REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº2 - Outubro 2009 - 1

EDITORIAL
Nosso objetivo com o primeiro número da Revista foi alcançado: foram mais de 1.000 downloads da versão PDF, além dos 10.000 pageviews da versão em HTML. Como sabemos que o Brasil não é um País totalmente informatizado queremos ir além, fazendo a versão impressa da revista, distribuída de forma gratuíta. É um sonho que necessita de patrocínio, assim disponibilizaremos espaço para quem quiser anunciar o seu produto/site/blog a partir do próximo número. Somos uma Editora que acredita no autor e não temos a visão arrogante do mundo editorial. Aqui nestas páginas, você encontrará pessoas que fazem cultura com qualidade, ainda que muitos sem apoio e não “descobertos”. As poesias, contos e prosas estão especiais... Não se preocupe em interpretar o que o autor escreve, apenas sinta o que as letras te falam. Entrevistamos Bartolomeu Campos Queiros que é um dos escritores mais importantes no Brasil e é autor do Manifesto Literário. Também Grace Olsson, autora desta Editora que merece todo o respeito pelo seu trabalho, pois poucos são os que realmente colocam seu discurso em prática, e ela é uma dessas pessoas que vão à luta. Temos a música da Banda Back, o cartoon de Douglas Zimmermann e a visão do roterista Matheus Costa sobre televisão. Para quem acha que Twitter é um monólogo, afirmamos que estamos sempre lendo. Por isso resolvemos inaugurar a sessão: “enquanto isso no twitter da editora.” O artigo que Daliana Câmara Cascudo escreveu está impecável e fala de nosso “Provinciano Incurável”: Luís da Câmara Cascudo”, seu avô, que um dia disse: “Quando nasci, o Brasil estava à beira do abismo. Passados os anos, uma das duas coisas deve ter acontecido: ou o abismo fechou ou o Brasil alargou”. A frase de Câmara Cascudo me fez refletir e infelizmente ainda mantenho minha posição crítica para com os dias de hoje, pensando que o abismo alargou.. A cultura no Brasil, não é produto de quem tem dinheiro e sim do superfúlo. Ir ao teatro, adquirir bons livros, ir ao cinema ou assistir show, fica fora do orçamento da família brasileira. E como se não bastassem todas as benesses conquistadas pelo “bravo” povo brasileiro, eis que nos presenteiam com mais um vale, agora da cultura, onde o assalariado tem a honra e o prazer de ter agregado a seus rendimentos a “astronômica” quantia de R$50,00. Deram-nos a oportunidade de reservar esses tantos dinheirinhos para a cultura, porém esquecem da irrealidade dos impostos, com os quais mantemos até mesmo presidentes de outros paises instalados em missões além fronteira. Cinquenta reais passam longe de um começo para o povo se tornar culto e ainda surge como mais um projeto super bonito no papel, mas que na prática irá se deparar com a realidade antiga: o descontrole na fiscalização. É realmente triste ver projetos como o vale cultura sendo feitos pelo Governo em 2009 aos moldes dos vales que Getúlio Vargas criou. No Brasil nada se cria em termos de política, as idéias são as mesmas, porém encabeçadas por corpos mais novos. David Nobrega escreveu um artigo sobre o vale cultura, mostrando sua visão não particular, mas político cultural. Será que realmente vamos levar cultura para os lares brasileiros? Cultura é política, como tudo na vida o é. Mas não podemos discutir a cultura com a paixão ou ideologia partidária. Esqueça seu candidato, esqueça seu partido e faça uma análise do período que vivemos. Vivemos uma democracia, temos liberdade, porém Nelson Rodrigues há muito disse: “Ah, os nossos libertários! Bem os conheço, bem os conheço. Querem a própria liberdade! A dos outros, não. Que se dane a liberdade alheia. Berram contra todos os regimes de força, mas cada qual tem no bolso a sua ditadura.” Analise seu papel nesse democracia: não seja torcedor pelo Brasil, seja Brasileiro e cidadão. Seu papel não é somente o de votar e político não é “pop star”. O político é o emprego mais caro que você mantêm. Vote - cobre - fiscalize!

Revista Cultural Novitas
Ano I - Número I Agosto de 2009
Esta é uma publicação da Editora Novitas em periodicidade bimestral, distribuída em forma eletrônica e gratuita. Todos os textos, imagens ou qualquer outra forma de manifestação aqui publicados foram devidamente solicitados a seus autores, que autorizaram sua utilização por meio de mensagem eletrônica. Editores: Letícia Losekann Coelho David Fordiani Nóbrega Isento de registro ISBN, conforme instrução da Biblioteca Nacional. Nesta Edição: EDITORIAL OPINIÃO ENSAIO MÚSICA POESIA CARTOON NA TELA CONTOS & + ENTREVISTA TWITTER VIAGEM 02 03 04 06 08 10 11 12 16 18 19

Letícia Losekann Coelho Escritora e Editora

2 - REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº2 - Outubro 2009

REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº2 - Outubro 2009 - 3

opinião

A Cultura do Paliativo
A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte. (Titãs) Foi encaminhado ao Senado, após a aprovação na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 5798-09, que trata da criação do vale cultura. Para quem não sabe, esse projeto possibilita ao trabalhador (privado ou servidor federal) que receba até cinco salários mínimos por mês o gasto de R$ 50,00 com cultura. Um cartãozinho magnético, nos moldes dos vales transporte, bolsa família, bolsa gás, etc. Entretanto, vão aqui alguns lembretes: 1 – O Brasil ocupa a 75ª posição no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Em 2000, nosso índice era de 0,789. Em 2009, com um acréscimo de apenas 0,018 ao índice, chegamos a 0,807 . Menos de 2% de melhorias reais. Para efeito de comparação, os países que ocupam as primeiras 40 posições tem um incremento anual médio em torno de 0,003 a seus índices. 2 – A União hoje é responsável por 17% do investimento em educação – valor menor do que o de 2000, que estava em 19,9%. A participação dos Estados e do DF é de 42,8% e a das cidades, 40,2%. Em termos globais, esses investimentos não atingem nem mesmo a 4,6 % do PIB. O Ministério da Educação tem uma dotação orçamentária de R$ 43.283.591.462 para este ano de 2009. Estamos em Outubro e a destinação dessa verba está em torno de 58%. Isso quer dizer que dinheiro há, mas não é aplicado. 3 – Segundo dados do próprio MinC, 50 % dos recursos de mecenato (Lei Rouanet) ficam nas mãos de 3% dos produtores cadastrados. Dados contestados pela classe artística, mas que levantam mais uma vez a polêmica sobre as dificuldades em se obter recursos para a cultura. Por falar nisso, você já notou como foi caro o Cirque De Soleil? R$ 300,00 o ingresso. Além de recursos públicos. Ou seja, você que foi prestigiar aos canadenses (é, eles não fazem cultura nacional...) pagou duas vezes para ver o mesmo show: na portaria e nos impostos recolhidos. “Vivemos em um país de contrastes” é frase batida. Recursos do erário são imensos, mas direcionados às áreas onde se é possível obter votos. Um exemplo? Investe-se menos em educação de base (onde infantes petizes não votam), que nas universidades. Museus fecham ou limitam acervo por falta de verba. A tradição e a cultura popular morrem pela contaminação ou pelo descaso. Tudo bem, teremos a Copa do Mundo de Futebol em 2014, as Olimpíadas em 2016, ambas passando por um Rio de Janeiro que já teve o PAN 2007. “Obras que ficarão para o povo”, diziam eles, os políticos. “O orçamento estourou”, comentavam os empreiteiros. “Onde está a melhoria?”, pode hoje comentar e mostrar o carioca que assiste da janela a mais um ato de guerra civil, enquanto viagens faraônicas ou nababescas (na dúvida entre o uso de um ou outro termo deixo a critério do leitor para que resolva qual o pior) são promovidas pelo Nordeste, em uma campanha política precipitada, atentando contra o pluripartidarismo (no teor das palavras), à democracia (pelo ato em si) e à razão (quanto a desproporcional opulência). E ainda temos o carnaval desnudo, propaganda maior do turismo sexual. A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte, diziam os Titãs lá pelos anos 80 e qualquer coisa. E nada muda, pois continuamos a querer as mesmas coisas que a cada dia se tornam mais distantes. O cinto largo mas apertado do orçamento familiar está a cada dia com menos furos e a primeira medida é sempre conter despesas. We can´t. Esperemos ansiosos pela aprovação do vale cultura, que é assinado pelo comunista Flávio Dino – candidato ao Governo do Maranhão nas próximas eleições e um dos favoráveis a um terceiro mandato ao atual presidente – com substitutivos de Manuela D´Avilla – comunista idem, jornalista, ex-vereadora de Porto Alegre (não terminou o mandato), deputada federal (não queria também terminar esse, já que concorreu à Prefeitura de Porto Alegre) –, que claro será em ano eleitoral e antes do lançamento do filme sobre o presidente metalúrgico. O brasileiro é um crente no país do futuro, que passará necessariamente pela cultura e pela educação de base, então qualquer esforço, mesmo que paliativo, é válido. Você pode estar a três ônibus de distância do teatro, mas com 50 reais talvez um dia você assista a uma peça de teatro que já não seja subsidiada anteriormente. Ou entre em uma livraria, ao menos mês sim, mês não. Mas por favor, faça as opções corretas e consuma cultura nacional e de qualidade. David Nóbrega Escritor e Editor

opinião

ensaio

Por Daliana Cascudo Roberti Leite (*)

