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EXPOSIÇÃO À RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA

EM ESPAÇOS INTERIORES
Diamantino V. Henriques Fernanda R. S. Carvalho
Instituto de Meteorologia Rua C do Aeroporto de Lisboa 1749-077 Lisboa PORTUGAL diamantino.henriques@meteo.pt fernanda.carvalho@meteo.pt

Resumo Embora a intensidade da radiação ultravioleta (RUV) seja em regra maior no ambiente exterior (Sol), a iluminação artificial geralmente disponível em espaços interiores pode apresentar níveis que podem ter efeitos potenciais a longo prazo, sobretudo na visão humana. Este trabalho procura quantificar a exposição à RUV de várias fontes artificiais, geralmente utilizadas na iluminação de interiores, em comparação com a de origem natural utilizando medições espectrais no UV-B (290 nm – 325 nm).

Ultraviolet Radiation Exposure Indoors Abstract Although ultraviolet radiation (UVR) exposure outdoors (Sun) is generally larger, artificial lighting generally available indoors can show levels with potential long-term effects mainly on human eye. This paper tries to quantify the UVR exposure to several kinds of artificial sources normally used for indoors lighting, in comparison with natural sunlight using spectral measurements in the UV-B region (290 nm-325 nm).

como por exemplo as utilizadas em algumas aplicações medicas e cosméticas. podem ser agrupadas nas seguintes categorias: Fontes incandescentes Lâmpadas de tungsténio Descargas em gases Lâmpadas de mercúrio (baixa. existem poucas fontes artificiais de RUV cuja intensidade é maior que a radiação de origem solar. média e alta pressão) Lâmpadas de mercúrio com halogenados Lâmpadas de xénon Lâmpadas de hidrogénio e deutério Tubos de flash Descargas eléctricas Arcos de soldadura Arcos de carbono Lâmpadas fluorescentes Tubos de iluminação fluorescentes Lâmpadas solares fluorescentes (UVB) Tubos fluorescentes de UVA Lasers excimer dye gasoso Neste trabalho apenas serão abordadas as fontes utilizadas na iluminação de interiores. ou seja. podendo no entanto ocorrer exposições acidentais. . Contudo. No entanto. as fontes artificiais de RUV são geralmente de menor intensidade. e que emita RUV. encontrando-se actualmente por todo lado e representando uma exposição adicional à de origem natural. É o caso das lâmpadas de tungsténio halogéneo de alta temperatura. as lâmpadas incandescentes. Introdução O Sol constitui a principal fonte de radiação ultravioleta (RUV) à qual o Homem se encontra naturalmente exposto. emite também radiação visível e infravermelha. As fontes de RUV utilizadas em aplicações industriais são geralmente blindadas. A maior parte das fontes artificiais de RUV. Qualquer fonte de radiação não filtrada cuja emissão resulte do aquecimento de um material.1. que emitem também quantidades significativas de radiação UV-B com efeito biológico. cujos espectros de emissão variam de caso para caso. como por exemplo o filamento de uma lâmpada. de descarga em gases ou fluorescentes.

