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O princípio de reciprocidade (= cap. 5 de As Estruturas Elementares do Parentesco)

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CAPÍTULO O Princípio de

V Reciprocidade

As conclusões d o admirável Essai sur le don são b e m c o n h e c i d a s . N e s t e e s t u d o h o j e e m d i a clássico, M a u s s propôs-se m o s t r a r p r i m e i r a m e n t e q u e a t r o c a se a p r e s e n t a n a s s o c i e d a d e s p r i m i t i v a s m e n o s e m f o r m a de t r a n sações q u e de d o n s recíprocos, e e m s e g u i d a q u e estes d o n s recíprocos o c u p a m u m l u g a r m u i t o m a i s i m p o r t a n t e nessas s o c i e d a d e s q u e n a nossa. F i n a l m e n t e , q u e esta f o r m a p r i m i t i v a d a s t r o c a s não t e m s o m e n t e , n e m e s s e n c i a l m e n t e , caráter e c o n ó m i c o , m a s coloca-nos e m face d o q u e c h a m a , n u m a expressão feliz, " u m f a t o s o c i a l t o t a l " , i s t o é, d o t a d o d e s i g n i f i cação s i m u l t a n e a m e n t e s o c i a l e r e l i g i o s a , mágica e económica, utilitária e s e n t i m e n t a l , jurídica e m o r a l . Sabe-se q u e e m m u i t o n u m e r o s a s sociedades p r i m i t i v a s , p r i n c i p a l m e n t e as das i l h a s d o Pacífico e as d a c o s t a d o Pacífico ao n o r o e s t e d o Canadá e d o A l a s c a , t o d a s as cerimónias cel e b r a d a s p o r ocasião de a c o n t e c i m e n t o s i m p o r t a n t e s são a c o m p a n h a d a s p o r u m a distribuição d e r i q u e z a s . É a s s i m q u e , n a N o v a Zelândia, a o f e r e n d a c e r i m o n i a l d e vestuários, jóias, a r m a s , a l i m e n t o s e d i v e r s a s p r o visões e r a u m traço c o m u m d a v i d a s o c i a l d o s M a o r i . Faziam-se esses d o n s p o r ocasião d o s n a s c i m e n t o s , d o s c a s a m e n t o s , f a l e c i m e n t o s , exumações, t r a t a d o s de p a z , d e l i t o s e c u l p a s e " i n c i d e n t e s d e m a s i a d o n u merosos para serem enumerados". I g u a l m e n t e , F i r t h , e s t u d a n d o as ocasiões e m q u e o c o r r e m as t r o c a s c e r i m o n i a i s n a Polinésia, e n u m e r a "nasc i m e n t o s , iniciações, c a s a m e n t o s , doenças, m o r t e s e o u t r o s i n c i d e n t e s d a v i d a s o c i a l o u fases d o r i t u a l " . P a r a u m s e t o r m a i s l i m i t a d o d a m e s m a região, o u t r o o b s e r v a d o r c i t a o n o i v a d o , o c a s a m e n t o , a g r a v i d e z , o nascim e n t o e a m o r t e . Descreve os p r e s e n t e s o f e r e c i d o s p e l o p a i d o j o v e m p o r ocasião d a f e s t a d o n o i v a d o : dez cestos d e p e i x e seco, d e z m i l cocos m a d u r o s e seis m i l v e r d e s , r e c e b e n d o ele p r ó p r i o e m t r o c a d o i s b o l o s d e q u a t r o pés q u a d r a d o s p o r seis p o l e g a d a s de espessura. *
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tarde novos dons que s u p e r a m a suntuosidade dos precedentes. A mais característica dessas instituições é o potlatch d o s índios d o A l a s c a e d a região d e V a n c o u v e r . N o c u r s o d o s potlatch consideráveis v a l o r e s são a s s i m t r a n s f e r i d o s , p o d e n d o às vezes elevar-se a várias dezenas d e m i l h a r e s d e c o b e r t o r e s e n t r e g u e s e m n a t u r e z a o u s o b a f o r m a simbólica de p l a c a s de c o b r e , c u j o v a l o r n o m i n a l cresce e m função d a importânc i a das operações e m q u e f i g u r a m . E s t a s cerimónias têm u m a tríplice função: p r o c e d e r à restituição d o s p r e s e n t e s a n t e r i o r m e n t e recebidos, a c r e s c i d o s de j u r o s c o n v e n i e n t e s , q u e p o d e m c h e g a r a c e m p o r c e n t o ; estabelecer p u b l i c a m e n t e a reivindicação de u m g r u p o f a m i l i a r o u s o c i a l a u m título o u a u m a p r e r r o g a t i v a , e a i n d a a n u n c i a r o f i c i a l m e n t e u m a mudança d e situação;Winalmente, s u p e r a r e m munificência u m r i v a l , esmagá-lo, se possível, p e l a p e r s p e c t i v a d e obrigações d e r e t o r n o q u e se e s p e r a não poderá s a t i s f a z e r , d e m a n e i r a d a a r r a n c a r d o r i v a l privilégios, títulos, c a t e g o r i a , a u t o r i d a d e , prestígio, ^ e r a dúvida, o s i s t e m a d o s d o n s recíprocos só a t i n g e tão vastas p r o p o r ç õ e s e n t r e os índios d a c o s t a d o n o r o e s t e d o Pacífico, estes v i r t u o s o s q u e dão p r o v a de u m génio e de u m t e m p e r a m e n t o excepcionais n o t r a t a m e n t o dos temas f u n d a m e n t a i s d a c u l t u r a p r i m i t i v a / M a s M a u s s p ô d e estabelecer a existência de i n s t i t u i ções análogas n a Melanésia e n a P o l i n é s i a / É c e r t o , p o r e x e m p l o , q u e as festas de alimentação de várias t r i b o s a a N o v a Guiné têm p o r f u n ção p r i n c i p a l o b t e r o r e c o n h e c i m e n t o de u m n o v o pangua p o r u m a convenção d e t e s t e m u n h a s % i s t o é, a m e s m a função q u e , s e g u n d o B a r n e t t , dá base f u n d a m e n t a l aos potlatch d o Alasca. O m e s m o a u t o r vê n a m a i o r o f e r t a u m caráter p a r t i c u l a r às cerimónias d o s K w a k i u t l , e t r a t a o e m préstimo a j u r o s c o m o u m a operação p r e l i m i n a r ao potlatch e não. c o m o u m a de suas m o d a l i d a d e s . " H á s e m dúvida variações l o c a i s , m a s ps d i v e r s o s a s p e c t o s d a instituição f o r m a m u m a t o t a l i d a d e q u e se e n c o n t r a , de m a n e i r a m a i s o u m e n o s s i s t e m a t i z a d a , n a América d o N o r t e e d o S u l , n a A s i a e n a África. Trata-se d e u m m o d e l o c u l t u r a l u n i v e r s a l , mesm o q u a n d o não i g u a l m e n t e d e s e n v o l v i d o e m t o d a p a r t e . M a s deve i n s i s t i r - s e t a m b é m s o b r e o s e g u i n t e p o n t o : esta a t i t u d e d o p e n s a m e n t o p r i m i t i v o a r e s p e i t o d a transmissão d o s b e n s não se e x p r i m e s o m e n t e e m instituições n i t i d a m e n t e d e f i n i d a s e l o c a l i z a d a s . I m p r e g n a t o d a s as operações, r i t u a i s o u p r o f a n a s , n o c u r s o das q u a i s são dados o u recebidos objetos e p r o d u t o s . P o r t o d a p a r t e e n c o n t r a m o s a d u p l a suposição, implícita o u explícita, q u e os p r e s e n t e s recíprocos const i t u e m u m m o d o , n o r m a l o u privilegiado conforme o grupo, de transmissão d o s b e n s , o u de c e r t o s b e n s , e q u e estes p r e s e n t e s não são ofer e c i d o s p r i n c i p a l m e n t e , o u e m t o d o o caso e s s e n c i a l m e n t e , c o m a f i n a l i d a d e de o b t e r u m benefício o u v a n t a g e n s de n a t u r e z a económica. " A p ó s as festas d ó n a s c i m e n t o , escreve T u r n e r s o b r e a r e q u i n t a d a c u l t u r a de S a m o a , d e p o i s de t e r e m r e c e b i d o e retribuído os oloa e os tonga (isto é, os b e n s m a s c u l i n o s e os f e m i n i n o s ) , o m a r i d o e a m u l h e r não s a e m mais ricos que a n t e s . . . " '
4. G . D a v y , La Foi jurée, P a r i s 1922. G . P . M u r d o c k , R a n k and Potlatch among t h e H a i d a . Yale University Publications in Anthropology, n . 13, 1936. H . G . B a r n e t t , The Nature o f t h e P o t l a t c h . American Anthropologist, v o l . 40, 1938. 5. V e r m a i s a l é m c a p . V I . 6. F . B o a s , The Social Organization and the Secret Societies of the Kwakiutl Indians, R e p o r t of t h e U . S . M u s e u m f o r 1895, S m i t h s o n i a n I n s t i t u t i o n , W a s h i n g t o n 1897. H . G . B a r n e t t , o p . cit., p . 3 5 1 s . 7. C i t a d o p o r M a u s s , op. cit., p . 42.