Luís da Câmara CasCudo nasceu em Natal, na Rua Senador José Bonifácio, chamada Rua das Virgens, 212, no Bairro da Ribeira, numa Sexta-feira, dia de São Sabino, a 30 de dezembro de 1898, às 17:30 hs. Seus pais eram Francisco Justino de Oliveira Cascudo e Ana Maria da Câmara Cascudo, nascida Pimenta. Cascudo explica a origem familiar do nome: “Cascudo não denomina, realmente, minha família paterna, constituída dos Justino de Oliveira, Gondim, Ferreira de Melo e Marques Leal. Meu avô, Antonio Justino de Oliveira (...) era, nos últimos anos, chamado o velho Cascudo, pela devoção ao Partido Conservador, também com essa alcunha. Dois filhos, Francisco e Manuel, tiveram a idéia de juntar o Cascudo ao nome, vocábulo que jamais meu avô pronunciou. O nome Cascudo, no caso, não é o inseto, o coleóptero, mas vem do peixe de loca, Acari.” Na sua mocidade, teve existência de príncipe, morando numa Chácara no Tirol, chamada de Vila Cascudo, centro permanente de reuniões literárias, jantares festivos, recitais de músicos famosos que transitavam pela cidade. Estudou no Atheneu Norte Riograndense, cursou Medicina na Bahia e Rio de Janeiro, fazendo até o quarto ano. Desistiu de ser médico, por falta de vocação, e foi estudar Direito no Recife, onde se formou em 1928. Apaixonou-se por uma menina de 16 anos, com delicadeza e nome de flor, Dáhlia Freire. Casaram-se em 21 de abril de 1929 e tiveram dois filhos: Fernando Luís e Anna Maria. Durante os 57 anos em que estiveram casados, Dáhlia foi para Luís, como ela o chamava, muito mais do que uma esposa, tornando-se o seu esteio emocional, proporcionando-lhe o equilíbrio e a serenidade que ele necessitava para escrever mais de 150 livros, durante a sua trajetória intelectual. Luís nunca se preocupou com o lado prático da vida, tudo era “Dáhlia quem resolvia.” Iniciou-se como jornalista em outubro de 1918, no jornal “A Imprensa”, de propriedade de seu pai. Colaborou em todos os jornais de Natal e em vários do país, mantendo secões diárias inesquecíveis, como “Bric-a-Brac”, naquele jornal, e “Acta Diurna”, em “A República” e no “Diário de Natal”. Esta última foi mantida diariamente de 1939 a 1952 e de 1959 a 1960, numa totalidade de 1.848 artigos. Essas seções foram os germens de quase todos os seus livros, fomentando a sua obra de historiador, folclorista, antropólogo, etnógrafo, sociólogo, ensaísta, tradutorcomentador, memorialista e cronista, de renome internacional. Estreou como escritor lançando o seu primeiro trabalho VERSOS REUNIDOS, em 1920, antologia poética de Lourival Açucena, com introdução e notas de sua autoria. No ano seguinte, 1921, publicou o primeiro livro inteiramente seu, ALMA PATRÍCIA, crítica literária em torno dos poetas potiguares desconhecidos do resto do Brasil. Sua consagração como escritor, entretanto, ocorreu a partir de 193839 e, sobretudo, ao longo da década de 40. Escreveu sobre os mais variados assuntos, sendo evidente a sua especialização na etnografia e no folclore e a sua predileção pela história, pela geografia e pela biografia. Entre os mais de 200 livros, plaquetes e ensaios de Cascudo destacam-se: Dicionário do Folclore Brasileiro, Literatura Oral no Brasil, Vaqueiros e Cantadores, Canto de Muro, Rede de Dormir, Jangada, História dos Nossos Gestos, História da Alimentação no Brasil, Civilização e Cultura, Geografia do Brasil Holandês, Geografia dos Mitos Brasileiros, Contos Tradicionais do Brasil, Locuções Tradicionais do Brasil, Lendas Brasileiras, Superstições e Costumes, entre outros. O Dicionário do Folclore Brasileiro, que teve a sua primeira edição em 1954, foi a primeira compilação acadêmica de temas ligados ao “Folclore”, que não tinha, na época, “status” de ciência. Esta obra, ainda hoje, é uma referência tanto em folclore, quanto em cultura popular e etnografia, tendo sido escrito numa pesquisa solitária de mais de dez anos, aliado a extensa correspondência mantida pelo autor com diversos pesquisadores do Brasil e do exterior, o que fornece ao Dicionário um caráter enciclopédico único no gênero. Sobre sua correspondência, podemos dizer que Cascudo teceu uma imensa

ensaio

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REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº2 - Outubro 2009 - 5 teia de interligações na pesquisa do folclore brasileiro, buscando as suas origens mais remotas e mostrando as suas múltiplas facetas nas diversas regiões do país e do mundo. Para ele, o regional estava precedido por um universal maior, de onde tudo surgia e se explicava. Foi um verdadeiro “precursor da internet”, com uma rede de informantes espalhados pelo mundo, que através das cartas lhe enviavam dados e dirimiam suas dúvidas. Dizia-se que as grandes presenças de Natal eram: o Rio Potengi, o Forte dos Reis Magos e Luís da Camara Cascudo. Foi Professor e Diretor do Colégio Atheneu, Professor da Escola Normal e do Instituto de Música, Consultor Jurídico do Estado, Professor da Cadeira de Direito Internacional Público da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. É fundador da Academia Norte Riograndense de Letras e um dos idealizadores, junto com o Professor Onofre Lopes, da UFRN. Era um otimista irrecuperável. Acreditava no futuro grandioso do Brasil e explicava desta forma os fenômenos cíclicos das agitações brasileiras: “Quando nasci, o Brasil estava à beira do abismo. Passados os anos, uma das duas coisas deve ter acontecido: ou o abismo fechou ou o Brasil alargou. O que está se processando no Brasil é uma fase lógica, com a presença dos problemas mundiais que aqui arribaram. Falar em problemas brasileiros, em abismos, é ignorar o que se passa e passou no resto do mundo. Desvalorização da moeda, desajustamento psicológico, tudo isto são ciclos. Antes de tudo é preciso acreditar que estamos aqui numa missão humana e que nada disso é castigo “Quando nasci, nem penitência acima o Brasil estava à de nossas possibilidades beira do abismo. de resolução. O melhor Passados os anos, produto do Brasil ainda uma das duas é o brasileiro”. Nada mais coisas deve ter atual e adequado. acontecido: ou o Realizou várias abismo fechou ou viagens de estudo e o Brasil alargou.” pesquisa pelo Brasil e no exterior. Em 19471948 foi a Portugal organizar e participar do 1o. Congresso Luso-Brasileiro de Folclore, onde foi saudado pela imprensa local como “um dos eminentes etnólogos da pátria irmã”, “sem dúvida, uma das fortes personalidades da atualidade intelectual do Brasil”, “uma das mais altas expressões mundiais no domínio do folclore e etnografia”. Em 1963 viajou à África com um objetivo especial: estudar a alimentação popular, na colheita de elementos para a sua grande História da Alimentação no Brasil e Made in África. Ao longo de sua vida, recebeu as mais diversas distinções e títulos, apesar de ter recusado a cadeira de “imortal” da Academia Brasileira de Letras, para ele bastava a Academia Norte Riograndense de Letras. Entretanto, o título de que mais se orgulhava era o de “professor”, como gostava de ser chamado. Segundo ele, “Estudou e escreveu, nada mais lhe aconteceu”. Durante toda a sua profícua vida e permeando toda a sua obra, foi fiel a sua terra e a sua gente, pesquisando e escrevendo sobre o que acreditava e o que achava relevante. Para ele, “alguém deveria ficar estudando o material economicamente inútil, poder informar dos fatos distantes na hora sugestiva da necessidade. Fiquei com essa missão. Andei e li o possível no espaço e no tempo”. Nos seus 87 anos de vida, tornou-se um dos maiores “descobridores do Brasil”, enaltecendo sempre a nossa cultura e os nossos costumes. Graças a ele, movimentos de valorização do regional, e aspectos da nossa verdadeira Brasilidade são hoje enaltecidos e ressaltados. Em 2004, uma frase sua, “O melhor do Brasil é o brasileiro”, tornouse tema da Campanha lançada pela ABA, Associação Brasileira de Anunciantes, e criada pela Law Lara Publicidade, como forma de aumentar a auto-estima do povo brasileiro. Ninguém melhor do ele, que sempre amou e estudou o povo brasileiro em toda a sua diversidade, para dar origem a uma frase onde se ressalta o amor pelo Brasil e o orgulho por “ser brasileiro”. Cascudo “encantou-se”, como ele se referia à morte, no dia 30 de julho de 1986, em Natal, cidade de onde nunca quis “arredar o pé”, pois se considerava um “provinciano incurável”. A nós cabe, hoje, a imensa responsabilidade de valorizar e divulgar o inesgotável legado cultural que ele nos deixou.

