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Preliminares para uma definição da

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Preliminares para uma definição da unidade de um programa revolucionário

P. Canjuers, G. E. Debord Este documento foi originalmente redigido em 1960 como plataforma para a ação comum da Internacional Situacionista e do grupo marxista «Socialismo ou Barbárie ! "esmo sem ter sido colocado em prática nem inaugurado uma ação comum entre esses dois grupos# explica o no$o rumo adotado pela I!S! nos anos 60# e alerta para a necessidade de um no$o espaço de ação re$olucionária sobre a cultura! Essa tradução % baseada no texto em espan&ol de 'oni "alagrida publicado no n( )* dos fol&etos Etec%tera! I. Capitalismo, a sociedade sem cultura - Pode-se definir a cultura como o conjunto de instrumentos mediante os quais uma sociedade pensa e manifesta a si mesma; inclusive levando em conta todos os aspectos do emprego de sua plusvalia disponível, ou seja, a organização de tudo o que ultrapassa às necessidades imediatas para sua reprodução. Todas as formas de sociedade capitalista aparecem oje fundadas em !ltima instancia so"re a divisão est#vel e generalizada -- no plano das massas -- entre dirigentes e e$ecutantes. Transplantada ao plano da cultura, esta caracterização implica na separação entre o %compreender& e o %fazer&, e na incapacidade de organizar 'so"re a "ase de uma e$ploração permanente( para qualquer finalidade o movimento sempre acelerado da dominação da natureza. )om efeito, dominar a produção para a classe capitalista significa o"rigatoriamente monopolizar a compreensão da atividade produtiva do tra"al o. Para logr#-lo, o tra"al o *, por um lado, cada vez mais segmentado, ou seja, torna-se incompreensível para quem o leva a ca"o; por outro lado, * reconstituído como uma unidade por um +rgão especializado. ,as este +rgão * su"ordinado à direção propriamente dita, que * a !nica que teoricamente possui a compreensão do conjunto e que imp-e sentido à produção, so" a forma de o"jetivos gerais. .ão o"stante, esta compreensão e esses o"jetivos são por si mesmos permeados pelo ar"itr#rio, separados da pr#tica e de todos os con ecimentos realistas, que não tem interesse em transmitir. / atividade social glo"al * dessa forma dividida em tr0s níveis1 a oficina, o escrit+rio, a administração. / cultura, no sentido da compreensão ativa e pr#tica da sociedade, * de igual maneira cortada nesses tr0s momentos. 2e fato a unidade não mais se recomp-e pela permanente inger0ncia de alguns omens que estão fora da esfera limitada pela organização social, ou seja, de uma maneira clandestina e parcial.

