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SEMINÁRIO PRESBITERIANO
“REV. JOSÉ MANOEL DA CONCEIÇÃO”


“Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e
testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há
de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por
constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida
ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram
confiados, antes, tornando-vos modelos de rebanho. Ora, logo que o Supremo
Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória” I Pe 5.1-4

“O verdadeiro pastor tem duas vozes: uma para chamar as ovelhas e outra para
espantar os lobos devoradores” João Calvino




POIMÊNICA I POIMÊNICA I POIMÊNICA I POIMÊNICA I










GILDÁSIO JESUS B. DOS REIS
2006

Copyright @ 2006 Gildásio Jesus Barbosa dos Reis. Proibida a Reprodução sem a autorização
por escrito do autor
2
POIMÊNICA POIMÊNICA POIMÊNICA POIMÊNICA

I. I. I. I. TEOLOGIA PASTORAL TEOLOGIA PASTORAL TEOLOGIA PASTORAL TEOLOGIA PASTORAL

1. 1. 1. 1. A Definição de Teologia Pastoral A Definição de Teologia Pastoral A Definição de Teologia Pastoral A Definição de Teologia Pastoral

A poimênica é uma disciplina da teologia pastoral. Daí, a importância de iniciarmos
nosso curso dando uma definição de Teologia Pastoral.

A. Thomas C. Oden
1
define a Teologia Pastoral como o ramo da Teologia Cristã que
define, de forma sistemática, o ofício, serviços, dons e tarefas do ministério. A Teologia
Pastoral é considerada uma teologia prática por tratar de aspectos práticos do
ministério vinculando a exegese, história, teologia sistemática, ética e ciências sociais.

B. Teologia Pastoral é uma disciplina tanto teórica quanto prática.

1. Na Teologia Pastoral articula-se um construto teórico do ministério proveniente da
Escritura, da História e da Teologia Sistemática.
2. A Teologia Pastoral objetiva não apenas elaborar uma definição do trabalho e
tarefas pastorais, mas prover auxílio prático para sua implementação.
3. Em um primeiro momento, a Teologia Pastoral providencia informação bíblica e
suporte teológico acerca do ministério. Em seguida, fomenta a prática do ministério na
igreja.
4. Argumenta-se que o ministério só é aprendido na prática. Deus, porém, na Bíblia,
fornece informações sobre o ministério, possibilitando uma investigação sistemática
que oriente uma prática ministerial consistente com os propósitos divinos.

2. 2. 2. 2. A Teologia Pastoral e o Ministério da Palavra A Teologia Pastoral e o Ministério da Palavra A Teologia Pastoral e o Ministério da Palavra A Teologia Pastoral e o Ministério da Palavra

A. A. A. A. A Teologia Pastoral envolve uma visão compreensiva e abrangente das implicações
do ministério da palavra. A distinção entre a tarefa da pregação e os outros elementos
do ministério é mais fluida do que parece, há uma estreita relação entre a teologia do
cuidado pastoral e a proclamação da palavra. Como teologia prática, a Teologia
Pastoral é uma teologia da palavra.

1. A teologia histórica se preocupa em coletar, através da exegese, os dados da palavra
que Deus falou através dos profetas e apóstolos. A partir de então, ela verifica como
tais dados foram compreendidos e aplicados na vida da comunidade cristã, no decorrer
dos séculos. (Thurneysen, p. 11).

2. Embora a teologia de cuidado pastoral não esteja alicerçada na Teologia
Sistemática, trata-se de uma teologia da palavra.

1
Tradução e adaptação livre das Lecture Notes, Theology of Ministry Seminar, do Dr. Alan Curry, professor do
RTS – Reformed Theological Seminary. Utilizada no curso de Doutorado em Ministério do CPAJ – Centro de
Pós-Graduação Andrew Jumper, p. 8-13.

3

3. Thurneysen demonstra que comunidades cristãs foram estabelecidas como resultado
da verdadeira pregação da palavra e da correta administração dos sacramentos. A
comunidade cristã desde os primórdios necessitou dos cuidados pastorais.

4. Não existe conflito necessário entre cuidado pastoral individual e ministério público.

Thurneysen argumenta que o pastoreio amoroso não substitui a pregação e os
sacramentos, pelo contrário, tais práticas se fortalecem mutuamente. Calvino, por
exemplo, considerava a visitação nos lares, realizada pelo pastor e presbíteros como
uma extensão da pregação. O pastoreio estende a pregação na forma de conversa e
ministração individual. (Thurneysen, p. 16).
5. Thurneysen argumenta que o pastoreio foi proeminente durante o movimento
pietista. Os pregadores se responsabilizavam não apenas para falar publicamente mas
também individualmente a cada membro da congregação.

6. Thurneysen acredita que, de acordo com Calvino e Lutero, o estabelecimento de
cada igreja exige a pregação da palavra, a administração dos sacramentos e o cuidado
pastoral no ensino individual das Escrituras. É nesse contexto que ocorre a prática da
disciplina eclesial2. A disciplina é necessária para a ordem da igreja, como aplicação
atual da palavra e dos sacramentos. Para Calvino, a participação na comunidade
implica na abertura para a admoestação pessoal como forma de mortificação do pecado
e crescimento na nova vida. (Thurneysen, p. 37).

7. Calvino compreendia a pregação do evangelho como a alma da igreja e a prática da
disciplina como os ligamentos que conectam e unificam o corpo de Cristo.

8. O cuidado pastoral ocorre no âmbito na igreja. Ele procede e ao mesmo tempo segue
a palavra. Pressupõe ou objetiva a membresia no corpo de Cristo. Envolve o ofício da
proclamação e outros deveres. O portador do ofício pastoral é um integrante do corpo
de Cristo, alguém consciente de que não merece exercer tal função, mas que é apoiado
pela congregação, que voluntariamente o acredita e recebe. (Thurneysen, p.53).

9. Thurneysen afirma que um dos elementos necessários para o verdadeiro ministério
é a compreensão correta acerca da natureza humana. O homem deve ser considerado
como criado segundo a imagem de Deus, o que o distingue do restante da criação e o
confirma como objeto especial do cuidado divino. Por outro lado, o homem é pecador.
Thurneysen argumenta que o pastoreio é literalmente um agente de santificação do
homem, resgatado do reino do pecado e da morte e levado ao reino da graça de Jesus
Cristo.

10. Thurneysen argumenta que o cuidado pastoral envolve um tipo diferenciado de
conversação que potencializa o trabalho do Espírito — uma conversação diferente do
diálogo comum e também da pregação, baseada na autoridade da palavra.

11. Thurneysen considera importante atentar para o modo de implementar o
pastoreio. Inicia-se com uma relação de confiança e abertura de mente. Não há como
pastorear uma pessoa da igreja sem disposição para ouvir e aplicar a palavra de Deus.
Thurneysen utiliza o exemplo de Natã confrontando Davi (2Sm 12), a fim de
4
argumentar que em algumas ocasiões a conversação pastoral exigirá avaliação e
julgamento.

12. Um exemplo de conversação pastoral agradável é a mesa de refeições de Lutero.
Outros bons exemplos encontram-se na literatura de sabedoria, notadamente no livro
de Provérbios, que revela uma compreensão aguçada da situação das pessoas, ao
mesmo tempo em que oferece conselhos baseados nas Escrituras.

13. O cuidado pastoral sempre envolve riscos. O membro da igreja pode rejeitar a
conversação ou o pastor. Outro risco é o da demonstração de incredulidade — o
membro da igreja demonstra que não crê na necessidade de iluminação da palavra
para orientar a conversação. Ouvir é muito importante, tanto ao paroquiano quanto à
palavra de Deus. O cuidado pastoral eficiente exige que sejam ouvidos ambos e que
seja construída uma ponte entre as Escrituras e o aconselhando.

14. Thurneysen argumenta que o objetivo de toda conversação pastoral é o perdão dos
pecados. Exatamente por isso um dos elementos do pastoreio é o encorajamento para
que as pessoas confessem seus pecados. A confissão é facilitada pelo pregador, como
dádiva divina prometida na palavra de Deus. O pastoreio individual, porém, guia o
cristão para o centro da Bíblia, que é Jesus Cristo.

3. 3. 3. 3. O Centro do Ministério Pastoral O Centro do Ministério Pastoral O Centro do Ministério Pastoral O Centro do Ministério Pastoral é a Vida em Cristo é a Vida em Cristo é a Vida em Cristo é a Vida em Cristo

A. A vida em Cristo ocupa o lugar central em todas as ocupações do trabalho pastoral.

1. Oden argumenta que é necessário enxergar os diferentes papéis daqueles que se
ocupam com o pastoreio e os outros membros da igreja.
2. A noção da vocação para um ofício especial é crucial para a compreensão de como
ajudar as pessoas a viverem focalizadas em Cristo.
3. O pastor pode orientar-se pelas idéias que outras pessoas possuem sobre a
Escritura, teologia ou tradição. Ele ainda pode tornar-se um conselheiro profissional —
alguém que aconselha em busca de remuneração. O oferecimento de serviços
remunerados é completamente incompatível com o ministério.

B. A vida do ministro é centrada em Cristo, orientada unicamente para o
encaminhamento de todas as pessoas da igreja para a vivência de existências
cristocêntricas. O pastor é responsável por direcionar os irmãos para a vida centrada
em Cristo.

4. 4. 4. 4. O Método da Teologia Pastoral O Método da Teologia Pastoral O Método da Teologia Pastoral O Método da Teologia Pastoral

A. A Teologia Pastoral utiliza a teologia bíblica, a tradição, a experiência e o bom senso
(a razão iluminada pelas Escrituras).

B. A Teologia Pastoral busca a melhor compreensão exegética, analisa as formulações
tradicionais da teologia, compreendendo que o Espírito Santo tem dirigido a igreja
através dos séculos. Ela reflete sobre os contextos e os desenvolvimentos históricos e
relaciona os dados obtidos com as formulações pertinentes das ciências sociais. C. A
5
Teologia Pastoral busca compreender, julgar e aplicar com equilíbrio aquilo que foi
crido e aceito sempre, por toda a igreja fiel às Escrituras.

D. Os que desejam desenvolver uma Teologia Pastoral devem atentar para o aspecto
funcional do ministério. A igreja é de Deus Pai, comprada com o sangue de Cristo e
governada pelo Espírito Santo, que guia através da palavra. Deus ordenou que este
organismo seja conduzido e abençoado pelo ministério pastoral.


