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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO NORTE DE MINAS GERAIS, CAMPUS JANUÁRIA

CLÁUDIA ALVES DE ALMEIDA JOSÉ DIEGO DA SILVA MENDES SÉRGIO FERREIRA ALCÂNTARA VIVIANE ALVES FREITAS

RELATÓRIO FINAL: PLANEJAMENTO AGRONÔMICO INTEGRADO

Relatório Final apresentado ao professor Dilermando Dourado Pacheco para obtenção de nota total da disciplina Planejamento Agronômico Integrado, orientado pelo professor Alberto Luiz Ferreira Berto, do curso Bacharelado em Agronomia.

JANUÁRIA, 2013

INTRODUÇÃO

O serviço de assistência técnica e extensão rural (Ater)tem como objetivo primordial melhorar a renda e a qualidade de vida das famílias rurais, por meio do aperfeiçoamento dos sistemas de produção, de mecanismo de acesso a recursos, serviços e renda, de forma sustentável. Quando é realizado a ATER é aplicado um questionário socioeconômico cuja finalidade é avaliar a situação social, tecnológica e socioeconômica do meio rural, bem como a deterioração das famílias de uma região, tendo por fim condições de elaborar recomendações (ROCHA, 1997 citado LACERDA et. al 2010) As dificuldades ainda vivenciadas pelo agricultor familiar brasileiro reafirmam a importância da extensão, estimulando a atualidade do debate em tornodas políticas de ATER tanto em órgãos públicos, privados, ONGs e universidades (LIMA, F. A. X, et al, 2000). As instituições de ensino desenvolvem o conhecimento por meio do ensino, que é aprimorado pela pesquisa e difundido pela extensão. Estas desempenham papel fundamental na melhoria da qualidade de vida dos produtores por meio de informações essenciais para o desenvolvimento de atividades na propriedade rural. As informações adquiridas nas instituições, por meio dos alunos, são levadas as comunidades e assim difundidas entre seus membros. Este processo é de fundamental relevância ocorrendo a inclusão dos agricultores familiares nas atividades agropecuárias desenvolvidas no País. Desta forma o presente trabalho teve como objetivo prestar assistência técnica e extensão rural a uma moradora do assentamento União II localizado a aproximadamente 3 km da cidade de Januária, MG. O Projeto de Assentamento (PA) União II foi criado no final de 2008 pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), órgão responsável pela formulação e execução da política agrária no País, este projeto abrigou 26 famílias, e foi criado na Fazenda Quinta das Palmeiras. O assentamento já possuía Autorizações Ambientais de Funcionamento (AAF), emitidas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad). A AAF é fornecida aos PAs considerados de impacto ambiental não-significativo, ou seja, com número de famílias assentadas inferior ou iguais a 50. Durante os quatro anos de validade da Autorização, o INCRA precisa implementar ações em cumprimento à legislação ambiental. Algumas delas são o isolamento e recuperação de áreas de reserva legal e a regularização do uso dos recursos hídricos.

sem ser interrompida. As recomendações técnicas foram realizadasde acordo com os procedimentos para a elaboração de um receituário agronômico: no primeiro momento a proprietária relata sobre os seus problemas. avicultura. localizado na região de Januária Norte de Minas Gerais. socioeconômicas e culturais daassentada. Lote 23. A partir das informações obtidas foram feitas propostas de melhoria. além do cultivo de culturas anuais como mandioca. milho e sorgo. anotadas. questionadas e programadas. suinocultura. Neste momento a assentada teve a oportunidade de relatar sobre as suas expectativas para a propriedade bem como as atividades que ela mais gosta de desenvolver e as que ela considera de maior importância para ser desenvolvidas a curto prazo. irrigação e adubação. As principais atividades agropecuárias desenvolvidas na propriedade são a horticultura. Todas as atividades desenvolvidas na propriedade são isentas de aplicação de agrotóxicos sendo esta atividade considerada agroecológica. as condições edafoclimáticas. tratos culturais.Osprodutos oriundos da propriedade são para seu próprio consumo e também comercialização quando há uma produção considerável. Todas estas atividades são desenvolvidas sem nenhuma tecnologia. fruticultura. A propriedade possui 9 ha. na propriedade da senhora Railda no primeiro semestre do ano de 2013 pelos discentes do 9° período do curso de Agronomia do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais – Campus Januária. A renda obtida com a venda é investida na propriedade. o profissional anota somente os . Inicialmente foi feito um relatóriosocioeconômico com o intuito de obter informações relevantes a fim de buscar melhorias para a propriedade da assentada. considerando: as culturas e ou criações. MATERIAIS E MÉTODOS O trabalho foi realizado no Assentamento União II. suas exigências. o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) disponibilizou para a proprietária somente 4 ha que atualmente se encontra em uso. Suas indagações foram ouvidas. entretanto.OBJETIVO Objetivou-se prestar assistência técnica e extensão rural a uma produtora familiar do assentamento União II.

