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– ENEM

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LINGUAGENS E CÓDIGOS E SUAS
TECNOLOGIAS REDAÇÃO




ÍNDICE
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Volume I


PORTUGUÊS

1. Níveis de significação do texto: significação explícita e significação implícita, denotação e conotação. ......... 31
2. Distinção entre variedades do portuguê s. .................................................................................................................. 14
3. Norma ortográfica. ...................................................................................................................................................... 15
4. Morfossintaxe das classes de palavras: ................................................................................................................... 47
flexão nominal;
flexão verbal: expressão de tempo, modo, aspecto e voz; correlação de tempos e modos;
elementos estruturais e processos de formação das palavras;
concordância nominal e verbal;
regência nominal e verbal;
pronomes;
advérbios;
conectivos: função sintática e valores lógico-semânticos.
Processos de organização da frase: ............................................................................................................................. 65
coordenação e subordinação;
reorganização de orações e períodos.
Citação de discursos: direto, indireto e indireto livre.................................................................................................. 72
Organização do texto:....................................................................................................................................................... 3
dissertação: fato e demonstração; argumento e inferência / relações lógicas;
narração: sequenciação de eventos; temporalidade; causalidade;
descrição: simultaneidade / espacialidade na ordenação dos elementos descritores.
Estraté gias de articulação do texto: ................................................................................................................................ 16
coesão lexical, referencial e articulação de enunciados de qualquer extensão;
paragrafação.
Recursos expressivos: ................................................................................................................................................... 34
ritmo e sonoridade;
recursos morfológicos, léxicos e sintáticos.
Intertextualidade. ............................................................................................................................................................ 30

INGLÊS ............................................................................................................................................................................. 96
Gramática
Interpretação de textos
Vocabulário

REDAÇÃO ..................................................................................................................................................... 127

LITERATURA
Literatura ......................................................................................................................................................................... 139
Literatura Portuguesa ...................................................................................................................................................... 141
Literatura Brasileira ......................................................................................................................................................... 146
Estilos e época ................................................................................................................................................................ 158

EDUCAÇÃO FÍSICA ...................................................................................................................................................... 169

EDUCAÇÃO ARTÍSTICA .............................................................................................................................................. 191

AVISO – (TODAS AS APOSTILAS) 10/05/2012














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Linguagens e Códigos
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LINGUAGENS E CÓDIGOS E
SUAS TECNOLOGIAS –
REDAÇÃO

PORTUGUÊS
INGLÊS
REDAÇÃO
LITERATURA
ARTE
EDUCAÇÃO FÍSICA

PORTUGUÊS
A língua que Olavo Bilac chamou de "última flor do Lácio, inculta e be-
la" é uma das que alcançaram maior difusão geográfica em todo o mundo,
pois é falada nos cinco continentes. Ademais, o português é culturalmente
significativo sobretudo por sua literatura, na qual se mostra um instrumento
de alta eficiência da criação estética em poesia e prosa.
O português é uma língua neolatina ou românica. Pertencente ao gru-
po itálico da grande família do indo-europeu, derivou-se da principal língua
itálica, o latim. É falada em Portugal, no Brasil, em Angola, Moçambique,
Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, assim como em encra-
ves de colonização portuguesa na Ásia (Macau, Goa, Damão e Malaca) e
da Oceania (Timor). A mistura com línguas nativas, na África, produziu
uma série de dialetos, ditos crioulos.
Histórico
O português nasceu da evolução do latim vulgar levado pelos legioná-
rios romanos para a península ibérica, transformada em província do
Império Romano em 197 a.C. César fundou, entre outras cidades, Pax
Julia (cujo primeiro nome se transformaria em Beja) e criou na Lusitânia um
dos baluartes da latinização do país. Estrabão observou que os turdetanos,
na Bética, haviam esquecido a língua materna, e expressavam-se em
latim. Essa língua radicou-se na península, até que, no século V, se deu a
invasão dos bárbaros, e com ela se intensificou a corrupção da linguagem.
Com a presença dos árabes, no século VIII a decadência do latim a-
centuou-se, intensificada pelo fato de terem os invasores uma brilhante
civilização própria. Os próprios cristãos arabizaram-se e João, bispo de
Sevilha, traduziu a Bíblia para o árabe. O latim reduziu-se a alguns falares
vernáculos e quase desapareceu das Espanhas, como havia de suceder
no norte da África. Chegou a chamar-se "aljamia" o linguajar latino e era
como se se dissesse "o bárbaro", o estrangeiro, em oposição à "aravia", a
língua árabe.
A península contava ainda com outras línguas românicas importantes:
o castelhano (ou espanhol) e o catalão. A região que vai do Minho ao
Douro, campo de batalha frequente entre cristãos e muçulmanos, era
pouco povoada e, para consolidar sua posse, D. Afonso VI de Castela, em
torno de 1095, separou da monarquia leonesa o Condado Portucalense,
que de direito ia do Minho ao Tejo mas, de fato, do Minho até o Mondego,
e foi concedido ao conde Henrique de Borgonha. O nome provinha-lhe da
cidade de Portucale, à margem direita do Douro -- na verdade, a cidade do
Porto, correspondendo a Cale a atual Vila Nova de Gaia, à margem es-
querda. É bastante provável que antes de a região tornar-se reino inde-
pendente, no século VII, o "romanço lusitânico" aí falado já constituísse
uma nova língua, o "protoportuguês".
O domínio do idioma português seguiu a expansão do reino para o sul,
até o Algarve, no século XIII. Os sucessos estimularam as oposições
religiosas e os portugueses passaram a evitar a língua árabe. Não poden-
do volver ao esquecido latim, aceitaram a fala barbarizada da gente mais
humilde. Os literatos compuseram uma língua de compromisso, o galaico-
português, ao lançar mão dos recursos encontrados no português e no
galego. Tal foi a língua dos trovadores, que se ilustraram na corte do
castelo de Guimarães e até nos mosteiros.
O galaico-português enxameia de formas e palavras de uma língua e
da outra, mas apresenta traços da influência franco-provençal, não possui
proparoxítonos e utiliza o sufixo -udo como desinência do particípio na
segunda conjugação: acendudo, atrevudo, bevudo, conhoçudo, creçudo,
estendudo, vendudo etc. Com o advento da dinastia de Avis (1385), a
língua portuguesa começou a afirmar sua fisionomia própria e em breve
tornava-se língua nacional.
O francês antigo, bem como o provençal antigo, comparados com o
francês e o provençal falados hoje, são outras línguas. Isso não ocorre com
o português antigo. Este representa uma fase envelhecida do idioma, sem
contudo ser outro. Velho em algumas formas, arcaico em muitas palavras,
obsoleto na preferência de certas expressões (e diverso na pronúncia,
provavelmente), o português dos primeiros tempos é sempre inteligível,
pois a gramática é a mesma.
Como língua comum, o português formou-se inicialmente em torno de
Coimbra e mais tarde ao redor de Lisboa, conquistada aos mouros por
Afonso Henriques, primeiro rei português, e depois capital da nação, centro
irradiador do padrão linguístico. Na história da língua, distinguem-se dois
períodos principais: (1) o arcaico, desde as origens, no século XII, ao
século XV; (2) e o moderno, do século XVI em diante. Uma outra classifi-
cação considera os períodos clássico (séculos XVI e XVII) e o pós-clássico
(XVIII em diante).
A disciplina gramatical teve início no período clássico, quando se ela-
borou a primeira gramática da língua, de Fernão de Oliveira, publicada em
1536. Também se verificou nesse período a consolidação da língua literá-
ria, de acentuada influência do latim clássico e cujo melhor exemplo é o
poema épico de Camões Os lusíadas (1572), obra-prima de presença
indelével nas fases que se seguiram. Não obstante a vigência de uma
norma central lisboeta, o português de Portugal apresenta falares regionais
no norte (trasmontano, interamnense, beirão), no centro (estremenho) e no
sul (alentejano e algarvio).
No Brasil, o português foi implantado no século XVI, com os traços ar-
caicos que se conservavam na linguagem popular da metrópole. Graças à
imigração constante, no período colonial, o português moderno prevaleceu.
Na atualidade, fala-se em todo o Brasil uma língua que, sem se opor à de
Portugal, dela se distingue por peculiaridades de vocabulário, os "brasilei-
rismos", e toma como padrão a norma culta das cidades principais, o Rio
de Janeiro sobretudo.
Gramática histórica
Na evolução do latim ibérico para o português, observam-se certos fa-
tos que deram à língua atual sua fisionomia.
No capítulo da fonologia, as vogais, de modo geral, mantiveram-se, a
não ser o i-breve, que evolveu para ê, e o u-breve, que se transformou em
ô. As consoantes iniciais mantiveram-se. As geminadas (com exceção de
rr) simplificaram-se. As intervocálicas fortes abrandaram-se. Muitas das
brandas intervocálicas desapareceram. Os grupos de consoantes + l, se
iniciais, passaram a ch, como: plorare > chorar, flamma > chama. Se
intervocálicos, deram em lh, como: triblu > trilho, vetlu > velho. As consoan-
tes finais oclusivas frequentemente se vocalizam no interior dos vocábulos:
ora em i-reduzido: recepta > receita, regno > reino, octo > oito; ora em u-
reduzido: absente > ausente, alteru > outro, octo > oito. Todos esses
metaplasmos dão uma fisionomia particular ao português.
A lexiologia portuguesa de origem latina era paupérrima. Os lexicógra-
fos não registram mais de cinco mil palavras que tenham vindo do latim por
tradição oral. O ulterior enriquecimento é obra cultural do século XIV,
sobretudo do período clássico. Entretanto, todo o vocabulário denotativo é
latino, excetuando-se uma ou outra palavra. Exemplos: cada (grego katá, já
romanizada), fulano (árabe fulan, acrescentada por intermédio do caste-
lhano).
Naturalmente a expansão geográfica do povo lusitano ensejou a ane-
xação de um riquíssimo vocabulário, colhido nas cinco partes do mundo.
Mas é notável a plasticidade que a língua demonstrou de aportuguesamen-
to, de sorte que, sem estudo, ninguém pode saber a extração dos termos
que emprega. Fato curioso é a eliminação constante, ao longo dos séculos,
das palavras árabes, muitas das quais são, no entanto, utilíssimas.
A morfologia portuguesa simplificou-se muito. Desapareceram os ca-
sos e, portanto, as declinações, a não ser nos pronomes pessoais. O
neutro singular passou a ser masculino e admitiu outro plural (lignum >

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lenho, lenhos); o neutro plural passou a feminino singular, admitindo tam-
bém outro plural (ligna > lenha, lenhas). O caso latino que persistiu no
português em geral foi o acusativo (por isso chamado caso lexicogênico),
com perda do m final no singular. As desinências de graus deixaram de
usar-se como tais; e as que hoje se ouvem, quando latinas, devem-se aos
eruditos nas escolas.
Os verbos latinos, repartidos por quatro conjugações, esquematiza-
ram-se em três: os da terceira conjugação latina passaram para a segunda
(míttere > meter), ou para a quarta (-míttere >-mitir). Houve grande vacila-
ção, no português antigo, sobre a conjugação que haveria de prevalecer:
correger > corrigir, caer > cair etc. No português criou-se um futuro do
subjuntivo, como no castelhano e no galego, proveniente do futuro perfeito
do indicativo latino. Surgiu no português, como no galego, um infinitivo
variável. Caducaram vários particípios, e formas nominais do verbo.
A sintaxiologia registra menor maleabilidade do português, em conse-
quência do grande desgaste das flexões. Mas os princípios fundamentais
da concordância e da regência continuam os mesmos (naturalmente não
pode haver concordâncias de casos, pois que os casos desapareceram).
Gramática portuguesa
A fonologia muito equilibrada, circunstância que a aproxima do francês
e do italiano, é uma das principais características do português.
A língua tem 13 vogais, oito orais -- u, ô, ó, á, a, é, ê, i -- e cinco nasais
-- ~u, õ, ã, ~e, ~i -- sendo que, em algumas regiões, ouvem-se outras.
Carece de fonemas aspirados ou africados. Possui três pares de consoan-
tes fricativas -- f/v, ç/z, x/j (exemplos: fé/vó, sá/zé, xá/jó); três pares de
consoantes oclusivas: p/b, t/d, k/g (exemplos: pé/bom, tá/dó, que/giz); e
três consoantes nasais -- m, n, ñ (exemplos: tomo, anão, manhã). A con-
soante lateral l pode ser usada como lh, a exemplo dos casos lado e olho,
enquanto a consoante vibrante r pode ser dobrada: rã, urra (e esse r gemi-
nado pode ser substituído por um gargarizado, mais áspero do que o r-
grasseyé parisiense).
Outra particularidade da língua portuguesa é o fato de o acento tônico,
no caso de vocábulos polissilábicos, poder cair em qualquer das três
últimas sílabas. Também é característica a existência de palavras átonas,
que se arrimam nas outras por meio de próclise ou de ênclise. Os ditongos,
orais e nasais, são sempre decrescentes, isto é, terminam nas vogais
reduzidas u ou i, exceto quando se situam depois de k ou g, e começam
por u reduzido. Conta ainda o português alguns tritongos, que podem ser
parcialmente nasais. Ocorrem sempre depois de k, ou de g, e começam
por u reduzido. Ditongos outros, crescentes, podem surgir na linguagem
descuidada, ou em certos artifícios de linguagem poética.
A lexicologia da língua portuguesa é das mais ricas que existem, mas
não apresenta aspectos especialmente singulares. É predominantemente
latina, mais pela importância do que pelo número de vocábulos latinos que
abriga.
A sintaxiologia da língua portuguesa revela um analitismo que decorre
do amplo desenvolvimento de suas perífrases. Predomina, na construção,
a ordem direta, em que o sujeito antecede o verbo e o complemento ou
complementos. A voz ativa predomina sobre a voz passiva, e as orações
sem sujeito -- ou as de sujeito indefinido -- na maioria das ocasiões não
têm o sujeito gramatical usado no francês ou nas línguas germânicas, isto
é, o on, o man, o one.
Idiotismos
As palavras apresentam-se ao espírito como os elementos materiais,
por assim dizer, da linguagem interior. Materializam as ideias e são como
que as pedras de uma construção. Mas não se podem fazer transposições
de uma língua para outra sem se obedecer a precauções. Em primeiro
lugar, há, em cada língua, um número considerável de palavras auxiliares,
que não correspondem a quaisquer ideias: surgem como instrumentos ou
peças necessárias ao encadeamento das palavras-ideias, e nem sempre
encontram correspondentes em outras línguas. Além disso, há certos
torneios particulares, e até sui generis, que decorrem de velhos hábitos
adquiridos. Tudo isso constitui os chamados idiotismos.
Palavras como homem, chove, azul ou bem correspondem a noções
claras, a ideias que povoam o mundo interior de quem fala. Mas é, ele ou
que não encontram nenhuma correspondência ideativa. O verbo ser, em
seu emprego mais corrente, apenas relaciona um nome a outro, provido
este do toque nocional, variável ao infinito, que falta ao verbo (Um homem
é bom ou mau, alto ou baixo, inteligente ou estúpido); ele pode referir-se a
qualquer ente do gênero masculino (homem, leão, muro); que, seja prono-
me, seja conjunção, não contém em si nenhuma noção precisa. No primei-
ro caso, toma emprestado o valor de seu antecedente (a mulher, ou o
homem, ou o carro que eu vi), no segundo é mera palavra de ligação
(Peço-te que venhas). No latim não há o pronome ele, nem a integrante
que. No russo, não se usa correntemente o verbo ser.
O curioso, porém, é que as palavras não ideativas, as chamadas deno-
tativas, são as principais em cada língua, porque características de cada
uma. São criações gramaticais. Quando não encontram versão em outras
línguas, constituem idiotismos (do grego idiótes, "particular", "privado"). As
palavras ideativas, pelo contrário, se não acham paralelo em outra, facil-
mente se podem introduzir. Basta que a ideia se comunique, e se divulgue.
Palavras ideativas criam-se à vontade, ou se importam. Às vezes surgem
sem necessidade alguma, por moda, por contágio. Quando as ideias
desaparecem, também elas podem sair de circulação. Tudo é contingente.
Mas nas palavras denotativas não é possível mexer.
Talvez os principais idiotismos do português se possam resumir do se-
guinte modo:
(1) A existência de cinco pronomes neutros para o singular: isto, isso,
aquilo, tudo, o. Tais palavras referem-se às coisas, e podem combinar-se
ainda em: tudo isto, tudo isso, tudo aquilo, tudo o. No castelhano também
existem outras tantas palavras neutras: esto, eso, aquello, ello, lo. Trata-se,
pois, de uma particularidade ibérica.
(2) O português constrói orações nominais (isto é, as de sujeito e pre-
dicativo, que exprimem estado ou qualidade) com três verbos distintos: ser,
estar, ficar, conforme se define o ser-sujeito em caráter definitivo, provisó-
rio (ou recente), ou num momento em que ele muda de aspecto: Frederico
é forte; Frederico está forte; Frederico fica forte. Nenhuma outra grande
língua da Europa faz isso tão natural e agilmente.
(3) O infinitivo variável, flexionando-se pessoalmente, é um dos mais
profundos traços do português. Assim sendo, essa forma verbal concorre
com o subjuntivo, e o indicativo, principalmente nas orações subordinadas.
Entretanto, pode alternar até com o imperativo. Peço-te passares por lá (=
Peço-te que passes por lá). Creio estarmos preparados (= Creio que esta-
mos preparados). Passar bem! (= Passe bem!). O uso do infinitivo variável
foi mais extenso no português antigo e é mesmo mais notável na língua
popular do que no português literário moderno. É, hoje, um maravilhoso
recurso de clareza, ou de ênfase, a que é lícito recorrer mesmo quando a
gramática postula o contrário.
Se não tivesse empregado o infinitivo variável, Camões teria escrito
uma frase ambígua naquele célebre passo: "Ó Netuno, lhe disse, não te
espantes / de Baco nos teus reinos receberes" (Os lusíadas, VI, 15). Com
que ufania exclama ele, diante do estrangeiro: "Vai ver-lhe a frota, as
armas, e a maneira / do fundido metal, que tudo rende, / e folgarás de
veres a polícia (= civilização) / portuguesa na paz, e na milícia" (Ib., VII,
72).
Repare-se em como o segundo infinitivo, variável, torna a frase mais
leve, e o pensamento mais evidente, na seguinte passagem de Alencar:
"Nem por isso os outros deixaram de continuar o seu giro, e as estações de
seguirem o seu curso regular" (Correr da pena). O infinitivo variável existe
também no galego, e surgiu em dialetos ibéricos e itálicos.
(4) O predicativo preposicionado, isto é, introduzido por preposição, é
uma das tendências que se têm acentuado no português. Embora se diga
Afonso é considerado um talento, parece perfeitamente natural dizer Afon-
so é tido por talento, ou ainda Afonso é tido em muito. Se um português diz
naturalmente ele me chamou amigo, um brasileiro preferiria recorrer à
preposição: Ele me chamou de amigo. Alguns puristas chegaram a censu-
rar de viciosa esta última construção, sem reparar que o mesmo se tem
feito com outros verbos sinônimos: "D. José cognominava de renegado o
fugitivo sócio" (Camilo Castelo Branco, Amor de salvação); "Está averban-
do de suspeita ou falazes tão ligeiras e infundadas ilações" (Latino Coelho,
Camões).
(5) Um idiotismo funcional é o aspecto iterativo que modernamente se
tem dado ao presente perfeito do indicativo. Enquanto nas outras línguas

Linguagens e Códigos
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esse tempo evolveu naturalmente para o passado, em português não
exprime simples passado, senão passado reiterado. "Tenho reclamado"
não significa "reclamei", como em outras línguas, mas "reclamei, reclamei,
reclamei e ainda estou no propósito de reclamar".
(6) O infinitivo preposicionado em substituição do gerúndio é também
traço do português, e também moderno. É sabido que as línguas români-
cas criaram para o infinitivo a possibilidade de o ligarem com uma preposi-
ção e, assim, tornaram supérfluas várias formas nominais do verbo latino,
como supinos, particípios, gerundivo e mesmo as formas gerundiais distin-
tas do ablativo. O português estendeu essa possibilidade até o gerúndio
ablativo, de modo que se pode dizer "está a chover", em lugar do primitivo
"está chovendo". No Brasil, prefere-se o gerúndio, de uso generalizado.
(7) O emprego de "estar com" na acepção de "ter" é muito da índole
portuguesa. Podemos perfeitamente dizer "tenho sede, tenho sono, tenho a
chave". Também nos é lícito expressar-nos "estou sequioso, estou sono-
lento". Mas o mais natural será: "Estou com sede, estou com sono, estou
com a chave."
(8) O analitismo português, já assinalado, pode ainda ser lembrado
como um dos traços idiomáticos mais marcantes da língua. De um modo
geral, as línguas românicas evolveram do sintetismo latino para um decidi-
do analitismo. Mas talvez nenhuma chegou a tão grande desenvolvimento
nesse terreno como o português. Enquanto o alemão (no ramo germânico)
conservou e estimulou o gosto pela palavra composta, o português fez o
contrário. Se a expressão perifrástica é desgraciosa e comprida, não se lhe
pode negar, em geral, a clareza de significação. Uma palavra como apud
não consegue ser tão expressiva como as suas traduções dicionarizadas:
"junto de", "ao pé de", "perto de", "diante de", "ao lado de", "na presença
de", "em companhia de", "em casa de", "à vista de", "segundo", "conforme",
"em relação a", "no tempo de". Experimente-se traduzir o alemão bei, ou o
inglês by. As perífrases verbais do português são, na verdade, uma cons-
trução infernal para o estrangeiro, mas emprestam grande sutileza à ex-
pressão.
Português no Brasil
A língua que se fala no Brasil, ainda que transpareçam traços caracte-
rísticos locais, é em essência, como já se mostrou, a mesma que se pratica
em Portugal, pois que se compendia na mesma gramática.
Foneticamente, assinale-se que no Brasil não se criou fonema novo.
(No espanhol da Argentina, uma expressão como calle mayor se pronuncia
aproximadamente como "káje ma'jor", fazendo-se ouvir o som de j, inexis-
tente em terras de Castela.) Certos fonemas conhecidos no tupi-guarani
não conseguiram subsistir nos vocábulos brasileiros dessa fonte. Mas é
certo que portugueses e brasileiros, conquanto não pratiquem sistemas
fonéticos diversos, têm hábitos por vezes diferentes.
Quanto à lexiologia, deve-se notar que não se gerou no Brasil nenhum
denotativo: determinativos, pronomes, preposições, conjunções etc. são os
mesmos nos dois países. O vocabulário ideativo, no entanto, enseja gran-
des reparos, ou porque as palavras correspondam a ideias não-correntes
em Portugal, ou porque se tenha dado sentido novo a certas palavras, ou
porque se introduziram outras sem necessidade. Nas últimas linhas de Os
Maias, onde Eça de Queirós diz: "Então, para apanhar o americano, os
dois amigos romperam a correr desesperadamente pela rampa de Santos",
é possível que um escritor brasileiro escrevesse: "Então, para pegar o
bonde, os dois amigos começaram a correr desesperadamente pela ladeira
de Santos."
Muitas das invenções carreiam nomenclatura nova, quase nunca coin-
cidente, de um e de outro lado do Atlântico. Dizem os portugueses: cami-
nho-de-ferro, combóio, chulipa. E os brasileiros: estrada de ferro, trem,
dormente. "Carril" tem as preferências lusitanas; os brasileiros dizem
"trilho". De qualquer maneira, o vocabulário ideativo é contingente e pode
renovar-se completamente sem que a língua se abale.
Quanto à morfologia, nenhuma observação a fazer. Usam-se no Brasil,
absolutamente, as mesmas desinências, e nada se permite de especial. Os
prefixos e sufixos são fundamentalmente os mesmos.
Na sintaxe, o ponto nevrálgico é a questão da colocação dos prono-
mes pessoais átonos. É que, embora átonas, tais partículas são muito mais
ponderáveis no Brasil do que em Portugal. Assim sendo, os brasileiros as
colocam onde lhes parecem que soam melhor. Em Portugal, sendo por
demais tênues, elas correriam o risco de não ser percebidas se não se
sujeitassem a posições rígidas, onde o ouvido já as espere. Alencar escre-
veu em Iracema: "A rola, que marisca na areia, se afasta-se o companhei-
ro, adeja inquieta de ramo em ramo", para evitar o ciciar de um "se se
afasta" (çi çi afáxta) ou para não bisar numa sílaba que lhe oferecia um
"sibilo desagradável".
Ora, tal não acontece aos portugueses, que ali proferem um monossí-
labo (çiç afáxta). Sem se dar inteiramente consciência do fato, os brasilei-
ros desenvolveram hábitos de sínclise pronominal que nunca foram defini-
tivamente estabelecidos em Portugal e que estão sujeitos à moda e a
gostos particulares. Os demais preceitos sintáticos acatam-se nos dois
principais países de língua portuguesa.
Dialetologia portuguesa
Em 1901, José Leite de Vasconcelos doutorou-se na Universidade de
Paris com uma tese retumbante intitulada Esquisse d'une dialectologie
portugaise (Esboço de dialetologia portuguesa) e apontou no território da
metrópole diversos dialetos: o interamnense e o transmontano, ao norte; o
beirão e o estremenho, ao centro; o alentejano e o algarvio, ao sul. Mas
não se podem aceitar a existência desses dialetos, como os italianos ou os
alemães, pois em quase nada se distinguem. Constitui um esforço de
eruditismo o poder diferençá-los, tal a extraordinária unidade de expressão
característica do mundo português.
O mesmo autor reconhece a existência de dialetos insulares, nos Aço-
res e na Madeira, e aponta vários dialetos de ultramar, entre os quais o
"brasileiro". Decide-o a priori, dizendo: "Se eu chamo dialeto, por exemplo,
o português de Trás-os-Montes, com mais forte razão devo dar esse nome
ao português do Brasil, ou 'brasileiro'..." Mas acontece que, se o Brasil for
tratado com o mesmo interesse que ele demonstrou com respeito a Portu-
gal, verifica-se que não há dialeto que se possa intitular "brasileiro": haverá
muitos dialetos brasileiros, tão insignificantes no fundo quanto os de Portu-
gal. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

Os concursos apresentam questões interpretativas que têm por finali-
dade a identificação de um leitor autônomo. Portanto, o candidato deve
compreender os níveis estruturais da língua por meio da lógica, além de
necessitar de um bom léxico internalizado.

As frases produzem significados diferentes de acordo com o contexto
em que estão inseridas. Torna-se, assim, necessário sempre fazer um
confronto entre todas as partes que compõem o texto.

Além disso, é fundamental apreender as informações apresentadas
por trás do texto e as inferências a que ele remete. Este procedimento
justifica-se por um texto ser sempre produto de uma postura ideológica do
autor diante de uma temática qualquer.

Denotação e Conotação
Sabe-se que não há associação necessária entre significante (expres-
são gráfica, palavra) e significado, por esta ligação representar uma con-
venção. É baseado neste conceito de signo linguístico (significante +
significado) que se constroem as noções de denotação e conotação.

O sentido denotativo das palavras é aquele encontrado nos dicioná-
rios, o chamado sentido verdadeiro, real. Já o uso conotativo das palavras
é a atribuição de um sentido figurado, fantasioso e que, para sua compre-
ensão, depende do contexto. Sendo assim, estabelece-se, numa determi-
nada construção frasal, uma nova relação entre significante e significado.

Os textos literários exploram bastante as construções de base conota-
tiva, numa tentativa de extrapolar o espaço do texto e provocar reações
diferenciadas em seus leitores.

Ainda com base no signo linguístico, encontra-se o conceito de polis-
semia (que tem muitas significações). Algumas palavras, dependendo do
contexto, assumem múltiplos significados, como, por exemplo, a palavra
ponto: ponto de ônibus, ponto de vista, ponto final, ponto de cruz ... Neste
caso, não se está atribuindo um sentido fantasioso à palavra ponto, e sim

Linguagens e Códigos
4
ampliando sua significação através de expressões que lhe completem e
esclareçam o sentido.

Como Ler e Entender Bem um Texto
Basicamente, deve-se alcançar a dois níveis de leitura: a informativa e
de reconhecimento e a interpretativa. A primeira deve ser feita de maneira
cautelosa por ser o primeiro contato com o novo texto. Desta leitura, extra-
em-se informações sobre o conteúdo abordado e prepara-se o próximo
nível de leitura. Durante a interpretação propriamente dita, cabe destacar
palavras-chave, passagens importantes, bem como usar uma palavra para
resumir a ideia central de cada parágrafo. Este tipo de procedimento aguça
a memória visual, favorecendo o entendimento.

Não se pode desconsiderar que, embora a interpretação seja subjeti-
va, há limites. A preocupação deve ser a captação da essência do texto, a
fim de responder às interpretações que a banca considerou como pertinen-
tes.

No caso de textos literários, é preciso conhecer a ligação daquele texto
com outras formas de cultura, outros textos e manifestações de arte da
época em que o autor viveu. Se não houver esta visão global dos momen-
tos literários e dos escritores, a interpretação pode ficar comprometida.
Aqui não se podem dispensar as dicas que aparecem na referência biblio-
gráfica da fonte e na identificação do autor.

A última fase da interpretação concentra-se nas perguntas e opções
de resposta. Aqui são fundamentais marcações de palavras como não,
exceto, errada, respectivamente etc. que fazem diferença na escolha
adequada. Muitas vezes, em interpretação, trabalha-se com o conceito do
"mais adequado", isto é, o que responde melhor ao questionamento pro-
posto. Por isso, uma resposta pode estar certa para responder à pergunta,
mas não ser a adotada como gabarito pela banca examinadora por haver
uma outra alternativa mais completa.

Ainda cabe ressaltar que algumas questões apresentam um fragmento
do texto transcrito para ser a base de análise. Nunca deixe de retornar ao
texto, mesmo que aparentemente pareça ser perda de tempo. A descon-
textualização de palavras ou frases, certas vezes, são também um recurso
para instaurar a dúvida no candidato. Leia a frase anterior e a posterior
para ter ideia do sentido global proposto pelo autor, desta maneira a res-
posta será mais consciente e segura.
Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa interpretação de
texto. Para isso, devemos observar o seguinte:
01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto;
02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, vá
até o fim, ininterruptamente;
03. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo monos
umas três vezes ou mais;
04. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
05. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
06. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor;
07. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor com-
preensão;
08. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto cor-
respondente;
09. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão;
10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ...), não, correta,
incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e outras; palavras que
aparecem nas perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o que se
perguntou e o que se pediu;
11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a mais
exata ou a mais completa;
12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento de
lógica objetiva;
13. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais;
14. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta,
mas a opção que melhor se enquadre no sentido do texto;
15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia a
resposta;
16. Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo autor,
definindo o tema e a mensagem;
17. O autor defende ideias e você deve percebê-las;
18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são importan-
tíssimos na interpretação do texto.
Ex.: Ele morreu de fome.
de fome: adjunto adverbial de causa, determina a causa na realização
do fato (= morte de "ele").
Ex.: Ele morreu faminto.
faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que "ele" se encontrava
quando morreu.;
19. As orações coordenadas não têm oração principal, apenas as idei-
as estão coordenadas entre si;
20. Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior clareza
de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o significado. Eraldo
Cunegundes

ELEMENTOS CONSTITUTIVOS
TEXTO NARRATIVO
 As personagens: São as pessoas, ou seres, viventes ou não, for-
ças naturais ou fatores ambientais, que desempenham papel no desenrolar
dos fatos.

Toda narrativa tem um protagonista que é a figura central, o herói ou
heroína, personagem principal da história.

O personagem, pessoa ou objeto, que se opõe aos designos do prota-
gonista, chama-se antagonista, e é com ele que a personagem principal
contracena em primeiro plano.

As personagens secundárias, que são chamadas também de compar-
sas, são os figurantes de influencia menor, indireta, não decisiva na narra-
ção.

O narrador que está a contar a história também é uma personagem,
pode ser o protagonista ou uma das outras personagens de menor impor-
tância, ou ainda uma pessoa estranha à história.

Podemos ainda, dizer que existem dois tipos fundamentais de perso-
nagem: as planas: que são definidas por um traço característico, elas não
alteram seu comportamento durante o desenrolar dos acontecimentos e
tendem à caricatura; as redondas: são mais complexas tendo uma dimen-
são psicológica, muitas vezes, o leitor fica surpreso com as suas reações
perante os acontecimentos.

 Sequência dos fatos (enredo): Enredo é a sequência dos fatos, a
trama dos acontecimentos e das ações dos personagens. No enredo
podemos distinguir, com maior ou menor nitidez, três ou quatro estágios
progressivos: a exposição (nem sempre ocorre), a complicação, o climax, o
desenlace ou desfecho.

Na exposição o narrador situa a história quanto à época, o ambiente,
as personagens e certas circunstâncias. Nem sempre esse estágio ocorre,
na maioria das vezes, principalmente nos textos literários mais recentes, a
história começa a ser narrada no meio dos acontecimentos (“in média”), ou
seja, no estágio da complicação quando ocorre e conflito, choque de
interesses entre as personagens.

O clímax é o ápice da história, quando ocorre o estágio de maior ten-
são do conflito entre as personagens centrais, desencadeando o desfecho,
ou seja, a conclusão da história com a resolução dos conflitos.
 Os fatos: São os acontecimentos de que as personagens partici-
pam. Da natureza dos acontecimentos apresentados decorre o
gênero do texto. Por exemplo o relato de um acontecimento cotidi-
ano constitui uma crônica, o relato de um drama social é um ro-
mance social, e assim por diante. Em toda narrativa há um fato
central, que estabelece o caráter do texto, e há os fatos secundá-
rios, relacionados ao principal.
 Espaço: Os acontecimentos narrados acontecem em diversos lu-
gares, ou mesmo em um só lugar. O texto narrativo precisa conter
informações sobre o espaço, onde os fatos acontecem. Muitas ve-
zes, principalmente nos textos literários, essas informações são

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extensas, fazendo aparecer textos descritivos no interior dos tex-
tos narrativo.
 Tempo: Os fatos que compõem a narrativa desenvolvem-se num
determinado tempo, que consiste na identificação do momento,
dia, mês, ano ou época em que ocorre o fato. A temporalidade sa-
lienta as relações passado/presente/futuro do texto, essas rela-
ções podem ser linear, isto é, seguindo a ordem cronológica dos
fatos, ou sofre inversões, quando o narrador nos diz que antes de
um fato que aconteceu depois.

O tempo pode ser cronológico ou psicológico. O cronológico é o tempo
material em que se desenrola à ação, isto é, aquele que é medido pela
natureza ou pelo relógio. O psicológico não é mensurável pelos padrões
fixos, porque é aquele que ocorre no interior da personagem, depende da
sua percepção da realidade, da duração de um dado acontecimento no seu
espírito.

 Narrador: observador e personagem: O narrador, como já disse-
mos, é a personagem que está a contar a história. A posição em
que se coloca o narrador para contar a história constitui o foco, o
aspecto ou o ponto de vista da narrativa, e ele pode ser caracteri-
zado por :
- visão “por detrás” : o narrador conhece tudo o que diz respeito às
personagens e à história, tendo uma visão panorâmica dos acon-
tecimentos e a narração é feita em 3
a
pessoa.
- visão “com”: o narrador é personagem e ocupa o centro da narrati-
va que é feito em 1
a
pessoa.
- visão “de fora”: o narrador descreve e narra apenas o que vê, a-
quilo que é observável exteriormente no comportamento da perso-
nagem, sem ter acesso a sua interioridade, neste caso o narrador
é um observador e a narrativa é feita em 3
a
pessoa.
 Foco narrativo: Todo texto narrativo necessariamente tem de a-
presentar um foco narrativo, isto é, o ponto de vista através do
qual a história está sendo contada. Como já vimos, a narração é
feita em 1
a
pessoa ou 3
a
pessoa.

Formas de apresentação da fala das personagens
Como já sabemos, nas histórias, as personagens agem e falam. Há
três maneiras de comunicar as falas das personagens.

 Discurso Direto: É a representação da fala das personagens atra-
vés do diálogo.
Exemplo:
“Zé Lins continuou: carnaval é festa do povo. O povo é dono da verda-
de. Vem a polícia e começa a falar em ordem pública. No carnaval a cida-
de é do povo e de ninguém mais”.

No discurso direto é frequente o uso dos verbo de locução ou descen-
di: dizer, falar, acrescentar, responder, perguntar, mandar, replicar e etc.; e
de travessões. Porém, quando as falas das personagens são curtas ou
rápidas os verbos de locução podem ser omitidos.

 Discurso Indireto: Consiste em o narrador transmitir, com suas
próprias palavras, o pensamento ou a fala das personagens. E-
xemplo:
“Zé Lins levantou um brinde: lembrou os dias triste e passados, os
meus primeiros passos em liberdade, a fraternidade que nos reu-
nia naquele momento, a minha literatura e os menos sombrios por
vir”.

 Discurso Indireto Livre: Ocorre quando a fala da personagem se
mistura à fala do narrador, ou seja, ao fluxo normal da narração.
Exemplo:
“Os trabalhadores passavam para os partidos, conversando alto.
Quando me viram, sem chapéu, de pijama, por aqueles lugares,
deram-me bons-dias desconfiados. Talvez pensassem que esti-
vesse doido. Como poderia andar um homem àquela hora , sem
fazer nada de cabeça no tempo, um branco de pés no chão como
eles? Só sendo doido mesmo”.
(José Lins do Rego)

TEXTO DESCRITIVO
Descrever é fazer uma representação verbal dos aspectos mais carac-
terísticos de um objeto, de uma pessoa, paisagem, ser e etc.

As perspectivas que o observador tem do objeto são muito importan-
tes, tanto na descrição literária quanto na descrição técnica. É esta atitude
que vai determinar a ordem na enumeração dos traços característicos para
que o leitor possa combinar suas impressões isoladas formando uma
imagem unificada.

Uma boa descrição vai apresentando o objeto progressivamente, vari-
ando as partes focalizadas e associando-as ou interligando-as pouco a
pouco.

Podemos encontrar distinções entre uma descrição literária e outra
técnica. Passaremos a falar um pouco sobre cada uma delas:
 Descrição Literária: A finalidade maior da descrição literária é
transmitir a impressão que a coisa vista desperta em nossa mente
através do sentidos. Daí decorrem dois tipos de descrição: a sub-
jetiva, que reflete o estado de espírito do observador, suas prefe-
rências, assim ele descreve o que quer e o que pensa ver e não o
que vê realmente; já a objetiva traduz a realidade do mundo obje-
tivo, fenomênico, ela é exata e dimensional.
 Descrição de Personagem: É utilizada para caracterização das
personagens, pela acumulação de traços físicos e psicológicos,
pela enumeração de seus hábitos, gestos, aptidões e tempera-
mento, com a finalidade de situar personagens no contexto cultu-
ral, social e econômico .
 Descrição de Paisagem: Neste tipo de descrição, geralmente o
observador abrange de uma só vez a globalidade do panorama,
para depois aos poucos, em ordem de proximidade, abranger as
partes mais típicas desse todo.
 Descrição do Ambiente: Ela dá os detalhes dos interiores, dos
ambientes em que ocorrem as ações, tentando dar ao leitor uma
visualização das suas particularidades, de seus traços distintivos e
típicos.
 Descrição da Cena: Trata-se de uma descrição movimentada, que
se desenvolve progressivamente no tempo. É a descrição de um
incêndio, de uma briga, de um naufrágio.
 Descrição Técnica: Ela apresenta muitas das características ge-
rais da literatura, com a distinção de que nela se utiliza um voca-
bulário mais preciso, salientando-se com exatidão os pormenores.
É predominantemente denotativa tendo como objetivo esclarecer
convencendo. Pode aplicar-se a objetos, a aparelhos ou meca-
nismos, a fenômenos, a fatos, a lugares, a eventos e etc.

TEXTO DISSERTATIVO
Dissertar significa discutir, expor, interpretar ideias. A dissertação
consta de uma série de juízos a respeito de um determinado assunto ou
questão, e pressupõe um exame critico do assunto sobre o qual se vai
escrever com clareza, coerência e objetividade.

A dissertação pode ser argumentativa - na qual o autor tenta persuadir
o leitor a respeito dos seus pontos de vista ou simplesmente, ter como
finalidade dar a conhecer ou explicar certo modo de ver qualquer questão.

A linguagem usada é a referencial, centrada na mensagem, enfatizan-
do o contexto.

Quanto à forma, ela pode ser tripartida em :
 Introdução: Em poucas linhas coloca ao leitor os dados fundamen-
tais do assunto que está tratando. É a enunciação direta e objetiva
da definição do ponto de vista do autor.
 Desenvolvimento: Constitui o corpo do texto, onde as ideias colo-
cadas na introdução serão definidas com os dados mais relevan-
tes. Todo desenvolvimento deve estruturar-se em blocos de ideias
articuladas entre si, de forma que a sucessão deles resulte num
conjunto coerente e unitário que se encaixa na introdução e de-
sencadeia a conclusão.
 Conclusão: É o fenômeno do texto, marcado pela síntese da ideia
central. Na conclusão o autor reforça sua opinião, retomando a in-
trodução e os fatos resumidos do desenvolvimento do texto. Para

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6
haver maior entendimento dos procedimentos que podem ocorrer
em um dissertação, cabe fazermos a distinção entre fatos, hipóte-
se e opinião.
- Fato: É o acontecimento ou coisa cuja veracidade e reconhecida;
é a obra ou ação que realmente se praticou.
- Hipótese: É a suposição feita acerca de uma coisa possível ou
não, e de que se tiram diversas conclusões; é uma afirmação so-
bre o desconhecido, feita com base no que já é conhecido.
- Opinião: Opinar é julgar ou inserir expressões de aprovação ou
desaprovação pessoal diante de acontecimentos, pessoas e obje-
tos descritos, é um parecer particular, um sentimento que se tem a
respeito de algo.

O TEXTO ARGUMENTATIVO
Baseado em Adilson Citelli

A linguagem é capaz de criar e representar realidades, sendo caracte-
rizada pela identificação de um elemento de constituição de sentidos. Os
discursos verbais podem ser formados de várias maneiras, para dissertar
ou argumentar, descrever ou narrar, colocamos em práticas um conjunto
de referências codificadas há muito tempo e dadas como estruturadoras do
tipo de texto solicitado.

Para se persuadir por meio de muitos recursos da língua é necessário
que um texto possua um caráter argumentativo/descritivo. A construção de
um ponto de vista de alguma pessoa sobre algo, varia de acordo com a
sua análise e esta dar-se-á a partir do momento em que a compreensão do
conteúdo, ou daquilo que fora tratado seja concretado. A formação discur-
siva é responsável pelo emassamento do conteúdo que se deseja transmi-
tir, ou persuadir, e nele teremos a formação do ponto de vista do sujeito,
suas análises das coisas e suas opiniões. Nelas, as opiniões o que faze-
mos é soltar concepções que tendem a ser orientadas no meio em que o
indivíduo viva. Vemos que o sujeito lança suas opiniões com o simples e
decisivo intuito de persuadir e fazer suas explanações renderem o conven-
cimento do ponto de vista de algo/alguém.

Na escrita, o que fazemos é buscar intenções de sermos entendidos e
desejamos estabelecer um contato verbal com os ouvintes e leitores, e
todas as frases ou palavras articuladas produzem significações dotadas de
intencionalidade, criando assim unidades textuais ou discursivas. Dentro
deste contexto da escrita, temos que levar em conta que a coerência é de
relevada importância para a produção textual, pois nela se dará uma
sequência das ideias e da progressão de argumentos a serem explanadas.
Sendo a argumentação o procedimento que tornará a tese aceitável, a
apresentação de argumentos atingirá os seus interlocutores em seus
objetivos; isto se dará através do convencimento da persuasão. Os meca-
nismos da coesão e da coerência serão então responsáveis pela unidade
da formação textual.

Dentro dos mecanismos coesivos, podem realizar-se em contextos
verbais mais amplos, como por jogos de elipses, por força semântica, por
recorrências lexicais, por estratégias de substituição de enunciados.

Um mecanismo mais fácil de fazer a comunicação entre as pessoas é
a linguagem, quando ela é em forma da escrita e após a leitura, (o que
ocorre agora), podemos dizer que há de ter alguém que transmita algo, e
outro que o receba. Nesta brincadeira é que entra a formação de argumen-
tos com o intuito de persuadir para se qualificar a comunicação; nisto,
estes argumentos explanados serão o germe de futuras tentativas da
comunicação ser objetiva e dotada de intencionalidade, (ver Linguagem e
Persuasão).

Sabe-se que a leitura e escrita, ou seja, ler e escrever; não tem em
sua unidade a mono característica da dominação do idioma/língua, e sim o
propósito de executar a interação do meio e cultura de cada indivíduo. As
relações intertextuais são de grande valia para fazer de um texto uma
alusão à outros textos, isto proporciona que a imersão que os argumentos
dão tornem esta produção altamente evocativa.

A paráfrase é também outro recurso bastante utilizado para trazer a
um texto um aspecto dinâmico e com intento. Juntamente com a paródia, a
paráfrase utiliza-se de textos já escritos, por alguém, e que tornam-se algo
espetacularmente incrível. A diferença é que muitas vezes a paráfrase não
possui a necessidade de persuadir as pessoas com a repetição de argu-
mentos, e sim de esquematizar novas formas de textos, sendo estes
diferentes. A criação de um texto requer bem mais do que simplesmente a
junção de palavras a uma frase, requer algo mais que isto. É necessário ter
na escolha das palavras e do vocabulário o cuidado de se requisitá-las,
bem como para se adotá-las. Um texto não é totalmente auto-explicativo,
daí vem a necessidade de que o leitor tenha um emassado em seu históri-
co uma relação interdiscursiva e intertextual.

As metáforas, metomínias, onomatopeias ou figuras de linguagem, en-
tram em ação inseridos num texto como um conjunto de estratégias capa-
zes de contribuir para os efeitos persuasivos dele. A ironia também é muito
utilizada para causar este efeito, umas de suas características salientes, é
que a ironia dá ênfase à gozação, além de desvalorizar ideias, valores da
oposição, tudo isto em forma de piada.

Uma das últimas, porém não menos importantes, formas de persuadir
através de argumentos, é a Alusão ("Ler não é apenas reconhecer o dito,
mais também o não-dito"). Nela, o escritor trabalha com valores, ideias ou
conceitos pré estabelecidos, sem porém com objetivos de forma clara e
concisa. O que acontece é a formação de um ambiente poético e sugerível,
capaz de evocar nos leitores algo, digamos, uma sensação...

Texto Base: CITELLI, Adilson; “O Texto Argumentativo” São Paulo SP,
Editora ..Scipione, 1994 - 6ª edição.

GÊNEROS TEXTUAIS

Gêneros textuais são tipos específicos de textos de qualquer natureza,
literários ou não. Modalidades discursivas constituem as estruturas e as
funções sociais (narrativas, dissertativas, argumentativas, procedimentais e
exortativas), utilizadas como formas de organizar a linguagem. Dessa
forma, podem ser considerados exemplos de gêneros textuais: anúncios,
convites, atas, avisos, programas de auditórios, bulas, cartas, comédias,
contos de fadas, convênios, crônicas, editoriais, ementas, ensaios, entre-
vistas, circulares, contratos, decretos, discursos políticos

A diferença entre Gênero Textual e Tipologia Textual é, no meu enten-
der, importante para direcionar o trabalho do professor de língua na leitura,
compreensão e produção de textos
1
. O que pretendemos neste pequeno
ensaio é apresentar algumas considerações sobre Gênero Textual e Tipo-
logia Textual, usando, para isso, as considerações feitas por Marcuschi
(2002) e Travaglia (2002), que faz apontamentos questionáveis para o
termo Tipologia Textual. No final, apresento minhas considerações a
respeito de minha escolha pelo gênero ou pela tipologia.

Convém afirmar que acredito que o trabalho com a leitura, compreen-
são e a produção escrita em Língua Materna deve ter como meta primordi-
al o desenvolvimento no aluno de habilidades que façam com que ele
tenha capacidade de usar um número sempre maior de recursos da língua
para produzir efeitos de sentido de forma adequada a cada situação espe-
cífica de interação humana.

Luiz Antônio Marcuschi (UFPE) defende o trabalho com textos na es-
cola a partir da abordagem do Gênero Textual Marcuschi não demonstra
favorabilidade ao trabalho com a Tipologia Textual, uma vez que, para ele,
o trabalho fica limitado, trazendo para o ensino alguns problemas, uma vez
que não é possível, por exemplo, ensinar narrativa em geral, porque,
embora possamos classificar vários textos como sendo narrativos, eles se
concretizam em formas diferentes – gêneros – que possuem diferenças
específicas.

Por outro lado, autores como Luiz Carlos Travaglia (UFUberlândia/MG)
defendem o trabalho com a Tipologia Textual. Para o autor, sendo os
textos de diferentes tipos, eles se instauram devido à existência de diferen-
tes modos de interação ou interlocução. O trabalho com o texto e com os
diferentes tipos de texto é fundamental para o desenvolvimento da compe-
tência comunicativa. De acordo com as ideias do autor, cada tipo de texto é
apropriado para um tipo de interação específica. Deixar o aluno restrito a
apenas alguns tipos de texto é fazer com que ele só tenha recursos para
atuar comunicativamente em alguns casos, tornando-se incapaz, ou pouco

Linguagens e Códigos
7
capaz, em outros. Certamente, o professor teria que fazer uma espécie de
levantamento de quais tipos seriam mais necessários para os alunos, para,
a partir daí, iniciar o trabalho com esses tipos mais necessários.

Marcuschi afirma que os livros didáticos trazem, de maneira equivoca-
da, o termo tipo de texto. Na verdade, para ele, não se trata de tipo de
texto, mas de gênero de texto. O autor diz que não é correto afirmar que a
carta pessoal, por exemplo, é um tipo de texto como fazem os livros. Ele
atesta que a carta pessoal é um Gênero Textual.

O autor diz que em todos os gêneros os tipos se realizam, ocorrendo,
muitas das vezes, o mesmo gênero sendo realizado em dois ou mais tipos.
Ele apresenta uma carta pessoal
3
como exemplo, e comenta que ela pode
apresentar as tipologias descrição, injunção, exposição, narração e argu-
mentação. Ele chama essa miscelânea de tipos presentes em um gênero
de heterogeneidade tipológica.

Travaglia (2002) fala em conjugação tipológica. Para ele, dificilmente
são encontrados tipos puros. Realmente é raro um tipo puro. Num texto
como a bula de remédio, por exemplo, que para Fávero & Koch (1987) é
um texto injuntivo, tem-se a presença de várias tipologias, como a descri-
ção, a injunção e a predição
4
. Travaglia afirma que um texto se define
como de um tipo por uma questão de dominância, em função do tipo de
interlocução que se pretende estabelecer e que se estabelece, e não em
função do espaço ocupado por um tipo na constituição desse texto.

Quando acontece o fenômeno de um texto ter aspecto de um gênero
mas ter sido construído em outro, Marcuschi dá o nome de intertextualida-
de intergêneros. Ele explica dizendo que isso acontece porque ocorreu no
texto a configuração de uma estrutura intergêneros de natureza altamente
híbrida, sendo que um gênero assume a função de outro.

Travaglia não fala de intertextualidade intergêneros, mas fala de um in-
tercâmbio de tipos. Explicando, ele afirma que um tipo pode ser usado no
lugar de outro tipo, criando determinados efeitos de sentido impossíveis, na
opinião do autor, com outro dado tipo. Para exemplificar, ele fala de descri-
ções e comentários dissertativos feitos por meio da narração.

Resumindo esse ponto, Marcuschi traz a seguinte configuração teóri-
ca:
intertextualidade intergêneros = um gênero com a função de outro
heterogeneidade tipológica = um gênero com a presença de vários ti-
pos
Travaglia mostra o seguinte:
conjugação tipológica = um texto apresenta vários tipos
intercâmbio de tipos = um tipo usado no lugar de outro

Aspecto interessante a se observar é que Marcuschi afirma que os gê-
neros não são entidades naturais, mas artefatos culturais construídos
historicamente pelo ser humano. Um gênero, para ele, pode não ter uma
determinada propriedade e ainda continuar sendo aquele gênero. Para
exemplificar, o autor fala, mais uma vez, da carta pessoal. Mesmo que o
autor da carta não tenha assinado o nome no final, ela continuará sendo
carta, graças as suas propriedades necessárias e suficientes
5
.Ele diz,
ainda, que uma publicidade pode ter o formato de um poema ou de uma
lista de produtos em oferta. O que importa é que esteja fazendo divulgação
de produtos, estimulando a compra por parte de clientes ou usuários
daquele produto.

Para Marcuschi, Tipologia Textual é um termo que deve ser usado pa-
ra designar uma espécie de sequência teoricamente definida pela natureza
linguística de sua composição. Em geral, os tipos textuais abrangem as
categorias narração, argumentação, exposição, descrição e injunção
(Swales, 1990; Adam, 1990; Bronckart, 1999). Segundo ele, o termo Tipo-
logia Textual é usado para designar uma espécie de sequência teorica-
mente definida pela natureza linguística de sua composição (aspectos
lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas) (p. 22).

Gênero Textual é definido pelo autor como uma noção vaga para os
textos materializados encontrados no dia-a-dia e que apresentam caracte-
rísticas sócio-comunicativas definidas pelos conteúdos, propriedades
funcionais, estilo e composição característica.

Travaglia define Tipologia Textual como aquilo que pode instaurar um
modo de interação, uma maneira de interlocução, segundo perspectivas
que podem variar. Essas perspectivas podem, segundo o autor, estar
ligadas ao produtor do texto em relação ao objeto do dizer quanto ao
fazer/acontecer, ou conhecer/saber, e quanto à inserção destes no tempo
e/ou no espaço. Pode ser possível a perspectiva do produtor do texto dada
pela imagem que o mesmo faz do receptor como alguém que concorda ou
não com o que ele diz. Surge, assim, o discurso da transformação, quando
o produtor vê o receptor como alguém que não concorda com ele. Se o
produtor vir o receptor como alguém que concorda com ele, surge o discur-
so da cumplicidade. Tem-se ainda, na opinião de Travaglia, uma perspecti-
va em que o produtor do texto faz uma antecipação no dizer. Da mesma
forma, é possível encontrar a perspectiva dada pela atitude comunicativa
de comprometimento ou não. Resumindo, cada uma das perspectivas
apresentadas pelo autor gerará um tipo de texto. Assim, a primeira pers-
pectiva faz surgir os tipos descrição, dissertação, injunção e narração. A
segunda perspectiva faz com que surja o tipo argumentativo stricto sensu
6

e não argumentativo stricto sensu. A perspectiva da antecipação faz surgir
o tipo preditivo. A do comprometimento dá origem a textos do mundo
comentado (comprometimento) e do mundo narrado (não comprometimen-
to) (Weirinch, 1968). Os textos do mundo narrado seriam enquadrados, de
maneira geral, no tipo narração. Já os do mundo comentado ficariam no
tipo dissertação.

Travaglia diz que o Gênero Textual se caracteriza por exercer uma
função social específica. Para ele, estas funções sociais são pressentidas
e vivenciadas pelos usuários. Isso equivale dizer que, intuitivamente,
sabemos que gênero usar em momentos específicos de interação, de
acordo com a função social dele. Quando vamos escrever um e-mail,
sabemos que ele pode apresentar características que farão com que ele
“funcione” de maneira diferente. Assim, escrever um e-mail para um amigo
não é o mesmo que escrever um e-mail para uma universidade, pedindo
informações sobre um concurso público, por exemplo.

Observamos que Travaglia dá ao gênero uma função social. Parece
que ele diferencia Tipologia Textual de Gênero Textual a partir dessa
“qualidade” que o gênero possui. Mas todo texto, independente de seu
gênero ou tipo, não exerce uma função social qualquer?

Marcuschi apresenta alguns exemplos de gêneros, mas não ressalta
sua função social. Os exemplos que ele traz são telefonema, sermão,
romance, bilhete, aula expositiva, reunião de condomínio, etc.

Já Travaglia, não só traz alguns exemplos de gêneros como mostra o
que, na sua opinião, seria a função social básica comum a cada um: aviso,
comunicado, edital, informação, informe, citação (todos com a função
social de dar conhecimento de algo a alguém). Certamente a carta e o e-
mail entrariam nessa lista, levando em consideração que o aviso pode ser
dado sob a forma de uma carta, e-mail ou ofício. Ele continua exemplifi-
cando apresentando a petição, o memorial, o requerimento, o abaixo
assinado (com a função social de pedir, solicitar). Continuo colocando a
carta, o e-mail e o ofício aqui. Nota promissória, termo de compromisso e
voto são exemplos com a função de prometer. Para mim o voto não teria
essa função de prometer. Mas a função de confirmar a promessa de dar o
voto a alguém. Quando alguém vota, não promete nada, confirma a pro-
messa de votar que pode ter sido feita a um candidato.

Ele apresenta outros exemplos, mas por questão de espaço não colo-
carei todos. É bom notar que os exemplos dados por ele, mesmo os que
não foram mostrados aqui, apresentam função social formal, rígida. Ele
não apresenta exemplos de gêneros que tenham uma função social menos
rígida, como o bilhete.

Uma discussão vista em Travaglia e não encontrada em Marcuschi
7
é
a de Espécie. Para ele, Espécie se define e se caracteriza por aspectos
formais de estrutura e de superfície linguística e/ou aspectos de conteúdo.
Ele exemplifica Espécie dizendo que existem duas pertencentes ao tipo
narrativo: a história e a não-história. Ainda do tipo narrativo, ele apresenta
as Espécies narrativa em prosa e narrativa em verso. No tipo descritivo ele
mostra as Espécies distintas objetiva x subjetiva, estática x dinâmica e
comentadora x narradora. Mudando para gênero, ele apresenta a corres-

Linguagens e Códigos
8
pondência com as Espécies carta, telegrama, bilhete, ofício, etc. No gênero
romance, ele mostra as Espécies romance histórico, regionalista, fantásti-
co, de ficção científica, policial, erótico, etc. Não sei até que ponto a Espé-
cie daria conta de todos os Gêneros Textuais existentes. Será que é possí-
vel especificar todas elas? Talvez seja difícil até mesmo porque não é fácil
dizer quantos e quais são os gêneros textuais existentes.

Se em Travaglia nota-se uma discussão teórica não percebida em
Marcuschi, o oposto também acontece. Este autor discute o conceito de
Domínio Discursivo. Ele diz que os domínios discursivos são as grandes
esferas da atividade humana em que os textos circulam (p. 24). Segundo
informa, esses domínios não seriam nem textos nem discursos, mas dari-
am origem a discursos muito específicos. Constituiriam práticas discursivas
dentro das quais seria possível a identificação de um conjunto de gêneros
que às vezes lhes são próprios como práticas ou rotinas comunicativas
institucionalizadas. Como exemplo, ele fala do discurso jornalístico, discur-
so jurídico e discurso religioso. Cada uma dessas atividades, jornalística,
jurídica e religiosa, não abrange gêneros em particular, mas origina vários
deles.

Travaglia até fala do discurso jurídico e religioso, mas não como Mar-
cuschi. Ele cita esses discursos quando discute o que é para ele tipologia
de discurso. Assim, ele fala dos discursos citados mostrando que as tipolo-
gias de discurso usarão critérios ligados às condições de produção dos
discursos e às diversas formações discursivas em que podem estar inseri-
dos (Koch & Fávero, 1987, p. 3). Citando Koch & Fávero, o autor fala que
uma tipologia de discurso usaria critérios ligados à referência (institucional
(discurso político, religioso, jurídico), ideológica (discurso petista, de direita,
de esquerda, cristão, etc), a domínios de saber (discurso médico, linguísti-
co, filosófico, etc), à inter-relação entre elementos da exterioridade (discur-
so autoritário, polêmico, lúdico)). Marcuschi não faz alusão a uma tipologia
do discurso.

Semelhante opinião entre os dois autores citados é notada quando fa-
lam que texto e discurso não devem ser encarados como iguais. Marcuschi
considera o texto como uma entidade concreta realizada materialmente e
corporificada em algum Gênero Textual [grifo meu] (p. 24). Discurso para
ele é aquilo que um texto produz ao se manifestar em alguma instância
discursiva. O discurso se realiza nos textos (p. 24). Travaglia considera o
discurso como a própria atividade comunicativa, a própria atividade produ-
tora de sentidos para a interação comunicativa, regulada por uma exteriori-
dade sócio-histórica-ideológica (p. 03). Texto é o resultado dessa atividade
comunicativa. O texto, para ele, é visto como
uma unidade linguística concreta que é tomada pelos usuários da lín-
gua em uma situação de interação comunicativa específica, como uma
unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reco-
nhecível e reconhecida, independentemente de sua extensão (p. 03).

Travaglia afirma que distingue texto de discurso levando em conta que
sua preocupação é com a tipologia de textos, e não de discursos. Marcus-
chi afirma que a definição que traz de texto e discurso é muito mais opera-
cional do que formal.
Travaglia faz uma “tipologização” dos termos Gênero Textual, Tipolo-
gia Textual e Espécie. Ele chama esses elementos de Tipelementos.
Justifica a escolha pelo termo por considerar que os elementos tipológicos
(Gênero Textual, Tipologia Textual e Espécie) são básicos na construção
das tipologias e talvez dos textos, numa espécie de analogia com os ele-
mentos químicos que compõem as substâncias encontradas na natureza.

Para concluir, acredito que vale a pena considerar que as discussões
feitas por Marcuschi, em defesa da abordagem textual a partir dos Gêneros
Textuais, estão diretamente ligadas ao ensino. Ele afirma que o trabalho
com o gênero é uma grande oportunidade de se lidar com a língua em
seus mais diversos usos autênticos no dia-a-dia. Cita o PCN, dizendo que
ele apresenta a ideia básica de que um maior conhecimento do funciona-
mento dos Gêneros Textuais é importante para a produção e para a com-
preensão de textos. Travaglia não faz abordagens específicas ligadas à
questão do ensino no seu tratamento à Tipologia Textual.

O que Travaglia mostra é uma extrema preferência pelo uso da Tipo-
logia Textual, independente de estar ligada ao ensino. Sua abordagem
parece ser mais taxionômica. Ele chega a afirmar que são os tipos que
entram na composição da grande maioria dos textos. Para ele, a questão
dos elementos tipológicos e suas implicações com o ensino/aprendizagem
merece maiores discussões.

Marcuschi diz que não acredita na existência de Gêneros Textuais i-
deais para o ensino de língua. Ele afirma que é possível a identificação de
gêneros com dificuldades progressivas, do nível menos formal ao mais
formal, do mais privado ao mais público e assim por diante. Os gêneros
devem passar por um processo de progressão, conforme sugerem Sch-
neuwly & Dolz (2004).

Travaglia, como afirmei, não faz considerações sobre o trabalho com a
Tipologia Textual e o ensino. Acredito que um trabalho com a tipologia teria
que, no mínimo, levar em conta a questão de com quais tipos de texto
deve-se trabalhar na escola, a quais será dada maior atenção e com quais
será feito um trabalho mais detido. Acho que a escolha pelo tipo, caso seja
considerada a ideia de Travaglia, deve levar em conta uma série de fato-
res, porém dois são mais pertinentes:
a) O trabalho com os tipos deveria preparar o aluno para a composi-
ção de quaisquer outros textos (não sei ao certo se isso é possível.
Pode ser que o trabalho apenas com o tipo narrativo não dê ao a-
luno o preparo ideal para lidar com o tipo dissertativo, e vice-versa.
Um aluno que pára de estudar na 5ª série e não volta mais à escola
teria convivido muito mais com o tipo narrativo, sendo esse o mais
trabalhado nessa série. Será que ele estaria preparado para produ-
zir, quando necessário, outros tipos textuais? Ao lidar somente com
o tipo narrativo, por exemplo, o aluno, de certa forma, não deixa de
trabalhar com os outros tipos?);
b) A utilização prática que o aluno fará de cada tipo em sua vida.

Acho que vale a pena dizer que sou favorável ao trabalho com o Gêne-
ro Textual na escola, embora saiba que todo gênero realiza necessaria-
mente uma ou mais sequências tipológicas e que todos os tipos inserem-se
em algum gênero textual.

Até recentemente, o ensino de produção de textos (ou de redação) era
feito como um procedimento único e global, como se todos os tipos de
texto fossem iguais e não apresentassem determinadas dificuldades e, por
isso, não exigissem aprendizagens específicas. A fórmula de ensino de
redação, ainda hoje muito praticada nas escolas brasileiras – que consiste
fundamentalmente na trilogia narração, descrição e dissertação – tem por
base uma concepção voltada essencialmente para duas finalidades: a
formação de escritores literários (caso o aluno se aprimore nas duas pri-
meiras modalidades textuais) ou a formação de cientistas (caso da terceira
modalidade) (Antunes, 2004). Além disso, essa concepção guarda em si
uma visão equivocada de que narrar e descrever seriam ações mais “fá-
ceis” do que dissertar, ou mais adequadas à faixa etária, razão pela qual
esta última tenha sido reservada às séries terminais - tanto no ensino
fundamental quanto no ensino médio.

O ensino-aprendizagem de leitura, compreensão e produção de texto
pela perspectiva dos gêneros reposiciona o verdadeiro papel do professor
de Língua Materna hoje, não mais visto aqui como um especialista em
textos literários ou científicos, distantes da realidade e da prática textual do
aluno, mas como um especialista nas diferentes modalidades textuais,
orais e escritas, de uso social. Assim, o espaço da sala de aula é transfor-
mado numa verdadeira oficina de textos de ação social, o que é viabilizado
e concretizado pela adoção de algumas estratégias, como enviar uma carta
para um aluno de outra classe, fazer um cartão e ofertar a alguém, enviar
uma carta de solicitação a um secretário da prefeitura, realizar uma entre-
vista, etc. Essas atividades, além de diversificar e concretizar os leitores
das produções (que agora deixam de ser apenas “leitores visuais”), permi-
tem também a participação direta de todos os alunos e eventualmente de
pessoas que fazem parte de suas relações familiares e sociais. A avaliação
dessas produções abandona os critérios quase que exclusivamente literá-
rios ou gramaticais e desloca seu foco para outro ponto: o bom texto não é
aquele que apresenta, ou só apresenta, características literárias, mas
aquele que é adequado à situação comunicacional para a qual foi produzi-
do, ou seja, se a escolha do gênero, se a estrutura, o conteúdo, o estilo e o
nível de língua estão adequados ao interlocutor e podem cumprir a finali-
dade do texto.

Linguagens e Códigos
9

Acredito que abordando os gêneros a escola estaria dando ao aluno a
oportunidade de se apropriar devidamente de diferentes Gêneros Textuais
socialmente utilizados, sabendo movimentar-se no dia-a-dia da interação
humana, percebendo que o exercício da linguagem será o lugar da sua
constituição como sujeito. A atividade com a língua, assim, favoreceria o
exercício da interação humana, da participação social dentro de uma
sociedade letrada.
1 - Penso que quando o professor não opta pelo trabalho com o gêne-
ro ou com o tipo ele acaba não tendo uma maneira muito clara pa-
ra selecionar os textos com os quais trabalhará.
2 - Outra discussão poderia ser feita se se optasse por tratar um pou-
co a diferença entre Gênero Textual e Gênero Discursivo.
3 - Travaglia (2002) diz que uma carta pode ser exclusivamente des-
critiva, ou dissertativa, ou injuntiva, ou narrativa, ou argumentativa.
Acho meio difícil alguém conseguir escrever um texto, caracteriza-
do como carta, apenas com descrições, ou apenas com injunções.
Por outro lado, meio que contrariando o que acabara de afirmar,
ele diz desconhecer um gênero necessariamente descritivo.
4 - Termo usado pelas autoras citadas para os textos que fazem pre-
visão, como o boletim meteorológico e o horóscopo.
5 - Necessárias para a carta, e suficientes para que o texto seja uma
carta.
6 - Segundo Travaglia (1991), texto argumentativo stricto sensu é o
que faz argumentação explícita.
7 - Pelo menos nos textos aos quais tive acesso. Sílvio Ribeiro da Sil-
va

TIPOLOGIA TEXTUAL

A todo o momento nos deparamos com vários textos, sejam eles
verbais e não verbais. Em todos há a presença do discurso, isto é, a ideia
intrínseca, a essência daquilo que está sendo transmitido entre os
interlocutores.
Esses interlocutores são as peças principais em um diálogo ou em um
texto escrito, pois nunca escrevemos para nós mesmos, nem mesmo
falamos sozinhos.
É de fundamental importância sabermos classificar os textos dos quais
travamos convivência no nosso dia a dia. Para isso, precisamos saber que
existem tipos textuais e gêneros textuais.
Comumente relatamos sobre um acontecimento, um fato presenciado
ou ocorrido conosco, expomos nossa opinião sobre determinado assunto,
ou descrevemos algum lugar pelo qual visitamos, e ainda, fazemos um
retrato verbal sobre alguém que acabamos de conhecer ou ver.
É exatamente nestas situações corriqueiras que classificamos os
nossos textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição e
Dissertação.
Para melhor exemplificarmos o que foi dito, tomamos como exemplo
um Editorial, no qual o autor expõe seu ponto de vista sobre determinado
assunto, uma descrição de um ambiente e um texto literário escrito em
prosa.
Em se tratando de gêneros textuais, a situação não é diferente, pois se
conceituam como gêneros textuais as diversas situações
sociocomunciativas que participam da nossa vida em sociedade. Como
exemplo, temos: uma receita culinária, um e-mail, uma reportagem, uma
monografia, e assim por diante. Respectivamente, tais textos classificar-se-
iam como: instrucional, correspondência pessoal (em meio eletrônico),
texto do ramo jornalístico e, por último, um texto de cunho científico.
Mas como toda escrita perfaz-se de uma técnica para compô-la, é
extremamente importante que saibamos a maneira correta de produzir esta
gama de textos. À medida que a praticamos, vamos nos aperfeiçoando
mais e mais na sua performance estrutural. Por Vânia Duarte
O Conto
É um relato em prosa de fatos fictícios. Consta de três momentos perfeita-
mente diferenciados: começa apresentando um estado inicial de equilíbrio;
segue com a intervenção de uma força, com a aparição de um conflito, que
dá lugar a uma série de episódios; encerra com a resolução desse conflito
que permite, no estágio final, a recuperação do equilíbrio perdido.
Todo conto tem ações centrais, núcleos narrativos, que estabelecem entre
si uma relação causal. Entre estas ações, aparecem elementos de recheio
(secundários ou catalíticos), cuja função é manter o suspense. Tanto os
núcleos como as ações secundárias colocam em cena personagens que as
cumprem em um determinado lugar e tempo. Para a apresentação das
características destes personagens, assim como para as indicações de
lugar e tempo, apela-se a recursos descritivos.
Um recurso de uso frequente nos contos é a introdução do diálogo das
personagens, apresentado com os sinais gráficos correspondentes (os
travessões, para indicar a mudança de interlocutor).
A observação da coerência temporal permite ver se o autor mantém a linha
temporal ou prefere surpreender o leitor com rupturas de tempo na apre-
sentação dos acontecimentos (saltos ao passado ou avanços ao futuro).
A demarcação do tempo aparece, geralmente, no parágrafo inicial. Os
contos tradicionais apresentam fórmulas características de introdução de
temporalidade difusa: "Era uma vez...", "Certa vez...".
Os tempos verbais desempenham um papel importante na construção e na
interpretação dos contos. Os pretéritos imperfeito e o perfeito predominam
na narração, enquanto que o tempo presente aparece nas descrições e
nos diálogos.
O pretérito imperfeito apresenta a ação em processo, cuja incidência chega
ao momento da narração: "Rosário olhava timidamente seu pretendente,
enquanto sua mãe, da sala, fazia comentários banais sobre a história
familiar." O perfeito, ao contrário, apresenta as ações concluídas no passa-
do: "De repente, chegou o pai com suas botas sujas de barro, olhou sua
filha, depois o pretendente, e, sem dizer nada, entrou furioso na sala".
A apresentação das personagens ajusta-se à estratégia da definibilidade:
são introduzidas mediante uma construção nominal iniciada por um artigo
indefinido (ou elemento equivalente), que depois é substituído pelo defini-
do, por um nome, um pronome, etc.: "Uma mulher muito bonita entrou
apressadamente na sala de embarque e olhou à volta, procurando alguém
impacientemente. A mulher parecia ter fugido de um filme romântico dos
anos 40."
O narrador é uma figura criada pelo autor para apresentar os fatos que
constituem o relato, é a voz que conta o que está acontecendo. Esta voz
pode ser de uma personagem, ou de uma testemunha que conta os fatos
na primeira pessoa ou, também, pode ser a voz de uma terceira pessoa
que não intervém nem como ator nem como testemunha.
Além disso, o narrador pode adotar diferentes posições, diferentes pontos
de vista: pode conhecer somente o que está acontecendo, isto é, o que as
personagens estão fazendo ou, ao contrário, saber de tudo: o que fazem,
pensam, sentem as personagens, o que lhes aconteceu e o que lhes
acontecerá. Estes narradores que sabem tudo são chamados oniscientes.
A Novela
É semelhante ao conto, mas tem mais personagens, maior número de
complicações, passagens mais extensas com descrições e diálogos. As
personagens adquirem uma definição mais acabada, e as ações secundá-
rias podem chegar a adquirir tal relevância, de modo que terminam por
converter-se, em alguns textos, em unidades narrativas independentes.
A Obra Teatral
Os textos literários que conhecemos como obras de teatro (dramas, tragé-
dias, comédias, etc.) vão tecendo diferentes histórias, vão desenvolvendo
diversos conflitos, mediante a interação linguística das personagens, quer
dizer, através das conversações que têm lugar entre os participantes nas
situações comunicativas registradas no mundo de ficção construído pelo
texto. Nas obras teatrais, não existe um narrador que conta os fatos, mas
um leitor que vai conhecendo-os através dos diálogos e/ ou monólogos das
personagens.
Devido à trama conversacional destes textos, torna-se possível encontrar
neles vestígios de oralidade (que se manifestam na linguagem espontânea
das personagens, através de numerosas interjeições, de alterações da
sintaxe normal, de digressões, de repetições, de dêiticos de lugar e tempo.

Linguagens e Códigos
10
Os sinais de interrogação, exclamação e sinais auxiliares servem para
moldar as propostas e as réplicas e, ao mesmo tempo, estabelecem os
turnos de palavras.
As obras de teatro atingem toda sua potencialidade através da representa-
ção cênica: elas são construídas para serem representadas. O diretor e os
atores orientam sua interpretação.
Estes textos são organizados em atos, que estabelecem a progressão
temática: desenvolvem uma unidade informativa relevante para cada
contato apresentado. Cada ato contém, por sua vez, diferentes cenas,
determinadas pelas entradas e saídas das personagens e/ou por diferentes
quadros, que correspondem a mudanças de cenografias.
Nas obras teatrais são incluídos textos de trama descritiva: são as chama-
das notações cênicas, através das quais o autor dá indicações aos atores
sobre a entonação e a gestualidade e caracteriza as diferentes cenografias
que considera pertinentes para o desenvolvimento da ação. Estas nota-
ções apresentam com frequência orações unimembres e/ou bimembres de
predicado não verbal.
O Poema
Texto literário, geralmente escrito em verso, com uma distribuição espacial
muito particular: as linhas curtas e os agrupamentos em estrofe dão rele-
vância aos espaços em branco; então, o texto emerge da página com uma
silhueta especial que nos prepara para sermos introduzidos nos misterio-
sos labirintos da linguagem figurada. Pede uma leitura em voz alta, para
captar o ritmo dos versos, e promove uma tarefa de abordagem que pre-
tende extrair a significação dos recursos estilísticos empregados pelo
poeta, quer seja para expressar seus sentimentos, suas emoções, sua
versão da realidade, ou para criar atmosferas de mistério de surrealismo,
relatar epopeias (como nos romances tradicionais), ou, ainda, para apre-
sentar ensinamentos morais (como nas fábulas).
O ritmo - este movimento regular e medido - que recorre ao valor sonoro
das palavras e às pausas para dar musicalidade ao poema, é parte essen-
cial do verso: o verso é uma unidade rítmica constituída por uma série
métrica de sílabas fônicas. A distribuição dos acentos das palavras que
compõem os versos tem uma importância capital para o ritmo: a musicali-
dade depende desta distribuição.
Lembramos que, para medir o verso, devemos atender unicamente à
distância sonora das sílabas. As sílabas fônicas apresentam algumas
diferenças das sílabas ortográficas. Estas diferenças constituem as cha-
madas licenças poéticas: a diérese, que permite separar os ditongos em
suas sílabas; a sinérese, que une em uma sílaba duas vogais que não
constituem um ditongo; a sinalefa, que une em uma só sílaba a sílaba final
de uma palavra terminada em vogal, com a inicial de outra que inicie com
vogal ou h; o hiato, que anula a possibilidade da sinalefa. Os acentos
finais também incidem no levantamento das sílabas do verso. Se a última
palavra é paroxítona, não se altera o número de sílabas; se é oxítona,
soma-se uma sílaba; se é proparoxítona, diminui-se uma.
A rima é uma característica distintiva, mas não obrigatória dos versos, pois
existem versos sem rima (os versos brancos ou soltos de uso frequente na
poesia moderna). A rima consiste na coincidência total ou parcial dos
últimos fonemas do verso. Existem dois tipos de rimas: a consoante (coin-
cidência total de vogais e consoante a partir da última vogal acentuada) e a
assonante (coincidência unicamente das vogais a partir da última vogal
acentuada). A métrica mais frequente dos versos vai desde duas até
dezesseis sílabas. Os versos monossílabos não existem, já que, pelo
acento, são considerados dissílabos.
As estrofes agrupam versos de igual medida e de duas medidas diferentes
combinadas regularmente. Estes agrupamentos vinculam-se à progressão
temática do texto: com frequência, desenvolvem uma unidade informativa
vinculada ao tema central.
Os trabalhos dentro do paradigma e do sintagma, através dos mecanismos
de substituição e de combinação, respectivamente, culminam com a cria-
ção de metáforas, símbolos, configurações sugestionadoras de vocábulos,
metonímias, jogo de significados, associações livres e outros recursos
estilísticos que dão ambiguidade ao poema.
TEXTOS JORNALÍSTICOS
Os textos denominados de textos jornalísticos, em função de seu portador (
jornais, periódicos, revistas), mostram um claro predomínio da função
informativa da linguagem: trazem os fatos mais relevantes no momento em
que acontecem. Esta adesão ao presente, esta primazia da atualidade,
condena-os a uma vida efêmera. Propõem-se a difundir as novidades
produzidas em diferentes partes do mundo, sobre os mais variados temas.
De acordo com este propósito, são agrupados em diferentes seções:
informação nacional, informação internacional, informação local, socieda-
de, economia, cultura, esportes, espetáculos e entretenimentos.
A ordem de apresentação dessas seções, assim como a extensão e o
tratamento dado aos textos que incluem, são indicadores importantes tanto
da ideologia como da posição adotada pela publicação sobre o tema
abordado.
Os textos jornalísticos apresentam diferentes seções. As mais comuns são
as notícias, os artigos de opinião, as entrevistas, as reportagens, as crôni-
cas, as resenhas de espetáculos.
A publicidade é um componente constante dos jornais e revistas, à medida
que permite o financiamento de suas edições. Mas os textos publicitários
aparecem não só nos periódicos como também em outros meios ampla-
mente conhecidos como os cartazes, folhetos, etc.; por isso, nos referire-
mos a eles em outro momento.
Em geral, aceita-se que os textos jornalísticos, em qualquer uma de suas
seções, devem cumprir certos requisitos de apresentação, entre os quais
destacamos: uma tipografia perfeitamente legível, uma diagramação cui-
dada, fotografias adequadas que sirvam para complementar a informação
linguística, inclusão de gráficos ilustrativos que fundamentam as explica-
ções do texto.
É pertinente observar como os textos jornalísticos distribuem-se na publi-
cação para melhor conhecer a ideologia da mesma. Fundamentalmente, a
primeira página, as páginas ímpares e o extremo superior das folhas dos
jornais trazem as informações que se quer destacar. Esta localização
antecipa ao leitor a importância que a publicação deu ao conteúdo desses
textos.
O corpo da letra dos títulos também é um indicador a considerar sobre a
posição adotada pela redação.
A Notícia
Transmite uma nova informação sobre acontecimentos, objetos ou
pessoas.
As notícias apresentam-se como unidades informativas completas, que
contêm todos os dados necessários para que o leitor compreenda a infor-
mação, sem necessidade ou de recorrer a textos anteriores (por exemplo,
não é necessário ter lido os jornais do dia anterior para interpretá-la), ou de
ligá-la a outros textos contidos na mesma publicação ou em publicações
similares.
É comum que este texto use a técnica da pirâmide invertida: começa pelo
fato mais importante para finalizar com os detalhes. Consta de três partes
claramente diferenciadas: o título, a introdução e o desenvolvimento. O
título cumpre uma dupla função - sintetizar o tema central e atrair a atenção
do leitor. Os manuais de estilo dos jornais (por exemplo: do Jornal El País,
1991) sugerem geralmente que os títulos não excedam treze palavras. A
introdução contém o principal da informação, sem chegar a ser um resumo
de todo o texto. No desenvolvimento, incluem-se os detalhes que não
aparecem na introdução.
A notícia é redigida na terceira pessoa. O redator deve manter-se à mar-
gem do que conta, razão pela qual não é permitido o emprego da primeira
pessoa do singular nem do plural. Isso implica que, além de omitir o eu ou
o nós, também não deve recorrer aos possessivos (por exemplo, não se
referirá à Argentina ou a Buenos Aires com expressões tais como nosso
país ou minha cidade).
Esse texto se caracteriza por sua exigência de objetividade e veracidade:
somente apresenta os dados. Quando o jornalista não consegue compro-
var de forma fidedigna os dados apresentados, costuma recorrer a certas
fórmulas para salvar sua responsabilidade: parece, não está descartado
que. Quando o redator menciona o que foi dito por alguma fonte, recorre ao
discurso direto, como, por exemplo:

Linguagens e Códigos
11
O ministro afirmou: "O tema dos aposentados será tratado na Câmara dos
Deputados durante a próxima semana .
O estilo que corresponde a este tipo de texto é o formal.
Nesse tipo de texto, são empregados, principalmente, orações
enunciativas, breves, que respeitam a ordem sintática canônica. Apesar
das notícias preferencialmente utilizarem os verbos na voz ativa, também é
frequente o uso da voz passiva: Os delinquentes foram perseguidos pela
polícia; e das formas impessoais: A perseguição aos delinquentes foi feita
por um patrulheiro.
A progressão temática das notícias gira em tomo das perguntas o quê?
quem? como? quando? por quê e para quê?.
O Artigo de Opinião
Contém comentários, avaliações, expectativas sobre um tema da atualida-
de que, por sua transcendência, no plano nacional ou internacional, já é
considerado, ou merece ser, objeto de debate.
Nessa categoria, incluem-se os editoriais, artigos de análise ou pesquisa e
as colunas que levam o nome de seu autor. Os editoriais expressam a
posição adotada pelo jornal ou revista em concordância com sua ideologia,
enquanto que os artigos assinados e as colunas transmitem as opiniões de
seus redatores, o que pode nos levar a encontrar, muitas vezes, opiniões
divergentes e até antagônicas em uma mesma página.
Embora estes textos possam ter distintas superestruturas, em geral se
organizam seguindo uma linha argumentativa que se inicia com a identifi-
cação do tema em questão, acompanhado de seus antecedentes e alcan-
ce, e que segue com uma tomada de posição, isto é, com a formulação de
uma tese; depois, apresentam-se os diferentes argumentos de forma a
justificar esta tese; para encerrar, faz-se uma reafirmação da posição
adotada no início do texto.
A efetividade do texto tem relação direta não só com a pertinência dos
argumentos expostos como também com as estratégias discursivas usadas
para persuadir o leitor. Entre estas estratégias, podemos encontrar as
seguintes: as acusações claras aos oponentes, as ironias, as insinuações,
as digressões, as apelações à sensibilidade ou, ao contrário, a tomada de
distância através do uso das construções impessoais, para dar objetividade
e consenso à análise realizada; a retenção em recursos descritivos - deta-
lhados e precisos, ou em relatos em que as diferentes etapas de pesquisa
estão bem especificadas com uma minuciosa enumeração das fontes da
informação. Todos eles são recursos que servem para fundamentar os
argumentos usados na validade da tese.
A progressão temática ocorre geralmente através de um esquema de
temas derivados. Cada argumento pode encerrar um tópico com seus
respectivos comentários.
Estes artigos, em virtude de sua intencionalidade informativa, apresentam
uma preeminência de orações enunciativas, embora também incluam, com
frequência, orações dubitativas e exortativas devido à sua trama argumen-
tativa. As primeiras servem para relativizar os alcances e o valor da infor-
mação de base, o assunto em questão; as últimas, para convencer o leitor
a aceitar suas premissas como verdadeiras. No decorrer destes artigos,
opta-se por orações complexas que incluem proposições causais para as
fundamentações, consecutivas para dar ênfase aos efeitos, concessivas e
condicionais.
Para interpretar estes textos, é indispensável captar a postura ideológica
do autor, identificar os interesses a que serve e precisar sob que
circunstâncias e com que propósito foi organizada a informação exposta.
Para cumprir os requisitos desta abordagem, necessitaremos utilizar
estratégias tais como a referência exofórica, a integração crítica dos dados
do texto com os recolhidos em outras fontes e a leitura atenta das
entrelinhas a fim de converter em explícito o que está implícito.
Embora todo texto exija para sua interpretação o uso das estratégias
mencionadas, é necessário recorrer a elas quando estivermos frente a um
texto de trama argumentativa, através do qual o autor procura que o leitor
aceite ou avalie cenas, ideias ou crenças como verdadeiras ou falsas,
cenas e opiniões como positivas ou negativas.
A Reportagem
É uma variedade do texto jornalístico de trama conversacional que, para
informar sobre determinado tema, recorre ao testemunho de uma figura-
chave para o conhecimento deste tópico.
A conversação desenvolve-se entre um jornalista que representa a publi-
cação e um personagem cuja atividade suscita ou merece despertar a
atenção dos leitores.
A reportagem inclui uma sumária apresentação do entrevistado, realizada
com recursos descritivos, e, imediatamente, desenvolve o diálogo. As
perguntas são breves e concisas, à medida que estão orientadas para
divulgar as opiniões e ideias do entrevistado e não as do entrevistador.
A Entrevista
Da mesma forma que reportagem, configura-se preferentemente mediante
uma trama conversacional, mas combina com frequência este tecido com
fios argumentativos e descritivos. Admite, então, uma maior liberdade, uma
vez que não se ajusta estritamente à fórmula pergunta-resposta, mas
detém-se em comentários e descrições sobre o entrevistado e transcreve
somente alguns fragmentos do diálogo, indicando com travessões a mu-
dança de interlocutor. É permitido apresentar uma introdução extensa com
os aspectos mais significativos da conversação mantida, e as perguntas
podem ser acompanhadas de comentários, confirmações ou refutações
sobre as declarações do entrevistado.
Por tratar-se de um texto jornalístico, a entrevista deve necessariamente
incluir um tema atual, ou com incidência na atualidade, embora a conver-
sação possa derivar para outros temas, o que ocasiona que muitas destas
entrevistas se ajustem a uma progressão temática linear ou a temas deri-
vados.
Como ocorre em qualquer texto de trama conversacional, não existe uma
garantia de diálogo verdadeiro; uma vez que se pode respeitar a vez de
quem fala, a progressão temática não se ajusta ao jogo argumentativo de
propostas e de réplicas.
TEXTOS DE INFORMAÇÃO CIENTÍFICA
Esta categoria inclui textos cujos conteúdos provêm do campo das ciências
em geral. Os referentes dos textos que vamos desenvolver situam-se tanto
nas Ciências Sociais como nas Ciências Naturais.
Apesar das diferenças existentes entre os métodos de pesquisa destas
ciências, os textos têm algumas características que são comuns a todas
suas variedades: neles predominam, como em todos os textos informati-
vos, as orações enunciativas de estrutura bimembre e prefere-se a ordem
sintática canônica (sujeito-verbo-predicado).
Incluem frases claras, em que não há ambiguidade sintática ou semântica,
e levam em consideração o significado mais conhecido, mais difundido das
palavras.
O vocabulário é preciso. Geralmente, estes textos não incluem vocábulos a
que possam ser atribuídos um multiplicidade de significados, isto é, evitam
os termos polissêmicos e, quando isso não é possível, estabelecem medi-
ante definições operatórias o significado que deve ser atribuído ao termo
polissêmico nesse contexto.
A Definição
Expande o significado de um termo mediante uma trama descritiva, que
determina de forma clara e precisa as características genéricas e diferenci-
ais do objeto ao qual se refere. Essa descrição contém uma configuração
de elementos que se relacionam semanticamente com o termo a definir
através de um processo de sinonímia.
Recordemos a definição clássica de "homem", porque é o exemplo por
excelência da definição lógica, uma das construções mais generalizadas
dentro deste tipo de texto: O homem é um animal racional. A expansão do
termo "homem" - "animal racional" - apresenta o gênero a que pertence,
"animal", e a diferença específica, "racional": a racionalidade é o traço que
nos permite diferenciar a espécie humana dentro do gênero animal.
Usualmente, as definições incluídas nos dicionários, seus portadores mais
qualificados, apresentam os traços essenciais daqueles a que se referem:
Fiscis (do lat. piscis). s.p.m. Astron. Duodécimo e último signo ou parte do

Linguagens e Códigos
12
Zodíaco, de 30° de amplitude, que o Sol percorre aparentemente antes de
terminar o inverno.
Como podemos observar nessa definição extraída do Dicionário de La Real
Academia Espa1ioJa (RAE, 1982), o significado de um tema base ou
introdução desenvolve-se através de uma descrição que contém seus
traços mais relevantes, expressa, com frequência, através de orações
unimembres, constituídos por construções endocêntricas (em nosso exem-
plo temos uma construção endocêntrica substantiva - o núcleo é um subs-
tantivo rodeado de modificadores "duodécimo e último signo ou parte do
Zodíaco, de 30° de amplitude..."), que incorporam maior informação medi-
ante proposições subordinadas adjetivas: "que o Sol percorre aparente-
mente antes de terminar o inverno".
As definições contêm, também, informações complementares relacionadas,
por exemplo, com a ciência ou com a disciplina em cujo léxico se inclui o
termo a definir (Piscis: Astron.); a origem etimológica do vocábulo ("do lat.
piscis"); a sua classificação gramatical (s.p.m.), etc.
Essas informações complementares contêm frequentemente abreviaturas,
cujo significado aparece nas primeiras páginas do Dicionário: Lat., Latim;
Astron., Astronomia; s.p.m., substantivo próprio masculino, etc.
O tema-base (introdução) e sua expansão descritiva - categorias básicas
da estrutura da definição - distribuem-se espacialmente em blocos, nos
quais diferentes informações costumam ser codificadas através de tipogra-
fias diferentes (negrito para o vocabulário a definir; itálico para as etimolo-
gias, etc.). Os diversos significados aparecem demarcados em bloco
mediante barras paralelas e /ou números.
Prorrogar (Do Jat. prorrogare) V.t.d. l. Continuar, dilatar, estender uma
coisa por um período determinado. 112. Ampliar, prolongar 113. Fazer
continuar em exercício; adiar o término de.
A Nota de Enciclopédia
Apresenta, como a definição, um tema-base e uma expansão de trama
descritiva; porém, diferencia-se da definição pela organização e pela
amplitude desta expansão.
A progressão temática mais comum nas notas de enciclopédia é a de
temas derivados: os comentários que se referem ao tema-base constituem-
se, por sua vez, em temas de distintos parágrafos demarcados por subtítu-
los. Por exemplo, no tema República Argentina, podemos encontrar os
temas derivados: traços geológicos, relevo, clima, hidrografia, biogeografia,
população, cidades, economia, comunicação, transportes, cultura, etc.
Estes textos empregam, com frequência, esquemas taxionômicos, nos
quais os elementos se agrupam em classes inclusivas e incluídas. Por
exemplo: descreve-se "mamífero" como membro da classe dos vertebra-
dos; depois, são apresentados os traços distintivos de suas diversas varie-
dades: terrestres e aquáticos.
Uma vez que nestas notas há predomínio da função informativa da lingua-
gem, a expansão é construída sobre a base da descrição científica, que
responde às exigências de concisão e de precisão.
As características inerentes aos objetos apresentados aparecem através
de adjetivos descritivos - peixe de cor amarelada escura, com manchas
pretas no dorso, e parte inferior prateada, cabeça quase cônica, olhos
muito juntos, boca oblíqua e duas aletas dorsais - que ampliam a base
informativa dos substantivos e, como é possível observar em nosso exem-
plo, agregam qualidades próprias daquilo a que se referem.
O uso do presente marca a temporalidade da descrição, em cujo tecido
predominam os verbos estáticos - apresentar, mostrar, ter, etc. - e os de
ligação - ser, estar, parecer, etc.
O Relato de Experimentos
Contém a descrição detalhada de um projeto que consiste em manipular o
ambiente para obter uma nova informação, ou seja, são textos que
descrevem experimentos.
O ponto de partida destes experimentos é algo que se deseja saber, mas
que não se pode encontrar observando as coisas tais como estão; é ne-
cessário, então, estabelecer algumas condições, criar certas situações
para concluir a observação e extrair conclusões. Muda-se algo para cons-
tatar o que acontece. Por exemplo, se se deseja saber em que condições
uma planta de determinada espécie cresce mais rapidamente, pode-se
colocar suas sementes em diferentes recipientes sob diferentes condições
de luminosidade; em diferentes lugares, areia, terra, água; com diferentes
fertilizantes orgânicos, químicos etc., para observar e precisar em que
circunstâncias obtém-se um melhor crescimento.
A macroestrutura desses relatos contém, primordialmente, duas categorias:
uma corresponde às condições em que o experimento se realiza, isto é, ao
registro da situação de experimentação; a outra, ao processo observado.
Nesses textos, então, são utilizadas com frequência orações que começam
com se (condicionais) e com quando (condicional temporal):
Se coloco a semente em um composto de areia, terra preta, húmus, a
planta crescerá mais rápido.
Quando rego as plantas duas vezes ao dia, os talos começam a mostrar
manchas marrons devido ao excesso de umidade.
Estes relatos adotam uma trama descritiva de processo. A variável tempo
aparece através de numerais ordinais: Em uma primeira etapa, é possível
observar... em uma segunda etapa, aparecem os primeiros brotos ...; de
advérbios ou de locuções adverbiais: Jogo, antes de, depois de, no mesmo
momento que, etc., dado que a variável temporal é um componente essen-
cial de todo processo. O texto enfatiza os aspectos descritivos, apresenta
as características dos elementos, os traços distintivos de cada uma das
etapas do processo.
O relato pode estar redigido de forma impessoal: coloca-se, colocado em
um recipiente ... Jogo se observa/foi observado que, etc., ou na primeira
pessoa do singular, coloco/coloquei em um recipiente ... Jogo obser-
vo/observei que ... etc., ou do plural: colocamos em um recipiente... Jogo
observamos que... etc. O uso do impessoal enfatiza a distância existente
entre o experimentador e o experimento, enquanto que a primeira pessoa,
do plural e do singular enfatiza o compromisso de ambos.
A Monografia
Este tipo de texto privilegia a análise e a crítica; a informação sobre um
determinado tema é recolhida em diferentes fontes.
Os textos monográficos não necessariamente devem ser realizados com
base em consultas bibliográficas, uma vez que é possível terem como
fonte, por exemplo, o testemunho dos protagonistas dos fatos, testemu-
nhos qualificados ou de especialistas no tema.
As monografias exigem uma seleção rigorosa e uma organização coerente
dos dados recolhidos. A seleção e organização dos dados servem como
indicador do propósito que orientou o trabalho. Se pretendemos, por exem-
plo, mostrar que as fontes consultadas nos permitem sustentar que os
aspectos positivos da gestão governamental de um determinado persona-
gem histórico têm maior relevância e valor do que os aspectos negativos,
teremos de apresentar e de categorizar os dados obtidos de tal forma que
esta valorização fique explícita.
Nas monografias, é indispensável determinar, no primeiro parágrafo, o
tema a ser tratado, para abrir espaço à cooperação ativa do leitor que,
conjugando seus conhecimentos prévios e seus propósitos de leitura, fará
as primeiras antecipações sobre a informação que espera encontrar e
formulará as hipóteses que guiarão sua leitura. Uma vez determinado o
tema, estes textos transcrevem, mediante o uso da técnica de resumo, o
que cada uma das fontes consultadas sustenta sobre o tema, as quais
estarão listadas nas referências bibliográficas, de acordo com as normas
que regem a apresentação da bibliografia.
O trabalho intertextual (incorporação de textos de outros no tecido do texto
que estamos elaborando) manifesta-se nas monografias através de cons-
truções de discurso direto ou de discurso indireto.
Nas primeiras, incorpora-se o enunciado de outro autor, sem modificações,
tal como foi produzido. Ricardo Ortiz declara: "O processo da economia
dirigida conduziu a uma centralização na Capital Federal de toda tramita-
ção referente ao comércio exterior'] Os dois pontos que prenunciam a
palavra de outro, as aspas que servem para demarcá-la, os traços que
incluem o nome do autor do texto citado, 'o processo da economia dirigida -
declara Ricardo Ortiz - conduziu a uma centralização...') são alguns dos
sinais que distinguem frequentemente o discurso direto.