E s t e s p r e s e n t e s o u são t r o c a d o s i m e d i a t a m e n t e p e l o s b e n s e q u i v a l e n t e s o u r e c e b i d o s p e l o s beneficiários q u e têm p o r obrigação p r o c e d e r , e m u m a ocasião u l t e r i o r , a c o n t r a p r e s e n t e s , c u j o v a l o r excede m u i t a s vezes o d o s p r i m e i r o s , m a s q u e p o r s u a vez d ã o d i r e i t o a r e c e b e r m a i s
g t o n 1929, p. 36. 2. R . F i r t h , Primitive Polynesian Economics, L o n d r e s 1939, p . 321. 3. R . I a n H o g b i n , S e x u a l L i f e o f t h e N a t i v e s of O n g t o n g J a v a , Journal of the Polynesian Society, v o l . 40, p . 28. — V e r t a m b é m o s n ú m e r o s e s p a n t o s o s reunidos , , ? rtinaifoe Economics of the New Zealand Maori, N o v a I o r q u e 1929,
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. u m d o m . 1 0 obrigação r i t u a l q u e o r e c e b e d o r t e m d e a c e i t a r e de r e t r i b u i r . e m c e r t o s momentos os p r e s e n t e s t r o c a d o s são d a m e s m a n a t u r e z a . 12. W. " a i d e i a de d o m g r a t u i t o é c o m p l e t a m e n t e e s t r a n h a à c u l t u r a d e M a l e k u l a . Washington. E m a l g u n s países ibéricos.ta declaração. C o n t u d o . 15. Os índios d o A l a s c a d i s t i n g u e m os o b j e t o s d e c o n s u m o o u provisões. O r a . c o m e f e i t o . . c o m o n o vL?caso d a s transações c o m e r c i a i s de n o s s a sociedade. até q u e o i n i c i a d o r q u e i r a p a r a r " . J o c h e l s o n . p a r a o p e n s a m e n t o p r i m i t i v o . O x f o r d 1936. n . u m a especulação e u m a experiência de retribuição".. e m b o r a seja s e m p r e l i m i t a d o e q u a l i f i c a d o p e l o s o u t r o s a s p e c t o s d a instituição. A r m s t r o n g . as transações não p e r d e m t o d o alcance económico.. 1937. The Yukhagir. t e m c o m o correspondente u m a observação de R a d c l i f f e . a p e s a r de l i b e r a l . e m o ção.H o g b i n o b s e r v a q u e n e m u m n e m o u t r o d o s p a r c e i r o s r e t i r a dessas tfOOM q u a l q u e r benefício m a t e r i a l v e r d a d e i r o . "se r e t r i b u e m " . m a s veículos e i n s t r u m e n t o s de r e a l i d a d e s de o u t r a o r d e m . .. ' I g u a l m e n t e . O o u t r o fica obrig a d o a a c e i t a r o p r e s e n t e e a o f e r e c e r de v o l t a u m o b j e t o de m e s m o v a l o r . q u e b r a n d o o u j o g a n d o n o m a r u m " c o b r e " . p . p a r e c e t o t a l m e n t e destituída de significação. O l u c r o e s p e r a d o i não é n e m d i r e t o n e m i n e r e n t e às coisas t r o c a d a s . F o i p r e c i s o r e c u s a r r a p i d a m e n t e t o d o p r e s e n t e e r e c o r r e r ao comércio p r o priamente d i t o " . r o u p a s de s o l e n i d a d e s . posição. p o i s i m p e l e m ao t r a b a l h o e e s t i m u l a m a necessidade de cooperação a q u e d e r a m n a s c i m e n t o " .. ao m e s m o p r e s e n t e . O caráter e c o n ó m i c o s u b s i s t e e n t r e t a n t o . p . p . Oceania. e m n o s s a s o c ie dade . M . 13. Igualmente. 11. 137. d o p o n t o de v i s t a econônimo. " Q u a n d o alguém q u e r começar u m patukhuk. 96. The Eskimo. p o r t a n t o . . e q u e são os únicos a p o d e r e n t r a r n o s c i c l o s r i t u a i s d a s t r o c a s t r i b a i s o u i n t e r t r i b a i s / M a s e s t a distinção está s e m p r e e m v i g o r n a sociedade m o d e r n a . a s s i m c o m o os c o n v i t e s . p o d e a c o n t e c e r q u e u m a b o l a de f i o s trançados o f e r e c i d a d u r a n t e o c e r i m o n i a l e x i j a de v o l t a u m a b o l a d a m e s m a espécie e importância. O p r i m e i r o t r a z então o u t r a coisa. c o m o se c e r t o s b e n s . e não p e l a v i a d a produção o u d a aquisição i n d i v i d u a i s . e n c o n t r a se n a o u t r a e x t r e m i d a d e d o c o n t i n e n t e a m e r i c a n o . q u a n d o u m e m b r u l h o de a l i m e n t o s d a d o de p r e s e n t e é substituído p o r u m p r e s e n t e d e v o l v i d o . D e a c o n . op. M a s não é s o m e n t e n a s o c i e d a d e p r i m i t i v a q u e p a r e c e r e i n a r a i d e i a de h a v e r u m a v a n t a g e m m i s t e r i o s a n a obtenção d a s c o m o d i d a d e s — o u p e l o m e n o s d e a l g u m a s delas — p o r v i a de d o n a t i v o s recíprocos. d i z e n d o : " É u m patukhuk". n a m a i o r i a d a s vezes p e l o caráter não utilitário. q u e f o r m a m a p r o p r i e d a d e p o r excelência. cit. The Eskimo about Bering Strait. q u e são não e x c l u s i v a m e n t e . n a s t r o c a s q u e a c o m p a n h a m o casament o Y u k a g h i r _ os p a i s q u e r e c e b e r a m u m a r e n a r e t r i b u e m c o m o u t r a . F . P> c o n s c i e n t e s o u i n c o n s c i e n t e s . A . N e l s o n . p . potência. W. '"' 1 4 0 Os infortúnios de A m u n d s e n m o s t r a m o q u e c u s t a p e r d e r o s e n t i d o d a r e c i p r o c i d a d e : " D o s g e n e r o s o s p r e s e n t e s q u e l h e s f a z i a em«t r e s p o s t a a suas doações. G u s i n d e . q u e não s a e m d o círculo d a produção e d o c o n s u m o f a m i l i a r . m a s p r o c u r a m s o m e n t e p r o v o c a r u m a r e s p o s t a ) c o n s i s t e e m u m c o n j u n t o c o m p l e x o de m a n o b r a s . não é t a l de a c o r d o c o m nossas próprias convenções. p a r a s e r e m d a d o s c o m o p r e s e n t e s . F . W . n .. P o l y n e s i a n C e r e m o n i a l G i f t E x c h a n g e s . p a r a a d q u i r i r g a r a n t i a s e p r e v e n i r . op.. diferente d a q u i l o q u e o t o r n a c ó m o d o p a r a s e u d e t e n t o r o u p a r a seu n e g o c i a n t e . os habitantes das ilhas A n d a m a n . referente a u m a c u l t u r a altamente desenvolvida. p . ! ' E s t a paixão d o d o m . " N ã o é a s i m p l e s posse das r i q u e z a s q u e c o n f e r e o prestígio." A m e l h o r p r o v a d o caráter supra-econômico dessas t r o cas é q u e n o potlatch não se h e s i t a e m d e s t r u i r às vezes v a l o r e s c o n sideráveis. todos o b j e t o s esses c u j o v a l o r simbólico excede i n f i n i t a m e n t e o d o t r a b a l h o o u d a matéria-prima. " C o m e f e i t o . p r e p a r a d o s e g u n d o i g u a l r e c e i t a " . 62. e n t r e os Y a g h a n . Malekula. H . 18th A n n u a l R e p o r t . 1932. v o l . " m e s m o q u a n d o se t r o c a m p o r c o s p o r p o r c o s o u a l i m e n t o p o r a l i m e n t o .. a s s i m c o m o os j o g a d o r e s de x a d r e z não dão u m ao o u t r o as peças q u e avançam a l t e r n a t i v a m e n t e n o t a b u l e i r o . m a s q u e supõe s e m p r e u m a retribuição.. s i m p a t i a . 374. E . " A finalidade é p r i n c i p a l m e n t e m o r a l . H o l m verifica que u m a troca c o m u m i n dígena a b r e u m a pretensão g e r a l . 980s. B o a s . as " c a s a s de r e g a l i a s " o u "casas de p r e s e n t e s " . " O s indígenas e x p l i c a r a m q u e d a v a m s e m p r e às pessoas t u d o o q u e p e d i a m " .Os b e n s não são s o m e n t e c o m o d i d a d e s económicas. p . d e v a l o r de c o n s u m o não essencial. e q u e os K a w a k i u t l c h a m a m " t h e r i c h f o o d " . e m l o j a s i n s t a l a d a s e m função desse d e s t i n o p r i v i l e g i a d o . c o m o são o l u c r o de d i n h e i r o o u o v a l o r de c o n s u m o . 309. . p . este é c o m p o s t o d o m e s m o e m b r u l h o d o m e s m o a l i m e n t o . tendo p o r o b j e t i v o p r o d u z i r u m s e n t i m e n t o a m i s t o s o e n t r e as d u a s "pessoas em questão. m a s a n t e s " a distribuição d e l a s . O indivíduo só a m o n t o a r i q u e z a s p a r a se e l e v a r n a h i e r a r q u i a s o c i a l " . O j o g o sábio d a s t r o c a s ( o n d e f r e q u e n t e m e n t e não há transferênc i a r e a l . q u e será oferecida exatamente c o m o m e s m o c e r i m o n i a l .. S m i t h s o n i a n I n s t i t u t i o n . os esquimós r a p i d a m e n t e concluíram q u e t i n h a m v a n t a g e m e m o f e r e c e r t o d a s as suas m e r c a d o r i a s e m f o r m a de p r e s e n t e . e q u e m a i o r prestígio r e s u l t a d a aniquilação d a r i q u e z a q u e d e s u a distribuição. T u d o se passa. a t r o c a não p r o d u z u m r e s u l t a d o tangível. não é p r e c i s o d i z e r q u e os p r e s e n t e s . 199 e 202. " Igualmente. P o r q u e . O u m e l h o r . t i gelas e o u t r o s r e c i p i e n t e s c e r i m o n i a i s . c o m t o d o s e u l u x o e d i v e r s i d a d e . P a p u a . " O p r o b l e m a levantado p o r T u r n e r n o texto acima citado.T a w a l a . d a p a r t e de t o d o s os o u t r o s . a c o m p a n h a d a d a 8. etc. a q u e c o r r e s p o n d e m as " g i f t s h o p s " d o m u n d o anglo-saxão. C i t a d o p o r M a u s s . E s t a m o s . I a n H o g b i n . M a s é p r e c i s o d e f i n i r o v e r d a d e i r o s e n t i d o des.s e c o n t r a r i s c o s _ n p _ d u p l o t e r r e n o das alianças e das r i v a l i d a d e s . Bureau of A m e r i c a n Ethnology. é n o m á x i m o u m a a v e n t u r a ... 3. m a s também distribuições l i b e r a i s de a l i m e n t o s e b e b i d a s . W i l l i a m s . S v a u . B . e estas operações c o n t i n u a m às vezes até q u e os d o i s h o m e n s t e n h a m t r o c a d o t o d o s os seus b e n s . E . C o m e f e i t o . E s t e c o m p r e e n d e c o b e r t a s d e c o r a d a s c o m brazões. há na verdade o u t r a coisa n o que c h a m a m o s u m " b e m " . cit. A s s i m . estes o b j e t o s só p o d e m ser e n c o n t r a d o s . t a m b é m a q u i e m p l e n o d o m í n i o d a r e c i p r o c i d a d e . p o r q u e aquele que recebeu e m p r i m e i r o l u g a r é obrigado a responder. 94 95 . 10. das r i q u e z a s . c o l h e r e s d e c h i f r e . T r o c a m a n i m a i s v i v o s .. É q u e . Anthropology Report. 1. . Viena 14. j leva u m o b j e t o q u a l q u e r ao kaspin (casa d o s h o m e n s ) e o dá àquele c o m o q u a l deseja t r a v a r relações de t r o c a . . 1. p . S a b e m o s " q u e e x i s t e m c e r t o s t i p o s de o b j e t o s e s p e c i a l m e n t e próprios.B r o w n s o b r e as t r o c a s de p r e s e n t e s e m u m p o v o q u e se e n c o n t r a e m u m d o s níveis m a i s p r i m i t i v o s c o n h e c i d o s . Papuans of the Trans-Fly. 13. * N a c o s t a s u l d a N o v a Guiné os indígenas e m p r e e n d e m l o n g a s viagens p a r a e x e c u t a r e m u m a operação q u e . p o d e r . Die Feuerlaná Indianer. E . 9.