7) Enxertia de muda de laranja. 6) Reaproveitamento de resíduos orgânicos da propriedade (restos culturais. . o profissional solicita a proprietária informações relacionadas a cultura e sua condução (área. 5) Produção de mudas em bandejas. Longo Prazo: 1) Criação de ovelhas. 2) Montagem do sistema de irrigação. 4) Rotação de hortaliças. 4) Preparação do extrato de nim. e demais informações que julgarem necessárias (anamnese ativa). tipo de máquinas e equipamentos utilizados. 5) Confecção de biofertilizantes. os equipamentos de proteção individual (EPI’s). 2) Cultivo de milho verde. As propostas foram definidas de acordo com o tempo necessário para a sua execução em três etapas distintas sendo: Curto Prazo: 1) Confecção do composto. 4) Ampliação da pocilga. 3) Diversificação de culturas na propriedade. As visitas para o acompanhamento técnico ocorreram semanalmente e as questões trabalhadas foram escolhidas atendendo as necessidades da produtora. 2) Implantação do sistema PAES. etc. 3) Plantio de nim no perímetro da propriedade. Em seguida. 3) Uso da Urina de vaca no combate a pragas. sistema de condução. não devendo interrompê-la (anamnese passiva). 6) Confecção do minhocário. cultivar. disponibilidade de pessoal. época de plantio. Médio Prazo: 1) Cultivo escalonado de hortaliças. etc).fatos que julgarem importantes.). esterco de galinha.

banana.Esta assistência técnica realizada à propriedade conta com auxílio do Professor Alberto Luís Ferreira Berto. em dias que a demanda de serviço aumenta muito. responsável pela disciplina Desenvolvimento Rural Sustentável do IFNMG – Campus Januária. Após várias visitas ao assentamento e convivência com os moradores do local. também realiza serviços de diarista em algumas casas em Januária. em Januária-MG. ou seja. ela ainda produz pouco. suinocultura. Foi orientado pelo professor a importância da conversa com a proprietária para a busca de propostas viáveis para a propriedade. viúva. Em função do tempo. foi proposto pelo professor Alberto a realização de um dia de campo no IFNMG – Campus Januária. Ela tem dificuldades em conduzir a propriedade devido a falta de mão de obra. realiza suas atividades no assentamento só. pois não tem condições de contratar um auxiliar para realizar serviços mais pesados e que são essenciais. preparo do solo e levantamento de canteiros. entretanto. salvo raríssimas exceções em que sua irmã a ajuda. fruticultura (mamão. e às vezes. e laranja). Devido dona Railda ser iniciante no cultivo de olerícolas. O dia de campo foi realizado no dia 06/07/2013 pelos estudantes da disciplina Desenvolvimento Rural Sustentável e os tópicos abordados foram os seguintes: bovinocultura de corte. as propostas foram aceitas pela proprietária pretendendo a mesma continuar as atividades de acordo com a categoria definida. nem todas as atividades foram ainda desenvolvidas. Em seguida. olericultura. as atividades desenvolvidas inicialmente seriam aquelas que demandavam menos tempo e menos recursos por parte da assentada. . onde consegue um pouco de dinheiro para seu sustento. RESULTADOS E DISCUSSÃO DIAGNÓSTICO SOCIOECONÔMICO Dona Railda. sendo o suficiente para o próprio consumo e o excedente é comercializado no bairro Boa vista. seriam desenvolvidas as atividades a médio e após aquelas classificadas como atividades a longo prazo por demandarem tempo maior do que as primeiras. Sua principal fonte de renda é bolsa família. como limpeza da área. sendo este o segundo ano de cultivo.

pois foi muito mais prático e rápido a retirada das mudas da bandeja e sem riscos de danificar o sistema radicular das mesmas. além de práticas culturais como a rotação de culturas. Para resolver este problema foi proposto e colocado em prática. eliminação de restos culturais e plantas mortas e muito atacadas por doenças. ESCALONAMENTO DO SISTEMA DE CULTIVO O escalonamento da produção era algo que não se fazia na propriedade. além de desuniformidade e dificuldade no momento do transplante em canteiros definitivos. como frequentemente acontece nas plantas de abóboras atacadas por viroses. foi enfatizada a importância do espaçamento recomendado no plantio para cada cultura. Foi recomendado o uso do extrato de Nim e urina de vacapara tal finalidade. além de mudas mais uniformes e com o período juvenil menor. pois em um período muito curto tinha o que comercializar. TRATOS CULTURAIS Não era feito o raleio nasculturas em que a semeadura era feita diretamente no canteiro. o que promoveu a redução na perda de sementes. o que geralmente ocasionava grandes perdas da produção. o que dificultava a comercialização. Foi proposta esta prática. demonstrando como se fazia e destacando a importância da mesma. Também. Foi recomendado o plantio de forma escalonada de acordo a demanda dos consumidores e disponibilidade de colheita. onde ocorria um desperdício muitograndede sementes. reduzindo a produtividade da cultura. a produção de mudas em bandejas. como o coentro. mas passava um período muito longo com défcit de produtos. o que ocasiona na competição por água. luz e nutrientes. Também ganhou tempo na realização do transplantio. MANEJO DE PRAGAS E DOENÇAS O manejo de pragas e doenças não era realizado. o que na maioria das vezes se deparava com produção de determinada cultura concentrada em uma única semana.DIAGNÓSTICO PRODUTIVO PRODUÇÃO DE MUDAS As mudas eram produzidas em sementeiras. .