Linguagens e Códigos
13
Quando se recorre ao discurso indireto, relata-se o que foi dito por outro,
em vez de transcrever textualmente, com a inclusão de elementos subordi-
nadores e dependendo do caso - as conseguintes modificações, pronomes
pessoais, tempos verbais, advérbios, sinais de pontuação, sinais auxiliares,
etc.
Discurso direto: ‘Ás raízes de meu pensamento – afirmou Echeverría -
nutrem-se do liberalismo’
Discurso indireto: 'Écheverría afirmou que as raízes de seu pensamento
nutriam -se do liberalismo'
Os textos monográficos recorrem, com frequência, aos verbos discendi
(dizer, expressar, declarar, afirmar, opinar, etc.), tanto para introduzir os
enunciados das fontes como para incorporar os comentários e opiniões do
emissor.
Se o propósito da monografia é somente organizar os dados que o autor
recolheu sobre o tema de acordo com um determinado critério de classifi-
cação explícito (por exemplo, organizar os dados em tomo do tipo de fonte
consultada), sua efetividade dependerá da coerência existente entre os
dados apresentados e o princípio de classificação adotado.
Se a monografia pretende justificar uma opinião ou validar uma hipótese,
sua efetividade, então, dependerá da confiabilidade e veracidade das
fontes consultadas, da consistência lógica dos argumentos e da coerência
estabelecida entre os fatos e a conclusão.
Estes textos podem ajustar-se a diferentes esquemas lógicos do tipo
problema /solução, premissas /conclusão, causas / efeitos.
Os conectores lógicos oracionais e extra-oracionais são marcas linguísticas
relevantes para analisar as distintas relações que se estabelecem entre os
dados e para avaliar sua coerência.
A Biografia
É uma narração feita por alguém acerca da vida de outra(s) pessoa(s).
Quando o autor conta sua própria vida, considera-se uma autobiografia.
Estes textos são empregados com frequência na escola, para apresentar
ou a vida ou algumas etapas decisivas da existência de personagens cuja
ação foi qualificada como relevante na história.
Os dados biográficos ordenam-se, em geral, cronologicamente, e, dado
que a temporalidade é uma variável essencial do tecido das biografias, em
sua construção, predominam recursos linguísticos que asseguram a conec-
tividade temporal: advérbios, construções de valor semântico adverbial
(Seus cinco primeiros anos transcorreram na tranquila segurança de sua
cidade natal Depois, mudou-se com a família para La Prata), proposições
temporais (Quando se introduzia obsessivamente nos tortuosos caminhos
da novela, seus estudos de física ajudavam-no a reinstalar-se na realida-
de), etc.
A veracidade que exigem os textos de informação científica manifesta-se
nas biografias através das citações textuais das fontes dos dados apresen-
tados, enquanto a ótica do autor é expressa na seleção e no modo de
apresentação destes dados. Pode-se empregar a técnica de acumulação
simples de dados organizados cronologicamente, ou cada um destes
dados pode aparecer acompanhado pelas valorações do autor, de acordo
com a importância que a eles atribui.
Atualmente, há grande difusão das chamadas "biografias não autorizadas"
de personagens da política, ou do mundo da Arte. Uma característica que
parece ser comum nestas biografias é a intencionalidade de revelar a
personagem através de uma profusa acumulação de aspectos negativos,
especialmente aqueles que se relacionam a defeitos ou a vícios altamente
reprovados pela opinião pública.
TEXTOS INSTRUCIONAIS
Estes textos dão orientações precisas para a realização das mais diversas
atividades, como jogar, preparar uma comida, cuidar de plantas ou animais
domésticos, usar um aparelho eletrônico, consertar um carro, etc. Dentro
desta categoria, encontramos desde as mais simples receitas culinárias até
os complexos manuais de instrução para montar o motor de um avião.
Existem numerosas variedades de textos instrucionais: além de receitas e
manuais, estão os regulamentos, estatutos, contratos, instruções, etc. Mas
todos eles, independente de sua complexidade, compartilham da função
apelativa, à medida que prescrevem ações e empregam a trama descritiva
para representar o processo a ser seguido na tarefa empreendida.
A construção de muitos destes textos ajusta-se a modelos convencionais
cunhados institucionalmente. Por exemplo, em nossa comunidade, estão
amplamente difundidos os modelos de regulamentos de co-propriedade;
então, qualquer pessoa que se encarrega da redação de um texto deste
tipo recorre ao modelo e somente altera os dados de identificação para
introduzir, se necessário, algumas modificações parciais nos direitos e
deveres das partes envolvidas.
Em nosso cotidiano, deparamo-nos constantemente com textos instrucio-
nais, que nos ajudam a usar corretamente tanto um processador de ali-
mentos como um computador; a fazer uma comida saborosa, ou a seguir
uma dieta para emagrecer. A habilidade alcançada no domínio destes
textos incide diretamente em nossa atividade concreta. Seu emprego
frequente e sua utilidade imediata justificam o trabalho escolar de aborda-
gem e de produção de algumas de suas variedades, como as receitas e as
instruções.
As Receitas e as Instruções
Referimo-nos às receitas culinárias e aos textos que trazem instruções
para organizar um jogo, realizar um experimento, construir um artefato,
fabricar um móvel, consertar um objeto, etc.
Estes textos têm duas partes que se distinguem geralmente a partir da
especialização: uma, contém listas de elementos a serem utilizados (lista
de ingredientes das receitas, materiais que são manipulados no experimen-
to, ferramentas para consertar algo, diferentes partes de um aparelho,
etc.), a outra, desenvolve as instruções.
As listas, que são similares em sua construção às que usamos habitual-
mente para fazer as compras, apresentam substantivos concretos acom-
panhados de numerais (cardinais, partitivos e múltiplos).
As instruções configuram-se, habitualmente, com orações bimembres, com
verbos no modo imperativo (misture a farinha com o fermento), ou orações
unimembres formadas por construções com o verbo no infinitivo (misturar a
farinha com o açúcar).
Tanto os verbos nos modos imperativo, subjuntivo e indicativo como as
construções com formas nominais gerúndio, particípio, infinitivo aparecem
acompanhados por advérbios palavras ou por locuções adverbiais que
expressam o modo como devem ser realizadas determinadas ações (sepa-
re cuidadosamente as claras das gemas, ou separe com muito cuidado as
claras das gemas). Os propósitos dessas ações aparecem estruturados
visando a um objetivo (mexa lentamente para diluir o conteúdo do pacote
em água fria), ou com valor temporal final (bata o creme com as claras até
que fique numa consistência espessa). Nestes textos inclui-se, com fre-
quência, o tempo do receptor através do uso do dêixis de lugar e de tempo:
Aqui, deve acrescentar uma gema. Agora, poderá mexer novamente. Neste
momento, terá que correr rapidamente até o lado oposto da cancha. Aqui
pode intervir outro membro da equipe.
TEXTOS EPISTOLARES
Os textos epistolares procuram estabelecer uma comunicação por escrito
com um destinatário ausente, identificado no texto através do cabeçalho.
Pode tratar-se de um indivíduo (um amigo, um parente, o gerente de uma
empresa, o diretor de um colégio), ou de um conjunto de indivíduos desig-
nados de forma coletiva (conselho editorial, junta diretora).
Estes textos reconhecem como portador este pedaço de papel que, de
forma metonímica, denomina-se carta, convite ou solicitação, dependendo
das características contidas no texto.
Apresentam uma estrutura que se reflete claramente em sua organização
espacial, cujos componentes são os seguintes: cabeçalho, que estabelece
o lugar e o tempo da produção, os dados do destinatário e a forma de
tratamento empregada para estabelecer o contato: o corpo, parte do texto
em que se desenvolve a mensagem, e a despedida, que inclui a saudação
e a assinatura, através da qual se introduz o autor no texto. O grau de
familiaridade existente entre emissor e destinatário é o princípio que orienta
a escolha do estilo: se o texto é dirigido a um familiar ou a um amigo, opta-
se por um estilo informal; caso contrário, se o destinatário é desconhecido

Linguagens e Códigos
14
ou ocupa o nível superior em uma relação assimétrica (empregador em
relação ao empregado, diretor em relação ao aluno, etc.), impõe-se o estilo
formal.
A Carta
As cartas podem ser construídas com diferentes tramas (narrativa e argu-
mentativa), em tomo das diferentes funções da linguagem (informativa,
expressiva e apelativa).
Referimo-nos aqui, em particular, às cartas familiares e amistosas, isto é,
aqueles escritos através dos quais o autor conta a um parente ou a um
amigo eventos particulares de sua vida. Estas cartas contêm acontecimen-
tos, sentimentos, emoções, experimentados por um emissor que percebe o
receptor como ‘cúmplice’, ou seja, como um destinatário comprometido
afetivamente nessa situação de comunicação e, portanto, capaz de extrair
a dimensão expressiva da mensagem.
Uma vez que se trata de um diálogo à distância com um receptor conheci-
do, opta-se por um estilo espontâneo e informal, que deixa transparecer
marcas da oraljdade: frases inconclusas, nas quais as reticências habilitam
múltiplas interpretações do receptor na tentativa de concluí-las; perguntas
que procuram suas respostas nos destinatários; perguntas que encerram
em si suas próprias respostas (perguntas retóricas); pontos de exclamação
que expressam a ênfase que o emissor dá a determinadas expressões que
refletem suas alegrias, suas preocupações, suas dúvidas.
Estes textos reúnem em si as diferentes classes de orações. As enunciati-
vas, que aparecem nos fragmentos informativos, alternam-se com as
dubitativas, desiderativas, interrogativas, exclamativas, para manifestar a
subjetividade do autor. Esta subjetividade determina também o uso de
diminutivos e aumentativos, a presença frequente de adjetivos qualificati-
vos, a ambiguidade lexical e sintática, as repetições, as interjeições.
A Solicitação
É dirigida a um receptor que, nessa situação comunicativa estabelecida
pela carta, está revestido de autoridade à medida que possui algo ou tem a
possibilidade de outorgar algo que é considerado valioso pelo emissor: um
emprego, uma vaga em uma escola, etc.
Esta assimetria entre autor e leitor um que pede e outro que pode ceder ou
não ao pedido, — obriga o primeiro a optar por um estilo formal, que recor-
re ao uso de fórmulas de cortesia já estabelecidas convencionalmente para
a abertura e encerramento (atenciosamente ..com votos de estima e consi-
deração . . . / despeço-me de vós respeitosamente . ../ Saúdo-vos com o
maior respeito), e às frases feitas com que se iniciam e encerram-se estes
textos (Dirijo-me a vós a fim de solicitar-lhe que ... O abaixo-assinado,
Antônio Gonzalez, D.NJ. 32.107 232, dirigi-se ao Senhor Diretor do Institu-
to Politécnico a fim de solicitar-lhe...)
As solicitações podem ser redigidas na primeira ou terceira pessoa do
singular. As que são redigidas na primeira pessoa introduzem o emissor
através da assinatura, enquanto que as redigidas na terceira pessoa identi-
ficam-no no corpo do texto (O abaixo assinado, Juan Antonio Pérez, dirige-
se a...).
A progressão temática dá-se através de dois núcleos informativos: o pri-
meiro determina o que o solicitante pretende; o segundo, as condições que
reúne para alcançar aquilo que pretende. Estes núcleos, demarcados por
frases feitas de abertura e encerramento, podem aparecer invertidos em
algumas solicitações, quando o solicitante quer enfatizar suas condições;
por isso, as situa em um lugar preferencial para dar maior força à sua
apelação.
Essas solicitações, embora cumpram uma função apelativa, mostram um
amplo predomínio das orações enunciativas complexas, com inclusão tanto
de proposições causais, consecutivas e condicionais, que permitem desen-
volver fundamentações, condicionamentos e efeitos a alcançar, como de
construções de infinitivo ou de gerúndio: para alcançar essa posição, o
solicitante lhe apresenta os seguintes antecedentes... (o infinitivo salienta
os fins a que se persegue), ou alcançando a posição de... (o gerúndio
enfatiza os antecedentes que legitimam o pedido).
A argumentação destas solicitações institucionalizaram-se de tal maneira
que aparece contida nas instruções de formulários de emprego, de solicita-
ção de bolsas de estudo, etc.
Texto extraído de: ESCOLA, LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS, Ana
Maria Kaufman, Artes Médicas, Porto Alegre, RS.
VARIAÇÃO (LINGUÍSTICA)
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
A variação de uma língua é o modo pelo qual ela se diferencia,
sistemática e coerentemente, de acordo com o
contexto histórico, geográfico e sócio-cultural no qual os falantes dessa
língua se manifestam verbalmente.
Conceito
Variedade é um conceito maior do que estilo de prosa ou estilo de
linguagem. Alguns escritores de sociolinguística usam o termo leto,
aparentemente um processo de criação de palavras para termos
específicos, são exemplos dessas variações:
dialetos (variação diatópica), isto é, variações faladas
por comunidades geograficamente definidas.
idioma é um termo intermediário na distinção dialeto-linguagem e é
usado para se referir ao sistema comunicativo estudado (que poderia ser
chamado tanto de um dialeto ou uma linguagem) quando sua condição em
relação a esta distinção é irrelevante (sendo, portanto, um sinônimo
para linguagemnum sentido mais geral);
socioletos, isto é, variações faladas por comunidades socialmente
definidas
linguagem padrão ou norma padrão, padronizada em função da
comunicação pública e da educação
idioletos, isto é, uma variação particular a uma certa pessoa
registros (ou diátipos), isto é, o vocabulário especializado e/ou
a gramática de certas atividades ou profissões
etnoletos, para um grupo étnico
ecoletos, um idioleto adotado por uma casa
Variações como dialetos, idioletos e socioletos podem ser distinguidos
não apenas por seu vocabulário, mas também por diferenças na gramática,
na fonologia e naversificação. Por exemplo, o sotaque de palavras tonais
nas línguas escandinavas tem forma diferente em muitos dialetos. Um
outro exemplo é como palavras estrangeiras em diferentes socioletos
variam em seu grau de adaptação à fonologia básica da linguagem.
Certos registros profissionais, como o chamado legalês, mostram uma
variação na gramática da linguagem padrão. Por exemplo, jornalistas ou
advogados inglesesfrequentemente usam modos gramaticais, como
o modo subjuntivo, que não são mais usados com frequência por outros
falantes. Muitos registros são simplesmente um conjunto especializado de
termos (veja jargão).
É uma questão de definição se gíria e calão podem ser considerados
como incluídos no conceito de variação ou de estilo
Espécies de variação
Variação histórica
Acontece ao longo de um determinado período de tempo, pode ser
identificada ao se comparar dois estados de uma língua Portuguêsa. O
processo de mudança é gradual: uma variante inicialmente utilizada por um
grupo restrito de falantes passa a ser adotada por indivíduos
socioeconomicamente mais expressivos. A forma antiga permanece ainda
entre as gerações mais velhas, período em que as duas variantes
convivem; porém com o tempo a nova variante torna-se normal na fala, e
finalmente consagra-se pelo uso na modalidade escrita. As mudanças
podem ser de grafia ou de significado.
Variação geográfica
Trata das diferentes formas de pronúncia, vocabulário e estrutura
sintática entre regiões. Dentro de uma comunidade mais ampla, formam-
se comunidades linguísticasmenores em torno de centros polarizadores ,
política e economia, que acabam por definir os padrões linguísticos

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15
utilizados na região de diferentes lugares de sua influência e as diferenças
linguísticas entre as regiões são graduais, nem sempre coincidindo.
Variação social
Agrupa alguns fatores de diversidade:o nível sócio-econômico,
determinado pelo meio social onde vive um indivíduo; o grau de educação;
a idade e o gênero. A variação social não compromete a compreensão
entre indivíduos, como poderia acontecer na variação regional; o uso de
certas variantes pode indicar qual o nível sócio-econômico de uma pessoa,
e há a possibilidade de alguém oriundo de um grupo menos favorecido
atingir o padrão de maior prestígio.
Variação estilística
Considera um mesmo indivíduo em diferentes circunstâncias de
comunicação: se está em um ambiente familiar, profissional, o grau de
intimidade, o tipo de assunto tratado e quem são os receptores. Sem levar
em conta as graduações intermediárias, é possível identificar dois limites
extremos de estilo: o informal, quando há um mínimo de reflexão do
indivíduo sobre as normas linguísticas, utilizado nas conversações
imediatas do cotidiano; e o formal, em que o grau de reflexão é máximo,
utilizado em conversações que não são do dia-a-dia e cujo conteúdo é
mais elaborado e complexo. Não se deve confundir o estilo formal e
informal com língua escritae falada, pois os dois estilos ocorrem em ambas
as formas de comunicação.
As diferentes modalidades de variação linguística não existem
isoladamente, havendo um inter-relacionamento entre elas: uma variante
geográfica pode ser vista como uma variante social, considerando-se a
migração entre regiões do país. Observa-se que o meio rural, por ser
menos influenciado pelas mudanças da sociedade, preserva variantes
antigas. O conhecimento do padrão de prestígio pode ser fator de
mobilidade social para um indivíduo pertencente a uma classe menos
favorecida
Bibliografia
CAMACHO, R. (1988). A variação linguística. In: Subsídios à proposta
curricular de Língua Portuguesa para o 1º e 2º graus. Secretaria da
Educação do Estado de São Paulo, p. 29-41.
O modo de falar do brasileiro
Alfredina Nery
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Toda língua possui variações linguísticas. Elas podem ser entendidas
por meio de sua história no tempo (variação histórica) e no espaço (varia-
ção regional). As variações linguísticas podem ser compreendidas a partir
de três diferentes fenômenos.
1) Em sociedades complexas convivem variedades linguísticas diferen-
tes, usadas por diferentes grupos sociais, com diferentes acessos à educa-
ção formal; note que as diferenças tendem a ser maiores na língua falada
que nalíngua escrita;
2) Pessoas de mesmo grupo social expressam-se com falas diferentes
de acordo com as diferentes situações de uso, sejam situações formais,
informais ou de outro tipo;
3) Há falares específicos para grupos específicos, como profissionais
de uma mesma área (médicos, policiais, profissionais de informática,
metalúrgicos, alfaiates, por exemplo), jovens, grupos marginalizados e
outros. São as gírias e jargões.
Assim, além do português padrão, há outras variedades de usos da
língua cujos traços mais comuns podem ser evidenciados abaixo.
Uso de “r” pelo “l” em final de sílaba e nos grupos consonantais: pran-
ta/planta; broco/bloco.
Alternância de “lh” e “i”: muié/mulher; véio/velho.
Tendência a tornar paroxítonas as palavras proparoxítonas: ar-
ve/árvore; figo/fígado.
Redução dos ditongos: caxa/caixa; pexe/peixe.
Simplificação da concordância: as menina/as meninas.
Ausência de concordância verbal quando o sujeito vem depois do ver-
bo: “Chegou” duas moças.
Uso do pronome pessoal tônico em função de objeto (e não só de su-
jeito): Nós pegamos “ele” na hora.
Assimilação do “ndo” em “no”( falano/falando) ou do “mb” em “m” (ta-
mém/também).
Desnasalização das vogais postônicas: home/homem.
Redução do “e” ou “o” átonos: ovu/ovo; bebi/bebe.
Redução do “r” do infinitivo ou de substantivos em “or”: amá/amar; a-
mô/amor.
Simplificação da conjugação verbal: eu amo, você ama, nós ama, eles
ama.
Variações regionais: os sotaques
Se você fizer um levantamento dos nomes que as pessoas usam para
a palavra "diabo", talvez se surpreenda. Muita gente não gosta de falar tal
palavra, pois acreditam que há o perigo de evocá-lo, isto é, de que o de-
mônio apareça. Alguns desses nomes aparecem em o "Grande Sertão:
Veredas", Guimarães Rosa, que traz uma linguagem muito característica
do sertão centro-oeste do Brasil:
Demo, Demônio, Que-Diga, Capiroto, Satanazim, Diabo, Cujo, Tinho-
so, Maligno, Tal, Arrenegado, Cão, Cramunhão, O Indivíduo, O Galhardo,
O pé-de-pato, O Sujo, O Homem, O Tisnado, O Coxo, O Temba, O Azara-
pe, O Coisa-ruim, O Mafarro, O Pé-preto, O Canho, O Duba-dubá, O
Rapaz, O Tristonho, O Não-sei-que-diga, O Que-nunca-se-ri, O sem grace-
jos, Pai do Mal, Terdeiro, Quem que não existe, O Solto-Ele, O Ele, Carfa-
no, Rabudo.
Drummond de Andrade, grande escritor brasileiro, que elabora seu tex-
to a partir de uma variação linguística relacionada ao vocabulário usado em
uma determinada época no Brasil.
Antigamente
"Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas
mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras,
em geral dezoito. Os janotas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de-
alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio."
Como escreveríamos o texto acima em um português de hoje, do sé-
culo 21? Toda língua muda com o tempo. Basta lembrarmos que do latim,
já transformado, veio o português, que, por sua vez, hoje é muito diferente
daquele que era usado na época medieval.
Língua e status
Nem todas as variações linguísticas têm o mesmo prestígio social no
Brasil. Basta lembrar de algumas variações usadas por pessoas de deter-
minadas classes sociais ou regiões, para perceber que há preconceito em
relação a elas.
Veja este texto de Patativa do Assaré, um grande poeta popular nor-
destino, que fala do assunto:

O Poeta da Roça
Sou fio das mata, canto da mão grossa,
Trabáio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de paia de mío.

Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argun menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,
Cantando, pachola, à percura de amô.
Não tenho sabença, pois nunca estudei,
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! Vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.


Linguagens e Códigos
16
Meu verso rastero, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra ao sertão.
(...)

Você acredita que a forma de falar e de escrever comprometeu a emoção
transmitida por essa poesia? Patativa do Assaré era analfabeto (sua filha é
quem escrevia o que ele ditava), mas sua obra atravessou o oceano e se
tornou conhecida mesmo na Europa.

Leia agora, um poema de um intelectual e poeta brasileiro, Oswald de
Andrade, que, já em 1922, enfatizou a busca por uma "língua brasileira".

Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.

Uma certa tradição cultural nega a existência de determinadas variedades
linguísticas dentro do país, o que acaba por rejeitar algumas manifestações
linguísticas por considerá-las deficiências do usuário. Nesse sentido, vários
mitos são construídos, a partir do preconceito linguístico.

COESÃO E COERÊNCIA

Diogo Maria De Matos Polónio

Introdução
Este trabalho foi realizado no âmbito do Seminário Pedagógico sobre
Pragmática Linguística e Os Novos Programas de Língua Portuguesa, sob
orientação da Professora-Doutora Ana Cristina Macário Lopes, que decor-
reu na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Procurou-se, no referido seminário, refletir, de uma forma geral, sobre
a incidência das teorias da Pragmática Linguística nos programas oficiais
de Língua Portuguesa, tendo em vista um esclarecimento teórico sobre
determinados conceitos necessários a um ensino qualitativamente mais
válido e, simultaneamente, uma vertente prática pedagógica que tem
necessariamente presente a aplicação destes conhecimentos na situação
real da sala de aula.

Nesse sentido, este trabalho pretende apresentar sugestões de aplica-
ção na prática docente quotidiana das teorias da pragmática linguística no
campo da coerência textual, tendo em conta as conclusões avançadas no
referido seminário.

Será, no entanto, necessário reter que esta pequena reflexão aqui a-
presentada encerra em si uma minúscula partícula de conhecimento no
vastíssimo universo que é, hoje em dia, a teoria da pragmática linguística e
que, se pelo menos vier a instigar um ponto de partida para novas refle-
xões no sentido de auxiliar o docente no ensino da língua materna, já terá
cumprido honestamente o seu papel.

Coesão e Coerência Textual
Qualquer falante sabe que a comunicação verbal não se faz geralmen-
te através de palavras isoladas, desligadas umas das outras e do contexto
em que são produzidas. Ou seja, uma qualquer sequência de palavras não
constitui forçosamente uma frase.

Para que uma sequência de morfemas seja admitida como frase, tor-
na-se necessário que respeite uma certa ordem combinatória, ou seja, é
preciso que essa sequência seja construÍda tendo em conta o sistema da
língua.

Tal como um qualquer conjunto de palavras não forma uma frase,
também um qualquer conjunto de frases não forma, forçosamente, um
texto.

Precisando um pouco mais, um texto, ou discurso, é um objeto materi-
alizado numa dada língua natural, produzido numa situação concreta e
pressupondo os participantes locutor e alocutário, fabricado pelo locutor
através de uma seleção feita sobre tudo o que é dizível por esse locutor,
numa determinada situação, a um determinado alocutário1.

Assim, materialidade linguística, isto é, a língua natural em uso, os có-
digos simbólicos, os processos cognitivos e as pressuposições do locutor
sobre o saber que ele e o alocutário partilham acerca do mundo são ingre-
dientes indispensáveis ao objeto texto.

Podemos assim dizer que existe um sistema de regras interiorizadas
por todos os membros de uma comunidade linguística. Este sistema de
regras de base constitui a competência textual dos sujeitos, competência
essa que uma gramática do texto se propõe modelizar.

Uma tal gramática fornece, dentro de um quadro formal, determinadas
regras para a boa formação textual. Destas regras podemos fazer derivar
certos julgamentos de coerência textual.

Quanto ao julgamento, efetuado pelos professores, sobre a coerência
nos textos dos seus alunos, os trabalhos de investigação concluem que as
intervenções do professor a nível de incorreções detectadas na estrutura
da frase são precisamente localizadas e assinaladas com marcas conven-
cionais; são designadas com recurso a expressões técnicas (construção,
conjugação) e fornecem pretexto para pôr em prática exercícios de corre-
ção, tendo em conta uma eliminação duradoura das incorreções observa-
das.

Pelo contrário, as intervenções dos professores no quadro das incorre-
ções a nível da estrutura do texto, permite-nos concluir que essas incorre-
ções não são designadas através de vocabulário técnico, traduzindo, na
maior parte das vezes, uma impressão global da leitura (incompreensível;
não quer dizer nada).

Para além disso, verificam-se práticas de correção algo brutais (refa-
zer; reformular) sendo, poucas vezes, acompanhadas de exercícios de
recuperação.

Esta situação é pedagogicamente penosa, uma vez que se o professor
desconhece um determinado quadro normativo, encontra-se reduzido a
fazer respeitar uma ordem sobre a qual não tem nenhum controle.

Antes de passarmos à apresentação e ao estudo dos quatro princípios
de coerência textual, há que esclarecer a problemática criada pela dicoto-
mia coerência/coesão que se encontra diretamente relacionada com a
dicotomia coerência macro-estrutural/coerência micro-estrutural.

Mira Mateus considera pertinente a existência de uma diferenciação
entre coerência textual e coesão textual.

Assim, segundo esta autora, coesão textual diz respeito aos processos
linguísticos que permitem revelar a inter-dependência semântica existente
entre sequências textuais:
Ex.: Entrei na livraria mas não comprei nenhum livro.

Para a mesma autora, coerência textual diz respeito aos processos
mentais de apropriação do real que permitem inter-relacionar sequências
textuais:
Ex.: Se esse animal respira por pulmões, não é peixe.

Pensamos, no entanto, que esta distinção se faz apenas por razões de
sistematização e de estruturação de trabalho, já que Mira Mateus não
hesita em agrupar coesão e coerência como características de uma só
propriedade indispensável para que qualquer manifestação linguística se
transforme num texto: a conetividade2.

Para Charolles não é pertinente, do ponto de vista técnico, estabelecer
uma distinção entre coesão e coerência textuais, uma vez que se torna
difícil separar as regras que orientam a formação textual das regras que
orientam a formação do discurso.


Linguagens e Códigos
17
Além disso, para este autor, as regras que orientam a micro-coerência
são as mesmas que orientam a macro-coerência textual. Efetivamente,
quando se elabora um resumo de um texto obedece-se às mesmas regras
de coerência que foram usadas para a construção do texto original.

Assim, para Charolles, micro-estrutura textual diz respeito às relações
de coerência que se estabelecem entre as frases de uma sequência textu-
al, enquanto que macro-estrutura textual diz respeito às relações de coe-
rência existentes entre as várias sequências textuais. Por exemplo:
Sequência 1: O António partiu para Lisboa. Ele deixou o escritório mais
cedo para apanhar o comboio das quatro horas.
Sequência 2: Em Lisboa, o António irá encontrar-se com amigos.Vai
trabalhar com eles num projeto de uma nova companhia de teatro.

Como micro-estruturas temos a sequência 1 ou a sequência 2, en-
quanto que o conjunto das duas sequências forma uma macro-estrutura.

Vamos agora abordar os princípios de coerência textual3:
1. Princípio da Recorrência4: para que um texto seja coerente, torna-
se necessário que comporte, no seu desenvolvimento linear, elementos de
recorrência restrita.

Para assegurar essa recorrência a língua dispõe de vários recursos:
- pronominalizações,
- expressões definidas5,
- substituições lexicais,
- retomas de inferências.

Todos estes recursos permitem juntar uma frase ou uma sequência a
uma outra que se encontre próxima em termos de estrutura de texto,
retomando num elemento de uma sequência um elemento presente numa
sequência anterior:

a)-Pronominalizações: a utilização de um pronome torna possível a re-
petição, à distância, de um sintagma ou até de uma frase inteira.

O caso mais frequente é o da anáfora, em que o referente antecipa o
pronome.
Ex.: Uma senhora foi assassinada ontem. Ela foi encontrada estrangu-
lada no seu quarto.

No caso mais raro da catáfora, o pronome antecipa o seu referente.
Ex.: Deixe-me confessar-lhe isto: este crime impressionou-me. Ou ain-
da: Não me importo de o confessar: este crime impressionou-me.

Teremos, no entanto, que ter cuidado com a utilização da catáfora, pa-
ra nos precavermos de enunciados como este:
Ele sabe muito bem que o João não vai estar de acordo com o Antó-
nio.

Num enunciado como este, não há qualquer possibilidade de identifi-
car ele com António. Assim, existe apenas uma possibilidade de interpreta-
ção: ele dirá respeito a um sujeito que não será nem o João nem o António,
mas que fará parte do conhecimento simultâneo do emissor e do receptor.

Para que tal aconteça, torna-se necessário reformular esse enunciado:
O António sabe muito bem que o João não vai estar de acordo com e-
le.

As situações de ambiguidade referencial são frequentes nos textos dos
alunos.
Ex.: O Pedro e o meu irmão banhavam-se num rio.
Um homem estava também a banhar-se.
Como ele sabia nadar, ensinou-o.

Neste enunciado, mesmo sem haver uma ruptura na continuidade se-
quencial, existem disfunções que introduzem zonas de incerteza no texto:
ele sabia nadar(quem?),
ele ensinou-o (quem?; a quem?)

b)-Expressões Definidas: tal como as pronominalizações, as expres-
sões definidas permitem relembrar nominalmente ou virtualmente um
elemento de uma frase numa outra frase ou até numa outra sequência
textual.
Ex.: O meu tio tem dois gatos. Todos os dias caminhamos no jardim.
Os gatos vão sempre conosco.

Os alunos parecem dominar bem esta regra. No entanto, os problemas
aparecem quando o nome que se repete é imediatamente vizinho daquele
que o precede.
Ex.: A Margarida comprou um vestido. O vestido é colorido e muito e-
legante.

Neste caso, o problema resolve-se com a aplicação de deíticos contex-
tuais.
Ex.: A Margarida comprou um vestido. Ele é colorido e muito elegante.

Pode também resolver-se a situação virtualmente utilizando a elipse.
Ex.: A Margarida comprou um vestido. É colorido e muito elegante. Ou
ainda:
A Margarida comprou um vestido que é colorido e muito elegante.

c)-Substituições Lexicais: o uso de expressões definidas e de deíticos
contextuais é muitas vezes acompanhado de substituições lexicais. Este
processo evita as repetições de lexemas, permitindo uma retoma do ele-
mento linguístico.
Ex.: Deu-se um crime, em Lisboa, ontem à noite: estrangularam uma
senhora. Este assassinato é odioso.

Também neste caso, surgem algumas regras que se torna necessário
respeitar. Por exemplo, o termo mais genérico não pode preceder o seu
representante mais específico.
Ex.: O piloto alemão venceu ontem o grande prêmio da Alemanha. S-
chumacher festejou euforicamente junto da sua equipa.

Se se inverterem os substantivos, a relação entre os elementos lin-
guísticos torna-se mais clara, favorecendo a coerência textual. Assim,
Schumacher, como termo mais específico, deveria preceder o piloto ale-
mão.

No entanto, a substituição de um lexema acompanhado por um deter-
minante, pode não ser suficiente para estabelecer uma coerência restrita.
Atentemos no seguinte exemplo:

Picasso morreu há alguns anos. O autor da "Sagração da Primavera"
doou toda a sua coleção particular ao Museu de Barcelona.

A presença do determinante definido não é suficiente para considerar
que Picasso e o autor da referida peça sejam a mesma pessoa, uma vez
que sabemos que não foi Picasso mas Stravinski que compôs a referida
peça.

Neste caso, mais do que o conhecimento normativo teórico, ou lexico-
enciclopédico, são importantes o conhecimento e as convicções dos parti-
cipantes no ato de comunicação, sendo assim impossível traçar uma
fronteira entre a semântica e a pragmática.

Há também que ter em conta que a substituição lexical se pode efetuar
por
- Sinonímia-seleção de expressões linguísticas que tenham a maior
parte dos traços semânticos idêntica: A criança caiu. O miúdo
nunca mais aprende a cair!
- Antonímia-seleção de expressões linguísticas que tenham a maior
parte dos traços semânticos oposta: Disseste a verdade? Isso
cheira-me a mentira!
- Hiperonímia-a primeira expressão mantém com a segunda uma
relação classe-elemento: Gosto imenso de marisco. Então lagosta,
adoro!
- Hiponímia- a primeira expressão mantém com a segunda uma re-
lação elemento-classe: O gato arranhou-te? O que esperavas de
um felino?

d)-Retomas de Inferências: neste caso, a relação é feita com base em
conteúdos semânticos não manifestados, ao contrário do que se passava

Linguagens e Códigos
18
com os processos de recorrência anteriormente tratados.

Vejamos:
P - A Maria comeu a bolacha?
R1 - Não, ela deixou-a cair no chão.
R2 - Não, ela comeu um morango.
R3 - Não, ela despenteou-se.

As sequências P+R1 e P+R2 parecem, desde logo, mais coerentes do
que a sequência P+R3.

No entanto, todas as sequências são asseguradas pela repetição do
pronome na 3ª pessoa.

Podemos afirmar, neste caso, que a repetição do pronome não é sufi-
ciente para garantir coerência a uma sequência textual.

Assim, a diferença de avaliação que fazemos ao analisar as várias hi-
póteses de respostas que vimos anteriormente sustenta-se no fato de R1 e
R2 retomarem inferências presentes em P:
- aconteceu alguma coisa à bolacha da Maria,
- a Maria comeu qualquer coisa.

Já R3 não retoma nenhuma inferência potencialmente dedutível de P.

Conclui-se, então, que a retoma de inferências ou de pressuposições
garante uma fortificação da coerência textual.

Quando analisamos certos exercícios de prolongamento de texto (con-
tinuar a estruturação de um texto a partir de um início dado) os alunos são
levados a veicular certas informações pressupostas pelos professores.

Por exemplo, quando se apresenta um início de um texto do tipo: Três
crianças passeiam num bosque. Elas brincam aos detetives. Que vão eles
fazer?

A interrogação final permite-nos pressupor que as crianças vão real-
mente fazer qualquer coisa.

Um aluno que ignore isso e que narre que os pássaros cantavam en-
quanto as folhas eram levadas pelo vento, será punido por ter apresentado
uma narração incoerente, tendo em conta a questão apresentada.

No entanto, um professor terá que ter em conta que essas inferências
ou essas pressuposições se relacionam mais com o conhecimento do
mundo do que com os elementos linguísticos propriamente ditos.

Assim, as dificuldades que os alunos apresentam neste tipo de exercí-
cios, estão muitas vezes relacionadas com um conhecimento de um mundo
ao qual eles não tiveram acesso. Por exemplo, será difícil a um aluno
recriar o quotidiano de um multi-milionário,senhor de um grande império
industrial, que vive numa luxuosa vila.

2.Princípio da Progressão: para que um texto seja coerente, torna-se
necessário que o seu desenvolvimento se faça acompanhar de uma infor-
mação semântica constantemente renovada.

Este segundo princípio completa o primeiro, uma vez que estipula que
um texto, para ser coerente, não se deve contentar com uma repetição
constante da própria matéria.

Alguns textos dos alunos contrariam esta regra. Por exemplo: O ferrei-
ro estava vestido com umas calças pretas, um chapéu claro e uma vesti-
menta preta. Tinha ao pé de si uma bigorna e batia com força na bigorna.
Todos os gestos que fazia consistiam em bater com o martelo na bigorna.
A bigorna onde batia com o martelo era achatada em cima e pontiaguda
em baixo e batia com o martelo na bigorna.

Se tivermos em conta apenas o princípio da recorrência, este texto não
será incoerente, será até coerente demais.

No entanto, segundo o princípio da progressão, a produção de um tex-
to coerente pressupõe que se realize um equilíbrio cuidado entre continui-
dade temática e progressão semântica.

Torna-se assim necessário dominar, simultaneamente, estes dois prin-
cípios (recorrência e progressão) uma vez que a abordagem da informação
não se pode processar de qualquer maneira.

Assim, um texto será coerente se a ordem linear das sequências a-
companhar a ordenação temporal dos fatos descritos.
Ex.: Cheguei, vi e venci.(e não Vi, venci e cheguei).

O texto será coerente desde que reconheçamos, na ordenação das
suas sequências, uma ordenação de causa-consequência entre os estados
de coisas descritos.
Ex.: Houve seca porque não choveu. (e não Houve seca porque cho-
veu).

Teremos ainda que ter em conta que a ordem de percepção dos esta-
dos de coisas descritos pode condicionar a ordem linear das sequências
textuais.
Ex.: A praça era enorme. No meio, havia uma coluna; à volta, árvores
e canteiros com flores.

Neste caso, notamos que a percepção se dirige do geral para o parti-
cular.
3.Princípio da Não- Contradição: para que um texto seja coerente, tor-
na-se necessário que o seu desenvolvimento não introduza nenhum ele-
mento semântico que contradiga um conteúdo apresentado ou pressuposto
por uma ocorrência anterior ou dedutível por inferência.

Ou seja, este princípio estipula simplesmente que é inadmissível que
uma mesma proposição seja conjuntamente verdadeira e não verdadeira.

Vamos, seguidamente, preocupar-nos, sobretudo, com o caso das
contradições inferenciais e pressuposicionais6.

Existe contradição inferencial quando a partir de uma proposição po-
demos deduzir uma outra que contradiz um conteúdo semântico apresen-
tado ou dedutível.
Ex.: A minha tia é viúva. O seu marido coleciona relógios de bolso.

As inferências que autorizam viúva não só não são retomadas na se-
gunda frase, como são perfeitamente contraditas por essa mesma frase.

O efeito da incoerência resulta de incompatibilidades semânticas pro-
fundas às quais temos de acrescentar algumas considerações temporais,
uma vez que, como se pode ver, basta remeter o verbo colecionar para o
pretérito para suprimir as contradições.

As contradições pressuposicionais são em tudo comparáveis às infe-
renciais, com a exceção de que no caso das pressuposicionais é um
conteúdo pressuposto que se encontra contradito.
Ex.: O Júlio ignora que a sua mulher o engana. A sua esposa é-lhe
perfeitamente fiel.

Na segunda frase, afirma-se a inegável fidelidade da mulher de Júlio,
enquanto a primeira pressupõe o inverso.

É frequente, nestes casos, que o emissor recupere a contradição pre-
sente com a ajuda de conectores do tipo mas, entretanto, contudo, no
entanto, todavia, que assinalam que o emissor se apercebe dessa contra-
dição, assume-a, anula-a e toma partido dela.
Ex.: O João detesta viajar. No entanto, está entusiasmado com a parti-
da para Itália, uma vez que sempre sonhou visitar Florença.

4.Princípio da Relação: para que um texto seja coerente, torna-se ne-
cessário que denote, no seu mundo de representação, fatos que se apre-
sentem diretamente relacionados.

Ou seja, este princípio enuncia que para uma sequência ser admitida
como coerente7, terá de apresentar ações, estados ou eventos que sejam
congruentes com o tipo de mundo representado nesse texto.

Linguagens e Códigos
19

Assim, se tivermos em conta as três frases seguintes
1 - A Silvia foi estudar.
2 - A Silvia vai fazer um exame.
3 - O circuito de Adelaide agradou aos pilotos de Fórmula 1.

A sequência formada por 1+2 surge-nos, desde logo, como sendo
mais congruente do que as sequências 1+3 ou 2+3.

Nos discursos naturais, as relações de relevância factual são, na maior
parte dos casos, manifestadas por conectores que as explicitam semanti-
camente.
Ex.: A Silvia foi estudar porque vai fazer um exame. Ou também: A Sil-
via vai fazer um exame portanto foi estudar.
A impossibilidade de ligar duas frases por meio de conectores constitui
um bom teste para descobrir uma incongruência.
Ex.: A Silvia foi estudar logo o circuito de Adelaide agradou aos pilotos
de Fórmula 1.

O conhecimento destes princípios de coerência, por parte dos profes-
sores, permite uma nova apreciação dos textos produzidos pelos alunos,
garantindo uma melhor correção dos seus trabalhos, evitando encontrar
incoerências em textos perfeitamente coerentes, bem como permite a
dinamização de estratégias de correção.

Teremos que ter em conta que para um leitor que nada saiba de cen-
trais termo-nucleares nada lhe parecerá mais incoerente do que um tratado
técnico sobre centrais termo-nucleares.

No entanto, os leitores quase nunca consideram os textos incoerentes.
Pelo contrário, os receptores dão ao emissor o crédito da coerência, admi-
tindo que o emissor terá razões para apresentar os textos daquela manei-
ra.

Assim, o leitor vai esforçar-se na procura de um fio condutor de pen-
samento que conduza a uma estrutura coerente.

Tudo isto para dizer que deve existir nos nossos sistemas de pensa-
mento e de linguagem uma espécie de princípio de coerência verbal (com-
parável com o princípio de cooperação de Grice8 estipulando que, seja
qual for o discurso, ele deve apresentar forçosamente uma coerência
própria, uma vez que é concebido por um espírito que não é incoerente por
si mesmo.

É justamente tendo isto em conta que devemos ler, avaliar e corrigir os
textos dos nossos alunos.

Anotações:
1- M. H. Mira Mateus, Gramática da Língua Portuguesa, Ed. Cami-
nho, 19923, p.134;
M. H. Mira Mateus, op. cit., pp.134-148;
3- "Méta-regles de cohérence", segundo Charolles, Introduction aux
problèmes de la cohérence des textes, in Langue Française, 1978;
4- "Méta-regle de répétition", segundo Charolles (op. cit.);
5- "Les déficitivisations et les référentiations déictiques contextuel-
les", segundo Charolles (op. cit.);
6- Charolles aponta igualmente as contradições enunciativas. No en-
tanto, vamos debruçar-nos apenas sobre as contradições inferen-
ciais e pressuposicionais, uma vez que foi sobre este tipo de con-
tradições que efetuamos exercícios em situação de prática peda-
gógica.
7- Charolles refere inclusivamente a existência de uma "relation de
congruence" entre o que é enunciado na sequência textual e o
mundo a que essa sequência faz referência;
8- Para um esclarecimento sobre este princípio, ver O. Ducrot, Dire
et ne pas dire, Paris, Herman, 1972 e também D. Gordon e G. La-
koff, Postulates de conservation, Langages nº 30, Paris, Didier-
Larousse, 1973.

1. Coerência:
Produzimos textos porque pretendemos informar, divertir, explicar,
convencer, discordar, ordenar, ou seja, o texto é uma unidade de significa-
do produzida sempre com uma determinada intenção. Assim como a frase
não é uma simples sucessão de palavras, o texto também não é uma
simples sucessão de frases, mas um todo organizado capaz de estabele-
cer contato com nossos interlocutores, influindo sobre eles. Quando isso
ocorre, temos um texto em que há coerência.

A coerência é resultante da não-contradição entre os diversos seg-
mentos textuais que devem estar encadeados logicamente. Cada segmen-
to textual é pressuposto do segmento seguinte, que por sua vez será
pressuposto para o que lhe estender, formando assim uma cadeia em que
todos eles estejam concatenados harmonicamente. Quando há quebra
nessa concatenação, ou quando um segmento atual está em contradição
com um anterior, perde-se a coerência textual.

A coerência é também resultante da adequação do que se diz ao con-
texto extra verbal, ou seja, àquilo o que o texto faz referência, que precisa
ser conhecido pelo receptor.

Ao ler uma frase como "No verão passado, quando estivemos na capi-
tal do Ceará Fortaleza, não pudemos aproveitar a praia, pois o frio era
tanto que chegou a nevar", percebemos que ela é incoerente em decorrên-
cia da incompatibilidade entre um conhecimento prévio que temos da
realizada com o que se relata. Sabemos que, considerando uma realidade
"normal", em Fortaleza não neva (ainda mais no verão!).

Claro que, inserido numa narrativa ficcional fantástica, o exemplo aci-
ma poderia fazer sentido, dando coerência ao texto - nesse caso, o contex-
to seria a "anormalidade" e prevaleceria a coerência interna da narrativa.

No caso de apresentar uma inadequação entre o que informa e a rea-
lidade "normal" pré-conhecida, para guardar a coerência o texto deve
apresentar elementos linguísticos instruindo o receptor acerca dessa
anormalidade.

Uma afirmação como "Foi um verdadeiro milagre! O menino caiu do
décimo andar e não sofreu nenhum arranhão." é coerente, na medida que
a frase inicial ("Foi um verdadeiro milagre") instrui o leitor para a anormali-
dade do fato narrado.

2. Coesão:
A redação deve primar, como se sabe, pela clareza, objetividade, coe-
rência e coesão. E a coesão, como o próprio nome diz (coeso significa
ligado), é a propriedade que os elementos textuais têm de estar interliga-
dos. De um fazer referência ao outro. Do sentido de um depender da
relação com o outro. Preste atenção a este texto, observando como as
palavras se comunicam, como dependem uma das outras.

SÃO PAULO: OITO PESSOAS MORREM EM QUEDA DE AVIÃO
Das Agências

Cinco passageiros de uma mesma família, de Maringá, dois tripulantes
e uma mulher que viu o avião cair morreram

Oito pessoas morreram (cinco passageiros de uma mesma família e
dois tripulantes, além de uma mulher que teve ataque cardíaco) na queda
de um avião (1) bimotor Aero Commander, da empresa J. Caetano, da
cidade de Maringá (PR). O avião (1) prefixo PTI-EE caiu sobre quatro
sobrados da Rua Andaquara, no bairro de Jardim Marajoara, Zona Sul de
São Paulo, por volta das 21h40 de sábado. O impacto (2) ainda atingiu
mais três residências.

Estavam no avião (1) o empresário Silvio Name Júnior (4), de 33 anos,
que foi candidato a prefeito de Maringá nas últimas eleições (leia reporta-
gem nesta página); o piloto (1) José Traspadini (4), de 64 anos; o co-piloto
(1) Geraldo Antônio da Silva Júnior, de 38; o sogro de Name Júnior (4),
Márcio Artur Lerro Ribeiro (5), de 57; seus (4) filhos Márcio Rocha Ribeiro
Neto, de 28, e Gabriela Gimenes Ribeiro (6), de 31; e o marido dela (6),
João Izidoro de Andrade (7), de 53 anos.

Izidoro Andrade (7) é conhecido na região (8) como um dos maiores
compradores de cabeças de gado do Sul (8) do país. Márcio Ribeiro (5) era
um dos sócios do Frigorífico Naviraí, empresa proprietária do bimotor (1).

Linguagens e Códigos
20
Isidoro Andrade (7) havia alugado o avião (1) Rockwell Aero Commander
691, prefixo PTI-EE, para (7) vir a São Paulo assistir ao velório do filho (7)
Sérgio Ricardo de Andrade (8), de 32 anos, que (8) morreu ao reagir a um
assalto e ser baleado na noite de sexta-feira.

O avião (1) deixou Maringá às 7 horas de sábado e pousou no aero-
porto de Congonhas às 8h27. Na volta, o bimotor (1) decolou para Maringá
às 21h20 e, minutos depois, caiu na altura do número 375 da Rua Anda-
quara, uma espécie de vila fechada, próxima à avenida Nossa Senhora do
Sabará, uma das avenidas mais movimentadas da Zona Sul de São Paulo.
Ainda não se conhece as causas do acidente (2). O avião (1) não tinha
caixa preta e a torre de controle também não tem informações. O laudo
técnico demora no mínimo 60 dias para ser concluído.

Segundo testemunhas, o bimotor (1) já estava em chamas antes de
cair em cima de quatro casas (9). Três pessoas (10) que estavam nas
casas (9) atingidas pelo avião (1) ficaram feridas. Elas (10) não sofreram
ferimentos graves. (10) Apenas escoriações e queimaduras. Elídia Fiorezzi,
de 62 anos, Natan Fiorezzi, de 6, e Josana Fiorezzi foram socorridos no
Pronto Socorro de Santa Cecília.

Vejamos, por exemplo, o elemento (1), referente ao avião envolvido no
acidente. Ele foi retomado nove vezes durante o texto. Isso é necessário à
clareza e à compreensão do texto. A memória do leitor deve ser reavivada
a cada instante. Se, por exemplo, o avião fosse citado uma vez no primeiro
parágrafo e fosse retomado somente uma vez, no último, talvez a clareza
da matéria fosse comprometida.

E como retomar os elementos do texto? Podemos enumerar alguns
mecanismos:

a) REPETIÇÃO: o elemento (1) foi repetido diversas vezes durante o
texto. Pode perceber que a palavra avião foi bastante usada, principalmen-
te por ele ter sido o veículo envolvido no acidente, que é a notícia propria-
mente dita. A repetição é um dos principais elementos de coesão do texto
jornalístico fatual, que, por sua natureza, deve dispensar a releitura por
parte do receptor (o leitor, no caso). A repetição pode ser considerada a
mais explícita ferramenta de coesão. Na dissertação cobrada pelos vesti-
bulares, obviamente deve ser usada com parcimônia, uma vez que um
número elevado de repetições pode levar o leitor à exaustão.

b) REPETIÇÃO PARCIAL: na retomada de nomes de pessoas, a repe-
tição parcial é o mais comum mecanismo coesivo do texto jornalístico.
Costuma-se, uma vez citado o nome completo de um entrevistado - ou da
vítima de um acidente, como se observa com o elemento (7), na última
linha do segundo parágrafo e na primeira linha do terceiro -, repetir somen-
te o(s) seu(s) sobrenome(s). Quando os nomes em questão são de cele-
bridades (políticos, artistas, escritores, etc.), é de praxe, durante o texto,
utilizar a nominalização por meio da qual são conhecidas pelo público.
Exemplos: Nedson (para o prefeito de Londrina, Nedson Micheletti); Farage
(para o candidato à prefeitura de Londrina em 2000 Farage Khouri); etc.
Nomes femininos costumam ser retomados pelo primeiro nome, a não ser
nos casos em que o sobrenomes sejam, no contexto da matéria, mais
relevantes e as identifiquem com mais propriedade.

c) ELIPSE: é a omissão de um termo que pode ser facilmente deduzi-
do pelo contexto da matéria. Veja-se o seguinte exemplo: Estavam no
avião (1) o empresário Silvio Name Júnior (4), de 33 anos, que foi candida-
to a prefeito de Maringá nas últimas eleições; o piloto (1) José Traspadini
(4), de 64 anos; o co-piloto (1) Geraldo Antônio da Silva Júnior, de 38.
Perceba que não foi necessário repetir-se a palavra avião logo após as
palavras piloto e co-piloto. Numa matéria que trata de um acidente de
avião, obviamente o piloto será de aviões; o leitor não poderia pensar que
se tratasse de um piloto de automóveis, por exemplo. No último parágrafo
ocorre outro exemplo de elipse: Três pessoas (10) que estavam nas casas
(9) atingidas pelo avião (1) ficaram feridas. Elas (10) não sofreram ferimen-
tos graves. (10) Apenas escoriações e queimaduras. Note que o (10) em
negrito, antes de Apenas, é uma omissão de um elemento já citado: Três
pessoas. Na verdade, foi omitido, ainda, o verbo: (As três pessoas sofre-
ram) Apenas escoriações e queimaduras.

d) SUBSTITUIÇÕES: uma das mais ricas maneiras de se retomar um
elemento já citado ou de se referir a outro que ainda vai ser mencionado é
a substituição, que é o mecanismo pelo qual se usa uma palavra (ou grupo
de palavras) no lugar de outra palavra (ou grupo de palavras). Confira os
principais elementos de substituição:

Pronomes: a função gramatical do pronome é justamente substituir ou
acompanhar um nome. Ele pode, ainda, retomar toda uma frase ou toda a
ideia contida em um parágrafo ou no texto todo. Na matéria-exemplo, são
nítidos alguns casos de substituição pronominal: o sogro de Name Júnior
(4), Márcio Artur Lerro Ribeiro (5), de 57; seus (4) filhos Márcio Rocha
Ribeiro Neto, de 28, e Gabriela Gimenes Ribeiro (6), de 31; e o marido dela
(6), João Izidoro de Andrade (7), de 53 anos. O pronome possessivo seus
retoma Name Júnior (os filhos de Name Júnior...); o pronome pessoal ela,
contraído com a preposição de na forma dela, retoma Gabriela Gimenes
Ribeiro (e o marido de Gabriela...). No último parágrafo, o pronome pessoal
elas retoma as três pessoas que estavam nas casas atingidas pelo avião:
Elas (10) não sofreram ferimentos graves.

Epítetos: são palavras ou grupos de palavras que, ao mesmo tempo
que se referem a um elemento do texto, qualificam-no. Essa qualificação
pode ser conhecida ou não pelo leitor. Caso não seja, deve ser introduzida
de modo que fique fácil a sua relação com o elemento qualificado.

Exemplos:
a) (...) foram elogiadas pelo por Fernando Henrique Cardoso. O pre-
sidente, que voltou há dois dias de Cuba, entregou-lhes um certifi-
cado... (o epíteto presidente retoma Fernando Henrique Cardoso;
poder-se-ia usar, como exemplo, sociólogo);
b) Edson Arantes de Nascimento gostou do desempenho do Brasil.
Para o ex-Ministro dos Esportes, a seleção... (o epíteto ex-Ministro
dos Esportes retoma Edson Arantes do Nascimento; poder-se-iam,
por exemplo, usar as formas jogador do século, número um do
mundo, etc.

Sinônimos ou quase sinônimos: palavras com o mesmo sentido (ou
muito parecido) dos elementos a serem retomados. Exemplo: O prédio foi
demolido às 15h. Muitos curiosos se aglomeraram ao redor do edifício,
para conferir o espetáculo (edifício retoma prédio. Ambos são sinônimos).

Nomes deverbais: são derivados de verbos e retomam a ação expres-
sa por eles. Servem, ainda, como um resumo dos argumentos já utilizados.
Exemplos: Uma fila de centenas de veículos paralisou o trânsito da Aveni-
da Higienópolis, como sinal de protesto contra o aumentos dos impostos. A
paralisação foi a maneira encontrada... (paralisação, que deriva de parali-
sar, retoma a ação de centenas de veículos de paralisar o trânsito da
Avenida Higienópolis). O impacto (2) ainda atingiu mais três residências (o
nome impacto retoma e resume o acidente de avião noticiado na matéria-
exemplo)

Elementos classificadores e categorizadores: referem-se a um elemen-
to (palavra ou grupo de palavras) já mencionado ou não por meio de uma
classe ou categoria a que esse elemento pertença: Uma fila de centenas
de veículos paralisou o trânsito da Avenida Higienópolis. O protesto foi a
maneira encontrada... (protesto retoma toda a ideia anterior - da paralisa-
ção -, categorizando-a como um protesto); Quatro cães foram encontrados
ao lado do corpo. Ao se aproximarem, os peritos enfrentaram a reação dos
animais (animais retoma cães, indicando uma das possíveis classificações
que se podem atribuir a eles).

Advérbios: palavras que exprimem circunstâncias, principalmente as
de lugar: Em São Paulo, não houve problemas. Lá, os operários não aderi-
ram... (o advérbio de lugar lá retoma São Paulo). Exemplos de advérbios
que comumente funcionam como elementos referenciais, isto é, como
elementos que se referem a outros do texto: aí, aqui, ali, onde, lá, etc.

Observação: É mais frequente a referência a elementos já citados no
texto. Porém, é muito comum a utilização de palavras e expressões que se
refiram a elementos que ainda serão utilizados. Exemplo: Izidoro Andrade
(7) é conhecido na região (8) como um dos maiores compradores de
cabeças de gado do Sul (8) do país. Márcio Ribeiro (5) era um dos sócios
do Frigorífico Naviraí, empresa proprietária do bimotor (1). A palavra região
serve como elemento classificador de Sul (A palavra Sul indica uma região

Linguagens e Códigos
21
do país), que só é citada na linha seguinte.

Conexão:
Além da constante referência entre palavras do texto, observa-se na
coesão a propriedade de unir termos e orações por meio de conectivos,
que são representados, na Gramática, por inúmeras palavras e expres-
sões. A escolha errada desses conectivos pode ocasionar a deturpação do
sentido do texto. Abaixo, uma lista dos principais elementos conectivos,
agrupados pelo sentido. Baseamo-nos no autor Othon Moacyr Garcia
(Comunicação em Prosa Moderna).

Prioridade, relevância: em primeiro lugar, antes de mais nada, antes
de tudo, em princípio, primeiramente, acima de tudo, precipuamente,
principalmente, primordialmente, sobretudo, a priori (itálico), a posteriori
(itálico).

Tempo (frequência, duração, ordem, sucessão, anterioridade, posterio-
ridade): então, enfim, logo, logo depois, imediatamente, logo após, a prin-
cípio, no momento em que, pouco antes, pouco depois, anteriormente,
posteriormente, em seguida, afinal, por fim, finalmente agora atualmente,
hoje, frequentemente, constantemente às vezes, eventualmente, por
vezes, ocasionalmente, sempre, raramente, não raro, ao mesmo tempo,
simultaneamente, nesse ínterim, nesse meio tempo, nesse hiato, enquanto,
quando, antes que, depois que, logo que, sempre que, assim que, desde
que, todas as vezes que, cada vez que, apenas, já, mal, nem bem.

Semelhança, comparação, conformidade: igualmente, da mesma for-
ma, assim também, do mesmo modo, similarmente, semelhantemente,
analogamente, por analogia, de maneira idêntica, de conformidade com, de
acordo com, segundo, conforme, sob o mesmo ponto de vista, tal qual,
tanto quanto, como, assim como, como se, bem como.

Condição, hipótese: se, caso, eventualmente.

Adição, continuação: além disso, demais, ademais, outrossim, ainda
mais, ainda cima, por outro lado, também, e, nem, não só ... mas também,
não só... como também, não apenas ... como também, não só ... bem
como, com, ou (quando não for excludente).

Dúvida: talvez provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe, é
provável, não é certo, se é que.

Certeza, ênfase: decerto, por certo, certamente, indubitavelmente, in-
questionavelmente, sem dúvida, inegavelmente, com toda a certeza.

Surpresa, imprevisto: inesperadamente, inopinadamente, de súbito,
subitamente, de repente, imprevistamente, surpreendentemente.

Ilustração, esclarecimento: por exemplo, só para ilustrar, só para e-
xemplificar, isto é, quer dizer, em outras palavras, ou por outra, a saber, ou
seja, aliás.

Propósito, intenção, finalidade: com o fim de, a fim de, com o propósito
de, com a finalidade de, com o intuito de, para que, a fim de que, para.

Lugar, proximidade, distância: perto de, próximo a ou de, junto a ou de,
dentro, fora, mais adiante, aqui, além, acolá, lá, ali, este, esta, isto, esse,
essa, isso, aquele, aquela, aquilo, ante, a.

Resumo, recapitulação, conclusão: em suma, em síntese, em conclusão,
enfim, em resumo, portanto, assim, dessa forma, dessa maneira, desse
modo, logo, pois (entre vírgulas), dessarte, destarte, assim sendo.

Causa e consequência. Explicação: por consequência, por conseguinte,
como resultado, por isso, por causa de, em virtude de, assim, de fato, com
efeito, tão (tanto, tamanho) ... que, porque, porquanto, pois, já que, uma vez
que, visto que, como (= porque), portanto, logo, que (= porque), de tal sorte
que, de tal forma que, haja vista.

Contraste, oposição, restrição, ressalva: pelo contrário, em contraste
com, salvo, exceto, menos, mas, contudo, todavia, entretanto, no entanto,
embora, apesar de, ainda que, mesmo que, posto que, posto, conquanto, se
bem que, por mais que, por menos que, só que, ao passo que.

Ideias alternativas: Ou, ou... ou, quer... quer, ora... ora.
Níveis De Significado Dos Textos:
Significado Implícito E Explícito
Observe a seguinte frase:
Fiz faculdade, mas aprendi algumas coisas.

Nela, o falante transmite duas informações de maneira explícita:
que ele frequentou um curso superior;
que ele aprendeu algumas coisas.

Ao ligar essas duas informações com um “mas” comunica também de
modo implícito sua critica ao sistema de ensino superior, pois a frase passa
a transmitir a ideia de que nas faculdades não se aprende nada.

Um dos aspectos mais intrigantes da leitura de um texto é a verificação
de que ele pode dizer coisas que parece não estar dizendo: além das
informações explicitamente enunciadas, existem outras que ficam suben-
tendidas ou pressupostas. Para realizar uma leitura eficiente, o leitor deve
captar tanto os dados explícitos quanto os implícitos.

Leitor perspicaz é aquele que consegue ler nas entrelinhas. Caso con-
trário, ele pode passar por cima de significados importantes e decisivos ou
— o que é pior — pode concordar com coisas que rejeitaria se as perce-
besse.

Não é preciso dizer que alguns tipos de texto exploram, com malícia e
com intenções falaciosas, esses aspectos subentendidos e pressupostos.

Que são pressupostos? São aquelas ideias não expressas de maneira
explícita, mas que o leitor pode perceber a partir de certas palavras ou
expressões contidas na frase.

Assim, quando se diz “O tempo continua chuvoso”, comunica-se de
maneira explícita que no momento da fala o tempo é de chuva, mas, ao
mesmo tempo, o verbo “continuar” deixa perceber a informação implícita de
que antes o tempo já estava chuvoso.

Na frase “Pedro deixou de fumar” diz-se explicitamente que, no mo-
mento da fala, Pedro não fuma. O verbo “deixar”, todavia, transmite a
informação implícita de que Pedro fumava antes.

A informação explícita pode ser questionada pelo ouvinte, que pode ou
não concordar com ela. Os pressupostos, no entanto, têm que ser verda-
deiros ou pelo menos admitidos como verdadeiros, porque é a partir deles
que se constróem as informações explícitas. Se o pressuposto é falso, a
informação explícita não tem cabimento. No exemplo acima, se Pedro não
fumava antes, não tem cabimento afirmar que ele deixou de fumar.

Na leitura e interpretação de um texto, é muito importante detectar os
pressupostos, pois seu uso é um dos recursos argumentativos utilizados
com vistas a levar o ouvinte ou o leitor a aceitar o que está sendo comuni-
cado. Ao introduzir uma ideia sob a forma de pressuposto, o falante trans-
forma o ou vinte em cúmplice, urna vez que essa ideia não é posta em
discussão e todos os argumentos subsequentes só contribuem para con-
firmá -la.

Por isso pode-se dizer que o pressuposto aprisiona o ouvinte ao sis-
tema de pensamento montado pelo falante.

A demonstração disso pode ser encontrada em muitas dessas “verda-
des” incontestáveis postas como base de muitas alegações do discurso
político.

Tomemos como exemplo a seguinte frase:
Ë preciso construir mísseis nucleares para defender o Ocidente de um
ataque soviético.

O conteúdo explícito afirma:
— a necessidade da construção de mísseis,
— com a finalidade de defesa contra o ataque soviético.

Linguagens e Códigos
22

O pressuposto, isto é, o dado que não se põe em discussão é: os so-
viéticos pretendem atacar o Ocidente.

Os argumentos contra o que foi informado explicitamente nessa frase
podem ser:
— os mísseis não são eficientes para conter o ataque soviético;
— uma guerra de mísseis vai destruir o mundo inteiro e não apenas os
soviéticos;
— a negociação com os soviéticos é o único meio de dissuadi-los de
um ataque ao Ocidente.

Como se pode notar, os argumentos são contrários ao que está dito
explicitamente, mas todos eles confirmam o pressuposto, isto é, todos os
argumentos aceitam que os soviéticos pretendem atacar o Ocidente.

A aceitação do pressuposto é o que permite levar à frente o debate. Se
o ouvinte disser que os soviéticos não têm intenção nenhuma de atacar o
Ocidente, estará negando o pressuposto lançado pelo falante e então a
possibilidade de diálogo fica comprometida irreparavelmente. Qualquer
argumento entre os citados não teria nenhuma razão de ser. Isso quer
dizer que, com pressupostos distintos, não é possível o diálogo ou não tem
ele sentido algum. Pode-se contornar esse problema tornando os pressu-
postos afirmações explícitas, que então podem ser discutidas.

Os pressupostos são marcados, nas frases, por meio de vários indica-
dores linguísticos, como, por exemplo:

a) certos advérbios
Os resultados da pesquisa ainda não chegaram até nós.
Pressuposto: Os resultados já deviam ter chegado.
ou
Os resultados vão chegar mais tarde.

b) certos verbos
O caso do contrabando tornou-se público.
Pressuposto: O caso não era público antes.

c) as orações adjetivas
Os candidatos a prefeito, que só querem defender seus interesses,
não pensam no povo.

Pressuposto: Todos os candidatos a prefeito têm interesses individu-
ais. Mas a mesma frase poderia ser redigida assim:
Os candidatos a prefeito que só querem defender seus interesses não
pensam no povo.

No caso, o pressuposto seria outro: Nem todos os candidatos a prefei-
to têm interesses individuais.

No primeiro caso, a oração é explicativa; no segundo, é restritiva. As
explicativas pressupõem que o que elas expressam refere-se a todos os
elementos de um dado conjunto; as restritivas, que o que elas dizem
concerne a parte dos elementos de um dado conjunto.

d) os adjetivos
Os partidos radicais acabarão com a democracia no Brasil.

Pressuposto: Existem partidos radicais no Brasil.

Os subentendidos
Os subentendidos são as insinuações escondidas por trás de uma a-
firmação. Quando um transeunte com o cigarro na mão pergunta: Você tem
fogo?, acharia muito estranho se você dissesse: Tenho e não lhe acendes-
se o cigarro. Na verdade, por trás da pergunta subentende-se: Acenda-me
o cigarro por favor.

O subentendido difere do pressuposto num aspecto importante: o
pressuposto é um dado posto como indiscutível para o falante e para o
ouvinte, não é para ser contestado; o subentendido é de responsabilidade
do ouvinte, pois o falante, ao subentender, esconde-se por trás do sentido
literal das palavras e pode dizer que não estava querendo dizer o que o
ouvinte depreendeu.

O subentendido, muitas vezes, serve para o falante proteger-se diante
de uma informação que quer transmitir para o ouvinte sem se comprometer
com ela.

Para entender esse processo de descomprometimento que ocorre com
a manipulação dos subentendidos, imaginemos a seguinte situação: um
funcionário público do partido de oposição lamenta, diante dos colegas
reunidos em assembleia, que um colega de seção, do partido do governo,
além de ter sido agraciado com uma promoção, conseguiu um empréstimo
muito favorável do banco estadual, ao passo que ele, com mais tempo de
serviço, continuava no mesmo posto e não conseguia o empréstimo solici-
tado muito antes que o referido colega.

Mais tarde, tendo sido acusado de estar denunciando favoritismo do
governo para com os seus adeptos, o funcionário reclamante defende-se
prontamente, alegando não ter falado em favoritismo e que isso era dedu-
ção de quem ouvira o seu discurso.

Na verdade, ele não falou em favoritismo mas deu a entender, deixou
subentendido para não se comprometer com o que disse. Fez a denúncia
sem denunciar explicitamente. A frase sugere, mas não diz.

A distinção entre pressupostos e subentendidos em certos casos é
bastante sutil. Não vamos aqui ocupar-nos dessas sutilezas, mas explorar
esses conceitos como instrumentos úteis para uma compreensão mais
eficiente do texto.

ARTICULAÇÃO DO TEXTO: PRONOMES E EXPRESSÕES
REFERENCIAIS, NEXOS, OPERADORES SEQUENCIAIS.

Resenha Critica de Articulação do Texto
Amanda Alves Martins
Resenha Crítica do livro A Articulação do Texto, da autora Elisa Gui-
marães

No livro de Elisa Guimarães, A Articulação do Texto, a autora procura
esclarecer as dúvidas referentes à formação e à compreensão de um texto
e do seu contexto.

Formado por unidades coordenadas, ou seja, interligadas entre si, o
texto constitui, portanto, uma unidade comunicativa para os membros de
uma comunidade; nele, existe um conjunto de fatores indispensáveis para
a sua construção, como “as intenções do falante (emissor), o jogo de
imagens conceituais, mentais que o emissor e destinatário execu-
tam.”(Manuel P. Ribeiro, 2004, p.397). Somado à isso, um texto não pode
existir de forma única e sozinha, pois depende dos outros tanto sintatica-
mente quanto semanticamente para que haja um entendimento e uma
compreensão deste. Dentro de um texto, as partes que o formam se inte-
gram e se explicam de forma recíproca.

Completando o processo de formação de um texto, a autora nos escla-
rece que a economia de linguagem facilita a compreensão dele, sendo
indispensável uma ligação entre as partes, mesmo havendo um corte de
trechos considerados não essenciais.

Quando o tema é a “situação comunicativa” (p.7), a autora nos escla-
rece a relação texto X contexto, onde um é essencial para esclarecermos o
outro, utilizando-se de palavras que recebem diferentes significados con-
forme são inseridas em um determinado contexto; nos levando ao enten-
dimento de que não podemos considerar isoladamente os seus conceitos e
sim analisá-los de acordo com o contexto semântico ao qual está inserida.

Segundo Elisa Guimarães, o sentido da palavra texto estende-se a
uma enorme vastidão, podendo designar “um enunciado qualquer, oral ou
escrito, longo ou breve, antigo ou moderno” (p.14) e ao contrário do que
muitos podem pensar, um texto pode ser caracterizado como um fragmen-
to, uma frase, um verbo ect e não apenas na reunião destes com mais
algumas outras formas de enunciação; procurando sempre uma objetivida-
de para que a sua compreensão seja feita de forma fácil e clara.


Linguagens e Códigos
23
Esta economia textual facilita no caminho de transmissão entre o e-
nunciador e o receptor do texto que procura condensar as informações
recebidas a fim de se deter ao “núcleo informativo” (p.17), este sim, pri-
mordial a qualquer informação.

A autora também apresenta diversas formas de classificação do dis-
curso e do texto, porém, detenhamo-nos na divisão de texto informativo e
de um texto literário ou ficcional.

Analisando um texto, é possível percebermos que a repetição de um
nome/lexema, nos induz à lembrar de fatos já abordados, estimula a nossa
biblioteca mental e a informa da importância de tal nome, que dentro de um
contexto qualquer, ou seja que não fosse de um texto informacional, seria
apenas caracterizado como uma redundância desnecessária. Essa repeti-
ção é normalmente dada através de sinônimos ou “sinônimos perfeitos”
(p.30) que permitem a permutação destes nomes durante o texto sem que
o sentido original e desejado seja modificado.

Esta relação semântica presente nos textos ocorre devido às interpre-
tações feitas da realidade pelo interlocutor, que utiliza a chamada “semân-
tica referencial” (p.31) para causar esta busca mental no receptor através
de palavras semanticamente semelhantes à que fora enunciada, porém,
existe ainda o que a autora denominou de “inexistência de sinônimo perfei-
to” (p.30) que são sinônimos porém quando posto em substituição um ao
outro não geram uma coerência adequada ao entendimento.

Nesta relação de substituição por sinônimos, devemos ter cautela
quando formos usar os “hiperônimos” (p.32), ou até mesmo a “hiponímia”
(p.32) onde substitui-se a parte pelo todo, pois neste emaranhado de
substituições pode-se causar desajustes e o resultado final não fazer com
que a imagem mental do leitor seja ativada de forma corretamente, e outra
assimilação, errônea, pode ser utilizada.

Seguindo ainda neste linear das substituições, existem ainda as “no-
minações” e a “elipse”, onde na primeira, o sentido inicialmente expresso
por um verbo é substituído por um nome, ou seja, um substantivo; e,
enquanto na segunda, ou seja, na elipse, o substituto é nulo e marcado
pela flexão verbal; como podemos perceber no seguinte exemplo retirado
do livro de Elisa Guimarães:
“Louve-se nos mineiros, em primeiro lugar, a sua presença suave. Mil
deles não causam o incômodo de dez cearenses.

__Não grita, ___ não empurram< ___ não seguram o braço da gente,
___ não impõem suas opiniões. Para os importunos inventaram eles uma
palavra maravilhosamente definidora e que traduz bem a sua antipatia para
essa casta de gente (...)” (Rachel de Queiroz. Mineiros. In: Cem crônicas
escolhidas. Rio de Janeiros, José Olympio, 1958, p.82).

Porém é preciso especificar que para que haja a elipse o termo elíptico
deve estar perfeitamente claro no contexto. Este conceito e os demais já
ditos anteriormente são primordiais para a compreensão e produção textu-
al, uma vez que contribuem para a economia de linguagem, fator de gran-
de valor para tais feitos.

Ao abordar os conceitos de coesão e coerência, a autora procura pri-
meiramente retomar a noção de que a construção do texto é feita através
de “referentes linguísticos” (p.38) que geram um conjunto de frases que
irão constituir uma “microestrutura do texto” (p.38) que se articula com a
estrutura semântica geral. Porém, a dificuldade de se separar a coesão da
coerência está no fato daquela está inserida nesta, formando uma linha de
raciocínio de fácil compreensão, no entanto, quando ocorre uma incoerên-
cia textual, decorrente da incompatibilidade e não exatidão do que foi
escrito, o leitor também é capaz de entender devido a sua fácil compreen-
são apesar da má articulação do texto.

A coerência de um texto não é dada apenas pela boa interligação en-
tre as suas frases, mas também porque entre estas existe a influência da
coerência textual, o que nos ajuda a concluir que a coesão, na verdade, é
efeito da coerência. Como observamos em Nova Gramática Aplicada da
Língua Portuguesa de Manoel P. Ribeiro (2004, 14ed):

A coesão e a coerência trazem a característica de promover a inter-
relação semântica entre os elementos do discurso, respondendo pelo que
chamamos de conectividade textual. “A coerência diz respeito ao nexo
entre os conceitos; e a coesão, à expressão desse nexo no plano linguísti-
co” (VAL, Maria das Graças Costa. Redação e textualidade, 1991, p.7)

No capítulo que diz respeito às noções de estrutura, Elisa Guimarães,
busca ressaltar o nível sintático representado pelas coordenações e subor-
dinações que fixam relações de “equivalência” ou “hierarquia” respectiva-
mente.
Um fato importante dentro do livro A Articulação do Texto, é o valor atribuí-
do às estruturas integrantes do texto, como o título, o parágrafo, as inter e
intrapartes, o início e o fim e também, as superestruturas.

O título funciona como estratégica de articulação do texto podendo de-
sempenhar papéis que resumam os seus pontos primordiais, como tam-
bém, podem ser desvendados no decorrer da leitura do texto.

Os parágrafos esquematizam o raciocínio do escritos, como enuncia
Othon Moacir Garcia:
“O parágrafo facilita ao escritor a tarefa de isolar e depois ajustar con-
venientemente as ideias principais da sua composição, permitindo ao leitor
acompanhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes estágios”.

É bom relembrar, que dentro do parágrafo encontraremos o chamado
tópico frasal, que resumirá a principal ideia do parágrafo no qual esta
inserido; e também encontraremos, segundo a autora, dez diferentes tipos
de parágrafo, cada qual com um ponto de vista específico.

No que diz respeito ao tópico Inicio e fim, Elisa Guimarães preferiu a-
bordá-los de forma mútua já que um é consequência ou decorrência do
outro; ficando a organização da narrativa com uma forma de estrutura
clássica e seguindo uma linha sequencial já esperada pelo leitor, onde o
início alimenta a esperança de como virá a ser o texto, enquanto que o fim
exercer uma função de dar um destaque maior ao fechamento do texto, o
que também, alimenta a imaginação tanto do leito, quanto do próprio autor.

No geral, o que diz respeito ao livro A Articulação do Texto de Elisa
Guimarães, ele nos trás um grande número de informações e novos con-
ceitos em relação à produção e compreensão textual, no entanto, essa
grande leva de informações muitas vezes se tornam confusas e acabam
por desprenderem-se uma das outras, quebrando a linearidade de todo o
texto e dificultando o entendimento teórico.

A REFERENCIAÇÃO / OS REFERENTES / COERÊNCIA E COESÃO
A fala e também o texto escrito constituem-se não apenas numa se-
quência de palavras ou de frases. A sucessão de coisas ditas ou escritas
forma uma cadeia que vai muito além da simples sequencialidade: há um
entrelaçamento significativo que aproxima as partes formadoras do texto
falado ou escrito. Os mecanismos linguísticos que estabelecem a conecti-
vidade e a retomada e garantem a coesão são os referentes textuais. Cada
uma das coisas ditas estabelece relações de sentido e significado tanto
com os elementos que a antecedem como com os que a sucedem, cons-
truindo uma cadeia textual significativa. Essa coesão, que dá unidade ao
texto, vai sendo construída e se evidencia pelo emprego de diferentes
procedimentos, tanto no campo do léxico, como no da gramática. (Não
esqueçamos que, num texto, não existem ou não deveriam existir elemen-
tos dispensáveis. Os elementos constitutivos vão construindo o texto, e são
as articulações entre vocábulos, entre as partes de uma oração, entre as
orações e entre os parágrafos que determinam a referenciação, os conta-
tos e conexões e estabelecem sentido ao todo.)

Atenção especial concentram os procedimentos que garantem ao texto
coesão e coerência. São esses procedimentos que desenvolvem a dinâmi-
ca articuladora e garantem a progressão textual.

A coesão é a manifestação linguística da coerência e se realiza nas re-
lações entre elementos sucessivos (artigos, pronomes adjetivos, adjetivos
em relação aos substantivos; formas verbais em relação aos sujeitos;
tempos verbais nas relações espaço-temporais constitutivas do texto etc.),
na organização de períodos, de parágrafos, das partes do todo, como
formadoras de uma cadeia de sentido capaz de apresentar e desenvolver
um tema ou as unidades de um texto. Construída com os mecanismos

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gramaticais e lexicais, confere unidade formal ao texto.
1. Considere-se, inicialmente, a coesão apoiada no léxico. Ela pode
dar-se pela reiteração, pela substituição e pela associação.
É garantida com o emprego de:
enlaces semânticos de frases por meio da repetição. A mensagem-
tema do texto apoiada na conexão de elementos léxicos sucessi-
vos pode dar-se por simples iteração (repetição). Cabe, nesse ca-
so, fazer-se a diferenciação entre a simples redundância resultado
da pobreza de vocabulário e o emprego de repetições como recur-
so estilístico, com intenção articulatória. Ex.: “As contas do patrão
eram diferentes, arranjadas a tinta e contra o vaqueiro, mas Fabi-
ano sabia que elas estavam erradas e o patrão queria enganá-
lo.Enganava.” Vidas secas, p. 143);
substituição léxica, que se dá tanto pelo emprego de sinônimos como
de palavras quase sinônimas. Considerem-se aqui além das pala-
vras sinônimas, aquelas resultantes de famílias ideológicas e do
campo associativo, como, por exemplo, esvoaçar, revoar, voar;
hipônimos (relações de um termo específico com um termo de sentido
geral, ex.: gato, felino) e hiperônimos (relações de um termo de
sentido mais amplo com outros de sentido mais específico, ex.: fe-
lino, gato);
nominalizações (quando um fato, uma ocorrência, aparece em forma
de verbo e, mais adiante, reaparece como substantivo, ex.: con-
sertar, o conserto; viajar, a viagem). É preciso distinguir-se entre
nominalização estrita e. generalizações (ex.: o cão < o animal) e
especificações (ex.: planta > árvore > palmeira);
substitutos universais (ex.: João trabalha muito. Também o faço. O
verbo fazer em substituição ao verbo trabalhar);
enunciados que estabelecem a recapitulação da ideia global. Ex.: O
curral deserto, o chiqueiro das cabras arruinado e também deser-
to, a casa do vaqueiro fechada, tudo anunciava abandono (Vidas
Secas, p.11). Esse enunciado é chamado de anáfora conceptual.
Todo um enunciado anterior e a ideia global que ele refere são re-
tomados por outro enunciado que os resume e/ou interpreta. Com
esse recurso, evitam-se as repetições e faz-se o discurso avançar,
mantendo-se sua unidade.
2. A coesão apoiada na gramática dá-se no uso de:
certos pronomes (pessoais, adjetivos ou substantivos). Destacam-se
aqui os pronomes pessoais de terceira pessoa, empregados como
substitutos de elementos anteriormente presentes no texto, dife-
rentemente dos pronomes de 1
ª
e 2
ª
pessoa que se referem à
pessoa que fala e com quem esta fala.
certos advérbios e expressões adverbiais;
artigos;
conjunções;
numerais;
elipses. A elipse se justifica quando, ao remeter a um enunciado ante-
rior, a palavra elidida é facilmente identificável (Ex.: O jovem reco-
lheu-se cedo. ... Sabia que ia necessitar de todas as suas forças.
O termo o jovem deixa de ser repetido e, assim, estabelece a rela-
ção entre as duas orações.). É a própria ausência do termo que
marca a inter-relação. A identificação pode dar-se com o próprio
enunciado, como no exemplo anterior, ou com elementos extra-
verbais, exteriores ao enunciado. Vejam-se os avisos em lugares
públicos (ex.: Perigo!) e as frases exclamativas, que remetem a
uma situação não-verbal. Nesse caso, a articulação se dá entre
texto e contexto (extratextual);
as concordâncias;
a correlação entre os tempos verbais.

Os dêiticos exercem, por excelência, essa função de progressão tex-
tual, dada sua característica: são elementos que não significam, apenas
indicam, remetem aos componentes da situação comunicativa. Já os
componentes concentram em si a significação. Referem os participantes do
ato de comunicação, o momento e o lugar da enunciação.

Elisa Guimarães ensina a respeito dos dêiticos:
Os pronomes pessoais e as desinências verbais indicam os participan-
tes do ato do discurso. Os pronomes demonstrativos, certas locuções
prepositivas e adverbiais, bem como os advérbios de tempo, referenciam o
momento da enunciação, podendo indicar simultaneidade, anterioridade ou
posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste momento (presente); ulti-
mamente, recentemente, ontem, há alguns dias, antes de (pretérito); de
agora em diante, no próximo ano, depois de (futuro).

Maria da Graça Costa Val lembra que “esses recursos expressam re-
lações não só entre os elementos no interior de uma frase, mas também
entre frases e sequências de frases dentro de um texto”.

Não só a coesão explícita possibilita a compreensão de um texto. Mui-
tas vezes a comunicação se faz por meio de uma coesão implícita, apoiada
no conhecimento mútuo anterior que os participantes do processo comuni-
cativo têm da língua.
A ligação lógica das ideias
Uma das características do texto é a organização sequencial dos ele-
mentos linguísticos que o compõem, isto é, as relações de sentido que se
estabelecem entre as frases e os parágrafos que compõem um texto,
fazendo com que a interpretação de um elemento linguístico qualquer seja
dependente da de outro(s). Os principais fatores que determinam esse
encadeamento lógico são: a articulação, a referência, a substituição voca-
bular e a elipse.

ARTICULAÇÃO
Os articuladores (também chamados nexos ou conectores) são con-
junções, advérbios e preposições responsáveis pela ligação entre si dos
fatos denotados num texto, Eles exprimem os diferentes tipos de interde-
pendência de sentido das frases no processo de sequencialização textual.
As ideias ou proposições podem se relacionar indicando causa, conse-
quência, finalidade, etc.

Ingressei na Faculdade a fim de ascender socialmente.
Ingressei na Faculdade porque pretendo ser biólogo.
Ingressei na Faculdade depois de ter-me casado.

É possível observar que os articuladores relacionam os argumentos di-
ferentemente. Podemos, inclusive, agrupá-los, conforme a relação que
estabelecem.

Relações de:
adição: os conectores articula sequencialmente frases cujos conteúdos
se adicionam a favor de uma mesma conclusão: e, também, não só...como
também, tanto...como, além de, além disso, ainda, nem.

Na maioria dos casos, as frases somadas não são permutáveis, isto é,
a ordem em que ocorrem os fatos descritos deve ser respeitada.

Ele entrou, dirigiu-se à escrivaninha e sentou-se.
alternância: os conteúdos alternativos das frases são articulados por
conectores como ou, ora...ora, seja...seja. O articulador ou pode expressar
inclusão ou exclusão.

Ele não sabe se conclui o curso ou abandona a Faculdade.

oposição: os conectores articulam sequencialmente frases cujos con-
teúdos se opõem. São articuladores de oposição: mas, porém, todavia,
entretanto, no entanto, não obstante, embora, apesar de (que), ainda que,
se bem que, mesmo que, etc.

O candidato foi aprovado, mas não fez a matrícula.
condicionalidade: essa relação é expressa pela combinação de duas
proposições: uma introduzida pelo articulador se ou caso e outra por então
(consequente), que pode vir implícito. Estabelece-se uma relação entre o
antecedente e o consequente, isto é, sendo o antecedente verdadeiro ou
possível, o consequente também o será.

Na relação de condicionalidade, estabelece-se, muitas vezes, uma
condição hipotética, isto é,, cria-se na proposição introduzida pelo articula-
dor se/caso uma hipótese que condicionará o que será dito na proposição
seguinte. Em geral, a proposição situa-se num tempo futuro.

Caso tenha férias, (então) viajarei para Buenos Aires.

causalidade: é expressa pela combinação de duas proposições, uma
das quais encerra a causa que acarreta a consequência expressa na outra.

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Tal relação pode ser veiculada de diferentes formas:

Passei no vestibular porque estudei muito
visto que
já que
uma vez que
_________________ _____________________
consequência causa


Estudei tanto que passei no vestibular.
Estudei muito por isso passei no vestibular
_________________ ____________________
causa consequência


Como estudei passei no vestibular
Por ter estudado muito passei no vestibular
___________________ ___________________
causa consequência

finalidade: uma das proposições do período explicita o(s) meio(s) para
se atingir determinado fim expresso na outra. Os articuladores principais
são: para, afim de, para que.

Utilizo o automóvel a fim de facilitar minha vida.

conformidade: essa relação expressa-se por meio de duas proposi-
ções, em que se mostra a conformidade de conteúdo de uma delas em
relação a algo afirmado na outra.

O aluno realizou a prova conforme o professor solicitara.
segundo
consoante
como
de acordo com a solicitação...

temporalidade: é a relação por meio da qual se localizam no tempo
ações, eventos ou estados de coisas do mundo real, expressas por meio
de duas proposições.
Quando
Mal
Logo que terminei o colégio, matriculei-me aqui.
Assim que
Depois que
No momento em que
Nem bem

concomitância de fatos: Enquanto todos se divertiam, ele estudava
com afinco.
Existe aqui uma simultaneidade entre os fatos descritos em cada
uma das proposições.
b) um tempo progressivo:
À proporção que os alunos terminavam a prova, iam se retirando.
bar enchia de frequentadores à medida que a noite caía.

Conclusão: um enunciado introduzido por articuladores como portanto,
logo, pois, então, por conseguinte, estabelece uma conclusão em relação a
algo dito no enunciado anterior:

Assistiu a todas as aulas e realizou com êxito todos os exercícios. Por-
tanto tem condições de se sair bem na prova.

É importante salientar que os articuladores conclusivos não se limitam
a articular frases. Eles podem articular parágrafos, capítulos.

Comparação: é estabelecida por articuladores : tanto (tão)...como, tan-
to (tal)...como, tão ...quanto, mais ....(do) que, menos ....(do) que, assim
como.
Ele é tão competente quanto Alberto.

Explicação ou justificativa: os articuladores do tipo pois, que, porque
introduzem uma justificativa ou explicação a algo já anteriormente referido.

Não se preocupe que eu voltarei
pois
porque

As pausas
Os articuladores são, muitas vezes, substituídos por “pausas” (marca-
das por dois pontos, vírgula, ponto final na escrita). Que podem assinalar
tipos de relações diferentes.

Compramos tudo pela manhã: à tarde pretendemos viajar. (causalida-
de)
Não fique triste. As coisas se resolverão. (justificativa)
Ela estava bastante tranquila eu tinha os nervos à flor da pele. ( oposi-
ção)
Não estive presente à cerimônia. Não posso descrevê-la. (conclusão)
http://www.seaac.com.br/

A análise de expressões referenciais é fundamental na interpretação
do discurso. A identificação de expressões correferentes é importante em
diversas aplicações de Processamento da Linguagem Natural. Expressões
referenciais podem ser usadas para introduzir entidades em um discurso
ou podem fazer referência a entidades já mencionadas,podendo fazer uso
de redução lexical.

Interpretar e produzir textos de qualidade são tarefas muito importan-
tes na formação do aluno. Para realizá-las de modo satisfatório, é essenci-
al saber identificar e utilizar os operadores sequenciais e argumentativos
do discurso. A linguagem é um ato intencional, o indivíduo faz escolhas
quando se pronuncia oralmente ou quando escreve. Para dar suporte a
essas escolhas, de modo a fazer com que suas opiniões sejam aceitas ou
respeitadas, é fundamental lançar mão dos operadores que estabelecem
ligações (espécies de costuras) entre os diferentes elementos do discurso.
MODOS DE ORGANIZAÇÃO DO TEXTO

Oliveira, (2003:41) fazendo alusão a Charaudeau (1992) obser-
va:
Os modos de organização do discurso ( o narrativo, o descritivo, o
argumentativo e o enunciativo) são maneiras de estruturar o texto, visan-
do a uma função típica de cada um: a função do narrativo é contar ou
relatar, a do descritivo, descrever; a do argumentativo, argumentar, ou
seja, explicar uma verdade numa visão racionalizante para influenciar o
interlocutor; e a do enunciativo é gerir os outros três. Este tem pois uma
função metadiscursiva – Charaudeau ( 1992:642-646).
Oliveira.Helênio (2004), discutindo conceitos básicos em análise
do discurso, com base nos dois grandes critérios de classificação de
textos ( o intratextual-estrutural, o que se encontra no texto; e o extratex-
tual– sensível a situação comunicativa), propõe a nomenclatura “modos
de organização do texto”, acrescentando a listagem de Charaudeau
(1992) outros dois modos de organização: o expositivo e o injuntivo.
O modo de organização do texto narrativo é construído pela su-
cessão, desenvolvimento de ações que formam o arcabouço de uma
história (no sentido estrito) – processos, sequências, tempo em andamen-
to.
O Modo Descritivo tem como funcionamento identificar, distinguir,
qualificar pessoa ou objeto, os ‘seres do mundo’ (a quem Oliveira, Helê-
nio (2004 mimeo) denomina “objeto da descrição” ). Na descrição confec-
cionamos uma espécie de retrato através de palavras. Tempo estático.
Discorrendo sobre o texto descritivo, Oliveira, Helênio (mimeo) destaca
importantes fatores que normalmente não são levados em consideração
quando se aborda o M.O.D. descritivo:
· A existência de textos iminentemente descritivos: A descrição de um
tipo de rocha, da anatomia de uma espécie animal, do sistema pronominal
de dada língua etc.