s e m t r o c a d i l h o . s e m u m vago s e n t i m e n t o de c u l p a b i l i d a d e . v o n M a r t i u s . c u j a reduplicação f r e q u e n t e r e s u l t a d a escala l i m i t a d a d o s o b j e t o s p r ó p r i o s p a r a s e r v i r e m de p r e s e n t e . Primitive Polynesian Economics. d u r a n t e u m m ê s c a d a a n o . c o m a urgência o u a ausência d a n e c e s s i d a d e . " c o m e r de s e u p r ó p r i o c e s t o " . estético J o u s e n s u a l . 1901. S u m n e r . a l i m e n t o o f e r e c i d o e s u a apresentação. p . não se serve o m e n u c o t i d i a n o . com o se o d i n h e i r o . D u r a n t e os últimos c e m a n o s o j o g o t o m o u u m d e s e n v o l v i m e n t o e x c e p c i o n a l t o d a s as vezes q u e os m e i o s de p a g a m e n t o e x c e d e r a m c o n s i d e r a v e l m e n t e as disp o n i b i l i d a d e s l o c a i s de b e n s . e n v i a d o o u r e c e b i d o . F . e este género d e c o n v i t e c o n s t i t u i o m e i o m a i s f r e q u e n t e m e n t e usado p a r a " r e t r i b u i r " u m a delicadeza. C .s e " u m j a n t a r a u m a pessoa q u e se d e s e j a h o m e n a g e a r .. P o r ocasião d a s t r o c a s e cer i m o n i a i s polinésios é p r e s c r i t o q u e . E s t a ritualização d o u s o d o s " e x c e d e n t e s " c o r r e s p o n d e à regulamentação. as geléias de foie gras. m e s m o e m n o s s a soc i e d a d e . t a l c o m o n o Alasca o u n a Oceânia. são r e v e l a d o r a s . os b o m b o n s . p o i s . m e i o h a b i t u a l de i n t r o d u z i r u m a petição. etc./Seria p r e c i s o t a m b é m m e n c i o n a r as técnicas s u t i s q u e r e g u l a m o e m b r u l h o d o s p r e s e n t e s e q u e . o que cada u m possui ó too b a n a l e fácil de o b t e r q u e t o d o s e m p r e s t a m e t o m a m e m p r e s t a d o . u m a o u t r a função a r c a i c a . 372. de p a g a r m u l t a p o r u m d a n o c a u s a d o o u d e c u m p r i r u m a obrigação.m a s aos q u a i s l i g a m o s g r a n d e apreço psicológico. p o r s i m e s m o . os chás e as ceias c o m p r o v a m o v i g o r m o d e r n o . Pela v a i d a d e d o s d o n s . / / /«. M a s a i n d a a q u i e s t a m o s e m presença d e u m m o d e l o g e r a l . "jg£&mrl. t r a d u z e m . s i n g u l a r i d a d e e preço ( q u e . já e s t u d a d a n o capítulo I I I . E n a s danças d a al- of 16. u m e s t u d o e s p e c i a l . m a s se e^tendãrnZã~outroV grupos~rê~ã~~õutras aldeias. G . A b r i d g e d f r o m t h e R u s s i a n o f S i e r o s h e v s k i . p . não d e i x a d e se m u l t i p l i c a r p o r m o t i v o d a q u a n t i d a d e ) . mas a terminologia guarda u m perfume misterioso. O c o m e r c i a n te hábil não sabe a t r a i r a c l i e n t e l a f a z e n d o s e g r e d o de q u e c e r t a s m e r c a d o r i a s de a l t o preço são p o r ele " s a c r i f i c a d a s " ? O o b j e t i v o é económico. S e m d e s e n v o l v e r a q u i o t e m a folclórico m o d e r n o . O serviço de p o r c e l a n a f i n a .. parece que a q u i l o q u e se p o d e c h a m a r . d o u s o d o s " p r o d u t o s escassos". São i g u a r i a s q u e ninguém c o m p r a r i a e c o n s u m i r i a s o z i n h o . s a e m d a s a r c a s p i n t a d a s e d e c o r a d a s c o m brazões. Journal 96 97 . 31. T u d o se passa. a i m a g e m m a i s característica dessas transferências de r i q u e z a s . os " r i c h f o o d " . c o n t u d o tão s i g n i f i c a t i v o . m o s t r a q u e e n t r e nós. d i f e r e n t e d a s i m p l e s satisfação das necessidades fisiológicas. e t i q u e t a s emblemáticas. e a l i t e r a t u r a e v o c o u c o p i o s a m e n t e o salmão c o m m a i o n e s e . t o d a s elas. O g r u p o . as t o a l h a s b o r d a d a s . o vínculo pessoal q u e existe e n t r e o d o a d o r e o d o m . f o s s e m c o n s i d e r a dos c o m o d e v e n d o c o n v e n i e n t e m e n t e s e r a d q u i r i d o s e m f o r m a de d o n s ItCÍprocOS. A s a t i t u d e s e m face d o a l i m e n t o . t o d a s as classes sociais se d e d i c a m c o m u m a espécie de f u r o r s a g r a d o . j u l g a com s i n g u l a r d u r e z a a q u e l e q u e " b e b e s o z i n h o " . ouve-se f r e q u e n t e m e n t e e se r e f e r e ao a t o p r e l i m i n a r d a a b e r t u r a d a relação. o número deles. as p a l a v r a s " v a i a t u a casa. O s e s t u d o s de M a r t i u s s o b r e os A r u a k são c o n h e c i d o s : " E m b o r a t e n h a m a ideia d a p r o p r i e d a d e i n d i v i d u a l . e a função mágica d o p r e s e n t e : e m balagens especiais. se as obrigações a l i m e n t a r e s e x i g e m c e r t o s a l i m e n t o s d e f i n i d o s p e l a tradição. os b e n s não sejam trocados n o i n t e r i o r d o g r u p o ~ d o s parentes próximos paternos. As f a b u l o s a s histórias de j o g o d o K l o n d y k e o u d o A l a s c a n o m o m e n t o d a expansão m i n e i r a e n c o n t r a m e c o nas d a região amazônica n a g r a n d e época d a b o r r a c h a . papéis e f i t a s c o n s a g r a d a s . p o i s u m cesto de a l i m e n t o const i t u i o . L e i p z i g 1867. p o r t a n t o . m e s m o m o d e s t o . e t c . a própria l i n g u a g e m . T h e Y a k u t s . c o r r e s p o n d e m a u m a o u t r a função. V a m o s n o s l i m i t a r a q u i a u m a b r e v e observação. u m foie gras. o c o n s u m o e m f o r m a c o m p a r t i l h a d a . q u e e s t a m o s h a b i t u a d o s a c o n s i d e r a r c o m o s i m p l e s m e i o d e obtenção de b e n s económicos. r i t u a l m e n t e e x i b i d a n a chaminé d o r e c e b e d o r d u r a n t e a s e m a n a fatídica. d a r i q u e z a d e suas ligações s o c i a i s e d o g r a u de s e u prestígio. " N a s relações económicas e sociais a expressão fai te kai. v o l . a q u e . s e m se p r e o c u p a r e m d e m a s i a d o e m r e s t i t u i r " . à s u a m a n e i r a . A t r o c a de p r e s e n t e s de N a t a l . N a s o c i e d a d e n o r t e a m e r i c a n a . são a p r o v a . não é o u t r a coisa senão u m g i g a n t e s c o potlatch e n v o l v e n d o milhões de indivíduos. e m ocasiões análogas. A i n d a m a i s . n a m e d i d a dó" possível. U m a g a r r a f a d e v i n h o v e l h o . n o m o m e n t o e m q u e não p o d e esgotar-se nesse p a p e l . Festas e cerimónias r e g u l a m t a m b é m e n t r e nós o r e t o r n o periódico e o e s t i l o t r a d i c i o n a l de vastas operações d e t r o c a . p r e c i o s a m e n t e g u a r d a das n o s armários e n o s guarda-louças f a m i l i a r e s são u m notável e q u i v a l e n t e d a s t i g e l a s e c o l h e r e s c e r i m o n i a i s d o A l a s c a q u e . the Royai Anthropological Institute. W. F a l t a r a este d e v e r chamã^síT sori tana. d o milionário q u e a c e n d i a seus c h a r u t o s c o m n o t a s d e d i n h e i r o . e os " a r t i g o s de l u x o " . m a s o r e q u i n t e de s u a escolha. c o m e f e i t o . n a s o c i e d a d e m o d e r n a . r e c u p e r a s s e . a de i n s t r u m e n t o de prestígio ao preço d o d o m e d o sacrifício. b a s t a apenas s e u a p a r e c i m e n t o p a r a u m a retribuição s i g n i f i c a t i v a . E n t r e esses d o i s e x t r e m o s encontra-se u m a espécie d e z o n a de indiferença e d e l i b e r d a d e . N o dom í n i o tão característico d a s prestações a l i m e n t a r e s . 18. estas t r o c a s t o m a m t a m b é m a f o r m a d e u m a v a s t a e c o l e t i v a destruição d e r i q u e z a s . q u a n d o o tão fácil i r p a r t i c i p a r d a refeição de u m v i z i n h o . " ' " O f e r e c e . Q u a n t o m a i s o a s p e c t o s o c i a l d o m i n a o a s p e c t o e s t r i t a m e n t e a l i m e n t a r m a i s se vê estilizar-se o t i p o de . p r e p a r a a l i m e n t o s " a p a r e c e m freq u e n t e m e n t e e m p r i m e i r o l u g a r " . e não e m f o r m a d e t r o c a o u de c o n s u m o i n d i v i d u a l . O s " C h r i s t m a s c a r d s " r i c a m e n t e d e c o r a d o s não a t i n g e m s e m dúv i d a o v a l o r d o s " c o b r e s " . de q u e os b a n q u e t e s .. c o n v i d a m o o u t r o a v e r r u m a r u m a s u r d a reivindicação n a consciência d o proprietár i o . e o j o g o e x i g i r i a . q u e p a r e c e m u i t a s vezes p r o c u r a r r e i n t e g r a r n a civilização m o d e r n a a t i t u d e s e p r o c e d i m e n t o s m u i t o g e r a i s d a s c u l t u r a s p r i m i t i v a s . c o m o as f l o r e s . 17. " p r e p a r a r o a l i m e n t o " . s o b r e t u d o . o r o d o v a l h o c o m m o l h o mousseline. 69. R . Beitràge zur Ethnographie. há n u m e r o s o s p e q u e n o s f a t o s p a r a l e m b r a r q u e .é-siaxr-Este caráter de r e c i p r o c i d a d e não é o único q u e a u t o r i z a a a p r o x i m a r as refeições e s e u r i t u a l d a s instituições p r i m i t i v a s q u e e v o c a m o s . É s e m dúvida o j o g o q u e f o r n e c e . " O s r e q u i n t e s d a <li visão o u d a distribuição a p a r e c e m . t o d o este f o l c l o r e d o s b a n q u e t e s . N a s instruções indígenas q u e se r e f e r e m à m a n e i r a d e a g i r e m u m g r a n d e número de situações. c o m o f i m e x c l u s i v o d e a d q u i r i r prestígio.. a destruição d a s r i q u e z a s é u m m e i o d e prestígio. e f e t i v a m e n t e r e a l i z a d o o u s i m p l e s m e n t e a r r i s c a d o . P . n o f i n a l d o q u a l os orçamentos f a m i l i a r e s d e f r o n t a m . Q u a n d o se " d á " u m j a n t a r . atribuída o u t r o r a às coisas p r e c i o s a s . F i r t h . a p r a t a r i a . q u e d i z " d a r u m a recepção". P a r a nós t a m b é m . " O s Y a k u t recusavam-se a orér q u e e m a l g u m l u g a r d o m u n d o se pudesse m o r r e r de f o m e . u m l i c o r / r a r o . estas ocasiões t o m a m u m a a m p l i t u d e i n t e i r a m e n t e e x c e p c i o n a l .s e c o m duráveis desequilíb r i o s .

