1

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2

Os Fulayai
Onar KIayyan
Vcrsao cn ¡oriugucs dc Alfrcdo Draga

Vcrsao ¡ara cDool
cDoolsDrasil

Fonic Digiial
Iii¡.//www.alfrcdo-lraga.¡ro.lr

Inagcns.
Ednund Dulac (1882-1953}
Willy Pogany (1882-1955}
Fonic digiial.
www.l¡il.con

© 2003 ÷ Onar KIayyan
3


Noítc, síícncío, ¡oíIus ínòucís;
ínòucí o ncu ¡cnsuncnto.
Ondc cstus, tu quc nc o¡c¡cccstc u tuçu¯
Ho¡c cuíu u ¡¡íncí¡u ¡ctuíu.

Eu scí, unu ¡osu nuo nu¡cIu
¡c¡to dc qucn tu ugo¡u sucíus u scdc;
nus scntcs u ¡uítu do ¡¡uzc¡ quc cu souIc tc du¡,
c quc tc ¡cz dcs¡uíccc¡.

Aco¡du... c oíIu cono o soí cn scu ¡cg¡csso
uuí u¡ugundo us cst¡cíus do cun¡o du noítc;
do ncsno nodo cíc uuí dcsuunccc¡
us g¡undcs íuzcs du soIc¡Iu to¡¡c do Suítuo.

Onar KIayyan
4


Sobre as traduções
dos RubaIyat
de Omar Kbayyam
Alfrcdo Draga

Ociavio Tarquinio dc Souza, Manucl Dandcira,
Janil Alnansur Haddad c ouiros dc língua
¡oriugucsa, ao sc dc¡ararcn con os Fulaiyai,
¡rocuraran fazcr as suas iraduçõcs airavcs
daquclas dc Edward Fiizgcrald c ianlcn solrc
as vcrsõcs franccsas cono as dc Dulac, Crollcau,
Toussaini c ianias ouiras, cada una con os scus
ncriios, ou dcncriios.
Nun cnsaio dc Dorgcs, ondc sc alorda a olra
¡ociica do ¡crsa, clc airilui a Fiizgcrald, anics do
quc a sin¡lcs iraduçao, a quasc incrívcl c
faniasiica ºinvcnçao" dos Fulaiyai, c concnia
ccrias cnfascs, ianio da c¡oca, cono as do
¡ro¡rio auior, un crudiio cavalIciro quc dc¡ois
dc longas viagcns ¡or rcnoios lugarcs, ianlcn
¡rocurava in¡rcssionar os scus curiosos c
¡udicos lciiorcs, c lciioras, cn scus saraus c
salõcs viiorianos.
5
Fiizgcrald ¡rcscrvou as rinas, nas carrcgou o
ic×io con c×agcrados oricnialisnos c ouiros
csiilisnos cs¡crados ¡clos scus conicn¡orancos;
dc¡ois os franccscs, cada un à sua nancira,
foran insinuando os scus nancirisnos; c dc¡ois
os nossos, dcsdc cniao icn ido, dc roldao,
rc¡ciindo o jusio ¡udor dos iraduiorcs. aquclc dc
sc rcs¡ciiar os ºoriginais". Mas, no caso dos
Fulaiyai dc Onar KIayyan, dc¡ois dc
novcccnios anos, a quc originais clcs qucrcn sc
rcfcrir? Aos ronaniicos florcios? Aos volcios c
volicios dc un ccrio c afciado nodo dc sc
cscrcvcr º¡octícuncntc"? Ora, nas acina dc iudo,
c anics dc nais nada, nao scria KIayyan qucn
nos dcvia inicrcssar ¡rinciro? Sc assin for, scra
ncccssario rcvcr os ic×ios cn quc o ¡crsa
dcscnvolvc os scus crisialinos cnunciados dc
gconciria, ou dc algclra; crcio quc cniao íanos
con¡rccndcr nclIor a voz dcssc ¡ocia
c×agcradancnic iraduzido. ¡oniual, concisa,
clcganic; c c c×aiancnic o quc Dorgcs nos a¡onia
cn scu HuIuí¸ut. Fc¡arc-sc na solricdadc do
vocalulario, na sin¡licidadc da consiruçao c do
frascado. É una cuidadosa ºarqucologia" da
liicraiura, c a rccu¡craçao, nais do quc a ncra
iranscriçao, dc un nodo dc vcr, dc ¡cnsar, dc
dizcr. O HuIuí¸ut dc Dorgcs c a nclIor oricniaçao
¡ara sc vcricr KIayyan ¡ara ouira iaça, scn
¡crdcr o fino luquc, ou a acida agulIa.
6
Qualqucr iraduçao c una o¡iniao, c quasc
nunca c o quc ¡rcicndia scr; scra un rcflc×o
daquilo quc o iraduior alcança vcr, ou ¡ódc vcr. A
dc Manucl Dandcira nao susicnia o rigor c a
finura quc sulsisicn nos rulaiyai, à disiancia dc
novc scculos c sol a canada dc nuiias iraduçõcs
solrc¡osias. A adiçao dc rcgionalisnos, cono o
ºscí nuo" (c aquclas rciiccncias...} soa nal, nao
quadra, c a¡cnas ouira rcduçao infcliz. Dc ccrio
nodo ¡rcfiro a dc Ociavio Tarquínio dc Sousa. c
sin¡lcs, anorfa, ou ingcnua c confusa, nas
ainda guarda ¡aric da ¡cr¡lc×idadc c da lucida
anargura dc KIayyan, scn ¡crdcr o riino dc
¡onio c conira ¡onio cnirc as nciaforas c as
inagcns.
Un Ioncn crudiio c sofisiicado, quc salc da
assonlrosa irajcioria dos asiros, da ¡urcza da
rigorosa gconciria c da clcganic algclra, quc
¡crcclc a inconscqucnic solcrla dos Ioncns
salios (c a dos ouiros} c caninIa cnirc rosas,
iuli¡as, lindas nulIcrcs c finos vinIos,
¡rovavclncnic nao ia sc cnircgar a iao in¡oncnic
singclcza ¡ara falar do uliino gcsio, daquclc ºuto
íncíutuucí" dc un ouiro crc¡usculo.

