nos estudos culturais da identidade

mas, tratando-se

de lima introdut;:lo,

sem se deter nas divergên-

cias e polêmicas

que têm marcado

as diferentes

\'C1'klltes

dessa no\'a disciplina.

(N.T.)

problemático

e com as múltiplas ;)1

;)0

quais as identidades mente importante, rais instáveis

se formam,

são vividas e transmitidas.

Particularcultu-

de sentido literatura fenômeno

entre outras, intertextual

e no exame dos papéis culturais

dos quais a como um e culturais

portanto,

é o estudo das culturas

e identidades

foi investida, podem intensificar complexo.

o estudo da literatura

que se colocam para grupos - minorias étnicas, imigrantes em identificar-se com a cultura - uma cultura que é ela própria uma

e mulheres - que podem ter problemas mais ampla na qual se encontram construção blema ideológica

Os argumentos

sobre a relação entre estudos literários

que sofre mudanças. Na teoria, os estudos culturais são abrangentes: do

podem ser agrupados chamado de "cânone escolas e universidades literária".

em torno de dois tópicos amplos. (1) O que é literário": as obras regularmente estudadas nas e consideradas como formando "nossa herança para a análise de objetos culturais.

Agora, a relação entre estudos culturais e estudos literários é um procomplicado. Shakespeare e rap, alta e baixa cultura, soas faZem estudos culturais quê? Como os estudos culturais concebidos", enquanto em que a tarefa cultura do passado e cultura

(2) Os métodos apropriados

presente. Mas, na prática, como o sentido se baseia na diferença, as pesem oposição a outra coisa. Em oposição a surgiram dos estudos literários, a respostradicionalmente para o esO que será do cânone literário se os estudos culturais engolirem os era a interpretação de obras literárias estudos literários? Será que as novelas substituíram Shakespeare e, se isso

1. O CÂNONE LITERÁRIO

ta muitas vezes é, "em oposição aos estudos literários,

realizações de seus autores, e a principal justificativa sua universalidade

tudo da literatura benefícios

era o valor especial das grandes obras: sua complexie seus potenciais em torno

ocorreu, a culpa é dos estudos culturais? Os estudos culturais não irão matar a literatura através do estímulo ao estudo de filmes, televisão e outras formas culturais mundial? lou a leitura literárias: revigorou
l{

dade, sua beleza, sua percepção, para o leitor.

populares,

em lugar dos clássicos da literatura

Mas os próprios estudos literários

nunca foram unificados

Uma acusação semelhante foi feita contra a teoria quando ela estimude textos filosóficos e psicanaliticos ao lado das obras Mas a teoria Nunca psiela levava os alunos para longe dos clássicos. o cânone literário tradicional,

de uma única concepção daquilo que estavam fazendo, fosse tradicional ou não; e, desde o advento da teoria, os estudos literários são uma disciplina tratando atenção. Em princípio, estudos culturais portanto, não há necessidade de haver conflito Os estudos literários entre os e os literários. não estão comprocontestada tanto e controversa, em que todos os tipos de projetos, brigam por das obras literárias como das não-literárias,

abrindo a porta a mais maneiras inglesa e norte-americana. feminista, Wordsworth marxista,

de ler as "grandes obras" da literatura concebíveis, canalítico, interpretado historicista

se escreveu tanto sobre Shakespeare; ele é estudado de todos os ângulos nos vocabulários e desconstrucionista. foi transformada moderde modo a

metidos com uma concepção do objeto literário

que os estudos culturais

do pela teoria literária dadas regularmente "cobrir" mente e interpretado Beaumont zabetanos e jacobinos novos contextos

de poeta da natureza em figura-chave era organizado

devem repudiar. Os estudos culturais surgiram como a aplicação de técnicas de análise literária a outros materiais culturais. Tratam os artefatos culturais plesmente específica como "textos" a ser lidos e não como objetos que estão ali simE, inversamente, os estudos literários da é estudada como uma prática cultural a outros discursos. O impacto podem

nidade. O que foi negligenciado períodos históricos

foram as obras "menores" que eram estué lido mais amplaeli-

quando o estudo literário mais vigorosamente que costumavam teriam enquanto

e gêneros. Shakespeare

para serem contados.

do que nunca, mas Marlowe, rodeá-lo - são pouco lidos hoje. proporcionando para longe de (em-

podem ganhar qaando a literatura

e Fletcher, Dekker, Heywood e Ben Jonson - dramaturgos um efeito semelhante,

e as obras são relacionadas

teoria foi expandir o arco de questões às quais as obras literárias responder e focar a atenção nos diferentes resistem a ou complicam culturais, com sua insistência

Os estudos culturais algumas obras literárias,

modos através dos quais elas como uma prática

e aumentando

o arco de questões no que diz respeito a levariam os estudantes dos estudos culturais
;"):)

as idéias de seu tempo. Em princípio, os estudos no estudo da literatura
;")2

outras? Até agora, o crescimento

acompanhou

bora não tenha causado) uma expansão do cânone literário. que é ensinada amplamente de outros ("literatura experiência cursos tradicionais grupos historicamente de literatura asiático-americana", e portanto marginalizados. "literatura

A literatura a

hoje inclui textos de mulheres e de membros Quer acrescentados quer estudados como tradições separadas pós-colonial em língua ingleestudados como representações da americanos nativos,

de Maggie Tulliver, em The Mill on the Flos5l') foi vista como uma matéria de interesse mais restrito. Finalmente, a própria noção de excelência literária foi submetida particulares a

discussão: ela cultua conta como literatura excelência funcionam

interesses e propósitos digna de ser estudada nas instituições

culturais

como

se fossem o único padrão de avaliação literária?

A discussão sobre o que dos estudos cultu-

sa"). esses textos são freqüentemente da cultura Unidos, dos afro-americanos,

e sobre como as idéias de

das pessoas em questão (nos Estados

é uma vertente

asiático-americanos,

ra is extrema mente perti nente aos estudos literários.

latinos dos Estados Unidos, assim como das mulheres). Esses textos, entretanto, trazem para primeiro plano questões sobre em que medida a literatura cria a cultura que se diz que ela expressa ou representa. A cultura é o efeito de representações ao invés de ser sua fonte ou causa? O estudo generalizado mulou debates acalorados foram comprometidos? das pela sua "excelência ral?
É

I

2. MODOS

DE ANÁLISE
de dissensão diz respeito aos modos de e culturais. Quando os estudos culturais

de textos anteriormente na mídia: os padrões

negligenciados literários

esti-

tradicionais são escolhicultuuma reque está é que a

O segundo tópico amplo análise nos estudos literários

Obras anteriormente literária" correto",

neglicenciadas

ou pela sua representatividade o desejo de dar a cada minoria

eram uma forma renegada de estudos literários, eles aplicavam análise literária a outros materiais culturais. Se os estudos culturais se tornaram dominantes tornado e seus praticantes essa aplicação não mais chegaram da análise literária até eles vindos dos não poderia ter-se volume norte-

o "politicamente

presentação justa, e não critérios especificamente literários, determinando a escolha das obras a serem estudadas? Há três linhas de resposta para essas questões. A primeira "excelência tura mundial literária" nunca determinou

estudos literários,

menos importante?

A introdução

de um influente

o que é estudado. Cada professor

americano, Cultural5tudies, declara que "embora não haja proibição contra leituras textuais cerradas35 nos estudos culturais, elas também não são necessárias". Essa asseveração de que a leitura cerrada não é proibida dificilmente é tranqüiliza90ra para o crítico literário. Libertados do princípio moti- os nãoque presidiu por muito tempo os estudos literários - que o principal vo de interesse é a complexidade estudos culturais podiam facilmente distintiva tornar-se das obras individuais um tipo de sociologia

não escolhe o que ele ou ela pensa serem as dez maiores obras da literamas, ao contrário, seleciona obras que são representativas ou um período da história literária (o a poesia norte-americana mode algo: talvez uma forma literária romance inglês, a literatura derna).
É

elizabetana,

dentro

desse contexto

de representar

algo que as "melhores"

obras são escolhidas:

você não omite Sidney, Spenser e Shakespeare do se você achar que eles são os melhores se é isso que você está uma gama de forfoi historica-

seu curso sobre a era elizabetana lhores" obras de literatura ensinando.

quantitativa, tratando as obras como exemplos ou sintomas de outra coisa e não do interesse nelas mesmas e sucumbindo a outras tentações. Central, entre essas tentações, de que há uma totalidade social é a sedução da "totalidade", da qual as formas culturais é relacioná-Ias a noção são a
à totali-

poetas do período, assim como você inclui o que considera serem as "measiático-americana, culturais O que mudou é um interesse na escolha de obras que repree também

expressão ou o sintoma, de modo que analisá-Ias

sentem uma gama de experiências mas literárias.

dade social da qual derivam. A teoria recente discute a questão de se há
34 Huck Finn é o protagonista de Sal11uel Langhorne inglesa internos George Clemens. de Huck!eberry Maggie Fin!1 (1885), do escritor norte-americano
0/1 lhe

Segundo, a aplicação do critério mente comprometida

de excelência

literária

Mark Twain, Floss

pseudônimo

por critérios não-literários,

envolvendo raça e gênero,

Tulliver

é a protagonista
(N,T.)

de The Ali!!

(1860), da romancista

ElioL pseudônimo aqui é ao

de Mary Anne Evans.
ArCH'

por exemplo. A experiência de crescimento

de um menino (por exemplo, a

35 A referência de "dose

modo como os
sonora,

Critics

propunham a análise, levando em conta apenas os ckmclIt()s
ritmo, ete. A esse tipo de leitura, eles deram () IlOllll'

ao texto: sua camada reading"

imagens,

ambigüidades.

de Huck Finn) foi considerada universal, enquanto que a de uma menina (a
;")4

(leitura cCITada). (N.T.)

;);)

ou não uma totalidade positivo,

social, uma. configuração culturais

sociopolítica se relacionam

e, em caso com ela.

pretação

sintomática"

poderia se tornar

a norma;

a especificidade

dos

como os produtos e atividades

objetos culturais são da exigência nas fronteiras

poderia ser negligenciada, de inteligibilidade

juntamente

com as práticas de trabalhar inespera-

Mas os estudos culturais são atraídos pela idéia de uma relação direta, na qual os produtos culturais são o sintoma de uma configuração ca subjacente. 1985, continha Por exemplo, o curso de "Cultura que atingiu sityJG na Grã-Bretanha, sociopolítiPopular" da Open Univerna TV e a Lei e a em termos

de leitura a que a literatura

convida (discutidas imediata,

no Capítulo 2). A suspena disposição

do sentido, abrindo-nos

para efeitos produtivos,

cerca de 5.000 pessoas entre 1982 e das séries policiais

dos da linguagem e da imaginaçâo tido e o prazer são produzidos valiosas, não somente outros fenômenos culturais, Finalmente, Os praticantes

e o interesse pela maneira como o sensão particularmente para considerar mas também

uma unidade sobre "As séries policiais em mudança.

- essas disposições

Ordem", que analisava o desenvolvimento de uma situação sociopolítica

para ler literatura

embora seja o estudo literário que torne essas e culturais. ao invés de coninteque

práticas de leitura disponíveis. Dixon of Dock Green se centra na figura do pai paternalista que é intimamente familiar aos bairros operários que ele patrulha. Com a consolidação do Estado de Bem-Estar Social na prosperidade do início dos anos 60, os problemas de cfasse se traduzem em preocupações sociais: correspondendo a essa, uma nova série, Z Cars, mostra policiais uniformizados em carros patrulha fazendo seu trabalho como profissionais mas a alguma distância da comunidade a que servem. Depois dos anos 60, há uma crise de hegemonia37 na Grã-Bretanha e o Estado, incapaz de obter consenso facilmente, precisa se armar contra a oposição vinda da militância sindical, dos "terroristas", do IRNB. Esse estado mais agressivamente mobilizado de hegemonia se reflete em exemplos do gênero policial tais como The Sweeney e The Professionals nos quais tiras à paisana combatem uma organização terrorista equiparando sua violência à deles. Isso é certamente interessante e bem pode ser verdade, o que torna tudo ainda mais atraente como um modo de análise, mas envolve um deslocamento estrutura da leitura ("leitura e atende cerrada") que está alerta aos detalhes da às complexidades do sentido, para uma narrativa há a questão das metas dos estudos literários dos estudos culturais atual seja uma intervenção de CulturalStudies, na cultura muitas vezes esperam que o trabaacreditam", trabalha

lho sobre a cultura cluem os editores

meras descrições. "Dessa maneira, os estudos culturais lectual tem obrigação seu trabalho intelectual

"que seu próprio

de - pode - fazer diferença". Essa é uma afirmação os estudos culturais "tem obrigação não acreditam

estranha mas, penso, reveladora:

fará diferença.

Isso seria presunçoso,

para não

dizer ingênuo. Crê que seu trabalho Essa é a idéia. Historicamente, das. Na Grã-Bretanha tinha pearee nacional

de" fazer diferença. popular e de fazer de ligaoperária cultural - Shakes-

as idéias de estudar a cultura uma intervenção

nosso próprio trabalho

política estão estreitamente onde a identidade da alta cultura

das décadas de 60 e 70, estudar a cultura Na Grã-Bretanha, aos monumentos

uma carga política. parecia vinculada a tradição

da literatura

inglesa, por exemplo - o fato mesmo de

estudar cultura popular era um ato de resistência, de uma maneira que não o era nos Estados Unidos, onde a identidade nacional muitas vezes foi definida contra a alta cultura.

análise sociopolítica, mesma importância, dos literários

na qual todos os seriados de uma dada época têm a como expressões da configuração nos estudos culturais, social. Se os estuesse tipo de "inter-

Huckleberry Finn, de Mark Twain, a obra
porque Tia Sally quer da cultura civilizada. que foge da cultura. como sendo elitista, e estudar a cultura po-

que contribui "sivilizá-Io".

tanto quanto qualquer outra para definir a americanidade, Sua identidade depende denigrem de fugir é o homem a literatura

são subsumidos

termina com Huck Finn sumindo para "os territórios" Tradicionalmente, o norte-americano

36 UniVersidade sidade. podem 37 Os alunos

Aberta. estudam

inslillll\';IO

ljUl' oferl'ce

cursos

de JlIW! sU]ll'rior a

11L'SSO<lS

que não tiveram

acesso

;l univerpara eles e

em casa COlll llI:tll'l"iais L' programas para oril'llta";to. (1'\.'1'.)

de tt.'il'\'is<lo especialmente

preparados

reCOITer aos prob.:ssorcs

Quando os estudos culturais isso é difícil de distinguir

Hegemollio é um acordo dl' domin;I\';IO accito pm aquL'il's que s:10 dominados. Os grupos dirigentes dominam não
de lllllill'sll'ulura Exército til' l'()llsl'lItillll'lltO. c a cultura Antonio é parte dessa Gramsci). estrutura (N.A.) que legitima aear'COITentes. (O conceito Army: velll do tl'{)ril"() 1I1ilrxista italiano Republic;ll\o Irlal1d0s. (K.T.)

de uma longa tradição

nacional de filistinismo

pela pura força mas através dos sociais 38 lrish Republici1n

burguês. Nos Estados Unidos, evitar a alta cultura pular não é um gesto politicamente

radical ou de resistência tanto qU;Jn.- -r .) .

;)6

to tornar acadêmica a cultura de massas. Os estudos culturais têm poucas das ligações com movimentos estudos culturais cipalmente na Grã-Bretanha políticos

na América os

que energizaram

e poderiam ser vistos como sendo prinmas ainda acaOs estudos cultucultural.

um estudo cheio de recursos, interdisciplinar, e representação

dêmico, de práticas culturais rais "têm a obrigação turais ativistas e estudos

de ser" radicais, mas a oposição entre estudos culliterários passivos pode ser mero otimismo. e estudos culturais estão

4

Os debates sobre a relação entre literatura pular trará a morte da literatura. conjuntos

inguagem")Sentido e Interpretação

cheios de queixas de elitismo e acusações de que o estudo da cultura poEm toda a confusão, ajuda separar dois ou outro. O valor de se estudar de estudos podem conseguir, e moral, por exemplo? Tais de camarte e A literatura linguagem?
É

de questões. O primeiro conjunto envolve questões sobre o valor

de se estudar um tipo de objeto cultural precisa ser discutido: argumentos

Shakespeare ao invés de novelas não pode mais ser aceito sem discussão e o que tipos diferentes intelectual no que diz respeito ao treinamento pos de concentração música complicou Um conjunto de diferentes

não são fáceis de propor: o exemplo de comandantes tentativas diferente

alemães que eram conhecedores de literatura,

é um tipo especial de linguagem

ou é um uso especial da no Capítulo 2, que envolve tanto as e os

de defender os efeitos de tipos específicos de de questões envolve os métodos para o estu-

linguagem

organizada de maneiras distintas ou é linguagem especiais? Argumentei,

estudo. Mas essas questões deveriam ser encaradas de frente. do de objetos culturais dos objetos culturais de todos os tipos - as vantagens e desvantagens

a que se concedem privilégios não adiantará propriedades guagem. da linguagem

escolher uma opção ou outra: a literatura indica, as questões

quanto um tipo especial de atenção à linsobre a natureza são centrais para a teoria.

modos de interpretação como estruturas

e análise, tais como a interpretação complexas ou sua leitura como sin-

Como esse debate

papéis da linguagem Algumas das principais

e sobre como analisá-Ia

tomas de totalidades sociais. Embora a interpretação apreciativa tenha sido associada aos estudos literários e a análise sintomática, aos estudos culturais, valorização cada um dos dois modos pode combinar com cada um dos tipos A leitura cerrada da escrita não-literária do objeto; capítulo, tampouco fazer perguntas implica não implica culturais a de estética de objeto cultural.

questões podem ser enfocadas através do probleanteriormente como literatura, um

ma do sentido. O que está envolvido na reflexão sobre o sentido? Tomemos os versos que tratamos poema de dois versos de Robert Frost'9:
THE SECRET SITS

respeito das obras literárias um período. No próximo interpretação.

que elas são apenas documentos desenvolvo

ainda mais o problema da

We dance round in a ring and suppose, But the secret sits in the middle and knows.

O que é "sentido"

aqui? Bem, há uma diferença

entre

indagar

a

respeito do sentido de um texto (o poema como um todo) e o sentido de uma palavra. Podemos dizer que dance significa
39 "O SEGREDO SENTA/ Dançamos em CÍrculo e supomosJMas

"realizar uma sucessão de
senta no meio e sabe", (N,T.)

o Segredo

;)1{

.'5<)

movimentos andamos

rítmicos e padronizados",

mas o que significa

esse texto? Ele

Saussure, um lingüista

suíço do início do século XX cuja obra foi crucial O que torna cada elemento de uma língua são os contrastes entre ele e oudas 8:30h - depende, do das

sugere, você poderia dizer, a futilidade em torno; rima e seu ar de conhecimento

dos atos humanos: damos voltas e esse texto

para a teoria contemporânea40•

podemos apenas supor. Mais do que isso, com sua sobre o que está fazendo, da dança e da suposição.

o que ela é, o que lhe dá sua identidade,

tros elementos dentro do sistema da língua. Saussure oferece uma analogia: um trem - digamos o expresso Londres-Oxford para sua identidade, roviário. Assim, o expresso Londres-Oxford das 9:30h do sistema de trens, tal como descrito no horário ferdas 8:30h se distingue e do trem local de Oxford das características

envolve o leitor num processo de deslindamento

Esse efeito, o processo que o texto consegue provocar, é parte de seu sentido. Assim, temos o sentido de uma palavra e o sentido ou as provocações de um texto; então, no meio, há o que poderíamos chamar de sentido de Que ato essa elocução está realizando: está advertindo uma elocução: o sentido do ato de proferir essas palavras em circunstâncias específicas. ou admitindo,

expresso Londres-Cambridge

lamentando ou se vangloriando, por exemplo? Quem é o nós aqui e o que significa dançar, nessa elocução?
Não podemos apenas indagar a respeito do "sentido", de sentido: portanto.

I

8:45h. O que conta trem específico:

não são quaisquer

físicas de um

a locomotiva,

os vagões, a rota exata, os funcionários, é seu

etc., podem todos variar, assim como os horários de partida e chegada; o trem pode chegar e partir atrasado. O que dá ao trem sua identidade Saussure s,obre o signo lingüística: quer número de maneiras diferentes rentes), contanto "Sua característica (pense na caligrafia lugar no sistema de trens: é esse trem, em oposição aos outros. Como diz mais precisa é ser de pessoas difeo que os outros não são': Igualmente, a letra b pode ser escrita em qualcom outras letras, tais como I,

pelo menos três dimensões ou níveis diferentes uma palavra, de uma elocução palavras contribuem falante.

o sentido de

e de um texto. Os possíveis sentidos das

para o sentido de uma elocução, que é um ato de um Finalmente, o texto, que aqui representa é algo que mas o que ele

(E os sentidos das palavras, por sua vez, vêm das coisas que elas proferindo essa elocução enigmática, não é uma proposição

que não seja confundida

poderiam fazer nas elocuções). um falante desconhecido um autor construiu, faz, seu potencial

k, ou d. O que é crucial não é qualquer forma ou conteúdo específico, mas as diferenças, que lhe permitem ele chama de natureza arbitrária ter um significado. é o que duas e a do signo lingüístico. e de um sentido Isso significa Para Saussure, a língua é um sistema de signos e o fato-chave

e seu sentido

de afetar os leitores. de sentido, mas uma coisa que podemos dizer Não sabemos a quem o é algum grupo plural

Temos tipos diferentes

coisas. Primeiro, o signo (por exemplo, uma palavra) é uma combinação de uma forma (o "significante") ("o significado") relação entre forma e sentido se baseia na convenção, não na semelhança natural. Aquilo sobre o que estou sentado se chama uma chair (cadeira) mas poderia perfeitamente ou punce.
É

em geral é que o sentido se baseia na diferença. sozinho indefinido e a "ele", "ela", "você" e "eles". "Nós"

"nós" se refere nesse texto: apenas que é um "nós" que se opõe a um "eu" que inclui qualquer falante que pensamos estar envolvido. Está que não têm respostas fáceis, do poema. O que temos

bem ter sido chamado de outra coisa - wab Os casos em em ou buzz.

o leitor incluído em "nós" ou não? "Nós" é todo mundo exceto o Segredo, ou é um grupo especial? Essas perguntas, surgem em qualquer são contrastes, tentativa diferenças. com que o contrastamos diretamente" ("dançar em círculos" desse poema é uma de interpretação

uma convenção ou regra da língua inglesa que seja uma e não

a outra; em outras línguas, teria nomes bastante diferentes. que o som parece imitar o que ela representa,

que pensamos como sendo exceções são as palavras "onomatopéicas" como bow-wow Mas essas diferem de uma língua para outra: dizem oua-oua e buzz é bourdonner'.