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· O ponto de vista e o ângulo do observador afetando na seleção dos
atributos do objeto descrito – limitações físicas, intelectuais etc.
· O caráter infinito dos possíveis “objetos de descrição”, bem como os
diversos sentidos empregados na observação do objeto descrito (+ ou –
sensorial)
Progressão temática: é a soma das unidades temática. Toda disserta-
ção bem construída deve expor progressão temática. Eis a inteligente
maneira de trazer densidade sobre o tema proposto.
Parágrafo
Os textos em prosa, sejam eles narrativos, descritivos ou dissertativos,
são estruturados geralmente em unidades menores, os parágrafos, identifi-
cados por um ligeiro afastamento de sua primeira linha em relação à mar-
gem esquerda da folha. Possuem extensão variada: há parágrafos longos
e parágrafos curtos. O que vai determinar sua extensão é a unidade temá-
tica, já que cada ideia exposta no texto deve corresponder a um parágrafo.
"O parágrafo é uma unidade de composição, constituída por um ou mais
de um período em que desenvolve determinada ideia central, ou nuclear, a
que se agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas pelo senti-
do e logicamente decorrentes dela." [GARCIA, Othon M. Comunicação em
prosa moderna. 7.ed. Rio de Janeiro: FGV, 1978, p. 203.]
Essa definição não se aplica a todo o tipo de parágrafo: trata-se de um
modelo - denominado parágrafo-padrão - que, por ser cultivado por bons
escritores modernos, o aluno poderá (e até deverá) imitar:
Muito comum nos textos de natureza dissertativa, que trabalham com
ideias e exigem maior rigor e objetividade na composição, o parágrafo-
padrão apresente a seguinte estrutura:
a) introdução - também denominada tópico frasal, é constituída de uma
ou duas frases curtas, que expressam, de maneira sintética, a ideia princi-
pal do parágrafo, definindo seu objetivo;
b) desenvolvimento - corresponde a uma ampliação do tópico frasal,
com apresentação de ideias secundárias que o fundamentam ou esclare-
cem;
c) conclusão - nem sempre presente, especialmente nos parágrafos
mais curtos e simples, a conclusão retoma a ideia central, levando em
consideração os diversos aspectos selecionados no desenvolvimento.
Nas dissertações, os parágrafos são estruturados a partir de uma ideia
que normalmente é apresentada em sua introdução, desenvolvida e refor-
çada por uma conclusão.
Os Parágrafos na Dissertação Escolar
As dissertações escolares, normalmente, costumam ser estruturadas
em quatro ou cinco parágrafos (um parágrafo para a introdução, dois ou
três para o desenvolvimento e um para a conclusão).
É claro que essa divisão não é absoluta. Dependendo do tema proposto
e da abordagem que se dê a ele, ela poderá sofrer variações. Mas é fun-
damental que você perceba o seguinte: a divisão de um texto em parágra-
fos (cada um correspondendo a uma determinada ideia que nele se desen-
volve) tem a função de facilitar, para quem escreve, a estruturação coeren-
te do texto e de possibilitar, a quem lê, uma melhor compreensão do texto
em sua totalidade.
Parágrafo Narrativo
Nas narrações, a ideia central do parágrafo é um incidente, isto é, um
episódio curto.
Nos parágrafos narrativos, há o predomínio dos verbos de ação que se
referem a personagens, além de indicações de circunstâncias relativas ao
fato: onde ele ocorreu, quando ocorreu, por que ocorreu, etc.
O que falamos acima aplica-se ao parágrafo narrativo propriamente dito,
ou seja, aquele que relata um fato (lembrando que podemos ter, em um
texto narrativo, parágrafos descritivos e dissertativos).
Nas narrações existem também parágrafos que servem para reproduzir
as falas dos personagens. No caso do discurso direto (em geral antecedido
por dois-pontos e introduzido por travessão), cada fala de um personagem
deve corresponder a um parágrafo para que essa fala não se confunda
com a do narrador ou com a de outro personagem.
Parágrafo Descritivo
A ideia central do parágrafo descritivo é um quadro, ou seja, um frag-
mento daquilo que está sendo descrito (uma pessoa, uma paisagem, um
ambiente, etc.), visto sob determinada perspectiva, num determinado
momento. Alterado esse quadro, teremos novo parágrafo.
O parágrafo descritivo vai apresentar as mesmas características da
descrição: predomínio de verbos de ligação, emprego de adjetivos que
caracterizam o que está sendo descrito, ocorrência de orações justapostas
ou coordenadas.

Frase

Frase é um conjunto de palavras que têm sentido completo.
O tempo está nublado.
Socorro!
Que calor!

Oração

Oração é a frase que apresenta verbo ou locução verbal.
A fanfarra desfilou na avenida.
As festas juninas estão chegando.

Período

Período é a frase estruturada em oração ou orações.

O período pode ser:

- simples - aquele constituído por uma só oração (oração absoluta).
Fui à livraria ontem.
- composto - quando constituído por mais de uma oração.
Fui à livraria ontem e comprei um livro.

REESCRITURA DE FRASES E PARÁGRAFOS DO TEXTO
Eder Sabino Carlos
6 Reescritura de frases e parágrafos do texto.
6.1 Substituição de palavras ou de trechos de texto.
6.2 Retextualização de diferentes gêneros e níveis de formalidade.
Este ítem será abordado como um tema só, pois a separação deles
está meio complicada, pois a substituição de palavras ou de trechos tem
tudo a ver com a retextualização
Reescrituração de textos
Figuras de estilo, figuras ou Desvios de linguagem são nomes dados a
alguns processos que priorizam a palavra ou o todo para tornar o texto
mais rico e expressivo ou buscar um novo significado, possibilitando uma
reescritura correta de textos.
Podem ser:
Figuras de palavras
As figuras de palavra consistem no emprego de um termo com sentido
diferente daquele convencionalmente empregado, a fim de se conseguir
um efeito mais expressivo na comunicação.
São figuras de palavras:
Comparação:
Ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois e-
lementos que se identificam, ligados por conectivos comparativos explícitos
– feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual, que nem – e alguns
verbos – parecer, assemelhar-se e outros.

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Exemplos: “Amou daquela vez como se fosse máquina. / Beijou sua
mulher como se fosse lógico.” (Chico Buarque);
“As solteironas, os longos vestidos negros fechados no pescoço, ne-
gros xales nos ombros, pareciam aves noturnas paradas…” (Jorge Ama-
do).
Metáfora:
Ocorre metáfora quando um termo substitui outro através de uma rela-
ção de semelhança resultante da subjetividade de quem a cria. A metáfora
também pode ser entendida como uma comparação abreviada, em que o
conectivo não está expresso, mas subentendido.
Exemplo: “Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim,
Sr. Soares, é ver se posso extrair pérolas, que é a razão.” (Machado de
Assis).
Metonímia:
Ocorre metonímia quando há substituição de uma palavra por outra,
havendo entre ambas algum grau de semelhança, relação, proximidade de
sentido ou implicação mútua. Tal substituição fundamenta-se numa relação
objetiva, real, realizando-se de inúmeros modos:
- o continente pelo conteúdo e vice-versa: Antes de sair, tomamos um
cálice (o conteúdo de um cálice) de licor.
- a causa pelo efeito e vice-versa: “E assim o operário ia / Com suor e
com cimento (com trabalho) / Erguendo uma casa aqui / Adiante um apar-
tamento.” (Vinicius de Moraes).
- o lugar de origem ou de produção pelo produto: Comprei uma garrafa
do legítimo porto (o vinho da cidade do Porto).
- o autor pela obra: Ela parecia ler Jorge Amado (a obra de Jorge A-
mado).
- o abstrato pelo concreto e vice-versa: Não devemos contar com o
seu coração (sentimento, sensibilidade).
- o símbolo pela coisa simbolizada: A coroa (o poder) foi disputada pe-
los revolucionários.
- a matéria pelo produto e vice-versa: Lento, o bronze (o sino) soa.
- o inventor pelo invento: Edson (a energia elétrica) ilumina o mundo.
- a coisa pelo lugar: Vou à Prefeitura (ao edifício da Prefeitura).
- o instrumento pela pessoa que o utiliza: Ele é um bom garfo (guloso,
glutão).
Sinédoque:
Ocorre sinédoque quando há substituição de um termo por outro, ha-
vendo ampliação ou redução do sentido usual da palavra numa relação
quantitativa. Encontramos sinédoque nos seguintes casos:
- o todo pela parte e vice-versa: “A cidade inteira (o povo) viu assom-
brada, de queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos
(parte das patas) de seu cavalo.” (J. Cândido de Carvalho)
- o singular pelo plural e vice-versa: O paulista (todos os paulistas) é
tímido; o carioca (todos os cariocas), atrevido.
- o indivíduo pela espécie (nome próprio pelo nome comum): Para os
artistas ele foi um mecenas (protetor).
Catacrese:
A catacrese é um tipo de especial de metáfora, “é uma espécie de me-
táfora desgastada, em que já não se sente nenhum vestígio de inovação,
de criação individual e pitoresca. É a metáfora tornada hábito linguístico, já
fora do âmbito estilístico.” (Othon M. Garcia).
São exemplos de catacrese: folhas de livro / pele de tomate / dente de
alho / montar em burro / céu da boca / cabeça de prego / mão de direção /
ventre da terra / asa da xícara / sacar dinheiro no banco.
Sinestesia:
A sinestesia consiste na fusão de sensações diferentes numa mesma
expressão. Essas sensações podem ser físicas (gustação, audição, visão,
olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas).
Exemplo: “A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de
uma casa indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de musgo.
Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida, macia [sensa-
ções táteis], quase irreal.” (Augusto Meyer)
Antonomásia:
Ocorre antonomásia quando designamos uma pessoa por uma quali-
dade, característica ou fato que a distingue.
Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo que apelido, alcunha
ou cognome, cuja origem é um aposto (descritivo, especificativo etc.) do
nome próprio.
Exemplos: “E ao rabi simples (Cristo), que a igualdade prega, / Rasga
e enlameia a túnica inconsútil; (Raimundo Correia). / Pelé (= Edson Arantes
do Nascimento) / O Cisne de Mântua (= Virgílio) / O poeta dos escravos (=
Castro Alves) / O Dante Negro (= Cruz e Souza) / O Corso (= Napoleão)
Alegoria:
A alegoria é uma acumulação de metáforas referindo-se ao mesmo ob-
jeto; é uma figura poética que consiste em expressar uma situação global
por meio de outra que a evoque e intensifique o seu significado. Na alego-
ria, todas as palavras estão transladadas para um plano que não lhes é
comum e oferecem dois sentidos completos e perfeitos – um referencial e
outro metafórico.
Exemplo: “A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barí-
tono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quan-
do não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do
mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos
bailados, e a orquestra é excelente…” (Machado de Assis).
Figuras de sintaxe ou de construção:
As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios em
relação à concordância entre os termos da oração, sua ordem, possíveis
repetições ou omissões.
Elas podem ser construídas por:
a) omissão: assíndeto, elipse e zeugma;
b) repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto;
c) inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e hipálage;
d) ruptura: anacoluto;
e) concordância ideológica: silepse.
Portanto, são figuras de construção ou sintaxe:
Assíndeto:
Ocorre assíndeto quando orações ou palavras deveriam vir ligadas por
conjunções coordenativas, aparecem justapostas ou separadas por vírgu-
las.
Exigem do leitor atenção maior no exame de cada fato, por exigência
das pausas rítmicas (vírgulas).
Exemplo: “Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a
pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se.” (Machado
de Assis).
Elipse:
Ocorre elipse quando omitimos um termo ou oração que facilmente
podemos identificar ou subentender no contexto. Pode ocorrer na supres-
são de pronomes, conjunções, preposições ou verbos. É um poderoso
recurso de concisão e dinamismo.
Exemplo: “Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas.” (e-
lipse do pronome ela (Ela veio) e da preposição de (de sandálias…).
Zeugma:

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Ocorre zeugma quando um termo já expresso na frase é suprimido, fi-
cando subentendida sua repetição.
Exemplo: “Foi saqueada a vida, e assassinados os partidários dos Fe-
lipes.” (Zeugma do verbo: “e foram assassinados…”) (Camilo Castelo
Branco).
Anáfora:
Ocorre anáfora quando há repetição intencional de palavras no início
de um período, frase ou verso.
Exemplo: “Depois o areal extenso… / Depois o oceano de pó… / De-
pois no horizonte imenso / Desertos… desertos só…” (Castro Alves).
Pleonasmo:
Ocorre pleonasmo quando há repetição da mesma ideia, isto é, redun-
dância de significado.
a) Pleonasmo literário:
É o uso de palavras redundantes para reforçar uma ideia, tanto do
ponto de vista semântico quanto do ponto de vista sintático. Usado como
um recurso estilístico, enriquece a expressão, dando ênfase à mensagem.
Exemplo: “Iam vinte anos desde aquele dia / Quando com os olhos eu
quis ver de perto / Quando em visão com os da saudade via.” (Alberto de
Oliveira).
“Morrerás morte vil na mão de um forte.” (Gonçalves Dias)
“Ó mar salgado, quando do teu sal / São lágrimas de Portugal” (Fer-
nando Pessoa).
b) Pleonasmo vicioso:
É o desdobramento de ideias que já estavam implícitas em palavras
anteriormente expressas. Pleonasmos viciosos devem ser evitados, pois
não têm valor de reforço de uma ideia, sendo apenas fruto do descobri-
mento do sentido real das palavras.
Exemplos: subir para cima / entrar para dentro / repetir de novo / ouvir
com os ouvidos / hemorragia de sangue / monopólio exclusivo / breve
alocução / principal protagonista.
Polissíndeto:
Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática de uma conjunção
coordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical (geralmente a
conjunção e). É um recurso que sugere movimentos ininterruptos ou verti-
ginosos.
Exemplo: “Vão chegando as burguesinhas pobres, / e as criadas das
burguesinhas ricas / e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redonde-
za.” (Manuel Bandeira).
Anástrofe:
Ocorre anástrofe quando há uma simples inversão de palavras vizi-
nhas (determinante/determinado).
Exemplo: “Tão leve estou (estou tão leve) que nem sombra tenho.”
(Mário Quintana).
Hipérbato:
Ocorre hipérbato quando há uma inversão completa de membros da
frase.
Exemplo: “Passeiam à tarde, as belas na Avenida. ” (As belas passei-
am na Avenida à tarde.) (Carlos Drummond de Andrade).
Sínquise:
Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta de distantes partes
da frase. É um hipérbato exagerado.
Exemplo: “A grita se alevanta ao Céu, da gente. ” (A grita da gente se
alevanta ao Céu ) (Camões).
Hipálage:
Ocorre hipálage quando há inversão da posição do adjetivo: uma qua-
lidade que pertence a um objeto é atribuída a outro, na mesma frase.
Exemplo: “… as lojas loquazes dos barbeiros.” (as lojas dos barbeiros
loquazes.) (Eça de Queiros).
Anacoluto:
Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano sintático com que se
inicia a frase, alterando-lhe a sequência lógica. A construção do período
deixa um ou mais termos – que não apresentam função sintática definida –
desprendidos dos demais, geralmente depois de uma pausa sensível.
Exemplo: “Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas.” (Al-
cântara Machado).
Silepse:
Ocorre silepse quando a concordância não é feita com as palavras,
mas com a ideia a elas associada.
a) Silepse de gênero:
Ocorre quando há discordância entre os gêneros gramaticais (feminino
ou masculino).
Exemplo: “Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito.” (Guimarães
Rosa).
b) Silepse de número:
Ocorre quando há discordância envolvendo o número gramatical (sin-
gular ou plural).
Exemplo: Corria gente de todos lados, e gritavam.” (Mário Barreto).
c) Silepse de pessoa:
Ocorre quando há discordância entre o sujeito expresso e a pessoa
verbal: o sujeito que fala ou escreve se inclui no sujeito enunciado.
Exemplo: “Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas.”
(Machado de Assis).
Figuras de pensamento:
As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se referem
ao significado das palavras, ao seu aspecto semântico.
São figuras de pensamento:
Antítese:
Ocorre antítese quando há aproximação de palavras ou expressões de
sentidos opostos.
Exemplo: “Amigos ou inimigos estão, amiúde, em posições trocadas.
Uns nos querem mal, e fazem-nos bem. Outros nos almejam o bem, e nos
trazem o mal.” (Rui Barbosa).
Apóstrofe:
Ocorre apóstrofe quando há invocação de uma pessoa ou algo, real ou
imaginário, que pode estar presente ou ausente. Corresponde ao vocativo
na análise sintática e é utilizada para dar ênfase à expressão.
Exemplo: “Deus! ó Deus! onde estás, que não respondes?” (Castro Al-
ves).
Paradoxo:
Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de palavras de sentido
oposto, mas também na de ideias que se contradizem referindo-se ao
mesmo termo. É uma verdade enunciada com aparência de mentira.
Oxímoro (ou oximoron) é outra designação para paradoxo.
Exemplo: “Amor é fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói e não
se sente; / É um contentamento descontente; / É dor que desatina sem
doer;” (Camões)
Eufemismo:
Ocorre eufemismo quando uma palavra ou expressão é empregada
para atenuar uma verdade tida como penosa, desagradável ou chocante.

Linguagens e Códigos
29
Exemplo: “E pela paz derradeira (morte) que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague”. (Chico Buarque).
Gradação:
Ocorre gradação quando há uma sequência de palavras que intensifi-
cam uma mesma ideia.
Exemplo: “Aqui… além… mais longe por onde eu movo o passo.”
(Castro Alves).
Hipérbole:
Ocorre hipérbole quando há exagero de uma ideia, a fim de proporcio-
nar uma imagem emocionante e de impacto.
Exemplo: “Rios te correrão dos olhos, se chorares!” (Olavo Bilac).
Ironia:
Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entonação, pela contradição
de termos, sugere-se o contrário do que as palavras ou orações parecem
exprimir. A intenção é depreciativa ou sarcástica.
Exemplo: “Moça linda, bem tratada, / três séculos de família, / burra
como uma porta: / um amor.” (Mário de Andrade).
Prosopopeia:
Ocorre prosopopeia (ou animização ou personificação) quando se atri-
bui movimento, ação, fala, sentimento, enfim, caracteres próprios de seres
animados a seres inanimados ou imaginários.
Também a atribuição de características humanas a seres animados
constitui prosopopeia o que é comum nas fábulas e nos apólogos, como
este exemplo de Mário de Quintana: “O peixinho (…) silencioso e levemen-
te melancólico…”
Exemplos: “… os rios vão carregando as queixas do caminho.” (Raul
Bopp)
Um frio inteligente (…) percorria o jardim…” (Clarice Lispector)
Perífrase:
Ocorre perífrase quando se cria um torneio de palavras para expressar
algum objeto, acidente geográfico ou situação que não se quer nomear.
Exemplo: “Cidade maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade mara-
vilhosa / Coração do meu Brasil.” (André Filho).
Até este ponto retirei informações do site PCI cursos
Vícios de Linguagem
Ambiguidade
Ambiguidade é a possibilidade de uma mensagem ter dois sentidos.
Ela geralmente é provocada pela má organização das palavras na frase. A
ambiguidade é um caso especial de polissemia, a possibilidade de uma
palavra apresentar vários sentidos em um contexto.
Ex:
“Onde está a vaca da sua avó?” (Que vaca? A avó ou a vaca criada
pela avó?)
“Onde está a cachorra da sua mãe?” (Que cachorra? A mãe ou a ca-
dela criada pela mãe?)
“Este líder dirigiu bem sua nação”(“Sua”? Nação da 2ª ou 3ª pessoa (o
líder)?).
Obs 1: O pronome possessivo “seu(ua)(s)” gera muita confusão por ser
geralmente associado ao receptor da mensagem.
Obs 2: A preposição “como” também gera confusão com o verbo “co-
mer” na 1ª pessoa do singular.
A ambiguidade normalmente é indesejável na comunicação unidirecio-
nal, em particular na escrita, pois nem sempre é possível contactar o
emissor da mensagem para questioná-lo sobre sua intenção comunicativa
original e assim obter a interpretação correta da mensagem.
Barbarismo
Barbarismo, peregrinismo, idiotismo ou estrangeirismo (para os latinos
qualquer estrangeiro era bárbaro) é o uso de palavra, expressão ou cons-
trução estrangeira no lugar de equivalente vernácula.
De acordo com a língua de origem, os estrangeirismos recebem dife-
rentes nomes:
galicismo ou francesismo, quando provenientes do francês (de Gália,
antigo nome da França);
anglicismo, quando do inglês;
castelhanismo, quando vindos do espanhol;
Ex:
Mais penso, mais fico inteligente (galicismo; o mais adequado seria
“quanto maispenso, (tanto) mais fico inteligente”);
Comeu um roast-beef (anglicismo; o mais adequado seria “comeu
um rosbife“);
Havia links para sua página (anglicismo; o mais adequado seria “Havi-
a ligações(ou vínculos) para sua página”.
Eles têm serviço de delivery. (anglicismo; o mais adequado seria “Eles
têm serviço de entrega”).
Premiê apresenta prioridades da Presidência lusa da UE (galicismo, o
mais adequado seria Primeiro-ministro)
Nesta receita gastronômica usaremos Blueberries e Grapefruits. (an-
glicismo, o mais adequado seria Mirtilo e Toranja)
Convocamos para a Reunião do Conselho de DA’s (plural da sigla
de Diretório Acadêmico). (anglicismo, e mesmo nesta língua não se u-
sa apóstrofo ‘s’ para pluralizar; o mais adequado seria DD.AA. ou DAs.)
Há quem considere barbarismo também divergências de pronúncia,
grafia, morfologia, etc., tais como “adevogado” ou “eu sabo“, pois seriam
atitudes típicas de estrangeiros, por eles dificilmente atingirem alta fluência
no dialeto padrão da língua.
Em nível pragmático, o barbarismo normalmente é indesejável porque
os receptores da mensagem frequentemente conhecem o termo em ques-
tão na língua nativa de sua comunidade linguística, mas nem sempre
conhecem o termo correspondente na língua ou dialeto estrangeiro à
comunidade com a qual ele está familiarizado. Em nível político, um barba-
rismo também pode ser interpretado como uma ofensa cultural por alguns
receptores que se encontram ideologicamente inclinados a repudiar certos
tipos de influência sobre suas culturas. Pode-se assim concluir que o
conceito de barbarismo é relativo ao receptor da mensagem.
Em alguns contextos, até mesmo uma palavra da própria língua do re-
ceptor poderia ser considerada como um barbarismo. Tal é o caso de um
cultismo (ex: “abdômen”) quando presente em uma mensagem a um
receptor que não o entende (por exemplo, um indivíduo não escolarizado,
que poderia compreender melhor os sinônimos “barriga”, “pança” ou “bu-
cho”).
Cacofonia
A cacofonia é um som desagradável ou obsceno formado pela união
das sílabas de palavras contíguas. Por isso temos que cuidar quando
falamos sobre algo para não ofendermos a pessoa que ouve. São exem-
plos desse fato:
“Ele beijou a boca dela.”
“Bata com um mamão para mim, por favor.”
“Deixe ir-me já, pois estou atrasado.”
“Não tem nada de errado a cerca dela“
“Vou-me já que está pingando. Vai chover!”
“Instrumento para socar alho.”
“Daqui vai, se for dai.”

Linguagens e Códigos
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Não são cacofonia:
“Eu amo ela demais !!!”
“Eu vi ela.”
“você veja”
Como cacofonias são muitas vezes cômicas, elas são algumas vezes
usadas de propósito em certas piadas, trocadilhos e “pegadinhas”.
Plebeísmo
O plebeísmo normalmente utiliza palavras de baixo calão, gírias e ter-
mos considerados informais.
Exemplos:
“Ele era um tremendo mané!”
“Tô ferrado!”
“Tá ligado nas quebradas, meu chapa?”
“Esse bagulho é ‘radicaaaal’!!! Tá ligado mano?”
‘Vô piálá’mais tarde ‘ !!! Se ligou maluko ?
Por questões de etiqueta, convém evitar o uso de plebeísmos em con-
textos sociais que requeiram maior formalismo no tratamento comunicativo.
Prolixidade
É a exposição fastidiosa e inútil de palavras ou argumentos e à sua
superabundância. É o excesso de palavras para exprimir poucas ideias. Ao
texto prolixo falta objetividade, o qual quase sempre compromete a clareza
e cansa o leitor.
A prevenção à prolixidade requer que se tenha atenção à concisão e
precisão da mensagem. Concisão é a qualidade de dizer o máximo possí-
vel com o mínimo de palavras. Precisão é a qualidade de utilizar a palavra
certa para dizer exatamente o que se quer.
Pleonasmo vicioso
O pleonasmo é uma figura de linguagem. Quando consiste numa re-
dundância inútil e desnecessária de significado em uma sentença, é consi-
derado um vício de linguagem. A esse tipo de pleonasmo chama-
mos pleonasmo vicioso.
Ex:
“Ele vai ser o protagonista principal da peça”. (Um protagonista é, ne-
cessariamente, a personagem principal)
“Meninos, entrem já para dentro!” (O verbo “entrar” já exprime ideia de
ir para dentro)
“Estou subindo para cima.” (O verbo “subir” já exprime ideia de ir para
cima)
“Não deixe de comparecer pessoalmente.” (É impossível comparecer a
algum lugar de outra forma que não pessoalmente)
“Meio-ambiente” – o meio em que vivemos = o ambiente em que vive-
mos.
Não é pleonasmo:
“As palavras são de baixo calão“. Palavras podem ser de baixo ou de
alto calão.
O pleonasmo nem sempre é um vício de linguagem, mesmo para os
exemplos supra citados, a depender do contexto. Em certos contextos, ele
é um recurso que pode ser útil para se fornecer ênfase a determinado
aspecto da mensagem.
Especialmente em contextos literários, musicais e retóricos, um pleo-
nasmo bem colocado pode causar uma reação notável nos receptores
(como a geração de uma frase de efeito ou mesmo o humor proposital). A
maestria no uso do pleonasmo para que ele atinja o efeito desejado no
receptor depende fortemente do desenvolvimento da capacidade de inter-
pretação textual do emissor. Na dúvida, é melhor que seja evitado para não
se incorrer acidentalmente em um uso vicioso.
Solecismo
Solecismo é uma inadequação na estrutura sintática da frase com re-
lação à gramática normativa do idioma. Há três tipos de solecismo:
De concordância:
“Fazem três anos que não vou ao médico.” (Faz três anos que não vou
ao médico.)
“Aluga-se salas nesse edifício.” (Alugam-se salas nesse edifício.)
De regência:
“Ontem eu assisti um filme de época.” (Ontem eu assisti a um filme de
época.)
De colocação:
“Me empresta um lápis, por favor.” (Empresta-me um lápis, por favor.)
“Me parece que ela ficou contente.” (Parece-me que ela ficou conten-
te.)
“Eu não respondi-lhe nada do que perguntou.” (Eu não lhe respondi
nada do que perguntou.)
Eco
O Eco vem a ser a própria rima que ocorre quando há na frase termi-
nações iguais ou semelhantes, provocando dissonância.
“Falar em desenvolvimento é pensar em alimento, saúde e educação.”
“O aluno repetente mente alegremente.”
O presidente tinha dor de dente constantemente.
Colisão
O uso de uma mesma vogal ou consoante em várias palavras é deno-
minado aliteração. Aliterações são preciosos recursos estilísticos quando
usados com a intenção de se atingir efeito literário ou para atrair a atenção
do receptor. Entretanto, quando seus usos não são intencionais ou quando
causam um efeito estilístico ruim ao receptor da mensagem, a aliteração
torna-se um vício de linguagem e recebe nesse contexto o nome
de colisão. Exemplos:
“Eram comunidades camponesas com cultivos coletivos.”
“O papa Paulo VI pediu a paz.”
Uma colisão pode ser remediada com a reestruturação sintática da fra-
se que a contém ou com a substituição de alguns termos ou expressões
por outras similares ou sinônimas.
Intertextualidade
Grosso modo, pode-se definir a intertextualidade como sendo um
"diálogo" entre textos. Esse diálogo pressupõe um universo cultural muito
amplo e complexo, pois implica a identificação e o reconhecimento de
remissões a obras ou a trechos mais ou menos conhecidos. Dependendo
da situação, a intertextualidade tem funções diferentes que dependem dos
textos/ contextos em que ela é inserida.
Evidentemente, o fenômeno da intertextualidade está ligado ao
"conhecimento do mundo", que deve ser compartilhado, ou seja, comum ao
produtor e ao receptor de textos.
O diálogo pode ocorrer em diversas áreas do conhecimento,não se
restringindo única e exclusivamente a textos literários.
Na pintura tem-se, por exemplo, o quadro do pintor barroco italiano
Caravaggio e a fotografia da americana Cindy Sherman, na qual quem
posa é ela mesma. O quadro de Caravaggio foi pintado no final do século
XVI, já o trabalho fotográfico de Cindy Sherman foi produzido quase
quatrocentos anos mais tarde. Na foto, Sherman cria o mesmo ambiente e
a mesma atmosfera sensual da pintura, reunindo um conjunto de
elementos: a coroa de flores na cabeça, o contraste entre claro e escuro, a
sensualidade do ombro nu etc. A foto de Sherman é uma recriação do
quadro de Caravaggio e, portanto, é um tipo de intertextualidade na
pintura.

Linguagens e Códigos
31
Na publicidade, por exemplo, em um dos anúncios do Bom Bril, o ator
se veste e se posiciona como se fosse a Mona Lisa de Leonardo da Vinci e
cujo slogan era " Mon Bijou deixa sua roupa uma perfeita obra-prima".
Esse enunciado sugere ao leitor que o produto anunciado deixa a roupa
bem macia e mais perfumada, ou seja, uma verdadeira obra-prima (se
referindo ao quadro de Da Vinci). Nesse caso pode-se dizer que a
intertextualidade assume a função de não só persuadir o leitor como
também de difundir a cultura, uma vez que se trata de uma relação com a
arte (pintura, escultura, literatura etc).
Tipos de intertextualidade
Pode-se destacar sete tipos de intertextualidade:
 Epígrafe - constitui uma escrita introdutória a outra.
 Citação - é uma transcrição do texto alheio, marcada por aspas.
 Paródia - é uma forma de apropriação que, em lugar de
endossar o modelo retomado, rompe com ele, sutil ou abertamente. Ela
perverte o texto anterior, visando à ironia,ou à crítica.
 Pastiche - uma recorrência a um gênero.
 Tradução - a tradução está no campo da intertextualidade
porque implica recriação de um texto.
 Referência e alusão
Exemplo
Para ampliar essa discussão, vale trazer um exemplo de
intertextualidade na literatura. Às vezes, a superposição de um texto sobre
outro pode provocar uma certa atualização ou modernização do primeiro
texto. Nota-se isso no livro Mensagem, de Fernando Pessoa, que retoma,
por exemplo, com seu poema “O Monstrengo” o episódio do Gigante
Adamastor de Os Lusíadas de Camões. Ocorre como que um diálogo entre
os dois textos. Em alguns casos, aproxima-se da paródia (canto paralelo),
como o poema “Madrigal Melancólico” de Manuel Bandeira, do livro Ritmo
Dissoluto, que seguramente serviu de inspiração e assim se refletiu no
seguinte poema:
ASSIM COMO BANDEIRA

O que amo em ti
não são esses olhos doces
delicados
nem esse riso de anjo adolescente.

O que amo em ti
não é só essa pele acetinada
sempre pronta para a carícia renovada
nem esse seio róseo e atrevido
a desenhar-se sob o tecido.

O que amo em ti
não é essa pressa louca
de viver cada vão momento
nem a falta de memória para a dor.

O que amo em ti
não é apenas essa voz leve
que me envolve e me consome
nem o que deseja todo homem
flor definida e definitiva
a abrir-se como boca ou ferida
nem mesmo essa juventude assim perdida.

O que amo em ti
enigmática e solidária:
É a Vida!
(Geraldo Chacon, Meu Caderno de Poesia, Flâmula, 2004, p.37)

MADRIGAL MELANCÓLICO

O que eu adoro em ti
não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.

(...)

O que eu adoro em tua natureza,
não é o profundo instinto maternal
em teu flanco aberto como uma ferida.
nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida. (Manuel Bandeira, Estrela da Vida
Inteira, José Olympio, 1980, p.83) Poderia haver formas mais simples
de aprender esse conteúdo.
Significado Implícito e Explícito

Observe a seguinte frase:
Fiz faculdade, mas aprendi algumas coisas.

Nela, o falante transmite duas informações de maneira explícita:
a) que ele frequentou um curso superior;
b) que ele aprendeu algumas coisas.

Ao ligar essas duas informações com um “mas” comunica também de
modo implícito sua critica ao sistema de ensino superior, pois a frase passa
a transmitir a ideia de que nas faculdades não se aprende nada.

Um dos aspectos mais intrigantes da leitura de um texto é a verificação
de que ele pode dizer coisas que parece não estar dizendo: além das
informações explicitamente enunciadas, existem outras que ficam suben-
tendidas ou pressupostas. Para realizar uma leitura eficiente, o leitor deve
captar tanto os dados explícitos quanto os implícitos.

Leitor perspicaz é aquele que consegue ler nas entrelinhas. Caso con-
trário, ele pode passar por cima de significados importantes e decisivos ou
— o que é pior — pode concordar com coisas que rejeitaria se as perce-
besse.

Não é preciso dizer que alguns tipos de texto exploram, com malícia e
com intenções falaciosas, esses aspectos subentendidos e pressupostos.

Que são pressupostos? São aquelas ideias não expressas de maneira
explícita, mas que o leitor pode perceber a partir de certas palavras ou
expressões contidas na frase.

Assim, quando se diz “O tempo continua chuvoso”, comunica-se de
maneira explícita que no momento da fala o tempo é de chuva, mas, ao
mesmo tempo, o verbo “continuar” deixa perceber a informação implícita de
que antes o tempo já estava chuvoso.

Na frase “Pedro deixou de fumar” diz-se explicitamente que, no mo-
mento da fala, Pedro não fuma. O verbo “deixar”, todavia, transmite a
informação implícita de que Pedro fumava antes.

A informação explícita pode ser questionada pelo ouvinte, que pode ou
não concordar com ela. Os pressupostos, no entanto, têm que ser verda-
deiros ou pelo menos admitidos como verdadeiros, porque é a partir deles
que se constróem as informações explícitas. Se o pressuposto é falso, a
informação explícita não tem cabimento. No exemplo acima, se Pedro não
fumava antes, não tem cabimento afirmar que ele deixou de fumar.

Na leitura e interpretação de um texto, é muito importante detectar os
pressupostos, pois seu uso é um dos recursos argumentativos utilizados
com vistas a levar o ouvinte ou o leitor a aceitar o que está sendo comuni-
cado. Ao introduzir uma ideia sob a forma de pressuposto, o falante trans-
forma o ou vinte em cúmplice, urna vez que essa ideia não é posta em
discussão e todos os argumentos subsequentes só contribuem para con-
firmá -la.

Linguagens e Códigos
32

Por isso pode-se dizer que o pressuposto aprisiona o ouvinte ao sis-
tema de pensamento montado pelo falante.

A demonstração disso pode ser encontrada em muitas dessas “verda-
des” incontestáveis postas como base de muitas alegações do discurso
político.

Tomemos como exemplo a seguinte frase:
Ë preciso construir mísseis nucleares para defender o Ocidente de um
ataque soviético.

O conteúdo explícito afirma:
— a necessidade da construção de mísseis,
— com a finalidade de defesa contra o ataque soviético.

O pressuposto, isto é, o dado que não se põe em discussão é: os so-
viéticos pretendem atacar o Ocidente.

Os argumentos contra o que foi informado explicitamente nessa frase
podem ser:
— os mísseis não são eficientes para conter o ataque soviético;
— uma guerra de mísseis vai destruir o mundo inteiro e não apenas
os soviéticos;
— a negociação com os soviéticos é o único meio de dissuadi-los de
um ataque ao Ocidente.

Como se pode notar, os argumentos são contrários ao que está dito
explicitamente, mas todos eles confirmam o pressuposto, isto é, todos os
argumentos aceitam que os soviéticos pretendem atacar o Ocidente.

A aceitação do pressuposto é o que permite levar à frente o debate. Se
o ouvinte disser que os soviéticos não têm intenção nenhuma de atacar o
Ocidente, estará negando o pressuposto lançado pelo falante e então a
possibilidade de diálogo fica comprometida irreparavelmente. Qualquer
argumento entre os citados não teria nenhuma razão de ser. Isso quer
dizer que, com pressupostos distintos, não é possível o diálogo ou não tem
ele sentido algum. Pode-se contornar esse problema tornando os pressu-
postos afirmações explícitas, que então podem ser discutidas.

Os pressupostos são marcados, nas frases, por meio de vários indica-
dores linguísticos, como, por exemplo:

a) certos advérbios
Os resultados da pesquisa ainda não chegaram até nós.
Pressuposto: Os resultados já deviam ter chegado.
ou
Os resultados vão chegar mais tarde.

b) certos verbos
O caso do contrabando tornou-se público.
Pressuposto: O caso não era público antes.

c) as orações adjetivas
Os candidatos a prefeito, que só querem defender seus interesses,
não pensam no povo.

Pressuposto: Todos os candidatos a prefeito têm interesses individu-
ais. Mas a mesma frase poderia ser redigida assim:

Os candidatos a prefeito que só querem defender seus interesses não
pensam no povo.

No caso, o pressuposto seria outro: Nem todos os candidatos a pre-
feito têm interesses individuais.

No primeiro caso, a oração é explicativa; no segundo, é restritiva. As
explicativas pressupõem que o que elas expressam refere-se a todos os
elementos de um dado conjunto; as restritivas, que o que elas dizem
concerne a parte dos elementos de um dado conjunto.

d) os adjetivos
Os partidos radicais acabarão com a democracia no Brasil.
Pressuposto: Existem partidos radicais no Brasil.

Os subentendidos
Os subentendidos são as insinuações escondidas por trás de uma a-
firmação. Quando um transeunte com o cigarro na mão pergunta: Você tem
fogo?, acharia muito estranho se você dissesse: Tenho e não lhe acendes-
se o cigarro. Na verdade, por trás da pergunta subentende-se: Acenda-me
o cigarro por favor.

O subentendido difere do pressuposto num aspecto importante: o
pressuposto é um dado posto como indiscutível para o falante e para o
ouvinte, não é para ser contestado; o subentendido é de responsabilidade
do ouvinte, pois o falante, ao subentender, esconde-se por trás do sentido
literal das palavras e pode dizer que não estava querendo dizer o que o
ouvinte depreendeu.

O subentendido, muitas vezes, serve para o falante proteger-se diante
de uma informação que quer transmitir para o ouvinte sem se comprometer
com ela.

Para entender esse processo de descomprometimento que ocorre com
a manipulação dos subentendidos, imaginemos a seguinte situação: um
funcionário público do partido de oposição lamenta, diante dos colegas
reunidos em assembleia, que um colega de seção, do partido do governo,
além de ter sido agraciado com uma promoção, conseguiu um empréstimo
muito favorável do banco estadual, ao passo que ele, com mais tempo de
serviço, continuava no mesmo posto e não conseguia o empréstimo solici-
tado muito antes que o referido colega.

Mais tarde, tendo sido acusado de estar denunciando favoritismo do
governo para com os seus adeptos, o funcionário reclamante defende-se
prontamente, alegando não ter falado em favoritismo e que isso era dedu-
ção de quem ouvira o seu discurso.

Na verdade, ele não falou em favoritismo mas deu a entender, deixou
subentendido para não se comprometer com o que disse. Fez a denúncia
sem denunciar explicitamente. A frase sugere, mas não diz.

A distinção entre pressupostos e subentendidos em certos casos é
bastante sutil. Não vamos aqui ocupar-nos dessas sutilezas, mas explorar
esses conceitos como instrumentos úteis para uma compreensão mais
eficiente do texto.

Inferência
A inferência é um processo cognitivo relevante nesta abordagem de
leitura discursiva, porque o processo inferencial possibilita construir novos
conhecimentos, a partir daqueles existentes na memória do leitor, os quais
são ativados e relacionados às informações materializadas no texto.

Assim, na aula de língua estrangeira moderna será possível fazer dis-
cussões orais sobre sua compreensão, bem como produzir textos orais,
escritos e/ou visuais a partir do texto lido, integrando todas as práticas
discursivas neste processo.

Significante versus Significado
Para entender esse par de conceitos, devemos levar em conta que o
signo linguistico é constituído por duas partes distintas, embora uma não
exista separada da outra.

Esse signo divide-se numa parte perceptível, constituída de sons, que
podem ser representados por letras, e numa parte inteligível, constituída de
um conceito.

A parte perceptível do signo denomina-se significante ou plano de ex-
pressão; a parte inteligível, o conceito, denomina-se significado ou plano
de conteúdo.

Quando ouvimos, por exemplo, árvore, percebemos uma combinação
de sons (o significante) que associamos imediatamente a um conceito (o
significado).


Linguagens e Códigos
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Polissemia
Numa língua qualquer, é muito comum ocorrer que um plano de ex-
pressão (um significante) seja suporte para mais de um plano de conteúdo
(significado), ou seja, que um mesmo termo tenha vários significados.

Tomemos, por exemplo, na nossa língua, o signo linha: a esse signifi-
cante se associam vários significados, que os dicionários registram.

Com efeito, linha pode evocar os conceitos de:
a) material próprio para costurar ou bordar tecidos;
b) os vários atacantes de um time de futebol;
c) os trilhos de um trem ou bonde;
d) uma certa conduta de um indivíduo, postura; e outros significa-
dos.

Quando um único significante remete a vários significados, dizemos
que ocorre a polissemia.

Significação contextual
Acabamos de dizer que é muito comum um único significante evocar
vários significados e que, nesse caso, ocorre a polissemia. Mas isso não
chega a constituir problema para a clareza e objetividade da comunicação
porque a polissemia, em geral, fica neutralizada pelo contexto.

Por contexto, entendemos uma unidade linguística de âmbito maior, na
qual se insere outra unidade de âmbito menor. Dessa forma, a palavra
(unidade menor) se insere no contexto da frase (unidade maior); a frase se
insere no contexto do período; o período se insere no contexto do parágra-
fo e assim por diante.

Uma vez inserida no contexto, a palavra perde o seu caráter po-
lissêmico, isto é, deixa de admitir vários significados e ganha um sig-
nificado especifico no contexto. É o significado definido pelo contexto que
se denomina significado contextual.

Inserindo a palavra linha, de que acabamos de falar, num contexto, ela
assumirá um significado apenas e por isso deixará de ser polissêmica.

Observem-se os exemplos:
a) A costureira, de tão velha, não conseguia mais enfiar a linha na
agulha (linha = material para costurar).
b) O técnico deslocou o jogador da linha para a defesa (linha =
conjunto de atacantes de um time de futebol).
c) As linhas do bonde foram cobertas pelo asfalto (linha trilho).
d) O conferencista, apesar da agressividade da plateia, não perdeu
a linha (linha postura).

Para a compreensão de um texto, a depreensão do significado contex-
tual é um dado bastante importante, sobretudo quando se trata de um texto
de caráter literário. Como se sabe, no discurso literário, é bastante comum
explorar as múltiplas possibilidades de significado de uma palavra. Mas,
num texto, tudo deve ser amarrado e coerente. A coerência do texto permi-
te que se capte o sentido que as palavras assumem no contexto.

Denotação versus Conotação
A relação existente entre o plano da expressão e o plano de conteúdo
configura aquilo que chamamos de denotação. Desse modo, significado
denotativo é aquele conceito que um certo significante evoca no receptor.
Em outras palavras, é o conceito ao qual nos remete um certo significante.

Os dicionários descrevem geralmente os vários conceitos que as pala-
vras denotam: quando alguém procura no dicionário o significado de uma
palavra, está querendo saber o que é que ela denota ou que tipo de signifi-
cado está investido num certo significante. O dicionário nos diz que:
— bocteriose denota doenças causadas por bactérias.
— báculo denota um bastão, um cajado que os bispos usam em
cerimônias religiosas.
— fosco denota insucesso, mau êxito.

Um termo ou uma palavra, além do seu significado denotativo, pode vir
acrescido de outros significados paralelos, pode vir carregado de impres-
sões, valores afetivos, negativos e positivos. Assim, sobre o signo linguísti-
co, dotado de um plano de expressão e um plano de conteúdo, pode-se
construir outro plano de conteúdo constituído de valores sociais, de im-
pressões ou reações psíquicas que um signo desperta. Esses valores
sobrepostos ao signo constituem aquilo que denominamos de sentido
conotativo e esse acréscimo de um novo conteúdo constitui a conotação.
Assim, “cair do cavalo” tem um sentido denotativo: “sofrer uma queda de
um cavalo”, A essa expressão, acrescenta-se outro conteúdo, e “cair do
cavalo” passa a conotar “dar-se mal”, “sofrer uma decepção”.

Em síntese, toda palavra possui um significado denotativo, já que em
toda palavra se pressupõem reciprocamente dois planos:

Plano de conteúdo (significado)
Plano de expressão (significante)

Sobreposto ao significado denotativo implanta-se o significado conota-
tivo, que consiste num novo plano de conteúdo investido no signo como um
todo.

Duas palavras podem ter a mesma denotação e conotação com-
pletamente diversa, e essa propriedade pode servir para deixar clara a
diferença entre essas duas dimensões do signo linguístico que estamos
tentando explicar. Citemos, por exemplo, as palavras docente, professor e
instrutor, que denotam praticamente a mesma coisa: alguém que instrui
alguém; as três palavras são, entretanto, carregadas de conteúdos conota-
tivos diversos, sobretudo no que diz respeito ao prestígio e ao grau de
respeitabilidade que cada um desperta. Assim também policial e meganha
têm a mesma denotação e conotações francamente distintas.

O sentido conotativo varia de cultura para cultura, de classe social pa-
ra classe social, de época para época. A palavra filósofo entre os gregos
tinha uma carga conotativa muito mais prestigiosa que entre nós. Saber
depreender a força conotativa das palavras em cada tipo de cultura é
indispensável para usá-las bem. Imagine-se, num restaurante, o freguês
chamar o garçom e devolver a carne alegando que ela está fedendo. Se
disser cheirando mal em vez defedendo, mantém a denotação e evita o
impacto conotativo grosseiro do verbo feder.

TEXTO COMENTADO

Lição sobre a água
Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
5 sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas, que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.
Ë um bom dissolvente.
Embora com exceções mas de um modo geral,
10 dissolve tudo bem, ácidos, bases e sais.
Congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando a pressão normal.
Foi nesse líquido que numa noite cálida de Verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
15 apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão,

GEDEÂO, Antônio. Poesias completas (1955-
-1957). Lisboa. Portugália, 1972. p. 244-5.

As duas primeiras estrofes falam das propriedades físicas da água
(ausência de cor, cheiro e sabor, em estado de pureza; propriedade de
dissolver ácidos, bases e sais, ponto de congelamento e fervura), falam
também de sua utilidade (mover máquinas, servir de solvente). À primeira
vista, temos a impressão de que a palavra “água” tem um valor denotativo
e que o poeta está fazendo uma exposição, que ficaria melhor num com-
pêndio científico, sobre as propriedades e funções de uma substância. No
entanto, na terceira estrofe, o tom muda: um ritmo lento e majestoso substi-
tui o ritmo quase prosaico das duas primeiras estrofes; as consoantes não-
momentâneas, que admitem uma pronúncia mais alongada (f/v, s/z, m, n, l,

Linguagens e Códigos
34
r), predominam; os vocábulos selecionados parecem, à primeira vista, mais
sugestivos e carregados de uma carga emocional mais intensa.

Comecemos a análise por essa estrofe. O termo “cálida” significa
quente, ardente, fogosa. Verão, grafado com maiúscula, não denota ape-
nas a estação do ano, mas evoca o calor e, por associação, a vida. Isso
sugere o tempo dos jogos do amor. Luar é o clima dos enamorados. E
definido como de uma brancura intensa (pureza), pois “de camélia” reforça
“branco”. Ao mesmo tempo, um clima arrebatador, pois gomoso significa
viscoso, é o que prende, cativa e seduz. Os dois primeiros versos sugerem
o amor e, portanto, a vida. O terceiro verso introduz a ideia da morte, da
podridão, da frieza. Ofélia, cujo cadáver aparece boiando, evoca Ofélia,
personagem da tragédia Hamlet de Shakespeare. Esta amava Hamlet e,
enlouquecida de dor porque o próprio amado matara seu pai, morreu
afogada. A evocação de uma personagem da tragédia clássica introduz no
poema todos os conflitos que perpassam a tragédia, cujos personagens
são dilacerados por sentimentos contraditórios. No quarto verso, aparece o
termo “nenúfar”, planta aquática da família das ninfáceas. Essa palavra traz
à mente as ninfas, divindades gregas dos rios e dos bosques, que eram
mulheres bonitas e formosas. É um signo evocador da juventude, da
beleza e, também, da vida.
No meio de um conjunto de signos que sugerem a vida, introduz-se a
morte; no interior da brancura de camélia do luar, insere-se a putrefação (o
cadáver). A água é lugar da vida (é onde crescem os nenúfares); é também
lugar de seu contraditório, a morte (é onde bóia o cadáver). Estamos no
plano do mito, pois todo mito reúne elementos semânticos contrários entre
si. A água ganha a dimensão do mito.

A nitidez dos recursos poéticos da terceira estrofe obriga-nos a reler as
duas primeiras, para perceber o significado global do poema, que, até
agora, se apresenta como dois blocos de significação sem aparente rela-
ção entre si.

Há uma leitura denotativa da realidade, que pode ser descrita em suas
propriedades e funções. No entanto, as rimas presentes nas duas primei-
ras estrofes sugerem que a mesma realidade pode ter outra leitura. Há um
plano de análise racional que distingue (“Congela a zero graus centesi-
mais/E ferve a 100º) e um plano do entendimento mitico que apreende
simultaneamente as contraditoriedades. Há uma visão da realidade sem os
cheiros, os gostos e as cores, e outra com cores intensas e sensações
táteis muito vivas. Aquela está vinculada ao mundo do trabalho (“move os
êmbolos”), e esta, ao dos sentimentos. Aquela dissolve quase tudo, esta
não dissolve, mas funde os elementos conservando suas propriedades. O
plano do mito invade a realidade. A substituição do ritmo e a predominân-
cia das consoante não-momentâneas recriam, no plano da expressão, a
ideia de invasão do mito que flui pelo interior da realidade.

Água tem no poema sentido conotado: significa a realidade que a ci-
ência e os negócios vêem como um espaço em que tudo está separado e
catalogado; significa também a dimensão do mito, onde estão os sentimen-
tos contraditórios, que movem o homem. A análise da ciência ou dos
interesses econômicos é sempre parcial, sempre incompleta, pois não leva
em conta a contraditoriedade humana, expressa pelo mito. Este explica
melhor a realidade, pois exprime suas contradições. No mito a morte é a
contraface da vida; a podridão, da pureza; o frio, do calor...

RECURSOS EXPRESSIVOS
O autor de um texto pode recorrer a determinados processos, ou maneiras,
para tornar esse texto mais expressivo ou vivo.
Assim, os recursos expressivos ou figuras de estilo são maneiras de escre-
ver (ou falar), usadas para dar mais elegância, beleza, expressividade e
correcção aos textos.

PERSONIFICAÇÃO – Consiste na atribuição de características humanas a
animais, coisas ou ideias.
Ex: As ondas desenrolaram os seus braços ao longo da praia.
Ex: A chuva espreitou lá do céu mas recolheu-se arrependida.

COMPARAÇÃO – Consiste em estabelecer uma relação de semelhança
por meio de uma palavra ou de uma expressão comparativa (várias pala-
vras): ”como, mais do que, menos do que, maior que, tão”; ou através de
verbos que também sirvam para comparar: “parecer, lembrar, seguir…”.
Ex: A velha estava tão fria como um pedaço de mármore.
Ex: A cidade, adormecida, parecia um cemitério sem fim.

ENUMERAÇÃO – Consiste em apresentar vários elementos da mesma
natureza (género), separadas por vírgulas.
Ex: Aquela montra está cheia de doces: pastéis de nata, bolos de arroz,
feijão, amêndoa, queques, cornucópias, jesuítas…

ADJETIVAÇÃO – Quando utilizamos vários adjectivos para caracterizar
alguma coisa ou pessoa.
Ex: As nuvens eram escuras, espessas e traiçoeiras.
Ex: A rapariga tinha um rosto redondo, belo e simpático.

REPETIÇÃO – Quando uma palavra ou palavras são repetidas de forma
intencional pelo autor, para lhes atribuir mais força, ou significado, ou por
qualquer outra intenção, tendo em atenção os objectivos pretendidos pelo
autor no texto.
Ex: Ulisses caminhava, caminhava, caminhava…
Ex: E a chuva miudinha caía, caía, caía, qual suave canção de embalar.
http://storjorge.blogspot.com.br/

O estudo do ritmo, entoação e intensidade de um discurso chama-
se prosódia. Existe também a prosódia musical, visto que a música tam-
bém é considerada uma linguagem. Em poesia, o estudo do ritmo chama-
se métrica.
Uma das grandes diferenças, entre a Língua Portuguesa e as demais
línguas de matriz latina, está na sonoridade.
A Língua Portuguesa é, das línguas de matriz latina, a mais sonora. A
sonoridade da Língua Portuguesa agrada os ouvidos, capazes de apreciá-
la como arte.

FONÉTICA E FONOLOGIA

Em sentido mais elementar, a Fonética é o estudo dos sons ou dos fo-
nemas, entendendo-se por fonemas os sons emitidos pela voz humana, os
quais caracterizam a oposição entre os vocábulos.

Ex.: em pato e bato é o som inicial das consoantes p- e b- que opõe en-
tre si as duas palavras. Tal som recebe a denominação de FONEMA.

Quando proferimos a palavra aflito, por exemplo, emitimos três sílabas e
seis fonemas: a-fli-to. Percebemos que numa sílaba pode haver um ou mais
fonemas.
No sistema fonética do português do Brasil há, aproximadamente, 33 fo-
nemas.

É importante não confundir letra com fonema. Fonema é som, letra é o
sinal gráfico que representa o som.

Vejamos alguns exemplos:
Manhã – 5 letras e quatro fonemas: m / a / nh / ã
Táxi – 4 letras e 5 fonemas: t / a / k / s / i
Corre – letras: 5: fonemas: 4
Hora – letras: 4: fonemas: 3
Aquela – letras: 6: fonemas: 5
Guerra – letras: 6: fonemas: 4
Fixo – letras: 4: fonemas: 5
Hoje – 4 letras e 3 fonemas
Canto – 5 letras e 4 fonemas
Tempo – 5 letras e 4 fonemas
Campo – 5 letras e 4 fonemas
Chuva – 5 letras e 4 fonemas

LETRA - é a representação gráfica, a representação escrita, de um
determinado som.

CLASSIFICAÇÃO DOS FONEMAS

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VOGAIS



SEMIVOGAIS
Só há duas semivogais: i e u, quando se incorporam à vogal numa
mesma sílaba da palavra, formando um ditongo ou tritongo. Exs.: cai-ça-ra,
te-sou-ro, Pa-ra-guai.

CONSOANTES



ENCONTROS VOCÁLICOS
A sequência de duas ou três vogais em uma palavra, damos o nome de
encontro vocálico.
Ex.: cooperativa

Três são os encontros vocálicos: ditongo, tritongo, hiato

DITONGO
É a combinação de uma vogal + uma semivogal ou vice-versa.
Dividem-se em:
- orais: pai, fui
- nasais: mãe, bem, pão
- decrescentes: (vogal + semivogal) – meu, riu, dói
- crescentes: (semivogal + vogal) – pátria, vácuo

TRITONGO (semivogal + vogal + semivogal)
Ex.: Pa-ra-guai, U-ru-guai, Ja-ce-guai, sa-guão, quão, iguais, mínguam

HIATO
Ê o encontro de duas vogais que se pronunciam separadamente, em du-
as diferentes emissões de voz.
Ex.: fa-ís-ca, sa-ú-de, do-er, a-or-ta, po-di-a, ci-ú-me, po-ei-ra, cru-el, ju-í-
zo

SÍLABA
Dá-se o nome de sílaba ao fonema ou grupo de fonemas pronunciados
numa só emissão de voz.

Quanto ao número de sílabas, o vocábulo classifica-se em:
• Monossílabo - possui uma só sílaba: pá, mel, fé, sol.
• Dissílabo - possui duas sílabas: ca-sa, me-sa, pom-bo.
• Trissílabo - possui três sílabas: Cam-pi-nas, ci-da-de, a-tle-ta.
• Polissílabo - possui mais de três sílabas: es-co-la-ri-da-de, hos-pi-ta-
li-da-de.

TONICIDADE
Nas palavras com mais de uma sílaba, sempre existe uma sílaba que se
pronuncia com mais força do que as outras: é a sílaba tônica.
Exs.: em lá-gri-ma, a sílaba tônica é lá; em ca-der-no, der; em A-ma-pá,
pá.

Considerando-se a posição da sílaba tônica, classificam-se as palavras
em:
• Oxítonas - quando a tônica é a última sílaba: Pa-ra-ná, sa-bor, do-
mi-nó.
• Paroxítonas - quando a tônica é a penúltima sílaba: már-tir, ca-rá-ter,
a-má-vel, qua-dro.
• Proparoxítonas - quando a tônica é a antepenúltima sílaba: ú-mi-do,
cá-li-ce, ' sô-fre-go, pês-se-go, lá-gri-ma.

ENCONTROS CONSONANTAIS
É a sequência de dois ou mais fonemas consonânticos num vocábulo.
Ex.: atleta, brado, creme, digno etc.

DÍGRAFOS
São duas letras que representam um só fonema, sendo uma grafia com-
posta para um som simples.

Há os seguintes dígrafos:
1) Os terminados em h, representados pelos grupos ch, lh, nh.
Exs.: chave, malha, ninho.
2) Os constituídos de letras dobradas, representados pelos grupos rr e
ss.
Exs. : carro, pássaro.
3) Os grupos gu, qu, sc, sç, xc, xs.
Exs.: guerra, quilo, nascer, cresça, exceto, exsurgir.
4) As vogais nasais em que a nasalidade é indicada por m ou n, encer-
rando a sílaba em uma palavra.
Exs.: pom-ba, cam-po, on-de, can-to, man-to.

NOTAÇÕES LÉXICAS
São certos sinais gráficos que se juntam às letras, geralmente para lhes
dar um valor fonético especial e permitir a correta pronúncia das palavras.

São os seguintes:
1) o acento agudo – indica vogal tônica aberta: pé, avó, lágrimas;
2) o acento circunflexo – indica vogal tônica fechada: avô, mês, âncora;
3) o acento grave – sinal indicador de crase: ir à cidade;
4) o til – indica vogal nasal: lã, ímã;
5) a cedilha – dá ao c o som de ss: moça, laço, açude;
6) o apóstrofo – indica supressão de vogal: mãe-d’água, pau-d’alho;
7) o hífen – une palavras, prefixos, etc.: arcos-íris, peço-lhe, ex-aluno.

Ortoépia e Prosódia

A ortoépia trata da pronúncia correta das palavras. Quando as palavras
são pronunciadas incorretamente, comete-se cacoépia.
É comum encontrarmos erros de ortoépia na linguagem popular, mais
descuidada e com tendência natural para a simplificação.

Podemos citar como exemplos de cacoépia:

- “guspe” em vez de cuspe.
- “adevogado” em vez de advogado.
- “estrupo” em vez de estupro.
- “cardeneta” em vez de caderneta.
- “peneu” em vez de pneu.
- “abóbra” em vez de abóbora.
- “prostar” em vez de prostrar.

A prosódia trata da correta acentuação tônica das palavras. Cometer
erro de prosódia é transformar uma palavra paroxítona em oxítona, ou
uma proparoxítona em paroxítona etc.

- “rúbrica” em vez de rubrica.
- “sútil” em vez de sutil.
- “côndor” em vez de condor.
Por Marina Cabral

ORTOGRAFIA OFICIAL

As dificuldades para a ortografia devem-se ao fato de que há fonemas
que podem ser representados por mais de uma letra, o que não é feito de
modo arbitrário, mas fundamentado na história da língua.

Eis algumas observações úteis:

DISTINÇÃO ENTRE J E G
1. Escrevem-se com J:
a) As palavras de origem árabe, africana ou ameríndia: canjica. cafajeste,
canjerê, pajé, etc.
b) As palavras derivadas de outras que já têm j: laranjal (laranja), enrije-
cer, (rijo), anjinho (anjo), granjear (granja), etc.
c) As formas dos verbos que têm o infinitivo em JAR. despejar: despejei,
despeje; arranjar: arranjei, arranje; viajar: viajei, viajeis.
d) O final AJE: laje, traje, ultraje, etc.
e) Algumas formas dos verbos terminados em GER e GIR, os quais
mudam o G em J antes de A e O: reger: rejo, reja; dirigir: dirijo, dirija.
a, e, i, o, u
b, c, d, f, g, h, j, l, m, n, p, q, r, s, t, v, x, z

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2. Escrevem-se com G:
a) O final dos substantivos AGEM, IGEM, UGEM: coragem, vertigem,
ferrugem, etc.
b) Exceções: pajem, lambujem. Os finais: ÁGIO, ÉGIO, ÓGIO e ÍGIO:
estágio, egrégio, relógio refúgio, prodígio, etc.
c) Os verbos em GER e GIR: fugir, mugir, fingir.

DISTINÇÃO ENTRE S E Z
1. Escrevem-se com S:
a) O sufixo OSO: cremoso (creme + oso), leitoso, vaidoso, etc.
b) O sufixo ÊS e a forma feminina ESA, formadores dos adjetivos pátrios
ou que indicam profissão, título honorífico, posição social, etc.: portu-
guês – portuguesa, camponês – camponesa, marquês – marquesa,
burguês – burguesa, montês, pedrês, princesa, etc.
c) O sufixo ISA. sacerdotisa, poetisa, diaconisa, etc.
d) Os finais ASE, ESE, ISE e OSE, na grande maioria se o vocábulo for
erudito ou de aplicação científica, não haverá dúvida, hipótese, exege-
se análise, trombose, etc.
e) As palavras nas quais o S aparece depois de ditongos: coisa, Neusa,
causa.
f) O sufixo ISAR dos verbos referentes a substantivos cujo radical termi-
na em S: pesquisar (pesquisa), analisar (análise), avisar (aviso), etc.
g) Quando for possível a correlação ND - NS: escandir: escansão; pre-
tender: pretensão; repreender: repreensão, etc.

2. Escrevem-se em Z.
a) O sufixo IZAR, de origem grega, nos verbos e nas palavras que têm o
mesmo radical. Civilizar: civilização, civilizado; organizar: organização,
organizado; realizar: realização, realizado, etc.
b) Os sufixos EZ e EZA formadores de substantivos abstratos derivados
de adjetivos limpidez (limpo), pobreza (pobre), rigidez (rijo), etc.
c) Os derivados em -ZAL, -ZEIRO, -ZINHO e –ZITO: cafezal, cinzeiro,
chapeuzinho, cãozito, etc.

DISTINÇÃO ENTRE X E CH:
1. Escrevem-se com X
a) Os vocábulos em que o X é o precedido de ditongo: faixa, caixote,
feixe, etc.
c) Maioria das palavras iniciadas por ME: mexerico, mexer, mexerica, etc.
d) EXCEÇÃO: recauchutar (mais seus derivados) e caucho (espécie de
árvore que produz o látex).
e) Observação: palavras como "enchente, encharcar, enchiqueirar,
enchapelar, enchumaçar", embora se iniciem pela sílaba "en", são gra-
fadas com "ch", porque são palavras formadas por prefixação, ou seja,
pelo prefixo en + o radical de palavras que tenham o ch (enchente, en-
cher e seus derivados: prefixo en + radical de cheio; encharcar: en +
radical de charco; enchiqueirar: en + radical de chiqueiro; enchapelar:
en + radical de chapéu; enchumaçar: en + radical de chumaço).

2. Escrevem-se com CH:
a) charque, chiste, chicória, chimarrão, ficha, cochicho, cochichar, estre-
buchar, fantoche, flecha, inchar, pechincha, pechinchar, penacho, sal-
sicha, broche, arrocho, apetrecho, bochecha, brecha, chuchu, cachim-
bo, comichão, chope, chute, debochar, fachada, fechar, linchar, mochi-
la, piche, pichar, tchau.
b) Existem vários casos de palavras homófonas, isto é, palavras que
possuem a mesma pronúncia, mas a grafia diferente. Nelas, a grafia
se distingue pelo contraste entre o x e o ch.
Exemplos:
• brocha (pequeno prego)
• broxa (pincel para caiação de paredes)
• chá (planta para preparo de bebida)
• xá (título do antigo soberano do Irã)
• chalé (casa campestre de estilo suíço)
• xale (cobertura para os ombros)
• chácara (propriedade rural)
• xácara (narrativa popular em versos)
• cheque (ordem de pagamento)
• xeque (jogada do xadrez)
• cocho (vasilha para alimentar animais)
• coxo (capenga, imperfeito)

DISTINÇÃO ENTRE S, SS, Ç E C
Observe o quadro das correlações:
Correlações
t - c
ter-tenção

rg - rs
rt - rs
pel - puls
corr - curs
sent - sens
ced - cess

gred - gress

prim - press
tir - ssão

Exemplos
ato - ação; infrator - infração; Marte - marcial
abster - abstenção; ater - atenção; conter - contenção, deter -
detenção; reter - retenção
aspergir - aspersão; imergir - imersão; submergir - submersão;
inverter - inversão; divertir - diversão
impelir - impulsão; expelir - expulsão; repelir - repulsão
correr - curso - cursivo - discurso; excursão - incursão
sentir - senso, sensível, consenso
ceder - cessão - conceder - concessão; interceder - intercessão.
exceder - excessivo (exceto exceção)
agredir - agressão - agressivo; progredir - progressão - progresso -
progressivo
imprimir - impressão; oprimir - opressão; reprimir - repressão.
admitir - admissão; discutir - discussão, permitir - permissão.
(re)percutir - (re)percussão

PALAVRAS COM CERTAS DIFICULDADES

ONDE-AONDE
Emprega-se AONDE com os verbos que dão ideia de movimento. Equi-
vale sempre a PARA ONDE.
AONDE você vai?
AONDE nos leva com tal rapidez?

Naturalmente, com os verbos que não dão ideia de “movimento” empre-
ga-se ONDE
ONDE estão os livros?
Não sei ONDE te encontrar.

MAU - MAL
MAU é adjetivo (seu antônimo é bom).
Escolheu um MAU momento.
Era um MAU aluno.

MAL pode ser:
a) advérbio de modo (antônimo de bem).
Ele se comportou MAL.
Seu argumento está MAL estruturado
b) conjunção temporal (equivale a assim que).
MAL chegou, saiu
c) substantivo:
O MAL não tem remédio,
Ela foi atacada por um MAL incurável.

CESÃO/SESSÃO/SECÇÃO/SEÇÃO
CESSÃO significa o ato de ceder.
Ele fez a CESSÃO dos seus direitos autorais.
A CESSÃO do terreno para a construção do estádio agradou a todos os
torcedores.

SESSÃO é o intervalo de tempo que dura uma reunião:
Assistimos a uma SESSÃO de cinema.
Reuniram-se em SESSÃO extraordinária.

SECÇÃO (ou SEÇÃO) significa parte de um todo, subdivisão:
Lemos a noticia na SECÇÃO (ou SEÇÃO) de esportes.
Compramos os presentes na SECÇÃO (ou SEÇÃO) de brinquedos.

HÁ / A
Na indicação de tempo, emprega-se:
HÁ para indicar tempo passado (equivale a faz):
HÁ dois meses que ele não aparece.
Ele chegou da Europa HÁ um ano.
A para indicar tempo futuro:
Daqui A dois meses ele aparecerá.
Ela voltará daqui A um ano.

FORMAS VARIANTES
Existem palavras que apresentam duas grafias. Nesse caso, qualquer
uma delas é considerada correta. Eis alguns exemplos.

Linguagens e Códigos
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aluguel ou aluguer
alpartaca, alpercata ou alpargata
amídala ou amígdala
assobiar ou assoviar
assobio ou assovio
azaléa ou azaleia
bêbado ou bêbedo
bílis ou bile
cãibra ou cãimbra
carroçaria ou carroceria
chimpanzé ou chipanzé
debulhar ou desbulhar
fleugma ou fleuma
hem? ou hein?
imundície ou imundícia
infarto ou enfarte
laje ou lajem
lantejoula ou lentejoula
nenê ou nenen
nhambu, inhambu ou nambu
quatorze ou catorze
surripiar ou surrupiar
taramela ou tramela
relampejar, relampear, relampeguear
ou relampar
porcentagem ou percentagem


EMPREGO DE MAIÚSCULAS E MINÚSCULAS

Escrevem-se com letra inicial maiúscula:
1) a primeira palavra de período ou citação.
Diz um provérbio árabe: "A agulha veste os outros e vive nua."
No início dos versos que não abrem período é facultativo o uso da
letra maiúscula.
2) substantivos próprios (antropônimos, alcunhas, topônimos, nomes
sagrados, mitológicos, astronômicos): José, Tiradentes, Brasil,
Amazônia, Campinas, Deus, Maria Santíssima, Tupã, Minerva, Via-
Láctea, Marte, Cruzeiro do Sul, etc.
O deus pagão, os deuses pagãos, a deusa Juno.
3) nomes de épocas históricas, datas e fatos importantes, festas
religiosas: Idade Média, Renascença, Centenário da Independência
do Brasil, a Páscoa, o Natal, o Dia das Mães, etc.
4) nomes de altos cargos e dignidades: Papa, Presidente da República,
etc.
5) nomes de altos conceitos religiosos ou políticos: Igreja, Nação,
Estado, Pátria, União, República, etc.
6) nomes de ruas, praças, edifícios, estabelecimentos, agremiações,
órgãos públicos, etc.:
Rua do 0uvidor, Praça da Paz, Academia Brasileira de Letras, Banco
do Brasil, Teatro Municipal, Colégio Santista, etc.
7) nomes de artes, ciências, títulos de produções artísticas, literárias e
científicas, títulos de jornais e revistas: Medicina, Arquitetura, Os
Lusíadas, 0 Guarani, Dicionário Geográfico Brasileiro, Correio da
Manhã, Manchete, etc.
8) expressões de tratamento: Vossa Excelência, Sr. Presidente,
Excelentíssimo Senhor Ministro, Senhor Diretor, etc.
9) nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões: Os povos do
Oriente, o falar do Norte.
Mas: Corri o país de norte a sul. O Sol nasce a leste.
10) nomes comuns, quando personificados ou individuados: o Amor, o
Ódio, a Morte, o Jabuti (nas fábulas), etc.

Escrevem-se com letra inicial minúscula:
1) nomes de meses, de festas pagãs ou populares, nomes gentílicos,
nomes próprios tornados comuns: maia, bacanais, carnaval,
ingleses, ave-maria, um havana, etc.
2) os nomes a que se referem os itens 4 e 5 acima, quando
empregados em sentido geral:
São Pedro foi o primeiro papa. Todos amam sua pátria.
3) nomes comuns antepostos a nomes próprios geográficos: o rio
Amazonas, a baía de Guanabara, o pico da Neblina, etc.
4) palavras, depois de dois pontos, não se tratando de citação direta:
"Qual deles: o hortelão ou o advogado?" (Machado de Assis)
"Chegam os magos do Oriente, com suas dádivas: ouro, incenso,
mirra." (Manuel Bandeira)

USO DO HÍFEN

Algumas regras do uso do hífen foram alteradas pelo novo Acordo.
Mas, como se trata ainda de matéria controvertida em muitos aspectos,
para facilitar a compreensão dos leitores, apresentamos um resumo das
regras que orientam o uso do hífen com os prefixos mais comuns, assim
como as novas orientações estabelecidas pelo Acordo.

As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras for-
madas por prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos,
como: aero, agro, além, ante, anti, aquém, arqui, auto, circum, co, contra,
eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro, micro,
mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi, sobre,
sub, super, supra, tele, ultra, vice etc.

1. Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por
h.
Exemplos:
anti-higiênico
anti-histórico
co-herdeiro
macro-história
mini-hotel
proto-história
sobre-humano
super-homem
ultra-humano
Exceção: subumano (nesse caso, a palavra humano perde o h).

2. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da
vogal com que se inicia o segundo elemento.
Exemplos:
aeroespacial
agroindustrial
anteontem
antiaéreo
antieducativo
autoaprendizagem
autoescola
autoestrada
autoinstrução
coautor
coedição
extraescolar
infraestrutura
plurianual
semiaberto
semianalfabeto
semiesférico
semiopaco
Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento,
mesmo quando este se inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar,
cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.

3. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo
elemento começa por consoante diferente de r ou s. Exemplos:
anteprojeto
antipedagógico
autopeça
autoproteção
coprodução
geopolítica
microcomputador
pseudoprofessor
semicírculo
semideus
seminovo
ultramoderno
Atenção: com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice-
rei, vice-almirante etc.

4. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo
elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras. Exem-
plos:
antirrábico
antirracismo
antirreligioso
antirrugas
antissocial

Linguagens e Códigos
38
biorritmo
contrarregra
contrassenso
cosseno
infrassom
microssistema
minissaia
multissecular
neorrealismo
neossimbolista
semirreta
ultrarresistente.
ultrassom

5. Quando o prefi xo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo
elemento começar pela mesma vogal.
Exemplos:
anti-ibérico
anti-imperialista
anti-infl acionário
anti-infl amatório
auto-observação
contra-almirante
contra-atacar
contra-ataque
micro-ondas
micro-ônibus
semi-internato
semi-interno

6. Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o segun-
do elemento começar pela mesma consoante.
Exemplos:
hiper-requintado
inter-racial
inter-regional
sub-bibliotecário
super-racista
super-reacionário
super-resistente
super-romântico

Atenção:
• Nos demais casos não se usa o hífen.
Exemplos: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, su-
perproteção.
• Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra inici-
ada por r: sub-região, sub-raça etc.
• Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra i-
niciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano etc.

7. Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o
segundo elemento começar por vogal. Exemplos:
hiperacidez
hiperativo
interescolar
interestadual
interestelar
interestudantil
superamigo
superaquecimento
supereconômico
superexigente
superinteressante
superotimismo

8. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-se
sempre o hífen. Exemplos:
além-mar
além-túmulo
aquém-mar
ex-aluno
ex-diretor
ex-hospedeiro
ex-prefeito
ex-presidente
pós-graduação
pré-história
pré-vestibular
pró-europeu
recém-casado
recém-nascido
sem-terra

9. Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu,
guaçu e mirim. Exemplos: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.

10. Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasio-
nalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas
encadeamentos vocabulares. Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São
Paulo.

11. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a no-
ção de composição. Exemplos:
girassol
madressilva
mandachuva
paraquedas
paraquedista
pontapé

12. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra
ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na
linha seguinte. Exemplos:
Na cidade, conta-se que ele foi viajar.
O diretor recebeu os ex-alunos.

ACENTUAÇÃO GRÁFICA

ORTOGRAFIA OFICIAL
Por Paula Perin dos Santos

O Novo Acordo Ortográfico visa simplificar as regras ortográficas da
Língua Portuguesa e aumentar o prestígio social da língua no cenário
internacional. Sua implementação no Brasil segue os seguintes parâme-
tros: 2009 – vigência ainda não obrigatória, 2010 a 2012 – adaptação
completa dos livros didáticos às novas regras; e a partir de 2013 – vigência
obrigatória em todo o território nacional. Cabe lembrar que esse “Novo
Acordo Ortográfico” já se encontrava assinado desde 1990 por oito países
que falam a língua portuguesa, inclusive pelo Brasil, mas só agora é que
teve sua implementação.
É equívoco afirmar que este acordo visa uniformizar a língua, já que
uma língua não existe apenas em função de sua ortografia. Vale lembrar
que a ortografia é apenas um aspecto superficial da escrita da língua, e
que as diferenças entre o Português falado nos diversos países lusófonos
subsistirão em questões referentes à pronúncia, vocabulário e gramática.
Uma língua muda em função de seus falantes e do tempo, não por meio de
Leis ou Acordos.
A queixa de muitos estudantes e usuários da língua escrita é que, de-
pois de internalizada uma regra, é difícil “desaprendê-la”. Então, cabe aqui
uma dica: quando se tiver uma dúvida sobre a escrita de alguma palavra, o
ideal é consultar o Novo Acordo (tenha um sempre em fácil acesso) ou, na
melhor das hipóteses, use um sinônimo para referir-se a tal palavra.
Mostraremos nessa série de artigos o Novo Acordo de uma maneira
descomplicada, apontando como é que fica estabelecido de hoje em diante
a Ortografia Oficial do Português falado no Brasil.

Linguagens e Códigos
39
Alfabeto
A influência do inglês no nosso idioma agora é oficial. Há muito tempo
as letras “k”, “w” e “y” faziam parte do nosso idioma, isto não é nenhuma
novidade. Elas já apareciam em unidades de medidas, nomes próprios e
palavras importadas do idioma inglês, como:
km – quilômetro,
kg – quilograma
Show, Shakespeare, Byron, Newton, dentre outros.

Trema
Não se usa mais o trema em palavras do português. Quem digita muito
textos científicos no computador sabe o quanto dava trabalho escrever
linguística, frequência. Ele só vai permanecer em nomes próprios e seus
derivados, de origem estrangeira. Por exemplo, Gisele Bundchen não vai
deixar de usar o trema em seu nome, pois é de origem alemã. (neste caso,
o “u” lê-se “i”)
QUANTO À POSIÇÃO DA SÍLABA TÔNICA
1. Acentuam-se as oxítonas terminadas em “A”, “E”, “O”, seguidas ou
não de “S”, inclusive as formas verbais quando seguidas de “LO(s)” ou
“LA(s)”. Também recebem acento as oxítonas terminadas em ditongos
abertos, como “ÉI”, “ÉU”, “ÓI”, seguidos ou não de “S”
Ex.
Chá Mês nós
Gás Sapé cipó
Dará Café avós
Pará Vocês compôs
vatapá pontapés só
Aliás português robô
dá-lo vê-lo avó
recuperá-los Conhecê-los pô-los
guardá-la Fé compô-los
réis (moeda) Véu dói
méis céu mói
pastéis Chapéus anzóis
ninguém parabéns Jerusalém
Resumindo:
Só não acentuamos oxítonas terminadas em “I” ou “U”, a não ser que
seja um caso de hiato. Por exemplo: as palavras “baú”, “aí”, “Esaú” e “atraí-
lo” são acentuadas porque as semivogais “i” e “u” estão tônicas nestas
palavras.
2. Acentuamos as palavras paroxítonas quando terminadas em:
 L – afável, fácil, cônsul, desejável, ágil, incrível.
 N – pólen, abdômen, sêmen, abdômen.
 R – câncer, caráter, néctar, repórter.
 X – tórax, látex, ônix, fênix.
 PS – fórceps, Quéops, bíceps.
 Ã(S) – ímã, órfãs, ímãs, Bálcãs.
 ÃO(S) – órgão, bênção, sótão, órfão.
 I(S) – júri, táxi, lápis, grátis, oásis, miosótis.
 ON(S) – náilon, próton, elétrons, cânon.
 UM(S) – álbum, fórum, médium, álbuns.
 US – ânus, bônus, vírus, Vênus.
Também acentuamos as paroxítonas terminadas em ditongos crescen-
tes (semivogal+vogal):
Névoa, infância, tênue, calvície, série, polícia, residência, férias, lírio.

3. Todas as proparoxítonas são acentuadas.
Ex. México, música, mágico, lâmpada, pálido, pálido, sândalo, crisân-
temo, público, pároco, proparoxítona.

QUANTO À CLASSIFICAÇÃO DOS ENCONTROS VOCÁLICOS

4. Acentuamos as vogais “I” e “U” dos hiatos, quando:
 Formarem sílabas sozinhos ou com “S”
Ex. Ju-í-zo, Lu-ís, ca-fe-í-na, ra-í-zes, sa-í-da, e-go-ís-ta.

IMPORTANTE
Por que não acentuamos “ba-i-nha”, “fei-u-ra”, “ru-im”, “ca-ir”, “Ra-ul”,
se todos são “i” e “u” tônicas, portanto hiatos?

Porque o “i” tônico de “bainha” vem seguido de NH. O “u” e o “i” tônicos
de “ruim”, “cair” e “Raul” formam sílabas com “m”, “r” e “l” respectivamente.
Essas consoantes já soam forte por natureza, tornando naturalmente a
sílaba “tônica”, sem precisar de acento que reforce isso.

5. Trema
Não se usa mais o trema em palavras da língua portuguesa. Ele só vai
permanecer em nomes próprios e seus derivados, de origem estrangeira,
como Bündchen, Müller, mülleriano (neste caso, o “u” lê-se “i”)

6. Acento Diferencial

O acento diferencial permanece nas palavras:
pôde (passado), pode (presente)
pôr (verbo), por (preposição)
Nas formas verbais, cuja finalidade é determinar se a 3ª pessoa do
verbo está no singular ou plural:

SIN-
GULAR
PLURAL
Ele
tem
Eles têm
Ele
vem
Eles vêm

Essa regra se aplica a todos os verbos derivados de “ter” e “vir”, como:
conter, manter, intervir, deter, sobrevir, reter, etc.

DIVISÃO SILÁBICA

Não se separam as letras que formam os dígrafos CH, NH, LH, QU,
GU.
1- chave: cha-ve
aquele: a-que-le
palha: pa-lha
manhã: ma-nhã
guizo: gui-zo

Não se separam as letras dos encontros consonantais que apresentam
a seguinte formação: consoante + L ou consoante + R
2- emblema:
reclamar:
flagelo:
globo:
implicar:
atleta:
prato:
em-ble-ma
re-cla-mar
fla-ge-lo
glo-bo
im-pli-car
a-tle-ta
pra-to
abraço:
recrutar:
drama:
fraco:
agrado:
atraso:

a-bra-ço
re-cru-tar
dra-ma
fra-co
a-gra-do
a-tra-so

Separam-se as letras dos dígrafos RR, SS, SC, SÇ, XC.
3- correr:
passar:
cor-rer
pas-sar
desçam:
exceto:
des-çam
ex-ce-to

Linguagens e Códigos
40
fascinar: fas-ci-nar

Não se separam as letras que representam um ditongo.
4- mistério:
cárie:
mis-té-rio
cá-rie
herdeiro:

her-dei-ro

Separam-se as letras que representam um hiato.
5- saúde:
rainha:
sa-ú-de
ra-i-nha
cruel:
enjoo:
cru-el
en-jo-o

Não se separam as letras que representam um tritongo.
6- Paraguai:
saguão:
Pa-ra-guai
sa-guão

Consoante não seguida de vogal, no interior da palavra, fica na sílaba
que a antecede.
7- torna:
técnica:
absoluto:
tor-na núpcias: núp-cias
téc-ni-ca submeter: sub-me-ter
ab-so-lu-to perspicaz: pers-pi-caz

Consoante não seguida de vogal, no início da palavra, junta-se à síla-
ba que a segue
8- pneumático: pneu-má-ti-co
gnomo: gno-mo
psicologia: psi-co-lo-gia

No grupo BL, às vezes cada consoante é pronunciada separadamente,
mantendo sua autonomia fonética. Nesse caso, tais consoantes ficam em
sílabas separadas.
9- sublingual:
sublinhar:
sublocar:
sub-lin-gual
sub-li-nhar
sub-lo-car

Preste atenção nas seguintes palavras:
trei-no so-cie-da-de
gai-o-la ba-lei-a
des-mai-a-do im-bui-a
ra-diou-vin-te ca-o-lho
te-a-tro co-e-lho
du-e-lo ví-a-mos
a-mné-sia gno-mo
co-lhei-ta quei-jo
pneu-mo-ni-a fe-é-ri-co
dig-no e-nig-ma
e-clip-se Is-ra-el
mag-nó-lia

SINAIS DE PONTUAÇÃO

Pontuação é o conjunto de sinais gráficos que indica na escrita as
pausas da linguagem oral.

PONTO
O ponto é empregado em geral para indicar o final de uma frase decla-
rativa. Ao término de um texto, o ponto é conhecido como final. Nos casos
comuns ele é chamado de simples.

Também é usado nas abreviaturas: Sr. (Senhor), d.C. (depois de Cris-
to), a.C. (antes de Cristo), E.V. (Érico Veríssimo).

PONTO DE INTERROGAÇÃO
É usado para indicar pergunta direta.
Onde está seu irmão?

Às vezes, pode combinar-se com o ponto de exclamação.
A mim ?! Que ideia!

PONTO DE EXCLAMAÇÃO
É usado depois das interjeições, locuções ou frases exclamativas.
Céus! Que injustiça! Oh! Meus amores! Que bela vitória!
Ó jovens! Lutemos!

VÍRGULA
A vírgula deve ser empregada toda vez que houver uma pequena pau-
sa na fala. Emprega-se a vírgula:
• Nas datas e nos endereços:
São Paulo, 17 de setembro de 1989.
Largo do Paissandu, 128.
• No vocativo e no aposto:
Meninos, prestem atenção!
Termópilas, o meu amigo, é escritor.
• Nos termos independentes entre si:
O cinema, o teatro, a praia e a música são as suas diversões.
• Com certas expressões explicativas como: isto é, por exemplo. Neste
caso é usado o duplo emprego da vírgula:
Ontem teve início a maior festa da minha cidade, isto é, a festa da pa-
droeira.
• Após alguns adjuntos adverbiais:
No dia seguinte, viajamos para o litoral.
• Com certas conjunções. Neste caso também é usado o duplo emprego
da vírgula:
Isso, entretanto, não foi suficiente para agradar o diretor.
• Após a primeira parte de um provérbio.
O que os olhos não vêem, o coração não sente.
• Em alguns casos de termos oclusos:
Eu gostava de maçã, de pêra e de abacate.

RETICÊNCIAS
• São usadas para indicar suspensão ou interrupção do pensamento.
Não me disseste que era teu pai que ...
• Para realçar uma palavra ou expressão.
Hoje em dia, mulher casa com "pão" e passa fome...
• Para indicar ironia, malícia ou qualquer outro sentimento.
Aqui jaz minha mulher. Agora ela repousa, e eu também...

PONTO E VÍRGULA
• Separar orações coordenadas de certa extensão ou que mantém
alguma simetria entre si.
"Depois, lracema quebrou a flecha homicida; deu a haste ao desco-
nhecido, guardando consigo a ponta farpada. "
• Para separar orações coordenadas já marcadas por vírgula ou no seu
interior.
Eu, apressadamente, queria chamar Socorro; o motorista, porém,
mais calmo, resolveu o problema sozinho.

DOIS PONTOS
• Enunciar a fala dos personagens:
Ele retrucou: Não vês por onde pisas?
• Para indicar uma citação alheia:
Ouvia-se, no meio da confusão, a voz da central de informações de
passageiros do voo das nove: “queiram dirigir-se ao portão de embar-
que".
• Para explicar ou desenvolver melhor uma palavra ou expressão anteri-
or:
Desastre em Roma: dois trens colidiram frontalmente.
• Enumeração após os apostos:
Como três tipos de alimento: vegetais, carnes e amido.

TRAVESSÃO
Marca, nos diálogos, a mudança de interlocutor, ou serve para isolar
palavras ou frases
– "Quais são os símbolos da pátria?
– Que pátria?
– Da nossa pátria, ora bolas!" (P. M Campos).
– "Mesmo com o tempo revoltoso - chovia, parava, chovia, parava outra
vez.
– a claridade devia ser suficiente p'ra mulher ter avistado mais alguma
coisa". (M. Palmério).
• Usa-se para separar orações do tipo:
– Avante!- Gritou o general.

Linguagens e Códigos
41
– A lua foi alcançada, afinal - cantava o poeta.

Usa-se também para ligar palavras ou grupo de palavras que formam
uma cadeia de frase:
• A estrada de ferro Santos – Jundiaí.
• A ponte Rio – Niterói.
• A linha aérea São Paulo – Porto Alegre.

ASPAS
São usadas para:
• Indicar citações textuais de outra autoria.
"A bomba não tem endereço certo." (G. Meireles)
• Para indicar palavras ou expressões alheias ao idioma em que se
expressa o autor: estrangeirismo, gírias, arcaismo, formas populares:
Há quem goste de “jazz-band”.
Não achei nada "legal" aquela aula de inglês.
• Para enfatizar palavras ou expressões:
Apesar de todo esforço, achei-a “irreconhecível" naquela noite.
• Títulos de obras literárias ou artísticas, jornais, revistas, etc.
"Fogo Morto" é uma obra-prima do regionalismo brasileiro.
• Em casos de ironia:
A "inteligência" dela me sensibiliza profundamente.
Veja como ele é “educado" - cuspiu no chão.

PARÊNTESES
Empregamos os parênteses:
• Nas indicações bibliográficas.
"Sede assim qualquer coisa.
serena, isenta, fiel".
(Meireles, Cecília, "Flor de Poemas").
• Nas indicações cênicas dos textos teatrais:
"Mãos ao alto! (João automaticamente levanta as mãos, com os olhos
fora das órbitas. Amália se volta)".
(G. Figueiredo)
• Quando se intercala num texto uma ideia ou indicação acessória:
"E a jovem (ela tem dezenove anos) poderia mordê-Io, morrendo de
fome."
(C. Lispector)
• Para isolar orações intercaladas:
"Estou certo que eu (se lhe ponho
Minha mão na testa alçada)
Sou eu para ela."
(M. Bandeira)

COLCHETES [ ]
Os colchetes são muito empregados na linguagem científica.

ASTERISCO
O asterisco é muito empregado para chamar a atenção do leitor para
alguma nota (observação).

BARRA
A barra é muito empregada nas abreviações das datas e em algumas
abreviaturas.

CRASE

Crase é a fusão da preposição A com outro A.
Fomos a a feira ontem = Fomos à feira ontem.

EMPREGO DA CRASE
• em locuções adverbiais:
à vezes, às pressas, à toa...
• em locuções prepositivas:
em frente à, à procura de...
• em locuções conjuntivas:
à medida que, à proporção que...
• pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo, a,
as
Fui ontem àquele restaurante.
Falamos apenas àquelas pessoas que estavam no salão:
Refiro-me àquilo e não a isto.

A CRASE É FACULTATIVA
• diante de pronomes possessivos femininos:
Entreguei o livro a(à) sua secretária .
• diante de substantivos próprios femininos:
Dei o livro à(a) Sônia.

CASOS ESPECIAIS DO USO DA CRASE
• Antes dos nomes de localidades, quando tais nomes admitirem o
artigo A:
Viajaremos à Colômbia.
(Observe: A Colômbia é bela - Venho da Colômbia)
• Nem todos os nomes de localidades aceitam o artigo: Curitiba, Brasília,
Fortaleza, Goiás, Ilhéus, Pelotas, Porto Alegre, São Paulo, Madri, Ve-
neza, etc.
Viajaremos a Curitiba.
(Observe: Curitiba é uma bela cidade - Venho de Curitiba).
• Haverá crase se o substantivo vier acompanhado de adjunto que o
modifique.
Ela se referiu à saudosa Lisboa.
Vou à Curitiba dos meus sonhos.
• Antes de numeral, seguido da palavra "hora", mesmo subentendida:
Às 8 e 15 o despertador soou.
• Antes de substantivo, quando se puder subentender as palavras
“moda” ou "maneira":
Aos domingos, trajava-se à inglesa.
Cortavam-se os cabelos à Príncipe Danilo.
• Antes da palavra casa, se estiver determinada:
Referia-se à Casa Gebara.
• Não há crase quando a palavra "casa" se refere ao próprio lar.
Não tive tempo de ir a casa apanhar os papéis. (Venho de casa).
• Antes da palavra "terra", se esta não for antônima de bordo.
Voltou à terra onde nascera.
Chegamos à terra dos nossos ancestrais.
Mas:
Os marinheiros vieram a terra.
O comandante desceu a terra.
• Se a preposição ATÉ vier seguida de palavra feminina que aceite o
artigo, poderá ou não ocorrer a crase, indiferentemente:
Vou até a (á ) chácara.
Cheguei até a(à) muralha
• A QUE - À QUE
Se, com antecedente masculino ocorrer AO QUE, com o feminino
ocorrerá crase:
Houve um palpite anterior ao que você deu.
Houve uma sugestão anterior à que você deu.
Se, com antecedente masculino, ocorrer A QUE, com o feminino não
ocorrerá crase.
Não gostei do filme a que você se referia.
Não gostei da peça a que você se referia.
O mesmo fenômeno de crase (preposição A) - pronome demonstrativo
A que ocorre antes do QUE (pronome relativo), pode ocorrer antes do
de:
Meu palpite é igual ao de todos
Minha opinião é igual à de todos.

NÃO OCORRE CRASE
• antes de nomes masculinos:
Andei a pé.
Andamos a cavalo.
• antes de verbos:
Ela começa a chorar.
Cheguei a escrever um poema.
• em expressões formadas por palavras repetidas:
Estamos cara a cara.
• antes de pronomes de tratamento, exceto senhora, senhorita e dona:
Dirigiu-se a V. Sa com aspereza.
Escrevi a Vossa Excelência.

Linguagens e Códigos
42
Dirigiu-se gentilmente à senhora.
• quando um A (sem o S de plural) preceder um nome plural:
Não falo a pessoas estranhas.
Jamais vamos a festas.

SINÔNIMOS, ANTÔNIMOS E PARÔNIMOS. SENTIDO PRÓPRIO
E FIGURADO DAS PALAVRAS.

SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Sinônimo

Sinônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado idêntico
ou muito semelhante à outra. Exemplos: carro e automóvel, cão e
cachorro.
O conhecimento e o uso dos sinônimos é importante para que se evitem
repetições desnecessárias na construção de textos, evitando que se
tornem enfadonhos.

Eufemismo
Alguns sinônimos são também utilizados para minimizar o impacto,
normalmente negativo, de algumas palavras (figura de linguagem
conhecida como eufemismo).
Exemplos:
 gordo - obeso
 morrer - falecer

Sinônimos Perfeitos e Imperfeitos
Os sinônimos podem ser perfeitos ou imperfeitos.
Sinônimos Perfeitos
Se o significado é idêntico.
Exemplos:
 avaro – avarento,
 léxico – vocabulário,
 falecer – morrer,
 escarradeira – cuspideira,
 língua – idioma
 catorze - quatorze

Sinônimos Imperfeitos
Se os signIficados são próximos, porém não idênticos.
Exemplos: córrego – riacho, belo – formoso

Antônimo
Antônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado contrário
(também oposto ou inverso) à outra.
O emprego de antônimos na construção de frases pode ser um recurso
estilístico que confere ao trecho empregado uma forma mais erudita ou que
chame atenção do leitor ou do ouvinte.
Pala-
vra
Antônimo
aberto fechado
alto baixo
bem mal
bom mau
bonito feio
de-
mais
de menos
doce salgado
forte fraco
gordo magro
salga-
do
insosso
amor ódio
seco molhado
grosso fino
duro mole
doce amargo
grande pequeno
sober-
ba
humildade
louvar censurar
bendi-
zer
maldizer
ativo inativo
simpá-
tico
antipático
pro-
gredir
regredir
rápido lento
sair entrar
sozi-
nho
acompa-
nhado
con-
córdia
discórdia
pesa-
do
leve
quente frio
pre-
sente
ausente
escuro claro
inveja admiração


Homógrafo
Homógrafos são palavras iguais ou parecidas na escrita e diferentes na
pronúncia.
Exemplos
 rego (subst.) e rego (verbo);
 colher (verbo) e colher (subst.);
 jogo (subst.) e jogo (verbo);
 Sede: lugar e Sede: avidez;
 Seca: pôr a secar e Seca: falta de água.
Homófono
Palavras homófonas são palavras de pronúncias iguais. Existem dois
tipos de palavras homófonas, que são:
 Homófonas heterográficas
 Homófonas homográficas
Homófonas heterográficas
Como o nome já diz, são palavras homófonas (iguais na pronúncia),
mas heterográficas (diferentes na escrita).
Exemplos
cozer / coser;
cozido / cosido;
censo / senso
consertar / concertar
conselho / concelho
paço / passo
noz / nós
hera / era
ouve / houve
voz / vós
cem / sem
acento / assento
Homófonas homográficas
Como o nome já diz, são palavras homófonas (iguais na pronúncia), e
homográficas (iguais na escrita).
Exemplos

Linguagens e Códigos
43
Ele janta (verbo) / A janta está pronta (substantivo); No caso,
janta é inexistente na língua portuguesa por enquanto, já que
deriva do substantivo jantar, e está classificado como
neologismo.
Eu passeio pela rua (verbo) / O passeio que fizemos foi
bonito (substantivo).