a segmentação e a ierarquização. na esfera política da direção do conjunto da sociedade. 3 mundo se torna ilegível enquanto unidade. a ci0ncia j# não mais compreende a si mesma. o imperativo de uma recuperação desta atividade l e o"riga a introduzir a divisão capitalista do tra"al o. de fato.a medida em que a t*cnica avança. ou seja. " . 3 resultado destas transformaç-es *. sua evolução * diluída. 6m suma. uma incultura generalizada em todos os níveis do con ecimento1 a síntese científica j# não mais se efetua. 4ma din5mica cultural como esta entra em contradição com o imperativo constante do capitalismo. 2essa forma a contradição entre as pr#ticas nucleares atuais e o gosto pela vida plena encontra eco em alguns aspectos at* mesmo nos protestos moralizantes. e convertido em a"surdo.6ste estado produz. sem ser capaz de aportar outras novas. um conflito entre a t*cnica. na medida em que a atividade dos despac os e dos la"orat+rios se integra ao funcionamento conjunto do capitalismo. . um certo n!mero de conflitos.as este a"surdo se estende às resoluç-es e aos la"orat+rios1 as determinaç-es finais de sua atividade se encontram fora deles.3 tra"al o tende dessa forma a ser conduzido à pura e$ecução. que * o de o"ter a adesão dos omens e apelar o tempo todo para sua atividade criativa. a vastidão das novas possi"ilidades nos coloca ante esta alternativa estimulante1 a solução revolucionaria ou a "ar"#rie da ci0ncia-ficção. contra o que possa parecer. apenas os especialistas possuem alguns fragmentos de racionalidade. a a"olição de todos os dirigentes especializados em todas partes. por um lado.! . 6$iste. a ordem capitalista vive so" a condição de projetar continuamente diante dele um passado novo. 3 pro"lema l+gico da síntese científica * então amplificado com o pro"lema social da centralização. o tra"al o * simplificado. e por outro lado. Por outro lado. que assegura a fi$ação do ativo e sua transmissão so"re o modelo da transmissão de "ens.3 mecanismo de constituição da cultura se dirige assim a uma reificação das atividades umanas. # . . 6$iste um conflito entre os imperativos capitalistas e as necessidades elementares dos omens. / ci0ncia j# não proporciona para os omens um esclarecimento veraz no que diz respeito à sua relação com o mundo. onde toda pu"licidade peri+dica * dedicada ao lançamento de novidades. 7sto pode ser comprovado particularmente no setor propriamente cultural. dentro da estreita margem onde estão aprisionados. mas as modificaç-es que o omem pode e$ercer so"re sua pr+pria natureza 'que vai desde cirurgia est*tica às mutaç-es gen*ticas dirigidas( e$igem tam"*m uma sociedade controlada por ela mesma. que se esforça por garantir uma dominação do passado so"re o futuro. e seu a"surdo se aprofunda. a tecnologia como uma aplicação rigorosamente selecionada para as necessidades da e$ploração dos tra"al adores e a frustração de sua resist0ncia. destruiu as antigas representaç-es. a l+gica pr+pria de desenvolvimento de m*todos materiais 'e tam"*m mais amplamente a l+gica do desenvolvimento das ci0ncias(. 3 compromisso representado pela sociedade atual . mas se v0em incapazes de transmiti-los.

. desde as proezas científicas ou t*cnicas at* os modos de conduta reinantes. : somente atrav*s do espet#culo que os omens adquirem um con ecimento -.randes. em sua maioria. 3 consumo capitalista imp-e um movimento de redução dos desejos pela regularidade da satisfação de necessidades artificiais. em"ora não seja mais o c*u. / relação entre autores e espectadores não * mais que uma transposição da relação fundamental entre dirigentes e e$ecutantes. $ . em"ora omens vivos. & . porque o orizonte social est# o"struído pela f#"rica. esses "ens carecem de um emprego social. /demais. sempre com uma margem de transposição possível. Para a moral que prevalece. todo instante da vida. no sentido pr+prio da palavra.de alguns aspectos do conjunto da vida social.. ipertrofiadas por ter que responder às necessidades do mercado. / esfera diretiva * o severo diretor de cena deste espet#culo.não pode viver mais na forma de um status quo que se l e escapa por todas as partes. como tend0ncia fatal da mercadoria industrial. traduzidos em valores a"surdos 'e os diretores tam"*m.3 conjunto da cultura atual pode ser qualificado de alienado no sentido de que toda atividade. a atividade produtiva de toda significação pr+pria. em um al*m longínquo que. suficiente para que permita compensar algumas frustraç-es. tem-se esforçado por situar o sentido da vida no +cio e de reorientar a partir dali a atividade produtiva. da oficina ao la"orat+rio. .a utopia. o uso dos "ens. a rodovia.9ora do tra"al o. da divisão.ão o"stante.. 3 verdadeiro uso das mercadorias * simplesmente um adorno social. não dei$a por isso de ser menos insensato -. de forma incessante. ou seja. / f#"rica se reproduz nos momentos de +cio so" a forma de sinais. domina de fato a vida do mundo moderno.oral e psicologicamente.3 capitalismo avendo esvaziado. composto autom#tica e po"remente em função de imperativos e$teriores à sociedade. do estran amento e da não-participação de todos. o consumidor * na realidade consumido pelo mercado. passando pelos c8mputo dos . todos os sinais de prestígio e diferenciação adquiridos se tornam o"rigat+rios para todos. . fora da f#"rica tudo est# disposto como um deserto 'a cidade-dormit+rio.sendo os desejos aut0nticos o"rigados a permanecer em um estado de nãorealização 'ou compensados em forma de espet#culos(. o consumo seria agora a verdadeira vida. toda id*ia. o espet#culo * a forma dominante de relacionar os omens entre si. que permanecem como necessidades sem aver sido jamais desejos -. todo comportamento não encontra seu sentido senão fora de si.(. 6sta responde perfeitamente às necessidades de uma cultura reificada e alienada1 a relação que se esta"elece no momento do espet#culo *. ao ser a produção o inferno. podem ser considerados tam"*m como vítimas desse diretor de cena aut8mato(. o lugar do consumo * o deserto.falseado -. 3 mundo do consumo * na realidade a performance do espet#culo de todos para todos. não tem outro uso que o de satisfazer algumas necessidades privadas. o estacionamento. a sociedade constituída em f#"rica domina zelosamente este deserto. Por isso os "ens. % .