7 0. .E+07 1. A lâmpada de incandescência é o tipo mais antigo de lâmpada eléctrica actualmente utilizada. A figura 1 mostra os espectros de emissão de um corpo negro para varias temperaturas (Lei de Planck). Embora existam vários tipos de lâmpadas utilizadas geralmente na iluminação comercial. ilustrando a diferença de emissão entre os dos dois tipos de fontes.2 0.9 1 Comprimento de onda ( m) 2500 K Figura 1.1 0.E-01 0.E+04 1.2. ocorre um grande número de transições de energia nas suas moléculas.E+01 1. Um emissor cuja eficiência é ideal (100 %) é designado como corpo negro. pelo que a emissão de RUV não é significativa para efeitos da saúde humana.E+08 10000 K Poder emissivo (W m-2  m-1) 1. Os bolbos das lâmpadas de tungsténio são normalmente feitos de vidro. aplicações industriais. o qual absorve significativamente a RUV.4 0. A energia radiante total. 1. As lâmpadas de incandescência funcionam tipicamente entre 2700 K e 3000 K e com alimentação eléctrica até 500 W.E+05 1.E+06 6000 K 5000 K 1.5 0. médicas e cosméticas. resultando na emissão de fotões. Fontes artificiais frequentemente utilizadas na iluminação de espaços interiores. podendo verificar-se que no UV a emissão correspondente a temperatura das lâmpadas de incandescência (3000 K) é cerca de 10000 vezes menor que a correspondente a temperatura do Sol (6000 K).8 0.E+09 1.1 Fontes incandescentes Quando um material é aquecido.3 0. A radiação óptica emitida por uma lâmpada de incandescência resulta do aquecimento dos seus filamentos de tungsténio onde a temperatura não excede os 3000 K.E+10 1.E+02 3000 K 4000 K 3500 K 1. 2. este trabalho limitar-se-á apenas àquelas mais utilizadas na iluminação de interiores e para as quais geralmente não se toma qualquer medida de protecção.E+00 1.6 0. Espectros de emissão de um corpo negro para várias temperaturas (Lei de Planck). assim como a sua distribuição espectral depende apenas da temperatura do corpo negro.E+03 1. Os picos de emissão encontram-se na região do infravermelho. com excepção das lâmpadas utilizadas em algumas aplicações fotográficas e de artes gráficas.

7 nm é absorvida pelo próprio vapor. As lâmpadas fluorescentes para iluminação geral encontram-se disponíveis para vários tamanhos. que resultam de transições electrónicas nos átomos de um material. Estas lâmpadas são constituídas por um bolbo de quartzo cheio de vapor de halogéneo (normalmente iodo).7 nm em radiação com comprimentos de onda mais longos através do revestimento interno de fósforo no invólucro da lâmpada.7 nm. Em alguns casos. pelo que a evaporação do filamento de tungsténio é minimizada. a fluorescente é particularmente eficiente. A luz é produzida pela conversão da linha de 253. Relativamente a outras lâmpadas. os picos estreitos são característicos do espectro de emissão do vapor de mercúrio a baixa pressão. A presença do vapor de halogéneo permite o seu funcionamento a maior pressão. são frequentemente utilizadas lâmpadas de tungsténio-halogéneo (também designadas de quartzohalogéneo). Por forma a operar de forma eficiente. potências e revestimentos de fósforo. cujas propriedades térmicas são mais adequadas para este efeito. tipicamente como um contínuo numa banda larga de comprimentos de onda. O aumento da pressão do gás para apenas poucas atmosferas aumenta também de forma significativa a largura das linhas de emissão. a linha de 253. A temperatura dos filamentos que neste caso varia entre 2900 K e 3450 K. resulta numa emissão significativa de RUV comparada com as lâmpadas de tungsténio referidas anteriormente. Estas funcionam a partir da descarga entre dois eléctrodos numa mistura de vapor de mercúrio com um gás raro (geralmente árgon). As emissões de radiação.2 Lâmpadas fluorescentes A excitação eléctrica de um gás ou vapor é uma forma comum de geração de radiação óptica. formando também um contínuo. 2. Estas lâmpadas encontram-se no mercado com diferentes invólucros e revestimentos de fósforo permitindo uma grande variedade de emissões espectrais que cobrem o visível. Em quanto que o espectro de emissão contínuo das lâmpadas fluorescentes é característico do fósforo utilizado. Neste mecanismo. são frequentemente combinadas com processos de luminiscência onde as linhas de emissão do gás são absorvidas por um material luminiscente (fósforo).Em aplicações onde é necessária mais potência (até 5 kW). a qual é utilizada como excitação nas lâmpadas fluorescentes de baixa pressão. A maioria dos bolbos de tungsténio-halogéneo são feitos de quartzo. combinada com a transparência dos bolbos de quartzo ao UV. UV-A e UV-B. relativamente às lâmpadas de incandescência convencionais. A descarga eléctrica em vapor de mercúrio a baixa pressão resulta numa forte emissão a 253. A incorporação de um filtro adequado que reduza a emissão de UV para um nível aceitável é uma característica importante no desenho de sistemas de iluminação que se utilizam nestas lâmpadas. com . o qual emite por sua vez radiação óptica. a corrente eléctrica é conduzida através de um gás ou de uma mistura de gases produzindo iões positivos e negativos. A aplicação mais comum das lâmpadas de descarga a baixa pressão são as lâmpadas fluorescentes. Estas propriedades resultam numa maior eficiência luminosa e numa maior duração da lâmpada. A gama de revestimentos de fósforo inclui uma grande colecção de lâmpadas quase brancas e coloridas (especiais). a temperatura da parede do bolbo deverá ser mantida a uma temperatura não inferior a 260 C.