Cuuuící¡o quc uc¡o uo íongc nu ncIíínu
Do c¡c¡úscuío, uondc í¡u¯ Scí nuo. Po¡ Vuícs
E nontunIus¯ Scí nuo. Estu¡u ununIu
7
cstcndído...
SoI¡c u tc¡¡u¯... Ou dcIuíxo du tc¡¡u¯... Scí nuo.

Crcio quc un Paiaiiva do Assarc, sc fossc
iraduzir KIayyan, Iavia dc acIar ouiras
nanciras dc rcconiar aqucla ncsna inquiciaçao,
scn alicrar sin¡licidadc ¡or rusiicidadc. Ociavio
Tarquínio, duranic a sua convalcsccnça, ºcnt¡c
Cunncs c Nícc, cn ucz dc dccí¡¡u¡ ¡uíuu¡us
c¡uzudus", ¡rcfcriu assin.

Vc¡o un cuuuící¡o quc sc u¡ustu
nu I¡unu du tu¡dc.
I¡u cíc ut¡uucssu¡ ¡ío¡cstus,
ou ¡íunìcícs u¡ídus¯
Aondc uuí¯ Nuo scí.
AnunIu cstu¡cí dcítudo
soI¡c u tc¡¡u ou dcIuíxo dcíu¯
Nuo scí.

Sc fornos lcr os HuIuí¸ut, cn qualqucr
iraduçao, ianlcn cnconirarcnos Pcssoa, ou
WIiinan, quc nao o iraduziran, nas o
conIccian. E quando Dorgcs a¡ro×ina as
ºncg¡us noítcs c os I¡uncos díus" do ialulciro do
×adrcz, º¡í¡uo dc Onu¡", diz clc, ialvcz cn
8
rcs¡osia a csic vcrso do ¡crsa. ºSonos os ¡cocs
dcstc ¡ogo do xud¡cz quc Dcus t¡unu", c a csic.
ºVcíIo nundo, soI o ¡usso do cuuuío I¡unco c
ncg¡o dos díus c dus noítcs", Onar KIayyan
aflora.
E coniinua, cn ouiros ¡ocias; csia nos dias c
nas noiics dos scicnia c cinco anos dc Wali
WIiinan, quc ianlcn sc csicndcn aic nos,
cono clc qucria, ou quando aquclc ouiro dc
língua cs¡anIola, ou casiclIana, diz. ºNcstc
uc¡uo con¡íctu¡cí cínqùcntu unos; u no¡tc nc
dcsgustu, ínccssuntc"; Onar iinIa cscriio. ºOs
ncus cuIcíos cstuo I¡uncos, tcnIo sctcntu unos
dc ídudc"; c isio. ºO tcn¡o cst¡ugu u nínIu Icíu
¡osu"; c naquclc ouiro aralc, ianlcn colIido ¡or
Dorgcs, cn scu Muscu, quc a¡csar do
rcconIccincnio c da gloria diz.ºOxuíu cu tíucssc
nuscído no¡to."; cssa ncsna angusiia a¡arccc, dc
ouira nancira, nos vcrsos dc KIayyan. ºFcííz u
c¡íunçu quc cx¡í¡ou uo nuscc¡; nuís ¡cííz qucn nuo
ucío uo nundo."; c ainda a¡arccc, cn ouiro lugar,
con Ficardo Fcis.

Tuo ccdo ¡ussu tudo quunto ¡ussu!
Mo¡¡c tuo ¡oucn untc os dcuscs quunto
Mo¡¡c! Tudo c tuo ¡ouco!
Nudu sc suIc, tudo sc ínugínu.
9
Cí¡cundu-tc dc ¡osus, unu, IcIc
E cuíu. O nuís c nudu.

Ou csscs vcrsos ainda scrian dc Onar
KIayyan, nouira Auto¡sícog¡u¡íu dc Fcrnando
Pcssoa?
Sao varios ¡ocias a falar, cn varias c¡ocas,
cn varios nodos, cn varios lugarcs; nas o quc
icn a dizcr, c cono dizcn, c iao ¡ro×ino, c cono
sc csiivcsscn junios, na ncsna ncsa daqucla
iavcrna, ou daquclc lar. Sao csscs os ¡ocias quc
vao iraduzindo a ¡ocsia. Quando Dorgcs diz quc
os livros convcrsan cnirc si, airavcs dos
cscriiorcs, nao csia divagando; o dialogo
coniinua, claro, scrcno, aic ¡or cnirc os ruídos
das iraduçõcs, c da afliia agiiaçao das o¡iniõcs, c
dos csiilos. E scgucn, convcrsando, ao lado dc
KIayyan c dc SIalcs¡carc (ncn nu¡no¡c, ncn
uu¡cos nonuncntos dc ¡cís Iuo dc du¡u¡ nuís quc
cstus ¡ínus} c dc ouiros quc, a¡csar dc iudo,
º¡csístcn uos t¡uduto¡cs c uos uto¡cs"... c àquclcs
¡oricniosos dirciorcs-iraduiorcs nais as suas
cs¡aniosas ºrclciiuras".
10