Parônimo
Parônimo é uma palavra que apresenta sentido diferente e forma
semelhante a outra, que provoca, com alguma frequência, confusão. Essas
palavras apresentam grafia e pronúncia parecida, mas com significados
diferentes.
O parônimos pode ser também palavras homófonas, ou seja, a
pronúncia de palavras parônimas pode ser a mesma.Palavras parônimas
são aquelas que têm grafia e pronúncia parecida.
Exemplos
Veja alguns exemplos de palavras parônimas:
acender. verbo - ascender. subir
acento. inflexão tônica - assento. dispositivo para sentar-se
cartola. chapéu alto - quartola. pequena pipa
comprimento. extensão - cumprimento. saudação
coro (cantores) - couro (pele de animal)
deferimento. concessão - diferimento. adiamento
delatar. denunciar - dilatar. retardar, estender
descrição. representação - discrição. reserva
descriminar. inocentar - discriminar. distinguir
despensa. compartimento - dispensa. desobriga
destratar. insultar - distratar. desfazer(contrato)
emergir. vir à tona - imergir. mergulhar
eminência. altura, excelência - iminência. proximidade de ocorrência
emitir. lançar fora de si - imitir. fazer entrar
enfestar. dobrar ao meio - infestar. assolar
enformar. meter em fôrma - informar. avisar
entender. compreender - intender. exercer vigilância
lenimento. suavizante - linimento. medicamento para fricções
migrar. mudar de um local para outro - emigrar. deixar um país para
morar em outro - imigrar. entrar num país vindo de outro
peão. que anda a pé - pião. espécie de brinquedo
recrear. divertir - recriar. criar de novo
se. pronome átono, conjugação - si. espécie de brinquedo
vadear. passar o vau - vadiar. passar vida ociosa
venoso. relativo a veias - vinoso. que produz vinho
vez. ocasião, momento - vês. verbo ver na 2ª pessoa do singular

DENOTAÇAO E CONOTAÇAO

A denotação é a propriedade que possui uma palavra de limitar-se a
seu próprio conceito, de trazer apenas o seu significado primitivo, original.

A conotação é a propriedade que possui uma palavra de ampliar-se
no seu campo semântico, dentro de um contexto, podendo causar várias
interpretações.

Observe os exemplos
Denotação
As estrelas do céu. Vesti-me de verde. O fogo do isqueiro.

Conotação
As estrelas do cinema.
O jardim vestiu-se de flores
O fogo da paixão

SENTIDO PRÓPRIO E SENTIDO FIGURADO

As palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido
figurado:
Construí um muro de pedra - sentido próprio
Maria tem um coração de pedra – sentido figurado.
A água pingava lentamente – sentido próprio.

SEMÂNTICA
(do grego semantiké, i. é, téchne semantiké ‘arte da significação’)

A semântica estudo o sentido das palavras, expressões, frases e uni-
dades maiores da comunicação verbal, os significados que lhe são atribuí-
dos. Ao considerarmos o significado de determinada palavra, levamos em
conta sua história, sua estrutura (radical, prefixos, sufixos que participam
da sua forma) e, por fim, do contexto em que se apresenta.

Quando analisamos o sentido das palavras na redação oficial, ressal-
tam como fundamentais a história da palavra e, obviamente, os contextos
em que elas ocorrem.

A história da palavra, em sentido amplo, vem a ser a respectiva origem
e as alterações sofridas no correr do tempo, ou seja, a maneira como
evoluiu desde um sentido original para um sentido mais abrangente ou
mais específico. Em sentido restrito, diz respeito à tradição no uso de
determinado vocábulo ou expressão.

São esses dois aspectos que devem ser considerados na escolha des-
te ou daquele vocábulo.

Sendo a clareza um dos requisitos fundamentais de todo texto oficial,
deve-se atentar para a tradição no emprego de determinada expressão
com determinado sentido. O emprego de expressões ditas "de uso consa-
grado" confere uniformidade e transparência ao sentido do texto. Mas isto
não quer dizer que os textos oficiais devam limitar-se à repetição de cha-
vões e clichês.

Verifique sempre o contexto em que as palavras estão sendo utiliza-
das. Certifique-se de que não há repetições desnecessárias ou redundân-
cias. Procure sinônimos ou termos mais precisos para as palavras repeti-
das; mas se sua substituição for comprometer o sentido do texto, tornando-
o ambíguo ou menos claro, não hesite em deixar o texto como está.

É importante lembrar que o idioma está em constante mutação. A pró-
pria evolução dos costumes, das ideias, das ciências, da política, enfim da
vida social em geral, impõe a criação de novas palavras e formas de dizer.
Na definição de Serafim da Silva Neto, a língua:
"(...) é um produto social, é uma atividade do espírito humano. Não é,
assim, independente da vontade do homem, porque o homem não é uma
folha seca ao sabor dos ventos veementes de uma fatalidade desconheci-
da e cega. Não está obrigada a prosseguir na sua trajetória, de acordo com
leis determinadas, porque as línguas seguem o destino dos que as falam,
são o que delas fazem as sociedades que as empregam."

Assim, continuamente, novas palavras são criadas (os neologismos)
como produto da dinâmica social, e incorporados ao idioma inúmeros
vocábulos de origem estrangeira (os estrangeirismos), que vêm para
designar ou exprimir realidades não contempladas no repertório anterior da
língua portuguesa.

A redação oficial não pode alhear-se dessas transformações, nem in-
corporá-las acriticamente. Quanto às novidades vocabulares, elas devem
sempre ser usadas com critério, evitando-se aquelas que podem ser subs-
tituídas por vocábulos já de uso consolidado sem prejuízo do sentido que
se lhes quer dar.

De outro lado, não se concebe que, em nome de suposto purismo, a
linguagem das comunicações oficiais fique imune às criações vocabulares
ou a empréstimos de outras línguas. A rapidez do desenvolvimento tecno-
lógico, por exemplo, impõe a criação de inúmeros novos conceitos e ter-
mos, ditando de certa forma a velocidade com que a língua deve incorporá-
los. O importante é usar o estrangeirismo de forma consciente, buscar o
equivalente português quando houver, ou conformar a palavra estrangeira
ao espírito da língua portuguesa.

O problema do abuso de estrangeirismos inúteis ou empregados em
contextos em que não cabem, é em geral causado ou pelo desconheci-
mento da riqueza vocabular de nossa língua, ou pela incorporação acrítica
do estrangeirismo.

Homônimos e Parônimos
Muitas vezes temos dúvidas no uso de vocábulos distintos provocadas

Linguagens e Códigos
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pela semelhança ou mesmo pela igualdade de pronúncia ou de grafia entre
eles. É o caso dos fenômenos designados como homonímia e paronímia.

A homonímia é a designação geral para os casos em que palavras de
sentidos diferentes têm a mesma grafia (os homônimos homógrafos) ou a
mesma pronúncia (os homônimos homófonos).

Os homógrafos podem coincidir ou não na pronúncia, como nos e-
xemplos: quarto (aposento) e quarto (ordinal), manga (fruta) e manga (de
camisa), em que temos pronúncia idêntica; e apelo (pedido) e apelo (com e
aberto, 1
a
pess. do sing do pres. do ind. do verbo apelar), consolo (alívio) e
consolo (com o aberto, 1
a
pess. do sing. do pres. do ind. do verbo conso-
lar), com pronúncia diferente.

Os homógrafos de idêntica pronúncia diferenciam-se pelo contexto em
que são empregados. Não há dúvida, por exemplo, quanto ao emprego da
palavra são nos três sentidos: a) verbo ser, 3
a
pess. do pl. do pres., b)
saudável e c) santo.

Palavras de grafia diferente e de pronúncia igual (homófonos) geram
dúvidas ortográficas. Caso, por exemplo, de acento/assento, coser/cozer,
dos prefixos ante-/anti-, etc. Aqui o contexto não é suficiente para resolver
o problema, pois sabemos o sentido, a dúvida é de letra(s). sempre que
houver incerteza, consulte a lista adiante, algum dicionário ou manual de
ortografia.

Já o termo paronímia designa o fenômeno que ocorre com palavras
semelhantes (mas não idênticas) quanto à grafia ou à pronúncia. É fonte
de muitas dúvidas, como entre descrição (‘ato de descrever’) e discrição
(‘qualidade do que é discreto’), retificar (‘corrigir’) e ratificar (confirmar).

Como não interessa aqui aprofundar a discussão teórica da matéria,
restringimo-nos a uma lista de palavras que costumam suscitar dúvidas de
grafia ou sentido. Procuramos incluir palavras que com mais frequência
provocam dúvidas na elaboração de textos oficiais, com o cuidado de
agregá-las em pares ou pequenos grupos formais.
 Absolver: inocentar, relevar da culpa imputada: O júri absolveu o
réu.
 Absorver: embeber em si, esgotar: O solo absorveu lentamente a
água da chuva.
 Acender: atear (fogo), inflamar.
 Ascender: subir, elevar-se.
 Acento: sinal gráfico; inflexão vocal: Vocábulo sem acento.
 Assento: banco, cadeira: Tomar assento num cargo.
 Acerca de: sobre, a respeito de: No discurso, o Presidente falou
acerca de seus planos.
 A cerca de: a uma distância aproximada de: O anexo fica a cerca
de trinta metros do prédio principal. Estamos a cerca de um mês
ou (ano) das eleições.
 Há cerca de: faz aproximadamente (tanto tempo): Há cerca de um
ano, tratamos de caso idêntico; existem aproximadamente: Há
cerca de mil títulos no catálogo.
 Acidente: acontecimento casual; desastre: A derrota foi um aciden-
te na sua vida profissional. O súbito temporal provocou terrível a-
cidente no parque.
 Incidente: episódio; que incide, que ocorre: O incidente da demis-
são já foi superado.
 Adotar: escolher, preferir; assumir; pôr em prática.
 Dotar: dar em doação, beneficiar.
 Afim: que apresenta afinidade, semelhança, relação (de parentes-
co): Se o assunto era afim, por que não foi tratado no mesmo pa-
rágrafo?
 A fim de: para, com a finalidade de, com o fito de: O projeto foi en-
caminhado com quinze dias de antecedência a fim de permitir a
necessária reflexão sobre sua pertinência.
 Alto: de grande extensão vertical; elevado, grande.
 Auto: ato público, registro escrito de um ato, peça processual.
 Aleatório: casual, fortuito, acidental.
 Alheatório: que alheia, alienante, que desvia ou perturba.
 Amoral: desprovido de moral, sem senso de moral.
 Imoral: contrário à moral, aos bons costumes, devasso, indecente.
 Ante (preposição): diante de, perante: Ante tal situação, não teve
alternativa.
 Ante- (prefixo): expressa anterioridade: antepor, antever, antepro-
jeto ante-diluviano.
 Anti- (prefixo): expressa contrariedade; contra: anticientífico, anti-
biótico, anti-higiênico, anti-Marx.
 Ao encontro de: para junto de; favorável a: Foi ao encontro dos co-
legas. O projeto salarial veio ao encontro dos anseios dos traba-
lhadores.
 De encontro a: contra; em prejuízo de: O carro foi de encontro a
um muro. O governo não apoiou a medida, pois vinha de encontro
aos interesses dos menores.
 Ao invés de: ao contrário de: Ao invés de demitir dez funcionários,
a empresa contratou mais vinte. (Inaceitável o cruzamento *ao em
vez de.)
 Em vez de: em lugar de: Em vez de demitir dez funcionário, a em-
presa demitiu vinte.
 A par: informado, ao corrente, ciente: O Ministro está a par (var.:
ao par) do assunto; ao lado, junto; além de.
 Ao par: de acordo com a convenção legal: Fez a troca de mil dóla-
res ao par.
 Aparte: interrupção, comentário à margem: O deputado concedeu
ao colega um aparte em seu pronunciamento.
 À parte: em separado, isoladamente, de lado: O anexo ao projeto
foi encaminhado por expediente à parte.
 Apreçar: avaliar, pôr preço: O perito apreçou irrisoriamente o imó-
vel.
 Apressar: dar pressa a, acelerar: Se o andamento das obras não
for apressado, não será cumprido o cronograma.
 Área: superfície delimitada, região.
 Ária: canto, melodia.
 Aresto: acórdão, caso jurídico julgado: Neste caso, o aresto é irre-
corrível.
 Arresto: apreensão judicial, embargo: Os bens do traficante preso
foram todos arrestados.
 Arrochar: apertar com arrocho, apertar muito.
 Arroxar: ou arroxear, roxear: tornar roxo.
 Ás: exímio em sua atividade; carta do baralho.
 Az (p. us.): esquadrão, ala do exército.
 Atuar: agir, pôr em ação; pressionar.
 Autuar: lavrar um auto; processar.
 Auferir: obter, receber: Auferir lucros, vantagens.
 Aferir: avaliar, cotejar, medir, conferir: Aferir valores, resultados.
 Augurar: prognosticar, prever, auspiciar: O Presidente augurou su-
cesso ao seu par americano.
 Agourar: pressagiar, predizer (geralmente no mau sentido): Os
técnicos agouram desastre na colheita.
 Avocar: atribuir-se, chamar: Avocou a si competências de outrem.
 Evocar: lembrar, invocar: Evocou no discurso o começo de sua
carreira.
 Invocar: pedir (a ajuda de); chamar; proferir: Ao final do discurso,
invocou a ajuda de Deus.
 Caçar: perseguir, procurar, apanhar (geralmente animais).
 Cassar: tornar nulo ou sem efeito, suspender, invalidar.
 Carear: atrair, ganhar, granjear.
 Cariar: criar cárie.
 Carrear: conduzir em carro, carregar.
 Casual: fortuito, aleatório, ocasional.
 Causal: causativo, relativo a causa.
 Cavaleiro: que anda a cavalo, cavalariano.
 Cavalheiro: indivíduo distinto, gentil, nobre.
 Censo: alistamento, recenseamento, contagem.
 Senso: entendimento, juízo, tino.
 Cerrar: fechar, encerrar, unir, juntar.
 Serrar: cortar com serra, separar, dividir.
 Cessão: ato de ceder: A cessão do local pelo município tornou
possível a realização da obra.
 Seção: setor, subdivisão de um todo, repartição, divisão: Em qual
seção do ministério ele trabalha?

Linguagens e Códigos
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 Sessão: espaço de tempo que dura uma reunião, um congresso;
reunião; espaço de tempo durante o qual se realiza uma tarefa: A
próxima sessão legislativa será iniciada em 1
o
de agosto.
 Chá: planta, infusão.
 Xá: antigo soberano persa.
 Cheque: ordem de pagamento à vista.
 Xeque: dirigente árabe; lance de xadrez; (fig.) perigo (pôr em xe-
que).
 Círio: vela de cera.
 Sírio: da Síria.
 Cível: relativo à jurisdição dos tribunais civis.
 Civil: relativo ao cidadão; cortês, polido (daí civilidade); não militar
nem, eclesiástico.
 Colidir: trombar, chocar; contrariar: A nova proposta colide fron-
talmente com o entendimento havido.
 Coligir: colecionar, reunir, juntar: As leis foram coligidas pelo Minis-
tério da Justiça.
 Comprimento: medida, tamanho, extensão, altura.
 Cumprimento: ato de cumprir, execução completa; saudação.
 Concelho: circunscrição administrativa ou município (em Portugal).
 Conselho: aviso, parecer, órgão colegiado.
 Concerto: acerto, combinação, composição, harmonização (cp.
concertar): O concerto das nações... O concerto de Guarnieri...
 Conserto: reparo, remendo, restauração (cp. consertar): Certos
problemas crônicos aparentemente não têm conserto.
 Conje(c)tura: suspeita, hipótese, opinião.
 Conjuntura: acontecimento, situação, ocasião, circunstância.
 Contravenção: transgressão ou infração a normas estabelecidas.
 Contraversão: versão contrária, inversão.
 Coser: costurar, ligar, unir.
 Cozer: cozinhar, preparar.
 Costear: navegar junto à costa, contornar. A fragata costeou inú-
meras praias do litoral baiano antes de partir para alto-mar.
 Custear: pagar o custo de, prover, subsidiar. Qual a empresa dis-
posta a custear tal projeto?
 Custar: valer, necessitar, ser penoso. Quanto custa o projeto?
Custa-me crer que funcionará.
 Deferir: consentir, atender, despachar favoravelmente, conceder.
 Diferir: ser diferente, discordar; adiar, retardar, dilatar.
 Degradar: deteriorar, desgastar, diminuir, rebaixar.
 Degredar: impor pena de degredo, desterrar, banir.
 Delatar (delação): denunciar, revelar crime ou delito, acusar: Os
traficantes foram delatados por membro de quadrilha rival.
 Dilatar (dilação): alargar, estender; adiar, diferir: A dilação do pra-
zo de entrega das declarações depende de decisão do Diretor da
Receita Federal.
 Derrogar: revogar parcialmente (uma lei), anular.
 Derrocar: destruir, arrasar, desmoronar.
 Descrição: ato de descrever, representação, definição.
 Discrição: discernimento, reserva, prudência, recato.
 Descriminar: absolver de crime, tirar a culpa de.
 Discriminar: diferençar, separar, discernir.
 Despensa: local em que se guardam mantimentos, depósito de
provisões.
 Dispensa: licença ou permissão para deixar de fazer algo a que se
estava obrigado; demissão.
 Despercebido: que não se notou, para o que não se atentou: Ape-
sar de sua importância, o projeto passou despercebido.
 Desapercebido: desprevenido, desacautelado: Embarcou para a
missão na Amazônia totalmente desapercebido dos desafios que
lhe aguardavam.
 Dessecar: secar bem, enxugar, tornar seco.
 Dissecar: analisar minuciosamente, dividir anatomicamente.
 Destratar: insultar, maltratar com palavras.
 Distratar: desfazer um trato, anular.
 Distensão: ato ou efeito de distender, torção violenta dos ligamen-
tos de uma articulação.
 Distinção: elegância, nobreza, boa educação: Todos devem por-
tar-se com distinção.
 Dissensão: desavença, diferença de opiniões ou interesses: A dis-
sensão sobre a matéria impossibilitou o acordo.
 Elidir: suprimir, eliminar.
 Ilidir: contestar, refutar, desmentir.
 Emenda: correção de falta ou defeito, regeneração, remendo: ao
torná-lo mais claro e objetivo, a emenda melhorou o projeto.
 Ementa: apontamento, súmula de decisão judicial ou do objeto de
uma lei. Procuro uma lei cuja ementa é "dispõe sobre a proprieda-
de industrial".
 Emergir: vir à tona, manifestar-se.
 Imergir: mergulhar, afundar submergir), entrar.
 Emigrar: deixar o país para residir em outro.
 Imigrar: entrar em país estrangeiro para nele viver.
 Eminente (eminência): alto, elevado, sublime.
 Iminente (iminência): que está prestes a acontecer, pendente, pró-
ximo.
 Emitir (emissão): produzir, expedir, publicar.
 Imitir (imissão): fazer entrar, introduzir, investir.
 Empoçar: reter em poço ou poça, formar poça.
 Empossar: dar posse a, tomar posse, apoderar-se.
 Encrostar: criar crosta.
 Incrustar: cobrir de crosta, adornar, revestir, prender-se, arraigar-
se.
 Entender: compreender, perceber, deduzir.
 Intender: (p. us): exercer vigilância, superintender.
 Enumerar: numerar, enunciar, narrar, arrolar.
 Inúmero: inumerável, sem conta, sem número.
 Espectador: aquele que assiste qualquer ato ou espetáculo, tes-
temunha.
 Expectador: que tem expectativa, que espera.
 Esperto: inteligente, vivo, ativo.
 Experto: perito, especialista.
 Espiar: espreitar, observar secretamente, olhar.
 Expiar: cumprir pena, pagar, purgar.
 Estada: ato de estar, permanência: Nossa estada em São Paulo
foi muito agradável.
 Estadia: prazo para carga e descarga de navio ancorado em porto:
O "Rio de Janeiro" foi autorizado a uma estadia de três dias.
 Estância: lugar onde se está, morada, recinto.
 Instância: solicitação, pedido, rogo; foro, jurisdição, juízo.
 Estrato: cada camada das rochas estratificadas.
 Extrato: coisa que se extraiu de outra; pagamento, resumo, cópia;
perfume.
 Flagrante: ardente, acalorado; diz-se do ato que a pessoa é sur-
preendida a praticar (flagrante delito).
 Fragrante: que tem fragrância ou perfume; cheiroso.
 Florescente: que floresce, próspero, viçoso.
 Fluorescente: que tem a propriedade da fluorescência.
 Folhar: produzir folhas, ornar com folhagem, revestir lâminas.
 Folhear: percorrer as folhas de um livro, compulsar, consultar.
 Incerto: não certo, indeterminado, duvidoso, variável.
 Inserto: introduzido, incluído, inserido.
 Incipiente: iniciante, principiante.
 Insipiente: ignorante, insensato.
 Incontinente: imoderado, que não se contém, descontrolado.
 Incontinenti: imediatamente, sem demora, logo, sem interrupção.
 Induzir: causar, sugerir, aconselhar, levar a: O réu declarou que
havia sido induzido a cometer o delito.
 Aduzir: expor, apresentar: A defesa, então, aduziu novas provas.
 Inflação: ato ou efeito de inflar; emissão exagerada de moeda,
aumento persistente de preços.
 Infração: ato ou efeito de infringir ou violar uma norma.
 Infligir: cominar, aplicar (pena, castigo, repreensão, derrota): O juiz
infligiu pesada pena ao réu.
 Infringir: transgredir, violar, desrespeitar (lei, regulamento, etc.)
(cp. infração): A condenação decorreu de ter ele infringido um sem
número de artigos do Código Penal.
 Inquerir: apertar (a carga de animais), encilhar.
 Inquirir: procurar informações sobre, indagar, investigar, interrogar.

Linguagens e Códigos
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 Intercessão: ato de interceder.
 Interse(c)ção: ação de se(c)cionar, cortar; ponto em que se encon-
tram duas linhas ou superfícies.
 Inter- (prefixo): entre; preposição latina usada em locuções: inter
alia (entre outros), inter pares (entre iguais).
 Intra- (prefixo): interior, dentro de.
 Judicial: que tem origem no Poder Judiciário ou que perante ele se
realiza.
 Judiciário: relativo ao direito processual ou à organização da Justi-
ça.
 Liberação: ato de liberar, quitação de dívida ou obrigação.
 Libertação: ato de libertar ou libertar-se.
 Lista: relação, catálogo; var. pop. de listra.
 Listra: risca de cor diferente num tecido (var. pop. de lista).
 Locador: que dá de aluguel, senhorio, arrendador.
 Locatário: alugador, inquilino: O locador reajustou o aluguel sem a
concordância do locatário.
 Lustre: brilho, glória, fama; abajur.
 Lustro: quinquênio; polimento.
 Magistrado: juiz, desembargador, ministro.
 Magistral: relativo a mestre (latim: magister); perfeito, completo;
exemplar.
 Mandado: garantia constitucional para proteger direito individual lí-
quido e certo; ato de mandar; ordem escrita expedida por autori-
dade judicial ou administrativa: um mandado de segurança, man-
dado de prisão.
 Mandato: autorização que alguém confere a outrem para praticar
atos em seu nome; procuração; delegação: o mandato de um de-
putado, senador, do Presidente.
 Mandante: que manda; aquele que outorga um mandato.
 Mandatário: aquele que recebe um mandato, executor de manda-
to, representante, procurador.
 Mandatório: obrigatório.
 Obcecação: ato ou efeito de obcecar, teimosia, cegueira.
 Obsessão: impertinência, perseguição, ideia fixa.
 Ordinal: numeral que indica ordem ou série (primeiro, segundo, mi-
lésimo, etc.).
 Ordinário: comum, frequente, trivial, vulgar.
 Original: com caráter próprio; inicial, primordial.
 Originário: que provém de, oriundo; inicial, primitivo.
 Paço: palácio real ou imperial; a corte.
 Passo: ato de avançar ou recuar um pé para andar; caminho, eta-
pa.
 Pleito: questão em juízo, demanda, litígio, discussão: O pleito por
mais escolas na região foi muito bem formulado.
 Preito: sujeição, respeito, homenagem: Os alunos renderam preito
ao antigo reitor.
 Preceder: ir ou estar adiante de, anteceder, adiantar-se.
 Proceder: originar-se, derivar, provir; levar a efeito, executar.
 Pós- (prefixo): posterior a, que sucede, atrás de, após: pós-
moderno, pós-operatório.
 Pré- (prefixo): anterior a, que precede, à frente de, antes de: pré-
modernista, pré-primário.
 Pró (advérbio): em favor de, em defesa de. A maioria manifestou-
se contra, mas dei meu parecer pró.
 Preeminente: que ocupa lugar elevado, nobre, distinto.
 Proeminente: alto, saliente, que se alteia acima do que o circunda.
 Preposição: ato de prepor, preferência; palavra invariável que liga
constituintes da frase.
 Proposição: ato de propor, proposta; máxima, sentença; afirmati-
va, asserção.
 Presar: capturar, agarrar, apresar.
 Prezar: respeitar, estimar muito, acatar.
 Prescrever: fixar limites, ordenar de modo explícito, determinar; fi-
car sem efeito, anular-se: O prazo para entrada do processo pres-
creveu há dois meses.
 Proscrever: abolir, extinguir, proibir, terminar; desterrar. O uso de
várias substâncias psicotrópicas foi proscrito por recente portaria
do Ministro.
 Prever: ver antecipadamente, profetizar; calcular: A assessoria
previu acertadamente o desfecho do caso.
 Prover: providenciar, dotar, abastecer, nomear para cargo: O che-
fe do departamento de pessoal proveu os cargos vacantes.
 Provir: originar-se, proceder; resultar: A dúvida provém (Os erros
provêm) da falta de leitura.
 Prolatar: proferir sentença, promulgar.
 Protelar: adiar, prorrogar.
 Ratificar: validar, confirmar, comprovar.
 Retificar: corrigir, emendar, alterar: A diretoria ratificou a decisão
após o texto ter sido retificado em suas passagens ambíguas.
 Recrear: proporcionar recreio, divertir, alegrar.
 Recriar: criar de novo.
 Reincidir: tornar a incidir, recair, repetir.
 Rescindir: dissolver, invalidar, romper, desfazer: Como ele reinci-
diu no erro, o contrato de trabalho foi rescindido.
 Remição: ato de remir, resgate, quitação.
 Remissão: ato de remitir, intermissão, intervalo; perdão, expiação.
 Repressão: ato de reprimir, contenção, impedimento, proibição.
 Repreensão: ato de repreender, enérgica admoestação, censura,
advertência.
 Ruço: grisalho, desbotado.
 Russo: referente à Rússia, nascido naquele país; língua falada na
Rússia.
 Sanção: confirmação, aprovação; pena imposta pela lei ou por
contrato para punir sua infração.
 Sansão: nome de personagem bíblico; certo tipo de guindaste.
 Sedento: que tem sede; sequioso (var. p. us.: sedente).
 Cedente: que cede, que dá.
 Sobrescritar: endereçar, destinar, dirigir.
 Subscritar: assinar, subscrever.
 Sortir: variar, combinar, misturar.
 Surtir: causar, originar, produzir (efeito).
 Subentender: perceber o que não estava claramente exposto; su-
por.
 Subintender: exercer função de subintendente, dirigir.
 Subtender: estender por baixo.
 Sustar: interromper, suspender; parar, interromper-se (sustar-se).
 Suster: sustentar, manter; fazer parar, deter.
 Tacha: pequeno prego; mancha, defeito, pecha.
 Taxa: espécie de tributo, tarifa.
 Tachar: censurar, qualificar, acoimar: tachar alguém (tachá-lo) de
subversivo.
 Taxar: fixar a taxa de; regular, regrar: taxar mercadorias.
 Tapar: fechar, cobrir, abafar.
 Tampar: pôr tampa em.
 Tenção: intenção, plano (deriv.: tencionar); assunto, tema.
 Tensão: estado de tenso, rigidez (deriv.: tensionar); diferencial elé-
trico.
 Tráfego: trânsito de veículos, percurso, transporte.
 Tráfico: negócio ilícito, comércio, negociação.
 Trás: atrás, detrás, em seguida, após (cf. em locuções: de trás, por
trás).
 Traz: 3
a
pessoa do singular do presente do indicativo do verbo tra-
zer.
 Vestiário: guarda-roupa; local em que se trocam roupas.
 Vestuário: as roupas que se vestem, traje.
 Vultoso: de grande vulto, volumoso.
 Vultuoso (p. us.): atacado de vultuosidade (congestão da face).

ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS.

As palavras, em Língua Portuguesa, podem ser decompostas em vários
elementos chamados elementos mórficos ou elementos de estrutura das
palavras.

Exs.:
cinzeiro = cinza + eiro
endoidecer = en + doido + ecer

Linguagens e Códigos
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predizer = pre + dizer

Os principais elementos móficos são :

RADICAL
É o elemento mórfico em que está a ideia principal da palavra.
Exs.: amarelecer = amarelo + ecer
enterrar = en + terra + ar
pronome = pro + nome

PREFIXO
É o elemento mórfico que vem antes do radical.
Exs.: anti - herói in - feliz

SUFIXO
É o elemento mórfico que vem depois do radical.
Exs.: med - onho cear – ense

FORMAÇÃO DAS PALAVRAS

Palavras primitivas: são palavras que servem como base para a formação
de outra e que não foram formadas a partir de outro radical da língua.
Exemplos: pedra, flor, casa.

Palavras derivadas: são palavras formadas a partir de outros radicais.
Exemplos: pedreiro, floricultura, casebre.

No português, os principais processos para formar palavras novas são
dois: derivação ecomposição.

Derivação

É a formação de palavras a partir da anexação de afixos à palavra primiti-
va.
Exemplos: inútil = prefixo in + radical útil.
O processo de derivação pode ser prefixal, sufixal, parassintético, regressi-
vo e impróprio.

Derivação Prefixal

Faz-se pela anexação de prefixo à palavra primitiva.
Exemplos: desfazer, refazer.

Derivação Sufixal

Faz-se pela anexação de sufixo à palavra primitiva.
Exemplos: alegremente, carinhoso.
Os sufixos são divididos em nominais, verbais e adverbiais.
Sufixos nominais são os que derivam substantivos e adjetivos;
Sufixos verbais são os que derivam verbos;
Sufixo adverbial é o que deriva advérbio, esse existe apenas um: -mente

Derivação Parassintética

Faz-se pela anexação simultânea de prefixo e sufixo à palavra primitiva.
Exemplos: desalmado, entristecer.
A derivação parassintética só acontece quando os dois morfemas (prefixo
e sufixo) se unem ao radical simultaneamente. Note que na pala-
vra desalmado houve parassíntese. É fácil perceber, pois não existe a
palavra desalma, da qual teria vindo desalmado, da mesma forma não
existe a palavra almado, da qual também teria vin-
do desalmado.Portanto, ocorreu anexação de prefixo e sufixo ao mesmo
tempo.

Derivação Regressiva

Faz-se pela redução da palavra primitiva.
Exemplos: trabalho (trabalhar), choro (chorar).
O processo de derivação regressiva produz os substantivos deverbais,
esses são substantivos derivados a partir de verbos.

Derivação Imprópria

Forma-se quando uma palavra muda de classe gramatical sem que a
forma da primitiva seja alterada.
Exemplos: O infeliz faltou ao serviço hoje. (adjetivo torna-se substantivo).
Não aceito um não como resposta. (advérbio torna-se substantivo, o arti-
go um substantiva o advérbio).

Composição

O processo de composição forma palavras através da junção de dois ou
mais radicais.
Exemplos: guarda-roupa, pombo-correio.

Há dois tipos de composição: aglutinação e justaposição.

Composição por Aglutinação

Ocorre quando um dos radicais, ao se unirem, sofre alterações.
Exemplos: planalto (plano + alto), embora (em + boa + hora).

Composição por Justaposição

Ocorre quando os radicais, ao se unirem, não sofrem alterações.
Exemplos: pé-de-galinha, passatempo, cachorro-quente, girassol.

Outros processos

Hibridismo

Ocorre quando os elementos que formam a palavra são de idiomas diferen-
tes.
Exemplos: automóvel (auto= grego, móvel= latim), televisão (tele= grego,
visão=latim).

Onomatopeia

Acontece nas palavras que simbolizam a reprodução de determinados
sons.
Exemplos: tique-taque, zunzum.

Redução ou Abreviação

Esse processo se manifesta quando uma palavra é muito longa, pois forma
novas palavras a partir da redução ou abreviação de palavras já existentes.
Exemplos: pornô (pornográfico), moto (motocicleta), pneu (pneumático).

Neologismo

É a criação de novas palavras para atender às necessidades dos falantes
em contextos específicos.
Veja os neologismos num trecho do poema Amar, de Carlos Drummond de
Andrade:

Que pode uma criatura senão,
senão entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Por Marina Cabral

EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS: SUBSTANTIVO,
ADJETIVO, NUMERAL, PRONOME, VERBO, ADVÉRBIO, PRE-
POSIÇÃO, CONJUNÇÃO (CLASSIFICAÇÃO E SENTIDO QUE
IMPRIMEM ÀS RELAÇÕES ENTRE AS ORAÇÕES).

SUBSTANTIVOS

Substantivo é a palavra variável em gênero, número e grau, que dá no-

Linguagens e Códigos
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me aos seres em geral.

São, portanto, substantivos.
a) os nomes de coisas, pessoas, animais e lugares: livro, cadeira, cachorra,
Valéria, Talita, Humberto, Paris, Roma, Descalvado.
b) os nomes de ações, estados ou qualidades, tomados como seres: traba-
lho, corrida, tristeza beleza altura.

CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS
a) COMUM - quando designa genericamente qualquer elemento da espé-
cie: rio, cidade, pais, menino, aluno
b) PRÓPRIO - quando designa especificamente um determinado elemento.
Os substantivos próprios são sempre grafados com inicial maiúscula: To-
cantins, Porto Alegre, Brasil, Martini, Nair.
c) CONCRETO - quando designa os seres de existência real ou não,
propriamente ditos, tais como: coisas, pessoas, animais, lugares, etc. Ve-
rifique que é sempre possível visualizar em nossa mente o substantivo
concreto, mesmo que ele não possua existência real: casa, cadeira, ca-
neta, fada, bruxa, saci.
d) ABSTRATO - quando designa as coisas que não existem por si, isto é,
só existem em nossa consciência, como fruto de uma abstração, sendo,
pois, impossível visualizá-lo como um ser. Os substantivos abstratos vão,
portanto, designar ações, estados ou qualidades, tomados como seres:
trabalho, corrida, estudo, altura, largura, beleza.
Os substantivos abstratos, via de regra, são derivados de verbos ou ad-
jetivos
trabalhar - trabalho
correr - corrida
alto - altura
belo - beleza

FORMAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS
a) PRIMITIVO: quando não provém de outra palavra existente na língua
portuguesa: flor, pedra, ferro, casa, jornal.
b) DERIVADO: quando provem de outra palavra da língua portuguesa:
florista, pedreiro, ferreiro, casebre, jornaleiro.
c) SIMPLES: quando é formado por um só radical: água, pé, couve, ódio,
tempo, sol.
d) COMPOSTO: quando é formado por mais de um radical: água-de-
colônia, pé-de-moleque, couve-flor, amor-perfeito, girassol.

COLETIVOS
Coletivo é o substantivo que, mesmo sendo singular, designa um gru-
po de seres da mesma espécie.

Veja alguns coletivos que merecem destaque:
alavão - de ovelhas leiteiras
alcateia - de lobos
álbum - de fotografias, de selos
antologia - de trechos literários escolhidos
armada - de navios de guerra
armento - de gado grande (búfalo, elefantes, etc)
arquipélago - de ilhas
assembleia - de parlamentares, de membros de associações
atilho - de espigas de milho
atlas - de cartas geográficas, de mapas
banca - de examinadores
bandeira - de garimpeiros, de exploradores de minérios
bando - de aves, de pessoal em geral
cabido - de cônegos
cacho - de uvas, de bananas
cáfila - de camelos
cambada - de ladrões, de caranguejos, de chaves
cancioneiro - de poemas, de canções
caravana - de viajantes
cardume - de peixes
clero - de sacerdotes
colmeia - de abelhas
concílio - de bispos
conclave - de cardeais em reunião para eleger o papa
congregação - de professores, de religiosos
congresso - de parlamentares, de cientistas
conselho - de ministros
consistório - de cardeais sob a presidência do papa
constelação - de estrelas
corja - de vadios
elenco - de artistas
enxame - de abelhas
enxoval - de roupas
esquadra - de navios de guerra
esquadrilha - de aviões
falange - de soldados, de anjos
farândola - de maltrapilhos
fato - de cabras
fauna - de animais de uma região
feixe - de lenha, de raios luminosos
flora - de vegetais de uma região
frota - de navios mercantes, de táxis, de ônibus
girândola - de fogos de artifício
horda - de invasores, de selvagens, de bárbaros
junta - de bois, médicos, de examinadores
júri - de jurados
legião - de anjos, de soldados, de demônios
malta - de desordeiros
manada - de bois, de elefantes
matilha - de cães de caça
ninhada - de pintos
nuvem - de gafanhotos, de fumaça
panapaná - de borboletas
pelotão - de soldados
penca - de bananas, de chaves
pinacoteca - de pinturas
plantel - de animais de raça, de atletas
quadrilha - de ladrões, de bandidos
ramalhete - de flores
réstia - de alhos, de cebolas
récua - de animais de carga
romanceiro - de poesias populares
resma - de papel
revoada - de pássaros
súcia - de pessoas desonestas
vara - de porcos
vocabulário - de palavras

FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS
Como já assinalamos, os substantivos variam de gênero, número e
grau.

Gênero
Em Português, o substantivo pode ser do gênero masculino ou femini-
no: o lápis, o caderno, a borracha, a caneta.

Podemos classificar os substantivos em:
a) SUBSTANTIVOS BIFORMES, são os que apresentam duas formas,
uma para o masculino, outra para o feminino:
aluno/aluna homem/mulher
menino /menina carneiro/ovelha
Quando a mudança de gênero não é marcada pela desinência, mas
pela alteração do radical, o substantivo denomina-se heterônimo:
padrinho/madrinha bode/cabra
cavaleiro/amazona pai/mãe

b) SUBSTANTIVOS UNIFORMES: são os que apresentam uma única
forma, tanto para o masculino como para o feminino. Subdividem-se
em:
1. Substantivos epicenos: são substantivos uniformes, que designam
animais: onça, jacaré, tigre, borboleta, foca.
Caso se queira fazer a distinção entre o masculino e o feminino, de-
vemos acrescentar as palavras macho ou fêmea: onça macho, jacaré
fêmea
2. Substantivos comuns de dois gêneros: são substantivos uniformes que
designam pessoas. Neste caso, a diferença de gênero é feita pelo arti-

Linguagens e Códigos
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go, ou outro determinante qualquer: o artista, a artista, o estudante, a
estudante, este dentista.
3. Substantivos sobrecomuns: são substantivos uniformes que designam
pessoas. Neste caso, a diferença de gênero não é especificada por ar-
tigos ou outros determinantes, que serão invariáveis: a criança, o côn-
juge, a pessoa, a criatura.
Caso se queira especificar o gênero, procede-se assim:
uma criança do sexo masculino / o cônjuge do sexo feminino.

AIguns substantivos que apresentam problema quanto ao Gênero:


São masculinos São femininos
o anátema
o telefonema
o teorema
o trema
o edema
o eclipse
o lança-perfume
o fibroma
o estratagema
o proclama
o grama (unidade de peso)
o dó (pena, compaixão)
o ágape
o caudal
o champanha
o alvará
o formicida
o guaraná
o plasma
o clã
a abusão
a aluvião
a análise
a cal
a cataplasma
a dinamite
a comichão
a aguardente

a derme
a omoplata
a usucapião
a bacanal
a líbido
a sentinela
a hélice


Mudança de Gênero com mudança de sentido
Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam de sentido.

Veja alguns exemplos:
o cabeça (o chefe, o líder)
o capital (dinheiro, bens)
o rádio (aparelho receptor)
o moral (ânimo)
o lotação (veículo)
o lente (o professor)
a cabeça (parte do corpo)
a capital (cidade principal)
a rádio (estação transmissora)
a moral (parte da Filosofia, conclusão)
a lotação (capacidade)
a lente (vidro de aumento)

Plural dos Nomes Simples
1. Aos substantivos terminados em vogal ou ditongo acrescenta-se S: casa,
casas; pai, pais; imã, imãs; mãe, mães.
2. Os substantivos terminados em ÃO formam o plural em:
a) ÕES (a maioria deles e todos os aumentativos): balcão, balcões; cora-
ção, corações; grandalhão, grandalhões.
b) ÃES (um pequeno número): cão, cães; capitão, capitães; guardião,
guardiães.
c) ÃOS (todos os paroxítonos e um pequeno número de oxítonos): cristão,
cristãos; irmão, irmãos; órfão, órfãos; sótão, sótãos.

Muitos substantivos com esta terminação apresentam mais de uma for-
ma de plural: aldeão, aldeãos ou aldeães; charlatão, charlatões ou charla-
tães; ermitão, ermitãos ou ermitães; tabelião, tabeliões ou tabeliães, etc.

3. Os substantivos terminados em M mudam o M para NS. armazém,
armazéns; harém, haréns; jejum, jejuns.
4. Aos substantivos terminados em R, Z e N acrescenta-se-lhes ES: lar,
lares; xadrez, xadrezes; abdômen, abdomens (ou abdômenes); hífen, hí-
fens (ou hífenes).
Obs: caráter, caracteres; Lúcifer, Lúciferes; cânon, cânones.
5. Os substantivos terminados em AL, EL, OL e UL o l por is: animal, ani-
mais; papel, papéis; anzol, anzóis; paul, pauis.
Obs.: mal, males; real (moeda), reais; cônsul, cônsules.
6. Os substantivos paroxítonos terminados em IL fazem o plural em: fóssil,
fósseis; réptil, répteis.
Os substantivos oxítonos terminados em IL mudam o l para S: barril, bar-
ris; fuzil, fuzis; projétil, projéteis.
7. Os substantivos terminados em S são invariáveis, quando paroxítonos: o
pires, os pires; o lápis, os lápis. Quando oxítonas ou monossílabos tôni-
cos, junta-se-lhes ES, retira-se o acento gráfico, português, portugueses;
burguês, burgueses; mês, meses; ás, ases.
São invariáveis: o cais, os cais; o xis, os xis. São invariáveis, também, os
substantivos terminados em X com valor de KS: o tórax, os tórax; o ônix,
os ônix.
8. Os diminutivos em ZINHO e ZITO fazem o plural flexionando-se o subs-
tantivo primitivo e o sufixo, suprimindo-se, porém, o S do substantivo
primitivo: coração, coraçõezinhos; papelzinho, papeizinhos; cãozinho,
cãezitos.

Substantivos só usados no plural
afazeres
arredores
cãs
confins
férias
núpcias
olheiras
viveres
anais
belas-artes
condolências
exéquias
fezes
óculos
pêsames
copas, espadas, ouros e paus (naipes)

Plural dos Nomes Compostos

1. Somente o último elemento varia:
a) nos compostos grafados sem hífen: aguardente, aguardentes; clara-
boia, claraboias; malmequer, malmequeres; vaivém, vaivéns;
b) nos compostos com os prefixos grão, grã e bel: grão-mestre, grão-
mestres; grã-cruz, grã-cruzes; bel-prazer, bel-prazeres;
c) nos compostos de verbo ou palavra invariável seguida de substanti-
vo ou adjetivo: beija-flor, beija-flores; quebra-sol, quebra-sóis; guar-
da-comida, guarda-comidas; vice-reitor, vice-reitores; sempre-viva,
sempre-vivas. Nos compostos de palavras repetidas mela-mela, me-
la-melas; recoreco, recorecos; tique-tique, tique-tiques)

2. Somente o primeiro elemento é flexionado:
a) nos compostos ligados por preposição: copo-de-leite, copos-de-leite;
pinho-de-riga, pinhos-de-riga; pé-de-meia, pés-de-meia; burro-sem-
rabo, burros-sem-rabo;
b) nos compostos de dois substantivos, o segundo indicando finalidade
ou limitando a significação do primeiro: pombo-correio, pombos-
correio; navio-escola, navios-escola; peixe-espada, peixes-espada;
banana-maçã, bananas-maçã.
A tendência moderna é de pluralizar os dois elementos: pombos-
correios, homens-rãs, navios-escolas, etc.

3. Ambos os elementos são flexionados:
a) nos compostos de substantivo + substantivo: couve-flor, couves-
flores; redator-chefe, redatores-chefes; carta-compromisso, cartas-
compromissos.
b) nos compostos de substantivo + adjetivo (ou vice-versa): amor-
perfeito, amores-perfeitos; gentil-homem, gentis-homens; cara-
pálida, caras-pálidas.

São invariáveis:
a) os compostos de verbo + advérbio: o fala-pouco, os fala-pouco; o pi-
sa-mansinho, os pisa-mansinho; o cola-tudo, os cola-tudo;
b) as expressões substantivas: o chove-não-molha, os chove-não-
molha; o não-bebe-nem-desocupa-o-copo, os não-bebe-nem-
desocupa-o-copo;
c) os compostos de verbos antônimos: o leva-e-traz, os leva-e-traz; o
perde-ganha, os perde-ganha.
Obs: Alguns compostos admitem mais de um plural, como é o caso
por exemplo, de: fruta-pão, fruta-pães ou frutas-pães; guarda-
marinha, guarda-marinhas ou guardas-marinhas; padre-nosso, pa-
dres-nossos ou padre-nossos; salvo-conduto, salvos-condutos ou
salvo-condutos; xeque-mate, xeques-mates ou xeques-mate.

Adjetivos Compostos
Nos adjetivos compostos, apenas o último elemento se flexiona.
Ex.:histórico-geográfico, histórico-geográficos; latino-americanos, latino-
americanos; cívico-militar, cívico-militares.
1) Os adjetivos compostos referentes a cores são invariáveis, quando o
segundo elemento é um substantivo: lentes verde-garrafa, tecidos
amarelo-ouro, paredes azul-piscina.
2) No adjetivo composto surdo-mudo, os dois elementos variam: sur-
dos-mudos > surdas-mudas.
3) O composto azul-marinho é invariável: gravatas azul-marinho.

Graus do substantivo
Dois são os graus do substantivo - o aumentativo e o diminutivo, os quais
podem ser: sintéticos ou analíticos.

Linguagens e Códigos
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Analítico
Utiliza-se um adjetivo que indique o aumento ou a diminuição do tama-
nho: boca pequena, prédio imenso, livro grande.

Sintético
Constrói-se com o auxílio de sufixos nominais aqui apresentados.

Principais sufixos aumentativos
AÇA, AÇO, ALHÃO, ANZIL, ÃO, ARÉU, ARRA, ARRÃO, ASTRO, ÁZIO,
ORRA, AZ, UÇA. Ex.: A barcaça, ricaço, grandalhão, corpanzil, caldeirão,
povaréu, bocarra, homenzarrão, poetastro, copázio, cabeçorra, lobaz, dentu-
ça.

Principais Sufixos Diminutivos
ACHO, CHULO, EBRE, ECO, EJO, ELA, ETE, ETO, ICO, TIM, ZINHO,
ISCO, ITO, OLA, OTE, UCHO, ULO, ÚNCULO, ULA, USCO. Exs.: lobacho,
montículo, casebre, livresco, arejo, viela, vagonete, poemeto, burrico, flautim,
pratinho, florzinha, chuvisco, rapazito, bandeirola, saiote, papelucho, glóbulo,
homúncula, apícula, velhusco.

Observações:
• Alguns aumentativos e diminutivos, em determinados contextos, adqui-
rem valor pejorativo: medicastro, poetastro, velhusco, mulherzinha, etc.
Outros associam o valor aumentativo ao coletivo: povaréu, fogaréu,
etc.
• É usual o emprego dos sufixos diminutivos dando às palavras valor a-
fetivo: Joãozinho, amorzinho, etc.
• Há casos em que o sufixo aumentativo ou diminutivo é meramente
formal, pois não dão à palavra nenhum daqueles dois sentidos: cartaz,
ferrão, papelão, cartão, folhinha, etc.
• Muitos adjetivos flexionam-se para indicar os graus aumentativo e di-
minutivo, quase sempre de maneira afetiva: bonitinho, grandinho, bon-
zinho, pequenito.

Apresentamos alguns substantivos heterônimos ou desconexos. Em lu-
gar de indicarem o gênero pela flexão ou pelo artigo, apresentam radicais
diferentes para designar o sexo:
bode - cabra
burro - besta
carneiro - ovelha
cão - cadela
cavalheiro - dama
compadre - comadre
frade - freira
frei – soror
genro - nora
padre - madre
padrasto - madrasta
padrinho - madrinha
pai - mãe
veado - cerva
zangão - abelha
etc.

ADJETIVOS

FLEXÃO DOS ADJETIVOS

Gênero
Quanto ao gênero, o adjetivo pode ser:
a) Uniforme: quando apresenta uma única forma para os dois gêne-
ros: homem inteligente - mulher inteligente; homem simples - mu-
lher simples; aluno feliz - aluna feliz.
b) Biforme: quando apresenta duas formas: uma para o masculino, ou-
tra para o feminino: homem simpático / mulher simpática / homem
alto / mulher alta / aluno estudioso / aluna estudiosa

Observação: no que se refere ao gênero, a flexão dos adjetivos é se-
melhante a dos substantivos.

Número
a) Adjetivo simples
Os adjetivos simples formam o plural da mesma maneira que os
substantivos simples:
pessoa honesta pessoas honestas
regra fácil regras fáceis
homem feliz homens felizes
Observação: os substantivos empregados como adjetivos ficam
invariáveis:
blusa vinho blusas vinho
camisa rosa camisas rosa
b) Adjetivos compostos
Como regra geral, nos adjetivos compostos somente o último ele-
mento varia, tanto em gênero quanto em número:
acordos sócio-político-econômico
acordos sócio-político-econômicos
causa sócio-político-econômica
causas sócio-político-econômicas
acordo luso-franco-brasileiro
acordo luso-franco-brasileiros
lente côncavo-convexa
lentes côncavo-convexas
camisa verde-clara
camisas verde-claras
sapato marrom-escuro
sapatos marrom-escuros
Observações:
1) Se o último elemento for substantivo, o adjetivo composto fica invariável:
camisa verde-abacate camisas verde-abacate
sapato marrom-café sapatos marrom-café
blusa amarelo-ouro blusas amarelo-ouro
2) Os adjetivos compostos azul-marinho e azul-celeste ficam invariáveis:
blusa azul-marinho blusas azul-marinho
camisa azul-celeste camisas azul-celeste
3) No adjetivo composto (como já vimos) surdo-mudo, ambos os elementos
variam:
menino surdo-mudo meninos surdos-mudos
menina surda-muda meninas surdas-mudas

Graus do Adjetivo
As variações de intensidade significativa dos adjetivos podem ser ex-
pressas em dois graus:
- o comparativo
- o superlativo

Comparativo
Ao compararmos a qualidade de um ser com a de outro, ou com uma
outra qualidade que o próprio ser possui, podemos concluir que ela é igual,
superior ou inferior. Daí os três tipos de comparativo:
- Comparativo de igualdade:
O espelho é tão valioso como (ou quanto) o vitral.
Pedro é tão saudável como (ou quanto) inteligente.
- Comparativo de superioridade:
O aço é mais resistente que (ou do que) o ferro.
Este automóvel é mais confortável que (ou do que) econômico.
- Comparativo de inferioridade:
A prata é menos valiosa que (ou do que) o ouro.
Este automóvel é menos econômico que (ou do que) confortável.

Ao expressarmos uma qualidade no seu mais elevado grau de intensi-
dade, usamos o superlativo, que pode ser absoluto ou relativo:
- Superlativo absoluto
Neste caso não comparamos a qualidade com a de outro ser:
Esta cidade é poluidíssima.
Esta cidade é muito poluída.
- Superlativo relativo
Consideramos o elevado grau de uma qualidade, relacionando-a a
outros seres:
Este rio é o mais poluído de todos.
Este rio é o menos poluído de todos.

Observe que o superlativo absoluto pode ser sintético ou analítico:
- Analítico: expresso com o auxílio de um advérbio de intensidade -
muito trabalhador, excessivamente frágil, etc.
- Sintético: expresso por uma só palavra (adjetivo + sufixo) – anti-
quíssimo: cristianíssimo, sapientíssimo, etc.

Os adjetivos: bom, mau, grande e pequeno possuem, para o compara-
tivo e o superlativo, as seguintes formas especiais:
NORMAL COM. SUP. SUPERLATIVO

Linguagens e Códigos
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ABSOLUTO
RELATIVO
bom melhor ótimo
melhor
mau pior péssimo
pior
grande maior máximo
maior
pequeno menor mínimo
menor

Eis, para consulta, alguns superlativos absolutos sintéticos:
acre - acérrimo
agradável - agradabilíssimo
amargo - amaríssimo
amigo - amicíssimo
áspero - aspérrimo
audaz - audacíssimo
benévolo - benevolentíssimo
célebre - celebérrimo
cruel - crudelíssimo
eficaz - eficacíssimo
fiel - fidelíssimo
frio - frigidíssimo
incrível - incredibilíssimo
íntegro - integérrimo
livre - libérrimo
magro - macérrimo
manso - mansuetíssimo
negro - nigérrimo (negríssimo)
pessoal - personalíssimo
possível - possibilíssimo
próspero - prospérrimo
público - publicíssimo
sábio - sapientíssimo
salubre - salubérrimo
simples – simplicíssimo
terrível - terribilíssimo
velho - vetérrimo
voraz - voracíssimo

ágil - agílimo
agudo - acutíssimo
amável - amabilíssimo
antigo - antiquíssimo
atroz - atrocíssimo
benéfico - beneficentíssimo
capaz - capacíssimo
cristão - cristianíssimo
doce - dulcíssimo
feroz - ferocíssimo
frágil - fragilíssimo
humilde - humílimo (humildíssimo)
inimigo - inimicíssimo
jovem - juveníssimo
magnífico - magnificentíssimo
maléfico - maleficentíssimo
miúdo - minutíssimo
nobre - nobilíssimo
pobre - paupérrimo (pobríssimo)
preguiçoso - pigérrimo
provável - probabilíssimo
pudico - pudicíssimo
sagrado - sacratíssimo
sensível - sensibilíssimo
tenro - tenerissimo
tétrico - tetérrimo
visível - visibilíssimo
vulnerável - vuInerabilíssimo

Adjetivos Gentílicos e Pátrios
Argélia – argelino
Bizâncio - bizantino
Bóston - bostoniano
Bragança - bragantino
Bucareste - bucarestino, -
bucarestense
Cairo - cairota
Canaã - cananeu
Catalunha - catalão
Chicago - chicaguense
Coimbra - coimbrão, conim-
bricense
Córsega - corso
Croácia - croata
Egito - egípcio
Equador - equatoriano
Filipinas - filipino
Florianópolis - florianopolitano
Fortaleza - fortalezense
Gabão - gabonês
Genebra - genebrino
Goiânia - goianense
Groenlândia - groenlandês
Guiné - guinéu, guineense
Himalaia - himalaico
Hungria - húngaro, magiar
Iraque - iraquiano
João Pessoa - pessoense
La Paz - pacense, pacenho
Macapá - macapaense
Bagdá - bagdali
Bogotá - bogotano
Braga - bracarense
Brasília - brasiliense
Buenos Aires - portenho, buenairense
Campos - campista
Caracas - caraquenho
Ceilão - cingalês
Chipre - cipriota
Córdova - cordovês
Creta - cretense
Cuiabá - cuiabano
EI Salvador - salvadorenho
Espírito Santo - espírito-santense,
capixaba
Évora - eborense
Finlândia - finlandês
Formosa - formosano
Foz do lguaçu - iguaçuense
Galiza - galego
Gibraltar - gibraltarino
Granada - granadino
Guatemala - guatemalteco
Haiti - haitiano
Honduras - hondurenho
Ilhéus - ilheense
Jerusalém - hierosolimita
Juiz de Fora - juiz-forense
Lima - limenho
Macau - macaense
Maceió - maceioense
Madri - madrileno
Marajó - marajoara
Moçambique - moçambicano
Montevidéu - montevideano
Normândia - normando
Pequim - pequinês
Porto - portuense
Quito - quitenho
Santiago - santiaguense
São Paulo (Est.) - paulista
São Paulo (cid.) - paulistano
Terra do Fogo - fueguino
Três Corações - tricordiano
Tripoli - tripolitano
Veneza - veneziano
Madagáscar - malgaxe
Manaus - manauense
Minho - minhoto
Mônaco - monegasco
Natal - natalense
Nova lguaçu - iguaçuano
Pisa - pisano
Póvoa do Varzim - poveiro
Rio de Janeiro (Est.) - fluminense
Rio de Janeiro (cid.) - carioca
Rio Grande do Norte - potiguar
Salvador – salvadorenho, soteropolitano
Toledo - toledano
Rio Grande do Sul - gaúcho
Varsóvia - varsoviano
Vitória - vitoriense

Locuções Adjetivas
As expressões de valor adjetivo, formadas de preposições mais subs-
tantivos, chamam-se LOCUÇÕES ADJETIVAS. Estas, geralmente, podem
ser substituídas por um adjetivo correspondente.

PRONOMES

Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa, que re-
presenta ou acompanha o substantivo, indicando-o como pessoa do dis-
curso. Quando o pronome representa o substantivo, dizemos tratar-se de
pronome substantivo.
• Ele chegou. (ele)
• Convidei-o. (o)

Quando o pronome vem determinando o substantivo, restringindo a ex-
tensão de seu significado, dizemos tratar-se de pronome adjetivo.
• Esta casa é antiga. (esta)
• Meu livro é antigo. (meu)

Classificação dos Pronomes
Há, em Português, seis espécies de pronomes:
• pessoais: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas e as formas oblíquas
de tratamento:
• possessivos: meu, teu, seu, nosso, vosso, seu e flexões;
• demonstrativos: este, esse, aquele e flexões; isto, isso, aquilo;
• relativos: o qual, cujo, quanto e flexões; que, quem, onde;
• indefinidos: algum, nenhum, todo, outro, muito, certo, pouco, vá-
rios, tanto quanto, qualquer e flexões; alguém, ninguém, tudo, ou-
trem, nada, cada, algo.
• interrogativos: que, quem, qual, quanto, empregados em frases in-
terrogativas.

PRONOMES PESSOAIS
Pronomes pessoais são aqueles que representam as pessoas do dis-
curso:
1ª pessoa: quem fala, o emissor.
Eu sai (eu)
Nós saímos (nós)
Convidaram-me (me)
Convidaram-nos (nós)
2ª pessoa: com quem se fala, o receptor.
Tu saíste (tu)
Vós saístes (vós)
Convidaram-te (te)
Convidaram-vos (vós)
3ª pessoa: de que ou de quem se fala, o referente.
Ele saiu (ele)
Eles sairam (eles)
Convidei-o (o)
Convidei-os (os)

Os pronomes pessoais são os seguintes:

NÚMERO PESSOA CASO RETO CASO OBLÍQUO

Linguagens e Códigos
52
singular 1ª


eu
tu
ele, ela
me, mim, comigo
te, ti, contigo
se, si, consigo, o, a, lhe
plural 1ª


nós
vós
eles, elas
nós, conosco
vós, convosco
se, si, consigo, os, as, lhes

PRONOMES DE TRATAMENTO
Na categoria dos pronomes pessoais, incluem-se os pronomes de tra-
tamento. Referem-se à pessoa a quem se fala, embora a concordância
deva ser feita com a terceira pessoa. Convém notar que, exceção feita a
você, esses pronomes são empregados no tratamento cerimonioso.

Veja, a seguir, alguns desses pronomes:
PRONOME ABREV. EMPREGO
Vossa Alteza V. A. príncipes, duques
Vossa Eminência V .Em
a
cardeais
Vossa Excelência V.Ex
a
altas autoridades em geral Vossa
Magnificência V. Mag
a
reitores de universidades
Vossa Reverendíssima V. Revm
a
sacerdotes em geral
Vossa Santidade V.S. papas
Vossa Senhoria V.S
a
funcionários graduados
Vossa Majestade V.M. reis, imperadores

São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, você, vo-
cês.

EMPREGO DOS PRONOMES PESSOAIS
1. Os pronomes pessoais do caso reto (EU, TU, ELE/ELA, NÓS, VÓS,
ELES/ELAS) devem ser empregados na função sintática de sujeito.
Considera-se errado seu emprego como complemento:
Convidaram ELE para a festa (errado)
Receberam NÓS com atenção (errado)
EU cheguei atrasado (certo)
ELE compareceu à festa (certo)
2. Na função de complemento, usam-se os pronomes oblíquos e não os
pronomes retos:
Convidei ELE (errado)
Chamaram NÓS (errado)
Convidei-o. (certo)
Chamaram-NOS. (certo)
3. Os pronomes retos (exceto EU e TU), quando antecipados de preposi-
ção, passam a funcionar como oblíquos. Neste caso, considera-se
correto seu emprego como complemento:
Informaram a ELE os reais motivos.
Emprestaram a NÓS os livros.
Eles gostam muito de NÓS.
4. As formas EU e TU só podem funcionar como sujeito. Considera-se
errado seu emprego como complemento:
Nunca houve desentendimento entre eu e tu. (errado)
Nunca houve desentendimento entre mim e ti. (certo)

Como regra prática, podemos propor o seguinte: quando precedidas
de preposição, não se usam as formas retas EU e TU, mas as formas
oblíquas MIM e TI:
Ninguém irá sem EU. (errado)
Nunca houve discussões entre EU e TU. (errado)
Ninguém irá sem MIM. (certo)
Nunca houve discussões entre MIM e TI. (certo)

Há, no entanto, um caso em que se empregam as formas retas EU e
TU mesmo precedidas por preposição: quando essas formas funcionam
como sujeito de um verbo no infinitivo.
Deram o livro para EU ler (ler: sujeito)
Deram o livro para TU leres (leres: sujeito)

Verifique que, neste caso, o emprego das formas retas EU e TU é o-
brigatório, na medida em que tais pronomes exercem a função sintática de
sujeito.
5. Os pronomes oblíquos SE, SI, CONSIGO devem ser empregados
somente como reflexivos. Considera-se errada qualquer construção
em que os referidos pronomes não sejam reflexivos:
Querida, gosto muito de SI. (errado)
Preciso muito falar CONSIGO. (errado)
Querida, gosto muito de você. (certo)
Preciso muito falar com você. (certo)

Observe que nos exemplos que seguem não há erro algum, pois os
pronomes SE, SI, CONSIGO, foram empregados como reflexivos:
Ele feriu-se
Cada um faça por si mesmo a redação
O professor trouxe as provas consigo

6. Os pronomes oblíquos CONOSCO e CONVOSCO são utilizados
normalmente em sua forma sintética. Caso haja palavra de reforço, tais
pronomes devem ser substituídos pela forma analítica:
Queriam falar conosco = Queriam falar com nós dois
Queriam conversar convosco = Queriam conversar com vós próprios.

7. Os pronomes oblíquos podem aparecer combinados entre si. As
combinações possíveis são as seguintes:
me+o=mo
te+o=to
lhe+o=lho
nos + o = no-lo
vos + o = vo-lo
lhes + o = lho
me + os = mos
te + os = tos
lhe + os = lhos
nos + os = no-los
vos + os = vo-los
lhes + os = lhos

A combinação também é possível com os pronomes oblíquos femini-
nos a, as.
me+a=ma me + as = mas
te+a=ta te + as = tas
- Você pagou o livro ao livreiro?
- Sim, paguei-LHO.

Verifique que a forma combinada LHO resulta da fusão de LHE (que
representa o livreiro) com O (que representa o livro).

8. As formas oblíquas O, A, OS, AS são sempre empregadas como
complemento de verbos transitivos diretos, ao passo que as formas
LHE, LHES são empregadas como complemento de verbos transitivos
indiretos:
O menino convidou-a. (V.T.D )
O filho obedece-lhe. (V.T. l )

Consideram-se erradas construções em que o pronome O (e flexões)
aparece como complemento de verbos transitivos indiretos, assim como as
construções em que o nome LHE (LHES) aparece como complemento de
verbos transitivos diretos:
Eu lhe vi ontem. (errado)
Nunca o obedeci. (errado)
Eu o vi ontem. (certo)
Nunca lhe obedeci. (certo)

9. Há pouquíssimos casos em que o pronome oblíquo pode funcionar
como sujeito. Isto ocorre com os verbos: deixar, fazer, ouvir, mandar,
sentir, ver, seguidos de infinitivo. O nome oblíquo será sujeito desse in-
finitivo:
Deixei-o sair.
Vi-o chegar.
Sofia deixou-se estar à janela.

É fácil perceber a função do sujeito dos pronomes oblíquos, desenvol-
vendo as orações reduzidas de infinitivo:
Deixei-o sair = Deixei que ele saísse.
10. Não se considera errada a repetição de pronomes oblíquos:
A mim, ninguém me engana.
A ti tocou-te a máquina mercante.

Nesses casos, a repetição do pronome oblíquo não constitui pleonas-
mo vicioso e sim ênfase.

11. Muitas vezes os pronomes oblíquos equivalem a pronomes possessi-
vo, exercendo função sintática de adjunto adnominal:
Roubaram-me o livro = Roubaram meu livro.

Linguagens e Códigos
53
Não escutei-lhe os conselhos = Não escutei os seus conselhos.

12. As formas plurais NÓS e VÓS podem ser empregadas para represen-
tar uma única pessoa (singular), adquirindo valor cerimonioso ou de
modéstia:
Nós - disse o prefeito - procuramos resolver o problema das enchen-
tes.
Vós sois minha salvação, meu Deus!

13. Os pronomes de tratamento devem vir precedidos de VOSSA, quando
nos dirigimos à pessoa representada pelo pronome, e por SUA, quan-
do falamos dessa pessoa:
Ao encontrar o governador, perguntou-lhe:
Vossa Excelência já aprovou os projetos?
Sua Excelência, o governador, deverá estar presente na inauguração.

14. VOCÊ e os demais pronomes de tratamento (VOSSA MAJESTADE,
VOSSA ALTEZA) embora se refiram à pessoa com quem falamos (2ª
pessoa, portanto), do ponto de vista gramatical, comportam-se como
pronomes de terceira pessoa:
Você trouxe seus documentos?
Vossa Excelência não precisa incomodar-se com seus problemas.

COLOCAÇÃO DE PRONOMES
Em relação ao verbo, os pronomes átonos (ME, TE, SE, LHE, O, A,
NÓS, VÓS, LHES, OS, AS) podem ocupar três posições:
1. Antes do verbo - próclise
Eu te observo há dias.
2. Depois do verbo - ênclise
Observo-te há dias.
3. No interior do verbo - mesóclise
Observar-te-ei sempre.

Ênclise
Na linguagem culta, a colocação que pode ser considerada normal é a
ênclise: o pronome depois do verbo, funcionando como seu complemento
direto ou indireto.
O pai esperava-o na estação agitada.
Expliquei-lhe o motivo das férias.

Ainda na linguagem culta, em escritos formais e de estilo cuidadoso, a
ênclise é a colocação recomendada nos seguintes casos:
1. Quando o verbo iniciar a oração:
Voltei-me em seguida para o céu límpido.
2. Quando o verbo iniciar a oração principal precedida de pausa:
Como eu achasse muito breve, explicou-se.
3. Com o imperativo afirmativo:
Companheiros, escutai-me.
4. Com o infinitivo impessoal:
A menina não entendera que engorda-las seria apressar-lhes um
destino na mesa.
5. Com o gerúndio, não precedido da preposição EM:
E saltou, chamando-me pelo nome, conversou comigo.
6. Com o verbo que inicia a coordenada assindética.
A velha amiga trouxe um lenço, pediu-me uma pequena moeda de
meio franco.

Próclise
Na linguagem culta, a próclise é recomendada:
1. Quando o verbo estiver precedido de pronomes relativos, indefinidos,
interrogativos e conjunções.
As crianças que me serviram durante anos eram bichos.
Tudo me parecia que ia ser comida de avião.
Quem lhe ensinou esses modos?
Quem os ouvia, não os amou.
Que lhes importa a eles a recompensa?
Emília tinha quatorze anos quando a vi pela primeira vez.
2. Nas orações optativas (que exprimem desejo):
Papai do céu o abençoe.
A terra lhes seja leve.
3. Com o gerúndio precedido da preposição EM:
Em se animando, começa a contagiar-nos.
Bromil era o suco em se tratando de combater a tosse.
4. Com advérbios pronunciados juntamente com o verbo, sem que haja
pausa entre eles.
Aquela voz sempre lhe comunicava vida nova.
Antes, falava-se tão-somente na aguardente da terra.

Mesóclise
Usa-se o pronome no interior das formas verbais do futuro do presente
e do futuro do pretérito do indicativo, desde que estes verbos não estejam
precedidos de palavras que reclamem a próclise.
Lembrar-me-ei de alguns belos dias em Paris.
Dir-se-ia vir do oco da terra.

Mas:
Não me lembrarei de alguns belos dias em Paris.
Jamais se diria vir do oco da terra.
Com essas formas verbais a ênclise é inadmissível:
Lembrarei-me (!?)
Diria-se (!?)

O Pronome Átono nas Locuções Verbais
1. Auxiliar + infinitivo ou gerúndio - o pronome pode vir proclítico ou
enclítico ao auxiliar, ou depois do verbo principal.
Podemos contar-lhe o ocorrido.
Podemos-lhe contar o ocorrido.
Não lhes podemos contar o ocorrido.
O menino foi-se descontraindo.
O menino foi descontraindo-se.
O menino não se foi descontraindo.
2. Auxiliar + particípio passado - o pronome deve vir enclítico ou proclítico
ao auxiliar, mas nunca enclítico ao particípio.
"Outro mérito do positivismo em relação a mim foi ter-me levado a
Descartes ."
Tenho-me levantado cedo.
Não me tenho levantado cedo.

O uso do pronome átono solto entre o auxiliar e o infinitivo, ou entre o
auxiliar e o gerúndio, já está generalizado, mesmo na linguagem culta.
Outro aspecto evidente, sobretudo na linguagem coloquial e popular, é o
da colocação do pronome no início da oração, o que se deve evitar na
linguagem escrita.

PRONOMES POSSESSIVOS
Os pronomes possessivos referem-se às pessoas do discurso, atribu-
indo-lhes a posse de alguma coisa.

Quando digo, por exemplo, “meu livro”, a palavra “meu” informa que o
livro pertence a 1ª pessoa (eu)

Eis as formas dos pronomes possessivos:
1ª pessoa singular: MEU, MINHA, MEUS, MINHAS.
2ª pessoa singular: TEU, TUA, TEUS, TUAS.
3ª pessoa singular: SEU, SUA, SEUS, SUAS.
1ª pessoa plural: NOSSO, NOSSA, NOSSOS, NOSSAS.
2ª pessoa plural: VOSSO, VOSSA, VOSSOS, VOSSAS.
3ª pessoa plural: SEU, SUA, SEUS, SUAS.

Os possessivos SEU(S), SUA(S) tanto podem referir-se à 3ª pessoa
(seu pai = o pai dele), como à 2ª pessoa do discurso (seu pai = o pai de
você).

Por isso, toda vez que os ditos possessivos derem margem a ambigui-
dade, devem ser substituídos pelas expressões dele(s), dela(s).
Ex.:Você bem sabe que eu não sigo a opinião dele.
A opinião dela era que Camilo devia tornar à casa deles.
Eles batizaram com o nome delas as águas deste rio.

Os possessivos devem ser usados com critério. Substituí-los pelos
pronomes oblíquos comunica á frase desenvoltura e elegância.
Crispim Soares beijou-lhes as mãos agradecido (em vez de: beijou as
suas mãos).

Linguagens e Códigos
54
Não me respeitava a adolescência.
A repulsa estampava-se-lhe nos músculos da face.
O vento vindo do mar acariciava-lhe os cabelos.

Além da ideia de posse, podem ainda os pronomes exprimir:
1. Cálculo aproximado, estimativa:
Ele poderá ter seus quarenta e cinco anos
2. Familiaridade ou ironia, aludindo-se á personagem de uma história
O nosso homem não se deu por vencido.
Chama-se Falcão o meu homem
3. O mesmo que os indefinidos certo, algum
Eu cá tenho minhas dúvidas
Cornélio teve suas horas amargas
4. Afetividade, cortesia
Como vai, meu menino?
Não os culpo, minha boa senhora, não os culpo

No plural usam-se os possessivos substantivados no sentido de paren-
tes de família.
É assim que um moço deve zelar o nome dos seus?
Podem os possessivos ser modificados por um advérbio de intensida-
de.
Levaria a mão ao colar de pérolas, com aquele gesto tão seu, quando
não sabia o que dizer.

PRONOMES DEMONSTRATIVOS
São aqueles que determinam, no tempo ou no espaço, a posição da
coisa designada em relação à pessoa gramatical.

Quando digo “este livro”, estou afirmando que o livro se encontra perto
de mim a pessoa que fala. Por outro lado, “esse livro” indica que o livro
está longe da pessoa que fala e próximo da que ouve; “aquele livro” indica
que o livro está longe de ambas as pessoas.

Os pronomes demonstrativos são estes:
ESTE (e variações), isto = 1ª pessoa
ESSE (e variações), isso = 2ª pessoa
AQUELE (e variações), próprio (e variações)
MESMO (e variações), próprio (e variações)
SEMELHANTE (e variação), tal (e variação)

Emprego dos Demonstrativos
1. ESTE (e variações) e ISTO usam-se:
a) Para indicar o que está próximo ou junto da 1ª pessoa (aquela que
fala).
Este documento que tenho nas mãos não é meu.
Isto que carregamos pesa 5 kg.
b) Para indicar o que está em nós ou o que nos abrange fisicamente:
Este coração não pode me trair.
Esta alma não traz pecados.
Tudo se fez por este país..
c) Para indicar o momento em que falamos:
Neste instante estou tranquilo.
Deste minuto em diante vou modificar-me.
d) Para indicar tempo vindouro ou mesmo passado, mas próximo do
momento em que falamos:
Esta noite (= a noite vindoura) vou a um baile.
Esta noite (= a noite que passou) não dormi bem.
Um dia destes estive em Porto Alegre.
e) Para indicar que o período de tempo é mais ou menos extenso e no
qual se inclui o momento em que falamos:
Nesta semana não choveu.
Neste mês a inflação foi maior.
Este ano será bom para nós.
Este século terminará breve.
f) Para indicar aquilo de que estamos tratando:
Este assunto já foi discutido ontem.
Tudo isto que estou dizendo já é velho.
g) Para indicar aquilo que vamos mencionar:
Só posso lhe dizer isto: nada somos.
Os tipos de artigo são estes: definidos e indefinidos.
2. ESSE (e variações) e ISSO usam-se:
a) Para indicar o que está próximo ou junto da 2ª pessoa (aquela com
quem se fala):
Esse documento que tens na mão é teu?
Isso que carregas pesa 5 kg.
b) Para indicar o que está na 2ª pessoa ou que a abrange fisicamente:
Esse teu coração me traiu.
Essa alma traz inúmeros pecados.
Quantos vivem nesse pais?
c) Para indicar o que se encontra distante de nós, ou aquilo de que
desejamos distância:
O povo já não confia nesses políticos.
Não quero mais pensar nisso.
d) Para indicar aquilo que já foi mencionado pela 2
ª
pessoa:
Nessa tua pergunta muita matreirice se esconde.
O que você quer dizer com isso?
e) Para indicar tempo passado, não muito próximo do momento em que
falamos:
Um dia desses estive em Porto Alegre.
Comi naquele restaurante dia desses.
f) Para indicar aquilo que já mencionamos:
Fugir aos problemas? Isso não é do meu feitio.
Ainda hei de conseguir o que desejo, e esse dia não está muito distan-
te.
3. AQUELE (e variações) e AQUILO usam-se:
a) Para indicar o que está longe das duas primeiras pessoas e refere-se
á 3ª.
Aquele documento que lá está é teu?
Aquilo que eles carregam pesa 5 kg.
b) Para indicar tempo passado mais ou menos distante.
Naquele instante estava preocupado.
Daquele instante em diante modifiquei-me.
Usamos, ainda, aquela semana, aquele mês, aquele ano, aquele
século, para exprimir que o tempo já decorreu.
4. Quando se faz referência a duas pessoas ou coisas já mencionadas,
usa-se este (ou variações) para a última pessoa ou coisa e aquele (ou
variações) para a primeira:
Ao conversar com lsabel e Luís, notei que este se encontrava nervoso
e aquela tranquila.
5. Os pronomes demonstrativos, quando regidos pela preposição DE,
pospostos a substantivos, usam-se apenas no plural:
Você teria coragem de proferir um palavrão desses, Rose?
Com um frio destes não se pode sair de casa.
Nunca vi uma coisa daquelas.
6. MESMO e PRÓPRIO variam em gênero e número quando têm caráter
reforçativo:
Zilma mesma (ou própria) costura seus vestidos.
Luís e Luísa mesmos (ou próprios) arrumam suas camas.
7. O (e variações) é pronome demonstrativo quando equivale a AQUILO,
ISSO ou AQUELE (e variações).
Nem tudo (aquilo) que reluz é ouro.
O (aquele) que tem muitos vícios tem muitos mestres.
Das meninas, Jeni a (aquela) que mais sobressaiu nos exames.
A sorte é mulher e bem o (isso) demonstra de fato, ela não ama os
homens superiores.
8. NISTO, em início de frase, significa ENTÃO, no mesmo instante:
A menina ia cair, nisto, o pai a segurou
9. Tal é pronome demonstrativo quando tomado na acepção DE ESTE,
ISTO, ESSE, ISSO, AQUELE, AQUILO.
Tal era a situação do país.
Não disse tal.
Tal não pôde comparecer.

Pronome adjetivo quando acompanha substantivo ou pronome (atitu-
des tais merecem cadeia, esses tais merecem cadeia), quando acompanha
QUE, formando a expressão que tal? (? que lhe parece?) em frases como
Que tal minha filha? Que tais minhas filhas? e quando correlativo DE QUAL
ou OUTRO TAL:
Suas manias eram tais quais as minhas.
A mãe era tal quais as filhas.
Os filhos são tais qual o pai.
Tal pai, tal filho.

Linguagens e Códigos
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É pronome substantivo em frases como:
Não encontrarei tal (= tal coisa).
Não creio em tal (= tal coisa)

PRONOMES RELATIVOS
Veja este exemplo:
Armando comprou a casa QUE lhe convinha.

A palavra que representa o nome casa, relacionando-se com o termo
casa é um pronome relativo.

PRONOMES RELATIVOS são palavras que representam nomes já re-
feridos, com os quais estão relacionados. Daí denominarem-se relativos.
A palavra que o pronome relativo representa chama-se antecedente.
No exemplo dado, o antecedente é casa.
Outros exemplos de pronomes relativos:
Sejamos gratos a Deus, a quem tudo devemos.
O lugar onde paramos era deserto.
Traga tudo quanto lhe pertence.
Leve tantos ingressos quantos quiser.
Posso saber o motivo por que (ou pelo qual) desistiu do concurso?

Eis o quadro dos pronomes relativos:

VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
Masculino Feminino
o qual
os quais
a qual
as quais
quem
cujo cujos cuja cujas que
quanto
quantos
quanta quantas onde

Observações:
1. O pronome relativo QUEM só se aplica a pessoas, tem antecedente,
vem sempre antecedido de preposição, e equivale a O QUAL.
O médico de quem falo é meu conterrâneo.
2. Os pronomes CUJO, CUJA significam do qual, da qual, e precedem
sempre um substantivo sem artigo.
Qual será o animal cujo nome a autora não quis revelar?
3. QUANTO(s) e QUANTA(s) são pronomes relativos quando precedidos
de um dos pronomes indefinidos tudo, tanto(s), tanta(s), todos, todas.
Tenho tudo quanto quero.
Leve tantos quantos precisar.
Nenhum ovo, de todos quantos levei, se quebrou.
4. ONDE, como pronome relativo, tem sempre antecedente e equivale a
EM QUE.
A casa onde (= em que) moro foi de meu avô.

PRONOMES INDEFINIDOS
Estes pronomes se referem à 3ª pessoa do discurso, designando-a de
modo vago, impreciso, indeterminado.
1. São pronomes indefinidos substantivos: ALGO, ALGUÉM, FULANO,
SICRANO, BELTRANO, NADA, NINGUÉM, OUTREM, QUEM, TUDO
Exemplos:
Algo o incomoda?
Acreditam em tudo o que fulano diz ou sicrano escreve.
Não faças a outrem o que não queres que te façam.
Quem avisa amigo é.
Encontrei quem me pode ajudar.
Ele gosta de quem o elogia.
2. São pronomes indefinidos adjetivos: CADA, CERTO, CERTOS, CER-
TA CERTAS.
Cada povo tem seus costumes.
Certas pessoas exercem várias profissões.
Certo dia apareceu em casa um repórter famoso.

PRONOMES INTERROGATIVOS
Aparecem em frases interrogativas. Como os indefinidos, referem-se
de modo impreciso à 3ª pessoa do discurso.
Exemplos:
Que há?
Que dia é hoje?
Reagir contra quê?
Por que motivo não veio?
Quem foi?
Qual será?
Quantos vêm?
Quantas irmãs tens?

VERBO

CONCEITO
“As palavras em destaque no texto abaixo exprimem ações, situando-
as no tempo.
Queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a
receita de como matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, farinha
e gesso. A farinha e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria dentro elas.
Assim fiz. Morreram.”
(Clarice Lispector)

Essas palavras são verbos. O verbo também pode exprimir:
a) Estado:
Não sou alegre nem sou triste.
Sou poeta.
b) Mudança de estado:
Meu avô foi buscar ouro.
Mas o ouro virou terra.
c) Fenômeno:
Chove. O céu dorme.

VERBO é a palavra variável que exprime ação, estado, mudança de
estado e fenômeno, situando-se no tempo.

FLEXÕES
O verbo é a classe de palavras que apresenta o maior número de fle-
xões na língua portuguesa. Graças a isso, uma forma verbal pode trazer
em si diversas informações. A forma CANTÁVAMOS, por exemplo, indica:
• a ação de cantar.
• a pessoa gramatical que pratica essa ação (nós).
• o número gramatical (plural).
• o tempo em que tal ação ocorreu (pretérito).
• o modo como é encarada a ação: um fato realmente acontecido no
passado (indicativo).
• que o sujeito pratica a ação (voz ativa).

Portanto, o verbo flexiona-se em número, pessoa, modo, tempo e voz.
1. NÚMERO: o verbo admite singular e plural:
O menino olhou para o animal com olhos alegres. (singular).
Os meninos olharam para o animal com olhos alegres. (plural).
2. PESSOA: servem de sujeito ao verbo as três pessoas gramaticais:
1ª pessoa: aquela que fala. Pode ser
a) do singular - corresponde ao pronome pessoal EU. Ex.: Eu adormeço.
b) do plural - corresponde ao pronome pessoal NÓS. Ex.: Nós adorme-
cemos.
2ª pessoa: aquela que ouve. Pode ser
a) do singular - corresponde ao pronome pessoal TU. Ex.:Tu adormeces.
b) do plural - corresponde ao pronome pessoal VÓS. Ex.:Vós adorme-
ceis.
3ª pessoa: aquela de quem se fala. Pode ser
a) do singular - corresponde aos pronomes pessoais ELE, ELA. Ex.: Ela
adormece.
b) do plural - corresponde aos pronomes pessoas ELES, ELAS. Ex.: Eles
adormecem.
3. MODO: é a propriedade que tem o verbo de indicar a atitude do falante
em relação ao fato que comunica. Há três modos em português.
a) indicativo: a atitude do falante é de certeza diante do fato.
A cachorra Baleia corria na frente.
b) subjuntivo: a atitude do falante é de dúvida diante do fato.
Talvez a cachorra Baleia corra na frente .
c) imperativo: o fato é enunciado como uma ordem, um conselho, um
pedido
Corra na frente, Baleia.

Linguagens e Códigos
56
4. TEMPO: é a propriedade que tem o verbo de localizar o fato no tempo,
em relação ao momento em que se fala. Os três tempos básicos são:
a) presente: a ação ocorre no momento em que se fala:
Fecho os olhos, agito a cabeça.
b) pretérito (passado): a ação transcorreu num momento anterior àquele
em que se fala:
Fechei os olhos, agitei a cabeça.
c) futuro: a ação poderá ocorrer após o momento em que se fala:
Fecharei os olhos, agitarei a cabeça.
O pretérito e o futuro admitem subdivisões, o que não ocorre com o
presente.

Veja o esquema dos tempos simples em português:
Presente (falo)
INDICATIVO Pretérito perfeito ( falei)
Imperfeito (falava)
Mais- que-perfeito (falara)
Futuro do presente (falarei)
do pretérito (falaria)
Presente (fale)
SUBJUNTIVO Pretérito imperfeito (falasse)
Futuro (falar)

Há ainda três formas que não exprimem exatamente o tempo em que
se dá o fato expresso. São as formas nominais, que completam o esquema
dos tempos simples.
Infinitivo impessoal (falar)
Pessoal (falar eu, falares tu, etc.)
FORMAS NOMINAIS Gerúndio (falando)
Particípio (falado)
5. VOZ: o sujeito do verbo pode ser:
a) agente do fato expresso.
O carroceiro disse um palavrão.
(sujeito agente)
O verbo está na voz ativa.
b) paciente do fato expresso:
Um palavrão foi dito pelo carroceiro.
(sujeito paciente)
O verbo está na voz passiva.
c) agente e paciente do fato expresso:
O carroceiro machucou-se.
(sujeito agente e paciente)
O verbo está na voz reflexiva.
6. FORMAS RIZOTÔNICAS E ARRIZOTÔNICAS: dá-se o nome de
rizotônica à forma verbal cujo acento tônico está no radical.
Falo - Estudam.
Dá-se o nome de arrizotônica à forma verbal cujo acento tônico está
fora do radical.
Falamos - Estudarei.
7. CLASSIFICACÃO DOS VERBOS: os verbos classificam-se em:
a) regulares - são aqueles que possuem as desinências normais de sua
conjugação e cuja flexão não provoca alterações no radical: canto -
cantei - cantarei – cantava - cantasse.
b) irregulares - são aqueles cuja flexão provoca alterações no radical ou
nas desinências: faço - fiz - farei - fizesse.
c) defectivos - são aqueles que não apresentam conjugação completa,
como por exemplo, os verbos falir, abolir e os verbos que indicam fe-
nômenos naturais, como CHOVER, TROVEJAR, etc.
d) abundantes - são aqueles que possuem mais de uma forma com o
mesmo valor. Geralmente, essa característica ocorre no particípio: ma-
tado - morto - enxugado - enxuto.
e) anômalos - são aqueles que incluem mais de um radical em sua con-
jugação.
verbo ser: sou - fui
verbo ir: vou - ia

QUANTO À EXISTÊNCIA OU NÃO DO SUJEITO
1. Pessoais: são aqueles que se referem a qualquer sujeito implícito ou
explícito. Quase todos os verbos são pessoais.
O Nino apareceu na porta.
2. Impessoais: são aqueles que não se referem a qualquer sujeito implíci-
to ou explícito. São utilizados sempre na 3ª pessoa. São impessoais:
a) verbos que indicam fenômenos meteorológicos: chover, nevar, ventar,
etc.
Garoava na madrugada roxa.
b) HAVER, no sentido de existir, ocorrer, acontecer:
Houve um espetáculo ontem.
Há alunos na sala.
Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Anica com seus olhos
claros.
c) FAZER, indicando tempo decorrido ou fenômeno meteorológico.
Fazia dois anos que eu estava casado.
Faz muito frio nesta região?

O VERBO HAVER (empregado impessoalmente)
O verbo haver é impessoal - sendo, portanto, usado invariavelmente
na 3ª pessoa do singular - quando significa:
1) EXISTIR
Há pessoas que nos querem bem.
Criaturas infalíveis nunca houve nem haverá.
Brigavam à toa, sem que houvesse motivos sérios.
Livros, havia-os de sobra; o que faltava eram leitores.
2) ACONTECER, SUCEDER
Houve casos difíceis na minha profissão de médico.
Não haja desavenças entre vós.
Naquele presídio havia frequentes rebeliões de presos.
3) DECORRER, FAZER, com referência ao tempo passado:
Há meses que não o vejo.
Haverá nove dias que ele nos visitou.
Havia já duas semanas que Marcos não trabalhava.
O fato aconteceu há cerca de oito meses.
Quando pode ser substituído por FAZIA, o verbo HAVER concorda no
pretérito imperfeito, e não no presente:
Havia (e não HÁ) meses que a escola estava fechada.
Morávamos ali havia (e não HÁ) dois anos.
Ela conseguira emprego havia (e não HÁ) pouco tempo.
Havia (e não HÁ) muito tempo que a policia o procurava.
4) REALIZAR-SE
Houve festas e jogos.
Se não chovesse, teria havido outros espetáculos.
Todas as noites havia ensaios das escolas de samba.
5) Ser possível, existir possibilidade ou motivo (em frases negativas e
seguido de infinitivo):
Em pontos de ciência não há transigir.
Não há contê-lo, então, no ímpeto.
Não havia descrer na sinceridade de ambos.
Mas olha, Tomásia, que não há fiar nestas afeiçõezinhas.
E não houve convencê-lo do contrário.
Não havia por que ficar ali a recriminar-se.

Como impessoal o verbo HAVER forma ainda a locução adverbial de
há muito (= desde muito tempo, há muito tempo):
De há muito que esta árvore não dá frutos.
De há muito não o vejo.

O verbo HAVER transmite a sua impessoalidade aos verbos que com
ele formam locução, os quais, por isso, permanecem invariáveis na 3ª
pessoa do singular:
Vai haver eleições em outubro.
Começou a haver reclamações.
Não pode haver umas sem as outras.
Parecia haver mais curiosos do que interessados.
Mas haveria outros defeitos, devia haver outros.

A expressão correta é HAJA VISTA, e não HAJA VISTO. Pode ser
construída de três modos:
Hajam vista os livros desse autor.
Haja vista os livros desse autor.
Haja vista aos livros desse autor.

CONVERSÃO DA VOZ ATIVA NA PASSIVA
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o
sentido da frase.

Linguagens e Códigos
57
Exemplo:
Gutenberg inventou a imprensa. (voz ativa)
A imprensa foi inventada por Gutenberg. (voz passiva)

Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o sujeito da ati-
va passará a agente da passiva e o verbo assumirá a forma passiva,
conservando o mesmo tempo.

Outros exemplos:
Os calores intensos provocam as chuvas.
As chuvas são provocadas pelos calores intensos.
Eu o acompanharei.
Ele será acompanhado por mim.
Todos te louvariam.
Serias louvado por todos.
Prejudicaram-me.
Fui prejudicado.
Condenar-te-iam.
Serias condenado.

EMPREGO DOS TEMPOS VERBAIS
a) Presente
Emprega-se o presente do indicativo para assinalar:
- um fato que ocorre no momento em que se fala.
Eles estudam silenciosamente.
Eles estão estudando silenciosamente.
- uma ação habitual.
Corra todas as manhãs.
- uma verdade universal (ou tida como tal):
O homem é mortal.
A mulher ama ou odeia, não há outra alternativa.
- fatos já passados. Usa-se o presente em lugar do pretérito para dar
maior realce à narrativa.
Em 1748, Montesquieu publica a obra "O Espírito das Leis".
É o chamado presente histórico ou narrativo.
- fatos futuros não muito distantes, ou mesmo incertos:
Amanhã vou à escola.
Qualquer dia eu te telefono.
b) Pretérito Imperfeito
Emprega-se o pretérito imperfeito do indicativo para designar:
- um fato passado contínuo, habitual, permanente:
Ele andava à toa.
Nós vendíamos sempre fiado.
- um fato passado, mas de incerta localização no tempo. É o que ocorre
por exemplo, no inicio das fábulas, lendas, histórias infantis.
Era uma vez...
- um fato presente em relação a outro fato passado.
Eu lia quando ele chegou.
c) Pretérito Perfeito
Emprega-se o pretérito perfeito do indicativo para referir um fato já
ocorrido, concluído.
Estudei a noite inteira.
Usa-se a forma composta para indicar uma ação que se prolonga até o
momento presente.
Tenho estudado todas as noites.
d) Pretérito mais-que-perfeito
Chama-se mais-que-perfeito porque indica uma ação passada em
relação a outro fato passado (ou seja, é o passado do passado):
A bola já ultrapassara a linha quando o jogador a alcançou.
e) Futuro do Presente
Emprega-se o futuro do presente do indicativo para apontar um fato
futuro em relação ao momento em que se fala.
Irei à escola.
f) Futuro do Pretérito
Emprega-se o futuro do pretérito do indicativo para assinalar:
- um fato futuro, em relação a outro fato passado.
- Eu jogaria se não tivesse chovido.
- um fato futuro, mas duvidoso, incerto.
- Seria realmente agradável ter de sair?
Um fato presente: nesse caso, o futuro do pretérito indica polidez e às
vezes, ironia.
- Daria para fazer silêncio?!

Modo Subjuntivo
a) Presente
Emprega-se o presente do subjuntivo para mostrar:
- um fato presente, mas duvidoso, incerto.
Talvez eles estudem... não sei.
- um desejo, uma vontade:
Que eles estudem, este é o desejo dos pais e dos professores.
b) Pretérito Imperfeito
Emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo para indicar uma
hipótese, uma condição.
Se eu estudasse, a história seria outra.
Nós combinamos que se chovesse não haveria jogo.
e) Pretérito Perfeito
Emprega-se o pretérito perfeito composto do subjuntivo para apontar
um fato passado, mas incerto, hipotético, duvidoso (que são, afinal, as
características do modo subjuntivo).
Que tenha estudado bastante é o que espero.
d) Pretérito Mais-Que-Perfeito - Emprega-se o pretérito mais-que-perfeito
do subjuntivo para indicar um fato passado em relação a outro fato
passado, sempre de acordo com as regras típicas do modo subjuntivo:
Se não tivéssemos saído da sala, teríamos terminado a prova tranqui-
lamente.
e) Futuro
Emprega-se o futuro do subjuntivo para indicar um fato futuro já con-
cluído em relação a outro fato futuro.
Quando eu voltar, saberei o que fazer.

