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PERÍODO POMBALINO (PORTUGAL) E CONJURAÇÕES (BRASIL) RESUMO E QUESTÕES DE VESTIBULARES As reformas pombalinas e as conjurações coloniais 1. Introdução: A partir de 1750, a colonização portuguesa na América entra em decadência. As arrecadações com a mineração baixam seguidamente, levando a monarquia a adotar duríssimas medidas. Medidas que não ficam sem repostas. Passa-se a forjar a independência em relação a Portugal. 2. A época pombalina: . O absolutismo ilustrado: Também chamado de despotismo esclarecido, caracteriza-se por ser o absolutismo não modificado em sua essência, mas com uma aura das idéias e ideais da Ilustração – também chamada de Iluminismo. O absolutismo e o mercantilismo, no entanto, são fortemente reafirmados. Prevaleceu na periferia da Europa na segunda metade do século XVIII em países como Rússia, Áustria, Prússia, Espanha e Portugal que, com essas medidas, tentavam se aproximar das potências européias dominantes, Inglaterra e França. . As reformas pombalinas: No governo do rei José I (1750-1777), era preponderante no Estado português a figura do marquês de Pombal. Esse ministro se enquadra dentro do modelo de absolutismo ilustrado. Ele fez uma série de reformas em Portugal e na colônia, tentando tirar o atraso de Portugal na Europa. Foram reformas claramente centralizadoras e autoritárias, que beneficiavam os grandes comerciantes portugueses. . Derrama (1751): Com o primeiro sinal de decadência na arrecadação do quinto na região das minas, Pombal institui a derrama. Segundo esse mecanismo, a arrecadação anual do quinto nas minas deveria ser de 100 arrobas de ouro – cada arroba equivale a algo como 15kg e 100 arrobas a mais ou menos 1,5 tonelada. Caso não se chegasse a esse valor, o resto deveria ser cobrado de toda a população das Gerais. . Expulsão dos jesuítas da colônia (1759): A ordem dos jesuítas foi expulsa para pôr fim à poderosa influência e presença no contrabando por parte dessa ordem. A Coroa tomava, também, todas as terras deles. . Companhias de Comércio: As companhias monopolistas de comércio foram recriadas. Assim, criaram-se as Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão em 1755 e a Companhia Geral do comércio de Pernambuco e da Paraíba. Essas companhias aumentavam bastante os lucros dos comerciantes portugueses. . Capital no Rio de Janeiro (1763): A capital da colônia passa de Salvador para o Rio de Janeiro, já que esta cidade era o centro que escoava a produção de Minas Gerais, além de controlar o tráfico de escravos. . Medidas administrativas: Outras medidas foram: extinção das capitanias hereditárias, reunificação administrativa – a colônia era então dividida administrativamente em duas – e monopólio real dos diamantes. . O reinado de d. Maria I: No reinado da sucessora de d. José I, prevaleceu o caráter absolutista ilustrado da política pombalina. Assim, em 1785, as manufaturas foram proibidas na colônia. 3. As conjurações coloniais: . Caráter geral das conjurações: As conjurações de fins do século XVIII não são mais como as antigas revoltas coloniais. Agora, contesta-se a colonização e planeja-se uma independência de Portugal. . Conjuração mineira (1789): Os moradores da região das minas foram duramente atingidos pela derrama e pela proibição das manufaturas. Com as manufaturas proibidas, os mineiros teriam que importar tecidos de Portugal a um preço muito maior que o custo de produção em uma manufatura local. Parte da elite local, baseados nos princípios da Ilustração e influenciados pela Independência dos Estados Unidos, planejam a formação de uma república na região das minas. Não havia muita coesão de idéias, principalmente no que diz respeito à escravidão, mas previam-se manufaturas livres, libertação dos filhos dos escravos, capital em São João Del-Rei, Universidade em Vila Rica, perdão de dívidas, república eletiva, milícia de cidadãos, parlamentos locais e um central. A trama foi delatada por um de seus membros que era endividado da Coroa e todos foram desterrados, com exceção de Tiradentes, o único pobre do grupo, que foi morto. . Conjuração carioca (1794): Trata-se na verdade de uma sociedade literária, ligada a uma loja maçônica, que discutia a melhor forma de governo para o Brasil e uma possível independência. Não chegou a bolar plano de independência. Também foi reprimida. . Conjuração baiana (1798): Também chamada de conjuração dos alfaiates, foi influenciada fortemente pela Revolução Francesa. Foi uma revolta muito mais popular do que a mineira, participaram dela soldados, artesãos, negros forros e até escravos. Parte da elite também apoiou a revolta. Tinha princípios mais democráticos que a mineira e previa-se inclusive o fim da escravidão. Dos 34 conjurados, alguns foram presos, outros desterrados e três foram enforcados. Os membros da elite nada sofreram na repressão à revolta.