Daliana Cascudo Roberti Leite é Diretora do Memorial [acesse] e do Instituto [acesse] Câmara Cascudo. Todas as imagens deste ensaio são parte do Acervo “Instituto Câmara Cascudo - Ludovicus”

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música
A intenção de nossa Revista é clara: divulgar cultura, seja ela qual for ou quanto conhecida é. Isso vale principalmente para a música. Neste número trazemos a banda Back. Com vocal afinado e instrumental preciso, esperamos que em mais algum tempo esteja tocando nas rádios do país. Aproveitem e deem um clique [aqui], que lhes levará para o site da Revista Megazine, do Jornal O Globo. Ali está acontecendo um Concurso de novas bandas e você pode dar uma forcinha, votando por eles. Abaixo uma breve história da Back, contada pelo Thiago: “A BACK tem 3 estórias paralelas que contam como tudo aconteceu. Deu os primeiros sinais em 1995, quando conheci André no pátio da escola, na hora do recreio. Estava andando pelos corredores quando vi André sentado com um walk-man cantarolando algo familiar. Era Beatles. Eu, que já escutava Beatles desde a barriga de minha mãe e que já tocava músicas do quarteto de Liverpool em meu teclado, parei: “Isso é Beatles?” “Aham, escuta aqui”, disse André, me oferecendo seu fone esquerdo. Tornamo-nos amigos inseparáveis, e alguns meses depois começamos a aprender violão. Consequentemente, por ser fã de Paul McCartney, eu queria aprender baixo. Ganhei um e nossos ensaios ficaram cada vez mais frequentes. Marcavamos para estudar, mas acabavamos ensaiando. Tivemos inúmeras bandas juntos. Mas a vida segue e cada um acabou indo para seu lado. Anos depoiseu era músico da BlackBird Beatles Cover e acabei convidando André para entrar na banda. Isso em 2005. Ele entrou e tocamos juntos novamente durante 3 anos. Então André foi morar em Portugal. Eu morava em um prédio em Jacarepaguá, com dois blocos e 110 apartamentos ao todo. Saturno. No bloco 1, nº 705, morava Wiliam, um menino tímido de então 12 anos que dava seus primeiros passos no violão e que só tocava sozinho no quarto. Mas como todo menino do prédio, gostava de jogar bola e sempre ia ao play para a disputa de penalties que acontecia diariamente, o que chamávamos de “Gol-aGol”. Nos conhecemos assim, jogando bola. Quando o futebol acabava, eu pegava meu violão, encostava em qualquer canto e começava a tocar e cantar. Wiliam observava de longe, com os dedos coçando para tocar. Subia para casa, se trancava em seu quarto, botava algum album do Kiss e tocava junto. Dois anos se passaram. Dia de verão, todos na piscina, eu tocando meu violão, perguntei para o Wiliam: “Quer tocar alguma coisa?”. Ele negou, tímido como era. “Vai tocar sim, melhor, pega o seu violão e vamos tocar juntos.” Eu escrevia músicas desde os 13 anos e em 2001, 6 - REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº2 - Outubro 2009

música

REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº2 - Outubro 2009 - 7 com 18 comecei a gravar demos. Em 2007, Wiliam gravou as guitarras desse material. Já eramos uma banda, mas faltava ainda mais uma guitarra e uma bateria. Em 2000, André e eu tinhamos uma banda cover de Beatles chamada “Son of Beatles”. Um dos guitarristas era Bruno Audi, amigo e companheiro de uma banda que eu participei, os “Excluídos”. Alguns ensaios aconteceram em um sitio, onde Bruno morava. Depois das sessões, a banda ficava na varanda conversando e planejando os próximos shows. Bruno tinha primos e primas que moravam todos no mesmo sitio, as crianças brincavam na piscina e corriam pela varanda, mais conhecido como “Varandão”. Um dia surge um menino com os cabelos loiros quase brancos, correndo todo suado. Cochichou algo no ouvido do Bruno, sentou na bateria e tocou um pouco. O nome dele: Klaus. O moleque sabia o que estava fazendo. Ele tinha 10 anos. Oito anos depois Klaus recusou entrar para a banda, por estar atolado Thiago, que já escutava Beatles com o vestibular, que desde a barriga prestou e passou. Um da mãe e que já ano depois, convidamos tocava músicas novamenteo e ele aceitou dos Beatles em seu levar um som para teclado, parou e ver se tinham alguma perguntou: “Isso é afinidade musical. Wiliam Beatles?” “Aham, e eu fomos para o sitio escuta aqui”. encontrar Klaus. Montamos nossos instrumentos e improvisamos. Foi fantástico. Eramos partes complementares, peças de um quebra-cabeça. Assim, no dia 29 de Janeiro de 2009, logo depois dessa jam session, resolvemos oficializar a banda. Silêncio. “Precisamos de um nome”. Brainstorming. De estalo gritei o “BACK!”, que remete ao passado, às nossas influências musicais vintage, bandas dos anos 60 e 70. Um nome curto e em qualquer lugar do mundo é fácil de falar. Todos convencidos de que esse nome era ‘o’ nome. E assim batizamos a banda. Depois de sete meses, André volta de Portugal e já antes de comprar a passagem de volta, era um BACK.” A Back: Thiago Peguët - voz e baixo Wiliam Franco - voz e guitarra Klaus von Haehling - voz e bateria André Filho - voz e guitarra

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poesia

Humanidade
Leonardo Schabbach

Um gosto de ânsia na boca
Alexandre Câmara Um gosto de ânsia na boca Que espalha a saudade de um milagre E me lança no abismo da carência Regurgito o que ainda não tem nome Um feto amorfo louco pra virar felicidade

O ódio é um ode aos outros, homenagem àquele que se odeia, a valorização da imbecilidade alheia; erro; equívoco; criação. O ódio não existe, não, não é coisa do coração. Não passa de uma qualidade besta, um sentimento inventado na cabeça. Portanto, dêem as mãos! A humanidade só anda de mãos dadas, assim não fosse, nós não teríamos mãos: nasceríamos com dois pares de patas.

Noite
Anna Ribeiro No coração disparado, Do olhar sentido... Em ecos desordenados, A alma agitada. Debrucei em noite de paixão! Ainda que... Temo despertar,fico em silêncio. Permanecendo em saudade! Pensamento ...segue o vento, Que teu nome faz ressoar. Dormirei em travesseiros de esperanças

poesia

Último Ato
Cezarina Caruso

a tarde cinzenta traça compassos nos fios da rua. sobre a mesa, meus poemas e as chaves que deixaste... no meu coração os acordes sonoros da minha saudade. no ar parado as tuas palavras... despedida. a tarde gris desce sua cortina de chuva...

Cálice Derramado
Rosemari Derramei minhas pétalas em teu cálice Absorvendo tua sangria ALÉM MARES envelhecidos teores e corpo desvairado das cálidas crisálidas de minha boca, feridas em flauta doce De teu corpo nu dançando em cores Tocaste hino divinal acordes Sinuosas vias de mortal pecado Transformando vinho Em tuas águas santas.


David Nobrega Em duras e frias madrugadas nuas Sentindo a ausência de carnes tuas Me chega a a saudade palpitante (.....solidão dilacerante) Por meios e modos entrevejo nossos corpos Me entrego a prazeres banais Dedilho sentimentos mortos Sinto o perfume de favores sexuais Ilusão da madrugada Fria e dura Carne nua Só, Enfim.

Vadia
José Fernando Nandé

A Lua, Esta doce vadia, Some por sete dias, Noutros brilha para todo mundo, Mas, pudica, mesmo que sempre nua, Não é de ninguém.

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Por que é Natal
Marcos de Andrade(*) quando eu era pequeno a familia se juntava e então meu pai orava com fervor e muita fé e eu sabia cada frase do livrinho que meu pai com carinho carregava em suas mãos o nome dele soava como poesia e eu cantava com harmonia as cantigas de louvor mas eu cresci e esqueci rapidamente apaguei da minha mente as cantigas que ele me ensinou fui buscar mundo e uma vida fantasiosa deixei minha mãe chorosa fiz sofrer seu coração mas é natal e ele voltou novamente e falou pra toda gente que me quer em seu coral ainda falou, p’reu ouvir, que me perdoa que a dor é coisa boa pois ensina a caminhar disse ainda que errar é coisa da gente e ficará muito contente se eu quiser lhe acompanhar por que é natal e o amor nasceu de novo para unir todos os povos e as ovelhas rebanhar mamãe chorou quando eu voltei pra igreja larguei cigarro e cerveja reaprendi a me ajoelhar pois é natal e jesus nasceu de novo e o menino curioso que eu fui voltei a ser (*)Marcos de Andrade é autor de “Meleca, A Bruxinha Sapeca”, em edição pela Novitas

Desespero
Eduardo Manciolli O desespero, o aceite, o deleite, as quinquilharias, a vidraçaria, e a sinergia Sinto dentro de mim um Eco, ele entrar e sai por todos os meus poros e perturba meu ser Um vazio completo me toma me sinto como uma banheira enorme numa casa velha, cheia de lembranças e moveis indesejáveis, amontoados por todos os cantos, cortinas semi-vestidas e janelas entre abertas O puro vazio, um copo, uma lata na rua, uma garrafa na chuva, um deus sem credo, uma banheira polida de ópio e desejo, poeira e solidão completamente despido as vezes me queixo as vezes me deito as vezes me aceito As vezes acordo e gostaria que tudo fosse diferente, e que você estivesse ao meu lado.

Acróstico do Boi Premonitório
Joe Brazuca

Testemunhas oculares Relataram com certa Urgência que numa certa Cidade do centro do País Uma grande onda se Levanta para que um certo Elemento nefasto, sem Nenhum caráter e moral Comece a planejar sua Incubação eterna no poder, Assim como de
seu ParTido.