c a d a q u a l e m seu género. 1. c o m efeito. E l w i n . d i a n t e d o p r a t o . s u b s t i t u i n d o u m vínculo à justaposição. O p a r c e i r o . o b r i g a d a s à r e s e r v a h a b i t u a l e n t r e e s t r a n h o s . e n q u a n t o s u a posição r e s p e c t i v a n o espaço físico e s u a relação c o m os o b j e t o s e utensílios d a refeição sugere. é p r o v o c a d o a s a i r desse e s t a d o . "' O a t o d o h o m e m o u d a m u l h e r que. ' o v i n h o o f e r e c i d o a t r a i o v i n h o retribuído. M a s t a m b é m p o r e s t a razão a c u l t u r a interessou-se m e n o s e m d e f i n i r u m p r o t o c o l o . A t r o c a d o v i n h o p e r m i t e a solução dessa situação fugaz m a s difícil. m a n i f e s t a . d a f o r m a ç ã o d e u m g r u p o p a r a o q u a l . r a r o e m n o s s a s o c i e d a d e ( m a s q u e as f o r m a s p r i m i t i v a s d a v i d a s o c i a l m u l t i p l i c a m ) . s e m i n solência. Daí e m d i a n t e só p o d e ser de c o r d i a l i d a d e o u de h o s t i l i d a d e . j á s e a p r o p r i o u d o s p r i m e i r o s p r e s e n t e s " ( B . o v i n h o . 21. ocupações e c a t e g o r i a s o c i a l não são c o n h e c i d o s . c a d a freguês e n c o n t r a . M a s é t a m b é m m a i s q u e i s s o . N e s t a realização i n d i v i d u a l d e u m a t o que n o r m a l m e n t e exige a participação c o l e t i v a . e o m a i o r desembaraço s o c i a l de q u e d e u p r o v a p a s s a a ser p a r a ele u m a 98 99 . p a r a s i . p o i s não se t e m a p o s s i b i l i d a d e . q u e d i s s i p a a i n c e r teza recíproca. Que a c o n t e c e u ? A s d u a s g a r r a f a s são idênticas e m v o l u m e e seu conteúdo d e q u a l i d a d e s e m e l h a n t e . F r e q u e n t e m e n t e . U m c o n f l i t o . M a l i n o w s k i . n o r e g i m e m a t r i l i n e a r . p o r u m c u r t o espaço de t e m p o . comesse e m s e g r e d o os p r a t o s de cerimónia s e m o f e r e c e r u m a p a r t e deles "'. p . P a r i s 1922. estes s e n t i m e n t o s d e s p e r t a m u m eco e n f r a q u e c i d o d e e m o ç õ e s d o m e s m o t i p o . 2. — Inversamente. vai-se estab e l e c e n d o u m a c a s c a t a de p e q u e n o s vínculos s o c i a i s . A distância s o c i a l m a n t i d a . n o p e q u e n o rest a u r a n t e . a d a c o n v e r s a . não p o d e m a i s r e c o n s t i t u i r . e. q u e e v o c a m o s n o s capítulos p r e c e d e n t e s . e o s i n d í g e n a s d a s i l h a s T r o b r i a n d j u s t i f i c a m s u a i n d i g n a d a condenação do i n c e s t o e n t r e p a i e f i l h a — q u e n ã o é. p. é u m b e m s o c i a l . v o l . s e m dúvida p o r m o t i v o d o caráter t e m p o r á r i o . f i c a n d o o b r i g a d a ao r e c e b e r . p o r q u e oferece u m exemplo. Se u m a g a r r a f a f o r i n s u f i c i e n t e m e n t e c h e i a o poss u i d o r d e l a a p e l a c o m b o m h u m o r p a r a o j u l g a m e n t o de u m v i z i n h o . p. p o r q u e este ú l t i m o rep r e s e n t a as servidões d o c o r p o e o o u t r o u m l u x o . p o r u m a série de oscilações a l t e r n a d a s . I s t o acontece p o r q u e . entre os baigas da índia central. e x i s t e n u m a e n o u t r a . E este executará l o g o a s e g u i r u m g e s t o c o r r e s p o n d e n t e de r e c i p r o c i d a d e .s e i m e d i a t a m e n t e u m a s i n g u l a r diferença d e a t i t u d e c o m r e l a ção ao a l i m e n t o líquido e a o a l i m e n t o sólido. o p r i m e i r o serve p a r a a l i m e n t a r .s e u m d i r e i t o a o ofer e c e r .cerimónia. 311 e 321. perguntou-lhes se o h o m e m devia comer ou vender os frutos da árvore que tinha plantado" ( E . d i f e r e n t e m e n t e d o " p r a t o do d i a " . o o u t r o p a r a h o m e n a g e a r .. u m a m o d e s t a g a r r a f a de u m líquido n a m a i o r i a d a s vezes i n d i g n o . M a s é q u e n a t r o c a há a l g o m a i s q u e coisas t r o c a d a s . ' A p e q u e n a g a r r a f a p o d e c o n t e r apenas u m c o p o . t a i s pessoas acham-se c o l o c a d a s d u r a n t e d u a s o u três m e i a s horas e m u m a promiscuidade m u i t o . e q u e cada ( m a l c o m a o a l i m e n t o d o o u t r o . M a s c o m o v i n h o dá-se coisa i n t e i r a m e n t e d i f e r e n t e . B e s t . É ent r e t a n t o e m i n e n t e m e n t e reveladora. C o s q u i n . The Sexual Life. d e r e c u s a r seu c o p o ao o f e r e c i m e n t o d o v i z i n h o . o incesto expia-se oferecendo grandes festins (V. 20. s e m dúvida não m u i t o a g u d o . não se dispõe de u m a f ó r m u l a j á p r o n t a de i n tegração. desg o s t o . e q u e I s e a p r e s e n t e o p r a t o ao v i z i n h o . 5f&. não p o r u m t e m p o tão l o n g o n e m tão e s t r e i t a m e n t e q u a n t o n o caso de d i v i d i r e m u m a c a b i n e d e transatlântico o u u m l e i t o de t r e m n o t u r n o . é e n v o l v i d o p o r u m a espécie de r e s p e i t o místico.H á m a i s a i n d a . S e m dúvida. d e z o m b a r i a . pa-. é p o r s i só u m f a t o r d e s o f r i m e n t o . 9 ) .s e t a l c o m o e r a . E . a n t e s d a pessoa servir-se. ' " M a s o r i t u a l d a s t r o c a s não está s o m e n t e p r e s e n t e nãs"^refeições '-dé. Ibid. É u m a afirmação de b o a v o n t a d e . e e m c e r t a m e d i d a exige. N a d a p o d e r i a i m p e d i r u m a imperceptível a n s i e d a d e de surg i r n o espírito d o s c o n v i v a s .. N o s p e q u e n o s e s t a b e l e c i m e n t o s o n d e o v i n h o está incluído n o p r e ç o d a c o m i d a .dela a s convenções e x i g e m q u e os d o i s g r u p o s l o c a i s não c o n s u m a m bada q u a l o a l i m e n t o q u e t r o u x e . . s e m p r e além daquilo que f o i dado o u aceito. q u e faz dele o " r i c h f o o d " p o r excelência. s e n d o o v i n h o a indústria essencial. c o m o são as porções de c a r n e e de l e g u m e s q u e u m a e m p r e g a d a d i s t r i b u i ao r e d o r . A Note i n the T h e o r y a n d S y m b o l i s m of D r e a m s a m o n g the B a i g a . m a s r e a l . < A situação d e d u a s pessoas e s t r a n h a s q u e se d e f r o n t a m a m e n o s d e u m m e t r o d e distância d o s d o i s l a d o s d e u m a m e s a de r e s t a u r a n t e b a r a t o ( a p o s s e d e u m a m e s a i n d i v i d u a l é u m pr i v i l é gi o p a g o e não p o d e ser c o n c e d i d o a b a i x o de c e r t a t a r i f a ) é b a n a l e episódica. onde o rei apresenta sob uma forma simbólica s e u s d e s e j o s incestuosos sobre s u a filha: " U m homem t e m u m c o r d e i r o que ele próprio c r i o u e a l i m e n t o u . a v i v e r j u n t o s . q u e esse conteúd o será d e r r a m a d o não n o c o p o d o d e t e n t o r m a s n o d o v i z i n h o . E s t a g a r r a f a é s e m e l h a n t e à d o v i z i n h o . 1939). a s v e r s õ e s g r e g a e c a m b o g i a n a d e Pele de asno. rece q u e o g r u p o p e r c e b e c o n f u s a m e n t e u m a espécie d e | i n c e s t o s o c i a l . M a s . u m a infração d a lei d a e x o g a m i a e q u e não é s a n c i o n a d o p e l a s doenças r i t u a i s — d i z e n d o : " É u m g r a n d e m a l p o r q u e ele já se c a s o u c o m a mãe. desde o m o m e n t o e m q u e u m d o s c o n v i v a s d e c i d e escapar a ela. British Journal of Medicai Psychology. A s s i m . V a l e m a i s q u e s e j a ele que o c o m a ou que s e j a u m outro h o m e m ? " E n a versão K h m e r : " C o n v o c a n d o u m d i a seus mandarins. d e s p r e z o e m e s m o e v e n t u a l m e n t e cólera. Etudes folkloriques. e momentaneamente unidas p o r u m a i d e n t i d a d e d e preocupações. c o m o n o caso d a m u l h e r d o p r o v é r b i o M a o r i Kai kino ana te Arahe. e a observação d e u m d a n o m í n i m o n a m a n e i r a p e l a q u a l f o i s e r v i d o d e s p e r t a a a m a r g u r a c o m relação aos m a i s f a v o r e c i d o s e u m a c i o s a q u e i x a a o d o n o d o r e s t a u r a n t e . o q u e b a s t a p a r a c r i a r u m e s t a d o de tensão. C f . p. m e s m o se não f o r a c o m p a n h a d a d e n e n h u m a manifestação d e desdém. O u s o d e n o s s a s o c i e d a d e é i g n o r a r as pessoas c u j o n o m e . A q u e l e q u e a b r e o c i c l o a d q u i r e a i n i c i a t i v a . A relação de indiferença. q u e t i n h a o d i r e i t o de se c o n s e r v a r reserv a d o . n o s d o i s s e n t i d o s . m a s t r o q u e m suas provisões. e n t r e a n o r m a d a solidão e o f a t o d a c o m u n i d a d e . a c o r d i a l i d a d e exige a c o r d i a l i d a d e . p o r m e i o d o s q u a i s a d q u i r e . Wellington 1924. v o l . E s t e s d o i s e s t r a n h o s a c h a m se e x p o s t o s . b e m pessoal. E a aceitação d a o f e r t a a u t o r i z a u m a o u t r a o f e r t a . 425. E o d o n o d a casa terá de e n f r e n t a r não a reivindicação de u m a vítima i n d i v i d u a l m a s a repreensão comunitária. s o b r e t u d o nessas regiões o n d e . C a d a q u a l d o s p a r t i c i p a n t e s d e s t a otOt r e v e l a d o r a a f i n a l de c o n t a s não r e c e b e u n a d a m a i s d o q u e se tivesse OOft s u m i d o s u a p o r ç ã o p e s s o a l . M a s . estreita. a i n t i m i d a d e . o b s e r v a m o s o c e r i m o n i a l d a refeição n o s r e s t a u r a n t e s b a r a t o s d o s u l d a França. n o s e n t i d o e m q u e t o d o c o n t a t o s o c i a l c o n t é m u m a p e l o e este a p e l o é u m a esperança de r e s p o s t a . The Maori. D o p o n t o de v i s t a económico ninguém g a n h o u n e m p e r d e u .. 530-531). se é possível d i z e r .. o p ã o . insolência o u agressão. a m a n t e i g a . A p o l i d e z exige q u e se ofereça o s a l . 19. A s pessoas sentem-se ao m e s m o t e m p o s o z i n h a s e e m c o n j u n t o . s e g u n d o as circunstâncias e as pessoas. E n t r e t a n t o . c o m b a s e n a ignorância d o q u e o e n c o n t r o p o d e a n u n c i a r d e p e q u e n o s a b o r r e c i m e n t o s . p r o v o c a r i a e m seus p a r e n t e s p r ó x i m o s s e n t i m e n t o s q u e p o d e r i a m ser. d e i r o n i a . C a d a c o n v i v a c o m e .