Onar Iln IlraIin El KIayyan nasccu cn
NicIa¡ur, na Pcrsia, cn 1040 c norrcu ncssa
ncsna cidadc cn 1120.
KIayyan significa, cn ¡crsa, falricanic dc
icndas; clc adoiou cssc nonc cn ncnoria do ¡ai
quc cra falricanic dc icndas.
Alcn dc ¡ocia Onar KIayyan foi naicnaiico
c asirónono. Dos scus livros dc cicncia cIcgaran
aic nos o T¡utudo dc Aígunus Dí¡ícuídudcs dus
Dc¡íníçocs dc Eucíídcs c as Dcnonst¡uçocs dos
¡¡oIícnus dc AígcI¡u. En 1074, dircior do
Olscrvaiorio dc Mcrv, fcz a rcforna do calcndario
nuçulnano.
Fulaiyai c o ¡lural da ¡alavra ¡crsa rulai, c
qucr dizcr quadras, quaricios. No rulai, o
11
¡rinciro, o scgundo c o quario vcrsos sao
rinados, o icrcciro c lranco.
Ncsia ºiraduçao", nao naniivcnos a rina,
ncn a ncirica ºoriginais".
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Os RubaIyat

Omar
Kbayyan
Versão em Português de
AIIredo Braga
13

CG FLEAYAT
CVAR llAYYAr

1
Nunca nurnurci una ¡rccc,
ncn cscondi os ncus ¡ccados.
Ignoro sc c×isic una Jusiiça, ou Miscricordia;
nas nao dcscs¡cro. sou un Ioncn sinccro.
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2
O quc valc nais? Mcdiiar nuna iavcrna,
ou ¡rosicrnado na ncsquiia in¡lorar o Ccu?
Nao sci sc icnos un ScnIor,
ncn quc dcsiino nc rcscrvou.
15

3
OlIa con indulgcncia aquclcs quc sc cnlriagan;
os icus dcfciios nao sao ncnorcs.
Sc qucrcs ¡az c scrcnidadc, lcnlra-ic
da dor dc ianios ouiros, c ic julgaras fcliz.
16


4
Quc o icu salcr nao IunilIc o icu ¡ro×ino.
Cuidado, nao dci×cs quc a ira ic doninc.
Sc cs¡cras a ¡az, sorri ao dcsiino quc ic fcrc;
nao firas ningucn.
17

5
Dusca a fclicidadc agora, nao salcs dc ananIa.
A¡anIa un grandc co¡o cIcio dc vinIo,
scnia-ic ao luar, c ¡cnsa.
Talvcz ananIa a lua nc ¡rocurc cn vao.
18

6
Nao ¡rocurcs nuiios anigos, ncn lusqucs
¡rolongar
a sin¡aiia quc algucn ic ins¡irou;
anics dc a¡criarcs a nao quc ic csicndcn,
considcra sc un dia cla nao sc crgucra conira ii.
19

7
Alcorao, o livro su¡rcno, ¡odc scr lido às vczcs,
nas ningucn sc dclciia scn¡rc cn suas ¡aginas.
No co¡o dc vinIo csia gravado un ic×io dc
adoravcl
salcdoria quc a loca lc, a cada vcz con nais
dclícia.
20


8
Ha nuiio icn¡o, csia anfora foi un ananic,
cono cu. sofria con a indifcrcnça dc una
nulIcr;
a asa curva no gargalo c o lraço quc cnlaçava
os onlros lisos da lcn anada.
21

9
Quc ¡olrc o coraçao quc nao salc anar
c nao conIccc o dclírio da ¡ai×ao.
Sc nao anas, quc sol ¡odc ic aqucccr,
ou quc lua ic consolar?
22

10
Hojc os ncus anos rcflorcsccn.
Qucro o vinIo quc nc da calor.
Dizcs quc c anargo? VinIo!
Quc scja anargo, cono a vida.
23

11
É inuiil a iua afliçao;
nada ¡odcs solrc o icu dcsiino.
Sc cs ¡rudcnic, iona o quc icns à nao.
AnanIa... quc salcs do ananIa?
24


12
Alcn da Tcrra, ¡clo Infiniio,
¡rocurci, cn vao, o Ccu c o Infcrno.
Dc¡ois una voz nc dissc.
Ccu c Infcrno csiao cn ii.
25

13
Nao vanos falar agora, da-nc vinIo. Ncsia noiic
a iua loca c a nais linda rosa, c nc lasia.
Da-nc vinIo, c quc scja vcrnclIo cono os icus
lalios;
o ncu rcnorso scra lcvc cono os icus calclos.
26

14
TcnIo igual dcs¡rczo ¡or lilcriinos ou dcvoios.
Qucn ira dizcr sc icrao o Ccu ou o Infcrno?
ConIcccs algucn quc visiiou csscs lugarcs?
E ainda qucrcs cncIcr o nar con ¡cdras?
27

15
Na sonlra azulada do jardin
o ar da ¡rinavcra rcnova as rosas
c ilunina os ncigos olIos da ninIa anada.
Onicn, ananIa... c iao grandc o ¡razcr agora.
28