II. II. II. II. MOTIVAÇÕES PERIGOSAS MOTIVAÇÕES PERIGOSAS MOTIVAÇÕES PERIGOSAS MOTIVAÇÕES PERIGOSAS PARA O MINISTÉRIO PARA O MINISTÉRIO PARA O MINISTÉRIO PARA O MINISTÉRIO

Uma breve Reflexão sobre alguns motivos errados para o Ministério Uma breve Reflexão sobre alguns motivos errados para o Ministério Uma breve Reflexão sobre alguns motivos errados para o Ministério Uma breve Reflexão sobre alguns motivos errados para o Ministério
2 22 2


Falar de vocação não é uma tarefa fácil. Como explicar os vislumbres de certezas
espirituais ? Pode a vocação de Deus ser descrita ? Talvez devesse deixar tal desafio
para os mais experientes nas lidas pastorais; não obstante, quero pisar neste terreno
mui solenemente. Nestes 16 anos de ministério tenho visto alguns pastores perderem o
rumo original e ministérios infrutíferos com igrejas fracas e em declínio. Entendo que
grande culpa dos problemas destas igrejas deve-se a nós mesmos, seus pastores.
Notem as palavras de Eugene Peterson:

Os pastores estão abandonando seus postos, desviando-se para a direita e
para a esquerda, com freqüência alarmante. Isto não quer dizer que estejam
deixando a igreja e sendo contratados por alguma empresa. As congregações
ainda pagam seus salários, o nome deles ainda consta no boletim dominical
e continuam a subir não púlpito domingo após domingo. O que estão
abandonando é o posto, o chamado. Prostituíram após outros deuses.Aquilo
que fazem e alegam ser ministério pastoral não tem a menor relação com as
atitudes dos pastores que fizeram a história nos últimos vinte séculos

Uma reflexão dura, mas realista. Alguns pastores estão abandonando seus postos.
Após ler estas considerações de Peterson, fiz a seguinte pergunta: O que tem levado
nossos jovens ao ministério ? Minha pergunta levanta a questão sobre as reais
motivações de nossos vocacionados para o Ministério Pastoral. Talvez nem todos têm
consciência de que errar na vocação trás conseqüências desagradáveis para si mesmos
e também para suas futuras igrejas. Embora uma vaga vocação para o ministério
possa levar ao pastorado, não sustentará o pastor através das ásperas realidades da
vida na igreja. É preciso avaliar as verdadeiras motivações, antes de ingressar nos
seminários.

Por motivação queremos dizer os motivos internos que levam uma
pessoa à ação. Todos nós tomamos decisões na vida motivados por algo ou alguma
coisa em dado momento de nossa existência e considerando as diversas situações da
vida. Falando da motivação que leva um jovem a decidir pelo ministério, entendemos

2
Este texto foi originalmente publicado na Revista Proposta da UPH,
6
que todo genuíno vocacionado deve ter como ambição ser um instrumento de Deus .
Sua única motivação para ser pastor é seu desejo ardente de realizar a obra de Deus e
para a glória de Deus. Contudo, é possível que nem sempre esta seja a mola
propulsora de um ou outro aspirante ao pastorado. A título de alertar-nos para este
perigo, alisto cinco possíveis motivações erradas e egocêntricas que podem levar
alguém ao Ministério:

1) Adquirir estabilidade financeira: Adquirir estabilidade financeira: Adquirir estabilidade financeira: Adquirir estabilidade financeira: Os motivos da nossa sociedade
seculare são controlados pelo cifrão. Vivemos uma época de recessão e de desemprego.
São só na cidade de São Paulo, quase 2 milhões de desempregados. O tempo médio
hoje para alguém que perde o emprego é de 1 ano até conseguir outro. É com temor e
tremor que arrisco raciocinar desta maneira, mas temo que alguns jovens em nossas
Igrejas, passe a compreender o ministério como uma profissão e um meio de ganhar a
vida. Penso que todo candidato ao ministério deveria responder a esta pergunta: O
motivo que tenho para desejar ser pastor é porque serei pago para isto?

Quanto a isto, Spurgeon escreveu: “Se um homem perceber, depois do mais
severo exame de si mesmo, qualquer outro motivo que a glória de Deus e o bem das
almas em sua busca do pastorado, melhor que se afaste dele de uma vez, pois o
Senhor aborrece a entrada de compradores e vendedores em seu templo”

2) Status social: Status social: Status social: Status social: Não é de hoje que a sede de posição cega as pessoas
. O “ser pastor”, mesmo que em nossos dias não é lá muito bem visto, até mesmo pelos
escândalos envolvendo alguns líderes cristãos, os títulos de Reverendo e Pastor
transmitem uma certa dose de autoridade que dignifica o ser humano, e lhe confere
status social. Não obstante, liderar não é fácil. Às vezes pregar pode ser uma tortura.
Pastorear ovelhas relutantes é uma atividade esmagadora. Ser uma figura pública sob
os olhares de todos e viver sob constantes cobranças, mesmo que estas não sejam
verbais, sacodem o nosso coração. Nós pastores inevitavelmente armazenamos um
certo nível de frustração em nosso trabalho. Ficamos frustrados com os conflitos da
igreja, com a futilidade de nossos planos e com o fracasso do nosso povo. O status
social não pode sustentar o nosso ministério e fazer com que vivamos nossa vocação de
modo responsável.

Em I Tm 3:1, Paulo escreve: “se alguém deseja o pastorado,
excelente obra almeja” O termo “deseja”na língua grega é epithumeo, que tem o
significado de “colocar o coração, ambicionar, desejar”. Precisa ser observado que o
objeto do desejo é a obra, o serviço, e não a posição ou status. Este foi um erro
cometido por Tiago e João (Mc 10:35:45). Alguém motivado por posição elevada e
pelo desejo de atenção trará com certeza prejuízo a si mesmo e à Igreja de Cristo.

3) Necessidade de firmar Necessidade de firmar Necessidade de firmar Necessidade de firmar- -- -se como pessoa: se como pessoa: se como pessoa: se como pessoa: É possível que alguém
caia na armadilha de desejar o ministério por entender que a posição e o status
conquistado forçam os outros a lhe dedicarem atenção. O desejo que um ser humano
tem de que os outros o respeitem é um sinal louvável de sua auto-estima. Não há nada
de errado em desejar ser respeitado e admirado, mas não é a motivação correta para o
ministério. É comum termos notícias de líderes que avaliam sua eficiência ministerial
através de quantas pessoas da denominação o conhecem. Conheci um pastor que
7
guardava todo exemplar do jornal Brasil Presbiteriano em que saía uma matéria com
sua foto e que falava a seu respeito. São líderes que buscam a fama e serem aplaudidos
pelos homens.

4) O Senso de obrigação: O Senso de obrigação: O Senso de obrigação: O Senso de obrigação: Há quem se torne ministro, pois depois de
ter passado pela família, conselho, presbitério e ter feito o curso teológico no seminário,
sente-se na obrigação de ter que ir até o fim de seu “chamado”. Sente-se culpado se
não fizer aquilo que todos esperam dele. É desnecessário dizer que este líder não
desenvolverá seu ministério com alegria e prazer. Um velho pregador deu um sábio
conselho a um jovem quando indagado sobre sua opinião quanto a seguir o ministério:
“Se você pode ser feliz fora do ministério, fique fora, mas se veio o solene chamado, não
fuja” Precisamos instruir aos nossos seminaristas que mesmo que tenham feito o curso
de teologia no Seminário, caso sintam que não foram chamados ao pastorado,
entendam que o tempo de estudos e de preparação não será perdido. Poderão ser uma
excelente ajuda às igrejas como pregadores, professores, oficiais e líderes. O peso de
um sentimento de obrigação não pode levar ninguém ao pastorado. O Ministério deve
ser obedecido por vocação e não por obrigação. Alguém pontuou o seguinte: “os
ministros sem a convicção do chamado carecem muitas vezes de coragem e carregam
uma carta de demissão no bolso do paletó. Ao menor sinal de dificuldade, vão-se
embora”.

5) Falta de opções: Falta de opções: Falta de opções: Falta de opções: É possível que alguém decida ser um pastor,
pois depois de tentativas inglórias de ingressar em alguma outra faculdade, ou por
não ter condições financeiras de custear um curso em uma universidade , percebeu que
poderia fazer um curso de nível superior pago pelo Presbitério e ainda recebendo ajuda
de custo de sua Igreja. Nossos jovens precisam ver que o candidato ao ministério,
sendo seu chamado imposto por Deus, não é uma preferência entre outras
alternativas, ou por falta delas. Ele é pastor não por falta de alternativas, mas porque
esta é a única alternativa possível para ele, e insisto: Vocação pastoral não pode ser
por falta de opções, mas porque foi imposta por Deus.

Todos nós que somos pastores sabemos como o ministério é desgastante,
e ninguém pode cumprir o difícil papel de pastor se não tiver a consciência de que foi
comissionado por Deus. Na qualidade de pastores e tutores eclesiásticos, faz-se
necessária nossa orientação aos aspirantes e candidatos ao Ministério de que não há
como alguém sobreviver no pastorado, caso sinta que esta foi uma escolha sua e não de
Deus.










8
III. A RESPONSABILIDADE PASTORAL DO PRESBÍTERO
A natureza do ofício do presbítero na perspectiva do apóstolo Paulo

A importância que Paulo confere ao ofício de presbítero pode ser
imediatamente constatada no fato de que em todas as igrejas, por ele fundadas
e sob sua orientação, promovia a eleição destes oficiais. Lemos em Atos que,
passando ele pelas cidades de Listra e Antioquia, em sua primeira viagem
missionária, em cada igreja, promovia “ a eleição de presbíteros” (Atos 14:23).
Escrevendo a Tito (1:5) disse: “Eu o deixei na ilha de Creta para que você
pusesse em ordem o que ainda faltava fazer e para nomear em cada cidade em cada cidade em cada cidade em cada cidade os
presbíteros das igrejas”. Escrevendo à igreja de Éfeso, ele nos informa que ali já
havia presbíteros: “Em Mileto Paulo mandou chamar os presbíteros da igreja
de Éfeso para se encontrarem com ele” (Atos 20:17).

Não é de somemos importância, o valor que tinha para a igreja tal ofício.
Sendo assim, faz-se necessário olhar para o mesmo e ver seu lugar e valor para
a igreja atual. A nossa discussão sobre o tema será abordado sob dois aspectos:
sua natureza e sua responsabilidade.

I. I. I. I. UMA DEFINIÇÃO DE TER UMA DEFINIÇÃO DE TER UMA DEFINIÇÃO DE TER UMA DEFINIÇÃO DE TERMOS MOS MOS MOS

Primeiramente, é necessário definirmos alguns três termos que são utilizados
nos escritos de Paulo, para descrever o líder na igreja: Bispo, Presbítero e
Pastor.

1. Episcopos 1. Episcopos 1. Episcopos 1. Episcopos (. . : :t tc cs se e: :e e; ; ). Literalmente, significa “supervisor” (formado de . . : :t t , “por
cima de”, e c cs se e: :e e; ; “olhar”, “vigiar”). Referindo-se ao líder da Igreja
3
, aparece 5
vezes no Novo Testamento, sendo 3 vezes nos escritos de Paulo ( cf. I Tm 3:2, Tt
1:7, Fp1:1), 1 vez em Lucas e em Pedro (Atos 20:28; I Pe 2:25 )
4
. Em todas estas
cinco ocorrências, refere-se a natureza da tarefa daqueles anciãos (presbíteros),
ou seja, a tarefa de supervisionar supervisionar supervisionar supervisionar o rebanho.