o desenvolvimento e melhoramento das lâmpadas fluorescentes resultou no aparecimento de lâmpadas fluorescentes compactas. Percentagem relativamente ao máximo entre parênteses (McKinlay et al. Estas lâmpadas são geralmente comercializadas em cores frias embora também existam noutras tonalidades. Medições de irradiância UV para vários difusores/controladores com lâmpadas fluorescentes brancas. diminuindo significativamente a intensidade da RUV numa determinada direcção.35 (73) 2.1) 12 x 10-3 (<1) UVACGIH** [mWm-2]efectivo 59 x 10-3 (100) 48 x 10-3 (81) 0 (0) 0.cerca de 20 % da energia eléctrica convertida em luz útil.45 (100) 2. estireno opalino e policarbonato opalino. No quadro 1 encontram-se indicadas as propriedades de atenuação no UV de diferentes tipos de difusores. Algumas iluminações incorporam lados opalinos (difusores) e bases transparentes (controlador). A iluminação existente em escritórios e em ambientes industriais onde as lâmpadas fluorescentes são utilizadas. quando a irradiância espectral E à superfície é ponderada com a eficiência espectral relativa do risco Sentre 180 nm e 400 nm: Eeff =  ES . Os materiais utilizados na construção dos difusores são geralmente acrílico opalino.87 (13) 0. Neste caso. A maior parte das recomendações relativas a exposição da RUV divulgadas pelas várias organizações internacionais e nacionais são baseadas no mesmo critério definido pela ACGIH (1993) e IRPA (1991).20 (<1) UVB mWm-2 3.32 (100) 16. possuem frequentemente montagens que incorporam um difusor e/ou controlador. 3.92 (4) 0.09 x 10-3 (<1) + Superfície gravada com pequenos prismas * Superfície "reeded" ** Espectro de acção definido pela ACGIH : irradiância máxima permitido durante 8 horas de exposição = 10 -3 [Wm-2 ]efectivo Durante os últimos anos.91 (84) 0 (0) 3 x 10-3 (<0. O limite de exposição (LE) para o público em geral e para a exposição ocupacional à RUV incidente na pele ou na vista é de 30 [Jm-2]efectivo. Estas lâmpadas são basicamente tubos fluorescentes de pequeno diâmetro e de baixa potência. Quadro 1. Recomendações internacionais relativas a exposição à RUV. 1988) Tipo de difusor Lâmpada desprotegida Acrílico transparente + Estireno transparente + Estireno opalino* Policarbonato opalino* UVA mWm-2 22.02 x 10-3 (<0. os materiais mais usados são acrílico transparente e estireno transparente. enrolados ou dobrados de uma forma compacta. Os controladores são coberturas de iluminação configuradas com pequenos prismas ou lentes. A utilização de difusores e controladores tem como resultado a absorção e a reflexão da radiação emitida pela lâmpada.1) 0. Uma análise detalhada dos espectros das lâmpadas fluorescentes no UV mostram que em geral as emissões no UV-B e no UV-C são extremamente baixas devida a forte atenuação pelo invólucro de vidro para comprimentos de onda inferiores a 320 nm.