O mesmo poderia ser dito de "dançar" e "supor". O que dançarsignifica aqui depende daquilo em oposição a "prosseguir questão de trabalhar extrapolando ou em oposição a "ficar parado");

em francês, os cachorros

e "supor" se opõe a "saber': Pensar sobre o sentido a partir delas.

40 Ferdinand

de Saussure

(1857-]

913).

Lingüista

suíço,

cujas idéias

sobre a estrutura da linguagem

lançaram

as

com oposições ou diferenças, dando-Ihes

conteúdo,

bases das ciências c outros materiais. 41
BOll':\l'O\I":

lingüísticas (N.T.)

no século XX. A obra a que Culler se refere é Curso de LingüÍstica que reconstruíram seu pensamento (N.T.)

Geral.

puhlica<!n
aul;1

pela primeira vez em 1916 por dois de seus alunos, latido de cao: zumbido

a partir de suas notas de

Uma língua é um sistema de diferenças. Assim o declara Ferdinand de
()O

1m:.:.,

ou barulho de campainha.

61

I
,

Ainda mais importante, ma) quanto o significado

para Saussure e para a teoria recente, é o sedo signo: tanto o significante são eles próprios respectivamente. (forAs (sentido) divisões convende modo dife-

gundo aspecto da natureza arbitrária

I

o código lingüístico é uma teoria do mundo. Línguas diferentes dividem o mundo diferentemente. Falantes de inglês têm "pets" (animais de
estimação) - uma categoria que não tem nenhum correspondente francês, embora os franceses possuam quantidades imoderadas cachorros em de

cionais do plano do som e do plano do pensamento,

línguas dividem o plano do som e o plano do pensamento como signos separados com sentidos isso - eles poderiam ser pronúncias do sentido, a língua inglesa distingue encosto) mas permite que o significado tos com e sem braços e tanto luxuosos - duas diferenças conceitos distintos. diferentes,

e gatos. A língua inglesa nos obriga a aprender o sexo de um

rente. A língua inglesa divide "chair", "cheer" e "char"42, no plano do som, mas não precisa fazer variantes de um único signo. No plano "chair" de "stool" (uma cadeira sem ou conceito "chair" inclua assenassentos macios e bem envolver que fornece Essa

bebê de modo a usar o pronome correto para falar sobre ele ou ela (não podemos chamar um bebê de "it"43); nossa língua desse modo sugere que o sexo é crucial (daí, sem dúvida, a popularidade das roupas de cor rosa ou azul, para sinalizar a resposta correta aos falantes). Mas essa marca lingüística do sexo não é de modo algum inevitável; nem todas as línguas fazem do sexo a característica crucial dos recém-nascidos. As estruturas gramaticais, inevitáveis. também, são convenções perfeitamente de uma língua, não naturais ou Quando olhamos para o céu e vemos um movimento bem permitir-nos de asas,

assentos duros quanto

que poderiam

perfeitamente

Uma língua, insiste Saussure, não é uma "nomenclatura" seus próprios nomes para categorias é uma questão com ramificações a presumir menta que temos as palavras

nossa língua poderia

dizer algo como, ao invés de "pás-

que existem fora da linguagem.
cachorro

"Está asando" (do modo que dizemos "Está chovendo"), estrutura:

cruciais para a teoria recente. Tendemos e cadeira a fim de nomear Mas, argupreexistentes,

saros estão voando". Um poema famoso de Paul Verlaine44 joga com essa "11pleure dans mon coeur! Comme il pleut sur Ia ville" (Chora no meu coração, como chove sobre a cidade). Dizemos, "está chovendo na cidade"; por que não "está chorando no meu coração"? A língua não é uma "nomenclatura" gorias preexistentes; leitores que fornece etiquetas para catee ela gera suas próprias categorias. Mas os falantes

cachorros e cadeiras, que existem fora de qualquer linguagem. Saussure, se as palavras substituíssem conceitos teriam equivalentes não é absolutamente formas:
I

exatos em sentido

de uma língua para outra, o que que organiza o mundo.

o caso. Cada língua é um sistema de conceitos e de de si.gnos convencionais é uma questão importante

um sistema

podem ser levados a enxergar através e em torno das configuAs obras de mosexploram as configurações tentam ou categorias dobrá-Ias dos modos habituais

Como a língua se relaciona ao pensamento
I,

rações da sua língua, a fim de ver uma realidade diferente.

para a teoria recente. Num extremo, está a visão de senso comum de que a lingua apenas fornece nomes para pensamentos dentemente; existentes. a língua oferece maneiras Num outro extremo, que afirmavam está a "hipótese que existem indepenpreSapir-Whorf", nomeada que os de expressar pensamentos

~

literatura trando-nos riormente,

de pensar e freqüentemente nos forçando

ou reconfigurá-Ias,

como pensar algo que nossa língua não havia previsto antea atentar para as categorias através das quais são A língua é, dessa maneira, tanto a mani- as categorias nas quais os falantes ou des-

a partir de dois lingüistas mina o que conseguimos da em ing lês (e portanto um modo de demonstrar

que a língua que falamos deter-

vemos o mundo irrefletidamente. festação concreta da ideologia autorizados fazimento.

pensar. Por exemplo, Whorf argumentava

índios Hopi têm uma concepção de tempo que não pode ser compreendinão pode ser expl icada aq ui i). Parece não haver que há pensamentos ou "normais" de uma língua que não pensamentos que exi-

a pensar - quanto o espaço de seu questionamento o sistema de uma língua (Ia /angue) A tarefa da lingüística da língua que torna (ou gramática)

Saussure distingue particulares o sistema subjacente

de exemplos é reconstruir possíveis os

podem ser pensados ou expressos numa outra, mas temos provas maciças de que uma língua torna "naturais" gem um esforço especial numa outra.

de fala e escrita (paro/e).

43 "It"· pronome 42 Cadeira, aplaudir e carbonizar, respectivamente. (N,T.) 44 Paul-!'vIarie

neutro

em inglês, (1844-1896).

usado

apenas

para se referir

a objetos

ou animais. nomes

(N.T.) (N,T.)

Verlaine

Poeta lírico francês,

um dos maiores

do Simbolismo.

(,2

(,:~

eventos de fala ou poro/e. Isso envolve mais uma distinção momento examina específico, as mudanças presente ou passado) e o estudo sofridas explicar por elementos detalhadamente

entre o estu-

nificam, procuram
11

procurando interpretar

descobrir interpretações um texto

novas e melhores. Os modeautorizado a fim de

do sincrânico de uma língua (que enfoca a língua como um sistema num

los hermenêuticos decidir como agir.

vêm dos campos da lei e da religião, em que as pessoas legal ou sagrado

diocrânico, que
específicos da é exami-

históricas tentando lingüista

língua. Compreender ná-Ia sincronicamente, gua. O mais influente além, argumentando petência lingüística"

uma língua como um sistema que funciona

Ii
II

O modelo lingüístico efeitos, mas a tradição

sugere que o estudo literário

deveria escolher a a

as regras e

I
fi

convenções do sistema que tornam dador do que é chamado

possíveis as formas e sentidos da língerativa-transformacional, vai

I

primeira pista, a da poética, tentando

entender como as obras obtêm seus

moderna da crítica escolheu esmagadoramente

de nossa época, Noam Chomsky, o fun-

de gramática

II

que a tarefa da lingüística é reconstruir a "comdos falantes nativos: o conhecimento ou habilidade adquirem e que os capacita a falar e entender antes. Como é que as duas para os falantes não tenta descosignificassem da língua de gramatical)

j

segunda, fazendo da interpretação das obras individuais o climax do estudo literário. Na realidade, as obras de crítica literária freqüentemente combinam poética e hermenêutica, indagando indagando como um efeito específico e o que um é obtido ou por que um final parece correto (ambas questões de poética). mas também o que um verso específico significa poema nos diz sobre a condição humana (hermenêutica). Mas os dois pro-

específica que os falantes Assim, a lingüística sentenças

até mesmo sentenças que eles nunca encontraram as elocuções têm para os falantes e tenta explicá-Ias. a seguir com formas semelhantes
p/eose4S
-

começo com fatos sobre a forma e o sentido que
- John is eoger to p/eose e

jetos são em princípio bastante distintos, com objetivos diferentes e tipos diferentes de evidência. Adotar os sentidos ou efeitos como ponto de partida (poética) é fundamentalmente do (hermenêutica). Se os estudos literários tura adquirem. Uma poética adotassem a lingüística como modelo, sua literária e o tarefa seria descrever a "competência enfocaria as convenções que tornam literária" que os leitores de literaa competência literária diferente de buscar descobrir o senti-

John is eosy to

têm sentidos muito diferentes

de inglês? Os falantes brir o "verdadeiro

sabem que, na primeira, John quer agradar e que,

na segunda, são os outros que o agradam. Um lingüista

sentido" dessas sentenças, como se as pessoas tivessem da lingüística é descrever as estruturas de estrutura

que descrevesse

estado erradas o tempo todo e, lá no fundo, as sentenças outra coisa. A tarefa inglesa (aqui, postulando um nível subjacente

possíveis a estrutura

sentido: quais são os códigos ou sistemas da convenção que possibilitam aos leitores identificar gêneros literários, reconhecer enredos, criar "perno texto, identificar simbólica que sonagens" a partir de detalhes dispersos fornecidos temas em obras literárias Essa analogia nos permite medir a importância ra, pois não conhecemos maneira que conhecemos é certamente na favoreceram

modo a explicar diferenças comprovadas Aqui, há uma distinção mente nos estudos literários, na lingüística, do e tenta resolver

de sentido entre essas sentenças. demasiado freqüenteum, modelado por contraste,

básica, negligenciada

e ir atrás do tipo de interpretação dos poemas e histórias?

entre dois tipos de projetos: O outro,

considera os sentidos como aquilo que tem de ser explicacomo eles são possíveis.

entre poética e lingüística o sentido

pode parecer desorientadoda mesma

de uma obra literária

começa com as formas e procura interpretá-Ias, para nos dizer o que elas realmente significam. Nos estudos literários, este é um contraste entre a

o sentido de John is eager to p/eose e, portanto, na época moder-

não podemos tomar o sentido como um dado mas temos de buscá-Io. Essa uma razão pela qual os estudos literários a hermenêutica em detrimento da poética (a outra razão

poética e a hermenêutica.
comprovados trecho personagem menêutica,

A poética começa com os sentidos ou efeitos com esse

e indaga como eles são obtidos. (O que faz com que esse específico? Por que o final desse poema é ambíguo?) A her-

num romance pareça irônico? O que nos faz simpatizar

é que as pessoas geralmente estudam as obras literárias não porque estão interessadas no funcionamento da literatura mas porque pensam que essas obras têm coisas importantes Mas a poética a dizer e desejam saber quais são). o sentido de uma obra; sua - por exemnão exige que conheçamos

por outro lado, começa com os textos e indaga o que eles sig-

45 John

está ansioso

por

agradar 'e 101111 é

f<ÍciJ

de agradar.

(N,T.)

tarefa é explicar quaisquer efeitos que possamos comprovar

64

65

pio, que um final é mais bem-sucedido

que outro, que essa combinação de como os leitores fazem que Ihes é uma a su-

como um homem, a partir de um ponto de vista masculino. forma, os teóricos de cinema têm levantado chamam de olhar cinemático

Da mesma

de imagens num poema faz sentido ao passo que outra não. Além disso, uma parte crucial da poética é uma explicação para interpretar possibilitam convenção as obras literárias 2, de "princípio - quais são as convenções cooperativo hiperprotegido" da literatura:

hipóteses de que o que eles

(a visão a partir da posição da câmera) é

entender as obras como eles as entendem. Por exemplo, o que básica que torna possível a interpretação

essencialmente masculino: as mulheres são posicionadas como o objeto do olhar cinemático e não como o observador. Nos estudos literários, as críticas feministas têm estudado as diversas estratégias pelas quais as como o

chamei, no Capítulo

obras tornam

normativa

a perspectiva

masculina e têm discutido

posição de que as dificuldades, e irrelevâncias implícito A idéia de competência

a aparente falta de sentido, as digressões

estudo dessas estruturas

e efeitos deveria mudar os modos de ler - para

têm uma função relevante em algum nível. literária focaliza a atenção no conhecimento com os os leitores seguem ao responder às devem ser Pensar nos

~
!I n
1I

as mulheres assim como para os homens. O foco nas variações históricas e sociais dos modos de ler enfatiza que interpretar é uma prática social. Os leitores interpretam informalmente para si de quando conversam com amigos sobre livros ou filmes; interpretam mesmos à medida que lêem. Para a interpretação nas salas de aulas, há protocolos uma obra, você pode perguntar outros elementos, diferentes. Para qualquer

que os leitores (e escritores) trazem para seus encontros que respondem? Que tipo de pressupostos a literatura

textos: que espécies de procedimentos obras da maneira apropriados leitores para explicar

mais formal que ocorre elemento

suas reações e interpretações?

e na maneira

como eles entendem

levou ao que é

o que ele faz, como ele se relaciona com pode, em última análise, envolver Essa de um texto; é ainda mais aprocomplexos. certas condições: não pode ser

chamado de "estética da recepção", que afirma que o sentido do texto é a experiência do leitor (uma experiência Se uma obra literária que inclui hesitações, conjecturas é concebida como uma sucessão da e autocorreções).

mas a interpretaçâo

jogar o jogo do "sobre": "então, sobre o que é essa obra realmente"? questão não é inspirada pela obscuridade Nesse jogo, a resposta príncipe da Dinamarca" deve satisfazer priada para os textos simples do que para os perversamente óbvia, por exemplo; deve ser especulativa. o colapso da ordem do mundo elizabetano",

de ações sobre o entendimento sas convenções ou expectativas ladas, e expectativas derrotadas contar uma história de leitura. Mas a história

de um leitor, então uma interpretação

obra pode ser uma história desse encontro, com seus altos e baixos: diversão postas em jogo, ligações são postuou confirmadas. Interpretar uma obra é

Dizer que" Hamlet é sobre um ou "Hamlet ou "Hamlet é sobre o medo é sobre a não

é recusar-se a jogar o jogo. Mas" Hamlet é sobre feminina",

que se pode contar

a respeito

de uma dada obra de expectativas" do

que o homem tem da sexualidade confiabilidade literatura

depende do que os teóricos leitor. Uma obra é interpretada horizonte Ham/et de expectativas com expectativas

chamam de "horizonte

dos signos" valem como possíveis respostas. O que é comuou "abordagens" teóricas da disposições de dar tipos instância, "a condas do de unificação

como resposta a questões postas por esse das de um contemporâneo pode afetar os horizontes tem discutido feminina de de

mente visto como "escolas" de crítica literária

e um leitor dos anos 90 deste século aborda diferentes

são, do ponto de vista da hermenêutica,

específicos de respostas às questão de sobre o que, em última uma obra é: "a luta de classes" (marxismo). da experiência" tenção (New Criticism), subversivas" (feminismo). "conflito de energias "a possibilidade edipiano"

Shakespeare. Toda uma gama de fatores expectativas dos leitores. A crítica feminista "a hipótese faz, que diferença

que diferença muda nossa de seus

(psicanálise),

deveria fazer, se o leitor é uma mulher. Como, pergunde uma leitora para a importância e induzido

(novo historicismo), "a natureza

"a assimetria

ta Elaine Showalter4G,

relações de gênero" texto" (desconstrução),

autodesconstrutivista

apreensão de um dado texto, nos despertando códigos sexuais"? Os textos literários parecem ter presumido um leitor masculino

"a oclusão do imperialismo" (gay and lesbian studies).

(teoria pós-colonial),

e as tradições de suas interpretações as mulheres a ler

"a mÇltriz heterossexual" Os discursos teóricos particularmente

nomeados entre parênteses não são primariasão explicações do que consideram ser para a cultura 67 e a sociedade. Muitas dcss,ls

mente modos de interpretação:
46 Uma das expoentes da crítica feminista norte-americana. (N.T.)

importante

66

teorias incluem explicações do funcionamento so em geral e portanto sões da hermenêutica, participam

da literatura

ou do discurnos

autor).

a

sentido de uma obra não é o que o escritor tinha em mente em durante a composição da obra, ou o que o escritor pensa depois de terminada, mas, ao contrário, o que ele ou freqüentetensão na obra. Se, na conversa comum, no que o falante

do projeto da poética; mas, como ver-

algum momento ela conseguiu mente tratamos

dão origem a tipos específicos de interpretação

que a obra significa

quais os textos são mapeados numa linguagem-alvo. no jogo de interpretação nhas paródias definição, mostram, previsíveis. algumas do texto entre

a

que é importante tornam-se, por

corporificar

não é a resposta que você propõe - como miversões da resposta ao relacioná-Ios que é importante diferentes análise é como você chega lá, o que com sua resposta. Como meus a política literários f
1

o sentido de uma elocução como o que o emitente do que em suas palavras, mas as obras literárias

ciona, é porque estamos mais interessados

está pensan-

a

,

·1

do naquele momento valorizadas tencionado culação. Restringir

você faz com os detalhes Mas como decidir bilidade escolher

pelas estruturas permanece

específicas de palavras que colocam em circrítica possível, mas geralmente não a uma intenção interior Essa

interpretações? sobre", digamos,

o sentido de uma obra ao que um autor poderia ter uma estratégica

exemplos podem sugerir, num determinado se Hamlet é em "última renascentista,

nível não há necessidade de

nos dias de hoje esse sentido está amarrado mas à análise das circunstâncias de ato esse autor estava realizando,

as relações dos homens com suas mães, ou a não confiada instituição dos estudos

pessoais ou históricas do autor: que tipo dada a situação do momento?

dos signos. A vivacidade

depende dos fatos duplos de que (1) esses argumentos nunca se resolvem. e (2) devem-se produzir argumentos sobre como cenas ou combinações de versos específicas sustentam fazer uma obra significar esforçar para convencer condução qualquer hipótese específica. Não se pode Para a o qualquer os outros coisa: ela resiste e você tem de se, da pertinência de sua leitura. é o que determina

.estratégia denigre respostas posteriores à obra, sugerindo que a obra responde a preocupações de seu momento de criação e apenas acidentalmente às preocupações de leitores subseqüentes. o senOs críticos que defendem a noção de que a intenção determina autores e decretamos que "vale tudo" na interpretação.

tido parecem temer que, se negamos isso, colocamos os leitores acima dos Mas, se você propõe uma interpretação, você tem de persuadir os outros a respeito da

desses argumentos,

uma pergunta-chave

sentido. Voltamos a essa questão central.

a
falante

que determina determinasse

o sentido? Às vezes, dizemos que o sentido de uma de um o sentido. Às vezes, dizemos que o sentido está no dizer x, mas o que você disse realmente Às o sentido: para saber o as circunsafirdo Alguns críticos é a experiência

elocução é o que alguém quer dizer com ela, como se a intenção texto - você pode ter pretendido significa vezes, dizemos que o contexto tâncias leitor. ou o contexto Intenção, texto, histórico contexto,

pertinência dela, ou então ela será descartada. Ninguém afirma que "vale tudo". Quanto aos autores, não é melhor homenageá-Ios pelo poder de suas criações de estimular dade de leituras reflexão infinita e de dar origem a uma varieser o sentido original de do que pelo que imaginamos

y - como se o sentido fosse o produto da própria linguagem. é o que determina você tem de examinar de um texto argumentos

uma obra? Nada disso é para dizer que as declarações de um autor sobre uma obra não têm interesse: para muitos projetos críticos, são especialmente valiosas, como textos a se justapor ao texto da obra. Podem ser de um autor ou na disou subcruciais, por exemplo, na análise do pensamento vertido uma visão ou intenção anunciada. sentido de uma obra não é o que o autor tinha em mente em algum tampouco é simplesmente uma propriedade do texto ou a uma de um leitor.

que essa elocução específica significa, mam, como mencionei, que o sentido

no qual ela figura. leitor

cussão das maneiras pelas quais uma obra poderia ter complicado

- o que determina

o sentido?

Agora, o fato de que se produzem do de uma vez por todas por qualquer de longa data na teoria determinação do sentido Falácia Intencional" literária literário.

para todos os quatro

a

fatores mostra que o sentido é complexo

e esquivo, não algo determinaao papel da intenção famoso chamado na

momento, experiência experiência

um desses fatores. Uma discussão de "A as dis(o

a

sentido é uma noção inescapável determinado.
É

porque não tanto aquilo

diz respeito Um artigo

é algo simples ou simplesmente que compreendemos

simultaneamente
É

de um sujeito e uma propriedade

de um texto. tentamos

argumenta

que, no caso das obras literárias, não se resolvem consultando

como o que, no texto,

compreender.

cussões sobre a interpretação

o oráculo

Discussões sobre o sentido são sempre possíveis e, sendo assim, o scnliilo

68

69

é impreciso, está sempre a ser decidido, sujeito a decisões que nunca são irrevogáveis. poderíamos contexto qualquer inclui Se devemos adotar algum princípio ou fórmula geral, e dizer que o sentido é determinado a situação pelo contexto, do autor já que o

ciações não são fixas e podem muito bem ser invertidas: tica do resgate, ao restringir nal distanté uma hermenêutica de nossas preocupações,

uma hermenêuorigi-

o texto a algum sentido supostamente

pode reduzir seu poder, enquanto o texto pela maneira pela os pressupostos de pode ser uma em seu funque

regras de linguagem,

e do leitor

da suspeita pode valorizar

outra coisa que poderia ser concebivelmente é ilimitado: não se pode determinar

relevante. Mas, se de antemão o que poderia con-

qual, sem o conhecimento

de seu autor, ele nos envolve e nos ajuda a rehoje (talvez subvertendo que considera que essa distinção o texto,

dizemos que o sentido está preso ao contexto, tar que o contexto

então devemos acrescen-

pensar questões momentosas distinção

seu autor no processo). Mais pertinente entre (1) a interpretação cionamento, trata o texto

poderia contar como relevante, que a ampliação do contexto seguir alterar o que consideramos está preso ao contexto, mas o contexto é ilimitado. da literatura

como o sentido de um texto. O sentido provocadas pelos

como tendo algo valioso a dizer (isso poderia ser hermenêuou suspeitosa) e (2) a interpretação de algo não-textual, "sintomática" como o sintoma algo supostamente da sociedade do

tica reconstrutiva "mais profundo",

As grandes mudanças na interpretação do alargamento argumenta ou redescrição do contexto. norte-americana

discursos teóricos poderiam, na realidade, ser pensadas como o resultado Por exemplo, Toni Morrison47 foi profundamente marcada que a literatura

que é a fonte real de interesse, seja ela a vida psíquica sintomática negligencia a especificidade

do autor ou as tensões sociais de uma época ou a homofobia burguesa. A interpretação enquanto E objeto - é um signo de outra coisa - e portanto um modo de interpretação,

pela muitas vezes não reconhecida os compromissos contexto dessa literatura a partir

presença histórica da escravidão, e que com a liberdade - a liberdade da fronsem grilhões - deveria ser lida no importância. do qual eles adquirem

não é muito satisfatória

mas, quando enfoca a prática cul-

teira, da estrada aberta, da imaginação da escravidão,

tural da qual a obra é um exemplo, pode ser útil para uma explicação daquela prática. Interpretar um poema como um sintoma ou um caso ilustrativo de características insatisfatória da lírica, por exemplo, poderia ser hermenêutica útil à poética. A isso me volto agora. mas uma contribuição

Edward Said48 sugeriu que os romances de Jane Austen deveriam ser interpretados contra um pano de fundo que é excluído deles: a exploração das colônias do Império que proporciona decorosa no plano doméstico contexto, mas o contexto pressão de discussões teóricas. As explicações da hermenêutica freqüentemente distinguem original uma de é ilimitado, a riqueza para sustentar O sentido sempre aberto uma vida sob a na Grã-Bretanha. está preso ao

a mutações

hermenêutica
produção

do resgate, que busca reconstruir
e intenções

o contexto

(as circunstâncias

do autor e os sentidos que um de uma hermenêutica com os A lingüísticos). não examinados medida que

texto poderia ter tido para seus leitores originais)

da suspeita, que busca expor os pressupostos
quais um texto pode contar (políticos, primeira uma mensagem original acessível pode celebrar um texto e seu autor
à

sexuais, filosóficos,

busca tornar diz-se

aos leitores

hoje, enquanto

muitas vezes que a segunda nega a autoridade

do texto. Mas essas asso-

47 Pseudônimo experiência

de Chloe Anthony

Wodard (1931-). das mulheres

Romancista negras).

norte-americana,

conhecida NobeI.

por sua sondagem (N.T.)

da

dos negros

(principalmente Intelectual (N,T.)