16
Dclo, nas nao sci qucn ic fcz, o grandc anfora;
¡odcs conicr ircs ncdidas dc vinIo, nas un dia
a Moric ic quclrara. Nuna ouira Iora
¡crguniarci
cono fosic criada, sc fosic fcliz, ou ¡or quc scras
¡o.
29

17
Cono o rio, ou cono o vcnio,
vao ¡assando os dias.
Ha dois dias quc nc sao indifcrcnics.
O quc foi onicn, o quc vira ananIa.
30

18
Nao nc lcnlro do dia cn quc nasci;
nao sci cn quc dia norrcrci.
Vcn, ninIa docc aniga, vanos lclcr dcsia iaça
c csqucccr a nossa incuravcl ignorancia.
31

19
KIayyan, cnquanio crguias a icnda da
Salcdoria,
caísic na fogucira da dor; agora cs cinzas.
O Anjo Azrail coriou as cordas da iua icnda
c a Moric vcndcu-a ¡or una ninIaria.
32


20
É inuiil ic afligircs ¡or icrcs ¡ccado;
ianlcn c inuiil a iua coniriçao.
alcn da noric csiara o Nada,
ou a Miscricordia.
33

21
Crisiaos, judcus, nuçulnanos, rczan,
con ncdo do infcrno; nas sc rcalncnic
soulcsscn
dos scgrcdos dc Dcus, nao ian ¡laniar
as ncsquinIas scncnics do ncdo c da su¡lica.
34

22
Na csiaçao das rosas ¡rocuro un can¡o florido
c scnio-nc à sonlra con una linda nulIcr;
nao cuido da ninIa salvaçao. iono o vinIo
quc cla nc ofcrccc; scnao, o quc valcria cu?
35

23
O vasio nundo. un grao dc arcia no cs¡aço.
A cicncia dos Ioncns. ¡alavras. Os ¡ovos,
os aninais, as florcs dos scic clinas. sonlras.
O ¡rofundo rcsuliado da iua ncdiiaçao. nada.
36


24
Eu csiava con sono c a Salcdoria nc dissc.
A rosa da fclicidadc nao sc alrc ¡ara qucn
dornc;
¡or quc ic cnircgarcs a cssc irnao da noric?
Dclc vinIo; icns ianios scculos ¡ara dornir.
37

25
Adniio quc ja rcsolvcsic o cnigna da Criaçao;
c o icu dcsiino? Acciio quc dcsvcndasic a
Vcrdadc;
c o icu dcsiino? Esia lcn, vivcsic ccn anos
fclizcs
c ainda icns nuiios ¡ara vivcr; c o icu dcsiino?
38

26
Ningucn dcsvcndara o Misicrio. Nunca
salcrcnos
o quc sc oculia ¡or iras das a¡arcncias.
As nossas noradas sao ¡rovisorias, ncnos aqucla
uliina.
Nao vanos falar, iona o icu vinIo.
39

27
OlIa, un dia a alna dci×ara o icu cor¡o
c ficaras ¡or iras do vcu, cnirc o Univcrso
c o dcsconIccido. Enquanio nao cIcga a Iora,
¡rocura scr fcliz. Para ondc iras dc¡ois?
40


28
Os salios nais ilusircs caninIaran nas ircvas
da ignorancia,
c cran os luninarcs do scu icn¡o.
O quc fizcran? Dalluciaran algunas frascs
confusas,
c dc¡ois adorncccran, cansados.
41

29
A vida c un jogo nonoiono quc da dois ¡rcnios.
A Dor c a Moric.
Fcliz a criança quc cסirou ao nasccr;
nais fcliz qucn nao vcio ao nundo.
42

30
Na fcira quc airavcssas nao ¡rocurcs anigos
ou alrigo scguro. Acciia a dor quc nao icn
rcncdio
c sorri ao inforiunio; nao cs¡crcs quc ic sorrian.
Scria icn¡o ¡crdido.
43

31
O nundo gira, disiraído dos calculos dos salios.
Fcnuncia à vaidadc dc coniar os asiros
c lcnlra-ic. vais norrcr, nao sonIaras nais,
c os vcrncs da icrra cuidarao do icu cadavcr.
44


32
Aquclc quc criou o Univcrso c as csirclas
c×agcrou quando invcniou a dor.
Lalios vcrnclIos cono rulis, calclos
¡crfunados,
quanios sois no nundo?
45

33
VclIo nundo sol o ¡asso do cavalo lranco c
ncgro
dos dias c das noiics, cs o ¡alacio irisic ondc nil
DjcncIids
sonIaran con a gloria c nil DaIrans con o
anor,
c a cada nanIa acordavan cIorando.
46

34
Sono solrc a icrra, sono dclai×o da icrra.
Solrc a icrra, sol a icrra. Ioncns dciiados.
Nada cn ioda a ¡aric. Dcscrio.
Honcns cIcgan, ouiros ¡aricn.
47

35
Enquanio o rou×inol lIc cnioava un Iino,
nurcIou a lcla rosa ¡or causa do vcnio sul.
Lancniarcnos ¡or cla ou ¡or nos?
Quando norrcrnos, ouira rosa dcsalrocIara.
48


36
Sc nao iivcsic a rccon¡cnsa quc ncrccias,
nao ic in¡orics, nao cs¡crcs nada;
ja csiava iudo nas ¡aginas daquclc livro
quc o vcnio da cicrnidadc vai virando ao acaso.
49