A c r e s c e n t a : " a essas três esferas d e t r o c a deve-se a c r e s c e n t a r u m a q u a r t a . p. S e m dúvida. d o p a r c e i r o p r a t i c a r u m a m a i o r o f e r t a e n o s o b r i g a r — não esqueçamos q u e a g a r r a f a é m í n i m a — o u a p e r d e r . m a s c o n t u d o reconhecível. et sociale 53-55. a a t i t u d e r e s p e c t i v a d o s e s t r a n h o s n o r e s t a u r a n t e aparece-nos c o m o a p r o j e ç ã o i n f i n i t a m e n t e longínqua.vantagem. n o e n t a n t o . é p r i m e i r a m e n t e u m a t r o c a t o t a l . e m presença d e u m " f a t o s o c i a l t o t a l " . ao passo q u e o g r u p o " m a u " é a q u e l e d o q u a l se e s p e r a e ao q u a l se p r o m e t e . E s t a m o s .S t r a u s s . q u e e n t r a m e m c o n t a t o p e l a p r i m e i r a vez. e x c e t o a l g u m a s sobrevivências. c o m o os c o n v i t e s . o u a f a z e r ao nosso prestígio o s a c r i fício de u m a g a r r a f a s u p l e m e n t a r . M a s dir-se-á q u e o caráter essencial d o s d o n s recíprocos. La Vie familiale 24. a q u e o l e i t o r t a l v e z ache q u e c o n c e d e m o s u m a importância d e s p r o p o r c i o n a d a . e t a l v e z alguém leve u m s u s t o d i a n t e d a s u gestão d e q u e a repugnância de u m camponês m e r i d i o n a l e m b e b e r seu p r ó p r i o f r a s c o de v i n h o forneça o m o d e l o s e g u n d o o q u a l se c o n s t r u i u a p r o i b i ç ã o d o i n c e s t o .* *——• —• — 7 T a l v e z alguém n o s faça u m a objeção prévia. n a t e r c e i r a colocam-se os anzóis d e e s c a m a e d e c o n c h a .\e e m n o s s a s o c i e d a d e a p r o p o r ç ã o d o s b e n s q u e s ã o . t r a n s f e r i d o s s e g u n d o estas m o d a l i d a d e s a r c a i c a s r e p r e s e n t a u m a p o r c e n t a g e m irrisória r e l a t i v a m e n t e aos q u e são o b j e t o de c o m é r c i o e de negócio. des Jndiens Nambikwara. c u j o e q u i v a l e n t e procuraríamos e m v ã o n a escala. q u e são e l e m e n t o s d e u m m e s m o c o m p l e x o c u l t u r a l . o d o parc e i r o r e s p o n d e r à libação o f e r e c i d a p o r u m copázio m e n o s g e n e r o s o .. elpu'r. e m f o r m a d a última g o t a . os o b j e t o s f a b r i c a d o s e esta c a t e g o r i a de b e n s m a i s p r e c i o s o s . q u e e s t a m o s d e r i v a n d o a reg r a d a exceção. M a s desapareceu p r e c i s a m e n t e e m p r o v e i t o d a t r o c a . O r a . B o g o r a s . c u j a s i m p l i cações são a o m e s m o t e m p o psicológicas. L u b b o c k e D u r k h e i m . Começaremos pela segunda capítulo p r e c e d e n t e . o a s p e c t o p o s i t i v o d a r e c i p r o c i d a d e . o s o f r i m e n t o o u a m o r t e . p o r t a n t o . o u . A s e g u n d a e n g l o b a a c o r d a trançada e o t e c i d o de casca. os pães d e t u r m e r i c e as p i r o g a s . as f e s t a s e os p r e s e n t e s . Primitive Polynesian < • • O r a . n a q u a l os b e n s . p o r e x e m p l o . q u e se a p l i c a v a t a m b é m às v e n d e t a s . "fazer a paz". e a I exogamia/ c o n s t i t u e m regras d o uma~~dar o u t r a senão p o r u m 25. W . U m g r u p o " b o m " é a q u e l e a o q u a l . P o r i s s o . O autor a q u e m d e v e m o s estas observações a c r e s c e n t a : " A diferença d e s e n t i d o s entre o antigo e o novo t e r m o é significativa". q u e a (proibição d o i n c e s t o | s u b s t a n c i a l m e n t e idênticas. R . a saber. q u e p o d e m r e t e r a c u r i o s i d a d e d o antiquário. The Chukchee. o g e r a l d o e s p e c i a l . o u e x c e p c i o n a l m e n t e . o u m a i s exatamente d o complexo fundamental da cultura. s e n d o os p r o d u t o s o f e r e c i d o s n a p o n t a d a s lanças.s e p o r s i m e s m o s . A p r i m e i r a esfera c o m p r e e n d e s o b r e t u d o o a l i m e n t o . a a m a r r a . 23. A c r e d i t a m o s . S e m dúvida. q u a n d o se t r a t a d e b e n s c u j a q u a l i d a d e é i n d i v i d u a l . o u n a escala. 1 4 t r a n h o s d o r e s t a u r a n t e . f a l t a i n t e i r a m e n t e n o p r i m e i r o caso. m u i t o s u p e r i o r . q u e é tão ger a l e i m p o r t a n t e e m nossa sociedade q u a n t o e m q u a l q u e r o u t r a . A s m u l h e r e s e as t e r r a s são d a d a s e m p a g a m e n t o d e obrigações individuais''. d e i n t e r e s s e p u r a m e n t e anedótico. N a d a a esclarece m e l h o r q u e a descrição de seus a n t i g o s m e r c a d o s . P o r q u e a a b e r t u r a t r a z consigo sempre u m risco. p o d e m o b j e t a r . parece-nos a o contrário o f e r e c e r ao p e n s a m e n t o sociológico matéria p a r a inesgotáveis reflexões. A língua m o d e r n a i n t r o d u z i a u m n o v o v e r b o : uiWuikln. comp r e e n d e n d o o a l i m e n t o . Às vezes segurava-se u m p a c o t e de p e l e s c o m u m a d a s m ã o s e c o m a o u t r a u m a f a c a d e pão. ao contrário. t r o c a m . P . D i t o d i f e r e n t e m e n t e . e n t r e t o d a s a n g u s t i a n t e . q u e t o d a s as d u a s c o n s t i t u e m fenómenos d o m e s m o t i p o . Esta identidade fundam e n t a l é aliás a p a r e n t e n a Polinésia. O s d o n s recíprocos são d i v e r t i d o s vestígios. " t r o c a r " . não d i f e r i n caráter secundário.. A s transferências d e t e r r a p o d e m s e r c o l o c a d a s n a m e s m a categ o r i a . 4 9 s s . a r e p u l s a i n d i v i d u a l e a reprovação soc i a l d i r i g i d a s c o n t r a o c o n s u m o u n i l a t e r a l d e c e r t o s b e n s . à q u a l j á f o i f e i t a alusão n o c o m e f e i t o . q u e a r e c i Economics. e m função d a m o b i l i d a d e r e l a t i v a d o s a r t i g o s q u e p a r t i c i p a m d a operação. n o s s o ú l t i m o t r u n f o .lkln. s o c i a i s e económicas. p. e s t a m o s m u i t o l o n g e d o s es22. o u ( c o m o o e x e m p l o q u e a c a b a de s e r d i s c u t i d o ) s i m p l e s s u b p r o d u t o s d a v i d a col e t i v a . d e u m a situação f u n d a m e n t a l . m i s t e r i o s a m e n t e v e i c u l a d o s . Já i n d i c a m o s o i n t e r e s s e q u e a p r e s e n t a p a r a nós as f o r m a s não c r i s t a l i z a d a s d a v i d a s o c i a l c o m os a g r e g a d o s espontâneos r e s u l t a n t e s de c r i s e s . i r r e m e d i a v e l m e n t e i n f e r i o r . Dir-se-á q u e estão s e n d o a p r o x i m a d o s d o i s fenómenos q u e não são d a ' m e s m a n a t u r e z a . S e m dúvida. a função d a sobrevivência. S p e n c e r . a transferência d a m u l h e r p o r u m h o m e m q u e não p o d e p a g a r s u a c a n o a d e o u t r a m a n e i r a . Os p r i m i t i v o s só c o n h e c e m d o i s m e i o s d e c l a s s i f i c a r os g r u p o s e s t r a n h o s : o u são " b o n s " óu são " m a u s " . o m e r c a d o e r a o u t r o r a d e s i g n a d o c o m u m a única p a l a v r a . d e t a l m o d o q u e n o s s a interpretação. a q u e l e p a r a o q u a l n o s d e s p o j a m o s d o s b e n s m a i s p r e c i o s o s . é v e r d a d e q u e e m escala microscópica. concede-se h o s p i t a l i d a d e . c o r r e s p o n d e n t e ao k o r y a k uiWuikln. objeção. T a j v e z se a c r e s c e n t e q u e e n t r e a [ proibição d o i n c e s t o ( e o í d o m recíproco só e x i s t e u m único caráter c o m u m . das instituições a r c a i c a s o u selvagens. N e s t e s e n t i d o . fenómeno t o t a l . F i r t h . d e t a l m o d o o indivíduo e s t a v a p r o n t o a e n t r a r e m l u t a à m e n o r provocação. " f a z e r com é r c i o " . É p o r este p r i s m a q u e se deve c o m p r e e n d e r a l e n d a C h u k c h e e d o s " I n v i s í v e i s " . o n d e F i r t h d i s t i n g u e três e s f e r a s d e t r o c a . A s s i m . c o m d e s c o n h e c i d o s . d i f i c i l m e n t e perceptível. e m t o d a s as suas d i v e r s a s f o r m a s . A f i r m a m o s . q u e f o r a m a b u s i v a m e n t e p o s t o s e m r e l e v o . a t r o c a . a r i g o r . só p o d e r i a s e r válida p a r a os s i s t e m a s exogâmicos (e p a r t i c u l a r m e n t e as organizações d u a l i s t a s ) q u e a p r e s e n t a m este caráter de r e c i p r o c i d a d e . esta última não p r o v é m d a q u e l a .n o s . aos q u a i s se v i n h a a r m a d o . a q u e l a n a q u a l se e n c o n t r a m i n divíduos o u b a n d o s p r i m i t i v o s . s e m d i s c u t i r . este d r a m a a p a r e n t e m e n t e fútil. i s t o é. n a p r i m e i r a ocasião. as m u l h e r e s . d a v i d a a n i m a l . o d o m c o n s t i t u i u m a f o r m a p r i m i t i v a de troca. M o s t r a m o s e m o u t r o l u g a r " os c a r a c t e r e s dessa experiência. d a v i d a p r i m i t i v a . m a s não é admissível f a z e r d e r i v a r d e u m t i p o de f e n ó m e n o h o j e e m d i a a n o r m a l e e x c e p c i o n a l . M a s a tradução ingénua d o s t e r m o s i n dígenas não n o s deve i l u d i r . L é v i . T e m o s t a l v e z e m m ã o s vestígios a i n d a f r e s c o s d e experiências p s i cossociais m u i t o p r i m i t i v a s . q u e é indispensável d i s s i p a r a n t e s d e l e v a r m a i s l o n g e a demonstração. c o n f o r m e nós p r ó p r i o s f i z e m o s a M c L e n n a n . C o m u m luta-se. c o m o o u t r o troca-se. C . a s a b e r . e não p a r a a proibição d o i n c e s t o t a l c o m o é p r a t i c a d a e m nossa sociedade. 100 101 . u m a instituição c o m o a p r o i b i ç ã o d o i n c e s t o .. 344.