Ganhadora

do Prêmio

48 Edward Said (1935). curso colonial

e ativista árabe-palestino,

é um dos principais

teóricos

da teoria cultural e do dis-

e pós-colonial.

70

71

invés da retórica. Ele argumentava valiosa experiência

que a poesia fornece uma saída segura ao conhecimento. (Desse

para a liberação de emoções intensas. E afirmava que a poesia modela a da passagem da ignorância do "reconhecimento" modo, no momento-chave no drama trágico, o herói

5

etórica'J Poética e Poesia

se dá conta de seu erro e os espectadores percebem que "lá a não ser pela graça de Deus vou eu"). A poética, como explicação dos recursos e estratégias da literatura, retóricas, não pode ser reduzida a uma explicação das figuras mas a poética poderia ser vista como parte de uma retórica muito com a retórica e os teóriretóricas. Uma figura usa ou desvio do uso

expandida que estuda os recursos para os atos lingüísticos de todos os tipos. A teoria literária cos discutem retórica "comum"; é geralmente tem se preocupado e a funçâo definida a natureza das figuras

como uma alteração

por exemplo, "Meu amor é uma rosa vermelha, vermelha"
à

rosa para se referir não da metáfora). Defini a poética como a tentativa vés da descrição das convenções possíveis. Ela está intimamente de explicar os efeitos literários atraque os tornam e operações de leitura
à

flor mas a algo belo e precioso (essa é a figura Ou "The Secret Sits" torna o segredo um agente do ato de Antigamente, os retóricos tentavam distinguir os que a que "mudam" das "figuras" ou alteram. o sentido de uma palavra mais misturadas de dissimulação apóstrofe (dirigir-se

sentar (personificação). "tropos" específicos (como na metáfora) são: aliteração

retórica, que, desde a era clássica, é o estudo dos recursos persuasivos e expressivos da linguagem: as técnicas de linguagem e pensamento que podem ser usadas para construir discursos eficazes. Aristóteles separou a retórica da poética, tratando a retórica como a arte da persuasão e a poética como a arte da imitação representação. As tradições medievais assimilaram as duas: a retórica tornou-se Uá que busca ensinar, deleitar divorciado das atividades dessa arte. No século XIX, a retórica genuínas ou e renascentistas, entretanto, a arte da eloqüência e a poesia era uma instância superior

associada

ordenam as palavras para obter efeitos especiais. Algumas dessas figuras (a repetição de uma consoante); algo que não é um ouvinte e assonância (a repetição A teoria recente regular, como em "Aquieta-te de um som vocálico). distingue figura de tropa e até mesmo ou "literal" do qual as figuras é literal ou em metámeu coração!");

raramente

questiona a noção de um sentido "comum" figurado? Jacques Derrida, em "White cações teóricas da metáfora

e comover)

ou tropos se desviam. Por exemplo, o próprio termo metáfora Mythology", parecem se apoiar inevitavelmente figurada

passou a ser vista como artifício do pensamento ou da imaginação

mostra como as expli-

poética e caiu em desgraça. No final do século XX, a retórica foi ressuscitada como o estudo dos poderes estruturadores A poesia se relaciona com a retórica: dante de figuras de linguagem e linguagem do discurso. que faz uso abunideal, é linguagem

foras. Alguns teóricos até mesmo adotam a conclusão paradoxal de que a linguagem é fundamentalmente guagem literal Quando falamos e que o que eles chamam de linfoi esquecida. de sua árduo", por exemplo, consiste em figuras cuja natureza figurada em "compreender" um "problema

que visa a ser poderosamente é como retórica a imitação enganosa ou (mimesis) ao

persuasiva. E, desde que Platão excluiu os poetas de sua república quando a poesia é atacada ou denegrida, frívola que desencaminha afirmou
Aristóteles49

essas duas expressões tornam-se possível figuralidade.

literais através do esquecimento

os cidadãos e provoca desejos extravagantes.

Dessa perspectiva, não é que não haja distinção entre o literal e o fic]urado mas sim que os tropos e figuras são estruturas fundamentais guagem, não exceções e distorções. Tradicionalmente, tante é a metáfora. Uma metáfora cJ;j lin a figura mais impor

o valor da poesia enfocando

49 Ver Arfe Retórica e Arte Poética, textos fundadores no campo da teoria litcr,'iria. (N.T.)

trata algo como outra coisa (ch;lIn;1I
7:3

72

Jorge de burro ou meu amor de rosa vermelha, vermelha). A metáfora é portanto uma versão de um modo básico de conhecimento: vendo-o conhecemos algo das quais vivemos",

experiência. A idéia fundamental fica bem nesse exemplo

da retórica como disciplina, é que há estruturas

que se verinuma

quádruplo,

básicas de lin-

como algo. Os teóricos falam de "metáforas

guagem que subjazem a e tornam possíveis os sentidos produzidos ampla variedade de discursos. A literatura depende de figuras retóricas mas também

esquemas metafóricos

básicos, como "a vida é uma viagem': Esses esque-

mas estruturam nossos modos de pensar sobre o mundo: tentamos "chegar em algum lugar" na vida, "achar nosso caminho", "saber onde estamos indo", "encontramos A metáfora é cognitivamente Sua força literária, obstáculos", e assim por diante. porque A não intrinsicamente pode depender frívola ou ornamental. de sua incongruência. é tratada como básica à linguagem e à imaginação respeitável, entretanto,

de estruturas ma-

mais amplas, particularmente neiras convenientes

dos gêneros literários.

O que são gêneros e

qual é seu papel? Termos como épica e romance são simplesmente de classificar. grosseiras ou eles têm funções para os leitores e escritores? Para os leitores, os gêneros são conjuntos aventura

as obras com base em semelhanças de convenções e expectapolicial
à

frase de Wordsworth

"a criança é pai do homem" detém você, fá-Io penmais tarde é

tivas: sabendo se estamos ou não lendo uma história de coisas diferentes Lendo uma história fazemos quando

ou 'uma espreita

sar e depois lhe permite ver a relação entre gerações numa nova luz: a relação da criança com o homem em que ela se transforma comparada com a relação de um pai com seu filho. Como uma metáfora

amorosa, um poema lírico ou uma tragédia, ficamos policial, procuramos

e fazemos suposições sobre o que será significativo. pistas de uma maneira que não O que seria uma figura de fantasmas ou lendo uma tragédia.

pode carregar uma proposição elaborada, até mesmo uma teoria, ela é a figura retórica mais facilmente justificada. Mas os teóricos também enfatizaram a importância de outras figuras, Para Roman Jakobson50, a metáfora e a metonímia são as duas estruturas fundamentais a metonímia da linguagem: se a metáfora liga por meio da semelhança, A metonímia se move de uma liga por meio da contigüidade.

estamos

notável num poema lírico - "o Segredo senta no meio" - poderia ser um detalhe circunstancial do corpos. Historicamente, dividiram muitos teóricos do gênero seguiram os gregos, que as obras em três classes extensas, de acordo com quem fala: sem importância numa história numa obra de ficção científica, em que os segredos poderiam ter adquiri-

coisa para outra que lhe é contígua, lugar de "a Rainha". A metonímia

como quando dizemos "a Coroa" em

produz ordem ligando coisas em séries

espaciais e temporais, semovendo de uma coisa para outra no inter,ior de um dado domínio, ao invés de ligar um domínio ao outro, como faz a metáfora. Outros teóricos acrescentam a sinédoque e a ironia para comé a substituição Ela infere que as o do para pletar a lista dos "quatro tropos principais': qualidades do todo a partir das qualidades A sinédoque

poética ou !irica, em que o narrador fala na primeira pessoa; épica ou narrativa, em que o narrador fala em sua própria voz mas permite aos personagens falarem nas deles; e drama, em que só os personagens falam. Uma
outra maneira de fazer essa distinção é enfocar a relação'do falante com o público. Na épica, há a recitação oral: um poeta que confronta gens no palco falam. Na lírica - o caso mais complicado diretamente o público ouvinte. No drama, o autor está oculto do público e os persona- o poeta, ao cantar ou entoar, dá as costas aos ouvintes, por assim dizer, e "finge estar falando consigo mesmo ou com outra pessoa: um espírito da Natureza, uma Musa, um amigo pessoal, um amante, um deus, uma abstração personificada, ou um objeto natural': A esses três gêneros elementares, podemos acrescentar o gênero moderno do romance, que se dirige ao leitor através de um livro - um tópico que retomaremos A épica e o drama trágico cença, as realizações culminantes no Capítulo 6. nos tempos antigos e na Ren;)s·· um novo da literatura, as mais altas realizaçôl's foram,

do todo pela parte: "dez mãos" em lugar de "dez trabalhadores': partes representem os todos. A ironia justapõe aparência

da parte e permite

e realidade;

que ocorre é o oposto do que se espera (e se chover no piquenique sinédoque e ironia - são usados pelo historiador histórica ou o "emplotment", Hayden White'

homem do tempo?). Esses quatro tropos principais - metáfora, metonímia, analisar a explicação as estruturas como ele a chama: são

retóricas básicas através das quais percebemos o sentido da

50 Ver t':Ola 15. Capítulo 2. (N,T.)
51 Ver Trópico.\' do Discurso e Meta-história. seus dois livros publicados no Brasil. (N.T.)

de qualquer aspirante

a poeta. A invenção
7;")

do romance trouxe

74

adversário

à

cena literária,

mas, entre o final do século XVIII e a metade curto, passou a ser identiprincipalmente como elegante de valores Vista outrora

rural). A importância

dessas diferentes

figuras

varia de um poeta para

do século XX, a lírica, um poema não narrativo ficada com a essência da literatura. uma modalidade e atitudes quotidiana sentimentos culturais,

outro e de um tipo de estudo crítico

para outro. Mas ao pensar sobre a entre a voz que fala e o poeta

lírica, é crucial começar com uma distinção

de expressão elevada, a formulação

que fez o poema, criando dessa maneira essa figura da voz. A poesia lírica, de acordo com um dito famoso de John Stuart Mill", é elocução ouvida sem querer. Agora, quando ouvimos sem querer uma elocução que nos chama a atenção, o que fazemos, caracteristicamente, é imaginar um falante ou reconstruir um falante e um contexto: identificando um tom de voz, inferimos a postura, as situações, preocupações e atitudes de com o que sabemos do autor, mas dominante da lírica no real': Os poeÉ

a poesia lírica passou mais tarde a ser vista como a poderoso, lidando ao mesmo tempo com a vida dando expressão concreta individual. aos do sujeito Essa idéia ainda prepassaram a tratar a líri- uma experimentação de seus valores.

expressão de sentimento

e com valores transcendentes, mais interiores

domina. No entanto, lho associativo ção da cultura A teoria importância

os teóricos contemporâneos

ca menos como expressão dos sentimentos e imaginativo com ligações e formulações literária lingüísticas

do poeta e mais como traba-

(que, às vezes, coincidem

com a linguagem
repositório

muitas vezes não). Essa tem sido a abordagem século XX e uma justificativa literárias são imitações ficcionais mas líricos são, portanto, sucinta poderia

que torna a poesia uma dilacera-

ser a de que as obras como

ao invés de principal

de elocuções do "mundo

que enfoca a poesia discute, entre outras coisas, a de ver os poemas: um poema literária). imporda lintêm? Que podem feita de palavras (um texto) quanto um evento (um do leitor, um evento na história e os traços não-semânticos como construção verbal, uma questão

imitações ficcionais

de elocução pessoal.

relativa de maneiras diferentes

se cada poema começasse com as palavras invisiveis, "[Por exemplo, eu ou alguém poderia dizer] My love is like a red, red rose", ou "[Por exemplo, eu ou alguém Interpretar indicações poderia do texto dizer] We dance round in a ring and suppose ..." geral sobre os falantes de apreciação e da da o poema, portanto, é uma questão de deslindar, a partir das

é tanto uma estrutura

ato do poeta, uma experiência Para o poema concebido tante é a relação

entre o sentido

e de nosso conhecimento

guagem, tais como som e ritmo. Como funcionam ticos da linguagem? tipos de interação ser esperados? Para o poema enquanto é um problema complicado. Que efeitos, conscientes entre os traços semânticos

os traços não-semân-

situações comuns, a natureza das atitudes do falante. O que poderia levar alguém a falar dessa forma? A modalidade poesia nas escolas e universidades atitude do falante, timentos de um falante dominante tem sido enfocar as complexidades de pensamentos

e inconscientes,

e não-semânticos

o poema como a dramatização que reconstruímos. produtiva

e sen-

ato, uma questão-chave

é a relação entre o

ato do autor que escreve o poema e o do falante ou "voz" que fala ali. Esse O autor não fala o poema: para escrevê-I o, o Ler um poema mas é a autor se imagina a si mesmo ou a uma outra voz falando-o. a ring and suppose ..." O poema

Essa é uma abordagem sentam um falante amante, voltarmos tando sobre a importância expressando

da lírica, pois muitos poemas apremedicensurando um amigo ou Mas, se nos

que está realizando atos de fala reconhecíveis: de uma experiência, admiração ou devoção, por exemplo.

- por exemplo, "The Secret Sits" - é dizer as palavras, "We dance round in parece ser uma elocução, elocução de uma voz de status indeterminado. Ler suas palavras é colo-

para os versos iniciais de alguns dos mais famosos poemas líri"O wild West Wind, thou breath of Autumn's the forests of the night"53.
É

cos, tais como a "Ode to the West Wind", de Shelley, ou "The Tiger" de Blake, surgem dificuldades: being!" ou "Tiger, Tiger, burning bright/ln difí-

car-se na posição de dizê-Ias ou então imaginar uma outra voz dizendoas - a voz, muitas vezes dizemos, de um narrador ou falante construído pelo autor. Desse modo temos, por um lado, o indivíduo Frost, e, por outro, a voz dessa elocução específica. histórico, Robert entre Intermediária

cil imaginar que tipo de situação levaria alguém a falar dessa maneira ou
52
Jol1l1

Stuart

l'vlill (1806-1873).

Filósofo

ê economista
vento oeste,

inglês, sopro

expoente do outono",

do Utilitarismo. de Percy

(N.T.) Shclky (17(P
[/J(/('sill

aquelas duas figuras está uma outra figura: a imagem da voz poética que surge do estudo de uma gama de poemas de um único poeta (no caso de Frost, talvez, a de um observador grosseiro, prático, mas reflexivo da vida 76

53 "Ode

ao Vc:nto Oeste":

"Oil, turbulento

Bysshc

IX

lI)

poeta romàntico inglês; "O Tigre": "Tigre, tigre, flamejante fulgor/ Nas florestas de denso negror"
selecio/lada / \Villiam Blake. Introduç:;1o. seleção e tradução inglês. de Paulo Vizioli. São Paulo, J.C.

('/1/(1,111

L<-;lllill'L

11):-;,1 I

\Villiarn Bbke (1757-1817), poeta pré-romàntico

(N.T.)
..,..,

que ato não-poético

estaria realizando. A resposta que provavelmente estão sendo arrebatados extravagantes. Se tentamos

ire-

poetas figura afirma tradição

sublimes de vocação poética

ou como visionários: poética,

alguém

que pode se dirigir

à

mos sugerir é que esses falantes

e estão ficando entender

Natureza

e a quem ela poderia

responder.

O "Oh" da invocação

é uma da

poéticos, estão assumindo atitudes

uma providência

pela qual a voz que fala os ventos a soprar

esses poemas como imitações ficcionais rece ser o de imitar a própria poesia.

de atos comuns de fala, o ato pada lírica. Os poemas

não ser um mero falante e do espírito

de versos mas uma corporificação

da poesia. Conclamar

O que esses exemplos sugerem é a extravagância líricos não apenas parecem dispostos a dirigir-se em inflexões hiperbólicas.

ou exigir que o não nascido escute seus gritos é um ato de ritual poético. É ritualístico, na medida em que os ventos não vêm ou o não nascido não ouve. A voz chama a fim de estar chamando. Chama a fim de dramatizar impossíveis, poema. Os poemas narrativos narram um acontecimento; para ser um evento. é o que "Lift é mais e a apóstrofe os poemas líricos, - como minhas mais Tudo nesse ao descarte poderíamos garantia breves dizer, lutam indicam "poético", hiperbólica. Mas não há qualquer ruidosamente, a voz: para intimar hiperbólicos imagens de seu poder de modo a estae profética. evocam Os imperativos poéticos, do eventos

a quase nada, preferivel-

mente a um público real (o vento, um tigre, minha alma); eles fazem isso O nome do jogo aqui é exagero: o tigre não é o vento é o próprio "sopro do oucomo quando apenas "cor de laranja", mas flamejante; mas sardônicos

belecer sua identidade

como voz poética das apóstrofes

tono" e, mais adiante no poema, salvador e destruidor. Até mesmo os poese baseiam em condensações hiperbólicas, como "suposição': teórica importante, um paradoxo que da poesia inclui humana de comdá ao falante uma transcendente a atribuição de Frost reduz a atividade mas de conhecimento humana a dançar em círculos e trata as muitas for-

coisas que serão realizadas,

se é que o serão,

na eventualidade

Tocamos aqui numa questão sua aspiração blime": ao que os teóricos,

parece residir no âmago da poesia lírica. A extravagância uma relação com o que excede a capacidade apaixonada,

de que o poema vá funcionar citações

desde a era clássica, chamam de "su-

embaraçosamente como bobagem

mais mistificador

e vulnerável

preensão, provoca temor ou intensidade percepção de algo além do humano. está vinculada dirigir-se qualidades ao que não é um ouvinte inanimados.

me as a wave, a leaf, a cloud!" em ser bem-sucedido

Mas essa aspiração

bem. Pode caçoar. Ser poeta é empenhar-se de bobagem. Um problema importante para a teoria tanto tentam

a figuras retóricas tais como a apóstrofe, o tropo do ato de real, a personificação, a concessão

tipo de coisa, em apostar que isso não será descartado

como um monte

humanas ao que não é humano, e a prosopopéia,

da poesia, como disse, é a feita de palavras e o poema fazer algo acontecer "O wild quanto

de fala a objetos

Como podem as mais altas aspirações do da

relação entre o poema como uma estrutura como evento. As apóstrofes expõem esse acontecimento como no vazio Realçar a apóstrofe, é juntar-se distingue claramente sentido das formas. aos teóricos A lírica, mostra

verso estar ligadas a esses truques retóricos? Quando os poemas líricos se desviam de ou jogam com o circujto comunicação timento para se dirigir ao que não é realmente a irromper um ouvinte vento, um tigre, ou o coração - às vezes se diz que isso significa forte que leva o falante se liga especialmente emocional - um

como estando baseado em truques verbais apostrófica: West Wind!" e a hipérbole o que a prosopopéia

"Oh", da alocução

um sen-

a personificação,

em fala. Mas a intensidade

que, ao longo dos tempos, Northrop
FryeSS,

enfatizaram

ao próprio ato de alocução ou de invo-

a lírica de outros

atos de fala, o que faz dela a mais literária "é o gênero que mais e do da literatura, da narrativa

cação, que freqüentemente

deseja um estado de coisas e tenta criá-Io

escreve

pedindo aos objetos inanimados que se curvem ao desejo do falante. "O lift me as a wave, a leaf, a cloud"S4, o falante de Shelley insta com o vento oeste. A exigência acordo hiperbólica de que o universo o escute e aja de se constituem como é uma providência pela qual os falantes

o cerne hipotético literais Isto é, a lírica

em seus aspectos

enquanto mostra-nos

ordem de palavras e deseo sentido ou a história

nho de palavras".

55 Northrop Frye (] 912-1991). 54 "Oh.
erga-me como uma

Crítico e teórico canadense,

autor de Anatomia

da Crílic(l (1957),

S;l() Patll(l,

('llllli,

onda.

lima

folha. uma

IlLl\'Clll".

(N.T.)

trad. PéricJes Eugênio

da Silva Ramos,J 973. (N,T.)

73

7<)

surgindo estrutura

do desenho rítmica Anatomia

verbal.

