O Ser de Cristal

“Caminhando, descobri pelos arredores do deserto uma caverna feita de cristais por toda a parte
interna. Adentrando, me senti como se fosse pura energia. Como se não houvesse matéria e fosse formado por música. A caverna emitia um som intenso e interminável. Era como se fosse um mantra que alternava a intensidade do som. Meus sentidos iam de acordo com a vibração dos cristais e minha mente se expandia em um mar de consciência jamais imaginado. Estava só... E todos os dias para mim naquele lugar mágico eram como uma escola. No silêncio da eternidade e na minha mente. Estava só e comigo carregava alguns de meus instrumentos de pesquisa. Mas em nada eles puderam me ajudar, pois tudo o que via e sentia, nenhum instrumento humano jamais criado em milênios de evolução poderia codificar o entendimento. E foi naquele lugar que vi pela primeira vez algo superior a qualquer pesquisa cientifica, algo transcendental que me colocava além de meus estudos e que me deixou mais próximo de Deus.

Foi então que vi uma luz intensa...E depois consegui ver uma ave. Era grande e majestosa. Olhos azuis da cor do céu, dorso laranja, peito azulado e cauda avermelhada. Entorno dela um manto de fogo irradiava como o próprio sol e seus olhos brilhavam como as estrelas na noite. Da forma ela se desfez em pó cristalino e deste pó seu nome era como um eco no universo. O símbolo da criação. A própria Fênix que nasce e ressurge das cinzas...Que voa na eternidade sem fronteiras.

Retornando para minha casa após a nova visão, lembrei-me do mestre. Lembrei-me de seus braços. Eles eram como penas ou plumas em forma metálica cromada. Revi em minha mente a imagem de seu peito, onde havia o desenho da ave. Tudo começou a ter um outro sentido... Foi então que dei início aos meus estudos apesar de ainda me lembrar, como se fosse ontem, da morte de nossos companheiros. Acredito que estejam muito próximos de nós e que a jornada e a luta pela pesquisa de outros universos e planetas não tenham sido em vão. Detritos da memória apagam a dor, mas persistem no universo como sombras esparsas, comparáveis a pequenas partículas de pó espacial. Jamais esquecerei vocês e meus amigos na Terra e do espaço...”

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