VERBOS AUXILIARES
INDICATIVO

SER ESTAR TER HAVER
PRESENTE
sou estou tenho hei
és estás tens hás
é está tem há
somos estamos temos havemos
sois estais tendes haveis
são estão têm hão
PRETÉRITO PERFEITO
era estava tinha havia
eras estavas tinhas havias
era estava tinha havia
éramos estávamos tínhamos havíamos
éreis estáveis tínheis havíes
eram estavam tinham haviam
PRETÉRITO PERFEITO SIMPLES
fui estive tive houve
foste estiveste tiveste houveste
foi esteve teve houve
fomos estivemos tivemos houvemos
fostes estivestes tivestes houvestes
foram estiveram tiveram houveram
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO
tenho sido tenho estado tenho tido tenho havido
tens sido tens estado tens tido tens havido
tem sido tem estado tem tido tem havido
temos sido temos estado temos tido temos havido
tendes sido tendes estado tendes tido tendes havido
têm sido têm estado têm tido têm havido
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO SIMPLES
fora estivera tivera houvera
foras estiveras tiveras houveras
fora estivera tivera houvera
fôramos estivéramos tivéramos houvéramos
fôreis estivéreis tivéreis houvéreis
foram estiveram tiveram houveram
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO
tinha, tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham (+sido, estado, tido , havido)
FUTURO DO PRESENTE SIMPLES
serei estarei terei haverei
serás estarás terás haverá
será estará terá haverá
seremos estaremos teremos haveremos

Linguagens e Códigos
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sereis estareis tereis havereis
serão estarão terão haverão
FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO
terei, terás, terá, teremos, tereis, terão, (+sido, estado, tido, havido)
FUTURO DO
PRETÉRITO
SIMPLES

seria estaria teria haveria
serias estarias terias haverias
seria estaria teria haveria
seríamos estaríamos teríamos haveríamos
serieis estaríeis teríeis haveríeis
seriam estariam teriam haveriam
FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO
teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam (+ sido, estado, tido, havido)
PRESENTE SUBJUNTIVO
seja esteja tenha haja
sejas estejas tenhas hajas
seja esteja tenha haja
sejamos estejamos tenhamos hajamos
sejais estejais tenhais hajais
sejam estejam tenham hajam
PRETÉRITO IMPERFEITO SIMPLES
fosse estivesse tivesse houvesse
fosses estivesses tivesses houvesses
fosse estivesse tivesse houvesse
fôssemos estivéssemos tivéssemos houvéssemos
fôsseis estivésseis tivésseis houvésseis
fossem estivessem tivessem houvessem
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO
tenha, tenhas, tenha, tenhamos, tenhais, tenham (+ sido, estado, tido, havido)
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO
tivesse, tivesses, tivesses, tivéssemos, tivésseis, tivessem ( + sido, estado,
tido, havido)
FUTURO SIMPLES
se eu for se eu estiver se eu tiver se eu houver
se tu fores se tu estiveres se tu tiveres se tu houveres
se ele for se ele estiver se ele tiver se ele houver
se nós formos se nós estiver-
mos
se nós tivermos se nós houver-
mos
se vós fordes se vós estiver-
des
se vós tiverdes se vós houver-
des
se eles forem se eles estive-
rem
se eles tiverem se eles houve-
rem
FUTURO COMPOSTO
tiver, tiveres, tiver, tivermos, tiverdes, tiverem (+sido, estado, tido, havido)
AFIRMATIVO IMPERATIVO
sê tu está tu tem tu há tu
seja você esteja você tenha você haja você
sejamos nós estejamos nós tenhamos nós hajamos nós
sede vós estai vós tende vós havei vós
sejam vocês estejam vocês tenham vocês hajam vocês
NEGATIVO
não sejas tu não estejas tu não tenhas tu não hajas tu
não seja você não esteja você não tenha você não haja você
não sejamos nós não estejamos
nós
não tenhamos
nós
não hajamos
nós
não sejais vós não estejais vós não tenhais vós não hajais vós
não sejam vocês não estejam
vocês
não tenham
vocês
não hajam vocês
IMPESSOAL INFINITIVO
ser estar ter haver
IMPESSOAL COMPOSTO
Ter sido ter estado ter tido ter havido
PESSOAL
ser estar ter haver
seres estares teres haveres
ser estar ter haver
sermos estarmos termos havermos
serdes estardes terdes haverdes
serem estarem terem haverem
SIMPLES GERÚNDIO
sendo estando tendo havendo
COMPOSTO
tendo sido tendo estado tendo tido tendo havido
PARTICÍPIO
sido estado tido havido

CONJUGAÇÕES VERBAIS

INDICATIVO
PRESENTE
canto vendo parto
cantas vendes partes
canta vende parte
cantamos vendemos partimos
cantais vendeis partis
cantam vendem partem
PRETÉRITO IMPERFEITO
cantava vendia partia
cantavas vendias partias
cantava vendia partia
cantávamos vendíamos partíamos
cantáveis vendíeis partíeis
cantavam vendiam partiam
PRETÉRITO PERFEITO SIMPLES
cantei vendi parti
cantaste vendeste partiste
cantou vendeu partiu
cantamos vendemos partimos
cantastes vendestes partistes
cantaram venderam partiram
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO
tenho, tens, tem, temos, tendes, têm (+ cantado, vendido, partido)
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO SIMPLES
cantara vendera partira
cantaras venderas partiras
cantara vendera partira
cantáramos vendêramos partíramos
cantáreis vendêreis partíreis
cantaram venderam partiram
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO
tinha, tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham (+ cantando, vendido, partido)
Obs.: Também se conjugam com o auxiliar haver.
FUTURO DO PRESENTE SIMPLES
cantarei venderei partirei
cantarás venderás partirás
cantará venderá partirá
cantaremos venderemos partiremos
cantareis vendereis partireis
cantarão venderão partirão
FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO
terei, terás, terá, teremos, tereis, terão (+ cantado, vendido, partido)
Obs.: Também se conjugam com o auxiliar haver.
FUTURO DO PRETÉRITO SIMPLES
cantaria venderia partiria
cantarias venderias partirias
cantaria venderia partiria
cantaríamos venderíamos partiríamos
cantaríeis venderíeis partiríeis
cantariam venderiam partiriam
FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO
teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam (+ cantado, vendido, partido)
FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO
teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam, (+ cantado, vendido, partido)
Obs.: também se conjugam com o auxiliar haver.
PRESENTE SUBJUNTIVO
cante venda parta
cantes vendas partas
cante venda parta
cantemos vendamos partamos
canteis vendais partais
cantem vendam partam
PRETÉRITO IMPERFEITO
cantasse vendesse partisse
cantasses vendesses partisses
cantasse vendesse partisse
cantássemos vendêssemos partíssemos
cantásseis vendêsseis partísseis
cantassem vendessem partissem
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO

Linguagens e Códigos
59
tenha, tenhas, tenha, tenhamos, tenhais, tenham (+ cantado, vendido, parti-
do)
Obs.: também se conjugam com o auxiliar haver.
FUTURO SIMPLES
cantar vender partir
cantares venderes partires
cantar vender partir
cantarmos vendermos partimos
cantardes venderdes partirdes
cantarem venderem partirem
FUTURO COMPOSTO
tiver, tiveres, tiver, tivermos, tiverdes, tiverem (+ cantado, vendido, partido)
AFIRMATIVO IMPERATIVO
canta vende parte
cante venda parta
cantemos vendamos partamos
cantai vendei parti
cantem vendam partam
NEGATIVO
não cantes não vendas não partas
não cante não venda não parta
não cantemos não vendamos não partamos
não canteis não vendais não partais
não cantem não vendam não partam

INFINITIVO IMPESSOAL SIMPLES

PRESENTE
cantar vender partir
INFINITIVO PESSOAL SIMPLES - PRESENTE FLEXIONADO
cantar vender partir
cantares venderes partires
cantar vender partir
cantarmos vendermos partirmos
cantardes venderdes partirdes
cantarem venderem partirem
INFINITIVO IMPESSOAL COMPOSTO - PRETÉRITO IMPESSOAL
ter (ou haver), cantado, vendido, partido
INFINITIVO PESSOAL COMPOSTO - PRETÉRITO PESSOAL
ter, teres, ter, termos, terdes, terem (+ cantado, vendido, partido)
GERÚNDIO SIMPLES - PRESENTE
cantando vendendo partindo
GERÚNDIO COMPOSTO - PRETÉRITO
tendo (ou havendo), cantado, vendido, partido
PARTICÍPIO
cantado vendido partido

Formação dos tempos compostos

Com os verbos ter ou haver
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
Entre os tempos compostos da voz ativa merecem realce particular aque-
les que são constituídos de formas do verbo ter (ou, mais raramente,
haver) com o particípio do verbo que se quer conjugar, porque é costume
incluí-los nos próprios paradigmas de conjugação:

MODO INDICATIVO
1) PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO. Formado do PRESENTE DO
INDICATIVO do verbo ter com o PARTICÍPIO do verbo principal:
tenho cantado
tens cantado
tem cantado
temos cantado
tendes cantado
têm cantado
tenho vendido
tens vendido
tem vendido
temos vendido
tendes vendido
têm vendido
tenho partido
tens partido
tem partido
temos partido
tendes partido
têm partido
2) PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO. Formado do IMPER-
FEITO DO INDICATIVO do verbo ter. (ou haver) com o PARTICÍPIO do
verbo principal:
tinha cantado
tinhas cantado
tinha cantado
tínhamos cantado
tinha vendido
tinhas vendido
tinha vendido
tínhamos vendido
tinha partido
tinhas .partido
tinha partido
tínhamos partido
tínheis cantado
tinham cantado
tínheis vendido
tinham vendido
tínheis partido
tinham partido
3) FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO. Formado do FUTURO DO
PRESENTE SIMPLES do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo
principal:
terei cantado
terás cantado
terá cantado
teremos cantado
tereis cantado
terão cantado
terei vendido
terás vendido
terá vendido
teremos vendido
tereis vendido
terão vendido
terei partido
terás, partido
terá partido
teremos partido
tereis , partido
terão partido
4) FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO. Formado do FUTURO DO
PRETÉRITO SIMPLES do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo
principal:
teria cantado
terias cantado
teria cantado
teríamos cantado
teríeis cantado
teriam cantado
teria vendido
terias vendido
teria vendido
teríamos vendido
teríeis vendido
teriam vendido
teria partido
terias partido
teria partido
teríamos partido
teríeis partido
teriam partido
MODO SUBJUNTIVO
1) PRETÉRITO PERFEITO. Formado do PRESENTE DO SUBJUNTIVO do
verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo principal:
tenha cantado
tenhas cantado
tenha cantado
tenhamos cantado
tenhais cantado
tenham cantado
tenha vendido
tenhas vendido
tenha vendido
tenhamos vendido
tenhais vendido
vendido
tenha
tenhas partido
tenha partido
tenhamos partido
tenhais partido
tenham partido
2) PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO. Formado do IMPERFEITO DO
SUBJUNTIVO do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo princi-
pal:
tivesse cantado
tivesses cantado
tivesse cantado
tivéssemos cantado
tivésseis cantado
tivessem cantado
tivesse vendido
tivesses vendido
tivesse vendido
tivéssemos vendido
tivésseis vendido
tivessem vendido
tivesse partido
tivesses partido
tivesse partido
tivéssemos partido
tivésseis partido
tivessem partido
3) FUTURO COMPOSTO. Formado do FUTURO SIMPLES DO SUBJUN-
TIVO do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo principal:
tiver cantado
tiveres cantado
tiver cantado
tivermos cantado
tiverdes cantado
tiverem cantado
tiver vendido
tiveres vendido
tiver vendido
tivermos vendido
tiverdes vendido
tiverem vendido
tiver partido
tiveres partido
tiver partido
tivermos partido
tiverdes partido
tiverem partido
FORMAS NOMINAIS
1) INFINITIVO IMPESSOAL COMPOSTO (PRETÉRITO IMPESSOAL).
Formado do INFINITIVO IMPESSOAL do verbo ter (ou haver) com o PAR-
TICÍPIO do verbo principal:
ter cantado ter vendido ter partido
2) INFINITIVO PESSOAL COMPOSTO (OU PRETÉRITO PESSOAL).
Formado do INFINITIVO PESSOAL do verbo ter (ou haver) com o PARTI-
CÍPIO do verbo principal:
ter cantado
teres cantado
ter cantado
termos cantado
terdes cantado
terem cantado
ter vendido
teres vendido
ter vendido
termos vendido
terdes vendido
terem vendido
ter partido
teres partido
ter partido
termos partido
terdes partido
terem partido
3) GERÚNDIO COMPOSTO (PRETÉRITO). Formado do GERÚNDIO do
verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo principal:
tendo cantado tendo vendido tendo partido
Fonte: Nova Gramática do Português Contemporâneo, Celso Cunha e
Lindley Cintra, Editora Nova Fronteira, 2ª edição, 29ª impressão.

Linguagens e Códigos
60

VERBOS IRREGULARES

DAR
Presente do indicativo dou, dás, dá, damos, dais, dão
Pretérito perfeito dei, deste, deu, demos, destes, deram
Pretérito mais-que-perfeito dera, deras, dera, déramos, déreis, deram
Presente do subjuntivo dê, dês, dê, demos, deis, dêem
Imperfeito do subjuntivo desse, desses, desse, déssemos, désseis, dessem
Futuro do subjuntivo der, deres, der, dermos, derdes, derem

MOBILIAR
Presente do indicativo mobilio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais, mobiliam
Presente do subjuntivo mobilie, mobilies, mobílie, mobiliemos, mobilieis, mobiliem
Imperativo mobília, mobilie, mobiliemos, mobiliai, mobiliem

AGUAR
Presente do indicativo águo, águas, água, aguamos, aguais, águam
Pretérito perfeito aguei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes, aguaram
Presente do subjuntivo águe, agues, ague, aguemos, agueis, águem

MAGOAR
Presente do indicativo magoo, magoas, magoa, magoamos, magoais, magoam
Pretérito perfeito magoei, magoaste, magoou, magoamos, magoastes,
magoaram
Presente do subjuntivo magoe, magoes, magoe, magoemos, magoeis, magoem
Conjugam-se como magoar, abençoar, abotoar, caçoar, voar e perdoar

APIEDAR-SE
Presente do indicativo: apiado-me, apiadas-te, apiada-se, apiedamo-nos, apiedais-
vos, apiadam-se
Presente do subjuntivo apiade-me, apiades-te, apiade-se, apiedemo-nos, apiedei-
vos, apiedem-se
Nas formas rizotônicas, o E do radical é substituído por A

MOSCAR
Presente do indicativo musco, muscas, musca, moscamos, moscais, muscam
Presente do subjuntivo musque, musques, musque, mosquemos, mosqueis, mus-
quem
Nas formas rizotônicas, o O do radical é substituído por U

RESFOLEGAR
Presente do indicativo resfolgo, resfolgas, resfolga, resfolegamos, resfolegais,
resfolgam
Presente do subjuntivo resfolgue, resfolgues, resfolgue, resfoleguemos, resfolegueis,
resfolguem
Nas formas rizotônicas, o E do radical desaparece

NOMEAR
Presente da indicativo nomeio, nomeias, nomeia, nomeamos, nomeais, nomeiam
Pretérito imperfeito nomeava, nomeavas, nomeava, nomeávamos, nomeáveis,
nomeavam
Pretérito perfeito nomeei, nomeaste, nomeou, nomeamos, nomeastes,
nomearam
Presente do subjuntivo nomeie, nomeies, nomeie, nomeemos, nomeeis, nomeiem
Imperativo afirmativo nomeia, nomeie, nomeemos, nomeai, nomeiem
Conjugam-se como nomear, cear, hastear, peritear, recear, passear

COPIAR
Presente do indicativo copio, copias, copia, copiamos, copiais, copiam
Pretérito imperfeito copiei, copiaste, copiou, copiamos, copiastes, copiaram
Pretérito mais-que-perfeito copiara, copiaras, copiara, copiáramos, copiá-
reis, copiaram
Presente do subjuntivo copie, copies, copie, copiemos, copieis, copiem
Imperativo afirmativo copia, copie, copiemos, copiai, copiem

ODIAR
Presente do indicativo odeio, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam
Pretérito imperfeito odiava, odiavas, odiava, odiávamos, odiáveis, odiavam
Pretérito perfeito odiei, odiaste, odiou, odiamos, odiastes, odiaram
Pretérito mais-que-perfeito odiara, odiaras, odiara, odiáramos, odiáreis,
odiaram
Presente do subjuntivo odeie, odeies, odeie, odiemos, odieis, odeiem
Conjugam-se como odiar, mediar, remediar, incendiar, ansiar

CABER
Presente do indicativo caibo, cabes, cabe, cabemos, cabeis, cabem
Pretérito perfeito coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes, couberam
Pretérito mais-que-perfeito coubera, couberas, coubera, coubéramos,
coubéreis, couberam
Presente do subjuntivo caiba, caibas, caiba, caibamos, caibais, caibam
Imperfeito do subjuntivo coubesse, coubesses, coubesse, coubéssemos, coubésseis,
coubessem
Futuro do subjuntivo couber, couberes, couber, coubermos, couberdes, coube-
rem
O verbo CABER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no
imperativo negativo

CRER
Presente do indicativo creio, crês, crê, cremos, credes, crêem
Presente do subjuntivo creia, creias, creia, creiamos, creiais, creiam
Imperativo afirmativo crê, creia, creiamos, crede, creiam
Conjugam-se como crer, ler e descrer

DIZER
Presente do indicativo digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem
Pretérito perfeito disse, disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram
Pretérito mais-que-perfeito dissera, disseras, dissera, disséramos, dissé-
reis, disseram
Futuro do presente direi, dirás, dirá, diremos, direis, dirão
Futuro do pretérito diria, dirias, diria, diríamos, diríeis, diriam
Presente do subjuntivo diga, digas, diga, digamos, digais, digam
Pretérito imperfeito dissesse, dissesses, dissesse, disséssemos, dissésseis,
dissesse
Futuro disser, disseres, disser, dissermos, disserdes, disserem
Particípio dito
Conjugam-se como dizer, bendizer, desdizer, predizer, maldizer

FAZER
Presente do indicativo faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem
Pretérito perfeito fiz, fizeste, fez, fizemos fizestes, fizeram
Pretérito mais-que-perfeito fizera, fizeras, fizera, fizéramos, fizéreis, fizeram
Futuro do presente farei, farás, fará, faremos, fareis, farão
Futuro do pretérito faria, farias, faria, faríamos, faríeis, fariam
Imperativo afirmativo faze, faça, façamos, fazei, façam
Presente do subjuntivo faça, faças, faça, façamos, façais, façam
Imperfeito do subjuntivo fizesse, fizesses, fizesse, fizéssemos, fizésseis,
fizessem
Futuro do subjuntivo fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem
Conjugam-se como fazer, desfazer, refazer satisfazer

PERDER
Presente do indicativo perco, perdes, perde, perdemos, perdeis, perdem
Presente do subjuntivo perca, percas, perca, percamos, percais. percam
Imperativo afirmativo perde, perca, percamos, perdei, percam

PODER
Presente do Indicativo posso, podes, pode, podemos, podeis, podem
Pretérito Imperfeito podia, podias, podia, podíamos, podíeis, podiam
Pretérito perfeito pude, pudeste, pôde, pudemos, pudestes, puderam
Pretérito mais-que-perfeito pudera, puderas, pudera, pudéramos, pudéreis,
puderam
Presente do subjuntivo possa, possas, possa, possamos, possais, possam
Pretérito imperfeito pudesse, pudesses, pudesse, pudéssemos, pudésseis,
pudessem
Futuro puder, puderes, puder, pudermos, puderdes, puderem
Infinitivo pessoal pode, poderes, poder, podermos, poderdes, poderem
Gerúndio podendo
Particípio podido
O verbo PODER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no
imperativo negativo

PROVER
Presente do indicativo provejo, provês, provê, provemos, provedes, provêem
Pretérito imperfeito provia, provias, provia, províamos, províeis, proviam
Pretérito perfeito provi, proveste, proveu, provemos, provestes, proveram
Pretérito mais-que-perfeito provera, proveras, provera, provêramos, provê-
reis, proveram
Futuro do presente proverei, proverás, proverá, proveremos, provereis, proverão
Futuro do pretérito proveria, proverias, proveria, proveríamos, proveríeis,
proveriam
Imperativo provê, proveja, provejamos, provede, provejam
Presente do subjuntivo proveja, provejas, proveja, provejamos, provejais. provejam
Pretérito imperfeito provesse, provesses, provesse, provêssemos, provêsseis,
provessem
Futuro prover, proveres, prover, provermos, proverdes, proverem
Gerúndio provendo
Particípio provido

QUERER
Presente do indicativo quero, queres, quer, queremos, quereis, querem
Pretérito perfeito quis, quiseste, quis, quisemos, quisestes, quiseram

Linguagens e Códigos
61
Pretérito mais-que-perfeito quisera, quiseras, quisera, quiséramos, quisé-
reis, quiseram
Presente do subjuntivo queira, queiras, queira, queiramos, queirais, queiram
Pretérito imperfeito quisesse, quisesses, quisesse, quiséssemos quisésseis,
quisessem
Futuro quiser, quiseres, quiser, quisermos, quiserdes, quiserem

REQUERER
Presente do indicativo requeiro, requeres, requer, requeremos, requereis. reque-
rem
Pretérito perfeito requeri, requereste, requereu, requeremos, requereste,
requereram
Pretérito mais-que-perfeito requerera, requereras, requerera, requerera-
mos, requerereis, requereram
Futuro do presente requererei, requererás requererá, requereremos, requere-
reis, requererão
Futuro do pretérito requereria, requererias, requereria, requereríamos, requere-
ríeis, requereriam
Imperativo requere, requeira, requeiramos, requerer, requeiram
Presente do subjuntivo requeira, requeiras, requeira, requeiramos, requeirais,
requeiram
Pretérito Imperfeito requeresse, requeresses, requeresse, requerêssemos,
requerêsseis, requeressem,
Futuro requerer, requereres, requerer, requerermos, requererdes,
requerem
Gerúndio requerendo
Particípio requerido
O verbo REQUERER não se conjuga como querer.

REAVER
Presente do indicativo reavemos, reaveis
Pretérito perfeito reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, reouve-
ram
Pretérito mais-que-perfeito reouvera, reouveras, reouvera, reouvéramos, reouvéreis,
reouveram
Pretérito imperf. do subjuntivo reouvesse, reouvesses, reouvesse, reouvéssemos, reou-
vésseis, reouvessem
Futuro reouver, reouveres, reouver, reouvermos, reouverdes,
reouverem
O verbo REAVER conjuga-se como haver, mas só nas formas em que esse apre-
senta a letra v

SABER
Presente do indicativo sei, sabes, sabe, sabemos, sabeis, sabem
Pretérito perfeito soube, soubeste, soube, soubemos, soubestes, souberam
Pretérito mais-que-perfeito soubera, souberas, soubera, soubéramos,
soubéreis, souberam
Pretérito imperfeito sabia, sabias, sabia, sabíamos, sabíeis, sabiam
Presente do subjuntivo soubesse, soubesses, soubesse, soubéssemos, soubésseis,
soubessem
Futuro souber, souberes, souber, soubermos, souberdes, soube-
rem

VALER
Presente do indicativo valho, vales, vale, valemos, valeis, valem
Presente do subjuntivo valha, valhas, valha, valhamos, valhais, valham
Imperativo afirmativo vale, valha, valhamos, valei, valham

TRAZER
Presente do indicativo trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem
Pretérito imperfeito trazia, trazias, trazia, trazíamos, trazíeis, traziam
Pretérito perfeito trouxe, trouxeste, trouxe, trouxemos, trouxestes, trouxeram
Pretérito mais-que-perfeito trouxera, trouxeras, trouxera, trouxéramos,
trouxéreis, trouxeram
Futuro do presente trarei, trarás, trará, traremos, trareis, trarão
Futuro do pretérito traria, trarias, traria, traríamos, traríeis, trariam
Imperativo traze, traga, tragamos, trazei, tragam
Presente do subjuntivo traga, tragas, traga, tragamos, tragais, tragam
Pretérito imperfeito trouxesse, trouxesses, trouxesse, trouxéssemos, trouxés-
seis, trouxessem
Futuro trouxer, trouxeres, trouxer, trouxermos, trouxerdes, trouxe-
rem
Infinitivo pessoal trazer, trazeres, trazer, trazermos, trazerdes, trazerem
Gerúndio trazendo
Particípio trazido

VER
Presente do indicativo vejo, vês, vê, vemos, vedes, vêem
Pretérito perfeito vi, viste, viu, vimos, vistes, viram
Pretérito mais-que-perfeito vira, viras, vira, viramos, vireis, viram
Imperativo afirmativo vê, veja, vejamos, vede vós, vejam vocês
Presente do subjuntivo veja, vejas, veja, vejamos, vejais, vejam
Pretérito imperfeito visse, visses, visse, víssemos, vísseis, vissem
Futuro vir, vires, vir, virmos, virdes, virem
Particípio visto

ABOLIR
Presente do indicativo aboles, abole abolimos, abolis, abolem
Pretérito imperfeito abolia, abolias, abolia, abolíamos, abolíeis, aboliam
Pretérito perfeito aboli, aboliste, aboliu, abolimos, abolistes, aboliram
Pretérito mais-que-perfeito abolira, aboliras, abolira, abolíramos, abolíreis,
aboliram
Futuro do presente abolirei, abolirás, abolirá, aboliremos, abolireis, abolirão
Futuro do pretérito aboliria, abolirias, aboliria, aboliríamos, aboliríeis, aboliriam
Presente do subjuntivo não há
Presente imperfeito abolisse, abolisses, abolisse, abolíssemos, abolísseis,
abolissem
Futuro abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem
Imperativo afirmativo abole, aboli
Imperativo negativo não há
Infinitivo pessoal abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem
Infinitivo impessoal abolir
Gerúndio abolindo
Particípio abolido
O verbo ABOLIR é conjugado só nas formas em que depois do L do radical há E ou
I.

AGREDIR
Presente do indicativo agrido, agrides, agride, agredimos, agredis, agridem
Presente do subjuntivo agrida, agridas, agrida, agridamos, agridais, agridam
Imperativo agride, agrida, agridamos, agredi, agridam
Nas formas rizotônicas, o verbo AGREDIR apresenta o E do radical substituído por I.

COBRIR
Presente do indicativo cubro, cobres, cobre, cobrimos, cobris, cobrem
Presente do subjuntivo cubra, cubras, cubra, cubramos, cubrais, cubram
Imperativo cobre, cubra, cubramos, cobri, cubram
Particípio coberto
Conjugam-se como COBRIR, dormir, tossir, descobrir, engolir

FALIR
Presente do indicativo falimos, falis
Pretérito imperfeito falia, falias, falia, falíamos, falíeis, faliam
Pretérito mais-que-perfeito falira, faliras, falira, falíramos, falireis, faliram
Pretérito perfeito fali, faliste, faliu, falimos, falistes, faliram
Futuro do presente falirei, falirás, falirá, faliremos, falireis, falirão
Futuro do pretérito faliria, falirias, faliria, faliríamos, faliríeis, faliriam
Presente do subjuntivo não há
Pretérito imperfeito falisse, falisses, falisse, falíssemos, falísseis, falissem
Futuro falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem
Imperativo afirmativo fali (vós)
Imperativo negativo não há
Infinitivo pessoal falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem
Gerúndio falindo
Particípio falido

FERIR
Presente do indicativo firo, feres, fere, ferimos, feris, ferem
Presente do subjuntivo fira, firas, fira, firamos, firais, firam
Conjugam-se como FERIR: competir, vestir, inserir e seus derivados.

MENTIR
Presente do indicativo minto, mentes, mente, mentimos, mentis, mentem
Presente do subjuntivo minta, mintas, minta, mintamos, mintais, mintam
Imperativo mente, minta, mintamos, menti, mintam
Conjugam-se como MENTIR: sentir, cerzir, competir, consentir, pressentir.

FUGIR
Presente do indicativo fujo, foges, foge, fugimos, fugis, fogem
Imperativo foge, fuja, fujamos, fugi, fujam
Presente do subjuntivo fuja, fujas, fuja, fujamos, fujais, fujam

IR
Presente do indicativo vou, vais, vai, vamos, ides, vão
Pretérito imperfeito ia, ias, ia, íamos, íeis, iam
Pretérito perfeito fui, foste, foi, fomos, fostes, foram
Pretérito mais-que-perfeito fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram
Futuro do presente irei, irás, irá, iremos, ireis, irão
Futuro do pretérito iria, irias, iria, iríamos, iríeis, iriam
Imperativo afirmativo vai, vá, vamos, ide, vão
Imperativo negativo não vão, não vá, não vamos, não vades, não vão
Presente do subjuntivo vá, vás, vá, vamos, vades, vão

Linguagens e Códigos
62
Pretérito imperfeito fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem
Futuro for, fores, for, formos, fordes, forem
Infinitivo pessoal ir, ires, ir, irmos, irdes, irem
Gerúndio indo
Particípio ido

OUVIR
Presente do indicativo ouço, ouves, ouve, ouvimos, ouvis, ouvem
Presente do subjuntivo ouça, ouças, ouça, ouçamos, ouçais, ouçam
Imperativo ouve, ouça, ouçamos, ouvi, ouçam
Particípio ouvido

PEDIR
Presente do indicativo peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem
Pretérito perfeito pedi, pediste, pediu, pedimos, pedistes, pediram
Presente do subjuntivo peça, peças, peça, peçamos, peçais, peçam
Imperativo pede, peça, peçamos, pedi, peçam
Conjugam-se como pedir: medir, despedir, impedir, expedir

POLIR
Presente do indicativo pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem
Presente do subjuntivo pula, pulas, pula, pulamos, pulais, pulam
Imperativo pule, pula, pulamos, poli, pulam

REMIR
Presente do indicativo redimo, redimes, redime, redimimos, redimis, redimem
Presente do subjuntivo redima, redimas, redima, redimamos, redimais, redimam

RIR
Presente do indicativo rio, ris, ri, rimos, rides, riem
Pretérito imperfeito ria, rias, ria, riamos, ríeis, riam
Pretérito perfeito ri, riste, riu, rimos, ristes, riram
Pretérito mais-que-perfeito rira, riras, rira, ríramos, rireis, riram
Futuro do presente rirei, rirás, rirá, riremos, rireis, rirão
Futuro do pretérito riria, ririas, riria, riríamos, riríeis, ririam
Imperativo afirmativo ri, ria, riamos, ride, riam
Presente do subjuntivo ria, rias, ria, riamos, riais, riam
Pretérito imperfeito risse, risses, risse, ríssemos, rísseis, rissem
Futuro rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem
Infinitivo pessoal rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem
Gerúndio rindo
Particípio rido
Conjuga-se como rir: sorrir

VIR
Presente do indicativo venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm
Pretérito imperfeito vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham
Pretérito perfeito vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram
Pretérito mais-que-perfeito viera, vieras, viera, viéramos, viéreis, vieram
Futuro do presente virei, virás, virá, viremos, vireis, virão
Futuro do pretérito viria, virias, viria, viríamos, viríeis, viriam
Imperativo afirmativo vem, venha, venhamos, vinde, venham
Presente do subjuntivo venha, venhas, venha, venhamos, venhais, venham
Pretérito imperfeito viesse, viesses, viesse, viéssemos, viésseis, viessem
Futuro vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem
Infinitivo pessoal vir, vires, vir, virmos, virdes, virem
Gerúndio vindo
Particípio vindo
Conjugam-se como vir: intervir, advir, convir, provir, sobrevir

SUMIR
Presente do indicativo sumo, somes, some, sumimos, sumis, somem
Presente do subjuntivo suma, sumas, suma, sumamos, sumais, sumam
Imperativo some, suma, sumamos, sumi, sumam
Conjugam-se como SUMIR: subir, acudir, bulir, escapulir, fugir, consumir, cuspir

ADVÉRBIO

Advérbio é a palavra que modifica a verbo, o adjetivo ou o próprio ad-
vérbio, exprimindo uma circunstância.

Os advérbios dividem-se em:
1) LUGAR: aqui, cá, lá, acolá, ali, aí, aquém, além, algures, alhures,
nenhures, atrás, fora, dentro, perto, longe, adiante, diante, onde, avan-
te, através, defronte, aonde, etc.
2) TEMPO: hoje, amanhã, depois, antes, agora, anteontem, sempre,
nunca, já, cedo, logo, tarde, ora, afinal, outrora, então, amiúde, breve,
brevemente, entrementes, raramente, imediatamente, etc.
3) MODO: bem, mal, assim, depressa, devagar, como, debalde, pior,
melhor, suavemente, tenazmente, comumente, etc.
4) ITENSIDADE: muito, pouco, assaz, mais, menos, tão, bastante, dema-
siado, meio, completamente, profundamente, quanto, quão, tanto,
bem, mal, quase, apenas, etc.
5) AFIRMAÇÃO: sim, deveras, certamente, realmente, efefivamente, etc.
6) NEGAÇÃO: não.
7) DÚVIDA: talvez, acaso, porventura, possivelmente, quiçá, decerto,
provavelmente, etc.

Há Muitas Locuções Adverbiais
1) DE LUGAR: à esquerda, à direita, à tona, à distância, à frente, à entra-
da, à saída, ao lado, ao fundo, ao longo, de fora, de lado, etc.
2) TEMPO: em breve, nunca mais, hoje em dia, de tarde, à tarde, à noite,
às ave-marias, ao entardecer, de manhã, de noite, por ora, por fim, de
repente, de vez em quando, de longe em longe, etc.
3) MODO: à vontade, à toa, ao léu, ao acaso, a contento, a esmo, de
bom grado, de cor, de mansinho, de chofre, a rigor, de preferência, em
geral, a cada passo, às avessas, ao invés, às claras, a pique, a olhos
vistos, de propósito, de súbito, por um triz, etc.
4) MEIO OU INSTRUMENTO: a pau, a pé, a cavalo, a martelo, a máqui-
na, a tinta, a paulada, a mão, a facadas, a picareta, etc.
5) AFIRMAÇÃO: na verdade, de fato, de certo, etc.
6) NEGAÇAO: de modo algum, de modo nenhum, em hipótese alguma,
etc.
7) DÚVIDA: por certo, quem sabe, com certeza, etc.

Advérbios Interrogativos
Onde?, aonde?, donde?, quando?, porque?, como?

Palavras Denotativas
Certas palavras, por não se poderem enquadrar entre os advérbios, te-
rão classificação à parte. São palavras que denotam exclusão, inclusão,
situação, designação, realce, retificação, afetividade, etc.
1) DE EXCLUSÃO - só, salvo, apenas, senão, etc.
2) DE INCLUSÃO - também, até, mesmo, inclusive, etc.
3) DE SITUAÇÃO - mas, então, agora, afinal, etc.
4) DE DESIGNAÇÃO - eis.
5) DE RETIFICAÇÃO - aliás, isto é, ou melhor, ou antes, etc.
6) DE REALCE - cá, lá, sã, é que, ainda, mas, etc.
Você lá sabe o que está dizendo, homem...
Mas que olhos lindos!
Veja só que maravilha!

NUMERAL

Numeral é a palavra que indica quantidade, ordem, múltiplo ou fração.

O numeral classifica-se em:
- cardinal - quando indica quantidade.
- ordinal - quando indica ordem.
- multiplicativo - quando indica multiplicação.
- fracionário - quando indica fracionamento.

Exemplos:
Silvia comprou dois livros.
Antônio marcou o primeiro gol.
Na semana seguinte, o anel custará o dobro do preço.
O galinheiro ocupava um quarto da quintal.



QUADRO BÁSICO DOS NUMERAIS

Algarismos Numerais
Roma-
nos
Arábi-
cos
Cardinais Ordinais Multiplica-
tivos
Fracionários
I 1 um primeiro simples -
II 2 dois segundo duplo
dobro
meio
III 3 três terceiro tríplice terço

Linguagens e Códigos
63
IV 4 quatro quarto quádruplo quarto
V 5 cinco quinto quíntuplo quinto
VI 6 seis sexto sêxtuplo sexto
VII 7 sete sétimo sétuplo sétimo
VIII 8 oito oitavo óctuplo oitavo
IX 9 nove nono nônuplo nono
X 10 dez décimo décuplo décimo
XI 11 onze décimo
primeiro
onze avos
XII 12 doze décimo
segundo
doze avos
XIII 13 treze décimo
terceiro
treze avos
XIV 14 quatorze décimo
quarto
quatorze
avos
XV 15 quinze décimo
quinto
quinze avos
XVI 16 dezesseis décimo
sexto
dezesseis
avos
XVII 17 dezessete décimo
sétimo
dezessete
avos
XVIII 18 dezoito décimo
oitavo
dezoito avos
XIX 19 dezenove décimo nono dezenove
avos
XX 20 vinte vigésimo vinte avos
XXX 30 trinta trigésimo trinta avos
XL 40 quarenta quadragé-
simo
quarenta
avos
L 50 cinquenta quinquagé-
simo
cinquenta
avos
LX 60 sessenta sexagésimo sessenta
avos
LXX 70 setenta septuagési-
mo
setenta avos
LXXX 80 oitenta octogésimo oitenta avos
XC 90 noventa nonagésimo noventa
avos
C 100 cem centésimo centésimo
CC 200 duzentos ducentésimo ducentésimo
CCC 300 trezentos trecentésimo trecentésimo
CD 400 quatrocen-
tos
quadringen-
tésimo
quadringen-
tésimo
D 500 quinhen-
tos
quingenté-
simo
quingenté-
simo
DC 600 seiscentos sexcentési-
mo
sexcentési-
mo
DCC 700 setecen-
tos
septingenté-
simo
septingenté-
simo
DCCC 800 oitocentos octingenté-
simo
octingenté-
simo
CM 900 novecen-
tos
nongentési-
mo
nongentési-
mo
M 1000 mil milésimo milésimo

Emprego do Numeral
Na sucessão de papas, reis, príncipes, anos, séculos, capítulos, etc.
empregam-se de 1 a 10 os ordinais.
João Paulo I I (segundo) ano lll (ano terceiro)
Luis X (décimo) ano I (primeiro)
Pio lX (nono) século lV (quarto)

De 11 em diante, empregam-se os cardinais:
Leão Xlll (treze) ano Xl (onze)
Pio Xll (doze) século XVI (dezesseis)
Luis XV (quinze) capitulo XX (vinte)

Se o numeral aparece antes, é lido como ordinal.
XX Salão do Automóvel (vigésimo)
VI Festival da Canção (sexto)
lV Bienal do Livro (quarta)
XVI capítulo da telenovela (décimo sexto)

Quando se trata do primeiro dia do mês, deve-se dar preferência ao
emprego do ordinal.
Hoje é primeiro de setembro
Não é aconselhável iniciar período com algarismos
16 anos tinha Patrícia = Dezesseis anos tinha Patrícia

A título de brevidade, usamos constantemente os cardinais pelos ordi-
nais. Ex.: casa vinte e um (= a vigésima primeira casa), página trinta e dois
(= a trigésima segunda página). Os cardinais um e dois não variam nesse
caso porque está subentendida a palavra número. Casa número vinte e
um, página número trinta e dois. Por isso, deve-se dizer e escrever tam-
bém: a folha vinte e um, a folha trinta e dois. Na linguagem forense, vemos
o numeral flexionado: a folhas vinte e uma a folhas trinta e duas.

ARTIGO

Artigo é uma palavra que antepomos aos substantivos para determiná-
los. Indica-lhes, ao mesmo tempo, o gênero e o número.

Dividem-se em
• definidos: O, A, OS, AS
• indefinidos: UM, UMA, UNS, UMAS.
Os definidos determinam os substantivos de modo preciso, particular.
Viajei com o médico. (Um médico referido, conhecido, determinado).

Os indefinidos determinam os substantivos de modo vago, impreciso,
geral.
Viajei com um médico. (Um médico não referido, desconhecido, inde-
terminado).

lsoladamente, os artigos são palavras de todo vazias de sentido.

CONJUNÇÃO

Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações.

Coniunções Coordenativas
1) ADITIVAS: e, nem, também, mas, também, etc.
2) ADVERSATIVAS: mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
senão, no entanto, etc.
3) ALTERNATIVAS: ou, ou.., ou, ora... ora, já... já, quer, quer,
etc.
4) CONCLUSIVAS. logo, pois, portanto, por conseguinte, por
consequência.
5) EXPLICATIVAS: isto é, por exemplo, a saber, que, porque,
pois, etc.

Conjunções Subordinativas
1) CONDICIONAIS: se, caso, salvo se, contanto que, uma vez que, etc.
2) CAUSAIS: porque, já que, visto que, que, pois, porquanto, etc.
3) COMPARATIVAS: como, assim como, tal qual, tal como, mais que, etc.
4) CONFORMATIVAS: segundo, conforme, consoante, como, etc.
5) CONCESSIVAS: embora, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que,
etc.
6) INTEGRANTES: que, se, etc.
7) FINAIS: para que, a fim de que, que, etc.
8) CONSECUTIVAS: tal... qual, tão... que, tamanho... que, de sorte que, de
forma que, de modo que, etc.
9) PROPORCIONAIS: à proporção que, à medida que, quanto... tanto mais,
etc.
10) TEMPORAIS: quando, enquanto, logo que, depois que, etc.

VALOR LÓGICO E SINTÁTICO DAS CONJUNÇÕES

Examinemos estes exemplos:
1º) Tristeza e alegria não moram juntas.
2º) Os livros ensinam e divertem.

Linguagens e Códigos
64
3º) Saímos de casa quando amanhecia.

No primeiro exemplo, a palavra E liga duas palavras da mesma oração: é
uma conjunção.

No segundo a terceiro exemplos, as palavras E e QUANDO estão ligan-
do orações: são também conjunções.

Conjunção é uma palavra invariável que liga orações ou palavras da
mesma oração.

No 2º exemplo, a conjunção liga as orações sem fazer que uma dependa
da outra, sem que a segunda complete o sentido da primeira: por isso, a
conjunção E é coordenativa.

No 3º exemplo, a conjunção liga duas orações que se completam uma à
outra e faz com que a segunda dependa da primeira: por isso, a conjunção
QUANDO é subordinativa.

As conjunções, portanto, dividem-se em coordenativas e subordinativas.

CONJUNÇÕES COORDENATIVAS
As conjunções coordenativas podem ser:
1) Aditivas, que dão ideia de adição, acrescentamento: e, nem, mas
também, mas ainda, senão também, como também, bem como.
O agricultor colheu o trigo e o vendeu.
Não aprovo nem permitirei essas coisas.
Os livros não só instruem mas também divertem.
As abelhas não apenas produzem mel e cera mas ainda polinizam
as flores.
2) Adversativas, que exprimem oposição, contraste, ressalva, com-
pensação: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, sendo, ao
passo que, antes (= pelo contrário), no entanto, não obstante, a-
pesar disso, em todo caso.
Querem ter dinheiro, mas não trabalham.
Ela não era bonita, contudo cativava pela simpatia.
Não vemos a planta crescer, no entanto, ela cresce.
A culpa não a atribuo a vós, senão a ele.
O professor não proíbe, antes estimula as perguntas em aula.
O exército do rei parecia invencível, não obstante, foi derrotado.
Você já sabe bastante, porém deve estudar mais.
Eu sou pobre, ao passo que ele é rico.
Hoje não atendo, em todo caso, entre.
3) Alternativas, que exprimem alternativa, alternância ou, ou ... ou,
ora ... ora, já ... já, quer ... quer, etc.
Os sequestradores deviam render-se ou seriam mortos.
Ou você estuda ou arruma um emprego.
Ora triste, ora alegre, a vida segue o seu ritmo.
Quer reagisse, quer se calasse, sempre acabava apanhando.
"Já chora, já se ri, já se enfurece."
(Luís de Camões)
4) Conclusivas, que iniciam uma conclusão: logo, portanto, por con-
seguinte, pois (posposto ao verbo), por isso.
As árvores balançam, logo está ventando.
Você é o proprietário do carro, portanto é o responsável.
O mal é irremediável; deves, pois, conformar-te.
5) Explicativas, que precedem uma explicação, um motivo: que, por-
que, porquanto, pois (anteposto ao verbo).
Não solte balões, que (ou porque, ou pois, ou porquanto) podem
causar incêndios.
Choveu durante a noite, porque as ruas estão molhadas.

Observação: A conjunção A pode apresentar-se com sentido adversa-
tivo:
Sofrem duras privações a [= mas] não se queixam.
"Quis dizer mais alguma coisa a não pôde."
(Jorge Amado)

Conjunções subordinativas
As conjunções subordinativas ligam duas orações, subordinando uma
à outra. Com exceção das integrantes, essas conjunções iniciam orações
que traduzem circunstâncias (causa, comparação, concessão, condição ou
hipótese, conformidade, consequência, finalidade, proporção, tempo).
Abrangem as seguintes classes:
1) Causais: porque, que, pois, como, porquanto, visto que, visto como, já
que, uma vez que, desde que.
O tambor soa porque é oco. (porque é oco: causa; o tambor soa:
efeito).
Como estivesse de luto, não nos recebeu.
Desde que é impossível, não insistirei.
2) Comparativas: como, (tal) qual, tal a qual, assim como, (tal) como, (tão
ou tanto) como, (mais) que ou do que, (menos) que ou do que, (tanto)
quanto, que nem, feito (= como, do mesmo modo que), o mesmo que
(= como).
Ele era arrastado pela vida como uma folha pelo vento.
O exército avançava pela planície qual uma serpente imensa.
"Os cães, tal qual os homens, podem participar das três categorias."
(Paulo Mendes Campos)
"Sou o mesmo que um cisco em minha própria casa."
(Antônio Olavo Pereira)
"E pia tal a qual a caça procurada."
(Amadeu de Queirós)
"Por que ficou me olhando assim feito boba?"
(Carlos Drummond de Andrade)
Os pedestres se cruzavam pelas ruas que nem formigas apressadas.
Nada nos anima tanto como (ou quanto) um elogio sincero.
Os governantes realizam menos do que prometem.
3) Concessivas: embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda
quando, mesmo quando, posto que, por mais que, por muito que, por
menos que, se bem que, em que (pese), nem que, dado que, sem que
(= embora não).
Célia vestia-se bem, embora fosse pobre.
A vida tem um sentido, por mais absurda que possa parecer.
Beba, nem que seja um pouco.
Dez minutos que fossem, para mim, seria muito tempo.
Fez tudo direito, sem que eu lhe ensinasse.
Em que pese à autoridade deste cientista, não podemos aceitar suas
afirmações.
Não sei dirigir, e, dado que soubesse, não dirigiria de noite.
4) Condicionais: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que (=
se não), a não ser que, a menos que, dado que.
Ficaremos sentidos, se você não vier.
Comprarei o quadro, desde que não seja caro.
Não sairás daqui sem que antes me confesses tudo.
"Eleutério decidiu logo dormir repimpadamente sobre a areia, a menos
que os mosquitos se opusessem."
(Ferreira de Castro)
5) Conformativas: como, conforme, segundo, consoante. As coisas não
são como (ou conforme) dizem.
"Digo essas coisas por alto, segundo as ouvi narrar."
(Machado de Assis)
6) Consecutivas: que (precedido dos termos intensivos tal, tão, tanto,
tamanho, às vezes subentendidos), de sorte que, de modo que, de
forma que, de maneira que, sem que, que (não).
Minha mão tremia tanto que mal podia escrever.
Falou com uma calma que todos ficaram atônitos.
Ontem estive doente, de sorte que (ou de modo que) não saí.
Não podem ver um cachorro na rua sem que o persigam.
Não podem ver um brinquedo que não o queiram comprar.
7) Finais: para que, a fim de que, que (= para que).
Afastou-se depressa para que não o víssemos.
Falei-lhe com bons termos, a fim de que não se ofendesse.
Fiz-lhe sinal que se calasse.
8) Proporcionais: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto
mais... (tanto mais), quanto mais... (tanto menos), quanto menos...
(tanto mais), quanto mais... (mais), (tanto)... quanto.
À medida que se vive, mais se aprende.
À proporção que subíamos, o ar ia ficando mais leve.
Quanto mais as cidades crescem, mais problemas vão tendo.
Os soldados respondiam, à medida que eram chamados.

Observação:
São incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medida
que e na medida em que. A forma correta é à medida que:

Linguagens e Códigos
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"À medida que os anos passam, as minhas possibilidades diminuem."
(Maria José de Queirós)

9) Temporais: quando, enquanto, logo que, mal (= logo que), sempre que,
assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora que, etc.
Venha quando você quiser.
Não fale enquanto come.
Ela me reconheceu, mal lhe dirigi a palavra.
Desde que o mundo existe, sempre houve guerras.
Agora que o tempo esquentou, podemos ir à praia.
"Ninguém o arredava dali, até que eu voltasse." (Carlos Povina Caval-
cânti)
10) Integrantes: que, se.
Sabemos que a vida é breve.
Veja se falta alguma coisa.

Observação:
Em frases como Sairás sem que te vejam, Morreu sem que ninguém o
chorasse, consideramos sem que conjunção subordinativa modal. A NGB,
porém, não consigna esta espécie de conjunção.

Locuções conjuntivas: no entanto, visto que, desde que, se bem que,
por mais que, ainda quando, à medida que, logo que, a rim de que, etc.

Muitas conjunções não têm classificação única, imutável, devendo,
portanto, ser classificadas de acordo com o sentido que apresentam no
contexto. Assim, a conjunção que pode ser:
1) Aditiva (= e):
Esfrega que esfrega, mas a nódoa não sai.
A nós que não a eles, compete fazê-lo.
2) Explicativa (= pois, porque):
Apressemo-nos, que chove.
3) Integrante:
Diga-lhe que não irei.
4) Consecutiva:
Tanto se esforçou que conseguiu vencer.
Não vão a uma festa que não voltem cansados.
Onde estavas, que não te vi?
5) Comparativa (= do que, como):
A luz é mais veloz que o som.
Ficou vermelho que nem brasa.
6) Concessiva (= embora, ainda que):
Alguns minutos que fossem, ainda assim seria muito tempo.
Beba, um pouco que seja.
7) Temporal (= depois que, logo que):
Chegados que fomos, dirigimo-nos ao hotel.
8) Final (= pare que):
Vendo-me à janela, fez sinal que descesse.
9) Causal (= porque, visto que):
"Velho que sou, apenas conheço as flores do meu tempo." (Vival-
do Coaraci)
A locução conjuntiva sem que, pode ser, conforme a frase:
1) Concessiva: Nós lhe dávamos roupa a comida, sem que ele pe-
disse. (sem que = embora não)
2) Condicional: Ninguém será bom cientista, sem que estude muito.
(sem que = se não,caso não)
3) Consecutiva: Não vão a uma festa sem que voltem cansados.
(sem que = que não)
4) Modal: Sairás sem que te vejam. (sem que = de modo que não)

Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações.

PREPOSIÇÃO

Preposições são palavras que estabelecem um vínculo entre dois ter-
mos de uma oração. O primeiro, um subordinante ou antecedente, e o
segundo, um subordinado ou consequente.

Exemplos:
Chegaram a Porto Alegre.
Discorda de você.
Fui até a esquina.
Casa de Paulo.

Preposições Essenciais e Acidentais
As preposições essenciais são: A, ANTE, APÓS, ATÉ, COM, CON-
TRA, DE, DESDE, EM, ENTRE, PARA, PERANTE, POR, SEM, SOB,
SOBRE e ATRÁS.

Certas palavras ora aparecem como preposições, ora pertencem a ou-
tras classes, sendo chamadas, por isso, de preposições acidentais: afora,
conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, não obstante, salvo,
segundo, senão, tirante, visto, etc.

INTERJEIÇÃO

Interjeição é a palavra que comunica emoção. As interjeições podem
ser:
- alegria: ahl oh! oba! eh!
- animação: coragem! avante! eia!
- admiração: puxa! ih! oh! nossa!
- aplauso: bravo! viva! bis!
- desejo: tomara! oxalá!
- dor: aí! ui!
- silêncio: psiu! silêncio!
- suspensão: alto! basta!

LOCUÇÃO INTERJETIVA é a conjunto de palavras que têm o mesmo
valor de uma interjeição.
Minha Nossa Senhora! Puxa vida! Deus me livre! Raios te partam!
Meu Deus! Que maravilha! Ora bolas! Ai de mim!

SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO

FRASE
Frase é um conjunto de palavras que têm sentido completo.
O tempo está nublado.
Socorro!
Que calor!

ORAÇÃO
Oração é a frase que apresenta verbo ou locução verbal.
A fanfarra desfilou na avenida.
As festas juninas estão chegando.

PERÍODO
Período é a frase estruturada em oração ou orações.
O período pode ser:
• simples - aquele constituído por uma só oração (oração absoluta).
Fui à livraria ontem.
• composto - quando constituído por mais de uma oração.
Fui à livraria ontem e comprei um livro.

TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO
São dois os termos essenciais da oração:

SUJEITO
Sujeito é o ser ou termo sobre o qual se diz alguma coisa.

Os bandeirantes capturavam os índios. (sujeito = bandeirantes)

O sujeito pode ser :
- simples: quando tem um só núcleo
As rosas têm espinhos. (sujeito: as rosas;
núcleo: rosas)
- composto: quando tem mais de um núcleo
O burro e o cavalo saíram em disparada.
(suj: o burro e o cavalo; núcleo burro, cavalo)
- oculto: ou elíptico ou implícito na desinência verbal
Chegaste com certo atraso. (suj.: oculto: tu)
- indeterminado: quando não se indica o agente da ação verbal

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Come-se bem naquele restaurante.
- Inexistente: quando a oração não tem sujeito
Choveu ontem.
Há plantas venenosas.

PREDICADO
Predicado é o termo da oração que declara alguma coisa do sujeito.
O predicado classifica-se em:
1. Nominal: é aquele que se constitui de verbo de ligação mais
predicativo do sujeito.
Nosso colega está doente.
Principais verbos de ligação: SER, ESTAR, PARECER,
PERMANECER, etc.
Predicativo do sujeito é o termo que ajuda o verbo de ligação a
comunicar estado ou qualidade do sujeito.
Nosso colega está doente.
A moça permaneceu sentada.
2. Predicado verbal é aquele que se constitui de verbo intransitivo ou
transitivo.
O avião sobrevoou a praia.
Verbo intransitivo é aquele que não necessita de complemento.
O sabiá voou alto.
Verbo transitivo é aquele que necessita de complemento.
• Transitivo direto: é o verbo que necessita de complemento sem auxílio
de proposição.
Minha equipe venceu a partida.
• Transitivo indireto: é o verbo que necessita de complemento com
auxílio de preposição.
Ele precisa de um esparadrapo.
• Transitivo direto e indireto (bitransitivo) é o verbo que necessita ao
mesmo tempo de complemento sem auxílio de preposição e de
complemento com auxilio de preposição.
Damos uma simples colaboração a vocês.
3. Predicado verbo nominal: é aquele que se constitui de verbo
intransitivo mais predicativo do sujeito ou de verbo transitivo mais
predicativo do sujeito.
Os rapazes voltaram vitoriosos.
• Predicativo do sujeito: é o termo que, no predicado verbo-nominal,
ajuda o verbo intransitivo a comunicar estado ou qualidade do sujeito.
Ele morreu rico.
• Predicativo do objeto é o termo que, que no predicado verbo-nominal,
ajuda o verbo transitivo a comunicar estado ou qualidade do objeto
direto ou indireto.
Elegemos o nosso candidato vereador.

TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO
Chama-se termos integrantes da oração os que completam a
significação transitiva dos verbos e dos nomes. São indispensáveis à
compreensão do enunciado.

1. OBJETO DIRETO
Objeto direto é o termo da oração que completa o sentido do verbo
transitivo direto. Ex.: Mamãe comprou PEIXE.

2. OBJETO INDIRETO
Objeto indireto é o termo da oração que completa o sentido do verbo
transitivo indireto.
As crianças precisam de CARINHO.

3. COMPLEMENTO NOMINAL
Complemento nominal é o termo da oração que completa o sentido de
um nome com auxílio de preposição. Esse nome pode ser representado
por um substantivo, por um adjetivo ou por um advérbio.
Toda criança tem amor aos pais. - AMOR (substantivo)
O menino estava cheio de vontade. - CHEIO (adjetivo)
Nós agíamos favoravelmente às discussões. - FAVORAVELMENTE
(advérbio).

4. AGENTE DA PASSIVA
Agente da passiva é o termo da oração que pratica a ação do verbo na
voz passiva.
A mãe é amada PELO FILHO.
O cantor foi aplaudido PELA MULTIDÃO.
Os melhores alunos foram premiados PELA DIREÇÃO.

TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO
TERMOS ACESSÓRIOS são os que desempenham na oração uma
função secundária, limitando o sentido dos substantivos ou exprimindo
alguma circunstância.

São termos acessórios da oração:
1. ADJUNTO ADNOMINAL
Adjunto adnominal é o termo que caracteriza ou determina os
substantivos. Pode ser expresso:
• pelos adjetivos: água fresca,
• pelos artigos: o mundo, as ruas
• pelos pronomes adjetivos: nosso tio, muitas coisas
• pelos numerais : três garotos; sexto ano
• pelas locuções adjetivas: casa do rei; homem sem escrúpulos

2. ADJUNTO ADVERBIAL
Adjunto adverbial é o termo que exprime uma circunstância (de tempo,
lugar, modo etc.), modificando o sentido de um verbo, adjetivo ou advérbio.
Cheguei cedo.
José reside em São Paulo.

3. APOSTO
Aposto é uma palavra ou expressão que explica ou esclarece,
desenvolve ou resume outro termo da oração.
Dr. João, cirurgião-dentista,
Rapaz impulsivo, Mário não se conteve.
O rei perdoou aos dois: ao fidalgo e ao criado.
4. VOCATIVO
Vocativo é o termo (nome, título, apelido) usado para chamar ou
interpelar alguém ou alguma coisa.
Tem compaixão de nós, ó Cristo.
Professor, o sinal tocou.
Rapazes, a prova é na próxima semana.

PERÍODO COMPOSTO - PERÍODO SIMPLES

No período simples há apenas uma oração, a qual se diz absoluta.
Fui ao cinema.
O pássaro voou.

PERÍODO COMPOSTO
No período composto há mais de uma oração.
(Não sabem) (que nos calores do verão a terra dorme) (e os homens
folgam.)

Período composto por coordenação
Apresenta orações independentes.
(Fui à cidade), (comprei alguns remédios) (e voltei cedo.)

Período composto por subordinação
Apresenta orações dependentes.
(É bom) (que você estude.)

Período composto por coordenação e subordinação
Apresenta tanto orações dependentes como independentes. Este
período é também conhecido como misto.
(Ele disse) (que viria logo,) (mas não pôde.)

ORAÇÃO COORDENADA
Oração coordenada é aquela que é independente.

As orações coordenadas podem ser:
- Sindética:
Aquela que é independente e é introduzida por uma conjunção
coordenativa.
Viajo amanhã, mas volto logo.

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- Assindética:
Aquela que é independente e aparece separada por uma vírgula ou
ponto e vírgula.
Chegou, olhou, partiu.
A oração coordenada sindética pode ser:

1. ADITIVA:
Expressa adição, sequência de pensamento. (e, nem = e não), mas,
também:
Ele falava E EU FICAVA OUVINDO.
Meus atiradores nem fumam NEM BEBEM.
A doença vem a cavalo E VOLTA A PÉ.

2. ADVERSATIVA:
Ligam orações, dando-lhes uma ideia de compensação ou de
contraste (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, senão, no entanto,
etc).
A espada vence MAS NÃO CONVENCE.
O tambor faz um grande barulho, MAS É VAZIO POR DENTRO.
Apressou-se, CONTUDO NÃO CHEGOU A TEMPO.

3. ALTERNATIVAS:
Ligam palavras ou orações de sentido separado, uma excluindo a
outra (ou, ou...ou, já...já, ora...ora, quer...quer, etc).
Mudou o natal OU MUDEI EU?
“OU SE CALÇA A LUVA e não se põe o anel,
OU SE PÕE O ANEL e não se calça a luva!”
(C. Meireles)

4. CONCLUSIVAS:
Ligam uma oração a outra que exprime conclusão (LOGO, POIS,
PORTANTO, POR CONSEGUINTE, POR ISTO, ASSIM, DE MODO QUE,
etc).
Ele está mal de notas; LOGO, SERÁ REPROVADO.
Vives mentindo; LOGO, NÃO MERECES FÉ.

5. EXPLICATIVAS:
Ligam a uma oração, geralmente com o verbo no imperativo, outro que
a explica, dando um motivo (pois, porque, portanto, que, etc.)
Alegra-te, POIS A QUI ESTOU. Não mintas, PORQUE É PIOR.
Anda depressa, QUE A PROVA É ÀS 8 HORAS.

ORAÇÃO INTERCALADA OU INTERFERENTE
É aquela que vem entre os termos de uma outra oração.
O réu, DISSERAM OS JORNAIS, foi absolvido.

A oração intercalada ou interferente aparece com os verbos:
CONTINUAR, DIZER, EXCLAMAR, FALAR etc.

ORAÇÃO PRINCIPAL
Oração principal é a mais importante do período e não é introduzida
por um conectivo.
ELES DISSERAM que voltarão logo.
ELE AFIRMOU que não virá.
PEDI que tivessem calma. (= Pedi calma)

ORAÇÃO SUBORDINADA
Oração subordinada é a oração dependente que normalmente é
introduzida por um conectivo subordinativo. Note que a oração principal
nem sempre é a primeira do período.
Quando ele voltar, eu saio de férias.
Oração principal: EU SAIO DE FÉRIAS
Oração subordinada: QUANDO ELE VOLTAR

ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA
Oração subordinada substantiva é aquela que tem o valor e a função
de um substantivo.
Por terem as funções do substantivo, as orações subordinadas
substantivas classificam-se em:

1) SUBJETIVA (sujeito)
Convém que você estude mais.
Importa que saibas isso bem. .
É necessário que você colabore. (SUA COLABORAÇÃO) é
necessária.

2) OBJETIVA DIRETA (objeto direto)
Desejo QUE VENHAM TODOS.
Pergunto QUEM ESTÁ AI.

3) OBJETIVA INDIRETA (objeto indireto)
Aconselho-o A QUE TRABALHE MAIS.
Tudo dependerá DE QUE SEJAS CONSTANTE.
Daremos o prêmio A QUEM O MERECER.

4) COMPLETIVA NOMINAL
Complemento nominal.
Ser grato A QUEM TE ENSINA.
Sou favorável A QUE O PRENDAM.

5) PREDICATIVA (predicativo)
Seu receio era QUE CHOVESSE. = Seu receio era (A CHUVA)
Minha esperança era QUE ELE DESISTISSE.
Não sou QUEM VOCÊ PENSA.

6) APOSITIVAS (servem de aposto)
Só desejo uma coisa: QUE VIVAM FELIZES = (A SUA FELICIDADE)
Só lhe peço isto: HONRE O NOSSO NOME.

7) AGENTE DA PASSIVA
O quadro foi comprado POR QUEM O FEZ = (PELO SEU AUTOR)
A obra foi apreciada POR QUANTOS A VIRAM.

ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
Oração subordinada adjetiva é aquela que tem o valor e a função de
um adjetivo.
Há dois tipos de orações subordinadas adjetivas:

1) EXPLICATIVAS:
Explicam ou esclarecem, à maneira de aposto, o termo antecedente,
atribuindo-lhe uma qualidade que lhe é inerente ou acrescentando-lhe uma
informação.
Deus, QUE É NOSSO PAI, nos salvará.
Ele, QUE NASCEU RICO, acabou na miséria.

2) RESTRITIVAS:
Restringem ou limitam a significação do termo antecedente, sendo
indispensáveis ao sentido da frase:
Pedra QUE ROLA não cria limo.
As pessoas A QUE A GENTE SE DIRIGE sorriem.
Ele, QUE SEMPRE NOS INCENTIVOU, não está mais aqui.

ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
Oração subordinada adverbial é aquela que tem o valor e a função de
um advérbio.

As orações subordinadas adverbiais classificam-se em:
1) CAUSAIS: exprimem causa, motivo, razão:
Desprezam-me, POR ISSO QUE SOU POBRE.
O tambor soa PORQUE É OCO.

2) COMPARATIVAS: representam o segundo termo de uma
comparação.
O som é menos veloz QUE A LUZ.
Parou perplexo COMO SE ESPERASSE UM GUIA.

3) CONCESSIVAS: exprimem um fato que se concede, que se admite:
POR MAIS QUE GRITASSE, não me ouviram.
Os louvores, PEQUENOS QUE SEJAM, são ouvidos com agrado.
CHOVESSE OU FIZESSE SOL, o Major não faltava.

Linguagens e Códigos
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4) CONDICIONAIS: exprimem condição, hipótese:
SE O CONHECESSES, não o condenarias.
Que diria o pai SE SOUBESSE DISSO?

5) CONFORMATIVAS: exprimem acordo ou conformidade de um fato
com outro:
Fiz tudo COMO ME DISSERAM.
Vim hoje, CONFORME LHE PROMETI.

6) CONSECUTIVAS: exprimem uma consequência, um resultado:
A fumaça era tanta QUE EU MAL PODIA ABRIR OS OLHOS.
Bebia QUE ERA UMA LÁSTIMA!
Tenho medo disso QUE ME PÉLO!
7) FINAIS: exprimem finalidade, objeto:
Fiz-lhe sinal QUE SE CALASSE.
Aproximei-me A FIM DE QUE ME OUVISSE MELHOR.

8) PROPORCIONAIS: denotam proporcionalidade:
À MEDIDA QUE SE VIVE, mais se aprende.
QUANTO MAIOR FOR A ALTURA, maior será o tombo.

9) TEMPORAIS: indicam o tempo em que se realiza o fato expresso na
oração principal:
ENQUANTO FOI RICO todos o procuravam.
QUANDO OS TIRANOS CAEM, os povos se levantam.

10) MODAIS: exprimem modo, maneira:
Entrou na sala SEM QUE NOS CUMPRIMENTASSE.
Aqui viverás em paz, SEM QUE NINGUÉM TE INCOMODE.

ORAÇÕES REDUZIDAS
Oração reduzida é aquela que tem o verbo numa das formas nominais:
gerúndio, infinitivo e particípio.

Exemplos:
• Penso ESTAR PREPARADO = Penso QUE ESTOU
PREPARADO.
• Dizem TER ESTADO LÁ = Dizem QUE ESTIVERAM LÁ.
• FAZENDO ASSIM, conseguirás = SE FIZERES ASSIM,
conseguirás.
• É bom FICARMOS ATENTOS. = É bom QUE FIQUEMOS
ATENTOS.
• AO SABER DISSO, entristeceu-se = QUANDO SOUBE DISSO,
entristeceu-se.
• É interesse ESTUDARES MAIS.= É interessante QUE ESTUDES
MAIS.
• SAINDO DAQUI, procure-me. = QUANDO SAIR DAQUI, procure-
me.

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL

CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
Concordância é o processo sintático no qual uma palavra determinante
se adapta a uma palavra determinada, por meio de suas flexões.

Principais Casos de Concordância Nominal
1) O artigo, o adjetivo, o pronome relativo e o numeral concordam em
gênero e número com o substantivo.
As primeiras alunas da classe foram passear no zoológico.
2) O adjetivo ligado a substantivos do mesmo gênero e número vão
normalmente para o plural.
Pai e filho estudiosos ganharam o prêmio.
3) O adjetivo ligado a substantivos de gêneros e número diferentes vai
para o masculino plural.
Alunos e alunas estudiosos ganharam vários prêmios.
4) O adjetivo posposto concorda em gênero com o substantivo mais
próximo:
Trouxe livros e revista especializada.
5) O adjetivo anteposto pode concordar com o substantivo mais próxi-
mo.
Dedico esta música à querida tia e sobrinhos.
6) O adjetivo que funciona como predicativo do sujeito concorda com o
sujeito.
Meus amigos estão atrapalhados.
7) O pronome de tratamento que funciona como sujeito pede o predica-
tivo no gênero da pessoa a quem se refere.
Sua excelência, o Governador, foi compreensivo.
8) Os substantivos acompanhados de numerais precedidos de artigo
vão para o singular ou para o plural.
Já estudei o primeiro e o segundo livro (livros).
9) Os substantivos acompanhados de numerais em que o primeiro vier
precedido de artigo e o segundo não vão para o plural.
Já estudei o primeiro e segundo livros.
10) O substantivo anteposto aos numerais vai para o plural.
Já li os capítulos primeiro e segundo do novo livro.
11) As palavras: MESMO, PRÓPRIO e SÓ concordam com o nome a
que se referem.
Ela mesma veio até aqui.
Eles chegaram sós.
Eles próprios escreveram.
12) A palavra OBRIGADO concorda com o nome a que se refere.
Muito obrigado. (masculino singular)
Muito obrigada. (feminino singular).
13) A palavra MEIO concorda com o substantivo quando é adjetivo e fica
invariável quando é advérbio.
Quero meio quilo de café.
Minha mãe está meio exausta.
É meio-dia e meia. (hora)
14) As palavras ANEXO, INCLUSO e JUNTO concordam com o subs-
tantivo a que se referem.
Trouxe anexas as fotografias que você me pediu.
A expressão em anexo é invariável.
Trouxe em anexo estas fotos.
15) Os adjetivos ALTO, BARATO, CONFUSO, FALSO, etc, que substi-
tuem advérbios em MENTE, permanecem invariáveis.
Vocês falaram alto demais.
O combustível custava barato.
Você leu confuso.
Ela jura falso.

16) CARO, BASTANTE, LONGE, se advérbios, não variam, se adjetivos,
sofrem variação normalmente.
Esses pneus custam caro.
Conversei bastante com eles.
Conversei com bastantes pessoas.
Estas crianças moram longe.
Conheci longes terras.

CONCORDÂNCIA VERBAL

CASOS GERAIS


1) O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.
O menino chegou. Os meninos chegaram.
2) Sujeito representado por nome coletivo deixa o verbo no singular.
O pessoal ainda não chegou.
A turma não gostou disso.
Um bando de pássaros pousou na árvore.
3) Se o núcleo do sujeito é um nome terminado em S, o verbo só irá ao
plural se tal núcleo vier acompanhado de artigo no plural.
Os Estados Unidos são um grande país.
Os Lusíadas imortalizaram Camões.
Os Alpes vivem cobertos de neve.
Em qualquer outra circunstância, o verbo ficará no singular.
Flores já não leva acento.
O Amazonas deságua no Atlântico.
Campos foi a primeira cidade na América do Sul a ter luz elétrica.
4) Coletivos primitivos (indicam uma parte do todo) seguidos de nome
no plural deixam o verbo no singular ou levam-no ao plural, indife-
rentemente.

Linguagens e Códigos
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A maioria das crianças recebeu, (ou receberam) prêmios.
A maior parte dos brasileiros votou (ou votaram).
5) O verbo transitivo direto ao lado do pronome SE concorda com o
sujeito paciente.
Vende-se um apartamento.
Vendem-se alguns apartamentos.
6) O pronome SE como símbolo de indeterminação do sujeito leva o
verbo para a 3ª pessoa do singular.
Precisa-se de funcionários.
7) A expressão UM E OUTRO pede o substantivo que a acompanha no
singular e o verbo no singular ou no plural.
Um e outro texto me satisfaz. (ou satisfazem)
8) A expressão UM DOS QUE pede o verbo no singular ou no plural.
Ele é um dos autores que viajou (viajaram) para o Sul.
9) A expressão MAIS DE UM pede o verbo no singular.
Mais de um jurado fez justiça à minha música.
10) As palavras: TUDO, NADA, ALGUÉM, ALGO, NINGUÉM, quando
empregadas como sujeito e derem ideia de síntese, pedem o verbo
no singular.
As casas, as fábricas, as ruas, tudo parecia poluição.
11) Os verbos DAR, BATER e SOAR, indicando hora, acompanham o
sujeito.
Deu uma hora.
Deram três horas.
Bateram cinco horas.
Naquele relógio já soaram duas horas.
12) A partícula expletiva ou de realce É QUE é invariável e o verbo da
frase em que é empregada concorda normalmente com o sujeito.
Ela é que faz as bolas.
Eu é que escrevo os programas.
13) O verbo concorda com o pronome antecedente quando o sujeito é
um pronome relativo.
Ele, que chegou atrasado, fez a melhor prova.
Fui eu que fiz a lição
Quando a LIÇÃO é pronome relativo, há várias construções possí-
veis.
• que: Fui eu que fiz a lição.
• quem: Fui eu quem fez a lição.
• o que: Fui eu o que fez a lição.

14) Verbos impessoais - como não possuem sujeito, deixam o verbo na
terceira pessoa do singular. Acompanhados de auxiliar, transmitem a
este sua impessoalidade.
Chove a cântaros. Ventou muito ontem.
Deve haver muitas pessoas na fila. Pode haver brigas e discussões.

CONCORDÂNCIA DOS VERBOS SER E PARECER

1) Nos predicados nominais, com o sujeito representado por um dos
pronomes TUDO, NADA, ISTO, ISSO, AQUILO, os verbos SER e PA-
RECER concordam com o predicativo.
Tudo são esperanças.
Aquilo parecem ilusões.
Aquilo é ilusão.

2) Nas orações iniciadas por pronomes interrogativos, o verbo SER
concorda sempre com o nome ou pronome que vier depois.
Que são florestas equatoriais?
Quem eram aqueles homens?

3) Nas indicações de horas, datas, distâncias, a concordância se fará
com a expressão numérica.
São oito horas.
Hoje são 19 de setembro.
De Botafogo ao Leblon são oito quilômetros.

4) Com o predicado nominal indicando suficiência ou falta, o verbo SER
fica no singular.
Três batalhões é muito pouco.
Trinta milhões de dólares é muito dinheiro.

5) Quando o sujeito é pessoa, o verbo SER fica no singular.
Maria era as flores da casa.
O homem é cinzas.

6) Quando o sujeito é constituído de verbos no infinitivo, o verbo SER
concorda com o predicativo.
Dançar e cantar é a sua atividade.
Estudar e trabalhar são as minhas atividades.

7) Quando o sujeito ou o predicativo for pronome pessoal, o verbo SER
concorda com o pronome.
A ciência, mestres, sois vós.
Em minha turma, o líder sou eu.

8) Quando o verbo PARECER estiver seguido de outro verbo no infinitivo,
apenas um deles deve ser flexionado.
Os meninos parecem gostar dos brinquedos.
Os meninos parece gostarem dos brinquedos.

REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL

Regência é o processo sintático no qual um termo depende gramati-
calmente do outro.

A regência nominal trata dos complementos dos nomes (substantivos
e adjetivos).

Exemplos:

- acesso: A = aproximação - AMOR: A, DE, PARA, PARA COM
EM = promoção - aversão: A, EM, PARA, POR
PARA = passagem

A regência verbal trata dos complementos do verbo.

ALGUNS VERBOS E SUA REGÊNCIA CORRETA
1. ASPIRAR - atrair para os pulmões (transitivo direto)
• pretender (transitivo indireto)
No sítio, aspiro o ar puro da montanha.
Nossa equipe aspira ao troféu de campeã.
2. OBEDECER - transitivo indireto
Devemos obedecer aos sinais de trânsito.
3. PAGAR - transitivo direto e indireto
Já paguei um jantar a você.
4. PERDOAR - transitivo direto e indireto.
Já perdoei aos meus inimigos as ofensas.
5. PREFERIR - (= gostar mais de) transitivo direto e indireto
Prefiro Comunicação à Matemática.

6. INFORMAR - transitivo direto e indireto.
Informei-lhe o problema.

7. ASSISTIR - morar, residir:
Assisto em Porto Alegre.
• amparar, socorrer, objeto direto
O médico assistiu o doente.
• PRESENCIAR, ESTAR PRESENTE - objeto direto
Assistimos a um belo espetáculo.
• SER-LHE PERMITIDO - objeto indireto
Assiste-lhe o direito.

8. ATENDER - dar atenção
Atendi ao pedido do aluno.
• CONSIDERAR, ACOLHER COM ATENÇÃO - objeto direto
Atenderam o freguês com simpatia.

9. QUERER - desejar, querer, possuir - objeto direto
A moça queria um vestido novo.
• GOSTAR DE, ESTIMAR, PREZAR - objeto indireto
O professor queria muito a seus alunos.

10. VISAR - almejar, desejar - objeto indireto

Linguagens e Códigos
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Todos visamos a um futuro melhor.
• APONTAR, MIRAR - objeto direto
O artilheiro visou a meta quando fez o gol.
• pör o sinal de visto - objeto direto
O gerente visou todos os cheques que entraram naquele dia.

11. OBEDECER e DESOBEDECER - constrói-se com objeto indireto
Devemos obedecer aos superiores.
Desobedeceram às leis do trânsito.

12. MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE, ESTABELECER-SE
• exigem na sua regência a preposição EM
O armazém está situado na Farrapos.
Ele estabeleceu-se na Avenida São João.

13. PROCEDER - no sentido de "ter fundamento" é intransitivo.
Essas tuas justificativas não procedem.
• no sentido de originar-se, descender, derivar, proceder, constrói-se
com a preposição DE.
Algumas palavras da Língua Portuguesa procedem do tupi-guarani
• no sentido de dar início, realizar, é construído com a preposição A.
O secretário procedeu à leitura da carta.

14. ESQUECER E LEMBRAR
• quando não forem pronominais, constrói-se com objeto direto:
Esqueci o nome desta aluna.
Lembrei o recado, assim que o vi.
• quando forem pronominais, constrói-se com objeto indireto:
Esqueceram-se da reunião de hoje.
Lembrei-me da sua fisionomia.

15. Verbos que exigem objeto direto para coisa e indireto para pessoa.
• perdoar - Perdoei as ofensas aos inimigos.
• pagar - Pago o 13° aos professores.
• dar - Daremos esmolas ao pobre.
• emprestar - Emprestei dinheiro ao colega.
• ensinar - Ensino a tabuada aos alunos.
• agradecer - Agradeço as graças a Deus.
• pedir - Pedi um favor ao colega.

16. IMPLICAR - no sentido de acarretar, resultar, exige objeto direto:
O amor implica renúncia.
• no sentido de antipatizar, ter má vontade, constrói-se com a preposi-
ção COM:
O professor implicava com os alunos
• no sentido de envolver-se, comprometer-se, constrói-se com a prepo-
sição EM:
Implicou-se na briga e saiu ferido

17. IR - quando indica tempo definido, determinado, requer a preposição
A:
Ele foi a São Paulo para resolver negócios.
quando indica tempo indefinido, indeterminado, requer PARA:
Depois de aposentado, irá definitivamente para o Mato Grosso.

18. CUSTAR - Empregado com o sentido de ser difícil, não tem pessoa
como sujeito:
O sujeito será sempre "a coisa difícil", e ele só poderá aparecer na 3ª
pessoa do singular, acompanhada do pronome oblíquo. Quem sente
dificuldade, será objeto indireto.
Custou-me confiar nele novamente.
Custar-te-á aceitá-la como nora.

Colocação Pronominal (próclise, mesóclise, ênclise)
Por Cristiana Gomes
É o estudo da colocação dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a,
lhe, nos, vos, os, as, lhes) em relação ao verbo.
Os pronomes átonos podem ocupar 3 posições: antes do verbo (próclise),
no meio do verbo (mesóclise) e depois do verbo (ênclise).
Esses pronomes se unem aos verbos porque são “fracos” na pronúncia.
PRÓCLISE
Usamos a próclise nos seguintes casos:
(1) Com palavras ou expressões negativas: não, nunca, jamais, nada,
ninguém, nem, de modo algum.
- Nada me perturba.
- Ninguém se mexeu.
- De modo algum me afastarei daqui.
- Ela nem se importou com meus problemas.
(2) Com conjunções subordinativas: quando, se, porque, que, conforme,
embora, logo, que.
- Quando se trata de comida, ele é um “expert”.
- É necessário que a deixe na escola.
- Fazia a lista de convidados, conforme me lembrava dos amigos sinceros.
(3) Advérbios
- Aqui se tem paz.
- Sempre me dediquei aos estudos.
- Talvez o veja na escola.
OBS: Se houver vírgula depois do advérbio, este (o advérbio) deixa de
atrair o pronome.
- Aqui, trabalha-se.
(4) Pronomes relativos, demonstrativos e indefinidos.
- Alguém me ligou? (indefinido)
- A pessoa que me ligou era minha amiga. (relativo)
- Isso me traz muita felicidade. (demonstrativo)
(5) Em frases interrogativas.
- Quanto me cobrará pela tradução?
(6) Em frases exclamativas ou optativas (que exprimem desejo).
- Deus o abençoe!
- Macacos me mordam!
- Deus te abençoe, meu filho!
(7) Com verbo no gerúndio antecedido de preposição EM.
- Em se plantando tudo dá.
- Em se tratando de beleza, ele é campeão.
(8) Com formas verbais proparoxítonas
- Nós o censurávamos.
MESÓCLISE
Usada quando o verbo estiver no futuro do presente (vai acontecer –
amarei, amarás, …) ou no futuro do pretérito (ia acontecer mas não acon-
teceu – amaria, amarias, …)
- Convidar-me-ão para a festa.
- Convidar-me-iam para a festa.
Se houver uma palavra atrativa, a próclise será obrigatória.
- Não (palavra atrativa) me convidarão para a festa.
ÊNCLISE
Ênclise de verbo no futuro e particípio está sempre errada.
- Tornarei-me……. (errada)
- Tinha entregado-nos……….(errada)
Ênclise de verbo no infinitivo está sempre certa.
- Entregar-lhe (correta)
- Não posso recebê-lo. (correta)
Outros casos:
- Com o verbo no início da frase: Entregaram-me as camisas.
- Com o verbo no imperativo afirmativo: Alunos, comportem-se.
- Com o verbo no gerúndio: Saiu deixando-nos por instantes.
- Com o verbo no infinitivo impessoal: Convém contar-lhe tudo.
OBS: se o gerúndio vier precedido de preposição ou de palavra atrativa,
ocorrerá a próclise:

Linguagens e Códigos
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- Em se tratando de cinema, prefiro o suspense.
- Saiu do escritório, não nos revelando os motivos.
COLOCAÇÃO PRONOMINAL NAS LOCUÇÕES VERBAIS
Locuções verbais são formadas por um verbo auxiliar + infinitivo, gerúndio
ou particípio.
AUX + PARTICÍPIO: o pronome deve ficar depois do verbo auxiliar. Se
houver palavra atrativa, o pronome deverá ficar antes do verbo auxiliar.
- Havia-lhe contado a verdade.
- Não (palavra atrativa) lhe havia contado a verdade.
AUX + GERÚNDIO OU INFINITIVO: se não houver palavra atrativa, o
pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar ou do verbo principal.
Infinitivo
- Quero-lhe dizer o que aconteceu.
- Quero dizer-lhe o que aconteceu.
Gerúndio
- Ia-lhe dizendo o que aconteceu.
- Ia dizendo-lhe o que aconteceu.
Se houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá antes do verbo auxiliar
ou depois do verbo principal.
Infinitivo
- Não lhe quero dizer o que aconteceu.
- Não quero dizer-lhe o que aconteceu.
Gerúndio
- Não lhe ia dizendo a verdade.
- Não ia dizendo-lhe a verdade.
Figuras de Linguagem
Figuras sonoras
Aliteração
repetição de sons consonantais (consoantes).
Cruz e Souza é o melhor exemplo deste recurso. Uma das características
marcantes do Simbolismo, assim como a sinestesia.
Ex: "(...) Vozes veladas, veludosas vozes, / Volúpias dos violões, vozes
veladas / Vagam nos velhos vórtices velozes / Dos ventos, vivas, vãs,
vulcanizadas." (fragmento de Violões que choram. Cruz e Souza)
Assonância
repetição dos mesmos sons vocálicos.
Ex: (A, O) - "Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do
litoral." (Caetano Veloso)
(E, O) - "O que o vago e incóngnito desejo de ser eu mesmo de meu ser
me deu." (Fernando Pessoa)
Paranomásia
o emprego de palavras parônimas (sons parecidos).
Ex: "Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias" (Padre
Antonio Vieira)
Onomatopeia
criação de uma palavra para imitar um som
Ex: A língua do nhem "Havia uma velhinha / Que andava aborrecida / Pois
dava a sua vida / Para falar com alguém. / E estava sempre em casa / A
boa velhinha, / Resmungando sozinha: / Nhem-nhem-nhem-nhem-nhem..."
(Cecília Meireles)
Linguagem figurada
Elipse
omissão de um termo ou expressão facilmente subentendida. Casos mais
comuns:
a) pronome sujeito, gerando sujeito oculto ou implícito: iremos depois,
compraríeis a casa?
b) substantivo - a catedral, no lugar de a igreja catedral; Maracanã, no ligar
de o estádio Maracanã
c) preposição - estar bêbado, a camisa rota, as calças rasgadas, no lugar
de: estar bêbado, com a camisa rota, com as calças rasgadas.
d) conjunção - espero você me entenda, no lugar de: espero que você me
entenda.
e) verbo - queria mais ao filho que à filha, no lugar de: queria mais o filho
que queria à filha. Em especial o verbo dizer em diálogos - E o rapaz: - Não
sei de nada !, em vez de E o rapaz disse:
Zeugma
omissão (elipse) de um termo que já apareceu antes. Se for verbo, pode
necessitar adaptações de número e pessoa verbais. Utilizada, sobretudo,
nas or. comparativas. Ex: Alguns estudam, outros não, por: alguns estu-
dam, outros não estudam. / "O meu pai era paulista / Meu avô, pernambu-
cano / O meu bisavô, mineiro / Meu tataravô, baiano." (Chico Buarque) -
omissão de era
Hipérbato
alteração ou inversão da ordem direta dos termos na oração, ou das ora-
ções no período. São determinadas por ênfase e podem até gerar anacolu-
tos.
Ex: Morreu o presidente, por: O presidente morreu.
Obs1.: Bechara denomina esta figura antecipação.
Obs2.: Se a inversão for violenta, comprometendo o sentido drasticamente,
Rocha Lima e Celso Cunha denominam-na sínquise
Obs3.: RL considera anástrofe um tipo de hipérbato
Anástrofe
anteposição, em expressões nominais, do termo regido de preposição ao
termo regente.
Ex: "Da morte o manto lutuoso vos cobre a todos.", por: O manto lutuoso
da morte vos cobre a todos.
Obs.: para Rocha Lima é um tipo de hipérbato
Pleonasmo
repetição de um termo já expresso, com objetivo de enfatizar a ideia.
Ex: Vi com meus próprios olhos. "E rir meu riso e derramar meu pranto / Ao
seu pesar ou seu contentamento." (Vinicius de Moraes), Ao pobre não lhe
devo (OI pleonástico)
Obs.: pleonasmo vicioso ou grosseiro - decorre da ignorância, perdendo o
caráter enfático (hemorragia de sangue, descer para baixo)
Assíndeto
ausência de conectivos de ligação, assim atribui maior rapidez ao texto.
Ocorre muito nas or. coordenadas.
Ex: "Não sopra o vento; não gemem as vagas; não murmuram os rios."
Polissíndeto
repetição de conectivos na ligação entre elementos da frase ou do período.
Ex: O menino resmunga, e chora, e esperneia, e grita, e maltrata. "E sob as
ondas ritmadas / e sob as nuvens e os ventos / e sob as pontes e sob o
sarcasmo / e sob a gosma e o vômito (...)" (Carlos Drummond de Andrade)
Anacoluto
termo solto na frase, quebrando a estruturação lógica. Normalmente, inicia-
se uma determinada construção sintática e depois se opta por outra.
Eu, parece-me que vou desmaiar. / Minha vida, tudo não passa de alguns
anos sem importância (sujeito sem predicado) / Quem ama o feio, bonito
lhe parece (alteraram-se as relações entre termos da oração)
Anáfora
repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases.

Linguagens e Códigos
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Ex: "Olha a voz que me resta / Olha a veia que salta / Olha a gota que falta
/ Pro desfecho que falta / Por favor." (Chico Buarque)
Obs.: repetição em final de versos ou frases é epístrofe; repetição no início
e no fim será símploce. Classificações propostas por Rocha Lima.
Silepse
é a concordância com a ideia, e não com a palavra escrita. Existem três
tipos:
a) de gênero (masc x fem): São Paulo continua poluída (= a cidade de São
Paulo). V. Sª é lisonjeiro
b) de número (sing x pl): Os Sertões contra a Guerra de Canudos (= o livro
de Euclides da Cunha). O casal não veio, estavam ocupados.
c) de pessoa: Os brasileiros somos otimistas (3ª pess - os brasileiros, mas
quem fala ou escreve também participa do processo verbal)
Antecipação
antecipação de termo ou expressão, como recurso enfático. Pode gerar
anacoluto.
Ex.: Joana creio que veio aqui hoje.
O tempo parece que vai piorar
Obs.: Celso Cunha denomina-a prolepse.
Figuras de palavras ou tropos
(Para Bechara alterações semânticas)
Metáfora
emprego de palavras fora do seu sentido normal, por analogia. É um tipo
de comparação implícita, sem termo comparativo.
Ex: A Amazônia é o pulmão do mundo. Encontrei a chave do problema. /
"Veja bem, nosso caso / É uma porta entreaberta." (Luís Gonzaga Junior)
Obs1.: Rocha Lima define como modalidades de metáfora: personificação
(animismo), hipérbole, símbolo e sinestesia. ? Personificação - atribuição
de ações, qualidades e sentimentos humanos a seres inanimados. (A lua
sorri aos enamorados) ? Símbolo - nome de um ser ou coisa concreta
assumindo valor convencional, abstrato. (balança = justiça, D. Quixote =
idealismo, cão = fidelidade, além do simbolismo universal das cores)
Obs2.: esta figura foi muito utilizada pelos simbolistas
Catacrese
uso impróprio de uma palavra ou expressão, por esquecimento ou na
ausência de termo específico.
Ex.: Espalhar dinheiro (espalhar = separar palha) / "Distrai-se um deles a
enterrar o dedo no tornozelo inchado." - O verbo enterrar era usado primiti-
vamente para significar apenas colocar na terra.
Obs1.: Modernamente, casos como pé de meia e boca de forno são consi-
derados metáforas viciadas. Perderam valor estilístico e se formaram
graças à semelhança de forma existente entre seres.
Obs2.: Para Rocha Lima, é um tipo de metáfora
Metonímia
substituição de um nome por outro em virtude de haver entre eles associa-
ção de significado.
Ex: Ler Jorge Amado (autor pela obra - livro) / Ir ao barbeiro (o possuidor
pelo possuído, ou vice-versa - barbearia) / Bebi dois copos de leite (conti-
nente pelo conteúdo - leite) / Ser o Cristo da turma. (indivíduo pala classe -
culpado) / Completou dez primaveras (parte pelo todo - anos) / O brasileiro
é malandro (sing. pelo plural - brasileiros) / Brilham os cristais (matéria pela
obra - copos).
Antonomásia, perífrase
substituição de um nome de pessoa ou lugar por outro ou por uma expres-
são que facilmente o identifique. Fusão entre nome e seu aposto.
Ex: O mestre = Jesus Cristo, A cidade luz = Paris, O rei das selvas = o
leão, Escritor Maldito = Lima Barreto
Obs.: Rocha Lima considera como uma variação da metonímia
Sinestesia
interpenetração sensorial, fundindo-se dois sentidos ou mais (olfato, visão,
audição, gustação e tato).
Ex.: "Mais claro e fino do que as finas pratas / O som da tua voz deliciava
... / Na dolência velada das sonatas / Como um perfume a tudo perfumava.
/ Era um som feito luz, eram volatas / Em lânguida espiral que iluminava /
Brancas sonoridades de cascatas ... / Tanta harmonia melancolizava."
(Cruz e Souza)
Obs.: Para Rocha Lima, representa uma modalidade de metáfora
Anadiplose
é a repetição de palavra ou expressão de fim de um membro de frase no
começo de outro membro de frase.
Ex: "Todo pranto é um comentário. Um comentário que amargamente
condena os motivos dados."
Figuras de pensamento
Antítese
aproximação de termos ou frases que se opõem pelo sentido.
Ex: "Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios"
(Vinicius de Moraes)
Obs.: Paradoxo - ideias contraditórias num só pensamento, proposição de
Rocha Lima ("dor que desatina sem doer" Camões)
Eufemismo
consiste em "suavizar" alguma ideia desagradável
Ex: Ele enriqueceu por meios ilícitos. (roubou), Você não foi feliz nos
exames. (foi reprovado)
Obs.: Rocha Lima propõe uma variação chamada litote - afirma-se algo
pela negação do contrário. (Ele não vê, em lugar de Ele é cego; Não sou
moço, em vez de Sou velho). Para Bechara, alteração semântica.

Hipérbole
exagero de uma ideia com finalidade expressiva
Ex: Estou morrendo de sede (com muita sede), Ela é louca pelos filhos
(gosta muito dos filhos)
Obs.: Para Rocha Lima, é uma das modalidades de metáfora.
Ironia
utilização de termo com sentido oposto ao original, obtendo-se, assim,
valor irônico.
Obs.: Rocha Lima designa como antífrase
Ex: O ministro foi sutil como uma jamanta.
Gradação
apresentação de ideias em progressão ascendente (clímax) ou descenden-
te (anticlímax)
Ex: "Nada fazes, nada tramas, nada pensas que eu não saiba, que eu não
veja, que eu não conheça perfeitamente."
Prosopopeia, personificação, animismo
é a atribuição de qualidades e sentimentos humanos a seres irracionais e
inanimados.
Ex: "A lua, (...) Pedia a cada estrela fria / Um brilho de aluguel ..." (Jõao
Bosco / Aldir Blanc)
Obs.: Para Rocha Lima, é uma modalidade de metáfora.
DISCURSO DIRETO. DISCURSO INDIRETO. DISCURSO INDIRETO LIVRE
Celso Cunha

ENUNCIAÇÃO E REPRODUÇÃO DE ENUNCIAÇÕES
Comparando as seguintes frases:
“A vida é luta constante”
“Dizem os homens experientes que a vida é luta constante”

Notamos que, em ambas, é emitido um mesmo conceito sobre a vida..


Linguagens e Códigos
73
Mas, enquanto o autor da primeira frase enuncia tal conceito como
tendo sido por ele próprio formulado, o autor da segunda o reproduz como
tendo sido formulado por outrem.

Estruturas de reprodução de enunciações
Para dar-nos a conhecer os pensamentos e as palavras de persona-
gens reais ou fictícias, os locutores e os escritores dispõiem de três moldes
linguísticos diversos, conhecidos pelos nomes de: discurso direto, discurso
indireto e discurso indireto livre.

Discurso direto
Examinando este passo do conto Guaxinim do banhado, de Mário de
Andrade:
“O Guaxinim está inquieto, mexe dum lado pra outro. Eis que suspira
lá na língua dele - “Chente! que vida dura esta de guaxinim do banhado!...”

Verificamos que o narrado, após introduzir o personagem, o guaxinim,
deixou-o expressar-se “Lá na língua dele”, reproduzindo-lhe a fala tal
como ele a teria organizado e emitido.

A essa forma de expressão, em que o personagem é chamado a apre-
sentar as suas próprias palavras, denominamos discurso direto.

Observação
No exemplo anterior, distinguimos claramente o narrador, do locutor, o
guaxinim.

Mas o narrador e locutor podem confundir-se em casos como o das
narrativas memorialistas feitas na primeira pessoa. Assim, na fala de
Riobaldo, o personagem-narrador do romance de Grande Sertão: Veredas,
de Guimarães Rosa.
“Assaz o senhor sabe: a gente quer passar um rio a nado, e passa;
mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais embaixo, bem diverso
do que em primeiro se pensou. Viver nem não é muito perigoso?”

Ou, também, nestes versos de Augusto Meyer, em que o autor, lirica-
mente identificado com a natureza de sua terra, ouve na voz do Minuano o
convite que, na verdade, quem lhe faz é a sua própria alma:
“Ouço o meu grito gritar na voz do vento:
- Mano Poeta, se enganche na minha garupa!”

Características do discurso direto
1. No plano formal, um enunciado em discurso direto é marcado, ge-
ralmente, pela presença de verbos do tipo dizer, afirmar, ponderar,
sugerir, perguntar, indagar ou expressões sinônimas, que podem
introduzi-lo, arrematá-lo ou nele se inserir:
“E Alexandre abriu a torneira:
- Meu pai, homem de boa família, possuía fortuna grossa, como não
ignoram.” (Graciliano Ramos)
“Felizmente, ninguém tinha morrido - diziam em redor.” (Cecília
Meirelles)
“Os que não têm filhos são órfãos às avessas”, escreveu Macha-
do de Assis, creio que no Memorial de Aires. (A.F. Schmidt)
Quando falta um desses verbos dicendi, cabe ao contexto e a re-
cursos gráficos - tais como os dois pontos, as aspas, o travessão e
a mudança de linha - a função de indicar a fala do personagem. É
o que observamos neste passo:
“Ao aviso da criada, a família tinha chegado à janela. Não avista-
ram o menino:
- Joãozinho!
Nada. Será que ele voou mesmo?”
2. No plano expressivo, a força da narração em discurso direto pro-
vém essencialmente de sua capacidade de atualizar o episódio,
fazendo emergir da situação o personagem, tornando-o vivo para
o ouvinte, à maneira de uma cena teatral, em que o narrador de-
sempenha a mera função de indicador das falas.