Repita

as palavras

que ecoam ou sentido.

numa de

da organização

métrica e da repetição de sons é a base da poesia, As [l'l) postulam relações entre diferentes - métrica, fonológica, semântica, tipos de or9a-temática - ou, e não-

e veja se não surge uma história da Critica

rias da poesia, portanto, nização da linguagem para dizer de forma é uma estrutura semânticas,

Frye, cujo

é um compêndio

inestimável

reflexão sobre a lírica e outros gêneros, chama os constituintes lírica de tartamudeio e garatuja, cujas raízes são o sortilégio em primeiro Os poemas tartamudeiam, semânticos da linguagem sortilégio ou encantamento: colocando

básicos da e o enigma.

mais geral, entre as dimensões semânticas que absorve e reconstitui

semânticas da linguagem,

entre o que o poema diz e como o diz. O poema os significados,

plano os traços não-

de significantes

- som, ritmo, repetição de letras - para produzir

na medida em que seus padrões formais têm efeitos sobre suas estruturas assimilando os sentidos que as palavras têm em outros cona nova organização, alterando a ênfase e o foco,
É

textos e sujeitando-as This darksome burn, horseback brown, His rollrock highroad roaring down ... 56 Os poemas garatujam ou nos propõem enigmas, em sua dissimulação enigmáticas: o que é um "rollrock highalinhamento, poesia

deslocando sentidos literais para sentidos figurados, colocando termos em de acordo com padrões de paralelismo. "contingentes" de som e ritmo o escândalo da que traços sistematicamente

i nfectem e afetem o pensa mento. Nesse nível, a lírica se baseia numa convenção de unidade e autonomia, como se houvesse uma regra: não trate o poema como trataríamos um trecho de conversa, um fragmento que precisa de um contexto mais amplo para explicá-Io, mas suponha que ele tenha uma estrutura toda sua. Tente lê-Io como se fosse um todo estético, A tradição da poética torna disponíveis diversos modelos teóricos. Os formalistas russos do início do século XX postulam canos traçam leituras que um nível de estrutura num poema deveria naturais: As

caprichosa, em suas formulações

road"? E o "Secret [que] sits in the middle and knows"? Esses traços são muito proeminentes em que freqüentemente estranheza da imagem: Pease porridge hot, Pease porridge cold, Pease porridge in the pot, Nine days old.51 O padrão ritmico pequeno texto (como quando e o esquema da rima ostentam provocar a questão a organização das palavras desse que em cantigas de ninar e baladas, e na o prazer reside no ritmo, no encantamento

espelhar outro; os teóricos românticos uma analogia todas as partes do poema deveriam pós-estruturalistas postulam

e os New Critics ingleses e amerise encaixar harmoniosamente.

entre os poemas e os organismos uma tensão inelutável praticar o que prega.

entre o que

os poemas realizam e o que dizem, a impossibilidade talvez de qualquer ato de linguagem, As concepções enfatizam

de um poema, ou intertextuais

e podem tanto a rima levanta

especial atenção da relação

interpretativa

recentes dos poemas como construções

rimam) quanto suspender a investigação: do sentido; a organização da inteligência rítmica permite

a poesia tem sua própria ordem a respeito
à

que os poemas são energizados

por ecos de poemas passados

que dá prazer, de modo que não há necessidade de perguntar linguagem e se alojar na memória mecânica.

- ecos que eles podem não dominar. A unidade se torna menos uma propriedade dos poemas do que algo que os intérpretes buscam, quer procurem uma fusão harmoniosa ou uma tensão não resolvida, Para f,J7('t _ isso, os leitores identificam Segredo ou entre conhecere poema, particularmente oposições. Tomemos o famoso poema de dois versos de Ezra Pound, "In of the Metro":
,J

ficar sob a guarda

Lembramos de "Pease o que "pease porridge"

porridge hot" sem nos preocuparmos

em investigar

oposições no poema (como entre "nós" c supor) e vêem como outros elementos se alinham

11

poderia ser e, mesmo que descubramos, Colocar a linguagem
56 "Esse queimado sombrio. marrom

é provável que esqueçamos isso plano e torná-Ia estranha através

dll

antes de esquecer de "Pease porridge hot". em primeiro
cqlíino./ seu caminho

as expressões figuradas,

com (,~~;I', SLl1i1111

ondulante

ribomba

.... (I\'.T.) na panela! há no\'e dias," (N.T.)

57 "j'v1ingau de ervilhas

qut'Jllc.l

mingau

de ervilhas

frio/ mingau

de ervilhas

80

81

The apparition of these faces in the erowd: Petals on a wet, black bough.58
Interpretar isso envolve trabalhar com o contraste entre as multidões

sia ou a criação do sentido. Os poemas, no uso que fazem das operações retóricas, podem ser lidos como sondagens na poética, assim como os romances, como veremos a seguir, são em algum nível reflexões sobre a

no metrô e a cena natural. O emparelhamento de uma árvore. Mas e daí? A interpretação nas da convenção a regra é que os poemas, não importa devem ser sobre algo importante, riam ser considerados sentimentos leitores tranqüila como o sinal ou "correlato importantes refletir Para tornar significativa precisam poema está contrastando

desses dois versos impõe o do poema depende não apena aparência, deve-

inteligibilidade de nossa experiência na teoria narrativa.

do tempo e, dessa forma, sondagens

paralelo entre os rostos na escuridão do metrô e as pétalas no ramo negro de unidade mas também da convenção de importância: quão insignificantes e portanto os detalhes concretos

como tendo importância objetivo", ou insinuações

geral. Deveriam ser lidos

para usar a expressão de de significância59• poderia

IS.

Eliot, de

a oposição no pequeno poema de Pound, os sobre como o paralelo a cena de multidão funcionar. O urbana no metrô com a

cena natural de pétalas num ramo molhado de árvore ou as está uma leitura mais rica, inspirando um

igualando, observando uma semelhança? Ambas as opções são possíveis,
mas a segunda parece possibilitar passo poderosamente ver rostos na multidão subscrito percepção de semelhança pela tradição da interpretação poética. A

entre rostos na multidão

e pétalas num ramo relações inesperaou Esse pequeno

como pétalas num ramo - é um exemplo da imagio que, para outros observadores, seria trivial profundidade na aparência formal.

nação poética "vendo o mundo de novo", apreendendo das e, talvez, apreciando opressivo, encontrando poema, portanto,

pode tornar-se

uma reflexão sobre o poder da imagipoéti-

nação poética de conseguir os efeitos que o próprio poema consegue. Um exemplo como esse ilustra uma convenção básica da interpretação ca: considerar o que esse poema e seus procedimentos dizem sobre a poe-

58 "Numa Estação de Metrô": "A aparição desses rostos na multidão;! Péw.ias num ramo molhado, negro". Ezra Pound (1885-1972). Poeta modernista e crítico norte-americano, autor de Thr! Co!Jto.\'. UI113 coleção de mais de 100 poemas, iniciada em 1917. (N.T.) 59 Thornas Stearnes Eliot (1888-1965). Poeta. dramaturgo e crítico literário angla-americano, um dos nomes mais importantes da poesia modernista. autor do poema The Wasre LalJd (1922). A teoria do "canelata objetivo" está no ensaio "Hamlet and his Problems" (il1 T/u: Sacred Wood, 1920): "A única maneira de expressar emoção na forma de arte é encontrar um "conelato objetivo"; em outras palavras, um conjunto de objetos, uma situação, lima cadeia de eventos que será a fórmula para aquela emoção específica; de tal maneira que, quando os fatos externos. que devem se encerrar em experiência sensoriaL sejí1111 dados. a emoção seja in}ediatamente evocada". (N.T.)

82

83

sofos da história, mencionei a explicação histórica lógica da história: entender

no Capítulo 2, até mesmo argumentaram

que mas a

segue não a lógica da causalidade científica

a lógica da Revolução Francesa é compreen-

6

arrativa

der uma narrativa que mostra como um acontecimento levou a outro.~A?, estruturas narrativas estão em toda parte: Frank Kermode observa que, quando dizemos que um relógio faz "tique-taque", damos ao ruído uma estrutura ficcional, diferenciando entre dois sons fisicamente idênticos, para fazer de tique um começo e de taque um final. "Considero o tique-

taque do relógio como um modelo do que chamamos de enredo, uma
organização A teoria que humaniza da narrativa o tempo dando-lhe ("narratologia") forma." da teoria em narrativa: é um ramo ativo

literária e o estudo literário vas. A poética da narrativa, Era uma vez um tempo em que literatura significava sia. O romance era um recém-chegado, da crônica para ser genuinamente próximo literário, uma forma sobretudo poeou preender os componentes demais da biografia

se apóia em teorias da estrutura

noções de enredo, de diferentes

tipos de narradores, de técnicas narratiquanto analisa como narrativas

como poderíamos chamá-Ia, tanto tenta comda narrativa

específicas obtêm seus efeitos. Mas a narrativa não é apenas uma matéria acadêmica. Há u~Jf1l2-UIso humano básico de ouvir e narrar histórias. Muito cedo, as crianças desenvolvem o que se poderia histórias, chamar de uma competência narrativa engabásica: exigindo para a teoria elas sabem quando você está tentando poderia

popular que não

poderia aspirar às altas vocações da poesia lírica e épica. Mas no século XX o romance eclipsou a poesia, tanto como o que os escritores escrevem quanto como o que os leitores lêem e, desde os anos 60, a narrativa sou a dominar também a educação literária. poesia - muitas vezes isso é exigido tornaram-se o núcleo do currículo. - mas os romances pasAs pessoas ainda estudam e os contos

nar, parando antes de chegar ao final. Dessa maneira, a primeira questão da narrativa ser: o que sabemos implicitamente entre e uma que não o faz, em que poderia, então, tornar é uma detalhadamente, sobre a configuração básica das histórias que nos permite distinguir

Isso não é apenas um resultado das preferências

de um público leitor

uma história que acaba "adequadamente" ser concebida explícita, tentativa como uma tentativa

de massa, que alegremente escolhe histórias mas raramente lê poemas. As teorias literária e cultural têm afirmado cada vez mais a centralidade cultural da narrativa. As histórias, diz o argumento, são a principal maneira

as coisas são deixadas penduradas? A teoria da narrativa de explicar essa competência de tornar explícita narrativa,

assim como a lingüística lingüística:

pela qual entendemos que está acontecendo das coisas colocando-as científica

as coisas, quer ao pensar em nossas vidas como no mundo. A explicação científica busca o sentido ocor-

a competência

o que os falantes ou

uma progressão que conduz a algum lugar, quer ao dizer a nós mesmos o sob leis - sempre que a e b prevalecerem,

de uma língua sabem inconscientemente

ao saber uma língua. A teoria

aqui pode ser concebida como uma exposição de uma compreensão conhecimento cultural intuitivo. Quais são os requisitos mentos? Aristóteles que as boas histórias de uma história,

rerá c - mas a vida geralmente

não é assim. Ela segue não uma lógica

do ponto de vista dos ele.-

de causa e efeito mas a lógica da história, em que entender sigem Cingapura, como o pai

diz que o enredo é o traço mais básico da narrativa, devem ter um começo, meio e fim e que elas dão Mas o que cria a impressão tem essa configuração? Os um

nifica conceber como uma coisa leva a outra, como algo poderia ter sucedido: como Maggie acabou vendendo software de Jorge veio a lhe dar um carro. Entendemos os acontecimentos

prazer por causa do ritmo de sua ordenação. de que uma série específica de acontecimentos teóricos propuseram diversas explicações. x;)

através de histórias possíveis; os filóX4

Essencialmente, entretanto,

enredo exige uma transformação. mudança envolvendo paralelismo a mudança como sendo significativa.

Deve haver uma situação

inicial,

uma

de vista da heroína sofredora, ou do pai irado, ou do jovem, ou de um observador externo onisciente intrigado com os acontecimentos, intencional ou de um narrador mais íntimos de cada desses acontecimenque consegue descrever os sentimentos

algum tipo de virada e uma resolução que marque Algumas teorias enfatizam tipos de tais como a mudança de para sua Em no

que produzem enredos satisfatórios, ou sua inversão;

personagem ou que adota uma distância sentações variadas dele. Os três níveis que estou discutindo

uma relação entre personagens para seu oposto, ou de um medo ou previsão para sua realização de um problema solução ou de uma falsa acusação ou deturpação cada um dos casos, encontramos nível dos acontecimentos mera seqüência de acontecimentos final que indique o que aconteceu mentos que a história narra. Se a teoria narrativa dos. Os leitores com uma transformação para sua retificação.

tos. Desse ângulo, o enredo ou história é o dado e o discurso são as apre- acontecimentos, enredo (ou

a associação de um desenvolvimento não faz uma história.

no nível do tema. Uma Deve haver um

história) e discurso - funcionam como duas oposições: mentos e enredo e entre história e discurso. acon tecim e n tos/ en redo história/discurso

entre aconteci-

final que se relacione com o começo - de acordo com alguns teóricos, um com o desejo que levou aos acontecisobre a competência narratienre-

é uma explicação distinguir

O enredo ou história é o material que é apresentado, ordenado a p,artir de um certo ponto de vista pelo discurso (diferentes versões da ,"mesma história"). Mas o próprio enredo já é uma configuração um casamento encontram, de acontecimenou o no meio. O de um tos. Um enredo pode tornar começo de uma história que os leitores realmente o final feliz da história é o discurso

va, ela deve enfocar também a capacidade dos leitores de identificar conseguem

que duas obras são versões da mas é provável

mesma história; conseguem resumir enredos e discutir a adequação de um resumo do enredo. Não é que eles sempre irão concordar, que as discordâncias revelem uma considerável compreensão compartilhada. A teoria da narrativa postula a existência de um nível de estrutura - o que geralmente qualquer linguagem chamamos de "enredo" - independentemente de específica ou meio representacional. ou de um meio para outro: Diferentemente

- ou pode fazer dele uma reviravolta entretanto,

texto: o enredo é algo que os leitores inferem a partir do texto, e a idéia dos acontecimentos mado é também acontecimentos A distinção apresentação, elementares a partir dos quais esse enredo foi forou construção do leitor. Se falamos de num enredo, é para realçar o sig ... portanto, é entre enredo e uma inferência

da poesia, que se perde na tradução, o enredo pode ser preservado na tradução de uma linguagem uma história Descobrimos, De um ângulo, figuram para transformá-Ios um filme mudo ou em quadrinhos entretanto, pode ter o mesmo enredo que um conto. que há duas maneiras de pensar o enredo. aos acontecimentos e leitores conde buscar o genuína: os escritores

que foram configurados do enredo.

nificado e a organização

básica da teoria da narrativa, história e discurso. (A terminologia o leitor o compreende

varia de um teórico para a história e depois

o enredo é um modo de dar forma numa história

outro.) Confrontado representações).

com um texto (um termo que inclui filmes e outras identificando

os acontecimentos

num enredo, em suas tentativas a mesma "história"

vendo o texto como uma apresentação específica daquela história; identificando "o que acontece", somos capazes de pensar no resto do material o que ocorré. Daí, podemos perGrande verbal como sendo a maneira de retratar

sentido das coisas. De um outro ângulo, o enredo é o que é configurado pelas narrativas, já que apresentam de maneiras diferentes. Assim, uma seqüência de atos por parte de três personagens pode ser configurada (por escritores e leitores) num enredo elementar de amor heterossexual, desejo encontra em que um jovem resistência permite procura casar-se com uma jovem, seu amantes ficarem juntos. Esse na oposição paterna, mas alguma reviravolta aos jovens na narrativa do ponto

guntar que tipo de apresentação foi escolhida e que diferença isso faz. Há muitas variáveis e elas são cruciais para os efeitos das narrativas. parte da teoria narrativa ção significativa. Quem fala? Por convenção, diz-se que toda narrativa 87 tem um n;lr~ explora diferentes variáveis. Aqui estão algumas questões-chave que identificam maneiras de conceber essas uma varia~

nos acontecimentos

enredo com três personagens pode ser apresentado 86

rador, que pode se colocar fora da história ou ser um personagem dentro dela. Os teóricos distinguem a "narração em primeira pessoa", em que um narrador diz "eu", daquilo que de modo algo confuso é chamado de "narração em ter.ceira pessoa", em que não há um "eu" - o narrador não é identificado como um personagem na história e todos os personagens são referidos na terceira pessoa, pelo nome ou por "ele" ou "ela': Os narradores em primeira contam; pessoa podem ser os principais protagonistas personagens secundários da história que na história; ou podem ser participantes,

mente

a acontecim.entos sob a forma

específicos, de cartas),

como nos romances tal como Pomela,

epistolares de Samuel

(romances
RichardsonG1,

em que cada carta trata do que ocorrera até aquelemomenà medida que o narrador olha em retrospecto As vozes narrativas podem ter sua própria

i
I

to. Ou, como é mais comum, a narração pode ocorrer depois dos acontecimentos finais da narrativa, para a seqüência inteira. Quem fala que linguagem? linguagem distintiva, relatar a linguagem na qual narram tudo na história, ou podem adotar e de outros. Uma narrativa que vê as coisas através da

podem ser observadores da história, cuja função não é agir mas descrever as coisas para nós. Os observadores em primeira pessoa podem ser plenamente desenvolvidos como indivíduos com um nome, história e personalie rapidamente desaparecer à a caminha, se ocultando dep9is de introduzir dade, ou podem não ser nada desenvolvidos medida que à narração história.

consciência de uma criança pode ou usar a linguagem adulta para relatar as percepções da criança ou resvalar para a linguagem de uma criança. O teórico russo Mikhail BakhtinGl descreve o romance como fundamentalmente polifônico (múltiplas vozes) ou dialógico ao invés de monológico vozes (única voz): a essência do romance é sua encenação de diferentes ou discursos e, portanto, vista. certa autoridade,

Quem fala para quem? O autor cria um texto que é lido pelos leitores. Os leitores inferem a partir do texto um narrador, uma voz que fala. O narrador se dirige a ouvintes que às vezes são subentendidos às vezes explicitamente tro de histórias, história encaixada identificados (particularmente se torna onde um personagem para outros de narratário. ou construídos, e conta a é um nas histórias dendo narrador constrói

do embate de perspectivas sociais e pontos de Narrar uma história é reivindicar concedem. Quando o narrador handsome, uma de clever, e

Quem fala com que autoridade? que os ouvintes a comfortable Emmo, de Jane Austen, and rich, with ficamos nos perguntando

o narrador

começa, "Emma Woodhouse, home ceticamente

personagens). a narrativa

O público

and happy disposition, se ela era realmente

... "63 não bonita

muitas vezes chamado explicitamente daquilo

Quer os narratários implicitamente

sejam ou não

identificados,

público através daquilo que sua narração aceita sem discussão e através que e0plica. Uma obra de um outro tempo que um leitor moderno interessada e lugar geralmente certos A crítica femium leitor massubentende pressupostos um público que reconhece certas referências e partilha pode não partilhar. na maneira postulam

inteligenfe. Aceitamos essa afirmação até que nos dêem motivo para pensar de outra forma. Os narradores são às vezes chamados de não confiáveis quando fornecem informação suficiente sobre situações e pistas a motivos paraduvio fato ou até vai

respeito de suas predisposições

para nos fazer duvidar de' suas interpre-

nista está especialmente

como as narrativas

européias e norte-americanas

freqUentemente

I

tações dos acontecimentos, dar que o narrad-e-r partilha de que estão narrando mesmo ostentam

ou quando encontramos

os mesmos valores que o autor. Os teóricos quando os narradores discutem

falam de narração auto-reflexiva o fato

culino: elas se dirigem implicitamente lha uma visão masculina. Quem fala quando? narrativa

ao leitor como alguém que parti-

uma história, hesitam sobre como contá-Ia de que podem determinar

como a história

A narração pode estar situada na época em que em que a
61 Ver Nota 25 , Capítulo 62 MikhaiJ determillJ.nte um "evento" direção Bakhtin 2. Filósofo pelos russo da linguagem históric.os quanto teórico russo c teórico do discurso. Bakhtin via a linguilp.l:llll'llIIH) a componentes lingüísticas de elocuções sociais específicas. Definia

os eventos ocorrem (como em Jealousy de Alain Robbe-GrilletGO, adota a forma "agora x está acontecendo, cendo, agora z está acontecendo").

agora yestá aconte-

(1895-1975).

A narração pode se seguir imediata-

dos e determinada no qual tanto

lingllat!~llIl'ollln
1\11;1 \'111

os elementos Talnbém Média

predetenninam

um :10 OUlTO nllma estudos klir, sohre

ao sentido popular Emma

textual. na Idade (1816),

foi um importante e sobre o romancista

do romance, Dostoievski_ (1775-1817).

tendo publicado (1\'_1.) e um temperamento (N.1.)

]{(lkl:li'; li

e a cultura 60 Alain Robbe-Grillet francês (1922-). Escritor representativo e um dos mais importantes (Jea/ollsy) foi publicado teóricos do "nouveau roman". o 63 "Emma do romance

\Voodhouse,

bonita.

inteligente

e rica. comum inglesa

lar confortável

,,,", /\ ,-il;I\-;\l'

"anli-romance"

que surgiu

na d~cada

de 50. la/ollsie

em 1957. (N.T.)

da romancista

Jane Austen

aa

a9

acabar. A narração auto-reflexiva tiva.

realça o problema da autoridade freqüentemente

narra-

Quem vê? As discussões sobre a narrativa

falam do

"ponto de vista a partir do qual uma história é contada",

mas esse uso de

ponto de vista confunde duas questões distintas: quem fala? e de quem é a visão apresentada? O romance de Henry James, What Maisie Knew4,
emprega um narrador através da consciência que não é uma criança mas apresenta a história ela é da criança Maisie. Maisie não é o narrador; Maisie, por exemplo,

descrita na terceira pessoa, como "e[a", mas o romance apresenta muitas coisas a partir de sua perspectiva. totalmente não compreende a dimensão sexual das relações entre os adultos em volta dela.

A história é, para usar um termo desenvolvido pelos teóricos da narrativa Mieke Sa[ e Gérard Genette, focalizada através dela. É dela a consciência ou posição através da qual os acontecimentos "quem fala?", portanto, focalizador veis aqui.
1. Temporal.

I
;

I I

cada momento para o clímax. 2. Distância microscópio, lentamente aconteceu:

da investigação,

guardando

o conhecimento

do resultado através de um avançando o que

e velocidade.