2. Pastor 2. Pastor 2. Pastor 2. Pastor (:et¡µ |): O termo aparece 18 vezes no Novo Testamento, 17 delas
fazendo referência a Jesus como Pastor
5
. . . . É surpreendente verificar que a
palavra pastor (:et¡µ |), pelo menos em sua forma substantivada, não é usada
para designar um ofício na igreja. Ela sequer aparece nas Epistolas pastorais.
6

Como substantivo, designando o oficio, ela aparece apenas uma única vez no
Novo Testamento em Ef. 4:11 “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos outros
para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores (:et¡. |a;) e

3
KOHLENBERGER III, John R. & Edward W. Godrick James A. Swanson. The Exhaustive Concordance To
The Greek New Testament. Grand Rapids, Michigan: Zondervan Publishing House. 1995
4
Idem Ibidem
5
Idem Ibidem
6
Idem ibidem
9
mestres (eteacsa ìeu;)”. Todas as outras vezes em que ela ocorre no Novo
Testamento, ocorre ora fazendo referência a um “pastor” de ovelhas, ora se
referindo a Jesus como pastor. (Cf. João 10 ).
7


Já o verbo : :e et t¡ ¡a at t | |a a (poimaino) que aparece 11 vezes no Novo
Testamento, sempre faz referência a responsabilidade dos presbíteros que
exercem seu ministério pastoralmente.

3. Presbítero 3. Presbítero 3. Presbítero 3. Presbítero (:ç.c¡u ·.çe;): Aparece três vezes nas epístolas pastorais ( ITm
5:17,19 e Tito 1:5,7). Transliterado do grego, πρεσβυσ significa: “velho”; ·.çe;,
grau comparativo, significa: “mais”. Etimologicamente, presbíteros são “os mais
velhos, mais maduros”.
8
Sendo assim, a palavra presbítero, tem a ver com a
idade e dignidade, exatamente como vemos em Israel
9
. Wallace diz que “O
ancião em Israel obtinha inicialmente, sem duvida, sua autoridade e seu
status, bem como seu nome, da sua idade e da sua experiência”
10


II. RELAÇÃO ENTRE O II. RELAÇÃO ENTRE O II. RELAÇÃO ENTRE O II. RELAÇÃO ENTRE OS TERMOS PRESBÍTEROS S TERMOS PRESBÍTEROS S TERMOS PRESBÍTEROS S TERMOS PRESBÍTEROS E BISPOS. E BISPOS. E BISPOS. E BISPOS.

Tendo dado uma definição destes três termos, podemos ser levados a
pensar que trata-se de pessoas diferentes, desenvolvendo três ministérios
distintos. Mas à luz do pensamento de Paulo, os termos . . : :t t c cs se e: :e e; ; e :ç.c¡u ·.çe;
são empregados um pelo outro, intercambiavelmente
11
.

Tomamos primeiramente o registro que Lucas faz em At 20:17,28
mostrando o pensamento Paulino sobre este termos.

No verso 17 Lucas descrevendo uma iniciativa de Paulo diz: “De Mileto,
mandou a Éfeso chamar os presbíteros presbíteros presbíteros presbíteros (·eu ; :ç.c¡u·. çeu;) da igreja”. Aqui o
vocábulo utilizado por Lucas é presbítero e no verso 28, ele substitui o termo
presbítero por bispo - “atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o
Espírito vos constituiu bispos bispos bispos bispos (. :tcse :eu;) para pastoreardes a Igreja de Deus”.
É nítida a naturalidade como o uso destes termos se alternam. Quando lemos
as qualificações exigidas, para o líder ser um bom bispo, conforme Paulo
descreve em I Timóteo 3, “é necessário, portanto, que o bispo...”, devemos ter
em mente que o apóstolo escreve à Timóteo que está em Éfeso (cf. I Tm 1:3).

7
Idem ibidem
8
MCKIM, Donald K., Westminter Dictinary Of Theological Terms. Lousville, Kentucky: Westminster John
Knox Press. 1996. p. 218
9
Os líderes da Sinagoga e na Igreja Primitiva, os quais eram consagrados no oficio, eram anciãos experientes,
e por isso eram chamados de presbíteros. Assim ao se fazer uso de tal termo, a ênfase recai na dignidade e
experiência da pessoa.
10
WALLACE, Ronl S. in ; Enciclopédia Hist.-Teologia da Igreja, Vol III – Editor: Water A Elwell – Ed.
Vida nova 2003 p. 175
11
STOTT, John R. W. Guard The Truth - The Message of 1 timoth And Titus. Downers Grove: Illinois. Inter
Varsity Press. 1996. p.90
10
Em I Tm 5:17, ainda escrevendo à Igreja de Éfeso, Paulo diz que “devem ser
considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem
bem...” Note bem como Paulo ao falar da liderança da igreja de Éfeso, alterna o
uso dos termos – ora presbíteros, ora bispos.

Em Tito 1:5-7 também notamos este intercâmbio que Paulo faz com os
dois termos. No verso 5 ele diz “Por esta causa, te deixei em Creta para que
pusesses em ordem as cousas restantes, bem como, em cada cidade,
constituísses presbíteros, como lhe prescrevi”. E no verso 7 ele abandona o
termo presbítero pelo termo bispo – “Porque é indispensável que o bispo seja
irrepreensível...” (cf. I Tm 3:1; 4:14; 5:17,19;).
12


Paulo trabalha alternando os substantivos, sem que com isso, deixe
entender que esteja tratando de ofícios distintos. Em outras palavras, os dois
termos descrevem a mesma pessoa dentro do mesmo cargo.
13
Podemos observar
também, que a lista de requisitos para o presbítero em Tito 1:5-9 é semelhante
à lista que apresenta as exigências para o bispo conforme lemos em I Timóteo
3:2ss. A conclusão parece óbvia, a lista não poderia ser diferente, pois Paulo
está descrevendo um mesmo ofício.

Ainda há outro texto o qual nos ajuda a comprovar que tais termos são
sinônimos para Paulo. Escrevendo aos filipenses (Fl 1:1) o apóstolo diz: “...a
todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos bispos bispos bispos e diáconos, que vivem em
Filipos”(grifo nosso). Observe que Paulo usa o vocábulo bispos, mas é de nosso
conhecimento, que em Filipos já havia presbíteros, pois durante sua primeira
viagem missionária (cf. Atos 14:23), ele promoveu a eleição de presbíteros em
cada igreja. E foi exatamente durante esta viagem que o apóstolo organizou a
Igreja de Filipos (cf. At 16). Podemos inquirir da seguinte forma: Se já havia
presbíteros na igreja de Filipos, por que Paulo mencionaria os bispos e
diáconos, esquecendo-se dos presbíteros? É possível concluir, dizendo que, ele
não se esqueceu dos presbíteros, mas sim, que bispos e presbíteros são termos
que Paulo usa para descrever o mesmo ofício.
14
Assim, nos parece certo que,
bispo e presbítero são sinônimos para o apóstolo Paulo.



12
Outros teólogos entendem que estes dois termos são sinônimos, tais como Wayne Grudem. Teologia
Sistemática (edições Vida Nova. São Paulo. 1999) 766. Gordon Fee. Comentário das Pastorais. 89. e João
Calvino. As Institutas. IV. 3:8 . (O Capítulo 3 do Livro IV das Institutas trata dos doutores e ministros da
igreja, sua eleição e ofício ). Confere também, Ross Graham. The Biblical Origins of the Presbytery. Ordained
servant – vol. 5, no. 2 (april 1996). Disponível em : http://www.opc.org/OS/pdf/OSV5N2.pdf . Acessado em
23 de julho de 2003.
13
RIDDERBOS, Herman. A Teologia do Apóstolo Paulo. São Paulo, SP: Ed. Cultura Cristã. 2004. p.511
14
Cf. GRUDEN, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo, SP: ED. Vida Nova. 1999. p. 767
11
III. A III. A III. A III. A PLURALIDADE DE PRESB PLURALIDADE DE PRESB PLURALIDADE DE PRESB PLURALIDADE DE PRESBÍTEROS ÍTEROS ÍTEROS ÍTEROS

Um outro aspecto a ser estudado envolvendo este ofício, e á luz dos
escritos paulinos, é se Paulo defende uma pluralidade de presbíteros ou um
único presbítero governando a igreja com autoridade sobre todos os demais.

Augustus H. Strong, teólogo batista, e que não aceita a pluralidade,
defende que não encontramos no Novo Testamento base ou nenhuma exigência
para ela. Ele diz :

Em algumas igrejas do Novo Testamento parece ter havido uma
pluralidade de presbíteros (At. 20:17; Fp 1:1; Tt 1:5); contudo, não há
nenhuma evidência de que o número de presbíteros era uniforme ou
que a pluralidade que frequentemente existia se devesse a qualquer
outra causa que não seja o tamanho das igrejas que eles cuidavam. O
exemplo do Novo Testamento, conquanto permita a multiplicação de
pastores assistentes conforme a necessidade, não requer uma
pluralidade de presbíteros em todos os casos; nem esta pluralidade de
presbíteros, onde existe, se torna autoridade coordenada a uma
igreja.
15


Strong, utilizando-se das passagens de ITm 3:2, 8, 10, 12 e Tt 1:7
argumenta que, ao falar do bispo, Paulo usa o singular e ao falar dos diáconos,
usa o plural
16
, querendo com isso, dizer que o Apóstolo ensina um governo
congregacional, com um único presbítero ou bispo governando sobre um
conjunto, um grupo de presbíteros.

Este argumento de Strong não se sustenta diante de uma exegese do
texto paulino. Primeiramente, precisamos considerar o contexto gramatical. A
maneira como o apóstolo faz uso do singular era mais do que natural, em razão
de ter dito no v.1 “Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (
ITm 3:1), ou “alguém que seja irrepreensível . . .” (Tt 1:6 ). Além disso, não
podemos ignorar o fato de que o artigo definido no grego pode ser entendido
como uso genérico;
17
ou seja, Paulo está descrevendo qualificações gerais que se
aplicam a qualquer exemplo; em outras palavras, o uso do artigo definido aqui
é representativo.
18



15
Strong Augustus Hopkins Teologia Sistemática. São Paulo, SP Ed. Hagnos 2003 p.676 ( Outros teólogos
também concordam com Strong. Podemos citar Millard J. Erickson. Segundo ele, no NT cada igreja adotava
um modelo diferente e mais adequado para sua situação, ou seja, havia uma variedade de modelos de
governo. Cf. Christian Theology. Grand Rapids, Michigan. Baker Book House. 1991. p.1084.