p o r p a r t e d o hom e m . p o r q u e se t r a t a d e e s c o l h e r e n t r e d u a s interpretações possíveis d o t e r m o " a r c a i c o " . q u a l q u e r q u e d e v a s e r a solução p r o p o s t a . p o r q u e as m u l h e r e s c o n s t i t u e m o b e m p o r excelência. E s t a transformação l e v a n t a u m p r o b l e m a q u e t e r e m o s d e r e s o l v e r . P o r ocasião d o casa1 1 26. M a s a relação q u e e x i s t e e n t r e o c a s a m e n t o e os p r e sentes não é arbitrária. Os "presentes de c a s a m e n t o " de nossa sociedade i n c l u e m . e este n ã o d i f e r e e s s e n c i a l m e n t e d a q u e l e p e l o q u a l é possível e x p l i c a r s e u a p a r e c i m e n t o i n i c i a l . A v i o l e n t a reação d a c o m u n i d a d e e m f a c e d o i n c e s t o é a reação d e u m a c o m u n i d a d e lesada. a linhagem da m u l h e r . n a s o c i e d a d e p r i m i t i v a e. ao d e f i n i r p o r m e i o dessa m e d i d a f u n d a m e n t a l a p a s s a g e m d a n a t u r e z a à c u l t u r a . e o p a i d a n o i v a " d a v a " s u a f i l h a e m c a s a m e n t o . vê-se q u e a proibição d o i n c e s t o não d i f e r e d a e x o g a m i a e d a s t r o c a s de obrigações de o u t r a o r d e m . À d i r e i t a d a l i n h a g e m d o m a r i d o reconhece-se. ao contrário. e n q u a n t o c o m relação às m e r c a d o r i a s este p a p e l d i m i n u i u p r o g r e s s i v a m e n t e de importância e m f a v o r d e o u t r o s m o d o s d e aquisição. S e m dúvida. a d e s e m p e n h a r u m p a p e l . n o a t o d a t r o c a . G . Diz-se t a m b é m d a m u l h e r q u e a r r a n j a u m a m a n t e q u e " e l a se dá". q u e se a c h a p r e s e n t e n o s d o i s casos. a t a l p o n t o q u e os a r i s t o c r a t a s C o m o x o r g a n i z a m falsas cerimónias de c a s a m e n t o . p o r q u e não ren u n c i o à m i n h a f i l h a o u à m i n h a irmã senão c o m a condição q u e m e u v i z i n h o t a m b é m r e n u n c i e . o n d e aliás não há n o i v a . o u e m t o d o caso a classe beneficiária. I r e m o s resolvê-lo m o s t r a n d o q u e a exogamia e a proibição d o incesto' devem ser ambas i n t e r p r e t a d a s e m função d o m o d e l o m a i s s i m p l e s .s e a d i z e r " t o g i v e u p t h e b r i d e " . Iorque 1936.s e pelo. p a r c i a l m e n t e a i n d a . n a nossa. c o m a única f i n a l i d a d e d e a d q u i r i r privilégios d u r a n t e os r i tos de t r o c a . m a s sobretudo porq u e as m u l h e r e s não são p r i m e i r a m e n t e u m s i n a l d e v a l o r s o c i a l .u s o d o c o m p r a r as esposas. B a r n e t t . e j u s t i f i c a m o s n o capítulo I I I o l u g a r excepcional que o c u p a m n o sistema p r i m i t i v o dos valores. O b s e r v e m o s antes de t u d o q u e o c a s a m e n t o p o r t o d a p a r t e é c o n s i d e r a d o c o m o u m a oca sião p a r t i c u l a r m e n t e favorável p a r a a a b e r t u r a o u o d e s e n v o l v i m e n t o d e u m ciclo de t r o c a s . o u então s o b r e v i v e u p o r q u e c o n t i n u a . v a l o r e s soc i a i s e as m u l h e r e s . O beneficiário. neste ú l t i m o caso. C o m o a e x o g a m i a . de u m l a d o . ^ T a l é o c a s o d a t r o c a . o u . u m a m u l t i p l i c i d a d e complexa e c o n t i n u a m e n t e renovada de t e r m o s d i r e t a o u i n d i r e t a m e n t e solidários. A sobrevivência d e u m c o s t u m e o u de u m a crença p o d e . T h e C o a s t 1938. c o m e f e i t o . f o r n e c i d o p e l o c a s a m e n t o e n t r e p r i m o s c r u z a d o s . H . E s t a exprime-se ao m e s m o t e m p o n o n ú m e r o d e obrigações e n o d o s vínculos s o c i a i s q u e i m p l i c a m . ao l o n g o d o s séculos. d e o n d e este e x e m p l o f o i t o m a d o . a proibição d o i n c e s t o é u m a r e g r a d e r e c i p r o c i d a d e . 40. a assimilação p o d e e x p l i c a r . o g r u p o d o s " c o z i n h e i r o s " ( o u a n t e s . A i n d a há p o u c o t e m p o e m n o s s a s o c i e d a d e e r a u s o " p e d i r " u m a m o ç a e m c a s a m e n t o . O p r ó p r i o c a s a m e n t o faz p a r t e d a s obrigações q u e o a c o m p a n h a m . os d i r e i t o s . À esquerda da linhagem do m a r i d o . p . I g u a l m e n t e . O t e r m o " g i f t " n a s línguas germânicas p o s s u i s e m p r e o d u p l o s e n t i d o de " p r e s e n t e " e de " n o i v a d o " . sadaqa s i g n i f i c a ao m e s m o t e m p o a e s m o l a . XV. U m a instituição p o d e s e r a r c a i c a p o r q u e p e r d e u a razão de ser. as t r o c a s m a t r i m o n i a i s i l u s t r a d a s p e l a figura 3 m e r e c e m r e t e r a atenção p o r sua surpreendente complexidade. s e n d o s o m e n t e o m o t i v o c e n t r a l (figura 3). the Salish Tikopia. u m a obrigação d e v o l v i d a d e s t i n a d a a c o m p e n s a r os serviços f o r n e c i d o s p e l a m u l h e r e m f o r m a d e satisfações s e x u a i s . O f a t o de s e r d i s t i n t a d a p r e c e d e n t e i n d i c a q u e a filiação é p a t r i l i n e a r . p o r q u e esta razão d e s e r é tão f u n d a m e n t a l q u e a transformação d e seus m e i o s de ação n e m f o i possível n e m necessária. c o m o a c o n t e c e e f e t i v a m e n t e n o c a s o d e T i k o p i a . os b e n s . N o A l a s c a e n a Colúmbia Britânica o c a s a m e n t o de u m a m o ç a é n e c e s s a r i a m e n t e a c o m p a n h a d o p o r u m potlatch. d a q u e l e s q u e são c o n v i d a d o s a d e s e m p e n h a r este p a p e l n a p r e s e n t e circunstância p a r t i c u l a r ) s u b d i v i d e se i g u a l m e n t e .s e a t r a n s f o r m a ç ã o d o e s t i m u l a n t e e m s i n a l . A p e n a s . p o i s o u s o é deixá-lo c o m a m u l h e r e m caso d e d i v ó r c i o e n ã o incluí-lo n a p a r t i l h a d a comunidade. M a l i n o w s k i m o s t r o u que nas i l h a s T r o b r i a n d o p a g a m e n t o d e mapula representa. a o contrário. o único. m a s u m e s t i m u l a n t e n a t u r a l . p o r q u e e n g l o b a ao m e s m o t e m p o c e r t o s o b j e t o s m a t e r i a i s . e m árabe. A inclusão das m u l h e r e s n o n ú m e r o d a s obrigações recíprocas d e g r u p o a g r u p o e d e t r i b o a t r i b o é u m c o s t u m e tão g e r a l q u e não bas- t a r i a u m v o l u m e i n t e i r o p a r a e n u m e r a r os e x e m p l o s . e m p r i m e i r o lugar. é a o contrário d e l i m i t a d a n o caso d a e x o g a m i a . 2 9 M e n o s i m p o r t a n t e a i n d a q u e as r e a l i z a d a s p o r ocasião d o s f u n e r a i s . Nova American Anthropologist. R a y m o n d F i r t h . p o s s a o p e r a r . e m c a d a i n s t a n t e d a vida social. c o n s e r v o u s u a função f u n d a m e n t a l . M a s . p o r c o n s e g u i n t e . 