A história

pode ser focalizada

por assim dizer, ou através

de um telescópio,

com grandes detalhes ou rapidamente

nos contando

"O Monarca agradecido deu ao Príncipe a mão de sua fílha em há as variações em é o que

casamento e, quando o Rei morreu, o Príncipe o sucedeu no trono e reinou feliz por muito anos': Relacionadas com a velocidade, freqüência: fica ou o que aconteceu todas as quintas-feiras. repetidas elas podem nos contar o que aconteceu numa ocasião especíMais distintivo no qual algo tão específico como o que pode

Gérard Genette chama de "pseudo-iterativo", que não poderia acontecer aconteceu focalizar tando regularmente. de conhecimento. Num 3. Limitações

vezes é apresentado extremo,

são enfocados. A questão O

uma narrativa

é distinta

da questão de "quem vê?" A partir da são enfocados e apresentados?

a história

através de uma perspectiva

muito limitada

- a pers-

perspectiva de quem os acontecimentos

pectiva de um "olho de câmera" ou de uma "mosca na parede" - relaas ações sem nos dar acesso aos pensamentos podem ocorrer que as descrições "objetivas" familiarizado ou "externas" do personagem. do grau de através de "o subentendem. Mesmo aqui, grandes variações dependendo

pode ou não ser o mesmo que o narrador. Há inúmeras variáA narração pode focalizar os acontecimentos a partir da

compreensão um observador

época em que ocorreram, tempo depois. época do acontecimento trospectiva. narrador focalizar pode focalizar os eventàs

a partir de logo depois, ou a partir de muito o que o focalizador sabia ou pensava na ou como viu as coisas depois, graças à visão recom ele quando criança, um da criança que na

Desse modo, "o velho acendeu um cigarro"

parece focalizado

Pode enfocar

com as atividades

humanas) enquanto

humano com cabelos brancos no alto da cabeça segurou um bastâo em chamas próximo a si e começou a subir fumaça de um tubo branco ligado a seu corpo" raçãoConisciente", parece focalizado através de um a[ienígena é uma figura demiúrgica e às motivações ocultas ou pessoa que tem dos perque está muito "pirada". No outro extremo, está o que se chama de "narem que o narrador mais íntimos acesso aos pensamentos

Ao relatar algo que aconteceu

o evento através da consciência de seu conhecimento pode combinar

ele foi, restringindo

o relato ao que pensou ou sentiu na época, ou pode' através e compreensão essas perspectivas, aconteci-

época da narração. Ou, naturalmente, fazendo um movimento nhece agora. Quando a narração mentos através de um personagem ções semelhantes,

entre o que sabia ou sentiu então e o que recoem terceira pessoa focaliza específico, ela pode empregar variatem-

sonagens: "O rei estava desmesuradamente em que parece não haver em princípio

alegre com o que viu, mas A narração onisciente, ao que pode ser comas nos contado t' de uln

sua cobiça pelo ouro ainda não estava satisfeita". limitações

relatando como as coisas pareceram ao personagem na

nhecido e contado, é comum não apenas nos contos tradicionais romances modernos, em que a escolha do que será realmente crucia[. As histórias focalizadas único personagem ocorrem que o narrador principalmente tanto

época ou como são percebidas mais tarde. A escolha da focalização de detetive,
64 Henry James

pora[ faz uma diferença enorme nos efeitos de uma narrativa. As histórias por exemplo,
843-1916).

relatam

apenas o que o focalizador
romancistas norte-americanos

sabia em
James
Knell'

através da consciência em primeira chamada

na narração

pessoa, l'lll
11;1

(J

Um dos mais importantes

da virada do século. Whor A1uisie

conta o que ele ou ela pensou ou observou, qU~lnlo pessoa, onde é freqüentemente 91

nos legou ainda um conjunto

de textos sobre teoria do romance.

reunidos

em Tlie Ar! (d'Ficrion.

é de 1897. (CU.)

narração em terceira

ele "polillJ

90

de vista limitado

de terceira pessoa", como em What Maisie Knew. A naratravés da qual ocorre a focalização os acontecimentos de histórias. são responsáveis ocultas dos proPode e o é

saber: queremos descobrir segredos, saber o final, encontrar o que impulsiona que a narrativa a narrativa é a ânsia "masculina" de desvelar a verdade ("a verdade nua"), então que talo nos oferece para satisfazer mento é ele próprio um efeito do desejo!? Os teóricos

a verdade. Se o desejo conhecimento

ração não confiável pode resultar de limitações do ponto de vista - quando percebemos que a consciência o fariam os leitores competentes incapaz de ou não está disposta a compreender como

de domínio,

esse desejo? Esse conhecifazem essas per-

Essas e outras variações na narração e focalização por determinar onisciente, tagonistas mentos, detalhando os sentimentos e as motivações

guntas sobre os vínculos entre desejo, histórias e conhecimento. Pois as histórias também têm a função, como enfatizam os teóricos, de nos ensinar sobre o mundo, nos mostrando como ele funciona, nos possibilitando - através dos estratagemas da focalização - ver as coisas de outros pontos de vista e entender oferecer a possibilidade os romances compensam as motivações
E.M.

o efeito global dos romances. Uma história com narração a respeito do desfecho dos acontecié compreensível. entre o que as pessoas pretendem

e exibindo conhecimento pode dar a impressão

de que o mundo

realçar, por exemplo, o contraste que inevitavelmente atropelado história contada

f

dos outros que, em

geral, são opacas para nós. O romancista de conhecimento

Forster';S observa que, ao a respeito dos outros,

ocorre ("Mal sabia ele que, duas horas depois, seria

perfeito

por um coche e todos os seus planos iriam dar em nada"). Uma do ponto de vista

nossa falta de clareza sobre os outros na vida

limitado de um único protagonista
do que acontece: como não

"real". Os personagens dos romances

pode realçar a completa acontecendo,

imprevisibilidade

sabemos o que os outros personagens estão pensando ou o que mais está tudo o que ocorre com esse personagem da narrativa pode ser uma surpelo presa. As complicações são ainda mais intensificadas

encaixe de histórias dentro de outras histórias, de modo que o ato de contar uma história se torna um acontecimento na história - um acontecimento cujas conseqüências e importância se tornam uma preocupação principal. Histórias dentro de histórias dentro de histórias. Os teóricos Capítulo inclui contam "valem tanto também discutem literárias a função das histórias. narrativa", quanto porque de história as histórias suas histórias estão Mencionei no 2 que os "textos de demonstração as narrativas umas às outras, circulam a pena". Os contadores uma categoria que que as pessoas são narráveis, evitando a

são pessoas cujas vidas secretas são visiveis ou poderiam ser visiveis: somos pessoas cujas vidas secretas são invisiveis. E é por isso que os r'Jmances, mesmo quando são sobre pessoas más, podem nos consolar; eles sugerem uma raça numana mais compreensivel e portanto mais administrável, podem nos dar a ilusão de perspicácia e de poder.
Através do conhecimento romances na tradição história ocidental
à

que apresentam,

as narrativas

policiam.

Os

mostram como as aspirações são domesrealidade social. Muitos Falam-nos romances são a e, desde o nossa de desejo, provocam

ticadas e os desejos, ajustados de ilusões juvenis desejo, traçam

esmagadas.

para nós os cenários do desejo heterossexual se é que vamos obtê-Ia,

sempre

século XVIII, trabalham verdadeira identidade,

cada vez mais para sugerir que obtenhamos nos instruem sujeitam

questão potencial, "E daí?" Mas o que faz com que uma história "valha a pena"? O que fazem as histórias? Primeiro, elas dão prazer - prazer, nos diz Aristóteles, imitação reviravolta, divertir da vida e de seu ritmo. O desenho narrativo como quando quem morde é mordido através da sua que produz uma essa função:

no amor, nas relações pesa acreditar essa idéia à

soais, em vez de na ação pública. Mas, enquanto que há algo como "estar apaixonado", desmistificação. Na medida em que nos tornamos de identificações (ver Capítulo poderoso de internalização também

ou vira-se a mesa, dá

quem somos através de uma série são um mecanismo

prazer em si mesmo e muitas narrativas

têm essencialmente

8), os romances

os ouvintes dando uma virada em situações familiares. da própria narrativa é

das normas sociais. Mas as narrativas também
Romancista. ensaÍsta e crítico literário inglês. é tirada autor de
c1""jhjl{'('/,I' 1\(1 ;Illn {(!\\'dl'dl'

O prazer da narrativa se vincula ao desejo. Os enredos falam do desejo e do que acontece com ele, mas o movimento impulsionado
65 Edward (1910)
e

Morgan

Forster

(1879- ] 970).

J

(1ItI
N(I\'I"! (N'!,)

pelo desejo sob a forma de "epistemofilia",
1)2

um desejo de

ele A Pas,wgr!

lu file/ia

(1914), seus romances

mais conhecidos.

A citação

o(lh(' d(" 11)1"1,

um livro que reúne conferências

dadas pelo autor na Universidade

de Cambridge

e publicaclas

I);~

fornecem

uma modalidade

de crítica

social.

Expõem

a vacuidade

do

sucesso mundano, a corrupção

do mundo, seu fracasso em satisfazer nosdos oprimidos, em a ver certas da narrativa é

I

sas mais nobres aspirações. Expõem a difícil situação

histórias que convidam os leitores, através da identificação, situações como intoleráveis. Finalmente, essa: a narrativa nhecimento tura retórica a questão básica para a teoria no domínio é uma forma fundamental de conhecimento

7

inguagem Performativa

(dando coé uma fonte

do mundo através de sua busca de sentido) que distorce tanto ou de ilusão? O conhecimento

ou é uma estru-

quanto revela? A narrativa

de conhecimento

que ela parece apresenManGC

tar é um conhecimento observa que, enquanto taria plantar cil realmente ficcionais. narrativas

que é o efeito do desejo? O teórico Paul de ninguém de posse de suas faculdades

mentais ten-

uvas aproveitando evitar conceber

a luz da palavra dia, achamos muito difínossas vidas pelos padrões das narrativas e consoladores tanto das Neste capítulo, vou ao encalço de um exemplo de "teoria" seguindo

Isso implica que os efeitos esclarecedores são ilusórios? a essas perguntas precisaríamos das narrativas

Para responder

de conheci-

um conceito que floresceu na teoria literária e cultural e cujos destinos ilustram a maneira como as idéias mudam à medida que são atraídas para o reino da "teoria". questões importantes O conceito O problema da linguagem "performativa" enfoca que dizem respeito ao sentido e aos efeitos da line a natureza do sujeito. no decênio de entre performativa J.L.
AustinG7•

mento do mundo que seja independente

quanto de alguma

base para considerar esse conhecimento mais autorizado do que o que as narrativas proporcionam. Mas se existe ou não esse conhecimento autorizado separado da narrativa é precisamente o que está em questão na pergunta a respeito de se a narrativa é ou não uma fonte de conhecimento ou de ilusão. Portanto, essa pergunta, rativacomo parece provável que não possamos responder a se é que, de fato, ela tem uma resposta. Ao invés disso, da nare retórica que produz a ilusão de perspicácia como retórimas mais

guagem e nos leva a questões sobre identidade de elocução britânico

foi desenvolvido

1950 pelo filósofo

Ele propôs uma distinção

duas espécies de elocuções:

as elocuções

constativas,

tais como "Jorge

devemos ficar nos movendo para lá e para cá entre a consciência uma estrutura um estudo da narrativa ca tem a estrutura inicial cede
à

prometeu vir", fazem uma afirmação, descrevem um estado de coisas e são verdadeiras ou falsas. As elocuções performativas não são verdadeiras ou falsas e realmente pagar-lhe" realizam a ação a que se referem. Dizer "Prometo um estado de coisas mas realizar o ato de não é descrever

como o principal tipo de busca de sentido à nossa é uma história em que nossa ilusão

disposição. Afinal de contas, mesmo a exposição da narrativa de uma narrativa: crua luz da verdade e emergimos

prometer; a elocução é ela própria o ato. Austin escreve que quando, numa cerimônia de casamento, o padre ou juiz pergunta: "Você aceita essa mulher como sua legitima esposa?" e eu respondo "Sim", não descrea ele." Quando digo "Sim", essa e1ocunem falsa. Pode ser adequada
OLl

mais tristes

sábios, desiludidos templamos

mas depurados. Paramos de dançar em círculos e con-

o segredo. Assim diz a história.

1

vo coisa alguma, eu faço algo. "Não estou fazendo um relato sobre um casamento: inadequada, estou me entregando dependendo ção performativa não é nem verdadeira

das circunstâncias;

pode ser "feliz" ou "infeliz",

67 10hl1 Langshaw

Austin

(1911-1960). da linguagem

Filósofo

britânico (N.T.)

mais conhecido

por sua an,-llise cio PCllS;lIlll'll!(l

11\111];11111

66 Paul de 1'\'1an (19] 9-]983). Expoente dos estudos literários norte-americanos. (N,T.) <)4

através

da an6.lise detalhada

cotidiana.

<);'5

na terminologia

de Austin. Se digo "Sim", posso não conseguir casar - se,

Os criticos afirmam tificativa

literários

adotaram

a noção da performativa literária

como algo faz tanto de

por exemplo, já for casado ou se a pessoa que está realizando a cerimônia não estiver autorizada a realizar casamentos nessa comunidade. A elocução "vai ser um tiro n'água", diz Austin. A elocução será infeliz - e o mesmo, sem dúvida, ocorrerá com a noiva ou noivo, ou talvez com ambos. As elocuçôes performativas designam.
É

que ajuda a caracterizar

o discurso literário.

Há muito tempo os teóricos fornece uma jus-

que devemos atentar lingüística

para o que a linguagem da performativa

quanto para o que ela diz e o conceito e filosófica

para essa idéia: há uma categoria

não descrevem mas realizam a ação que é a possibilidade prometo"; de acrescen"ao

ao pronunciar

essas palavras que prometo, dou ordens ou me

elocuções que, sobretudo, fazem algo. Como a performativa, a elocução literária não se refere a um estado anterior de coisas e não é verdadeira ou falsa. A elocução literária também cria o estado de coisas ao qual se cria personade Ulisses, de James Joyce,

caso. Um teste simples para a performativa proferir declaro essas palavras": "Por meio desta

tar "por meio desta" antes do verbo, em que por meio desta significa nossa independência"; certas palavras. entre performativa e constativa capta

refere, em diversos aspectos. Primeiro e mais simplemente, gens e sua's ações, por exemplo. O início

"Por meio desta

"Por meio desta lhe ordeno ..."; mas não

"Por meio desta ando até o centro". Não posso realizar o ato de andar pronunciando importante A distinção uma diferença

"Stately plump Buck Mulligan came from the stairhead bearing a bowl of lather on which a mirror and a razor lay crossed"GB,não se refere a algum estado anterior de coisas mas cria esse personagem criam idéias, conceitos, e essa situação. que colocam em Segundo, as obras literárias

entre os tipos de elocução e tem a grande virtude de nos alerrealiza ações ao invés de simplesVocê pode fazer uma pessoa do presente do Mas, medida que Austin leva adiante sUa explicação algumas dificuldades. que, na primeira listando

campo. La RochefoucauldG9

afirma que ninguém jamais teria pensado em

tar para o grau em que a linguagem mente relatá-Ias. da performativa, indicativo
à

se apaixonar se não tivesse lido a respeito disso nos livros e que a noção de amor romântico (e de sua centralidade na vida dos indivíduos) é discutivelmente uma sólida criação literária. a Madame 8ovary, Certamente, os próprios romances, culpam outros livros pelas idéias de Dom Quixote românticas.

ele encontra

lista de "verbos performativos" não pode definir a performativa

(prometo, ordeno, declaro). realizam a ação que designam. Mas os verbos que se comportam certas, você pode realizar o ato "Pare!" ao invés de "Por aparentemente amanhã, constatipode, nas parece que vai tornar-se

Em resumo, a performativa guagem anteriormente mundo, da linguagem, teratura literatura

traz para o centro do palco um uso da linmarginal - um uso ativo, criador do literária - e nos a A noção de li-

dessa maneira, porque, nas circunstâncias de ordenar que alguém

considerado

pare de gritar gritando que certamente

que se assemelha à linguagem como ato ou acontecimento. contribui

meio desta ordeno que você pare'~ A afirmação va "Vou pagar a você amanhã", verdadeira condições ou falsa, dependendo

ajuda a conceber a literatura como performativa

para uma defesa da literatura:

do que acontecer

não é uma pseudodeclaração que transformam

frívola mas assume seu lugar entre o mundo, criando as coisas que de uma segunda maneira. Em entre sentido e

certas, ser uma promessa a existência

de pagar a você, ao invés de uma implícitas", em que

descrição ou previsão como "ele vai pagar a você amanhã'~ Mas, uma vez que você permita quer elocução dessas "performativas performativo, elocução implícita. não há verbo explicitamente está em cima do capacho", do capacho", uma elocução você tem de admitir que qualA sentença "O gato básica, pode ser vista a

os atos de linguagem nomeiam. A performativa princípio intenção

se vincula à literatura

pelo menos, a performativa do falante, já pela minha intenção

rompe o vínculo

pode ser uma performativa

que o ato que realizo com minhas palavras não mas por convenções sociais e como

constativa

está determinado lingüísticas.
68 Na tradução

como a versão eliptica de "Por meio desta afirmo que o gato está em cima performativa que realiza o ato de afirmar que se refere. As elocuções constativas formativa. Isso se torna significativo
Y6

A elocução, insiste Austin, não deveria ser considerada
Houaiss: "Sobranceiro, um espelho Autor clássico fomido, Buck f\1ulligan Jamcs vinha do alto da escada.

de Antonio

comulll \';IS\l
Brasikil':l.
11111,1 I (1I11LI

também realizam ações - ações de num estágio posterior.

de barbear,

50breo

qual se cruzavam (1613-1680).

e uma navalha". francês,

Joyce,

Ulisses. Ed. Civilizaçao
expoente ela
múrilJ/(/.

declarar, afirmar, descrever e assim por diante. Vêm a ser um tipo de per-

2". cd .. Rio de Janeiro. 69 La Rochefollciluld literária francesa

1967. p. 3. (N.T.) tornou-se o principal áspera

de epigrama

que expressa,

de modo breve,

uma verdade

ou paradoxal.

97

o sinal samente.

exterior

de algum

ato interior

que ela representa adequadas,

verdadeira prometi,

ou falrealizei o

podem exemplo

ser repetidos ou uma

"não-seriamente" por exemplo. é essencial

mas também

seriamente,

como

um

Se digo

"Prometo" qualquer

em condições que seja a intenção literárias

citação, novas

Essa possibilidade

de ser repetida qual-

ato de prometer, no momento.

que possa ter tido são também como sendo

em mente

em circunstâncias

para a natureza de um modo

da linguagem; "não-sério" a uma

Como

as elocuções do autor

acontecimentos o que determina o

quer coisa que não pudesse linguagem física, mas alguma

ser repetida

não seria situação

em que a intenção sentido, o modelo

não é pensada parece

marca

inextricavelmente é básica funcionar regulares,

ligada

da performativa literária ou falsa, ser feliz

altamente

pertinente. elocução perforpara

A possibilidade em particular ou citações dissesse

de repetição só podem de fórmulas

para a linguagem se forem tais como

e as perforcomo (Se

Mas se a linguagem mativa uma não é verdadeira elocução literária Porum

é performativa mas feliz ou infeliz?

e uma

mativas versões o noivo

reconhecidas "Sim", "Prometo':

ou infeliz,

o que significa ser um

Isso mostra

questão para do

"OK" em vez de "Sim", performativa não

ele poderia poderia

não conseguir

se casar.) pergunou

complicada.

lado, interessa

felicidade
"My

pode ser apenas Confrontados eyes are

um outro com

nome

"Será que uma elocução ta Derrida,

ser bem-sucedida", uma forma

o que geralmente soneto

aos críticos. mistress's

a abertura like the

"se sua formulação em outras um barco

repetisse

"codificada"

de Shakespeare

nothing ou falsa,

sun"70,

iterável uma

[repetível], batizar

palavras,

se a fórmula

que profiro

para abrir

perguntamos como relação

não se essa elocução no resto versos. do

é verdadeira

mas o que faz, feliz em

reunião, como

ou realizar com um

um casamento modelo iterável, Austin

não fosse idense não fosse deixa de lado daquilo

se encaixa aos outros

poema

e se funciona ser uma dirige

de modo

tificável portanto como

estando

de acordo como

Essa poderia também

concepção

de felicidade. para as conou um poema elocução de um

identificável

uma espécie

de citação?" os casos geral"

Mas o modelo venções -

da performativa

nossa atenção

anômalos,

não-sérios

ou excepcionais

específicos

que possibilitam

a uma elocução digamos.

ser uma promessa A felicidade

que Derrida

chamou

de uma "iterabilidade

que deveria porque, os tipos

ser conside-

as convenções poderia,

do soneto, portanto,

de uma

rada uma lei da linguagem. signo, deve poder ser citado as "não-sérias': transmite discursivas

Geral e fundamental, e repetido em todos

para algo ser um de circunstâncias, no sentido de que

literária gênero. um tiro

envolver

sua relação consegue isso, quando

com as convenções

Ela cumpre n'água? literária

e desse modo Mas, mais que

ser um soneto,

ao invés de ser uma com-

inclusive

A linguagem

é performativa

poder-se-ia se torna obra quando impõe-nos

imaginar, literatura assim

não apenas de práticas

informação

mas realiza de fazer

atos através as coisas

de sua repetição estabelecidas. Isso

posição

é feliz

somente

plenamente, como uma a

ou de maneiras

ao ser publicada, aposta noção plexo se torna de literatura problema

lida e aceita uma aposta

como

uma

literária, é aceita.

será importante Derrida atos esfera como

para os destinos relaciona

posteriores a performativa atos

da performativa. com criam o problema algo novo, um ato geral tanto dos na

somente

Em resumo, sobre o comfuncione. quanentre casar, proferidas

também

como

performativa

a reflexão

que dão origem política quanto

ou inauguram, literária. Qual

que

do que ela é para momento adota chave

que uma

seqüência

literária

é a relação

entre

político, e as

O próximo

nos destinos de Austin. algo,

da performativa Austin como havia

chega

uma declaração literárias,

de independência, que tentam mas quanto inventar são

que cria uma nova situação, algo novo,

do Jacques performativas elocuções seriamente: poema. didas menta comuns"

Derrida

a noção

distinguido ou

elocuções e declarações Tanto

em atos que não são como as promessas? combinação para
SCI'

sérias "não-sérias': "Não devo

que

realizam

prometer a palavras

constativas político

performativas, dependem

Sua análise, estar

diz ele, se aplica por exemplo, felizes

o ato

o literário

de uma

brincando,

ou escrevendo

um

complexa,

paradoxal,

da performativa

e da constativa, referindo-se

em que,

Nossas como que

elocuções emitidas Austin

performativas,

ou não, devem comuns':

ser entenargu-

bem-sucedido, que o sucesso

o ato deve convencer, consiste em criar

a estados

de coisas

cm

sendo o que

em circunstâncias deixa de lado

Mas Derrida

a condição

à qual

se refere.

As OlJl";lS o

ao apelar

para

"circunstâncias de linguagem

literárias

afirmam

falar-nos

sobre o mundo,

mas, se são bem-sucedirJ;]e" que rCI;}\;lllI

são as inúmeras

maneiras

pelas quais

fragmentos

são através Algo

da criação

dos personagens nos atos

e acontecimentos inaugurais Unidos, da esfera

semelhante

está em ação

polílil';l.