37
Quando nc falan das dclícias quc na ouira vida
os clciios irao gozar, rcs¡ondo.
Confio no vinIo, nao cn ¡roncssas;
o son dos ianlorcs so c lclo ao longc.
50

38
Dclc vinIo, clc ic dcvolvcra a nocidadc,
a divina csiaçao das rosas, da vida cicrna,
dos anigos sinccros. Dclc, c dcsfruia
o insianic fugidio quc c a iua vida.
51

39
Dclc o icu vinIo. Vais dornir nuiio icn¡o
dclai×o da icrra, scn anigos, scn nulIcrcs.
Confio-ic un grandc scgrcdo.
As iuli¡as nurcIas nao rcflorcsccn nais.
52


40
Dai×inIo a argila dizia
ao olciro quc a iorncava.
Ja fui cono iu, nao ic csqucças,
nao nc naliraics.
53

41
Olciro, vai con cuidado, iraia lcn a argila
con quc Adao foi confornado.
Vcjo no iorno quc novcs a nao dc Fcridun,
o coraçao dc KIosru... o quc fizcsic?
54

42
A iuli¡a rulra nascc no can¡o quc foi rcgado
¡clo sanguc dc un aliivo rci.
A violcia lroia do sinal dc lclcza quc ¡al¡iiava
na facc dc una docc adolcsccnic.
55

43
Ha ianio icn¡o giran os asiros no cs¡aço;
Ia ianio icn¡o sc rcvczan os dias c as noiics.
Anda dc lcvc na icrra, ialvcz aondc vais ¡isar
ainda csicjan os olIos ncigos dc un
adolcsccnic.
56


44
As raízcs do narciso quc sc inclina suavc,
lclcn a vida nos lalios norios dc una nulIcr.
Pisa lcvc a rclva nacia, cla nascc das cinzas
dc rosios iao lclos quanio as iuli¡as.
57

45
O olciro ia nodclando as alças c os coniornos
dc una anfora. O larro quc clc confornava
cra fciio dc cranios dc suliõcs
c naos dc ncndigos.
58

46
O lcn c o nal sc cnirclaçan no nundo.
Nao agradcças ao Ccu
¡cla soric quc ic coulc, ncn o acuscs.
Elc c indifcrcnic.
59

47
Sc cn icu coraçao culiivasic a rosa do anor,
qucr icnIas ¡rocurado ouvir a voz dc Dcus,
ou csgoiado a iaça do ¡razcr,
a iua vida nao foi cn vao.
60


48
Vai con ¡rudcncia, viajanic.
A csirada c ¡crigosa, a adaga do dcsiino
c accrada. Nao colIas as ancndoas doccs,
sao vcncnosas.
61

49
Un jardin florido, una lcla nulIcr, c vinIo.
Eis o ncu ¡razcr c a ninIa anargura,
o ncu ¡araíso c o ncu infcrno.
Mas qucn salc o quc c Ccu c o quc c Infcrno?
62

50
Con a iua facc cono a rosa, con o icu rosio lclo,
cono o dc un ídolo cIincs, nao salcs
o quc o icu olIar faz do rci da Dalilónia?
Un lis¡o do ×adrcz, quc fogc da rainIa.
63

51
A vida ¡assa. O quc rcsia dc Dagdad c Dall?
A aragcn nais lcvc c faial à rosa ja
dcsalrocIada.
Dclc o vinIo, c conicn¡la a lua.
lcnlra-ic das civilizaçõcs quc cla ja viu norrcr.
64


52
Ouvc o quc a Salcdoria diz iodos os dias.
A vida c lrcvc.
Nao ic csqucças, nao cs cono ccrias ¡lanias
quc rclroian dc¡ois dc coriadas.
65

53
Mcsircs c salios norrcran
scn sc cnicndcrcn solrc o Scr c o Nao Scr.
Nos, ignoranics, vanos a¡anIar as icnras uvas;
quc os grandcs Ioncns sc rcgalcn con as
¡assas.
66

54
O ncu nascincnio nao auncniou o Univcrso,
ncn a ninIa noric lIc fanara o cs¡lcndor.
Ningucn nc dira ¡or quc vin ao nundo,
ou ¡orquc un dia irci cnlora.
67

55
Ircnos nos ¡crdcr na csirada do anor,
c o dcsiino nos ¡isara, indifcrcnic.
Vcn, ncnina, iaça cncaniada, da-nc dc lclcr
cn icus lalios, anics quc cu nc iornc ¡o.
68


56
So dc nonc conIcccnos a fclicidadc.
O nosso nclIor anigo c o vinIo;
afaga a unica quc ic c ficl. a anfora,
cIcia do sanguc das vinIas.
69

57
Nao ic inquicics, a vida c cono un sus¡iro.
As cinzas dc DjcncIid c dc Kai-Kolad volician
na ¡ocira vcrnclIa quc iolda o ar.
O Univcrso c una niragcn, a vida c un sonIo.
70

58
Scnia-ic c lclc, fclicidadc quc MaInud nao icvc.
Escuia os sussuros dos ananics, sao os Salnos
dc Davi.
Nao ic in¡orics con o ¡assado, nao sondcs o
fuiuro,
nao ¡crcas csic insianic. Eis a ¡az.
71

59
Pcssoas ¡rcsunçosas c oliusas invcniaran
difcrcnças cnirc o cor¡o c a alna.
Sci a¡cnas quc o vinIo a¡aga as angusiias
quc nos aiorncnian, c nos dcvolvc a calna.
72