133. p r i m e i r a m e n t e e m a l i a d o s p e l o c a s a m e n t o c o m m u l h e r e s da l i n h a g e m d o m a r i d o . é s o m e n t e inorgânica n o p r i m e i r o . a reg r a não d i z e m p r o v e i t o de q u e m é f e i t a a renúncia.p r o o i d a d e . E s t a p a r e c e ser a i n d a a função d o a n e l d o n o i v a d o e m n o s s a s o c i e d a d e . S e u p a p e l n a s o c i e d a d e p r i m i t i v a é essencial.s e de d u a s m a n e i r a s : o u o c o s t u m e e a crença c o n s t i t u e m u m vestígio s e m o u t r a significação a não s e r a de u m resíduo histórico p o u p a d o p e l o acaso. e n q u a n t o n a proibição d o i n c e s t o b a s t a a relação u n i c a m e n t e p a r a d e f i n i r . v o l . M a s o f a t o de q u e p o s s o o b t e r u m a m u l h e r é e m última análise consequência d o f a t o de u m i r m ã o o u u m p a i t e r e m r e n u n c i a d o a e l a . / A s e g u n d a objeção t o c a u m p o n t o i g u a l m e n t e essencial. 27. c a p .s e e v i d e n t e m e n t e n o g r u p o de fenómenos q u e e s t u d a m o s anteriormente. p a r a o q u a l . p o i s na realidade é u m a modalidade do sistema fundamental analisado p o r M a u s s . e. a o passo q u e é o r g a n i z a d a n o s e g u n d o . A t r o c a p o d e não s e r — d i f e r e n t e m e n t e d a e x o g a m i a — n e m explícita n e m i m e d i a t a . e p e l a apercepção d a r e c i p r o c i d a d e . a justiça e o i m p o s t o . o u p o r m o t i v o d e causas extrínsecas. A única diferença c o n s i s t e p o r t a n t o e m q u e n a e x o g a m i a e x p r i m e . E m inglês c o n t i n u a . f l o r e s c e r e m u m a instituição. M e s m o depois d o casamento. São o e s t i m u l a n t e d o único i n s t i n t o c u j a satisfação p o d e s e r v a r i a d a . of Canada. We. M a s . e x p l i c a r . o p r e ço d a n o i v a . 102 103 . n o q u e se r e f e r e às m u l h e r e s . e as pessoas c i r c u l a m n o i n t e r i o r d o g r u p o d e a c o r d o c o m u m m e c a n i s m o contínuo de obrigações n u m e n o u t r o sentido. s e g u n d o o q u a l . M a s o cas a m e n t o p o r c o m p r a é u m a instituição especial s o m e n t e n a f o r m a . e e m seguida e m aliados pelo casamento c o m m u l h e r e s a p a r e n t a d a s c o m esses p r ó p r i o s a l i a d o s . N a v e r d a d e o c a s a m e n t o p õ e e m questão c i n c o t i p o s d i f e r e n t e s d e relações f a m i l i a r e s e s o c i a i s . e mais longe a linhagem d o t i o m a t e r n o d a m u l h e r .s e a crença de q u e é p r e c i s o d e f i n i r as classes p a r a q u e se possa estabelecer u m a relação e n t r e as classes.

A abdução d a n o i v a e x p r i m e d e m a n e i r a dramática a o b r i gação e m q u e está t o d o g r u p o p o s s u i d o r d e m o ç a s d e cedê-las. p o r d o i s g r u p o s d e g e n r o s . f a l s o d i z e r q u e se t r o c a m o u q u e se d ã o p r e s e n t e s . u m a renovação d e a t i v i d a d e . os s o g r o s p r ó p r i o s e o s s o g r o s d e seus s o g r o s . cit. a seus " g e n r o s a p r o x i m a d o s " e a seus " g e n r o s d i s t a n t e s " . p. p o r t a n t o . M e s m o o c a s a m e n t o p o r c a p t u r a n ã o c o n t r a d i z a r e g r a d a r e c i p r o c i d a d e . F i n a l m e n t e . T o r n a m a n i f e s t a a disponibilidade delas. d e o u t r o .. p o i s t ê m esse caráter e m g r a u m á x i m o . e u a e n t e r r a r e i . I . O p r e t e n d e n t e v i s i t a então s u a f u t u r a s o g r a e d i z : v i m f a l a r c o m a s e n h o r a . e e x p l i c a r as razões desse f a t o . 106. e c o n ó m i c o . r e p r e s e n t a u m a indenização p e l a a b d u ção d a n o i v a . as t r o c a s c e r i m o n i a i s realizam-se d a m a n e i r a s e g u i n t e (Figura 4): Seja xl o c h e f e d e g r u p o d e a e d e b. d e t a l m o d o q u e c a d a conexão apóia-se sob r e t o d a s as o u t r a s e l h e s dá. s o l i c i t a d o s p o r u m intermediário. os g e n r o s d l r e t o s e os i n d i r e t o s . e n t r e a q u e l e s q u e p o d e m s e r o b t i d o s s o m e n t e e m f o r m a d e d o n s recíprocos. e s e m dúvida a n t e r i o r a ele. c o n t e n t a m o . c o m o u m a sociedade de ciclo longo. a casou-se c o m c. a o m e s m o t e m p o q u e o u t r o s b e n s . r e s p o n d e m : s o m o s p o b r e s . 323). D o p o n t o d e v i s t a m a i s g e r a l . A p r i m e i r a e t a p a d e n o s s a análise f o i j u s t a m e n t e d e s t i n a d a a c o l o c a r e m r e l e v o este caráter d e b e m f u n d a m e n t a l r e p r e s e n t a d o p e l a m u l h e r n a s o c i e d a d e p r i m i t i v a . c u j o c h e f e de g r u p o é x2.Grupo dos aparentados do marido Grupo dos aparentados da mulher Grupo dos aparentados do i r m ã o da m ã e da mulher Cozinheiros casados com miilliiiros aparentadas com o marido tigela e trançados Compensação "malai" Alimento P o r ç ã o da fornada Festa (Aga) •"Grande Forno". p . d e p e n d e c o n t u d o d o s n o s s o s m é t o d o s d e análise e p o d e s e r d e f i n i d a . s e x u a l . " N ã o se p o d e r i a e x p r i m i r m e l h o r o caráter t o t a l . op. j u r í d i c o e soc i a l . figura 9. n ã o p o d e m o s n o s p e r m i t i r e n t r e g a r nossa f i l h a . P o r q u e a p r ó p r i a m u l h e r n ã o é senão u m d o s p r e s e n t e s . E m c e r t a As trocas matrimoniais (segundo Raymond Firth. c u j o e s t u d o e v i d e n c i a c e r t a m e n t e e s t r u t u r a s complexas de parentesco ( p o r q u e T i k o p i a não conhece g r a u s p r e f e r i d o s . 28. Primitive Polynesian Economics. The Khoisan People of South Africa. se a s s i m é possível d i z e r . E n c o n t r a r e m o s . n o m o m e n t o e m q u e se estabelece. da m ã e da noiva Alimento . "Pães Trançados Principais". se m o r r e r . r e s s a l t a b e m d o p r o t o c o l o d o p e d i d o d e c a s a m e n t o e n t r e os bosquíman o s d a A f r i c a d o S u l . A isso seguem-se i m e d i a t a m e n t e os p r e s e n t e s . a l i n h a g e m d o m a r i d o é p o r t a n t o escor a d a . c u j o c h e f e d e g r u p o é x3. p o r t a n t o . este t i p o d e e s t r u t u r a l i g a n d o cad a l i n h a g e m . u m a i l h a d o arquipélago d a s S a l o m ã o . ao m e s m o t e m p o q u e se t r o c a m o u se d ã o m u l h e r e s . p a r a além d o laço c o n j u g a l . "Travesseiros" dos parentes e do i. o p r e s e n t e s u p r e m o . O s p a i s d a moça'. m a t e r i a i s e e s p i r i t u a i s . E s s e caráter sincrético d o laço c o n j u g a l e. se s e u m a r i d o m o r r e r . 105 . d e u m l a d o e.c e s t o do chefe • Forno de p ã o t r a n ç a d o - Cozinheiros casados com filhas de mulheres aparentadas com o marido bens de valor (Korca) Tigelas Cordas Remos para o chefe -para os parentes da noivapara o i r m ã o da m ã e da noiva m e n t o d e u m desses m e m b r o s . O i n t e r e s s e d a c o m p a ração está e m m o s t r a r q u e u m a s o c i e d a d e . N ã o d e v e m o s . é p r e c i s o n o t a r q u e " a c o m p e n s a ç ã o " (te malai).n o s e m o b s e r v a r a q u i q u e u m n o v o c a s a m e n t o rean i m a t o d o s os c a s a m e n t o s p r o d u z i d o s e m o u t r o s m o m e n t o s e p o n t o s d i f e r e n t e s d a e s t r u t u r a s o c i a l . e s u a a j u d a se d i r i g e a ele. n o sentido q u e será d a d o a este t e r m o n o capítulo X X V I I . e b é c a s a d o c o m d. a seus " s o g r o s p r ó x i m o s " e a seus " s o g r o s a f a s t a d o s " . s e n d o a n t e s u m d o s m e i o s jurídicos possíveis p a r a pô-la e m prática. n o s esp a n t a r a o v e r as m u l h e r e s c o m p r e e n d i d a s e n t r e as alocações recíprocas. e u o e n t e r r a r e i . d a aliança. e m u m s i s t e m a d e t r o c a s o r i e n t a d a s .P o r ç ã o da fornada da f a m í l i a paterna esteiras de Pandanus (Mega) e tecido de casca da noiva da f a m í l i a materna da noiva presente r e t r i b u í d o aos portadores esteiras de tecido de "casca Esteiras e tecidos de casca trançado pérolas e fios t r a n ç a d o s • Peixe- — p a r a a s i r m ã s do marido — para as mulheres da f a m í l i a da noiva •"Forno dos p e s c a d o r e s " Troca de 1 r e t r i b u i ç ã o de 1 •segunda r e t r i b u i ç ã o de 1alimento: r e t r i b u i ç ã o de 23 Alimento cozido r e t r i b u i ç ã o de 3 4 dividido entre os i doadores de esteiras alimento cru comido pela família da noiva r e t r i b u i ç ã o de 5 S e r i a . Londres 1930. S c h a p e r a . E m O n g t o n g Java. a o m e n o s de m a n e i r a f u n c i o n a l . e l h e são retribuídas p o r d o i s g r u p o s d e s o g r o s . deste c o n j u n t o d e obrigações recíprocas q u e é o c a s a m e n t o . s e n d o aí p r o i b i d o o c a s a m e n t o d o s p r i m o s ) . n o capítulo X V I I I . que i n a u g u r a as t r o c a s m a t r i m o n i a i s .