16
Op Cit., p. 676
17
O uso genérico pode ser também visto em 2:11,12, quando fala da “mulher”
18
Cf. Gruden, op cit., p.780
12
Ao comentar I Timóteo 3:2, Gordon D. Fee faz a seguinte observação
sobre este uso do singular por Paulo:

O fato de que ·e | . :t cse:e| (“o bispo”) está no singular aqui, tem levado alguns a
argumentar que este ofício representa o monoepiscopado (uma única pessoa como
pastor) ao passo que o plural etase |eu; (“diáconos”) serve sob as ordens dele (como
a maioria das igrejas protestantes contemporâneas). Contudo, o singular aqui é quase
certamente genérico, como “a mulher”, em 2:11,12. A pista segura para esta opinião,
além do plural em 5:17, é Tito 1:5 e 7, onde o plural “presbíteros”aparece no v.5 e,
depois, passa para o singular genérico nos vv. 6 e 7. Além do mais, o “se alguém”no
v.1, que levou o verbo ao singular neste versículo, é sentença condicional, ou
generalizadora, não limitadora. Ela aparece em 1 Timóteo 5:8 e 6:3, e em ambos os
casos – esp. 6:3 – refere-se a um grupo de mais de uma pessoa.
19


Uma segunda objeção que precisamos fazer à interpretação de Strong é
que, em Éfeso, bem como em Creta, havia uma pluralidade de Presbíteros. Em
At. 20:17 lemos:“De Mileto, mandou a Éfeso chamar os presbíteros (·eu ;
:ç.c¡u·. çeu;) da Igreja” e em Tito 1:5, Paulo diz: “Por esta causa, te deixei em
Creta, para quem pusesses em ordem as coisas restantes, bem como, em cada
cidade, constituísses presbíteros (:ç.c¡u·. çeu;) conforme te prescrevi”. Notamos
que o substantivos estão no plural e não no singular, indicando com isto, uma
pluralidade de presbíteros.

Ainda podemos observar que Strong erra em não considerar que na
própria carta a Timóteo (ITm 5:17), o apostolo diz: “Devem ser considerados
merecedores de dobrados honorários os presbíteros os presbíteros os presbíteros os presbíteros (:ç.c¡u ·.çet) que presidem
bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino”

O pensamento de Strong é também insustentável à luz de At 14:23 - “E
promovendo-lhes em cada igreja, a eleição de presbíteros...”. Como já dissemos,
Paulo nos informa que durante a sua primeira viagem missionária, ele já
promovera a escolha de presbíteros. O texto é enfático,“promovendo-lhes, em
cada igreja a eleição de presbíteros de presbíteros de presbíteros de presbíteros”.

Diante destas considerações, somos convencidos, de que a pluralidade e
não o episcopado monárquico,é o ensino das Escrituras.
20
A referência às
qualidades exigidas para um “bispo”, por exemplo, em I Tm 3 não oferece apoio
algum para a teoria de um episcopado monárquico com um único bispo
supervisionando todos os demais que detinham seus ofícios. O contexto torna

19
FEE, Gordon D. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo – 1& 2 Timóteo, Tito. São Paulo, SP: Ed. Vida.
1994. p. 95
20
Diferentemente de outras opiniões
20
, que defendem que o termo Bispo diz respeito a um líder que governava um grupo
de presbíteros, entendemos que, ao escrever a Timóteo, Paulo se utiliza do termo “. . : :t t c cs se e: :e e; ;” não pensando em alguém
portador de um ofício que iria presidir sobre grupos de presbíteros, mas sim, em um supervisor. Em hipótese alguma
temos nas Escrituras uma instrução para um governo episcopal.
13
provável que havia vários “. . : :t t c cs se e: :e e; ; ” numa só igreja, assim como também
havia certo número de diáconos.
IV. A responsabilidade dos P IV. A responsabilidade dos P IV. A responsabilidade dos P IV. A responsabilidade dos Pastores astores astores astores. .. .

Paulo não fala de maneira explícita e organizada, talvez como
gostaríamos, sobre a responsabilidade ou deveres do Presbítero. A razão,
talvez, esteja no fato de que possuindo o caráter irrepreensível, conforme
descrito em I Tm 3:2, não precisaríamos de uma lista de deveres, por que já
saberíamos o que deveria ser feito. Não obstante, podemos em linhas gerais, e
à luz dos escritos de Paulo, propor algumas declarações sobre os deveres dos
presbíteros. Antes de qualquer outra coisa, é preciso dizer que a função dos
presbíteros é liderar, dirigir a Igreja de Deus. A função destes bispos era a de
oferecer liderança e assim cuidar para que as coisas pudessem transcorrer bem
dentro da igreja. Verifiquemos agora como estes presbíteros ou bispos devem
liderar esta igreja.

Em Atos 20:28, Lucas registra a orientação que Paulo dá aos presbíteros
sobre a maneira em que eles devem exercer esta liderança.: “Olhai, pois, por
vós, e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos
(. :tcse :eu;), para pastoreardes pastoreardes pastoreardes pastoreardes (:et¡at |.t|) a igreja de Deus, que ele resgatou
com seu próprio sangue”

Paulo diz que é dever do presbítero pastorear a igreja de Deus. Podemos
ver que esta é também a ênfase de Pedro. Em sua primeira carta (cf. I Pe 5:1,2)
ao falar da responsabilidade do presbítero de pastorear o rebanho de Deus,
Pedro usa o verbo p po oi im ma ai i, ,n nw w, pastorear

Aos presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também
presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da
glória que se há de revelar. Apascentai (:et¡a |a·. ) o rebanho (:et ¡|te|) de
Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas
voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto – I Pe 5:1,2

No início deste artigo, ao definirmos o termo pastor (:et¡µ |), dissemos
que o mesmo, pelo menos como substantivo, não aparece no Novo Testamento
designando um ofício eclesiástico. Como tal, ou seja, como ofício, ele aparece
apenas em Ef. 4:11: “E ele mesmo concedeu uns para apóstolos outros para
profetas, outros para evangelistas e outros para pastores (:et¡. |a;)e mestres”.
Todas as outras ocorrências no Novo Testamento, sempre aparecem, ou fazendo
referência a um “pastor” de ovelhas, ou se referindo a Jesus como nosso pastor.
Como já vimos, o verbo : :e et t¡ ¡a at t | |a a (poimaino –pastorear), faz referência a
responsabilidade dos presbíteros que exercem seu ministério pastoralmente. O
14
que podemos concluir deste uso gramatical dos termos é que a ênfase de Paulo ênfase de Paulo ênfase de Paulo ênfase de Paulo
ao falar do pastoreio recai sobre os presbíteros ao falar do pastoreio recai sobre os presbíteros ao falar do pastoreio recai sobre os presbíteros ao falar do pastoreio recai sobre os presbíteros. .. .

Em outras palavras, os anciãos (presbíteros) que supervisionam (Bispos)
o rebanho de Deus são os pastores da Igreja
21
Portanto, a supervisão não é de
um presbítero sobre outros, mas deles sobre o rebanho.
A Segunda Confissão Helvética
22
, no capítulo XVIII, falando sobre os
deveres do ministro da igreja declara:
São vários os deveres dos ministros, no entanto, em geral se restringem a
dois, nos quais todos os outros estão incluídos: o ensino evangélico de Cristo
e a legítima administração dos sacramentos. É dever dos ministros reunir a
assembléia sagrada e nela expor a Palavra de Deus, e aplicar toda a
doutrina à razão e ao uso da Igreja, de modo que o que for ensinado seja útil
aos ouvintes e edifique os fiéis. É dever dos ministros, afirmo, ensinar os
ignorantes e exortar; e estimular os indecisos ou ainda os que caminham
lentamente à avançar no caminho do Senhor, consolar e confirmar os
pusilânimes, e armá-los contra as multiformes tentações de Satanás;
corrigir os que pecam; reconduzir ao caminho os transviados; levantar os
caídos; convencer os contradizentes; expulsar do rebanho do Senhor os
lobos; repreender, prudente e severamente os crimes e os criminosos; não
serem coniventes nem se calarem perante o crime. Mas, além de tudo isso, é
seu dever administrar os sacramentos, recomendar o uso justo deles e, pela
sã doutrina, preparar todos para recebê-los; conservar também os fiéis
numa santa unidade; e impedir os cismas, enfim catequizar os ignorantes,
recomendar à Igreja as necessidades dos pobres, visitar, instruir e conservar
no caminho da vida os enfermos e os afligidos por várias tentações. Além
disso, devem cuidar das orações públicas ou das súplicas em ocasiões de
necessidade, juntamente com o jejum, isto é, procurar uma santa
abstinência; e cuidar o mais diligentemente possível de tudo o que diz
respeito à tranqüilidade, à paz e à salvação das igrejas.
Vejamos agora de maneira mais específica, em como os presbíteros
devem desempenhar este pastoreio na Igreja:

1) O Presbítero deve ser apto para ensinar a sã doutrina: 1) O Presbítero deve ser apto para ensinar a sã doutrina: 1) O Presbítero deve ser apto para ensinar a sã doutrina: 1) O Presbítero deve ser apto para ensinar a sã doutrina: Um dos problemas
enfrentados por Timóteo ali em Éfeso é que os judaizantes
23
estavam ensinando

21
John Sittema. Coração de Pastor – Resgatando a Responsabilidade Pastora do Presbítero – ed. Cultura
Cristã, São Paulo, SP 2004. p. 17
22
A Segunda Confissão Helvética, foi primariamente elaborada em latim em 1562 por Heinrich Bullinger,
publicada em 1566 por Frederico III da Palatina, adotada pelas Igrejas Reformadas da Suíça, França, Escócia,
Hungria, Polônia e outras.

15
doutrinas falsas
24
, assumindo sua posição de doutores da lei e desvirtuando o
evangelho – I Tm 1:4,7; 4:7. Estes falsos mestres, que surgiram dentro da
própria Igreja e que provavelmente até fossem presbíteros
25
, estavam
perturbando a sua boa ordem. A liderança estava em crise, e por isto a
preocupação de Paulo era que Timóteo estabelecesse a ordem na Igreja e para
tanto, dá as orientações ou diretrizes para esta boa ordem, começando pela
exposição fiel da Palavra. É digno de nota que em At 20:29-30, Lucas registra
que Paulo já prediz com clareza que os “lobos vorazes” que “não pouparão o
rebanho” de Éfeso seriam homens de dentro da própria igreja -“dentre vós
mesmos”.

Em I Tm 1:18-20, Paulo encarrega ao jovem Timóteo, a responsabilidade
de instruir a Igreja quanto a certos líderes que estavam pregando estas
heresias e, prejudicando a Igreja. Dentre estes líderes estavam Himeneu e
Alexandre
26
, os quais se faziam de mestres da lei, mas sequer sabiam das
coisas as quais ensinavam (1:7).