Nd

70 "Os olhos de minha am3da não se parecem

com o sol."

(NT.)

"Declaração

da Independência"

dos Estados

por exemplo,

;1 ',('11

93

9l)

tença-chave

diz: "Nós portanto

... solenemente

tornamos

público e decla-

desloca o segredo do lugar de objeto afirmação formativa: tença constativa,

(Alguém sabe um segredo) paril o

ramos que essas colônias livres e independentes': re, mas, para sustentar constativa dentes é uma performativa

Unidas são e de direito

têm que ser estados

lugar de sujeito (O Segredo sabe). O poema mostra, desse modo, que sua que o segredo sabe, depende de uma suposição pera suposição que faz do segredo o sujeito que deve saber. A seno contraste entre constativa que afirma repre-

A declaração

de que esses são estados indepenacrescenta-se-Ihe a afirmação tamcrucial de um

que deve criar a nova realidade a que se refe-

essa afirmação,

diz que o Segredo sabe mas mostra que isso é uma suposição.
foi redefinido: a constativa é linguagem

de que eles têm que ser ser estados independentes. e a constativa surge claramente onde a dificuldade da linguagem. incluindo que Austin encontra em separar a performativa

Nesse estágio da história da performativa, e performativa formativa

A tensão entre a performativa bém na literatura, performativa do funcionamento quanto constativa, da constativa

sentar as coisas como elas são, nomear as coisas que já estão aqui, e a persão as operações retóricas, os atos de linguagem, que minam essa representar o que existe. Podemos idenafirmação impondo categorias lingüísticas, criando as coisas, organizando o mundo em lugar de simplesmente va e constativa. tificar aqui o que se chama de uma "aporia" entre a linguagem performatiUma "aporia" é o "impasse" de uma oscilação não resolvíque a linguagem funciona performativamente tal como não há maneira de vel, como quando a galinha depende do ovo e o ovo depende da galinha. A única maneira de afirmar para dar forma ao mundo é através de uma elocução constativa,

pode ser vista como uma característica Se cada elocução é tanto pelo menos uma afirmação harmoniosa implícita

estado de coisas e um ato lingüístico,

a relação entre o que uma elocução ou cooperativa. vamos voltar ao poema

diz e o que ela faz não é necessariamente

Para ver o que está envolvido na esfera literária, de Robert Frost, "The Secret Sits":

We dance round in a ring and suppose, But the Secret sits in the middle and knows.
Esse poema depende da oposição entre suposição e saber. Para explorar que atitude o poema adota em relação a essa oposição, que valores atribui a seus termos opostos, poderíamos perguntar se o próprio poema está na modalidade da suposição ou do saber. O poema supõe, como "nós" que dançamos em círculo, ou sabe, como o segredo? Poderíamos imaginar que, como um produto da imaginação co, proverbial, fazem parecer e sua confiante realmente muito humana, o poema seria um exemde que o segredo "sabe", o Assim, não é possível ter plo de suposição, um caso de dança em círculos, mas seu caráter gnômideclaração entendido.

"A linguagem dá forma ao mundo"; mas, inversamente, afirmar a transparência

constativa da linguagem exceto por um ato de fala. exibir as coisas como elas são; contudo, - que as afirmações de representar as

As proposições que realizam o ato de afirmar necessariamente afirmam não fazer nada a não ser simplesmente se você quer mostrar o contrário

coisas como elas realmente são impõem suas categorias sobre o mundo não há como fazer isso exceto através de afirmações a respeito do que é ou não é o caso. O argumento performativo surgimento filósofa O momento teoria feminista de que o ato de afirmar ou descrever é de fato éo na deve assumir a forma de afirmações constativas. mais recente dessa pequena história da performativa performativa do gênero e da sexualidade" e nos "gay and lesbian studies". A figura-chave de uma "teoria

aqui é a

certeza. Mas o que o poema nos mostra sobre o saber? Bem, o segredo, que é algo que se conhece ou não se conhece - portanto, saber - aqui se torna, por metonímia ficar a entidade, promove o objeto ou contigüidade, um objeto do e personique o sujeito de saber,

norte-americana Judith Butler, cujos livros Gender Trouble: Feminism and the Subversion of Identity (1990), Bodies that Matter (1993) e Excitable Speech: A Politics ofthe Speech Act (1997), exerceram grandc influência no campo dos estudos literários e no campo emergente na teoria e culturais, particularmente dos n;] dos "gay and lesbian studies'~ () pela vanguarda
"CF1Y

o que sabe e não o que é ou não é sabido. Ao usar a maiúscula do conhecimento
à

o Segredo, o poema realiza uma operação retórica posição de sujeito. pode produzir retórica

teoria feminista, studies", políticos devolve
à

Mostra-nos, o conhecedor, que

nome "Queer Theory" foi adotado recentemente cujo trabalho para liberação cultural

desse modo, que uma suposição pode transformar

se vincula

aos movimento',
rwlYlt'
('tIl"()f1

o segredo num sujeito, num personagem desse pequeno por um ato de suposição,

dos "gays': Ela adota como seu próprio mais comum que os homossexuais 101

('

drama. O segredo que sabe é produzido 100

sociedade o insulto

tram, o epíteto "Queer!"71 A aposta é que a ostentação mudar seu sentido ativistas e fazer dele uma insígnia está imitando honrosa a tática insulto. Aqui um projeto teórico mais visíveis envolvidas

desse nome pode ao invés de um dos organizações

Isso não significa

que o gênero é uma escolha, um papel que você ao gênero, que escolhe, ao

veste, como escolhe roupas para vestir pela manhã. Isso sugeriria que há um sujeito não marcado pelo gênero, anterior passo que, de fato, ser um sujeito é ser marcado pelo gênero: você não pode, nesse regime de gênero, ser uma pessoa sem ser homem ou mulher. "Sujeito Butler ao gênero mas subjetivado em Bodies that Matter, [feito sujeito] pelo gênero", escreve de e como pensar a por a repeo sujeito "o "eu" nem precede nem se segue ao

na luta contra a AIOS - o grupo ACT-UP, usa slogans como "We are here,

por exemplo, que em suas manifestações we are queer, get used to it!"72 textos feministas norte-americanos, feminina,

Gender Trouble, de Butler, trava discussão com a noção, comum nos
de que uma política feminista de características exige uma noção de identidade mulheres compartilham identidade essenciais que as a elas interesses da o resul-

processo de atribuição matriz das próprias performatividade tição compulsória

de gênero, mas surge apenas no interior

relações de gênero". Tampouco dever-se-ia é a "prática reiterativa e citacional",

como mulheres e que conferem

do gênero como

um ato singular, algo conseguido

e metas comuns. Para Butler, ao contrário, são produções culturais

as categorias fundamentais

um único ato; ao contrário,

e sociais, mais provavelmente

de normas de gênero que animam e limitam

tado da cooperação
criam o efeito (definições que eu me sinta

política do que sua condição de possibilidade. Elas do natural (lembre-se de Aretha Franklin: "Você faz com como uma mufher natural") e, impondo normas o

marcado pelo gênero mas que são também

os recursos a partir dos quais

são forjados a resistência, as subversões e os deslocamentos. Desse ponto de vista, a elocução "É uma menina!" ou "É um menino!" pela qual um bebê é, tradicionalmente, menos uma elocução o sujeito repetição importante constativa saudado quando vem ao mundo, é ou falsa, de acordo com a que criam inicia um de da menina (verdadeira

do que é ser uma mulher), ameaçam excluir aquelas que não no sentido de que não se é o que se é mas o não é o que ele é mas algo que ele faz, uma pelo ato de prometer. Você se torna habituais um de de se

estão de acordo. Em Gender Trouble, Butler propõe que consideremos gênero como performativo, que se faz. Um homem condição que uma promessa Austin, dependem

situação) do que a primeira de uma longa série de performativas cuja chegada compulsória anunciam. A nomeação processo contínuo de formação

que ele encena. Seu gênero é criado pelos seus atos, do modo é criada

da menina, através de uma "tarefa"

de normas de gênero, "a citação forçosa de uma

homem ou uma mulher por atos repetidos, que, como as performativas das convenções sociais, das maneiras

norma': Ser um sujeito é receber essa tarefa de repetição, mas - e isso é para Butler - uma tarefa que nunca realizamos completamente de modo que nunca habitamos completade acordo com a expectativa,

fazer algo numa cultura. Assim como há maneiras regulares, socialmente estabelecidas de prometer, fazer uma aposta, dar ordens e casar, há maneiras socialmente estabelecidas de ser homem ou mulher.
o

mente as normas ou idéias de gênero de que somos obrigados a nos aproximar. Nessa lacuna, nas diferentes maneiras de realizar a "tarefa" de

f

gênero, residem possibilidades

de resistência e mudança.

00

~8

~-~" ° &~ ~,~,~
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0° 8°
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o o

A ênfase recai aqui na maneira como a força performativa da linguagem vem da repetição de normas anteriores, de atos anteriores. Assim, a força do

)
;;:':;: li'

insulto "Bicha!" vem não da intenção ou autoridade do falante, que é muito provavelmente algum idiota desconhecido da vítima, mas do fato de que o grito "Bicha!" repete insultos gritados do passado, interpelações ou atos de exórdio que produzem o sujeito homossexual através do opróbio reiterado ou da abjeção (a abjeção envolve tratar algo como tendo passado dos limites: "tudo menos isso!"). Butler escreve:

~J ~lt))(f
71 "Estamos aqui. somos bichas,

~::

I()

~

"O da esquerda

é uma gracinha."
Refere~se_ em geral. ao homossexual masculino. (N.T.)

71 Gíria qu~ pode: ser traduzida como "bicha" ou '\·jado",

acostume~se!" (N.T.)

"Bicha" deriva sua força precisamente
102 1 O:~

através da invocação repetido ...

pela qual um vínculo social entre comunidades homofóbicas se forma ao longo do tempo. A interpelação ecoa interpelações passadas e liga os falantes, como se falassem em uníssono através do tempo. Nesse sentido, é sempre um coro imaginário que vitupera "bicha!"

fórmula

numa única ocasião faz algo acontecer (você fez uma promessa). que

Para Butler, esse é um caso especial de repetição maciça e obrigatória produz realidades históricas Essa diferença, acontecimento literário, e sociais (você se torna uma mulher).

de fato, nos leva de volta ao problema da natureza do em que há também duas maneiras de pensá-Io realiza um Podemos dizer que a obra literária

o

~
que confere ao insuto sua força performativa não é a própria mas o fato de que ele é reconhecido é o porta-voz como estando de acordo e trabaÉ

como sendo performativo.

repetição

ato singular, específico. Ela cria aquela realidade que é a obra, e suas sen-

com um modelo, com uma norma, e se liga a uma história de exclusão. A elocução implica que o falante lha para constituir tam uma história do que é "normal" o destinatário como tendo passado dos limites. especial e malignidade a a

~.
.• 1· i<:'

tenças realizam algo em particular tentar especificar se pode tentar explicitar

naquela obra. Para cada obra, pode-se num ato específico de

o que ela e suas partes realizam, da mesma maneira que o que é prometido dizer, é a versão austiniana do acontecimen-

repetição, a citação de uma fórmula

que se vincula a normas que susten-

iil-~

li~t~

de opressão, que dá força

promessa. Isso, poder-se-ia to literário.

insultos de outra maneira banais como "preto" ou "judeu". Eles acumulam a força da autoridade práticas autorizadas, todos os vitupérios através da repetição ou citação de um conjunto anteriores, falando de como se fosse com a voz de

:f'':f I,~\

Mas, por outro lado, também poderíamos dizer que uma obra é bemsucedida, se toma um acontecimento, através de uma repetição maciça que adota normas e, possivelmente, muda coisas. Se um romance acontece, isso ocorre porque, em sua singularidade, ele inspira uma paixão que dá vida a essas formas, em atos de leitura e rememoração, repetindo sua inflexão das convenções do romance e, talvez, efetuando uma alteração nas normas ou nas formas através das quais os leitores vão confrontar o mundo. Um poema pode muito bem desaparecer sem deixar vestígio, mas também pode ser rastreado na memória e dar origem a atos de repetição. Sua performatividade não é um ato singular realizado de uma vez por todas, mas uma repetição que dá vida às formas que ele repete. O conceito de performativa, na história que delineei, reúne uma série de questões que são cruciais para a "teoria". Deixe-me listá-Ias: Primeiro, como pensar o papel conformador limitá-Ia confiança guagem, a certos atos específicos, o que ela faz, ou tentamos à medida que ela organiza quando da linguagem: tentamos

':;'/ t'"
I:Y~T

do passado. com o passado implica a possibilidade opressiva, como na adoção de peso histórico e estão do

Mas o vínculo da performativa

de desviar ou redirecionar o peso do passado, tentando captar e redirecionar os termos que carregam uma significação escolher "Bicha" pelos próprios homossexuais. Não é que você se torna autônomo ao seu nome: os nomes sempre carregam sujeitos aos usos que os outros farão deles no futuro. Você não pode controlar os termos que escolhe para se nomear. Mas o caráter histórico processo performativo dessa história filósofos é muito cria a possibilidade de uma luta política. entre o início e o final da linguagem (provisório) por grande. Para Austin, o conceito de performativa negligenciado Agora, é óbvio que a distância

ajuda a pensar um aspecto específico anteriores; sociais cruciais em que uma quantidade natureza da identidade "agência": responsável normas sociais; (3) o problema em que medida

para Butler, é um modelo para se pensar os processos de questões está em jogo: (1) a (2) o funcionamento das de e do que hoje chamamos e como ela é produzida; fundamental

pensamos

poder dizer com com o mundo?

medir os efeitos mais amplos da linnossos encontros

e sob que condições

posso ser um sujeito

Segundo, como deveríamos conceber a relação entre as convenções sociais e os atos individuais? É tentador, mas demasiado simples, imaginar que as convenções sociais são como a paisagem ou o pano de fundo contra o qual decidimos
,

que escolhe meus atos; e (4) a relação entre o indivíduo

mudança social. Há, desse modo, uma grande diferença entre o que está em jogo para Austin e para Butler. E eles parecem ter principalmente de atos. Austin está interessado 104 em vista tipos
'~.;~. 11

como agir. As teorias da performativa de possibilidade

oferecem

explicações melhores do emaranhamento sentando as convenções como a condição

entre norma e ação, quer aprc dos aconll'l"i

diferentes

em como a repetição de uma

mentos, como em Austin, ou então, como em Butler, vendo a aç,io ('IIII\()

10i)

r

repetição obrigatória,

que pode no entanto desviar-se das normas. A liteexige uma expli-

ratura, que deve "renovar" num espaço de convenção, cação performativa de norma e acontecimento. Terceiro, como deveríamos conceber a relação

entre o que a linpode

guagem faz e o que diz? Esse é o problema básico da performativa:

haver uma fusão harmoniosa entre fazer e dizer ou há aqui uma tensão inevitável que governa e complica toda a atividade textual? Finalmente, tecimento? como, nessa era pós-moderna, lugar comum deveríamos pensar o acon-

8

dentidade, Identificação e o Sujeito

Tornou-se

nos Estados Unidos, por exemplo,

nessa era dos meios de comunicação de massa, dizer que o que acontece na televisão "acontece e ponto final", é um acontecimento real. Quer a imagem corresponda é um acontecimento vezes cruamente ato, pode oferecer de modo geral. a uma realidade ou não, o acontecimento mais sofisticada mediático genuíno a ser considerado. O modelo da performatide questões que são muitas das fronteiras da literatura entre como Muitos dos debates teóricos recentes dizem respeito
à

va oferece uma explicação afirmadas

como um embaçamento literário,

fato e ficção. E o problema do acontecimento

um modelo para pensar os acontecimentos

culturais,

identidade

e

à

função do sujeito ou eu. O que é esse "eu" que sou - pessoa, agente ou ator, eu - e que faz com que ele seja o que é? Duas perguntas básicas subjazem ao pensamento mos individuais individual, moderno sobre esse tópico: primeiro, o eu é algo em terdado ou é algo construido básicas do pensamento e, segundo, ele deveria ser concebido optando

ou sociais? Essas duas oposições geram quatro vertentes moderno. A primeira, pelo dado e pelo expresso (ou não o dado e o social, sociais: você e

trata o eu como algo interno e singular, algo que é anterior aos que é variadamente

atos que realiza, um âmago interior enfatiza que o eu é determinado

expresso) em palavras e atos. A segunda, combinando é homem ou mulher, branco ou negro, britânico

por suas origens e atributos

ou norte-americano,

assim por diante, e esses são fatos primários, dados do sujeito ou eu. A terceira, combinando o individual e o construído, enfatiza a natureza cambiante de um eu que se torna o que é através de seus atos específia combinação do social e do construido enfatiza que me cos. Finalmente,

torno o que sou através das variadas posições de sujeito que ocupo, como patrão e não empregado, A tradição vidualidade do indivíduo rico e não pobre. no estudo da literatura trata a indiCI1\

moderna dominante

como algo dado, um âmago que é expresso

palavras e atos e que pode, portanto, 106

ser usado para explicar a <1\,"~o: li; o

107

que fiz porque ria olhar para e atos

sou quem o "eu"

sou e para explicar (quer consciente A "teoria" tem ou

o que fiz ou disse você deveinconsciente) contestado funcionam sujeito. não que minhas esse um

histórias rotulado se salvar

dão como

respostas "multiforme"

diferentes

e complexas.

Na

Odisséia, Ulisses
em suas lutas para ítaca nova-

é

(po/ytropos)
de bordo

mas se define e para voltar luta

para

palavras modelo sujeito escreve,

expressam.

apenas

e a seus companheiros Em Madame em

de expressão, anterior, "as mas

em que atos ou palavras a prioridade do próprio

expressando Michel

Foucault

pesquisas

da psicanálise, em relação de suas

da lingüística,

da antropologia às formas

I
i
'I
~I :1

mente.

8ovary, de Flaubert,
a suas leituras

Emma

para se definir e a seus

(ou "se

encontrar") banais. As obras como

relação

românticas

arredores

"descentralizaram" de sua mítico linguagem, e imaginativo".

o sujeito às regras

às leis de seu desejo, ou ao jogo

literárias

oferecem

uma

gama

de modelos

implícitos

de

ações,

de seu discurso e ação são

se forma

a identidade.

Há narrativas

em que a identidade o filho de um rei criado se torna

é essenpor pas-

Se as possibilidades

de pensamento

cialmente tores

determinada

pelo nascimento:

determinadas ao menos

por uma série de sistemas então o sujeito

que o sujeito

não controla

e nem

é ainda

fundamentalmente é descoberta. as mudanças pessoais

um rei e por direito Em outras narrativas,

rei quando mudam se

compreende,

está "descentralizado", nos referimos

no sentido os

sua identidade de acordo baseia com

os personagens ou então durante

de que não é uma fonte acontecimentos. canálise duto trata

ou centro formado

ao qual

para explicar

em seus destinos, que são reveladas

a identidade as atribulações

Ele é algo o sujeito

por essas forças. singular

Desse modo, mas como

a psio pro-

em qualidades

não como psíquicos,

uma essência

de Uma vida. A explosão campo da recente literários teorização sobre raça, gênero e sexualidade no for-

de mecanismos marxista com

sexuais como

e lingüísticos

que se entrecruzam. pela posição de classe: de ousocial-

A teoria

vê o sujeito o trabalho

determinado ou trabalha

dos estudos ricos

deve muito

ao fato

de que a literatura políticas

ou ele lucra trem. mente "Queer através A teoria

de outrem

para

o lucro

nece materiais acerca tidade. algo do papel

para complicar

as explicações desempenham

e sociológicas da idendado ou

feminista

enfatiza

o impacto de fazer o sujeito

dos papéis

de gênero

que esses fatores a questão Não apenas

na construção do sujeito estão é algo

construídos Theory"

no processo argumenta que

o sujeito

o que

ele ou ela é. A é construído

Considere construído.

de se a identidade ambas as opções

heterossexual

amplamente

represão fre-

da repressão

da possibilidade

do homossexualismo. o que sou pelas circunsdo indivíduo e minha

sentadas

na literatura, expostos como

mas as complicações para nós, como

ou enredamentos comum quem (digamos,

A questão tâncias? identidade o "sujeito", impostas co-chave: coisas, Qual

do sujeito é a relação membro agente

é "o que sou?" Sou feito entre a individualidade

qüentemente sonagens, revelação mento). velando, é

no enredo

em que os perda

costumamos a respeito

dizer, "descobrem" de seu passado

são, não através sobre

como

de um grupo? que faz

E em que medida ao invés

o "eu" que sou, de ter escolhas teórique faz

de algo mas agindo em algum

seu nascise re-

é um

escolhas

de tal maneira sentido,

que eles se tornam

o que acaba

a ele ou ela? A palavra o sujeito como é um ator

sujeito já encapsula
ou agente, uma sentença". Mas

esse problema livre

ter sido sua "natureza". de se tornar o que supostamente como uma recente, mulher já

subjetividade um sujeito

Essa estrutura, era (como surgiu do em Aretha

em que você tem Franklin passa

no "sujeito

de uma

também

a se sentir

natural), esta-

sujeitado,
"sujeito sujeito

determinado,

"o leal súdito A teoria

de sua Majestade, se inclina

a Rainha",

ou o

como ação

um paradoxo o tempo

ou aporia todo nas

para a teoria narrativas. sugerindo existiu, em

mas tem

de um experimento': é estar sujeitado sempre esboçam

a argumentar sexual,

que ser um lingüístico). e as

Os romances

ocidentais de o

a vários

regimes

(psicossocial, com questões

reforçam encontros tempo,

a noção

de um eu essencial, com o mundo

que o eu que emerge algum sentido, todo

A literatura obras literárias

se preocupou respostas,

de identidade

dolorosos

implícita

ou explicitamente, seguiu os destinos

para essas dos percomsociais

como

base das ações que, da perspectiva fundamental com dos personagens

dos leitores, como

cria esse eu. o resultado de

questões. sonagens binações que agem

A literatura à medida

narrativa

especialmente

A identidade ações, sendo

emerge

que eles se definem pelas escolhas

e são definidos que fazem

por diversas forças

de lutas

o mundo,

mas aí essa identidade dessas ações. como

é postulada

como

de seu passado, sobre

e pelas

a base, até mesmo parte da teoria

a causa recente

eles. Os personagens

fazem seus destino 103

ou o sofrem? As

Grande

pode ser vista

uma

tenl<iliv;1

d('