etc.E-01 Eficiência espectral relativa (S) .E-04 2850 2900 2950 3000 3050 3100 3150 3200 3250 1. Espectros de S e de LE (Jm ) para 8 horas de exposição entre 2900 Å e 3250 Å. estes indivíduos que geralmente têm conhecimento da sua hiper-sensibilidade à radiação.E+00 1. existem casos de indivíduos altamente foto-sensitivos que poderão reagir mal a estes limites. previamente expostos à radiação UV (bronzeados) e aqueles fortemente pigmentados podem tolerar doses na pele superiores e estes LE sem sofrer qualquer eritema. etc.) podem provocar um agravamento da sua foto-sensibilidade.) ou por aplicação externa (cosméticos. 1. com as devidas precauções.E+04 Eficiência espectral relativa (S ) Limite de Exposição 1.E-02 1. Estes limites são aplicáveis à população operária. produtos industriais.E+00 3300 Comprimento de onda (A) Figura 2. mas também poderão ser aplicáveis ao público em geral. Da mesma forma. o bronzeado repetido Limite de Exposição (J m-2) 1. que por ingestão (comidas.E+05 1. desconhecem no entanto os efeitos resultantes da exposição simultânea a certos agentes químicos.A figura 2 mostra as curvas de S e de LE (Jm-2) para 8 horas de exposição em função do comprimento de onda entre 2900 Å e 3250 Å.E+03 1.E+01 1. Embora raramente. Os indivíduos ligeiramente pigmentados.E+02 1. medicamentos. Contudo. A duração máxima de exposição em segundos para o UV é calculado da seguinte forma: tmax (s) = 30/Eeff (Wm-2) Os limites de exposição foram estabelecidos considerando populações ligeiramente pigmentadas com elevada sensibilidade e predisposição aos efeitos adversos da exposição ao UV. -2 Os limites de exposição aplicam-se a fontes cujas emissões são medidas com um instrumento com detector coseno orientado perpendicularmente a face mais directamente exposta do corpo para o caso da pele e ao longo (ou paralelamente) da linha de visão para o caso da vista. A recomendação geral é de que a exposição à radiação UV incidente na vista ou na pele desprotegida não ultrapasse os valores de LE para 8 horas de exposição indicados nesta figura.E-03 1.

5m x 1. 4. Figura 4.pode aumentar o risco de um envelhecimento acelerado da pele e ainda do aparecimento de cancro da pele. Este instrumento permite a medição da irradiância espectral num hemisfério entre 290 nm e 325 nm com uma resolução de 0. As medições no exterior tiveram lugar no terraço do mesmo edifício. Figura 3. As medições no interior tiveram lugar num dos gabinetes do 8º piso do edifício Instituto de Meteorologia (IM) em Lisboa na 2ª quinzena de Maio de 2000. . com uma janela em vidro de cerca de 1. utilizada para iluminação no tecto. A figura 4 ilustra a forma como foram instaladas as lâmpadas relativamente ao receptor coseno do espectrofotómetro. A lâmpada de halogéneo utilizada é de marca desconhecida (40 W). montada num candeeiro de mesa com uma protecção de vidro.5 nm. Configuração da lâmpada fluorescente (esquerda) e de halogéneo (direita) relativamente ao receptor coseno do espectrofómetro Brewer. foram efectuadas várias medições de irradiância espectral com um espectrofotómetro Brewer (figura 3). Medições de irradiância UV-B. Espectrofotómetro Brewer Como fontes artificiais foram utilizadas lâmpadas fluorescentes e de halogéneo. utilizado para a medição da irradiância global (directa+difusa) no exterior. correntemente utilizadas para iluminação em locais de trabalho. O gabinete tem cerca de 20 m2 e 3 m de altura. A lâmpada fluorescente utilizada é da marca Philips. Por forma a avaliar as diferenças entre a irradiância UV-B proveniente de fontes artificiais em ambientes interiores e a proveniente de fontes naturais.5m orientada para Sul. tipo “TLM 40W 133 RS”.