Por outro lado. a questão do emprego profundo da vida.por fragmentos -. a questão da comunicação. e em primeiro lugar pela gestão da produção e a direção do tra"al o pelos tra"al adores que assumem diretamente a totalidade das decis-es. limitada pela alienação de todas as outras atividades 'o que l e converte de fato no mais caro de todos os adornos sociais(.as ao mesmo tempo. dentre as quais a principal * sem duvida o deslocamento do centro de interesse da vida. . . 3 strip-tease * a forma mais clara de erotismo degradado em mero espet#culo. e que interv*m eles mesmos no espet#culo para pertur"#-lo e destruí-lo. em alto grau. desde o +cio passivo at* a atividade produtiva de um novo tipo. 2eve tergiversar os desejos cuja satisfação proí"e a ordem dominante. em toda sua amplitude. pois se ele deve ser em primeiro lugar o difusor da ordem capitalista. se tem "eneficiado do outorgamento pelo capitalismo de uma concessão perpetua e privilegiada1 a de ser uma atividade criativa pura. 3s artistas revolucion#rios são aqueles que c amam à intervenção.ecanismo comple$o. por uma reconversão geral e permanente dos fins .3 movimento revolucion#rio não pode ser outra coisa a não ser a luta do proletariado pela dominação efetiva. e a constituição de uma tecnologia nova que tenda a assegurar a dominação dos tra"al adores so"re as m#quinas. crise que se une à e$peri0ncia ou à reivindicação de e$perimentar outros usos da vida. / am"ig<idade de toda =arte revolucionaria= * tal que o car#ter revolucion#rio de um espet#culo * sempre solapado por aquilo que # de reacion#rio em todo espet#culo. como uma forma de valor social(. /o sem sentido e à separação esta"elecida corresponde a crise geral dos procedimentos artísticos tradicionais. não pode aparecer em p!"lico como o delírio do capitalismo1 deve alcançar o p!"lico integrando elementos da representação que correspondam -. de todos os aspectos da vida social. o turismo moderno de massas mostra cidades ou paisagens não para satisfazer o desejo aut0ntico de viver em tais locais ' umanos e geogr#ficos( mas para oferece-los como um puro espet#culo veloz e superficial 'e finalmente para permitir fazer coleç-es de lem"ranças de tais espet#culos. na arte. a esfera reservada à =atividade criativa= * a !nica que delineia praticamente.com a racionalidade social. Por e$emplo. >e trata de uma aut0ntica inversão do significado do tra"al o que entran ar# numerosas conseq<0ncias. a pol(tica revolucionária e a cultura . e a transformação deli"erada. na transformação radical da natureza do tra"al o. 2e um lado. na mel oria do mecanismo de e$i"ição do espet#culo.as tra"al ar por torn#-las apai$onantes. e a conservação da arte tem sido requeridas por estas lin as de força./ evolução. de um dia para outro. os antagonismos entre partid#rios e advers#rios das raz-es para viver oficialmente ditadas. o arte * pura e simplesmente recuperada pelo capitalismo como meio de acondicionamento da população. ' . 4ma mudança tal implica. todas as atividades produtivas se tornem apai$onantes. 6ssa * a razão pela qual o aperfeiçoamento da sociedade capitalista implica. . imediatamente. 7sto não significa que. portadora irredutível da ordem capitalista. II.por si mesma. evidentemente. /qui se fundam.