60
Quc cnigna os asiros quc andan ¡clo cs¡aço.
Agarra-ic à corda da salcdoria, KIayyan.
Prcsia aicnçao à vcriigcn
quc faz cair ¡crio dc ii os icus con¡anIciros.
73

61
Nao icno a noric. Prcfiro cssc aio incluiavcl
ao ouiro quc nc foi in¡osio no dia cn quc nasci.
O quc c a vida, afinal? Un lcn quc nc confiaran
scn nc consuliarcn c quc cnircgarci con
indifcrcnça.
74

62
Esiou vclIo, c a ¡ai×ao quc nc ins¡irasic
vai nc lcvar ao iunulo. nao ccsso dc cncIcr a
iaça.
Esia ¡ai×ao icn razao conira nin.
o icn¡o csiraga a ninIa lcla rosa.
75

63
Podcs nc ¡crscguir, niragcn dc ouira vcniura,
¡odcs nodular a iua voz, nas so cscuio aqucla
quc ja nc cncaniou. Dizcn-nc. Dcus ic
¡crdoara.
Fccuso o ¡crdao quc nao ¡cdi.
76


64
Un ¡ouco dc ¡ao, un ¡ouco dc agua,
a sonlra dc una arvorc, c o icu olIar;
ncnIun suliao c nais fcliz do quc cu,
c ncnIun ncndigo c nais irisic.
77

65
Tanios carinIos, ianias dclícias,
iania icrnura no concço do nosso anor.
Mas agora o icu ¡razcr
c dilaccrar o ncu coraçao. Por quc?
78

66
VinIo, lalsano ¡ara o ncu coraçao docnic,
vinIo da cor das rosas, vinIo ¡crfunado
¡ara calar a ninIa dor. VinIo, c o icu alaudc
dc cordas dc scda, ninIa anada.
79

67
Falan dc un Criador...
c Elc dcu forna às criaiuras ¡ara dcsiruí-las?
Por quc sao fcias? Por quc sao lclas?
Qucn c o rcs¡onsavcl? Nao con¡rccndo nada.
80


68
Todos ¡rcicndcn andar ¡clo CaninIo do Salcr.
Uns o ¡rocuran, ouiros afirnan ic-lo
cnconirado.
Un dia una grandc voz dira. Nao Ia caninIo,
ncn aialIo.
81

69
Drinda ao rcs¡lcndor da aurora, c dcdica
o vinIo vcrnclIo dcsia iaça, cn forna dc cIana,
ou dc iuli¡a, ao sorriso ncigo dc algun
adolcsccnic.
Dclc, c csquccc quc o ¡unIo da dor ic ¡rosirara.
82

70
VinIo! Quc ¡al¡iic cn ninIas vcias,
quc inundc a ninIa calcça. Silcncio!
Tudo c ncniira. Co¡os! Dc¡rcssa!
EnvclIcci nuiio.
83

71
Do ncu iunulo vira un ial ¡crfunc dc vinIo
quc cnlriagara os quc ¡or la ¡assarcn,
c una ial scrcnidadc vai ¡airar ali,
quc os ananics nao qucrcrao sc afasiar.
84


72
No iurlilIao da vida sao fclizcs aquclcs
quc ¡rcsunindo salcr iudo nao sc insirucn.
Fui luscar os scgrcdos do Univcrso c volici
invcjando os ccgos quc cnconirci ¡clo caninIo.
85

73
Alguns anigos nc dizcn. Nao lclas nais
KIayyan.
Fcs¡ondo. Quando lclo, ouço o quc nc dizcn
as rosas, as iuli¡as, os jasnins;
ouço aic o quc nao nc diz a ninIa anada.
86

74
En quc ¡cnsas? Nos quc ja norrcran? Sao ¡o no
¡o.
Pcnsas nas viriudcs quc iivcran? Sin? Dci×a-nc
sorrir.
Tona csic co¡o, vanos lclcr; ouvc scn
inquiciaçao
o vasio Silcncio do Univcrso.
87

75
Nao faças ¡lanos ¡ara ananIa.
Salcs sc ¡odcras icrninar a frasc quc vais dizcr?
Talvcz ananIa csicjanos iao longc dcsic
allcrguc,
cono os ouiros quc ja sc foran Ia scic nil anos.
88


76
Conquisiador dc coraçõcs, lclo noço
dc olIos lrilIanics c aliivo scnllanic,
scnia-ic c a¡anIa un co¡o. Eu ic conicn¡lo,
c ¡cnso na anfora quc scras un dia.
89

77
Ha nuiio icn¡o a ninIa nocidadc sc foi.
Prinavcra da ninIa vida, ¡assasic cono
¡assaran
as ouiras ¡rinavcras. scn quc cu ¡crcclcssc.
Pariisic, cono sc vao os nclIorcs dias.
90

78
Scnic iodos os ¡crfuncs, iodas as corcs,
iodas as nusicas; ana iodas as nulIcrcs.
Lcnlra-ic quc a vida c lrcvc,
c quc lrcvc voliaras ao ¡o.
91

79
Nao icras ¡az na icrra, c c iolicc acrcdiiar
no rc¡ouso cicrno. Dc¡ois da noric
icu sono scra lrcvc. rcnasccras na crva
quc scra ¡isada, ou na flor quc nurcIara.
92


80
O quc rcalncnic ¡ossuo?
O quc rcsiara dc nin dc¡ois da noric?
É iao lrcvc a vida, una fogucira.
CIanas, c dc¡ois, cinzas.
93