5 cm. A figura 6 mostra também os espectros obtidos com a lâmpada de halogéneo com e sem vidro. a dose efectiva é de 15.5 Jm -2 no UV-B. o qual é definido para todo o UV.3 Wm-2.E+04 Janela aberta Lamp off e janela fechada Limite de Exposição 313.E-02 1. Neste caso pode observar-se claramente os picos de emissão do mercúrio da lâmpada fluorescente. não oferecendo riscos especiais nesta banda espectral.0 1. podendo observar-se o carácter contínuo típico deste tipo de lâmpadas em contraste com o da lâmpada fluorescente. o qual corresponde a cerca de 6 horas de exposição 22 dias por mês e durante 6.E+01 296. Contudo. a irradiação no UV-B é cerca de 10 a 10000 vezes . Por outro lado.E-01 1.E+05 Lamp on (26.5 cm) Lamp on ( tecto) 1.E-03 2900 2950 3000 3050 3100 3150 3200 3250 Comprimento de onda (A) Figura 5. Pode verificar-se também que o vidro incorporado para atenuar a RUV não absorve completamente entre 290 nm e 325 nm.5 Irradiação em 8 horas (J/m^2) 1. a intensidade destes picos é cerca de 1000 vezes menor que o respectivo limite de exposição.5 cm do espectrofotómetro e no tecto e com as lâmpadas apagadas mas com a janela aberta e fechada. que representa cerca de metade do LE. provando que o vidro que envolve a lâmpada não é completamente opaco à radiação emitida pelo vapor de mercúrio. Para o caso da lâmpada no tecto o LE no UV é de 9. A figura 5 mostra os espectros de irradiação observados com a lâmpada fluorescente colocada s 26. sendo praticamente transparente ao UV a partir de 325 nm (UVA).5 cm sobre o detector e no tecto do gabinete assim como os espectros observados apenas com a janela aberta e com a janela fechada. isto é. em condições normais de exposição. Espectros de irradiação (8 horas) observados com uma lâmpada fluorescente colocada a 26.E+02 302. pelo que o tempo de exposição máximo para este caso é cerca de 16 horas. é preciso notar que para o caso da lâmpada a 26.0 1. cuja intensidade pode ser superior à da chamada luz natural que entra pela janela. 1.Os espectros de irradiância medidos foram convertidos em espectros de irradiação em 8 horas por forma a serem comparados com os limites de exposição da figura 2.5 cm. Mesmo a uma distância curta como 3. que representa um tempo de exposição máximo de aproximadamente 888 horas.E+00 1.E+03 1. quando a lâmpada se encontra colocada no tecto.7 meses.