QUESTÕES DE VESTIBULARES (UFC) Questão 21: Ao mesmo tempo que se desenvolvia, em Portugal, uma política de reforma do absolutismo, surgiram conspirações na Colônia. Elas estavam ligadas às novas idéias e a acontecimentos ocorridos na Europa e nos Estados Unidos, mas também à realidade local. A idéia de uma nação brasileira foi se definindo à medida em que setores da sociedade da Colônia passaram a ter interesses distintos da Metrópole ou a identificar nela a fonte de seus problemas. Uma dessas conspirações foi a Inconfidência Mineira. Sobre o grupo que organizou esse movimento é correto dizer: A - era heterogêneo, de origem social variada, com idéias diferentes sobre as transformações sociais que o movimento deveria provocar; B - era um pequeno grupo de mineradores, preocupados unicamente em não pagar mais impostos à Metrópole, pois a extração do ouro tinha diminuído, e a Coroa continuava a cobrar o quinto; C - era um grupo homogêneo de intelectuais, inspirados no Iluminismo e no liberalismo da Revolução Americana; D - eram todos jovens, filhos da elite colonial, que tinham ido estudar na Europa;
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E - teve forte presença de homens pobres, livres, libertos e escravos, e por isso, o fim da escravidão era um de seus principais objetivos. (UNIFOR/CE) Questão 22: Considere os textos. I. Prevaleceu o tipo de motivação "mais colonial do que social". A inquietação teve por base a coerção exercida pela metrópole através da cobrança dos impostos sobre a produção aurífera. A revolução foi dirigida pelos proprietários dessa região em plena decadência econômica. II. Prevaleceu o tipo de motivação "antes social do que colonial". A revolução foi impulsionada pela participação de pequenos artesãos, militares de baixo escalão, escravos e demais setores populares. Neste modelo, a ruptura se dá em três níveis: separação da colônia, mudança das instituições políticas e reorganização da sociedade em novas bases. (Adaptação: Celso Frederico. A idéia de revolução no Brasil colonial. Revista de História. FFLCH/USP, v. 42 (85), jan./mar. 1971. p. 213)

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No Brasil, as contradições do sistema engendraram movimentos que colocaram em xeque e exploração colonial. Dentre esses movimentos, os textos identificam, respectivamente, a: A - Inconfidência Mineira e a Confederação do Equador; B - Revolta de Vila Rica e a Conjuração Carioca; C - Conjuração Baiana e a Revolta de Vila Rica; D - Revolta dos Alfaiates e a Revolta de Beckman; E - Conjuração Mineira e a Conjuração Baiana. (CESGRANRIO/RJ) Questão 23: O bicentenário da Conjuração Baiana (1798) recorda as rebeliões que, no final do século XVIII, tinham em comum refletir a crise do sistema colonial, a qual pode ser retratada pelas opções abaixo, com exceção de uma. Assinale-a: A - Penetração das idéias iluministas e liberais em parcela da elite colonial. B - Politização das camadas populares, incluindo a massa escrava, constantemente rebelada, em aliança com a burocracia colonial. C - Insatisfação crescente com as tradicionais restrições e o fiscalismo do sistema colonial. D - Influência dos movimentos externos, como a Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa. E - Liderança das elites coloniais na quase totalidade dos movimentos de rebelião. (PUC-RIO) Questão 24: Nas últimas décadas do século XVIII, ocorreram diversas manifestações de descontentamento em relação ao sistema colonial português na América. Essas manifestações geraram movimentos sediciosos, que chamamos de "Conjurações" ou "Inconfidências", todos abortados pela repressão metropolitana. Sobre eles, não é correto afirmar: A - A Conjuração Mineira, em 1789, foi a primeira a manifestar a intenção de ruptura com os laços coloniais, e reuniu diversos membros da elite mineradora. B - A Conjuração Baiana, em 1798, também conhecida como Revolta dos Alfaiates, congregou entre as lideranças dos revoltosos, mulatos e negros livres ligados às profissões urbanas, principalmente artesãos e