Daí ser esta forma de relatar preferencialmente adotada nos atos diá-
rios de comunicação e nos estilos literários narrativos em que os autores
pretendem representar diante dos que os lêem “a comédia humana, com a
maior naturalidade possível”. (E. Zola)

Discurso indireto
1. Tomemos como exemplo esta frase de Machado de Assis:
“Elisiário confessou que estava com sono.”
Ao contrário do que observamos nos enunciados em discurso dire-
to, o narrador incorpora aqui, ao seu próprio falar, uma informação
do personagem (Elisiário), contentando-se em transmitir ao leitor o
seu conteúdo, sem nenhum respeito à forma linguística que teria
sido realmente empregada.
Este processo de reproduzir enunciados chama-se discurso indire-
to.
2. Também, neste caso, narrador e personagem podem confundir-se
num só:
“Engrosso a voz e afirmo que sou estudante.” (Graciliano Ramos)

Características do discurso indireto
1. No plano formal verifica-se que, introduzidas também por um ver-
bo declarativo (dizer, afirmar, ponderar, confessar, responder, etc),
as falas dos personagens se contêm, no entanto, numa oração
subordinada substantiva, de regra desenvolvida:
“O padre Lopes confessou que não imaginara a existência de tan-
tos doudos no mundo e menos ainda o inexplicável de alguns ca-
sos.”
Nestas orações, como vimos, pode ocorrer a elipse da conjunção
integrante:
“Fora preso pela manhã, logo ao erguer-se da cama, e, pelo cálcu-
lo aproximado do tempo, pois estava sem relógio e mesmo se o ti-
vesse não poderia consultá-la à fraca luz da masmorra, imaginava
podiam ser onze horas.”(Lima Barreto)
A conjunçào integrante falta, naturalmente, quando, numa cons-
trução em discurso indireto, a subordinada substantiva assume a
forma reduzida.:
“Um dos vizinhos disse-lhe serem as autoridades do Cachoei-
ro.”(Graça Aranha)
2. No plano expressivo assinala-se, em primeiro lugar, que o empre-
go do discurso indireto pressupõe um tipo de relato de caráter
predominantemente informativo e intelectivo, sem a feição teatral e
atualizadora do discurso direto. O narrador passa a subordinar a si
o personagem, com retirar-lhe a forma própria da expressão. Mas
não se conclua daí que o discurso indireto seja uma construção
estilística pobre. É, na verdade, do emprego sabiamente dosado
de um e de outro tipo de discurso que os bons escritores extraem
da narrativa os mais variados efeitos artísticos, em consonância
com intenções expressivas que só a análise em profundidade de
uma dada obra pode revelar.

Transposição do discurso direto para o indireto
Do confronto destas duas frases:
“- Guardo tudo o que meu neto escreve - dizia ela.” (A.F. Schmidt)
“Ela dizia que guardava tudo o que o seu neto escrevia.”

Verifica-se que, ao passar-se de um tipo de relato para outro, certos
elementos do enunciado se modificam, por acomodação ao novo molde
sintático.
a) Discurso direto enunciado 1ª ou 2ª pessoa.
Exemplo: “-Devia bastar, disse ela; eu não me atrevo a pedir
mais.”(M. de Assis)
Discurso indireto: enunciado em 3ª pessoa:
“Ela disse que deveria bastar, que ela não se atrevia a pedir
mais”
b) Discurso direto: verbo enunciado no presente:
“- O major é um filósofo, disse ele com malícia.” (Lima Barreto)
Discurso indireto: verbo enunciado no imperfeito:
“Disse ele com malícia que o major era um filósofo.”
c) Discurso direto: verbo enunciado no pretérito perfeito:
“- Caubi voltou, disse o guerreiro Tabajara.”(José de Alencar)
Discurso indireto: verbo enunciado no pretérito mais-que-perfeito:
“O guerreiro Tabajara disse que Caubi tinha voltado.”
d) Discurso direto: verbo enunciado no futuro do presente:
“- Virão buscar V muito cedo? - perguntei.”(A.F. Schmidt)
Discurso indireto: verbo enunciado no futuro do pretérito:
“Perguntei se viriam buscar V. muito cedo”
e) Discurso direto: verbo no modo imperativo:

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“- Segue a dança! , gritaram em volta. (A. Azevedo)
Discurso indireto: verbo no modo subjuntivo:
“Gritaram em volta que seguisse a dança.”
f) Discurso direto: enunciado justaposto:
“O dia vai ficar triste, disse Caubi.”
Discurso indireto: enunciado subordinado, geralmente introduzido
pela integrante que:
“Disse Caubi que o dia ia ficar triste.”
g) Discurso direto:: enunciado em forma interrogativa direta:
“Pergunto - É verdade que a Aldinha do Juca está uma moça en-
cantadora?” (Guimarães Rosa)
Discurso indireto: enunciado em forma interrogativa indireta:
“Pergunto se é verdade que a Aldinha do Juca está uma moça en-
cantadora.”
h) Discurso direto: pronome demonstrativo de 1ª pessoa (este, esta,
isto) ou de 2ª pessoa (esse, essa, isso).
“Isto vai depressa, disse Lopo Alves.”(Machado de Assis)
Discurso indireto: pronome demonstrativo de 3ª pessoa (aquele,
aquela, aquilo).
“Lopo Alves disse que aquilo ia depressa.”
i) Discurso direto: advérbio de lugar aqui:
“E depois de torcer nas mãos a bolsa, meteu-a de novo na gaveta,
concluindo:
- Aqui, não está o que procuro.”(Afonso Arinos)
Discurso indireto: advérbio de lugar ali:
“E depois de torcer nas mãos a bolsa, meteu-a de novo na gaveta,
concluindo que ali não estava o que procurava.”

Discurso indireto livre
Na moderna literatura narrativa, tem sido amplamente utilizado um ter-
ceiro processo de reprodução de enunciados, resultante da conciliação dos
dois anteriormente descritos. É o chamado discurso indireto livre, forma de
expressão que, ao invés de apresentar o personagem em sua voz própria
(discurso direto), ou de informar objetivamente o leitor sobre o que ele teria
dito (discurso indireto), aproxima narrador e personagem, dando-nos a
impressão de que passam a falar em uníssono.

Comparem-se estes exemplos:
“Que vontade de voar lhe veio agora! Correu outra vez com a respira-
ção presa. Já nem podia mais. Estava desanimado. Que pena! Houve um
momento em que esteve quase... quase!
Retirou as asas e estraçalhou-a. Só tinham beleza. Entretanto, qual-
quer urubu... que raiva... “ (Ana Maria Machado)
“D. Aurora sacudiu a cabeça e afastou o juízo temerário. Para que es-
tar catando defeitos no próximo? Eram todos irmãos. Irmãos.” (Graciliano
Ramos)
“O matuto sentiu uma frialdade mortuária percorrendo-o ao longo da
espinha.
Era uma urutu, a terrível urutu do sertão, para a qual a mezinha do-
méstica nem a dos campos possuíam salvação.
Perdido... completamente perdido...”
( H. de C. Ramos)

Características do discurso indireto livre
Do exame dos enunciados em itálico comprova-se que o discurso indi-
reto livre conserva toda a afetividade e a expressividade próprios do dis-
curso direto, ao mesmo tempo que mantém as transposições de pronomes,
verbos e advérbios típicos do discurso indireto. É, por conseguinte, um
processo de reprodução de enunciados que combina as características dos
dois anteriormente descritos.
1. No plano formal, verifica-se que o emprego do discurso indireto li-
vre “pressupõe duas condições: a absoluta liberdade sintática do
escritor (fator gramatical) e a sua completa adesão à vida do per-
sonagem (fator estético) “ (Nicola Vita In: Cultura Neolatina).
Observe-se que essa absoluta liberdade sintática do escritor pode
levar o leitor desatento a confundir as palavras ou manifestações
dos locutores com a simples narração. Daí que, para a apreensão
da fala do personagem nos trechos em discurso indireto livre, ga-
nhe em importância o papel do contexto, pois que a passagem do
que seja relato por parte do narrador a enunciado real do locutor é,
muitas vezes, extremamente sutil, tal como nos mostra o seguinte
passo de Machado de Assis:
“Quincas Borba calou-se de exausto, e sentou-se ofegante. Rubi-
ão acudiu, levando-lhe água e pedindo que se deitasse para des-
cansar; mas o enfermo após alguns minutos, respondeu que não
era nada. Perdera o costume de fazer discursos é o que era.”
2. No plano expressivo, devem ser realçados alguns valores desta
construção híbrida:
a) Evitando, por um lado, o acúmulo de quês, ocorrente no discurso
indireto, e, por outro lado, os cortes das oposições dialogadas pe-
culiares ao discurso direto, o discurso indireto livre permite uma
narrativa mais fluente, de ritmo e tom mais artisticamente elabora-
dos;
b) O elo psíquico que se estabelece entre o narrador e personagem
neste molde frásico torna-o o preferido dos escritores memorialis-
tas, em suas páginas de monólogo interior;
c) Finalmente, cumpre ressaltar que o discurso indireto livre nem
sempre aparece isolado em meio da narração. Sua “riqueza ex-
pressiva aumenta quando ele se relaciona, dentro do mesmo pa-
rágrafo, com os discursos direto e indireto puro”, pois o emprego
conjunto faz que para o enunciado confluam, “numa soma total, as
características de três estilos diferentes entre si”.

(Celso Cunha in Gramática da Língua Portuguesa, 2ª edição, MEC-
FENAME.)

FUNÇÕES DA LINGUAGEM
As funções da linguagem têm como objetivo essencial apontar o dire-
cionamento da mensagem para um ou mais elementos do circuito da
comunicação. O funcionamento da mensagem ocorre tendo em vista a
finalidade de transmitir.
Apresenta, portanto, funções da linguagem qualquer produção discur-
siva, linguistica (oral ou escrita) ou extralinguística (propaganda, fotografia.
música, pintura, cinema etc.).

Quando vamos elaborar uma redação, necessitamos estar conscientes
de que estamos escrevendo para alguém.

A redação (literária ou escolar] sempre apresenta alguém que escreve,
que envia a MENSAGEM, o EMISSOR, para alguém que a lê, o RECEP-
TOR. O elemento que passa a emissão para a recepção é o CANAL, que é
um suporte tísico (no caso da redação é o papel). Qualquer problema com
o canal impedirá que a mensagem chegue ao receptor; neste caso, não
haverá comunicação, mas um ruído”, um obstáculo a ela. Os fatos, os
objetos ou imagens, juízos ou raciocínios que o emissor utiliza (no nosso
caso, a língua portuguesa) constitui o CÓDIGO. O papel do código é de
suma importância, pois emissor e receptor devem possuir pleno conheci-
mento do código utilizado para que a comunicação se realize, senão a
comunicação será apenas parcial ou nula. Um código comum, uma men-
sagem deverá abranger um CONTEXTO ou REFERENTE.

FUNÇÃO REFERENCIAL — a mais usada no dia-a-dia. Ela separa dois
níveis de linguagem, denotativo e conotativo. A linguagem conotativa ou
“linguagem figurada” empresta sua significação para dois campos diversos,
uma espécie de transferência de significado. Por exemplo: pé da cadeira”
refere-se à semelhança entre o signo pé (campo orgânico do ser humano] e o
traço que compõe a sustentação da cadeira (campo dos objetos]. Assim, a
linguagem “figura” o objeto que sustenta a cadeira, com base na similaridade
do pé humano e essa relação se dá entre signos. A linguagem denotativa ou
“linguagem legível” relaciona e aproxima mais diretamente o termo e o objeto.
O pé do ser humano seria signo denotativo.

A função referencial evidencia o assunto, o objeto, os fatos. É a lingua-
gem da comunicação. Refere-se a um contexto, ou seja, a uma informação
sem se envolver com quem a produziu ou de quem a recebeu. É meramente
informativa; não se preocupa com o estilo. É a linguagem das redações
escolares, principalmente das dissertações, das narrações não fictícias e das
descrições objetivas. Ela é usada também nos manuais técnicos, fichas
informativas, instruções para a instalação e funcionamento de aparelhos,
explicações a respeito de aparelhos. Caracteriza o discurso científico, o
jornalístico e a correspondência comercial.

FUNÇÃO EMOTIVA — põe ênfase no emissor. A linguagem e subjetiva
e expressa diretamente emoções, atitudes, sensações, reflexões pessoais, a

Linguagens e Códigos
75
carga emocional. Na Literatura, essa função predomina na poesia, prosa
poética, depoimentos, autobiografias e memórias, diários íntimos. Linguisti-
camente é representada por interjeições, adjetivos, exclamações, reticências,
agressão verbal (insultos, termos de calão).

Pertencem também à função emotiva as canções populares amorosas,
as novelas e qualquer expressão artística que deixe transparecer o estado
emocional do emissor.

FUNÇÃO CONATIVA — é dirigida ao receptor buscando mobilizar sua
atenção, produzindo um apelo. A linguagem apresenta caráter persuasivo,
sedutor, procura aproximar-se do receptor (ouvinte, espectador, leitor), con-
vencer, mudar seu comportamento. Pode ser volitiva, revelando assim uma
vontade ou é imperativa, que é a característica fundamental da propaganda.
Exemplos:

FUNÇÃO FÁTICA — sua característica principal é a de preparar a co-
municação, facilitando-a, dando eficiência no processo comunicativo. Apre-
senta excesso de reticências, desejo de compreensão. Ela mantém a cone-
xão entre os falantes.

FUNÇÃO POÉTICA — pode ocorrer num texto em prosa ou em verso,
ou ainda na fotografia, na música, no cinema, na pintura, enfim em qualquer
modalidade discursiva que apresente uma maneira especial de elaborar o
código. Ela valoriza a comunicação pela forma da mensagem, ela se preocu-
pa com a estética do texto. A linguagem é criativa, afetiva, recorre a figuras,
ornatos, apresenta ritmo, sonoridade. Na Literatura, essa função não se
manifesta apenas na poesia, devemos considerar a prosa poética em suas
várias manifestações. Exemplo:

FUNÇÃO METALINGUÍSTICA — é centrada no código visando sua tra-
dução. A elaboração do discurso é de suma importância, seja ele linguistico
(a escrita ou a oralidade) ou extralinguístico (música, pintura, gestualidades
etc.). É a mensagem que fala de sua própria produção discursiva. A lingua-
gem fala sobre a própria linguagem, como nos textos explicativos, nas defini-
ções. Ela é encontrada nos dicionários, nas enciclopédias, gramáticas, livros
didáticos.

PROVA SIMULADA I

Nota
As questões aqui transcritas foram extraídas de
provas anteriores dos mais variados concursos,
obedecendo o programa oficial.

Atenção: As questões de números 1 a 10 referem-se ao texto que se-
gue.

No coração do progresso
Há séculos a civilização ocidental vem correndo atrás de tudo o que
classifica como progresso. Essa palavra mágica aplica-se tanto à invenção
do aeroplano ou à descoberta do DNA como à promoção do papai no novo
emprego. “Estou fazendo progressos”, diz a titia, quando enfim acerta a
mão numa velha receita. Mas quero chegar logo ao ponto, e convidar o
leitor a refletir sobre o sentido dessa palavra, que sempre pareceu abrir
todas as portas para uma vida melhor.
Quando, muitos anos atrás, num daqueles documentários de cinema,
via-se uma floresta sendo derrubada para dar lugar a algum empreendi-
mento, ninguém tinha dúvida em dizer ou pensar: é o progresso. Uma
represa monumental era progresso. Cada novo produto químico era um
progresso. As coisas não mudaram tanto: continuamos a usar indiscrimi-
nadamente a palavrinha mágica. Mas não deixaram de mudar um pouco:
desde que a Ecologia saiu das academias, divulgou-se, popularizou-se e
tornou-se, efetivamente, um conjunto de iniciativas em favor da preserva-
ção ambiental e da melhoria das condições da vida em nosso pequenino
planeta.
Para isso, foi preciso determinar muito bem o sentido de progresso. Do
ponto de vista material, considera-se ganho humano apenas aquilo que
concorre para equilibrar a ação transformadora do homem sobre a nature-
za e a integridade da vida natural. Desenvolvimento, sim, mas sustentável:
o adjetivo exprime uma condição, para cercear as iniciativas predatórias.
Cada novidade tecnológica há de ser investigada quanto a seus efeitos
sobre o homem e o meio em que vive. Cada intervenção na natureza há de
adequar-se a um planejamento que considere a qualidade e a extensão
dos efeitos.
Em suma: já está ocorrendo, há algum tempo, uma avaliação ética e
política de todas as formas de progresso que afetam nossa relação com o
mundo e, portanto, a qualidade da nossa vida. Não é pouco, mas ainda
não é suficiente. Aos cientistas, aos administradores, aos empresários, aos
industriais e a todos nós – cidadãos comuns – cabe a tarefa cotidiana de
zelarmos por nossas ações que inflectem sobre qualquer aspecto da
qualidade de vida. A tarefa começa em nossa casa, em nossa cozinha e
banheiro, em nosso quintal e jardim – e se estende à preocupação com a
rua, com o bairro, com a cidade.
“Meu coração não é maior do que o mundo”, dizia o poeta. Mas um
mundo que merece a atenção do nosso coração e da nossa inteligência é,
certamente, melhor do que este em que estamos vivendo.
Não custa interrogar, a cada vez que alguém diz progresso, o sentido
preciso – talvez oculto - da palavra mágica empregada. (Alaor Adauto de
Mello)

1. Centraliza-se, no texto, uma concepção de progresso, segundo a
qual este deve ser
(A)) equacionado como uma forma de equilíbrio entre as atividades
humanas e o respeito ao mundo natural.
(B) identificado como aprimoramento tecnológico que resulte em ativi-
dade economicamente viável.
(C) caracterizado como uma atividade que redunde em maiores lucros
para todos os indivíduos de uma comunidade.
(D) definido como um atributo da natureza que induz os homens a
aproveitarem apenas o que é oferecido em sua forma natural.
(E) aceito como um processo civilizatório que implique melhor distribui-
ção de renda entre todos os agentes dos setores produtivos.

2. Considere as seguintes afirmações:
I. A banalização do uso da palavra progresso é uma consequência do
fato de que a Ecologia deixou de ser um assunto acadêmico.
II. A expressão desenvolvimento sustentável pressupõe que haja
formas de desenvolvimento nocivas e predatórias.
III. Entende o autor do texto que a magia da palavra progresso advém
do uso consciente e responsável que a maioria das pessoas vem fa-
zendo dela.
Em relação ao texto está correto APENAS que se afirma em
(A) I.
(B)) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) II e III.

3. Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente uma frase do
texto em:
(A) Mas quero chegar logo ao ponto = devo me antecipar a qualquer
conclusão.
(B) continuamos a usar indiscriminadamente a palavrinha mágica =
seguimos chamando de mágico tudo o que julgamos sem preconcei-
to.
(C) para cercear as iniciativas predatórias = para ir ao encontro das
ações voluntariosas.
(D) ações que inflectem sobre qualquer aspecto da qualidade da vida =
práticas alheias ao que diz respeito às condições de vida.
(E)) há de adequar-se a um planejamento = deve ir ao encontro do que
está planificado.

4. Cada intervenção na natureza há de adequar-se a um planejamento
pelo qual se garanta que a qualidade da vida seja preservada.
Os tempos e os modos verbais da frase acima continuarão correta-
mente articulados caso se substituam as formas sublinhadas, na or-
dem em que surgem, por
(A) houve - garantiria - é
(B) haveria - garantiu - teria sido
(C) haveria - garantisse - fosse
(D) haverá - garantisse - e
(E) havia - garantiu - é

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5. As normas de concordância verbal estão plenamente respeitadas na
frase:
(A)) Já faz muitos séculos que se vêm atribuindo à palavra progresso
algumas conotações mágicas.
(B) Deve-se ao fato de usamos muitas palavras sem conhecer seu
sentido real muitos equívocos ideológicos.
(C) Muitas coisas a que associamos o sentido de progresso não chega a
representarem, de fato, qualquer avanço significativo.
(D) Se muitas novidades tecnológicas houvesse de ser investigadas a
fundo, veríamos que são irrelevantes para a melhoria da vida.
(E) Começam pelas preocupações com nossa casa, com nossa rua,
com nossa cidade a tarefa de zelarmos por uma boa qualidade da
vida.

6. Está correto o emprego de ambas as expressões sublinhadas na
frase:
(A) De tudo aquilo que classificamos como progresso costumamos
atribuir o sentido de um tipo de ganho ao qual não queremos abrir
mão.
(B) É preferível deixar intacta a mata selvagem do que destruí-la em
nome de um benefício em que quase ninguém desfrutará.
(C) A titia, cuja a mão enfim acertou numa velha receita, não hesitou em
ver como progresso a operação à qual foi bem sucedida.
(D) A precisão da qual se pretende identificar o sentido de uma palavra
depende muito do valor de contexto a que lhe atribuímos.
(E)) As inovações tecnológicas de cujo benefício todos se aproveitam
representam, efetivamente, o avanço a que se costuma chamar pro-
gresso.

7. Considere as seguintes afirmações, relativas a aspectos da constru-
ção ou da expressividade do texto:
I. No contexto do segundo parágrafo, a forma plural não mudaram
tanto atende à concordância com academias.
II. No contexto do terceiro parágrafo, a expressão há de adequar-se
exprime um dever imperioso, uma necessidade premente.
III. A expressão Em suma, tal como empregada no quarto parágrafo,
anuncia a abertura de uma linha de argumentação ainda inexplorada
no texto.
Está correto APENAS o que se afirma em
(A) I.
(B)) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) II e III.

8. A palavra progresso frequenta todas as bocas, todas pronunciam a
palavra progresso, todas atribuem a essa palavra sentidos mágicos
que elevam essa palavra ao patamar dos nomes miraculosos.
Evitam-se as repetições viciosas da frase acima substituindo-se os
elementos sublinhados, na ordem dada, por:
(A)) a pronunciam - lhe atribuem - a elevam
(B) a pronunciam - atribuem-na - elevam-na
(C) lhe pronunciam - lhe atribuem - elevam-lhe
(D) a ela pronunciam - a ela atribuem - lhe elevam
(E) pronunciam-na - atribuem-na - a elevam

9. Está clara e correta a redação da seguinte frase:
(A) Caso não se determine bem o sentido da palavra progresso, pois
que é usada indiscriminadamente, ainda assim se faria necessário
que reflitamos sobre seu verdadeiro sentido.
(B) Ao dizer o poeta que seu coração não é maior do que o mundo,
devemos nos inspirar para que se estabeleça entre este e o nosso
coração os compromissos que se reflitam numa vida melhor.
(C) Nada é desprezível no espaço do mundo, que não mereça nossa
atenção quanto ao fato de que sejamos responsáveis por sua melho-
ria, seja o nosso quintal, nossa rua, enfim, onde se esteja.
(D)) Todo desenvolvimento definido como sustentável exige, para fazer
jus a esse adjetivo, cuidados especiais com o meio ambiente, para
que não venham a ser nocivos seus efeitos imediatos ou futuros.
(E) Tem muita ciência que, se saísse das limitações acadêmicas, acaba-
riam por se revelarem mais úteis e mais populares, em vista da Eco-
logia, cujas consequências se sente mesmo no âmbito da vida práti-
ca.

10. Está inteiramente correta a pontuação do seguinte período:
(A) Toda vez que é pronunciada, a palavra progresso, parece abrir a
porta para um mundo, mágico de prosperidade garantida.
(B)) Por mínimas que pareçam, há providências inadiáveis, ações apa-
rentemente irrisórias, cuja execução cotidiana é, no entanto, impor-
tantíssima.
(C) O prestígio da palavra progresso, deve-se em grande parte ao modo
irrefletido, com que usamos e abusamos, dessa palavrinha mágica.
(D) Ainda que traga muitos benefícios, a construção de enormes repre-
sas, costuma trazer também uma série de consequências ambien-
tais que, nem sempre, foram avaliadas.
(E) Não há dúvida, de que o autor do texto aderiu a teses ambientalistas
segundo as quais, o conceito de progresso está sujeito a uma per-
manente avaliação.

Leia o texto a seguir para responder às questões de números 11 a 24.

De um lado estão os prejuízos e a restrição de direitos causados pelos
protestos que param as ruas de São Paulo. De outro está o direito à livre
manifestação, assegurado pela Carta de 1988. Como não há fórmula
perfeita de arbitrar esse choque entre garantias democráticas fundamen-
tais, cabe lançar mão de medidas pontuais – e sobretudo de bom senso.
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) estima em R$ 3 mi-
lhões o custo para a população dos protestos ocorridos nos últimos três
anos na capital paulista. O cálculo leva em conta o combustível consumido
e as horas perdidas de trabalho durante os engarrafamentos causados por
protestos. Os carros enfileirados por conta de manifestações nesses três
anos praticamente cobririam os 231 km que separam São Paulo de São
Carlos.
A Justiça é o meio mais promissor, em longo prazo, para desestimular
os protestos abusivos que param o trânsito nos horários mais inconvenien-
tes e acarretam variados transtornos a milhões de pessoas. É adequada a
atitude da CET de enviar sistematicamente ao Ministério Público relatórios
com os prejuízos causados em cada manifestação feita fora de horários e
locais sugeridos pela agência ou sem comunicação prévia.
Com base num documento da CET, por exemplo, a Procuradoria acio-
nou um líder de sindicato, o qual foi condenado em primeira instância a
pagar R$ 3,3 milhões aos cofres públicos, a título de reparação. O direito à
livre manifestação está previsto na Constituição. No entanto, tal direito não
anula a responsabilização civil e criminal em caso de danos provocados
pelos protestos.
O poder público deveria definir, de preferência em negociação com as
categorias que costumam realizar protestos na capital, horários e locais
vedados às passeatas. Práticas corriqueiras, como a paralisia de avenidas
essenciais para o tráfego na capital nos horários de maior fluxo, deveriam
ser abolidas.
(Folha de S.Paulo, 29.09.07. Adaptado)

11. De acordo com o texto, é correto afirmar que
(A) a Companhia de Engenharia de Tráfego não sabe mensurar o custo
dos protestos ocorridos nos últimos anos.
(B) os prejuízos da ordem de R$ 3 milhões em razão dos engarrafamen-
tos já foram pagos pelos manifestantes.
(C) os protestos de rua fazem parte de uma sociedade democrática e
são permitidos pela Carta de 1988.
(D) após a multa, os líderes de sindicato resolveram organizar protestos
de rua em horários e locais predeterminados.
(E) o Ministério Público envia com frequência estudos sobre os custos
das manifestações feitas de forma abusiva.

12. No primeiro parágrafo, afirma-se que não há fórmula perfeita para
solucionar o conflito entre manifestantes e os prejuízos causados ao
restante da população. A saída estaria principalmente na
(A) sensatez.
(B) Carta de 1998.
(C) Justiça.
(D) Companhia de Engenharia de Tráfego.
(E) na adoção de medidas amplas e profundas.


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13. De acordo com o segundo parágrafo do texto, os protestos que
param as ruas de São Paulo representam um custo para a popula-
ção da cidade. O cálculo desses custos é feito a partir
(A) das multas aplicadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego
(CET).
(B) dos gastos de combustível e das horas de trabalho desperdiçadas
em engarrafamentos.
(C) da distância a ser percorrida entre as cidades de São Paulo e São
Carlos.
(D) da quantidade de carros existentes entre a capital de São Paulo e
São Carlos.
(E) do número de usuários de automóveis particulares da cidade de São
Paulo.

14. A quantidade de carros parados nos engarrafamentos, em razão das
manifestações na cidade de São Paulo nos últimos três anos, é e-
quiparada, no texto,
(A) a R$ 3,3 milhões.
(B) ao total de usuários da cidade de São Carlos.
(C) ao total de usuários da cidade de São Paulo.
(D) ao total de combustível economizado.
(E) a uma distância de 231 km.

15. No terceiro parágrafo, a respeito do poder da Justiça em coibir os
protestos abusivos, o texto assume um posicionamento de
(A) indiferença, porque diz que a decisão não cabe à Justiça.
(B) entusiasmo, porque acredita que o órgão já tem poder para impedir
protestos abusivos.
(C) decepção, porque não vê nenhum exemplo concreto do órgão para
impedir protestos em horários de pico.
(D) confiança, porque acredita que, no futuro, será uma forma bem-
sucedida de desestimular protestos abusivos.
(E) satisfação, porque cita casos em que a Justiça já teve êxito em
impedir protestos em horários inconvenientes e em avenidas movi-
mentadas.

16. De acordo com o texto, a atitude da Companhia de Engenharia de
Tráfego de enviar periodicamente relatórios sobre os prejuízos cau-
sados em cada manifestação é
(A) pertinente.
(B) indiferente.
(C) irrelevante.
(D) onerosa.
(E) inofensiva.

17. No quarto parágrafo, o fato de a Procuradoria condenar um líder
sindical
(A) é ilegal e fere os preceitos da Carta de 1998.
(B) deve ser comemorada, ainda que viole a Constituição.
(C) é legal, porque o direito à livre manifestação não isenta o manifes-
tante da responsabilidade pelos danos causados.
(D) é nula, porque, segundo o direito à livre manifestação, o acusado
poderá entrar com recurso.
(E) é inédita, porque, pela primeira vez, apesar dos direitos assegura-
dos, um manifestante será punido.

18. Dentre as soluções apontadas, no último parágrafo, para resolver o
conflito, destaca-se
(A) multa a líderes sindicais.
(B) fiscalização mais rígida por parte da Companhia de Engenharia de
Tráfego.
(C) o fim dos protestos em qualquer via pública.
(D) fixar horários e locais proibidos para os protestos de rua.
(E) negociar com diferentes categorias para que não façam mais mani-
festações.

19. No trecho – É adequada a atitude da CET de enviar relatórios –,
substituindo-se o termo atitude por comportamentos, obtém-se, de
acordo com as regras gramaticais, a seguinte frase:
(A) É adequada comportamentos da CET de enviar relatórios.
(B) É adequado comportamentos da CET de enviar relatórios.
(C) São adequado os comportamentos da CET de enviar relatórios.
(D) São adequadas os comportamentos da CET de enviar relatórios.
(E) São adequados os comportamentos da CET de enviar relatórios.

20. No trecho – No entanto, tal direito não anula a responsabilização civil
e criminal em caso de danos provocados pelos protestos –, a locu-
ção conjuntiva no entanto indica uma relação de
(A) causa e efeito.
(B) oposição.
(C) comparação.
(D) condição.
(E) explicação.

21. “Não há fórmula perfeita de arbitrar esse choque.” Nessa frase, a
palavra arbitrar é um sinônimo de
(A) julgar.
(B) almejar.
(C) condenar.
(D) corroborar.
(E) descriminar.

22. No trecho – A Justiça é o meio mais promissor para desestimular os
protestos abusivos – a preposição para estabelece entre os termos
uma relação de
(A) tempo.
(B) posse.
(C) causa.
(D) origem.
(E) finalidade.

23. Na frase – O poder público deveria definir horários e locais –, substi-
tuindo-se o verbo definir por obedecer, obtém-se, segundo as regras
de regência verbal, a seguinte frase:
(A) O poder público deveria obedecer para horários e locais.
(B) O poder público deveria obedecer a horários e locais.
(C) O poder público deveria obedecer horários e locais.
(D) O poder público deveria obedecer com horários e locais.
(E) O poder público deveria obedecer os horários e locais.

24. Transpondo para a voz passiva a frase – A Procuradoria acionou um
líder de sindicato – obtém-se:
(A) Um líder de sindicato foi acionado pela Procuradoria.
(B) Acionaram um líder de sindicato pela Procuradoria.
(C) Acionaram-se um líder de sindicato pela Procuradoria.
(D) Um líder de sindicato será acionado pela Procuradoria.
(E) A Procuradoria foi acionada por um líder de sindicato.

Leia o texto para responder às questões de números 25 a 34

Diploma e monopólio

Faz quase dois séculos que foram fundadas escolas de direito e medicina
no Brasil. É embaraçoso verificar que ainda não foram resolvidos os engui-
ços entre diplomas e carreiras. Falta-nos descobrir que a concorrência (sob
um bom marco regulatório) promove o interesse da sociedade e que o
monopólio só é bom para quem o detém. Não fora essa ignorância, como
explicar a avalanche de leis que protegem monopólios espúrios para o
exercício profissional?

Desde a criação dos primeiros cursos de direito, os graduados apenas
ocasionalmente exercem a profissão. Em sua maioria, sempre ocuparam
postos de destaque na política e no mundo dos negócios. Nos dias de hoje,
nem 20% advogam.

Mas continua havendo boas razões para estudar direito, pois esse é um
curso no qual se exercita lógica rigorosa, se lê e se escreve bastante.
Torna os graduados mais cultos e socialmente mais produtivos do que se
não houvessem feito o curso. Se aprendem pouco, paciência, a culpa é
mais da fragilidade do ensino básico do que das faculdades. Diante dessa
polivalência do curso de direito, os exames da OAB são uma solução
brilhante. Aqueles que defenderão clientes nos tribunais devem demonstrar
nessa prova um mínimo de conhecimento. Mas, como os cursos são
também úteis para quem não fez o exame da Ordem ou não foi bem suce-

Linguagens e Códigos
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dido na prova, abrir ou fechar cursos de “formação geral” é assunto do
MEC, não da OAB. A interferência das corporações não passa de uma
prática monopolista e ilegal em outros ramos da economia. Questionamos
também se uma corporação profissional deve ter carta-branca para deter-
minar a dificuldade das provas, pois essa é também uma forma de limitar a
concorrência – mas trata-se aí de uma questão secundária. (...)
(Veja, 07.03.2007. Adaptado)

25. Assinale a alternativa que reescreve, com correção gramatical, as
frases: Faz quase dois séculos que foram fundadas escolas de direito e
medicina no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não foram resolvi-
dos os enguiços entre diplomas e carreiras.
(A) Faz quase dois séculos que se fundou escolas de direito e medicina no
Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveu os enguiços
entre diplomas e carreiras.
(B) Faz quase dois séculos que se fundava escolas de direito e medicina
no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveram os engui-
ços entre diplomas e carreiras.
(C) Faz quase dois séculos que se fundaria escolas de direito e medicina
no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveu os enguiços
entre diplomas e carreiras.
(D) Faz quase dois séculos que se fundara escolas de direito e medicina
no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolvera os enguiços
entre diplomas e carreiras.
(E) Faz quase dois séculos que se fundaram escolas de direito e medicina
no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveram os engui-
ços entre diplomas e carreiras.

26. Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, de
acordo com a norma culta, as frases: O monopólio só é bom para aqueles
que ____________. / Nos dias de hoje, nem 20% advogam, e apenas 1%
____________. / Em sua maioria, os advogados sempre ____________.
(A) o retêem / obtem sucesso / se apropriaram os postos de destaque na
política e no mundo dos negócios
(B) o retém / obtém sucesso / se apropriaram aos postos de destaque na
política e no mundo dos negócios
(C) o retém / obtêem sucesso / se apropriaram os postos de destaque na
política e no mundo dos negócios
(D) o retêm / obtém sucesso / sempre se apropriaram de postos de desta-
que na política e no mundo dos negócios
(E) o retem / obtêem sucesso / se apropriaram de postos de destaque na
política e no mundo dos negócios

27. Assinale a alternativa em que se repete o tipo de oração introduzida
pela conjunção se, empregado na frase – Questionamos também se uma
corporação profissional deve ter carta-branca para determinar a dificuldade
das provas, ...
(A) A sociedade não chega a saber se os advogados são muito corporati-
vos.
(B) Se os advogados aprendem pouco, a culpa é da fragilidade do ensino
básico.
(C) O advogado afirma que se trata de uma questão secundária.
(D) É um curso no qual se exercita lógica rigorosa.
(E) No curso de direito, lê-se bastante.

28. Assinale a alternativa em que se admite a concordância verbal tanto no
singular como no plural como em: A maioria dos advogados ocupam pos-
tos de destaque na política e no mundo dos negócios.
(A) Como o direito, a medicina é uma carreira estritamente profissional.
(B) Os Estados Unidos e a Alemanha não oferecem cursos de administra-
ção em nível de bacharelado.
(C) Metade dos cursos superiores carecem de boa qualificação.
(D) As melhores universidades do país abastecem o mercado de trabalho
com bons profissionais.
(E) A abertura de novos cursos tem de ser controlada por órgãos oficiais.

29. Assinale a alternativa que apresenta correta correlação de tempo
verbal entre as orações.
(A) Se os advogados demonstrarem um mínimo de conhecimento, poderi-
am defender bem seus clientes.
(B) Embora tivessem cursado uma faculdade, não se desenvolveram
intelectualmente.
(C) É possível que os novos cursos passam a ter fiscalização mais severa.
(D) Se não fosse tanto desconhecimento, o desempenho poderá ser me-
lhor.
(E) Seria desejável que os enguiços entre diplomas e carreiras se resolvem
brevemente.

30. A substituição das expressões em destaque por um pronome pessoal
está correta, nas duas frases, de acordo com a norma culta, em:
(A) I. A concorrência promove o interesse da sociedade. / A concorrência
promove-o. II. Aqueles que defenderão clientes. / Aqueles que lhes defen-
derão.
(B) I. O governo fundou escolas de direito e de medicina. / O governo
fundou elas. II. Os graduados apenas ocasionalmente
exercem a profissão. / Os graduados apenas ocasionalmente exercem-la.
(C) I. Torna os graduados mais cultos. / Torna-os mais cultos. II. É preciso
mencionar os cursos de administração. / É preciso mencionar-lhes.
(D) I. Os advogados devem demonstrar muitos conhecimentos. Os advo-
gados devem demonstrá-los. II. As associações mostram à sociedade o
seu papel. / As associações mostram-lhe o seu papel.
(E) I. As leis protegem os monopólios espúrios. / As leis protegem-os. II. As
corporações deviam fiscalizar a prática profissional. / As corporações
deviam fiscalizá-la.

31. Assinale a alternativa em que as palavras em destaque exercem,
respectivamente, a mesma função sintática das expressões assinaladas
em: Os graduados apenas ocasionalmente exercem a profissão.
(A) Se aprendem pouco, a culpa é da fragilidade do ensino básico.
(B) A interferência das corporações não passa de uma prática monopolista.
(C) Abrir e fechar cursos de “formação geral” é assunto do MEC.
(D) O estudante de direito exercita preferencialmente uma lógica rigorosa.
(E) Boas razões existirão sempre para o advogado buscar conhecimento.

32. Assinale a alternativa que reescreve a frase de acordo com a norma
culta.
(A) Os graduados apenas ocasionalmente exercem a profissão. / Os gra-
duados apenas ocasionalmente se dedicam
a profissão.
(B) Os advogados devem demonstrar nessa prova um mínimo de conheci-
mento. / Os advogados devem primar nessa prova por um mínimo de
conhecimento.
(C) Ele não fez o exame da OAB. / Ele não procedeu o exame da OAB.
(D) As corporações deviam promover o interesse da sociedade. / As corpo-
rações deviam almejar do interesse da sociedade.
(E) Essa é uma forma de limitar a concorrência. / Essa é uma forma de
restringir à concorrência.

33. Assinale a alternativa em que o período formado com as frases I, II e III
estabelece as relações de condição entre I e II e de adição entre I e III.
I. O advogado é aprovado na OAB.
II. O advogado raciocina com lógica.
III. O advogado defende o cliente no tribunal.
(A) Se o advogado raciocinar com lógica, ele será aprovado na OAB e
defenderá o cliente no tribunal com sucesso.
(B) O advogado defenderá o cliente no tribunal com sucesso, mas terá de
raciocinar com lógica e ser aprovado na OAB.
(C) Como raciocinou com lógica, o advogado será aprovado na OAB e
defenderá o cliente no tribunal com sucesso.
(D) O advogado defenderá o cliente no tribunal com sucesso porque racio-
cinou com lógica e foi aprovado na OAB.
(E) Uma vez que o advogado raciocinou com lógica e foi aprovado na OAB,
ele poderá defender o cliente no tribunal com sucesso.

34. Na frase – Se aprendem pouco, paciência, a culpa é mais da fragilida-
de do ensino básico do que das faculdades. – a palavra paciência vem
entre vírgulas para, no contexto,
(A) garantir a atenção do leitor.
(B) separar o sujeito do predicado.
(C) intercalar uma reflexão do autor.
(D) corrigir uma afirmação indevida.
(E) retificar a ordem dos termos.

Atenção: As questões de números 35 a 42 referem-se ao texto abaixo.

Linguagens e Códigos
79

Sobre Ética
A palavra Ética é empregada nos meios acadêmicos em três acepções.
Numa, faz-se referência a teorias que têm como objeto de estudo o com-
portamento moral, ou seja, como entende Adolfo Sanchez Vasquez, “a
teoria que pretende explicar a natureza, fundamentos e condições da
moral, relacionando-a com necessidades sociais humanas.” Teríamos,
assim, nessa acepção, o entendimento de que o fenômeno moral pode ser
estudado racional e cientificamente por uma disciplina que se propõe a
descrever as normas morais ou mesmo, com o auxílio de outras ciências,
ser capaz de explicar valorações comportamentais.

Um segundo emprego dessa palavra é considerá-la uma categoria filosófi-
ca e mesmo parte da Filosofia, da qual se constituiria em núcleo especula-
tivo e reflexivo sobre a complexa fenomenologia da moral na convivência
humana. A Ética, como parte da Filosofia, teria por objeto refletir sobre os
fundamentos da moral na busca de explicação dos fatos morais.

Numa terceira acepção, a Ética já não é entendida como objeto descritível
de uma Ciência, tampouco como fenômeno especulativo. Trata-se agora
da conduta esperada pela aplicação de regras morais no comportamento
social, o que se pode resumir como qualificação do comportamento do
homem como ser em situação. É esse caráter normativo de Ética que a
colocará em íntima conexão com o Direito. Nesta visão, os valores morais
dariam o balizamento do agir e a Ética seria assim a moral em realização,
pelo reconhecimento do outro como ser de direito, especialmente de digni-
dade. Como se vê, a compreensão do fenômeno Ética não mais surgiria
metodologicamente dos resultados de uma descrição ou reflexão, mas sim,
objetivamente, de um agir, de um comportamento consequencial, capaz de
tornar possível e correta a convivência. (Adaptado do site Doutrina Jus
Navigandi)

35. As diferentes acepções de Ética devem-se, conforme se depreende da
leitura do texto,
(A) aos usos informais que o senso comum faz desse termo.
(B) às considerações sobre a etimologia dessa palavra.
(C) aos métodos com que as ciências sociais a analisam.
(D) às íntimas conexões que ela mantém com o Direito.
(E) às perspectivas em que é considerada pelos acadêmicos.

36. A concepção de ética atribuída a Adolfo Sanchez Vasquez é retomada
na seguinte expressão do texto:
(A) núcleo especulativo e reflexivo.
(B) objeto descritível de uma Ciência.
(C) explicação dos fatos morais.
(D) parte da Filosofia.
(E) comportamento consequencial

37. No texto, a terceira acepção da palavra ética deve ser entendida como
aquela em que se considera, sobretudo,
(A) o valor desejável da ação humana.
(B) o fundamento filosófico da moral.
(C) o rigor do método de análise.
(D) a lucidez de quem investiga o fato moral.
(E) o rigoroso legado da jurisprudência.

38. Dá-se uma íntima conexão entre a Ética e o Direito quando ambos
revelam, em relação aos valores morais da conduta, uma preocupação
(A) filosófica.
(B) descritiva.
(C) prescritiva.
(D) contestatária.
(E) tradicionalista.

39. Considerando-se o contexto do último parágrafo, o elemento sublinha-
do pode ser corretamente substituído pelo que está entre parênteses, sem
prejuízo para o sentido, no seguinte caso:
(A) (...) a colocará em íntima conexão com o Direito. (inclusão)
(B) (...) os valores morais dariam o balizamento do agir (...) (arremate)
(C) (...) qualificação do comportamento do homem como ser em situação.
(provisório)
(D) (...) nem tampouco como fenômeno especulativo. (nem, ainda)
(E) (...) de um agir, de um comportamento consequencial... (concessivo)

40. As normas de concordância estão plenamente observadas na frase:
(A) Costumam-se especular, nos meios acadêmicos, em torno de três
acepções de Ética.
(B) As referências que se faz à natureza da ética consideram-na, com
muita frequência, associada aos valores morais.
(C) Não coubessem aos juristas aproximar-se da ética, as leis deixariam de
ter a dignidade humana como balizamento.
(D) Não derivam das teorias, mas das práticas humanas, o efetivo valor de
que se impregna a conduta dos indivíduos.
(E) Convém aos filósofos e juristas, quaisquer que sejam as circunstâncias,
atentar para a observância dos valores éticos.

41. Está clara, correta e coerente a redação do seguinte comentário sobre
o texto:
(A) Dentre as três acepções de Ética que se menciona no texto, uma
apenas diz respeito à uma área em que conflui com o Direito.
(B) O balizamento da conduta humana é uma atividade em que, cada um
em seu campo, se empenham o jurista e o filósofo.
(C) Costuma ocorrer muitas vezes não ser fácil distinguir Ética ou Moral,
haja vista que tanto uma quanto outra pretendem ajuizar à situação do
homem.
(D) Ainda que se torne por consenso um valor do comportamento humano,
a Ética varia conforme a perspectiva de atribuição do mesmo.
(E) Os saberes humanos aplicados, do conhecimento da Ética, costumam
apresentar divergências de enfoques, em que pese a metodologia usada.

42. Transpondo-se para a voz passiva a frase Nesta visão, os valores
morais dariam o balizamento do agir, a forma verbal resultante deverá ser:
(A) seria dado.
(B) teriam dado.
(C) seriam dados.
(D) teriam sido dados.
(E) fora dado.

Atenção: As questões de números 43 a 48 referem-se ao texto abaixo.

O homem moral e o moralizador

Depois de um bom século de psicologia e psiquiatria dinâmicas, estamos
certos disto: o moralizador e o homem moral são figuras diferentes, se não
opostas. O homem moral se impõe padrões de conduta e tenta respeitá-
los; o moralizador quer impor ferozmente aos outros os padrões que ele
não consegue respeitar.
A distinção entre ambos tem alguns corolários relevantes.
Primeiro, o moralizador é um homem moral falido: se soubesse respeitar o
padrão moral que ele impõe, ele não precisaria punir suas imperfeições
nos outros. Segundo, é possível e compreensível que um homem moral
tenha um espírito missionário: ele pode agir para levar os outros a adotar
um padrão parecido com o seu. Mas a imposição forçada de um padrão
moral não é nunca o ato de um homem moral, é sempre o ato de um
moralizador. Em geral, as sociedades em que as normas morais ganham
força de lei (os Estados confessionais, por exemplo) não são regradas por
uma moral comum, nem pelas aspirações de poucos e escolhidos homens
exemplares,mas por moralizadores que tentam remir suas próprias falhas
morais pela brutalidade do controle que eles exercem sobre os outros. A
pior barbárie do mundo é isto: um mundo em que todos pagam pelos
pecados de hipócritas que não se aguentam. (Contardo Calligaris, Folha de
S. Paulo, 20/03/2008)

43. Atente para as afirmações abaixo.
I. Diferentemente do homem moral, o homem moralizador não se preocupa
com os padrões morais de conduta.
II. Pelo fato de impor a si mesmo um rígido padrão de conduta, o homem
moral acaba por impô-lo à conduta alheia.
III. O moralizador, hipocritamente, age como se de fato respeitasse os
padrões de conduta que ele cobra dos outros.
Em relação ao texto, é correto o que se afirma APENAS em
(A) I.
(B) II.
(C) III.

Linguagens e Códigos
80
(D) I e II.
(E) II e III.

44. No contexto do primeiro parágrafo, a afirmação de que já decorreu um
bom século de psicologia e psiquiatria dinâmicas indica um fator determi-
nante para que
(A) concluamos que o homem moderno já não dispõe de rigorosos padrões
morais para avaliar sua conduta.
(B) consideremos cada vez mais difícil a discriminação entre o homem
moral e o homem moralizador.
(C) reconheçamos como bastante remota a possibilidade de se caracterizar
um homem moralizador.
(D) identifiquemos divergências profundas entre o comportamento de um
homem moral e o de um moralizador.
(E) divisemos as contradições internas que costumam ocorrer nas atitudes
tomadas pelo homem moral.

45. O autor do texto refere-se aos Estados confessionais para exemplificar
uma sociedade na qual
(A) normas morais não têm qualquer peso na conduta dos cidadãos.
(B) hipócritas exercem rigoroso controle sobre a conduta de todos.
(C) a fé religiosa é decisiva para o respeito aos valores de uma moral
comum.
(D) a situação de barbárie impede a formulação de qualquer regra moral.
(E) eventuais falhas de conduta são atribuídas à fraqueza das leis.

46. Na frase A distinção entre ambos tem alguns corolários relevantes, o
sentido da expressão sublinhada está corretamente traduzido em:
(A) significativos desdobramentos dela.
(B) determinados antecedentes dela.
(C) reconhecidos fatores que a causam.
(D) consequentes aspectos que a relativizam.
(E) valores comuns que ela propicia.

47. Está correta a articulação entre os tempos e os modos verbais na frase:
(A) Se o moralizador vier a respeitar o padrão moral que ele impusera, já
não podia ser considerado um hipócrita.
(B) Os moralizadores sempre haveriam de desrespeitar os valores morais
que eles imporão aos outros.
(C) A pior barbárie terá sido aquela em que o rigor dos hipócritas servisse
de controle dos demais cidadãos.
(D) Desde que haja a imposição forçada de um padrão moral, caracteriza-
va-se um ato típico do moralizador.
(E) Não é justo que os hipócritas sempre venham a impor padrões morais
que eles próprios não respeitam.

48. Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados na frase:
(A) O moralizador está carregado de imperfeições de que ele não costuma
acusar em si mesmo.
(B) Um homem moral empenha-se numa conduta cujo o padrão moral ele
não costuma impingir na dos outros.
(C) Os pecados aos quais insiste reincidir o moralizador são os mesmos
em que ele acusa seus semelhantes.
(D) Respeitar um padrão moral das ações é uma qualidade da qual não
abrem mão os homens a quem não se pode acusar de hipócritas.
(E) Quando um moralizador julga os outros segundo um padrão moral de
cujo ele próprio não respeita, demonstra toda a hipocrisia em que é capaz.

Atenção: As questões de números 49 a 54 referem-se ao texto abaixo.

Fim de feira
Quando os feirantes já se dispõem a desarmar as barracas, começam a
chegar os que querem pagar pouco pelo que restou nas bancadas, ou
mesmo nada, pelo que ameaça estragar. Chegam com suas sacolas
cheias de esperança. Alguns não perdem tempo e passam a recolher o
que está pelo chão: um mamãozinho amolecido, umas folhas de couve
amarelas,
a metade de um abacaxi, que serviu de chamariz para os fregueses com-
pradores. Há uns que se aventuram até mesmo nas cercanias da barraca
de pescados, onde pode haver alguma suspeita sardinha oculta entre
jornais, ou uma ponta de cação obviamente desprezada.

Há feirantes que facilitam o trabalho dessas pessoas: oferecem-lhes o que,
de qualquer modo, eles iriam jogar fora.
Mas outros parecem ciumentos do teimoso aproveitamento dos refugos, e
chegam a recolhê-los para não os verem coletados. Agem para salvaguar-
dar não o lucro possível, mas o princípio mesmo do comércio. Parecem
temer que a fome seja debelada sem que alguém pague por isso. E não
admitem ser acusados de egoístas: somos comerciantes, não assistentes
sociais, alegam.

Finda a feira, esvaziada a rua, chega o caminhão da limpeza e os funcioná-
rios da prefeitura varrem e lavam tudo, entre risos e gritos. O trânsito é
liberado, os carros atravancam a rua e, não fosse o persistente cheiro de
peixe, a ninguém ocorreria que ali houve uma feira, frequentada por tão
diversas espécies de seres humanos. (Joel Rubinato, inédito)

49. Nas frases parecem ciumentos do teimoso aproveitamento dos refugos
e não admitem ser acusados de egoístas, o narrador do texto
(A) mostra-se imparcial diante de atitudes opostas dos feirantes.
(B) revela uma perspectiva crítica diante da atitude de certos feirantes.
(C) demonstra não reconhecer qualquer proveito nesse tipo de coleta.
(D) assume-se como um cronista a quem não cabe emitir julgamentos.
(E) insinua sua indignação contra o lucro excessivo dos feirantes.

50. Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente o sentido de um
segmento do texto em:
(A) serviu de chamariz
(B) alguma suspeita sardinha velmente uma sardinha.
(C) teimoso aproveitamento
(D) o princípio mesmo do comércio ação comercial.
(E) Agem para salvaguardar

51. Atente para as afirmações abaixo.
I. Os riscos do consumo de uma sardinha suspeita ou da ponta de um
cação que foi desprezada justificam o emprego de se aventuram, no pri-
meiro parágrafo.
II. O emprego de alegam, no segundo parágrafo, deixa entrever que o
autor não compactua com a justificativa dos feirantes.
III. No último parágrafo, o autor faz ver que o fim da feira traz a superação
de tudo o que determina a existência de diversas espécies de seres huma-
nos.
Em relação ao texto, é correto o que se afirma APENAS em
(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) II e III.

52. Está INCORRETA a seguinte afirmação sobre um recurso de constru-
ção do texto: no contexto do
(A) primeiro parágrafo, a forma ou mesmo nada faz subentender a expres-
são verbal querem pagar.
(B) primeiro parágrafo, a expressão fregueses compradores faz subenten-
der a existência de “fregueses” que não compram nada.
(C) segundo parágrafo, a expressão de qualquer modo está empregada
com o sentido de de toda maneira.
(D) segundo parágrafo, a expressão para salvaguardar está empregada
com o sentido de a fim de resguardar.
(E) terceiro parágrafo, a expressão não fosse tem sentido equivalente ao
de mesmo não sendo.

53. O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se no plural para
preencher de modo correto a lacuna da frase:
(A) Frutas e verduras, mesmo quando desprezadas, não ...... (deixar) de as
recolher quem não pode pagar pelas boas e bonitas.
(B) ......-se (dever) aos ruidosos funcionários da limpeza pública a provi-
dência que fará esquecer que ali funcionou uma feira.
(C) Não ...... (aludir) aos feirantes mais generosos, que oferecem as sobras
de seus produtos, a observação do autor sobre o egoísmo humano.
(D) A pouca gente ...... (deixar) de sensibilizar os penosos detalhes da
coleta, a que o narrador deu ênfase em seu texto.
(E) Não ...... (caber) aos leitores, por força do texto, criticar o lucro razoável
de alguns feirantes, mas sim, a inaceitável impiedade de outros.

Linguagens e Códigos
81

54. A supressão da vírgula altera o sentido da seguinte frase:
(A) Fica-se indignado com os feirantes, que não compreendem a carência
dos mais pobres.
(B) No texto, ocorre uma descrição o mais fiel possível da tradicional coleta
de um fim de feira.
(C) A todo momento, dá-se o triste espetáculo de pobreza centralizado
nessa narrativa.
(D) Certamente, o leitor não deixará de observar a preocupação do autor
em distinguir os diferentes caracteres humanos.
(E) Em qualquer lugar onde ocorra uma feira, ocorrerá também a humilde
coleta de que trata a crônica.

Instruções: Para responder às questões de números 55 a 64, considere o
texto a seguir.

Jornalismo e universo jurídico
É frequente, na grande mídia, a divulgação de informações ligadas a temas
jurídicos, muitas vezes essenciais para a conscientização do cidadão a
respeito de seus direitos. Para esse gênero de informação alcançar ade-
quadamente o público leitor leigo, não versado nos temas jurídicos, o papel
do jornalista se torna indispensável, pois cabe a ele transformar
informações originadas de meios especializados em notícia assimilável
pelo leitor.
Para que consiga atingir o grande público, ao elaborar uma notícia ou
reportagem ligada a temas jurídicos, o jornalista precisa buscar conheci-
mento complementar. Não se trata de uma tarefa fácil, visto que a compre-
ensão do universo jurídico exige conhecimento especializado. A todo
instante veem-se nos meios de comunicação informações sobre fatos
complexos relacionados ao mundo da Justiça: reforma processual, controle
externo do Judiciário, julgamento de crimes de improbidade administrativa,
súmula vinculante, entre tantos outros.
Ao mesmo tempo que se observa na mídia um grande número de matérias
atinentes às Cortes de Justiça, às reformas na legislação e aos direitos
legais do cidadão, verifica-se o desconhecimento de muitos jornalistas ao
lidar com tais temas.
O campo jurídico é tão complexo como alguns outros assuntos enfocados
em segmentos especializados, como a economia, a informática ou a medi-
cina, campos que também possuem linguagens próprias. Ao embrenhar-se
no intrincado mundo jurídico, o jornalista arrisca-se a cometer uma série de
incorreções e imprecisões linguísticas e técnicas na forma como as notí-
cias são veiculadas. Uma das razões para esse risco é lembrada por Leão
Serva:
Um procedimento essencial ao jornalismo, que necessariamente induz à
incompreensão dos fatos que narra, é a redução das notícias a paradigmas
que lhes são alheios, mas que permitem um certo nível imediato de com-
preensão pelo autor ou por aquele que ele supõe ser o seu leitor. Por conta
desse procedimento, noticiários confusos aparecerão simplificados para o
leitor, reduzindo, consequentemente, sua capacidade real de compreensão
da totalidade do significado da notícia.
(Adaptado de Tomás Eon Barreiros e Sergio Paulo França de Almeida.
http://jus2.uol.com.br.doutrina/texto.asp?id=1006)

55. Uma das razões para a dificuldade de se veicularem notícias atinentes
ao campo jurídico está
(A) na improbidade de jornalistas que se dispõem a pontificar em assuntos
que lhes são inteiramente alheios.
(B) na inexistência de técnicas de comunicação adequadas à abordagem
de temas que exigem conhecimento especializado.
(C) no baixo interesse que os temas desse campo do conhecimento cos-
tumam despertar no público leigo.
(D) na problemática tradução da linguagem do mundo da Justiça para uma
linguagem que o leigo venha a compreender.
(E) no frequente equívoco de considerar um assunto eminentemente
técnico como questão de interesse público.

56. Considere as seguintes afirmações:
I. A expressão buscar conhecimento complementar sugere, no contexto do
2o parágrafo, a necessidade de atribuir aos juristas mais eminentes a
tarefa de divulgar notícias do mundo jurídico.
II. No segmento que também possuem linguagens próprias (parágrafo 3o),
a palavra sublinhada assinala que a imprensa dispõe, como outros campos
da mídia, de uma linguagem específica.
III. Na expressão ao embrenhar-se no intrincado mundo jurídico (parágrafo
3o), os dois termos sublinhados dão ênfase ao risco de desnorteio que
oferece uma matéria específica ao jornalista que pretende simplificá-la.
Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma em
(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) II e III.

57. O trecho citado de Leão Serva ressalta o fato de que
(A) a profissão de jornalista leva o homem de imprensa a se familiarizar
com paradigmas que norteiam outros campos de atuação.
(B) a investigação de assuntos muito específicos faz com que o jornalista
descure dos paradigmas de seu próprio campo de atuação.
(C) os jornalistas são levados à incompreensão de muitos fatos quando se
limitam aos paradigmas próprios do universo desses fatos.
(D) a inobservância dos paradigmas da imprensa leva muitos jornalistas a
simplificarem excessivamente a complexidade da matéria de que tratam.
(E) as características do jornalismo levam muitos profissionais da imprensa
a submeter uma matéria específica a paradigmas de outra área.

58. Ainda no trecho de Leão Serva, a expressão Por conta desse procedi-
mento pode ser substituída, sem prejuízo para a correção e o sentido da
passagem, por:
(A) Tendo por alvitre o mesmo procedimento.
(B) No influxo de tal procedimento.
(C) Em que pese a esse procedimento.
(D) Conquanto seja considerado o procedimento.
(E) A par deste procedimento.

59. As normas de concordância verbal estão plenamente atendidas na
frase:
(A) Cabe aos jornalistas transformar informações especializadas em notí-
cias assimiláveis pelo grande público.
(B) Restam-lhes traduzir assuntos especializados em palavras que os
leigos possam compreender já à primeira leitura.
(C) Exigem-se dos jornalistas que mostrem competência e flexibilidade na
passagem de uma linguagem para outra.
(D) Não são fáceis de traduzir em palavras simples um universo linguístico
tão especializado como o de certas áreas técnicas.
(E) Sempre haverá de ocorrer deslizes, ao se transpor para a linguagem do
dia-a-dia o vocabulário de um campo técnico.

60. Ao mesmo tempo que se observa na mídia um grande número de
matérias atinentes às Cortes de Justiça, às reformas na legislação (...)
NÃO se mantém o emprego de às, no segmento acima, caso se substitua
atinentes por
(A) alusivas.
(B) concernentes.
(C) referentes.
(D) relativas.
(E) pautadas.

61. Traduz-se de modo claro, coerente e correto uma ideia do texto em:
(A) A complexidade do universo jurídico é de tal ordem, tendo em vista a
alta especialização de seu vocabulário, razão pela qual um jornalista vê-se
em apuros ao traduzir-lhe.
(B) Não apenas o campo jurídico: também outras áreas, como a economia
ou a medicina, onde se dispõem de termos específicos, suscitam sérios
desafios à linguagem jornalística.
(C) Há matérias especializadas que exigem dos jornalistas uma formação
complementar, para que possam traduzir com fidelidade os paradigmas
dessas áreas.
(D) Sem mais nem porque, alguns jornalistas passam a considerar-se
aptos na abordagem de assuntos especializados, daí advindo de que
muitas de suas matérias desvirtuam a especificidade original.
(E) Em sua citação, Leão Serva propõe que a incompreensibilidade de
muitas matérias jurídicas na imprensa deve-se ao procedimento redutor

Linguagens e Códigos
82
que leva um jornalista a incapacitar-se para aprender a totalidade da
notícia.

62. Transpondo-se para a voz passiva o segmento Para esse gênero de
informação alcançar adequadamente o público leitor leigo, a forma verbal
resultante será
(A) tenha alcançado.
(B) fosse alcançado.
(C) tenha sido alcançado.
(D) ser alcançado.
(E) vier a alcançar.

63. Atente para as seguintes afirmações:
I. Haverá alteração de sentido caso se suprimam as vírgulas do segmento
Um procedimento essencial ao jornalismo, que necessariamente induz à
incompreensão dos fatos que narra, é a redução das notícias (...).
II. Ainda que opcional, seria desejável a colocação de uma vírgula depois
da expressão Ao mesmo tempo, na abertura do 3o parágrafo.
III. Na frase Não se trata de uma tarefa fácil, visto que a compreensão do
universo jurídico exige conhecimento especializado, pode-se, sem prejuízo
para o sentido, substituir o segmento sublinhado por fácil: a compreensão.
Está correto o que se afirma em
(A) I, II e III.
(B) I e III, somente.
(C) I e II, somente.
(D) II e III, somente.
(E) I, somente.

64. A flexão dos verbos e a correlação entre seus tempos e modos estão
plenamente adequadas em:
(A) Seria preciso que certos jornalistas conviessem em aprofundar seus
conhecimentos na área jurídica, para que não seguissem incorrendo em
equívocos de informação.
(B) Se um jornalista decidir pautar-se pela correção das informações e se
dispor a buscar conhecimento complementar, terá prestado inestimável
serviço ao público leitor.
(C) Todo equívoco que sobrevir à precária informação sobre um assunto
jurídico constituiria um desserviço aos que desejarem esclarecer-se pelo
noticiário da imprensa.
(D) As imprecisões técnicas que costumam marcar notícias sobre o mundo
jurídico deveriam-se ao fato de que muitos jornalistas não se deteram
suficientemente na especificidade da matéria.
(E) Leão Serva não hesitou em identificar um procedimento habitual do
jornalismo, a “redução das notícias”, como tendo sido o responsável por
equívocos que vierem a tolher a compreensão da matéria.

65) Indique o período cuja redação está inteiramente clara e correta.
a) Resultou frustrada a nossa expectativa de adquirir bons livros, já que,
na tão decantada liquidação daquela grande livraria, só havia títulos inex-
pressivos.
b) Os incentivos fiscais constituem uma questão complicada, pois se-
gundo alguns, a iniciativa privada recebe benefícios onde a contrapartida
em criação de empregos é insuficiente.
c) Naquele editorial da revista não ficou claro a posição do mesmo, seja
porque o editorialista de fato não o desejasse, ou então porque a redação
dele não o permitiu.
d) Com o fim do rodízio no trânsito, espera-se que ele aumente, voltando
a terem problemas de congestionamento justamente quando todos saem
ou voltam para casa.

66) Indique a sequência que preenche corretamente as lacunas:
1. Ainda _____ pouco exultava, o que agora chora.
2. Conversarei contigo daqui ___ pouco, disse-lhe.
3. Diz-se que os milionários portugueses, ____ muitos residentes no Brasil,
sentem saudades de Portugal.
4. O sábio francês Adhémar, que viveu _____ mais de cem anos, formulou
a teoria dos Períodos Glaciários.
a) há - há - há - há
b) há - a - há - há
c) a - há - há - há
d) há -a - a - há

67) Marque o conjunto de palavras que preenche as lacunas do texto,
com correção gramatical e adequação à modalidade padrão da língua:
"Como profissional de comunicação, com alguma experiência em seu uso
na política, tenho dificuldade em compreender o que pretendem os candi-
datos. Enganar-nos? Creio que é isso. Não ________ basta nada
________. Dizem ________. Uns, ________, de fato, nada têm a propor
ou oferecer. Outros, ________ sabem falar." (S. Farhat)
a) lhes - terem a dizer - mal - porquê - mal
b) lhes - ter a dizer - mal - porque - mal
c) nos - termos a dizer - mau - porque - mal
d) lhos - ter a dizerem - mau - porquê - mau

68) A alternativa em que a pontuação está CORRETA é:
a) O padrão culto do idioma, além de ser uma espécie de marca de
identidade, constitui recurso imprescindível para uma boa argumentação.
Ou seja: em situações em que a norma culta se impõe, transgressões
podem desqualificar o conteúdo exposto e até mesmo desacreditar o autor.
b) O padrão culto do idioma - além de ser uma espécie de marca de
identidade -, constitui recurso, imprescindível, para uma boa argumenta-
ção. Ou seja: em situações, em que a norma culta se impõe, transgressões
podem desqualificar o conteúdo exposto e até mesmo desacreditar o autor.
c) O padrão culto do idioma, além de ser uma espécie de marca de
identidade, constitui recurso imprescindível para uma boa argumentação,
ou seja, em situações em que a norma culta, se impõe transgressões,
podem desqualificar o conteúdo exposto e até mesmo desacreditar o autor.
d) O padrão culto do idioma, além de ser uma espécie de marca de
identidade constitui recurso imprescindível para uma boa argumentação;
ou seja: em situações em que a norma culta se impõe, transgressões
podem desqualificar o conteúdo exposto e, até mesmo, desacreditar o
autor...

69) Assinale a única alternativa em que a expressão "porque" deve vir
separada:
a) Em breve compreenderás porque tanta luta por um motivo tão simples.
b) Não compareci à reunião porque estava viajando.
c) Se o Brasil precisa do trabalho de todos é porque precisamos de um
nacionalismo produtivo.
d) Ainda não se descobriu o porquê de tantos desentendimentos.

70) Assinale a opção correta quanto à pontuação:
a) De tempos em tempos práticas criadas para reduzir a degradação do
meio ambiente, ganham notoriedade especial.
b) De tempos em tempos, práticas criadas para reduzir a degradação do
meio ambiente ganham notoriedade especial.
c) De tempos em tempos práticas, criadas para reduzir a degradação do
meio ambiente ganham notoriedade especial.
d) De tempos em tempos práticas criadas, para reduzir a degradação do meio
ambiente ganham notoriedade especial

Considere o texto para responder às questões de números 71 a 76.
O antibafômetro
O Conselho Regional de Farmácia autuou uma drogaria da
capital gaúcha que anunciava a venda de um remédio aparentemente
capaz de mascarar os efeitos do álcool e enganar o bafômetro. Cartazes
no interior da farmácia faziam a propaganda do medicamento. Originalmen-
te destinado a pacientes de alcoolismo crônico, ele não produz os efeitos
anunciados. O dono da farmácia deverá responder ainda a um processo
por incitar os consumidores a beber e dirigir, crime previsto no Código
Penal. (Revista Época, 06.10.2008. Adaptado)

71. Em – Cartazes no interior da farmácia faziam a propaganda do medi-
camento – o verbo em destaque está conjugado no
(A) pretérito perfeito, pois apresenta um fato inesperado e incomum, ocor-
rido uma única vez.
(B) pretérito imperfeito, pois se refere a um fato que era habitual no passa-
do.
(C) pretérito mais-que-perfeito, pois indica fatos que aconteceram repenti-
namente num passado remoto.
(D) imperfeito do subjuntivo, pois apresenta um fato provável, mas depen-
dente de algumas circunstâncias.
(E) futuro do pretérito, pois se refere a um fato de futuro incerto e duvidoso.


Linguagens e Códigos
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72. Considere os trechos:
... de um remédio aparentemente capaz de mascarar os efeitos do álcool...
... por incitar os consumidores a beber e dirigir, crime previsto no Código
Penal.
Os termos em destaque expressam, respectivamente, as circunstâncias de
(A) afirmação e meio.
(B) afirmação e lugar.
(C) modo e lugar.
(D) modo e meio.
(E) intensidade e modo.

73. Assinale a alternativa em que os termos em destaque, na frase a
seguir, estão corretamente substituídos pelo pronome.
O dono da farmácia deverá sofrer um processo por incitar os consumidores
a beber.
(A) sofrê-lo ... incitá-los
(B) sofrê-lo ... incitar-lhes
(C) sofrer-lo ... incitar-los
(D) sofrer-lhe ... incitá-los
(E) sofrer-lhe ... incitar-lhes

74. Em – ... um remédio aparentemente capaz de mascarar os efeitos do
álcool... – os termos em destaque constituem uma
locução adjetiva.
Indique a alternativa cuja frase também apresenta uma locução desse tipo.
(A) A família viajou de avião à Argentina.
(B) A energia produzida pela força dos ventos é chamada de eólica.
(C) Ele resolveu de imediato todas as questões pendentes.
(D) A secretária gosta de chantili em seu café.
(E) No fórum, as salas estavam cheias de gente.

75. No texto, as palavras gaúcha e alcoolismo possuem hiato.
Indique a alternativa em que as duas palavras também possuem esse
encontro vocálico.
(A) Quadrado e caatinga.
(B) Guaraná e leopardo.
(C) Toalha e saguão.
(D) Violeta e teatro.
(E) Moeda e guindaste.

76. Em – ... destinado a pacientes de alcoolismo... – o substantivo em
destaque é comum de dois gêneros.
Assinale a alternativa que apresenta dois substantivos que também são
comuns de dois gêneros.
(A) Mártir e monstro.
(B) Carrasco e sósia.
(C) Xereta e intérprete.
(D) Criatura e piloto.
(E) Ídolo e cônjuge.

77. Assinale a frase correta quanto ao emprego do gênero dos substanti-
vos.
(A) A perda das esperanças provocou uma profunda dó na personagem.
(B) O advogado não deu o ênfase necessário às milhares de solicitações.
(C) Ele vestiu o pijama e sentou-se para beber uma champanha gelada.
(D) O omelete e o couve foram acompanhados por doses do melhor a-
guardente.
(E) O beliche não coube na quitinete recém-comprada pelos estudantes.

78. Considere as frases:
Esta escada tem degrau irregular.
O troféu vem adornado com ouro.
Elas estão corretamente escritas no plural na alternativa:
(A) Estas escadas têm degraus irregulares. Os troféus vêm adornados com
ouro.
(B) Estas escadas têm degrais irregulares. Os troféis vêm adornados com
ouro.
(C) Estas escadas tem degraus irregulares. Os troféus vem adornados com
ouro.
(D) Estas escadas tem degrais irregulares. Os troféis vem adornados com
ouro.
(E) Estas escadas têm degrais irregulares. Os troféus vem adornados com
ouro.

79. Assinale a alternativa correta quanto ao emprego do gênero e do
número das palavras.
(A) Os portas-retratos estavam espalhados sobre o baú.
(B) Toalhas laranja deverão recobrir as mesas usadas na próxima conven-
ção.
(C) A empresa escolheu os uniformes na cor azul-marinha.
(D) Os assaltantes, munidos de pés-de-cabras, invadiram o banco.
(E) As folhas de sulfite para a impressão dos convites eram bege.

80. Indique a alternativa cujas palavras preenchem, correta e respectiva-
mente, as frases a seguir:
............................o motorista chegou, já havia uma série de tarefas para ele
realizar.
Aquele que .......................... é caráter não progride na carreira profissional.
Como ele se saiu ...............................na prova prática, não conseguiu a
colocação esperada.
(A) Mau ... mau ... mal
(B) Mau ... mal ... mau
(C) Mal ... mau ... mau
(D) Mal ... mau ... mal
(E) Mal ... mal ... mau

81. Indique a alternativa que completa a frase a seguir, respectivamente,
com as circunstâncias de intensidade e de modo.
Após o telefonema, o motorista partiu..................
(A) às 18 h com o veículo.
(B) rapidamente ao meio-dia.
(C) bastante alerta.
(D) apressadamente com o caminhão.
(E) agora calmamente.

82. A alternativa em que o termo em destaque exerce a função de substan-
tivo é:
(A) Respondeu à pergunta com um sorriso amarelo.
(B) Estava pálida, e seu rosto apresentava tons amarelos.
(C) As cortinas amarelas combinavam com o ambiente.
(D) Marque com um traço amarelo as ruas do mapa.
(E) Os amarelos de Van Gogh tornaram suas telas famosas.

83. Considere as frases e as observações sobre elas:
Marcelo, que trabalha em nosso departamento, declara-se um solteirão
convicto.
O avô disse à neta: Você é minha princesinha!
Para dona Salete, todos da vizinhança pertencem à gentalha.
I. Nos termos em destaque, o emprego do aumentativo e do diminutivo
expressa a ideia de tamanho.
II. Você é um pronome pessoal do caso reto.
III. Todos classifica-se como pronome indefinido, pois se refere aos seres
de maneira vaga e imprecisa.
IV. Em – ... que trabalha em nosso departamento... – o pronome em desta-
que é relativo e se refere a Marcelo.
É correto o que se afirma em
(A) I e III, apenas.
(B) II e III, apenas.
(C) III e IV, apenas.
(D) I, II e IV, apenas.
(E) I, II, III e IV.

84. Assinale a alternativa cujos verbos preenchem, correta e respectiva-
mente, as frases a seguir.
Se o motor do veículo .................a temperatura alta, leve-o à oficina mecâ-
nica.
Quando você .......................o motorista, informe-lhe os novos endereços
do Tribunal de Justiça.
(A) manter ... ver
(B) manter ... vir
(C) manter ... viu
(D) mantiver ... ver
(E) mantiver ... vir

Linguagens e Códigos
84

85. Considere as frases:
I. Recomendou que era para mim esperá-lo à porta do cinema.
II. Entre mim e a sua família sempre houve entrosamento.
III. Estes relatórios devem ser conferidos por mim e por vocês.
O emprego do pronome mim está correto em
(A) III, apenas.
(B) I e II, apenas.
(C) I e III, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.

Leia o texto para responder às questões de números 86 e 87.
Nova lei torna airbag frontal obrigatório
O projeto de lei que torna o airbag frontal para motorista e passageiro item
de segurança obrigatório em carros, camionetes e picapes, aprovado pela
Câmara no mês passado, foi sancionado pelo presidente da República e
publicado ontem no “Diário Oficial” da União.
A estimativa é que hoje de 15% a 25% dos veículos vendidos no país
tenham o airbag, índice que é menor entre os populares (5%). (Folha de
S.Paulo, 20.03.2009)

86. Entre os termos em destaque no texto, os que exercem a função de
adjetivo são
(A) frontal, passado e Oficial.
(B) frontal, item e passado.
(C) Oficial, ontem e índice.
(D) Oficial, item e passado.
(E) item, ontem e índice.

87. Supondo-se que um cidadão resolva escrever ao presidente da Repú-
blica para elogiá-lo pela sanção desse projeto, esse
cidadão deve se dirigir ao presidente tratando-o por
(A) Vossa Senhoria.
(B) Vossa Excelência.
(C) Vossa Magnificência.
(D) Vossa Reverendíssima.
(E) Vossa Eminência.

88. Um dos pronomes de tratamento com que as pessoas devem se dirigir
a juízes de direito é Vossa Meritíssima.
Em sua composição, o pronome Meritíssima é um
(A) adjetivo empregado em seu comparativo de superioridade.
(B) adjetivo empregado no superlativo relativo.
(C) adjetivo empregado no superlativo absoluto.
(D) substantivo empregado no grau aumentativo sintético.
(E) substantivo empregado no grau aumentativo analítico.

89) Considerando-se o significado com que foi empregada a palavra
MESMO no trecho "Mesmo depois de pronto, o barco de esporte e lazer
continua a gerar trabalho em marinas", pode-se afirmar que ela foi empre-
gada com idêntico significado na frase:
a) Um passeio de barco é agradável, mesmo com tempo chuvoso.
b) A Receita Federal mesma é que vetou a diminuição da carga tributária.
c) Mesmo que o mar esteja agitado, o esportista não deixa de sair com
seu barco.
d) Apenas um barco chegou ao mesmo local onde estivera antes.

90. Assinale a alternativa cujos verbos preenchem, correta e respectiva-
mente, a recomendação a seguir, afixada em seção
de determinado fórum.
Prezados Senhores
Nós temos ...................a situações constrangedoras por conta do uso
indevido do celular.
Se os senhores não se .....................a agir com educação e respeitar o
outro, desligando o aparelho quando necessário, a Direção .......................
tomando medidas drásticas.
Contamos com a colaboração de todos!
(A) chego ... predispuserem ... interverá
(B) chego ... predisporem ... intervirá
(C) chegado ... predisporem ... interverá
(D) chegado ... predispuserem ... intervirá
(E) chegado ... predisporem ... intervirá

Um arriscado esporte nacional

01 Os leigos sempre se medicaram por conta própria, já que de
02 médico e louco todos temos um pouco, mas esse problema jamais
03 adquiriu contornos tão preocupantes no Brasil como atualmente.
04 Qualquer farmácia conta hoje com um arsenal de armas de
05 guerra para combater doenças de fazer inveja à própria indústria
06 de material bélico nacional. Cerca de 40% das vendas realizadas
07 pelas farmácias nas metrópoles brasileiras destinam-se a pessoas
08 que se automedicam. A indústria farmacêutica de menor porte e
09 importância retira 80% de seu faturamento da venda ''livre'' de
10 seus produtos, isto é, das vendas realizadas sem receita médica.
11 Diante desse quadro, o médico tem o dever de alertar a
12 população para os perigos ocultos em cada remédio, sem que
13 necessariamente faça junto com essas advertências uma sugestão
14 para que os entusiastas da automedicação passem a gastar mais
15 em consultas médicas. Acredito que a maioria das pessoas se
16 automedica por sugestão de amigos, leitura, fascinação pelo
17 mundo maravilhoso das drogas ''novas'' ou simplesmente para
18 tentar manter a juventude. Qualquer que seja a causa, os
19 resultados podem ser danosos.
20 É comum, por exemplo, que um simples resfriado ou uma
21 gripe banal leve um brasileiro a ingerir doses insuficientes ou
22 inadequadas de antibióticos fortíssimos, reservados para
23 infecções graves e com indicação precisa. Quem age assim está
24 ensinando bactérias a se tornarem resistentes a antibióticos. Um
25 dia, quando realmente precisar de remédio, este não funcionará.
26 E quem não conhece aquele tipo de gripado que chega a uma
27 farmácia e pede ao rapaz do balcão que lhe aplique uma
28 ''bomba'' na veia, para cortar a gripe pela raiz? Com isso, poderá
29 receber na corrente sanguínea soluções de glicose, cálcio,
30 vitamina C, produtos aromáticos - tudo sem saber dos riscos que
31 corre pela entrada súbita destes produtos na sua circulação.
Dr. Geraldo Medeiros - Veja - 1995

91 Sobre o título dado ao texto - um arriscado esporte nacional -, a única
afirmação correta é:
A) mostra que a automedicação é tratada como um esporte sem riscos;
B) indica quais são os riscos enfrentados por aqueles que se automedi-
cam;
C) denuncia que a atividade esportiva favorece a automedicação;
D) condena a pouca seriedade daqueles que consomem remédio por
conta própria;
E) assinala que o principal motivo da automedicação é a tentativa de
manter-se a juventude.

92 Os leigos sempre se medicaram por conta própria,... Esta frase inicial
do texto só NÃO equivale semanticamente a:
A) Os leigos, por conta própria, sempre se medicaram;
B) Por conta própria os leigos sempre se medicaram;
C) Os leigos se medicaram sempre por conta própria;
D) Sempre se medicaram os leigos por conta própria;
E) Sempre os leigos, por conta própria, se medicaram.

93 O motivo que levou o Dr. Geraldo Medeiros a abordar o tema da
automedicação, segundo o que declara no primeiro parágrafo do texto, foi:
A) a tradição que sempre tiveram os brasileiros de automedicar-se;
B) os lucros imensos obtidos pela indústria farmacêutica com a venda
''livre'' de remédios;
C) a maior gravidade atingida hoje pelo hábito brasileiro da automedica-
ção;
D) a preocupação com o elevado número de óbitos decorrente da auto-
medicação;
E) aumentar o lucro dos médicos, incentivando as consultas.

94 Um grupo de vocábulos do texto possui componentes sublinhados
cuja significação é indicada a seguir; o único item em que essa indicação
está ERRADA é:
A) bélico - guerra;
B) metrópoles - cidade;

Linguagens e Códigos
85
C) antibióticos - vida;
D) glicose - açúcar;
E) cálcio - osso.

95 O item em que o segmento sublinhado tem forma equivalente corre-
tamente indicada é:
A) ...já que de médico e louco todos temos um pouco. - uma vez que;
B) ...vendas realizadas pelas farmácias... - entre as;
C) ...sem que necessariamente faça junto com essas advertências... -
embora;
D) ...para que os entusiastas da automedicação... - afim;
E) Quem age assim está ensinando bactérias... - mal.

96 ...jamais adquiriu contornos tão preocupantes no Brasil como atual-
mente; ...sem que necessariamente faça junto com essas advertências...;
...quando realmente precisar de remédio...; os advérbios sublinhados
indicam, respectivamente:
A) tempo, modo, afirmação;
B) tempo, modo, tempo;
C) tempo, tempo, tempo;
D) modo, tempo, modo;
E) modo, modo, afirmação.

97 O item em que o par de palavras NÃO está acentuado em função da
mesma regra ortográfica é:
A) própria / advertências;
B) farmácia / bactérias;
C) indústria / cálcio;
D) importância / raízes;
E) remédio / circunstância.

98 Palavra que NÃO pertence ao mesmo campo semântico das demais
é:
A) arsenal;
B) armas;
C) guerra;
D) combater;
E) inveja.

99 Termo sublinhado que exerce função diferente dos demais é:
A) ...venda de seus produtos...;
B) ...dever de alertar...;
C) ...sugestão de amigos...;
D) ...fascinação pelo mundo...;
E) ...fazer inveja à indústria.....

100 Ao indicar as prováveis razões pelas quais os brasileiros se autome-
dicam, o Dr. Geraldo Medeiros utiliza um argumento baseado em opinião e
não numa certeza; o segmento que comprova essa afirmação é:
A) É comum...(l.20);
B) Acredito...(l.15);
C) ...por exemplo...(l.20);
D) Com isso...(l.28);
E) Qualquer que...(l.18).

As questões de números 101 a 105 referem-se ao texto que segue.

Várias famílias percorrem dez ou mais quilômetros com destino à Serra da
Cantareira, mais precisamente à Chácara do Frade, com seus dezes-
sete hectares tomados por alface, rúcula, pepino, cenoura e dezenas
de outras hortaliças. As pessoas caminham entre os canteiros, trocam
informações sobre o plantio, escolhem o que comprar e levam produ-
tos fresquinhos, jamais "batizados" por agrotóxicos.
Cada vez mais hortas instaladas perto da capital estão abrindo su-
as portas aos visitantes. O proprietário, José Frade, lucra com a venda
direta. O consumidor, por sua vez, garante a qualidade do que está co-
mendo.
Na Europa, isso é muito comum. Desde a Idade Média, durante a
época da colheita, as plantações dos vilarejos vizinhos às cidades se
transformam em verdadeiras feiras livres. Por aqui, a onda está apenas
começando. Num raio de cem quilômetros da capital já existem pelo menos
nove sítios e chácaras que trabalham nesse sistema.

101. Considere as seguintes afirmações:
I. Muitos consumidores das cercanias de São Paulo passaram
a cultivar hortas domésticas, em que podem colher verduras
não contaminadas.
II. Um hábito da Idade Média inspirou várias famílias que, mo-
rando nas cercanias da Serra da Cantareira, resolveram fa-
zer das hortas comunitárias autênticas feiras livres
III. A venda de hortaliças diretamente do produtor para o
consumidor traz, para aquele, vantagens financeiras e,
para este, a garantia de produtos mais saudáveis.

Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma em
(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) II e III.

102. São grandes as vantagens que ....., da compra direta de hortaliças
(ou dos ...... , em geral); sabem disso aqueles que já se ...... e pen-
saram nos males dos agrotóxicos.
Completam corretamente as lacunas do período acima:
(A) adviriam - hortifrutigranjeiros - detiveram
(B) adveriam - hortifrutigranjeiros - detiveram
(C) adviriam - hortisfrutisgranjeiros - deteram
(D) adveriam - hortisfrutisgranjeiros - deteram
(E) adviriam - hortifrutigranjeiros - deteram

103. A frase corretamente construída é:
(A) Alface, rúcula, pepino e outros legumes espalham-se, aos
dezessete hectares na Chácara do Frade.
(B) As pessoas preferem os legumes de cujo risco de agrotóxi-
cos seja evitado.
(C) Foi na Idade Média onde começou a surgir a venda direta do
plantio ao consumidor.
(D) Os agrotóxicos, com que estão contaminados os legumes
nos supermercados, são evitados pelo produtor José Frade.
(E) Comprar hortaliças do próprio produtor é uma providência de
que muitas pessoas já começaram a se habituar.

104. Transpondo para a voz passiva a frase "Estão abrindo suas portas
aos visitantes", a forma verbal resultante será ..... .
(A) serão abertas
(B) são abertas
(C) têm sido abertas
(D) têm aberto
(E) estão sendo abertas

105. Na Chácara do Frade, as pessoas olham os canteiros e percorrem
os canteiros informando-se sobre o que está plantado nos canteiros.
Eliminam-se as repetições viciosas da frase acima substituindo-se
corretamente os termos sublinhados por:
(A) percorrem eles - lhes está plantado
(B) os percorrem - neles está plantado
(C) percorrem-lhes - neles está plantado
(D) os percorrem - está plantado-lhes
(E) percorrem-lhes - lhes está plantado

As questões de números 106 e 107 referem-se ao texto que segue.

É grave o quadro anual do ensino superior. A greve de professores paralisa
boa parte das universidades federais. As universidades públicas estão
amargando uma espécie de êxodo de seus melhores profissionais. Têm
cada vez menos condições de competir com os salários pagos pelas
instituições privadas.

106. Indique o período que resume, de forma clara e exata, as informa-
ções do texto, e que não apresenta incorreção gramatical alguma.

Linguagens e Códigos
86
(A) Devido a pagarem mal os professores, estão havendo greves
nas universidades federais, em que os melhores profissionais
procuram as instituições privadas.
(B) Os professores do ensino superior oficial estão fazendo gre-
ve, ou mesmo êxodo para as particulares, já que seus salá-
rios não são competitivos.
(C) Como os salários que pagam estão cada vez mais baixos, as
universidades públicas estão sofrendo greves e o êxodo de
seus melhores professores.
(D) As universidades particulares atraem os professores das ofi-
ciais, em virtude dos salários que pagam, e que chegam a
provocarem greves.
(E) Há êxodo ou greve dos professores das universidades fede-
rais para as particulares, onde os salários as tornam muito
mais competitivas.

107. Indique o período cuja pontuação está inteiramente correta.
(A) Há muito, vêm caindo os salários dos professores das uni-
versidades públicas, estes desanimados fazem greve ou, as
trocam pelas instituições privadas.
(B) Há muito vêm caindo os salários, dos professores das uni-
versidades públicas estes desanimados, fazem greve ou as
trocam, pelas instituições privadas.
(C) Há muito, vêm caindo, os salários dos professores das uni-
versidades públicas; estes desanimados fazem greve, ou as
trocam pelas instituições privadas.
(D) Há muito vêm caindo os salários dos professores das univer-
sidades públicas; estes, desanimados, fazem greve ou as
trocam pelas instituições privadas.
(E) Há muito vêm caindo, os salários dos professores, das uni-
versidades públicas; estes, desanimados, fazem greve, ou:
as trocam pelas instituições privadas.

As questões de números 108 a 112 referem-se ao texto que segue.

Os velhos das cidadezinhas do interior parecem muito mais plenamente
velhos que os das metrópoles. Não se trata da idade real de uns e
outros, que pode até ser e mesma, mas dos tempos distintos que e-
les parecem habitar Na agitação dos grandes centros, até mesmo a
velhice parece ainda estar integrada na correria, os velhos guardam
alguma ansiedade no olhar, nos modos, na lentidão aflita de quem
se sente fora do compasso. Na calmaria das cidades pequeninas, é
como se a velhice de cada um reafirmasse a que vem das monta-
nhas e dos horizontes, velhice quase eterna, pousada no tempo.
Vejam-se as roupas dos velhinhos interioranos: aquele chapéu de
feltro manchado, aquelas largas calças de brim cáqui incontavelmente
lavadas. aquele puído dos punhos de camisas já sem cor  tudo combina
admiravelmente com a enorme jaqueira do quintal, com a generosa figueira
da praça, com as teias no campanário da igreja. E os hábitos? Pica-se o
fumo de corda, lentamente, com um canivete herdado do século passado,
enquanto a conversa mole se desenrola sem pressa e sem destino.
Na cidade grande. há um quadro que se repete mil vezes ao dia, e
que talvez já diga tudo: o velhinho, no cruzamento perigoso, decide-se,
enfim, a atravessar a avenida, e o faz com aflição, um braço estendido em
sinal de pare aos motoristas apressados, enquanto amiúda o que pode o
próprio passo. Parece suplicar ao tempo que diminua seu ritmo, que lhe dê
a oportunidade de contemplar mais demoradamente os ponteiros invisíveis
dos dias passados, e de sondar com calma, nas nuvens mais altas, o
sentido de sua própria história.
Há, pois, velhices e velhices  até que chegue o dia em que nin-
guém mais tenha tempo para de fato envelhecer. Celso de Oliveira

108. A frase "Os velhos das cidadezinhas do interior parecem muito mais
plenamente velhos que os das metrópoles" constitui uma
(A) impressão que o autor sustenta ao longo do texto, por meio
de comparações.
(B) impressão passageira, que o autor relativiza ao longo do tex-
to.
(C) falsa hipótese, que a argumentação do autor demolirá.
(D) previsão feita pelo autor, a partir de observações feitas nas
grandes e nas pequenas cidades.
(E) opinião do autor, para quem a velhice é mais opressiva nas
cidadezinhas que nas metrópoles.

109. Considere as seguintes afirmações:
I. Também nas roupas dos velhinhos interioranos as marcas do
tempo parecem mais antigas.
II. Na cidade grande, a velhice parece indiferente à agitação ge-
ral.
III. O autor interpreta de modo simbólico o gesto que fazem os
velhinhos nos cruzamentos.
Em relação ao texto, está carreta o que se afirma SOMENTE em
(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) I e III.
(E) II e III.

110. Indique a afirmação INCORRETA em relação ao texto.
(A) Roupas, canivetes, árvores e campanário são aqui utilizados
como marcas da velhice.
(B) O autor julga que, nas cidadezinhas interioranas, a vida é
bem mais longa que nos grandes centros.
(C) Hábitos como o de picar fumo de corda denotam relações
com o tempo que já não existem nas metrópoles.
(D) O que um velhinho da cidade grande parece suplicar é que
lhe seja concedido um ritmo de vida compatível com sua ida-
de.
(E) O autor sugere que, nas cidadezinhas interioranas, a velhice
parece harmonizar-se com a própria natureza.

111. O sentido do último parágrafo do texto deve ser assim entendido.
(A) Do jeito que as coisas estão, os velhos parecem não ter
qualquer importância.
(B) Tudo leva a crer que os velhos serão cada vez mais escas-
sos, dado o atropelo da vida moderna.
(C) O prestígio do que é novo é tão grande que já ninguém repa-
ra na existência dos velhos.
(D) A velhice nas cidadezinhas do interior é tão harmoniosa que
um dia ninguém mais sentirá o próprio envelhecimento.
(E) No ritmo em que as coisas vão, a própria velhice talvez não
venha a ter tempo para tomar consciência de si mesma.

112. Indique a alternativa em que se traduz corretamente o sentido de
uma expressão do texto, considerado o contexto
(A) "parecem muito mais plenamente velhos" = dão a impressão
de se ressentirem mais dos males da velhice.
(B) "guardam alguma ansiedade no olhar = seus olhos revelam
poucas expectativas.
(C) "fora do compasso" = num distinto andamento.
(D) "a conversa mole se desenrola" = a explanação é detalhada.
(E) "amiúda o que pode o próprio passo" = deve desacelerar su-
as passadas.

As questões de números 113 a 125 referem-se ao texto que se-
gue.
No inicio do século XX a afeição pelo campo era uma característi-
ca comum a muitos ingleses. Já no final do século XVIII, dera origem ao
sentimento de saudade de casa tão característico dos viajantes ingleses no
exterior, como William Beckford, no leito de seu quarto de hotel português,
em 1787, "assediado a noite toda por ideias rurais da Inglaterra." À medida
que as fábricas se multiplicavam, a nostalgia do morador da cidade refletia-
se em seu pequeno jardim, nos animais de estimação, nas férias passadas
na Escócia, ou no Distrito dos Lagos, no gosto pelas flores silvestres e a
observação de pássaros, e no sonho com um chalé de fim de semana no
campo. Hoje em dia, ela pode ser observada na popularidade que se
conserva daqueles autores conscientemente "rurais" que, do século XVII
ao XX, sustentaram o mito de uma arcádia campestre.

Linguagens e Códigos
87
Em alguns ingleses, no historiador G.M. Trevelyan, por exemplo, o
amor pela natureza selvagem foi muito além desses anseios vagamente
rurais. Lamentava, em um dos seus textos mais eloquentes, de 1931, a
destruição da Inglaterra rural e proclamava a importância do cenário da
natureza para a vida espiritual do homem. Sustentava que até o final do
século XVIII as obras do homem apenas se somavam às belezas da natu-
reza; depois, dizia, tinha sido rápida a deterioração. A beleza não mais era
produzida pelas circunstâncias econômicas comuns e só restava, como
esperança, a conservação do que ainda não fora destruído. Defendia que
as terras adquiridas pelo Patrimônio Nacional, a maioria completamente
inculta, deveriam ser mantidas assim.
Há apenas poucos séculos, a mera ideia de resistir à agricultura,
ao invés de estimulá-la, pareceria ininteligível. Como teria progredido a
civilização sem a limpeza das florestas, o cultivo do solo e a conversão da
paisagem agreste em terra colonizada pelo homem? A tarefa do homem,
nas palavras do Gênesis, era "encher a terra e submetê-la". A agricultura
estava para a terra como o cozimento para a carne crua. Convertia nature-
za em cultura. Terra não cultivada significava homens incultos. E quando
os ingleses seiscentistas mudaram-se para Massachusetts, parte de sua
argumentação em defesa da ocupação dos territórios indígenas foi que
aqueles que por si mesmos não submetiam e cultivavam a terra não tinham
direito de impedir que outros o fizessem.