Falácias de amor
Hercília Fernandes I - Nego para melhor dizer o que as mais velhas, sisudas e gordas carolas já estão roxas de saber... ¡te estraño! II - Não falo de amor posto ser invenção... falo de estranhamento perder o senso em vale de contemplação Falo de coisas insanas e sanas também Nudez em ondas movediças eterna na brevidade vai-e-vem III - Até que, enfim, descansemos... pois que os sinos batem, em silêncio, os doces desarranjos de nossa profana e tardia: in fan ti li da de

15 poetas para todas as crianças
Uma nova Coletânea, totalmente direcionada ao público infantil (faixa entre 7 e 9 anos), realizada em parceria com o ilustrador Danilo Marques. Para maiores informações [acesse]

& Cia.

& Cia. cartoon

Os Mullets
por Douglas Zimmermann Para evitarmos o pudor juizforano, comecemos na terceira pessoa. Douglas Zimmermann nasceu no interior do litoral mineiro, Juiz de Fora. Cidade que tem o título de princesinha de Minas, hoje abriga cerca de 600 mil juizforenses (sim, o termo existe!) que adorariam receber, também, o título de capital do Estado. Enquanto não conseguem, se orgulham de diversas outras coisas, inclusive de estarem muito próximos do litoral (a 184 Km do Rio de Janeiro). Em meio a tudo isso, Doug sobrevive diariamente como designer gráfico e nos horários vagos busca seu sonho de infância: trabalhar com ilustração. Nesta busca frenética nasceram Os Mullets: quatro amigos que estudaram juntos no ensino médio e acabaram virando formigas em um mundo paralelo. Essas formigas, que mais parecem bolinhas de gude com antenas, ora brincam com a realidade outra hora se perdem em um mundo fantástico. Um mundo que reinventa nossos sonhos, mas que às vezes também pode reinventar nossos pesadelos. Talvez pareça loucura, mas o canibalismo cultural está presente nesse trabalho. Os Mullets, nome de origem inglesa foi digerido pelos “insetos de gude” e ganhou novo significado. O colorido garantiu seu espa-

ço representando o popular, assim como também o traço descompromissado. Certa vez sua mãe o perguntou sobre a possibilidade das ideias para novas histórias se esgotarem... O mais interessante dos Mullets é que sempre estão

cartoon

um bom tempo. Contudo, o desenhista “surfista” do rio Paraibuna (rio que corta a aldeia juizforana ou juizforense) não pôde mais fugir de sua criação e nesse ano fez as pazes com a cria. Hoje, alimenta o BlogMullet semanalmente com tirinhas e charges. Em junho, participou do 1º Salão de Humor de Juiz de Fora, e agora no final de outubro consegue realmente chegar mais perto do litoral, classificando-se para a mostra competitiva do 4º Animasserra, de Teresópolis. É sabido que, para quem escolheu ser gauche, o caminho não é tranquilo, contudo ele é instigante. Doug Mullet neste momento trabalha em dois projetos que até agora eram altamente secretos. Um deles é a produção de um sonho que surgiu quando as formigas nasceram: a criação da primeira novela gráfica dos Mullets. O que podemos saber a princípio é que será regada de aventura, surrealismo, humor e ironia, ou seja, tudo que estamos nos acostumando a ver no mundinho Mullet. O segundo projeto é uma exposição individual de suas tirinhas, com curadoria da artista plástica Franciane Lúcia e com data prevista para o 2º semestre de 2010. Para conferir se isso tudo é verdade entre no [ blog ]

aprendendo com as coisas que os rodeiam, talvez seja este o segredo para não se esgotarem. Estas pequenas personagens que nos tomam agora a atenção nasceram há cerca de oito anos, e ficaram adormecidas durante

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na tela

Os “Intelectuais” querem a crise na Televisão e na Teledramaturgia.
Por Matheus Costa (*)

Eis que a padroeira da televisão, Santa Clara, pergunta ou exclama, tanto faz a essa altura do campeonato: “Mas eu já vi isso em algum lugar, não?!” – Pergunta ou exclamação de uma grande maioria que assiste à televisão, principalmente teledramaturgia, que cruelmente é desvalorizada por muitos que, na maioria das vezes, enaltecem, glorificam o cinema e o teatro. A mesmice, a repetição de tramas, histórias que já se viu antes, sempre esteve presente na teledramaturgia. Mas o que prendia, então, a atenção do público? Seria a televisão, a telenovela o único meio de divertimento do brasileiro em anos atrás? A questão é que não dá para desprezar o fato de que tudo mudou, desde quando o folhetim apareceu – principalmente a nossa moral. – Lógico que a tecnologia é outra; muitas mídias chegaram, que de certa forma, abriu um leque de novas possibilidades para o público. Quando se diz da falta de moral constante nas pessoas, é apenas uma obviedade que se fixa diante de nós. É apenas prestar a atenção de como são ovacionados os vilões, e muitas vezes, sacrificado o mocinho. Com certeza a moral patinou aí. Desde quando deveríamos torcer pelo vilão, pra que ele se dê bem no final?! A moral mudou, entre outros atributos de caráter, também, e veio junto o avanço tecnológico, cada vez mais sofisticado e eficiente, principalmente a internet, que veio para unir, tudo que há no mundo. Um dos feitos mais admiráveis da internet é a união de todos os gêneros culturais, sejam eles de televisão, cinema, teatro, entre outros

que são alternativos, mas que não deixam de ser um movimento artístico. O que é mais degradante é o “efeito do enobrecimento” de algumas partes que se dizem “cultas”, ou dos “intelectuais”, como um apresentador já disse: existe mais “intelectual” do que “intelecto”. Muitos adoram menosprezar a televisão, principalmente a teledramaturgia, alegando não ter nenhum fundamento “cultural”. Enobrecem literalmente o cinema e o teatro, não que os dois não sejam dignos de tal honraria, pois são. Tudo começou no teatro, veio de lá, da Grécia antiga, depois os outros gêneros se aperfeiçoou. Mas a televisão, e depois a teledramaturgia, continua sendo o produto de maior projeção mundial. Telenovela é uma obra “aberta”, onde está sujeita a modificações durante seu processo, até pelo tempo em que fica no ar, e o público opina bastante no seguimento das histórias e dos personagens. Já o cinema e o teatro são obras “fechadas”, ou seja, a história já é totalmente definida, antes de sua estréia. A teledramaturgia sempre foi o futuro da televisão brasileira, como o cinema e as séries são o futuro dos Norte Americanos, economicamente falando. Telenovela não é literatura, é um produto industrial de entretenimento que dá muito lucro. Já dentro desse parâmetro de projeção, primeiramente, nacional e depois mundial, é ali, na teledramaturgia que se apresenta os movimentos artísticos, que os “intelectuais” adoram se desfazer. É como a autora, Glória Perez diz: A telenovela cumpre por si só, uma função social que é imensa,

na tela

ela leva um pouco do cinema, do teatro, da fantasia, para uma grande maioria que não tem dinheiro para pagar por isso. Cultura custa caro, se todos forem usufruir da cultura com o salário que ganham, eles não comeriam. A telenovela sempre foi, e sempre vai ser o maior produto de projeção nacional e mundial, ela reflete a sociedade em que vivemos, e podemos através dela, tentar melhorar, dentro de um grande foco folhetinesco, que é o primordial numa telenovela. Crise? Não. Podese dizer que a televisão e a telenovela, sofrerão daqui para frente um abate, o público se dividiu: para concorrência, para outras mídias. Mesmo com todos os problemas que existe na Tv, ela é a absoluta. Já diz Caetano Veloso na música da padroeira da televisão, Santa Clara: “Lua clara, trilha, sina, Brilha, ensiname a te ver, Lua, lua, continua em mim, Luar, no ar, na TV.”
Matheus Costa escreve desde os 13 anos de idade. Descobriu-se como autor depois de, por curiosidade, desvendar como eram escritos os filmes e as telenovelas. Foi a partir daí que começou a acompanhar o trabalho de vários autores do gênero, tornando-se um roteirista. Sua obra está entre contos, crônicas, e telenovelas. Aos 19 anos, prevê para o ano que vem o lançamento de seu primeiro romance, “Dourado”. Contato com o Autor através do e-mail: mathxcosta@gmail.com