p. e a expressão i n d i c a q u e t o d o i r m ã o e n c o n t r a seu p r a t o f e i t o n o país o n d e s u a irmã é c a s a d a . A n a l i s a n d o u m a relação d e p a r e n t e s c o e s p e c i a l . E x i s t e u m vínculo. t r a b a l h o d o c a m p o . d a angústia à confiança. 47. e m v i g o r e n t r e c e r t o s g r u p o s d a N o v a Guiné. É c h a m a d a puneara.s e . e s e m ligação a p a r e n t e e n t r e o q u e é o f e r e c i d o e o q u e é o b t i d o . o u p e l o m e n o s d a h o s t i l i d a d e à c o r d i a l i d a d e . a dá a x2 p e i x e e c dá-lhe pães. M a s ao mesm o t e m p o d e s e j a m o c o n t a t o . v o l . p o r q u e este l h e s f o r n e c e o único m e i o d e p r o c e d e r a t r o c a s e de c o n s e g u i r a s s i m p r o d u t o s o u a r t i g o s q u e lhes f a l t a m . " c a u s a de a l i m e n t o " . s e m expressão d e satisfação e s e m reclamação. 106 107 . A s s a m . Os adversários a p a l p a m .s e c o m p l e n a evidência p e l o f a t o d a p a s s a g e m d a g u e r r a à paz. L o n d r e s 1910. m a s estes p o r c o s e estes c a c h o r r o s não são p a r a eles. e r e c e b e m o p r e s e n t e c o m p l e m e n t a r . 45.H a i m e n d o r f . „_£*• L e e n h a r d t . o c h e f e recebe p e i x e d e seus consanguíneos m a s c u l i n o s e pães de suas a f i n s f e m i n i n a s . " F i n a l m e n t e . u m a j o v e m d e u m a a l d e i a não d e v e casar-se c o m h o m e n s q u e não e n t r a m n o g r u p o d o s ufuapie". as p u l s e i r a s . 1. e t c . a r e c e b e pães e c recebe peixe. d dá p e i x e a xl e b dá-lhe pães. 68. p . dão-lhe pães. p. c o m m u r m ú r i o s d e admiração. E d a l u t a passa-se c o m e f e i t o i m e d i a t a m e n t e aos p r e s e n t e s . s i m u l t a n e a m e n t e . N o A l a s c a . " Os p e q u e n o s b a n d o s nómades d o s índios N h a m b k w a r a d o B r a s i l Ocid e n t a l têm h a b i t u a l m e n t e m e d o u n s d o s o u t r o s . E a t r o c a d a s n o i v a s é a p e n a s o t e r m o de u m p r o cesso i n i n t e r r u p t o de d o n s recíprocos. p. T h e S o c i a l U s e of Kinship Terms among B r a z i l i a n I n d i a n s . e c. r e a l m e n t e de d o n s recíprocos e não d e operações c o m e r c i a i s . 1931. levando-se e m c o n t a o s i s t e m a m a t r i m o n i a l d o s N h a m b k w a r a . T r i b a l C e r e m o n i e s at O n g t o n g J a v a ( S o l o m o n Islands). of i H I a n H G S e l i m a n 32. s o b r e a q u a l v o l t a r e m o s a f a l a r . Journal of the Royai Anthropological Institute. O u . v o l . E m o u t r a r e c e b e p e i x e d e seus a f i n s m a s c u l i n o s e pães de suas p a r e n t a s . a rivalidade d o s potlatch desenvolve-se essencialmente e n t r e o sogro e o genro. 2?' AM 8 ' The Melanesians of British New Guinea. " e m u m a t r o c a . q u e s e r i a fácil m u l t i p l i c a r q u a s e ao i n f i n i t o . E s t a t r o c a de p r e s e n t e s i n a u g u r a u m a í?" A ° 8 b e n . as g u e r r a s são o d e s f e c h o d e transações i n f e l i z e s . v o l . . v o l . T r a t a . a de c u n h a d o s . ao m e s m o t e m p o q u e s u a situação d e m u l h e r e x ó g a m a g a r a n t e .s e . b o l o s . S e l i g m a n o b s e r v a : " O p o v o d e B e i p a a e n g o r d a p o r c o s e c r i a c a c h o r r o s . p r e s e n t e s d a d o s . M a s p o d e ser a t i n g i d o u m estágio s u p l e m e n t a r : d o i s b a n d o s q u e c h e g a r a m a s s i m a estabelecer relações c o r d i a i s duráveis p o d e m d e c i d i r . os orn a m e n t o s de p e n a s u n s d o s o u t r o s . 1943.s e r e c i p r o c a m e n t e . 363. As t r o c a s económicas o f e r e c e m a s s i m u m a g l o s a i d e a l d a s transações m a t r i m o n i a i s . N o m o m e n t o d a p u b e r d a d e os rapazes K o n y a k N a g a s c o m e ç a m a p r o c u r a r moças d o clã c o m p l e m e n t a r d o seu e t r o c a m p e q u e n o s p r e sentes c u j o v a l o r e n a t u r e z a são e s t r i t a m e n t e f i x a d o s p e l o c o s t u m e . refeições. esta inovação t e m p o r consequência i m e d i a t a q u e t o d a s as crianças d e u m g r u p o t o r nam-se cônjuges p o t e n c i a i s das crianças d o o u t r o g r u p o . de m a n e i r a d e l i b e r a d a .thnologte. o s i s t e m a d a s obrigações inclui o casamento. Renaissance. e s i m d e s t i n a d o s à a l d e i a de A m o a m o q u e é s u a ufuapie. N o v a Iorque 1943. E s t e traço m a n i f e s t a . Travaux et mémoires de 1'Institut d l-. c o n s t i t u e m as operações i n a u g u r a i s dele. O m e s m o s i s t e m a f u n c i o n a n o q u e se refere aos c a s a m e n t o s . e x a m i n a m os c o l a r e s .S t r a u s s . E x i s t e u m a transição contínua d a g u e r r a às t r o c a s e das t r o c a s aos i n t e r c a s a m e n t o s . presentes r e c e b i d o s . p o r t a n t o . N a N o v a Caledônia o n o m e d a irmã p e r p e t u a a lembrança dessas t r o c a s . m u i t o d e p o i s d o c a s a m e n t o . N o s d o i s casos g u a r d a u m a p a r t e d o s p r e s e n t e s e o f e r e c e a cada pessoa o p r e s e n t e c o m p l e m e n t a r d o q u e ele p r ó p r i o r e c e b e u " . A o m e s m o t e m p o . o u m e l h o r . Journal the Royai Anthropological Institute.l h e a c o n t i n u i d a d e . C h . 65. e e m t r o c a os p o r c o s e os c a c h o r r o s de A m o a m o vão p a r a B e i p a a . a saber. s e m r e g a t e i o . i n s t a u r a n d o e n t r e os m e m b r o s m a s c u l i n o s d o s d o i s b a n d o s resp e c t i v o s u m a relação a r t i f i c i a l d e p a r e n t e s c o . " a c d b Figura 4 ocasião a e seus i r m ã o s dão p e i x e a xl. E m o u t r a ocasião. e as m u l h e r e s d o s irmãos d e seu m a r i d o . f u n d i rem-se. o s i s t e m a d a s obrigações conduz ao c a s a m e n t o . e nas ilhas A n d a m a n o genro é o b r i g a d o . d dá p e i x e a x3 e b dá-lhe pães. v e r d a d e i r a "inspeção de reconciliação". realizar-se p o r intermédio de gestos rituais. P a r i s 1930. u m a c o n t i n u i d a d e e n t r e as relações h o s t i s e a prestação d e serviços recíprocos. a h o m e n a g e a r e s p e c i a l m e n t e seus s o g r o s c o m p r e s e n t e s . 33 C . Estes p r e s e n t e s têm t a l importância q u e a p r i m e i r a questão q u e o r a p a z faz a u m a m o ç a c u j o s f a v o r e s p r o c u r a o b t e r é a s e g u i n t e : " Q u e r e s aceitar meus presentes?" A resposta é o r a " a c e i t a r e i " o u " r e c e b i presentes d e o u t r o . c o n f o r m e se vê p o r esses e x e m p l o s . m a s s i l e n c i o s a m e n t e . 8. e cada u m recebe o p r e s e n t e c o m p l e m e n t a r e m retribuição. G u e r r e e t c o m m e r c e c h e z l e s I n d i e n s d e l ' A m é n q u e d u S u d . A s t r o c a s são g u e r r a s p a c i f i c a m e n t e r e s o l v i d a s . e e v i t a m . A s s i m . T h e M o r u n g S y s t e m of the K o n y a k Nagas. q u e r e a l i z a a p a s s a g e m d a host i l i d a d e à aliança. O p r ó p r i o t e x t o destes p r e l i m i n a r e s é f i x a d o p e l a tradição. " N ã o s o m e n t e . e r e c i p r o c a m e n t e . e c o m g e s t o s q u e g u a r d a m a i n d a a l g u m a coisa d o c o m b a t e . . 1938. 364. N o t e s d ' e t h n o l o g i e néo-calédonienne. não q u e r o t r o c a r c o n t i g o " . L é v i . S e g u n d o a r e g r a a d m i t i d a . v o n F U r e r . os b r i n c o s . mas é a continuação dele.X2 XI X3 A • > = O A A 1 Ã A H = O série d e prestações recíprocas q u e c o n d u z e m ao c a s a m e n t o . 61. d o m e d o à a m i z a d e . American Anthropologist'. v o l . E m t r o c a .

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