Em II Tm 1:13 lemos o conselho de Paulo a Timóteo : “mantêm o modelo
das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo
Jesus”. O termo grego aqui para “sãs” é u ,tat|e |·a| (hugiaino) de onde temos a
palavra em português “higiene”. Daí o significado de“sadio”, em contraste com a

23
O judaizantes eram .pessoas seguidoras do judaísmo; religião dos judeus. Nos tempos desta carta escrita a
Timóteo, difundiam doutrinas estranhas, pondo forte ênfase em coisas tais como genealogias e fábulas
profanas, e assumindo a postura de doutores da lei ( cf. I Tm 1:4,7; 4:7 ). Criam que a matéria era má e
aceitavam uma ressurreição apenas espiritual ( Cf. II Tm 2:18 ). Vale observar que os erros que as pastorais
advertem é tanto presente ( I Tm 1:3-7,19; 4:7: 6:4,5,9,10,17; II Tm 2:16-18; Tito 1:10-16: 3:9 ) quanto futuro
( I Tm 4:1-3; II Tm 3:1-9). O erro refere-se á lei do V.T e sua interpretação ( I Tm 1:7, cf. 6:4,5; II Tm 4:4; Tt
1:14; 3:9).
24
Muito embora, Paulo não nos forneça informações mais específicas para nos ajudar a entender a natureza
da heresia que estava sendo disseminada em Éfeso, podemos, em linhas gerais dizer que: 1) Esta heresia
combinava ingredientes judaicos e gnósticos. Assumiam a postura de doutores da lei (I Tm 1:4,7; 4:7; 1:7;
6:20); 2) A doutrina deles era ascética pois proibia o casamento e ensinava a abstinência de certos tipos de
alimentos (I Tm 4:3; 5:23). Criam que a matéria era má e aceitavam uma ressurreição apenas espiritual ( Cf. II
Tm 2:18 ). 3) Os falsos mestres se preocupavam com assuntos insignificantes. Difundiam doutrinas
estranhas, pondo forte ênfase em coisas tais como genealogias e fábulas profanas ( I Tm 1:4), 4) Os falsos
mestres estavam também infiltrando nos lares e muitas mulheres estavam se tornando vítimas deles ( ( I Tm
5:12,15, cf. 2 Tm 3:6,7).
25
Gordon Fee, em seu comentário das pastorais, apresenta-nos algumas pistas que sustentam a hipótese de
que os falsos mestres eram presbíteros na igreja: 1) Os falsos mestres evidentemente ensinavam ( 1:3,7;6:3 ) e
sabemos que o ensino era função dos presbíteros ( 3:2; 5:17 ); 2) Uma parte significativa da epístola destina-
se a dar o caráter e as qualificações dos líderes da Igreja ( 3:1-13; 5:17-25 ) . ( Cf. Novo Comentário Bíblico
Contemporâneo – 1 & 2 Iimóteo, Tito. P. 19 )
26
Himeneu e Alexandre. O nome do primeiro deriva-se de Hímen, o deus do matrimônio. Alexandre significa
“defensor dos homens”.
16
,a ,,çat|a
21
(gangraina) que aparece em 2 Tm 2:17 traduzida para o português
por câncer
28
. Aqui, Paulo tem em mente o erro devastador dos falsos mestres,
onde a “linguagem deles corrói como um câncer”, como uma gangrena
29
.

William Hendriksen, comentando 2 Tm 2:17, fala do prejuízo provocado
pelos falsos mestres:

O câncer não somente devora os tecidos sadios, mas também agrava a
condição do paciente. De forma semelhante, a heresia que recebe
publicidade, quando se lhe empresta demasiada atenção, se desenvolverá
tanto em extensão quanto em intensidade. Ao afetar de forma adversa
uma proporção crescente da membresia, tentará destruir o organismo da
igreja
30

Sabendo da erosão que as heresias podem causar na vida da igreja, e da
disposição natural dos homens em resistirem à sã doutrina (cf. 2 Tm 4:1-4), e
por serem inclinados á rebeldia e à apostasia, Paulo diz que é responsabilidade
dos presbíteros guardar o bom depósito, ou seja, as Escrituras
31
: “Mantém o
padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em
Cristo Jesus. Guarda o bom depósito, mediante o Espírito Santo” 2 Tm 1:13,14
Quando Paulo diz que Timóteo, ou ao presbítero, para manter o padrão
das sãs palavras, tal orientação era para que estivesse conservando aquilo que
aprendera dele. Guardar o Evangelho significa fazer frente a todas as
tentativas hostis que insurgem contra ele. A Igreja, através do trabalho dos
presbíteros e com o auxílio do Espírito Santo, tem o privilégio e uma grande
responsabilidade de ser a guardiã da Palavra de Deus contra todas as forças da
incredulidade e do engano (cf. I Tm 1:3,4; Tito 1:9-11
32

E é a Palavra de Deus (a sã doutrina) que deve ocupar o lugar de
destaque na pregação e ensino dos presbíteros. É preciso “manter o padrão das
sãs palavras” (2 Tm 1:13). Caso eles viessem a ensinar baseados em suas
opiniões pessoais, estariam incorrendo no mesmo erro dos falsos mestres de
Éfeso (I Tm1:4). É preciso ter sempre em mente que o poder está na verdade da
Palavra de Deus
33
, numa verdade que lhe é própria; e não na criatividade
daquele que a expõe.

27
Este termo grego dá origem a nossa palavra gangrene e que tem a seguinte definição: “necrose de tecidos
causada por perda de supriment de sangue, seguida de decomposição e apodrecimento, resultante de uma
inflamação violenta” ( Cf. Michaelis, Melhoramentos. 1998. São Paulo, SP)
28
Cf. ROBERTSON, Op Cit., p. 620
29
A gangrena é um termo médico para a necrose (morte) de tecidos causada por perda de suprimento de
sangue, seguida de decomposição e apodrecimento.
30
HENDRIKSEN, Op Cit., p. 325
31
“Desde que depósito é descrito como bom, é certo que se refere às sãs palavras do evangelho”, cf. Gordon
Fee, Comentário de 2 Timóteo, p. 247
32
BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Campinas, SP: Luz Para o Caminho. 1990. p.600
33
ARMSTRONG, John H., Sola Scriptura ! The Protestant Position On The Bible. General Editor: Don
Kistler. Morgan, PA: Soli Deo Gloria Publications. 1995. p. 97,98
17
Em I Tm 4:13 há uma orientação de Paulo para que durante o período
em que ele estivesse ausente, Timóteo deveria fazer a leitura pública das
Escrituras. Ainda, em 5:18 desta nesta carta, fica claro o valor que ele, Paulo,
dá às Escrituras. Ao relacionar uma citação do Antigo Testamento com uma
palavra de Jesus em Lucas 10:7: “pois a Escritura declara”, fica evidente
também quando ele reconhece a origem da Escritura do Velho Testamento ao
afirmar que ela “é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão,
...” ( 2 Tm 3:16, cf. Rm 15:4; I Co 9:9,10).
Por diversas vezes, Paulo se refere a algumas heresias que estavam
presentes naquela igreja (cf. I Tm 1:7, cf. 6:4,5; II Tm 4:4; Tt 1:14; 3:9 ). E o
remédio para estes erros teológicos deveria ser a pregação fiel do
Evangelho.Vale observar que os erros que Paulo condena nas pastorais e nos
advertem é tanto presente (I Tm 1:3-7,19; 4:7: 6:4,5,9,10,17; II Tm 2:16-18; Tito
1:10-16: 3:9) quanto futuro ( I Tm 4:1-3; II Tm 3:1-9).
Não resta dúvida de que vivemos numa época em que surge a cada dia,
as teologias superficiais e sem qualquer fundamentação bíblica. Á priori, cabe
ao presbítero, e de maneira mais insistente, ao presbítero docente, resgatar o
ensino bíblico nas igrejas; manter o padrão das sãs palavras do genuíno
evangelho e pregar a palavra num tempo em que muitos já não suportam a sã
doutrina e se recusam a dar ouvidos à verdade ( II Tm 4:1-5 ). Mas Paulo, não
obstante dizer que há aqueles presbíteros que se especializam na Palavra e no
ensino, não deixa de ressaltar que o presbítero precisa ser apto
34
para ensinar.

Com esta preocupação em conservar a são doutrina, ou seja, a
preocupação em guardar o evangelho; repetidas vezes nas pastorais (I Tm 3:2,
4:11; 6:2; 5:17; II Tm 2:24; Tt 1:9), Paulo usa a expressão “se “se “se “ser apto para r apto para r apto para r apto para
ensinar ensinar ensinar ensinar” (eteacsaìta), justamente para chamar a nossa atenção para esta
responsabilidade dos presbíteros. Com isto, o apóstolo estabelece que todo
presbítero deve ser capaz de ensinar e fazer uma apologia das principais
doutrinas da fé bíblica, conforme revelada nas Escrituras
35
; e deve ser hábil em
defender a sua fé diante das controvérsias, repudiando o erro e ensinando a
verdade àqueles que estão na dúvida: “Ora, é necessário que o servo do Senhor
não viva a contender, e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir apto para instruir apto para instruir apto para instruir,
paciente” (II Tm 2:24).

E esta responsabilidade de “ensinar” é exclusivo dos oficiais presbíteros.
Podemos ter esta compreensão em razão da proibição feita por Paulo de que, ás
mulheres, não era permitido ensinar na igreja. Isto porque, o apóstolo via o
ensinar como uma instrução doutrinária autoritativa
36
e a mulher não poderia

34
Por “apto” entende-se alguém instruído, capaz tanto para ensinar, quanto para refutar os erros.
35
Ver : Samuel Miller; Op Cit., pp. 42-43
36
LOPES, Augustus Nicodemus. Ordenação feminina. Revista Fides Reformata. Vl II Número 1 (Janeiro-
Junho 1997) p.78
18
exercer este ministério, pois assim estaria indo contra os princípios de
submissão e autoridade (Cf. I Tm 2:11-15).

O presbítero “deve ser capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de
refutar os que se opõem a ela”.
37
Em um outro sentido também podemos
entender o que Paulo queria dizer com “ser apto para ensinar” – significa dizer
que o presbítero deve “sair da sala do conselho”
38
e caminhando por entre o
rebanho, estar atento às suas necessidades, consolando os aflitos, encorajando
os desanimados, aconselhando em suas dúvidas, exortando quando estiverem
no erro, etc...
39


2) O Presbítero deve ser um conselheiro: 2) O Presbítero deve ser um conselheiro: 2) O Presbítero deve ser um conselheiro: 2) O Presbítero deve ser um conselheiro: O termo grego que aparece em I Tm
5:1; II Tm 4:2, e em Tt 1:9 traduzido por “exortar” é :açasaì. a (parakaleo),
que pode ser traduzido também por encorajar. O presbítero deve ser alguém
apegado à Palavra de modo que tenha poder para exortar, encorajar,
aconselhar.