113. Ao mencionar, no primeiro parágrafo do texto, a inclinação dos
ingleses pelo espaço rural, o autor
(A) busca enfatizar o que ocorre no século XX, em que a afeição
pelo campo lhe parece ser realmente mais genuína.
(B) a caracteriza em diferentes momentos históricos, tomando
como referência distintas situações em que ela se manifesta.
(C) cita costumes do povo inglês destruídos pela aceleração do
crescimento das fábricas, causa de sua impossibilidade de
volta periódica ao campo.
(D) refere autores que procuraram conscientemente manter sua
popularidade explorando temas "rurais" para mostrar como
se criou o mito de um paraíso campestre.
(E) particulariza o espaço estrangeiro visitado pelos ingleses -
Portugal - para esclarecer o que os indivíduos buscavam e
não podia ser encontrado na sua pátria.

114. Leia com atenção as afirmações abaixo sobre o segundo parágrafo
do texto.
I. Em confronto com o primeiro parágrafo, o autor apresenta
um outro matiz da relação do espírito inglês com o espaço ru-
ral.
II. O autor assinala os pontos mais relevantes referidos por
G.M. Trevelyan para comprovar a ideia universalmente aceita
de que o contato com a natureza é importante para o espírito.
III. O historiador inglês revela pessimismo, a cujos fundamentos
ele não faz nenhuma referência no texto.
São corretas:
(A) I, somente.
(B) III, somente.
(C) I e III, somente.
(D) II e III, somente.
(E) I, II e III.

115. As indagações presentes no terceiro parágrafo representam, no
texto,
(A) pontos relevantes sobre os quais a humanidade ainda não
refletiu.
(B) perguntas que historiadores faziam, ás pessoas para con-
vence-las da importância do culto a natureza
(C) os pontos mais discutidos quando se falava do progresso na
Inglaterra, terra da afeição pelo campo.
(D) questões possivelmente levantadas pelos que procurassem
entender a razão de muitas pessoas não considerarem a a-
gricultura um bem em si.
(E) aspectos importantes sobre a relação entre a natureza e o
homem, úteis como argumentos a favor da ideia defendida
por Trevelyan.

116. No último parágrafo do texto, o comentário sobre os ingleses seis-
centistas foi feito como
(A) denúncia dos falsos argumentos utilizados por aqueles que
ocupam territórios indígenas
(B) exemplo do caráter pioneiro dos ingleses na tarefa de coloni-
zação do território americano.
(C) maneira de evidenciar a árdua tarefa dos que acreditavam na
força da agricultura para o progresso da civilização.
(D) confirmação de que terras incultas são entraves que, há sé-
culos, subtraem ao homem o direito de progredir.
(E) comprovação de que, há poucos séculos, o cultivo da terra
era entendido como sinônimo de civilização.

117. Assinale a afirmação INCORRETA.
(A) Infere-se do texto que as palavras do Gênesis foram entendi-
das por muitos como estímulo a derrubar matas, lavrar o so-
lo, eliminar predadores, matar insetos nocivos, arrancar pa-
rasitas, drenar pântanos.
(B) O paralelo estabelecido entre o cultivo da terra e o cozimento
dos alimentos é feito para se pôr em evidência a ação do
homem sobre a natureza.
(C) O texto mostra que o amor pela natureza selvagem está na
base da relação que se estabelece entre cultivo da terra e ci-
vilização.
(D) O texto mostra que o amor à natureza selvagem, considera-
do como barbárie, permitiu que certos povos se dessem o di-
reito de apoderar-se dela.
(E) O Gênesis foi citado no texto porque o crédito dado às pala-
vras bíblicas explicaria o desejo humano de transformar a na-
tureza selvagem pensando no bem-estar do homem.

118. Assinale a alternativa que apresenta ERRO de concordância.
(A) Não que os esteja considerando inválido, mas o professor
gostaria de conhecer os estudos de que se retirou os dados
mencionados no texto.
(B) Segundo alguns teóricos, deve ser evitada, o mais possível,
a agricultura em regiões de floresta; são áreas tidas como
adequadas à preservação de espécies em vias de extinção.
(C) Existem com certeza, ainda hoje, pessoas que defendem o
cultivo incondicional da terra, assim como deve haver muitos
que condenam qualquer alteração da paisagem natural, por
menor que seja.
(D) Nem sempre são suficientes dados estatisticamente compro-
vados para que as pessoas se convençam da necessidade
de repensarem suas convicções, trate-se de assuntos polê-
micos ou não.
(E) Faz séculos que filósofos discutem as relações ideais entre
os homens e a natureza, questão que nem sempre lhes pa-
rece passível de consenso.

119. Assinale a alternativa que NÃO apresenta erro algum de concordân-
cia.
(A) Já há muito tempo tinha sido feito por importante estudioso
previsões pessimistas quanto ao destino das áreas rurais na
Inglaterra, mas muitos não as consideraram.
(B) Às vazes não basta alguns comentários sobre a importância
do cenário da natureza para a vida espiritual do homem no
sentido de que se tentem evitar mais prejuízos ao meio am-
biente.
(C) Certos argumentos de G.M. Trevelyan tornaram vulnerável
certas visões acerca do modo como deveriam ser tratadas
terras incultas.
(D) Segundo o que se diz no texto, os ingleses havia de terem se
preocupado com a legitimação de sua tarefa de ocupação
dos territórios indígenas.
(E) Quaisquer que sejam os rumos das cidades contemporâ-
neas, sempre haverá os que lamentarão a perda da vida em
contato direto com a natureza.

120. Assinale a alternativa em que há regência INCORRETA.

Linguagens e Códigos
88
(A) O empenho com que G.M. Trevelyan dedicou-se à sua causa
foi reconhecido por outros, principalmente pelo autor do tex-
to.
(B) A crise em que passa a civilização contemporânea é visível
em muitos aspectos, inclusive na relação do homem com a
natureza selvagem.
(C) O homem sempre esteve disposto a dialogar com a natureza,
mas esse diálogo nem sempre se deu segundo os mesmos
interesses ao longo dos séculos.
(D) Muitos consideram ofensivo à natureza considerá-la como
algo à disposição das necessidades humanas.
(E) Acompanhar a relação do ser humano com o campo através
dos séculos propicia ao estudioso observar situações de que
o homem nem sempre pode orgulhar-se.

121. Assinale a alternativa em que há ERRO de flexão verbal e/ou nomi-
nal
(A) Receemos pelo futuro, dizem alguns especialistas, pois, afir-
mam eles, se os cidadãos não detiverem a deterioração am-
biental, a humanidade corre sérios riscos.
(B) Crêem certos estudiosos que convém estudar profunda e se-
riamente o progresso da civilização quando ele implica des-
truir o que a natureza levou milhões de anos para sedimen-
tar.
(C) Quando, na década de 30, o historiador inglês interviu na
discussão sobre o tratamento dispensado às terras adquiri-
das pelo Patrimônio Nacional, muitos não contiveram seu de-
sagrado.
(D) Dizem alguns observadores que, quando as pessoas virem o
que resta da natureza sem as marcas predatórias do homem,
elas próprias buscarão frear as atividades consideradas ne-
gativas para o meio ambiente.
(E) Elementos da natureza são verdadeiros artesãos de obras-
primas; se os homens as desfizerem, estarão cometendo
crime contra a humanidade.

122. No segundo período do primeiro parágrafo, a forma verbal "dera"
pode ser substituída pela forma correspondente
(A) haveria dado.
(B) havia dado.
(C) teria dado.
(D) havia sido dado.
(E) tinha sido dado.

123. Do século XVII ao XXX circulou na Europa, com bastante intensida-
de, o mito de uma arcádia campestre. Muitos escritores ingleses
sustentaram também esse mito durante séculos; os textos desses
autores ingleses são até hoje bastante populares.
Reescrevendo-se o segundo período e substituindo-se os termos
grifados acima por pronomes correspondentes, obtém-se correta-
mente:
(A) Muitos escritores ingleses, os quais textos são até hoje bas-
tante populares, o sustentaram também durante séculos.
(B) Muitos escritores ingleses, cujos textos são até hoje bastante
populares, sustentaram-lhe também durante séculos.
(C) Muitos escritores ingleses, cujos os textos são até hoje bas-
tante populares, sustentaram-no também durante séculos.
(D) Muitos escritores ingleses, cujos textos são até hoje bastante
populares, sustentaram-no também durante séculos.
(E) Muitos escritores ingleses, que os textos deles são até hoje
bastante populares, sustentaram-lhe também durante sécu-
los.

124. Leia com atenção as frases que se seguem.
I. Iniciou-se a luta pela conservação da natureza ainda não de-
teriorada pelo homem.
II. Durante séculos a atividade humana complementou as bele-
zas naturais.
III. Chegou o tempo em que a atividade humana começou a de-
gradar as belezas naturais.
Assinale a alternativa em que as frases acima estão em correta re-
lação lógica, de acordo com o texto.
(A) Chegou o tempo em que a atividade humana começou a de-
gradar as belezas naturais, mesmo tendo acontecido de, an-
tes, complementá-las, logo que se iniciou a luta pela conser-
vação da natureza ainda não deteriorada pelo homem.
(B) Iniciou-se a luta pela conservação da natureza ainda não de-
teriorada pelo homem, quando ocorreu o tempo de a ativida-
de humana começar a degradar as belezas naturais, visto
que, durante séculos, a atividade humana complementou as
belezas naturais.
(C) Assim que chegou o tempo de a atividade humana começar
a degradar as belezas naturais, iniciou-se a luta pela conser-
vação da natureza ainda não deteriorada pelo homem, à pro-
porção que, durante séculos, a atividade humana comple-
mentou as belezas naturais.
(D) Iniciou-se a luta pela conservação da natureza ainda não de-
teriorada pelo homem, embora a atividade humana tivesse,
durante séculos, complementado as belezas naturais, quan-
do chegou o tempo de degradá-las.
(E) Apesar de, durante séculos, a atividade humana ter comple-
mentado as belezas naturais, chegou o tempo em que ela
começou a degradá-las, por isso iniciou-se a luta pela con-
servação da natureza ainda não deteriorada pelo homem.

125. As frases abaixo, tiradas do texto, apresentam alterações em sua
pontuação original. Assinale a alternativa em que a alteração acarre-
tou frase pontuada de maneira INCORRETA.
(A) Hoje em dia ela pode ser observada na popularidade, que se
conserva daqueles autores conscientemente "rurais" que do
século XVII ao XX, sustentaram o mito de uma arcádia cam-
pestre.
(B) Em alguns ingleses  no historiador G.M. Trevelyan, por
exemplo , o amor pela natureza selvagem foi muito além
desses anseios vagamente rurais.
(C) Sustentava que, até o final do século XVIII, as obras do ho-
mem apenas se somavam às belezas da natureza; depois,
dizia, tinha sido rápida a deterioração.
(D) A beleza não mais era produzida pelas circunstâncias eco-
nômicas comuns e só restava como esperança a conserva-
ção do que ainda não fora destruído.
(E) E quando os ingleses seiscentistas mudaram-se para Mas-
sachusetts, parte de sua argumentação em defesa da ocu-
pação dos territórios indígenas foi que aqueles que, por si
mesmos, não submetiam e cultivavam a terra não tinham di-
reito de impedir que outros o fizessem.

126. A cesta de bens inclui, nesse caso, apenas os alimentos mínimos
necessários para que a pessoa permaneça viva, de acordo com os pa-
drões da Organização Mundial da Saúde.
A redação desse período do texto deve ser aprimorada, pois
I. a expressão nesse caso tem sentido obscuro, já que o contexto do último
parágrafo não permite saber de que caso se trata.
II. a expressão de acordo com os padrões da Organização Mundial da
Saúde tem dupla leitura, pois tanto pode se referir a permaneça viva quan-
to a alimentos mínimos necessários.
III. A proximidade entre termos inclui e apenas gera uma contradição que
prejudica o sentido da frase.
É correto SOMENTE o que se afirma em
(A) I.
(B)) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) II e III.

127. Estão corretos o emprego e a flexão dos verbos na seguinte frase:
(A) Quando eles virem a receber o suficiente para a aquisição desses bens
e serviços, situar-se-ão acima da linha de pobreza.
(B) Quem se provém apenas do estritamente necessário para não morrer
de fome inclui-se na chamada linha de indigência.
(C) Se alguém se contrapor a esse método de quantificação dos pobres, os
acadêmicos refutarão demonstrando o rigor de seus critérios.
(D)) Caso tal metodologia não conviesse aos acadêmicos, eles tê-la-iam
abandonado e substituído por outra.

Linguagens e Códigos
89
(E) Os acadêmicos há muito comporam uma cesta de bens e serviços em
cujo valor monetário se baseiam para fixar a linha de pobreza.

128. Pode-se, corretamente, e sem prejuízo para o sentido do contexto,
substituir o elemento sublinhado na frase
(A) Para que a discussão possa ser feita em bases mais sólidas por desde
que.
(B) Embora suficientes para conversas informais sobre o assunto por uma
vez.
(C) A cesta de bens inclui, nesse caso, apenas os alimentos necessários
para que a pessoa permaneça viva por mesmo assim.
(D) A maioria diria que os pobres são aqueles que ganham mal por os
mesmos.
(E)) Ou seja, teoricamente, quem está abaixo da linha de indigência não
conseguiria sequer sobreviver por vale dizer.

129. Justificam-se inteiramente ambas as ocorrências do sinal de crase
em:
(A)) Os que têm pleno acesso àquilo que oferece a cesta de bens e servi-
ços devem considerar-se à margem da pobreza.
(B) Quem atribui um valor monetário à essa cesta de bens e serviços está-
se habilitando à definir uma linha de pobreza.
(C) Não falta, à maioria das pessoas, uma definição de pobreza; o que falta
à uma boa definição é o rigor de um bom critério.
(D) Há quem recrimine à cultura da subsistência, imputando-lhe à respon-
sabilidade pelo mascaramento da real situação de miséria de muitos brasi-
leiros.
(E) Os que têm proventos inferiores à quantia necessária para a aquisição
dessa cesta deixam de atender à todas as suas necessidades básicas.

130. Estão corretamente grafadas todas as palavras da frase:
(A) Não devem prevalescer nossas intuições ou percepções mais imedia-
tas, mas apenas os critérios mais objetivos, quando se trata de formular
alguma precisa definição.
(B)) A todos os que apenas subsistem, como é o caso de quem vive da
mendicância, negam-se os direitos da cidadania, ao passo que para uns
poucos reservam-se todos os privilégios.
(C) Não se constitue uma sociedade verdadeiramente democrática en-
quanto não venham a incluir-se nela aqueles que, já a séculos, vivem mais
do sistema de favor que de um trabalho digno.
(D) Os que alferem lucros excessivos na exploração do trabalho alheio
também devem ser responsabilizados pelo contingente de infelizes que
estão abaixo da linha de pobreza.
(E) Deve-se à inépsia ou à má fé de sucessivos governos, que descuraram
a implementação de medidas de caráter social, o fato de que continua
crescendo o número de pobres e indigentes em nosso país.

Leia o texto e responda às questões de números 131 a 140

As vendas de produtos piratas no Brasil em 2007 significaram uma perda
de R$ 18,6 bilhões em impostos nos 12 meses encerrados em setembro de
2008, levando-se em conta apenas sete setores da indústria nacional. As
estimativas são da pesquisa “O impacto da pirataria no setor de consumo
no Brasil”, divulgada pela Associação Nacional para Garantia dos Direitos
Intelectuais (Angardi) e pelo Conselho Empresarial Brasil - Estados Unidos.

“Discutíamos em 2007 R$ 40 bilhões da CPMF. Só essa perda significa
metade do que se estimava para a CPMF em 2008. É um número muito
grande”, frisou Solange Mata Machado, representante no Brasil do Conse-
lho Empresarial Brasil - Estados Unidos.

Além da menor arrecadação de impostos, há também a perda de receita da
indústria, que chegou a R$ 62,4 bilhões considerando apenas os setores
de tênis, roupas e brinquedos. Quando entram na conta relógios, perfumes
e cosméticos, jogos eletrônicos e peças para motos, as perdas podem ter
atingido R$ 93,1 bilhões.

A despeito da significativa perda de arrecadação e do prejuízo estimado
para a indústria, a estimativa é de que em 2008 o consumo de produtos
piratas nas três categorias pesquisadas (tênis, roupas e brinquedos) seja
de R$ 15,609 bilhões, contra R$ 25,175 bilhões no ano anterior.

Para Solange, isso é reflexo direto da ação do governo contra a pirataria e
o contrabando. Em 2008, segundo a enquete, foram
apreendidos mais de R$ 1 bilhão em mercadorias, recorde na história do
país. Além disso, a pesquisa salienta que houve também uma mudança de
rumo nos hábitos da população, principalmente de baixa renda, que con-
sumiu menos produtos piratas.

Em termos da demanda, Solange explica que o público não é sensível às
perdas de arrecadação, aos prejuízos da indústria ou
ao potencial de corrupção existente no sistema de distribuição e vendas de
produtos piratas ou contrabandeados. Em contrapartida, os argumentos de
que o comércio ilegal pode fomentar a violência e o crime organizado
costumam, segundo a enquete, contribuir para que os brasileiros deixem
de comprar produtos piratas. (Rafael Rosas, Valor Online, 10.11.2008.
Adaptado)

131. De acordo com o texto,
(A) estima-se um crescimento do impacto da pirataria sobre a economia
brasileira.
(B) o governo brasileiro adotou medidas mais eficazes no combate à
pirataria em 2008.
(C) o aumento da violência em 2008 está diretamente ligado ao aumento
da pirataria.
(D) o impacto da pirataria na arrecadação de 2007 foi inferior ao que se
esperava.
(E) o prejuízo da pirataria sobre as finanças públicas excedeu ao impacto
no setor privado.

132. Conforme o texto, pode-se inferir que os brasileiros tendem a se
convencer do caráter negativo da pirataria
(A) quando se apela para seu senso de ética e justiça.
(B) ao refletirem sobre seu impacto na economia.
(C) ao se sentirem ameaçados por suas ramificações.
(D) quando se sentem explorados por vendedores corruptos.
(E) pois entendem que os danos ao governo afetam a população.

133. Observe o trecho do segundo parágrafo: – Discutíamos em 2007 R$
40 bilhões da CPMF. Só essa perda significa metade
do que se estimava para a CPMF em 2008. ......................é um número
muito grande. – A conjunção adequada para estabelecer a relação entre as
ideias das frases é:
(A) Contudo
(B) Portanto
(C) Todavia
(D) Conforme
(E) Embora

134. No trecho do último parágrafo – Em contrapartida, os argumentos de
que o comércio ilegal pode fomentar a violência e o crime organizado
costumam, segundo a enquete, contribuir para que os brasileiros deixem
de comprar produtos piratas.
– o verbo fomentar tem sentido equivalente a
(A) aferir.
(B) delatar.
(C) arrefecer.
(D) defraudar.
(E) fustigar.

135. No penúltimo parágrafo – Além disso, a pesquisa salienta que houve
também uma mudança de rumo nos hábitos da população, principalmente
de baixa renda, que consumiu menos produtos piratas. – a expressão em
destaque pode ser substituída, sem alterar o sentido do trecho, por
(A) inversão de valores.
(B) troca de papéis.
(C) retratação pública.
(D) nova orientação.
(E) revolução dogmática.

136. Atendo-se apenas às regras de regência verbal e/ou nominal, a ex-
pressão em destaque no trecho – Em termos da demanda, Solange explica
que o público não é sensível às perdas de arrecadação, aos prejuízos da
indústria ou ao potencial de corrupção existente no sistema de distribuição

Linguagens e Códigos
90
e vendas de produtos piratas ou contrabandeados. – pode ser corretamen-
te substituída, sem alteração do restante da estrutura da frase, por
(A) despreza.
(B) desconsidera.
(C) é alienado.
(D) é indiferente.
(E) é desinteressado.

137. Assinale a frase correta quanto ao emprego do acento indicador de
crase.
(A) O título atribuído à esta pesquisa foi “O impacto da pirataria no setor de
consumo no Brasil”.
(B) As vendas de produtos piratas equivaleram à uma perda de R$ 18,6
bilhões em impostos.
(C) A pesquisa vincula-se à Associação Nacional para Garantia dos Direi-
tos Intelectuais (Angardi).
(D) As somas se elevam à aproximadamente R$ 93 bilhões se considerar-
mos outros setores da indústria.
(E) Alguns argumentos tendem à funcionar mais que outros para dissuadir
os brasileiros da compra de produtos piratas.

138. Considerando as regras de concordância na voz passiva, assinale a
frase correta.
(A) Divulgou-se, recentemente, a análise de alguns números relacionados
ao impacto da pirataria no Brasil.
(B) Uma perda de R$ 18,6 bilhões em impostos foram causados pelas
vendas de produtos piratas no Brasil.
(C) Também deve ser levado em conta, além da menor arrecadação de
impostos, a perda de receita da indústria.
(D) Se for considerado apenas os setores de tênis, roupas e brinquedos, a
perda da indústria chega a R$ 62,4 bilhões.
(E) Consumiu-se menos produtos piratas em 2008.

139. Assinale a frase em que o pronome está posicionado corretamente.
(A) Muitos não preocupam-se com a pirataria no Brasil.
(B) A verdade é que tornou-se um hábito para muitos.
(C) Ainda espera-se reduzir a pirataria no Brasil.
(D) O governo tem mostrado-se atento ao problema.
(E) Naturalmente, a pirataria tornou-se comum nas classes populares.

140. Observe a pontuação nas frases:
I. As vendas de produtos piratas no Brasil, em 2007, significaram uma
perda de R$ 18,6 bilhões em impostos nos 12 meses encerrados em
setembro de 2008.
II. A estimativa é de que, em 2008, o consumo de produtos piratas nestas
categorias, seja de R$ 15,609 bilhões.
III. Além disso, a pesquisa salienta que houve também, uma mudança de
rumo nos hábitos da população.
A pontuação está correta apenas em
(A) I.
(B) II.
(C) III.
(D) I e II.
(E) II e III.

Vícios tolerados

Ficam longe de animadores os resultados de uma pesquisa de opinião
sobre ética realizada pela Universidade de Brasília entre
cidadãos de todo o país e também com servidores públicos de sete unida-
des federativas. Só 59% dos entrevistados na população geral disseram
ser éticos; 26% declararam que não, e outros 13%, às vezes. Entre servi-
dores públicos, variam as cifras, mas não o panorama: 51% “éticos”, 19%
“não-éticos” e 22%, às vezes. Pode-se argumentar, com razão, que o
conceito comum sobre ética é vago, quase vazio. Um terço dos que já
ouviram falar disso alegam não saber do que se trata.

Abstrações à parte, a consulta abrangeu também situações muito presen-
tes, como o nepotismo. No plano sociológico, pode-se
até compreender que 32% dos servidores avaliem a prática como permis-
sível. Afinal, são seus maiores beneficiários: 37% obtiveram o emprego
público por indicação de parentes, políticos ou amigos, e menos da metade
por concurso (44%).

Bem mais inquietante é a popularidade do nepotismo entre cidadãos
comuns. Metade dos ouvidos afirmou que contrataria parentes para um
cargo público, se tivessem oportunidade. A população parece inclinar-se
por chancelar, na esfera privada, o
que condena na vida pública.

Essa contradição é uma das marcas da vida nacional – e provavelmente se
verifica, em graus variados, em outros países.
Cabe à lei o papel de conter as inclinações pessoais. Deixadas à vontade,
elas corroem a possibilidade de uma nação percorrer o longo caminho
civilizatório. (Folha de S.Paulo, 06.11.2008)

141. De acordo com o autor, os resultados da pesquisa sobre ética não são
animadores porque
(A) os valores éticos têm atingido os cidadãos comuns e não os servidores
públicos.
(B) poucos não sabem o que seja ética, e muitos a têm nas suas práticas
cotidianas.
(C) há uma quantidade significativa de cidadãos que não se atêm aos
valores éticos.
(D) a quantidade de cidadãos éticos é bem menor do que a de cidadãos
não-éticos.
(E) o sentido do conceito é muito comum, porque falta a sua devida divul-
gação.

142. Entende-se por nepotismo a
(A) investidura de cidadãos comuns em cargos públicos por meio de con-
curso.
(B) aprovação de parentes e amigos em concurso público sem favoreci-
mento.
(C) eliminação de parentes e amigos de empregos e de concursos públi-
cos.
(D) realização de concurso público para os cidadãos tornarem-se servido-
res.
(E) obtenção de emprego público por meio da indicação de parentes.

143. Quando se trata de nepotismo, a população parece
(A) aceitar na vida pessoal o que condena no âmbito da vida pública.
(B) rejeitar para a vida pessoal qualquer forma de favorecimento.
(C) ser coerente, pois condena para a vida pessoal o que condena para a
pública.
(D) acreditar que a ajuda pessoal deva ser coibida, mas não na vida públi-
ca.
(E) aprovar plenamente essa prática, seja na vida pessoal seja na pública.

144. De acordo com o autor, pode-se até compreender que 32% dos
servidores avaliem a prática como permissível. Isso quer dizer que ele
(A) acredita que o nepotismo é uma forma legítima nas práticas sociais de
um país.
(B) entende por que os servidores aceitam o nepotismo, mas não concorda
com essa prática.
(C) justifica a opção dos servidores pelo nepotismo, declarando-a adequa-
da e honesta.
(D) condena os servidores que se valem do nepotismo, embora o utilizasse
em seu benefício.
(E) define o nepotismo como uma prática necessária à organização de uma
sociedade.

145. Para o autor, a popularidade do nepotismo entre cidadãos comuns é
bem mais inquietante. Portanto, tal situação
(A) é apreendida com indiferença por ele.
(B) aplaca a sua ansiedade.
(C) lhe traz certo desassossego.
(D) leva-o à ignorância dos fatos.
(E) sublima seu sentimento de impotência.

146. O título – Vícios tolerados – pode ser entendido, quanto à ética, como
uma .................... , segundo o ponto de vista expresso pelo autor.

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Segundo as informações textuais, o espaço da frase deve ser preenchido
com
(A) necessidade para a civilidade do país
(B) rotina moralmente adequada
(C) mudança comportamental aceitável
(D) transformação social inevitável
(E) permissividade social indesejável

147. O sinônimo do termo chancelar, em destaque no 3.º parágrafo, é
(A) evitar.
(B) aprovar.
(C) recusar.
(D) engrandecer.
(E) superar.

Para responder às questões de números 148 e 149, considere a informa-
ção que inicia o último parágrafo: Essa contradição é uma das marcas da
vida nacional...

148. A expressão Essa contradição diz respeito
(A) ao comportamento dos cidadãos comuns.
(B) às formas de atuação dos servidores públicos.
(C) à falta de lei para inibir as inclinações pessoais.
(D) à impossibilidade de uma nação se civilizar.
(E) ao descaso da população com a vida pública.

149. O antônimo de contradição é
(A) incoerência.
(B) desacordo.
(C) contestação.
(D) consenso.
(E) autenticidade.

150. O pronome elas, em destaque no último parágrafo do texto, refere-se
às
(A) pessoas comuns.
(B) leis.
(C) marcas da vida nacional.
(D) inclinações pessoais.
(E) nações.

151. Ache o verbo que está erradamente conjugado no presente do
subjuntivo:
a ( ) requera ; requeras ; requera ; requeiramos ; requeirais ; requeram
b ( ) saúde ; saúdes ; saúde ; saudemos ; saudeis ; saúdem
c ( ) dê ; dês ; dê ; demos ; deis ; dêem
d ( ) pula ; pulas ; pula ; pulamos ; pulais ; pulam
e ( ) frija ; frijas ; frija ; frijamos ; frijais ; frijam

152. Assinale a alternativa falsa:
a ( ) o presente do subjuntivo, o imperativo afirmativo e o imperativo
negativo são tempos derivados do presente do indicativo;
b ( ) os verbos progredir e regredir são conjugados pelo modelo agredir;
c ( ) o verbo prover segue ver em todos os tempos;
d ( ) a 3.ª pessoa do singular do verbo aguar, no presente do subjuntivo é
: águe ou agúe;
e ( ) os verbos prever e rever seguem o modelo ver.

153. Marque o verbo que na 2ª pessoa do singular, do presente do indica-
tivo, muda para "e" o "i" que apresenta na penúltima sílaba?
a ( ) imprimir
b ( ) exprimir
c ( ) tingir
d ( ) frigir
e ( ) erigir

154. Indique onde há erro:
a ( ) os puros-sangues simílimos
b ( ) os navios-escola utílimos
c ( ) os guardas-mores agílimos
d ( ) as águas-vivas aspérrimas
e ( ) as oitavas-de-final antiquíssimas

155. Marque a alternativa verdadeira:
a ( ) o plural de mau-caráter é maus-caráteres;
b ( ) chamam-se epicenos os substantivos que têm um só gênero grama-
tical para designar pessoas de ambos os sexos;
c ( ) todos os substantivos terminados em -ão formam o feminino mudan-
do o final em -ã ou -ona;
d ( ) os substantivos terminados em -a sempre são femininos;
e ( ) são comuns de dois gêneros todos os substantivos ou adjetivos
substantivados terminados em -ista.

156. Identifique onde há erro de regência verbal:
a ( ) Não faça nada que seja contrário dos bons princípios.
b ( ) Esse produto é nocivo à saúde.
c ( ) Este livro é preferível àquele.
d ( ) Ele era suspeito de ter roubado a loja.
e ( ) Ele mostrou-se insensível a meus apelos.

157. Abaixo, há uma frase onde a regência nominal não foi obedecida.
Ache-a:
a ( ) Éramos assíduos às festas da escola.
b ( ) Os diretores estavam ausentes à reunião.
c ( ) O jogador deu um empurrão ao árbitro.
d ( ) Nossa casa ficava rente do rio.
e ( ) A entrega é feita no domicílio.

158. Marque a afirmativa incorreta sobre o uso da vírgula:
a ( ) usa-se a vírgula para separar o adjunto adverbial anteposto;
b ( ) a vírgula muitas vezes pode substituir a conjunção e;
c ( ) a vírgula é obrigatória quando o objeto pleonástico for representado
por pronome oblíquo tônico;
d ( ) a presença da vírgula não implica pausa na fala;
e ( ) nunca se deve usar a vírgula entre o sujeito e o verbo.

159. Marque onde há apenas um vocábulo erradamente escrito:
a ( ) abóboda ; idôneo ; mantegueira ; eu quiz
b ( ) viço ; sócio-econômico ; pexote ; hidravião
c ( ) hilariedade ; caçoar ; alforje ; apasiguar
d ( ) alizar ; aterrizar ; óbulo ; teribintina
e ( ) chale ; umedescer ; páteo ; obceno

160. Identifique onde não ocorre a crase:
a ( ) Não agrade às girafas com comida, diz o cartaz.
b ( ) Isso não atende às exigências da firma.
c ( ) Sempre obedeço à sinalização.
d ( ) Só visamos à alegria.
e ( ) Comuniquei à diretoria a minha decisão.

161. Assinale onde não ocorre a concordância nominal:
a ( ) As salas ficarão tão cheias quanto possível.
b ( ) Tenho bastante dúvidas.
c ( ) Eles leram o primeiro e segundo volumes.
d ( ) Um e outro candidato virá.
e ( ) Não leu nem um nem outro livro policiais.

162. Marque onde o termo em destaque está erradamente empregado:
a ( ) Elas ficaram todas machucadas.
b ( ) Fiquei quite com a mensalidade.
c ( ) Os policiais estão alerta.
d ( ) As cartas foram entregues em mãos.
e ( ) Neste ano, não terei férias nenhumas.

163. Analise sintaticamente o termo em destaque:
"A marcha alegre se espalhou na avenida..."
a ( ) predicado
b ( ) agente da passiva
c ( ) objeto direto
d ( ) adjunto adverbial
e ( ) adjunto adnominal

164. Marque onde o termo em destaque não representa a função sintáti-
ca ao lado:

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a ( ) João acordou doente. (predicado verbo-nominal)
b ( ) Mataram os meus dois gatos. (adjuntos adnominais)
c ( ) Eis a encomenda que Maria enviou. (adjunto adverbial)
d ( ) Vendem-se livros velhos. (sujeito)
e ( ) A ideia de José foi exposta por mim a Rosa. (objeto indireto)

165. Ache a afirmativa falsa:
a ( ) usam-se os parênteses nas indicações bibliográficas;
b ( ) usam-se as reticências para marcar, nos diálogos, a mudança de
interlocutor;
c ( ) usa-se o ponto-e-vírgula para separar orações coordenadas assin-
déticas de maior extensão;
d ( ) usa-se a vírgula para separar uma conjunção colocada no meio da
oração;
e ( ) usa-se o travessão para isolar palavras ou frases, destacando-as.

166. Identifique o termo acessório da oração:
a ( ) adjunto adverbial
b ( ) objeto indireto
c ( ) sujeito
d ( ) predicado
e ( ) agente da passiva

167. Qual a afirmativa falsa sobre orações coordenadas?
a ( ) as coordenadas quando separadas por vírgula, se ligam pelo sentido
geral do período;
b ( ) uma oração coordenada muitas vezes é sujeito ou complemento de
outra;
c ( ) as coordenadas sindéticas subdividem-se de acordo com o sentido e
com as conjunções que as ligam;
d ( ) as coordenadas conclusivas encerram a dedução ou conclusão de
um raciocínio;
e ( ) no período composto por coordenação, as orações são independen-
tes entre si quanto ao relacionamento sintático.

168. Identifique a afirmativa verdadeira:
a ( ) as orações subordinadas ou são adjetivas ou adverbiais;
b ( ) a preposição que introduz uma oração subordinada nunca pode ser
omitida;
c ( ) duas orações subordinadas podem estar coordenadas entre si;
d ( ) uma oração se denomina principal porque vem primeiro que as
outras;
e ( ) o período composto por subordinação só pode ter duas orações.

169. Enumere a segunda coluna de acordo com a abreviatura da forma
de tratamento adequada:
( 1 ) V.Ex.ª Rev.ma ( ) reitor de universidade
( 2 ) V.Mag.ª ( ) papa
( 3 ) V.Em.ª ( ) bispo e arcebispo
( 4 ) V.S. ( ) cardeal
a ( ) 1 ; 4 ; 3 ; 2 d ( ) 4 ; 2 ; 3 ; 1
b ( ) 2 ; 4 ; 1 ; 3 e ( ) 2 ; 4 ; 3 ; 1
c ( ) 3 ; 4 ; 2 ; 1

170. Onde o pronome está erradamente empregado?
a ( ) fez + o = fê - lo
b ( ) diríamos = di - lo - íamos
c ( ) pondes + o = ponde - lo
d ( ) tem + o = tem - no
e ( ) diríeis + o = diríei – lo

171. Que nome se dá ao termo que determina ou indetermina o substan-
tivo a que se refere?
a ( ) advérbio
b ( ) adjetivo
c ( ) substantivo próprio
d ( ) artigo
e ( ) pronome

172. Marque a classificação possível dos substantivos abaixo:
Europa - ferro - livraria - ramalhete
a ( ) concreto - primitivo - derivado - coletivo
b ( ) abstrato - coletivo - derivado - coletivo
c ( ) comum - próprio - coletivo - primitivo
d ( ) coletivo - abstrato - próprio - concreto
e ( ) primitivo - próprio - comum - abstrato

173. Indique a classificação incorreta do advérbio ou locução adverbial
em destaque:
a ( ) Não havia ninguém por perto. (lugar)
b ( ) O filme, sem dúvida, será um sucesso. (afirmação)
c ( ) Ela caminhou depressa para o quintal. (intensidade)
d ( ) Ele chegará mais tarde. (tempo)
e ( ) Ela nunca saía aos sábados. (negação)

174. Complete a frase com o adjetivo adequado:
O que tem a forma de elipse é ________ .
a ( ) elipsal
b ( ) elipsilar
c ( ) elipsilal
d ( ) elipérico
e ( ) elíptico

175. Na frase: "Toda a escola poderá comparecer à festa.", é verdadeiro
dizer que:
a ( ) o uso ou não do artigo, antes de "escola" é indiferente com relação
ao sentido da frase;
b ( ) o artigo que aparece na frase é indefinido;
c ( ) o artigo que aparece antes de "escola" poderia ser substituído por
um outro, indiferentemente;
d ( ) a frase só ficará correta quando for iniciada pelo artigo da frase;
e ( ) o artigo dá sentido de totalidade à frase. (= A escola inteira poderá
comparecer à festa.)

176. Assinale a única alternativa em que a concordância está feita se-
gundo a norma culta:
a ( ) Tu e teu irmão devem partir amanhã.
b ( ) Um de vocês deverão ficar sem vaga.
c ( ) Muito me indignou sua indiferença e pouco caso.
d ( ) Qual de nós sabem a direção a tomar?
e ( ) Cada uma delas trouxeram sua colaboração.

177. Indique a alternativa correta quanto ao emprego do pronome:
a ( ) O diretor conversou com nós dois.
b ( ) Vou consigo ao teatro hoje à noite.
c ( ) Esta pesquisa é para mim fazer até o final da semana.
d ( ) Nada de sério houve entre eu e você.
e ( ) Informa a todos que Vossa Santidade está doente.

178. Classifique corretamente os encontros vocálicos das palavras abai-
xo:
irmão ; saúde ; queijo ; Paraguai
a ( ) ditongo ; ditongo ; tritongo ; tritongo
b ( ) ditongo ; hiato ; ditongo ; tritongo
c ( ) hiato ; ditongo ; tritongo ; ditongo
d ( ) ditongo ; hiato ; tritongo ; tritongo
e ( ) hiato ; hiato ; ditongo ; ditongo

179. Ache a afirmativa falsa:
a ( ) num encontro consonantal, cada letra representa um fonema;
b ( ) na palavra "creme" há um encontro consonantal;
c ( ) dígrafo e encontro consonantal são a mesma coisa;
d ( ) os dígrafos podem representar consoantes ou vogais;
e ( ) nem sempre ocorre a separação nos encontros consonantais.

180. Qual a palavra abaixo cuja formação não se deu por derivação
prefixal?
a ( ) antebraço
b ( ) infeliz
c ( ) renascer
d ( ) somente
e ( ) repor

181. Qual o significado do radical "cefalo" da palavra "cefaleia"?

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a ( ) cavalo
b ( ) cabeça
c ( ) célula
d ( ) sofrimento
e ( ) origem

182. Encontre o vocábulo erradamente separado em sílabas:
a ( ) pneu - má - ti - co
b ( ) ap - to
c ( ) coi - sas
d ( ) a – ve – ri – guou
e ( ) egíp – cios

183. Indique o termo erradamente classificado:
O belo viajante saiu rapidamente.
a ( ) O = artigo definido, masculino, singular.
b ( ) belo = adjetivo uniforme, singular.
c ( ) viajante = substantivo simples, comum, derivado, concreto, masculi-
no singular.
d ( ) saiu = verbo irregular, na 3.ª pessoa do singular do pretérito perfeito
do indicativo.
e ( ) rapidamente = advérbio de modo.

184. Ache onde o modo da forma verbal em destaque está incorreto:
a ( ) Não saia da sala! (imperativo)
b ( ) Espero que ele venha à reunião. (subjuntivo)
c ( ) Quem lhe deu essa notícia? (indicativo)
d ( ) Diga-nos a sua opinião. (subjuntivo)
e ( ) Gostaria que ele ficasse aqui. (indicativo)

185. Marque a alternativa onde o verbo em destaque não se encontra no
tempo e modo indicados ao lado:
a ( ) Se ele souber a verdade, ficará furioso. (futuro do subjuntivo)
b ( ) Não sejamos otimistas. (imperativo negativo)
c ( ) Espero que dessa atitude não advenha nenhuma desgraça. (presen-
te do subjuntivo)
d ( ) Tenho falado muito desse assunto. (gerúndio)
e ( ) Ele já estudara as lições quando os amigos chegaram. (pretérito
mais-que-perfeito do indicativo)

186. Marque a afirmativa falsa:
a ( ) o infinitivo é impessoal quando não se refere a nenhum sujeito;
b ( ) os tempos compostos são formados pelos verbos auxiliares e o
particípio do verbo principal;
c ( ) o verbo pôr e derivados pertencem à segunda conjugação;
d ( ) o modo indicativo expressa ordem, advertência ou pedido;
e ( ) "entregado" é o particípio regular do verbo "entregar".

187. Indique o erro:
a ( ) enxame é o coletivo de peixes.
b ( ) alma é o substantivo concreto.
c ( ) viuvez é substantivo abstrato.
d ( ) país é substantivo comum.
e ( ) pianista é substantivo sobrecomum.

188. Ache o único substantivo feminino:
a ( ) guaraná d ( ) teorema
b ( ) cal e ( ) trema
c ( ) telefonema

189. Indique onde há erro no grau dos adjetivos em destaque:
a ( ) Ele revelou-se um ótimo ator. (superlativo absoluto irregular)
b ( ) Ele é tão inseguro quanto o irmão. (comparativo de igualdade).
c ( ) Dizia-se o melhor de todos. (superlativo absoluto regular)
d ( ) Pedro é bastante rápido. (superlativo absoluto analítico)
e ( ) Ela é a menos esperta do grupo. (superlativo relativo de inferiorida-
de)

190. Ache a palavra erradamente grafada:
a ( ) esculpir ; borburinho
b ( ) regresso ; louça
c ( ) ameixa ; agachar
d ( ) sujeito ; magistral
e ( ) obsceno ; mansidão

191. Quem se intromete faz uma ...
a ( ) intromição d ( ) intromissão
b ( ) intromisção e ( ) intromicção
c ( ) intromisão

192. Ache a palavra que foi incorretamente grafada sem hífen:
a ( ) autopeça d ( ) subdiretor
b ( ) contragolpe e ( ) ultramar
c ( ) contrasenso

193. Encontre a palavra que não tem relação com as outras:
a ( ) livreco d ( ) florzinha
b ( ) lugarejo e ( ) mulherona
c ( ) saleta

194. Marque onde o termo em destaque não é um artigo:
a ( ) Os alunos compraram o livro.
b ( ) Eu li a revista e a deixei sobre a mesa.
c ( ) Ela pegou uns jornais e os entregou ao dono.
d ( ) Nós recebemos o dinheiro que estava no banco.
e ( ) O dono da festa falou calorosamente.

195. Qual o pronome de tratamento adequado a um sacerdote?
a ( ) Vossa Santidade
b ( ) Vossa Magnificência
c ( ) Vossa Eminência
d ( ) Vossa Reverendíssima
e ( ) Vossa Excelência Reverendíssima

A MULTIPLICAÇÃO DOS CELULARES
Gabriel Perissé
Telefone celular deixou de ser novidade. Deixou de ser luxo. Deixou de ser
sonho. Virou objeto corriqueiro, que vive de boca em boca, de orelha em
orelha. Tornou-se artigo de primeira necessidade, instrumento de trabalho
imprescindível e barato, espaço social concentrado na palma da mão.
Normal (talvez apenas comum...) ver todo tipo de gente andando pelas
ruas e falando com o além... Ou com alguém. Todos recebendo informa-
ções e tomando decisões e trocando ideias e falando, falando. Ou marcan-
do encontros. Ou discutindo seriamente os destinos da nação. Tecnôma-
des do século XXI. Gente pobre e gente rica. Celulares pululando Brasil
afora, mundo afora.
Mas não se fica por aí, como quem tivesse um relógio de pulso e o fato de
saber as horas o satisfizesse. Comunicação é outra história. Há pessoas
com dois celulares. Um para os contatos profissionais, outro para falar com
a família e os amigos.
Conheço chefe de empresa que dá de presente ao funcionário de confian-
ça um celular para contato exclusivo. E o celular, linha direta com o dever,
pode tocar música animada em pleno domingo à tarde.
E há os que carregam três celulares, pessoas importantíssimas, o dia
inteiro procuradas por todos. Um ilustre comentador de TV declarou, faz
alguns meses, sem nenhum pudor, que possui três! Três oportunidades de
ouvir e ser ouvido. Conversas nacionais, internacionais e siderais.
Haverá alguém com quatro celulares? Não duvido. Um celular para falar
com os de sempre. Outro para falar com os novos.
Outro para falar com os estranhos. Outro para falar com pouquíssimos
seletos, seres privilegiados...
E cinco? Cinco celulares, um para cada dia da semana laboral. O celular
da segunda, para marcar reuniões. O da terça, para cancelá-las. O da
quarta, para discussões. O da quinta, para reconciliações. O da sexta, para
planejar a semana que vem.
Quem dá mais?! No meio da multidão, um homem levanta os braços, grita,
alega ter seis celulares. Com um deles, o mais sofisticado, mantém longas
conversas com o próprio Deus, ligação caríssima, mas vale a pena. Para
que lançar mão da oração gratuita se é possível ter certeza de que o
Interlocutor está realmente nos ouvindo e respondendo?
Tenho um celular só, modelo simples, instrumento necessário na Idade
Mídia. Mas se alguém quiser me dar de presente um segundo bichinho
desses... Obrigado, um já é demais.


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196. Um traço característico da crônica lida é:
A) temática atual
B) prosa poética
C) estrofação regular
D) método indutivo
E) exposição imparcial

197. Pode-se afirmar que o autor do texto:
A) almeja ter mais de um celular
B) apóia quem opta por ter vários celulares
C) acha que pessoas superiores têm mais de um celular
D) satiriza os excessos praticados pelos usuários de
celular
E) compreende que tudo deve ser feito para facilitar a
comunicação

198. “Tecnômades do século XXI.”
“Tecnômades” é um(a):
A) palavra inglesa
B) neologismo
C) galicismo
D) termo corrente na informática
E) vocábulo latino

199. “Telefone celular deixou de ser novidade. Deixou de ser luxo. Deixou
de ser sonho.”
No trecho acima destacado há:
A) duas orações absolutas
B) três orações coordenadas sindéticas
C) duas orações sem paralelismo semântico
D) um período composto por coordenação
E) três períodos sintaticamente paralelos

200. “Um ilustre comentador de TV declarou...”
A palavra comentador é formada por:
A) prefixação
B) composição
C) sufixação
D) aglutinação
E) redução

TEXTO 1

Nordeste: mito e realidade

De modo geral, quase todos os problemas do Nordeste são atribuídos às
adversidades climáticas, à ausência ou à escassez das chuvas. É comum
ouvirmos dizer que as secas assolam, maltratam os nordestinos. Mas será
que é isso mesmo o que acontece? Ou será que é só isso mesmo?

Não se podem negar os graves efeitos sociais e econômicos causados
pela seca. Quando ela ocorre, o sertanejo observa, impotente, sua lavoura
morrer, seu gado minguar, os pequenos rios secarem, ocasião em que sua
“tragédia” é exibida para todo o Brasil e até mesmo para outros países
pelos meios de comunicação.
Os poderes públicos, então, se manifestam anunciando, nos mesmos
órgãos de imprensa, medidas que serão tomadas para combater a seca,
projetos que serão executados a médio e longo prazos e a liberação de
verbas que serão destinadas à distribuição de alimentos, água, remédios
etc.

A cada nova catástrofe, a cada nova “calamidade pública” esse procedi-
mento se repete. Mas essas medidas não solucionam o problema. Na
próxima seca prolongada, tudo será igual ou pior, dependendo da sua
intensidade e duração.

Acontece que os fenômenos naturais – que ocorrem independentemente
da vontade dos homens – não justificam todo o peso que lhes é atribuído.
A seca existe, sim. A pobreza no Nordeste, também. No entanto, não é
possível estabelecer uma relação direta entre seca e pobreza.

Os problemas do Nordeste não se resumem à seca, fator tão divulgado e
explorado, graças ao interesse de uma minoria preocupada apenas em
tirar proveito de uma situação “aparentemente” criada pela natureza.

Para entendermos a problemática da região, é preciso que deixemos de
lado as aparências e investiguemos as reais causas que produziram e
produzem um Nordeste tão pobre, tão maltratado e com tantas injustiças e
desigualdades sociais.

Ao colocarmos a seca como sua causa principal, estaremos deixando de
lado as inegáveis vantagens econômicas e políticas que ela traz para
alguns setores e estaremos reduzindo à mera fatalidade climática o subde-
senvolvimento e a opressão.

A seca apenas acentua uma situação de injustiça historicamente criada.
(Yná Andrighetti. Nordeste: mito e realidade. São Paulo: Moderna, 1998,
pp. 7-10. Adaptado.)

201. Considerando as ideias expressas no Texto 1, podemos reconhecer
que se trata:
A) de uma narrativa em que se conta a história das secas do Nordeste,
com seus cenários e personagens.
B) de uma descrição das condições climáticas do Nordeste e dos efeitos
sociais e econômicos causados pelas secas prolongadas.
C) de uma reflexão pela qual se põe em dúvida a explicação que costuma
ser dada para os problemas do Nordeste.
D) de uma exposição didática, para apresentar as principais medidas que
serão tomadas pelo Governo para combater a seca.
E) de um texto para orientação dos projetos que serão executados, a
médio e longo prazos, em favor do Nordeste.

202. Pela compreensão global do texto, pode-se perceber que a argumen-
tação do autor, a certa altura do texto, assume uma direção contrária. Isso
fica evidente na alternativa:
A) “De modo geral, quase todos os problemas do Nordeste são atribuídos
às adversidades climáticas, à ausência ou à escassez das chuvas”.
B) “A cada nova catástrofe, a cada nova ‘calamidade pública’ esse proce-
dimento se repete.”
C) “Na próxima seca prolongada, tudo será igual ou pior, dependendo da
sua intensidade e duração”.
D) “A seca existe, sim. A pobreza no Nordeste, também. No entanto, não é
possível estabelecer uma relação direta entre seca e pobreza”.
E) “Para entendermos a problemática da região, é preciso que deixemos
de lado as aparências”.

203. De acordo com o texto, a justificativa maior para os problemas sociais
e econômicos do Nordeste encontra-se:
A) nas secas que regularmente castigam a região e provocam a morte das
lavouras.
B) nas muitas adversidades climáticas que acontecem periodicamente.
C) nas inegáveis vantagens econômicas e políticas que a seca traz para
alguns setores.
D) nos meios de comunicação que somente se manifestam durante as
calamidades.
E) na rede fluvial da região, que é pequena e não atende à demanda da
agropecuária.

204. Observe: “A cada nova catástrofe, a cada nova ‘calamidade pública’
esse procedimento se repete”. A repetição do segmento sublinhado ex-
pressa uma função textual de:
A) correção.
B) contraste.
C) paráfrase.
D) ênfase.
E) reformulação.

205. Os usos formais da língua ditam certas normas para a concordância
entre o verbo e o sujeito. Identifique a alternativa que está de acordo com
essas normas.
A) Qual das grandes secas do Nordeste não deixaram grandes marcas de
destruição?

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B) Cada um dos grandes rios do Nordeste poderiam suprir a escassez de
água necessária à lavoura.
C) Nenhuma das grandes secas do Nordeste pode ser apontada como a
causa principal de suas dificuldades econômicas.
D) Além da falta de chuva, foi constatado vários tipos de problemas no
Nordeste.
E) O resultado das últimas grandes secas deixaram grandes prejuízos
sociais e econômicos.

206. Leia o trecho seguinte: “O Nordeste, em decorrência das estiagens
prolongadas a que tem sido submetido, apresenta grandes problemas
econômicos e sociais.”
Observe o emprego da preposição antes do pronome relativo – que se
deve à regência do verbo. Na mesma perspectiva, analise os enunciados
seguintes e assinale aquele que também está correto quanto às normas da
regência verbal.
A) O Nordeste, apesar das estiagens prolongadas de que têm sido atribuí-
das, apresenta grandes projetos de superação.
B) O Nordeste, apesar das secas – das quais têm resultado grandes pro-
blemas econômicos – crê nas possibilidades de superação.
C) O Nordeste, por causa das secas – a cujas soluções não se pode abrir
mão – ainda sofre sérias discriminações.
D) O Nordeste, por causa das secas – as quais a imprensa tem feito refe-
rências constantes – espera por melhores soluções.
E) O Nordeste, por causa das políticas assistenciais – as quais não pode-
mos confiar – viveu grandes problemas.

207. Observe a colocação pronominal no seguinte fragmento: “Não se
pode negar os graves efeitos sociais e econômicos causados pela seca.” O
uso do pronome também estaria correto na alternativa:
A) Não poderiam-se negar os graves efeitos sociais e econômicos causa-
dos pela seca.
B) Poderiam-se negar os graves efeitos sociais e econômicos causados
pela seca.
C) Tinham podido-se negar os graves efeitos sociais e econômicos causa-
dos pela seca.
D) Ninguém poderia negar-se a reconhecer os efeitos econômicos causa-
dos pela seca.
E) Os graves efeitos sociais e econômicos causados pela seca, um dia,
poderão-se negar.

208. O texto fala em: “inegáveis vantagens”. O prefixo que aparece na
palavra sublinhada tem o mesmo sentido daqueles que aparecem em:
A) inefável; inapto; incremento.
B) inábil; injetável; ineficaz.
C) inflamável, imberbe, incrustado.
D) ímprobo, inalação, inglório.
E) indubitável, inepto, incruento.

209. O verbo, no seguinte trecho, está na voz passiva: Muitos problemas
do Nordeste foram provocados pelos interesses de uma minoria corrupta.
Caso o autor tivesse optado pela voz ativa, deveria escrever:
A) Os interesses de uma minoria corrupta provocam muitos problemas do
Nordeste.
B) Os interesses de uma minoria corrupta provocavam muitos problemas
do Nordeste.
C) Os interesses de uma minoria corrupta provocaram muitos problemas
do Nordeste.
D) Os interesses de uma minoria corrupta provocariam muitos problemas
do Nordeste.
E) Os interesses de uma minoria corrupta provocarão muitos problemas do
Nordeste.

210. Pelo título do texto – Nordeste: mito e realidade – já se pode inferir
que o tema será tratado numa perspectiva:
A) monolítica.
B) hipotética.
C) unilateral.
D) lúdica.
E) divergente.

TEXTO 2

Sotaques da resistência
A TV e o rádio bem que forçam, o preconceito regional não dá folga, mas a
variedade de sotaques no Brasil está longe de correr risco de extinção.
Quem garante são os especialistas em linguagem. O falar brasileiro sofre,
é verdade, a pressão imposta pelas normas prestigiadas do idioma, de
caráter conservador e uniforme. A expansão dos meios de comunicação de
massa, sabe-se, atua a favor de uma unidade linguística, com programas
de TV (algumas novelas, por exemplo), que suprimem as nuances autênti-
cas dos falantes e compõem “personagens regionais”, com um modo de
falar que pretende ser “típico” mas acaba por ser irreal.

Os linguistas avaliam, no entanto, que nem a força da mídia nem o prestí-
gio do padrão idiomático têm sido capazes de conter a diversidade do falar
brasileiro. Apesar de reforçar preconceitos e distorcer dialetos regionais, a
mídia não chega a produzir uma homogeneidade nos falares nacionais.

Falar uma única língua num território de dimensões continentais faz parte
do imaginário de nossa identidade nacional. Mas até que ponto resiste
essa unidade linguística brasileira? É certo que o português falado no
Norte seja compreendido no Sudeste, mas a diversidade de sotaques
mostra que, se falamos o mesmo idioma, nós o falamos diferentemente.

De onde vêm essas diferenças? Historicamente, as variações de pronún-
cia, entonação e ritmo observadas no Brasil espelham a expansão hetero-
gênea do português desde a colonização do país. Tupi-guarani, iorubá,
banto, castelhano, holandês, francês, árabe, italiano, inglês são alguns dos
idiomas que influenciaram a variação existente no português daqui. Herdei-
ros de uma sociedade estratificada, como a portuguesa, teríamos herdado
também o juízo de valor sobre a linguagem. Muitas maneiras de falar
seriam estigmatizadas ou discriminadas por denunciar procedência social e
nível cultural do falante.

É assim que, muitas vezes, o falar alheio causa estranhamento ou é consi-
derado “inferior”, “feio”, “pior”.

Na verdade, muita pesquisa precisa ser feita antes que se possa dizer algo
de definitivo sobre os diferentes falares do Brasil.
(Isadora Marques. Revista Língua Portuguesa. Junho de 2007, pp. 22-28.
Adaptado).

211. O tema desenvolvido no Texto 2 gira em torno da seguinte questão:
A) A língua que se fala no Brasil, dada a sua heterogeneidade, corre risco
de extinção.
B) O prestígio do padrão idiomático brasileiro tem sido cada vez mais
atuante.
C) As dimensões continentais de nosso território afetam nossa identidade
nacional.
D) A diversidade do falar brasileiro é, por muitas razões, uma realidade
inabalável.
E) A mídia tem um grande papel na manutenção do padrão idiomático de
prestígio.

212. Outro título que confirmaria a totalidade do Texto 2 seria:
A) A homogeneidade dos dialetos regionais brasileiros.
B) O estranhamento do falar brasileiro considerado “inferior”, “feio”, “pior”.
C) Uma única norma linguística num território de dimensões continentais.
D) Frustradas as pressões a favor da uniformidade do português falado no
Brasil.
E) A expansão linguística no período da colonização portuguesa.

213. De acordo com o Texto 2, podemos afirmar que as línguas:
A) são autônomas em relação às influências de outras línguas.
B) devem objetivar a homogeneidade, para não serem discriminadas.
C) estão expostas a fatores históricos que repercutem sobre elas.
D) tendem a ser “piores”, ou “mais feias” em decorrência de suas varia-
ções.
E) se faladas num território de dimensões continentais, sofrem risco de
extinção.

214. Releia o início do texto: “A TV e o rádio bem que forçam, o preconcei-
to regional não dá folga, mas a variedade de sotaques no Brasil está longe

Linguagens e Códigos
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de correr risco de extinção. Quem garante são os especialistas em lingua-
gem”. Na verdade, o que é que os especialistas em linguagem garantem?
1) Existem preconceitos regionais em atuação.
2) A TV e o rádio têm sido fortes aliados.
3) A variedade de sotaques não vai acabar.
4) A TV e o rádio reforçam os preconceitos.
Está(ão) correta(s):
A) 1 apenas
B) 3 apenas
C) 2 e 3 apenas
D) 1, 2 e 4 apenas
E) 1, 2, 3 e 4

215. Pode-se reconhecer um sentido de causalidade no seguinte fragmen-
to:
A) “a variedade de sotaques no Brasil está longe de correr risco de extin-
ção”.
B) “Mas até que ponto resiste essa unidade linguística brasileira?”
C) “Falar uma única língua num território de dimensões continentais faz
parte do imaginário de nossa identidade nacional”.
D) “Herdeiros de uma sociedade estratificada, como a portuguesa, tería-
mos herdado também o juízo de valor sobre a linguagem”.
E) “a diversidade de sotaques mostra que, se falamos o mesmo idioma,
nós o falamos diferentemente”.

216. Observe a pontuação do trecho: “Tupi-guarani, iorubá, banto, caste-
lhano, holandês, francês, árabe, italiano, inglês são alguns dos idiomas que
influenciaram a variação existente no português daqui”. As vírgulas desse
trecho devem-se ao fato de que se trata:
A) de uma explicação.
B) de uma paráfrase.
C) de uma reformulação.
D) de uma enumeração.
E) de uma justificativa.

217. No fragmento seguinte: “Apesar de reforçar preconceitos e distorcer
dialetos regionais, a mídia não chega a produzir uma homogeneidade nos
falares nacionais”, a locução sublinhada expressa um sentido de:
A) concessão.
B) conclusão.
C) causalidade.
D) finalidade.
E) condição.

218. A propósito da concordância verbo-nominal no seguinte trecho:
“Grande parte das diferenças linguísticas do português que conhecemos foi
deixada pelos colonizadores”, podemos afirmar que também seria correto
dizer:
1) Grande parte das diferenças linguísticas do português que conhecemos
foram deixada pelos colonizadores.
2) Grande parte das diferenças linguísticas do português que conhecemos
foram deixadas pelos colonizadores.
3) Grande parte das diferenças linguísticas do português que conhecemos
foi deixadas pelos colonizador.
Está(ão) correta(s):
A) 1, 2, 3
B) 1 apenas C) 2 apenas D) 3 apenas E) 1 e 2 apenas

219. Observe a concordância do verbo ‘haver’ em: Há muitas maneiras de
falar que são estigmatizadas ou discriminadas. De acordo com as regras
da normapadrão, o verbo haver adota uma concordância especial. Identifi-
que, dentre as alternativas abaixo, aquela que está correta, de acordo com
tais regras.
A) Segundo a história, no período da colonização, haviam muitas línguas
em contato.
B) Devido à pluralidade linguística da colônia, houveram muitos choques
culturais entre os falantes.
C) Devem haver choques culturais entre os falantes desde que haja dife-
renças em contato.
D) Se houvessem menos diferenças culturais, o português seria hoje mais
homogêneo.
E) Em algumas comunidades, as diferenças linguísticas haviam sido incor-
poradas aos padrões gerais.

220. Do ponto de vista da sintaxe do português, está bem formado o se-
guinte enunciado:
A) A variedade de sotaques brasileiros estão longe de correr risco de
extinção.
B) A força de tantos meios sociais não conseguiu conter a diversidade do
falar brasileiro.
C) De onde veio tantas diferenças linguísticas?
D) A mídia não chega à produzir uma homogeneidade nos falares nacio-
nais.
E) As variações de pronúncia e entonação espelha a heterogeneidade do
português.

RESPOSTAS

01. A 11. C 21. A 31. E 41. B
02. B 12. A 22. E 32. B 42. A
03. E 13. B 23. B 33. A 43. C
04. C 14. E 24. A 34. C 44. D
05. A 15. D 25. E 35. E 45. B
06. E 16. A 26. D 36. B 46. A
07. B 17. C 27. A 37. A 47. E
08. A 18. D 28. C 38. C 48. D
09. D 19. E 29. B 39. D 49. B
10. B 20. B 30. D 40. E 50. C

51. D 61. C 71. B 81. C 91. D
52. E 62. D 72. C 82. E 92. D
53. D 63. B 73. A 83. C 93. C
54. A 64. A 74. B 84. E 94. E
55. D 65. A 75. D 85. D 95. A
56. C 66. B 76. C 86. A 96. A
57. E 67. B 77. E 87. B 97. D
58. B 68. A 78. A 88. C 98. E
59. A 69. A 79. B 89. A 99. C
60. E 70. B 80. D 90. D 100. B

101. C 111. E 121. C 131. B 141. C
102. A 112. C 122. B 132. C 142. E
103. D 113. B 123. D 133. B 143. A
104. E 114. A 124. E 134. E 144. B
105. B 115. D 125. A 135. D 145. C
106. C 116. E 126. B 136. D 146. E
107. D 117. C 127. D 137. C 147. B
108. A 118. A 128. E 138. A 148. A
109. D 119. E 129. A 139. E 149. D
110. B 120. B 130. B 140. A 150. D

151. A 161. B 171. D 181. B 191. D
152. C 162. D 172. A 182. E 192. C
153. D 163. D 173. C 183. B 193. E
154. B 164. C 174. E 184. D 194. B
155. E 165. B 175. E 185. D 195. C
156. A 166. A 176. C 186. D 196. A
157. A 167. B 177. A 187. A 197. D
158. C 168. C 178. B 188. B 198. B
159. B 169. B 179. C 189. C 199. E
160. A 170. E 180. D 190. A 200. C


INGLÊS
ARTIGOS

Tal como em português, em inglês existe o artigo definido (the) e o ar-
tigo indefinido (a / an). Usam-se nos seguintes casos:

Countable nouns* Mass nouns**
Singular Definido The pen The music
Indefinido A pen Music
Plural Definido The pens --------
Indefinido Pens --------


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* Countable nouns - Substantivos que se podem contar e que têm
plural, por exemplo, bag / bags.
** Mass nouns - Substantivos de grande quantidade ou que não têm
plural, por exemplo, homework, butter.

A é usado antes de palavras que começam com o som de uma conso-
ante e an antes de palavras que começam com o som de uma vogal. Por
exemplo, a telephone, an elephant.

O artigo definido the nunca muda de forma, ou seja, é invariável em
gênero e número. Corresponde a o, a, os, as.

Singular Plural
The boy the boys
The girl the girls

Omite-se o artigo definido diante de nomes próprio:
John is in Rio.
Mary speaks Spanish.

Exceções:
The United States.
The Soviet Union.
The Amazon (o rio e a região)
The Argentine (mas: Argentina)

Não se emprega the com substantivos abstratos, considerados em
sentido geral:
Honesaty is the best policy.
Gold is more valuable than silver.

Omite-se the antes de adjetivos e pronomes possessivos.
It is my pen.
That pen is mine.

Os artigos indefinidos são: a, an. Diante de palavras iniciadas com
som vocálico, usa-se an.

Diante de palavras iniciadas com som consonantal, usa-se a.
A woman an egg
A month an umbrella

SUBSTANTIVOS – FORMAÇÃO DO PLURAL

1) Forma-se o plural da maioria dos substantivos em Inglês, pelo acrés-
cimo de –s ao singular.
Singular Plural
Pen pens
Chair chairs
Car cars
2) No entanto, existem grupos de palavras que têm formas irregulares no
plural.
Às terminadas em s, x, z, ch e sh acrescenta-se es.
Mutch – mutches
Box – boxes

Nas palavras terminadas em y precedido de consoante, substitui-se o
y por i e acrescenta-se es.
Baby – babies
Canary – canaries

Às palavras que terminam em – o - precedido de consoante, acrescen-
ta-se –es.
Echo – echoes
Tomato – tomatoes

Certas palavras terminadas em –f ou –fe, geralmente mudam esta ter-
minação para –ves.
Wife – wives
Hoof – hooves

Alguma palavras têm formas excepcionais no plural.
Tooth – teech
Foot – feet
Mouse – mice
Louse – lice
Ox – oxen, oxes
Man – men
Child – children
Brother-in-law – brothers-in-law

Palavras que por seu sentido são “incontáveis”, como líquido, gás, pó,
etc. não admitem terminação no plural.
Gas sugar cake
Water soap toof
Coffee hair beer
Tea money rain

Com estes substantivos não se empregam os artigos indefinidos, ou
números. Usam-se, ao invés, as expressões:
Some, a little, a lot, etc.

GÉNERO
Em geral, os substantivos em inglês não identificam géneros. Por e-
xemplo, book não é uma palavra masculina nem feminina. Alguns substan-
tivos definem géneros quando são palavras que se usam para referir
especificamente homens e mulheres, ou machos e fêmeas:

Masculino Feminino
Actor Actress
Monk Nun
Hero Heroine
Boy Girl
Dog Bitch

O CASO GENITIVO

O caso genitivo (de posse) é representado por um apóstrofo e s (‘s) ou
apenas pelo apóstrofo.
O carro de João – John’s car.
O livro de Carlos – Charles’ book.

Nas relações coisa/coisa não se emprega ‘s. Utiliza-se a preposição of.
The door of the house.
The foot of the bed.

ADJETIVOS

Os adjetivos são formados de várias maneiras e não é possível prever,
pela sua estrutura, que palavras são adjetivos. No entanto, os seguintes
sufixos são, em geral, indicativos de um adjetivo:

Sufixo Exemplos
-y Happy
-less Careless
-ish Greenish
-ous Famous
-able Comfortable
-al Comical
-ic Scientific
-ful Careful

POSIÇÃO
Existem três posições principais para adjetivos, embora a regra geral
seja o adjetivo preceder o substantivo.

Posição Descrição Exemplo
Antes de um substantivo Atributivo The careful student
Como complemento do
sujeito ou objecto
Predicativo
The student is worried
I consider him special
Segue imediatamente o
substantivo
Atributivo colocado
após o substantivo
That is something inter-
esting

Linguagens e Códigos
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(post-positive)

(1) Muitos adjetivos podem ser colocados em posições atributivas ou
predicativas, p. ex: careful.
(2) Alguns são só atributivos, p. ex: I felt utter astonishment.
(3) Alguns são só predicativos, p. ex: The boys are asleep.
(4) Poucos são só atributivos colocados após o substantivo e são
usados em situações muito específicas, p. ex: the president elect.

COMPARAÇÃO
São possíveis três tipos de comparação: ao mesmo grau; a um
grau superior; a um grau inferior.

Ao mesmo grau - comparativo de igualdade John is as tired as Jill
A um grau superior - comparativo de superio-
ridade ou superlativo relativo de superiorida-
de
Jill is more tired than John
Jill is the most tired person
A um grau inferior - comparativo de inferiori-
dade ou superlativo relativo de inferioridade
Jill is less tired than John
Jill is the least tired person

As comparações podem ser formadas adicionando -er, -est ao final de
um adjetivo, ou utilizando more / less than ou the most / the least.

Normal Comparativo Superlativo
Tall Taller Tallest
Beautiful More beautiful Most beautiful

Adjetivos com formas irregulares:
Normal Comparativo Superlativo
Good Better Best
Bad Worse Worst
Far
Farther
Further
Farthest
Furthest

GRAUS - REGRAS DE FORMAÇÃO
A formação comparativa e superlativa de um adjetivo normalmente
dependem do número de sílabas que o adjetivo normal tem.


Número de sílabas Normal Comparativo Superlativo
1 Old Older Oldest
2 Careful More careful Most careful
2 (acabado em -y) Happy
Happier
More happy
Happiest
Most happy
2 (acabado em -ow) Narrow
Narrower
More narrow
Narrowest
Most narrow
2 (acabado em -le) Simple
Simpler
More simple
Simplest
Most simple
2 (acabado em -er) Clever
Cleverer
More clever
Cleverest
Most clever
2 (acabado em -ure) Mature
Maturer
More mature
Maturest
Most mature
3 Wonderful More wonderful Most wonderful
3 (começado em -un) Unhappy
Unhappier
More unhappy
Unhappiest
Most unhappy

(1) A maior parte das formas terminadas em -er e -est podem tam-
bém ser formadas da outra forma, i.e. The more young / younger you
are, the more happy / happier you are. No entanto, cada adjetivo tem
uma forma que é habitualmente mais usada.
Fonte: http://www.universal.pt/dicol/GramIN/GIn65.htm

PRONOMES

Tipos Exemplos
Pessoal I, we
Reflexivo Myself, himself
Possessivo My, yours
Recíproco Each other, one another
Relativo Who, which, that
Interrogativo Who, which, that
Demonstrativo This, these, that, those
Indefinido - (positivo) All, both, every
Indefinido - (negativo) None, neither

PRONOMES PESSOAIS

Sujeito Objeto / Complemento
1.ª pessoa
Singular I Me
Plural We Us
2.ª pessoa
Singular You You
Plural You You
3.ª pessoa
Singular masculino He Him
Singular feminino She Her
Singular neutro It It
Plural They Them

PRONOMES DETERMINANTES POSSESSIVOS

Pessoa Pronomes Determinantes
Singular
Primeira Mine My
Segunda Yours Your
Terceira masculina His His
Terceira feminina Hers Her
Terceira neutra -------- Its
Plural
Primeira Ours Our
Segunda Yours Your
Terceira Theirs Their

(1) Existem também as formas arcaicas thy / thine: Thy will be done,
Thine is the Kingdom, que não são utilizadas em inglês corrente mas que
se encontram no inglês antigo e bíblico.

(2) Quando o sexo de uma pessoa não está especificado pode utilizar-
se his juntamente com her: A student has to maximise his / her chances.
Muitas vezes este tipo de frase usa-se no plural para evitar uma estrutura
estilisticamente feia: Students must maximise their chances.

PRONOMES DETERMINANTES DEMONSTRATIVOS

Referência Singular Plural
1.ª, 2.ª pessoas This These
3.ª pessoa That Those

PRONOMES INTERROGATIVOS E RELATIVOS

Definidos Não Definidos
Pessoais Impessoais Pessoais Impesso-
ais
Sujeito Who, that Which, that Who Which
Complemento Whom, that Which, that Whom Which
Genitivo Whose

O whom é característico do inglês formal e a maior parte dos fa-
lantes nativos da língua tende a utilizar o who, excepto em situações
muito formais.

Pronomes interrogativos
Estes têm a mesma estrutura de wh- que os pronomes relativos mas
são utilizados de forma diferente.

Definidos:
Who is your favourite singer?
What is your favourite song?

Não Definidos:
Which is your favourite singer? (Elvis Presley or Frank Sinatra?)
Which is your favourite song?

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Which é utilizado quando há uma escolha limitada de respostas.

PRONOMES INDEFINIDOS

Countable nouns* Mass nouns**
Pessoais Impessoais
Singular
Everyone
Everybody
Everything All
Someone
Somebody
Something Some
Anyone
Anybody
Anything Any
No one
Nobody
None
Nothing
None
None
Plural
All / both
Some
None
All / both
Some
None
All
Some
None

* Countable nouns - Substantivos (ou pronomes) que se podem contar e
que têm plural, por exemplo, Bag / Bags.
** Mass nouns - Substantivos (ou pronomes) de grande quantidade ou
que não têm plural, por exemplo, tea, homework, butter.

PRONOMES REFLEXOS

1.ª pessoa
Singular Myself
Plural Ourselves
2.ª pessoa
Singular Yourself
Plural Yourselves
3.ª pessoa
Singular masculino Himself
Singular feminino Herself
Singular neutro Itself
Plural Themselves

NUMERAIS

Números Cardinal Ordinal - multiplicativo* Fracionário
1 One First
2 Two Second / double A or one half
3 Three Third / triple A or one third
4 Four Fourth / quadruple Fourth
5 Five Fifth / quintuple Fifth
6 Six Sixth / sextuple Sixth
7 Seven Seventh / septuple Seventh
8 Eight Eighth / octuple Eighth
9 Nine Ninth Ninth
10 Ten Tenth Tenth
11 Eleven Eleventh Eleventh
12 Twelve Twelfth Twelfth
13 Thirteen Thirteenth Thirteenth
14 Fourteen Fourteenth Fourteenth
15 Fifteen Fifteenth Fifteenth
16 Sixteen Sixteenth Sixteenth
17 Seventeen Seventeenth Seventeenth
18 Eighteen Eighteenth Eighteenth
19 Nineteen Nineteenth Nineteenth
20 Twenty Twentieth Twentieth
21 Twenty-one Twenty-first Twenty-first

* Estas formas só são normalmente utilizadas até octuple.

Números Cardinal
Ordinal - multi-
plicativo
Fraccionário
30 Thirty Thirtieth Thirtieth
40 Fourty Fortieth Fortieth
50 Fifty Fiftieth Fiftieth
60 Sixty Sixtieth Sixtieth
70 Seventy Seventieth Seventieth
80 Eighty Eightieth Eightieth
90 Ninety Ninetieth Ninetieth
100 A / one hundred
A / one hun-
dredth
A / one hundredth
200 Two hundred Two hundredth Two hundredth
300 Three hundred
Three hun-
dredth
Three hundredth
400 Four hundred Four hundredth Four hundredth
500 Five hundred Five hundredth Five hundredth
600 Six hundred Six hundredth Six hundredth
700 Seven hundred
Seven hun-
dredth
Seven hundredth
800 Eight hundred Eight hundredth Eight hundredth
900 Nine hundred Nine hundredth Nine hundredth
1000
A / one thou-
sand
A / one thou-
sandth
A / one thousandth
10.000 Ten thousand Ten thousandth Ten thousandth
100.000
A / one hundred
thousand
A / one hundred
thousandth
A / one hundred thou-
sandth
1.000.000 A / one million A / one millionth A / one millionth
1.000.000
.000
A / one billion* A / one billionth A / one billionth

PREPOSIÇÕES

MONOSSILÁBICAS

As At But By
Down For From In
Like Near Of Off
On Out Past Per
Round Through To Up
With

POLISSILÁBICAS

About Above Across After
Against Along Among Around
Before Behind Below Beneath
Beside Between Beyond During
Except Inside Into Onto
Opposite Outside Over Throughout
Toward(s) Under Underneath Until
Upon Within Without

ADVÉRBIOS

Advérbio é uma palavra ou grupo de palavras que descreve ou qualifi-
ca um verbo, um adjetivo, um outro advérbio ou uma sentença.

Exemplos:
 "little" = menos que, não passa de (Advérbio)
 Ex: That story is little more than gossip. (Esta história não passa
de fofoca.)
 "Someday" = algum dia (Advérbio)
 Ex: He'll fall in love someday. (Ele irá se apaixonar algum dia.)
 "Somehow" = de alguma maneira (Advérbio)
 We'll find the solution for this problem somehow. (Nós acharemos

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100
a solução para este problema de alguma maneira.)
 "Somewhere" = em algum lugar (Advérbio)
 It's got to be somewhere! (Tem que estar em algum lugar!)
 "Any" = nenhum (Advérbio)
 It didn't make any difference. (Não fez diferença nenhuma.)
 "Anyhow / anyway" = de qualquer maneira (Advérbio)
 They told them not to do it, but they did it anyhow. (Eles os alerta-
ram para não fazerem aquilo, mas eles o fizeram de qualquer ma-
neira.)
 "Anywhere" = em qualquer lugar (Advérbio)
 He can be anywhere. (Ele pode estar em qualquer lugar.)
 "Nothing" = de nenhuma maneira, nada parecido (Advérbio)
 His ideas are nothing like mine, but I love him anyway. (As ideias
dele não são nem um pouco parecidas com as minhas, porém eu
o amo de qualquer maneira.)
 "Nowdays" = hoje em dia (Advérbio)
 I'm old and nowadays all I want is peace. (Estou velho e a única
coisa que quero hoje em dia é paz.)
 "Nowhere" = de lugar nenhum (Advérbio)
 It seemed to come from nowhere, until we discovered its wisdom.
(Parecia não ter vindo de lugar nenhum, até conhecermos sua sa-
bedoria.)
 "All" = tudo (Advérbio)
 He's got it all! (Ele tem tudo / é demais!)
 "Most" = mais (Advérbio)
 Which is the most fascinating, to love or to be loved? (O que é
mais fascinante, amar ou ser amado?)
 "No" = não (Advérbio)
 Would you like another piece of pie? No, thank you. (Você gosta-
ria de um outro pedaço de torta? Não, obrigado.)
 "Before" = antes (Advérbio)
 Haven't we met before? (Nós já não nos encontramos antes?)
 "After" = depois (Advérbio)
 I arrived an hour after they did. (Eu cheguei uma hora depois que
eles chegaram.)
 "Too" = muito, além do necessário, conveniente (Advérbio)
 These shoes are too big for me. (Estes sapatos são muito gran-
des para mim.)
 "So" = tão (Advérbio)
 He was so nervous that he couldn't speak. (Ele estava tão nervo-
so que não conseguia falar.)
 "Neither" = nem (Advérbio)
 I don't speak German. Neither do I. (Eu não falo alemão. Nem
eu.)
 "Enough" = suficiente (Advérbio)
 Are you confortable enough? (Você está confortável o suficien-
te?)
 "Still" = ainda (Advérbio)
 Are they still here? (Eles ainda estão aqui?)
 "Yet" = ainda (Advérbio)
 We haven't done much about it yet, but we will. (Nós não fizemos
muito a respeito disso ainda, mas faremos.)
 "Since" = desde (Advérbio)
 I saw her last year, but I haven't seen her since. (Eu a vi no ano
passado, mas não a vi desde então.)
 "When" = quando (Advérbio)
 When are they coming? (Quando eles virão?)

VERBOS

Auxiliares
O que são os tais dos verbos auxiliares? Eles são a base da língua in-
glesa. Todos os outros milhares de verbos giram em torno deles.

Vocês sabiam que não é possível fazer uma oração negativa ou inter-
rogativa sem usar um deles? Vejam 'do', por exemplo, cuja função é colo-
car o verbo principal no presente (falar no tempo presente):

Eu não gosto de fumar:
I do not like smoking.
Do you like smoking?

Se vocês estiverem dominando os auxiliares, o restante é fácil. Se ne-
cessário, é só ir ao dicionário e procurar qualquer outro verbo existente na
língua para construir em cima deles.

Todos os tempos verbais nascem deles.

TO BE

Present form of the verb to be

The affirmative
I am eu sou, eu estou
You are você é, está
He is ele é, está.
She is ela é, está
It is ele é, ela é, está - para objetos
We are nós somos, estamos
You are vocês são, estão
They are eles, elas são, estão

The negative
I am not - I'm not
You are not - you're not, you aren't
He is not - he's not, he isn't
She is not - she's not, she isn't
It is not - it's not, it isn't
We are not - we're not, we aren't
You are not - you're not, you aren't
They are not - they're not they aren't

The interrogative
Am I?
Are you?
Is he?
Is she?
Is it?
Are we?
Are you?
Are they?

Past form of the verb to be
The affirmative
I was - eu estava, eu era
You were
He was
She was
It was
We were
You were
They were

The negative
I was not - I wasn't
You were not - you weren't
He was not - he wasn't
She was not - she wasn't
It was not - it wasn't
We were not - we weren't
You were not - we weren't
They were not - they weren't

The interrogative
Was I?
Were you?
Was he?
Was she?
Was it?
Were we?
Were you?

Linguagens e Códigos
101
Were they?

Do
1. 'do' é usado em frases negativas para colocar o verbo principal no
presente:
 I don't want this - Não quero isto.
 I don't think it is important - Não acho que é importante.
 I don't go out on Mondays - Não saio nas segundas.
 I don't take sugar in my coffee - Não uso açúcar no café.
 I don't smoke or drink - Não fumo nem bebo.
Obs.: usamos 'do' porque não podemos dizer ' I want not, I think not
etc, pois só podemos colocar a partícula 'not' depois de verbos auxilia-
res.
2. 'do' é usado também em frases interrogativas:
 Do you smoke? - Você fuma?
 Do you want this?
 Do you think it is important?
 Do you go out on Mondays?
 Do you take sugar in your coffee?
 Do you smoke or drink?
3. com 'he', 'she' e 'it' acrescentamos 'es' ao 'do':
 She doesn't want this.
 Does he think it is important?
 'Do' não aparece em frases afirmativas, mas note o seguinte:
 They like meat.
 He likeS meat
 She likeS meat
 It likeS meat

CAN

Can 'poder' físico e 'poder' mental; ou ainda permissão informal.

Poder físico:
I can walk - Posso andar;
Poder mental:
I can speak English - Sei falar inglês;
Permissão informal:
Can I come in? - Posso entrar?

Nas negativas podemos usar can para sugerir proibição:
You can not go in there - Você não pode entrar aí.

COULD

Could é geralmente usado como o passado de can:
 I couldn't go there - Não pude ir lá.
 Could you give me your name? - Poderia me dar seu nome?
 I could swim when I was 10 - Eu sabia nadar quando eu tinha 10
anos.

DID

O passado simples
Nas frases afirmativas usamos a segunda coluna da lista de verbos:
I went to the cinema last night (Fui ao cinema ontem à noite).

A negativa é formada por didn't + a primeira coluna:
I didn't go to the cinema by myself last night (Não fui ao cinema sozi-
nho ontem à noite).

A interrogativa:
Did you go to the theatre last night? (Você foi ao teatro ontem à noite?)

O passado simples é sempre usado com uma referência de tempo: on-
tem, hoje pela manhã, ano passado etc.

WILL

1. Se você estiver conversando com alguém e durante essa conversa
você decide fazer algo, então você deve usar will para expressar essa
decisão, uma decisão no momento da fala: Ok, ok. I will go with her
(Tudo bem, eu irei com ela).
2. Usamos will para falarmos sobre fatos definitivos no futuro: I will turn
39 next June (Farei 39 anos em junho).
3. Will também é usado para fazer ameaças ou enfatizar uma posição: I
will not let you use such methods (Não permitirei que você use tais mé-
todos).
4. Usamos will para oferecer: I'll post those letter for you (Colocarei estas
cartas no correio para você).
5. Will é usado com if e when: If you study hard, you will pass (Se você
estudar bastante, você passará).
When I arrive, I will have a cold shower (Quando eu chegar, vou tomar
um banho frio).

WOULD

Would é o passado de will, e serve-nos da seguinte forma: se no por-
tuguês temos 'gostaria', 'andaria', 'amaria' etc, isto é, sempre que tivermos
o sufixo 'ia' depois do 'r', temos 'would' em inglês, assim: I would like to go
there = I'd like to
 go there - Eu gostar-ia de ir lá.
 I wouldn't like to go there.
 Would you like to go there?

Podemos usar would para fazer pedidos:
 Would you give me your address, please?
 Você me daria seu endereço, por favor?

SHALL

Shall é mais usado no inglês britânico, mas também aparece com cer-
ta frequência no americano. Ele é basicamente usado para fazermos
sugestões, assim: Shall we stay home tonight? (Que tal ficarmos em casa
hoje? - O que você acha?)
Yes, let's. (Sim, vamos).
Shall I tell him? (Devo dizer a ele? - O que você acha?)
ou para oferecermos:
Shall I get you a beer? (Aceita uma cerveja?)
No, thank you.

Repare que, nesses casos, ele é usado somente nas primeiras pesso-
as.

SHOULD

Usamos should como 'deveria', 'deveríamos', etc.
 I think you should smoke less - Acho que você deveria fumar me-
nos.
 Should I tell her the truth? - Eu deveria (devo) contar a verdade a
ela? (O que você acha?) = Shall no Inglês britânico

He should not be wearing jeans here - Ele não deveria estar usando
jeans aqui.

May - (Significa 'poder'; negative: may not)
1. Para se pedir permissão, formalmente, usa-se may:
 May I come in? - Posso entrar?
 No, you may not.
 Yes, you may.
 Informalmente, deve-se usar can nas situações acima.
2. Quando você quiser falar sobre a possibilidade de que algo venha
a acontecer, você também usa may:
 It may rain (Pode chover).
 I may go there, I am not sure (Talvez eu vá, não tenho certeza).
 You may want to know more about can & may.

Might - (modal verb negative short form mightn't)
Might é o passado de may, e basicamente o usamos da seguinte for-
ma:

Linguagens e Códigos
102
He said he might come (Ele disse que talvez viesse).
Literalmente: Ele disse que poderia vir.

Alguns autores citam might como se ele afastasse ainda mais a possi-
bilidade de algo se realizar:
I might go, I really don't know (Talvez, talvez eu vá, realmente não sei).

Ought to
 Ought to é mais forte que should: I do think you ought to speak to
your mother about this.
 Realmente acho que você deveria falar com sua mãe sobre isso.

Must (modal verb neg short form mustn't)
1. Must na afirmativa expressa obrigação, geralmente pessoal: I must
finish this work in three days' time (Tenho que terminar este traba-
lho em três dias).
2. Na negativa must expressa proibição:
You mustn't smoke in here (Você não deve fumar aqui - não é
permitido).

Fonte: http://www.casadoalan.com/Had.html

ESTUDO ESPECIAL SOBRE VERBOS

1. PRESENTE (Present Tense)

Presente simples (Simple Present Tense)
Forma-se com o infinitivo sem a partícula to.
I go I come
You go you come
We go we come
They go they come

Na 3ª pessoa do singular acrescenta-se –s ao verbo.
He goes he comes
She goes she comes
It goes it comes

O presente simples expressa ações e eventos que acontecem
com certa regularidade ou habitualmente, e é frequentemente acom-
panhados dos advérbios:
Everyday I come to São Paulo Everyday.
Always John always comes with me.
Usually I usually have lunch aat noon.
Often They often goto the movies.
Sometimes Frank sometimes goes with them.
Rarely I rarely smoke.
Never We never eat before six o’clock.

Os verbos terminados em ch, sh, s, x, z e y precedido de conso-
ante, seguem as regras de formação do plural dos substantivos.
Pass + es
Watch + es
Push + es
Mix + es
Buz + es
Mas: CARRY = CARRIES

PRESENTE CONTÍNUO (Present Continuous Tense)
Forma-se com o presente do verbo auxiliar to be e o gerúndio do
verbo principal (vero + ing).

TO GO
I am going
You are going
He is going
She is going
It is going
We are going
You are goling
They are going

Usa-se o presente contínuo para descrever um ato ou evento que está
acontecendo NOW, ou agora.

Certos verbos não comportam o presente contínuo:
 Verbos de emoção: love, want, like, wish, hate, dislike
 Verbos de pensamento: feel, realize, understand, know, forget
 Verbos de senso: see, hear, smell, taste
 Verbos de posse: own, owe, belong, possess
 Jack is going to school now.
 I’m reading a good book.
 They’re coming home right now.

MAS:
I want to eat now.
Mary sme’lls something burning.

As formas interrogativa e negativa são idênticas às do verbo to be.
I’m walking
Am I walking?
I’m not walking.

They’re working.
Are they working.
They aren’t working.

He’s sleeping.
Is he sleeping?
He isn’t sleeping.

IMPERATIVO (Imperative)
Expressa ordem, comando, súplica, e tem a seguinte forma em inglês:
Infinitivo go (sem to) ----------------- Go away!
O sujeito you está subentendido.

Forma-se o negativo com o auxiliar do + not.
Don’t go away!

PASSADO (Past tense)

To be
Presente Passado
I am was
He is was
She is was
It is was
We are were
You are were
They are were

He was a student.
Jane and I were at school.

O negativo e o interrogativo são formados como no presente, colocan-
do-se o verbo antes do sujeito.
I was at home yesterday.
as I at home yesterday?
You were in the car.
Were you in the car?
John was nor here last night.
e were not at movies.

Formas contratas:
Was not (wasn’t)
Were not (weren’t)

PASSADO SIMPLES (Simple Past Tense)

1) Verbos regulares
Forma-se o passado da maioria dos verbos em Inglês, pelo acrés-
cimo de –ed ao infinitivo. A mesma forma serve para todas as
pessoas.
To work – worked

Linguagens e Códigos
103
I worked
You worked
He, she, it worked
We worked
You worked
They worked

Tal k – talked
Walk – walked
Live – lived
Watch – watched

Mas
Study – studied
Marry – married

2) Porém há um grande número de verbos irregulares, cujas for-
mas devem ser memorizadas:
Go went
Come came
Eat ate
Drink drank
Have had
Sit sat
Get got
Tell told
See saw
Know knew
Write wrote
Give gave
Begin began
Put put
Cost cost
Feel felt
Hear heard
Sell sold

O interrogativo é formado com o passado do auxiliar do – did, perma-
necendo o verbo principal no infinitivo.
John went home.
Did John go home?

Ralph asked me a question.
Did Ralph ask me a question?

O negativo é formado com did + not (didn’t).
I went, but he didn’t go.
Mary saw him.
He didn’t see her.

VERBOS AUXILIARES E ANÔMALOS

Os verbos auxiliares são:

TO DO
PRESEN-
TE PASSADO
To do do did
Does
To be am was
Are were
Is
To have have had
Has

Emprega-se:
a) na formação do negativo:
I like English.
I don’t like English.
b) na formação do interrogativo:
Fred studies a lot.
Does Fred study a lot?
c) nas respostas breves:
Is he coming? – Yes, he is.
Are you there? – Yes, I am.
d) para indicar o tempo:
Did John go? Passado
Does John go? Presente
John has gone. Presente perfeito
They had left. Passado perfeito

Os verbos anômalos são:
Can – poder – capacidade
May – poder – permissãol
Must – dever – obrigatório
Mightg – poder, poderia (permissão)
Could – poderia
Should – deveria
Would – no condicional
Will – no futuro
Shall – no futuro para I/we

Estes verbos não mudam de forma e não apresentam a partícula to,
com exceção de have to (has to, had to) e ought to.
Have to = must
Ought to = should

O negativo dos verbos auxiliares é formado colocando-se not após o
próprio anômalo ou auxiliar.
They will go. They will not go.
I might leave. I might leave not.

O interrogativo dos auxiliares e anômalos é formado pela inversão do
sujeito e do verbo.
They must come. Must they come?
She would do it. Would she do it?

Have to forma o interrogativo e o negativo com o auxiliar do/does.
He has to go. Does he have to go?
Ralph does not have to leave.

PASSADO CONTÍNUO (Past Continuous Tense)
1) Assim como o presente contínuo, o passado também é formado
com to be e o gerúndio. Observe a conjugação de to be no passa-
do.
I was going (gerúndio do verbo to go)
You were going
He was going
She was going
It was going
We were going
You were going
They were going

É usado principalmente para indicar ações no passado que continua-
ram por um tempo indeterminado. A duração precisa destas ações não tem
importância.
- I was walking home.

PRESENTE PEFEITO (Present Perfec Tense)
O presente perfeito é formado com o presente de to have (has/have), e
o particípio passado do verbo principal.
To have + to go
John has + gone to Europe.
Fred has been here before.

Emprega-se o presente perfeito para indicar um tempo que se iniciou
no passado e que continua até o presente momento.
We have lived here for 5 years.
(Ainda moramos aqui)

É também empregado para indicar uma ação que aconteceu em um
tempo indefinido. Ou uma ação indefinida que se repetiu várias vezes no
passado.

Linguagens e Códigos
104
I have lost my pen. (não se sabe quando)
I have finished reading.
I have read that book several times.

PRESENTE PERFEITO CONTÍNUO (Present Perfect Continuous Ten-
se)
O presente perfeito contínuo é composto do presente perfeito de to be
e do gerúndio do verbo principal.
He has been working for there hours.
I’ve been living since last March.

Indica uma ação que começou no passado e continua até agora. Não
há diferença de sentido entre esta forma e o presente perfeito.
We have lived here for two years.
We have been living here for two years.

PASSADO PERFEITO (Past Perfect Tense)
a) O passada perfeito é composto do passado de to have (= had) e
do particípio passado do verbo principal.
John had gone before you arrived.
b) Interrogativo
Had John gone before you arrived?
c) O negativo
John had not gone before you arrived.

O passado perfeito é sempre usado em relação a uma situação ou a-
ção do passado mais recente (às vezes subentendida).

Yesterday Mary said that the had seen that movie the dfay before.

FUTURE (Future Tense)
Normalmente o futuro é formado com o verbo auxiliar will (ou shall nas
primeiras pessoas: I/we), seguido do infinitivo do verbo principal sem a
partícula to.
I will studuy. He will leave.
I shall study. He’ll leave.
I’ll study.

Existe, porém, outro modo de expressar o futuro: empregando-se o
presente contínuo de
To Go + infinitivo
‘I am going to read.
They are going to leave.

Esta forma expressa o futuro provável; comunica a intenção ou certeza
da pessoa que fala.

EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS

There is/there are
Esta expressão é usada para demonstrar a existência de alguma coisa
num determinado lugar; corresponde a haver (ou Ter).
Há uma mesa no canto.
There is a table in the corner.

Há dois livros na mesa.
There are two books on the table.

GERÚNDIO (Gerund)
O gerúndio tem forma idêntica à do particípio presente:
Gp – going watch – watching

Pode ser usado como:
1) Sujeito - Swimming is fun.
2) Objeto - They enjoy watching television.
3) Objeto de preposição - I am tired of working.
4) Complemento de uma frase - Frank’s favorite occupacion is
singing.

INFINITIVO (Infinitive)

To go to work
O infinitivo é normalmente precedido de to:
I want to go.
I asked to leave.

Porém, o infinitivo sem a partícula to é frequentemente usado, princi-
palmente:
a) Depois de verbos auxiliares (e anômalos), com exceção de ou-
ght, need, have, be.
I must go. We ought to call her.
He can drive. They have to stay here.
b) Depois de make e let.
Let me go.
c) Depois de verbos de “percepção”
I heard her cry.
I saw them run.
d) Depois de: had better, would rather, but, except.