109

pôr em ordem os paradoxos que muitas vezes informam

o tratamento

da

As obras literárias

encorajam

a identificação

com os personagens,

mos-

identidade na literatura. As obras literárias caracteristicamente tam indivíduos, de modo que as lutas a respeito da identidade

represensão lutas

trando as coisas do seu ponto de vista. Os poemas e os romances se dirigem identificação, e a identificação namos quem somos nos identificando a nós de maneiras que exigem nos torfu nciona para criar identidade:

no interior do indivíduo e entre o indivíduo e o grupo: os personagens lutam contra ou agem de acordo com as normas e expectativas sociais. Entretanto, nos textos teóricos, os argumentos sobre a identidade literárias social tendem a enfocar as identidades mações críticas ou teóricas. de grupo: o que significa O poder ser mulher? ser e as afirliterárias

com as figuras sobre as quais lemos.

negro? Desse modo, há tensões entre as sondagens

das representações

I··
íl ~I
~;
~)

Há muito tem po se eu Ipa a Iiteratu ra por encorajar os jovens a se ver como personagens de romances e a buscar realização de modos análogos: fugir de casa para experimentar cia pelo mundo a vida da metrópole, experimentado, esposando os valores de ou transformando suas heróis e heroínas ao se revoltar contra os mais velhos e sentindo repugnânantes de tê-Io vidas numa busca do amor e tentando mos de identificação. trário, que a literatura reproduzir os cenários dos romances corrompe através de mecanis-

depende, sugeri no Capítulo 2, de sua combinação especial de singularidade e exemplaridade: os leitores encontram retratos concretos do Príncipe Hamlet, ou de Jane Eyre, ou de Huckleberry Finn e, com eles, a suposição de que os problemas desses personagens são exemplares. Mas exemplares de quê? Os romances não dizem. São os críticos ou teóricos que têm de pegar a questão da exemplaridade e nos dizer que grupo ou classe de pessoas o personagem representa: a condição de Hamlet é "universal"? A situação de Jane Eyre é a das mulheres em geral? Os tratamentos comparação teóricos da identidade podem parecer redutores em com as sondagens sutis dos romances, das afirmações que são capazes de casos singu-

fi

e poemas de amor. Diz-se que a literatura nos transforme identidades

Os paladinos da educação literária esperam, ao conem pessoas melhores através da que já existem ou as produz? Esse 1, inventada por práticas disargu-

experiência vicária e dos mecanismos de identificação. O discurso representa é um problema teórico trata "o homossexual" importante. Foucault, como vimos no Capítulo Nancy Armstrong moderno",

como uma identidade

cursivas no século XIX. A crítica norte-americana menta que os romances e livros de conduta como se comportar primeiro - produziram lugar uma mulher. O indivíduo "o indivíduo

lidar com o problema

gerais apresentando

do século XVIII - livros sobre que era em

lares, ao mesmo tempo em que se apóiam numa força generalizadora que é deixada implícita - talvez sejamos todos Édipo, ou Hamlet, ou Madame Bovary ou Janie Starks. Quando os romances se preocupam dades de grupo - o que significa qüentemente exploram como as exigências da identidade com identide grupo ser mulher, ou filho da burguesia - fre-

moderno, nesse sentido, é uma

pessoa cuja identidade

e valor são pensados como vindo de sentimentos

e qualidades pessoais e não de seu lugar na hierarquia social. Essa é uma identidade obtida através do amor e centrada na esfera doméstica e não na sociedade. dadeiro Essa noção transformou-se em moeda corrente - o ver-

restringem as possibilidades individuais. Os teóricos, portanto, argumentam que os romances, ao fazer da individualidade do indivíduo seu foco central, constroem uma ideologia da identidade individual cujo descuido

eu é aquele que você encontra

através do amor e através das

das questões sociais mais amplas os críticos deveriam questionar. O problema de Emma Bovary, você pode argumentar, não é sua insensatez ou sua fascinação por aventuras em sua sociedade. amorosas mas a situação geral da mulher

relações com a família e os amigos - mas começa nos séculos XVIII e XIX como uma idéia sobre a identidade das mulheres e só mais tarde é estendida aos homens. Armstrong estendido mentos e virtudes afirma que esse conceito é desenvolvido é sustentJe

pelos romances e pelos outros discursos que defendem privadas. Hoje, esse conceito de identidade

senti-

A literatura não apenas fez da identidade um tema; ela desempenhou um papel significativo na construção da identidade dos leitores. O valor da literatura há muito tempo foi vinculado às experiências vicárias dos

do pelos filmes, pela televisão e por uma ampla gama de discursos, cujo~ cenários nos dizem o que é ser uma pessoa, um homem ou uma mulher", A teoria recente, na realidade, tornou substancial estava implícito sendo formada nas discussões da literatura por um processo de identificação. 111 o que muitas Vl'/(",
('01110

leitores, possibilitando-Ihes saber como é estar em situações específicas e desse modo conseguir a disposição para agir e sentir de certas maneiras. 11 ()

ao tratar a identidade

Para Freud, a i(!t'llliii

cação é um processo psicológico outro e é transformado, série de identificações. identificação ja, como se imitássemos com o pai e deseja a mãe.

no qual o sujeito assimila um aspecto do de acordo com o modepor uma sexual é uma ou o eu é constituído

é a fonte do desejo. Isso combina com os cenários nos romances em que, como argumentam René Girard e Eve Sedgwick, o desejo nasce da identio desejo masculino heterossexual de seu desejo. oprimidos ou flui da identifificação e da rivalidade: A identificação marginalizados,

inteira ou parcialmente,

lo que o outro fornece. A personalidade

Desse modo, a base da identidade

cação do herói com um rival e da imitação

com o pai ou a mãe: desejamos como o pai ou a mãe deseo desejo do pai ou da mãe e nos tornássemos de Édipo, o menino se identifica

rivais pelo objeto amado. No complexo

As teorias psicanalíticas de formação da identidade que surgiram posteriormente debatem a melhor maneira de refletir sobre o mecanismo da identificação. A explicação de Jacques Lacan73 para o que ele chama de no momento em que a inteira,
à

I
§
°1

I

também

desempenha um papel na produção de idenestimulam a identificação com um grupo

tidades de grupo. Para os membros de grupos historicamente as histórias potencial e trabalham intensamente

no sentido de fazer do grupo um grupo, mostrandoe a utilidade política de diferentes con-

Ihes quem ou o que poderiam ser. O debate teórico nessa área enfoca mais a conveniência cepções de identidade: grupo compartilham, opressivas, restritivas deve haver algo essencial que os membros de um se for para eles funcionarem e objetáveis? Muitas como um grupo? Ou as ser mulher, ou ser negro, ou ser gay são vezes o debate foi lançado entre uma noção de identidade

"estádio do espelho" situa os inícios da identidade criança se identifica como ela quer ser. O eu é constituído A identidade completadas. um malogro; é o produto Em última

com sua imagem no espelho, percebendo-se pelo reflexo que é devolvido

afirmações sobre o que significa

crian-

ça: por um espelho, pela mãe e por outrem nas relações sociais em geral. de uma série de identificações instância, a psicanálise alegremente parciais, nunca a lição que é reafirma

como uma briga sobre "essencialismo":

como algo dado, uma origem, e uma noção de identidade como algo sempre em processo, que nasce através de alianças e oposições contingentes (um povo oprimido A principal exigências política ganha identidade a partir da oposição ao opressor). das da em (de uma pessoa ou grupo) e as Como as premências absorvem teórica ou entram sólidas para mulheres, ou e de um sujeito divie também prática quer os grupos marginalizacríticas questão pode ser: qual é a relação entre as críticas de identidade da identidade? por exemplo, questão

poderíamos tirar dos romances mais sérios e célebres: que a identidade que não nos tornamos que a internalização

homens ou mulheres, resistência

das normas sociais (que os sociólogos teorizam como sempre encontra não nos tornamos quem supostano papel que

concepções essencialistas emancipatória,

algo que acontece suave e inexoravelmente) e, em última análise, não funciona: mente somos. Recentemente, fundamental os teóricos

psíquicas e políticas

que busca identidades

negros, ou para os irlandeses, Borch-Jakobsen argumenta dido? Isso se torna porque os problemas

deram ainda mais uma torcida Mikkel

choque com as noções psicanalíticas uma importante encontrados

do inconsciente

da identificação.

parecem semelhantes,

o desejo
do

(o sujeito desejante] não vem em primeiro lugar, para sersegui-

em questão sejam definidos

por nacionalidade,

raça, gênero, preferência

por uma identificação que permitiria que o desejo fosse realizado. O que vem em primeiro lugar é uma tendência à identificação, uma tendência primordial que, dai, dá origem a um desejo ...; a identificação cria o sujeito desejoso, não o inverso.
No modelo anterior, o desejo é o limite; o desejo e a identificação
73 Lacan (190] -1981). Sigmund Psicanalista

sexual, língua, classe ou religião. Para grupos historicamente demonstram a ilegitimidade

dos, há dois processos em curso: por um lado, as investigações sexual, gênero ou características cas essencialmente definidoras imputação de identidade morfológicas da identidade

de tomar certos traços, tais como orientação visíveis, como característide grupo, e refutam a

aqui a identificação

precede

essencial para todos os membros de um grupo identidades impostas médicos e

com outrem envolve imitação
Os seminários c ensaios

ou rivalidade que
uma reinterpretação O pensamento (N.T.) de de

caracterizado

por gênero, classe, raça, religião, sexualidade ou nacionali-

dade. Por outro lado, os grupos podem transformar
francês. de Lacan promoveram Frcud, especialmente no que diz respeito ao tratamento dado por Freud ao inconsciente. e da
dcscol1struçao.

a eles em recursos para aquele grupo. Foucault observa, em A História da

Lacan desempenhou

papel importante

nas formulações

do pós-estruturalismo

Sexualidade,

que o surgimento,

no século XIX, de discursos 11 :~

11 :2

psiquiátricos viante facilitou

que definiam o controle

os homossexuais

como uma categoria tornou

des-

Uma fonte de confusão é um pressuposto que muitas vezes estrutura () debate nessa área, o de que as divisões internas maneira excluem a possibilidade resposta simples poderia de "agência", ser que aqueles no sujeito de alguma de ação responsável. Uma mais ênfase na mudarão consehá duas

social, mas também

possível "a for-

mação de um discurso "inverso":

a homossexualidade

começou a falar em

seu próprio nome, a exigir que sua legitimidade ou "naturalidade" fosse reconhecida, muitas vezes no mesmo vocabulário, usando as mesmas categorias pelas quais era medicamente que ela encapsula desqualificada", crucial e inevitável são as tena "sentido"). - marxismo, e o - revelam O que torna o problema da identidade sões e conflitos psicanálise, dificuldades semelhantes. mente sujeito

que exigem

agência querem que as teorias digam que as ações deliberadas o mundo e são frustrados qüências ceituação não intencionais

pelo fato de que isso pode não ser verdade. Não ao invés de intencionais? Mas

vivemos num mundo em que é mais provável que os atos tenham respostas mais complexas. da identidade da abre possibilidades

(nisso se assemelha

Trabalhos na área da teoria que vêm de direções diferentes estudos culturais, envolvendo feminismo, estudo da identidade em sociedades coloniais a identidade e pós-coloniais

Primeiro, como explica Judith Butler, "a reconque são insidiosamente excluídas

"gay and lesbian studies", que parecem digamos estruturalmente transformados

como um efeito, isto é, como produzida ou gerade "agência" como fundacompulsória, de variaSegundo, as no sentido de "o sujeito se de

Quer, com Louis Althusser, ou saudados

que somos "culturalem

pelas posições que consideram as categorias da identidade cionais e fixas'~ Falando de gênero como uma performance ção na repetição limitar que carregam sentido e a agência. e criam identidade. Se o sujeito

interpelados"

como um sujeito,

Butler situa a agência nas variações da ação, nas possibilidades concepções tradicionais a responsabilidade consciente", do sujeito na realidade trabalham

por se dirigirem

a nós como ocupantes

de uma certa posição ou pelo reconhecimento diferentes equipelas do colo-

papel; ou quer enfatizemos, vocado

com a psicanálise, o papel de um "estádio do quer, com Stuart Hall, definamos nas, narrativas

espelho" no qual o sujeito adquire identidade de si mesmo numa imagem; identidades

significa

então você pode alegar inocência, conscientemente Se, ao contrário, A ênfase

negar responsabilidade, as conseqüências

como "os nomes que damos às maneiras pelas, e nos posicionamos

você não escolheu inconsciente

ou pretendeu

quais somos posicionados nial e pós-colonial, a identidade comum. primeiro

um ato que cometeu. pode ser ampliada. posições de sujeito pelos acontecimentos

sua concepção de sujeito do inconsciente

inclui o ou nas

passado"; ou quer enfatizemos, a construção

como nos estudos de subjetividade

e as posições de sujeito que você ocupa, a responsabilidade nas estruturas que você não escolhe chama você à responsabilidade e estruturas na sua vida - de racismo ou sexismo, A noção ampliada derivada das

de um sujeito dividido através do embate quer, com Judith Butler, vejamos algo como um mecanismo não apenas coloca em outras; toma uma difeentre os indiví"efemi-

de discursos e exigências contraditórios; heterossexual bilidade de desejo homoerótico, O processo de formação plano algumas diferenças

como estando baseada na repressão da possiencontramos da identidade e negligencia

por exemplo - que você não pretendeu explicitamente. concepções tradicionais de sujeito. O "eu" escolhe livremente ou é determinado

de sujeito combate a restrição de agência e responsabilidade

rença ou divisão interna e a projeta como uma diferença duos ou grupos. "Ser homem", nação" ou fraqueza e projetar mulheres. diferença produzidos também Uma diferença isso como uma diferença

em suas escolhas? O filó-

como dizemos, é negar qualquer

sofo Anthony Appiah observa que esse debate sobre agência e posição do sujeito envolve dois níveis diferentes em competição, exceto pelo fato de teoria que não estão realmente nos ocupar de de que não podemos

entre homens e

no interior de é negada e projetada como uma
numa gama de campos parecem estar das maneiras pelas quais os sujeitos são ainda que inevitáveis, conferir de poderes mas aos indiví-

entre. Muitos trabalhos
em sua investigação por postulações

ambos ao mesmo tempo. A discussão sobre agência e escolha nasce dI' nossa preocupação quem atribuímos em viver vidas inteligíveis crenças e intenções. entre outras pesso,ls, d dt, A discussão sobre posiç(i('s figlH;nll

convergindo

não autorizadas,

unidade e identidade,

que podem estrategicamente e posicionamentos 114

sujeito que determinam socialmente

a ação vem de nosso interesse em compn'('lllit't nos quais os indivíduos l'Illtll) Alguns dos conflitos 11;) mais ferozes tI;1 i('(lIid

criam lacunas entre a identidade

ou papel atribuído variados

os processos sociais e históricos, determinados.

duos e os acontecimentos

de suas vidas.

contemporânea

surgem quando

as afirmações

sobre os indivíduos

en-

por todas, o que é o sentido: quanto os fatores de intenção, e contexto contribuem, ria não nos diz se a poesia é uma vocação transcendente terminando um capítulo invocando

texto, leitlJl

quanto agentes e as afirmações estudos de identidade

sobre o poder das estruturas sociais e discausais que competem entre si. Nos por exem(o

cada um, para uma soma que é o sentido. A teoou um truque

cursivas são vistas como explicações

nas sociedades coloniais e pós-coloniais,

retórico ou quanto ela é um pouco de cada coisa. Repetidas vezes, me vi uma tensão entre os fatores ou persque é preciso ir ao encalço que não podem ser síntese. A teoria, portanto, de presentre alternativas pectivas ou linhas de argumento de cada um deles e movimentar-se oferece não um conjunto Exige o compromisso supostos, e concluindo

plo, há um debate acalorado sobre a agência do nativo ou "subalterno"

termo para um subordinado ou inferior). Alguns pensadores, interessados no ponto de vista e agência do subalterno, enfatizam os atos de resistência a ou concordância com o colonialismo, e são então acusados de ignorar o efeito mais insidioso do colonialismo: a maneira como ele definiu a situação e as possibilidades de ação, fazendo dos habitantes "nativos", por

evitadas mas que não dão origem a qualquer com o trabalho

de soluções mas a perspectiva de mais reflexão. de leitura, de contestação a partir das suposições das quais você

exemplo. Outros teóricos, descrevendo o poder difuso do "discurso colonial", o discurso dos poderes coloniais que cria o mundo no qual os sujeitos colonizados sujeito nativo. vivem e agem, são acusados de negar a agência ao de Appiah, esses tipos diferentes de explinão importa colonialista. quanto as possibilidades As duas explicações de perdas

de questionamento

avança. Comecei dizendo que a teoria era infinita te de textos desafiadores e fascinantes

- um corpus sem limi-

- mas não apenas mais textos: é

também um projeto em curso de reflexão que não termina quando termina uma brevíssima introdução. os nativos são ainda agentes e a linguagem

De acordo com o argumento cações não estão em conflito: da agência ainda é apropriada, ação são definidas tencem a registros diferentes, descrição do funcionamento ros japoneses reconhecendo

pelo discurso

do mesmo modo que uma explicação global e do marketing

decisões que levaram John a comprar um Mazda novo, por um lado, e uma do capitalismo de carna América, por outro lado. Há muito a se ganhar, afirma que eles pertencem a tipos diferentes de narrativas. A enerteóricas poderia então ser redirecionada desempenham para são construídas e que papel as prátinessas construções. os sujeitos O que ime suas de que as explicações sobre os sudiferentes.

Appiah, com a separação dos conceitos de posição de sujeito e de agência, gia dessas controvérsias

questões sobre como as identidades

cas discursivas, tais como a literatura, Mas parece remota a possibilidade poderiam coexistir pacificamente,

jeitos que escolhem e as explicações das forças que determinam como narrativas

pulsiona a teoria, afinal de contas, é o desejo de ver até onde pode ir uma idéia ou argumento e de questionar as explicações alternativas pressuposições. Levar adiante a idéia da agência dos sujeitos é levá-Ia até onde for possível, buscar e contestar trapõem a ela. posições que a limitam ou se con-

Pode haver uma lição geral aqui. A teoria, poderíamos concluir, não dá origem a soluções harmoniosas. Não nos ensina, por exemplo, de uma vez 116 117

invés de perguntar

"o que diz o autor aqui?" deveríamos

perguntar

algo

como "o que acontece com o soneto aqui?" ou "que aventuras acontecem ao romance nesse livro de Dickens?" Roman Jakobson, Boris Eichenbaum e Victor Shklovsky são três figuras-chave nesse grupo que reorientou os

Eseolas c Movitncntos lcórieos
Escolhi introduzir a teoria apresentando questões e debates em vez de que aparecem nas dis-' "escolas", mas os leitores têm o direito de esperar uma explicação de termos tais como estruturalismo e desconstrução cussões sobre crítica. Forneço isso aqui, numa breve descrição dos movimentos teóricos modernos. A teoria força escritores, instituições impacto, literária não é um conjunto A teoria existe descarnado de idéias mas uma de leitores teóricas e enredada nas cujo de largo

pêndice

estudos literários

para as questões de forma e técnica.

New Criticism
O que é chamado de "New Criticism" surgiu nos Estados Unidos nos decênios de 1930 e 1940 (com o trabalho relacionado de IA Richards e William praticada objetos Empson, na Inglaterra). das obras literárias. nas universidades, estéticos Concentrava sua atenção na unidade ou histórica as integração Fazendo oposição à erudição

o New Criticism tratava históricos

os poemas como e examinava do senti-

e não como documentos

interações de seus traços verbais e as complicações

decorrentes

nas instituições.

em comunidades inextricavelmente Três modalidades e as categorias

como uma prática discursiva, educacionais e culturais.

do ao invés das intenções e circunstâncias históricas de seus autores. Para os new critics (Cleanth Brooks, John Crowe Ransom, W.K. Wimsattl. a tarefa da crítica era elucidar as obras de arte individuais. Enfocando a ambigüidade, o paradoxo, a ironia e os efeitos da conotação unificada. as técnicas de leicrítica e das imada for-

desde o decênio de 1960, foi enorme são a reflexão representação pela desconstrução

gens poéticas, o New Criticism procurava ma poética para uma estrutura

mostrar a contribuição

espectro sobre a linguagem, to crítico empreendida concerto, xualidade volvimento

de pensamen-

e pela psicanálise (às vezes em e da crítica feitas pelo femiorientadas (novo histori-

O New Criticism deixou como legados duradouros é se ela nos ajuda a produzir interpretações de obras individuais. quantidade ofereceram refletir tica, psicanálise, Mas começando

às vezes em oposição); as análises do papel do gênero e da seem todos os aspectos da literatura de críticas culturais

tura cerrada e o pressuposto de que o teste de qualquer atividade

mais ricas e mais penetrantes lingüís-

nismo e depois pelos estudos de gênero e pela "Queer Theory"; e o desenhistoricamente cismo, teoria pós-colonial) que estudam uma gama ampla de práticas disraça) não pensa-

nos anos 60 deste século, uma feminismo, descontrução

de perspectivas e discursos teóricos - fenomenologia, marxismo, estruturalismo, armações conceituais

cursivas, envolvendo muitos objetos (o corpo, a família, dos anteriormente como tendo uma história.

mais ricas do que o New Criticism para

sobre a literatura

e outros produtos culturais.

Há diversos movimentos teóricos importantes anteriores à década de 60.