Calvino entendia que o aconselhamento era indispensável no trabalho do
presbítero.
40
Ele acreditava que o ensino, além de ser público nos cultos,
deveria ser acompanhado por orientação pessoal e aplicado às circunstâncias
específicas da vida das ovelhas. Ele atendia noivos que estavam se preparando
para o casamento, pais que traziam seus problemas relacionados aos seus
filhos, pessoas com dúvidas ou dificuldades doutrinárias, lutas com
enfermidades, ouvia confissões de pecados, e a todos ele os recebia e levava o
conforto e o encorajamento necessários
41


A razão dessa visão do aconselhamento, deve-se ao ensino encontrado
nas Escrituras, de que Deus estabeleceu a igreja como seu principal
instrumento para cuidar de nossas dores e sofrimentos pessoais. Portanto, na
qualidade de conselheiro, o presbítero não pode deixar para a psicologia secular
o cuidado de suas ovelhas, ao contrário, deve assumir esta responsabilidade e
restaurar pessoas perturbadas, e orientando-as biblicamente conduzi-las à
vidas plenas e produtivas para a glória de Deus.


37
WILSON, Geofrey B. As Epístolas Pastorais. São Paulo, SP: Ed. PES. 2004. p. 170
38
Este é o título do primeiro capítulo do livro de John Sittema – “Coração de Pastor” da Cultura Cristà.
39
Vemos esta exigência em ser apto para ensinar também registrada na Constituição da IPB. Ao falar da
responsabilidade do presbítero regente ela diz: “Compete ao presbítero regente:1º. Levar ao conhecimento do
Conselho as faltas que não puder corrigir por meio de admoestações particulares. 2º. Auxiliar o pastor no
trabalho de visitas. 3º. Instruir os neófitos, consolar os aflitos e cuidar da infância e da juventude. 4º. Orar
com os crentes e por eles ...”

40
WALLACE, Ronald. Calvino, Genebra e a Reforma. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã. 2003. 148
41
CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. Vol. IV, 3: 6 - São Paulo, SP: Casa Editora
Presbiteriana.
19
O presbítero tem que estar preparado para dar orientação espiritual ao
rebanho. Atender pais que apresentam ter problemas relacionados aos seus
filhos, pessoas com dúvidas ou dificuldades doutrinárias, lutas com
enfermidades, ouvir confissões de pecados, e estar sempre pronto a levar
conforto e o encorajamento necessários
42
.

Lendo 2 Tm.3:16,17 somos desafiados a crer que as Escrituras Sagradas,
“reivindicam ser a única fonte confiável para a qual podemos nos voltar visando
resolver nossos problemas espirituais”
43


3) O Presbítero deve disciplinar 3) O Presbítero deve disciplinar 3) O Presbítero deve disciplinar 3) O Presbítero deve disciplinar: Tito e Timóteo tinham pessoas na comunidade
que estavam comprometendo a santidade da igreja. Pessoas que entre outras
práticas, eram mentirosas, insubordinadas e enganadoras. Paulo então, os
aconselha dizendo que era “preciso fazê-los calar” (1:11) e “repreendê-los
severamente” (1:13). Isso dito de outra maneira, Paulo estava ensinando a Tito
a aplicar a disciplina para manter a pureza da igreja.

Himeneu e Alexandre (I Tm 1:19-20) estavam rejeitando a boa
consciência, e não estavam mantendo uma vida digna do evangelho. E, por isso,
naufragaram na fé. Em 2 Tm 2;17 somos informados que Himeneu era acusado
de ensinar que a ressurreição já passou e estava com isso corroendo a saúde da
comunidade, desviando assim outras pessoas da fé com seu falso ensino. O caso
é tão grave que Paulo os “entregou a satanás”
44
, expressão que lembra a mesma
medida tomada no caso do incesto de I Coríntios 5:5.

A expressão “entregue a satanás” (cf. I Co 5:5) não é tão clara nas
Escrituras, mas provavelmente é proveniente de Jó 2:6 (“Disse o SENHOR a
Satanás: Eis que ele está em teu poder; mas poupa-lhe a vida”), tendo assim
sua relação com um processo de excomunhão. Todavia, esta medida tão
extremada, tinha como objetivo a recuperação daquele que cometera a falta.
Note as palavras de Paulo: “para serem disciplinados (paideuqw/sin) a fim de
não mais blasefemarem” cf. 2 Tm 2:20,25. Uma disciplina que revela amor pelo
pecador e um desejo que o mesmo seja recuperado. Confere 2 Tm 2:25:
“disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes
conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade”.
Desta forma, podemos observar que o objetivo de Paulo com a disciplina
não é destruir a pessoa como alguns, equivocadamente, podem querem pensar
quando aplicam a disciplina na igreja.

42
CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã. Vol. IV, 3: 6 -São Paulo, SP: Casa Editora Presbiteriana.
1989.
43
MACARTHUR, John F. & Wayne Mack. Introdução ao Aconselhamento Bíblico. Um guia básico dos
princípios e prática do aconselhamento. São Paulo, SP: Ed. Hagnos. 2004. p18
44

20
No caso de Tito 1:11, embora não tenhamos como saber por esta
passagem de que maneira devem ser silenciados os insubordinados, fica claro
através de outros textos nas pastorais (I Tm 1:3,4; 1:20; 4:4; II Tm 2:16, 21, 23
e Tito 1:13 e 3:10) que estas pessoas precisavam ser disciplinadas.
Calvino ao comentar a passagem de Tito 1:11, nos dá uma possível
resposta: “Como é possível que um presbítero consiga compelir pessoas
obstinadas e empedernidas a se calarem?”
45
Em seguida ele mesmo responde:

Minha resposta é que, quando são fustigadas pela espada da Palavra de Deus, e
confundidas pelo poder da verdade, a Igreja pode ordenar-lhes que se calem; e,
se persistirem, podem pelo menos ser excluídas da comunhão dos crentes, para
que toda e qualquer oportunidade de prejudicar lhes seja bloqueada. Pela
expressão, “fechar suas bocas”, Paulo simplesmente significa refutar sua fútil
loquacidade, mesmo quando não parem de fazer bulha, pois uma pessoa
convencida pela Palavra de Deus, por mais ruído que faça, nada tem a dizer.
46


Hendriksen também comentando estes mesmos versos e sobre a
importância da disciplina afirma:

De início os errados deveriam ser cordialmente admoestados com o intuito
de ganhá-los para a verdade. Se recusarem, deveriam ser repreendidos
severamente e ordenados a desistir. A pessoa que persistisse em seus
caminhos maus tinha de ser coibida pela igreja e disciplinada
47


Uma igreja que prima pela santidade entende que quando seus membros
estão vivendo em desobediência a Deus, precisam ser disciplinados. E um dos
propósitos da disciplina é a restauração do pecador. O objetivo é que os cristãos
sejam ornamentos da doutrina do Senhor (Tt 2:10) e devem portanto, fazer boas
obras para que os homens vejam estas boas obras e glorifiquem a Deus ( Mt
5:16 ).

É indiscutível a necessidade da disciplina eclesiástica, mas é preciso que se
diga que este poder de aplicar a disciplina não é uma prerrogativa de um
homem, ou de qualquer homem, mas dos oficiais da igreja (Tt 1:5-9). A
Confissão de Fé de Westminster corrobora com este ponto quando diz:

A esses oficiais estão entregues as chaves do Reino do Céu. Em virtude
disso eles têm respectivamente o poder de reter ou remitir pecados; fechar
esse reino a impenitentes, tanto pela palavra como pelas censuras; abri-lo
aos pecadores penitentes, pelo ministério do Evangelho e pela absolvição
das censuras, quando as circunstâncias o exigirem.
48


45
CALVINO, As Pastorais, p. 316
46
Idem Ibidem., p. 316
47
HENDRIKSEN, Op Cit., p. 429
48
Confissão de Fé de Westminster, Capítulo XXX, 3
21

4) O Presbítero deve Admini 4) O Presbítero deve Admini 4) O Presbítero deve Admini 4) O Presbítero deve Administrar. strar. strar. strar. Ao contrário, do que algumas pessoas
possam imaginar, podemos estar certos de que a administração tem base
bíblica.

Constatamos no livro de Atos dos Apóstolos, que os presbíteros tinham
de dirigir a igreja junto com os apóstolos (cf. 15:2,4,6,22,23;16:4)
49
, e também
era de responsabilidades deles cuidar do rebanho (cf. At 20:28; Mt 2:6; Lc 17:7;
Jo 21:16; I Co 9:7; I Pe 5:2; Ap 2:27; 7;17; 12:5; 19;5). Em 1Timóteo 5.17 lemos:
“Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros
que presidem (:çet c·µ¡t – proistemi) bem”. Antes, na mesma epístola, Paulo
diz que o bispo (ou presbítero) “deve governar (:çet c·a ¡.|e|,) bem a sua própria
casa [...] pois, como cuidará (. :t¡.ìµ c.·at) da igreja de Deus?” (1Tm 3.4-5).

O apóstolo está dizendo que há presbíteros que devem ser considerados
merecedores de honras em dobro em razão de governarem, presidirem bem e
de trabalharem arduamente na palavra e no ensino. Para entender o que Paulo
está querendo dizer com “honras em dobro” é só olhar o contexto. Em 5:3,4
Paulo inicialmente ordenara que as viúvas recebessem sustento material.
Portanto, “duplicada honra” deve ser interpretada em comparação com as
viúvas. Se as verdadeiramente viúvas são dignas de ter seu sustento da igreja,
muito mais os presbíteros que governam de maneira excelente e ainda mais,
aqueles que trabalham arduamente na palavra e no ensino.
50


“Os presbíteros que presidem (:çet c·µ¡t–proistemi) bem”. O termo grego
:çet c·µ¡t(proistemi) descreve a ação de trabalhar responsavelmente em uma
obra, com a missão de dirigir e presidir. E . :t¡.ìµ c.·at (epimelesetai) traduz a
tarefa de cuidar e gerenciar uma determinada situação. É usado juntamente
com proistemi na passagem de I Timóteo 3:5 - “pois, se alguém não sabe
governar (:çec·µ |at) a própria casa, como cuidará cuidará cuidará cuidará (. :t¡.ìµ c.·at) da igreja de
Deus”. A liderança eficaz por parte do presbítero pressupõe que ele tenha
certas habilidades administrativas. Saber onde começar, por onde se conduzir,
que passos a serem tomados, qual a melhor solução para este conflito, que
ações devem ser dadas para se alcançar este ou aquele objetivo, etc...