soldados. C - A Conjuração do Rio de Janeiro, em 1794, foi proveniente da Sociedade Literária do Rio de Janeiro, cujos membros, ao se reunirem para debater temas literários, filosóficos e científicos, defendiam concepções libertárias iluministas. D - As conjurações foram influenciadas pelas experiências européia e norte-americana, que se difundiram nas regiões coloniais por meio de livros importados, de pasquins elaborados localmente e de discussões nas casas e ruas de Ouro Preto, Salvador ou Rio de Janeiro. E - A influência externa se fez de modo distinto: enquanto a Conjuração Mineira tomou como exemplo o período do "Terror robespierrista" da Revolução Francesa, a Conjuração Baiana teve como paradigma os ideais expressos na Independência norteamericana. (PUC-RIO) Questão 25: A Conjuração Mineira (1789) e a Conjuração Baiana (1798) possuem em comum o fato de terem sido movimentos que: I. evidenciaram a crise do Antigo Sistema Colonial. II. visaram à emancipação política do Brasil. III. apresentavam forte caráter popular. IV. expressavam insatisfações em face da política metropolitana, particularmente desde a queda do Marquês de Pombal. Assinale a alternativa correta: A - se apenas a afirmativa II estiver correta; B - se apenas as afirmativas I e IV estiverem corretas; C - se apenas as afirmativas III e IV estiverem corretas; D - se apenas as afirmativas I, II e III estiverem corretas; E - se todas as afirmativas estiverem corretas. (FGV/RJ) Questão 26: A revolta de Beckman, ocorrida no Maranhão entre 1684 e 1685, a Guerra dos Mascates, ocorrida em Pernambuco entre 1710 e 1711, e a Revolta de Vila Rica, ocorrida
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em Minas Gerais em 1720, possuem em comum o fato de terem sido movimentos que: A - tinham como objetivo a emancipação política da colônia; B - expressavam a reação dos colonizadores em face da violência física e cultural a que eram submetidos; C - punham em destaque a forte penetração do ideário liberal entre diversos segmentos da sociedade colonial; D - evidenciavam conflitos de interesses entre colonos e colonizadores; E - visavam a pôr fim ao exclusivo comercial, instruindo um regime de livre comércio com a Inglaterra. (UFES) Questão 27: Sobre a Conjuração Baiana, ocorrida em 1798, é correto afirmar que: A - foi uma revolta liderada pelos senhores de escravos, que contou com pouca mobilização popular, sobretudo das populações de cor; B - foi uma revolta anticolonial, com maior presença de camadas populares, que, entre outros objetivos, pretendia acabar com a escravidão e fundar uma república democrática; C - foi um movimento liderado por intelectuais e escravos, comprometido com a luta anticolonial, mas sem planos de revolta; D - foi um movimento contra as taxações excessivas sobre o fumo e o açúcar, que não assumiu um caráter anticolonialista; E - foi uma revolta liderada pela elite baiana, que lutava pela permanência do sistema escravista. (PUC/CAMP) Questão 28:

No Brasil, a bandeira e o seu lema Liberdade ainda que tardia estão associados a um movimento político que questionava o Pacto Colonial. Eles simbolizavam a: A - Revolta de Vila Rica de 1720; B - Inconfidência Mineira de 1789; C - Conjuração Baiana de 1798; D - Revolução Pernambucana de 1817; E - Confederação do Equador de 1824. Questão 29: Sobre a Inconfidência Mineira ( 1789 ) e Baiana (1798) é correto afirmar que: I- Claudio Manoel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga participaram da Inconfidência Mineira. II- Ocorrida em Vila Rica, a Inconfidência Mineira não contou com ampla participação popular. III- Ao contrário da Inconfidência Mineira, na Inconfidência Baiana, houve forte participação popular, incluse escravos. A - I, II e III corretas. B - I, II e III incorretas. C - Apenas a I está correta. D - Apenas a II está correta. E - Apenas a III está correta. (UFU/MG) Questão 30: No decorrer da segunda metade do século XVIII, o avanço da colonização portuguesa no Brasil provocou, como reação, o crescimento da resistência colonial.