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contos & +

O AUTO DO PADRE ANTÔNIO
Ricardo Porto Esta história poderia ter como título “O conto do vigário”. Claro, é um bom nome, mas poderia iludir que se trata de uma falcatrua, de um embuste ou uma fábula, o que não é verdade. É simplesmente um causo que aconteceu com um padre. O nome dele era Antônio, e tal qual o santo, tinha uma satisfação enorme em realizar matrimônios. Ele também era considerado um casamenteiro, por sua quase fixação em não aceitar que alguém pudesse ficar solteiro (a) por muito tempo. Foi o que aconteceu com Rosalinda. E também com Anastácia, rosa, Matilde... Com muitas casadoiras da cidade. Mas sua grande preocupação era mesmo com Rosa, que além de linda no nome, o era em pessoa. Isso (a sua beleza, e outros dotes essenciais para uma futura esposa) o vigário Antônio não podia admitir serem desperdiçados com a solteirice. E foram muitos Josés, Pedros e Raimundos que o pobre pároco tentou colocar no caminho de Rosalinda. Todos bons rapazes, bons cristãos e bons filhos de Deus prontos para obedecer ao “crescei e multiplicai” que estava nas primeiras diretrizes do padre. Mas a linda Rosa não queria saber de casamento, não tão já. Um dia, dizem que foi na semana posterior ao carnaval, depois da missa dominical, onde padre Antônio, mais uma vez, salientou em seu sermão que o destino do ser humano é garantir a espécie, fazendo que seus filhos continuem procriando com temor a Deus, que Rosalinda foi convidada pelo sacristão para ir até a sacristia. Hi! Pensou a bela jovem, lá vem Seu Padre, outra vez, com seus conselhos casadouros. Dito e feito. O sacerdote iniciou aquela lengalenga que todas as garotas da cidade conheciam: casar, casar, casar... Que coisa não? Até que ele falou de um tal Tibúrcio, filho do Coronel Fagundes, que estava voltando de seus estudos na capital. “Tibúrcio” Valha-me Deus. Isso lá é nome de candidato a marido? Mas a Rosa bela sabia que mais cedo ou mais tarde, preferencialmente mais tarde, seu pai também a forçaria ao enlace matrimonial. E isso ela não poderia evitar. Foi aí que teve a idéia de concordar com o padre. Poderia mostrar boa vontade. Aceitou que ele marcasse um encontro. Mas teria que ser em sua casa, com a presença de toda família. Assim foi combinado. As irmãs e amigas da Lindarosa estavam todas em frente a casa dela, antecipando suas invejas pela sorte que teria a moçoila por ser apresentada a tão bom partido. O pretendente chegou cedo, iludido pelas palavras que o reverendo repassou ao seu pai, e de tudo que diziam sobre a beleza da moça; estava ansioso em conhecer tamanha beldade. Não se desiludiu. Não até que ouviu as primeiras palavras da linda donzela. Claro que não foi uma conversa de primeira vista. Ela levou muito tempo para se recobrar da impressão que teve ao ver chegar aquela carruagem negra puxada por quatro cavalos tão pretos quanto. O moço que desceu do veículo fazia jus ao transporte. Até a camisa que acompanhava seu terno era escura a ponto de se confundir a uma só peça da vestimenta. Exceto a capa, que tinha um forro tão rubro quanto as chamas do inferno de onde parecia ter saído. O pai da donzela, que já havia visitado a capital, achou o visitante normal. Talvez um pouco excêntrico, mas normal. Rosalinda é que teve uma opinião só sua. Despejou sobre o recém chegado, enquanto ele ultrapassava o umbral: — O senhor é um bruxo? Claro que “Don” Tibúrcio não esperava uma abordagem tão direta. Mas conseguiu se recompor. — Sim. Como a senhorita percebeu? — Pelamordedeus! O senhor foi estudar o quê, na capital? — Minha filha. Não seja inconveniente com o moço. — Não se preocupe senhor. Estou acostumado com críticas. — Não o critico senhor. Muito pelo contrário. Estou impressionada. É fantástico. — Minha filha. Veja como fala. Controle-se. Foi o que Rosalinda fez. Segurou-se até a visita ir embora, com a promessa de voltar em breve. Mas só se conteve até o meio da manhã seguinte, quando encontrou o vigário. Derramou todas as suas esperanças em cima do presbítero. Com todos os detalhes. Aí o pároco foi à loucura. — Como é que é? Um bruxo? — É, ele passou anos estudando ocultismo, bruxarias e todo tipo de religião. — Meu Deus do céu — o vigário se benzeu, várias vezes — esse menino ficou maluco. — Maluco nada. Ele é maravilhoso. O senhor precisa ver como ele fala bonito. — Deus me livre, minha filha. Deus me livre. — padre Antônio sacudiu a cabeça —

contos&+

12 - REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº2 - Outubro 2009

REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº2 - Outubro 2009 - 13 você não pode mais ver esse rapaz. Ele está endiabrado. — Mas ele é tudo que uma moça sonha: É bonito, inteligente e rico. — Por favor, controle-se. Ele se transformou num ateu. — E daí? Ele é lindo. — Você está é louca. Eu nunca vou permitir seu casamento com um herege. E assim foi por um bom tempo. Rosalinda fascinada pelo bruxo e o padre casamenteiro se maldizendo por ter aproximado os dois. Quando por fim chegou aos ouvidos do reverendo que o filho do coronel iria desposar a bela Linda em uma cerimônia profana, inventada por ele mesmo, o discípulo do santo não pode se conter e perdeu as estribeiras. — Vou impedir essa união, nem que tenha que ir até o inferno. E quase que foi. Na fazenda do coronel estavam construindo um templo dedicado a algum deus que com certeza não era o do bom reverendo. O pai do novo feiticeiro não teve coragem de impedir o filho único em mais essa extravagância. — Deixe assim padre. Essa juventude inventa essas modas com a mesma facilidade que se esquece delas. E lá se foi o sacerdote cuspindo fogo pelas ventas. Ele não podia aceitar uma infiltração ímpia dessas. Não na sua paróquia. Mas teve que engolir os pedidos da linda Rosa. — Pô seu padre. O Tit-mekong disse que não dá nada, a gente pode casar em quantas igrejas quiser. — Titi o quê? — Tit-mekong. É o seu nome agora. Significa filho do rio que nasce no Tibete. — Era o que me faltava. Um filhinho de papai que pensa que é um bruxo tibetano. Que salada! O seu pai não vai permitir uma loucura dessas. Mas o jovem Tibúrcio, Titi, ou fosse lá como se chamasse; bruxo, bispo ou ateu, não deixava de ser um bom partido. E foi dessa maneira que o pai de Rosalinda viu a questão. Quando soube da opinião do velho, o Antoniano rodou a saia, quer dizer, a batina. Foi falar com Tibúrcio, com o Titi, com o... Ele foi procurar o noivo-bruxo. A capela, ou templo, estava quase pronta. Toda pintada de preto. Depois de fazer o sinal da cruz trocentas vezes, o padre se dirigiu ao avarandado onde pai e filho o esperavam. Nem as recordações do padre sobre o batizado, a escola dominical e a crisma do menino Tibúrcio, tampouco a vez em que o já rapazote fazia questão de ser o coroinha oficial de todas as missas dominicais fez o noivo-bruxo se reconverter. Meia hora depois, a charrete do pároco voltou para a cidade, com um homem de Deus chicoteando o cavalo como se fosse o capeta em pessoa. E ficou o resto da semana com a igreja fechada. Foi um longo tempo até terminar a quaresma. Até pareceu que o Tit-mekong sincronizou sua seita com o calendário católico. Marcou seu casamento com a Rosalinda para o começo de maio. Dia dois. O primeiro domingo do mês das noivas. Quando soube, o vigário teve um arrepio percorrendo toda sua coluna. Puts, pensou, e agora? Quem poderá me ajudar a salvar a menina desta enrascada? — Eu! — disse uma voz atrás da estátua de Santo Antônio — Estou aqui para lhe ajudar. — Quem disse isso? — O padreco quase engoliu em seco, com o susto que tomou. Seria o milagre que ele esperava? Ler seus pensamentos já era um bom cartão de visitas. — Eu disse isso. — A voz respondeu suave, como se fosse mesmo a estátua. — Eu, quem? — Reperguntou o pároco, encarando o santo. — Eu, o marido do Tib. Claro que o nosso bom paroquiano se fez de desentendido. — Marido? Marido de quem? E eis que surgiu como por encanto, ou gesto teatral, detrás da grande imagem do santo, um moço loiro, olhos azuis, e tudo que uma boa aparição miraculosa deveria ter no semblante. — Eu sou Gi, o rejeitado. — Rejeitado por quem? — O Antoniano não poderia aceitar uma desunião, fosse qual fosse. — Ora, pelo Tib, o Tibúrcio, claro. Claro. O padre sentiu um estalido na cachola. Então... O tal de Titi, Tibúrcio, o noivo da Rosalinda, o tal rapaz que ele empurrou para ela, foi casado com outro... Com um homem? Ai meu Deus do céu. Isso sim foi uma reviravolta daquelas. Padre Antônio fazia de tudo por casamentos, mas o que ouviria do moço com cara de anjo não estava no seu catecismo. Convidou a aparição para ocupar o banco da primeira fila. — Vamos sentar meu filho. Acho que não estou entendendo. Quem é você? — Eu já disse. Sou aquele que viveu maritalmente (e feliz) durante três anos com o Tibúrcio, lá na capital. E o estranho com cara de querubim deu ao padre toda a munição que ele precisava para deter o avanço do Titi em sua paróquia (no fundo, o sacerdote tinha um medo danado de que algum outro tipo de culto pudesse se instalar em sua cidade). Foi com o loirinho choroso à tiracolo que padre Antonio invadiu a capela, ou templo da fazenda do Coronel Fagundes. O jovem Tibúrcio não teve outra saída além de admitir o seu (sua) marido (esposa) para a comunidade. O pai do noivo, mesmo lamentando, ainda pensou na possibilidade de realizarem o casamento com a Linda rosa, afinal... Mas ela, claro, não se conformou com a opção nada ortodoxa das atividades sexuais do seu ex-quase-futuro marido e disse que o Titi, o Tib, o... O ex-noivo estaria muito bem com o anjo loiro, eles se mereciam. E ponto final na história. Bem, o casamento esperado não se realizou, mas a festa para os dois (duas) noivos (noivas) fez a cidade toda bailar no domingão regado a muito incenso e danças tibetanas que o novo casal da nova igreja mostrou para os maravilhados párocos provinciais do padre Antônio, que quase rasgou suas vestes sacerdotais ao ver sua igreja vazia durante sua santa missa dominical. Mas aí, o casamenteiro padre lembrou-se do Frederico, o filho do Capitão Dionízio, que estava para voltar de seus estudos na Europa. Dessa vez ele tinha que acertar. Afinal, Rosalinda além de bela no nome, o era também em pessoa.
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EU qUERIA MAIS UMA CHANCE
Tatiana Cavalcanti De dizer pela última vez que amo, de dizer que sinto sua falta. De dançar, de cantar alto sem medo dos filhos acordarem, de fazer outra e outra vez tudinho de novo. Eu queria uma chance da vida, a décima quinta chance para fazer tudo igual e assim como agora, não me arrepender de nada do que fiz porque arrependimento é para os covardes e para os fracos. Eu sofreria novamente todos os amores que não viraram casamentos com filhos e propriedades rurais, choraria todas as coisas que nem eram para chorar mas que chorei porque queria lotar minha coleção de lágrimas logo. Eu viveria cada segundo como vivi, na balada, com os amigos, com as paixões das quais tinha medo de pegar sapinho mas que nem assim deixei de beijar. Eu contaria as mesmas mentiras para agradar quem queria agradar, eu diria todas as merdas que disse a quem queria magoar conscientemente para depois, bem vampira, chupar seu sangue inteiro bem quentinho. Eu queria cheirar os mesmos cheiros, experimentar os mesmos sabores. Inclusive os ruins que era para saber exatamente o que eu queria da minha vida depois de conhecer a treva e o paraíso. Eu queria repetir todas as coisas, fumar todos os mesmos cigarros, cultivar todos os mesmos amigos e ser feliz e infeliz com eles, por eles e para eles e com todos os ombros que encontrei por aí perdidos em milhares de esquinas de milhares de bairros onde nunca soube andar. Eu queria outra vez ser neta de quem sou, ser filha de quem sou e com eles, traçar as mesmas histórias que tracei até aqui porque todas elas fazem parte do que eu acho ser a minha essência. Eu queria estar naquele mesmo trânsito, dentro daquele mesmo carro velho e fodido, quando, naquela terça feira no final da tarde, entrei naquele bar, atrasada, mal vestida e esbaforida. E tomar aquela mesma caipirinha de kiwi, apesar de kiwi fechar a minha glote e quase me fazer morrer de vez em quando. E ser do mesmo jeito que foi. Você comprometido até a alma, feliz da vida com o casamento e eu encantada com o jeito que você falava dela, das coisas dela, do amor por ela e de quantas fotos dela me mostrou antes que eu caísse em tentação e te trouxesse pelo colarinho daquela mesma camisa creme até minha boca. Eu queria que fosse exatamente daquela forma. Eu toda desajeitada, entrando atrasada para aquele date regado a caipirinha e calabresas ardidas que comemos com palitinhos que quebravam na sutileza de nossas mãos e de nossa saudade, de tanto que havíamos bebido. Eu queria cometer os mesmos erros, os mesmos acertos e ouvir as mesmas baladinhas dentro dos carros que peguei emprestado desde que, ainda adolescente, meu pai tirou o meu para dar para uma paixão que ele tinha encontrado num bar. Queria usar as mesmas frases de efeitos devassadores, queria ter aprendido a seduzir como aprendi e fazer as mesmas vítimas que fiz quando, irresponsável e ardente, prometia ligar no dia seguinte e desaparecia. Eu queria tudo de novo para chegar até aqui e fazer o que mais sei fazer: amar e contar nossas histórias.