Um outro termo que podemos considerar é et se|e¡ta| (oikonomia). É um
substantivo que significa “administração de uma casa”, e aparece por exemplo
em Lc 16:1-17 na Parábola do Mordomo Injusto. A significação teológica e
pastoral de et se|e¡ta| vem quando Paulo usa a palavra em referência para a

49
“Em Atos 15 e 16:4 os apóstolos e presbíteros funcionavam claramente como suprema instância judiciária e
instância doutrinal normativa para toda a igreja, e como tais tomam decisões a respeito das exigências
mínimas da lei que devem ser impostas aos gentios” ( Guenter Bornkamm, Presbítero: In G. Kitell, ed. A
Igreja do Novo Testamento. P 237 )
50
Cf. Calvino, as Pastorais, p. 148
22
tarefa apostólica dele: “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros
(et se|e ¡et;) é que cada um deles seja encontrado fiel”. (I Cor 4:2; Tito 1:7; I Pe
4:10). A conexão para o et se; (casa) é de importância óbvia. Os membros da
igreja são a casa de Deus que ele constrói pelo trabalho desses que ele chamou
à tarefa, a quem ele confia o cargo de despenseiro da casa. Eles não são
chamados para olhar seus próprios negócios domésticos mas eles são os
mordomos dos bens a eles confiados para dar contas de sua administração (I
Co 9:17, Ef 3:9). Nestas duas passagens, a ênfase de Paulo é que o pastor ou
presbítero é alguém que cuida das coisas da casa de Deus.

V. AS QUALIFICAÇÕES V. AS QUALIFICAÇÕES V. AS QUALIFICAÇÕES V. AS QUALIFICAÇÕES NECESSÁRIAS AO PASTO NECESSÁRIAS AO PASTO NECESSÁRIAS AO PASTO NECESSÁRIAS AO PASTOR RR R

Por ser uma tarefa tão nobre e ao mesmo tempo com múltiplas responsabilidades, é que
Paulo apresenta a Timóteo a lista de requisitos a ser preenchida por todo aquele que desejar
tal ofício. Segundo afirma Calvino, havia três razões para Paulo dar a Timóteo as
qualidades da liderança do presbítero:

Havendo acabado de excluir as mulheres do ofício docente, ele agora aproveita a
oportunidade para falar desse ofício propriamente dito. Sua intenção é primeiramente
por em evidência que tinha boas razões para excluir as mulheres do exercício de um
dever que exigia tanto; e, em segundo lugar, para evitar-se a insinuação de que,
excluindo somente as mulheres, todos os homens, indiscriminadamente, podiam
prontamente ser admitidos; e, em terceiro lugar, porque era indispensável que Timóteo
e os demais fossem advertidos a se precaverem no ato da eleição dos bispos.
51


Fica claro na visão de Calvino, que o presbiterato ( e também o diaconato) não eram
ofícios comuns que pudessem ser desenvolvidos por qualquer pessoa sem as devidas
qualificações. É importante notar que nas duas listas ( I Tm 3 e Tt 1 ) nada é dito sobre a
habilidade ou eloqüência do candidato. Nem é dito qualquer coisa sobre a sua formação
acadêmica ou profissional. As qualificações listadas por Paulo focalizam o caráter do
oficial aprovado como servo fiel a Deus em lugar das habilidades administrativas ou
capacidades intelectivas.

Ele inicia a lista de qualificações para o presbítero com uma exigência geral,
seguida por áreas específicas nas quais o bispo deve ser irrepreensível. Ele começa
dizendo que “É necessário portanto que o presbítero seja irrepreensíve (a |.:t 쵡:·e| (1
Timothy 3:2)

É da opinião de alguns autores
52
, que o termo “irrepreensível” parece ser um título
dado para servir como cabeçalho para a lista apresentada. Na língua grega, o adjetivo
a |.:t 쵡:·e| designa alguém contra quem não há acusação, implicando não em declaração

51
CALVINO, As Pastorais. Op Cit., p. 81
52
FEE, Gordon. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo – 1 e 2 Timóteo, Tito. São Paulo, SP: Ed. Vida.
1988, p.89 e Hendriksen, As Pastorais. Op Cit., p. 151
23
de inocência, mas em que nenhuma acusação foi feita. Irrepreensível descreve alguém que
não tem nada sobre o qual um adversário pode agarrar-se para fazer uma acusação.

Não se refere a alguém perfeito, vivendo uma vida impecável, pois se assim fosse,
ninguém estaria apto a ser um oficial. a |.:t 쵡:·e| nos fala de alguém que vive um
estilo de vida coerente com a sua declaração de fé. Descreve o presbítero (ou diácono) que
vive de maneira santa e piedosa, e que nada em seu proceder depõe contra o seu caráter.

Calvino explica isto da seguinte forma:

“O significado de ambos os termos consiste em que o bispo não deve ser estigmatizado por
nenhuma infâmia que leve sua autoridade ao descrédito. Certamente que não se encontrará
nenhum homem que seja eximido de toda e qualquer mancha; mas, uma coisa é ser culpado de
faltas comuns que não ferem a reputação de um homem, visto que os homens mais excelentes
participam delas; e outra, completamente distinta, é ter um nome carregado de infâmia e
manchado por alguma nódoa escandalosa”
53


Vejamos agora quais são, à luz de I Timóteo 3 e Tito, as qualificações que tornam o
presbítero irrepreensível.
54


“Os pré-requisitos necessários para presbíteros ou episkopos, respectivamente em ITimóteo
3:1-7 e Tito 1:6ss, são de natureza geral e, em grande parte, ética, e revelam apenas de
maneira oblíqua qualquer coisa do caráter do cargo em I Timóteo 3:4,5, por exemplo, onde
é mencionado “governar” (. . .), “sob disciplina” (. . .) e “cuidar” (. . .) Pode-se concluir, a
partir disso, portanto, que a tarefa do presbítero episkopos consiste particularmente em
oferecer liderança para a Igreja e cuidar para que as coisas funcionem dentro dela, assim
como em I Timóteo 5:17 são mencionados os presbíteros que “presidem bem” e em Tito
1:7 os episkopos são chamados de “despenseiros de Deus”
55


1) SER ESPOSO DE UMA SÓ MULHER (¡ta ; ,u|atse ; a |eça).
56
Que
significa “esposo de uma só mulher”? Esta qualificação tem sido interpretada de
diferentes maneiras. Alguns entendem que, caso um homem venha se divorciar e
casar-se novamente com outra mulher, ele deve ser excluído ou não aceito para o
ofício de presbítero, pois neste caso, ele seria esposo de duas mulheres. Mas não
parece ser essa uma interpretação adequada do pensamento paulino nesta passagem.
Um entendimento melhor destes versículos é que Paulo estava proibindo de ser
presbítero alguém que fosse polígamo
57
(alguém que tem mais de uma esposa ao
mesmo tempo).

53
CALVINO, As Pastorais, p. 84
54
Todas estas orientações também aplicam-se aos diáconos ( cf. Tito 1:7 )
55
Ridderbs, Herman. A Teologia do Apóstolo Paulo. São Paulo, SP Ed. Cultura Cristã. 2004. p. 512
56
LUZ, Waldir Carvalho. Novo Testamento Interlinear. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã . 2003 p. 732
57
A poligamia era possível no primeiro século. Embora não fosse comum, ela era praticada, especia-mente
entre os judeus. O historiador judeu Josefo diz: “Porque é nosso costume antigo ter diversas esposas ao
mesmo tempo”. A legislação rabínica também regulamentava costumes de herança e outros aspectos de
poligamia.

24
Tal qualificação não significa que o líder precisa necessariamente ser casado, mas sim, que
se for casado deve ser fiel à sua esposa – Mateus 5:27, 28. Em essência, Paulo está dizendo
que o líder precisa manter sua pureza sexual.

Note a observação feita por MacArthur :

Durante este século, na maior parte do tempo, o cristianismo evangélico vem se
concentrando na batalha pela pureza doutrinária e deve fazê-lo, mas estamos perdendo
a batalha pela pureza moral. Temos pessoas com uma teologia certa vivendo de modo
impuro
58


2) TEMPERANTE: (|µ|a ìte|). Descreve alguém que não é dado a excessos e que está
em pleno domínio de sua capacidade racional. Trata-se de uma pessoa equilibrada e que
se auto-domina. Pedro usa a mesma palavra em sua primeira carta: “Por isso, cingindo o
vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que vos está sendo
trazida na revelação de Jesus Cristo. Como filhos da obediência, não vos amoldeis às
paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância”.
59


3) SÓBRIO: A palavra no grego ( ca|çe|a) pode ter o significado de equilibrado, refere-
se a alguém que freia os próprios desejos e impulsos. Descreve alguém autocontrolado,
moderado, prudente e sensato. Significa dizer que o presbítero é alguém sábio e de bom
senso, que usa sua capacidade de julgar de maneira prudente, moderada e com equilíbrio.

4) MODESTO: Na língua grega ( se c¡te| ), este termo traduz o homem que tem um
comportamento honroso e respeitável. O presbítero deve ser alguém que tem o seu
caráter adornado pela vida de Cristo nele. Assim, suas atitudes refletirão sempre
sabedoria, humildade, justiça, bondade, amor, compaixão, etc...

5) HOSPITALEIRO: |tìe¸.|e|
60
A hospitalidade não é apenas uma responsabilidade
comunitária, mas também sagrada – ( Rm 12:13; I Pe 4:9; I Tm 5:10; Hb13:2 ). No grego
a palavra literalmente significa “amante dos estrangeiros”. O princípio é que devo colocar
os meus recursos à disposição dos necessitados e dos desconhecidos. O líder deve ser
alguém sempre disposto a ajudar o próximo. Demonstrar amor e demonstrar hospitalidade
são qualidades inseparáveis.

Calvino comentando este requisito afirma:

Esta hospitalidade era praticada em referência aos estranhos, e era uma prática muito
comum na Igreja Primitiva, porquanto era vexatório para as pessoas honestas,
especialmente para os que eram bem conhecidos, hospedar-se em estalagens. Em
nossos dias as coisas são diferentes, e no entanto, por diversas razões, tal atitude será

58
MACARTHUR, John F. Jr. .Redescobrindo o Ministério Pastoral. São Paulo, SP: Editora CPAD. 1999.
p. 111
59
MUELLER, Ênio R. I Pedro – Introdução e Comentário. São Paulo, SP: Ed. Mundo Cristão. 1988 p. 98
60
SHNEIDER, Op Cit., p. 427
25
sempre uma virtude muitíssimo necessária num bispo. Além disso, naquele tempo de
cruel perseguição aos crentes, para muitos era inevitável ter que mudar de residência
subitamente, e os lares dos bispos tinham que ser refúgio para os exilados. Nesses
tempos, a necessidade compelia os membros da igreja a darem uns aos outros socorro
mútuo, o que envolvia a hospitalidade
61


6) APTO PARA ENSINAR. ( eteas·tse | ).
62
Como já pudemos analisar, não
podemos e a Bíblia também não exige que todo e qualquer presbítero tenha um profundo
conhecimento da teologia. Como já foi dito, há aqueles presbíteros que a eles foi confiada
a responsabilidade de trabalharem exclusivamente na Palavra e no Ensino
63
( I Tm 5:17 ).
Não obstante, devemos entender que todo presbítero deve ser capaz de defender as
principais doutrinas da fé reformada
64
; e possuir também a capacidade de ensinar o
rebanho, encorajando, exortando, aconselhando, etc.
65


O presbítero dever ser eteas·tse | (ITm 3:2), o que significa que o presbítero deve ser
“Apto para ensinar”. Em Tito 1:9, Paulo diz que o presbítero deve ser “apegado à palavra
fel que é segundo a doutrina de modo que tenha poder, assim para exortar pelo reto ensino
como par convencer os que contradizem”. Semelhantemente, em ITm 5:17, ele fala que
aqueles presbíteros que presidem bem são merecedores de dobrados honorários, com
especialidade aqueles que se afadigam na palavra e no ensino. Podemos inferir desta
passagem que nem todos os presbíteros estavam envolvidos com o ensino da Palavra.