IRREGULAR VERBS

Embora os verbos irregulares se constituam numa pequena minoria
em relação a todos os verbos existentes na língua, a frequência com que
ocorrem é muito alta, o que lhes dá uma importância significativa.

São todos de origem anglo-saxônica e se referem predominantemente
a ações comuns.

Os verbos irregulares do inglês são aqueles verbos que não seguem a
regra geral de formação do Passado e do Particípio Passado. A formação
do Past e do Past Participle, de acordo com a regra geral, que se aplica a
todos os demais verbos, se dá através do sufixo -ed. Portanto, todo verbo
que não seguir este padrão, será classificado de irregular.

É interessante notar que a irregularidade dos verbos em inglês mani-
festa-se apenas nas formas do Past e do Past Participle, e não na conju-
gação dos mesmos, como em português. Os únicos verbos do inglês que
têm também uma conjugação irregular são o verbo to be e os verbos
auxiliares modais (can, may, might, shall, should, must, etc.).

É interessante notar também que, com relação a frequência de ocor-
rência, o Past é mais importante para o aluno do que o Past Participle.
Enquanto que o Past representa uma das estruturas gramaticais básicas, o
Past Participle ocorre apenas no Perfect Tense, na formação da Voz
Passiva, e na forma adjetivada do verbo. Exemplos:
Have you heard the news? - Perfect Tense
Toyotas are made in Japan. - Passive Voice
English is a widely spoken language. - Adjective

Nós aqui classificamos as formas irregulares dos verbos como uma
questão de vocabulário, uma vez que as mesmas não interferem na estru-
turação das frases; e do ponto de vista do aprendizado, o aluno deve
assimilar essas formas da mesma maneira que assimila vocabulário.


Base Past Past Portuguese
Form Tense Participle Translation
arise arose arisen surgir, erguer-se
awake awoke awoken despertar
be was, were been ser, estar
bear bore borne suportar, ser portador de
beat beat beaten bater
become became become tornar-se
befall befell befallen acontecer
beget begot begotten, begot procriar, gerar
begin began begun começar
behold beheld beheld contemplar
bend bent bent curvar
bet bet bet apostar
bid bid bid oferecer, fazer uma oferta
bind bound bound unir, encadernar, obrigar-se
bite bit bitten morder
bleed bled bled sangrar, ter hemorragia
blow blew blown assoprar, explodir

Linguagens e Códigos
105
break broke broken quebrar
breed bred bred procriar, reproduzir
bring brought brought trazer
broadcast broadcast broadcast irradiar, transmitir
build built built construir
buy bought bought comprar
cast cast cast atirar, deitar
catch caught caught pegar, capturar
choose chose chosen escolher
cling clung clung aderir, segurar-se
come came come vir
cost cost cost custar
creep crept crept rastejar
cut cut cut cortar
deal dealt dealt negociar, tratar
dig dug dug cavocar
do did done fazer **
draw drew drawn tracionar, desenhar **
drink drank drunk beber
drive drove driven dirigir, ir de carro
eat ate eaten comer
fall fell fallen cair
feed fed fed alimentar
feel felt felt sentir, sentir-se
fight fought fought lutar
find found found achar, encontrar
flee fled fled fugir, escapar
fling flung flung arremessar
fly flew flown voar, pilotar
forbid forbade forbidden proibir
forget forgot forgot, forgotten esquecer
forgive forgave forgiven perdoar
freeze froze frozen congelar, paralizar
get got gotten, got obter **
give gave given dar
go went gone ir
grind ground ground moer
grow grew grown crescer, cultivar
have had had ter, beber, comer
hear heard heard ouvir
hide hid hidden, hid esconder
hit hit hit bater
hold held held segurar
hurt hurt hurt machucar
keep kept kept guardar, manter
know knew known saber, conhecer
lay laid laid colocar em posição horizontal, assentar
lead led led liderar
leave left left deixar, partir
lend lent lent dar emprestado
let let let deixar, alugar
lie lay lain deitar
lose lost lost perder, extraviar
make made made fazer, fabricar **
mean meant meant significar, querer dizer
meet met met encontrar, conhecer
overcome overcame overcome superar
overtake overtook overtaken alcançar, surpreender
pay paid paid pagar
put put put colocar
quit quit quit abandonar
read read read ler
ride rode ridden andar
ring rang rung tocar (campainha, etc.)
rise rose risen subir, erguer-se
run ran run correr, concorrer, dirigir
saw sawed sawn serrar
say said said dizer
see saw seen ver
seek sought sought procurar obter, objetivar
sell sold sold vender
send sent sent mandar
set set set pôr em determinada condição, marcar, ajustar **
shake shook shaken sacudir, tremer
shed shed shed soltar, deixar cair **
shine shone shone brilhar, reluzir
shoot shot shot atirar, alvejar
show showed shown mostrar, exibir
shrink shrank shrunk encolher, contrair
shut shut shut fechar, cerrar
sing sang sung cantar
sink sank sunk afundar, submergir
sit sat sat sentar
slay slew slain matar, assassinar
sleep slept slept dormir
slide slid slid deslizar, escorregar
sling slung slung atirar, arremessar
speak spoke spoken falar
spend spent spent gastar
spin spun spun fiar, rodopiar
spit spit, spat spit, spat cuspir
spread spread spread espalhar
spring sprang sprung fazer saltar
stand stood stood parar de pé, aguentar
steal stole stolen roubar
stick stuck stuck cravar, fincar, enfiar
sting stung stung picar (inseto)
stink stank stunk cheirar mal
strike struck struck golpear, desferir, atacar
string strung strung encordoar, amarrar
strive strove striven esforçar-se, lutar
swear swore sworn jurar, prometer, assegurar
sweep swept swept varrer
swim swam swum nadar
swing swung swung balançar, alternar
take took taken tomar **
teach taught taught ensinar, dar aula
tear tore torn rasgar, despedaçar
tell told told contar
think thought thought pensar
throw threw thrown atirar, arremessar
tread trod trodden pisar, trilhar
undergo underwent undergone submeter-se a, suportar
understand understood understood entender
uphold upheld upheld sustentar, apoiar, defender
wear wore worn vestir, usar, gastar
win won won vencer, ganhar
wind wound wound enrolar, rodar, dar corda
write wrote written escrever, redigir

DIFERENÇAS IDIOMÁTICAS

ENTRE PORTUGUÊS E INGLÊS
Ricardo Schutz
Atualizado em 12 de junho de 2004

Na linguagem coloquial, nas expressões do linguajar de todos os dias,
ocorrem formas peculiares e contrastes acentuados entre os dois idiomas.
A dificuldade surge sempre que nos defrontamos com uma expressão
idiomática, tanto no inglês quanto no português. São formas que não têm
qualquer semelhança com as formas usadas na outra língua para expres-
sar a mesma ideia. Existe correspondência no plano da ideia, mas não da
forma.

Esta lista de expressões cotidianas e comuns serve como exemplo da
necessidade do aprendiz de evitar a todo custo a tendência de fazer tradu-
ções mentais.

É importante entretanto lembrar que os idiomas não são rígidos como
as ciências exatas. Existem normalmente várias maneiras de se expressar
uma ideia em qualquer língua; basta ser criativo. Portanto, as formas do
inglês aqui usadas não são as únicas possíveis; são apenas as mais
comuns e as mais provavelmente usadas por falantes nativos norte-
americanos.

Linguagens e Códigos
106

Os materiais apresentados aqui nesta página não estão na forma de
plano de aula; são apenas materiais de referência para consulta, e úteis na
elaboração de exercícios e planos de aula. These materials are not lesson
plans. They are mainly resource type materials based on contrastive lin-
guistics.

"TER" AS TO BE (15)
O verbo ter do português é largamente usado, aparecendo muito em
expressões do nosso cotidiano e assumindo frequentemente um papel
idiomático. O verbo to have, que seria seu correspondente em inglês, tem
um uso mais restrito, não aparecendo muito em formas idiomáticas. O
verbo to be, por outro lado, cobre em inglês uma grande área de significa-
do, aparecendo em muitas expressões do dia a dia, de forma semelhante
ao verbo ter do português. Portanto, muitas vezes ter corresponde a to be,
conforme os seguintes exemplos:
 Quantos anos você tem? - How old are you?
 Você tem certeza? - Are you sure?
 Você tem razão. - You are right.
 Não tenho medo de cachorro. - I'm not afraid of dogs.
 O que é que tem de errado? - What's wrong?
 Não tive culpa disso. - It wasn't my fault.
 Tivemos sorte. - We were lucky.
 Tenha cuidado. - Be careful.
 Tenho pena deles (sinto por eles). - I feel sorry for them.
 Isto não tem graça. - That's not funny.
 Não tenho condições de trabalhar. / Não estou em condições ... -
I'm not able to work. / I can't work.
 Ela tem vergonha de falar inglês. - She's too shy to speak Engli-
sh.
 Você tem que ter paciência. - You must be patient.
 Ele tem facilidade para línguas. / Tem jeito ... - He's good at lan-
guages.
 Este quarto tem 3 metros de largura por 4 de comprimento. - This
room is 3 meters wide by 4 meters long.

ESTAR DE ... E ESTAR COM ... - PORTUGUESE "ESTAR DE ..." /
"ESTAR COM ..." (19)
A combinação do verbo estar com as preposições de e com é muito
comum em português, sendo que os significados que essas combinações
representam, podem assumir diferentes formas em inglês, conforme os
seguintes exemplos:
 Estou com frio. / ... fome. / ... medo. / ... sono. - I'm cold. / ... hun-
gry. / ... afraid. / ... sleepy.
 Estou com vontade de beber uma cerveja. - I feel like drinking a
beer. / I'd like to drink ...
 Estou com pressa. - I'm in a hurry.
 Estou com dor de cabeça. - I've got a headache. / I have a hea-
dache.
 Está com defeito. - It's out of order.
 Está com jeito de chuva. - It looks like rain.
 Ela está com 15 anos. - She is 15 years old.
 Estou de ressaca. - I've got a hangover. / I have a hangover. / I'm
hung over.
 Ela está de aniversário. - Today is her birthday. / She's celebrat-
ing her birthday today.
 Estou de férias. - I'm on vacation. / ... on holidays.
 Estou de folga. - It's my day off.
 Estou de serviço. - I'm on duty.
 Estou de castigo. - I'm grounded.
 Estou de saída. / ... de partida. - I'm leaving.
 Estou só de passagem. / I was just passing by.
 Estamos de acordo. - We agree.
 Estou com pouco dinheiro. / Estou mal de dinheiro. - I'm short of
money.
 Está de cabeça para baixo. / Está de pernas para o ar. - It's upsi-
de down.
 Está tudo misturado. - It's all mixed up.

LOCUÇÕES IDIOMÁTICAS COTIDIANAS - IDIOMS
É muito importante o aspecto idiomático quando duas línguas são
comparadas em nível de vocabulário. Em português, por exemplo, a sau-
dação matinal mais comum é Bom dia, a qual traduzida ao pé da letra para
o inglês, resultaria num insólito Good day, em vez do correto e usual Good
morning. Existe uma correspondência perfeita de ideias, mas não nas
formas usadas para representar essas ideias.

Certas expressões idiomáticas frequentemente citadas não são na
verdade muito importantes, porque as ideias que elas representam podem
ser facilmente colocadas de outra forma. Outras, entretanto, desempenham
um papel de fundamental importância pelo fato de dificilmente poderem ser
substituídas, bem como pelo alto grau de cotidianidade e pela frequência
com que ocorrem no inglês de native speakers. A maioria das expressões
aqui relacionadas são indispensáveis para quem deseja expressar-se de
forma adequada em inglês. Quando oportunamente usadas, conferem ao
estudante de EFL (English as a Foreign Language) precisão, naturalidade,
e uma imagem de quem realmente domina o idioma. Assim como verbos
preposicionais, estas expressões devem ser encaradas cada uma como
um elemento indivisível; como um novo vocábulo a ser assimilado.

Os exemplos abaixo encontram-se agrupados de acordo com os con-
textos em que ocorrem.

CONVENCIONALIDADES

EXPRESSIONS OF POLITENESS AND GETTING ACQUAINTED
 Prazer em conhecê-lo. - Nice to meet you. / I'm glad to know you.
/ It's a pleasure to know you. / How do you do.
 O prazer é meu. - Nice to meet you too.
 Como vai? - How are you? / How are you doing? / How is it go-
ing?
 Oi, tudo bom? - Hi, how's it going?
 E aí, como é que é? - Hey, what's up? (informal greeting)
 Há quanto tempo! - It's been a long time.
 Quantos anos você tem? - How old are you?
 Você tem irmãos? - Do you have any brothers and sisters?
 De nada. / Não há de que. / Disponha. / Tudo bem. / Que é isso! /
Capaz! - You're welcome. / That's OK. / Not at all. / Don't mention
it. / It's my pleasure.
 Igualmente. - The same to you. / You too.
 Com licença. / Dá licença. - Excuse me.
 Como? / O que? (quando não se entende o que o interlocutor
disse) - Excuse me? / Pardon? / Beg your pardon? / What? (less
polite)
 Eu já volto. - I'll be right back.
 Até logo. / Até amanhã. - I'll (I will) see you later (tomorrow). / See
you.
 Como é que foi o fim de semana? - How did you spend the week-
end? / How was your weekend?
 Parece que vai chover. - It looks like it's going to rain. / It looks
like rain.
 Será que vai chover neste fim de semana? - I wonder if it's going
to rain this weekend.
 Tomara que não chova. - I hope it doesn't rain.
 Faça-os entrar. - Show them in.
 Fique à vontade. / Esteja à vontade. / Faça de conta que
 está em casa. / Esteja a gosto. - Make yourself at home. / Make
yourself comfortable.
 Sirva-se. - Help yourself. / Be my guest. / Go ahead. (informal)
 Você está se divertindo? - Are you having a good time? / Are you
enjoying yourself? / Are you having fun?
 que você achou da festa? - How did you like the party? / What did
you think of the party?
 Não, obrigado; estou satisfeito. / Estou servido. - No, thanks. I'm
full. / I've had enough.
 Saúde! (Quando alguém espirra) - God bless you. / Bless you.
 Saúde! (Brinde) - Cheers!
 Pois não? (Que deseja?) - Yes, may I help you? / Can I help you?
/ What can I do for you? / What can I get for you?
 Pois não! - Sure! / Of course! (acceding to a request).

Linguagens e Códigos
107
 Você é que resolve. / Você que sabe. - It's up to you.
 Por mim, tudo bem. - It's OK with me.
 Vamos dar uma volta? - Let's go for a walk. / Let's take a walk. /
Do you want to go for a walk? / Let's go for a drive. / Would you
like to go for a drive?
 Qualquer um; tanto faz. - Either one. / Whatever. / It doesn't mat-
ter. / It doesn't make any difference. / It makes no difference.
 Pode deixar comigo - I'll take care of it.
 Me avisa se mudares de ideia. - Let me know if you change your
mind.
 Lembranças. / Abraços. - Regards. / Give my best.
 Vamos manter contato. - Let's keep in touch.
 Passe bem. - Have a nice day.
 Boa viagem! - Have a nice trip!

CONSOLANDO E TENTANDO AJUDAR
COMFORTING AND TRYING TO HELP (13)
 Você está bem? / Tudo bem contigo? - Are you OK?
 Vai ficar tudo bem. / Vai dar tudo certo. - It'll be OK. / It'll be all ri-
ght.
 Veja o lado bom das coisas. - Look on the bright side.
 Não se preocupe. / Deixa prá lá. / Não importa. - Don't worry. /
Never mind.
 Não deixe isso te afetar - Don't let it get to you.
 Te acalma. / Vai com calma. - Take it easy.
 Felizmente não aconteceu nada. - Fortunately nothing happened.
 Ainda bem que ... / Graças a Deus … - Thank God … / Good
thing …
 Não foi tua culpa. - It was not your fault.
 Pode contar comigo. - You can count on me. / You can lean on
me.
 Estarei sempre a teu lado. - I'll always be there for you.
 Coitado. / Coitadinho. - Poor thing.
 Meus pêsames. - My sympathy.

APROVANDO, FELICITANDO, ELOGIANDO OU CELEBRANDO
APPROVING, PRAISING, CONGRATULATING AND CELEBRATING
 Isso mesmo. / Exatamente. / Com certeza. - Exactly. / Absolutely.
 Boa ideia! / É uma boa. - Good idea! / Sounds good.
 Ótimo! - Great!
 Bem lembrado. - Good thinking.
 Meus parabéns pelo seu aniversário. / Meus cumprimentos pelo
... - Congratulations on your birthday.
 Gostei do teu vestido. - I really like your dress.
 Você está bonita(o). - You look good! / You look great!
 Consegui! - I got it! / I did it!
 São e salvo! - Safe and sound!
 Bom trabalho! - Good job!
 Ele está se saindo bem. - He's doing all right.

DESCREVENDO PESSOAS
DESCRIBING PEOPLE
 Ele (ela) é muito simpático(a). / ... é muito legal. - He/she's very
nice.
 Ela é muito gostosa. - AmE: She's hot. / What a babe! / She's a
foxy lady. / She's a looker. / BrE: She's really a nice totty. / She's
really stunning.
 Ela é uma gracinha. / ... bonitinha. - She's cute.
 Ele é um gostosão. - He's a hunk. / He's hot.
 Ele está de mau humor hoje. - He is in a bad mood today.
 Ele está fazendo 30 anos. - He's turning 30.
 Ele sofre do coração. - He has a heart condition.
 Ele é uma figura. - He's a real character.
 Ele é um tremendo cara-de-pau (cara dura). - He's got a lot of
gall. / ... a lot of balls. / ... a lot of nerve.
 Ele é um dedo-duro. - He's a snitch.
 Ele tem pavio curto. - He hss a short fuse.
 Ele é um puxa-saco. - He's an ass-kisser. / He's a brownnoser. /
He's an apple-polisher.
 Ele é um tremendo CDF - He's a nerd.
 Ele é um chato. - He's a pain.
 Ele é uma criança muito mimada - He's a spoiled child.

EXPRESSANDO PENSAMENTOS E SENTIMENTOS
EXPRESSING THOUGHTS AND FEELINGS
 Tenho saudades de ti (você). - I miss you.
 Estou com saudades de casa. - I'm homesick. / I miss home.
 Tenho muita pena dessa gente. - I'm very sorry for those people.
 Acho que sim. - I think so.
 Eu acho que não. - I don't think so. / I'm not so sure.
 Espero que sim. / Tomara que sim. - I hope so.
 Espero que não. / Tomara que não. - I hope not.
 Suponho que sim. - I guess so.
 Suponho que não. - I guess not.
 Claro! Claro que sim! - Sure! / Of course!
 Claro que não! - Of course not!
 Sem dúvida! / Com certeza! / Certamente! - Definitely! / Without
any question!
 Isso mesmo. / Exatamente. / É bem assim mesmo. - Exactly.
 Pode crer. - You bet.
 Por mim, tudo bem. - It's OK with me.
 De jeito nenhum! / Não há condições ... / De maneira alguma! -
No way! / There's no way ... / By no means. / That's impossible.
 Deus me livre! - Heaven forbid. / God forbid.
 Pode parar! / Dá um tempo! - Give me a break!
 Estou morrendo de fome. - I'm starving.
 Não aguento mais isto. - I can't stand it. / I can't stand it any
longer. / I'm sick and tired of this. / I'm fed up with it.
 Caí no desespero. - My heart sank. / I sank into despair.
 Não me sinto à vontade. - I don't feel comfortable.
 Que vergonha! / Que chato! - What a shame! / How embarrass-
ing!
 Não adianta. - It doesn't help. / It won't help. / It's no use. / It's no
help.
 Isto não tem lógica; não faz sentido. - It doesn't make any sense.
/ It's nonsense.
 Não deixa de aproveitar esta oportunidade. - Don't let this oppor-
tunity go by. / Don't let it slip away.
 Quem não arrisca, não petisca. - Nothing ventured, nothing
gained.
 Não queremos abrir precedente. - We don't want to set a prece-
dent.
 Nem toca no assunto. - Don't bring it up.
 Em primeiro lugar, ... - First of all, ...
 Em último caso, … - As a last resort …
 Finalmente! / Até que em fim! - At last!
 Cá entre nós … - Just between you and me, … / Just between the
two of us, …
 Pensando bem… - On second thought …
 Até certo ponto… - To a certain extent …
 Na pior das hipóteses, … - If worse comes to worst … / If worst
comes to worst … / At worst …
 Cedo ou tarde… - Sooner or later …
 Vamos fazer cara ou coroa. - Let's flip a coin.
 Conto com você. - I'm counting on you.
 Temos que nos ajudar um ao outro. / ... nos ajudar uns aos
outros. - We have to help each other. / We have to help one an-
other.
 Cuidado! - Be careful! / Watch out!
 Te cuida. / Cuide-se (Numa despedida) - Take care. / Take care
of yourself.
 Opa! (interjeição referente a um pequeno engano ou acidente) -
Oops!
 É a vida… - That's life …

PERGUNTANDO OU PEDINDO
ASKING
 Como é que se diz ... em inglês? - What do you call ... in English?

Linguagens e Códigos
108
 que é que significa ...? - What's the meaning of ...? / What does ...
mean?
 Tu estás de carro aí? - Are you driving?
 Me dá uma carona? - Can you give me a ride? / Would you ...? /
Will you ...?
 Posso te pedir um favor? / Podes me fazer um favor? - May I ask
you a favor? / Can you do me a favor?
 Me paga uma cerveja? - Will you buy me a beer?
 Posso te fazer uma pergunta? - May I ask you a question? / Can I
ask you something?
 O que é que está acontecendo por aqui? - What's going on in he-
re?
 Como assim? / O que é que você quer dizer com isso? /
 que é que você está querendo dizer? - What do you mean? /
What are you talking about? / What are you trying to say?
 Como é que se escreve? - How do you spell it?

LAMENTANDO, ARREPENDENDO-SE OU DESCULPANDO-SE
DECLINING, REGRETTING AND APOLOGIZING
 Que tal numa outra ocasião ...? - Maybe some other time.
 Que pena que tu não me contaste isto antes. / É uma pena ...! / É
lamentável … - Too bad you didn't tell me this before. / What a pity
...! / What a shame ...!
 É tarde demais. - It's too late.
 Foi tudo em vão. - It was all for nothing.
 Desculpa pelo atraso. - Sorry for being late. / Sorry I'm late. /
Sorry to be late.
 Não faz mal. - That's all right. / No problem.
 Não é minha culpa, eu fiz o melhor que pude (possível). - It's not
my fault, I did my best. / ... , I did the best I could.
 Não tive a intenção de te magoar. - I didn't mean to hurt you.
 A culpa foi minha. - It was my fault.
 Eu estava só brincando. - I was just kidding. / I was joking.
 Você deve desculpar-se. - You should apologize.
 Não me arrependo. / Não estou arrependido. - I don't regret it. /
I'm not sorry.

INFORMANDO OU COMENTANDO
INFORMING OR MAKING COMMENT
 Nasci em 1965. - I was born in 1965.
 Nós estávamos passeando. - We were taking a walk. / We were
walking around. / We were going for a drive. / We were driving.
 Normalmente vou para a escola a pé, mas às vezes meu pai me
leva. - I usually walk to school but sometimes my father drives me.
 Meu pai vai para o trabalho de carro. - My father drives to work.
 Não tenho nada para fazer. - I don't have anything to do. / I've got
nothing to do.
 Não choveu anteontem mas é capaz de chover depois de
amanhã. - It didn't rain the day before yesterday but it might rain
the day after tomorrow
 Eu pratico inglês, dia sim dia não. - I practice English every other
day.
 Ele não vem hoje. - He isn't coming today.
 Isto não vale a pena. - It's not worth it. / It isn't worthwhile.
 Nada mais justo. - Fair enough.
 Eu continuo tentando, ainda não desisti. - I'm still trying, I haven't
given up yet.
 Até agora, tudo bem. - So far, so good.
 Você tem que pagar até o fim do mês. - You have to pay by the
end of the month. / ... before the end of the month.
 A secretária está atendendo o telefone. - The secretary is an-
swering the phone. / ... is on the phone ...
 O vendedor está atendendo um cliente. - The salesman is helping
a customer.
 O Dr. Bishop não está atendendo pacientes porque está partici-
pando de uma conferência. - Dr. Bishop isn't examining patients
because he's attending a conference. / Dr. Bishop isn't seeing pa-
tients ... / Dr. Bishop isn't attending to patients ...
 Estou precisando ir ao médico (dentista). - I need to see a doctor
(dentista).
 Vou cortar o cabelo. - I'm going to get a haircut. / I'm going to get
my hair cut.
 Aquilo lá são livros. - Those are books.
 Tem uma pessoa aí que quer falar contigo. - There's somebody
(someone) who (that) wants to talk (speak) to (with) you.
 Agora é a tua vez. - Now it's your turn.
 Eu trabalho por conta própria. - I work for myself. / I work on my
own. / I'm self employed.
 Eu me machuquei. - I hurt myself.
 Eu gosto de andar de pés descalços. - I like to walk barefoot.
 Eu gosto de tomar banho de mar. - I like to go swimming in the
ocean.
 Te deste conta de que o custo de vida está cada dia mais alto? -
Did you realize that the cost of living is getting higher every day?
 Ele está namorando minha irmã. - He's dating my sister.
 Cá entre nós, … - Just between the two of us, …
 Extra-oficialmente. - Off the record.
 Só para lembrar … - Just for the record … / Just as a reminder …
 Não sobrou nada. - There's nothing left.
 No mínimo … - At least … / At the least …
 No máximo … - At most … / At the most …
 Meio a meio. - Fifty-fifty. / Half and half.
 É meio caro. - It's kind of expensive.
 Na maioria das vezes. - Most of the times.
 Na maior parte do tempo. - Most of the time.
 No mais tardar. - At the latest.
 quanto antes. - As soon as possible.
 Quanto tempo tu levaste daqui a Porto Alegre? - How long did it
take you to get from here to Porto Alegre?
 Levou uma hora e meia para a gente chegar lá. - It took us an
hour and a half to get there.
 Isto não funciona. - It doesn't work. / It's out of order.
 telefone está ocupado - The line is busy. / The phone is busy.
 O relógio está atrasado/adiantado. - The watch is slow/fast.
 O barulho está muito alto. - The noise is too loud.
 Fiquei conhecendo teu irmão ontem. - I met your brother yester-
day.
 Você conhece o Rio de Janeiro? - Have you ever been to Rio de
Janeiro? / Did you ever go to Rio?
 Eu conheço ele de vista. - He looks familiar to me.
 Ele deveria estar aqui às 8 horas. - He was supposed to be here
8 o'clock.
 O cachorro é para ser o melhor amigo do homem. - Dogs are
supposed to be man's best friend.
 Ele tem um carro novo em folha (zerinho). - He has a brand new
car.
 Fiquei preso num engarrafamento de trânsito. - I was caught in a
traffic jam.
 Vamos ficar sem gasolina. - We are going to run out of gas.
 Estacionamento proibido. - No parking.
 Furei um pneu. - I got a flat tire.
 Quanto mais tu estudas, mais aprendes. - The more you study,
the more you learn.
 A gente combina isso amanhã. - Let's talk about it tomorrow. /
Let's make all the arrangements tomorrow. / We can settle this to-
morrow.
 Nem eu. / Eu também não. - Me neither. / I don't either. / Neither
do I.
 Melhor não arriscar. - Better not take any chances.
 Não queremos correr nenhum risco. - We don't want to take any
chances. / We don't want to gamble. / ... to take a risk. / ... to run a
risk.
 Você tem que reconhecer a firma deste documento. - You must
have this document notarized.
 Ele foi pego em flagrante. - He was caught red-handed.
 Não te esquece de puxar a descarga depois de fazer xixi (mijar). -
Don't forget to flush the toilet after you pee (take a piss).

RECLAMANDO E EXIGINDO, CRITICANDO E REPREENDENDO,

Linguagens e Códigos
109
INSULTANDO OU PRAGUEJANDO
COMPLAINING AND DEMANDING, REPRIMANDING AND CRITICIZ-
ING, INSULTING OR CURSING
 que há contigo? - What's the matter with you?
 De que você está reclamando?! - What are you complaining
about?!
 O que é que você quer dizer com isso?! - What do you mean (by
that)?!
 Qual é a lógica? - What's the point?
 Isso não faz (nenhum) sentido! - It doesn't make (any) sense!
 Seja objetivo. - Get to the point.
 Isso não é da tua conta. - This is none of your business. / Mind
your own business. / This doesn't concern you.
 Não se meta nisso. - Stay out of it.
 Não me incomoda! / Não enche o saco! - Don't bother me!
 Me deixa fora disso. - Leave me out of this.
 Me deixa em paz! - Leave me alone.
 Larga do meu pé! / Me larga de mão! - Get off my back!
 Deixe-me ir. - Let me go.
 Cala a boca! - Shut up!
 Para com isso! - Stop that! / Stop it! / Cut it out!
 Chega! / Basta! - That's enough!
 Cai fora! - Get lost!
 Rua! - Out!
 Que feio! / Tenha vergonha! - Shame on you!
Veja como fala! - Watch your tongue! / Watch your language!
 Que decepção! - What a disappointment!
 Que nojo! - How disgusting! / That's gross!
 Ele furou a fila. - He cut in line.
 Isto não fica bem. - That's not nice.
 Não acho graça nisso. - I don't think that's funny.
 Isso não é justo. - That's not fair.
 Está me achando com cara de bobo? - Do I look like a fool?
 Eu me sinto prejudicado. - I feel cheated / I feel like life has
cheated me.
 Não tenho nada para lhe agradecer. - Thanks for nothing.
 Fui enganado. / Fui logrado. - I was ripped off.
 Fui injustamente acusado. - I was falsely accused.
 Que sacanagem! / Que golpe baixo! - What a dirty trick!
 Que sacanagem! / Que azar! - What a let down!
 Não tire conclusões precipitadas. - Don't jump to conclusions.
 Guarda tuas coisas e arruma teu quarto. - Put your things away
and clean up your room.
 Seu burro! - You, stupid!
 Bem feito! - It serves you right. / You asked for it.
 Filho da puta! - Son of a bitch! / You bastard!
 Essa não cola! - I don't buy that!
 Que saco! / Que droga! - That sucks! / What a pain! / What a
drag!
 Droga! / Merda! - Damn it! / Shit!
 Vai à merda! Te fode! - Fuck you! / Fuck yourself!
 Porra! - Fuck!
 Isto me deixa puto da cara! - It really pisses me off!
 Isso me deixa louco! - It drives me crazy!
 Não discute! - Don't argue.
 Depressa! / Anda logo! - Hurry up!

MENOSPREZANDO OU DESCONSIDERANDO
DESPISING OR DISREGARDING
 Sei lá. / Não faço ideia - I have no idea. /I got no idea. / How
should I know?
 E eu com isso? Não ligo para isso, não estou nem aí! / Não dou a
mínima. (indiferença, desprezo) - I don't care. / I don't give a damn.
/ What's that to me?
 E daí? ... (em tom de desafio) - And so what? / Who cares?
 Não importa; não quer dizer. - It doesn't matter. / No problem.
 Eu não me importo. (não me ofendo) - I don't mind.
 Deixa prá lá; não liga para isso; esquece. - Never mind. / Forget
it.
 Grande coisa! - Big deal!

EXPRESSANDO SURPRESA
EXPRESSING SURPRISE (12)
 Adivinha! - Guess what!
 É mesmo!? - Oh, really?! / Is that right?
 Não me diga! ... - You don't say! / Don't tell me!
 Não acredito! ... - I can't believe it!
 Tá brincando! ... - No kidding! / You must be joking!
 Fiquei de boca aberta. / Fiquei de queixo caído. - I was shocked. /
I was taken aback. / I was left speechless. / My chin dropped.
 Levei um susto. - I got scared.
 Foi uma grande surpresa. - It came as a complete surprise.
 Você está falando sério? - Are you serious? / Do you mean it?
 Prá que!? - What for!?
 Puxa! / Mas que barbaridade! / Meu Deus! / Minha nossa! - Oh
my God! / Jesus Christ! / My goodness! / Holy cow!
 Puta merda! - Holy shit!

INTERJEIÇÕES (REAÇÕES EXPONTÂNEAS DE LINGUAGEM)
INTERJECTIONS (UNCONTROLLED LINGUISTIC REACTIONS
THAT EXPRESS EMOTION)
 Ah ... bom, aí já é diferente ... - Oh! That's different. (surprise
caused by understanding)
 Ah, tá, agora eu entendo - Aha, now I understand! (mild surprise
caused by a discovery or recognition)
 Nossa! Olha só! - Wow! Look at that! (great surprise, admiration
and approval caused by something exciting)
 Ufa! Que dia...! - Phew, what a day! (expressing relief after a tir-
ing, hard or dangerous experience)
 Ai ai ai! Que má notícia! - Oh no! That's really bad news. (dismay,
bad surprise)
 Iiii, aí vem tua mãe. - Uh-oh, here comes your Mom. (alarm, dis-
may, concern, or realization of a small difficulty)
 Ôpa! Derramei o leite. - Oops! (Whoops!) I've spilled the milk.
(mild embarrassment caused by a small accident)
 Ai! Machuquei meu pé. - Ouch! I've hurt my foot. (sudden pain)
 Ei! O que que você está fazendo?! - Hey! What are you doing?
(call for attention)
 Eka, que nojo! - Yuck! That's disgusting. (expressing rejection or
disgust)
 Tá bom, vamos fazer assim. - Okay, let's do it. (acceptance and
agreement)
 Tudo bem, já vou fazer. - All right, I'll do it. (agreement and obe-
dience)
 Mm hmm, também acho. - Uh-huh, I think so too. (affirmative
opinion)
 Alô, quem fala? - Hello, who's speaking? (on the telephone)
 Oi, como vai? - Hi! How are you? (greeting)
 Olá, meu amigo. - Hello, my friend. (greeting)

MARKETING E VENDAS
MARKETING
 Correspondência comercial. - Business writing. / Business letters.
 Os clientes não estão fazendo muitos pedidos. - The customers
are not placing many orders.
 O vendedor está atendendo um cliente. - The salesman is helping
a customer.
 Propaganda é a alma do negócio. - It's all marketing. / It pays to
advertise.
 O cliente vem sempre em primeiro lugar. / O cliente sempre tem
razão. - The customer is always right.
 Encontrar um denominador comum. - Find common ground.
 Está à venda. / Vende-se. - It's up for sale. / For sale.
 Em liquidação. / Em promoção. - On sale. / Clearance.
 Remarcado em 20% - 20% off.
 É uma barbada. / É uma pechincha. - It's a good deal. / It's a real
bargain.
 Fiz uma boa compra. - I got a good deal.
 É um roubo. - It's a rip-off.

Linguagens e Códigos
110
 Fui roubado. - I got ripped off.
 Cheque sem fundo. - Bad check. / Bounced check. / Rubber
check.
 Cheque pré-datado. - Post-dated check.
 Condições de pagamento - Terms of payment.
 A prazo / Em prestações / No crediário - In installments.
 De entrada / Como sinal - As a down payment.
 restante / O saldo - The remaining balance / The balance.
 Pagar à vista, em dinheiro. - Pay cash.
 Pagar adiantado. - Pay in advance.
 No atacado / A preços de atacado - At wholesale. / At wholesale
prices.
 No varejo / A preços de varejo - At retail / At retail prices.
 Participação de mercado - Market share.

NO TRABALHO
AT WORK
 Normalmente vou a pé para o trabalho, mas quando chove vou
de carro. - I usually walk to work, but when it rains I drive. / ... I
take my car.
 Ele ganha 1.000 dólares por mês. - He makes a thousand dollars
a month.
 Hoje é dia de pagamento. - Today's payday.
 A secretária está atendendo o telefone. - The secretary is an-
swering the phone. / ... is on the phone.
 Favor informar - Please let me know
 Você pode deixar um recado na secretária eletrônica. - You can
leave a message on the answering machine.
 Não vou poder assistir à reunião hoje de tarde. - I won't be able to
attend the meeting this afternoon. / I'm not going to be able ... / I'm
not able ... / I can't ...
 Proibida a entrada de pessoas estranhas ao serviço. - Personnel
only. / Unauthorized entry prohibited.
 O horário de trabalho (expediente) é das 8 às 12. - Working hours
are from 8 to 12.
 Após o horário de expediente … - After working hours. / After
hours.
 Durante o horário comercial. - During business hours.
 Tenho que fazer hora extra. - I have to work overtime.
 O horário de verão nos EUA vai de abril a outubro. - Daylight sa-
ving time in the US is from April to October.
 Faltam dois dias para eu entrar em férias. - I'll go on vacation
(holidays) in two days. / There are two days left before I go on va-
cation.
 Está faltando alguém? - Is anybody missing?
 Está faltando dinheiro no mercado. - There is a shortage of mon-
ey in the market.
 Faz dois anos que eu trabalho aqui. - I've been working here for
two years.
 Eu trabalhava num banco, antes. - I used to work for a bank.
 Fiquei sabendo que ele foi demitido. / Ouvi dizer que ... - I heard
he was fired. / ... he was dismissed. / I was told that he was ...
 Um novo gerente será contratado. - A new manager will be hired.
 Quem manda aqui sou eu! - I'm the boss around here!
 Preencha a ficha (formulário) de inscrição. - Fill out the applica-
tion form.
 Ele está de plantão. / Ele está de serviço. - He's on call. / He's on
duty.
 Ele está aqui a serviço. / ... a negócios. - He's here on business.
 Vou tirar uma folga amanhã. - I'm going to take a day off.
 Ele vai se aposentar. - He's going to retire.
 Ela está de licença. - She's on leave.
 Ela está encostada no INPS. / ... de licença para tratamento de
saúde. - She's on sick leave.
 sindicato não está cooperando. - The (labor) union is not cooper-
ating.
 Os trabalhadores estão planejando fazer greve. - The workers are
planning to go on strike.
 A/C (aos cuidados de). - C/O (care of).
 Já foi providenciado. - It's been taken care of.
 Todos os funcionários devem bater o cartão-ponto. - All the work-
ers must punch their time cards.
 sistema de previdência social está quebrado. - The social security
system is bankrupt.

NOS ESTUDOS
STUDYING
 Estou fazendo um curso de inglês. / Estou tomando aulas de
inglês. - I'm taking an English course. / I'm taking English lessons.
 Estou fazendo faculdade. - I'm going to college.
 Estou fazendo 4 cadeiras neste semestre. - I'm taking 4 courses
this semester.
 Estou fazendo um curso de graduação. - I'm going to undergra-
duate school.
 Estou fazendo um pós-graduação. / ... um mestrado. - I'm going
to graduate school.
 Ele está fazendo (estudando) economia. - He's majoring in eco-
nomics. / He's studying economics.
 Temos que decorar o diálogo. - We have to memorize the dialog.
 Fiz um exame e me saí bem. - I took an exam (test) and did well.
 Eu me saí bem em todas as matérias. - I did well in all subjects. /
... in all my classes. / ... in all my courses.
 Tirei uma nota boa. - I got a good grade.
 Vai cair na prova. - It'll be on the test.
 Ele colou no exame. - He cheated on the test.
 Ele falta muito às aulas - He misses class a lot.
 Ele gosta de matar aula. - He likes to skip classes. / ... to cut
classes.
 No final do semestre cada aluno deve fazer um trabalho. - Each
student must write a paper (an essay) at the end of the semester.
 Você já entregou o seu trabalho? - Did you already hand in (turn
in) your paper?
 professor distribuiu a bibliografia a ser usada no semestre. - The
professor handed out the bibliography for the semester.
 Eu me formei na PUC. - I graduated from PUC.
 Fiz um estágio na ... - I did an internship at ...
 Fiz um mestrado em ... - I did my master's in ...

VOCABULÁRIO INGLÊS - PORTUGUÊS

LISTA COMPLETA DAS 850 PALAVRAS DO INGLÊS BÁSICO

About -
Account -
Acid -
Across -
Act -
Addition -
Adjustment –
Admirable -
Advertisement -
After -
Again -
Against -
Agreement -
Air -
Ali =
Almost -
Among -
Amount -
Amusement -
And -
Angle -
Angry –
Animal -
- Acerca de, sobre, a respeito de.
- Conta, relação, cálculo.
- Ácido.
- Através de, por, de um lado a outro.
- Ação, ato, auto, escritura
- Adição, aumento, acréscimo.
- Adaptação, ajuste, acordo.
- Admirável.
- Anúncio, aviso, reclame (comercial).
- Depois, após, em seguida.
- Outra vez, novamente, de novo.
- Contra, em oposição a.
- Concórdia, ajuste, convênio, pacto.
- Ar, aparência, aspecto.
- Todo, todos, tudo, completo, perfeito.
- Quase, aproximadamente, pouco mais de.
- Entre (vários), no meio de.
- Quantidade, soma, montante, total.
- Divertimento, recreação, passatempo.
- E.
- Ângulo, esquina, canto, ponto de vista.
- Raivoso, irritado, indignado, zangado.
- Animal, fera.

Answer -
Ant -
Any -
- Resposta, réplica.
- Formiga,
- Algum, qualquer, quaisquer, todo, toda; todo

Linguagens e Códigos
111
Apparatus -
Apple -
Approval -
Arch -
Argument -
Arm -
Army -
Ah -
As -
At -
Attack -
Attempt -
Attention -
Attraction -
Authority -
Automatic -
Awake -
Baby -
Back -
Bad -
Bag -
Balance -
Ball -
Band -
Base -
Basin -
Basket -
Bath -
Be -
Beautiful -
Because -
Bed -
Bee -
Before -
Behaviour -
Belief -
Bell -
Bent -
Berry -

e qualquer,
- Aparelho, maquinismo, aparato,
- Maça
- Aprovação, sanção, ratificação.
- Arco, abóbada celeste.
- Argumento, discussão, raciocínio, razões.
- Braço; pata, membro anterior dos mamíferos.
- Exército; multidão, hoste, legião.
- Arte; perícia, habilidade, destreza.
- Como, quanto, qual.
- Em, para, junto a, á, ás, ao, aos, até no, na.
- Ataque, investida, assalto, agressão, ofensa.
- Tentativa, experiência, esforço.
- Atenção, cuidado, cortesia, fineza.
- Atração; atrativo; simpatia, encontro.
- Autoridade; poder, domínio,
- Automática, mecânico, maquinal.
- Acordado, alerta, vigilante, atento.
- Criancinha de peito, bebê, nené, o caçula.
- Dorso, atrás, costas, lombo, espáduas, parte
traseira.
- Mau, ruim; perverso, malvado.
- Saco, bolsa, saco de viagem, maleta.
- Balanço, equilíbrio, estabilidade.
- Bolsa, globo, esfera, projétil.
- Cadarço, bando, orquestra.
- Base, fundamento, pedestal, alicerce.
- Bacia, vasilha, lago artificial.
- Cesto, cesta, obra trançada.
- Banho; banheira.
- Ser, estar, existir, acorrer, acontecer, perma-
necer,
- Belo, lindo, formoso, admirável, magnífico.
- Porque, por causa de.
- Cama, leito; canteiro.
- Abelha.
- Antes, diante, á frente, na dianteira.
- Procedimento, comportamento, conduta.
- Fé, crença, credo, confiança.
- Campainha, sino, sineta, guizo.
- Curvo, torto, curvatura; inclinação.
- Frutinha, baga, grão (de café)-
Between -
Bird -
Birth -
Bit -
Bite -
Bitter -
Black -
Blade -
Blood -
Blow -
Blue -
Board -
Boat -
Body -
Boiling -
Bone -
Book -
Boot -
Bottle -
Box -
Boy -
Brain -
Brake -
Branch -
Brass -
Bread -
Breath -
Brick -
Bridge -
Bright -
- Entre (dois), no meio de (duas pessoas ou
coisas).
- Pássaro, ave.
- Nascimento, estirpe, linhagem
- Bocado, pedaço, pouco, pouquinho.
- Mordedura, dentada; picada.
- Amargo, amargoso.
- Preto, negro; escura, tenebroso
- Lâmina, gume, folha (de faca), navalha.
- Sangue, raça; sumo, laços de sangue.
- Golpe, pancada; sopro; murro, sopapo.
- Azul, roxo (diz-se da pele) triste, abatido,
nervoso,
- Prancha, tábua, comissão, cartão, papelão
- Lancha, barco, bote, embarcação.
- Corpo, sociedade; cadáver; tronco
- Fervente, fervura, escaldante,
- Osso, ossadas, espinha de peixe.
- Livro, tomo; caderno
- Bota, botina; caixa, porta-malas.
- Garrafa, frasco, vidro.
- Caixa, guarita, cabana, boleia, sopapo
bofetão,
- Menino, garoto, rapaz, moço; filho
- Cérebro, juízo, entendimento, inteligência.
- Breque, freio, trava.
- Ramo, bifurcação, filial, subdivisão, ramal,
agência.
- Latão, bronze, placa sepulcral de bronze.
- Pão, alimento, sustento, hóstia.
Broken -
Brother -
Brown -
Brush -
Bucket -
Building -
Bulb -
Bum -
Burst -
Business -
But -

- Fôlego, respiração, sopro, hálito.
-Tijolo, tablete, pastilha, ladrilho.
- Ponte, jogo de cartas (bridge)
- Brilhante, perspicaz, luminoso, polido.
- Quebrado, fraturado, despedaçado,
acidentado
- irmão; amigo intimo, companheiro.
- Castanho, pardo, moreno, trigueiro.
- Escova, pincel, broxa.
- Balde, vaso de metal.
- Edifício, construção.
- Globo, bulbo.
- Queimadura.
- Explosão, estouro.
- Negócio, ocupação.
- Mas, exceto, apenas.
Butler -
Button -
By -
Cake -
Camera -
Canvas -
Card -
Care -
Carriage -
Cart -
Cat -
Cause -
Certain -
Chain -
Chalk -
Chance -
Change -
cheap -
Cheese -
Chemical -
Chest -
Chief -
Chin -
Circle -
Clean -
Clear -
Clock -
Cloth -
Cloud -
Coal -
Coat -
Cold -
Collar -
Colour -
Comb -
Come -
Comfort -
Committee -
Common -
Company -
Comparison -
Competition -
Complete -
Complex -
Condition -
Connection -
Conscious -
Control -
Cook -
Copper -
Copy -
- Manteiga.
- Botão.
- Por, com, em.
- Bolo, pastel.
- Máquina fotográfica.
- Lona, brim encorpado.
- Cartão, baralho.
- Cuidado, cautela.
- Carruagem, transporte.
- Carroça, carreta.
- Gato.
- Motivo, causa.
- Cerro, exalo.
- Corrente, cadeia.
- Giz.
- Ocasião, "chance", oportunidade.
- Mudança, variação.
- Barato, ordinário.
- Queijo.
- Químico.
- Peito, caixão, arca.
- Chefe, principal.
- Queixo.
- Circulo, giro.
- Limpo, asseado.
- Claro, asseado.
- Relógio de parede.
- Pano, tecido.
- Nuvem, nevoeiro.
- Carvão, hulha.
- Casaco, camada.
- Frio.
- Colarinho, gola.
- Cor.
- Pente, crista.
- Vir, chegar.
- Conforto.
- Comissão, junta.
- Comum, público
- Companhia, sociedade.
- Comparação.
- Rivalidade, concurso.
- Completo, parteiro.
- Complexo, complicado.
- Condição, estado.
- Ligação, conexão.
- Cônscio, convicto.
- superintendência, controle.
- Cozinheira.
- Cobre.
- Cópia, exemplar.
Cord -
Cork -
Cotton -
Cough -
Country -
- Corda.
- Rolha, cortiça.
- Algodão, tecido.
- Tosse.
- Província, roça, pais.

Linguagens e Códigos
112
Cover -
Cow -
Crack -
Credit -
Crime -
Cruel -
Crush -
Cry -
Cup -
Current -
Curtain -
Curve -
Cushion -
Cut -
Damage -
Danger -
Dark -
Daughter -
day -
Dead -
Dear -
Death -
Debt -
Decision -
deep -
Degree -
Delicate -
Dependent -
Design -
Desire -
Destruction -
Detail -
Development -
Different -
Digestion -
Direction -
Dirty -
Discovery -
Discussion -
Disease -
Disgust -
Distance -
Distribution -
Division -
Do -
Dog -
- Capa, coberta, tampa, talhar.
- Vaca.
- Fenda, racha, estalo.
- Crédito, reputação.
- Crime, delito.
- Cruel, terrível.
- Esmagamento, choque.
- Grito, choro.
- xícara, chávena.
- Corrente, correnteza
- Cortina, bastidor.
- Curve, volta.
- Almofada, coxim
- Golpe, cone, cortado.
- Dano, perda, indenização
- Perigo, risco. .
- Escuro, sombrio.
- Filha
- Dia.
- Mono, inerte.
- Querido, caro.
- Mona, óbito.
- Divida, débito.
- Decisão, resolução.
- Fundo, profundo.
- Grau, classe.
- Delicado, esmerado.
- Dependente, anexo.
- Desenho, modelo, intenção.
- Desejo, vontade.
- Destruição.
- Particularidade, detalhe.
- Desenvolvimento.
- Diferente, divergente.
- Digestão.
- Direção, instrução.
- Sujo, imundo.
- Descobrimento, revelação.
- Discussão, altercação.
- Doença, enfermidade.
- Desgosto, repugnância.
- Distância, intervalo.
- Distribuição.
- Divisão, repartição.
- Fazer, efetuar.
- Cão, cachorro.
Door -
Doubt -
Down -
Drain -
Drawer -
Dress -
Drink -
Driving -
Drop -
Dry -
Dust -
Ear -
Early -
Earth -
East -
Edge -
Education -
Effect -
Egg -
Elastic -
Electric -
End -
Engine -
Enough -
Equal -
Error -
- Porta, entrada.
- Dúvida, incerteza.
- Baixo, embaixo, para baixo.
- Escoadouro, drenagem.
- Gaveta
- vestuário, traje, vestido.
- Bebida, gole.
- Direção, impulso.
- Gota, queda.
- Seca, enxuto.
- Pó, poeira.
- Ouvido, orelha.
- Cedo, precoce.
- Terra, globo terrestre.
- Leste, oriental.
- Borda, gume, canto.
- Educação, ensino.
- Efeito, consequência.
- Ovo.
- Elástico.
- Elétrico.
- Fim, conclusão.
- Máquina, locomotiva.
- Bastante, suficiente.
- Igual, proporcionado.
- Erro, engano, pecado.
Even -
Event -
Ever -
Every -
Example -
Exchange -
Existence -
Expansion -
Experience -
Expert -
Eye -
Face -
Fact -
Fall -
False -
Family -
Far -
Farm -
Fat -
Father -
Fear -
Feather -
Feeble -
Feeling -
Female -
- Ainda que, pleno, lisa
- Acontecimento, desfecho.
- Em qualquer tempo, já.
- Cada, todos.
- Exemplo, por exemplo.
- Câmbio, troca, bolsa.
- Existência, vida.
- Expansão, dilatação
- Experiência, prática.
- Perito, técnico.
- Olho, vista.
- Rosto, aspecto.
- Fato, acontecimento.
- Queda, outono.
- Falsa, fingido, postiço.
- Família, parentesco.
- Longe, ao longe.
- Fazenda, roça.
- Gordo, corpulento, banha.
- Pai, padre.
- Medo, susto.
- Pena, pluma.
- Fraco, débil.
- Tato, sensação.
- Fêmea, feminino.
Fertile -
Fiction -
Field -
Fight -
Finger -
Fire -
First -
Fish -
Fixed -
Flag -
Flame -
Flat -
Flight -
Floor -
Flower -
Fly -
Fold -
Food, -
Foolish -
Foot -
For -
Force -
Fork -
Form -
Forward -
Fowl -
Frame -
Free -
Frequent -
Friend -
From -
Front -
Fruit -
Full -
Future -
Garden -
General -
Get -
Girl -
Give -
Glass -
Glove -
Go -
Goat -
Gold -
Good -
Government -
- Fértil, fecundo.
- Ficção, fábula.
- Campo, acampamento.
- Combate, peleja.
- Dedo da mão.
- Fogo, incêndio.
- Primeiro, primitivo.
- Peixe.
- Fixo, cerro, determinado.
- Bandeira, estandarte.
- Chama, labareda.
- Canto, plano, moradia.
- Vôo, fuga.
- Pavimento, Soalho.
- Flor.
- Mosca.
- Dobra, curral.
- Alimento, comida.
- Tolo, irrisório.
- Pé.
- Para, par, porque.
- Força, vigor, violência.
- Garfo, forquilha.
- Forma, modelo.
- Adiante, para diante.
- Ave, galináceo.
- Moldura, estruture, aro,
- Livre, grátis.
- Frequente, assíduo
- Amigo, protetor.
- De, do, da perto de.
- Frente, fachada, testa.
- Fruta.
- Cheio, repleto.
- Futuro, vindouro.
- Jardim.
- Geral, universal.
- Obter, tornar-se, vir.
- Moça, menina.
- Dar, conceder.
- Vidro, copo, óculos.
- Luva.
- Ir, andar, viajar, mover-».
- Cabra, caprino.
- Ouro.
- Bom, benigno.
- Governo, poder.

Linguagens e Códigos
113
Grain -
grass -
Great -
Green -
- Grão, semente, bago.
- Capim, erva.
- Grande, grandioso.
- Verde, fresco.
Grey -
Grip -
Group -
Growth -
Guide -
Gun -
Hair -
Hammer -
Hand -
Hanging -
happy -
Harbour -
Hard -
Harmony -
Hat -
Hate -
Have -
He -
Head -
Healthy -
Hearin -
Heart -
Heat -
Help -
Here -
High -
History -
Hale -
Hollow -
Hook -
Hope -
Horn -
Horse -
Hospital -
Hour -
House -
How -
Humour -
I -
Ice -
Idea -
lf -
ill -
important -
impulse -
In -
Increase -
Industry -
Ink -
Insect -
insensible -
- Cinzenta, grisalho.
- Garra, abrangimento.
- grupo.
- Crescimento, aumento.
- Guia, condutor.
- Espingarda, canhão, revólver.
- Cabelo, pêlo, crina.
- Martelo, malho.
- Mão, talho de letra.
- Suspenso, pendurado.
- Feliz, propicia.
- Porto de mar, praia.
- Duro, difícil.
- Harmonia
- chapéu.
- Ódio, aborrecimento
- Ter, haver.
- Ele, aquele
- Cabeça, diretor.
- Sadio, são.
- Ação de ouvir, audiência.
- Coração.
- Calor, ardor.
- Auxilio, socorro.
- Aqui, neste lugar.
- Alto, elevado.
- História, crônica.
- Buraco, orifício.
- Oco, côncava.
- Gancho, farpa.
- Esperança, expectativa.
- Chifre, trombeta.
- Cavalo.
- Hospital.
- Hora.
- Casa, residência.
- Como, quanto.
- Humor, gênio
- Eu.
- Gelo, sorvete.
- ideia, pensamento.
- Se, ainda que.
- Doente, mal.
- importante.
- Impulso, sugestão.
- Em, a, entre.
- Aumento, incremento.
- Indústria, atividade.
- Tinta.
- inseto.
- insensível
instrument -
Insurance -
interest -
Invention -
Iron -
island -
Jelly -
Jewel -
Join -
Joumey -
Judge -
Jump -
Keep -
Kettle -
Key -
Kick -
Kind -
- Instrumento, ferramenta,
- Seguro, garantia
- Interesse, pane, juros.
- invenção.
- Ferro, ferro de engomar.
- ilha.
- Geleia.
- Jóia, preciosidade.
- União, adesão.
- Viagem, jornada.
- Juiz, árbitro.
- Salto, pulo.
- Segurar, conservar, guardar, preservar
- Chaleira, caldeira.
- Chave, tom, clave.
- Coice, pontapé.
- Amável, amigável.
Kiss -
Knee -
Knife -
Knot -
Knowledge -
Land -
Language -
Last -
Late -
Laugh -
Law -
Lead -
Leaf -
Leaming -
Leather -
Left -
Leg -
Let -
Letter -
Level -
Library -
Lift -
Light -
Like -
Limit -
Line -
Linen -
Lip -
Liquid -
List -
Little -
Living -
Lock -
Long -
Look -
- Beijo, ósculo.
- Joelho.
- Faca.
- Nó, nó de madeira,
- Conhecimento, ciência,
- Terra, terreno, país.
- Língua, idioma.
- Ultimo, passado.
- Tarde, atrasado
- Riso, risada.
- Lei, regra, jurisprudência.
- Chumbo.
- Folha (de árvore ou de livro)-
- Ciência, instrução.
- Couro, pele.
- Esquerdo.
- Perna.
- Deixar.
- Letra, cana
- Nível, altitude, plano.
- Biblioteca
- Levantamento, elevador.
- Luz, lampião.
- Semelhante, parecido.
- Fronteira, limite.
- Linha, risco, fileira.
- Linho, roupa branca.
- Lábio, beiço
- Liquido, umidade
- Lista, catálogo,
- Pequeno, pouco.
- Vivo, vida.
- Fechadura.
- Longo, comprido,
- Aspecto, aparência, olhar
Loose -
Lass -
Loud -
Lave -
Low -
Machine -
Make -
Male -
Man -
Manager -
Map -
Mark -
Market -
Married -
Mass -
Match -
Material -
May -
Me -
Meal -
Measure -
Meat -
Medical -
Meeting -
Memory -
Metal -
Middle -
Military -
Milk -
Mind -
Mine -
Minute -
Mist -
Mixed -
Money -
Monkey -
Month -
- Solto, livre
- Perda, desaparecimento.
- Alto, estrondoso.
- Amor, afeição.
- Baixo, degenerado.
- Máquina. mecanismo.
- Fazer, fabricar, contribuir.
- Macho, masculino.
- Homem, varão, ser humano.
- Diretor, gerente.
- Mapa, carta geográfica.
- Marca, sinal.
- Mercado, praça.
- Casado.
- Massa, conjunto
- Fósforo.
- Material, corporal
- Poder (verbo auxiliar de possibilidade)-
- Me. eu
- Refeição, farinha.
- Medida, regra. metro
- Carne.
- Medicinal, médico
- Reunião, sessão.
- Memória, recordação
- Metal.
- Meio, centro
- Militar, militares
- Leite
- Mente. pensamento.
- Mina. caverna.
- Minuto.
- Neblina, revoa.
- Misturado, turvo.
- Dinheiro, moeda.
- Macaco
- Mês.

Linguagens e Códigos
114
Moon -
Morning -
Mother -
Motion -
Mountain -
Mouth -
Move -
Much -
Muscle -
Music -
Nail -
Name -
- Lua.
- Manhã.
- Mãe.
- Movimento, moção.
- Montanha.
- Boca, embocadura.
- Mudança, movimento.
- Muito, bastante.
- Músculo
- Música, peça musical.
- Unha, prego.
- Nome, reputação.
Narrow -
Nation -
Natural -
Near -
Necessary -
Neck -
Need -
Needle -
Nerve -
Net -
New -
News -
Night -
No -
Noise -
Normal -
North -
Nose -
Not -
Note -
Now -
Number -
Nut -
Observation -
Of -
Off -
Offer -
Office -
Oil -
Old -
On -
Only -
Open -
Operation -
Opinion -
3pposite -
Or -
Orange -
3rder -
Organisation -
Ornament -
Other -
Out -
Oven -
Over -
Owner -
Page -
Pain -
Paint -
Paper -
Parallel -
- Estreito, apertado
- Nação, nacionalidade.
- Natural, originário
- Próximo, peno.
- Necessário, preciso.
- Pescoço, gargalo.
- Necessidade, falta.
- Agulha, ponta
- Nervo, coragem
- Rede.
- Novo, recente.
- Novidades, noticias.
- Noite
- Não, nenhum, nada.
- Ruído, barulho.
- Normal, regular.
- Nona, setentrional.
- Nariz, focinho.
- Não, nem.
- Nota, apontamento, nota musical.
- Agora, presentemente.
- Número, algarismo.
- Noz, porca (de Parafuso).
- Observação, atenção.
- De.
- Longe, distante, livre.
- Oferecimento, oferta
- Escritório, oficio.
- Óleo, azeite.
- Velho, antigo.
- Sobre, em, em cima.
- Somente, único.
- Aberto, livre,
- Operação, atividade.
- Opinião.
- Oposto, fronteiro.
- Ou.
- Laranja, cor de laranja.
- Ordem, comando.
- Organização, companhia.
- Ornato, enfeite.
- Outros, outro.
- Fora, para fora,
- Forno.
- Sobre, por cima.
- Dono, possuidor
- Página.
- Dor, sofrimento.
- Pintura.
- Papel, jornal.
- Paralelo.
Parcel -
Pan -
Past -
Pasta -
Payment -
Peace -
Pen -
Pencil -
Person -
- Pacote, porção
- Parte, quinhão
- Passado, último.
- Massa, grude, pastel,
- Pagamento, recompensa.
- Paz.
- Pena, redil.
- Lápis.
- Pessoa, personagem.
Physical -
Picture -
Pig -
Pin -
Pipe -
Place -
Plane -
Plan: -
Plate -
Play -
Please -
Pleasure -
Plough -
Pocket -
Point -
Poison -
Polish -
Political -
Poor -
Porter -
Position -
Possible -
Pot -
Potato -
Powder -
Power -
Present -
Price -
Print -
Prison -
Private -
Probable -
Process -
Produce -
Profit -
Property -
Prose -
Protest -
Public -
Pull -
Pump -
- Físico, corporal,
- Pintura, quadro, filme.
- Leitão, parco,
- Alfinete, agulha,
- Cano, tubo, cachimbo.
- Lugar, sitio, colocação
- Plaina, plano
- Planta, fábrica.
- Prato, chapa
- Jogo, brinquedo, divertimento
- Faça o favor
- Prazer, deleite, agrado.
- Arado
- Bolso, algibeira.
- Ponta, ponto, lugar.
- Veneno
- Graxa, lustre, educação
- Político.
- Pobre, mísero.
- Carregador, porteiro.
- Posição, estado, situação
- Possível,
- Panela, jarra.
- Batata.
- Pó, pólvora,
- Poder, força,
- Presente, atual,
- Preço, recompensa,
- impressão, gravura
- Prisão.
- Privado, secreto
- Provável.
- Processo.
- Produto, fornecimento.
- Ganho, lucro, proveito.
- Propriedade, bens.
- Prosa,
- Protesto,
- Público, povo,
- Puxão, sacudidela,
- Bomba (de água ou ar).
Punishment-
Purpose -
Push -
Put -
Quality -
Question -
Quick -
Quiet -
Quite -
Rail -
Rain -
Range -
Rat -
Rate -
Ray -
Reaction -
Reading -
Ready -
Reason -
Receipt -
Record -
Red -
Regret -
Regular -
Relation -
Religion -
Representative -
Request -
Respect -
Responsible -
Rest -
- Punição, castigo
- Intento, propósito.
- Empurrão, soco
- Pôr, colocar, empregar.
- Qualidade.
- Pergunta, problema.
- Vivo, ágil, ligeiro.
- Quieto, pacifico.
- Inteiramente.
- Trilho, bitola, corrimão.
- Chuva.
- Fila, extensão, curso
- Rato.
- Preço, taxa, razão, velocidade.
- Raio.
- Reação, oposição.
- Leitura, revisão ,interpretação.
- Pronto, expedido, disposto.
- Razão, causa, motivo.
- Recibo, recebimento.
- Recorde, registro, disco
- Vermelho, encarnado.
- Pesar. sentimento, arrependimento
- Regular, exalo, pontual.
- Relação, ligação, Parentesco.
- Religião, culto.
- Representante, deputado.
- Pedido, solicitação, indagação.
- Respeito.
- Responsável, encarregado.
- Repouso, resto, restante.

Linguagens e Códigos
115
Reward -
Rhythm -
Rice -
Right -
Ring -
River -
Road -
Rod -
Roll -
Root -
Room -
Root -
Rough -
Round -
Rub -
Rule -
Run -
Sad -
Safe -
- Recompensa, compensação.
- Ritmo, compasso
- Arroz.
- Direito, justa, mão direita.
- Anel, circulo, argola.
- Rio, correnteza.
- Caminho. estrada.
- Vara. bastão, bordão.
- Rolo, cilindro, pão redondo.
- Telhado, abóbada, teto.
- Quarto, espaço, lugar.
- Raiz, fundamento.
- Desigual, áspero, geral.
- Redondo, ao redor.
- Fricção, esfregadura.
- Regra, norma, governo
- Corrida, curso, marcha.
- Triste, melancólico.
- Salvo, livre, seguro.
Sail -
Salt -
Same -
Sand -
Say -
Scale -
School -
Science -
Scissors -
Screw -
Sea -
Seat -
Second -
Secret -
Secretary -
See -
Seed -
Seem -
Selection -
Self -
Send -
Sense -
Separate -
Serious -
Servant -
Sex -
Shade -
Shake -
Shame -
Sharp -
Sheep -
Shelf -
Ship -
Shirt -
Shock -
Shoe -
Short -
Shut -
Side -
Sign -
Silk -
Silver -
Simple -
Sister -
Size -
Skin -
Skirt -
Sky -
Sleep -
Slip -
- Vela de navio, navegação.
- Sal.
- Mesmo, idêntico.
- Areia, areal.
- Dizer, afirmar, afirmação.
- Medida, balança, escala.
- Escola, aula, colégio.
- Ciência, sabedoria.
- Tesoura.
- Parafuso.
- Mar, oceano.
- Assento, cadeira.
- Segunda (número dois).
- Secreto, misterioso.
- Secretário.
- Ver, olhar, perceber
- Semente, sementeira.
- Parecer, aparentar.
- Escolha, seleção.
- Mesmo, mesma, próprio, Própria.
- Mandar, enviar
- Razão, significação, sentido.
- Separado, apertado.
- Sério, grave.
- Criado, criada.
- Sexo, gênero.
- Sombra, obscuridade.
- Abalo, sacudidela.
- Vergonha, ignominia.
- Afiado, atilado, em ponto.
- Carneiro, ovelha.
- Estante, prateleira.
- Navio, embarcação.
- Camisa (homem).
- Encontro, choque, abalo.
- Sapata, calçado
- Curto.
- Fechado, cerrado.
- Lado, flanco.
- Sinal, marca, Placa.
- Seda, fio de seda.
- Prata.
- Simples, singelo.
- irmã.
- Tamanho, calibre
- Pele, couro, casca.
- Saia, fralda.
- Céu, firmamento.
- Sono, descansa.
- Escorregadela, descuido.
slope -
310w -
Small -
- Declive, ladeira.
- Vagaroso, lento.
- Pequeno, miúdo.
Smash -
Smell -
Smile -
Smoke -
Smooth-
Snake -
Sneeze -
Snow -
So -
soap -
Society -
Socks -
Soft -
Solid -
Some -
Son -
Song -
Sort -
Sound -
soup -
South -
Space -
Spade -
Special -
Sponge -
Spoon -
Spring -
Square -
Stage -
Stamp -
Star -
Start -
Statement -
Station -
Steam -
Steel -
Stem -
Step -
Stick -
Sticky -
Stiff -
Still -
Stitch -
Stockings -
Stomach -
Stone -
Stop -
Store -
- Choque, falência, despedaçamento.
- Cheiro, olfato, fragrância.
- Sorriso.
- Fumo, fumaça.
- Liso, plana.
- Cobra, serpente.
- Espirro.
- Neve.
- Assim, portanto, deste modo.
- Sabão, sabonete.
- Sociedade, comunidade
- Meias curtas.
- Mole, macio.
- Sólido, firme, verdadeiro.
- Algum, algumas, um pouco de.
- Filho.
- Canto, canção.
- Qualidade, sorte
- Som, ressonância.
- Sopa, caldo.
- Sul, meridional
- Espaço, extensão, área.
- Pá, escavadeira.
- Especial.
- Esponja.
- Colher.
- Mola, primavera, salto, fonte.
- Quadrado, praça, retângulo.
- Cena, plataforma, tablado.
- Selo, estampilha, carimbo.
- Estrela, asterisco, condecoração.
- Começo, principio.
- Exposição, relatório.
- Estação, sitio, paragem.
- Vapor, fumo, exalação.
- Aço.
- Tronco, haste, cabo, cano.
- Passo, pegada, rastro.
- Pau, vara, bengala.
- Viscoso, meloso
- Teso, rijo, áspero.
- Ainda, todavia.
- Ponta, costura.
- Meias (compridas)
- Estômago.
- Pedra, caroço.
- Parada, pausa, ponto final.
- Loja, armazém, fornecimento.
Story -
Straight -
Strange -
Street -
Stretch -
Strong -
Structure -
Substance -
Such -
Sudden -
Sugar -
Suggestion -
Summer -
Sun -
Support -
Surprise -
Sweet -
Swim -
System -
Table -
Tail -
Take -
Talk -
Tall -
- História, narração, conto.
- Direito, rato, em frente, justo.
- Estranho, alheio, esquisito.
- Rua.
- Extensão, alcance.
- Forte, robusto
- Edifício, construção
- Substância, matéria.
- Tal, semelhante, igual.
- Repentino, súbito.
- Açúcar.
- Sugestão, proposta
- Verão, estio.
- Sol.
- Sustento, apoio.
- Surpresa, admiração
- Doce, agradável
- Natação.
- Sistema, método
- Mesa, tábua, tabela.
- Cauda, aba, rabo,
- Tomar.
- Conversação, discurso
- Alto, grande,

Linguagens e Códigos
116
Taste -
Tax -
Teaching -
Tendency -
Test -
Than -
That -
The -
Then -
Theory -
There -
Thick -
Thin -
Thing -
This -
Though -
Thought -
Thread -
Throat -
Through -
Thumb -
Thunder -
Ticket -
Tight -
Till -
Time -
- Gosto, sabor
- imposto, taxa.
- Ensino, ensinamento.
- Tendência, propensão,
- Prova, exame.
- Que, do que,
- Esse, essa, aquele, que
- O, a, os, as.
- Então, naquele tempo, pois,
- Teoria.
- Ai, ali, lá,
- Espesso, denso, grosso.
- Fino, delgado, magro,
- Coisa, abjeto
- Este, esta, isto.
- Posto que, ainda que.
- Pensamento, juízo
- Linha, fibra.
- Garganta, goela.
- Através de, mediante,
- Dedo polegar.
- Trovão.
- Bilhete.
- Apertado, firme,
- Até, até que.
- Tempo, vez, compasso,
Tin -
Tired -
To -
Toe -
Together -
Tomorrow -
Tongue -
Tooth -
Top -
Touch -
Town -
Trade -
Train -
Transport -
Tray -
Tree -
Trick -
Trouble -
Trousers -
True -
Turn -
Twist -
Umbrella -
Under -
Unit -
Up -
Use -
Value -
Verse -
Very -
Vessel -
View -
Violent -
Voice -
Waiting -
Walk -
Wall -
War -
Warm -.
Wash -
Waste -
Watch -
Water -
Wave -
Wax -
Way -
- Estanho, lata.
- Cansado.
- Para, para que.
- Dedo do pé, artelho.
- Junto, juntamente.
- Amanhã.
- Língua, linguagem
- Dente.
- Cume, alto, cimo,
- Toque, contato.
- Cidade.
- Comércio, oficio.
- Trem, cauda, séquito.
- Transporte, condução.
- Bandeja, tabuleiro
- Árvore.
- Truque, manha, fraude.
- Perturbação, embaraço.
- Calças.
- Verdadeiro, exato.
- Volta, giro, passeio.
- Torcedura, falseamento, o tecer,
- Chapéu de chuva, guarda-chuva.
- Embaixo, debaixo.
- Unidade.
- Em cima, acima, para cima.
- Uso, utilidade.
- Valor, preço
- Verso, poesia.
- Muito.
- Vaso, navio.
- Opinião, vista, perspectiva.
- Violenta.
- Voz, voto.
- Esperando, servindo.
- Andar, passeio,
- Parede, muro
- Guerra.
- Quente, morno.
- Lavagem, limpeza.
- Refugo, gasto.
- Relógio de bolso.
- Água
- Onda, oceano.
- Cera.
- Caminho, modo, maneira.
Weather -
Week -
Weight -
Well -
- Tempo, clima.
- Semana.
- Peso, carga.
- Bom, bem, sadio.


Cognato
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Cognatos são palavras que têm, etimologicamente, uma origem comum.
Como um adjetivo, a palavra cognato não se limita a palavras, e significa,
de uma forma geral, de mesma origem. Frequentemente, o termo é
utilizado para destacar pares de palavras de duas línguas que têm origem
comum, grafias idênticas ou semelhantes, mas que evoluíram de forma
diferente, total ou parcialmente, quanto ao significado.

Falsos cognatos são palavras de grafias semelhantes mas que tem origem
distintas. O conceito falso cognato tem sido difundido erroneamente no
Brasil comopalavras semelhantes em duas línguas, mas de sentidos
diversos. Essa definição é errada porque duas palavras semelhantes de
sentidos diversos podem ser cognatos legítimos, por terem a mesma
origem, mesmo que tenham significados distintos. Assim, é preferível
utilizar os conceitos de heterossemânticos ("com significados
distintos"), cognatos enganosos, falsos amigos ou falsos conhecidos para
esse propósito.
O conceito de falsos amigos foi estabelecido em 1928 pelos linguistas
franceses Maxime Koessler e Jules Derocquigny no livro Les Faux-Amis ou
Les trahisons du vocabulaire anglais. O elemento mais importante no
processo de modificação é o conteúdo semântico, precisamente a cadeia
significante>significado” que “nos permite compreender [...] o conflito entre
essas duas facetas da palavra.
Existem dois tipos principais de falsos amigos: os estruturais e os lexicais.
Os falsos amigos estruturais são estruturas gramaticais, de modo especial
sintácticas [...], que apesar de possuírem uma semelhança exterior, essa
não se verifica no sentido e ou uso . Os exemplos mais típicos são os
tempos verbais cujo uso varia segundo a forma dos verbos: por exemplo,
transitivos directos em português em vez de indirectos em outras línguas e
vice-versa.

Discurso direto e discurso indireto no inglês

Discurso direto:
Neste discurso repetimos as palavras exatas do locutor:
Ex: He said: “I am going to Paris tomorrow.”/Ele disse: “Eu estou indo para
Paris amanhã.”
Ex2: He said: “I won’t go to the party today.”/ Ele disse: “Eu não irei pa-
ra festa hoje.”

Discurso indireto:
Neste discurso são utilizadas nossas próprias palavras.
Ex: He said he was going to Paris next day. / Ele disse que estava indo
para Paris no próximo dia.
Ex2: They saides they would speak with the director of highschool./Eles
disseram que falariam com o diretor do colégio.

Transformando discurso direto em indireto:
Transformar discurto direto em indireto depende muito do verbo indtrodutó-
rio (no caso dos exemplos acima eram “He said”).
Caso este verbo esteja no presente (S. Present, Present Continuous, S.
Future…), não é preciso alterar o verbo principal.
Ex:
He says: “I am tired.”/ Ele diz: “Eu estou morto.”
He says he is tired./ Ele diz que está cansado.
Ex2:
She says: “You is fat.” / Ela diz: “Você é gordo.”
She speaks I am fat./ Ela diz que eu sou gordo.
Caso o verbo introdutório estiver no passado (S. Past, Past Continuous, S.
Conditional, etc) é preciso fazer alterações no verbo principal.
Ex:
He said: “I am tired.”/ Ele diz: “Eu estou cansado.”
He said he was tired./ Ele disse que ele estava cansado.

Linguagens e Códigos
117
Ex2:
John said: “I love Mary.”/ John disse: “Eu amo Mary”.
John said he loved Mary.

Confira algumas alterações que ocorrem:
No verbo principal:
 Direto: S. Present >> Indireto: S. Past (She said: “I am beutiful.”/ She
said she was beutiful.”)
 Direto: Present continuous >> Indireto: Past Continuous (He said: “I am
playing soccer.”/ He said he was playing soccer.)
 Direto: Present Perfect >> Indireto: Past Perfect (He asked: “Have you
ever been to Lodon?”/ He asked if he has been ever to London.)
 Direto: S. Past >> Indireto: Past Perfect (He said: “I bought the book
yesterday.”/ He said he has bought the book yesterday.)
 Direto: Past Continuous >> Indireto: Past Perfect
 Direto: S. Future >> Indireto: S. Conditional
 Direto: S. Conditional >> Indireto: Conditional Perfect
 Direto: Future >> Indireto: Conditional
 Direto: Can >> Indireto: Could
 Direto: May>> Indireto: Might

INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS

TEXTO 1
Water is perhaps man's most important natural resource. He needs it
for drinking and home uses, for agriculture, for the power to rum his ma-
chines, and even for boating, fishing and relaxation. But usable water is not
as abundant as de demand for it has been. For centuries men have fought
each other over their rights to use springs, streams, and rivers which are so
essential to life. Because the earth's water supply is not distributed evenly,
ore area suffers from floods while another is parched and dried up and still
another enjoys ideal conditions. Much of man's energy has been spent in
diverting rivers and streams and digging wells and canals. Unfortunately,
man has not been very successful in his efforts to redistribute his water
supply evenly.
Man's efforts to control water were not always successful. Although
wonderful progress was made in some areas, such as when desert regions
became, green and fertile, in other areas great harm was dome. The deli-
cate balance of nature is upset by lowering water levels or by polluting
rivers with industrial wastes.
Sometimes the whole climate of an area is affected by water changes.
In earlier centuries, man satisfied his needs by living only were water was
abundant. If the land became damaged, he would go to a better location.
Hydrologists have already discovered many possible ways to help the
earth's water problems, but a practical application of many of them is not
yet possible, mainly because of the expense.

Vocabulary
resource = recurso
century = século
to flight = lutar, combater
evenly = uniformemente, igualmente
flood = inundação
parched = ressequido, tostado
spring = fonte, primavera, mola espiral
although = apesar de, não obstante
harm = dano, prejuízo
main = principal

EXERCÍCIOS DE INTERPRETAÇÃO

I. Choose the right translation:
1) For centuries men have fought each other over their rights to use
springs, streams and rivers.
a) Durante séculos os homens lutaram sobre seus direitos para usar as
fontes, correntes e rios.
b) Por séculos, os homens lutaram pelos seus direitos em usar as
fontes, correntes e rios.
c) Durante séculos os homens lutaram pelos seus direitos de usar
fontes, correntes e rios.

2) Unfortunately, man has not been very successful in his efforts to
redistribute his water supply evenly.
a) Infelizmente, os homens não foram bem sucedidos em seus
esforços para redistribuir seu provisionamento de água com
igualdade.
b) Infelizmente, os homens não foram muito bem sucedidos nos seus
esforços para redistribuir sua provisão de água uniformemente.
c) Infelizmente, o homem não foi bem sucedido no seu esforço para
redistribuir a sua provisão de água igualmente.

3) Although, wonderful progress was made in some areas, in others
great harm was done.
a) Apesar de que um maravilhoso progresso foi feito am algumas
áreas, em outras foi feito um grande benefício.
b) Apesar de que, em algumas áreas um grande progresso foi feito, em
outras foi feito um grande dano.
c) Apesar de que um maravilhoso progresso foi obtido em algumas
áreas, em outras um grande dano foi feito.
d) Apesar de que um grande progresso foi feito em determinadas
áreas, em outras um grande prejuízo foi feito.

4) If the land became damaged, he would move to a better location.
a) Se a terra fosse danificada, ele se mudaria para um lugar melhor.
b) Se a terra ficasse prejudicada, ele mudaria para uma localidade
melhor.
c) Se a terra ficasse arruinada, ele mudaria para uma localidade
melhor.
d) Se a terra ficasse estragada, ele mudaria para um lugar melhor.
II- Compreensão - Write "T" (True) or "F" (False) in the parentheses.
The text says that:
a) Mans most important resource is water. ( )
b) Usable water is as abundant as the demand for it has been. ( )
c) Springs, streams, and rivers are not so emential to life. ( )
d) Man has been successful in redistributing his water supply evenly. ( )
e) Man's efforts to control water were not always successful. ( )
f) The climate of an area is not affected by water changes. ( )
g) In earlier centuries man lived only where water was abundant. ( )
h) In earlier centuries man moved to wherever the land was damaged. (
)
i) Earth's water problems are easily helped by the hydrologist's discov-
eries. ( )

RESPOSTAS
I- 1) b II- a) T f) F
2) c b) F g) T
3) c c) F h) F
4) b d) F i) F
e) T

TEXTO 2

Jupiter is unlike the Earth in almost every way. Astronomers used to
think that it was made of a central rocky core, surrounded by a layer of ice
over which lay a deep, dense atmosphere. Nowadays it is thought more
probably that the whole globe is made up of gas, though near the middle of
the planet this gas is so dense that it starts to behave in a most curious
way. At any rate, the surface, which we see through our telescopes, is
certainly made up of gas. There is a great deal of hydrogen, some of which
has combined with other materials to form unpleasant compounds such as
ammonia and marsh gas. It is quite clear that no life can exist there; not
only is the atmosphere poisonous, but Jupiter is so far from the Sun that it
is always very cold. the surface details are always changing, and indeed
Jupiter never looks the same for long a time. the most famous marking on
Jupiter, and the only ore that seems to haw lasted for more than a hundred
years, is the Great Red Spot, a tremendous patch 30,000 miles long. No-
body knows quite what is it. It may be a semi-solid body floating in Jupiter's
atmosphere, but it still remains very much of a mistery.

Vocabulary
core = núcleo, centro
layer = camada
to lay = por, colocar

Linguagens e Códigos
118
to behave = comportar-se
at any rate = de qualquer forma
great deal = muito, em grande quantidade
marsh = pântano, lodaçal
quite = bem, bastante, muito
poisonous = venenoso
indeed = na verdade, claro
to last = durar
patch = caminho, extensão

EXERCÍCIOS DE INTERPRETAÇÃO

I - Escolha a tradução correta:
1) Jupiter is unlike Earth in almost every way.
a) Jupiter é diferente da Terra em quase todos os caminhos.
b) Jupiter é igual à Terra em quase todos os modos.
c) Jupiter é diferente da Terra em quase todos os aspectos.
d) Jupiter é igual à Terra em quase todos os aspectos.

2) Nowadays it is thought more probably that the whole globe is made
up of gas.
a) Hoje em dia pensa-se que é mais provável ser o globo inteiro feito
de gás.
b) Hoje em dia é pensado ser mais provável o globo inteiro feito de gás.
c) Atualmente pensa-se que é mais provável ser todo o globo feito de
gás.
d) Atualmente pensa-se ser mais provável ser o globo todo feito de
gás.

3) It is quite clear that no life can exist there.
a) Está bastante claro que nenhuma vida pode existir lá.
b) Está pouco claro que a vida não pode existir lá.
c) É bem claro que nenhuma vida existe lá.
d) Está claro que nenhuma vida pode existir lá.

4) The surface details are always changing, and indeed Jupiter never
looks the same for long a time.
a) Os detalhes da superfície estão sempre mudando e na verdade
Jupiter nunca parece o mesmo por tempo longo.
b) Os detalhes da superficie nunca estão mudando e na verdade
Jupiter parece sempre o mesmo por um tempo longo.
c) Os detalhes da superficie estão sempre mudando e Jupiter na
verdade parece sempre o mesmo por um longo tempo.
d) Os detalhes da superficie estão sempre mudando mas nunca Jupiter
parece o mesmo por um longo tempo.

II- Compreensão
The text says that:
1)
a) Jupiter has no life there because it is near the sun.
b) Jupiter is so far from the sun that it has no life there.
c) Jupiter has life there because it isn't very cold.
d) Jupiter has no life there because it is very near the sun.
2)
a) Jupiter is unlike the earth in many aspects.
b) Jupiter is like the earth in many aspects.
c) Jupiter isn't unlike the earth in many aspects.
d) Jupiter isn't like the earth in my aspects.
3)
a) Nowadays astronomers think that Jupiter has central rock core,
surrounded by a layer of ice.
b) Nowadays astronomers think that Jupiter is made up of gas.
c) Nowadays astronomers think that a dense atmosphere surrounds it.
d) Nowadays astronomers think that Jupiter is made up of a dense law
of gas.
4)
a) The Great Red Spot is a tremendous patch 30,000 miles large.
b) The Great Red Spot is a semi-solid body floating in earth atmos-
phere.
c) The Great Red Spot is a tremendous patch 30,000 miles long.
d) Thee Great Red Spot are not a mistery in Jupiter's atmosphere.

RESPOSTAS
I- 1) c II- 1) b
2) b 2) a
3) a 3) b
4) a 4) c
e) T

TEXTO 3

"In dealing with people, statistics should be used with care. A group of
people is something like a collection of marbles of all sizes and composi-
tions, and all colors of the rainbow. Try to "average" these marbles, and you
come out with nonsense. You can "average" their color by mounting them
on a circular disk and rotating it rapidly. the color comes back o dirty gray.
But there isn't a dirty gray marble in the lot!
People are as distinctive as marbles, and when we attempt to average
them we come up with dirty gray "man". Averaging when applied in this
careless way to people can be vicious, for we are all unique specimens.
Marked variations in normal anatomy are found wherever we look for
them. Some of the most far-reaching internal differences involve the endo-
crine glands, which release different hormones into the blood. These, in
turn affect our metabolic health, our appetites for food, drink, amusement
and sex, our emotions, instincts and psychological well-being.
Our nervous system also shows distinctiveness. For example, on hu-
man skin there are tiny area sensitives to cold, other areas sensitive to
warmth, stilling others sensitive to pain. A simple experiment shows that
these spots - nerve endings - are widely unequal in number, and distributed
differently in different individuals.
Think then of this world as made up of individuals, each with different
inborn characteristic which influence every minute of each life. Every facet
of human life is altered by such a view."

Vocabulary
to deal = lidar, trata
care = cuidado
marble = bolinha de gude
to come out = aparecer, ficar ou tornar-se conhecido, deparar-se
to rotate = girar, rodar
to average = calcular a média
skin = pele
tiny = pequena, minúscula
nonsense = contra-senso, disparate
spot = local
dirty grey = cinza-escuro (sujo)
to come up = deparar-se
careless = descuidado
far-reaching = de longo alcance
inborn = inato, natural

EXERCÍCIOS DE INTERPRETAÇÃO

I. Choose the right translation:
1) In dealing with people, statistics should be used with care.
a) Ao se tratar com pessoas, estatísticas deverão ser usadas com
cuidado.
b) Ao se tratar com pessoas, estatísticas devem ser usadas com
cuidado
c) Ao se tratar com pessoas, estatísticas deveriam ser usadas com
cuidado.

2) Try to average these marbles, and you come out with nonsense.
a) Tente calcular a média dessas bolinhas e você se depara com
contra-senso.
b) Tente calcular a média dessas bolinhas e você descobrirá o contra-
senso
c) Tente calcular a média dessas bolinhas e você descobre o contra-
senso
3) Averaging when applied in this careless way to people can be vicious
for we are all unique specimens.
a) O cálculo da média quando aplicado a pessoas neste modo
descuidado pode ser imperfeito, pois somos todos espécimes
singulares.

Linguagens e Códigos
119
b) O cálculo da média quando aplicado a pessoas descuidadamente
pode ser imperfeito, pois somos todos espécimes singulares.
c) O cálculo da média quando aplicado a pessoas cuidadosamente
pode ser imperfeito, pois somos todos espécimes singulares.

4) Marked variations in normal anatomy are found wherever we look for
them.
a) Variações observadas na anatomia normal são encontradas onde
quer que nelas olhemos.
b) Variações observadas na anatomia normal são encontradas onde
quer que procuremos por elas.
c) Variações observadas na anatomia normal são encontradas onde
quer que pesquisemos.

5) Every facet of human life is altered by such a view.
a) Toda faceta da vida humana é alterada por tal aspecto.
b) Toda face do ser humano é alterada por tal aspecto.
c) Toda faceta da vida humana é alterada por este aspecto.

II- De acordo com o texto:
1)
a) As pessoas gostam de colecionar bolinhas de todos os tamanhos e
cores.
b) Apesar de muitas tentativas, não se conseguiu obter bolinhas cinzas.
c) Dados estatísticos sobre pessoas precisam ser manejados
cuidadosamente.
d) Em média, discos circulares e mesas rotativas são pintados com as
cores do arco-íris.
2)
a) As pessoas viciam-se com o homem cinza das bolinhas de gude.
b) Sendo distintos, nós todos somos exemplos inigualáveis, não para
sermos experimentados irresponsavelmente.
c) Se aplicado descuidadamente, o jogo de bolinhas do gude torna-se
um hábito vicioso.
d) O homem de cabelo cinza é dintinguido porque é um homem do
espaço.
3)
a) Se olharmos bem, todos têm marcas diferentes no corpo.
b) Diferenças distintas na anatomia normal são encontradas entre nós.
c) A endocrina é um medicamento de hormônios que alcança
profundamente o sangue.
d) Uma recente descoberta sobre pesquisa anatômica lida com
divertimentos, sexo e emoções.
4)
a) Algumas partes da pele humana não são sensíveis ao frio, calor e
dor.
b) Qualquer parte da pele humana é sensível ao frio, calor e dor.
c) Nossos sistemas nervosos são também individualmente diferentes.
d) Terminações nervosos são aquelas manchas onde não sentimos
frio, calor ou dor.
5)
a) Quando pensamos que este mundo é composto de indivíduos
distintos todo aspecto da vida humana muda em nossa opinião.
b) Indivíduos nascem neste mundo a todo minuto.
c) Cada indivíduo vive sua própria e independente vida neste mundo.
d) Indivíduos com características diferentes são os que modificam
vários aspectos da vida humana.

RESPOSTAS
I- 1) b II- 1) c
2) a 2) b
3) a 3) b
4) b 4) c
5) a 5) a

TEXTO 4

I don't remember when the Egyptian pyramids were first mentioned to
me, or when I first saw them. I may have seen them in a book, or magazine,
or in a film when I was very young, and people may have told me a thing or
two about them. But what 1 remember is that in the days of my childhood
they were three in number, placed in the middle of the desert, and having
near them the stone figure of a very strange animal, half-human, half-beast.
I later discovered that the strange animal was called the Sphinx, and that
the three pyramids, which are a few kilometers from Cairo, were huge
monuments built by three different Pharaohs, Cheops, Chephren and
Mikerinos. As I grew older, the pyramids Increased in number and the
original three became 102, and I also learned that the Sphinx, which is 17
metros high, was not actually built but carved out of a rock in the likeness of
Pharaoh Chephren but with a lion's body. I had no idea how big the pyra-
mids were, till one day I read that the Pyramid of Cheops, the largest of all,
was 138 meters high. Gradually, I was introduced into the mysterious
history of the pyramids ... how they were designed and built with astonish-
ing accuracy thousands of years age for the powerful Pharaohs who want-
ed to provide safe resting places for themselves when they died ... how they
were built by thousands upon thousands of slaves who brought the stones
from distant quarries ... and how bandits and robbers, through thee centu-
ries, found the secret passages into them and stole the fabulous aches
stored in the burial chambers within. Fortunately not all was stolen or de-
stroyed, and there is still a lot to be discovered.

EXERCÍCIOS DE INTERPRETAÇÃO

De acordo com o texto:
1.
a) Há mais de cem pirâmdes no Egito.
b) Há três pirâmides no Egito.
c) Um animal estranho vive perto das pirâmides.
2)
a) As pirâmides foram construídas por três faraós.
b) A maior das pirâmides têm 138 metros de altura.
c) As pirâmides não tem o mesmo tamanho.

3. As três pirâmides mais famosas
a) estão bem perto do Cairo.
b) estão no meio do deserto.
c) estão a muitos quilômetros do Cairo.

4) A Esfinge
a) se parece com um leão.
b) tem a cabeça de Quéfren e o como de leão.
c) é um túmulo muito antigo.

5. Os faraós construíram as pirâmides
a) com perfeição
b) vagarosamente.
c) com muita rapidez.

6. As pedras usadas na construção
a) foram trazidas por escravos.
b) vieram de pedreiras das imediações.
c) foram compradas por fenícios.

7. As pirâmides foram construídas para
a) servir de túmulo aos faraós.
b) simbolizar a riqueza do Egito.
c) guardar o tesouro do estado.
8.
a) A Esfinge foi construída por três faraós.
b) A Esfinge é um animal mitológico.
c) A Esfinge foi esculpida na rocha.
9.
a) Nem tudo o que havia dentro das pirâmides foi levado pelos ladrões.
b) O que os ladrões não puderam roubar, eles destruíram.
c) As pirâmides foram saqueadas por ladrões no século passado.

RESPOSTAS
I- 1) a 6) a
2) b 7) a
3) a 8) c
4) b 9) a
5) a

TEXTO 5

Linguagens e Códigos
120

The world's first jet-powered Grand Prix car, the Lotus 568, will take
part in the Race of Champions at Brands Hatch on Sunday. Emerson
Fittipaldi, 23, of Brazil, the Lotus team leader and Europe's first Formula
One jet jockey, will be driving the jet car in practice sessions at the Kent
circuit today.
Mr. C. Chapman, the Chairman of Lotus, said in London yesterday that
the jet car had proved faster than the Lotus 72 in test nuns. the Lotus 56B is
a direct development of the car built for Jim Clark to drive at Indianapolis in
1968. Jim died in a Formula 2 face and had only tested the car in unofficial
practice, but he had described it as "fantastic".
"We have yet to see how it performs in races. It is very fast down the
straight but slower out of comers" Mr. Chapman said. He added that he
thought that as soon as the jet Lotus started doing well in races, protests
from other manufacturers would follow.
A modified Canadian-built turbo-prop gas turbine is the basis for the
engine, transmitting its power to a four-wheel-drive system.
The jet car uses aviation kerosene, which is far less inflammable than
petrol and therefore is very much safer and reduces the fire risk in the event
of a crash. However, it uses far more fuel than the equivalent piston engine
and Mr. Chapman said yesterday that the car was better suited to 150-mile
than 200-mile races.

EXERCÍCIOS DE INTERPRETAÇÃO

Assinale a alternativa que está certa em relação ao texto.

1- A Lotus 56B é
a) o carro mais rápido do mundo.
b) o primeiro carro de corrida a jato.
c) chamado "carro Grand-Prix".

2. Jim Clark
a) experimentou um carro a jato antes de morrer.
b) dirigiu a Lotus 56B em Indianápolis.
c) encomendou a Lotus 56B.

3. Jim Clark morreu
a) em Indianápolis.
b) num acidente de corrida.
c) quando experimentava a Lotus 56B.

4. A Lotus 56B
a) tem tração dianteira.
b) tem tração nas quatro rodas.
c) foi construída no Canadá.

5. A Lotus 56B
a) gasta mais combustível que os outros carros.
b) gasta menos combustível que os outros carros.
c) usa o mesmo combustível que os outros carros.

6. A Lotus 56B
a) é melhor em corridas curtas.
b) é melhor em corridas longas.
c) é sempre melhor que os carros de motor a pistão.

7. A gasolina é
a) mais inflamável que o querosene de avião.
b) menos inflamável que o querosene de avião.
c) mais utilizada porque é melhor.

8. Em caso de acidente,
a) não há perigo de fogo na Lotus 56B
b) há mais perigo de fogo do que nos outros carros.
c) há menos perigo de fogo do que nos outros carros.

RESPOSTAS
1) b 6) a
2) a 7) a
3) b 8) c
4) c d) F
5) a e) T

TEXTO 6

When the bus broke down and the conductor told the gem that
they had to change to another bus, Mr. Bond got off and dashed to
the railway station. He knew that there was a train at 8:25. the station
was only 600 yards away, but Mr. Bond was big and fat, and he ar-
rived at the station only to see his train drawing out of platform 2. His
heart sank. There was nothing he could do now but wait for the next
train. He waited 20 min