uma vez que era realizada duas vezes ao dia. APROVEITAMENTO DOS RESÍDUOS DA PROPRIEDADE Não era feito o reaproveitamento dos restos vegetais e animais na propriedade. esta era realizada de forma manual. disposta sobre o canteiro por meio de estacas e com “canudinhos” de cotonete inseridos ao longo da mangueira. o que demandava muito tempo. umidade. Então. foi explicado o manejo do composto. folhas e outros resíduos que eram abundantes na propriedade foram utilizados no composto preparado por nós. Este sistema foi adotado por apresentar um baixo custo de instalação e manutenção. O sistema consiste em uma mangueira suspensa. para produção de mudas e uso diretamente nos canteiros. A água utilizada no sistema é proveniente de uma cisterna localizada em sua propriedade. além de baixa eficiência. os canteiros foram ajustados. através do uso de regadores. Já o preparo dos canteiros (de forma manual) não foi feitos de maneira adequada.PREPARO DO SOLO E PREPARO DE CANTEIROS O preparo do solo foi realizado de forma adequada por meio de gradagem e posterior destorroamento manual. esterco de galinha. palhas de milho. . de modo que atingissem uma altura de aproximadamente 20 cm. pois os canteiros não recebiam água em quantidade suficiente para atender a demanda das culturas. capim. Também. Para contornar o problema da ineficiência da irrigação e a alta demanda por tempo. foi instalado um sistema de irrigação localizada. a fim de ensinar-la as etapas de preparo de um composto. A tortuosidade dos canteiros foi corrigida para possibilitar a implantação do sistema de irrigação. pois eram muito baixos e com grande tortuosidade. MONTAGEM DO SISTEMA DE IRRIGAÇÃO A horta não possuía sistema de irrigação. Para isto. Para solucionar este problema. foi proposto o uso dos materiais já existentes para confecção de composto orgânico. melhorando o solo para possibilitar um maior aprofundamento do sistema radicular. temperatura e ponto de utilização do mesmo. com o uso de emissores alternativos tipo cotonete.

CAPACITAÇÃO DOS PRODUTORES No dia de campo realizado no IFNMG vários setores da instituição foram visitados. assim como o equilíbrio entre o desenvolvimento da sociedade e a conservação ambiental. Espera-se que as práticas e tecnologias implantadas na propriedade possam ser expandidas em todo o assentamento. cebola. Os acadêmicos puderam colocar em prática os conhecimentos adquiridos em sala. No setor de hortaliças foi abordado o sistema de cultivo de alface. ANEXO Fotos demonstrando as atividades realizadas na propriedade: 1) CONFECÇÃO DO COMPOSTO: .Foi recomendado o uso dos restos culturais de hortaliças na alimentação de galinhas caipiras que ela cria em seu lote. além de aprender conhecimentos empíricos e práticas usadas pela Dona Railda. Algumas dificuldades surgiram principalmente no tocante ao controle de cupins e formigas. garantindo aigualdade e melhoria de vida dos agricultores. abóbora e tomate. Configura-se assim. Percebeu-se certa dificuldade da assentada em realizar algumas atividades por falta de mão de obra. ações que busquem consolidar o modelo de desenvolvimento sustentável. CONSIDERAÇÕES FINAIS A assentada aceitou todas as propostas feitas pelos acadêmicos e ficou muito satisfeita com as visitas. a necessidade de construir junto aos agricultores familiares deste assentamento. couve. servindo como modelo agrícola sustentável a ser praticado por todos os assentados. coentro.

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2) COMPOSTO APÓS MONTAGEM: .

3) COMPOSTO REVIRADO: .

4) ALINHAMENTO DOS CANTEIROS: .

5) FOTOS DEMONSTRANDO O SISTEMA DE IRRIGAÇÃO: A) ANTES DA MONTAGEM DO SISTEMA B) DURANTE A MONTAGEM DO SISTEMA .

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C) DEPOIS DA MONTAGEM DO SISTEMA DE IRRIGAÇÃO .

6) ÁREA APÓS PLANTIO DAS HORTALIÇAS .

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7) “NIM” PRONTO PARA USO: 8) USO DE BANDEJAS PARA PRODUÇÃO DE MUDAS: 9) PLANTIO DE MUDAS DE NIM: .

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M. V. B. OLIVEIRA.ifrn. M. R.. Acessado em 10 jun.edu. 1997. 423p. J. ..br/ojs/index. CAMPOS.php/HOLOS/article/download/336/307. A.M. Conceição – Paraíba – Brasil. J.S. Manual de projetos ambientais. Diagnóstico Sócio-Econômico dos Agricultores e o Impacto do Programa Bolsa Família.. Disponível em: www2. da. S. Santa Maria: UFSM. 2013 ROCHA. R. C.REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS Lacerda. JÚNIOR.

F.LIMA. X. A. .Assistência técnica e extensão rural: a interação com agricultores familiares do Ceará.