(A) PARTE
Flávia Brito Eu ouço a última frase fechar silenciosa a porta e caminhar sozinha rua abaixo, ainda meio atordoada por se saber inútil. Não tive coragem de dizê-la. A mim, parece ser meu coração pulsando na ponta da língua que evito pronunciar, prefiro deixar meu coração em segredo. E, das coisas todas que eu disse até aqui, nenhuma me revela tanto quanto essa omissão, que então me torna uma incógnita como o tal raio que não cai duas vezes no mesmo lugar e veja só, ele cai. Mas a frase, essa se foi sem beijo nem insistência, se foi apática e vagarosa, quase autômata, eu era uma sua desconhecida e era impossível nos reconhecermos, nós que alguns poucos momentos antes ainda nos pertencíamos. Ela não cabia, não cabe, na minha voz – a minha voz tampouco cabe no seu sentido, eu não me encaixo mais porque se dissipou de mim a tal da idéia, e o fez com uma velocidade inesperada como esse vento quente que sopra do lado de fora e corta ao meio a rigidez do inverno. Da última vez que lhe escrevi fazia um vento assim, não sei se você se recorda – e as palavras se balançavam alvoroçadas nos meus cílios fingindo-se de borboletas, que as palavras criam asas, sim, e frágeis nascem e frágeis morrem, e inocentes se atiram em vôos cegos, as minhas, cílios pesados de verbo eu sempre tive. Olhos verborrágicos. Meio por insolência, meio por descuido. Mas não é disso que falo hoje, eu hoje não falo nada. Eu hoje chão, calçada, jardim, almoço, varal, música, fé, ponta de pé, corpo de bailarina assim no espaço solto, palavra deixo ir que não me pertence. Não essa. Ou aquela; não aquela. E já não é coragem que me falta, é coragem que cultivo. Prefiro deixar meu coração em segredo.

O MIRANTE DOS AVIÕES
Madalena Barranco — Lá vem mais um! Exclamou alguém, com o entusiasmo de quem via pela primeira vez os últimos raios de sol refletindo-se nas asas da aeronave. O ronco do avião diminuiu de intensidade com o trem de pouso à mostra e deslizou pela pista da base da Aeronáutica de Cumbica, próximo ao imenso aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. A platéia consistia de algumas pessoas acomodadas no gramado da encosta, que ladeava a pista da base aérea. Eram moradores e seus parentes ou amigos, que tinham ido visitá-los no condomínio residencial da Aeronáutica e que por um feliz acaso terminava com a pista militar ao fundo. Naquele domingo eu havia ido visitar uma prima moradora do referido condomínio – uma região com lindos jardins. E eu aceitei o convite para conhecer o local e ver os aviões de perto, porque gostava muito de observá-los voar, mas também porque queria entender a razão de várias pessoas ficarem assistindo-os pousar e decolar, como se estivessem em uma sala de cinema na estréia do filme do ano! Diziam que essa era uma das manias mais aéreas dos paulistanos; inclusive, numa determinada parte do município de Guarulhos, onde estava o dito aeroporto, colado à cidade de São Paulo, eu fiquei sabendo que muitos admiradores de aviões levavam cadeiras e binóculos e ficavam horas observando-os, como se estivessem assistindo uma competição esportiva. — Isso é um exagero. Pensei, enquanto me acomodava

o prazo para inscriçõEs do concurso LitErário novitas foi prorrogado. MaiorEs inforMaçõEs [ EM nosso bLog ].

Atenção!

14 - REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº2 - Outubro 2009

REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº2 - Outubro 2009 - 15 na encosta, mais preocupada com os mosquitos assassinos do que com aquela pista vazia. - Onde estão os aviões? — Schh! Alguém reclamou e falou em voz baixa que eles já estavam para chegar. Com todos aqueles aficionados unidos, eu acabei entrando no clima de espectadora e até comecei a coçar-me ao ritmo do som das turbinas que já se ouviam ao longe. Eu achei que a ansiedade estava dando coceira em todos, quando percebi que os mosquitos já haviam pousado e decolado diversas vezes em meus braços e pernas. Eu entrei em simbiose com o pessoal e senti-me a própria pista de insetos, afinal, os aviões também tinham asas, bico e cauda... E só não picavam o chão porque o trem de pouso tinha sapatos de borracha. Coçando-me sem parar cheguei à conclusão de que a pista de concreto também sofria com a fricção da aeronave. — Lá vem ele! Eu disse, sufocada pela emoção. A aeronave surgiu no campo de visão da grande “tela de cinema” ao ar livre, depois de furar uma nuvem e se despedir do ocaso. Seu corpo de metal cintilante hipnotizava a plateia em seus movimentos de sensível taxiamento. A nave revelava aos poucos as marcas deixadas pelas viagens em sua pele prateada, quando em êxtase ela atingira o céu diversas vezes em sua vida. Os paulistanos suspiraram após a adrenalina que antecedia o sonho mais antigo e ainda atual da humanidade: voar! Eu não precisei de mais explicações para entender o que se passava comigo e os outros espectadores. Porém, somente tive plena certeza disso quando os mosquitos também suspenderam seus vôos rasantes para ver o avião pousar. A coceira cessara, para recomeçar depois do intervalo entre uma aeronave e outra. pelo apartamento em ruínas. “Local... Ruínas... Amor... Te-teodora...” Fincavam os pensamentos como estacas no seu cérebro, mais círculos a mais, rodopios dos demôniosmosquitos em cima da ferida, e refletia um pouco mais: “pensava que a ferida de uma separação seria no coração e não na cabeça, mas estes mosquitos, piolhos, vermes, estão presos é na minha cabeça, será que o coração é a cabeça?”. Zonzo, não pelas espirais de pensares, mas da cachaça mineira que tomava gelada, e que já estava na segunda garrafa, em meio a um remedinho aqui, outro ali, zanzava como os seus pensamentos piolhos, “devo ser um inseto, Teodora me deixou porque sou um inseto!” afirmava isto com o dedo em riste para cima enquanto sentava no sofá verde-água “detesto esta cor de merda, cor fresca, nem a cor de meus móveis pude escolher, era tudo Téo, Téo, Téo... Teooooooooô, volta pra mim, volta, prometo que gosto de verde”, gritava baixinho para não incomodar os vizinhos “Téo!” e nenhuma resposta, nem uma companhia, além dos seres na sua cabeça. “Anjos ou demônios? Mosquitos ou piolhos? Saiam daqui, me deixem parar de pensar, porra, me deixem e quem sabe a Téo volte, vocês é que a assustaram, suas vozes que ficam aqui dentro.”, e se encaminhava para a porta numa tentativa de fugir de si. Quase chegava nela, na porta, depois de tropeçar no resto de móveis do apartamento arruinado, quando ouvira alguém bater à porta: “Téo”? Perguntaram do corredor do outro lado da porta. “Teodora?” repetiram. Téo respondeu com uma voz afeminada: “espera um pouco!”. Voltou pelo mesmo lugar bagunçado, agora tinha mais mobília e já adorava o sofá verde, foi ao quarto, pôs uma peruca negra corte Chanel, um robe de seda com estampa asiática, um par de chinelos em formato de coelho e foi ter à porta. “Quem é?”, perguntou. “Sou eu”, uma voz grave respondeu. “Volte mais tarde, estou ocupada...”, tentando se equilibrar apoiado na parede. “Mas eu te amo!!!”, a voz assumia algo de doçura. “Você sabe matar piolho?”, perguntou Teodora. (*) Cristiano Melo é autor de “Braços Abertos”, livro de prosa & verso, em fase de edição pela Novitas. Lançamento previsto para Dezembro/2009.