Paulo aqui cita a passagem de Dt 25:4 e ma declaração de Jesus registrada em Lc 10:7. O
texto de Dt 25:4 “Não atarás a boca do boi quando estiver debulhando” já foi citado por
Paulo em I Co 9:13-14, querendo dizer com isto que aqueles trabalhadores que se dedicam
inteiramente ao ensino e à pregação da Palavra tem o direito de serem sustentados pela
Igreja.
66
“O homem que dedica todo seu tempo e esforço na obra do reino (o “ministro”)
certamente merece “um bom salário”
67



7) NÃO DADO AO VINHO: ( ¡µ :a çet|e| )
68
. A orientação do apóstolo é que o
presbítero, o líder não seja alguém que se detém freqüente e continuamente com a bebida.
Necessariamente, o bispo não tem de ser abstêmio, mas tampouco deve ser dado ao vinho.
Paulo ao mesmo tempo que aconselha a Timóteo a tomar um pouco de vinho por causa de
sua enfermidade (5:23 ), declara também que ao presbítero entregue ao vinho está
desqualificado para o oficialato. É indiscutível, que a embriaguez trás consigo uma série de

61
CALVINO. As Pastorais. Op cit., p. 86
62
ROBERTSON, Op Cit., p. 572.
63
Cf. Hoeksema, Herman. Reformed Dogmatics. Reformed Free Publishing Association – Grand Rapid,
Michigan. 1966
64
Ver : Samuel Miller; Op Cit., pp. 42-43
65
Hendriksen. Op cit., p. 157
66
Cf. GUTHRIE, Donald. The Pastoral Epistles – Na Introduction And Commentary. Grand Rapids,
Michigan. Eerdmans Publishing Company. 1982 p. 105
67
Hendriksen, p. 226
68
SHNEIDER, Gerhard And Horst Balz, Ed. Exegetical Dictionary Of The New Testament – Vol. 3 . Grand
Rapids, Michigam: William B. Eerdmans Publishing Company. 1993. p.42
26
conseqüências danosas para qualquer pessoa, muito mais para aqueles que têm a
responsabilidade de guiar o rebanho de Deus com firmeza e sensatez.

Em Lv 10:9 e Pv 31:4 e 5 notamos que aos líderes não eram permitidos se
aproximarem de bebidas alcoólicas. O líder que se embriaga está trazendo escândalos para
a Igreja de Deus e isto o desqualifica para o ministério. De maneira insistente, as Escrituras
condenam o alcoolismo. ( cf. I Co 11:21; I Sm 25:36; Gn 9:20-27 ).

8) NÃO ARROGANTE: ( µη αυθαδης ) – Arrogante é o tipo de pessoa obstinada em sua
própria opinião, teimosa e pretenciosa. Descreve uma pessoa que está sempre disposta a
golpear; sempre carregada de ira e que constitui a sua própria autoridade. “não arrogante”
descreve o homem que se recusa dar ouvidos a outros. Ele não abre mão de suas “verdades”
e está sempre defendendo apenas os seus interesses, em detrimento dos direitos,
sentimentos e necessidades dos outros. ( II Pe 2:10 )
69
. É o tipo de indivíduo que está
sempre irritado e só sabe conversar com as pessoas adotando um temperamento explosivo.
( Pv 22:24,25 - Rm 12:17-21; Cl 3:18 )

Calvino observa que os presbíteros que atuam desta maneira, trazem prejuízos para
a igreja, afastando as pessoas de si. Diz ele :

“por que o companheirismo e a amizade não podem ser cultivados quando cada um
busca agradar-se a si mesmo e se recusa a ceder ou a acomodar-se aos outros. E de fato
todos os µε αυταδες (obstinados) quando se lhes divisa alguma oportunidade,
imediatamente se transformam em cismáticos”
70


9) INIMIGO DE CONTENDAS: ( a ¡a,e|). Descreve um tipo de líder que está sempre
dando lugar a argumentação, discussões e brigas, são desqualificados

como líder no
Corpo de Cristo. O líder é alguém que deve se esforçar para preservar o vínculo da paz -
Efésios 4:1-3; II Tm 2:23, 24. Deve ser inimigo de contendas.

Não resta dúvida que Paulo tinha em mente, os erros de Éfeso. Hendriksen
comentando esta qualidade diz:

O requisito “não contencioso”, literalmente “avesso a briga”, é ainda mais profundo do que
“não violento”. Uma pessoa pode não estar disposta a esmurrar, mas pode ser boa em
disputas orais, como sem dúvida o eram os seguidores do erro de Éfeso (ver. I Tm 1:4 ), e
lhe faltaria, portanto, umas das características indispensáveis ao bispo
71




69
Cf. Richard C. Trench. Synonyms of the New testament, § xciii, p. 329-332
70
CALVINO, As Pastorais, p. 312
71
HENDRIKSEN. Op cit., p. 159
27
10) NÃO AVARENTO: (a|tìa ç,uçe|) – “não amantes da prata”
72
O termo descreve o
indivíduo aficionado pelo dinheiro. Robertson, afirma que este termo aparece no N.T
somente aqui em Timóteo e em Hb 13:5
73


As Escrituras deixam claro para nós que é lícito aos líderes receberem honorários
pelo seu trabalho, porém, nunca deverão trabalhar com este propósito. Em I Pe.5:2 lemos:
“pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas
espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade” (grifo
nosso)

Chama-nos a atenção a observação de Paulo de que uma marca dos falsos líderes é
que estes trabalham em busca do dinheiro (cf. ( I Tm 6:5,9,10,11 ). Calvino faz a seguinte
afirmação sobre a relação do cristão e o dinheiro: “É pela atitude do Cristão em relação aos
bens materiais, que se julga da sua vida espiritual. O comportamento do homem para com o
dinheiro é a expressão tangível de sua verdadeira fé”
74


Também as palavras de Biéler são esclarecedoras, mostrando que é possível
conhecermos alguém pela maneira como ela se relaciona com os bens materiais:

O desígnio de Deus, em nutrindo o homem, não é apenas prover-lhe ás meras
necessidades materiais. Visa a um fim espiritual. Através do sustento, Deus Se faz
conhecer á criatura, revela-se a ela como o Criador
75


É por isto que Paulo adverte a Timóteo sobre os perigos do dinheiro. Este, como um
rival de Deus pela nossa afeição, pela nossa devoção, pela supremacia em nossa vida,
precisa ser avaliado e subjugado. O dinheiro quer ocupar o lugar de Deus nas nossas vidas.
O líder cristão tem um grande desafio: precisa aprender a subjugá-lo e colocá-lo a seu
serviço e a serviço do reino de Deus, nunca permitir ser dominado por ele.

Como consagração das riquezas é o sinal infalível da fé autêntica ,é para
examiná-la que Deus concede ao homem, ou lhe retira, a prosperidade. A
dádiva dos bens materiais tem sempre, e em todo tempo, o valor de uma prova
de Fé, qualquer que seja a abundância destes bens
76


11) GOVERNA BEM SUA PRÓPRIA CASA: (t et eu et seu :çec·µ |at ). O termo grego
para governar é προιστεµι que também tem os seguintes significados: "reger”, “liderar”,
“presidir”, “administrar”. Paulo considera que o lar bem orientado é um bom teste de
maturidade espiritual. O argumento lógico de Paulo é que se o bispo não consegue governar
bem sua casa, sua própria família, não poderá governar bem a igreja, a família de Deus.

72
LUZ, Op Cit., p. 732
73
ROBERTSON, Archibald Thomas. Word Pictures In The New Testament. Grand Rapids, Michigan: Backer
Book House. 1931. p. 573
74
CALVINO, João. Comentário ao Novo testamento, II Coríntios 9:13
75
BIÉLER, Andre; O Pensamento Econômico e Social de Calvino, São Paulo, SP: Ed. Casa Editora
Presbiteriana. 1990. p. 410
76
Ibid., p. 419
28
Em seguida, o apóstolo mostra uma prova de que a família do presbítero está sendo bem
governada; ou seja, seus filhos estão vivendo em submissão ( I Tm 2:11 ).


12) NÃO NEÓFITO: (¡µ |.e|u·e|). .. . Literalmente “não recentemente plantada”. O
sentido é “recém-plantado”
77
. Paulo aconselha que um recém convertido, neófito (alguém
que tenha recentemente se tornado um Cristão) não pode assumir o cargo de presbítero.
Pois tal medida poderia trazer conseqüências desastrosas para a igreja. O presbítero
precisa ser um homem amadurecido e experimentado.

13) BOM TESTEMUNHO DOS DE FORA: Paulo concluiu as orientações sobre os
requisitos que devem ser preenchidos pelos presbíteros em relação aos membros da
igreja. Agora ele termina a lista dizendo que o caráter irrepreensível também deve ser
expresso entre aqueles que não fazem parte da igreja, ou seja, os de fora. Diz ele que o
presbítero “deve desfrutar de um bom testemunho dos de fora” e note a razão que Paulo
dá para esta qualificação: “a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo”.

A igreja se esforça para apresentar o Evangelho de Cristo ao mundo e quer ver pessoas se
rendendo ao Senhor. No entanto, se o presbítero tiver uma má reputação aos olhos do
mundo, este propósito poderá ser prejudicado. Hendriksen diz que “uma pessoa que não
desfrute de um testemunho favorável, e que não obstante é eleita para o ofício de bispo na
igreja pode facilmente cair no descrédito”
78


O apóstolo Pedro dá o seguinte conselho: “Mantendo exemplar o vosso procedimento no
meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores,
observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação” I Pe 2:12

A conclusão que se pode chegar é que qualquer homem que tenha sua reputação manchada
e seu caráter reprovado por não se conduzir irrepreensivelmente, não pode ser um
presbítero.




Ler o Artigo: Os oficiais e a Educação cristã Informal


77
Cf. Jó 14:9; Sl 128:13; 144:12; Is 5:7
78
Hendriksen, Op Cit., p. 163