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Este movimento de reação à exploração portuguesa tendia a crescer, dinamizar-se e organizar-se. Assim, estes movimentos coloniais apresentaram um nível mais alto de definição ideológica, não se limitando à simples resistência aos impostos ou taxações, mas sim pelo rompimento das relações políticas de dependência em relação à Metrópole. Pode-se concluir, portanto, acerca das rebeliões coloniais que: A - tratava-se de manifestações esporádicas emergidas no seio das camadas populares da Colônia; B - foram movimentos liderados pela burguesia mercantil portuguesa, aqui instalada, com o objetivo de romper com as pesadas perdas econômicas impostas pelo Pacto Colonial; C - esses movimentos devem ser encarados como reflexo da reelaboração, na Metrópole, de uma nova visão do estado absolutista; D - o sentimento de nacionalismo, gerado na Colônia, deve ser entendido num quadro mais geral das próprias mudanças que tendiam a alterar visivelmente a Europa, colocando em xeque o antigo regime, sustentáculo da colonização; E - esses movimentos de rebeldia contra a Metrópole se manifestaram num momento em que o próprio Estado português afrouxa seu poderio econômico e político sobre a Colônia. (UEL/PR) Questão 31: As chamadas “Cartas Chilenas”, de Tomás Antônio Gonzaga, são importantes documentos para: A - explicar a revolta de Manuel Beckmann ocorrida no Maranhão; B - compreender a crise do sistema colonial no final do século XVIII; C - interpretar as razões que levaram Filipe dos Santos à revolta de 1720; D - justificar as causas determinantes da política colonial de Portugal; E - analisar a política restritiva de Portugal após o movimento da Restauração. (UPF/RS) Questão 32: A Inconfidência Mineira (1789) é considerada como o início do processo de emancipação política do Brasil, e seu valor é inegável. No entanto, o projeto dos chamados “inconfidentes” apresentava limites, pois: A - buscava o isolamento, rejeitando apoios externos; B - ignorava a experiência republicana dos EUA; C - não questionava a legitimidade do escravismo; D - não questionava as bases do Pacto Colonial; E - rejeitava os postulados político-filosóficos do Iluminismo. (FGV/RJ) Questão 33: A Inconfidência Mineira, no plano das idéias, foi inspirada: A - nas reivindicações das camadas menos favorecidas da Colônia; B - no pensamento liberal dos filósofos da Ilustração européia; C - nos princípios do socialismo utópico de Saint-Simon; D - nas idéias absolutistas defendidas pelos pensadores absolutistas; E - nas fórmulas políticas desenvolvidas pelos comerciantes do Rio de Janeiro. (UFBA) Questão 34: Em 12 de agosto de 1798, manuscritos apareceram afixados nas paredes das casas, igrejas e lugares públicos da capital de uma capitania brasileira. O panfleto acima refere-se à: A - Conjuração dos Suassunas; B - Revolta de Beckman; C - Revolta de Filipe dos Santos; D - Confederação do Equador; E - Conjuração dos Alfaiates. (UFPE) Questão 35: A Revolta de Filipe dos Santos (1720), em Minas Gerais, resultou entre outros motivos da: A - intromissão dos jesuítas no ativo comércio dos paulistas na região das Minas; B - disseminação das idéias oriundas dos filósofos do Iluminismo francês;
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C - criação das Casas de Fundição e das Moedas, a fim de controlar a produção aurífera; D - tentativa de afirmação política dos portugueses sobre a nascente burguesia paulista; E - tensão criada nas Minas, em virtude do monopólio da Companhia de Comércio do Maranhão. (UERJ) Questão 36: Revolta ocorrida em território do atual Estado de Minas Gerais, envolvendo paulistas e forasteiros: A - Guerra dos Mascates; B - Revolta de Beckman; C - Guerra Guaranítica; D - Conjuração Baiana; E - Conflito dos Emboabas. Questão 37: Movimento subversivo em São Luís do Maranhão no século XVII contra a mudança da capital para Belém, contra o monopólio da Companhia de Comércio do Maranhão e contra os jesuítas. Estamos falando da: A - Guerra dos Emboabas; B - Guerra dos Mascates; C - Conjuração de Nosso Pai; D - Revolta de Beckman; E - Conjuração dos Alfaiates. GABARITO: - questão 21: A - questão 22: questão 24: E - questão 25: B - questão 26: questão 28: B - questão 29: A - questão 30: questão 32: C - questão 33: B - questão 34: questão 36: E - questão 37: D E D D E questão questão questão questão 23: 27: 31: 35: B B B C -