Fenomenologia Formalismo Russo
russos dos primeiros literária, anos do século XX salientaram da literatura: as a colocação em primeiro plano verAo A fenomenologia objeto, consciência surge do trabalho e mundo, enfocando do filósofo Edmund Husserl, do dos obje Os formalistas estratégias início do século. Ela busca evitar o problema da separação entre sujcito (' a realidade fenomenal tos tal como eles aparecem para a consciência. Podemos suspender ;1"

que os críticos deveriam se preocupar com a literariedade verbais que a tornam da própria linguagem, seguem. Redirecionando bais, eles afirmavam e o "estranhamento" que "o mecanismo
11 X

da experiência

que elas con-

a atenção dos autores para os "mecanismos" é o único herói da literatura".

perguntas sobre a realidade última ou a possibilidade de conl1('("('i () mundo e descrever o mundo tal como ele é dado à consciênci<l, A ft'rlllrtl(' nologia subscreveu a crítica devotada 119 a descrever o "mundo" d;1
('()[I',

/'

ciência de um autor, tal como manifesto (George Poulet, J. Hillis Miller). response criticism" objetivo, (Stanley Fish, Wolfgang pode-se

na gama inteira de suas obras foi a "readerIser). Para o leitor, a obra é o que a obra não é algo experiência dela, a assumir de qualquer progressivo

(Michel Foucault) e na teoria marxista (Louis Althusser). Embora esses pensadores nunca tenham formado de "estruturalismo" Estados Unidos e em outros Nos estudos literários, sada nas convenções produzir podem ter os sentidos uma escola enquanto tal, foi sob o rótulo e lido na Inglaterra, nos lugares no final das décadas de 60 e 70. busca não como elas impor - na Grãque seu trabalho foi importado o estruturalismo

Mas mais importante argumentar

que é dado à consciência; mas é a experiência

que existe independentemente do leitor. A crítica

promove uma poética interes-

pode dessa maneira

que tornam

possíveis as obras literárias;

forma de uma descrição do movimento

do leitor através de e

novas interpretações

das obras mas compreender sistemática do discurso literário significativa

um texto, analisando como os leitores produzem sentido fazendo ligações, preenchendo coisas deixadas sem dizer, antecipando e conjeturando depois tendo suas expectativas frustradas ou confirmadas. Uma outra versão da fenomenologia ta a perguntas orientada para o leitor é chamaA interprede um indi-

e efeitos que têm. Mas ele não conseguiu

esse projeto - uma explicação respeito da literatura e encorajou nificativos

Bretanha e na América. Seu principal e torná-Ia Desse modo abriu caminho das diferentes

efeito ali foi oferecer novas idéias a entre outras. sigdas obras literárias

uma prática a tentar

da de "estética da recepção" (Hans Robert Jauss). Uma obra é uma resposcolocadas por um "horizonte de expectativas". tação das obras deveria, portanto, enfocar não a experiência

para leituras sintomáticas práticas culturais. o estruturalismo

os estudos culturais

explicar os procedimentos da semiótica,

víduo mas a história da recepção de uma obra e sua relação com as normas estéticas e conjuntos de expectativas seja Iida em diferentes épocas. mutáveis que permitem que ela

Não é fácil distinguir

a ciência geral

dos signos, que remonta sua linhagem a Saussure e ao filósofo norteamericano Charles Sanders Peirce. Entretanto, a semiótica é um movimento internacional portamento que buscou incorporar o estudo científico do com-

Estruturalismo
A teoria orientada ralismo, que também para o leitor tem algo em comum com o estrututem como foco a maneira como o sentido se originou a meta era identificar buscava analisar é proem oposição à fenomenologia: as estruturas que

e da comunicação,

ao mesmo tempo que evitava em grande e a crítica cultural que marcaram o estru-

parte a especulação filosófica turalismo

em suas versões francesa e aparentadas.

duzido. Mas o estruturalismo subjacentes operam que a tornam

ao invés de descrever a experiência, ca da consciência, o estruturalismo

Pós-estrutu ral ismo
Uma vez que o estruturalismo passou a ser definido como um movidele. Ficou claro que as obras mento ou escola, os teóricos se distanciaram

possível. Em lugar da descrição fenomenológias estruturas (as estruturas da linguagem, da psique, da

inconscientemente

sociedade). Devido a seu interesse pelo modo como o sentido é produzido, o estruturalismo muitas vezes (como em 5/Z, de Roland Barthes) traque tornam o sentido tou o leitor como o espaço de códigos subjacentes possível e como o agente do sentido.

de pretensos estruturalistas não se encaixavam na idéia do estruturalismo como uma tentativa de dominar e codificar estruturas. Barthes, Lacan c Foucault, por exemplo, foram identificados como pós-estruturalistas, que haviam ido além do estruturalismo estreitamente concebido. Mas muit;]s posições associadas com o pós-estruturalismo são evidentes mesmo no

Em geral, estruturalismo designa um grupo de pensadores principalmente franceses que, nas décadas de 50 e 60 deste século, influenciados pela teoria da linguagem de Ferdinand de Saussure, aplicaram conceitos da lingüística estrutural ao estudo dos fenômenos sociais e culturais. O estruturalismo se desenvolveu primeiro na antropologia depois nos estudos literários e culturais Gérard Genettel, na psicanálise (Claude Lévi-Strauss), intelectual e (Roman Jakobson, Roland Barthes,

trabalho inicial desses pensadores, quando eles eram vistos como estrulu ralistas. Eles haviam descrito as maneiras pelas quais as teorias se em;]I;l nham nos fenômenos violando quaisquer que tentam descrever; como os textos criClm ';cnliil() convenções que a análise estrutural situCl. f\('('IltIf!(' ('()('n'/il(' (' de descrever um sistema significativo

ceram a impossibilidade estruturalismo demonstra

completo, já que os sistemas estão sempre mudando. Na rcalid;lCk, () pi')·. menos as inadequações ou erros do (",llIllul.lII', 121

(Jacques Lacanl, na história 120

mo do que se desvia do projeto de resolver o que torna os fenômenos culturais inteligíveis da totalidade e enfatiza, em lugar disso, uma crítica do conhecimento, e do sujeito. Trata cada um deles como um efeitoproble-

lado, as teorias feministas sentações identidades dimentos da experiência e culturas masculinos

defendem

a identidade Por outro

das mulheres, exigem lado, as feministas que organiza as e mulher. preocupada na

direitos para as mulheres e promovem os textos de mulheres como repredas mulheres. empreendem uma crítica teórica da matriz heterossexual em termos da oposição "a critica feminista" da "ginocrítica", se opuseram distingue

mático. As estruturas dos sistemas de significação não existem independentemente do sujeito, como objetos do conhecimento, mas são estruturas para os sujeitos, que estão emaranhados nas forças que os produzem.

entre homem

Elaine Showalter com as autoras

de pressupostos e procedas mulheres.

uma crítica feminista da experiência francês",

Desconstrução O termo pás-estruturalismo
objetivo

e com a representação

é usado para referir uma ampla gama de

Ambas essas modalidades Grã-Bretanha

ao que é às vezes chamado,

discursos teóricos nos quais há uma crítica das noçôes de conhecimento e de um sujeito capaz de se conhecer. Desse modo, os feminisos marxismos e historicismos desconstrução de estrutura e o trabalho contemporâparticipam do pós-estruturalismo. pela primeira Mas pás-estruturalismo de Jacques Dercom uma
(The

e na América,

de "feminismo

em que "mulher" a teoria da psi-

vem a representar qualquer força radical que subverte os conceitos, pressupostos e estruturas feminista inclui tanto bases indiscutivelmente do discurso patriarcal. as vertentes Da mesma forma, a psicanálise rearticulação que rejeitam pelas suas Rose, Mary

mos, as teorias psicanalíticas, neos todos também designa, sobretudo,

sexistas quanto a brilhante

rida, que ganhou que chamou

proeminência

vez na América

canálise por parte de estudiosas feministas sua compreensão das complicações esperar compreender projetos, o feminismo efetuou

como Jacqueline

crítica da noção estruturalista a atenção

na própria coleção de ensaios para o estruturalismo definida

Jacobus e Kaja Silverman, para quem é apenas através da psicanálise, com de se internalizar normas, que se pode substancial da edue reconceber a situação da mulher. Em seus múltiplos uma transformação através de sua expan-

norte-americana

Languages of Criticism and the Sciences of Man, 1970).
A desconstrução /fora; corpo/mente; tureza/cultura; é mais simplesmente que estruturam literal/metafórico; como uma crítica das ocidental: dentro napresença/ausência; oposições hierárquicas o pensamento fala/escrita;

cação literária

nos Estados Unidos e Grã-Bretanha, e da introdução

são do cânone literário

de uma gama de novas questões.

forma/sentido.

Desconstruir uma oposição é mostrar que ela produzida por discursos num trabalho de - isto é, não desMas, como

não é natural nem inevitável mas uma construção,

Psicanálise
A teoria linguagem, psicanalítica a identidade teve um impacto nos estudos literários tanto como uma modalidade é a hermenêutica de interpretação quanto como uma teoria sobre a com o marxismo, ou vocaaconte-

que se apóiam nela, e mostrar que ela é uma construção

desconstrução que busca desmantelá-Ia
truí-Ia mas dar-lhe uma estrutura uma modalidade de um texto",

e reinscrevê-Ia

e funcionamento

diferentes.

e o sujeito. Por um lado, junto

de leitura, a desconstrução

é, na expressão de Barbara em guerra no interior de signifida linguagem.

moderna mais poderosa: uma metalinguagem para entender o que está "realmente"

Johnson, uma "separação das forças de significação uma investigação cação, como entre as dimensões performativa

bulário técnico autorizado como a outras situações,

que pode ser aplicado às obras literárias, assim alerta a temas e relações psicanalíticas. da psicanálise veio através do tra-francês renegado que montou analítico e levou ao que ele
Ulll

da tensão entre modalidades e constativa

cendo. Isso leva a uma crítica

Mas, por outro lado, o maior impacto

Teoria Feminista
Na medida em que o feminismo oposição homem/mulher se encarrega da desconstrução da da e das oposições associadas a ela na história

balho de Jacques Lacan, um psicanalista sua própria escola fora do establishment e enfatiza

apresentou como um retorno a Freud. Lacan descreve o sujeito como efeito da linguagem o papel crucial chamou de transferência, de figura de autoridade na qual o analisando coloca o analista no

cultura ocidental, ele é uma versão do pós-estruturalismo, mas isso é apenas uma vertente do feminismo, que é menos uma escola unificada do que um movimento social e intelectual e um espaço de debate. Por um

na análise do que Fn'ud
P;1I1t'1

do passado ("apaixonar-se
12:3

pelo seu 'Hlíllhl;I").

1\

1~2

verdade da condição do paciente,

nessa explicação,

emerge não da interde um cenário crutorna a psicanálise é uma reapre-

engajada. Por um lado, há o materialismo Raymond Williams inclusive Foucault muito centralmente (Catherine

cultural britânico,

definido

por

pretação que o analista faz do discurso do paciente mas da maneira como analista e paciente são apanhados na reapresentação cial vindo do passado do paciente. uma disciplina pós-estruturalista Essa reorientação

como "a análise de todas as formas de significação, a escrita, no interior Dollimore, da literatura dos meios e condições influenciados por Alan Sinfield e Peter histórica a postular também Especialistas na Renascença

reais de sua produção".

na qual a interpretação

Belsey, Jonathan

sentação de um texto que ela não domina.

Stallybrass) se preocuparam

particularmente

com a constituição

do sujeito e com o papel contestatório

na Renascença. Nos

Marxismo
Na Grã-Bretanha, diferentemente dos Estados Unidos, o pós-estruturalismo chegou não através de Derrida e depois Lacan e Foucault, mas através da obra do teórico marxista Louis Althusser. Lido no interior da cultura marxista da esquerda britânica, Althusser levou seus leitores à teoria lac8niana e provocou uma transformação gradual pela qual, como diz Antony o mesmo Easthope, "o pós-estruturalismo passou a ocupar basicamente determinada

Estados Unidos, o novo historicismo, que está menos inclinado uma hierarquia os textos, os discursos, o poder e a constituição da subjetividade,

de causa e efeito à medida que rastreia as ligações entre

se centrou na Renascença. Stephen Greenblatt, Louis Montrose e outros enfocam como os textos literários renascentistas se situam em meio a práticas discursivas e às instituições do período, tratando a literatura não

como um reflexo ou produto de uma realidade social mas como uma das diversas práticas às vezes antagonistas. historicistas é a dialética Uma questão chave para os novos em que medida os radical das ideode "subversão e contenção":

espaço que o de sua cultura anfitriã, o marxismo". Para o marxismo, os textos pertencem a uma superestrutura pela base econômica (as que a formação social não "relações reais de produção"). Interpretar os produtos culturais é relacionáIas de volta com a base. Althusser argumentava é uma totalidade uma estrutura ideológicas unificada tendo o modo de produção em seu centro mas sociais e

textos renascentistas oferecem uma crítica genuinamente logias religiosas e políticas cursiva da literatura, em sua aparente capacidade

de seu tempo e em que medida a prática disde subversão, é uma

mais frouxa, na qual diferentes níveis ou tipos de práticas se relativa': Baseando-se numa explicação para explicar

maneira de conter energias subversivas?

desenvolvem em diferentes escalas temporais. As superestruturas têm uma "autonomia lacaniana da determinação da consciência pelo inconsciehte

Teoria Pós-colonial
Um conjunto relacionado de questões teóricas surge na teoria póse experiências

como a ideologia funciona para determinar o sujeito, Althusser mapeia uma explicação marxista da determinação O sujeito é um efeito constituído das práticas relativamente tanha, na teoria Investigações política do indivíduo pelo social na psicanálise. no processo do inconsciente, do discurso e

colonial: a tentativa de compreender os problemas postos pela colonização
européia e suas conseqüências. Nesse legado, as instituições pós-coloniais, se misturam da idéia de nação independente à idéia da própria cultura,

autônomas que organizam a sociedade. assim como nos estudos literários e culturais. ocorreram

com as práticas discursivas do Ocidente. Desde a década de

Essa conjunção é a base de grande parte do debate teórico na Grã-Brecruciais das relações entre cultura e significação

80, um corpus cada vez maior de textos debate questões sobre a relação entre a hegemonia dos discursos ocidentais e as possibilidades de resistência e sobre a formação dos sujeitos colonial Said (1978), e pós-colonial: sujeitos híbriconflitantes. do ajudou a esta-se transforde dos, que surgem da superimposição de línguas e culturas que examinou

na década de 70 na revista de estudos de cinema, Screen, que, colocando Althusser e Lacan em campo, buscou compreender cionado ou construído pelas estruturas como o sujeito é posicinematográfica. da representação

Orientalismo,

de Edward

a construção

"outro" oriental pelos discursos europeus do conhecimento, maram numa tentativa de intervir na construção de volta numa 12;) história

bclecer o campo. Desde então, a teoria e escrita pós-colonial

Novo Historicismo/Materialismo
marcaram o surgimento de uma crítica 124

Cultural
e nos Estados Unidos vigorosa, teoricamente histórica

da cultura e do conhecipós-coloniais, que outros escrcvn;lIn.

Os decênios de 1980 e 1990 na Grã-Bretanha

mento e, para os intelectuais escrever seu caminho

que vêm de sociedades

Discurso das Minorias
Uma mudança política que foi conseguida no interior das instituições acadêmicas nos Estados Unidos foi o crescimento do estudo das literaturas de minorias mover o estudo americana. étnicas. O principal da escrita esforço se centrou em reviver e proe nativoda

negra, latina,

asiático-americana

Os debates têm a ver com a relação entre o fortalecimento

identidade cultural de grupos específicos, ligando-a a uma tradição de escrita e à meta liberal de celebrar a diversidade cultural e o "multiculturalismo". As questões teóricas "brancos" e contextos. rapidamente se misturam com questões seus e Referências: University

itações e Leituras Suplelnentares
Capítulo
of Minnesota Culler, (Ithaca,

sobre o status da teoria, que às vezes se diz que impõe questões ou problemas filosóficos próprios termos a projetos que lutam Mas críticos latinos, para estabelecer afro-americanos

1
(Minneapolis:

Richard Rorty, Consequences of Pragmatism

asiático-americanos levam adiante o empreendimento teórico, desenvolvendo o estudo dos discursos das minorias, definindo seu caráter distintivo e articulando pensamento. ficas quanto suas relações com as tradições de gerar teorias conceitos dominantes de escrita e das minorias" especíAs tentativas do "discurso

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tanto desenvolvem

para a análise de tradições culturais e para intervir

Jacques Rousseau,

Confessions,

livro 3 e em outras

usam uma posição de marginalidade

para expor os pressu-

postos do discurso da "maioria"

em seus debates teóricos.

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Queer

Theory
e outros movimentos contemporâneos, outro - para analiNo tracula no Capítulo 7) usa o marginal do centro: normatividade produtivo - o que foi posto

Como a desconstrução Queer Theory (discutida sar a construção cultural

Gay Theories (New York: Routledge, Leituras Criticism geral. Suplementares: Harland, Jonathan

1991), 27-8. Culler, On Deconstruction: The Phi/osophy ver Paul Rabinow, Theory and em of Struced., The vn

de lado como perverso, além dos limites, radicalmente balho de Eve Sedgwick, Judith o espaço de um questionamento tural da sexualidade

heterossexual.

after Structura/ism

começa com uma discussão da teoria (London: Methuen,

Butler e outros, a Queer Theory tornou-se não apenas da construção cultura, tal como baseada numa e versões de sua ligaDeveríamos

Richard

Superstructura/ism: Para Foucault,

tura/ism and Post-Structuralism introdutório amplo e vivo.

1987), um panorama

mas da própria

negação das relações homoeróticas. ção com os movimentos desses movimentos celebrar e acentuar compreensão

Assim como o feminismo

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e dos debates no interior que estigmati-

Geoffrey Bennington,

zam? Como fazer as duas coisas?

de ação como de

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cobre os movimentos

mais importantes.
1:34

Superstructuralism:

1:~,')

literária narrativa complexo

65 85 de édipo 112

exem plaridade explicação

43, 110 27,74,85

histórica

ndice Remissivo

F D de Man, Paul 94 de Stael, Mme Declaração 29 99 falácia intencional 119 68

fenomenologia ficção figuras

37, 43, 46, 75, 106 retóricas 120 27, 29, 73, 75, 78

da Independência

desconstrução Derrida, Jacques 98,122-124 Dollimore, drama

8, 67, 118, 122, 126 11, 18, 20, 22, 73,

Fish, Stanley Flaubert,

Gustave (Madame 41,109 90, 92 russos 81,118

Bovary) 125 focalização formalistas

Jonathan

73,75,100

Forster, E.M. 93
E

Foucault, 124 119

Michel

12,14,16,18,21,

A acontecimento literário 105-6 41

B

Easthope, Anthony Mikhail 9, 90 49, 120 125 Mikkel 119 12, 101, 103, 105, 112 24, 89 Eichenbaum, Eliot, IS. 82 Boris

23,108,111,113,121,124 Franklin, Aretha 22,102,109 26,111,123 59, 76, 78, 98 79 36

Bakhtin,

adesivos de pára-choques agência Althusser, Anderson, aporia apóstrofe 49, 51, 104, 115 Louis

Bal, Mieke

Freud, Sigmund 119 65, 85-87, 92, 109 Frost, Robert Frye, Northrop função 92 7 113 112-114 66, 120
G

Barthes, Roland Belsey, Catherine Borch-Jakobsen, Brooks, Cleanth Butler, Judith 114,126

Empson, William enredo épica 27,43, 75, 84

12, 51, 114, 121, 124 43

Benedict

poética

101,109 73, 78, 79 115,116

epistemofilia escolas críticas essencialismo

Appiah, Anthony Aristóteles Armstrong,

"gay and lesbian studies" 101, 114 gêneros literários Genette, ginocrítica Gérard 123 65, 75 90, 120

17, 67,

72, 85, 92 Nancy 111

estádio do espelho

c
cânone literário cantigas de ninar 53,123 80

estética

da recepção

ato de fa Ia 34 Austen, Jane 44, 70, 89

estruturalismo estudo literário estudos culturais 121

8,49,118-124 13,53,57,65,85 48, 50, 52, 55, 57,

Austin, J.L. 95, 102, 104 auto-reflexividade 40, 89

Chomsky, Noam 64 competência:

Girard, René 113 Gramsci, Antonio 56

1:36

1:Y7

Greenblatt,

Stephen

125

Joyce, James

47, 97

Morrison,

Toni

70

Q
"Queer Theory" 101, 108, 118, 126

H Hall, Stuart hegemonia hermenêutica hipótese Hoggart, 114 56, 125 64, 67-70, 62 123

K Kant, Immanuel Kermode, Frank 39 85

N
narratário narratologia 88 85 67, 119 8,67,118,125

Quine, W-O. 31

R

"New Criticism" L La Rouchefoucauld 97 112, 120, 123 novo historicismo

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Crowe

119

Sapir-Whorf Richard 50

60, 80

30, 36, 76, 80, 85 89, 119 13 123 18,20,22

homossexual,

invenção

do 35

15, 111

Lacan, Jacques leitura cerrada

12,23,

o
objeto estético 39, 44 67

Richards, IA Rorty, Richard

Hopkins, Gerard Manley horizonte de expectativas 119

55, 58, 119 120

66, 120

Lévi-Strauss, linguagem colocação

Claude

olhar cinemático onomatopéia 61

Rose, Jacqueline

Husserl, Edmund

Rousseau, Jean-Jacques 56

em primeiro

plano

Open University

da 35,41,80,118 identificação ideologia Império indivíduo 46,94,111,113 natureza da 99 72

s
p
Peirce, Charles Sanders person ificação 73, 78 121 Said, Edward 70,125 de 61,63,120 Saussure, Ferdinand Screen 124 Eve 113, 126 121 crítica 56 48, 52, 57 do 14,23, 62

45,63,110,124 Britânico moderno 42,70 111

e pensamento lingüística literariedade literaturas 57, 71 61

26,35-37,42,47,118 de minorias 84 126

Platão

45, 72 17

Sedgwick, semiótica

interpelação interpretação intertextualidade Iser, Wolfgang

51, 103 sintomática 40 120

poder/conhecimento

lógica da história luta livre 49

poema, idéia de 27, 38, 77 poética 64, 72 67, 85, 90 81, 121-124 120

senso comum, séries policiais

ponto de vista

Shakespeare, William Hamlet soneto

M
J
Jacobus, Mary Jakobson, 123 36,74,119 materialismo marxismo metáfora metonímia 120 122 cultural 125

pós-estruturalismo Poulet, Georges Pound, Ezra 81 princípio cooperativo

28,39,43,66,110 28, 40, 98 77

8,114,119,122,124 27, 40, 73, 74 74,100 77 120 125

Shelley, Percy Bysshe Shklovsky, Victor 33 91 Showalter, Silverman, sinédoque Sinfield, Elaine Kaja 74 Alan 125 119

Roman 90

James, Henry

hiperprotegido pseudo-iterativo psicanálise 118, 123

66,123 123

Jauss, Hans Robert Johnson, Ba rbara

Mill, John Stuart Miller, J. Hillis Montrose, Louis

8,13,26,67,108,

Jonson, Bem

38, 53

1;~8

1:39

Stallybrass, sublime,

Peter

125

v
Verlaine, Paul 63

o 78

T teoria: natureza da 24 13 101,108,122 67, 118, 125

w
White, Whorf, Williams, Wimsatt, Hayden Benjamin 74 Lee 62 50,125

como apelido teoria feminista teoria pós-colonial

Raymond W.K. 119

Wordsworth,

Wiliiam

38,53,74

textos de demonstração narrativa transferência tropos, quatro Twain, Mark 33, 92 123 grandes 57 73

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DOAÇAO
1 1

TOMBO: FAPESP N.F.N° 61694 R$14,00

197168

PROC.98/01397-0 14/11/2000

PREÇO:

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