HI - FI
Alex Sens Não durmo porque a festa é dos cachorros, a rua não é minha e a lixeira do vizinho é o que há pra comer, dos ratos mais gordos até os gatos mais magros. A luz do poste é doentia, uma lâmpada com icterícia e que nada me diz quando coloco o caderno e as pilhas de livros sobre a mesinha da janela aberta. O som é alto, vem da floresta que não existe, a noite escurece e se funde no asfalto quente. Há uma festa em mim querendo fechar meus olhos, abrir as bebidas com um estalo, derramar a espuma que emoldura os lábios. Por telefone, peço da de alcachofra, que é pro dinheiro acabar de uma vez. A água quente foi cortada, me lavo em banheira de vodka e suco de laranja. Sou o último hi-fi da noite, choco e cansado das bocas.

DE CIMENTO E SANgUE
(UMA CRÔNICA ExISTENCIAL)
Lu Cavichioli Na amplitude do querer ser eu era um mero espectador e, sei que estive ausente por muitos anos. Eu julgava que os leões rugissem dentro das pessoas (e rugiam) enquanto os operários construíam as torres do alto conhecimento. Na multidão de humanidades eu encontrei lamentos e rumores empilhados na calçada convexa do hipotálamo que tremia em sua base com medo das implosões. Metade de mim acendia lamparinas em porões de sete chaves. A outra metade ouvia estórias da carochinha apreciando poetas, virgens e pintores. A julgar por todas estas situações, eu sabia que tudo era uma questão de construção. Subindo panoramas intrínsecos, descortinando rostos presos às janelas a ver twisters !

TEODORA
Cristiano Melo(*) Afugentava demônios da cabeça, como quem espanta mosquitos de uma ferida. Há algum tempo, desde que Teodora lhe deixara, ficava às voltas com pensamentos e lágrimas. O apartamento agora um tanto bagunçado, mas mais vazio, lhe trazia a realidade da falta. Falta de Teodora, ou do que ela representava dentro dele, “será que amamos uma pessoa em particular, ou é algo interno que imputa o sentimento a quem quer que ocupe tal local?” divagava pelado andando

entrevista

entrevista

artoLomeu ampos de ueirós reside em Belo Horizonte, onde trabalha. É escritor e educador com 43 livros publicados no Brasil, sendo que vários deles traduzidos e editados em outros Países. Escreve desde os 27 anos e suas obras são dedicadas ao público infanto – juvenil. É um dos autores mais importantes de nosso País e já recebeu vários prêmios literários Internacionais e Nacionais, como:
* Prêmio Cidade de Belo Horizonte; * Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro; * Selo de Ouro, da Fundação Nacional do Livro Infanta-Juvenil; * 9ª Bienal de São Paulo; * 1ª Bienal do Livro de Belo Horizonte; * Diploma de Honra da IBBY, de Londres; * Prêmio Rosa Blanca (Cuba); * Quatrième Octagonal (França); * Prêmio Nestlé de Literatura; * Prêmio Academia Brasileira de Letras.

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Com o livro “Indez”, foi o vencedor do Concurso Internacional de Literatura InfantoJuvenil (Brasil, Canadá, Suécia, Dinamarca e Noruega). Vários de seus textos foram adaptados para o teatro, dentre eles, “Ciganos”, encenado pelo Grupo Ponto de Partida. Sua obra tem sido tema de teses acadêmicas (áreas de literatura e psicologia) em várias universidades brasileiras. Bartolomeu é autor do Manifesto por um Brasil Literário que pode ser lido [aqui] ou visto e comentado em vídeo [aqui]. Você também pode participar, basta assinar o manifesto no site. É só colocar o nome, e-mail, cidade e Estado. Leia a entrevista:

Novitas: Como e com que idade tu iniciastes a escrever? Bartolomeu : Sempre fui leitor. Desde criança gostava dos livros.Aprendi a ler muito cedo e isto me aproximou dos livros. Mas só comecei a escrever quando tinha 27 anos. Não escrevi para ser publicado. Escrevi meu primeiro texto porque senti necessidade de registrar meus incômodos. Entrei num concurso da Preitura de Belo Horizonte e fui premiado. As editoras passaram a me pedir textos e continuei a construir. N: De todos os prêmios que recebestes, qual foi o mais importante e porque? B: Não há um prêmio mais importante. Todos eles são bem recebidos por reconhecerem a qualidade da minha produção. O prêmio melhor é quando o leitor se manifesta diante de seu trabalho, fala de sua leitura, manifesta sua percepção. É o leitor que dá sentido ao meu trabalho. Eu apenas escrevo, o leitor é que elege o texto como literário. N: A tua preferência em escrever livros infanto juvenis se dá pelo gosto pessoal ou é uma questão de mercado? B: Nunca trabalhei em função de mercado. Quando assento para escrever faço o melhor de mim. Preocupar com o mercado é reduzir a obra. Ter a criança como leitora é um privilégio. Meu primeiro trabalho foi como professor em um laboratório de currículo do MEC. Trabalhei com crianças a partir de quatro anos de idade até a formação de professores. Descobri as funções sociais e políticas da literatura também na educação dos jovens. O que sonho é com um país leitor literário e não com um país que consome muitos livros. Nem todos livros são de literatura. Muitos deles são receituários ou frágeis dobraduras coloridas. N: A influência da leitura se dá somente em casa ou no colégio? Quem influencia mais uma criança ou um adolescente? B: A leitura vai acontecer com a criança ou com o adolescente quando a sociedade for leitora. É muita incoerência querer um jovem leitor diante de uma comunidade não leitora e apenas televisiva. A escola não pode ser a única responsável pela formação de leitores. Tanto a família como a escola é responsável. N: Na tua opinião, o livro em papel uma dia deixará de ser fabricado para dar espaço somente ao livro digital? Por quê? B: Nunca o livro sairá de circulação. São escritas distintas. O livro é um objeto sofisticado pela simplicidade com que é construido. Ele é prático, denso, preciso. A linguagem digital é provisória. Daqui a dez anos nossos computadores de hoje estarão ultrapassados. Outras formas vão aparecer e continaremos com os livros para empreender nossas longas viagens subjetivas, guiados pelas nossas fantasias mais íntimas.

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REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº2 - Outubro 2009 - 17 N: Para um escritor no Brasil, o difícil é começar ou dar continuidade a seu trabalho? B: Para um escritor, viver em um país com poucos leitores não é fácil. Há que acreditar muito nas funções da literatura, em suas possibilidades de promoção humana, para seguir adiante. Acredito que tanto começar como continuar depende da crença de cada um. Mas compensa como realização pessoal. É um trabalho sem preconceitos. Tudo que fantasimos ganha corpo por meio da palavra. Nada é impossível, tudo é viável tendo a beleza como caminho. N: No teu entendimento, o que é ser um escritor em nosso País? B: Só posso falar da minha experiência. Cada escritor possui seus motivos. Acredito na arte como capaz de mobilizar os homens e mulheres para a realização de uma mundo em que a beleza é indispensável. Ao deixar vir à tona sua fantasia o escritor dialoga com a fantasia do leitor. Esta soma de fantasias, acredito concorrer para a construção de um mundo mais digno, mais fraterno. Eu escrevo movido pela crença na capacidade transformadora da literatura. N: Em quais projetos tem trabalhado e o que podemos esperar para o futuro? B: Continuo escrevendo, hoje menos. Passo meu tempo com leituras, conferências, congressos e demais movimentos que promovem a leitura literária. Deve sair algum trabalho novo até o fim do ano Lancei agora o “Tempo de Voo”, Edicões SM. E como saiu no México, França e Espanha tive que me envolver com os lançamentos. Agora sai “O Livro de Ana”, pela Global Editora. N: Quais são seus autores preferidos, tanto brasileiros e estrangeiros e como a literatura deles te influencia? B: Leio muito. E cada dia, conforme minhas emocões o escritor preferido muda. Mas sempre recorro à poesia. Gosto de Cecília Meireles, Manuel Brandeira, Garcia Lorca, João Cabral, Fernando Pessoa, Drummond, dentre tantos outros. Acredito hoje no reler. Fico longo tempo diante dos clássicos descobrindo o que não percebi na primeira leitura. Uma boa leitura sempre nos afina para a escrita. N: Somos um País de muitos autores. Deixe um recado para quem está iniciando no mundo da escrita. B: O que alimenta um escritor é a leitura. Quem se prõpoem a escrever tem que ler sempre. Escrever é dizer aquilo que não foi dito ainda. Para tanto é preciso conhecer o que foi feito mais e mais. Para maiores informações sobre o autor e sua obra, acesse [aqui].