81
Convicçao c duvida, crro c vcrdadc.
sao ¡alavras, cono lolIas dc ar;
lrilIanics, ou laças. vazias,
cono a c×isicncia dos Ioncns.
94

82
Escuia, isio ningucn ic coniou.
Quando a ¡rincira alla clarcou o nundo,
Adao ja cra una criaiura dolorosa,
quc ¡cdia a noiic, ansiava a noric.
95

83
Nao ¡cdi ¡ara nasccr. Fccclo, scn cs¡anio ou
ira,
o quc a vida nc cnircga. Un dia Ici dc ¡ariir;
nao nc in¡oria salcr qual o noiivo
da ninIa nisicriosa ¡assagcn ¡clo nundo.
96


84
ColIc os fruios quc a vida ic ofcrccc
c cscolIc as iaças naiorcs;
nao crcias quc Dcus va fazcr as conias
dos icus vícios c das iuas viriudcs.
97

85
Os ncus calclos csiao lrancos,
icnIo scicnia anos dc idadc.
Agarro agora a fclicidadc; ananIa,
ialvcz nao nc rcsicn forças.
98

86
Nunca ¡rocurci salcr ondc cnconirar
o nanio da ncniira c do ardil,
nas scn¡rc andci à ¡rocura
dos nclIorcs vinIos.
99

87
Alguns salios da Crccia salian ¡ro¡or cnignas?
É alsoluia a ninIa indifcrcnça ¡or iania
inicligcncia.
Da-nc vinIo, ninIa aniga; dci×a-nc ouvir o
alaudc,
olIa cono lcnlra o vcnio quc ¡assa, cono nos.
100


88
É o ncs do Fanada. AnanIa o sol
vai iluninar una cidadc silcnciosa;
os vinIos dornirao cn suas urnas
c as nulIcrcs à sonlra dos losqucs.
101

89
Sonos os ¡cõcs dcsic jogo do ×adrcz
quc Dcus irana. Elc nos novc, lança-nos
uns conira os ouiros, nos dcsloca, c dc¡ois
nos rccolIc, un a un, à Cai×a do Nada.
102

90
A alolada cclcsic sc ¡arccc a una iaça
cnlorcada;
sol cla, cn vao, crran os salios.
Ana a iua anada cono a anfora ana o co¡o;
olIa, loca a loca, cla lIc da o scu ¡ro¡rio
sanguc.
103

91
O anor quc nao consonc, nao c anor;
a lrasa icn o ncsno calor dc una fogucira?
Aquclc quc ana, ¡clas noiics c dias,
vai sc consunindo no ¡razcr c na dor.
104


92
Nao a¡rcndcsic nada con os salios,
nas o roçar dos lalios dc una nulIcr cn icu
¡ciio
¡odc ic rcvclar a fclicidadc.
Tcns os dias coniados. Tona vinIo.
105

93
O vinIo da-ic o calor quc nao icns;
suaviza o jugo do ¡assado c ic alivia
das lrunas do fuiuro; inunda-ic dc luz
c ic lilcria dcsia ¡risao.
106

94
Nunca rczci nas ncsquiias, nas anics
ainda scniia una icnuc cs¡crança.
Agora gosio dc nc scniar la;
aqucla sonlra c ¡ro¡ícia ao sono.
107

95
Na icrra cIcia dc corcs algucn caninIa.
nao c nuçulnano, nao c inficl, ncn ¡olrc, ncn
rico;
nao acrcdiia na Vcrdadc c nao afirna nada.
Qucn c cssc, inirc¡ido c irisic?
108


96
Un dia ¡cdi a un vclIo salio
quc nc falassc solrc os quc ja sc foran.
Elc dissc.
Nao voliarao. Eis o quc sci.
109

97
OlIa, a rosa csircnccc ao so¡ro do vcnio;
un ¡assaro cnioa un Iino; una nuvcn ¡aira.
Dclc, c csquccc quc o vcnio vai rcssccar a rosa,
lcvar a nuvcn rcfrcscanic c o canio do rou×inol.
110

98
Ondc csiao os nossos anigos? Ja norrcran?
Ainda os ouço na iavcrna...
ja sc foran? ou csiarao cnlriagados
dc ianio icrcn vivido?
111

99
Quando cu nao nais vivcr, nao Iavcra nais
rosas,
ncn lalios vcrnclIos, ncn vinIos ¡crfunados;
nao Iavcra auroras, ncn anorcs, ncn ¡cnas.
o Univcrso icra acalado, ¡ois clc c o ncu
¡cnsancnio.
112


100
Podcs sondar a ¡rofunda noiic quc nos cnvolvc
c ir ¡clo nisicrio adcniro. En vao.
Adao, Eva, cono dcvc icr sido anargo aquclc
lcijo
quc nos gcrou iao dcscs¡crançados.
113

101
Cansado dc ¡crguniar aos salios, ¡crgunici à
iaça.
Para ondc irci dc¡ois da noric?
Ela nc rcs¡ondcu lai×inIo. Dclc cn ninIa
loca,
lclc longancnic. nao voliaras.
114

102
Eu csiava nuna olaria c nil anforas
nurnuravan.
Eniao una dclas dissc. Silcncio, dci×cn
quc cssc Ioncn sc lcnlrc dos olciros
c dos con¡radorcs dc anforas quc ja fonos.
115

103
Ncsia noiic cacn ¡cialas das csirclas,
nas o ncu jardin ainda nao csia colcrio dclas.
Assin cono o ccu dcrrana florcs solrc a icrra,
vcrio cn ninIa iaça o vinIo da cor das rosas.
116