E+01 1. No entanto.5 cm. os valores não ultrapassam os LE em nenhum comprimento de onda assim como a respectiva dose efectiva integrada. principalmente os mais curtos. normalizadas a 26. o que ilustra bem o risco associado a exposição da radiação solar relativamente as fontes artificiais.8 horas.E+04 Lâmpada sem vidro Limite de Exposição Irradiação em 8 horas (J/m^2) 1. não oferecendo riscos especiais pelo menos no que respeita ao UV.7 horas). a figura 7 mostra os espectros de irradiação para 8 horas observados no IM (Lisboa) a 2 de Junho de 2000 para dois valores de ângulo zenital do Sol juntamente com os espectros das lâmpadas utilizadas. Como já foi referido. para o caso de Sol alto. a dose diminui para níveis mais seguros (13.E-01 1. No entanto.E+02 1. Espectros de irradiação (8 horas) observados com uma lâmpada de halogéneo colocada a 3. Contudo.1 de angulo zenital. em condições “normais” de radiação solar.E-02 1. contudo julgamos ser útil comparar os valores obtidos com lâmpadas no interior com os obtidos no exterior. Pode observar-se que para a situação de Sol “baixo” a 78. 1.E-03 2900 2950 3000 3050 3100 3150 3200 3250 Comprimento de onda (A) Figura 6. é interessante notar também que os valores de irradiância espectral são cerca de 1000 a 10000 vezes superiores aos medidos no interior com a janela aberta.E+05 Lâmpada com vidro 1.5 Jm-2 ou 17.8 Jm2. Para a mesma distância mas com o vidro de protecção. ilustrando também as diferenças de intensidade da radiação UV dentro e fora a de uma sala. Assim. Por outro lado. as fontes artificiais de RUV são geralmente menos intensas que o Sol. com uma duração máxima de 3. pelo que deverão tomar-se precauções relativamente a colocação deste tipo de lâmpadas sem protecção. os valores ultrapassam os LE entre 299 nm e 311 nm e a dose integrada no UV-B é de 1810 Jm-2 ou 8 minutos de exposição máxima.inferior aos limites de exposição.E+00 1.5 cm do espectrofotómetro com e sem vidro de protecção. . neste caso a dose efectiva integrada no UV-B é de 61. é curioso verificar que os valores da lâmpada fluorescente são superiores nos comprimentos de onda das riscas de emissão do mercúrio.E+03 1. que é superior ao dobro do limite de detecção para 8 h no UV.

1 graus) Exterior (Angulo zenital = 16. 3. 3. uma vez que abre a possibilidade de efeitos a longo prazo devido à exposição prolongada com estas lâmpadas durante o trabalho. pode ultrapassar o LE no UV se o tempo de exposição for superior a 888 horas. Relativamente aos limites de exposição espectrais.5 cm e 3.5 cm).E+03 Irradiação em 8 horas (J/m^2) 1. As lâmpadas de halogéneo emitem também radiação UV-B. .E-02 1. a irradiância integrada pode ser elevada e superior aos LE estabelecidos para o UV para 8 horas. as lâmpadas de mercúrio e de halogéneo são seguras mesmo para distâncias relativamente curtas (26.E+05 Lâmpada fluorescente Lâmpada de halogêneo 1. Espectros de irradiação (8 horas) observados no exterior (Sol) para dois ângulos solares e com lâmpada de halogéneo (sem vidro) e fluorescentes colocadas a 26. os resultados obtidos mostram que: 1. As lâmpadas fluorescentes não são opacas a radiação UV-B e.E+04 Limite de Exposição Exterior (Angulo zenital =78.E-01 1.1. A dose devida a uma única lâmpada fluorescente colocada no tecto.5 graus) 1. em certos comprimentos de onda. Conclusões Supondo que as lâmpadas utilizadas neste trabalho são representativas das utilizadas para a iluminação de interiores em lugares públicos e locais de trabalho. 4.E+02 1. correspondentes as risca de emissão do vapor de mercúrio. embora geralmente inferior a emitida pelas lâmpadas fluorescentes.E-03 2900 2950 3000 3050 3100 3150 3200 3250 Comprimento de onda (A) Figura 7. Quando a distância é relativamente curta.E+01 1. podem resultar em doses de exposição superiores as recebidas com a chamada luz natural. sendo obviamente necessário protecção especial. Os vidros de protecção geralmente incorporados são 100% eficientes apenas para comprimentos de onda inferiores a 290 nm. 2.5 cm sobre o espectrofotómetro. Este resultado é significativo.E+00 1.

Bristol. Harlem F. Geneva.. . uses and safety. Bibliografia WHO. pela colaboração prestada na disponibilidade do material eléctrico utilizado neste trabalho.J. Philadelphia. e Whillock M. WHO.Agradecimentos Ao Engº Cardoso da Divisão de Gestão Financeira do IM.F. Adam Hilger. McKilnlay.. Environmental health criteria 160: Ultraviolet radiation (1994). (1988) Hazards of optical radiation: a guide to sources. A.