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raCe Lsson é autora do livro “Crianças Refugiadas em Moçambique: Um Drama na África”. Nasceu em Alagoas, é formada em Ciências Jurídicas e pesquisou durante dois anos a vida da crianca refugiada na África, onde visitou 47 paises africanos e sete campos de refugiados (Namibia, Angola, Ruanda, Mocambique, Zimbábwe, Swazilnadia e Lesotho). Tem dois filhos naturais e mora com o marido e filhos em Västerås, Suécia. Assumiu responsabilidades com 8 criancas ruandesas que vivem no Campo de Refugiados de Moçambique. Trabalha como fotógrafa e continua pesquisando sobre a vida dos refugiados, agora na Suécia, onde pretende fazer Mestrado em Ações Humanitárias. Desde muito cedo trabalha com ações humanitárias em movimentos de cunho religioso no Brasil, onde sua mãe fazia parte de Congregações. A causa da criança refugiada é um remédio para Grace, que depois de sofrer um AVC viu em cada uma delas uma forma de superar seus desafios. Vê cada uma como se fosse um filho.
Confira a entrevista com a autora: Novitas: Como os Refugiados surgiram na tua vida? E porque? Grace: Os refugiados surgiram, de forma abrupta, ainda no Paquistão, anos atrás, quando eu fui visitar. Aquele monte de gente, pilhado na periferia de Lahora me gerou medo. E anos depois, fui á Namíbia e de lá, fiquei curiosa sobre umas casinhas, na beira da estrada, num descampado.O guia alemão nao quis me dizer do que se tratava, mas dias depois, voltei a mesma área e consegui fazer amizade com umas meninas refugiadas. No final, fiquei 3 dias no Campo. Não senti medo, nem fui desacatada ou bulinada. Mas, o que mais me chama atenção no Campo é a situacao da criança e da mulher. Mais da criança,

G

o

“Sonhar, para a criança refugiada é um verbo conjugado sempre no presente de forma dúbia e embaçada de cenas em preto e branco e com as cores do arco-íris que somente as mentes infantis são capazes de criar. Se navegar é preciso no mundo dos adultos, no mundo infantil da criança refugiada, SONHAR é o melhor remédio para a cura de males que um dia, quiçá, deverão ficar para trás.”

por ser indefesa. N: Quantos campos para refugiados tu visitastes? G: Eu já visitei Campos de refugiados na RDC, em Angola, Namíbia, Mocambique, Zimbabwe, Rwanda, Swazilandia, Sudao e aqui na Suécia, onde vejo as diferenças. N: Qual o impacto que te causa a questão da legislação com as crianças refugiadas? Elas são cumpridas? G: Não há Convenção específica que trata da Criança Refugiada. Há a Convenção de 1951 que trata dos Refugiados e a Convenção dos Direitos da Criança., Mas não da criança refugiada, especificamente falando. Mesmo as Convenções existentes não são cumpridas. Em meu livro, provei esse desatino de forma clara, através de entrevistas com crianças refugiadas e profissionais que trabalham no Campo de Refugiado em Moçambique.

N: Pelas fotos no livro, podemos notar a tristeza no rosto das crianças. Como foi lidar com isso? G: É muito dificil ficar cara a cara com a criança refugiada e não sofrer por e com ela. As crianças tem um olhar sombrio, triste, perdido no tempo. N: O que é mais perigoso no Campo dos refugiados? G: A violência contra a criança devido a falta de segurança. Os abusos sofridos por elas e as mulheres são terriveis. Além do que, o abuso à criança do sexo masculino tem se intensificado. N: No teu entendimento, por que ainda hoje não existe um local especial para crianças e mães refugiadas? G: Olha, na África, todos ficam juntos. Até por que não é possível separar pai e mãe dos filhos. O ideal seria o mundo acordar para essa realidade e ajudar da melhor maneira possível. O quanto antes. Leia mais da autora [ aqui ].

enquanto isso, no twitter da editora...
@mariliamonteiro Devo dizer que teatro de rua me faz muito bem. Eu digo isso toda terça aqui pra vcs, nem ligo. hahaha @microcontoscos “Você não vale os caracteres que twitta” #expressõesrevisitadas @CharlesHenrique É melhor ser pessimista do que otimista. O pessimista fica feliz quando acerta e quando erra. @lipevivas #mandamentosdotwitter: “não seguirás ninguém que tem a palavra follow no nome ou fará da sua timeline um inferno” @matesca Tudo o que começa errado, está fadado a acabar errado... #fato @manciolli A morte é um vácuo suspenso na estreita fadiga do verdadeiro eu,é uma passagem,é o abandono da matéria todos os vícios e apegos #manciolli @VeraLuciaDutra Missão da OEA chega a Honduras para promover diálogo mas Zelaya exibiu outra vez seu ceticismo e insistiu q não abrirá mão d voltar ao poder @carolzita_eu #ironia é quando a chefe pede pra chegar mais cedo e você acaba chegando ainda mais tarde que de costume @zeroig Parte dos problemas de relacionamento hj em dia é devido a falta de paciência de esperar a sua vez! @denisonmendes Vivemos na encruzilhada sórdida e perversa de um capital sem rédeas.Não há moral nem ética possíveis. Só a estética da ilusão e do vazio. @Peagalves chegará um dia que toda a espécie humana estará em extinção. e talvez consigam rápido.... @gustavocarmo < A moça entrou no trem. Ele teve que esperar por outro e voltar a realidade. Nunca mais a viu. @caiocito Escolhi no DEDO as pessoas que gosto. espero que não tenha doído. Cortei a unha antes p/ facilitar. @bia_martinss Perder o amigo, mas não a piada. Lei da selva... Até tu?! @vanluchi *A vida é esse desejo irrefreável que fica à beira da explosão... E de repente escorre. E pronto.© #vanluchiari @janlamour Eu amo o Rio de Janeiro, mas não acho que o Brasil preparado para sediar os Jogos olímpicos. Sou esquisita por isso?! @christianoMJ Quando acho que sei escrever alguma coisa, abro os clássicos e mudo de opinião. @gloriadioge Amor devia vir com indicação, facilitaria bastante se alguns exibissem a tarja preta. @eryroberto O MST é uma espécie de primo pobre. O primo rico PT, não tem interesse na solução definitiva dos problemas. Apenas, no máximo, o protege. @prosapolitica Taí...O José Simão acaba de rebatizar a cidade maravilhosa: “Rio de Dinheiro” huahuahua

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18 - REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº2 - Outubro 2009

REVISTA CULTURAL NOVITAS Nº2 - Outubro 2009 - 19

viagem

Um Passeio em Buenos Aires
Isiara Mieres Caruso

viagem

Depois de haver saído a passear pelo mundo a bordo de um Baú de Idéias, cheguei a Buenos Aires onde a tampa se abriu e saíram os mais diversos textos que formaram uma revoada de palavras que fluía das bocas das pessoas que participavam de uma oficina de poesias para a qual fui convidada. Pássaros palavras feitos de versos, de rimas de harmonia e da vida que se esconde em cada texto. O encontro ocorreu na sala de aula de uma turma, da professora Adriana Almeida, que cursa literatura brasileira no Instituto Casa do Brasil, em Buenos Aires. Um lugar que transpira cultura, administrada por Fabrício Müller onde os autores são valorizados e divulgados através de encontros de exibição de películas do cine brasileiro, de passeios pelas mais diversas cidades na voz de brasileiros que vivem fora do Brasil. Uma luta pela preservação da nossa cultura e tradição entre os nativos e admiradores de nosso País. Conheceram o trabalho da Editora Novitas e seus donos, bem alguns textos. Ofereci um livro à Biblioteca da instituição para que possamos permanecer ali para sermos lidos e conhecidos. Foi um momento muito interessante onde pessoas que se diziam incapazes de produzir uma rima, construíram algumas poesias, primeiras sementes neste mundo do reconhecimento da autoria, de ser capaz de se saber autor. MOMENTO DE CRIAÇÃO

Un bueno tema es algo que esté ocupado sus pensamientos en los últimos días, no importa lo que sea, poesía es una forma de expresión.Tome un papel y escribas palabras y después intente encontrar rimas para ellas. Vamos hacer un momento de reflexión. Voy a pedir que cada uno de Uds. 1.Cierren los ojos, por favor. 2.¡Vuelvan allá a su infancia! 3.¡Acuérdense de lo que les hacían felices!! 4.Piensen en algún juego que hacían con sus compañeros. 5.Escuchen una música como se fuera una banda sonora de aquellos tiempos… 6.Aromas que les traigan foto1 memorias…. 7.Abran los ojos, por favor. 8.Tomen papel y escriban palabras que les ocurran después de ese momento. 9.Siéntense de a dos y cuenten sus recuerdos unos a los otros. 10.Lean para el grupo sus palabras. 11.Ahora es el momento de escribir sus pensamientos con ritmo, usando algunas de esas palabras...

foto2

foto 3

Legenda das imagens: foto 1: Apresentação do livro e divulgação da Editora Novitas. foto 2: Contando sobre a produção do livro e leitura de poesias. O livro circulou e cada pessoa leu um texto. foto 3: POSE PARA GUARDAR O MOMENTO. Turma da Profª Adriana Almeida (a minha esquerda) 30/09/2009

Este foi um momento do trabalho com criação de poesias:

Poesía no se enseña se cría!
Pensar Escribir Elegir Crear

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