104
Qucrcs salcr cono scra o ananIa? Tolicc.
Confia, ou o fado jusiificara os icus rcccios.
Nao ic a¡cgucs, nao qucsiioncs livros ncn
¡cssoas,
nosso dcsiino c insondavcl.
117

105
A aurora cncIcu dc rosas a iaça do ccu,
c o uliino rou×inol cania o scu ncigo canio;
c ainda Ia qucn ¡cnsc cn Ionras c glorias...
Vcn, ncnina... quc scdosos sao os icus calclos...
118

106
Vai un cavalciro ¡clas sonlras do cniardcccr.
Aondc ira, ¡or scrras c ¡or valcs?
c ondc csiara dciiado ananIa?
Solrc a icrra, ou dclai×o dcla?
119

107
O vinIo c da cor das rosas;
ialvcz nao scja o sanguc das uvas, nas das rosas;
c o azul dcsia iaça ialvcz scja o ccu crisializado;
c nao scria a noiic a ¡al¡clra do dia?
120


108
Mais ouira aurora. Cono cn iodas as nanIas,
dc¡aro a lclcza do nundo, c nao ¡osso
agradcccr.
Ia ianias rosas, ianios lalios. Vcn ninIa aniga,
¡ousa o icu alaudc, os ¡assaros csiao caniando.
121

109
Honcn ingcnuo, ¡cnsas quc cs salio
c csias sufocado cnirc os dois infiniios
do ¡assado c do fuiuro. Nao ¡odcs sair.
Dclc, c csquccc a iua in¡oicncia.
122


110
O quc farci Iojc? Ir à iavcrna? Lcr un livro?
Un ¡assaro ¡assa. Aondc ira? Ja nao o vcjo.
Enlriagucz dc una avc no ccu azul c norno;
nclancolia dc un Ioncn quc ainda sc lcnlra.
123

111
Mais vinIo, ninIa aniga,
as iuas faccs ainda nao csiao rosadas.
Un ¡ouco nais dc irisicza, KIayyan,
iua anada vai ic olIar, vai sorrir.
124

112
Nao iragan lan¡adas, os ncus anigos
adorncccran;
csiao inovcis, ¡alidos, cono ficarao no iunulo.
Nao iragan as lan¡adas,
os norios nao ¡rccisan dclas.
125

113
Esiudci nuiio c iivc ncsircs cnincnics
c nc orgulIava dos ncus ¡rogrcssos c iriunfos.
Agora lcnlro-nc do salio quc cu cra. cra cono a
agua
quc iona a forna do vaso, cono a funaça ao
vcnio.
126


114
Cuardo as ninIas irisiczas cono a avc
sc cscondc ¡ara norrcr. Da-nc vinIo, ninIa
aniga,
c cscuia os ncus graccjos. VinIo, rosas, lalios,
c a iua indifcrcnça ¡cla ninIa dor.
127

115
Dcs¡c-ic dcssas rou¡as quc ic cnvaidcccn
c quc nao irazias ao nasccr;
os icus conIccidos nao ic cun¡rincniarao nais,
nas cn icu ¡ciio caniarao os Scrafins do ccu.
128

116
Aconicccu o quc cu ja cs¡crava. Ela nc dci×ou.
Quando cu a iinIa cra iao facil a rcnuncia;
junio dcla, cono csiavas so, KIayyan;
cla sc foi ¡ara ic rcfugiarcs ncla.
129

117
AI, ScnIor, dcsiruísic a ninIa alcgria,
crgucsic una nuralIa cnirc nin c a ninIa
anada,
¡isasic a ninIa lcla scara; vou norrcr,
c Tu, canlalcias, cnlriagado.
130


118
Silcncio, dor da ninIa alna,
dci×a-nc ¡rocurar un rcncdio.
É ¡rcciso vivcr; os norios nao sc lcnlran
c cu qucro rcvcr a ninIa anada.
131

119
É grandc a iua dor? Nao lIc dcs aicnçao.
Lcnlra-ic dos ouiros quc sofrcn inuiilncnic.
Procura una linda nulIcr; nas cuidado, cviia
ana-la,
c cla, quc nao ic anc.
132

120
Fosas, iaças, lalios vcrnclIos.
lrinqucdos quc o Tcn¡o csiraga;
csiudo, ncdiiaçao, rcnuncia.
cinzas quc o Tcn¡o cs¡alIa.


133

Para nais infornaçõcs solrc ¡ocsia ¡crsa,
consuliar o nuncro 14 da Hcuístu Pocsíu Scn¡¡c,
da Fundaçao Dillioicca Nacional. Pocsíu Scn¡¡c ÷
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Janciro, FJ ÷ 20030-120 ÷ Tcls. (××21} 2544-8597
/ 2544-8514 / 25544-8703 ÷ Fa×. (××21} 2220-
1009 ÷ E-nuíí. ¡ocsia¸ln.lr.
A scricdadc da iraduçao dc Fiizgcrald c
rigorosancnic conicsiada no livro HuIuí¸¸ut, Eí
¡ocnu o¡ígínuí dcí nìstíco Su¡í, Traduccion dirccia
dcl ¡crsa. Onar Ali-SIaI y Folcri Cravcs ÷
Vcrsion cs¡anola. Alcjandro Callcja, Colcccion
Macsiros Sufis, Edicioncs DcrvisI Inicrnaiional,
Ducnos Aircs, 1989.
134

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