Tal utopia * insepar#vel da necessidade de dissolver a ideologia atual da vida cotidiana. que não poder# ele mesmo instaurar as condiç-es revolucionarias aut0nticas sem retomar os esforços da lin a de frente cultural desde a crítica da vida cotidiana at* sua livre reconstrução.(. 7sto sup-e. * legítima. etc. mas que aspirem a um enriquecimento sem limite de seus atos.a política revolucion#ria tem então por conte!do a totalidade dos pro"lemas da sociedade.o presente.assim como dos meios do tra"al o industrial. por todos os meios. onde quer que e$ista. para que a classe revolucion#ria descu"ra. mas infinitamente diversificado.em vez das atuais compensaç-es -. ist+rica. ! . que não considerem a vida apenas como a conservação de um certo equilí"rio. enquanto invenção e e$perimentação de soluç-es aos pro"lemas atuais sem que para isso importe sa"er se as condiç-es para sua realização j# estão dadas 'admoeste-se a ci0ncia moderna para que faça de agora em diante um uso central desta e$perimentação ut+pica(. / produção e o consumo se anularão pelo uso criativo dos "ens da sociedade. não apenas que os omens sejam o"jetivamente fartos de necessidades reais 'fome. e toda forma de rec aço e$plícito ou de indiferença profunda deve ser com"atida constantemente. eliminando a separação entre +cio e tra"al o. os usos e$istentes e as li"erdades possíveis. sem enganos. 6sta utopia moment5nea. e dos laços de sua opressão.. 6sta política completa . 6 esta não pode prescindir da utopia sem risco de esterilidade. # . : em primeiro lugar a luta do proletariado. 3 movimento revolucion#rio deve dessa forma c egar a ser um movimento e$perimental. ser# em todo caso a pai$ão mínima de uma sociedade livre. neste momento. / pr#tica da utopia não pode sem em"argo manter seu sentido sem unir-se estreitamente à pr#tica da luta revolucionaria. Tem por forma uma pr#tica e$perimental da vida livre atrav*s da luta organizada contra a ordem capitalista.4m programa tal não prop-e aos omens outra razão de viver al*m da construção por eles mesmos de sua pr+pria vida. mas so"retudo que comecem a projetar diante de si seus desejos -. Todas as atividades tenderão a fundir-se em um curso !nico. ./ "ase de tais reivindicaç-es oje não * uma utopia qualquer. 6 * enfim a e$ig0ncia que se torna realidade em certos comportamentos e$tremos da juventude 'onde a vestimenta se mostra como a menos eficaz( e em alguns meios artísticos. deve desenvolver e resolver de forma tão profunda quanto possível os pro"lemas de uma microsociedade revolucion#ria. e * necess#ria pois * nela que se alimenta a projeção de desejos sem os quais a vida livre estaria vazia de conte!do.as esta "ase cont*m tam"*m a utopia. : tam"*m a lição do fracasso essencial de todas as tentativas de mudanças menos radicais. pela desesta"ilização da sociedade dominante. . " . 3s pesquisadores de uma cultura e$perimental não podem esperar realiz#-la sem o triunfo do movimento revolucion#rio.que rec acem todas as condutas ditadas por outros para reinventar sempre sua realização !nica. em todos os níveis.

e desco"rem tam"*m sua ação como e$peri0ncia direta e como festa. P. um dia.culmina no momento da ação revolucionaria. Canjuers. quando as massas interv0m "ruscamente para fazer a istoria. G. 6m ?@ de jul o de ABC@. j# não mais ser# detida. 7niciam então uma construção consciente e coletiva da vida cotidiana que. E. Debord /rquivo situacionista .

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